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g1 > Economia

Desenrola 3.0: Durigan diz que governo vai lançar edital para comprar dívidas na quinta
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal publicará na quinta-feira (21) uma chamada para instituições financeiras interessadas em vender carteiras de dívidas ao governo dentro do Desenrola 3.0. O programa prevê a renegociação de débitos de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) (MEIs) com atraso de 2 a 4,5 anos. Nesta etapa, segundo Durigan, as instituições apresentarão as carteiras de dívidas que potencialmente podem ser compradas pelo governo. Ainda não se trata, portanto, de uma convocação para as pessoas renegociarem seus débitos. Após esse momento, o governo analisará o volume apresentado pelas instituições, nas diferentes faixas de renda, e definirá quais estarão aptas ao leilão de aquisição dessas carteiras. As instituições terão cinco dias úteis para apresentar os volumes das cerieiras e, num momento seguinte, o governo anunciará o leilão, que deve ocorrer até o início de dezembro, segundo o ministro.
21/10/2026 21:05:22 +00:00
Justiça libera plano do GPA: dona do Pão de Açúcar inicia reestruturação de dívidas

Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando O plano de recuperação extrajudicial do GPA, dono da rede de supermercados Pão de Açúcar, entrou em vigor após a publicação da sentença que o homologou pela Justiça de São Paulo, nesta terça-feira (20). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A decisão permite que a companhia avance na reestruturação de suas dívidas com credores, com prazos definidos para a entrada de novos recursos e a substituição de títulos antigos por novos papéis. A sentença foi proferida em 7 de outubro pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) no dia 20. A informação foi divulgada pelo GPA em fato relevante nesta quarta-feira (21). Com a publicação, começa a contar o prazo de até 30 dias corridos para que os credores que optaram por aportar novos recursos disponibilizem o dinheiro, desde que sejam cumpridas as condições previstas no plano. O mesmo prazo vale para a alteração dos contratos originais de credores com dívidas em moeda estrangeira que tenham escolhido essa opção. Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas A companhia também terá até 60 dias corridos para emitir e entregar as novas debêntures previstas no plano, conforme as condições estabelecidas no documento. 🔎 As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos de investidores. No caso do GPA, os novos papéis substituirão títulos que já estão nas mãos dos credores e que fazem parte da reestruturação. Para viabilizar a troca, a B3, empresa que administra a infraestrutura do mercado financeiro, dará andamento ao bloqueio dos títulos antigos em seus registros e sistemas de custódia, que mantêm esses ativos registrados. ➡️ A medida abrange debêntures da 18ª e da 20ª emissões do GPA, além de certificados de recebíveis imobiliários da 1ª e da 2ª séries da 80ª emissão da Virgo Companhia de Securitização. Segundo o comunicado, depois que o bloqueio for efetivado, esses títulos não poderão ser negociados, vendidos, transferidos, alugados ou cedidos até que sejam substituídos pelas novas debêntures. 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo pelo qual uma empresa negocia com seus credores condições para reorganizar suas dívidas, com a homologação da Justiça. O plano do GPA, atualizado em 5 de maio, foi aprovado judicialmente nos termos da legislação que regula esse tipo de negociação. A companhia informou que continuará mantendo os acionistas e o mercado atualizados sobre o andamento do processo, conforme as exigências da regulamentação. Entenda a crise do Grupo Pão de Açúcar O Grupo Pão de Açúcar registra prejuízos anuais desde 2022, resultado de diversos fatores que pressionaram seus resultados. Entre os principais, estão: A queda no consumo, especialmente em períodos de alta na inflação de alimentos; Os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas da empresa; Os gastos com mudanças na gestão; O pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas; e As perdas de lojas com baixo desempenho. GPA fecha acordo com credores para plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP
21/10/2026 19:31:07 +00:00
Golpe do QR Code: criminosos adulteram códigos para roubar dinheiro; veja como se proteger

Golpe do QR Code adulterado afeta compras por Pix; veja orientação do Procon A popularização dos pagamentos por QR Code também tem atraído a atenção de criminosos, que usam códigos falsos para desviar dinheiro de consumidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Conhecido como quishing, é um tipo de golpe digital em que fraudadores adulteram ou criam QR Codes para direcionar pagamentos a contas controladas por criminosos. A fraude pode ocorrer tanto em compras pela internet quanto em estabelecimentos físicos. Em sites de comércio eletrônico, por exemplo, os golpistas podem substituir o código de pagamento sem alterar aparentemente a página ou as informações da compra. O consumidor acredita estar pagando pela mercadoria, mas o dinheiro é enviado a outra pessoa. Outra estratégia utilizada por criminosos é criar páginas falsas que imitam sites de lojas conhecidas. Para evitar o golpe, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) recomenda fazer compras nos sites oficiais, conferir o endereço eletrônico e evitar iniciar transações por links recebidos em mensagens, e-mails ou redes sociais. Como os golpes são feitos Em estabelecimentos físicos, como bares, restaurantes, feiras e estacionamentos, os criminosos podem colar adesivos com QR Codes falsos sobre os códigos legítimos disponibilizados pelos comerciantes. Dessa forma, o consumidor acredita que está pagando pelo serviço, mas transfere o dinheiro para uma conta controlada pelos fraudadores. O golpe também pode envolver boletos impressos com QR Code. Nesse caso, os criminosos adulteram o documento e substituem o código original por outro, que direciona o pagamento para uma conta diferente da prevista. A principal recomendação é conferir, no aplicativo da instituição financeira, o nome de quem vai receber o dinheiro e o valor da transação antes de confirmar o pagamento. Se as informações não corresponderem à compra ou ao estabelecimento, o consumidor não deve concluir a operação. “Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido”, afirma Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban. Ele também recomenda observar o próprio código antes de fazer a leitura em estabelecimentos físicos e desconfiar de adesivos sobrepostos ou de sinais de alteração. Segundo Mielle, conferir os dados de quem receberá o dinheiro ajuda a identificar tentativas de fraude antes que o pagamento seja realizado. Como se proteger de golpes com QR Code Confira os dados do pagamento: antes de confirmar a transação no aplicativo do banco, verifique o nome do recebedor e o valor. Use sites oficiais: confira o endereço eletrônico antes de iniciar uma compra pela internet. Evite links suspeitos: não comece compras diretamente por links recebidos em mensagens, e-mails ou redes sociais. Observe o QR Code: em estabelecimentos físicos, desconfie de adesivos sobrepostos ou de sinais de adulteração. Confira boletos impressos: mesmo que o documento pareça legítimo, verifique os dados do recebedor apresentados pelo aplicativo. Não conclua pagamentos divergentes: se os dados exibidos pelo aplicativo não corresponderem à compra ou ao estabelecimento, interrompa a transação. Desconfie de ofertas muito vantajosas: fique atento também a abordagens que pressionem você a pagar imediatamente. QR Code criado em Penápolis (SP) Reprodução / TV TEM
21/10/2026 19:04:45 +00:00
Meta é condenada a pagar US$ 25 bilhões por enganar consumidores no caso Cambridge Analytica

Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters Um juiz do Novo México ordenou nesta quarta-feira (21) que a Meta pague US$ 25 bilhões (R$ 125,7 bilhões) após um júri concluir que a empresa enganou consumidores sobre privacidade de dados. O processo teve origem no escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump em 2016 e obteve dados de milhões de usuários do Facebook sem o consentimento deles. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O procurador-geral do estado processou a Meta em 2021, após revelações de que a Cambridge Analytica, consultoria política britânica, coletou dados pessoais de até 87 milhões de usuários do Facebook por meio de um aplicativo de terceiros. O estado acusou a Meta de enganar usuários do Facebook no Novo México sobre quem tinha acesso aos seus dados, sobre a forma como a empresa lidava com discursos de ódio e desinformação na plataforma e sobre outras políticas internas. Agora no g1 Segundo o estado, a companhia sabia que terceiros tinham amplo acesso aos dados pessoais dos usuários e tolerava discursos de ódio e outros conteúdos nocivos quando isso beneficiava seus resultados financeiros. Júri apontou mais de 43 milhões de violações Em 25 de setembro, o júri considerou enganosas 26 das 29 declarações feitas pela empresa e por seus dirigentes sobre esses temas. Também concluiu que a companhia cometeu mais de 43 milhões de violações das leis de proteção ao consumidor do Novo México, com base no número de usuários do Facebook ou moradores do estado alcançados por cada declaração enganosa. A lei estadual prevê multa de até US$ 5 mil (R$ 25.138,50) por violação e determina que todo o dinheiro seja destinado ao sistema escolar do Novo México, afirmou o procurador-geral do estado, Raúl Torrez, após o veredicto. Em audiência realizada em 1º de outubro, a advogada do estado Randi McGinn pediu ao juiz Francis Mathew que fixasse a multa entre US$ 35 bilhões (R$ 175,97 bilhões) e US$ 40 bilhões (R$ 201,11 bilhões), argumentando que esse valor seria compatível com as garantias constitucionais de devido processo legal nos Estados Unidos e com o veredicto do júri.  "Este tribunal deve falar com a Meta na única linguagem que ela entende, que é a linguagem do dinheiro e do valor de suas ações", disse McGinn. Em documentos judiciais, a Meta pediu ao juiz que limitasse a multa a US$ 3,45 bilhões (R$ 17,35 bilhões), alegando que um valor maior poderia afastar outras empresas do estado. A companhia também sustentou que as provas mostraram que ela não vende dados de usuários e que o Novo México não demonstrou que consumidores tenham sido enganados. Segundo veredito contra a Meta em seis meses Este foi o segundo veredicto contra a Meta em seis meses em processos movidos pelo estado do Novo México e julgados por júris de Santa Fé. No primeiro julgamento, encerrado em março, um júri de Santa Fé considerou que a Meta enganou usuários sobre a segurança de crianças e adolescentes no Facebook, Instagram e WhatsApp e determinou o pagamento de US$ 375 milhões (R$ 1,89 bilhão) em multas civis. Após a segunda fase do julgamento, um juiz determinou ainda que a empresa destinasse US$ 567 milhões (R$ 2,85 bilhões) a um fundo do Novo México voltado à saúde mental de adolescentes e adotasse medidas para proteger usuários adolescentes do Facebook e do Instagram no estado.
21/10/2026 18:34:46 +00:00
INSS: Justiça libera R$ 2,9 bilhões em atrasados; veja quem tem direito a receber e como consultar

A cobrança do INSS era indevida, o que justificou a indenização por danos morais Divulgação / INSS O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou R$ 3,5 bilhões para o pagamento de valores atrasados a pessoas que venceram ações contra órgãos do governo federal. Do total, R$ 2,9 bilhões são destinados a ações relacionadas ao INSS e a benefícios assistenciais, incluindo casos de revisão de aposentadorias, pensões, auxílio por incapacidade e outros benefícios. Os recursos atendem 313.181 beneficiários em 243.718 processos no total. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em número de processos, as ações relacionadas ao INSS e a benefícios assistenciais representam 57% do total de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) liberadas e concentram aproximadamente 83% do dinheiro. São valores que o governo deixou de pagar ou pagou a menos e que, após decisão judicial, precisam ser quitados. Esses valores são chamados de atrasados. Estagiário de agência do INSS é preso por envolvimento em fraudes de benefícios Como são feitos os pagamentos? O CJF libera os recursos para os Tribunais Regionais Federais (TRFs), que são responsáveis por fazer os depósitos. O dinheiro é colocado em uma conta específica, aberta para cada beneficiário no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal. Ou seja, o valor não é depositado automaticamente na conta bancária que a pessoa usa normalmente. Depois que o TRF informar que o pagamento está disponível, o beneficiário pode sacar o dinheiro diretamente em uma agência do banco indicado, apresentando os documentos necessários. Em determinadas situações, também é possível pedir a transferência do valor para uma conta indicada pelo advogado. A data em que o dinheiro estará apto deve ser consultada no site do TRF responsável pelo processo. Quanto cada TRF recebeu Como saber se sou um dos atrasados? Para receber os atrasados, não basta ter um pedido de aposentadoria ou benefício negado pelo INSS, é preciso ter vencido uma ação judicial contra o órgão e ter uma RPV incluída no lote. Veja o passo a passo de verificação: Consulte o andamento do seu processo na Justiça Federal; Procure informações sobre a expedição da RPV ou sobre a liberação do pagamento; Consulte o TRF responsável pelo processo. É o TRF que informa quando o dinheiro estará disponível; Tenha em mãos o número do processo ou do CPF, conforme o sistema de consulta do tribunal.
21/10/2026 18:02:01 +00:00
Após México, Malásia suspende importação de frango de todo o Brasil; Arábia Saudita vai restringir apenas SC

Apenas Santa Catarina vai deixar de exportar frango para a China, diz secretário do Ministério da Ag Depois do México, a Malásia também suspendeu as importações de frango de todo o Brasil após a detecção de um foco da doença de Newcastle (DNC) no oeste de Santa Catarina. China, Chile e Arábia Saudita limitaram a restrição aos produtos catarinenses. A China, maior compradora do Brasil, anunciou a medida na terça-feira (20), enquanto os outros dois países adotaram a mesma decisão nesta quarta-feira (21). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔍A DNC é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em quadros graves, pode causar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária após contato direto com aves infectadas ou suas secreções; não há transmissão da doença pelo consumo de frango. Apesar de ter suspendido as compras, a Malásia está longe de figurar entre os principais destinos do frango brasileiro. Ela ocupa a 68ª colocação entre os mercados compradores, bem atrás de grandes destinos, como China, Japão e Arábia Saudita. LEIA TAMBÉM: Mais de 130 granjas são monitoradas após confirmação de foco em SC O que é a doença de Newcastle? Pode atingir humanos 10 principais compradores de carne de aves do Brasil, de janeiro a setembro deste ano. g1 Onde o caso aconteceu O foco da doença de Newcastle (DNC) foi detectado em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, com cerca de 6 mil animais. A informação foi confirmada na segunda-feira (19), em coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. O estabelecimento foi fechado e a movimentação de aves está suspensa, disse o Ministério da Agricultura. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que, diferentemente do episódio registrado em 2024, não foram identificadas aves doentes neste caso. Segundo ele, o resultado foi obtido durante uma ação de vigilância ativa do Ministério da Agricultura, que realiza exames periódicos em propriedades selecionadas por sorteio. Os testes encontraram material genético de uma variante do vírus de Newcastle associada a pombos em perus que não apresentavam sintomas. "Uma coisa é encontrar sinais do vírus nos exames; outra é ter animais doentes", afirmou Santin. Segundo ele, nenhuma ave apresentava sinais clínicos da doença. Após a detecção, as autoridades iniciaram medidas sanitárias para eliminar o vírus e intensificaram o monitoramento na região. Será realizado monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. O primeiro país a anunciar restrição ao frango brasileiro foi o México. Na segunda-feira (19), o país suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação do caso em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. A restrição, anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, também abrange aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a medida tem como objetivo proteger a produção avícola nacional, considerada livre da doença. Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Leia também: Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato Cliente ou rival? Como a China pode passar de grande compradora a concorrente do frango brasileiro
21/10/2026 17:47:11 +00:00
União Europeia pode liberar importação de frango e mel do Brasil após suspensão

Exportadores brasileiros de carne bovina não podem mais vender para a União Europeia A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira (21) que pretende propor a retomada das importações de carne de aves e mel do Brasil, apurou a agência de notícias Reuters. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A medida ainda precisa ser votada pelos países-membros do bloco, em uma próxima reunião do comitê responsável pelo tema. 🔍 A UE tirou o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui) O embargo passou a falar no dia 3 de setembro, e incluí também a carne bovina, pescados e ovos para as 27 nações do bloco. Em nota divulgada nesta quarta, a Comissão Europeia informou que apresentou os resultados de uma auditoria realizada no Brasil sobre a produção de carne de aves e mel. Segundo o órgão, as conclusões foram positivas. Durante a reunião, os países-membros também tiveram dúvidas sobre o alcance da proposta, os mecanismos para separar produtos destinados a diferentes mercados e os controles das prescrições veterinárias. Esses pontos foram discutidos, segundo a Comissão. O embargo O anúncio da exclusão do Brasil da lista de fornecedores foi feita em maio. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da União Europeia de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente. As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE. Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país. Em 24 de agosto, tiveram início ass auditorias nos setores de aves e mel, feitas por solicitação das próprias autoridades da União Europeia. Os fiscais visitaram estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais do país, verificando a estrutura e do funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro. Leia também: Após México, Malásia suspende importação de frango de todo o Brasil; Arábia Saudita vai restringir apenas SC E como fica a carne bovina? A carne bovina continua embargada. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda não consegue certificar de forma confiável que atende às exigências aplicáveis durante toda a vida dos animais. Por isso, o órgão não pretende, neste momento, propor a retomada das importações desse produto. A retomada das exportações deste produto tende a ser demorada porque a UE exige que seus fornecedores comprovem que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal — que, no caso do boi, leva, em média, dois anos, explica o chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou. Em junho, na tentativa de reverter a decisão da UE, o governo federal implementou um novo protocolo de controle sobre uso de antimicrobianos na pecuária, que prevê o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, é importante que o Brasil volte para a lista da União Europeia, já que ela serve de referência para mais de 20 países fora do bloco, incluindo o Reino Unido e nações africanas. A Noruega, por exemplo, também interrompeu as compras de proteína animal do Brasil, seguindo a decisão da UE. Bandeira da União Europeia. Christian Lue/Unplash
21/10/2026 17:33:33 +00:00
Justiça autoriza recuperação judicial da Casas Bahia

Unidade da Casas Bahia. Varejo/Divulgação A Justiça de São Paulo autorizou, nesta quarta-feira (21), o início da recuperação judicial da Casas Bahia e de outras nove empresas do grupo. A decisão foi assinada pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Segundo a decisão, as empresas cumprem os requisitos legais necessários para avançar com a recuperação, apesar de ainda haver documentos pendentes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O grupo terá 30 dias para apresentar as informações que faltam. Caso não cumpra a determinação, a autorização poderá ser revogada. Entre as pendências estão dados sobre o fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas, projeções financeiras separadas para cada companhia e a atualização da lista de credores. A magistrada também manteve a suspensão temporária de determinadas cobranças judiciais contra as empresas, medida que já havia sido concedida anteriormente. Agora no g1 Apesar das pendências, a juíza avaliou que os problemas identificados na documentação são pontuais e podem ser corrigidos durante o processo. 🔎 Nesta fase, a Justiça avalia apenas se as empresas cumprem os requisitos legais e se apresentaram os documentos necessários para iniciar a recuperação judicial. A decisão não significa que o plano de recuperação foi aprovado nem que a Justiça concluiu que as empresas conseguirão se recuperar. O plano ainda precisa passar pela análise dos credores. A AJ Ruiz Consultoria Empresarial S/A foi nomeada administradora judicial, responsável por acompanhar e fiscalizar as atividades das empresas durante o processo e apresentar relatórios à Justiça. Após a publicação do edital, os credores terão 15 dias para informar créditos que não estejam na lista ou contestar os valores apresentados pela empresa. Os pedidos deverão ser encaminhados diretamente à administradora judicial. O Grupo Casas Bahia entrou com o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, om o objetivo de renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter suas operações. 🔎 A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras tentem renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto mantêm suas atividades. O mecanismo busca evitar a falência e preservar a operação e os emprego. (Veja como funciona a recuperação judicial)
21/10/2026 15:14:00 +00:00
Lula perdoa dívidas de MEIs; veja 3 erros que levam pequenos negócios ao vermelho

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Nesta quarta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). A medida pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho. A análise é de especialistas ouvidos pelo g1, que trazem três principais fatores que contribuem para o alto endividamento dos MEIs. São eles: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa. O projeto de lei complementar perdoa de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria para R$ 140 mil em 2028, permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições e extingue a nota fiscal para NanoMEIs. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio. “Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma. Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais. O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando. Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo. A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal. Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento. Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade. No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la. No segundo, a abertura pode ocorrer sem planejamento, como uma alternativa imediata para gerar renda. “Enquanto no caso do empreendedorismo por oportunidade o empreendedor vê isso como o seu futuro, o por necessidade o vê como ‘bico’, até que alguma coisa melhor apareça, o que diminui o planejamento e a resiliência”, diz. Isso não significa que todo negócio aberto por necessidade esteja condenado ao fracasso. A diferença apontada pelo economista está nas condições em que a atividade começa e na preparação para administrar os recursos, organizar as despesas e enfrentar períodos de menor movimento. (veja abaixo) Para Leal, políticas de apoio ao empreendedorismo precisam ir além da renegociação. Ele defende a ampliação do acesso a linhas de crédito subsidiadas — financiamentos com condições favorecidas — e o uso dos serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar os microempreendedores. Como separar as contas pessoais das contas da empresa A primeira medida para organizar as finanças é tratar o dinheiro do negócio e o da família como recursos diferentes, mesmo quando o empreendedor é o único proprietário da empresa. “Eu começaria com uma regra simples: são dois bolsos diferentes, o do negócio e o da pessoa física. O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo dinheiro que entra na empresa em dinheiro disponível para a família”, afirma Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar. Isso significa que o faturamento — todo o dinheiro recebido pelas vendas ou pelos serviços prestados — não deve ser confundido com o lucro. Parte dos recursos precisa ser usada para pagar fornecedores, impostos, despesas da operação e compromissos que ainda vão vencer. Outra parcela pode precisar ficar reservada para a compra de mercadorias e a continuidade da atividade. Antes de transferir dinheiro da empresa para a conta pessoal, o empreendedor deve calcular quanto sobrou depois dos custos e das despesas e verificar quanto pode retirar sem comprometer o funcionamento do negócio. 🧾 Maciel ilustra a diferença com um exemplo hipotético: Se uma empresa recebe R$ 6,5 mil, tem R$ 4 mil em pagamentos e compromissos e precisa reservar outros R$ 1 mil para manter a operação no período seguinte, restam R$ 1,5 mil disponíveis. Mesmo que o lucro calculado seja de R$ 1,8 mil, retirar mais do que R$ 1,5 mil comprometeria o dinheiro necessário para a atividade. As receitas variam mês a mês, e agora? Quando as receitas variam de um mês para outro, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para estabelecer uma retirada pessoal que também seja viável nos períodos mais fracos. Nos meses de maior faturamento, parte do dinheiro pode ser guardada para compensar eventuais quedas posteriores. O controle deve ser feito em duas frentes: A empresa precisa registrar suas vendas, custos, impostos e compromissos; Já o orçamento doméstico deve considerar apenas o dinheiro efetivamente transferido para o empreendedor como renda pessoal. Se as despesas da família forem maiores do que o negócio consegue sustentar, a saída é rever o orçamento doméstico ou buscar outra fonte de renda, em vez de retirar recursos destinados ao pagamento de fornecedores e à manutenção da atividade. MEI grafico Quais são os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle? O endividamento nem sempre começa com contas atrasadas. Em alguns casos, o empreendedor continua pagando tudo em dia, mas passa a depender de crédito caro para cobrir as despesas do mês. Segundo Antonio Maciel, planejador financeiro, sinais de alerta incluem recorrer ao cheque especial, pagar apenas parte da fatura do cartão de crédito ou contratar um empréstimo para quitar outro. O problema também pode aparecer quando toda compra de estoque depende de financiamento. Por isso, acompanhar apenas o saldo bancário não é suficiente. O planejador recomenda observar quatro pontos: O resultado do negócio depois dos custos e das despesas; O dinheiro disponível para manter a operação; O total das dívidas e o peso das parcelas e dos juros; e O volume de recursos parado em mercadorias, além dos prazos para receber dos clientes e pagar fornecedores. Um negócio pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades se os preços não cobrirem os custos. Da mesma forma, pode apresentar lucro no papel, mas ficar sem dinheiro para pagar as contas porque os clientes demoram a pagar ou porque o empreendedor retira recursos em excesso. A origem do problema muda a solução. Se a atividade consegue cobrir seus custos, mas falta dinheiro depois das retiradas pessoais, pode haver um desequilíbrio no orçamento familiar. Se o caixa já fica negativo antes dessas transferências, é preciso investigar os preços, os custos, as vendas e os prazos de recebimento. Como negociar dívidas sem criar um problema maior Ao perceber que as contas estão saindo do controle, o empreendedor precisa identificar quais compromissos são essenciais para manter a empresa funcionando e quais podem ser renegociados. Maciel, planejador financeiro, recomenda avaliar tanto o custo das dívidas quanto as consequências de deixar de pagá-las. Obrigações legais, como tributos e salários, quando houver funcionários, merecem atenção, assim como compromissos cujo atraso possa provocar a perda de um equipamento essencial ou interromper o fornecimento necessário para as vendas. Na comparação entre empréstimos, um dos principais indicadores é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas da operação. Também é necessário comparar o valor total a pagar, o prazo e o tamanho das parcelas em relação ao dinheiro que o negócio efetivamente recebe. Uma prestação menor nem sempre representa um acordo mais barato. Em um exemplo hipotético apresentado pelo planejador, um acordo de 12 parcelas de R$ 320 totaliza R$ 3.840. Já outro, de 24 parcelas de R$ 230, soma R$ 5.520. A segunda opção tem prestações menores, mas custa mais no total. “A renegociação só vira recuperação quando muda a capacidade de pagamento e vem acompanhada de uma correção na gestão”, afirma Maciel. Segundo ele, é necessário identificar se a dificuldade surgiu de uma queda temporária nas vendas, de retiradas pessoais excessivas, de mercadorias paradas, de preços inadequados ou de custos que o negócio não consegue sustentar. Imprevistos e perda de renda também podem provocar endividamento. O planejador alerta ainda para o risco de usar o cheque especial e o crédito rotativo do cartão — modalidade em que o consumidor não paga integralmente a fatura — como fontes permanentes de financiamento. Um empréstimo planejado para uma necessidade produtiva é diferente de contratar crédito todos os meses para cobrir prejuízos. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes
21/10/2026 14:55:37 +00:00
Lula sanciona lei que perdoa dívidas de MEIs, amplia limite de faturamento e funcionários; veja como vai funcionar

Simples Nacional Divulgação/Sebrae Foi sancionada nesta quarta-feira (21) a lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), amplia o limite de faturamento da categoria e permite a contratação de mais funcionários. A medida foi aprovada pelo Congresso na semana passada e, segundo o governo federal, poderá beneficiar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores em todo o país. Entre as principais mudanças aprovadas pelo Congresso estão: Perdão de dívidas de MEIs contraídas até 13 de outubro de 2026; Aumento do limite anual de faturamento para até R$ 140 mil em 2028; Possibilidade de contratação de até dois funcionários em determinadas atividades. Agora no g1 Ao anunciar a sanção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a medida deve ajudar milhões de brasileiros a regularizar a situação de seus negócios e voltar a ter acesso a crédito e outras oportunidades. "Nós resolvemos anistiar para limpar o nome dessas pessoas no Serasa e poderem começar uma vida nova", afirmou o presidente, nesta terça-feira (20), durante evento em São Luís (MA). A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 14 de outubro e pelo Senado no dia seguinte. Como os senadores mantiveram o texto aprovado pelos deputados, o projeto seguiu diretamente para sanção presidencial. Pelas estimativas apresentadas durante a tramitação do projeto, cerca de 3,6 milhões de empreendedores poderão ser beneficiados diretamente pelo perdão das dívidas, que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o conjunto das medidas poderá alcançar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores individuais em todo o país. Paralelamente, o governo também anunciou uma proposta que prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios. 💵 O recurso seria não reembolsável, ou seja, não precisaria ser devolvido pelo beneficiário. A medida, porém, não faz parte da lei sancionada e ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional. A seguir, o g1 explica como funcionarão o perdão das dívidas, o novo limite de faturamento, as regras para contratação de funcionários e quando as mudanças começam a valer. Perdão de dívidas Entre todas as medidas sancionadas, a que deve produzir efeitos mais rapidamente para os microempreendedores é a anistia dos débitos com a União. Pelas regras da nova lei, serão perdoadas as dívidas contraídas até 13 de outubro de 2026. O benefício abrange não apenas o valor principal devido, mas também juros, multas e demais encargos cobrados sobre esses débitos. ⚠️ O alcance da medida foi ampliado durante a tramitação do projeto. Inicialmente, a proposta previa o perdão apenas para débitos inscritos na Dívida Ativa da União. O texto final passou a contemplar também dívidas que ainda estavam em fase de cobrança administrativa e não haviam sido formalmente inscritas. Segundo o Ministério da Fazenda, essa ampliação pode gerar impacto adicional de até R$ 2 bilhões além das estimativas iniciais. A lei, entretanto, estabelece algumas condições para que o empreendedor mantenha o benefício: O MEI deverá manter em dia o pagamento das contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da nova lei; Deverá desistir de eventuais ações judiciais que discutam os débitos contemplados pela anistia; Precisará cumprir as demais exigências previstas na legislação para enquadramento no benefício. Caso essas condições deixem de ser cumpridas, o perdão poderá ser cancelado. O texto também determina que não haverá cobrança de honorários advocatícios em razão da extinção de ações judiciais relacionadas aos débitos anistiados. Já os valores pagos anteriormente não serão devolvidos. Como vai funcionar o aumento do teto Hoje, para permanecer enquadrado como MEI, o empreendedor pode faturar até R$ 80 mil por ano. Com a nova lei, esse limite será ampliado de forma gradual: R$ 110 mil em 2027; R$ 140 mil em 2028. O teto atual está em vigor desde 2018 e é considerado defasado por representantes do setor, que argumentam que muitos empreendedores acabam limitando as próprias vendas para evitar o desenquadramento. A mudança permitirá que pequenos negócios cresçam sem precisar migrar tão rapidamente para outras categorias empresariais, que costumam ter mais obrigações tributárias e burocráticas. Durante a tramitação da proposta na Câmara, o relator do projeto, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), afirmou que muitos profissionais acabam recusando oportunidades para não ultrapassar o limite atual. "Esse MEI hoje às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa do MEI." O texto também prevê mecanismos que podem permitir que empresas atualmente enquadradas em outras modalidades do Simples Nacional retornem à condição de MEI, desde que atendam às exigências previstas na legislação. Contratação de funcionários Outra mudança relevante envolve a contratação de empregados. Atualmente, o microempreendedor individual pode contratar apenas um funcionário. Com a nova regra, determinadas atividades poderão manter até dois empregados registrados. A ampliação vale para atividades de indústria, comércio e prestação de serviços no meio rural. Para os demais segmentos, continua valendo a regra atual, limitada a um empregado. 💰 A lei estabelece que esses trabalhadores deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Emissão de notas fiscais O pacote também prevê mudanças nas regras para a emissão de notas fiscais pelos microempreendedores individuais. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, a proposta é dispensar os MEIs da obrigação de emitir o documento nas vendas de mercadorias e na prestação de serviços para pessoas físicas. A emissão continuará obrigatória nas operações com empresas e órgãos públicos. A mudança deverá ser regulamentada por decreto presidencial, no contexto da reforma tributária. O pacote também prevê a criação de uma nova categoria, chamada Nano MEI, a partir de 2027. Ela será destinada a trabalhadores autônomos com faturamento anual de até R$ 40,5 mil, que poderão atuar sem abrir CNPJ e sem emitir notas fiscais, inclusive nas operações com empresas. Por que o governo decidiu perdoar essas dívidas? Segundo o governo federal, uma parcela significativa desses débitos possui baixa perspectiva de recuperação. A avaliação é que o endividamento dos microempreendedores aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia, dificultando a regularização de milhões de pequenos negócios e reduzindo o acesso ao crédito. Ao anunciar o pacote de medidas, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, afirmou que a iniciativa busca permitir que esses trabalhadores voltem a atuar de forma regular e tenham mais oportunidades de crescimento. "Especialmente depois da pandemia, o nível de endividamento dos microempreendedores individuais aumentou muito. Nós tentamos trabalhar muito para reduzir esse endividamento ao longo dos últimos anos [...] mas chegamos à conclusão que ou o Estado brasileiro perdoa a dívida dos MEIs, ou a gente não vai vencer esse mal terrível", declarou.
21/10/2026 14:55:23 +00:00
Papa Leão XIV vai usar picape da Fiat em visita ao Uruguai, veja o papamóvel

Carro que o Papa Leão XIV usará no Uruguai Stellantis A Fiat Titano será transformada em papamóvel para transportar o papa Leão XIV durante sua visita ao Uruguai, entre os dias 6 e 8 de novembro. A picape está sendo adaptada pela Nordex, parceira industrial da Stellantis no país, em Montevidéu. O veículo receberá modificações para permitir que o pontífice seja visto pelo público e tenha contato visual com os fiéis durante os deslocamentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Entre as mudanças previstas estão laterais abertas, assento giratório com altura ajustável para o papa, dois assentos auxiliares e escada traseira elétrica. O projeto também inclui tapete vermelho, acabamentos em couro branco nos corrimãos e nos assentos e uma cobertura transparente para proteger o pontífice em caso de condições climáticas adversas. A adaptação está sendo feita por técnicos e trabalhadores uruguaios nas instalações da Nordex, em Montevidéu. Carro que o Papa Leão XIV usará no Uruguai Stellantis Na Argentina, papa usará Toyota Hilux adaptada Depois da Fiat Titano no Uruguai, o papa Leão XIV deverá ser transportado por uma Toyota Hilux na Argentina. A Toyota confirmou que vai preparar e doar duas unidades da picape, produzida na fábrica de Zárate, para os deslocamentos do pontífice durante a visita ao país, prevista para 8 a 11 de novembro. Agora no g1 Os veículos serão adaptados por uma empresa especializada, mas a montadora não divulgou detalhes técnicos das modificações por questões de segurança. As duas unidades deverão ser utilizadas nos deslocamentos previstos em Buenos Aires, Córdoba e Luján Fiat já foi usada como papamóvel no Brasil Esta não será a primeira vez que um veículo da Fiat será utilizado por um papa na América do Sul. Em julho de 2013, durante sua primeira viagem internacional como pontífice, o papa Francisco percorreu ruas do Rio de Janeiro a bordo de um Fiat Idea, durante a Jornada Mundial da Juventude. Depois da visita, o carro foi incorporado ao acervo da Fiat e preservado com as marcas de sua participação no evento. Leão XIV visitará Montevidéu, Paysandú e Florida, no Uruguai, entre 6 e 8 de novembro. Depois, seguirá para a Argentina e o Peru. Papa passou por cirurgia no pulmão Leão XIV passou por uma cirurgia em 13 de outubro para retirar o lobo inferior do pulmão direito. O procedimento foi realizado após a identificação de um adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer. Segundo o Vaticano, a operação ocorreu sem complicações, e o pontífice recebeu alta hospitalar no dia 17 de outubro. Nesta quarta-feira (21), o papa retomou a audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, e percorreu o local de papamóvel, saudando os fiéis.
21/10/2026 14:44:05 +00:00
IBGE retira menção a drogas de nota sobre o PIB; entenda

Brasil tem queda no trabalho infantil, segundo o IBGE O IBGE retirou a menção à estimativa da comercialização de drogas ilícitas de uma nota metodológica sobre a atualização do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Na primeira versão do documento, publicada em 8 de outubro de 2025, o órgão indicava que a nova série das Contas Nacionais traria mudanças como a estimativa da comercialização de drogas, entre outros pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já a versão mais recente, divulgada em 11 de setembro de 2026, não faz referência direta à medida. O tema ganhou repercussão nas redes sociais em setembro, quando perfis criticaram a possibilidade de incluir estimativas da comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB brasileiro. As publicações associaram a medida a uma suposta tentativa de inflar os indicadores econômicos do governo. A inclusão, porém, segue recomendações estatísticas internacionais e não significa legalizar essas atividades. Questionado pelo g1 sobre a retirada, o IBGE afirmou que as notas metodológicas são atualizadas rotineiramente durante o processo de revisão das Contas Nacionais. Segundo o instituto, as mudanças podem considerar comentários externos, alterações no cronograma e questões metodológicas ou relacionadas às bases de dados utilizadas. ➡️ O órgão, porém, não explicou especificamente por que a referência às drogas deixou de constar no documento nem confirmou se a estimativa será incorporada ao cálculo do PIB. A revisão das Contas Nacionais está em andamento, e a previsão do IBGE é divulgar os primeiros resultados da nova série em 2028. Por que uma atividade ilegal entraria no cálculo do PIB? O instituto começou a discutir como estimar esse mercado em 2019 e realizou uma primeira estimativa-teste em 2021. Desde então, os estudos e os testes metodológicos continuam. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia em determinado período. Nas Contas Nacionais, o critério não é simplesmente saber se uma atividade é permitida ou proibida pela legislação. As regras internacionais preveem que, quando há uma transação econômica voluntária entre comprador e vendedor, ela pode entrar nas contas mesmo que o bem ou serviço comercializado seja ilegal. É o caso da compra e venda de drogas: embora a produção e o comércio sejam proibidos, existe uma transação de mercado entre quem vende e quem compra. Segundo os manuais internacionais consultados pelo IBGE, como o System of National Accounts (SNA), publicado pela ONU, e o "Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments", deixar essas operações completamente fora das contas pode produzir distorções em outras partes das estatísticas. Um exemplo é o cálculo da poupança das famílias. Se uma família gasta dinheiro na compra de um produto ilegal e esse gasto não é registrado, as contas podem dar a impressão de que aquele dinheiro permaneceu com a família. Na prática, ele foi gasto. O resultado é uma possível superestimativa da poupança e uma inconsistência entre as diferentes contas econômicas. 🔎 No caso do Brasil, o IBGE informou em nota que incluirá a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB. Entretanto, os materiais internacionais nos quais o instituto se baseia tratam de três tipos de atividades ilícitas: drogas, prostituição e contrabando. Questionado, o IBGE não explicou se levará em consideração somente as drogas ou também as outras duas atividades. Como o IBGE pretende calcular o tamanho desse mercado? O cálculo não parte simplesmente da quantidade de drogas apreendida pela polícia. A metodologia internacional recomenda começar principalmente pelo lado da demanda, ou seja, tentar estimar quanto é consumido. Isso acontece porque é muito difícil observar diretamente a produção e a venda em um mercado ilegal. Produtores e traficantes têm incentivo para esconder suas atividades. Já as informações sobre consumo podem ser obtidas por meio de pesquisas e de outras estatísticas disponíveis. De forma simplificada, a estimativa parte de três elementos: Número de usuários × consumo médio por usuário × preço de venda = estimativa do gasto dos consumidores. A partir daí, o cálculo precisa estimar como esse consumo é abastecido: quanto vem da produção nacional e quanto corresponde a drogas que entram no território brasileiro por meio de importações ilegais. Também é necessário estimar os custos envolvidos na atividade. Isso permite chegar ao chamado Valor Adicionado Bruto (VAB), que mede quanto uma atividade efetivamente acrescenta à economia depois de descontados os bens e serviços utilizados na produção. Agentes do IBGE Reprodução
21/10/2026 14:25:56 +00:00
BC estuda limitar crédito de acordo com a renda, diz agência

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central do Brasil (BC) prepara um conjunto de medidas para conter o avanço do endividamento das famílias e estuda limitar a concessão de crédito sem garantia de acordo com a renda de cada cliente. As informações são da Reuters. As propostas também incluem maior responsabilização dos bancos e mais transparência na oferta de crédito. O plano reflete a preocupação das autoridades com o alto nível de endividamento no país. O BC já havia sinalizado que adotaria medidas para tornar mais rigorosa a oferta de crédito sem garantia, incluindo cartões de crédito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a Reuters, as medidas devem ser implementadas e anunciadas gradualmente. Um eventual aumento das exigências de capital dos bancos não deve fazer parte da primeira etapa. O Banco Central informou que não comentaria o assunto. O endividamento também ganhou espaço na disputa eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, colocou em prática novas rodadas de renegociação e perdão de dívidas de famílias e empreendedores. Já Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, caso seja eleito, criar um programa de compra de débitos pelo governo e congelar temporariamente dívidas. Agora no g1 O endividamento das famílias chegou, em julho, a 49,9% da renda acumulada em 12 meses, patamar historicamente alto, segundo o BC. Já a Serasa apontou um recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes. A expansão dos serviços bancários digitais facilitou o acesso ao crédito e reduziu custos para consumidores e instituições financeiras nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a rapidez na oferta, aprovação e liberação de empréstimos aumentou a preocupação com os critérios usados para conceder crédito. Uma das propostas prevê que os bancos avaliem com mais rigor a situação financeira e o perfil do cliente antes de conceder crédito. Também estão em estudo regras para apresentar de forma mais clara as informações sobre custos e condições da operação antes da contratação, segundo uma das fontes. O BC também analisa regras adotadas em outros países, entre eles Cingapura, cujo modelo é visto como uma referência nas discussões, segundo a fonte. Em Cingapura, o limite de crédito sem garantia, incluindo cartão de crédito, equivale a até dois meses de salário para quem ganha até 30 mil dólares de Cingapura por ano. Para pessoas com renda anual entre 30 mil e 120 mil dólares de Cingapura, o limite sobe para quatro meses de salário. Acima desse patamar, essa restrição não se aplica. Cingapura também adota critérios de renda ou patrimônio para a concessão de cartões de crédito. A Reuters informou, ainda, que as medidas em estudo levam em conta dois princípios adotados no mercado financeiro: capacidade de pagamento (affordability) e adequação do crédito ao perfil do cliente (suitability). Na prática, os bancos teriam de avaliar se o cliente consegue pagar as parcelas sem comprometer excessivamente sua renda e se o crédito oferecido é adequado ao seu perfil e às suas necessidades.
21/10/2026 14:24:47 +00:00
OpenAI diz que agentes de IA enfraqueceram sistemas criados para monitorá-los

As preocupações que levaram a OpenAI, do ChatGPT, a abandonar lançamento de novo sistema de IA Andrej Ivanov/AFP via Getty Images A OpenAI informou que dois de seus agentes de inteligência artificial (IA) enfraqueceram sistemas de segurança usados pela empresa para monitorar as ações dos próprios modelos. Os casos ocorreram durante tarefas internas de programação. Esse é o caso mais recente de agentes de IA que agiram de maneiras não previstas por seus desenvolvedores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Embora a empresa responsável pelo ChatGPT tenha afirmado que os incidentes ocorreram durante tarefas internas de programação e não foram classificados entre os casos mais graves, os episódios mostram que até os sistemas criados para detectar comportamentos inadequados da IA podem sofrer interferência dos próprios agentes que monitoram. A revelação ocorre em meio a preocupações crescentes de que os avanços na segurança da IA não acompanhem o ritmo de desenvolvimento de sistemas cada vez mais poderosos. Pesquisadores têm alertado que agentes avançados podem se tornar mais difíceis de monitorar e controlar à medida que ganham autonomia. Agora no g1 Empresas como OpenAI e Anthropic, rivais que se preparam para abrir o capital, revelaram nos últimos meses casos em que agentes de IA acessaram sistemas externos sem autorização. Em 3 de outubro, um agente GPT-6.1 Sol que realizava um teste interno desativou alertas automáticos de segurança após interpretar que uma instrução anterior para não enviar mensagens pelo Slack também se aplicava às notificações de segurança, segundo a OpenAI. Em outro episódio, em 6 de outubro, um agente GPT-6 Astra removeu um mecanismo de monitoramento de segurança enquanto copiava um código existente e depois afirmou, incorretamente, que não havia feito isso, segundo a OpenAI. “Em ambos os casos, os agentes avaliaram se os mecanismos de monitoramento deveriam ser mantidos, mas interpretaram instruções rotineiras de programação como permissão para enfraquecê-los”, afirmou a empresa. A OpenAI afirmou que está adotando medidas para dificultar que os modelos desativem os mecanismos de monitoramento, mas admitiu que “ainda não tem uma explicação satisfatória para esse comportamento”. A empresa também está investigando se seus modelos podem ter uma tendência a evitar o monitoramento e buscar justificativas para fazer isso.
21/10/2026 14:09:41 +00:00
Tesla e SpaceX discutem possível fusão; ‘seria uma boa ideia’, diz Musk

Musk, Spacex e Tesla REUTERS/Evan Vucci e REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Elon Musk afirmou, na terça-feira (20), que uma possível fusão entre a SpaceX e a Tesla seria “uma boa ideia” e revelou que as duas empresas criaram comitês especiais para discutir a operação. Após as declarações, as ações da SpaceX subiram 8% nas negociações após o fechamento do mercado. A SpaceX também divulgou seu primeiro lucro desde que abriu o capital. O bilionário afirmou esperar que a receita recorrente anual da companhia fique entre US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões) e US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) até o fim de 2027, impulsionada pela crescente demanda por capacidade em seus centros de dados com o avanço da inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔎 Receita recorrente anual é uma estimativa de quanto uma empresa pode faturar em um ano com receitas que se repetem regularmente. Musk já havia levantado anteriormente a possibilidade de unir SpaceX e Tesla, citando a crescente sobreposição entre os negócios das duas companhias. Agora no g1 As especulações sobre uma possível compra da fabricante de veículos elétricos pela empresa espacial ganharam força recentemente, depois que o Barclays afirmou, na semana passada, que um acordo poderia ser anunciado antes da assembleia anual da Tesla, em dezembro. “Acho que seria uma boa ideia, mas isso realmente depende dos comitês especiais das duas empresas”, disse Musk, na primeira confirmação oficial de que SpaceX e Tesla mantêm conversas formais sobre uma possível fusão. “Como tenho conflito de interesses, não posso participar das discussões dos comitês especiais”, afirmou o bilionário durante uma teleconferência com investidores. Os grupos são formados por conselheiros independentes. Os comitês especiais foram criados a pedido dos acionistas, que também teriam de aprovar uma eventual fusão. A Terafab, empresa criada em conjunto por SpaceX e Tesla para fabricar chips, deve produzir seu primeiro chip de teste entre maio e junho de 2027 e pretende iniciar a produção em larga escala até o terceiro trimestre de 2028, segundo Musk. Musk ressaltou, porém, que ainda é cedo para considerar a fusão como certa. Segundo ele, os comitês especiais ainda não chegaram a um acordo sobre os termos da operação e talvez nunca cheguem. As ações da Tesla subiam 1,8% nas negociações após o fechamento do mercado. Musk, a pessoa mais rica do mundo, detém quase 20% da Tesla e pouco menos de 50% da SpaceX. Segundo analistas, uma fusão lhe daria o controle da empresa resultante. As negociações começaram nas últimas semanas e podem resultar na compra da Tesla pela SpaceX, segundo uma fonte a par das discussões ouvida pela Reuters. A pessoa pediu anonimato por não estar autorizada a falar publicamente sobre o assunto. A Tesla também conta com a assessoria de um banco de investimentos nas negociações. A receita da SpaceX cresceu 161% no terceiro trimestre, para US$ 14,58 bilhões (R$ 73,1 bilhões), na comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita ligada à inteligência artificial aumentou quase dez vezes, para US$ 7,56 bilhões (R$ 37,9 bilhões), impulsionada principalmente pelo aluguel de capacidade de seus centros de dados a empresas como Anthropic, Google, da Alphabet, e Reflection AI, e não por modelos próprios de IA. Os resultados do terceiro trimestre mostram que os investimentos da SpaceX em inteligência artificial já começam a gerar receita, embora os gastos com infraestrutura de computação continuem elevados. Os investimentos da empresa em ativos e infraestrutura quase triplicaram, para US$ 19,6 bilhões (R$ 98,3 bilhões). O avanço da inteligência artificial está mudando o perfil dos negócios da SpaceX, historicamente impulsionados pelo serviço de internet via satélite Starlink. As ambições de longo prazo da empresa também dependem do início das operações regulares dos foguetes Starship.
21/10/2026 13:30:23 +00:00
Associação de restaurantes vai à Justiça contra modelo de delivery da Keeta; entenda

