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g1 > Economia

Terremoto afeta exportações de café da Colômbia e ameaça embarques internacionais

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) interrompeu parte da logística de exportação de café do país e trouxe novas preocupações para o mercado internacional de uma das bebidas mais consumidas do mundo. A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, e tem papel importante no fornecimento de café arábica lavado, uma variedade valorizada por grandes compradores internacionais. O país também exporta a maior parte de sua produção. AO VIVO: Acompanhe as últimas atualizações sobre o terremoto na Colômbia Eles produziram cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 e exportaram aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025. ☕ A Colômbia tem uma longa tradição na produção de café, que se tornou parte da identidade do país e até rendeu aos produtores o apelido de “cafeteros”. Durante décadas o país manteve uma espécie de rivalidade no mercado com o Brasil para saber quem tem o "melhor café". Enquanto os colombianos se especializaram em cafés de maior qualidade e valor agregado, o Brasil se consolidou pela escala e pela variedade, produzindo tanto arábica quanto conilon. O impacto do terremoto, portanto, não se limita às regiões atingidas pelo desastre. Bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam o interior do país ao porto de Buenaventura, no Pacífico, dificultam a saída do café colombiano para o exterior e podem provocar atrasos nas entregas caso a situação se prolongue. Imagens mostram destruição na área rural colombiana AgroLatam.com ➡️ A situação preocupa o mercado internacional pois além de a Colômbia ser uma das principais produtoras de café no mundo a situação se soma aos estoques globais baixos e a preocupação com os efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial. Essa preocupação já aparece nas cotações internacionais. Na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou a cerca de US$ 3,34 por libra-peso. A alta ocorreu em meio às preocupações com a oferta global, incluindo os possíveis impactos do terremoto sobre as exportações de café da Colômbia. 🔍 Por que a Bolsa de Nova York importa? O café é uma commodity, uma matéria-prima negociada no mercado internacional. A Bolsa de Nova York é uma das principais referências para o preço do café arábica. A cotação serve de parâmetro para negociações entre produtores, exportadores e compradores. Por isso, altas ou quedas podem influenciar o custo do café em diferentes países. O preço no supermercado, porém, também depende de câmbio, impostos e outros custos. A dimensão do problema aparece justamente na importância de Buenaventura para a cadeia. Em entrevista ao jornal local El Colombiano, o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), Gustavo Gómez afirmou que mais de 60% das exportações colombianas do grão passam pelo porto. Com as estradas bloqueadas, os exportadores não conseguem transportar normalmente a carga do interior até o terminal. Gómez afirmou que a estrada para Buenaventura não está habilitada para veículos de comércio exterior, incluindo aqueles destinados à exportação e importação. “Eu não posso, neste momento, levar carga até o porto de Buenaventura a partir do interior do país”, disse o dirigente. Café fica preso entre produção e exportação O problema não está concentrado apenas no acesso ao porto. O terremoto atingiu uma região que reúne parte importante da estrutura de processamento do café colombiano. Segundo Gómez, muitos exportadores mantêm instalações em Manizales, Pereira e Armenia, no chamado Eixo Cafeeiro, além de Cartago, no departamento de Valle del Cauca. Na prática, isso cria um gargalo em diferentes etapas da cadeia: o café pode ser produzido, processado e estar pronto para embarque, mas não consegue chegar ao porto. Até regiões produtoras que sofreram menos danos com o terremoto enfrentam dificuldades para transportar a produção. Huila, Tolima, Cauca e Nariño, por exemplo, também registram problemas para encontrar caminhões que levem o café até portos alternativos. Mais de 1.000 contêineres podem ficar represados Ainda não existe uma estimativa oficial de quanto café está efetivamente parado por causa da interrupção. A Asoexport, porém, calculou o possível impacto de uma semana de restrições. A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de café por mês. Em uma divisão aproximada por semanas, isso representa cerca de 250 mil sacas. Se as restrições persistirem durante uma semana, esse fluxo poderia equivaler a mais de 600 veículos e mais de 1.000 contêineres represados, segundo a associação. O número é uma projeção para dimensionar o gargalo e não significa que 250 mil sacas já estejam paradas. A dificuldade de retirar o café processado também começa a afetar as próprias empresas exportadoras. Sem espaço e transporte suficientes para escoar o produto, o setor pode reduzir o ritmo de processamento. Isso cria um efeito que chega aos produtores. Segundo Gómez, se a situação persistir, a dificuldade logística pode prejudicar também a compra de café dos agricultores. “As operações estão muito paradas, quase paralisadas, e isso pode prejudicar a compra de café”, afirmou. Setor tenta desviar café para outros portos Com Buenaventura comprometido, os exportadores passaram a avaliar alternativas na costa do Caribe. Entre as opções estão Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Segundo a Asoexport, operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais. A mudança de rota, porém, não resolve sozinha o problema. É preciso levar o café das regiões produtoras e das unidades de processamento até os portos do Caribe, e a falta de caminhões se tornou outro obstáculo. Além disso, algumas das próprias rotas alternativas estão afetadas por deslizamentos e bloqueios. Entre os caminhos atingidos está a rota Letras-Fresno-Manizales, utilizada para o transporte de cargas. Situação dos cafezais na colômbia AgroLatam.com A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte. A estratégia é utilizar os portos do Caribe enquanto necessário e retomar gradualmente as operações por Buenaventura quando as condições permitirem. Produtores também sofreram danos Enquanto os exportadores tentam manter o café em circulação, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) realiza levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras. A entidade informou que famílias cafeicultoras de Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío tiveram impactos em casas, propriedades e infraestrutura rural. No Quindío, um dos principais departamentos do Eixo Cafeeiro, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas no levantamento inicial. José Martín Vásquez Arenas, diretor-executivo do Comitê de Cafeicultores do Quindío, afirmou em pronunciamento divulgado nas redes sociais que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar a situação das propriedades. O levantamento busca dimensionar os danos e orientar a destinação de recursos para a recuperação das famílias. A instituição também pretende garantir a continuidade da assistência técnica e da compra do café produzido na região. O trabalho encontrou ainda danos estruturais em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola de Filandia, Buenavista e Montenegro. As unidades foram fechadas preventivamente para avaliação das condições de segurança e infraestrutura. As demais unidades do departamento voltaram a funcionar nesta quarta-feira (12), segundo o Comitê de Cafeicultores do Quindío. Vásquez Arenas afirmou que a cafeicultura local já enfrentou outras situações adversas e que as famílias continuarão sendo acompanhadas. “A cafeicultura do Quindío demonstrou historicamente sua resiliência diante das adversidades, por isso não deixaremos nossas famílias cafeicultoras sozinhas”, disse. Problema pode chegar aos compradores internacionais O impacto da interrupção logística não termina na Colômbia. Se o café não consegue chegar aos portos, os exportadores podem ter dificuldade para cumprir os prazos acordados com compradores internacionais. ➡️A Asoexport afirma que os clientes no exterior estão sendo informados sobre a situação para evitar que eventuais atrasos sejam interpretados como problemas comerciais ou de produção das empresas. Ainda não há uma previsão definitiva para a normalização das exportações. O prazo dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade de utilização das rotas alternativas.
12/08/2026 16:19:19 +00:00
Trump é processado por plano de vender acesso antecipado a posts do Truth Social

Trump admite que fez voo secreto O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi processado por duas organizações de mídia, divulgou a Bloomberg. O motivo foi o plano da Trump Media & Technology Group, empresa controladora da rede social Truth Social, de vender acesso antecipado às publicações de Trump na plataforma. O The Intercept, organização de notícias, e a Freedom of the Press Foundation, entidade sem fins lucrativos voltada à defesa da liberdade de imprensa, entraram com uma ação na Justiça de Nova York nesta quarta-feira (12) para tentar impedir o plano. Trump quer vender milissegundos de vantagem a investidores; entenda por que isso vale milhões As organizações classificaram a iniciativa como “extraordinária, corrupta e inconstitucional”. No mês passado, a empresa anunciou que passaria a cobrar pelo acesso mais rápido às publicações de Trump no Truth Social que podem influenciar os mercados financeiros. A decisão provocou críticas de democratas e também incomodou alguns defensores do livre mercado em Wall Street. Donald Trump fala com jornalistas em 11 de agosto de 2026 Kylie Cooper/Reuters O produto, chamado Truth API, custa entre US$ 60 mil (R$ 310,8 mil) e US$ 100 mil (R$ 518 mil) por mês. Trump é o maior acionista da Trump Media. Sua participação na empresa, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,18 bilhões), está em um fundo administrado por seu filho mais velho, Donald Trump Jr.
12/08/2026 15:42:35 +00:00
Ex-CEO da Disney e empresário compram Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões

Bob Iger, ex-CEO da Disney Reuters O empresário americano Josh Kushner e Bob Iger, ex-CEO da Disney, estão comprando o Los Angeles Lakers, uma das equipes mais tradicionais e populares da NBA, principal liga de basquete dos Estados Unidos, por mais de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,5 bilhões). O negócio deve estabelecer um novo recorde para a venda de uma equipe esportiva. As informações foram divulgadas primeiro pela ESPN nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Kushner é cofundador e sócio-gerente da empresa de investimentos Thrive Capital. Já Iger comandou a Disney e deixou o cargo de CEO da companhia neste ano. Os dois eram interessados no processo de expansão da NBA para Las Vegas, mas mudaram de estratégia e passaram a negociar a compra dos Lakers. A dupla vai adquirir o controle da equipe do empresário Mark Walter, que havia comprado a participação majoritária dos Lakers da família Buss por US$ 10 bilhões (cerca de R$ 49,2 bilhões), em 2025. Agora no g1 "Como fãs de longa data da NBA, estamos profundamente honrados com a oportunidade de assumir a responsabilidade pelo Los Angeles Lakers, uma das franquias esportivas mais icônicas do mundo", disseram Iger e Kushner em comunicado. Os novos proprietários afirmaram que pretendem manter a equipe competitiva e preservar o legado construído pela família Buss. Walter, por sua vez, afirmou que ser dono dos Lakers foi uma das maiores honras de sua vida. Ele também disse que deixará a equipe confiante de que "o melhor ainda está por vir". Josh Kushner é irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. Ele é cofundador da Thrive Capital, empresa de investimentos que atua principalmente no setor de tecnologia. Bob Iger ficou conhecido por comandar a Disney e deixou o cargo de CEO da empresa neste ano. Em 2024, ele e a esposa, Willow Bay, também compraram o controle do Angel City FC, equipe de futebol feminino de Los Angeles. Uma das franquias mais valiosas do esporte LeBron James, do Los Angeles Lakers, arremessa a bola contra Jabari Smith Jr. e Amen Thompson, do Houston Rockets, durante o segundo tempo do jogo 1 da primeira rodada dos playoffs da NBA de 2026, na Crypto.com Arena Kirby Lee-Imagn Images/Reuters O Los Angeles Lakers foi fundado em 1947 e é uma das equipes mais tradicionais da NBA. O time chegou 32 vezes às finais e conquistou 17 títulos, empatado com o Boston Celtics como maior campeão da liga. A franquia foi comprada originalmente por Jerry Buss em 1979, por US$ 67,5 milhões. A negociação também incluía o The Forum, arena localizada em Inglewood, na Califórnia, e o Los Angeles Kings, equipe da NHL. O valor da nova negociação — superior a US$ 12 bilhões — mostra a forte valorização das franquias esportivas nos EUA, que pode beneficiar outras equipes da NBA *Com informações da Reuters e Bloomberg
12/08/2026 15:22:09 +00:00
Discord: o que é a rede social que terá transmissões ao vivo suspensas no Brasil após decisão da ANPD

Agência Nacional de Proteção de Dados determina que Discord suspenda transmissão de 'lives' no Brasil A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), que o Discord suspenda as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil. A medida preventiva estabelece prazo de três dias úteis para que a empresa cumpra a decisão. A suspensão será mantida até que o Discord comprove ter adotado medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Veja mais abaixo como a plataforma funciona: Mas, afinal, o que é o Discord? O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. No Brasil, a rede social diz que só permite acesso para adolescentes a partir dos 13 anos. O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvido com esse propósito. Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy criaram a plataforma em 2015 em busca de uma “maneira confiável de conversar enquanto jogavam on-line”. Por meio de transmissões ao vivo de vídeos, os usuários assistem, participam dos jogos e fazem comentários. "O Discord é uma experiência multimídia. Você pode usá-lo para transmitir vídeos, jogar jogos de tabuleiro a distância, ouvir música em grupo e, simplesmente, passar tempo juntos", descreve a revista norte-americana de tecnologia Wired. Vale destacar que, apesar de ser difundido pelo público adolescente, o Discord também é usado para trabalhar e fazer cursos, por exemplo. Segundo a Wired, a plataforma conquistou ainda mais usuários durante a pandemia, momento em que conseguiu alcançar grupos além dos gamers. Em 2025, o Discord tinha 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line, segundo o próprio aplicativo. O Discord é pago? A versão básica do Discord é gratuita, mas a plataforma oferece planos pagos, chamados de “Nitro”. Eles incluem vantagens como a criação de emojis personalizados e o envio de arquivos maiores. Entenda a suspensão pela ANPD A pressão sobre o Discord aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a jovem teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos da plataforma. O caso levou órgãos do governo a questionar os mecanismos de verificação de idade, moderação de conteúdo e proteção de crianças e adolescentes adotados pelo Discord. Na semana passada, a ANPD abriu um processo para investigar possíveis falhas da empresa. Ao mesmo tempo, a Advocacia-Geral da União (AGU) passou a negociar com a plataforma medidas para reforçar a segurança de menores. A discussão ganhou ainda mais repercussão após a primeira-dama Janja da Silva defender o bloqueio do Discord no Brasil e cobrar providências do governo. Após reuniões com autoridades brasileiras, a empresa apresentou uma proposta com medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Falhas na moderação de conteúdo e proteção a menores O Discord também esteve no centro de outros casos envolvendo menores. Nos últimos anos, agressores têm se aproveitado das transmissões de vídeo ao vivo da plataforma para, por exemplo, chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de terem fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023. A plataforma também se tornou um ponto de encontro para propagadores de narrativas de contracultura, como o movimento incel (celibatário involuntário), além de grupos de hackers e investidores em criptomoedas. O caso mais recente envolve uma empresária suspeita de torturar e matar animais para vender vídeos na plataforma. Segundo as investigações da Polícia Civil de São Paulo, ela gravava as agressões e comercializava as imagens para pessoas de países europeus. A mulher foi presa durante uma operação policial, mas acabou sendo liberada horas depois. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, explica que o Discord é um ambiente propício para esse tipo de situação por uma combinação de fatores: foi criado para o público gamer, por isso, é muito conhecido pelos jovens; permite formar grupos privados com facilidade, ao contrário de redes sociais que priorizam conteúdos públicos; a moderação é descentralizada. São os criadores das comunidades que fazem a maioria da moderação dos usuários e das mensagens de cada comunidade, dificultando o controle. 'Central da Família' Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta "Central da Família" (ou "Family Center", em inglês), que permite que responsáveis sejam informados sobre parte das atividades de seus filhos na plataforma. A ferramenta permite que os responsáveis saibam com quais usuários seu filho adolescente está conversando e de quais comunidades do Discord ele participa. No entanto, eles não podem ver o conteúdo dessas conversas. A empresa orienta que a ativação da Central da Família seja feita junto com o filho adolescente, já que a atividade da conta não será compartilhada sem a aprovação dele. Veja o passo a passo: Para ativar a ferramenta, é necessário que você tenha o aplicativo Discord no celular. No aplicativo, você vai acessar a opção "Central da Família", que pode ser encontrada em "Configurações do usuário". Então, clique em "ativar Central da Família". Nessa etapa, o adolescente vai precisar fornecer a você o código QR que será gerado no aplicativo dele. Ele fica disponível na guia da "Central da Família", na opção "Conectar com o pai". Você deve escanear o código fornecido pelo seu filho com seu aplicativo Discord. Depois que o adolescente aceitar a conexão, os dois terão acesso total à Central da Família. Rede sem lei: no Discord, criminosos violentam e humilham meninas menores de idade
12/08/2026 14:29:46 +00:00
CNJ e BC firmam parceria para criar sistema de rastreamento para compra e venda de precatórios

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central (BC) firmaram nesta quarta-feira (12) um convênio que cria um grupo de trabalho para desenvolver uma sistemática nacional de registro e rastreamento das transferências de créditos de precatórios (sentenças judiciais). O acordo foi formalizado por meio da assinatura de uma portaria conjunta pelo presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cerimônia em Brasília. RELEMBRE: PF investiga suspeita de liberação irregular de precatórios e repasse dos créditos a fundos de investimento O objetivo é criar uma estrutura que permita registrar a venda de direitos precatórios para aumentar segurança, facilitar a fiscalização e e evitar fraudes. Dessa forma, será possível acompanhar com mais clareza quem é o dono do crédito em cada etapa da cadeia de negociações (leia mais abaixo). Agora no g1 "A iniciativa decorre da necessidade de aperfeiçoamento da governança nacional da cessão de créditos de precatórios, matéria que, embora tenha natureza negocial privada, produz efeitos sobre crédito judicial submetido ao regime constitucional de pagamento, à ordem cronológica, à disponibilidade de valor líquido, às constrições incidentes e ao controle do tribunal competente", informou o Conselho Nacional de Justiça. Segundo o presidente do CNJ, Edson Fachin, a medida busca proporcionar mais transparência para evitar fraudes e, também, que a venda de direitos precatórios seja usada para acobertar crimes. "Objetivo não é impedir a circulação de créditos, mas garantia que ocorra com transparência, segurança jurídica, rastreabilidade e proteção aos credores, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade", explicou. Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre no STF Gustavo Moreno/STF Sistema unificado O presidente do BC, Gabriel Galípolo, observou que o mercado cumpre função de coordenar preços e permitir que diferentes agentes econômicos reajam à mesma informação. Por isso, um sistema unificado de preços público e acessível proporciona isonomia aos agentes. O grupo de trabalho buscará definir padrões de interoperabilidade entre os sistemas envolvidos, estruturar a integração com cartórios de notas, entidades registradoras e tribunais, e irá formular plano de implantação progressiva da nova estrutura. De acordo com o CNJ, a atuação conjunta se mostra necessária por conta da "complementaridade das competências institucionais". Ao CNJ compete a governança da política judiciária de precatórios, a definição dos padrões vinculados ao Sistema Nacional de Precatórios e Requisições de Pequeno Valor (SisPreq), a rastreabilidade da titularidade judicial do crédito e a disciplina da eficácia da cessão perante os tribunais. Ao Banco Central do Brasil compete, no âmbito de suas atribuições, contribuir para a definição dos requisitos técnicos e operacionais aplicáveis às entidades registradoras e à infraestrutura eletrônica de registro da cadeia de cessões. Foto, Gabriel Galipolo. Nesta terça (9) o Secretário Gabriel Galípolo indicado Diretor Bacen, fala com a imprensa sobre a indicação para diretoria de política monetária do Banco Central TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
12/08/2026 14:25:40 +00:00
Em meio a sanções dos EUA, Irã vai integrar banco criado pelo Brasil e outros países do Brics

Trump diz que Irã quer matá-lo e jornalistas ‘vão junto’, mas não avisa equipe e imprensa O Irã deve se tornar em breve membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco dos Brics, segundo o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati, segundo a Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O NDB é uma instituição financeira multilateral criada pelos países que formaram o grupo original: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acordo para a criação do banco foi assinado em 2014, durante a Cúpula dos Brics em Fortaleza, no Ceará, e a instituição foi oficialmente estabelecida em 2015. A instituição também é uma alternativa às fontes tradicionais de financiamento internacional, como o Banco Mundial. Atualmente, o NDB é presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. Com sede em Xangai, na China, o NDB tem como principal objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento. O banco pode conceder recursos para iniciativas em áreas como transporte, energia, saneamento e outros projetos de desenvolvimento. Por que o Irã quer entrar no banco? Presidente do banco central do Irã, Abdolnaser Hemmati, em Teerã WANA NEWS AGENCY O Irã aderiu oficialmente ao Brics em 2024, durante a expansão do grupo, e desde então vinha demonstrando interesse em também se tornar membro e acionista do NDB. A entrada no banco pode ampliar os canais de financiamento disponíveis para o país, que enfrenta amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e outras restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional. Segundo a Reuters, esse cenário aumenta o interesse de Teerã em buscar alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. Os países do Brics também têm discutido formas de aumentar o uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre seus integrantes. Entrada ocorre em meio a divergências no Brics Cúpula do Brics no Rio de Janeiro em 2025 Eraldo Peres/AP/dpa/picture alliance A aproximação do Irã com o NDB acontece em um momento delicado para o Brics. A expansão do grupo aumentou sua representatividade, mas também tornou mais difícil construir posições comuns sobre conflitos internacionais. Em março deste ano, por exemplo, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel expôs essas diferenças. Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posições mais críticas às retaliações iranianas contra países do Golfo. A falta de consenso impediu que o grupo emitisse uma declaração conjunta sobre o conflito. A situação contrastou com a resposta do Brics à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, em 2025. Na ocasião, quando o Brasil ocupava a presidência rotativa do grupo, os dez países divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques e defendendo o diálogo. Hemmati participa nesta semana de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics, realizada na Índia. O país ocupa neste ano a presidência rotativa do grupo.
12/08/2026 13:14:04 +00:00
Milhares de concurseiros tomam as ruas em nova onda de protestos na Índia; entenda

Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação Milhares de manifestantes no estado de Jharkhand, no leste da Índia, estão realizando marchas até a assembleia legislativa estaudal para exigir uma investigação federal sobre supostas irregularidades em concursos de recrutamento para funcionários públicos, o cancelamento das provas e um processo de contratação mais transparente. A polícia chegou a utilizar canhões de água contra os manifestantes na segunda-feira (11/08), quando eles tentaram romper as barreiras de segurança a caminho da Assembleia Legislativa de Jharkhand. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O confronto marcou uma escalada significativa das tensões entre as autoridades e os manifestantes. O movimento começou em 25 de julho, quando os protestos passaram a ocupar o Estádio Jaipal Singh Munda, na capital estadual, Ranchi. Em cenas semelhantes aos protestos liderados por estudantes do movimento estudantil satírico Cockroach Janta Party (CJP), ou "Partido do Povo das Baratas", que tomaram Nova Déli no mês passado, para exigir a anulação de provas de seleção para universidades, alguns manifestantes também iniciaram uma greve de fome. Rahul Kranti, de 40 anos, candidato a um cargo público e um dos pelo menos seis participantes da greve de fome, foi transferido para a unidade de terapia intensiva após seu estado de saúde se deteriorar. "O futuro da juventude de Jharkhand não será vendido. Vou permanecer em greve de fome, esteja eu no hospital ou no local do protesto", disse Kranti à DW. Ele prometeu manter a mobilização até que o governo cancele os exames da Comissão de Serviço Público do estado de Jharkhand (JPSC), responsável pelos concursos para a administração estadual, e determine uma investigação criminal conduzida pelo Departamento Central de Investigações (CBI), principal agência federal de investigação da Índia. Após horas de negociações no domingo, o governo concordou em suspender o exame contestado da JPSC deste ano, e três membros da comissão renunciaram. Mas os manifestantes afirmam que essas concessões não atendem às suas exigências. Entre elas está o cancelamento do JSSC-CGL, um dos principais concursos para contratação de servidores estaduais em Jharkhand, além da realização de uma investigação federal sobre supostas irregularidades em todo o sistema de recrutamento público do estado. O que desencadeou os protestos em Jharkhand? Pelo menos seis manifestantes estão em greve de fome em Jharkhand ANI News/IMAGO via DW O estopim foi o mais recente exame para o serviço civil da JPSC, que oferecia apenas 103 vagas no governo. Mais de 2 mil candidatos foram aprovados para a etapa seguinte, quando os resultados foram divulgados no início de julho. Pouco depois, começou a circular nas redes sociais a imagem da folha de respostas de um candidato aprovado que teria deixado grande parte da prova em branco, levantando suspeitas de fraude. A polícia prendeu o candidato envolvido no centro da controvérsia, além de outras dez pessoas, e o presidente da comissão renunciou diante da pressão. Mas os manifestantes afirmam que essas medidas não enfrentam o problema estrutural. Quais são as reivindicações dos manifestantes? Devendra Nath Mahto está em greve de fome há nove dias e perdeu mais de 10 quilos. Somnath Sen/ANI via DW Os manifestantes em Jharkhand querem que os resultados do exame sejam anulados e que a prova seja reaplicada. Eles também exigem uma investigação independente, conduzida por juízes aposentados de tribunais superiores de outros estados ou por autoridades federais. Os manifestantes argumentam que uma investigação da polícia estadual não seria capaz de examinar adequadamente acusações envolvendo o próprio sistema de recrutamento de Jharkhand. A Jharkhand Chhatra Sangh (JCS), uma importante organização estudantil do estado, também exige maior transparência na divulgação das folhas de respostas e dos resultados, verificação biométrica dos candidatos, mecanismos mais rigorosos contra vazamentos de provas e responsabilização de autoridades e agências privadas terceirizadas de recrutamento. A organização estudantil também defende que exames suspeitos realizados nos últimos anos sejam investigados e, quando necessário, anulados e reaplicados. "O governo precisa reformar completamente o sistema de recrutamento da JPSC e da JSSC, investigar os responsáveis, colocar na lista negra as agências envolvidas em irregularidades e tornar os futuros exames transparentes e à prova de fraudes", afirmou S Ali, presidente nacional da entidade estudantil, à DW. Os protestos em Ranchi são inspirados pelo movimento estudantil de Déli? A insatisfação com os exames de recrutamento para o serviço público em Jharkhand vem se acumulando há anos ANI Photo via DW O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP, movimento estudantil que ganhou projeção nacional recentemente, encerrar uma mobilização de 36 dias em Nova Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP (o Partido do Povo das Baratas) encerrar sua mobilização de 36 dias em Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O movimento reuniu jovens em greves de fome e acampamentos diante do observatório histórico de Jantar Mantar, na capital indiana, e culminou com a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, anunciou planos de viajar para Jharkhand, enquanto uma delegação do grupo já chegou a Ranchi para apoiar o movimento. Mas o movimento em Jharkhand é mais do que uma simples cópia do CJP. Os protestos são liderados pelo Fórum de Reformas JPSC-JSSC, juntamente com a Frente Revolucionária Democrática de Jharkhand. Entidades estudantis, incluindo a All-India Students Association (AISA) e a All India Students' Federation (AISF), também aderiram à mobilização. Neha Bora, presidente da AISA, visitou os manifestantes em Ranchi. "Seja em Jantar Mantar ou em Ranchi, esses protestos simbolizam a quebra de confiança que os jovens sentem em relação ao sistema", disse Bora à DW. "Eles exigem ser ouvidos, mas também estão pedindo mudanças que possam evitar crises semelhantes no futuro." Jharkhand tem uma longa história de lutas populares relacionadas à terra, à identidade e aos direitos políticos. A analista política Radhika Ramaseshan afirmou que os estudantes claramente se inspiraram nos protestos de Déli, mas também estão recorrendo a essa tradição local. "Jharkhand sem dúvida adotou a estratégia do CJP para chamar atenção para um conjunto diferente de questões que também afetam o futuro dos jovens", disse Ramaseshan à DW. "A diferença é que o alvo dos manifestantes é o governo de coalizão em Ranchi, que, assim como o governo federal, demorou a reagir", acrescentou. O ministro-chefe Hemant Soren afirmou estar aberto ao diálogo, enquanto as autoridades restringiram protestos em um raio de 750 metros da Assembleia Legislativa até 12 de agosto. "A solução para todos os problemas está no diálogo, e não em cassetetes e armas", declarou Soren durante o festival tribal anual de Jharkhand, realizado em Ranchi no domingo. Ele buscou assegurar aos estudantes que os responsáveis pelas supostas irregularidades nos processos de recrutamento serão severamente punidos. O que a juventude de Jharkhand espera do governo estadual? Estudantes protestam em Ranchi há mais de duas semanas Somnath Sen/ANI via DW Os protestos em Déli mostraram que um movimento estudantil organizado nas redes sociais e impulsionado pela indignação com suspeitas de fraude em concursos e exames pode pressionar autoridades e levar a mudanças concretas. Os manifestantes em Jharkhand já conquistaram uma vitória com o cancelamento do exame contestado da JPSC deste ano e a renúncia de três membros da comissão. Mas a juventude da Índia não pretende parar por aí. Os estados de Bihar, Uttar Pradesh e Rajasthan também enfrentaram grandes controvérsias envolvendo exames de recrutamento. O que tem faltado nesses locais é um movimento duradouro capaz de transformar essas queixas em pressão política mais ampla. Por enquanto, e apesar das concessões do governo estadual, os estudantes em Ranchi se recusam a encerrar os protestos. "Estamos esperando para ver o que vai acontecer. Esses exames fraudulentos precisam acabar, mas nossa paciência também está se esgotando", disse Motilal Mahto, um dos manifestantes, à DW.
12/08/2026 13:02:23 +00:00
Dólar sobe, com inflação dos EUA e Oriente Médio no foco; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar passou a subir nesta quarta-feira (12), com um avanço de 0,10% perto das 12h30, cotado a R$ 5,1656. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 0,09% no mesmo horário, aos 167.723 pontos. Investidores repercutem novos dados de inflação dos Estados Unidos e seguem atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O cenário eleitoral brasileiro e as dúvidas sobre o rumo dos juros no país também ficam no radar, após a JP Morgan citar os dois fatores em um relatório divulgado na véspera. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os novos dados de inflação dos EUA são o destaque da sessão. O índice subiu 0,1% em julho, após queda de 0,4% em junho. Em 12 meses, houve uma desaceleração de 3,5% para 3,4%. Os dados vieram em linha com o esperado pelo mercado e ajudam a dar sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros americanos. ▶️ Ainda no exterior, o conflito no Oriente Médio segue no radar. Segundo a Bloomberg, o presidente americano, Donald Trump, reivindicou o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio de petróleo na região. O Irã, no entanto, continua a fazer ataques a navios que transitam pelo canal. As divergências entre os dois países voltam a levantar preocupações sobre a oferta global de petróleo. Perto das 12h30, o barri do Brent, referência internacional, tinha queda de 0,11%, cotado a US$ 88,81. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,08% no mesmo horário, a US$ 83,13 o barril. ▶️ No Brasil, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) fica no centro das atenções. O volume do setor ficou estável em junho em relação a maior e teve uma alta de 2% em comparação ao mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados pelo IBGE e vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,52%; Acumulado do mês: +1,80%; Acumulado do ano: --5,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: --2,77%; Acumulado do mês: --5,77%; Acumulado do ano: +6,86%. Trump reivindica controle de Ormuz Os impasses entre os EUA e o Irã continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, segundo informações da Bloomberg, Trump afirmou que detinha o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global da commodity. A informação, no entanto, foi desmentida por Irã, que continua a fazer ataques intermitentes a navios que transitam pela região. Segundo dados divulgados pela Reuters, o número de embarcações monitoradas no Estreito caiu para oito na terça-feira, o menor nível em uma semana. A queda indica que os navios seguem receosos em cruzar o canal, em meio às tensões e ataques registrados. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Ao mesmo tempo, as negociações entre os dois países para um acordo de paz parecem estar em um impasse. No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários americanos operavam em alta nesta quarta-feira, conforme investidores avaliavam os novos dados de inflação dos EUA e repercutiam balanços corporativos. Perto das 11h, o Dow Jones tinha alta de 0,05% e o S&P 500 subia 0,34%, enquanto o Nasdaq Composite avançava 0,50%. Na Europa, as bolsas de valores operavam mistas, também de olho na inflação americana. No mesmo horário, o DAX, da Alemanha, subia 0,28%, enquanto o CAC-40, da França, tinha queda de 0,29% e o FTSE 100, do Reino Unido, caía 0,15%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em leve alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelos ganhos nos setores de tecnologia e mobiliário, enquanto investidores aguardavam os novos dados de inflação dos EUA. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, avançou 0,3%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,8% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,68%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,83%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
12/08/2026 12:00:31 +00:00
Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais

Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Foto de setengah lima sore Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado pelo aumento das solicitações feitas por produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, em um cenário de crescimento das dívidas e dos custos no setor, informou a Serasa Experian nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também registrou alta na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram contabilizadas 408 solicitações de recuperação judicial. Ainda assim, o total ficou abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2025, quando houve 628 pedidos. Agora no g1 "O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção dos altos custos de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo", afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. Segundo ele, a evolução desse cenário até o fim do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação das dívidas. "Por isso, reforçamos que renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso", afirmou. Mato Grosso concentra maior número de solicitações Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, registrou o maior número de pedidos de recuperação judicial entre os Estados, com 135 registros. Na sequência aparecem Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), também importantes produtores de grãos. Entre as atividades, o cultivo de soja, principal cultura agrícola do país, concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42, segundo a Serasa. Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica cresceram 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 196. Foi o maior avanço anual entre os três perfis analisados. Já os produtores rurais classificados como pessoa física "sem propriedades", categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 60 pedidos. Os pequenos proprietários registraram 44 solicitações, os grandes, 41, e os médios, 37. Ao todo, o segmento de pessoas físicas somou 182 pedidos, uma queda de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.
12/08/2026 11:25:43 +00:00
Austrália cria proteção inédita para entregadores de aplicativo

Motoristas e entregadores por aplicativo na Austrália terão condições mais justas no trabalho Rafael Ben Ari/Avalon/IMAGO Entregadores de alimentos e compras na Austrália receberão pelo menos 31,30 dólares australianos (cerca de 115 reais) por hora e terão seguro contra acidentes durante o trabalho, de acordo com novas regras aprovadas pelo tribunal de relações trabalhistas do país. A remuneração por hora, estabelecida em uma decisão emitida pela Comissão de Trabalho Justo (Fair Work Commission, FWC) nesta terça-feira (12/08), está acima do salário mínimo australiano de 26,44 dólares. A decisão da FWC, que pode servir de precedente para outros países, foi comemorada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes (Transport Workers Union, TWU) como "um momento histórico para a economia de aplicativos na Austrália". O sindicato classificou as novas regras como "um conjunto de padrões pioneiros no mundo". 'Sou meu próprio patrão, mas nunca sei quanto vou ganhar': o retrato de quem vive das entregas por aplicativo Quais direitos e proteções terão os entregadores por aplicativo? A remuneração mínima por hora será paga pelo tempo "ativo", ou seja, o período entre a aceitação de uma entrega e a conclusão do serviço. A decisão, que entra em vigor em 17 de agosto, também exige que as empresas ofereçam um "nível mínimo razoável de cobertura" por seguro contra acidentes pessoais durante o trabalho, sem especificar exatamente qual deve ser o valor dessa cobertura. Os trabalhadores, no entanto, continuarão responsáveis por manter o seguro contra danos a terceiros dos veículos utilizados nas entregas. Sindicatos e trabalhadores na Austrália há muito tempo defendem reformas em benefício dos profissionais que atuam por meio de aplicativos. Até agora, eles não estavam cobertos por muitas das proteções concedidas a outros empregados, já que eram classificados como "prestadores de serviços independentes". As novas regras devem afetar cerca de 250 mil trabalhadores. LEIA TAMBÉM: Café, banheiro e até videogame: a base criada por entregadores que oferece apoio e descanso entre as corridas Agora no g1 ONU avança para proteger trabalhadores de aplicativos A decisão da FWC foi anunciada após a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas, adotar em junho um novo tratado global voltado à garantia de condições dignas de trabalho na economia de aplicativos. Os padrões estabelecidos pelo tratado, o primeiro do gênero em âmbito global, ainda precisam ser ratificados pelos governos de cada nação. Na Austrália, o Parlamento aprovou leis em 2023 e 2024, sob o governo trabalhista de centro-esquerda, que concederam aos trabalhadores de aplicativos mais direitos de negociação sobre remuneração mínima e condições de trabalho.
12/08/2026 10:34:05 +00:00
Os trabalhadores que 'dão adeus à CLT' atrás do sonho de viver fazendo vídeos de IA

Henrique Batista, de 36 anos, deixou o trabalho de entregas para se dedicar a canais dark no YouTube e mentorias Arquivo Pessoal Henrique Batista, de 36 anos, estava cansado de trabalhar entregando hambúrgueres. Ele e a mãe produziam os lanches em casa, em Paraopeba (MG), município com pouco mais de 24 mil habitantes, e Henrique cuidava das entregas de moto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão de mudar de profissão veio há dois anos, depois de um dia de trabalho difícil. "Tomei uma chuva fazendo entrega e falei: 'Não quero mais isso para a minha vida'. Então, peguei pesado. Três meses trabalhando pesado." Henrique havia encontrado um curso do youtuber Peter Jordan sobre como ganhar dinheiro criando canais com a ajuda de inteligência artificial (IA) para a maior plataforma de streaming do mundo. Agora no g1 Ele conta que comprou o curso por cerca de R$ 400 e passou a criar canais dark, também conhecidos como faceless (sem rosto, em inglês), porque quem produz o conteúdo não costuma aparecer nem usar a própria voz. "Vi como uma oportunidade de liberdade financeira", diz Henrique à BBC News Brasil. Com as ferramentas de IA, Henrique passou a fazer os roteiros dos vídeos, as narrações e as imagens. Para ele, é como "ter um funcionário que não gripa, que não tira férias e não dá dor de cabeça". Os temas são variados e acompanham tendências de conteúdos que já fazem sucesso em outros idiomas, como civilizações antigas e contos bíblicos, que ele não conhecia a fundo. É a IA que cuida de tudo. O faturamento — ou monetização, no jargão dos produtores de conteúdo — pode vir da participação na receita de anúncios exibidos nos vídeos. O valor varia conforme fatores como visualizações, perfil e localização da audiência. "Consegui monetizar um canal. Vi que eu poderia viver daquilo. Investi em outro. E deu certo", diz Henrique. Esse tipo de vídeo, feito quase totalmente com IA, virou uma dor de cabeça para o YouTube. Henrique Batista contou que trabalhava com venda e entrega de hambúrgueres antes de se dedicar aos vídeos de IA Arquivo Pessoal Ao mesmo tempo em que o Google, dono da plataforma, estimula e comercializa ferramentas de inteligência artificial, há uma pressão para que deixe de remunerar criadores que publicam conteúdos considerados ruins, pouco autênticos ou mesmo nocivos para os espectadores. Como mostrou a BBC News Brasil em reportagens recentes, há canais dark com milhões de visualizações que exploram a atenção de crianças com imagens hipnotizantes, tratam de saúde na terceira idade com soluções alarmantes e imagens de falsos médicos ou simplesmente divulgam conteúdos com informações falsas ou sem sentido. De acordo com uma pesquisa da empresa de IA Kapwing, 20% do conteúdo exibido para um novo usuário do YouTube é, atualmente, "vídeo de IA de baixa qualidade". Uma outra análise, do jornal New York Times, indicou que, após uma sessão de 15 minutos realizada depois de assistir a um canal infantil, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA. O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, "combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima" e que adota padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens. "Isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil. O Google afirma que todo o conteúdo do YouTube, inclusive o que é gerado por meio de IA, deve seguir as diretrizes da comunidade: "Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real". A empresa acrescenta que adiciona rótulos a conteúdos gerados por IA "para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo". 'Quem faz sucesso é a exceção' A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema Arquivo Pessoal A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado estuda este mercado. Ela diz que as novas tecnologias potencializaram, nos últimos dois anos, uma promessa que já existia no marketing digital: trocar empregos tradicionais por uma rotina mais flexível e lucrativa. "A IA dobra a promessa. Promete ser mais fácil, com menos esforço, que tudo vai acontecer se só deixar a inteligência artificial trabalhar por você", diz Pinheiro-Machado, que é professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema. "A promessa é sempre que você vai ter mais tempo, e isso pega sempre muito forte em pessoas que não têm tempo. É uma promessa muito cruel, sempre voltada a ver os filhos crescerem e a aproveitar a vida." Mas conseguir emplacar na plataforma, porém, não é simples como muitos prometem, porque, para conseguir a sonhada monetização, dá trabalho. O YouTube exige para isso que um canal tenha ao menos 1 mil inscritos e 4 mil horas de conteúdo com exibição pública nos últimos 12 meses. A tecnologia pode facilitar tarefas, como a produção de posts, mas está longe de trazer automaticamente os ganhos prometidos, diz Pinheiro-Machado. "Muitas pessoas vão desistindo. Quem faz sucesso é exceção." A criadora de conteúdo Tai Squinalli, que produz vídeos de música com IA em espanhol, conta que trabalha até 12 horas por dia Arquivo Pessoal Tai Squinalli, de 43 anos, se viu em dificuldade em janeiro deste ano, quando, segundo ela, o YouTube parou de remunerá-la pelos cinco canais dark que ela administrava. "Foi uma onda de desmonetização em massa. Ninguém entendeu muito bem o que aconteceu", conta ela à BBC News Brasil — o YouTube tem dito que não remunera conteúdo considerado inautêntico, que é muitas vezes o caso de vídeos cujo roteiro e imagem foram gerados por IA. Dois meses antes, ela afirmou à reportagem que tinha conseguido seu maior faturamento fazendo isso desde que começou em meados do ano passado: R$ 75 mil em um único mês, dinheiro que usou para se sustentar nos meses sem receber da plataforma. Foi um alento para quem recorreu aos vídeos de IA para ter alguma renda depois que a pousada que ela administrava em Itacaré, na Bahia, fechou na pandemia e ela voltou grávida para Caxias do Sul (RS), onde morava antes. Ela conta que trabalhou por um tempo gravando anúncios de produtos, mas se viu de novo sem emprego quando os clientes começaram a fazer vídeos com IA. "Pensei: 'Meu Deus, mais uma vez tenho que me reinventar." Pagou cerca de R$ 1 mil por um curso sobre canais dark. Depois de seis meses quase sem renda, investiu mais R$ 600 em uma mentoria e passou a criar histórias fictícias em diferentes idiomas. Tai conta que hoje mantém outros canais dark de músicas e também conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, ambos em espanhol e gerados por IA. "Mudei de nicho. Os canais de história perderam a monetização. Foi o nicho mais prejudicado." Ela diz que ganha hoje entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês com os vídeos e que prefere essa rotina a um emprego na sua área de formação, administração de empresas. "Eu gosto dessa liberdade, de não precisar ficar pedindo permissão para fazer as coisas. Ela conta que chega a trabalhar por até 12 horas por dia ou mais, inclusive à noite e aos finais de semana, mas acha que vale a pena. "Apesar de eu trabalhar muito, faço isso produzindo para mim", afirma. "Minha filha me pergunta: 'Mamãe, você nunca tira férias?' Não, mamãe não consegue." 'É um mercado dominado por gurus que são apresentados como os casos de sucesso' Canal Riqueza com IA associa tecnologia à renda extra, mas criador reconhece que nem todos conseguirão monetização Reprodução/YouTube A popularização dos vídeos feitos com IA impulsionou um outro segmento igualmente importante deste mercado: o das pessoas que ensinam a fabricar canais dark, muitas vezes junto com a promessa de que, assim, pode-se faturar alto, sem sair de casa ou ter complicações. Os cursos e mentorias são anunciados como "como fazer vídeos curtos e dizer adeus à CLT" ou "o prompt que vai te deixar milionário". A pesquisa liderada por Rosana Pinheiro-Machado acompanha influenciadores e alunos que participam de cursos sobre marketing digital e IA, no Brasil e em outros países. A pesquisadora aponta que uma das estratégias dos mentores é criar grupos de WhatsApp e listas de email para os alunos e disparar ofertas de métodos exclusivos para usar IA e ganhar dinheiro. "Você fica sendo bombardeado com promoções, com a ideia de dizer que você está perdendo a chance da sua vida", diz Pinheiro-Machado. "Apesar de prometer ser democrático, é um mercado dominado por gurus que chegaram primeiro e vendem sua fórmula. São esses que acabam sendo mostrados como casos de sucesso." Um dos canais que ensinam o método com IA é de Arthur Diniz, que se apresenta dizendo que "faturou seu primeiro milhão antes do primeiro beijo" e que já ensinou milhares de alunos "a transformar a internet em renda". Em seu canal, o Nova Riqueza IA, que tem 160 mil inscritos, Diniz ensina estratégias de negócios digitais "para construir prosperidade real, aquela que te permite viver bem, com saúde mental e propósito, sem se tornar escravo do trabalho". Em um dos vídeos mais recentes, com o título "Nova IA tá fazendo gente comum ganhar R$ 17.990 com apps", Diniz aparece à frente do computador e depois na praia, dizendo a uma IA: "Ganha dinheiro para mim". "Planeja, constrói, testa tudo sozinha e só me chama quando tudo terminar. Fechei o computador e fui viver a minha vida." Canal no YouTube promove uso de IA para obter dinheiro com vídeos Reprodução/YouTube Em outro, ele mostra como criou um perfil nas redes sociais que divulga mensagens bíblicas. "Nos últimos sete dias, essa estratégia secreta me gerou R$ 1109,65 só compartilhando versículos da Bíblia pelo celular. Melhor: sem aparecer, sem investir em anúncio, só usando o que eu já tenho no bolso. Você também tem, ou seja, o celular." Diniz argumenta no vídeo que qualquer pessoa pode copiar o método, e, "mesmo sem ter nenhuma experiência, já ter resultados financeiros". Ele então ensina a usar o Grok, a IA da empresa xAI, de Elon Musk, para gerar vídeos e depois gerar um texto no ChatGPT com frases bíblicas, para compartilhar junto do texto. A ideia é usar os vídeos como gancho para vender ebooks sobre estudos bíblicos. Diniz diz à BBC News Brasil que a mensagem que deseja passar a quem o segue é que IA reduz a barreira técnica para quem quer começar um canal dark. Mas ele reconhece que transformar os primeiros bons resultados em um negócio sustentável é outra história. "É justamente nessa etapa que a maioria das pessoas desiste. Por isso, não vejo contradição entre dizer que qualquer pessoa consegue começar e reconhecer que nem todas conseguirão construir um negócio de longo prazo", afirma Diniz. Apesar dos títulos provocativos, ele diz que não recomenda que seus seguidores abandonem o emprego. Já sobre os ganhos elevados que cita em seus títulos, ele afirma que "são baseados em casos reais". "Reconheço que um título, isoladamente, pode gerar expectativas diferentes do conteúdo completo", afirma Diniz. "Quando utilizo um valor mais alto, ele representa o melhor resultado daquele caso específico, que depois é explicado no próprio vídeo. Também faço questão de deixar claro que se trata de exemplos, que os resultados variam conforme a execução e que não existe promessa de ganho." Ele diz que, quando fala que IA faz o trabalho sozinha, isso diz respeito somente à parte técnica e não a todo o trabalho envolvido em um canal assim. "Isso não significa que um negócio funcione sozinho. O próprio vídeo dedica uma parte importante justamente às atividades que continuam sendo humanas: encontrar clientes, definir preços, vender, atender e acompanhar o trabalho." Ele também afirma que um criador deve ser transparente sobre o uso da IA e que a tecnologia "não substitui estratégia, responsabilidade nem bom julgamento". 'Tem roteiro que tem erro. Mas a gente não liga' Peter Jordan, empresário e youtuber brasileiro, é uma das vozes mais influentes no mercado de produção de canais dark no Brasil Reprodução/YouTube O youtuber Peter Jordan — que inspirou o entregador Henrique Batista, do início desta reportagem, a trocar de trabalho — é um dos mais influentes gurus dos canais dark no Brasil. Ele é criador e apresentador do canal Ei Nerd, que se apresenta como "o maior canal de cultura pop" brasileiro, com mais de 14,6 milhões de inscritos e 10 mil vídeos sobre celebridades, desenhos, curiosidades e afins. Tem mais de 4,5 bilhões de visualizações acumuladas desde que entrou no ar, em 2013. Jordan também está à frente do Nerd de Negócios, uma espécie de desdobramento empresarial do seu primeiro canal, onde ensina sobre marketing digital "de forma clara e simples, para que qualquer pessoa possa começar a empreender na internet". É ali que ele se apresenta como o dono de vários canais dark voltados para diferentes nichos e públicos e ensina como fazer sucesso e ter uma "renda passiva" com isso. Jordan diz que a velocidade de produção é uma das principais vantagens desse modelo de negócio. "Canal sem aparecer, a gente faz uma linha de produção tão rápida que chega a um ponto em que, estou falando da nossa equipe, a gente não se preocupa mais com roteiro. É um dos modelos mais lucrativos que existem", diz em um dos seus vídeos. Ele também diz que, para não comprometer o faturamento, não é possível corrigir os erros que a IA venha a cometer, e defende que eventuais falhas não necessariamente impedem um vídeo de ter bom desempenho. "Tem roteiro nosso que tem erro. Mas a gente não liga mais. A gente vai fazendo. O máximo que vai acontecer é o vídeo não ter view [visualização]", diz ele em um vídeo publicado em junho deste ano no YouTube, com mais de 200 mil visualizações. "Não vale você se preocupar a ponto de perder tempo na sua linha de processo de criação de vídeo. Isso é algo que ninguém vai te falar. Mas eu falo." Para ele, o público não se importa com esses erros, como falhas nas imagens geradas por IA. "A galera não quer saber disso. A galera quer só história, quer entrar, quer imergir. E não liga para esse tipo de coisa. As pessoas não comentam mais sobre esses erros. Elas estão curtindo esses vídeos." A BBC News Brasil pediu entrevista a Peter Jordan, mas ele não respondeu. 'Falsificação de conhecimento especializado' A falta de supervisão e checagem é um dos riscos dos vídeos produzidos de forma automatizada, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem. Outro ponto questionado por especialistas é a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado, especialmente quando é gerado por IA, sem revisão. Shuo Niu, professor associado de Ciência da computação da Clark University, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores analisaram, em estudo publicado em março, 377 vídeos de 47 canais em inglês que ensinavam a usar IA para ganhar dinheiro. "Os criadores pareciam menos preocupados com autoria ou credibilidade e mais interessados em construir linhas de produção eficientes, capazes de gerar conteúdos com potencial para viralizar", afirma Niu. A facilidade de produzir vídeos em grande escala, avalia o pesquisador, pode reduzir a qualidade geral do conteúdo disponível nas plataformas. Um dos riscos é o que ele chama de "falsificação de conhecimento especializado": pessoas sem experiência em determinado assunto podem usar a IA para escrever roteiros e se apresentar como autoridades. É o caso, por exemplo, dos diversos perfis nas redes sociais de falsos médicos gerados por IA, como mostrou a BBC News Brasil. "Observamos muitos criadores afirmando que a IA sabe quase tudo e pode permitir que muitos usuários se apresentem como especialistas em nichos em alta, mesmo quando possuem pouco conhecimento relevante", diz Niu. Isso pode diminuir o alcance de criadores que investem tempo, conhecimento e trabalho na produção de conteúdo original, avalia o pesquisador. Niu também alerta que transformar informações geradas por IA em vídeos pode dar a elas uma aparência de autoria humana e de credibilidade. "Os espectadores podem presumir que uma história ou afirmação é confiável porque parece ter sido comunicada por uma pessoa real na internet." O risco seria maior para crianças e idosos, que podem ter mais dificuldade para reconhecer conteúdos sintéticos ou enganosos, avalia. Para João Victor Archegas, coordenador de Direito & Tecnologia e GovTech do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), o fato de um conteúdo atrair visualizações não elimina a responsabilidade ética de quem o publica. "Não é uma pessoa qualquer fazendo conteúdo para três, quatro pessoas que estão na rede de amigos. É um canal com milhares ou até milhões de seguidores, que está fazendo conteúdo que vai chegar a milhares ou milhões de pessoas". O professor Shuo Niu avalia que o YouTube tem responsabilidade direta sobre esse fenômeno, porque seus sistemas de recomendação e monetização podem incentivar a produção em massa de vídeos de baixa qualidade que atraem cliques. Para ele, a solução não é eliminar todo conteúdo feito com IA, que também pode reduzir tarefas trabalhosas e permitir novas formas de criatividade. O desafio, avalia, é diferenciar esses usos de práticas que imitam o trabalho alheio, fabricam conhecimento especializado ou enganam o público. O YouTube afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético". Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genérico ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem personagens com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde. Eduardo Rico, especialista em desenvolvimento de canais no YouTube, afirma que a IA não reduz necessariamente a credibilidade de um vídeo. O problema, diz, é usar a tecnologia sem controle ou preocupação com a veracidade, especialmente em temas como saúde e conteúdo infantil. "O que eu sou contra é usar de forma desenfreada, sem um mínimo de crivo, sem a mínima preocupação com a verdade do que está acontecendo naquele vídeo." Rico diz que a velocidade de produção não substitui a necessidade de criar algo que interesse ao público. "Você pode ter os melhores recursos e os melhores roteiros. Se a audiência não gostar do seu conteúdo, não tem estratégia que vá funcionar", diz. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
12/08/2026 08:47:25 +00:00
Como estoques recordes e avanço do agro brasileiro podem reduzir impacto do 'super El Niño' no mundo

