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Urna eletrônica eleições mulher Tribunal Superior Eleitoral/TSE As denúncias de assédio eleitoral recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) chegaram a 2.009 em 2026, até as 17h desta segunda-feira (26). Somente em outubro, foram registradas 1.190 denúncias, alta de 115,6% em relação a setembro, quando o órgão recebeu 552 relatos. O volume representa cerca de 59,2% de todas as denúncias recebidas pelo MPT no ano até o momento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nos 26 primeiros dias de outubro, até as 17h desta segunda-feira (26), a média foi de aproximadamente 46 denúncias por dia. (veja o levantamento completo abaixo) São Paulo lidera o número de registros, com 350 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. Somente entre o primeiro e o segundo turnos, o MPT recebeu 946 queixas. O número ainda está abaixo do registrado nas eleições de 2022, quando houve mais de 3,3 mil denúncias — um aumento de 1.600% em comparação com 2018. ➡️ O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando o empregador tenta influenciar o voto do funcionário por meio de ameaças, como perda do emprego, redução salarial ou rebaixamento de cargo, ou promove atividades políticas, como distribuição de santinhos e eventos, no ambiente de trabalho. Assédio eleitoral no trabalho em 2026 Arte g1 Assédio eleitoral no trabalho em 2026 (por estado) Arte g1 Além das denúncias recebidas pelo MPT, dados da Justiça do Trabalho mostram que, desde maio de 2023, foram registrados 863 processos relacionados ao assédio eleitoral no país, sendo 233 somente em 2026. Os processos são cadastrados de acordo com o assunto e, por isso, o registro não significa que o assédio eleitoral tenha sido comprovado pela Justiça em todos os casos. Os dados fazem parte do Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado para identificar e acompanhar esses casos na Justiça do Trabalho. O número de processos também aumentou entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Segundo dados parciais do Centro de Pesquisas Judiciárias da Justiça do Trabalho, foram registrados 135 processos entre janeiro e 4 de outubro, data do primeiro turno. Entre 4 e 24 de outubro, o total chegou a 185, com 50 novas ações trabalhistas no período — um aumento de 37%. O que é assédio eleitoral no trabalho? O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando empregadores, gestores ou outras pessoas tentam constranger, pressionar ou influenciar um trabalhador a votar, apoiar ou manifestar preferência por determinado candidato, partido político ou posição ideológica. Por exemplo, a prática pode ocorrer por meio de ameaças de demissão, rebaixamento de cargo ou redução salarial caso o empregado vote em determinado candidato. Também pode envolver a distribuição de material de campanha ou a realização de eventos políticos no ambiente de trabalho, especialmente quando há pressão ou constrangimento dos trabalhadores. A prática é definida pela Resolução CSJT nº 355/2023, da Justiça do Trabalho. Entre as condutas que podem caracterizar assédio estão coação, intimidação, ameaça, humilhação e outras formas de constrangimento usadas para interferir na escolha política ou no direito ao voto livre e secreto. Também pode haver assédio quando o trabalhador recebe tratamento diferente por causa de sua opinião ou convicção política, como exclusão, favorecimento ou discriminação no ambiente de trabalho, inclusive em processos seletivos e de contratação. Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou a Resolução nº 23.755/2026, que incluiu o § 2º-A no artigo 19 da Resolução nº 23.610/2019. A norma passou a proibir expressamente a propaganda eleitoral e o assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados, responsabilizando quem pratica ou permite essas condutas. Em agosto, o TSE, a Justiça do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o MPT também firmaram um acordo de cooperação técnica para reforçar ações de prevenção, fiscalização e combate ao assédio eleitoral. Entre as situações que podem caracterizar assédio eleitoral estão: Ameaçar demitir quem não votar em determinado candidato; Prometer aumento salarial, benefício ou outra vantagem em troca de voto; Exigir participação em campanha eleitoral; Distribuir material de campanha e pressionar os empregados a utilizá-lo; Cobrar o voto ou tentar descobrir em quem o trabalhador votará; Constranger funcionários em reuniões; Retaliar quem manifesta preferência política diferente da do empregador; Impor o uso de símbolos, roupas ou materiais de campanha. Pressão também acontece pelas redes O uso de ambientes virtuais para a prática de assédio eleitoral no trabalho também foi identificado em uma pesquisa do Centro de Pesquisas Judiciárias (CPJ) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). O levantamento examinou 138 processos ajuizados até dezembro de 2025 e mostrou que a pressão política no ambiente de trabalho ultrapassa os limites físicos das empresas e também ocorre por meio de mensagens, grupos e redes sociais. O WhatsApp foi citado em 37% das ações como meio utilizado para a prática, enquanto as redes sociais apareceram em 14,5% dos casos. Os pesquisadores identificaram ainda situações envolvendo manifestações verbais, comunicados, mecanismos psicológicos, mobilizações obrigatórias e ameaças ou vantagens econômicas relacionadas à escolha política. A pesquisa também contemplou uma amostra quantitativa ampliada, com 688 processos ajuizados até junho de 2026. Nesse grupo, 32,1% dos casos tinham dois ou mais réus. Em um dos processos, chegaram a ser apontadas 19 pessoas como praticantes de assédio eleitoral. Além dos empregadores, apareceram como réus tomadores de serviços, sócios, administradores e gestores. Na amostra qualitativa, 88% das ações foram movidas por trabalhadores, sendo 57% homens e 43% mulheres. O MPT foi responsável por 12% dos processos. Consequências para as empresas O Ministério Público do Trabalho (MPT) obteve na Justiça do Trabalho 52 decisões liminares para combater o assédio eleitoral e garantir aos trabalhadores o direito ao voto livre. As liminares foram concedidas em 59 ações civis públicas ajuizadas pela instituição, o que corresponde a cerca de 88% do total de ações. A atuação do MPT também resultou na celebração de 53 termos de ajuste de conduta (TACs). Segundo o coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do MPT, Igor Sousa Gonçalves, os resultados demonstram a importância de uma atuação rápida para impedir práticas de assédio eleitoral. “O elevado número de decisões liminares favoráveis demonstra a atuação do MPT na proteção da liberdade política dos trabalhadores. Muitas decisões foram obtidas em plantões eleitorais para impedir constrangimentos e ameaças, reafirmando que o ambiente de trabalho não pode ser usado como instrumento de pressão política”, destacou. As consequências para as empresas dependem da conduta e da gravidade do caso. Na esfera trabalhista, os trabalhadores podem buscar indenização pelos danos sofridos. Quando a prática atinge um grupo de funcionários ou provoca impactos coletivos, o MPT pode atuar para interromper a conduta e buscar reparação por dano moral coletivo. A empresa também pode ser investigada e responsabilizada na esfera eleitoral. Se a conduta configurar um crime previsto na legislação, poderá haver consequências criminais. Além disso, o caso pode resultar na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no ajuizamento de uma ação civil pública e na adoção de outras medidas para impedir a continuidade da prática. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo Oliveira, afirma que o assédio eleitoral no ambiente profissional representa um risco à democracia. “Se nós não frearmos essas condutas, ditadas pelo poder econômico ou pelo domínio na administração pública, isso representa um grave risco à nossa democracia, porque é uma das formas de interferência na vontade popular que se manifesta na hora do voto, nas urnas”, afirmou. Como provar o assédio eleitoral? A prova depende da forma como a conduta ocorreu. Mensagens de WhatsApp, e-mails, comunicados internos, fotografias, vídeos, áudios, documentos, publicações em redes sociais e testemunhos podem ajudar a demonstrar o que aconteceu. Em conversas ou reuniões, gravações feitas por uma das pessoas que participa da conversa também podem ser utilizadas como prova, em regra. É importante preservar os registros e anotar, sempre que possível, a data, o local, as pessoas envolvidas e o que foi dito ou feito. Também não é necessário esperar que uma ameaça se concretize. A própria tentativa de pressionar ou coagir o trabalhador pode ser relevante para a apuração do caso. O trabalhador pode denunciar? Como fazer? Sim. O assédio eleitoral pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), inclusive por canais eletrônicos. O trabalhador pode fazer a denúncia de forma anônima ou, caso se identifique, solicitar o sigilo de seus dados. É importante fornecer o máximo possível de informações, como o nome da empresa, as pessoas envolvidas, o local, a data e a descrição dos fatos. Mensagens, e-mails, fotos, vídeos e outros documentos também podem ser enviados. Dependendo do caso, a denúncia pode ser encaminhada à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), especialmente quando houver indícios de crime eleitoral. Veja os principais canais: Ministério Público do Trabalho (MPT): recebe denúncias de irregularidades trabalhistas pelo site do órgão e pelo aplicativo Pardal MPT. Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os Tribunais Regionais do Trabalho possuem canais de atendimento e ouvidorias para receber relatos relacionados ao tema. Centrais sindicais: disponibilizam canal para denúncias de pressões políticas, demissões ou cortes de benefícios relacionados à escolha eleitoral. Ministério Público Eleitoral (MPE): pode ser acionado em situações que envolvam possíveis crimes ou irregularidades eleitorais. Sindicato: o sindicato da categoria também pode receber denúncias e orientar o trabalhador sobre seus direitos. Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas; Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União; Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas; Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados; Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.

Sigla em inglês para inteligência artificial. Aly Song/Reuters Enquanto empresas de tecnologia competem para desenvolver a inteligência artificial mais poderosa, algumas também se perguntam como ensinar um chatbot a distinguir o certo do errado. A resposta? A religião. “Essas não são perguntas que um laboratório possa responder”, disse Chris Olah, cofundador da Anthropic, no início deste ano, durante a apresentação, no Vaticano, da encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial. “São perguntas com as quais tradições como a sua lidam há milênios.” Em meio a essa tão discutida aproximação com a fé, houve pouca atenção pública ao que exatamente essas empresas de tecnologia entendem por religião — e, talvez mais importante, ao que esperam obter com essa aproximação. Enquanto executivos alertam para o potencial destrutivo da IA e debatem a necessidade de desenvolver modelos capazes de tomar decisões alinhadas a determinados princípios morais, recorrem cada vez mais a filósofos e líderes religiosos. Agora no g1 A ideia pode ser resumida assim: a religião ajudaria a orientar o desenvolvimento da IA em um ambiente no qual os temores em torno da tecnologia — fundamentados ou não — se espalham pela sociedade. Como essas empresas não estão vinculadas a uma religião específica, o objetivo costuma ser bastante amplo: encontrar um conjunto de princípios morais capaz de orientar seus modelos. “O que eu acho que o ChatGPT deveria fazer é refletir essa média ponderada, ou algo assim, da visão moral da humanidade”, disse Sam Altman, CEO da OpenAI, no ano passado. Mas especialistas e praticantes de diferentes religiões alertam que essa ideia não leva em conta o fato de que tradições e visões de mundo podem se contradizer. Em resumo, dizem eles, não é exatamente assim que a religião funciona. Religião é mais do que um conjunto de regras Há décadas, estudiosos contestam a visão amplamente difundida da religião como um conjunto de regras ou princípios que podem ser separados das maneiras “complicadas, práticas e improvisadas” pelas quais os fiéis vivem sua fé, afirma Webb Keane, antropólogo da Universidade de Michigan. A ideia de que a religião pode ser separada de áreas como a cultura e a política permanece arraigada, embora, na prática, esteja profundamente ligada a ambas. Alguns temem que as empresas de IA, ao recorrerem a líderes religiosos para responder a questões éticas, reforcem uma concepção de religião que não reconhece plenamente a importância da doutrina, dos rituais e das relações entre seus praticantes. Eis a questão, argumenta Keane: se partirmos do pressuposto de que a religião pode oferecer um conjunto isolável de princípios morais, usá-la para treinar sistemas de IA pode acabar priorizando certas tradições e distorcendo outras — especialmente aquelas que não se definem primordialmente como sistemas éticos. “Existe uma maneira muito convencional de pensar na religião como um livro de regras”, disse ele. “Certamente, isso está muito ligado à religião bíblica e, no fim das contas, às religiões abraâmicas.” Empresas buscam ampliar o diálogo com religiosos Isso não significa que essas reuniões tenham faltado diversidade. Tampouco quer dizer que o envolvimento das empresas com a religião tenha sido pouco cuidadoso, na avaliação de participantes como Meghan Sullivan, filósofa da religião que lidera uma iniciativa sobre ética e IA na Universidade de Notre Dame. Embora não enumere as tradições consultadas, a Anthropic afirmou, em uma publicação de maio em seu blog, que se reuniu com “acadêmicos, clérigos, filósofos e especialistas em ética de mais de 15 grupos religiosos e interculturais” — grupo que pretende ampliar no futuro. No início deste ano, Sullivan participou de uma reunião da Anthropic que contou com cristãos de diferentes denominações. Em comparação com conversas que teve com outras empresas de tecnologia, ela disse ter ficado impressionada com a profundidade com que a Anthropic abordou questões religiosas. A empresa é amplamente reconhecida por dar especial atenção à ética e à segurança da IA. “A cultura dentro da empresa é semelhante à de um bom campus universitário, no sentido de que há um grupo de pessoas muito curiosas intelectualmente”, disse ela. “Essas reuniões são bem nerds — não sei se essa é a melhor maneira de descrever —, no bom sentido.” A reunião foi dividida em duas partes. Primeiro, a empresa explicou seus modelos “em termos simples” aos participantes. Em seguida, os líderes religiosos fizeram comentários e debateram as questões apresentadas, segundo Sullivan. “Discutimos todo tipo de questão moral que essa tecnologia levanta — desde ‘Será que os humanos têm alma?’ até ‘Alunos do terceiro ano deveriam ter acesso a um chatbot para ajudar na alfabetização?’” Representantes da Meta, do Google e da Amazon também se reuniram com representantes do Vaticano, enquanto a Microsoft tem ampliado sua atuação junto a comunidades religiosas. A religião é antiga. O estudo dela, não A religião é geralmente considerada antiga e universal. Embora estudiosos como o falecido e influente Jonathan Z. Smith reconheçam que isso é verdade em alguns aspectos, eles argumentam que essa visão não conta toda a história. “O homem teve toda a sua história para imaginar divindades e modos de interação com elas. Mas o homem, mais precisamente o homem ocidental, teve apenas os últimos séculos para imaginar a religião”, escreveu Smith em 1982. Muitos estudiosos da religião hoje compartilham a visão de Smith. Eles questionam a ideia de que as religiões formam um conjunto de sistemas distintos e comparáveis e argumentam que essa é uma concepção moderna, que remonta ao século XIX. O budismo e o hinduísmo, por exemplo, não eram reconhecidos como tradições claramente delimitadas pelas populações que os praticavam antes da chegada de estudiosos europeus, afirma Tomoko Masuzawa, estudiosa da religião e autora de “A Invenção das Religiões Mundiais”. “Todas essas categorias não eram nativas”, acrescenta. Acadêmicos ocidentais consolidaram essas categorias ao longo dos anos e só começaram a reexaminá-las de forma mais sistemática na segunda metade do século XX. Essas ideias arraigadas sobre religião — entre elas, a noção de que tradições religiosas podem ser facilmente comparadas entre diferentes culturas — ajudam a explicar por que o Vale do Silício pode não sentir necessidade de definir o que entende por religião. Na tentativa de representar diferentes pontos de vista, recorrer à religião acaba se tornando uma maneira aparentemente simples de incorporar diversidade de pensamento. “De alguma forma, a religião se torna uma maneira de mapear o mundo”, disse Masuzawa. “É como se o mundo inteiro tivesse aderido a ela.” Ao reunir diferentes visões, IA pode apagar particularidades Alguns especialistas defendem que as empresas definam com mais clareza seus termos e objetivos, para que seja possível entender exatamente o que esperam obter desse diálogo com a religião. “Este trabalho não busca alinhar nossos modelos à visão de mundo de uma tradição específica. Queremos que Claude se inspire em uma ampla gama de pontos de vista — religiosos, seculares e políticos — com igual profundidade e rigor”, afirmou a Anthropic na publicação. “O que buscamos nessas conversas é uma reflexão cuidadosa e acumulada sobre como o bom caráter realmente se forma.” Os grandes modelos de linguagem geram textos prevendo, sucessivamente, quais elementos têm maior probabilidade de aparecer em seguida, a partir de padrões identificados durante seu treinamento em grandes volumes de conteúdo produzido por humanos, incluindo textos religiosos. Paolo Carozza, membro do Conselho de Supervisão independente da Meta e especialista jurídico em pensamento social católico e tecnologia, teme que, ao combinar diferentes perspectivas, as características que definem determinada tradição acabem se perdendo. Na prática, diz ele, elas poderiam ser homogeneizadas, produzindo uma visão mais genérica ou que privilegie tradições religiosas ocidentais. “Qualquer tradição viva e sofisticada é capaz, ao longo do tempo, de interagir com outras tradições, absorver novos conhecimentos e evoluir. Mas faz isso de forma orgânica”, disse ele. “O que a IA, acredito, muitas vezes faz — ou pode fazer — não ocorre de forma orgânica. Ela simplesmente mistura tudo, desorganiza tudo e, assim, acaba não dando sentido a nada.”

Eleitores da Califórnia podem aprovar primeiro imposto do tipo no mundo? Reuters via BBC Poucos lugares no planeta têm tantos moradores ultrarricos quanto a Califórnia, estado americano conhecido pelo glamour, pelas mansões à beira-mar e por abrigar pessoas ricas e famosas. Agora, os eleitores estão prestes a decidir se os super-ricos do estado — entre eles a magnata da mídia Oprah Winfrey, o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, Kim Kardashian, cofundadora da Skims e estrela de reality shows, e o cineasta George Lucas — devem desembolsar bilhões de dólares para financiar melhorias na área da saúde. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Proposição 40 tem como objetivo instituir um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de todos os bilionários da Califórnia. Há pouco mais de 200 pessoas nessa categoria no estado, mas isso não impediu que a proposta dividisse lideranças e levasse alguns de seus moradores ultrarricos a deixar a região. Um empresário bilionário afirma ter gerado empregos na Califórnia, mas diz que a proposta o fez se sentir "um pouco como se eu não fosse bem-vindo". Agora no g1 A votação também está dando aos cidadãos comuns a oportunidade de se manifestar sobre uma questão que provoca turbulência na política há décadas. "Eu acredito que este é o primeiro imposto sobre bilionários — ou seja, um imposto sobre o patrimônio direcionado a uma parcela extremamente restrita da distribuição de riqueza", afirma Francesco Trebbi, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele destaca o caráter histórico da medida e como ela poderia ajudar a reduzir a desigualdade patrimonial no estado. A Califórnia tem a maior economia entre os estados americanos e a quarta maior economia do mundo, superior às da Índia e do Reino Unido. O estado também abriga uma das maiores concentrações de bilionários do planeta. Ao mesmo tempo, tem a maior proporção de pessoas em situação de rua do país e uma das maiores desigualdades patrimoniais. Os defensores da proposta argumentam que ela ajudaria a garantir que os ultrarricos contribuam com sua parcela justa de impostos e compensaria déficits no orçamento estadual. A iniciativa pretende arrecadar US$ 100 bilhões (cerca de R$ 496 bilhões) para compensar cortes no financiamento federal do sistema de saúde do estado. Suzanne Jimenez, chefe de gabinete do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços — Trabalhadores da Saúde Unidos do Oeste (SEIU-UHW), que ajudou a liderar a campanha pela iniciativa, afirma que a medida é uma "solução de curto prazo" para os grandes cortes de recursos federais que a Califórnia deverá enfrentar em consequência do abrangente pacote tributário e de gastos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Se não fizermos nada, veremos nosso sistema de saúde entrar em colapso enquanto buscamos uma solução de longo prazo para financiá-lo", disse ela à BBC. Os defensores da proposta argumentam que ela ajudaria a garantir que os ultrarricos contribuam com sua parcela justa de impostos e compensaria déficits no orçamento estadual. Getty Image via BBC Embora a proposta tenha muitos apoiadores — incluindo alguns bilionários, como Jensen Huang, CEO da Nvidia —, ela enfrenta forte oposição de diferentes figuras, de bilionários ao governador liberal do estado. Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia medidas eleitorais capazes de bloquear o imposto sobre o patrimônio, segundo o Los Angeles Times. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, que está chegando ao fim de seu mandato, é talvez a liderança política mais importante a se opor à proposta. Ele manifestou preocupação de que a medida leve os ricos a deixar o estado, provocando a perda de receitas essenciais provenientes do imposto de renda. Uma pesquisa realizada em setembro pelo Instituto de Estudos Governamentais de Berkeley e pelo Los Angeles Times constatou que a proposta ainda não conquistou claramente a maioria dos eleitores: 45% dos eleitores com maior probabilidade de votar eram favoráveis ao imposto, 42% eram contrários e 13% estavam indecisos. A medida, submetida à votação em todo o estado, precisará ser aprovada pela maioria dos eleitores. A Califórnia não é o primeiro lugar a considerar a possibilidade de tributar os ricos. Também na costa oeste, os eleitores do estado americano de Washington estão avaliando se aprovam ou rejeitam um "imposto sobre milionários": uma alíquota de 9,9% sobre rendimentos anuais superiores a US$ 1 milhão. Embora os impostos sobre o patrimônio tenham sido relativamente comuns na Europa, eles perderam popularidade rapidamente e hoje existem em apenas três países europeus — Espanha, Noruega e Suíça —, afirma o dr. Kristian Niemietz, chefe de economia política do Instituto de Assuntos Econômicos. Niemietz considera que os impostos sobre o patrimônio "dão mais trabalho do que valem a pena", pois criam dificuldades administrativas, desestimulam investimentos, provocam a saída de capitais e, no fim das contas, arrecadam pouco. No caso da Noruega, uma organização de notícias local constatou que o aumento do imposto sobre o patrimônio levou mais super-ricos a deixar o país em 2022 do que nos 13 anos anteriores somados. Um estudo sobre a Suíça concluiu que um aumento de 0,1 ponto percentual na alíquota do imposto sobre o patrimônio reduziu em 3,5% o patrimônio tributável. Se aprovada, a medida da Califórnia será aplicada retroativamente a pessoas com patrimônio líquido de pelo menos US$ 1 bilhão que residiam no estado em 1º de janeiro de 2026. Pelo menos seis dos mais de 200 bilionários da Califórnia teriam deixado o estado antes dessa data para evitar o imposto. Entre eles estão os cofundadores do Google Larry Page e Sergey Brin, o investidor de capital de risco Peter Thiel, o ex-CEO da Uber Travis Kalanick e Don Hankey, fundador do Hankey Group. Hankey, bilionário de Los Angeles que viveu toda a vida na Califórnia, disse à revista Forbes que se mudou para o estado de Nevada por causa da proposta de imposto sobre o patrimônio. "Acho que criamos muitos empregos na Califórnia. Temos alguns milhares de pessoas trabalhando para nós e um plano de participação nos lucros. E preciso deixar o estado", afirmou. Ele acrescentou que a medida o fez sentir que não era "bem-vindo" no estado. Segundo relatos, o cofundador do Google Sergey Brin doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia medidas eleitorais capazes de bloquear o imposto sobre o patrimônio. Getty Images via BBC Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, disse ao conselho de administração da empresa no mês passado que estava considerando transferir sua residência principal para fora da Califórnia por causa do imposto proposto. Para evitar que ele deixe o estado — onde fica a sede da empresa —, a Meta concordou com um novo acordo de remuneração em ações que concede a Zuckerberg, cuja fortuna é estimada em mais de US$ 200 bilhões, ainda mais participações na companhia. O objetivo é compensá-lo pelos bilhões de dólares que perderia caso a medida fosse aprovada em novembro. Estimativas indicam que ele poderia ter de pagar até US$ 12,5 bilhões. Andy Fang, cofundador da DoorDash, cuja fortuna é estimada em US$ 1,6 bilhão, classificou a medida como "estúpida" e escreveu na rede social X que "propostas como essa tornam irresponsável da minha parte não planejar deixar o estado". Enquanto isso, o empresário Tom Steyer, que disputou sem sucesso o governo da Califórnia no início deste ano, é um dos poucos bilionários que declararam que votarão a favor do imposto. Steyer afirmou que, embora considere "problemática" a forma como a medida foi redigida, ela é necessária para proteger os californianos mais vulneráveis. Huang também declarou que apoia o pagamento do imposto. "Não me importo de pagar impostos. Quanto mais você ganha, mais impostos paga. Para mim, tudo bem", afirmou o presidente da Nvidia em uma entrevista à CBS, parceira americana da BBC. "Eu sou a personificação do sonho americano." O senador Bernie Sanders, do estado de Vermont, conhecido por sua atuação contra a desigualdade de renda, tem feito campanha em apoio à Proposição 40. Durante um ato em Los Angeles, Sanders disse que os bilionários "acreditam, assim como os monarcas do século 19, que têm um direito divino de governar". "Eles têm toda a riqueza, têm todo o poder, e quem diabos vocês pensam que são para desafiá-los? Bem, acho que em 3 de novembro eles vão aprender uma lição muito importante." O senador americano Bernie Sanders discursa no comício "Votos Acima de Bilionários" em 5 de outubro, em Los Angeles. Getty Images via BBC A desigualdade de renda nos Estados Unidos está entre os níveis mais altos em mais de três décadas. No terceiro trimestre de 2025, o 1% mais rico das famílias detinha quase 32% de toda a riqueza do país. Na Califórnia, a desigualdade também está próxima de níveis historicamente elevados. A desigualdade econômica preocupa a maioria dos californianos. Segundo uma pesquisa estadual do Instituto de Políticas Públicas da Califórnia, 72% acreditam que a distância entre ricos e pobres está aumentando, e uma proporção semelhante considera que o governo estadual deveria fazer mais para reduzir essa diferença. Trebbi afirma que a política é impulsionada por um "sentimento antielite e antissistema". "Na verdade, isso não se trata da Proposição 40", diz ele, mas de uma tentativa de "reequilibrar um pouco a balança".

Dia do Servidor Público é feriado ou ponto facultativo? Veja quem folga Jornal Nacional/ Reprodução Na próxima quarta-feira (28), é celebrado o Dia do Servidor Público. A data não é feriado nacional, mas é considerada ponto facultativo nos órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, sem prejuízo da continuidade dos serviços essenciais à população. Isso significa que estados e municípios podem decidir se haverá expediente nas repartições públicas. Em geral, os governos locais também adotam o ponto facultativo, suspendendo o atendimento ao público, mas mantendo os serviços essenciais, como saúde e segurança. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que o ponto facultativo referente ao Dia do Servidor Público Federal será transferido para sexta-feira (30). A portaria que oficializa a mudança será publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira (27). O ponto facultativo também pode ser transferido para outra data, como uma segunda ou sexta-feira. Em 2026, 25 estados transferiram a folga para sexta-feira (30), enquanto apenas dois mantiveram a data original, quarta-feira (28). Em alguns estados, a mudança permitirá que os servidores abrangidos pela medida tenham quatro dias consecutivos de descanso, considerando o fim de semana e o feriado de Finados, na segunda-feira (2). Veja como fica a situação em cada unidade da Federação: Transferiram o ponto facultativo para sexta-feira (30): Acre Amapá Amazonas Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Goiás Maranhão Mato Grosso do Sul Minas Gerais Pará Paraíba Paraná Pernambuco Piauí Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rio Grande do Sul Rondônia Roraima Santa Catarina São Paulo Sergipe Tocantins Mantiveram a data original, na quarta-feira (28): Alagoas Mato Grosso Diferentemente de um feriado, porém, o ponto facultativo não se aplica automaticamente às empresas privadas. Nesses casos, os funcionários trabalham normalmente, salvo se houver previsão de folga em acordo ou convenção coletiva ou se a própria empresa decidir liberá-los. Segundo Fábio J. Duque Estrada, advogado trabalhista do AC Burlamaqui Advogados, para saber quem tem direito à folga, é preciso considerar o tipo de vínculo de trabalho. “A resposta depende, antes de tudo, de quem é o trabalhador e de qual regime jurídico rege a sua relação de trabalho”, explica o advogado. O g1 conversou com o especialista para explicar como funciona o Dia do Servidor Público. Veja as respostas para as principais dúvidas: Quem tem direito à folga no dia 28? O que fazer se o servidor precisar trabalhar? Trabalhar no dia 28 dá direito a pagamento em dobro? Quais são os próximos feriados de 2026? Agora no g1 Quem terá direito a folga no dia 28? A folga no Dia do Servidor Público depende do vínculo profissional e das regras aplicáveis a cada órgão ou empresa. Servidores públicos federais: o dia 28 é ponto facultativo nos órgãos do governo federal. Mesmo assim, serviços essenciais, como saúde e segurança, podem funcionar normalmente. Servidores estaduais e municipais: a folga depende das decisões de cada governo. Por isso, é importante consultar o calendário oficial do estado ou município. Empregados públicos contratados pela CLT: seguem as regras do órgão ou da empresa em que trabalham. No caso das estatais, também podem valer normas internas e acordos coletivos. Trabalhadores terceirizados em órgãos públicos: não têm folga garantida. Mas, se o órgão fechar e o posto de trabalho ficar inativo, a empresa não pode descontar o dia de quem estava à disposição para trabalhar. Empregados de empresas privadas: trabalham normalmente, a menos que a empresa conceda folga ou exista alguma regra que garanta a dispensa. O que fazer se o servidor não ganhar folga? O servidor deve consultar o calendário oficial, o decreto ou a portaria do órgão para verificar se a folga foi concedida ou transferida para outra data. Caso seja escalado para trabalhar, especialmente em serviços essenciais, deve verificar as regras internas sobre jornada e eventual compensação. Em caso de dúvida ou suspeita de descumprimento das normas, a orientação é procurar o setor de recursos humanos, o sindicato da categoria ou assistência jurídica. Como a folga depende de decisão administrativa, a ausência sem autorização pode ser considerada injustificada e resultar em desconto, conforme as regras aplicáveis ao servidor. Trabalhar no dia 28 dá direito a pagamento em dobro? Não, como regra geral. O ponto facultativo não equivale a feriado para fins trabalhistas. Por isso, trabalhar nessa data não garante, por si só, remuneração em dobro. Para os servidores públicos, eventuais direitos dependem do regime jurídico e das normas aplicáveis ao órgão. Na iniciativa privada, o expediente pode ocorrer normalmente, salvo previsão específica em contrato, acordo ou convenção coletiva. “Como o ponto facultativo é, juridicamente, um dia útil, quem trabalha no dia 28 recebe a remuneração normal, ressalvadas as horas extras e eventuais vantagens previstas em norma coletiva, lei local ou regulamento interno”, afirma Fábio J. Duque Estrada. Se o trabalhador ultrapassar a jornada normal, poderá ter direito a horas extras, conforme as regras aplicáveis. Se a data coincidir com um feriado municipal instituído por lei, poderão valer as regras de remuneração ou compensação previstas para o trabalho em feriados. Quais são os próximos feriados de 2026? Em novembro, haverá três feriados nacionais. O primeiro será em 2 de novembro, Dia de Finados, que cairá em uma segunda-feira. Para quem não trabalha aos fins de semana, serão três dias consecutivos de descanso. Depois, em 15 de novembro, será celebrada a Proclamação da República. Como o feriado cairá em um domingo, não haverá possibilidade de emenda para quem já folga nesse dia. Já o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, cairá em uma sexta-feira, permitindo três dias consecutivos de descanso para quem não trabalha aos fins de semana. Desde 2023, a data é feriado nacional. A mudança foi aprovada pelo Congresso e sancionada em dezembro daquele ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Bolsa despenca 13% após vitória de Lula A forte queda da bolsa brasileira após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta segunda-feira (26), levantou uma dúvida entre investidores: é hora de aproveitar os preços mais baixos para comprar ações ou esperar que o mercado se estabilize? O Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, registrando a maior queda diária desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. No dia 20 daquele mês, o índice caiu 13,92%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Com a queda desta segunda-feira, a bolsa brasileira perdeu R$ 734 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. O montante equivale a quase todo o valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 746 bilhões. 👉 A reação refletiu a surpresa de parte dos investidores com o resultado eleitoral. Quem esperava uma transição para um governo de centro-direita passou a rever suas estratégias diante das incertezas sobre a condução da economia, os gastos públicos e o controle da dívida do governo. A queda dos preços, porém, não significa que todas as ações estejam baratas nem que seja o momento ideal para comprá-las. Segundo especialistas consultados pelo g1, a decisão depende das condições de cada empresa, de sua capacidade de gerar resultados e do tamanho de suas dívidas. Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Queda não significa que todas as ações estão baratas Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ressalta que a queda no preço das ações não significa, necessariamente, que uma empresa perdeu capacidade de gerar resultados. Para avaliar se um papel está barato, é preciso comparar seu preço de mercado com os resultados que a companhia pode alcançar. "Uma queda de 10% tampouco significa que as empresas perderam, de um dia para o outro, 10% de sua capacidade de gerar resultados. Significa que os investidores passaram a aceitar preços menores diante dos riscos percebidos.” Segundo ela, em um cenário econômico mais incerto, os investidores passam a exigir uma compensação maior pelo risco de aplicar seu dinheiro. 👉 Por isso, uma ação que ficou mais barata pode representar uma oportunidade de compra se a empresa mantiver boas perspectivas de resultados. Se a expectativa de lucro piorar ou o custo para financiar as atividades aumentar, porém, a queda do preço pode não ser suficiente para tornar o papel atrativo. Essa ressalva também aparece na análise da Vault Research, que atribui parte da queda à reversão das apostas de investidores em uma transição para um governo de centro-direita. As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro Arte/g1 Segundo a corretora, cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) haviam entrado na bolsa em outubro com essa expectativa. Com a reeleição de Lula, esses investidores passaram a desfazer suas posições, pressionando os preços das ações. Para a Vault, no entanto, a reação ao resultado eleitoral não explica todos os riscos envolvidos. Os analistas também apontam problemas na situação fiscal do país, na inflação e na saúde financeira das empresas, fatores que podem comprometer os resultados dos negócios. “Mesmo depois do tombo, o Ibovespa segue cerca de 9% acima do início do ano, com fiscal, inflação e balanço das empresas piores. Pode haver alívio pontual, mas a direção é de queda.” Exportadoras e empresas defensivas entram no radar Diante dos riscos para a bolsa, o BTG Pactual recomenda cautela na escolha das ações. O banco alerta para a possibilidade de novas perdas, em meio à alta dos juros de longo prazo, e prioriza empresas que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira, têm menos dívidas ou atuam em setores menos sensíveis às oscilações da economia. "As perspectivas de um real mais fraco podem favorecer as ações de exportadoras, como as produtoras de commodities metálicas, petróleo e gás, commodities agrícolas e exportadoras industriais”, dizem os analistas. Entre as exportadoras citadas pelo BTG estão Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG e Embraer. Algumas delas estiveram entre as poucas ações do Ibovespa que fecharam em alta nesta segunda-feira. (veja mais abaixo) 🔎 Isso ocorre porque a alta do dólar pode elevar, em reais, o valor das receitas obtidas com vendas ao exterior. O efeito sobre os resultados, porém, depende dos custos, das dívidas e da exposição cambial de cada empresa. Além das exportadoras, o BTG destaca empresas menos endividadas e com maior capacidade de enfrentar períodos de juros elevados. São as chamadas “ações defensivas”, que, segundo os analistas, tendem a apresentar desempenho relativamente melhor nesse cenário. “Empresas com balanços fortes (baixa alavancagem ou posição de caixa líquido) e que atuam em setores defensivos também devem se sair relativamente bem. Seguradoras como Caixa Seguridade e Porto Seguro e a fabricante de bebidas Ambev devem apresentar desempenho superior.” O banco também destaca a Petrobras e o Itaú Unibanco entre as grandes empresas da bolsa. No caso da estatal, a exposição ao petróleo, a proteção cambial e a distribuição de dividendos são apontadas como fatores favoráveis. Já o Itaú é considerado pelo BTG o grande banco mais bem preparado para enfrentar cenários econômicos adversos. Apenas 8 ações fecharam em alta nesta segunda-feira (26) Arte/g1 Juros altos e incerteza fiscal aumentam os riscos para a bolsa Para avaliar se a queda das ações representa uma oportunidade de compra, também é preciso considerar a capacidade das empresas de enfrentar um período prolongado de juros elevados. Além de encarecer novos empréstimos, esse cenário dificulta o pagamento de dívidas já existentes e pode limitar os recursos disponíveis para investimentos e expansão dos negócios. 🔎 Os dados sobre a situação financeira das empresas ajudam a dimensionar esse risco: em 2025, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial, que envolveram 2.466 empresas. O número de CNPJs foi o maior da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2012. Em agosto de 2026, dado mais recente disponível, o país tinha 9,3 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 244,4 bilhões em dívidas negativadas. Os riscos para a bolsa, porém, não se limitam à situação financeira das companhias. O desempenho do mercado também dependerá das expectativas sobre as contas públicas e das decisões do governo para a economia. Para o Goldman Sachs, a situação fiscal continuará sendo o principal fator considerado pelos investidores na avaliação do risco brasileiro. Segundo Alberto Ramos, chefe da equipe de Pesquisa Econômica para a América Latina da divisão de Pesquisa de Investimentos Globais do banco, a reação dos mercados após o resultado eleitoral dependerá dos sinais do governo sobre a política econômica. Entre os pontos de atenção estão a escolha do ministro da Fazenda e a apresentação de um plano mais claro para equilibrar as contas públicas nos próximos quatro anos. A composição do Congresso também pode dificultar a aprovação de medidas econômicas. O Partido Liberal (PL) tem a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e 29 senadores no Senado. Para Ramos, essa configuração pode ampliar os obstáculos à articulação política do governo Lula. “Dada a composição mais à direita do Congresso, o presidente Lula provavelmente enfrentará desafios ainda maiores do que no mandato atual por conta do bloco de oposição conservadora maior e pelo fato de seu capital político ser limitado, visto que não poderá buscar a reeleição em 2030”, argumenta Ramos. Painel da B3 - Bovespa Nelson Almeida/ AFP

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.076 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 305 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (27), em São Paulo. Está semana é a Mega semana, que terá cinco sorteios consecutivos até sexta-feira (30). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No concurso da última segunda (26), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Mega-Sena, concurso 3075: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.075 da Mega-Sena foi realizado na noite desta segunda-feira (26), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 294 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 305 milhões. Está semana é a Mega semana, que terá cinco sorteios consecutivos até sexta-feira (30). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Veja os números sorteados: 07 - 10 - 14 - 27 - 36 - 55 5 acertos: 182 apostas ganhadoras, R$ 19.433,12 4 acertos: 11.018 apostas ganhadoras, R$ 458,57 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Resultado do concurso 3075 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Tela inicial do Globoplay. Reprodução/Globoplay O Globoplay anunciou uma reorganização de seus planos de assinatura, com a inclusão de mais de 20 canais ao vivo e dos conteúdos esportivos do sportv desde a opção de entrada. Segundo a plataforma, a oferta reúne mais de 2.500 jogos e eventos ao vivo por ano. Com a mudança, os planos "Com Anúncios" e "Premium" passam a oferecer o mesmo catálogo de conteúdos. A diferença é que o primeiro exibe publicidade nos filmes, séries e outros vídeos sob demanda, enquanto o "Premium" permite assistir a esses conteúdos sem anúncios. O Premium também oferece mais telas simultâneas, maior resolução de imagem e a opção de baixar conteúdos para assistir depois. A plataforma mantém uma terceira opção, o "Premium + Premiere", que acrescenta a oferta de futebol nacional do Premiere, incluindo nove dos dez jogos de cada rodada do Brasileirão. Agora no g1 Os novos planos já estão disponíveis para novas assinaturas. Para os clientes atuais, a migração começa agora em outubro e será feita gradualmente nos meses seguintes, conforme cada contrato. Quanto custam os planos e o que muda entre eles? Os valores divulgados pelo Globoplay são mensais e se referem à contratação do plano anual: "Com Anúncios", por R$ 19,90 por mês: catálogo de filmes, séries, novelas e produções originais, além dos canais ao vivo e da oferta esportiva do sportv. Permite duas telas simultâneas e tem resolução Full HD. "Premium", por R$ 24,90 por mês: mesmo catálogo do plano "Com Anúncios", com vídeos sob demanda sem publicidade, cinco telas simultâneas, resolução 4K e até 25 downloads. "Premium + Premiere", por R$ 39,90 por mês: reúne o catálogo do Globoplay e os jogos do Premiere. Também oferece vídeos sob demanda sem publicidade, cinco telas simultâneas, resolução 4K e até 25 downloads. A ausência de anúncios nos planos "Premium" vale para os conteúdos sob demanda, aqueles que o assinante escolhe quando assistir. Os canais ao vivo continuam com publicidade em seus intervalos. Entre os canais incluídos desde o plano de entrada estão TV Globo, sportv, Combate, Multishow, Globoplay Novelas, GloboNews e GNT. Segundo a empresa, a oferta esportiva reúne transmissões de competições como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, além de vôlei, Fórmula 1, NFL, WSL, tênis e skate. Também inclui eventos como Copa do Mundo, Jogos Olímpicos e mundiais de modalidades olímpicas. Publicidade na tela de login O Globoplay também anunciou o Welcome Ads, formato que exibe publicidade na tela de login da plataforma. Segundo a empresa, os anúncios aparecem durante o acesso ao serviço, sem interromper a reprodução dos conteúdos. A novidade se soma a outros formatos publicitários, como anúncios na pausa dos vídeos e a inserção dinâmica de publicidade nos intervalos dos canais ao vivo. Esta última está disponível em todos os planos e permite direcionar anúncios de acordo com o público e o contexto da transmissão. O que acontece com seus dados na internet quando você morre? Tóquio testa robôs coletores de lixo na estação de trem mais movimentada do mundo

Circuit breaker: entenda o que é a suspensão das negociações quando a bolsa despenca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) e governará o Brasil por mais quatro anos. Com a vitória do petista e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas, o mercado financeiro passou esta segunda-feira (26) no vermelho, chegando a registrar queda de 16,48% e acionando o circuit breaker — algo que não acontecia desde o início da pandemia de Covid-19 no Brasil, em 2020. 🔎 O circuit breaker é um mecanismo de segurança da Bolsa de Valores brasileira (B3) que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. O objetivo é conter movimentos de pânico no mercado financeiro e dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões. Naquela ocasião, o coronavírus avançava rapidamente pelo país, os primeiros óbitos pela doença começavam a ser registrados e estados e municípios começavam a adotar medidas de isolamento social para tentar conter a disseminação do vírus. Com toda a incerteza que pairava sob a pandemia e a economia global, o mercado financeiro protagonizou uma debandada do Ibovespa, resultando em uma queda vertiginosa. Ao todo, o mecanismo foi acionado 6 vezes na pandemia: 9 de março: o mecanismo foi acionado pela primeira vez naquele ano, após o Ibovespa despencar mais de 10% durante o pregão. 11 de março: no mesmo dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente a pandemia de Covid-19, a Bolsa brasileira voltou a interromper as negociações após uma queda acentuada. 12 de março: o circuit breaker foi acionado duas vezes no mesmo dia. A primeira interrupção ocorreu após uma queda de 10% do Ibovespa. Depois da retomada das negociações, o índice chegou a recuar 15%, provocando uma segunda paralisação. 16 de março: a Bolsa voltou a interromper as operações após o Ibovespa registrar uma queda superior a 12% na abertura do pregão. 18 de março: o mecanismo foi acionado pela sexta e última vez em 2020. Naquele dia, o Ibovespa encerrou o pregão com queda de 10,35%. Apesar dos seis acionamentos registrados em um único mês de 2020, esse período representa apenas uma pequena parcela de todas as vezes em que o circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira. Quedas da bolsa em dia de Circuit Breaker Arte/g1 Joesley Day Três anos antes da pandemia da covid-19, em 18 de maio de 2017, ocorreu o episódio que ficou conhecido como "Joesley Day", em referência ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. Na véspera, o jornal O Globo havia revelado a existência de uma gravação feita pelo empresário durante uma conversa com o então presidente Michel Temer (MDB). O conteúdo levantou suspeitas de que Temer teria dado aval à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso. Temer negou as acusações. A revelação provocou uma crise política e uma forte reação do mercado financeiro. Na manhã seguinte, o Ibovespa chegou a despencar mais de 10%, acionando o circuit breaker e suspendendo as negociações por 30 minutos. Ao final do pregão, a Bolsa acumulou queda de 8,8%. LEIA TAMBÉM Mapa da virada: onde Lula avançou e como mudou a votação de Flávio entre o 1º e o 2º turno O que Lula promete para o seu bolso? Veja as propostas para trabalhadores, aposentados e empresários Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Crise imobiliária nos EUA Em 2008, durante a crise financeira internacional, o mecanismo também foi acionado diversas vezes. Em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, as negociações foram interrompidas quatro vezes por 30 minutos e uma vez por uma hora. Os mercados internacionais enfrentavam forte turbulência diante da quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, da necessidade de socorro bilionário aos bancos e das preocupações com a situação do sistema bancário europeu. Ao todo, foram seis acionamentos: 29 de setembro: primeiro acionamento do ano. 6 de outubro: dois acionamentos no mesmo dia. 10 de outubro: quarta interrupção. 15 de outubro: quinta interrupção. 22 de outubro: sexta interrupção. 1999: crise cambial e adoção do câmbio flutuante Em janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado na Bolsa brasileira, em meio a uma crise cambial. Na época, o Brasil enfrentava uma intensa saída de dólares do país, enquanto investidores temiam que o governo não conseguisse manter a política de controle da cotação da moeda americana. A turbulência ganhou força após o Banco Central anunciar mudanças na política cambial. Em 14 de janeiro, as negociações na Bolsa foram suspensas por 30 minutos, após uma queda acentuada das ações. Ao final do pregão, o índice acumulou perdas de 9,33%. Crise financeira Russa Em 1998, o circuit breaker foi acionado cinco vezes na Bolsa brasileira, em meio à crise financeira que atingiu a Rússia. Naquele ano, o governo russo enfrentava uma grave crise econômica, marcada pela desvalorização de sua moeda e pela dificuldade de pagar suas dívidas, levando investidores a retirar recursos de países considerados mais arriscados, como o Brasil. Um dos momentos mais críticos ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando as negociações na Bolsa brasileira foram interrompidas por uma hora. Ao final daquele pregão, o índice acumulou queda de 15,82%. A criação do mecanismo e primeiro acionamento O circuit breaker foi acionado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro de 1997, em meio à crise financeira asiática, que começou na Tailândia e se espalhou por outros países da região, provocando fortes quedas nas bolsas de valores ao redor do mundo. Na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) havia registrado uma queda superior a 14%, pressionada pelo temor dos investidores de que a crise atingisse outras economias. No dia seguinte, o mecanismo foi utilizado pela primeira vez para interromper as negociações e conter o pânico no mercado financeiro. Ainda em 1997, o circuit breaker voltou a ser acionado outras duas vezes. Painel da B3 - Bovespa Nelson Almeida/ AFP

Bolsa despenca 13% após vitória de Lula A bolsa brasileira teve um pregão de forte turbulência nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, caiu mais de 10% nos primeiros minutos de negociação e acionou o circuit breaker. No fechamento do dia, o índice caiu 13,88%, aos 176.608 pontos. A reação refletiu a surpresa de parte dos investidores com o resultado das urnas e a revisão das expectativas para a condução da política econômica, os juros e as contas públicas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas. (veja as dez maiores quedas abaixo) “O pregão desta segunda-feira foi marcado por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”, afirma Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. 🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais. As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro Arte/g1 Grandes bancos e Petrobras caem A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa. Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira. Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%. A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias. 👉 O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador. Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Dólar favorece exportadoras em dia de turbulência Entre as ações que fecharam em alta nesta segunda-feira, a Suzano teve um dos melhores desempenhos, com valorização de 10,08%. A Embraer subiu 8,89%, a WEG avançou 5,10%, e a Klabin ganhou 3,24%. A Vale também encerrou o pregão no positivo, com alta de 4,01%. Parte desse desempenho pode ser explicada pela alta do dólar, que encerrou o dia com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. Na sexta-feira (23), a moeda americana estava cotada a R$ 4,99. Segundo João Daronco, analista da Suno Research, empresas que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira podem se beneficiar quando a cotação da moeda americana sobe, já que esses valores, convertidos em reais, passam a representar mais dinheiro. “Com a alta substancial do dólar e a perspectiva de que ele continue subindo, essas companhias conseguem diluir o custo fixo e melhorar suas margens”, afirmou. Apenas 8 ações fecharam em alta nesta segunda-feira (26) Arte/g1 O movimento, porém, não favorece todas as empresas. Daronco também destacou o impacto da alta dos juros futuros sobre companhias mais endividadas. Com a revisão das expectativas para a economia, as taxas de juros de longo prazo subiram, o que pode encarecer o financiamento e prejudicar empresas que dependem de crédito. Essas companhias vinham se beneficiando de condições de financiamento mais favoráveis. Para Daronco, as oscilações devem continuar nos próximos dias e semanas, enquanto o mercado avalia os desdobramentos do resultado eleitoral. Sob esse cenário, o analista recomenda cautela. “Em dias como este, muitas vezes, o melhor é não se mexer”, disse. Sede da B3 Amanda Perobelli/Reuters
Circuit breaker: entenda o que é a suspensão das negociações quando a bolsa despenca
A Secretaria do Tesouro Nacional realizou nesta segunda-feira (26) a recompra de títulos públicos no valor de R$ 7,1 bilhões. Foram realizadas três operações.
Os leilões de recompra foram realizados um dia após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais, algo que surpreendeu e gerou tensão no mercado financeiro.
Nesta segunda, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão.
Na retomada dos negócios, voltou com um recuo de mais de 17%. Perto das 12h, caía 15,81%, aos 172.669 pontos.
Além disso, o dólar opera em alta, com um avanço de 9,29% perto das 12h, cotado a R$ 5,4568. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048.
O que significa isso?
Ao recomprar títulos públicos, o Tesouro reduz a quantidade de papéis em circulação e ajuda a aumentar a liquidez do mercado, contribuindo para um funcionamento mais ordenado das negociações em momentos de maior turbulência.
Após a confirmação do resultado das eleições, parte dos investidores passou a exigir taxas de juros mais elevadas para financiar a dívida pública brasileira, o que reflete o aumento das incertezas sobre o cenário econômico e fiscal.
Como os preços dos títulos se movem em direção oposta às taxas de juros, essa reavaliação tende a provocar oscilações mais intensas nas cotações negociadas no mercado secundário.
Nesse contexto, as operações de recompra podem ajudar a reduzir movimentos abruptos de preços e a preservar a liquidez dos papéis.