Motociclista de entrega com mochila da Keeta. Adobe Stock A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) entrou com uma ação civil pública contra a Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A entidade contesta o modelo de “compra intermediada” adotado pela empresa no Brasil. (entenda mais abaixo) A associação pede a suspensão imediata da prática nos restaurantes que não autorizaram sua inclusão no aplicativo, além da proibição desse modelo de operação no país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a ANR, na “compra intermediada”, restaurantes são incluídos no aplicativo da Keeta sem autorização prévia. Quando um cliente faz um pedido, um entregador ou comprador vai ao estabelecimento, compra os produtos no balcão e os leva ao consumidor. “Quando a Keeta coloca uma operação dessa, o vendedor nem sabe o que está acontecendo na operação dele. Os gestores de restaurantes não sabem que uma venda presencial de balcão, na verdade, seria uma venda para a Keeta”, disse Erik Momo, presidente do conselho da ANR, em entrevista à Reuters. Agora no g1 Segundo a ANR, a compra intermediada pode limitar a liberdade comercial dos restaurantes, gerar concorrência desleal e prejudicar a relação dos estabelecimentos com os clientes. “Recorrência é algo fundamental para um restaurante sobreviver. O proprietário tem que ter gestão sobre aquilo que está no cardápio, do item que está vendendo, do preço que está praticando, da qualidade da entrega etc. Se eu, como proprietário, passo tudo para esse intermediário e perco esse controle, estou correndo o risco de meu negócio deixar de existir sem eu saber”, disse Momo. Além de pedir a suspensão da prática, a ANR defende maior diálogo da Keeta com o setor. A entidade cita como exemplo suas parcerias com o iFood, controlado pelo grupo Prosus, e a 99, da chinesa DiDi Global. “Nosso pedido é que eles suspendam essa prática. Ela é prejudicial para o consumidor, porque ele não entende o que está acontecendo, e para o restaurante, porque ele acaba vendendo algo que não estava previsto”, disse Momo. Procurada pela Reuters, a Keeta, que iniciou suas operações no Brasil em 2025, afirmou não ter recebido nenhuma notificação judicial sobre a ação. Sobre a compra intermediada, a empresa afirmou que a ferramenta foi criada em caráter experimental para ampliar as opções de restaurantes disponíveis aos consumidores no aplicativo. Segundo a Keeta, a iniciativa foi desenvolvida em um mercado no qual contratos de exclusividade dificultam a entrada de estabelecimentos em outras plataformas de delivery. "A compra intermediada [é] uma iniciativa desenvolvida especificamente para o Brasil e que opera em conformidade com todas as leis e regulamentações locais aplicáveis", disse a Keeta em nota. A Keeta iniciou suas operações no Brasil em 2025. A 99, da também chinesa DiDi Global, retomou sua atuação no setor de delivery no mesmo ano. Desde então, as duas empresas vêm ampliando suas operações no país, enquanto o iFood segue na liderança do mercado. Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou o aprofundamento das investigações sobre a concorrência no mercado de delivery no Brasil.
21/10/2026 12:40:26 +00:00
Dólar fecha em alta, com balanços corporativos e pesquisas eleitorais no foco; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (21), com um avanço de 0,17%, cotado a R$ 5,0272. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve queda de 0,86%, aos 206.495 pontos. Com as eleições brasileiras como pano de fundo, investidores aguardam pela divulgação de novas pesquisas eleitorais e avaliaram novos balanços corporativos. A notícia de que o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento das famílias e os preços do petróleo no mercado internacional também seguiram no radar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A temporada de balanços no Brasil começou nesta semana e deve mexer com os mercados financeiros. Analistas indicam que, principalmente nos resultados do setor financeiro, os índices de inadimplência estarão no centro das atenções, principalmente após o rali presidencial. ▶️ Com isso, investidores também seguem atentos ao cenário de crédito, após notícias de que o Banco Central estaria estudando um conjunto de medidas para conter o endividamento das famílias no Brasil. Entre as medidas, estariam a maior transparência dos bancos, a conscientização do consumidor e o limite do crédito autorizado por pessoa de acordo com a renda. ▶️ Além disso, a nova pesquisa Quaest de intensão de votos também fica no foco. O levantamento mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A situação é de empate técnico, com 1 ponto de diferença entre os dois candidatos. A pesquisa também indicou que 44% temem volta da família Bolsonaro ao poder e 42%, mais um mandato de Lula. ▶️ No exterior, destaque para novos dados sobre estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos. O indicador deve trazer novos sinais sobre as condições de oferta e demanda, em meio à volatilidade dos preços da commodity no mercado internacional e diante das tensões ainda elevadas no Oriente Médio. O barril do Brent, referência internacional, recuou 0,04%, cotado a US$ 108,75. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 0,56%, a US$ 97,27 o barril. Na véspera, o petróleo teve a maior cotação em cinco meses. Saiba mais. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,90%; Acumulado do mês: -2,84%; Acumulado do ano: -8,41%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,46% Acumulado do mês: +10,75%; Acumulado do ano: +28,09%. Petróleo volta a ficar no radar As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem influenciando as cotações do petróleo no mercado internacional. Na véspera, o Teerã informou ao comandante do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas. As falas reforçam o endurecimento da postura do país em relação às tratativas com os EUA, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor. Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que cumpra as sete condições apresentadas pelo país no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra. As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais. As tensões continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo. Na véspera, o barril do Brent chegou a superar os US$ 111, no maior nível em cinco meses. Desde o início do conflito, no entanto, os países tem buscado rotas alternativas no Golfo Pérsico, em uma tentativa de mitigar o impacto do conflito. Segundo o presidente do grupo HSBC, Georges Elhedery, esse investimento pode até tornar o Estreito de Ormuz "desnecessário" nos próximos cinco anos. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices acionários da região operam em alta nesta quarta-feira, depois que os resultados trimestrais da SpaceX e da Super Micro Computer aumentaram o apetite por ações do setor de inteligência artificial. Perto das 10h50, o Dow Jones tinha subia 0,20%, enquanto o S&P 500 avançava 0,22% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,68%. O dia também foi positivo na Europa, com ações impulsionadas por balanços corporativos. o índice pan-europeu STOXX 600 teve alta de 0,91%, aos 644,47 pontos. Entre os mercados da região, o DAX, da Alemanha, avançou 1,35%, enquanto o CAC-40, da França, teve valorização de 1,06%, aos 7.921,68 pontos e o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,19%, aos 10.752,88 pontos. Na Ásia, as bolsas fecharam mistas nesta quarta-feira, em meio a esperanças cada vez menores de que o governo chinês faça um grande estímulo para impulsionar gastos. Balanços corporativos também ficaram no radar. O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 0,6%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,0%. No Japão, o Nikkei avançou 0,85%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,29%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,90%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
21/10/2026 12:00:23 +00:00
Anthropic tem prejuízo de R$ 404,6 bilhões no 1º semestre de 2026

Anthropic Reuters A Anthropic registrou prejuízo de US$ 80,7 bilhões (R$ 404,6 bilhões) no primeiro semestre de 2026, valor equivalente a mais de seis vezes o registrado no mesmo período do ano passado, de US$ 13 bilhões (R$ 65,2 bilhões). A piora do resultado se deve, em grande parte, a um efeito contábil ligado a títulos que podem ser convertidos em ações da startup de inteligência artificial (IA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Esse efeito gerou uma despesa de US$ 72 bilhões (R$ 361 bilhões), segundo uma versão preliminar do prospecto da empresa, documento preparado para a abertura de capital, analisado pela Reuters. A despesa não corresponde a dinheiro gasto nas operações da empresa, segundo o documento. 🔎 Na prática, esses títulos dão aos investidores o direito de transformá-los em ações da Anthropic. Com o aumento do valor estimado desses papéis, a empresa teve de registrar uma despesa maior em seu balanço, embora isso não represente uma saída equivalente de dinheiro do caixa. Agora no g1 A empresa, sediada em San Francisco, deve abrir o capital em novembro. Após a divulgação dos números mais recentes, alguns investidores passaram a avaliar a Anthropic em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões), abaixo das estimativas anteriores, segundo informações da Reuters. Os números evidenciam os altos custos da corrida pela inteligência artificial, em um momento em que investidores questionam se os bilhões gastos em chips e centros de dados trarão retorno suficiente. A Anthropic se comprometeu a gastar pelo menos US$ 518 bilhões (R$ 2,6 trilhões) ao longo de dez anos em serviços de nuvem, computação e infraestrutura. Só no primeiro semestre, a empresa gastou quase US$ 9 bilhões (R$ 45,1 bilhões) em recursos de computação e infraestrutura, ante US$ 2,3 bilhões (R$ 11,5 bilhões) no mesmo período do ano anterior, segundo o documento. A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters.
21/10/2026 11:22:45 +00:00
Por que ajuste fiscal do novo presidente do Chile leva a crise com desemprego recorde

O desemprego no Chile atingiu o nível recorde de 9,6%, o maior em mais de cinco anos AFP via Getty Images Falando para um grupo de empresários cristãos reunidos em um pequeno auditório, o ministro da Fazenda do Chile, Jaime Quiroz, pediu que eles evitassem o pessimismo. Para isso, ele usou citações da Bíblia e também alguns números. A mensagem era dirigida àqueles que o conhecem há muitos anos. Quiroz desenvolveu toda a sua carreira profissional como empresário no setor privado. "Não percam a calma, nem se desesperem", declarou ele em Santiago no início de outubro, após a publicação de uma série de indicadores fracos sobre a economia chilena. Agora no g1 Os investimentos produtivos, privados e públicos, apresentaram crescimento nulo no segundo trimestre deste ano, principalmente devido à queda da construção civil. O desemprego atingiu o nível recorde de 9,6%, o maior em mais de cinco anos. E a demanda interna apresentou crescimento praticamente nulo. O custo de vida no país aumentou em julho para 4,1%, com base nos últimos 12 meses. A alta foi impulsionada, em grande parte, pelo forte aumento do preço dos combustíveis. O Chile importa quase todo o petróleo que consome. Já a mineração sofreu redução drástica. O país é o maior exportador de cobre do mundo. Tudo isso ocorre no contexto de um plano de austeridade fiscal implementado pelo governo do presidente José Antonio Kast, de direita radical. Ele chegou ao poder em março, com a promessa de reativar os investimentos e o emprego. Agora, ele enfrenta um nível de desaprovação de mais de 60%, segundo pesquisas locais. A paralisação econômica ficou em evidência devido à queda do PIB chileno em 0,5%, no primeiro trimestre do ano, e de 0,2% no segundo, em comparação com os mesmos períodos do ano passado. Esta é a maior retração da economia do Chile desde a pandemia de covid-19. O primeiro semestre de 2026 registrou a maior queda da economia chilena desde a pandemia de covid-19 Bloomberg via Getty Images O impacto dos preços dos combustíveis Poucos dias depois do início da guerra no Irã, Kast assumiu a Presidência no Chile com sua própria motosserra, a fim de reduzir os gastos fiscais e levar adiante um plano de austeridade econômica que deveria impulsionar o crescimento da economia do país. Mas o conflito no Oriente Médio fez o preço do barril de petróleo disparar. Enquanto a maioria dos países procurava uma forma de controlar a situação, o governo chileno tomou a decisão de não intervir, deixando o custo dos combustíveis subir de acordo com o mercado. Este episódio ficou conhecido como bencinazo ("gasolinaço", em português), causando manifestações nas ruas e indignação entre muitos cidadãos chilenos. Com a transferência do choque petrolífero para os consumidores, o preço dos combustíveis não afetou apenas o bolso das famílias mais vulneráveis e das pequenas empresas. A alta também foi amplificada em efeito cascata e transmitida para o restante da economia, causando aumento da inflação. O preço dos combustíveis no Chile disparou em 2026 Getty Images O governo que havia acabado de tomar posse tomou esta decisão considerando que "o custo fiscal de compensar a alta dos preços era excessivo e ameaçava debilitar seus esforços para reduzir o déficit fiscal", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o principal economista para as Américas do centro de estudos Economist Intelligence Unit, Nicolás Saldías. "O custo político para o governo foi muito elevado, pois a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou", explica ele. Esta decisão "afetou a confiança dos consumidores", segundo Joan Domene, economista-chefe para a América Latina da consultoria Oxford Economics. O preço médio que os consumidores pagam pela gasolina na bomba, calculado com base na Região Metropolitana de Santiago (a mais povoada do país), aumentou em cerca de 30% desde os dias anteriores ao início da guerra no Irã até meados de outubro. Já o preço do diesel aumentou em mais de 40%. Os especialistas concordam que, no próximo ano, poderá haver leve desaceleração dos preços globais da energia, embora marginal. Esta projeção é atualizada constantemente. Mas, se este cenário se mantiver e não surgirem novos contratempos, é possível que surja "uma tendência para a recuperação da economia já no primeiro trimestre do ano que vem", segundo Domene. O preço dos combustíveis no Chile disparou em 2026 Getty Images A queda da produção mineral A mineração, especialmente de cobre, é o principal produto de exportação do Chile e um dos setores mais importantes para o crescimento econômico do país. Por isso, a queda da mineração em agosto foi tão negativa. O índice de redução foi de cerca de 17,4%, em termos anuais. Esta queda levou a atividade mineradora chilena ao seu nível mais baixo das últimas três décadas. O mês de agosto marcou o nível mínimo, mas a baixa produção de cobre vinha apresentando tendência negativa ao longo do ano. Acrescente-se a isso as interrupções operacionais nas minas e condições climáticas muito adversas, em julho e agosto. No momento, as projeções indicam que a produção mineradora deverá aumentar no próximo ano, colaborando para a reativação econômica do país. Mas uma das preocupações do setor é que a concentração de cobre nas rochas diminuiu, elevando os custos de produção e gerando incertezas. A drástica queda da mineração em agosto levou o Banco Central chileno a reduzir as projeções de crescimento econômico deste ano, para o nível de 0,25% a 0,75%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também reduziu sua estimativa para 0,6%. Se as estimativas se concretizarem, o Chile será um dos países com menor crescimento da América Latina em 2026. O único país com prognóstico inferior na região é a Bolívia. A percepção econômica dos consumidores chilenos se deteriorou, segundo o Índice de Percepção da Economia (Ipec) de setembro Bloomberg via Getty Images Austeridade fiscal Parte do debate no Chile se concentra em saber se a paralisação econômica é transitória ou se irá se prolongar ao longo do tempo. Desde que Kast assumiu o poder, um dos seus principais focos no setor econômico tem sido a austeridade fiscal. Suas medidas incluíram o corte de 3% do orçamento de todos os ministérios, uma controversa redução ou fechamento de programas considerados "ineficientes" pelo governo e a redução dos investimentos públicos diretos. Neste sentido, Nicolás Saldías destaca que as políticas fiscais do governo chileno "também estão reduzindo o crescimento econômico". O governo conseguiu reduzir o déficit, em parte, graças à redução dos gastos públicos, o que diminui a demanda da economia, segundo o economista. Com a bandeira do ajuste fiscal nas mãos, o governo chileno apresentou a chamada "megarreforma", um pacote de medidas propostas para o Congresso. Elas foram apresentadas como estímulo ao crescimento econômico e aos investimentos. Basicamente, o pacote inclui uma reforma tributária que, entre outros pontos, reduz progressivamente os impostos para as empresas, de 27% para cerca de 23%, e garante invariabilidade tributária a longo prazo para os grandes investimentos. O Congresso aprovou a megarreforma, que foi sancionada pelo presidente Kast no início de outubro, após árduos debates. A questão é se a redução de impostos corporativos e os outros incentivos para investimentos produzirão crescimento e empregos em níveis suficientes para compensar a queda da arrecadação fiscal. Enquanto as medidas começam a ser implementadas e à luz dos indicadores existentes no momento, Joan Domene defende que o próximo ano deve trazer "uma reversão de muitos dos fatores causadores de incertezas". O economista para a América Latina da Bloomberg Intelligence, Felipe Hernández, é da mesma opinião. Para ele, se as reformas forem implementadas e cumprirem efetivamente as previsões do governo, como esperam as empresas, "poderemos começar a observar efeitos positivos na economia no próximo ano". As previsões indicam melhoria da situação econômica chilena em 2027 AFP via Getty Images Dificuldades para a população Atualmente, o Congresso chileno está discutindo a Lei Orçamentária para 2027. Ela contempla um crescimento real dos gastos públicos de apenas 1,5%, um objetivo considerado austero em comparação com os governos anteriores. A oposição vem questionando duramente este projeto. Ela denuncia que a proposta afeta dezenas de programas sociais que beneficiam pessoas vulneráveis, mas que o governo considera que não atingem os seus objetivos. Em meio a esta situação, grande parte da população está frustrada com o desempenho econômico do país, segundo as pesquisas. Com a alta da inflação e o desemprego em máximos históricos, muitos cidadãos enfrentam dificuldades na sua vida diária. O consumo geral das famílias chilenas cresce lentamente e o Índice de Vendas de Supermercados fechou agosto em queda de 1,2% nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. Algumas semanas atrás, o governo anunciou um plano de emprego de cerca de US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,5 trilhões). O objetivo é criar mais de 100 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, acelerando obras públicas e oferecendo subsídios às empresas, para incentivar contratações. Este tipo de plano não fazia parte da política de austeridade adotada pelo governo chileno, quando assumiu o poder em março. Mas, frente às circunstâncias, se o anúncio for cumprido, poderá dar oxigênio à economia do país.
21/10/2026 08:00:00 +00:00
Após seis anos de atraso e crises de segurança, maior Boeing 737 MAX 10 é aprovado para voar; conheça

Boeing 737 Max divulgação/Boeing O Boeing 737 MAX 10, a maior versão da família 737 MAX, recebeu nesta terça-feira (20) a aprovação final da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês). A certificação permite que a fabricante comece a entregar, nos próximos meses, o avião, que tem capacidade para até 230 passageiros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O modelo tem capacidade superior à das outras versões da família: o 737 MAX 9 transporta até 195 passageiros, enquanto o MAX 7 pode levar até 160 pessoas. A Boeing já construiu algumas unidades do MAX 10, que aguardavam a autorização para serem entregues. Segundo a consultoria do setor aéreo IBA, as companhias aéreas encomendaram mais de 1.550 unidades do modelo, que representam 31% dos pedidos ainda pendentes da família 737 da fabricante. Agora no g1 A presidente e diretora-executiva da Boeing Commercial Airplanes, Stephanie Pope, afirmou que as entregas começarão nos próximos meses. Segundo ela, o MAX 10 oferece maior capacidade de passageiros, mais autonomia de voo e maior eficiência econômica por assento em sua categoria. O avião também é importante para os planos de expansão de diversas companhias aéreas. Entre os principais clientes estão United Airlines, Alaska Airlines, Ryanair, Delta Air Lines e American Airlines. A Boeing aposta no MAX 10 para aumentar a entrada de dinheiro em caixa e avançar em sua recuperação financeira, após anos de crises e controvérsias que atrasaram o desenvolvimento do modelo. Antes dos adiamentos, a fabricante previa começar a entregar o avião em 2020. Veja fotos do Boeing 737 MAX 10, o maior avião da família 737 MAX. Certificação mais rigorosa após acidentes A Boeing passou a enfrentar um processo de certificação mais rigoroso após dois acidentes fatais com o 737 MAX 8, em 2018 e 2019, que deixaram 346 mortos. A empresa também passou a enfrentar maior fiscalização sobre a produção e o controle de qualidade após um painel da fuselagem de um 737 MAX 9 quase novo, operado pela Alaska Airlines, se soltar durante um voo em janeiro de 2024. Em agosto, a FAA aprovou o 737 MAX 7, modelo menor da família, após uma análise que durou mais de oito anos. Para certificar o MAX 10, o órgão regulador exigiu melhorias importantes, incluindo atualizações no sistema de controle de voo e a adoção de um sensor de ângulo de ataque aprimorado, que mede o ângulo entre a direção do avião e o fluxo de ar ao seu redor. Essas mudanças também serão implementadas na frota já existente nos próximos anos. Um problema no sistema que evita a formação de gelo nos motores do 737 MAX, identificado em 2023, também atrasou a certificação dos modelos MAX 7 e MAX 10. No fim de setembro, a Boeing revelou outra falha na atualização mais recente do software de navegação da família 737 MAX, o que poderia provocar novos adiamentos. A FAA, porém, concluiu que o problema não representava um risco à segurança e não exigiu sua correção como condição para certificar o avião. A fabricante ainda trabalha na certificação do 777-9, o maior avião comercial que produz. O projeto acumula seis anos de atraso, e a Boeing espera concluir o processo e iniciar as entregas em 2027. Boeing 737 Max divulgação/Boeing * Com informações da agência Reuters.
21/10/2026 06:00:00 +00:00
Os maiores salários para 2027: veja ranking de carreiras por setor, para quem quer ou não ser chefe

Profissões em alta para 2027: veja cargos com salários de até R$ 93,5 mil Os maiores salários do mercado não estão apenas nos cargos de chefia. Um levantamento da Robert Half, divulgado com exclusividade ao g1, mostra que algumas das carreiras mais bem remuneradas projetadas para 2027 estão em cargos de especialista, principalmente nas áreas de tecnologia e mercado financeiro. Em muitos casos, profissionais sem responsabilidade pela gestão de equipes podem alcançar salários comparáveis aos de cargos de liderança em outros setores. O estudo reuniu projeções salariais para mais de 450 profissões distribuídas em oito áreas: Tecnologia, Engenharia, Jurídico, Vendas e Marketing, Finanças e Contabilidade, Mercado Financeiro, Seguros e Recursos Humanos. Os salários podem chegar a R$ 93.550 por mês. Guia Salarial 2027 (Não Gerenciável) g1 No setor financeiro, o topo do ranking é ocupado por funções ligadas a investimentos, mercado de capitais, crédito estruturado e fusões e aquisições. São cargos que exigem alto grau de especialização e atuação em operações complexas, o que ajuda a explicar os salários mais elevados. A tecnologia aparece logo em seguida. O avanço da inteligência artificial colocou profissionais de IA, segurança da informação, desenvolvimento de software e ciência de dados entre os mais disputados do mercado. O próprio levantamento mostra o tamanho dessa disputa por talentos. Mais da metade dos gestores de tecnologia (53%) afirma oferecer salários acima do planejado para garantir contratações. Além disso, 41% já pagam remunerações maiores para profissionais com experiência em inteligência artificial generativa. Os rankings reforçam uma tendência que vem ganhando força no mercado de trabalho. Se antes o principal caminho para aumentar os rendimentos era assumir cargos de gestão, hoje a especialização também pode levar a salários elevados, principalmente em áreas que enfrentam escassez de profissionais qualificados. Esse movimento ocorre em um momento em que parte dos trabalhadores passou a repensar a busca por cargos de liderança. Em junho deste ano, uma reportagem publicada pelo g1 mostrou que muitos jovens têm recusado posições de chefia em busca de mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A liderança ainda concentra os maiores salários O avanço das carreiras especializadas não elimina uma realidade: quando se observa o mercado como um todo, os maiores salários continuam concentrados nos cargos executivos. O ranking mostra que diretorias e posições de alta liderança, especialmente nas áreas financeira, comercial e de tecnologia, seguem reunindo as remunerações mais elevadas. Guia Salarial 2027 (Executivosl) g1 Dois caminhos para ganhar bem A principal conclusão do levantamento é que o mercado passou a oferecer trajetórias mais diversas de crescimento profissional. Chegar à liderança continua sendo o caminho para alcançar os maiores salários em boa parte das empresas. Mas já não é a única alternativa. A valorização de áreas como inteligência artificial, dados, tecnologia e mercado financeiro abriu espaço para que profissionais especialistas alcancem remunerações cada vez mais competitivas, sem necessariamente assumir equipes ou migrar para cargos de gestão. Levantamento da Robert Half mostra que especialistas em tecnologia e mercado financeiro figuram entre os profissionais mais bem remunerados projetados para 2027 Pexels Entenda a metodologia Para elaborar o guia, a Robert Half ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais das áreas de Finanças e Contabilidade, Tecnologia, Engenharia, Jurídico e Suporte Administrativo e ao Cliente. Os entrevistados atuam em empresas de pequeno, médio e grande porte, incluindo companhias de capital aberto. Os salários apresentados pela consultoria representam a remuneração-base praticada no mercado e não incluem bônus, participação nos lucros ou benefícios. As faixas salariais são divididas em três níveis: 25º percentil: profissional recém-chegado à função, com pouca ou nenhuma experiência e necessidade de maior supervisão; 50º percentil: profissional com experiência suficiente para desempenhar as principais atribuições do cargo de forma autônoma; 75º percentil: profissional com qualificações diferenciadas, especializações, certificações ou competências que agregam valor além das atribuições habituais da função. As tabelas desta reportagem mostram os cargos com os maiores salários projetados para 2027 em cada setor. Mas o Guia Salarial da Robert Half traz projeções para mais de 450 profissões e detalha as funções mais demandadas, os segmentos que mais contratam e as habilidades que podem impulsionar a remuneração nos próximos anos. Confira a lista completa de cargos e salários aqui.
21/10/2026 06:00:00 +00:00
Chefe da Ferrari dá nota 10 a Tesla que 'voa' e elogia Elon Musk: 'Temos que continuar sonhando'

Como um Tesla voou e andou de ponta-cabeça? O presidente-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, elogiou a apresentação do esportivo Roadster feita pela Tesla na semana passada. A demonstração incluiu manobras aéreas impulsionadas por propulsores derivados de tecnologias da SpaceX e instalados no carro. Segundo a agência Reuters, o executivo disse que a indústria automotiva ainda tem espaço para inovações ousadas, mesmo em um mercado consolidado. Ele deu nota 10 para a tecnologia e nota 10 para a apresentação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Isso certamente mostra que, também no mundo automotivo, ainda há muito a ser feito. Temos que continuar sonhando", disse Vigna. Vigna elogiou a iniciativa durante uma entrevista por videoconferência a uma conferência automotiva organizada pela revista italiana "Quattroruote". Na ocasião, o executivo defendeu que as montadoras precisam assumir riscos e buscar ideias fora de seus próprios ambientes. “Como europeu, obrigado por nos mostrar como, mesmo em um mundo antigo, ainda é possível inovar e ousar”, disse o presidente da Ferrari. Tesla Roadster flutua na rampa divulgação/Tesla Elon Musk, presidente-executivo da fabricante, afirmou que a produção do Roadster começará em 2028. A reação do mercado financeiro foi mista. As ações da Tesla subiram inicialmente, mas analistas avaliaram que a entrega do carro ainda está distante, após anos de tentativas frustradas de tirar o projeto do papel. Carro voador A Tesla apresentou em outubro a versão do Roadster, equipada com vários sistemas que são novidade no mercado. Um deles é um mecanismo de sucção com ventiladores. A tecnologia cria downforce para grudar o carro no chão, permitindo fazer curvas em alta velocidade. Durante a demonstração oficial da Tesla, o veículo conseguiu escalar paredes e até ficar de cabeça para baixo. Tesla Roadster na versão Rocket consegue flutuar com sistema de ar comprimido da SpaceX. Divulgação / Tesla O carro conta com mais de 1.300 cavalos de potência, somente com tração traseira. O modelo adota uma tecnologia da Tesla com um sistema de propulsores capaz de fazer a aceleração de 0 a 100 km/h em menos de um segundo. Na versão Rocket, o veículo consegue descarregar dois tanques de ar comprimido para realizar manobras aéreas. Na apresentação do modelo, o esportivo usou essa tecnologia para pular e dar uma pirueta por cima de todos os carros da Tesla. Tesla Roadster faz de 0 a 100 km/h em menos de 1 segundo. Divulgação / Tesla Ferrari elétrica A Ferrari ganhou as manchetes recentemente com um carro eletrificado que chamou a atenção não por voar, mas pelo seu design polêmico. As ações da empresa despencaram após a revelação do carro. Apresentada ao público, a Ferrari Luce instantaneamente virou um meme na internet. O modelo traz um desenho arredondado e proporções que quase não lembram os tradicionais esportivos de luxo da marca italiana. A fabricante diz que, mesmo assim, o interesse pela Ferrari Luce foi muito grande. O esportivo tem um custo de quase US$ 600 mil. Ferrari também causou polêmica com seu carro elétrico, o Luce. divulgação/Ferrari O desenvolvimento do modelo contou com a participação de Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e da equipe de seu estúdio, a LoveFrom. Para Vigna, a colaboração com profissionais de fora da indústria automotiva foi importante para chegar ao resultado desejado. O executivo afirmou que trabalhar apenas com a equipe interna não teria produzido as mesmas respostas. “Se tivéssemos trabalhado sozinhos, não teríamos feito o que fizemos. Em outras palavras, enfrentamos toda uma série de questões e chegamos a algumas respostas estimuladas por pessoas que nos observavam de fora”, afirmou. O executivo participou da entrevista por videoconferência, diretamente da Índia, onde a Ferrari organizou um evento para clientes. Ele também disse que o interesse pela marca italiana no país era forte.
21/10/2026 06:00:00 +00:00
De produtos baratos a líderes de tecnologia: como a China passou a superar gigantes ocidentais

À medida que as tecnologias se tornam mais presentes no cotidiano, formuladores de políticas públicas avaliam seus benefícios diante de preocupações com segurança de dados e influência estrangeira Benjamin Bathke/DW Não faz muito tempo, a GoPro era sinônimo de câmera de ação. Em seu auge, em 2015, a empresa americana reinava absoluta, com cerca de 6,6 milhões de unidades vendidas naquele ano e participação de mercado superior a 70%. Hoje, a pioneira luta pela própria sobrevivência. O principal culpado? A concorrência chinesa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As maiores rivais da GoPro, DJI e Insta360, entraram no mercado de câmeras de ação em 2019 e 2021, respectivamente. Hoje, elas respondem por mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis. Alexander Hannemann, que usa regularmente câmeras de ação para filmar seus passeios demotocicleta, diz que trocou a GoPro pela Insta360 há cerca de dois anos. Agora no g1 "A qualidade é muito melhor do que a da GoPro, mesmo quando estou acelerando e entrando em curvas a cerca de 80 quilômetros por hora", disse à DW. A GoPro escapou da falência em setembro, após baque por apostas malsucedidas em produtos e concorrência dos smartphones Christian Ohde/imageBROKER/picture alliance via DW A crescente liderança tecnológica da China O caso da GoPro não é exceção. Desde aproximadamente 2010, muitas marcas chinesas não apenas alcançaram, mas superaram rivais ocidentais que antes dominavam o setor de tecnologia de consumo, de TVs inteligentes a aspiradores robóticos. Já ficou para trás a época em que Made in China era sinônimo de produtos baratos e produzidos em massa. "A China ainda fabrica produtos acessíveis", afirma Chris Pereira, empreendedor canadense e autor com mais de 20 anos de experiência no país. "Mas os produtos também são de alta qualidade." Essa combinação fez com que bem mais da metade dos novos produtos globais de tecnologia para o consumidor passassem a vir de fornecedores chineses, acrescenta Pereira. BYD, Xpeng e outras montadoras chinesas venderam quase dois terços de todos os carros elétricos comercializados no ano passado, superando empresas já estabelecidas, como a Tesla. No segmento de aspiradores robóticos, marcas chinesas dominam o mercado global, enquanto a americana iRobot, antiga pioneira do setor, tem dificuldades para competir. Mas por que as empresas chinesas superam cada vez mais seus rivais ocidentais? Pereira, cuja consultoria iMpact ajuda empresas chinesas a ganhar espaço no exterior, atribui esse sucesso à intensa concorrência doméstica em cidades como Shenzhen, Hangzhou e Xangai, a cadeias de suprimentos altamente integradas e a uma cultura empresarial orientada para a ação, que permite às companhias inovar e responder rapidamente aos problemas. Outros fatores importantes para a vantagem competitiva chinesa incluem automação industrial incomparável, uso estratégico de inteligência artificial na manufatura, agilidade regulatória e mão de obra relativamente barata. Juntos, esses elementos resultam em custos de produção significativamente menores e ciclos de inovação muito mais rápidos do que os observados em outras economias. Joey Cheng, fundador da Prolo Ring, empresa que fabrica anéis que permitem acesso a controles remotos e outros dispositivos usando apenas os polegares Benjamin Bathke/DW Joey Cheng, que se mudou para os Estados Unidos para fazer doutorado há mais de 20 anos, conhece tanto o lado do consumidor americano quanto o do produtor chinês. Embora sua startup esteja sediada nos EUA, quase toda a produção é realizada em Shenzhen, onde é fabricada uma grande parcela dos equipamentos eletrônicos e dispositivos de consumo do mundo. "A cadeia de suprimentos de Shenzhen é praticamente inevitável para reduzir custos e desenvolver produtos rapidamente", diz Cheng. "Especialmente para uma startup, é preciso colocar o produto no mercado depressa ou você será atropelado pela concorrência." Persistem preocupações com privacidade e segurança Embora os consumidores estejam aderindo em massa às empresas chinesas, algumas ressalvas permanecem. Uma pesquisa recente mostrou que mais de 90% dos europeus não confiam seus dados a empresas chinesas de tecnologia, enquanto cerca de 80% desconfiam das americanas. Os alemães apresentaram o nível mais elevado de desconfiança. Embora utilize câmeras da DJI e da Insta360 em suas viagens, a blogueira Nadine diz que prefere não ter dispositivos domésticos conectados de fabricantes asiáticos." "Meu aspirador robô é de uma empresa alemã justamente por isso: para que os dados permaneçam em conformidade com as regulamentações alemãs. Afinal, os fabricantes podem se conectar diretamente à câmera", disse ela, referindo-se a casos de invasão de câmeras e sistemas de áudio envolvendo aspiradores robóticos. A fabricante chinesa de óculos inteligentes Xreal entrou recentemente no mercado europeu por meio de varejistas, como a britânica Currys Andy Wong/AP Photo/picture alliance via DW Ainda assim, Pereira afirma que empresas chinesas em expansão internacional precisam pagar um "prêmio de confiança". "Esse déficit de confiança significa que elas precisam ser ainda mais competitivas em produto e preço para que o mercado as escolha", afirma. Segundo ele, essa distância pode ser reduzida por meio de uma presença física nos mercados estrangeiros, como a primeira fábrica europeia de carros de passeio da BYD, cuja inauguração é esperada para o fim deste ano na Hungria. Empresas chinesas afirmam cumprir as regras de proteção de dados da União Europeia. No entanto, leis de segurança nacional tanto nos EUA quanto na China podem obrigar companhias a entregar dados ao governo, e autoridades alemãs observam que há supervisão limitada sobre possíveis transferências de dados de servidores europeus para outros países. Além das preocupações com privacidade, empresas chinesas de tecnologia de consumo também vêm sendo alvo de escrutínio por suspeitas de espionagem e outros riscos, mais recentemente em relação a dispositivos conectados, como veículos elétricos. Uma nova guerra comercial está a caminho? Diante das preocupações de segurança, dos déficits comerciais e do domínio chinês em diversos setores, os Estados Unidos e vários outros países ocidentais impuseram tarifas, listas de restrições e exigências rigorosas a importações e empresas chinesas. No fim de julho, o governo Trump proibiu a importação de robôs humanoides fabricados fora dos EUA. Um representante da fabricante chinesa de robôs Primebot disse à DW que todas as empresas chinesas de tecnologia de consumo estão sentindo os efeitos dessas medidas. "Talvez busquemos cooperação com uma empresa americana local. Outra solução possível é construir uma fábrica lá", afirmou. Países europeus e a própria União Europeia também avaliam a adoção de mais tarifas contra empresas chinesas. Chris Pereira prevê que essas tarifas irão acelerar duas tendências entre as companhias chinesas: transferir mais produção para outros países e concentrar-se cada vez mais em desafiar marcas ocidentais de primeira linha com produtos premium. "Autoridades e empresas chinesas reconhecem que a manufatura precisa ser localizada até certo ponto. Uma razão é amenizar as dificuldades de exportação; outra é gerar confiança local", resume Pereira. "A outra tendência é que, uma vez que as tarifas eliminam a vantagem de preço na base do mercado, a margem que sobra está no topo. Por isso, marcas chinesas competem cada vez mais diretamente com nomes ocidentais já consolidados, justamente onde a confiança é mais importante." As empresas ocidentais conseguem competir? À medida que o domínio chinês continua crescendo, empresas ocidentais buscam formas de permanecer competitivas. Kaz Merchant, que trabalha em uma companhia britânica de importação e exportação de equipamentos de tecnologia da informação, afirma que empresas menores, em particular, precisam encontrar nichos geográficos específicos. "Elas precisam ter um diferencial próprio para determinado produto, algo que a China talvez não ofereça naquela região. Ou então precisam se associar a uma empresa chinesa", diz. Para Pereira, uma questão fundamental que a Europa precisa resolver é a velocidade de resposta dos órgãos reguladores. "Os reguladores chineses dizem de forma muito clara e rápida o que é possível fazer. Essa velocidade ajuda as empresas a se aperfeiçoar e ter sucesso no exterior", afirma. "Se você esperar semanas por uma resposta, vai perder negócios."
21/10/2026 06:00:00 +00:00
Getty Images entra com pedido de recuperação judicial nos EUA

Fotografia analógica. Madson Dias/Arquivo Pessoal A empresa americana de fotografia Getty Images entrou, nesta quarta-feira (21), com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, como parte de um plano para reestruturar suas dívidas e fechar seu capital. “A empresa iniciou um processo para obter a aprovação formal de um plano de reorganização acertado previamente com seus principais credores e investidores. Para colocá-lo em prática, recorreu ao Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito de Delaware, envolvendo algumas de suas empresas no país”, informou a companhia em comunicado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A companhia, que mantém parcerias com empresas de mídia, já havia anunciado neste mês um acordo com seus principais credores e investidores para realizar a reestruturação por meio de um Chapter 11 (Capítulo 11) previamente negociado. Capítulo 11: entenda o que é o mecanismo e a diferença para a recuperação judicial brasileira Pelo acordo, membros da família Getty e empresas ligadas à Koch Equity Development investirão até US$ 533 milhões (R$ 2,67 bilhões) na empresa. O plano também prevê uma redução significativa de suas dívidas. Agora no g1 A Getty Images espera concluir a reestruturação financeira até o fim do ano, após obter as aprovações regulatórias necessárias. A empresa informou que continuará funcionando normalmente durante o processo. Em email enviado a colaboradores, a companhia também afirmou que "não haverá nenhum impacto no envio de conteúdos, ou mesmo sobre atividades de licenciamento de conteúdo, suporte aos colaboradores ou os pagamentos de royalties". "É importante ressaltar que continuaremos a promover e licenciar o conteúdos dos colaboradores e a atender clientes em todo o mundo normalmente", disse a Getty Images no comunicado. A reestruturação terá financiamento de até US$ 143 milhões (R$ 716,9 milhões) da Koch Equity Development. Ao fim da reestruturação, a Getty Images passará a ter capital fechado e será controlada pelos investidores responsáveis pelo novo aporte. A companhia também está em processo de saída da Bolsa de Nova York, que iniciou no fim de setembro os procedimentos para retirar suas ações de negociação.
21/10/2026 05:48:07 +00:00
Por que o mercado reage às eleições antes mesmo de a economia mudar?

Como as eleições mexem com a Bolsa e o dólar A divulgação do resultado do primeiro turno das eleições foi seguida por uma alta da bolsa de valores e uma queda dos juros futuros. Isso não significa que a economia tenha mudado da noite para o dia, mas que bancos, fundos e investidores passaram a reavaliar suas expectativas para os próximos anos. O mercado financeiro reage não apenas ao que acontece no presente, mas também ao que pode acontecer. Por isso, pesquisas, declarações e resultados eleitorais podem provocar oscilações nos preços de ações, moedas e juros. O cenário internacional e os movimentos de entrada e saída de recursos do país também influenciam. Essas oscilações refletem as expectativas do mercado, mas não revelam, por si só, a situação da economia. Para entender os possíveis efeitos de cada cenário sobre a população, é preciso considerar também indicadores como emprego, renda, preços e benefícios sociais. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
21/10/2026 05:00:00 +00:00
Doença de Newcastle: operação fará visitas a 1,6 mil propriedades em áreas perto de foco confirmado

Presidente da Cidasc, Celles de Matos, comenta foco de doença de Newcastle em SC Uma operação da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) fará visitas a cerca de 1,6 mil propriedades no entorno da granja onde foi confirmado o foco da doença de Newcastle. Em pouco mais de 130 delas, poderá ser necessária a coleta de amostras de sangue das aves para análises laboratoriais, conforme os critérios de vigilância sanitária. O vírus da doença foi encontrado em uma granja comercial de perus de Nova Itaberaba, no Oeste do estado. Apesar da presença do micro-organismo, as aves não ficaram doentes. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🐔A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres, podendo ser letal para esses animais. Em humanos, ela pode causar, no máximo, conjuntivite transitória, que costuma durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. As equipes atuam diretamente na propriedade afetada e em um raio de 10 quilômetros ao redor do foco, com medidas para evitar a disseminação da doença e proteger a produção avícola do estado. Coleta de sangue em ave de Santa Catarina Cidasc/Divulgação A granja onde o foco foi confirmado permanece interditada, com acesso restrito exclusivamente às equipes autorizadas da Cidasc e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As próximas etapas de trabalho no local são: abate sanitário das aves descarte adequado de equipamentos e materiais que tiveram contato com os animais limpeza e desinfecção da propriedade Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV A Cidasc destacou que o consumo de carne de aves e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro para a população. Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM - de um Serviço de Inspeção Municipal SIE - do Serviço de Inspeção Estadual SIF - do Serviço de Inspeção Federal LEIA TAMBÉM: Apenas Santa Catarina vai deixar de exportar frango para a China O que é a doença de Newcastle Três países suspenderam importação de carne de frango de SC Após a confirmação do foco, três países deixaram de importar carne de frango de Santa Catarina: Chile - suspensão das importações apenas de Santa Catarina China - 14 estabelecimentos em Santa Catarina que exportam frango para China tiveram a comercialização com o país asiático suspensa. No Brasil, são 61 ao todo que comercializam o produto com os chineses México - suspensão das compras de todo o Brasil A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que ainda não é possível estimar os possíveis impactos dessas suspensões nas exportações catarinenses. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária para abordar o mesmo assunto e não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. De acordo com a ABPA, os principais destinos da exportação de carne de frango de Santa Catarina de janeiro a setembro deste ano foram: Exportações de carne de frango de SC de janeiro a setembro de 2026 VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
21/10/2026 04:00:00 +00:00
Lula sanciona nesta quarta lei que prevê perdão de dívidas e aumento do teto de faturamento para MEI

Lula sanciona nesta quarta lei que prevê perdão de dívidas e aumento do teto de faturamento para MEI Divulgação/Sebrae O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sanciona nesta quarta-feira (21) a lei que cria o programa Prospera MEI, criado para oferecer recursos financeiros aos microempreendedores individuais (MEIs). Na última terça-feira (20), durante entrevista em São Luís (MA), Lula antecipou que sancionaria a proposta nesta quarta-feira. O projeto de lei foi encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional após o anúncio do governo e aprovado no último dia 15. A medida foi anunciada pela equipe econômica do governo a poucas semanas do segundo turno das eleições presidenciais e prevê benefícios econômicos como por exemplo, o perdão de dívidas com a União e o aumento do limite de faturamento anual dos microempreendedores. Agora no g1 O que prevê o Prospera Mei? O programa inclui uma série de medidas voltadas para disponibilizar recursos aos microempreendedores, incluindo: Perdão de dívidas de microempreendedores com a União; Desconto de 90% sobre débitos com instituições bancárias; Aumento gradual do teto de faturamento anual dos MEIs para R$ 140 mil até 2028; Autorização para contratação de até dois funcionários por microempreendedor; Plataforma para conectar pequenos negócios às compras públicas; Incentivo financeiro de até R$ 5 mil para investimentos na estrutura dos pequenos negócios; Fim da obrigatoriedade de emissão de nota fiscal nas vendas e prestações de serviços a pessoas físicas. Segundo o governo federal, o Prospera MEI pode beneficiar mais de 17,6 milhões de microempreendedores individuais. Desse total, 7,8 milhões são mulheres. Perdão de dívidas, aumento do teto e mais funcionários no MEI: veja novas regras Impacto fiscal O impacto fiscal estimado com a renúncia de receitas é de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029. Já o impacto com o perdão das dívidas é estimado em R$ 3 bilhões em 3 anos. Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto será dividido da seguinte forma: 2027: R$ 1,1 bilhão; 2028: R$ 1 bilhão; 2029: R$ 909 milhões. A lei contemplou também as dívidas ainda não inscritas na dívida da ativa da União que podem estar com o processo em tramitação. Isso poderia gerar impacto de até R$ 2 bilhões para além do já previsto. O projeto concedeu anistia integral aos MEIs inadimplentes. O projeto perdoa as dívidas contraídas pelos microempreendedores individuais até 13 de outubro de 2026.
21/10/2026 03:00:01 +00:00
Smart Sampa: como funciona o sistema de 58 mil câmeras de SP que teve senhas expostas por 11 meses

Dados de câmeras da Smart Sampa vazam; prefeitura nega falha no sistema e acusa servidor O vazamento de dados do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial da prefeitura de São Paulo, expôs informações de acesso a uma plataforma usada por agentes de segurança. A informação foi publicada na terça-feira (20) pelo UOL, que revelou a exposição indevida de imagens feitas por 58 mil câmeras. Ainda segundo a reportagem, 181 logins e senhas ficaram expostos por 11 meses na internet. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Essas credenciais permitiram acessar o sistema da empresa Sentinelx, uma das integrantes do consórcio que opera o Smart Sampa. Como funciona o Smart Sampa? O programa da prefeitura combina as imagens das câmeras e sistemas de inteligência artificial para analisar características faciais de pessoas e, então, identificar pessoas que aparecem em listas de foragidos e desaparecidos. Sistema da Sentinelx, empresa contratada pela prefeitura de São Paulo, busca pessoas a partir de características físicas Divulgação/Sentinelx A Sentinelx vende uma plataforma que utiliza as imagens captadas por câmeras para identificar pessoas, gerenciar ocorrências e despachar viaturas. A empresa diz que sua inteligência artificial busca pessoas a partir de características físicas mesmo quando elas não têm seus rostos cadastrados em listas de procurados e desaparecidos. O sistema pode apresentar "os momentos em que foi visto uma pessoa de camiseta branca" em um determinado intervalo de tempo, como mostra um exemplo divulgado no site da empresa. Com a busca finalizada, o sistema emite alertas para um operador humano, que avalia se é necessário despachar uma viatura para o local indicado. O g1 entrou em contato com a Sentinelx, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. Falha no controle de acesso Central de monitoramento do Smart Sampa Reprodução/Prefeitura de São Paulo Segundo a empresa, o sistema tem um controle de acessos que define quem pode ter acesso a cada informação, a depender do seu cargo. A funcionalidade é comum em plataformas que tratam dados sensíveis e serve para diminuir o risco de vazamentos. A prefeitura de São Paulo afirmou que as informações foram divulgadas ilegalmente por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que tinha acesso ao sistema. Ele foi afastado do cargo e está sendo investigado pela Corregedoria da GCM. Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o agente entrou na corporação em 2023 e mantinha senhas armazenadas. Nunes afirmou que o caso já era investigado e que foi confirmado pela sua gestão por conta da publicação da reportagem. "A gente não tem nenhuma ocorrência de utilização indevida do sistema. O que a gente tem é o monitoramento contínuo de segurança que, inclusive, possibilita que a prefeitura de São Paulo monitore eventuais acessos irregulares, que não aconteceram", afirmou. A prefeitura afirmou que o repositório de dados que dava acesso às imagens foi retirado do ar e que reforçou mecanismos de segurança, com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores. Vigilância indevida Para Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), a exposição de dados do sistema do Smart Sampa deixa em risco milhões de cidadãos que tem suas imagens captadas pelas câmeras. "Pode abrir precedentes de uso dessas informações para controlar e vigiar pessoas", afirmou. "É muito grave que um sistema tão grande e com potencial tão imenso de vigilância esteja tão facilmente acessível". Pablo Nunes é criador do projeto "O Panóptico", que monitora o uso de novas tecnologias para segurança pública no Brasil. Para ele, a resposta da prefeitura de São Paulo não foi equivalente à gravidade do problema. "Quem deveria responder por falhas de segurança é a prefeitura, que se retirou desse papel dizendo que foi problema de um servidor." Fernanda Rodrigues, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), avalia que esse episódio mostra que a vigilância com mais câmeras nem sempre representa mais segurança para a população. Prisômetro no Centro de SP mostra o número de 1 mil pessoas presas pelo sistema de câmeras Smart Sampa, em abril de 2025 Divulgação/Secom/PMSP "Nesse caso, temos o oposto porque não sabemos quem acessou as câmeras. E, inclusive, podemos cogitar que o material tenha sido acessado por pessoas mal-intencionadas que agora possuem registros muito atualizados da rotina de milhões de pessoas", disse. Para ela, mesmo com diferentes casos de vazamentos, o Brasil não criou uma cultura de proteção de dados, e vários incidentes terminam sem aplicação de multa ou responsabilização para empresas. "Casos como esse demonstram que o problema da segurança não só não é resolvido [com programas como o Smart Sampa], como outras questões acabam deixando o cidadão mais vulnerável". O advogado Luiz Augusto D'Urso, advogado especialista em direito digital, disse que o caso apresenta uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que define regras para evitar vazamentos de dados. "A responsabilidade é exclusivamente da prefeitura, pois o sistema e os mecanismos de segurança são de sua competência", afirma. "Até podem existir funcionários que tentem violar o sistema, mas este deve ter fatores de autenticação para inibir riscos". Segundo ele, ainda é preciso investigar outros eventuais crimes. "O funcionário que permitiu o acesso de terceiros pode responder por violação do sigilo funcional", disse, em referência ao crime praticado por um servidor contra a administração pública.
21/10/2026 03:00:00 +00:00
SpaceX, de Elon Musk, mais do que dobra receita em meio a conversas sobre fusão com a Tesla, também do bilionário

Elon Musk , CEO da Tesla e da SpaceX REUTERS/Kylie Cooper A SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk, informou nesta terça-feira (20) que sua receita mais do que dobrou no terceiro trimestre de 2026. O balanço foi divulgado em meio às discussões sobre uma possível fusão com a montadora Tesla, outra companhia de Musk. O faturamento da SpaceX chegou a US$ 14,58 bilhões (cerca de R$ 72,8 bilhões) nos três meses encerrados em 30 de setembro, o que representa um crescimento de 161% em relação ao mesmo período de 2025. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O lucro ficou em US$ 4,4 bilhões (R$ 22 bilhões), contra prejuízo de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) no intervalo equivalente do ano anterior. Em relação à fusão entre a SpaceX e a Tesla, Musk disse acreditar ser uma "boa ideia", mas que a decisão cabe aos comitês das duas empresas. "Como sou uma parte com conflito de interesses, não posso participar das discussões dos comitês especiais", afirmou, em conferência com investidores. Agora no g1 O bilionário afirmou que a fusão pode trazer ganhos. "Vejo muito mérito na combinação das empresas, já que estamos praticamente na singularidade da superinteligência", disse, em referência ao termo que foi adotado pela empresa após Donald Trump defender a mudança do termo "inteligência artificial". Os resultados da SpaceX superaram amplamente as estimativas de analistas e foram impulsionado pelo crescimento dos negócios com IA. A receita da SpaceX com IA subiu 830%, chegando a US$ 7,6 bilhões (R$ 38,1 bilhões). A quantia é ligada principalmente ao aluguel da capacidade computacional em data centers para companhias como Anthropic, Google e Reflection AI, e não ao retorno obtidos com seus modelos de IA. Por outro lado, a empresa de Musk destinou US$ 16,4 bilhões (R$ 82,4 bilhões) para investimentos, valor que, segundo o balanço, deve se manter no mesmo patamar no futuro próximo. Na avaliação de Daniel Newman, presidente-executivo do grupo de pesquisa em tecnologia Futurum Group, o crescimento da receita com IA está permitindo que a SpaceX alcance força operacional e alavancagem para avançar em seus negócios de satélites e foguetes. "Cada vez mais, a força e a diversificação da SpaceX fazem com que uma fusão com a Tesla pareça iminente", afirmou Newman, à Reuters. Embora a unidade de IA da SpaceX tenha aumentado o faturamento, a área vinha registrando prejuízos elevados. Por isso, a empresa alertou que serão necessários investimentos contínuos para ela poder gerar lucros de forma consistente. Crescimento da Starlink A Starlink, unidade de internet via satélite vinculada à SpaceX, mantém o crescimento de sua base de assinantes, impulsionada por novos lançamentos de satélites e por uma gama crescente de serviços para consumidores, empresas, aviação, transporte marítimo e governo. O serviço chegou a 13,6 milhões de assinantes no terceiro trimestre, mas a receita média mensal por assinante caiu de US$ 99 (R$ 500), em 2023, para US$ 69 (R$ 345), neste terceiro trimestre. A redução é explicada pela oferta de planos mais baratos pela empresa. Satélite Starlink Divulgação/Starlink A SpaceX disse que a expansão geográfica para além dos países mais ricos poderia diminuir a receita média por usuário ao longo do tempo. Investidores se mostram ansiosos para saber se essa pressão sobre os preços já começou a se manifestar. O mercado também observa de a SpaceX conseguirá continuar crescendo ao mesmo tempo em que melhora a rentabilidade da rede da Starlink. A empresa tem feito grandes investimentos em cobertura, capacidade e serviços de comunicação móvel direto para dispositivos. Custos com a Starship O projeto da Starship, sistema de foguetes reutilizáveis de última geração da SpaceX, ainda não entrou em operação comercial. A expectativa é que ele permita a implantação de satélites da Starlink com maior largura de banda e de uma infraestrutura de data centers capazes de operar no espaço. A capacidade da empresa de tornar a Starship um veículo reutilizável confiável é fundamental para sua estratégia de longo prazo. A SpaceX lançou com sucesso vários satélites Starlink no mês passado, no primeiro voo orbital do Starship, que terminou horas antes do previsto devido a um problema no motor. Starship, nave da SpaceX, em foto divulgada em 23 de julho de 2026 Divulgação/SpaceX O segmento espacial inclui lançamentos comerciais, missões governamentais e o desenvolvimento do Starship, e continua sendo uma fonte significativa de custos e incertezas. A atividade de lançamento do foguete Falcon continuou robusta, mas a receita pode variar a partir da combinação de lançamentos internos da Starlink, de missões de clientes comerciais e de contratos governamentais. A SpaceX tem priorizado lançamentos para sua própria rede de satélites em vez de voos para terceiros, ao mesmo tempo em que absorve custos significativos ligados ao desenvolvimento da Starship.
21/10/2026 00:44:56 +00:00
Mega-Sena 3072 acumula e prêmio vai a R$ 200 milhões; confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3072: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.072 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (20), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 187,6 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 200 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 02 - 06 - 09 - 16 - 31 - 40 5 acertos: 140 apostas ganhadoras, R$ 38.295,72 4 acertos: 9.261 apostas ganhadoras, R$ 954,26 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Resultado do concurso 3072 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
21/10/2026 00:02:10 +00:00
TCU recua e aprova contas do BC, tribunal tinha condicionado análise à conclusão da avaliação da liquidação do Banco Master

