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Auditoria vai apurar crise na Apex A Apex Partners, plataforma de investimentos do Espírito Santo, enfrenta uma crise após uma investigação interna apontar "inconsistências financeiras" na empresa. O fundador e sócio da companhia, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados do comando da empresa na última quinta-feira (6). Segundo informações apresentadas pelo jornalista Abdo Filho, os sócios da Apex descobriram uma dívida de R$ 985,6 milhões. O valor foi informado pela própria empresa em uma ação apresentada à Justiça na sexta (7), na qual pediu uma blindagem temporária de seus ativos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A situação ainda está em fase de apuração. Uma auditoria externa deve ser contratada para identificar o que provocou o problema, qual é a extensão das dívidas e se houve impacto nos negócios e nos investimentos dos clientes. Confira as principais dúvidas sobre o caso: O que é a Apex Partners? A Apex Partners é uma plataforma de investimentos fundada no Espírito Santo. A empresa tem cerca de 8 mil clientes, a maior parte deles no estado, e também atua em outras unidades da federação. A companhia administra mais de R$ 17 bilhões e possui investimentos tanto na chamada economia real — como galpões, prédios residenciais e salas comerciais — quanto no mercado financeiro. Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta O que significa a dívida de quase R$ 1 bilhão? A informação consta em uma ação apresentada pela própria Apex à Justiça na sexta (7) após Fernando Cinelli, que era presidente da empresa, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, serem afastados dos cargos pelos sócios. Entre os argumentos apresentados pelos sócios está o de que eles não tinham conhecimento da dívida de quase R$ 1 bilhão na empresa. Ainda não está definido, porém, o que provocou esse passivo e qual é exatamente o impacto dele sobre os negócios da companhia. Quem tem investimentos na Apex pode retirar o dinheiro? Neste momento, há uma restrição temporária para os saques de um dos fundos ligados à Apex. A Justiça concedeu uma blindagem de 60 dias para que a situação da empresa seja analisada. Além disso, o BTG, responsável pelo fundo da Apex, suspendeu os saques logo após a crise vir à tona, na quinta (6). A medida busca evitar que uma retirada generalizada de recursos agrave a situação enquanto o tamanho do problema ainda é investigado. LEIA TAMBÉM: GOLPES DO PIX E FALSO ADVOGADO: ES registra média de 144 casos de estelionato por dia no 1º semestre JUSTIÇA: Mulher que faltou ao trabalho por ser ameaçada pelo ex tem demissão por justa causa revertida Os clientes podem perder dinheiro? Existe essa possibilidade, mas ainda é cedo para afirmar se isso ocorrerá. A auditoria que será contratada deverá analisar o que aconteceu, o tamanho das dívidas e o eventual nível de contágio do problema nos diferentes negócios da Apex. Somente a partir dessas informações será possível saber se haverá perdas para investidores e clientes. O que os clientes devem fazer neste momento? A orientação é aguardar a apuração. A empresa deverá contratar uma auditoria para identificar a origem do problema e dimensionar seus impactos. Ao mesmo tempo, há a decisão judicial que estabeleceu uma blindagem temporária dos ativos. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. "A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação". A Apex tem dinheiro público? Os recursos envolvidos são exclusivamente privados. A Apex possui investimentos em galpões, shopping centers, imóveis e também no mercado financeiro. Na sexta, o governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. A crise pode afetar a economia do Espírito Santo? A Apex é considerada uma empresa importante para o ecossistema econômico do Espírito Santo, principalmente pelo volume de recursos administrados e pelos investimentos realizados no estado. A crise é negativa para a economia capixaba, para os investidores e para a confiança no mercado. No entanto, ele avalia que não deve haver um impacto significativo no conjunto da economia do Espírito Santo. A crise da Apex pode ser comparada ao caso do Banco Master? Nas redes sociais, a situação da Apex já passou a ser chamada de "Master capixaba", mas é preciso ter cautela com a comparação. Segundo ele, os dois casos são diferentes e a crise da Apex ainda é muito recente. O caso veio a público na quinta (6), enquanto a situação envolvendo o Banco Master já vinha sendo acompanhada há mais tempo. A orientação, neste momento, é aguardar a auditoria para entender exatamente o que aconteceu na Apex. Como funciona uma plataforma de investimentos? De forma simplificada, uma plataforma de investimentos reúne diferentes opções para que o cliente aplique seu dinheiro buscando uma rentabilidade. A lógica é que uma pessoa coloque determinado valor para investir e, ao longo do tempo, obtenha um retorno superior ao que teria deixando o dinheiro parado ou aplicando em uma alternativa de referência, como a taxa básica de juros. A Apex atua nesse mercado por meio de investimentos financeiros e também em negócios da chamada economia real. O que pode ter acontecido na Apex? Ainda não há uma conclusão sobre a origem da crise. Os próprios sócios da empresa afirmaram que Fernando Cinelli e Eduardo Siqueira teriam cometido "gestão temerária" e agido com "má-fé". A acusação foi apresentada pelos sócios após a identificação das inconsistências financeiras. Na sexta (7), os sócios divulgaram uma nota informando que pretendem responsabilizar Fernando Cinelli pelas supostas irregularidades. Essas acusações, no entanto, ainda estão sendo apuradas e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos. Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta O que diz Fernando Cinelli? A defesa do fundador da Apex Partners afirmou que o empresário está comprometido em contribuir para a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas. Segundo a nota, o afastamento demonstra a disposição de Cinelli em esclarecer todas as questões levantadas “com total transparência e idoneidade”. Como o mercado reagiu? O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. 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Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail Reprodução/TV Globo Ester Nunes, de 26 anos, entrou para as estatísticas de vítimas de golpes financeiros. A profissional de Recursos Humanos perdeu R$ 1,2 mil após cair em uma falsa promessa de dinheiro fácil por meio de uma vaga de trabalho em home office. No início, o esquema pede que a vítima cumpra tarefas online, como avaliar empresas no Google, em troca de pequenas recompensas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O golpe ganha corpo quando os criminosos passam a exigir depósitos via PIX, sob o argumento de aumentar os lucros, como em supostas operações com criptomoedas ou outras justificativas do tipo. Na etapa final, a vítima faz um depósito mais alto e não recebe nenhum retorno. "Eu não me lembrava de ter enviado currículo para nenhuma vaga, mas resolvi entrar em contato porque parecia uma oportunidade de renda extra", contou a vítima, em um relato publicado por ela no TikTok, que já soma mais de 2 milhões de visualizações. Agora no g1 Inicialmente, Ester depositou R$ 300. Para liberar os pagamentos, os golpistas exigiram R$ 900. Ela usou parte de sua reserva financeira e realizou o pagamento. Em seguida, uma nova exigência: mais R$ 2,6 mil. Ao dizer que não tinha esse valor, recebeu a informação de que não conseguiria recuperar nenhum dos depósitos anteriores. "Foi aí que percebi que era um golpe. Eles diziam que, se eu não continuasse pagando, perderia tudo o que já tinha enviado”, diz a vítima. Depois de pesquisar sobre o caso, ela descobriu que o saldo exibido na plataforma era fictício e que o único dinheiro efetivamente transferido havia sido o PIX enviado aos golpistas. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que essa estratégia é conhecida como "golpe das tarefas" e tem como objetivo convencer a vítima de que o investimento vale a pena antes de exigir depósitos cada vez mais altos. Ester Nunes, de 26 anos, compartilhou no TikTok o golpe da falsa vaga de home office. Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais Segundo a plataforma SOS Golpe, as fraudes relacionadas a falsas oportunidades de emprego e promessas de renda extra cresceram 56% entre março e abril deste ano. A modalidade ocupa a segunda posição entre as fraudes mais denunciadas à plataforma, com 17,9% dos registros, atrás apenas do golpe da loja ou empresa pouco conhecida, responsável por 20,9% das denúncias. Veja alguns sinais de que a vaga pode ser um golpe: Você não se candidatou à vaga. O primeiro contato acontece por WhatsApp ou Telegram. Há promessa de dinheiro fácil ou renda extra. O salário é muito acima da média. Há pedido de PIX ou qualquer pagamento. Solicitam documentos pessoais logo nas primeiras etapas. Fraude mira quem busca emprego A busca por recolocação profissional tem se tornado alvo de uma fraude cada vez mais comum no ambiente digital. A principal isca utilizada pelos criminosos são vagas consideradas "imperdíveis", com salários acima da média, benefícios atrativos e processos seletivos simplificados. A abordagem costuma ocorrer por WhatsApp, redes sociais, aplicativos de mensagens e e-mail, geralmente em nome de empresas reconhecidas no mercado. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez um alerta sobre o aumento das tentativas de obtenção indevida de dados pessoais, informações bancárias e pagamentos sob o pretexto de participação em processos seletivos, realização de exames admissionais ou cursos supostamente obrigatórios. 🔎 A entidade orienta que os candidatos confirmem a autenticidade das vagas nos canais oficiais das empresas, verifiquem a identidade dos recrutadores antes de compartilhar informações pessoais e desconfiem de ofertas com salários muito acima da média. Como agem os criminosos Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, afirma que os golpes envolvendo falsas oportunidades de emprego têm se diversificado, mas costumam seguir um mesmo objetivo: convencer a vítima a transferir dinheiro ou fornecer dados pessoais. Inicialmente, a vítima recebe pequenas quantias para ganhar confiança. Em seguida, é direcionada para aplicativos de mensagens, como o Telegram, onde passa a ser orientada a fazer depósitos sob a promessa de desbloquear tarefas mais lucrativas ou obter retornos financeiros maiores. "O criminoso cria uma relação de confiança pagando pelas primeiras tarefas. Depois, começa a exigir depósitos para liberar novas atividades ou supostos lucros. É nesse momento que a vítima perde o dinheiro e o golpista desaparece", explica. Outra modalidade comum, segundo Ramos, é a das falsas vagas de emprego com cobrança de taxas. Nesse caso, a vítima acredita ter sido aprovada em um processo seletivo, mas é informada de que precisa pagar por cursos, certificados, treinamentos ou exames admissionais para assumir a vaga. Empresas legítimas não cobram qualquer valor para participar de processos seletivos. Quem paga pelos custos da contratação é o empregador, nunca o candidato. O especialista também chama atenção para golpes voltados ao roubo de identidade. Os criminosos simulam processos seletivos e solicitam selfies, vídeos e fotografias de documentos pessoais. Posteriormente, esse material pode ser utilizado para abrir contas bancárias, contratar empréstimos e cometer outras fraudes em nome da vítima. "Os golpistas costumam utilizar o nome de empresas conhecidas para transmitir credibilidade e aumentar as chances de convencer a vítima", afirma Ramos. Entre os principais sinais de alerta, o pesquisador destaca promessas de salários elevados para funções com poucos requisitos, processos seletivos conduzidos exclusivamente por aplicativos de mensagens e pedidos de pagamento durante qualquer etapa da contratação. Ele também recomenda que candidatos evitem compartilhar documentos pessoais antes da aprovação no processo seletivo e do recebimento de uma proposta formal de emprego. Como se proteger do golpe do falso emprego A pedido do g1, os especialistas também compartilharam outras orientações para as pessoas se protegerem do golpe: 🔎 Pesquise a empresa antes de aceitar a vaga. Confira se ela possui site oficial, endereço, telefone e canais de atendimento. 🪪 Confirme a identidade do recrutador e verifique se o contato foi feito por canais oficiais. 📄 Desconfie de ofertas recebidas sem que você tenha enviado currículo. 🤑 Nunca faça pagamentos para participar de processos seletivos. 🔒 Evite baixar arquivos enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais. 💻 Não clique em links suspeitos. ⚠️ Proteja seus dados pessoais e só envie documentos após confirmar a autenticidade da vaga. 🦠 Mantenha antivírus atualizado no celular e no computador. Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail RPC Caí em um golpe. Vou recuperar meu dinheiro? Para casos de golpe envolvendo PIX, o Banco Central dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite aos bancos tentar bloquear e devolver os recursos enviados ao fraudador. "O mais rápido possível, assim que detectar que sofreu o golpe, entre em contato com seu banco e reporte o problema. Tenha sempre o comprovante do PIX em mãos, que contém informações importantes sobre quem recebeu o valor", orienta o consultor do Banco Central Breno Lobo. Segundo ele, o primeiro passo é comunicar imediatamente o banco para que a instituição possa acionar o MED e tentar bloquear o dinheiro antes que ele seja sacado ou transferido. A vítima tem até 80 dias, contados a partir da transação, para solicitar a devolução. "Após o registro da contestação, o banco da vítima aciona o Banco Central, que comunica o banco do recebedor para bloquear os recursos disponíveis até o valor da fraude. Em alguns casos, porém, não há saldo suficiente para o bloqueio", explica. O caso é analisado em até sete dias. Se a fraude não for confirmada, os valores são desbloqueados. Caso seja comprovada, o dinheiro disponível pode ser devolvido à vítima, total ou parcialmente, em até 96 horas. Uma das limitações do mecanismo é justamente a necessidade de haver saldo na conta usada pelo golpista, já que, em alguns casos, os criminosos sacam ou transferem o dinheiro rapidamente. Se não houver recursos suficientes para a devolução integral, o banco do recebedor deve monitorar a conta e realizar novos bloqueios sempre que houver entrada de dinheiro, até que o valor seja recuperado ou se completem 90 dias da transação original. Se, ao fim desse período, não houver recursos suficientes, o MED é encerrado. O banco da vítima não é obrigado a usar dinheiro próprio para cobrir o prejuízo. Nesse caso, ainda é possível buscar outras formas de tentar recuperar o valor, como recorrer ao Procon ou à Justiça, além de registrar uma reclamação no Banco Central. Lobo ressalta ainda que o MED não se aplica a desacordos comerciais ou problemas relacionados à compra de produtos e serviços. O mecanismo também pode ser utilizado em casos de falha operacional no Pix, como uma transferência realizada em duplicidade pela instituição financeira. Se o erro for confirmado, o dinheiro deve ser devolvido em até 24 horas. Por isso, embora exista um prazo de até 80 dias para solicitar o MED, a orientação é avisar o banco assim que o golpe for identificado. Quanto mais rápido o pedido for feito, maiores são as chances de encontrar recursos na conta do fraudador antes que sejam movimentados. Até o momento, Ester afirma que não recebeu a devolução do dinheiro enviado aos golpistas. Segundo ela, registrou uma reclamação no Banco Central e anexou prints das conversas com os criminosos, os comprovantes dos PIX e o protocolo da solicitação aberta junto ao banco. Em nota enviada ao g1, o Google informou que todas as oportunidades de trabalho na empresa são divulgadas exclusivamente em seu site oficial de carreiras. O Telegram foi procurado, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho

Apesar de o setor de saneamento básico ter registrado, pelo terceiro ano consecutivo, recorde de investimentos, o Brasil ainda enfrenta desafios para universalizar o acesso aos serviços de saneamento. Em 2024, o setor registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). Agora no g1 Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização do abastecimento de água. Em relação ao esgoto, o número é menor: apenas 321 municípios conseguiram universalizar a coleta e o tratamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 5.571 municípios. O levantamento mostra ainda que 3.625 municípios possuem contratos com metas de universalização do abastecimento de água. Para o esgotamento sanitário, são 3.774 municípios com metas estabelecidas para a universalização do serviço. Por outro lado, 1.107 municípios não possuem informações suficientes para avaliar a capacidade de alcançar as metas de universalização do abastecimento de água. Em relação à coleta e ao tratamento de esgoto, 1.431 municípios não têm dados suficientes para essa avaliação, diz o estudo. 75% das residências de Turilândia não têm acesso a saneamento básico g1 Investimentos 💰Em 2024, o setor de saneamento registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, o terceiro recorde anual consecutivo. O valor representa um crescimento de 9% em relação a 2023. De acordo com a Abcon, o aumento dos investimentos está relacionado à realização de leilões e à ampliação da participação privada no setor. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, que resultaram na contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos. Os projetos alcançaram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em investimentos em 636 municípios. A expectativa é de que essas iniciativas beneficiem aproximadamente 11,9 milhões de brasileiros. Tratamento de esgoto Mesmo com o aumento dos investimentos, o país ainda trata pouco mais da metade do esgoto gerado. Em 2024, 51,8% do esgoto foi tratado. Entre 2023 e 2024, o volume total de esgoto tratado aumentou 5%. O volume equivalente a cerca de 1,9 milhão de piscinas olímpicas. O levantamento também aponta avanço na oferta regular de água desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento. De acordo com a Abcon, o número de domicílios abastecidos por rede de distribuição de água com disponibilidade diária aumentou 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de domicílios. Marco Legal do Saneamento Básico O marco legal é uma lei que modifica uma série de normas do setor do saneamento básico do Brasil. O texto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). ✍️A lei prevê mecanismos para ampliar, em índices próximos a 100%, a rede de fornecimento de água potável e de coleta de esgoto pelo país até 2033. Também estabelece estímulos para a presença do setor privado.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.043 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (11), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (9), uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00. A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Escritório com decoração natalina Pexels O governo federal definiu as regras para o recesso de Natal e Ano Novo dos servidores públicos federais em 2026. O período será dividido em dois blocos: de 21 a 25 de dezembro e de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2027. A regra vale para servidores e empregados públicos, temporários e estagiários que trabalham em órgãos do governo federal. O recesso é facultativo. Ou seja, quem não quiser aderir deverá trabalhar normalmente, mantendo a jornada habitual. Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Como será o recesso Os servidores deverão se dividir entre os dois períodos para garantir que os serviços públicos continuem funcionando, principalmente aqueles que envolvem atendimento ao público. Assim, cada órgão deverá organizar o revezamento dos funcionários entre as duas semanas. O recesso, portanto, não significa que todos os servidores ficarão afastados ao mesmo tempo. As horas não trabalhadas durante o recesso deverão ser compensadas posteriormente. O período para fazer essa compensação começa em 1º de outubro de 2026 e vai até 31 de maio de 2027. Para quem trabalha presencialmente e não participa do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a compensação poderá ser feita com a antecipação do início da jornada ou com a extensão do horário de trabalho, respeitando o funcionamento do órgão. Já quem participa do PGD, seja presencialmente ou em teletrabalho, deverá compensar as horas por meio do cumprimento das entregas previstas no plano de trabalho. A compensação poderá aumentar a jornada em, no máximo, duas horas por dia para servidores, empregados públicos e contratados temporários. Para estagiários, o limite é de uma hora por dia. Quem aderir ao recesso e não compensar as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração. A regra foi estabelecida pela Portaria SRT/MGI nº 6.342, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Diário Oficial da União na última terça-feira (4).

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço A China pediu nesta segunda-feira (10) para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação movida pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos aos parceiros comerciais. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. (saiba mais abaixo) O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos EUA junto à própria entidade internacional. Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Também nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à OMC e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. LEIA MAIS EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O que significa a participação chinesa? A participação chinesa não significa, neste momento, que Pequim tenha aberto uma disputa própria contra os Estados Unidos. O pedido permite que a China acompanhe e participe das consultas por entender que as medidas discutidas no caso brasileiro também afetam seus interesses comerciais. As consultas são a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O procedimento permite que os países envolvidos tentem chegar a um acordo antes da eventual abertura de um painel para analisar o caso. Para o Brasil, o acionamento da OMC também tem caráter político e institucional. Diplomatas avaliam que levar o caso à organização registra a posição brasileira contra as medidas de Washington e reforça a preferência do país pela solução multilateral de disputas comerciais. A entrada da China nas consultas acrescenta um novo elemento à disputa, ao indicar que parte das medidas americanas questionadas pelo Brasil também tem impacto direto sobre o comércio entre EUA e China. O presidente Lula e a primeira-dama, Janja, são recebidos pelo presidente da China, Xi Jinping. Ricardo Stuckert/PR

Wesley Batista Filho, futuro CEO da JBS. Divulgação/JBS Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027. A maior produtora de carnes do mundo anunciou a mudança nesta segunda-feira (10). A mudança faz parte de uma sucessão planejada pela JBS. Gilberto Tomazoni, atual CEO global, deixará o cargo após oito anos e permanecerá na companhia como vice-presidente do conselho de administração e consultor sênior. A transição será conduzida ao longo dos próximos cinco meses. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Filho de Wesley e sobrinho de Joesley Batista, o executivo é o atual presidente-executivo da JBS USA. Ele assumirá o comando da JBS após uma carreira de 15 anos no grupo, com passagens por operações no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai. “Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou. Agora no g1 Quem é Wesley Batista Filho? Wesley Batista Filho começou sua trajetória na empresa em 2011, como trainee na unidade de carne bovina de Greeley, no Colorado, nos Estados Unidos. Antes de ocupar cargos executivos, trabalhou na operação da fábrica. Depois, retornou a São Paulo para atuar na área de exportação de carne bovina. Entre 2012 e 2013, liderou as operações de carne bovina da companhia no Uruguai e no Paraguai. Em seguida, mudou-se para Calgary, no Canadá, onde presidiu a JBS Canadá entre 2014 e 2015. Em 2016, voltou aos EUA para comandar a JBS USA Fed Beef, unidade de carne bovina que a companhia considera seu maior negócio global. Permaneceu no cargo até 2017, quando retornou ao Brasil. Em 2017, voltou a São Paulo e, no ano seguinte, tornou-se CEO da operação brasileira, a JBS Brasil. Ocupou o cargo até 2019. Em 2020, passou a comandar também a Seara, negócio da JBS no Brasil que reúne produtos de maior valor agregado, além das operações de aves e suínos. Em 2022, Batista Filho assumiu o cargo de presidente global de Operações. A função colocou sob sua responsabilidade a estrutura operacional da companhia em diferentes regiões, incluindo América do Norte, América do Sul, Oceania e Europa. No ano seguinte, voltou a Greeley pela terceira vez e foi nomeado CEO da JBS USA, a maior plataforma da companhia em receita. A operação americana reúne mais de 60 unidades de produção de carne bovina, suína e de frango, além de alimentos preparados e outros produtos alimentícios. Segundo a JBS, são mais de 70 mil funcionários distribuídos por 31 estados americanos. SAIBA MAIS JBS anuncia Wesley Batista Filho como novo CEO global a partir de 2027

Wesley Batista Filho, à esqueda, e Gilberto Tomazoni, à direita. Divulgação/JBS A JBS, maior produtora de carnes do mundo, anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho será o novo CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027. Ele substituirá Gilberto Tomazoni, que deixará o cargo após oito anos à frente da empresa. A mudança marca o retorno de um integrante da família Batista ao principal cargo executivo da JBS. Wesley Batista Filho, de 34 anos, é filho de Wesley Batista e sobrinho de Joesley Batista, que já comandaram a companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Atual CEO da JBS USA, Batista Filho começou a carreira na empresa em 2011, como trainee na unidade de bovinos de Greeley, nos Estados Unidos. Desde então, passou por diferentes áreas e operações do grupo. Ele já comandou negócios da JBS no Uruguai, no Paraguai e no Canadá e também foi CEO da JBS Brasil e da Seara, divisão de alimentos processados de aves e suínos da companhia. Agora no g1 A transição será conduzida por Tomazoni nos próximos meses. Depois de deixar o cargo de CEO global, ele assumirá as funções de vice-chairman do conselho de administração e senior advisor da JBS. O executivo também continuará como chairman da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC), subsidiária da JBS nos Estados Unidos. Tomazoni está na JBS há 14 anos, sendo oito deles como CEO global. Durante sua gestão, a empresa ampliou a atuação internacional e diversificou os negócios. A receita anual passou de cerca de US$ 50 bilhões para US$ 86,2 bilhões. Também foi durante sua gestão que a JBS passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A volta por cima dos irmãos Batista: da Lava Jato à diplomacia Continuidade e expansão Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027 JBS Em entrevista à Reuters, Batista Filho afirmou que a mudança deve ser marcada pela continuidade, já que trabalha com Tomazoni há 14 anos. "É uma transição que tem uma continuidade muito grande. Um CEO novo, que conhece uma empresa do nada, tem que aprender, decidir para aonde vai. No nosso caso, pela transição que estamos fazendo, não é isso." O futuro CEO afirmou que pretende manter a estratégia de expansão internacional da companhia, com atenção especial ao Oriente Médio, ao Sudeste Asiático e à Oceania. Entre os movimentos recentes da JBS nessas regiões estão um acordo bilionário com a Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, e uma aquisição em Omã no início deste ano. Batista Filho também citou como prioridades para os próximos anos a continuidade dos investimentos em produtos de maior valor agregado e a expansão dos negócios de ovos e peixes. SAIBA MAIS Quem é Wesley Batista Filho, que será o novo CEO global da JBS

Governo eleva classificação indicativa do YouTube O YouTube vai aumentar as exigências para que novos criadores possam começar a ganhar dinheiro com anúncios e assinaturas na plataforma. A partir de 1º de fevereiro, será necessário acumular 8 mil horas de exibição qualificadas nos últimos 12 meses ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias. ▶️ Atualmente, o YouTube exige 1 mil inscritos e 4 mil horas de exibição no último ano ou 1 mil inscritos e 10 milhões de visualizações de Shorts nos últimos 90 dias. A mudança vale para novos criadores e não afetará os canais que já fazem parte do Programa de Parcerias do YouTube. LEIA TAMBÉM A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida Exigência aumenta para novos criadores Com a atualização, o tempo de exibição necessário para quem produz vídeos longos será o dobro do exigido atualmente. A mudança torna mais difícil para novos canais alcançarem a monetização, principalmente para criadores que dependem de vídeos curtos. Na prática, será necessário construir uma audiência maior e manter um volume elevado de visualizações para começar a ganhar dinheiro com a plataforma. O YouTube afirma que a alteração acompanha o crescimento da plataforma, que atualmente registra mais de 200 bilhões de visualizações diárias em Shorts e mais de 1 bilhão de horas de conteúdo assistidas em televisores todos os dias. Shorts terão regra específica O YouTube também anunciou uma mudança para os criadores que já fazem parte do programa e recebem dinheiro por meio do Shorts Creators Pool. Para continuar recebendo essa receita, os canais precisarão manter pelo menos 10 milhões de visualizações de Shorts a cada período de 90 dias. Quem ficar abaixo desse número continuará no Programa de Parcerias e poderá seguir ganhando dinheiro com vídeos longos. A receita dos Shorts será retomada quando o canal voltar a atingir a marca de 10 milhões de visualizações em 90 dias. Premium Lite será ampliado Além das mudanças nas regras de monetização, o YouTube anunciou a expansão do Premium Lite para todos os países onde o YouTube Premium está disponível. A modalidade oferece uma experiência sem anúncios na maior parte dos vídeos e permite baixar conteúdos para assistir offline e reproduzi-los em segundo plano. Os criadores recebem uma parcela da receita gerada pelas assinaturas de acordo com o tempo de exibição e o número de visualizações. Segundo o YouTube, 55% da receita fica com criadores de vídeos longos e 45% com criadores de Shorts. A empresa afirma que a expansão do serviço pode aumentar os ganhos dos criadores. Segundo o YouTube, quando um usuário assina o Premium, os parceiros recebem, em média, mais do que receberiam se aquele espectador continuasse assistindo aos conteúdos com anúncios. Outras plataformas também mudam regras O YouTube não é a única rede social a alterar seus programas de remuneração para criadores. O X, de Elon Musk, mudou no fim de semana as regras de seu programa de pagamentos para priorizar conteúdos originais. O Facebook também lançou neste ano um novo programa de monetização para atrair criadores que produzem conteúdo para plataformas como TikTok e YouTube. As mudanças mostram uma disputa entre as grandes redes sociais pelos criadores de conteúdo que conseguem reunir grandes audiências. Logo do YouTube REUTERS/Lucy Nicholson

O cofundador do Facebook Eduardo Saverin comparece ao segundo aniversário da 99.co e ao lançamento do 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao dono da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que negocia a compra de cerca de um terço do Liverpool Football Club, da Inglaterra. A informação é da Sky News, que apurou que o Fenway Sports Group (FSG), grupo que controla o Liverpool desde 2010, se prepara para anunciar a transação ainda nesta semana. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O consórcio é liderado por Amit Bhatia, genro de Lakshmi Mittal, bilionário do setor siderúrgico. Até recentemente, Bhatia era acionista do Queens Park Rangers, clube da segunda divisão do futebol inglês. Se o negócio for fechado, três dos homens mais ricos do mundo passarão a ser sócios do Liverpool, um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol inglês. Só Bezos tem uma fortuna estimada pela Forbes em mais de US$ 283 bilhões, enquanto Saverin tem patrimônio superior a US$ 33 bilhões. Segundo a Sky News, o negócio deve avaliar o Liverpool em US$ 6 bilhões, o que faria da transação uma das maiores da história do futebol. Embora Bezos nunca tenha se envolvido em negociações para investir em clubes de futebol, sua possível entrada no consórcio mostra como o esporte tem atraído cada vez mais investidores bilionários. Saverin, de 44 anos, fez parte de um consórcio que apresentou, sem sucesso, uma proposta para comprar o Chelsea durante o processo de venda do clube, em 2022. Quem são os brasileiros mais ricos segundo lista de bilionários da Forbes. Quem é Eduardo Saverin Eduardo Saverin, durante conferência realizada em Singapora, em 2013. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O empresário Eduardo Saverin segue na liderança do ranking dos brasileiros mais ricos do mundo, com fortuna estimada em mais de US$ 33 bilhões, segundo a revista Forbes. Saverin nasceu em 1982, em São Paulo, mas foi criado nos Estados Unidos. Ele é conhecido por ter ajudado Mark Zuckerberg a fundar o Facebook — os dois se conheceram na faculdade. Hoje, o empresário mora em Singapura com a esposa e o filho. Saverin também é cofundador e copresidente da B. Capital, empresa de investimentos em venture capital. 🔍 Empresas de venture capital — também chamadas de capital de risco — investem em companhias inovadoras em estágio inicial ou de pequeno porte e oferecem apoio para que elas possam crescer. Normalmente, esse tipo de investimento envolve alto risco, mas também pode gerar retornos elevados. Saverin se formou em economia em Harvard, onde conheceu Zuckerberg e ajudou a criar a rede social em 2004. Ele foi responsável pelo investimento inicial necessário para colocar a empresa em operação, segundo o livro "Milionários Acidentais", de Ben Mezrich, publicado em 2012. A fortuna veio de uma participação minoritária na empresa. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital do Facebook valorizar sua participação. A participação não foi maior porque Saverin e Zuckerberg romperam a parceria após divergências sobre os rumos da empresa. A disputa foi parar na Justiça e foi retratada no filme "A Rede Social" (2010), em que Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield. Ainda assim, ele chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024. Na época, sua fortuna foi estimada em R$ 155,9 bilhões, após forte valorização das ações da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Lula: "Trump, a gente tem que passar para o mundo uma certa harmonia" O presidente Donald Trump prorrogou por 90 dias uma autorização especial que permite que navios de bandeira estrangeira transportem petróleo e outras commodities entre portos dos EUA. Entretanto, Trump também impôs novos limites após construtores navais e seus aliados no Congresso argumentarem que a medida prejudicava a indústria marítima nacional, informou a Casa Branca. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A prorrogação, oficializada nesta segunda-feira (10), ocorre em um momento em que a tensão com o Irã perturba o fluxo global de petróleo bruto e eleva os custos dos combustíveis. O cenário aumenta a pressão sobre o governo para aliviar gargalos logísticos e evitar novas altas nos preços da gasolina e de outras fontes de energia. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, a extensão por 90 dias garante que as Forças Armadas e setores estratégicos dos EUA mantenham acesso ininterrupto a recursos essenciais. "Dados mostram que a autorização especial impulsionou um aumento significativo nas entregas internas de produtos essenciais, como gasolina, diesel e combustível de aviação", disse Rogers em uma publicação na rede social X. Sob as novas condições, o governo restringiu o alcance da medida. Cada viagem deverá passar por uma análise individual, em vez de os navios estrangeiros receberem isenções genéricas à Lei Jones (Jones Act), confirmou uma autoridade da Casa Branca. O que é a Jones Act? A Jones Act exige que as cargas transportadas entre portos dos EUA sejam levadas em navios construídos no país, de propriedade de empresas americanas e tripulados por trabalhadores americanos. A autorização especial busca reduzir os preços dos combustíveis ao ampliar a flexibilidade do transporte marítimo e diminuir gargalos logísticos. A autorização venceria em 16 de agosto caso não fosse prorrogada. Trata-se da suspensão mais longa da história da lei, que está em vigor há mais de um século.

Trump diz que vai autorizar venda de semicondutores de IA da Nvidia para a China Um grupo de instituições financeiras, incluindo Apollo Global e Blackstone, está trabalhando com a Nvidia para montar um pacote de financiamento de US$ 500 bilhões (R$ 2,55 trilhões) voltado ao desenvolvimento da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. A informação é do Financial Times nesta segunda-feira (10). A possível parceria mostra o esforço da Nvidia para levantar recursos para a infraestrutura que sustenta a expansão da inteligência artificial, como chips, geração de energia e centros de processamento de dados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O grupo também inclui a Global Infrastructure Partners, da BlackRock, a Brookfield Asset Management, o Goldman Sachs e a KKR. Segundo o Financial Times, que ouviu cinco pessoas a par das negociações, as instituições discutem uma parceria com a Nvidia para financiar a expansão da infraestrutura de IA. O acordo pode ser anunciado ainda nesta segunda-feira, segundo o jornal. A BlackRock não quis comentar o assunto. A Nvidia e as demais empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O governo dos Estados Unidos respondeu nesta segunda-feira (10) ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Governo não espera reversão Embora o governo tenha acionado a OMC, diplomatas dizem que a medida tem caráter simbólico. Ou seja, não acreditam que uma eventual decisão da organização tenha capacidade de reverter o tarifaço americano. LEIA TAMBÉM: 'Mais simbólico do que efetivo': por que o Brasil foi à OMC contra o tarifaço, mesmo com o órgão enfraquecido OMC perde instância máxima de apelação de processos Sete pontos para entender a paralisia que ameaça a OMC Segundo eles, diante da tradição da diplomacia brasileira de defender o chamado multilateralismo, o governo considerou necessário acionar a OMC para reforçar a defesa da solução de conflitos entre países — sejam políticos, econômicos ou militares — por meio de organismos internacionais. Os diplomatas afirmam ainda que o recurso à OMC "marca posição" do Brasil em relação aos EUA e registra a tentativa do país de buscar caminhos para reverter a medida. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance

Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens A primeira-dama Janja da Silva defendeu nesta semana que o Discord deveria ser retirado "imediatamente" do ar no Brasil, citando o caso de uma menina de 13 anos que teria sido coagida por outros usuários a se suicidar durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A polícia apreendeu na terça-feira (4/8) cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e prendeu um homem de 18 anos, acusados de envolvimento na morte da adolescente de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. As investigações apontam que o grupo usava o Discord e também o aplicativo de mensagens Telegram para atrair vítimas meninas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. "A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma", disse a primeira-dama, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto na quinta-feira (7/8), em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou lei que amplia a punição para quem pratica violência sexual contra crianças e adolescentes. "Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Não consigo admitir um país desse." O Secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, disse no evento que a polícia chegou a pedir a suspensão da plataforma, mas que o pedido foi negado pelo Judiciário. Já o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que pediu ao Ministério da Justiça que encaminhe todas as informações sobre o caso e sobre o Discord para que seja preparada uma ação civil pública contra a plataforma. Dados da Safernet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet, mostram que, de janeiro a julho de 2026, o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 406 em 2026 até agora, contra 264 nos primeiros sete meses de 2025, um recorde para o período, na série histórica iniciada em 2017. Nos últimos anos, o Discord tem figurado em episódios de violência extrema, incluindo crimes como venda de armas, drogas e explosivos; planejamento de ataques a escolas e tiroteios em massa; compartilhamento de conteúdo extremista, imagens e vídeos de abusos a crianças e adolescentes, e de tortura contra animais; além de extorsão sexual, tráfico de pessoas e incentivo à automutilação, incluindo suicídio. Ainda assim, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que bloquear o serviço no Brasil, como pede Janja, não é a solução para os graves problemas de moderação de conteúdo da plataforma. A medida poderia, na verdade, incentivar os usuários a usarem ferramentas para continuar no Discord (como VPNs) ou empurrá-los para outras plataformas que estão fora do alcance das autoridades e leis brasileiras. "Vamos pedir a imediata responsabilização e a retirada de sua utilização pela sociedade brasileira, já que ela não tem compromisso com a sociedade e não protege crianças e adolescentes", disse Messias, segundo o portal G1. A primeira-dama Janja da Silva defendeu que o Discord seja retirado do ar no Brasil. Reprodução/BBC Brasil "Os crimes vão continuar acontecendo, provavelmente dentro do próprio Discord, usando VPNs e outras ferramentas de acesso que contornam bloqueios", diz Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Uma VPN (sigla em inglês para "rede privada virtual") é uma tecnologia que cria uma conexão criptografada entre o dispositivo e a internet, e criminosos se aproveitam dela para esconder suas identidades em atividades ilegais na internet. Segundo Tavares, elas são amplamente usadas para acessar o Discord em países onde a plataforma está atualmente bloqueada, como Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. "Inclusive, isso tem um efeito contraproducente, porque você acaba disseminando o uso dessas ferramentas de contorno de bloqueios." Thiago Ayub, diretor de tecnologia da empresa especializada em redes Sage Networks, acrescenta que o bloqueio pode fazer os usuários do Discord (e as atividades que se buscava interromper) migrarem para outras plataformas ainda não bloqueadas. "O Discord possui representante legal no Brasil, que serve como ponto de contato com as autoridades. A nova plataforma a ser escolhida possivelmente será uma sem representante, mais distante ainda do alcance das leis brasileiras, representando um efeito rebote daquilo que inicialmente tentou-se reprimir." O Discord afirmou em nota à BBC News Brasil que "não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e estamos cooperando com as autoridades policiais na investigação deste grave caso". Disse ainda que "mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões". Por que crimes proliferam no Discord O Discord é uma plataforma americana, fundada em 2015, como um espaço para jogadores online compartilharem mensagens, imagens, áudios, memes e transmissões em um só lugar. "O Discord integra várias funcionalidades, numa arquitetura que permite a existência de espaços fechados, onde só se entra com convite", observa Tavares, da SaferNet. São os chamados servidores ou "panelas", no caso de um subgrupo dentro de um servidor. "Além disso, a plataforma tem deficiências claras na capacidade de detecção de conteúdos criminosos, e tem poucas barreiras de entrada. Não há, por exemplo, verificação etária, como ficou evidente no caso que resultou no suicídio de uma menina de 13 anos, em que um dos usuários envolvidos declarou uma idade de mais de 140 anos." À esquerda, vídeo de estupro virtual realizado no Discord sendo compartilhado no X; à direita, imagem de servidor de um grupo interessado em realizar ataques a escolas. Reprodução/BBC Brasil Ayub, da Sage Networks, observa que, no Discord, são os administradores de cada comunidade que determinam quem pode entrar e o teor do conteúdo daquilo que vai ser dito, diferentemente das redes sociais mais tradicionais, onde as empresas estabelecem regras e moderam conteúdo. "O Discord se enxerga como fornecedor do software e não como gestor da comunidade. É como se cada comunidade dentro do Discord fosse um condomínio, com seu síndico e suas regras", afirma. Tavares observa que um dos fatores que contribui para a baixa detecção de incidentes graves no Discord é o fato de os modelos da plataforma para isso serem treinados em língua inglesa, e as decisões de moderação e alertas muitas vezes serem tomadas a partir de traduções feitas por sistemas de inteligência artificial. Como os criminosos no Brasil se comunicam frequentemente usando siglas, codinomes e palavras que não fazem sentido em inglês, e o Brasil está entre os cinco maiores mercados para o Discord, Tavares defende que seria necessário que os modelos da plataforma fossem treinados em português, com um time local, e ferramentas customizadas para o uso da plataforma no Brasil. Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens É possível tirar o Discord do ar? Ayub observa que o Estado brasileiro já possui todo um aparato tecnológico e administrativo para retirar do ar nacionalmente qualquer domínio e endereço IP na internet. Endereço IP é o número que identifica equipamentos ligados à Internet. Se esse número é bloqueado, qualquer pessoa no país fica impedida de se comunicar com os servidores do Discord sem usar algum mecanismo para burlar o bloqueio. "Já temos um histórico de bloqueios de grandes plataformas no país, como o YouTube, WhatsApp e, mais recentemente, a rede social X, sob ordem do Supremo Tribunal Federal", lembra Ayub. Em casos de suspensão de uma rede social por ordem judicial, o Judiciário ordena o bloqueio da plataforma à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que repassa a ordem às operadoras de internet, a quem cabe suspender o acesso dos usuários finais. Judiciário ordena o bloqueio de redes sociais à Anatel, que repassa a ordem às operadoras de internet. Reprodução/BBC Brasil Tavares destaca, porém, que embora seja tecnicamente possível, o bloqueio não é 100% efetivo, como revela a experiência do Brasil com plataformas de apostas, conhecidas como bets. No Brasil, existem mais de 20 mil empresas provendo acesso à internet. O bloqueio é implementado em camadas, com a Anatel dividindo as operadoras em três faixas. Possíveis consequências de um bloqueio Tavares observa que o único sentido de um bloqueio seria pressionar economicamente a plataforma, ao reduzir a base de usuários ativos no Brasil. "Talvez esse seja o principal argumento [em favor da suspensão]: para forçar a empresa a olhar com mais atenção para o mercado brasileiro, criando uma condição de acesso a esse mercado", afirma. "Mas talvez existam outras formas de se obter o mesmo resultado sem precisar adotar uma medida extrema como essa." Ayub destaca ainda que, como o Discord é sediado na Califórnia, o bloqueio pode se tornar mais um combustível no atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos. "O governo de Washington terá um bom argumento: a Lei Felca, como ficou conhecido o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital [ECA Digital]", diz Ayub. O especialista em tecnologia observa que a lei, já em vigor, prevê uma gradação de sanções, desde uma advertência, passando por multa e por fim o bloqueio nacional. "Pularmos para o último degrau da sanção pode ser apontado como um desrespeito não só às leis vigentes, como uma desconsideração pela última inovação legislativa no Brasil que endereça exatamente os problemas pelos quais o Discord é famoso", afirma. "Poderá ser percebido como uma primeira represália ao tarifaço." Após a repercussão do caso em Naviraí, a AGU informou que a empresa se comprometeu a apresentar um plano com medidas para aumentar a proteção aos seus usuários. Em paralelo, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ligada ao Ministério da Justiça, apura possíveis falhas da plataforma em seguir o que determina o ECA Digital. A empresa terá de demonstrar que atua para prevenir e combater a exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio, que tem mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e que retira conteúdos considerados ilegais e comunica casos graves às autoridades. Se a agência identificar irregularidades, poderá exigir que a plataforma mude suas práticas e aplicar as punições previstas no ECA Digital, entre elas a multa de até R$ 50 milhões por infração. A faixa A envolve 22 empresas, que são as grandes companhias de telecomunicações, como Vivo, Claro, Tim, entre outras, somando 60% dos acessos. A faixa B reúne 229 empresas médias, elevando a efetividade do bloqueio a 80% dos acessos. A grande dificuldade mora nos 20% restantes, onde atuam mais de 20 mil pequenas empresas diferentes, muitas delas fora do escopo de fiscalização da Anatel, destaca o presidente da SaferNet. "Uma parte significativa, 80% geralmente, vai ter o bloqueio efetivado. Os outros 20% provavelmente vão ter uma grande margem de falha", diz Tavares. "E vai ter aquele percentual de usuários que está nos 80% e que vai continuar usando, via VPN e outras ferramentas." Além disso, observa Tavares, um bloqueio judicial restringe o direito de toda uma coletividade, que em sua maioria não tem a ver com os incidentes criminosos. Alguns dos canais do Discord são abertos, e envolvem, por exemplo, divulgação de cultura pop e assuntos de interesse geral. A plataforma também tem sido usada por empresas como espaço para trabalho e por escolas como ferramenta de ensino à distância. "Existe sim uma deficiência na capacidade da empresa de detectar crimes, nas ferramentas de segurança, de verificação de idade, isso está absolutamente provado e evidenciado. Mas é claro que a ferramenta tem usos legítimos", pondera.

Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (10) um relatório de gestão do PIX, sistema de pagamentos e transferências em tempo real lançado pela autoridade monetária em 2020. A instituição destaca a evolução da ferramenta nos últimos anos, com funcionalidades como "PIX Cobrança", "PIX Saque", "PIX Agendado" e "PIX por Aproximação". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O BC também prevê novidades para os próximos anos, como a cobrança híbrida, o uso para quitar duplicatas, o chamado "split tributário", relacionado à reforma tributária, além do "PIX Internacional" e do "PIX em Garantia". (veja detalhes mais abaixo nessa reportagem) A instituição também informou que discute medidas contra o uso indevido do campo de descrição das transações, como o envio de mensagens ofensivas ou ameaçadoras, além da padronização dos chamados alertas de golpe. ➡️ Em 2025, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. O valor movimentado cresceu 33,6% na comparação com 2024, quando as transações totalizaram R$ 26,46 trilhões. ➡️ O sistema de pagamentos brasileiro está na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem aplicado sobretaxas a produtos brasileiros. Mensagens indevidas "Originalmente concebido para que o pagador registre informações objetivas sobre o pagamento, esse campo tem sido utilizado, em algumas situações, para fins alheios ao propósito original, como veículo para mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, frequentemente associadas a transferências de valor irrisório", explicou o Banco Central. Por conta disso, a instituição criou neste ano um grupo de trabalho no âmbito do Fórum PIX, com a participação de associações representativas do sistema de pagamentos. O objetivo é discutir alternativas para preservar a integridade da ferramenta e a experiência dos usuários, sem comprometer as características essenciais do PIX. "Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", concluiu o BC. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil Alerta de golpe O Banco Central informou que trabalha na evolução do chamado "alerta de golpe" para transferências via PIX. A funcionalidade já é utilizada por algumas instituições para avisar os clientes sobre possíveis fraudes no momento em que uma transação é iniciada, com base em critérios considerados suspeitos pela própria instituição. "O BC está discutindo com o mercado, no âmbito do Fórum PIX, como padronizar essa experiência, visando tornar essa padronização obrigatória por meio da definição de critérios mínimos para emissão desses alertas e da forma como devem ser enviados para os clientes", informou a instituição. 🔎 Em outubro do ano passado, as instituições financeiras passaram a disponibilizar um botão de contestação para que uma transação possa ser questionada sem a necessidade de interação humana. Evolução nos últimos anos 📩 PIX Cobrança: passou a funcionar como uma alternativa ao boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviços emitam cobranças e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente. 💵 PIX Saque e PIX Troco: permitem que lojas e outros estabelecimentos funcionem como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro e reduzindo custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos. 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas definidas, oferecendo mais previsibilidade e organização financeira. 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, permite pagamentos por aproximação, em uma experiência semelhante à dos cartões com essa tecnologia. 🔄 PIX Automático: facilita pagamentos recorrentes ao funcionar de forma semelhante ao débito automático, permitindo cobranças de serviços contínuos. 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais ao permitir que pagamentos sejam iniciados por diferentes plataformas, especialmente em compras online e pelo celular. Agenda evolutiva do PIX, divulgada em março Reprodução de apresentação da 28ª reunião plenária do Fórum PIX O Banco Central não informa, no relatório de gestão do PIX, quando as novas funcionalidades serão lançadas. Entretanto, em uma reunião do Fórum PIX realizada em março deste ano, o BC estimou para 2026 a implementação da cobrança híbrida, do pagamento de duplicatas e do split tributário. Para os próximos anos, o BC prevê o "PIX Internacional" e o "PIX em Garantia". Já o "PIX Parcelado" não foi citado no relatório. A padronização dessa modalidade poderia ampliar a competição entre os bancos e reduzir reclamações. Para 2026 Cobrança Híbrida: permitirá pagar por QR Code uma cobrança que também oferece a opção de pagamento por boleto. A modalidade já é oferecida de forma facultativa, mas a previsão é que se torne obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: permitirá o pagamento de duplicatas escriturais — títulos de crédito — via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais. O objetivo é oferecer uma alternativa aos boletos bancários. Split tributário: vai adequar o PIX ao sistema de pagamento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS — tributo federal sobre o consumo — será paga no ato da compra quando o pagamento for feito por meio eletrônico. Próximos anos PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A ideia é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos ou por meio de acordos entre instituições financeiras. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. A ideia é interligar sistemas de pagamento instantâneos. ➡️ No caso do PIX Internacional, o BC observou que parcerias entre instituições financeiras brasileiras e estrangeiras têm permitido a geração de QR Codes e a confirmação da transação em tempo real. "O PIX é feito, em reais, instantaneamente da conta do brasileiro para a conta da instituição brasileira, que pode ser ou não um participante. Em um segundo momento, a instituição brasileira realiza a remessa de recursos para o exterior, da forma tradicional, sem usar a infraestrutura do Pix – que permite apenas transações domésticas –, fazendo com que os recursos sejam creditados em moeda local na conta do estabelecimento comercial na instituição parceira no exterior", explicou o BC. PIX parcelado ➡️ O Banco Central não faz referência, em seu relatório, ao chamado PIX Parcelado, apontado pela instituição como uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵 O parcelamento por meio do PIX já é oferecido por várias instituições financeiras como uma linha de crédito. O BC, porém, quer padronizar as regras, o que pode ampliar a competição entre os bancos e contribuir para a redução dos juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.

Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais Hollie Adams/Reuters A Meta, que já foi condenada duas vezes nos EUA neste ano por danos causados a jovens, agora terá de enfrentar quatro estados americanos que acusam a empresa de ter desenvolvido o Instagram e o Facebook para torná-los viciantes. A seleção do júri começará na quarta-feira (12), em um tribunal federal de Oakland, perto de São Francisco, informou a agência de notícias France Presse. O julgamento começará em 18 de agosto e deve se estender por cerca de seis semanas, com o veredicto previsto para o início de outubro. O caso é considerado um dos mais importantes entre os inúmeros processos movidos contra redes sociais nos EUA. Os procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, do Kentucky e de Nova Jersey pedem uma série de restrições ao funcionamento do Instagram e do Facebook para menores de idade, além de multas que podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões), valor equivalente à capitalização de mercado da Meta. Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas que a acusação pretende interrogar até o fim de setembro. Esta seria a segunda vez em seis meses que o diretor-executivo da Meta prestaria depoimento, após comparecer a um tribunal de Los Angeles, onde o júri considerou seu testemunho pouco convincente. Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil? Arquivos do Facebook O julgamento de Oakland, o primeiro em um tribunal federal, é resultado de uma batalha judicial iniciada no fim de 2021, quando a ex-funcionária da Meta Frances Haugen vazou milhares de páginas de pesquisas internas. O vazamento, que ficou conhecido como "Arquivos do Facebook", mostrou que a empresa investigava internamente os impactos do Instagram na saúde mental dos adolescentes, enquanto afirmava publicamente que a plataforma não era prejudicial. As revelações levaram dezenas de estados a abrir uma investigação conjunta. Dois anos depois, cerca de 30 procuradores-gerais entraram com uma ação contra a Meta. Dos estados envolvidos na ação, quatro foram selecionados para participar do julgamento em Oakland. Se a Meta for derrotada, o resultado poderá abrir caminho para um acordo mais amplo com os demais estados, nos moldes do que ocorreu no passado com a indústria do tabaco. TikTok, Snapchat e YouTube, do Google, também são alvo de ações apresentadas por milhares de famílias, escolas e procuradores nos Estados Unidos. Em março, em uma decisão histórica, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis pela dependência de uma adolescente da Califórnia e concedeu à jovem uma indenização de US$ 6 milhões (R$ 30,5 milhões). Posteriormente, no Novo México, a Meta foi condenada a pagar quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em multas e indenizações, além de cumprir restrições sem precedentes para contas de menores de idade no estado. Meta vai recorrer A Meta anunciou que recorrerá das duas decisões e afirmou ter "confiança" em seu histórico de "proteção dos adolescentes no ambiente on-line". A empresa argumentará que a saúde mental dos jovens "não pode ser atribuída a um único aplicativo" e que algumas das funcionalidades questionadas são protegidas pelas garantias de liberdade de expressão da Constituição americana. Em maio, Snapchat, TikTok, YouTube e Meta optaram por pagar US$ 27 milhões (R$ 137,4 milhões) a um distrito escolar de Kentucky para evitar outro julgamento, que poderia abrir precedente para ações semelhantes de cerca de 1.200 comunidades escolares. Imunidade sobre os conteúdos Os quatro estados acusam a Meta de violar leis de proteção ao consumidor e a Lei Federal de Proteção da Privacidade Infantil (COPPA) ao criar recursos para fazer com que crianças e adolescentes passem mais tempo nas plataformas, como rolagem infinita, notificações intrusivas ou enviadas durante a noite e alertas de "curtidas". Segundo a acusação, a empresa minimizava publicamente os riscos desses recursos. Essa estratégia contorna a imunidade concedida às plataformas nos Estados Unidos em relação ao conteúdo gerado pelos usuários: o alvo da ação é o design dos aplicativos, e não o conteúdo publicado neles. O valor de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões) reivindicado resulta de um cálculo segundo o qual cada menor afetado representaria uma infração independente, sujeita a multas de vários milhares de dólares, de acordo com a acusação. O júri terá apenas função consultiva. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que já presidiu o julgamento entre Apple e Epic Games e a batalha judicial entre Elon Musk e os criadores do ChatGPT no primeiro semestre deste ano, determinará as sanções e medidas corretivas. No tribunal, pais de adolescentes afetados pelas redes sociais poderão voltar a prestar depoimento, como ocorreu em Los Angeles, enquanto o restante do país poderá acompanhar o processo ao vivo pelo YouTube.

Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos O Desenrola Adimplentes começa a operar nesta segunda-feira (10) com novas regras para a participação das instituições financeiras. A modalidade oferece crédito em condições mais favoráveis para trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia e para estudantes e empresas adimplentes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o governo, a expectativa é que até 500 mil trabalhadores informais e 100 mil beneficiários do Fies procurem o programa. Segundo o Ministério da Fazenda, 30% do valor das operações virão das próprias instituições financeiras, enquanto os 70% restantes serão bancados pela União. A regra foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária na última sexta-feira (7), após a publicação da Medida Provisória nº 1.382, em 1º de agosto. O Desenrola Adimplentes é uma nova etapa do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal em junho. 🔎 Para os trabalhadores informais, a modalidade permite trocar uma dívida mais cara por um novo crédito, com juros menores. Já no caso do Fies, há linhas de crédito voltadas ao financiamento de atividades empreendedoras. O que mudou Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo A medida provisória que criou o Desenrola Adimplentes previa inicialmente que os recursos transferidos pela União ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal poderiam ser combinados com dinheiro próprio dessas instituições para viabilizar as operações, inclusive em parceria com outras instituições financeiras. Uma mudança feita posteriormente pela MP nº 1.382 permitiu que o dinheiro repassado pelo governo seja somado a recursos dos próprios bancos e de outras instituições financeiras autorizadas a participar do programa. Com isso, todas as instituições participantes terão de utilizar 30% de capital próprio nas operações do programa. Os outros 70% serão compostos pelos recursos repassados pela União. Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança tem como objetivo incentivar a participação de mais instituições financeiras no programa, ao mesmo tempo em que mantém o uso dos recursos públicos de forma eficiente. O CMN também revogou uma regra que previa a cobrança de encargos pelos agentes financeiros das demais instituições participantes pelo uso de recursos próprios nas operações. Trabalhadores informais A modalidade é destinada a trabalhadores que atuam no mercado informal e têm histórico recente de pagamento em dia. Podem participar trabalhadores sem vínculo com carteira assinada (CLT) que não sejam servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS. Para se enquadrar, é preciso ter uma operação de crédito pessoal não consignado ainda com saldo devedor e ter pago pelo menos quatro parcelas. A dívida deve estar em dia ou ter atraso de, no máximo, 90 dias — tanto na data da Medida Provisória nº 1.373, de 29 de junho de 2026, quanto na data da contratação da nova operação. O saldo devedor deve ser de até R$ 15 mil por instituição financeira. Condições da renegociação A operação prevê a contratação de um novo crédito para quitar integralmente a dívida anterior. As condições são: Juros: até 1,99% ao mês; Prazo: igual ao período que ainda faltava para quitar a dívida original, com possibilidade de extensão de acordo com o prazo restante: até 1 mês para dívidas com até 6 meses restantes; até 2 meses para dívidas com mais de 6 e até 12 meses restantes; até 4 meses para dívidas com mais de 12 e até 24 meses restantes; até 6 meses para dívidas com mais de 24 meses restantes; Valor da parcela: a nova prestação não poderá superar 90% da parcela original; Crédito adicional: poderá ser liberado até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela continue dentro do limite de 90% da prestação anterior. Garantia do FGO As operações contam com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que protege as instituições financeiras contra eventuais perdas. A garantia cobre 50% das primeiras perdas da carteira e é integral para cada operação, de acordo com as regras do programa. Fies O programa também prevê condições especiais para estudantes adimplentes com contratos do Fies e novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas que pretendem financiar atividades empreendedoras. Para estudantes com contratos do Fies celebrados até 2017, que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026 e tinham menos de 90 dias de atraso nessa data, o programa oferece desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida, inclusive o principal, para pagamento à vista. Além da renegociação, o programa prevê novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas adimplentes com o Fies. Segundo o governo, parte relevante desse público conclui cursos ligados a profissões autônomas e precisa de capital para começar a trabalhar. Parte dos beneficiários já possui CNPJ. Para ter acesso ao crédito destinado à atividade empreendedora, o graduado precisa: estar adimplente com o Fies há pelo menos 36 meses; não ter feito renegociação da dívida. Os juros poderão ser de até 11% ao ano (0,87% ao mês). O limite é de R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para pessoas jurídicas. O prazo máximo é de 60 meses para pessoas físicas e de 96 meses para empresas. Como contratar o Desenrola Adimplentes 'Bons pagadores' do Fies cobram descontos iguais aos de inadimplentes No início do programa, as linhas de crédito serão oferecidas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Outras instituições financeiras poderão aderir posteriormente. Clientes que têm dívidas em outros bancos também poderão procurar as duas instituições públicas. Nesse caso, será feita uma nova análise de crédito para verificar se a operação atende às regras do programa. Trabalhadores informais O cliente deve procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e solicitar uma análise de crédito. O banco avaliará o perfil do cliente e verificará se a operação se enquadra nas regras do programa. A dívida precisa ser de crédito pessoal não consignado, ter saldo de até R$ 15 mil, pelo menos quatro parcelas já pagas e estar em dia ou com até 90 dias de atraso. Se a operação for aprovada, a dívida será substituída por um novo crédito, com juros de até 1,99% ao mês. Também poderá ser liberado um valor adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela fique dentro do limite estabelecido pelo programa. A contratação deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais das instituições. No Banco do Brasil, informações sobre o programa estão disponíveis em bb.com.br/site/pra-voce/desenrola-brasil. O WhatsApp oficial do BB é (61) 4004-0001. Na Caixa, informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola. O WhatsApp oficial da Caixa é 0800 104 0104. Beneficiários do Fies No Banco do Brasil, a contratação do Desenrola Fies pode ser feita pelo aplicativo BB, no caminho Soluções de Dívidas > Central de Renegociações > FIES. Quem não tiver acesso ao aplicativo pode procurar uma agência do banco. Mais informações estão disponíveis no site do banco ou no WhatsApp oficial do BB: (61) 4004-0001. Os estudantes terão até 31 de dezembro de 2026 para aderir às condições especiais. Na Caixa, a renegociação pode ser feita pelo SIFESWEB, em uma agência do banco e, futuramente, pelo aplicativo FIES. O acesso ao SIFESWEB está disponível em sifesweb.caixa.gov.br. Mais informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola e no WhatsApp oficial da Caixa: 0800 104 0104. Bloqueio para apostas Como condição para participar do Desenrola Adimplentes, o beneficiário terá de aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de apostas online por seis meses. A medida foi adotada pelo governo para evitar que o crédito oferecido pelo programa, com juros mais baixos, seja utilizado em apostas. O bloqueio impede o cadastro e o acesso a contas de apostas vinculadas ao CPF durante o período.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,53% nesta segunda-feira (10), cotado a R$ 5,1106. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,19%, aos 172.180 pontos. ▶️ Investidores acompanham a nova alta do petróleo em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (9) que não reabrirá a passagem até que os Estados Unidos atendam às suas condições. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O presidente dos EUA, Donald Trump, ironizou a exigência de indenização por parte de Washington e disse que o regime iraniano deveria indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente". Como consequência do novo impasse, os preços do petróleo fecharam em alta de cerca de 5%. O barril do Brent, referência internacional, avançou 5,01%, para US$ 87,74. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 5,13%, a US$ 82,19 o barril. ▶️ Na agenda econômica desta semana, novos dados de inflação do Brasil e dos EUA ficam no centro das atenções. ▶️ Após os dados de emprego dos EUA virem abaixo do esperado na sexta-feira, o indicador de preços deve dar novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. ▶️ Por aqui, também fica no radar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que será divulgada nesta terça-feira. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,53; Acumulado do mês: +0,81%; Acumulado do ano: -6,89%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,19%; Acumulado do mês: -3,27%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. Em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo fechou em alta de cerca de 5% nesta segunda-feira. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na última semana, no entanto, o presidente americano, Donald Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Autoridades americanas também já haviam afirmado que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse a abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa iraniano de armas nucleares e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em queda nesta segunda-feira, com investidores ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Perto das 15h40, o Dow Jones caía 0,33%, enquanto o S&P 500 recuava 0,10% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 0,43%. Já na Europa, as principais bolsas da região fecharam mistas, em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,02%, enquanto o CAC-40, da França, caía 0,03% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 0,43%. Na Ásia, a maioria das bolsas de valores da região fechou em alta nesta segunda-feira, conforme investidores avaliavam novos dados de produção industrial da China e a notícia de que o BC chinês se comprometeu, em seu plano quinquenal, a manter a taxa de câmbio do iuan basicamente estável, além de ampliar o uso da moeda no comércio e nos investimentos internacionais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,16%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,05% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 2,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,65%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar vive disparada nos últimos dias Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo

Embraer entrega 65 aviões no segundo trimestre de 2026 e aumenta receita em relação a 2025 A Embraer, fabricante brasileira de aviões com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta segunda-feira (10) que registrou receita de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, o maior valor já alcançado pela empresa em um trimestre de abril a junho. O resultado recorde representa crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o balanço financeiro divulgado pela empresa, de abril a junho a Embraer entregou 65 aviões, sete a mais do que no segundo trimestre de 2025. É o melhor resultado da Embraer para esse período em 16 anos. A maior parte das entregas foi de aviões executivos. Foram 45 aeronaves desse segmento, que representa cerca de 69% do total. A empresa também entregou 20 aeronaves comerciais e de defesa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Com esse resultado, no primeiro semestre a Embraer chegou a 109 aeronaves entregues, contra 91 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de aproximadamente 20% em 2026. Embraer divulgou balanço de segundo trimestre nesta segunda. Reprodução/TV Vanguarda Além do aumento da receita e das entregas, a Embraer terminou o segundo trimestre com uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O número representa crescimento de 16% em relação ao segundo trimestre de 2025 e é o sétimo recorde consecutivo da carteira de pedidos. A carteira reúne aeronaves que já foram encomendadas pelos clientes, mas ainda não foram entregues. Novos contratos O resultado ocorre após uma série de acordos anunciados pela Embraer nas últimas semanas. Durante o Farnborough International Airshow, uma das principais feiras da indústria aeronáutica do mundo que foi realizada em julho na Inglaterra, o grupo Abra, que reúne empresas como Avianca e Gol, anunciou um acordo para comprar 20 E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem levar o negócio a até 45 aeronaves. A empresa também anunciou um acordo com a Azorra para até 30 E-Freighters, versão de aeronaves da família E-Jets adaptada para o transporte de cargas. O contrato prevê 20 pedidos firmes e direitos de compra para outros 10 aviões. E-175 da Embraer Divulgação Na área de defesa, Embraer e Saab anunciaram um acordo para a possível produção de 20 novos caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Também em julho, a empresa anunciou novos pedidos de aeronaves E2 pela Binter e pela Luxair, além de outros acordos comerciais durante o evento no Reino Unido. Modelos mais produzidos A aviação executiva, responsável por 45 das 65 aeronaves entregues no segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 3,7 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. A área reúne os jatos usados principalmente em viagens particulares e corporativas. A divisão de Defesa e Segurança também apresentou crescimento. A receita foi de R$ 1,5 bilhão, 22% acima da registrada um ano antes. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pelo avanço da produção e das entregas do KC-390 Millennium. Em Serviços e Suporte, a receita chegou a R$ 2,9 bilhões, crescimento de 11%. Já a aviação comercial teve receita de R$ 3,2 bilhões, uma queda de 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Segundo a Embraer, o resultado foi afetado principalmente pela valorização do real em relação ao dólar. Embraer. Divulgação/Embraer Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Mercado financeiro reduz pela 6ª semana seguida a expectativa de inflação de 2026 O mercado financeiro reduziu outra vez sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,02%. Esta é a sexta semana seguida de recuo. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A queda na estimativa de inflação acontece apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociações. Entretanto, o Irã impõe condições. ➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5,03% para 5,02%; ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,22%; ➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,80%; ➡️ Para 2029, a estimativa ficou estável em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com a estimativa de inflação ainda acima da meta central no primeiro trimestre de 2028 (objetivo no qual o BC está mirando para calibrar a taxa de juros), o mercado financeiro continua prevendo mais um corte de juros neste ano. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano — após quatro cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma última redução maior da taxa neste ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,50% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado recuou de 1,99% para 1,98%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,57% para 1,52%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,28 por dólar.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) Ricardo Stuckert / PR Antes do encontro que selou, na última semana, a retomada das relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador ajudou a construir a neutralidade da federação União Brasil-Progressistas (PP) tanto no cenário nacional quanto em estados-chave. A atuação de Alcolumbre também foi decisiva para afastar partidos do centrão em importantes colégios eleitorais do PL de Flávio Bolsonaro. A articulação do presidente do Senado pode ajudar a enfraquer palanques que dificultavam a posição eleitoral de Lula. Um novo encontro entre os dois deve ocorrer nos próximos dias. No Rio de Janeiro, por exemplo, reduto eleitoral da família Bolsonaro. A posição neutra era importante para Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo do estado, mas também para Lula, por enfraquecer o palanque de Flávio Bolsonaro. A neutralidade veio depois de uma longa reunião entre integrantes da campanha de Paes, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, Alcolumbre, que participou por telefone, e nomes fortes do PP. Em Minas, a federação União Brasil-PP optou por apoiar o atual governador, Mateus Simões (PSD) e deixar o PL de Flávio Bolsonaro sozinho. Um dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo é o que dá situação mais confortável a Flávio Bolsonaro (PL), pelo desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas pesquisas ao governo estado. Em outros, até mesmo quando coligados ao PL, candidatos ao governo evitam mostrar Flávio como candidato ao Palácio do Planalto. A relação entre Lula e Alcolumbre, rompida desde a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), começou a ser reconstruída a partir dos interesses de palanques do PT. Nos planos de Alcolumbre, a reeleição ao comando do Senado move a tentativa de se reaproximar de Lula, à frente nas pesquisas, mesmo que por pequena margem. Para os partidos do centrão, a neutralidade também ajuda na eleição de bancadas maiores para Câmara e Senado. LEIA TAMBÉM: Com o fim das convenções, Lula e Flávio Bolsonaro definem palanques nos oito maiores colégios eleitorais União Brasil decide ficar neutro na disputa presidencial nas Eleições 2026 Progressistas adota neutralidade, e Tereza Cristina não será vice de Flávio Bolsonaro

Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia O mercado de tecnologia reúne salários acima da média e alta demanda por profissionais. Mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados — um desequilíbrio que ajuda a explicar os altos rendimentos de algumas carreiras. Um estudo divulgado com exclusividade ao g1 pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, mostra o tamanho desse desafio: entre 2019 e 2024, a demanda por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil. A diferença representa um déficit de 30,2%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, esse desequilíbrio também está relacionado à concentração geográfica das oportunidades. “Quando você pega dentro do estudo, dá para ver isso. A concentração de vagas e necessidades das empresas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, é avassaladora”, afirma. A falta de profissionais ocorre em um momento em que a tecnologia deixou de ser uma demanda restrita às empresas do setor e passou a ser estratégica para praticamente toda a economia. Bancos, varejistas, hospitais, indústrias e empresas do agronegócio disputam os mesmos profissionais para avançar na transformação digital. Hoje, o setor representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para mapear as carreiras mais valorizadas, a Inteli analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025. Após a aplicação de filtros metodológicos, a pesquisa chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia. O levantamento mostra um mercado com muitas oportunidades, mas também derruba alguns mitos sobre as carreiras da área. Abaixo, saiba mais sobre o setor a partir dos seguintes pontos: 🤖 IA não domina contratações 💰 Onde estão os melhores salários 🧠 Competências mais buscadas 🌱 Nem toda área é boa para quem está começando Há oportunidades para programador de sistemas Sora Shimazaki/Pexels IA não domina contratações A inteligência artificial (IA) se tornou o principal assunto quando o tema é carreira em tecnologia. Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, 79% apontaram a área como a mais relevante do mercado atualmente. Quando os pesquisadores analisaram as vagas efetivamente abertas, porém, encontraram outro cenário. A maior parte das oportunidades continua concentrada nas áreas responsáveis por construir, integrar e manter os sistemas que sustentam as operações das empresas. As áreas que mais contratam no mercado de tecnologia são: Desenvolvimento de Software (35,7%); Infraestrutura e Suporte (23,2%); Dados e Inteligência Artificial (17,7%); Projetos e Gerenciamento (12,9%); Testes e Controle de Qualidade (5,7%); Segurança da Informação (2,5%); Automação de Processos e Sistemas (2,3%). Quase seis em cada 10 vagas abertas no país estão concentradas em desenvolvimento de software e infraestrutura. Para Niemeyer, a diferença entre o interesse dos profissionais e a realidade das contratações ocorre porque a inteligência artificial representa uma das áreas mais avançadas da tecnologia, enquanto muitas empresas brasileiras ainda estão em etapas anteriores da digitalização. “É muito comum que a área que esteja em maior ascensão ou no maior interesse das pessoas seja a área tecnologicamente mais avançada, da novidade. Mas a grande verdade é que o Brasil ainda tem uma maturidade tecnológica muito baixa nas empresas”, explica. Segundo ele, cerca de 80% das pequenas e médias empresas têm baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda concentrada em funções mais tradicionais, como infraestrutura e suporte. Onde estão os melhores salários A disputa por profissionais qualificados ajuda a elevar os salários, principalmente em funções estratégicas. As maiores remunerações estão concentradas em cargos de liderança e gestão de tecnologia, além de áreas como segurança digital e inteligência artificial. Confira o ranking dos maiores salários do setor: Chief Technology Officer (até R$ 53,6 mil por mês); Chief Security Officer (R$ 52,5 mil por mês); Chief Information Officer (até R$ 49,5 mil por mês); Gerente de Dados (até R$ 37,9 mil por mês); Gerente de Segurança da Informação (até R$ 37,2 mil por mês); Gerente de TI Generalista (até R$ 35 mil por mês); Especialista em IA e Machine Learning (até R$ 32,5 mil por mês); Gerente de BI (até R$ 29,4 mil por mês); Gerente de Infraestrutura (até R$ 27,9 mil por mês); Engenheiro de Inteligência Artificial (até R$ 27,1 mil por mês). Apesar de os salários mais altos aparecerem principalmente em cargos de liderança, Niemeyer destaca que a carreira técnica também pode levar a remunerações elevadas, sem necessariamente passar por posições tradicionais de gestão. Segundo ele, o avanço da tecnologia tem criado estruturas mais horizontais, com menos camadas de gestão e mais espaço para profissionais especializados, capazes de gerar alto impacto técnico. Esse movimento ganha relevância em um cenário em que cada vez mais jovens demonstram menos interesse por cargos tradicionais de liderança, como já mostrou o g1. Competências mais buscadas A Inteli também identificou competências que podem aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia. O conhecimento em inteligência artificial é um dos principais diferenciais. Entre as vagas com faixa salarial divulgada, as oportunidades que mencionam IA aparecem com mais frequência nas faixas de remuneração mais altas. Entre as vagas com salários acima de R$ 10 mil, a presença de oportunidades que exigem conhecimento em IA é aproximadamente o dobro da observada entre as que não mencionam a tecnologia. O inglês é outro diferencial. Apenas 7,5% das vagas com remuneração divulgada exigem explicitamente o idioma. Entre elas, porém, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção cai para 22,3%. A exigência também aumenta conforme a senioridade. Entre as vagas para profissionais plenos e seniores, 8,7% pedem inglês. Entre as oportunidades para juniores, o índice é de 6,6%. As certificações técnicas também são pontos de destaque. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados, principalmente em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial. O levantamento mostra ainda que as empresas procuram profissionais que combinem conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais. Abaixo, veja as soft skills mais valorizadas: Comunicação (21%); Criatividade (17,8%); Organização (15,8%); Trabalho em equipe (11,4%); Liderança (7,6%). Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas estão: Computação em nuvem (13,8%); Metodologias ágeis (6,7%); AWS (5,9%); Azure (5,8%); Windows (5,1%). Essas competências formam uma base técnica comum a diferentes áreas da tecnologia, independentemente da especialização escolhida pelo profissional. Nem toda área é boa para quem está começando Os salários mais altos não significam que todas as áreas ofereçam as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira. Por isso, a Inteli buscou identificar quais áreas são mais acessíveis para quem está começando e quais exigem mais experiência. Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada uma: Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são destinadas a profissionais iniciantes. Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades são para profissionais juniores. Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas. Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades. Desenvolvimento de Software: 22% das vagas. Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades. Segurança da Informação: 17% das vagas. Para quem está entrando na área, Niemeyer afirma que o avanço da inteligência artificial não deve ser visto como motivo para abandonar a carreira em tecnologia, mas como uma oportunidade de participar das transformações em curso. “Estar dentro da área de tecnologia permite que os jovens estejam à frente desse movimento e criando as transformações, e não só sendo passageiros dessa revolução que está acontecendo”, diz. A principal mudança está no perfil procurado pelas empresas. O profissional mais valorizado combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação.

O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance Relatos de que a Nvidia negocia oferecer apoio financeiro de quase 250 bilhões de dólares à OpenAI para um gigantesco projeto de data centers revelam os dois lados do boom da inteligência artificial (IA). Por um lado, isso mostra a dimensão colossal dos recursos financeiros e do potencial da IA. Por outro, expõe os riscos de um sistema de financiamento chamado "circular", que está no coração do ecossistema da IA. A pergunta é: se uma peça de dominó cair, as outras cairão junto? 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A natureza interconectada do ecossistema de IA é real", afirma Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. "Mas os riscos no curto prazo são mitigados por sólidos balanços patrimoniais, fluxos de caixa e qualidade de crédito dos principais atores que financiam a expansão." Jan Frederik Slijkerman, estrategista de tecnologia do ING, afirma que a robustez financeira de empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) ajuda a mitigar esses riscos. Ele ressalta que o grau de colaboração no que diz respeito à IA é "fascinante", mas não vê um risco sistêmico devido a esse tipo de interdependência. Agora no g1 O modelo circular O financiamento circular geralmente funciona da seguinte forma: uma empresa paga outra por um produto ou serviço, faz um investimento nela ou concede um empréstimo ou contrato de leasing. Em seguida, essa empresa que recebeu os aportes passa a comprar produtos ou serviços da primeira companhia. Essa alternativa é observada em diversos negócios ligados à IA. Para muitos, a revolução da IA começou com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, em novembro de 2022. As capacidades do chatbot levaram a inteligência artificial ao grande público. Seu sucesso rapidamente atraiu um investimento de 10 bilhões de dólares da Microsoft, o que permitiu à empresa desenvolver modelos ainda mais poderosos. Em contrapartida, a OpenAI tornou-se uma cliente estratégica dos serviços de nuvem da Microsoft, área na qual a empresa vem aumentando continuamente seus investimentos à medida que o boom da inteligência artificial ganha força. Esse acordo acabou servindo de modelo para negociações futuras. Amazon e Alphabet passaram a investir bilhões de dólares na Anthropic, rival da OpenAI e criadora do bem-sucedido chatbot Claude. Em troca, a Anthropic utiliza os serviços de nuvem da Amazon e do Google, além de comprar chips dessas empresas. Chips da Nvidia estão no centro do ecossistema de IA Ina Fassbender/AFP/Getty Images Nvidia, a "rainha da selva" Ainda assim, tudo isso é peixe pequeno diante do que a Nvidia trouxe para a mesa. "A Nvidia está no centro do ecossistema da IA, atuando não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como investidora estratégica que ajuda a acelerar a adoção de sua plataforma", afirma Tan. Segundo Slijkerman, a Nvidia desempenha um papel fundamental ao contribuir para o desenvolvimento de uma ampla gama de novos negócios, da área da saúde à direção autônoma. "Seus investimentos ajudam a impulsionar o crescimento do ecossistema de IA como um todo, ao mesmo tempo que facilitam a implantação da infraestrutura necessária para a inteligência artificial", afirma. A notícia de que a Nvidia negocia fornecer 250 bilhões de dólares à OpenAI, revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, seria apenas o mais recente megainvestimento financiado pela empresa, avaliada em 4,6 trilhões de dólares. A empresa de Jensen Huang está no centro do boom da IA graças aos seus chips, líderes de mercado. Desde 2024, a Nvidia tem investido pesadamente em diversas startups de IA, incluindo OpenAI, Mistral e aSpaceX, de Elon Musk. Em contrapartida, todas essas empresas se comprometem a usar chips da Nvidia. A companhia também passou a investir fortemente nas chamadas "neoclouds", como CoreWeave e Nebius. Essas startups alugam capacidade de armazenamento em nuvem voltada para aplicações de IA. Além de investir nelas, a própria Nvidia também contrata serviços de nuvem. Neste ano, a Nvidia aumentou os investimentos e fez novos acordos. Recentemente, a empresa fechou uma parceria com o conglomerado sul-coreano SK Group no valor de até 500 bilhões de dólares. Ao longo de 2026, esse tipo de negociação circular tornou-se ainda mais evidente em todo o setor. A OpenAI fechou acordos que somam quase 1 trilhão de dólares com empresas como Microsoft e a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD), chegando se tornar uma das maiores acionistas da AMD. Microsoft e Nvidia também fizeram investimentos significativos na Anthropic, e a Anthropic comprometeu-se a ampliar compras de armazenamento em nuvem e chips fornecidos por ambas. Vantagens – e riscos A dimensão dessa simbiose tem vantagens. "Ecossistemas interligados podem acelerar a inovação ao alinhar os incentivos de fornecedores de infraestrutura, desenvolvedores de modelos, empresas de aplicações e usuários finais, ajudando novas tecnologias a ganhar escala mais rapidamente", afirma Gary Tan. Slijkerman diz não considerar essa tendência de financiamento circular uma forma de "engenharia financeira". "Essas relações fazem sentido do ponto de vista estratégico porque ajudam os participantes a ampliar seu alcance de mercado e acelerar a adoção de novas tecnologias", afirma. "Além disso, elas podem gerar benefícios financeiros mútuos." Mas há riscos. Os temores de uma possível "bolha da IA" continuam pairando sobre os mercados globais. As ações de empresas de tecnologia e de fabricantes de semicondutores caíram vertiginosamente na semana passada, em meio a dúvidas sobre a rentabilidade do setor diante das quantias gigantescas investidas em data centers e em outras frentes ligadas à IA. Se as receitas geradas pela inteligência artificial não crescerem o suficiente, empresas que receberam aportes dos grandes grupos do setor poderão enfrentar dificuldades financeiras. Nesse cenário, elas podem reduzir ou interromper a compra de produtos dessas mesmas empresas que as financiaram, enquanto suas avaliações de mercado tendem a cair. Alguns analistas têm traçado paralelos com a bolha das empresas de internet e o colapso que se seguiu, depois que as avaliações dessas companhias dispararam nos primeiros anos da web, na década de 1990. O financiamento circular também desempenhou um papel naquela crise. Ainda assim, muitos observadores acreditam que o boom da IA está apoiado em fundamentos mais sólidos. "Embora algumas empresas ou modelos de negócio específicos possam acabar decepcionando, o ciclo mais amplo de investimentos parece ser sustentado por uma demanda real e pela efetiva geração de valor econômico", afirma Slijkerman. Tan concorda e afirma que um risco ainda maior para o setor no futuro está ligado aos juros. Na avaliação dele, uma alta das taxas de juros poderia ter um impacto significativo sobre muitas empresas de IA, já que elas levarão anos para se tornar lucrativas e tendem a ser mais penalizadas nesse cenário. "Os fluxos de caixa da inteligência artificial estão projetados para um horizonte de longo prazo. Por isso, a trajetória da curva de juros talvez acabe sendo mais importante do que a própria disponibilidade de capital", finaliza o gestor da Allspring Global Investments.

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Nas últimas duas semanas, relatos de modelos de inteligência artificial que ultrapassam os limites esperados — sejam eles técnicos ou éticos — tornaram-se comuns. O que começou com um pequeno episódio — a OpenAI, criadora do ChatGPT, admitindo que sua IA havia invadido o site Hugging Face — foi seguido por uma enxurrada de empresas e institutos revelando que descobriram casos de IA fora de controle 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Anthropic, empresa criadora do Claude, a Meta e o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) relataram incidentes que parecem pintar um quadro preocupante de um mundo onde a tecnologia agindo de forma descontrolada é a norma. Na realidade, cada caso oferece uma visão diferente dos riscos representados por agentes de IA cada vez mais poderosos — e da importância de se testar seus limites antes de que sejam lançados. O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI O incidente com a OpenAI no final de julho serviu de "alerta" para a indústria de tecnologia, como descreveu Thomas Wolf, cofundador da Hugging Face. Foi um momento crucial que levou grandes empresas a refletirem sobre seus próprios sistemas e, em alguns casos, a verificarem se não haviam deixado passar algo igualmente chocante. A Anthropic foi a primeira a agir. Na sexta-feira, a empresa encontrou três casos, entre milhares, em que seu modelo Claude conseguiu acessar a internet. Na terça-feira, o AISI, agência governamental do Reino Unido que avalia modelos de ponta, afirmou ter detectado um "incidente de segurança" durante uma avaliação de rotina. A organização vinha testando modelos da OpenAI e da Anthropic e descobriu que ambas também tentaram realizar ataques cibernéticos, o que levou a um apelo por "análise rigorosa, transparência e ação". Por fim, veio a Meta, que revelou que um de seus modelos de IA havia obtido acesso à internet inadvertidamente devido a uma "configuração incorreta" durante um teste realizado por terceiros. Testes Antes de os modelos de IA serem disponibilizados ao público em geral, eles são testados em uma série de avaliações internas e externas. O objetivo é descobrir o potencial deles para o bem ou para o mal, bem como o desempenho em indicadores que medem suas habilidades. Normalmente, esses experimentos ocorrem em locais conhecidos como "sandboxes". São espaços protegidos, projetados para simular sistemas reais, mas com rígidas medidas de segurança. No incidente entre a OpenAI e a Hugging Face, a IA atacou o próprio ambiente de testes (sandbox), encontrando uma vulnerabilidade que lhe permitiu acessar a internet e agir por conta própria. Já o AISI afirmou que o incidente envolvendo suas tecnologias — em que duas poderosas ferramentas de IA criaram perfis humanos falsos para tentar enganar pessoas em tentativas de ataques cibernéticos — não foi causado por um problema no ambiente de testes (sandbox). O motivo foi a forma como os testes forma conduzidos. Os modelos testados receberam acesso à internet, e o AISI também desativou os filtros integrados que normalmente bloqueariam ataques cibernéticos perigosos. "Em certa medida, nossas escolhas de projeto de avaliação e configurações específicas possibilitaram esse comportamento", afirmou, observando, ao mesmo tempo, "sinais inesperados de comportamentos novos e potencialmente enganosos". Alan Woodward, professor de Segurança Cibernética da Universidade de Surrey, disse que esses casos — embora distintos — contam uma história importante. "Durante 30 anos, uma regra dos testes de software permaneceu inalterada: tudo o que acontece no ambiente de teste permanece no ambiente de teste", disse ele. "No último mês, essa regra foi quebrada três vezes." "Um dos modelos conseguiu escapar. Outro passou por uma porta que havia sido deixada aberta por engano. Um terceiro recebeu as chaves de propósito para que os testadores pudessem medir seu comportamento." Ele disse que eram causas diferentes, mas que ambas tinham a mesma lição: "o risco agora reside no laboratório de testes". Ele disse à BBC que, à medida que os modelos se tornam mais capazes, é preciso fazer mais para garantir a segurança dos ambientes onde são testados. "Testar um agente de IA é menos como verificar um código e mais como lidar com um material perigoso: salas seladas, monitoramento constante do que sai do prédio, um plano de contenção ensaiado", disse ele. "A AISI conteve o incidente em uma hora. Outra organização pode não conseguir isso." Capacidades crescentes Para aqueles que desenvolvem ferramentas de IA projetadas para realizar ações em nome de uma pessoa, é preciso encontrar um equilíbrio delicado entre aproveitar seus benefícios e expor seus riscos. O benefício é significativo. Em teoria, poderíamos nos livrar de tarefas tediosas e repetitivas, como responder a emails, participar de reuniões ou gerenciar calendários e agendas, delegando-as a bots eficientes. A desvantagem é que, com grande poder, vem grande responsabilidade e risco. Isso fica particularmente evidente quando entregamos o poder a ferramentas que não são, como nós, capazes de trazer uma gama de valores, contexto e compreensão para as decisões que tomamos. "Incidentes recentes envolvendo modelos de IA de ponta realizando ações não autorizadas e, em alguns casos, comportamentos enganosos semelhantes aos humanos na internet aberta são um sério lembrete dos riscos que as capacidades da IA representam", disse Ollie Whitehouse, diretor de tecnologia do Centro Nacional de Segurança Cibernética, na terça-feira (04/08). Alguns acreditam que o enorme volume de tarefas que serão executadas por essas ferramentas significa que a supervisão humana pode não ser suficiente para conter o problema de modelos que se descontrolam. Entretanto, muitos acreditam que o fortalecimento da supervisão geral é vital para que o desenvolvimento continue no mesmo ritmo frenético. E agora? É improvável que a Meta será a última empresa a apresentar resultados de modelos capazes de reconhecer e explorar lacunas nos sistemas. Para alguns, esses episódios apontam para falhas de segurança evidentes por parte das empresas de IA que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia revolucionária. Para outros, são apenas mais um espaço para as empresas de tecnologia promoverem seus modelos poderosos e competirem com os rivais. Para mim, ambas as teorias contêm um fundo de verdade. Agentes de IA já estão se tornando parte de nossas vidas digitais por meio de serviços como ChatGPT, OpenClaw e Claude Getty Images via BBC Mas, ao surgirem um após o outro, esses eventos, sem dúvida, suscitaram receios sobre as capacidades da IA e para onde ela está caminhando à medida que a tecnologia avança. E a questão inevitavelmente se volta para os órgãos reguladores e o que eles podem e devem fazer. Michael Birtwistle, diretor associado do Instituto Ada Lovelace, destaca que o Reino Unido não oferece incentivos legais para que as empresas de IA impeçam o desenvolvimento de sistemas com capacidades que possam representar perigos, e que não há consequências caso os protocolos de teste falhem. Imogen Stead, gerente de políticas de IA do Centro para Resiliência a Longo Prazo, disse à BBC que, com as oportunidades de testar sistemas de IA de ponta cada vez mais escassas para muitos, os governos deveriam seguir o Reino Unido na criação de institutos dedicados a testes. Ela afirmou que aprimorar as avaliações de terceiros com iniciativas como um "esquema de testadores confiáveis" para os tipos de desafios mais arriscados também poderia ser usado para limitar os impactos negativos. Em vez de temer um apocalipse cibernético causado pela IA, Woodward afirma: "O importante é manter a calma e resolver os problemas". Reportagem adicional de Philippa Wain e Imran Rahman-Jones

Lauren Sánchez e Jeff Bezos caminham de mãos dadas durante um evento esportivo em Miami (EUA), em 2024 Getty Images Em março, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou o imóvel mais caro já vendido até hoje em Miami, nos Estados Unidos. Ele pagou US$ 170 milhões (cerca de R$ 872 milhões) por uma mansão em construção de quase 2,8 mil metros quadrados, na ilha particular de Indian Creek. Mas este não é o imóvel mais caro à venda na cidade do sul da Flórida. O recorde de Zuckerberg pode ser batido em breve pela casa do corretor de títulos mobiliários John Daveney, em Key Biscayne, que está à venda por US$ 237 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão). Se você for apreciador de cinema, é possível que reconheça aquela casa. Ela aparece no famoso filme Scarface (1983), dirigido por Brian de Palma e protagonizado por Al Pacino. É a mansão do narcotraficante Frank López. Ali, vemos pela primeira vez a personagem Elvira, interpretada por Michelle Pfeiffer, descendo em um icônico elevador de vidro. Para 99,9% da população mundial, é impossível se propor a pagar estes valores extraordinários por uma residência. Mas, para o 0,1% que detém essas condições, Miami passou a ser um dos destinos mais procurados. Brasileiros tem R$ 32 milhões “perdidos” em moedas de 1 centavo "Existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami", explica à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o jornalista especializado no mercado imobiliário residencial E. B. Solomont, do jornal americano The Wall Street Journal. "A criminalidade é baixa, o clima é ótimo, há belas comunidades e não existem impostos estaduais", destaca Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby's International Realty, uma das corretoras de imóveis ultraluxuosos mais famosas do sul da Flórida. Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon; Larry Paige e Sergei Brin, criadores do Google; e a filha do presidente americano Donald Trump Ivanka, com seu marido Jared Kushner. "Quando você tem um, dois ou três líderes empresariais influentes que se mudam, outros observarão os benefícios e irão segui-los", explica Solomont. "De repente, eles deixam de ser pioneiros. De repente, existe toda uma comunidade." Foto real do elevador por onde desceu Michelle Pfeiffer, no filme Scarface 1 Oak studios Mayi De la Vega defende que o mercado imobiliário de Miami entrou "em uma nova era dos 'imóveis troféus', pois a quantidade de vendas de casas de mais de US$ 60 milhões [cerca de R$ 308 milhões] vem aumentando e o mercado permanece em crescimento." "Se analisarmos 2025, nosso último ano completo, tivemos vendas no valor de mais de US$ 517 milhões [cerca de R$ 2,7 bilhões], todas de imóveis de mais de US$ 60 milhões." Mas por que Miami? Por que esta cidade do sul da Flórida passou a ser um local tão atraente para as pessoas mais ricas do mundo? Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon 1 Oak studios A influência da pandemia Com seu clima, suas praias e facilidade de transporte aéreo, Miami é historicamente um destino atraente para pessoas com grandes fortunas, principalmente da América Latina. "Mas foi durante a pandemia de covid-19 que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios", explica E. B. Solomont. Durante a pandemia, a Flórida gerou polêmica ao ser um dos primeiros Estados americanos a levantar as restrições de mobilidade para as pessoas em espaços públicos, eliminando a obrigação de uso de máscaras e reabrindo escolas, bares e restaurantes. Estas decisões valeram muitas críticas à Flórida. Mas também transformaram o Estado, governado pelo republicano Ron DeSantis, em um destino ideal para pessoas de alta renda que moravam em outros lugares, com medidas de saúde pública muito mais rigorosas, como os Estados de Nova York, Califórnia e Illinois. "Somando-se a isso o fato de que a Flórida é um paraíso fiscal [cujos moradores não pagam imposto estadual, ao contrário de outros Estados americanos], Miami se tornou imensamente popular, não apenas pelo local e pelo estilo de vida, mas devido a este grande incentivo tributário", explica Solomont. Os primeiros personagens influentes do mundo da tecnologia e dos negócios a chegarem à Flórida incluíram um dos fundadores do PayPal, Peter Thiel, e o criador do fundo de investimentos Citadel, Ken Griffin. Com isso, foi surgindo um "fenômeno acumulativo", explica De la Vega. "Em parte, isso tem relação com a moda", destaca ela. São "pessoas que dizem 'esta pessoa tem o mesmo dinheiro que eu e comprou ali, será que eu também devo comprar ali?'" Este fenômeno multiplicou as ofertas direcionadas ao mercado de ultraluxo em algumas regiões, com consequente aumento dos preços. O mercado de imóveis residenciais de Miami passou por um crescimento exponencial na última década Getty Images Ultramilionários em Miami Mayi de la Vega acredita que exista uma regra clara em referência aos preços do mercado imobiliário. "Algo primordial que se aprende no setor de imóveis é o conceito dos três 'L': localização, localização e localização." No condado de Miami-Dade, isso significa vista para o mar ou para a baía. "Os preços dos imóveis em frente à água são mais altos por serem muito poucos", explica Solomont. "Na situação atual, temos mais compradores do que moradias disponíveis em frente à água. E, até que isso mude, os preços continuarão subindo." O local que talvez reflita melhor esta realidade é a mais exclusiva das ilhas particulares de Miami, Indian Creek. O local, segundo De la Vega, "continua liderando, em termos de preços astronômicos". Indian Creek é conhecida como o "bunker dos multimilionários". Na ilha, ficam as mansões de Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Ivanka Trump. Embora não seja muito maior que o Central Park, em Nova York, Indian Creek conta com seu próprio prefeito e policiamento. O acesso se dá através de uma discreta ponte branca, vigiada por duas guaritas de segurança. "A pergunta é 'por que Indian Creek?'", prossegue De la Vega. "Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível." "É uma ilha particular com campo de golfe, uma 'ilha de milionários' com terrenos que são vendidos por US$ 200 milhões", cerca de R$ 1 bilhão, explica De la Vega. Mas o mercado de ultraluxo não se limita a comunidades isoladas como Indian Creek. North Bay Road é uma rua com cerca de 6,5 km de comprimento em Miami Beach. Lá ficam as casas de estrelas como Shakira e o casal David e Victoria Beckham. O The Wall Street Journal calcula que existam em North Bay Road cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em imóveis, que a transformam na rua com maior valor patrimonial dos Estados Unidos. Existem também à venda imóveis de mais de US$ 60 milhões em regiões mais tradicionais de Miami, como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne. A Flórida abriu suas praias apenas três meses depois da declaração de emergência relativa à covid-19 nos Estados Unidos, em 2020 Getty Images Mudanças O corretor de títulos John Devaney afirma que, quando comprou os imóveis que, hoje, compõem sua residência de US$ 237 milhões, em 2003, seu atrativo foi o imenso heliporto de cerca de 1 mil metros quadrados que se estende sobre a água. O ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) chegou a fazer uso daquela instalação. "Um dia, com 33 anos, eu voava de helicóptero e vi este heliporto", conta Devaney. "Eu, que cresci em Key Biscayne, disse: 'Adoraria que ele fosse meu para aterrissar com meus helicópteros." Naquele momento, em uma negociação que bateu todos os recordes da época, ele pagou US$ 15 milhões pelo lote onde está construída a casa. E pagou em seguida mais US$ 15 milhões pelo lote ao lado. Estes eram os preços normais em Miami antes da pandemia, segundo De la Vega. "Lembro que um dos imóveis que vendemos naquela época foi o de Shaquille O'Neill em Star Island [outra ilha particular na entrada de Miami Beach] por US$ 16 ou US$ 18 milhões. Uma das causas do aumento desmedido dos preços dos imóveis do mercado de ultraluxo nos últimos anos é a quantidade de dinheiro à disposição dos mais ricos. Dados do chamado "Índice da Desigualdade", elaborado por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e da Escola de Economia de Paris, na França, o patrimônio do 0,1% mais abastado da população se multiplicou em quase 13 vezes nos últimos 50 anos. O estudo considerou como parte do 0,1% pessoas que detêm patrimônio de mais de US$ 43 milhões (cerca de R$ 220 milhões). Para Solomont, esta disponibilidade de recursos faz os preços pagos pelas compras dessas pessoas dispararem. "Os corretores de imóveis dizem que o valor é aquilo que alguém está disposto a pagar por alguma coisa", explica ele. "Para você e para mim, pagar US$ 1 milhão [cerca de R$ 5,1 milhões] por um imóvel pode ser inconcebível. Para outros, pagar US$ 10 milhões [cerca de R$ 51 milhões] seria um exagero." "Mas, quando você tem bilhões na sua conta, comprar um imóvel de US$ 60 milhões pode não ser algo excepcional", prossegue ele. "Muitos pagam em dinheiro vivo." "Não é que não haja uma desconexão entre o que as pessoas comuns podem pagar por uma moradia e essas mansões multimilionárias", prossegue Solomont, "mas o volume de negociações [por mais de US$ 60 milhões] sendo realizadas evidencia que existe um mercado que continua ampliando seus limites." O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou aquele que, até o momento, é o imóvel mais caro já vendido em Miami. Getty Images Para De la Vega, este crescimento dos imóveis de maior valor também impulsiona os preços das moradias de faixas inferiores. Tudo isso se reflete diretamente nos preços pagos pelos moradores comuns de Miami. Os dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos indicam que a área de Miami, Ft. Lauderdale e Palm Beach superou Nova York em termos de custo de vida no país. O custo de vida na região conhecida como Costa Dourada ("Gold Coast", em inglês), atualmente, é cerca de 5% mais alto que o da área metropolitana de Nova York e seus subúrbios. Além disso, os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram em 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. O canal de TV Fox Business noticiou que os preços de moradia no sul da Flórida dispararam em 79% desde a pandemia e que o prêmio médio anual de seguro residencial da região é o mais alto do país. Por tudo isso, não surpreende que, após o pico de entrada de novos moradores devido à pandemia, o sul da Flórida venha perdendo habitantes nos últimos anos. O mercado de ultraluxo em Miami parece não ter teto, mas seu crescimento gera dúvidas entre os analistas. "De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões [cerca de R$ 385 milhões] por uma casa perto da água?", questiona Solomont.