Oscilações do mercado. Jornal Nacional/ Reprodução Aplicativos de diversos bancos e corretoras apresentavam instabilidade nesta segunda-feira (26), em meio à forte volatilidade nos mercados após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o site Downdetector, que monitora relatos de problemas em serviços digitais, as corretoras Rico e Clear registravam notificações, assim como Inter, XP Investimentos, Nubank, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e C6 Bank. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em nota, o Nubank e o Itaú informaram que não registraram nenhuma instabilidade em seus sistemas internos. "É possível que os apontamentos sejam referentes a transações que estejam sendo efetuadas junto a outra instituição que esteja com alguma ocorrência no momento", acrescentou o Itaú. O Inter informou que não iria comentar e as demais instituições não haviam respondido aos pedidos de comentário do g1 até a última atualização desta reportagem. Agora no g1 O que está acontecendo com os mercados hoje? O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão desta segunda-feira (26). Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa O que é circuit breaker? Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão. "O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos", disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora. Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado. "Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM. Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez. Ações brasileiras caem no exterior A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26). Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%. Risco de disputa na Justiça Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça. Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.

Anthropic é a criadora do assistente de IA Claude Matteo Della Torre/NurPhoto via Getty Images/BBC A Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo e desenvolvedora do Claude, divulgou nesta segunda-feira (26) seus planos de abrir capital na bolsa dos Estados Unidos. A operação pode se tornar uma das maiores do mercado e servirá como teste para avaliar se o crescimento acelerado do setor de IA pode se traduzir em lucros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia, que havia apresentado um pedido confidencial em junho, tornou públicos os documentos de sua estreia na bolsa americana. Os dados revelam forte aumento das receitas, mas também prejuízos bilionários e os elevados custos necessários para desenvolver sistemas de inteligência artificial cada vez mais avançados. Considerando o dólar a R$ 5,6048, a Anthropic registrou, no primeiro semestre de 2026, prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões (R$ 452,3 bilhões), enquanto sua receita somou cerca de US$ 16,3 bilhões (R$ 91,4 bilhões). 🔎 Segundo a Anthropic, boa parte do prejuízo se deve ao aumento do valor de dívidas que podem ser transformadas em ações da empresa. Esse aumento é registrado como uma perda nas contas da companhia, mas não significa que ela tenha desembolsado todo esse dinheiro. Apesar das perdas, a Anthropic apresentou crescimento expressivo nas vendas. Entre abril e junho, sua receita aumentou 1.368% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionada pela procura por ferramentas de inteligência artificial. O avanço ocorre em meio à corrida entre gigantes da tecnologia para desenvolver sistemas mais sofisticados, o que exige investimentos bilionários em centros de processamento de dados, equipamentos e infraestrutura. A Anthropic reconheceu nos documentos que esses gastos devem continuar aumentando e permanecer entre suas principais despesas nos próximos anos. Quanto vale a Anthropic? Fundada em 2021 por um grupo de pesquisadores, a Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões (R$ 5,41 trilhões) em maio, durante uma rodada de investimentos que atraiu grandes nomes dos setores financeiro e de tecnologia. Entre seus principais parceiros estão Amazon e Google, que investiram bilhões de dólares na empresa e fornecem parte da infraestrutura necessária para desenvolver e operar os modelos Claude. Mais recentemente, alguns investidores passaram a avaliar a companhia em cerca de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos aproximadamente US$ 2 trilhões estimados uma semana antes, segundo a Reuters. A revisão ocorre em meio às dúvidas sobre a capacidade das empresas de inteligência artificial de gerar lucros suficientes para compensar os elevados investimentos no setor. A abertura de capital permitirá que a Anthropic venda ações ao público e capte recursos para financiar sua expansão. A companhia pretende negociar suas ações na Nasdaq, bolsa americana que concentra grandes empresas de tecnologia, sob o código ANT. Os documentos divulgados nesta segunda-feira, porém, ainda não informam quantas ações serão colocadas à venda nem qual será o preço de cada uma. Empresa também alerta para riscos da inteligência artificial Por que Trump quer mudar o nome da IA? Além das dificuldades financeiras, a Anthropic alertou para os riscos de sistemas de inteligência artificial agirem de maneira inesperada e fora do controle humano. Em testes realizados pela empresa, alguns modelos tentaram esconder ou alterar informações, evitar que fossem desligados e até usar ameaças para conseguir o que queriam. O presidente-executivo da empresa, Dario Amodei, já defendeu maior cautela no lançamento de novas tecnologias. A Anthropic também disputa espaço com a OpenAI, dona do ChatGPT, que apresentou um pedido confidencial de abertura de capital em junho e deve estrear na bolsa até o início de 2027. A possível estreia da Anthropic ocorre em meio às dúvidas dos investidores sobre o retorno dos gastos bilionários com inteligência artificial, especialmente em centros de dados, chips e infraestrutura. O aumento do endividamento e dos custos de financiamento também preocupa o mercado. Nesse cenário, o IPO da Anthropic deve servir como um teste do interesse dos investidores em empresas de IA que crescem rapidamente, mas ainda enfrentam despesas elevadas. A operação será coordenada por bancos de Wall Street, liderados por Goldman Sachs e Morgan Stanley. Após a divulgação dos documentos para a abertura de capital da Anthropic, as bolsas dos EUA operavam em alta. Por volta das 10h55 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,45%, aos 52.451,58 pontos. O S&P 500 avançava 0,57%, aos 7.666,88 pontos, enquanto o Nasdaq, que concentra grandes empresas de tecnologia, registrava alta de 0,46%, aos 26.074,96 pontos. *Com informações da agência Reuters

Circuit breaker: entenda o que é a suspensão das negociações quando a bolsa despenca A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte turbulência no mercado financeiro nesta segunda-feira (26), com disparada do dólar e queda acentuada do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. Diante do movimento, a B3 acionou o "circuit breaker", mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a B3, a suspensão atingiu a compra e venda de ações de empresas, fundos de investimento negociados na bolsa (ETFs) e outros tipos de aplicações financeiras. A bolsa informou que as operações seriam retomadas por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35. Após o fim do "circuit breaker" e a retomada das negociações, o Ibovespa tinha queda de 16,48% por volta das 11h32, aos 171.277 pontos. No mesmo horário, o dólar subia 9,80%, cotado a R$ 5,4823. Entenda como funciona o circuit breaker: O que é o circuit breaker? Painel da B3 - Bovespa Nelson Almeida/ AFP É um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Quando os negócios são interrompidos por 30 minutos? Isso acontece quando o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registra queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Nesse caso, as negociações nos mercados abrangidos pelo mecanismo, como ações e derivativos, são suspensas por 30 minutos. Quando a bolsa pode parar por 1 hora? Se, após a primeira interrupção, o Ibovespa continuar caindo e atingir uma queda de 15% em relação ao fechamento do dia anterior, as negociações podem ser suspensas novamente, desta vez por uma hora. A paralisação também atinge os mercados abrangidos pelo mecanismo. As negociações podem ficar suspensas por mais tempo? Sim. Se, após a interrupção de uma hora, o Ibovespa atingir uma queda de 20% em relação ao fechamento anterior, a bolsa poderá determinar uma nova suspensão das negociações. Nesse caso, a duração da paralisação será definida pela própria bolsa, que deverá comunicar a decisão ao mercado. Os negócios podem ser interrompidos no fim do pregão? Não na última meia hora do pregão. Se o circuit breaker for acionado na penúltima meia hora, o horário de negociação poderá ser prorrogado em até 30 minutos, para garantir pelo menos meia hora de operações após a reabertura. LEIA TAMBÉM Mapa da virada: onde Lula avançou e como mudou a votação de Flávio entre o 1º e o 2º turno O que Lula promete para o seu bolso? Veja as propostas para trabalhadores, aposentados e empresários Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Quais foram as últimas vezes que o circuit breaker foi acionado? O circuit breaker foi criado em 1997 e já foi acionado 23 vezes. Entre os principais momentos estão: 1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%; 1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia; 2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês; 2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março. Quedas da bolsa em dia de Circuit Breaker Arte/g1 O circuit breaker foi acionado pela última vez em março de 2020, durante dias de turbulência provocada pelo início da pandemia de Covid-19 e por fortes oscilações nos mercados internacionais. Antes disso, o mecanismo havia sido acionado em 18 de maio de 2017, quando as negociações foram suspensas por 30 minutos após o Ibovespa cair mais de 10%, em meio às denúncias contra o então presidente Michel Temer, reveladas na véspera. Em 2008, durante a crise financeira internacional, o circuit breaker também foi acionado diversas vezes. Em 22 de outubro, a bolsa fechou com queda de 10,18%. Naquele mês, as negociações foram interrompidas quatro vezes por 30 minutos e uma vez por uma hora. Os mercados internacionais enfrentavam forte turbulência diante da quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, da necessidade de socorro bilionário aos bancos e das preocupações com a situação do sistema bancário europeu. Em 11 de setembro de 2001, após os ataques às Torres Gêmeas, em Nova York, as negociações também foram interrompidas na Bovespa, mas sem o acionamento do circuit breaker. Naquele dia, o índice recuou 9,17% em pouco mais de uma hora. A bolsa decidiu encerrar as operações, acompanhando o movimento de outros mercados internacionais. As negociações só foram retomadas no dia seguinte. Em janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado na bolsa brasileira. Em 14 de janeiro, um dia antes da adoção do câmbio flutuante no país, as negociações foram suspensas por meia hora, e o índice recuou 9,33%. Investidores temiam os efeitos da mudança na política cambial brasileira. Em 1998, ano da crise financeira russa, o mecanismo foi acionado cinco vezes. Em 10 de setembro, as negociações foram interrompidas por uma hora, e a bolsa encerrou o dia com queda de 15,82%. O circuit breaker foi acionado pela primeira vez no Brasil em 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa registrar queda superior a 14% em meio à crise financeira asiática. O mecanismo voltou a ser utilizado outras duas vezes naquele ano.

Como as eleições mexem com a Bolsa e o dólar Antes mesmo de os brasileiros irem às urnas no último domingo (25), as eleições já estavam no radar dos mercados. Desde o começo do ano, foram vários os momentos de altas e baixas no dólar, na bolsa e nas taxas de juros, associados a falas de candidatos e pesquisas eleitorais. As movimentações refletem as apostas do mercado sobre os rumos da economia no próximo governo. Não à toa, a virada do presidente Lula (PT) no 2º turno já trouxe um forte impacto para os mercados financeiros nesta segunda-feira (26). Acompanhe as cotações do dólar e do Ibovespa nesta segunda-feira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso porque, além de Flávio Bolsonaro (PL) ter saído na frente no 1º turno das eleições, a grande maioria das pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas também apontava vantagem do candidato do PL no 2º turno. Assim, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora recalibram suas apostas e avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Oscilações de mercado. Jornal Nacional/ Reprodução “Os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal”, explica o chefe de investimentos do ASA, Rogerio Freitas. Por que as eleições mexem com dólar, bolsa e juros? O mercado costuma sofrer grandes oscilações em momentos como esse porque tenta antecipar os efeitos que as propostas e a vitória de determinado candidato podem ter sobre a economia. Dados históricos mostram que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros costumam reagir com maior intensidade em períodos eleitorais e diante de notícias políticas, principalmente quando aumentam as incertezas sobre as contas públicas e os rumos da economia. 🔎 Os efeitos aparecem de formas diferentes em cada mercado. A bolsa reage às expectativas dos investidores para a economia e para o desempenho das empresas. Já o dólar responde à percepção de risco e aos movimentos de entrada e saída de recursos do país. Recentemente, a notícia de reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a 17 dias das eleições presidenciais, fez o real se desvalorizar em relação ao dólar e a bolsa brasileira cair aos 185 mil pontos, com as preocupações com o impacto do aumento do benefício sobre as contas públicas. Da mesma forma, pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses, que mostraram um avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa, também tiveram repercussão nos mercados. Em 10 de setembro, uma pesquisa que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula (PT) em uma eventual disputa de segundo turno coincidiu com queda de 0,18% do dólar, a R$ 5,1026, e alta de 1,42% do Ibovespa, aos 188.268 pontos. Como o g1 mostrou, a vitória de Flávio era vista pelo mercado financeiro como mais favorável ao equilíbrio das contas públicas. Dessa forma, a vitória do petista traz um momento de maior estresse aos mercados financeiros, com uma forte alta do dólar e queda da bolsa na sessão. “A volatilidade tende a crescer perto das eleições, mas os primeiros atos do eleito pesam mais que o discurso de campanha. Mas cada eleição precisa ser lida no seu próprio contexto”, diz Freitas, do ASA. Essa maior volatilidade, no entanto, não se limita aos períodos eleitorais. O noticiário político também pode mexer com os mercados, especialmente quando envolve medidas capazes de afetar a inflação, os juros e a atividade econômica. “Há períodos em que, mesmo diante de escândalos políticos, outros fatores pesam mais, como o fluxo de capital estrangeiro para o país”, afirma Alvaro Maia, banker da StoneX. O analista lembra que o Mensalão, em 2006, teve forte repercussão política, mas influência limitada sobre os mercados. “Isso porque havia mais dinheiro circulando nos mercados internacionais, os bancos no exterior estavam mais dispostos a emprestar recursos, as commodities estavam em alta e as ações brasileiras eram negociadas a preços relativamente baixos em relação aos resultados das empresas. Então, a política acabou ficando um pouco em segundo plano”, explica Maia. Abaixo, o g1 mostra o histórico das cotações do dólar e do Ibovespa desde 1994, com destaque para alguns períodos de maior oscilação. Em seguida, confira dicas para investir em momentos de maior volatilidade. Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. Arte/g1 Como investir em momentos de volatilidade? Na hora de investir, uma das recomendações é recorrer à renda fixa para atravessar períodos de maior volatilidade com mais segurança. “Em um momento em que temos juros em dois dígitos, a renda fixa está especialmente atrativa. São várias opções, com destaque para os títulos públicos prefixados ou para os fundos de renda fixa”, comenta Maia. Já Freitas, do ASA, afirma que o melhor a fazer é "manter a estratégia de longo prazo e fazer ajustes na carteira sem agir por impulso". "Grande parte do resultado vem da forma como os investimentos são distribuídos. Diversificar, inclusive no exterior, ajuda a reduzir riscos, enquanto uma reserva de fácil acesso evita que o investidor precise vender ativos em momentos de queda. O tempo é o maior aliado”, diz. Outro cuidado é adequar a carteira ao perfil de cada investidor e à sua tolerância ao risco. Quem tem um perfil mais conservador, por exemplo, tende a concentrar uma parcela maior dos recursos em investimentos menos sujeitos a oscilações. Já quem aceita correr mais riscos pode ter uma fatia maior em ativos como ações.

O Banco Central informou nesta segunda-feira (26) que as ofertas de empréstimos dos bancos no ambiente do PIX, sistema de transferência em tempo real, dependerão de consentimento prévio e específico do usuário, com intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta. Regulamentada por meio de resolução, a medida tem por objetivo, de acordo com a autoridade monetária, reforçar as responsabilidades das instituições financeiras na oferta e concessão de crédito. A norma entra em vigor em 1º de julho de 2027. "O BC estabeleceu novas regras para a oferta de crédito durante a iniciação de transações PIX com maior proteção e transparência para os usuários. As instituições deverão disponibilizar informações e ferramentas como simulador de crédito e ambiente para consulta das operações contratadas", acrescentou a instituição. Agora no g1 Propaganda de crédito dos bancos O BC também definiu, por meio de resolução, que as instituições deverão oferecer mecanismo claro para o bloqueio de propagandas e ofertas ativas. A norma entra em vigor em 31 de março de 2027. A nova regulamentação, explicou a autoridade monetária, reforça as regras e amplia o controle dos clientes sobre propagandas e ofertas ativas de crédito que recebem. "Para clientes em situação de maior vulnerabilidade financeira ou risco de endividamento excessivo, a proteção será reforçada: ofertas de crédito dependerão de autorização prévia, específica e inequívoca e somente poderão ter como finalidade melhorar suas condições financeiras, como em renegociações, portabilidade ou migração para produtos mais vantajosos, sem oferta de novos recursos", informou o BC. Polícia mapeou valor do prejuízo após analisar transferências via PIX do suspeito Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo Painel de dívidas Outra medida do Banco Central define que as instituições financeiras deverão oferecer aos clientes um painel de dívidas consolidadas — reunindo informações sobre suas operações de crédito e ampliando a transparência sobre o nível de endividamento e o comprometimento da capacidade de pagamento. A norma entra em vigor em 1º de julho de 2027. "Antes de novas contratações, deverão também apresentar simulações dos custos da operação e de seu impacto financeiro, além de alertas para situações de maior risco. Inicialmente, o painel contemplará operações mantidas na própria instituição e, posteriormente, incorporará dados do SCR e do Open Finance, permitindo uma visão mais abrangente do endividamento", informou o Banco Central.

Trump cumprimenta Gernot Döllner, CEO da Audi. Mike Stewart/ AP Photo O presidente da Audi, Gernot Doellner, foi duramente criticado nesta segunda-feira (26) após aparecer ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um comício de campanha na Geórgia, um dos estados em disputa nas eleições de meio de mandato. O executivo apareceu ao lado de Trump durante o anúncio dos planos para a construção de uma fábrica de US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões), a primeira da Audi nos Estados Unidos, com capacidade para produzir cerca de 200 mil SUVs por ano. (entenda mais abaixo) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em comunicado, a presidente do IG Metall, principal sindicato industrial da Alemanha, e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, controladora da Audi, Christiane Benner, afirmou que a presença de Doellner no comício foi "profundamente constrangedora". "A forma como Gernot Doellner se apresentou e apresentou a Audi nos EUA é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa", disse. Segundo Benner, a aparição violou as regras internas da Audi. Agora no g1 "Doellner também está violando flagrantemente as regras de sua própria empresa, que exigem expressamente neutralidade política no período que antecede as eleições", afirmou Benner. Segundo a Reuters, o código de conduta proíbe compromissos públicos com partidos políticos ou candidatos, assim como patrocínio a esses eventos, nos três meses anteriores a uma eleição. Benner ressaltou que a decisão final sobre o investimento cabe ao conselho de supervisão da Volkswagen, que já enfrenta tensões em meio à ampla reestruturação da montadora. O primeiro-ministro do estado alemão da Baixa Saxônia, Olaf Lies, também criticou a presença de Doellner no comício de Trump. "Um comício de campanha não pode ser o lugar certo para anunciar um investimento dessa magnitude", disse. O estado da Baixa Saxônia é o segundo maior acionista da Volkswagen. Nesta segunda-feira (26), o governo alemão afirmou que a presença do presidente da Audi ao lado de Trump foi uma decisão da empresa. "Trata-se de uma decisão empresarial relativa a onde a empresa investe e, neste caso, onde o CEO da empresa atua. Não tenho mais nada a acrescentar", disse o porta-voz adjunto do governo, Sebastian Hille. Nova fábrica nos Estados Unidos O presidente Donald Trump anunciou no sábado (24) que a montadora alemã Audi planeja investir US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões) na construção de sua primeira fábrica nos Estados Unidos, com capacidade para produzir 200 mil veículos por ano. A Audi confirmou os planos para o investimento em comunicado e informou que a nova fábrica deve criar cerca de 4,5 mil empregos. "Estou empolgado em anunciar um grande investimento na indústria automobilística no grande estado da Geórgia", disse Trump durante o comício, a poucos dias das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso americano. A Audi, controlada pela Volkswagen, afirmou em comunicado que o início da construção está previsto para 2027, e o da produção, para o começo da década de 2030.

Por que Trump quer mudar o nome da IA? O modelo de inteligência artificial Claude, da Anthropic, contornou por conta própria o acesso pago a um portal do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, para consultar dados de eleitores locais. A informação, divulgada pelo Axios no domingo (25) com base em declarações de um porta-voz da Anthropic, pode reforçar o receio de que sistemas de IA escapem ao controle humano, a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesse caso, Claude acessou a contagem de votos no estado da Geórgia, onde mais de um milhão de eleitores já haviam votado antecipadamente. O acesso ocorreu enquanto o modelo era treinado no âmbito de um projeto interno de pesquisa estatística. Embora os dados sejam públicos, o acesso a eles é pago. Claude obteve as informações ao contornar o sistema, sem solicitar autorização a seus criadores. Segundo um porta-voz da Anthropic, porém, Claude não acessou o sistema de registro de eleitores nem alterou ou baixou dados referentes aos votos. Anthropic, OpenAI e Google relataram recentemente incidentes envolvendo modelos de IA que executaram, por conta própria, ações não solicitadas. Em um dos casos, agentes de IA da OpenAI, capazes de atuar de forma autônoma, acessaram plataformas do governo dos EUA por iniciativa própria. Diante da multiplicação de incidentes de segurança relacionados à inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia dos EUA assinaram, no fim de setembro, na Casa Branca, um código de boa conduta não vinculante. Anthropic é a criadora do assistente de IA Claude Matteo Della Torre/NurPhoto via Getty Images/BBC

Bolsa de Valores aciona 'circuit breaker' O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048. Foi a maior alta percentual da moeda em um único dia desde 18 de janeiro de 1999, quando a moeda disparou 11,35%. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão. Quando os negócios foram retomados, o índice chegou a recuar mais de 17%. Ao fim do dia, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior baixa percentual diária desde 16 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o indicador caiu 13,92%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais. O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa. Veja como ficou a apuração final do 2º turno MAPA DA VIRADA: onde Lula avançou e como votação de Flávio Bolsonaro mudou entre o 1º e o 2º turno ▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história. Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos. ▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar. ▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado. Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, subiu, cotado a US$ 117.12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve perdas de 0,34%, a US$ 102,92 o barril. ▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -8,21%; Acumulado do mês: -4,41%; Acumulado do ano: -1,57%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,17% Acumulado do mês: +10,06%; Acumulado do ano: +27,28%. Vitória de Lula muda projeções do mercado A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26). Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão. "O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos", disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora. Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado. "Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM. Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez. Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h. “O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo [...] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber. A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição. Risco de disputa na Justiça Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça. Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito. “Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters. As maiores quedas do Ibovespa Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas. A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa. As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro Arte/g1 Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira. Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%. A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias. 👉 O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador. Ibovespa desaba após reeleição de Lula e ações recuam até 58%; veja as maiores quedas Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado? A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como "circuit breaker", foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais. Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão: 1997 - Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa. 1999 - Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia. 2008 - Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês. 2020 - Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira. Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram: 24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça; 28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA; 22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras; 05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026. Quedas da bolsa em dia de Circuit Breaker Arte g1 Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. Arte/g1 * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar. Jornal Nacional/ Reprodução Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação neste ano e também passou a projetar uma alta menor da atividade econômica neste ano.
As informações fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A queda na estimativa de inflação acontece apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que eleva o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação recuou de 5,22% para 5,19%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 4,32% para 4,34%;
➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,75%;
➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
Agora no g1
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Produto Interno Bruto
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro reduziu sua estimativa de 1,83% para 1,80% na semana passada.
Com isso, os analistas estimam desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Para 2027, a projeção do mercado de crescimento do PIB caiu de 1,32% para 1,31%.
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Corte dos juros
O mercado financeiro também manteve a projeção de cortes na taxa de juros neste ano.
Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano — após cinco cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano na última semana, embutindo duas novas reduções até o fim do ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado recuou de 12% para 11,75% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas caiu de 10,50% para 10% ao ano.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,13 para R$ 5,05 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos recuou de R$ 5,22 para R$ 5,15 por dólar.

Fundo de ações brasileiras despenca 19% nos EUA após reeleição de Lula O fundo de investimentos EWZ, que acompanha o desempenho de ações de grandes empresas brasileiras na bolsa de Nova York, registrava queda de 27,35% no pré-mercado desta segunda-feira (26), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 14h38 (horário de Brasília), o fundo registrava queda de 20,86%, cotado a US$ 33,71, ante US$ 42,59 no fechamento de sexta-feira (23). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pressão também atingiu o mercado de câmbio brasileiro. O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em forte alta e, por volta das 9h, avançava 8,65%, cotado a R$ 5,4248. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h. (Veja mais detalhes do dia no mercado). O EWZ é um fundo negociado em bolsa, conhecido pela sigla ETF, que reúne ações de grandes empresas brasileiras. Por ser negociado nos EUA, funciona como um dos indicadores da percepção dos investidores estrangeiros sobre o mercado brasileiro. 🔎 Como a bolsa brasileira não funciona aos domingos, o EWZ é uma das referências utilizadas para acompanhar a reação dos investidores ao resultado das eleições antes da abertura do mercado nacional. Na noite de domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula, o fundo já havia registrado queda de cerca de 19% nas negociações realizadas fora do horário regular do mercado, período conhecido como after hours. O desempenho contrasta com o registrado na sexta-feira (23), quando o EWZ encerrou o pregão em alta de 1,77%. Ações brasileiras também registram fortes perdas O desempenho negativo não ficou restrito ao EWZ. As ações de grandes empresas brasileiras negociadas nos EUA, conhecidas como ADRs, também registravam fortes quedas no pré-mercado. Os papéis da Petrobras registravam perdas de aproximadamente 20%. Entre os bancos, o Itaú recuava 28,5%, Bradesco caía 26,8% e Nubank perdia 24%. Já as ações do Mercado Livre, empresa com forte presença no Brasil, apresentavam desvalorização de 10,3%. O movimento também atingiu outros mercados. Durante as negociações na Ásia, os contratos futuros do real para novembro caíam cerca de 10%, enquanto um fundo que acompanha a bolsa brasileira e é negociado em Tóquio registrou perdas de 15%. Em meio à reação negativa dos mercados, o banco americano JP Morgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros após a reeleição de Lula. A classificação passou de overweight, quando o banco recomenda uma exposição maior a determinado investimento, para marketweight, que indica uma posição mais próxima da média do mercado. Em relatório, o analista Vinicius Moreira e sua equipe afirmaram que o resultado das eleições deve provocar uma forte revisão dos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira. Isso porque parte dos investidores vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo o JP Morgan, três fatores devem concentrar as atenções do mercado nos próximos dias: a reação da oposição ao resultado eleitoral, especialmente após Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota; a formação da equipe do novo governo; os efeitos das oscilações do mercado sobre as decisões econômicas do presidente. O banco também prevê que empresas mais dependentes da economia brasileira, como as dos setores de consumo e serviços, sejam mais afetadas pelas quedas na bolsa. Já as companhias exportadoras podem apresentar um desempenho relativamente melhor, uma vez que a valorização do dólar aumenta, em reais, as receitas obtidas com vendas ao exterior. 📉 Os analistas alertaram ainda para a possibilidade de acionamento do na bolsa brasileira. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas, com o objetivo de conter movimentos desordenados no mercado. Por que o mercado reagiu negativamente? Nas últimas semanas, parte dos investidores vinha apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de mudanças na política econômica e de medidas mais rigorosas para controlar as contas públicas. Esse otimismo havia impulsionado os ativos brasileiros. Na sexta-feira, a bolsa acumulava valorização de quase 7% em relação ao período anterior ao primeiro turno das eleições. No mesmo intervalo, o real havia ganhado quase 5% de valor diante do dólar. Com a reeleição de Lula, investidores passaram a rever essas apostas, provocando uma onda de vendas de ativos brasileiros. Uma das principais preocupações está relacionada à situação das contas públicas. O governo terá o desafio de conter o crescimento da dívida, ao mesmo tempo em que mantém os gastos com programas sociais e investimentos. Para o mercado financeiro, a dúvida é se o presidente conseguirá equilibrar essas prioridades sem comprometer a trajetória da dívida pública. Caso os investidores entendam que existe um risco maior de descontrole das contas, poderão exigir juros mais elevados para emprestar dinheiro ao governo. Esse movimento também pode encarecer o crédito para empresas e consumidores. A percepção de maior risco fiscal e a possibilidade de desvalorização do real também podem dificultar novos cortes na taxa básica de juros. O movimento ocorre depois de um período de valorização expressiva da bolsa brasileira. Em 5 de outubro, o Ibovespa havia registrado sua maior alta diária desde março de 2020. Até sexta-feira, o índice acumulava ganhos superiores a 27% em 2026. Fundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lula Energepic.com/Pexels *Com informações da agência Reuters
O que Lula promete para o seu bolso? Veja as propostas para trabalhadores, aposentados e empresários

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, gesticula durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, em 16 de outubro de 2026 REUTERS/Pilar Olivares Reeleito neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início ao quarto mandato de sua carreira política em janeiro de 2027. O plano de governo traz uma série de diretrizes para temas estruturais do país. No mercado de trabalho, por exemplo, Lula concentra propostas na renda e na jornada de trabalho, enquanto, na economia, o presidente eleito dá mais peso à atuação do Estado, ao crédito e a políticas públicas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja abaixo quais propostas de Lula podem mexer com sua vida financeira, de acordo com o seu perfil. Agora no g1 👔 Sou empregado CLT ou doméstico 🏛️ Sou servidor público 📱 Sou trabalhador por conta própria 💼 Tenho meu próprio negócio 🔎 Estou procurando emprego 🎓 Sou estudante 👴 Sou aposentado ou pensionista 🤝 Recebo benefícios sociais 🛒 Custo de vida e apoio às famílias 🚜 Trabalho no campo 🏠 Quero comprar minha casa ⚠️ A reportagem considera exclusivamente a proposta apresentada no plano de governo. 👔 Sou empregado CLT ou doméstico Salário mínimo e remuneração: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação. Relações e regras de trabalho: Propõe rever regras trabalhistas que, segundo o plano, favorecem a precarização, combater fraudes em terceirizações e fortalecer a negociação coletiva. Também prevê retomar a participação dos sindicatos nas homologações de rescisões trabalhistas. Imposto de Renda (IR): Defende isenção total do IR para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, com compensação por meio da tributação da renda dos mais ricos. Relações sindicais: Defende retomar a participação obrigatória dos sindicatos nas rescisões trabalhistas. Igualdade salarial e de acesso ao mercado de trabalho: Propõe reforçar a aplicação da Lei de Igualdade Salarial entre homens e mulheres e combater discriminações no acesso ao trabalho, inclusive por raça, etnia, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e classe. ⚠️ O plano de Lula previa o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. A mudança foi aprovada pelo Congresso e promulgada neste mês. Fim da escala 6x1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas Volte ao início 🏛️ Sou servidor público Carreiras e relações de trabalho no serviço público: Propõe regulamentar o direito à negociação coletiva no setor público e ampliar o diálogo entre governo e servidores por meio da Mesa Nacional de Negociação Permanente. Também defende a valorização e a qualificação do funcionalismo. Piso do Magistério e combate a supersalários: Prevê manter o Piso Nacional do Magistério e apoiar a formação de docentes por meio de iniciativas como o Pé-de-Meia Licenciaturas e o Bolsa Mais Professores. Volte ao início 📱 Sou trabalhador por conta própria: autônomo, informal ou trabalhador por aplicativo Trabalho por aplicativo: Defende regulamentar o trabalho em plataformas digitais, com regras sobre remuneração, condições de trabalho e direitos trabalhistas e previdenciários, além de transparência sobre decisões tomadas pelos algoritmos das plataformas, como critérios de bloqueio, taxas de comissão e distribuição de corridas. Previdência e proteção social: Propõe ampliar a proteção social de trabalhadores autônomos, com cobertura previdenciária e proteção em casos de acidentes, doenças e períodos sem trabalho. Também prevê formas mais flexíveis de contribuição à Previdência e maior fiscalização contra a pejotização irregular. Volte ao início 💼 Tenho meu próprio negócio: MEIs, micro e pequenas empresas e empregadores no geral Crédito e apoio ao negócio: Propõe ampliar o acesso de autônomos e pequenos negócios ao crédito, inclusive por meio de fundos garantidores, além de oferecer qualificação e assistência técnica. Também prevê facilitar o acesso a compras públicas e financiar ações de digitalização e aumento da produtividade. Burocracia, impostos e regras para empresas: Propõe simplificar o ambiente de negócios e assegurar tratamento tributário específico às pequenas empresas durante a implementação da reforma tributária. ⚠️ Em 21 de outubro, Lula sancionou uma lei que perdoa a dívida de MEIs, amplia o limite de faturamento da categoria e permite a contratação de mais funcionários. Saiba mais. Volte ao início 🔎 Estou procurando um emprego Geração de vagas: Defende associar políticas de crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e compras governamentais à geração de empregos. Também prevê estimular oportunidades de trabalho em áreas de interesse coletivo, como conservação ambiental, cultura, esporte e economia do cuidado. Primeiro emprego e recolocação profissional: Propõe ampliar políticas de qualificação e inserção profissional, inclusive para trabalhadores afetados pelas transformações tecnológicas e pessoas com mais de 60 anos. Também prevê ampliar, na rede Sine, uma plataforma que reúna vagas, cursos, certificações e orientação profissional. Volte ao início 🎓 Sou estudante Apoio financeiro e acesso aos estudos: Propõe aprimorar o Pé-de-Meia e ampliar a assistência estudantil no ensino superior, incluindo alimentação e moradia. Também prevê manter os investimentos em cursinhos populares e continuar expandindo a rede de institutos federais. Volte ao início 👴 Sou aposentado ou pensionista Reajuste dos benefícios e salário mínimo: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação. Fila do INSS, fraudes e consignado: Propõe concluir a modernização e o aprimoramento dos serviços previdenciários e continuar reduzindo o tempo de espera pela concessão de benefícios do INSS. Saúde, medicamentos e cuidados na velhice: Defende manter o Farmácia Popular, com revisão dos produtos oferecidos gratuitamente e ampliação dos locais de retirada, além da inclusão de exames laboratoriais e de acompanhamento de doenças crônicas. Para os idosos, propõe ampliar Centros-Dia, vagas públicas em instituições de longa permanência e atendimento domiciliar. Volte ao início 🤝 Recebo benefícios sociais Benefícios sociais e acesso ao trabalho: Propõe fortalecer a proteção social, com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento. Também prevê ampliar políticas de enfrentamento da pobreza infantil e de acesso a serviços públicos. Volte ao início 🛒 Custo de vida e apoio às famílias Inflação, juros e contas básicas: Propõe manter a inflação sob controle e criar condições para uma redução sustentada dos juros, com responsabilidade fiscal. Também prevê buscar o barateamento da energia elétrica e reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais sobre os combustíveis. Endividamento das famílias: Propõe continuar monitorando o endividamento das famílias, manter mecanismos de controle de gastos excessivos com apostas on-line e aprimorar as regras de oferta e concessão de crédito, ampliando a proteção ao consumidor. Creches e rede de cuidados: Propõe ampliar o apoio a estados e municípios para expandir a educação infantil e fortalecer a Política Nacional de Cuidados. Também prevê apoiar Cuidotecas e estruturas como lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares, além de criar um programa de capacitação de cuidadores. Volte ao início 🚜 Trabalho no campo Crédito e financiamento rural: Propõe ampliar os recursos do Plano Safra e manter juros compatíveis com a atividade agropecuária, com prioridade para investimentos em máquinas e tecnologias. Para a agricultura familiar, prevê ampliar o crédito, priorizar a produção de alimentos da cesta básica e simplificar o acesso aos recursos. Seguro rural e proteção contra perdas: Promete fortalecer o seguro rural e, para a agricultura familiar, ampliar o acesso ao seguro e reforçar o Garantia-Safra. Também propõe discutir um instrumento para cobrir perdas decorrentes de quebras severas de safra. Regularização e titulação da terra: Propõe ampliar o acesso ao crédito fundiário e avançar na regularização e titulação de terras. Também prevê acelerar a titulação de territórios quilombolas e a regularização fundiária de povos e comunidades tradicionais. Fertilizantes e custos de produção: Propõe acelerar a produção nacional de fertilizantes e fomentar a produção de bioinsumos para reduzir a dependência de produtos importados. Volte ao início 🏠 Quero comprar minha casa Programas habitacionais e financiamento: Propõe manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida para todas as faixas de renda, com foco nas famílias de menor renda. Também prevê fortalecer o Compra Assistida para a aquisição de imóveis prontos. Regularização e escritura do imóvel: Promete assegurar recursos para concluir obras de urbanização e regularização fundiária em favelas e periferias e apoiar novos projetos. Também prevê destinar imóveis e terrenos da União à regularização de moradias de famílias que já vivem nesses locais. Volte ao início

Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados Os aposentados, pensionistas e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber os pagamentos referentes ao mês de outubro a partir desta segunda-feira (26) O calendário é definido conforme o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número que aparece após o traço). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Recebem primeiro os segurados que ganham até um salário mínimo. Quem recebe acima do piso nacional terá o pagamento liberado na sequência. Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo: Final 1: 26/10 Final 2: 27/10 Final 3: 28/10 Final 4: 29/10 Final 5: 30/10 Final 6: 3/11 Final 7: 4/11 Final 8: 5/11 Final 9: 6/11 Final 0: 9/11 Quem recebe acima de um salário mínimo Finais 1 e 6: 03/11 Finais 2 e 7: 04/11 Finais 3 e 8: 05/11 Finais 4 e 9: 06/11 Finais 5 e 0: 09/11 Como conferir o dígito verificador O calendário leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço. Para quem ganha até o mínimo, o calendário começa com benefício com final 1. Para os que recebem acima desse valor, o calendário inicia com os cartões de final 1 e 6. No dia seguinte, são pagos os finais 2 e 7, e assim por diante. LEIA TAMBÉM: Aposentadoria 2026: entenda as regras de transição que valem a partir deste ano Como consultar o benefício Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar o valor a receber do seu benefício pelo aplicativo "Meu INSS" ou no site meu.inss.gov.br. Também é possível obter informações pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Para acessar, é necessário informar CPF e senha cadastrados no portal Gov.br. Arquivo Pessoal

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 13 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado A economia brasileira cresceu, o desemprego caiu para o menor nível da série histórica e a renda média do trabalho avançou durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo com a melhora dos indicadores, Lula não teve vida fácil para derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário, em uma disputa que mostrou como os avanços da economia tiveram alcance limitado na hora de conquistar o eleitorado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A vitória, por uma margem estreita, não elimina o paradoxo enfrentado pelo governo: os resultados positivos da atividade econômica não se traduziram em uma sensação generalizada de bem-estar financeiro. Para economistas ouvidos pelo g1, uma das explicações está no fato de que o crescimento econômico não beneficiou todos os setores e trabalhadores da mesma forma. Além disso, a situação financeira das famílias continua pressionada pelo custo de vida, pelas dívidas e pelos juros elevados, que limitam a folga no orçamento. Agora no g1 Indicadores positivos, alívio limitado no bolso O desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho está entre os pontos favoráveis do terceiro governo Lula. O país acumulou três anos seguidos de crescimento, o desemprego atingiu mínimas históricas, enquanto a renda real avançou e o emprego formal se expandiu. (veja no infográfico abaixo) Esses resultados, porém, não significam que todos tenham sentido a melhora na mesma medida. Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), os indicadores agregados escondem diferenças importantes entre os setores da economia e, consequentemente, entre os grupos da população. “O PIB é uma média que reúne setores e famílias que estão, digamos, uns no micro-ondas e outros que estão no freezer. A média parece boa, mas não necessariamente está melhor para todo mundo.” A economista observa que atividades como a agropecuária e a indústria extrativa são influenciadas por fatores como os preços internacionais das commodities. Já o comércio e parte da indústria dependem mais das condições internas, especialmente do consumo das famílias. A diferença também aparece no mercado de trabalho. José Luis Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), observa que boa parte das novas vagas se concentrou em serviços que exigem menor qualificação. Em contrapartida, não houve avanço semelhante nas atividades que exigem formação superior e costumam pagar salários mais altos. O salário mínimo oferece outra referência para avaliar os limites do ganho de poder de compra. Segundo Oreiro, o piso nacional atual de R$ 1.621 ainda está relativamente próximo, em termos reais, dos níveis de 2012 e 2013, apesar da retomada dos reajustes acima da inflação no governo Lula 3. 📊 Corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação do custo de vida das famílias, os R$ 622 pagos em 2012 equivaleriam a R$ 1.393 em setembro de 2026. Já os R$ 678 de 2013 corresponderiam a R$ 1.424. Para quem recebe entre um e três salários mínimos, a alta do preço dos alimentos representa uma pressão adicional, acrescenta o professor. Mesmo quando a inflação desacelera, os preços não necessariamente caem: eles podem continuar subindo, apenas em um ritmo menor. Como as famílias de menor renda destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação, a continuidade desses aumentos dificulta a preservação do poder de compra, mesmo quando a inflação perde força. “É aquele efeito catraca: o preço dos alimentos subiu desde a pandemia e não caiu, pelo contrário, continuou subindo, porém menos intensamente. E, infelizmente, para as pessoas mais pobres, isso pesa muito”, diz Oreiro. O que melhorou e o que ainda pesa na economia do Lula 3 Arte/g1 Endividamento consome renda e limita o efeito das renegociações A pressão sobre o orçamento não vem apenas dos preços. O custo do crédito e o acúmulo de dívidas também reduzem a parcela da renda disponível para outras despesas, limitando o efeito positivo do crescimento do emprego e dos rendimentos. Em julho de 2026, as famílias destinaram 28,7% da renda mensal ao pagamento de dívidas, segundo dados do Banco Central. Desse total, 17,2% foram usados para amortizar o principal — ou seja, "devolver" o valor emprestado — e 11,5% para pagar juros. O comprometimento total permanecia próximo do recorde de 29,7%, registrado em fevereiro. O percentual de famílias endividadas também aumentou. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a proporção passou de 78% em janeiro de 2023 para 81,7% em setembro deste ano. O cartão de crédito é a principal modalidade de dívida, presente em 85,2% das famílias endividadas. Em meio a esse cenário, o governo lançou três edições do programa de renegociação de dívidas Desenrola, com o objetivo de aliviar as contas das famílias. Para Alessandra Ribeiro, sócia e economista da Tendências Consultoria, as iniciativas podem ajudar a reduzir as dívidas no curto prazo, mas não eliminam as condições que favorecem o endividamento. "As duas primeiras mobilizaram renegociações intermediadas por plataformas que conectavam bancos e famílias. Já a terceira edição buscou ampliar a coordenação do governo federal com as instituições financeiras para obter descontos maiores que poderiam superar 90%." A redução das dívidas pode liberar dinheiro para outras despesas no curto prazo. O problema, segundo Ribeiro, é que esse alívio não altera fatores como os juros elevados, a escassez de crédito de longo prazo e as dificuldades de planejamento do orçamento familiar. "Sem essas mudanças, a família pode usar o dinheiro liberado para cobrir outras pendências e voltar a se endividar", explica a economista. Desenrola: veja o alcance das três edições do programa Arte/g1 Contas públicas pressionam os juros As condições de crédito enfrentadas pelas famílias também estão ligadas à condução da política econômica. Entre os fatores que influenciam os juros estão as decisões do governo sobre gastos e arrecadação, e a avaliação dos investidores sobre a capacidade de o país administrar sua dívida. Na avaliação de Ribeiro, a dificuldade de controlar as despesas obrigatórias é um dos principais problemas da política fiscal do terceiro governo Lula. Ela cita os reajustes do salário mínimo acima da inflação, a vinculação dos pisos de saúde e educação à arrecadação e a expansão dos benefícios sociais entre os fatores que pressionaram os gastos. 📈 As contas do Governo Central, que reúnem o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, registraram déficit primário de R$ 228,5 bilhões em 2023, R$ 42,9 bilhões em 2024 e R$ 61,7 bilhões em 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, o saldo também foi negativo, em R$ 94,9 bilhões. A dificuldade de obter superávits primários — quando as receitas do governo superam as despesas, sem contar os juros da dívida — contribui para o aumento do endividamento público, avalia a economista. Em agosto de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo o BC. Matos também critica a decisão de ampliar os gastos no início do mandato sem garantir receitas permanentes para financiá-los. Na avaliação da economista, a PEC da Transição, que abriu espaço para despesas fora do teto de gastos então vigente, ampliou o desequilíbrio das contas públicas. “O governo entrou com acelerador a mil, tendo os gastos da PEC da Transição sem assegurar de onde viriam as receitas para financiá-los. Ele já entrou com um buraco fiscal muito maior para o período de quatro anos”, afirma Matos. O desequilíbrio das contas públicas pode afetar a economia por diferentes caminhos. 💰 Quando investidores consideram que a dívida pode continuar crescendo sem uma perspectiva clara de estabilização, podem exigir uma remuneração maior por meio de juros mais altos para financiar o governo. 📊 Ao mesmo tempo, a expansão dos gastos pode pressionar a demanda e a inflação, dificultando uma redução dos juros. A intensidade desses efeitos depende das condições da economia e da avaliação do Banco Central. A trajetória da taxa básica de juros, a Selic, ajuda a dimensionar esse cenário. Ela começou 2023 em 13,75% ao ano, recuou para 10,5% em 2024, subiu a 15% em 2025 e estava em 13,75% perto das eleições do segundo turno. 🔎 Quando a Selic permanece elevada, os juros cobrados em empréstimos e financiamentos tendem a subir, tornando mais caro comprar a prazo. Com isso, as famílias podem adiar a compra de bens de maior valor, como carros e imóveis, ou reduzir outros gastos. As empresas, por sua vez, podem postergar investimentos, o que limita o ritmo da atividade econômica. Matos chama esse mecanismo de “multiplicador fiscal negativo”: em vez de estimular de forma duradoura a economia, o aumento dos gastos públicos pode contribuir para pressões inflacionárias e juros mais altos. Oreiro, por sua vez, critica o desenho do arcabouço fiscal — o conjunto de regras que orienta a evolução das despesas e das contas públicas e substituiu o antigo Teto de Gastos. Para o professor, o modelo tenta conciliar uma meta para o crescimento dos gastos com outra para o resultado primário, sem dispor de instrumentos independentes para garantir o cumprimento de ambas. Ele também ressalta que o pagamento de juros representa uma parcela expressiva do desequilíbrio das contas públicas. Para o economista, a discussão fiscal deveria ir além do controle dos gastos e incluir o custo de financiar o próprio endividamento do Estado. “Combater o desequilíbrio fiscal olhando para o déficit primário, sem considerar o pagamento de juros, é como se o rabo estivesse balançando o cachorro”, argumenta Oreiro. PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto Reforma tributária e independência do BC Apesar das críticas à condução das contas públicas e dos juros, os economistas também identificam medidas do terceiro governo Lula com potencial para produzir efeitos positivos ao longo do tempo. A reforma tributária sobre o consumo é um dos principais pontos de convergência entre eles. A mudança busca reduzir distorções no sistema de impostos, simplificar regras e melhorar as condições para a atividade econômica. Para Ribeiro, a aprovação da reforma foi um avanço, mesmo que o texto final não corresponda à proposta ideal. “Foi a reforma possível, mas ainda assim é algo que vai trazer efeitos positivos para a economia brasileira ao longo do tempo.” Matos também avalia positivamente a manutenção da autonomia do Banco Central e a condução da política monetária sob a presidência de Gabriel Galípolo, indicado por Lula e muito questionado pelo mercado financeiro quando seu nome surgiu como sucessor de Roberto Campos Neto. “Ele surpreendeu muito positivamente. Ele tem o nome dele a zelar e sabe que se jogar a toalha, desanda tudo. O Banco Central é muito técnico e tem a independência”, diz a economista. Essa avaliação, porém, contrasta com a expectativa de parte do governo de que a chegada de Galípolo ao comando do BC provocasse uma mudança na política de juros. “Havia uma expectativa na esquerda de que, com Galípolo, a política monetária mudaria de direção. Mas ela não mudou, pelo contrário, ela ficou mais ortodoxa do que era com Campos Neto”, ressalta Oreiro. Política industrial enfrenta obstáculos A política industrial é outro ponto de crítica do professor da UnB. Para ele, a Nova Indústria Brasil não conseguiu elevar de forma significativa a participação da indústria de transformação no PIB nem gerar empregos industriais em escala relevante. Em sua avaliação, os incentivos ao setor perderam força diante dos juros elevados e da valorização do real. Isso porque o custo alto dos empréstimos dificultou os investimentos das empresas, enquanto uma moeda brasileira mais valorizada tornou os produtos nacionais mais caros para compradores estrangeiros. “Taxa de juros muito elevada e custo de capital alta faz com que as empresas não sejam competitivas no mercado internacional. A taxa real de câmbio está defasada e isso também atrapalha as exportações de produtos manufaturados”, argumenta. Ribeiro, por sua vez, destaca medidas do governo que considera positivas na área tributária. Entre elas, estão a revisão de benefícios fiscais que, na avaliação da economista, já não se justificavam e a tributação de fundos mantidos no exterior. “Na nossa avaliação ele acertou: o governo revisou muitas isenções tributárias que não faziam mais sentido, incluindo a questão dos fundos offshore”, diz Ribeiro. Na política externa, Ribeiro considera positiva a tentativa de diversificar os parceiros comerciais do Brasil e reduzir a dependência dos mercados dos Estados Unidos e da China. 👉 Essa estratégia ganha peso em um cenário de incerteza no comércio internacional, marcado por novas tarifas de Donald Trump sobre parte dos produtos brasileiros e pelos conflitos na Ucrânia e Irã, que afetaram as cadeias de fornecimento. “O governo buscou reduzir a vulnerabilidade do Brasil em relação à EUA e China, buscando outros mercados, fazendo acordos comerciais com outras regiões como UE-Mercosul. Há ainda negociações com o Japão e o Canadá”, afirma. Polarização e frustração de expectativas Acontece que a avaliação do governo não depende apenas dos indicadores econômicos ou das medidas adotadas. Fatores políticos e mudanças sociais também influenciam a forma como a população interpreta os resultados da gestão. Para Matos, essas transformações mudaram a maneira como parte da população, especialmente a classe C — com renda domiciliar mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885 —, enxerga o papel do Estado. Segundo a economista, há uma valorização maior do empreendedorismo e da prosperidade individual, acompanhada de resistência à ideia de depender de políticas sociais. A expansão das igrejas pentecostais também faz parte desse cenário, na avaliação dela. O governo Lula lançou e ampliou medidas voltadas a essa parcela da população, como a retomada e a expansão do "Minha Casa, Minha Vida", a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e um Desenrola voltado a microempreendedores individuais (MEIs). As iniciativas, porém, não foram suficientes para garantir ao presidente uma base de apoio mais sólida entre esses eleitores, capaz de reduzir as dificuldades na disputa. Matos considera que o PT não compreendeu plenamente essas mudanças nem a amplitude da coalizão política que levou Lula de volta à Presidência. Para ela, a vitória eleitoral foi resultado de uma frente ampla contra Jair Bolsonaro, e não apenas do apoio ao projeto petista. Por isso, avalia que o governo deveria ter adotado uma agenda mais próxima do centro político. “O PT acha que venceu as eleições de 2022, quando, na verdade, foi o Bolsonaro que perdeu. Quem venceu, de fato, foi a frente ampla. A agenda, do ponto de vista político e econômico, era para ser mais de centro.” Na avaliação da economista, a polarização também dificulta que o desempenho econômico seja avaliado de forma isolada. A identificação política pode pesar mais do que os resultados de determinadas atividades ou políticas públicas. O agronegócio é um exemplo. Embora tenha apresentado resultados que Matos considera positivos, isso não significa necessariamente que os empresários e trabalhadores do setor avaliem bem o governo. “Não é só a economia que explica, há muito de visão de mundo. Cada um está no seu grupo e, por definição, o outro é o inimigo. Não é uma avaliação 100% numérica.” Oreiro aponta outro fator que ajuda a explicar a avaliação do governo: a distância entre o que parte da população esperava e o que efetivamente aconteceu. Segundo o professor, a volta de Lula à Presidência alimentou a expectativa de que a prosperidade associada aos primeiros mandatos do petista seria retomada rapidamente. A melhora dos indicadores, na avaliação dele, não foi suficiente para corresponder a essa expectativa. “As pessoas estavam muito esperançosas que ele retornaria com a prosperidade do governo Lula 1 e 2, até do governo Dilma 1. Houve uma frustração de expectativas: melhorou, mas não o que as pessoas esperavam. Os brasileiros lembram de como era bom em 2011 e 2012, e ainda não voltaram àquele padrão.”
Após reeleição de Lula, fundo de ações brasileiras despenca 19% nos EUA e antecipa reação do mercado