Dias depois de condicionar o julgamento das contas do Banco Central à conclusão de um processo sobre a liquidação do Banco Master, o Tribunal de Contas da União (TCU) voltou atrás nesta terça-feira (20) e aprovou as contas da autoridade monetária referentes a 2025. Na quinta-feira (15), o TCU tinha decidido condicionar o julgamento das contas do BC à conclusão do processo que analisa a atuação da autoridade monetária na liquidação extrajudicial do Banco Master. O TCU entendeu que as conclusões desse processo podem influenciar a análise das contas do BC e, por isso, decidiu aguardar uma decisão definitiva sobre o caso antes de concluir o julgamento das contas. A posição dos ministros seguiu a recomendação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) e contrariou o entendimento da área técnica do tribunal. Na decisão desta terça, os ministros da Segunda Câmara do TCU determinaram o levantamento da suspensão que impedia a conclusão do julgamento. Com isso, as contas dos responsáveis foram consideradas regulares, com quitação plena, e o processo foi arquivado. O acórdão cita a avaliação do MPTCU, segundo a qual “os elementos constantes dos autos não evidenciam irregularidades capazes de comprometer a regularidade das contas”. O documento também registra que a posição do Ministério Público é convergente com a análise da área técnica do tribunal, favorável à aprovação das contas. A análise da liquidação do banco tramita em outro processo, relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus. O julgamento das contas do BC foi relatado pelo ministro Jorge Oliveira. STF tenta dar encaminhamento a caso Master antes da chegada do novo Senado Embate entre os órgãos O tensionamento entre o Banco Central e o TCU começou no fim do ano passado, quando o ministro Jhonatan de Jesus determinou que a autoridade monetária apresentasse, em 72 horas, esclarecimentos sobre supostos indícios de que a liquidação do Banco Master teria ocorrido de forma "precipitada". O ministro também decretou sigilo sobre o processo. Dias depois, no auge do atrito entre os órgãos, Jhonatan determinou uma inspeção nos documentos do BC por considerar que ainda faltavam informações para embasar as explicações apresentadas pela autoridade monetária sobre a liquidação, decretada em novembro. O Banco Central recorreu. Argumentou que a inspeção não poderia ser determinada individualmente pelo relator e deveria ser submetida ao colegiado do TCU. Jhonatan acolheu o pedido para levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, mas contestou o argumento apresentado pelo BC. "Sob o ângulo regimental, não procede a premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado", afirmou o ministro à época. Jhonatan também disse que a decisão de submeter o assunto ao plenário levou em consideração a "dimensão pública" alcançada pelo caso. Em meio a isso, um parecer da equipe técnica do TCU em fevereiro já afastava a existência de irregularidades ou omissões na atuação do Banco Central no processo de liquidação do Master. "Concluiu-se, ao final, que não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil. A decretação da liquidação extrajudicial foi considerada medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento fático das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição supervisionada", diz o parecer dos técnicos envolvidos na auditoria. Banco Master Reprodução/TV Globo Processo foi suspenso em março Em março, Jhonatan de Jesus suspendeu a análise da atuação do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master até a conclusão de outras investigações relacionadas ao caso. Na ocasião, o ministro afirmou que aguardar os demais procedimentos permitiria ao tribunal decidir com um conjunto mais completo de informações. “Entendo que a apreciação imediata do relatório de inspeção e do mérito da representação, neste momento processual, não se afigura a medida mais adequada, sob pena de o julgamento ocorrer com grau de completude inferior ao desejável, quando há perspectiva concreta de superveniência de elementos oficiais aptos a qualificar o juízo definitivo”, afirmou o ministro.
20/10/2026 22:08:48 +00:00
VW faz recall de 73 mil carros elétricos por risco de incêndio

Agora no g1 A Volkswagen (VW) convocou um recall de quase 73 mil veículos elétricos devido a baterias defeituosas, segundo dados publicados nesta terça-feira (20) pela Autoridade Federal de Transporte Motorizado da Alemanha (KBA). Cerca de 10 mil veículos, em sua maioria da linha ID da Volkswagen, são afetados apenas na Alemanha. Outros recalls já estão em andamento no Reino Unido e nos Estados Unidos. No mercado americano, mais de 22 mil unidades do modelo ID.4 são afetadas, segundo autoridades dos EUA. A preparação do recall alemão já havia sido divulgada na semana passada, após verificações internas de qualidade identificarem que determinadas células de baterias de alta tensão em veículos da família ID não atendem aos requisitos de qualidade. Segundo a empresa, a causa está relacionada a defeitos de produção de fornecedores e afeta um período limitado de fabricação. "Em casos raros, isso pode levar a um aumento do estresse térmico nessas baterias; em situações extremas, pode ocorrer um incêndio", informou a Volkswagen na semana passada. Os modelos afetados na Alemanha incluem os ID.3, ID.4, ID.7 e ID.Buzz produzidos em determinados períodos entre 2022 e 2025, além do Cupra Born, fabricado pela subsidiária espanhola Cupra entre 2022 e 2024. A empresa reportou que os proprietários dos veículos afetados receberão uma carta de notificação. Volkswagen ID.4 Pro divulgação/Volkswagen Tempos de crise Como medida imediata de segurança, a Volkswagen anunciou que limitará o carregamento dos veículos afetados a, no máximo, 80% da capacidade até que eles sejam inspecionados por uma oficina autorizada. De acordo com a montadora, os módulos de bateria afetados não precisarão necessariamente ser substituídos, já que uma atualização de software pode ser suficiente. Este não é o primeiro recall da empresa em 2026 relacionado a baterias. Em março, Volkswagen e Cupra já haviam convocado mais de 90 mil veículos em todo o mundo pelo mesmo motivo, sendo 28 mil deles na Alemanha. No fim de setembro, a montadora também chamou mais de 5 milhões de veículos para reparos, devido a um parafuso do sistema de direção suscetível à corrosão. A Volkswagen vem passando por uma crise mais ampla, com ameaças de cortes de empregos e fechamento de fábricas. As causas mais comumente apontadas incluem o aumento dos custos de produção, o enfraquecimento do mercado interno, a concorrência da China e uma estratégia vacilante para veículos elétricos.
20/10/2026 20:34:07 +00:00
IBGE terá seleção com 325 vagas temporárias; veja o que se sabe

Agentes Censitários de Pesquisa por Telefone IBGE Cal Guimarães/Agência IBGE Notícias O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recebeu autorização do governo federal para realizar uma nova seleção temporária destinada a atividades de pesquisa por telefone. A medida foi publicada nesta terça-feira (20) no Diário Oficial da União. Ao todo, estão previstas 325 vagas, sendo 276 para agente de pesquisa por telefone e 49 para supervisor de pesquisa por telefone. O edital com as regras da seleção deverá ser publicado pelo IBGE em até seis meses, o que significa que o processo poderá ser lançado até abril de 2027. Agora no g1 A autorização consta de uma portaria conjunta dos ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e do Planejamento e Orçamento (MPO). Os contratados participarão de levantamentos que ajudam a produzir indicadores sobre emprego, renda, atividade econômica e condições de vida da população brasileira. ⚠️ As inscrições ainda não estão abertas. Informações como salários, requisitos de escolaridade, cronograma e etapas da seleção serão divulgadas no edital. O recrutamento ocorrerá por meio de processo seletivo simplificado, modalidade usada pela administração pública para contratações temporárias. Por enquanto, não há informações sobre a exigência de escolaridade, o formato das avaliações ou o período de inscrições. As admissões serão feitas com base na Lei nº 8.745, de 1993, que autoriza a contratação por tempo determinado para atender necessidades temporárias de excepcional interesse público. A duração dos contratos e possíveis prorrogações seguirá o que determina a legislação. Eventuais extensões deverão ser justificadas pela necessidade de conclusão das atividades de pesquisa.
20/10/2026 19:21:57 +00:00
iFood compra Caju e amplia disputa no mercado de benefícios corporativos; o que muda para clientes?

iFood anuncia compra da Caju Ifood/ Caju/ Divulgação O iFood Benefícios anunciou nesta terça-feira (20) a compra da Caju, startup que atua nas áreas de benefícios corporativos, gestão de despesas e recursos humanos. O acordo ainda precisará ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central. As empresas não divulgaram o valor da transação. (Abaixo, entenda o que muda para os clientes) A aquisição ocorre em meio ao movimento do iFood de ampliar sua atuação para além do delivery. Em setembro, a companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 24 bilhões até março de 2027, com foco em áreas como serviços financeiros, tecnologia e soluções corporativas. A operação também acontece em um mercado que movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil e atende mais de 22 milhões de trabalhadores vinculados ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), programa federal que regulamenta benefícios como vale-alimentação e vale-refeição. Agora no g1 Criadas em 2020, iFood Benefícios e Caju ganharam espaço nos últimos anos ao disputar um mercado tradicionalmente dominado por grandes operadoras de benefícios. As duas empresas apostaram em soluções digitais e em cartões multibenefícios, que permitem concentrar diferentes modalidades em uma única plataforma. Segundo as empresas, a combinação dos negócios permitirá ampliar a oferta de produtos voltados tanto para trabalhadores quanto para departamentos de recursos humanos. Hoje, o iFood Benefícios reúne modalidades como alimentação, refeição, mobilidade, educação, cultura e saúde em um único cartão. A empresa afirma atender cerca de 65 mil clientes corporativos e 1,7 milhão de usuários. Já a Caju informa ter mais de 70 mil empresas clientes e 1,3 milhão de usuários. Além dos benefícios corporativos, a startup também oferece soluções para controle de despesas e gestão de pessoas. Em comunicado, Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, afirmou que a operação está alinhada à estratégia da empresa para ampliar sua atuação no setor. "Repensamos a cadeia de valor do benefício, e os pontos de partida foram o restaurante e o trabalhador. Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio", disse. O acordo já foi comunicado ao Cade, órgão responsável por avaliar possíveis impactos concorrenciais da operação. Após a análise da autoridade, a transação também precisará passar pelo crivo do Banco Central. Até que as aprovações sejam concluídas, as duas empresas seguirão atuando separadamente. O que muda para os clientes? Segundo as empresas, não haverá mudanças imediatas para usuários, empregadores ou estabelecimentos parceiros. Até a conclusão do processo regulatório, iFood Benefícios e Caju continuarão operando de forma independente. Em comunicado, Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, afirmou que a expectativa da empresa é ampliar investimentos em produtos e tecnologia após a conclusão da operação. "Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, abrindo espaço para a inovação com mais investimento em experiência e produto", afirmou. E temos essa do Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios Ifood / Divulgação Mudanças recentes A aquisição acontece em meio às mudanças regulatórias implementadas nos últimos anos no mercado de benefícios corporativos. As empresas afirmam que apoiaram medidas voltadas à ampliação da concorrência e à redução dos custos cobrados de estabelecimentos que aceitam vales alimentação e refeição. Segundo o iFood, a união com a Caju ocorre em um contexto de disputa entre novos entrantes e empresas já consolidadas no setor, especialmente após alterações nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador. O iFood também destaca como diferencial a integração com seu ecossistema de negócios. A empresa informa que seu cartão é aceito em mais de 11 milhões de estabelecimentos físicos e está conectado à rede de mais de 500 mil restaurantes e mercados presentes na plataforma. A Caju afirma que seus cartões são aceitos em mais de 12 milhões de estabelecimentos em todo o país.
20/10/2026 19:00:00 +00:00
Receita devolve valor recorde de R$ 41 bilhões em restituições do IR 2026

Alguns contribuintes que caíram na malha fina vão receber carta da Receita Federal A Receita Federal restituiu mais de R$ 41 bilhões a 35,9 milhões de contribuintes que declararam o Imposto de Renda de 2026, segundo dados divulgados pela instituição nesta terça-feira (20). De acordo com a Receita, o valor restituído foi recorde, e cerca de 80% do total foi devolvido em até um mês após o fim do prazo de entrega da declaração. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O quarto e último lote do calendário regular de restituição do IRPF 2026 foi pago em 31 de agosto e contemplou 521.935 contribuintes, em um total de R$ 1,24 bilhão. Após essa etapa, os pagamentos passam a ser feitos por meio de lotes residuais mensais. Além das restituições tradicionais, o Imposto de Renda 2026 trouxe como novidade o cashback, que devolveu R$ 460 milhões a 3,4 milhões de pessoas que não haviam apresentado declaração no ano anterior, segundo a Receita. Com a conclusão dos pagamentos, a Receita Federal passou a orientar contribuintes que ainda têm valores a receber, mas cujas declarações foram retidas na malha fina por pendências simples. Ao todo, 498.487 contribuintes de todo o país foram selecionados para receber cartas com orientações sobre como regularizar a situação. O envio começou em 5 de outubro e termina nesta terça-feira (20). A iniciativa faz parte do Projeto Cartas 2026, que busca incentivar os contribuintes a corrigir possíveis erros por conta própria antes de receber uma notificação ou intimação formal da Receita. 🔎 O que é a malha fina? Uma declaração cai na malha fina quando a Receita Federal identifica informações que precisam ser verificadas ou corrigidas. Isso não significa, necessariamente, que o contribuinte cometeu alguma irregularidade ou recebeu uma multa. Segundo o Fisco, a regularização antecipada pode evitar multas e atrasos na liberação da restituição. Entre os estados, São Paulo concentra o maior número de contribuintes que receberão cartas da Receita Federal: são 163.159 declarações, cerca de um terço do total nacional. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 48.509, e Rio de Janeiro, com 45.403. Como saber se a declaração tem pendências? Vale dizer que não é preciso esperar a carta chegar para verificar a situação do Imposto de Renda. A consulta pode ser feita pela internet, no serviço Meu Imposto de Renda, disponível no site e no aplicativo da Receita Federal. Para acessar o sistema, é necessário ter uma conta gov.br com nível prata ou ouro. Veja como consultar e corrigir a declaração: Acesse o Meu Imposto de Renda: entre no site ou no aplicativo da Receita Federal. Verifique se há pendências: se a declaração estiver retida na malha fina, aparecerá a indicação “Com Pendência”. Identifique o problema: clique na pendência para consultar o motivo da retenção e as orientações para resolvê-la. Confira os dados e os comprovantes: verifique se os valores informados estão corretos e se há documentos que comprovem as informações declaradas. Corrija a declaração, se necessário: caso encontre erros, envie uma declaração retificadora, ou seja, uma nova versão corrigida da declaração original. Quais erros podem levar à malha fina Entre os problemas mais comuns identificados pela Receita estão: 💰 Rendimentos não declarados: esquecer de informar valores recebidos de forma pontual ao longo do ano. 👨‍👩‍👧 Rendimentos de dependentes: deixar de incluir os valores recebidos por pessoas declaradas como dependentes. 👴 Aposentadorias omitidas: não informar todos os rendimentos quando o contribuinte ou seu dependente recebe aposentadoria de mais de uma fonte pagadora. 🩺 Despesas médicas incorretas: informar o ano ou o valor errado de um gasto, ou incluir despesas que não podem ser deduzidas do Imposto de Renda. 🏦 Plano VGBL declarado como dedução: informar contribuições para esse tipo de plano como despesa dedutível, embora elas não possam ser abatidas do imposto. Imposto de Renda: prazo termina na sexta-feira (29) g1
20/10/2026 17:30:13 +00:00
Conab sofre ataques hackers e alerta para possíveis falhas em seus sistemas

Concurso da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terá 403 vagas em diferentes estados do país. Divulgação/Conab A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou nesta terça-feira (20) que seus sistemas e serviços digitais têm sido alvo de ataques cibernéticos, incluindo tentativas de invasão que colocam em risco a segurança de seu ambiente tecnológico. Em nota, a estatal afirmou que os sistemas permanecem protegidos, mas podem apresentar instabilidades e restrições temporárias de acesso devido às medidas preventivas adotadas para preservar a integridade das informações e a confiabilidade dos serviços. A Conab é responsável, entre outras atribuições, por produzir informações sobre o setor agropecuário, realizar levantamentos de safras e executar políticas agrícolas. Segundo a companhia, as investigações para apurar os ataques estão em andamento. *Com informações da Reuters. BTG tem desvio de cerca de R$ 100 milhões em ataque hacker
20/10/2026 16:33:11 +00:00
A 5 dias do 2º turno, Flávio propõe devolver via PIX parte de gastos com contas e prestações, mas não detalha custos

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, informou nesta terça-feira (20) que, se for eleito, vai propor a devolução aos consumidores de uma parte do PIX utilizado no pagamento de contas de luz e prestações, por exemplo. O anúncio foi feito por meio de publicação na rede social da coordenadora de campanha para assuntos econômicos, Daniella Marques. "Flávio vai criar junto com a Caixa [Econômica Federal] um plano de recompensa pra todo mundo no Brasil, e o vira PIX. Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta pro seu bolso", diz anúncio publicitário. Essa é a segunda bondade anunciada pela campanha de Flávio Bolsonaro nesta terça-feira. Mais cedo, ele informou que vai retomar, se for eleito, o chamado Programa Emergencial para Retomada do Setor de Eventos (Perse), lançado por Jair Bolsonaro em 2021, ainda na pandemia da Covid-19. 🔎A proposta de devolver parte dos recursos arrecadados via PIX, porém, não foi detalhada. Não foi informado, por exemplo, quais as contas serão passíveis de devolução, em quanto tempo isso será feito e nem qual o custo estimado da medida. Agora no g1 O g1 procurou a campanha de Flávio para obter mais detalhes sobre a proposta e seus impactos, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto. Ao mesmo tempo que anuncia benefícios, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, afirma que uma das diretrizes de seu programa de governo é retomar o equilíbrio das contas públicas, que registram déficits sucessivos nos últimos anos. Segundo ele, isso abriria caminho para a redução da taxa básica de juros da economia. Cashback da reforma tributária A devolução nos pagamentos via PIX se assemelha a um mecanismo aprovado na reforma tributária sobre o consumo, o cashback. Essa medida, porém, valerá somente para a população de baixa renda, enquanto, em tese, o "Vira PIX" valeria para "todo mundo no Brasil". O cashback da reforma tributária, já aprovada pelo Legislativo, prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O benefício entra em vigor em janeiro de 2027. Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal. Tensão com os Estados Unidos O PIX, ferramenta de transferências em tempo real do Banco Central, foi fruto de tensão com os Estados Unidos, por conta de investigação aberta pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Em julho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que iria aos Estados Unidos para defender o PIX, em meio às discussões sobre a ferramenta de pagamentos. Segundo ele, a viagem ocorre porque o parlamentar considera que o governo brasileiro não está defendendo os interesses do país. "A nossa verdade é a seguinte: nós defendemos o PIX porque o PIX é do Brasil, foi criado pelo presidente Bolsonaro, sem taxa. Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso PIX, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para as empresas brasileiras. É o único que quer a tarifação dos nossos produtos brasileiros que são enviados para os Estados Unidos. Então eu vou lá defender o nosso Brasil', disse ele, naquele momento. Flávio Bolsonaro (PL) ao lado de Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha do senador ALOISIO MAURICIO/ESTADÃO CONTEÚDO
20/10/2026 16:23:42 +00:00
Conselho da Meta aponta falhas 'recorrentes' na moderação de conteúdo eleitoral

Manifestação em frente à sede da Meta em SP TV Globo O Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas “recorrentes” nos esforços da empresa para garantir a integridade eleitoral e afirmou que ela precisa aplicar regras de moderação de conteúdo mais transparentes e consistentes durante as eleições. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (20), o órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição no Brasil, e de seus apoiadores. Os problemas deram origem a acusações de interferência eleitoral. LEIA TAMBÉM: Meta diz ao TSE que tomou medidas para candidaturas serem tratadas de forma igual 🔍 A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, mantém um comitê de supervisão chamado Oversight Board. O órgão é independente e funciona como uma espécie de tribunal ao qual os usuários podem recorrer para contestar decisões de remoção ou restauração de conteúdos no Facebook e no Instagram. O mecanismo não se aplica ao WhatsApp, onde as mensagens trocadas são criptografadas. A declaração dos copresidentes do Conselho também menciona a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, antes das eleições de meio de mandato, e critica decisões capazes de restringir manifestações políticas em períodos eleitorais. “O Conselho de Supervisão está preocupado com as falhas recorrentes na aplicação das regras pela Meta em seus esforços para garantir a integridade eleitoral”, afirma o comunicado. Meta diz ao TSE que tomou medidas para candidaturas serem tratadas de forma igual Segundo o órgão, os problemas de moderação durante eleições e períodos de tensão política costumam ocorrer de duas formas: Aplicação excessivamente rigorosa das regras, que pode suprimir manifestações políticas; Aplicação insuficiente das regras, que pode comprometer a integridade eleitoral. O Conselho cobrou medidas que permitam avaliar publicamente a eficácia dos mecanismos de moderação da empresa. Após os problemas registrados durante as eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2022, o órgão já havia pedido à Meta que criasse critérios objetivos para medir a eficácia das ações de proteção da integridade eleitoral, incluindo a divulgação de indicadores relevantes. “Embora a Meta cite frequentemente indicadores gerais de atividade, como o número de anúncios armazenados ou de contas removidas, a empresa ainda não estabeleceu métricas públicas que avaliem de forma transparente a eficácia de suas medidas de aplicação das regras — ou as lacunas críticas nesse processo. Isso precisa mudar”, diz a declaração. Meta responde ao TSE O comunicado do Conselho foi divulgado no mesmo dia em que a Meta respondeu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as medidas adotadas para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno das eleições. A empresa, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, afirmou ao tribunal que cumpriu as determinações judiciais e que não houve negligência nem resistência na execução das medidas. No documento enviado ao tribunal, a Meta afirmou que um parecer técnico anexado ao processo comprova que os conteúdos relacionados às candidaturas recebem tratamento igualitário e não discriminatório. “O Facebook Brasil e as equipes da Meta trabalham de forma incessante para produzir a documentação em cumprimento das dezessete alíneas da ordem”, diz o texto. A empresa também reconheceu que podem ocorrer erros, incluindo o bloqueio indevido de anúncios de empresas e pessoas autorizadas a anunciar, e afirmou que trabalharia com o TSE e as equipes de campanha para corrigir eventuais problemas. A manifestação foi enviada após o ministro Marco Aurélio Bellizze determinar, na segunda-feira (19), que a empresa detalhasse, em até 24 horas, as medidas adotadas para garantir tratamento igualitário entre as campanhas. Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro alegam prejuízo A discussão ocorre após denúncias das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno. Em 15 de outubro, o TSE determinou que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral relacionado a qualquer um dos candidatos. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Lula, que alegou falhas repetidas e sistemáticas na distribuição de suas publicações pela plataforma. A equipe também afirmou que ferramentas de inteligência artificial da empresa permitiam gerar imagens relacionadas a Flávio Bolsonaro, mas não a Lula. Os advogados da campanha do presidente apontaram ainda possíveis diferenças no alcance das publicações políticas na plataforma e citaram perfis ligados à candidatura adversária, entre eles o do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Flávio Bolsonaro também afirmou que conteúdos de sua campanha haviam sido prejudicados nas plataformas da Meta. O Conselho de Supervisão não afirmou, no comunicado desta terça-feira, que houve interferência eleitoral comprovada no Brasil. O órgão, porém, avaliou que as restrições técnicas que atingiram contas de um candidato e as acusações decorrentes exigem que a empresa melhore seus procedimentos. Conselho critica remoções indevidas de conteúdo político O órgão também alertou que a remoção indevida de manifestações políticas antes de uma eleição pode prejudicar a participação dos eleitores e comprometer a integridade do processo eleitoral. “A remoção indevida de manifestações políticas antes de uma eleição corre o risco de comprometer a integridade eleitoral e provocar um efeito inibidor irreversível sobre a participação política”, afirma o comunicado. O Conselho defendeu que os sistemas automatizados de moderação considerem o idioma, as nuances e o contexto político para proteger manifestações que não incitem à violência. A declaração também lembra que, em 2025, a Meta se comprometeu a permitir mais manifestações e cometer menos erros em temas relacionados às eleições e ao debate político. “Como demonstram os acontecimentos recentes, a empresa ainda tem muito trabalho a fazer para cumprir essa promessa”, conclui o texto. Regras estabelecidas pelo TSE Na decisão de 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta não reduzisse o alcance, excluísse das recomendações ou restringisse a busca por conteúdos político-eleitorais relacionados a qualquer uma das candidaturas que disputam o segundo turno. A empresa também deveria limitar a retirada de perfis dos sistemas de recomendação aos perfis oficiais das candidaturas e garantir que a Meta AI adotasse os mesmos critérios para os dois candidatos. Na segunda-feira (19), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, também proibiu Nikolas Ferreira e o influenciador Pablo Marçal de republicar conteúdos que o TSE já havia determinado que fossem removidos. A decisão determinou ainda que a Meta e o X suspendessem o impulsionamento pago das publicações feitas pelas contas dos dois até o fim do segundo turno. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 50 mil por publicação.
20/10/2026 15:53:04 +00:00
Bugatti restaura único Veyron 'espelhado'; superesportivo foi visto com o piloto Fernando Alonso

Bugatti restaurou o Veyron Grand Sport Vitesse com carroceria de alumínio polido. Divulgação / Bugatti A Bugatti restaurou um Veyron Grand Sport Vitesse com carroceria de alumínio polido, que já foi visto em Mônaco com o piloto de Fórmula 1 Fernando Alonso ao volante. O carro foi vendido recentemente pela empresa alemã Mechatronik, a mesma que vendeu o Pagani Zonda Roadster Diamante Verde a Alonso. (Veja mais detalhes a seguir) O exemplar, identificado pelo número de chassi 8.100, voltou à sede da Bugatti, em Molsheim, na França, para passar por um processo de certificação, recuperação e reconfiguração. O objetivo era resgatar as características originais do projeto e preservar a história do modelo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O trabalho foi feito pelo programa La Maison Pur Sang, criado pela fabricante para pesquisar o histórico dos carros, certificar sua autenticidade e realizar restaurações. Os valores do carro e da restauração não foram divulgados. A iniciativa também auxilia colecionadores a encontrar modelos para suas coleções e permite que os veículos sejam recuperados de acordo com suas especificações originais ou modificados conforme a vontade dos proprietários. Como um Tesla voou e andou de ponta-cabeça? No caso do Veyron de chassi 8.100, uma das etapas centrais foi retirar personalizações acrescentadas posteriormente. A intenção era recuperar a proposta original do carro, mantendo suas características históricas. A montadora não detalhou quais peças foram substituídas ou reparadas durante o serviço. O trabalho divulgado, porém, incluiu a certificação do exemplar e a recuperação cuidadosa de sua configuração. Fernando Alonso flagrado em Mônaco dirigindo o raro Bugatti Grand Sport Vitesse com carroceria de alumínio polido. Reprodução / Redes sociais Alumínio polido O acabamento externo é o principal diferencial do Veyron. Em vez de esconder o metal sob uma pintura convencional, a carroceria utiliza alumínio polido exposto, que reflete a luz e cria o efeito espelhado nas superfícies do carro. A solução exigiu um trabalho cuidadoso desde a fabricação. Blocos de alumínio que pesavam até 20 toneladas foram levados para Molsheim para viabilizar o projeto. Bugatti restaurou o Veyron Grand Sport Vitesse com carroceria de alumínio polido. Divulgação / Bugatti Antes de chegar à oficina, o desenho passou por estudos de proporções, superfícies e iluminação. Depois de definido o visual, o trabalho foi realizado no ateliê da Bugatti, onde profissionais especializados deram forma ao projeto. A fabricante também documentou as etapas de criação, formando um registro do desenvolvimento de um dos projetos mais singulares da época do Veyron. Por dentro, o carro combina couro vermelho Carmine Red, fibra de carbono aparente, alumínio polido e detalhes feitos à mão. O interior vermelho cria um contraste com a carroceria metálica. 1.200 cv O Veyron Grand Sport Vitesse também se destaca pelo conjunto mecânico. O modelo usa um motor W16 de 8.0 litros, com quatro turbos, capaz de entregar 1.200 cv de potência e 153 kgfm de torque. Mais de uma década depois de sua criação, o Veyron está na Riviera Francesa, região que inclui Mônaco. A Bugatti descreve o exemplar como um dos mais raros Veyron Grand Sport Vitesse já produzidos. Segundo Luigi Galli, especialista em patrimônio histórico e certificação da montadora, o programa busca acompanhar os colecionadores desde a pesquisa sobre a história de um veículo até a preservação de sua autenticidade para o futuro. Pagani Zonda Roadster Diamante Verde do piloto de F1 Fernando Alonso. Divulgação / Mechatronik Diamante Verde Outro carro raro ligado a Fernando Alonso é o Pagani Zonda Roadster Diamante Verde, um exemplar único que o piloto comprou também por meio da empresa alemã Mechatronik. Fabricado em 2017, o superesportivo tem motor V12 de 760 cavalos, carroceria com fibra de carbono aparente e pintura especial. O nome Diamante Verde faz referência à combinação exclusiva de cores e acabamentos do carro. A configuração foi criada na própria fábrica da Pagani, seguindo as especificações da linha 760. Não se trata de uma conversão feita posteriormente por uma empresa especializada, mas de uma unidade produzida originalmente com essas características. O exemplar é um dos mais exclusivos da família Zonda e tinha apenas 800 quilômetros rodados quando foi entregue a Alonso. Desde que saiu da fábrica, segundo a Mechatronik, teve somente um proprietário anterior, de acordo com o histórico. Pagani Zonda Roadster Diamante Verde do piloto de F1 Fernando Alonso. Divulgação / Mechatronik Carroceria tem peças exclusivas Uma das principais diferenças do Diamante Verde está no conjunto externo. A carroceria combina fibra de carbono aparente com uma pintura especial, aplicada por um processo que não foi utilizado da mesma maneira em nenhum outro Pagani. O capô dianteiro também chama a atenção. A peça foi originalmente desenvolvida para o Zonda 760LM, enquanto os para-lamas dianteiros são mais largos que os de outras configurações do superesportivo. A construção utiliza um chassi que combina carbono e titânio, material que faz parte da estrutura do carro. O acabamento interno segue uma proposta mais discreta, com Alcantara preta. Por ser um roadster, o modelo permite dirigir sem teto. Nessa configuração, os ocupantes ficam mais próximos do som produzido pelo motor e pela admissão de ar, que alimenta o V12 por meio de dutos conectados a uma entrada no estilo da configuração Cinque. Motor V12 O Pagani Zonda Roadster Diamante Verde é equipado com um motor Mercedes-AMG V12 de 7.3 litros. O conjunto entrega 760 cv de potência. O sistema de escapamento também tem componentes específicos. Os coletores, com formato trabalhado e revestimento cerâmico, direcionam os gases para quatro silenciadores azulados de liga de inconel. Na traseira, as quatro saídas ficam agrupadas dentro de um elemento circular, característica visual dos modelos da Pagani. Pagani Zonda Roadster Diamante Verde de Fernando Alonso com capacete do piloto e cadeirinha personalizada. Divulgação / Mechatronik
20/10/2026 14:59:31 +00:00
Apenas Santa Catarina vai deixar de exportar frango para a China, diz secretário do Ministério da Agricultura

Apenas Santa Catarina vai deixar de exportar frango para a China, diz secretário do Ministério da Ag Apenas o estado de Santa Catarina vai deixar de exportar carne de frango para a China após a detecção de um foco da doença de Newcastle (DNC) no oeste do estado, disse ao g1 o secretário de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Billi. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo ele, o governo brasileiro recebeu a informação das autoridades chinesas no fim da manhã desta terça-feira (20). "Acabamos de receber o retorno [da China]. Ao todo são 14 estabelecimentos em Santa Catarina que exportam frango para lá e que, agora, ficam suspensos de exportar", disse. No Brasil todo, 61 estabelecimentos estão habilitados a exportar carne de frango para a China, principal destino das vendas brasileiras do produto. Entre janeiro e setembro deste ano, o mercado chinês respondeu por 13,5% da receita obtida com as exportações brasileiras de frango, segundo dados do Ministério da Agricultura. 🔍A DNC é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em quadros graves, pode causar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária após contato direto com aves infectadas ou suas secreções; não há transmissão da doença pelo consumo de frango. Além da China, os seguintes países aplicaram suspensões: Suspensão das compras de todo o Brasil: México (aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia); Suspensão das importações apenas de Santa Catarina: Chile (ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves). 10 principais compradores de carne de aves do Brasil, de janeiro a setembro deste ano. g1 Como funciona o protocolo com a China Um protocolo sanitário firmado entre a China e o Brasil prevê que, quando uma doença infecciosa aviária é identificada no Brasil, o Ministério da Agricultura precisa suspender preventivamente todas exportações para o país asiático e, a partir daí, a China decide se vai manter o embargo apenas para o estado ou para todo o país. Da última vez que a doença foi registrada no país, em 2024, no Rio Grande do Sul, as exportações de carne de frango para a China foram suspensas pelo Brasil em julho daquele ano. Cerca de um mês depois, o país asiático voltou a autorizar as compras do produto brasileiro, mas manteve o bloqueio às empresas gaúchas, localizadas na área afetada. Os frigoríficos dos demais estados puderam retomar os embarques, enquanto as restrições ao Rio Grande do Sul só foram retiradas em janeiro deste ano. Dessa vez, porém, o secretário de RI do Mapa, Augusto Billi, disse que o processo decisório da China foi mais ágil. "[Hoje], eles [a China] já conhecem bem melhor o Brasil. Ontem mesmo nós enviamos documentos para a China e já solicitamos que eles não fechassem todo o país. Eles sabem que temos condições de fazer o controle. Há confiança nessa parceria comercial. E eles também precisam da nossa carne", disse Billi, ao g1. A restrição da China limitada ao estado reduz o impacto sobre as exportações brasileiras, já que Santa Catarina responde por pouco mais de 20% dos embarques de carne de frango do país, segundo a ABPA. LEIA TAMBÉM: Mais de 130 granjas são monitoradas após confirmação de foco em SC O que é a doença de Newcastle? Pode atingir humanos E os outros mercados? Até o momento, apenas China, Chile e México anunciaram oficialmente como vão tratar o caso registrado em Santa Catarina. Para os demais mercados, ainda não há posicionamento público. Os países, porém, mantêm protocolos sanitários previamente negociados com o Brasil que estabelecem qual seria a restrição aplicada em situações de ocorrência de doenças aviárias. Essas regras servem como referência, mas não determinam necessariamente a decisão final de cada importador, que pode optar por regionalizar as restrições de forma diferente ou adotar medidas específicas após avaliar o caso. Veja abaixo o que os protocolos atualmente preveem para cada mercado. Os países que aparecem em mais de uma categoria adotam regras diferentes conforme o produto exportado. Em alguns casos, as restrições aplicáveis à carne de aves não são as mesmas previstas para ovos ou outros derivados. Suspensão das exportações de todo o Brasil Malásia Suspensão das exportações do estado Cazaquistão Tadjiquistão Uzbequistão Malásia Peru União Aduaneira Euroasiática (UEEA) União Europeia Suspensão da exportação da área afetada África do Sul Arábia Saudita Argélia Argentina Azerbaijão Bahamas Bolívia Bósnia e Herzegovina Burkina Faso Canadá Coreia do Sul Cuba Egito El Salvador Emirados Árabes Unidos Equador Filipinas Geórgia Hong Kong Índia Japão Jordânia Kosovo Lesoto Marrocos México Mianmar Namíbia Nova Caledônia Omã Paquistão Peru Polinésia Francesa Reino Unido República Dominicana Sri Lanka Tailândia Taiwan Tanzânia Timor-Leste Turquia União Aduaneira Euroasiática (UEEA) União Europeia Uruguai Vanuatu Vietnã Restrição apenas aos animais do foco Butão Ilhas Maurício Irã Onde o caso aconteceu O foco da doença de Newcastle (DNC) foi detectado em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, com cerca de 6 mil animais. A informação foi confirmada na segunda-feira (19), em coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. O estabelecimento foi fechado e a movimentação de aves está suspensa, disse o Ministério da Agricultura. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que, diferentemente do episódio registrado em 2024, não foram identificadas aves doentes neste caso. Segundo ele, o resultado foi obtido durante uma ação de vigilância ativa do Ministério da Agricultura, que realiza exames periódicos em propriedades selecionadas por sorteio. Os testes encontraram material genético de uma variante do vírus de Newcastle associada a pombos em perus que não apresentavam sintomas. "Uma coisa é encontrar sinais do vírus nos exames; outra é ter animais doentes", afirmou Santin. Segundo ele, nenhuma ave apresentava sinais clínicos da doença. Após a detecção, as autoridades iniciaram medidas sanitárias para eliminar o vírus e intensificaram o monitoramento na região. Será realizado monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. O primeiro país a anunciar restrição ao frango brasileiro foi o México. Na segunda-feira (19), o país suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação do caso em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. A restrição, anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, também abrange aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a medida tem como objetivo proteger a produção avícola nacional, considerada livre da doença. Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Leia também: Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato Cliente ou rival? Como a China pode passar de grande compradora a concorrente do frango brasileiro
20/10/2026 14:43:49 +00:00
Preço do diesel dispara 6,67% e chega a R$ 7,20 por litro no Brasil, aponta pesquisa

Aumento ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, provocada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio. Marcello Casal Jr./Agência Brasil O preço do diesel comum subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro em relação à segunda metade de setembro e chegou à média de R$ 7,20 por litro no Brasil. A alta ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio. Os dados são do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que monitora os valores cobrados nos postos de combustíveis em todo o país. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (20). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com a alta registrada na primeira quinzena de outubro, o preço do diesel comum acumula aumento de 15,2% desde janeiro, quando o litro custava R$ 6,25. Até setembro, a alta acumulada era de 9,44%, com o combustível vendido a R$ 6,84. Já na comparação entre o fim de setembro e a primeira quinzena de outubro, o avanço foi de 5,26%. Apesar da alta recente, o valor ainda está abaixo do pico registrado em abril, quando a média mensal chegou a R$ 7,46. O diesel S-10, usado principalmente em veículos mais novos, também ficou mais caro. O preço médio subiu 5,07%, para R$ 7,46 por litro. Entre os demais combustíveis, o etanol registrou alta de 2,38% e teve preço médio de R$ 4,31 por litro. Já a gasolina ficou praticamente estável, com leve aumento de 0,15%, e foi vendida a R$ 6,73 por litro. 🔎 A alta do diesel preocupa porque o combustível é amplamente usado no transporte de mercadorias, na agricultura e na indústria. Quando fica mais caro, pode elevar os custos de produção e distribuição, com reflexos nos preços pagos pelos consumidores. Agora no g1 Por que o diesel está mais caro? Um dos principais fatores da alta é a dependência do Brasil em relação ao diesel importado. Embora produza petróleo, o país não consegue fabricar, em suas refinarias, todo o diesel necessário para atender ao consumo interno. Por isso, parte do combustível precisa ser importada. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as importações representaram 23,14% das vendas de diesel A no Brasil em agosto. Isso significa que as oscilações dos preços internacionais e dos custos de transporte podem afetar diretamente os preços cobrados nos postos brasileiros. A situação se agravou com os conflitos no Oriente Médio, que ameaçam o abastecimento mundial de petróleo. Nesta terça-feira (20), o barril do tipo Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 111 e atingiu o maior nível em cinco meses. Para tentar conter a alta dos preços, o governo federal ampliou, na semana passada, o subsídio ao diesel importado de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro. A medida tem validade inicial de 30 dias. O subsídio foi criado em maio deste ano para reduzir parte dos custos do combustível e evitar que toda a alta seja repassada aos consumidores. Segundo o Ministério da Fazenda, a manutenção da subvenção em outubro se deve à "persistente volatilidade dos preços internacionais do petróleo". Onde o diesel ficou mais caro? A região Sul registrou os maiores aumentos do diesel na primeira quinzena de outubro. O diesel comum subiu 11,70%, para R$ 6,97 por litro. Já o S-10 teve alta de 7,50%, com preço médio de R$ 7,17. Apesar dos reajustes, Sul e Sudeste continuaram com os menores preços médios regionais do diesel comum, de R$ 6,97 por litro. No Centro-Oeste, o diesel comum avançou 6,97%, para R$ 7,21 por litro. O S-10 subiu 7,02%, para R$ 7,62, a maior média regional dessa modalidade. Já o Norte registrou os combustíveis mais caros do país, considerando as médias regionais: Diesel comum: R$ 7,75 por litro; Diesel S-10: R$ 7,80 por litro; Etanol: R$ 5,19 por litro; Gasolina: R$ 7,25 por litro. Entre os estados, Roraima registrou o diesel comum mais caro, a R$ 8,19 por litro, enquanto Minas Gerais teve o menor preço médio, de R$ 6,91. O Paraná registrou a maior alta do diesel comum, de 12,66%, para R$ 6,94 por litro. Já o Acre teve a maior queda, de 1,60%, embora o combustível ainda custasse, em média, R$ 8 por litro. No caso do diesel S-10, o maior preço foi registrado no Acre, a R$ 8,30 por litro, e o menor no Rio Grande do Sul, a R$ 6,95. Entre os demais combustíveis, o etanol teve o maior preço médio em Sergipe (R$ 5,54) e o menor em São Paulo (R$ 4,03). Já a gasolina variou de R$ 7,64, em Roraima, a R$ 6,28, no Rio Grande do Sul. Mato Grosso liderou as altas do etanol (3,96%), enquanto Pernambuco registrou o maior aumento da gasolina (2,46%). O Rio Grande do Norte teve as maiores quedas entre os dois combustíveis, de 5,07% e 3,02%, respectivamente.
20/10/2026 14:41:07 +00:00
Nova geração do Dolphin Mini fica mais potente e carrega bateria em 9 minutos

BYD Dolphin Mini de segunda geração divulgação/BYD A BYD lançou, nesta terça-feira (20), a segunda geração do Dolphin Mini na China, onde é chamado de Seagull. O carro ficou mais comprido e precisa de 5 minutos no carregador para sair de 10% e chegar a 70% de carga das baterias. Segundo a marca, o novo Dolphin Mini precisa ficar 9 minutos no carregador para as baterias alcançarem 97% de carga. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Esse não é um ponto de recarga comum, pois é capaz de fornecer até 1.500 kW de potência. Para efeito de comparação, os carregadores mais rápidos à disposição no Brasil entregam pouco mais de 200 kW Mesmo sem a confirmação do lançamento do novo Dolphin Mini no país, a BYD prometeu instalar 1 mil desses carregadores no Brasil até o final de 2027. Carregador ultrarrápido da BYD vai até 97% em 9 minutos Como comparação, o atual Dolphin Mini vendido no Brasil precisa de 30 minutos para sair de 30% e chegar a 80% de carga. O tempo de recarga chama atenção, mas a concorrência na China já respondeu e promete alcançar o mesmo feito em menos tempo. Por lá, a Geely disse que seu carregador ultrarrápido faz o mesmo em 8 minutos — um minuto a menos que a rival. Além da recarga ultrarrápida, o novo Dolphin Mini praticamente dobrou a potência do único motor elétrico que equipa o veículo: passou de 75 cv para 127 cv. Outra novidade é que a tração agora é traseira, assim como faz o Geely EX2. Nova geração do BYD Dolphin Mini Outras mudanças estão nas dimensões. O novo modelo passou de 3,78 metros para 4,20 metros de comprimento, ficou 9 centímetros mais largo e ganhou 15 cm no entre-eixos. Com essas dimensões, o hatch é mais largo que qualquer versão do Dolphin vendida atualmente no Brasil. Dimensões do BYD Dolphin Mini arte/g1 Novo Dolphin Mini ficou mais esperto O novo Dolphin Mini também ficou mais atento. Ao menos na China, ele vem equipado com sensores, inclusive no teto, para o "Olho de Deus". O serviço de direção semiautônoma com inteligência artificial utilizado por lá é capaz de tomar diversas decisões. Novo Dolphin Mini divulgação/BYD Na China, ele pode: Identificar sinais de trânsito, incluindo se o semáforo está aberto ou fechado; Desviar automaticamente de obstáculos na via; Manter o carro centralizado na faixa, mesmo em rotatórias; Estacionar o carro sozinho, fazendo toda a baliza para colocar ou retirar o Dolphin Mini da vaga; Realizar a baliza remotamente, sem o motorista dentro do veículo. Além disso, a central multimídia ficou maior: agora tem 12,8 polegadas, contra 10,1 polegadas no modelo anterior. Outra mudança é a retirada completa do painel de instrumentos. Os novos sensores estão espalhados por uma carroceria que também mudou bastante. Antes mais quadradão e marcado por linhas retas, o modelo ganhou curvas e caixas de roda mais destacadas. Até o farol tem menos ângulos retos. Ele mantém o formato de um olho, mas está mais largo e ganhou uma luz de rodagem diurna mais alongada. Ficha técnica do BYD Dolphin Mini de 2ª geração arte/g1
20/10/2026 14:36:33 +00:00
Indicador de risco da dívida argentina atinge maior nível desde outubro de 2025

Javier Milei e Abelardo de la Espriella manifestam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) O risco-país da Argentina ultrapassou os 700 pontos básicos nesta terça-feira (20) e chegou a 710 pontos durante a manhã, no maior patamar desde outubro de 2025. O indicador é calculado pelo banco de investimentos JPMorgan e subia em meio à queda dos títulos da dívida argentina negociados no exterior. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O índice avançou 35 pontos em relação à referência anterior durante a manhã e acumulava oito sessões consecutivas de alta. Em um mês, a elevação chegou a 185 pontos, ou 35%. 🔎 O que é risco-país? O indicador mede a diferença entre os juros dos títulos da dívida de um país e os dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados uma referência de baixo risco. Essa diferença representa o retorno extra que investidores exigem para assumir o risco de emprestar dinheiro ao país. Cada 100 pontos básicos equivalem a 1 ponto percentual. Risco país da argentina volta a subir Nuestra Senal Por que o risco-país subiu? A alta do risco-país ocorreu em meio à queda dos preços dos títulos da dívida argentina negociados no mercado financeiro internacional. Na manhã desta terça-feira (20), os papéis do governo argentino emitidos em dólares registravam queda média de 1,5%. Em um mês, a desvalorização acumulada chegava a 6%. O preço de um título pode cair quando investidores ficam menos dispostos a comprá-lo pelo valor anterior e passam a exigir um desconto para investir. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando aumentam os juros de referência no exterior ou cresce a preocupação com os riscos de um país. Quando o preço de um título cai, seu rendimento para quem o compra naquele momento tende a aumentar. Se os rendimentos dos títulos argentinos sobem em relação aos dos títulos americanos de prazo semelhante, a diferença entre eles aumenta e pode elevar o risco-país. Juros dos Estados Unidos também influenciam A remuneração dos títulos do Tesouro americano é uma referência para investidores internacionais. Quando os rendimentos desses papéis aumentam, ativos de países considerados mais arriscados podem perder atratividade, sobretudo se os investidores passam a exigir um retorno maior para compensar os riscos. Nesse cenário, países emergentes podem enfrentar pressão sobre os preços de seus títulos e aumento do prêmio de risco. O efeito varia conforme as condições de cada economia e a percepção dos investidores sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros. *Com informações da Agência Reuters O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa duranre cerimônia de comemoração dos 172 anos da Bolsa de Buenos Aires, no dia 16 de julho de 2026 Mariana Nedelcu/Reuters
20/10/2026 14:14:12 +00:00
Flávio promete, se eleito, retomar benefício para eventos encerrado por Lula após suspeitas de irregularidades e alto custo