Com fenômeno El Niño, tempo seco e quente amplia alerta para doenças de pele O sistema alimentar global está mais preparado para enfrentar os efeitos de um forte episódio de El Niño do que em eventos semelhantes no passado. Estoques de produtos agrícolas próximos de níveis recordes, avanços tecnológicos e o crescimento de países como Brasil e Rússia entre os grandes exportadores aumentaram a capacidade de compensar eventuais perdas de produção. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e análises de especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, a produção agrícola mundial vem crescendo acima do consumo e do aumento da população desde a década de 1980. O avanço foi impulsionado por variedades de plantas mais produtivas, maior uso de fertilizantes, melhorias na irrigação e técnicas mais eficientes de proteção das lavouras. Esses fatores elevaram a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja. "Mesmo durante condições de seca, melhor manejo da irrigação e ciência das culturas significam que ainda podemos produzir rendimentos comercializáveis", disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3. Segundo ele, ainda há riscos para a oferta e os preços dos alimentos, mas a preparação atual tende a tornar as consequências menos severas do que em décadas anteriores. Os graves efeitos do 'Super El Niño' na América Latina previstos pelos cientistas Super El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta El Niño ganha força e ameaça lavouras do planeta O fenômeno climático já começa a afetar o plantio em partes da Ásia, incluindo a Índia e países do Sudeste Asiático, além da Austrália. A falta de umidade ocorre ao mesmo tempo em que a escassez de fertilizantes e diesel provocada pela guerra no Irã aumenta os riscos para a produção agrícola mundial. A Índia enfrenta uma temporada de monções abaixo do esperado. Na Austrália, há preocupação com o clima mais seco nas principais regiões produtoras de trigo. Indonésia e Tailândia também registram impactos da falta de umidade. A situação pode se agravar nos próximos meses. Segundo Chris Hyde, meteorologista da empresa americana SkyFi, o El Niño, que já é considerado forte, deve ganhar intensidade no quarto trimestre e no início de 2027. O fenômeno ocorre quando há um aumento anormal da temperatura da superfície do oceano no Pacífico central e oriental. Em geral, provoca condições mais secas em grande parte da Ásia e aumenta as chuvas em regiões das Américas. Episódios severos registrados entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 reduziram a produção de culturas importantes e contribuíram para a escassez de alimentos, a inflação e a perda de atividade econômica em diferentes países. Estoques ajudam a criar uma reserva contra perdas Desta vez, o cenário da oferta é diferente. Estoques elevados de grãos, sementes mais resistentes à seca, previsões meteorológicas mais precisas, agricultura de precisão e sistemas de irrigação mais eficientes formam uma espécie de colchão contra perdas provocadas pelo clima. Na Índia, por exemplo, a semeadura das principais culturas está próxima do ritmo normal após um atraso no início da temporada. As chuvas de agosto e setembro, porém, serão importantes para o desenvolvimento das lavouras. Lavoura de café no Sul de Minas AME/Divulgação O país também possui grandes reservas de arroz. Segundo a Reuters, os estoques indianos equivalem a mais de um ano das exportações globais do cereal. A China concentra quase metade dos estoques mundiais de trigo. Essa reserva pode ajudar a reduzir a necessidade de importações caso uma eventual seca prejudique a produção da Austrália, uma das principais fornecedoras do mercado internacional. Os estoques globais de óleo de palma também estão próximos de níveis recordes. O produto responde por cerca de 60% das exportações mundiais de óleos comestíveis. Brasil ganhou peso na oferta mundial Além dos estoques, outra mudança importante nas últimas décadas foi o crescimento de novos grandes exportadores agrícolas. O Brasil é um dos principais exemplos. O país se tornou o maior fornecedor mundial de soja, e suas exportações cresceram mais de 13 vezes desde o El Niño de 1997 e 1998. A Rússia também ganhou espaço no mercado agrícola global. As exportações russas de trigo chegaram a 48 milhões de toneladas no ano passado, ante cerca de 1 milhão de toneladas em 1997 e 1998. A maior participação desses países significa que uma eventual quebra de safra em determinadas regiões pode ser parcialmente compensada pela produção de outros grandes fornecedores. Tecnologia aumenta resistência das lavouras A agricultura também passou a contar com ferramentas que praticamente não existiam durante os grandes episódios de El Niño do passado. Híbridos de milho tolerantes à seca foram amplamente adotados na África e nas Américas desde 2015. Variedades de trigo resistentes ao calor e à falta de água também ganharam espaço na Índia e na Austrália. No Sul e no Sudeste Asiático, variedades de arroz de ciclo mais curto ajudam os agricultores a lidar com períodos de chuva mais irregulares. Os produtores também passaram a utilizar satélites, previsões climáticas sazonais, mapas de umidade do solo e sistemas de aplicação de fertilizantes orientados por GPS. Essas ferramentas permitem identificar áreas mais vulneráveis e direcionar água e insumos de maneira mais eficiente. "Os governos têm informações muito melhores do que no passado e conseguem se preparar mais cedo", disse Maximo Torero, economista-chefe da FAO, à Reuters. Agricultores também começam a utilizar plataformas baseadas em inteligência artificial que combinam previsões do tempo, informações sobre o solo e dados das lavouras para recomendar períodos de plantio e irrigação, além da aplicação de fertilizantes e do controle de pragas. Guerras e fertilizantes ainda preocupam Apesar da maior capacidade de resposta, especialistas alertam que o sistema alimentar global continua vulnerável a choques simultâneos. As guerras no Oriente Médio e na região do Mar Negro podem comprometer parte dos ganhos proporcionados por estoques maiores e avanços tecnológicos. A crise no Estreito de Ormuz também afetou o fornecimento de combustíveis e fertilizantes. Antes do bloqueio relacionado à guerra no Irã, a passagem concentrava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito. Para Maximo Torero, da FAO, os efeitos do El Niño dependerão principalmente da evolução das condições climáticas no segundo semestre de 2026 e dos impactos dos conflitos sobre a disponibilidade e os preços dos insumos agrícolas. Assim, embora o mundo tenha hoje mais estoques, tecnologia e fornecedores capazes de compensar perdas, a combinação de clima extremo, conflitos e custos elevados de produção ainda pode pressionar a oferta e os preços dos alimentos.
12/08/2026 08:03:51 +00:00
Transpetro publica editais de concurso com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil; veja como participar

Terminal da Transpetro em Brasília, no DF. TV Globo A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público. Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp. As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição. As vagas abrangem áreas como administração, contabilidade, manutenção, enfermagem, engenharia, tecnologia e advocacia, além de cargos marítimos, como auxiliar de saúde, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e oficiais de máquinas e de náutica. No quadro de terra, a remuneração mínima garantida é de R$ 6.539,54 para nível médio/técnico e de R$ 14.973,62 para nível superior. No quadro de mar, a remuneração mínima garantida varia conforme o cargo, de R$ 5.464 a R$ 15.034,81. O maior valor é oferecido para segundo oficial de náutica. Veja abaixo os editais: ➡️ EDITAL 1 - Mar (auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas e taifeiro). ➡️ EDITAL 2 - Mar (segundo oficial de máquinas e segundo oficial de náutica) ➡️ EDITAL 3 - Terra (nível médio/técnico) ➡️ EDITAL 4 - Terra (nível superior) Agora no g1 As inscrições começam às 10h desta quarta-feira (12) e seguem até as 23h59 de 14 de setembro. As candidaturas devem ser feitas exclusivamente pela internet, no site da Fundação Cesgranrio, banca organizadora dos processos seletivos. A taxa de inscrição varia de acordo com o cargo: R$ 81,50 — nível médio/técnico: auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e Profissional Transpetro de Nível Médio – Júnior; R$ 117 — nível superior: segundo oficial de máquinas, segundo oficial de náutica e Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. Candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde poderam solicitar a isenção da taxa, conforme os prazos estabelecidos nos editais. Como será o processo seletivo? As etapas de seleção variam de acordo com o quadro — Mar ou Terra — e o nível de escolaridade dos cargos. Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas. As provas objetivas terão questões de conhecimentos específicos e gerais. O conteúdo varia conforme o cargo e pode incluir disciplinas como Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Inglês Técnico Marítimo. Já o exame de aptidão física, exclusivo para o Quadro de Mar, será composto por dois testes: Corrida de 12 minutos: distância mínima de 1.800 metros para homens e 1.500 metros para mulheres; Natação: percurso de 25 metros, em estilo livre e sem limite de tempo. Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas. No nível médio, as provas terão questões de conhecimentos específicos, Língua Portuguesa e Matemática. Já no nível superior, serão cobrados conhecimentos específicos, Língua Portuguesa e Língua Inglesa. A única diferença é para a ênfase de Advocacia: além das provas objetivas, os candidatos também farão uma prova discursiva, de caráter eliminatório e classificatório. Para quem concorrer às vagas reservadas, a seleção prevê avaliação de pessoas com deficiência (PcD), confirmação complementar da autodeclaração de candidatos negros e verificação documental de indígenas e quilombolas. As provas objetivas estão previstas para 29 de novembro e serão aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os candidatos poderão escolher o local de realização das provas entre as opções disponibilizadas pela banca, independentemente do polo de trabalho para o qual estiverem concorrendo. Após a aprovação, os candidatos convocados ainda precisarão comprovar os requisitos exigidos para o cargo e passar por exames médicos admissionais. Para os profissionais do quadro de mar, também está previsto teste toxicológico para detecção de substâncias psicoativas. Onde serão as vagas? No quadro de terra, as oportunidades serão distribuídas entre os polos Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul. Para o quadro de mar, as vagas terão abrangência nacional. A distribuição das 281 oportunidades por cargo e polo, assim como os requisitos, etapas de seleção, conteúdo das provas e cronograma, estão detalhados nos editais. Segundo a Transpetro, os processos seletivos terão validade de um ano e meio, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Editais com paridade de gênero Os processos seletivos também terão um mecanismo de paridade de gênero na segunda fase. Segundo a companhia, a iniciativa busca reduzir a sub-representação feminina nas carreiras contempladas pelos editais. Atualmente, cerca de 15% dos empregados da Transpetro são mulheres, enquanto os homens representam aproximadamente 85% do quadro. A medida será aplicada apenas na composição da segunda etapa. Para chegar a essa fase, todos os candidatos precisarão atingir a nota mínima exigida na primeira etapa. A classificação final continuará considerando o desempenho dos participantes. Cotas definidas antes dos editais Antes da publicação dos quatro editais, foi realizado um sorteio para definir os cargos, áreas e polos aos quais serão destinadas determinadas vagas reservadas a grupos étnico-raciais e pessoas com deficiência (PcD). De acordo com a Transpetro, 30% das vagas e do cadastro de reserva serão destinados a grupos étnico-raciais, distribuídos da seguinte forma: 25% para pessoas pretas e pardas; 3% para indígenas; 2% para quilombolas. Outros 10% são reservados a pessoas com deficiência. Os editais estabelecem, inclusive, a aplicação da reserva de 10% também na formação do cadastro de reserva. O sorteio foi realizado nos casos em que a quantidade de vagas por cargo, ênfase ou polo não permitia alcançar automaticamente os percentuais de reserva previstos na legislação. O procedimento não selecionou candidatos nem interfere na classificação nas provas. Ele serviu para definir a alocação das vagas reservadas entre os cargos, ênfases e polos. 📅 Cronograma Inscrições: 12 de agosto a 14 de setembro Pedido de isenção da taxa: 12 a 19 de agosto Cartão de confirmação/Local de prova: 24 de novembro Aplicação das provas: 29 de novembro Divulgação dos gabaritos: 30 de novembro Recursos contra questões/gabaritos: 30 de novembro e 1º de dezembro de 2026 Resultados finais: 23 de março de 2027 (Terra) e 27 de abril de 2027 (Mar) Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação
12/08/2026 07:22:11 +00:00
Defesa do Consumidor do ES propõe à Fazenda que bets mostrem risco de perda para apostadores

Órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo querem que bets sejam obrigadas a informar risco de perda para apostadores. Arquivo/Agência Brasil Um grupo de trabalho formado por representantes de diferentes órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo apresentou, na última semana, uma proposta inédita ao Ministério da Fazenda que prevê que sites e aplicativos de bets sejam obrigados a mostrar o risco de perda para apostadores antes da realização da aposta. Em sua justificativa, o Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC) afirmou que sites e aplicativos de apostas praticam uma publicidade enganosa por omissão — quando um anúncio deixa de informar um dado essencial sobre um produto ou serviço. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp "Tudo aquilo que é imprescindível para a escolha do consumidor tem que ser informado. Se ele [fornecedor] omite um dado indispensável para a decisão, aquela publicidade é enganosa por omissão", explicou a promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva, coordenadora do Núcleo de Atendimento ao Superendividado do Ministério Público do Espírito Santo. Segundo ela, a obrigatoriedade de apresentar informações completas sobre serviços e produtos já é prevista em lei, e inclui casas de apostas. No entanto, bets não têm cumprido a regra, indicando a necessidade de uma medida direta sobre o tema. LEIA TAMBÉM: Crise na Apex Partners: entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça "A gente entende que isso já é obrigatório pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, independentemente da atividade econômica. Só que, no caso das bets, as ofertas não trazem o risco da aposta. Acreditamos que uma normativa mais específica iria fortalecer essa obrigação”, completou. Agora no g1 Cálculo padrão e mesmo destaque que 'odds' Para garantir que os apostadores tenham acesso a informações completas antes de finalizar a aposta e consumir o produto oferecido, a proposta do CINDEC sugere que as plataformas de bets realizem um contrabalanço de informações a partir de três pontos: Fórmula matemática obrigatória: O ofício sugere a criação de uma fórmula padrão regulamentada pelo governo para o cálculo da probabilidade de perda. Esse cálculo deve ser feito a partir das próprias cotas (odds) oferecidas pela plataforma, garantindo que o apostador veja o percentual real de risco antes de confirmar qualquer lance. O mesmo peso visual do prêmio: A regra exige o chamado "contrabalanço informacional". Na prática, as bets seriam obrigadas a exibir a chance de perda com idêntico destaque espacial e gráfico das odds de ganho. Ou seja: a informação sobre o prejuízo provável deve ter o mesmo tamanho de letra, cor e visibilidade que o valor do prêmio prometido. Alerta de confirmação acima de 80%: Para apostas onde a probabilidade de perda calculada pela fórmula padrão seja superior a 80%, a plataforma deve integrar uma mensagem de confirmação específica ao fluxo da aposta. Esse alerta deve avisar explicitamente sobre o alto risco financeiro antes que o usuário finalize a operação. Como exemplo, o documento analisou uma aposta de odds de 17 — que promete pagar 17 vezes o valor apostado. No entanto, segundo o grupo de trabalho, o anúncio esconde o alto risco financeiro, uma vez que a probabilidade de perda é de aproximadamente 94%. "O consumidor que aposta R$ 10 pensa: 'Eu vou receber R$ 170. Nossa, então é um super negócio, é maravilhoso porque eu vou receber 17 vezes mais'. Só que essa mesma oferta não traz o risco. E quando buscamos uma análise técnica, ele é, na verdade, altíssimo. Nesse caso que a gente analisou , ele teria 94% de chance de perder. Isso é muito", explicou Sandra Lengruber. Sede do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) TV Gazeta Próximos passos O documento foi assinado por representantes do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), do Procon-ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública do Estado e da Procuradoria-Geral do Estado. Como não existe um prazo legal para que o Ministério da Fazenda responda a sugestão, o grupo trabalha para que a proposta seja analisada e, futuramente, incorporada à regulamentação nacional através de um ato normativo da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). O que disse o Ministério da Fazenda Procurado pelo g1, o Ministério da Fazenda confirmou que a proposta foi recebida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Por nota, a pasta informou que a Secretaria possui uma agenda voltada ao "aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa" e que avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos. Veja a nota na íntegra: "A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) informa que recebeu a proposta encaminhada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) para análise no âmbito das competências da Secretaria, juntamente com as demais manifestações eventualmente apresentadas sobre o tema. A legislação brasileira estabelece que a exploração de apostas de quota fixa deve observar medidas de proteção aos apostadores e de promoção do jogo responsável. Nos termos da Lei nº 14.790/2023, os agentes operadores devem adotar sistemas e processos para monitorar a atividade dos apostadores desde a abertura da conta, com o objetivo de identificar sinais de dano ou de potencial dano associado ao jogo. Esse monitoramento deve considerar os valores gastos, os padrões de gastos, o tempo dedicado às apostas, os comportamentos observados, as interações do apostador com a plataforma, entre outros aspectos. A partir desses indicadores, os operadores devem ser capazes de identificar comportamentos potencialmente problemáticos e adotar medidas de prevenção e mitigação de riscos. Já a Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 detalha essas obrigações e estabelece uma série de mecanismos de proteção ao apostador e à promoção do jogo responsável, de forma a garantir que as práticas de jogos e apostas sejam realizadas de forma segura, saudável e consciente, prevenindo vícios e protegendo os consumidores apostadores, especialmente os mais vulneráveis. Entre eles, estão o monitoramento do comportamento de jogo, a realização de autotestes, a disponibilização de ferramentas de autolimitação e os mecanismos de suspensão e autoexclusão da conta. O apostador deve estabelecer limites para o tempo e os valores destinados às apostas, e podem suspender sua conta ou optar pela autoexclusão, inclusive por prazo indeterminado. Essas ferramentas foram estruturadas para ampliar a capacidade de o próprio apostador controlar sua atividade. Ao mesmo tempo, os agentes operadores têm o dever de monitorar continuamente o comportamento de seus usuários e, diante da identificação de sinais de comportamento potencialmente problemático, adotar as medidas previstas na regulamentação, inclusive alertando o apostador e oferecendo mecanismos de alertas, suspensão ou de exclusão. A Secretaria possui uma Agenda Regulatória voltada ao aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa. A SPA realiza o monitoramento contínuo da implementação dessas normas e avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos regulatórios, com base em critérios técnicos, evidências e nas contribuições recebidas". Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
12/08/2026 07:01:47 +00:00
Álcool, cigarro e home office: caso de juiz afastado expõe limites da postura no trabalho remoto

Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG; TJMG investiga caso Bastaram alguns segundos de uma sessão virtual para desencadear uma investigação disciplinar no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu diante da câmera bebendo vinho e fumando durante um julgamento. Um dia depois, foi afastado pela Corregedoria-Geral de Justiça, que também abriu uma sindicância para apurar os fatos. Os processos sob sua relatoria serão redistribuídos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O episódio chamou atenção pela conduta do magistrado. Mas outro detalhe também passou a fazer parte das discussões nas redes sociais: ele participava de uma sessão virtual fora do tribunal. E é justamente aí que surgem dúvidas cada vez mais comum com a expansão do trabalho remoto: quando o expediente acontece dentro da própria residência, as regras continuam as mesmas? O home office dá mais liberdade do que o trabalho presencial? Afinal, uma pessoa pode beber álcool durante uma reunião porque está em casa? O que aparece em uma videoconferência pode ser usado como prova em uma investigação ou processo disciplinar? E as consequências mudam quando quem está do outro lado da tela é um trabalhador contratado pela CLT ou um magistrado responsável por julgar processos? Especialistas em Direito do Trabalho e em Direito da Magistratura ouvidos pelo g1 explicam quais regras se aplicam a cada caso e quais condutas podem gerar consequências profissionais durante o trabalho remoto. Veja abaixo: O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? E quando o trabalho é remoto? CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Empresas podem estabelecer regras próprias? Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual g1 O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? Para trabalhadores contratados pela CLT, o consumo de álcool durante a jornada pode ter consequências disciplinares, mas a resposta depende das circunstâncias de cada caso. A advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o empregador pode considerar fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados pela situação. O contexto também é importante para diferenciar o simples consumo de álcool de situações de embriaguez ou de comprometimento da capacidade de trabalho. 🔎 Há ainda uma diferença importante quando existe dependência alcoólica. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhece que o alcoolismo pode ser tratado como doença, e não simplesmente como falta disciplinar. O cigarro é tratado de forma diferente. Apesar de poder contrariar regras internas das empresas ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, o consumo de cigarro, isoladamente, costuma resultar em medidas mais brandas, como advertências. Segundo a advogada, isso ocorre porque o álcool pode afetar diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar costuma ser tratado como descumprimento das regras da empresa. No caso dos magistrados, a discussão vai além do simples ato de beber ou fumar. A especialista em direito da magistratura Daniela Poli Vlavianos explica que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) estabelece o dever de o juiz manter "conduta irrepreensível na vida pública e particular". O Código de Ética da Magistratura também prevê deveres ligados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional. Por isso, segundo ela, o consumo de bebida alcoólica durante um julgamento pode ser visto de forma diferente do consumo na vida privada, já que ocorre enquanto o magistrado exerce uma função pública e participa de decisões que afetam os direitos das pessoas. E quando o trabalho é remoto? A resposta dos especialistas à ideia de que o trabalho remoto dá mais liberdade durante o expediente é praticamente unânime: não. No caso dos CLTs, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, as regras de comportamento continuam valendo normalmente. "A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto", afirma Gabriela. Isso significa que o trabalhador continua sujeito às políticas internas da empresa mesmo quando está em casa. Para os magistrados, a lógica é semelhante. Segundo os especialistas, uma das principais confusões geradas pelo trabalho remoto é acreditar que estar em casa transforma uma atividade profissional em uma atividade privada. No caso dos juízes, o entendimento é justamente o contrário. "O ambiente físico pode ser particular, mas o espaço jurídico é público e institucional", afirma Vlavianos. O CNJ possui normas que determinam que audiências e julgamentos realizados por videoconferência sigam regras semelhantes às dos atos presenciais. As resoluções também exigem vestimenta adequada para magistrados durante atividades oficiais remotas. O também especialista em direito da magistratura Thiago Massicano lembra que uma videoconferência pode servir como elemento de prova. No ambiente corporativo, gravações e registros de reuniões podem embasar procedimentos disciplinares. No Judiciário, a própria gravação da sessão pode ser analisada em uma apuração administrativa. "Há ainda um agravante prático: a sessão virtual é gravada e transmitida, de modo que a conduta se torna documentalmente incontroversa e alcança projeção pública imediata, ampliando o dano à imagem institucional do Judiciário". " O magistrado que julga de casa não transforma o ato estatal em ambiente doméstico: ele leva a solenidade do Estado para dentro de sua residência. As normas específicas sobre videoconferência, tanto do CNJ quanto do TJMG, foram editadas justamente para impedir a informalização do rito, exigindo vestimenta adequada, ambiente neutro e dedicação exclusiva ao ato", reforça Massicano. CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Dependendo das circunstâncias, sim. Gabriela explica que a comprovação de que um empregado consumiu bebida alcoólica durante o trabalho pode justificar até mesmo a demissão por justa causa, desde que não se trate de um quadro de alcoolismo reconhecido como doença. A exposição diante de clientes ou parceiros comerciais e eventuais prejuízos ao empregador podem agravar o cenário. Com o cigarro, a avaliação tende a ser diferente. A especialista afirma que fumar ou usar vape durante uma videoconferência pode gerar advertências e outras medidas disciplinares, mas normalmente não seria suficiente, por si só, para justificar uma demissão por justa causa. Ela ressalta, porém, que cada situação depende do contexto e das regras internas da empresa. Juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu em sessão do TJMG bebendo vinho e fumando Reprodução Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Sim. A Loman e as normas disciplinares do CNJ preveem desde advertência até punições mais severas, como remoção compulsória, disponibilidade e outras sanções previstas na legislação da magistratura. A definição de uma eventual punição depende de fatores como a gravidade da conduta, a existência de reincidência, o eventual comprometimento da atividade jurisdicional, os prejuízos causados e os reflexos para a imagem do Poder Judiciário. Por isso, especialistas ressaltam que não é possível antecipar o desfecho do caso envolvendo o magistrado mineiro apenas com base nas imagens que se tornaram públicas. Vlavianos e Massicano também lembram que há precedentes de responsabilização disciplinar de magistrados por comportamentos considerados incompatíveis com os deveres do cargo e com a dignidade da função, embora não tenham identificado um caso idêntico ao episódio investigado pelo TJMG. Antes de qualquer sanção, será preciso apurar circunstâncias como o contexto da gravação, eventual comprometimento funcional, antecedentes e outros elementos do caso. "A responsabilização depende da apuração do contexto integral da gravação. Será necessário confirmar o conteúdo da garrafa, verificar se houve consumo de bebida, se o magistrado apresentava sinais de alteração de sua capacidade e se a conduta interferiu na condução ou na imagem de regularidade do julgamento. A gravação constitui um elemento relevante, mas a punição exige contraditório, ampla defesa e decisão fundamentada", afirma Vlavianos. Empresas podem estabelecer regras próprias? Especialistas em direito trabalhista explicam que as empresas têm autonomia para criar políticas internas de conduta, inclusive para trabalhadores que exercem suas atividades remotamente. 🔎 Essas normas podem tratar de comportamento em reuniões, uso da imagem corporativa, participação em videoconferências, consumo de álcool durante o expediente e outras situações relacionadas ao desempenho profissional. Na prática, o fato de o empregado estar em casa não impede a aplicação dessas regras. Durante a jornada, ele continua representando a empresa e exercendo suas funções normalmente. Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG
12/08/2026 06:00:32 +00:00
'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes?

'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes? Trabalhar mesmo doente, ignorar sintomas e seguir a rotina apesar da recomendação médica é uma realidade para muitos brasileiros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 André Cabral, de 45 anos, é um deles. Com 25 anos de atuação no setor de bares e restaurantes, enfrentou jornadas de até 15 horas por dia e colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente — comportamento que caracteriza o "presenteísmo". 🤔 Mas o que é presenteísmo? É o fenômeno em que o trabalhador continua exercendo suas funções mesmo sem condições físicas ou mentais adequadas. Embora esteja presente no ambiente de trabalho — ou conectado durante o expediente —, não consegue desempenhar plenamente suas atividades. Durante sete anos, André atuou como gerente-geral de uma rede de restaurantes e açougues em São Paulo, em que era responsável por cerca de 100 funcionários. As jornadas frequentemente ultrapassavam 12 horas por dia e, em algumas ocasiões, chegavam a 36 horas seguidas. "Eu passei praticamente seis anos trabalhando loucamente, no mínimo 12 a 15 horas por dia, muitas vezes sem folga", relata. Mesmo quando adoecia, evitava se afastar porque acreditava que sua ausência comprometeria a operação. Após ficar internado por 21 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por causa da Covid-19, voltou ao trabalho apenas quatro dias após receber alta da UTI. Também adiou por anos uma cirurgia para tratar uma hérnia por receio de se afastar do trabalho. A sobrecarga e os conflitos no ambiente corporativo acabaram afetando sua saúde mental. Com o tempo, recebeu o diagnóstico de burnout, passou a tomar antidepressivos, ansiolíticos e medicamentos para dormir e, mais tarde, desenvolveu hipertensão. "Minha saúde ficou em segundo plano. Eu achava que, se parasse por 15 dias, a operação não iria funcionar", diz. Pouco tempo depois de sofrer um acidente de trabalho e torcer o pé durante o expediente, André foi demitido em uma chamada de vídeo. Atualmente, move uma ação na Justiça contra a antiga empregadora. André Cabral, de 45 anos, colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente. Arquivo Pessoal Hoje, em um novo emprego, com jornada reduzida e menos responsabilidades, André afirma ter recuperado parte da qualidade de vida, embora ainda faça acompanhamento médico. A experiência mudou sua forma de enxergar o trabalho. A gente se sacrifica demais por um CNPJ. No fim, nenhum CNPJ vale o nosso CPF. Trabalho a gente recupera. Saúde, muitas vezes, não." O presenteísmo nas empresas Levantamentos recentes mostram que o presenteísmo tem se tornado uma preocupação crescente no mercado de trabalho brasileiro, impulsionado pela sobrecarga, pelo medo da demissão e pelo aumento dos problemas relacionados à saúde mental. Uma pesquisa da Heach Recursos Humanos mostra que 70,3% dos entrevistados afirmaram já ter trabalhado mesmo acreditando que deveriam descansar por motivos de saúde. Entre eles, o principal motivo foi evitar sobrecarregar colegas de equipe (35,4%), seguido pela percepção de que o problema de saúde não era grave (27,9%). O comportamento trouxe consequências: 39,7% disseram que o quadro de saúde piorou, enquanto 32% afirmaram que demoraram mais para se recuperar. Além disso, apenas 26,4% consideram que suas empresas incentivam claramente o afastamento quando necessário, e 89,4% acreditam que trabalhar doente aumenta o risco de erros ou acidentes. (saiba mais abaixo) Trabalhar doente é realidade para a maioria dos brasileiros Arte g1 Os números vão ao encontro dos resultados do Censo de Saúde Mental 2025, da Vittude. O estudo identificou um índice de presenteísmo de 32% entre os trabalhadores avaliados. Pesquisas da Pluxee também apontam a sobrecarga como parte da rotina de muitos trabalhadores. Apenas 40% conseguem fazer pausas regulares durante o expediente, enquanto outros 40% interrompem as atividades apenas quando encontram tempo. Os 20% restantes afirmam não conseguir fazer pausas ao longo da jornada. O levantamento mostra ainda que 28% já mudaram de emprego por questões relacionadas à saúde mental. Para a diretora de Recursos Humanos (CHRO) da Flash, Isadora Gabriel, o presenteísmo é um dos desafios mais silenciosos enfrentados pelas organizações porque nem sempre é percebido. "O profissional está presente, participa das reuniões e cumpre sua jornada. Mas estar no escritório ou online não significa estar em condições de entregar o melhor desempenho", explica a especialista. Segundo a executiva, à medida que o desengajamento aumenta, cresce também a perda de produtividade. Quando colaboradores continuam trabalhando mesmo emocionalmente esgotados, aumentam os riscos de erros, queda de eficiência e agravamento do quadro de saúde." Na avaliação de Isadora, investir em saúde mental e preparar lideranças para identificar sinais de esgotamento são estratégias para reduzir perdas e construir ambientes de trabalho mais saudáveis. Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os resultados das pesquisas reforçam a necessidade de uma mudança cultural para que os trabalhadores possam cuidar da própria saúde sem receio de prejudicar a carreira ou a imagem profissional. Os males invisíveis do trabalho remoto para a saúde mental Adobe Stock Impactos de trabalhar doente Para o médico do trabalho Ricardo Pacheco, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (Abresst), o presenteísmo é um fenômeno silencioso e mais difícil de identificar do que o absenteísmo, que corresponde à ausência do trabalhador. "É o corpo presente e a mente ausente. A pessoa está no posto de trabalho, mas com a capacidade de entrega comprometida", diz o especialista. Na avaliação de Pacheco, o presenteísmo aumenta o risco de acidentes. Segundo o médico, trabalhadores com febre, dores intensas ou sob efeito de medicamentos podem apresentar perda de reflexos, dificuldade de concentração e maior probabilidade de cometer erros, especialmente em atividades como transporte, indústria e agronegócio. Um profissional experiente que começa a esquecer procedimentos básicos ou comete erros repetidos pode estar sofrendo com exaustão física ou mental." Os impactos também são sentidos pelas empresas. Pacheco afirma que o presenteísmo pode gerar custos superiores aos do absenteísmo por provocar retrabalho, acidentes, queda de produtividade e até a disseminação de doenças entre colegas. A pandemia de Covid agravou o problema, diz o especialista. O trabalho remoto impulsionou o chamado "presenteísmo digital", quando profissionais continuam trabalhando mesmo doentes em frente ao computador. Ao mesmo tempo, setores como indústria, logística e agronegócio enfrentam uma pressão crescente por produtividade, o que dificulta o afastamento para cuidados médicos. Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima Freepik O que diz a legislação Para a advogada trabalhista Elisa Alonso, o presenteísmo pode trazer consequências tanto para o trabalhador quanto para a empresa. Segundo ela, quando o empregador recebe um atestado médico, não deve permitir que o funcionário continue trabalhando, já que a finalidade do afastamento é justamente garantir sua recuperação. Autorizar ou exigir a continuidade das atividades pode agravar o quadro de saúde e gerar consequências trabalhistas para o empregador, especialmente quando houver prejuízos ao trabalhador." A especialista explica que a aptidão para o retorno ao trabalho é uma decisão médica e que o empregador não pode determinar que o funcionário volte antes do prazo indicado pelo profissional de saúde. Ela acrescenta que contatos pontuais sobre questões administrativas podem ocorrer durante a licença, mas o trabalhador não deve ser cobrado para executar tarefas, cumprir metas ou participar normalmente das atividades da empresa durante o período de afastamento. Segundo Elisa, trabalhar durante a licença médica pode retardar a recuperação, agravar a doença e aumentar o risco de enfermidades ocupacionais, além de comprometer a produtividade e elevar as chances de erros e acidentes. A advogada orienta que trabalhadores pressionados a continuar trabalhando mesmo doentes comuniquem formalmente o afastamento ao empregador, guardem mensagens, e-mails e outros documentos que comprovem eventuais cobranças e, se necessário, busquem orientação jurídica. Segundo a especialista, é possível recorrer à Justiça do Trabalho em casos de: Exigência de trabalho durante o afastamento médico; Pressão para que o empregado trabalhe mesmo sem condições de saúde; Descontos indevidos por faltas justificadas; Punições pelo exercício de direitos trabalhistas; Assédio relacionado à condição de saúde; Demissão discriminatória em razão da doença ou do afastamento; Prejuízos decorrentes de condutas ilícitas do empregador. Antes de recorrer à Justiça, a recomendação é reunir provas que demonstrem os fatos e que a empresa tinha conhecimento da condição de saúde do trabalhador. "Caso o trabalhador sofra ameaças, constrangimentos, pressão para trabalhar durante a licença ou uma dispensa possivelmente discriminatória, a situação poderá ser avaliada pela Justiça do Trabalho", completa a especialista. Ela também destaca que transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout merecem a mesma atenção que doenças físicas e podem justificar afastamentos quando houver indicação médica. Para a advogada, combater o presenteísmo exige uma mudança cultural nas empresas, com ambientes de trabalho mais saudáveis, respeito aos períodos de recuperação e compreensão de que o afastamento médico faz parte do tratamento e não deve ser encarado como falta de comprometimento. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
12/08/2026 06:00:08 +00:00
Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será O projeto de uma nova aeronave tem atraído investidores com um visual que integra a área central às asas em um único componente. A promessa é de que a mudança ajudará companhias aéreas a economizar combustível em voos. Com um visual comparado ao de uma arraia, o avião Z4 está sendo desenvolvido pela americana JetZero. A empresa planeja realizar o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027 e iniciar o uso comercial no início da década de 2030. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Baseada na Califórnia, a JetZero anunciou em julho um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de sua fábrica na Carolina do Norte. A fábrica servirá para acelerar a criação do avião que foge do padrão usado há décadas e pode representar a maior transformação no design de aeronaves desde o antigo Concorde, que deixou de operar em 2003. O Z4 está sendo projetado para transportar cerca de 250 passageiros distribuídos em seis seções dentro da cabine e oferecer um compartimento de bagagens para cada assento. Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Em vez das janelas ao lado dos assentos, passageiros terão telas que oferecerão uma visão externa com um sistema de câmeras de alta definição. A iluminação natural virá de duas claraboias que ficarão perto das primeiras fileiras. A JetZero afirma que o avião poderá fazer voos de até 5.000 milhas náuticas, cerca de 9.200 km – para se ter uma ideia, a distância de voos entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 km. A fabricante diz que o estilo "arraia" melhorará a aerodinâmica do Z4 e fará com que a aeronave reduza o consumo de combustível em 30% a 50% em relação a modelos como o Boeing 787. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Segundo o Wall Street Journal, críticos do projeto apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto durante curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Outra preocupação é a saída de passageiros, já que as portas serão posicionadas em locais diferentes do padrão, o que dificultaria a adaptação em aeroportos projetados para aviões convencionais. Ainda de acordo com o jornal, a JetZero espera desenvolver o Z4 mais rapidamente ao usar componentes usados em outros aviões e que, por isso, já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), que regula o setor de aviação no país. A fabricante tem acordos com companhias aéreas como a United Airlines, que planeja comprar 200 unidades do Z4. Empresas como a Delta e a Alaska Airlines também estão apoiando o projeto. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero
12/08/2026 05:00:21 +00:00
Jeep lança o Avenger nesta quarta, mirando disputa entre SUVs compactos; veja o que se sabe

Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis A Jeep do Brasil vai lançar nesta quarta-feira (12) o Avenger. O modelo mais importante da marca chega com motor T200 híbrido leve (MHEV) de 12V em todas as versões. O g1 acompanha o lançamento e vai trazer todas as informações durante o dia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Jeep ainda não divulgou oficialmente os dados técnicos do conjunto mecânico do Avenger, mas a motorização é a mesma utilizada no Fiat Pulse Audace 1.0 Turbo Hybrid. No Pulse, o motor 1.0 turbo de três cilindros gera 125 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, tanto com gasolina quanto com etanol. Jeep Avenger é apresentado no Salão do Automóvel 2025 O sistema híbrido leve do Avenger também conta com um motor elétrico de 4 cv e 1 kgfm de torque, além de uma bateria de 0,132 kWh. Ainda não foram divulgados dados oficiais de consumo do Jeep Avenger. Como referência, a ficha técnica do Fiat Pulse informa consumo de 9,3 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, os números são de 13,4 km/l e 14,4 km/l, respectivamente. Plataforma e dimensões A plataforma do Jeep é a CMP, também utilizada em modelos da Citroën e da Peugeot. As medidas do Jeep Avenger ainda não foram confirmadas, mas o modelo tem porte semelhante ao do Fiat Pulse. O SUV será produzido em Porto Real (RJ) e será o primeiro veículo híbrido MHEV fabricado na unidade. Galerias Relacionadas Design e cabine O Avenger terá as tradicionais sete fendas da Jeep iluminadas na dianteira e lanternas traseiras em formato de X. O desenho também inclui caixas de rodas trapezoidais, para-choques descritos pela marca como robustos, barras de teto, pintura em duas cores e rodas de liga leve de 18 polegadas com acabamento diamantado. A Jeep também destaca os ângulos de ataque e de saída e a altura em relação ao solo, mas ainda não confirmou essas medidas. Painel do novo Jeep Avenger Divulgação / Stellantis Segundo a Jeep, o interior foi desenvolvido com foco em ergonomia e conforto. A marca destaca a escolha dos materiais, os acabamentos, as formas e as texturas da cabine. O interior também terá uma assinatura luminosa, com iluminação integrada ao desenho. Segundo a marca, a cabine terá tecnologias intuitivas e uma ambientação voltada ao conforto. Entre os recursos tecnológicos anunciados para o modelo está um assistente de voz com ChatGPT embarcado, desenvolvido em parceria com a OpenAI. A Jeep afirma que o sistema permitirá aos ocupantes interagir com recursos de inteligência artificial a bordo.
12/08/2026 03:00:58 +00:00
Bônus da usina de Itaipu deve dar alívio temporário para as contas de luz em agosto; entenda

O dinheiro do bônus da usina de Itaipu deve ajudar dar um alívio temporário nas contas de luz em agosto e reduzir o impacto da energia sobre a inflação do mês, avalia o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🔎 O bônus é uma forma de devolver aos consumidores o dinheiro que sobra da operação de Itaipu. A usina é administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai e está entre as maiores hidrelétricas do mundo. (Veja mais detalhes) O valor do bônus varia de acordo com o consumo de cada unidade e será aplicado diretamente na fatura. Não é necessário fazer cadastro ou solicitar o benefício. Os dados da inflação divulgados nesta terça-feira (11), referentes a julho, mostram que o grupo de despesas com habitação, o que inclui a energia elétrica, teve a maior alta entre grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto, de 0,99%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento da conta de energia elétrica. 📈 A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, após alta de 1,53% em junho, e respondeu sozinha por 0,13 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. 💰 Nos sete primeiros meses do ano, os consumidores enfrentaram quatro meses de bandeira tarifária verde, em que não há custos adicionais, e três meses de bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Lucro de Itaipu deve dar alívio temporário para as contas de luz em agosto TV Verdes Mares/Reprodução Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, explica que a cobrança adicional das bandeiras tarifárias já representa um diferencial na conta do consumidor final. A esse efeito se somam os reajustes concedidos pelas concessionárias De acordo com ele, desde abril diferentes distribuidoras passaram por reajustes, parte deles já incorporada ao cálculo da inflação. Em julho, um dos destaques foi Curitiba, por causa do reajuste aplicado na cidade. “De abril para cá, as concessionárias concederam reajustes e, boa parte delas, já foi apropriada" explicou Gonçalves ao g1. "Neste mês agora [julho], só destacamos Curitiba por conta do reajuste que houve lá", complementou, destacando que foi o maior até o momento. O diretor do IBGE disse que o comportamento observado em anos anteriores ajuda a explicar o efeito esperado do bônus de Itaipu sobre a inflação. Isso porque, com a apropriação do bônus de Itaipu, percebe-se uma queda na inflação desse setor. No mês seguinte, porém, há uma alta, porque o bônus incide apenas naquele período. Bônus de Itaipu Aprovado em junho pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o bônus de Itaipu é de R$ 872,1 milhões e constará nas contas de energia emitidas entre 1º e 31 de agosto. Para ter direito ao benefício, é preciso ter registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025. O crédito será referente aos meses em que o consumo ficou abaixo desse limite. O benefício contempla consumidores das classes residencial e rural. A parcela brasileira da energia gerada pela usina é comercializada no mercado. Os excedentes financeiros dessa operação são destinados aos consumidores na forma do bônus, conforme previsto na legislação.
12/08/2026 03:00:47 +00:00
Uma aposta acerta as seis dezenas e leva o prêmio do concurso 3043 da Mega-Sena; confira os números

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.043 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (11), em São Paulo. Uma aposta simples de Alvorada d'Oeste, em Rondônia, acertou as seis dezenas e levou o prêmio de R$ 3 milhões para casa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 10 - 11 - 16 - 37 - 42 - 53 1 aposta ganhadora: R$ 3.077.413,08 5 acertos: 48 apostas ganhadoras, R$ 20.836,65 4 acertos: 3.746 apostas ganhadoras, R$ 440,09 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3043 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
12/08/2026 00:02:41 +00:00
Desemprego entre jovens sobe no mundo e já atinge 67 milhões; IA pode agravar cenário, diz OIT

Taxa de desemprego fica em 5,4%, em junho O desemprego entre os jovens aumentou no mundo em 2025, em meio ao crescimento econômico mais fraco, às tensões geopolíticas e à criação lenta de empregos. O cenário tem dificultado a entrada de jovens no mercado de trabalho e pode se agravar com os avanços da inteligência artificial (IA), alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (12), reportou a Reuters. A taxa global de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos subiu para 12,4% no ano passado, ante 12,3% em 2023. O percentual equivale a 67 milhões de jovens desempregados em todo o mundo, segundo um novo relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por questões trabalhistas. Segundo o documento, o aumento interrompeu a melhora observada após a pandemia de Covid-19 e refletiu uma piora tanto na quantidade quanto na qualidade das vagas disponíveis para os jovens. O evento vai reunir cerca de 1,5 mil vagas de emprego Reprodução A OIT também apontou que a parcela de jovens que não trabalham, não estudam e não estão em cursos de formação profissional aumentou ligeiramente, chegando a 20%. Isso representa mais de 257 milhões de pessoas. "O cenário está piorando praticamente em todo lugar", afirmou o relatório. A taxa de desemprego entre jovens aumentou entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT. O avanço foi registrado tanto em países ricos quanto em economias de renda média e baixa, escreveu a Reuters. Países árabes e norte da África são os mais afetados O maior índice de desemprego entre jovens foi registrado nos Estados Árabes, com 26,2%, seguido pelo norte da África, com 22,6%. Algumas das maiores deteriorações, porém, ocorreram em economias mais ricas. Na América do Norte, a taxa de desemprego entre jovens subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No norte, sul e oeste da Europa, o índice ficou em 15%. A OIT chamou atenção para a redução das vagas que exigem um nível intermediário de qualificação, como funções de escritório e administrativas, vendas e empregos na indústria. Esses trabalhos tradicionalmente funcionam como uma porta de entrada no mercado de trabalho para jovens que acabaram de concluir o ensino médio ou a universidade. A redução dessas oportunidades significa que há mais jovens disputando um número menor de vagas, aumentando o tempo de espera para conseguir emprego e o desemprego entre aqueles com formação de nível médio, segundo o relatório. Inteligência artificial pode aumentar pressão sobre empregos Essa tendência pode se intensificar à medida que a inteligência artificial transforme o ambiente de trabalho, trouxe a Reuters. A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados atualmente por pessoas de 15 a 29 anos estão em áreas particularmente expostas às mudanças provocadas pela IA. Isso significa que são funções nas quais ferramentas de inteligência artificial podem substituir parte das tarefas realizadas hoje por trabalhadores ou mudar significativamente a forma como o trabalho é feito. Eleições 2026: fake news e inteligência artificial desafiam Justiça Eleitoral Se apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados, cerca de 5,6 milhões de jovens trabalhadores poderiam enfrentar desemprego, ter de mudar de carreira ou deixar o mercado de trabalho. A maior parte desse impacto ocorreria em países de alta renda. A OIT ressaltou que ainda há incerteza sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho no longo prazo, mas afirmou que os riscos não devem ser subestimados. Ao mesmo tempo, o número de vagas em áreas que exigem maior qualificação, como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continua crescendo na maioria dos países. Nos países em desenvolvimento, porém, muitos jovens não têm condições financeiras de permanecer desempregados por muito tempo e acabam aceitando trabalhos mais instáveis e sem garantias. Quase nove em cada dez jovens trabalhadores em países de baixa e média-baixa renda estão em empregos informais, segundo a OIT. São trabalhos que, em geral, oferecem menos proteção trabalhista e acesso mais limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.
11/08/2026 22:54:06 +00:00
Justiça autoriza recuperação extrajudicial da Alliança Saúde, que tem dívida de R$ 1,1 bilhão

Recuperação extrajudicial: empresa garante operação normal e sem demissões A Alliança Saúde informou nesta terça-feira (11) que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo autorizou o início do processo de recuperação extrajudicial da companhia e das demais empresas envolvidas. O valor da dívida ultrapassa o R$ 1 bilhão. A decisão foi publicada na segunda-feira (10), dentro do processo que analisa o pedido de aprovação do plano de recuperação financeira apresentado pelo grupo. O processo tramita sob o nº 4144507-69.2026.8.26.0100. Ao analisar o pedido, a Justiça entendeu que os requisitos previstos em lei foram cumpridos e permitiu que todas as empresas envolvidas sejam tratadas conjuntamente no processo. Grupo Alliança, dono de marcas como o laboratório CDB, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 1,1 bilhão Divulgação A decisão também considerou a forte integração entre as empresas nas áreas operacional, administrativa, financeira e patrimonial. Isso permite que a situação do grupo seja analisada de forma conjunta, levando em conta a relação entre as companhias. A Justiça determinou ainda a suspensão das cobranças judiciais e de outros processos relacionados às dívidas incluídas no plano, além de pedidos de falência que estejam relacionados a esses débitos. O que acontece agora? O próximo passo será a publicação de um edital para avisar os credores - pessoas ou empresas que têm valores a receber da Alliança - sobre o processo. Depois disso, eles terão 30 dias para apresentar eventuais contestações ao plano, conforme determina a Lei de Recuperação e Falências. "A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados acerca dos desdobramentos relevantes do processo", afirmou a Alliança no fato relevante. Alliança Saúde quer renegociar R$ 1,1 bilhão Na última quarta-feira (5), a Alliança Saúde deu entrada na Justiça o pedido de recuperação extrajudicial com o intuito de renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. De acordo com a Alliança, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores, entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos. Juntos, eles representam cerca de 54% das dívidas incluídas na recuperação. A companhia informou que as negociações com outros credores continuam e que espera obter novas adesões. Como funciona o plano Segundo a Alliança, o plano proposto oferece diferentes alternativas para os credores receberem os valores devidos. São elas: Troca da dívida por ações: o credor pode converter o valor que tem a receber em ações da Alliança Saúde e se tornar acionista da empresa; Pagamento parcelado: outra opção prevê o pagamento de 30% da dívida em 11 parcelas anuais, após um período de carência de um ano. Os 70% restantes seriam perdoados; Dívidas menores: credores com valores de até R$ 15 mil poderão receber o valor em parcela única, em até 180 dias após a aprovação do plano.
11/08/2026 22:31:57 +00:00
Senado aprova linha de crédito para indústria de fertilizantes, mas sem estipular valores

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) um projeto que cria um programa, com oferta de financiamentos, para fomentar a indústria de fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio. O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT). Fertilizantes Foto de Kashif Shah A relatora no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), alterou o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Ela retirou a previsão de reserva do valor de R$ 10 bilhões em subsídios, entre 2027 e 2031, e de criação de um fundo específico para auxiliar o setor. Desta forma, ficará a critério do governo federal definir futuramente quanto será dado de crédito. A senadora, líder do PP no Senado, justificou a exclusão do trecho afirmando que ainda não é possível aferir o tamanho da renúncia fiscal que o governo terá de fazer nos próximos anos. Por isso, na versão da proposta que vai para sanção, o montante destinado ao novo programa não foi definido, pois terá de observar, a cada ano, "a disponibilidade orçamentária e financeira". Agora no g1 Esses recursos, que ficaram em aberto, se referem a créditos fiscais, ou seja, a uma redução nos impostos pagos pelo setor. Os deputados estipularam inicialmente que os créditos seriam concedidos a partir da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), essa parte do subsídio será tratada em um outro projeto, o que viabiliza a redução dos tributos sobre combustíveis. O que foi mantido na matéria aprovada pelos senadores é relativo aos empréstimos que serão disponibilizados à indústria. Linhas do BNDES e bancos habilitados Pelo texto, os valores serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai ofertar as linhas de crédito para os produtores de fertilizantes, assim como bancos habilitados por ele. Quem será beneficiado por esta política será o produtor, no Brasil, de fertilizante ou de suas matérias-primas. Essas podem ser: de origem sintética, por meio de processos químicos. Exemplos: amônia e ureia; a partir de minérios, de rochas. Exemplos: calcário, potássio, gesso agrícola; de origem orgânica. Exemplos: esterco animal, farinha de ossos (fonte de fósforo e cálcio). Empresas que aderem ao Simples Nacional ficam de fora do programa.  Em seu parecer, Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, explica que o Brasil, "consolidou-se como uma das maiores potências agropecuárias do mundo, mas permanece altamente dependente da importação de fertilizantes, sobretudo dos macronutrientes essenciais à produção agrícola, como nitrogênio, fósforo e potássio". Arroz, café, trigo e mais: como a crise dos fertilizantes — em ano de El Niño — pode pressionar preços "Essa dependência torna o agronegócio brasileiro particularmente sensível às oscilações dos mercados internacionais, às interrupções das cadeias globais de suprimento e às tensões geopolíticas que afetam a produção e a logística desses insumos", concluiu. Percentuais de mistura obrigatória Pelo projeto, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) vai definir uma quantidade de mistura obrigatória entre fertilizantes nacionais nos adubos vendidos no país. A proposta propõe os seguintes mínimos: 2% a partir de 1º de julho de 2027; 10% até 1º de janeiro de 2037; entre 10% e 30% a partir de 1º de janeiro de 2038, a depender uma análise técnica. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) divulgou que o Brasil responde por 8% do consumo mundial de fertilizantes e mais de 80% desse produto é comprado de outros países, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
11/08/2026 21:21:24 +00:00
'Taxa das blusinhas': Congresso vai instalar comissão para analisar MP na quarta-feira

