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Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Uma autoridade do alto escalão do governo americano disse nesta terça-feira (14) ao Congresso dos Estados Unidos que a Nvidia enviou para a China um pequeno número de chips H200, o segundo processador de inteligência artificial mais poderoso da empresa. As vendas dos chips H200 se tornaram um ponto sensível na disputa tecnológica entre os dois países. O governo dos EUA busca restringir o acesso da China a semicondutores de ponta que possam ser utilizados em aplicações militares. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A confirmação de que os chips foram enviados para a China foi feita por Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos EUA. "Houve exportações mínimas de H200 para a China até agora", afirmou Kessler ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Segundo ele, o número de chips é "muito pequeno". Agora no g1 Uma subsidiária da fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações ZTE Corp e outras duas empresas chinesas estão entre as entidades que mais recentemente receberam autorização dos EUA para comprar chips avançados de IA da Nvidia e da AMD, informou a Reuters. O Departamento de Comércio dos EUA já havia aprovado a venda de chips H200 para cerca de 10 empresas chinesas em maio, mas nenhuma entrega tinha sido realizada, segundo a agência. As empresas autorizadas incluíam Alibaba, Tencent e ByteDance, dona do TikTok. Kessler afirmou que o Departamento de Comércio forneceu ao Congresso uma lista confidencial dos pedidos para compra dos chips H200 e seus respectivos status, mas não deu mais detalhes. Restrições a empresas chinesas O deputado Gregory Meeks, principal democrata no comitê, criticou o Departamento de Comércio por não ter adicionado mais empresas chinesas à lista de controle de exportações desde outubro. É o maior período sem novas inclusões em mais de uma década. Segundo Meeks, o presidente Donald Trump "transformou os controles de exportação em uma moeda de troca nas negociações mais amplas com a China" e "enfraqueceu salvaguardas existentes ao aprovar licenças para chips avançados de IA destinados à China". Kessler defendeu a postura do governo e disse que é importante fazer cumprir restrições às empresas que já integram as listas de controle. E indicou que novas medidas regulatórias sobre inteligência artificial estão a caminho. O Departamento de Comércio adiou a inclusão da DeepSeek e de outras 100 empresas chinesas à lista de restrições, informou a Reuters em junho a partir de duas pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo a agência, a medida faz parte dos esforços do governo Trump para evitar uma escalada das tensões com Pequim. Empresas americanas não podem exportar bens, software ou tecnologia para companhias incluídas nessa lista sem uma licença específica, cuja aprovação costuma ser negada.

Indústria Pexels A indústria brasileira está mais pessimista com os rumos da economia, pressionada pelo aumento das dúvidas e inseguranças da economia global. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que caiu 2,3 pontos em julho, chegando a 44,4 pontos. Atualmente, o indicador está 8,9 pontos abaixo da sua média histórica, que é de 53,3 pontos. 🔎 O ICEI funciona como um termômetro para medir o humor de quem comanda as fábricas no país. Quando o índice cai, pode significar que o empresário está pisando no freio, o que costuma travar novos investimentos e contratações. Divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), este é o menor nível de confiança do setor desde junho de 2020, quando o indicador havia despencado para 41,2 pontos devido aos impactos iniciais da pandemia de Covid-19. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI O número final do índice é composto por duas avaliações: Momento atual: mede como os empresários avaliam a situação da economia brasileira e da própria empresa em relação aos últimos seis meses. Expectativas: mede o que os empresários esperam para a economia e para a empresa nos próximos seis meses. As respostas são transformadas em uma pontuação que vai de 0 a 100: Acima de 50 pontos: confiança. Abaixo de 50 pontos: falta de confiança. A avaliação sobre a própria empresa tem peso maior do que a da economia em cada componente e as expectativas têm peso maior do que a avaliação do momento atual. O que está por trás do pessimismo da indústria? Na avaliação da CNI, a piora na confiança foi impulsionada pela percepção mais negativa sobre a economia brasileira, pelo aumento das incertezas no cenário internacional e pelo enfraquecimento das expectativas para as próprias empresas. "O cenário se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros", explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. Em julho de 2026, o Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos, 0,7 ponto abaixo do mês anterior. O resultado foi puxado principalmente pela piora na percepção sobre a economia brasileira, cujo indicador recuou de 36 para 34,7 pontos. Já o índice que mede a avaliação sobre as próprias empresas caiu de 45,4 para 45,1 pontos. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI Preocupação com o futuro O levantamento da CNI mostra uma forte queda no otimismo da indústria em relação aos próximos seis meses. O indicador que mede as expectativas para o futuro despencou 3,1 pontos e fechou em 45,8 pontos, registrando a maior queda para um único mês desde novembro de 2022. O resultado foi puxado principalmente pela piora nas expectativas para a economia brasileira, cujo indicador recuou de 41 para 37,2 pontos. Já o índice de expectativas para as próprias empresas caiu de 52,8 para 50,1 pontos, praticamente eliminando o otimismo registrado nos meses anteriores e deixando o indicador no limite da neutralidade. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI

Representação artística do centro de dados de IA planejado pela Meta - o primeiro da empresa no Canadá, a ser construído em Sturgeon County, Alberta Meta/Divulgação Nova York se tornou nesta terça-feira (14) o primeiro estado americano a suspender a construção de novos grandes data centers, em meio a preocupações sobre o impacto dessas estruturas no consumo de energia, no uso de água e nas comunidades locais. A medida ocorre enquanto empresas de tecnologia aceleram a construção de data centers para atender à demanda gerada pelo avanço da inteligência artificial. Esses centros abrigam milhares de computadores usados para armazenar dados e processar informações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A suspensão, com validade de um ano, impede a aprovação de novas licenças ambientais para instalações com potência de 50 megawatts ou mais. Durante esse período, o governo de Nova York fará uma análise dos impactos ambientais e definirá novas regras para a instalação desses empreendimentos. Agora no g1 A pausa não afeta projetos que já tenham concluído todas as etapas de licenciamento. “À medida que o desenvolvimento de data centers ameaça aumentar as contas de energia, esgotar nossos recursos naturais e criar incertezas para os nova-iorquinos, é minha responsabilidade agir e liderar”, disse a governadora Kathy Hochul. Nova York tem atualmente mais de 130 data centers, segundo o Data Center Map. O número é menor do que o de estados como Virgínia, com mais de 600 unidades, e Texas, com cerca de 500. Empresas de tecnologia como Alphabet e Microsoft não comentaram a decisão. Meta, Amazon e Oracle não responderam aos pedidos de manifestação da Reuters. A operadora de data centers Digital Realty afirmou que a medida pode levar investimentos para outros estados. “Uma pausa de um ano não é a abordagem correta”, disse a empresa. O executivo-chefe da NTT Global Data Centers, Doug Adams, afirmou que o setor precisa explicar melhor os impactos dessas estruturas nas comunidades, como geração de empregos, investimentos e uso de recursos naturais. LEIA TAMBÉM: Por que estados americanos podem proibir a construção de data centers Meta amplia projeto de data center para IA nos EUA e eleva investimento para mais de US$ 50 bilhões Pressão sobre energia e infraestrutura O crescimento dos data centers nos Estados Unidos tem gerado preocupação porque essas instalações consomem grandes volumes de eletricidade. Em algumas regiões, moradores e autoridades temem que a expansão aumente o valor das contas de luz e pressione a rede elétrica. A Assembleia Legislativa de Nova York já aprovou um projeto para criar regras mais rígidas para data centers com potência acima de 20 megawatts, o que alcançaria ainda mais empreendimentos do que a suspensão anunciada nesta terça-feira. A proposta ainda não foi enviada para a sanção da governadora de Nova York. Apenas um em cada três americanos apoia o ritmo atual de construção de data centers, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. A maioria diz que seria contra a instalação de uma unidade em sua própria comunidade. Segundo dados do operador da rede elétrica de Nova York, havia em maio mais de 12 gigawatts em grandes pedidos de conexão à rede, incluindo data centers. Um gigawatt de energia é suficiente para abastecer cerca de 750 mil casas.