O candidato do PL a Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (20) que vai retomar o chamado Programa Emergencial para Retomada do Setor de Eventos (Perse), lançado por Jair Bolsonaro em 2021, ainda na pandemia da Covid-19. Em publicação feita nas redes sociais, Flávio afirmou que vai retomar o Perse para todo setor de eventos culturais, incluindo shows e turismo, que hoje estão endividados. "O maior programa de incentivos aos artistas e eventos foi criado em 2021. Sabem quem fez: o Jair. Vou restabelecer o Perse para todo setor de eventos culturais, shows, turismo, que hoje estão sufocados, endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro", declarou o candidato do PL. "Vou salvar o setor de shows, porque onde tem eventos o comércio vende mais, o taxista e o uber faturam, os pequenos artistas prosperam e a economia gira", prosseguiu. Agora no g1 O programa de incentivo ao setor de eventos foi encerrado em 2025 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou alto custo fiscal e apontou indícios de irregularidades no uso do benefício por algumas empresas. O Perse também gerou controvérsia após a divulgação de uma lista de beneficiários que incluía influenciadores digitais e artistas. 💸Quando estava em vigor, o programa concedia benefício da alíquota zero dos tributos: Imposto de Renda (IR), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS), e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Por abdicar do recolhimento de tributos, o Perse gera perda de arrecadação. Em 2024, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a Receita Federal investigaria supostas irregularidades no Perse. Segundo ele, havia indícios de que algumas companhias teriam usado classificações de atividade econômica para se enquadrar indevidamente no benefício. Naquele mesmo ano, o Fisco identificou 2.239 empresas que indicaram usar o benefício fiscal sem pedido de habilitação processado até aquele momento. O Fisco diz ter alertado essas empresas sobre a necessidade de cumprirem o requisito. Ao anunciar o fim do programa em 2025, após negociações com o Congresso Nacional e a implementação de uma fase de transição, Haddad destacou o elevado custo fiscal do programa. Na ocasião, afirmou que, sem o encerramento do programa, a renúncia tributária poderia chegar a cerca de R$ 20 bilhões em 2025. Ao mesmo tempo em que defende ampliar benefícios fiscais, com impacto na arrecadação, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, afirma que uma das diretrizes de seu programa de governo é retomar o equilíbrio das contas públicas, que registram déficits sucessivos nos últimos anos. Segundo ele, isso abriria caminho para a redução da taxa básica de juros da economia. Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Fernando Haddad (PT), Alexandre Kalil (PDT), ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB) estão entre os dez candidatos com maiores despesas de campanha declaradas ao TSE no primeiro turno das eleições de 2026. Montagem/g1
20/10/2026 14:01:51 +00:00
Brasil deve suspender exportações de frango para a China após foco de doença de Newcastle em SC

Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV O Brasil deve interromper temporariamente as vendas de carne de frango para a China, maior comprador do produto brasileiro, após a detecção de um foco da doença de Newcastle (DNC) em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A medida está prevista em um protocolo sanitário firmado entre os dois países. Quando uma doença infecciosa aviária é identificada no Brasil, o Ministério da Agricultura precisa suspender preventivamente as exportações para o país asiático. A partir daí, as autoridades chinesas avaliam as informações enviadas pelo governo brasileiro e podem decidir qual será o alcance das restrições. O embargo pode ser mantido para todo o país ou ficar restrito à região afetada, permitindo a retomada das exportações de outras áreas consideradas livres da doença. 10 principais compradores de carne de aves do Brasil, de janeiro a setembro deste ano. g1 Para isso, o Brasil deve comunicar à China as medidas adotadas para conter e erradicar o foco e comprovar o restabelecimento das condições sanitárias exigidas pelo acordo. Foi o que aconteceu em 2024, quando o Brasil registrou um foco da doença de Newcastle em aves comerciais no Rio Grande do Sul. O episódio levou à suspensão temporária das exportações brasileiras de carne de frango para a China em 19 de julho daquele ano, enquanto as autoridades sanitárias avaliavam a situação e as medidas adotadas pelo governo brasileiro. Vinte e seis depois, a China oficializou a retomada das importações, mas manteve o embargo para produtos provenientes do Rio Grande do Sul, estado onde o foco havia sido identificado. A decisão permitiu que frigoríficos de outras regiões voltassem a exportar para o mercado chinês. O bloqueio às empresas gaúchas durou até janeiro deste ano. Primeiro impacto no comércio O primeiro impacto internacional do novo foco da doença de Newcastle veio do México. Na segunda-feira (19), o país suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação do caso em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. A restrição, anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, também abrange aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a medida tem como objetivo proteger a produção avícola nacional, considerada livre da doença. No Brasil, a granja de Nova Itaberaba (SC) onde o foco foi identificado, com cerca de 6 mil perus, foi interditada pelo Serviço Veterinário Oficial. As autoridades também iniciaram ações para conter e erradicar a doença, além de reforçar a vigilância sanitária em propriedades da região. Em nota, o Ministério da Agricultura informou que a movimentação de aves foi suspensa e que as medidas de controle seguirão as diretrizes do plano nacional de contingência para influenza aviária e doença de Newcastle. O ministério e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) afirmaram ainda que não há risco para a população e que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção oficial permanece seguro.
20/10/2026 13:40:23 +00:00
Petróleo supera US$ 111 e atinge maior cotação em cinco meses com escalada de conflitos no Oriente Médio

petróleo REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira (20) e superou US$ 111 por barril, atingindo o maior nível em cinco meses. A alta ocorre em meio ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio, que ameaçam o transporte de petróleo e aumentam as preocupações com a oferta mundial do combustível. 🔎 Por volta das 9h, o barril do petróleo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 111,12, com alta de 1,43%. Durante as negociações, a cotação chegou a US$ 111,69, avanço de 2%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 5,7%, para US$ 109,60 por barril. À tarde, o preço do Brent passou a cair 0,76%, com o barril cotado a US$ 108,72. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A valorização ocorre após novos ataques na região. Os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram na segunda-feira (19) ter realizado ataques contra alvos energéticos, aeroportuários e militares da Arábia Saudita. Entre os locais citados está uma instalação da petrolífera estatal saudita Aramco. As autoridades sauditas não confirmaram imediatamente as alegações, que não puderam ser verificadas de forma independente pela Reuters. Estreito de Ormuz preocupa mercado Um dos principais focos de preocupação é o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã. A rota é fundamental para o comércio internacional de petróleo, e as ameaças à navegação na região vêm dificultando o transporte do combustível. Segundo a empresa de análise Kpler, o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de aproximadamente 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, ante mais de 20 milhões de barris diários na semana anterior. No domingo (18), um petroleiro pegou fogo e explodiu após colidir com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela Guarda Revolucionária do Irã e reproduzidas pela mídia iraniana. Enquanto isso, os conflitos no Oriente Médio continuam. Na segunda-feira, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, discutiu a situação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante uma visita não anunciada a Israel. AIE pode liberar mais petróleo de reservas de emergência Diante da pressão sobre os preços, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou estar preparada para coordenar uma nova liberação de petróleo das reservas de emergência de seus países membros, caso seja necessário. Na semana passada, a agência decidiu acelerar a liberação do petróleo restante de um pacote anunciado em março, que previa a disponibilização de mais de 400 milhões de barris. Segundo o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, cerca de 80% desse volume já havia sido liberado. A agência também trabalha para antecipar a disponibilização de mais de 20 milhões de barris de diesel. O cronograma depende de cada país e das condições do mercado, especialmente diante da chegada do inverno no Hemisfério Norte. 🔎 O diesel é essencial para o transporte de cargas, a agricultura e diversas atividades industriais. Por isso, a alta do combustível pode elevar os custos de produção e transporte e pressionar os preços de outros produtos. Nos EUA, o presidente Donald Trump anunciou na segunda-feira um programa de US$ 8 bilhões cerca de R$ 40,4 bilhões) em ajuda a agricultores para compensar parte dos custos com diesel durante a temporada de colheita. A iniciativa foi apresentada em meio à pressão sobre o custo de vida e à proximidade das eleições legislativas de novembro. A evolução dos preços do petróleo dependerá, entre outros fatores, da intensidade dos conflitos no Oriente Médio, das condições de navegação pelo Estreito de Ormuz e da capacidade de ampliar a oferta para compensar eventuais interrupções no abastecimento. *Com informações da agência Reuters
20/10/2026 12:49:41 +00:00
Trump anuncia pacote de US$ 8 bilhões para agricultores, às vésperas das eleições nos EUA

Popularidade de Trump cai ao pior nível a duas semanas das eleições nos EUA O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (19) um plano de US$ 8 bilhões para ajudar agricultores americanos a enfrentar o aumento dos custos de produção, especialmente com o diesel. O anúncio ocorre a duas semanas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, que podem alterar o equilíbrio de forças no Congresso americano. O programa prevê pagamentos únicos aos produtores durante a safra de 2026. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Batizada de Harvest Fuel Relief (alívio de combustível para a colheita), a iniciativa será administrada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), por meio da Farm Service Agency, agência responsável por programas de apoio a produtores rurais. ➡️ Segundo o governo americano, os recursos serão usados para compensar parte das perdas estimadas dos agricultores diante de perturbações temporárias do mercado e do aumento dos custos de insumos. Os pagamentos serão calculados com base em uma fórmula que considera a área plantada informada pelos produtores, as estimativas de custos de produção e as projeções de produtividade e preços agrícolas. As taxas de pagamento para as principais culturas contempladas devem ser divulgadas em novembro. A metodologia para outras atividades elegíveis será anunciada posteriormente. Os recursos virão da Commodity Credit Corporation, entidade ligada ao Departamento de Agricultura americano. O governo informou ainda que os produtores não precisarão contratar seguro agrícola para participar do programa. Alta do diesel pressiona custos da produção agrícola O aumento do preço do diesel tem elevado os gastos dos agricultores americanos, que dependem do combustível para operar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos usados no plantio e na colheita. O combustível também é importante para o transporte de insumos e produtos agrícolas. Quando fica mais caro, pode pressionar os custos de diferentes etapas da produção e reduzir as margens dos produtores. No Kansas, onde Trump anunciou o pacote, agricultores enfrentam dificuldades com a alta do diesel e de outros insumos. Segundo a Associated Press (AP), o combustível ultrapassou US$ 6,30 por galão no estado, valor mais de 70% superior ao registrado um ano antes. A alta dos combustíveis também pode encarecer fertilizantes e outros insumos cuja produção ou distribuição depende de energia e transporte. O impacto varia conforme a cultura, o consumo de combustível e as condições de cada propriedade. A disparada dos preços da energia ocorre em meio às perturbações no mercado internacional provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que têm pressionado os preços dos combustíveis. Ajuda é anunciada antes das eleições legislativas As eleições de meio de mandato serão realizadas em 3 de novembro e definirão a composição da Câmara dos Representantes e de parte do Senado americano. A votação é considerada importante para o governo Trump, já que pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso durante a segunda metade de seu mandato. Trump e o Partido Republicano tentam manter apoio em estados rurais, onde o aumento dos custos de produção tem gerado insatisfação entre agricultores e outros eleitores. Em reportagem publicada nesta semana, a Reuters destacou que os custos elevados e os preços dos combustíveis estão entre as preocupações de produtores em estados agrícolas, como o Kansas. O estado tem uma disputa pelo Senado considerada competitiva, apesar de seu histórico de apoio aos republicanos. A nova iniciativa integra uma série de medidas e promessas econômicas anunciadas pelo governo Trump antes da votação. O programa, porém, ainda depende da divulgação dos valores específicos por cultura e dos detalhes operacionais para que os agricultores saibam quanto poderão receber. *Com informações da Reuters Donald Trump fala a jornalistas ao deixar a Casa Branca, em Washington, em 13 de outubro de 2026. Kevin Lamarque/ Reuters
20/10/2026 12:44:05 +00:00
Dólar recua a R$ 5,01 e Ibovespa sobe, de olho no exterior e com eleição no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,58% nesta terça-feira (20), cotado a R$ 5,0188. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,57%, aos 208.302 pontos. Sem grandes destaques na agenda econômica local, as atenções se voltaram para o noticiário internacional, que contou com novos dados americanos e preocupações com a situação fiscal da Europa, em meio aos protestos que têm tomado conta da região. O quadro eleitoral brasileiro também seguiu no radar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No exterior, a onda de protestos vistos na Europa voltou a levantar preocupações. O movimento, iniciado por estudantes em meados de setembro com reivindicações sobre o sistema educacional, ganhou adesão de sindicatos e novas demandas, reunindo mais de meio milhão de pessoas na França. Protestos menores também aconteceram na Bélgica, na Itália e em Portugal. Na véspera, as taxas de juros dos títulos públicos da França com vencimento em 10 anos atingiram 4,95%, uma das piores marcas do ano. ▶️ Na agenda econômica, destaque para novos dados de atividade nos Estados Unidos. A construção de residências unifamiliares nos EUA e as licenças para obras futuras caíram de forma acentuada em setembro, à medida que as taxas de juros mais altas das hipotecas reprimiram a demanda e que o investimento residencial retomou a tendência de queda no terceiro trimestre. ▶️ Além disso, investidores também monitoraram os preços do petróleo no mercado internacional. As cotações inverteram o sinal positivo visto pela manhã e tinham queda no início da tarde, após a Agência Internacional de Energia sinalizar que está pronta para uma nova liberação das reservas da commodity se necessário. O barril do Brent, referência internacional, caiu 0,43%, cotado a US$ 109,08. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, reucou 1,80%, a US$ 101,79 o barril. Mais cedo, o petróleo teve a maior cotação em cinco meses. Saiba mais. ▶️ Por aqui, o cenário eleitoral continuou no radar, após notícias de que as campanhas de Lula e Flávio estariam recalibrando as rotas para tentar ganhar os eleitores indecisos. (veja mais abaixo como foi o primeiro debate entre os candidatos) Quando será o debate presidencial da Globo? Veja a data e o horário ▶️ Ainda no Brasil, o valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3 aumentou R$ 515 bilhões nos primeiros 13 pregões de outubro, passando de R$ 5,139 trilhões, no encerramento de setembro, para R$ 5,65 trilhões na segunda-feira (19). O crescimento de 10,02% representa o quarto maior ganho nominal mensal desde janeiro de 2020, segundo levantamento da Elos Ayta. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,06%; Acumulado do mês: -3,01%; Acumulado do ano: -8,56%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,39% Acumulado do mês: +11,78%; Acumulado do ano: +29,28%. Como foi o primeiro debate entre Lula e Flávio? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026. Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição. Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras. Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto. Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade. Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta. O embate passou então para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados. Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes. O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme. Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação. Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades. Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral. Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro. Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta. Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda. Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula. Veja o que é #FATO ou #FAKE no debate entre Lula e Flávio Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários americanos fecharam em alta nesta terça-feira, superando a fraqueza inicial das ações ligadas à inteligência artificial e conforme investidores repercutiam a queda nos preços do petróleo e novos dados econômicos. No final das negociações, o Dow Jones subiu 1,05%, enquanto o S&P 500 avançou 0,31% e o Nasdaq Composite teve ganhos de 0,03%. Na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda, em meio à continuidade dos protestos e novas preocupações econômicas na região. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,14%, para 634,64 pontos, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,38%. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 0,06% e o FTSE 100, do Reino Unido, desvalorizou 0,29%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam mistas, após Pequim ter mantido as taxas de juros do país inalteradas. Dados mais sólidos da economia chinesa também diminuíram expectativas de novos estímulos por parte do governo. O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,1%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,5%. No Japão, o Nikkei recuou 1,3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 3,73%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 1,32%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
20/10/2026 12:00:17 +00:00
Governo dos Estados Unidos veta uso da IA chinesa DeepSeek em agências governamentais

Logo do Deepseek Dado Ruvic/Reuters O governo dos Estados Unidos ordenou na segunda-feira (19) que suas agências parem de usar ferramentas de inteligência artificial da startup chinesa DeepSeek, em meio à disputa com a China pela liderança em um setor que avança rapidamente. Em comunicado, o Departamento de Segurança Interna anunciou a proibição dos produtos desenvolvidos pela DeepSeek — e de ferramentas criadas por terceiros com base nessa IA — e determinou que eles sejam removidos dos dispositivos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O departamento pode orientar as agências civis, mas não as Forças Armadas nem os serviços de inteligência. O Departamento de Defesa não respondeu a um pedido de comentário da AFP. "Os modelos da DeepSeek apresentam múltiplos vetores de ameaça", afirma um documento anexado ao comunicado. Agora no g1 O uso das ferramentas de IA da DeepSeek "pode resultar na transferência de dados sigilosos (para a China) caso sejam utilizadas por funcionários ou fornecedores do governo dos Estados Unidos", advertiu o departamento. Segundo o departamento, os servidores da empresa estão localizados na China, cujo sistema jurídico permite ao governo ter uma "ampla autoridade" para acessar a infraestrutura de empresas privadas. A DeepSeek, um dos principais laboratórios de IA da China, provocou um terremoto no setor em janeiro de 2025 ao lançar um chatbot de baixo custo e alto desempenho que desafiou as empresas americanas. Os EUA acusaram a DeepSeek e outras grandes empresas chinesas de IA de copiar sistematicamente capacidades de modelos de ponta desenvolvidos por rivais americanos.
20/10/2026 10:37:37 +00:00
Efeito BYD: como Brasil virou 'laboratório' de empresas chinesas

Como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira No início do ano circulou a informação — falsa — de que a Bahia sofria uma invasão chinesa. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam a construção de um complexo de alojamentos que, na retórica da fake news, estaria sendo erguido para receber 10 mil chineses para trabalhar na recém-inaugurada fábrica da BYD. Essa é a montadora chinesa que superou a Tesla de Elon Musk em 2025 e se tornou a maior produtora de veículos elétricos do mundo. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia E escolheu Camaçari, na região metropolitana de Salvador, para sediar sua maior fábrica na América Latina. Com parte do projeto ainda em obras, a planta foi inaugurada em outubro de 2025. Em menos de um ano, dela já saíram mais de 100 mil carros montados com kits importados, que chegaram a concessionárias em todo o país e alçaram a marca à lista das mais vendidas. A produção made in Brasil está prevista para começar no fim de 2026. Ainda assim, a unidade já soma 7.618 funcionários diretos. Desse total, 6% (457) são estrangeiros, segundo a empresa. A reportagem apurou que a grande maioria são chineses. Além deles, também há trabalhadores chineses envolvidos nas obras que estão em andamento, no complexo da fábrica e nos blocos de alojamentos para funcionários. Nos registros da Polícia Federal constam a emissão de 2.310 vistos de residência em Camaçari e na vizinha Lauro de Freitas desde 2024, a maioria temporários. Como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira Trabalhador morre após cair de 13 metros de altura em fábrica da BYD na Bahia Batida deixa 19 trabalhadores de prestadora de serviço para BYD feridos Anfavea volta a criticar imposto menor para carros chineses e fala em 'competição desigual' BYD se tornou em 2025 a maior produtora de veículos elétricos do mundo. Vitor Serrano/BBC 'Eles amam essa liberdade aqui da Bahia' Em uma cidade de pouco mais de 300 mil habitantes, a presença chinesa não é óbvia. Não existe um bairro onde os recém-chegados se concentrem, uma Chinatown em Camaçari. Eles estão espalhados entre hotéis e alguns condomínios fechados. Também não há uma onda de novos restaurantes tocados por imigrantes com foco na comunidade. Muitos funcionários da BYD comem no refeitório da própria fábrica, que tem uma área com pratos chineses e outra com receitas brasileiras, ou em casa. A retórica predominante é a de que trabalham muito e circulam pouco: "A gente [brasileiro] chega em casa, toma um banho, deita no sofá, assiste televisão… Eles não, continuam trabalhando depois de chegar em casa. São muito reservados", diz a corretora Cássia Cotia, que vive em um condomínio em que mais de 60 imóveis estão alugados para chineses. Os sinais sutis do novo fluxo migratório aparecem em locais como o mercado central de Camaçari Vitor Serrano/BBC Assim, as feições desse novo fluxo migratório se revelam aos poucos. No mercado central de Camaçari, entre bananas, camarões secos, café e tapioca, dois restaurantes que servem yakisoba agora têm placas escritas com ideogramas chineses. A comunidade de Testemunhas de Jeová local começou a fazer reuniões em mandarim recentemente. Os "mais soltos", como descreve Cássia, se aventuram nos forrós e em outros pontos da vida noturna da cidade, e não raro vão parar nas redes sociais. Uma cena que viralizou recentemente no Camaforró mostrava uma moça ensinando um chinês a mexer os quadris e a legenda: "A China vai doutrinar o Brasil / O Brasil doutrinando a China". Durante a visita à cidade, a reportagem da BBC News Brasil cruzou com um grupo animado tomando cerveja e comendo pizza em uma mesa na calçada na região da Praça dos 46, um dos locais onde a cidade se encontra no fim do dia para fazer caminhada, levar as crianças para brincar no parquinho e comer. "Eles amam essa liberdade aqui da Bahia. Amam o calor humano", ressalta Cássia, que acabou virando amiga e uma espécie de concierge de muitos de seus clientes chineses, auxiliando-os a navegar tarefas mundanas como pagar contas ou encontrar um eletricista para fazer um reparo. Eles se falam pelo WeChat, uma espécie de WhatsApp chinês. Ela envia as mensagens em português, eles recebem em mandarim. E agradecem com jantares cheios de iguarias chinesas e presentes sempre que alguém volta de viagem — uma das características mais marcantes da cultura chinesa na construção de relações. "Eles me convidam… e eu já falei que tenho uma meta, em 2027, de conhecer a China." São planos que ela nunca havia considerado fazer até pouco anos, quando era dona de um salão de beleza que era frequentado por funcionários de outra montadora: a Ford. A corretora de imóveis Cássia Cotia hoje trabalha quase exclusivamente com chineses Vitor Serrano/BBC A guerra pela liderança dos elétricos A presença da BYD no Brasil marca a ascensão da China à liderança do mercado automotivo global, e Camaçari é um lugar simbólico dessa virada: o local onde a montadora constrói sua fábrica na Bahia é o mesmo espaço físico ocupado por uma rival americana, a Ford, que fechou as portas em 2021. Os Estados Unidos foram o berço da primeira grande revolução do setor automotivo, no início do século 20, quando Henry Ford introduziu a linha de montagem móvel e possibilitou a produção de carros em massa. O pioneirismo garantiu a liderança do mercado aos americanos, até que vieram as concorrentes europeias e japonesas e também se consolidaram como marcas globais. Até a virada para o século 21, a China não tinha qualquer protagonismo, mas aproveitou a transformação profunda que enxergava iminente no setor — a substituição dos carros a combustão pelos elétricos — como uma oportunidade para fazer sua ofensiva. "Diferentemente de todas as outras regiões, a China apostou na eletrificação mais do que todo o mundo", aponta Rogélio Golfarb, que foi executivo da Ford no Brasil por décadas, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e hoje atua como consultor. "Eles identificaram a possibilidade de ter uma vantagem competitiva e aí tiveram um programa de governo muito bem estruturado, que vinha desde a educação, pesquisa e desenvolvimento", acrescenta Golfarb. A BYD é uma entre várias marcas de veículos elétricos que se desenvolveram nas últimas duas décadas dentro da lógica particular do capitalismo de estado chinês, com incentivos do governo e forte concorrência interna. Foram elas que levaram a China a vencer o primeiro round da corrida global pela dominação do mercado de veículos elétricos, com uma fórmula baseada em quatro pilares: pioneirismo, foco na geração de inovação — em vez da mera cópia —, produção em larga escala e a verticalização, ou seja, a produção de quase tudo o que é preciso para colocar um carro na rua. É um modelo bastante diferente das montadoras tradicionais, que geralmente têm uma cadeia de fornecedores de partes e peças. Essa combinação, ainda segundo Golfarb, deu aos elétricos e aos híbridos chineses uma competitividade enorme, justamente no momento em que Estados Unidos e Europa se fechavam cada vez mais aos produtos chineses. Ainda em construção, blocos de alojamentos para funcionários da montadora em Camaçari viraram objeto de desinformação no início do ano Vitor Serrano/BBC Bahia no tabuleiro das potências Foi aí que a bússola apontou para a América Latina, e especialmente para o Brasil, um país de dimensões continentais, rico em matérias-primas usadas nas baterias dos carros, com abundante energia renovável e grande mercado consumidor. "O Brasil hoje é o maior laboratório chinês que você tem no mundo no mercado automotivo. São mais de 20 marcas aqui", destaca Golfarb. Além da BYD, vieram a GWM, que comprou a fábrica da Mercedes no Rio Grande do Sul, e a Geely, que firmou parceria com a Renault em São José dos Pinhais, no Paraná, entre outros. "O novo carro popular brasileiro não é mais aquele carro a combustão. É o carro elétrico", afirma o ex-executivo da Ford. "O carro que mais vende hoje é o Dolphin da BYD, que é o veículo elétrico. O sonho dos motoristas de Uber é ter um carro elétrico." A competitividade das marcas chinesas acabou reduzindo os preços de automóveis de forma geral no Brasil. Levantamento da consultoria automotiva Bright Consulting até junho de 2026 apontava que o preço de transação (pago pelos consumidores) de veículos leves novos havia caído 3,5%, para R$ 152,1 mil. A queda foi atribuída ao aumento da concorrência de novas marcas, que em muitos casos "oferecem um nível de equipamentos significativamente superior ao dos concorrentes tradicionais, sem cobrança proporcional no preço". Outra consequência é a mudança na percepção de parte dos brasileiros sobre os produtos chineses, por muito tempo vistos como cópias baratas e de baixa qualidade. "Esse choque tecnológico e a velocidade com que eles trouxeram toda a linha de produtos neutralizou essa questão", opina Golfarb. Conflitos trabalhistas têm crescido Vitor Serrano/BBC Sindicalismo à chinesa Dentro da fábrica, o ritmo mais acelerado é claro, na visão do presidente dos Sindicatos dos Metalúrgicos local, Júlio Bonfim. "Eu tive a Ford, que teve 12 mil carros Courier enquanto treinava o pessoal durante dois anos e produzindo depois. A BYD já está produzindo, trocando o pneu com o carro a 180 quilômetros por hora", ilustra. Segundo ele, os conflitos trabalhistas têm crescido na mesma cadência. "O assédio moral hoje é um problema sério dentro da BYD", diz Bonfim, emendando que têm se multiplicado as reclamações de funcionários queixando-se de pressão e tratamento grosseiro. "Por uma questão cultural, pela concepção que é passada da cultura chinesa para os líderes brasileiros, eles acabam se comportando como capitães do mato, perseguindo e assediando moralmente os trabalhadores", acrescenta. O Ministério Público do Trabalho chegou a abrir procedimento para investigar as alegações do sindicato de ocorrência de assédio moral e sexual, mas o arquivou recentemente sob a justificativa de falta de provas. A reportagem da BBC News Brasil buscou por dois meses pedir autorização para entrar na fábrica, mas a BYD não permitiu a visita. Também procuramos funcionários, mas eles evitam conversar com a imprensa por medo de represálias. Em nota, a BYD afirmou que "não tolera qualquer forma de assédio, discriminação ou conduta que viole a lei". Também disse que "mantém canais internos que permitem denúncias de forma confidencial e anônima e trata com seriedade todo relato recebido, com apuração e adoção das medidas cabíveis". Comparando passado e presente, o presidente do sindicato dos metalúrgicos lembra que nos primeiros anos da Ford também houve conflitos, especialmente em relação à remuneração e condições de trabalho e, segundo ele, por diversos episódios de xenofobia. "Eles achavam que a gente só sabia fazer acarajé, dormir em rede, estereótipo equivocado que no Sul-Sudeste é passado do nordestino, do baiano que é preguiçoso, que só sabe dormir em rede e tomar água de coco", ressalta Bonfim. A vantagem, naquele caso, era que a Ford chegava à Bahia tendo passado pela experiência do movimento sindical americano — a combativa United Auto Workers (UAW) — e do movimento sindical brasileiro no ABC Paulista. Ele relata que, depois de uma série de greves entre 2004 e 2007, a relação com a empresa melhorou, assim como as condições de trabalho no chão de fábrica. A Ford chegou a produzir 250 mil carros no pico, mas teve que diminuir o ritmo a partir de 2013, quando a economia desacelerou. O cenário de crise se aprofundou com a pandemia de covid-19 e em 2021, a montadora decidiu fechar as portas. Desativou todas as fábricas no país. Para Bonfim, a situação agora é diferente também por uma particularidade da China, um país com regime autoritário e sem liberdade sindical. "É muito difícil para os chineses entenderem o movimento sindical brasileiro porque eles não têm sindicato na China. Na China o sindicato é o próprio governo", afirma. O sindicato fez a primeira paralisação na BYD em julho de 2026, durante uma assembleia em frente à fábrica. 2700 trabalhadores voltaram para casa, segundo ele, em protesto contra a notificação de dois dirigentes sindicais. Ainda durante a construção da fábrica, no fim de 2024, 163 cidadãos chineses foram resgatados do trabalho em condições análogas à escravidão no canteiro de obras da BYD. "Essa história já é bem conhecida, nós identificamos o tráfico de pessoas por trabalho escravo, retenção de passaporte, restrição de liberdade de comoção, vigilância armada nos alojamentos, condição degradante, alojamentos superlotados, ausência de colchão", relembra Luciano Aragão, coordenador nacional de erradicação do trabalho escravo e enfrentamento ao tráfico de pessoas do Ministério Público do Trabalho (MPT). "Ausência de conforto térmico, um banheiro para uma quantidade imensa de trabalhadores, comida armazenada de forma completamente inadequada, inclusive em portas de banheiros no canteiro de obras", acrescenta. A BBC News Brasil mostrou em reportagem os bastidores da operação. Na ocasião, a empresa não se manifestou sobre o caso. Procurada novamente, comunicou: "Em dezembro de 2025, foi firmado acordo com Ministério Público do Trabalho para encerrar o processo relacionado aos fatos apurados no ano anterior. Pelo acordo, as empreiteiras terceirizadas concordaram em pagar integralmente o valor de R$ 40 milhões. O caso foi solucionado por acordo, sem julgamento de mérito ou condenação judicial." Número de autorizações de residência para trabalho emitidas para cidadãos chineses no Brasil triplicou entre 2023 e 2025, para 10 mil Vitor Serrano/BBC 'Eles querem aprender português pra vir pra cá' O mercado automotivo é só um dos canais que têm aproximado o Brasil à China. Em 2025 o país foi o principal destino de investimentos chineses no mundo, concentrando 10,9% dos quase US$ 60 bilhões, conforme os dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). São muitos os fatores que tornam o Brasil atrativo para o capital chinês, diz o diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, Tulio Cariello. O país tem grande mercado consumidor, é aberto ao investimento estrangeiro, tem abundância de energias limpas — um elemento importante para a indústria chinesa, que está tentando se descarbonizar —, e mão de obra qualificada. "Já ouvi de empresários chineses que vêm para cá falando muito bem dos engenheiros [brasileiros], dos quadros técnicos de forma geral", acrescenta. "A gente oferece tantas vantagens em um mundo que está se fechando para a China, que é praticamente impossível a China não querer vir para cá", completa. O aumento da presença de empresas chinesas também fez crescer o fluxo migratório de forma mais ampla para o país. Entre 2023 e 2025 triplicou o número de autorizações de residência para trabalho emitidas para cidadãos chineses no Brasil, de 3 mil para 10 mil no ano passado. Diante desse cenário, é crescente o interesse de chineses pelo português brasileiro, conta Alice Oliveira, cientista social que acabou se tornando professora de português para chineses depois de fazer parte, em 2023, da primeira turma de ensino de mandarim do então recém-aberto Instituto Confúcio em Salvador. A organização promove a língua e a cultura chinesas e é vinculado ao governo da China. Já são 14 espalhados pelo país, um sintoma de um movimento que vai além das cifras de investimento e reflete uma tentativa de aproximação cultural com o Brasil. Alice já estava concluindo o curso de Ciências Sociais — e infeliz com a perspectiva de passar parte da carreira na área de pesquisa — quando entrou no curso e se apaixonou pelo mandarim. Já teve cinco alunos chineses, um deles vendedor de máquinas que trabalha com outro grande projeto chinês na Bahia, a ponte Salvador-Itaparica, que, quando concluída, deve se tornar a maior ponte sobre lâmina d'água da América Latina. Até pouco tempo, ela conta, os chineses costumavam aprender português com sotaque de Portugal, em muito por conta da proximidade com Macau, uma pequena ilha ao sul da China que é ex-colônia portuguesa. Era comum aprender o idioma para ir para Moçambique e Angola, que nas últimas décadas têm estreitado laços com a China. "Agora, porém, com aproximação Brasil e China, o pessoal tá querendo aprender português brasileiro pra vir pra cá." A ligação cada vez mais forte entre os dois países acabou virando objeto da rixa ideológica entre direita e esquerda no Brasil, especialmente com a consolidação da China como grande rival dos Estados Unidos e com a volta de Donald Trump à Casa Branca. A fake news dos 10 mil chineses invadindo Camaçari teve como origem essa disputa e foi replicada por diversos perfis em março deste ano. Quem quer que vença o segundo turno, entretanto, terá de navegar esse cenário em que EUA e China, as duas maiores potências do mundo hoje — e os dois maiores parceiros comerciais do país — olham para um Brasil que pode ser estratégico, como mercado consumidor, fornecedor de alimentos e produtor de terras raras. "O período de vinculação a uma superpotência ou a outra passou", opina Wendel Henrique Baumgartner, professor do departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Temos que tomar muito cuidado para que a gente não mude a dependência que tínhamos no período colonial da Europa, que depois foi substituída pelos Estados Unidos, para agora criar uma dependência com a China. Eu acho que a gente tem que ser muito estratégico e abrir as portas para o mundo", avalia o professor, emendando que hoje o país tem a possibilidade de escolher e que, por isso, não deveria escolher entre um lado ou outro. "Precisamos escolher o Brasil, e entender que é importante para o Brasil vender seus produtos, receber esses investimentos, melhorar sua infraestrutura, diversificar ainda mais o parque industrial e, principalmente, desenvolver tecnologia. Não só importar tecnologia, mas usar essa esses recursos que estão chegando em abundância no Brasil para que a gente desenvolva tecnologia própria."
20/10/2026 10:34:50 +00:00
Jeep Compass 2027 ganha versões híbridas, mas ainda custa e consome mais que rivais chineses

Jeep Compass Series S 2027 com nova tecnologia MHEV. Divulgação / Stellantis A Jeep anunciou nesta segunda-feira (19) as versões híbridas leves do Compass na linha 2027. A novidade, porém, não muda uma realidade recente do SUV em relação aos concorrentes chineses: o modelo continua mais caro e consome mais combustível. A nova motorização MHEV de 48 volts chega a duas configurações: Longitude Night Eagle, por R$ 206.990, e Série S, por R$ 233.990. (compare todas as versões mais abaixo) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo a Jeep, o sistema híbrido pode reduzir o consumo de combustível em até 11%. A tecnologia trabalha em conjunto com o motor TurboFlex, que entrega 176 cavalos de potência. O câmbio é automático de seis marchas. A motorização MHEV, sigla em inglês para híbrido-leve, utiliza um sistema elétrico de 48 volts para auxiliar o motor a combustão. Um motor elétrico entra no lugar do motor de partida. Com isso, ele consegue recuperar energia para o sistema e também entregar potência para o Compass. A tecnologia é a mesma do Renegade. Jeep Renegade fica mais minimalista e ganha sistema híbrido fraco O sistema também permite que as configurações híbridas tenham isenção do rodízio municipal de veículos em São Paulo e possam receber descontos no IPVA em seis estados, conforme as regras e a legislação de cada localidade. Consumo tímido Segundo o teste no padrão Inmetro, o novo Jeep Compass MHEV consegue, com gasolina, 11,2 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada. Já com etanol, a SUV consegue 8 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada. Outros utilitários esportivos com porte semelhante e preços equivalentes (e até mais baixos) conseguem consumos mais interessantes. Entre eles, estão modelos chineses: GWM Haval H6 One (HEV): R$ 199.900 Cidade etanol: 10,2 km/l Estrada etanol: 9 km/l Cidade gasolina: 15,8 km/l Estrada gasolina: 13 km/l Geely EX5 EM-i Pro (PHEV): R$ 191.490 Cidade: 14,8 km/l Estrada: 13,1 km/l GAC GS4 (HEV): R$ 189.990 Cidade: 14,1 km/l Estrada: 11,8 km/l BYD Song Pro Flex (PHEV): R$ 199.990 Cidade etanol: 11,7 km/l Estrada etanol: 10,5 km/l Cidade gasolina: 15,9 km/l Estrada gasolina: 13,5 km/l Omoda 5 Luxury (HEV): R$ 164.990 Cidade: 15,1 km/l Estrada: 13,2 km/l Jaecoo 7 (PHEV): R$ 189.990 Cidade: 15,1 km/l Estrada: 13,5 km/l Leapmotor B10 (REEV): R$ 179.990 Cidade: 13,5 km/l Estrada: 12,3 km/l Caoa Chery Tiggo 7 Pro (PHEV): R$ 209.990 Cidade: 15,4 km/l Estrada: 13,4 km/l Leapmotor C10 (REEV): R$ 219.990 Cidade: 12 km/l Estrada: 12 km/l A linha mantém outras três configurações sem o sistema híbrido de 48 volts. Sport e Longitude usam o motor TurboFlex de 176 cv, enquanto a Blackhawk tem o Hurricane TurboFlex de 272 cv e tração integral. A diferença entre as propostas aparece também nos equipamentos. As versões mais caras recebem recursos adicionais de assistência à condução, acabamento e conectividade. A Blackhawk é a única da gama com tração 4x4 e recursos específicos para uso fora de estrada, como seletor de terrenos e controle automático de descida. Jeep Compass Series S 2027 com nova tecnologia MHEV e nova cor. Divulgação / Stellantis Novidades A linha 2027 também traz mudanças visuais. As versões Sport e Longitude recebem novas rodas de 18 polegadas. Nas configurações Longitude Night Eagle, Série S e Blackhawk, as rodas são de 19 polegadas. Outra novidade é a cor Slash Gold, inédita no Compass. A Jeep também ampliou o uso de revestimento em suede (um tipo de camurça) nas versões Série S e Blackhawk, que passam a ter o material nos painéis de instrumentos e das portas. A linha conta com revestimento interno premium de série em todas as versões, segundo a fabricante. Equipamentos O Compass 2027 mantém recursos de assistência à condução que variam conforme a versão. O pacote ADAS de nível 2 pode incluir piloto automático adaptativo com função Stop&Go, frenagem automática de emergência e assistente de centralização em faixa. Na conectividade, o SUV mantém painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas. A central multimídia varia conforme a versão: a Sport tem tela de 8,4 polegadas, enquanto a Longitude recebe uma de 10,1 polegadas com assistente de voz avançado. O que há em cada versão? Compass Sport Flex 2027. Divulgação / Stellantis Compass Sport Flex 2027: R$ 174.990 É a versão de entrada da linha, equipada com motor 1.3 TurboFlex de 176 cv e câmbio automático de seis marchas. Entre os principais equipamentos estão: Central multimídia de 8,4 polegadas. Apple CarPlay e Android Auto com conexão sem fio. Ar-condicionado automático de duas zonas. Painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas. Faróis Full LED e lanternas com assinatura em LED. Rodas de liga leve de 18 polegadas. Seis airbags. Câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro. Jeep Traction Control+. Jeep Compass Longitude Flex 2027. Divulgação / Stellantis Compass Longitude Flex 2027: R$ 199.990 A Longitude acrescenta equipamentos à lista da versão Sport, mantendo o motor TurboFlex de 176 cv. Os principais itens adicionais são: Sensores de estacionamento dianteiros. Assistente de estacionamento. Retrovisor interno eletrocrômico. Central multimídia de 10,1 polegadas com assistente de voz avançado. Rodas de 18 polegadas com novo desenho. Pacote de assistência à condução ADAS nível 2. Jeep Compass Longitude Night Eagle MHEV 2027. Divulgação / Stellantis Compass Longitude Night Eagle MHEV 2027: R$ 206.990 É uma das duas versões que estreiam a motorização híbrida-leve de 48 volts. O conjunto mantém os 176 cv do motor TurboFlex. Em relação à Longitude Flex, acrescenta: Sistema híbrido-leve MHEV de 48 volts. Rodas de 19 polegadas com novo desenho. Emblemas escurecidos. Jeep Compass Series S 2027 com nova tecnologia MHEV. Divulgação / Stellantis Compass Série S MHEV 2027: R$ 233.990 A Série S combina a motorização híbrida-leve de 48 volts com mais equipamentos de conforto, acabamento e segurança. Entre os itens adicionais estão: Revestimento premium com Suede. Detecção de tráfego cruzado traseiro. Monitoramento de pontos cegos. Partes plásticas externas pintadas na cor da carroceria. Revestimento interno do teto na cor preta. Sistema de som premium de 506 watts com subwoofer. Teto solar panorâmico. Rodas de 19 polegadas com novo desenho. Jeep Compass Blackhawk Hurricane 2027 Divulgação / Stellantis Compass Blackhawk Hurricane TurboFlex 4x4 2027: R$ 278.990 É a versão mais cara da gama e a única com motor 2.0 Hurricane TurboFlex de 272 cv e tração nas quatro rodas. Além dos equipamentos da Série S, a Blackhawk tem: Motor Hurricane TurboFlex 2.0 de 272 cv. Tração 4x4. Seletor de terrenos. Controle automático de descida. Câmbio automático de nove marchas. Acabamento interno exclusivo em couro e Suede. Pinças de freio vermelhas. Rodas de 19 polegadas com novo desenho.
20/10/2026 07:00:00 +00:00
Como americanos enfrentam a alta da inflação: 'Já fiz coisas insanas para sobreviver'

Kathryn Vaughn tem três empregos para poder sustentar a casa Kathryn Vaughn via BBC Neste segundo semestre, Kathryn Vaughn voltou ao trabalho em uma escola do ensino fundamental na zona rural do Estado americano do Tennessee com muito mais estresse sobre o próprio orçamento do que nos anos anteriores. Vaughn tem 46 anos e, como muitos outros americanos, está fazendo malabarismos para prover sua família com o aumento dos custos de "tudo", segundo suas próprias palavras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ela trabalha em três empregos diferentes, incluindo como professora de artes em uma escola primária, para manter sua família de quatro pessoas frente à inflação que continua a subir nos Estados Unidos. O índice de inflação de setembro no país superou as previsões. Nos últimos 12 meses, os preços subiram em 3,7%, contra 3,4% nos 12 meses até agosto, segundo os números oficiais publicados na quarta-feira (14/10). Agora no g1 Os altos preços da energia elevaram o custo de vida nos Estados Unidos. Os preços do óleo diesel atingiram recordes de alta e o custo da gasolina também subiu. Todos estes aumentos atingiram o bolso do cidadão comum americano. Depois das aulas, Vaughn segue para seu segundo emprego como facilitadora em um programa para jovens em risco. O filho de cinco anos pode acompanhá-la, o que reduz a necessidade e o custo da creche para a família Vaughn. "Já fiz coisas incrivelmente insanas para sobreviver", ela conta. "Fui modelo de mãos para uma joalheria local, vendo tudo o que fica por mais de 10 minutos na minha casa em sites de troca no Facebook e revendo roupas no ThredUp e no Poshmark [plataformas online]." Vaughn também escreve obituários para pessoas que morreram, para ganhar um dinheiro extra. E tudo isso ainda não é suficiente para sustentar sua família. Punal Bhavsar achava que 2026 seria o ano em que ele juntaria dinheiro suficiente para comprar uma casa. "Pensei que as taxas de juros fossem cair e que conseguiria, então, comprar uma casa, mas não acho que isso seja provável de acontecer agora", conta. Ele tem 39 anos e afirma que o aumento do custo dos produtos fez com que ficasse difícil economizar dinheiro. E o que mais pesou para Bhavsar é o preço da gasolina. "Dirijo um carro que usa gasolina premium", segundo ele, "e, infelizmente, na Califórnia e na região onde moro, ela custa quase US$ 6 [por galão]", cerca de R$ 8 por litro. Em novembro, haverá eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e a tumultuada economia do país certamente estará na mente dos eleitores. Bhavsar afirma que esta única questão pode decidir seu voto. "Para mim, os preços da gasolina simplesmente precisam ficar sob controle." Bhavsar descreveu o panorama econômico atual como sombrio. E os números apoiam sua impressão. O Índice Gallup de Confiança na Economia resume as avaliações dos cidadãos americanos sobre o panorama e as condições econômicas do momento e as classifica em uma escala de -100 a +100. Em setembro, o índice chegou a -40. Em uma pesquisa do jornal britânico The Guardian realizada em meados do ano, o percentual de entrevistados que acreditam que os Estados Unidos enfrentam uma crise de custo de vida atingiu impressionantes 95%. Neste final de ano, as pessoas estão encontrando formas de lidar com a situação em todo o país. Caitlin Green se mudou pela primeira vez para o Estado americano de Utah sete anos atrás. Na época, sua mãe fez a mudança para sua nova casa e lhe deu um bom conselho: "Se, algum dia, você precisar de uma refeição fácil e barata, procure sempre carne moída." Mas, com o aumento dos preços, Green tem tido dificuldade para seguir esta orientação. Ela se lembra de já ter pago US$ 4,40 (cerca de R$ 22) por 1 kg de carne moída. Agora, ela conta que está pagando US$ 17,60 (cerca de R$ 88). Por isso, Green e seu marido, às vezes, escolhem alternativas, como frango ou peru moído. A carne moída "é quase... não um luxo, como o bife... mas está a ponto de se tornar um luxo", segundo ela. "Precisamos pensar se formos comprar." Green e seu marido gastavam cerca de US$ 200 (R$ 1 mil) por mês no mercado. Agora, eles gastam mensalmente US$ 400 (cerca de R$ 2 mil). "Entendo que a inflação existe, mas acho que nunca na vida vi a inflação subir tão rápido e de forma tão drástica", ela conta. Para a professora Vaughn, do Tennessee, as decisões difíceis não param de chegar. Ela levou um susto quando os filhos voltaram às aulas e viu a conta de US$ 130 (cerca de R$ 650) de material escolar para o filho de cinco anos de idade. Com os preços dos alimentos em alta, Vaughn decidiu que o menino passaria a comprar o almoço na escola todos os dias, em vez de levar comida de casa. Ela fez as contas e concluiu que essa opção sairia mais barata. A família também desistiu de uma viagem para a Flórida neste segundo semestre para ver os pais de Vaughn porque o preço da gasolina está alto demais. "Está tudo difícil", ela conta. "O custo de tudo está absurdo. Gasolina para ir trabalhar, meu seguro aumentou, alimentar dois filhos e um marido. É demais."
20/10/2026 05:00:00 +00:00
Doença de Newcastle: mais de 130 granjas são monitoradas após confirmação de foco em SC

Presidente da Cidasc, Celles de Matos, comenta foco de doença de Newcastle em SC O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que 133 granjas em quatro municípios do Oeste de Santa Catarina serão monitoradas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle no estado, na segunda-feira (19). O caso foi registrado em uma propriedade comercial de Nova Itaberaba. A enfermidade viral atinge aves silvestres e domésticas. O foco foi confirmado na segunda-feira (19) em uma granja com cerca de 6 mil perus. Segundo o ministério, o local vai passar por abate sanitário, seguido de limpeza e desinfecção das instalações. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🐔A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres, podendo ser letal para elas. Em humanos, ela pode causar, no máximo, conjuntivite transitória, que costuma durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. As medidas sanitárias foram iniciadas pelo MAPA e Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). O objetivo é a contenção e erradicação do foco. As ações de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em SC O Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina identificou o foco durante uma investigação epidemiológica. O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, unidade reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência internacional. A retomada da produção na granja dependerá do cumprimento dos procedimentos sanitários e da ausência de novos casos. Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância ativa da Cidasc. No entanto, não foram divulgados detalhes sobre como o foco foi descoberto. A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, explicou que as aves não apresentaram sintomas. "Vírus esse que não desenvolveu a doença, foi apenas confirmada a presença. As aves não estão tendo sintomas e nem mortalidade", declarou. Matos também pede que os produtores avisem caso notem alguma anormalidade com as aves. "Contamos com toda a cadeia produtiva para ajudar nesse controle, que seja rápido. E também pedimos ao produtor rural que intensifique ainda mais os seus controles de biosseguridade", disse. Quais são os sintomas da doença de Newcastle nas aves? Os sintomas nas aves são: sintomas respiratórios - como ofegação, tosse e espirro sintomas nervosos - tremores, paralisia nas asas e pernas, pescoço torcido e espasmos diarreia queda na produção de ovos ovos com cores ou formas anormais mortes repentinas A Cidasc pede que produtores que identifiquem esses sintomas nas aves notifiquem o órgão, para que seja feita uma verificação in loco. O que diz o MAPA Confira a nota oficial do Ministério da Agricultura: O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 18 de outubro de 2026, um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença. O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), conforme os critérios estabelecidos pela OMSA. O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. Novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. O que diz a Cidasc Confira abaixo a nota da Cidasc sobre o foco em Nova Itaberaba: Nesta segunda-feira (19), o Governo do Estado de Santa Catarina recebeu a confirmação do foco de Doença de Newcastle em aviário comercial de criação de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste Catarinense. De imediato, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) acionaram as equipes para adoção das medidas sanitárias necessárias. Também foi emitida a Nota Técnica 001/2026 Sape/Cidasc com orientações. As amostras foram processadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA/SP) e o diagnóstico foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As medidas sanitárias estão sendo aplicadas pela Cidasc em conjunto com o Mapa e setor produtivo para contenção e erradicação do foco, bem como estão sendo intensificadas as ações de vigilância em populações de aves na região. A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância ativa da Cidasc. Embora as aves não tenham apresentado sinais clínicos, exames laboratoriais detectaram a presença do vírus da doença de Newcastle. O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Cidasc iniciaram as medidas sanitárias para contenção e erradicação do foco, que incluem o sacrifício sanitário das aves e a limpeza e desinfecção das instalações da propriedade. As ações de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Segundo o Mapa, a área de monitoramento inclui 133 granjas. A Nota Técnica emitida pela Sape/Cidasc reitera a necessidade de reforçar a adoção de todas as medidas de biosseguridade em granjas avícolas, a fim de proteger a saúde e segurança dos plantéis avícolas catarinenses. A Doença de Newcastle é causada por vírus que afeta aves domésticas e silvestres, causando sinais clínicos respiratórios, frequentemente seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça nestes animais, causando alta mortalidade em curtos espaços de tempo. O consumo da carne de aves e ovos de estabelecimentos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população. Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM (de um Serviço de Inspeção Municipal), SIE (do Serviço de Inspeção Estadual) ou SIF (do Serviço de Inspeção Federal). VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
20/10/2026 04:00:00 +00:00
Profissões em alta para 2027: veja cargos com salários de até R$ 93,5 mil