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada O Congresso Nacional convocou para quarta-feira (12) a sessão para instalar a comissão mista para analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". Editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio, a MP perderá a validade caso não seja aprovada até 8 de setembro. Caso isso aconteça, a tributação de 20% será retomada. O agendamento da instalação da comissão mista é vista como um gesto do presidente do Senado Federal e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), ao governo federal. Os dois retomaram o diálogo na última semana após o rompimento causado pela rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), movimento articulado por Alcolumbre. A MP repassou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Nesta terça-feira (11), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que ainda conversaria com Alcolumbre e com o governo Lula para saber como será a análise da MP. "A Comissão Mista terá a presidência da Câmara e relatoria do Senado. É um dos temas que iremos tratar na reunião de líderes. A MP vence em meados do mês de setembro, então para que a taxação não volte, é necessário que o Congresso se debruce sobre o tema nas próximas semanas", disse Motta. Loja de roupas em Goiás Divulgação/CDL 'Taxa das blusinhas' A chamada "taxa das blusinhas" enfrentava resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que criticavam o encarecimento de produtos populares e de baixo valor e a consequente redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico. Os críticos da cobrança também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Por outro lado, varejistas brasileiros argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio nacional. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro. Já a decisão do governo de editar, em maio, uma medida provisória para revogar a "taxa das blusinhas" foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. A medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar uma mudança com forte apelo popular, já que a MP precisa ser aprovada por deputados e senadores para se tornar lei em definitivo.
11/08/2026 20:09:36 +00:00
Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar

Claude, da Anthropic, está entre os assistentes de IA mais populares do mundo, rivalizando com ChatGPT e Gemini Ryan Donegan/Flickr O Claude, assistente rival do ChatGPT, vai revelar que textos e imagens foram feitos com seus modelos de inteligência artificial. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (11) pela Anthropic, desenvolvedora da ferramenta. A empresa afirmou que fez a atualização para se adequar ao AI Act, lei da União Europeia que obriga empresas de tecnologia a criarem uma espécie de marca d'água sobre conteúdos gerados por inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Modelos do Claude lançados a partir de 2 de agosto já terão a marca d'água. Versões antigas também vão identificar textos e imagens gerados por IA, mas precisarão ser atualizados pela empresa, o que exigirá um período de transição. E, apesar de a exigência ser restrita à União Europeia, a identificação será aplicada em todo o mundo. Agora no g1 Segundo a Anthropic, a identificação será imperceptível para quem ler os textos gerados por sua IA e não vai mudar o sentido ou a qualidade do conteúdo. "Como a marca d'água faz parte do texto, ela o acompanhará quando for copiado e colado em outro lugar e poderá persistir mesmo após algumas edições", disse a emrpesa. No caso de imagens, o Claude vai informar como elas foram criadas por meio dos metadados que seguem o padrão de mercado. 🔎 Metadados são informações presentes nos arquivos que ajudam a descrever como eles foram criados. Os registros incluem detalhes como data e horário de criação. A Anthropic afirmou ainda que está trabalhando para oferecer ferramentas para usuários detectarem as marcas d'água incorporadas aos textos e às imagens geradas pelo Claude. A empresa prometeu divulgar os mecanismos de identificação no futuro.
11/08/2026 18:45:04 +00:00
Produção de petróleo no Oriente Médio deve seguir parcialmente paralisada até 2027, diz agência dos EUA

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters A produção de petróleo no Oriente Médio deve permanecer parcialmente interrompida até o fim de 2027, informou um relatório divulgado nesta terça-feira (11) pela Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Segundo a agência, cerca de 600 mil barris diários de produção na região devem permanecer fora de operação até 2027, já que alguns produtores enfrentam dificuldades para retomar os níveis observados antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A EIA afirma que a interrupção deve persistir mesmo que os fluxos comerciais sejam restabelecidos no próximo ano. Em julho, o volume de produção interrompida na região atingiu, em média, 5,5 milhões de barris por dia, segundo estimativas da agência. Agora no g1 Entenda o caso As cotações do petróleo vivem um período de volatilidade desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, em meio a declarações polêmicas do presidente americano, Donald Trump, impasses nas negociações para um acordo de paz entre EUA e Irã e o consequentemente fechamento do Estreito de Ormuz. O principal impacto desse cenário tem sido na oferta global de petróleo e nos custos globais de energia, que também já começam a se refletir na inflação. Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. Com o agravamento do conflito nos últimos meses, diversos países da região interromperam, por precaução, a produção de petróleo e gás. A interrupção também diminuiu os estoques globais da commodity, impulsionando os preços de energia pelo mundo. Entenda o que é o Estreito de Ormuz O aumento nos preços do petróleo e de energia em alguns países fizeram com que os bancos centrais de diversos países pelo mundo já levantassem preocupações com a inflação global, alertando um potencial aumento de juros. 🔎 Juros mais altos costumam estar associados a um menor acesso ao crédito e a uma desaceleração da economia. Com empréstimos mais caros, famílias tendem a reduzir o consumo e empresas ficam mais cautelosas para investir e expandir os negócios. Esse movimento ajuda a conter a inflação, mas também pode limitar o crescimento econômico. *Com informações da agência de notícias Reuters.
11/08/2026 17:29:37 +00:00
'Não é intromissão': presidente da ApexBrasil elogia entrada da China em debate sobre tarifaço na OMC

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil. Divulgação/ApexBrasil O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou como “muito boa” e legítima a decisão da China de participar das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Para ele, a entrada chinesa no processo não representa uma “intromissão”, mas reforça a importância do sistema multilateral e da discussão envolvendo o Brasil. “Não é uma intromissão da China, é uma participação normal e legítima, como tem na OMC”, afirmou Müller em entrevista ao g1. Segundo ele, a participação de outros países em uma disputa inicialmente bilateral amplia a relevância do caso e mostra que o tema ultrapassa os interesses de Brasil e EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “Quando outros países se interessam para participar, mostra a importância que tem”, disse. Para o presidente da ApexBrasil, a OMC é justamente o espaço adequado para que questões relacionadas ao comércio internacional sejam discutidas e, principalmente, resolvidas. Müller lembrou que Brasil e EUA defendem há décadas o uso da OMC para tratar de conflitos comerciais. “Levar esse assunto para a OMC é um gesto importante, porque a OMC é onde esses temas deveriam ser discutidos e mais do que discutidos, deveriam ser resolvidos”, afirmou. Agora no g1 Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a participação chinesa também evidencia a relevância do Brasil no comércio internacional. “O fato da China ter entrado no processo, nós achamos que é muito bom, porque isso mostra o interesse da China”, disse. Para ele, o envolvimento de outros países demonstra que o Brasil “está longe de ser um país irrelevante”. O novo 'plano socorro' da Apex A avaliação ocorre em meio ao esforço do governo brasileiro para diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos. Müller afirmou que o Brasil não deve substituir uma dependência por outra e que a estratégia da ApexBrasil busca ampliar as vendas para diferentes regiões. “Nós não podemos e não queremos mais depender de ninguém, porque a gente não precisa depender de ninguém”, afirmou. Segundo ele, o Brasil tem buscado ampliar sua presença na Europa, na Índia, no Canadá, no México, na África e em países asiáticos, como Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Para Müller, o crescimento das exportações brasileiras para determinados países também acompanha o avanço dessas economias. Ele citou a Índia como exemplo: há cerca de dez anos, o país ocupava a 40ª posição entre os destinos das exportações brasileiras; atualmente, segundo ele, já é o quarto mercado mais importante e um dos que mais cresceram. “É natural que a nossa exportação cresça para os países que estão crescendo mais”, afirmou. Por isso, segundo Müller, o plano de diversificação lançado pela ApexBrasil é uma resposta ao tarifaço americano, mas também faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão comercial. “Está muito claro para todos nós que nós não queremos e não vamos trocar uma dependência por outra”, disse. Sobre o plano de R$ 210 milhões apresentado pela ApexBrasil, Müller afirmou que a agência não pretende concentrar os recursos em poucos setores ou países. A estratégia, segundo ele, foi desenhada para atender às 5.300 empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço, que exportam cerca de 2 mil produtos atingidos pelas tarifas. “Não estamos apostando em setores, nós não estamos apostando em prioridades. Nós estamos apostando nas 5.300 empresas que estão sofrendo com o tarifaço”, afirmou. Müller disse ainda que a ApexBrasil trabalha com pelo menos 30 países e 29 setores, justamente porque o objetivo é contemplar o conjunto das empresas atingidas. “É um plano para todos, para todas as empresas brasileiras impactadas”, afirmou. Segundo ele, a capacidade de atender todo esse grupo é algo inédito para a agência. China e OMC, o que aconteceu? No dia 30 de julho, o Brasil enviou à OMC um pedido de consulta sobre as novas tarifas impostas pelos EUA, contestando as aplicações. São elas: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Em seguida, na segunda-feira (10), o governo dos EUA respondeu ao pedido e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem estar 'à disposição' para discutir tarifaço "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. Logo depois, no mesmo dia, a China pediu para participar de tais consultas. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização.
11/08/2026 17:02:38 +00:00
Tarifaço: ApexBrasil anuncia 'socorro' de R$ 210 milhões para empresas buscarem novos mercados

Time da ApexBrasil anunciado o 'plano socorro' para as exportadoras brasileiras. Isabela Ortiz/g1 A ApexBrasil anunciou nesta terça-feira (11) um plano de apoio às empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A agência vai destinar R$ 210 milhões para ajudar empresas de 35 setores a buscar novos mercados para reduzir a dependência dos EUA. Os recursos poderão custear despesas com consultorias especializadas, bolsas de exportação, participação em feiras internacionais e reuniões de negócios. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O programa terá duração de 12 meses e pretende atender 5,3 mil das 5,6 mil empresas atingidas pelas novas tarifas anunciadas pelos EUA. Como não se trata de um empréstimo, não haverá cobrança de juros ou taxas sobre os recursos. As inscrições começam nesta quarta-feira (12), pelo site da ApexBrasil. No cadastro, a empresa deverá informar dados sobre suas exportações e o objetivo do apoio. A análise será individual, e cada caso receberá um auxílio específico. Os principais objetivos são: Apoio a setores e às empresas exportadoras impactadas pelas tarifas; Diversificação de mercados para exportação; Manutenção da promoção comercial no mercado americano; Isenção de taxa de participação em ações diretas para empresas impactadas. Agora no g1 Segundo Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, o objetivo não é recuperar os R$ 210 milhões, mas preparar as empresas brasileiras para exportar. Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China estão entre os mercados apontados pela entidade como possíveis destinos para diversificar as exportações. Em exclusividade ao g1, o presidente afirmou que abrirá, em 2 de setembro, um escritório em Adis Adeba, na Etiópia, como parte da estratégia de ampliar a atuação brasileira na África e na Ásia. Segundo Müller, o escritório terá como objetivo trabalhar comercialmente esses mercados. Ao falar sobre a estratégia para a Ásia, Müller citou o interior da China, diferenciando-o da região litorânea, mas afirmou que o foco principal está nos países da ASEAN, bloco que reúne Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Segundo a Apex, 72% das 2,4 mil empresas atendidas e que exportam para os EUA já vendem para pelo menos um mercado adicional. Novo tarifaço Os Estados Unidos anunciaram duas novas tarifas aos produtos brasileiros. Uma delas é a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais desleais. A outra é a sobretaxa de 12,5% aplicada a mais de 60 parceiros comerciais dos americanos, relacionada ao comércio de produtos que utilizam trabalho forçado. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a sobretaxa chega a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23,1% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a essas novas sobretaxas. Outros 24,2% são alcançados por tarifas setoriais previstas na Seção 232. Com as listas de exceções determinadas pelos EUA, pouco mais da metade das exportações brasileiras aos Estados Unidos — 52,7%, considerando os dados de 2024 usados pelo MDIC — não está sujeita às novas sobretaxas das Seções 301 nem às tarifas setoriais da Seção 232. Entre os produtos nessa categoria estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose. Isso ajuda a explicar por que a estratégia da ApexBrasil não é substituir o mercado americano, mas reduzir a dependência dele. As tarifas chegam em um momento de perda de participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões para o mercado americano, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a fatia dos EUA nas vendas externas brasileiras caiu de 12,1% para 9,4%. Em 2025, as exportações brasileiras para os americanos já haviam recuado para US$ 37,7 bilhões, depois do recorde de US$ 40,4 bilhões registrado em 2024. Enquanto as vendas aos Estados Unidos perderam espaço, a China manteve posição muito mais relevante como destino das exportações brasileiras.
11/08/2026 16:34:03 +00:00
Auxílio-doença: veja quem tem direito, como pedir e quais documentos apresentar

Aplicativo "Meu INSS" Reprodução/TV Globo O governo ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Desde julho, a gestação de alto risco passou a integrar a relação de situações que permitem o acesso ao benefício sem o cumprimento desse prazo. Com a mudança, o número de doenças e condições que dispensam a carência subiu para 18. Mesmo nesses casos, porém, o trabalhador continua precisando comprovar a incapacidade para o trabalho e manter a qualidade de segurado da Previdência Social. O auxílio por incapacidade temporária, também chamado auxílio-doença, é destinado a trabalhadores que contribuem para a Previdência Social e que ficam temporariamente impossibilitados de exercer suas atividades em razão de doença ou outra condição de saúde. Agora no g1 Mas não basta apenas ser um contribuinte para ter direito ao benefício. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) exige que o solicitante comprove, com perícia médica, a incapacidade para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. Em regra, o trabalhador também deve ter pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS. A exigência não vale para casos de acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e para os segurados acometidos por doenças e condições previstas em lei - como gestações de alto risco. O INSS também isenta o tempo de carência trabalhadores acometidos das seguintes doenças: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. A avaliação médica em relação à isenção é feita pela Perícia Médica Federal. Em alguns casos, ela pode ser feita por meio de análise documental, sem a necessidade do comparecimento presencial. Esse requerimento é denominado de Auxílio por incapacidade temporária – Análise Documental. Outra modalidade de requerimento é o "Domiciliar", no qual o solicitante envia um representante para apresentar a documentação necessária. Tem dia certo para pedir demissão? Advogados trabalhistas explicam que sim; veja as dicas Como solicitar? É possível fazer a solicitação através no site ou aplicativo "Meu INSS". Faça o login com a conta gov.br; Clique em “Novo pedido” ou no campo editável “Do que você precisa?”. Digite a palavra “incapacidade” e selecione a opção “Pedir Benefício por incapacidade”. Acompanhe o andamento pelo "Meu INSS", na opção “Consultar Pedidos”. Documentação Durante a solicitação, os trabalhadores precisam apresentar: Documentos médicos originais (exames, laudos, receitas); Documentos pessoais originais do interessado com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Procuração ou termo de representação legal (tutela, curatela, termo de guarda), se houver; Documentos pessoais originais do procurador com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Prorrogação do benefício Nos últimos 15 dias do auxílio por incapacidade temporária, caso o segurado acredite que o prazo concedido para a recuperação tenha sido insuficiente, poderá ser solicitada a prorrogação do benefício pela Central 135 ou pelo Meu INSS. Caso não concorde com o indeferimento ou a cessação do benefício, o trabalhador pode entrar com recurso à Junta de Recursos, em até 30 dias contados a partir da data em que tomar ciência da decisão do INSS Dúvidas Em caso de dúvidas, ligue para a Central de Atendimento do INSS pelo telefone 135. O serviço está disponível de segunda a sábado das 7h às 22h (horário de Brasília). Saiba o que a lei diz sobre reuniões fora do horário de trabalho contratual
11/08/2026 16:29:50 +00:00
Governo concede subsídio a produtores de cana do Nordeste afetados pelo tarifaço

Produção de cana-de-açúcar com irrigação por gotejamento fica no Vale do Açu, no Oeste potiguar Reprodução/Inter TV Cabugi O governo federal publicou, nesta terça-feira (11), uma medida que concede, em caráter extraordinário, apoio financeiro a produtores de cana-de-açúcar da Região Nordeste. O benefício será de R$ 12 reais por tonelada de cana-de-açúcar comercializada para os produtores que tiveram prejuízos econômicos na safra 2025/2026, por conta das tarifas americanas impostas às exportações brasileiras ou de eventos climáticos extremos. Segundo o governo, o objetivo da medida é preservar a renda dos produtores, manter a produção e proteger os empregos do setor sucroenergético. Agora no g1 Quais produtores serão beneficiados? Serão beneficiados os produtores de cana-de-açúcar que forneçam a produção para usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na Região Nordeste. A medida, no entanto, não se aplica a produtores que sejam sócios das usinas, destilarias ou cooperativas. Para receber o benefício, os produtores precisam estar em situação regular com a Conab e com os principais cadastros e órgãos do governo, incluindo Fazenda Nacional, INSS, FGTS, Sicaf e Cadin. Também não podem estar inscritos no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS). A medida estabelecer prazo até 30 de outubro para que os produtores apresentem a documentação junto a Conab que divulgará as informações sobre os beneficiários e os valores pagos. Segundo o decreto, os recursos destinados à subvenção econômica estão limitados a R$ 270 milhões do orçamento do Ministério da Agricultura e Pecuária.
11/08/2026 16:03:08 +00:00
Startup de IA Manus retomará operação independente após saída da Meta

Manus havia sido comprada pela Meta Reprodução A startup chinesa de inteligência artificial Manus informou nesta terça-feira (11) que voltará a operar de forma independente e que excluirá parte dos dados de usuários como parte do processo de separação da Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram. "Como parte da nossa transição para operações independentes e para cumprir exigências regulatórias em determinadas jurisdições, os dados gerados por alguns usuários desde 29 de dezembro de 2025 serão excluídos ainda neste mês", informou a Manus em comunicado. A empresa afirmou que os usuários afetados serão avisados pelo aplicativo Manus e por e-mail e poderão fazer cópias de segurança de seus dados antes da exclusão. Agora no g1 Segundo o comunicado, a medida faz parte do processo de separação da empresa da Meta. Em abril, autoridades chinesas determinaram que a Meta desfizesse a aquisição da Manus, avaliada em mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões). A decisão foi tomada pelo Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimento Estrangeiro da China, e ocorreu em meio ao aumento da fiscalização de Pequim sobre investimentos americanos em startups chinesas que desenvolvem tecnologias consideradas estratégicas. A comissão não detalhou os motivos do veto. A Meta havia anunciado a aquisição da Manus em dezembro, em um caso incomum de grande empresa de tecnologia americana comprando uma companhia de IA com fortes vínculos com a China. O acordo continha várias etapas que ampliariam as ofertas de IA nas plataformas da Meta. Anteriormente, a empresa americana havia afirmado que não haveria "nenhum interesse de propriedade chinesa" na Manus após o fechamento do negócio, e que a startup encerraria seus serviços e operações na China. Ainda assim, em janeiro, o governo chinês anunciou que investigaria se a aquisição estaria em conformidade com suas leis e regulamentos. Em julho, a agência de notícias Reuters informou que a Tencent, gigante chinesa dos setores de jogos e internet, estaria negociando a compra de uma participação que poderia transformá-la na maior acionista da Manus. *Com informações das agências de notícias Reuters e Associated Press.
11/08/2026 15:45:10 +00:00
Em meio ao tarifaço dos EUA, ministro se reúne com chefe de bloco asiático para ampliar comércio

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu nesta terça-feira (11) em Brasília com a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Theresa Lazaro. O governo das Filipinas preside atualmente a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e o encontro acontece num momento em que o Brasil busca novos parceiros e ampliar relações comerciais em meio ao tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Inicialmente, Vieira e Maria Theresa estiveram no Palácio da Alvorada, residência oficial do governo, num encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois seguiram para o Palácio Itamaraty, também na capital, sede do Ministério das Relações Exteriores. A Asean reúne, além das Filipinas, países como Singapura, Vietnã e Indonésia, com os quai o Brasil defende que o Mercosul mantenha acordos comerciais, em razão do potencial de aumentar o comércio exterior e, na prática, reduzir a dependência de alguns mercados. Agora no g1 Segundo o Itamaraty, em 2025, o comércio entre o Brasil e os países da Asean ultrapassou US$ 38,4 bilhões, tornando o bloco o quinto maior parceiro comercial do país, atrás da China, da União Europeia, dos Estados Unidos e do Mercosul. Ainda de acordo com o ministério, os países da Asean são responsáveis por 15% de todo o superávit da balança comercial brasileira em 2025, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões. Nesse contexto, o Itamaraty afirmou que as Filipinas representam “importante mercado para produtos do agronegócio e do setor mineral”. Em 2025, conforme o ministério, o país se tornou o maior destino das exportações brasileiras de carne suína, com vendas de aproximadamente US$ 840 milhões. Chanceler Mauro Vieira Mateus Oliveira/MRE Tarifaço dos EUA A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos e falhou, assim como outros países, no combate à importação de produtos fabricados em países onde há trabalho forçado. Por isso, anunciou duas tarifas (de 25% e de 12,5%) contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano. Desde então, a ordem interna no governo brasileiro tem sido abrir novos mercados e ampliar os já existentes, reduzindo a dependência do mercado americano. Em razão dos dois tarifaços, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas são discriminatórias, unilaterais e desrespeitam compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à entidade multilateral. Os Estados Unidos já responderam ao pedido de consultas, afirmando que estão “à disposição” das autoridades brasileiras para discutir o tarifaço - mas não sinalizaram se vão reverter ou não o tarifaço.
 Nesse cenário, a China também solicitou à OMC participar das discussões, alegando que as exportações do país podem ser prejudicadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
11/08/2026 15:05:49 +00:00
Venda de carros cai na China, e marcas chinesas aceleram chegada ao Brasil e a novos mercados

Carros da Leapmotor prontos para exportação Divulgação / Leapmotor Dados da Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA) mostram que julho de 2026 foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas de automóveis no mercado doméstico da China. O recuo foi de 21,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,47 milhão de veículos. No mesmo período, as exportações da China dispararam 88,2%, para 923 mil veículos. O movimento mostra como as montadoras chinesas estão ampliando sua presença em outros mercados diante da desaceleração da demanda interna e da forte concorrência no maior mercado automotivo do mundo. Carros da China já correspondem a 52% dos importados no Brasil em 2026; eletrificados crescem 120% 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos A queda das vendas domésticas foi mais intensa do que a associação esperava. Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o aumento dos preços dos combustíveis prejudicou principalmente os veículos movidos a gasolina, enquanto a demanda por sedãs de entrada também perdeu força. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas domésticas de veículos de passeio acumulam queda de 20,5%, o equivalente a cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025. Exportações ganham força O movimento é oposto no mercado externo. As exportações de veículos elétricos e híbridos plug-in cresceram 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos no mercado doméstico recuaram 3,9%. As montadoras chinesas vêm ampliando a atuação, especialmente na Europa, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio. A estratégia ajuda as fabricantes a compensar a menor demanda dentro do país e a aproveitar mercados onde a presença de marcas chinesas ainda está em expansão. Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, é um dos exemplos. A empresa enfrenta um mercado doméstico mais fraco, mas registrou recorde de remessas internacionais em julho, contribuindo para o terceiro mês consecutivo de crescimento de suas vendas globais. Brasil está entre os mercados que mais recebem carros chineses O movimento de expansão das montadoras chinesas já aparece com força no Brasil. Entre janeiro e julho, o país importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025. Mais de 180 mil vieram da China — 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período. As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A ofensiva ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. No acumulado até julho, os emplacamentos de carros elétricos e híbridos avançaram 120,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em julho, os eletrificados responderam por 23,5% dos emplacamentos de veículos no país, a maior participação registrada até então. Montadoras buscam espaço fora da China A expansão internacional ocorre em um momento de maior competição dentro da própria China. Com consumidores mais seletivos e uma grande quantidade de novos modelos, as fabricantes enfrentam pressão para manter preços competitivos e preservar margens. Segundo analistas, a demanda por substituição de veículos perdeu força depois do impulso provocado pelos subsídios, enquanto os consumidores passaram a selecionar mais os modelos antes de comprar. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, resumiu o desafio das fabricantes: enquanto as montadoras tentam avançar para segmentos mais sofisticados, os consumidores chineses continuam priorizando veículos com melhor relação entre preço e benefício. Estratégia inclui produção no exterior Além de aumentar as exportações, as fabricantes chinesas também estão buscando produzir mais perto dos mercados consumidores. Um exemplo é a Geely, que fechou acordo com a Ford para produzir SUVs elétricos em uma fábrica da montadora americana na Espanha. A estratégia permite às empresas chinesas ampliar a capacidade de produção e facilitar o acesso ao mercado europeu. Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador Malu Vieira/ g1 BA No Brasil, o movimento também deve continuar. Sete novas marcas chinesas têm planos de entrar no mercado brasileiro até 2028, segundo levantamento divulgado pelo g1. A expansão aumenta a concorrência com fabricantes tradicionais e já começa a pressionar os preços. Segundo estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. Pressão sobre o setor deve continuar Apesar do avanço das exportações, a fraqueza do mercado chinês pode continuar no segundo semestre. Analistas do Deutsche Bank avaliam que as montadoras devem enfrentar pressão sobre as margens com o aumento das promoções e dos custos de componentes, como baterias de lítio e memórias para semicondutores. O cenário cria uma situação paradoxal para a indústria chinesa: as vendas dentro do país perdem força justamente quando as montadoras aceleram a expansão internacional — e mercados como o Brasil ganham importância nessa estratégia. *Com informações da Reuters
11/08/2026 13:45:12 +00:00
Governo amplia lista de doenças que dão auxílio-doença sem carência; veja quais

Auxílio-doença sem carência: veja quais condições dão esse direito O Ministério da Previdência Social ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária — o antigo auxílio-doença — sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições à Previdência Social. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde 24 de julho, a gestação de alto risco integra essa relação. A mudança foi estabelecida por uma portaria publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos ministros Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Alexandre Padilha, da Saúde. Com a inclusão, subiu para 18 o número de doenças e condições que dispensam o cumprimento da carência mínima para a concessão do benefício. Em 2022, a lista já havia sido ampliada com a inclusão do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, nos casos considerados graves. O rol foi instituído pela Lei nº 8.213, de 1991, e, desde então, passou por duas ampliações: a de 2022 e a mais recente, que incluiu a gestação de alto risco. Veja abaixo a lista completa: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. Previdência Social Marco Favero/ Agencia RBS No caso do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, a dispensa da carência só se aplica quando os quadros apresentam evolução aguda e atendem aos critérios de gravidade. A avaliação para definir se o segurado se enquadra nas condições para a dispensa da carência é feita pela Perícia Médica Federal. Segundo a Previdência, nesses casos, o benefício pode ser concedido mesmo que o segurado não tenha cumprido a carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Ainda assim, é necessário ter qualidade de segurado — ou seja, estar coberto pela Previdência Social — e comprovar a incapacidade para o trabalho. A carência também é dispensada nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa, além de doença profissional ou do trabalho. Nas demais situações, em regra, é necessário ter feito pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS para ter direito aos benefícios por incapacidade. Quando um trabalhador pode ser afastado do trabalho por doença? O afastamento ocorre quando uma doença ou outra condição de saúde deixa o trabalhador temporariamente incapaz de exercer suas atividades profissionais. Para empregados com carteira assinada, a empresa é responsável pelo pagamento do salário durante os primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por incapacidade. A partir do 16º dia, o trabalhador pode ter direito ao auxílio por incapacidade temporária pago pelo INSS, desde que cumpra os requisitos para a concessão. O benefício é pago enquanto persistir a incapacidade temporária para o trabalho e pode ser prorrogado ou encerrado conforme a avaliação da perícia médica. Para comprovar a incapacidade, podem ser exigidos documentos como atestados, laudos e exames médicos. Como funciona a perícia médica? A incapacidade para o trabalho é verificada por meio de perícia médica. Ao solicitar o benefício, o segurado deve enviar, de forma on-line, pelo aplicativo ou site Meu INSS, documentos que comprovem sua condição de saúde, como atestados e laudos médicos. Os documentos devem estar legíveis e conter informações como o período de afastamento recomendado, o código da doença e a assinatura do profissional responsável. A perícia pode concluir que o segurado está temporariamente impossibilitado de trabalhar, o que pode resultar na concessão do auxílio por incapacidade temporária. Se for constatada incapacidade permanente, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente — antiga aposentadoria por invalidez. Quem tem direito ao auxílio por incapacidade temporária? O benefício é destinado ao segurado do INSS que esteja temporariamente incapaz de trabalhar ou exercer sua atividade habitual e cumpra os requisitos previdenciários exigidos. Em regra, é preciso ter qualidade de segurado e cumprir uma carência mínima de 12 contribuições mensais. A exigência da carência, porém, é dispensada em situações previstas em lei, como nos casos das doenças e condições listadas acima, de acidentes de qualquer natureza e de doenças profissionais ou do trabalho. Podem ter direito ao benefício, por exemplo, empregados com carteira assinada, trabalhadores autônomos e outros contribuintes individuais, além de segurados facultativos, desde que cumpram os requisitos aplicáveis a cada caso. Mesmo quem deixou de contribuir para o INSS pode, em determinadas situações, continuar coberto pela Previdência por um período após a interrupção dos pagamentos. É o chamado “período de graça”, cuja duração varia conforme a situação do segurado. Como pedir o benefício? O pedido do auxílio por incapacidade temporária pode ser feito pelo Meu INSS. Após entrar na plataforma, o segurado deve selecionar “Novo pedido”, buscar por “incapacidade” e escolher a opção “Pedir Benefício por Incapacidade”. O andamento da solicitação pode ser acompanhado na própria plataforma, em “Consultar Pedidos”. O INSS orienta ainda que o segurado mantenha seus dados de contato atualizados para receber as notificações sobre o processo. Quais documentos devem ser apresentados? Entre os documentos exigidos estão: documentos médicos originais, como exames, laudos e receitas; documento de identificação com foto e CPF; procuração ou documento de representação legal, quando necessário; documento de identificação e CPF do procurador ou representante, se houver. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
11/08/2026 13:41:41 +00:00
Presidente do Bradesco vê espaço para novos cortes de juros, mas alerta para riscos de guerra, eleições e El Niño

Ilustração de logo do Bradesco. Reuters O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta terça-feira (11) que vê espaço para novos cortes na taxa básica de juros ainda neste ano, apesar de riscos como as eleições, a guerra no Oriente Médio e os efeitos do El Niño sobre a inflação. "A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada [...] e, quando olhamos para a inflação, vemos espaço para reduzir essa taxa", afirmou em entrevista ao Radar GloboNews. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo Noronha, os economistas do Bradesco trabalham com a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) já na próxima reunião do colegiado, em setembro. O executivo destaca, no entanto, que acredita que novos cortes podem ocorrer posteriormente. "Já vemos sinais de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com [uma redução de] 0,25 p.p., mas eu acredito que podemos ver novos cortes", completou. Agora no g1 🔎Quando a economia perde força, o consumo e os investimentos tendem a crescer em ritmo mais lento, o que reduz pressões sobre os preços e pode abrir espaço para cortes nos juros. Apesar do tom mais otimista, Noronha reconhece que ainda existem fatores que podem dificultar a trajetória de queda dos juros, como as eleições, os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os impactos do El Niño, fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos. "Temos um cenário ainda incerto e uma guerra sem desfecho definido, que afeta os preços do petróleo e pode pressionar a inflação por aqui", disse o presidente do Bradesco. Ele destacou que, embora o histórico mostre que as eleições costumam provocar volatilidade no câmbio, esse efeito tende a se concentrar no curto prazo. "Temos, de fato, uma volatilidade maior, mas concentrada em um período mais curto. Então continuo trabalhando com a expectativa de que os juros precisem permanecer acima da inflação, mas não em um patamar tão elevado quanto o atual", acrescentou Noronha. Nesta terça-feira, o Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom. Na semana passada, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para 14% ao ano. No documento, divulgado nesta terça-feira, o BC alertou para os possíveis impactos da alta dos preços do petróleo e dos eventos climáticos sobre a inflação brasileira. Segundo a instituição, caso esses riscos se concretizem, poderá ser necessária uma "reação firme" da política monetária. O BC também demonstrou preocupação com o possível impacto inflacionário das medidas de estímulo adotadas pelo governo federal. "O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta". Endividamento das famílias ainda preocupa O presidente do Bradesco também afirmou que o endividamento das famílias e o comprometimento da renda seguem sendo motivo de preocupação. Segundo ele, embora o Desenrola — programa de renegociação de dívidas do governo federal — tenha produzido efeitos positivos, ainda há um longo caminho para garantir um crescimento sustentável da economia. "[O Desenrola] vem evoluindo e surtindo efeito, mas tudo tem seu limite. O que esperamos é um Brasil capaz de crescer acima de 3% ao ano e manter uma política fiscal equilibrada, evitando uma trajetória persistente de aumento da dívida pública", afirmou. Segundo Noronha, o equilíbrio das contas públicas é fundamental para manter a inflação sob controle e permitir juros mais baixos por mais tempo. "É isso que pode trazer mais tranquilidade para empresas e consumidores ao preservar empregos e renda. O pior inimigo da renda é a inflação. Com os preços sob controle e o país crescendo, temos condições de construir uma economia mais saudável do que a atual", disse. Noronha também afirmou que os candidatos à Presidência da República deveriam ser mais transparentes sobre seus planos para as contas públicas. "O Brasil já sabe o que precisa fazer para equilibrar as contas públicas. Mas, independentemente de qual governo assuma, será necessária vontade política para colocar essas medidas em prática. Acredito que o Congresso apoiará medidas responsáveis que ajudem o país a construir uma política fiscal mais equilibrada", concluiu.
11/08/2026 13:19:22 +00:00
Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% no ano, menor nível em 3 anos para o período

Tarifaço americano: Brasil calcula que medida atinge 18% das exportações pros EUA As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat. A queda foi ainda maior entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens recuaram 31,5% no acumulado do ano, de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões. A retração nesse grupo de produtos mais taxados foi puxada principalmente pela madeira de coníferas, cujas vendas para os EUA desabaram 59,4% de janeiro a julho na comparação com o mesmo período do ano passado. O tombo no faturamento do setor atingiu em cheio outros itens da pauta, com quedas expressivas no sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), nos granitos trabalhados (-42,1%), no fumo não manufaturado (-37,7%) e na exportação de portas e caixilhos (-35,3%) — um retrato de como o tarifaço americano vem encolhendo os ganhos da indústria e do setor extrativo brasileiro no ano. “Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Exportações caem em julho Somente em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance Assim como na comparação Janeiro a Julho, entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda foi ainda mais forte em julho, de 25,7%. Na direção contrária, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de aço e alumínio. Entre os produtos que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Semimanufaturados de ferro e aço também tiveram retração. Principais produtos da pauta exportadora brasileira para os EUA g1 Relembre como funcionam as sobretaxas impostas pelos EUA: Sobretaxas de 25% a 37,5% (Seção 301 - Tarifas mais altas):Atingem produtos como sebo bovino, fumo, madeira de coníferas e portas. Essa alíquota é a mais pesada porque combina duas punições comerciais cumulativas aplicadas pelos EUA sobre o mercado brasileiro. Foi essa categoria que liderou as maiores quedas em valor no ano (-31,5%). Sobretaxas de 12,5% (Seção 301 - Tarifa base): É a taxa de retaliação comercial padrão aplicada a itens como minério de ferro aglomerado, pedras de cantaria e outros silícios. "Seção 232" (Segurança Nacional): Agrupa bens industriais e estratégicos — como aço, alumínio, transformadores e maquinário pesado (tratores e pás carregadoras). Em vez de uma porcentagem fixa única, esses produtos seguem uma lei americana voltada à "segurança nacional", com regras setoriais específicas que variam de acordo com o tipo e a composição do bem. : Vendas aos EUA caem enquanto exportações ao mundo crescem O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil nos demais mercados. Enquanto as vendas para os EUA recuaram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5% no mesmo período. Mesmo com a queda, os Estados Unidos continuam como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro tiveram queda nas exportações para o mercado americano ao mesmo tempo em que registraram crescimento nas vendas para o restante do mundo. É o caso do petróleo bruto, cujas exportações para os EUA caíram 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço, com queda de 11,1%, do ferro-gusa, que recuou 7,9%, e da celulose, com baixa de 5,3%. Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos tiveram queda nas vendas no acumulado do ano. No restante do mundo, todos esses produtos registraram crescimento. Brasil tem déficit com os Estados Unidos As importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. Com as exportações em queda, o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões no comércio com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O valor representa uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado. 🔍Déficit comercial: quando um país compra mais de outro do que vende. Somente em julho, as compras brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões, após sete meses consecutivos de retração. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos no mês.
11/08/2026 13:18:19 +00:00
Depois do foie gras, quais práticas de criação e abate de animais podem ser proibidas?

Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras Brasil proibiu a alimentação forçada de patos e gansos, mas mantém práticas como o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o confinamento em gaiolas. O Brasil proibiu, desde julho, a produção e a comercialização de alimentos obtidos a partir da alimentação forçada de animais, como o foie gras. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Se, por um lado, o país deu um passo importante na proteção dos animais, ainda há inúmeras práticas da pecuária que despertam críticas e, segundo especialistas e ativistas, exigem mudanças. O foie gras é produzido por meio da gavagem, técnica que utiliza tubos de metal ou plástico introduzidos na garganta de patos e gansos para despejar grandes quantidades de alimento no estômago. Veto ao foie gras no Brasil reacende tensão comercial com a França após acordo Mercosul-UE O objetivo é provocar o acúmulo de gordura no fígado, tornando-o maior e com uma textura que derrete na boca. Entre as práticas controversas que deveriam ser mudadas no país, segundo especialistas, estão o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o uso de gaiolas para porcas e galinhas. Essas condutas contrastam com a proteção contra a crueldade prevista na Constituição Federal. Foie Gras é proibido no Brasil. REUTERS/Aline Massuca "Os animais possuem dignidade intrínseca simplesmente por existirem. E essa dignidade está posta na Constituição Federal e já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Várias práticas não se justificam por serem intrinsecamente cruéis", afirmou Arthur Regis, especialista em Políticas Públicas da ONG Sinergia Animal. "Precisamos avançar ainda mais na abolição das piores práticas." Gaiolas, gado vivo e vacas grávidas Não há dúvida de que o foie gras é doloroso e cruel, afirmou a médica-veterinária Carla Forte Maiolino Molento, coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal (LABEA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Embora esse método tenha sido proibido, a especialista considera que interesses econômicos ainda prevalecem sobre o bem-estar animal no Brasil. Gado confinado em Barretos, São Paulo. Joel Silva/Reuters Há três práticas que deveriam ser proibidas com mais urgência, na análise da professora. O abate de jumentos, cujas peles são vendidas principalmente no mercado chinês, pode levar esses animais à extinção. "É difícil ter dados muito aproximados, porque não é monitorado como em uma indústria mais estabelecida. Mas estima-se que boa parte da população já tenha sido abatida." Uma outra é a exportação de gado vivo por via marítima. Todos os anos, milhões de bois, vacas e bezerros costumam passar semanas em alto mar, convivendo em ambientes apertados e cobertos de fezes e urina, antes de serem abatidos, geralmente em países do Oriente Médio. Muitos morrem nesta travessia. O abate de vacas grávidas é outra prática que deveria ser proibida, segundo a professora. De acordo com uma normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apenas fêmeas gestantes que estejam nos últimos 10% do período gestacional não devem, em circunstâncias normais, ser transportadas ou abatidas. Molento chamou a atenção para alguns detalhes da regulamentação que considera "pesadíssimos". A norma estabelece que os fetos não devem ser removidos do útero antes de cinco minutos após o término da sangria da fêmea gestante. Também determina que, caso um feto maduro e vivo seja removido do útero, deve-se impedir que ele infle os pulmões e respire. O que traria mais impacto, no entanto, tanto pelo número de animais afetados quanto pelo seu grau de sofrimento, seria o fim do uso de gaiolas, amplamente utilizadas para porcas e galinhas. "É algo extremo, que a gente naturalizou", afirmou Molento. Porcas, por exemplo, vivem em gaiolas do tamanho do próprio corpo, amamentando diversos filhotes, que depois serão abatidos. "Se você entra num galpão desses, o que você vê são animais no mais avançado estágio de depressão. Medo, tédio e frustração são alguns dos sentimentos provavelmente sentidos por elas." Trituração de pintinhos Há muito espaço para o Brasil avançar na adoção de práticas e processos que reduzam o sofrimento animal, avaliou George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da ONG Mercy For Animals. Uma das mais urgentes, na sua visão, é o transporte de gado vivo por via marítima. Além disso, ele também destaca a situação das aves de produção. Pintinhos Reprodução/RPC Entre as práticas usadas na indústria de produção de ovos está o descarte de pintinhos machos por trituração, asfixia ou sufocamento após a eclosão. "Eles são triturados porque não têm valor comercial. Pintinho macho não põe ovo. Você poderia perguntar: ‘Não põe ovo, mas ele poderia ser criado para produção de carne?'. Poderia. O problema é o ponto de vista da indústria", explicou Sturaro. Segundo o especialista, como as aves foram selecionadas para colocar ovos, elas não são tão eficientes para produzir carne. "Só que estamos falando de um animal que nasceu, um ser vivo, senciente, que tem um sistema nervoso e que é capaz de sentir medo, dor, desconforto. E ele é triturado vivo", disse Sturaro. Uma alternativa seria o uso da sexagem in ovo, uma tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião antes da eclosão. Esse método, segundo a Mercy For Animals, começou a ser usado na Itália e também vem sendo utilizado em outros países, como a Alemanha. Já no Brasil, estima-se que 85 milhões de pintinhos machos sejam mortos todos os anos. Outro problema dessa indústria de aves, segundo Sturaro, é o uso de gaiolas para galinhas poedeiras, criadas para a produção de ovos. "É um extremo sofrimento para os animais. Uma galinha poedeira passa praticamente toda a vida dentro de uma gaiola, de 18 a 24 meses. Depois é enviada para um abatedouro", explicou Sturaro. Por causa desse confinamento, uma prática usada para evitar que as galinhas se machuquem é a debicagem, ou seja, o corte do bico, feito por métodos mecânicos ou a laser. "Às vezes alguns animais brigam por não conseguirem acessar a comida ou a água de modo satisfatório. As galinhas brigam bicando umas às outras. Então, se elas têm os bicos naturais, os bicos inteiros, elas se ferem gravemente." A DW solicitou informações e posicionamentos ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa os setores da avicultura e da suinocultura do Brasil. Até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A disputa no Congresso Organizações da sociedade civil acompanham mais de 500 proposições relacionadas à causa animal. Em abril, lançaram a Agenda Legislativa Animal 2026, apontando 20 projetos prioritários para sensibilizar os parlamentares e impulsionar a tramitação. No eixo de bem-estar animal e pecuária, as organizações apoiaram o projeto que proibiu a alimentação forçada de animais, utilizada na produção de foie gras. Também defenderam a aprovação de propostas como o fim do abate de equídeos, como os jumentos, a proibição da exportação de gado vivo, a adoção da sexagem in ovo e a implantação da rotulagem de produtos de origem animal. Outro projeto apoiado é o PL 2881/2024, que busca incluir na Lei de Política Agrícola o bem-estar animal como um princípio essencial. A proposta foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas aguarda para ser discutida na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde há um parecer contrário. Na Agenda Legislativa Animal 2026, as organizações afirmaram que, apesar dos avanços e do volume de iniciativas, o "espaço dedicado à temática animal na agenda política e nos processos decisórios ainda é reduzido". "No Brasil nós temos uma resistência no Congresso Nacional muito grande a qualquer avanço no contexto das práticas agropecuárias, em virtude de termos uma bancada muito organizada, muito forte, a bancada do agronegócio", afirmou Arthur Regis, da Sinergia Animal. Muitos avanços, na opinião de Regis, decorrem das exigências de mercados internacionais e da sensibilização de parlamentares. Além disso, ele destaca a importância da sociedade, que pode pressionar os tomadores de decisão e deixar de consumir produtos associados à crueldade animal. "A partir do momento em que o consumo cai, a empresa ou o produtor vai se perguntar: ‘Por que meu produto não está sendo consumido?' Porque o consumidor percebeu que ele deriva de uma prática intrinsecamente cruel, como no caso do foie gras."
11/08/2026 12:39:19 +00:00
Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em julho

Imagem ilustrativa de frutas, legumes e verduras no supermercado. Tomate, batata-inglesa e cenoura lideraram as quedas de preços, enquanto leite e frutas registraram as maiores altas do mês. Divulgação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O maior impacto veio do grupo Habitação, que subiu 0,99%. Já a inflação de Alimentos e Bebidas caiu 0,67%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a inflação dos alimentos consumidos em casa recuou (-1,14%), os preços das refeições fora de casa subiram (+0,55%). Agora no g1 As principais quedas foram no tomate (-29,09%), principal impacto negativo no resultado do mês, batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). No lado das altas, o destaque ficou com o leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%). Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche saindo de 0,13% para 0,76%, e a refeição de 0,15% para 0,42%, no mesmo período. Veja a seguir os 20 alimentos que ficaram mais caros e mais baratos em julho. Alimentos que encareceram Manga: 14,74% Limão: 10,59% Melancia: 7,78% Cebola: 7,74% Morango: 7,13% Mamão: 6,16% Banana-da-terra: 5,49% Pimentão: 5,15% Banana-maçã: 4,06% Milho (em grão): 3,53% Bacalhau: 3,51% Feijão-preto: 3,28% Peixe-palombeta: 3,19% Feijão-macáçar (fradinho): 3,04% Leite longa vida: 2,47% Peixe-dourada: 2,41% Banana-d'água: 2,39% Maracujá: 2,39% Vinho: 2,24% Pepino em conserva: 2,01% Alimentos que mais baratearam Pepino: -33,42% Tomate: -29,09% Batata-inglesa: -19,59% Cenoura: -14,41% Açaí (emulsão): -13,32% Abobrinha: -10,49% Laranja-lima: -10,41% Couve-flor: -9,64% Peixe-filhote: -6,5% Peixe-peroá: -5,73% Brócolis: -5,59% Peixe-tainha: -4,25% Peixe-cação: -3,94% Laranja-baía: -3,74% Melão: -3,7% Batata-doce: -3,6% Açúcar refinado: -3,41% Couve: -3,39% Sopa desidratada: -3,28% Abacaxi: -3,1% Leite foi um dos alimentos que mais encareceu em julho de 2026. Engin Akyurt / Unsplash
11/08/2026 12:01:23 +00:00
IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos

IPCA desacelera a 0,07% em julho O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No acumulado de 2026, a inflação está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho. 🔎 Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%. O grupo Habitação teve a maior alta em julho, de 0,99%, puxado principalmente pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, ante 1,53% em junho, e sozinha respondeu por 0,13 ponto percentual da inflação. Já Alimentação e bebidas ajudou a segurar a inflação, com queda de 0,67%. Entre os demais grupos, os preços variaram de uma queda de 0,66% em Vestuário a uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais. IPCA - Inflação oficial mês a mês Arte g1 Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,67%; Habitação: 0,99%; Artigos de residência: 0,07%; Vestuário: -0,66%; Transportes: 0,05%; Saúde e cuidados pessoais: 0,40%; Despesas pessoais: 0,22%; Educação: -0,03%; Comunicação: 0,04%. IPCA - Inflação oficial acumulada em 12 meses Arte g1 Alimentos mais baratos ajudam a segurar inflação Supermercado em São Paulo REUTERS/Paulo Whitaker Os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67% em julho, principalmente por causa da redução de 1,14% nos alimentos comprados para consumo em casa. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão: 🍅 tomate (-29,09%), 🥔batata-inglesa (-19,59%), 🥕 cenoura (-14,41%) ☕ café moído (-2,45%). O tomate foi o produto que mais ajudou a reduzir a inflação no mês. Na outra ponta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas ficaram 1,20% mais caras. Já quem comeu fora de casa enfrentou uma alta maior nos preços. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço dos lanches aumentou 0,76%, enquanto o das refeições subiu 0,42%. Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco teve a maior alta de preços em julho, de 0,32%, principalmente por causa do aumento das passagens aéreas e da energia elétrica. Belém teve a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução dos preços da gasolina e do açaí. IPCA: Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em julho Conta de luz pesa na inflação de julho O grupo Habitação acelerou de uma alta de 0,63% em junho para 0,99% em julho, principalmente por causa do aumento da energia elétrica residencial, que passou de 1,53% para 3,09%. A conta de luz foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual. O resultado considera reajustes nas tarifas de energia em algumas cidades: Em São Paulo, uma das concessionárias aumentou as tarifas em 8,85%, a partir de 4 de julho; Em Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, válido desde 19 de junho; Em Curitiba, de 19,55%, desde 24 de junho. Além dos reajustes, a conta de luz continuou sendo influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, refletindo reajustes aplicados em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado ficou 0,04% mais barato, devido a uma redução média de 2% nas tarifas no Rio de Janeiro. Plano de saúde e passagens aéreas ficam mais caros O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% em julho, influenciado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,64% mais caros. O destaque foi o perfume, com alta de 1,04%. Os planos de saúde também subiram, 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já o grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda de 1,44% nos combustíveis. O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o diesel, 1,22%, e o gás veicular, 0,08%. Economistas veem espaço limitado para novos cortes de juros Apesar de estar dentro da meta do BC (4,50%), a inflação acumulada em 12 meses (4,44%) ainda está acima do centro da meta, de 3%. Isso significa que o IPCA está dentro da faixa considerada aceitável pelo BC, mas ainda não está no nível que a autoridade monetária considera ideal. 🔎 Por que a inflação importa para os juros? A inflação é um dos principais indicadores observados pelo Banco Central para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. Quando os preços sobem de forma persistente e as expectativas ficam acima da meta, o BC tende a manter os juros elevados por mais tempo. Quando a inflação está sob controle e as expectativas melhoram, pode haver espaço para reduzir a taxa. Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o IPCA de julho veio “levemente acima do esperado”, mas a diferença foi pequena, uma vez que o mercado projetava alta de 0,03%, contra os 0,07% registrados. Por isso, ele não espera que o resultado altere significativamente a estratégia do Copom para conter os juros. “Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom [Comitê de Política Monetária] ainda terá um tom mais cauteloso”, disse. Magno prevê que a Selic termine o ano em 13,75%, o que representaria apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual. Já Joel Freitas, diretor e sócio da M7, avaliou que o cenário de inflação continua relativamente favorável, principalmente porque a taxa acumulada em 12 meses está próxima do teto da meta. Ele ponderou, porém, que serviços como saúde, educação e alimentação fora de casa continuam pressionados pelo mercado de trabalho aquecido. Para os próximos meses, Freitas espera uma inflação mais controlada, mas destaca que o comportamento dos alimentos e das tarifas de energia elétrica ainda pode alterar esse cenário. Segundo ele, o fenômeno climático El Niño também pode representar um risco para os preços dos alimentos, já que mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produtividade das lavouras, atrasar colheitas e reduzir a oferta de produtos mais sensíveis às condições climáticas. “Caso esses impactos se confirmem, a atual trajetória de queda dos preços pode perder força ou até se reverter, com reflexos sobre a inflação. Por isso, o fenômeno deve seguir no radar do Banco Central como um possível vetor de pressão inflacionária nos próximos meses”, afirmou Freitas. Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos juros. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário atual exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Na semana passada, o BC reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o Comitê não indicou se continuará reduzindo os juros. Segundo a ata, a intensidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos. 💰 Os gastos públicos podem aumentar o consumo e dificultar a queda da inflação, além de gerar preocupação com a dívida do governo; 🛢️ O BC também monitora fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, e climáticos, que podem encarecer produtos e se espalhar para outros preços. 📈 Outro ponto de atenção são as expectativas: as projeções do mercado para os próximos anos continuam acima da meta, o que pode levar o BC a manter os juros altos por mais tempo.
11/08/2026 12:00:40 +00:00
Ibovespa cai 2,5%, maior queda em cinco meses, com cenário eleitoral e juros; dólar sobe a R$ 5,16