Governo americano propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação que durou um ano EPA via BBC O governo dos Estados Unidos deve anunciar até quarta-feira (15) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgado no mês passado sugere tarifas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros — mas uma decisão final ainda não havia sido tomada, em meio a negociações entre Brasil e EUA. Caso as retaliações sugeridas pelo USTR sejam de fato adotadas, o Brasil passará a ser o segundo país com maiores tarifas aplicadas a seus produtos pelos EUA — apenas os produtos chineses importados pelos americanos teriam taxações superiores. Os dados são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que dados de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Atualmente, o Brasil é o 13º país com maiores tarifas impostas pelos EUA, segundo os cálculos do GTA. Com tarifa média efetiva de 11,73%, o país está atrás de China, Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Agora no g1 Mas, se o tarifaço de 25% for confirmado pelo governo Trump, o Brasil saltaria para a segunda posição. A China é o país que mais viu suas tarifas médias de importação subir no segundo mandato de Trump — um aumento de 27%, comparado às tarifas praticadas pelo governo Biden, disse Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment, à BBC News Brasil. Segundo os dados do GTA, caso as tarifas propostas pela USTR se concretizem, o Brasil seria o segundo país que mais sofreu aumento de tarifas no segundo mandato de Trump — um aumento médio previsto de 18%. Os dados do GTA consideram apenas as tarifas efetivas — ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos — e não as tarifas nominais — que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo. LEIA TAMBÉM: Por que o PIX se tornou um foco da ofensiva comercial de Trump contra o Brasil? Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Por que Brasil é tão visado? O que justifica o Brasil ser tão visado pelo segundo mandato do governo Trump, já que é apenas o 17º maior parceiro comercial dos EUA? "Isso seria uma tentativa de ler os sinais que vêm de Washington. O que parece plausível é que tenha um componente de alianças pessoais ou, pelo menos, políticas, já que Bolsonaro foi citado explicitamente", diz Fritz. No ano passado, quando os EUA anunciaram a imposição da taxa de 50% às exportações brasileiras, Trump citou seu descontentamento com o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro acabou condenado em setembro do ano passado e está atualmente cumprindo pena de 27 anos, em prisão domiciliar. Mas o diretor do centro de estudos na Suíça afirma também que o Brasil pode estar sendo alvo do governo americano por suas políticas tecnológicas. Segundo ele, o Brasil está entre as economias que se arriscaram a confrontar as empresas de tecnologia dos EUA, ao lado da União Europeia e da Austrália. "Há preocupações também com o aspecto da política tecnológica, em que o Brasil se expôs no passado com decisões judiciais contra plataformas no que diz respeito à proteção de conteúdo, por exemplo", diz Fritz. Entre os exemplos, está a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tirar do ar a plataforma de compartilhamento de vídeos Rumble em fevereiro de 2025 e o bloqueio do X em setembro de 2024. Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, as tarifas que serão anunciadas pelos EUA provavelmente abrirão caminho para novas negociações entre os governos. "Esse é o padrão [da Casa Branca]. Se é que tem um padrão, né? O anúncio da tarifa é uma forma de trazer o parceiro comercial para a mesa e impor o que quer que seja do que realmente implementar loucamente [as tarifas anunciadas]", disse Zeidan à BBC News Brasil. Para ele, no entanto, essas negociações não terão necessariamente uma lógica estritamente econômica e comercial. "Todo o argumento americano para justificar as tarifas com outros países é que os EUA têm déficit comercial. Mas, com o Brasil, os EUA exportam o dobro do que os brasileiros exportam para eles. Então esse argumento nem faz sentido nesse caso." "Claramente os EUA não estão movidos pela lógica econômica. Estão movido pela lógica nacionalista e política." O que é a investigação contra o Brasil? Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras. Uma das consequências dessa investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio é que os EUA podem tomar medidas punitivas, como imposição de tarifas ou restrições de importação. No caso brasileiro, o documento do USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo. O governo americano concluiu que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". O documento do USTR tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas: Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site. Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores". Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção". Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria". Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas". Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste". Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país. Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil. A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.