Profissões em alta para 2027 veja cargos com salários de até R$ 93,5 mil Uma pesquisa da empresa de recrutamento e seleção Robert Half, divulgada nesta terça-feira (20) com exclusividade ao g1, apresenta as projeções salariais para mais de 450 cargos e aponta quais profissionais devem ser mais disputados no mercado de trabalho brasileiro em 2027. O Guia Salarial reúne tendências de remuneração em oito áreas: Tecnologia, Engenharia, Jurídico, Vendas e Marketing, Finanças e Contabilidade, Mercado Financeiro, Seguros e Recursos Humanos. (veja abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo o levantamento, os salários iniciais podem chegar a R$ 93.550 por mês, dependendo do cargo e do setor. Os valores consideram apenas a remuneração-base, sem bônus ou benefícios, e refletem os salários pagos a profissionais conectados pela Robert Half a empregadores no Brasil. Para compor os dados não salariais do levantamento, a empresa ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais das áreas de Finanças e Contabilidade, TI e Tecnologia, Suporte Administrativo e ao Cliente, Jurídico e Engenharia, em junho de 2026. Os entrevistados trabalham em empresas privadas e de capital aberto, de pequeno, médio e grande porte. Na área de tecnologia, a disputa por talentos é ainda mais intensa. Mais da metade dos gestores (53%) afirma oferecer salários acima do planejado para garantir contratações. Além disso, 41% dos empregadores já pagam valores maiores a profissionais com experiência em inteligência artificial generativa. Profissões em alta para 2027 WOCInTech/Nappy O levantamento também indica que a valorização profissional vai além do conhecimento técnico. Competências como análise de dados, aplicação prática de inteligência artificial, fluência em idiomas, pensamento analítico, visão de negócios e capacidade de comunicação estão entre os fatores que podem impulsionar a remuneração em diferentes áreas. Entre as carreiras com os maiores salários previstos para 2027, destacam-se os cargos executivos do mercado financeiro. No entanto, funções ligadas à inteligência artificial e à análise de dados também aparecem entre as mais valorizadas. Veja o top 10 dos cargos mais bem pagos em 2027: Diretor financeiro (CFO) — Finanças e Contabilidade (grandes empresas): até R$ 93.550 por mês. Sales Trader — Diretor Executivo (Managing Director): até R$ 90.050 por mês. Diretor-geral de Finanças (CFO) — Mercado Financeiro: até R$ 85.250 por mês. Gerente-geral — Vendas e Marketing (grandes empresas): até R$ 85.000 por mês. Trader — Diretor Executivo (Managing Director): até R$ 84.600 por mês. Diretor executivo de ECM/DCM/Project Finance: até R$ 81.700 por mês. Diretor executivo de Fusões e Aquisições (M&A): até R$ 80.650 por mês. Chief Data Officer (CDO) — Seguros: até R$ 72.000 por mês. Diretor financeiro (CFO) — Seguros: até R$ 66.150 por mês. Diretor comercial — Vendas e Marketing (grandes empresas): até R$ 62.100 por mês. Entre os cargos não executivos com as maiores remunerações previstas para 2027, destacam-se funções do mercado financeiro e da área de tecnologia. Veja os 10 cargos mais bem pagos e os respectivos salários mensais: Gestor de renda variável: até R$ 45.300. Gestor de renda fixa: até R$ 43.500. Associate de M&A: até R$ 35.550. Associate de Crédito e Risco: até R$ 34.350. Associate de ECM/DCM/Project Finance: até R$ 30.200. Engenheiro de inteligência artificial: até R$ 28.200. Analista DevSecOps: até R$ 27.350. Engenheiro de prompt: até R$ 27.150. Arquiteto de software: até R$ 26.950. Especialista ou cientista de dados: até R$ 25.600. Outro fator que ganha importância na decisão dos profissionais é o pacote de benefícios. Flexibilidade de horário, trabalho híbrido, programas de saúde e bem-estar e apoio à saúde mental aparecem como diferenciais para a retenção de talentos, especialmente em um cenário de alta concorrência por especialistas. Segundo a Robert Half, a tendência é que os profissionais mais valorizados sejam aqueles capazes de combinar conhecimento técnico, domínio de ferramentas de inteligência artificial e habilidade para transformar dados em decisões estratégicas para os negócios. ➡️ A tabela abaixo apresenta as perspectivas de remuneração para mais de 450 cargos nos oito setores analisados. É possível clicar nos títulos das colunas para organizar as informações por área, cargo ou salário, em ordem crescente ou decrescente. ➡️ Navegue pela tabela para ver a previsão dos salários em 2027 Entenda a metodologia Os salários apresentados representam remunerações iniciais praticadas no mercado e não incluem bônus, participação nos lucros ou outros benefícios. A Robert Half divide as faixas salariais em três percentis, que variam conforme a experiência, a qualificação e a demanda de mercado para cada profissional: 25º percentil: profissional novo na função, com pouca ou nenhuma experiência, que precisa de mais instruções ou supervisão para realizar as tarefas diárias. 50º percentil: profissional com experiência para desempenhar as principais responsabilidades de forma consistente, sem supervisão direta, e familiarizado com os processos e assuntos relacionados ao cargo. 75º percentil: profissional cujo valor para a organização vai além da execução das tarefas habituais, com qualificações diferenciadas, especializações ou certificações e preparo para avançar na carreira. Profissões em alta para 2027 O Guia Salarial também detalha os segmentos que mais contratam, os cargos mais demandados e as competências técnicas e comportamentais que podem impulsionar os salários em cada área. Veja abaixo: FINANÇAS E CONTABILIDADE Segmentos com maior demanda: Agronegócios Alimentos e bebidas Mineração Saúde Varejo Cargos mais demandados: Analista contábil/fiscal Analista de faturamento Controller Gerente fiscal Profissionais de FP&A (todos os níveis) Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise de dados Análise financeira Ferramentas de BI Idiomas IFRS Reforma tributária Habilidades comportamentais: Atenção a detalhes Comunicação executiva Curiosidade para automação e melhoria contínua Pensamento analítico e interpretação de dados Senso de responsabilidade e compliance TECNOLOGIA Segmentos com maior demanda: Indústrias em geral Logística Mercado Financeiro Tecnologia Varejo Cargos mais demandados: Analista de dados e BI Analista e especialista de ERP Analista e especialista de segurança da informação e de GRC de TI Coordenador de infraestrutura Gerente de TI Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Cibersegurança e gestão de riscos de tecnologia (GRC) Ciência de dados e engenharia de dados Desenvolvimento de automações e IA Desenvolvimento de software e aplicações Idiomas Soluções de IA agêntica e generativa Habilidades comportamentais: Aprendizagem contínua e curiosidade técnica Comunicação clara e colaboração entre áreas Pensamento sistêmico e visão de negócio Proatividade e visão empreendedora Responsabilidade, governança e tomada de decisão VENDAS E MARKETING Segmentos com maior demanda: Agronegócio Alimentos e bebidas Energia Logística Mineração Cargos mais demandados: Especialista de marketing Executivo de contas Gerente comercial Gerente de marketing Gerente de produtos (PMO) Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise de dados e BI Aplicações de IA para vendas e marketing CRM e automação de vendas Gestão de produtos e experiência do cliente Idiomas Marketing de performance e análise de dados digitais Habilidades comportamentais: Adaptabilidade e aprendizagem contínua Influência e negociação consultiva Orientação ao cliente e escuta ativa Storytelling com dados Visão de negócios e tomada de decisão baseada em dados ENGENHARIA Segmentos com maior demanda: Automotivo Construção civil Logística Mineração e Siderurgia Petróleo e Gás Cargos mais demandados: Engenheiro de processos Engenheiro de produção Engenheiro de qualidade Engenheiro de vendas Gerente de supply chain Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise de dados e big data Desenvolvimento de software Gestão de melhoria contínua Gestão de projetos Idiomas Processamento de Linguagem Natural (NLP) e LLMs Habilidades comportamentais: Adaptabilidade e aprendizagem contínua Capacidade de integrar tecnologia, IA e dados à tomada de decisão Gestão de risco e responsabilidade operacional Pensamento analítico e resolução de problemas complexos Visão de negócio, colaboração entre áreas e atuação proativa JURÍDICO Segmentos com maior demanda: Escritórios Geração de energia Logística Saúde Tecnologia Cargos mais demandados: Advogado contencioso cível Advogado de contratos Advogado societário/M&A Advogado trabalhista Advogado tributário Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise e pesquisa Elaboração de contratos Legislação Pesquisa e coleta de dados Redação jurídica Uso de IA generativa Habilidades comportamentais: Comunicação e influência consultiva Ética e responsabilidade profissional Julgamento crítico e interpretação contextual Negociação e gestão de conflitos Visão de negócio RECURSOS HUMANOS Segmentos com maior demanda: Agronegócios Energia renovável Indústrias em geral Serviços em geral Varejo Cargos mais demandados: Analista de Atração e Seleção Analista de RH generalista Gerente de Payroll Gerente de RH generalista HR Business Partner Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise de dados (indicadores) Aplicação de IA em recursos humanos Experiência do colaborador e gestão da jornada do talento Idiomas People analytics Saúde mental e gestão de riscos psicossociais (NR-1) Habilidades comportamentais: Adaptabilidade e gestão de mudança Comunicação e influência organizacional Empatia Gestão de conflito Visão de negócio MERCADO FINANCEIRO Segmentos com maior demanda: Bancos de investimento Bancos de varejo e atacado Bancos digitais e fintechs de pagamentos, crédito e carteiras digitais Empresas de meios de pagamento (adquirentes, subadquirentes e processadoras) Gestoras de recursos (asset management) e fundos de private equity Cargos mais demandados: Associate de M&A Chief Data Officer (CDO) Chief Risk Officer (CRO) Especialista em compliance regulatório (Bacen e CVM) Gerente de risco de mercado e crédito Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise setorial e avaliação financeira Conhecimento regulatório e compliance financeiro Dados, analytics e engenharia de dados Idiomas IA aplicada aos negócios Precificação quantitativa e gestão de riscos Habilidades comportamentais: Atenção aos detalhes e visão de governança corporativa Colaboração e influência Comunicação executiva Interpretação de dados e curiosidade para automação Pensamento analítico SEGUROS Segmentos com maior demanda: Corretoras de seguros e consultorias de benefícios Healthtechs Insurtechs Resseguradoras Seguradoras tradicionais (vida, saúde, automóvel e patrimonial) Cargos mais demandados: Analista de dados CFO Diretor atuarial Gerente de riscos Gerente de subscrição Competências técnicas que impulsionam a remuneração: Análise de dados Conhecimento regulatório e atuarial Idiomas IA aplicada ao setor de seguros Precificação e modelagem de riscos catastróficos Segurança da informação e cibersegurança Habilidades comportamentais: Adaptabilidade Atenção aos detalhes e senso de responsabilidade Capacidade de impulsionar transformação e inovação de negócios Influência Pensamento analítico Controller de Finanças e Contabilidade podem ganhar até R$ 39.850 Freepik/ Reprodução
20/10/2026 03:00:00 +00:00
Bolsa Família: todos os pagamentos de outubro serão liberados até amanhã; veja quem recebe e valor

Bolsa Familia Reprodução Os pagamentos do Bolsa Família de outubro vão até quarta-feira (21), quando serão liberados os valores para beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Os beneficiários com NIS de final 1 e 2 receberam nesta segunda (19) e terça-feira (20), respectivamente. Segundo a Caixa, os beneficiários podem sacar os valores até 120 dias após a liberação do benefício. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Neste mês, o governo federal antecipou o calendário e concentrou os depósitos em três datas. A parcela é a primeira com o piso de R$ 691, anunciado em setembro. Segundo o governo, a mudança anunciada na segunda-feira, seis dias antes do segundo turno das eleições, busca reduzir os impactos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A unificação também será adotada em novembro e dezembro, meses em que o fenômeno climático pode intensificar seus efeitos no país. Agora no g1 A decisão foi tomada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com base em análises sobre o aumento de desastres climáticos e nas previsões para os próximos meses. Como fica o calendário de pagamentos? Mesmo com a medida anunciada pelo governo nesta segunda-feira, os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1 e 2 receberam nas datas já previstas pelo calendário regular. Veja como ficaram os pagamentos: 19/10: pagamentos para NIS com final 1; 20/10: pagamentos para NIS com final 2; 21/10: pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Os beneficiários que vivem em municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal receberam o benefício de forma unificada nesta segunda-feira (19), independentemente do final do NIS. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Como consultar o benefício ➡️ Para receber o Bolsa Família, as famílias precisam manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, atender aos critérios do programa e cumprir as condicionalidades de saúde e educação, como frequência escolar, vacinação das crianças e acompanhamento pré-natal das gestantes. Os beneficiários podem consultar a situação do pagamento, os extratos e os valores liberados pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou pelo Portal Cidadão da Caixa. Dúvidas sobre regras e cadastros podem ser esclarecidas pelo Disque Social do MDS, no telefone 121. Para informações sobre pagamentos e saques, a Caixa disponibiliza o telefone 111. Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
20/10/2026 03:00:00 +00:00
México suspende importação de frango do Brasil após foco da doença de Newcastle em SC

O México suspendeu nesta segunda-feira (19) a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A restrição foi anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, que informou que a medida também vale para aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a suspensão busca proteger a produção avícola do país, que é considerado livre da doença. O foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em uma granja de perus de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A propriedade, que abriga cerca de 6 mil animais, foi interditada, e as autoridades iniciaram ações para eliminar o vírus e monitorar outros estabelecimentos da região. Em nota, o ministério informou que a movimentação de aves foi suspensa no local e que as medidas de contenção e erradicação seguirão o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. O caso será comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. Agora no g1 A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa entre aves. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, ela pode provocar problemas respiratórios e neurológicos, queda na produção de ovos e alta mortalidade nos plantéis. As autoridades afirmam que a doença não representa risco significativo para a saúde humana. O Ministério da Agricultura e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) reforçaram que o consumo de carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados continua seguro. Os órgãos destacam que a ocorrência está relacionada à sanidade animal e não à segurança dos alimentos. Entidades do setor avícola afirmaram que acompanham o caso e ressaltaram que a detecção do vírus na granja não altera a segurança dos produtos destinados ao consumo. O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e a confirmação do foco levou o governo brasileiro a informar o caso aos países importadores, entre eles o México, um dos mercados compradores dos produtos avícolas brasileiros. Criação de perus - imagem ilustrativa Ernesto de Souza/Ed. Globo O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. *Com informações da AFP.
20/10/2026 02:57:17 +00:00
Justiça encerra recuperação judicial da Americanas

Clientes fizeram fila na frente das Lojas Americanas, no Salvador Shopping Divulgação A Americanas anunciou nesta segunda-feira (19) que a Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim de sua recuperação judicial, aberta em janeiro de 2023 após a revelação de um esquema bilionário de fraudes contábeis. A varejista afirmou ter cumprido integralmente as metas do plano aprovado por 91% dos credores. Também informou que, no primeiro semestre de 2026, as vendas nas lojas já em funcionamento avançaram 9,3% e os ganhos de eficiência operacional somaram R$ 500 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O encerramento do processo de recuperação judicial atende a um pedido feito pela companhia em março deste ano. A decisão foi tomada pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro após pareceres favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. "Com a conclusão dessa etapa, a companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes", afirmou a Americanas, em fato relevante. A ação da Americanas encerrou o dia em alta de quase 7%, cotada a R$ 5,97. Agora no g1 Relembre o caso Americanas A varejista informou um rombo contábil bilionário em 11 de janeiro de 2023. Na ocasião, a companhia disse ter identificado "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços, inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. Após o caso se tornar público, Sergio Rial, que estava à frente da presidência da Americanas havia apenas nove dias, deixou o comando da empresa. Ele tinha assumido o posto no lugar de Miguel Gutierrez. Os investidores — pessoas físicas e institucionais — iniciaram, então, uma corrida para se desfazer das ações. O movimento derrubou os papéis da companhia em quase 80% em um único dia, e a venda continuou nos pregões seguintes. Em uma conferência após sua demissão, Rial disse que "a primeira grande conclusão é que não estamos falando de um número que está fora do balanço". "A questão é que ele não está registrado de forma apropriada ao longo dos últimos anos", acrescentou. No dia 19 de janeiro, a Americanas pediu a recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro e teve suas ações retiradas da B3. A primeira versão do plano de recuperação foi apresentada em março, mas o documento só foi aprovado em 19 de dezembro. A dívida total considerada no plano de recuperação superava R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 42 bilhões correspondiam a débitos concursais, sujeitos à renegociação com credores. O plano de recuperação previu, entre outros pontos, um aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência — o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.
19/10/2026 23:24:34 +00:00
Argentina de Milei prepara novo corte de 20 mil funcionários públicos; 77 mil já perderam o emprego

Milei chama ONU de 'inútil' em discurso na Assembleia Geral O governo argentino lançou, nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária com o qual espera cortar 20 mil novos postos de trabalho na administração pública. Os cortes se somariam aos mais de 77 mil postos de trabalho eliminados desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023. O programa terá duração de um mês, a partir de 1º de novembro, e prevê pagamentos que variam conforme a idade e o tempo de serviço dos funcionários, apurou a AFP. Quem aderir ficará proibido de voltar a trabalhar na administração pública por oito anos. O objetivo, segundo decreto publicado no Diário Oficial, é promover uma "adequada e eficiente alocação dos recursos públicos". "Continuamos buscando maneiras de reduzir o gasto público para continuar baixando impostos", escreveu no X o ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), sindicato que representa servidores públicos, anunciou uma marcha contra o plano. "Não é desligamento voluntário, é demissão extorsiva. A rejeição a este decreto é total", escreveu no X o secretário-geral da entidade, Rodolfo Aguiar. O funcionalismo público é um dos principais alvos da política de redução dos gastos do Estado adotada por Milei, conhecida como "motosserra". O setor privado cortou 270 mil empregos Segundo dados divulgados por Sturzenegger em setembro, 21% dos postos de trabalho do Estado nacional foram eliminados desde dezembro de 2023, o equivalente a 77,5 mil empregos. Os cortes também atingiram o setor privado formal, que perdeu 270 mil postos de trabalho no período, segundo fontes sindicais. O cenário é marcado por medidas de austeridade fiscal — redução de gastos do governo para equilibrar as contas públicas — e pela queda da atividade econômica. Sturzenegger, por sua vez, afirma que foram criadas 400 mil vagas de trabalho. Esse número, porém, inclui empregos informais e trabalhadores autônomos. A informalidade no mercado de trabalho argentino cresceu três pontos percentuais em três anos e chegou a cerca de 45%. Como está a economia da Argentina? Crescimento e queda da inflação contrastam com pobreza e desemprego O presidente da Argentina, Javier Milei, participa de uma reunião da coalizão política e de segurança multinacional "Escudo das Américas", à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026 Charly Triballeau/Pool via REUTERS
19/10/2026 21:43:10 +00:00
Japão lança foguete para missão que pode ser a primeira a coletar amostras de lua de Marte

Ilustração mostra a sonda MMX e o trajeto previsto de ida a Marte e retorno à Terra. JAXA Cientistas japoneses lançaram um foguete que transporta uma sonda não tripulada com a missão de coletar amostras de uma das duas luas de Marte. Se for bem-sucedida, a operação poderá ser a primeira do mundo a trazer material de uma dessas luas para a Terra. O foguete H3 decolou do Centro Espacial de Tanegashima às 16h41 desta segunda-feira (19), pelo horário de Brasília — 4h41 da terça-feira (20) no Japão. A bordo estava a sonda Martian Moons eXploration (MMX). O lançamento foi transmitido ao vivo pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A missão tem como alvo Fobos, a maior das duas luas de Marte, e deve durar cerca de cinco anos. Segundo o planejamento da JAXA, a sonda chegará às proximidades do planeta aproximadamente um ano após o lançamento. Em seguida, entrará em uma órbita próxima a Fobos para observar o satélite natural em detalhes e realizar a tentativa de coleta de amostras (entenda mais abaixo). Agora no g1 Depois das observações e da coleta, a nave deverá iniciar a viagem de volta à Terra, que levará cerca de um ano. O material recolhido poderá ajudar cientistas a investigar como as luas marcianas se formaram e o que elas revelam sobre a história do planeta e do Sistema Solar. Por que estudar as luas de Marte? Marte tem algumas características em comum com a Terra, mas hoje apresenta uma atmosfera muito fina e um ambiente frio. Segundo a JAXA, pousar no planeta e trazer amostras de volta à Terra são desafios técnicos, em parte por causa de sua gravidade. Por isso, a missão MMX tem como alvo Fobos, um corpo celeste menor que, segundo os cientistas japoneses, pode ter sofrido poucas mudanças ao longo do tempo e conservar informações importantes sobre a evolução da região de Marte. 🪐 A origem das duas luas marcianas ainda é tema de debate. Uma das hipóteses é que elas tenham se formado a partir de destroços lançados ao espaço depois de uma grande colisão entre Marte e outro corpo celeste. Esses fragmentos teriam se juntado até formar as luas. Outra possibilidade é que Fobos e Deimos, a segunda lua de Marte, sejam asteroides originários de regiões mais distantes do Sistema Solar que foram capturados pela gravidade do planeta. De acordo com a agência japonesa, as observações feitas pela MMX e a análise das amostras trazidas à Terra poderão ajudar a esclarecer qual cenário explica melhor a origem desses corpos. *Com informações da Agence France-Presse
19/10/2026 20:17:48 +00:00
Quase 500 mil brasileiros na malha fina receberão carta da Receita Federal

Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026. Joédson Alves/Agência Brasil A Receita Federal está enviando cartas a 498.487 contribuintes de todo o país que tiveram a declaração do Imposto de Renda de 2026 retida na malha fina. A operação começou em 5 de outubro e termina amanhã (20). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A ação faz parte do “Projeto Cartas 2026”, que busca incentivar os contribuintes a corrigir possíveis erros por conta própria antes de receberem uma notificação ou intimação formal. 🔎 As declarações retidas na malha fina são aquelas em que a Receita Federal identificou alguma pendência que precisa ser esclarecida ou corrigida. Isso não significa, necessariamente, que houve fraude ou que o contribuinte já tenha sido multado. Segundo o Fisco, regularizar a situação antecipadamente reduz o risco de multas e de atrasos no recebimento da restituição. Agora no g1 Como saber se a declaração tem pendências? Vale dizer que não é preciso esperar a carta chegar para verificar a situação do Imposto de Renda. A consulta pode ser feita pela internet, no serviço Meu Imposto de Renda, disponível no site e no aplicativo da Receita Federal. Para acessar o sistema, é necessário ter uma conta gov.br com nível prata ou ouro. Veja como consultar e corrigir a declaração: Acesse o Meu Imposto de Renda: entre no site ou no aplicativo da Receita Federal. Verifique se há pendências: se a declaração estiver retida na malha fina, aparecerá a indicação “Com Pendência”. Identifique o problema: clique na pendência para consultar o motivo da retenção e as orientações para resolvê-la. Confira os dados e os comprovantes: verifique se os valores informados estão corretos e se há documentos que comprovem as informações declaradas. Corrija a declaração, se necessário: caso encontre erros, envie uma declaração retificadora, ou seja, uma nova versão corrigida da declaração original. Todo o procedimento pode ser feito pela internet, sem necessidade de comparecer a uma unidade da Receita Federal. Quais erros podem levar à malha fina Entre os problemas mais comuns identificados pela Receita estão: 💰 Rendimentos não declarados: esquecer de informar valores recebidos de forma pontual ao longo do ano. 👨‍👩‍👧 Rendimentos de dependentes: deixar de incluir os valores recebidos por pessoas declaradas como dependentes. 👴 Aposentadorias omitidas: não informar todos os rendimentos quando o contribuinte ou seu dependente recebe aposentadoria de mais de uma fonte pagadora. 🩺 Despesas médicas incorretas: informar o ano ou o valor errado de um gasto, ou incluir despesas que não podem ser deduzidas do Imposto de Renda. 🏦 Plano VGBL declarado como dedução: informar contribuições para esse tipo de plano como despesa dedutível, embora elas não possam ser abatidas do imposto. São Paulo lidera o número de cartas São Paulo é o estado com o maior número de contribuintes que receberão cartas da Receita Federal: são 163.159, cerca de um terço do total nacional. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 48.509, e Rio de Janeiro, com 45.403. A concentração também se reflete no resultado por região. O Sudeste reúne 267.234 cartas, o equivalente a cerca de 54% do total previsto para o país. Veja no infográfico a distribuição dos envios pelos estados brasileiros. São Paulo lidera lista de estados com mais cartas da Receita Arte/g1
19/10/2026 19:28:21 +00:00
Doença em granja de SC pode afetar exportações de frango do Brasil para a China; entenda o risco

Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China  Um acordo comercial com a China prevê a suspensão temporária das exportações brasileiras de carne de frango em caso de ocorrência de Doença de Newcastle, como a confirmada no domingo (18) em uma granja de perus em Santa Catarina. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A informação foi dada nesta segunda-feira (19) pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista à Reuters. Segundo Santin, a suspensão inicial, chamada de “autoembargo”, permite que a China, maior mercado importador de carne de frango do Brasil, defina se a restrição será aplicada a todo o país, ao estado afetado ou apenas à região onde a doença foi identificada. “Alguns países, como a China, se tiver uma dessas doenças (Newcastle ou gripe aviária), o Brasil precisa suspender as exportações, para ela definir como vai ficar a regionalização (do embargo)”, disse. De janeiro a setembro, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango, o equivalente a 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro. De acordo com o presidente da ABPA, poucos países têm acordos que preveem esse tipo de suspensão inicial. Para a maioria dos importadores, o bloqueio deve ficar restrito à área do foco da doença, em um raio de 10 quilômetros. Uma restrição limitada à região afetada reduziria o impacto sobre as exportações brasileiras, já que Santa Catarina responde por pouco mais de 20% dos embarques de carne de frango do país. Santin afirmou, porém, que ainda é difícil estimar os prejuízos causados pela ocorrência da Doença de Newcastle. Confira a nota da ABPA na íntegra A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) informam que acompanham, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, a ocorrência de Doença de Newcastle em um estabelecimento de produção comercial de perus na cidade de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. Cabe esclarecer: a ocorrência não apresenta manifestação clínica. Ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. As entidades ressaltam que o Brasil dispõe de um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente. A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo. As entidades reforçam sua confiança na atuação das autoridades sanitárias brasileiras e no compromisso do setor produtivo com a biosseguridade, a transparência e o cumprimento dos protocolos estabelecidos, fundamentais para a preservação da sanidade avícola nacional. A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC seguirão acompanhando a situação e apoiando as ações das autoridades competentes. O que aconteceu? O MAPA registrou um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A informação foi confirmada nesta durante uma coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. A TV Globo apurou que a granja foi fechada e tem 6.000 animais. Foram iniciados também trabalhos para eliminar o foco e outros estabelecimentos na região serão analisados. "O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle", disse o MAPA, em nota. O ministério esclareceu ainda que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A ocorrência será notificada à Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. Conforme a nota, novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. Como parte das medidas de contenção, será realizado monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. A operação prevê o acompanhamento de aproximadamente 133 propriedades. As equipes técnicas realizarão visitas, avaliações clínicas das aves e coletas de amostras para análise no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), com objetivo de identificar possíveis sinais clínicos e verificar a presença do vírus nas propriedades monitoradas. No momento, não haverá recolhimento de produtos nem devolução de aves que já tenham saído de outras propriedades da região. O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC Comerciantes são obrigados a comprar frango de empresas ligadas a facções. Fantástico
19/10/2026 19:10:04 +00:00
Apple pode ter de pagar mais em caso de patente com indenização de US$ 5,7 bilhões

Logotipo da Apple Reuters Uma empresa de tecnologia que obteve uma indenização de US$ 5,7 bilhões (R$ 28,82 bilhões) contra a Apple por violação de patente pediu à Justiça dos Estados Unidos que aumente o valor a ser pago pela fabricante do iPhone. A solicitação inclui compensação por vendas mais recentes de produtos e juros, o que pode elevar ainda mais a conta da companhia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em setembro, um júri federal da Califórnia concedeu à Taction, empresa sediada em San Diego, a maior indenização por violação de patente já determinada nos EUA. Os jurados concluíram que a Apple usou sem autorização uma tecnologia patenteada de "feedback háptico" em iPhones e Apple Watches. 🔎 O feedback háptico é o recurso que faz o aparelho vibrar para dar uma resposta física ao usuário, como ao tocar na tela ou receber determinados alertas. Agora no g1 Em um pedido apresentado na sexta-feira, a Taction argumentou que a indenização cobre apenas as vendas da Apple realizadas entre 2021 e o fim de março. Por isso, pediu que o tribunal também determine o pagamento de uma compensação pelas vendas dos seis meses seguintes. A empresa também solicitou juros anteriores ao julgamento, calculados pela taxa legal da Califórnia, de 7%. Segundo a Taction, esse acréscimo representaria pelo menos centenas de milhões de dólares além dos US$ 5,7 bilhões (R$ 28,82 bilhões) fixados pelo júri. A companhia pediu ainda juros pelo período posterior à decisão judicial. “O valor da indenização concedida pelo júri não é motivo para reter os juros”, disse Taction ao tribunal. A Apple negou ter cometido irregularidades e afirmou que vai recorrer. A empresa também pediu à Justiça que anule o veredicto. Apple já foi condenada a pagar juros em outro caso Neste mês, a Apple foi condenada a pagar US$ 184,2 milhões (R$ 931,5 milhões) em juros anteriores ao julgamento à Masimo, empresa de tecnologia de monitoramento médico, em outro processo de propriedade intelectual. O pagamento se refere a um caso no qual a Masimo obteve uma indenização de US$ 634 milhões (R$ 3,21 bilhões) em um julgamento realizado no ano passado.
19/10/2026 18:16:07 +00:00
Após 43 anos, jornalista Christiane Amanpour deixará a CNN americana

Christiane Amanpour, CNN .Foto: Reprodução redes sociais A jornalista Christiane Amanpour, principal âncora internacional da CNN nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (19) que deixará a emissora americana em junho de 2027, após 43 anos de trabalho na rede. A decisão foi divulgada em um comunicado. “Após muitos meses de reflexão e algumas noites sem dormir, decidi me separar da CNN, minha parceira ao longo de 43 anos fantásticos!”, afirmou a jornalista. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Aos 68 anos, Amanpour apresenta desde 2009 um programa de entrevistas que leva seu nome na CNN International. A atração terá sua frequência reduzida a partir de janeiro de 2027, quando passará a ser exibida uma vez por semana, até o encerramento, previsto para maio. Mesmo após o fim do programa, ela continuará trabalhando como repórter da CNN e viajando para cobrir notícias internacionais até junho de 2027. Agora no g1 O presidente da CNN, Mark Thompson, comunicou a decisão aos funcionários da emissora em um memorando enviado na manhã desta segunda-feira. Segundo ele, os dois conversaram sobre a saída durante alguns meses. “Assim como muitos integrantes da CNN que receberão a notícia hoje, lamento muito vê-la partir, mas compreendi que este é o momento certo para ela, tanto pessoal quanto profissionalmente”, escreveu Thompson. O executivo descreveu Amanpour como uma das jornalistas mais confiáveis e queridas do mundo e afirmou que a emissora terá tempo para celebrar sua trajetória antes da saída, no próximo ano. Cobertura de guerras e conflitos internacionais Amanpour construiu sua carreira na cobertura de acontecimentos internacionais e conflitos armados. Entre suas principais coberturas estão a Primeira Guerra do Golfo, a Guerra da Bósnia, o genocídio em Ruanda e conflitos no Afeganistão, na Ucrânia e no Irã. Em seu comunicado, a jornalista agradeceu aos colegas com quem trabalhou ao longo da carreira, especialmente às equipes de produção e aos profissionais que a acompanharam nas reportagens em campo. Ela afirmou que o trabalho coletivo foi fundamental para buscar fatos, evidências e humanidade nas coberturas realizadas pela emissora. Amanpour também disse que pretende se dedicar a novos projetos após deixar a CNN e que continuará apoiando a tradição de jornalismo independente da rede.
19/10/2026 17:57:46 +00:00
Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC

Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC O Ministério da Agricultura (MAPA) registrou um foco da doença de Newcastle (DNC) em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19) em coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. A TV Globo apurou em Brasília que a granja foi fechada e tem 6.000 animais. Foram iniciados também trabalhos para eliminar o foco e outros estabelecimentos na região serão analisados. "O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle", disse o MAPA, em nota. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O ministério esclareceu ainda que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) destacou que o consumo de carne de aves e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população (confira a nota completa da Cidasc no final da reportagem). Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM - de um Serviço de Inspeção Municipal SIE - do Serviço de Inspeção Estadual SIF - do Serviço de Inspeção Federal A ocorrência será notificada à Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. Conforme a nota, novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. Em comunicado conjunto, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC), disseram que acompanham o caso, esclarecendo que "a ocorrência não apresenta manifestação clínica" - ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. "A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo". Criação de perus - imagem ilustrativa Ernesto de Souza/Ed. Globo O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Confira a nota oficial do Ministério da Agricultura O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 18 de outubro de 2026, um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença. O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), conforme os critérios estabelecidos pela OMSA. O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. Novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. O que diz a Cidasc Confira abaixo a nota da Cidasc sobre o foco em Nova Itaberaba: Nesta segunda-feira (19), o Governo do Estado de Santa Catarina recebeu a confirmação do foco de Doença de Newcastle em aviário comercial de criação de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste Catarinense. De imediato, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) acionaram as equipes para adoção das medidas sanitárias necessárias. Também foi emitida a Nota Técnica 001/2026 Sape/Cidasc com orientações. As amostras foram processadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA/SP) e o diagnóstico foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As medidas sanitárias estão sendo aplicadas pela Cidasc em conjunto com o Mapa e setor produtivo para contenção e erradicação do foco, bem como estão sendo intensificadas as ações de vigilância em populações de aves na região. A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância ativa da Cidasc. Embora as aves não tenham apresentado sinais clínicos, exames laboratoriais detectaram a presença do vírus da doença de Newcastle. O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Cidasc iniciaram as medidas sanitárias para contenção e erradicação do foco, que incluem o sacrifício sanitário das aves e a limpeza e desinfecção das instalações da propriedade. As ações de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Segundo o Mapa, a área de monitoramento inclui 133 granjas. A Nota Técnica emitida pela Sape/Cidasc reitera a necessidade de reforçar a adoção de todas as medidas de biosseguridade em granjas avícolas, a fim de proteger a saúde e segurança dos plantéis avícolas catarinenses. A Doença de Newcastle é causada por vírus que afeta aves domésticas e silvestres, causando sinais clínicos respiratórios, frequentemente seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça nestes animais, causando alta mortalidade em curtos espaços de tempo. O consumo da carne de aves e ovos de estabelecimentos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população. Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM (de um Serviço de Inspeção Municipal), SIE (do Serviço de Inspeção Estadual) ou SIF (do Serviço de Inspeção Federal). VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
19/10/2026 16:20:43 +00:00
ANPD dá cinco dias para Meta explicar suspensão de contas e remoção de posts

Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu cinco dias úteis para que a Meta, dona do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, esclareça denúncias de possíveis violações aos direitos dos usuários na suspensão de contas, na remoção de publicações e na restrição do alcance de conteúdos. Os ofícios foram enviados à Meta nesta segunda-feira (19), após a abertura de um procedimento administrativo na última sexta-feira (16). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O processo de fiscalização foi iniciado depois que a agência recebeu denúncias sobre possíveis irregularidades nos critérios adotados pelas plataformas e nos mecanismos disponíveis para contestar decisões. Os relatos com potencial repercussão na legislação eleitoral foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por avaliar questões relacionadas à aplicação dessas normas. (entenda o caso) TSE dá 24h para Meta comprovar medidas tomadas para garantir igualdade entre campanhas Segundo a ANPD, o procedimento foi motivado por uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), denúncias de organizações da sociedade civil que atuam na defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais e petições enviadas por cidadãos aos canais oficiais da agência. A partir desses relatos, abriu um procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades de caráter geral, sem relação direta com o processo eleitoral. Já as denúncias envolvendo conteúdos e publicações com possível repercussão nas eleições foram encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os problemas relatados estão a falta de justificativas específicas para usuários afetados, a ausência de critérios claros e a ocorrência de bloqueios considerados indevidos ou pouco transparentes. A Meta deverá explicar os critérios utilizados para receber denúncias, remover conteúdos e suspender contas. A empresa também terá de detalhar quais informações fornece aos usuários afetados e quais medidas adota para evitar o uso abusivo dos mecanismos de denúncia. Outro ponto envolve decisões tomadas com base no tratamento automatizado de dados pessoais. A agência quer saber como funciona a revisão dessas decisões quando os usuários apresentam recursos. Os questionamentos consideram obrigações previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Marco Civil da Internet, com regulamentação atualizada pelo Decreto nº 12.975/2026. As normas tratam de direitos relacionados à transparência dos critérios adotados pelas plataformas, à possibilidade de contestar decisões e solicitar sua revisão e à proteção contra o uso abusivo dos mecanismos de denúncia. Após analisar as respostas da Meta e verificar a conformidade dos procedimentos com a legislação, a ANPD poderá adotar novas medidas de fiscalização. O Instagram e o Facebook também são monitorados pela ANPD em uma iniciativa que abrange as principais plataformas digitais em atuação no Brasil, incluindo lojas de aplicativos, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo a agência, o objetivo é verificar se as empresas cumprem as obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), no Marco Civil da Internet e nos decretos que regulamentam essas leis. A agência, que é vinculada ao Ministério da Justiça, tem uma atuação semelhante à de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas voltada à proteção de dados pessoais e à privacidade no ambiente digital. Nos últimos meses, a atuação da ANPD foi ampliada. A agência também passou a fiscalizar o cumprimento do ECA Digital, que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em plataformas digitais, como redes sociais, jogos e sites.
19/10/2026 15:14:46 +00:00
Governo antecipa calendário do Bolsa Família a seis dias do 2º turno; veja as datas

Bolsa Familia Reprodução O governo federal antecipou os pagamentos do Bolsa Família de outubro e concentrou os depósitos em três datas. A parcela deste mês será a primeira com o piso de R$ 691, anunciado pelo governo em 17 de setembro. A antecipação foi anunciada nesta segunda-feira (19), seis dias antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Veja quem vai receber antes. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo o governo federal, a mudança busca reduzir os impactos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A unificação também será adotada em novembro e dezembro, meses em que o fenômeno climático pode intensificar seus efeitos no país. Agora no g1 A decisão foi tomada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com base em análises sobre o aumento de desastres climáticos e nas previsões para os próximos meses. Como fica o calendário de pagamentos? Mesmo com a medida anunciada pelo governo nesta segunda-feira, os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1 e 2 recebem nas datas já previstas pelo calendário regular. A mudança acontece a partir da quarta-feira, para aqueles com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Veja como ficam os pagamentos: 19/10: pagamentos para NIS com final 1; 20/10: pagamentos para NIS com final 2; 21/10: pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Já os beneficiários que vivem em municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal receberão o benefício de forma unificada nesta segunda-feira (19), independentemente do final do NIS. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Como consultar o benefício Para receber o Bolsa Família, as famílias precisam manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, atender aos critérios do programa e cumprir as condicionalidades de saúde e educação, como frequência escolar, vacinação das crianças e acompanhamento pré-natal das gestantes. Os beneficiários podem consultar a situação do pagamento, os extratos e os valores liberados pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou pelo Portal Cidadão da Caixa. Dúvidas sobre regras e cadastros podem ser esclarecidas pelo Disque Social do MDS, no telefone 121. Para informações sobre pagamentos e saques, a Caixa disponibiliza o telefone 111. Governo cita alta de desastres climáticos para unificar pagamentos do Bolsa Família Em agosto e setembro de 2026, o governo federal reconheceu 518 situações de emergência ou calamidade pública, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025 (253). O aumento foi impulsionado por tempestades no Sul e pela alta de casos de estiagem e seca, que passaram de 172 para 239. Para o último trimestre, a previsão indica menos chuva em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e mais precipitações no Sul e em partes do Sudeste e do Nordeste. Segundo o governo, a unificação dos pagamentos do Bolsa Família busca ajudar famílias vulneráveis a enfrentar os efeitos de secas, enchentes e interrupções no abastecimento. A medida já foi adotada em emergências anteriores, como nas enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
19/10/2026 14:21:25 +00:00
Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Loja da Ri Happy Divulgação A Ri Happy e outras cinco empresas do grupo pediram recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo, no domingo (18), para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. Credores que representam R$ 308,8 milhões da dívida já aceitaram negociar os valores, o equivalente a 42,38% do total incluído no plano. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No pedido apresentado à Justiça e obtido pelo g1, o grupo atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, entre eles os efeitos da pandemia, os juros elevados, a queda das vendas no varejo e a concorrência de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico. 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com os credores novas condições para quitar dívidas. O acordo pode prever, por exemplo, prazos maiores ou outras mudanças nas condições de pagamento. Diferentemente da recuperação judicial, a negociação ocorre inicialmente fora do processo judicial tradicional, embora a empresa possa pedir à Justiça a homologação do plano. Agora no g1 O pedido foi apresentado pouco mais de um mês após a aquisição do grupo pela BluSun Capital, anunciada em agosto. Desde então, a empresa passou a ser liderada por Héctor Nuñez, fundador da gestora. Procurada pelo g1, a Ri Happy afirmou que a recuperação extrajudicial faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional iniciado após a troca de gestão. Segundo a empresa, as lojas físicas e os canais digitais seguem operando normalmente, enquanto as equipes se concentram nos preparativos para a Black Friday e o Natal. No documento, o grupo afirma ter mais de 2.600 funcionários e cerca de 292 lojas em operação no Brasil, entre unidades próprias das marcas Ri Happy e PBKids e franquias. Entenda a crise da Ri Happy No pedido, a empresa afirma que a pandemia prejudicou sua situação financeira, já que o fechamento de lojas e shopping centers reduziu o faturamento da rede de brinquedos. A companhia também cita os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas bancárias, e a perda de poder de compra dos consumidores. Outro fator apontado foi o fracasso da recuperação esperada após uma renegociação de dívidas bancárias realizada em 2023. Na ocasião, o grupo renegociou cerca de R$ 292 milhões com bancos, mas, segundo a empresa, a recuperação econômica esperada não se concretizou nos anos seguintes. A companhia também atribui parte da pressão sobre os resultados à concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, que oferecem produtos a preços mais baixos. No documento, o grupo também aponta a concorrência de plataformas estrangeiras, como Shopee e AliExpress. Segundo a empresa, mesmo com a chamada “taxa das blusinhas”, que estabelecia imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, os produtos importados ainda têm vantagem tributária em relação aos vendidos no Brasil. Como exemplo, o pedido cita dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), segundo os quais quase metade do preço de uma bicicleta e de uma bola de futebol corresponde a impostos. No caso dos patins, os tributos representam 52,78% do valor. “A crise do Grupo Ri Happy se insere em um movimento mais amplo de deterioração das condições do varejo, que vem atingindo diversos participantes do setor", diz o documento. "A retração do consumo, o encarecimento do crédito e as dificuldades financeiras de varejistas, indústrias, importadoras e distribuidoras se propagam pela cadeia, pressionando as condições de fornecimento, os prazos de pagamento e a disponibilidade de capital de giro.” Fundada em São Paulo em 1988, a Ri Happy se consolidou como uma das principais redes de lojas de brinquedos do país e ampliou sua presença no varejo ao longo das décadas. Em 2012, a empresa foi adquirida pelo fundo de investimentos Carlyle Group, que também comprou a PBKids. Em agosto deste ano, o controle do grupo passou para a BluSun Capital. O que diz a empresa Em comunicado, o Grupo Ri Happy afirmou que a nova gestão está adotando medidas para melhorar a liquidez, controlar custos e reorganizar a estrutura de capital, ou seja, a forma como a empresa financia suas operações e administra suas dívidas. A companhia informou que fez ajustes nas equipes corporativas e prepara uma mudança de sede. A Ri Happy também afirmou que pretende melhorar o desempenho das lojas físicas e dos canais digitais e fortalecer o relacionamento com clientes, funcionários, fornecedores, franqueados, shopping centers e instituições financeiras. Segundo a empresa, o objetivo é ajustar os compromissos financeiros às necessidades da operação e garantir a continuidade do negócio no longo prazo. Para Bruno Medeiros Durão, advogado, empresário e fundador da DAP Advocacia (Durão, Almeida & Pontes), o sucesso da recuperação dependerá da capacidade de adequar as dívidas à geração de caixa da operação. “A recuperação extrajudicial pode ser uma ferramenta importante para empresas que precisam reorganizar o endividamento sem interromper suas operações. Mas o pedido, por si só, não resolve o problema financeiro. O resultado depende da viabilidade do plano, da adesão dos credores envolvidos e da capacidade da companhia de gerar caixa suficiente para cumprir os compromissos renegociados e manter o negócio funcionando”, afirma. Segundo o advogado, manter as lojas abertas não significa, necessariamente, que a empresa tenha recursos suficientes para pagar todas as suas obrigações. Por isso, a reestruturação precisa levar em conta os juros, os prazos das dívidas, os custos operacionais e os recursos necessários para manter a atividade. “A reestruturação só produz resultados consistentes quando o acordo financeiro vem acompanhado de medidas concretas de gestão. É preciso compatibilizar o pagamento das dívidas com a operação, preservar recursos para o funcionamento do negócio e estabelecer metas realistas”, diz Durão. Ri Happy é a segunda grande empresa de brinquedos a recorrer à Justiça A Ri Happy é a segunda grande empresa do setor de brinquedos a recorrer à Justiça para reorganizar dívidas. Em maio, a fabricante Estrela, conhecida por produtos como Banco Imobiliário, Autorama, Genius e Susi, informou que entrou com um pedido de recuperação judicial. Entre os fatores apontados pela Estrela para justificar as dificuldades estavam os juros elevados, a maior dificuldade de acesso a empréstimos e as mudanças nos hábitos de consumo, com uma disputa crescente pela atenção e pelos gastos dos consumidores com jogos e entretenimento digital.
19/10/2026 14:12:20 +00:00
Lindt troca CEO após queda nas vendas e alta no preço do cacau

Placa da Lindt é vista em sua loja no Woodbury Common Premium Outlets, em Central Valley, Nova York, Estados Unidos, em 15 de fevereiro de 2022 Reuters/Andrew Kelly A Lindt & Sprüngli anunciou nesta segunda-feira (19) a saída do CEO Adalbert Lechner, que deixa a empresa após as recentes revisões para baixo nas projeções da fabricante de chocolates e o fraco desempenho na Europa. O ex-CEO Dieter Weisskopf voltou o cargo de forma interina. "O conselho de administração concluiu que a Lindt & Sprüngli necessita de uma nova liderança operacional para retornar a um crescimento consistente e sólido e para aproveitar oportunidades em todos os seus mercados globalmente" afirmou a empresa suíça em comunicado. Lechner ocupava o cargo de presidente-executivo desde outubro de 2022 e deve ter o seu substituto definitivo anunciado no segundo trimestre de 2027, segundo a Lindt. As ações da empresa, que já perderam um quarto de seu valor neste ano, caíram 1,27% nesta segunda. Agora no g1 No mês passado, a Lindt reduziu sua previsão de vendas para 2026 pela segunda vez no ano, em meio ao aumento dos custos do cacau e ao menor consumo de chocolate na Europa. Os preços do cacau haviam subido para 4.356 libras (R$ 29.200) por tonelada métrica até sexta-feira (16), ante 2.057 libras (R$ 13.800) por tonelada em fevereiro. A queda no otimismo dos consumidores nos mercados de língua alemã da Lindt é uma preocupação crescente, o que fez a empresa promover também mudanças em cargos de liderança na Áustria e na Alemanha. Ali Kulein, atual presidente-executivo da filial austríaca, assumirá a direção da unidade alemã, enquanto o chefe de vendas globais, Fabian Reinhardt, liderará os negócios na Áustria. Um porta-voz da empresa afirmou que a mudança na liderança não afetou as projeções da Lindt para o ano inteiro.
19/10/2026 14:11:40 +00:00
Bolsa Família vai ter regra de transição de dois anos, diz coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro

Bolsa Familia Reprodução A coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou nesta segunda-feira (19) que o programa Bolsa Família terá um período de transição de dois anos se ele for eleito. Durante esse tempo, o beneficiário continuaria recebendo os valores, mesmo se conseguir um emprego. Perderia o benefício somente após 24 meses empregado, de acordo informações repassadas pela assessoria de Daniella Marques depois da declaração feita por ela. (CORREÇÃO: ao publicar essa reportagem, o g1 errou ao dizer que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, os beneficiários seriam desligados do Bolsa Família após 24 meses mesmo sem terem conseguido um emprego. Na verdade, Daniella Marques disse que haverá uma regra de transição de dois anos para o beneficiário abrir seu negócio, ou aceitar um emprego de carteira assinada. E um retorno automático ao programa caso dê errado. A reportagem foi corrigida e atualizada às 15h23.)    Atualmente, o Bolsa Família conta com uma regra de proteção que permite a permanência temporária das famílias que apresentarem aumento de renda. Segundo as normas atuais do programa, a aplicação da regra depende da renda por pessoa da família, da data de entrada na proteção e do tipo de renda identificada (entenda abaixo). O senador Flávio Bolsonaro concorre à Presidência da República com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Os dois participaram do primeiro debate neste domingo (18). O segundo turno está marcado para 25 de outubro. "Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade', disse Marques, em entrevista à CBN Bahia. Após a publicação da reportagem, a assessoria de Daniella Marques, que procurou o g1, disse também que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), o beneficiário retornaria ao programa se perdesse o emprego. Ainda de acordo com a coordenadora da campanha de Flávio Bolsonaro na entrevista, o Ministério da Prosperidade, a ser criado em um eventual governo do PL, ajudaria a população a abandonar o Bolsa Família com a concessão de crédito para um novo negócio, além de oferecer capacitação. "O coração do plano é focar na prosperidade. Colocar o brasileiro para crescer junto com o brasil. Estão preservadas as proteções sociais, mas a gente quer todo brasileiro um plano para que o cresçam mais, com crédito, capacitação e parcerias com empresas privadas para cursos livres", acrescentou. Bolsa Família Principal vitrine na área social do presidente Lula, o Bolsa Família foi relançado pelo petista em março de 2023, primeiro ano de seu novo mandato. Em setembro, já em meio à corrida eleitoral, o governo anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em cerca de 15,04%. Com isso, o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691. Desde que foi relançado em março de 2023 pelo governo petista, o Bolsa Família estava sem reajustes. Nesta segunda, o governo anunciou que os pagamentos do Bolsa Família de outubro, o primeiro mês com os valores reajustados, terão o calendário unificado a partir desta quarta (21). A 17 dias das eleições, governo anuncia reajuste no Bolsa Família Para ter direito ao benefício, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218, e o Cadastro Único para todos os membros familiares deve estar atualizado. Também é necessário o cumprimento de compromissos em saúde e educação. Em agosto, o governo realizou o pagamento do benefício para cerca de 19,3 milhões de famílias no Brasil. Além do valor de R$ 691, há benefícios adicionais cumulativos. São eles: R$ 173 por criança entre zero e 7 anos de idade incompletos; R$ 58 por gestante; R$ 58 por pessoa entre 7 e 18 anos incompletos; R$ 58 por bebê de até 6 meses. Regra de proteção O programa conta, hoje, com uma regra de proteção, cujos critérios foram atualizados em maio de 2025. As mudanças passaram a valer em junho aquele ano. famílias que já estavam na regra de proteção até junho de 2025 e com renda de até R$ 759,00 continuam recebendo 50% do valor do benefício por até 24 meses; famílias que recebem renda fixa, como aposentadoria ou pensão, e que ultrapassam o limite a partir de julho de 2025 podem permanecer na regra de proteção por até 2 meses; e famílias cuja renda aumenta, mas não é fixa, podem permanecer na regra de proteção por até 12 meses. A regra de proteção é aplicável quando a renda da família beneficiária ultrapassa R$ 218,00 por pessoa. Se a renda da família voltar a ser de até esse valor por membro, o pagamento do benefício retorna ao valor integral. Segundo o governo, o objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício, reconhecendo que a superação da pobreza não acontece de forma automática com a conquista de um emprego.
19/10/2026 13:48:07 +00:00
China cresce 4,5% com exportações em alta, mas crise imobiliária ameaça ritmo