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,50% nesta terça-feira (11), aos 167.875 pontos. Foi a maior queda desde 12 de março, quando o índice caiu 2,55%. O dólar fechou em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,1606. O desempenho ruim teve como pano de fundo o cenário eleitoral no Brasil e as incertezas sobre o rumo dos juros no país. Os dois fatores foram citados em um relatório do banco JPMorgan, que reduziu a recomendação para a bolsa brasileira e afastou investidores estrangeiros. (veja mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Somou-se a isso o impasse na guerra do Oriente Médio, que reduziu a disposição dos investidores por ativos de maior risco. ▶️ Nos indicadores econômicos, a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA, registrou mais uma desaceleração em julho, com alta de 0,07% no mês, após avanço de 0,16% no mês anterior. O resultado voltou a ficar dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, mas ainda está distante do centro, de 3%. ▶️ Também foi divulgada nesta terça a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o BC afirmou que reagirá "com firmeza" caso a forte volatilidade dos preços do petróleo afete os preços no Brasil. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. ▶️ Investidores também seguiram atentos aos desdobramentos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil. Nesta terça, a ApexBrasil lançou um plano para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com foco nos setores afetados pelas tarifas e na diversificação das exportações. ▶️ No exterior, as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuaram a pesar nos mercados. Trump ironizou, na véspera, as exigências divulgadas pelo Irã para encerrar a guerra e afirmou que também exigia uma indenização do país "por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente". Diante do impasse, os preços do petróleo oscilaram nesta terça-feira. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,39%, a US$ 88,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 1,16%, a US$ 83,08 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,52%; Acumulado do mês: +1,80%; Acumulado do ano: --5,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: --2,77%; Acumulado do mês: --5,77%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em post no Truth Social, Trump disse que o regime iraniano deve indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente", e falou que passará a fazer a mesma exigência nas futuras negociações entre os dois países. "É uma ideia interessante, pois agora eu também exijo indenização do Irã, por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas de beira de estrada e nos muitos conflitos pelos quais são famosos. (...) Além disso, indenizações devem ser pagas às famílias das centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos 50 anos, sem mencionar os 52 mil que foram mortos nos últimos cinco meses. Instruí meus representantes a incluírem isso firmemente em todas as negociações futuras", escreveu. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Ibovespa "rebaixado" Um relatório do JPMorgan que reduziu sua recomendação para o Ibovespa, de "acima da média" para "neutra". Na prática, o banco passou a ver menos espaço para uma valorização do mercado brasileiro em relação a outras opções de investimento. Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a avaliação do JPMorgan está relacionada principalmente ao aumento das incertezas sobre o cenário brasileiro. Entre os pontos considerados pelo banco estão a possibilidade de os cortes da taxa básica de juros serem interrompidos depois de setembro e os efeitos das eleições de outubro sobre o mercado. A preocupação com os juros é relevante porque cortes na Selic tendem a reduzir o custo de financiamento das empresas e podem tornar investimentos em ações mais atrativos. Se o espaço para novas reduções diminuir, esse movimento perde força e pode afetar as expectativas para a Bolsa. O JPMorgan também reduziu sua projeção para o Ibovespa no fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos, segundo Magno. Para o analista, o aumento da percepção de risco no Brasil ajudou a pressionar não apenas as ações, mas também o dólar e as taxas negociadas no mercado para os juros futuros. Bolsas globais Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda, pressionados pelo recuo das ações de tecnologia e enquanto investidores avaliavam rumores de que os EUA e o Irã estariam perto de "algum tipo de acordo". O Dow Jones caiu 0,35%, aos 53.787,57 pontos. O S&P 500 recuou 0,33%, para 7.727,79 pontos. Já o Nasdaq Composite teve baixa de 0,60%, aos 26.445 pontos. Na Europa, os principais mercados da região fecharam o dia mistos, confore o otimismo com uma sólida temporada de balanços compensou a cautela em relação ao Estreito de Ormuz. O índice pan-europeu STOXX 600 ficou estável em 660,51 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 0,26%, enquanto o CAC-40, da França, caiu 0,13% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve perdas de 0,17%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em baixa nesta terça-feira, conforme investidores reavaliavam as perspectivas de um fim do conflito no Oriente Médio e da reabertura de Ormuz. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,8%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, recuou 0,8%. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,1% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,73%. O Nikkei, do Japão, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik
11/08/2026 12:00:09 +00:00
Brics discutem integração de sistemas de pagamento e moedas digitais, diz presidente do BC da Índia

BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens inde Os países do Brics discutem formas de integrar seus sistemas de pagamentos rápidos e as moedas digitais emitidas por bancos centrais, afirmou nesta terça-feira (11) o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra. Segundo Malhotra, a integração de sistemas de pagamentos e o uso de moedas digitais de bancos centrais, conhecidas como CBDCs, estão entre as alternativas avaliadas para facilitar pagamentos entre os países e reduzir custos nas transações internacionais. “Os pagamentos transfronteiriços são uma área de interesse para todos nós, incluindo os países do Brics, pois acreditamos que há grande potencial para reduzir custos”, disse Malhotra durante um evento em Mumbai. BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens indevidas “Várias opções estão em discussão, mas ainda estão em fase de debate, incluindo as CBDCs e as integrações entre sistemas de pagamentos rápidos”, acrescentou. Proposta pode entrar na agenda da cúpula de 2026 A discussão ocorre antes da cúpula do Brics de 2026, que será sediada pela Índia. O grupo reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países. 📅 A 18ª Cúpula do Brics de 2026 está prevista para 12 e 13 de setembro. A agência Reuters informou no início deste ano que o Banco Central da Índia recomendou ao governo que uma proposta para conectar as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do Brics fosse incluída na agenda da cúpula. Foto de família da 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro Reprodução/gov.br A ideia faz parte dos esforços do bloco para facilitar transações entre seus integrantes e ampliar o uso de alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos internacionais. Brasil prepara "Pix internacional" O Banco Central brasileiro prevê, para os próximos anos, a evolução do PIX Internacional, com a integração do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro a plataformas de outros países. A ideia é permitir pagamentos transfronteiriços de forma mais rápida e ampliar o uso do PIX no exterior. 🔍O Pix já é aceito em alguns estabelecimentos no exterior, como na Argentina, nos EUA e em Portugal, mas de forma limitada, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Atualmente, o PIX já é aceito de forma parcial em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Nesses casos, o pagamento é feito instantaneamente em reais entre o cliente e uma instituição brasileira, que depois realiza a remessa ao exterior pelos sistemas tradicionais, com o estabelecimento recebendo na moeda local. *Com informações da Reuters
11/08/2026 11:54:20 +00:00
Ford do Brasil adianta a inspeção por recall de 1.371 unidades do Mustang

Ford Mustang GT Divulgação / Ford A Ford do Brasil havia anunciado em 21 de julho um recall para o Mustang por falha nos limpadores do para-brisa. Os modelos envolvidos foram fabricados entre 2024 e 2026. Na ocasião, o comunicado da Ford informava que o defeito só seria averiguado e solucionado no segundo trimestre de 2027. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Porém, um novo comunicado da montadora, divulgado nesta terça-feira (11), informa que as 1.371 unidades do Mustang no Brasil já podem passar pela inspeção imediatamente. O texto do comunicado da Ford também "destaca a importância do imediato atendimento a esta convocação". Entenda o recall Segundo a marca, existe o risco de o esguicho de água e os limpadores não funcionarem e, por isso, pode haver a diminuição ou perda de visibilidade. De acordo com a Ford, esta condição acaba “aumentando o risco de acidente com possíveis danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros”. Agora no g1 O motivo do possível defeito é uma falha na programação que pode afetar o funcionamento do motor do limpador quando a temperatura atinge 0 grau Celsius ou menos. “Nessa condição, os limpadores podem funcionar apenas na velocidade alta, e o esguicho de água do para-brisa pode não funcionar, sem aviso prévio ao condutor”, diz a Ford em nota. A inspeção e eventual reparo, segundo a Ford, levam aproximadamente 20 minutos. Se necessária, a substituição do motor dos limpadores do para-brisa é gratuita. Unidades envolvidas no recall: Mustang - Modelo 2024 - Chassis: de R5433555 até R5434492. Mustang - Modelo 2025 - Chassis: de S5405308 até S5504022. Mustang - Modelo 2026 - Chassis: de T5501127 até T5501731. Ford Bronco Sport Divulgação | Ford Ford pediu para não conduzir Bronco Sport e Maverick Em junho deste ano, a Ford já havia feito um outro recall e pediu para os proprietários não conduzirem os veículos envolvidos no recall. Os modelos Bronco Sport, fabricados entre 2021 e 2025, e Maverick, produzidos entre 2022 e 2025, poderiam apresentar um problema na fixação do braço inferior da suspensão dianteira. Segundo a Ford, 237 unidades dos dois veículos fazem parte deste recall. A montadora, na ocasião, recomendou que os proprietários dos veículos afetados evitassem conduzir os carros até que o atendimento seja realizado em uma concessionária. O chamado ocorreu devido a uma falha detectada no processo de montagem. Segundo a Ford, o braço inferior da suspensão dianteira, em ambos os lados dos veículos, poderia não estar fixado de maneira correta no suporte da roda dianteira. Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não seja Caso ocorra a falha de fixação, a peça poderá se soltar do suporte da roda. O defeito acarreta o risco de o motorista perder o controle do veículo em movimento, o que eleva a possibilidade de acidentes com danos físicos e riscos fatais aos ocupantes do automóvel e a terceiros. O tempo estimado para a execução do serviço é de cerca de 20 minutos, embora o prazo possa variar segundo o fluxo da concessionária escolhida. O atendimento aos proprietários do Bronco Sport e da Maverick já está aberto. Os clientes devem realizar o agendamento do serviço, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
11/08/2026 11:48:58 +00:00
'Dinheiro esquecido': BC atualiza balanço e diz que R$ 5,1 bilhões podem ser resgatados; 22,66 milhões de pessoas têm direito

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (11) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 5,12 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. O balanço considera valores contabilizados até junho deste ano. Deste total: R$ 3,77 bilhões são recursos de 22,66 milhões de pessoas físicas; R$ 1,36 bilhão são valores de 2,1 milhões de empresas. Agora no g1 Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0. Em maio, o valor já havia recuado para R$ 6,2 bilhões. O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições. Governo anunciou uso do dinheiro; TCU apura Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época. Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público. Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação). Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral. No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano. A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras. Relatório do Banco Central dos EUA de 2022 afirmou que o PIX é uma moeda digital Getty Images via BBC Como consultar o dinheiro esquecido Como consultar e resgatar o 'dinheiro esquecido' no Banco Central O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br. 🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução. 📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação. 💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos. Cédulas de dinheiro, em imagem de arquivo Marcello Casal Jr/Agência Brasil
11/08/2026 11:48:30 +00:00
Noruega também vai deixar de comprar carne do Brasil a partir de setembro após decisão da UE

Imagem ilustrativa de carne bovina. Cindie Hansen/Unplash Após a União Europeia, a Noruega também decidiu que deixará de comprar produtos de origem de animal do Brasil a partir de 3 de setembro. O país nórdico não faz parte da UE, mas seguirá a decisão do bloco. O anúncio foi feito pela Mattilsynet, Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar. "[...] Remessas provenientes do Brasil não poderão ser importadas caso tenham certificado sanitário emitido em 3 de setembro de 2026 ou posteriormente. A regra permanecerá em vigor até que o Brasil eventualmente volte a ser incluído na lista de países terceiros autorizados", afirmou a Mattilsynet. A Noruega representa menos de 1% das exportações brasileiras de carne bovina, tanto em volume, como em valor, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura. Em maio, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar às nações do grupo, após alegar que o país não segue as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a UE considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias. 🔎Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia (entenda aqui). Exportações para União Europeia cresceram entre setores que devem ser embargados pelo bloco Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia. Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.
11/08/2026 11:28:41 +00:00
FGC diz que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar empréstimo pedido pelo BRB

Fachada do banco BRB. Reprodução/TV Globo O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) afirmou, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar a operação de empréstimo pedida pelo Banco de Brasília (BRB). O banco estadual se encontra em crise após negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025 (veja detalhes abaixo). O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Ainda de acordo com o documento, o FGC diz que ainda é necessário ter acesso às demonstrações financeiras de 2025 e do primeiro semestre auditadas e que, sem a análise, não pode verificar a viabilidade da operação. Também não há, até o momento, formalização de manifestação de vontade por parte de instituições financeiras que compareceriam como garantidoras de tal eventual crédito. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux marcou para esta quinta-feira (13) uma nova audiência de conciliação no acordo entre a União e o BRB para viabilizar um empréstimo, atendendo a um pedido. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. O que diz o BRB "O BRB informa que os dados necessários para a análise da operação de capitalização vêm sendo disponibilizados às instituições responsáveis pela avaliação da proposta, observados os ritos próprios do processo. Tanto o Banco Central quanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) possuem acesso às informações requeridas no âmbito das discussões sobre a solução de capitalização, por meio do plano de capital e do plano de negócios. As demonstrações financeiras de 2025 serão divulgadas após a conclusão do processo de capitalização. O cronograma foi impactado pelas medidas adotadas pela atual administração para reforçar a governança, aprofundar os processos de auditoria e assegurar total transparência na apresentação das informações financeiras da instituição. O Banco permanece focado na implementação das medidas de fortalecimento patrimonial, com o objetivo de preservar sua solidez, a confiança dos clientes, investidores e depositantes, e sua capacidade de continuar cumprindo seu papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
11/08/2026 11:15:57 +00:00
BC vê inflação desacelerando, mas aponta pressão do petróleo e de gastos públicos

Selic: Copom reduz taxa básica de juros para 14% ao ano O Banco Central observou nesta terça-feira (11) que a inflação para os consumidores desacelerou nos últimos meses, embora ainda permaneça acima da meta, e apontou que há pressão dos gastos públicos (estimulando a demanda) e de choques de oferta, como a alta do petróleo — decorrente da guerra no Oriente Médio. As análises constam na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida para 14% ao ano — no quarto corte seguido. Em termos reais, porém, o juro brasileiro ainda é o maior do mundo, segundo levantamento da MoneYou. "No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", informou o BC, a ata do Copom. ➡️Com isso, a autoridade monetária não indicou o que poderá fazer na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro, deixando a porta aberta para tomar a decisão somente nos dias do encontro — com base nos últimos indicadores da economia. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução ➡️O BC acrescentou que o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, com as expectativas de inflação para os próximos anos acima da meta (central de 3%) e "riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária". "O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", informou o Banco Central. Gastos públicos O Banco Central informou, na ata da última reunião do Copom, que há evidências de que a política de juros altos, implementada nos últimos anos, apesar dos cortes recentes da taxa Selic, estejam surtindo efeito sobre a inflação — que tem mostrado desaceleração. "Embora a política monetária [juros altos] esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo [taxas ainda elevadas para padrões brasileiro e internacionais]", informou o Copom. ➡️O BC apontou, também, que a chamada "política fiscal" (relativa aos gastos públicos) tem um impacto de curto prazo na inflação, "majoritariamente" por meio de estímulo à demanda agregada (pressionando a taxa de juros). Avaliou, ainda, que o aumento de gastos "tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros". "Uma política fiscal que atue de forma contracíclica [corte de gastos para conter a inflação] e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", acrescentou. Em entrevista ao g1 no começo de julho, o ministro da Fazenda, negou que decisões do governo federal sejam a principal causa dos juros elevados no país e afirmou que a equipe econômica fará um ajuste nas contas públicas nos próximos anos para cumprir as metas fiscais. "Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. (...) Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal, ele importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil", disse o ministro da Fazenda, na ocasião. Choques de oferta O Banco Central avaliou, também, que a política de gastos públicos não é a única a pressionar a inflação corrente e as expectativas para os próximos anos. Segundo a instituição, choques de oferta, como o aumento do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio, por exemplo, também têm impactado para cima os preços. "Choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", afirmou o BC. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,02%, 4,22% e 3,80% - todas acima da meta central de inflação. Outros recados BC avaliou que o ambiente externo permanece "incerto" em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas (taxa de juros nos EUA, por exemplo). "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", acrescentou. A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação, como busca o Banco Central. "Indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado", informou. O BC informou que segue acompanhando "detidamente" o mercado de trabalho. "O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia", concluiu.
11/08/2026 11:07:29 +00:00
Governo define datas para recesso no Natal e no Ano Novo; veja regras

Escritório com decoração natalina Pexels O governo federal definiu as regras para o recesso de Natal e Ano Novo dos servidores públicos federais em 2026. O período será dividido em dois blocos: de 21 a 25 de dezembro e de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2027. A regra vale para servidores e empregados públicos, temporários e estagiários que trabalham em órgãos do governo federal. O recesso é facultativo. Ou seja, quem não quiser aderir deverá trabalhar normalmente, mantendo a jornada habitual. Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Como será o recesso Os servidores deverão se dividir entre os dois períodos para garantir que os serviços públicos continuem funcionando, principalmente aqueles que envolvem atendimento ao público. Assim, cada órgão deverá organizar o revezamento dos funcionários entre as duas semanas. O recesso, portanto, não significa que todos os servidores ficarão afastados ao mesmo tempo. As horas não trabalhadas durante o recesso deverão ser compensadas posteriormente. O período para fazer essa compensação começa em 1º de outubro de 2026 e vai até 31 de maio de 2027. Para quem trabalha presencialmente e não participa do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a compensação poderá ser feita com a antecipação do início da jornada ou com a extensão do horário de trabalho, respeitando o funcionamento do órgão. Já quem participa do PGD, seja presencialmente ou em teletrabalho, deverá compensar as horas por meio do cumprimento das entregas previstas no plano de trabalho. A compensação poderá aumentar a jornada em, no máximo, duas horas por dia para servidores, empregados públicos e contratados temporários. Para estagiários, o limite é de uma hora por dia. Quem aderir ao recesso e não compensar as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração. A regra foi estabelecida pela Portaria SRT/MGI nº 6.342, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Diário Oficial da União na última terça-feira (4).
11/08/2026 10:44:05 +00:00
ECA Digital: redes sociais deverão abrir dados sobre denúncias de violações contra menores

Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais Hollie Adams/Reuters Plataformas com mais de 1 milhão de crianças e adolescentes como usuários deverão publicar até 17 de setembro relatórios de transparência para informar o que fazem para proteger menores de idade em seus serviços, conforme despacho da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira (11). Estes serão os primeiros de uma série de relatórios que deverão ser divulgados a cada semestre no site das empresas. A publicação é exigida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), lei que completa um ano da publicação também em 17 de setembro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O ECA Digital também ficou conhecido como Lei Felca porque a aprovação aconteceu depois da publicação de vídeo viral que tratou da adultização. A lei determina que plataformas devem apresentar nos relatórios quais são os canais para receber denúncias de infrações contra menores de idade, quantas notificações receberam e quais foram as decisões tomadas. Entenda nova regra que exige confirmação de idade de usuários por sites e aplicativos As empresas também deverão informar quais medidas tomaram para identificar atos ilícitos e contas infantis em seus serviços, bem como quais melhorias fizeram com foco na proteção dos mais jovens. O documento deverá detalhar ainda os métodos usados para chegar aos dados divulgados. Os materiais serão analisados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por monitorar a aplicação e regulamentar trechos da lei de proteção online de crianças e adolescentes. Segundo a ANPD, os relatórios funcionarão como uma prestação de contas à sociedade e ao poder público sobre as ações tomadas por cada serviço. Com os relatórios, o órgão espera ter mais informações sobre as práticas de mercado com canais de denúncia, moderação de conteúdo, identificação de contas infantis e gestão de riscos, o que deverá ajudar a definir futuras regulamentações do ECA Digital. Para o primeiro relatório, o período de referência será de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026. Como as obrigações previstas no ECA Digital só entraram em vigor em 17 de março, porém, empresas que não tiverem informações relativas a janeiro e fevereiro poderão limitar o documento ao período de 17 de março a 30 de junho. Independentemente do período considerado, o primeiro relatório deverá ser publicado até 17 de setembro. A partir do segundo relatório, os períodos passarão a coincidir com os semestres civis: de 1º de janeiro a 30 de junho, com publicação até 1º de agosto; de 1º de julho a 31 de dezembro, com publicação até 1º de fevereiro do ano seguinte. A ANPD também recomendou que as plataformas obrigadas enviem uma cópia do relatório ao órgão no momento em que o documento for publicado em seus sites.
11/08/2026 10:36:16 +00:00
Sucessão na JBS marca volta da família Batista ao comando, diz Financial Times

Unidade de empacotamento da JBS em Greeley, no estado americano do Colorado Shannon Stapleton/Reuters Uma reportagem publicada nesta terça-feira (11/8) no Financial Times, um dos mais prestigiosos periódicos de economia, destacou uma mudança em curso na JBS, a maior processadora de carne do mundo: a ascensão de Wesley Batista Filho, de 34 anos, ao comando da empresa. "Um descendente da dinastia empresarial brasileira Batista se tornará presidente-executivo da JBS, enquanto o maior frigorífico do mundo devolve o cargo mais alto a um membro de sua família controladora", diz trecho da reportagem, assinada de Brasília (DF). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A mudança deve acontecer em janeiro. Batista Filho, que é filho do ex-CEO Wesley Batista e neto do fundador José Batista Sobrinho, hoje lidera a divisão da JBS nos Estados Unidos, a maior da empresa em termos de vendas. "Será uma gestão de continuidade", disse Batista Filho, que trabalha há 15 anos na empresa de sua família, em entrevista ao Financial Times. Agora no g1 "A JBS tem uma trajetória de grande crescimento, dando continuidade à estratégia de diversificação e agregando novas geografias." As ações da empresa nos EUA, porém, caíram 5,8% na segunda-feira (10/8), segundo o periódico de economia. "A JBS registrou na segunda-feira um prejuízo líquido de US$ 102 milhões no segundo trimestre. Suas receitas aumentaram 14%, para US$ 23,9 bilhões", diz a reportagem. Embora o texto não atribua razões à queda, Batista Filho é o primeiro membro da família a retomar o comando da empresa após os escândalos de corrupção que levaram seu pai, Wesley, e seu tio, Joesley, a se afastarem de cargos executivos e levaram ao posto máximo da empresa o executivo Gilberto Tomazoni. "Conheço sua capacidade de execução, sua maneira de pensar sobre os desafios e estou muito confiante de que estamos tomando a decisão certa", disse Tomazoni ao Financial Times a respeito de seu sucessor. Sudeste Asiático na mira Montagem com fotografias dos irmãos Wesley e Joesley Batista Getty Images/BBC News Mundo A reportagem destaca ainda que o conglomerado privado da família Batista, a J&F, tem interesses que incluem as áreas de fintech, mineração, cosméticos e energia. Um dos principais focos do novo manda-chuva da JBS, no entanto, deve ser o Sudeste Asiático, região que Batista Filho descreveu como "a nova fronteira geográfica" da empresa. Segundo o Financial Times, a JBS anunciou que o fundo soberano indonésio Danantara investirá US$ 2,2 bilhões na empresa por uma participação de 25% em uma joint venture que abrangerá essa região, além da Austrália e da Nova Zelândia. A empresa, no momento, também diversifica seus esforços nas áreas de carnes suína e avícola, além de peixes, ovos e alternativas de proteína à base de plantas. Em 2025, Wesley Batista indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. "Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário", observou ele.
11/08/2026 10:18:23 +00:00
Crise na Apex: posso perder dinheiro? Entenda o que se sabe sobre dívida de quase R$ 1 bi e o impacto para clientes

Auditoria vai apurar crise na Apex A Apex Partners, plataforma de investimentos do Espírito Santo, enfrenta uma crise após uma investigação interna apontar "inconsistências financeiras" na empresa. O fundador e sócio da companhia, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados do comando da empresa na última quinta-feira (6). Segundo informações apresentadas pelo jornalista Abdo Filho, os sócios da Apex descobriram uma dívida de R$ 985,6 milhões. O valor foi informado pela própria empresa em uma ação apresentada à Justiça na sexta (7), na qual pediu uma blindagem temporária de seus ativos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A situação ainda está em fase de apuração. Uma auditoria externa deve ser contratada para identificar o que provocou o problema, qual é a extensão das dívidas e se houve impacto nos negócios e nos investimentos dos clientes. Confira as principais dúvidas sobre o caso: O que é a Apex Partners? A Apex Partners é uma plataforma de investimentos fundada no Espírito Santo. A empresa tem cerca de 8 mil clientes, a maior parte deles no estado, e também atua em outras unidades da federação. A companhia administra mais de R$ 17 bilhões e possui investimentos tanto na chamada economia real — como galpões, prédios residenciais e salas comerciais — quanto no mercado financeiro. Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta O que significa a dívida de quase R$ 1 bilhão? A informação consta em uma ação apresentada pela própria Apex à Justiça na sexta (7) após Fernando Cinelli, que era presidente da empresa, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, serem afastados dos cargos pelos sócios. Entre os argumentos apresentados pelos sócios está o de que eles não tinham conhecimento da dívida de quase R$ 1 bilhão na empresa. Ainda não está definido, porém, o que provocou esse passivo e qual é exatamente o impacto dele sobre os negócios da companhia. Quem tem investimentos na Apex pode retirar o dinheiro? Neste momento, há uma restrição temporária para os saques de um dos fundos ligados à Apex. A Justiça concedeu uma blindagem de 60 dias para que a situação da empresa seja analisada. Além disso, o BTG, responsável pelo fundo da Apex, suspendeu os saques logo após a crise vir à tona, na quinta (6). A medida busca evitar que uma retirada generalizada de recursos agrave a situação enquanto o tamanho do problema ainda é investigado. LEIA TAMBÉM: GOLPES DO PIX E FALSO ADVOGADO: ES registra média de 144 casos de estelionato por dia no 1º semestre JUSTIÇA: Mulher que faltou ao trabalho por ser ameaçada pelo ex tem demissão por justa causa revertida Os clientes podem perder dinheiro? Existe essa possibilidade, mas ainda é cedo para afirmar se isso ocorrerá. A auditoria que será contratada deverá analisar o que aconteceu, o tamanho das dívidas e o eventual nível de contágio do problema nos diferentes negócios da Apex. Somente a partir dessas informações será possível saber se haverá perdas para investidores e clientes. O que os clientes devem fazer neste momento? A orientação é aguardar a apuração. A empresa deverá contratar uma auditoria para identificar a origem do problema e dimensionar seus impactos. Ao mesmo tempo, há a decisão judicial que estabeleceu uma blindagem temporária dos ativos. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. "A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação". A Apex tem dinheiro público? Os recursos envolvidos são exclusivamente privados. A Apex possui investimentos em galpões, shopping centers, imóveis e também no mercado financeiro. Na sexta, o governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. A crise pode afetar a economia do Espírito Santo? A Apex é considerada uma empresa importante para o ecossistema econômico do Espírito Santo, principalmente pelo volume de recursos administrados e pelos investimentos realizados no estado. A crise é negativa para a economia capixaba, para os investidores e para a confiança no mercado. No entanto, ele avalia que não deve haver um impacto significativo no conjunto da economia do Espírito Santo. A crise da Apex pode ser comparada ao caso do Banco Master? Nas redes sociais, a situação da Apex já passou a ser chamada de "Master capixaba", mas é preciso ter cautela com a comparação. Segundo ele, os dois casos são diferentes e a crise da Apex ainda é muito recente. O caso veio a público na quinta (6), enquanto a situação envolvendo o Banco Master já vinha sendo acompanhada há mais tempo. A orientação, neste momento, é aguardar a auditoria para entender exatamente o que aconteceu na Apex. Como funciona uma plataforma de investimentos? De forma simplificada, uma plataforma de investimentos reúne diferentes opções para que o cliente aplique seu dinheiro buscando uma rentabilidade. A lógica é que uma pessoa coloque determinado valor para investir e, ao longo do tempo, obtenha um retorno superior ao que teria deixando o dinheiro parado ou aplicando em uma alternativa de referência, como a taxa básica de juros. A Apex atua nesse mercado por meio de investimentos financeiros e também em negócios da chamada economia real. O que pode ter acontecido na Apex? Ainda não há uma conclusão sobre a origem da crise. Os próprios sócios da empresa afirmaram que Fernando Cinelli e Eduardo Siqueira teriam cometido "gestão temerária" e agido com "má-fé". A acusação foi apresentada pelos sócios após a identificação das inconsistências financeiras. Na sexta (7), os sócios divulgaram uma nota informando que pretendem responsabilizar Fernando Cinelli pelas supostas irregularidades. Essas acusações, no entanto, ainda estão sendo apuradas e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos. Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta O que diz Fernando Cinelli? A defesa do fundador da Apex Partners afirmou que o empresário está comprometido em contribuir para a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas. Segundo a nota, o afastamento demonstra a disposição de Cinelli em esclarecer todas as questões levantadas “com total transparência e idoneidade”. Como o mercado reagiu? O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
11/08/2026 07:01:18 +00:00
'Golpe das tarefas': veja como uma falsa vaga de home office fez uma trabalhadora perder R$ 1,2 mil

Golpe da falsa vaga de emprego: veja como identificar e se proteger Ester Nunes, de 26 anos, entrou para as estatísticas de vítimas de golpes financeiros. A profissional de Recursos Humanos perdeu R$ 1,2 mil após cair em uma falsa promessa de dinheiro fácil por meio de uma vaga de trabalho em home office. No início, o esquema pede que a vítima cumpra tarefas online, como avaliar empresas no Google, em troca de pequenas recompensas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O golpe ganha corpo quando os criminosos passam a exigir depósitos via PIX, sob o argumento de aumentar os lucros, como em supostas operações com criptomoedas ou outras justificativas do tipo. Na etapa final, a vítima faz um depósito mais alto e não recebe nenhum retorno. "Eu não me lembrava de ter enviado currículo para nenhuma vaga, mas resolvi entrar em contato porque parecia uma oportunidade de renda extra", contou a vítima, em um relato publicado por ela no TikTok, que já soma mais de 2 milhões de visualizações. Inicialmente, Ester depositou R$ 300. Para liberar os pagamentos, os golpistas exigiram R$ 900. Ela usou parte de sua reserva financeira e realizou o pagamento. Em seguida, uma nova exigência: mais R$ 2,6 mil. Ao dizer que não tinha esse valor, recebeu a informação de que não conseguiria recuperar nenhum dos depósitos anteriores. "Foi aí que percebi que era um golpe. Eles diziam que, se eu não continuasse pagando, perderia tudo o que já tinha enviado”, diz a vítima. Depois de pesquisar sobre o caso, ela descobriu que o saldo exibido na plataforma era fictício e que o único dinheiro efetivamente transferido havia sido o PIX enviado aos golpistas. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que essa estratégia é conhecida como "golpe das tarefas" e tem como objetivo convencer a vítima de que o investimento vale a pena antes de exigir depósitos cada vez mais altos. Ester Nunes, de 26 anos, compartilhou no TikTok o golpe da falsa vaga de home office. Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais Segundo a plataforma SOS Golpe, as fraudes relacionadas a falsas oportunidades de emprego e promessas de renda extra cresceram 56% entre março e abril deste ano. A modalidade ocupa a segunda posição entre as fraudes mais denunciadas à plataforma, com 17,9% dos registros, atrás apenas do golpe da loja ou empresa pouco conhecida, responsável por 20,9% das denúncias. Veja alguns sinais de que a vaga pode ser um golpe: Você não se candidatou à vaga. O primeiro contato acontece por WhatsApp ou Telegram. Há promessa de dinheiro fácil ou renda extra. O salário é muito acima da média. Há pedido de PIX ou qualquer pagamento. Solicitam documentos pessoais logo nas primeiras etapas. Fraude mira quem busca emprego A busca por recolocação profissional tem se tornado alvo de uma fraude cada vez mais comum no ambiente digital. A principal isca utilizada pelos criminosos são vagas consideradas "imperdíveis", com salários acima da média, benefícios atrativos e processos seletivos simplificados. A abordagem costuma ocorrer por WhatsApp, redes sociais, aplicativos de mensagens e e-mail, geralmente em nome de empresas reconhecidas no mercado. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez um alerta sobre o aumento das tentativas de obtenção indevida de dados pessoais, informações bancárias e pagamentos sob o pretexto de participação em processos seletivos, realização de exames admissionais ou cursos supostamente obrigatórios. 🔎 A entidade orienta que os candidatos confirmem a autenticidade das vagas nos canais oficiais das empresas, verifiquem a identidade dos recrutadores antes de compartilhar informações pessoais e desconfiem de ofertas com salários muito acima da média. Como agem os criminosos Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, afirma que os golpes envolvendo falsas oportunidades de emprego têm se diversificado, mas costumam seguir um mesmo objetivo: convencer a vítima a transferir dinheiro ou fornecer dados pessoais. Inicialmente, a vítima recebe pequenas quantias para ganhar confiança. Em seguida, é direcionada para aplicativos de mensagens, como o Telegram, onde passa a ser orientada a fazer depósitos sob a promessa de desbloquear tarefas mais lucrativas ou obter retornos financeiros maiores. "O criminoso cria uma relação de confiança pagando pelas primeiras tarefas. Depois, começa a exigir depósitos para liberar novas atividades ou supostos lucros. É nesse momento que a vítima perde o dinheiro e o golpista desaparece", explica. Outra modalidade comum, segundo Ramos, é a das falsas vagas de emprego com cobrança de taxas. Nesse caso, a vítima acredita ter sido aprovada em um processo seletivo, mas é informada de que precisa pagar por cursos, certificados, treinamentos ou exames admissionais para assumir a vaga. Empresas legítimas não cobram qualquer valor para participar de processos seletivos. Quem paga pelos custos da contratação é o empregador, nunca o candidato. O especialista também chama atenção para golpes voltados ao roubo de identidade. Os criminosos simulam processos seletivos e solicitam selfies, vídeos e fotografias de documentos pessoais. Posteriormente, esse material pode ser utilizado para abrir contas bancárias, contratar empréstimos e cometer outras fraudes em nome da vítima. "Os golpistas costumam utilizar o nome de empresas conhecidas para transmitir credibilidade e aumentar as chances de convencer a vítima", afirma Ramos. Entre os principais sinais de alerta, o pesquisador destaca promessas de salários elevados para funções com poucos requisitos, processos seletivos conduzidos exclusivamente por aplicativos de mensagens e pedidos de pagamento durante qualquer etapa da contratação. Ele também recomenda que candidatos evitem compartilhar documentos pessoais antes da aprovação no processo seletivo e do recebimento de uma proposta formal de emprego. Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail Reprodução/TV Globo Como se proteger do golpe do falso emprego A pedido do g1, os especialistas também compartilharam outras orientações para as pessoas se protegerem do golpe: 🔎 Pesquise a empresa antes de aceitar a vaga. Confira se ela possui site oficial, endereço, telefone e canais de atendimento. 🪪 Confirme a identidade do recrutador e verifique se o contato foi feito por canais oficiais. 📄 Desconfie de ofertas recebidas sem que você tenha enviado currículo. 🤑 Nunca faça pagamentos para participar de processos seletivos. 🔒 Evite baixar arquivos enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais. 💻 Não clique em links suspeitos. ⚠️ Proteja seus dados pessoais e só envie documentos após confirmar a autenticidade da vaga. 🦠 Mantenha antivírus atualizado no celular e no computador. Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail RPC Caí em um golpe. Vou recuperar meu dinheiro? Para casos de golpe envolvendo PIX, o Banco Central dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite aos bancos tentar bloquear e devolver os recursos enviados ao fraudador. "O mais rápido possível, assim que detectar que sofreu o golpe, entre em contato com seu banco e reporte o problema. Tenha sempre o comprovante do PIX em mãos, que contém informações importantes sobre quem recebeu o valor", orienta o consultor do Banco Central Breno Lobo. Segundo ele, o primeiro passo é comunicar imediatamente o banco para que a instituição possa acionar o MED e tentar bloquear o dinheiro antes que ele seja sacado ou transferido. A vítima tem até 80 dias, contados a partir da transação, para solicitar a devolução. "Após o registro da contestação, o banco da vítima aciona o Banco Central, que comunica o banco do recebedor para bloquear os recursos disponíveis até o valor da fraude. Em alguns casos, porém, não há saldo suficiente para o bloqueio", explica. O caso é analisado em até sete dias. Se a fraude não for confirmada, os valores são desbloqueados. Caso seja comprovada, o dinheiro disponível pode ser devolvido à vítima, total ou parcialmente, em até 96 horas. Uma das limitações do mecanismo é justamente a necessidade de haver saldo na conta usada pelo golpista, já que, em alguns casos, os criminosos sacam ou transferem o dinheiro rapidamente. Se não houver recursos suficientes para a devolução integral, o banco do recebedor deve monitorar a conta e realizar novos bloqueios sempre que houver entrada de dinheiro, até que o valor seja recuperado ou se completem 90 dias da transação original. Se, ao fim desse período, não houver recursos suficientes, o MED é encerrado. O banco da vítima não é obrigado a usar dinheiro próprio para cobrir o prejuízo. Nesse caso, ainda é possível buscar outras formas de tentar recuperar o valor, como recorrer ao Procon ou à Justiça, além de registrar uma reclamação no Banco Central. Lobo ressalta ainda que o MED não se aplica a desacordos comerciais ou problemas relacionados à compra de produtos e serviços. O mecanismo também pode ser utilizado em casos de falha operacional no Pix, como uma transferência realizada em duplicidade pela instituição financeira. Se o erro for confirmado, o dinheiro deve ser devolvido em até 24 horas. Por isso, embora exista um prazo de até 80 dias para solicitar o MED, a orientação é avisar o banco assim que o golpe for identificado. Quanto mais rápido o pedido for feito, maiores são as chances de encontrar recursos na conta do fraudador antes que sejam movimentados. Até o momento, Ester afirma que não recebeu a devolução do dinheiro enviado aos golpistas. Segundo ela, registrou uma reclamação no Banco Central e anexou prints das conversas com os criminosos, os comprovantes dos PIX e o protocolo da solicitação aberta junto ao banco. Em nota enviada ao g1, o Google informou que todas as oportunidades de trabalho na empresa são divulgadas exclusivamente em seu site oficial de carreiras. O Telegram foi procurado, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho
11/08/2026 05:00:13 +00:00
Investimento em saneamento básico bate recorde em 2024, mas Brasil ainda enfrenta desafios para universalizar acesso, diz entidade

Apesar de o setor de saneamento básico ter registrado, pelo terceiro ano consecutivo, recorde de investimentos, o Brasil ainda enfrenta desafios para universalizar o acesso aos serviços de saneamento. Em 2024, o setor registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). Agora no g1 Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização do abastecimento de água. Em relação ao esgoto, o número é menor: apenas 321 municípios conseguiram universalizar a coleta e o tratamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 5.571 municípios. O levantamento mostra ainda que 3.625 municípios possuem contratos com metas de universalização do abastecimento de água. Para o esgotamento sanitário, são 3.774 municípios com metas estabelecidas para a universalização do serviço. Por outro lado, 1.107 municípios não possuem informações suficientes para avaliar a capacidade de alcançar as metas de universalização do abastecimento de água. Em relação à coleta e ao tratamento de esgoto, 1.431 municípios não têm dados suficientes para essa avaliação, diz o estudo. 75% das residências de Turilândia não têm acesso a saneamento básico g1 Investimentos 💰Em 2024, o setor de saneamento registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, o terceiro recorde anual consecutivo. O valor representa um crescimento de 9% em relação a 2023. De acordo com a Abcon, o aumento dos investimentos está relacionado à realização de leilões e à ampliação da participação privada no setor. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, que resultaram na contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos. Os projetos alcançaram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em investimentos em 636 municípios. A expectativa é de que essas iniciativas beneficiem aproximadamente 11,9 milhões de brasileiros. Tratamento de esgoto Mesmo com o aumento dos investimentos, o país ainda trata pouco mais da metade do esgoto gerado. Em 2024, 51,8% do esgoto foi tratado. Entre 2023 e 2024, o volume total de esgoto tratado aumentou 5%. O volume equivalente a cerca de 1,9 milhão de piscinas olímpicas. O levantamento também aponta avanço na oferta regular de água desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento. De acordo com a Abcon, o número de domicílios abastecidos por rede de distribuição de água com disponibilidade diária aumentou 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de domicílios. Marco Legal do Saneamento Básico O marco legal é uma lei que modifica uma série de normas do setor do saneamento básico do Brasil. O texto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). ✍️A lei prevê mecanismos para ampliar, em índices próximos a 100%, a rede de fornecimento de água potável e de coleta de esgoto pelo país até 2033. Também estabelece estímulos para a presença do setor privado.
11/08/2026 03:00:38 +00:00
Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 3,5 milhões nesta terça-feira; acompanhe ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.043 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (11), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (9), uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00. A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
11/08/2026 03:00:34 +00:00
Governo define datas para recesso no Natal e no Ano Novo; veja regras

Escritório com decoração natalina Pexels O governo federal definiu as regras para o recesso de Natal e Ano Novo dos servidores públicos federais em 2026. O período será dividido em dois blocos: de 21 a 25 de dezembro e de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2027. A regra vale para servidores e empregados públicos, temporários e estagiários que trabalham em órgãos do governo federal. O recesso é facultativo. Ou seja, quem não quiser aderir deverá trabalhar normalmente, mantendo a jornada habitual. Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Como será o recesso Os servidores deverão se dividir entre os dois períodos para garantir que os serviços públicos continuem funcionando, principalmente aqueles que envolvem atendimento ao público. Assim, cada órgão deverá organizar o revezamento dos funcionários entre as duas semanas. O recesso, portanto, não significa que todos os servidores ficarão afastados ao mesmo tempo. As horas não trabalhadas durante o recesso deverão ser compensadas posteriormente. O período para fazer essa compensação começa em 1º de outubro de 2026 e vai até 31 de maio de 2027. Para quem trabalha presencialmente e não participa do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a compensação poderá ser feita com a antecipação do início da jornada ou com a extensão do horário de trabalho, respeitando o funcionamento do órgão. Já quem participa do PGD, seja presencialmente ou em teletrabalho, deverá compensar as horas por meio do cumprimento das entregas previstas no plano de trabalho. A compensação poderá aumentar a jornada em, no máximo, duas horas por dia para servidores, empregados públicos e contratados temporários. Para estagiários, o limite é de uma hora por dia. Quem aderir ao recesso e não compensar as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração. A regra foi estabelecida pela Portaria SRT/MGI nº 6.342, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Diário Oficial da União na última terça-feira (4).
10/08/2026 22:52:38 +00:00
Após Brasil acionar OMC, China pede para participar de consultas sobre tarifaço dos EUA

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço A China pediu nesta segunda-feira (10) para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação movida pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos aos parceiros comerciais. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. (saiba mais abaixo) O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos EUA junto à própria entidade internacional. Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Também nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à OMC e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. LEIA MAIS EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O que significa a participação chinesa? A participação chinesa não significa, neste momento, que Pequim tenha aberto uma disputa própria contra os Estados Unidos. O pedido permite que a China acompanhe e participe das consultas por entender que as medidas discutidas no caso brasileiro também afetam seus interesses comerciais. As consultas são a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O procedimento permite que os países envolvidos tentem chegar a um acordo antes da eventual abertura de um painel para analisar o caso. Para o Brasil, o acionamento da OMC também tem caráter político e institucional. Diplomatas avaliam que levar o caso à organização registra a posição brasileira contra as medidas de Washington e reforça a preferência do país pela solução multilateral de disputas comerciais. A entrada da China nas consultas acrescenta um novo elemento à disputa, ao indicar que parte das medidas americanas questionadas pelo Brasil também tem impacto direto sobre o comércio entre EUA e China. O presidente Lula e a primeira-dama, Janja, são recebidos pelo presidente da China, Xi Jinping. Ricardo Stuckert/PR
10/08/2026 21:32:40 +00:00
Quem é Wesley Batista Filho, que será o novo CEO global da JBS

Wesley Batista Filho, futuro CEO da JBS. Divulgação/JBS Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027. A maior produtora de carnes do mundo anunciou a mudança nesta segunda-feira (10). A mudança faz parte de uma sucessão planejada pela JBS. Gilberto Tomazoni, atual CEO global, deixará o cargo após oito anos e permanecerá na companhia como vice-presidente do conselho de administração e consultor sênior. A transição será conduzida ao longo dos próximos cinco meses. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Filho de Wesley e sobrinho de Joesley Batista, o executivo é o atual presidente-executivo da JBS USA. Ele assumirá o comando da JBS após uma carreira de 15 anos no grupo, com passagens por operações no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai. “Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou. Agora no g1 Quem é Wesley Batista Filho? Wesley Batista Filho começou sua trajetória na empresa em 2011, como trainee na unidade de carne bovina de Greeley, no Colorado, nos Estados Unidos. Antes de ocupar cargos executivos, trabalhou na operação da fábrica. Depois, retornou a São Paulo para atuar na área de exportação de carne bovina. Entre 2012 e 2013, liderou as operações de carne bovina da companhia no Uruguai e no Paraguai. Em seguida, mudou-se para Calgary, no Canadá, onde presidiu a JBS Canadá entre 2014 e 2015. Em 2016, voltou aos EUA para comandar a JBS USA Fed Beef, unidade de carne bovina que a companhia considera seu maior negócio global. Permaneceu no cargo até 2017, quando retornou ao Brasil. Em 2017, voltou a São Paulo e, no ano seguinte, tornou-se CEO da operação brasileira, a JBS Brasil. Ocupou o cargo até 2019. Em 2020, passou a comandar também a Seara, negócio da JBS no Brasil que reúne produtos de maior valor agregado, além das operações de aves e suínos. Em 2022, Batista Filho assumiu o cargo de presidente global de Operações. A função colocou sob sua responsabilidade a estrutura operacional da companhia em diferentes regiões, incluindo América do Norte, América do Sul, Oceania e Europa. No ano seguinte, voltou a Greeley pela terceira vez e foi nomeado CEO da JBS USA, a maior plataforma da companhia em receita. A operação americana reúne mais de 60 unidades de produção de carne bovina, suína e de frango, além de alimentos preparados e outros produtos alimentícios. Segundo a JBS, são mais de 70 mil funcionários distribuídos por 31 estados americanos. SAIBA MAIS JBS anuncia Wesley Batista Filho como novo CEO global a partir de 2027
10/08/2026 20:22:43 +00:00
JBS anuncia Wesley Batista Filho como novo CEO global a partir de 2027

Wesley Batista Filho, à esqueda, e Gilberto Tomazoni, à direita. Divulgação/JBS A JBS, maior produtora de carnes do mundo, anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho será o novo CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027. Ele substituirá Gilberto Tomazoni, que deixará o cargo após oito anos à frente da empresa. A mudança marca o retorno de um integrante da família Batista ao principal cargo executivo da JBS. Wesley Batista Filho, de 34 anos, é filho de Wesley Batista e sobrinho de Joesley Batista, que já comandaram a companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Atual CEO da JBS USA, Batista Filho começou a carreira na empresa em 2011, como trainee na unidade de bovinos de Greeley, nos Estados Unidos. Desde então, passou por diferentes áreas e operações do grupo. Ele já comandou negócios da JBS no Uruguai, no Paraguai e no Canadá e também foi CEO da JBS Brasil e da Seara, divisão de alimentos processados de aves e suínos da companhia. Agora no g1 A transição será conduzida por Tomazoni nos próximos meses. Depois de deixar o cargo de CEO global, ele assumirá as funções de vice-chairman do conselho de administração e senior advisor da JBS. O executivo também continuará como chairman da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC), subsidiária da JBS nos Estados Unidos. Tomazoni está na JBS há 14 anos, sendo oito deles como CEO global. Durante sua gestão, a empresa ampliou a atuação internacional e diversificou os negócios. A receita anual passou de cerca de US$ 50 bilhões para US$ 86,2 bilhões. Também foi durante sua gestão que a JBS passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A volta por cima dos irmãos Batista: da Lava Jato à diplomacia Continuidade e expansão Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027 JBS Em entrevista à Reuters, Batista Filho afirmou que a mudança deve ser marcada pela continuidade, já que trabalha com Tomazoni há 14 anos. "É uma transição que tem uma continuidade muito grande. Um CEO novo, que conhece uma empresa do nada, tem que aprender, decidir para aonde vai. No nosso caso, pela transição que estamos fazendo, não é isso." O futuro CEO afirmou que pretende manter a estratégia de expansão internacional da companhia, com atenção especial ao Oriente Médio, ao Sudeste Asiático e à Oceania. Entre os movimentos recentes da JBS nessas regiões estão um acordo bilionário com a Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, e uma aquisição em Omã no início deste ano. Batista Filho também citou como prioridades para os próximos anos a continuidade dos investimentos em produtos de maior valor agregado e a expansão dos negócios de ovos e peixes. SAIBA MAIS Quem é Wesley Batista Filho, que será o novo CEO global da JBS
10/08/2026 20:16:02 +00:00
YouTube endurece regras e dobra horas exigidas para monetização de vídeos

Governo eleva classificação indicativa do YouTube O YouTube vai aumentar as exigências para que novos criadores possam começar a ganhar dinheiro com anúncios e assinaturas na plataforma. A partir de 1º de fevereiro, será necessário acumular 8 mil horas de exibição qualificadas nos últimos 12 meses ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias. ▶️ Atualmente, o YouTube exige 1 mil inscritos e 4 mil horas de exibição no último ano ou 1 mil inscritos e 10 milhões de visualizações de Shorts nos últimos 90 dias. A mudança vale para novos criadores e não afetará os canais que já fazem parte do Programa de Parcerias do YouTube. LEIA TAMBÉM A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida Exigência aumenta para novos criadores Com a atualização, o tempo de exibição necessário para quem produz vídeos longos será o dobro do exigido atualmente. A mudança torna mais difícil para novos canais alcançarem a monetização, principalmente para criadores que dependem de vídeos curtos. Na prática, será necessário construir uma audiência maior e manter um volume elevado de visualizações para começar a ganhar dinheiro com a plataforma. O YouTube afirma que a alteração acompanha o crescimento da plataforma, que atualmente registra mais de 200 bilhões de visualizações diárias em Shorts e mais de 1 bilhão de horas de conteúdo assistidas em televisores todos os dias. Shorts terão regra específica O YouTube também anunciou uma mudança para os criadores que já fazem parte do programa e recebem dinheiro por meio do Shorts Creators Pool. Para continuar recebendo essa receita, os canais precisarão manter pelo menos 10 milhões de visualizações de Shorts a cada período de 90 dias. Quem ficar abaixo desse número continuará no Programa de Parcerias e poderá seguir ganhando dinheiro com vídeos longos. A receita dos Shorts será retomada quando o canal voltar a atingir a marca de 10 milhões de visualizações em 90 dias. Premium Lite será ampliado Além das mudanças nas regras de monetização, o YouTube anunciou a expansão do Premium Lite para todos os países onde o YouTube Premium está disponível. A modalidade oferece uma experiência sem anúncios na maior parte dos vídeos e permite baixar conteúdos para assistir offline e reproduzi-los em segundo plano. Os criadores recebem uma parcela da receita gerada pelas assinaturas de acordo com o tempo de exibição e o número de visualizações. Segundo o YouTube, 55% da receita fica com criadores de vídeos longos e 45% com criadores de Shorts. A empresa afirma que a expansão do serviço pode aumentar os ganhos dos criadores. Segundo o YouTube, quando um usuário assina o Premium, os parceiros recebem, em média, mais do que receberiam se aquele espectador continuasse assistindo aos conteúdos com anúncios. Outras plataformas também mudam regras O YouTube não é a única rede social a alterar seus programas de remuneração para criadores. O X, de Elon Musk, mudou no fim de semana as regras de seu programa de pagamentos para priorizar conteúdos originais. O Facebook também lançou neste ano um novo programa de monetização para atrair criadores que produzem conteúdo para plataformas como TikTok e YouTube. As mudanças mostram uma disputa entre as grandes redes sociais pelos criadores de conteúdo que conseguem reunir grandes audiências. Logo do YouTube REUTERS/Lucy Nicholson
10/08/2026 19:55:30 +00:00
Bilionário brasileiro Eduardo Saverin se junta a Jeff Bezos em consórcio que negocia compra de 30% do Liverpool, diz TV