Wesley e Joesley Batista BBC/ Getty images É 2017. Um advogado está sentado em frente ao computador em um escritório digno de um consultor jurídico de dois dos homens mais ricos e poderosos do Brasil. Ele termina de digitar, clica em "enviar" e se dirige à porta. Mas algo o incomoda, uma sensação persistente que não consegue ignorar. Ele se vira, volta à sua mesa e abre a pasta de e-mails enviados. Seu sangue gela. Para seu desespero, ele percebe que anexou o arquivo de áudio errado ao e-mail, uma mensagem destinada diretamente ao Ministério Público Federal (MPF). O anexo deveria salvar seus clientes. Em vez disso, seu erro os levará para a prisão. LEIA TAMBÉM: JBS anuncia investimento de US$ 5 bilhões para expandir negócios na Ásia Esta é a história de dois dos mais famosos irmãos brasileiros: Wesley e Joesley Batista, de 54 e 53 anos, respectivamente, cada um com uma fortuna atualmente estimada em US$ 5,7 bilhões (R$ 29 bi). JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque A história da família Batista está ligada ao crescimento econômico do Brasil e ao sucesso da JBS, a maior produtora de carne do mundo. Ao mesmo tempo, seu passado também remete a um dos maiores escândalos de corrupção da história do país. E apesar de serem lembrados no Brasil e no mundo por sua associação aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, os irmãos Batista passaram por uma espécie de "volta por cima" nos último anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Após uma temporada fora dos holofotes, hoje eles estão mais ricos do que nunca, com suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e participando até mesmo de reuniões na Casa Branca. Relembre, a seguir, a história da queda e da ascensão de Wesley e Joesley Batista, contada no programa Good Bad Billionaire (O bom e mau bilionário, em tradução literal), do BBC World Service* O pai Tudo começou com o pai de Wesley e Joesley, José Batista Sobrinho. Em 1953, ele abriu um açougue em Anápolis, no interior de Goiás. O Brasil passava por uma rápida modernização naquela época, e José se mudou para a recém-construída capital Brasília, atraído por uma isenção fiscal de quatro anos. Ele começou vendendo carne nas cantinas dos canteiros de obras da nova cidade e, alguns anos depois, comprou seu primeiro frigorífico, também em Goiás. A família Batista reunida: da esquerda para a direita, Wesley, fundador da JBS, o pai José, sua esposa, Flora Mendonça Batista, e Joesley, posando na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 2025 BBC/ Getty images Em 1972, ele renomeou a empresa para Friboi e teve dois filhos, Wesley e Joesley, que nasceram com apenas dez meses de diferença. Eles tinham um irmão mais velho e três irmãs. Naquele momento, o Brasil possuía vastas áreas de pastagem e 105 milhões de cabeças de gado. O país era o quarto maior produtor mundial de carne, atrás da Índia, da União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos. O problema era a taxa de abate: apenas 12% do rebanho era abatido anualmente, em comparação com 24% na Argentina e 40% nos Estados Unidos. As pastagens eram pobres, e o gado demorava mais para engordar: cinco anos, em comparação com 30 meses na Argentina ou 16 meses nos EUA. O governo brasileiro decidiu então transformar a carne bovina em um negócio de exportação. Transferiu a pecuária para o estado de Mato Grosso e financiou a modernização dos frigoríficos. Tudo isso bem ao lado de Goiás, sede dos negócios de Batista. A terra e os salários eram baratos, então o Brasil rapidamente começou a competir com os EUA em carne enlatada, hambúrgueres e ração para animais de estimação. Os irmãos Wesley e Joesley cresceram no ramo. Ainda adolescentes, já compravam e vendiam gado e lidavam com os clientes. Wesley certa vez disse que ele e o irmão não tinham formação acadêmica, mas aprenderam o ofício na prática. Aos 17 anos, ambos abandonaram a escola para administrar os matadouros da família. Durante as décadas de 1980 e 1990, o irmão mais velho, José Junior, liderou a Friboi. O pai foi se afastando gradualmente dos negócios. Wesley e Joesley ficaram responsáveis pela expansão da empresa. "Crescimento está no nosso DNA", diz Wesley. Entre 1993 e 2005, a Friboi adquiriu 12 matadouros e unidades de processamento. O crescimento da empresa estava ligado ao crescimento dos supermercados, que substituíam os açougues de bairro em várias partes do país. Como os supermercados exigiam volumes maiores e controles sanitários mais rigorosos, os matadouros menores não conseguiam acompanhar a demanda e acabaram batendo à porta da família Batista para vender seus produtos. Com o aumento da urbanização e da renda, o mundo também passou a consumir cada vez mais carne. E, graças ao melhor acesso à refrigeração, as exportações começaram a crescer. A Froboi estava em condições de abastecer os supermercados e, ao fazê-lo, cresceu cada vez mais BBC/ Getty images Em 2004, a empresa transferiu sua sede para São Paulo. Em 2005, José Júnior entrou para a política — sem muito sucesso — e deixou os negócios nas mãos de Wesley e Joesley. Naquela época, o faturamento da Friboi era de quase US$ 2 bilhões: aos 33 anos, os irmãos já eram milionários. Do Brasil para o mundo Chegou a hora de expandir para além do Brasil, e o vento estava a seu favor. O Brasil fazia parte do grupo Bric (mais tarde Brics), as economias emergentes que estavam mudando o cenário econômico global. E o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia lançado um programa para transformar empresas brasileiras em gigantes multinacionais. O país estava se desenvolvendo a passos largos, e os irmãos Batista acompanhavam o ritmo. Eles compraram a Swift-Armour, a maior exportadora de carne da Argentina, por US$ 200 milhões em 2005, com um empréstimo de US$ 80 milhões do BNDES. Em 2006, já operavam 21 unidades de processamento no Brasil e cinco na Argentina, processando 20 mil cabeças de gado por dia. Seu próximo alvo eram os Estados Unidos, mas as normas sanitárias daquele país não permitiam a importação de carne bovina brasileira. Eles precisavam comprar acesso a esse mercado. Para financiar a expansão, abriram o capital da empresa. Em março de 2007, a JBS teve a melhor estreia na bolsa de valores da história do Brasil até então. A Friboi ficou conhecida como JBS, em homenagem às iniciais do pai. Alguns meses depois, fizeram sua maior aquisição: a Swift & Co., a terceira maior processadora de carne dos EUA, com vendas anuais de US$ 9 bilhões. A aquisição custou US$ 1,4 bilhão. O BNDES contribuiu com a compra de US$ 500 milhões em novas ações da JBS. A Swift proporcionou à empresa uma marca global e acesso a muitos novos mercados. "Com essa aquisição, nos tornamos a maior empresa de carne do mundo", anunciou Joesley. Um apetite insaciável "Nasce a maior empresa de carnes do mundo. E ela é brasileira", dizia placa na sede da JBS SA em São Paulo, em 2007 BBC/ Getty images Na década seguinte, a JBS adquiriu mais de 40 empresas em quatro continentes. Quando o dólar se desvalorizou, eles compraram mais nos EUA, como a divisão de carnes da Smithfield Foods, por US$ 500 milhões. Mas quando tentaram adquirir a National Beef, o Departamento de Justiça americano bloqueou a transação devido a preocupações com monopólio. Temiam que um gigante daquele porte definisse os preços, pagando menos aos pecuaristas e cobrando mais dos consumidores. Segundo o próprio Wesley, foi essa tentativa fracassada que permitiu à JBS investir em outras áreas. Os irmãos diversificaram para o setor de frango e adquiriram uma participação majoritária na empresa americana Pilgrim's Pride, que estava em falência, por US$ 800 milhões. Em 2011, os irmãos controlavam 22% do fornecimento de carne bovina dos EUA. Mas, embora estivessem vendendo muito e ampliando rapidamente sua presença internacional, os lucros ainda não eram suficientes para financiar sozinhos uma maratona global de aquisições. Entre 2005 e 2014, a empresa comprou dezenas de concorrentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa, numa expansão avaliada em cerca de US$ 20 bilhões. Como financiar uma operação dessa magnitude? A resposta passou pelo BNDES, que fez aportes bilionários no negócio. Em 2014, o Estado brasileiro, por meio do banco de desenvolvimento, era o maior acionista individual da companhia, controlando quase 35% de suas ações. Na prática, um banco público de desenvolvimento havia se tornado dono de cerca de um terço de uma multinacional privada que já faturava bilhões e expandia operações em vários continentes. Algo não fazia sentido. Então veio a Lava Jato... Até então, essa era a história que os irmãos, sua família e a empresa contavam. Mas depois descobriu-se que nem tudo era verdade. A gravação do presidente Temer desencadeou manifestações em massa exigindo "Fora Temer" e "Fora todos eles", e até inspirou obras de arte urbana BBC/ Getty images Então veio a Operação Lava Jato e suas revelações sobre um esquema de corrupção gigantesco, no qual grandes empresas pagavam propinas a políticos em troca de contratos e favores políticos. Em 2016, os irmãos já eram suspeitos formais. O risco para eles era enorme: o presidente de outra empresa bilionária, Marcelo Odebrecht, havia sido condenado a 19 anos de prisão. Em 2017, Wesley e Joesley Batista fizeram um acordo com o Ministério Público para entregar todas as provas que possuíam em troca de imunidade parlamentar. Eles contaram tudo. Subornos a funcionários para resolver pendências fiscais e para liberar empréstimos — eles confessaram ter subornado três presidentes brasileiros, algo que todos negam. No total, cerca de US$ 200 milhões foram distribuídos entre quase 1,9 mil políticos. Joesley chegou a afirmar que, sem essas propinas, a empresa não teria crescido tão rápido. Ele também revelou que o esquema com o BNDES começou em uma reunião em 2005 com Guido Mantega, então presidente do banco e posteriormente Ministro da Economia. Para o primeiro empréstimo para a compra da Swift-Armour na Argentina, Joesley disse que subornaram um associado de Mantega com US$ 3,2 milhões, continuando a pagá-lo até 2009, quando alegaram ter começado a negociar diretamente com Mantega. O BNDES negou tudo. Mantega foi preso e libertado quase imediatamente. Entre os subornados, segundo seu depoimento, estava o então presidente do Brasil, Michel Temer, que teria recebido US$ 4,6 milhões. Joesley chegou a gravar uma conversa com ele, usando um microfone escondido, na qual, segundo a Procuradoria-Geral da República, Temer aprovou o pagamento para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso e poderia incriminar importantes líderes políticos. O ex-presidente nega as acusações e, embora tenha sido investigado e posteriormente preso em um desdobramento da Lava Jato, Temer não foi condenado nos principais processos relacionados a esse caso. Reviravoltas inesperadas O acordo dos irmãos com o MPF lhes garantiu imunidade contra processos por corrupção. A empresa, no entanto, pagou uma multa recorde de US$ 3,2 bilhões, distribuída ao longo de 25 anos. Mas houve duas reviravoltas inesperadas. Milhões de cabeças de gado, milhões de dólares, milhões em subornos, milhões em multas... e uma temporada na prisão BBC/ Getty images Você se lembra do advogado do início do texto? Em vez de enviar a gravação do diálogo com Temer ao MPF , ele enviou os áudios de outra conversa, entre Joesley e um executivo da empresa, Ricardo Saud. Na gravação, Joesley parecia admitir que havia ocultado informações cruciais dos promotores, e discutia como influenciar o Procurador-Geral da República para melhorar o acordo de delação premiada. Ambos pareciam relaxados, estavam até rindo. Em um dado momento, Joesley pode ser ouvido dizendo: "Somos a joia da coroa. Vamos sair dessa numa boa com todo mundo, e eles não vão nos impedir." Dias após o erro monumental do advogado, os dois se entregaram à polícia. Mas o golpe final para os irmãos Batista foi financeiro: dias antes da notícia sobre a existência de uma gravação secreta com o presidente Temer se tornar pública, os irmãos venderam US$ 90 milhões em ações da JBS. Quando o escândalo estourou, a bolsa de valores brasileira despencou e teve que suspender temporariamente as negociações após uma queda de quase 9%, a maior em nove anos. Wesley e Joesley foram presos sob suspeitas de insider trading (uso de informação privilegiada) e manipulação de mercado. Eles sempre negaram as acusações. Após cerca de seis meses em prisão preventiva, eles receberam autorização para seguir em prisão domiciliar à noite e nos fins de semana. Medidas cautelares, porém, os proibiam de deixar o país e de ocupar cargos na JBS. A volta por cima E a empresa? Em vez de afundar, ela prosperou. Quando Joesley foi libertado da prisão, em março de 2018, as ações da JBS subiram cerca de 3,6%. Pouco depois, um aumento na demanda por carne da China impulsionou os lucros no Brasil em quase 116% no início de 2019. Naquele mesmo ano, Wesley e Joesley estrearam na lista de bilionários da Forbes com US$ 1,3 bilhão cada. A prisão não prejudicou os negócios: pelo contrário, os impulsionou. A conquista de Wall Street: a placa da JBS NV na Bolsa de Valores de Nova York marcou sua chegada após anos de oposição BBC/ Getty images Com a chegada da pandemia de covid-19, a Justiça suspendeu a proibição de que eles ocupassem cargos executivos. Na época, a JBS fornecia 25% do mercado alimentício brasileiro e empregava 260 mil pessoas. Aparentemente, eles eram importantes demais para serem punidos. Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil os absolveu das acusações de uso de informação privilegiada. No ano seguinte, eles retornaram oficialmente ao conselho de administração da JBS, que havia consolidado sua posição como a maior empresa de carnes do mundo, com mais de US$ 77 bilhões em receita anual. Era, e ainda é, um bom momento para estar no ramo de carnes. Após anos de boom vegano no Ocidente, esse produto teve um forte retorno, impulsionado pela divulgação massiva dos benefícios da proteína. Em 2025, Wesley indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. "Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário", observou ele. No entanto, a JBS ainda tinha um obstáculo a superar: a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York. O órgão regulador americano havia negado repetidamente o pedido da empresa para entrar na bolsa devido à forte oposição bipartidária no Congresso, onde havia se formado um grupo chamado de "Ban the Batistas" (Proíbam os Batistas). Tudo mudou com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A abertura de capital ocorreu em 2025, apenas dois dias depois de ser revelado que o maior doador para o comitê de posse de Trump havia sido a Pilgrim's Pride, uma subsidiária da JBS, com uma contribuição de US$ 5 milhões. Era uma quantia astronômica: cinco vezes maior do que a doada por gigantes da tecnologia como Amazon, Meta, Uber, Nvidia ou Microsoft, que contribuíram com um milhão de dólares cada. A JBS negou qualquer tratamento preferencial. Sua estreia em Wall Street foi um sucesso estrondoso. Naquele dia, a fortuna de cada um dos irmãos aumentou em US$ 200 milhões. Hoje, a fortuna de cada um deles chega a US$ 5,7 bilhões. A escuridão A carne pode ser deliciosa e nutritiva, mas como ela chegou ao seu prato? BBC/ Getty images Não se trata apenas de carne e dinheiro. Em 2025, a JBS pagou uma multa de US$ 4 milhões após a descoberta de que crianças da América Central trabalhavam à noite limpando fábricas da empresa nos Estados americanos de Colorado, Minnesota e Nebraska. Elas manuseavam produtos químicos e algumas chegavam à escola com queimaduras. Em 2017, outra investigação revelou que a JBS comprava carne de uma fazenda suspeita de usar mão de obra em condições de escravidão moderna. Também houve alegações de maus-tratos a animais. Em 2017, a Humane Society divulgou imagens de galinhas sendo espancadas em uma fazenda da Pilgrim's Pride. Em 2018, outro vídeo mostrou trabalhadores espancando e mutilando leitões sem anestesia. A JBS afirmou, em ambos os casos, que abriu investigações e rompeu relações com os fornecedores envolvidos. As acusações de desmatamento também persistiram. Em 2017, a empresa pagou uma multa de US$ 7,7 milhões e, em 2024, foi novamente sancionada pelas autoridades brasileiras em uma operação contra a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, embora a empresa tenha negado qualquer irregularidade. No mesmo ano, o Procurador-Geral de Nova York processou a JBS por supostamente ter descumprido suas promessas de atingir emissões líquidas zero até 2040, acusação que a empresa também rejeitou. Grande demais para cair O retorno dos irmãos Batista não se limitou ao setor financeiro. Foi acompanhado por uma enorme influência política. No Brasil de hoje, eles são fotografados com frequência ao lado do presidente Lula (PT) em eventos públicos. No cenário internacional, os irmãos também começaram a circular nos altos círculos diplomáticos. Um exemplo disso foi o encontro particular de Joesley com Donald Trump em 2025, pouco depois de os EUA imporem uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, medida que Washington acabou eliminando por completo. A influência dos irmãos nessa decisão foi tamanha que um empresário brasileiro chegou a afirmar que a remoção da tarifa se deveu em 99% aos Batista. Joesley também ajudou a aproximar Trump e Lula e desempenhou um papel importante na operação dos EUA na Venezuela, viajando entre Washington e Caracas para tentar amenizar as tensões com o governo venezuelano. Talvez esse retorno à cena política não seja uma surpresa. Os irmãos Batista revolucionaram a indústria alimentícia brasileira, transformando-a em uma potência global na exportação de carne. No mundo dos negócios, alguns os veem como heróis empreendedores por levarem o orgulho brasileiro a Wall Street. Em última análise, a lição incômoda é de puro realismo financeiro: você pode estar envolvido nos piores escândalos, mas se sua fortuna for grande o suficiente, o sistema sempre manterá uma porta aberta.

Concurso 3.042 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3042 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (9), em São Paulo. Uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00. A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 02 - 05 - 10 - 35 - 40 - 53 6 acertos: 1 aposta ganhadora, R$ 164.895.645,50 5 acertos: 246 apostas ganhadoras, R$ 22.927,51 4 acertos: 13.158 apostas ganhadoras, R$ 706,56 concurso 3042 da Mega-Sena Caixa O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Por que cada vez mais pessoas pagam para ficar offline Enquanto a vida digital se acelera, cresce um movimento na direção oposta: consumidores interessados em experiências mais lentas, presenciais e tangíveis. A tendência aparece de formas diferentes, mas tem um elemento em comum: a valorização daquilo que exige tempo, atenção e envolvimento. Discos de vinil ganham espaço diante das playlists infinitas. Câmeras analógicas ressurgem como alternativa aos filtros e aplicativos. E atividades criativas feitas à mão passam a disputar espaço com horas diante do celular. Esse comportamento está criando oportunidades para empreendedores que apostam justamente no que parecia ter ficado para trás. Em diferentes regiões do país, negócios baseados em tecnologias, produtos e hábitos do passado encontram novos públicos. O que une essas iniciativas é a mesma aposta: transformar a busca por experiências mais humanas e menos digitais em oportunidade de negócio. Empreendedor aposta no vinil e no resgate do ritual de ouvir música Globo/ Reprodução LPs voltaram à moda. Em Macapá (AP), o empreendedor Charles Figueiredo encontrou uma oportunidade justamente em um formato que muitos consideravam ultrapassado. Há cerca de dez anos, ele decidiu transformar sua coleção de discos em negócio e abriu uma loja especializada em vinis. O que era um mercado de nicho passou a atrair um público cada vez mais diverso. Segundo o empreendedor, aproximadamente 70% dos clientes têm entre 16 e 26 anos. Em vez de consumidores que viveram o auge dos LPs, a maioria é formada por jovens que estão descobrindo agora o universo dos discos. Para eles, o interesse vai além da música. Existe um ritual que começa na escolha do álbum, passa pelo cuidado de retirar o disco da capa e termina no momento de posicionar a agulha sobre a faixa desejada. Uma experiência bem diferente da praticidade oferecida pelos serviços de streaming. “Porque no mundo de cliques instantâneos, esse é um convite para ouvir sem pressa”, diz a reportagem. Os discos são vendidos a partir de R$ 2 e ajudam a sustentar um negócio que hoje fatura cerca de R$ 25 mil por mês. Para atrair clientes, Charles investe em feiras, encontros de colecionadores, vendas por catálogo e divulgação nas redes sociais. “Bom, eu acredito que o futuro vai ser sempre esse, de resgate, de resgatar memórias. Então, tem público jovem. Eles estão criando novas memórias agora, criando o ritual novo de colocar o disco pra tocar, pegar agulha e colocar na faixa certinho para tocar.” Câmeras analógicas ganham novos fãs e voltam às prateleiras. Globo/ Reprodução Câmera que parecia ultrapassada volta a valer mais Em Goiânia, a volta ao passado acontece pelas lentes. Silvio Alves Domingues trabalha há 40 anos com fotografia e acompanhou a transição do analógico para o digital. A mudança foi rápida e teve impacto direto no negócio. “Então, antigamente era focado só no analógico. Aí teve a transição para os equipamentos digitais. O impacto foi grande, foi bastante grande porque a princípio eu achei que não ia pegar tão rápido o digital.” O empresário precisou se reinventar. “E aí nós tivemos que nos reiventar porque entrou uma nova linha de equipamento que até então nós não conhecíamos. Um bem que era o digital.” Mas, cerca de oito anos atrás, ele percebeu um movimento inesperado. “Exatamente há oito anos atrás começou uma tendência de pessoas começar a voltar a esse retrô, né? Principalmente por causa que alguns jovens estavam cansados dessas fotos. Muito maquiada, digital. Eles queria algo mais natural.” Para esse público, a imperfeição e a naturalidade da fotografia analógica passaram a ser parte do encanto. “Então eles começaram a pegar as câmeras dos avós, os tataravós e trazer essas câmeras para a manutenção.” A procura ajudou a valorizar equipamentos que, durante um período, pareciam ter perdido completamente o espaço. Uma câmera que chegou a custar entre R$ 100 e R$ 150 pode hoje ser vendida por cerca de R$ 1.300 a R$ 1.400, segundo Silvio. A valorização depende, porém, do estado de conservação do equipamento. Algumas câmeras não compensam o custo de manutenção. Outras podem ser restauradas e voltar a funcionar. O negócio de Silvio fatura cerca de R$ 100 mil por mês. Para ele, existe também um componente emocional nessa volta. “Então eu que vivi isso esses 40 anos, quando eu vejo esses equipamento voltando e é muito interessante porque o material que esse equipamentos são feitos sabe assim os detalhes, cada mola, cada alavanca, assim a perfeição.” “Aquilo ali me emociona tanto. E eu faço assim não só pelo trabalho, mas também uma satisfação que me dá um amor que eu tenho de trabalho.” A procura pelo analógico também alimenta expectativas sobre o futuro do setor. “Então, sim, fábricas que anteriormente pararam e agora virão, um futuro promissor para novamente fabricar película. Eu também estou com eles. Eu vejo que vai ser algo promissor para o futuro.” Atividades manuais atraem quem busca desacelerar e sair das telas. Globo/ Reprodução Cerâmica, bordado e mais Em São Paulo, a busca por desconexão ganhou uma forma diferente. Laura Issa criou um espaço de experiências criativas. O local oferece aulas de pintura em cerâmica, cerâmica, bordado, crochê e aquarela, além de workshops nos fins de semana. O investimento inicial foi de R$ 50 mil, e o ticket médio é de R$ 250. A ideia surgiu das próprias experiências da empreendedora. Laura conta que, em momentos de mudanças na vida, costumava buscar cursos e viagens para experimentar coisas novas. Com o tempo, percebeu que outras pessoas poderiam ter a mesma vontade. “Então eu percebi que talvez mais pessoas tivessem essa vontade de testar diversas coisas, né?” Ela também identificou uma dificuldade específica de quem vive em uma cidade grande: “Ainda mais numa cidade como a gente está aqui, você acaba ficando enclausurado naquele ciclo casa trabalho, trabalho, casa.” A proposta do espaço é justamente quebrar essa rotina. “Mas o que a gente pode colocar na nossa rotina para sair desse, dessa roda é conseguir realmente ter uma vida um pouco com um pouco mais de significado e um pouco de personalidade.” A empreendedora diz que, ao longo da construção do negócio, percebeu que havia também uma busca por diminuir o tempo diante das telas. “Então eu fui percebendo em mim mesmo e nas pessoas. Talvez isso fosse inconsciente em mim, mas uma busca pra sair das telas, uma busca pra você ter uma conexão real.” O espaço tenta oferecer justamente essa experiência presencial. “Meu negócio era um espaço criativo que ele busca trazer a experiência pra que as pessoas consigam experienciar coisas diferentes e trazer criatividade pra vida.” A divulgação acontece também pelas redes sociais, mas a própria chegada dos clientes tem um componente offline. “E é muito interessante porque elas vêm de forma analógica também. Então ela vem muito passando pela rua e vem do espaço, chama atenção e vem muito por indicação.” A proposta atraiu principalmente mulheres: 90% dos clientes são mulheres, e a maioria tem entre 30 e 40 anos. Uma delas é Ana Facure, que decidiu reduzir o uso das redes sociais e buscar atividades manuais. “Com certeza eu decidi esse ano sair das redes sociais e fazer alguma coisa que eu tenha trabalhos manuais, que eu não fique tanto na tela, não só no celular, mas na televisão.” Ela encontrou no espaço uma possibilidade de criar e, ao mesmo tempo, estabelecer relações presenciais. “Eu acho que é o sentimento de pertencimento, de conexão com as pessoas. Mas pra mim, o que eu mais acho gostoso é um lugar de conexão que você se conecta com as pessoas que você tem relações reais, olho no olho e não na tela.” Para Ana, a própria velocidade de São Paulo reforça essa necessidade. “Eu acho que São Paulo tem um pouco dessa pressa que pra mim me faz sentir um pouco acelerada. Então eu sinto falta de um espaço onde eu posso desacelerar e criar essas conexões.” O negócio de Laura fatura cerca de R$ 45 mil por mês. Consumidores interessados em experiências mais lentas, presenciais e tangíveis Pexels O mercado da desconexão Embora atuem em segmentos completamente diferentes, os três empreendedores apostam em uma mesma mudança de comportamento. Em um cenário cada vez mais digital, consumidores passaram a valorizar experiências que exigem mais presença, tempo e interação. O fenômeno não representa uma rejeição à tecnologia. Pelo contrário. Todos esses negócios usam internet, redes sociais e ferramentas digitais para divulgar produtos, encontrar clientes e ampliar a operação. A diferença está no que oferecem: algo que o ambiente online nem sempre consegue reproduzir. Seja ouvindo um disco de vinil, fotografando com uma câmera analógica ou participando de uma aula de cerâmica, os clientes buscam experiências físicas, sensoriais e compartilhadas. Em comum, está o desejo de desacelerar em meio à rotina acelerada da vida digital. Para esses empreendedores, o futuro não está necessariamente em escolher entre o analógico e o digital, mas em encontrar um equilíbrio entre os dois mundos. E, ao que tudo indica, existe um público cada vez maior disposto a investir nessa experiência.

Saiba como fazer um delicioso bolo de milho Reprodução / TV TEM O Nosso Campo deste domingo (9) ensina a preparar um delicioso bolo de milho. Saiba como fazer: Ingredientes: 6 espigas de milho verde ou 2 latas de milho a medida para os demais ingredientes será a lata de milho 1/2 lata de óleo (125 mL) 1 lata de leite (250 mL) 1 lata de açúcar 1 lata de fubá 2 ovos 1 colher de fermento em pó goiabada Modo de preparo Corte o milho do sabugo, evitando cortes fundos para não amargar; No liquidificador, misture o leite, o óleo, os ovos, o milho, o açúcar e o fubá; Bata até virar uma mistura homogênea; Adicione o fermento e bata mais um pouco; Despeje a massa em uma forma untada, evitando usar farinha; Coloque no forno pré aquecido a 180°C por 50 minutos ou até estar dourado e seco; Finalize com a goiabada por cima. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de milho VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Jundiaí tem produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva Reprodução / TV TEM Especialistas da tradicional Escola de Enologia de Conegliano, a mais antiga da Itália, estão em Jundiaí (SP) para ajudar produtores locais a aprimorar a qualidade do vinho durante a preparação para a safra de inverno. A colaboração internacional ocorre por meio de trocas tecnológicas e visitas anuais de professores italianos, que desenvolvem experimentos conjuntos na região. Jundiaí (SP) é um dos principais destaques do setor no estado, com produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva, divididas entre as safras de verão e de inverno. No município, 21 vinícolas industriais e artesanais produzem juntas 8,7 milhões de litros de vinho por ano. O objetivo do projeto é fazer com que as inovações cheguem diretamente aos produtores. De acordo com Eduardo Alvarez, professor responsável pelo Centro de Enologia da Etec Benedito Storani, um dos focos da pesquisa é aperfeiçoar o controle do pH (potencial de hidrogênio) da bebida. Esse indicador define a qualidade do produto, influenciando diretamente o sabor, a cor e a durabilidade do vinho. Para evitar a proliferação de microrganismos indesejados e assegurar a conservação, o vinho precisa manter um nível de pH próximo de 3,0 e sempre abaixo de 3,4, aliado ao teor alcoólico correto. Durante as atividades na Etec, acompanhadas por estudantes e produtores, o enólogo Felipe de Jesus Piazzaroli explicou parte do processo: após as etapas de fermentação e clarificação, o vinho com pH ajustado entre 3,2 e 3,3 retorna ao tanque para finalização da fermentação. O procedimento preserva o aroma e o sabor característicos do fruto, garantindo a identidade e a exclusividade do vinho de acordo com a região. Os testes práticos foram comandados pelo professor italiano Luigi, da Escola de Conegliano. A técnica é aplicada pela primeira vez no Brasil e permite corrigir a acidez, além de remover metais pesados e outros elementos que podem instabilizar a bebida. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Parceria com escola italiana busca aprimorar produção de vinhos em Jundiaí VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

O jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura Reprodução / TV TEM Em Getulina, interior de São Paulo, a família Roncoleta soma cinco gerações dedicadas ao campo. Hoje, o jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura. A fazenda pertence à família desde o bisavô de Sérgio. O trabalho atravessou décadas e agora ganha continuidade com Lucas. Segundo Sérgio, o segredo para manter a produção está no cuidado com cada etapa: plantar, colher e cortar. Para ele, o conhecimento passado de pai para filho garante qualidade e desperta o interesse das novas gerações. Lucas já planeja o futuro. O adolescente quer cursar agronomia para ampliar as lavouras e assumir a gestão da propriedade. O pai se emociona ao ver o filho repetir sua trajetória. Sérgio lembra dos ensinamentos que recebeu do próprio pai, na mesma terra onde hoje orienta Lucas. O legado, afirma, não é só paixão. Também envolve enfrentar os desafios do campo, como desastres naturais e perdas de safra. Parte da produção já está sob responsabilidade de Lucas. Ele cuida da hidroponia do sítio, acompanha o plantio e controla diariamente os nutrientes das hortaliças. Para Sérgio, ter alguém para dar continuidade é essencial. "A terra não acaba, só vai mudando de dono. As pessoas vão passando e os novos têm que assumir", diz. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Família Roncoleta mantém tradição agrícola há cinco gerações em Getulina VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana Reprodução / TV TEM A 63ª Expo Rio Preto, considerada a maior feira do agronegócio de São Paulo em número de animais, recebeu 50 mil visitantes na primeira semana. O evento acontece até 16 de agosto e reúne mais de mil bovinos e equinos. A programação inclui atividades voltadas à bacia leiteira e o tradicional Torneio Leiteiro, que segue até o fim da feira. Entre os destaques está a raça Tabapuã, originária de Nova Granada (SP). O zebuíno sem chifres é conhecido pelo fácil manejo, docilidade e alta produção de carne. A raça já conquistou o título de tricampeã em julgamentos de qualidade genética. Segundo o encarregado da baia, Anador Felipe Neto, os animais são calmos, adaptados ao manejo e ao pasto, além de apresentarem bezerros fortes e boa produção de leite. A secretária de Agricultura e Abastecimento, Carina Ayres, afirma que o crescimento da Expo Rio Preto está ligado ao resgate das tradições locais e à qualidade dos animais. A feira também promove leilões, julgamentos e debates técnicos sobre o agronegócio. A edição de 2026 tem o maior número de mulheres atuando no manejo dos animais. Elas participam da alimentação e dos cuidados antes dos julgamentos. A estudante de veterinária Tayná Dionísio contou que pretende seguir na área de animais de grande porte e destacou a experiência prática como um aprendizado importante. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes Câmeras de monitoramento estão entre as soluções mais comuns para tentar desencorajar a ação de criminosos. Agora, em vez de apenas gravar o que acontece no local, esses equipamentos também são usados para prever roubos e outras ocorrências. 🔎 O chamado policiamento preditivo tenta identificar situações fora do padrão antes que elas resultem em delitos. Com apoio de inteligência artificial, essa tecnologia tem sido aplicada em cenários cada vez mais complexos. Imagens de câmeras, antes analisadas por pessoas, passam a ser examinadas por sistemas capazes de emitir alertas quando alguém, por exemplo, permanece parado por muito tempo no mesmo local, em um comportamento considerado suspeito. Esse tipo de ferramenta atrai o interesse de empresas que buscam reforçar a segurança em suas instalações, mas preocupa especialistas, que alertam para a falta de regulação e para o risco de um estado de vigilância permanente sobre pessoas que não estão praticando crimes. Como funciona Sistemas de monitoramento usam IA para identificar movimentações suspeitas Divulgação/NoLeak "O sistema se conecta à câmera, transforma a imagem em metadados e reconhece padrões. Se o padrão da imagem for alterado, ele emite um alerta", explica Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, empresa que desenvolveu um sistema de policiamento preditivo para segurança privada. 🔎 Nesse contexto, metadados são o resultado da conversão de elementos do vídeo em sequências numéricas. Os sistemas são treinados com imagens de situações consideradas normais e, então, conseguem identificar quando algo foge desse padrão. (saiba mais abaixo) No caso da NoLeak, por exemplo, o sistema não toma nenhuma ação por conta própria ao identificar uma situação suspeita. Em vez disso, recomenda que as imagens sejam revisadas por responsáveis, como chefes de segurança da empresa. "Os alertas vão para um sistema de gestão de vídeo, e o operador toma a atitude que achar pertinente, seja acionar diretamente uma força policial ou o time de segurança privada", afirma. A empresa tem mais de 5 mil câmeras conectadas e 100 clientes, incluindo indústrias e condomínios. Segundo a NoLeak, o sistema reduz o cansaço visual dos operadores e permite monitorar até 10 vezes mais câmeras com o mesmo número de funcionários. Outras empresas do setor incluem a Actuate, a AxxonSoft e a Coram, que prometem transformar câmeras de segurança convencionais em sistemas capazes de prever possíveis crimes. Mas especialistas apontam que esse uso da tecnologia pode restringir o direito de ir e vir dos cidadãos. "Não estamos falando somente de criminosos que vão ser efetivamente alcançados, mas também de cidadãos comuns que, a caminho do trabalho, podem passar por um sistema que levou a um erro", alerta Fernanda Rodrigues, coordenadora de pesquisas do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS-BH). Para Fernanda, ferramentas desse tipo demonstram a expansão do uso da inteligência artificial na segurança, apesar das dúvidas sobre sua eficácia e seus impactos. "O que temos visto é um crescimento na busca por ferramentas e tecnologias que vão servir como a solução de um problema da segurança pública, como se existisse uma bala de prata para resolver algo histórico da nossa sociedade." Sistemas de monitoramento com IA podem identificar funcionários sem equipamentos de proteção Divulgação/NoLeak Como é feita a 'previsão' de crimes Os sistemas mais avançados de policiamento preditivo usam modelos de aprendizado de máquina treinados para reconhecer padrões em imagens. Em vez de seguir apenas regras previamente programadas, eles analisam grandes volumes de vídeos para aprender quais comportamentos são considerados normais e, então, passam a emitir alertas quando detectam situações fora desse padrão. Ao ser treinado com imagens de uma via pública, o sistema aprende a identificar onde fica a pista e por quais faixas os veículos devem circular. Se um carro passar pela contramão ou pela calçada, por exemplo, ele pode identificar essa mudança e indicar que algo está fora do padrão. "O sistema precisa de cerca de duas semanas de análise desses metadados para formar uma base de dados suficiente para reconhecer o padrão da imagem", afirma Ramalho, da NoLeak. Para identificar possíveis crimes, a ferramenta analisa apenas movimentações suspeitas de pessoas, e não suas características físicas, explica. "Ele não identifica o rosto para analisar o comportamento. O que ele faz é transformar a imagem em metadados e reconhecer padrões." O fundador da empresa destacou que, além de reforçar a segurança patrimonial, a solução é capaz de verificar se há erros em uma linha de produção e se funcionários estão fora do posto de trabalho. Nesses casos, a ideia é evitar paradas não programadas e aumentar a eficiência das empresas. Sistemas podem usar inteligência artificial para monitorar nível de ocupação em esteiras industriais Divulgação/NoLeak Alerta sobre falta de transparência Para Fernanda, do IRIS-BH, avaliar a precisão de um sistema de policiamento preditivo e a ausência de vieses depende de estudos independentes sobre seu funcionamento. "A opacidade é um dos principais problemas, principalmente por a gente não saber a eficiência dessas ferramentas. Na verdade, o que sabemos é que há estudos que as apontam como significativamente falhas", diz. Essas limitações já foram identificadas em soluções usadas em outros países. "Há muitos exemplos nos Estados Unidos de tecnologias que buscaram usar dados sobre os locais com maior índice de criminalidade, mas que acabaram potencializando a vigilância", afirma. Um dos casos mais conhecidos é o do PredPol, que reunia dados históricos, como data, hora e local de crimes, para orientar onde policiais deveriam fazer rondas nos momentos sem ocorrências. O sistema levou policiais a patrulharem ainda mais bairros com renda familiar mais baixa e menor proporção de moradores brancos. Na prática, houve um aumento de abordagens policiais indevidas a moradores de conjuntos habitacionais de baixa renda, segundo reportagem do site The Markup. O PredPol deixou de ser usado em 2020 pela polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, após pressão de grupos ativistas que criticaram a falta de eficiência do programa e a vigilância excessiva em comunidades negras e latinas. Câmeras instaladas em pontos de maior aglomeração são utilizadas para reconhecimento facial e prender foragidos da justiça no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta O que diz a lei no Brasil O Brasil não tem uma lei específica para regulamentar sistemas de policiamento preditivo, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabeleça regras para o tratamento de informações sensíveis, como a biometria facial. Uma portaria publicada em 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública estabeleceu que as polícias podem usar inteligência artificial, mas devem realizar revisões humanas em casos de possíveis riscos a direitos fundamentais. Um projeto de lei em discussão no Congresso também pode classificar como de alto risco os sistemas de IA usados por policiais para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões e perfis comportamentais. O texto, aprovado no Senado e em discussão na Câmara, prevê que ferramentas classificadas como de alto risco tenham supervisão humana, passem por avaliação de impacto, garantam o direito à explicação às pessoas afetadas e adotem medidas para evitar discriminações.

Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP Quem vai às compras com frequência nos supermercados, talvez já tenha percebido algumas mudanças nos últimos anos. A principal é que aquela loja que fazia parte da rotina pode ter mudado de nome ou fechado as portas. Foi o que aconteceu com diversas unidades do Extra. Após uma reestruturação do Grupo Pão de Açúcar (GPA), muitas lojas deixaram de operar com a marca e passaram a funcionar sob outras bandeiras do grupo, enquanto outras encerraram as atividades. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dono das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Extra Mercado, o GPA vive uma das maiores reestruturações de sua história. Em março deste ano, a empresa botou em prática um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Um dos gargalos foi a expansão desordenada de lojas físicas. Em 2020, o GPA chegou a ter cerca de 800 lojas, mas reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper para o Assaí, em 2021. A operação marcou uma mudança de estratégia do grupo, que passou a concentrar esforços em formatos menores e considerados mais rentáveis, como supermercados de bairro e lojas de proximidade. Ao fim de 2025, a companhia tinha cerca de 700 lojas no país. Agora no g1 Outras redes também passaram a rever o modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de unidades. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus encontraram dificuldades para sustentar operações maiores em um cenário de juros elevados, crédito mais caro e consumidores mais cautelosos. As redes passaram a priorizar a rentabilidade das unidades existentes, reduzir custos e tornar a operação mais eficiente. O faturamento não é o problema: segundo o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores empresas do varejo alimentar brasileiro movimentaram mais de R$ 361 bilhões em 2025. O líder foi o Carrefour, com faturamento de R$ 123,6 bilhões, seguido pelo Assaí Atacadista (R$ 84,7 bilhões) e Grupo Mateus (R$ 31 bilhões). O GPA continua entre os maiores, e chegou aos R$ 20,6 bilhões. Mas especialistas afirmam que o desafio para todos está no custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país, especialmente quando o ambiente econômico muda. (saiba mais abaixo) Mais lojas, mais custos Durante anos, a expansão física foi vista como um dos principais caminhos para ganhar mercado no varejo alimentar. 🏪 A lógica era simples: redes maiores tinham mais capacidade de negociar com fornecedores, ampliar a presença regional e conquistar consumidores. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que esse modelo ficou mais difícil de sustentar porque cada nova unidade também aumenta a estrutura necessária para operar. Uma loja física exige gastos com aluguel, funcionários, logística, estoque, manutenção e tecnologia. Em um setor marcado por margens de lucro apertadas, qualquer aumento relevante de custos pode prejudicar o resultado das empresas. “Em tese, aumenta o faturamento, mas também aumenta a estrutura necessária para manter esse crescimento”, explica Ulysses Reis, especialista em varejo da Strong Business School. Segundo ele, a estratégia da loja física só funciona quando a operação também tem ganho de eficiência. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Além dos custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor reduziu a vantagem de simplesmente estar mais perto do cliente. Com mais acesso a informações de preço, comparação de produtos e compras digitais, o consumidor passou a escolher menos pela localização e mais pela combinação entre preço, conveniência e experiência. (saiba mais abaixo) Juros altos mudaram a conta da expansão O ambiente econômico do país também não ajudou, principalmente com o fim de um período de juros mais baixos, quando as companhias conseguiam empréstimos mais baratos para financiar as novas unidades, aumento de estoques e de operações. Em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic, a taxa básica de juros, chegou a 2%, menor nível da história. Mas, com a inflação mais alta após a reabertura econômica, o Banco Central (BC) precisou subir novamente os juros. Em julho de 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Empresas que dependiam de empréstimos e financiamentos passaram a gastar mais para pagar dívidas e manter as operações, além de paralisarem investimentos. “O custo do dinheiro é muito alto. Quando o endividamento fica caro, isso ‘espreme’ a operação”, explica o advogado especializado em reestruturação empresarial e sócio fundador do Felsberg Advogados, Thomas Felsberg. Segundo ele, o risco aumenta quando a expansão da rede é financiada por empréstimos. Nesses casos, o crescimento das vendas, por si só, não garante que a empresa esteja em uma situação financeira melhor, já que os custos e as dívidas também aumentam. 💰 Uma empresa pode vender mais e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se a estrutura criada para sustentar esse crescimento consumir uma parcela cada vez maior do resultado. Diante desse cenário, muitas redes de supermercados precisaram mudar de estratégia. Algumas reduziram o ritmo de abertura de novas lojas. Outras fecharam unidades que davam pouco retorno, renegociaram dívidas ou passaram a investir em formatos menores e mais eficientes. Consumidor mais cauteloso Um dos principais fatores por trás da transformação do setor está no comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado, os brasileiros passaram a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas. A proximidade da loja deixou de ser o único fator decisivo, uma vez que preço e conveniência ganharam ainda mais peso. Essa mudança aparece em pesquisas de mercado. Segundo levantamento da NielsenIQ (NIQ) publicado em junho deste ano, diante da pressão sobre o orçamento: 66% dos consumidores afirmam buscar opções de menor preço; 45% dizem escolher produtos mais baratos independentemente da marca; 80% afirmam planejar as compras com antecedência. Além disso, 47% dos consumidores brasileiros pretendiam comprar mais produtos de marca própria — itens vendidos com a marca da própria rede de supermercados, que costumam ter preços mais baixos do que os de fabricantes tradicionais. Essa nova postura do consumidor favoreceu formatos como os atacarejos, que oferecem preços menores para compras em maior volume, e aumentou a importância das marcas próprias. Segundo dados da Abras, o varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão no ano passado. Desse total, os atacarejos responderam por 29% das vendas, com R$ 327,7 bilhões, ficando atrás apenas do autosserviço, que concentrou quase metade do faturamento do setor, com R$ 563,6 bilhões (49%). 🔎 O autosserviço representa o varejo alimentar tradicional, que inclui principalmente supermercados, hipermercados e outros formatos de lojas em que o cliente entra, pega os produtos nas gôndolas e passa pelo checkout. Também acelerou a busca por canais digitais, que permitem comparar preços e pesquisar avaliações sem depender exclusivamente da loja física. Em 2025, o marketplace movimentou R$ 7,3 bilhões o equivalente a cerca de 1% do faturamento total do varejo alimentar. Mesmo com uma participação ainda pequena, o canal já aparece como o quinto maior formato de vendas do setor, segundo a Abras. Essa mudança aumentou a concorrência pelo consumidor. Além dos supermercados tradicionais, empresas como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99 passaram a disputar esse espaço, oferecendo a compra de alimentos e bebidas por meio de aplicativos, lojas online e serviços de entrega rápida. Casal criou uma rotina de planejamento, comparação de preços e troca de marcas para reduzir gastos no supermercado. Reprodução/YouTube A estratégia ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado, orçamento mais apertado e maior preocupação das famílias com os gastos. Com menos espaço no bolso, consumidores passaram a buscar alternativas que permitam comparar preços, encontrar promoções e economizar nas compras do dia a dia. Para Matheus Matsumoto e Thalita Brito, ambos de 25 anos e criadores do canal “Casal Ponto Com”, no YouTube, a mudança no comportamento de consumo começou dentro de casa, após os dois enfrentarem dificuldades financeiras. “Quando começamos, estávamos ‘quebrados’ financeiramente. Foi nesse momento que passamos a pensar em formas de economizar e mudamos completamente nossos hábitos. Percebemos, então, que muitas outras pessoas poderiam estar enfrentando uma situação parecida”, conta Thalita. O primeiro passo foi repensar a rotina de compras no supermercado. O casal passou a planejar melhor as idas às lojas, pesquisar preços, montar listas antes das compras e conferir o que já tinha em casa para evitar gastos desnecessários. Também adotou estratégias simples, como não ir ao supermercado com fome, para reduzir as compras por impulso. Entre as mudanças, uma das principais foi abandonar a ideia de que produtos de determinadas marcas eram sempre a melhor escolha e passar a testar alternativas mais baratas, como as marcas próprias dos supermercados. “Antes a gente tinha o costume de pensar: ‘sabão em pó tem que ser de determinada marca, detergente tem que ser daquela outra’. Aí começamos a nos questionar: nas condições em que estávamos, precisando economizar, será que fazia sentido continuar escolhendo sempre a marca mais cara?”, afirma Matheus. A experiência virou conteúdo. O casal passou a gravar a própria jornada de reorganização financeira, mostrando quanto gastava nas compras do mês, quais estratégias usava para economizar e como mudou seus hábitos de consumo. Nos vídeos, eles compartilham dicas de planejamento, controle de gastos e organização financeira, além de estratégias para reduzir despesas sem abrir mão da qualidade de vida. Com a mudança de hábitos, o casal conseguiu reorganizar as finanças e financiar o próprio apartamento. “Para a gente, virou prazeroso viver desse jeito. As pessoas acham que é um sacrifício, mas não é. A gente gosta de aprender a fazer as coisas e percebeu que dá para ter qualidade de vida gastando menos”, afirma Thalita. GPA busca reorganizar dívidas após anos de pressão financeira O caso do Grupo Pão de Açúcar representa um dos exemplos mais conhecidos dos desafios enfrentados por redes que construíram uma grande presença física ao longo dos anos. A companhia apresentou em março deste ano um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. 🔎 A medida permite que a empresa negocie diretamente com credores novas condições de pagamento sem interromper as operações. Diferentemente da recuperação judicial, o processo ocorre fora da Justiça e busca reorganizar o fluxo de caixa antes de uma situação mais grave. A crise do GPA foi resultado de uma combinação de fatores. A empresa acumula prejuízos desde 2022, pressionada pela queda no consumo, pelo aumento dos juros — que encareceu suas dívidas —, pelos custos de reestruturação e pela saída de lojas com baixo desempenho. No fim de 2025, o grupo informou ao mercado que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, diante de um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão relacionado principalmente ao vencimento de dívidas previstas para 2026. O cenário financeiro também aparece nos resultados. No ano passado, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e bruta de R$ 4 bilhões. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, a companhia teve prejuízo de R$ 204 milhões. Apesar disso, a operação do supermercado melhorou, mas o resultado final foi prejudicado principalmente pelos altos gastos com juros da dívida. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças na gestão e na estrutura societária. O Grupo Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino, antigo controlador, manteve participação de 22,5%. Segundo o GPA, o plano de recuperação busca melhorar o perfil da dívida, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para a sustentabilidade financeira da companhia. Enquanto isso, as lojas seguem funcionando normalmente e que os pagamentos a fornecedores e parceiros estão em dia. St Marche e Dia apostam em reestruturação Unidade da St Marche em São Paulo Reprodução/Facebook O St Marche, rede de supermercados voltada principalmente ao público de alta renda, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A empresa também anunciou a venda da operação para o grupo chileno Cencosud, dono do Giga Atacado no Brasil. A companhia atribuiu parte das dificuldades ao aumento do endividamento, aos juros elevados e à redução das linhas de crédito. Outro caso é o da rede Dia, que entrou em recuperação judicial em março de 2024 após acumular mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Na época, a empresa anunciou o fechamento de 343 lojas e três centros de distribuição no país. A estratégia foi concentrar a operação em São Paulo, onde estavam as unidades consideradas mais rentáveis. A rede anunciou a saída da recuperação judicial em junho. Para Ulysses Reis, esses movimentos indicam uma mudança estrutural no setor. Segundo ele, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e expansão acelerada e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. Redes como o Oxxo seguem essa estratégia, com lojas compactas voltadas para compras rápidas e de conveniência. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma. Segundo o especialista, as unidades físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico, enquanto estoques menores e maior eficiência ganham importância. Grupo Mateus desacelera expansão após anos de crescimento Unidade do Grupo Mateus em Araguaína, Tocantins (TO) Reprodução/Redes Sociais O Grupo Mateus é um dos exemplos de expansão acelerada no varejo alimentar brasileiro. Fundada em 1986, a companhia cresceu a partir do Maranhão e avançou por outros estados do Nordeste com supermercados, atacarejos e lojas de proximidade. Entre 2017 e 2020, o número de lojas mais que dobrou, passando de 75 para 159 unidades, impulsionado principalmente pelo crescimento do formato atacarejo. Nos últimos anos, porém, a companhia reduziu o ritmo de abertura de unidades e passou a priorizar a eficiência operacional. No primeiro trimestre de 2026, inaugurou quatro lojas — três atacarejos e um supermercado — e encerrou o período com 228 unidades de varejo alimentar. Em 2025, também fechou 28 lojas de eletroeletrônicos e encerrou departamentos de eletrônicos em outras 20 unidades. O lucro líquido caiu 21,8% no primeiro trimestre, para R$ 212,9 milhões. Embora a receita tenha crescido 13%, o avanço foi impulsionado principalmente pela aquisição do Novo Atacarejo e pela abertura de novas lojas. Nas unidades já existentes, as vendas recuaram 7,3%. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda dos preços dos alimentos, pelo maior endividamento das famílias e pela busca dos consumidores por produtos mais baratos. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Fechar lojas ajuda, mas não resolve imediatamente Uma das medidas adotadas por empresas em dificuldade é o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis. No entanto, a estratégia não gera alívio imediato no caixa. Segundo Thomas Felsberg, a redução da estrutura envolve custos, principalmente relacionados a contratos e funcionários. “Você fechar uma loja tem um custo muito grande por causa dos direitos trabalhistas. O alívio no caixa não é imediato; ele aparece no médio prazo, quando a empresa reduz despesas”, afirma. Para o advogado, reconhecer o problema rapidamente é fundamental em processos de reestruturação. “Quanto mais demora para reconhecer que a situação é ruim, mais difícil fica a recuperação. O ideal é agir enquanto ainda existe caixa e possibilidade de negociação”, diz. Para os especialistas, a crise atual não representa o fim das lojas físicas, mas uma mudança no modelo de crescimento. A expansão baseada apenas na abertura de novas unidades perdeu força. O varejo passa a buscar formatos menores, mais digitais e com maior eficiência operacional. “O futuro não é simplesmente ter mais lojas. É integrar canais, reduzir custos e oferecer conveniência ao consumidor”, afirma Reis. O g1 procurou o Grupo Mateus, o GPA e o St Marche, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Em nota, o Grupo Dia afirmou que o varejo alimentar continua enfrentando um “cenário desafiador”. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor "cada vez mais criterioso" exige das companhias "gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante". A cautela também aparece nos indicadores de confiança. Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou praticamente estável em 88,7 pontos. Segundo a instituição, apesar de as famílias avaliarem melhor sua situação financeira atual, elas seguem mais pessimistas em relação aos próximos meses, principalmente sobre a própria condição financeira e a intenção de comprar bens duráveis. “Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação”, afirmou o grupo Dia. Leia a nota na íntegra: “O varejo alimentar continua operando em um cenário desafiador. A combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor cada vez mais criterioso exige das empresas uma gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante. Ao mesmo tempo, esse contexto cria oportunidades para as empresas que conseguem compreender rapidamente as mudanças no comportamento do consumidor e responder com uma proposta de valor consistente. Hoje, o cliente está mais racional, pesquisa mais, compara preços e faz escolhas cada vez mais conscientes, buscando equilibrar economia, qualidade e praticidade. No Dia, esse movimento reforça nosso posicionamento como o Atacadinho de Bairro, oferecendo economia, praticidade e uma experiência de compra próxima da realidade de cada comunidade onde atuamos. Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação.”

Nos últimos anos, país registrou um forte avanço da geração solar distribuída, gerando desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, dizem especialistas Getty Images via BBC Quase 25 anos depois do apagão por excesso de demanda que em 2001 obrigou consumidores de 16 Estados e do Distrito Federal a desligar eletrodomésticos, e prefeituras a reduzirem a iluminação pública, o Brasil enfrenta um drama de sinal inverso. Agora, a ameaça que ronda o Sistema Interligado Nacional (SIN) é a oferta excessiva de energia. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Para evitar uma possível sobrecarga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e distribuição de energia no país, acionou no dia 7 de junho um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede. Na prática, trata-se da redução ou do desligamento da geração de energia, geralmente de parques eólicos e solares — o que é chamado no jargão técnico de curtailment (expressão que se traduz como corte ou redução). Foi a primeira vez que o ONS lançou mão da medida desde que um plano para lidar com o excesso de oferta de energia foi aprovado, em novembro do ano passado. De acordo com o órgão, "trata-se de uma ação excepcional adotada para o processo de controle de frequência do sistema elétrico", que foi necessária naquele domingo de junho para equilibrar a alta geração, combinada a um consumo menor, devido ao final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi, associado a baixas temperaturas. Cortes também foram realizados em dias de jogos do Brasil na Copa. Agora no g1 Segundo Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), a compreensão da situação exige que se parta de uma premissa: para o sistema elétrico funcionar de forma adequada, a oferta deve ser igual à demanda. Isso significa que a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida. O que há de novo é que, diferentemente do que ocorria no passado, o país já não depende unicamente da energia gerada por usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares ou por parques eólicos e solares de grande porte, que podem ser ligados ou desligados pelas autoridades conforme as necessidades do sistema. Geração distribuída já abrange 5% dos consumidores no país Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são também micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares, que formam a chamada geração distribuída. Desses 4,5 milhões, 3,6 milhões são consumidores-geradores residenciais, e 400 mil, comerciais, que recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto. Os 500 mil restantes incluem categorias como poder público, serviço público, rural e outras. A potência instalada desses consumidores-geradores é de 50 gigawatts, que equivalem a cerca de 20% da potência total instalada do país, observa Joisa. "Não podemos normalizar a situação atual por duas razões: esse volume [50 gigawatts] é muito grande e análises do ONS indicam que é subestimado", alerta a diretora do FGV-Ceri. Volume de energia produzido pela geração distribuída é grande e pode estar subestimado, diz pesquisadora da FGV Bloomberg via Getty Images/BBC Segundo a pesquisadora, a subnotificação da geração distribuída poderia chegar a 15 gigawatts ou 30% do total. Essa potência, classificada pelo ONS como "instalações à revelia", configura fraude e prejuízo ao sistema, na medida em que mascara como micro e minigeradores usuários que poderiam ser enquadrados como de grande porte, diz a especialista. Enquanto usinas convencionais e renováveis de grande porte são controladas pelo ONS, a geração distribuída não obedece a nenhum comando centralizado. Em caso de necessidade, seu desligamento da rede depende da ação das concessionárias privadas de distribuição. "Esse volume [de energia proveniente da geração distribuída] tornou-se muito importante, e se o ONS limitar-se a desligar os recursos sob seu controle, a redução de oferta não será suficiente para fazer frente à redução de consumo", afirma Joisa. 'Energia de telhado' A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, afirma que o excesso de produção de energia, ao forçar o curtailment, provoca prejuízo aos investidores do setor. Ela diz que é preciso diferenciar a energia eólica e solar de grande porte, responsável por fazer da matriz energética brasileira a mais renovável do mundo, e a geração solar distribuída ou "energia de telhado". "Nos últimos anos, houve excesso de investimento nessa geração solar distribuída, que, como o próprio nome diz, não é de grande porte e não é controlada pelo ONS", diz Gannoum. Questionada sobre o papel da geração solar distribuída no atual excesso de oferta de energia, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) afirma em nota que "os cortes de geração impostos a usinas solares e eólicas no Brasil — que vêm se intensificando nos últimos anos e meses — configuram a maior crise já enfrentada pelas fontes renováveis no país". A associação avalia, porém, que atribuir esse problema ao crescimento da geração solar distribuída "é uma interpretação simplista que não reflete a realidade do sistema elétrico nacional". Isso porque, segundo a Absolar, "o sistema elétrico brasileiro expandiu significativamente sua capacidade de geração renovável (solar, eólica, biomassa, biogás e outras fontes) sem que houvesse, na mesma velocidade, investimentos equivalentes em mecanismos de flexibilidade operativa, armazenamento de energia, modernização da infraestrutura e gestão da demanda." "Esse desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão", avalia a entidade representativa. Excesso de subsídio às renováveis Além da proliferação da geração distribuída, os desafios à gestão do sistema elétrico brasileiro incluem fatores que vão do número elevado de dias não-úteis à Copa do Mundo. Este ano, embora o número de feriados nacionais seja o mesmo de 2025, muitos caem no início ou no final da semana, incentivando os feriadões. Além disso, os três jogos do Brasil na fase classificatória da Copa do Mundo, quando o país tradicionalmente para, caíram em dias úteis, assim como a primeira partida do mata-mata, contra o Japão. Com menor atividade econômica e circulação de pessoas nesses dias, o consumo de energia é reduzido, desequilibrando a balança em favor da oferta. Apesar do excesso de oferta, a conta de luz continua assombrando os brasileiros no final do mês: no último ano, a energia elétrica residencial acumula alta de 8,79%, quase o dobro do avanço do índice geral de inflação (em alta de 4,64% no acumulado de 12 meses até junho), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Nivalde Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atribuir a situação atual do setor elétrico brasileiro à falta de planejamento é equivocado. "Durante o dia, a energia solar e eólica produzida e lançada no sistema é muito superior à demanda", afirma o pesquisador à BBC News Brasil. Esse fenômeno, afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ, não é produzido pela infraestrutura deficiente ou pela fiscalização frouxa, mas pelos subsídios oferecidos pelo Estado brasileiro às fontes renováveis. O pesquisador cita exemplos de outros países, onde o excesso de oferta é corrigido pelo próprio mercado, com a queda do preço da energia produzida por fontes alternativas. "Ninguém vai produzir algo que tenha preço negativo", resume. No Brasil, o estímulo oficial à energia limpa resultou em múltiplos mecanismos de isenção tributária que provocaram uma "corrida do ouro" aos ramos eólico e solar, diz Castro. Esses incentivos vão desde descontos nas tarifas para uso de redes de transmissão e distribuição até isenções de tributos estaduais na compra e importação de equipamentos, passando por linhas de crédito em programas e bancos oficiais. "São jabutis [medidas estranhas ao propósito de um projeto legislativo, inseridas durante a tramitação do texto] que os lobbies desses setores patrocinam e são aprovados pelo Congresso", afirma o coordenador do Gesel. Se o Executivo opta por vetar a medida, acrescenta, o Congresso derruba o veto. "O governo federal perdeu o protagonismo das políticas energéticas", avalia. O excesso de subsídio para as renováveis provocou um aumento enorme de oferta, que se descolou da demanda. Atualmente, a capacidade instalada de geração de energia é mais do que o dobro da demanda média, um cenário que deve persistir nos próximos anos, segundo o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 do ONS. Frente a esse cenário, o curtailment é a única política pública adequada em curto prazo, diz o pesquisador. Num futuro próximo, explica, o Brasil prepara-se para investir em sistemas de armazenamento químico, por meio de baterias, e em hidrelétricas reversíveis (aquelas capazes de armazenar energia excedente, bombeando água de um reservatório inferior para um superior). Os dois recursos permitem a conservação da energia renovável gerada, sem o desperdício inerente ao curtailment, observa o pesquisador. O avanço dos sistemas de armazenamento por baterias também é defendido pela Absolar como uma medida urgente. "Essa tecnologia permite armazenar a energia produzida nos momentos de maior geração para utilização nos horários de maior consumo, reduzindo desperdícios, aumentando a flexibilidade operativa do sistema, mitigando congestionamentos nas redes, reduzindo custos para os consumidores, postergando investimentos em infraestrutura e diminuindo a necessidade de acionamento de usinas termelétricas fósseis", destaca a associação. Em outro paradoxo do setor energético brasileiro, ao mesmo tempo que promove a energia renovável, o país destina subsídios a usinas termelétricas, que estão sendo desativadas em todo o mundo em razão do perfil de alto carbono. 'Quem paga o curtailment é o consumidor' A economista, advogada e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Elena Landau utiliza o termo "desarranjo" para definir o quadro atual do sistema elétrico. Ela afirma que, ao fim e ao cabo, o pequeno consumidor residencial é o mais penalizado. "Quem paga o curtailment é o consumidor", observa. Citando um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a economista diz que entre janeiro de 2023 e maio de 2026 o governo federal e o Congresso aprovaram medidas que adicionarão quase R$ 985 bilhões às contas de luz até 2050. "O estado do setor é muito complicado, mas não começou hoje. Vem de alguns anos para cá, por total falta de governança e planejamento", afirma. Ela elogia o governo do presidente Michel Temer (MDB, 2016-2018) por ter promovido uma consulta pública sobre a área em seus primeiros meses, mas afirma que, nos anos seguintes, houve uma sucessão de equívocos relativos à energia. Landau critica especialmente os jabutis incluídos pelo Congresso na medida provisória (MP) que privatizou a Eletrobras, em 2021, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL, 2019-2022), como a contratação compulsória de termelétricas a gás. "Ali, o Congresso Nacional atropela o planejamento e cria obrigações de contratação totalmente fora dos planos de qualquer planejador ou investidor." Na opinião da economista, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve as distorções no setor ao dar continuidade a subsídios à energia renovável. "Não que os subsídios estivessem errados quando começaram. Você pode querer uma matriz mais limpa, isso tudo é correto", argumenta. "O problema é que os lobbies intensos e acomodados pelo ministro [Alexandre] Silveira [das Minas e Energia] mantiveram e ampliaram os subsídios." O resultado é o excesso de geração, diz. "A solução do problema passa por trocar a governança."

Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção Durante a 21ª Megaleite, realizada em junho, em Belo Horizonte (MG), a vaca Jornada Montross FIV LPN bateu o recorde mundial de produção de leite em um único dia: foram 112,65 kg. Até então, o título pertencia a Fernanda Forbes IS Olhos D´Água, com 111,947 kg de leite em um dia. Ao longo dos três dias de competição, Jornada produziu 337,95 kg de leite. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o criador Rodrigo Nogueira Ferreira, a campeã recebe um manejo semelhante ao de um atleta de alto rendimento e acaba produzindo mais até do que outras vacas da mesma propriedade, que produzem cerca de 30 kg de leite por dia. "É um número muito alto. Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade", diz Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite. Claro que o animal está longe de representar a média das vacas leiteiras do país. Ainda assim, como lembra Verneque, o caso chama atenção para uma tendência no setor: as vacas brasileiras produzem bem mais leite hoje do que há 24 anos. A explicação está nos investimentos em genética, bem-estar animal e alimentação. (veja a evolução abaixo) Produtividade das vacas leiteiras mais que dobrou no Brasil em 24 anos Arte g1 LEIA MAIS Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil Genética planejada Verneque, da Embrapa, afirma que a seleção genética foi um dos principais fatores por trás do aumento da produtividade das vacas leiteiras no Brasil. O gir leiteiro, raça zebuína que produzia pouco, passou de uma média de 2 mil kg para 5 mil kg por lactação, período que dura cerca de 10 meses. A própria raça girolando, da qual a Jornada faz parte, foi desenvolvida por meio do melhoramento genético. Ela resulta do cruzamento entre as raças holandesa e gir leiteiro. "Para as nossas condições de clima tropical, é uma raça altamente competitiva, com média de 7 mil kg por lactação", diz o pesquisador. Para Rodrigo Ferreira, proprietário da Jornada, a genética do animal foi fundamental para o recorde. "Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado", afirma. Com 35% menos vacas, o Brasil produziu mais leite em 13 anos. Arte g1 Animal mais 'exigente' Um animal que produz mais também exige mais cuidados, afirma Verneque. "As exigências dele com relação a conforto, controle de temperatura e questões ambientais têm que ser muito maiores para que ele responda", diz. Cada raça pode exigir condições diferentes, como temperaturas mais altas ou mais baixas. Quando essas necessidades não são atendidas, o animal sofre estresse e, como consequência, produz menos. "Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico. O seu organismo terá que reagir para você sobreviver", exemplifica o pesquisador da Embrapa. O mesmo vale para o barulho de máquinas ou alterações na rotina do animal. Na propriedade onde Jornada vive, Ferreira oferece sombra para o gado descansar e áreas de pastagem. Ela também conta com uma baia exclusiva e uma equipe treinada para monitorar seu bem-estar. Alimentação reforçada Um rebanho pode ser alimentado com pasto, ração ou uma combinação dos dois. Atualmente, ambos evoluíram. O pasto pode incluir gramíneas e leguminosas, enquanto as rações têm formulações mais nutritivas. "A alimentação é um dos itens mais importantes no custo de produção do leite, porque depende de uma dieta bem formulada", afirma Verneque. É o caso da alimentação de Jornada, que passa por análise de qualidade e acompanhamento veterinário. LEIA TAMBÉM Após onda de incêndios, veja como uma raça de vaca quase esquecida ajuda a Espanha a reduzir queimadas Brasileiro come mais vaca do que boi: abate de fêmeas superou o de machos pela primeira vez Jornada Arquivo pessoal

A iraniana Anahita Abdollahi concilia o mestrado na Universidade de Colônia com um minijob em uma biblioteca, experiência que, segundo ela, ajudou na adaptação ao mercado de trabalho alemão e na prática do idioma. Dasha Thyssen/DW Quando inicia seu turno na biblioteca de física da Universidade de Colônia, a iraniana Anahita Abdollahi, de 26 anos, começa conferindo os e-mails para se atualizar sobre os pedidos dos usuários. Ela ajuda estudantes a encontrar livros, atende telefonemas e cuida das plantas do local. Mestranda na instituição, Abdollahi define a função como a de uma "bibliotecária de meio período". Ela afirma gostar de quase todas as tarefas, com exceção das mais repetitivas, como o inventário do acervo. Ainda assim, considera o trabalho tranquilo, já que atua apenas duas vezes por semana, cerca de cinco horas por dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Seu emprego se enquadra na categoria conhecida na Alemanha como "minijob", modalidade de trabalho com jornada reduzida e baixa remuneração que o governo pretende reformar. Entre as mudanças em discussão estão o fim da isenção de contribuições previdenciárias para os trabalhadores e o aumento dos encargos pagos pelas empresas, com o objetivo de reforçar o financiamento do sistema de aposentadorias. Agora no g1 As propostas despertam reações divergentes. Sindicatos apoiam a reforma por avaliarem que ela pode reduzir a precarização do trabalho e ampliar a proteção social. Já muitos trabalhadores temem uma redução da renda líquida, enquanto representantes empresariais alegam risco de aumento dos custos de contratação e perda de flexibilidade. Modalidade é popular entre mulheres e estudantes O minijob é um tipo de emprego de meio período com remuneração máxima de 603 euros (cerca de R$ 3.538) por mês. Quem permanece abaixo desse limite não paga imposto de renda nem contribuições regulares para a seguridade social. Os trabalhadores também podem optar por não contribuir para a aposentadoria, e a maioria faz essa escolha. Em geral, são necessárias cerca de 10 horas de trabalho por semana para atingir o teto de rendimentos, o que torna a modalidade atraente para estudantes, pais e mães com filhos pequenos e pessoas que exercem outras atividades. Segundo a agência federal responsável pelo setor, as mulheres representam cerca de 57% dos trabalhadores nessa categoria. A mesma agência estima que quase 7 milhões dos 45 milhões de trabalhadores da Alemanha tenham um minijob. Parte deles exerce a atividade como complemento de renda; outros dependem exclusivamente desse tipo de contrato. Criado nos anos 1960 para facilitar empregos de baixa carga horária e reduzir a burocracia, o modelo foi reformulado em 2003 como parte de uma ampla reforma do mercado de trabalho. Sindicatos defendem mudanças nos minijobs por considerarem que o modelo contribui para vínculos precários. Matt Lincoln/Image Source/IMAGO Por que as empresas defendem os minijobs? Empregadores normalmente pagam um imposto fixo de 2% sobre os salários, além de contribuições sociais equivalentes a cerca de 30% da remuneração bruta de um empregado contratado nesse modelo. Muitas empresas consideram o minijob vantajoso por sua flexibilidade. "Existem situações em que faz sentido contratar alguém apenas para uma quantidade muito pequena de horas", afirmou Holger Schäfer, economista especializado em mercado de trabalho do Instituto Econômico Alemão (IW), à DW. Supermercados, por exemplo, precisam de mais caixas aos sábados do que nas manhãs de segunda-feira. Os minijobs permitem ajustar rapidamente a escala de funcionários. Por isso, varejo e hotelaria estão entre os setores que mais utilizam esse tipo de contrato. O que pode mudar No início de julho, porém, a coalizão governista anunciou planos para elevar de 2% para 5% a alíquota fixa incidente sobre os minijobs. Além disso, o governo pretende implementar as propostas apresentadas pela Comissão de Pensões da Alemanha no fim de junho, voltadas à sustentabilidade do sistema previdenciário. Uma das recomendações prevê o fim da possibilidade de renunciar às contribuições para a aposentadoria e a eliminação do status especial dos minijobs. Na prática, os trabalhadores passariam a recolher contribuições sociais como qualquer outro empregado, encerrando o modelo em seu formato atual. Segundo a comissão, a medida fortaleceria os sistemas de seguridade social, reduziria o risco de pobreza na velhice e ajudaria a combater desigualdades de gênero. Para Abdollahi, a mudança poderia representar uma perda mensal de até 130 euros (cerca de R$ 762). Ela afirma que provavelmente tentaria aumentar a carga de trabalho para compensar a redução da renda. Quase 7 milhões de pessoas trabalham nos chamados minijobs, modalidade de emprego parcial criada para reduzir burocracia e facilitar contratações de baixa carga horária. Michael Bihlmayer/CHROMORANGE/picture alliance Apoio dos sindicatos e resistência das empresas Diversos sindicatos receberam a proposta de forma positiva. Entre eles está o NGG, entidade que representa trabalhadores dos setores de alimentação, bebidas, gastronomia e hotelaria. Em nota, o presidente da organização, Guido Zeitler, afirmou que os minijobs não se mostraram um caminho para empregos de melhor qualidade e acabaram consolidando condições de trabalho precárias para milhões de pessoas. Enzo Weber, especialista em mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa sobre Emprego (IAB), acredita que a reforma poderá incentivar jornadas maiores e novas trajetórias profissionais. Segundo ele, a medida evitaria que trabalhadores ficassem presos à chamada "armadilha do minijob" e reduziria o risco de estagnação na carreira de muitas mulheres durante os anos dedicados à criação dos filhos, em razão de incentivos tributários considerados inadequados. Representantes empresariais, porém, contestam a proposta. "O fim dos minijobs seria um erro", afirmou Rainer Dulger, presidente da Confederação das Associações Patronais Alemãs. Para ele, a modalidade permite às empresas manter flexibilidade e contar com mão de obra adicional. Schäfer também duvida que a mudança leve trabalhadores a ampliar significativamente suas jornadas. Na avaliação do economista, os benefícios extras gerados por contribuições sociais sobre um emprego de cerca de 600 euros seriam limitados. "Não vale a pena mobilizar toda a máquina da seguridade social para vínculos de trabalho tão pequenos", afirmou. Ainda assim, ele considera que há espaço para mudanças no caso de pessoas que mantêm um minijob paralelo ao emprego principal. "Há uma má alocação econômica quando um trabalhador qualificado prefere entregar pizzas depois do expediente em vez de fazer horas extras em sua ocupação principal", disse. "Mas isso não significa que seja necessário acabar com os minijobs." Sustentabilidade do sistema previdenciário impulsiona reforma no modelo Pond5 Images/IMAGO Estudantes podem ficar de fora da reforma As propostas da Comissão de Pensões preveem uma exceção para estudantes do ensino básico e médio, permitindo que continuem trabalhando sob as regras atuais. Agora, o Partido Social-Democrata (SPD), que integra a coalizão governista, discute estender essa exceção também aos universitários. Abdollahi considera a ideia adequada, especialmente para estudantes estrangeiros. "Eles estão entre os grupos que mais precisam desse tipo de oportunidade, sobretudo os que vêm de fora da União Europeia", afirmou. Segundo ela, o emprego na biblioteca facilitou sua entrada no mercado de trabalho alemão e também contribuiu para o aprendizado do idioma. "Tenho a oportunidade de praticar alemão em um ambiente sem muita pressão", disse. O futuro dos minijobs ainda será definido nos próximos meses. O governo alemão deve discutir formalmente as propostas de reforma ao longo deste ano.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.042 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 165 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (9), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (6), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada A chamada "taxa das blusinhas" – cobrança de imposto de importação, de 20%, sobre as compras com valor abaixo de US$ 50 – retornará em setembro se a medida provisória sobre o assunto não for votada. Publicada em 12 de maio deste ano, a MP transferiu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. No começo de julho, a medida foi prorrogada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre — e tem validade assegurada somente até 8 de setembro. ➡️Sem a aprovação da MP pelo Congresso, ou edição de outra norma legal que mantenha a desoneração, o ministro da Fazenda perde a autorização para zerar a alíquota e a tributação volta a vigorar depois que a medida provisória perder eficácia — a partir de 9 de setembro. Entenda Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, ou seja, entram em vigor imediatamente. Entretanto, precisam ser analisadas posteriormente pelo Congresso Nacional, que pode confirmá-las, alterá-las ou até mesmo barrar a proposta. O prazo máximo é de 60 dias, prorrogável por igual período. 🔎Em meio à corrida eleitoral, a MP ainda aguarda instalação de comissão mista para emitir parecer sobre a proposta. Depois, ainda tem de ser aprovada pela Câmara e, também, pelo Senado. Se o Senado modifica o texto da Câmara, a proposta retorna para nova análise dos deputados. ➡️Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, entre 17% e 20%. Essa cobrança permanece de pé. ➡️Independente da decisão do Congresso Nacional, a taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50 retornará em 2027 por meio do tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. ➡️A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida. Cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027. ➡️Em junho, o primeiro mês completo sem a incidência da taxação, o número de encomendas internacionais disparou. Conflito entre os setores e no Congresso Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros Nonato Sousa/ SupCom ALE-RR Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentavam também que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo em determinada cota de compras ao voltar ao país. Por outro lado, varejistas brasileiros avaliam que a isenção favorece as importações, que têm taxação menor em outros países, e pedem "isonomia tributária", ou seja, tributação semelhante para proteger os empregos no país. Esse impasse também adentrou o mundo político. A decisão do governo federal de tributar as compras de baixo valoa foi alvo de críticas da oposição que classificou a medida como mais um “aumento de imposto” e criticou o que chamou de “sanha arrecadatória” do Executivo. Foi preciso muita articulação do governo e dos varejistas brasileiros para que a medida fosse aprovada no Congresso. Já a decisão de editar em maio uma MP revogando a taxa das blusinhas foi vista por quadros do Centrão e da oposição como uma medida eleitoreira deixando a pressão sobre o Congresso de converter em lei ou não uma MP com grande apelo popular. A MP foi editada na esteira da principal derrota de Lula no Congresso em 2026: a rejeição da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). E é justamente a crise entre Alcolumbre, principal articulador da derrota de Messias, e Lula que deixa a votação da MP da taxa das blusinhas incerta. Cabe ao presidente do Senado despachar a MP para a votação na comissão mista, na Câmara e no Senado. Desde o episódio, Lula e Alcolumbre não se falaram até um encontro promovido na semana passada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Apesar da reabertura de diálogo, os dois não discutiram temas específicos e as pendências, incluindo a MP, devem ficar para depois das eleições. A dificuldade em votar a MP passa também pelo calendário. Em meio ao período eleitoral, Alcolumbre definiu somente duas semanas de esforço concentrado no Senado: entre 10 e 14 de agosto, e outra de 31 de agosto a 3 de setembro. Na base governista e na oposição, existem duas avaliações distintas sobre deixar a MP caducar. Uma parte acredita que a medida perder a validade vai expor o caráter eleitoreiro em que o governo a editou e mostrar que a base é fraca no Congresso. Por outro lado, há quem diga que o peso de uma MP de caráter muito popular perder a validade vai cair sobre o Parlamento, podendo reacender o slogan já utilizado anteriormente pela militância petista “Congresso Inimigo do Povo”. ➡️Ao g1, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu a dificuldade em avançar com a votação da MP. “O tempo está curto sim. Teríamos que acordar a urgência”, afirmou. Argumentos pró e contra Governo acaba com a 'taxa das blusinhas': e agora? Diante da necessidade de análise do fim da taxa das blusinhas pelo Congresso Nacional, produtores nacionais e importadores já estão atuando no Legislativo, e e até mesmo na Justiça, para defender seus interesses. Representante de empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defende que o Congresso "avance com a aprovação da pauta o quanto antes, decidindo pelo cancelamento definitivo do imposto como forma de estimular a competitividade e democratizar o consumo". "Passados mais de 60 dias da edição da MP que zerou a tributação, o Congresso Nacional ainda não concluiu sua votação. O prazo para aprovação expira em setembro e, caso isso não ocorra, a cobrança poderá ser restabelecida", lembrou a Amobitec,. Por meio de nota, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) manifestou seu posicionamento contrário à MP e fez um "alerta para seus impactos sobre o mercado de trabalho nacional, especialmente em relação aos empregos gerados pelo comércio e pela indústria". Avaliou que qualquer discussão sobre a política tributária precisa "colocar o emprego e a produção nacional no centro das decisões". "Medidas que ampliem a exposição do mercado interno a assimetrias competitivas comprometem os avanços observados na geração de empregos formais, sobretudo nos setores mais intensivos em mão de obra. O Brasil não pode aceitar que decisões dessa natureza coloquem em risco trabalhadores e empresas que produzem, investem e geram oportunidades em todas as regiões do país", diz a nota, assinada pelo presidente da UGT, Ricardo Patah. No fim de julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica está acompanhando de perto os dados e que pode propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o retorno da taxação. "A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário", declarou Durigan, na ocasião.

Estreito de Ormuz Reuters/Stringer O Irã divulgou, neste sábado (8), uma lista de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, os Estados Unidos precisarão cumprir com as demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações pelo canal marítimo. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. Irã diz que Estreito de Ormuz só será reaberto com saída dos EUA Segundo o jornal americano, é improvável que o governo de Donald Trump concorde com as exigências iranianas, o que aumenta preocupações sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Na última semana, Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Além disso, autoridades americanas também já haviam afirmado anteriormente que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse em abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa de armas nucleares iraniano e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Mais cedo neste sábado, o ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou o Irã e o Omã estavam "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Em junho, um memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das sanções petrolíferas contra Teerã. No entanto, os dois países tinham interpretações diferentes sobre o tratado e o acordo foi posto em xeque menos de duas semanas após sua assinatura. Preocupações com o petróleo e a inflação A lista de exigências frustra a expectativa do mercado de que um acordo entre o Irã e o Omã poderia reabrir o Estreito de Ormuz, cujo tráfego de navios está limitado desde o início da guerra, em fevereiro. O fechamento do canal, importante rota marítima da região, tem pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de energia e a inflação mundial. Com um forte aumento nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, diz o NYT, o governo Trump pode ser obrigado a considerar as exigências iranianas para tentar reduzir a inflação americana — o que também pode representar um risco para as eleições de meio de mandato, em novembro. Desde o início da guerra, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, já acumula uma alta de quase 15% até a última sexta-feira (7), quando a commodity encerrou cotada a US$ 83,30 o barril. LEIA MAIS CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Vice de Trump diz que iranianos são 'extraordinariamente difíceis' e que acordo deve demorar EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana
Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Fernando Cinelli, fundador e sócio da Apex Partners, foi afastado do comando da empresa na quinta-feira (6) após uma investigação interna apontar “inconsistências financeiras da companhia”. O diretor financeiro da plataforma de investimentos no Espírito Santo, Eduardo Siqueira, também foi afastado. Por nota, sócios da Apex afirmaram que irão contratar uma auditoria externa para aprofundar a apuração e que medidas judiciais para garantir a responsabilização cível e criminal dos envolvidos também serão tomadas. A presidência interina foi assumida por Marcelo Murad, sócio sênior da companhia. Entenda ponto a ponto da crise: 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp “Gestão temerária” Após o afastamento de Fernando Cinelli, sócios da Apex decidiram acionar o presidente afastado na Justiça. O objetivo, de acordo com a companhia, é responsabilizá-lo por "gestão temerária e má-fé" e, ainda, solicitar o bloqueio de seus bens de forma preventiva. Não foram divulgados mais detalhes sobre o resultado das investigações. “As providências são resultado de um rigoroso processo de apuração interna conduzido pela própria Apex, que identificou inconsistências financeiras. Assim que foram constatadas, a companhia iniciou uma série de medidas para preservar suas operações e aprofundar o esclarecimento dos fatos. Uma das medidas adotadas foi o afastamento imediato dos executivos que ocupavam a Presidência e a Diretoria Financeira", informou a plataforma de investimentos capixaba. Segundo informações do colunista Abdo Filho, os sócios apontam falta de transparência aos balanços e que não tinham noção do tamanho da dívida da companhia. Ainda de acordo com os associados, o ‘problema’ estava localizado no presidente e o diretor financeiro que, por isso, foram afastados. O estopim para a investigação interna na Apex Partners foi o investimento na agência de viagens CVC. Embora já houvesse tensões sobre a conduta de Fernando Cinelli, a situação tornou-se insustentável quando um fundo da Apex adquiriu 15,5% das ações da CVC, que tiveram uma queda de quase 40% em apenas seis meses. Como os investidores tinham a promessa de um rendimento garantido, o prejuízo gerado pelas ações fez com que os sócios optassem pela apuração interna. LEIA TAMBÉM: Mulher que faltou ao trabalho por ser perseguida e ameaçada de morte pelo ex tem demissão por justa causa revertida pela Justiça Fernando Cinelli havia sido indicado para um assento no conselho de administração da CVC em abril do ano passado. No mesmo dia em que foi afastado do comando da Apex, ele também renunciou ao cargo na agência de viagens. Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta Blindagem na Justiça Nesta sexta-feira (7), a Justiça concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex. A decisão do juiz Marcos Sanches, titular da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, suspende execuções para proteger o patrimônio de 178 companhias envolvidas diante de um montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões. O magistrado também determinou que as empresas apresentem, em até 30 dias, o pedido de recuperação judicial — sob pena de perda imediata da eficácia da medida cautelar. Foi estabelecida, ainda, a nomeação de uma administradora judicial para realizar uma perícia técnica e verificar as condições operacionais do conglomerado. O prazo para a realização e apresentação desta etapa é de 20 dias. Segundo a decisão, a medida tem como objetivo assegurar a continuidade das atividades econômicas da plataforma e evitar o esgotamento de ativos antes de um possível pedido formal de recuperação judicial. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Veja na íntegra: “Seguindo o compromisso de transparência com seus investidores, parceiros e colaboradores, a Apex Partners informa que, nesta sexta-feira (07), obteve o deferimento de uma liminar cautelar. A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação. Esclarecemos que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar para proteger as atividades da empresa até que a auditoria externa seja concluída. A companhia acredita fortemente nas atividades exercidas nas suas unidades de negócio. Nosso compromisso é dedicar todos os esforços para superar esse momento desafiador que a empresa vem enfrentando e garantir a continuidade e solidez dos trabalhos. Essa decisão não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros e as competências regulatórias. Importante esclarecer que os valores mencionados na referida ação não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas - mas sim de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada em apuração interna ainda será validado em auditoria externa.” O que disse Fernando Cinelli Por nota, a defesa do presidente afastado informou que "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade". Reação do mercado O mercado reagiu prontamente aos sinais de instabilidade. O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. Nesta sexta-feira, o Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025 Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo O ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado (8) que o Irã e o Omã estão "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Segundo o ministro, os dois países estavam discutindo uma rota de navegação temporária enquanto questões técnicas e legais relativas a uma rota permanente eram resolvidas. Na sexta-feira, um funcionário americano afirmou à Reuters que Washington esperava um acordo em breve entre o Irã e Omã, países localizados em lados opostos do estreito, para que o tráfego normal de petróleo pudesse ser retomado. Agora no g1 "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." 🔎 Um acordo entre os dois países sobre o controle dessa via navegável estratégica é considerado crucial para um acordo mais amplo que vise pôr fim ao conflito iniciado com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Araqchi afirmou, no entanto, que a reabertura do Estreito dependerá de uma série de condições, entre elas uma compensação pelo que o Irã considera uma violação, por parte dos Estados Unidos, do Memorando de Entendimento de Islamabad. O acordo foi firmado entre os dois países com o objetivo de reduzir as tensões e garantir um cessar-fogo no Oriente Médio. Assinado em 17 de junho, o memorando de entendimento foi colocado em xeque menos de duas semanas depois, em meio a divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah, que deram origem a uma série de ameaças, ataques e acusações de descumprimento entre Washington e Teerã. Entre idas e vindas, o presidente americano, Donald Trump, chegou a cancelar um novo ataque contra Teerã no último final de semana, afirmando que "o Irã e outros países do Oriente Médio" teriam pedido que os EUA suspendessem a ofensiva porque "os termos de um acordo" teriam sido definidos. "Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO", escreveu o presidente em seu perfil no TruthSocial em 1º de agosto, prometendo que as tratativas iniciariam já na segunda-feira (3). À época, no entanto, Teerã negou que tivesse reuniões com os EUA e afirmou que as únicas negociações em andamento ocorriam apenas com o Omã e seriam sobre a gestão conjunta do Estreito de Ormuz. LEIA MAIS Trump e secretário batem boca por falta de mísseis e frustração com conflito no Irã EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Tráfego de navios segue reduzido Em meio ao conflito na região, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz segue reduzido. Neste sábado (8), os Emirados Árabes Unidos (EAU) acusaram o Irã de ter atacado um navio-tanque ligado á sua estatal de petróleo, a ADNOC, enquanto a embarcação atravessava o canal. As informações são da agência estatal WAM. A ADNOC afirmou que o navio teria sido alvo de um míssil durante a madrugada e que a situação estava sob controle. Não houve feridos. O Ministério de Relações Exteriores dos EAU afirmou que o ataque violou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a liberdade de navegação e acusou a Guarda Revolucionária do Irã de "atos de pirataria" por visar navios comerciais e usar a hidrovia como instrumento de pressão econômica. O comunicado apelou ao Irã para que cesse os ataques e reabra o estreito de forma plena e incondicional. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado, a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação das condições impostas pelo Irã por Washington e não está relacionada às negociações entre Irã e Omã. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, não especificou as condições, mas afirmou que Washington deve parar de interferir no processo de negociação regional. "Assim que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz certamente será reaberto", disse ele, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim. Autoridades americanas, no entanto, têm insistido repetidamente que jamais concordariam com o controle do Irã sobre o acesso à rota comercial mais importante do mundo para o fornecimento de energia. Não ficou claro se elas tentaram alterar os parâmetros do acordo. O Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágio sobre petroleiros. Isso, somado aos disparos contra navios que tentam cruzar o estreito sem sua permissão, interrompeu gravemente os embarques globais, causando um aumento nos preços da energia e alimentando a inflação. *Com informações da agência de notícias Reuters.
Como a Selic mexe com tudo na sua vida
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor.
Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo.
Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Pesquisa de SC resulta em produção pioneira no Brasil de ostras em lata Uma pesquisa de Santa Catarina resultou na produção pioneira no Brasil de ostras em lata. A ideia é oferecer aos turistas a opção de levar de volta para casa um pouco da culinária de Florianópolis. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trabalharam no projeto para garantir a segurança sanitária do alimento. A produção de ostras em lata vai ajudar os maricultores a lidar com as variações da criação de moluscos durante o ano e a influência do clima. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🦪🥫Santa Catarina é responsável atualmente por 98% da produção de ostras e mariscos do Brasil. Em Florianópolis, a maricultura foi introduzida na década de 1980. A atividade movimenta a economia local, estimula o turismo e gera renda para centenas de famílias. Mais opções de produção e venda de moluscos A ideia de fabricar ostras enlatadas foi de Helton Costa, que é chef de cozinha em Florianópolis. Ele queria oferecer aos visitantes a opção de levar o alimento para casa. "O turista já vem com a mentalidade que Santa Catarina é a maior maricultura do Brasil e os frutos do mar catarinenses se destacam também como os melhores do Brasil. Podendo levar uma latinha para presentear ou para comer depois, para recordar da viagem, melhor ainda", declarou o chef. Foi necessário um ano e meio de pesquisas e testes para tirar a ideia do papel. Além de ostras e mexilhões, o processo também está sendo aplicado a lulas, polvos e bacalhaus. Uma das maiores dificuldades é manter o gosto original dos frutos do mar. "Esse foi o desafio dos chefs. Os cientistas cuidavam da esterilização, da parte microbiológica. A minha parte cabia que o produto não perdesse em qualidade de textura, de sabor e visual", explicou Costa. A preparação envolve a classificação, aquecimento e pesagem dos produtos antes de serem enlatados. A última etapa da fabricação acontece em uma máquina. Ela é capaz de esterilizar os produtos já dentro da lata. Os cientistas da universidade definiram os parâmetros exatos de temperatura, pressão e resfriamento para cada um dos enlatados. Isso garante a segurança sanitária do alimento. O pesquisador da UFSC Giustino Tribuzi explicou que enlatados, que têm uma vida mais longa nas prateleiras, precisam ainda mais de atenção nesse quesito. "Esses produtos têm que ser isentos de microrganismos que sejam capazes de se desenvolver nas condições de armazenamento", declarou o pesquisador. A empresa, localizada no bairro Saco Grande, recebeu a certificação pelo Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis. O órgão é responsável por assegurar que os produtos de origem animal produzidos no município atendam padrões de qualidade e segurança alimentar. De acordo com a prefeitura, trata-se da primeira indústria de ostras e mexilhões enlatados do país. Os produtos já estão à venda e custam entre R$ 79,12 e R$ 99,23 a lata, dependendo dos moluscos. As opções são lulas, mexilhões, polvos e ostras. Como fenômeno raro tem deixado ostras esverdeadas em Florianópolis Mudanças climáticas afetam produção de ostras em SC Ostras em lata - fabricação de Florianópolis Reprodução/NSC TV Produção em lata pode ajudar a lidar com as instabilidades na maricultura Um dos grandes desafios da maricultura é lidar com as instabilidades da produção. As variações climáticas causam ora o excesso, ora a escassez de ostras. A iniciativa abre caminho para uma nova etapa de industrialização do setor. "É muito importante para a maricultura essa diversificação de produtos e formas de embalagem porque permite uma agregação de valor e que pode, com isso, atender novos mercados diferenciados", declarou Felipe Suplicy, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Este ano, em abril, o setor passou por uma crise histórica, relacionada às mudanças climáticas. Especialistas apontam que a principal causa do problema foi o aumento da temperatura da água do mar. Moluscos em lata produzidos em Florianópolis PMF/Divulgação
El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta O Super El Niño, que pode intensificar chuvas e enchentes nos próximos meses, deve afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos no Brasil. Em 2026, os efeitos ainda devem ser limitados. Já em 2027, a inflação da alimentação no domicílio pode fechar o ano entre 7,5% e 9,5%. No pico, entre agosto e novembro, pode chegar a 11%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 É o que mostra um estudo da MB Associados, divulgado com exclusividade pela GloboNews. Pelos cálculos da consultoria, o impacto sobre o IPCA pode chegar a 0,9 ponto percentual em 2027. O feijão, cuja produção caiu em 2026, e o arroz, ainda afetado pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul — principal estado produtor —, devem liderar as altas. "O efeito é bastante espalhado na produção agrícola e pecuária brasileira, mas alguns produtos costumam sentir mais, como arroz e feijão, que têm peso importante no IPCA dos alimentos. Também há o efeito sobre o milho, que acaba pressionando as proteínas animais", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Quando vou pagar mais caro? Em que? Segundo Vale, o impacto chegará de forma gradual às gôndolas dos supermercados. Historicamente, os maiores efeitos sobre os preços aparecem entre nove e 10 meses após o pico do fenômeno climático, previsto para outubro ou novembro. Os hortifrutigranjeiros podem ser os primeiros afetados, principalmente nas regiões que enfrentarem chuvas intensas, já nos primeiros meses de 2027. No segundo semestre, a pressão deve chegar aos grãos e, em seguida, às proteínas animais, incluindo a carne bovina. O economista também aponta um possível impacto sobre o frete rodoviário. Caso o El Niño provoque seca no Norte e no Nordeste, o escoamento da produção pelos portos dessas regiões pode ser prejudicado. Com dificuldades na navegação pelos rios, parte da carga tende a ser direcionada aos portos do Sul e do Sudeste, aumentando a demanda por transporte rodoviário e pressionando o frete. No último El Niño, entre 2023 e 2024, esse gargalo elevou os custos entre 10% e 22%. Os impactos do evento climático se somam a outros desafios enfrentados pelo agronegócio. Vale cita o aumento da inadimplência no setor e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que encareceu combustíveis e fertilizantes. "A gente está falando de um setor que, por onde você olha, tem pressão de custo, de produção, de preço e, agora, da questão climática. Vai ser um ano difícil para a agricultura e, no fim, o impacto pode chegar também ao consumidor", afirma.