China usa parques que contêm enchentes para afirmar liderança global em economia verde A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionada pelas exportações e pela produção industrial. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (19), ficou acima das expectativas do mercado, mas ocorre em meio à crise imobiliária e à fraqueza da demanda interna. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Produto Interno Bruto (PIB) chinês acelerou em relação ao segundo trimestre, quando havia crescido 4,3%, no ritmo mais lento em mais de três anos. Economistas esperavam alta de 4,4% entre julho e setembro. Apesar do resultado melhor que o previsto, os dados mostram que a economia chinesa ainda enfrenta dificuldades para equilibrar o crescimento. Enquanto a indústria e as exportações sustentam a atividade, o mercado imobiliário continua em retração e as famílias mantêm os gastos contidos. Indústria avança, mas consumo segue fraco A produção industrial da China cresceu 5,5% em setembro, na comparação anual, acelerando em relação à alta de 5,2% registrada em agosto. O resultado ficou em linha com a expectativa dos analistas consultados pela Reuters. As vendas no varejo, por sua vez, aumentaram 1,1% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025. Embora o resultado tenha superado a previsão de 0,6% e melhorado em relação à alta de 0,4% de agosto, o avanço permaneceu limitado. Segundo Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, o crescimento real das vendas no varejo, descontada a inflação, praticamente não avançou em relação a um ano antes. A diferença entre o desempenho da indústria e o do consumo é um dos principais desafios para o governo chinês, que busca tornar o crescimento menos dependente das vendas ao exterior e estimular a demanda doméstica. Crise imobiliária pressiona investimento O investimento no setor imobiliário chinês caiu 20,6% entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. Nos oito primeiros meses do ano, a retração acumulada era de 19,9%, indicando que a queda se aprofundou. O investimento em ativos fixos, que inclui imóveis, infraestrutura e outros projetos, recuou 7,2% no acumulado de janeiro a setembro. A crise imobiliária é um dos principais entraves à economia chinesa. A fraqueza do setor afeta os investimentos e contribui para a cautela das famílias, em um cenário no qual a demanda interna ainda não ganhou força suficiente para sustentar uma expansão mais equilibrada. Para Raymond Yeung, economista-chefe para a China do ANZ, a demanda doméstica fraca, as pressões deflacionárias persistentes e a continuidade da crise imobiliária seguem limitando a atividade econômica. “Embora as exportações tenham oferecido uma proteção importante, é improvável que compensem totalmente a fraqueza em outras áreas da economia”, afirmou o economista à Reuters. Exportações ajudam a sustentar o crescimento As vendas ao exterior têm sido um dos principais motores da economia chinesa em 2026, em parte pelo avanço das exportações relacionadas à inteligência artificial e pela força da indústria. Esse desempenho, porém, também enfrenta riscos. Uma desaceleração dos investimentos globais em inteligência artificial pode reduzir a demanda por produtos e componentes tecnológicos chineses. Outro fator de pressão é a relação comercial com a União Europeia. Um acordo para limitar os embarques de veículos híbridos chineses pode afetar um dos segmentos de exportação que mais crescem no país. Para Ho Woei Chen, economista do UOB, a demanda externa continua sendo um fator decisivo para manter a economia chinesa em movimento. Segundo ele, o desempenho ainda dentro da meta de crescimento reduz a probabilidade de uma ampliação imediata dos estímulos econômicos. China deve crescer menos em 2026 A economia chinesa deve crescer 4,5% em 2026, abaixo da expansão de 5% registrada em 2025, segundo a mediana das projeções de economistas consultados pela Reuters. Para 2027, a previsão é de desaceleração para 4,4%. O resultado do terceiro trimestre também reduz a pressão sobre o governo para anunciar medidas amplas de estímulo econômico no curto prazo. Nos três primeiros trimestres de 2026, o PIB acumulou crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, economistas avaliam que o desempenho da economia permanece desigual. As exportações e a produção industrial sustentam parte da expansão, mas o investimento imobiliário e a demanda interna continuam sendo pontos de fragilidade. A expectativa é que o governo recorra mais a medidas fiscais para apoiar a atividade econômica, enquanto a inflação ao consumidor e a melhora dos preços ao produtor limitam o espaço para cortes mais agressivos nos juros. *Contém informações da Agência Reuters Sob Xi Jinping, os planos quinquenais da China têm como foco o "desenvolvimento de alta qualidade" Grigory Sysoev/RIA Novosti/Pool/Anadolu via Getty Images/BBC
19/10/2026 12:36:43 +00:00
Noruega quer proibir plataformas de jogo 'nocivas' aos menores de 16 anos

Europa quer proibir uso de plataformas digitais por menores de 13 anos Jornal Nacional/ Reprodução O governo da Noruega anunciou nesta segunda-feira (19) que pretende incluir alguns jogos e plataformas de mensagens em seu projeto de proibição de redes sociais para menores de 16 anos. Oslo, que deve apresentar um projeto de lei sobre o tema até o fim do ano, modificou sua proposta para incluir as "plataformas nocivas". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 São consideradas "nocivas" as redes ou plataformas que, "por seu design, suas características ou seus conteúdos, representam um risco para o desenvolvimento emocional, cognitivo ou para a saúde das crianças, ou para sua segurança", afirmou o governo em um comunicado. Aplicativos como TikTok, Snapchat e o jogo Roblox, em seu estado atual, também deverão enfrentar restrições. Agora no g1 "Hoje existem certas plataformas que se apresentam como jogos, mas que na verdade estão repletas de recursos como sistemas de recomendação algorítmica e publicidade ilegal direcionada às crianças", disse a ministra da Infância e da Família, Lene Vagslid. "É por isso que queremos que elas também sejam incluídas", afirmou ao canal público de televisão NRK. O limite de idade será válido até 1º de janeiro do ano em que a criança completar 16 anos. As plataformas deverão implementar, por conta própria, um sistema de verificação de idade. O governo trabalhista tem minoria no Parlamento, o que significa que precisará obter o apoio de outras legendas para aprovar a lei. A Austrália instituiu no ano passado uma legislação que proíbe menores de 16 anos de acessar determinadas redes sociais, enquanto a União Europeia prevê, por sua vez, adotar restrições "graduais", com diferentes níveis segundo a idade.
19/10/2026 12:33:09 +00:00
Dólar cai e fecha a R$ 5,04 com mercado de olho na reta final das eleições; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,49% nesta segunda-feira (19), cotado a R$ 5,0480. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,17%, aos 205.079 pontos. A reta final da campanha presidencial concentra as atenções do mercado, após o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) promovido pela Band no fim de semana. Investidores também repercutiram o Boletim Focus e, no exterior, monitoraram manifestações na Europa e o PIB da China. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O primeiro debate eleitoral entre Lula e Flávio quadro eleitoral foi o foco nesta segunda-feira. No encontro, que marcou o primeiro confronto entre os dois candidatos nesta eleição, Lula e Flávio falaram sobre diversos temas e trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. (veja mais abaixo) Quando será o debate presidencial da Globo? Veja a data e o horário ▶️Na agenda econômica, o Boletim Focus apontou uma queda nas projeções do PIB para este ano. As estimativas do mercado passaram de 1,85% na semana passada para 1,83% nesta semana. A projeção para a inflação, por sua vez, seguiu a mesma para 2026, mas subiu de 4,30% para 4,32% em 2027. ▶️ No exterior, chamou atenção a intensificação dos protestos na Europa. O movimento, iniciado por estudantes em meados de setembro, tem reivindicações sobre o sistema educacional e ganhou adesão de sindicatos, reunindo mais de meio milhão de pessoas na França. Protestos menores também aconteceram na Bélgica, na Itália e em Portugal. ▶️ O crescimento da economia chinesa também ficou no radar, após o PIB do país ter crescido 4,5% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi puxado pelas exportações e pela produção industrial. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,49%; Acumulado do mês: -2,44%; Acumulado do ano: -8,03%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,32%; Acumulado da semana: -0,17% Acumulado do mês: +10,06%; Acumulado do ano: +27,28%. Como foi o primeiro debate entre Lula e Flávio? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026. Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição. Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras. Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto. Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade. Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta. O embate passou então para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados. Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes. O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme. Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação. Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades. Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral. Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro. Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta. Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda. Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula. Veja o que é #FATO ou #FAKE no debate entre Lula e Flávio Bolsas globais Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta segunda-feira, conforme investidores repercutiam o noticiário internacional. O Dow Jones recuou 0,07%, enquanto o S&P 500 avançou 0,43% e o Nasdaq Composite teve alta de 1,11%. Na Europa, as ações francesas tiveram seu pior dia em quase duas semanas, conforme investidores repercutiam as manifestações que aconteceram em diversas cidades do país no último final de semana. O índice CAC-40, de Paris, caiu 1,1%. Já o pan-europeu STOXX 600, recuou 0,9%, para 639,1 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve perdas de 1,18%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 1,08% e o IBEX 35, da Espanha, desvalorizou 1,49%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, impulsionadas por ações do setor financeiro, em meio aos dados mais otimistas do PIB do terceiro trimestre. A economia chinesa cresceu 4,5%em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões e reduzindo a pressão sobre Pequim para ampliar estímulos. O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,4%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, avançou 0,1%. No Japão, o Nikkei caiu 0,62%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 1,76%. O Hang Seng, de Hong Kong, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar Pexels
19/10/2026 12:00:21 +00:00
Volkswagen planeja congelar salários até 2030, diz conselho de trabalhadores

Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China. REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo A Volkswagen planeja congelar os salários de seus 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, segundo o Conselho Global de Trabalhadores da montadora alemã. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19) e confirma uma reportagem publicada anteriormente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O conselho afirmou ter recebido informações internas sobre os planos da direção da empresa. Procurada, a Volkswagen se recusou a comentar o que classificou como “especulações”. Um porta-voz informou que uma nova rodada de negociações, prevista para esta semana, será a oportunidade para discutir eventuais propostas relacionadas aos custos com pessoal. Agora no g1 O Conselho Global de Trabalhadores classificou a proposta como “absurda” e afirmou esperar forte resistência à iniciativa, que considera “bastante irrealista”. “Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva”, afirmou um porta-voz do sindicato alemão IG Metall. Segundo o Süddeutsche Zeitung, a ausência de reajustes salariais pode representar uma perda de cerca de 10% no poder de compra dos funcionários afetados até 2030, devido à inflação. As novas diretrizes globais de gestão, previstas para entrar em vigor no quarto trimestre, também incluem cortes na remuneração variável, nos pagamentos extras, nos benefícios e no número de postos de trabalho. A relação entre a Volkswagen e os representantes dos trabalhadores se deteriorou nos últimos meses, enquanto o CEO Oliver Blume avança com um plano de reestruturação considerado o mais radical da história da montadora alemã.
19/10/2026 11:24:43 +00:00
Elon Musk promete dar ações da SpaceX a crianças dos EUA; doação pode valer R$ 53 bilhões

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o fundador e CEO da SpaceX e da xAI, Elon Musk, falam com jornalistas na entrada da Casa Branca após um almoço com líderes do setor de tecnologia na Sala Leste, em Washington. Jonathan Ernst / Reuters O empresário Elon Musk afirmou que pretende destinar parte de suas ações da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos a partir de 2027. A declaração foi publicada em uma postagem na rede social X nesta segunda-feira (19), na qual ele acrescentou que essa será a primeira de várias iniciativas do tipo. “Esta será a primeira de muitas”, escreveu Musk, segundo a tradução exibida na publicação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo dados do censo de 2025, os EUA têm aproximadamente 72 milhões de crianças. Se cada uma recebesse uma ação da SpaceX, a distribuição poderia movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões (R$ 53,3 bilhões), considerando o preço de US$ 146,03 por ação no fechamento de sexta-feira (16) Initial plugin text Musk, porém, não explicou como a iniciativa funcionaria na prática. Não há informações sobre os critérios para receber as ações, o calendário de distribuição ou se os papéis seriam depositados em contas de investimento destinadas às crianças, como as chamadas Contas Trump. O empresário, de 55 anos, tinha uma fortuna estimada em US$ 904 bilhões (R$ 4,59 trilhões), segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Agora no g1 🔍 A SpaceX desenvolve foguetes e veículos para missões espaciais e opera a rede de internet por satélite Starlink. Musk também tem participações em empresas como a fabricante de carros elétricos Tesla, a Neuralink, de tecnologia cerebral, e a The Boring Company, que atua na construção de túneis. Segundo dados divulgados pelo Business Insider, Musk detém cerca de 4,77 bilhões de ações da SpaceX, o equivalente a aproximadamente 36% da empresa. A distribuição de 72 milhões de papéis representaria cerca de 1,5% de sua participação. Se novas doações forem realizadas, a fatia do empresário na companhia poderá diminuir ainda mais. Até o momento, porém, Musk não detalhou como pretende executar a proposta. Na semana passada, o patrimônio do empresário voltou a superar a marca de US$ 1 trilhão, equivalente a cerca de R$ 5,17 trilhões. A alta foi impulsionada pela valorização das ações da SpaceX. Segundo a Fortune, a fortuna de Musk passou de US$ 976,9 bilhões para US$ 1,04 trilhão após os papéis da empresa acumularem alta de 16,07% em uma semana. O empresário já havia ultrapassado US$ 1 trilhão em junho, quando a SpaceX abriu capital. Depois, perdeu a marca com a queda das ações. Simulador permite gastar toda a fortuna de Musk com hambúrgueres, cavalos, mansões e mais O que são as Contas Trump A proposta de Musk surge em meio a iniciativas para ampliar o acesso de crianças americanas ao mercado financeiro. No início deste ano, o governo dos EUA lançou as chamadas Contas Trump, contas de investimento com vantagens fiscais. O programa prevê um depósito inicial de US$ 1.000 (cerca de R$ 5.073) pelo governo federal para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028. Michael Dell, fundador da empresa de tecnologia Dell Technologies, e sua mulher, Susan Dell, empresária e filantropa, anunciaram uma doação de US$ 6,25 bilhões para contas de investimento de 25 milhões de crianças nos EUA. Em julho, Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, e seu marido também prometeram doar ações da empresa para mais de 2 milhões de crianças.
19/10/2026 11:08:56 +00:00
Uber escapa de indenização de R$ 2,3 bilhões pedida por taxistas de Londres

Táxis tradicionais de Londres circulam pela Oxford Street, na capital britânica. REUTERS/Belinda Jiao/File Photo A Uber conseguiu, nesta segunda-feira (19), derrubar dois processos que pediam cerca de £ 340 milhões (R$ 2,3 bilhões) em indenizações. As ações foram movidas por milhares de taxistas tradicionais de Londres e por duas antigas empresas de transporte privado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa foi processada em 2024 por supostas irregularidades na obtenção de uma licença para operar serviços de transporte privado na capital britânica. Os autores das ações alegaram que a Uber forneceu informações "enganosas e imprecisas" à Transport for London, responsável pelo sistema de transportes da cidade. Agora no g1 Os processos, apresentados à Alta Corte de Londres, pediam quase £ 200 milhões (R$ 1,35 bilhão) em indenizações para cerca de 13 mil taxistas tradicionais. Outra ação, movida em nome das empresas Kabbie e Iride, que encerraram suas atividades, reivindicava cerca de £ 140 milhões (cerca de R$ 945 milhões). A Uber negou as acusações e argumentou que os processos foram apresentados após o prazo legal de seis anos para esse tipo de ação, o que justificaria sua rejeição. Em decisão por escrito, o juiz Simon Birt afirmou que os autores poderiam ter descoberto a suposta fraude antes de 2018, seis anos antes da apresentação dos processos. Assim, rejeitou as ações com base no prazo legal, sem analisar o mérito das acusações. "Estamos satisfeitos que o tribunal tenha rejeitado todas essas ações por completo, na primeira oportunidade possível, e que a decisão de hoje tenha colocado definitivamente essas questões antigas no passado", afirmou um porta-voz da Uber. Os processos se concentravam nas informações fornecidas pela Uber à Transport for London quando a empresa obteve, em 2012, sua primeira licença para operar serviços de transporte privado. Desde então, a companhia conquistou uma parcela significativa dos clientes dos tradicionais táxis pretos de Londres, conhecidos como black cabs. "Estamos obviamente muito decepcionados e, junto com a equipe jurídica, estamos avaliando todas as opções disponíveis para os taxistas que movem a ação", afirmou um porta-voz da RGL Management, empresa que administrou os processos em nome dos autores. A decisão desta segunda-feira antecede um processo ainda maior envolvendo a Uber em Londres, previsto para a próxima semana. Na ocasião, a empresa enfrentará a autoridade tributária britânica em uma disputa fiscal de mais de £ 1 bilhão (R$ 6,75 bilhões).
19/10/2026 11:04:06 +00:00
Após três anos de alta, pedidos de recuperação judicial no agro caem no 2º trimestre

Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, volume 20,7% menor que o observado no mesmo período do ano anterior. Foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022, segundo análise da Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (19). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também mostrou retração em relação aos três primeiros meses de 2026, quando as solicitações de recuperação judicial somaram 474 (-5,5%). Apesar de positiva diante do atual cenário de endividamento dos produtores rurais, a desaceleração deve ser interpretada com cautela, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. "A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores", explicou Pimenta. "Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres", acrescentou. Segundo ele, o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo. O Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do Brasil, continuou liderando o número de pedidos de recuperação judicial entre os estados, com 107 registros. Em seguida aparecem Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). Por atividade, o cultivo de soja — principal cultura do país — concentrou 70 solicitações de recuperação judicial, seguido pela criação de bovinos, com 28, segundo a Serasa. Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa física caíram 10,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025, para 197. Já as solicitações de produtores pessoa jurídica recuaram 34,2%, para 160. Na análise por porte, os produtores classificados como "sem propriedades", categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 70 pedidos. Em seguida aparecem os grandes proprietários, com 51 solicitações; os pequenos, com 39; e os médios, com 37. Chapéu, produtor rural Foto de setengah lima sore
19/10/2026 10:36:18 +00:00
País mais feliz do mundo, Finlândia enfrenta crise, pode cortar serviços públicos e benefícios

Helsinque, capital da Finlândia Unsplash/Tapio Haaja O clima é de apreensão na Finlândia, eleita o país mais feliz do mundo por nove anos consecutivos. Um inverno mais rigoroso do que o habitual se aproxima, acompanhado do orçamento de austeridade mais duro dos últimos anos. Com eleições marcadas para abril de 2027, a discussão já não gira em torno de quanto cortar, mas de quais serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias sofrerão as maiores reduções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar das dificuldades econômicas, a Finlândia continua liderando o Relatório Mundial da Felicidade, que classifica os países a partir da avaliação que seus habitantes fazem da própria vida. Na edição de 2026, o Brasil apareceu na 32ª posição entre 147 países. A dívida pública e o déficit fiscal da Finlândia estão nos piores níveis desde a década de 1990, quando uma crise bancária e o colapso da União Soviética, então um importante parceiro comercial, mergulharam o país nórdico em uma profunda recessão. Agora no g1 Endividamento dispara desde a pandemia Em setembro, o instituto nacional de estatísticas da Finlândia confirmou que a dívida pública havia chegado a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Antes da pandemia de covid-19, esse percentual era de aproximadamente 65%. Para efeito de comparação, a dívida bruta do governo geral brasileiro correspondia a 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central. Os indicadores, porém, seguem metodologias distintas. Mais uma vez, os problemas a leste do país ajudam a explicar a situação. A Finlândia ampliou os gastos com defesa depois de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2023, um ano após o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia. Finlândia entra formalmente na Otan Helsinque, que antes dependia da Rússia para cerca de um terço de seu abastecimento energético, também enfrentou custos muito mais elevados durante a transição para outros fornecedores. O governo finlandês gasta mais do que arrecada desde a crise financeira mundial de 2008 e 2009, em parte devido ao envelhecimento da população e ao crescimento econômico lento. Em setembro, o Tesouro Nacional projetou que o déficit fiscal chegaria a 4,2% do PIB em 2026. União Europeia pressiona por redução do déficit A União Europeia (UE) intensificou a pressão sobre a Finlândia para reduzir o déficit fiscal. Pelas regras do bloco, os países-membros devem manter o déficit público abaixo de 3% do PIB e a dívida pública dentro do limite de referência de 60%. Em janeiro, o Conselho da UE abriu um procedimento por déficit excessivo contra a Finlândia e deu ao país até o fim de 2028 para corrigir a situação. O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo, que assumiu o poder em junho de 2023, anunciou que pretendia economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura. Petteri Orpo celebra vitória do partido Coligação Nacional, de direita, na eleição da Finlândia, em 2023 Antti Aimo-Koivisto/Lehtikuva via AP Mas, segundo economistas, quem vencer as próximas eleições terá que promover cortes muito mais profundos. "As estimativas atuais variam entre 8 bilhões e 11 bilhões de euros", afirmou à Jarkko Kivisto, assessor do departamento de política monetária e pesquisa do Banco da Finlândia. No início de 2026, todos os partidos políticos, com exceção de um, concordaram em apoiar a adoção de um mecanismo de contenção da dívida pública, pelo qual o próximo governo se comprometeria a reduzir o déficit fiscal para cerca de 2% do PIB até 2031. Governo descarta aumento de impostos Até agora, o Partido da Coalizão Nacional, de centro-direita, liderado por Orpo, é o único que prometeu realizar cortes adicionais de 9 bilhões de euros caso o primeiro-ministro conquiste um segundo mandato. Além de novas economias nas áreas de saúde, assistência social e benefícios sociais, Orpo pretende promover mudanças nos regimes de previdência vinculados ao emprego, sem reduzir os benefícios atualmente pagos. Enquanto os social-democratas defendem uma combinação de cortes de gastos e aumentos de impostos, Orpo pretende alcançar sua meta sem elevar a carga tributária. Isso significa que os serviços públicos terão que arcar com a maior parte do ajuste. Kivisto, porém, fez um alerta: "O déficit é tão grande que seria necessário um pacote que incluísse aumentos de impostos e cortes de despesas." Bandeiras da Finlândia e da Otan são expostas no topo dos mastros em Helsinki, capital finlandesa Lehtikuva/Antti Hamalainen via REUTERS Embora a proporção de pessoas em risco de pobreza na Finlândia seja inferior à média da UE, o desemprego é o mais alto entre os países do bloco. Em agosto, a taxa de desemprego finlandesa estava em 10,3%, pouco acima dos 10% registrados na Espanha, segundo a Eurostat, agência de estatísticas da UE. Entre os jovens, o desemprego chegou a 23,3%, diante de uma média de 15,4% na UE. Com a queda já registrada no consumo das famílias, Lauri Holappa, diretor do Centro Finlandês de Nova Análise Econômica, alertou que uma nova rodada de austeridade representaria um duro golpe para a economia do país. "Mais de um quarto da população trabalha no setor público. Portanto, se esses trabalhadores enfrentarem a ameaça de demissão, a taxa de poupança aumentará e o consumo privado voltará a cair", afirmou. Uma sucessão de crises, desde a pandemia de covid-19 até a alta dos juros e os impactos econômicos globais das guerras na Ucrânia e no Irã, prejudicou as tentativas de reduzir o déficit fiscal. A proposta orçamentária para 2027 ainda prevê um rombo de 12,4 bilhões de euros. Gastos militares crescem após invasão russa Antes mesmo da guerra na Ucrânia, a Finlândia já havia se comprometido a comprar 64 caças F-35A dos Estados Unidos, em um acordo de aproximadamente 8,4 bilhões de euros. Ao longo de mais de quatro anos de guerra da Rússia contra a Ucrânia, o país nórdico elevou seus gastos militares de 4,5 bilhões para mais de 8 bilhões de dólares por ano, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri). Enquanto a paz não vem, Europa se mantém em alerta, preparando a população para um confronto maior Em abril, o governo anunciou que aumentaria ainda mais as despesas com defesa, para 3,2% do PIB, percentual próximo da meta de 3,5% da Otan. Com os preços do petróleo ainda próximos de 100 dólares por barril devido à guerra no Irã, o governo tem resistido à pressão para ampliar os subsídios aos combustíveis. Isso apesar de o Banco da Finlândia ter registrado um aumento de 50% no custo da energia importada nos primeiros meses do conflito. A transição da Finlândia para fontes renováveis de energia, juntamente com a entrada em operação da usina nuclear Olkiluoto 3, em 2023, ajudou a evitar uma crise energética mais grave. Ainda assim, o banco central alertou durante o verão europeu que a manutenção dos preços elevados do petróleo e do gás resultaria em "menor crescimento econômico e inflação mais alta" em 2027. Por outro lado, alguns segmentos do setor exportador finlandês estão em forte expansão, impulsionados pela demanda por metais e pelas encomendas à indústria naval. Holappa comparou esse desempenho ao dos "anos de ouro da Nokia", período em que a fabricante de celulares, então líder de mercado, impulsionava o crescimento econômico do país. "Existe a possibilidade de que o setor exportador nos tire desta recessão", avaliou, desde que a demanda do restante da Europa permaneça elevada. Investidores ainda confiam na economia finlandesa Apesar das dificuldades para reduzir o déficit fiscal, a reação dos mercados ao endividamento da Finlândia tem sido moderada até agora. As agências de classificação de risco mantiveram a perspectiva de crédito do país estável, com exceção da S&P, que a alterou para negativa em abril, sem rebaixar a nota de crédito. Em 6 de outubro, o governo finlandês pagava um prêmio de risco de 0,38 ponto percentual em relação à Alemanha para tomar empréstimos com prazo de dez anos. Na França, esse diferencial era de 1,28 ponto percentual e, na Itália, de 1,07 ponto percentual. Em outras palavras, os investidores ainda consideram a dívida finlandesa uma das mais seguras da Europa. Isso, porém, desde que o próximo choque econômico não seja uma nova disparada prolongada dos preços do petróleo, uma escalada das tensões com a Rússia ou uma crise de dívida em toda a Europa, tendo a França como epicentro. Em março de 2027, a Finlândia ainda poderá ser eleita o país mais feliz do planeta pelo décimo ano consecutivo. Mas ninguém sabe por quanto tempo os sorrisos vão durar quando, um mês depois, chegar a conta de décadas de endividamento. Vista de Helsinque, capital da Finlândia; país tem um dos mais altos PIBs per capita e é o 'mais feliz do mundo' Ints Kalnins/Reuters
19/10/2026 08:00:00 +00:00
Petrobras bate recorde de R$ 800 bilhões em meio a expectativas sobre petróleo na Margem Equatorial

Petrobras faz nova descoberta de petróleo em poço na costa do Amapá A Petrobras atingiu pela primeira vez o valor de mercado de R$ 800 bilhões, consolidando um momento de forte valorização da companhia em 2026. O marco foi alcançado no fechamento do pregão de 14 de outubro. Segundo a estatal, as ações preferenciais (PETR4) acumulam alta de cerca de 100% neste ano, enquanto os papéis ordinários (PETR3) avançaram aproximadamente 110%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp A empresa atribui o desempenho ao cenário internacional favorável para o petróleo, ao crescimento da produção, aos resultados financeiros e a movimentos recentes da agenda corporativa. LEIA MAIS: Nova descoberta reforça aposta da Petrobras na Margem Equatorial: 'acerto exploratório' Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Entenda o que é o 'petróleo chique' do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal Petrobras prevê investir US$ 2,5 bilhões em 15 poços na Margem Equatorial até 2030 O novo recorde ocorre poucas semanas após a Petrobras anunciar uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, região localizada na costa do Amapá. A descoberta ampliou as expectativas do mercado em relação ao potencial petrolífero da região Norte. Em 2026, a Petrobras também registrou aumento na produção própria de petróleo no país, que atingiu 2,7 milhões de barris por dia no segundo trimestre, crescimento de 15% em comparação ao mesmo período do ano passado. Entenda o que é a Margem Equatorial Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação A Margem Equatorial é uma extensa faixa marítima localizada no litoral Norte do Brasil, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. A região é considerada uma das principais fronteiras exploratórias de petróleo do país e engloba diversas bacias sedimentares, entre elas a Bacia da Foz do Amazonas. Nos últimos anos, a área passou a despertar interesse da indústria petrolífera devido ao potencial geológico semelhante ao encontrado em países vizinhos da costa atlântica africana, onde foram registradas importantes descobertas de petróleo. A região também está no centro de debates ambientais sobre os impactos da atividade petrolífera e os requisitos para o licenciamento das operações. Como está a exploração na costa do Amapá Exploração de petróleo na costa do Amapá Petrobras/Divulgação A Petrobras anunciou no início de outubro a descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá. A descoberta é considerada uma das mais relevantes da companhia nos últimos anos e reforçou as expectativas sobre o potencial da Margem Equatorial brasileira. A etapa atual consiste na avaliação da descoberta e na análise dos dados obtidos durante a perfuração do poço. Esse processo é necessário para determinar a extensão da acumulação encontrada, a qualidade do reservatório e a viabilidade econômica de uma futura produção comercial. Caso os estudos confirmem o potencial da área, novas fases de avaliação e desenvolvimento poderão ser realizadas antes de uma eventual produção de petróleo em escala comercial na costa amapaense. Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá ​
19/10/2026 07:00:00 +00:00
Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. Alvaro Alvarez/ BBC Aviso: Este artigo contém linguagem forte que pode ofender leitores Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor "sem fundamento científico". "O risco é muito real", afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas." 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia. Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear. Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar. Agora no g1 "Quase entramos em guerra com a China", afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado." O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas. No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores. Leia também: OpenAI encontra dispositivo de gravação escondido em escritório e funcionário é preso Protesto contra o Projeto Maven Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA. Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano. Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação. Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones. Ela compreendeu o que significava "encurtar a cadeia de ataque": reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências. "Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis", lembra ter dito publicamente. No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários. Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir. Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres Alvaro Alvarez/ BBC Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar. "Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017", afirma. A Palantir foi procurada pelo programa Global Women e declarou que "não há evidências de que o software da empresa tenha sido responsável por essa terrível tragédia". A empresa acrescentou que "a Palantir não é responsável pelos dados utilizados pelo sistema nem pela identificação de falhas nas informações de inteligência". No início deste ano, Louis Mosley, diretor da Palantir no Reino Unido e na Europa, disse à BBC que "sempre há uma pessoa envolvida no processo, portanto a decisão final é sempre tomada por um ser humano". As Forças Armadas dos EUA ainda não divulgaram os resultados da investigação sobre o ataque à escola em Minab, no Irã, mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os militares "jamais atacariam alvos civis". 'Tenho princípios' Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ter mais acesso às conversas em aplicativos de mensagens como o Signal e o WhatsApp. Uma das principais justificativas é a de proteger mulheres e crianças. Durante a semana de tecnologia London Tech Week 2026, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as empresas de tecnologia teriam de identificar e bloquear imagens de nudez nos dispositivos usados por crianças, sob pena de enfrentar novas leis. Whittaker argumenta que as crianças conseguiriam contornar qualquer medida desse tipo e classifica a proposta do governo como "um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações". O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido informou à BBC que está preparando propostas de mudanças na lei sobre o assunto. O Signal deixaria de operar em algum país, incluindo o Reino Unido, caso fosse obrigado a enfraquecer a criptografia de suas mensagens? "Sim! Meu Deus, eu tenho princípios", responde Whittaker. "Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores." Segundo Whittaker, se fosse necessário submeter à vigilância pessoas "que confiam em nós, às vezes em situações de vida ou morte, e que poderiam ter essas informações usadas contra elas", a empresa "deixaria de atuar naquele mercado". O aplicativo está total ou parcialmente bloqueado na Rússia, na China e no Irã. Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar Alvaro Alvarez/ BBC Rani Govender, responsável pela área de segurança infantil na internet da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), disse à BBC que a organização recebe relatos de crianças que foram aliciadas e levadas a usar plataformas com criptografia de ponta a ponta, nas quais são coagidas a produzir material de abuso sexual infantil. "As empresas de tecnologia são responsáveis pelas decisões que tomam ao desenvolver seus produtos e não podem ignorar os riscos que essas escolhas podem representar para as crianças." Mas o Signal conta com o apoio de algumas organizações de defesa dos direitos das mulheres, especialmente de países do Sul Global, cujas integrantes também utilizam o aplicativo. "Em tempos de vigilância estatal e ataques cibernéticos, o Signal é uma ferramenta de sobrevivência", afirma Hera Hussain, fundadora da Chayn, organização de combate à violência de gênero que atua em todo o sul da Ásia. "Como qualquer plataforma, ele também pode ser usado por pessoas mal intencionadas, e precisamos reconhecer essa realidade." Bill Gates alerta que IA pode causar 'um bilhão de mortes' 'O que vamos fazer com as cozinhas?' Cito a Whittaker um caso ocorrido no Canadá, em que policiais trocaram mensagens racistas e misóginas em um grupo do Signal. O conteúdo só veio a público depois que um dos participantes o repassou à imprensa. O advogado de um dos policiais afirmou que os homens acreditavam que suas conversas no Signal eram tão privadas e seguras quanto as que tinham dentro de casa. "Se eles tivessem conversado na cozinha e um dos amigos os tivesse dedurado, a pergunta seria: 'O que vamos fazer com as cozinhas?'", questiona Whittaker. "O aplicativo precisa funcionar para todos, caso contrário não funciona para ninguém. Esse é o princípio dos direitos fundamentais. Eles valem até para os idiotas." Ela menciona o caso de uma mulher nos EUA que foi presa depois que a Meta (dona de Instagram, WhatsApp e Facebook) entregou a autoridades mensagens que mostravam que ela havia ajudado a filha a ter acesso a um aborto em um Estado onde o procedimento havia sido criminalizado. Segundo Whittaker, a privacidade das comunicações protege as pessoas de diferentes ameaças, como "um marido abusivo, um policial misógino com acesso a um banco de dados ou um governo autoritário que acredita que as mulheres não devem estudar". Pergunto o que ela diria a uma mulher que deseja trabalhar na área de tecnologia, mas se sente intimidada pelo machismo no setor. "Você gosta mesmo disso?", questiona. "Quando se senta diante de um computador, sente aquela empolgação? Gosta de experimentar e desenvolver sistemas de inteligência artificial?" Ela faz uma pausa antes de continuar: "Você consegue lidar com ambientes interessantes, mas complicados, onde nem todo mundo vai ser simpático? Porque não há nada mais perigoso do que demonstrar covardia diante de alguém que pratica intimidação". Pergunto se esses ambientes estão cheios de pessoas assim. Uma colega de Whittaker intervém: "Acho que já são 14h", horário combinado para o fim da entrevista. Whittaker sorri. "Eu diria para não ser puxa-saco", afirma, usando uma expressão para se referir a quem bajula excessivamente pessoas em posição de autoridade. "Isso não vai ajudar em nada. Não ria de uma piada se você não a achar engraçada." Essa reportagem é parte do Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que compartilha histórias importantes e inéditas sobre mulheres ao redor do mundo. Leia também: Governo edita medida provisória para combater ligações abusivas de telemarketing Alemanha investiga suposto caso de assédio sexual cometido com robô controlado por jovens
19/10/2026 06:00:00 +00:00
Oliveiras destruídas e lavouras bloqueadas por tropas israelenses: a luta para produzir azeite em Gaza

O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, caminha por suas terras danificadas REUTERS/Mahmoud Issa Haidar Abu Middain, de 60 anos, levanta um galho ressecado de uma oliveira caída e o joga de lado, sobre o solo árido do que um dia foi um dos pomares mais prósperos da região central de Gaza. O pomar da família, dividido com irmãos e tios, ocupava 900 dunums — cerca de 90 hectares — repletos de oliveiras que, nesta época do ano, estariam carregadas de frutos maduros. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Toda a família participava da colheita de cerca de 1.500 toneladas de azeitonas, reunidas em cestos. Parte da produção era vendida in natura, e o restante era prensado, gerando azeite suficiente para encher até 900 tambores de 16 litros, recipiente em que o produto costuma ser comercializado. Hoje, quase metade do pomar encontra-se além da "linha amarela", vigiada por tropas israelenses que impedem os palestinos de acessar dois terços da Faixa de Gaza. A outra metade, embora ainda acessível, foi em grande parte destruída por tratores. Agora no g1 Apenas 20 ou 30 árvores continuam de pé. Abu Middain estima que elas produzirão apenas dois tambores de azeite, quantidade insuficiente até para atender às necessidades da própria família. "Antes da guerra, a colheita era uma bênção; era o suficiente para garantir o sustento de nossas famílias", disse ele à Reuters. "A produção daqui costumava ser suficiente para abastecer toda a região central, tanto com azeite quanto com azeitonas." LEIA TAMBÉM Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente Cultura e refúgio Antes da guerra, as azeitonas eram um dos principais símbolos da agricultura de Gaza. Delas se extraía azeite em quantidade suficiente para compor a base da dieta local, com um pequeno excedente exportado para Israel. Os pomares sombreados, que cercavam as cidades de concreto de Gaza, serviam de refúgio para as famílias em um dos territórios mais densamente povoados do mundo. Mas, um ano após o cessar-fogo que encerrou os principais combates, quase todos esses pomares foram arrasados por tratores. As autoridades agrícolas de Gaza estimam que, de um total de 2 milhões de oliveiras que existiam no território, restem apenas 150 mil. A previsão é de uma colheita de cerca de 5 mil toneladas de azeitonas, ante as 40 mil habituais, resultando na produção de apenas 700 toneladas de azeite, contra as 5 mil produzidas normalmente. Palestinos colhem azeitonas de uma árvore em uma propriedade agrícola em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza REUTERS/Mahmoud Issa Azeite mais caro Nesta época do ano, os mercados de Gaza costumavam ficar repletos de cestos de azeitonas e barris de azeite recém-extraído. Hoje, quase não há produto disponível. O pouco que chega ao mercado é vendido por cerca de três vezes o preço praticado antes da guerra, quase US$ 500 por barril. O valor está muito acima do que as famílias de Gaza podem pagar, relata Imad al-Ajrami, de 33 anos, cliente de um mercado em Deir al-Balah. As autoridades informam que apenas sete prensas de azeite continuam em operação, número muito inferior às cerca de 40 que existiam antes da guerra. Elas mal funcionam, diz Fawaz Zidan, que manteve sua prensa aberta em Deir al-Balah. "Comparado aos anos anteriores à guerra, é como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores, as azeitonas desapareceram", disse ele, enquanto moradores formavam fila com galões de plástico para coletar o azeite fresco que saía da prensa. Palestinos sentam-se em um lagar de azeitonas em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 5 de outubro de 2026. REUTERS/Mahmoud Issa Em Deir al-Balah, pequena área no centro de Gaza declarada pelas forças israelenses como "zona segura" e que não foi invadida durante o conflito, um dos poucos olivais remanescentes do território serve de refúgio para Khalil Mansi e sua família durante a colheita. Eles colhiam as azeitonas verdes. Os frutos caíam dos galhos e produziam um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos descalços subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos. Eles colhiam as azeitonas verdes; os frutos caíam dos galhos, produzindo um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos, descalços, subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos. Meninas, sentadas logo abaixo, separavam as azeitonas das folhas e gravetos. Mais tarde, a família sentou-se para um piquenique à sombra. Ahmed Khader, de 38 anos, saiu para trabalhar na colheita. Segundo ele, antigamente a temporada garantia emprego por dois ou três meses a trabalhadores como ele. Agora, sente-se grato por conseguir uma única diária. "Mas ainda precisamos garantir o sustento dos nossos filhos, colocar algo para eles comerem; queremos tentar ganhar o nosso pão de cada dia." Palestinos comem em uma plantação de oliveiras em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 20 de setembro de 2026. REUTERS/Mahmoud Issa LEIA TAMBÉM Morango cravejado: a sobremesa viral que encontrou um morango mais caro e escasso Quanto um porco come até chegar aos 120 kg para o abate? Veja a conta Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras
19/10/2026 06:00:00 +00:00
Bolsa Família 2026: pagamento de outubro, o primeiro com novos valores, começa nesta segunda

Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de outubro do Bolsa Família 2026 nesta segunda-feira (19). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. Este é o primeiro dia de pagamentos com os valores reajustados pelo governo. Anunciado em 17 de setembro, o aumento elevou o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e também ampliou os benefícios complementares. (leia mais abaixo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Neste mês, o governo federal antecipou parte dos pagamentos do Bolsa Família e concentrou os depósitos em três datas, sob a justificativa de reduzir os impactos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. O anúncio ocorreu seis dias antes do segundo turno das eleições. (veja abaixo) Agora no g1 Veja como ficou o calendário do Bolsa Família para outubro de 2026: 19/10: pagamentos para NIS com final 1; 20/10: pagamentos para NIS com final 2; 21/10: pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. O dinheiro costuma ser disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. Segundo o governo federal, a unificação adotada em outubro também será aplicada em novembro e dezembro, meses em que o Super El Niño pode intensificar seus efeitos no país. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? Com a mudança anunciada pelo governo, o Bolsa Família passou a prever o pagamento mínimo de R$ 691 por família. A medida também elevou de R$ 142 para R$ 164 o chamado Benefício de Renda de Cidadania. Esse é o valor pago por integrante da família pelo programa. O Bolsa Família funciona assim: 🔎 Se uma família elegível tiver três pessoas, por exemplo, a soma será de R$ 492 (3 × R$ 164). Como o valor fica abaixo do piso, a família receberá o complemento necessário para chegar a R$ 691. 🔎 Já uma família de cinco pessoas terá como base R$ 820 (5 × R$ 164). Além do piso, há benefícios complementares, que também foram reajustados: R$ 173 por criança de até 6 anos (eram R$ 150); R$ 58 por gestante (eram R$ 50); R$ 58 por criança ou adolescente de 7 a 17 anos (eram R$ 50); R$ 58 por bebê de até 6 meses (eram R$ 50). Na prática, portanto, o valor recebido por cada família varia conforme sua composição e pode aumentar com os benefícios adicionais para crianças, adolescentes e gestantes. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
19/10/2026 03:00:00 +00:00
Como está a economia da Argentina? Crescimento e queda da inflação contrastam com pobreza e desemprego

O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. Reuters A economia da Argentina virou tema do primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições brasileiras. Ao questionar candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política econômica adotada pelo argentino. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A discussão ocorreu depois de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontar o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e burocracia. Os indicadores, porém, revelam um quadro mais complexo: a economia argentina voltou a crescer e a inflação desacelerou, mas a pobreza e o desemprego aumentaram, enquanto o consumo interno e setores importantes para a geração de empregos enfrentam dificuldades. Agora no g1 Economia cresce nos dois primeiros trimestres de 2026 O Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 2% na mesma base de comparação, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os resultados positivos, porém, escondem uma perda de ritmo. Entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O consumo privado recuou 2,4%, o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos caíram 0,8%. Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo — indicador dos investimentos realizados na economia — teve queda de 11,1%. A composição do crescimento também ajuda a entender esse cenário. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira estiveram entre os principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%. No segundo trimestre, atividades ligadas às exportações voltaram a se destacar: a pesca cresceu 44,7%, a mineração e a extração em pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária teve alta de 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, enquanto as importações diminuíram 8,6%. Em sentido contrário, a indústria manufatureira recuou 2,1%. ➡️ Os números apontam para uma recuperação desigual. Enquanto atividades ligadas às exportações avançam, segmentos mais dependentes do mercado interno enfrentam dificuldades. Inflação cai, mas pobreza volta a subir Um dos principais resultados reivindicados pelo governo de Javier Milei é a desaceleração da inflação. O índice oficial de preços, que chegou a quase 290% no acumulado de 12 meses, caiu para cerca de 30% durante os primeiros dois anos de sua gestão. Em agosto de 2026, a inflação mensal desacelerou para 1,7%, o menor resultado desde junho de 2025. A estabilização dos preços foi acompanhada de um forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, retirada de subsídios e outras medidas de austeridade. A redução da inflação foi inicialmente acompanhada de uma queda da pobreza, que havia atingido 52,9% em 2024. Em 2026, porém, essa melhora perdeu força. A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre deste ano. O levantamento do Indec abrange 31 aglomerados urbanos e indica que 9,7 milhões de pessoas viviam na pobreza. Foi a primeira alta do indicador em dois anos. A extrema pobreza também aumentou. O número de pessoas nessa situação passou de 1,9 milhão, equivalente a 6,3% da população pesquisada, para 2,2 milhões, ou 7,5%. Pelo critério do Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína. Desemprego e informalidade pressionam trabalhadores O mercado de trabalho também mostra os limites da recuperação. A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025, segundo o Indec. A estimativa é que aproximadamente 1,8 milhão de argentinos estivessem desempregadas nos 31 aglomerados urbanos acompanhados pelo instituto. Além disso, quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem vínculo formal de emprego. O quadro combina, portanto, uma inflação muito menor do que a registrada no início do governo Milei com dificuldades para transformar a estabilização econômica em melhora contínua das condições de vida. Empresas e indústria enfrentam dificuldades A pressão sobre a atividade doméstica também aparece nos dados sobre empregadores com trabalhadores registrados. Segundo a Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), o número de empregadores com pelo menos um funcionário registrado no sistema de seguro contra acidentes caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. Foram 32.290 empregadores a menos, uma redução de 6,3%. A queda marcou o 18º mês consecutivo de retração. ➡️ O indicador, porém, exige cautela: deixar de aparecer no cadastro não significa necessariamente que uma empresa tenha fechado definitivamente. Um empregador também pode sair da base por ficar sem funcionários registrados, passar por uma reorganização ou sofrer alguma alteração cadastral. Ainda assim, entidades empresariais apontam que o consumo enfraquecido, os custos de energia e as condições de financiamento pressionam especialmente as pequenas e médias empresas. A maior abertura às importações acrescentou outra fonte de pressão sobre a produção local. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), as compras externas de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial argentina caiu 12%. Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também indicam que os custos elevados e o endividamento das famílias têm limitado o consumo e o desempenho das empresas locais.
19/10/2026 01:53:48 +00:00
Trump diz que não quer afastar Rússia de negociações e acusa Zelensky de prolongar guerra

Vladimir Putin, Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS, Reuters e Genya Savilov/AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que não quer adotar medidas que afastem a Rússia das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Em publicação na rede social Truth Social, ele voltou a justificar a suspensão de sanções e tarifas contra Moscou e criticou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a quem acusou de não querer acabar com o conflito. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Trump afirmou que sua decisão sobre as medidas contra a Rússia "é simples" porque seu governo está tentando negociar a paz. Segundo ele, assinar a legislação que prevê as sanções neste momento poderia prejudicar as conversas. "Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia e não quero fazer nada que, de maneira insensata, afaste a Rússia da mesa de negociações. Grandes avanços estão sendo feitos, e isso inclui as atuais negociações sobre reféns!" Agora no g1 O presidente também disse que poderá assinar o documento mais adiante, sem estabelecer uma data para uma eventual mudança de posição. A declaração ocorre depois de Trump suspender, na sexta-feira (16), a aplicação de sanções e tarifas previstas na chamada Lei Graham. As medidas deveriam entrar em vigor na semana seguinte e incluíam tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia. No sábado (17), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Trump pretende usar um período de até 60 dias para avaliar os efeitos econômicos das medidas. Segundo Rubio, a análise considera possíveis impactos tanto sobre a economia global quanto sobre a dos EUA. Trump publicou nas redes sociais uma justificativa para sua decisão sobre as sanções à Rússia. Reprodução/Truth Social Trump critica Zelensky e ataques a refinarias russas Na publicação deste domingo, Trump criticou os ataques ucranianos a refinarias de diesel na Rússia e afirmou que eles prejudicam o mercado internacional do combustível, com impactos sobre empresas e produtores americanos. O presidente, porém, não apresentou dados que permitam dimensionar os efeitos mencionados. "Zelensky está usando refinarias de diesel na Rússia como alvo, sabendo que esses ataques estão prejudicando seriamente os mercados mundiais de diesel, inclusive nos EUA. Agricultores, pecuaristas e empresas de todos os tipos estão sofrendo muito com isso, mas a Rússia, apesar disso, está enviando milhões de barris de diesel ao mundo a preços baixos." Trump também acusou Zelensky de não querer encerrar a guerra e afirmou que o presidente ucraniano poderia ter conseguido um acordo melhor anos atrás. Na mesma publicação, mencionou o apoio financeiro dado à Ucrânia por países europeus e pelo governo do ex-presidente americano Joe Biden. Zelensky, por sua vez, criticou a suspensão das sanções e alertou que a medida poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar o conflito. Suspensão de sanções e acordo sobre diesel A suspensão das sanções contra a Rússia ocorre em meio à preocupação do governo americano com os efeitos dos conflitos internacionais sobre o fornecimento de energia. No sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a guerra na Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio afetam o abastecimento global e defendeu um acordo para ampliar a oferta de diesel russo nos mercados internacionais. Segundo Trump, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas do combustível aos EUA, com novas remessas previstas a partir de novembro. O secretário de Energia americano, Chris Wright, afirmou neste domingo que o acordo busca incentivar o fim da guerra, e não oferecer apoio econômico à Rússia. Segundo ele, o aumento das exportações russas de diesel dependeria de uma redução do conflito com a Ucrânia.
18/10/2026 20:50:50 +00:00
Rubio diz que Trump terá até 60 dias para reavaliar suspensão de sanções à Rússia