O cofundador do Facebook Eduardo Saverin comparece ao segundo aniversário da 99.co e ao lançamento do 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao dono da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que negocia a compra de cerca de um terço do Liverpool Football Club, da Inglaterra. A informação é da Sky News, que apurou que o Fenway Sports Group (FSG), grupo que controla o Liverpool desde 2010, se prepara para anunciar a transação ainda nesta semana. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O consórcio é liderado por Amit Bhatia, genro de Lakshmi Mittal, bilionário do setor siderúrgico. Até recentemente, Bhatia era acionista do Queens Park Rangers, clube da segunda divisão do futebol inglês. Se o negócio for fechado, três dos homens mais ricos do mundo passarão a ser sócios do Liverpool, um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol inglês. Só Bezos tem uma fortuna estimada pela Forbes em mais de US$ 283 bilhões, enquanto Saverin tem patrimônio superior a US$ 33 bilhões. Segundo a Sky News, o negócio deve avaliar o Liverpool em US$ 6 bilhões, o que faria da transação uma das maiores da história do futebol. Embora Bezos nunca tenha se envolvido em negociações para investir em clubes de futebol, sua possível entrada no consórcio mostra como o esporte tem atraído cada vez mais investidores bilionários. Saverin, de 44 anos, fez parte de um consórcio que apresentou, sem sucesso, uma proposta para comprar o Chelsea durante o processo de venda do clube, em 2022. Quem são os brasileiros mais ricos segundo lista de bilionários da Forbes. Quem é Eduardo Saverin Eduardo Saverin, durante conferência realizada em Singapora, em 2013. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O empresário Eduardo Saverin segue na liderança do ranking dos brasileiros mais ricos do mundo, com fortuna estimada em mais de US$ 33 bilhões, segundo a revista Forbes. Saverin nasceu em 1982, em São Paulo, mas foi criado nos Estados Unidos. Ele é conhecido por ter ajudado Mark Zuckerberg a fundar o Facebook — os dois se conheceram na faculdade. Hoje, o empresário mora em Singapura com a esposa e o filho. Saverin também é cofundador e copresidente da B. Capital, empresa de investimentos em venture capital. 🔍 Empresas de venture capital — também chamadas de capital de risco — investem em companhias inovadoras em estágio inicial ou de pequeno porte e oferecem apoio para que elas possam crescer. Normalmente, esse tipo de investimento envolve alto risco, mas também pode gerar retornos elevados. Saverin se formou em economia em Harvard, onde conheceu Zuckerberg e ajudou a criar a rede social em 2004. Ele foi responsável pelo investimento inicial necessário para colocar a empresa em operação, segundo o livro "Milionários Acidentais", de Ben Mezrich, publicado em 2012. A fortuna veio de uma participação minoritária na empresa. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital do Facebook valorizar sua participação. A participação não foi maior porque Saverin e Zuckerberg romperam a parceria após divergências sobre os rumos da empresa. A disputa foi parar na Justiça e foi retratada no filme "A Rede Social" (2010), em que Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield. Ainda assim, ele chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024. Na época, sua fortuna foi estimada em R$ 155,9 bilhões, após forte valorização das ações da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp.
10/08/2026 17:37:18 +00:00
Trump prorroga suspensão de lei centenária para tentar conter preço dos combustíveis nos EUA

Lula: "Trump, a gente tem que passar para o mundo uma certa harmonia" O presidente Donald Trump prorrogou por 90 dias uma autorização especial que permite que navios de bandeira estrangeira transportem petróleo e outras commodities entre portos dos EUA. Entretanto, Trump também impôs novos limites após construtores navais e seus aliados no Congresso argumentarem que a medida prejudicava a indústria marítima nacional, informou a Casa Branca. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A prorrogação, oficializada nesta segunda-feira (10), ocorre em um momento em que a tensão com o Irã perturba o fluxo global de petróleo bruto e eleva os custos dos combustíveis. O cenário aumenta a pressão sobre o governo para aliviar gargalos logísticos e evitar novas altas nos preços da gasolina e de outras fontes de energia. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, a extensão por 90 dias garante que as Forças Armadas e setores estratégicos dos EUA mantenham acesso ininterrupto a recursos essenciais. "Dados mostram que a autorização especial impulsionou um aumento significativo nas entregas internas de produtos essenciais, como gasolina, diesel e combustível de aviação", disse Rogers em uma publicação na rede social X. Sob as novas condições, o governo restringiu o alcance da medida. Cada viagem deverá passar por uma análise individual, em vez de os navios estrangeiros receberem isenções genéricas à Lei Jones (Jones Act), confirmou uma autoridade da Casa Branca. O que é a Jones Act? A Jones Act exige que as cargas transportadas entre portos dos EUA sejam levadas em navios construídos no país, de propriedade de empresas americanas e tripulados por trabalhadores americanos. A autorização especial busca reduzir os preços dos combustíveis ao ampliar a flexibilidade do transporte marítimo e diminuir gargalos logísticos. A autorização venceria em 16 de agosto caso não fosse prorrogada. Trata-se da suspensão mais longa da história da lei, que está em vigor há mais de um século.
10/08/2026 17:17:39 +00:00
Nvidia negocia com gigantes de Wall Street pacote de US$ 500 bilhões para financiar infraestrutura de IA

Trump diz que vai autorizar venda de semicondutores de IA da Nvidia para a China Um grupo de instituições financeiras, incluindo Apollo Global e Blackstone, está trabalhando com a Nvidia para montar um pacote de financiamento de US$ 500 bilhões (R$ 2,55 trilhões) voltado ao desenvolvimento da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. A informação é do Financial Times nesta segunda-feira (10). A possível parceria mostra o esforço da Nvidia para levantar recursos para a infraestrutura que sustenta a expansão da inteligência artificial, como chips, geração de energia e centros de processamento de dados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O grupo também inclui a Global Infrastructure Partners, da BlackRock, a Brookfield Asset Management, o Goldman Sachs e a KKR. Segundo o Financial Times, que ouviu cinco pessoas a par das negociações, as instituições discutem uma parceria com a Nvidia para financiar a expansão da infraestrutura de IA. O acordo pode ser anunciado ainda nesta segunda-feira, segundo o jornal. A BlackRock não quis comentar o assunto. A Nvidia e as demais empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
10/08/2026 16:58:18 +00:00
EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem estar 'à disposição' para discutir tarifaço

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O governo dos Estados Unidos respondeu nesta segunda-feira (10) ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Governo não espera reversão Embora o governo tenha acionado a OMC, diplomatas dizem que a medida tem caráter simbólico. Ou seja, não acreditam que uma eventual decisão da organização tenha capacidade de reverter o tarifaço americano. LEIA TAMBÉM: 'Mais simbólico do que efetivo': por que o Brasil foi à OMC contra o tarifaço, mesmo com o órgão enfraquecido OMC perde instância máxima de apelação de processos Sete pontos para entender a paralisia que ameaça a OMC Segundo eles, diante da tradição da diplomacia brasileira de defender o chamado multilateralismo, o governo considerou necessário acionar a OMC para reforçar a defesa da solução de conflitos entre países — sejam políticos, econômicos ou militares — por meio de organismos internacionais. Os diplomatas afirmam ainda que o recurso à OMC "marca posição" do Brasil em relação aos EUA e registra a tentativa do país de buscar caminhos para reverter a medida. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance
10/08/2026 16:21:37 +00:00
Tirar Discord do ar, como pediu Janja, não resolve problema e pode empurrar usuários para outros lugares

Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens A primeira-dama Janja da Silva defendeu nesta semana que o Discord deveria ser retirado "imediatamente" do ar no Brasil, citando o caso de uma menina de 13 anos que teria sido coagida por outros usuários a se suicidar durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A polícia apreendeu na terça-feira (4/8) cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e prendeu um homem de 18 anos, acusados de envolvimento na morte da adolescente de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. As investigações apontam que o grupo usava o Discord e também o aplicativo de mensagens Telegram para atrair vítimas meninas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. "A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma", disse a primeira-dama, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto na quinta-feira (7/8), em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou lei que amplia a punição para quem pratica violência sexual contra crianças e adolescentes. "Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Não consigo admitir um país desse." O Secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, disse no evento que a polícia chegou a pedir a suspensão da plataforma, mas que o pedido foi negado pelo Judiciário. Já o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que pediu ao Ministério da Justiça que encaminhe todas as informações sobre o caso e sobre o Discord para que seja preparada uma ação civil pública contra a plataforma. Dados da Safernet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet, mostram que, de janeiro a julho de 2026, o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 406 em 2026 até agora, contra 264 nos primeiros sete meses de 2025, um recorde para o período, na série histórica iniciada em 2017. Nos últimos anos, o Discord tem figurado em episódios de violência extrema, incluindo crimes como venda de armas, drogas e explosivos; planejamento de ataques a escolas e tiroteios em massa; compartilhamento de conteúdo extremista, imagens e vídeos de abusos a crianças e adolescentes, e de tortura contra animais; além de extorsão sexual, tráfico de pessoas e incentivo à automutilação, incluindo suicídio. Ainda assim, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que bloquear o serviço no Brasil, como pede Janja, não é a solução para os graves problemas de moderação de conteúdo da plataforma. A medida poderia, na verdade, incentivar os usuários a usarem ferramentas para continuar no Discord (como VPNs) ou empurrá-los para outras plataformas que estão fora do alcance das autoridades e leis brasileiras. "Vamos pedir a imediata responsabilização e a retirada de sua utilização pela sociedade brasileira, já que ela não tem compromisso com a sociedade e não protege crianças e adolescentes", disse Messias, segundo o portal G1. A primeira-dama Janja da Silva defendeu que o Discord seja retirado do ar no Brasil. Reprodução/BBC Brasil "Os crimes vão continuar acontecendo, provavelmente dentro do próprio Discord, usando VPNs e outras ferramentas de acesso que contornam bloqueios", diz Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Uma VPN (sigla em inglês para "rede privada virtual") é uma tecnologia que cria uma conexão criptografada entre o dispositivo e a internet, e criminosos se aproveitam dela para esconder suas identidades em atividades ilegais na internet. Segundo Tavares, elas são amplamente usadas para acessar o Discord em países onde a plataforma está atualmente bloqueada, como Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. "Inclusive, isso tem um efeito contraproducente, porque você acaba disseminando o uso dessas ferramentas de contorno de bloqueios." Thiago Ayub, diretor de tecnologia da empresa especializada em redes Sage Networks, acrescenta que o bloqueio pode fazer os usuários do Discord (e as atividades que se buscava interromper) migrarem para outras plataformas ainda não bloqueadas. "O Discord possui representante legal no Brasil, que serve como ponto de contato com as autoridades. A nova plataforma a ser escolhida possivelmente será uma sem representante, mais distante ainda do alcance das leis brasileiras, representando um efeito rebote daquilo que inicialmente tentou-se reprimir." O Discord afirmou em nota à BBC News Brasil que "não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e estamos cooperando com as autoridades policiais na investigação deste grave caso". Disse ainda que "mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões". Por que crimes proliferam no Discord O Discord é uma plataforma americana, fundada em 2015, como um espaço para jogadores online compartilharem mensagens, imagens, áudios, memes e transmissões em um só lugar. "O Discord integra várias funcionalidades, numa arquitetura que permite a existência de espaços fechados, onde só se entra com convite", observa Tavares, da SaferNet. São os chamados servidores ou "panelas", no caso de um subgrupo dentro de um servidor. "Além disso, a plataforma tem deficiências claras na capacidade de detecção de conteúdos criminosos, e tem poucas barreiras de entrada. Não há, por exemplo, verificação etária, como ficou evidente no caso que resultou no suicídio de uma menina de 13 anos, em que um dos usuários envolvidos declarou uma idade de mais de 140 anos." À esquerda, vídeo de estupro virtual realizado no Discord sendo compartilhado no X; à direita, imagem de servidor de um grupo interessado em realizar ataques a escolas. Reprodução/BBC Brasil Ayub, da Sage Networks, observa que, no Discord, são os administradores de cada comunidade que determinam quem pode entrar e o teor do conteúdo daquilo que vai ser dito, diferentemente das redes sociais mais tradicionais, onde as empresas estabelecem regras e moderam conteúdo. "O Discord se enxerga como fornecedor do software e não como gestor da comunidade. É como se cada comunidade dentro do Discord fosse um condomínio, com seu síndico e suas regras", afirma. Tavares observa que um dos fatores que contribui para a baixa detecção de incidentes graves no Discord é o fato de os modelos da plataforma para isso serem treinados em língua inglesa, e as decisões de moderação e alertas muitas vezes serem tomadas a partir de traduções feitas por sistemas de inteligência artificial. Como os criminosos no Brasil se comunicam frequentemente usando siglas, codinomes e palavras que não fazem sentido em inglês, e o Brasil está entre os cinco maiores mercados para o Discord, Tavares defende que seria necessário que os modelos da plataforma fossem treinados em português, com um time local, e ferramentas customizadas para o uso da plataforma no Brasil. Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens É possível tirar o Discord do ar? Ayub observa que o Estado brasileiro já possui todo um aparato tecnológico e administrativo para retirar do ar nacionalmente qualquer domínio e endereço IP na internet. Endereço IP é o número que identifica equipamentos ligados à Internet. Se esse número é bloqueado, qualquer pessoa no país fica impedida de se comunicar com os servidores do Discord sem usar algum mecanismo para burlar o bloqueio. "Já temos um histórico de bloqueios de grandes plataformas no país, como o YouTube, WhatsApp e, mais recentemente, a rede social X, sob ordem do Supremo Tribunal Federal", lembra Ayub. Em casos de suspensão de uma rede social por ordem judicial, o Judiciário ordena o bloqueio da plataforma à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que repassa a ordem às operadoras de internet, a quem cabe suspender o acesso dos usuários finais. Judiciário ordena o bloqueio de redes sociais à Anatel, que repassa a ordem às operadoras de internet. Reprodução/BBC Brasil Tavares destaca, porém, que embora seja tecnicamente possível, o bloqueio não é 100% efetivo, como revela a experiência do Brasil com plataformas de apostas, conhecidas como bets. No Brasil, existem mais de 20 mil empresas provendo acesso à internet. O bloqueio é implementado em camadas, com a Anatel dividindo as operadoras em três faixas. Possíveis consequências de um bloqueio Tavares observa que o único sentido de um bloqueio seria pressionar economicamente a plataforma, ao reduzir a base de usuários ativos no Brasil. "Talvez esse seja o principal argumento [em favor da suspensão]: para forçar a empresa a olhar com mais atenção para o mercado brasileiro, criando uma condição de acesso a esse mercado", afirma. "Mas talvez existam outras formas de se obter o mesmo resultado sem precisar adotar uma medida extrema como essa." Ayub destaca ainda que, como o Discord é sediado na Califórnia, o bloqueio pode se tornar mais um combustível no atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos. "O governo de Washington terá um bom argumento: a Lei Felca, como ficou conhecido o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital [ECA Digital]", diz Ayub. O especialista em tecnologia observa que a lei, já em vigor, prevê uma gradação de sanções, desde uma advertência, passando por multa e por fim o bloqueio nacional. "Pularmos para o último degrau da sanção pode ser apontado como um desrespeito não só às leis vigentes, como uma desconsideração pela última inovação legislativa no Brasil que endereça exatamente os problemas pelos quais o Discord é famoso", afirma. "Poderá ser percebido como uma primeira represália ao tarifaço." Após a repercussão do caso em Naviraí, a AGU informou que a empresa se comprometeu a apresentar um plano com medidas para aumentar a proteção aos seus usuários. Em paralelo, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ligada ao Ministério da Justiça, apura possíveis falhas da plataforma em seguir o que determina o ECA Digital. A empresa terá de demonstrar que atua para prevenir e combater a exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio, que tem mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e que retira conteúdos considerados ilegais e comunica casos graves às autoridades. Se a agência identificar irregularidades, poderá exigir que a plataforma mude suas práticas e aplicar as punições previstas no ECA Digital, entre elas a multa de até R$ 50 milhões por infração. A faixa A envolve 22 empresas, que são as grandes companhias de telecomunicações, como Vivo, Claro, Tim, entre outras, somando 60% dos acessos. A faixa B reúne 229 empresas médias, elevando a efetividade do bloqueio a 80% dos acessos. A grande dificuldade mora nos 20% restantes, onde atuam mais de 20 mil pequenas empresas diferentes, muitas delas fora do escopo de fiscalização da Anatel, destaca o presidente da SaferNet. "Uma parte significativa, 80% geralmente, vai ter o bloqueio efetivado. Os outros 20% provavelmente vão ter uma grande margem de falha", diz Tavares. "E vai ter aquele percentual de usuários que está nos 80% e que vai continuar usando, via VPN e outras ferramentas." Além disso, observa Tavares, um bloqueio judicial restringe o direito de toda uma coletividade, que em sua maioria não tem a ver com os incidentes criminosos. Alguns dos canais do Discord são abertos, e envolvem, por exemplo, divulgação de cultura pop e assuntos de interesse geral. A plataforma também tem sido usada por empresas como espaço para trabalho e por escolas como ferramenta de ensino à distância. "Existe sim uma deficiência na capacidade da empresa de detectar crimes, nas ferramentas de segurança, de verificação de idade, isso está absolutamente provado e evidenciado. Mas é claro que a ferramenta tem usos legítimos", pondera.
10/08/2026 16:13:21 +00:00
BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens indevidas

Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (10) um relatório de gestão do PIX, sistema de pagamentos e transferências em tempo real lançado pela autoridade monetária em 2020. A instituição destaca a evolução da ferramenta nos últimos anos, com funcionalidades como "PIX Cobrança", "PIX Saque", "PIX Agendado" e "PIX por Aproximação". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O BC também prevê novidades para os próximos anos, como a cobrança híbrida, o uso para quitar duplicatas, o chamado "split tributário", relacionado à reforma tributária, além do "PIX Internacional" e do "PIX em Garantia". (veja detalhes mais abaixo nessa reportagem) A instituição também informou que discute medidas contra o uso indevido do campo de descrição das transações, como o envio de mensagens ofensivas ou ameaçadoras, além da padronização dos chamados alertas de golpe. ➡️ Em 2025, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. O valor movimentado cresceu 33,6% na comparação com 2024, quando as transações totalizaram R$ 26,46 trilhões. ➡️ O sistema de pagamentos brasileiro está na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem aplicado sobretaxas a produtos brasileiros. Mensagens indevidas "Originalmente concebido para que o pagador registre informações objetivas sobre o pagamento, esse campo tem sido utilizado, em algumas situações, para fins alheios ao propósito original, como veículo para mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, frequentemente associadas a transferências de valor irrisório", explicou o Banco Central. Por conta disso, a instituição criou neste ano um grupo de trabalho no âmbito do Fórum PIX, com a participação de associações representativas do sistema de pagamentos. O objetivo é discutir alternativas para preservar a integridade da ferramenta e a experiência dos usuários, sem comprometer as características essenciais do PIX. "Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", concluiu o BC. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil Alerta de golpe O Banco Central informou que trabalha na evolução do chamado "alerta de golpe" para transferências via PIX. A funcionalidade já é utilizada por algumas instituições para avisar os clientes sobre possíveis fraudes no momento em que uma transação é iniciada, com base em critérios considerados suspeitos pela própria instituição. "O BC está discutindo com o mercado, no âmbito do Fórum PIX, como padronizar essa experiência, visando tornar essa padronização obrigatória por meio da definição de critérios mínimos para emissão desses alertas e da forma como devem ser enviados para os clientes", informou a instituição. 🔎 Em outubro do ano passado, as instituições financeiras passaram a disponibilizar um botão de contestação para que uma transação possa ser questionada sem a necessidade de interação humana. Evolução nos últimos anos 📩 PIX Cobrança: passou a funcionar como uma alternativa ao boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviços emitam cobranças e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente. 💵 PIX Saque e PIX Troco: permitem que lojas e outros estabelecimentos funcionem como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro e reduzindo custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos. 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas definidas, oferecendo mais previsibilidade e organização financeira. 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, permite pagamentos por aproximação, em uma experiência semelhante à dos cartões com essa tecnologia. 🔄 PIX Automático: facilita pagamentos recorrentes ao funcionar de forma semelhante ao débito automático, permitindo cobranças de serviços contínuos. 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais ao permitir que pagamentos sejam iniciados por diferentes plataformas, especialmente em compras online e pelo celular. Agenda evolutiva do PIX, divulgada em março Reprodução de apresentação da 28ª reunião plenária do Fórum PIX O Banco Central não informa, no relatório de gestão do PIX, quando as novas funcionalidades serão lançadas. Entretanto, em uma reunião do Fórum PIX realizada em março deste ano, o BC estimou para 2026 a implementação da cobrança híbrida, do pagamento de duplicatas e do split tributário. Para os próximos anos, o BC prevê o "PIX Internacional" e o "PIX em Garantia". Já o "PIX Parcelado" não foi citado no relatório. A padronização dessa modalidade poderia ampliar a competição entre os bancos e reduzir reclamações. Para 2026 Cobrança Híbrida: permitirá pagar por QR Code uma cobrança que também oferece a opção de pagamento por boleto. A modalidade já é oferecida de forma facultativa, mas a previsão é que se torne obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: permitirá o pagamento de duplicatas escriturais — títulos de crédito — via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais. O objetivo é oferecer uma alternativa aos boletos bancários. Split tributário: vai adequar o PIX ao sistema de pagamento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS — tributo federal sobre o consumo — será paga no ato da compra quando o pagamento for feito por meio eletrônico. Próximos anos PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A ideia é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos ou por meio de acordos entre instituições financeiras. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. A ideia é interligar sistemas de pagamento instantâneos. ➡️ No caso do PIX Internacional, o BC observou que parcerias entre instituições financeiras brasileiras e estrangeiras têm permitido a geração de QR Codes e a confirmação da transação em tempo real. "O PIX é feito, em reais, instantaneamente da conta do brasileiro para a conta da instituição brasileira, que pode ser ou não um participante. Em um segundo momento, a instituição brasileira realiza a remessa de recursos para o exterior, da forma tradicional, sem usar a infraestrutura do Pix – que permite apenas transações domésticas –, fazendo com que os recursos sejam creditados em moeda local na conta do estabelecimento comercial na instituição parceira no exterior", explicou o BC. PIX parcelado ➡️ O Banco Central não faz referência, em seu relatório, ao chamado PIX Parcelado, apontado pela instituição como uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵 O parcelamento por meio do PIX já é oferecido por várias instituições financeiras como uma linha de crédito. O BC, porém, quer padronizar as regras, o que pode ampliar a competição entre os bancos e contribuir para a redução dos juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.
10/08/2026 13:38:37 +00:00
Meta, dona do Instagram, enfrenta novo julgamento nos EUA por vício em redes sociais

Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais Hollie Adams/Reuters A Meta, que já foi condenada duas vezes nos EUA neste ano por danos causados a jovens, agora terá de enfrentar quatro estados americanos que acusam a empresa de ter desenvolvido o Instagram e o Facebook para torná-los viciantes. A seleção do júri começará na quarta-feira (12), em um tribunal federal de Oakland, perto de São Francisco, informou a agência de notícias France Presse. O julgamento começará em 18 de agosto e deve se estender por cerca de seis semanas, com o veredicto previsto para o início de outubro. O caso é considerado um dos mais importantes entre os inúmeros processos movidos contra redes sociais nos EUA. Os procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, do Kentucky e de Nova Jersey pedem uma série de restrições ao funcionamento do Instagram e do Facebook para menores de idade, além de multas que podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões), valor equivalente à capitalização de mercado da Meta. Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas que a acusação pretende interrogar até o fim de setembro. Esta seria a segunda vez em seis meses que o diretor-executivo da Meta prestaria depoimento, após comparecer a um tribunal de Los Angeles, onde o júri considerou seu testemunho pouco convincente. Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil? Arquivos do Facebook O julgamento de Oakland, o primeiro em um tribunal federal, é resultado de uma batalha judicial iniciada no fim de 2021, quando a ex-funcionária da Meta Frances Haugen vazou milhares de páginas de pesquisas internas. O vazamento, que ficou conhecido como "Arquivos do Facebook", mostrou que a empresa investigava internamente os impactos do Instagram na saúde mental dos adolescentes, enquanto afirmava publicamente que a plataforma não era prejudicial. As revelações levaram dezenas de estados a abrir uma investigação conjunta. Dois anos depois, cerca de 30 procuradores-gerais entraram com uma ação contra a Meta. Dos estados envolvidos na ação, quatro foram selecionados para participar do julgamento em Oakland. Se a Meta for derrotada, o resultado poderá abrir caminho para um acordo mais amplo com os demais estados, nos moldes do que ocorreu no passado com a indústria do tabaco. TikTok, Snapchat e YouTube, do Google, também são alvo de ações apresentadas por milhares de famílias, escolas e procuradores nos Estados Unidos. Em março, em uma decisão histórica, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis pela dependência de uma adolescente da Califórnia e concedeu à jovem uma indenização de US$ 6 milhões (R$ 30,5 milhões). Posteriormente, no Novo México, a Meta foi condenada a pagar quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em multas e indenizações, além de cumprir restrições sem precedentes para contas de menores de idade no estado. Meta vai recorrer A Meta anunciou que recorrerá das duas decisões e afirmou ter "confiança" em seu histórico de "proteção dos adolescentes no ambiente on-line". A empresa argumentará que a saúde mental dos jovens "não pode ser atribuída a um único aplicativo" e que algumas das funcionalidades questionadas são protegidas pelas garantias de liberdade de expressão da Constituição americana. Em maio, Snapchat, TikTok, YouTube e Meta optaram por pagar US$ 27 milhões (R$ 137,4 milhões) a um distrito escolar de Kentucky para evitar outro julgamento, que poderia abrir precedente para ações semelhantes de cerca de 1.200 comunidades escolares. Imunidade sobre os conteúdos Os quatro estados acusam a Meta de violar leis de proteção ao consumidor e a Lei Federal de Proteção da Privacidade Infantil (COPPA) ao criar recursos para fazer com que crianças e adolescentes passem mais tempo nas plataformas, como rolagem infinita, notificações intrusivas ou enviadas durante a noite e alertas de "curtidas". Segundo a acusação, a empresa minimizava publicamente os riscos desses recursos. Essa estratégia contorna a imunidade concedida às plataformas nos Estados Unidos em relação ao conteúdo gerado pelos usuários: o alvo da ação é o design dos aplicativos, e não o conteúdo publicado neles. O valor de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões) reivindicado resulta de um cálculo segundo o qual cada menor afetado representaria uma infração independente, sujeita a multas de vários milhares de dólares, de acordo com a acusação. O júri terá apenas função consultiva. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que já presidiu o julgamento entre Apple e Epic Games e a batalha judicial entre Elon Musk e os criadores do ChatGPT no primeiro semestre deste ano, determinará as sanções e medidas corretivas. No tribunal, pais de adolescentes afetados pelas redes sociais poderão voltar a prestar depoimento, como ocorreu em Los Angeles, enquanto o restante do país poderá acompanhar o processo ao vivo pelo YouTube.
10/08/2026 13:22:40 +00:00
Desenrola Adimplentes começa nesta segunda; veja regras e quem pode participar

Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos O Desenrola Adimplentes começa a operar nesta segunda-feira (10) com novas regras para a participação das instituições financeiras. A modalidade oferece crédito em condições mais favoráveis para trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia e para estudantes e empresas adimplentes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o governo, a expectativa é que até 500 mil trabalhadores informais e 100 mil beneficiários do Fies procurem o programa. Segundo o Ministério da Fazenda, 30% do valor das operações virão das próprias instituições financeiras, enquanto os 70% restantes serão bancados pela União. A regra foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária na última sexta-feira (7), após a publicação da Medida Provisória nº 1.382, em 1º de agosto. O Desenrola Adimplentes é uma nova etapa do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal em junho. 🔎 Para os trabalhadores informais, a modalidade permite trocar uma dívida mais cara por um novo crédito, com juros menores. Já no caso do Fies, há linhas de crédito voltadas ao financiamento de atividades empreendedoras. O que mudou Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo A medida provisória que criou o Desenrola Adimplentes previa inicialmente que os recursos transferidos pela União ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal poderiam ser combinados com dinheiro próprio dessas instituições para viabilizar as operações, inclusive em parceria com outras instituições financeiras. Uma mudança feita posteriormente pela MP nº 1.382 permitiu que o dinheiro repassado pelo governo seja somado a recursos dos próprios bancos e de outras instituições financeiras autorizadas a participar do programa. Com isso, todas as instituições participantes terão de utilizar 30% de capital próprio nas operações do programa. Os outros 70% serão compostos pelos recursos repassados pela União. Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança tem como objetivo incentivar a participação de mais instituições financeiras no programa, ao mesmo tempo em que mantém o uso dos recursos públicos de forma eficiente. O CMN também revogou uma regra que previa a cobrança de encargos pelos agentes financeiros das demais instituições participantes pelo uso de recursos próprios nas operações. Trabalhadores informais A modalidade é destinada a trabalhadores que atuam no mercado informal e têm histórico recente de pagamento em dia. Podem participar trabalhadores sem vínculo com carteira assinada (CLT) que não sejam servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS. Para se enquadrar, é preciso ter uma operação de crédito pessoal não consignado ainda com saldo devedor e ter pago pelo menos quatro parcelas. A dívida deve estar em dia ou ter atraso de, no máximo, 90 dias — tanto na data da Medida Provisória nº 1.373, de 29 de junho de 2026, quanto na data da contratação da nova operação. O saldo devedor deve ser de até R$ 15 mil por instituição financeira. Condições da renegociação A operação prevê a contratação de um novo crédito para quitar integralmente a dívida anterior. As condições são: Juros: até 1,99% ao mês; Prazo: igual ao período que ainda faltava para quitar a dívida original, com possibilidade de extensão de acordo com o prazo restante: até 1 mês para dívidas com até 6 meses restantes; até 2 meses para dívidas com mais de 6 e até 12 meses restantes; até 4 meses para dívidas com mais de 12 e até 24 meses restantes; até 6 meses para dívidas com mais de 24 meses restantes; Valor da parcela: a nova prestação não poderá superar 90% da parcela original; Crédito adicional: poderá ser liberado até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela continue dentro do limite de 90% da prestação anterior. Garantia do FGO As operações contam com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que protege as instituições financeiras contra eventuais perdas. A garantia cobre 50% das primeiras perdas da carteira e é integral para cada operação, de acordo com as regras do programa. Fies O programa também prevê condições especiais para estudantes adimplentes com contratos do Fies e novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas que pretendem financiar atividades empreendedoras. Para estudantes com contratos do Fies celebrados até 2017, que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026 e tinham menos de 90 dias de atraso nessa data, o programa oferece desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida, inclusive o principal, para pagamento à vista. Além da renegociação, o programa prevê novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas adimplentes com o Fies. Segundo o governo, parte relevante desse público conclui cursos ligados a profissões autônomas e precisa de capital para começar a trabalhar. Parte dos beneficiários já possui CNPJ. Para ter acesso ao crédito destinado à atividade empreendedora, o graduado precisa: estar adimplente com o Fies há pelo menos 36 meses; não ter feito renegociação da dívida. Os juros poderão ser de até 11% ao ano (0,87% ao mês). O limite é de R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para pessoas jurídicas. O prazo máximo é de 60 meses para pessoas físicas e de 96 meses para empresas. Como contratar o Desenrola Adimplentes 'Bons pagadores' do Fies cobram descontos iguais aos de inadimplentes No início do programa, as linhas de crédito serão oferecidas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Outras instituições financeiras poderão aderir posteriormente. Clientes que têm dívidas em outros bancos também poderão procurar as duas instituições públicas. Nesse caso, será feita uma nova análise de crédito para verificar se a operação atende às regras do programa. Trabalhadores informais O cliente deve procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e solicitar uma análise de crédito. O banco avaliará o perfil do cliente e verificará se a operação se enquadra nas regras do programa. A dívida precisa ser de crédito pessoal não consignado, ter saldo de até R$ 15 mil, pelo menos quatro parcelas já pagas e estar em dia ou com até 90 dias de atraso. Se a operação for aprovada, a dívida será substituída por um novo crédito, com juros de até 1,99% ao mês. Também poderá ser liberado um valor adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela fique dentro do limite estabelecido pelo programa. A contratação deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais das instituições. No Banco do Brasil, informações sobre o programa estão disponíveis em bb.com.br/site/pra-voce/desenrola-brasil. O WhatsApp oficial do BB é (61) 4004-0001. Na Caixa, informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola. O WhatsApp oficial da Caixa é 0800 104 0104. Beneficiários do Fies No Banco do Brasil, a contratação do Desenrola Fies pode ser feita pelo aplicativo BB, no caminho Soluções de Dívidas > Central de Renegociações > FIES. Quem não tiver acesso ao aplicativo pode procurar uma agência do banco. Mais informações estão disponíveis no site do banco ou no WhatsApp oficial do BB: (61) 4004-0001. Os estudantes terão até 31 de dezembro de 2026 para aderir às condições especiais. Na Caixa, a renegociação pode ser feita pelo SIFESWEB, em uma agência do banco e, futuramente, pelo aplicativo FIES. O acesso ao SIFESWEB está disponível em sifesweb.caixa.gov.br. Mais informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola e no WhatsApp oficial da Caixa: 0800 104 0104. Bloqueio para apostas Como condição para participar do Desenrola Adimplentes, o beneficiário terá de aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de apostas online por seis meses. A medida foi adotada pelo governo para evitar que o crédito oferecido pelo programa, com juros mais baixos, seja utilizado em apostas. O bloqueio impede o cadastro e o acesso a contas de apostas vinculadas ao CPF durante o período.
10/08/2026 12:47:12 +00:00
Dólar sobe e chega a R$ 5,11, com impasse na guerra no Oriente Médio; Ibovespa fecha em queda

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,53% nesta segunda-feira (10), cotado a R$ 5,1106. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,19%, aos 172.180 pontos. ▶️ Investidores acompanham a nova alta do petróleo em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (9) que não reabrirá a passagem até que os Estados Unidos atendam às suas condições. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O presidente dos EUA, Donald Trump, ironizou a exigência de indenização por parte de Washington e disse que o regime iraniano deveria indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente". Como consequência do novo impasse, os preços do petróleo fecharam em alta de cerca de 5%. O barril do Brent, referência internacional, avançou 5,01%, para US$ 87,74. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 5,13%, a US$ 82,19 o barril. ▶️ Na agenda econômica desta semana, novos dados de inflação do Brasil e dos EUA ficam no centro das atenções. ▶️ Após os dados de emprego dos EUA virem abaixo do esperado na sexta-feira, o indicador de preços deve dar novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. ▶️ Por aqui, também fica no radar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que será divulgada nesta terça-feira. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,53; Acumulado do mês: +0,81%; Acumulado do ano: -6,89%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,19%; Acumulado do mês: -3,27%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. Em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo fechou em alta de cerca de 5% nesta segunda-feira. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na última semana, no entanto, o presidente americano, Donald Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Autoridades americanas também já haviam afirmado que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse a abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa iraniano de armas nucleares e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em queda nesta segunda-feira, com investidores ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Perto das 15h40, o Dow Jones caía 0,33%, enquanto o S&P 500 recuava 0,10% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 0,43%. Já na Europa, as principais bolsas da região fecharam mistas, em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,02%, enquanto o CAC-40, da França, caía 0,03% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 0,43%. Na Ásia, a maioria das bolsas de valores da região fechou em alta nesta segunda-feira, conforme investidores avaliavam novos dados de produção industrial da China e a notícia de que o BC chinês se comprometeu, em seu plano quinquenal, a manter a taxa de câmbio do iuan basicamente estável, além de ampliar o uso da moeda no comércio e nos investimentos internacionais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,16%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,05% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 2,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,65%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar vive disparada nos últimos dias Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo
10/08/2026 12:00:08 +00:00
Embraer tem receita recorde de R$ 11,3 bilhões no 2º trimestre de 2026 e entrega 65 aviões

Embraer entrega 65 aviões no segundo trimestre de 2026 e aumenta receita em relação a 2025 A Embraer, fabricante brasileira de aviões com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta segunda-feira (10) que registrou receita de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, o maior valor já alcançado pela empresa em um trimestre de abril a junho. O resultado recorde representa crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o balanço financeiro divulgado pela empresa, de abril a junho a Embraer entregou 65 aviões, sete a mais do que no segundo trimestre de 2025. É o melhor resultado da Embraer para esse período em 16 anos. A maior parte das entregas foi de aviões executivos. Foram 45 aeronaves desse segmento, que representa cerca de 69% do total. A empresa também entregou 20 aeronaves comerciais e de defesa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Com esse resultado, no primeiro semestre a Embraer chegou a 109 aeronaves entregues, contra 91 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de aproximadamente 20% em 2026. Embraer divulgou balanço de segundo trimestre nesta segunda. Reprodução/TV Vanguarda Além do aumento da receita e das entregas, a Embraer terminou o segundo trimestre com uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O número representa crescimento de 16% em relação ao segundo trimestre de 2025 e é o sétimo recorde consecutivo da carteira de pedidos. A carteira reúne aeronaves que já foram encomendadas pelos clientes, mas ainda não foram entregues. Novos contratos O resultado ocorre após uma série de acordos anunciados pela Embraer nas últimas semanas. Durante o Farnborough International Airshow, uma das principais feiras da indústria aeronáutica do mundo que foi realizada em julho na Inglaterra, o grupo Abra, que reúne empresas como Avianca e Gol, anunciou um acordo para comprar 20 E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem levar o negócio a até 45 aeronaves. A empresa também anunciou um acordo com a Azorra para até 30 E-Freighters, versão de aeronaves da família E-Jets adaptada para o transporte de cargas. O contrato prevê 20 pedidos firmes e direitos de compra para outros 10 aviões. E-175 da Embraer Divulgação Na área de defesa, Embraer e Saab anunciaram um acordo para a possível produção de 20 novos caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Também em julho, a empresa anunciou novos pedidos de aeronaves E2 pela Binter e pela Luxair, além de outros acordos comerciais durante o evento no Reino Unido. Modelos mais produzidos A aviação executiva, responsável por 45 das 65 aeronaves entregues no segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 3,7 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. A área reúne os jatos usados principalmente em viagens particulares e corporativas. A divisão de Defesa e Segurança também apresentou crescimento. A receita foi de R$ 1,5 bilhão, 22% acima da registrada um ano antes. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pelo avanço da produção e das entregas do KC-390 Millennium. Em Serviços e Suporte, a receita chegou a R$ 2,9 bilhões, crescimento de 11%. Já a aviação comercial teve receita de R$ 3,2 bilhões, uma queda de 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Segundo a Embraer, o resultado foi afetado principalmente pela valorização do real em relação ao dólar. Embraer. Divulgação/Embraer Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
10/08/2026 11:49:35 +00:00
Analistas do mercado baixam pela 6ª semana seguida expectativa de inflação em 2026

Mercado financeiro reduz pela 6ª semana seguida a expectativa de inflação de 2026 O mercado financeiro reduziu outra vez sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,02%. Esta é a sexta semana seguida de recuo. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A queda na estimativa de inflação acontece apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociações. Entretanto, o Irã impõe condições. ➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5,03% para 5,02%; ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,22%; ➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,80%; ➡️ Para 2029, a estimativa ficou estável em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com a estimativa de inflação ainda acima da meta central no primeiro trimestre de 2028 (objetivo no qual o BC está mirando para calibrar a taxa de juros), o mercado financeiro continua prevendo mais um corte de juros neste ano. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano — após quatro cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma última redução maior da taxa neste ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,50% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado recuou de 1,99% para 1,98%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,57% para 1,52%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,28 por dólar.
10/08/2026 11:31:55 +00:00
Por reaproximação com Lula, Alcolumbre atuou pela neutralidade da federação União-PP em estados-chave

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) Ricardo Stuckert / PR Antes do encontro que selou, na última semana, a retomada das relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador ajudou a construir a neutralidade da federação União Brasil-Progressistas (PP) tanto no cenário nacional quanto em estados-chave. A atuação de Alcolumbre também foi decisiva para afastar partidos do centrão em importantes colégios eleitorais do PL de Flávio Bolsonaro. A articulação do presidente do Senado pode ajudar a enfraquer palanques que dificultavam a posição eleitoral de Lula. Um novo encontro entre os dois deve ocorrer nos próximos dias. No Rio de Janeiro, por exemplo, reduto eleitoral da família Bolsonaro. A posição neutra era importante para Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo do estado, mas também para Lula, por enfraquecer o palanque de Flávio Bolsonaro. A neutralidade veio depois de uma longa reunião entre integrantes da campanha de Paes, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, Alcolumbre, que participou por telefone, e nomes fortes do PP. Em Minas, a federação União Brasil-PP optou por apoiar o atual governador, Mateus Simões (PSD) e deixar o PL de Flávio Bolsonaro sozinho. Um dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo é o que dá situação mais confortável a Flávio Bolsonaro (PL), pelo desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas pesquisas ao governo estado. Em outros, até mesmo quando coligados ao PL, candidatos ao governo evitam mostrar Flávio como candidato ao Palácio do Planalto. A relação entre Lula e Alcolumbre, rompida desde a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), começou a ser reconstruída a partir dos interesses de palanques do PT. Nos planos de Alcolumbre, a reeleição ao comando do Senado move a tentativa de se reaproximar de Lula, à frente nas pesquisas, mesmo que por pequena margem. Para os partidos do centrão, a neutralidade também ajuda na eleição de bancadas maiores para Câmara e Senado. LEIA TAMBÉM: Com o fim das convenções, Lula e Flávio Bolsonaro definem palanques nos oito maiores colégios eleitorais União Brasil decide ficar neutro na disputa presidencial nas Eleições 2026 Progressistas adota neutralidade, e Tereza Cristina não será vice de Flávio Bolsonaro
10/08/2026 10:00:13 +00:00
Salários de até R$ 53 mil e falta de profissionais: veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia

Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia O mercado de tecnologia reúne salários acima da média e alta demanda por profissionais. Mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados — um desequilíbrio que ajuda a explicar os altos rendimentos de algumas carreiras. Um estudo divulgado com exclusividade ao g1 pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, mostra o tamanho desse desafio: entre 2019 e 2024, a demanda por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil. A diferença representa um déficit de 30,2%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, esse desequilíbrio também está relacionado à concentração geográfica das oportunidades. “Quando você pega dentro do estudo, dá para ver isso. A concentração de vagas e necessidades das empresas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, é avassaladora”, afirma. A falta de profissionais ocorre em um momento em que a tecnologia deixou de ser uma demanda restrita às empresas do setor e passou a ser estratégica para praticamente toda a economia. Bancos, varejistas, hospitais, indústrias e empresas do agronegócio disputam os mesmos profissionais para avançar na transformação digital. Hoje, o setor representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para mapear as carreiras mais valorizadas, a Inteli analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025. Após a aplicação de filtros metodológicos, a pesquisa chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia. O levantamento mostra um mercado com muitas oportunidades, mas também derruba alguns mitos sobre as carreiras da área. Abaixo, saiba mais sobre o setor a partir dos seguintes pontos: 🤖 IA não domina contratações 💰 Onde estão os melhores salários 🧠 Competências mais buscadas 🌱 Nem toda área é boa para quem está começando Há oportunidades para programador de sistemas Sora Shimazaki/Pexels IA não domina contratações A inteligência artificial (IA) se tornou o principal assunto quando o tema é carreira em tecnologia. Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, 79% apontaram a área como a mais relevante do mercado atualmente. Quando os pesquisadores analisaram as vagas efetivamente abertas, porém, encontraram outro cenário. A maior parte das oportunidades continua concentrada nas áreas responsáveis por construir, integrar e manter os sistemas que sustentam as operações das empresas. As áreas que mais contratam no mercado de tecnologia são: Desenvolvimento de Software (35,7%); Infraestrutura e Suporte (23,2%); Dados e Inteligência Artificial (17,7%); Projetos e Gerenciamento (12,9%); Testes e Controle de Qualidade (5,7%); Segurança da Informação (2,5%); Automação de Processos e Sistemas (2,3%). Quase seis em cada 10 vagas abertas no país estão concentradas em desenvolvimento de software e infraestrutura. Para Niemeyer, a diferença entre o interesse dos profissionais e a realidade das contratações ocorre porque a inteligência artificial representa uma das áreas mais avançadas da tecnologia, enquanto muitas empresas brasileiras ainda estão em etapas anteriores da digitalização. “É muito comum que a área que esteja em maior ascensão ou no maior interesse das pessoas seja a área tecnologicamente mais avançada, da novidade. Mas a grande verdade é que o Brasil ainda tem uma maturidade tecnológica muito baixa nas empresas”, explica. Segundo ele, cerca de 80% das pequenas e médias empresas têm baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda concentrada em funções mais tradicionais, como infraestrutura e suporte. Onde estão os melhores salários A disputa por profissionais qualificados ajuda a elevar os salários, principalmente em funções estratégicas. As maiores remunerações estão concentradas em cargos de liderança e gestão de tecnologia, além de áreas como segurança digital e inteligência artificial. Confira o ranking dos maiores salários do setor: Chief Technology Officer (até R$ 53,6 mil por mês); Chief Security Officer (R$ 52,5 mil por mês); Chief Information Officer (até R$ 49,5 mil por mês); Gerente de Dados (até R$ 37,9 mil por mês); Gerente de Segurança da Informação (até R$ 37,2 mil por mês); Gerente de TI Generalista (até R$ 35 mil por mês); Especialista em IA e Machine Learning (até R$ 32,5 mil por mês); Gerente de BI (até R$ 29,4 mil por mês); Gerente de Infraestrutura (até R$ 27,9 mil por mês); Engenheiro de Inteligência Artificial (até R$ 27,1 mil por mês). Apesar de os salários mais altos aparecerem principalmente em cargos de liderança, Niemeyer destaca que a carreira técnica também pode levar a remunerações elevadas, sem necessariamente passar por posições tradicionais de gestão. Segundo ele, o avanço da tecnologia tem criado estruturas mais horizontais, com menos camadas de gestão e mais espaço para profissionais especializados, capazes de gerar alto impacto técnico. Esse movimento ganha relevância em um cenário em que cada vez mais jovens demonstram menos interesse por cargos tradicionais de liderança, como já mostrou o g1. Competências mais buscadas A Inteli também identificou competências que podem aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia. O conhecimento em inteligência artificial é um dos principais diferenciais. Entre as vagas com faixa salarial divulgada, as oportunidades que mencionam IA aparecem com mais frequência nas faixas de remuneração mais altas. Entre as vagas com salários acima de R$ 10 mil, a presença de oportunidades que exigem conhecimento em IA é aproximadamente o dobro da observada entre as que não mencionam a tecnologia. O inglês é outro diferencial. Apenas 7,5% das vagas com remuneração divulgada exigem explicitamente o idioma. Entre elas, porém, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção cai para 22,3%. A exigência também aumenta conforme a senioridade. Entre as vagas para profissionais plenos e seniores, 8,7% pedem inglês. Entre as oportunidades para juniores, o índice é de 6,6%. As certificações técnicas também são pontos de destaque. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados, principalmente em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial. O levantamento mostra ainda que as empresas procuram profissionais que combinem conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais. Abaixo, veja as soft skills mais valorizadas: Comunicação (21%); Criatividade (17,8%); Organização (15,8%); Trabalho em equipe (11,4%); Liderança (7,6%). Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas estão: Computação em nuvem (13,8%); Metodologias ágeis (6,7%); AWS (5,9%); Azure (5,8%); Windows (5,1%). Essas competências formam uma base técnica comum a diferentes áreas da tecnologia, independentemente da especialização escolhida pelo profissional. Nem toda área é boa para quem está começando Os salários mais altos não significam que todas as áreas ofereçam as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira. Por isso, a Inteli buscou identificar quais áreas são mais acessíveis para quem está começando e quais exigem mais experiência. Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada uma: Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são destinadas a profissionais iniciantes. Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades são para profissionais juniores. Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas. Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades. Desenvolvimento de Software: 22% das vagas. Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades. Segurança da Informação: 17% das vagas. Para quem está entrando na área, Niemeyer afirma que o avanço da inteligência artificial não deve ser visto como motivo para abandonar a carreira em tecnologia, mas como uma oportunidade de participar das transformações em curso. “Estar dentro da área de tecnologia permite que os jovens estejam à frente desse movimento e criando as transformações, e não só sendo passageiros dessa revolução que está acontecendo”, diz. A principal mudança está no perfil procurado pelas empresas. O profissional mais valorizado combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação.
10/08/2026 07:01:07 +00:00
'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha

O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance Relatos de que a Nvidia negocia oferecer apoio financeiro de quase 250 bilhões de dólares à OpenAI para um gigantesco projeto de data centers revelam os dois lados do boom da inteligência artificial (IA). Por um lado, isso mostra a dimensão colossal dos recursos financeiros e do potencial da IA. Por outro, expõe os riscos de um sistema de financiamento chamado "circular", que está no coração do ecossistema da IA. A pergunta é: se uma peça de dominó cair, as outras cairão junto? 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A natureza interconectada do ecossistema de IA é real", afirma Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. "Mas os riscos no curto prazo são mitigados por sólidos balanços patrimoniais, fluxos de caixa e qualidade de crédito dos principais atores que financiam a expansão." Jan Frederik Slijkerman, estrategista de tecnologia do ING, afirma que a robustez financeira de empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) ajuda a mitigar esses riscos. Ele ressalta que o grau de colaboração no que diz respeito à IA é "fascinante", mas não vê um risco sistêmico devido a esse tipo de interdependência. Agora no g1 O modelo circular O financiamento circular geralmente funciona da seguinte forma: uma empresa paga outra por um produto ou serviço, faz um investimento nela ou concede um empréstimo ou contrato de leasing. Em seguida, essa empresa que recebeu os aportes passa a comprar produtos ou serviços da primeira companhia. Essa alternativa é observada em diversos negócios ligados à IA. Para muitos, a revolução da IA começou com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, em novembro de 2022. As capacidades do chatbot levaram a inteligência artificial ao grande público. Seu sucesso rapidamente atraiu um investimento de 10 bilhões de dólares da Microsoft, o que permitiu à empresa desenvolver modelos ainda mais poderosos. Em contrapartida, a OpenAI tornou-se uma cliente estratégica dos serviços de nuvem da Microsoft, área na qual a empresa vem aumentando continuamente seus investimentos à medida que o boom da inteligência artificial ganha força. Esse acordo acabou servindo de modelo para negociações futuras. Amazon e Alphabet passaram a investir bilhões de dólares na Anthropic, rival da OpenAI e criadora do bem-sucedido chatbot Claude. Em troca, a Anthropic utiliza os serviços de nuvem da Amazon e do Google, além de comprar chips dessas empresas. Chips da Nvidia estão no centro do ecossistema de IA Ina Fassbender/AFP/Getty Images Nvidia, a "rainha da selva" Ainda assim, tudo isso é peixe pequeno diante do que a Nvidia trouxe para a mesa. "A Nvidia está no centro do ecossistema da IA, atuando não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como investidora estratégica que ajuda a acelerar a adoção de sua plataforma", afirma Tan. Segundo Slijkerman, a Nvidia desempenha um papel fundamental ao contribuir para o desenvolvimento de uma ampla gama de novos negócios, da área da saúde à direção autônoma. "Seus investimentos ajudam a impulsionar o crescimento do ecossistema de IA como um todo, ao mesmo tempo que facilitam a implantação da infraestrutura necessária para a inteligência artificial", afirma. A notícia de que a Nvidia negocia fornecer 250 bilhões de dólares à OpenAI, revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, seria apenas o mais recente megainvestimento financiado pela empresa, avaliada em 4,6 trilhões de dólares. A empresa de Jensen Huang está no centro do boom da IA graças aos seus chips, líderes de mercado. Desde 2024, a Nvidia tem investido pesadamente em diversas startups de IA, incluindo OpenAI, Mistral e aSpaceX, de Elon Musk. Em contrapartida, todas essas empresas se comprometem a usar chips da Nvidia. A companhia também passou a investir fortemente nas chamadas "neoclouds", como CoreWeave e Nebius. Essas startups alugam capacidade de armazenamento em nuvem voltada para aplicações de IA. Além de investir nelas, a própria Nvidia também contrata serviços de nuvem. Neste ano, a Nvidia aumentou os investimentos e fez novos acordos. Recentemente, a empresa fechou uma parceria com o conglomerado sul-coreano SK Group no valor de até 500 bilhões de dólares. Ao longo de 2026, esse tipo de negociação circular tornou-se ainda mais evidente em todo o setor. A OpenAI fechou acordos que somam quase 1 trilhão de dólares com empresas como Microsoft e a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD), chegando se tornar uma das maiores acionistas da AMD. Microsoft e Nvidia também fizeram investimentos significativos na Anthropic, e a Anthropic comprometeu-se a ampliar compras de armazenamento em nuvem e chips fornecidos por ambas. Vantagens – e riscos A dimensão dessa simbiose tem vantagens. "Ecossistemas interligados podem acelerar a inovação ao alinhar os incentivos de fornecedores de infraestrutura, desenvolvedores de modelos, empresas de aplicações e usuários finais, ajudando novas tecnologias a ganhar escala mais rapidamente", afirma Gary Tan. Slijkerman diz não considerar essa tendência de financiamento circular uma forma de "engenharia financeira". "Essas relações fazem sentido do ponto de vista estratégico porque ajudam os participantes a ampliar seu alcance de mercado e acelerar a adoção de novas tecnologias", afirma. "Além disso, elas podem gerar benefícios financeiros mútuos." Mas há riscos. Os temores de uma possível "bolha da IA" continuam pairando sobre os mercados globais. As ações de empresas de tecnologia e de fabricantes de semicondutores caíram vertiginosamente na semana passada, em meio a dúvidas sobre a rentabilidade do setor diante das quantias gigantescas investidas em data centers e em outras frentes ligadas à IA. Se as receitas geradas pela inteligência artificial não crescerem o suficiente, empresas que receberam aportes dos grandes grupos do setor poderão enfrentar dificuldades financeiras. Nesse cenário, elas podem reduzir ou interromper a compra de produtos dessas mesmas empresas que as financiaram, enquanto suas avaliações de mercado tendem a cair. Alguns analistas têm traçado paralelos com a bolha das empresas de internet e o colapso que se seguiu, depois que as avaliações dessas companhias dispararam nos primeiros anos da web, na década de 1990. O financiamento circular também desempenhou um papel naquela crise. Ainda assim, muitos observadores acreditam que o boom da IA está apoiado em fundamentos mais sólidos. "Embora algumas empresas ou modelos de negócio específicos possam acabar decepcionando, o ciclo mais amplo de investimentos parece ser sustentado por uma demanda real e pela efetiva geração de valor econômico", afirma Slijkerman. Tan concorda e afirma que um risco ainda maior para o setor no futuro está ligado aos juros. Na avaliação dele, uma alta das taxas de juros poderia ter um impacto significativo sobre muitas empresas de IA, já que elas levarão anos para se tornar lucrativas e tendem a ser mais penalizadas nesse cenário. "Os fluxos de caixa da inteligência artificial estão projetados para um horizonte de longo prazo. Por isso, a trajetória da curva de juros talvez acabe sendo mais importante do que a própria disponibilidade de capital", finaliza o gestor da Allspring Global Investments.
10/08/2026 06:00:21 +00:00
Primeiro a OpenAI, depois a Meta: por que robôs de IA continuam fazendo ataques hackers

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Nas últimas duas semanas, relatos de modelos de inteligência artificial que ultrapassam os limites esperados — sejam eles técnicos ou éticos — tornaram-se comuns. O que começou com um pequeno episódio — a OpenAI, criadora do ChatGPT, admitindo que sua IA havia invadido o site Hugging Face — foi seguido por uma enxurrada de empresas e institutos revelando que descobriram casos de IA fora de controle 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Anthropic, empresa criadora do Claude, a Meta e o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) relataram incidentes que parecem pintar um quadro preocupante de um mundo onde a tecnologia agindo de forma descontrolada é a norma. Na realidade, cada caso oferece uma visão diferente dos riscos representados por agentes de IA cada vez mais poderosos — e da importância de se testar seus limites antes de que sejam lançados. O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI O incidente com a OpenAI no final de julho serviu de "alerta" para a indústria de tecnologia, como descreveu Thomas Wolf, cofundador da Hugging Face. Foi um momento crucial que levou grandes empresas a refletirem sobre seus próprios sistemas e, em alguns casos, a verificarem se não haviam deixado passar algo igualmente chocante. A Anthropic foi a primeira a agir. Na sexta-feira, a empresa encontrou três casos, entre milhares, em que seu modelo Claude conseguiu acessar a internet. Na terça-feira, o AISI, agência governamental do Reino Unido que avalia modelos de ponta, afirmou ter detectado um "incidente de segurança" durante uma avaliação de rotina. A organização vinha testando modelos da OpenAI e da Anthropic e descobriu que ambas também tentaram realizar ataques cibernéticos, o que levou a um apelo por "análise rigorosa, transparência e ação". Por fim, veio a Meta, que revelou que um de seus modelos de IA havia obtido acesso à internet inadvertidamente devido a uma "configuração incorreta" durante um teste realizado por terceiros. Testes Antes de os modelos de IA serem disponibilizados ao público em geral, eles são testados em uma série de avaliações internas e externas. O objetivo é descobrir o potencial deles para o bem ou para o mal, bem como o desempenho em indicadores que medem suas habilidades. Normalmente, esses experimentos ocorrem em locais conhecidos como "sandboxes". São espaços protegidos, projetados para simular sistemas reais, mas com rígidas medidas de segurança. No incidente entre a OpenAI e a Hugging Face, a IA atacou o próprio ambiente de testes (sandbox), encontrando uma vulnerabilidade que lhe permitiu acessar a internet e agir por conta própria. Já o AISI afirmou que o incidente envolvendo suas tecnologias — em que duas poderosas ferramentas de IA criaram perfis humanos falsos para tentar enganar pessoas em tentativas de ataques cibernéticos — não foi causado por um problema no ambiente de testes (sandbox). O motivo foi a forma como os testes forma conduzidos. Os modelos testados receberam acesso à internet, e o AISI também desativou os filtros integrados que normalmente bloqueariam ataques cibernéticos perigosos. "Em certa medida, nossas escolhas de projeto de avaliação e configurações específicas possibilitaram esse comportamento", afirmou, observando, ao mesmo tempo, "sinais inesperados de comportamentos novos e potencialmente enganosos". Alan Woodward, professor de Segurança Cibernética da Universidade de Surrey, disse que esses casos — embora distintos — contam uma história importante. "Durante 30 anos, uma regra dos testes de software permaneceu inalterada: tudo o que acontece no ambiente de teste permanece no ambiente de teste", disse ele. "No último mês, essa regra foi quebrada três vezes." "Um dos modelos conseguiu escapar. Outro passou por uma porta que havia sido deixada aberta por engano. Um terceiro recebeu as chaves de propósito para que os testadores pudessem medir seu comportamento." Ele disse que eram causas diferentes, mas que ambas tinham a mesma lição: "o risco agora reside no laboratório de testes". Ele disse à BBC que, à medida que os modelos se tornam mais capazes, é preciso fazer mais para garantir a segurança dos ambientes onde são testados. "Testar um agente de IA é menos como verificar um código e mais como lidar com um material perigoso: salas seladas, monitoramento constante do que sai do prédio, um plano de contenção ensaiado", disse ele. "A AISI conteve o incidente em uma hora. Outra organização pode não conseguir isso." Capacidades crescentes Para aqueles que desenvolvem ferramentas de IA projetadas para realizar ações em nome de uma pessoa, é preciso encontrar um equilíbrio delicado entre aproveitar seus benefícios e expor seus riscos. O benefício é significativo. Em teoria, poderíamos nos livrar de tarefas tediosas e repetitivas, como responder a emails, participar de reuniões ou gerenciar calendários e agendas, delegando-as a bots eficientes. A desvantagem é que, com grande poder, vem grande responsabilidade e risco. Isso fica particularmente evidente quando entregamos o poder a ferramentas que não são, como nós, capazes de trazer uma gama de valores, contexto e compreensão para as decisões que tomamos. "Incidentes recentes envolvendo modelos de IA de ponta realizando ações não autorizadas e, em alguns casos, comportamentos enganosos semelhantes aos humanos na internet aberta são um sério lembrete dos riscos que as capacidades da IA representam", disse Ollie Whitehouse, diretor de tecnologia do Centro Nacional de Segurança Cibernética, na terça-feira (04/08). Alguns acreditam que o enorme volume de tarefas que serão executadas por essas ferramentas significa que a supervisão humana pode não ser suficiente para conter o problema de modelos que se descontrolam. Entretanto, muitos acreditam que o fortalecimento da supervisão geral é vital para que o desenvolvimento continue no mesmo ritmo frenético. E agora? É improvável que a Meta será a última empresa a apresentar resultados de modelos capazes de reconhecer e explorar lacunas nos sistemas. Para alguns, esses episódios apontam para falhas de segurança evidentes por parte das empresas de IA que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia revolucionária. Para outros, são apenas mais um espaço para as empresas de tecnologia promoverem seus modelos poderosos e competirem com os rivais. Para mim, ambas as teorias contêm um fundo de verdade. Agentes de IA já estão se tornando parte de nossas vidas digitais por meio de serviços como ChatGPT, OpenClaw e Claude Getty Images via BBC Mas, ao surgirem um após o outro, esses eventos, sem dúvida, suscitaram receios sobre as capacidades da IA e para onde ela está caminhando à medida que a tecnologia avança. E a questão inevitavelmente se volta para os órgãos reguladores e o que eles podem e devem fazer. Michael Birtwistle, diretor associado do Instituto Ada Lovelace, destaca que o Reino Unido não oferece incentivos legais para que as empresas de IA impeçam o desenvolvimento de sistemas com capacidades que possam representar perigos, e que não há consequências caso os protocolos de teste falhem. Imogen Stead, gerente de políticas de IA do Centro para Resiliência a Longo Prazo, disse à BBC que, com as oportunidades de testar sistemas de IA de ponta cada vez mais escassas para muitos, os governos deveriam seguir o Reino Unido na criação de institutos dedicados a testes. Ela afirmou que aprimorar as avaliações de terceiros com iniciativas como um "esquema de testadores confiáveis" para os tipos de desafios mais arriscados também poderia ser usado para limitar os impactos negativos. Em vez de temer um apocalipse cibernético causado pela IA, Woodward afirma: "O importante é manter a calma e resolver os problemas". Reportagem adicional de Philippa Wain e Imran Rahman-Jones
10/08/2026 03:00:13 +00:00
Por que Miami virou a nova capital dos ultrarricos nos EUA (e ficou mais cara até que Nova York)

Lauren Sánchez e Jeff Bezos caminham de mãos dadas durante um evento esportivo em Miami (EUA), em 2024 Getty Images Em março, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou o imóvel mais caro já vendido até hoje em Miami, nos Estados Unidos. Ele pagou US$ 170 milhões (cerca de R$ 872 milhões) por uma mansão em construção de quase 2,8 mil metros quadrados, na ilha particular de Indian Creek. Mas este não é o imóvel mais caro à venda na cidade do sul da Flórida. O recorde de Zuckerberg pode ser batido em breve pela casa do corretor de títulos mobiliários John Daveney, em Key Biscayne, que está à venda por US$ 237 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão). Se você for apreciador de cinema, é possível que reconheça aquela casa. Ela aparece no famoso filme Scarface (1983), dirigido por Brian de Palma e protagonizado por Al Pacino. É a mansão do narcotraficante Frank López. Ali, vemos pela primeira vez a personagem Elvira, interpretada por Michelle Pfeiffer, descendo em um icônico elevador de vidro. Para 99,9% da população mundial, é impossível se propor a pagar estes valores extraordinários por uma residência. Mas, para o 0,1% que detém essas condições, Miami passou a ser um dos destinos mais procurados. Brasileiros tem R$ 32 milhões “perdidos” em moedas de 1 centavo "Existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami", explica à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o jornalista especializado no mercado imobiliário residencial E. B. Solomont, do jornal americano The Wall Street Journal. "A criminalidade é baixa, o clima é ótimo, há belas comunidades e não existem impostos estaduais", destaca Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby's International Realty, uma das corretoras de imóveis ultraluxuosos mais famosas do sul da Flórida. Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon; Larry Paige e Sergei Brin, criadores do Google; e a filha do presidente americano Donald Trump Ivanka, com seu marido Jared Kushner. "Quando você tem um, dois ou três líderes empresariais influentes que se mudam, outros observarão os benefícios e irão segui-los", explica Solomont. "De repente, eles deixam de ser pioneiros. De repente, existe toda uma comunidade." Foto real do elevador por onde desceu Michelle Pfeiffer, no filme Scarface 1 Oak studios Mayi De la Vega defende que o mercado imobiliário de Miami entrou "em uma nova era dos 'imóveis troféus', pois a quantidade de vendas de casas de mais de US$ 60 milhões [cerca de R$ 308 milhões] vem aumentando e o mercado permanece em crescimento." "Se analisarmos 2025, nosso último ano completo, tivemos vendas no valor de mais de US$ 517 milhões [cerca de R$ 2,7 bilhões], todas de imóveis de mais de US$ 60 milhões." Mas por que Miami? Por que esta cidade do sul da Flórida passou a ser um local tão atraente para as pessoas mais ricas do mundo? Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon 1 Oak studios A influência da pandemia Com seu clima, suas praias e facilidade de transporte aéreo, Miami é historicamente um destino atraente para pessoas com grandes fortunas, principalmente da América Latina. "Mas foi durante a pandemia de covid-19 que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios", explica E. B. Solomont. Durante a pandemia, a Flórida gerou polêmica ao ser um dos primeiros Estados americanos a levantar as restrições de mobilidade para as pessoas em espaços públicos, eliminando a obrigação de uso de máscaras e reabrindo escolas, bares e restaurantes. Estas decisões valeram muitas críticas à Flórida. Mas também transformaram o Estado, governado pelo republicano Ron DeSantis, em um destino ideal para pessoas de alta renda que moravam em outros lugares, com medidas de saúde pública muito mais rigorosas, como os Estados de Nova York, Califórnia e Illinois. "Somando-se a isso o fato de que a Flórida é um paraíso fiscal [cujos moradores não pagam imposto estadual, ao contrário de outros Estados americanos], Miami se tornou imensamente popular, não apenas pelo local e pelo estilo de vida, mas devido a este grande incentivo tributário", explica Solomont. Os primeiros personagens influentes do mundo da tecnologia e dos negócios a chegarem à Flórida incluíram um dos fundadores do PayPal, Peter Thiel, e o criador do fundo de investimentos Citadel, Ken Griffin. Com isso, foi surgindo um "fenômeno acumulativo", explica De la Vega. "Em parte, isso tem relação com a moda", destaca ela. São "pessoas que dizem 'esta pessoa tem o mesmo dinheiro que eu e comprou ali, será que eu também devo comprar ali?'" Este fenômeno multiplicou as ofertas direcionadas ao mercado de ultraluxo em algumas regiões, com consequente aumento dos preços. O mercado de imóveis residenciais de Miami passou por um crescimento exponencial na última década Getty Images Ultramilionários em Miami Mayi de la Vega acredita que exista uma regra clara em referência aos preços do mercado imobiliário. "Algo primordial que se aprende no setor de imóveis é o conceito dos três 'L': localização, localização e localização." No condado de Miami-Dade, isso significa vista para o mar ou para a baía. "Os preços dos imóveis em frente à água são mais altos por serem muito poucos", explica Solomont. "Na situação atual, temos mais compradores do que moradias disponíveis em frente à água. E, até que isso mude, os preços continuarão subindo." O local que talvez reflita melhor esta realidade é a mais exclusiva das ilhas particulares de Miami, Indian Creek. O local, segundo De la Vega, "continua liderando, em termos de preços astronômicos". Indian Creek é conhecida como o "bunker dos multimilionários". Na ilha, ficam as mansões de Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Ivanka Trump. Embora não seja muito maior que o Central Park, em Nova York, Indian Creek conta com seu próprio prefeito e policiamento. O acesso se dá através de uma discreta ponte branca, vigiada por duas guaritas de segurança. "A pergunta é 'por que Indian Creek?'", prossegue De la Vega. "Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível." "É uma ilha particular com campo de golfe, uma 'ilha de milionários' com terrenos que são vendidos por US$ 200 milhões", cerca de R$ 1 bilhão, explica De la Vega. Mas o mercado de ultraluxo não se limita a comunidades isoladas como Indian Creek. North Bay Road é uma rua com cerca de 6,5 km de comprimento em Miami Beach. Lá ficam as casas de estrelas como Shakira e o casal David e Victoria Beckham. O The Wall Street Journal calcula que existam em North Bay Road cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em imóveis, que a transformam na rua com maior valor patrimonial dos Estados Unidos. Existem também à venda imóveis de mais de US$ 60 milhões em regiões mais tradicionais de Miami, como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne. A Flórida abriu suas praias apenas três meses depois da declaração de emergência relativa à covid-19 nos Estados Unidos, em 2020 Getty Images Mudanças O corretor de títulos John Devaney afirma que, quando comprou os imóveis que, hoje, compõem sua residência de US$ 237 milhões, em 2003, seu atrativo foi o imenso heliporto de cerca de 1 mil metros quadrados que se estende sobre a água. O ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) chegou a fazer uso daquela instalação. "Um dia, com 33 anos, eu voava de helicóptero e vi este heliporto", conta Devaney. "Eu, que cresci em Key Biscayne, disse: 'Adoraria que ele fosse meu para aterrissar com meus helicópteros." Naquele momento, em uma negociação que bateu todos os recordes da época, ele pagou US$ 15 milhões pelo lote onde está construída a casa. E pagou em seguida mais US$ 15 milhões pelo lote ao lado. Estes eram os preços normais em Miami antes da pandemia, segundo De la Vega. "Lembro que um dos imóveis que vendemos naquela época foi o de Shaquille O'Neill em Star Island [outra ilha particular na entrada de Miami Beach] por US$ 16 ou US$ 18 milhões. Uma das causas do aumento desmedido dos preços dos imóveis do mercado de ultraluxo nos últimos anos é a quantidade de dinheiro à disposição dos mais ricos. Dados do chamado "Índice da Desigualdade", elaborado por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e da Escola de Economia de Paris, na França, o patrimônio do 0,1% mais abastado da população se multiplicou em quase 13 vezes nos últimos 50 anos. O estudo considerou como parte do 0,1% pessoas que detêm patrimônio de mais de US$ 43 milhões (cerca de R$ 220 milhões). Para Solomont, esta disponibilidade de recursos faz os preços pagos pelas compras dessas pessoas dispararem. "Os corretores de imóveis dizem que o valor é aquilo que alguém está disposto a pagar por alguma coisa", explica ele. "Para você e para mim, pagar US$ 1 milhão [cerca de R$ 5,1 milhões] por um imóvel pode ser inconcebível. Para outros, pagar US$ 10 milhões [cerca de R$ 51 milhões] seria um exagero." "Mas, quando você tem bilhões na sua conta, comprar um imóvel de US$ 60 milhões pode não ser algo excepcional", prossegue ele. "Muitos pagam em dinheiro vivo." "Não é que não haja uma desconexão entre o que as pessoas comuns podem pagar por uma moradia e essas mansões multimilionárias", prossegue Solomont, "mas o volume de negociações [por mais de US$ 60 milhões] sendo realizadas evidencia que existe um mercado que continua ampliando seus limites." O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou aquele que, até o momento, é o imóvel mais caro já vendido em Miami. Getty Images Para De la Vega, este crescimento dos imóveis de maior valor também impulsiona os preços das moradias de faixas inferiores. Tudo isso se reflete diretamente nos preços pagos pelos moradores comuns de Miami. Os dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos indicam que a área de Miami, Ft. Lauderdale e Palm Beach superou Nova York em termos de custo de vida no país. O custo de vida na região conhecida como Costa Dourada ("Gold Coast", em inglês), atualmente, é cerca de 5% mais alto que o da área metropolitana de Nova York e seus subúrbios. Além disso, os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram em 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. O canal de TV Fox Business noticiou que os preços de moradia no sul da Flórida dispararam em 79% desde a pandemia e que o prêmio médio anual de seguro residencial da região é o mais alto do país. Por tudo isso, não surpreende que, após o pico de entrada de novos moradores devido à pandemia, o sul da Flórida venha perdendo habitantes nos últimos anos. O mercado de ultraluxo em Miami parece não ter teto, mas seu crescimento gera dúvidas entre os analistas. "De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões [cerca de R$ 385 milhões] por uma casa perto da água?", questiona Solomont.
09/08/2026 19:19:07 +00:00
A volta por cima dos irmãos Batista: como donos da JBS saíram da Lava Jato e voltaram aos holofotes, com participação até na diplomacia mundial

Wesley e Joesley Batista BBC/ Getty images É 2017. Um advogado está sentado em frente ao computador em um escritório digno de um consultor jurídico de dois dos homens mais ricos e poderosos do Brasil. Ele termina de digitar, clica em "enviar" e se dirige à porta. Mas algo o incomoda, uma sensação persistente que não consegue ignorar. Ele se vira, volta à sua mesa e abre a pasta de e-mails enviados. Seu sangue gela. Para seu desespero, ele percebe que anexou o arquivo de áudio errado ao e-mail, uma mensagem destinada diretamente ao Ministério Público Federal (MPF). O anexo deveria salvar seus clientes. Em vez disso, seu erro os levará para a prisão. LEIA TAMBÉM: JBS anuncia investimento de US$ 5 bilhões para expandir negócios na Ásia Esta é a história de dois dos mais famosos irmãos brasileiros: Wesley e Joesley Batista, de 54 e 53 anos, respectivamente, cada um com uma fortuna atualmente estimada em US$ 5,7 bilhões (R$ 29 bi). JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque A história da família Batista está ligada ao crescimento econômico do Brasil e ao sucesso da JBS, a maior produtora de carne do mundo. Ao mesmo tempo, seu passado também remete a um dos maiores escândalos de corrupção da história do país. E apesar de serem lembrados no Brasil e no mundo por sua associação aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, os irmãos Batista passaram por uma espécie de "volta por cima" nos último anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Após uma temporada fora dos holofotes, hoje eles estão mais ricos do que nunca, com suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e participando até mesmo de reuniões na Casa Branca. Relembre, a seguir, a história da queda e da ascensão de Wesley e Joesley Batista, contada no programa Good Bad Billionaire (O bom e mau bilionário, em tradução literal), do BBC World Service* O pai Tudo começou com o pai de Wesley e Joesley, José Batista Sobrinho. Em 1953, ele abriu um açougue em Anápolis, no interior de Goiás. O Brasil passava por uma rápida modernização naquela época, e José se mudou para a recém-construída capital Brasília, atraído por uma isenção fiscal de quatro anos. Ele começou vendendo carne nas cantinas dos canteiros de obras da nova cidade e, alguns anos depois, comprou seu primeiro frigorífico, também em Goiás. A família Batista reunida: da esquerda para a direita, Wesley, fundador da JBS, o pai José, sua esposa, Flora Mendonça Batista, e Joesley, posando na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 2025 BBC/ Getty images Em 1972, ele renomeou a empresa para Friboi e teve dois filhos, Wesley e Joesley, que nasceram com apenas dez meses de diferença. Eles tinham um irmão mais velho e três irmãs. Naquele momento, o Brasil possuía vastas áreas de pastagem e 105 milhões de cabeças de gado. O país era o quarto maior produtor mundial de carne, atrás da Índia, da União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos. O problema era a taxa de abate: apenas 12% do rebanho era abatido anualmente, em comparação com 24% na Argentina e 40% nos Estados Unidos. As pastagens eram pobres, e o gado demorava mais para engordar: cinco anos, em comparação com 30 meses na Argentina ou 16 meses nos EUA. O governo brasileiro decidiu então transformar a carne bovina em um negócio de exportação. Transferiu a pecuária para o estado de Mato Grosso e financiou a modernização dos frigoríficos. Tudo isso bem ao lado de Goiás, sede dos negócios de Batista. A terra e os salários eram baratos, então o Brasil rapidamente começou a competir com os EUA em carne enlatada, hambúrgueres e ração para animais de estimação. Os irmãos Wesley e Joesley cresceram no ramo. Ainda adolescentes, já compravam e vendiam gado e lidavam com os clientes. Wesley certa vez disse que ele e o irmão não tinham formação acadêmica, mas aprenderam o ofício na prática. Aos 17 anos, ambos abandonaram a escola para administrar os matadouros da família. Durante as décadas de 1980 e 1990, o irmão mais velho, José Junior, liderou a Friboi. O pai foi se afastando gradualmente dos negócios. Wesley e Joesley ficaram responsáveis ​​pela expansão da empresa. "Crescimento está no nosso DNA", diz Wesley. Entre 1993 e 2005, a Friboi adquiriu 12 matadouros e unidades de processamento. O crescimento da empresa estava ligado ao crescimento dos supermercados, que substituíam os açougues de bairro em várias partes do país. Como os supermercados exigiam volumes maiores e controles sanitários mais rigorosos, os matadouros menores não conseguiam acompanhar a demanda e acabaram batendo à porta da família Batista para vender seus produtos. Com o aumento da urbanização e da renda, o mundo também passou a consumir cada vez mais carne. E, graças ao melhor acesso à refrigeração, as exportações começaram a crescer. A Froboi estava em condições de abastecer os supermercados e, ao fazê-lo, cresceu cada vez mais BBC/ Getty images Em 2004, a empresa transferiu sua sede para São Paulo. Em 2005, José Júnior entrou para a política — sem muito sucesso — e deixou os negócios nas mãos de Wesley e Joesley. Naquela época, o faturamento da Friboi era de quase US$ 2 bilhões: aos 33 anos, os irmãos já eram milionários. Do Brasil para o mundo Chegou a hora de expandir para além do Brasil, e o vento estava a seu favor. O Brasil fazia parte do grupo Bric (mais tarde Brics), as economias emergentes que estavam mudando o cenário econômico global. E o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia lançado um programa para transformar empresas brasileiras em gigantes multinacionais. O país estava se desenvolvendo a passos largos, e os irmãos Batista acompanhavam o ritmo. Eles compraram a Swift-Armour, a maior exportadora de carne da Argentina, por US$ 200 milhões em 2005, com um empréstimo de US$ 80 milhões do BNDES. Em 2006, já operavam 21 unidades de processamento no Brasil e cinco na Argentina, processando 20 mil cabeças de gado por dia. Seu próximo alvo eram os Estados Unidos, mas as normas sanitárias daquele país não permitiam a importação de carne bovina brasileira. Eles precisavam comprar acesso a esse mercado. Para financiar a expansão, abriram o capital da empresa. Em março de 2007, a JBS teve a melhor estreia na bolsa de valores da história do Brasil até então. A Friboi ficou conhecida como JBS, em homenagem às iniciais do pai. Alguns meses depois, fizeram sua maior aquisição: a Swift & Co., a terceira maior processadora de carne dos EUA, com vendas anuais de US$ 9 bilhões. A aquisição custou US$ 1,4 bilhão. O BNDES contribuiu com a compra de US$ 500 milhões em novas ações da JBS. A Swift proporcionou à empresa uma marca global e acesso a muitos novos mercados. "Com essa aquisição, nos tornamos a maior empresa de carne do mundo", anunciou Joesley. Um apetite insaciável "Nasce a maior empresa de carnes do mundo. E ela é brasileira", dizia placa na sede da JBS SA em São Paulo, em 2007 BBC/ Getty images Na década seguinte, a JBS adquiriu mais de 40 empresas em quatro continentes. Quando o dólar se desvalorizou, eles compraram mais nos EUA, como a divisão de carnes da Smithfield Foods, por US$ 500 milhões. Mas quando tentaram adquirir a National Beef, o Departamento de Justiça americano bloqueou a transação devido a preocupações com monopólio. Temiam que um gigante daquele porte definisse os preços, pagando menos aos pecuaristas e cobrando mais dos consumidores. Segundo o próprio Wesley, foi essa tentativa fracassada que permitiu à JBS investir em outras áreas. Os irmãos diversificaram para o setor de frango e adquiriram uma participação majoritária na empresa americana Pilgrim's Pride, que estava em falência, por US$ 800 milhões. Em 2011, os irmãos controlavam 22% do fornecimento de carne bovina dos EUA. Mas, embora estivessem vendendo muito e ampliando rapidamente sua presença internacional, os lucros ainda não eram suficientes para financiar sozinhos uma maratona global de aquisições. Entre 2005 e 2014, a empresa comprou dezenas de concorrentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa, numa expansão avaliada em cerca de US$ 20 bilhões. Como financiar uma operação dessa magnitude? A resposta passou pelo BNDES, que fez aportes bilionários no negócio. Em 2014, o Estado brasileiro, por meio do banco de desenvolvimento, era o maior acionista individual da companhia, controlando quase 35% de suas ações. Na prática, um banco público de desenvolvimento havia se tornado dono de cerca de um terço de uma multinacional privada que já faturava bilhões e expandia operações em vários continentes. Algo não fazia sentido. Então veio a Lava Jato... Até então, essa era a história que os irmãos, sua família e a empresa contavam. Mas depois descobriu-se que nem tudo era verdade. A gravação do presidente Temer desencadeou manifestações em massa exigindo "Fora Temer" e "Fora todos eles", e até inspirou obras de arte urbana BBC/ Getty images Então veio a Operação Lava Jato e suas revelações sobre um esquema de corrupção gigantesco, no qual grandes empresas pagavam propinas a políticos em troca de contratos e favores políticos. Em 2016, os irmãos já eram suspeitos formais. O risco para eles era enorme: o presidente de outra empresa bilionária, Marcelo Odebrecht, havia sido condenado a 19 anos de prisão. Em 2017, Wesley e Joesley Batista fizeram um acordo com o Ministério Público para entregar todas as provas que possuíam em troca de imunidade parlamentar. Eles contaram tudo. Subornos a funcionários para resolver pendências fiscais e para liberar empréstimos — eles confessaram ter subornado três presidentes brasileiros, algo que todos negam. No total, cerca de US$ 200 milhões foram distribuídos entre quase 1,9 mil políticos. Joesley chegou a afirmar que, sem essas propinas, a empresa não teria crescido tão rápido. Ele também revelou que o esquema com o BNDES começou em uma reunião em 2005 com Guido Mantega, então presidente do banco e posteriormente Ministro da Economia. Para o primeiro empréstimo para a compra da Swift-Armour na Argentina, Joesley disse que subornaram um associado de Mantega com US$ 3,2 milhões, continuando a pagá-lo até 2009, quando alegaram ter começado a negociar diretamente com Mantega. O BNDES negou tudo. Mantega foi preso e libertado quase imediatamente. Entre os subornados, segundo seu depoimento, estava o então presidente do Brasil, Michel Temer, que teria recebido US$ 4,6 milhões. Joesley chegou a gravar uma conversa com ele, usando um microfone escondido, na qual, segundo a Procuradoria-Geral da República, Temer aprovou o pagamento para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso e poderia incriminar importantes líderes políticos. O ex-presidente nega as acusações e, embora tenha sido investigado e posteriormente preso em um desdobramento da Lava Jato, Temer não foi condenado nos principais processos relacionados a esse caso. Reviravoltas inesperadas O acordo dos irmãos com o MPF lhes garantiu imunidade contra processos por corrupção. A empresa, no entanto, pagou uma multa recorde de US$ 3,2 bilhões, distribuída ao longo de 25 anos. Mas houve duas reviravoltas inesperadas. Milhões de cabeças de gado, milhões de dólares, milhões em subornos, milhões em multas... e uma temporada na prisão BBC/ Getty images Você se lembra do advogado do início do texto? Em vez de enviar a gravação do diálogo com Temer ao MPF , ele enviou os áudios de outra conversa, entre Joesley e um executivo da empresa, Ricardo Saud. Na gravação, Joesley parecia admitir que havia ocultado informações cruciais dos promotores, e discutia como influenciar o Procurador-Geral da República para melhorar o acordo de delação premiada. Ambos pareciam relaxados, estavam até rindo. Em um dado momento, Joesley pode ser ouvido dizendo: "Somos a joia da coroa. Vamos sair dessa numa boa com todo mundo, e eles não vão nos impedir." Dias após o erro monumental do advogado, os dois se entregaram à polícia. Mas o golpe final para os irmãos Batista foi financeiro: dias antes da notícia sobre a existência de uma gravação secreta com o presidente Temer se tornar pública, os irmãos venderam US$ 90 milhões em ações da JBS. Quando o escândalo estourou, a bolsa de valores brasileira despencou e teve que suspender temporariamente as negociações após uma queda de quase 9%, a maior em nove anos. Wesley e Joesley foram presos sob suspeitas de insider trading (uso de informação privilegiada) e manipulação de mercado. Eles sempre negaram as acusações. Após cerca de seis meses em prisão preventiva, eles receberam autorização para seguir em prisão domiciliar à noite e nos fins de semana. Medidas cautelares, porém, os proibiam de deixar o país e de ocupar cargos na JBS. A volta por cima E a empresa? Em vez de afundar, ela prosperou. Quando Joesley foi libertado da prisão, em março de 2018, as ações da JBS subiram cerca de 3,6%. Pouco depois, um aumento na demanda por carne da China impulsionou os lucros no Brasil em quase 116% no início de 2019. Naquele mesmo ano, Wesley e Joesley estrearam na lista de bilionários da Forbes com US$ 1,3 bilhão cada. A prisão não prejudicou os negócios: pelo contrário, os impulsionou. A conquista de Wall Street: a placa da JBS NV na Bolsa de Valores de Nova York marcou sua chegada após anos de oposição BBC/ Getty images Com a chegada da pandemia de covid-19, a Justiça suspendeu a proibição de que eles ocupassem cargos executivos. Na época, a JBS fornecia 25% do mercado alimentício brasileiro e empregava 260 mil pessoas. Aparentemente, eles eram importantes demais para serem punidos. Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil os absolveu das acusações de uso de informação privilegiada. No ano seguinte, eles retornaram oficialmente ao conselho de administração da JBS, que havia consolidado sua posição como a maior empresa de carnes do mundo, com mais de US$ 77 bilhões em receita anual. Era, e ainda é, um bom momento para estar no ramo de carnes. Após anos de boom vegano no Ocidente, esse produto teve um forte retorno, impulsionado pela divulgação massiva dos benefícios da proteína. Em 2025, Wesley indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. "Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário", observou ele. No entanto, a JBS ainda tinha um obstáculo a superar: a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York. O órgão regulador americano havia negado repetidamente o pedido da empresa para entrar na bolsa devido à forte oposição bipartidária no Congresso, onde havia se formado um grupo chamado de "Ban the Batistas" (Proíbam os Batistas). Tudo mudou com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A abertura de capital ocorreu em 2025, apenas dois dias depois de ser revelado que o maior doador para o comitê de posse de Trump havia sido a Pilgrim's Pride, uma subsidiária da JBS, com uma contribuição de US$ 5 milhões. Era uma quantia astronômica: cinco vezes maior do que a doada por gigantes da tecnologia como Amazon, Meta, Uber, Nvidia ou Microsoft, que contribuíram com um milhão de dólares cada. A JBS negou qualquer tratamento preferencial. Sua estreia em Wall Street foi um sucesso estrondoso. Naquele dia, a fortuna de cada um dos irmãos aumentou em US$ 200 milhões. Hoje, a fortuna de cada um deles chega a US$ 5,7 bilhões. A escuridão A carne pode ser deliciosa e nutritiva, mas como ela chegou ao seu prato? BBC/ Getty images Não se trata apenas de carne e dinheiro. Em 2025, a JBS pagou uma multa de US$ 4 milhões após a descoberta de que crianças da América Central trabalhavam à noite limpando fábricas da empresa nos Estados americanos de Colorado, Minnesota e Nebraska. Elas manuseavam produtos químicos e algumas chegavam à escola com queimaduras. Em 2017, outra investigação revelou que a JBS comprava carne de uma fazenda suspeita de usar mão de obra em condições de escravidão moderna. Também houve alegações de maus-tratos a animais. Em 2017, a Humane Society divulgou imagens de galinhas sendo espancadas em uma fazenda da Pilgrim's Pride. Em 2018, outro vídeo mostrou trabalhadores espancando e mutilando leitões sem anestesia. A JBS afirmou, em ambos os casos, que abriu investigações e rompeu relações com os fornecedores envolvidos. As acusações de desmatamento também persistiram. Em 2017, a empresa pagou uma multa de US$ 7,7 milhões e, em 2024, foi novamente sancionada pelas autoridades brasileiras em uma operação contra a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, embora a empresa tenha negado qualquer irregularidade. No mesmo ano, o Procurador-Geral de Nova York processou a JBS por supostamente ter descumprido suas promessas de atingir emissões líquidas zero até 2040, acusação que a empresa também rejeitou. Grande demais para cair O retorno dos irmãos Batista não se limitou ao setor financeiro. Foi acompanhado por uma enorme influência política. No Brasil de hoje, eles são fotografados com frequência ao lado do presidente Lula (PT) em eventos públicos. No cenário internacional, os irmãos também começaram a circular nos altos círculos diplomáticos. Um exemplo disso foi o encontro particular de Joesley com Donald Trump em 2025, pouco depois de os EUA imporem uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, medida que Washington acabou eliminando por completo. A influência dos irmãos nessa decisão foi tamanha que um empresário brasileiro chegou a afirmar que a remoção da tarifa se deveu em 99% aos Batista. Joesley também ajudou a aproximar Trump e Lula e desempenhou um papel importante na operação dos EUA na Venezuela, viajando entre Washington e Caracas para tentar amenizar as tensões com o governo venezuelano. Talvez esse retorno à cena política não seja uma surpresa. Os irmãos Batista revolucionaram a indústria alimentícia brasileira, transformando-a em uma potência global na exportação de carne. No mundo dos negócios, alguns os veem como heróis empreendedores por levarem o orgulho brasileiro a Wall Street. Em última análise, a lição incômoda é de puro realismo financeiro: você pode estar envolvido nos piores escândalos, mas se sua fortuna for grande o suficiente, o sistema sempre manterá uma porta aberta.
09/08/2026 18:48:16 +00:00
Concurso 3042 da Mega-Sena: bolão acerta as seis dezenas e ganha R$ 164,9 milhões

Concurso 3.042 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3042 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (9), em São Paulo. Uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00. A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 02 - 05 - 10 - 35 - 40 - 53 6 acertos: 1 aposta ganhadora, R$ 164.895.645,50 5 acertos: 246 apostas ganhadoras, R$ 22.927,51 4 acertos: 13.158 apostas ganhadoras, R$ 706,56 concurso 3042 da Mega-Sena Caixa O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
09/08/2026 14:03:58 +00:00
Fugitivos das telas: por que cada vez mais pessoas pagam para ficar offline

Por que cada vez mais pessoas pagam para ficar offline Enquanto a vida digital se acelera, cresce um movimento na direção oposta: consumidores interessados em experiências mais lentas, presenciais e tangíveis. A tendência aparece de formas diferentes, mas tem um elemento em comum: a valorização daquilo que exige tempo, atenção e envolvimento. Discos de vinil ganham espaço diante das playlists infinitas. Câmeras analógicas ressurgem como alternativa aos filtros e aplicativos. E atividades criativas feitas à mão passam a disputar espaço com horas diante do celular. Esse comportamento está criando oportunidades para empreendedores que apostam justamente no que parecia ter ficado para trás. Em diferentes regiões do país, negócios baseados em tecnologias, produtos e hábitos do passado encontram novos públicos. O que une essas iniciativas é a mesma aposta: transformar a busca por experiências mais humanas e menos digitais em oportunidade de negócio. Empreendedor aposta no vinil e no resgate do ritual de ouvir música Globo/ Reprodução LPs voltaram à moda. Em Macapá (AP), o empreendedor Charles Figueiredo encontrou uma oportunidade justamente em um formato que muitos consideravam ultrapassado. Há cerca de dez anos, ele decidiu transformar sua coleção de discos em negócio e abriu uma loja especializada em vinis. O que era um mercado de nicho passou a atrair um público cada vez mais diverso. Segundo o empreendedor, aproximadamente 70% dos clientes têm entre 16 e 26 anos. Em vez de consumidores que viveram o auge dos LPs, a maioria é formada por jovens que estão descobrindo agora o universo dos discos. Para eles, o interesse vai além da música. Existe um ritual que começa na escolha do álbum, passa pelo cuidado de retirar o disco da capa e termina no momento de posicionar a agulha sobre a faixa desejada. Uma experiência bem diferente da praticidade oferecida pelos serviços de streaming. “Porque no mundo de cliques instantâneos, esse é um convite para ouvir sem pressa”, diz a reportagem. Os discos são vendidos a partir de R$ 2 e ajudam a sustentar um negócio que hoje fatura cerca de R$ 25 mil por mês. Para atrair clientes, Charles investe em feiras, encontros de colecionadores, vendas por catálogo e divulgação nas redes sociais. “Bom, eu acredito que o futuro vai ser sempre esse, de resgate, de resgatar memórias. Então, tem público jovem. Eles estão criando novas memórias agora, criando o ritual novo de colocar o disco pra tocar, pegar agulha e colocar na faixa certinho para tocar.” Câmeras analógicas ganham novos fãs e voltam às prateleiras. Globo/ Reprodução Câmera que parecia ultrapassada volta a valer mais Em Goiânia, a volta ao passado acontece pelas lentes. Silvio Alves Domingues trabalha há 40 anos com fotografia e acompanhou a transição do analógico para o digital. A mudança foi rápida e teve impacto direto no negócio. “Então, antigamente era focado só no analógico. Aí teve a transição para os equipamentos digitais. O impacto foi grande, foi bastante grande porque a princípio eu achei que não ia pegar tão rápido o digital.” O empresário precisou se reinventar. “E aí nós tivemos que nos reiventar porque entrou uma nova linha de equipamento que até então nós não conhecíamos. Um bem que era o digital.” Mas, cerca de oito anos atrás, ele percebeu um movimento inesperado. “Exatamente há oito anos atrás começou uma tendência de pessoas começar a voltar a esse retrô, né? Principalmente por causa que alguns jovens estavam cansados dessas fotos. Muito maquiada, digital. Eles queria algo mais natural.” Para esse público, a imperfeição e a naturalidade da fotografia analógica passaram a ser parte do encanto. “Então eles começaram a pegar as câmeras dos avós, os tataravós e trazer essas câmeras para a manutenção.” A procura ajudou a valorizar equipamentos que, durante um período, pareciam ter perdido completamente o espaço. Uma câmera que chegou a custar entre R$ 100 e R$ 150 pode hoje ser vendida por cerca de R$ 1.300 a R$ 1.400, segundo Silvio. A valorização depende, porém, do estado de conservação do equipamento. Algumas câmeras não compensam o custo de manutenção. Outras podem ser restauradas e voltar a funcionar. O negócio de Silvio fatura cerca de R$ 100 mil por mês. Para ele, existe também um componente emocional nessa volta. “Então eu que vivi isso esses 40 anos, quando eu vejo esses equipamento voltando e é muito interessante porque o material que esse equipamentos são feitos sabe assim os detalhes, cada mola, cada alavanca, assim a perfeição.” “Aquilo ali me emociona tanto. E eu faço assim não só pelo trabalho, mas também uma satisfação que me dá um amor que eu tenho de trabalho.” A procura pelo analógico também alimenta expectativas sobre o futuro do setor. “Então, sim, fábricas que anteriormente pararam e agora virão, um futuro promissor para novamente fabricar película. Eu também estou com eles. Eu vejo que vai ser algo promissor para o futuro.” Atividades manuais atraem quem busca desacelerar e sair das telas. Globo/ Reprodução Cerâmica, bordado e mais Em São Paulo, a busca por desconexão ganhou uma forma diferente. Laura Issa criou um espaço de experiências criativas. O local oferece aulas de pintura em cerâmica, cerâmica, bordado, crochê e aquarela, além de workshops nos fins de semana. O investimento inicial foi de R$ 50 mil, e o ticket médio é de R$ 250. A ideia surgiu das próprias experiências da empreendedora. Laura conta que, em momentos de mudanças na vida, costumava buscar cursos e viagens para experimentar coisas novas. Com o tempo, percebeu que outras pessoas poderiam ter a mesma vontade. “Então eu percebi que talvez mais pessoas tivessem essa vontade de testar diversas coisas, né?” Ela também identificou uma dificuldade específica de quem vive em uma cidade grande: “Ainda mais numa cidade como a gente está aqui, você acaba ficando enclausurado naquele ciclo casa trabalho, trabalho, casa.” A proposta do espaço é justamente quebrar essa rotina. “Mas o que a gente pode colocar na nossa rotina para sair desse, dessa roda é conseguir realmente ter uma vida um pouco com um pouco mais de significado e um pouco de personalidade.” A empreendedora diz que, ao longo da construção do negócio, percebeu que havia também uma busca por diminuir o tempo diante das telas. “Então eu fui percebendo em mim mesmo e nas pessoas. Talvez isso fosse inconsciente em mim, mas uma busca pra sair das telas, uma busca pra você ter uma conexão real.” O espaço tenta oferecer justamente essa experiência presencial. “Meu negócio era um espaço criativo que ele busca trazer a experiência pra que as pessoas consigam experienciar coisas diferentes e trazer criatividade pra vida.” A divulgação acontece também pelas redes sociais, mas a própria chegada dos clientes tem um componente offline. “E é muito interessante porque elas vêm de forma analógica também. Então ela vem muito passando pela rua e vem do espaço, chama atenção e vem muito por indicação.” A proposta atraiu principalmente mulheres: 90% dos clientes são mulheres, e a maioria tem entre 30 e 40 anos. Uma delas é Ana Facure, que decidiu reduzir o uso das redes sociais e buscar atividades manuais. “Com certeza eu decidi esse ano sair das redes sociais e fazer alguma coisa que eu tenha trabalhos manuais, que eu não fique tanto na tela, não só no celular, mas na televisão.” Ela encontrou no espaço uma possibilidade de criar e, ao mesmo tempo, estabelecer relações presenciais. “Eu acho que é o sentimento de pertencimento, de conexão com as pessoas. Mas pra mim, o que eu mais acho gostoso é um lugar de conexão que você se conecta com as pessoas que você tem relações reais, olho no olho e não na tela.” Para Ana, a própria velocidade de São Paulo reforça essa necessidade. “Eu acho que São Paulo tem um pouco dessa pressa que pra mim me faz sentir um pouco acelerada. Então eu sinto falta de um espaço onde eu posso desacelerar e criar essas conexões.” O negócio de Laura fatura cerca de R$ 45 mil por mês. Consumidores interessados em experiências mais lentas, presenciais e tangíveis Pexels O mercado da desconexão Embora atuem em segmentos completamente diferentes, os três empreendedores apostam em uma mesma mudança de comportamento. Em um cenário cada vez mais digital, consumidores passaram a valorizar experiências que exigem mais presença, tempo e interação. O fenômeno não representa uma rejeição à tecnologia. Pelo contrário. Todos esses negócios usam internet, redes sociais e ferramentas digitais para divulgar produtos, encontrar clientes e ampliar a operação. A diferença está no que oferecem: algo que o ambiente online nem sempre consegue reproduzir. Seja ouvindo um disco de vinil, fotografando com uma câmera analógica ou participando de uma aula de cerâmica, os clientes buscam experiências físicas, sensoriais e compartilhadas. Em comum, está o desejo de desacelerar em meio à rotina acelerada da vida digital. Para esses empreendedores, o futuro não está necessariamente em escolher entre o analógico e o digital, mas em encontrar um equilíbrio entre os dois mundos. E, ao que tudo indica, existe um público cada vez maior disposto a investir nessa experiência.
09/08/2026 12:38:52 +00:00
Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de milho

Saiba como fazer um delicioso bolo de milho Reprodução / TV TEM O Nosso Campo deste domingo (9) ensina a preparar um delicioso bolo de milho. Saiba como fazer: Ingredientes: 6 espigas de milho verde ou 2 latas de milho a medida para os demais ingredientes será a lata de milho 1/2 lata de óleo (125 mL) 1 lata de leite (250 mL) 1 lata de açúcar 1 lata de fubá 2 ovos 1 colher de fermento em pó goiabada Modo de preparo Corte o milho do sabugo, evitando cortes fundos para não amargar; No liquidificador, misture o leite, o óleo, os ovos, o milho, o açúcar e o fubá; Bata até virar uma mistura homogênea; Adicione o fermento e bata mais um pouco; Despeje a massa em uma forma untada, evitando usar farinha; Coloque no forno pré aquecido a 180°C por 50 minutos ou até estar dourado e seco; Finalize com a goiabada por cima. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de milho VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
09/08/2026 10:30:16 +00:00
Parceria com escola italiana busca aprimorar produção de vinhos em Jundiaí