'Esta conta não pode usar o WhatsApp': aplicativo mostra aviso quando usuário é suspenso Reprodução Os bloqueios em massa de contas do WhatsApp na última segunda-feira (3) afetaram pessoas em várias partes do planeta, incluindo o Brasil. Mas algumas delas dizem que foram banidas há ainda mais tempo e reclamam que as decisões foram injustas. Usuários ouvidos pelo g1 relataram que estão há mais de um mês sem poder acessar suas contas e que perderam mais de 10 anos de mensagens, fotos e vídeos. No Downdetector, site que monitora falhas em aplicativos, mais pessoas afirmaram ter sofrido bloqueios "sem motivo aparente". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Uma usuária que disse ter sido banida injustamente pelo WhatsApp decidiu processar a empresa. Ela alegou que teve prejuízo após perder contas profissionais derrubadas e pediu uma liminar na Justiça para reverter os bloqueios. O WhatsApp disse que pode banir contas se concluir que elas violam suas regras e que usuários têm o direito de pedir uma revisão adicional, mas não se posicionou sobre as acusações de bloqueios indevidos. Agora no g1 Ainda segundo o WhatsApp, os termos do aplicativo proíbem o envio de spam, a aplicação de golpes e outras atividades que coloquem em risco a segurança de outras pessoas. Mas usuários bloqueados disseram que não chegaram nem perto de cometer alguma das violações citadas pela plataforma. Eles reclamam ainda que não tiveram uma explicação clara sobre as causas dos banimentos. WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos em setembro Prejuízo após bloqueio O mecânico Dionatam Carteri, de Passo Fundo (RS), tinha uma conta no WhatsApp desde 2015. Ele disse ter perdido todas as conversas com clientes após ser bloqueado no final de julho. "Fotos de família, documentos, coisas de contratos, tudo estava ali. Do lado familiar, a gente consegue conversar, atualizar o número. Mas, na parte profissional, estou sem chão", afirmou. "Nunca usei para nada ilícito, nada errado. É totalmente errado o bloqueio da minha conta. Não tem nada que possa ser cogitado que foi ilegal." Ele considera que a perda do histórico de mensagens terá o pior impacto para o seu dia a dia e acredita que o banimento o fará perder dinheiro, já que deixará de receber mensagens de muitos clientes. "Em alguns casos, não tenho o número do cliente salvo na agenda do celular, apenas no WhatsApp. Não posso entrar em contato, passar um orçamento, porque não tenho mais como localizar. Acabo perdendo o serviço, a fonte de renda". 🔎 Quando um usuário é suspenso por violar os termos, o aplicativo mostra o seguinte aviso: "Esta conta não pode usar o WhatsApp". É possível pedir revisão de uma pessoa da plataforma ao clicar no botão "Solicitar análise". Dionatam usou esse recurso, não teve resposta e recorreu à página de contato no site do WhatsApp. Mas a plataforma disse que o uso de outros canais ou de contas de terceiros para questionar um banimento não acelera o processo de revisão. WhatsApp Unsplash/Dimitri Karastelev Processo contra o WhatsApp Bloqueada no WhatsApp Business desde o final de junho, a massagista Débora*, de São Paulo, decidiu processar a Meta após perder a conta que tinha criado há dois anos. Para manter o atendimento, ela criou outra conta, mas foi suspensa por algumas horas cerca de 10 dias depois. O perfil ficou em um "vai-e-volta" até ser banido definitivamente, e Débora decidiu criar uma terceira conta, que também sofreu restrições até ser normalizado em 14 de julho. Débora estima que a perda da primeira conta, usada na divulgação para clientes, a fez perder metade do faturamento no período. No processo, ela pede que a Justiça obrigue o WhatsApp a reverter o funcionamento do perfil. "É uma situação completamente desconfortável. O cliente tenta falar, manda mensagem e não conseguimos responder. Acabamos perdendo a credibilidade", afirmou. A massagista reclamou que não teve uma explicação da plataforma sobre o que levou ao bloqueio de sua conta. "O WhatsApp não fala quais regras foram descumpridas. Se você entra em contato, são todas mensagens de inteligência artificial, não tem uma pessoa para você se comunicar". WhatsApp com nome de usuário: como reservar? É seguro? Tire dúvidas sobre recurso WhatsApp REUTERS/Thomas White O advogado Rafael Barreto, que representa Débora, disse ter enviado notificações extrajudiciais à Meta em nome de outros dois clientes banidos. Nenhuma delas foi respondida pela empresa. "O WhatsApp simplesmente está suspendendo contas sem nenhum motivo. Várias contas estão sendo suspensas de forma aleatória, e várias pessoas estão sem conseguir trabalhar", disse. Para Barreto, a falta de justificativa sobre o que causou o banimento da conta mostra uma falha do WhatsApp. "O WhatsApp devia ter uma política muito mais clara. É ônus deles deixar tudo mais claro para quando alguém aderir ao programa". Bloqueios podem ferir direitos de usuários? O WhatsApp pode aplicar punições a usuários, mas é preciso haver um motivo claro, explicou Luiz Augusto D'Urso, advogado especialista em direito digital. "Quando há um banimento sem justificativas, e a plataforma se resume em responder que baniu por uma decisão própria, isso pode ser discutido no Poder Judiciário", disse. "No processo, se ela não apresentar elementos razoáveis para sustentar o banimento, é muito provável que o juiz reverta o banimento, determinando que a plataforma restabeleça o acesso." O advogado destacou que a Justiça já tem o entendimento de que usuários e plataformas mantêm relações de consumo, mas esclareceu que o Código de Defesa do Consumidor não prevê como as empresas devem agir em casos como esse. "O CDC não prevê especificamente qual deve ser a forma da plataforma apresentar um canal de recurso. Então, não existe uma regra na legislação sobre como isso deve acontecer", comentou. Usuários que buscam reverter o bloqueio no WhatsApp devem começar pelos meios oferecidos pela plataforma, explicou D'Urso. Se não houver resposta da empresa, é possível fazer uma reclamação no site consumidor.gov.br e no Procon ou enviar uma notificação extrajudicial. "Diante do banimento, o usuário deve primeiro esgotar as medidas administrativas e a comunicação extrajudicial. Se, mesmo assim, as razões não aparecerem ou ele entender que o banimento é injusto, aí sim cabe mover uma ação judicial." * Débora é um nome fictício, pois a usuária pediu para não ser identificada.

Agenda Cultural especial para o Dia dos Pais Embora o salário-maternidade seja tradicionalmente destinado às mães, o benefício também pode ser concedido ao pai em algumas situações previstas na legislação. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), homens segurados da Previdência Social podem ter direito ao benefício quando a mãe morre durante o parto ou enquanto ainda recebe o salário-maternidade. O benefício também pode ser concedido em casos de adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Quando o pai pode receber Se a mãe falecer durante o parto ou no período em que estiver recebendo o salário-maternidade, o pai pode solicitar o benefício, desde que seja segurado da Previdência Social e se afaste do trabalho para cuidar da criança. as Neste Dia dos Pais, escolha um presente útil, prático e pensado para o estilo de vida do seu pai. - Magnific. O salário-maternidade tem duração de até 120 dias. Caso a mãe já tenha recebido parte do benefício, o pai terá direito apenas ao período restante. O pedido deve ser feito até o último dia de vigência do benefício original. Adoção e casais homoafetivos Nos casos de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção, o salário-maternidade pode ser solicitado tanto pelo pai quanto pela mãe. No entanto, apenas uma pessoa poderá receber o benefício, que também é pago por 120 dias, independentemente da idade da criança. As mesmas regras valem para casais homoafetivos. Em caso de nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção, apenas um dos pais poderá receber o salário-maternidade, conforme a escolha do casal. Como solicitar De acordo com o INSS, não é necessário cumprir um número mínimo de contribuições para ter direito ao salário-maternidade. Basta que o requerente tenha qualidade de segurado da Previdência Social na data do nascimento, da adoção ou da guarda judicial para fins de adoção. O pedido pode ser feito pela Central 135 ou por meio da plataforma Meu INSS, disponível no site e no aplicativo para celulares.

Reforma tributária sobre o consumo englobará todos setores da economia Foto: Reprodução/Canva Após um período de testes neste ano, o governo federal, os estados e os municípios começam a cobrar, de forma efetiva em 2027, os novos tributos sobre o consumo definidos no âmbito da reforma tributária: a CBS federal e o IBS estadual e municipal. 🔎A CBS será cobrada com alíquota cheia a partir do próximo ano. Seu valor, que ainda está sendo calculado pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), será fixado por resolução do Senado em dezembro deste ano. Em 2024, o governo estimou que a alíquota da CBS seria de 8,8%. Entretanto, nos meses seguintes foram feitas novas exceções à cobrança do imposto cheio que elevaram a alíquota. A área econômica não fez nova projeção, mas cálculo da consultoria Roit aponta para uma alíquota de 9,43% em 2027. Estimativas divulgadas em julho pelo Comitê Gestor do IBS, dos estados, apontam que a CBS teria uma taxa de cerca de 9,2% no próximo ano. A alíquota do IBS estadual e municipal, por sua vez, será marginal, de 0,1% em 2027 e em 2028. A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS, até 2032. A cobrança integral começa em 2033. ➡️Estimativa divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor do IBS aponta que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia. O valor, que supera o teto existente 26,5%, também ficaria acima do registrado nos países ricos. ➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são maiores ainda, com tributação média de cerca de 34% – há dificuldade em calcular os impostos pois há muitas exceções, e eles estão embutidos nos preços dos produtos. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço). Entenda A reforma tributária sobre o consumo determinou a extinção, nos próximos anos, do PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal, que começa com cobrança cheia em 2027, com valor ainda a ser definido; o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) dos estados e municípios - com alíquota marginal de 0,1% no próximo ano e em 2028. Até 2032, haverá transição, com essa alíquota aumentando e, a partir de 2033, será feita cobrança integral do IBS. A reforma tributária vai unificar cinco tributos no chamado IVA, o Imposto sobre Valor Agregado ou Adicionado Jornal Nacional/ Reprodução Esses dois novos impostos funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, de maneira não cumulativa. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, o imposto é cobrado em cada etapa, mas os contribuintes podem descontar o tributo pago anteriormente. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que, ao final da cadeia, totalizará R$ 20, após os mecanismos de crédito e compensação entre os diferentes empresas da produção e comercialização. Outra mudança é que os tributos sobre o consumo (IVA) serão cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais. Presidente Lula sanciona regulamentação da Reforma Tributária O que fazer A Secretaria da Receita Federal já está cobrando em fase de teste, desde o início deste ano, que as empresas "destaquem" o valor dos novos impostos na nota fiscal eletrônica, ou seja, que indiquem quanto deve ser pago em CBS e IBS. Embora a legislação tenha previsto uma alíquota de 1% durante o período de adaptação, não há recolhimento efetivo desses valores Desde o começo de agosto, a indicação dos novos impostos nas notas fiscais é obrigatória. Apesar disso, neste primeiro momento, notas fiscais sem o preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS não estão sendo rejeitadas automaticamente — enquanto os sistemas das empresas passam por adaptação. "Os documentos fiscais terão a emissão autorizada mesmo quando não contiverem todos os campos relativos à CBS e ao IBS. Contudo, isso não afasta a obrigação de adequação ao novo modelo, nem altera as regras já estabelecidas para o preenchimento dessas informações", informaram a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, em nota. Reportagem do g1 mostrou, em novembro do ano passado, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas. Em abril, a Receita Federal informou que a penalidade para as empresas que não preencherem os campos relativos aos impostos sobre o consumo, na nota fiscal eletrônica, começará somente a partir de 2027. No começo de agosto, dados oficiais apontam que 88% de todos os documentos emitidos pelos contribuintes alcançados pela obrigatoriedade já foram transmitidos com essas informações, sinalizando que a grande maioria já está preparada para a mudança. Governos Federal, estaduais e municipais publicam regras para implementação da reforma tributária Pessoas físicas e produtores rurais ➡️No mês passado, o governo informou que foi adiada para janeiro de 2027 a obrigatoriedade das pessoas físicas, e dos produtores rurais, terem o chamado "CNPJ técnico". Também foi adiada a necessidade de emitirem a nota fiscal do novo imposto sobre o consumo no âmbito da reforma tributária. O "CNPJ técnico" é uma inscrição cadastral vinculada ao CPF de pessoas físicas que sejam contribuintes dos futuros impostos sobre o consumo (CBS e IBS). Esse cadastro não corresponde à abertura de uma empresa nem transforma a pessoa física em pessoa jurídica. Sua finalidade é identificar esses contribuintes nos sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, facilitando a emissão de documentos fiscais e a apuração dos novos tributos. Segundo o órgão, a prorrogação também está alinhada ao desenvolvimento de solução simplificada para inscrição de pessoas físicas no CNPJ, em modelo semelhante ao atualmente adotado para o Microempreendedor Individual (MEI). O adiamento também permite a disponibilização gradual de orientações operacionais, ambientes de testes e manuais técnicos destinados à adaptação dos contribuintes e dos emissores de documentos fiscais eletrônicos. Super sistema da Receita Federal Para viabilizar o recebimento das notas fiscais, o abatimento dos valores pagos em cadeias anteriores da produção (no sistema não cumulativo) e o chamado "cashback" (devolução de parte do imposto para população de baixa renda), o governo federal já está operando uma plataforma tecnológica sem precedentes no mundo. A fachada da Superintendência da Receita Federal. Pillar Pedreira/Agência Senado O sistema é 150 vezes maior do que o PIX – ferramenta de transferências em tempo real do Banco Central. Milhares de pessoas – incluindo técnicos da Receita Federal, desenvolvedores contratados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), interlocutores do mercado financeiro e até engenheiros das "big techs" (gigantes de tecnologia) – trabalharam para viabilizar a ferramenta. "O gigantismo é para poder receber esse volume de informações que são 100% das notas eletrônicas. Isso que a gente calcula que é em torno de 70 bilhões de documentos por ano que esse sistema vai receber, que é mais ou menos o volume do PIX", disse o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ao g1, no ano passado. Um dos módulos da plataforma, chamado de "split payment", permitirá que o valor dos tributos seja direcionado em tempo real para o governo, estados e municípios. Com o início do "split payment", a expectativa do governo, já divulgada anteriormente, é de que a sonegação de tributos caia drasticamente. Imposto do pecado em 2027 Ainda no âmbito da reforma tributária, o governo também começará a cobrar, em 2027, o imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado. O objetivo é encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também vai incidir sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais, e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports. Arte mostra quais itens serão sobretaxados com o imposto do pecado, se regulamentação proposta por deputados for aprovada Reprodução/GloboNews Para começar a valer efetivamente, o Congresso Nacional precisa aprovar a regulamentação do imposto, mas a proposta do governo federal ainda não foi enviada. O Executivo diz que isso será feito até o fim deste ano. ➡️O valor do imposto a ser cobrado de cada produto ainda não está definido. Na regulamentação, que terá de ser feita até o fim deste ano, para valer a partir de 2027, a área econômica irá propor, e o Legislativo definirá, quais serão as alíquotas. ➡️Produtores nacionais dizem esses produtos já têm taxação alta no Brasil, e avaliam que um eventual aumento dos impostos cobrados pressionará as margens de lucro, podendo gerar repasses aos preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal. Apesar de defender uma taxação maior por meio do imposto do pecado, para reduzir o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, o governo federal indicou que, pelo menos em um primeiro momento, vai manter a atual carga tributária existente durante um "processo de transição". "A ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência. Proposta tem de ser encaminhada neste ano", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em junho deste ano. Cashback para baixa renda Também vai começar, a partir do próximo ano, o chamado "cashback' da reforma tributária — um mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda. Em um primeiro momento, o cashback envolverá apenas a CBS, o novo tributo federal sobre o consumo. Para viabilizar o pagamento, já está em fase de testes uma plataforma que permite aos contribuintes e empresas acompanhar, simular e testar as novas regras do sistema de impostos sobre o consumo. Já é possível: simular o pagamento de tributos; simular pedidos de ressarcimento; acompanhar, em tempo real, valores a pagar e créditos a receber; simular o funcionamento do cashback, para quem tiver direito. O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária, ao g1. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal.

Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos BBC/Getty Images Muita gente já se perguntou o que aconteceria se a inteligência artificial (IA) escapasse ao controle humano. Quem assistiu à franquia de filmes O Exterminador do Futuro, em que a humanidade entra em guerra contra a Skynet, uma IA que se torna poderosa demais, provavelmente também se pergunta isso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 E esse vilão fictício deve ter vindo à mente de muita gente no início deste mês, quando surgiram relatos de que um agente de IA (um programa capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana) saiu do controle durante um teste e invadiu os sistemas da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas para computação. Criado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, esse agente de IA burlou um teste que avaliava a sua capacidade de explorar falhas de segurança e roubou as respostas dos servidores da Hugging Face. Durante dias, nem mesmo seus criadores parecem ter percebido o que havia acontecido. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Depois, na quarta-feira (29/7), a OpenAI informou que o agente também havia atacado vários "serviços disponíveis publicamente". A OpenAI não deu mais detalhes, mas afirmou que está investigando os ataques. "Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes", afirmou a OpenAI. A invasão inicial, descrita como o primeiro caso confirmado de um sistema de IA que teria invadido de forma autônoma uma empresa de verdade, já havia sido suficiente para alarmar especialistas em todo o mundo e reacender o debate sobre os chamados kill switches ("botões de desligamento" ou "interruptores de emergência", em tradução livre): mecanismos de emergência projetados para, nesses casos, interromper ou desligar uma IA antes que ela cause mais danos. Mas especialistas ouvidos pela BBC News afirmam que a questão é mais complexa. Cathy O'Neil, matemática e cientista de dados, disse ao Serviço Mundial da BBC que o problema começa na forma como as empresas de IA reagem quando seus sistemas apresentam comportamentos inesperados. Na avaliação de O'Neil, a OpenAI se apressou em atribuir o ataque à Hugging Face ao agente autônomo, em vez de reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação. O'Neil, que escreveu o best-seller Algoritmos de Destruição em Massa: Como o Big Data Aumenta a Desigualdade e Ameaça a Democracia (Ed. Rua do Sabão, 2021), no qual defende maior transparência e responsabilização das grandes empresas de tecnologia, disse à BBC News: "Há alguns anos, uma falha de computador deixou centenas de voos da American Airlines em solo nos Estados Unidos. Foi um grande constrangimento para a empresa. Imagine se ela tivesse tentado se defender dizendo: 'Ah, isso aconteceu porque o computador era mais inteligente do que nós.' Foi, essencialmente, isso que a OpenAI tentou fazer." A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI Getty Images via BBC Nos EUA, onde está sediada a maioria das maiores empresas de IA, não existe uma legislação federal sobre o tema. A regulação se baseia em uma combinação de normas específicas para diferentes setores e compromissos voluntários assumidos pelas próprias empresas. "Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo", afirma O'Neil. "Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI. A empresa deveria assumir a responsabilidade pelo projeto falho do sistema e pedir desculpas." IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI A cientista de dados Rumman Chowdhury, ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter (hoje X), também defende uma regulamentação mais rigorosa para as empresas de IA, especialmente na área de segurança. Para Chowdhury, essas empresas deveriam ser obrigadas a demonstrar que seus sistemas contam com "mecanismos eficazes de desligamento", inclusive por meio de testes independentes. Mas também alerta para o risco de responsabilizar os agentes de IA — em vez das empresas que os desenvolvem — por ataques como o que atingiu a Hugging Face. "Tratar esse episódio como um problema que seria resolvido com um botão de desligamento mais eficiente desvia a atenção do verdadeiro problema de arquitetura dos sistemas: os agentes estão recebendo acesso a ferramentas e credenciais de que não precisam", disse Chowdhury à BBC News. "O que realmente acontece é que modelos treinados para cumprir objetivos passam, em determinados contextos, a interpretar instruções para interromper uma tarefa como um obstáculo ao objetivo final e procuram formas de contorná-las. [...] Esse é um problema de projeto e de treinamento, não de consciência." O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo Se as empresas de IA se recusarem a resolver esse problema e, em vez disso, optarem por culpar seus agentes autônomos, apenas aumentarão a carga de trabalho dos profissionais de cibersegurança, que já enfrentam diariamente ataques de hackers, afirma Oli Buckley, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Para Buckley, o problema não é que "a IA queira escapar ou prejudicar as pessoas", mas o desenvolvimento de agentes que "estão se tornando cada vez mais capazes de encontrar caminhos inesperados para cumprir uma tarefa". "Na cibersegurança, é exatamente isso que os invasores fazem", afirma Buckley. "Mais do que um alerta sobre uma 'IA rebelde', este caso mostra que nossas premissas de segurança precisam evoluir junto com os sistemas que estamos desenvolvendo." Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente Bloomberg via Getty Images/BBC Konstantinos Gkoutzis, especialista em IA do Imperial College London, no Reino Unido, concorda que a forma como a OpenAI apresentou o caso não ajudou. "A principal conclusão para o público deveria ser que nenhuma máquina decidiu se voltar contra nós. Foi uma empresa que perdeu o controle de um teste de suas próprias capacidades", disse Gkoutzis à BBC News. E, segundo ele, um kill switch não teria resolvido o problema. "Desligar o sistema não desfaz o que já aconteceu", afirma. "Se um sistema já foi comprometido, continuará comprometido, por mais rápido que alguém o tire da tomada." Além disso, quem — ou o que — desligasse o sistema só poderia fazê-lo depois que o problema fosse identificado. Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente. Depois, um porta-voz da empresa rebateu a reportagem da Reuters afirmando à agência de notícias que o texto continha "várias imprecisões".

Menos cerveja no copo? O número de cervejarias na Alemanha está caindo, tendência reforçada pela redução no consumo da bebida, indicam dados divulgados nesta semana, em que também foi comemorado o Dia Internacional da Cerveja, na sexta-feira (7). De acordo com o Escritório Federal de Estatística (Destatis), em 2025, o país tinha 1.415 cervejarias em atividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso representa 53 cervejarias a menos, uma queda de 3,6% em relação a 2024, e 137 a menos do que em 2019, recuo de 8,8%. Naquele ano, foi registrado o maior número de cervejarias em três décadas. Segundo o Destatis, a queda nas vendas da bebida foi um dos fatores determinantes para esse movimento. As vendas recuaram 15,7% em comparação com 2019. Em 2025, foram comercializados cerca de 7,8 bilhões de litros de cerveja no país, abaixo dos 8,3 bilhões de litros de 2024 e dos 9,6 bilhões de litros de 2016. Na Alemanha, o estado da Baviera continua liderando, com 588 cervejarias, seguido por Baden-Württemberg (190) e Renânia do Norte-Vestfália (131). Com exceção de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt, os demais estados federais registraram queda no número de estabelecimentos que produzem a bebida. Na Baviera, por exemplo, 60 cervejarias fecharam entre 2019 e 2025. Na Renânia do Norte-Vestfália, foram 31. Na Alemanha, país mundialmente conhecido pela cultura da cerveja, o consumo da bebida vem caindo drasticamente Robert B. Fishman/picture alliance De acordo com a pesquisa, pouco mais da metade das cervejarias alemãs (821) é de pequeno porte, com produção de até 100 mil litros por ano. Em contrapartida, há poucos estabelecimentos de grande porte. Em 2025, apenas oito produziram pelo menos 200 milhões de litros de cerveja. Segundo o Destatis, o número de cervejarias também vem diminuindo em quase todas as faixas de produção. Além disso, uma pesquisa anterior indicou que cerca de um terço dos entrevistados afirmou ter abandonado completamente a cerveja com álcool. Por outro lado, um levantamento do instituto YouGov mostrou que as variedades sem álcool estão se tornando mais populares. Entre os motivos estão a preocupação com a saúde e o menor consumo de álcool entre os mais jovens. Mudanças estruturais O setor cervejeiro enfrenta há anos mudanças nos hábitos de consumo e custos crescentes, principalmente com energia. Segundo o presidente da Veltins, Volker Kuhl, as cervejarias passam por uma "crise estrutural manifesta". O executivo de uma das maiores cervejarias alemãs prevê que a onda de fechamentos continue. "Os fechamentos de fábricas vão se multiplicar, pois a produção de cerveja está perdendo a viabilidade econômica em muitas instalações que, do ponto de vista técnico, já estão ultrapassadas há muito tempo", disse ele à agência dpa. 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Seven Hands Para o setor, a cerveja sem álcool é hoje uma das principais apostas. De acordo com a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), a variedade já representa 11% do consumo total da bebida no país. Os 750 milhões de litros registrados no ano passado representaram um recorde e um crescimento de 7,6%. Esses números não são contabilizados nas estatísticas fiscais oficiais. "As cervejas sem álcool há muito deixaram de ser um produto de nicho para se tornarem um importante motor de crescimento do nosso setor", comemorou Christian Weber, presidente da Brauerbund.

Serviço de moto por aplicativo oferecido pela empresa Uber em São Paulo e várias outras cidades do Brasil. Bruno Peres/Agência Brasil Na próxima vez que você chamar um Uber ou pedir comida por aplicativo, há uma boa chance de que o trabalhador responsável pela corrida ou entrega receba algum benefício do governo. Em 2025, empresas como DoorDash, Lyft e Uber estavam entre os principais empregadores dos Estados Unidos com maior número de trabalhadores beneficiários do Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), programa de assistência alimentar do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O dado consta de um novo relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo americano. O cenário representa uma mudança significativa em relação a 2020, quando um levantamento anterior do GAO apontava Walmart e McDonald’s nas primeiras posições entre os empregadores com maior número de trabalhadores atendidos pelo SNAP. Agora no g1 O dado pode surpreender muitos americanos, que costumam enxergar o trabalho por aplicativos como um “bico” para complementar a renda. Na prática, porém, essas atividades têm se tornado cada vez mais importantes como fonte de sustento, embora nem sempre sejam suficientes para cobrir despesas básicas, como alimentação e cuidados médicos. Como pesquisador de política urbana, considero esse resultado parte de um cenário mais amplo identificado em uma pesquisa com mais de 1 mil moradores de Michigan, realizada pelo meu instituto em parceria com o Michigan Metro Area Communities Study. Cerca de 22% dos entrevistados afirmaram já ter realizado algum tipo de trabalho por aplicativos ou plataformas. Entre eles, aproximadamente metade disse que essa atividade era essencial ou importante para atender às necessidades básicas. Ao mesmo tempo, programas de proteção social — financiados pelos contribuintes — acabam preenchendo parte da lacuna deixada pelas plataformas, que recorrem a trabalhadores de baixa renda sem oferecer benefícios tradicionalmente associados ao emprego formal. Flexibilidade como uma faca de dois gumes Grandes plataformas, como Uber e Lyft, costumam apresentar esse tipo de trabalho como uma oportunidade de obter renda com liberdade para definir os próprios horários. Nesse aspecto, a percepção dos trabalhadores coincide com o discurso das empresas. Na pesquisa, nove em cada 10 disseram valorizar a flexibilidade, enquanto mais de dois terços avaliaram suas experiências de forma positiva. Apesar disso, os profissionais também apontaram preocupações importantes, principalmente relacionadas à transparência, à remuneração e à falta de benefícios. A questão, portanto, não é se os trabalhadores querem flexibilidade, mas se a renda obtida dessa forma é suficiente para que consigam se sustentar. O trabalho por aplicativos pode funcionar como complemento de renda, mas nem sempre é uma escolha. Em um cenário em que quase metade dos americanos afirma ter dificuldades para fechar as contas, essas atividades tendem a ganhar importância como estratégia de sobrevivência financeira. Isso não significa, porém, que essas atividades estejam substituindo os empregos tradicionais. A pesquisa mostrou que apenas 6% dos trabalhadores reduziram a jornada ou deixaram outro emprego para se dedicar ao trabalho por aplicativos. Quando esse trabalho se torna uma fonte necessária de renda, a ausência de benefícios — como seguro-saúde, cobertura por incapacidade e proteção em caso de acidentes de trabalho — aumenta a dependência desses profissionais de programas públicos. Se as grandes plataformas não oferecem remuneração suficiente para garantir condições adequadas de vida ou benefícios, sob o argumento de que esse é o preço da “flexibilidade”, o governo muitas vezes acaba preenchendo essa lacuna. Em outras palavras, parte dos custos relacionados à proteção social desses trabalhadores acaba sendo financiada pelos contribuintes. Cresce o número de trabalhadores inscritos no Medicaid O relatório do Government Accountability Office também mostrou que, juntas, as plataformas ocupam agora a terceira posição entre os empregadores dos EUA com maior número de trabalhadores inscritos no Medicaid, programa público de saúde voltado principalmente à população de baixa renda e às pessoas com deficiência. Em 2020, essas empresas não apareciam sequer entre as cinco primeiras. Além disso, mudanças recentes nas regras do Medicaid podem tornar a situação ainda mais difícil para esses profissionais. O amplo pacote tributário e migratório aprovado em 2025, durante o governo do presidente Donald Trump, incluiu alterações que afetam estados que expandiram o Medicaid ao longo dos últimos 15 anos. Pelas novas regras, beneficiários passam a enfrentar exigências mais rígidas, incluindo a comprovação de 80 horas mensais de trabalho ou estudo para manter a cobertura. As atividades realizadas por meio de aplicativos contam para cumprir essa exigência. No entanto, profissionais que trabalham em várias plataformas podem enfrentar dificuldades para comprovar a jornada. Isso ocorre porque os aplicativos utilizam formatos diferentes para registrar a jornada, e esses profissionais não recebem um comprovante de pagamento padronizado que informe o total de horas trabalhadas. Também não há um empregador tradicional ou supervisor que possa facilitar essa comprovação. Além disso, os registros nem sempre consideram o período em que o trabalhador fica aguardando uma corrida ou entrega. As oscilações na demanda também tornam a jornada e a renda imprevisíveis. A complexidade e a burocracia das novas exigências podem fazer com que beneficiários percam a cobertura mesmo quando cumprem as 80 horas mensais. Essas barreiras podem retirar mais pessoas do Medicaid e aumentar a dependência de outros programas sociais, especialmente diante do aumento das despesas médicas e do comprometimento da renda familiar. A perda da cobertura também pode ter consequências mais graves. Sem acesso ao seguro-saúde, algumas pessoas podem deixar de procurar atendimento básico ou preventivo, aumentando o risco de problemas que posteriormente exijam hospitalização. Benefícios portáteis podem ser uma alternativa? Em alguns estados, legisladores começam a discutir formas de reduzir a dependência de programas públicos por parte dos trabalhadores de plataformas. Uma das alternativas são os chamados “benefícios portáteis”. Nesse modelo, empresas ou usuários dos aplicativos contribuem para fundos destinados aos trabalhadores. Os benefícios acompanham o profissional mesmo quando ele presta serviços para diferentes plataformas. Na pesquisa, 61% dos trabalhadores de aplicativos disseram apoiar a proposta. A ideia também recebeu o apoio de mais da metade dos profissionais que atuam em outras modalidades de trabalho. Dois estados americanos oferecem exemplos de como esses modelos podem funcionar. No estado de Nova York, o Black Car Fund, criado inicialmente para motoristas de táxi e limusines, passou a atender também motoristas de aplicativos em 2014. Trata-se de um fundo de benefícios sem fins lucrativos, autorizado pelo estado e administrado por um conselho formado por representantes do setor, incluindo motoristas. A adesão é automática para os profissionais abrangidos pelo programa, e os benefícios são financiados por uma tarifa adicional cobrada dos passageiros nas corridas. O modelo ganhou destaque em 2023, quando o estado fechou um acordo de US$ 328 milhões após Uber e Lyft terem retido pagamentos e benefícios de trabalhadores. O acordo também estabeleceu licença médica remunerada obrigatória, remuneração mínima e outros direitos. Com esse sistema, parte dos custos relacionados ao trabalho de baixa remuneração deixa de ser bancada pelos contribuintes e passa a ser financiada pelos usuários dos serviços. A existência de um fundo centralizado também amplia o poder de negociação e permite oferecer aos motoristas proteção em caso de acidentes de trabalho, além de diferentes opções de cobertura médica, odontológica e por incapacidade. Atualmente, as plataformas não contribuem diretamente para o fundo. Caso passassem a fazer isso, os benefícios poderiam ser ampliados. Califórnia adotou um modelo diferente A Califórnia seguiu outro caminho e mostra como o desenho das políticas públicas pode influenciar o acesso aos benefícios. O estado optou por trabalhar com empresas de tecnologia na elaboração da Proposition 22, medida que buscou oferecer benefícios limitados a motoristas e entregadores de aplicativos sem alterar sua classificação como trabalhadores autônomos. A proposta, aprovada em 2020, deixou a implementação a cargo das próprias plataformas e estabeleceu um conjunto mais restrito de benefícios, que não acompanham integralmente os profissionais quando eles trabalham para diferentes aplicativos. O modelo também impõe mais barreiras para o acesso a essas proteções. As empresas, por exemplo, consideram apenas as chamadas “horas engajadas” para calcular o tempo mínimo necessário para que o profissional tenha direito aos benefícios. Na prática, entram nessa conta somente os períodos em que o trabalhador está realizando uma corrida ou entrega, deixando de fora o tempo de espera por uma nova solicitação. Como o sistema não é totalmente integrado entre as plataformas, quem atua em diferentes aplicativos também pode ter mais dificuldade para cumprir os requisitos. Um estudo constatou que apenas 10% dos motoristas da Califórnia recebem o auxílio para despesas de saúde criado pela legislação. O papel das próprias plataformas na definição de quem pode receber os benefícios tornou-se alvo de críticas. Sindicatos e organizações de defesa dos direitos trabalhistas relatam problemas frequentes relacionados ao acesso e aos critérios de elegibilidade. Em Nova York, por outro lado, uma entidade independente é responsável por determinar quem tem direito aos benefícios e administrar os pagamentos. Embora os dois estados tenham adotado caminhos diferentes, as experiências mostram que flexibilidade e proteção ao trabalhador não precisam ser tratadas como objetivos incompatíveis. Na ausência de benefícios federais universais para trabalhadores de aplicativos, governos estaduais e locais podem buscar alternativas para evitar que os custos sociais desse modelo sejam transferidos para os contribuintes, por meio dos impostos, ou para os próprios profissionais, na forma de maior insegurança financeira. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho

Projeto de lei quer obrigar postos a detalhar preço dos combustíveis na nota fiscal, inclusive Lucro Marcelo Camargo/Agência Brasil Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados quer obrigar postos de combustíveis a informar na nota fiscal como é formado o preço pago pelo consumidor, incluindo a margem de lucro na distribuição e na venda dos combustíveis. A proposta, de autoria do deputado licenciado Guilherme Boulos (PSOL-SP), prevê um detalhamento maior dos componentes que formam o preço final da gasolina, do etanol, do diesel e do gás de cozinha. O PL 4788/2025 teve um requerimento de urgência aprovado pelo Plenário em abril de 2026 e, por isso, pode ser analisado diretamente pelos deputados. 🔎 Na tramitação, o texto passou pela Comissão de Defesa do Consumidor e está também na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. Governo aumenta etanol na gasolina para 32%; veja quais carros serão afetados Pelo texto, a nota fiscal ou documento equivalente deverá apresentar os valores nominais e percentuais de cada componente do preço. A medida altera a Lei 12.741/2012, que já determina a informação sobre a carga tributária nos documentos fiscais, e passaria a exigir um detalhamento específico para combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP). Entre os itens que teriam de aparecer no documento estão: O valor recebido pelo produtor ou importador; O custo do biocombustível incorporado ao combustível, como o etanol anidro na gasolina ou o biodiesel, quando houver; Os tributos federais, que incluem CIDE, PIS/Pasep e Cofins, além do ICMS estadual; A margem bruta de comercialização, que reuniria os custos e as margens de lucro das empresas de distribuição e revenda. As informações teriam de ser apresentadas de forma clara e em local de fácil visualização no documento entregue ao consumidor. O projeto também prevê que produtores, importadores e distribuidores informem, nos documentos fiscais de suas próprias operações, os dados referentes às etapas pelas quais são responsáveis. A intenção é permitir que o consumidor acompanhe a formação do preço ao longo da cadeia. Na justificativa, Boulos afirma que a legislação atual avançou ao exigir a indicação dos tributos, mas que o consumidor ainda não consegue visualizar como o preço final é formado. Divulgação de lucro Advogados ouvidos pelo g1 concordam que o consumidor pode ter acesso a mais informações. Eles, porém, fazem ressalvas principalmente à divulgação das margens de lucro das empresas. Para os especialistas, o projeto pode ampliar a transparência, mas precisa estabelecer limites para evitar a exposição de informações comerciais e a criação de obrigações difíceis de cumprir. Para Bruno Boris, sócio-fundador do Bruno Boris Advogados, a proposta amplia uma obrigação que já existe. A legislação atual determina que o consumidor receba informações sobre os tributos e outros dados relacionados ao preço. O problema começa, na avaliação do advogado, quando o projeto passa a exigir a divulgação da margem de lucro das empresas. Segundo Boris, a divulgação detalhada desses dados pode gerar problemas de concorrência, já que uma empresa poderia usar informações sobre os custos de outra para ajustar sua estratégia comercial. Por isso, ele afirma que, mesmo se aprovado, o projeto pode ser questionado do ponto de vista jurídico e constitucional. Lorena Bentes, advogada do departamento cível e empresarial do Fonseca Brasil Serrão Advogados, considera que o consumidor já tem direito a informações claras sobre o produto, o preço e os impostos. O que não existe atualmente é uma obrigação geral para que uma empresa revele quanto gastou, quanto custa sua operação ou quanto ganha em cada venda. “Transparência de preço não é necessariamente transparência da contabilidade interna da empresa”, diz a advogada. Na avaliação de Lorena, há justificativa para que os combustíveis tenham uma regra diferente de outros produtos. Ela destaca que se trata de um mercado regulado, com produtos essenciais e de forte impacto na economia. Por isso, segundo a advogada, o fato de outros setores não precisarem divulgar suas margens não é suficiente para impedir a criação de uma regra específica para combustíveis. A principal ressalva de Lorena está na quantidade de informações que seria divulgada. Para ela, o debate mais importante é saber se é necessário mostrar a margem de cada empresa ou se dados médios e informações consolidadas seriam suficientes. A advogada também chama atenção para o risco de informações individuais afetarem a concorrência. Assim, sua avaliação é favorável à transparência, mas com limites. Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados, também entende que o projeto pode criar uma regra específica para os combustíveis. Ela ressalta que o consumidor hoje não pode exigir a abertura completa dos custos e do lucro de uma empresa. Para Daniela, o projeto faz sentido porque os combustíveis têm características próprias e seus preços afetam outros setores da economia. Ela, porém, aponta dificuldades práticas. Um posto, por exemplo, pode não ter acesso a todos os dados sobre custos e margens das etapas anteriores da cadeia. A advogada defende que, caso a proposta avance, os dados sejam padronizados e verificáveis, deixando claro quem fornece cada informação e quem será responsável por eventuais erros. "A diferença entre o preço de compra e o de venda não representa necessariamente lucro, já que desse valor ainda saem despesas como salários, aluguel, energia, transporte e manutenção", diz a especialista. A reportagem do g1 entrou em contato com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), mas não houve retorno. Segundo Rodrigo Zingales, diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbraLivre), a entidade já defendia uma medida semelhante em 2021, quando houve a discussão sobre a divulgação dos custos dos combustíveis. Na época, a AbraLivreve argumentava que, além dos custos, o consumidor deveria ter acesso ao preço pago pelo posto à distribuidora. Para Zingales, essa informação é importante porque permite acompanhar melhor a formação do preço ao longo da cadeia. Segundo ele, o projeto de lei em discussão na Câmara pode corrigir justamente essa lacuna. Ele também avalia que a medida pode ajudar na fiscalização de eventuais aumentos considerados abusivos e permitir que postos e consumidores identifiquem diferenças de preços entre distribuidoras e revendedores. "Com esta transparência, será mais fácil os órgãos fiscalizadores descobrirem quem realmente abusa de aumento de preços", diz Zingales. Na avaliação do diretor da AbriLivre, a divulgação do preço de compra também permitiria comparar com mais clareza os valores praticados pelas distribuidoras e pelos postos, aumentando a transparência nas relações comerciais entre os dois segmentos. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM

Dia dos Pais: expectativa de vendas é 10% maior, em comparação com o ano passado A celebração do Dia dos Pais deve movimentar cerca de R$ 8,52 bilhões no comércio brasileiro em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa uma alta real de 2,9% em relação a 2025, já descontada a inflação, e mantém a data como a quarta mais importante do calendário do varejo em volume de vendas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A expectativa de maior movimentação também aparece nas pesquisas de intenção de compra. Levantamento realizado pela DM, empresa especializada em serviços financeiros e concessão de crédito, aponta que 75,7% dos consumidores pretendem comprar presentes para a data e que 47,2% planejam gastar mais do que no ano passado. Entre os entrevistados que afirmaram que vão presentear, 34,8% pretendem gastar mais de R$ 500. O cartão de crédito parcelado aparece como a principal forma de pagamento, escolhida por 59,3% dos consumidores, enquanto 24,3% devem pagar no crédito à vista. O PIX aparece em terceiro lugar, com 6,8% das respostas. Dia dos Pais em Atibaia Divulgação Apesar da preferência pelo crédito, a maior parte dos consumidores deve evitar parcelamentos longos: 64,5% afirmam que dividirão as compras em até quatro vezes. “O parcelamento é, para grande parte dos brasileiros, uma estratégia de gestão financeira, que garante as compras sem comprometer demais o orçamento. E os parcelamentos mais curtos indicam um cuidado dos consumidores em manter o equilíbrio financeiro”, afirma Victor Hugo Soares, gerente nacional comercial da DM. A situação financeira é um dos principais fatores que influenciam a decisão de compra. Segundo a pesquisa, 26,7% dos consumidores apontam o próprio orçamento como o aspecto mais importante na escolha do presente. As promoções aparecem como decisivas para 21,6% dos entrevistados. A pesquisa da DM ouviu 2.500 clientes da empresa em todas as regiões do Brasil para avaliar a intenção de compra e o comportamento de consumo no Dia dos Pais de 2026. Churrasco e refeições em família impulsionam supermercados Além dos presentes, a data também deve movimentar o consumo de alimentos e as refeições fora de casa. Entre os consumidores que pretendem comprar presentes, 79% afirmam que também farão compras em supermercados para celebrar a ocasião com a família. Para Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Dia dos Pais movimenta diferentes setores da economia, como lojas de roupas e calçados, perfumarias, comércio eletrônico, restaurantes e supermercados. Segundo ele, o desempenho deve ser positivo, mas sem uma explosão do consumo, principalmente por causa dos juros e do endividamento das famílias. “Os juros e o endividamento devem limitar os presentes mais caros”, afirma Tonegutti, diretor da Mix Fiscal, empresa de inteligência tributária para o varejo. Especialistas recomendam planejamento para evitar dívidas Apesar da movimentação esperada no comércio, especialistas alertam para os cuidados com o orçamento. Segundo Tonegutti, o consumidor deve definir um limite de gastos antes de escolher o presente e observar o valor total da compra, não apenas o tamanho da parcela. “No ano passado, 35% dos consumidores que pretendiam presentear já tinham contas atrasadas. E 13% poderiam deixar uma conta sem pagar para comprar o presente”, afirma. Para o especialista, parcelar uma compra pode ser uma alternativa, desde que o consumidor considere o impacto das prestações no orçamento dos meses seguintes. “Parcelar o presente pode fazer sentido. Parcelar carne, carvão e sobremesa transforma o churrasco de domingo numa lembrança que aparece na fatura até o Natal”, diz. No caso dos supermercados e restaurantes, a estratégia para aumentar as vendas passa por facilitar a decisão do consumidor. Tonegutti afirma que a criação de kits e combinações de produtos pode ajudar o cliente a organizar toda a comemoração em um único lugar, reunindo itens como carnes, acompanhamentos, bebidas, sobremesas e presentes.

Discord: AGU discute medidas após Janja defender bloqueio A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu nesta sexta-feira (7) um processo de fiscalização contra o Discord para apurar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes. A investigação foi anunciada após um episódio de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos. A ANPD busca verificar se a empresa cumpriu as obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em vigor desde março de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entre os pontos investigados, estão possíveis falhas na prevenção e no combate à exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio. A ANPD também apura se o Discord tem mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e se cumpriu regras para retirar conteúdos considerados ilegais e comunicar casos graves às autoridades. Por que o Discord tem sido terreno fértil na internet para crimes de extremismo Getty Images Após reunião com AGU, Discord deve apresentar, até a próxima segunda, plano para ampliar proteção na plataforma Procurado pelo g1, o Discord disse que "não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência" e que "tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões". "Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas a desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas", disse a plataforma. (veja o comunicado na íntegra ao final) Segundo a ANPD, o processo vai apurar: possíveis falhas na adoção de medidas exigidas pela lei para prevenir e reduzir o risco de menores de 18 anos serem expostos a conteúdos ou contatos que incentivem, estimulem ou facilitem a automutilação e o suicídio; a ausência de mecanismos considerados eficazes para verificar a idade dos usuários; possíveis falhas na retirada de conteúdos que violem as regras de proteção de crianças e adolescentes; possíveis falhas na comunicação de casos às autoridades responsáveis pela investigação. O Discord terá cinco dias úteis para apresentar à ANPD informações sobre os mecanismos existentes na plataforma para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. Caso a agência constate irregularidades, poderá determinar mudanças nas práticas da empresa e aplicar as punições previstas no ECA Digital. Entre elas está multa de até R$ 50 milhões por infração. A atuação da ANPD complementa à de outros órgãos públicos. A Polícia Civil e o Ciberlab, laboratório da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltado à investigação de crimes cibernéticos, também apuram o caso. Morte de adolescente A investigação começou após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí, em Mato Grosso do Sul, no dia 22 de julho. Segundo a Polícia Civil e o Ministério da Justiça, a adolescente teria sido coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos. Adolescentes suspeitos de induzir suicídio de menina foram apreendidos com itens neonazistas e conteúdos de abuso infantil, revela polícia Durante o cumprimento de mandados da operação, que teve como alvo seis integrantes do grupo investigado em diferentes estados, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Justiça afirmam ter encontrado materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil. Segundo as investigações, o grupo utilizava o Discord e o Telegram para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. As vítimas identificadas na apuração eram meninas. Discord terá de apresentar plano à AGU Além da fiscalização da ANPD, representantes do Discord se reuniram nesta sexta-feira com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir medidas de adequação da plataforma às normas brasileiras. A empresa se comprometeu a apresentar, até a próxima segunda-feira (10), um plano com medidas para ampliar a proteção dentro da plataforma, especialmente de mulheres, crianças, adolescentes e animais. Na reunião, os representantes do Discord também assumiram obrigações relacionadas ao chamado dever de cuidado, que exige das plataformas a adoção de medidas para reduzir riscos e proteger seus usuários. A empresa deverá apresentar uma versão mais detalhada de como pretende cumprir as medidas discutidas com a AGU. Segundo apuração da GloboNews, integrantes da Advocacia-Geral da União consideraram a reunião desta sexta-feira produtiva. Veja a íntegra do posicionamento do Discord: "O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e estamos cooperando com as autoridades policiais na investigação deste grave caso. O Discord mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas a desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas. Esperamos dar continuidade ao diálogo com os formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários do Discord e em toda a internet."