Donald Trump e Vladimir Putin. Kevin Lamarque/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá até 60 dias para avaliar os impactos econômicos da suspensão de sanções e tarifas relacionadas à Rússia, afirmou neste sábado (17) o secretário de Estado americano, Marco Rubio. As medidas haviam sido suspensas na véspera, e Trump ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre o assunto. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “Acho que o presidente quer usar esse período de 60 dias para analisar o que a aplicação de sanções e tarifas significaria para a economia global e até mesmo para a economia dos EUA”, disse Rubio a jornalistas antes de embarcar para uma viagem ao Uzbequistão. Trump assinou na sexta-feira uma ordem executiva que suspendeu sanções e tarifas previstas na chamada Lei Graham. Ele havia sancionado a legislação no mês passado, após pressão de parlamentares que defendem medidas para pressionar Moscou por causa da guerra na Ucrânia. Agora no g1 As medidas incluem tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia. Elas deveriam entrar em vigor na próxima semana, mas a ordem executiva suspendeu sua aplicação sem especificar por quanto tempo a decisão permaneceria válida. Segundo Rubio, Trump optou por usar o período de 60 dias para avaliar os possíveis efeitos econômicos das medidas. “Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos resolver isso, e vocês ficarão sabendo”, disse Trump a jornalistas em seu clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. A suspensão foi criticada pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que alertou que a decisão poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar a guerra. LEIA MAIS Por que Trump suspendeu várias sanções contra a Rússia em meio a tensões com Ucrânia Zelensky pede R$ 400 bilhões à União Europeia em meio a tensões com Trump Papa fala ao telefone com Putin, oferece mediação na guerra e pede corredor humanitário Fornecimento de diesel Rubio também defendeu neste sábado um acordo separado entre os EUA e a Rússia para aumentar a oferta de diesel nos mercados globais. O objetivo é aliviar os preços dos combustíveis, que subiram em meio à guerra com o Irã e às interrupções no fornecimento de energia. “Esse diesel será vendido de uma forma ou de outra”, disse Rubio. “A única diferença é quanto dele os EUA conseguiriam obter.” Segundo Trump, pelo acordo, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas de diesel aos EUA, seguidas de remessas em novembro e nos meses seguintes. O acordo sobre o diesel é “um incentivo para tentar acabar com a guerra, não uma tábua de salvação econômica” para a Rússia, afirmou o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista ao programa This Week, da ABC, neste domingo. “Mas a única maneira de eles conseguirem exportar diesel adicional é reduzindo o conflito com a Ucrânia”, disse Wright, em entrevista, também neste domingo. “Se a Rússia conseguir colocar diesel adicional no mercado e exportá-lo, isso beneficiará os consumidores americanos”, disse ele. “Ele está exercendo pressão que beneficiaria os consumidores americanos e representaria um passo adiante para a paz na guerra entre Rússia e Ucrânia.” Rubio afirmou que o acordo sobre o diesel e a suspensão das sanções refletem a dificuldade de administrar os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que têm provocado interrupções no fornecimento global de energia. “Esses conflitos ao redor do mundo estão começando a se chocar uns com os outros”, disse.
18/10/2026 19:29:30 +00:00
Mega-Sena acumula e próximo concurso pode pagar até R$ 185 milhões; confira os números sorteados

Concurso 3071 da Mega-Sena: veja os números sorteados O sorteio do concurso 3.071 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (18), em São Paulo. Não houve ganhadores neste concurso, e próximo sorteio pode pagar até R$ 185 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 12 - 22 - 51 - 52 - 41 - 45. Sorteio da Mega-Sena. Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
18/10/2026 14:05:28 +00:00
Perdão de dívidas de MEIs pode aliviar contas, mas não resolve causas, dizem especialistas

Congresso aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas O perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho. A análise é de especialistas ouvidos pelo g1. Entre os principais fatores estão: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa. O projeto de lei complementar perdoa de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria e permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio. “Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma. Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais. O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando. Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo. A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal. Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento. Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade. No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la. No segundo, a abertura pode ocorrer sem planejamento, como uma alternativa imediata para gerar renda. “Enquanto no caso do empreendedorismo por oportunidade o empreendedor vê isso como o seu futuro, o por necessidade o vê como ‘bico’, até que alguma coisa melhor apareça, o que diminui o planejamento e a resiliência”, diz. Isso não significa que todo negócio aberto por necessidade esteja condenado ao fracasso. A diferença apontada pelo economista está nas condições em que a atividade começa e na preparação para administrar os recursos, organizar as despesas e enfrentar períodos de menor movimento. (veja abaixo) Para Leal, políticas de apoio ao empreendedorismo precisam ir além da renegociação. Ele defende a ampliação do acesso a linhas de crédito subsidiadas — financiamentos com condições favorecidas — e o uso dos serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar os microempreendedores. Como separar as contas pessoais das contas da empresa A primeira medida para organizar as finanças é tratar o dinheiro do negócio e o da família como recursos diferentes, mesmo quando o empreendedor é o único proprietário da empresa. “Eu começaria com uma regra simples: são dois bolsos diferentes, o do negócio e o da pessoa física. O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo dinheiro que entra na empresa em dinheiro disponível para a família”, afirma Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar. Isso significa que o faturamento — todo o dinheiro recebido pelas vendas ou pelos serviços prestados — não deve ser confundido com o lucro. Parte dos recursos precisa ser usada para pagar fornecedores, impostos, despesas da operação e compromissos que ainda vão vencer. Outra parcela pode precisar ficar reservada para a compra de mercadorias e a continuidade da atividade. Antes de transferir dinheiro da empresa para a conta pessoal, o empreendedor deve calcular quanto sobrou depois dos custos e das despesas e verificar quanto pode retirar sem comprometer o funcionamento do negócio. 🧾 Maciel ilustra a diferença com um exemplo hipotético: Se uma empresa recebe R$ 6,5 mil, tem R$ 4 mil em pagamentos e compromissos e precisa reservar outros R$ 1 mil para manter a operação no período seguinte, restam R$ 1,5 mil disponíveis. Mesmo que o lucro calculado seja de R$ 1,8 mil, retirar mais do que R$ 1,5 mil comprometeria o dinheiro necessário para a atividade. As receitas variam mês a mês, e agora? Quando as receitas variam de um mês para outro, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para estabelecer uma retirada pessoal que também seja viável nos períodos mais fracos. Nos meses de maior faturamento, parte do dinheiro pode ser guardada para compensar eventuais quedas posteriores. O controle deve ser feito em duas frentes: A empresa precisa registrar suas vendas, custos, impostos e compromissos; Já o orçamento doméstico deve considerar apenas o dinheiro efetivamente transferido para o empreendedor como renda pessoal. Se as despesas da família forem maiores do que o negócio consegue sustentar, a saída é rever o orçamento doméstico ou buscar outra fonte de renda, em vez de retirar recursos destinados ao pagamento de fornecedores e à manutenção da atividade. MEI grafico Quais são os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle? O endividamento nem sempre começa com contas atrasadas. Em alguns casos, o empreendedor continua pagando tudo em dia, mas passa a depender de crédito caro para cobrir as despesas do mês. Segundo Antonio Maciel, planejador financeiro, sinais de alerta incluem recorrer ao cheque especial, pagar apenas parte da fatura do cartão de crédito ou contratar um empréstimo para quitar outro. O problema também pode aparecer quando toda compra de estoque depende de financiamento. Por isso, acompanhar apenas o saldo bancário não é suficiente. O planejador recomenda observar quatro pontos: O resultado do negócio depois dos custos e das despesas; O dinheiro disponível para manter a operação; O total das dívidas e o peso das parcelas e dos juros; e O volume de recursos parado em mercadorias, além dos prazos para receber dos clientes e pagar fornecedores. Um negócio pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades se os preços não cobrirem os custos. Da mesma forma, pode apresentar lucro no papel, mas ficar sem dinheiro para pagar as contas porque os clientes demoram a pagar ou porque o empreendedor retira recursos em excesso. A origem do problema muda a solução. Se a atividade consegue cobrir seus custos, mas falta dinheiro depois das retiradas pessoais, pode haver um desequilíbrio no orçamento familiar. Se o caixa já fica negativo antes dessas transferências, é preciso investigar os preços, os custos, as vendas e os prazos de recebimento. Como negociar dívidas sem criar um problema maior Ao perceber que as contas estão saindo do controle, o empreendedor precisa identificar quais compromissos são essenciais para manter a empresa funcionando e quais podem ser renegociados. Maciel, planejador financeiro, recomenda avaliar tanto o custo das dívidas quanto as consequências de deixar de pagá-las. Obrigações legais, como tributos e salários, quando houver funcionários, merecem atenção, assim como compromissos cujo atraso possa provocar a perda de um equipamento essencial ou interromper o fornecimento necessário para as vendas. Na comparação entre empréstimos, um dos principais indicadores é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas da operação. Também é necessário comparar o valor total a pagar, o prazo e o tamanho das parcelas em relação ao dinheiro que o negócio efetivamente recebe. Uma prestação menor nem sempre representa um acordo mais barato. Em um exemplo hipotético apresentado pelo planejador, um acordo de 12 parcelas de R$ 320 totaliza R$ 3.840. Já outro, de 24 parcelas de R$ 230, soma R$ 5.520. A segunda opção tem prestações menores, mas custa mais no total. “A renegociação só vira recuperação quando muda a capacidade de pagamento e vem acompanhada de uma correção na gestão”, afirma Maciel. Segundo ele, é necessário identificar se a dificuldade surgiu de uma queda temporária nas vendas, de retiradas pessoais excessivas, de mercadorias paradas, de preços inadequados ou de custos que o negócio não consegue sustentar. Imprevistos e perda de renda também podem provocar endividamento. O planejador alerta ainda para o risco de usar o cheque especial e o crédito rotativo do cartão — modalidade em que o consumidor não paga integralmente a fatura — como fontes permanentes de financiamento. Um empréstimo planejado para uma necessidade produtiva é diferente de contratar crédito todos os meses para cobrir prejuízos. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae
18/10/2026 08:00:01 +00:00
O que aconteceu com o experimento de Bukele para transformar El Salvador no 'país do bitcoin'

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, prometeu que a adoção do bitcoin traria 'prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira' a El Salvador AFP via Getty Images "Em El Salvador, estamos começando a criar um país para o futuro, preservando o que nos torna únicos e buscando inspiração nas melhores ideias que já surgiram no mundo ao longo da história. E acredito que o bitcoin possa ser uma delas." Foi o que disse o presidente Nayib Bukele em uma mensagem gravada e exibida durante a conferência Bitcoin 2021, realizada em março daquele ano, em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, diante de um público entusiasmado com a criptomoeda Bitcoin. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na ocasião, Bukele anunciou que enviaria à Assembleia Legislativa um projeto de lei para fazer de El Salvador o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin. O anúncio foi recebido com uma salva de palmas pelo público, que via um antigo ideal prestes a se concretizar — e em setembro daquele ano, o país adotou o Bitcoin como moeda de curso legal no país (ao lado do dólar americano). Agora no g1 Cinco anos depois, o dólar voltou a ser a única moeda oficial de El Salvador, a aceitação do bitcoin passou a ser facultativa e a promessa de construir uma cidade futurista, abastecida pela energia geotérmica de um vulcão e dedicada à mineração da criptomoeda, nunca saiu do papel. Afinal, o que restou do "país do bitcoin", como Bukele batizou El Salvador? O que foi cumprido do que se prometeu? E quem se beneficiou? Bitcoin e promessas O que restou do projeto de transformar El Salvador no "país do bitcoin" cinco anos depois? Getty Images via BBC O bitcoin é basicamente um arquivo digital que existe online e funciona como uma moeda alternativa. Nisso, ele se diferencia muito de moedas convencionais, como o dólar americano. Ele não é impresso por governos ou bancos tradicionais, mas criado por um processo computacional complexo conhecido como "mining" (mineração). 🔍 Todas as moedas e todas as transações feitas com elas ficam registradas na rede de internet – em um espaço conhecido como "blockchain", uma espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações. Dessa forma, as transações não podem ser rastreadas. E o bitcoin não tem um "valor inerente": seu preço é determinado pelo quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ela. A iniciativa de adotar o bitcoin em El Salvador começou em junho de 2021, quando a Assembleia Legislativa, controlada pelo partido do presidente, Novas Ideias, aprovou a lei que tornou a criptomoeda uma moeda oficial do país, ao lado do dólar — que já era a moeda oficial do país havia duas décadas. A promessa era de que a medida traria "prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira". O governo afirmava que o bitcoin reduziria os custos do envio de dinheiro por salvadorenhos que vivem no exterior, uma fonte de recursos que representa quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Em 2025, chegaram a 26,3% do PIB, segundo dados do Banco Central de Reserva de El Salvador. A adoção da criptomoeda também facilitaria o acesso de trabalhadores informais sem conta bancária ao sistema financeiro e atrairia investimentos estrangeiros. Para viabilizar a iniciativa, o governo criou um fundo de US$ 150 milhões (R$ 748 milhões) e ofereceu US$ 30 (R$ 150) a cada cidadão que instalasse a carteira digital Chivo no celular. Também destinou outros US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos e aos demais custos necessários para colocar o sistema em funcionamento. O governo de El Salvador destinou US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos para bitcoin e a outros custos de implementação do projeto AFP via Getty Images Nove meses depois, uma das primeiras pesquisas sobre a medida já mostrava o ceticismo dos salvadorenhos em relação ao bitcoin. Entre os entrevistados pelo Instituto Universitário de Opinião Pública (Iudop), da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), 71% afirmaram que a adoção da criptomoeda não havia trazido "nenhum benefício para a economia familiar". O resultado reforçava as conclusões do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), uma organização americana privada sem fins lucrativos. Em um relatório publicado em abril de 2022, a entidade constatou que a maioria das pessoas que instalaram a carteira digital Chivo deixou de usá-la depois de gastar o "bônus" oferecido pelo governo. Bukele, por sua vez, continuou comprando bitcoin com dinheiro público, apesar dos alertas de especialistas sobre os riscos para as finanças do país. A preocupação era com a forte oscilação do preço da criptomoeda, que perdeu mais de 60% de seu valor em 2022. "Às vezes, faço isso até quando estou no banheiro", escreveu Bukele em resposta às críticas na rede social então chamada Twitter (atual X). Em janeiro de 2023, a Assembleia Legislativa deu mais um passo no plano de Bukele ao aprovar a inédita e controversa Lei de Emissão de Ativos Digitais, destinada a atrair investimentos estrangeiros. Para convencer grandes investidores a apostar no projeto de adoção do bitcoin em El Salvador e conceder empréstimos de alto risco ao país, o governo anunciou no Twitter que a nova legislação abria caminho para a emissão dos chamados "títulos vulcão", que, segundo as autoridades, começariam a ser oferecidos em breve. Era, talvez, a etapa mais ambiciosa do projeto. A proposta previa que El Salvador contraísse dívidas em bitcoin por meio da emissão de títulos no mercado internacional, como fazem os governos para captar recursos, mas, nesse caso, com lastro na criptomoeda. Metade do dinheiro arrecadado seria usada para comprar mais bitcoin. A outra metade financiaria o início da construção da Bitcoin City (Cidade do Bitcoin, em tradução livre), uma cidade planejada aos pés do vulcão Conchagua, em El Salvador. Imagem da maquete da 'Bitcoin City' divulgada por Bukele na rede social X Nayib Bukele via Twitter Para completar o projeto, a cidade futurista usaria a energia geotérmica do vulcão para abastecer os potentes sistemas de computadores responsáveis pela criação de novos bitcoins, processo conhecido como mineração. "O plano é simples: enquanto o mundo mergulha na tirania, vamos criar um refúgio de liberdade", afirmou Bukele, em um discurso semelhante ao dos defensores mais fervorosos das criptomoedas. Esse movimento tem forte presença nos EUA, onde o mercado de criptomoedas ganhou contornos ideológicos, impulsionado por republicanos radicais e anarcocapitalistas. Esses grupos defendem o bitcoin como uma forma de reduzir o poder dos bancos centrais e a intervenção do Estado na economia. Também alimentam a expectativa de que qualquer pessoa possa enriquecer caso o preço da criptomoeda atinja valores exorbitantes. Mas, afinal, o que saiu do papel entre as tantas promessas feitas para transformar El Salvador no "país do bitcoin"? Baixa adesão "Se considerarmos os motivos apresentados por Bukele para adotar o bitcoin, não há dúvida de que o projeto fracassou", afirmou o economista Carlos Acevedo, ex-presidente do Banco Central de Reserva de El Salvador, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "É evidente que o governo esperava que, a esta altura, toda a população estivesse usando bitcoin. A aprovação da lei, a criação do fundo fiduciário, toda a estrutura foi pensada para isso, embora pesquisas anteriores já mostrassem que a população desconfiava muito dessa experiência", explicou Acevedo. "E, nesse sentido, de fato, não deu certo." Em 2022, quando o entusiasmo com a iniciativa estava no auge, uma pesquisa da CID-Gallup constatou que apenas 1 em cada 5 empresas aceitava bitcoin e que somente 5% dos pagamentos de impostos eram feitos com a criptomoeda. Dois anos depois, em 2024, a BBC News Mundo constatou, durante uma visita ao país, que o uso do bitcoin era raro e se concentrava principalmente na região conhecida como Bitcoin Beach (Praia do Bitcoin, em tradução livre), nos arredores da praia de El Zonte. O bitcoin "não teve a adesão que esperávamos", admitiu o próprio Bukele em entrevista à revista Time, publicada em agosto daquele ano. Uma pesquisa divulgada em janeiro de 2025 pelo Iudop confirmou a baixa adesão: 91,8% dos salvadorenhos disseram não ter usado a criptomoeda no ano anterior. Desse grupo, 76,2% afirmaram nunca ter utilizado bitcoin. Embora El Salvador tenha registrado um avanço importante no acesso a serviços bancários no ano passado, apenas quatro em cada dez salvadorenhos com mais de 15 anos têm conta bancária, segundo a pesquisa Global Findex 2025, do Banco Mundial. Remessas e títulos de dívida A adoção do bitcoin também teve pouco impacto sobre as remessas enviadas por salvadorenhos que vivem no exterior. Segundo os dados oficiais mais recentes do Banco Central de Reserva de El Salvador, o valor enviado por meio de carteiras digitais de criptomoedas entre janeiro e abril de 2026 cresceu 44,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 23,1 milhões. Ainda assim, representou apenas 0,7% dos US$ 3,286 bilhões enviados ao país nesse período. A maior parte do dinheiro enviado por salvadorenhos que vivem no exterior, essencial para o sustento de milhares de famílias no país, continua chegando pelos meios tradicionais. "O problema é que a proposta partiu de um diagnóstico equivocado", afirmou Frank Muci, pesquisador da Escola de Políticas Públicas da London School of Economics and Political Science (LSE, no Reino Unido), em entrevista à BBC News Mundo. "O que torna as remessas caras, com taxas elevadas, é, em parte, o fato de que o dinheiro é enviado em espécie nos EUA e os destinatários também querem recebê-lo em espécie", explicou o especialista, que já escreveu diversos trabalhos sobre a adoção do bitcoin em El Salvador. Uma pesquisa da CID-Gallup já havia constatado, em 2022, que apenas uma em cada cinco empresas aceitava bitcoin NurPhoto via Getty Images Muci define o projeto como um grande nothing burger, expressão em inglês usada para descrever algo sem importância ou impacto significativo. Sobre a suposta contribuição do bitcoin para atrair turistas ao país, como afirmam os defensores da criptomoeda, Muci considera que o efeito não é "significativo do ponto de vista macroeconômico". "Se você me perguntar o que Bukele fez que realmente está transformando o turismo, eu diria que foi a política de segurança", afirma Muci. Com sua "guerra contra as gangues", o governo Bukele conseguiu reduzir drasticamente a taxa de homicídios, ao mesmo tempo que transformou El Salvador em um dos países com as maiores taxas de encarceramento do mundo. A queda acentuada da violência contribuiu para a reeleição de Bukele, em fevereiro de 2024, com uma vitória esmagadora: o presidente recebeu cerca de 90% dos votos. Ao contrário da política de segurança, a adoção do bitcoin foi "uma medida que rendeu centenas de manchetes, se não milhares, mas que, no fundo, não teve resultado algum", prossegue Muci. "Além de gerar gastos com sua implementação e assustar os mercados, que durante algum tempo penalizaram duramente El Salvador." "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo", afirma o economista Carlos Acevedo Bloomberg via Getty Images "Pelo menos é importante destacar que não houve perda de dinheiro", ressalta Acevedo, do Banco Central de Reserva, referindo-se aos bitcoins comprados pelo governo nos últimos anos. "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo." Até a última quinta-feira (8/10), El Salvador acumulava 7.798,37 bitcoins, avaliados em US$ 636 milhões (R$ 3,17 bilhões), valor que oscila conforme a cotação da criptomoeda, segundo o Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga as transações em tempo real em seu site. Mas os chamados "títulos vulcão" ainda não foram emitidos, e a construção da Bitcoin City também não avançou. Samson Mow, diretor-executivo da JAN3, empresa de infraestrutura para bitcoin que ajudou a idealizar os "títulos vulcão", lamenta que os planos não tenham saído do papel. "O lado positivo é que o governo manteve a legislação sobre ativos digitais. Com isso, criamos um setor regulamentado, próspero e sólido, que está crescendo muito rapidamente", afirmou Mow à BBC News Mundo. Embora reconheça que não conversa com Bukele há muito tempo, Mow acredita que o presidente "ainda confia no bitcoin". "Mas ele precisa conciliar essa convicção com as exigências de governar um país e com as pressões e condições impostas por uma instituição como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para liberar uma grande quantidade de recursos para El Salvador", ressalta. A pressão do FMI Em meio às dificuldades econômicas enfrentadas por El Salvador, o governo fechou, em dezembro de 2024, um acordo de financiamento de US$ 1,4 bilhão (R$ 6,98 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob a condição de "reduzir os riscos associados ao bitcoin". No mês seguinte, sem grande divulgação por parte do governo, a Assembleia Legislativa aprovou mudanças na Lei do Bitcoin. Com a alteração de seis artigos e a revogação de outros três, a criptomoeda deixou de ter curso legal. Seu uso ficou restrito a transações entre cidadãos e empresas privadas, e a aceitação, antes obrigatória, passou a ser voluntária. Em setembro, o governo deu mais um passo para abandonar o plano original de transformar El Salvador no "país do bitcoin". Durante a terceira avaliação do cumprimento das condições do empréstimo, cujo pagamento seria feito em parcelas, o governo transferiu "a participação majoritária e o controle" da carteira digital estatal Chivo para uma "empresa privada". "A única coisa transferida foram as ações da Chivo, algo que já havia sido oferecido um ano e meio atrás, e não a reserva estratégica de bitcoin", escreveu Bukele na rede social X, depois que vários veículos de comunicação noticiaram a transferência. "Aproveitem para ler como El Salvador conseguiu um superávit fiscal primário e superou todas as expectativas de crescimento econômico graças à segurança e à confiança dos investidores, além de ter alcançado uma redução significativa da pobreza, favorecida por melhorias na eficiência dos serviços públicos", acrescentou. Somente na última quinta-feira foi divulgado que a empresa responsável pela operação é a Linguard Labs. Ainda não se sabe, porém, qual participação foi adquirida nem o valor da transação. O Estado salvadorenho continuará como acionista e sócio da empresa. A parceria "público-privada" prevê o relançamento da carteira digital com novos serviços, entre eles transferências gratuitas de dinheiro dos EUA para determinados usuários, acesso a microcrédito, adiantamentos em dinheiro e pagamentos com diferentes ativos digitais. O controle acionário da carteira digital Chivo passou para uma empresa privada, mas o governo de El Salvador continua como acionista e sócio Bloomberg via Getty Images O FMI também mencionou as compras de bitcoin feitas pelo governo salvadorenho no relatório em que autorizou a liberação de mais US$ 138 milhões (R$ 688 milhões) ao país. O governo continuou comprando a criptomoeda mesmo depois de assinar o acordo de financiamento, embora a suspensão dessas aquisições fosse uma das condições expressas do empréstimo. As operações constavam no site oficial do Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga dados sobre as compras, as vendas e as reservas da criptomoeda. Em comunicado, no entanto, o FMI afirmou que os bitcoins mais recentes haviam sido adquiridos por meio de "doações privadas, sem uso de recursos públicos", e que o governo salvadorenho havia se comprometido a não fazer novos investimentos. "Não está prevista a aquisição de mais bitcoins além daqueles provenientes das doações documentadas", concluiu o FMI. Mas quem fez essas doações? E qual foi o valor doado? Essas perguntas se somam às dúvidas que cercam o projeto desde o início. Até hoje, não está claro de onde vêm os recursos nem quem fiscaliza sua utilização. A BBC News Mundo enviou essas perguntas à Presidência de El Salvador, mas não obteve resposta. Também procurou o FMI, que informou não ter nada a acrescentar ao comunicado. O que restou da experiência? Embora reconheçam que o acordo com o FMI pôs fim às partes mais ambiciosas do projeto, tanto defensores quanto alguns críticos destacam sua importância simbólica. "Foi importante para a ideia do 'país do bitcoin', de um mundo em que o bitcoin teria substituído o dinheiro tradicional emitido pelos governos", afirma Muci, da LSE. Antes de 2021, a possibilidade de um governo adotar o bitcoin não passava de uma hipótese. El Salvador, sob o comando de Bukele, transformou essa ideia em realidade, ainda que apenas por algum tempo, destaca Mow, da JAN3. "Para o bitcoin, serviu para validar a ideia. Já El Salvador ganhou visibilidade mundial", acrescenta. Mow admite que esperava que outros países seguissem rapidamente o exemplo salvadorenho, mas afirma que a experiência mostrou que isso é "mais difícil do que parece". "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow, ao comentar as lições deixadas por El Salvador. "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow AFP via Getty Images "É preciso combinar medidas do governo que criem condições para o livre funcionamento dos mercados e eliminem as barreiras que dificultam a adoção dessa tecnologia com outras iniciativas voltadas à educação", avalia. "De qualquer forma, não acredito que o bitcoin precise de uma lei que obrigue as pessoas a usá-lo. Estou convencido de que é a melhor forma de dinheiro que a humanidade já conheceu e de que sua adoção acontecerá naturalmente", conclui Mow.
18/10/2026 08:00:00 +00:00
A eleição do churrasco: por que candidatos nos EUA estão disputando quem gosta mais de carne?

Imagem de carne bovina nos EUA J. Scott Applewhite/AP Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne está no cardápio. Democratas e republicanos discutem os preços altos e a guerra com o Irã, mas também disputam quem gosta mais de carne. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O exemplo mais recente veio nesta semana, no Mississippi, em que o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, Scott Colom, divulgou um vídeo com um trecho da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante do cargo, dizendo que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, "há muitas outras opções de proteína para escolher". O vídeo então corta para um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira, que diz: "Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador." Congressistas dos EUA acusam Trump de tentar influenciar nas eleições brasileiras A disputa no Mississippi é um tanto incomum porque é o democrata quem está atacando a republicana por causa da carne bovina. Em outras partes do país, os republicanos têm retratado os democratas como veganos ou contrários ao consumo de carne, tentando mostrar que eles estão culturalmente desconectados dos eleitores, são hostis às indústrias pecuárias locais ou simplesmente não são masculinos o suficiente. No Texas, republicanos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado dos EUA, comemorava o fato de sua campanha eleitoral ter deixado de comprar carne e passado a adquirir apenas produtos veganos de estabelecimentos locais. Desde então, Talarico tem aparecido publicamente comendo churrasco para rebater as acusações de que suas escolhas alimentares significam que ele não é um texano de verdade. LEIA TAMBÉM: Agrotóxicos, água e câncer: por que a saúde virou tema das eleições em potência agrícola dos EUA Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O candidato democrata ao Senado James Talarico discursa durante um comício em 13 de julho de 2026, em Eagle Pass, no Texas, Estados Unidos. (Foto: AP/Brenda Bazán, Arquivo) O candidato acusado de ser anti-carne No Colorado, os republicanos têm atacado o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel por seu ativismo contra a produção de carne e a pecuária industrial. Na faculdade, ele foi fotografado sem camisa usando no peito uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA). Em 2021, Rutinel fundou a Climate Refarm, organização que defendia a redução do consumo de carne. Ele também assinou cartas defendendo o aumento de impostos sobre carne e laticínios. Além disso, apoiou uma proposta submetida a votação em 2024 para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, que acabou fracassando. Rutinel, de 31 anos, agora disputa uma vaga contra Gabe Evans, o republicano que representa o 8º distrito congressional do Colorado. A vasta região no nordeste do estado é pontilhada por ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento de carne, incluindo a sede da gigante da carne bovina JBS Swift. Os republicanos têm explorado intensamente o histórico de defesa do veganismo de Rutinel, a ponto de o grupo conservador de mídia Daily Wire divulgar nesta semana um vídeo gravado de forma oculta em que um integrante da campanha afirma que ele come carne "o mínimo possível". Rutinel tem feito questão de aparecer em público comendo tacos de carne durante a campanha e conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica. "Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato", disse ele em entrevista após uma recente parada de campanha. "Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles." Evans afirma que a questão vai além das preferências alimentares do adversário. "Não me importo com o que ele come pessoalmente", disse Evans em entrevista. "Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma."
18/10/2026 07:00:01 +00:00
'Óculos pervertidos': versão sem câmera poderá salvar o produto da Meta?

Óculos inteligentes da Meta Bloomberg via Getty Images via BBC Quando a Meta lançou seus óculos inteligentes alimentados por IA em 2023, em colaboração com a marca de óculos de sol Ray-Ban, surgiu uma enxurrada de controvérsias. Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para assediar mulheres e, principalmente, meninas. Elas foram filmadas sem consentimento e as imagens foram posteriormente compartilhadas na internet. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A recente contratação pela Meta de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, como principal modelo da empresa, aparentemente não resolveu o problema de imagem. Os dispositivos foram apelidados de óculos "pervertidos" ou "sinistros". No Reino Unido, os pubs JD Wetherspoon, alguns teatros importantes, a Comic-Con, certas escolas e a base da Marinha britânica Faslane, que abriga os submarinos nucleares do país, decidiram pela sua proibição. Agora no g1 Na quinta-feira (24/9), a Meta apresentou uma nova versão dos óculos inteligentes sem câmera, chamada Ray-Ban Meta Audio. Eles terão as mesmas funções de áudio dos óculos originais (incluindo a capacidade de fazer ligações telefônicas ou reproduzir música, com o som dirigido diretamente para o seu ouvido), mas com menos consequências para a privacidade das pessoas. Para alguns profissionais do setor, parece uma mudança interessante e, talvez, uma reação às críticas relativas à privacidade. A Meta nega que os novos óculos tenham sido lançados às pressas, em resposta ao furor do público. A gigante da tecnologia afirma que o produto estava em desenvolvimento há dois anos. A versão apenas com áudio é mais barata que seus primos dotados de câmeras e a empresa declarou que sua armação é mais leve e tem mais tempo de bateria. Contei ao chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, que eu imaginava que este modelo poderia superar as vendas dos óculos originais com câmera. Ao ouvir isso, ele fez uma pausa significativa. "Temos, eu acho, algo para todos", declarou ele, escolhendo suas palavras com muito cuidado. Mas será que o lançamento de uma opção sem câmera representa uma mudança da forma em que as companhias de tecnologia observam o futuro dos óculos inteligentes? E a versão original da Meta será mantida? Ou devemos observar os óculos sem câmera como um subproduto de nicho, que atende a um mercado pequeno, similar ao que fazem alguns fabricantes de celulares, que passaram a lançar telefones em forma de "tijolo", sem internet, para as pessoas cansadas de redes sociais? Música, mapas e lavagem de carros Sem dúvida, os óculos inteligentes se tornaram motivo de controvérsias. Recebi emprestado um par de Meta Ray-Ban (com câmera), para testar. Inicialmente, fiquei nervosa para usá-los em público, pela possibilidade de assédio físico. Soube de pessoas que arrancaram os óculos da cabeça dos usuários e os esmagaram na rua. Na verdade, eu os usei no transporte público e andando a pé em diversas cidades britânicas, como Londres, Glasgow e Portsmouth. Ninguém demonstrou reação. A experiência me fez imaginar se o conhecimento do público sobre eles realmente é tão grande quanto acreditam a Meta e os ativistas contrários aos óculos. Dito isso, algumas pessoas me disseram discretamente que não teriam confiança de abordar alguém usando esses óculos, mesmo se os identificassem, por medo de que a interação fosse filmada e carregada na internet. Os óculos são projetados para funcionar como uma extensão do seu telefone celular. Eles usam Bluetooth para se sincronizar com o aparelho, por meio do aplicativo de IA da Meta. Os dispositivos são ativados por voz e alto-falantes abertos nas hastes canalizam o som para os seus ouvidos. O resultado é parecido com os fones de ouvido sem cancelamento de ruído, de forma que você ainda consegue ouvir o mundo à sua volta. Minha opinião, que pode ser objeto de cancelamento, é que encontrei utilidade para várias das funções dos óculos. E o interessante é que nenhuma delas incluía a câmera. Ouvir música e podcasts no transporte, sem precisar de fones tampando meus ouvidos, me pareceu mais seguro. E senti mais confiança ao evitar os ladrões de celulares que andam de bicicleta pelo centro de Londres, sem ter meu telefone fisicamente nas mãos. Meu lamentável senso de direção me obriga a usar muito os aplicativos de mapas. E acabou sendo prático ouvir as instruções nos meus ouvidos. Mas a desvantagem foi precisar aceitar que o aplicativo Meta AI soubesse exatamente onde eu estava a todo tempo. A Meta é conhecida pela sua sede de dados pessoais. Quando postei sobre o uso do Meta Ray-Ban nas redes sociais, enfrentei momentos difíceis. Mas as reações foram diferentes quando os mostrei às pessoas que fazem parte do meu dia a dia. Minha cabeleireira, por exemplo, adorou a ideia de usá-los para registrar as transformações dos cabelos das suas clientes. Conversei com um fisiculturista na academia, que imaginou seu uso para gravar o que ele estivesse fazendo, seja em caso de acidentes ou até para ensinar novas técnicas às outras pessoas. Meu amigo corredor disse que gostaria de usar os óculos em uma corrida. E muitos criadores de conteúdo são fãs do dispositivo. Meu filho os pegou emprestados para lavar meu carro e me mostrou, orgulhoso, sua filmagem de como ele retirou delicadamente um pedaço de cocô de passarinho que resistia a sair do carro, sem danificar a pintura. Fiquei satisfeita, acreditando alegremente na palavra dele. Falando de forma mais ampla, os óculos inteligentes foram bem recebidos pela comunidade dos deficientes visuais. Um usuário os descreveu para a BBC como "revolucionários", pois eles podem fornecer descrições em áudio dos locais atuais e ler em voz alta textos visíveis, como as opções de cardápio de um restaurante. Em agosto, a Meta doou 15 mil pares para uma organização beneficente para deficientes visuais da Irlanda. Pedidos de regulamentação Ainda assim, o furor em relação à privacidade aumentou. Os óculos têm um LED branco que começa a piscar quando a câmera está ligada, o que levou ao surgimento de uma verdadeira indústria, em busca de soluções técnicas para desligar aquela luz. Algumas delas exigem que os óculos sejam desmontados. A Meta afirma que menos de 0,1% das armações vendidas em todo o mundo foram fisicamente manipuladas. Os números exatos de vendas são desconhecidos, mas a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, informou ter vendido sete milhões de unidades no ano passado. A empresária de tecnologia Liz Hunter criou uma petição convocando novas e urgentes regulamentações para os óculos inteligentes. Ela é mãe e está furiosa. "Eles nunca, nunca deveriam ter deixado o laboratório com a Meta", declarou Hunter. "É uma verdadeira paródia de confiança pública, de igualdade das mulheres, e reverteu nosso direito à privacidade bem diante dos nossos olhos." Hunter acredita que os óculos inteligentes devem permanecer disponíveis para pessoas com deficiências visuais, mas não para a população em geral. "Não precisamos deles, nem os queremos", afirma ela. Um desenvolvedor polonês lançou um aplicativo chamado ZuckOff. Ele usa Bluetooth para identificar óculos inteligentes nas proximidades e já foi instalado milhares de vezes, segundo a revista Wired. Ben Wood, da empresa de pesquisa em tecnologia CCS Insight, se lembra de ter lido pela primeira vez a expressão "óculos pervertidos" no jornal Financial Times, que é normalmente moralista. Para ele, este é um sinal de que o dispositivo gerou "forte reação contrária do público". Mas o furor não deteve outras empresas de observar o mercado. A Samsung estaria trabalhando para estabelecer colaboração com a conceituada marca de óculos Warby Parker. A Google também estaria desenvolvendo um modelo de óculos inteligentes. A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, lançou recentemente o modelo Specs, vendido no varejo americano por US$ 2.195 (cerca de R$ 11,4 mil). Os usuários podem ver dados dentro do vidro e estalar os dedos para tirar uma foto. O fundador da Snap, Evan Spiegel, acredita que os óculos inteligentes, um dia, irão substituir os telefones celulares. E ele não é o único a pensar assim. Retrocesso ou distanciamento? Quando a Meta lançou os óculos inteligentes, em 2021, eles eram projetados, em parte, com base no que o usuário poderia ver. A empresa prometeu que permitiria aos usuários "gravar facilmente o mundo como eles o vissem" e "capturar momentos da vida em tempo real, de um ponto de vista único em primeira pessoa". Por isso, o último lançamento da Meta (os óculos sem câmera) é tão notável. Preocupado com os óculos inteligentes, o pesquisador Janusz Swierczynski, da Escola de Negócios Saïd da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que o lançamento de uma versão sem câmera é um "sinal positivo" de que a Meta parece ter ouvido os receios relativos à privacidade. "Eles estão pensando nisso e estão respondendo", afirma Swierczynski. Mas ele não acha que esta seja uma resposta "perfeita", já que os óculos com câmeras permanecem no mercado. Outros não têm tanta certeza de que a medida represente uma mudança real. "Certamente, não é o fim das câmeras em óculos", segundo Wood, da CCS Insight. Ele acredita que os óculos inteligentes, em grande parte, servem para capturar informações. Os óculos coletam o máximo de dados que podem do seu ambiente e usam a IA para contar ao usuário sobre eles. E os óculos dotados de câmera (treinados com base no que você puder ver) são uma fonte "extremamente boa" dessas informações. "É um valioso fluxo de dados para uma plataforma de IA, que pode interpretar aqueles dados e fornecer as melhores informações possíveis relacionadas a eles", explica Wood. "Por isso, ter suas partes visuais com as câmeras é um pilar fundamental para obter a melhor experiência." Wood imagina que a Meta venha trabalhando nos óculos sem câmeras há vários anos e que as atuais reações negativas em relação à privacidade forneceram um "momento fantástico" para o seu lançamento. De fato, até o momento, a Meta não mostrou nenhum sinal de desacelerar o desenvolvimento de óculos com câmeras. A empresa irá lançar sua terceira geração dos óculos no Reino Unido em outubro. Eles podem exibir dados visualmente dentro das lentes. Aliás, como jornalista que faz transmissões ao vivo e já tendo falado abertamente sobre nevoeiro mental, consigo entender a atração exercida por um par de óculos que pode exibir discretamente um roteiro para o usuário. A analista de tecnologia Kate Winick, da empresa de pesquisa Forrester, afirma que não se trata de um retrocesso em relação aos óculos com câmeras, mas sim um "distanciamento, oferecendo aos usuários tempo para se acostumarem com a tecnologia... para que os próprios usuários comecem a dizer: 'Oh, seria muito mais útil se tivesse uma câmera.'" E ela comenta, paradoxalmente, que a existência de óculos sem câmera pode ajudar a "reduzir a pressão" sobre as pessoas que usam óculos com câmera em público. "Agora se sabe que alguns óculos no mercado têm câmeras e outros, não", explica ela. Por isso, "você não pode esbravejar automaticamente com todos os usuários de óculos da Meta, pois talvez você não saiba se eles têm ou não câmera." Rumo a uma norma social Outras empresas tentam responder aos receios sobre a privacidade de diferentes formas, sem eliminar a câmera. A companhia taiwanesa HTC lançou recentemente os óculos Vive Eagle, que custam menos de 25% do valor cobrado pela Snap. O vice-presidente da HTC Vive, Thomas Dexmier, afirma que, se qualquer pessoa próxima a um usuário de óculos Eagle disser "pare de filmar", ou "pare de gravar", e um dos quatro microfones captar a expressão, a câmera será desativada. Ele destaca que todas as gravações capturadas pelos óculos são criptografadas e nem a própria empresa pode observá-las. Mas isso também significa que a HTC não pode identificar conteúdo nocivo. "Reconhecemos que existem dificuldades que podem se tornar problemas reais, especialmente para as mulheres", segundo ele. Dexmier afirma que a HTC Vive está trabalhando para dificultar o emprego indevido da tecnologia, mas é "cedo demais para comentar" se a empresa consideraria uma versão sem câmeras. Em última análise, Wood acredita que os óculos com câmeras "não irão desaparecer". Ele conta que o momento atual o faz relembrar os anos 2000, quando algumas pessoas diziam que os fabricantes de telefones celulares não poderiam instalar câmeras nos seus aparelhos, devido a preocupações similares com a privacidade das pessoas. Para Wood, "isso é inevitável". "Precisaremos encontrar uma norma social, um enquadramento para o uso desses produtos."Zoe Kleinman
18/10/2026 07:00:01 +00:00
Elon Musk pode desligar a internet de uma guerra? Entenda o poder da Starlink

Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Seja nos desertos inóspitos do Saara ou na densa Floresta Amazônica, na imensidão do Oceano Pacífico ou na camada de gelo do Ártico, em muitas partes do mundo não existe acesso à internet. Originalmente, o bilionário sul-africano da tecnologia Elon Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para resolver precisamente esse problema, levando internet de alta velocidade a regiões do mundo onde cabos ou fibra ótica não chegam; ou onde isso é tão caro que simplesmente não compensa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entretanto, a gama de aplicações da Starlink expandiu-se consideravelmente. O sistema passou a ser utilizado para comunicação em áreas de desastre e também por exércitos ou movimentos de protesto – por exemplo, em áreas onde a internet original foi destruída por fogo inimigo ou bloqueada por regimes ditatoriais. Como funciona a Starlink? Rede Starlink tem quase 10 mil pequenos satélites em órbita baixa La Nacion/ZUMA Press/picture alliance Essencialmente, trata-se de um sistema de internet via satélite com quase 10 mil pequenos satélites orbitando a Terra. Eles retransmitem pacotes de dados entre si por meio de feixes de laser e não exigem uma linha de visão direta e constante com uma estação terrestre que conecte o sistema de satélites à internet convencional. Ao contrário de outros satélites de internet, que orbitam a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros, os satélites Starlink estão localizados a apenas cerca de 550 quilômetros acima da superfície da Terra. Isso permite que os sinais de internet sejam transmitidos muito mais rapidamente. A latência é mantida tão baixa que permite o funcionamento até mesmo de aplicações que exigem grande quantidade de dados. Os usuários precisam apenas de um pequeno terminal receptor com uma antena controlada eletronicamente que se alinha automaticamente com os satélites que passam. Esses terminais, então, encaminham o sinal recebido para um roteador próximo, que fornece a conexão de internet dentro da rede local. Onde a Starlink já foi utilizada? Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para prover internet a zonas remotas Julia Demaree Nikhinson/AP Photo/dpa/picture alliance Ucrânia: Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se uma das ferramentas de comunicação mais importantes na zona de guerra. Os militares utilizam o Starlink para coordenar unidades, operar drones e controlar sistemas terrestres não tripulados. No setor civil, o sistema é utilizado por hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana, entre outros. Alega-se também que o Exército russo está acessando a Starlink usando terminais contrabandeados ilegalmente para o país através de países intermediários. O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que trabalha em estreita colaboração com a operadora, SpaceX, para restringir ao máximo esse uso. Sudão: Na guerra civil sudanesa, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal. Centenas de dispositivos foram contrabandeados para o país através dos Emirados Árabes Unidos, e um verdadeiro mercado negro de terminais Starlink se estabeleceu. As RSF usam esses dispositivos para comunicação e coordenação entre suas milícias, enquanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) tentam bloquear sua importação e uso. Irã: No início deste ano, protestos em todo o país eclodiram contra o regime em Teerã, que respondeu, entre outras coisas, desligando a internet. No entanto, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados para o país e revendidos no mercado ilegal. Isso permitiu que manifestantes usassem a Starlink para coordenar seus atos contra o regime, apesar da censura estatal da internet. Venezuela: A Starlink também já foi usada no passado para burlar restrições de informação e garantir acesso gratuito à internet. Durante muito tempo, o serviço só esteve disponível extraoficialmente, através da compra de kits no comércio local. Após a intervenção dos EUA e a captura de Nicolás Maduro, Elon Musk ofereceu temporariamente acesso gratuito à internet aos cidadãos do país. Usuário precisa só de um terminal receptor com antena, que encaminha o sinal a um roteador próximo Middle East Images/picture alliance Faixa de Gaza: Desde julho de 2024, a Starlink tem sido usada para fins humanitários em uma Faixa de Gaza amplamente destruída. Organizações de ajuda humanitária e um hospital de campanha podem utilizá-lo para fornecer assistência por telemedicina e coordenação logística. No entanto, o acesso generalizado para civis permanece limitado, em parte devido a preocupações de segurança por parte de Israel. Quais são as críticas à Starlink? A Starlink costuma ser a única conexão de internet em zonas de conflito. Isso confere a Elon Musk uma enorme influência. Em alguns casos, a comunicação de forças armadas inteiras ou organizações humanitárias depende de sua empresa, a SpaceX. Por exemplo, Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia. O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou a Ucrânia com o desligamento dos satélites para forçar Kiev a fazer concessões nas negociações. Há também críticas do ponto de vista ecológico. Os satélites Starlink são produzidos em massa e têm uma vida útil de apenas cerca de cinco anos. Em média, um ou dois satélites de Musk se desintegram na atmosfera terrestre todos os dias; o óxido de alumínio liberado nesse processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. Além disso, os numerosos satélites refletem a luz solar, tornando o céu noturno mais claro, o que também pode ter um impacto sobre a vida selvagem. Quem está trabalhando em alternativas? Ferramenta vital em conflitos: soldado ucraniano com receptor de Starlink Alexander Polegenko/picture alliance Apesar de todas as preocupações, alternativas já estão sendo desenvolvidas, principalmente na Europa, para quebrar o monopólio da Starlink. O maior concorrente privado da SpaceX atualmente é a Eutelsat. No entanto, seu serviço de satélite, OneWeb, com uma frota de mais de 600 satélites, é significativamente menor. Além disso, o serviço se concentra em clientes corporativos e aplicações marítimas. A Eutelsat também está envolvida no desenvolvimento da IRIS², uma ambiciosa rede de satélites de alta segurança da União Europeia. Essa rede visa tornar a Europa menos dependente da Starlink. Contudo, ela não estará operacional antes de 2029. Elon Musk também enfrenta concorrência nos EUA, principalmente de seu colega bilionário Jeff Bezos. A empresa de Bezos, a Amazon, está trabalhando intensamente em seu serviço Amazon Leo: a construção de uma rede com mais de 3 mil novos satélites em órbita baixa da Terra. A Amazon planeja estrear seu serviço comercialmente ainda neste ano – inclusive no Brasil, graças a uma parceria com a Sky. Os céus estão prestes a ficar mais congestionados , especialmente porque a China está desenvolvendo dois sistemas próprios de comunicação via satélite. O projeto estatal Guowang é voltado principalmente para uso nacional e militar e prevê a inclusão de até 13 mil satélites, enquanto o projeto Qianfan, com aproximadamente 12 mil satélites, tem uma orientação mais comercial e destina-se a atender países emergentes e em desenvolvimento. Os primeiros lançamentos em massa para ambos os projetos também estão programados para este ano.
18/10/2026 06:00:00 +00:00
Mega-Sena 3071 pode pagar R$ 170 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.071 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 170 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (11), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quarta-feira (14), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
18/10/2026 03:00:00 +00:00
Volkswagen Tera ganha motor mais forte e novo câmbio, mas vai ganhar dos chineses? O g1 testou