Jundiaí tem produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva Reprodução / TV TEM Especialistas da tradicional Escola de Enologia de Conegliano, a mais antiga da Itália, estão em Jundiaí (SP) para ajudar produtores locais a aprimorar a qualidade do vinho durante a preparação para a safra de inverno. A colaboração internacional ocorre por meio de trocas tecnológicas e visitas anuais de professores italianos, que desenvolvem experimentos conjuntos na região. Jundiaí (SP) é um dos principais destaques do setor no estado, com produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva, divididas entre as safras de verão e de inverno. No município, 21 vinícolas industriais e artesanais produzem juntas 8,7 milhões de litros de vinho por ano. O objetivo do projeto é fazer com que as inovações cheguem diretamente aos produtores. De acordo com Eduardo Alvarez, professor responsável pelo Centro de Enologia da Etec Benedito Storani, um dos focos da pesquisa é aperfeiçoar o controle do pH (potencial de hidrogênio) da bebida. Esse indicador define a qualidade do produto, influenciando diretamente o sabor, a cor e a durabilidade do vinho. Para evitar a proliferação de microrganismos indesejados e assegurar a conservação, o vinho precisa manter um nível de pH próximo de 3,0 e sempre abaixo de 3,4, aliado ao teor alcoólico correto. Durante as atividades na Etec, acompanhadas por estudantes e produtores, o enólogo Felipe de Jesus Piazzaroli explicou parte do processo: após as etapas de fermentação e clarificação, o vinho com pH ajustado entre 3,2 e 3,3 retorna ao tanque para finalização da fermentação. O procedimento preserva o aroma e o sabor característicos do fruto, garantindo a identidade e a exclusividade do vinho de acordo com a região. Os testes práticos foram comandados pelo professor italiano Luigi, da Escola de Conegliano. A técnica é aplicada pela primeira vez no Brasil e permite corrigir a acidez, além de remover metais pesados e outros elementos que podem instabilizar a bebida. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Parceria com escola italiana busca aprimorar produção de vinhos em Jundiaí VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
09/08/2026 10:30:14 +00:00
Família Roncoleta mantém tradição agrícola há cinco gerações em Getulina

O jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura Reprodução / TV TEM Em Getulina, interior de São Paulo, a família Roncoleta soma cinco gerações dedicadas ao campo. Hoje, o jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura. A fazenda pertence à família desde o bisavô de Sérgio. O trabalho atravessou décadas e agora ganha continuidade com Lucas. Segundo Sérgio, o segredo para manter a produção está no cuidado com cada etapa: plantar, colher e cortar. Para ele, o conhecimento passado de pai para filho garante qualidade e desperta o interesse das novas gerações. Lucas já planeja o futuro. O adolescente quer cursar agronomia para ampliar as lavouras e assumir a gestão da propriedade. O pai se emociona ao ver o filho repetir sua trajetória. Sérgio lembra dos ensinamentos que recebeu do próprio pai, na mesma terra onde hoje orienta Lucas. O legado, afirma, não é só paixão. Também envolve enfrentar os desafios do campo, como desastres naturais e perdas de safra. Parte da produção já está sob responsabilidade de Lucas. Ele cuida da hidroponia do sítio, acompanha o plantio e controla diariamente os nutrientes das hortaliças. Para Sérgio, ter alguém para dar continuidade é essencial. "A terra não acaba, só vai mudando de dono. As pessoas vão passando e os novos têm que assumir", diz. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Família Roncoleta mantém tradição agrícola há cinco gerações em Getulina VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
09/08/2026 10:30:13 +00:00
Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana

Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana Reprodução / TV TEM A 63ª Expo Rio Preto, considerada a maior feira do agronegócio de São Paulo em número de animais, recebeu 50 mil visitantes na primeira semana. O evento acontece até 16 de agosto e reúne mais de mil bovinos e equinos. A programação inclui atividades voltadas à bacia leiteira e o tradicional Torneio Leiteiro, que segue até o fim da feira. Entre os destaques está a raça Tabapuã, originária de Nova Granada (SP). O zebuíno sem chifres é conhecido pelo fácil manejo, docilidade e alta produção de carne. A raça já conquistou o título de tricampeã em julgamentos de qualidade genética. Segundo o encarregado da baia, Anador Felipe Neto, os animais são calmos, adaptados ao manejo e ao pasto, além de apresentarem bezerros fortes e boa produção de leite. A secretária de Agricultura e Abastecimento, Carina Ayres, afirma que o crescimento da Expo Rio Preto está ligado ao resgate das tradições locais e à qualidade dos animais. A feira também promove leilões, julgamentos e debates técnicos sobre o agronegócio. A edição de 2026 tem o maior número de mulheres atuando no manejo dos animais. Elas participam da alimentação e dos cuidados antes dos julgamentos. A estudante de veterinária Tayná Dionísio contou que pretende seguir na área de animais de grande porte e destacou a experiência prática como um aprendizado importante. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
09/08/2026 10:30:12 +00:00
Câmeras com IA prometem prever crimes antes que aconteçam, mas acendem alerta sobre privacidade

Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes Câmeras de monitoramento estão entre as soluções mais comuns para tentar desencorajar a ação de criminosos. Agora, em vez de apenas gravar o que acontece no local, esses equipamentos também são usados para prever roubos e outras ocorrências. 🔎 O chamado policiamento preditivo tenta identificar situações fora do padrão antes que elas resultem em delitos. Com apoio de inteligência artificial, essa tecnologia tem sido aplicada em cenários cada vez mais complexos. Imagens de câmeras, antes analisadas por pessoas, passam a ser examinadas por sistemas capazes de emitir alertas quando alguém, por exemplo, permanece parado por muito tempo no mesmo local, em um comportamento considerado suspeito. Esse tipo de ferramenta atrai o interesse de empresas que buscam reforçar a segurança em suas instalações, mas preocupa especialistas, que alertam para a falta de regulação e para o risco de um estado de vigilância permanente sobre pessoas que não estão praticando crimes. Como funciona Sistemas de monitoramento usam IA para identificar movimentações suspeitas Divulgação/NoLeak "O sistema se conecta à câmera, transforma a imagem em metadados e reconhece padrões. Se o padrão da imagem for alterado, ele emite um alerta", explica Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, empresa que desenvolveu um sistema de policiamento preditivo para segurança privada. 🔎 Nesse contexto, metadados são o resultado da conversão de elementos do vídeo em sequências numéricas. Os sistemas são treinados com imagens de situações consideradas normais e, então, conseguem identificar quando algo foge desse padrão. (saiba mais abaixo) No caso da NoLeak, por exemplo, o sistema não toma nenhuma ação por conta própria ao identificar uma situação suspeita. Em vez disso, recomenda que as imagens sejam revisadas por responsáveis, como chefes de segurança da empresa. "Os alertas vão para um sistema de gestão de vídeo, e o operador toma a atitude que achar pertinente, seja acionar diretamente uma força policial ou o time de segurança privada", afirma. A empresa tem mais de 5 mil câmeras conectadas e 100 clientes, incluindo indústrias e condomínios. Segundo a NoLeak, o sistema reduz o cansaço visual dos operadores e permite monitorar até 10 vezes mais câmeras com o mesmo número de funcionários. Outras empresas do setor incluem a Actuate, a AxxonSoft e a Coram, que prometem transformar câmeras de segurança convencionais em sistemas capazes de prever possíveis crimes. Mas especialistas apontam que esse uso da tecnologia pode restringir o direito de ir e vir dos cidadãos. "Não estamos falando somente de criminosos que vão ser efetivamente alcançados, mas também de cidadãos comuns que, a caminho do trabalho, podem passar por um sistema que levou a um erro", alerta Fernanda Rodrigues, coordenadora de pesquisas do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS-BH). Para Fernanda, ferramentas desse tipo demonstram a expansão do uso da inteligência artificial na segurança, apesar das dúvidas sobre sua eficácia e seus impactos. "O que temos visto é um crescimento na busca por ferramentas e tecnologias que vão servir como a solução de um problema da segurança pública, como se existisse uma bala de prata para resolver algo histórico da nossa sociedade." Sistemas de monitoramento com IA podem identificar funcionários sem equipamentos de proteção Divulgação/NoLeak Como é feita a 'previsão' de crimes Os sistemas mais avançados de policiamento preditivo usam modelos de aprendizado de máquina treinados para reconhecer padrões em imagens. Em vez de seguir apenas regras previamente programadas, eles analisam grandes volumes de vídeos para aprender quais comportamentos são considerados normais e, então, passam a emitir alertas quando detectam situações fora desse padrão. Ao ser treinado com imagens de uma via pública, o sistema aprende a identificar onde fica a pista e por quais faixas os veículos devem circular. Se um carro passar pela contramão ou pela calçada, por exemplo, ele pode identificar essa mudança e indicar que algo está fora do padrão. "O sistema precisa de cerca de duas semanas de análise desses metadados para formar uma base de dados suficiente para reconhecer o padrão da imagem", afirma Ramalho, da NoLeak. Para identificar possíveis crimes, a ferramenta analisa apenas movimentações suspeitas de pessoas, e não suas características físicas, explica. "Ele não identifica o rosto para analisar o comportamento. O que ele faz é transformar a imagem em metadados e reconhecer padrões." O fundador da empresa destacou que, além de reforçar a segurança patrimonial, a solução é capaz de verificar se há erros em uma linha de produção e se funcionários estão fora do posto de trabalho. Nesses casos, a ideia é evitar paradas não programadas e aumentar a eficiência das empresas. Sistemas podem usar inteligência artificial para monitorar nível de ocupação em esteiras industriais Divulgação/NoLeak Alerta sobre falta de transparência Para Fernanda, do IRIS-BH, avaliar a precisão de um sistema de policiamento preditivo e a ausência de vieses depende de estudos independentes sobre seu funcionamento. "A opacidade é um dos principais problemas, principalmente por a gente não saber a eficiência dessas ferramentas. Na verdade, o que sabemos é que há estudos que as apontam como significativamente falhas", diz. Essas limitações já foram identificadas em soluções usadas em outros países. "Há muitos exemplos nos Estados Unidos de tecnologias que buscaram usar dados sobre os locais com maior índice de criminalidade, mas que acabaram potencializando a vigilância", afirma. Um dos casos mais conhecidos é o do PredPol, que reunia dados históricos, como data, hora e local de crimes, para orientar onde policiais deveriam fazer rondas nos momentos sem ocorrências. O sistema levou policiais a patrulharem ainda mais bairros com renda familiar mais baixa e menor proporção de moradores brancos. Na prática, houve um aumento de abordagens policiais indevidas a moradores de conjuntos habitacionais de baixa renda, segundo reportagem do site The Markup. O PredPol deixou de ser usado em 2020 pela polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, após pressão de grupos ativistas que criticaram a falta de eficiência do programa e a vigilância excessiva em comunidades negras e latinas. Câmeras instaladas em pontos de maior aglomeração são utilizadas para reconhecimento facial e prender foragidos da justiça no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta O que diz a lei no Brasil O Brasil não tem uma lei específica para regulamentar sistemas de policiamento preditivo, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabeleça regras para o tratamento de informações sensíveis, como a biometria facial. Uma portaria publicada em 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública estabeleceu que as polícias podem usar inteligência artificial, mas devem realizar revisões humanas em casos de possíveis riscos a direitos fundamentais. Um projeto de lei em discussão no Congresso também pode classificar como de alto risco os sistemas de IA usados por policiais para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões e perfis comportamentais. O texto, aprovado no Senado e em discussão na Câmara, prevê que ferramentas classificadas como de alto risco tenham supervisão humana, passem por avaliação de impacto, garantam o direito à explicação às pessoas afetadas e adotem medidas para evitar discriminações.
09/08/2026 08:00:34 +00:00
Mais lojas, mais problemas? Entenda por que supermercados já não apostam tanto em lojas físicas

Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP Quem vai às compras com frequência nos supermercados, talvez já tenha percebido algumas mudanças nos últimos anos. A principal é que aquela loja que fazia parte da rotina pode ter mudado de nome ou fechado as portas. Foi o que aconteceu com diversas unidades do Extra. Após uma reestruturação do Grupo Pão de Açúcar (GPA), muitas lojas deixaram de operar com a marca e passaram a funcionar sob outras bandeiras do grupo, enquanto outras encerraram as atividades. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dono das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Extra Mercado, o GPA vive uma das maiores reestruturações de sua história. Em março deste ano, a empresa botou em prática um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Um dos gargalos foi a expansão desordenada de lojas físicas. Em 2020, o GPA chegou a ter cerca de 800 lojas, mas reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper para o Assaí, em 2021. A operação marcou uma mudança de estratégia do grupo, que passou a concentrar esforços em formatos menores e considerados mais rentáveis, como supermercados de bairro e lojas de proximidade. Ao fim de 2025, a companhia tinha cerca de 700 lojas no país. Agora no g1 Outras redes também passaram a rever o modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de unidades. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus encontraram dificuldades para sustentar operações maiores em um cenário de juros elevados, crédito mais caro e consumidores mais cautelosos. As redes passaram a priorizar a rentabilidade das unidades existentes, reduzir custos e tornar a operação mais eficiente. O faturamento não é o problema: segundo o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores empresas do varejo alimentar brasileiro movimentaram mais de R$ 361 bilhões em 2025. O líder foi o Carrefour, com faturamento de R$ 123,6 bilhões, seguido pelo Assaí Atacadista (R$ 84,7 bilhões) e Grupo Mateus (R$ 31 bilhões). O GPA continua entre os maiores, e chegou aos R$ 20,6 bilhões. Mas especialistas afirmam que o desafio para todos está no custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país, especialmente quando o ambiente econômico muda. (saiba mais abaixo) Mais lojas, mais custos Durante anos, a expansão física foi vista como um dos principais caminhos para ganhar mercado no varejo alimentar. 🏪 A lógica era simples: redes maiores tinham mais capacidade de negociar com fornecedores, ampliar a presença regional e conquistar consumidores. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que esse modelo ficou mais difícil de sustentar porque cada nova unidade também aumenta a estrutura necessária para operar. Uma loja física exige gastos com aluguel, funcionários, logística, estoque, manutenção e tecnologia. Em um setor marcado por margens de lucro apertadas, qualquer aumento relevante de custos pode prejudicar o resultado das empresas. “Em tese, aumenta o faturamento, mas também aumenta a estrutura necessária para manter esse crescimento”, explica Ulysses Reis, especialista em varejo da Strong Business School. Segundo ele, a estratégia da loja física só funciona quando a operação também tem ganho de eficiência. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Além dos custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor reduziu a vantagem de simplesmente estar mais perto do cliente. Com mais acesso a informações de preço, comparação de produtos e compras digitais, o consumidor passou a escolher menos pela localização e mais pela combinação entre preço, conveniência e experiência. (saiba mais abaixo) Juros altos mudaram a conta da expansão O ambiente econômico do país também não ajudou, principalmente com o fim de um período de juros mais baixos, quando as companhias conseguiam empréstimos mais baratos para financiar as novas unidades, aumento de estoques e de operações. Em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic, a taxa básica de juros, chegou a 2%, menor nível da história. Mas, com a inflação mais alta após a reabertura econômica, o Banco Central (BC) precisou subir novamente os juros. Em julho de 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Empresas que dependiam de empréstimos e financiamentos passaram a gastar mais para pagar dívidas e manter as operações, além de paralisarem investimentos. “O custo do dinheiro é muito alto. Quando o endividamento fica caro, isso ‘espreme’ a operação”, explica o advogado especializado em reestruturação empresarial e sócio fundador do Felsberg Advogados, Thomas Felsberg. Segundo ele, o risco aumenta quando a expansão da rede é financiada por empréstimos. Nesses casos, o crescimento das vendas, por si só, não garante que a empresa esteja em uma situação financeira melhor, já que os custos e as dívidas também aumentam. 💰 Uma empresa pode vender mais e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se a estrutura criada para sustentar esse crescimento consumir uma parcela cada vez maior do resultado. Diante desse cenário, muitas redes de supermercados precisaram mudar de estratégia. Algumas reduziram o ritmo de abertura de novas lojas. Outras fecharam unidades que davam pouco retorno, renegociaram dívidas ou passaram a investir em formatos menores e mais eficientes. Consumidor mais cauteloso Um dos principais fatores por trás da transformação do setor está no comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado, os brasileiros passaram a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas. A proximidade da loja deixou de ser o único fator decisivo, uma vez que preço e conveniência ganharam ainda mais peso. Essa mudança aparece em pesquisas de mercado. Segundo levantamento da NielsenIQ (NIQ) publicado em junho deste ano, diante da pressão sobre o orçamento: 66% dos consumidores afirmam buscar opções de menor preço; 45% dizem escolher produtos mais baratos independentemente da marca; 80% afirmam planejar as compras com antecedência. Além disso, 47% dos consumidores brasileiros pretendiam comprar mais produtos de marca própria — itens vendidos com a marca da própria rede de supermercados, que costumam ter preços mais baixos do que os de fabricantes tradicionais. Essa nova postura do consumidor favoreceu formatos como os atacarejos, que oferecem preços menores para compras em maior volume, e aumentou a importância das marcas próprias. Segundo dados da Abras, o varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão no ano passado. Desse total, os atacarejos responderam por 29% das vendas, com R$ 327,7 bilhões, ficando atrás apenas do autosserviço, que concentrou quase metade do faturamento do setor, com R$ 563,6 bilhões (49%). 🔎 O autosserviço representa o varejo alimentar tradicional, que inclui principalmente supermercados, hipermercados e outros formatos de lojas em que o cliente entra, pega os produtos nas gôndolas e passa pelo checkout. Também acelerou a busca por canais digitais, que permitem comparar preços e pesquisar avaliações sem depender exclusivamente da loja física. Em 2025, o marketplace movimentou R$ 7,3 bilhões o equivalente a cerca de 1% do faturamento total do varejo alimentar. Mesmo com uma participação ainda pequena, o canal já aparece como o quinto maior formato de vendas do setor, segundo a Abras. Essa mudança aumentou a concorrência pelo consumidor. Além dos supermercados tradicionais, empresas como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99 passaram a disputar esse espaço, oferecendo a compra de alimentos e bebidas por meio de aplicativos, lojas online e serviços de entrega rápida. Casal criou uma rotina de planejamento, comparação de preços e troca de marcas para reduzir gastos no supermercado. Reprodução/YouTube A estratégia ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado, orçamento mais apertado e maior preocupação das famílias com os gastos. Com menos espaço no bolso, consumidores passaram a buscar alternativas que permitam comparar preços, encontrar promoções e economizar nas compras do dia a dia. Para Matheus Matsumoto e Thalita Brito, ambos de 25 anos e criadores do canal “Casal Ponto Com”, no YouTube, a mudança no comportamento de consumo começou dentro de casa, após os dois enfrentarem dificuldades financeiras. “Quando começamos, estávamos ‘quebrados’ financeiramente. Foi nesse momento que passamos a pensar em formas de economizar e mudamos completamente nossos hábitos. Percebemos, então, que muitas outras pessoas poderiam estar enfrentando uma situação parecida”, conta Thalita. O primeiro passo foi repensar a rotina de compras no supermercado. O casal passou a planejar melhor as idas às lojas, pesquisar preços, montar listas antes das compras e conferir o que já tinha em casa para evitar gastos desnecessários. Também adotou estratégias simples, como não ir ao supermercado com fome, para reduzir as compras por impulso. Entre as mudanças, uma das principais foi abandonar a ideia de que produtos de determinadas marcas eram sempre a melhor escolha e passar a testar alternativas mais baratas, como as marcas próprias dos supermercados. “Antes a gente tinha o costume de pensar: ‘sabão em pó tem que ser de determinada marca, detergente tem que ser daquela outra’. Aí começamos a nos questionar: nas condições em que estávamos, precisando economizar, será que fazia sentido continuar escolhendo sempre a marca mais cara?”, afirma Matheus. A experiência virou conteúdo. O casal passou a gravar a própria jornada de reorganização financeira, mostrando quanto gastava nas compras do mês, quais estratégias usava para economizar e como mudou seus hábitos de consumo. Nos vídeos, eles compartilham dicas de planejamento, controle de gastos e organização financeira, além de estratégias para reduzir despesas sem abrir mão da qualidade de vida. Com a mudança de hábitos, o casal conseguiu reorganizar as finanças e financiar o próprio apartamento. “Para a gente, virou prazeroso viver desse jeito. As pessoas acham que é um sacrifício, mas não é. A gente gosta de aprender a fazer as coisas e percebeu que dá para ter qualidade de vida gastando menos”, afirma Thalita. GPA busca reorganizar dívidas após anos de pressão financeira O caso do Grupo Pão de Açúcar representa um dos exemplos mais conhecidos dos desafios enfrentados por redes que construíram uma grande presença física ao longo dos anos. A companhia apresentou em março deste ano um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. 🔎 A medida permite que a empresa negocie diretamente com credores novas condições de pagamento sem interromper as operações. Diferentemente da recuperação judicial, o processo ocorre fora da Justiça e busca reorganizar o fluxo de caixa antes de uma situação mais grave. A crise do GPA foi resultado de uma combinação de fatores. A empresa acumula prejuízos desde 2022, pressionada pela queda no consumo, pelo aumento dos juros — que encareceu suas dívidas —, pelos custos de reestruturação e pela saída de lojas com baixo desempenho. No fim de 2025, o grupo informou ao mercado que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, diante de um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão relacionado principalmente ao vencimento de dívidas previstas para 2026. O cenário financeiro também aparece nos resultados. No ano passado, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e bruta de R$ 4 bilhões. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, a companhia teve prejuízo de R$ 204 milhões. Apesar disso, a operação do supermercado melhorou, mas o resultado final foi prejudicado principalmente pelos altos gastos com juros da dívida. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças na gestão e na estrutura societária. O Grupo Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino, antigo controlador, manteve participação de 22,5%. Segundo o GPA, o plano de recuperação busca melhorar o perfil da dívida, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para a sustentabilidade financeira da companhia. Enquanto isso, as lojas seguem funcionando normalmente e que os pagamentos a fornecedores e parceiros estão em dia. St Marche e Dia apostam em reestruturação Unidade da St Marche em São Paulo Reprodução/Facebook O St Marche, rede de supermercados voltada principalmente ao público de alta renda, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A empresa também anunciou a venda da operação para o grupo chileno Cencosud, dono do Giga Atacado no Brasil. A companhia atribuiu parte das dificuldades ao aumento do endividamento, aos juros elevados e à redução das linhas de crédito. Outro caso é o da rede Dia, que entrou em recuperação judicial em março de 2024 após acumular mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Na época, a empresa anunciou o fechamento de 343 lojas e três centros de distribuição no país. A estratégia foi concentrar a operação em São Paulo, onde estavam as unidades consideradas mais rentáveis. A rede anunciou a saída da recuperação judicial em junho. Para Ulysses Reis, esses movimentos indicam uma mudança estrutural no setor. Segundo ele, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e expansão acelerada e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. Redes como o Oxxo seguem essa estratégia, com lojas compactas voltadas para compras rápidas e de conveniência. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma. Segundo o especialista, as unidades físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico, enquanto estoques menores e maior eficiência ganham importância. Grupo Mateus desacelera expansão após anos de crescimento Unidade do Grupo Mateus em Araguaína, Tocantins (TO) Reprodução/Redes Sociais O Grupo Mateus é um dos exemplos de expansão acelerada no varejo alimentar brasileiro. Fundada em 1986, a companhia cresceu a partir do Maranhão e avançou por outros estados do Nordeste com supermercados, atacarejos e lojas de proximidade. Entre 2017 e 2020, o número de lojas mais que dobrou, passando de 75 para 159 unidades, impulsionado principalmente pelo crescimento do formato atacarejo. Nos últimos anos, porém, a companhia reduziu o ritmo de abertura de unidades e passou a priorizar a eficiência operacional. No primeiro trimestre de 2026, inaugurou quatro lojas — três atacarejos e um supermercado — e encerrou o período com 228 unidades de varejo alimentar. Em 2025, também fechou 28 lojas de eletroeletrônicos e encerrou departamentos de eletrônicos em outras 20 unidades. O lucro líquido caiu 21,8% no primeiro trimestre, para R$ 212,9 milhões. Embora a receita tenha crescido 13%, o avanço foi impulsionado principalmente pela aquisição do Novo Atacarejo e pela abertura de novas lojas. Nas unidades já existentes, as vendas recuaram 7,3%. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda dos preços dos alimentos, pelo maior endividamento das famílias e pela busca dos consumidores por produtos mais baratos. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Fechar lojas ajuda, mas não resolve imediatamente Uma das medidas adotadas por empresas em dificuldade é o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis. No entanto, a estratégia não gera alívio imediato no caixa. Segundo Thomas Felsberg, a redução da estrutura envolve custos, principalmente relacionados a contratos e funcionários. “Você fechar uma loja tem um custo muito grande por causa dos direitos trabalhistas. O alívio no caixa não é imediato; ele aparece no médio prazo, quando a empresa reduz despesas”, afirma. Para o advogado, reconhecer o problema rapidamente é fundamental em processos de reestruturação. “Quanto mais demora para reconhecer que a situação é ruim, mais difícil fica a recuperação. O ideal é agir enquanto ainda existe caixa e possibilidade de negociação”, diz. Para os especialistas, a crise atual não representa o fim das lojas físicas, mas uma mudança no modelo de crescimento. A expansão baseada apenas na abertura de novas unidades perdeu força. O varejo passa a buscar formatos menores, mais digitais e com maior eficiência operacional. “O futuro não é simplesmente ter mais lojas. É integrar canais, reduzir custos e oferecer conveniência ao consumidor”, afirma Reis. O g1 procurou o Grupo Mateus, o GPA e o St Marche, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Em nota, o Grupo Dia afirmou que o varejo alimentar continua enfrentando um “cenário desafiador”. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor "cada vez mais criterioso" exige das companhias "gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante". A cautela também aparece nos indicadores de confiança. Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou praticamente estável em 88,7 pontos. Segundo a instituição, apesar de as famílias avaliarem melhor sua situação financeira atual, elas seguem mais pessimistas em relação aos próximos meses, principalmente sobre a própria condição financeira e a intenção de comprar bens duráveis. “Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação”, afirmou o grupo Dia. Leia a nota na íntegra: “O varejo alimentar continua operando em um cenário desafiador. A combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor cada vez mais criterioso exige das empresas uma gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante. Ao mesmo tempo, esse contexto cria oportunidades para as empresas que conseguem compreender rapidamente as mudanças no comportamento do consumidor e responder com uma proposta de valor consistente. Hoje, o cliente está mais racional, pesquisa mais, compara preços e faz escolhas cada vez mais conscientes, buscando equilibrar economia, qualidade e praticidade. No Dia, esse movimento reforça nosso posicionamento como o Atacadinho de Bairro, oferecendo economia, praticidade e uma experiência de compra próxima da realidade de cada comunidade onde atuamos. Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação.”
09/08/2026 08:00:30 +00:00
Por que sistema elétrico brasileiro enfrenta risco por excesso de geração de energia

Nos últimos anos, país registrou um forte avanço da geração solar distribuída, gerando desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, dizem especialistas Getty Images via BBC Quase 25 anos depois do apagão por excesso de demanda que em 2001 obrigou consumidores de 16 Estados e do Distrito Federal a desligar eletrodomésticos, e prefeituras a reduzirem a iluminação pública, o Brasil enfrenta um drama de sinal inverso. Agora, a ameaça que ronda o Sistema Interligado Nacional (SIN) é a oferta excessiva de energia. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Para evitar uma possível sobrecarga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e distribuição de energia no país, acionou no dia 7 de junho um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede. Na prática, trata-se da redução ou do desligamento da geração de energia, geralmente de parques eólicos e solares — o que é chamado no jargão técnico de curtailment (expressão que se traduz como corte ou redução). Foi a primeira vez que o ONS lançou mão da medida desde que um plano para lidar com o excesso de oferta de energia foi aprovado, em novembro do ano passado. De acordo com o órgão, "trata-se de uma ação excepcional adotada para o processo de controle de frequência do sistema elétrico", que foi necessária naquele domingo de junho para equilibrar a alta geração, combinada a um consumo menor, devido ao final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi, associado a baixas temperaturas. Cortes também foram realizados em dias de jogos do Brasil na Copa. Agora no g1 Segundo Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), a compreensão da situação exige que se parta de uma premissa: para o sistema elétrico funcionar de forma adequada, a oferta deve ser igual à demanda. Isso significa que a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida. O que há de novo é que, diferentemente do que ocorria no passado, o país já não depende unicamente da energia gerada por usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares ou por parques eólicos e solares de grande porte, que podem ser ligados ou desligados pelas autoridades conforme as necessidades do sistema. Geração distribuída já abrange 5% dos consumidores no país Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são também micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares, que formam a chamada geração distribuída. Desses 4,5 milhões, 3,6 milhões são consumidores-geradores residenciais, e 400 mil, comerciais, que recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto. Os 500 mil restantes incluem categorias como poder público, serviço público, rural e outras. A potência instalada desses consumidores-geradores é de 50 gigawatts, que equivalem a cerca de 20% da potência total instalada do país, observa Joisa. "Não podemos normalizar a situação atual por duas razões: esse volume [50 gigawatts] é muito grande e análises do ONS indicam que é subestimado", alerta a diretora do FGV-Ceri. Volume de energia produzido pela geração distribuída é grande e pode estar subestimado, diz pesquisadora da FGV Bloomberg via Getty Images/BBC Segundo a pesquisadora, a subnotificação da geração distribuída poderia chegar a 15 gigawatts ou 30% do total. Essa potência, classificada pelo ONS como "instalações à revelia", configura fraude e prejuízo ao sistema, na medida em que mascara como micro e minigeradores usuários que poderiam ser enquadrados como de grande porte, diz a especialista. Enquanto usinas convencionais e renováveis de grande porte são controladas pelo ONS, a geração distribuída não obedece a nenhum comando centralizado. Em caso de necessidade, seu desligamento da rede depende da ação das concessionárias privadas de distribuição. "Esse volume [de energia proveniente da geração distribuída] tornou-se muito importante, e se o ONS limitar-se a desligar os recursos sob seu controle, a redução de oferta não será suficiente para fazer frente à redução de consumo", afirma Joisa. 'Energia de telhado' A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, afirma que o excesso de produção de energia, ao forçar o curtailment, provoca prejuízo aos investidores do setor. Ela diz que é preciso diferenciar a energia eólica e solar de grande porte, responsável por fazer da matriz energética brasileira a mais renovável do mundo, e a geração solar distribuída ou "energia de telhado". "Nos últimos anos, houve excesso de investimento nessa geração solar distribuída, que, como o próprio nome diz, não é de grande porte e não é controlada pelo ONS", diz Gannoum. Questionada sobre o papel da geração solar distribuída no atual excesso de oferta de energia, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) afirma em nota que "os cortes de geração impostos a usinas solares e eólicas no Brasil — que vêm se intensificando nos últimos anos e meses — configuram a maior crise já enfrentada pelas fontes renováveis no país". A associação avalia, porém, que atribuir esse problema ao crescimento da geração solar distribuída "é uma interpretação simplista que não reflete a realidade do sistema elétrico nacional". Isso porque, segundo a Absolar, "o sistema elétrico brasileiro expandiu significativamente sua capacidade de geração renovável (solar, eólica, biomassa, biogás e outras fontes) sem que houvesse, na mesma velocidade, investimentos equivalentes em mecanismos de flexibilidade operativa, armazenamento de energia, modernização da infraestrutura e gestão da demanda." "Esse desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão", avalia a entidade representativa. Excesso de subsídio às renováveis Além da proliferação da geração distribuída, os desafios à gestão do sistema elétrico brasileiro incluem fatores que vão do número elevado de dias não-úteis à Copa do Mundo. Este ano, embora o número de feriados nacionais seja o mesmo de 2025, muitos caem no início ou no final da semana, incentivando os feriadões. Além disso, os três jogos do Brasil na fase classificatória da Copa do Mundo, quando o país tradicionalmente para, caíram em dias úteis, assim como a primeira partida do mata-mata, contra o Japão. Com menor atividade econômica e circulação de pessoas nesses dias, o consumo de energia é reduzido, desequilibrando a balança em favor da oferta. Apesar do excesso de oferta, a conta de luz continua assombrando os brasileiros no final do mês: no último ano, a energia elétrica residencial acumula alta de 8,79%, quase o dobro do avanço do índice geral de inflação (em alta de 4,64% no acumulado de 12 meses até junho), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Nivalde Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atribuir a situação atual do setor elétrico brasileiro à falta de planejamento é equivocado. "Durante o dia, a energia solar e eólica produzida e lançada no sistema é muito superior à demanda", afirma o pesquisador à BBC News Brasil. Esse fenômeno, afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ, não é produzido pela infraestrutura deficiente ou pela fiscalização frouxa, mas pelos subsídios oferecidos pelo Estado brasileiro às fontes renováveis. O pesquisador cita exemplos de outros países, onde o excesso de oferta é corrigido pelo próprio mercado, com a queda do preço da energia produzida por fontes alternativas. "Ninguém vai produzir algo que tenha preço negativo", resume. No Brasil, o estímulo oficial à energia limpa resultou em múltiplos mecanismos de isenção tributária que provocaram uma "corrida do ouro" aos ramos eólico e solar, diz Castro. Esses incentivos vão desde descontos nas tarifas para uso de redes de transmissão e distribuição até isenções de tributos estaduais na compra e importação de equipamentos, passando por linhas de crédito em programas e bancos oficiais. "São jabutis [medidas estranhas ao propósito de um projeto legislativo, inseridas durante a tramitação do texto] que os lobbies desses setores patrocinam e são aprovados pelo Congresso", afirma o coordenador do Gesel. Se o Executivo opta por vetar a medida, acrescenta, o Congresso derruba o veto. "O governo federal perdeu o protagonismo das políticas energéticas", avalia. O excesso de subsídio para as renováveis provocou um aumento enorme de oferta, que se descolou da demanda. Atualmente, a capacidade instalada de geração de energia é mais do que o dobro da demanda média, um cenário que deve persistir nos próximos anos, segundo o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 do ONS. Frente a esse cenário, o curtailment é a única política pública adequada em curto prazo, diz o pesquisador. Num futuro próximo, explica, o Brasil prepara-se para investir em sistemas de armazenamento químico, por meio de baterias, e em hidrelétricas reversíveis (aquelas capazes de armazenar energia excedente, bombeando água de um reservatório inferior para um superior). Os dois recursos permitem a conservação da energia renovável gerada, sem o desperdício inerente ao curtailment, observa o pesquisador. O avanço dos sistemas de armazenamento por baterias também é defendido pela Absolar como uma medida urgente. "Essa tecnologia permite armazenar a energia produzida nos momentos de maior geração para utilização nos horários de maior consumo, reduzindo desperdícios, aumentando a flexibilidade operativa do sistema, mitigando congestionamentos nas redes, reduzindo custos para os consumidores, postergando investimentos em infraestrutura e diminuindo a necessidade de acionamento de usinas termelétricas fósseis", destaca a associação. Em outro paradoxo do setor energético brasileiro, ao mesmo tempo que promove a energia renovável, o país destina subsídios a usinas termelétricas, que estão sendo desativadas em todo o mundo em razão do perfil de alto carbono. 'Quem paga o curtailment é o consumidor' A economista, advogada e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Elena Landau utiliza o termo "desarranjo" para definir o quadro atual do sistema elétrico. Ela afirma que, ao fim e ao cabo, o pequeno consumidor residencial é o mais penalizado. "Quem paga o curtailment é o consumidor", observa. Citando um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a economista diz que entre janeiro de 2023 e maio de 2026 o governo federal e o Congresso aprovaram medidas que adicionarão quase R$ 985 bilhões às contas de luz até 2050. "O estado do setor é muito complicado, mas não começou hoje. Vem de alguns anos para cá, por total falta de governança e planejamento", afirma. Ela elogia o governo do presidente Michel Temer (MDB, 2016-2018) por ter promovido uma consulta pública sobre a área em seus primeiros meses, mas afirma que, nos anos seguintes, houve uma sucessão de equívocos relativos à energia. Landau critica especialmente os jabutis incluídos pelo Congresso na medida provisória (MP) que privatizou a Eletrobras, em 2021, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL, 2019-2022), como a contratação compulsória de termelétricas a gás. "Ali, o Congresso Nacional atropela o planejamento e cria obrigações de contratação totalmente fora dos planos de qualquer planejador ou investidor." Na opinião da economista, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve as distorções no setor ao dar continuidade a subsídios à energia renovável. "Não que os subsídios estivessem errados quando começaram. Você pode querer uma matriz mais limpa, isso tudo é correto", argumenta. "O problema é que os lobbies intensos e acomodados pelo ministro [Alexandre] Silveira [das Minas e Energia] mantiveram e ampliaram os subsídios." O resultado é o excesso de geração, diz. "A solução do problema passa por trocar a governança."
09/08/2026 07:01:14 +00:00
Menos vacas, mais leite: como genética e bem-estar mais que dobraram a produção em 24 anos

Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção Durante a 21ª Megaleite, realizada em junho, em Belo Horizonte (MG), a vaca Jornada Montross FIV LPN bateu o recorde mundial de produção de leite em um único dia: foram 112,65 kg. Até então, o título pertencia a Fernanda Forbes IS Olhos D´Água, com 111,947 kg de leite em um dia. Ao longo dos três dias de competição, Jornada produziu 337,95 kg de leite. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o criador Rodrigo Nogueira Ferreira, a campeã recebe um manejo semelhante ao de um atleta de alto rendimento e acaba produzindo mais até do que outras vacas da mesma propriedade, que produzem cerca de 30 kg de leite por dia. "É um número muito alto. Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade", diz Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite. Claro que o animal está longe de representar a média das vacas leiteiras do país. Ainda assim, como lembra Verneque, o caso chama atenção para uma tendência no setor: as vacas brasileiras produzem bem mais leite hoje do que há 24 anos. A explicação está nos investimentos em genética, bem-estar animal e alimentação. (veja a evolução abaixo) Produtividade das vacas leiteiras mais que dobrou no Brasil em 24 anos Arte g1 LEIA MAIS Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil Genética planejada Verneque, da Embrapa, afirma que a seleção genética foi um dos principais fatores por trás do aumento da produtividade das vacas leiteiras no Brasil. O gir leiteiro, raça zebuína que produzia pouco, passou de uma média de 2 mil kg para 5 mil kg por lactação, período que dura cerca de 10 meses. A própria raça girolando, da qual a Jornada faz parte, foi desenvolvida por meio do melhoramento genético. Ela resulta do cruzamento entre as raças holandesa e gir leiteiro. "Para as nossas condições de clima tropical, é uma raça altamente competitiva, com média de 7 mil kg por lactação", diz o pesquisador. Para Rodrigo Ferreira, proprietário da Jornada, a genética do animal foi fundamental para o recorde. "Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado", afirma. Com 35% menos vacas, o Brasil produziu mais leite em 13 anos. Arte g1 Animal mais 'exigente' Um animal que produz mais também exige mais cuidados, afirma Verneque. "As exigências dele com relação a conforto, controle de temperatura e questões ambientais têm que ser muito maiores para que ele responda", diz. Cada raça pode exigir condições diferentes, como temperaturas mais altas ou mais baixas. Quando essas necessidades não são atendidas, o animal sofre estresse e, como consequência, produz menos. "Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico. O seu organismo terá que reagir para você sobreviver", exemplifica o pesquisador da Embrapa. O mesmo vale para o barulho de máquinas ou alterações na rotina do animal. Na propriedade onde Jornada vive, Ferreira oferece sombra para o gado descansar e áreas de pastagem. Ela também conta com uma baia exclusiva e uma equipe treinada para monitorar seu bem-estar. Alimentação reforçada Um rebanho pode ser alimentado com pasto, ração ou uma combinação dos dois. Atualmente, ambos evoluíram. O pasto pode incluir gramíneas e leguminosas, enquanto as rações têm formulações mais nutritivas. "A alimentação é um dos itens mais importantes no custo de produção do leite, porque depende de uma dieta bem formulada", afirma Verneque. É o caso da alimentação de Jornada, que passa por análise de qualidade e acompanhamento veterinário. LEIA TAMBÉM Após onda de incêndios, veja como uma raça de vaca quase esquecida ajuda a Espanha a reduzir queimadas Brasileiro come mais vaca do que boi: abate de fêmeas superou o de machos pela primeira vez Jornada Arquivo pessoal
09/08/2026 06:00:29 +00:00
Por que a Alemanha quer mudar os 'minijobs', emprego parcial isento de imposto

A iraniana Anahita Abdollahi concilia o mestrado na Universidade de Colônia com um minijob em uma biblioteca, experiência que, segundo ela, ajudou na adaptação ao mercado de trabalho alemão e na prática do idioma. Dasha Thyssen/DW Quando inicia seu turno na biblioteca de física da Universidade de Colônia, a iraniana Anahita Abdollahi, de 26 anos, começa conferindo os e-mails para se atualizar sobre os pedidos dos usuários. Ela ajuda estudantes a encontrar livros, atende telefonemas e cuida das plantas do local. Mestranda na instituição, Abdollahi define a função como a de uma "bibliotecária de meio período". Ela afirma gostar de quase todas as tarefas, com exceção das mais repetitivas, como o inventário do acervo. Ainda assim, considera o trabalho tranquilo, já que atua apenas duas vezes por semana, cerca de cinco horas por dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Seu emprego se enquadra na categoria conhecida na Alemanha como "minijob", modalidade de trabalho com jornada reduzida e baixa remuneração que o governo pretende reformar. Entre as mudanças em discussão estão o fim da isenção de contribuições previdenciárias para os trabalhadores e o aumento dos encargos pagos pelas empresas, com o objetivo de reforçar o financiamento do sistema de aposentadorias. Agora no g1 As propostas despertam reações divergentes. Sindicatos apoiam a reforma por avaliarem que ela pode reduzir a precarização do trabalho e ampliar a proteção social. Já muitos trabalhadores temem uma redução da renda líquida, enquanto representantes empresariais alegam risco de aumento dos custos de contratação e perda de flexibilidade. Modalidade é popular entre mulheres e estudantes O minijob é um tipo de emprego de meio período com remuneração máxima de 603 euros (cerca de R$ 3.538) por mês. Quem permanece abaixo desse limite não paga imposto de renda nem contribuições regulares para a seguridade social. Os trabalhadores também podem optar por não contribuir para a aposentadoria, e a maioria faz essa escolha. Em geral, são necessárias cerca de 10 horas de trabalho por semana para atingir o teto de rendimentos, o que torna a modalidade atraente para estudantes, pais e mães com filhos pequenos e pessoas que exercem outras atividades. Segundo a agência federal responsável pelo setor, as mulheres representam cerca de 57% dos trabalhadores nessa categoria. A mesma agência estima que quase 7 milhões dos 45 milhões de trabalhadores da Alemanha tenham um minijob. Parte deles exerce a atividade como complemento de renda; outros dependem exclusivamente desse tipo de contrato. Criado nos anos 1960 para facilitar empregos de baixa carga horária e reduzir a burocracia, o modelo foi reformulado em 2003 como parte de uma ampla reforma do mercado de trabalho. Sindicatos defendem mudanças nos minijobs por considerarem que o modelo contribui para vínculos precários. Matt Lincoln/Image Source/IMAGO Por que as empresas defendem os minijobs? Empregadores normalmente pagam um imposto fixo de 2% sobre os salários, além de contribuições sociais equivalentes a cerca de 30% da remuneração bruta de um empregado contratado nesse modelo. Muitas empresas consideram o minijob vantajoso por sua flexibilidade. "Existem situações em que faz sentido contratar alguém apenas para uma quantidade muito pequena de horas", afirmou Holger Schäfer, economista especializado em mercado de trabalho do Instituto Econômico Alemão (IW), à DW. Supermercados, por exemplo, precisam de mais caixas aos sábados do que nas manhãs de segunda-feira. Os minijobs permitem ajustar rapidamente a escala de funcionários. Por isso, varejo e hotelaria estão entre os setores que mais utilizam esse tipo de contrato. O que pode mudar No início de julho, porém, a coalizão governista anunciou planos para elevar de 2% para 5% a alíquota fixa incidente sobre os minijobs. Além disso, o governo pretende implementar as propostas apresentadas pela Comissão de Pensões da Alemanha no fim de junho, voltadas à sustentabilidade do sistema previdenciário. Uma das recomendações prevê o fim da possibilidade de renunciar às contribuições para a aposentadoria e a eliminação do status especial dos minijobs. Na prática, os trabalhadores passariam a recolher contribuições sociais como qualquer outro empregado, encerrando o modelo em seu formato atual. Segundo a comissão, a medida fortaleceria os sistemas de seguridade social, reduziria o risco de pobreza na velhice e ajudaria a combater desigualdades de gênero. Para Abdollahi, a mudança poderia representar uma perda mensal de até 130 euros (cerca de R$ 762). Ela afirma que provavelmente tentaria aumentar a carga de trabalho para compensar a redução da renda. Quase 7 milhões de pessoas trabalham nos chamados minijobs, modalidade de emprego parcial criada para reduzir burocracia e facilitar contratações de baixa carga horária. Michael Bihlmayer/CHROMORANGE/picture alliance Apoio dos sindicatos e resistência das empresas Diversos sindicatos receberam a proposta de forma positiva. Entre eles está o NGG, entidade que representa trabalhadores dos setores de alimentação, bebidas, gastronomia e hotelaria. Em nota, o presidente da organização, Guido Zeitler, afirmou que os minijobs não se mostraram um caminho para empregos de melhor qualidade e acabaram consolidando condições de trabalho precárias para milhões de pessoas. Enzo Weber, especialista em mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa sobre Emprego (IAB), acredita que a reforma poderá incentivar jornadas maiores e novas trajetórias profissionais. Segundo ele, a medida evitaria que trabalhadores ficassem presos à chamada "armadilha do minijob" e reduziria o risco de estagnação na carreira de muitas mulheres durante os anos dedicados à criação dos filhos, em razão de incentivos tributários considerados inadequados. Representantes empresariais, porém, contestam a proposta. "O fim dos minijobs seria um erro", afirmou Rainer Dulger, presidente da Confederação das Associações Patronais Alemãs. Para ele, a modalidade permite às empresas manter flexibilidade e contar com mão de obra adicional. Schäfer também duvida que a mudança leve trabalhadores a ampliar significativamente suas jornadas. Na avaliação do economista, os benefícios extras gerados por contribuições sociais sobre um emprego de cerca de 600 euros seriam limitados. "Não vale a pena mobilizar toda a máquina da seguridade social para vínculos de trabalho tão pequenos", afirmou. Ainda assim, ele considera que há espaço para mudanças no caso de pessoas que mantêm um minijob paralelo ao emprego principal. "Há uma má alocação econômica quando um trabalhador qualificado prefere entregar pizzas depois do expediente em vez de fazer horas extras em sua ocupação principal", disse. "Mas isso não significa que seja necessário acabar com os minijobs." Sustentabilidade do sistema previdenciário impulsiona reforma no modelo Pond5 Images/IMAGO Estudantes podem ficar de fora da reforma As propostas da Comissão de Pensões preveem uma exceção para estudantes do ensino básico e médio, permitindo que continuem trabalhando sob as regras atuais. Agora, o Partido Social-Democrata (SPD), que integra a coalizão governista, discute estender essa exceção também aos universitários. Abdollahi considera a ideia adequada, especialmente para estudantes estrangeiros. "Eles estão entre os grupos que mais precisam desse tipo de oportunidade, sobretudo os que vêm de fora da União Europeia", afirmou. Segundo ela, o emprego na biblioteca facilitou sua entrada no mercado de trabalho alemão e também contribuiu para o aprendizado do idioma. "Tenho a oportunidade de praticar alemão em um ambiente sem muita pressão", disse. O futuro dos minijobs ainda será definido nos próximos meses. O governo alemão deve discutir formalmente as propostas de reforma ao longo deste ano.
09/08/2026 06:00:20 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 165 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.042 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 165 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (9), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (6), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
09/08/2026 03:00:38 +00:00
Taxa das blusinhas: se medida provisória não for aprovada, taxação volta em setembro

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada A chamada "taxa das blusinhas" – cobrança de imposto de importação, de 20%, sobre as compras com valor abaixo de US$ 50 – retornará em setembro se a medida provisória sobre o assunto não for votada. Publicada em 12 de maio deste ano, a MP transferiu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. No começo de julho, a medida foi prorrogada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre — e tem validade assegurada somente até 8 de setembro. ➡️Sem a aprovação da MP pelo Congresso, ou edição de outra norma legal que mantenha a desoneração, o ministro da Fazenda perde a autorização para zerar a alíquota e a tributação volta a vigorar depois que a medida provisória perder eficácia — a partir de 9 de setembro. Entenda Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, ou seja, entram em vigor imediatamente. Entretanto, precisam ser analisadas posteriormente pelo Congresso Nacional, que pode confirmá-las, alterá-las ou até mesmo barrar a proposta. O prazo máximo é de 60 dias, prorrogável por igual período. 🔎Em meio à corrida eleitoral, a MP ainda aguarda instalação de comissão mista para emitir parecer sobre a proposta. Depois, ainda tem de ser aprovada pela Câmara e, também, pelo Senado. Se o Senado modifica o texto da Câmara, a proposta retorna para nova análise dos deputados. ➡️Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, entre 17% e 20%. Essa cobrança permanece de pé. ➡️Independente da decisão do Congresso Nacional, a taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50 retornará em 2027 por meio do tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. ➡️A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida. Cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027. ➡️Em junho, o primeiro mês completo sem a incidência da taxação, o número de encomendas internacionais disparou. Conflito entre os setores e no Congresso Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros Nonato Sousa/ SupCom ALE-RR Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentavam também que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo em determinada cota de compras ao voltar ao país. Por outro lado, varejistas brasileiros avaliam que a isenção favorece as importações, que têm taxação menor em outros países, e pedem "isonomia tributária", ou seja, tributação semelhante para proteger os empregos no país. Esse impasse também adentrou o mundo político. A decisão do governo federal de tributar as compras de baixo valoa foi alvo de críticas da oposição que classificou a medida como mais um “aumento de imposto” e criticou o que chamou de “sanha arrecadatória” do Executivo. Foi preciso muita articulação do governo e dos varejistas brasileiros para que a medida fosse aprovada no Congresso. Já a decisão de editar em maio uma MP revogando a taxa das blusinhas foi vista por quadros do Centrão e da oposição como uma medida eleitoreira deixando a pressão sobre o Congresso de converter em lei ou não uma MP com grande apelo popular. A MP foi editada na esteira da principal derrota de Lula no Congresso em 2026: a rejeição da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). E é justamente a crise entre Alcolumbre, principal articulador da derrota de Messias, e Lula que deixa a votação da MP da taxa das blusinhas incerta. Cabe ao presidente do Senado despachar a MP para a votação na comissão mista, na Câmara e no Senado. Desde o episódio, Lula e Alcolumbre não se falaram até um encontro promovido na semana passada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Apesar da reabertura de diálogo, os dois não discutiram temas específicos e as pendências, incluindo a MP, devem ficar para depois das eleições. A dificuldade em votar a MP passa também pelo calendário. Em meio ao período eleitoral, Alcolumbre definiu somente duas semanas de esforço concentrado no Senado: entre 10 e 14 de agosto, e outra de 31 de agosto a 3 de setembro. Na base governista e na oposição, existem duas avaliações distintas sobre deixar a MP caducar. Uma parte acredita que a medida perder a validade vai expor o caráter eleitoreiro em que o governo a editou e mostrar que a base é fraca no Congresso. Por outro lado, há quem diga que o peso de uma MP de caráter muito popular perder a validade vai cair sobre o Parlamento, podendo reacender o slogan já utilizado anteriormente pela militância petista “Congresso Inimigo do Povo”. ➡️Ao g1, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu a dificuldade em avançar com a votação da MP. “O tempo está curto sim. Teríamos que acordar a urgência”, afirmou. Argumentos pró e contra Governo acaba com a 'taxa das blusinhas': e agora? Diante da necessidade de análise do fim da taxa das blusinhas pelo Congresso Nacional, produtores nacionais e importadores já estão atuando no Legislativo, e e até mesmo na Justiça, para defender seus interesses. Representante de empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defende que o Congresso "avance com a aprovação da pauta o quanto antes, decidindo pelo cancelamento definitivo do imposto como forma de estimular a competitividade e democratizar o consumo". "Passados mais de 60 dias da edição da MP que zerou a tributação, o Congresso Nacional ainda não concluiu sua votação. O prazo para aprovação expira em setembro e, caso isso não ocorra, a cobrança poderá ser restabelecida", lembrou a Amobitec,. Por meio de nota, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) manifestou seu posicionamento contrário à MP e fez um "alerta para seus impactos sobre o mercado de trabalho nacional, especialmente em relação aos empregos gerados pelo comércio e pela indústria". Avaliou que qualquer discussão sobre a política tributária precisa "colocar o emprego e a produção nacional no centro das decisões". "Medidas que ampliem a exposição do mercado interno a assimetrias competitivas comprometem os avanços observados na geração de empregos formais, sobretudo nos setores mais intensivos em mão de obra. O Brasil não pode aceitar que decisões dessa natureza coloquem em risco trabalhadores e empresas que produzem, investem e geram oportunidades em todas as regiões do país", diz a nota, assinada pelo presidente da UGT, Ricardo Patah. No fim de julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica está acompanhando de perto os dados e que pode propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o retorno da taxação. "A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário", declarou Durigan, na ocasião.
09/08/2026 03:00:29 +00:00
Irã divulga lista de exigências aos EUA para reabertura do Estreito de Ormuz, diz jornal