Lula na avenida Paulista. Reprodução / Redes Sociais O EWZ, fundo que acompanha ações brasileiras negociadas no exterior, registrava queda de 19% no after-hours às 21h37 deste domingo (25), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O after-hours é uma espécie de horário extra da bolsa americana, em que as ações continuam sendo negociadas mesmo após o fechamento oficial do mercado. O fundo havia encerrado o pregão de sexta-feira (23) em alta de 1,77%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A bolsa brasileira não opera aos domingos. Por isso, os dados mais recentes são os do fechamento de sexta-feira (23), quando o Ibovespa, principal índice do mercado de ações, subiu 0,47%, aos 205.083 pontos. Já o dólar comercial recuou 0,90%, cotado a R$ 4,9930. Na última sessão antes do segundo turno das eleições presidenciais, investidores acompanharam a divulgação de uma pesquisa Datafolha, que indicava empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), além dos novos dados de inflação e da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,32% em outubro, abaixo das expectativas do mercado. Em setembro, o indicador havia avançado 0,70%. No exterior, os preços do petróleo voltaram a subir em meio às tensões geopolíticas e a uma redução dos estoques americanos maior do que a esperada pelo mercado. O barril do Brent, referência internacional, avançou 3,45%, a US$ 117,08, enquanto o WTI, referência nos EUA, subiu 4,02%, a US$ 103,45. Veja também: Quantas eleições Lula disputou e quantas venceu? Relembre Lula poderá disputar a Presidência novamente em 2030? Entenda Lula se torna o presidente eleito mais velho da história; veja ranking Lula é reeleito: quando será a posse presidencial em 2027? Veja a nova data Desempenho na semana Apesar da alta de sexta-feira, o Ibovespa acumulou queda de 0,17% na semana. No mês, o índice acumulava alta de 10,06% e, no ano, de 27,28%. O dólar, por sua vez, terminou a semana com recuo de 1,57%. A moeda acumulava queda de 3,50% em outubro e de 9,03% no ano. Lula (PT) é reeleito após virada inédita

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou neste domingo (25) que o fluxo aéreo brasileiro operou dentro da regularidade e sem registro de anormalidades durante o fim de semana do segundo turno das Eleições 2026. A agência enviou a manifestação ao g1 após repercussão de queixas nas redes sociais envolvendo cancelamentos e atrasos de voos. Segundo a Anac: 3.797 voos estavam programados para este fim de semana, dias 24 e 25 de outubro; 35 cancelamentos foram contabilizados até as 13h de domingo. Suspensão de voos da Gol impacta passageiros em Campina Grande O volume, segundo a agência, representa uma taxa de cancelamento de 0,9%, índice equivalente ao do fim de semana anterior (17 e 18 de outubro), quando houve 36 cancelamentos entre 4.233 voos previstos. "Atrasos e cancelamentos de voos fazem parte da rotina da aviação comercial e nenhuma anormalidade foi identificada", pontuou a agência reguladora em nota oficial. A Anac afirmou que, apesar disso, notificou as três principais companhias aéreas do país para que informem, com urgência, as medidas adotadas para a reacomodação imediata dos passageiros impactados. É #FAKE que todos voos da Gol do Sul para o Nordeste foram cancelados Abear cita segurança de passageiros Em comunicado enviado ao g1, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) declarou que os cancelamentos pontuais decorrem de motivos meteorológicos ou operacionais. E que a segurança e integridade dos passageiros são a prioridade das companhias. A entidade disse repudiar suposições de que as alterações na programação possam ter qualquer motivação externa ou política. "Essas decisões seguem critérios técnicos e procedimentos operacionais rigorosos. A Abear e empresas associadas repudiam tentativas de atribuir qualquer outra motivação a decisões que visam unicamente garantir a segurança operacional, valor inegociável para a indústria da aviação", declarou a entidade. A associação também destacou que todas as companhias associadas estão prestando assistência material e operacional aos viajantes afetados, conforme determinam as regras da Anac. Voo de Porto Alegre para Salvador é cancelado e causa tumulto em aeroporto Arquivo pessoal/ Diandra Santos

Mega-Sena, concurso 3074: confira os números sorteados O prêmio da Mega-Sena acumulou em R$ 300 milhões após nenhuma aposta acertar as seis dezenas do concurso 3074, realizado neste sábado (24). O próximo sorteio será nesta segunda-feira (26). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp O valor estimado para o concurso 3075 pode se tornar o segundo maior prêmio da história da Mega-Sena em sorteios regulares, desconsiderando a Mega da Virada e outros concursos especiais, segundo o histórico de premiações da Caixa Econômica Federal. Se confirmado, o prêmio ficará atrás apenas do concurso 2525, realizado em 1º de outubro de 2022, que distribuiu R$ 317,8 milhões entre duas apostas vencedoras. Atualmente, o segundo maior prêmio da modalidade foi pago em maio de 2019, quando uma única aposta levou R$ 289,4 milhões no concurso 2150. Confira os 10 maiores prêmios já pagos na Mega-Sena em concursos regulares: Concurso 2745 (04/07/2024): R$ 162,79 milhões Concurso 3042 (09/08/2026): R$ 164,90 milhões Concurso 2464 (19/03/2022): R$ 189,38 milhões Concurso 1772 (22/12/2015): R$ 197,38 milhões Concurso 2795 (09/11/2024): R$ 201,96 milhões Concurso 1764 (25/11/2015): R$ 205,33 milhões Concurso 2696 (05/03/2024): R$ 206,48 milhões Concurso 2237 (27/02/2020): R$ 211,65 milhões Concurso 2150 (11/05/2019): R$ 289,42 milhões Concurso 2525 (01/10/2022): R$ 317,85 milhões Os valores consideram a soma distribuída aos ganhadores da faixa principal, de seis acertos, sem correção pela inflação. O sorteio desta segunda-feira (26) faz parte da Mega Semana Outubro Rosa, que terá cinco concursos consecutivos até sexta-feira (30). Apesar do nome, a iniciativa não é considerada um sorteio especial, já que mantém as mesmas regras de premiação dos concursos regulares da Mega-Sena. Como foi o último sorteio? O sorteio do concurso 3.074 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (24), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 227.660.457,38. O sorteio NÃO teve ganhadores e o próximo concurso pode pagar até R$ 300 milhões. Veja os números sorteados: 02 - 03 - 20 - 25 - 39 - 57. 5 acertos: 175 apostas ganhadoras, cada um ganha R$ 30.318,56 4 acertos: 11.643 apostas ganhadoras, cada um ganha R$ 651,00 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Mega-Sena, concurso 3074: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.074 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (24), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 227.660.457,38 milhões. O sorteio NÃO teve ganhadores e o próximo concurso pode pagar até R$ 300 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 02 - 03 - 20 - 25 - 39 - 57. 5 acertos: 175 apostas ganhadoras, cada um ganha R$ 30.318,56 4 acertos: 11.643 apostas ganhadoras, cada um ganha R$ 651,00 Mega-sena concurso 3074 Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo Reprodução Em uma das eleições mais disputadas da história, os brasileiros vão às urnas neste domingo (25) para escolher o próximo presidente da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Como mostrou o g1, a principal pauta econômica da eleição é o equilíbrio das contas públicas. As propostas dos presidenciáveis, porém, levantam muitas dúvidas sobre como serão financiadas e quais efeitos terão sobre o Orçamento e a trajetória da dívida pública. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A dívida do país está próxima de R$ 11,1 trilhões. O valor continua crescendo e já equivale a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em outras palavras, o montante corresponde a cerca de 10 meses de tudo o que o país produz em bens e serviços. O desafio é reverter essa trajetória de alta sem comprometer as políticas públicas. Há bastante tempo, gastos obrigatórios, como os vinculados à Previdência, à saúde e à educação, têm crescido acima do ritmo permitido pelas regras que limitam o aumento das despesas do país. Debate da Globo: Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívidas dos brasileiros, salário mínimo e SUS e trocam ofensas e ataques com 'nove dedos' e 'miliciano' Veja o que é #FATO ou #FAKE nas falas de Flávio Bolsonaro e Lula no debate da Globo no 2º turno das eleições 2026 Evolução da dívida bruta — Foto: Arte/g1 Com isso, sobra cada vez menos espaço no Orçamento para investimentos e outros gastos sobre os quais o governo tem maior liberdade para decidir como e quando usar. Neste mês, o g1 mostrou que, dos R$ 2,8 trilhões previstos em despesas primárias no Orçamento de 2027, 90% estão comprometidos com aposentadorias, salários, benefícios sociais e outras despesas obrigatórias. Para Murilo Viana, mestre em economia pela Unicamp e especialista em contas públicas, as projeções do Tesouro Nacional já apontam para uma redução dos recursos disponíveis ao governo também nos próximos anos, o que pode limitar ainda mais a capacidade de escolha do próximo presidente sobre onde investir. O g1 ouviu economistas para avaliar as propostas sobre as contas públicas, os desafios para colocá-las em prática e os riscos para a trajetória da dívida pública. A análise considera não apenas os objetivos anunciados pelos candidatos, mas também os custos das medidas, as fontes de financiamento e os limites do Orçamento. Agora no g1 Renegociação de dívidas e seus riscos A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que 81,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em setembro. Apesar da leve queda em relação aos 82% registrados em agosto, o endividamento bateu recordes consecutivos ao longo de 2026. Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram propostas para mitigar o problema, mas não detalharam de onde virão os recursos necessários para colocá-las em prática. Em uma live nas redes sociais e em debates, Flávio propôs que o governo compre dos bancos as dívidas de pessoas e empresas inadimplentes e as renegocie pela Caixa Econômica Federal, com juros menores e prazos mais longos. O plano prevê um período de carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas, durante o qual os devedores não precisariam pagar as parcelas. Outra proposta é o programa “Ganha-Ganha”, que prevê a concessão de pontos para quem mantiver as contas em dia ou fizer cursos de capacitação. Esses pontos poderiam ser trocados por benefícios, como juros menores e cashback. “Utilizar a Caixa Econômica Federal para fazer esse tipo de operação é um risco gigantesco de transferir a dívida privada para uma instituição pública”, afirma Murilo Viana, mestre em economia pela Unicamp e especialista em finanças públicas. Daniel Duque, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), também alerta para possíveis impactos na oferta de crédito. Segundo ele, a expectativa de novas renegociações pode mudar o comportamento de bancos e consumidores. “Isso vai ter consequências sobre as análises de crédito futuras. Os bancos podem pensar: se o governo pode fazer isso agora, quem garante que não fará de novo daqui a dois anos?”, diz Duque. Já o presidente Lula, candidato à reeleição, anunciou uma série de medidas já durante a campanha eleitoral. Na última quarta-feira (21), sancionou uma lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União. A medida abrange dívidas de impostos e contribuições federais, incluindo contribuições previdenciárias em atraso, além de multas, juros e encargos de cobrança. Segundo o governo, mais de 3,6 milhões de empreendedores poderão ser beneficiados. O governo também incluiu os MEIs no Desenrola 3.0, programa voltado à renegociação de dívidas bancárias. A iniciativa prevê que o governo compre dos bancos conjuntos de dívidas de clientes, conhecidos como carteiras de crédito. As instituições financeiras terão de oferecer descontos de pelo menos 90%. O valor total dessas dívidas foi estimado em cerca de R$ 6 bilhões. As medidas também levantam dúvidas sobre seus efeitos nas contas públicas. Isso porque o perdão de dívidas elimina valores que a União tinha a receber, enquanto a compra de dívidas bancárias exige o uso de recursos públicos. “Pessoas e bancos acabam esperando para agir: ‘o governo vai fazer essa renegociação, então não vou pagar porque vai sair mais barato eu esperar pelo próximo programa’”, afirma Daniel Duque, que também menciona as duas edições anteriores do Desenrola. Cortes de gastos ou aumento das receitas? Integrante da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques (Republicanos) afirmou no início do mês que o plano do candidato à Presidência prevê cortar gastos equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), revisar o arcabouço fiscal e reduzir a estrutura do governo. A campanha chama o conjunto de medidas de "tesouraço", mas a campanha nunca detalhou quais gastos seriam cortados, em quanto tempo e como os cortes seriam feitos. O economista Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, avalia que promessas genéricas de melhorar a eficiência do governo não são suficientes para reduzir significativamente os gastos públicos. Segundo ele, é difícil fazer cortes mais profundos porque grande parte do Orçamento já está comprometida com despesas obrigatórias. “Flávio prometeu melhorar a eficiência do gasto público, mas isso ainda é muito pontual. Para fazer mudanças estruturais, são necessárias reformas que permitam alterar regras de despesas obrigatórias”, afirma Hammoud. As despesas obrigatórias — como aposentadorias e pensões do INSS, benefícios do Bolsa Família, salários de servidores e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — seguem regras previstas em lei. Por isso, o governo tem menos liberdade para reduzir esses gastos de uma hora para outra. Cortes mais profundos podem exigir mudanças nas leis ou na Constituição. “Medidas de ajuste são impopulares no curto prazo. É fácil defender um ajuste fiscal, mas, quando é preciso apontar onde cortar, a decisão acaba afetando diretamente diferentes políticas públicas”, diz Murilo Viana. O presidente Lula, por sua vez, prevê ampliar os gastos com programas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família, manter o programa de valorização do salário mínimo e aumentar os investimentos públicos. Essas medidas podem ajudar a sustentar a renda das famílias e financiar serviços e obras, mas também pressionam o Orçamento quando não há receitas suficientes para bancá-las. Hammoud, da FGV, questiona a estratégia de aumentar os gastos públicos contando com uma arrecadação maior para compensá-los. Para ele, o ajuste das contas públicas deveria priorizar o controle das despesas. “O arcabouço fiscal fracassou no controle da dívida. Em 2023, o governo prometeu conter o aumento dos gastos e estabilizar a dívida, mas não entregou o resultado esperado”, afirma. Redução de impostos e mudanças no MEI Flávio Bolsonaro também promete rever pontos da reforma tributária em curso, reduzir impostos e encargos e retomar um programa que concedia benefícios tributários a empresas do setor de eventos. 🔍 O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) oferecia benefícios tributários, incluindo alíquotas zero de alguns impostos federais. O programa foi encerrado em 2025 pelo governo Lula, que justificou a decisão pelo alto custo para os cofres públicos e apontou indícios de irregularidades no uso dos benefícios por algumas empresas. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo poderia deixar de arrecadar cerca de R$ 20 bilhões em 2025 caso o programa fosse mantido. "O maior programa de incentivos aos artistas e eventos foi criado em 2021. Sabem quem fez: o Jair. Vou restabelecer o Perse para todo setor de eventos culturais, shows, turismo, que hoje estão sufocados, endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro", declarou o candidato do PL nas redes sociais. Além do Perse, Daniella Marques afirmou que um eventual governo do PL pretende acabar com o chamado "split payment", mecanismo previsto na reforma tributária que separa automaticamente o valor do imposto no momento do pagamento de uma compra. O objetivo é reduzir a sonegação fiscal. O tributarista Lucas Ribeiro, fundador e CEO da ROIT, empresa de tecnologia voltada a soluções para a reforma tributária, estimou no ano passado que o "split payment" poderia aumentar a arrecadação federal em R$ 400 bilhões a R$ 500 bilhões por ano — montante que, segundo ele, equivale ao valor dos impostos sonegados. Para Ricardo Hammoud, a situação das contas públicas deixa pouco espaço para reduzir impostos ou abrir mão de arrecadação. Embora considere elevada a carga tributária brasileira, ele afirma que a prioridade deve ser o controle da dívida pública. “Sou favorável à redução de impostos e considero a carga tributária brasileira muito alta em comparação com a de outros países emergentes. Mas não há espaço hoje para cortar tributos. A prioridade precisa ser a dívida pública. Se Flávio fizer isso inicialmente, poderá gerar dúvidas sobre a responsabilidade fiscal que tanto defende”, afirma. Já o presidente Lula sancionou nesta semana uma lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). Segundo o governo, a medida prevê o perdão integral de R$ 12,6 bilhões em dívidas de cerca de 3,6 milhões de MEIs. A medida abrange dívidas com a União inscritas na Dívida Ativa até 13 de outubro de 2026, referentes às contribuições dos microempreendedores, incluindo juros, multas e encargos legais. Também foi estabelecido um aumento gradual do limite de faturamento anual dos MEIs para R$ 140 mil até 2028, o que permitirá que esses empreendedores aumentem suas receitas sem precisar sair do regime simplificado. A economista Juliana Inhasz, professora do Insper, avalia que propostas voltadas aos microempreendedores também têm apelo eleitoral, especialmente entre trabalhadores por conta própria e pequenos empresários. Para ela, porém, as promessas de benefícios sempre precisam explicar de onde virão os recursos para financiá-los. “Há propostas que não se sustentam quando se pergunta de onde virá o dinheiro. Sem uma fonte de financiamento definida, fica difícil saber como seriam executadas”, afirma Inhasz. Benefícios, transporte e combustíveis Entre as propostas, há medidas de injeção direta de recursos públicos na economia. Flávio propõe o ViraPIX, que prevê a devolução de parte dos valores pagos pela população em despesas como contas de luz, prestações e taxas, por meio do PIX. O programa poderia aumentar a renda disponível das famílias e estimular o consumo, mas a campanha ainda não detalhou quem teria direito ao benefício, quais seriam os valores e como a iniciativa seria financiada. A ideia também é muito semelhante ao cashback, já definido pela reforma tributária, que devolve parte do imposto para população de baixa renda inscrita no Cadastro Único (CadÚnico). Lula, por sua vez, propõe ampliar o Bolsa Família e oferecer transporte público gratuito aos fins de semana, além de manter os subsídios aos combustíveis. No caso do Bolsa Família, a ampliação do número de beneficiários ou do valor pago por família aumenta os gastos permanentes do governo com o programa. Já a tarifa zero aos fins de semana dependeria da definição de como o benefício seria financiado e de como os custos seriam divididos entre União, estados e municípios. Os subsídios aos combustíveis, por sua vez, podem aumentar os gastos públicos quando pagos diretamente pelo governo ou reduzir a arrecadação quando concedidos por meio de isenções ou reduções de impostos. Para Ricardo Hammoud, economista do FGV Ibre, o peso das despesas obrigatórias no Orçamento reduz o espaço disponível para investimentos e outros gastos sobre os quais o governo tem maior liberdade de decisão. Assim, seria necessário cortar gastos em outras áreas para abrir espaço para novos programas ou para a ampliação dos já existentes.

Voto nas eleições de 2026 vale como prova de vida automática para o INSS Ir às urnas no segundo turno das eleições, no domingo (25), pode servir como prova de vida para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A comprovação é feita automaticamente, por meio do cruzamento de dados entre a Justiça Eleitoral e a Previdência Social. Não é necessário apresentar documentos nem ir a uma agência. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Quem não votou no primeiro turno também pode usar a votação do segundo para comprovar que está vivo. A ausência na primeira votação não invalida o comparecimento à segunda. Segundo o INSS, a integração dos sistemas com a Justiça Eleitoral já está em funcionamento. Em 2024, a participação nas eleições contribuiu para atualizar a prova de vida de aproximadamente 5 milhões de pessoas. É #FATO: Voto nas eleições de 2026 vale como prova de vida automática para o INSS Como funciona a prova de vida pelo voto? A prova de vida é um procedimento usado pelo INSS para confirmar que o beneficiário está vivo e manter os pagamentos regulares. A comprovação pode ser feita de diferentes formas, entre elas o comparecimento às urnas. Quando o eleitor vota, a Justiça Eleitoral registra a informação, que pode ser cruzada com os dados da Previdência Social. O processo ocorre automaticamente. O beneficiário não precisa guardar o comprovante de votação nem solicitar a atualização. Tenho 70 anos ou mais: sou obrigado a votar? As regras eleitorais não devem ser confundidas com as da prova de vida do INSS. Pessoas com 70 anos ou mais não são obrigadas a votar e, por isso, não precisam justificar a ausência. Quem é obrigado a votar precisa regularizar a ausência no primeiro turno, mesmo que compareça ao segundo. Nesse caso, o voto no segundo turno pode valer como prova de vida, mas não substitui a regularização da falta na primeira votação. ➡️ A justificativa eleitoral não vale como prova de vida. Para que a participação na eleição seja considerada pelo INSS, é necessário comparecer às urnas. Quem não votar pode perder o benefício? Não. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ausência às urnas não provoca o bloqueio automático do benefício do INSS. Quem não votar pode fazer a prova de vida por outros meios aceitos pelo instituto. Para verificar a situação, o beneficiário pode acessar o aplicativo ou o site Meu INSS e selecionar a opção "Prova de Vida". Também é possível consultar informações pela Central 135. Quase metade dos eleitores com 70 anos ou mais faltou ao primeiro turno Cerca de 8,49 milhões de eleitores com 70 anos ou mais não compareceram ao primeiro turno das eleições deste ano, realizado em 4 de outubro, segundo levantamento do Movimento Voto 70+ com base em dados do TSE. O número representa 49,2% dos 17,25 milhões de eleitores dessa faixa etária aptos a votar. A abstenção foi maior entre os eleitores com 80 anos ou mais. Nesse grupo, 4,03 milhões não votaram, o equivalente a 73,1% do total. Entre os eleitores de 70 a 79 anos, 4,45 milhões não compareceram, ou 37,9%. O levantamento também mostra que as mulheres representam 60,6% dos eleitores com 70 anos ou mais que não compareceram ao primeiro turno. Urna eleitoral no Ceará Fabiane de Paula/ SVM

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) une normas que passaram a regular as relações entre patrões e empregados no Brasil. Agência Brasil Criada em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) reuniu normas que passaram a regular as relações entre patrões e empregados no Brasil. A legislação estabeleceu direitos e regras que fazem parte do cotidiano de milhões de trabalhadores, como limites para a jornada de trabalho, férias, pagamento de horas extras e condições para a demissão. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mais de oito décadas depois, a CLT voltou ao centro do debate político na campanha presidencial de 2026, com propostas diferentes para o futuro das relações de trabalho no país. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende atualizar a legislação para combater a precarização do trabalho e fortalecer a atuação dos sindicatos, Flávio Bolsonaro (PL) propõe reduzir o custo da contratação formal e ampliar a flexibilidade nas relações entre empregados e empregadores. Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas A discussão ganhou força com a aprovação e a promulgação da emenda constitucional que prevê o fim da escala 6x1, tema que dividiu os candidatos durante a campanha. A redução da jornada era uma das bandeiras de Lula e estava entre as propostas de seu plano de governo. Flávio, por sua vez, chegou a classificar a mudança como "oportunista", mas depois voltou atrás e votou a favor da emenda, afirmando que havia "ouvido a população". Apesar do apoio à mudança, o PL pretende apresentar uma alternativa em 2027, caso Flávio seja eleito presidente, segundo o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Elaborada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), a proposta prevê um modelo de contratação com remuneração proporcional às horas trabalhadas. Flávio, contudo, negou que a proposta pretenda rever o fim da escala 6x1, em entrevista à TV Globo. A seguir, veja o que os dois candidatos já disseram publicamente sobre a legislação trabalhista e o que propõem em seus planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Getty Images O que Lula propõe No plano de governo, Lula propõe atualizar a legislação trabalhista para alterar dispositivos que considera prejudiciais aos trabalhadores e que "induzem a precarização das condições de trabalho", segundo o documento. Em entrevista ao podcast Desce a Letra, em setembro de 2026, o presidente defendeu adaptar a CLT às transformações no mundo do trabalho. "Eu sempre tive defesa da CLT e defesa ao mesmo tempo mudança da CLT. Uma lei que foi criada em 1943, ela precisa se adaptar ao mundo atual. Não pode ficar a mesma coisa", afirmou. Lula, porém, não especificou quais mudanças pretende fazer. O plano também prevê combater fraudes em terceirizações e na contratação de profissionais como pessoa jurídica (PJ), quando esse modelo é usado para mascarar uma relação de emprego e evitar obrigações trabalhistas e previdenciárias. O petista não propõe proibir a contratação de profissionais como PJ, mas combater o que chama de "pejotização espúria". Outra proposta é retomar a assistência sindical nas homologações de rescisões contratuais. A medida se relaciona a uma mudança introduzida pela reforma trabalhista de 2017, que eliminou a exigência geral de assistência sindical ou de autoridade competente na formalização de determinadas rescisões de contratos com mais de um ano. Lula também propõe regulamentar o trabalho em plataformas digitais, com diretrizes para definir as relações de trabalho, a remuneração, as condições de trabalho e as proteções e os direitos trabalhistas e previdenciários. O plano estabelece ainda transparência dos algoritmos e políticas de requalificação e inserção profissional para categorias afetadas pelas transformações tecnológicas. O texto, no entanto, não estabelece que todos os trabalhadores de aplicativos terão vínculo de emprego regido pela CLT. Por fim, o presidente defende fortalecer os sindicatos e ampliar o espaço da negociação coletiva. O plano prevê atualizar o sistema de representação sindical e regulamentar a negociação coletiva no setor público. Em declarações públicas, Lula também tem defendido o contrato coletivo como instrumento para discutir temas como jornada de trabalho, reajustes salariais e outros direitos, com os sindicatos atuando na representação dos trabalhadores nessas negociações. Flávio Bolsonaro Getty Images O que propõe Flávio Bolsonaro Em maio, durante entrevista à Band, Flávio Bolsonaro criticou a CLT e defendeu uma atualização da legislação trabalhista. "É uma legislação atrasada, a CLT, de 1943, da época que não tinha internet, home office, aplicativos de entregas e de carros. Portanto, o Brasil avançou, se atualizou e precisa de uma atualização muito mais moderna, que atenda a realidade do povo brasileiro", afirmou. No plano de governo, ele propõe reduzir o custo da contratação formal, flexibilizar as condições de trabalho e ampliar a negociação direta entre empregados e empregadores. Uma das medidas é reduzir gradualmente o custo do trabalho formal. Para isso, o documento propõe criar contratos com custos menores para empresas que contratarem jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos 12 meses. O plano, porém, não detalha quais encargos seriam reduzidos, por quanto tempo os incentivos seriam aplicados nem quantas vagas poderiam ser criadas com as medidas. O candidato também defende a prevalência do "negociado sobre o legislado", princípio que permite que acordos entre trabalhadores e empresas estabeleçam condições de trabalho diferentes das previstas em lei, dentro dos limites legais. Segundo o plano, a medida daria mais flexibilidade para definir jornadas e outras condições de trabalho. Outra proposta defendida publicamente por Flávio é permitir que trabalhadores escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo de remuneração por hora trabalhada. A ideia foi apresentada pelo senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha, na PEC 12/2026. Pela proposta, contratos individuais poderiam prevalecer sobre acordos e convenções coletivas negociados com participação dos sindicatos. A remuneração e benefícios como férias, 13º salário e FGTS seriam proporcionais às horas trabalhadas, de modo que quem trabalhasse menos horas poderia receber menos ao fim do mês. O documento também critica a atuação dos sindicatos e defende a manutenção das oportunidades de trabalho por aplicativos. Na relação com os sindicatos, o plano afirma que o trabalhador deve vir em primeiro lugar e critica o que chama de "República Sindical". Sobre os trabalhadores de aplicativos, o documento defende preservar as oportunidades de renda e trabalho e assegurar proteção social e previdenciária, mas não detalha qual vínculo jurídico seria adotado para essas categorias. LEIA TAMBÉM: Debate da Globo: Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívidas dos brasileiros, salário mínimo e SUS e trocam ofensas e ataques com 'nove dedos' e 'miliciano' Veja o que é #FATO ou #FAKE nas falas de Flávio Bolsonaro e Lula no debate da Globo no 2º turno das eleições 2026

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.074 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 230 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre excepcionalmente às 21h deste sábado (24) devido ao segundo turno das eleições de 2026. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do última quinta-feira (22), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Para alé da Mega, outras seis loterias também foram adiantadas para hoje. São elas: Lotofácil; Quina; Timemania; Dia da Sorte; +Milionária; e Loteria Federal. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central (BC) aprovou nesta sexta-feira (23) novas regras para proteger consumidores em situação de maior vulnerabilidade financeira contra ofertas de crédito que possam agravar seu endividamento. A partir de 31 de março de 2027, bancos e outras instituições financeiras precisarão de autorização prévia, específica e inequívoca desses clientes para fazer ofertas ativas de crédito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Além de exigir consentimento, a norma limita as propostas a operações que possam melhorar as condições financeiras do consumidor, como renegociação de dívidas, portabilidade de crédito — transferência de um empréstimo de uma instituição para outra — ou migração para produtos mais vantajosos. As instituições não poderão oferecer novos recursos a esses clientes por meio dessas abordagens. Agora no g1 ➡️ A medida faz parte de um conjunto de três resoluções aprovadas pelo BC para ampliar a proteção nas relações de crédito e reduzir situações que favoreçam o endividamento excessivo. Segundo o órgão, as regras buscam assegurar aos consumidores “mais proteção e informação sobre as ofertas de crédito que recebem” e reduzir situações que possam favorecer o endividamento excessivo. Vale dizer que a regulamentação não impede que os próprios clientes pesquisem e contratem produtos financeiros por iniciativa própria. Segundo o BC, para todos os consumidores, independentemente da situação financeira, as instituições também deverão disponibilizar um mecanismo claro para bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito. Painel vai reunir informações sobre dívidas Outra medida aprovada pelo BC prevê a criação do Painel de Dívidas Consolidadas, que deverá ser oferecido pelas instituições financeiras a partir de 1º de julho de 2027. 🔎 A ferramenta reunirá informações sobre as operações de crédito dos clientes para facilitar a consulta ao total de dívidas e ao comprometimento da renda com pagamentos. Antes de uma nova contratação, os bancos também deverão apresentar simulações dos custos do crédito, explicar seu impacto financeiro e emitir alertas em situações de maior risco. Inicialmente, o painel mostrará apenas as operações contratadas na própria instituição. Posteriormente, deverá incorporar dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR), mantido pelo BC, e do Open Finance, sistema que permite o compartilhamento de informações financeiras entre instituições mediante autorização do cliente. Com a ampliação das informações disponíveis, a ferramenta deverá permitir uma visão mais abrangente do endividamento dos consumidores. BC também muda regras para crédito pelo Pix O BC também estabeleceu novas exigências para a oferta de crédito durante a iniciação de transações pelo Pix. A partir de 1º de julho de 2027, as instituições precisarão obter o consentimento prévio e específico do usuário para apresentar esse tipo de oferta. A norma determina ainda um intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação do serviço e a primeira oferta de crédito. Os bancos deverão disponibilizar ferramentas como simuladores e ambientes para consulta das operações contratadas. A regulamentação também prevê restrições para determinadas modalidades de crédito relacionadas ao Pix e estabelece regras para devoluções associadas a essas operações. O BC ressalta, porém, que o dinheiro continuará sendo recebido de forma instantânea e integral pelo beneficiário da transação. As três resoluções, publicadas nesta sexta-feira, integram um conjunto de medidas voltadas a ampliar a transparência nas contratações, reforçar a responsabilidade das instituições financeiras e prevenir o superendividamento.

Após tarifas de Trump, Canadá anuncia retaliação de até 50% contra os EUA O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (23) uma ordem para retirar a tarifa de 50% sobre alguns produtos agrícolas e florestais importados do Canadá. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A medida pode beneficiar empresas americanas do setor agrícola que dependem desses produtos. Entre os produtos que deixarão de pagar a tarifa estão chapas de madeira compensada, alguns tipos de papel, determinadas máquinas, equipamentos de refrigeração e caixas e embalagens para transporte de mercadorias, informou a Casa Branca. "Esses produtores são uma parte vital da economia do nosso estado e sustentam nossas comunidades rurais e costeiras", disse a senadora Susan Collins, do Maine. Segundo ela, muitos agricultores e produtores dependem de equipamentos especializados, materiais para embalagens e outros produtos canadenses que não estão disponíveis com fornecedores americanos ou cuja substituição teria custos elevados. A decisão foi tomada após a senadora republicana pedir à Casa Branca que revisasse as tarifas sobre produtos que afetam empresas e agricultores de seu estado. Ela enfrenta uma disputa acirrada pela reeleição. Candidatos republicanos de estados do norte dos Estados Unidos que fazem fronteira com o Canadá, como Maine e Michigan, tentam equilibrar o apoio à base fiel de Trump com a busca por votos de eleitores independentes. Esses estados são particularmente afetados pelas tarifas. Collins afirmou que a medida vai beneficiar produtores de mirtilo, batata, maçã e algas marinhas do Maine. Collins e seu adversário, o democrata Troy Jackson, discutiram as tarifas durante um debate em 6 de outubro. Entenda a guerra tarifária entre EUA e Canadá Em agosto, Trump impôs tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em importações canadenses. As cobranças entraram em vigor depois que as negociações entre os dois países fracassaram naquele mês. Desde então, os governos mantêm um impasse comercial. Na sexta-feira, Trump afirmou, porém, que o Canadá está trabalhando para fechar um acordo com os Estados Unidos. A Casa Branca também informou que determinados tipos de válvulas, carpetes, resíduos e outros produtos serão incluídos na lista de itens contemplados pela medida. As economias do Maine e de Michigan têm relações estreitas com a do Canadá, que fornecem desde peças automotivas até madeira e equipamentos para a colheita de frutas. Por isso, as tarifas têm impacto significativo nesses estados. A disputa comercial também tem consequências políticas: os republicanos provavelmente precisarão vencer no Maine e em Michigan nas eleições de 3 de novembro para manter o controle do Senado americano. * Com informações da Reuters. Presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício na Flórida Umit Bektas/Reuters

O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar O Japão anunciou nesta sexta-feira (23) que criará uma equipe para simular ataques cibernéticos com inteligência artificial (IA) e identificar falhas em sistemas tecnológicos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A medida ocorre em meio a uma onda de ataques que levou empresas e órgãos públicos de vários países a tirar sites do ar para se proteger de vulnerabilidades na linguagem de programação PHP, usada em grande parte da internet. Nesta semana, milhões de tentativas de invasão foram registradas após a divulgação de falhas graves no PHP, levando operadores de sites a reforçar a segurança ou suspender temporariamente seus sistemas. Um dos efeitos da crise foi a suspensão, pela SoftBank, terceira maior operadora de telefonia móvel do Japão, de seu sistema de alertas de emergência para celulares. Com mais de 30 milhões de clientes de smartphones, a empresa informou nesta sexta-feira que o serviço ficará indisponível durante a manutenção para corrigir uma falha no PHP. Com isso, os usuários deixarão de receber alertas antecipados de terremotos, avisos de tsunamis e informações sobre desastres e evacuações. A SoftBank afirmou, porém, que os clientes ainda poderão receber alertas de terremotos por outros serviços, como um aplicativo de sua empresa Yahoo. O Japão é frequentemente atingido por desastres naturais e está entre os países mais sujeitos a terremotos do mundo. O tufão Champi também se aproxima de Okinawa, a província mais ao sul do país. "Um ataque pode ser bem-sucedido ao encontrar apenas uma brecha. Por isso, é importante mudarmos nossa mentalidade e pensar sob a perspectiva do invasor", afirmou o ministro japonês da Indústria, Ryosei Akazawa, nesta sexta-feira, à Reuters. "Os responsáveis pela defesa também precisam usar a inteligência artificial e agir de forma proativa, mantendo-se um passo à frente", acrescentou. Nobuo Miwa, presidente da empresa de segurança cibernética S&J Corp, sediada em Tóquio, avaliou que a resposta do governo foi lenta demais. "É como tentar enfrentar um homem-bomba com uma lança de bambu", afirmou. Falhas no PHP tiram serviços do ar em vários países As interrupções emergenciais registradas nesta semana, de Tóquio a Helsinque, afetaram serviços bancários, aéreos, ferroviários, tributários e governamentais. O episódio se tornou um dos testes mais expressivos para ferramentas de programação criadas há décadas e que sustentam o funcionamento da internet. No Japão, empresas como a corretora Nomura, o grupo financeiro Mitsubishi UFJ, a companhia aérea ANA e a operadora ferroviária JR East suspenderam temporariamente alguns serviços on-line como medida de emergência. O Ministério das Finanças, a Agência Nacional de Impostos e a Agência Meteorológica do Japão também interromperam parte de seus serviços pela internet. Nesta sexta-feira, a JR East informou que alguns serviços de empresas do grupo haviam voltado a funcionar. Os demais seriam restabelecidos após a confirmação de que estavam seguros. Já a fabricante de tintas Nippon Paint afirmou ter instalado uma atualização de segurança por precaução e informou que seu site estava novamente no ar. Para Eva Chen, presidente-executiva da empresa de segurança cibernética Trend Micro, os invasores provavelmente estão mirando empresas japonesas por causa dos registros detalhados que elas mantêm. Segundo ela, a inteligência artificial também reduziu a barreira do idioma, facilitando ataques contra essas organizações. Chen afirmou ainda que o Japão se tornou excessivamente confiante na segurança de sua infraestrutura tecnológica existente. Especialistas em segurança cibernética alertam que a inteligência artificial está ajudando criminosos a automatizar tarefas, desde a busca por falhas em programas até a criação de campanhas de phishing — golpes que tentam enganar pessoas para obter informações confidenciais, como senhas. Com isso, os crimes digitais podem se tornar mais rápidos, baratos e difíceis de detectar. Os desenvolvedores do PHP divulgaram correções na quarta-feira (21) para vulnerabilidades que estavam presentes no programa havia anos e foram descobertas com o auxílio da inteligência artificial. Eles recomendaram que os usuários atualizassem o software imediatamente. A linguagem PHP é um conjunto de instruções usado para desenvolver sites e aplicações na internet. Uma vulnerabilidade é uma falha que pode ser explorada por invasores para acessar sistemas, roubar informações ou interromper serviços. As atualizações de segurança corrigem esses problemas e reduzem o risco de ataques. * Com informações da Reuters. As palavras "PHP Code" no texto e código PHP são exibidas em uma tela. As palavras "PHP Code" no texto e código PHP são exibidas em uma tela.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo do petista vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para anistiar dívida ativa da União de empresas do Simples Nacional do setor de eventos, bares e restaurantes. O anúncio foi feito três dias depois do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência da República, afirmar que, se eleito, quer retomar o Programa Emergencial para Retomada do Setor de Eventos (Perse). "O presidente Lula autorizou que a gente fizesse estudo em relação à questão do setor de eventos e artistas do país. Na pandemia tivemos o Perse e que praticamente muitos dos setores, seguimentos, ficaram endividados. Hoje estive com presidente Hugo Motta e a proposta é que pudesse encaminhar ainda este ano um projeto de lei para que fosse debatido no Congresso em primeiro lugar pudesse propor que nem os MEIs encaminhar PL que possa perdoar dívida ativa da União de todos os setores de eventos", disse o senador Camilo Santana (PT-CE). Segundo Santana, que é o coordenador político da campanha de Lula, atualmente a dívida desse grupo chega a R$ 15 bilhões para um total de cerca de 400 mil empreendimentos. Agora no g1 Além disso, o senador também anunciou uma linha de crédito do governo para esses empresários podem pagar suas contas no Fisco, a partir da entrada em vigor da implementação da nova reforma tributária a partir do ano que vem. O Perse foi lançado por Jair Bolsonaro em 2021, ainda na pandemia da Covid-19. O programa de incentivo ao setor de eventos foi encerrado em 2025 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou alto custo fiscal e apontou indícios de irregularidades no uso do benefício por algumas empresas. O Perse também gerou controvérsia após a divulgação de uma lista de beneficiários que incluía influenciadores digitais e artistas. Na última terça-feira (20), Flavio Bolsonaro publicou nas redes sociais que, se eleito, quer retomar o programa para todo setor de eventos culturais, incluindo shows e turismo, que hoje estão endividados. "O maior programa de incentivos aos artistas e eventos foi criado em 2021. Sabem quem fez: o Jair. Vou restabelecer o Perse para todo setor de eventos culturais, shows, turismo, que hoje estão sufocados, endividados pela crise que esse governo colocou o país inteiro", declarou o candidato do PL. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que o custo da dívida é pequena diante da possibilidade de reabilitar o setor. Segundo ele, depois das medidas voltadas aos MEIs, o governo vai agora "colocar esforços nas empresas do Simples". "Esse setor é um setor que precisa de ajuda. A linha de crédito vem nesse sentido. E combinamos com presidente da Câmara um cronograma para pensar no teto do simples", disse. Rede de restaurantes abre vagas para nova unidade em shopping de Jundiaí Abraccio/Divulgação

Anvisa alerta para riscos de canetas emagrecedoras caseiras com tirzepatida em pó O mercado de medicamentos para emagrecer, como as canetas de GLP-1, no Brasil, na China e na Índia pode crescer dos atuais US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 33 bilhões) para US$ 22 bilhões (R$ 110 bilhões) até 2035, segundo estimativa do banco de investimentos J.P. Morgan. O avanço deve ser impulsionado pela redução dos preços e pela ampliação do acesso aos tratamentos, que ainda são pouco utilizados nesses países. De acordo com analistas do banco liderados por Yang Huang, o mercado dos três países pode crescer a uma taxa média de 15% ao ano até 2035. A projeção considera o grande número de pessoas com diabetes e obesidade nessas populações. Medicamentos como Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly, pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1. Esses remédios imitam a ação de um hormônio que ajuda a controlar o açúcar no sangue e a reduzir o apetite, sendo utilizados no tratamento do diabetes e, em determinados casos, da obesidade. A China e a Índia estão entre os países com as maiores populações de pessoas com diabetes do mundo. Segundo o J.P. Morgan, os dois países concentram, respectivamente, mais de 25% e 15% dos casos diagnosticados globalmente. No Brasil, cerca de 12% dos adultos têm a doença. Os três países também enfrentam o avanço da obesidade. Na China, a parcela da população com sobrepeso ou obesidade pode ultrapassar 65% até 2030. Na Índia, a previsão é que a taxa de obesidade entre adultos chegue a 11% até 2035. "Os medicamentos GLP-1 estão deixando de ser uma tendência de crescimento restrita aos mercados desenvolvidos para se tornarem uma questão de acesso global mais amplo", afirmaram os analistas. Segundo o banco, a expiração de patentes, a chegada de versões genéricas — medicamentos com o mesmo princípio ativo de um produto de referência cuja patente expirou — e as reduções de preços promovidas por políticas públicas estão tornando os tratamentos mais acessíveis. Canetas emagrecedoras viram febre: 1,3 milhão de pedidos movimentam R$ 2,3 bilhões em 6 meses Mercados ainda pouco explorados Apesar do potencial de crescimento, o uso desses medicamentos ainda é baixo em muitos países emergentes, principalmente por causa dos preços. Segundo o relatório do J.P. Morgan, menos de 0,1% da população chinesa e menos de 0,2% da população indiana utilizam tratamentos da classe GLP-1. Nos Estados Unidos, a proporção fica entre 4% e 5%. O Brasil é atualmente o maior dos três mercados, mas a expectativa é que, até 2035, apenas 7% a 8% da população brasileira com obesidade utilize medicamentos para tratar a doença. Nos Estados Unidos, a projeção é de cerca de 30%. O J.P. Morgan estima que a China ultrapasse o Brasil até 2027 e se torne o maior mercado entre os três países. Até 2035, o mercado chinês pode movimentar US$ 13,7 bilhões (R$ 68,5 bilhões), ante US$ 8 bilhões (R$ 40 bilhões) no Brasil. Segundo o banco, o resultado deve ser favorecido pelo grande número de pessoas com diabetes no país e pela ampliação da cobertura dos tratamentos com GLP-1, que pode reduzir os gastos dos pacientes. Na Índia, que atualmente tem o menor mercado entre os três países, a adoção dos medicamentos enfrenta obstáculos como os preços elevados, a resistência ao uso de medicamentos injetáveis e mudanças culturais mais lentas em relação a esses tratamentos, de acordo com o J.P. Morgan. O banco também apontou empresas que, em sua avaliação, podem se beneficiar do crescimento desse mercado: a chinesa Innovent; as indianas Divi's Laboratories e Torrent Pharmaceuticals; e a brasileira RD Saúde, dona das redes de farmácias Raia e Drogasil. * Com informações da Reuters. Justiça nega fornecimento de caneta emagrecedora a moradora de Araçatuba (SP) Divulgação

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo A Anthropic afirmou nesta sexta-feira (23) que o modelo de inteligência artificial Claude Mythos 5 tentou inserir um código malicioso em um repositório público de desenvolvedores e criou identidades falsas para convencer os responsáveis pelo projeto a aprovar a alteração. O episódio ocorreu durante um teste de segurança cibernética e foi classificado pela empresa como uma falha grave no alinhamento do modelo, processo que busca garantir que a IA aja de acordo com as regras e evite causar danos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a empresa, o modelo tentou diferentes caminhos para resolver o desafio proposto em um ambiente de teste. Depois que as tentativas autorizadas não deram resultado, passou a procurar um repositório no GitHub, plataforma que hospeda códigos de programas, que acreditava estar relacionado ao exercício. O projeto, porém, pertencia a desenvolvedores sem relação com o teste. Ilustração mostra o logotipo da Anthropic e um teclado. Dado Ruvic/ Reuters O Claude Mythos 5 enviou uma proposta de alteração com código malicioso e entrou em contato com os responsáveis pelo repositório para tentar convencê-los a aprová-la. Quando um desenvolvedor externo alertou que o código poderia conter um programa malicioso, o modelo criou uma conta falsa para defender a alteração e publicou comentários favoráveis à sua aprovação. Os responsáveis pelo projeto recusaram a proposta, e a tentativa não foi concluída. Segundo a Anthropic, o modelo foi além das ações previstas para o exercício e tentou manipular pessoas reais para atingir seu objetivo. A companhia também destacou que o Mythos 5 não interrompeu espontaneamente a tentativa de ataque mesmo quando surgiram sinais de que poderia estar prejudicando pessoas de fora do teste. Em experimentos que reproduziram trechos do episódio, o modelo interrompeu a ação por iniciativa própria em apenas 2% das simulações realizadas a partir de etapas intermediárias ou finais do ataque. Mesmo quando recebeu informações de que estava interagindo com desenvolvedores reais, abandonou a estratégia em apenas 5% dos casos. A IA está sob controle? CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA Em testes semelhantes, versões mais recentes apresentaram menor propensão a iniciar ataques desse tipo. A Anthropic informou que os modelos Claude Mythos 5.1 e Claude Opus 5.5 ainda não demonstraram capacidade de interromper de forma consistente uma ação perigosa já iniciada. Um modelo interno de pesquisa, por outro lado, conseguiu interromper esses comportamentos de maneira consistente nos experimentos descritos pela empresa. A Anthropic ressaltou, no entanto, que os resultados não garantem que os modelos mais recentes se comportarão da mesma forma em todas as situações. Segundo a companhia, os testes foram realizados a partir de trechos de uma execução anterior, o que limita a comparação direta entre os modelos. Caso fez Anthropic estudar o 'raciocínio enviesado' O episódio também levou a mudanças na forma como a empresa treina e monitora seus sistemas. A Anthropic afirmou que está desenvolvendo novas avaliações automáticas para os modelos antes de sua disponibilização ao público e estudando o chamado raciocínio enviesado — quando o sistema interpreta informações de maneira seletiva para justificar a continuidade de uma ação, mesmo diante de indícios de que ela pode causar danos. No caso investigado, a empresa observou que o Mythos 5 passou a interpretar sinais de alerta como se fossem compatíveis com o exercício de segurança, em vez de reconhecer que estava interagindo com pessoas reais. A Anthropic considera que essa tendência, somada à insistência em continuar uma estratégia já iniciada, foi um dos principais fatores que contribuíram para o comportamento inadequado. A investigação foi realizada em conjunto com o Instituto de Segurança de Inteligência Artificial do Reino Unido (AISI, na sigla em inglês), que também publicou um relatório independente sobre o episódio. O instituto se comprometeu a realizar suas avaliações de segurança cibernética sem acesso à internet até desenvolver controles mais robustos para impedir que os testes provoquem danos a pessoas ou organizações reais.