Agora no g1 O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7), por ampla maioria, um projeto que pode abrir uma nova frente de tarifas comerciais para o Brasil. A proposta endurece as sanções contra a Rússia e autoriza o presidente Donald Trump a taxar países que continuam comprando petróleo e derivados russos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O texto autoriza tarifas de até 500% sobre importações provenientes da Rússia, incluindo petróleo e gás, e também permite a aplicação de tarifas de até 100% sobre produtos de países considerados grandes compradores de combustíveis russos. Embora o Brasil não seja citado nominalmente na proposta, o projeto coloca o país em alerta por ser um dos principais compradores de diesel russo desde o início da guerra na Ucrânia. Hoje, a Rússia responde por cerca de 60% das importações brasileiras de diesel. O projeto segue agora para a Câmara dos Representantes. Como o Congresso dos EUA está em recesso de verão, a expectativa é que a análise ocorra apenas a partir de setembro. O que prevê o projeto Além das tarifas, o texto amplia as sanções contra autoridades russas, oligarcas, instituições financeiras e a chamada "frota fantasma", usada para contornar as restrições às exportações de petróleo da Rússia. Caso a proposta seja transformada em lei, o próprio presidente russo, Vladimir Putin, poderá ser alvo das sanções, ao lado de outras autoridades do governo russo. Os defensores da medida afirmam que reduzir as receitas obtidas pela Rússia com petróleo e gás é uma forma de enfraquecer a capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia. "Esta lei nos aproxima do fim do conflito", afirmou o senador republicano Jim Risch, presidente da Comissão de Relações Exteriores. A senadora democrata Jeanne Shaheen afirmou que o projeto "atinge com muita força os setores energético e financeiro da Rússia". O texto recebeu o nome do senador Lindsey Graham, que morreu em 11 de julho após dedicar mais de um ano à articulação da proposta. Pouco antes de morrer, ele anunciou ter chegado a um acordo com a Casa Branca sobre uma versão revisada do projeto. A Embaixada da Rússia nos EUA criticou a iniciativa e afirmou que ela "prejudica a atual administração americana". A votação ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre Moscou. No mês passado, a União Europeia aprovou uma nova rodada de sanções contra a Rússia, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a aprovação do projeto pelo Senado americano. "Juntos, vamos eliminar as fontes de financiamento da Rússia para que ela não possa continuar uma guerra que não pode vencer", escreveu a dirigente europeia no X. *Com informações da Agence France-Presse Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio Jornal Nacional/ Reprodução

Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas A União Europeia pediu nesta sexta-feira (7) que as plataformas Meta Platforms e TikTok intensifiquem o monitoramento de conteúdos e fortaleçam a checagem de fatos após o aumento do fluxo de migrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, na semana passada. A comissária europeia para soberania tecnológica, segurança e democracia, Henna Virkkunen, afirmou que a Comissão Europeia conversou com as duas empresas e pediu medidas mais rigorosas para conter a disseminação de informações falsas em períodos de crise. Mais de 70 mil pessoas cruzaram do Marrocos para a cidade espanhola de Ceuta, provocando uma crise humanitária e alterando a diplomacia regional Getty Images "O monitoramento deve ser intensificado, e a cooperação com verificadores de fatos, fortalecida", disse Virkkunen. Segundo ela, as plataformas precisam "agir de forma decisiva para preservar a integridade do espaço digital, especialmente durante situações de crise". Qual a origem da aliança entre EUA e Marrocos — e qual o papel dela na crise migratória de Ceuta Meta é condenada a pagar R$ 2,9 bilhões para estado dos EUA por caso envolvendo menores nas redes O pedido ocorre após o aumento da chegada de migrantes a Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada na costa norte da África, próxima ao Marrocos. A UE tem ampliado a pressão sobre as grandes plataformas digitais para que cumpram regras de combate à desinformação previstas na legislação europeia.

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reclamou nesta sexta-feira (7) de uma suposta "politização" do acordo entre União e DF para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB). Celina não citou nominalmente quem estaria "politizando" o tema, mas deu a declaração ao ser questionada sobre as falas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Na quinta (6), Durigan negou que haja "inércia" federal sobre o tema – e disse que as pendências em torno do empréstimo são de responsabilidade do governo do Distrito Federal. "A gente tem muita responsabilidade com o BRB. Politizar esse tema é um erro. Acho que por parte de qualquer ministro que venha a politizar esse tema é um erro. Nós temos aposentadoria de servidores públicos que estão lá dentro. São vários fatores, a gente precisava de ter maturidade política para falar sobre isso", afirmou Celina. Ainda de acordo com Celina Leão, toda a "parte do Distrito Federal" no acordo foi cumprida. "O prazo é algo importante para nós, no mercado financeiro e tal. Não pode ser quando as pessoas quiserem, na forma que quiserem", emendou Celina. Incomodado com a demora na liberação do empréstimo, o governo do Distrito Federal voltou a acionar o STF nesta semana e pediu uma nova audiência de conciliação com bancos e governo federal. União nega 'inércia' Relator do acordo, o ministro Luiz Fux marcou o compromisso para a próxima semana – o que irritou membros do governo federal. A insatisfação foi citada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. "[A acusação de inércia] Gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo. Parece bastante estranho quando a gente lembra que o problema do BRB tem origem crimonosa no BRB e no governo do DF", disse Durigan nesta quinta. O ministro afirmou que as equipes envolvidas nas tratativas ficaram "profundamente incomodadas", e que as informações pendentes para a conclusão do acordo devem ser prestadas pelo próprio governo do DF. "E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento", emendou. DF criticou União e FGC em ofício No ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal reclama da "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado em maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Orientador fala sobre informações que tornam um currículo mais atrativo Stacey Duguid diz acreditar que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA estão colocando as mulheres de meia-idade em desvantagem Reprodução/BBC Brasil O medo de se tornar dispensável devido aos avanços da inteligência artificial é compartilhado por milhões de trabalhadores, mas será que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA representam uma ameaça específica para mulheres que tentam retornar ao mercado de trabalho? Após uma carreira de décadas, com cargos corporativos de alto nível no setor de moda e um período como freelancer, Stacey Duguid, de 52 anos, decidiu buscar "um último emprego". O que se seguiu foram 16 meses enviando "uma infinidade" de currículos, recebendo pouco mais do que algumas respostas automatizadas, apesar de nunca ter tido dificuldade para encontrar trabalho anteriormente. Sentindo-se "solitária e envergonhada" e questionando se o problema estava nela mesma, ela publicou uma mensagem nas redes sociais perguntando se outras mulheres da sua idade estavam passando pela mesma experiência. A resposta foi avassaladora: milhares de mulheres relataram enfrentar dificuldades semelhantes. Stacey, que mora no norte de Londres, diz acreditar que as ferramentas de recrutamento impulsionadas por IA podem estar contribuindo para o problema e decidiu fazer uma espécie de "Botox" em seu currículo, removendo referências à sua idade e tempo de experiência. "A IA é um espelho da sociedade. Ela reflete os nossos preconceitos", disse ela. "Não estou dizendo que essa é uma questão exclusiva das mulheres, pois também recebi mensagens de homens. O meu ponto é sobre o etarismo de gênero." Um baque na confiança Desde então, a BBC conversou com mais de 60 mulheres, com idades entre 40 e 65 anos e de diversos setores, que têm enfrentado dificuldades para encontrar emprego. A maioria possui décadas de experiência em cargos de alto nível e relata ter enviado inúmeros currículos, recebendo apenas rejeições automatizadas ou nenhuma resposta. Assim como Stacey, muitas acreditam que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA têm um papel relevante nessa situação. Koeyli Jaluka diz que, após se candidatar a mais de 400 vagas, sua autoconfiança foi abalada Reprodução/BBC Brasil Koeyli Jaluka, de 49 anos, ocupou cargos de liderança nos setores industrial, corporativo e de saúde. "Nunca estive nessa situação antes. Nos últimos 10 a 12 anos, eu era procurada por recrutadores. Agora, sou eu quem busca vagas e recebo sucessivas rejeições." Após ser dispensada há nove meses, ela se candidatou a 442 vagas, mas obteve retorno em pouquíssimos casos. Ocasionalmente, ouve que é "muito sênior" — o que ela interpreta como um eufemismo para "velha". Apesar de duas décadas de experiência e duas graduações, ela afirma que sua autoconfiança foi abalada. 'Nem para comer me chamavam': entenda o que é a solidão corporativa e como pode afetar sua carreira Ela diz acreditar que orçamentos mais restritos, a triagem por inteligência artificial e critérios de contratação cada vez mais rígidos contribuem para esse cenário. "Muitas de nós recebemos orientações de consultores de carreira para remover os primeiros dez anos de experiência profissional do currículo, apenas para evitar passar a impressão de que trabalhamos há tempo demais." 'Estou recebendo o auxílio-desemprego' Anna Cowie diz que já perdeu a conta de quantos currículos enviou Reprodução/BBC Brasil Anna Cowie, de 52 anos, teve uma carreira de 30 anos na publicidade, mas está desempregada há quase quatro anos. Ela perdeu a conta de quantos currículos enviou, apesar de nunca ter ficado sem emprego anteriormente. Após décadas trabalhando para grandes marcas, ela agora recebe o auxílio-desemprego. Anna passou a atuar como voluntária em festivais comunitários e descobriu que fazer networking com pessoas reais é uma abordagem muito mais promissora. "Você é vista como um ser humano, e não apenas como linhas em um papel." 'Enormes repercussões' Embora em muitos casos seja impossível saber se ferramentas de IA desempenharam algum papel na triagem ou na rejeição de candidatos — visto que os empregadores raramente divulgam detalhes de seus processos de recrutamento —, há um receio generalizado de que essas ferramentas estejam prejudicando mulheres de meia-idade. A força-tarefa Women Pivoting to Digital, de Londres, voltada para mulheres nos setores de serviços financeiros, manifestou preocupação com o uso crescente de IA no recrutamento e seu impacto sobre as mulheres. A presidente do grupo, Caroline Haines, afirmou que a pesquisa realizada pela força-tarefa revelou uma preocupação significativa de que a IA utilizada para triar candidaturas e currículos não reconhece as competências que muitas mulheres experientes podem oferecer. Caroline Haines afirma haver preocupação de que a IA usada no recrutamento não leve em conta as habilidades de muitas mulheres Reprodução/BBC Brasil "Há uma grande preocupação de que a IA, na fase inicial de recrutamento, não leve em conta as habilidades de um vasto contingente de mulheres que poderiam ser muito eficazes e, assim, promover o crescimento econômico", disse ela. Por exemplo, mulheres que se afastaram do trabalho para cuidar dos filhos podem apresentar lacunas em seus currículos que alguns sistemas de triagem baseados em IA poderiam interpretar negativamente. Mais de 2,5 milhões de mulheres não trabalharam para cuidar de parentes ou das tarefas domésticas, diz IBGE Em uma perspectiva mais ampla, o grupo de trabalho estima que a IA e a automação poderão eliminar centenas de milhares de empregos ocupados por mulheres até 2035. Com base em dados do relatório Market and Skills Projections: 2020 to 2035, o grupo estima que, sem investimentos significativos em requalificação, as empresas poderão enfrentar custos de rescisão superiores a £ 750 milhões, o equivalente a cerca de R$ 5,2 bilhões. Em uma pesquisa recente realizada pelo grupo de trabalho sobre o setor digital com mais de mil mulheres, 68% afirmaram não ter recebido de seus empregadores a oportunidade de requalificação ou de transição para funções na área digital. "Em um momento em que o país precisa desesperadamente de crescimento econômico, precisamos aproveitar todos os recursos disponíveis, incluindo o potencial das mulheres que estão em uma fase intermediária de suas carreiras e experiências. Se elas deixarem o mercado de trabalho, as repercussões serão enormes", afirmou Haines. Laura Holden diz acreditar que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA têm o potencial de causar 'danos significativos' Reprodução/BBC Brasil Como funciona o recrutamento por IA A BBC apurou que algumas empresas sediadas em Londres deixaram de usar ferramentas de IA por receio de vieses em seus processos de recrutamento. Laura Holden, advogada especializada em IA e fundadora da consultoria jurídica Bonsai AI, afirmou que as empresas muitas vezes não compreendem o funcionamento dessas ferramentas, o que pode causar "danos significativos". Ela argumentou que é difícil identificar a existência de vieses porque "há uma falta de regulamentação global que obrigue os fornecedores a demonstrar como suas ferramentas operam". Ela citou ferramentas de triagem de currículos e entrevistas avaliadas por IA como exemplos de situações em que vieses podem surgir. Uma dessas ferramentas, segundo ela, classifica currículos de A a D, incentivando os recrutadores a priorizar candidatos com melhor pontuação. Outras sinalizam fatores como uma lacuna de sete anos na carreira como um ponto de atenção, o que pode influenciar decisões de forma injusta. Holden observou que os fornecedores se apressam em afirmar que suas ferramentas são seguras e reduzem vieses, ao mesmo tempo em que as desenvolvem e comercializam de maneira a incentivar empregadores a rejeitar um grande número de candidatos com base em pontuações geradas pela IA. Embora as empresas as descrevam como ferramentas de apoio à decisão, ela afirmou que, frequentemente, elas funcionam como "sistemas de tomada de decisão automatizada". Ela defendeu a realização de testes obrigatórios e a implementação de uma regulamentação mais rigorosa antes da adoção de ferramentas de recrutamento baseadas em IA, argumentando que a legislação atual não foi elaborada levando essa tecnologia em consideração. Lógica 'completamente falha' Eleanor Drage, pesquisadora sênior da Universidade de Cambridge, afirmou que as preocupações de que a IA possa prejudicar as mulheres em processos de recrutamento são "muito justificadas". Ela argumentou que recrutadores humanos têm maior capacidade de reconhecer o valor de candidatos que retornam de pausas na carreira — como a licença-maternidade — e as habilidades transferíveis que eles trazem consigo, qualidades que a IA pode deixar passar despercebidas. Embora tenha ressaltado ser "muito difícil" provar que as ferramentas são inerentemente enviesadas, Drage sustentou que a lógica que rege seu funcionamento é "completamente falha", pois elas não conseguem avaliar o valor intrínseco ou a personalidade de uma pessoa da mesma maneira que um recrutador humano faria. Ela acrescentou que muitos recrutadores não compreendem totalmente o funcionamento dessas ferramentas e afirmou que as empresas deveriam utilizar a IA para avaliar suas próprias práticas de contratação, em vez de avaliar "populações vulneráveis, como mulheres mais velhas que estão retornando ao mercado de trabalho ou pessoas que fizeram uma pausa na carreira". Embora Drage reconheça os benefícios do uso dessas ferramentas — incluindo o auxílio aos gerentes de contratação na identificação de candidatos com características semelhantes às de pessoas contratadas anteriormente —, ela afirma que, muitas vezes, elas "não estão do lado de quem busca emprego". 'Rigorosamente testado' As preocupações levantadas pelos entrevistados nesta reportagem referem-se ao uso de ferramentas de recrutamento baseadas em IA de forma mais ampla e não são direcionadas a nenhum fornecedor específico. A Workday, desenvolvedora de um popular software de recursos humanos com tecnologia de IA, enfrenta alegações de que violou a legislação da Califórnia milhares de vezes ao descartar candidatos a vagas em diversas grandes empresas por motivos discriminatórios. O processo segue em andamento, com uma decisão prevista para o final deste ano. A BBC entrou em contato com a Workday, que afirmou serem falsas as alegações do processo, acrescentando que suas ferramentas não tomam decisões de contratação. De modo geral, a Workday ressalta que suas ferramentas de recrutamento ajudam os recrutadores a identificar os candidatos que melhor se adequam à descrição da vaga com base em suas habilidades e experiência, apoiando — e não substituindo — o julgamento humano. A empresa declarou que sua IA foi "rigorosamente testada" por meio de seu programa de responsabilidade e "não leva em consideração características como idade ou gênero". A Workday acrescentou que, quando utilizada de forma responsável, a IA pode ajudar candidatos qualificados a evitar que seus perfis "se percam na multidão" de candidaturas. Ferramentas de recrutamento baseadas em IA muitas vezes 'não estão do lado de quem procura emprego', diz a pesquisadora Eleanor Drage Reprodução/BBC Brasil O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, manifestou preocupações quanto ao uso de IA em processos de contratação, observando que a tecnologia não tornou o recrutamento "mais justo". Um porta-voz do governo declarou: "Embora a IA possa ajudar os empregadores a gerenciar grandes volumes de candidaturas e reduzir a carga administrativa, é fundamental que os processos de recrutamento permaneçam justos, transparentes e acessíveis. As proteções legais existentes, incluindo as leis de igualdade e de proteção de dados, já se aplicam aos sistemas de IA, e agiremos sempre que forem necessárias proteções adicionais." Um porta-voz do prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que a IA apresenta tanto oportunidades quanto desafios, especialmente porque as mulheres têm maior probabilidade de atuar em funções suscetíveis aos impactos da IA. Segundo ele, o prefeito apoiou as recomendações da Força-Tarefa de IA e Empregos de Londres para ajudar os empregadores a adotar a tecnologia de forma responsável e apoiar os trabalhadores durante essa transição. Quanto a Stacey, ela criou um chat e uma plataforma comunitária para ajudar as mulheres a se sentirem menos sozinhas e para ajudar as empresas a lidarem com as questões em pauta. "Quero que nós, como grupo, sejamos ouvidas e vistas. E que o preconceito de gênero relacionado à idade se torne coisa do passado, porque, se tivermos sorte, todas nós envelheceremos."

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou a tentativa de demitir a diretora do Federal Reserve (Fed) Lisa Cook, depois que a Suprema Corte americana impediu, em junho, que ele a afastasse do cargo, segundo uma carta obtida pela Reuters. A Casa Branca informou Cook, em uma carta enviada nesta semana, que o presidente estava “considerando” removê-la da função e exigiu que ela apresentasse uma resposta, em até três semanas, a acusações ainda não comprovadas de fraude hipotecária — alegações que o advogado da governadora classificou como “sem fundamento”. A nova ofensiva contra Cook é a segunda vez nesta semana que Trump retoma uma medida que havia sido barrada anteriormente pela Suprema Corte. O presidente também publicou uma nova ordem tentando restringir a cidadania americana por direito de nascimento, depois que a Corte rejeitou sua tentativa anterior de limitar quem poderia ser automaticamente considerado cidadão dos EUA. A carta enviada a Cook, assinada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino, e divulgada inicialmente pela ABC News, afirma que ela teria cometido crimes que poderiam resultar em até 30 anos de prisão. De acordo com a Reuters, o documento também acusa a governadora de negligência, alegando que sua conduta colocaria em dúvida sua confiabilidade para permanecer no cargo no Fed, segundo a ABC. Em nota, o advogado de Cook afirmou que “não existe uma causa válida” para retirar a governadora da instituição. “Assim como fizemos anteriormente, vamos contestar esse novo pretexto e preservar sua posição e o papel histórico do Federal Reserve”, disse o advogado Abbe D. Lowell. O Federal Reserve não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. A Casa Branca também não se manifestou de imediato. Não é a primeira tentativa No ano passado, Trump já havia citado suposta fraude hipotecária ao tentar demitir Cook, a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira de governadora do Fed. Ela negou as acusações e afirmou que elas eram apenas um pretexto para afastá-la por divergências sobre a condução da política monetária. Em junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos impediu temporariamente a demissão de Cook, mantendo a proteção à independência do banco central diante de um desafio sem precedentes feito pelo presidente republicano. Por uma decisão apertada, de 5 votos a 4, a Corte bloqueou a tentativa de Trump de remover Cook do cargo por enquanto, estabelecendo uma proteção específica para os dirigentes do Fed. Há mais de um século que isso não acontecia Desde a criação do banco central americano, em 1913, nenhum outro presidente havia tentado retirar um governador do Federal Reserve. O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, responsável pelo voto que orientou a decisão, afirmou que Trump “não garantiu a Cook as proteções processuais previstas em lei”. Segundo ele, sem essas garantias, a governadora não teria condições adequadas de contestar as acusações feitas pelo presidente. Suprema Corte dos EUA proíbe Trump de demitir diretora do Fed Roberts e o também conservador Brett Kavanaugh se juntaram aos três juízes liberais da Corte para formar a maioria. Os conservadores Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett foram contrários à decisão. Embora a decisão proteja os dirigentes do Fed contra demissões arbitrárias por parte de um presidente, a Suprema Corte afirmou que não estava avaliando a validade das acusações feitas contra Cook. O caso foi devolvido às instâncias inferiores da Justiça. “Permanece, ao menos por enquanto, uma questão em aberto sobre o que exatamente aconteceu e, de fato, se Cook cometeu ‘negligência grave’, muito menos uma ‘conduta enganosa e potencialmente criminosa’, como afirma a carta do presidente”, escreveu Roberts. Ele acrescentou que Cook deve ter a oportunidade de responder às acusações feitas contra ela. *Reportagem em atualização

Logotipo da startup chinesa Moonshot AI ao lado do aplicativo Kimi exibido na tela de um celular, em imagem ilustrativa de 24 de julho de 2026. REUTERS/Florence Lo/Ilustração/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo O Kimi K3, principal modelo de inteligência artificial da startup chinesa Moonshot, conseguiu escapar de um ambiente isolado usado para testes de segurança digital, segundo informou nesta quinta-feira (6) a empresa de pesquisa Frontier Security. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Durante esse tipo de teste, os sistemas de IA costumam ser executados em "sandboxes" — ambientes isolados que impedem o acesso a informações externas. O objetivo é avaliar até que ponto esses modelos conseguem resolver problemas por conta própria, sem interferências do mundo real. De acordo com a Frontier Security, empresa americana especializada em segurança cibernética, o Kimi K3 conseguiu contornar uma dessas "sandboxes", passando a acessar informações que deveriam estar bloqueadas durante o teste. Os pesquisadores afirmam que, se um "modelo de alto raciocínio" foi capaz de encontrar esse atalho, outros sistemas com características semelhantes e acesso equivalente também podem fazer o mesmo. Agora no g1 Como o Kimi K3 é disponibilizado publicamente, os pesquisadores alertam que ele pode ser explorado por "atores mal-intencionados", o que tornaria o incidente potencialmente mais grave. A Moonshot não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters. O episódio se soma a uma série de incidentes semelhantes relatados recentemente por empresas como Meta, OpenAI e Anthropic, aumentando as preocupações sobre a segurança de modelos de inteligência artificial cada vez mais sofisticados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Congresso do país quer regulamentar o setor de inteligência artificial (IA) "até acabar com ele". A declaração foi dada em entrevista ao Punchbowl News, publicada na sexta-feira (7). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A fala de Trump ocorre em meio a um debate cada vez mais intenso em Washington sobre qual deve ser o nível de fiscalização de um setor que avança rapidamente e, até agora, opera sem uma legislação federal específica. Nos últimos meses, parlamentares apresentaram diferentes propostas para regular a tecnologia, mas nenhuma delas avançou. Entre elas está um projeto de lei que obrigaria as empresas responsáveis pelos modelos de IA mais avançados a submetê-los a auditorias independentes de segurança antes de sua utilização. Agora no g1 Testes de segurança aumentam pressão por regras A discussão sobre a regulamentação da IA ganhou força nas últimas semanas após a OpenAI e a Anthropic informarem que seus sistemas apresentaram comportamentos inesperados durante testes de segurança. Em um dos casos, um agente de IA da OpenAI realizou um ataque que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, startup que mantém uma plataforma usada por desenvolvedores para armazenar, compartilhar e desenvolver modelos de inteligência artificial de forma colaborativa. O episódio reforçou preocupações antigas de especialistas de que sistemas de IA cada vez mais avançados possam representar riscos à segurança. Também mostrou que até as empresas que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia podem ser surpreendidas por falhas ou comportamentos que seus próprios modelos conseguem explorar. Separadamente, na sexta-feira, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Comércio dos EUA, apresentou uma proposta de diretrizes para avaliar sistemas de IA e abriu uma consulta pública para receber contribuições da sociedade. Responsável por desenvolver padrões técnicos nas áreas de ciência e tecnologia, o NIST afirmou que as diretrizes foram elaboradas para organizações que desejam "avaliar o impacto de seus sistemas de IA". Segundo Ike Harris, diretor-executivo do Frontier Security Institute — organização sem fins lucrativos sediada em Washington e voltada para inteligência artificial e segurança nacional —, as diretrizes representam "o primeiro passo para padronizar a maneira como o governo federal avalia sistemas de IA, tanto para uso próprio quanto para seus contratados".

Carros da Leapmotor desembarcam no porto Divulgação / Leapmotor A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O avanço das importações acontece em sentido contrário ao desempenho das exportações brasileiras. De janeiro a julho, o país embarcou 255,9 mil autoveículos para outros mercados, contra 323 mil no mesmo período de 2025. A queda nas exportações foi de 20,8%. Em julho, porém, as exportações somaram 39,3 mil unidades, alta de 6,8% em relação a junho. Para a Anfavea, o volume de importações já representa uma parcela relevante em relação à produção das fábricas instaladas no país. "Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos", afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos A Argentina teve papel importante na retração das vendas externas. Os embarques brasileiros para o país, que é o principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, caíram 35,4% no acumulado do ano. Segundo a Anfavea, com exceção da Colômbia, houve redução dos embarques brasileiros para todos os países da América Latina. Apesar da maior entrada de veículos importados e da queda nas exportações, a produção brasileira cresceu. As fábricas instaladas no país produziram mais de 1,6 milhão de veículos nos primeiros sete meses de 2026, alta de 8,3% sobre as 1,5 milhão de unidades fabricadas no mesmo período de 2025. Em julho, foram produzidas 253,9 mil unidades, crescimento de 3,1% sobre junho e de 5,9% na comparação com julho do ano passado. O desempenho colocou o Brasil entre os países produtores de veículos com maior crescimento no período. No acumulado até julho, a produção brasileira avançou 8,8%, atrás apenas da Índia, que registrou alta de 14,5%. No mesmo levantamento, o Japão teve crescimento de 2,9%, enquanto Estados Unidos e China apresentaram quedas de 11,7% e 4%, respectivamente. "É um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores", afirmou Calvet. Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) Divulgação/Stellantis Mês recorde de vendas As vendas de veículos novos tiveram em julho o melhor resultado do ano. Foram emplacados 279,5 mil autoveículos no mês, alta de 2,6% em relação a junho e de 14,9% na comparação com julho de 2025. O resultado ocorreu mesmo durante o período de férias escolares. No acumulado de janeiro a julho, os emplacamentos passaram de 1,7 milhão de unidades. O volume representa crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A média diária de vendas, porém, apresentou uma pequena queda. Julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho. Com isso, foram vendidos, em média, 12,2 mil veículos por dia, o menor ritmo dos últimos quatro meses. Mesmo com a redução na média diária, o ritmo de julho ficou acima do registrado no mesmo mês de 2025. Naquele período, foram 10,6 mil unidades vendidas por dia. O resultado mantém a projeção revisada pela Anfavea, de crescimento de 12,1% nas vendas ao longo de 2026. Os veículos eletrificados também tiveram destaque no mês. Elétricos e híbridos responderam por 23,5% de todos os emplacamentos realizados no país em julho, a maior participação registrada até então e acima da previsão. A participação dos eletrificados avançou de forma significativa em um ano. Em julho de 2025, os modelos elétricos e híbridos, somados, representavam menos de 11% das vendas. No acumulado de 2026, o crescimento dos emplacamentos desses veículos chega a 120,8%. Entre os eletrificados, os carros totalmente elétricos registraram em julho o maior volume da série histórica. Foram 25,8 mil unidades emplacadas no mês. O resultado de julho combina, portanto, o maior volume mensal de vendas de veículos no ano com uma participação recorde dos eletrificados. No acumulado até julho, o mercado registra crescimento de 17,9% nos emplacamentos, enquanto os eletrificados avançam 120,8%. Ofensiva chinesa A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. O Brasil se tornou o maior importador de carros da China no primeiro semestre de 2026 A Chery International confirmou a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou também os planos para Lepas, Luxeed e Freelander. Segundo o cronograma da empresa, que já opera Omoda e Jaecoo no país, iCAUR e Lepas começarão a ser vendidas em 2027. Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR Divulgação / iCAUR No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. Segundo Felipe Amaral de Souza, chefe de vendas e expansão de rede, os veículos serão apresentados oficialmente ao público nas próximas semanas. A DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários e pretende estar presente em 21 estados e no Distrito Federal. A IM, divisão de luxo da MG, também deve chegar ao Brasil. A matéria explica que, embora a MG tenha origem britânica, a marca foi adquirida pela chinesa SAIC e atualmente não tem ligação com os modelos que fizeram dela um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas. A expansão das marcas chinesas amplia a disputa no mercado brasileiro e coloca novas empresas para concorrer com fabricantes tradicionais. Esse aumento da concorrência já aparece nos preços dos carros novos. Segundo um estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero km teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. O preço médio sugerido pelas montadoras subiu nominalmente 1,4%, para R$ 166,9 mil, enquanto a inflação oficial acumulada no período foi de 3,18%. Segundo analistas, a expansão das montadoras chinesas foi o principal fator por trás da queda dos preços, ao aumentar a competição e forçar fabricantes tradicionais a reduzir suas margens. Apesar da maior oferta e da pressão sobre os preços, o carro zero quilômetro continua distante do bolso de grande parte dos brasileiros. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que renda estagnada e juros elevados do crédito veicular dificultam a compra.

Agora no g1 O governo federal iniciou as articulações para levar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU), conhecido como "Enem dos Concursos", para estados e municípios. 📎 Realizado pela primeira vez em 2024, o CNU reúne vagas de vários órgãos públicos em um único concurso. Em vez de cada órgão fazer sua própria seleção, todos usam a mesma prova, aplicada ao mesmo tempo em centenas de cidades do país. Em documento antecipado com exclusividade ao g1, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) e a organização República.org firmam um compromisso para adaptar e disseminar, em estados e municípios, as inovações desenvolvidas no Concurso Público Nacional Unificado (CNU). A iniciativa não significa que haverá um concurso único para todos os estados nem que governadores e prefeitos serão obrigados a adotar o modelo. (Abaixo, veja o que muda na prática). O objetivo, neste momento, é abrir uma agenda de cooperação para compartilhar experiências, produzir estudos e apoiar governos interessados em avaliar formatos inspirados no CNU. A carta foi assinada durante o 136º Fórum Nacional de Secretários de Estado da Administração, em Teresina (PI). O anúncio da iniciativa será sexta-feira (7). "A gente imagina várias formas [de apoio]. Uma forma é a questão do conteúdo das provas, de pensar a forma de seleção. (...) e tem um lado de fato de compartilhar infraestruturas", afirmou a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Segundo ela, a experiência acumulada pelo governo federal poderá ser compartilhada tanto na elaboração dos certames quanto na logística necessária para sua realização. Milhares de candidatos fazem prova do Concurso Público Nacional Unificado em Fortaleza Isaac Macedo/SVM De acordo com representantes das entidades participantes, a proposta nasceu em um momento em que estados e municípios enfrentam desafios para planejar, financiar e executar concursos públicos, especialmente para cargos ligados à gestão da máquina pública. Samuel Pontes, presidente do Consad, afirma que esse é um problema frequentemente apontado por gestores estaduais em diferentes regiões do país. "É urgente fortalecer o serviço público, a contratação de servidores, mas é muito pesada a máquina que você precisa fazer girar para planejar, contratar a banca, realizar as provas, atrair os servidores, garantir planos de carreira que realmente sejam atrativos para profissionais qualificados." Segundo a ministra, alguns governos já procuraram o Ministério da Gestão demonstrando interesse em conhecer ou até adotar soluções inspiradas no modelo do CNU. Ela citou o Piauí, cujo secretário de Administração e atual presidente do Consad, Samuel Pontes, foi um dos primeiros a defender a ideia, além de municípios como Juiz de Fora e estados como Bahia e Rio de Janeiro. Esther Dweck ressalta, porém, que ainda não há adesões formalizadas e que o objetivo da parceria é justamente estruturar os estudos necessários para eventuais projetos futuros. A avaliação das instituições que assinaram a carta é que parte da experiência acumulada pelo governo federal na implementação do CNU pode ajudar a enfrentar esses desafios, reduzindo desigualdades de capacidade técnica entre diferentes entes federativos e ampliando o acesso a soluções já testadas pela União. Para Isadora Modesto, diretora-executiva da República.org, uma das principais inovações do CNU foi permitir que candidatos de diferentes regiões do país participassem das seleções sem a necessidade de longos deslocamentos para capitais ou grandes centros. "Você conseguir levar a mesma prova não só nos grandes centros tradicionais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Você conseguir levar a mesma prova de do Oiapoque ao Chuí é uma inovação gigantesca." A carta também destaca outros resultados observados na experiência federal, como a racionalização de custos, a incorporação de tecnologias, o fortalecimento da governança dos processos seletivos e o aumento da eficiência administrativa. A expectativa é que parte dessas experiências possa servir de referência para estados interessados em modernizar seus próprios sistemas de recrutamento e seleção de servidores. Para Dweck, os principais ganhos para governos estaduais e municipais estão relacionados à redução de custos, ao aumento da segurança dos concursos e ao aperfeiçoamento dos processos seletivos. "Eu acho que o primeiro é segurança e redução de custos. Como eu falei, eu acho q ue essas duas coisas são importantes. E o terceiro é a gente pensar junto a forma de seleção." O que muda Para quem pretende prestar concurso público, nada muda imediatamente. O acordo não cria novos concursos, não estabelece regras para estados e municípios e não fixa um cronograma para adoção de modelos inspirados no CNU. Na prática, o que foi criado é uma agenda de cooperação para a realização de estudos, compartilhamento de metodologias e intercâmbio de experiências entre União, estados e entidades parceiras. A partir dessa articulação, governos interessados poderão avaliar se algumas das soluções desenvolvidas no CNU podem ser adaptadas às suas realidades. A própria carta ressalta que qualquer iniciativa futura dependerá de análises técnicas, jurídicas e operacionais e que a decisão final continuará sendo de cada governo estadual. Em outras palavras, a adesão a eventuais projetos inspirados no CNU será voluntária. O que os estados esperam obter com a parceria Para Pontes, a expectativa é que o governo federal compartilhe não apenas o conhecimento acumulado durante a implementação do CNU, mas também parte da infraestrutura e da capacidade operacional desenvolvidas para o projeto. "Não adianta também a união só compartilhar a cartilha, só os documentos. É importante que ela compartilhe a sua infraestrutura pública, que tem um grande valor investido de orçamento público (...) e que isso possa reverter é para os estados também." Ao explicar a proposta, o presidente do Consad comparou a discussão a modelos já existentes em outras áreas da administração pública federal. "O Enem, ele é feito com recursos (...) justamente para não onerar as universidades com a realização de certames tão caros, tão complexos, tão custosos. (...) A gente busca a construção de solução semelhante." Segundo ele, o objetivo é aproveitar estruturas e conhecimentos já desenvolvidos pela União para reduzir custos e facilitar a implementação de iniciativas cooperativas entre os estados. Embora a carta não preveja a criação imediata de concursos estaduais unificados, os estudos previstos pela parceria deverão se concentrar inicialmente em áreas consideradas estratégicas para o funcionamento da máquina pública. Uma das prioridades é discutir formas de fortalecer carreiras ligadas à gestão pública, responsáveis por atividades como planejamento, gestão de pessoas, elaboração de políticas públicas e apoio à administração governamental. É nesse contexto que entram as chamadas carreiras transversais, citadas na carta de compromisso como um dos focos dos estudos que serão desenvolvidos pela parceria. São cargos que podem atuar em diferentes áreas do governo, como saúde, educação, segurança e planejamento, levando competências de gestão para diversas políticas públicas. De acordo com Pontes, caso os estudos avancem, as primeiras discussões sobre modelos cooperativos de recrutamento devem se concentrar justamente em funções da área administrativa. "é onde a gente tem a maior carência de servidores efetivos nos estados." Discussões envolvendo áreas como educação, saúde e segurança pública também poderão ocorrer futuramente, mas ainda dependem dos estudos previstos na parceria e da adesão dos governos interessados. Por que agora A carta cita a proximidade de uma renovação política nos estados como uma das razões para o lançamento da iniciativa. Segundo o documento, novos governadores e novas equipes de gestão assumirão o comando de diversos estados brasileiros em 2027, abrindo espaço para discussões de longo prazo sobre recrutamento de servidores e fortalecimento da gestão pública. Isadora Modesto afirma que a iniciativa também busca dar continuidade ao processo de inovação iniciado com o CNU. "A expectativa das instituições é que os primeiros estudos sejam iniciados ainda neste ano, permitindo que futuras administrações tenham acesso a diagnósticos e propostas já estruturadas.O nosso objetivo real para esse período é plantar essa raiz (...) para que a gente tenha continuidade nesse processo de inovação em processos seletivos para o serviço público." Sobre o 'Enem dos Concursos' O Concurso Público Nacional Unificado surgiu com a proposta de mudar a lógica tradicional dos concursos federais. Antes, cada ministério, autarquia ou órgão público costumava organizar sua própria seleção. Com o novo modelo, diferentes órgãos passaram a concentrar suas vagas em um único certame, compartilhando etapas e estrutura. Isso permitiu ao governo realizar uma seleção de grande porte de forma centralizada. O formato ficou conhecido como "Enem dos Concursos" porque reúne várias oportunidades em uma mesma seleção e leva as provas para centenas de cidades espalhadas pelo país, reduzindo a necessidade de deslocamento dos candidatos para capitais e grandes centros. A primeira edição, realizada em 2024, resultou na nomeação de 8.689 servidores, distribuídos entre 33 órgãos federais e 40 cargos diferentes. Na segunda edição, o modelo foi ampliado. A previsão é de 4.056 nomeações para 41 órgãos públicos e 58 cargos, aumentando o alcance da seleção dentro da administração pública federal. Segundo a ministra Esther Dweck, o CNU já responde por uma parcela significativa das contratações autorizadas pelo governo federal nos últimos anos. "Desde o início de 2023, a gente autorizou já em provimentos mais ou menos 25 mil pessoas. (...) Mais ou menos metade veio do CPNU. Quase 13 mil pessoas desses 25.600 vieram do CPNU." A ministra também afirmou que os números indicam uma recomposição moderada dos quadros federais. Segundo ela, das cerca de 25,6 mil autorizações concedidas, aproximadamente 23,3 mil servidores já ingressaram no serviço público, enquanto cerca de 18,1 mil deixaram a administração federal no mesmo período por aposentadorias e outras saídas, resultando em um ganho líquido de cerca de 5 mil servidores. Dweck afirma que o governo já trabalha para manter o modelo como uma política permanente, mas diz que uma nova edição em 2027 dependerá da disponibilidade orçamentária e da quantidade de vagas autorizadas. "A gente está fechando o orçamento para ver se é possível ter um espaço para novos concursos ano que vem e, tendo uma quantidade de vagas mínima, a gente viabiliza um CPNU 3." A ministra acrescentou que a participação de estados e municípios pode aumentar a viabilidade de futuras edições. "É claro que se tiver a participação de estados e municípios, aí mesmo com menos vagas no nível federal a gente também consegue fazer. Porque vão ter vagas de estados e municípios que justificam então uma prova unificada."
Embrapa lança nova cultivar de braquiária com potencial de aumentar ganho de peso bovino por hectare

Embrapa lançou uma nova cultivar de Brachiaria decumbens, espécie de capim muito utilizada na alimentação do gado no Brasil. Reprodução/Embrapa A Embrapa lançou este ano uma nova cultivar de Brachiaria decumbens, espécie de capim muito utilizada na alimentação do gado no Brasil. Chamada BRS Carinás, ela chega como uma nova opção para a formação de pastagens no país (veja material completo aqui). A Brachiaria decumbens, conhecida popularmente como braquiarinha, se destaca pela resistência e está presente principalmente em propriedades do Centro-Oeste. Durante cerca de 60 anos, os pecuaristas brasileiros tiveram apenas uma cultivar comercial dessa espécie à disposição: a Basilisk. A BRS Carinás foi desenvolvida para oferecer maior produção de forragem e de folhas, permitindo colocar mais animais na mesma área de pastagem e aumentar a produção de carne por hectare. Segundo a Embrapa, com a nova cultivar, foi possível constatar um ganho de peso bovino de 13,3 arrobas por hectare ao ano, contra 11,9 arrobas ao ano em comparação com a Basilisk. A diferença representa um ganho de produtividade de cerca de 12%.

JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque A JBS anunciou nesta sexta-feira (7) uma parceria estratégica com o Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, para acelerar sua expansão na Ásia e Oceania. A operação poderá movimentar até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões, na cotação atual), que serão destinados a aquisições e investimentos na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e outros mercados do Sudeste Asiático. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Venda de participação Pelo acordo, o veículo de investimentos da Indonésia comprará 25% de participação nas operações da JBS na Austrália e na Nova Zelândia por US$ 2,5 bilhões. Atualmente, a empresa produz na Austrália carne bovina, suína e ovina, além de pescado e alimentos preparados. Joesley Batista dono da JBS Joesley Batista dono da JBS Recursos para expansão A nova empresa que será formada pela JBS e pelo fundo soberano da Indonésia também pretende levantar até US$ 2,5 bilhões em empréstimos no mercado internacional. Com isso, os recursos para financiar a expansão poderão alcançar US$ 5 bilhões. Segundo a JBS, o dinheiro será destinado ao financiamento de aquisições, projetos greenfield (construídos do zero) e outras oportunidades de crescimento na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e demais mercados do Sudeste Asiático. IPO está nos planos As empresas também acertaram um período de cinco anos de lock-up, durante o qual manterão suas participações na joint venture. Além disso, manifestaram a intenção de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) do veículo criado para a parceria. A conclusão da operação ainda depende das aprovações regulatórias na Austrália e do cumprimento das condições usuais para esse tipo de transação, informou a JBS.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,46% nesta sexta-feira (7), cotado a R$ 5,0835. O Ibovespa, por sua vez, recuou 1,73%, aos 172.513 pontos. Com isso, o principal índice da bolsa brasileira encerrou semana com queda de 3,08%. O principal destaque da sessão desta sexta foi a divulgação de novos dados de emprego nos Estados Unidos. Com o mercado de trabalho menos aquecido, aumentou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central do país, não eleve suas taxas de juros. Esse cenário tende a reduzir a atratividade do dólar e beneficia o real ante a moeda americana. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O payroll, principal relatório de emprego americano, indicou que a economia do país registrou uma perda inesperada de vagas fora do setor agrícola em julho, com o corte de 23 mil postos de trabalho. ▶️ Enquanto isso, o recuo do Ibovespa aconteceu na esteira da forte queda nas ações da Petrobras. Apesar de a petroleira ter anunciado, na quinta-feira, um lucro 98% maior no segundo trimestre, investidores se frustraram com a notícia de que a estatal não deverá distribuir dividendos extras. ▶️ A queda nas ações da Vale e de grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, também pesou negativamente para o Ibovespa. ▶️ As perdas do índice na semana contrastam com o tom mais duro do Banco Central do Brasil (BC), que indicou que deverá manter os juros em patamares elevados por mais tempo, apesar do corte de 0,25 ponto percentual na reunião da última quarta-feira (5). 🔎 Uma taxa Selic ainda elevada mantém a renda fixa atrativa, oferecendo bons retornos com menos risco que a bolsa. ▶️ Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, explica que os juros em patamares elevados também criam “um ambiente mais desafiador para as ações de empresas ligadas ao consumo interno”, o que pesa sobre o Ibovespa. ▶️ Nesta sexta, o conflito no Oriente Médio também seguiu no radar. Apesar das recentes indicações de avanço nas negociações entre EUA e Irã, a possibilidade de o Parlamento iraniano proibir a entrada de embarcações americanas, israelenses e de outros países considerados hostis voltou a gerar preocupações sobre o Estreito de Ormuz, importante rota marítima da região. Apesar disso, o barril do Brent, referência internacional, recuava 0,41% por volta das 17h, cotado a US$ 82,15. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha alta de 0,34%, a US$ 77,03 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,27%; Acumulado do mês: +0,27%; Acumulado do ano: -7,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,08%; Acumulado do mês: -3,08%; Acumulado do ano: +7,07%. Conflito no Oriente Médio Apesar das indicações recentes de que os EUA e o Irã caminham para um acordo nos próximos dias, notícias circularam pelo mercado afirmando que o parlamento iraniano estuda um plano para impedir que embarcações americanas, israelenses e de outros países considerados hostis, passem pelo Estreito de Ormuz. O canal é uma das mais importantes via marítima da região, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. A indicação aumenta a percepção de que a reabertura total do Estreito deve ser adiada e aumenta as preocupações com a oferta global de petróleo e uma eventual crise de energia. Segundo a Reuters informou nesta semana, o Irã quer ter "controle total" sobre o tráfego de entrada de navios comerciais no Estreito de Ormuz e poder para intervir quando julgar necessário. Os EUA não haviam se pronunciado publicamente sobre o plano iraniano. Bolsas globais Nos EUA, os sinais de que o Fed pode manter os juros inalterados na próxima reunião, em vez de aumentá-los, contribuíram para a alta dos índices de Wall Street. O Dow Jones subiu 0,28%, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,62%, aos 7.757,46 pontos, atingindo fechamento recorde. O Nasdaq Composite, por sua vez, avançou 1,30%. A percepção sobre os juros dos EUA também ajudou a impulsionar as bolsas europeias. O bom desempenho também foi puxado por papéis de tecnologia e balanços corporativos. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,3% aos 660,25 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,69% e o CAC-40, da França, subiu 0,17%. O FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,31%. Na Ásia, as ações da China fecharam em alta nesta sexta-feira, à medida que dados comerciais melhores do que o esperado na região ajudaram a recuperar o otimismo do mercado. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,9%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,5% e o Nikkei, do Japão, perdeu 0,12%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,6%. *Com informações da agência de notícias Reuters.

WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa Daqui a exatamente um mês, o WhatsApp deixará de funcionar em celulares Android mais antigos. A mudança entra em vigor em 8 de setembro de 2026, quando o aplicativo passará a ser compatível apenas com aparelhos que rodam Android 6.0, lançado em 2015, ou versões posteriores. Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores. Em sua Central de Ajuda, o WhatsApp exibe a mensagem: "a partir do dia 8 de setembro de 2026, o WhatsApp será compatível apenas com Android 6 e posterior. Para continuar usando o aplicativo, a pessoa precisa atualizar o sistema Android ou transferir a conta para um aparelho com uma versão mais recente. ⚠️ Para quem usa iPhone, uma mudança está prevista para 30 de novembro de 2026: a partir dessa data, o WhatsApp será compatível apenas com o iOS 15.5 ou versões posteriores. WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos em setembro; veja se o seu será afetado Unsplash/Amanz 👉 Veja abaixo como conferir a versão do seu Android e se há atualização disponível: Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone"); Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência; Verifique a "Versão do Android"; Por que isso acontece? O WhatsApp está sempre fazendo correções de falhas, principalmente de segurança, e incluindo novas funcionalidades no aplicativo. Nem sempre esses modelos mais velhos conseguem suportar essas atualizações. Vale lembrar que as atualizações de segurança são constantes em qualquer aplicativo e fundamentais para evitar que o usuário — e especialmente seus dados pessoais — fiquem vulneráveis. A empresa explica que, anualmente, faz uma revisão dos sistemas Android e iOS (iPhone) mais antigos e com menor número de usuários. Com base nesse levantamento, a empresa pode definir uma nova versão mínima exigida para o funcionamento do app. A Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo

Material ensina como criar galinhas poedeiras e frangos caipiras. Divulgação/Emater-MG Quer entender como criar galinhas poedeiras e frangos caipiras? A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) disponibiliza gratuitamente uma cartilha com orientações sobre boas práticas. O material traz informações sobre a infraestrutura necessária para a criação das aves, além de orientações para a seleção dos animais e o manejo no dia a dia. A cartilha também reúne dicas para garantir uma alimentação balanceada e cuidar da saúde das aves. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

União Europeia exige que Meta mude o 'design viciante' do Facebook e do Instagram Um juiz do Novo México, no sudoeste dos Estados Unidos, determinou nesta quinta-feira (6) que a Meta pague US$ 567 milhões (R$ 2,9 bilhões) após uma ação movida pelo estado contra a empresa por causar "perturbação pública" e prejudicar menores de idade. A controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram já havia sido condenada, em março, a pagar US$ 375 milhões (R$ 1,9 bilhão) em indenizações ao Novo México, após um júri concluir que a empresa expôs crianças a predadores em suas plataformas, entre outros prejuízos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Discordamos da decisão e vamos recorrer", afirmou a Meta em comunicado enviado à AFP nesta quinta-feira. "Trabalhamos arduamente para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e temos sido transparentes sobre os desafios de identificar e remover agentes mal-intencionados e conteúdos nocivos", acrescentou. O juiz incluiu em sua decisão uma série de medidas inéditas, que serão aplicadas por cinco anos às contas de adolescentes no Novo México. A Meta deverá, por exemplo, limitar a 90 horas por mês o tempo total de uso do Facebook e do Instagram por menores de 18 anos. Pais preocupados O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, processou a empresa em 2023 por não proteger menores dos perigos presentes na internet. Durante as alegações finais, a promotora Linda Singer afirmou ao júri que os algoritmos da Meta direcionavam adultos a conteúdos publicados por adolescentes, enquanto a empresa ocultava conclusões internas sobre os riscos para os jovens. Em março, o júri concluiu que a Meta violou a Lei de Práticas Desleais do estado ao enganar os consumidores sobre a segurança de seus produtos para menores. "Este caso sempre teve como objetivo proteger as crianças, defender as famílias e garantir que uma das maiores empresas de tecnologia do mundo não possa lucrar com práticas que colocam os jovens em risco sem enfrentar consequências", declarou Raúl Torrez em comunicado divulgado nesta quinta-feira. Parte dos US$ 567 milhões (R$ 2,9 bilhões) será destinada a tratamentos de saúde mental, e o pagamento será feito ao longo de cinco anos. Os recursos também financiarão programas de conscientização e prevenção, além de outras iniciativas voltadas à proteção dos usuários contra riscos no ambiente digital. Julgamentos exemplares Logos do Instagram, TikTok, Snapchat, YouTube, Facebook, Twitch e Reddit aparecem na tela de um celular, nesta ilustração feita em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Hollie Adams/Ilustração/Foto de arquivo. Milhares de ações judiciais foram movidas contra empresas de redes sociais nos Estados Unidos por supostos danos a crianças e à saúde mental. Mais de 30 estados processam a Meta por acusações semelhantes, e um julgamento pode começar em agosto, em Oakland, na Califórnia. Em julho, um adolescente americano retirou a ação contra a Meta poucos dias antes do início do julgamento. O jovem também firmou acordos confidenciais com o YouTube, o TikTok e o Snap. O caso era considerado um julgamento-modelo que poderia estabelecer um precedente para a resolução de milhares de ações semelhantes em todo o país. O primeiro julgamento sobre danos à saúde mental atribuídos às redes sociais foi concluído em março, quando um júri de Los Angeles determinou que a Meta e o Google pagassem US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) a uma mulher de 20 anos. Em maio, a Meta, a Snap, o TikTok e o YouTube firmaram acordos confidenciais com um distrito escolar de Kentucky.

Análise: Brasil teve o maior aumento de tarifas Um ano após o início do tarifaço dos Estados Unidos, em 6 de agosto do ano passado, as exportações brasileiras para o mercado americano mudaram de perfil. Para mostrar como essas mudanças se distribuíram pelo país, o g1 analisou dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comparando as vendas aos EUA no primeiro semestre de 2025, antes da entrada em vigor das tarifas, com as do primeiro semestre deste ano, quando as medidas já afetavam parte dos produtos brasileiros. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No mapa, o saldo representa a diferença entre o valor exportado em cada um dos dois períodos. Quando é positivo, indica que o estado ampliou as vendas aos EUA. Quando é negativo, mostra que houve redução. No infográfico abaixo, veja quais estados ganharam ou perderam mais espaço no mercado americano, os produtos que mais influenciaram esses resultados e como o comércio entre os dois países mudou ao longo de um ano de tarifaço. Tarifaço redesenha exportações brasileiras para os EUA Arte/g1

Amizade no trabalho ajuda ou atrapalha a carreira? Entenda os limites Amizades no trabalho podem tornar a rotina mais leve, fortalecer o senso de pertencimento, ampliar o networking e até impulsionar o desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que é preciso manter limites claros para que os laços pessoais não interfiram em decisões, feedbacks ou responsabilidades do dia a dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas será que você consegue separar amizade e profissionalismo? Responda ao QUIZ preparado pelo g1 com apoio de especialistas e descubra como você lida com essas situações no ambiente de trabalho. Ao final, veja qual perfil mais combina com você e confira dicas para construir relações saudáveis sem comprometer a carreira. Você sabe separar amizade e trabalho? Como construir amizades saudáveis no trabalho? Os especialistas recomendam alguns cuidados para manter relações positivas sem comprometer o desempenho profissional: Evitar privilégios a colegas próximos em promoções, avaliações ou distribuição de tarefas; Respeitar os limites pessoais dos outros profissionais; Separar critérios profissionais das relações pessoais; Manter imparcialidade em feedbacks e decisões; Preservar informações confidenciais; Evitar que conflitos pessoais interfiram nas atividades da equipe. Também é importante observar alguns sinais de que a amizade pode estar ultrapassando os limites: Você evita dar feedback por medo de perder a amizade; Decisões passam a ser tomadas por afinidade e não por mérito; Informações confidenciais são compartilhadas fora do contexto profissional; Há percepção de favorecimento ou formação de grupos fechados; Conflitos pessoais começam a afetar o desempenho da equipe. Segundo Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), a principal regra é simples: "A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade." Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, resume a discussão em uma palavra: maturidade. "A amizade ajuda até certo ponto. É preciso entender quando ela contribui e quando começa a atrapalhar", afirma. Ele lembra que amizades também mudam com o tempo e que a saída de colegas faz parte da dinâmica natural do mercado de trabalho. "As relações evoluem. Pessoas entram e saem das empresas. É importante entender isso como um ciclo", completa. Na avaliação dos especialistas, amizades podem fortalecer o ambiente de trabalho, ampliar o bem-estar e contribuir para o crescimento profissional. Mas esses benefícios só aparecem quando caminham lado a lado com ética, equilíbrio, maturidade e profissionalismo. Como perceber que você está vivendo a solidão corporativa? A solidão corporativa nem sempre significa trabalhar sozinho. Segundo especialistas, alguns sinais podem indicar que o problema está afetando sua rotina: Você sente que não faz parte da equipe, mesmo trabalhando cercado de colegas; Evita interações ou percebe que raramente é incluído em conversas e atividades do grupo; Tem dificuldade para criar vínculos ou sente que não pode ser autêntico no ambiente de trabalho; Perde a motivação para ir ao trabalho e sente que seus esforços passam despercebidos; Apresenta sintomas como ansiedade, estresse, desânimo ou esgotamento relacionados ao trabalho. Quando procurar ajuda? Se a sensação de isolamento for persistente e começar a afetar sua saúde mental, seu desempenho ou sua qualidade de vida, especialistas recomendam conversar com a liderança, com o RH ou buscar apoio psicológico. Em ambientes saudáveis, o acolhimento e o senso de pertencimento também fazem parte das responsabilidades da empresa. Você sabe separar amizade e trabalho? Faça o quiz e descubra. Reprodução/Freepik

Lúpulo da cerveja é 'parente' da cannabis e depende de luz artificial ao anoitecer no Bras Celebrado nesta sexta-feira (7), o Dia Internacional da Cerveja é uma oportunidade para conhecer o caminho percorrido pela bebida até chegar ao copo. Da produção do lúpulo ao trabalho da levedura, cada etapa influencia o sabor, o aroma e as características finais da cerveja. Um dos maiores desafios da produção nacional está justamente no cultivo do lúpulo, uma das principais matérias-primas da bebida. A planta precisa de longos períodos de luminosidade para se desenvolver, condição comum em países como Estados Unidos e Alemanha durante o verão, mas rara no Brasil. Para contornar esse obstáculo, produtores brasileiros recorrem à iluminação artificial e "enganam" a planta, simulando dias mais longos para estimular seu crescimento. Além de ser um ingrediente essencial da cerveja, o lúpulo também desperta curiosidade por pertencer à mesma família botânica da cannabis, a Cannabaceae. Apesar do parentesco, as semelhanças praticamente terminam aí. "O lúpulo não tem o THC, por exemplo, que a maconha produz. Então, ela não é uma planta que vai dar o efeito entorpecente que a maconha dá", explica o produtor Murilo Ricci. Segundo ele, a planta produz apenas um efeito relaxante e tem cultivo permitido no Brasil. 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Alvorada O que realmente vai para a cerveja A parte mais valiosa do lúpulo está na flor. Nela ficam pequenos grãos dourados chamados lupulina, responsáveis por boa parte do amargor e dos aromas característicos da cerveja, além dos óleos essenciais utilizados na produção da bebida. Depois da colheita, as flores passam por um processo cuidadoso. Elas não podem ser lavadas para evitar a oxidação. Em seguida, são limpas manualmente e levadas para a secagem, etapa que reduz a umidade natural da flor e dura entre 16 e 20 horas. Mundo bebe cada vez menos cerveja, e cervejarias em crise penam para se reinventar 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Pangea "No processo de fabricação da cerveja, a gente costuma usar o lúpulo no formato que chamamos de pellet", explica Guilherme Manganello, engenheiro de alimentos e cervejeiro. Triturado e prensado, o ingrediente se torna mais prático para ser incorporado ao processo de fabricação. Não é só o lúpulo Embora seja um dos ingredientes mais conhecidos, o lúpulo está longe de ser o único componente da cerveja. Segundo Manganello, a base da maioria das receitas é o malte pilsen, também chamado de malte claro ou malte base. Nas cervejas classificadas como puro malte, a bebida é produzida apenas com malte, sem a adição de outros cereais. Além do malte de cevada, também é possível utilizar malte de trigo, responsável pelas tradicionais cervejas de trigo. Outras receitas podem incluir ingredientes conhecidos como adjuntos cervejeiros, como milho, arroz, centeio e sorgo. Taça, copo, cerveja, álcool, bebida alcoólica. Reprodução/EPTV Quem faz a cerveja é a levedura Na fábrica, os grãos são moídos e misturados à água para formar um líquido adocicado chamado mosto. Apesar de toda a tecnologia envolvida, Guilherme destaca que essa etapa ainda não produz a cerveja. "Nós, enquanto cervejeiros, não fazemos cerveja. A gente faz mosto. Quem faz a cerveja é a levedura", afirma. Após um primeiro período de descanso e resfriamento, o mosto recebe a levedura, microrganismo responsável pela fermentação. É ela que consome os açúcares presentes no líquido e os transforma em álcool, gás carbônico e diversos compostos responsáveis pelos sabores e aromas da bebida. Segundo o cervejeiro, esse processo leva entre 15 e 20 dias. Só depois disso a cerveja segue para o envase, recebe tampa e rótulo e vai para a câmara fria, onde permanece refrigerada para preservar o frescor. Afinal, qual é a diferença entre cerveja e chopp? Uma dúvida comum entre consumidores é se existe diferença entre cerveja e chopp. No Brasil, convencionou-se chamar de cerveja a bebida pasteurizada — aquela que passa por aquecimento para aumentar a durabilidade —, enquanto o chopp não é submetido a esse processo. Guilherme explica que, na cervejaria onde trabalha, a opção é não pasteurizar a bebida. "A gente quer manter essa cerveja o mais fresca possível", diz. Segundo ele, embora a pasteurização aumente o tempo de conservação, o processo também reduz parte do frescor que caracteriza a bebida. A favorita dos brasileiros Entre os diversos estilos produzidos no país, a pilsen continua sendo a preferida dos brasileiros. O estilo é conhecido pela coloração dourada, amargor moderado e teor alcoólico geralmente entre 4,5% e 4,8%, características que ajudam a explicar sua popularidade.

O governo federal decidiu reduzir a geração de energia das hidrelétricas para armazenar mais água nos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema elétrico para enfrentar os efeitos do El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano. 🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O evento, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos, altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Brasil, pode intensificar o calor, aumentar o risco de seca em partes do Norte e Nordeste e provocar chuvas acima da média no Sul. A medida faz parte de um pacote de ações aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o colegiado, a probabilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre é de 70%. Entre as demais medidas adotadas estão: acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que afetam o sistema elétrico; criação de uma sala de monitoramento do abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da Região Norte; e participação em grupos interinstitucionais sobre o fenômeno, com órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil. O plano também prevê o monitoramento e a adoção de medidas preventivas por agentes dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia. Usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo Acervo Secom El Niño Reportagem do Fantástico mostrou que o El Niño deve aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Brasil nos próximos meses. Segundo especialistas, o fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes, especialmente na Região Sul. A previsão ocorre em um momento em que diferentes partes do mundo enfrentam uma sequência de desastres relacionados ao clima. Na Europa, incêndios florestais ganharam força com o aumento das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados. Segundo meteorologistas, o excesso de chuva registrado recentemente no Sul já indica uma antecipação da influência do El Niño. "O que a gente vem observando é uma antecipação de potencial influência desse fenômeno nesse excesso de chuva que a gente viu recentemente no Sul do país", afirma um especialista ouvido na reportagem. De acordo com os pesquisadores, o fenômeno já está formado e seus efeitos devem ficar mais intensos ao longo dos próximos meses. "Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses", disse.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.041 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (06), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 147 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 165 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 16 - 21 - 24 - 31 - 43 - 54 5 acertos: 88 apostas ganhadoras, R$ 52.843,18 4 acertos: 6.903 apostas ganhadoras, R$ 1.110,41 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3041 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta quarta-feira (6). Segundo a estatal, o desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta das cotações internacionais da commodity. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, afirmou Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, em relatório. 🔎 O petróleo do tipo Brent é a principal referência internacional para a commodity. As cotações dispararam após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, com impactos sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. Em seu balanço, a Petrobras informou que o preço médio do barril de Brent passou de US$ 67,82, no segundo trimestre de 2025, para US$ 104,52 no mesmo período de 2026, uma alta de 54%. Agora no g1 No segundo trimestre, a estatal reportou avanço da produção de novos sistemas, o início da operação da plataforma P-79 (uma nova unidade de produção no pré-sal) e maior eficiência operacional. O resultado foi um aumento de 3,4% na produção total. No refino, a estatal registrou recorde de uso das refinarias, com utilização de 101,2% da capacidade. A produção de derivados cresceu 5,6% na comparação com o trimestre anterior, com 68% concentrados em produtos de maior valor agregado, como diesel, querosene de aviação (QAV) e gasolina. A Petrobras também registrou forte geração de caixa — ou seja, recursos gerados por suas operações —, com fluxo de caixa operacional de R$ 61,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses, e fluxo de caixa livre de R$ 38,6 bilhões, avanço de 100,6% no período. “Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras”, afirmou Malgarejo, diretor da companhia. O Ebitda ajustado da estatal, indicador que mede o desempenho operacional da companhia antes de despesas financeiras, impostos e outros efeitos contábeis, somou R$ 93,8 bilhões entre abril e junho, alta de 79,6% em relação ao segundo trimestre de 2025. Segundo a Petrobras, foram pagos R$ 88,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios entre abril e junho deste ano. Remuneração aos acionistas O conselho de administração da Petrobras aprovou, também nesta quinta-feira, o pagamento de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, o equivalente a R$ 1,34814262 por ação ordinária e preferencial em circulação. O valor corresponde a uma antecipação dos pagamentos previstos para o exercício de 2026 e foi aprovado com base no balanço do segundo trimestre. O pagamento será feito em duas parcelas, nos meses de novembro e dezembro. * Com informações da agência de notícias Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein A Casa Branca impôs nesta quinta-feira (6) preços mínimos de importação e uma tarifa de 15% sobre produtos feitos de polissilício, matéria-prima usada na fabricação de semicondutores — incluindo chips de inteligência artificial — e de painéis solares. A medida, adotada por Donald Trump com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, tem como objetivo proteger os fabricantes americanos de polissilício da concorrência chinesa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🔎 O polissilício é uma forma de silício de alta pureza obtida após processos de purificação. Ele é usado na fabricação de lâminas de silício, que dão origem a células solares e componentes eletrônicos. Na energia solar, essas células são reunidas em módulos ou painéis usados na geração de eletricidade. As medidas entrarão em vigor em 4 de dezembro, informou o governo Trump. Segundo um documento da Casa Branca, Trump estabeleceu preços mínimos de importação de: US$ 21 por quilograma para o polissilício; US$ 100 por quilograma para lingotes e lâminas de polissilício; US$ 0,22 por watt para células solares e; US$ 0,38 por watt para módulos solares. Agora no g1 A medida também autoriza o Departamento de Comércio a criar um programa de incentivos para empresas que investirem em fábricas de polissilício ou produtos derivados. "O plano de ação estabelecido nesta proclamação ajudará, entre outras medidas, a garantir a viabilidade comercial da produção de polissilício e de seus derivados nos Estados Unidos, necessária para atender às necessidades econômicas e de segurança nacional do país", diz a Casa Branca. As fabricantes americanas de equipamentos solares acusam, há mais de uma década, suas concorrentes chinesas de praticarem dumping de painéis solares, receberem subsídios governamentais considerados injustos e transferirem sua produção para outros países para driblar as tarifas impostas pelos EUA. O país tem duas fábricas de polissilício. A Hemlock Semiconductor, que opera uma unidade em Michigan, é uma joint venture entre a Corning e a japonesa Shin-Etsu Handotai. A Wacker Chemie, sediada em Munique, mantém uma fábrica no Tennessee. "A decisão de hoje incentiva a continuidade dos investimentos na capacidade produtiva dos Estados Unidos e fortalece a competitividade do país no longo prazo", afirmou à Reuters um porta-voz da Corning. A fabricação doméstica de semicondutores depende da indústria solar porque a maior demanda desse setor por polissilício ajuda a sustentar a produção do material necessário para os chips. Segundo a Semiconductor Industry Association, a indústria de chips responde por 2,4% da demanda global por polissilício. A indústria solar dos EUA vem ampliando sua capacidade de produção desde que o Congresso criou incentivos fiscais em 2022. Grande parte desse crescimento, porém, concentrou-se na montagem de painéis, deixando os fabricantes dependentes da importação de wafers e células, cuja produção exige investimentos de prazo mais longo.
Crise do BRB: Durigan nega 'inércia' da União e diz que reclamação do governo do DF prejudica acordo

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou nesta quinta-feira (6) a reclamação do governo do Distrito Federal sobre uma suposta "inércia" do governo federal nas tratativas do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB). O governo Celina Leão (PP) fez a reclamação diretamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que homologou um acordo no fim de maio para viabilizar o empréstimo. Em resposta, Fux marcou uma nova audiência de conciliação para a próxima semana. "[A acusação de inércia] Gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo. Parece bastante estranho quando a gente lembra que o problema do BRB tem origem crimonosa no BRB e no governo do DF", rebateu Durigan. O ministro afirmou que as equipes envolvidas nas tratativas ficaram "profundamente incomodadas", e que as informações pendentes para a conclusão do acordo devem ser prestadas pelo próprio governo do DF. "E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento", emendou. DF criticou União e FGC em ofício No ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal reclama da "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado em maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia A OpenAI, dona do ChatGPT, está desenvolvendo seu primeiro dispositivo próprio de inteligência artificial, um aparelho compacto, sem tela, que deve custar mais de US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil). Segundo a Bloomberg, o lançamento está previsto para 2027. O equipamento terá formato circular, parecido com uma rosquinha, e foi pensado para ser carregado facilmente pela casa com uma mão. A ideia da empresa é criar um “computador de IA” que ajude o usuário em tarefas do dia a dia e vá além das funções dos atuais alto-falantes inteligentes, dominados por empresas como Amazon e Google. Diferentemente de caixas de som inteligentes tradicionais, o dispositivo da OpenAI será desenvolvido com a IA como principal função. Ele deverá conversar com o usuário de maneira mais natural, usando modelos avançados de IA semelhantes aos presentes no modo de voz do ChatGPT em celulares. A empresa espera que o aparelho seja usado ao longo de todo o dia, escreveu a Bloomberg. Com o tempo, ele poderá aprender preferências, rotinas e hábitos do usuário para personalizar respostas e interações, funcionando como uma espécie de assistente pessoal. Dispositivo terá movimentos, luzes e sensores O aparelho terá componentes móveis para indicar quando está respondendo ou interagindo com alguém. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a movimentação foi pensada para tornar o equipamento mais “vivo” do que os alto-falantes inteligentes atuais, que ficam parados em um único lugar. O dispositivo também terá microfones e alto-falantes para receber comandos de voz e conversar com o usuário. Por funcionar com bateria, poderá ser usado em diferentes locais, como na mão, em uma mesa de cabeceira ou na cozinha. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images Além disso, o equipamento contará com luzes para sinalizar quando está ouvindo ou processando informações. Câmeras e outros sensores permitirão que a inteligência artificial compreenda o ambiente ao redor e use essas informações nas respostas. A longo prazo, a companhia tem o objetivo de desenvolver produtos capazes de substituir algumas funções realizadas atualmente pelos smartphones. Parceria com ex-designer da Apple O projeto foi desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, criado pelo designer britânico Jony Ive, conhecido por liderar o desenvolvimento visual de produtos como iPhone, iPad, iPod e Apple Watch durante sua passagem pela Apple Inc.. O dispositivo terá aparência premium, com materiais de alta qualidade, incluindo metal. A OpenAI avalia cobrar entre US$ 300 e US$ 400 por unidade — valor acima da maioria das caixas de som inteligentes disponíveis atualmente, mas ainda abaixo do preço de um iPhone. Disputa com a Apple envolve acusações sobre tecnologia Logotipo da Apple Reuters O lançamento ocorre em meio a uma disputa judicial entre OpenAI e Apple. De acordo com a Bloomberg, a fabricante do iPhone acusa a empresa de inteligência artificial de utilizar informações confidenciais e técnicas de design que pertenceriam à Apple. A OpenAI nega as acusações. A Apple afirma, no processo, que a OpenAI teria procurado um fornecedor tradicional da companhia para desenvolver uma técnica de acabamento em metal semelhante à utilizada em seus produtos. A OpenAI, porém, argumenta que a acusação é vaga e que seu dispositivo foi criado de forma independente. Segundo pessoas próximas ao projeto, a empresa realizou uma investigação interna após a abertura do processo e concluiu que o aparelho não utiliza segredos comerciais da Apple. Apesar da disputa, a OpenAI continua avançando no desenvolvimento do produto. A empresa pretende apresentar o dispositivo antes do lançamento oficial, previsto para 2027, embora a ação judicial possa afetar os planos.

Alta no querosene de aviação encarece passagens aéreas no Brasil A alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, elevou em R$ 5,2 bilhões os gastos das companhias aéreas brasileiras com querosene de aviação (QAV) em 2026. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), com o reajuste de 1,9% anunciado pela Petrobras em 1º de agosto, o aumento acumulado do combustível chegou a 49% desde o fim de fevereiro, quando o conflito teve início. Avião Embraer E195-E2 LATAM/Divulgação A forte exposição das empresas aéreas à volatilidade do mercado internacional fez o preço do QAV praticamente dobrar em maio na comparação com o período anterior à guerra. Após o novo reajuste, o combustível passou a representar 39% dos custos operacionais das companhias aéreas, ante 32% antes do início do conflito. BNDES aprova R$ 8 bilhões em crédito No final de julho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma linha de crédito de até R$ 8 bilhões para reforçar despesas de quatro companhias aéreas que operam em voos domésticos no Brasil: Azul, Abaeté, Gol e Latam. BNDES aprova crédito de R$ 8 bilhões para Azul, Gol, Latam e Abaeté Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), poderão ser utilizados até dezembro de 2026. A medida busca dar investimento rápido às empresas diante da forte alta nos custos do combustível de aviação, que quase dobrou entre abril e maio deste ano em consequência da escalada da guerra no Oriente Médio. A linha de financiamento é destinada às empresas de transporte aéreo regular doméstico.

iCAUR chega ao Brasil com o V27 no ano que vem. Divulgação / iCAUR A Chery International confirmou nesta quarta-feira (5) a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou os planos para outras três marcas do grupo. Segundo o cronograma da multinacional, que já opera a Omoda & Jaecco no Brasil, os modelos da iCAUR e da Lepas começarão a ser vendidos em 2027. Em 2028, será a vez das marcas de luxo Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira da Exeed. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Com a chegada das novas marcas, a Chery International pretende continuar a expansão e encerrar 2031 com mais de 1 mil lojas e mais de 500 mil carros vendidos no ano. Roger Corassa, vice-presidente da Omoda & Jaecco, afirmou que o grupo estuda a instalação de uma fábrica no Brasil e que ainda analisa os incentivos oferecidos por cada estado. “É natural que, para ter escala no Brasil, seja necessário ter uma linha de montagem no país. Mas ainda estamos analisando as possibilidades”, disse o executivo. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Em maio, o Grupo Chery lançou a marca Omoda & Jaecco na Argentina e confirmou a intenção de abrir uma linha de montagem no país vizinho. A empresa também anunciou um centro de distribuição de peças para atender a região. Corassa não quis comentar a operação na Argentina, mas afirmou que uma integração com os países vizinhos faz sentido. A iCAUR (pronuncia-se “Ai Car” sem a letra “u”), aposta em SUVs de linhas quadradas, com clara inspiração em modelos da Land Rover. O primeiro modelo a chegar será o V27, equipado com a tecnologia REEV, em que a propulsão é elétrica e o motor a combustão é usado apenas para recarregar as baterias. A marca ainda não confirmou os dados técnicos para o mercado brasileiro, já que o modelo passa pelo processo de homologação. No site internacional da iCAUR, o V27 topo de linha aparece com dois motores elétricos, potência de 449 cv e torque de 51,5 kgfm. iCAUR V23 está confirmado para o Brasil. Divulgação / iCAUR Também foi confirmada a venda do V23, um jipinho 100% elétrico, além de outros dois utilitários esportivos: o V25 e o V29. A Lepas, também confirmada para o Brasil, adota uma proposta diferente da iCAUR. A marca aposta em SUVs de linhas mais tradicionais, que lembram modelos vendidos no país pela Caoa Chery. O nome Lepas é uma junção das palavras "leap" (saltar, em inglês), "passion" (paixão, em inglês) e "leopard" (leopardo, em inglês). Já as marcas Freelander, Luxeed e Exeed serão comercializadas sob a bandeira Exeed. A estratégia é concentrar a atuação em veículos de menor volume de vendas, posicionados no segmento de luxo e com maior valor agregado. A Chery chegou a cogitar trazer a Exeed ao Brasil há alguns anos, mas impasses com o grupo Caoa, que assumiu a operação da marca Chery no país, fizeram a montadora chinesa desistir do plano. A Jetour também pertence à Chery International. No entanto, sua operação no Brasil e em outros mercados é independente. Tanto que, durante o evento da iCAUR, o CEO da Chery International no Brasil, Hu Peng, não considerou os números da Jetour no planejamento da empresa para o país. Também ainda não está claro como será a relação entre a Chery International e a Caoa Chery no mercado brasileiro. Até porque o grupo Caoa anunciou recentemente a criação da Caoa Changan Brasil, que passará a vender modelos das marcas Changan e Avatr. Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR Divulgação / iCAUR Mais marcas A Dongfeng confirmou a chegada ao Brasil e, por aqui, adotará a sigla DFM. O chefe de vendas e expansão de rede, Felipe Amaral de Souza, confirmou os planos da marca e afirmou que, nas próximas semanas, os veículos serão apresentados oficialmente ao público. Segundo o executivo, a DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários. A marca pretende estar presente em 21 estados e no Distrito Federal. A IM, divisão de luxo da MG, também deve chegar ao Brasil. Apesar de a MG carregar a história de uma tradicional marca britânica, ela foi adquirida pela chinesa SAIC e hoje já não tem ligação com os modelos que a transformaram em um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas. Thiago Marques, head de marketing da MG Motors, afirmou que, apesar da operação ainda ser pequena, a MG Motors e a IM contam com o respaldo do grupo e pretendem crescer no país sem descartar a instalação de uma linha de produção própria. O g1 acompanhou o lançamento oficial do MG4 Urban, modelo que será montado no Ceará, na mesma linha de produção que também fabricará os Chevrolet Captiva e Chevrolet Sonic para o mercado brasileiro. A chegada dessas novas marcas é mais um capítulo do chamado "efeito China", que vem transformando o mercado automotivo brasileiro. Preço médio do carro zero no Brasil Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano. Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens. 💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo) Margem para negociação Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil. A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados. Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento. Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil g1 Efeito China Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado. Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem. "Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins. Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos. 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui. O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor. "Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. Carro mais barato não é fácil de comprar Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos. As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%. "Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV. BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil Divulgação / BYD

A balança comercial registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (6). 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O saldo positivo registrou alta de 1% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7 bilhões. As exportações para os Estados Unidos caíram 5% em junho na comparação com o ano passado, passando de US$ 3,8 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Agora no g1 Comércio com os EUA Apesar da queda em julho, técnicos do Mdic dizem que não é possível atribuir à tarifa de 25% anunciada pelos norte-americanos com ao resultado, visto que passou a taxa vigorar plenamente no dia 29. 🔎 Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. 🔎 Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. "O que acontece normalmente é uma antecipação, se isso tivesse ocorrido, poderíamos até atribuir, mas, como o comércio está muito afetado por tarifas e instabilidade, é dificel fazer avaliação sem fazer um estudo mais aprofundado das informações", disse Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estadísticas e Estudos de Comércio Exterior. "Mas em relação às últimas medidas, é possível afirmar que o movimento de julho ainda não sofreu esse impacto diretamente", complementou. Segundo o MDIC, os bens mais impactos pela queda das exportações de julho foram: Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 62,1% Ferro gusa: 31,4% Café não torrado: 27,6% Sucos de frutas ou vegetais: 22,5% Acordo do Mercosul com a União Europeia O diretor avalia que os efeitos do acordo devem diminuir custos, ainda que os benefícios da exportação sejam dados aos importadores, sendo capturado no destino da mercadoria não na origem. As negociações entre os dois blocos duraram 27 anos e resultaram em um tratado que abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O acordo envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de US$ 20 trilhões. Números da balança 💵 Segundo o governo, em julho: As exportações somaram U$ 34,119 bilhões com aumento de 6,2% pela média diária. As importações somaram US$ 27,052 bilhões, com aumento de 7,6% pela média diária. Entre os produtos exportados pelo país, se destacaram em julho: Óleos brutos de petróleo: US$ 0,96 bilhões, com alta de 23,8%; Soja: US$ 0,87 bilhões, com aumento de 17,4%; Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos: US$ 0,03 bilhões, com alta de 29,9%; Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): US$ 0,53 bilhão, com crescimento de 63%; Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas: US$ 0,22 bilhões, com alta de 31,8%. Exportações para outros blocos e regiões em julho: China: alta de 8,6%, para US$ 10,6 bilhões; Mercosul: queda de 0,4%, para US$ 2,2 bilhões; União Europeia: alta de 3,9%, para US$ 4,7 bilhões; México: queda de 4,4%, para US$ 768 milhões; Oriente Médio: alta de 9,8%, para US$ 1,3 bilhão. Balança comercial tem superávit de US$ 7,1 bilhões em julho Divulgação/FIEP Acumulado do ano Até julho deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$49 bilhões, informou o governo. Com isso, houve aumento 31,9% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 37,2 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 218,6 bilhões – alta 10,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária. Já as importações somaram US$ 169,5 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, com alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.

Agora no g1 O endividamento das famílias brasileiras bateu um novo recorde em julho: 82% dos consumidores disseram ter algum tipo de dívida a vencer, o maior nível desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ao mesmo tempo, embora a inadimplência tenha recuado levemente após três meses do Desenrola 2.0, aumentou a parcela de brasileiros com mais da metade da renda comprometida com pagamentos. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6). O levantamento mostra que o percentual de famílias com dívidas subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e avançou 3,5 pontos percentuais na comparação com julho de 2025, quando era de 78,5%. Com o resultado, o indicador alcançou o sexto recorde consecutivo na série histórica da pesquisa. Entre os principais tipos de dívida estão cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas. Crescimento do endividamento das famílias g1 Crescimento do endividamento das famílias g1 Qual a diferença entre endividamento e inadimplência? Endividamento: Ter dívidas não significa necessariamente estar com problemas financeiros. O indicador mede a parcela de famílias que possuem algum compromisso financeiro a vencer, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja. Uma pessoa que parcela uma compra no cartão ou paga um financiamento em dia, por exemplo, entra na estatística de endividamento. Inadimplência: Já a inadimplência indica quando a dívida não foi paga no prazo combinado. Ou seja, são consumidores com contas vencidas e em atraso. Uma família pode estar endividada e não ser inadimplente, caso esteja pagando as parcelas normalmente. Por outro lado, quem deixa uma dívida vencer passa a fazer parte do grupo de inadimplentes. Inadimplência recua, mas peso das dívidas aumenta Apesar do avanço do endividamento, a parcela de famílias com contas em atraso teve uma pequena melhora em julho. O índice passou de 29,9% para 29,8% entre junho e julho. No mesmo mês de 2025, a taxa era de 30%. O resultado ocorre após os primeiros 90 dias de funcionamento do Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas lançado em maio. Desenrola 2.0: veja perguntas e respostas sobre o novo programa O principal alerta da CNC, porém, está no comprometimento da renda. Em julho, 19% das famílias afirmaram ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas, maior nível desde março deste ano. Para a economista e professora da FGV Carla Beni, a leve queda da inadimplência não significa que as famílias estejam menos pressionadas financeiramente. "A inadimplência é a última coisa que uma família quer. Ela provoca estresse e normalmente é consequência de uma combinação de fatores, como crédito caro, renda limitada e facilidade para contratar empréstimos", afirma. Em média, os consumidores endividados destinam 29,5% da renda mensal para honrar compromissos financeiros. Homem segura cartão de crédito na mão enquanto digita em um notebook Rupixen.com/Unsplash/Reprodução Segundo a economista, o elevado nível de endividamento também reflete a cultura do parcelamento no Brasil. "Nós naturalizamos o parcelamento. Hoje praticamente tudo pode ser dividido em várias prestações. Isso amplia o endividamento porque qualquer compromisso financeiro em aberto entra nessa estatística", diz. Para Carla Beni, o crédito ficou mais acessível, mas não necessariamente mais barato. "O grande vilão continua sendo o cartão de crédito. Muitas pessoas recebem limites maiores do que conseguem suportar, enquanto os juros seguem extremamente elevados, especialmente no rotativo", afirma. A economista afirma que o crédito pode ser um instrumento importante quando usado de forma planejada, principalmente para a aquisição de bens de maior valor. "O crédito deve ser direcionado para bens de maior valor agregado, como um carro, por exemplo, quando há planejamento. Quanto maior o número de parcelas, maior o comprometimento da renda. O problema é quando o parcelamento passa a ser usado para despesas do dia a dia, porque isso aumenta muito o risco de desequilíbrio financeiro", diz. Contas atrasadas ficam menos antigas Mesmo com a pressão sobre a renda, alguns indicadores mostraram melhora no mês. O tempo médio de atraso das dívidas caiu pelo terceiro mês consecutivo e chegou a 64,6 dias, menor nível desde dezembro de 2025. Também recuou a parcela de consumidores inadimplentes com contas vencidas há mais de 90 dias. O percentual passou para 48,5%, menor patamar desde agosto de 2025. Na percepção dos próprios consumidores, aumentou a parcela de famílias que se consideram pouco endividadas, de 34,2% em junho para 35% em julho. Já o grupo que se declara muito endividado teve leve queda, passando de 17,2% para 17,1%. Famílias de menor renda sentem mais pressão O avanço das dívidas ocorreu de forma desigual entre as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em julho, o maior nível entre os grupos analisados. Essa faixa também foi a única a registrar aumento da inadimplência no mês: a proporção de famílias com contas em atraso subiu de 38,3% para 38,5%. Além disso, cresceu o percentual de consumidores de menor renda que dizem não ter condições de pagar as dívidas vencidas, de 17,6% para 17,8%. Segundo Carla Beni, a combinação entre renda instável e facilidade de acesso ao crédito aumenta o risco de desequilíbrio financeiro. "Muitas pessoas trabalham, mas têm renda variável, especialmente na informalidade. Quando gastos básicos, como combustível e farmácia, passam a ser parcelados, o risco de entrar em uma espiral de endividamento aumenta bastante", afirma. Na outra ponta, entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento também avançou no ano e chegou a 72% em julho. Apesar disso, a inadimplência caiu no mês, passando de 15,4% para 15,1%. CNC vê sinais positivos, mas pede cautela Dinheiro; real; reais; notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 50; moeda de R$ 1 Marcello Casal Jr/Agência Brasil Para a CNC, a melhora em alguns indicadores pode estar relacionada ao programa de renegociação de dívidas, ao avanço da renda média e ao controle da inflação. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma que o aumento do endividamento exige atenção. "Completar seis meses seguidos de novos níveis recordes no endividamento da população tem impactos que são sentidos em curto e médio prazo, não só no comércio. Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando. Porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo", diz. Segundo a confederação, o cenário exige cautela porque, mesmo com menos atrasos, o orçamento das famílias continua pressionado pelo volume de dívidas acumuladas.

Donald Trump anunciou o plano de infraestrutura para inteligência artificial nos EUA. Ao lado dele estão Masayoshi Son, CEO do SoftBank, Larry Ellison, cofundador da Oracle, e Sam Altman, da OpenAI AP/Julia Nikhinson Em uma rara demonstração de convergência, democratas e aliados conservadores de Donald Trump criticam a resposta limitada da Casa Branca aos recentes ataques realizados por agentes de inteligência artificial. Para eles, a proximidade do presidente com a indústria de tecnologia ajuda a explicar a falta de medidas mais rígidas. Há duas semanas, a OpenAI informou que um de seus agentes de IA agiu de forma autônoma e invadiu os sistemas da empresa Hugging Face. Depois disso, a Anthropic disse ter identificado que alguns de seus modelos também invadiram sistemas de três empresas. A Casa Branca afirmou que acompanha a situação, e Trump disse que analisava possíveis controles para a IA. Agora no g1 Steve Bannon, aliado de longa data de Trump e ex-assessor da Casa Branca, afirmou que a regulação da IA pelo governo é insuficiente diante dos riscos à segurança nacional e atribuiu a situação à influência das empresas de tecnologia. "Há uma relação muito próxima entre as empresas e a equipe, não apenas na Casa Branca, mas também, acredito, no aparato de segurança nacional", disse Bannon à Reuters. "Por que você permitiria que eles estivessem no controle? (...) Você precisa de pelo menos uma estrutura rudimentar de algum tipo de aparato regulatório" para regular a IA, acrescentou. O senador democrata Ron Wyden, do Oregon, fez críticas semelhantes. "Trump sumiu porque acha que os bilionários donos de empresas de IA estão do lado dele. Em vez de tentar resolver esses problemas, Trump e seus aliados estão focados em bloquear as leis estaduais sobre IA e derrubar as proteções básicas que empresas como a Anthropic impuseram sobre o uso de seus modelos", afirmou. A Anthropic e o governo dos EUA também romperam relações neste ano, após a empresa se recusar a permitir que as Forças Armadas usassem seus modelos de IA para vigilância doméstica em massa e sistemas de armas totalmente autônomos. A Casa Branca e a OpenAI não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. Um porta-voz da Anthropic também se recusou a comentar. As críticas de Bannon e Wyden refletem uma preocupação compartilhada por integrantes de diferentes correntes políticas: a de que a proximidade de Trump com as grandes empresas de tecnologia possa reduzir a disposição do governo para adotar medidas mais duras diante dos riscos da IA. Empresas de tecnologia e seus executivos doaram mais de US$ 300 milhões para apoiar a campanha de reeleição de Trump em 2024 e a MAGA Inc., comitê de ação política alinhado ao presidente. Além disso, Trump nomeou profissionais do setor para cargos importantes no governo. Em junho, o governo anunciou que pediria a empresas como OpenAI e Anthropic que submetessem voluntariamente modelos de IA com capacidades avançadas de invasão de sistemas a testes de cibersegurança antes do lançamento ao público. Até o momento, porém, não detalhou como esses testes funcionarão. A Reuters informou que apenas alguns modelos deverão participar dessa avaliação voluntária. O deputado democrata Gregorio Casar, do Texas, afirmou que Trump está "falhando completamente" em proteger os americanos dos riscos da IA. "Ele recebeu milhões dos bilionários da IA. Agora, diante de problemas extremamente perigosos de cibersegurança envolvendo IA, diz que implementou uma revisão 'voluntária' que ninguém viu. Está dormindo ao volante. Está ocupado demais lucrando para proteger nossos empregos ou a segurança nacional", escreveu na rede social X. Setor da tecnologia e Trump O presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 30 de maio de 2025. Reuters/Nathan Howard Executivos e investidores do setor de IA estiveram entre os maiores doadores individuais da MAGA Inc. em 2025. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa, Anna Brockman, doaram juntos US$ 25 milhões ao comitê, segundo registros da Comissão Federal de Eleições (FEC). A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, investidora da OpenAI, e seus cofundadores, Ben Horowitz e Marc Andreessen, doaram juntos US$ 12 milhões ao comitê desde a segunda posse de Trump. Nenhum deles respondeu aos pedidos de comentário da Reuters. A investidora do Google Asha Jadeja, o CEO da SpaceX, Elon Musk, e o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, doaram pelo menos US$ 5 milhões cada ao comitê em 2025, segundo registros da FEC. A Blackstone investe em infraestrutura de IA, incluindo um empreendimento de computação em nuvem voltado para IA com o Google. Jadeja, Musk, Schwarzman e a Blackstone também não responderam aos pedidos de comentário. Amy Kremer, organizadora conservadora e apoiadora de Trump que ajudou a organizar o comício de 6 de janeiro antes da invasão ao Capitólio, acusou a indústria de tecnologia de construir "um fosso ao redor da Casa Branca". Trump também levou executivos do setor para o governo. Entre eles estão Elon Musk, que supervisionou os cortes na força de trabalho federal nos primeiros meses do segundo mandato; David Sacks, nomeado czar da IA da Casa Branca; Sriram Krishnan, da Andreessen Horowitz; e Michael Kratsios, da Scale AI. Sacks e Krishnan já deixaram o governo, embora Sacks continue atuando como assessor externo da Casa Branca para temas de tecnologia. Sacks defende uma política de menor intervenção na regulação da IA, sob o argumento de que regras mais rígidas podem desacelerar a disputa das empresas americanas com concorrentes chinesas. O governo Trump também tentou convencer o Congresso a aprovar uma lei que restringisse regulamentações estaduais sobre IA, proposta rejeitada pelo Senado dos EUA. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta quinta-feira (6) uma preocupação com a expectativa de crescimento da dívida pública brasileira, que já avançou mais de 10 pontos no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atingiu o maior nível desde 2021. Em entrevista exclusiva à GloboNews, ele afirmou que o governo federal continuará tentando, se reeleito, melhorar o perfil das contas públicas em um eventual novo mandato, controlando as despesas e reduzindo benefícios fiscais existentes. "Têm números que mostram resultado do ano, olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas", declarou o ministro. Durigan negou que haja um cenário de descontrole, citando uma melhora nos últimos anos, com a obtenção das metas propostas – apesar de as contas ainda permanecerem no vermelho. Agora no g1 Mas reconheceu que há uma "discussão", uma dificuldade, sobre a chamada "rolagem da dívida pública", ou seja, a emissão de novos títulos no mercado financeiro para pagar os que estão vencendo. Nos últimos meses, o Tesouro Nacional tem encontrado dificuldade em emitir papéis com juros reais (acima da inflação) de 8% ao ano – patamar considerado elevado. Analistas atribuem a resistência do mercado em comprar esses papeis ao aumento de gastos públicos e ao alto nível do endividamento brasileiro – fatores que aumentam a desconfiança dos agentes econômicos. "Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento. Como a explicação dos juros é mais complicada, a variável que está em controle do governo é a politica fiscal. Por isso é importante melhorar a politica fiscal [relativa às contas públicas]", acrescentou Durigan. Ele avaliou que o "aspecto fiscal", ou seja, comportamento das contas públicas, de fato afeta o patamar da taxa de juros brasileira – atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, é a maior taxa de juros do mundo, segundo levantamento da MoneYou. Mas o ministro lembrou que conflitos militares e aumento da taxa de juros norte-americana também impactam os juros de longo prazo brasileiros – determinados pelo mercado financeiro. "Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição, para tomada de decisão sobre o mercado tomar juros de longo prazo. É isso que está em jogo", afirmou Durigan. O titular da equipe econômica concluiu dizendo que o compromisso do governo é "fazer todo possível do ponto de vista fiscal para endereçar a questão dos juros [altos] nos próximos anos". "Juro machuca muito a economia, não só o governo", finalizou. Dario Durigan Washington Costa/MF

Milton Maluhy Filho assume presidência do Itaú Unibanco Divulgação O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quinta-feira (5) que os juros brasileiros seguem elevados e devem continuar a se refletir em altos níveis de inadimplência e a impactar o orçamento das famílias. "Não há quem defensa juros nesse patamar. O juro real [descontado a inflação] no Brasil, hoje, é muito alto [...] e o que a gente precisa realmente é trabalhar para levar as taxas para um patamar mais baixo", afirmou o executivo em entrevista ao Radar GloboNews, destacando que o ideal seria que as taxas caíssem para apenas um dígito. "É [com os juros em patamares mais baixos] que conseguimos crescer a carteira [de crédito] com vigor, onde as famílias de fato tomam boas decisões de financiamento de imóvel, consumo ou da compra de um veículo, e onde as empresas conseguem investir com muito mais qualidade", completa. As falas de Maluhy Filho vêm apenas um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduzir a taxa básica de juros (Selic) pela quarta vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic ficou em 14% ao ano e atingiu o menor patamar desde março e 2025. Agora no g1 No comunicado, o colegiado afirmou que entre os fatores que trazem riscos para uma possível alta de preços estão: a inflação acima da meta por um período mais prolongado; a alta no petróleo no mercado internacional; eventos climáticos que afetem a produção agrícola e os custos de energia — como o El Niño; os preços ainda elevados de serviços; e uma eventual desvalorização do real. O BC também alertou que estímulos ao consumo podem aquecer a economia além do esperado, aumentando a pressão sobre os preços. Segundo Maluhy Filho, o comunicado do Banco Central foi conservador ao mostrar uma preocupação com o cenário macroeconômico, deixando em aberto a possibilidade de um corte na próxima reunião do Copom. "A gente acredita que ainda tem espaço para corte na próxima reunião, juro nesse patamar ainda é muito restritivo", afirmou. Eleições e cenário fiscal O presidente do Itaú também falou sobre as políticas de transferência de renda do governo federal e sobre o que espera para as eleições presidenciais deste ano. De acordo com Maluhy Filho, apesar da importância na manutenção das políticas sociais e de transferência de renda, o governo precisa recalibrar o quadro fiscal. "Vimos um aumento da massa salarial, mas que não é sustentável no longo prazo, na medida em que o custo dessas transferências [de recursos] para o país tende a crescer no tempo se você não fizer uma priorização de gastos. Somos a favor da agenda social de transferências, mas precisamos ajustar o fiscal no longo prazo", afirmou. O executivo ainda reforçou a importância de que os candidatos à Presidência da República tragam mais informações sobre a trajetória da dívida pública em seus debates. "Os candidatos podem falar mais claramente sobre seus planos de ajuste orçamentário e gastos fixos, bem como quais reformas orçamentárias devem fazer e em qual intensidade. Priorizar os gastos é importante", disse. Bets e carteira de crédito O presidente do Itaú também falou sobre o impacto das apostas esportivas no acesso ao crédito. "É muito importante dizer que todo cidadão que acaba fazendo uso das bets tem uma qualidade de crédito pior com o passar do tempo. Não é nosso papel defender ou não [as apostas], mas é dizer que, se não for feito com moderação e cuidado, você muitas vezes pode acabar comprometendo o orçamento da família", disse Maluhy Filho. Ainda de acordo com o executivo esse cenário somado aos juros ainda elevados no país também tendem a manter o difícil acesso ao crédito. "A gente tem visto todos os indicadores de mercado piorando de forma muito relevante. E o principal produto do banco é entregar crédito para a sociedade. Quando o crédito passa a ter uma inadimplência alta, todos nós perdemos com isso", afirmou. O Itaú divulgou os seus resultados do segundo trimestre na última quarta-feira (5). O banco registrou um lucro de R$ 12,4 bilhões no período, um aumento de 7,8% em comparação aos mesmos três meses de 2025. A carteira de crédito do banco ficou em R$ 1,5 trilhão ao final de junho — avanço de 9,6% em relação ao segundo trimestre do ano passado e de 2,7% na comparação trimestral. Casos Master e Americanas Por fim, o presidente do Itaú também comentou sobre o caso Americanas. Maluhy Filho afirmou que o banco continua a acompanhar os desdobramentos do caso e defendeu a integridade das instituições financeiras afetadas. "É ilógico imaginar que os bancos foram coniventes com uma fraude em que os próprios bancos perderam bilhões de reais", disse o executivo. "Se você considerar as receitas dessas operações, as perdas foram bilionárias. Não há operação de risco sacado que compense as perdas que a gente teve", completa. PF faz nova operação sobre fraude nas Americanas; relembre o escândalo contábil que levou a varejista à crise No caso do Banco Master, Maluhy Filho foi citado nas investigações após a Polícia Federal identificar uma série de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro pedindo que o empresário Thiago Miranda monitorasse o presidente do Itaú. Na troca de mensagens, Vorcaro diz que Maluhy Filho está lhe “causando muito problema”. Entre as informações solicitadas por Vorcaro estavam dados de identificação civil, número de CPF e informações de caráter pessoal. Em outros momentos, o presidente do Itaú já havia criticado publicamente a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Master com taxas irreais. "Passando pelo dossiê, é claro que a situação é grave e que gera um certo desconforto, especialmente quando chega na família. Mas acho que o mais importante é trabalharmos firmes para que métodos como esse não perpetuem. É papel de todos nós defendermos a rigidez do sistema financeiro", completou.