Volkswagen Tera na versão Comfort. divulgação / Volkswagen A Volkswagen passou a oferecer o SUV compacto Tera com o motor 200 TSI nas versões automáticas Comfort e Highline. O modelo recebeu o motor 1.0 turbo de três cilindros, que entrega 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, combinado a uma nova transmissão automática de oito marchas. Anteriormente, ambas as versões já contavam com motor 1.0 turbo, mas com 116 cv de potência e câmbio de seis marchas. Agora, as demais configurações do Tera mantêm essa motorização e são oferecidas exclusivamente com câmbio manual. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Com as mudanças mecânicas, a versão Comfort passa a custar R$ 134.790, o que representa um reajuste de R$ 1.600. Já a versão Highline ficou R$ 1.000 mais cara e agora é vendida por R$ 147.190. Com o pacote ADAS e a pintura bicolor, o Tera passa dos R$ 154 mil. O g1 testou a configuração topo de linha do Tera com o pacote Outline para descobrir se a potência extra e o novo câmbio elevam o modelo a um novo patamar, especialmente diante de concorrentes bastante interessantes na mesma faixa de preço. Volkswagen ID.4 chega ao Brasil, mas sai de linha na Europa Consumo A boa notícia é que o motor de 128 cv alterou pouco as médias de consumo de combustível do utilitário esportivo em relação à calibração anterior. O rendimento melhorou no trânsito urbano e ficou ligeiramente menor em trajetos rodoviários. Com etanol: 8,7 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada. Com gasolina: 12,2 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada. O propulsor 200 TSI, que já integra a gama de outros modelos da marca, como o T-Cross, foi ajustado para entregar torque em baixas rotações. A caixa automática de oito velocidades distribui as relações para manter o motor na faixa ideal de funcionamento em diferentes condições de rodagem. Volkswagen Tera 200 TSI divulgação/Volkswagen O desenho do veículo e a lista de equipamentos permanecem. O modelo mantém painel digital, central multimídia VW Play Connect e suporte ao aplicativo Meu VW. Na versão Comfort, o ar-condicionado é do tipo convencional. Mudou, sem mudar Ao entrar no Volkswagen Tera, a sensação é de estar diante do mesmo carro, inclusive na versão topo de linha. A marca não sinalizou visualmente as mudanças na recalibração do motor e na adoção do novo câmbio automático de oito marchas. O pacote de equipamentos e os acabamentos continuam. Com o carro ligado e em movimento, porém, é possível perceber que a Volkswagen, como já fez em outras oportunidades, conseguiu combinar bem o câmbio de oito marchas com o motor 200 TSI. As trocas são suaves e aproveitam o giro do motor na faixa mais eficiente, o que proporciona, claro, retomadas melhores do que nas versões de 116 cavalos. Nas reduções de marcha, não há trancos. Tudo funciona de maneira adequada. A direção e a suspensão também continuam bem executadas, como antes. Interior do Volkswagen Tera Divulgação / VW Pergunta errada Mas haveria algum problema, então? A Volkswagen respondeu corretamente com essas novidades. O ponto é que ela deu a resposta certa para as perguntas erradas. Ao analisar o mercado atual, é possível perceber que o Tera e os concorrentes apontados pela própria VW estão deslocados em relação ao que acontece no segmento. Segundo Herlander Zola, CEO da Stellantis para a América do Sul (dona das marcas concorrentes da VW como Fiat e Jeep), montadoras tradicionais não previram a velocidade da eletrificação e perderam espaço para as chinesas. Em outubro, por exemplo, a Hyundai já está fazendo uma promoção para o i20. Um lançamento global que chegou sem nenhuma tecnologia inédita e “brigando” com o próprio HB20. Isso sem falar nos números baixos de vendas do Renault Kardian, que tem vários prêmios, mas é pouco visto nas ruas. Volkswagen Tera 200 TSI divulgação/Volkswagen São fenômenos que estão ligados ao "efeito China", que também atinge os preços de carros seminovos, como o g1 já mostrou. A resposta da Volkswagen para o segmento foi oferecer um câmbio mais moderno e um motor 1.0 com potência adequada. O problema é que essas não parecem ser os principais anseios dos clientes. Na hora de escolher um carro entre R$ 130 mil e R$ 155 mil, o consumidor brasileiro encontra diversas opções de modelos eletrificados. Veja alguns exemplos: BYD Dolphin GS: R$ 150 mil (promoção de R$ 139.990) CAOA Chery Tiggo 5X Sport: R$ 125 mil CAOA Chery Tiggo 5X Pro: R$ 140 mil CAOA Chery Tiggo 7 Sport: R$ 142 mil CAOA Changan CS55 Prime: R$ 145 mil CAOA Changan CS55 Infinity: R$ 155 mil Chevrolet Spark EUV: R$ 152 mil (promoção de R$ 147 mil) Geely EX2: R$ 124.600 Pro / R$ 137.800 Max MG4 Urban: R$ 135 mil Comfort / R$ 145 mil Luxury / R$ 155 mil Luxury Long Range Quando a Volkswagen afirma que já trabalha na eletrificação de sua frota e promove mudanças globais em suas fábricas, incluindo demissões e uma revisão completa do portfólio, fica mais evidente o contexto em que este novo Tera foi desenvolvido. A decisão de oferecer mais força e novo câmbio para o SUV compacto parece pertencer a outro momento. Um recorte no tempo em que a Volkswagen não dimensionou, pelo menos nos mercados brasileiro, a chegada dos fabricantes chineses, com preços agressivos, ampla oferta de modelos e volume de produção. Portanto, sim, o Volkswagen Tera melhorou com o novo câmbio e a potência extra. Mas essa pode não ser a resposta que o cliente procura nessa faixa de preço. Por enquanto, o modelo ainda faz sentido como uma opção de bom custo-benefício e mantém bons números de vendas. Segundo dados da Bright Consulting, as versões Comfort e a versão High correspondem a 62% das vendas do Tera. Portanto, a atualização é importante. Resta aguardar os próximos passos da Volkswagen e observar como o mercado vai se reorganizar em 2027, com as novas tecnologias que todas as marcas prometem trazer ao Brasil. Lançado no Brasil em 2025, o Tera tornou-se o segundo SUV mais vendido do país em 2026, posicionado atrás do T-Cross. A fábrica de Taubaté (SP) alcançou o volume de 100 mil unidades produzidas do modelo em menos de um ano. No mercado internacional, o veículo tornou-se o modelo mais exportado da marca no país em 2026. Entre janeiro e julho, a fabricante enviou 21.404 unidades do SUV para 17 mercados da América Latina. Volkswagen Tera 200 TSI Comprimento: 4,15 m Largura: 1,78 m Altura: 1,48 m Entre-eixos: 2,57 m Porta-malas: 350 litros Peso: 1.169 kg Rodas: 17 polegadas Pneus: 205/55 R17 Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Discos ventilados Freios traseiros: Discos sólidos Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 1.0 turbo flex, três cilindros em linha e 12 válvulas Combustível: flex Potência: 128 cv com etanol e 116 cv com gasolina Torque: 20,4 kgfm com etanol ou gasolina Câmbio: Automático Marchas: 8 Tração: Dianteira 0 a 100 km/h: 9,2 segundos com etanol e 9,5 segundos com gasolina Velocidade máxima: 188 km/h com etanol e 185 km/h com gasolina Consumo gasolina: cidade 12,2 km/l / estrada 14,4 km/l Etanol: cidade 8,7 km/l / estrada 10,1 km/l Tanque de combustível: 49 litros
17/10/2026 08:00:00 +00:00
Você pagaria R$ 2.000 por um quilo de café? Grão de MG bate recorde em leilão no Japão

Produtor Luiz Paulo ao lado de Nara Byun, representante da empresa compradora Snow Beans Coffe Reprodução / Redes sociais Você pagaria mais de R$ 2.000 por um quilo de café? Um café produzido em Minas Gerais bateu essa marca: a saca de 60 kg foi vendida por US$ 26.456, o equivalente a R$ 134.581,67, durante o SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, evento organizado pela Associação de Cafés Especiais do Japão, em Tóquio. O valor foi o maior já alcançado por um café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔍 A Alliance for Coffee Excellence reúne produtores reconhecidos como lendas do setor por cultivarem cafés de qualidade excepcional e acumularem diversos prêmios do Cup of Excellence, o "Oscar" do setor. Apenas seis países fazem parte: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua. A Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, é considerada uma referência brasileira na produção de cafés especiais e já foi premiada no "Oscar" do setor. A compra foi feita pela empresa japonesa Snow Beans Coffee durante o leilão na sexta-feira (16). Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição Para o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, o resultado do leilão é fruto de um trabalho que leva meses. Ele explica que a variedade cultivada, a geisha natural, tem grande potencial de produção e dá à bebida um sabor floral, com notas de jasmim e mamão papaia. O resultado é um café mais doce e delicado ao paladar. O cafeicultor acredita que a localização da propriedade também contribuiu para a valorização do grão. O município fica nas montanhas da Serra da Mantiqueira, região de clima ameno. O preço alcançado no leilão, de US$ 200 por libra-peso, representa uma alta de 40% em relação ao recorde brasileiro anterior, registrado em 2018. Na época, o produto foi vendido por US$ 143 por libra-peso, totalizando US$ 18,9 mil por saca de 60 kg, cerca de R$ 96,2 mil. Embora Pereira seja da quarta geração da família a trabalhar com café, o investimento em cafés especiais começou nos anos 2000. Segundo ele, o objetivo é levar o produto brasileiro para o mundo. "Eles [a família] sempre acreditaram que, realmente, o café era um produto sem fronteira", afirma. "Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo", completa. LEIA MAIS Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente
17/10/2026 08:00:00 +00:00
'Superinteligência'? Por que Trump insiste em tentar mudar o termo 'IA', usado há 70 anos

Por que Trump quer mudar o nome da IA? O atual hiperfoco de Donald Trump é... a inteligência artificial 👀. O presidente dos Estados Unidos tem insistido que quer mudar o nome da tecnologia para "superinteligência (SI)". Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, Trump afirmou que "o nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa". Disse ainda que "de agora em diante, todos os documentos dos EUA e, espero, de todo o mundo, vão utilizar o nome Superinteligência". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Antes de decidir por "Superinteligência", Trump chegou a abrir uma enquete em sua rede social, a Truth Social, com as opções "Inteligência Superior (IS)", "Inteligência Extrema (IE)" e "Inteligência Suprema (IS)", traduzidas para o português. O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa antes de embarcar no helicóptero Marine One rumo a Grand Island, Nebraska REUTERS/Eric Lee Dois dias depois, ele fez uma nova enquete, desta vez com "Superinteligência" e "Inteligência Superior". Em nenhuma das postagens, ele explicou como a alteração seria feita ou se o mercado de tecnologia concordava com a mudança. E tem mais: em seguida, Trump causou polêmica ao afirmar que passaria a tratar como "inimigo" quem usasse o termo "inteligência artificial" em vez de "Superinteligência". O que Trump quer? Quem não acompanha tecnologia talvez tenha ouvido falar de IA apenas recentemente, sobretudo com o surgimento do ChatGPT. Mas o conceito existe há mais de 70 anos e a tecnologia está presente no dia a dia há muito tempo, após passar por grandes transformações nas últimas décadas. (entenda mais abaixo) Por isso, mudar o nome da IA não é tão simples quanto parece. Segundo Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA, o próprio conceito de inteligência ainda não tem uma definição precisa, tanto nas ciências biológicas e naturais quanto no campo da tecnologia. "O que chamamos hoje de inteligência artificial está relacionado à capacidade das máquinas de realizar tarefas que associamos à inteligência humana", afirma Soares, que também é fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG). "O objetivo de mudar o nome me parece muito mais um contragolpe na questão de paralisar o desenvolvimento da IA. Parece mais um ato político do que efetivamente algo construtivo e que contribua para o que está acontecendo em termos de desenvolvimento", completa. ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em IA, chama a atenção para o discurso de Trump na ONU. "Primeiro, ele disse 'bem-vindos ao novo mundo da superinteligência' e completou com 'vamos ver se isso vai dar certo'. Isso revela uma jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático", disse. Para o professor e pesquisador Allan Pscheidt, a proposta de Trump também não parece ser uma mudança na definição científica ou técnica da tecnologia, mas uma demonstração de poder e soberania dos EUA no cenário internacional de IA. "A gente está vivendo algo parecido com o que aconteceu na corrida para a Lua e na corrida espacial. Estamos passando agora para a corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral)", diz Pscheidt. "Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo 'superinteligência', ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve e que, com isso, vão mostrar sua soberania tecnológica", afirma. 🔎 AGI (sigla em inglês para "Inteligência Artificial Geral") é o termo usado para descrever uma IA capaz de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao dos humanos. Allan ressalta que, até o momento, não há comprovação científica de que já exista uma superinteligência. O presidente dos EUA, Donald Trump (no centro), durante reunião na Casa Branca com líderes de empresas de IA, como Meta, Nvidia, Google e xAI, em 29 de setembro de 2026. Jonathan Ernst/ Reuters Cleber Zanchettin, da UFPE, alerta que, como grande parte da população ainda tem pouco conhecimento sobre tecnologia, produtos com o rótulo de IA já enfrentam certa rejeição ou medo no mercado. "Introduzir um termo como 'superinteligência' ou 'inteligência suprema' pode soar como uma ameaça aos humanos e aumentar a rejeição do público", explica Zanchettin. "Poucos países e populações abraçaram a tecnologia de fato, e a maioria das pessoas ainda está tentando entender o que é a IA básica e como ela funciona". Mais da metade dos brasileiros (52%) diz estar mais preocupada do que animada com o avanço da inteligência artificial, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center. Nos EUA, a percepção é semelhante: cerca de nove em cada 10 americanos dizem estar mais preocupados do que animados com a possibilidade de a IA um dia superar a inteligência humana, segundo uma pesquisa da CNN divulgada em setembro. De onde surgiu o termo IA? Um caderno manuscrito de 56 páginas que pertenceu ao pioneiro da computação Alan Turing é leiloado em Nova York REUTERS/Bobby Yip O termo IA nasceu do trabalho de pesquisadores de diferentes áreas, como engenharia, matemática e estatística. Eles buscavam entender como criar máquinas capazes de demonstrar alguma forma de raciocínio e inteligência semelhante à dos seres humanos, explicou Zanchettin. O nome foi definido formalmente em meados de 1955, nos Estados Unidos, e surgiu do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, explicou o professor. "Eles precisavam de uma nomenclatura para pesquisas que misturavam matemática, engenharia e estatística para criar máquinas capazes de exibir raciocínio, algo que não se enquadrava no software tradicional da época", disse Zanchettin. Mas as pesquisas sobre máquinas capazes de pensar começaram antes disso. Entre as décadas de 1940 e 1950, o matemático e cientista da computação Alan Turing já estudava essa possibilidade, explica o pesquisador Allan Pscheidt. Na mesma época, em 1948, o matemático Norbert Wiener criou o termo "cibernética" para estudar sistemas capazes de usar informações sobre suas próprias ações para ajustar seu funcionamento. Segundo Pscheidt, foi nesse contexto que John McCarthy criou a expressão "inteligência artificial", em 1955. A escolha também buscava diferenciar esse campo de pesquisa da cibernética, com foco no raciocínio e na autonomia das máquinas. Com o avanço e a popularização da tecnologia, a IA passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, em recursos como reconhecimento facial de bancos, carros semiautônomos, drones, alto-falantes inteligentes e câmeras de celulares. Mais recentemente, a partir de 2017, ganhou força a IA generativa, que deu origem a ferramentas como o ChatGPT e é capaz de criar textos, imagens, vídeos e músicas. No fim, para Anderson Soares, "as ondas tecnológicas costumam passar por fases relativamente previsíveis: primeiro provocam medo e desconfiança; depois vêm a aceitação e o encantamento; e, com o tempo, a tecnologia passa a ser compreendida e deixa de parecer algo extraordinário". Óculos inteligentes são proibidos na cabine de votação
17/10/2026 07:00:00 +00:00
Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato

Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China  Como mostrou o g1 nesta semana, a China está produzindo mais carne e laticínios do que consegue consumir, e o excedente está sendo exportado. Com preços mais baixos e investimentos em tecnologia, empresas chinesas avançam sobre mercados tradicionalmente abastecidos por países como o Brasil. O movimento é resultado de uma mudança no consumo interno e de uma estratégia do governo chinês para ampliar a segurança alimentar. Nos últimos anos, o país incentivou a expansão da produção agropecuária, mas a demanda doméstica perdeu força, criando um excesso de oferta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dados alfandegários mostrados pela agência Reuters mostram agora que a China exportou US$ 2,6 bilhões em produtos de frango em 2025, quase o dobro do valor registrado em 2020. No ano passado, o país também se tornou exportador líquido de carne de frango, ou seja, passou a exportar mais do que importar o produto. China produz mais, mas consumo mudou Durante décadas, a carne suína foi a principal proteína da dieta chinesa. Houve uma redução do consumo de porco, especialmente entre moradores de áreas urbanas, que passaram a dar mais espaço a outras opções, como o frango. O consumo per capita de carne suína caiu 13% desde o pico registrado em 2023, segundo dados oficiais e informações da imprensa estatal chinesa. Na direção contrária, o consumo de frango por pessoa aumentou mais de 50% na década encerrada em 2024. Mesmo com a mudança nos hábitos alimentares e a desaceleração da economia, a produção continuou crescendo. Em 2025, a China produziu um recorde de 59 milhões de toneladas de carne suína, enquanto a produção de aves avançou 7%. Frango chinês chega a custar até 20% menos que o brasileiro Com a oferta elevada, os produtores chineses passaram a buscar compradores no exterior. A vantagem de preço tem ajudado as empresas a conquistar clientes em mercados antes abastecidos por exportadores tradicionais. Segundo Ezequiel Pires, presidente da comerciante internacional de carnes Branexx, cortes chineses de peito e coxa de frango custam de 10% a 20% menos que os produtos brasileiros. A empresa começou a comprar aves da China em março, depois que clientes africanos procuraram alternativas mais baratas às importações do Brasil. Na Tailândia, um dos principais concorrentes da China no setor, a expansão das vendas chinesas também preocupa. Representantes da indústria local afirmam que compradores têm usado os preços chineses como referência para negociar com outros fornecedores. Exportações chinesas avançam em mercados tradicionais A expansão já aparece nos dados de comércio internacional. A participação da China no mercado de produtos de aves processadas da União Europeia dobrou desde 2022, chegando a 10%. No Reino Unido, a fatia chinesa triplicou e superou 14%, segundo dados da consultoria Gira citados pela Reuters. O avanço aumenta a concorrência para produtores europeus e asiáticos e pode pressionar exportadores brasileiros que disputam os mesmos compradores internacionais. Além do frango, as empresas chinesas também ampliam as vendas de laticínios. As exportações desses produtos devem alcançar US$ 600 milhões em 2026, o dobro do valor registrado três anos antes, segundo dados citados pela Reuters. Subsídios e produção em larga escala ajudam a reduzir custos A expansão da produção chinesa foi estimulada por políticas de segurança alimentar e incentivos a grandes empresas agropecuárias. O objetivo era aumentar a oferta interna e recuperar rebanhos após crises sanitárias, como o surto de peste suína africana de 2018. Entre 2022 e 2024, os subsídios representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas chineses, quase três vezes o nível registrado no início dos anos 2000, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na avicultura, empresas também investiram em instalações maiores e em processos mais eficientes. Uma das companhias ouvidas pela Reuters, a Wintop Food, aumentou de 20 mil para 120 mil o número de frangos alojados em cada galpão ao longo de uma década. Preço baixo ainda precisa superar desconfiança sobre qualidade Apesar do avanço comercial, a indústria chinesa ainda enfrenta dúvidas relacionadas ao histórico de escândalos de segurança alimentar no país. Para consolidar as exportações, os produtores precisam demonstrar que seus produtos atendem aos padrões sanitários e mantêm qualidade e rastreabilidade consistentes. Na União Europeia, os alimentos importados devem cumprir as mesmas exigências sanitárias e de segurança aplicadas aos produtos locais. O bloco também planeja reforçar a identificação da origem dos alimentos, começando por produtos de aves em 2027. Para os compradores internacionais, porém, o preço continua sendo um fator decisivo. A combinação de produção em larga escala, oferta excedente e custos competitivos pode ampliar a presença chinesa no comércio global de proteínas e aumentar a disputa com exportadores tradicionais, como o Brasil. * Com informações da agência Reuters. Galinhas em granja em Taquari (RS) Reuters
17/10/2026 07:00:00 +00:00
Starlink tem uma 'irmã militar' controlada pelos EUA; entenda o que é a Starshield

Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Ucrânia, em fevereiro de 2024. Inna Varenytsia/ Reuters A queixa da Ucrânia de que a SpaceX, de Elon Musk, teria restringido os serviços Starlink de "nível militar" voltou a chamar a atenção para as diferenças entre o Starlink, serviço comercial de internet via satélite da empresa, e o Starshield, versão militar desenvolvida para o Pentágono. "Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos", escreveu Musk nesta quarta-feira (14/10) numa postagem no X, acrescentando que quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares ou pelo presidente dos EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já "o Starlink é um serviço comercial pertencente e controlado pela SpaceX. Seu uso está limitado a atividades civis ou defensivas e não pode ser empregado em ações militares ofensivas, pois isso seria inadequado para uma empresa comercial". Starlink e Starshield não são sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa: O Starlink é o serviço civil de internet administrado pela própria SpaceX. O Starshield é a versão governamental e conta com alguns satélites próprios para reconhecimento e comunicação militar, além de oferecer criptografia mais robusta. Agora no g1 Ambos, porém, operam com a mesma tecnologia e, em parte, utilizam os mesmos satélites. O que é o Starlink? Principal fonte de lucro da SpaceX, o Starlink é um serviço que utiliza satélites em órbita baixa da Terra para fornecer acesso à internet, principalmente em áreas remotas. Trata-se de uma rede composta por mais de 11 mil satélites que fornecem internet de alta velocidade diretamente aos equipamentos dos usuários. Seus cerca de 13 milhões de assinantes incluem moradores, excursionistas, empresas de navegação e grandes companhias aéreas. Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink, em 2019, a bordo dos foguetes reutilizáveis da SpaceX, a empresa formou uma vasta rede em órbita baixa que cobre grande parte do planeta. O sistema oferece conexões mais rápidas do que as fornecidas por satélites de comunicação tradicionais, que normalmente ficam muito mais distantes da Terra e existem em número bem menor. A internet via satélite é relativamente fácil de usar, e a velocidade da conexão chama a atenção. Os satélites do Starlink orbitam a Terra entre 328 e 614 quilômetros de altitude, uma distância significativamente menor do que a dos satélites dos concorrentes. O que é o Starshield? Starshield é a unidade de negócios da SpaceX que desenvolve sistemas de satélites para uso militar e de inteligência por governos e forças armadas. Seus principais clientes são órgãos dos EUA, como o Departamento de Defesa (Pentágono), a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO), responsável pelos satélites de reconhecimento do país. Equipamento da Starlink, empresa de Elon Musk, exposta na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Os serviços de comunicação segura do Starshield utilizam sistemas avançados de proteção de dados e equipamentos próprios, mas têm como base os satélites do Starlink. Além disso, a empresa afirma que o sistema militar permite observar a Terra e incorporar sensores ou outros equipamentos aos satélites. O principal cliente é o Pentágono, que gastou bilhões de dólares em serviços do Starlink e do Starshield. Também adquiriu satélites Starshield, incluindo equipamentos de comunicação destinados a detectar antecipadamente possíveis ataques com mísseis, além de uma rede de satélites de espionagem para o NRO, segundo informou a Reuters em 2024. Mesmo hardware, usos diferentes O sistema Starshield utiliza a rede Starlink para transmitir dados e também conta com satélites próprios. As informações do Starshield podem passar pelos satélites convencionais da Starlink, mas recebem uma camada adicional de criptografia e são mantidas separadas dos dados dos usuários civis. Para missões de reconhecimento e comunicação militar, há satélites Starshield exclusivos, que não podem ser acessados por clientes civis. Em solo, o sistema também conta com equipamentos próprios para conexão via satélite. No entanto, terminais Starlink podem ser adaptados para uso do Starshield, como ocorreu na Ucrânia. Dúvidas sobre a relação entre Starlink e Starshield persistem desde que a Rússia ameaçou, em 2022, satélites ocidentais usados no apoio à Ucrânia. A SpaceX apresentou o Starshield no final daquele ano, mas o sigilo em torno de programas espaciais ligados à segurança nacional dos EUA tornou difícil determinar com precisão onde termina um sistema e começa o outro. Essas diferenças tornaram-se motivo de disputa no início deste ano, quando Pentágono e SpaceX entraram em conflito por causa dos preços mais altos dos serviços de satélite utilizados por drones militares durante o conflito com o Irã, segundo a Reuters. A SpaceX argumentou que alguns clientes, que pagavam cerca de 5 mil dólares por um terminal Starlink, deveriam utilizar o Starshield, a um custo de aproximadamente 25 mil dólares por terminal. Starlink na Ucrânia Em 24 de fevereiro de 2022, logo no início da invasão russa, um ataque cibernético atribuído à Rússia tirou do ar a rede de satélites KA-SAT, operada pela empresa americana Viasat. Com isso, as Forças Armadas ucranianas perderam um importante canal de comunicação. A ajuda aos ucranianos veio do espaço: dias depois, o então ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu a Musk, pelo Twitter (hoje X), que liberasse o serviço da Starlink no país. Musk respondeu pela mesma rede social: “O serviço Starlink está agora ativo, mais terminais estão a caminho”. Os serviços oferecidos pela SpaceX acabaram se tornando a espinha dorsal das comunicações da Ucrânia na linha de frente. Os terminais de internet via satélite da empresa de Musk são essenciais para orientar ataques com drones ucranianos de longo alcance nas regiões do sul e do leste do país ocupadas pela Rússia. Essas operações têm causado sérios danos à logística russa. A Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink de seus parceiros. A maioria deles, 29.500, é custeada pela Polônia, que paga cerca de 50 milhões de dólares por ano pelas assinaturas do serviço, segundo o ministro do Exterior, Radoslaw Sikorski. Nas regiões do leste da Ucrânia, onde boa parte da infraestrutura foi destruída, a Starlink é o principal meio de acesso à internet para civis e militares. Além disso, em 2023, os Estados Unidos, por meio do US European Command, financiaram 500 terminais Starshield por aproximadamente 40 milhões de dólares. Em agosto de 2024, um novo contrato do Space Systems Command ampliou o acesso ao Starshield para 2.500 terminais Starlink que já estavam em uso no país. Isso ajuda a explicar a confusão entre Starlink e Starshield nas declarações das autoridades ucranianas. Muitas vezes, o equipamento visível no campo de batalha é a antena plana da Starlink. A conexão, porém, pode estar vinculada a outro contrato, com um nível diferente de proteção dos dados e regras próprias. Os soldados continuam chamando o sistema de Starlink, embora, nesses casos, o serviço seja o Starshield.
17/10/2026 06:00:00 +00:00
Escala 6x1 acabou. E agora? Veja perguntas e respostas para entender tudo sobre mudança

Alcolumbre promulga PEC do fim da escala 6x1 O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de repouso remunerado por semana. A medida também reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. É a primeira redução geral da jornada de trabalho no país em 38 anos. A última havia ocorrido na Constituição de 1988, quando o limite semanal caiu de 48 para 44 horas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O caminho até a aprovação passou por propostas apresentadas no Congresso ao longo da última década, ganhou força com a mobilização de trabalhadores nas redes sociais e acabou se transformando em uma das pautas mais debatidas do país durante as eleições de 2026. Mas, apesar da ampla repercussão, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que realmente muda na prática, quem será beneficiado, quando as novas regras passam a valer e se esse direito poderá ser alterado no futuro. Para ajudar, o g1 reuniu abaixo os principais pontos que todo trabalhador precisa saber sobre o fim da escala 6x1. O que muda e quando muda? Quem fica fora das novas regras? Novo direito é permanente ou pode ser revertido? Como foi a votação? Quem foi contra a PEC? Quem é o autor da PEC? O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988? Como começou o movimento pelo fim da escala 6x1? Mudança da escala 6x1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso Tânia Rêgo/Agência Brasil O que muda e quando muda? A mudança aprovada pelo Congresso altera dois pontos centrais da jornada de trabalho prevista na Constituição Federal: reduz o limite máximo de horas que podem ser exigidas por semana e amplia o período mínimo de descanso garantido aos trabalhadores. Hoje, o limite constitucional é de 44 horas semanais. O texto também garante dois dias de descanso remunerado por semana e determina preferência para que um deles seja concedido aos domingos. 📅 As folgas, porém, não precisam ocorrer no fim de semana nem ser consecutivas. A nova regra determina apenas que o trabalhador tenha dois períodos de descanso de 24 horas cada, que podem ser concedidos em dias intercalados, como terça e quinta-feira. A mudança elimina a possibilidade de adoção da escala 6x1 como modelo regular de jornada. Ao mesmo tempo, preserva o limite máximo de oito horas diárias de trabalho e não altera outros direitos já assegurados pela legislação trabalhista. Com a aprovação em dois turnos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, a proposta deixa de ser uma PEC e passa a integrar oficialmente a Constituição como uma Emenda Constitucional. A diferença é importante: enquanto projetos de lei precisam da sanção do presidente da República para entrarem em vigor, as emendas constitucionais são promulgadas pela própria Mesa do Congresso Nacional após a aprovação pelos parlamentares. Mesmo assim, existe um intervalo entre a promulgação e a aplicação das novas regras. É que a emenda prevê uma implementação gradual para permitir a adaptação de empresas e trabalhadores. Primeira etapa Início em 16 de dezembro de 2026; redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais; garantia de dois dias de descanso remunerado por semana Segunda etapa Início em 16 de dezembro de 2027; redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais. Na prática, a implementação completa ocorreria cerca de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional. Quem fica fora das novas regras? O impacto mais imediato será sentido pelos cerca de 14,8 milhões de brasileiros que atualmente trabalham na escala 6x1. Mas os efeitos da mudança vão além. Quem já trabalha de segunda a sexta-feira também poderá ser beneficiado. Hoje, muitos empregados cumprem jornadas de oito horas e 48 minutos por dia para completar as 44 horas semanais e compensar o descanso de sábado. Com a redução gradual do limite constitucional para 40 horas, essas jornadas também deverão diminuir, sem redução salarial. A nova regra alcança a maior parte dos trabalhadores regidos pela CLT, incluindo empregados da iniciativa privada e terceirizados. No caso dos terceirizados que prestam serviços para órgãos públicos, a adequação dependerá inicialmente de ajustes contratuais entre as empresas e os órgãos contratantes. ⚠️ Apesar do alcance amplo, a emenda prevê algumas situações específicas. Abaixo, veja quem fica fora ou terá regras diferenciadas: Profissionais de alta renda ("hipersuficientes"): trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente acima de R$ 21,1 mil por mês, não ficam sujeitos obrigatoriamente ao novo limite semanal de 40 horas nem ao controle formal de jornada. O direito aos dois dias de descanso, porém, continua garantido. Serviços essenciais: hospitais, serviços de emergência, segurança pública, transporte coletivo, limpeza urbana e outras atividades que funcionam de forma contínua poderão manter escalas diferenciadas, como a jornada 12x36, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de descanso previstos na legislação e nos acordos coletivos. Profissionais PJ e autônomos: como não possuem vínculo formal de emprego, não passam a ser alcançados diretamente pelas novas regras da CLT. Nesses casos, continuam valendo as condições previstas nos contratos firmados entre as partes. Categorias que já possuem jornada menor: bancários, operadores de telemarketing e outros profissionais que já contam com jornadas inferiores a 40 horas semanais não terão uma nova redução automática da carga horária nem direito a um terceiro dia de folga. Microempreendedores Individuais (MEIs): a emenda não altera automaticamente a rotina de quem trabalha como MEI. Porém, se o microempreendedor tiver funcionário contratado com carteira assinada, deverá cumprir integralmente as novas regras em relação a esse empregado. Além disso, o texto prevê a criação de uma futura lei complementar para estabelecer regras de transição específicas para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, com o objetivo de reduzir impactos e preservar empregos. A aprovação da emenda também não acaba com as horas extras nem com o banco de horas. Ambos continuam existindo normalmente e poderão ser utilizados dentro das regras já previstas na legislação trabalhista. Na prática, a nova regra passa a valer para a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada, mas preserva regimes especiais já existentes e estabelece tratamentos específicos para algumas categorias e formas de contratação. Novo direito é permanente ou pode ser revertido? Do ponto de vista jurídico, a mudança passa a ter uma proteção muito maior do que uma lei comum. Isso acontece porque a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso semanal foram incorporadas diretamente ao artigo 7º da Constituição Federal, que reúne os principais direitos dos trabalhadores brasileiros. A nova regra passa a ocupar o mesmo nível constitucional de garantias históricas como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e licença-maternidade. Por isso, nenhuma lei aprovada pelo Congresso nem uma eventual mudança de governo poderão simplesmente derrubar o novo direito. Para que isso aconteça, seria necessário alterar novamente a própria Constituição. Em outras palavras, qualquer tentativa de reduzir o número de folgas, aumentar a jornada máxima ou modificar as novas garantias exigiria a apresentação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), repetindo praticamente todo o processo legislativo enfrentado pela proposta agora aprovada. E esse não é um caminho simples. Uma PEC só pode ser aprovada com o apoio de três quintos dos parlamentares em cada uma das duas Casas do Congresso Nacional, em dois turnos de votação. Por isso, especialistas consideram que uma eventual reversão da medida enfrentaria dificuldades políticas consideráveis, especialmente após a incorporação do novo direito ao texto constitucional. Isso não significa, porém, que o debate esteja encerrado. Mesmo antes da promulgação da emenda, parlamentares da oposição e parte do setor empresarial já defendiam modelos alternativos para a organização das jornadas de trabalho. A principal iniciativa nesse sentido é a chamada PEC da Jornada Flexível (PEC 12/2026), apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) após o avanço da proposta principal no Congresso. A ideia é criar um sistema baseado nas horas efetivamente trabalhadas, permitindo que empresas e trabalhadores optem por contratos mais flexíveis. Nesse modelo, o pagamento passaria a ser calculado de forma proporcional às horas trabalhadas. Benefícios como férias, 13º salário e FGTS também poderiam ser pagos proporcionalmente, seguindo uma lógica diferente daquela adotada pela CLT tradicional. A proposta também prevê maior peso para os contratos individuais de trabalho, reduzindo a influência de acordos e convenções coletivas. Lideranças do PL já declararam publicamente que pretendem retomar a discussão da PEC 12/2026 a partir de 2027. A intenção é oferecer uma alternativa ao modelo recém-incorporado à Constituição, permitindo jornadas menores acompanhadas de remuneração proporcional ao tempo efetivamente trabalhado. Por enquanto, porém, a única mudança aprovada e incorporada à Constituição é a que extingue a escala 6x1 como modelo regular de jornada. Como foi a votação? Embora o fim da escala 6x1 tenha se transformado em uma das pautas mais populares do debate público nos últimos anos, a aprovação da proposta não aconteceu sem resistência. Ao longo da tramitação, parlamentares apresentaram 37 emendas para alterar pontos centrais do texto, defenderam uma transição mais longa e tentaram adiar a votação para depois das eleições. A proximidade das eleições e pesquisas apontando cerca de 70% de apoio popular à redução da jornada, no entanto, acabaram aumentando a pressão sobre parlamentares de diferentes partidos. O movimento se tornou ainda mais visível quando lideranças que inicialmente faziam críticas à proposta passaram a adotar um discurso mais favorável ou menos contundente. Foi o caso do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que havia se manifestado contra a PEC e defendido modelos alternativos de contratação, mas declarou voto favorável na reta final da tramitação e liberou a bancada do partido para votar como entendesse. Foi nesse cenário que a PEC começou a avançar com ampla maioria no Congresso. No plenário, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários, no primeiro turno. No segundo turno, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra, números muito acima dos 308 votos necessários para alterar a Constituição. Os votos contrários ficaram concentrados principalmente em parlamentares do PL, Novo, MDB, União Brasil, PSD, PP e Missão. Já a base governista apoiou integralmente a proposta. Todos os 65 deputados do PT votaram favoravelmente nas duas votações. Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para o Senado. A tramitação foi mais rápida. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e rejeitou as emendas que buscavam modificar o conteúdo da proposta. Com acordo entre as lideranças para acelerar o processo, os dois turnos de votação aconteceram na mesma sessão. A PEC foi aprovada por 75 votos favoráveis e apenas um contrário nos dois turnos. O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Já o senador Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não votou em nenhuma das duas votações. Como os senadores aprovaram exatamente o mesmo texto enviado pela Câmara, sem alterações de mérito, a proposta não precisou voltar para análise dos deputados e seguiu diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional. Quem foi contra a PEC? Além de parlamentares - conforme explicado acima - a emenda enfrenta resistência de parte do setor empresarial e de parlamentares que defendem um modelo mais flexível de negociação entre empresas e empregados. Os críticos da medida não costumam questionar apenas o fim da escala 6x1. A principal divergência está na forma escolhida para promover essa mudança. Para esse grupo, questões relacionadas à jornada de trabalho deveriam ser negociadas entre empregadores e trabalhadores por meio de acordos coletivos ou contratos específicos, em vez de serem definidas diretamente pela Constituição Federal. O argumento é que diferentes setores da economia possuem realidades distintas e, por isso, precisariam de maior flexibilidade para organizar escalas e horários. Outra preocupação recorrente diz respeito ao impacto financeiro da medida, especialmente para pequenos negócios. Durante a tramitação da PEC na Câmara dos Deputados, representantes de diversos setores empresariais afirmaram que a redução da jornada sem redução salarial tende a elevar os custos das empresas. Foi justamente por causa dessas preocupações que o texto aprovado previu a criação de uma futura lei complementar com regras específicas de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. Entidades empresariais também divulgaram estudos alertando para possíveis efeitos econômicos da mudança. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das indústrias brasileiras acreditam que a medida pode reduzir a competitividade das empresas e 68% avaliam que ela poderá provocar queda na produtividade. A entidade estima ainda que a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. No setor de bares e restaurantes, a preocupação é semelhante. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calcula que estabelecimentos que funcionam seis dias por semana poderão registrar aumento próximo de 20% nos custos operacionais. Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma que a redução da jornada pode afetar a competitividade das empresas brasileiras e trazer impactos negativos para a geração de empregos formais. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), por sua vez, declarou que cumprirá as novas regras, mas alertou para possíveis reflexos sobre a produção, a oferta de alguns produtos e os custos repassados ao consumidor. Quem é o autor da PEC? Embora o fim da escala 6x1 tenha ganhado força nos últimos anos, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é bem mais antiga e atravessa diferentes governos, partidos e legislaturas. Uma das primeiras propostas a tratar do tema no Congresso foi apresentada em 2015 pelo senador Paulo Paim (PT-RS). A PEC defendia a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas e também previa a ampliação do período de descanso dos trabalhadores. Anos depois, a pauta voltou ao centro do debate com a apresentação da PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto propunha uma redução ainda mais ampla da jornada, de 44 para 36 horas semanais, ao longo de uma década. Mais recentemente, a discussão ganhou novo fôlego com a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta ficou conhecida por defender uma semana de trabalho de quatro dias, modelo que passou a ser chamado de escala 4x3. Em paralelo à tramitação dessas propostas, o próprio governo federal passou a defender uma redução mais moderada da jornada. Em 2026, apresentou um projeto com a previsão de diminuir o limite constitucional de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de descanso sem redução salarial. Assim eram, inicialmente, as propostas: Ad PECs e PL que propõe o fim da escala 6x1 g1 Ao longo da tramitação na Câmara dos Deputados, essas diferentes iniciativas acabaram convergindo. Coube ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA), escolhido relator da matéria, unir as propostas em um único texto. Em vez da redução para 36 horas prevista em algumas PECs ou da adoção imediata da semana de quatro dias, o parlamentar optou por uma solução intermediária: a redução gradual da jornada para 40 horas semanais, acompanhada de um período de transição para permitir a adaptação das empresas. A proposta recebeu apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e avançou com ampla maioria entre os deputados. No Senado, a relatoria ficou com Omar Aziz (PSD-AM). Ao analisar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador apresentou parecer favorável e defendeu a manutenção integral do texto aprovado pela Câmara. Ou seja, a emenda promulgada nesta sexta-feira é resultado da combinação de diversas iniciativas que foram apresentadas ao longo da última década. O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988? A nova regra encerra um intervalo de quase quatro décadas sem mudanças no limite máximo da jornada de trabalho no país. A última redução geral havia ocorrido em 1988, durante a elaboração da Constituição Federal. Naquele momento, os constituintes diminuíram a jornada semanal de 48 para 44 horas e ampliaram uma série de direitos dos trabalhadores. Agora, 38 anos depois, o Brasil volta a alterar uma das regras mais importantes das relações de trabalho ao reduzir gradualmente o limite semanal para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado. A mudança coloca a nova emenda ao lado de marcos históricos da legislação trabalhista brasileira, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do descanso semanal remunerado, do 13º salário e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ao longo das últimas décadas, diversos direitos foram incorporados à legislação. Entre eles estão a jornada de oito horas diárias, as férias remuneradas, o repouso semanal, a licença-maternidade, o seguro-desemprego, o FGTS e a própria redução da jornada promovida pela Constituição de 1988. A discussão sobre diminuir novamente o tempo de trabalho, porém, permaneceu no Congresso por anos sem avanços concretos. Uma das razões é que o tema envolve um equilíbrio delicado entre os interesses de trabalhadores e empregadores. Enquanto defensores da medida argumentam que jornadas menores aumentam a qualidade de vida e ampliam o tempo para estudo, lazer e convivência familiar, empresários costumam alertar para possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos. Por isso, a aprovação da emenda é vista como uma das mais relevantes mudanças trabalhistas desde a promulgação da Constituição de 1988. Para especialistas, a mudança também recoloca no centro do debate uma questão que acompanha a história do trabalho em diversos países: como equilibrar produtividade, desenvolvimento econômico e qualidade de vida dos trabalhadores. Como começou o movimento pelo fim da escala 6x1? Diferentemente de outras reivindicações trabalhistas históricas, a campanha pelo fim da escala 6x1 não nasceu dentro de sindicatos, centrais sindicais ou partidos políticos. Ela surgiu de forma espontânea na internet e cresceu impulsionada pelo engajamento de milhões de trabalhadores que passaram a compartilhar experiências semelhantes. O ponto de partida foi um vídeo publicado em setembro de 2023 pelo balconista de farmácia Rick Azevedo. Em um desabafo gravado após mais uma rotina exaustiva de trabalho, ele relatava as dificuldades de conciliar a vida pessoal com uma escala que exige seis dias de trabalho para apenas um de descanso. No vídeo, Rick chegou a perguntar quando a classe trabalhadora se mobilizaria contra a escala 6x1. Em poucos dias, milhares de pessoas passaram a compartilhar relatos semelhantes. Trabalhadores de diferentes regiões do país relataram dificuldades para acompanhar o crescimento dos filhos, fazer cursos de qualificação, frequentar consultas médicas ou até realizar tarefas básicas do dia a dia por causa da falta de tempo livre. A discussão ganhou força principalmente entre jovens trabalhadores do comércio e de setores de serviços, mas logo ultrapassou esse universo. Nos anos seguintes, parlamentares passaram a incorporar a discussão em propostas legislativas e o tema chegou definitivamente ao Congresso. O avanço da PEC coincidiu com um momento em que a discussão sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ganhava cada vez mais espaço no debate público. Impulsionado pela visibilidade conquistada com a campanha, Azevedo ingressou na política, foi eleito vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
17/10/2026 03:00:04 +00:00
Petróleo dispara e Brent chega a US$ 110 pela 1ª vez desde maio; veja o que pressiona os preços

Miriam Leitão: Petróleo impacta crescimento global da economia O petróleo Brent atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, diante do temor de que o aumento das tensões no Oriente Médio restrinja ainda mais a oferta global. Os investidores também avaliaram quanto diesel a Rússia conseguirá fornecer ao mercado internacional. Os contratos futuros do Brent, referência internacional para os preços do petróleo, fecharam nesta sexta-feira (16) em alta de US$ 3,94, ou 3,7%, a US$ 109,86 por barril, o maior valor desde 19 de maio. Já os contratos do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiram US$ 3,44, ou 3,5%, e encerraram o dia a US$ 101,41 por barril, no maior patamar desde 17 de setembro. Na semana, até o momento, o Brent acumula alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou 10,4%. Segundo a consultoria Energy Aspects, consultada pela Reuters, os preços voltaram a subir após uma queda anterior, em meio ao temor de uma escalada do conflito e a relatos de possíveis ataques à infraestrutura de energia da Arábia Saudita. Relatos da imprensa israelense indicaram que o Irã poderia estar preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais identificarem movimentações militares incomuns. Embora não tenham sido confirmadas, essas informações reforçaram a preocupação com novos confrontos e possíveis interrupções no fornecimento de petróleo, segundo a consultoria. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho. 🔎 O porto é estratégico para o país porque permite escoar petróleo para o mercado internacional por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, passagem marítima importante para o transporte global da commodity. De acordo com a consultoria Rapidan Energy Group, também ouvida pela Reuters, as primeiras informações indicavam que não houve danos à infraestrutura de Yanbu. Ataques a refinarias na Rússia A oferta de combustíveis também é motivo de preocupação por causa dos ataques ucranianos a instalações de petróleo russas. Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria na Rússia, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciou que Kiev abandonaria a trégua que abrangia instalações de energia. O cessar-fogo havia sido anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelenskiy também criticou a disposição de Trump de negociar acordos com Moscou. Zelensky critica acordo entre Trump e Putin sobre diesel russo: 'Investimento na guerra' A refinaria de Ryazan, na Rússia, interrompeu as operações em uma unidade de destilação primária de petróleo após um ataque com drones na região, na quinta-feira, segundo duas fontes do setor ouvidas pela Reuters. A destilação primária é uma etapa inicial do refino em que o petróleo é aquecido e separado em diferentes componentes, que podem ser usados na produção de combustíveis, como diesel e gasolina. Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, entrevistado pela Reuters, a combinação das tensões no Oriente Médio com as dúvidas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem incentivado os investidores a comprar petróleo. Na tentativa de ampliar a oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou, na quinta-feira, em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado. Os Estados Unidos também abriram, na sexta-feira (16), uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país, segundo o Departamento de Energia americano. A reserva é um estoque mantido pelo governo para ajudar a enfrentar situações de interrupção no abastecimento. petróleo REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
16/10/2026 20:14:17 +00:00
Fim da escala 6x1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana foi promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16). O ato marca o início do período de transição até a entrada em vigor das novas regras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As novas regras não entram em vigor imediatamente. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as mudanças começarão a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição) A partir desse prazo, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado. A proposta também prevê a possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que seja assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A PEC estabelece ainda a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. No primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima será reduzida para 40 horas. Com a promulgação da PEC na manhã desta sexta-feira (16), o texto foi aprovado pelo Senado Federal sem alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados. Por isso, não precisou retornar aos deputados e seguiu diretamente para a promulgação. Após a promulgação, a emenda foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A partir da publicação, começam a contar os prazos de transição. Considerando a publicação em 16 de outubro de 2026, o cronograma previsto é: 16 de dezembro de 2026: início das novas regras, com jornada máxima de 42 horas semanais e dois dias de descanso remunerado por semana. 16 de dezembro de 2027: redução da jornada máxima para 40 horas semanais, ao fim do período de transição previsto. Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6x1. O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Quando começam os dois dias de folga? Como será a transição de 44 para 40 horas? A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Será necessária negociação coletiva? Como ficam horas extras e banco de horas? O que acontece com categorias que têm escalas especiais? O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas. A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo. "Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados. Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos. Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto. "Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva", diz a advogada do escritório Durão, Almeida & Pontes. A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto. Voltar ao menu. Quando começam os dois dias de folga? O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Voltar ao menu. Como será a transição de 44 para 40 horas? Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação. A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário. Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos. Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis. "O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho. Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados. “A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma. Voltar ao menu. A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador. "As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest. Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais. Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta. Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS. Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece. Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial. Voltar ao menu. Será necessária negociação coletiva? Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas. "A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest. Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra. Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição. Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras. Voltar ao menu. Como ficam horas extras e banco de horas? A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis. Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas. Voltar ao menu. O que acontece com categorias que têm escalas especiais? Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada. A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas. Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta. A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor. Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação. Voltar ao menu. Congresso marca a promulgação do fim da escala 6x1 para sexta-feira (16) Jornal Nacional/ Reprodução
16/10/2026 19:55:16 +00:00
Déficit das contas públicas dos EUA sobe a US$ 1,99 trilhão, maior em 5 anos

Musk gastou US$ 276 mi desde julho para ajudar partido de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA O déficit das contas públicas dos Estados Unidos subiu para US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro, alta de US$ 217 bilhões em relação ao período anterior. O resultado é o maior em cinco anos e foi impulsionado por gastos recordes do governo, pelo aumento das despesas com a dívida pública e por reembolsos de tarifas de importação, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Departamento do Tesouro americano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado representa o primeiro ano fiscal completo do segundo mandato do presidente Donald Trump. Em 2025, o déficit havia sido de US$ 1,78 trilhão. Apesar do aumento, o resultado ficou abaixo do registrado em 2021, quando o déficit chegou a US$ 2,77 trilhões, em meio aos gastos do governo para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19. O resultado de 2026 é o terceiro maior déficit anual já registrado pelos Estados Unidos. 🔍 Déficit público ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos e outras receitas. Para cobrir essa diferença, o governo precisa buscar recursos, geralmente por meio da emissão de títulos da dívida pública. Gastos do governo batem recorde As despesas do governo americano somaram US$ 7,40 trilhões no ano fiscal de 2026, um recorde e um aumento de 6% em relação aos US$ 7,01 trilhões registrados no período anterior. As receitas também atingiram um patamar recorde, de US$ 5,40 trilhões, alta de 3% na comparação com os US$ 5,24 trilhões de 2025. Mesmo com o aumento da arrecadação, as despesas cresceram em ritmo mais acelerado, ampliando o déficit das contas públicas. Custo da dívida pública aumenta Uma das principais pressões sobre o orçamento foi o custo do serviço da dívida pública. Os gastos com juros e outras despesas relacionadas ao endividamento somaram US$ 1,36 trilhão, alta de US$ 144 bilhões, ou 12%, em relação ao ano anterior. Com esse resultado, o serviço da dívida se tornou a terceira maior categoria de gastos do governo americano, atrás apenas da Previdência Social e das despesas combinadas com os programas Medicare e Medicaid, que financiam serviços de saúde. A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões cerca de dois meses antes da divulgação dos dados. Reembolsos de tarifas pressionam as contas Outro fator que contribuiu para o aumento do déficit foi a redução da receita líquida com tarifas de importação. Após uma decisão da Suprema Corte americana que derrubou grande parte das tarifas impostas por Trump em seu primeiro ano de mandato, o governo teve de realizar reembolsos a importadores. Segundo a Reuters, os reembolsos somaram US$ 145 bilhões no ano fiscal de 2026. Com isso, a receita líquida com tarifas caiu US$ 22 bilhões, uma redução de 11%, para cerca de US$ 173 bilhões. O Tesouro americano estimou que o déficit correspondeu a 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima da proporção de 5,8% registrada no ano fiscal de 2025. Em setembro, último mês do ano fiscal, o governo registrou déficit de US$ 27 bilhões. No mesmo mês do ano anterior, havia sido registrado superávit de US$ 198 bilhões. O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa após desembarcar do Air Force One, depois de participar de um comício de campanha em Clarksville, Tennessee, na Base Aérea Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 10 de outubro de 2026 REUTERS/Eric Lee *Com informações da Reuters
16/10/2026 18:13:09 +00:00
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