Agora no g1 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (23) que o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, contempla um ajuste das contas públicas sem sem "dar cavalo de pau" ou "fazer loucuras" na economia. O objetivo seria tentar conter a alta no endividamento público para baixar a taxa de juros e, com isso, promover uma melhora da economia — que rem registrando desaceleração. Durante entrevista ao Uol, falando como representante da campanha de Lula, Durigan afirmou que considera impossível um ajuste das contas de R$ 200 bilhões em um ano. "A gente tem de melhorar o fiscal, mas sem retrocesso. Não dá pra fazer R$ 200 bilhões como eles estão dizendo. Se dissessem que parariam com reajustes, cortariam programas, seria bastante difícil, mas teria mais clareza da proposta deles", disse o ministro da Fazenda. ▶️Analistas têm manifestado reiteradamente preocupação com a trajetória das contas públicas. Eles avaliam que os reiterados déficits fiscais dos últimos anos pressionam a taxa de juros, e consequentemente, o endividamento público. Para baixar o juro e conter a dívida, cobram um ajuste fiscal mais forte por parte do governo. Dario Durigan, ministro da Fazenda, ao centro Júlio César Silva/MDIC Flávio Bolsonaro A campanha de Flávio Bolsonaro, que concorre contra Lula no segundo turno das eleições deste ano, marcado para o próximo domingo (25), tem prometido um ajuste mais rápido nas contas públicas, caracterizado por um "tesouraço" nos gastos. Segundo o Uol, Daniella Marques, coordenadora da campanha da oposição, também foi chamada para a entrevista, mas alegou problemas de agenda. "Brasil que Não Volta Atrás, para que isso seja permanente Tesouraço nos gastos públicos: equilíbrio fiscal, reforma do Estado, combate à corrupção e menos impostos. A garantia que tudo o que foi prometido tem lastro", diz o programa de governo de Flávio Bolsonaro. ▶️Economistas têm se mostrado reticentes sobre a possibilidade de um ajuste de grande proporção e rápido nas contas públicas prometido diante dos compromissos assumidos de manter os programas sociais, de aumentar acima da inflação do salário mínimo, assim como das aposentadorias, e de não promover cortes profundos em áreas como saúde, educação. Ajuste prometido pelo PT O ministro da Fazenda reafirmou que o objetivo da proposta do Partido dos Trabalhadores é de promover um ajuste mais gradual das contas públicas, da ordem de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), em um eventual quarto mandato do presidente Lula. Ele reafirmou que o governo apresentará superávit em suas contas em 2027, conforme está na proposta de orçamento, embora analistas considerem isso uma tarefa difícil diante das medidas anunciadas durante a campanha deste ano, como, por exemplo, conceder reajuste ao Bolsa Família. ▶️A estratégia anunciada pela campanha do presidente Lula, de um ajuste fiscal de cerca de dois pontos do PIB entre 2027 e 2030, se implementada, levaria o resultado das contas públicas de um déficit primário de cerca de 0,4% do PIB, em 2026, para um superávit de 1,6% do PIB em 2030. ▶️De acordo com o relatório de Acompanhamento Fiscal de junho da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB somente para estabilizar a dívida pública, ou seja, para que ela pare de crescer.

Chevrolet Captiva EV pronto para ser recarregado. Divulgação / GM O Ministério de Minas e Energia abriu nesta sexta-feira uma consulta pública para subsidiar um diagnóstico sobre a expansão da infraestrutura nacional de recarga de veículos elétricos, diante do avanço das vendas desses automóveis neste ano, que já superam com folga o registrado em 2025. A pasta afirmou que busca coletar informações para traçar um panorama da atividade, identificar barreiras legais e regulatórias e formular ajustes normativos e diretrizes para integrar a infraestrutura de recarga às redes de distribuição de energia e aprimorar o planejamento energético. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Os emplacamentos de veículos leves eletrificados no Brasil somaram 381.609 entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 70% acima das vendas registradas em todo o ano de 2025, segundo o ministério, com base em dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). "Em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis", disse a pasta, em nota técnica. Agora no g1 A eletrificação da frota tende a ser uma tendência estrutural, e não conjuntural, apontou o governo. Entre os fatores para o forte crescimento das vendas está a entrada de montadoras estrangeiras, que têm anunciado investimentos em produção e montagem de veículos no país. A chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e iniciou os pedidos de licenças para dobrar, para 600.000 veículos, a capacidade anual de produção de sua fábrica brasileira, segundo reportagem da Reuters publicada nesta sexta-feira. Outras grandes montadoras instaladas no Brasil, como Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM, têm os veículos elétricos e híbridos como parte importante de seus planos de investimento. Segundo levantamentos do governo brasileiro, esses investimentos somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030. Na infraestrutura de recarga, o país possui atualmente 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo o ministério, com base em dados da ABVE/Tupi Mobilidade. A localização dessa infraestrutura, porém, ainda é muito concentrada e condiciona o uso dos veículos elétricos. São Paulo reúne 26,3% dos pontos de recarga do país. O estado e os três da região Sul respondem, juntos, por metade do total (50,7%). No outro extremo, os sete estados da região Norte somam apenas 3,4%. Em relação à energia necessária para a recarga dos veículos, o governo avalia que a eletromobilidade passará a representar um segmento relevante. A expectativa é que o consumo de energia para eletromobilidade alcance aproximadamente 15 TWh em 2036, "ordem de grandeza comparável à de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica considerada no planejamento setorial". Além do volume de energia consumida, a distribuição dessa demanda no espaço e ao longo do tempo também será um desafio para o setor elétrico brasileiro. "Em especial, a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários, com possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição e transformação que os atendem", aponta a nota técnica. A consulta pública do ministério ficará aberta para contribuições por 30 dias.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) divulgação/BYD A fabricante chinesa de carros elétricos BYD iniciou os pedidos de licenças para dobrar para 600.000 veículos a capacidade anual de produção de sua fábrica brasileira. Ao mesmo tempo, a empresa entra na fase final de obras e testes dos galpões de estamparia, soldagem e pintura, disse à Reuters o principal executivo da companhia no país. A unidade da BYD no Brasil deve iniciar 2027 com mais do que o mínimo exigido de 50% de nacionalização de componentes. Isso permitirá à empresa atender às exigências regulatórias e iniciar as exportações regionais, afirmou em entrevista o vice-presidente sênior Alexandre Baldy. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A empresa enfrentou reclamações de grupos da indústria local por depender muito de importações e de tarifas temporariamente baixas. "A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local", disse Baldy. Agora no g1 A BYD tem como meta se tornar a maior montadora do Brasil em volume de vendas até 2030, mas a demanda já supera sua capacidade atual de produção, disse Baldy. Veja ranking de produção de automóveis e comerciais leves: FIAT: 723.365 unidades VOLKSWAGEN: 538.657 unidades GENERAL MOTORS: 323.070 unidades HYUNDAI: 214.128 unidades RENAULT GEELY DO BRASIL: 184.914 unidades TOYOTA: 169.765 unidades HONDA: 101.580 unidades CAOA / CAOA CHERY: 68.739 unidades PEUGEOT CITROËN: 64.528 unidades NISSAN: 59.374 unidades * Dados de produção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) Embora esteja acelerando suas operações e planeje atingir uma produção mensal de 25.000 veículos até o fim de 2026, a BYD prevê que a demanda continuará superando a oferta. "Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais", disse Baldy. O investimento na nova fábrica da empresa no Brasil já ultrapassou R$ 5,5 bilhões, e as vendas faturadas da unidade brasileira atingirão nesta semana a marca de 200.000 carros no acumulado de 2026, afirmou Baldy. BYD Dolphin Divulgação / BYD Em setembro, a empresa teve 22.209 veículos emplacados no Brasil, o equivalente a uma fatia de 8,5% do mercado, segundo dados da companhia. A BYD já é líder de mercado no Uruguai e ocupa posições de destaque em vendas na Colômbia e na Argentina, disse o executivo. A montadora no Brasil também recebeu pedidos de 50.000 unidades do México e outras 50.000 da Argentina. A empresa estará apta a atendê-los a partir do ano que vem graças ao aumento do índice de componentes locais. A BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari, na Bahia, em 9 de outubro de 2025, em um complexo industrial que pertenceu à Ford. A fábrica emprega atualmente cerca de 9.000 pessoas e espera ampliar esse número para cerca de 10.000 até o fim deste ano.

Frango pode ficar mais barato, principalmente no Sul, após caso de Newcastle em SC, diz Itaú Claudio Schwarz/Unplash O frango pode ficar mais barato nos próximos meses, principalmente na Região Sul do Brasil, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, em Santa Catarina, avalia o banco Itaú BBA, em relatório divulgado nesta sexta-feira (23). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O efeito deve ser mais perceptível no atacado e pode se intensificar no primeiro trimestre de 2027, quando a procura dos consumidores costuma diminuir, diz o banco. Na prévia da inflação de outubro, também divulgada nesta sexta-feira, o frango em pedaços ficou 0,71% mais caro no mês. Em 12 meses, porém, o preço acumula queda de 4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🔍A DNC é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em quadros graves, pode causar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária após contato direto com aves infectadas ou suas secreções; não há transmissão da doença pelo consumo de frango. Novas medidas são adotadas após foco da Doença de Newcastle em SC A possibilidade de queda nos preços está ligada à suspensão das exportações de frango de Santa Catarina. China, Arábia Saudita, Chile e México, que estão entre os compradores do produto catarinense, anunciaram nesta semana que vão deixar de importar a carne produzida no estado. Santa Catarina está particularmente exposta porque exporta cerca de 63% do frango que produz, a maior proporção entre os estados brasileiros. Na média nacional, 37% da produção é destinada ao exterior. Com menos destinos disponíveis, frigoríficos catarinenses podem ter de vender no país parte da produção que seria enviada ao exterior. Isso tende a aumentar a oferta, principalmente na Região Sul, e pode levar as empresas a reduzir os preços para conseguir vender o excedente. Segundo o Itaú BBA, os frigoríficos também podem enfrentar acúmulo de estoques, aumento dos gastos com armazenagem e logística e maior pressão sobre o caixa. LEIA TAMBÉM: 'Frango não tem partido': por que o agro defende equilíbrio entre China e EUA após eleição Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou na prévia da inflação de outubro Por que os preços podem cair após a virada do ano A possível entrada de mais frango no mercado interno ocorre em um momento em que a produção já está crescendo. De janeiro a setembro, foram abatidas 3,7% mais aves do que no mesmo período de 2025. Já a quantidade de carne produzida cresceu ainda mais, 6,2%, segundo estimativas do Itaú BBA. Para o ano inteiro, o banco espera que a produção avance cerca de 6%. Até agora, esse aumento da produção não derrubou os preços porque as exportações continuaram fortes e ajudaram a retirar parte do frango do mercado brasileiro. Além disso, como a ave segue mais barata que a carne bovina, muitos consumidores optam pelo frango, o que mantém a procura aquecida e dá sustentação aos preços. Esse equilíbrio, porém, pode mudar na virada do ano. Com as restrições às exportações, parte do frango que seria vendida a outros países pode ficar no Brasil, aumentando ainda mais a quantidade disponível. Ao mesmo tempo, o consumo costuma diminuir depois das festas, quando acaba o dinheiro extra do 13º salário e despesas como impostos, matrícula e material escolar passam a pesar no orçamento das famílias. Com mais frango disponível e menos pessoas comprando, os preços podem cair, principalmente no atacado da Região Sul. Isso não significa, porém, que o produto necessariamente ficará mais barato nos supermercados, pondera o Itaú. Isso porque, mesmo que os frigoríficos reduzam o valor cobrado do atacado, o varejo pode não repassar integralmente esse desconto ao consumidor. O preço nos supermercados também inclui custos de transporte, armazenamento e comercialização. O Itaú ressalta ainda que o impacto sobre os preços dependerá, principalmente, de quanto tempo os países levarão para voltar a comprar o frango catarinense. Em 2024, por exemplo, após um foco da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, a redução das exportações ficou concentrada em apenas um mês e os preços não caíram. Já em 2025, as restrições adotadas depois de um caso de gripe aviária foram mais amplas e duraram cerca de quatro meses, período em que os preços desaceleraram. Para o Itaú BBA, o episódio atual deve ficar entre os dois casos, com impacto concentrado em Santa Catarina e no atacado da Região Sul.

Criança mexendo no celular com as redes sociais visíveis no aparelho Unsplash/Sanket Mishra O Parlamento da Grécia aprovou nesta sexta-feira (23) um projeto de lei que proíbe o uso de redes sociais por menores de 15 anos. A medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e ocorre em meio à crescente preocupação com os efeitos dessas plataformas sobre a saúde e a segurança de crianças e adolescentes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que as plataformas terão dois meses e meio para desenvolver uma forma de verificar a idade dos usuários e proteger a privacidade deles. A Grécia está entre os sete países da União Europeia que buscam uma solução para a verificação de idade em conjunto com a Comissão Europeia. Agora no g1 O governo grego afirma que a medida busca apoiar os pais no combate à "rolagem infinita" nas redes sociais, que tira das crianças horas de sono, concentração e tempo de convivência com os amigos. A Austrália foi o primeiro país a aprovar uma legislação para restringir o uso de redes sociais por menores de idade, no ano passado. Na França, uma lei semelhante foi derrubada pelo Conselho Constitucional em agosto. A previsão era que a medida começasse a valer em setembro. Um dos principais problemas apontados pelo tribunal na França foi a necessidade de verificar a idade dos usuários. Segundo o Conselho Constitucional, ao impedir menores de 15 anos de acessar determinados serviços online, a lei faria com que todas as pessoas, inclusive adultos, precisassem comprovar a própria idade para utilizar essas plataformas. Por que Trump quer mudar o nome da IA?

Microsoft diz que sua IA superou médicos em testes de diagnóstico REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo Pesquisadores da Microsoft afirmam ter desenvolvido uma ferramenta de IA que foi mais de duas vezes mais precisa do que médicos generalistas ao diagnosticar casos complexos em testes. O resultado foi apresentado em um estudo publicado nesta quinta-feira (22) na revista Science. A ferramenta analisa os casos em etapas, de forma semelhante à investigação feita por um médico. Primeiro, decide quais perguntas fazer sobre o histórico do paciente e quais informações do exame físico são relevantes. Depois, escolhe os exames necessários, avalia os resultados e solicita novos testes, se preciso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao longo desse processo, a IA atualiza suas hipóteses e os próximos passos. Um sistema chamado "orquestrador" coordena a análise e simula um grupo de especialistas que trabalham juntos para chegar ao diagnóstico. Nos testes, a ferramenta recebeu mais de 300 casos médicos incomuns e difíceis de diagnosticar. Segundo os pesquisadores, ela foi mais de duas vezes mais precisa na investigação e na identificação do diagnóstico do que médicos generalistas que podiam consultar livros e a internet. Agora no g1 A IA também superou médicos em simulações baseadas em registros de uma grande base de dados de atendimentos em pronto-socorro. Segundo os autores, os modelos de IA médica existentes costumam analisar de uma só vez os sintomas, os resultados de exames laboratoriais e as imagens do paciente. As comparações com médicos geralmente usam questões de múltipla escolha. "A IA ficou muito boa em acertar 100% dessas questões", disse Dominic King, vice-presidente corporativo da área de saúde da Microsoft AI. "Mas, é claro, isso não corresponde ao mundo real. Nenhum paciente jamais chegou ao meu consultório com um resumo bem organizado". Os pesquisadores também afirmam que os processos de diagnóstico conduzidos pela ferramenta custaram menos do que os realizados pelos médicos. "Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também medimos o cuidado e o critério com que eles conduzem uma investigação diagnóstica", disse Harsha Nori, chefe de IA da Microsoft AI Health. A próxima etapa será testar a capacidade da ferramenta de fazer a triagem de pacientes em salas de espera de pronto-socorro, em parceria com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston. Por que Trump quer mudar o nome da IA?

Data center do Google em New Albany, na região central de Ohio (EUA) Divulgação/Google O Google anunciou nesta quarta (22) que vai pagar a moradores e empresas nos Estados Unidos que reduzirem o consumo de energia elétrica. O objetivo é destinar a energia economizada a seus data centers de inteligência artificial. A iniciativa será realizada em parceria com a Voltus, empresa de recursos energéticos distribuídos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ela vai disponibilizar ao Google até 1.070 megawatts de capacidade elétrica quando a companhia precisar. Segundo o jornal The New York Times, essa capacidade equivale à de um reator nuclear. Agora no g1 Esse modelo de negócio é conhecido como usina elétrica virtual (VPP, na sigla em inglês). Em vez de concentrar a produção em uma única usina, o sistema coordena recursos espalhados por diferentes locais, reunindo residências e empresas que podem reduzir o consumo de eletricidade da rede ou usar a energia que geram. Quando acionados, os participantes recebem incentivos financeiros. Segundo a Voltus, os benefícios incluem economia nas contas e pagamentos diretos, transformando a demanda do Google por capacidade elétrica em ganhos econômicos para os clientes. A Voltus também recomenda o uso de termostatos inteligentes, que podem ajustar, por exemplo, o tempo em que um ar-condicionado permanece ligado. Nesses casos, a redução do consumo ocorre automaticamente. Os valores que serão pagos, no entanto, não foram divulgados. Por que Trump quer mudar o nome da IA? Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes

Variedades de mirtilo Biloxi e Emerald. Reprodução/Embrapa Produtores interessados no cultivo de mirtilo no Cerrado podem conhecer melhor duas variedades indicadas para a região: Biloxi e Emerald. Uma publicação sugerida pelo agrônomo Luís Eduardo Antunes detalha as características das duas cultivares e traz comparações para ajudar na escolha da variedade mais adequada a cada propriedade 📱Acesse aqui Veja também: Rio Grande do Sul é o maior produtor de mirtilo

ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash O Conselho de Estado da China pediu que os órgãos governamentais adotem medidas para reduzir a perda de empregos causada pelo uso de inteligência artificial (IA). A orientação consta de diretrizes divulgadas nesta sexta-feira (23) sobre IA e mercado de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O documento recomenda aprimorar o monitoramento dos riscos de perda de empregos associados à IA e elaborar planos de contingência para lidar com possíveis impactos. O governo também deve apoiar a transição de carreira e a recolocação profissional em projetos de IA que possam provocar mudanças significativas no mercado de trabalho. Agora no g1 As diretrizes ainda propõem ampliar os efeitos positivos da tecnologia sobre o emprego, como a criação de novas oportunidades de trabalho e a melhoria das condições profissionais. Para os trabalhadores afetados pela automação, o governo deve oferecer orientação profissional, capacitação e indicações de vagas adequadas. O texto também prevê regras para o uso da IA na gestão de recursos humanos e medidas para combater práticas ilegais decorrentes do uso indevido de algoritmos, como discriminação, fraudes em processos seletivos e violações de privacidade.

Vista da sede da Embraer, em São José dos Campos, interior de SP Luis Lima Jr./Futura Press/Estadão Conteúdo A Embraer, fabricante de aeronaves com sede em São José dos Campos (SP), bateu recorde na carteira de pedidos pelo sétimo trimestre consecutivo. O valor chegou a US$ 35,7 bilhões entre julho e setembro deste ano, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025. O balanço com os resultados do terceiro trimestre foi divulgado pela empresa nesta sexta-feira (23). Segundo a empresa, o valor do trimestre também supera em 3% o recorde anterior, registrado no segundo trimestre deste ano, entre abril e junho. A aviação comercial concentrou a maior parte dos pedidos, com US$ 15,8 bilhões. Entre os negócios fechados no trimestre estão encomendas de jatos da família E2 por companhias aéreas internacionais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O Grupo Abra fez um pedido firme de 20 aeronaves E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem elevar a encomenda a até 45 aviões. A Binter encomendou outras cinco unidades do mesmo modelo, enquanto a japonesa ANA Holdings pediu mais oito E190-E2. Agora no g1 No acumulado do ano, a Embraer recebeu 72 pedidos firmes para aeronaves da família E2. A carteira de pedidos da aviação executiva chegou a US$ 8,2 bilhões, alta de 12% na comparação com o terceiro trimestre de 2025. O resultado também representa um recorde para o segmento, que inclui jatos particulares das famílias Phenom e Praetor. Durante o trimestre, a Embraer lançou o Phenom 300EV, uma evolução do jato leve Phenom 300. O modelo recebeu certificações de autoridades aeronáuticas do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa. A divisão de Defesa e Segurança encerrou o trimestre com US$ 6,1 bilhões em pedidos, crescimento de 56% em um ano. Um dos destaques foi o contrato para a venda de dois aviões militares KC-390 Millennium à Força Aeroespacial Colombiana. Já a carteira de Serviços e Suporte chegou a US$ 5,6 bilhões, alta de 14% na comparação anual. O segmento reúne contratos de manutenção, suporte técnico e outros serviços para aeronaves comerciais, executivas e militares. jato comercial E175-E2 em São José dos Campos Embraer/Divulgação Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Volkswagen Tiguan na linha de produção de Wolfsburg, Alemanha. Divulgação / VW Os funcionários da Volkswagen na Alemanha ameaçaram entrar em greve a partir de janeiro se a montadora não reverter o cancelamento de acordos salariais. O sindicato IG Metall estabeleceu o final de outubro como prazo para que a empresa recue da decisão. As informações são da Reuters A mobilização ocorre após a Volkswagen encerrar contratos que garantiam padrões trabalhistas históricos na companhia. A medida imposta pela gestão afetou negociações sobre o pagamento de férias e regras de jornada de trabalho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em meio ao impasse, o conselho de trabalhadores informou que a diretoria executiva planeja congelar os salários de 660 mil funcionários em todo o mundo até o ano de 2030. O corte de custos tenta conter os impactos da concorrência chinesa, das despesas com tarifas e dos gastos com a transição para veículos elétricos. O plano de reestruturação da montadora europeia pode atingir 100 mil postos de trabalho. A empresa também avalia o fechamento de até quatro fábricas no território alemão. Volkswagen ID.4 chega ao Brasil, mas sai de linha na Europa Segundo a Reuters, o negociador principal do sindicato IG Metall, Thorsten Groeger, afirmou que uma ação massiva será iniciada caso a empresa não retire o aviso de rescisão dos acordos. Ele declarou que as mobilizações vão preparar o caminho para greves, que atualmente estão proibidas por uma trégua em vigor até o primeiro dia de janeiro. A chefe do conselho de trabalhadores, Daniela Cavallo, destacou que as mudanças nas condições operacionais do mercado eram previsíveis. Ela pontuou que os funcionários esperam que a diretoria atue em conjunto com as lideranças trabalhistas para encontrar uma solução. Fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, Alemanha. Getty Images via BBC A Volkswagen, diz a Reuters, não comentou as medidas específicas de redução de gastos. As negociações salariais oficiais estão previstas para começar, no máximo, no início de dezembro, mas o sindicato pede que as conversas sejam antecipadas para o dia 24 de novembro. Uma das alternativas em análise é a criação de uma estrutura de transição. O formato contaria com o apoio da agência federal de emprego alemã para requalificar profissionais e auxiliar na busca por novas vagas fora da montadora.

O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar A Fundação PHP, responsável pela linguagem de programação de mesmo nome, confirmou que os primeiros sinais da falha de segurança que levou à retirada preventiva de sites do ar pelo mundo foram identificados em 2024. Em nota, a entidade atribuiu o atraso na correção à falta de recursos e a dificuldades no processo de decisão da equipe de segurança. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde quarta (21), governos e empresas de diferentes países retiraram sites do ar para evitar invasões. As vulnerabilidades podem permitir que criminosos assumam o controle dos servidores que mantêm os sites funcionando, sem precisar de login ou senha. Uma atualização para corrigir as falhas já está disponível. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tribunais suspenderam, por precaução, o acesso ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado para gerenciar processos administrativos. Até o momento, não há relatos de grandes impactos no país. 🔎 O PHP é uma das linguagens de programação mais populares para criar sites. O software de mesmo nome, gratuito e de código aberto — que qualquer pessoa pode usar e alterar —, interpreta e executa o código escrito nessa linguagem. A tecnologia é usada em serviços como Facebook, Wikipedia e WordPress, além do Moodle, utilizado por instituições de ensino, e do Magento, voltado à criação de lojas virtuais. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, afirma que "rankings públicos ainda apontam o PHP como a linguagem usada em cerca de 70% dos sites". Segundo ele, os sites que não forem atualizados rapidamente podem ser invadidos. As palavras "PHP Code" no texto e código PHP são exibidas em uma tela. As palavras "PHP Code" no texto e código PHP são exibidas em uma tela. Por que a correção demorou Em comunicado publicado em seu site, a Fundação PHP informou que os primeiros sinais do problema foram identificados durante uma auditoria externa de segurança feita pela empresa francesa de cibersegurança Quarkslab, em 2024. O trabalho de correção, porém, foi interrompido e retomado várias vezes ao longo de meses. Segundo a entidade, o atraso ocorreu por três motivos: Dificuldades no processo de decisão da equipe de segurança; Ausência, naquele momento, de uma forma conhecida de explorar a falha para executar comandos remotamente; Sobrecarga dos poucos desenvolvedores com conhecimento profundo do funcionamento do PHP. Na mesma nota, a fundação afirmou que a segurança do PHP ainda depende de um pequeno grupo de desenvolvedores financiados por fundações e de contribuições de voluntários. A entidade também informou que usa ferramentas de IA, como o Claude Mythos, para analisar códigos, validar e avaliar relatos de falhas de segurança. Essas ferramentas ajudam a identificar problemas mais rapidamente, mas, segundo a fundação, não conseguem decidir qual é a melhor forma de estruturar uma correção. Papel da IA no caso Embora a Fundação PHP já tivesse conhecimento das vulnerabilidades, elas também foram identificadas de forma independente pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, dona do ChatGPT, que as reportaram em agosto deste ano. Depois, a Wiz, empresa de segurança na nuvem, informou ter encontrado outras formas de explorar as falhas. "Essas descobertas estão entre as vulnerabilidades mais graves descobertas no PHP e, possivelmente, na história do software", afirmou a Wiz na quarta-feira (21). A empresa disse ter usado os modelos de IA Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI, nesse trabalho. "Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]", disse a Wiz. Por que Trump quer mudar o nome da IA? Smart Sampa: como funciona o sistema de câmeras de SP que teve senhas expostas

Tomate e batata tiveram alta de preço em outubro, enquanto café registrou queda. Lars Blankers/Josephine Baran/Mona Jain/Unplash O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,32% na prévia de outubro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O IPCA-15 de outubro considera os preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro de 2026. A variação mostra quanto eles subiram ou caíram em relação ao período anterior, de 15 de agosto a 15 de setembro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O maior impacto da prévia de outubro veio do grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 0,88%. A alimentação em casa foi a principal responsável pelo avanço do grupo: os preços subiram 1,01%, após uma alta de 0,38% no mês anterior. ⬆️ SOBE - Contribuíram para esse resultado os aumentos do tomate (24,54%), da cebola (13,63%), da batata-inglesa (10,96%) e do arroz (5,80%). ⬇️ DESCE - Por outro lado, cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%) sofreram quedas de preços. A alimentação fora de casa também ficou mais cara: a alta passou de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro, puxada pelos aumentos da refeição, de 0,38% para 0,61%, e do lanche, de 0,44% para 0,66%. Veja a seguir os 20 alimentos que ficaram mais caros na prévia da inflação de outubro. Alimentos que mais encareceram Abobrinha: 38,29% Tomate: 24,54% Limão: 17,36% Cebola: 13,63% Pepino: 12,78% Batata-inglesa: 10,96% Brócolis: 10,13% Morango: 8,96% Goiaba: 8,14% Couve-flor: 7,94% Arroz: 5,80% Peixe-castanha: 4,67% Filé-mignon: 4,07% Couve: 3,66% Bacalhau: 3,57% Sal: 3,14% Peito: 3,12% Carne de carneiro: 3,05% Pera: 2,92% Óleo de soja: 2,78% Alimentos que mais baratearam Manga: -13,48% Cenoura: -10,67% Melancia: -7,36% Repolho: -4,80% Peixe-cavala: -4,65% Maracujá: -4,30% Peixe-aruanã: -4,29% Laranja-baía: -3,99% Banana-d’água: -3,88% Mamão: -3,58% Capa de filé: -3,36% Abacaxi: -2,76% Banana-maçã: -2,70% Peixe-dourada: -2,69% Peixe-filhote: -2,64% Banana-prata: -2,42% Batata-doce: -2,40% Peixe-sardinha: -2,30% Salsicha em conserva: -2,30% Açaí (emulsão): -2,03% Agora no g1

Feira de Alimentos Agroecológicos e Artesanatos Divulgação O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,32% em outubro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma desaceleração em relação a setembro, quando o indicador avançou 0,70%. Em outubro de 2025, o índice havia subido 0,18%. Com o resultado de hoje, o IPCA-15 acumula alta de 4,15% no ano e de 4,62% em 12 meses, acima dos 4,47% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O avanço foi puxado principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 0,88% no mês. Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em outubro. A exceção foi Habitação, que caiu 0,10%. Agora no g1 Veja a variação de cada grupo em outubro Alimentação e bebidas: 0,88%; Habitação: -0,10%; Artigos de residência: 0,28%; Vestuário: 0,53%; Transportes: 0,05%; Saúde e cuidados pessoais: 0,15%; Despesas pessoais: 0,55%; Educação: 0,09%; Comunicação: 0,43%. IPCA-15 de outubro de 2026 Arte/g1 Alimentação volta a puxar alta dos preços O maior avanço entre os grupos avaliados pelo IBGE foi o de Alimentação e Bebidas, que subiu 0,88% em outubro. O resultado representa uma aceleração em relação a setembro, quando o grupo avançou 0,40%. De acordo com o instituto, o avanço foi puxado pela alimentação no domicílio, que subiu 1,01% em outubro, ante 0,38% no mês anterior. Os principais destaques foram: 🍅 tomate (24,54%); 🧅 cebola (13,63%); 🥔 batata-inglesa (10,96%); e 🍚 arroz (5,80%). Além disso, comer fora de casa também ficou mais caro: a alta foi de 0,56% em outubro, ante 0,44% em setembro. O avanço foi puxado pelos preços da refeição, que passaram de 0,38% para 0,61%, e do lanche, de 0,44% para 0,66%. Veja o que ficou mais caro e o que barateou Despesas pessoais e vestuário também sobem Entre os demais grupos que registraram alta no mês, Despesas Pessoais avançou 0,55%, o segundo maior resultado de outubro. A taxa, no entanto, desacelerou em relação a setembro, quando havia ficado em 0,96%. Nesse grupo, os destaques foram os subitens cinema, teatro e concertos (4,30%), pacote turístico (2,18%) e empregado doméstico (0,62%). A terceira maior alta ficou com Vestuário, que avançou de 0,41% em setembro para 0,53% em outubro. Já em Transportes (0,05%), o resultado foi influenciado principalmente pelos combustíveis, cuja alta passou de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro. Entre os destaques ficaram o óleo diesel (3,70%), o etanol (2,73%) e a gasolina (0,92%). Na outra ponta, as passagens aéreas caíram 9,24%. IPCA-15 acumulado em 12 meses até outubro de 2026. Arte/g1 Conta de luz cai com bandeira tarifária verde A queda de Habitação foi puxada principalmente pela energia elétrica residencial, cuja variação passou de alta de 7,42% em setembro para queda de 0,89% em outubro. O recuo foi influenciado pela mudança da bandeira tarifária amarela para a verde, que não prevê cobrança adicional na conta de luz. O IBGE destaca, ainda, oscilações mais fortes em Fortaleza (-4%) e Belém (3,71%). Na capital cearense, houve redução das tarifas com a incorporação de recursos relacionados à repactuação do Uso de Bem Público (UBP) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em Belém, houve impacto de um reajuste tarifário de 6,63%, em vigor desde setembro. Entre os demais subitens de Habitação, também se destacaram o gás de botijão, que subiu 1,28% em outubro, e o aluguel residencial, com alta de 0,28%.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar inverteu o sinal positivo visto pela manhã e fechou em queda nesta sexta-feira (23), com um recuo de 0,90%, cotado a R$ 4,9930. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,47%, aos 205.083 pontos. No último pregão antes do 2º turno das eleições presidenciais, investidores repercutiram a nova pesquisa do Datafolha, divulgada na véspera. A prévia da inflação brasileira, o IPCA-15, também ficou no radar, assim como os preços do petróleo no mercado internacional. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Mais uma pesquisa aponta Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) com empate técnico no 2º turno. Segundo a pesquisa do Datafolha, enquanto o candidato do PL ficou com 47% das intenções de voto, o petista chegou a 46%. Em votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Flávio tem 50% e Lula, 50%. O número de votos válidos é o que a Justiça Eleitoral usa para determinar os resultados das eleições. ▶️ A divulgação do IPCA-15 também ficou no centro das atenções. O índice, conhecido como a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,32% em outubro, abaixo do esperado pelo mercado e em uma desaceleração na comparação com o observado em setembro, quando subiu 0,70%. ▶️ No exterior, o petróleo caminha para mais um dia de alta nesta sexta-feira, pressionado pelos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, pela queda maior que a esperada nos estoques americanos e por novos ataques entre Rússia e Ucrânia. O barril do Brent, referência internacional, subiu 3,45%, cotado a US$ 117,08. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 4,02%, a US$ 103,45 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,57%; Acumulado do mês: -3,50%; Acumulado do ano: -9,03%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,17% Acumulado do mês: +10,06%; Acumulado do ano: +27,28%. Flávio e Lula em empate técnico no 2º turno Mais uma pesquisa eleitoral indicou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no 2º turno das eleições presidenciais, que acontecem no próximo domingo (25). O levantamento mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto, e Lula tem 46%, em empate técnico. Brancos e nulos somam 5%, os indecisos são 2%. Em votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro tem 50% e Lula, 50%. O número de votos válidos é o que a Justiça Eleitoral usa para determinar os resultados das eleições. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo. O Datafolha ouviu 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-09709/2026. Veja os dados detalhados das pesquisas Datafolha do 2º turno Petróleo volta a ficar no radar As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem influenciando as cotações do petróleo no mercado internacional. Na véspera, o Teerã informou ao comandante do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas. As falas reforçam o endurecimento da postura do país em relação às tratativas com os EUA, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor. Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que cumpra as sete condições apresentadas pelo país no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra. As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais. Além disso, outro fator que influencia as cotações do petróleo nesta quinta-feira é a nova onda de ataques da Rússia contra a Ucrânia. Os dois países voltaram a trocar ataques, mesmo após os recentes esforços dos EUA para pôr fim ao conflito. Na véspera, Moscou chegou a afirmar que estaria pronta para retomar as negociações com Kiev, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que espera que as conversas ocorram no início de novembro. Ainda assim, os ataques seguem acontecendo entre os dois países. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira, em meio a uma onda vendedora de ações de tecnologia. O Dow Jones caiu 1,25%, enquanto o S&P 500 recuou 0,52 e o Nasdaq Composite perdeu 0,21%. Na Europa, as ações também fecharam em queda, à medida que as tensões na França e os preços mais altos do petróleo abalaram o otimismo gerado por alguns balanços corporativos. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,31%. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha caiu 0,75%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,36% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve uma queda de 0,32%. Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta sexta-feira. O destaque ficou com os novos dados do índice de gerentes de compras (PMI) do Japão, que teve um crescimento menor em outubro em relação a setembro, em meio à desaceleração da produção e das novas encomendas. O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,9%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, avançou 1,7%. No Japão, o Nikkei recuou 0,34% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,30%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,69%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Foto de Karolina Kaboompics

O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), formado pelo governo federal, estados e municípios, informou que os microempreendedores individuais não precisarão mais emitir a nota fiscal eletrônica para pessoas físicas no âmbito da reforma tributária sobre o consumo, regulamentando medida de nova lei aprovada pelo Legislativo. Ao mesmo tempo, os chamados "nanoempreendedores" ficam dispensados, também, de emitir nota fiscal eletrônica e de se inscreverem no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sem prazo definido. Até então, eles não teriam essa obrigação até o fim de 2028. As medidas de simplificação, implementadas por meio de decreto e resolução do CGSN, foram anunciadas após a aprovação de uma lei que altera as regras para os pequenos empreendedores, em meio à corrida eleitoral e a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). Senado aprova projeto que amplia limite do MEI O candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), tem criticado alguns pontos da reforma tributária, como o mecanismo de "split payment", que promete extinguir caso seja eleito. O sistema prevê a separação automática do valor dos tributos no momento do pagamento de uma compra. Flávio disputa as eleições com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, o governo propôs e aprovou a reforma tributária, cujos novos tributos começam a ser cobrados em 2027. Em seu programa de governo, Flávio Bolsonaro promete implementar um "tesouraço da burocracia", que, segundo ele, "corta pela raiz o que faz o cidadão e o empreendedor perderem tempo". "As mudanças contribuem para reduzir a burocracia, diminuir custos administrativos e ampliar a segurança jurídica dos pequenos negócios. Ao mesmo tempo, preservam a capacidade de acompanhamento e controle pela administração tributária, mantendo o equilíbrio entre simplificação e conformidade fiscal", diz nota divulgada pela Receita Federal. ➡️Atualmente, o microempreendedor individual pode faturar até R$ 80 mil por ano. Com nova lei aprovada neste mês pelo Congresso Nacional, e sancionada pelo presidente Lula, esse limite será ampliado de forma gradual: para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028. ➡️Segundo a Receita Federal, o limite de enquadramento dos nanoempreendedores corresponde a 50% do teto do MEI. Com a elevação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais, o teto dos nanoempreendedores passará para R$ 55 mil em 2027 e para R$ 70 mil em 2028. A economista Tatiana Goes pondera que "a redução de exigências pode ampliar a base de pessoas economicamente ativas e estimular transações que antes eram desincentivadas pela complexidade regulatória". Em contrapartida, "o desenho das regras precisa evitar distorções entre negócios de portes semelhantes e preservar mecanismos proporcionais de fiscalização e transparência". Presidente Lula (PT) durante a sanção dos novos limites do MEI e envio de PEC sobre tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana e feriados, no Palácio do Planalto Ricardo Stuckert Decisões do Comitê do Simples A Receita Federal anunciou que o Comitê do Simples confirmou que os microempreendedores individuais estão dispensados da emissão de documentos fiscais eletrônicos, para pessoas físicas, relacionados aos novos tributos sobre o consumo (a CBS do governo federal e o IBS dos estados e municípios). No caso dos MEIs, o governo informou que a nova regulamentação permite a utilização da Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual (DASN-Simei) como documento fiscal eletrônico nas operações destinadas ao consumidor final pessoa física, dispensando, assim, a emissão das notas fiscais eletrônicas, "reduzindo custos de conformidade e simplificando o atendimento das novas exigências decorrentes da Reforma Tributária". Com essa decisão, o governo regulamenta dispositivo de lei aprovado pelo Congresso Nacional segundo o qual os MEIs não estão mais obrigados a emitir o documento nas vendas de mercadorias e na prestação de serviços para pessoas físicas Já os nanoempreendedores, segundo a Receita Federal, estão dispensados, também, de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sem prazo final definido. Até então, eles não teriam essa obrigação até o fim de 2028. "A medida reconhece as características específicas desse público [nanoempreendedores], formado por pessoas que exercem atividades econômicas de reduzida dimensão e baixo volume de receitas, muitas vezes como complemento de renda familiar", diz o Fisco.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante horário eleitoral nesta quinta-feira (22) Reprodução Globo Seja Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o eleito neste domingo (25/10), a economia deverá ser um "calcanhar de Aquiles" para o novo governo. Quem tomar posse em 5 de janeiro terá que responder à cobrança do mercado financeiro por um ajuste nas contas públicas e lidar com a insatisfação dos brasileiros com o custo de vida e o endividamento recorde. Tudo isso, em meio a uma economia que deverá crescer menos em 2027. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para economistas ouvidos pela BBC News Brasil, nenhum dos dois candidatos apresentou planos claros para responder a esses desafios. E respostas mais concretas são aguardadas para o pós-eleição, quando a próxima equipe econômica for finalmente definida. "Um governo bem-sucedido não vai ser aquele que vai apresentar os melhores números nesses quatro anos, mas aquele que vai conseguir deixar uma economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes", acredita Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence. Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, o fundamental é que o eleito não perca o senso de urgência e apresente um plano objetivo para a economia e as contas públicas "na primeira hora", já que isso ficou ausente do debate eleitoral. Agora no g1 "O problema é que o tempo urge, porque, com esse Congresso que ganhou as eleições — apesar de ser mais à direita, o que, em um cenário de eleição do senador Flávio, poderia ser mais palatável — há outras agendas fora desse ciclo econômico, fiscal, orçamentário, e isso também impõe limitações, sobretudo se não tiver um plano coeso, um plano claro", diz Salto. Entenda os três principais desafios do próximo presidente na economia, como os dois candidatos dizem que responderão a eles e o que de fato precisaria ser feito, na visão de economistas. Desequilíbrio das contas públicas O novo presidente vai ter que lidar com uma dívida pública no maior nível desde a pandemia. A dívida bruta do governo geral — que inclui governo federal, Previdência, Estados e municípios — chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), segundo o Banco Central. A dívida cresce quando o governo gasta mais do que arrecada com impostos. Sem dinheiro em caixa, ele é obrigado a pegar mais dinheiro emprestado, a juros mais altos, numa "bola de neve" fiscal. A dívida pública alta — e sem perspectiva de estabilização do seu nível em relação ao PIB nos próximos anos — gera dúvidas quanto à capacidade do governo de honrar suas obrigações. Com isso, o Banco Central diz ter dificuldade de baixar a taxa de juros. Isso encarece investimentos e empréstimos e reduz o crescimento da economia, afetando a vida dos brasileiros em geral. Flávio Bolsonaro tem dado sinais ambíguos sobre como pretende lidar com a questão. Por um lado, ele fala em um "tesouraço" no gasto público e nos impostos, e seus auxiliares na área econômica têm prometido em entrevistas e nos bastidores um ajuste fiscal da ordem de 1,5% a 2% do PIB nos primeiros 18 meses de governo, equivalente a um corte de gastos de R$ 190 bilhões a R$ 250 bilhões. Por outro lado, o senador tem prometido aos eleitores que vai manter o reajuste real do salário mínimo e que não vai desvincular aposentadorias e benefícios sociais do salário-base. Afirma ainda que não vai reduzir os pisos constitucionais dos orçamentos da Saúde e da Educação e diz que seu ajuste das contas públicas deverá ser centrado em cortes de ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas e supersalários do funcionalismo público e no combate à corrupção. Já Lula, com seu pacote eleitoral, criou despesas fiscais com impacto de quase R$ 200 bilhões até 2030, segundo cálculo da Warren Investimentos, anterior à proposta de tarifa zero nos transportes aos fins de semana. O presidente também segue dizendo que o crescimento da economia e a ampliação da arrecadação decorrente disso são o caminho para reduzir a dívida pública, sem se comprometer com cortes de despesas. "Não temos, de nenhum dos dois candidatos, propostas ainda bem definidas [de ajuste fiscal], esse é um debate que ficou para depois da eleição, porque todas as propostas passam por redução de despesa, algo que é obviamente impopular", avalia Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. A diferença, na visão da economista, é que Flávio contará com maior condescendência do mercado no início de seu governo, por conta da experiência do governo de Jair Bolsonaro (PL), em que o salário mínimo foi ajustado apenas pela inflação (sem ganho real), e o teto de gastos do governo Michel Temer (MDB) foi mantido, com a desvinculação dos pisos de gastos com saúde e educação a percentuais fixos da receita do governo. Já Lula tem um desgaste de credibilidade, após quatro anos de governo sem controlar o gasto, o que foi agravado pelas diversas promessas eleitorais que ampliam a despesa e reduziram arrecadação, como o Desenrola 3.0; o perdão de dívidas, o Pix de R$ 5 mil e o aumento do teto do MEI; a proibição das bets; o aumento do Bolsa Família; e a manutenção da desoneração sobre combustíveis. Nesse cenário, tanto a economista do Inter, quanto Felipe Salto, da Warren, acreditam que, passada a eleição, "a realidade vai se impor", e algum ajuste terá de ser feito, por qualquer um dos dois presidenciáveis. No caso das promessas de Flávio, Salto observa que "a conta não fecha", porque não é possível reduzir a carga tributária como tem prometido o candidato mantendo o Estado de bem-estar social previsto na Constituição de 1988. Ao mesmo tempo, promessas de fazer a economia apenas cortando ministérios e vendendo ativos "não colam", diz ele, porque não geram uma economia suficiente para o país passar do déficit primário ao superávit — o que só aconteceria mexendo nos gastos obrigatórios e nas isenções fiscais. "Se o Flávio ganhar, acontecerá uma frustração para aqueles que acreditaram nesse Flávio novo do segundo turno, que é o Flávio que diz que vai aumentar gastos, que o ajuste dele vai ser de corte de desperdícios, de redução de ministérios, porque a gente sabe que por aí não tem como fazer economia relevante", acredita Salto. Um indício de que Flávio deverá frustrar eleitores e agradar o mercado, diz o economista, é sua postura com relação à escala 6x1. O senador votou a favor da proposta na última hora e sem comparecer presencialmente à votação, enquanto sinalizava a empresários nos bastidores que, se eleito, deve rever a medida. No caso de Lula, Rafaela Vitória observa que, se reeleito, ele deverá enfrentar uma deterioração das chamadas condições financeiras, com juros futuros e dólar em alta, por conta da descrença do mercado em sua capacidade de fazer um ajuste fiscal. Isso pressionaria a inflação. "O governo seria forçado a tomar algumas medidas, ainda que impopulares e contra o que foi anunciado na campanha, por conta da volatilidade mais negativa no mercado", diz a economista. Rafaela Vitória e Salto, no entanto, avaliam que, mesmo que isso aconteça, não seria comparável ao "cavalo de pau" dado por Dilma Rousseff (PT) em 2015, com a adoção de um ajuste fiscal duro, contrário às promessas de campanha à reeleição da ex-presidente. "Acredito que existe uma diferença do atual governo em relação à Dilma", diz a economista-chefe do Inter. "O diagnóstico de que é preciso controlar o crescimento de gasto existe. Naquela época, o diagnóstico era de que gastar mais era bom, você tinha o 'gasto é vida'", observa. "Hoje, desde o [ex-ministro da Fazenda, Fernando] Haddad, mas também sob [o atual ministro, Dario] Durigan, existe um diagnóstico de que ter responsabilidade fiscal é importante para estabilizar preços." Salto defende que, qualquer que seja o eleito, o ajuste deve ser feito de forma gradual, sob o risco de o país entrar em recessão — ou seja, haver uma queda prolongada da atividade econômica — com um corte muito agudo. "A economia já está em desaceleração desde meados de 2025, as projeções já indicam um crescimento próximo de 1% para o ano que vem", observa. "Se você fizer um ajuste abrupto no primeiro ano, assumindo que ele fosse possível politicamente, colocaria a economia em recessão." Como parte de um pacote gradual, Salto defende um corte de 50% nas emendas parlamentares; a desindexação da Previdência e benefícios ao salário mínimo, com reajuste passando a ser definido pelo Executivo; a submissão da correção dos pisos de Saúde e Educação ao arcabouço fiscal, limitando o crescimento a 2,5% ao ano — o que já foi feito no governo Lula 3 para o reajuste do mínimo; uma revisão ampla do gasto tributário, incluindo entidades filantrópicas, regimes especiais como o Simples, a Zona Franca de Manaus, e abatimentos para pessoas físicas no Imposto de Renda; o fim dos supersalários, entre outras medidas. Já Rafaela Vitória avalia que as principais medidas que teriam credibilidade seriam a desvinculação de gastos obrigatórios, incluindo o atrelamento dos benefícios sociais e aposentadorias ao salário mínimo; e a desvinculação dos pisos de Saúde e Educação da receita. Economia em desaceleração em 2027 Um segundo desafio para o próximo presidente será um crescimento menor da economia, que, na visão dos analistas, "já está contratado" para 2027. No boletim Focus do Banco Central mais recente, a mediana das expectativas dos analistas é de uma alta de 1,83% do PIB neste ano e de apenas 1,32% no próximo. Mas economistas avaliam que o resultado pode ser ainda mais fraco em 2027, próximo de 1%. A perda de ritmo deverá ser influenciada por uma redução dos estímulos fiscais pelo governo federal e governos estaduais em 2026, em meio à corrida eleitoral. Ao mesmo tempo, os investimentos devem seguir pressionados no começo do ano pelos juros ainda elevados. A esse cenário deve se somar uma retração da agropecuária, setor que tem puxado o desempenho do PIB nos últimos anos, por conta das quebras de safra esperadas com o El Niño forte — o que também deve pressionar o preço dos alimentos. "Estamos projetando uma queda de 0,7% do agro no ano que vem, devido à questão do El Niño", diz Imaizumi, da 4intelligence. "Está vindo um monstro climático, que está sendo subestimado." O eleitor costuma avaliar o governo pelo que sente no bolso. Se o início do mandato for de economia fraca, uma percepção negativa pode se consolidar cedo e pesar na popularidade do presidente, na relação com o Congresso e nas perspectivas de reeleição ou sucessão. Em seus programas, os candidatos não focam especificamente em 2027, mas ambos trazem propostas para estimular o crescimento econômico nos próximos quatro anos. O candidato do PL promete dobrar o ritmo de crescimento médio do país, de 2% para 4% ao ano, incluindo medidas como a facilitação do licenciamento ambiental, um "revogaço" regulatório, desestatizações e atração de investimento privado em concessões, redução da carga de impostos e da burocracia, flexibilização trabalhista e redução do custo do trabalho. Promete ainda adicionar valor aos minerais críticos (lítio, nióbio e terras raras) para atrair indústrias de ponta e data centers; racionalizar encargos da conta de luz e incentivar a exploração de gás não convencional (fracking) e o agronegócio. Já o petista aposta na indução estatal ao investimento privado, com a continuidade de programas como o Nova Indústria Brasil (NIB), de reindustrialização; uma segunda edição do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de investimentos em infraestrutura e na área social; e o Plano de Transformação Ecológica (PTE), de crescimento sustentável. O plano de Lula combina isso com propostas de fortalecimento da demanda interna, por meio do crescimento da massa salarial, e apoio a micro, pequenas e médias empresas por meio do alargamento de linhas de crédito produtivo (como Pronampe, Procred 360 e Acredita). "Um governo regular [na economia] conseguiria evitar uma deterioração significativa das questões fiscais e, ao mesmo tempo, manter a economia crescendo de maneira moderada, sem ser de forma artificial, colocando mais despesas públicas", opina Imaizumi. "Um bom ou ótimo governo seria aquele que, além de estabilizar a questão das contas públicas, conseguisse implementar reformas que realmente aumentassem o potencial de crescimento do país", afirma, acrescentando ser cético quanto a isso, qualquer que seja o eleito. Já Rafaela Vitória, do Banco Inter, acredita que, se o cenário de desaceleração da economia for acompanhado de uma mudança no rumo fiscal, uma queda de juros pelo Banco Central se torna mais factível, o que pode limitar a perda de ritmo da atividade. "Mesmo que a gente tenha um semestre de atividade mais parada [no início de 2027], o fato de termos o Banco Central com mais espaço para cortar juros traz uma expectativa de retomada desse crescimento já no final de 2027 para 2028", acredita. "Agora, se o governo demorar muito para atuar nas medidas e o Banco Central não puder cortar juros com mais celeridade, a desaceleração pode se prolongar ou até mesmo termos uma recessão." Custo de vida e endividamento Por fim, o terceiro grande desafio do próximo presidente na economia será reverter o mau humor dos brasileiros, provocado pelo custo de vida elevado e endividamento recorde nos últimos anos. Levantamento feito por Bruno Imaizumi, da 4intelligence, mostra que o eleitor chegou às urnas em 2026 com poder de compra acima das eleições de 2022, mas ainda abaixo do pré-pandemia. O salário mínimo em setembro deste ano (R$ 1.621) comprava 1,76 cesta básica, ante 1,61 em igual mês de 2022, e mais 2 ao longo de 2019, último ano antes da emergência da covid-19. O maior valor da série foram 2,28 cestas básicas em março de 2012, considerando o valor da cesta de São Paulo, em série do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Já o percentual de famílias endividadas recuou para 81,7% em setembro, na primeira queda do indicador no ano, após sucessivos recordes, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As empresas também enfrentam situação complicada, com diversos pedidos de recuperação judicial no setor de varejo e no agronegócio. Para lidar com a questão do custo de vida, Lula propõe manter a política de valorização real do salário mínimo e a inflação sob controle. Para baratear alimentos, o petista acena à agricultura familiar, propondo ampliar o Plano Safra da Agricultura Familiar, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). Também promete baratear a energia elétrica e que a Petrobras retome o segmento de distribuição de combustíveis. Para endereçar o problema do endividamento, o presidente lançou medidas diversas ao longo da campanha eleitoral, como o Desenrola 3.0, o perdão da dívida de MEIs e a proibição das bets. A nova versão do Desenrola, diferentemente das anteriores, propõe comprar carteiras de dívidas com desconto de até 90%, repassando a dedução ao devedor, com o objetivo de limpar até R$ 150 bilhões em dívidas dos brasileiros até meados de 2028. Flávio Bolsonaro, por sua vez, propõe responder à questão do custo de vida reduzindo imposto sobre o consumo. Em seu programa de governo, ele sugere ainda simplificar a conta de luz, racionalizando encargos e subsídios cruzados; e reduzir o preço dos alimentos por meio da criação de "corredores logísticos inteligentes" para diminuir o custo do transporte, a ampliação da capacidade de armazenamento de safras e o estímulo à produção nacional de fertilizantes. Com relação ao endividamento, o candidato do PL tem indicado usar a Caixa Econômica Federal para recomprar dívidas — proposta semelhante ao Desenrola 3.0 de Lula –, mas o senador foi além e se comprometeu, no debate da Band, a dar carência de seis meses para as famílias e de um ano para as empresas iniciarem o pagamento. A proposta repercutiu mal entre agentes do mercado financeiro, que, nas redes sociais, disseram considerar a medida um "calote bancário". Para Bruno Imaizumi, as propostas dos candidatos não tocam em agendas de longo prazo. Ele avalia que reduzir o custo de vida, em uma economia ainda muito dolarizada como a brasileira, exigiria valorizar a moeda nacional, o que, na sua visão, só seria possível com reformas estruturantes. "Ficamos muito mal acostumados a discutir uma única grande reforma por mandato. E essa reforma, geralmente, vem muito desidratada", afirma. "Por isso a relação entre os Três Poderes é tão importante, porque nos falta discutir os problemas estruturais." Com relação ao endividamento, Imaizumi também avalia que as propostas dos dois lados são paliativas, e que uma solução de longo prazo exige reduzir os juros no país, o que só será possível com o reequilíbrio das contas públicas.