Entenda como vai funcionar o alerta em publicidade de bets As apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O estudo foi elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises próprias. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O levantamento chama de saída líquida a diferença entre tudo o que os apostadores colocaram nas plataformas de apostas e o dinheiro que voltou para eles em forma de prêmios. Ou seja, o cálculo mostra quanto de recurso, no saldo final, saiu do bolso dos jogadores e ficou no setor de apostas. De acordo com o levantamento, entre outubro de 2024 e março de 2026, essa perda média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês. 🔎 Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, criticou os dados. A entidade afirmou que o levantamento comete "erros graves", "ignora fatores macroeconômicos" e disse que a receita bruta oficial do setor foi de R$ 37 bilhões em 2025, contestando a estimativa apresentada pelos secretários de Fazenda. (leia a nota completa no fim desta reportagem) Segundo o estudo do Comsefaz, somente em 2025, a saída líquida de recursos das famílias para as bets chegou a R$ 62,5 bilhões, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível das famílias. "Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros", afirma o levantamento. Segundo os pesquisadores, o dinheiro destinado às apostas reduz os recursos disponíveis para outros gastos e pode aumentar a pressão sobre o orçamento doméstico, especialmente em um cenário de elevado endividamento e comprometimento de renda. O estudo destaca que a expansão das bets se tornou um fator adicional de vulnerabilidade financeira para as famílias brasileiras, ao somar-se a um ambiente de juros elevados e maior dificuldade para administrar as despesas. Em junho, por exemplo, 81,6% das famílias brasileiras afirmaram ter algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para os autores, essa transferência de recursos ajuda a explicar por que o consumo das famílias tem crescido em ritmo menor que o esperado, mesmo com o mercado de trabalho aquecido e a renda em alta. Além disso, o relatório destaca que as bets têm baixo efeito multiplicador sobre a economia. 💰 Diferentemente dos gastos com bens e serviços, os recursos direcionados às plataformas de apostas geram menos circulação de renda, empregos e atividade econômica, reduzindo o impacto positivo que outras formas de consumo poderiam ter sobre a economia. Pix impulsionou expansão O levantamento mostra ainda que o Pix virou a principal ferramenta usada pelos brasileiros para colocar dinheiro nas plataformas de apostas, com uma explosão no volume de transferências para empresas ligadas a esse setor após a regulamentação das bets. Antes da regulamentação das bets, em janeiro de 2025, as transferências mensais de pessoas físicas para empresas do segmento de artes, cultura, esporte e recreação giravam em torno de R$ 5 bilhões. Poucos meses depois, esse volume superou R$ 25 bilhões e chegou perto de R$ 42 bilhões. Segundo a análise, a expansão das bets adicionou, em média, R$ 24,1 bilhões por mês às transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026. No acumulado de 2025, esse volume adicional foi estimado em R$ 350,97 bilhões. O estudo também indica que as famílias de menor renda tiveram participação relevante no mercado de apostas. Como evidência, os pesquisadores citam a restrição criada pelo governo federal em outubro de 2025 para impedir que beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) utilizassem recursos de benefícios em plataformas de apostas. A medida foi adotada após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar que valores destinados à assistência social fossem usados nas chamadas bets. Segundo o relatório da Comsefaz, depois da medida, o ritmo de crescimento das transferências via Pix para plataformas de apostas diminuiu. Para os pesquisadores, isso é um sinal de que beneficiários de programas sociais tinham uma participação relevante no uso de casas de apostas. "Esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico", afirma o estudo. Veja a nota da ANJL na íntegra A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a divulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line. Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em diversos setores da economia, do uso do pix como meio de pagamento. Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz. Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais estão se inserem uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets. Soma-se a isso a omissão de processos de mudanças na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o pix em vez de outras formas de pagamento. Por fim, a ANJL destaca que, segundo dados oficiais da SPA-MF, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, exatamente o período ao qual o levantamento se refere, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas. Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado. A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador. Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo Reprodução/TV Verdes Mares

Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 REUTERS/Carlos Barria A Meta lançou na quarta-feira (5) o Muse Code, uma inteligência artificial capaz de escrever código de software de forma autônoma. Com isso, a empresa entra no segmento mais lucrativo do competitivo mercado de IA generativa. A programação assistida por IA tornou-se a principal fonte de receitas do setor, superando os chatbots, como ChatGPT e Gemini. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, o software é capaz de planejar a execução de um projeto, dividi-lo em tarefas, escrever programas e verificar os resultados. Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo O sistema também pode delegar tarefas a outros "subagentes", afirmou o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, em publicação na rede social Threads. A Microsoft foi pioneira nesse segmento com o GitHub Copilot, antes da chegada dos chamados "agentes", sistemas capazes de executar simultaneamente diversas tarefas complexas. Entre eles estão o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o Cursor, cuja aquisição pela SpaceX, de Elon Musk, está perto de ser concluída. O Muse Code, atualmente em versão beta, é cobrado por uso, e não por assinatura, com preços inferiores aos dos concorrentes, como parte de uma estratégia deliberada para ganhar espaço no mercado. A gigante das redes sociais, cujas receitas dependem quase integralmente da publicidade, busca monetizar diretamente seus modelos de IA, sob pressão de investidores preocupados com o tamanho de seus gastos. Em meados de 2025, Zuckerberg desembolsou mais de US$ 14 bilhões para adquirir uma participação de 49% na Scale AI. Ele nomeou o então diretor-executivo da empresa, Alexandr Wang, para comandar o Meta Superintelligence Labs, onde também recrutou executivos da OpenAI, Anthropic e Google. Logo da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Tony Avelar/AP Um incidente de segurança envolvendo uma versão anterior do modelo da Meta, o Muse Spark 1.1, foi revelado na quarta-feira pelo site especializado em tecnologia The Information. Durante um teste de cibersegurança realizado pela empresa Irregular, o Muse Spark obteve acesso aos sistemas de uma empresa que não teve o nome divulgado. Segundo um porta-voz da Meta, o incidente, cuja data não foi informada, foi provocado por "um erro na configuração" da Irregular. Ele também afirmou que a empresa pretende publicar um relatório detalhado da investigação. Dois incidentes semelhantes ocorreram nas últimas semanas durante testes parecidos na OpenAI e na Anthropic. Segundo o texto, os modelos dessas empresas se aproveitaram de ambientes mal isolados para acessar, sem autorização, sistemas reais. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel Por que ‘Brasil’ virou ‘sutiã’ no ranking da Fifa traduzido para o português?

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou esta quinta-feira (6) em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,1070. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também fechou em baixa, de 1,22%, aos 175.555 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Investidores repercutem nesta quinta-feira a nova decisão e juros do Banco Central do Brasil (BC). Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu fazer o quarto corte seguido na taxa básica de juros nesta quarta, levando a Selic para 14% ao ano — menor patamar desde março de 2025. ▶️ No exterior, as negociações entre os Estados Unidos e o Irã seguem no radar. Na véspera, Teerã afirmou que teria chegado a um acordo com Omã sobre a divisão e a administração do Estreito de Ormuz, importante rota marítima da região. Segundo o presidente americano, Donald Trump, um acordo pode sair nos próximos dias. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 1,76%, cotado a US$ 80,29. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 0,88%, a US$ 75,88 o barril. ▶️Na agenda econômica, investidores avaliam indicadores econômicos e balanços corporativos. Nos EUA, as atenções ficam voltadas para os dados de pedidos de seguro-desemprego e de produtividade. Já no Brasil, o foco fica com a balança comercial de julho e com a divulgação de resultados da Petrobras e de outras empresas. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,15%; Acumulado do mês: +1,15%; Acumulado do ano: -6,57%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,15%; Acumulado do mês: -0,15%; Acumulado do ano: +10,30%. Copom leva Selic ao menor patamar em mais de um ano O Copom decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Este é o quarto corte consecutivo da taxa. A decisão foi unânime. Brasil continua com o maior juro real do mundo; veja ranking No comunicado, o Copom afirmou que a decisão está alinhada ao objetivo de trazer a inflação de volta para perto da meta. Segundo o comitê, a medida também ajuda a reduzir oscilações na atividade econômica e a estimular a geração de empregos. O Copom disse ainda que o cenário internacional continua incerto, em meio aos conflitos no Oriente Médio e às dúvidas sobre os próximos passos dos bancos centrais de países desenvolvidos. Para o comitê, esse ambiente exige cautela dos países emergentes. O colegiado também reforçou que as próximas decisões sobre os juros dependerão da evolução da economia e do comportamento da inflação. Segundo o BC, o tamanho total dos ajustes na taxa básica será definido com base nos dados que forem divulgados daqui para frente, para garantir que a inflação volte à meta. A decisão vem apenas uma semana após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter decidido manter as taxas básicas americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%, e já era esperada pelo mercado financeiro. A projeção é de que a Selic encerre o ano em 13,75% ao ano, o que pressupõe mais um corte na reunião de novembro. Acordo entre EUA e Irã pode estar próximo O Irã disse, nesta quarta-feira (5), que chegou a um acordo com o Omã sobre a divisão e administração do Estreito de Ormuz e a rota de passagem de navios. Segundo o ministério de Relações Exteriores do país, os negociadores das duas partes estão finalizando os detalhes da administração conjunta da passagem e do controle do tráfego de embarcações. "As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação", disse o porta-voz Esmaeil Baqaei. Baghaei acrescentou, porém, que um eventual acordo entre Irã e Omã não seria suficiente, por si só, para garantir a segurança na passagem marítima. O impasse segue ligado ao bloqueio americano a portos iranianos e à oposição dos Estados Unidos a pedágios ou autorizações iranianas. A proposta prevê um novo arranjo para o trânsito de navios, diferente das rotas usadas antes da guerra. As embarcações vão entrar no Golfo Pérsico por uma rota sob controle iraniano para, depois, sair por uma passagem controlada por Omã. O Omã também propôs um mecanismo regional de gestão conjunta, com contribuições voluntárias de empresas de navegação para cobrir segurança, proteção ambiental e serviços de resgate. Na mesma fala, o chanceler também negou que o Irã tivesse sessões de negociação com os Estados Unidos. A fala contraria as declarações mais recentes do governo de Donald Trump, que na última terça-feira (4) disse que há avanços nas tratativas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, mas ainda não há acordo fechado. Em meio às incertezas, o petróleo operava em alta nesta quinta-feira. Bolsas globais Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta quinta-feira, conforme preços mais altos do ouro impulsionaram ações relacionadas ao metal e compensaram a retração nos papéis do setor de tecnologia. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,2%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,6%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,5% e o Nikkei, do Japão, perdeu 0,93%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 4,58%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) estimou que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033, o primeiro ano com tributação cheia, conforme a regra da reforma tributária aprovada em 2024. Esse será o nível necessário para manter a atual carga tributária sobre o consumo, ou seja, o peso dos impostos sobre essa base de tributação, uma determinação da reforma tributária. Tributos altos sobre o consumo, por sua vez, penalizam a população de baixa renda — uma vez que uma parte maior de sua renda é destinada aos impostos. A projeção dos estados supera a estimativa inicial da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do Ministério da Fazenda, que calculou uma alíquota de referência de 26,5% para o ano 2033. "A estimativa inicial da Sert considerava alíquota de referência total de aproximadamente 26,5%. Com a evolução da regulamentação da reforma tributária, as estimativas públicas passaram a indicar alíquota de referência em torno de 28%", informou o CGIBS, em resolução publicada no Diário Oficial da União. ➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são maiores ainda, com tributação média de cerca de 34% – há dificuldade em calcular os impostos pois há muitas exceções, e eles estão embutidos nos preços dos produtos. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço). Agora no g1 Alíquota maior do que países ricos Em 28%, a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo será maior do que os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — fórum que 38 países com economias desenvolvidas. "A alíquota média de imposto geral sobre o consumo na OCDE é de 19,4%. A Hungria apresenta a alíquota mais alta, de 27%, enquanto os Estados Unidos têm a mais baixa, de 7,5%", diz levantamento da Tax Foundation, de 2025. A Tax Foundation é uma organização sem fins lucrativos que atua há mais de 80 anos fazendo avaliações sobre impostos e coletando dados sobre tributos ao redor do mundo. Devedor contumaz: Câmara aprova proposta que combate contribuinte que não paga impostos de maneira intencional Jornal Nacional/ Reprodução 'Trava' de 26,5% Pelas regras da reforma tributária, há uma "trava" para que os futuros impostos sobre o consumo não ultrapassem a alíquota de 26,5%, conforme regra da reforma tributária. Entretanto, esse limite não entra em vigor de imediato. A carga será calculada, no primeiro ano de vigor das novas alíquotas cheias, para manter a atual carga tributária. Se a alíquota ultrapassar essa trava, a norma diz que o Poder Executivo "deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei complementar propondo medidas que reduzam o referido percentual ao patamar igual ou inferior a 26,5%". Benefícios elevam alíquota para todos A aprovação de exceções à alíquota cheia dos futuros impostos sobre o consumo durante a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, ou seja, de benefícios para setores e produtos, é uma das responsáveis pelo elevado nível da tributação estimada para os futuros impostos — algo que foi apontado, à época, por exemplo, pela indústria nacional. A explicação é que, quanto maior é o número de exceções, ou regimes diferenciados — com tratamento favorecido —, mais alta é a chamada "alíquota padrão", ou seja, que os demais setores da economia, não englobados por benefícios, têm de pagar. Isso porque uma das premissas da reforma vai manter o atual patamar da carga tributária — valor que se arrecada na proporção com o PIB. Com setores e produtos beneficiados por exceções aprovadas pelo Legislativo, com tributação menor, todo os consumidores pagam a mais na alíquota normal (chamada de padrão). Entre os benefícios aprovados na tramitação da reforma tributária, estão alíquota zero para a cesta básica, incluindo as proteínas (o que, segundo especialistas, beneficia a população mais rica), para uma lista de medicamentos e dispositivos médicos. O Congresso aprovou ainda alíquotas reduzidas para serviços de educação e saúde; medicamentos e dispositivos médicos; produções artísticas, culturais, jornalísticas e audiovisuais nacionais; atividades desportivas; e profissões regulamentadas e fiscalizadas por conselhos profissionais. Além disso, a regulamentação criou regimes específicos para setores como combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, mercado imobiliário, cooperativas, bares e restaurantes, hotelaria, parques temáticos, transporte coletivo de passageiros e agências de turismo, entre outros.

Conselho da Warner Bros. recomenda que acionistas rejeitem oferta da Paramount A autoridade de concorrência do Reino Unido (CMA) aprovou nesta quinta-feira (6) a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. O governo britânico decidiu não intervir na operação após receber garantias legalmente vinculantes da empresa. Apesar do aval, a fusão ainda precisa superar etapas pendentes nos Estados Unidos antes de ser concluída. A aprovação representa mais um avanço para uma das maiores operações da história recente da indústria do entretenimento. O negócio, anunciado em fevereiro, está avaliado em cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 562 bilhões). O principal entrave agora está nos Estados Unidos. Uma coalizão formada por 12 estados, liderada pela Califórnia, entrou na Justiça para tentar impedir a fusão. Os procuradores-gerais argumentam que a união entre as empresas reduzirá a concorrência na produção e distribuição de filmes e programas de TV, poderá elevar preços e enfraquecer a disputa por empregos no setor. Na terça-feira (4), um juiz federal da Califórnia marcou o julgamento do caso para março de 2027. A Paramount concordou em não concluir a aquisição até que a Justiça decida sobre a ação ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro. Além da ação movida pelos estados, o sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos, o Writers Guild of America, também contesta a operação. A entidade afirma que a fusão reduzirá a concorrência por trabalhos de escrita em Hollywood. A Paramount, por sua vez, nega que o acordo prejudique a concorrência. A empresa afirma que a união com a Warner Bros. Discovery permitirá ampliar a produção de conteúdo e fortalecer a indústria do entretenimento em um momento de forte competição com plataformas de streaming. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Caso a conclusão do negócio seja adiada por um período prolongado, a Paramount poderá desembolsar até US$ 1,7 bilhão em pagamentos previstos no acordo firmado com os acionistas da Warner Bros. Discovery. Entenda a fusão Se aprovada definitivamente, a operação criará um dos maiores grupos globais de mídia e entretenimento. A nova empresa reunirá marcas como HBO, Max, CNN, Warner Bros. Pictures, DC Studios, Discovery, CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, MTV e Comedy Central. O objetivo da Paramount é ganhar escala para competir com gigantes do streaming, como Netflix e Disney, em um mercado cada vez mais concentrado e disputado. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1 *Em atualização

Antenas falsas usadas para disparar golpes via SMS alcançam cerca de 2 km, segundo gerente da Anatel Reprodução/Anatel Ganhos com apostas, oferta de crédito e confirmação de compras: estas são algumas das abordagens falsas usadas em golpes por SMS. E parte delas chega às vítimas por meio de antenas ilegais que bloqueiam o sinal verdadeiro de operadoras. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apreendeu 11 antenas falsas desde 2025, sendo nove na cidade de São Paulo e duas no Rio de Janeiro. E há indícios de que os equipamentos irregulares são usados em outras cidades. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A maioria das antenas falsas estava em bairros de grande circulação, como Pinheiros e Moema, em São Paulo. O objetivo é atrair mais vítimas, visto que os equipamentos conseguem disparar 100 mil mensagens fraudulentas por dia. Por meio delas, os golpistas conseguem interceptar o sinal da operadora e enviar SMS para quem está em um raio de cerca de 2 km da antena falsa. Para isso, eles exploram uma falha de segurança na antiga rede 2G. (veja abaixo como se proteger) Agora no g1 As antenas falsas exigem alto investimento e conhecimento técnico, explicou ao g1 a superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles. "Estamos falando de equipamentos que podem custar mais de R$ 100 mil. O que a gente acredita é que há criminosos especializados e com poder financeiro para comprar esse tipo de equipamento e treinar quem vai operá-lo", afirmou. A operação ilegal é geralmente denunciada por operadoras que notam interferências no sinal por conta das antenas falsas, também chamadas de ERBs fakes (sigla para "estação rádio-base"). A Anatel mantém um trabalho conjunto com a Polícia Civil para identificar locais em que as ERBs fakes são usadas e como elas chegam ao Brasil. "Já teve caso em que encontramos um homem que estava montando a ERB fake. Ele pegava os componentes, montava e colocava no mercado ilegal", disse Gesiléa. "Foi uma investigação que envolveu as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo". Programa de computador usado para disparar golpes via SMS Reprodução/Anatel O uso de bloqueadores de sinal no Brasil só é liberado para alguns órgãos públicos, como os que administram presídios. Eles precisam de autorização da Anatel para manter esse tipo de equipamento. A operação de antenas falsas é considerada uma atividade clandestina. A prática pode levar a detenção de dois a quatro anos, período que pode ser aumentado pela metade se houver danos a terceiros, além de multa de R$ 10 mil. Como as antenas falsas são encontradas Após receber uma denúncia, a Anatel envia uma equipe à região informada para iniciar a busca pela antena ilegal. Os técnicos recorrem, então, a analisadores de espectro, equipamentos que tentam detectar interferências de sinal. Os aparelhos ajudam a direcionar a busca para onde a interferência é maior e, assim, encontrar o local. Essa etapa pode levar dias porque a antena falsa não fica à mostra para quem está na rua. Equipamentos da Anatel permitem direcionar busca por antenas falsas Reprodução/Anatel Segundo a agência, os golpistas costumam alugar apartamentos em andares altos em bairros de alta circulação. Eles permanecem no local por um prazo curto, na tentativa de não serem percebidos. "Os criminosos tentam colocar esses equipamentos em lugares de grande movimento e, geralmente, com uma situação um pouco mais desenvolvida", explicou Gesiléa, da Anatel. Com a identificação do ponto exato, a Anatel aciona a Polícia Civil, que pede à Justiça autorização para entrar no local. Em outro caso, uma antena foi colocada em um carro para disparar mensagens em vias congestionadas de São Paulo. Além da antena, o golpe usa uma caixa preta que funciona como um transmissor e de um notebook com o programa responsável por disparar as mensagens para quem está na região. Polícia descobre central que funcionava como unidade móvel de golpes Como se proteger de antenas falsas O golpe da antena falsa explora uma brecha no 2G, que faz o celular aceitar dados de qualquer antena que conseguir interagir com ele, explicou Daniel Nunes, professor do Instituto Nacional de Telecomunicações. "Nas gerações modernas, como 4G para cima, há uma autenticação de mão dupla: a rede autentica o dispositivo, e o dispositivo autentica a rede. No caso do 2G, a rede autentica o dispositivo, mas o dispositivo não autentica a rede", afirmou. Com essa brecha, os criminosos interceptam o 4G e o 5G e forçam o celular do usuário a "cair" para o 2G. Assim, mesmo em um bairro movimentado, o aparelho entende que está em uma área remota, com menos cobertura de sinal. "Isso é praticamente impossível de ser feito em móveis que estão do 4G para cima", explicou o professor, que recomenda manter o celular conectado apenas às redes mais modernas e impedir o acesso por meio de antenas 2G. No Android, essa opção costuma ser encontrada em um caminho parecido com esse: Configurações > Conexões > Redes móveis. Em seguida, desative a opção "Permitir serviço 2G" – os nomes podem variar de acordo com a marca do celular. No iPhone, siga este caminho: Ajustes > Privacidade e Segurança > Modo de Isolamento. Clique em "Ativar o Modo de Isolamento" e confirme a escolha – o recurso aumenta a segurança, mas limita o funcionamento de outros aplicativos. Para evitar golpes via SMS, a orientação é não clicar em links nem atender a pedidos de instalação de aplicativos que chegam nessas mensagens. Outra medida importante é manter o sistema atualizado para ter recursos de segurança mais avançados. Em mensagens, golpistas tratam sobre compras e empréstimos para induzir vítimas a ligar para centrais de atendimento falsas e clicar em links maliciosos Reprodução/Anatel

Amizade no trabalho ajuda ou atrapalha a carreira? Entenda os limites Quem acessou as redes sociais nos últimos meses provavelmente se deparou com vídeos sobre amizades no trabalho. Trends no TikTok mostram como profissionais criaram relações no escritório que acabam ultrapassando o expediente. É o caso das biólogas marinhas Mônica Pontalti e Carolina Iozzi Relvas. Elas se conheceram em 2017, durante o primeiro embarque de Carolina para atuar como observadora de mamíferos marinhos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A convivência durante os 45 dias embarcadas fortaleceu a amizade entre elas, que evoluiu para uma parceria profissional. Hoje, Carolina é uma das principais instrutoras da empresa de treinamentos e cursos fundada por Mônica. Ao longo dos anos, elas ministraram cursos presenciais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de diversas capacitações on-line. Segundo Carolina, ter uma amiga a bordo sempre tornou o trabalho mais leve e acolhedor. “Em embarcações, onde os profissionais passam longos períodos longe da família e dos amigos, contar com alguém de confiança faz diferença”, conta. As biólogas marinhas Mônica Pontalti e Carolina Iozzi Relvas transformaram uma parceria de trabalho em uma amizade que atravessa anos e projetos profissionais. Arquivo Pessoal Outro exemplo é o das engenheiras Catherine Ferreira e Lívia Cipriano Magalhães, cuja amizade nasceu durante um treinamento a bordo. Catherine ingressou em uma empresa especializada em automação e sistemas de tecnologia para embarcações e teve Lívia como instrutora em sua primeira viagem de trabalho. Mesmo após deixarem de atuar no mesmo departamento, Catherine e Lívia mantiveram a proximidade. Hoje, elas trabalham em áreas diferentes da mesma empresa e raramente embarcam juntas, mas procuram se encontrar durante as folgas, organizar viagens e participar de encontros com outros colegas. As engenheiras Lívia Cipriano Magalhães e Catherine Ferreira se conheceram durante um embarque e transformaram a parceria profissional em uma amizade que dura até hoje. Arquivo Pessoal Limite entre amizade e profissionalismo Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que construir vínculos no ambiente corporativo é saudável e traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. O desafio está em impedir que a relação pessoal interfira nas decisões profissionais. "É inevitável que a gente crie relações que vão além do profissional. A gente passa muito tempo do nosso dia no trabalho", afirma Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half. Segundo ele, amizades favorecem a colaboração, tornam a comunicação mais fluida, fortalecem a troca de conhecimento e contribuem para o desenvolvimento da carreira por meio do networking. Na avaliação do especialista, essas relações também fazem parte do chamado salário emocional — fatores que não aparecem no contracheque, mas influenciam diretamente a satisfação e a permanência dos profissionais nas empresas. Um bom ambiente de trabalho, boas relações e a sensação de pertencimento pesam muito quando alguém decide ficar ou sair de uma empresa. Solidão no trabalho afeta quase metade dos brasileiros Arte g1 Uma pesquisa do Indeed Brasil, realizada com 1.065 trabalhadores em janeiro de 2025, mostra que as amizades no trabalho são percebidas como um fator que favorece o desempenho profissional. Segundo o levantamento: 57% acreditam que esses vínculos melhoram a colaboração entre equipes; 52% afirmam que tornam o trabalho mais agradável; 50% dizem que ter alguém com quem conversar ajuda a reduzir o estresse; 45% associam as amizades ao aumento da motivação e da produtividade; apenas 7% afirmam que elas não influenciam o desempenho profissional; 54% dizem ter um melhor amigo no trabalho. Outro levantamento, do Índice de Confiança do Trabalhador, do LinkedIn, mostra que 55% dos profissionais brasileiros dizem ter amigos no ambiente de trabalho, mas apenas 35% consideram esse tipo de relação necessário. Nos Estados Unidos, uma pesquisa da KPMG com 1.019 trabalhadores encontrou resultados semelhantes. Segundo o estudo, 87% consideram muito importante ter amigos próximos no ambiente profissional, e 84% afirmam que esses vínculos são essenciais para a saúde mental. Além disso, 57% dizem que aceitariam um emprego com salário 10% menor em uma empresa onde pudessem construir amizades próximas, em vez de trabalhar em outra que pagasse 10% acima do mercado, mas não proporcionasse essas conexões. "Elas criam um tecido de confiança que acelera a colaboração, aumenta a fluidez das entregas e amplia a sensação de pertencimento. Ninguém entrega o seu melhor em um ambiente onde se sente sozinho”, explica Camilla Pádua, sócia-líder da área de consultoria em gestão de pessoas da KPMG no Brasil. Quando a amizade vira problema? Apesar dos benefícios, especialistas alertam que a amizade não pode se sobrepor ao profissionalismo. Para Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), o principal risco surge quando a relação pessoal passa a influenciar decisões que deveriam ser pautadas por critérios técnicos e de mérito, como avaliações de desempenho, promoções, distribuição de tarefas e feedbacks. "A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade", afirma. Segundo ela, sinais como favorecimento, dificuldade para tratar todos os colegas com os mesmos critérios e formação de "panelinhas" indicam que a relação deixou de ser saudável. Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos da Nexti, concorda e afirma que o problema começa quando o vínculo pessoal interfere nas responsabilidades profissionais. "Quando você deixa de dar um feedback necessário para não magoar um amigo ou toma decisões baseadas em afinidade, e não em competência, esse limite foi ultrapassado", explica. Outro desafio aparece quando amigos passam a ocupar posições de liderança. Para Rodrigo Vianna, transparência e profissionalismo são essenciais nesses casos. "O cuidado é garantir que a amizade não influencie decisões da empresa nem gere percepções de favorecimento", afirma. A confraternização da empresa é um evento social para integrar e motivar colaboradores fora do ambiente de trabalho. Freepik/ Reprodução Ausência de vínculos também preocupa Se as amizades fazem bem, a falta delas também pode trazer consequências. Marcela Zaidem, fundadora da consultoria Cultura na Prática, explica que especialistas têm chamado de solidão corporativa a sensação de isolamento vivida por profissionais que, mesmo cercados por colegas, reuniões e mensagens, não conseguem criar conexões significativas. "Amizade é um recurso relacional, não um modelo de gestão. Cultura séria não se constrói no acaso", afirma. Segundo ela, pertencimento depende de fatores como confiança, respeito, segurança psicológica e qualidade da liderança. Muller Gomes lembra que o ser humano não foi feito para viver isolado. "A falta de interação pode afetar a produtividade, a saúde mental e até o desenvolvimento profissional, já que o networking é fundamental para oportunidades de carreira", explica. Bruno Gonçalves acrescenta que a solidão corporativa está associada ao aumento do absenteísmo, à queda da criatividade e ao enfraquecimento do engajamento. "Tem gente empregada que se sente tão sozinha quanto quem não tem emprego nenhum", completa. Segundo um levantamento da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros, 47% dizem se sentir sozinhos no trabalho, seja frequentemente ou às vezes. Outro dado chama atenção: 78% consideram essencial ter amizades verdadeiras no ambiente profissional, indicando que a qualidade das relações influencia diretamente a experiência no emprego. As conexões ajudam a retenção de talentos. Em uma escala de 1 a 5, os entrevistados atribuíram nota média de 3,39 ao impacto das amizades na decisão de permanecer ou deixar uma empresa. Como construir amizades saudáveis no trabalho? Os especialistas recomendam alguns cuidados para manter relações positivas sem comprometer o desempenho profissional: Evitar privilégios a colegas próximos em promoções, avaliações ou distribuição de tarefas; Respeitar os limites pessoais dos outros profissionais; Separar critérios profissionais das relações pessoais; Manter imparcialidade em feedbacks e decisões; Preservar informações confidenciais; Evitar que conflitos pessoais interfiram nas atividades da equipe. Também é importante observar alguns sinais de que a amizade pode estar ultrapassando os limites: Você evita dar feedback por medo de perder a amizade; Decisões passam a ser tomadas por afinidade e não por mérito; Informações confidenciais são compartilhadas fora do contexto profissional; Há percepção de favorecimento ou formação de grupos fechados; Conflitos pessoais começam a afetar o desempenho da equipe. Muller Gomes resume a discussão em uma palavra: maturidade. "A amizade ajuda até certo ponto. É preciso entender quando ela contribui e quando começa a atrapalhar", explica. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

STF amplia a isenção na compra de veículos pra pessoas com deficiência e autismo O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta semana ampliar o direito à isenção de impostos na compra de automóveis zero km para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e pessoas com deficiência, independentemente do grau de severidade. Com a decisão unânime do Plenário da Corte, foram retirados trechos da regulamentação da Reforma Tributária (Lei Complementar 214/2025) que restringiam o acesso ao benefício. A depender do veículo, a isenção pode reduzir o preço de compra em até 30%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O texto original excluía do benefício pessoas com deficiência leve ou com autismo nível 1 de suporte. O STF considerou essas expressões inconstitucionais. A Justiça passa a considerar a situação específica da pessoa e as barreiras que ela enfrenta, e não uma classificação abstrata entre casos leves e graves. Permanece a necessidade de cumprir os requisitos de segurança para dirigir ou de adaptação do veículo, quando for o caso. O intervalo entre uma isenção e outra foi mantido em três anos. Portanto, quem tem direito ao benefício não pode adquirir outro veículo com esse desconto antes desse prazo. Já motoristas profissionais, como taxistas, podem solicitar a isenção a cada dois anos. A seguir, veja perguntas e respostas sobre as novas regras e descubra se você tem direito ao benefício: Quem tem direito à isenção de imposto na compra de carro? Quais são os critérios para o laudo médico ser aceito? Tenho deficiência física, mas minha CNH não tem restrição compatível. Posso pedir isenção? Pessoas com deficiência, sem CNH, podem pedir isenção de IPI? Qual carro pode ter abatimento de imposto? Carros tem desconto de impostos para o pessoas com deficiência e autistas. Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil Quem tem direito à isenção de imposto na compra de carro? Segundo a Receita Federal, a isenção de impostos na compra de veículos pode ser concedida a taxistas, cooperativas e permissionárias de táxi, além de pessoas com deficiência física, visual, mental ou com transtorno do espectro autista, inclusive menores de 18 anos representados legalmente. Já a isenção de IOF tem regras mais restritas. Além de taxistas e cooperativas, o benefício é destinado apenas à pessoa com deficiência física que tenha incapacidade para conduzir um automóvel convencional, comprovada por laudo emitido pelo Detran com a indicação das adaptações necessárias no veículo. Quais são os critérios para o laudo médico ser aceito? Para ser aceito pela Receita Federal, o laudo deve ser emitido por uma única unidade de saúde e conter as assinaturas do médico responsável pelo exame, do psicólogo, nos casos de deficiência mental ou transtorno do espectro autista, e do responsável pela unidade emissora. Além disso, os profissionais e o estabelecimento de saúde precisam estar regularmente cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), conforme as exigências do Ministério da Saúde. Laudos com profissionais vinculados a unidades diferentes não são aceitos. Tenho deficiência física, mas minha CNH não tem restrição compatível. Posso pedir isenção? Sim. O pedido pode ser apresentado, mas a Receita Federal destaca que a deficiência física precisa causar comprometimento funcional e dificultar o desempenho de atividades para dar direito à isenção de impostos. Se a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não registrar restrições compatíveis com essa condição, a orientação é realizar uma nova perícia no Detran para reavaliar a capacidade de condução antes de solicitar o benefício. Pessoas com deficiência, sem CNH, podem pedir isenção de IPI? Sim. A Receita Federal permite a concessão da isenção de IPI para pessoas com deficiência que não possuem CNH. Nesses casos, porém, é obrigatório indicar pelo menos um condutor devidamente habilitado para dirigir o veículo. Qual carro pode ter abatimento de imposto? A isenção de IPI é destinada à compra de veículos novos equipados com motor de até 2.0, com pelo menos quatro portas (incluindo a do porta-malas), movidos a combustível renovável, com motorização flex ou com propulsão híbrida ou elétrica. A isenção de IOF só pode ser utilizada uma única vez. O benefício é restrito a automóveis de passageiros com potência bruta de até 127 hp, conforme o padrão de classificação da Society of Automotive Engineers (SAE).

Concurso da Dataprev abre 1,8 mil vagas com salários de até R$ 10,6 mil Rafa Neddermeyer/Agência Brasil As inscrições para o novo concurso público da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) terminam nesta quinta-feira (6), às 16h. Ao todo, são oferecidas 212 vagas imediatas e 1.611 para cadastro de reserva, totalizando 1.823 oportunidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp ➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO As inscrições devem ser feitas pelo site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso. A taxa de inscrição é de R$ 110. Candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde puderam solicitar isenção da taxa, conforme o cronograma previsto no edital. Agora no g1 As oportunidades são destinadas a candidatos com nível superior em áreas como Arquitetura, Administração, Tecnologia da Informação, Engenharia, Direito, Ciências Contábeis e Comunicação Social, entre outras. A remuneração inicial varia de acordo com o cargo e a jornada de trabalho. (veja na tabela abaixo a distribuição de vagas) Analista de Tecnologia da Informação (várias especialidades): jornada de 40 horas semanais e remuneração inicial de R$ 10.685,44. Analista de Processamento: jornada de 30 horas semanais e remuneração inicial de R$ 8.273,94. Além do salário, os contratados pelo regime CLT terão direito aos seguintes benefícios, conforme o Acordo Coletivo de Trabalho e os normativos internos da empresa: Ticket alimentação/refeição de R$ 1.357,20; Auxílio pré-escolar ou escolar de até R$ 1.758,35 para filhos; Auxílio para tratamento especializado de até R$ 1.230,00 para filhos com deficiência; Assistência à saúde, por meio de reembolso, conforme regras específicas; Previdência complementar, por meio da Prevdata; Participação nos Lucros e Resultados (PLR); Gratificação variável por resultado; Seguro de vida em grupo; Possibilidade de progressão na carreira. As vagas e o cadastro de reserva estão distribuídos entre diversas localidades, incluindo Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Florianópolis (SC), conforme o perfil do cargo. Do total de vagas, 25% são reservadas para candidatos negros (pretos e pardos), 5% para pessoas com deficiência, 3% para candidatos indígenas e 2% para candidatos quilombolas. Conforme o edital, o processo seletivo será composto pelas seguintes etapas: Prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, para todos os cargos; Procedimento de heteroidentificação e avaliação biopsicossocial para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas para negros (pretos e pardos), quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. As provas serão aplicadas em todas as capitais e no Distrito Federal no dia 11 de outubro, das 13h às 17h (horário de Brasília). Os portões serão fechados, impreterivelmente, às 12h30. No momento da inscrição, o candidato deverá escolher a capital onde realizará a prova. Para todos os cargos e perfis, a prova objetiva será composta por 70 questões, sendo: 40 de Conhecimentos Gerais (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Raciocínio Lógico-Matemático, Atualidades e Inteligência Artificial e Legislação de Segurança da Informação); 30 de Conhecimentos Específicos. O concurso terá validade de dois anos, contados da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período. As contratações ocorrerão após a homologação do resultado final e respeitarão o término da vigência do concurso anterior, realizado em 2024, que permanece válido até 13 de janeiro de 2027. Cronograma do concurso Inscrições: de 6 de julho a 6 de agosto; Pagamento da taxa de inscrição: até 7 de agosto; Prova objetiva: 11 de outubro de 2026, das 13h às 17h (horário de Brasília); Recursos contra o gabarito preliminar: em até dois dias úteis após a divulgação do gabarito preliminar; Divulgação da imagem do cartão de respostas: após o resultado da prova objetiva, permanecendo disponível por 15 dias corridos após a divulgação do resultado final; Convocação para avaliação biopsicossocial e heteroidentificação: 11 de novembro; Avaliação biopsicossocial e entrevista de heteroidentificação: 22 de novembro; Concurso do IBGE com mais de 9 mil vagas tem edital publicado; veja detalhes

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.038 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 150 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (6), em São Paulo. No concurso da última terça (4), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 03 - 16 - 24 - 30 - 49 - 54. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux marcou, para o próximo dia 13, uma nova audiência de conciliação no acordo entre a União e o Banco de Brasília (BRB) para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para a instituição. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (5) e atende a um pedido do governo do DF, que disse haver "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado no fim de maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no .

Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026 REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo Uma inteligência artificial da Meta, dona do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, também fez um ataque hacker a outra empresa, revelou nesta quarta-feira (5) o site The Information. Segundo a reportagem, o modelo conhecido como Muse Spark 1.1 invadiu o sistema de uma empresa e fez mudanças por conta própria. O nome da companhia atacada não foi revelado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Meta afirmou que o incidente aconteceu devido a um erro de configuração que permitiu a um de seus modelos acessar a internet durante testes. A empresa afirmou que está investigando o caso. Este é o caso mais recente de falhas de segurança exploradas por modelos de inteligência artificial. A OpenAI, dona do ChatGPT, e a Anthropic, do Claude, também relataram incidentes. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Experimentos com IA costumam ser feitos em sistemas fechados, com pouco ou nenhum acesso à internet. As barreiras de proteção das versões voltadas para usuários comuns são desligadas para testar as capacidades dos agentes. Na prática, é como se esses modelos de IA tivessem liberdade total para fazer o que quiserem em um ambiente cercado. O que preocupa é que, agora, eles mostraram ser capazes de ultrapassar os "muros" criados pelas empresas. IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI O modelo "explorou uma vulnerabilidade de segurança em um serviço de terceiros, de maneira semelhante a casos relatados anteriormente com outras empresas", disse a Meta. Ainda segundo o The Information, o erro de configuração foi da Irregular, empresa parceira da Meta nos testes do Muse Spark 1.1. Com a brecha no ambiente de testes, também chamado de "sandbox", o modelo conseguiu explorar uma vulnerabilidade de segurança de terceiros. Um porta-voz da Irregular disse à Reuters que o incidente envolveu "exatamente o mesmo problema de ambiente de avaliação que já havia sido divulgado pela Anthropic na semana passada" e que não envolveu uma "fuga do sandbox ou uma ação cibernética sofisticada". "Não há problemas em aberto no momento. A Irregular está desenvolvendo um artigo técnico para compartilhar as melhores práticas de contenção e execução segura de avaliações cibernéticas", disse a Irregular, em comunicado.
Como a Selic mexe com tudo na sua vida
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor.
Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo.
Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
Vista área de Vitória, Terceira Ponte e Vila Velha, no Espírito Santo Reprodução/A Gazeta/Arquivo Vitória voltou a ocupar a posição de cidade com o metro quadrado mais caro do país. Com R$ 15.448, a capital capixaba desbancou Balneário Camboriú (R$ 15.295) e Itapema (R$ 15.403), ambas cidades de Santa Catarina, no Sul do país. Segundo os dados de julho do Índice FipeZAP de Venda Residencial, o valor médio do metro quadrado de Vitória também coloca a ilha à frente de metrópoles como Florianópolis (R$ 13.461), São Paulo (R$ 12.099), Rio de Janeiro (R$ 11.131) e Brasília (R$ 10.238). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A aceleração não fica restrita apenas a Vitória. No acumulado dos últimos 12 meses, Vila Velha disparou 15,57%, alcançando a maior valorização do país entre as 56 cidades monitoradas. Com esse resultado, a cidade canela-verde atingiu o preço médio do metro quadrado de R$ 11.341 – sendo a nona cidade desse ranking, superando capitais do Sudeste, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. No acumulado de 2026, enquanto a inflação oficial (IPCA-15) marca 3,43%, Vitória acumula alta de 8,82% e Vila Velha lidera o ranking geral nacional, com 9,68%. LEIA TAMBÉM: INVESTIGAÇÃO: Feto é encontrado dentro de lixeira em UPA na Serra ACIDENTE: Caminhão cai de ribanceira e mulher morre ao ser arremessada na BR-262, no ES Agora no g1 O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, pediu cautela ao analisar os dados. "Esse preço médio não reflete a realidade do mercado, pois não considera a variação das tipologias dos imóveis e nem dos bairros. É um valor médio que não dá informação suficiente para a precificação, pois não são de empresas e sim de proprietários que estão vendendo seus imóveis", atenta. Schubert ainda chama a atenção para a variação do CUB, que é o custo de construção de uma obra, e que no acumulado do ano ficou em 9,22%. "A valorização de Vitória, dentro da pesquisa do FipeZap ficou em 8,82%, abaixo do CUB do Espírito Santo, que teve a maior variação do país. Somado a isso está ainda a escassez de terrenos na Capital, o que ajuda a compor os preços", disse. Convento da Penha. Vista aérea Vitória. Morro Mestre Álvaro. Espírito Santo. Yuri Barichivich/Setur ES Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Como a Selic mexe com tudo na sua vida O Brasil tem o maior juro real do mundo mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (5). 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 9,30%. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A segunda posição do ranking ficou com a Rússia, que registrou uma taxa real de 9,09%. A Colômbia apareceu na terceira posição, com juros reais de 6,16%. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o MoneYou afirmou que a alta das expectativas de inflação para os próximos 12 meses reduziu os juros reais na maioria dos países, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A Argentina, que passou por um forte choque econômico sob o governo de Javier Milei, tem oscilado no ranking. Neste mês, o país ficou na 5ª posição, com juro real de 4,51%, em meio a um cenário econômico ainda desafiador e de inflação elevada. Veja abaixo os principais resultados da lista de 40 países. Ranking de juros reais em agosto de 2026. Arte/g1 Queda da Selic Nesta quarta-feira, o Copom anunciou a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Trata-se do quarto corte consecutivo. O movimento ocorre em meio à retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e pode pressionar a inflação brasileira por meio do aumento dos combustíveis. Selic: a trajetória da taxa básica de juros Arte/g1 Juros nominais Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação projetada), a taxa brasileira ocupou a terceira posição, ao lado da Rússia. Veja abaixo: Turquia: 37% Argentina: 29% Brasil: 14% Rússia: 14% Colômbia: 12% África do Sul: 7% México: 6,50% Hungria: 5,75% Indonésia: 5,75% Índia: 5,25% Filipinas: 4,75% Chile: 4,50% Austrália: 4,35% Hong Kong: 4% Israel: 3,50% Polônia: 3,75% Reino Unido: 3,75% Estados Unidos: 3,75% República Tcheca: 3,75% China: 3% Malásia: 2,75% Coreia do Sul: 2,75% Alemanha: 2,40% Áustria: 2,40% Espanha: 2,40% Grécia: 2,40% Holanda: 2,40% Portugal: 2,40% Bélgica: 2,40% França: 2,40% Itália: 2,40% Nova Zelândia: 2,50% Canadá: 2,25% Taiwan: 2% Dinamarca: 1,85% Suécia: 1,75% Tailândia: 1% Japão: 1% Cingapura: 0,90% Suíça: 0% Sede do Banco Central em Brasília Raphael Ribeiro/BCB