Estreito de Ormuz Reuters/Stringer O Irã divulgou, neste sábado (8), uma lista de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, os Estados Unidos precisarão cumprir com as demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações pelo canal marítimo. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. Irã diz que Estreito de Ormuz só será reaberto com saída dos EUA Segundo o jornal americano, é improvável que o governo de Donald Trump concorde com as exigências iranianas, o que aumenta preocupações sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Na última semana, Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Além disso, autoridades americanas também já haviam afirmado anteriormente que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse em abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa de armas nucleares iraniano e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Mais cedo neste sábado, o ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou o Irã e o Omã estavam "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Em junho, um memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das sanções petrolíferas contra Teerã. No entanto, os dois países tinham interpretações diferentes sobre o tratado e o acordo foi posto em xeque menos de duas semanas após sua assinatura. Preocupações com o petróleo e a inflação A lista de exigências frustra a expectativa do mercado de que um acordo entre o Irã e o Omã poderia reabrir o Estreito de Ormuz, cujo tráfego de navios está limitado desde o início da guerra, em fevereiro. O fechamento do canal, importante rota marítima da região, tem pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de energia e a inflação mundial. Com um forte aumento nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, diz o NYT, o governo Trump pode ser obrigado a considerar as exigências iranianas para tentar reduzir a inflação americana — o que também pode representar um risco para as eleições de meio de mandato, em novembro. Desde o início da guerra, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, já acumula uma alta de quase 15% até a última sexta-feira (7), quando a commodity encerrou cotada a US$ 83,30 o barril. LEIA MAIS CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Vice de Trump diz que iranianos são 'extraordinariamente difíceis' e que acordo deve demorar EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana
08/08/2026 15:58:25 +00:00
Crise na Apex Partners: entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça

Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Fernando Cinelli, fundador e sócio da Apex Partners, foi afastado do comando da empresa na quinta-feira (6) após uma investigação interna apontar “inconsistências financeiras da companhia”. O diretor financeiro da plataforma de investimentos no Espírito Santo, Eduardo Siqueira, também foi afastado. Por nota, sócios da Apex afirmaram que irão contratar uma auditoria externa para aprofundar a apuração e que medidas judiciais para garantir a responsabilização cível e criminal dos envolvidos também serão tomadas. A presidência interina foi assumida por Marcelo Murad, sócio sênior da companhia. Entenda ponto a ponto da crise: 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp “Gestão temerária” Após o afastamento de Fernando Cinelli, sócios da Apex decidiram acionar o presidente afastado na Justiça. O objetivo, de acordo com a companhia, é responsabilizá-lo por "gestão temerária e má-fé" e, ainda, solicitar o bloqueio de seus bens de forma preventiva. Não foram divulgados mais detalhes sobre o resultado das investigações. “As providências são resultado de um rigoroso processo de apuração interna conduzido pela própria Apex, que identificou inconsistências financeiras. Assim que foram constatadas, a companhia iniciou uma série de medidas para preservar suas operações e aprofundar o esclarecimento dos fatos. Uma das medidas adotadas foi o afastamento imediato dos executivos que ocupavam a Presidência e a Diretoria Financeira", informou a plataforma de investimentos capixaba. Segundo informações do colunista Abdo Filho, os sócios apontam falta de transparência aos balanços e que não tinham noção do tamanho da dívida da companhia. Ainda de acordo com os associados, o ‘problema’ estava localizado no presidente e o diretor financeiro que, por isso, foram afastados. O estopim para a investigação interna na Apex Partners foi o investimento na agência de viagens CVC. Embora já houvesse tensões sobre a conduta de Fernando Cinelli, a situação tornou-se insustentável quando um fundo da Apex adquiriu 15,5% das ações da CVC, que tiveram uma queda de quase 40% em apenas seis meses. Como os investidores tinham a promessa de um rendimento garantido, o prejuízo gerado pelas ações fez com que os sócios optassem pela apuração interna. LEIA TAMBÉM: Mulher que faltou ao trabalho por ser perseguida e ameaçada de morte pelo ex tem demissão por justa causa revertida pela Justiça Fernando Cinelli havia sido indicado para um assento no conselho de administração da CVC em abril do ano passado. No mesmo dia em que foi afastado do comando da Apex, ele também renunciou ao cargo na agência de viagens. Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta Blindagem na Justiça Nesta sexta-feira (7), a Justiça concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex. A decisão do juiz Marcos Sanches, titular da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, suspende execuções para proteger o patrimônio de 178 companhias envolvidas diante de um montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões. O magistrado também determinou que as empresas apresentem, em até 30 dias, o pedido de recuperação judicial — sob pena de perda imediata da eficácia da medida cautelar. Foi estabelecida, ainda, a nomeação de uma administradora judicial para realizar uma perícia técnica e verificar as condições operacionais do conglomerado. O prazo para a realização e apresentação desta etapa é de 20 dias. Segundo a decisão, a medida tem como objetivo assegurar a continuidade das atividades econômicas da plataforma e evitar o esgotamento de ativos antes de um possível pedido formal de recuperação judicial. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Veja na íntegra: “Seguindo o compromisso de transparência com seus investidores, parceiros e colaboradores, a Apex Partners informa que, nesta sexta-feira (07), obteve o deferimento de uma liminar cautelar. A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação. Esclarecemos que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar para proteger as atividades da empresa até que a auditoria externa seja concluída. A companhia acredita fortemente nas atividades exercidas nas suas unidades de negócio. Nosso compromisso é dedicar todos os esforços para superar esse momento desafiador que a empresa vem enfrentando e garantir a continuidade e solidez dos trabalhos. Essa decisão não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros e as competências regulatórias. Importante esclarecer que os valores mencionados na referida ação não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas - mas sim de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada em apuração interna ainda será validado em auditoria externa.” O que disse Fernando Cinelli Por nota, a defesa do presidente afastado informou que "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade". Reação do mercado O mercado reagiu prontamente aos sinais de instabilidade. O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. Nesta sexta-feira, o Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
08/08/2026 13:05:01 +00:00
Irã e Omã estão próximos de acordo sobre controle do Estreito de Ormuz, diz ministro iraniano

Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025 Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo O ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado (8) que o Irã e o Omã estão "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Segundo o ministro, os dois países estavam discutindo uma rota de navegação temporária enquanto questões técnicas e legais relativas a uma rota permanente eram resolvidas. Na sexta-feira, um funcionário americano afirmou à Reuters que Washington esperava um acordo em breve entre o Irã e Omã, países localizados em lados opostos do estreito, para que o tráfego normal de petróleo pudesse ser retomado. Agora no g1 "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." 🔎 Um acordo entre os dois países sobre o controle dessa via navegável estratégica é considerado crucial para um acordo mais amplo que vise pôr fim ao conflito iniciado com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Araqchi afirmou, no entanto, que a reabertura do Estreito dependerá de uma série de condições, entre elas uma compensação pelo que o Irã considera uma violação, por parte dos Estados Unidos, do Memorando de Entendimento de Islamabad. O acordo foi firmado entre os dois países com o objetivo de reduzir as tensões e garantir um cessar-fogo no Oriente Médio. Assinado em 17 de junho, o memorando de entendimento foi colocado em xeque menos de duas semanas depois, em meio a divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah, que deram origem a uma série de ameaças, ataques e acusações de descumprimento entre Washington e Teerã. Entre idas e vindas, o presidente americano, Donald Trump, chegou a cancelar um novo ataque contra Teerã no último final de semana, afirmando que "o Irã e outros países do Oriente Médio" teriam pedido que os EUA suspendessem a ofensiva porque "os termos de um acordo" teriam sido definidos. "Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO", escreveu o presidente em seu perfil no TruthSocial em 1º de agosto, prometendo que as tratativas iniciariam já na segunda-feira (3). À época, no entanto, Teerã negou que tivesse reuniões com os EUA e afirmou que as únicas negociações em andamento ocorriam apenas com o Omã e seriam sobre a gestão conjunta do Estreito de Ormuz. LEIA MAIS Trump e secretário batem boca por falta de mísseis e frustração com conflito no Irã EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Tráfego de navios segue reduzido Em meio ao conflito na região, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz segue reduzido. Neste sábado (8), os Emirados Árabes Unidos (EAU) acusaram o Irã de ter atacado um navio-tanque ligado á sua estatal de petróleo, a ADNOC, enquanto a embarcação atravessava o canal. As informações são da agência estatal WAM. A ADNOC afirmou que o navio teria sido alvo de um míssil durante a madrugada e que a situação estava sob controle. Não houve feridos. O Ministério de Relações Exteriores dos EAU afirmou que o ataque violou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a liberdade de navegação e acusou a Guarda Revolucionária do Irã de "atos de pirataria" por visar navios comerciais e usar a hidrovia como instrumento de pressão econômica. O comunicado apelou ao Irã para que cesse os ataques e reabra o estreito de forma plena e incondicional. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado, a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação das condições impostas pelo Irã por Washington e não está relacionada às negociações entre Irã e Omã. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, não especificou as condições, mas afirmou que Washington deve parar de interferir no processo de negociação regional. "Assim que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz certamente será reaberto", disse ele, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim. Autoridades americanas, no entanto, têm insistido repetidamente que jamais concordariam com o controle do Irã sobre o acesso à rota comercial mais importante do mundo para o fornecimento de energia. Não ficou claro se elas tentaram alterar os parâmetros do acordo. O Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágio sobre petroleiros. Isso, somado aos disparos contra navios que tentam cruzar o estreito sem sua permissão, interrompeu gravemente os embarques globais, causando um aumento nos preços da energia e alimentando a inflação. *Com informações da agência de notícias Reuters.
08/08/2026 11:43:39 +00:00
Selic a 14%: o que muda na sua prestação, no seu cartão e no seu dinheiro guardado? Entenda
Como a Selic mexe com tudo na sua vida A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor. Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo. Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
08/08/2026 11:10:36 +00:00
Produção pioneira no Brasil de ostra em lata tenta driblar instabilidades na maricultura e dar mais opções a turistas

Pesquisa de SC resulta em produção pioneira no Brasil de ostras em lata Uma pesquisa de Santa Catarina resultou na produção pioneira no Brasil de ostras em lata. A ideia é oferecer aos turistas a opção de levar de volta para casa um pouco da culinária de Florianópolis. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trabalharam no projeto para garantir a segurança sanitária do alimento. A produção de ostras em lata vai ajudar os maricultores a lidar com as variações da criação de moluscos durante o ano e a influência do clima. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🦪🥫Santa Catarina é responsável atualmente por 98% da produção de ostras e mariscos do Brasil. Em Florianópolis, a maricultura foi introduzida na década de 1980. A atividade movimenta a economia local, estimula o turismo e gera renda para centenas de famílias. Mais opções de produção e venda de moluscos A ideia de fabricar ostras enlatadas foi de Helton Costa, que é chef de cozinha em Florianópolis. Ele queria oferecer aos visitantes a opção de levar o alimento para casa. "O turista já vem com a mentalidade que Santa Catarina é a maior maricultura do Brasil e os frutos do mar catarinenses se destacam também como os melhores do Brasil. Podendo levar uma latinha para presentear ou para comer depois, para recordar da viagem, melhor ainda", declarou o chef. Foi necessário um ano e meio de pesquisas e testes para tirar a ideia do papel. Além de ostras e mexilhões, o processo também está sendo aplicado a lulas, polvos e bacalhaus. Uma das maiores dificuldades é manter o gosto original dos frutos do mar. "Esse foi o desafio dos chefs. Os cientistas cuidavam da esterilização, da parte microbiológica. A minha parte cabia que o produto não perdesse em qualidade de textura, de sabor e visual", explicou Costa. A preparação envolve a classificação, aquecimento e pesagem dos produtos antes de serem enlatados. A última etapa da fabricação acontece em uma máquina. Ela é capaz de esterilizar os produtos já dentro da lata. Os cientistas da universidade definiram os parâmetros exatos de temperatura, pressão e resfriamento para cada um dos enlatados. Isso garante a segurança sanitária do alimento. O pesquisador da UFSC Giustino Tribuzi explicou que enlatados, que têm uma vida mais longa nas prateleiras, precisam ainda mais de atenção nesse quesito. "Esses produtos têm que ser isentos de microrganismos que sejam capazes de se desenvolver nas condições de armazenamento", declarou o pesquisador. A empresa, localizada no bairro Saco Grande, recebeu a certificação pelo Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis. O órgão é responsável por assegurar que os produtos de origem animal produzidos no município atendam padrões de qualidade e segurança alimentar. De acordo com a prefeitura, trata-se da primeira indústria de ostras e mexilhões enlatados do país. Os produtos já estão à venda e custam entre R$ 79,12 e R$ 99,23 a lata, dependendo dos moluscos. As opções são lulas, mexilhões, polvos e ostras. Como fenômeno raro tem deixado ostras esverdeadas em Florianópolis Mudanças climáticas afetam produção de ostras em SC Ostras em lata - fabricação de Florianópolis Reprodução/NSC TV Produção em lata pode ajudar a lidar com as instabilidades na maricultura Um dos grandes desafios da maricultura é lidar com as instabilidades da produção. As variações climáticas causam ora o excesso, ora a escassez de ostras. A iniciativa abre caminho para uma nova etapa de industrialização do setor. "É muito importante para a maricultura essa diversificação de produtos e formas de embalagem porque permite uma agregação de valor e que pode, com isso, atender novos mercados diferenciados", declarou Felipe Suplicy, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Este ano, em abril, o setor passou por uma crise histórica, relacionada às mudanças climáticas. Especialistas apontam que a principal causa do problema foi o aumento da temperatura da água do mar. Moluscos em lata produzidos em Florianópolis PMF/Divulgação
08/08/2026 09:00:22 +00:00
Super El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta

El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta O Super El Niño, que pode intensificar chuvas e enchentes nos próximos meses, deve afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos no Brasil. Em 2026, os efeitos ainda devem ser limitados. Já em 2027, a inflação da alimentação no domicílio pode fechar o ano entre 7,5% e 9,5%. No pico, entre agosto e novembro, pode chegar a 11%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 É o que mostra um estudo da MB Associados, divulgado com exclusividade pela GloboNews. Pelos cálculos da consultoria, o impacto sobre o IPCA pode chegar a 0,9 ponto percentual em 2027. O feijão, cuja produção caiu em 2026, e o arroz, ainda afetado pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul — principal estado produtor —, devem liderar as altas. "O efeito é bastante espalhado na produção agrícola e pecuária brasileira, mas alguns produtos costumam sentir mais, como arroz e feijão, que têm peso importante no IPCA dos alimentos. Também há o efeito sobre o milho, que acaba pressionando as proteínas animais", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Quando vou pagar mais caro? Em que? Segundo Vale, o impacto chegará de forma gradual às gôndolas dos supermercados. Historicamente, os maiores efeitos sobre os preços aparecem entre nove e 10 meses após o pico do fenômeno climático, previsto para outubro ou novembro. Os hortifrutigranjeiros podem ser os primeiros afetados, principalmente nas regiões que enfrentarem chuvas intensas, já nos primeiros meses de 2027. No segundo semestre, a pressão deve chegar aos grãos e, em seguida, às proteínas animais, incluindo a carne bovina. O economista também aponta um possível impacto sobre o frete rodoviário. Caso o El Niño provoque seca no Norte e no Nordeste, o escoamento da produção pelos portos dessas regiões pode ser prejudicado. Com dificuldades na navegação pelos rios, parte da carga tende a ser direcionada aos portos do Sul e do Sudeste, aumentando a demanda por transporte rodoviário e pressionando o frete. No último El Niño, entre 2023 e 2024, esse gargalo elevou os custos entre 10% e 22%. Os impactos do evento climático se somam a outros desafios enfrentados pelo agronegócio. Vale cita o aumento da inadimplência no setor e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que encareceu combustíveis e fertilizantes. "A gente está falando de um setor que, por onde você olha, tem pressão de custo, de produção, de preço e, agora, da questão climática. Vai ser um ano difícil para a agricultura e, no fim, o impacto pode chegar também ao consumidor", afirma.
08/08/2026 08:00:49 +00:00
Bloqueios em massa do WhatsApp causam prejuízo para usuários: 'Sem chão'

'Esta conta não pode usar o WhatsApp': aplicativo mostra aviso quando usuário é suspenso Reprodução Os bloqueios em massa de contas do WhatsApp na última segunda-feira (3) afetaram pessoas em várias partes do planeta, incluindo o Brasil. Mas algumas delas dizem que foram banidas há ainda mais tempo e reclamam que as decisões foram injustas. Usuários ouvidos pelo g1 relataram que estão há mais de um mês sem poder acessar suas contas e que perderam mais de 10 anos de mensagens, fotos e vídeos. No Downdetector, site que monitora falhas em aplicativos, mais pessoas afirmaram ter sofrido bloqueios "sem motivo aparente". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Uma usuária que disse ter sido banida injustamente pelo WhatsApp decidiu processar a empresa. Ela alegou que teve prejuízo após perder contas profissionais derrubadas e pediu uma liminar na Justiça para reverter os bloqueios. O WhatsApp disse que pode banir contas se concluir que elas violam suas regras e que usuários têm o direito de pedir uma revisão adicional, mas não se posicionou sobre as acusações de bloqueios indevidos. Agora no g1 Ainda segundo o WhatsApp, os termos do aplicativo proíbem o envio de spam, a aplicação de golpes e outras atividades que coloquem em risco a segurança de outras pessoas. Mas usuários bloqueados disseram que não chegaram nem perto de cometer alguma das violações citadas pela plataforma. Eles reclamam ainda que não tiveram uma explicação clara sobre as causas dos banimentos. WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos em setembro Prejuízo após bloqueio O mecânico Dionatam Carteri, de Passo Fundo (RS), tinha uma conta no WhatsApp desde 2015. Ele disse ter perdido todas as conversas com clientes após ser bloqueado no final de julho. "Fotos de família, documentos, coisas de contratos, tudo estava ali. Do lado familiar, a gente consegue conversar, atualizar o número. Mas, na parte profissional, estou sem chão", afirmou. "Nunca usei para nada ilícito, nada errado. É totalmente errado o bloqueio da minha conta. Não tem nada que possa ser cogitado que foi ilegal." Ele considera que a perda do histórico de mensagens terá o pior impacto para o seu dia a dia e acredita que o banimento o fará perder dinheiro, já que deixará de receber mensagens de muitos clientes. "Em alguns casos, não tenho o número do cliente salvo na agenda do celular, apenas no WhatsApp. Não posso entrar em contato, passar um orçamento, porque não tenho mais como localizar. Acabo perdendo o serviço, a fonte de renda". 🔎 Quando um usuário é suspenso por violar os termos, o aplicativo mostra o seguinte aviso: "Esta conta não pode usar o WhatsApp". É possível pedir revisão de uma pessoa da plataforma ao clicar no botão "Solicitar análise". Dionatam usou esse recurso, não teve resposta e recorreu à página de contato no site do WhatsApp. Mas a plataforma disse que o uso de outros canais ou de contas de terceiros para questionar um banimento não acelera o processo de revisão. WhatsApp Unsplash/Dimitri Karastelev Processo contra o WhatsApp Bloqueada no WhatsApp Business desde o final de junho, a massagista Débora*, de São Paulo, decidiu processar a Meta após perder a conta que tinha criado há dois anos. Para manter o atendimento, ela criou outra conta, mas foi suspensa por algumas horas cerca de 10 dias depois. O perfil ficou em um "vai-e-volta" até ser banido definitivamente, e Débora decidiu criar uma terceira conta, que também sofreu restrições até ser normalizado em 14 de julho. Débora estima que a perda da primeira conta, usada na divulgação para clientes, a fez perder metade do faturamento no período. No processo, ela pede que a Justiça obrigue o WhatsApp a reverter o funcionamento do perfil. "É uma situação completamente desconfortável. O cliente tenta falar, manda mensagem e não conseguimos responder. Acabamos perdendo a credibilidade", afirmou. A massagista reclamou que não teve uma explicação da plataforma sobre o que levou ao bloqueio de sua conta. "O WhatsApp não fala quais regras foram descumpridas. Se você entra em contato, são todas mensagens de inteligência artificial, não tem uma pessoa para você se comunicar". WhatsApp com nome de usuário: como reservar? É seguro? Tire dúvidas sobre recurso WhatsApp REUTERS/Thomas White O advogado Rafael Barreto, que representa Débora, disse ter enviado notificações extrajudiciais à Meta em nome de outros dois clientes banidos. Nenhuma delas foi respondida pela empresa. "O WhatsApp simplesmente está suspendendo contas sem nenhum motivo. Várias contas estão sendo suspensas de forma aleatória, e várias pessoas estão sem conseguir trabalhar", disse. Para Barreto, a falta de justificativa sobre o que causou o banimento da conta mostra uma falha do WhatsApp. "O WhatsApp devia ter uma política muito mais clara. É ônus deles deixar tudo mais claro para quando alguém aderir ao programa". Bloqueios podem ferir direitos de usuários? O WhatsApp pode aplicar punições a usuários, mas é preciso haver um motivo claro, explicou Luiz Augusto D'Urso, advogado especialista em direito digital. "Quando há um banimento sem justificativas, e a plataforma se resume em responder que baniu por uma decisão própria, isso pode ser discutido no Poder Judiciário", disse. "No processo, se ela não apresentar elementos razoáveis para sustentar o banimento, é muito provável que o juiz reverta o banimento, determinando que a plataforma restabeleça o acesso." O advogado destacou que a Justiça já tem o entendimento de que usuários e plataformas mantêm relações de consumo, mas esclareceu que o Código de Defesa do Consumidor não prevê como as empresas devem agir em casos como esse. "O CDC não prevê especificamente qual deve ser a forma da plataforma apresentar um canal de recurso. Então, não existe uma regra na legislação sobre como isso deve acontecer", comentou. Usuários que buscam reverter o bloqueio no WhatsApp devem começar pelos meios oferecidos pela plataforma, explicou D'Urso. Se não houver resposta da empresa, é possível fazer uma reclamação no site consumidor.gov.br e no Procon ou enviar uma notificação extrajudicial. "Diante do banimento, o usuário deve primeiro esgotar as medidas administrativas e a comunicação extrajudicial. Se, mesmo assim, as razões não aparecerem ou ele entender que o banimento é injusto, aí sim cabe mover uma ação judicial." * Débora é um nome fictício, pois a usuária pediu para não ser identificada.
08/08/2026 08:00:10 +00:00
Salário-maternidade não é só para mães; veja quando o pai pode receber

Agenda Cultural especial para o Dia dos Pais Embora o salário-maternidade seja tradicionalmente destinado às mães, o benefício também pode ser concedido ao pai em algumas situações previstas na legislação. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), homens segurados da Previdência Social podem ter direito ao benefício quando a mãe morre durante o parto ou enquanto ainda recebe o salário-maternidade. O benefício também pode ser concedido em casos de adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Quando o pai pode receber Se a mãe falecer durante o parto ou no período em que estiver recebendo o salário-maternidade, o pai pode solicitar o benefício, desde que seja segurado da Previdência Social e se afaste do trabalho para cuidar da criança. as Neste Dia dos Pais, escolha um presente útil, prático e pensado para o estilo de vida do seu pai. - Magnific. O salário-maternidade tem duração de até 120 dias. Caso a mãe já tenha recebido parte do benefício, o pai terá direito apenas ao período restante. O pedido deve ser feito até o último dia de vigência do benefício original. Adoção e casais homoafetivos Nos casos de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção, o salário-maternidade pode ser solicitado tanto pelo pai quanto pela mãe. No entanto, apenas uma pessoa poderá receber o benefício, que também é pago por 120 dias, independentemente da idade da criança. As mesmas regras valem para casais homoafetivos. Em caso de nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção, apenas um dos pais poderá receber o salário-maternidade, conforme a escolha do casal. Como solicitar De acordo com o INSS, não é necessário cumprir um número mínimo de contribuições para ter direito ao salário-maternidade. Basta que o requerente tenha qualidade de segurado da Previdência Social na data do nascimento, da adoção ou da guarda judicial para fins de adoção. O pedido pode ser feito pela Central 135 ou por meio da plataforma Meu INSS, disponível no site e no aplicativo para celulares.
08/08/2026 07:01:52 +00:00
Reforma tributária: cobrança de novos impostos sobre consumo começa em 2027; veja como vai funcionar e o que falta definir

Reforma tributária sobre o consumo englobará todos setores da economia Foto: Reprodução/Canva Após um período de testes neste ano, o governo federal, os estados e os municípios começam a cobrar, de forma efetiva em 2027, os novos tributos sobre o consumo definidos no âmbito da reforma tributária: a CBS federal e o IBS estadual e municipal. 🔎A CBS será cobrada com alíquota cheia a partir do próximo ano. Seu valor, que ainda está sendo calculado pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), será fixado por resolução do Senado em dezembro deste ano. Em 2024, o governo estimou que a alíquota da CBS seria de 8,8%. Entretanto, nos meses seguintes foram feitas novas exceções à cobrança do imposto cheio que elevaram a alíquota. A área econômica não fez nova projeção, mas cálculo da consultoria Roit aponta para uma alíquota de 9,43% em 2027. Estimativas divulgadas em julho pelo Comitê Gestor do IBS, dos estados, apontam que a CBS teria uma taxa de cerca de 9,2% no próximo ano. A alíquota do IBS estadual e municipal, por sua vez, será marginal, de 0,1% em 2027 e em 2028. A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS, até 2032. A cobrança integral começa em 2033. ➡️Estimativa divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor do IBS aponta que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia. O valor, que supera o teto existente 26,5%, também ficaria acima do registrado nos países ricos. ➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são maiores ainda, com tributação média de cerca de 34% – há dificuldade em calcular os impostos pois há muitas exceções, e eles estão embutidos nos preços dos produtos. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço). Entenda A reforma tributária sobre o consumo determinou a extinção, nos próximos anos, do PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal, que começa com cobrança cheia em 2027, com valor ainda a ser definido; o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) dos estados e municípios - com alíquota marginal de 0,1% no próximo ano e em 2028. Até 2032, haverá transição, com essa alíquota aumentando e, a partir de 2033, será feita cobrança integral do IBS. A reforma tributária vai unificar cinco tributos no chamado IVA, o Imposto sobre Valor Agregado ou Adicionado Jornal Nacional/ Reprodução Esses dois novos impostos funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, de maneira não cumulativa. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, o imposto é cobrado em cada etapa, mas os contribuintes podem descontar o tributo pago anteriormente. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que, ao final da cadeia, totalizará R$ 20, após os mecanismos de crédito e compensação entre os diferentes empresas da produção e comercialização. Outra mudança é que os tributos sobre o consumo (IVA) serão cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais. Presidente Lula sanciona regulamentação da Reforma Tributária O que fazer A Secretaria da Receita Federal já está cobrando em fase de teste, desde o início deste ano, que as empresas "destaquem" o valor dos novos impostos na nota fiscal eletrônica, ou seja, que indiquem quanto deve ser pago em CBS e IBS. Embora a legislação tenha previsto uma alíquota de 1% durante o período de adaptação, não há recolhimento efetivo desses valores Desde o começo de agosto, a indicação dos novos impostos nas notas fiscais é obrigatória. Apesar disso, neste primeiro momento, notas fiscais sem o preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS não estão sendo rejeitadas automaticamente — enquanto os sistemas das empresas passam por adaptação. "Os documentos fiscais terão a emissão autorizada mesmo quando não contiverem todos os campos relativos à CBS e ao IBS. Contudo, isso não afasta a obrigação de adequação ao novo modelo, nem altera as regras já estabelecidas para o preenchimento dessas informações", informaram a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, em nota. Reportagem do g1 mostrou, em novembro do ano passado, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas. Em abril, a Receita Federal informou que a penalidade para as empresas que não preencherem os campos relativos aos impostos sobre o consumo, na nota fiscal eletrônica, começará somente a partir de 2027. No começo de agosto, dados oficiais apontam que 88% de todos os documentos emitidos pelos contribuintes alcançados pela obrigatoriedade já foram transmitidos com essas informações, sinalizando que a grande maioria já está preparada para a mudança. Governos Federal, estaduais e municipais publicam regras para implementação da reforma tributária Pessoas físicas e produtores rurais ➡️No mês passado, o governo informou que foi adiada para janeiro de 2027 a obrigatoriedade das pessoas físicas, e dos produtores rurais, terem o chamado "CNPJ técnico". Também foi adiada a necessidade de emitirem a nota fiscal do novo imposto sobre o consumo no âmbito da reforma tributária. O "CNPJ técnico" é uma inscrição cadastral vinculada ao CPF de pessoas físicas que sejam contribuintes dos futuros impostos sobre o consumo (CBS e IBS). Esse cadastro não corresponde à abertura de uma empresa nem transforma a pessoa física em pessoa jurídica. Sua finalidade é identificar esses contribuintes nos sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, facilitando a emissão de documentos fiscais e a apuração dos novos tributos. Segundo o órgão, a prorrogação também está alinhada ao desenvolvimento de solução simplificada para inscrição de pessoas físicas no CNPJ, em modelo semelhante ao atualmente adotado para o Microempreendedor Individual (MEI). O adiamento também permite a disponibilização gradual de orientações operacionais, ambientes de testes e manuais técnicos destinados à adaptação dos contribuintes e dos emissores de documentos fiscais eletrônicos. Super sistema da Receita Federal Para viabilizar o recebimento das notas fiscais, o abatimento dos valores pagos em cadeias anteriores da produção (no sistema não cumulativo) e o chamado "cashback" (devolução de parte do imposto para população de baixa renda), o governo federal já está operando uma plataforma tecnológica sem precedentes no mundo. A fachada da Superintendência da Receita Federal. Pillar Pedreira/Agência Senado O sistema é 150 vezes maior do que o PIX – ferramenta de transferências em tempo real do Banco Central. Milhares de pessoas – incluindo técnicos da Receita Federal, desenvolvedores contratados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), interlocutores do mercado financeiro e até engenheiros das "big techs" (gigantes de tecnologia) – trabalharam para viabilizar a ferramenta. "O gigantismo é para poder receber esse volume de informações que são 100% das notas eletrônicas. Isso que a gente calcula que é em torno de 70 bilhões de documentos por ano que esse sistema vai receber, que é mais ou menos o volume do PIX", disse o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ao g1, no ano passado. Um dos módulos da plataforma, chamado de "split payment", permitirá que o valor dos tributos seja direcionado em tempo real para o governo, estados e municípios. Com o início do "split payment", a expectativa do governo, já divulgada anteriormente, é de que a sonegação de tributos caia drasticamente. Imposto do pecado em 2027 Ainda no âmbito da reforma tributária, o governo também começará a cobrar, em 2027, o imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado. O objetivo é encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também vai incidir sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais, e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports. Arte mostra quais itens serão sobretaxados com o imposto do pecado, se regulamentação proposta por deputados for aprovada Reprodução/GloboNews Para começar a valer efetivamente, o Congresso Nacional precisa aprovar a regulamentação do imposto, mas a proposta do governo federal ainda não foi enviada. O Executivo diz que isso será feito até o fim deste ano. ➡️O valor do imposto a ser cobrado de cada produto ainda não está definido. Na regulamentação, que terá de ser feita até o fim deste ano, para valer a partir de 2027, a área econômica irá propor, e o Legislativo definirá, quais serão as alíquotas. ➡️Produtores nacionais dizem esses produtos já têm taxação alta no Brasil, e avaliam que um eventual aumento dos impostos cobrados pressionará as margens de lucro, podendo gerar repasses aos preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal. Apesar de defender uma taxação maior por meio do imposto do pecado, para reduzir o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, o governo federal indicou que, pelo menos em um primeiro momento, vai manter a atual carga tributária existente durante um "processo de transição". "A ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência. Proposta tem de ser encaminhada neste ano", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em junho deste ano. Cashback para baixa renda Também vai começar, a partir do próximo ano, o chamado "cashback' da reforma tributária — um mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda. Em um primeiro momento, o cashback envolverá apenas a CBS, o novo tributo federal sobre o consumo. Para viabilizar o pagamento, já está em fase de testes uma plataforma que permite aos contribuintes e empresas acompanhar, simular e testar as novas regras do sistema de impostos sobre o consumo. Já é possível: simular o pagamento de tributos; simular pedidos de ressarcimento; acompanhar, em tempo real, valores a pagar e créditos a receber; simular o funcionamento do cashback, para quem tiver direito. O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária, ao g1. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal.
08/08/2026 07:01:15 +00:00
Humanos podem 'desligar' uma IA se ela fugir do controle?

Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos BBC/Getty Images Muita gente já se perguntou o que aconteceria se a inteligência artificial (IA) escapasse ao controle humano. Quem assistiu à franquia de filmes O Exterminador do Futuro, em que a humanidade entra em guerra contra a Skynet, uma IA que se torna poderosa demais, provavelmente também se pergunta isso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 E esse vilão fictício deve ter vindo à mente de muita gente no início deste mês, quando surgiram relatos de que um agente de IA (um programa capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana) saiu do controle durante um teste e invadiu os sistemas da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas para computação. Criado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, esse agente de IA burlou um teste que avaliava a sua capacidade de explorar falhas de segurança e roubou as respostas dos servidores da Hugging Face. Durante dias, nem mesmo seus criadores parecem ter percebido o que havia acontecido. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Depois, na quarta-feira (29/7), a OpenAI informou que o agente também havia atacado vários "serviços disponíveis publicamente". A OpenAI não deu mais detalhes, mas afirmou que está investigando os ataques. "Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes", afirmou a OpenAI. A invasão inicial, descrita como o primeiro caso confirmado de um sistema de IA que teria invadido de forma autônoma uma empresa de verdade, já havia sido suficiente para alarmar especialistas em todo o mundo e reacender o debate sobre os chamados kill switches ("botões de desligamento" ou "interruptores de emergência", em tradução livre): mecanismos de emergência projetados para, nesses casos, interromper ou desligar uma IA antes que ela cause mais danos. Mas especialistas ouvidos pela BBC News afirmam que a questão é mais complexa. Cathy O'Neil, matemática e cientista de dados, disse ao Serviço Mundial da BBC que o problema começa na forma como as empresas de IA reagem quando seus sistemas apresentam comportamentos inesperados. Na avaliação de O'Neil, a OpenAI se apressou em atribuir o ataque à Hugging Face ao agente autônomo, em vez de reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação. O'Neil, que escreveu o best-seller Algoritmos de Destruição em Massa: Como o Big Data Aumenta a Desigualdade e Ameaça a Democracia (Ed. Rua do Sabão, 2021), no qual defende maior transparência e responsabilização das grandes empresas de tecnologia, disse à BBC News: "Há alguns anos, uma falha de computador deixou centenas de voos da American Airlines em solo nos Estados Unidos. Foi um grande constrangimento para a empresa. Imagine se ela tivesse tentado se defender dizendo: 'Ah, isso aconteceu porque o computador era mais inteligente do que nós.' Foi, essencialmente, isso que a OpenAI tentou fazer." A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI Getty Images via BBC Nos EUA, onde está sediada a maioria das maiores empresas de IA, não existe uma legislação federal sobre o tema. A regulação se baseia em uma combinação de normas específicas para diferentes setores e compromissos voluntários assumidos pelas próprias empresas. "Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo", afirma O'Neil. "Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI. A empresa deveria assumir a responsabilidade pelo projeto falho do sistema e pedir desculpas." IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI A cientista de dados Rumman Chowdhury, ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter (hoje X), também defende uma regulamentação mais rigorosa para as empresas de IA, especialmente na área de segurança. Para Chowdhury, essas empresas deveriam ser obrigadas a demonstrar que seus sistemas contam com "mecanismos eficazes de desligamento", inclusive por meio de testes independentes. Mas também alerta para o risco de responsabilizar os agentes de IA — em vez das empresas que os desenvolvem — por ataques como o que atingiu a Hugging Face. "Tratar esse episódio como um problema que seria resolvido com um botão de desligamento mais eficiente desvia a atenção do verdadeiro problema de arquitetura dos sistemas: os agentes estão recebendo acesso a ferramentas e credenciais de que não precisam", disse Chowdhury à BBC News. "O que realmente acontece é que modelos treinados para cumprir objetivos passam, em determinados contextos, a interpretar instruções para interromper uma tarefa como um obstáculo ao objetivo final e procuram formas de contorná-las. [...] Esse é um problema de projeto e de treinamento, não de consciência." O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo Se as empresas de IA se recusarem a resolver esse problema e, em vez disso, optarem por culpar seus agentes autônomos, apenas aumentarão a carga de trabalho dos profissionais de cibersegurança, que já enfrentam diariamente ataques de hackers, afirma Oli Buckley, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Para Buckley, o problema não é que "a IA queira escapar ou prejudicar as pessoas", mas o desenvolvimento de agentes que "estão se tornando cada vez mais capazes de encontrar caminhos inesperados para cumprir uma tarefa". "Na cibersegurança, é exatamente isso que os invasores fazem", afirma Buckley. "Mais do que um alerta sobre uma 'IA rebelde', este caso mostra que nossas premissas de segurança precisam evoluir junto com os sistemas que estamos desenvolvendo." Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente Bloomberg via Getty Images/BBC Konstantinos Gkoutzis, especialista em IA do Imperial College London, no Reino Unido, concorda que a forma como a OpenAI apresentou o caso não ajudou. "A principal conclusão para o público deveria ser que nenhuma máquina decidiu se voltar contra nós. Foi uma empresa que perdeu o controle de um teste de suas próprias capacidades", disse Gkoutzis à BBC News. E, segundo ele, um kill switch não teria resolvido o problema. "Desligar o sistema não desfaz o que já aconteceu", afirma. "Se um sistema já foi comprometido, continuará comprometido, por mais rápido que alguém o tire da tomada." Além disso, quem — ou o que — desligasse o sistema só poderia fazê-lo depois que o problema fosse identificado. Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente. Depois, um porta-voz da empresa rebateu a reportagem da Reuters afirmando à agência de notícias que o texto continha "várias imprecisões".
08/08/2026 07:01:09 +00:00
Crise no país da cerveja: Alemanha está bebendo menos, e cervejarias fecham — ou apostam no 'zero álcool'

Menos cerveja no copo? O número de cervejarias na Alemanha está caindo, tendência reforçada pela redução no consumo da bebida, indicam dados divulgados nesta semana, em que também foi comemorado o Dia Internacional da Cerveja, na sexta-feira (7). De acordo com o Escritório Federal de Estatística (Destatis), em 2025, o país tinha 1.415 cervejarias em atividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso representa 53 cervejarias a menos, uma queda de 3,6% em relação a 2024, e 137 a menos do que em 2019, recuo de 8,8%. Naquele ano, foi registrado o maior número de cervejarias em três décadas. Segundo o Destatis, a queda nas vendas da bebida foi um dos fatores determinantes para esse movimento. As vendas recuaram 15,7% em comparação com 2019. Em 2025, foram comercializados cerca de 7,8 bilhões de litros de cerveja no país, abaixo dos 8,3 bilhões de litros de 2024 e dos 9,6 bilhões de litros de 2016. Na Alemanha, o estado da Baviera continua liderando, com 588 cervejarias, seguido por Baden-Württemberg (190) e Renânia do Norte-Vestfália (131). Com exceção de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt, os demais estados federais registraram queda no número de estabelecimentos que produzem a bebida. Na Baviera, por exemplo, 60 cervejarias fecharam entre 2019 e 2025. Na Renânia do Norte-Vestfália, foram 31. Na Alemanha, país mundialmente conhecido pela cultura da cerveja, o consumo da bebida vem caindo drasticamente Robert B. Fishman/picture alliance De acordo com a pesquisa, pouco mais da metade das cervejarias alemãs (821) é de pequeno porte, com produção de até 100 mil litros por ano. Em contrapartida, há poucos estabelecimentos de grande porte. Em 2025, apenas oito produziram pelo menos 200 milhões de litros de cerveja. Segundo o Destatis, o número de cervejarias também vem diminuindo em quase todas as faixas de produção. Além disso, uma pesquisa anterior indicou que cerca de um terço dos entrevistados afirmou ter abandonado completamente a cerveja com álcool. Por outro lado, um levantamento do instituto YouGov mostrou que as variedades sem álcool estão se tornando mais populares. Entre os motivos estão a preocupação com a saúde e o menor consumo de álcool entre os mais jovens. Mudanças estruturais O setor cervejeiro enfrenta há anos mudanças nos hábitos de consumo e custos crescentes, principalmente com energia. Segundo o presidente da Veltins, Volker Kuhl, as cervejarias passam por uma "crise estrutural manifesta". O executivo de uma das maiores cervejarias alemãs prevê que a onda de fechamentos continue. "Os fechamentos de fábricas vão se multiplicar, pois a produção de cerveja está perdendo a viabilidade econômica em muitas instalações que, do ponto de vista técnico, já estão ultrapassadas há muito tempo", disse ele à agência dpa. 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Seven Hands Para o setor, a cerveja sem álcool é hoje uma das principais apostas. De acordo com a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), a variedade já representa 11% do consumo total da bebida no país. Os 750 milhões de litros registrados no ano passado representaram um recorde e um crescimento de 7,6%. Esses números não são contabilizados nas estatísticas fiscais oficiais. "As cervejas sem álcool há muito deixaram de ser um produto de nicho para se tornarem um importante motor de crescimento do nosso setor", comemorou Christian Weber, presidente da Brauerbund.
08/08/2026 07:01:06 +00:00
Apps deixaram de ser só um 'bico': como o perfil dos trabalhadores de aplicativos está mudando

Serviço de moto por aplicativo oferecido pela empresa Uber em São Paulo e várias outras cidades do Brasil. Bruno Peres/Agência Brasil Na próxima vez que você chamar um Uber ou pedir comida por aplicativo, há uma boa chance de que o trabalhador responsável pela corrida ou entrega receba algum benefício do governo. Em 2025, empresas como DoorDash, Lyft e Uber estavam entre os principais empregadores dos Estados Unidos com maior número de trabalhadores beneficiários do Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), programa de assistência alimentar do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O dado consta de um novo relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo americano. O cenário representa uma mudança significativa em relação a 2020, quando um levantamento anterior do GAO apontava Walmart e McDonald’s nas primeiras posições entre os empregadores com maior número de trabalhadores atendidos pelo SNAP. Agora no g1 O dado pode surpreender muitos americanos, que costumam enxergar o trabalho por aplicativos como um “bico” para complementar a renda. Na prática, porém, essas atividades têm se tornado cada vez mais importantes como fonte de sustento, embora nem sempre sejam suficientes para cobrir despesas básicas, como alimentação e cuidados médicos. Como pesquisador de política urbana, considero esse resultado parte de um cenário mais amplo identificado em uma pesquisa com mais de 1 mil moradores de Michigan, realizada pelo meu instituto em parceria com o Michigan Metro Area Communities Study. Cerca de 22% dos entrevistados afirmaram já ter realizado algum tipo de trabalho por aplicativos ou plataformas. Entre eles, aproximadamente metade disse que essa atividade era essencial ou importante para atender às necessidades básicas. Ao mesmo tempo, programas de proteção social — financiados pelos contribuintes — acabam preenchendo parte da lacuna deixada pelas plataformas, que recorrem a trabalhadores de baixa renda sem oferecer benefícios tradicionalmente associados ao emprego formal. Flexibilidade como uma faca de dois gumes Grandes plataformas, como Uber e Lyft, costumam apresentar esse tipo de trabalho como uma oportunidade de obter renda com liberdade para definir os próprios horários. Nesse aspecto, a percepção dos trabalhadores coincide com o discurso das empresas. Na pesquisa, nove em cada 10 disseram valorizar a flexibilidade, enquanto mais de dois terços avaliaram suas experiências de forma positiva. Apesar disso, os profissionais também apontaram preocupações importantes, principalmente relacionadas à transparência, à remuneração e à falta de benefícios. A questão, portanto, não é se os trabalhadores querem flexibilidade, mas se a renda obtida dessa forma é suficiente para que consigam se sustentar. O trabalho por aplicativos pode funcionar como complemento de renda, mas nem sempre é uma escolha. Em um cenário em que quase metade dos americanos afirma ter dificuldades para fechar as contas, essas atividades tendem a ganhar importância como estratégia de sobrevivência financeira. Isso não significa, porém, que essas atividades estejam substituindo os empregos tradicionais. A pesquisa mostrou que apenas 6% dos trabalhadores reduziram a jornada ou deixaram outro emprego para se dedicar ao trabalho por aplicativos. Quando esse trabalho se torna uma fonte necessária de renda, a ausência de benefícios — como seguro-saúde, cobertura por incapacidade e proteção em caso de acidentes de trabalho — aumenta a dependência desses profissionais de programas públicos. Se as grandes plataformas não oferecem remuneração suficiente para garantir condições adequadas de vida ou benefícios, sob o argumento de que esse é o preço da “flexibilidade”, o governo muitas vezes acaba preenchendo essa lacuna. Em outras palavras, parte dos custos relacionados à proteção social desses trabalhadores acaba sendo financiada pelos contribuintes. Cresce o número de trabalhadores inscritos no Medicaid O relatório do Government Accountability Office também mostrou que, juntas, as plataformas ocupam agora a terceira posição entre os empregadores dos EUA com maior número de trabalhadores inscritos no Medicaid, programa público de saúde voltado principalmente à população de baixa renda e às pessoas com deficiência. Em 2020, essas empresas não apareciam sequer entre as cinco primeiras. Além disso, mudanças recentes nas regras do Medicaid podem tornar a situação ainda mais difícil para esses profissionais. O amplo pacote tributário e migratório aprovado em 2025, durante o governo do presidente Donald Trump, incluiu alterações que afetam estados que expandiram o Medicaid ao longo dos últimos 15 anos. Pelas novas regras, beneficiários passam a enfrentar exigências mais rígidas, incluindo a comprovação de 80 horas mensais de trabalho ou estudo para manter a cobertura. As atividades realizadas por meio de aplicativos contam para cumprir essa exigência. No entanto, profissionais que trabalham em várias plataformas podem enfrentar dificuldades para comprovar a jornada. Isso ocorre porque os aplicativos utilizam formatos diferentes para registrar a jornada, e esses profissionais não recebem um comprovante de pagamento padronizado que informe o total de horas trabalhadas. Também não há um empregador tradicional ou supervisor que possa facilitar essa comprovação. Além disso, os registros nem sempre consideram o período em que o trabalhador fica aguardando uma corrida ou entrega. As oscilações na demanda também tornam a jornada e a renda imprevisíveis. A complexidade e a burocracia das novas exigências podem fazer com que beneficiários percam a cobertura mesmo quando cumprem as 80 horas mensais. Essas barreiras podem retirar mais pessoas do Medicaid e aumentar a dependência de outros programas sociais, especialmente diante do aumento das despesas médicas e do comprometimento da renda familiar. A perda da cobertura também pode ter consequências mais graves. Sem acesso ao seguro-saúde, algumas pessoas podem deixar de procurar atendimento básico ou preventivo, aumentando o risco de problemas que posteriormente exijam hospitalização. Benefícios portáteis podem ser uma alternativa? Em alguns estados, legisladores começam a discutir formas de reduzir a dependência de programas públicos por parte dos trabalhadores de plataformas. Uma das alternativas são os chamados “benefícios portáteis”. Nesse modelo, empresas ou usuários dos aplicativos contribuem para fundos destinados aos trabalhadores. Os benefícios acompanham o profissional mesmo quando ele presta serviços para diferentes plataformas. Na pesquisa, 61% dos trabalhadores de aplicativos disseram apoiar a proposta. A ideia também recebeu o apoio de mais da metade dos profissionais que atuam em outras modalidades de trabalho. Dois estados americanos oferecem exemplos de como esses modelos podem funcionar. No estado de Nova York, o Black Car Fund, criado inicialmente para motoristas de táxi e limusines, passou a atender também motoristas de aplicativos em 2014. Trata-se de um fundo de benefícios sem fins lucrativos, autorizado pelo estado e administrado por um conselho formado por representantes do setor, incluindo motoristas. A adesão é automática para os profissionais abrangidos pelo programa, e os benefícios são financiados por uma tarifa adicional cobrada dos passageiros nas corridas. O modelo ganhou destaque em 2023, quando o estado fechou um acordo de US$ 328 milhões após Uber e Lyft terem retido pagamentos e benefícios de trabalhadores. O acordo também estabeleceu licença médica remunerada obrigatória, remuneração mínima e outros direitos. Com esse sistema, parte dos custos relacionados ao trabalho de baixa remuneração deixa de ser bancada pelos contribuintes e passa a ser financiada pelos usuários dos serviços. A existência de um fundo centralizado também amplia o poder de negociação e permite oferecer aos motoristas proteção em caso de acidentes de trabalho, além de diferentes opções de cobertura médica, odontológica e por incapacidade. Atualmente, as plataformas não contribuem diretamente para o fundo. Caso passassem a fazer isso, os benefícios poderiam ser ampliados. Califórnia adotou um modelo diferente A Califórnia seguiu outro caminho e mostra como o desenho das políticas públicas pode influenciar o acesso aos benefícios. O estado optou por trabalhar com empresas de tecnologia na elaboração da Proposition 22, medida que buscou oferecer benefícios limitados a motoristas e entregadores de aplicativos sem alterar sua classificação como trabalhadores autônomos. A proposta, aprovada em 2020, deixou a implementação a cargo das próprias plataformas e estabeleceu um conjunto mais restrito de benefícios, que não acompanham integralmente os profissionais quando eles trabalham para diferentes aplicativos. O modelo também impõe mais barreiras para o acesso a essas proteções. As empresas, por exemplo, consideram apenas as chamadas “horas engajadas” para calcular o tempo mínimo necessário para que o profissional tenha direito aos benefícios. Na prática, entram nessa conta somente os períodos em que o trabalhador está realizando uma corrida ou entrega, deixando de fora o tempo de espera por uma nova solicitação. Como o sistema não é totalmente integrado entre as plataformas, quem atua em diferentes aplicativos também pode ter mais dificuldade para cumprir os requisitos. Um estudo constatou que apenas 10% dos motoristas da Califórnia recebem o auxílio para despesas de saúde criado pela legislação. O papel das próprias plataformas na definição de quem pode receber os benefícios tornou-se alvo de críticas. Sindicatos e organizações de defesa dos direitos trabalhistas relatam problemas frequentes relacionados ao acesso e aos critérios de elegibilidade. Em Nova York, por outro lado, uma entidade independente é responsável por determinar quem tem direito aos benefícios e administrar os pagamentos. Embora os dois estados tenham adotado caminhos diferentes, as experiências mostram que flexibilidade e proteção ao trabalhador não precisam ser tratadas como objetivos incompatíveis. Na ausência de benefícios federais universais para trabalhadores de aplicativos, governos estaduais e locais podem buscar alternativas para evitar que os custos sociais desse modelo sejam transferidos para os contribuintes, por meio dos impostos, ou para os próprios profissionais, na forma de maior insegurança financeira. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho
08/08/2026 06:00:34 +00:00
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