Montagem com Flávio Bolsonaro, Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva. Reuters O presidente da Argentina, Javier Milei, virou assunto ao longo da eleição brasileira. O ultraliberal assumiu o governo do país vizinho em 2023 com a promessa de recuperar a economia por meio do “Plano Motosserra”. O duro programa de ajuste incluía cortes profundos nos gastos públicos, fim de subsídios, desvalorização do peso argentino e desregulamentação. Como mostrou o g1, um dos principais temas econômicos das campanhas presidenciais no Brasil é justamente o equilíbrio das contas públicas. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Nesse debate, Milei se tornou mais um símbolo da polarização: enquanto Flávio Bolsonaro (PL) vê o argentino como exemplo a ser seguido, Lula (PT) alerta para os custos sociais de medidas tão severas na economia. (saiba mais abaixo) Esse é o mesmo dilema que Milei enfrenta hoje na Argentina: Por um lado, após quase três anos de governo, as medidas de ajuste econômico reduziram a inflação e melhoraram importantes indicadores da economia, como o equilíbrio das contas públicas do país. Por outro, a paciência de muitos argentinos com o “sacrifício necessário” para arrumar a casa começou a se esgotar à medida que os efeitos das medidas atingiram as empresas, o mercado de trabalho, a renda e o consumo das famílias. Agora no g1 Como está a economia argentina? Sob a gestão de Milei, a Argentina passou a arrecadar mais do que gasta, equilibrando as contas públicas. A inflação caiu de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, o menor nível em oito anos. As exportações cresceram, e a Argentina voltou a registrar saldos positivos no comércio exterior. Os investidores se empolgaram. Em 2024, primeiro ano completo de Milei no governo, o S&P Merval, principal índice de ações do país, acumulou alta de quase 115% em dólares e de 174% em pesos argentinos. No ano seguinte, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,4%. A euforia inicial, porém, começou a perder força. A dificuldade para acumular reservas em dólar, a desvalorização do peso e a perda de capital político passaram a pesar sobre o humor do mercado financeiro. Nem a ajuda do presidente americano, Donald Trump, eliminou a percepção de risco. Nas ruas, o freio na economia começou a mudar o humor do argentino. A pobreza, que havia recuado no segundo ano de governo, voltou a subir e voltou a atingir um terço da população, enquanto pesquisas apontam trajetória de alta. (veja mais abaixo) Desde o início da gestão Milei, mais de 32 mil empresas fecharam ou deixaram de ter funcionários registrados, segundo os dados mais recentes. Já o desemprego atingiu 7,9%, maior nível desde 2021. O poder de compra também seguiu pressionado, em meio ao aumento da informalidade. Nas regiões mais pobres, os números ganham rosto: cozinhas comunitárias ficam lotadas, há registros da volta do escambo — troca de produtos sem o uso de dinheiro — e famílias recorrem a empréstimos de curto prazo para colocar comida na mesa. Gustavo Raúl Pérez, dono de uma loja de ferragens em Buenos Aires, exemplifica o aperto no bolso do consumidor e o impacto para pequenos empreendedores. “Eu costumava vender 10 carrinhos de mão. Agora, vendo um.” “Votei em Milei acreditando que ele traria mudanças para melhor, mas ele realmente me decepcionou”, afirmou Pérez à agência Reuters. Gustavo Raul Perez, dono de uma loja de ferragens, toma mate em seu estabelecimento em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, em 16 de setembro de 2026. Reuters/Agustin Marcarian A educação também virou foco de insatisfação. Neste mês, milhares de estudantes e professores têm protestado contra o governo para cobrar mais recursos para as universidades públicas. Em Buenos Aires, uma das manifestações terminou em confronto com a polícia. Popularidade em queda Em 2026, os impactos da "motosserra" passaram a pesar também sobre o futuro político de Milei. A popularidade do presidente argentino entrou em queda, com desgaste especialmente entre a parcela mais pobre da população. Pesquisa da AtlasIntel de setembro mostrou que a desaprovação do presidente argentino entre os entrevistados de menor renda, que ganham até cerca de US$ 650 por mês, chegou a quase 70%, enquanto a aprovação ficou abaixo de 30%. Um ano antes, Milei era desaprovado por 57% desse grupo e aprovado por 37%. No conjunto da população, a desaprovação chegou a 58%, ante 38,1% de aprovação. As eleições presidenciais na Argentina estão marcadas para outubro de 2027. Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, aponta avanços econômicos no governo Milei. Ele pondera, porém, que a execução do Plano Motosserra passou a enfrentar limitações no ambiente sociopolítico. "A sustentação do equilíbrio fiscal, viabilizada pela contenção de despesas operacionais, transferências a aposentadorias e redução de subsídios às tarifas públicas, exerceu pressão direta sobre a renda disponível das famílias", afirma. Como as campanhas exploraram o tema? Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante agenda de campanha. Montagem/g1 Aliado político de Flávio Bolsonaro, o presidente argentino veio ao Brasil para o lançamento da campanha do senador, em 25 de julho. Menos de um mês antes, os dois haviam se encontrado em Buenos Aires. Durante a passagem pela capital argentina, Flávio defendeu a política econômica de Milei e destacou a melhora dos indicadores do país. "Quando o presidente Milei assumiu o cargo, a Argentina estava falida. Inflação acima de 200% ao ano. Mais da metade da população vivendo na pobreza", disse. "Então, chegou Javier. E cortou a própria carne do Estado com uma motosserra. Reduziu ministérios pela metade. Acabou com privilégios. Equilibrou as contas. E os resultados estão à vista de todos", acrescentou Flávio, em espanhol. Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio à Presidência, também já elogiou o líder do país vizinho. "Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e em redução de burocracia e impostos", afirmou a economista. A inspiração também surgiu no plano de governo de Flávio, que promete um "tesouraço" no Brasil para "enxugar a máquina, colocar as contas em ordem e reduzir impostos". O documento, porém, não detalha como os cortes seriam feitos. Do outro lado da disputa, a campanha de Lula, que busca a reeleição, passou a explorar justamente os efeitos sociais das medidas adotadas na Argentina. Uma das peças compartilhadas nas redes sociais do PT cita a pobreza e a reforma trabalhista promovida por Milei, criticada por sindicatos. Aprovada em fevereiro, a medida permite jornadas de até 12 horas, com possibilidade de compensação, e altera as regras de indenização em caso de demissão. O vídeo critica também o acordo entre Argentina e Estados Unidos sobre minerais críticos e usa frases como "Flávio Bolsonaro quer transformar o Brasil no modelo de Milei" e "Milei fez lá. Flávio quer fazer aqui". Em julho, em resposta a críticas de Javier Milei ao governo Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a economia brasileira estava em situação melhor que a argentina. "O risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou Durigan. A situação do país vizinho também foi explorada durante o primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições no Brasil. Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com Milei e perguntou se ele pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu à pergunta, mas disse que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda. Brasil x Argentina: veja as diferenças entre as economias em 8 gráficos Mas o que está por trás dessa divergência? O embate não é só político. Na economia, também há diferentes visões sobre a melhor receita para colocar um país nos trilhos. A discussão também envolve os limites do ajuste: quanto apertar as contas agora na expectativa de colher resultados melhores no futuro — e a que custo? 🔎 De um lado, há uma visão que prioriza o ajuste das contas públicas e a estabilidade da economia, mesmo com custos no curto prazo. Do outro, uma que dá mais peso aos efeitos imediatos do ajuste sobre a atividade econômica, o emprego e a renda — e ao papel do Estado em reduzir esses impactos. Federico Servideo, da Câmara Argentino-Brasileira, afirma que existe uma correlação direta entre programas de consolidação fiscal profunda e impactos de curto prazo nos indicadores sociais. "A redução do gasto público e a interrupção de obras e repasses discricionários subtraem um componente de demanda que afeta a dinâmica econômica regional", explica. ⚠️ Em outras palavras, ele explica que a redução de gastos, obras e repasses retira da economia parte dos recursos que antes ajudavam a movimentar a atividade. Mas o caso argentino é complexo e tem outras camadas. Durante anos, o Estado bancou parte dos preços de serviços como energia, água, gás e transporte público, mantendo as tarifas abaixo do custo total. Milei cortou parte desses subsídios, aumentando expressivamente a parcela paga pelos consumidores. Na prática, esse modelo ajudava a aliviar o bolso das famílias, mas também pesava sobre as contas públicas. Em um país que já convivia com déficits fiscais, endividamento e escassez de dólares, os subsídios adicionavam pressão a um quadro econômico já bastante fragilizado. Federico Servideo lembra que, apesar dos impactos sociais, os defensores do ajuste de Milei apontam entre as justificativas técnicas do plano a necessidade de corrigir desequilíbrios acumulados e preços defasados por anos. Por que a conta social chegou depois? A inflação foi o primeiro grande problema que Javier Milei conseguiu atacar. Mas frear a alta não fez os preços caírem, nem devolveu automaticamente poder de compra e empregos aos argentinos. Os preços dispararam no início do choque econômico e continuaram subindo depois, apenas em ritmo bem mais lento. Para quem vive do salário, a diferença é crucial: se a renda não acompanha, inflação menor não significa necessariamente mais dinheiro no bolso. Inflação oficial da Argentina, no acumulado em 12 meses. g1 Frear a inflação, portanto, é só parte do caminho. Falta fazer os bons números aparecerem também no bolso dos argentinos. Para Jimena Zuniga, analista de geoeconomia da América Latina da Bloomberg Economics, Milei "foi muito bem na estabilização macroeconômica" e "no crescimento total", mas o poder de compra segue justamente como uma das principais pendências do governo. "A principal conta pendente de sua gestão é que o crescimento é pequeno demais e desigual demais para produzir, até agora, aumentos maiores da renda real para a maior parte da população", afirma a especialista, que vive em Buenos Aires. Conforme mostrou o g1, o PIB da Argentina avançou 4,4% em 2025. Mas o crescimento ficou longe de se espalhar pela economia: concentrou-se em setores como energia e mineração, enquanto o consumo interno seguiu fraco. A indústria e o setor público, por exemplo, foram fortemente prejudicados pelo ajuste econômico. Segundo Zuniga, o aumento do desemprego e a queda do emprego formal pressionam a renda e ajudam a explicar por que a pobreza voltou a subir. Incidência de pobreza e de indigência na Argentina Arte g1 "A abertura da economia e os custos elevados em dólares fazem com que muitas empresas exportadoras, e sobretudo aquelas que concorrem com produtos importados, tenham de fechar ou demitir funcionários, que agora são muito caros em dólares", afirma. Segundo a especialista, os setores hoje mais competitivos empregam relativamente pouca gente e, por isso, têm alcance limitado para compensar as perdas no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, demissões e fechamentos de empresas não acontecem de uma hora para outra, o que ajuda a explicar por que os números pioraram agora. "No início, as empresas aguentam por algum tempo operando com prejuízos. Mas a passagem do tempo faz com que cada vez mais delas tomem essa decisão [de fechar as portas]", acrescenta Zuniga. Tito Nolazco, diretor da Prospectiva Public Affairs Latam na Argentina, chama atenção justamente para essa diferença de ritmo: os setores da economia não reagem ao ajuste na mesma velocidade. "Alguns estão crescendo e apresentando um desempenho muito bom, enquanto outros, que exigem mais mão de obra, como a construção e a indústria, estão sendo fortemente afetados pelo modelo econômico atual", diz o especialista, que vive em Buenos Aires. Segundo Nolazco, enquanto obras públicas foram interrompidas e parte da indústria sofreu com a abertura econômica, os investimentos em Vaca Muerta — polo de petróleo e gás do país — e na mineração avançam mais lentamente do que os fechamentos de empresas e os cortes de pessoal na indústria. Por que o mercado também perdeu parte do entusiasmo? O S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, avançou em 2024 e 2025. Em 2026, porém, acumula queda de 6,6% até outubro. Variação do S&P Merval, principal índice da bolsa argentina. g1 Para Tito Nolazco, o esfriamento do ânimo do mercado passa por uma combinação de fatores externos e internos. Lá fora, o ambiente também deixou de ajudar. Conflitos internacionais aumentaram a busca por segurança, enquanto os juros altos nos Estados Unidos deram aos investidores mais motivos para evitar mercados considerados mais arriscados, como o argentino. No país, outras incertezas entraram na conta. Nolazco cita o contexto eleitoral, o aumento do desemprego, as tensões sociais e resultados desfavoráveis ao governo no Congresso como fatores que passaram a gerar dúvidas sobre a sustentabilidade do plano econômico. "A menos de um ano das eleições, com eleições também no Brasil e nos EUA [midterms], dois dos três parceiros comerciais mais importantes da Argentina, é lógico que investidores de longo prazo busquem algum refúgio mais seguro até que o cenário político local fique mais claro." Jimena Zuniga, da Bloomberg Economics, coloca ainda mais peso no risco político. Para ela, esse é hoje o principal fator por trás dos movimentos do mercado argentino. "Em geral, me parece que a variável que predomina hoje sobre os movimentos do mercado é o risco político", diz, acrescentando que o peronismo, principal movimento político de oposição a Milei, "não adere a premissas macroeconômicas básicas que, no restante da região, já não são objeto de discussão". "A possibilidade de que [o peronismo] possa voltar ao poder representa um risco que pesa sobre todos os mercados", acrescenta. Em outras palavras, ela aponta que uma troca de governo traz mais incerteza sobre os rumos da economia argentina do que em países como o Brasil, onde há maior consenso sobre premissas macroeconômicas básicas. Há espaço para uma ‘motosserra’ no Brasil? Se a “motosserra” virou referência na eleição brasileira, os especialistas ouvidos pelo g1 fazem uma ressalva: Brasil e Argentina partem de situações econômicas, políticas e institucionais diferentes. "Acredito que as circunstâncias em que Milei assumiu foram especiais. O Brasil não precisa nem teria tolerância política para eliminar o déficit fiscal de um dia para o outro, por exemplo", afirma Zuniga. Antes do primeiro turno das eleições, o g1 ouviu mais de 20 economistas de diferentes correntes de pensamento para entender qual o principal desafio econômico do próximo governo no Brasil. As análises foram feitas por autoridades e ex-autoridades do setor público, profissionais do mercado financeiro, pesquisadores e professores de diferentes instituições de ensino e pesquisa. Nas respostas, o equilíbrio das contas públicas apareceu, de longe, como o mais importante. O problema começa no resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo) e acaba se refletindo no crescimento da dívida pública. A dívida bruta do Brasil é a maior registrada desde abril de 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19. Em agosto deste ano, o endividamento do setor público, que reúne governo federal, Previdência, estados e municípios, chegou a R$ 11,05 trilhões. 🔎 O indicador está em trajetória de alta e já equivale a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país. Em outras palavras, a dívida equivale a cerca de 10 meses de tudo o que a economia brasileira produz. Evolução da dívida bruta Arte/g1 Entre economistas, porém, há uma leitura de que o Brasil precisa ajustar as contas, mas não de um choque nas proporções do argentino. O caminho apontado passa por um ajuste mais gradual e previsível, com reformas capazes de controlar o avanço da dívida sem provocar uma ruptura brusca na atividade e na renda. Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, destaca que o Brasil tem reservas internacionais consolidadas, baixa dolarização, um mercado financeiro doméstico mais profundo e uma economia mais diversificada do que a Argentina. Essas características, diz ele, dão ao Brasil maior capacidade de absorver choques externos. "Além disso, o Brasil possui um sistema de freios e contrapesos institucionais e federativos que favorece a previsibilidade e mitiga inflexões bruscas na política econômica", afirma. Tito Nolazco, diretor da Prospectiva, afirma que a comparação entre países "é sempre enganosa". "Existe uma tendência global de alinhamentos internacionais, dos dois lados, e as associações entre eles sempre acabam sendo falsas." "Cada pessoa, mas também cada sociedade e cada sistema institucional, tem suas particularidades", declara. Ele acrescenta que uma “motosserra” daquele tamanho não depende apenas das condições econômicas ou institucionais, mas também de uma sociedade disposta a bancar o custo do ajuste. "Era essa a situação da população argentina em 2023, diante da espiral inflacionária em que o país se encontrava", diz. "Não acredito que a sociedade brasileira esteja nessa mesma situação de apoio e tolerância ao ajuste", conclui.

Você conhece a orelha-de-elefante-panduriforme? Uma planta misteriosa que brotou no quintal chamou a atenção de Maria Hernandes, moradora de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Para descobrir qual era a espécie, ela enviou uma carta escrita à mão e duas fotos ao Globo Rural. Maria desconfiava que a planta pertencia à família Araceae, a mesma da taioba. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O agrônomo Chukichi Kurozawa, consultor do programa, confirmou a suspeita e identificou a planta como orelha-de-elefante-panduriforme. Ela chama a atenção pelas folhas grandes, enrugadas e onduladas. Segundo o especialista, a espécie é cultivada principalmente como planta ornamental. Apesar da aparência, ela oferece riscos à saúde. Tanto as folhas quanto os rizomas, caules subterrâneos responsáveis pelo armazenamento de nutrientes, são tóxicos e não devem ser consumidos.Moradora encontra planta misteriosa no quintal; espécie é tóxica Orelha-de-elefante-panduriforme Reprodução Globo Rural LEIA TAMBÉM: Abóbora gigante de quase 1.500 kg é colhida nos EUA e pode bater recorde mundial 'O Menino da Porteira' faz 71 anos: como a música virou filme, monumento e chegou ao Grammy Abóbora gigante de 1.432 quilos colhida nos EUA pode bater recorde mundial

Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho na região de Campinas Reprodução/EPTV O debate sobre emprego e modelos de trabalho ganhou espaço nos programas de governo, nas declarações públicas e nas propostas dos candidatos à Presidência da República. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defende a preservação e o fortalecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), marco das relações trabalhistas brasileiras desde 1943. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Já Flávio Bolsonaro (PL) considera que a CLT não acompanha parte das transformações ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas e defende uma revisão das regras, com medidas como a adoção de contratos por hora e maior peso para as negociações entre empresas e trabalhadores. 💬 Veja abaixo o que se discute sobre a vida dos trabalhadores. Ao fim da reportagem, confira os posicionamentos de cada candidato sobre o tema. Agora no g1 A CLT precisa mudar? A CLT nasceu em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, em um momento em que o Brasil avançava na industrialização e buscava estruturar suas relações de trabalho. Ao longo das décadas, a legislação incorporou uma série de garantias, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, licença-maternidade e regras sobre a jornada de trabalho. A carteira assinada passou a representar, para sucessivas gerações, a porta de entrada para esses direitos. Mas o mercado de trabalho mudou. A indústria perdeu participação na economia, enquanto o setor de serviços ganhou espaço. Com o avanço da internet, surgiram novas formas de contratação, plataformas digitais passaram a intermediar novas atividades e milhões de trabalhadores passaram a atuar por conta própria, como microempreendedores ou pessoas jurídicas. 🔎 Hoje, cerca de 1,8 milhão de brasileiros trabalham por meio de plataformas digitais de serviços. Ao mesmo tempo, o percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ atingiu o maior nível da série histórica do IBGE, passando de 15%, em 2012, para 27,1%, em 2025. Os dados são frequentemente utilizados por candidatos e grupos que defendem mudanças na legislação trabalhista. O argumento é que as transformações no mercado exigem relações de trabalho mais flexíveis. O que divide os candidatos é a forma como interpretam essas mudanças e, principalmente, o que propõem diante delas. Para Flávio, a expansão dessas modalidades mostra que a legislação trabalhista se tornou excessivamente rígida e precisa abrir espaço para relações mais livres entre empresas e trabalhadores. Para Lula, as mesmas transformações mostram a necessidade de atualizar os mecanismos de proteção social para quem já não está inserido nas formas tradicionais de emprego. Por que a CLT passou a ser contestada? O discurso que contesta os ganhos da CLT se intensificou nos últimos anos, especialmente nas redes sociais: A carteira assinada passou a ser associada a jornadas rígidas, longos deslocamentos, baixos salários e pouca autonomia. Por outro lado, a informalidade, o empreendedorismo e o trabalho por conta própria costumam ser apresentados como símbolos de liberdade, independência e possibilidade de ascensão financeira. Para o sociólogo Ricardo Antunes, muitos jovens cresceram vendo pais e familiares enfrentarem rotinas exaustivas de trabalho sem alcançar estabilidade financeira ou uma melhora significativa de vida. Ao mesmo tempo, foram expostos a uma cultura que valoriza o empreendedorismo individual e a ideia de autonomia profissional. "A promessa de 'ser o próprio chefe' passou a exercer forte apelo, especialmente em um contexto marcado pelo avanço das plataformas digitais e das novas tecnologias. Mas existe uma diferença importante entre a promessa de autonomia e a realidade desses trabalhadores." A cientista política Mayra Goulart afirma que muitos trabalhadores buscam mais liberdade para organizar o próprio tempo e construir relações menos hierárquicas. Isso não significa, porém, que tenham condições de negociar livremente sua sobrevivência econômica. "Ele não está numa posição em que consegue, de fato, gerenciar o seu tempo. Não consegue, de fato, gerenciar o seu descanso, porque precisa lutar pela sua sobrevivência, precisa batalhar pela sua dignidade." Na avaliação da pesquisadora, esse cenário se conecta a uma visão que transforma a precarização em virtude. "Há a proliferação de uma ideologia em que essa luta pela dignidade, muitas vezes, leva à superexploração, à autoexploração desse empreendedor de si mesmo, que trabalha horas sem descanso, não tira férias ou trabalha machucado. Isso passa a ser visto como uma virtude moral." Por que os diagnósticos são tão diferentes? Para Mayra Goulart, a resposta passa por divergências mais profundas sobre liberdade econômica, desigualdade social e o papel do Estado. Segundo ela, parte das críticas à legislação trabalhista está associada à ideia de que a regulação estatal limita a liberdade econômica. Na prática, a divergência entre as ideias dos candidatos aparece na forma como cada grupo enxerga a relação entre trabalhadores e empregadores. Os defensores da flexibilização argumentam que o mercado se tornou dinâmico demais para continuar submetido a regras pensadas para uma realidade industrial do século passado. Para eles, ampliar a liberdade contratual ajudaria a gerar empregos e atender às demandas de trabalhadores que buscam mais autonomia. Já os defensores da manutenção ou ampliação dos direitos trabalhistas partem de outra premissa: trabalhadores e empresas não negociam em condições equivalentes e, por isso, precisam existir garantias mínimas protegidas por lei. A cientista política afirma que essa discussão se tornou mais complexa porque as transformações tecnológicas avançaram mais rapidamente do que os mecanismos de proteção social conseguiram se adaptar. "Há uma certa dificuldade de adaptar as ideologias trabalhistas tradicionais a essas novas tecnologias e aos novos tempos, sem abrir mão da ideia de que esse trabalhador não está numa relação de igualdade com as elites econômicas." O que está realmente em jogo? Os números do mercado de trabalho mostram que, apesar do debate sobre a carteira assinada, o emprego formal continua crescendo no país. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram que o Brasil criou 165,8 mil vagas com carteira assinada apenas em agosto. Com isso, o saldo acumulado do ano chegou a mais de 1,1 milhão de empregos formais. A taxa de desemprego caiu para 5,3%, o menor nível para o período na série histórica do IBGE. A população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, e o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,5 milhões, dois recordes. Os dados indicam que, apesar do crescimento dos aplicativos, da pejotização e do trabalho por conta própria, a carteira assinada segue sendo uma forma importante de inserção no mercado de trabalho brasileiro. Para Ricardo Antunes, a principal discussão não é se o país deve manter exatamente a mesma legislação criada em 1943 ou substituí-la integralmente. O desafio, segundo ele, é definir quais direitos devem acompanhar os trabalhadores nas novas formas de ocupação surgidas nas últimas décadas. Mayra Goulart propõe uma reflexão sobre quais garantias a sociedade considera indispensáveis. "Quando pensamos nessas propostas, precisamos perguntar: esse trabalhador estará protegido em caso de doença? Em caso de velhice? Quantas horas ele vai trabalhar?" No fim das contas, o que está em disputa é como o Brasil pretende responder a uma pergunta que acompanha as transformações do mundo do trabalho: quem deve assumir os riscos da vida profissional em uma economia cada vez mais flexível? Lula (à esq) e Flávio Bolsonaro (à dir) participaram de sabatinas na TV Globo Divulgação Veja o que diz o plano de governo dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) Flávio Bolsonaro afirma que não pretende acabar com a CLT nem retirar direitos trabalhistas. Sua proposta é ampliar a liberdade de negociação entre trabalhadores e empresas, especialmente em relação à jornada de trabalho. O candidato também defende modelos mais flexíveis de contratação. Seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL), é autor de uma PEC que cria um regime alternativo de trabalho por hora. A proposta ainda tramita no Senado e seus defensores afirmam que a discussão deve avançar após as eleições. Segundo o candidato, muitas pessoas gostariam de trabalhar mais horas para aumentar a renda ou adotar escalas mais adequadas à própria rotina, mas encontram limitações nas regras atuais. Outro ponto defendido é o fortalecimento do chamado "negociado sobre o legislado", permitindo que empregado e empregador definam determinadas condições de trabalho por acordo direto. Para o candidato, relações mais flexíveis podem gerar mais oportunidades de emprego e acomodar melhor diferentes perfis de trabalhadores. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Lula defende a preservação e o fortalecimento da proteção trabalhista. Seu programa parte do diagnóstico de que houve precarização das relações de trabalho nos últimos anos e propõe ampliar direitos e garantias para trabalhadores formais e informais. Entre as principais propostas estão a manutenção da política de valorização do salário mínimo, a redução da jornada semanal para 40 horas, o apoio ao fim da escala 6x1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, com previsão de contribuição previdenciária, proteção social e regras permanentes para o setor. O candidato também defende o combate à pejotização considerada irregular, o fortalecimento da negociação coletiva e da atuação sindical, além da ampliação de políticas de crédito para microempreendedores, autônomos e cooperativas. O que dizem os candidatos O g1 procurou as campanhas dos candidatos para detalhar suas propostas e esclarecer pontos relacionados às mudanças que defendem para as relações de trabalho. A seguir, veja a íntegra das manifestações enviadas pelas assessorias. Flávio Bolsonaro (PL) Ao contrário do que tentam distorcer ou criticar, Flávio Bolsonaro defende a liberdade para que trabalhador e empregador escolham a melhor carga horária para ambos como destaca o eixo “O Brasil que Prospera”, do seu plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”. Para o candidato à presidência, a pessoa não tem que ficar engessada com uma escala fixa que não vai resolver a vida dela. Na avaliação de Flávio, “quem quiser trabalhar no sistema que está, vai continuar, mas vai ter a possibilidade de trabalhar, com todos os direitos trabalhistas garantidos, com a jornada que for possível. Se quiser trabalhar mais horas, vai trabalhar também e vai ganhar mais. Vamos dar liberdade para que as pessoas possam escolher a sua carga horária de trabalho”. O eixo “O Brasil que Prospera” apoia o negociado sobre o legislado, ou seja, a liberdade para que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei, em vez de seguir uma regra única imposta a todos. “Quando as duas partes negociam pensando em ganhos mútuos, cresce a qualidade do emprego, crescem as empresas e crescem as oportunidades”, traz o candidato em seu plano de governo. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Procurada, a campanha de Lula não respondeu ao pedido de declaração.
Pobreza de luxo: por que o presente vale mais que o futuro? A expressão "pobreza de luxo" ganhou espaço nas redes sociais para definir um comportamento marcado pelo consumo de itens e experiências acessíveis por meio de parcelamentos e crédito, enquanto objetivos maiores, como a compra de um imóvel, parecem cada vez mais distantes. Embora não seja um conceito econômico formal, a ideia ajuda a ilustrar a diferença entre o que pode ser comprado agora e o que exige anos de planejamento. Quando o futuro parece incerto ou difícil de alcançar, o consumo imediato tende a ganhar mais valor. As redes sociais também reforçam essa lógica ao destacar viagens, jantares e bens de consumo, sem mostrar os custos por trás dessas escolhas. É desse encontro entre um futuro visto como distante e a facilidade de consumir no presente que surge a chamada "pobreza de luxo". Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Dia do Servidor Público é feriado ou ponto facultativo? Veja quem folga Jornal Nacional/ Reprodução Na próxima quarta-feira (28), é celebrado o Dia do Servidor Público. A data não é feriado nacional, mas é considerada ponto facultativo nos órgãos da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Isso significa que estados e municípios podem decidir se haverá expediente nas repartições públicas. Em geral, os governos locais também adotam o ponto facultativo, suspendendo o atendimento ao público, mas mantendo serviços essenciais, como saúde e segurança. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo o artigo 4º da Portaria MGI nº 11.460, de 29 de dezembro de 2025, os dirigentes dos órgãos e entidades devem garantir a continuidade desses serviços. O ponto facultativo também pode ser transferido para outra data, como uma sexta-feira ou uma segunda-feira. Em 2026, por exemplo, alguns governos passaram a folga do dia 28 para sexta-feira (30). Diferentemente de um feriado, porém, o ponto facultativo não se aplica automaticamente às empresas privadas. Nesses casos, os funcionários trabalham normalmente, salvo se houver previsão de folga em acordo ou convenção coletiva ou se a própria empresa decidir liberá-los. Segundo Fábio J. Duque Estrada, advogado trabalhista do AC Burlamaqui Advogados, para saber quem tem direito à folga, é preciso considerar o tipo de vínculo de trabalho. “A resposta depende, antes de tudo, de quem é o trabalhador e de qual regime jurídico rege a sua relação de trabalho”, explica o advogado. O g1 conversou com o especialista para explicar como funciona o Dia do Servidor Público. Veja as respostas para as principais dúvidas: Quem tem direito à folga no dia 28? O que fazer se o servidor precisar trabalhar? Trabalhar no dia 28 dá direito a pagamento em dobro? Quais são os próximos feriados de 2026? Agora no g1 Quem terá direito a folga no dia 28? A folga no Dia do Servidor Público depende do vínculo profissional e das regras aplicáveis a cada órgão ou empresa. Servidores públicos federais: o dia 28 é ponto facultativo nos órgãos do governo federal. Mesmo assim, serviços essenciais, como saúde e segurança, podem funcionar normalmente. Servidores estaduais e municipais: a folga depende das decisões de cada governo. Por isso, é importante consultar o calendário oficial do estado ou município. Empregados públicos contratados pela CLT: seguem as regras do órgão ou da empresa em que trabalham. No caso das estatais, também podem valer normas internas e acordos coletivos. Trabalhadores terceirizados em órgãos públicos: não têm folga garantida. Mas, se o órgão fechar e o posto de trabalho ficar inativo, a empresa não pode descontar o dia de quem estava à disposição para trabalhar. Empregados de empresas privadas: trabalham normalmente, a menos que a empresa conceda folga ou exista alguma regra que garanta a dispensa. Em estados como Acre, Bahia, Ceará e Sergipe, além do Distrito Federal, o ponto facultativo foi transferido para a próxima sexta-feira (30). Com isso, os servidores abrangidos pela medida poderão ter quatro dias consecutivos de descanso, considerando o fim de semana e o feriado de Finados, na segunda-feira (2). Já estados como Mato Grosso e Alagoas mantiveram o ponto facultativo na data original, na quarta-feira (28). O que fazer se o servidor não ganhar folga? O servidor deve consultar o calendário oficial, o decreto ou a portaria do órgão para verificar se a folga foi concedida ou transferida para outra data. Caso seja escalado para trabalhar, especialmente em serviços essenciais, deve verificar as regras internas sobre jornada e eventual compensação. Em caso de dúvida ou suspeita de descumprimento das normas, a orientação é procurar o setor de recursos humanos, o sindicato da categoria ou assistência jurídica. Como a folga depende de decisão administrativa, a ausência sem autorização pode ser considerada injustificada e resultar em desconto, conforme as regras aplicáveis ao servidor. Trabalhar no dia 28 dá direito a pagamento em dobro? Não, como regra geral. O ponto facultativo não equivale a feriado para fins trabalhistas. Por isso, trabalhar nessa data não garante, por si só, remuneração em dobro. Para os servidores públicos, eventuais direitos dependem do regime jurídico e das normas aplicáveis ao órgão. Na iniciativa privada, o expediente pode ocorrer normalmente, salvo previsão específica em contrato, acordo ou convenção coletiva. “Como o ponto facultativo é, juridicamente, um dia útil, quem trabalha no dia 28 recebe a remuneração normal, ressalvadas as horas extras e eventuais vantagens previstas em norma coletiva, lei local ou regulamento interno”, afirma Fábio J. Duque Estrada. Se o trabalhador ultrapassar a jornada normal, poderá ter direito a horas extras, conforme as regras aplicáveis. Se a data coincidir com um feriado municipal instituído por lei, poderão valer as regras de remuneração ou compensação previstas para o trabalho em feriados. Quais são os próximos feriados de 2026? Em novembro, haverá três feriados nacionais. O primeiro será em 2 de novembro, Dia de Finados, que cairá em uma segunda-feira. Para quem não trabalha aos fins de semana, serão três dias consecutivos de descanso. Depois, em 15 de novembro, será celebrada a Proclamação da República. Como o feriado cairá em um domingo, não haverá possibilidade de emenda para quem já folga nesse dia. Já o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, cairá em uma sexta-feira, permitindo três dias consecutivos de descanso para quem não trabalha aos fins de semana. Desde 2023, a data é feriado nacional. A mudança foi aprovada pelo Congresso e sancionada em dezembro daquele ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.073 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (22), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 206,4 milhões.No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 230 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 13 - 23 - 28 - 41 - 58 5 acertos: 203 apostas ganhadoras, R$ 23.138,67 4 acertos: 13.143 apostas ganhadoras, R$ 510,55 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Resultado do concurso 3073 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Gravidez, mulher grávida. Reprodução/DPESP A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou de R$ 5 mil para R$ 30 mil a indenização por danos morais que a Telefônica do Brasil (Vivo) e a Vikstar Contact Center terão de pagar a uma operadora de telemarketing grávida que era obrigada a vomitar em uma lata de lixo no próprio posto de atendimento para não interromper as ligações. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (21), considerou que a conduta das empresas ultrapassou o controle do uso do banheiro e violou a intimidade e a dignidade da trabalhadora. A relatora do caso, ministra Margareth Costa, afirmou que o valor definido anteriormente não era compatível com a gravidade da situação. Supervisão restringia idas ao banheiro Agora no g1 Na reclamação trabalhista, a operadora relatou que só podia ir ao banheiro com autorização do supervisor e por períodos de até cinco minutos. Durante a gravidez, porém, precisava ir mais vezes e, por causa das náuseas, podia demorar mais do que o limite estabelecido. Segundo a trabalhadora, o supervisor levou uma lata de lixo para que ela vomitasse no próprio posto de atendimento, sem interromper o serviço. Uma colega de trabalho testemunhou a situação. A operadora também afirmou que o supervisor ameaçava desligar o sistema interno caso ela fosse ao banheiro sem autorização. Com isso, poderia parecer que havia abandonado o posto, o que poderia levar a descontos no salário. Demitida durante a gravidez, ela pediu para voltar ao emprego e receber uma indenização por danos morais. Em sua defesa, a empresa alegou que só tomou conhecimento da gestação por meio da ação trabalhista. Também negou controlar as idas ao banheiro. Ainda que esse controle existisse, argumentou que a empregadora poderia estabelecer procedimentos para bloquear ligações destinadas a ramais desocupados e indicar aos funcionários os melhores momentos para deixar o posto de atendimento. Indenização foi elevada pelo TST Em primeira instância, a Justiça do Trabalho havia fixado a indenização em R$ 10 mil. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, reduziu o valor para R$ 5 mil. A trabalhadora recorreu ao TST, que aumentou a quantia para R$ 30 mil. Segundo a ministra Margareth Costa, a gravidade do caso não estava apenas na restrição ao uso do banheiro, mas também na maneira como ela foi aplicada. “A conduta patronal revela contornos de perversidade, em que a integridade física e psíquica da trabalhadora gestante foi integralmente sacrificada em benefício das métricas de produtividade do sistema de atendimento”, afirmou a relatora. A ministra também ressaltou que a Constituição Federal prevê proteção especial à gestação e à maternidade. Para ela, obrigar uma funcionária grávida a lidar com episódios de náusea e vômito no próprio posto de trabalho, utilizando uma lixeira para esse fim, representa uma grave violação à intimidade e à dignidade da trabalhadora.

A LemFi, plataforma financeira voltada a pessoas que vivem e constroem suas vidas em diferentes países, anunciou a maior expansão de produtos de sua história. A empresa apresentou uma nova identidade global, com o slogan “Ambition has no passport” — em tradução livre, “A ambição não tem passaporte” - e um aplicativo reformulado para reunir diferentes serviços financeiros em uma única plataforma. LemFi, plataforma financeira com soluções para brasileiros Divulgação A novidade para a comunidade brasileira no exterior é a possibilidade de enviar dinheiro ao Brasil por meio do Pix, sem tarifa de transferência, segundo a companhia. A plataforma também reúne serviços de transferências internacionais e amplia seu portfólio com opções de poupança e crédito no Reino Unido, além de um serviço de internet móvel por eSIM em mais de 150 países. A brasileira Isa Testa é responsável pela LemFi na América Latina Divulgação Em entrevista, a brasileira Isa Testa, responsável pela área de América Latina da LemFi, destacou a importância dos brasileiros que vivem fora do país para a empresa. “A comunidade brasileira que vive no exterior é muito importante para a LemFi. São pessoas que constroem novas oportunidades em outros países, mas continuam mantendo vínculos afetivos e financeiros com o Brasil, apoiando familiares e permanecendo presentes na vida de quem ficou”, diz a executiva. Segundo Isa, muitos brasileiros precisam administrar compromissos financeiros em dois países ao mesmo tempo. “Cada vez mais, brasileiros no exterior estão construindo vidas em dois lugares simultaneamente. Eles vivem fora enquanto ajudam a construir uma vida para amigos e familiares que ficaram aqui. Nosso trabalho é fazer com que a movimentação do dinheiro seja uma preocupação a menos, com soluções financeiras acessíveis e adequadas à realidade dessas pessoas, apoiando a realização de suas ambições”. O que muda com a expansão da LemFi? A principal mudança é a integração de diferentes serviços em um único aplicativo. Além das transferências internacionais, a plataforma passa a oferecer produtos de poupança e crédito para clientes elegíveis no Reino Unido. O serviço de eSIM permite contratar pacotes de dados móveis para usar a internet durante viagens internacionais. De acordo com a empresa, o aplicativo foi reconstruído para facilitar o acesso aos produtos e permitir a inclusão de novos serviços conforme a operação se expande. A disponibilidade varia de acordo com o país. As opções de poupança e crédito anunciadas na expansão são destinadas inicialmente ao mercado britânico, sem confirmação de lançamento desses produtos para residentes brasileiros. Como funciona o envio de dinheiro ao Brasil? Ridwan Olalere é cofundador e CEO da LemFi Divulgação A LemFi foi criada para facilitar transferências internacionais, especialmente para pessoas que vivem longe de seus países de origem e continuam enviando recursos para familiares e amigos. Segundo a companhia, o dinheiro pode chegar ao Brasil por meio do Pix, sem tarifa de transferência. A empresa também afirma que o serviço permite movimentar recursos entre países de maneira rápida. A disponibilidade das transferências, os métodos de pagamento e as condições aplicáveis dependem do país de origem, das regras locais e das opções apresentadas no aplicativo. Antes de concluir uma operação, o usuário deve conferir a taxa de câmbio, o valor final recebido e eventuais custos informados na plataforma. Conta de poupança oferece rendimento no Reino Unido Entre os novos produtos está a conta LemFi Instant Access Savings, destinada ao mercado britânico. Segundo a empresa, a conta oferece uma taxa promocional de 5% ao ano, pela métrica britânica AER, nos primeiros seis meses após a abertura. Depois desse período, a taxa passa a ser de 3,04% ao ano, variável e vinculada à taxa básica de juros do Banco da Inglaterra. A conta pode ser aberta com depósito inicial de 1 libra e permite saques sem penalidade, conforme as condições divulgadas pela companhia. Os depósitos são mantidos pela ClearBank e, segundo a empresa, contam com proteção do Financial Services Compensation Scheme (FSCS), sistema britânico de proteção financeira, de até 120 mil libras por depositante elegível. A conta é destinada a clientes elegíveis no Reino Unido e não está disponível para pessoas que não sejam residentes no país. Portanto, as condições anunciadas não representam uma oferta de poupança automaticamente disponível para brasileiros que vivem no Brasil.. Plataforma também terá linha de crédito A expansão inclui uma linha de crédito rotativa no Reino Unido, sujeita à disponibilidade e aos critérios de elegibilidade. O serviço é oferecido pela LemFi Credit, em parceria com a Pillar, empresa de crédito regulada pela autoridade financeira britânica Financial Conduct Authority (FCA), adquirida pela LemFi em 2025. A linha poderá ser acessada com um cartão virtual compatível com Apple Pay e Google Pay. Clientes elegíveis também poderão consultar gratuitamente sua pontuação de crédito da Equifax diretamente no aplicativo. A proposta é atender pessoas que se mudam para outro país e precisam construir um novo histórico financeiro, já que seu histórico de crédito e relacionamento bancário nem sempre são reconhecidos fora do país de origem. eSIM permite acessar internet em mais de 150 países Outra novidade é o serviço de eSIM, tecnologia que permite utilizar dados móveis no celular sem a necessidade de substituir o chip físico do aparelho. De acordo com a LemFi, os usuários podem contratar um pacote de internet antes de chegar ao destino e evitar a dependência exclusiva do roaming internacional da operadora de origem ou a necessidade de comprar um chip local. A cobertura anunciada abrange mais de 150 países. A disponibilidade e as condições dos pacotes podem variar conforme o destino e o plano contratado. Por que a empresa está ampliando os serviços? A expansão está relacionada ao perfil de clientes que vivem entre diferentes países, trabalham no exterior e mantêm compromissos financeiros em mais de uma região. No anúncio, a LemFi cita uma estimativa de 304 milhões de pessoas vivendo fora do país onde nasceram e cerca de US$ 905 bilhões enviados internacionalmente por ano. Os números são apresentados pela empresa para contextualizar o mercado em que atua. “Começamos a LemFi porque enviar dinheiro para casa era um processo problemático. O que aprendemos é que o desafio mais difícil começa depois da transferência”, conta Ridwan Olalere, cofundador e CEO da companhia. Segundo o executivo, muitos clientes constroem carreiras e negócios em um país enquanto continuam apoiando pessoas em outro. A empresa afirma que pretende desenvolver serviços financeiros mais adequados a essa realidade. Nova identidade global A ampliação do portfólio vem acompanhada de uma nova identidade de marca, apresentada sob o conceito “Ambition has no passport”. A mensagem procura destacar a trajetória de pessoas que constroem carreiras, empresas, famílias e patrimônio em diferentes países. A nova identidade será aplicada ao aplicativo, ao site, às ações de marketing e aos canais de redes sociais da companhia nos mercados em que atua. “Nossos clientes não são definidos pelo país que deixaram. São definidos pelo que estão construindo”, afirma Isabel Ron-Pedrique, vice-presidente de Design e Marca da LemFi, em comunicado. O que é a LemFi? Fundada em 2021 por Ridwan Olalere e Rian Cochran, a LemFi é uma plataforma financeira voltada a pessoas que vivem ou mantêm vínculos financeiros entre diferentes países. O negócio começou com transferências internacionais e agora busca ampliar o portfólio de serviços. A empresa afirma atender mais de dois milhões de clientes e movimentar mais de US$ 2 bilhões por mês em transações, com transferências para o Brasil e mais de 30 países da África, Ásia, Europa e outras regiões. A LemFi também informa ter captado mais de US$ 85 milhões em investimentos de fundos como Highland Europe, Left Lane Capital, Palm Drive Capital e Endeavor Catalyst, além da aceleradora Y Combinator. Com a expansão, a companhia pretende reunir transferências, poupança, crédito e conectividade em uma única plataforma, com serviços disponibilizados gradualmente conforme os mercados e as condições de elegibilidade. Acesse o site para saber mais. Ação de conteúdo LEMFI

Print da publicação de MC Cabelinho com o portal Revelando. No canto superior direito é possível ver o rótulo que classifica a publicação como IA. Reprodução/Instagram A Meta, dona do Instagram, derrubou nesta quinta-feira (22) um vídeo do cantor MC Cabelinho em parceria com o portal Revelando sobre o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A publicação original abordava a acusação de que Flávio foi funcionário fantasma no gabinete do pai, Jair Bolsonaro, aos 19 anos. Em seu perfil no Instagram, MC Cabelinho comentou a retirada do vídeo pela Meta: "Tropa, derrubaram meu reels (Revelando) mas o episódio continua no YouTube…. no link do story vocês consegue ver! ql foi @meta?", escreveu o cantor. Por volta das 14h (horário de Brasília), o Revelando tratou do assunto em uma nova postagem, que segue no ar. Às 14h50, MC Cabelinho divulgou o vídeo em uma nova postagem, em parceria com o portal. "Voltei, tropa", escreveu o cantor. Agora no g1 Procurada pelo g1, a Meta afirmou que a derrubada do vídeo está relacionada às regras eleitorais para conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial (IA). “Em conformidade com a resolução [nº 23.610] aplicável às eleições gerais de 2026, restringimos conteúdos gerados ou alterados por IA nas 72 horas antes da votação, no dia da eleição e no dia seguinte”, informou a empresa. A Meta explicou que a restrição referente ao segundo turno começa à meia-noite desta quinta-feira (22) e vai até as 23h59 de segunda-feira (26), no horário de Brasília. A empresa disse que muitos aplicativos de edição de vídeos incorporam no arquivo um sinal padrão da indústria indicando o uso de IA. "A Meta lê esses sinais automaticamente e, para cumprir a determinação, indisponibiliza esses conteúdos no Brasil. Essas publicações voltam a ficar visíveis no país após o período definido pelo TSE", afirmou. O Revelando compartilhou vídeos em que os ator Gregório Duvivier critica a decisão da plataforma. "Não tem IA nenhuma, isso é um boicote", disse Duvivier. MC Cabelinho voltou a publicar vídeo com acusação contra Flávio Bolsonaro após postagem original ser derrubada pela Meta Reprodução O portal também compartilhou um vídeo em que o ator Fábio Porchat ironiza a derrubada do vídeo. "E não é que a Meta derrubou mais um vídeo do Revelando? A Meta tá que tá", disse, em referência a um vídeo protagonizado por ele que foi retirado do ar pela plataforma em setembro. Em setembro, o Revelando afirmou que teve seu perfil derrubado após publicar um vídeo sobre as relações entre o Banco Master e a Igreja Batista da Lagoinha. "A quem interessa que fatos notórios e de interesse público não cheguem às pessoas?", disse o portal, na ocasião. A derrubada da postagem do Revelando e do MC Cabelinho acontece dois dias depois de a Meta responder ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as medidas adotadas para garantir tratamento igual às campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vídeo com MC Cabelinho aborda acusação de que Flávio foi funcionário fantasma no gabinete do pai Reprodução Entenda a restrição do TSE Publicada em 18 de dezembro de 2019 e atualizada em 2024, a resolução nº 23.610 explica no inciso 3 A do Artigo 9º B que "ficam vedadas a publicação e a republicação" de conteúdos atrelados aos candidatos que utilizem IA entre as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem o pleito. "§ 3º-A. Ficam vedadas a publicação e a republicação, ainda que gratuitas, bem como o impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial ou por tecnologias equivalentes que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidata ou candidato ou de pessoa pública, mesmo que rotulados e em conformidade com as demais exigências deste artigo", defende a resolução. Meta já havia sido cobrada pelo TSE Na terça-feira (20), a Meta afirmou ao TSE que cumpriu as determinações da Corte para garantir igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno. A manifestação ocorreu após o ministro Marco Aurélio Bellizze determinar que a empresa apresentasse, em até 24 horas, informações detalhadas sobre as medidas adotadas. A ordem foi dada na segunda-feira (19). No documento enviado à Justiça Eleitoral, a companhia afirmou que uma declaração técnica apresentada no processo “atesta que os conteúdos relativos às duas candidaturas são tratados de forma igual e não discriminatória, e descreve o mecanismo que assegura essa isonomia”. Meta diz ao TSE que tomou medidas para candidaturas serem tratadas de forma igual Entenda a disputa sobre conteúdos políticos Em 15 de outubro, o TSE determinou que a Meta não reduzisse a distribuição nem restringisse a recomendação ou a busca de conteúdos político-eleitorais relacionados a qualquer um dos candidatos que disputam o segundo turno. A decisão atendeu a um pedido da campanha de Lula, que acusou a plataforma de falhar de forma reiterada na entrega de suas publicações. A equipe do presidente também apontou diferenças no funcionamento da ferramenta de inteligência artificial da Meta, que, segundo a ação, permitia gerar imagens relacionadas a Flávio Bolsonaro, mas não a Lula. Flávio Bolsonaro, por sua vez, também afirmou que conteúdos de sua campanha foram prejudicados pela empresa.

Os anfitriões do Airbnb não poderão mais exigir que os hóspedes lavem a louça e a roupa de cama antes do check-out, conforme novas regras TV Globo/Reprodução Os anfitriões do Airbnb não poderão mais exigir que os hóspedes lavem a louça e a roupa de cama antes do check-out, conforme novas regras que visam limitar as tarefas domésticas impostas aos viajantes. A plataforma de hospedagem informou nesta semana que atualizou suas diretrizes: agora, os anfitriões só podem solicitar aos hóspedes a realização de tarefas consideradas "razoáveis". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ainda é permitido, por exemplo, pedir que os hóspedes coloquem a louça suja na pia e reúnam as toalhas usadas. No entanto, os anfitriões não poderão mais exigir que os hóspedes levem o lixo para fora da propriedade. "Os hóspedes não devem ser solicitados a levar o lixo para fora da propriedade, mas você pode pedir que separem o lixo dos materiais recicláveis em lixeiras internas específicas para cada tipo de resíduo", afirma a empresa em comunicado. LEIA TAMBÉM Mulher aluga casa pelo Airbnb, dono encontra imóvel vazio e descobre que hóspede vendeu os móveis em SC Exceções O Airbnb, contudo, abre margem para algumas exceções. "Por exemplo, pode ser razoável pedir aos hóspedes que descartem o lixo em um recipiente à prova de animais – em regiões onde há ursos, por exemplo – ou solicitar que limitem o tempo de banho devido a restrições locais de água causadas pela seca." Os hóspedes do Airbnb geralmente pagam uma taxa de limpeza. Por isso, a plataforma alerta os anfitriões de que "solicitar que realizem tarefas que caberiam a um profissional de limpeza pode afetar negativamente a estadia e as avaliações recebidas". As mudanças entram em vigor no dia 20 de novembro. As novas regras também proíbem que os anfitriões impeçam os hóspedes de utilizar comodidades listadas na descrição do imóvel, como o ar-condicionado. Agora no g1

Cinco países adotam restrições a produtos avícolas após caso de Newcastle em SC O governo federal decretou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em cidades nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, todos de Santa Catarina, após detecção de um foco da doença de Newcastle em uma granja de perus. A emergência foi declarada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no mesmo dia da confirmação do foco em Nova Itaberaba, na segunda-feira (19). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp A detecção da doença de Newcastle causou, até esta quinta-feira (22), a restrição da importação da carne de frango brasileira para pelo menos cinco parceiros comerciais: México, China, Chile, Malásia e Arábia Saudita (confira a restrição determinada por cada país). "O Mapa também notificou oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicou o foco aos parceiros comerciais bilaterais, compartilhando as informações técnicas iniciais sobre o evento e as medidas sanitárias adotadas". Foco da doença de Newcastle em SC: veja perguntas e respostas 🔍 O que é estado de emergência zoosanitária? É declarado sempre que há um risco de uma doença se propagar rapidamente entre os animais. Ainda não é um alerta relacionado à saúde humana, embora as ações de prevenção sejam importantes. Ao declarar emergência, o governo consegue agilizar processos como contratar funcionários por tempo determinado, reduzir a burocracia para comprar equipamentos ou deslocar servidores entre estados. O que é a doença de Newcastle e quais os impactos nas aves? A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres, podendo ser letal para esses animais. Em humanos, ela pode causar, no máximo, conjuntivite transitória, que costuma durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Onde foi detectado o foco e o que foi feito com as aves? O Mapa confirmou o foco em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, com 6.000 animais. A granja foi fechada e as aves foram abatidas, seguindo os protocolos sanitários para evitar a propagação da doença. O estabelecimento foi isolado com uma barreira física e somente equipes autorizadas do Ministério e da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) podem ter acesso. Houve animais doentes detectados? Não. Houve somente a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. O ministério esclareceu ainda que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A Cidasc destacou que o consumo de carne de aves e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população. O que está sendo feito para evitar a propagação? Uma das principais medidas preventivas em curso é a vigilância nas propriedades rurais, num raio de até 10 quilômetros do foco. Há nove equipes visitando tanto granjas comerciais quanto criações de subsistência. Foram priorizadas as propriedades mais próximas e com previsão de entrega de aves para abate em breve. No total, 1.600 devem ser visitadas. Em 133 delas, está prevista a coleta de amostras das aves. Aviário com perus em Santa Catarina Arquivo/Cidasc/Divulgação VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias j

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 239,4 bilhões em setembro deste ano, informou nesta quinta-feira (22) a Receita Federal. O resultado representa um aumento real de 5,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 226,6 bilhões (valor corrigido pela inflação). ➡️O valor também é o maior já registrado para meses de setembro desde o início da série histórica da Receita Federal em 1995 — ou seja, em 32 anos. ➡️O recorde na arrecadação está relacionado com o crescimento da economia brasileira, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo e, também, com a alta no preço do petróleo. Agora no g1 Relembre alguns aumentos de impostos ao longo do terceiro mandato do presidente Lula: alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; aumento de impostos sobre combustíveis feitos em 2023 e mantido desde então; reoneração gradual da folha de pagamentos; fim de benefícios para o setor de eventos (Perse); aumento do IOF sobre crédito e câmbio; alta na tributação dos juros sobre capital próprio. ➡️Com um preço mais alto, resultado da guerra entre Estados Unidos e Irã, também subiram as receitas do governo com o produto, como "royalties" e participação na extração. Além disso, o Executivo estabeleceu uma taxação extra sobre exportações. Parcial do ano Nos nove primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 2,35 trilhões — sem a correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, a arrecadação totalizou R$ 2,38 trilhões de janeiro a setembro, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 2,23 trilhões. ➡️O montante também é o recorde para a arrecadação federal no período. Meta fiscal em 2026 Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026. Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Na prática, portanto, a previsão é que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula. Recorde na arrecadação também foi puxado pela tributação sobre o petróleo, cujo preço está em alta. Petrobras/Divulgação

O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tribunais suspenderam, por precaução, o uso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma de processos administrativos, após a identificação de duas falhas graves de segurança no PHP. 🔎 O PHP é uma das linguagens de programação mais populares para criar sites. O software de mesmo nome, gratuito e de código aberto, interpreta e executa o código escrito nessa linguagem. A tecnologia é usada em serviços como Facebook, Wikipedia e WordPress, além do Moodle, utilizado por instituições de ensino, e do Magento, voltado à criação de lojas virtuais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As falhas podem permitir que invasores assumam o controle dos servidores que mantêm os sites funcionando, sem precisar de login ou senha. Já há uma atualização disponível para corrigir o problema, que foi descoberto graças à IA. (Saiba mais abaixo). "Rankings públicos ainda apontam o PHP como a linguagem usada em cerca de 70% dos sites. Com a descoberta dessa vulnerabilidade, os sites que não forem atualizados rapidamente poderão ser invadidos", diz Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações. O governo brasileiro emitiu um alerta para que órgãos públicos atualizem imediatamente o software. O aviso foi divulgado na quarta-feira (21) pelo Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC). Ao g1, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) disse que "alertou os gestores de Tecnologia da Informação da Administração Pública Federal para que atualizem imediatamente seus sistemas". "Essa situação foi prontamente comunicada a todas as unidades de tecnologia do governo federal para retirar temporariamente do ar todos os sistemas desenvolvidos em PHP", afirmou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Até o momento, não há relatos de grandes impactos no Brasil, segundo especialistas consultados pelo g1. Suspensão do sistema SEI no Brasil Prédio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região João Victor Teixeira/G1RS A Anatel suspendeu temporariamente o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e a outros serviços da agência na internet. Segundo eles, a medida é preventiva e busca proteger seus sistemas e informações enquanto são feitas avaliações técnicas. 🔎 O Sistema Eletrônico de Informações (SEI) é uma plataforma usada por órgãos e entidades públicas para criar, organizar e acompanhar documentos e processos administrativos em formato digital. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmaram a suspensão do acesso externo ao SEI. "A medida tem caráter preventivo e visa resguardar a segurança do sistema e a integridade das informações institucionais", afirmou o TRF1. "No momento, não há previsão para o restabelecimento do acesso externo ao SEI". O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) também disse ter suspendido o acesso ao sistema de processo judicial eletrônico e ao SEI pelo mesmo motivo. O g1 procurou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se as falhas também afetam seus sistemas e se há possíveis impactos nas eleições deste ano e aguarda resposta. Sites retirados do ar em outros países Agências governamentais e empresas de diferentes países também tiraram sites do ar na quarta após a descoberta das falhas. A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) pediu que as organizações corrigissem os problemas imediatamente ou desligassem os sistemas vulneráveis. Na França, sites de administrações locais, incluindo o da Prefeitura de Polícia de Paris, ficaram inacessíveis a partir da tarde de quarta-feira, a pedido da Agência Nacional de Cibersegurança francesa. Segundo o Ministério do Interior, a medida foi tomada após a "detecção de uma vulnerabilidade crítica de segurança". As falhas foram reportadas inicialmente em agosto deste ano pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, dona do ChatGPT, que as identificaram de forma independente no mesmo dia. Depois, a Wiz, empresa de segurança na nuvem, informou ter encontrado outras formas de explorar as vulnerabilidades. "Essas descobertas estão entre as vulnerabilidades mais graves descobertas no PHP e, possivelmente, na história do software", afirmou a Wiz na quarta-feira (21). A Wiz afirmou ter usado os modelos de IA Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI, na identificação das vulnerabilidades no PHP. "Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]", disse a Wiz. LEIA TAMBÉM: Quem inventou o nome 'inteligência artificial' e por que Trump quer mudá-lo Meta é condenada a pagar US$ 25 bilhões por enganar consumidores Conab sofre ataques hackers e alerta para possíveis falhas em seus sistemas Por que Trump quer mudar o nome da IA? Smart Sampa: como funciona o sistema de câmeras de SP que teve senhas expostas

Carrefour Reprodução/TV Globo O Carrefour Brasil confirmou a venda de 22 imóveis da rede ao fundo imobiliário Pátria Renda Urbana, ligado à gestora Pátria Investimentos. Após a negociação, a empresa continuará usando os espaços para suas atividades comerciais, mas passará a pagar aluguel para manter as lojas em funcionamento. O valor da transação não foi divulgado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ➡️ A operação foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por analisar fusões e aquisições de empresas no Brasil e ainda depende de aprovação. Agora no g1 Como funciona o negócio A transação segue o modelo conhecido como sale and leaseback, onde uma empresa vende um imóvel e, em seguida, aluga o mesmo espaço para continuar usando-o. Na prática, o Carrefour recebe o dinheiro da venda dos imóveis, enquanto o fundo Pátria passa a ser dono das propriedades e recebe os pagamentos de aluguel. A operação não prevê a transferência das atividades comerciais para outra empresa. Segundo a documentação enviada ao Cade, o grupo Carrefour continuará operando nos endereços após a venda dos imóveis. A estratégia permite que a companhia libere recursos que estavam aplicados em patrimônio imobiliário. O Carrefour, porém, não informou como pretende usar o dinheiro obtido com a transação. Ao g1, a empresa afirmou que a operação faz parte de sua estratégia para destravar valor de seu portfólio imobiliário. Procurado, o Patria ainda não se manifestou. Carrefour também vendeu 21 lojas para o Grupo Pereira Em outra operação, num modelo diferente, o Carrefour vendeu 21 lojas da bandeira Carrefour Bairro para o Grupo Pereira, rede catarinense de varejo alimentar, em um negócio estimado em R$ 360 milhões. Negócio foi anunciado no fim de setembro e aprovado pelo Cade no último dia 7 de outubro. A transação inclui ainda nove drogarias e três postos de combustíveis. As unidades devem passar a operar sob a bandeira Comper. A diferença entre os dois negócios está no que foi vendido. Na operação com o Grupo Pereira, houve a transferência das lojas e de suas atividades comerciais para outra empresa. Já no acordo com o Pátria, o Carrefour vende os imóveis, mas continua operando nos mesmos endereços e passa a pagar aluguel pelo uso dos espaços. Carrefour lidera ranking do varejo alimentar no Brasil O Grupo Carrefour Brasil é a maior empresa do varejo alimentar do país, segundo o Ranking ABRAS 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados em parceria com a NielsenIQ. A companhia registrou faturamento de R$ 123,6 bilhões em 2025, à frente do Assaí Atacadista, que somou R$ 84,7 bilhões, e do Grupo Mateus, com R$ 43,6 bilhões. No Brasil, o grupo reúne diferentes formatos de negócio, incluindo o Atacadão, a rede de atacarejo, além de supermercados Carrefour, Sam’s Club e lojas de proximidade. Carrefour lidera ranking das maiores empresas de varejo alimentar g1

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,22% nesta quinta-feira (22), cotado a R$ 5,0383. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,15%, aos 204.120 pontos. A poucos dias das eleições presidenciais, investidores repercutiram as pesquisas divulgadas na véspera. O mercado também avaliou novos balanços corporativos e as oscilações do petróleo no exterior. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Flávio Bolsonaro e Lula chegam à reta final das eleições em empate técnico, segundo a Quaest divulgada na véspera: 45% a 44%. A pesquisa também mostra que 44% temem a volta da família Bolsonaro ao poder, contra 42% que temem outro mandato de Lula. Uma nova pesquisa Datafolha será divulgada ainda hoje. ▶️ O cenário fiscal também ganhou atenção a poucos dias do 2º turno. O governo enviou ao Congresso uma PEC que prevê tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana em todo o país. A proposta destina R$ 12 bilhões das emendas parlamentares de 2027 à medida, o equivalente a 26,8% do total previsto. ▶️ No exterior, o petróleo teve mais um dia de alta nesta quinta-feira, pressionado pelos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, pela queda maior que a esperada nos estoques americanos e por novos ataques entre Rússia e Ucrânia. 🔎 Com isso, o barril do Brent, referência internacional, subia 3,83% por volta das 17h, cotado a US$ 112,99. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 2,22%, a US$ 99,31 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,68%; Acumulado do mês: -2,63%; Acumulado do ano: -8,21%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,64% Acumulado do mês: +9,54%; Acumulado do ano: +26,68%. Petróleo volta a ficar no radar As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem influenciando as cotações do petróleo no mercado internacional. Na véspera, o Teerã informou ao comandante do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas. As falas reforçam o endurecimento da postura do país em relação às tratativas com os EUA, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor. Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que cumpra as sete condições apresentadas pelo país no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra. As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais. Além disso, outro fator que influencia as cotações do petróleo nesta quinta-feira é a nova onda de ataques da Rússia contra a Ucrânia. Os dois países voltaram a trocar ataques, mesmo após os recentes esforços dos EUA para pôr fim ao conflito. Na véspera, Moscou chegou a afirmar que estaria pronta para retomar as negociações com Kiev, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que espera que as conversas ocorram no início de novembro. Ainda assim, os ataques seguem acontecendo entre os dois países. Bolsas globais Nos EUA, Wall Street fechou em sua maioria no vermelho, pressionada pelo setor de tecnologia. O Dow Jones subiu 0,02%, enquanto o S&P 500 recuou 1,19% e o Nasdaq Composite caiu 2,60%. Na Europa, a maioria dos índices acionários da região caiu nesta quinta-feira, pressionados pela desvalorização das ações bancárias, enquanto os preços mais altos do petróleo e o aumento dos rendimentos dos títulos financeiros reduziram o apetite por risco. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu mais de 1%, a 637,74 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 1,04%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 1,42% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve uma valorização de 0,27% Na Ásia, a queda foi generalizada entre os índices acionários, à medida que as ações do setor de inteligência artificial registravam perdas, em meio a temores de que o crescimento e as valorizações fossem insustentáveis. O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 1,48%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,84%. No Japão, o Nikkei recuou 2,67% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 3,52%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 3,03%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar Divulgação

O que é PHP e a falha grave de segurança detectada por IA que tirou sites do ar Getty Images via BBC Durante mais de uma década, falhas graves passaram despercebidas em uma tecnologia usada por grande parte da internet. Foi preciso que a inteligência artificial as trouxesse à tona, causando um alerta global de segurança cibernética. As vulnerabilidades estão em uma linguagem de programação chamada PHP, que tem sido usada no mundo todo desde os anos 2000 para construir sites. Falhas no PHP levam tribunais no Brasil e Anatel a suspender sistemas; governo emite alerta Governos e agências de segurança cibernética em todo o mundo estão se mobilizando para conter as consequências da descoberta feita na quarta-feira (21/10) e instaram os operadores de sites a instalarem uma nova correção de emergência ou a considerarem a possibilidade de desativar suas plataformas. A empresa de cibersegurança Wiz — cujos pesquisadores ajudaram a descobrir as vulnerabilidades — descreveu as falhas como as "mais graves" já detectadas por IA. Agora no g1 A OpenAI — cuja tecnologia foi usada para encontrar as falhas — classificou a descoberta como "um dos problemas de segurança mais impactantes da história recente". O que é PHP? Muitas pessoas podem nunca ter ouvido falar de PHP, mas provavelmente interagem com ele diariamente. PHP é uma sigla em inglês para Hypertext Preprocessor. É a base de um grande número de plataformas, incluindo lojas online, a Wikipédia e o WordPress — o sistema de gerenciamento de conteúdo por trás de muitos sites, como blogs. Quando você visita um site como a Wikipédia, o PHP é o código que coleta as informações necessárias e as apresenta de uma forma que você consiga lê-las na internet, afirma Paul Spain, diretor executivo da Gorilla Cyber Security, à BBC. Qual é a vulnerabilidade? Todos os sites que usam PHP ficaram expostos devido a uma falha que permite que hackers assumam o controle dos servidores de internet afetados sem autenticação e roubem dados confidenciais. A inteligência artificial pode tornar esses ataques ainda mais fáceis e rápidos, afirma Paul Spain. Ele estima que a falha poderia afetar "milhões" de sites. A pesquisadora de segurança cibernética Jill Slay, da Universidade de Adelaide, afirma que seria "desastroso" se hackers ou países explorassem a falha e roubassem dados privados de sites. Quais sites foram afetados? O alerta interrompeu serviços em todo o mundo, desde plataformas de jogos a portais governamentais e fóruns online. Isso inclui a Wikimedia — a organização por trás da enciclopédia online Wikipédia — que desativou vários de seus sistemas como medida de precaução. O governo da Finlândia, a prefeitura de Edimburgo, a agência de segurança cibernética da Holanda e a BBC estão entre os que retiraram seus sites do ar por um período. Sites como o da Universidade de Genebra foram desativados na quarta-feira EPA via BBC Diversas organizações públicas da Escócia, incluindo conselhos e autoridades de saúde, também desativaram seus sites. Alguns especialistas alertam que a vulnerabilidade pode deixar sites com baixo nível de manutenção — particularmente aqueles pertencentes a organizações menores com recursos de segurança limitados — em maior risco. É provável que ocorram mais tentativas de explorar essas falhas nas próximas semanas, já que os detalhes técnicos estão sendo divulgados agora, afirma o pesquisador de segurança cibernética Salil Kanhere, da UNSW Sydney. O que aconteceu depois que as falhas foram expostas? Os desenvolvedores da plataforma PHP lançaram na quarta-feira atualizações para corrigir as vulnerabilidades que estavam presentes no software há anos. "Recomenda-se fortemente que todos os usuários do PHP façam atualizações imediatamente", disse a empresa. Autoridades e organizações de segurança em todo o mundo reiteraram esses alertas aos operadores de sites para que protejam suas plataformas. A Agência de Segurança Nacional dos EUA alertou todas as organizações que utilizam PHP para que desliguem seus sistemas caso não consigam corrigir a falha imediatamente, acrescentando que ela pode fornecer um "caminho direto" para explorar o banco de dados de um sistema. "Esses riscos são graves o suficiente para exigir correções imediatas em todos os departamentos e agências do governo dos EUA", disse a agência. O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido fez recomendações semelhantes e orientou organizações a verificarem a existência de "portas traseiras instaladas por um invasor". Autoridades de segurança na União Europeia, em Singapura e na Austrália também emitiram alertas semelhantes. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, pediu às pessoas que verificassem se seus sites públicos utilizavam a linguagem PHP. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, pediu às pessoas que verifiquem se seus sites públicos são executados em PHP Bloomberg via Getty Images "Temos um pedido urgente para que todos tomem providências esta noite", escreveu Takaichi no X. "Se for difícil aplicar a correção prontamente, a suspensão temporária de sites e medidas semelhantes podem ser consideradas uma forma eficaz de reduzir o risco", disse ela. Empresas de tecnologia também estão correndo contra o tempo para proteger seus sistemas. A gigante do comércio eletrônico Amazon afirmou ter sido alvo de múltiplas tentativas de ataque dias antes da divulgação pública da vulnerabilidade no PHP. Não se sabe como os hackers tomaram conhecimento da vulnerabilidade. Quem inventou o nome 'IA' e por que Trump quer mudá-lo Como a IA esteve envolvida? As vulnerabilidades foram descobertas por pesquisadores das empresas de segurança Calif e Wiz. Os pesquisadores utilizaram ferramentas avançadas de IA capazes de analisar o código e encontrar falhas muito mais rapidamente do que os humanos ou os sistemas mais antigos. "O software moderno é incrivelmente complexo e algumas vulnerabilidades podem permanecer sem ser detectadas por anos", disse Kanhere. "Os problemas subjacentes não eram novos; o que mudou foi nossa capacidade de encontrá-los", disse Kanhere. Detalhes da descoberta vazaram online esta semana, forçando os desenvolvedores da plataforma PHP a divulgarem às pressas o anúncio da falha de segurança e sua enorme escala. O incidente "destaca como a IA pode descobrir falhas de segurança", mas também como ela pode "ajudar invasores a desenvolver rapidamente ferramentas", disse a OpenAI em uma postagem no blog. A empresa, que é dona do ChatGPT, afirmou ter lançado um programa para verificar se a plataforma PHP é segura. "Muitas dessas falhas decorrem da forma como o software era construído no passado, priorizando a funcionalidade em detrimento da segurança", afirmou Ryan Ko, do Centro de Pesquisa Cibernética da Universidade de Queensland. O que as pessoas podem fazer para se proteger? Os proprietários de sites estão sendo aconselhados a proteger seus sites com a versão mais recente do PHP. Segundo Spain, a correção do software PHP é uma pequena alteração de rotina para a maioria das equipes de TI. A Agência de Segurança Nacional dos EUA recomendou "maior atenção" nas próximas semanas e o acompanhamento rigoroso das atualizações dos fornecedores de software. A responsabilidade recai principalmente sobre os operadores dos sites, mas os usuários devem ficar atentos a quaisquer avisos de segurança emitidos pelos serviços afetados, como solicitações para alterar senhas, disse Kanhere. Ele alertou as pessoas para que fiquem atentas a quaisquer mensagens de phishing que explorem a publicidade em torno do incidente.

Lula (à esq) e Flávio Bolsonaro (à dir) participaram de sabatinas na TV Globo Divulgação Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República trazem diferentes diretrizes para temas estruturais do país. Além de visões contrastantes sobre o papel do Estado na economia, os dois candidatos também apresentam caminhos diferentes para lidar com as contas públicas, o mercado de trabalho, a renda e a inflação. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No mercado de trabalho, por exemplo, os planos partem de estratégias diferentes: enquanto Lula concentra propostas na renda e na jornada de trabalho, Flávio Bolsonaro prioriza a redução do custo de contratação pelas empresas. Já na economia, Lula dá mais peso à atuação do Estado, ao crédito e a políticas públicas, enquanto Flávio enfatiza equilíbrio fiscal, redução de tributos e de custos para empresas. Agora no g1 Entenda nesta reportagem quais propostas podem mexer com sua vida financeira, de acordo com o seu perfil. 👔 Sou empregado CLT ou doméstico 🏛️ Sou servidor público 📱 Sou trabalhador por conta própria 💼 Tenho meu próprio negócio 🔎 Estou procurando emprego 🎓 Sou estudante 👴 Sou aposentado ou pensionista 🤝 Recebo benefícios sociais 🛒 Custo de vida e apoio às famílias 🚜 Trabalho no campo 🏠 Quero comprar minha casa ⚠️ A comparação considera exclusivamente as propostas apresentadas nos planos de governo dos dois candidatos. 👔 Sou empregado CLT ou doméstico Salário mínimo e remuneração: Lula: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação. Flávio: Não apresenta fórmula de reajuste ou meta para o salário mínimo, mas defende que juros mais baixos e inflação controlada aumentariam o poder de compra das famílias. Relações e regras de trabalho: Lula: Propõe rever regras trabalhistas que, segundo o plano, favorecem a precarização, combater fraudes em terceirizações e fortalecer a negociação coletiva. Também prevê retomar a participação dos sindicatos nas homologações de rescisões trabalhistas. Flávio: Defende jornadas e horários flexíveis e a prevalência do negociado sobre o legislado, permitindo que acordos ou convenções coletivas prevaleçam sobre determinadas regras previstas na legislação trabalhista. ⚠️ O plano de Lula previa o fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. Flávio, que inicialmente se posicionava contra a proposta e defendia um modelo mais flexível de jornada, mudou de posição e votou a favor da medida no Senado. A mudança foi aprovada pelo Congresso e promulgada neste mês. Fim da escala 6x1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas Imposto de Renda (IR): Lula: Defende isenção total do IR para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, com compensação por meio da tributação da renda dos mais ricos. Flávio: Não propõe diretamente mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física, mas defende revisar e redimensionar a reforma tributária para reduzir a tributação sobre o consumo. Relações sindicais: Lula: Defende retomar a participação obrigatória dos sindicatos nas rescisões trabalhistas. Flávio: Defende manter facultativo o imposto sindical e reduzir a participação dos sindicatos nas negociações individuais entre trabalhadores e empresas. Igualdade salarial e de acesso ao mercado de trabalho: Lula: Propõe reforçar a aplicação da Lei de Igualdade Salarial entre homens e mulheres e combater discriminações no acesso ao trabalho, inclusive por raça, etnia, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e classe. Flávio: Propõe programas gratuitos de capacitação e a criação de um banco nacional de vagas conectado às empresas para ampliar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. Também prevê criar a Central da Mulher, com acesso a vagas, orientação para empreender, crédito e renegociação de dívidas. Volte ao início 🏛️ Sou servidor público Carreiras e relações de trabalho no serviço público: Lula: Propõe regulamentar o direito à negociação coletiva no setor público e ampliar o diálogo entre governo e servidores por meio da Mesa Nacional de Negociação Permanente. Também defende a valorização e a qualificação do funcionalismo. Flávio: Propõe uma reforma administrativa, com mudanças na estrutura do Estado e nas carreiras dos servidores, sem detalhar quais regras pretende alterar. Piso do Magistério e combate a supersalários: Lula: Prevê manter o Piso Nacional do Magistério e apoiar a formação de docentes por meio de iniciativas como o Pé-de-Meia Licenciaturas e o Bolsa Mais Professores. Flávio: Prevê combater supersalários e pagamentos adicionais, além de reduzir ministérios e cargos comissionados. Também propõe capacitação contínua de professores. Volte ao início 📱 Sou trabalhador por conta própria: autônomo, informal ou trabalhador por aplicativo Trabalho por aplicativo: Lula: Defende regulamentar o trabalho em plataformas digitais, com regras sobre remuneração, condições de trabalho e direitos trabalhistas e previdenciários, além de transparência sobre decisões tomadas pelos algoritmos das plataformas, como critérios de bloqueio, taxas de comissão e distribuição de corridas. Flávio: Defende manter as oportunidades de renda e trabalho geradas pelos aplicativos, mas não detalha como pretende fazer isso. Afirma que os trabalhadores terão proteção social e previdenciária e critica a participação dos sindicatos na definição das regras para o setor. Previdência e proteção social: Lula: Propõe ampliar a proteção social de trabalhadores autônomos, com cobertura previdenciária e proteção em casos de acidentes, doenças e períodos sem trabalho. Também prevê formas mais flexíveis de contribuição à Previdência e maior fiscalização contra a pejotização irregular. Flávio: Afirma que assegurará “efetiva proteção social e previdenciária” aos trabalhadores por aplicativo, mas não detalha um modelo previdenciário para os trabalhadores por conta própria em geral. Também propõe reduzir o custo da contratação com carteira assinada para estimular empregos formais. Volte ao início 💼 Tenho meu próprio negócio: MEIs, micro e pequenas empresas e empregadores no geral Crédito e apoio ao negócio: Lula: Propõe ampliar o acesso de autônomos e pequenos negócios ao crédito, inclusive por meio de fundos garantidores, além de oferecer qualificação e assistência técnica. Também prevê facilitar o acesso a compras públicas e financiar ações de digitalização e aumento da produtividade. Flávio: Propõe o Minha Primeira Empresa, com capacitação e orientação pelo Sistema S e acesso a crédito e serviços da Caixa. Também prevê crédito e orientação para pequenos negócios. ⚠️ Em 21 de outubro, Lula sancionou uma lei que perdoa a dívida de MEIs, amplia o limite de faturamento da categoria e permite a contratação de mais funcionários. Saiba mais. Burocracia, impostos e regras para empresas: Lula: Propõe simplificar o ambiente de negócios e assegurar tratamento tributário específico às pequenas empresas durante a implementação da reforma tributária. Flávio: Propõe ampliar as medidas da Lei de Liberdade Econômica, simplificando registros, licenças e outros procedimentos para abrir e manter empresas. Também prevê revisar normas consideradas obsoletas e reduzir tributos sobre a produção. Volte ao início 🔎 Estou procurando um emprego Geração de vagas: Lula: Defende associar políticas de crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e compras governamentais à geração de empregos. Também prevê estimular oportunidades de trabalho em áreas de interesse coletivo, como conservação ambiental, cultura, esporte e economia do cuidado. Flávio: Propõe reduzir gradualmente o custo da contratação formal, sem retirar direitos, para estimular a criação de empregos com carteira assinada. Primeiro emprego e recolocação profissional: Lula: Propõe ampliar políticas de qualificação e inserção profissional, inclusive para trabalhadores afetados pelas transformações tecnológicas e pessoas com mais de 60 anos. Também prevê ampliar, na rede Sine, uma plataforma que reúna vagas, cursos, certificações e orientação profissional. Flávio: Propõe contratos com menor custo de contratação para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e para pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Também prevê criar um banco nacional de vagas conectado às áreas de RH das empresas para aproximar candidatos e empregadores. Volte ao início 🎓 Sou estudante Apoio financeiro e acesso aos estudos: Lula: Propõe aprimorar o Pé-de-Meia e ampliar a assistência estudantil no ensino superior, incluindo alimentação e moradia. Também prevê manter os investimentos em cursinhos populares e continuar expandindo a rede de institutos federais. Flávio: Propõe substituir o atual modelo de financiamento estudantil por um empréstimo em que o estudante só começaria a pagar após conseguir emprego e renda. As parcelas seriam proporcionais ao salário, com prazo mais longo para pagamento. Também prevê remunerar estudantes com bom desempenho que ofereçam reforço escolar a colegas com dificuldades. Volte ao início 👴 Sou aposentado ou pensionista Reajuste dos benefícios e salário mínimo: Lula: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação. Flávio: Não apresenta fórmula de reajuste ou meta para o salário mínimo, mas defende que juros mais baixos e inflação controlada aumentariam o poder de compra das famílias. Fila do INSS, fraudes e consignado: Lula: Propõe concluir a modernização e o aprimoramento dos serviços previdenciários e continuar reduzindo o tempo de espera pela concessão de benefícios do INSS. Flávio: Propõe digitalizar processos e profissionalizar a gestão do INSS para reduzir a fila. Também prevê um novo pacote antifraude e mudanças no consignado, com dupla checagem para evitar descontos não autorizados. Saúde, medicamentos e cuidados na velhice: Lula: Defende manter o Farmácia Popular, com revisão dos produtos oferecidos gratuitamente e ampliação dos locais de retirada, além da inclusão de exames laboratoriais e de acompanhamento de doenças crônicas. Para os idosos, propõe ampliar Centros-Dia, vagas públicas em instituições de longa permanência e atendimento domiciliar. Flávio: Propõe entregar medicamentos em domicílio a idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos e criar uma Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar. Também prevê subsídios para adaptações de acessibilidade na casa de famílias de baixa renda e a ampliação de instituições de longa permanência para idosos. Volte ao início 🤝 Recebo benefícios sociais Benefícios sociais e acesso ao trabalho: Lula: Propõe fortalecer a proteção social, com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento. Também prevê ampliar políticas de enfrentamento da pobreza infantil e de acesso a serviços públicos. Flávio: Propõe manter os programas sociais existentes, aperfeiçoar a gestão, corrigir distorções e combater fraudes. Também prevê dar prioridade aos beneficiários em ações voltadas ao mercado de trabalho e permitir o retorno imediato ao benefício após o seguro-desemprego, mantidos os critérios de elegibilidade. Volte ao início 🛒 Custo de vida e apoio às famílias Inflação, juros e contas básicas: Lula: Propõe manter a inflação sob controle e criar condições para uma redução sustentada dos juros, com responsabilidade fiscal. Também prevê buscar o barateamento da energia elétrica e reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais sobre os combustíveis. Flávio: Propõe buscar equilíbrio fiscal e superávits primários, medidas que, segundo o plano, contribuiriam para reduzir a inflação e os juros. Também prevê reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis e encargos da conta de luz, mantendo a tarifa social. Endividamento das famílias: Lula: Propõe continuar monitorando o endividamento das famílias, manter mecanismos de controle de gastos excessivos com apostas on-line e aprimorar as regras de oferta e concessão de crédito, ampliando a proteção ao consumidor. Flávio: Propõe reduzir os juros e o custo do crédito por meio do equilíbrio fiscal e da redução da dívida pública. Para as mulheres, prevê programas de orientação financeira sobre orçamento doméstico, endividamento e formação de poupança. Creches e rede de cuidados: Lula: Propõe ampliar o apoio a estados e municípios para expandir a educação infantil e fortalecer a Política Nacional de Cuidados. Também prevê apoiar Cuidotecas e estruturas como lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares, além de criar um programa de capacitação de cuidadores. Flávio: Propõe ampliar a oferta de creches em período integral e oferecer vouchers para acesso à rede privada credenciada onde não houver vaga pública. Também prevê criar uma Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar para idosos e pessoas com deficiência. Volte ao início 🚜 Trabalho no campo Crédito e financiamento rural: Lula: Propõe ampliar os recursos do Plano Safra e manter juros compatíveis com a atividade agropecuária, com prioridade para investimentos em máquinas e tecnologias. Para a agricultura familiar, prevê ampliar o crédito, priorizar a produção de alimentos da cesta básica e simplificar o acesso aos recursos. Flávio: Prevê facilitar o acesso ao crédito pelo pequeno produtor por meio da regularização e titulação das propriedades, mas não detalha uma política específica de ampliação do crédito rural. Seguro rural e proteção contra perdas: Lula: Promete fortalecer o seguro rural e, para a agricultura familiar, ampliar o acesso ao seguro e reforçar o Garantia-Safra. Também propõe discutir um instrumento para cobrir perdas decorrentes de quebras severas de safra. Flávio: Propõe ampliar o seguro rural e criar ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor, para dar maior previsibilidade financeira ao produtor. Regularização e titulação da terra: Lula: Propõe ampliar o acesso ao crédito fundiário e avançar na regularização e titulação de terras. Também prevê acelerar a titulação de territórios quilombolas e a regularização fundiária de povos e comunidades tradicionais. Flávio: Propõe acelerar a regularização fundiária e a titulação do pequeno proprietário rural para facilitar o acesso ao crédito e aos investimentos, além de reforçar a segurança jurídica do direito de propriedade. Fertilizantes e custos de produção: Lula: Propõe acelerar a produção nacional de fertilizantes e fomentar a produção de bioinsumos para reduzir a dependência de produtos importados. Flávio: Propõe apoiar a produção nacional de fertilizantes, aproveitando reservas brasileiras de minerais como potássio e fosfato e incentivando a produção a partir do gás, para reduzir a dependência externa. Volte ao início 🏠 Quero comprar minha casa Programas habitacionais e financiamento: Lula: Propõe manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida para todas as faixas de renda, com foco nas famílias de menor renda. Também prevê fortalecer o Compra Assistida para a aquisição de imóveis prontos. Flávio: Propõe retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias e financiamento a juros mais baixos. Regularização e escritura do imóvel: Lula: Promete assegurar recursos para concluir obras de urbanização e regularização fundiária em favelas e periferias e apoiar novos projetos. Também prevê destinar imóveis e terrenos da União à regularização de moradias de famílias que já vivem nesses locais. Flávio: Propõe incentivar a regularização fundiária, priorizando áreas urbanas já consolidadas, para que famílias que vivem nesses locais obtenham a escritura do imóvel. O plano prevê dar preferência à escritura em nome da mulher. Volte ao início

Abóbora de quase 1.500 kg bate recorde mundial e entra para o Guinness Uma abóbora de 1.432 kg colhida nos Estados Unidos bateu o recorde mundial de peso e foi reconhecida pelo Guinness World Records. Ela foi cultivada pelo produtor rural Ron Wallace, do estado de Rhode Island, e pesada no dia 10 de outubro durante um concurso de abóboras gigantes realizado no sul da região da Nova Inglaterra, nos EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O título foi oficializado no dia 14 de outubro. O recorde até então pertencia a uma abóbora de 1.296 kg cultivada por Ian Paton, de Lymington, na Inglaterra. A marca havia sido estabelecida em 3 de outubro — uma semana antes da pesagem da abóbora americana. Segundo o Guinness, é quase inédito que o recorde nessa categoria troque de mãos tão rápido. A única outra ocasião em que isso aconteceu foi em 2 de outubro de 1999, quando o recorde foi estabelecido duas vezes no mesmo dia. A abóbora é a primeira da história a ultrapassar a marca de 1.360 kg e poderia render mais de três mil tortas. Segundo a agência de notícias Associated Press, Wallace recebeu US$ 3.500 pela vitória na competição local, o equivalente a cerca de R$ 17.599. O produtor contou que organizadores de outros concursos tentaram atraí-lo com prêmios maiores, alguns de até US$ 70 mil, mas que, para ele, era importante estar cercado pelas pessoas de sua comunidade no momento da vitória histórica. Abóbora gigante de 1.432 quilos colhida nos EUA pode bater recorde mundial Reprodução Wallace atribui parte do resultado à troca de dicas e técnicas entre os produtores de abóboras gigantes. Neste ano, pela primeira vez, ele passou a cultivá-las em uma estufa, o que, segundo o agricultor, fez uma grande diferença. “Este foi meu primeiro ano cultivando em estufa e o clima esteve quase perfeito durante a maior parte da temporada. [Mas na hora da pesagem], eu estava exausto”, declarou Wallace ao Guinness World Records. Ele começou a cultivar abóboras por hobby há 35 anos, inspirado por seu pai, a quem reconhece como "um dos primeiros cultivadores de abóboras gigantes na Nova Inglaterra". Para Wallace, as competições ajudam a valorizar o trabalho dos produtores, que têm sido cada vez mais procurados pelo setor agrícola para orientar sobre o manejo do solo e outras técnicas de cultivo. Ron Wallace comemorando o peso da abóbora Divulgação Leia também: Você pagaria R$ 2.000 por um quilo de café? Grão de MG bate recorde em leilão no Japão Veterano em recordes O agricultor já é veterano nos recordes do Guinness com abóboras. A primeira vez aconteceu em 2006, com um fruto de 681,3 kg. Wallace com sua primeira abóbora recordista mundial em 2006. Divulgação Em 2012, ele repetiu o feito. Dessa vez, a abóbora alcançou 911,27 kg. Wallace com sua segunda abóbora recordista mundial ainda no pé, em 2012. Divulgação "Meus dois recordes mundiais anteriores foram conquistas históricas na época, mas este tem um significado ainda mais especial. Tive alguns anos de dificuldade no cultivo, pois estava adotando uma abordagem mais científica. Foi ótimo ver tudo se concretizar!", disse o produtor ao Guinness World Records. Saiba também: Morango cravejado: a sobremesa viral que encontrou um morango mais caro e escasso Após México, Malásia suspende importação de frango de todo o Brasil; Arábia Saudita vai restringir apenas SC Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição

Entidades do setor de combustíveis pedem ao próximo governo mais medidas contra fraudes. Marcello Casal Jr./Agência Brasil O setor de combustíveis quer que o próximo presidente e o Congresso mantenham e ampliem as ações de fiscalização contra fraudes, adulterações e falsificações, além de combater a sonegação de impostos e a atuação de organizações criminosas. O g1 entrou em contato com as entidades do setor para entender quais são as principais demandas. Entre elas estão o reforço da estrutura da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a integração entre órgãos públicos, o compartilhamento de informações de inteligência e o aumento da efetividade das punições. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp As associações também defendem a antecipação da cobrança monofásica de impostos sobre o etanol hidratado. Nesse sistema, a tributação ocorre em uma única etapa da cadeia, medida que, segundo as entidades, pode reduzir brechas para a sonegação. As propostas envolvem tanto o Poder Executivo quanto o Congresso Nacional. As entidades querem que o combate às irregularidades continue sendo uma prioridade após as eleições, com medidas que dificultem a atuação de empresas que descumprem as regras e prejudicam a concorrência. Agora no g1 Punições mais rigorosas A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) considera que as operações iniciadas no ano passado, a partir da Operação Carbono Oculto, representaram um avanço no combate à atuação de organizações criminosas no mercado de combustíveis. Para a entidade, o próximo governo deve dar continuidade às ações e manter a articulação entre os órgãos públicos, com a participação do setor privado. A Fecombustíveis defende três frentes principais: Manutenção das operações integradas: dar continuidade ao trabalho conjunto dos órgãos públicos e ampliar a contribuição do setor privado no enfrentamento ao crime organizado e às irregularidades. Punições mais rigorosas: apoiar, no Congresso Nacional, propostas que aumentem as penalidades para quem descumpre as leis e provoca concorrência desleal. Antecipação da cobrança monofásica sobre o etanol hidratado: adiantar a implementação da medida prevista na Reforma Tributária para reduzir brechas utilizadas na sonegação de impostos e em outras irregularidades. A entidade avalia que o enfrentamento ao crime organizado e às práticas ilegais precisa permanecer entre as prioridades do próximo governo. Carro sendo abastecido com etanol Divulgação / GM Rigor na lei A Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), entidade que representa os trabalhadores em postos, pede aos próximos ocupantes da Presidência da República e do Congresso Nacional ações estruturadas contra a adulteração de combustíveis. As demandas envolvem: O aumento do efetivo de fiscalização; A celeridade nas punições; E a criação de leis específicas para o setor. O presidente da Fenepospetro e do Sinpospetro do estado do Rio de Janeiro, Eusébio Luís Pinto Neto, cobra o fortalecimento da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A proposta é ampliar o número de fiscais e direcionar investimentos para tecnologias antifraude. "É estruturar a ANP para que ela esteja preparada do ponto de vista tecnológico e humano para fazer frente a essas fiscalizações", afirmou o dirigente. A federação exige a intensificação da vigilância em toda a cadeia produtiva. A medida inclui o fortalecimento das atuações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Receita Federal e das Secretarias da Fazenda. Segundo Pinto Neto, a velocidade nos processos judiciais é fundamental para combater as irregularidades. "O que falta é aplicar a legislação com rigor. A Justiça tem que ser mais ágil para punir essas pessoas", disse. Para a próxima legislatura do Congresso Nacional, a entidade aponta a necessidade de aprimoramento das normas atuais. O foco é estabelecer regras para todas as etapas do mercado de combustíveis. "É criar uma legislação específica voltada para a regulamentação da revenda, em todas as suas fases da cadeia produtiva", declarou o presidente. A modernização tecnológica no momento do abastecimento é outra cobrança central. O objetivo é desenvolver mecanismos práticos que permitam ao consumidor verificar a qualidade e a quantidade do produto na bomba. "A aferição deveria mudar. A tecnologia avançou e a aferição continua a mesma há praticamente 100 anos", concluiu. Setor de lubrificantes também pede fiscalizaçã Adobe Stock Combate ao mercado irregular O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), entidade que reúne as principais distribuidoras de combustíveis do país, elaborou uma agenda com propostas para o setor, voltada aos candidatos à Presidência da República para o mandato de 2027 a 2030. As empresas representadas pela associação respondem por 60% do mercado de combustíveis líquidos e 75% do comércio de lubrificantes, em um segmento com faturamento anual de R$ 881 bilhões. Uma das principais preocupações levadas aos políticos é o avanço do mercado irregular. Cálculos do setor indicam que a concorrência desleal, as fraudes operacionais e a sonegação geram perdas de R$ 61 bilhões anuais. Desse montante, R$ 14 bilhões correspondem a impostos não arrecadados e R$ 10 bilhões derivam de fraudes nas operações. Para mitigar as perdas fiscais, a principal defesa do Sindicom é também a inclusão antecipada do etanol hidratado na tributação monofásica do ICMS. 🔎Tributação monofásica: é quando o imposto é cobrado apenas uma vez na origem da cadeia, com valor fixo por litro, modelo que já vigora para a gasolina, o diesel e o GLP. A mudança visa reduzir as vulnerabilidades e assimetrias que favorecem devedores contumazes no regime plurifásico atual. O presidente-executivo do Sindicom, Augusto Salomon, afirma que a simplificação tributária é indispensável para estancar a evasão e moralizar o mercado. "O abastecimento do país depende de uma cadeia complexa, que envolve infraestrutura, logística, regulação, tributação e fiscalização", diz o executivo. O planejamento do setor estipula ações imediatas para os primeiros 100 dias da nova gestão federal. Em meio à volatilidade dos preços do petróleo, a agenda estratégica proposta pela Sindicom ao próximo governo divide-se em 6 áreas de atuação: Estruturação da ANP: recomposição orçamentária e técnica para garantir autonomia e capacidade de fiscalização com tecnologia de dados. Combate à irregularidade: integração permanente entre Polícia Federal, Receita Federal, ANP e Ministérios Públicos para inviabilizar financeiramente o crime organizado e regulamentar o devedor contumaz. Segurança jurídica e tributária: expansão do regime monofásico de impostos e fim de distorções que afetam a concorrência. Infraestrutura e logística: incentivo a investimentos privados em ferrovias, dutos e terminais, com o objetivo de diminuir a dependência do transporte rodoviário. Marco regulatório: criação de regras estáveis que acompanhem mudanças tecnológicas e atraiam investimentos de longo prazo. Transição energética: avanço na descarbonização por meio de combustíveis renováveis e aprimoramento de políticas como o RenovaBio, mantendo a garantia de abastecimento nacional. Maior cooperação O Instituto Combustível Legal (ICL) defende a continuidade e a ampliação das ações contra o crime organizado, as fraudes e a adulteração de combustíveis e lubrificantes. Para o instituto, o próximo governo deve ampliar a capacidade de fiscalização do Estado e fortalecer a cooperação entre órgãos públicos e empresas privadas. Uma das principais demandas é o fortalecimento institucional e orçamentário da ANP, para que a agência tenha melhores condições de monitorar o mercado e identificar irregularidades com mais rapidez. O ICL também defende: Mais rastreabilidade: ampliar o uso de ferramentas que permitam acompanhar as operações do setor. Compartilhamento de informações: estimular a troca de dados entre União, estados e municípios para melhorar a identificação de fraudes. Manutenção das operações integradas: reunir órgãos públicos e setor privado em ações de fiscalização e inteligência. Fiscalização técnica e inteligência financeira: combinar esses recursos com a cooperação entre os diferentes níveis de governo para tornar a resposta às irregularidades mais eficiente. Regras tributárias mais simples: avançar na cobrança monofásica do ICMS sobre o etanol hidratado e outros fins, com o objetivo de ampliar a rastreabilidade das operações e reduzir oportunidades para irregularidades fiscais. Avanço de projetos Para a próxima legislatura, o ICL considera prioritária a conclusão da tramitação de duas propostas que ampliam os instrumentos de fiscalização e combate às irregularidades no mercado de combustíveis. São elas: PLP 109/2025: permite que a ANP acesse informações fiscais dos agentes regulados para fins de fiscalização e regulação, preservado o sigilo legal. PL 399/2025: prevê novas penalidades para infrações relacionadas à comercialização de combustíveis e biocombustíveis, incluindo falsificação, adulteração e outras práticas irregulares. O ICL também pede o aprimoramento do RenovaBio, especialmente no cumprimento das metas relacionadas aos CBIOs, e o desenvolvimento de ferramentas para monitorar a molécula do combustível e as informações fiscais. Entre as medidas citadas estão o aperfeiçoamento do aplicativo ANP com vc, voltado à defesa do consumidor, e a criação do Sistema Nacional de Troca de Informações do Segmento de Combustíveis pelas Secretarias Estaduais de Fazenda (Sinac). Para o instituto, a aprovação dos projetos, somada às mudanças tributárias, pode ampliar a capacidade do poder público de prevenir fraudes e proteger consumidores e empresas que atuam dentro das regras. O presidente do ICL, Emerson Kapaz, ressalta que uma eventual mudança de governo não deveria interromper as medidas já adotadas. “O combate ao crime organizado, às adulterações e fraudes exige continuidade, integração e instrumentos modernos de fiscalização. O mais importante é que o próximo governo e a próxima legislatura mantenham essa pauta como prioridade, com equilíbrio, segurança jurídica e foco permanente na proteção do consumidor”, afirma. Mais fiscalização A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) também defende o fortalecimento da fiscalização e a atuação coordenada de diferentes órgãos para combater a adulteração de combustíveis. A entidade apresenta quatro demandas principais para o próximo presidente: Reforçar a ANP: garantir um quadro técnico suficiente e orçamento estável, compatível com a manutenção dos programas de monitoramento da qualidade dos combustíveis. Ampliar a coordenação entre órgãos públicos: integrar ANP, Receita Federal, Polícia Federal, Ministérios Públicos estaduais e órgãos estaduais de metrologia e fazenda, com compartilhamento de dados e informações de inteligência de mercado. Antecipar a cobrança monofásica de impostos sobre o etanol hidratado: acelerar a implementação do capítulo de combustíveis da Reforma Tributária para enfrentar a sonegação. Aplicar sanções proporcionais e efetivas: combinar a dosimetria administrativa, que considera a gravidade das infrações na definição das penalidades, com a atuação da Justiça criminal. A entidade também tem demandas para a próxima legislatura do Congresso Nacional: Tipificação penal mais severa: adulteração como crime de perigo comum e dano ao consumidor, com rigor nas apurações e com penas compatíveis. Controle de insumos químicos: registro e rastreabilidade obrigatórios de solventes, metanol e similares. Sem controlar o insumo, não se controla o produto final. Proteção ao consumidor e aos distribuidores e revendedores honestos: canais ágeis de denúncia e responsabilidade solidária na cadeia. A Brasilcom avalia que as punições precisam ser capazes de mudar a relação entre o risco de cometer uma irregularidade e o ganho financeiro obtido com ela. A entidade resume o objetivo ao defender medidas que façam com que a adulteração deixe de ser uma prática de “baixo risco e alto retorno”. Usina de etanol e açúcar em Pitangueiras, SP Jefferson Severiano Neves/EPTV Combate ao devedor contumaz A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apoia as ações recentes das autoridades contra a adulteração e outras fraudes no mercado de combustíveis. Para isso, pede maior integração dos órgãos fiscalizadores e compartilhamento de dados e informações de inteligência. A entidade defende o fortalecimento da fiscalização para proteger os consumidores e garantir condições de concorrência mais equilibradas entre as empresas. Outra demanda é a aplicação efetiva das regras da Lei Complementar nº 225/2026 relativas ao chamado devedor contumaz, expressão usada para definir a empresa que transforma a inadimplência tributária em uma estratégia de negócio. Na avaliação da Unica, o combate às irregularidades não deve se limitar à aplicação de penalidades. Também é necessário retirar a vantagem financeira das empresas que operam à margem da lei. A Unica resume sua posição: “Além de punir as irregularidades, é preciso eliminar a vantagem econômica de quem opera à margem da lei.” A Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre) disse em nota que “sempre apoiou e apoiará ações dos Governos Federal, Estadual, Municipal ou do Distrito Federal que visem garantir a competitividade, a livre iniciativa, a livre concorrência e a qualidade de produtos e serviços nos diferentes elos da cadeia e sempre defendendo os empresários cumpridores das leis”. A reportagem do g1 entrou em contato com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Ambas não quiseram se manifestar.

Cinco países adotam restrições a produtos avícolas após caso de Newcastle em SC Foram abatidos os 6 mil perus da granja comercial em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, onde foi encontrado o foco da doença de Newcastle. As carcaças dos animais foram enterradas junto com materiais que tiveram contato com essas aves. Por causa do foco, cinco países anunciaram a suspensão da compra de carne de aves de Santa Catarina (leia mais abaixo). A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou na quarta-feira (21) que ainda não há uma estimativa de impactos aos produtores catarinenses. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🐔A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres, podendo ser letal para esses animais. Em humanos, ela pode causar, no máximo, conjuntivite transitória, que costuma durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. As informações sobre os trabalhos na granja foram divulgadas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) na quarta. As aves ficavam em dois galpões e o abatimento foi feito na segunda (19) e terça (20). A vala foi vistoriada e aprovada pelas autoridades ambientais na tarde de terça. Dessa forma, o descarte das carcaças e materiais vão seguir orientações técnicas para que o processo seja feito de forma segura ao meio ambiente e à comunidade, informou a Cidasc. A granja também passará por processo de desinfecção. Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV Outra medida em curso é a vigilância nas propriedades rurais, num raio de até 10 quilômetros do foco. De acordo com a Cidasc, há nove equipes visitando tanto granjas comerciais quanto criações de subsistência. Foram priorizadas as propriedades mais próximas e com previsão de entrega de aves para abate em breve. No total, 1,6 mil devem ser visitadas. Em 133 delas, está prevista a coleta de amostras das aves Os trabalhos estão sob coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Cidasc. A granja foi isolada com uma barreira física e somente equipes autorizadas desses dois órgãos podem ter acesso. A Cidasc destacou que o consumo de carne de aves e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro para a população. Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM - de um Serviço de Inspeção Municipal SIE - do Serviço de Inspeção Estadual SIF - do Serviço de Inspeção Federal LEIA TAMBÉM: Operação fará visitas a 1,6 mil propriedades em áreas perto de foco confirmado Malásia suspende importação de frango de todo o Brasil Cinco países suspenderam a compra de carne de frango de SC Depois do México, a Malásia também suspendeu as importações de frango de todo o Brasil após a detecção de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. China, Chile e Arábia Saudita limitaram a restrição aos produtos catarinenses. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Por que Trump quer mudar o nome da IA? Você já parou para pensar por que a inteligência artificial (IA) tem esse nome? E quem foi que decidiu chamar essa tecnologia assim? A expressão surgiu em 1955, nos Estados Unidos, a partir do trabalho de pesquisadores que buscavam entender como criar máquinas capazes de demonstrar alguma forma de raciocínio e inteligência semelhante à dos seres humanos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entre os nomes envolvidos nessa história estão John McCarthy (matemático), Marvin Minsky (matemático e cientista da computação), Claude Shannon (matemático e engenheiro eletrônico) e Nathaniel Rochester (cientista da computação). Eles trabalhavam em diferentes áreas, como engenharia, matemática e estatística, explicou ao g1 Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em IA. "Eles precisavam de uma nomenclatura para pesquisas que misturavam matemática, engenharia e estatística para criar máquinas capazes de exibir raciocínio, algo que não se enquadrava no software tradicional da época", disse Zanchettin. No entanto, sete décadas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer mudar esse nome. A sugestão dele é que a tecnologia passe a ser chamada de "superinteligência" (SI). Segundo Trump, o termo atual faz parecer que a tecnologia "seja falsa". (Entenda mais abaixo). De onde veio o nome inteligência artificial? Da esquerda para a direita, Oliver Selfridge, Nathaniel Rochester, Ray Solomonoff, Marvin Minsky, Peter Milner, John McCarthy, Claude Shannon Nathanial Rochester/Cortesia da Família Minsky via Computer History Museum Embora a expressão tenha surgido em 1955, as pesquisas sobre máquinas capazes de pensar começaram antes disso. Entre as décadas de 1940 e 1950, o matemático e cientista da computação Alan Turing já estudava essa possibilidade, explicou o professor e pesquisador de IA Allan Pscheidt. "Seria possível programar uma máquina para responder perguntas de forma que seja extremamente difícil adivinhar se as respostas estão sendo dadas por um homem ou pela máquina", disse Turing na época. Em 1948, o matemático Norbert Wiener criou o termo "cibernética" para estudar sistemas capazes de usar informações sobre suas próprias ações para ajustar seu funcionamento. Um caderno manuscrito de 56 páginas que pertenceu ao pioneiro da computação Alan Turing é leiloado em Nova York REUTERS/Bobby Yip Segundo Pscheidt, foi nesse contexto que John McCarthy criou a expressão "inteligência artificial", em 1955. A escolha também buscava diferenciar esse campo de pesquisa da cibernética, com foco no raciocínio e na autonomia das máquinas. "Pesquisadores se reuniram no Dartmouth College, nos EUA, para discutir como criar máquinas capazes de pensar. O objetivo era fazer com que os computadores realizassem tarefas que exigem inteligência humana", explicou o Museu da História do Computador, localizado na Califórnia (EUA). "Eles concordaram em chamar essa área de 'inteligência artificial', mas não chegaram a um consenso sobre como desenvolver a tecnologia na prática", completou. Segundo o Museu da História do Computador, os pesquisadores tinham ideias diferentes sobre como desenvolver a IA. Alguns defendiam sistemas capazes de reagir ao ambiente, como um termostato que ajusta a temperatura automaticamente. Outros apostavam no uso de estatísticas e probabilidades para fazer as máquinas aprenderem. Por que Trump quer mudar o nome? O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa ao sair da Casa Branca rumo ao Kansas, em Washington, DC, EUA, em 19 de outubro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque Inteligência artificial é o atual hiperfoco de Donald Trump. O presidente norte-americano tem insistido que quer substituir o nome da tecnologia por "superinteligência". Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, Trump afirmou que "o nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa". Disse ainda que "de agora em diante, todos os documentos dos EUA e, espero, de todo o mundo, vão utilizar o nome Superinteligência". Antes de decidir por esse nome, Trump chegou a abrir uma enquete em sua rede social, a Truth Social, com as opções "Inteligência Superior (IS)", "Inteligência Extrema (IE)" e "Inteligência Suprema (IS)", traduzidas para o português. Dois dias depois, fez uma nova enquete, desta vez com "Superinteligência" e "Inteligência Superior". Em nenhuma das postagens, explicou como a alteração seria feita ou se o mercado de tecnologia concordava com a mudança. E tem mais: Trump também causou polêmica ao afirmar que passaria a tratar como "inimigo" quem usasse o termo "inteligência artificial" em vez de "superinteligência". Mas um novo nome faz sentido? Para os especialistas ouvidos pelo g1, mudar o nome da inteligência artificial não é tão simples quanto parece. Segundo Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA, o próprio conceito de inteligência ainda não tem uma definição precisa, tanto nas ciências biológicas e naturais quanto no campo da tecnologia. "O que chamamos hoje de inteligência artificial está relacionado à capacidade das máquinas de realizar tarefas que associamos à inteligência humana", afirma Soares, que também é fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para ele, a tentativa de Trump parece ter mais relação com interesses políticos do que com o desenvolvimento da tecnologia. Donald Trump e Mark Zuckerberg sorriem durante um jantar privado para líderes de tecnologia REUTERS/Brian Snyder "O objetivo de mudar o nome me parece muito mais um contragolpe na questão de paralisar o desenvolvimento da IA. Parece mais um ato político do que efetivamente algo construtivo e que contribua para o que está acontecendo em termos de desenvolvimento", disse. Cleber Zanchettin, da UFPE, também questiona a proposta e chama a atenção para um trecho do discurso de Trump na ONU. "Primeiro, ele disse 'bem-vindos ao novo mundo da superinteligência' e completou com 'vamos ver se isso vai dar certo'. Isso revela uma jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático", afirmou. Já para Allan Pscheidt, a proposta não parece ser uma mudança na definição científica ou técnica da tecnologia, mas uma demonstração de poder e soberania dos Estados Unidos no cenário internacional de IA. "A gente está vivendo algo parecido com o que aconteceu na corrida para a Lua e na corrida espacial. Estamos passando agora para a corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral)", disse. "Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo 'superinteligência', ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve e que, com isso, vão mostrar sua soberania tecnológica", completou. 🔎 AGI (sigla em inglês para "Inteligência Artificial Geral") é o termo usado para descrever uma IA capaz de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao dos humanos. Allan ressalta que, até o momento, não há comprovação científica de que já exista uma superinteligência. 'Superinteligência' pode aumentar o medo da tecnologia Além das dificuldades para mudar um nome já consolidado, especialistas alertam que a proposta de Trump pode ter outro efeito: aumentar a rejeição das pessoas à inteligência artificial. Cleber Zanchettin explica que grande parte da população ainda tem pouco conhecimento sobre a tecnologia e que produtos identificados como IA já enfrentam certa resistência no mercado. "Introduzir um termo como 'superinteligência' ou 'inteligência suprema' pode soar como uma ameaça aos humanos e aumentar a rejeição do público", disse. "Poucos países e populações abraçaram a tecnologia de fato, e a maioria das pessoas ainda está tentando entender o que é a IA básica e como ela funciona", completou. Uma pesquisa recente do Pew Research Center mostrou que mais da metade dos brasileiros (52%) está mais preocupada do que animada com o avanço da inteligência artificial. Nos Estados Unidos, a percepção é semelhante: cerca de nove em cada dez americanos dizem estar mais preocupados do que animados com a possibilidade de a IA um dia superar a inteligência humana, segundo uma pesquisa da CNN norte-americana divulgada em setembro. 'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA

Lula e Flávio Bolsonaro Amanda Perobelli/Reuters e Evaristo Sá/AFP Milhões de brasileiros sonham com uma vaga no serviço público e dedicam anos de estudo para conseguir a aprovação em concursos. A abertura de novos concursos públicos e a autorização para preencher cargos dependem, entre outros fatores, das necessidades de pessoal dos órgãos, das decisões do governo e da disponibilidade de recursos no orçamento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp Na disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as propostas dos candidatos para a administração pública apontam possíveis caminhos diferentes para as contratações no serviço público federal. O g1 analisou o histórico recente de contratações e os planos de governo dos candidatos, além de pedir esclarecimentos às campanhas. Nenhum dos dois programas estabelece metas específicas para o número de concursos públicos federais a serem realizados no próximo mandato. Por isso, os documentos não permitem prever, por si só, quantos concursos serão abertos nos próximos anos. Veja abaixo o que se sabe e os principais pontos. Agora no g1 Como foi o histórico recente de concursos Para os concurseiros, o serviço público tem dois grandes atrativos: Alguns concursos oferecem salários superiores a R$ 30 mil, além de benefícios que variam conforme o órgão e a carreira. Servidores nomeados para cargos efetivos por meio de concurso público podem adquirir estabilidade após três anos de trabalho, desde que cumpram os requisitos legais. Os números recentes mostram quantos provimentos de cargos públicos federais foram autorizados nos últimos três governos. 🔎 O que é provimento? É o ato administrativo que formaliza o preenchimento de um cargo público. No caso dos concursos, as autorizações permitem que os órgãos avancem na nomeação dos candidatos aprovados, seguindo as regras previstas em lei. O número de provimentos autorizados não significa necessariamente que todos os candidatos já tenham tomado posse. Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). O levantamento considera tanto as vagas previstas nos editais quanto as vagas adicionais ou excepcionais autorizadas posteriormente. Entre 2016 e 2018, durante o governo de Michel Temer, foram autorizados 4.334 provimentos em 15 órgãos da administração pública federal. Entre 2019 e 2022, o governo Jair Bolsonaro autorizou 10.012 provimentos em 14 órgãos federais. Já entre 2023 e setembro de 2026, durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, foram autorizados 25.767 provimentos em 104 órgãos federais. Histórico anual de provimentos autorizados Para 2027, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional prevê R$ 1,3 bilhão para despesas com pessoal relacionadas a concursos e novas contratações no Poder Executivo federal, além de R$ 1,2 bilhão destinados a concursos e contratações em instituições federais de ensino. Segundo o MGI, esses valores representam uma autorização para gastar, não uma garantia de que os recursos serão utilizados. A liberação do dinheiro dependerá de decisões tomadas a partir de janeiro de 2027. Para entender o que pode acontecer nos próximos anos, veja o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para a administração pública. Os programas de governo dos dois candidatos não detalham como seriam realizados os concursos, como a organização das provas, a escolha das bancas examinadoras ou a publicação de editais específicos. No entanto, apresentam propostas que podem influenciar a estrutura do serviço público e a realização de concursos nos próximos anos. O que propõe Flávio Bolsonaro (PL) Flávio Bolsonaro (PL) Foto: Vittor Sales O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) prevê uma reforma administrativa voltada à modernização da estrutura do Estado e das carreiras do funcionalismo público. (entenda as principais propostas do candidato) O documento afirma que a proposta busca tornar a administração pública mais eficiente e revisar normas e procedimentos considerados excessivamente burocráticos. Entre as medidas previstas estão o corte de pelo menos 10 ministérios, a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas. O plano também defende o combate aos chamados supersalários e penduricalhos no serviço público. O candidato propõe ampliar a profissionalização da gestão pública. Segundo o documento, cargos de direção em órgãos públicos, empresas estatais e agências reguladoras devem ser ocupados com base em critérios técnicos, com recrutamento inspirado em práticas do mercado privado e menor influência de indicações políticas. O plano prevê ainda o fortalecimento da Lei das Estatais e a adoção de processos de seleção focados na qualificação profissional. O plano, porém, não detalha alterações específicas para a realização de concursos. O documento também defende avaliações periódicas de desempenho e uma administração orientada por metas e resultados. (veja outras propostas do candidato para o funcionalismo público) Em relação às empresas públicas, o plano prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização (PND). A proposta é avaliar, caso a caso, quais atividades ainda justificam a presença direta do Estado. Ao mesmo tempo, o documento afirma que empresas que permanecerem sob controle público deverão adotar regras de governança corporativa e processos de recrutamento profissional para cargos de liderança. Em nota enviada ao g1, a assessoria do candidato disse que "os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados". "Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública", completou. O que propõe Luiz Inácio Lula da Silva (PT) O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, participa da cerimônia de encerramento de uma reunião conjunta das bancadas do PT no Congresso, antes do segundo turno das eleições, em Brasília, Brasil, em 7 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado O programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da valorização do funcionalismo público e a ampliação das políticas de gestão de pessoas na administração federal. (entenda as principais propostas do candidato) O texto destaca a retomada do diálogo com os servidores e prevê o aprofundamento das medidas adotadas desde 2023 para a reestruturação de carreiras e a modernização do Estado. Uma das principais propostas é o fortalecimento da Mesa Nacional de Negociação Permanente, espaço de diálogo entre o governo e representantes dos servidores. Segundo o programa, o objetivo é dar continuidade às discussões sobre carreiras, remuneração e gestão de pessoas no Executivo federal. O documento também prevê a regulamentação do direito à negociação coletiva no setor público e a atualização do sistema de relações de trabalho. A proposta é ampliar os mecanismos de diálogo entre o governo e as categorias do funcionalismo. O texto também prevê ações de capacitação de servidores e compartilhamento de infraestrutura digital e tecnologias entre os entes federativos. O plano prevê ainda a continuidade das políticas de promoção da igualdade racial no serviço público. Segundo o documento, serão mantidas e ampliadas ações voltadas à participação da população negra no funcionalismo, especialmente em cargos de gestão e liderança. O programa também defende o fortalecimento da política de cotas para pessoas negras, indígenas e quilombolas nos concursos públicos. Embora o texto não apresente metas específicas para novos concursos, a proposta do PT prevê a valorização das carreiras públicas, a continuidade da recomposição da força de trabalho federal e o fortalecimento dos serviços prestados pelo Estado. Em nota enviada ao g1, a assessoria do candidato disse que vai manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e dar continuidade à realização de concursos públicos para repor servidores e atender áreas como saúde, educação, combate ao desmatamento e agências reguladoras. A proposta também prevê aprimorar o dimensionamento da força de trabalho nos órgãos públicos, considerando as necessidades de contratação e os impactos de novas tecnologias e da inteligência artificial. Além disso, a assessoria afirmou que pretende manter seleções centralizadas e investir em carreiras transversais, cujos profissionais podem atuar em diferentes órgãos e ministérios, conforme as prioridades do governo. (veja a nota completa abaixo) O que dizem os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "Vamos manter e ampliar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado, inovador e inclusivo, que representa um benefício para todos os envolvidos. O modelo permite aliar um aumento da eficiência no uso dos recursos públicos, ampliar a diversidade nas seleções e trazê-la para dentro do Estado brasileiro, o que ajuda na formulação de políticas públicas em função das diferentes realidades que existem em nosso país. Os candidatos pagam só uma inscrição e fazem só uma prova. Os órgãos não precisam cada um organizar seu concurso, o que reduz tempo e recursos. Além disso, conseguimos aplicar provas no Brasil todo, do Oiapoque ao Chuí, e assegurar a aplicação efetiva da Lei de Cotas. Nossa ideia, inclusive, é estudar o uso desse modelo para selecionar profissionais também para estados e municípios de forma integrada, numa prova só, a ser realizada periodicamente – uma vez por ano ou uma vez a cada dois anos, a depender de como avançarmos no modelo. A política será de continuidade em relação ao praticado na gestão atual do presidente Lula. Vamos continuar fazendo concursos para garantir a manutenção e ampliação das políticas públicas de saúde, educação, combate ao desmatamento, suporte aos investimentos produtivos, via reforço da atuação das agências reguladoras, entre outras áreas fundamentais para o funcionamento do Estado e atendimento à população. No primeiro mandato foi autorizado o provimento de 25 mil vagas para 104 cargos, e também ingressaram cerca de 30 mil profissionais na área de educação. Ao mesmo tempo, cerca de 30 mil pessoas se aposentaram, sendo 12 mil na área de educação. E todo trabalho de recomposição foi feito com responsabilidade fiscal, pois o gasto de pessoal se manteve estável em 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Para dar continuidade, um dos passos é aprimorar o trabalho (que já é feito) de dimensionamento da força de trabalho (DFT) para ter noção cada vez mais acurada da real necessidade de quais e quantos profissionais os órgãos necessitam. Isso é especialmente importante em função da introdução de novas tecnologias e da Inteligência Artificial (IA), que demandam um novo perfil profissional. O segundo passo é dar continuidade ao modelo de seleção centralizada do Concurso Público Nacional Unificado, que deve ser feito periodicamente, garantindo a reposição da força de trabalho, sem quebras geracionais. O terceiro elemento é seguir investindo em carreiras de caráter transversal, isto é, que podem atuar em mais de um órgão ou ministério, sendo realocadas conforme as prioridades políticas e eventuais contingências demandem". Flávio Bolsonaro (PL) "Os concursos públicos federais serão mantidos e realizados de acordo com as necessidades e demandas para aperfeiçoar o atendimento à população, sempre priorizando a eficiência dos serviços prestados. Durante o período de transição e, ao longo do governo, serão realizadas análises sobre quantidade de vagas em diferentes setores, com base em estudos técnicos e a modernização da administração pública".

Facebook e Instagram AP Photo/Richard Drew A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, enfrenta uma ação coletiva na Austrália que a acusa de expor crianças a conteúdos prejudiciais e de mantê-las viciadas nas plataformas por meio de algoritmos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O processo foi apresentado neste mês no Tribunal Federal da Austrália pelo escritório de advocacia MinterEllison. Segundo a Reuters, a ação pode ser a primeira no país a tentar responsabilizar plataformas de redes sociais por supostos danos causados a usuários, especialmente crianças e adolescentes. A ação foi movida em nome de oito autores que afirmam ter sido prejudicados pela empresa quando tinham menos de 18 anos e pedem indenização. Em resposta à Reuters, um porta-voz da Meta afirmou: "Estamos cientes dessa alegação e nos defenderemos vigorosamente". Na segunda-feira, o tribunal emitiu uma ordem de sigilo que proíbe a divulgação de informações que possam identificar os autores do processo, bem como o conteúdo da petição inicial. Agora no g1 Disputa ocorre em meio a ofensiva regulatória na Austrália Segundo a Reuters, o processo foi apresentado em um momento de crescente pressão das autoridades australianas sobre as grandes empresas de tecnologia. O país adotou uma legislação inédita que proíbe o uso de redes sociais por menores de 16 anos e discute novas regras que poderiam dar aos usuários a opção de desativar conteúdos recomendados por algoritmos em seus feeds. Em dezembro do ano passado, a Meta começou a remover contas de usuários com menos de 16 anos na Austrália para se adequar à legislação, que exige que plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e YouTube impeçam o acesso de menores dessa faixa etária. Na época, a empresa informou que trabalhava para retirar das plataformas todos os usuários identificados como menores de 16 anos antes da entrada em vigor da lei. Histórico nos Estados Unidos A Reuters também destaca que, em agosto, a Meta concordou em pagar US$ 18 bilhões para encerrar acusações apresentadas por quase todos os estados americanos de que suas plataformas teriam sido projetadas para viciar crianças. A nova ação na Austrália busca responsabilizar a empresa por danos supostamente causados a menores de idade pelo uso do Facebook e do Instagram, em um caso que pode se tornar um marco para a regulação das redes sociais no país, segundo a Reuters. *Com informações da AFP e Reuters.
Quanto custa a corrupção para a economia?
Não há um cálculo preciso de quanto custa a corrupção. O prejuízo vai além do dinheiro desviado e inclui recursos que deixam de chegar a áreas como saúde, educação e infraestrutura.
A corrupção também distorce a concorrência. Quando contratos dependem de relações privilegiadas ou propina, nem sempre vence quem oferece o melhor serviço ou preço, tornando a economia menos eficiente.
Outro impacto é a perda de confiança nas instituições. Quando cresce a percepção de que as regras não valem para todos, diminui a disposição de segui-las. Por isso, o custo da corrupção também aparece nos serviços que não foram feitos, nos investimentos que não vieram e na confiança que se perdeu.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.072 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 200 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (22), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No concurso da última terça (20), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Meta recebeu mais de R$ 290 milhões de campanhas Entre julho e setembro de 2026, a Meta registrou lucro líquido de US$ 9,86 bilhões (R$ 49,3 bilhões), alta de 264% em relação ao mesmo período de 2025. Nos mesmos três meses, a receita somou US$ 64,60 bilhões (R$ 324,2 bilhões), avanço de 26% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, a companhia divulga os resultados financeiros dessas plataformas de forma agrupada, na divisão chamada Family of Apps (Família de Aplicativos). Entre julho e setembro, o segmento faturou US$ 64,16 bilhões (R$ 320 bilhões), o equivalente a cerca de 99% da receita total da empresa. A maior parte desse valor veio da publicidade, que respondeu por US$ 63,06 bilhões (R$ 315 bilhões). Os US$ 1,10 bilhão (R$ 5,5 bilhões) restantes foram obtidos com outras fontes de receita. O avanço da publicidade foi impulsionado tanto pelo aumento do número de anúncios exibidos quanto pela alta dos preços. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, as impressões de anúncios — ou seja, o número de vezes que as propagandas foram exibidas — cresceram 10%. Já o preço médio por anúncio subiu 14%. Em setembro, a família de aplicativos da Meta reuniu, em média, 3,64 bilhões de usuários ativos por dia, alta de 3% em relação ao mesmo mês de 2025. O indicador considera o conjunto das plataformas, sem detalhar o número de usuários de cada aplicativo individualmente. O lucro operacional da divisão, que mede o resultado das atividades do negócio antes de juros e impostos, foi de US$ 17,12 bilhões (R$ 85,6 bilhões) no trimestre. O valor inclui um encargo extraordinário de US$ 9,89 bilhões (R$ 49,45 bilhões) relacionado a um acordo com procuradores-gerais de 52 estados dos Estados Unidos, em processos sobre saúde mental de adolescentes. O trimestre foi afetado pelo encargo judicial, enquanto a empresa mantém investimentos elevados em infraestrutura para inteligência artificial. Meta enfrenta julgamento que pode forçar mudanças em Facebook e Instagram Principal foco da Meta é a IA A é a principal prioridade estratégica da Meta e um dos motores de crescimento da companhia. No terceiro trimestre, o presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, anunciou o lançamento do Muse e do Muse Wonder, descritos como os primeiros modelos de ponta de IA da companhia. Segundo a Meta, o período também foi marcado por avanços em direção ao objetivo de oferecer “superinteligência pessoal para todos”. Os investimentos em IA já contribuem para o crescimento da receita publicitária, segundo a empresa, ao ampliar o engajamento dos usuários, melhorar as recomendações de conteúdo e tornar a exibição de anúncios mais eficiente. A Meta afirma que a combinação desses ganhos com o desenvolvimento de novos modelos e produtos pode sustentar um forte crescimento da receita ao longo de 2027. Para isso, a companhia pretende continuar investindo em capacidade computacional, treinamento de modelos e expansão de sua infraestrutura tecnológica. A empresa estima gastar entre US$ 135 bilhões (R$ 675 bilhões) e US$ 145 bilhões (R$ 725 bilhões) em investimentos de capital em 2026, incluindo recursos destinados à infraestrutura de IA. A Meta também aprovou a criação de ações ordinárias de Classe C, sem direito a voto, como parte de sua estratégia de financiamento de longo prazo. Ao mesmo tempo, planeja reduzir gradualmente as perdas da Reality Labs, divisão ligada a tecnologias de realidade virtual e aumentada, com previsão de prejuízo operacional de cerca de US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões) em 2027, enquanto redireciona recursos para suas prioridades, especialmente a inteligência artificial. o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025. REUTERS/Carlos Barria

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal publicará na quinta-feira (21) uma chamada para instituições financeiras interessadas em vender carteiras de dívidas ao governo dentro do Desenrola 3.0. O programa prevê a renegociação de débitos de pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) com atraso de 2 a 4,5 anos. Nesta etapa, segundo Durigan, as instituições apresentarão as carteiras de dívidas que podem ser compradas pelo governo. Ainda não se trata, portanto, de uma convocação para as pessoas renegociarem seus débitos. Agora no g1 Após esse momento, o governo analisará o volume apresentado pelas instituições, nas diferentes faixas de renda, e definirá quais estarão aptas ao leilão de aquisição dessas carteiras. As instituições terão cinco dias úteis para apresentar os volumes das cerieiras e, num momento seguinte, o governo anunciará o leilão, que deve ocorrer até o início de dezembro, segundo o ministro. Após esse momento, o governo analisará o volume apresentado pelas instituições, nas diferentes faixas de renda, e definirá quais estarão aptas ao leilão de aquisição dessas carteiras. "Publicado o leilão amanhã, os próximos cinco dias úteis é o prazo que nós já estamos dando, uma vez pactuado com as entidades representativas, para que cada instituição financeira apresente o volume da carteira para que a gente se debruce mais uma vez aos estudos e apresente no momento seguinte o edital do leilão, aí sim de compra dessas dívidas", disse o ministro. Lançado no final de setembro, o Desenrola 3.0 mira dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha, de até R$10 mil. Desenrola Brasil Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo A proposta é que a União compre as carteiras de crédito das instituições financeiras com deságio de 90%. Os descontos obtidos no leilão das carteiras vão ser repassados aos devedores. "Nesse edital agora, de gestão de interesse, ele (instituição financeira) vai informar a carteira que ele tem interesse em ofertar nesse leilão, mas ele já se habilita para participar e ele aceita que oferecer por, no mínimo, 90% de deságio", secretário-executivo da Fazenda, Rogerio Ceron. Segundo ele, a manifestação de interesse já é uma garantia que as instituições aceitam o deságio demandado pelo programa. "Então, se no limite esses R$90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida a gente saberia que no máximo consumiriam R$9 bilhões para gente adquirir tudo", complementou ele. Ceron acrescentou, ainda, que a partir dos dados fornecidos será feito um recorte para que o leilão seja competitivo, o que pode elevar o deságio para 95%, 96%, 97%", complementou.

Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando O plano de recuperação extrajudicial do GPA, dono da rede de supermercados Pão de Açúcar, entrou em vigor após a publicação da sentença que o homologou pela Justiça de São Paulo, nesta terça-feira (20). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A decisão permite que a companhia avance na reestruturação de suas dívidas com credores, com prazos definidos para a entrada de novos recursos e a substituição de títulos antigos por novos papéis. A sentença foi proferida em 7 de outubro pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) no dia 20. A informação foi divulgada pelo GPA em fato relevante nesta quarta-feira (21). Com a publicação, começa a contar o prazo de até 30 dias corridos para que os credores que optaram por aportar novos recursos disponibilizem o dinheiro, desde que sejam cumpridas as condições previstas no plano. O mesmo prazo vale para a alteração dos contratos originais de credores com dívidas em moeda estrangeira que tenham escolhido essa opção. Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas A companhia também terá até 60 dias corridos para emitir e entregar as novas debêntures previstas no plano, conforme as condições estabelecidas no documento. 🔎 As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos de investidores. No caso do GPA, os novos papéis substituirão títulos que já estão nas mãos dos credores e que fazem parte da reestruturação. Para viabilizar a troca, a B3, empresa que administra a infraestrutura do mercado financeiro, dará andamento ao bloqueio dos títulos antigos em seus registros e sistemas de custódia, que mantêm esses ativos registrados. ➡️ A medida abrange debêntures da 18ª e da 20ª emissões do GPA, além de certificados de recebíveis imobiliários da 1ª e da 2ª séries da 80ª emissão da Virgo Companhia de Securitização. Segundo o comunicado, depois que o bloqueio for efetivado, esses títulos não poderão ser negociados, vendidos, transferidos, alugados ou cedidos até que sejam substituídos pelas novas debêntures. 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo pelo qual uma empresa negocia com seus credores condições para reorganizar suas dívidas, com a homologação da Justiça. O plano do GPA, atualizado em 5 de maio, foi aprovado judicialmente nos termos da legislação que regula esse tipo de negociação. A companhia informou que continuará mantendo os acionistas e o mercado atualizados sobre o andamento do processo, conforme as exigências da regulamentação. Entenda a crise do Grupo Pão de Açúcar O Grupo Pão de Açúcar registra prejuízos anuais desde 2022, resultado de diversos fatores que pressionaram seus resultados. Entre os principais, estão: A queda no consumo, especialmente em períodos de alta na inflação de alimentos; Os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas da empresa; Os gastos com mudanças na gestão; O pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas; e As perdas de lojas com baixo desempenho. GPA fecha acordo com credores para plano de recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP

Golpe do QR Code adulterado afeta compras por Pix; veja orientação do Procon A popularização dos pagamentos por QR Code também tem atraído a atenção de criminosos, que usam códigos falsos para desviar dinheiro de consumidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Conhecido como quishing, é um tipo de golpe digital em que fraudadores adulteram ou criam QR Codes para direcionar pagamentos a contas controladas por criminosos. A fraude pode ocorrer tanto em compras pela internet quanto em estabelecimentos físicos. Em sites de comércio eletrônico, por exemplo, os golpistas podem substituir o código de pagamento sem alterar aparentemente a página ou as informações da compra. O consumidor acredita estar pagando pela mercadoria, mas o dinheiro é enviado a outra pessoa. Outra estratégia utilizada por criminosos é criar páginas falsas que imitam sites de lojas conhecidas. Para evitar o golpe, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) recomenda fazer compras nos sites oficiais, conferir o endereço eletrônico e evitar iniciar transações por links recebidos em mensagens, e-mails ou redes sociais. Como os golpes são feitos Em estabelecimentos físicos, como bares, restaurantes, feiras e estacionamentos, os criminosos podem colar adesivos com QR Codes falsos sobre os códigos legítimos disponibilizados pelos comerciantes. Dessa forma, o consumidor acredita que está pagando pelo serviço, mas transfere o dinheiro para uma conta controlada pelos fraudadores. O golpe também pode envolver boletos impressos com QR Code. Nesse caso, os criminosos adulteram o documento e substituem o código original por outro, que direciona o pagamento para uma conta diferente da prevista. A principal recomendação é conferir, no aplicativo da instituição financeira, o nome de quem vai receber o dinheiro e o valor da transação antes de confirmar o pagamento. Se as informações não corresponderem à compra ou ao estabelecimento, o consumidor não deve concluir a operação. “Essa simples verificação pode revelar uma adulteração antes que o dinheiro seja transferido”, afirma Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban. Ele também recomenda observar o próprio código antes de fazer a leitura em estabelecimentos físicos e desconfiar de adesivos sobrepostos ou de sinais de alteração. Segundo Mielle, conferir os dados de quem receberá o dinheiro ajuda a identificar tentativas de fraude antes que o pagamento seja realizado. Como se proteger de golpes com QR Code Confira os dados do pagamento: antes de confirmar a transação no aplicativo do banco, verifique o nome do recebedor e o valor. Use sites oficiais: confira o endereço eletrônico antes de iniciar uma compra pela internet. Evite links suspeitos: não comece compras diretamente por links recebidos em mensagens, e-mails ou redes sociais. Observe o QR Code: em estabelecimentos físicos, desconfie de adesivos sobrepostos ou de sinais de adulteração. Confira boletos impressos: mesmo que o documento pareça legítimo, verifique os dados do recebedor apresentados pelo aplicativo. Não conclua pagamentos divergentes: se os dados exibidos pelo aplicativo não corresponderem à compra ou ao estabelecimento, interrompa a transação. Desconfie de ofertas muito vantajosas: fique atento também a abordagens que pressionem você a pagar imediatamente. QR Code criado em Penápolis (SP) Reprodução / TV TEM

Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters Um juiz do Novo México ordenou nesta quarta-feira (21) que a Meta pague US$ 25 bilhões (R$ 125,7 bilhões) após um júri concluir que a empresa enganou consumidores sobre privacidade de dados. O processo teve origem no escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump em 2016 e obteve dados de milhões de usuários do Facebook sem o consentimento deles. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O procurador-geral do estado processou a Meta em 2021, após revelações de que a Cambridge Analytica, consultoria política britânica, coletou dados pessoais de até 87 milhões de usuários do Facebook por meio de um aplicativo de terceiros. O estado acusou a Meta de enganar usuários do Facebook no Novo México sobre quem tinha acesso aos seus dados, sobre a forma como a empresa lidava com discursos de ódio e desinformação na plataforma e sobre outras políticas internas. Agora no g1 Segundo o estado, a companhia sabia que terceiros tinham amplo acesso aos dados pessoais dos usuários e tolerava discursos de ódio e outros conteúdos nocivos quando isso beneficiava seus resultados financeiros. Júri apontou mais de 43 milhões de violações Em 25 de setembro, o júri considerou enganosas 26 das 29 declarações feitas pela empresa e por seus dirigentes sobre esses temas. Também concluiu que a companhia cometeu mais de 43 milhões de violações das leis de proteção ao consumidor do Novo México, com base no número de usuários do Facebook ou moradores do estado alcançados por cada declaração enganosa. A lei estadual prevê multa de até US$ 5 mil (R$ 25.138,50) por violação e determina que todo o dinheiro seja destinado ao sistema escolar do Novo México, afirmou o procurador-geral do estado, Raúl Torrez, após o veredicto. Em audiência realizada em 1º de outubro, a advogada do estado Randi McGinn pediu ao juiz Francis Mathew que fixasse a multa entre US$ 35 bilhões (R$ 175,97 bilhões) e US$ 40 bilhões (R$ 201,11 bilhões), argumentando que esse valor seria compatível com as garantias constitucionais de devido processo legal nos Estados Unidos e com o veredicto do júri. "Este tribunal deve falar com a Meta na única linguagem que ela entende, que é a linguagem do dinheiro e do valor de suas ações", disse McGinn. Em documentos judiciais, a Meta pediu ao juiz que limitasse a multa a US$ 3,45 bilhões (R$ 17,35 bilhões), alegando que um valor maior poderia afastar outras empresas do estado. A companhia também sustentou que as provas mostraram que ela não vende dados de usuários e que o Novo México não demonstrou que consumidores tenham sido enganados. Segundo veredito contra a Meta em seis meses Este foi o segundo veredicto contra a Meta em seis meses em processos movidos pelo estado do Novo México e julgados por júris de Santa Fé. No primeiro julgamento, encerrado em março, um júri de Santa Fé considerou que a Meta enganou usuários sobre a segurança de crianças e adolescentes no Facebook, Instagram e WhatsApp e determinou o pagamento de US$ 375 milhões (R$ 1,89 bilhão) em multas civis. Após a segunda fase do julgamento, um juiz determinou ainda que a empresa destinasse US$ 567 milhões (R$ 2,85 bilhões) a um fundo do Novo México voltado à saúde mental de adolescentes e adotasse medidas para proteger usuários adolescentes do Facebook e do Instagram no estado.

A cobrança do INSS era indevida, o que justificou a indenização por danos morais Divulgação / INSS O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou R$ 3,5 bilhões para o pagamento de valores atrasados a pessoas que venceram ações contra órgãos do governo federal. Do total, R$ 2,9 bilhões são destinados a ações relacionadas ao INSS e a benefícios assistenciais, incluindo casos de revisão de aposentadorias, pensões, auxílio por incapacidade e outros benefícios. Os recursos atendem 313.181 beneficiários em 243.718 processos no total. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em número de processos, as ações relacionadas ao INSS e a benefícios assistenciais representam 57% do total de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) liberadas e concentram aproximadamente 83% do dinheiro. São valores que o governo deixou de pagar ou pagou a menos e que, após decisão judicial, precisam ser quitados. Esses valores são chamados de atrasados. Estagiário de agência do INSS é preso por envolvimento em fraudes de benefícios Como são feitos os pagamentos? O CJF libera os recursos para os Tribunais Regionais Federais (TRFs), que são responsáveis por fazer os depósitos. O dinheiro é colocado em uma conta específica, aberta para cada beneficiário no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal. Ou seja, o valor não é depositado automaticamente na conta bancária que a pessoa usa normalmente. Depois que o TRF informar que o pagamento está disponível, o beneficiário pode sacar o dinheiro diretamente em uma agência do banco indicado, apresentando os documentos necessários. Em determinadas situações, também é possível pedir a transferência do valor para uma conta indicada pelo advogado. A data em que o dinheiro estará apto deve ser consultada no site do TRF responsável pelo processo. Quanto cada TRF recebeu Como saber se sou um dos atrasados? Para receber os atrasados, não basta ter um pedido de aposentadoria ou benefício negado pelo INSS, é preciso ter vencido uma ação judicial contra o órgão e ter uma RPV incluída no lote. Veja o passo a passo de verificação: Consulte o andamento do seu processo na Justiça Federal; Procure informações sobre a expedição da RPV ou sobre a liberação do pagamento; Consulte o TRF responsável pelo processo. É o TRF que informa quando o dinheiro estará disponível; Tenha em mãos o número do processo ou do CPF, conforme o sistema de consulta do tribunal.

Apenas Santa Catarina vai deixar de exportar frango para a China, diz secretário do Ministério da Ag A Malásia se juntou ao México nesta quarta-feira (21) e suspendeu as importações de carne de frango de todo o Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle (DNC) no oeste de Santa Catarina. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Arábia Saudita, quarto maior mercado do frango brasileiro, também anunciou restrições no mesmo dia, mas limitou a proibição aos produtos de Santa Catarina. China e Chile já haviam limitado a proibição aos produtos catarinenses na terça-feira (20). A China é a maior compradora de frango brasileiro. 🔍A DNC é uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres. Em quadros graves, pode causar problemas respiratórios e neurológicos em aves. Em humanos, a infecção é rara e geralmente leve, podendo provocar conjuntivite temporária após contato direto com aves infectadas ou suas secreções; não há transmissão da doença pelo consumo de frango. Apesar da abrangência da suspensão, a Malásia tem pouco peso nas exportações brasileiras de frango. O país ocupa a 68ª posição entre os mercados compradores, bem atrás de destinos como China, União Europeia, Japão e Arábia Saudita. LEIA TAMBÉM: Mais de 130 granjas são monitoradas após confirmação de foco em SC O que é a doença de Newcastle? Pode atingir humanos 10 principais compradores de carne de aves do Brasil, de janeiro a setembro deste ano. g1 Onde o caso aconteceu O foco da doença de Newcastle (DNC) foi detectado em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, com cerca de 6 mil animais. A informação foi confirmada na segunda-feira (19), em coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. O estabelecimento foi fechado e a movimentação de aves está suspensa, disse o Ministério da Agricultura. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que, diferentemente do episódio registrado em 2024, não foram identificadas aves doentes neste caso. Segundo ele, o resultado foi obtido durante uma ação de vigilância ativa do Ministério da Agricultura, que realiza exames periódicos em propriedades selecionadas por sorteio. Os testes encontraram material genético de uma variante do vírus de Newcastle associada a pombos em perus que não apresentavam sintomas. "Uma coisa é encontrar sinais do vírus nos exames; outra é ter animais doentes", afirmou Santin. Segundo ele, nenhuma ave apresentava sinais clínicos da doença. Após a detecção, as autoridades iniciaram medidas sanitárias para eliminar o vírus e intensificaram o monitoramento na região. Será realizado monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. O primeiro país a anunciar restrição ao frango brasileiro foi o México. Na segunda-feira (19), o país suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas brasileiros após a confirmação do caso em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. A restrição, anunciada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, também abrange aves vivas e ovos férteis. Segundo o governo mexicano, a medida tem como objetivo proteger a produção avícola nacional, considerada livre da doença. Granja em Nova Itaberaba onde foi confirmado foco da doença de Newcastle Francieli de Moraes/NSC TV O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Leia também: Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato Cliente ou rival? Como a China pode passar de grande compradora a concorrente do frango brasileiro

Exportadores brasileiros de carne bovina não podem mais vender para a União Europeia A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira (21) que pretende propor a retomada das importações de carne de aves e mel do Brasil, apurou a agência de notícias Reuters. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A medida ainda precisa ser votada pelos países-membros do bloco, em uma próxima reunião do comitê responsável pelo tema. 🔍 A UE tirou o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui) O embargo passou a falar no dia 3 de setembro, e incluí também a carne bovina, pescados e ovos para as 27 nações do bloco. Em nota divulgada nesta quarta, a Comissão Europeia informou que apresentou os resultados de uma auditoria realizada no Brasil sobre a produção de carne de aves e mel. Segundo o órgão, as conclusões foram positivas. Durante a reunião, os países-membros também tiveram dúvidas sobre o alcance da proposta, os mecanismos para separar produtos destinados a diferentes mercados e os controles das prescrições veterinárias. Esses pontos foram discutidos, segundo a Comissão. O embargo O anúncio da exclusão do Brasil da lista de fornecedores foi feita em maio. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da União Europeia de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente. As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE. Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país. Em 24 de agosto, tiveram início ass auditorias nos setores de aves e mel, feitas por solicitação das próprias autoridades da União Europeia. Os fiscais visitaram estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais do país, verificando a estrutura e do funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro. Leia também: Após México, Malásia suspende importação de frango de todo o Brasil; Arábia Saudita vai restringir apenas SC E como fica a carne bovina? A carne bovina continua embargada. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda não consegue certificar de forma confiável que atende às exigências aplicáveis durante toda a vida dos animais. Por isso, o órgão não pretende, neste momento, propor a retomada das importações desse produto. A retomada das exportações deste produto tende a ser demorada porque a UE exige que seus fornecedores comprovem que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal — que, no caso do boi, leva, em média, dois anos, explica o chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou. Em junho, na tentativa de reverter a decisão da UE, o governo federal implementou um novo protocolo de controle sobre uso de antimicrobianos na pecuária, que prevê o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, é importante que o Brasil volte para a lista da União Europeia, já que ela serve de referência para mais de 20 países fora do bloco, incluindo o Reino Unido e nações africanas. A Noruega, por exemplo, também interrompeu as compras de proteína animal do Brasil, seguindo a decisão da UE. Bandeira da União Europeia. Christian Lue/Unplash
Unidade da Casas Bahia. Varejo/Divulgação A Justiça de São Paulo autorizou, nesta quarta-feira (21), o início da recuperação judicial da Casas Bahia e de outras nove empresas do grupo. A decisão foi assinada pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Segundo a decisão, as empresas cumprem os requisitos legais necessários para avançar com a recuperação, apesar de ainda haver documentos pendentes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O grupo terá 30 dias para apresentar as informações que faltam. Caso não cumpra a determinação, a autorização poderá ser revogada. Entre as pendências estão dados sobre o fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas, projeções financeiras separadas para cada companhia e a atualização da lista de credores. A magistrada também manteve a suspensão temporária de determinadas cobranças judiciais contra as empresas, medida que já havia sido concedida anteriormente. Agora no g1 Apesar das pendências, a juíza avaliou que os problemas identificados na documentação são pontuais e podem ser corrigidos durante o processo. 🔎 Nesta fase, a Justiça avalia apenas se as empresas cumprem os requisitos legais e se apresentaram os documentos necessários para iniciar a recuperação judicial. A decisão não significa que o plano de recuperação foi aprovado nem que a Justiça concluiu que as empresas conseguirão se recuperar. O plano ainda precisa passar pela análise dos credores. A AJ Ruiz Consultoria Empresarial S/A foi nomeada administradora judicial, responsável por acompanhar e fiscalizar as atividades das empresas durante o processo e apresentar relatórios à Justiça. Após a publicação do edital, os credores terão 15 dias para informar créditos que não estejam na lista ou contestar os valores apresentados pela empresa. Os pedidos deverão ser encaminhados diretamente à administradora judicial. O Grupo Casas Bahia entrou com o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, om o objetivo de renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter suas operações. 🔎 A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras tentem renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto mantêm suas atividades. O mecanismo busca evitar a falência e preservar a operação e os emprego. (Veja como funciona a recuperação judicial)

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Nesta quarta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). A medida pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho. A análise é de especialistas ouvidos pelo g1, que trazem três principais fatores que contribuem para o alto endividamento dos MEIs. São eles: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa. O projeto de lei complementar perdoa de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria para R$ 140 mil em 2028, permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições e extingue a nota fiscal para NanoMEIs. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio. “Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma. Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais. O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando. Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo. A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal. Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento. Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade. No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la. No segundo, a abertura pode ocorrer sem planejamento, como uma alternativa imediata para gerar renda. “Enquanto no caso do empreendedorismo por oportunidade o empreendedor vê isso como o seu futuro, o por necessidade o vê como ‘bico’, até que alguma coisa melhor apareça, o que diminui o planejamento e a resiliência”, diz. Isso não significa que todo negócio aberto por necessidade esteja condenado ao fracasso. A diferença apontada pelo economista está nas condições em que a atividade começa e na preparação para administrar os recursos, organizar as despesas e enfrentar períodos de menor movimento. (veja abaixo) Para Leal, políticas de apoio ao empreendedorismo precisam ir além da renegociação. Ele defende a ampliação do acesso a linhas de crédito subsidiadas — financiamentos com condições favorecidas — e o uso dos serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar os microempreendedores. Como separar as contas pessoais das contas da empresa A primeira medida para organizar as finanças é tratar o dinheiro do negócio e o da família como recursos diferentes, mesmo quando o empreendedor é o único proprietário da empresa. “Eu começaria com uma regra simples: são dois bolsos diferentes, o do negócio e o da pessoa física. O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo dinheiro que entra na empresa em dinheiro disponível para a família”, afirma Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar. Isso significa que o faturamento — todo o dinheiro recebido pelas vendas ou pelos serviços prestados — não deve ser confundido com o lucro. Parte dos recursos precisa ser usada para pagar fornecedores, impostos, despesas da operação e compromissos que ainda vão vencer. Outra parcela pode precisar ficar reservada para a compra de mercadorias e a continuidade da atividade. Antes de transferir dinheiro da empresa para a conta pessoal, o empreendedor deve calcular quanto sobrou depois dos custos e das despesas e verificar quanto pode retirar sem comprometer o funcionamento do negócio. 🧾 Maciel ilustra a diferença com um exemplo hipotético: Se uma empresa recebe R$ 6,5 mil, tem R$ 4 mil em pagamentos e compromissos e precisa reservar outros R$ 1 mil para manter a operação no período seguinte, restam R$ 1,5 mil disponíveis. Mesmo que o lucro calculado seja de R$ 1,8 mil, retirar mais do que R$ 1,5 mil comprometeria o dinheiro necessário para a atividade. As receitas variam mês a mês, e agora? Quando as receitas variam de um mês para outro, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para estabelecer uma retirada pessoal que também seja viável nos períodos mais fracos. Nos meses de maior faturamento, parte do dinheiro pode ser guardada para compensar eventuais quedas posteriores. O controle deve ser feito em duas frentes: A empresa precisa registrar suas vendas, custos, impostos e compromissos; Já o orçamento doméstico deve considerar apenas o dinheiro efetivamente transferido para o empreendedor como renda pessoal. Se as despesas da família forem maiores do que o negócio consegue sustentar, a saída é rever o orçamento doméstico ou buscar outra fonte de renda, em vez de retirar recursos destinados ao pagamento de fornecedores e à manutenção da atividade. MEI grafico Quais são os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle? O endividamento nem sempre começa com contas atrasadas. Em alguns casos, o empreendedor continua pagando tudo em dia, mas passa a depender de crédito caro para cobrir as despesas do mês. Segundo Antonio Maciel, planejador financeiro, sinais de alerta incluem recorrer ao cheque especial, pagar apenas parte da fatura do cartão de crédito ou contratar um empréstimo para quitar outro. O problema também pode aparecer quando toda compra de estoque depende de financiamento. Por isso, acompanhar apenas o saldo bancário não é suficiente. O planejador recomenda observar quatro pontos: O resultado do negócio depois dos custos e das despesas; O dinheiro disponível para manter a operação; O total das dívidas e o peso das parcelas e dos juros; e O volume de recursos parado em mercadorias, além dos prazos para receber dos clientes e pagar fornecedores. Um negócio pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades se os preços não cobrirem os custos. Da mesma forma, pode apresentar lucro no papel, mas ficar sem dinheiro para pagar as contas porque os clientes demoram a pagar ou porque o empreendedor retira recursos em excesso. A origem do problema muda a solução. Se a atividade consegue cobrir seus custos, mas falta dinheiro depois das retiradas pessoais, pode haver um desequilíbrio no orçamento familiar. Se o caixa já fica negativo antes dessas transferências, é preciso investigar os preços, os custos, as vendas e os prazos de recebimento. Como negociar dívidas sem criar um problema maior Ao perceber que as contas estão saindo do controle, o empreendedor precisa identificar quais compromissos são essenciais para manter a empresa funcionando e quais podem ser renegociados. Maciel, planejador financeiro, recomenda avaliar tanto o custo das dívidas quanto as consequências de deixar de pagá-las. Obrigações legais, como tributos e salários, quando houver funcionários, merecem atenção, assim como compromissos cujo atraso possa provocar a perda de um equipamento essencial ou interromper o fornecimento necessário para as vendas. Na comparação entre empréstimos, um dos principais indicadores é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas da operação. Também é necessário comparar o valor total a pagar, o prazo e o tamanho das parcelas em relação ao dinheiro que o negócio efetivamente recebe. Uma prestação menor nem sempre representa um acordo mais barato. Em um exemplo hipotético apresentado pelo planejador, um acordo de 12 parcelas de R$ 320 totaliza R$ 3.840. Já outro, de 24 parcelas de R$ 230, soma R$ 5.520. A segunda opção tem prestações menores, mas custa mais no total. “A renegociação só vira recuperação quando muda a capacidade de pagamento e vem acompanhada de uma correção na gestão”, afirma Maciel. Segundo ele, é necessário identificar se a dificuldade surgiu de uma queda temporária nas vendas, de retiradas pessoais excessivas, de mercadorias paradas, de preços inadequados ou de custos que o negócio não consegue sustentar. Imprevistos e perda de renda também podem provocar endividamento. O planejador alerta ainda para o risco de usar o cheque especial e o crédito rotativo do cartão — modalidade em que o consumidor não paga integralmente a fatura — como fontes permanentes de financiamento. Um empréstimo planejado para uma necessidade produtiva é diferente de contratar crédito todos os meses para cobrir prejuízos. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes

Simples Nacional Divulgação/Sebrae Foi sancionada nesta quarta-feira (21) a lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), amplia o limite de faturamento da categoria e permite a contratação de mais funcionários. A medida foi aprovada pelo Congresso na semana passada e, segundo o governo federal, poderá beneficiar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores em todo o país. Entre as principais mudanças aprovadas pelo Congresso estão: Perdão de dívidas de MEIs contraídas até 13 de outubro de 2026; Aumento do limite anual de faturamento para até R$ 140 mil em 2028; Possibilidade de contratação de até dois funcionários em determinadas atividades. Agora no g1 Ao anunciar a sanção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a medida deve ajudar milhões de brasileiros a regularizar a situação de seus negócios e voltar a ter acesso a crédito e outras oportunidades. "Nós resolvemos anistiar para limpar o nome dessas pessoas no Serasa e poderem começar uma vida nova", afirmou o presidente, nesta terça-feira (20), durante evento em São Luís (MA). A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 14 de outubro e pelo Senado no dia seguinte. Como os senadores mantiveram o texto aprovado pelos deputados, o projeto seguiu diretamente para sanção presidencial. Pelas estimativas apresentadas durante a tramitação do projeto, cerca de 3,6 milhões de empreendedores poderão ser beneficiados diretamente pelo perdão das dívidas, que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o conjunto das medidas poderá alcançar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores individuais em todo o país. Paralelamente, o governo também anunciou uma proposta que prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios. 💵 O recurso seria não reembolsável, ou seja, não precisaria ser devolvido pelo beneficiário. A medida, porém, não faz parte da lei sancionada e ainda precisará ser analisada pelo Congresso Nacional. A seguir, o g1 explica como funcionarão o perdão das dívidas, o novo limite de faturamento, as regras para contratação de funcionários e quando as mudanças começam a valer. Perdão de dívidas Entre todas as medidas sancionadas, a que deve produzir efeitos mais rapidamente para os microempreendedores é a anistia dos débitos com a União. Pelas regras da nova lei, serão perdoadas as dívidas contraídas até 13 de outubro de 2026. O benefício abrange não apenas o valor principal devido, mas também juros, multas e demais encargos cobrados sobre esses débitos. ⚠️ O alcance da medida foi ampliado durante a tramitação do projeto. Inicialmente, a proposta previa o perdão apenas para débitos inscritos na Dívida Ativa da União. O texto final passou a contemplar também dívidas que ainda estavam em fase de cobrança administrativa e não haviam sido formalmente inscritas. Segundo o Ministério da Fazenda, essa ampliação pode gerar impacto adicional de até R$ 2 bilhões além das estimativas iniciais. A lei, entretanto, estabelece algumas condições para que o empreendedor mantenha o benefício: O MEI deverá manter em dia o pagamento das contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da nova lei; Deverá desistir de eventuais ações judiciais que discutam os débitos contemplados pela anistia; Precisará cumprir as demais exigências previstas na legislação para enquadramento no benefício. Caso essas condições deixem de ser cumpridas, o perdão poderá ser cancelado. O texto também determina que não haverá cobrança de honorários advocatícios em razão da extinção de ações judiciais relacionadas aos débitos anistiados. Já os valores pagos anteriormente não serão devolvidos. Como vai funcionar o aumento do teto Hoje, para permanecer enquadrado como MEI, o empreendedor pode faturar até R$ 80 mil por ano. Com a nova lei, esse limite será ampliado de forma gradual: R$ 110 mil em 2027; R$ 140 mil em 2028. O teto atual está em vigor desde 2018 e é considerado defasado por representantes do setor, que argumentam que muitos empreendedores acabam limitando as próprias vendas para evitar o desenquadramento. A mudança permitirá que pequenos negócios cresçam sem precisar migrar tão rapidamente para outras categorias empresariais, que costumam ter mais obrigações tributárias e burocráticas. Durante a tramitação da proposta na Câmara, o relator do projeto, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), afirmou que muitos profissionais acabam recusando oportunidades para não ultrapassar o limite atual. "Esse MEI hoje às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa do MEI." O texto também prevê mecanismos que podem permitir que empresas atualmente enquadradas em outras modalidades do Simples Nacional retornem à condição de MEI, desde que atendam às exigências previstas na legislação. Contratação de funcionários Outra mudança relevante envolve a contratação de empregados. Atualmente, o microempreendedor individual pode contratar apenas um funcionário. Com a nova regra, determinadas atividades poderão manter até dois empregados registrados. A ampliação vale para atividades de indústria, comércio e prestação de serviços no meio rural. Para os demais segmentos, continua valendo a regra atual, limitada a um empregado. 💰 A lei estabelece que esses trabalhadores deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Emissão de notas fiscais O pacote também prevê mudanças nas regras para a emissão de notas fiscais pelos microempreendedores individuais. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, a proposta é dispensar os MEIs da obrigação de emitir o documento nas vendas de mercadorias e na prestação de serviços para pessoas físicas. A emissão continuará obrigatória nas operações com empresas e órgãos públicos. A mudança deverá ser regulamentada por decreto presidencial, no contexto da reforma tributária. O pacote também prevê a criação de uma nova categoria, chamada Nano MEI, a partir de 2027. Ela será destinada a trabalhadores autônomos com faturamento anual de até R$ 40,5 mil, que poderão atuar sem abrir CNPJ e sem emitir notas fiscais, inclusive nas operações com empresas. Por que o governo decidiu perdoar essas dívidas? Segundo o governo federal, uma parcela significativa desses débitos possui baixa perspectiva de recuperação. A avaliação é que o endividamento dos microempreendedores aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia, dificultando a regularização de milhões de pequenos negócios e reduzindo o acesso ao crédito. Ao anunciar o pacote de medidas, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, afirmou que a iniciativa busca permitir que esses trabalhadores voltem a atuar de forma regular e tenham mais oportunidades de crescimento. "Especialmente depois da pandemia, o nível de endividamento dos microempreendedores individuais aumentou muito. Nós tentamos trabalhar muito para reduzir esse endividamento ao longo dos últimos anos [...] mas chegamos à conclusão que ou o Estado brasileiro perdoa a dívida dos MEIs, ou a gente não vai vencer esse mal terrível", declarou.

Carro que o Papa Leão XIV usará no Uruguai Stellantis A Fiat Titano será transformada em papamóvel para transportar o papa Leão XIV durante sua visita ao Uruguai, entre os dias 6 e 8 de novembro. A picape está sendo adaptada pela Nordex, parceira industrial da Stellantis no país, em Montevidéu. O veículo receberá modificações para permitir que o pontífice seja visto pelo público e tenha contato visual com os fiéis durante os deslocamentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Entre as mudanças previstas estão laterais abertas, assento giratório com altura ajustável para o papa, dois assentos auxiliares e escada traseira elétrica. O projeto também inclui tapete vermelho, acabamentos em couro branco nos corrimãos e nos assentos e uma cobertura transparente para proteger o pontífice em caso de condições climáticas adversas. A adaptação está sendo feita por técnicos e trabalhadores uruguaios nas instalações da Nordex, em Montevidéu. Carro que o Papa Leão XIV usará no Uruguai Stellantis Na Argentina, papa usará Toyota Hilux adaptada Depois da Fiat Titano no Uruguai, o papa Leão XIV deverá ser transportado por uma Toyota Hilux na Argentina. A Toyota confirmou que vai preparar e doar duas unidades da picape, produzida na fábrica de Zárate, para os deslocamentos do pontífice durante a visita ao país, prevista para 8 a 11 de novembro. Agora no g1 Os veículos serão adaptados por uma empresa especializada, mas a montadora não divulgou detalhes técnicos das modificações por questões de segurança. As duas unidades deverão ser utilizadas nos deslocamentos previstos em Buenos Aires, Córdoba e Luján Fiat já foi usada como papamóvel no Brasil Esta não será a primeira vez que um veículo da Fiat será utilizado por um papa na América do Sul. Em julho de 2013, durante sua primeira viagem internacional como pontífice, o papa Francisco percorreu ruas do Rio de Janeiro a bordo de um Fiat Idea, durante a Jornada Mundial da Juventude. Depois da visita, o carro foi incorporado ao acervo da Fiat e preservado com as marcas de sua participação no evento. Leão XIV visitará Montevidéu, Paysandú e Florida, no Uruguai, entre 6 e 8 de novembro. Depois, seguirá para a Argentina e o Peru. Papa passou por cirurgia no pulmão Leão XIV passou por uma cirurgia em 13 de outubro para retirar o lobo inferior do pulmão direito. O procedimento foi realizado após a identificação de um adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer. Segundo o Vaticano, a operação ocorreu sem complicações, e o pontífice recebeu alta hospitalar no dia 17 de outubro. Nesta quarta-feira (21), o papa retomou a audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, e percorreu o local de papamóvel, saudando os fiéis.

Brasil tem queda no trabalho infantil, segundo o IBGE O IBGE retirou a menção à estimativa da comercialização de drogas ilícitas de uma nota metodológica sobre a atualização do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Na primeira versão do documento, publicada em 8 de outubro de 2025, o órgão indicava que a nova série das Contas Nacionais traria mudanças como a estimativa da comercialização de drogas, entre outros pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já a versão mais recente, divulgada em 11 de setembro de 2026, não faz referência direta à medida. O tema ganhou repercussão nas redes sociais em setembro, quando perfis criticaram a possibilidade de incluir estimativas da comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB brasileiro. As publicações associaram a medida a uma suposta tentativa de inflar os indicadores econômicos do governo. A inclusão, porém, segue recomendações estatísticas internacionais e não significa legalizar essas atividades. Questionado pelo g1 sobre a retirada, o IBGE afirmou que as notas metodológicas são atualizadas rotineiramente durante o processo de revisão das Contas Nacionais. Segundo o instituto, as mudanças podem considerar comentários externos, alterações no cronograma e questões metodológicas ou relacionadas às bases de dados utilizadas. ➡️ O órgão, porém, não explicou especificamente por que a referência às drogas deixou de constar no documento nem confirmou se a estimativa será incorporada ao cálculo do PIB. A revisão das Contas Nacionais está em andamento, e a previsão do IBGE é divulgar os primeiros resultados da nova série em 2028. Por que uma atividade ilegal entraria no cálculo do PIB? O instituto começou a discutir como estimar esse mercado em 2019 e realizou uma primeira estimativa-teste em 2021. Desde então, os estudos e os testes metodológicos continuam. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia em determinado período. Nas Contas Nacionais, o critério não é simplesmente saber se uma atividade é permitida ou proibida pela legislação. As regras internacionais preveem que, quando há uma transação econômica voluntária entre comprador e vendedor, ela pode entrar nas contas mesmo que o bem ou serviço comercializado seja ilegal. É o caso da compra e venda de drogas: embora a produção e o comércio sejam proibidos, existe uma transação de mercado entre quem vende e quem compra. Segundo os manuais internacionais consultados pelo IBGE, como o System of National Accounts (SNA), publicado pela ONU, e o "Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments", deixar essas operações completamente fora das contas pode produzir distorções em outras partes das estatísticas. Um exemplo é o cálculo da poupança das famílias. Se uma família gasta dinheiro na compra de um produto ilegal e esse gasto não é registrado, as contas podem dar a impressão de que aquele dinheiro permaneceu com a família. Na prática, ele foi gasto. O resultado é uma possível superestimativa da poupança e uma inconsistência entre as diferentes contas econômicas. 🔎 No caso do Brasil, o IBGE informou em nota que incluirá a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB. Entretanto, os materiais internacionais nos quais o instituto se baseia tratam de três tipos de atividades ilícitas: drogas, prostituição e contrabando. Questionado, o IBGE não explicou se levará em consideração somente as drogas ou também as outras duas atividades. Como o IBGE pretende calcular o tamanho desse mercado? O cálculo não parte simplesmente da quantidade de drogas apreendida pela polícia. A metodologia internacional recomenda começar principalmente pelo lado da demanda, ou seja, tentar estimar quanto é consumido. Isso acontece porque é muito difícil observar diretamente a produção e a venda em um mercado ilegal. Produtores e traficantes têm incentivo para esconder suas atividades. Já as informações sobre consumo podem ser obtidas por meio de pesquisas e de outras estatísticas disponíveis. De forma simplificada, a estimativa parte de três elementos: Número de usuários × consumo médio por usuário × preço de venda = estimativa do gasto dos consumidores. A partir daí, o cálculo precisa estimar como esse consumo é abastecido: quanto vem da produção nacional e quanto corresponde a drogas que entram no território brasileiro por meio de importações ilegais. Também é necessário estimar os custos envolvidos na atividade. Isso permite chegar ao chamado Valor Adicionado Bruto (VAB), que mede quanto uma atividade efetivamente acrescenta à economia depois de descontados os bens e serviços utilizados na produção. Agentes do IBGE Reprodução

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central do Brasil (BC) prepara um conjunto de medidas para conter o avanço do endividamento das famílias e estuda limitar a concessão de crédito sem garantia de acordo com a renda de cada cliente. As informações são da Reuters. As propostas também incluem maior responsabilização dos bancos e mais transparência na oferta de crédito. O plano reflete a preocupação das autoridades com o alto nível de endividamento no país. O BC já havia sinalizado que adotaria medidas para tornar mais rigorosa a oferta de crédito sem garantia, incluindo cartões de crédito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a Reuters, as medidas devem ser implementadas e anunciadas gradualmente. Um eventual aumento das exigências de capital dos bancos não deve fazer parte da primeira etapa. O Banco Central informou que não comentaria o assunto. O endividamento também ganhou espaço na disputa eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, colocou em prática novas rodadas de renegociação e perdão de dívidas de famílias e empreendedores. Já Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, caso seja eleito, criar um programa de compra de débitos pelo governo e congelar temporariamente dívidas. Agora no g1 O endividamento das famílias chegou, em julho, a 49,9% da renda acumulada em 12 meses, patamar historicamente alto, segundo o BC. Já a Serasa apontou um recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes. A expansão dos serviços bancários digitais facilitou o acesso ao crédito e reduziu custos para consumidores e instituições financeiras nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a rapidez na oferta, aprovação e liberação de empréstimos aumentou a preocupação com os critérios usados para conceder crédito. Uma das propostas prevê que os bancos avaliem com mais rigor a situação financeira e o perfil do cliente antes de conceder crédito. Também estão em estudo regras para apresentar de forma mais clara as informações sobre custos e condições da operação antes da contratação, segundo uma das fontes. O BC também analisa regras adotadas em outros países, entre eles Cingapura, cujo modelo é visto como uma referência nas discussões, segundo a fonte. Em Cingapura, o limite de crédito sem garantia, incluindo cartão de crédito, equivale a até dois meses de salário para quem ganha até 30 mil dólares de Cingapura por ano. Para pessoas com renda anual entre 30 mil e 120 mil dólares de Cingapura, o limite sobe para quatro meses de salário. Acima desse patamar, essa restrição não se aplica. Cingapura também adota critérios de renda ou patrimônio para a concessão de cartões de crédito. A Reuters informou, ainda, que as medidas em estudo levam em conta dois princípios adotados no mercado financeiro: capacidade de pagamento (affordability) e adequação do crédito ao perfil do cliente (suitability). Na prática, os bancos teriam de avaliar se o cliente consegue pagar as parcelas sem comprometer excessivamente sua renda e se o crédito oferecido é adequado ao seu perfil e às suas necessidades.

As preocupações que levaram a OpenAI, do ChatGPT, a abandonar lançamento de novo sistema de IA Andrej Ivanov/AFP via Getty Images A OpenAI informou que dois de seus agentes de inteligência artificial (IA) enfraqueceram sistemas de segurança usados pela empresa para monitorar as ações dos próprios modelos. Os casos ocorreram durante tarefas internas de programação. Esse é o caso mais recente de agentes de IA que agiram de maneiras não previstas por seus desenvolvedores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Embora a empresa responsável pelo ChatGPT tenha afirmado que os incidentes ocorreram durante tarefas internas de programação e não foram classificados entre os casos mais graves, os episódios mostram que até os sistemas criados para detectar comportamentos inadequados da IA podem sofrer interferência dos próprios agentes que monitoram. A revelação ocorre em meio a preocupações crescentes de que os avanços na segurança da IA não acompanhem o ritmo de desenvolvimento de sistemas cada vez mais poderosos. Pesquisadores têm alertado que agentes avançados podem se tornar mais difíceis de monitorar e controlar à medida que ganham autonomia. Agora no g1 Empresas como OpenAI e Anthropic, rivais que se preparam para abrir o capital, revelaram nos últimos meses casos em que agentes de IA acessaram sistemas externos sem autorização. Em 3 de outubro, um agente GPT-6.1 Sol que realizava um teste interno desativou alertas automáticos de segurança após interpretar que uma instrução anterior para não enviar mensagens pelo Slack também se aplicava às notificações de segurança, segundo a OpenAI. Em outro episódio, em 6 de outubro, um agente GPT-6 Astra removeu um mecanismo de monitoramento de segurança enquanto copiava um código existente e depois afirmou, incorretamente, que não havia feito isso, segundo a OpenAI. “Em ambos os casos, os agentes avaliaram se os mecanismos de monitoramento deveriam ser mantidos, mas interpretaram instruções rotineiras de programação como permissão para enfraquecê-los”, afirmou a empresa. A OpenAI afirmou que está adotando medidas para dificultar que os modelos desativem os mecanismos de monitoramento, mas admitiu que “ainda não tem uma explicação satisfatória para esse comportamento”. A empresa também está investigando se seus modelos podem ter uma tendência a evitar o monitoramento e buscar justificativas para fazer isso.

Musk, Spacex e Tesla REUTERS/Evan Vucci e REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Elon Musk afirmou, na terça-feira (20), que uma possível fusão entre a SpaceX e a Tesla seria “uma boa ideia” e revelou que as duas empresas criaram comitês especiais para discutir a operação. Após as declarações, as ações da SpaceX subiram 8% nas negociações após o fechamento do mercado. A SpaceX também divulgou seu primeiro lucro desde que abriu o capital. O bilionário afirmou esperar que a receita recorrente anual da companhia fique entre US$ 500 bilhões (R$ 2,5 trilhões) e US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) até o fim de 2027, impulsionada pela crescente demanda por capacidade em seus centros de dados com o avanço da inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔎 Receita recorrente anual é uma estimativa de quanto uma empresa pode faturar em um ano com receitas que se repetem regularmente. Musk já havia levantado anteriormente a possibilidade de unir SpaceX e Tesla, citando a crescente sobreposição entre os negócios das duas companhias. Agora no g1 As especulações sobre uma possível compra da fabricante de veículos elétricos pela empresa espacial ganharam força recentemente, depois que o Barclays afirmou, na semana passada, que um acordo poderia ser anunciado antes da assembleia anual da Tesla, em dezembro. “Acho que seria uma boa ideia, mas isso realmente depende dos comitês especiais das duas empresas”, disse Musk, na primeira confirmação oficial de que SpaceX e Tesla mantêm conversas formais sobre uma possível fusão. “Como tenho conflito de interesses, não posso participar das discussões dos comitês especiais”, afirmou o bilionário durante uma teleconferência com investidores. Os grupos são formados por conselheiros independentes. Os comitês especiais foram criados a pedido dos acionistas, que também teriam de aprovar uma eventual fusão. A Terafab, empresa criada em conjunto por SpaceX e Tesla para fabricar chips, deve produzir seu primeiro chip de teste entre maio e junho de 2027 e pretende iniciar a produção em larga escala até o terceiro trimestre de 2028, segundo Musk. Musk ressaltou, porém, que ainda é cedo para considerar a fusão como certa. Segundo ele, os comitês especiais ainda não chegaram a um acordo sobre os termos da operação e talvez nunca cheguem. As ações da Tesla subiam 1,8% nas negociações após o fechamento do mercado. Musk, a pessoa mais rica do mundo, detém quase 20% da Tesla e pouco menos de 50% da SpaceX. Segundo analistas, uma fusão lhe daria o controle da empresa resultante. As negociações começaram nas últimas semanas e podem resultar na compra da Tesla pela SpaceX, segundo uma fonte a par das discussões ouvida pela Reuters. A pessoa pediu anonimato por não estar autorizada a falar publicamente sobre o assunto. A Tesla também conta com a assessoria de um banco de investimentos nas negociações. A receita da SpaceX cresceu 161% no terceiro trimestre, para US$ 14,58 bilhões (R$ 73,1 bilhões), na comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita ligada à inteligência artificial aumentou quase dez vezes, para US$ 7,56 bilhões (R$ 37,9 bilhões), impulsionada principalmente pelo aluguel de capacidade de seus centros de dados a empresas como Anthropic, Google, da Alphabet, e Reflection AI, e não por modelos próprios de IA. Os resultados do terceiro trimestre mostram que os investimentos da SpaceX em inteligência artificial já começam a gerar receita, embora os gastos com infraestrutura de computação continuem elevados. Os investimentos da empresa em ativos e infraestrutura quase triplicaram, para US$ 19,6 bilhões (R$ 98,3 bilhões). O avanço da inteligência artificial está mudando o perfil dos negócios da SpaceX, historicamente impulsionados pelo serviço de internet via satélite Starlink. As ambições de longo prazo da empresa também dependem do início das operações regulares dos foguetes Starship.

Motociclista de entrega com mochila da Keeta. Adobe Stock A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) entrou com uma ação civil pública contra a Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A entidade contesta o modelo de “compra intermediada” adotado pela empresa no Brasil. (entenda mais abaixo) A associação pede a suspensão imediata da prática nos restaurantes que não autorizaram sua inclusão no aplicativo, além da proibição desse modelo de operação no país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a ANR, na “compra intermediada”, restaurantes são incluídos no aplicativo da Keeta sem autorização prévia. Quando um cliente faz um pedido, um entregador ou comprador vai ao estabelecimento, compra os produtos no balcão e os leva ao consumidor. “Quando a Keeta coloca uma operação dessa, o vendedor nem sabe o que está acontecendo na operação dele. Os gestores de restaurantes não sabem que uma venda presencial de balcão, na verdade, seria uma venda para a Keeta”, disse Erik Momo, presidente do conselho da ANR, em entrevista à Reuters. Agora no g1 Segundo a ANR, a compra intermediada pode limitar a liberdade comercial dos restaurantes, gerar concorrência desleal e prejudicar a relação dos estabelecimentos com os clientes. “Recorrência é algo fundamental para um restaurante sobreviver. O proprietário tem que ter gestão sobre aquilo que está no cardápio, do item que está vendendo, do preço que está praticando, da qualidade da entrega etc. Se eu, como proprietário, passo tudo para esse intermediário e perco esse controle, estou correndo o risco de meu negócio deixar de existir sem eu saber”, disse Momo. Além de pedir a suspensão da prática, a ANR defende maior diálogo da Keeta com o setor. A entidade cita como exemplo suas parcerias com o iFood, controlado pelo grupo Prosus, e a 99, da chinesa DiDi Global. “Nosso pedido é que eles suspendam essa prática. Ela é prejudicial para o consumidor, porque ele não entende o que está acontecendo, e para o restaurante, porque ele acaba vendendo algo que não estava previsto”, disse Momo. Procurada pela Reuters, a Keeta, que iniciou suas operações no Brasil em 2025, afirmou não ter recebido nenhuma notificação judicial sobre a ação. Sobre a compra intermediada, a empresa afirmou que a ferramenta foi criada em caráter experimental para ampliar as opções de restaurantes disponíveis aos consumidores no aplicativo. Segundo a Keeta, a iniciativa foi desenvolvida em um mercado no qual contratos de exclusividade dificultam a entrada de estabelecimentos em outras plataformas de delivery. "A compra intermediada [é] uma iniciativa desenvolvida especificamente para o Brasil e que opera em conformidade com todas as leis e regulamentações locais aplicáveis", disse a Keeta em nota. A Keeta iniciou suas operações no Brasil em 2025. A 99, da também chinesa DiDi Global, retomou sua atuação no setor de delivery no mesmo ano. Desde então, as duas empresas vêm ampliando suas operações no país, enquanto o iFood segue na liderança do mercado. Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou o aprofundamento das investigações sobre a concorrência no mercado de delivery no Brasil.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (21), com um avanço de 0,17%, cotado a R$ 5,0272. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve queda de 0,86%, aos 206.495 pontos. Com as eleições brasileiras como pano de fundo, investidores aguardam pela divulgação de novas pesquisas eleitorais e avaliaram novos balanços corporativos. A notícia de que o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento das famílias e os preços do petróleo no mercado internacional também seguiram no radar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A temporada de balanços no Brasil começou nesta semana e deve mexer com os mercados financeiros. Analistas indicam que, principalmente nos resultados do setor financeiro, os índices de inadimplência estarão no centro das atenções, principalmente após o rali presidencial. ▶️ Com isso, investidores também seguem atentos ao cenário de crédito, após notícias de que o Banco Central estaria estudando um conjunto de medidas para conter o endividamento das famílias no Brasil. Entre as medidas, estariam a maior transparência dos bancos, a conscientização do consumidor e o limite do crédito autorizado por pessoa de acordo com a renda. ▶️ Além disso, a nova pesquisa Quaest de intenção de votos também fica no foco. O levantamento mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A situação é de empate técnico, com 1 ponto de diferença entre os dois candidatos. A pesquisa também indicou que 44% temem volta da família Bolsonaro ao poder e 42%, mais um mandato de Lula. ▶️ No exterior, destaque para novos dados sobre estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos. O indicador deve trazer novos sinais sobre as condições de oferta e demanda, em meio à volatilidade dos preços da commodity no mercado internacional e diante das tensões ainda elevadas no Oriente Médio. O barril do Brent, referência internacional, recuou 0,04%, cotado a US$ 108,75. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 0,56%, a US$ 97,27 o barril. Na véspera, o petróleo teve a maior cotação em cinco meses. Saiba mais. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,90%; Acumulado do mês: -2,84%; Acumulado do ano: -8,41%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,46% Acumulado do mês: +10,75%; Acumulado do ano: +28,09%. Petróleo volta a ficar no radar As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem influenciando as cotações do petróleo no mercado internacional. Na véspera, o Teerã informou ao comandante do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas. As falas reforçam o endurecimento da postura do país em relação às tratativas com os EUA, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor. Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que cumpra as sete condições apresentadas pelo país no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra. As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais. As tensões continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo. Na véspera, o barril do Brent chegou a superar os US$ 111, no maior nível em cinco meses. Desde o início do conflito, no entanto, os países tem buscado rotas alternativas no Golfo Pérsico, em uma tentativa de mitigar o impacto do conflito. Segundo o presidente do grupo HSBC, Georges Elhedery, esse investimento pode até tornar o Estreito de Ormuz "desnecessário" nos próximos cinco anos. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices acionários da região operam em alta nesta quarta-feira, depois que os resultados trimestrais da SpaceX e da Super Micro Computer aumentaram o apetite por ações do setor de inteligência artificial. Perto das 10h50, o Dow Jones tinha subia 0,20%, enquanto o S&P 500 avançava 0,22% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,68%. O dia também foi positivo na Europa, com ações impulsionadas por balanços corporativos. o índice pan-europeu STOXX 600 teve alta de 0,91%, aos 644,47 pontos. Entre os mercados da região, o DAX, da Alemanha, avançou 1,35%, enquanto o CAC-40, da França, teve valorização de 1,06%, aos 7.921,68 pontos e o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,19%, aos 10.752,88 pontos. Na Ásia, as bolsas fecharam mistas nesta quarta-feira, em meio a esperanças cada vez menores de que o governo chinês faça um grande estímulo para impulsionar gastos. Balanços corporativos também ficaram no radar. O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 0,6%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,0%. No Japão, o Nikkei avançou 0,85%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,29%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,90%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Anthropic Reuters A Anthropic registrou prejuízo de US$ 80,7 bilhões (R$ 404,6 bilhões) no primeiro semestre de 2026, valor equivalente a mais de seis vezes o registrado no mesmo período do ano passado, de US$ 13 bilhões (R$ 65,2 bilhões). A piora do resultado se deve, em grande parte, a um efeito contábil ligado a títulos que podem ser convertidos em ações da startup de inteligência artificial (IA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Esse efeito gerou uma despesa de US$ 72 bilhões (R$ 361 bilhões), segundo uma versão preliminar do prospecto da empresa, documento preparado para a abertura de capital, analisado pela Reuters. A despesa não corresponde a dinheiro gasto nas operações da empresa, segundo o documento. 🔎 Na prática, esses títulos dão aos investidores o direito de transformá-los em ações da Anthropic. Com o aumento do valor estimado desses papéis, a empresa teve de registrar uma despesa maior em seu balanço, embora isso não represente uma saída equivalente de dinheiro do caixa. Agora no g1 A empresa, sediada em San Francisco, deve abrir o capital em novembro. Após a divulgação dos números mais recentes, alguns investidores passaram a avaliar a Anthropic em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões), abaixo das estimativas anteriores, segundo informações da Reuters. Os números evidenciam os altos custos da corrida pela inteligência artificial, em um momento em que investidores questionam se os bilhões gastos em chips e centros de dados trarão retorno suficiente. A Anthropic se comprometeu a gastar pelo menos US$ 518 bilhões (R$ 2,6 trilhões) ao longo de dez anos em serviços de nuvem, computação e infraestrutura. Só no primeiro semestre, a empresa gastou quase US$ 9 bilhões (R$ 45,1 bilhões) em recursos de computação e infraestrutura, ante US$ 2,3 bilhões (R$ 11,5 bilhões) no mesmo período do ano anterior, segundo o documento. A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters.

O desemprego no Chile atingiu o nível recorde de 9,6%, o maior em mais de cinco anos AFP via Getty Images Falando para um grupo de empresários cristãos reunidos em um pequeno auditório, o ministro da Fazenda do Chile, Jaime Quiroz, pediu que eles evitassem o pessimismo. Para isso, ele usou citações da Bíblia e também alguns números. A mensagem era dirigida àqueles que o conhecem há muitos anos. Quiroz desenvolveu toda a sua carreira profissional como empresário no setor privado. "Não percam a calma, nem se desesperem", declarou ele em Santiago no início de outubro, após a publicação de uma série de indicadores fracos sobre a economia chilena. Agora no g1 Os investimentos produtivos, privados e públicos, apresentaram crescimento nulo no segundo trimestre deste ano, principalmente devido à queda da construção civil. O desemprego atingiu o nível recorde de 9,6%, o maior em mais de cinco anos. E a demanda interna apresentou crescimento praticamente nulo. O custo de vida no país aumentou em julho para 4,1%, com base nos últimos 12 meses. A alta foi impulsionada, em grande parte, pelo forte aumento do preço dos combustíveis. O Chile importa quase todo o petróleo que consome. Já a mineração sofreu redução drástica. O país é o maior exportador de cobre do mundo. Tudo isso ocorre no contexto de um plano de austeridade fiscal implementado pelo governo do presidente José Antonio Kast, de direita radical. Ele chegou ao poder em março, com a promessa de reativar os investimentos e o emprego. Agora, ele enfrenta um nível de desaprovação de mais de 60%, segundo pesquisas locais. A paralisação econômica ficou em evidência devido à queda do PIB chileno em 0,5%, no primeiro trimestre do ano, e de 0,2% no segundo, em comparação com os mesmos períodos do ano passado. Esta é a maior retração da economia do Chile desde a pandemia de covid-19. O primeiro semestre de 2026 registrou a maior queda da economia chilena desde a pandemia de covid-19 Bloomberg via Getty Images O impacto dos preços dos combustíveis Poucos dias depois do início da guerra no Irã, Kast assumiu a Presidência no Chile com sua própria motosserra, a fim de reduzir os gastos fiscais e levar adiante um plano de austeridade econômica que deveria impulsionar o crescimento da economia do país. Mas o conflito no Oriente Médio fez o preço do barril de petróleo disparar. Enquanto a maioria dos países procurava uma forma de controlar a situação, o governo chileno tomou a decisão de não intervir, deixando o custo dos combustíveis subir de acordo com o mercado. Este episódio ficou conhecido como bencinazo ("gasolinaço", em português), causando manifestações nas ruas e indignação entre muitos cidadãos chilenos. Com a transferência do choque petrolífero para os consumidores, o preço dos combustíveis não afetou apenas o bolso das famílias mais vulneráveis e das pequenas empresas. A alta também foi amplificada em efeito cascata e transmitida para o restante da economia, causando aumento da inflação. O preço dos combustíveis no Chile disparou em 2026 Getty Images O governo que havia acabado de tomar posse tomou esta decisão considerando que "o custo fiscal de compensar a alta dos preços era excessivo e ameaçava debilitar seus esforços para reduzir o déficit fiscal", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o principal economista para as Américas do centro de estudos Economist Intelligence Unit, Nicolás Saldías. "O custo político para o governo foi muito elevado, pois a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou", explica ele. Esta decisão "afetou a confiança dos consumidores", segundo Joan Domene, economista-chefe para a América Latina da consultoria Oxford Economics. O preço médio que os consumidores pagam pela gasolina na bomba, calculado com base na Região Metropolitana de Santiago (a mais povoada do país), aumentou em cerca de 30% desde os dias anteriores ao início da guerra no Irã até meados de outubro. Já o preço do diesel aumentou em mais de 40%. Os especialistas concordam que, no próximo ano, poderá haver leve desaceleração dos preços globais da energia, embora marginal. Esta projeção é atualizada constantemente. Mas, se este cenário se mantiver e não surgirem novos contratempos, é possível que surja "uma tendência para a recuperação da economia já no primeiro trimestre do ano que vem", segundo Domene. O preço dos combustíveis no Chile disparou em 2026 Getty Images A queda da produção mineral A mineração, especialmente de cobre, é o principal produto de exportação do Chile e um dos setores mais importantes para o crescimento econômico do país. Por isso, a queda da mineração em agosto foi tão negativa. O índice de redução foi de cerca de 17,4%, em termos anuais. Esta queda levou a atividade mineradora chilena ao seu nível mais baixo das últimas três décadas. O mês de agosto marcou o nível mínimo, mas a baixa produção de cobre vinha apresentando tendência negativa ao longo do ano. Acrescente-se a isso as interrupções operacionais nas minas e condições climáticas muito adversas, em julho e agosto. No momento, as projeções indicam que a produção mineradora deverá aumentar no próximo ano, colaborando para a reativação econômica do país. Mas uma das preocupações do setor é que a concentração de cobre nas rochas diminuiu, elevando os custos de produção e gerando incertezas. A drástica queda da mineração em agosto levou o Banco Central chileno a reduzir as projeções de crescimento econômico deste ano, para o nível de 0,25% a 0,75%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também reduziu sua estimativa para 0,6%. Se as estimativas se concretizarem, o Chile será um dos países com menor crescimento da América Latina em 2026. O único país com prognóstico inferior na região é a Bolívia. A percepção econômica dos consumidores chilenos se deteriorou, segundo o Índice de Percepção da Economia (Ipec) de setembro Bloomberg via Getty Images Austeridade fiscal Parte do debate no Chile se concentra em saber se a paralisação econômica é transitória ou se irá se prolongar ao longo do tempo. Desde que Kast assumiu o poder, um dos seus principais focos no setor econômico tem sido a austeridade fiscal. Suas medidas incluíram o corte de 3% do orçamento de todos os ministérios, uma controversa redução ou fechamento de programas considerados "ineficientes" pelo governo e a redução dos investimentos públicos diretos. Neste sentido, Nicolás Saldías destaca que as políticas fiscais do governo chileno "também estão reduzindo o crescimento econômico". O governo conseguiu reduzir o déficit, em parte, graças à redução dos gastos públicos, o que diminui a demanda da economia, segundo o economista. Com a bandeira do ajuste fiscal nas mãos, o governo chileno apresentou a chamada "megarreforma", um pacote de medidas propostas para o Congresso. Elas foram apresentadas como estímulo ao crescimento econômico e aos investimentos. Basicamente, o pacote inclui uma reforma tributária que, entre outros pontos, reduz progressivamente os impostos para as empresas, de 27% para cerca de 23%, e garante invariabilidade tributária a longo prazo para os grandes investimentos. O Congresso aprovou a megarreforma, que foi sancionada pelo presidente Kast no início de outubro, após árduos debates. A questão é se a redução de impostos corporativos e os outros incentivos para investimentos produzirão crescimento e empregos em níveis suficientes para compensar a queda da arrecadação fiscal. Enquanto as medidas começam a ser implementadas e à luz dos indicadores existentes no momento, Joan Domene defende que o próximo ano deve trazer "uma reversão de muitos dos fatores causadores de incertezas". O economista para a América Latina da Bloomberg Intelligence, Felipe Hernández, é da mesma opinião. Para ele, se as reformas forem implementadas e cumprirem efetivamente as previsões do governo, como esperam as empresas, "poderemos começar a observar efeitos positivos na economia no próximo ano". As previsões indicam melhoria da situação econômica chilena em 2027 AFP via Getty Images Dificuldades para a população Atualmente, o Congresso chileno está discutindo a Lei Orçamentária para 2027. Ela contempla um crescimento real dos gastos públicos de apenas 1,5%, um objetivo considerado austero em comparação com os governos anteriores. A oposição vem questionando duramente este projeto. Ela denuncia que a proposta afeta dezenas de programas sociais que beneficiam pessoas vulneráveis, mas que o governo considera que não atingem os seus objetivos. Em meio a esta situação, grande parte da população está frustrada com o desempenho econômico do país, segundo as pesquisas. Com a alta da inflação e o desemprego em máximos históricos, muitos cidadãos enfrentam dificuldades na sua vida diária. O consumo geral das famílias chilenas cresce lentamente e o Índice de Vendas de Supermercados fechou agosto em queda de 1,2% nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. Algumas semanas atrás, o governo anunciou um plano de emprego de cerca de US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,5 trilhões). O objetivo é criar mais de 100 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, acelerando obras públicas e oferecendo subsídios às empresas, para incentivar contratações. Este tipo de plano não fazia parte da política de austeridade adotada pelo governo chileno, quando assumiu o poder em março. Mas, frente às circunstâncias, se o anúncio for cumprido, poderá dar oxigênio à economia do país.