Agora no g1 O que começou como uma ferramenta para transferências instantâneas de dinheiro se transformou em um dos meios de pagamento mais usados pelos brasileiros. Em poucos anos, o PIX passou a liderar as transações no país e agora também entrou no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A poucos meses das eleições presidenciais brasileiras, o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central virou um dos pontos de atrito entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão de Donald Trump. Washington acusa o Brasil de favorecer um sistema estatal de pagamentos e dar tratamento considerado desfavorável a empresas americanas que atuam no setor, especialmente as operadoras de cartões de crédito. "A gente não precisa pagar taxa nenhuma pelo PIX. Com cartão de crédito tem taxa, anuidade, taxa do banco... Com o Pix não", disse à AFP Paulo Ricardo Conceição, dono de um quiosque de bebidas na Praia de Copacabana que exibe o logotipo do sistema. Além do PIX, o governo americano questiona outras políticas brasileiras que considera discriminatórias. Com base nessas críticas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) avalia a adoção de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A decisão deve ser anunciada nos próximos dias. LEIA TAMBÉM: Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Por que o PIX é importante? Lançado em 2020, o PIX se tornou o meio de pagamento mais utilizado no Brasil. Segundo o Banco Central, responsável por desenvolver o sistema, ele responde por 54% de todas as transações realizadas no país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, em carta enviada ao USTR, que o PIX conseguiu incluir milhões de brasileiros que antes estavam fora do sistema bancário tradicional. Hoje, cerca de 80% da população utiliza a ferramenta para fazer pagamentos e transferências dos mais variados valores — da compra de um coco na praia à aquisição de um imóvel — em poucos segundos. "Antigamente a gente tinha que andar com dinheiro. Agora você pega só o celular e faz o PIX na hora. Acho que facilitou bastante a vida de todo mundo", afirmou à AFP Ingrid Ferreira, servidora pública de 32 anos, em Brasília. A ampla adesão fez do PIX um dos poucos temas que reúnem apoio em diferentes grupos políticos. Pesquisas indicam que mais de 90% dos brasileiros avaliam positivamente o sistema. O que os Estados Unidos contestam? Na avaliação de Washington, o Banco Central exerce ao mesmo tempo o papel de operador e de regulador do PIX, o que configuraria um conflito de interesses e colocaria empresas americanas em desvantagem competitiva. O governo de Trump também afirma que os bancos são obrigados a destacar o PIX na página inicial de seus aplicativos e não podem cobrar tarifas dos usuários pelo serviço. "Isso força os provedores americanos a promoverem seu concorrente brasileiro", afirmou o USTR, que considera esse tratamento "injusto". Segundo uma fonte do governo brasileiro ouvida pela AFP, a principal insatisfação parte das empresas de cartão de crédito, cuja participação nas transações realizadas no país caiu de 23% para 15% desde o lançamento do PIX. "Grande parte da população brasileira trabalha na informalidade ou é formada por pequenos empresários e microempreendedores, que antes dependiam muito das grandes operadoras de cartão e precisavam pagar taxas", explicou à AFP Marco Sanfins, professor da Universidade Federal Fluminense. Como o Brasil responde? O governo brasileiro rejeita as acusações e argumenta que o PIX ampliou o mercado de pagamentos digitais, beneficiando inclusive empresas americanas, como Google e Visa. O Banco Central também afirma que, desde a criação do PIX, o número de usuários de cartões no país continuou crescendo. Segundo Brasília, o governo americano também vê o PIX e sistemas semelhantes como uma possível ameaça à predominância internacional do dólar. Além do Brasil, países como Quênia, Nigéria, Índia e Colômbia também desenvolveram sistemas nacionais de pagamentos instantâneos. Por que o tema ganhou dimensão política? A disputa ocorre em um momento de forte tensão política entre Brasil e Estados Unidos. Em outubro, Lula disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump impôs tarifas ao Brasil no ano passado e classificou o julgamento de Jair Bolsonaro como uma "caça às bruxas". Posteriormente, a maior parte dessas tarifas foi revogada. Diante das críticas americanas ao PIX, Flávio Bolsonaro buscou se distanciar da posição de Washington em relação a um sistema implantado durante o governo de seu pai. "O PIX é bom para o Brasil. E, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos", afirmou o senador após participar de um encontro no USTR, em Washington. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Tire dúvidas sobre o Programa Move Brasil O Move Aplicativos, nova linha de crédito para financiar carros com juros mais baixos para motoristas de aplicativo e taxistas, alcançou R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (14) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa financiou veículos novos para pouco mais de 10 mil profissionais em todo o país. O valor médio dos financiamentos contratados foi de R$ 102 mil por motorista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O programa foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos da linha de crédito, de cerca de R$ 30 bilhões, são do Tesouro Nacional e repassados ao BNDES para viabilizar os financiamentos. A expectativa era de adesão de 100 bancos participantes e de venda de 200 mil a 300 mil carros. Podem participar: taxistas devidamente registrados e ativos; motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses, que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período, na mesma plataforma. O carro também precisa atender aos seguintes critérios: custar até R$ 150 mil; ser flex, elétrico ou híbrido flex — modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa; ser zero km, já que o programa não contempla veículos usados; ser produzido por montadora habilitada no programa Mover. As taxas de juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. O prazo do financiamento pode chegar a 72 meses, com seis meses de carência. Segundo o balanço do BNDES, 47 modelos de veículos, produzidos por 13 fabricantes, estão habilitados para financiamento pelo programa. (veja abaixo) Lista de veículos financiáveis pelo BNDES Move Motoristas Além do valor do veículo, o financiamento também pode incluir custos adicionais, desde que contratados junto com o bem principal. São eles: seguro do veículo; seguro prestamista — modalidade que cobre o pagamento das parcelas em situações previstas no contrato, como morte ou invalidez; itens de segurança destinados a atender às necessidades de mulheres que atuam no transporte de passageiros, limitados a até 10% do valor total financiado; Encargo por Concessão de Garantia (ECG), quando a operação contar com garantia do Programa Emergencial de Acesso a Crédito na modalidade garantia (Peac-FGI); custos relacionados à constituição, registro e averbação da alienação fiduciária, incluindo despesas cartorárias previstas na regulamentação do programa. As instituições financeiras credenciadas pelo BNDES precisam contratar as operações de crédito com os motoristas até 15 de setembro de 2026. Veja abaixo como aumentar suas chances de aprovação: Impacto ainda tímido nas vendas Apesar do avanço nas contratações, o programa ainda não teve impacto significativo nas vendas de veículos. De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o Move Aplicativos começou a operar em 19 de junho e ainda está em fase inicial. Segundo Calvet, um dos fatores que explicam a ausência de impacto imediato nos emplacamentos é que a cobertura do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que garante até 80% das operações de financiamento, só passou a valer em 2 de julho. Com a ampliação da participação dos bancos e o funcionamento pleno da garantia do FGI, a expectativa da indústria é que as operações cresçam nos próximos meses. Por enquanto, são 10 instituições operando o programa, com nomes como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Sicredi. O banco Safra e o Santander manifestaram interesse junto com outros 12 participantes, como C6 Bank e Banco Pan. Alguns gigantes do mercado ainda estão de fora, como Itaú Unibanco e Bradesco. Instituições financeiras do BNDES Move Motoristas A Anfavea espera que os efeitos do programa apareçam nas estatísticas de vendas de veículos dos próximos meses. O chamado programa de financiamentos à exportação dos bens e serviços de engenharia brasileiros do BNDES consiste no aporte a empresas brasileiras para executarem serviços no exterior. Getty Images Linha de crédito do Move Brasil para mototaxistas e entregadores de app é adiada para 27 de julho Baterias são de longe o componente mais caro e continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos John Walton/PA Wire/picture alliance

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reconheceu nesta terça-feira (14) "interesse público" no pedido da Eletronuclear para obter uma suspensão temporária do pagamento da dívida relacionada à construção da Usina Termonuclear de Angra 3. A medida, conhecida no mercado como "stand still", abre caminho para que a estatal negocie um alívio temporário no fluxo de caixa com os bancos credores. Assim, a resolução aprovada pelo CNPE autoriza a Eletronuclear a apresentar o pedido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal (CEF), que poderão analisar a viabilidade de uma eventual suspensão temporária dos pagamentos da dívida referente ao empreendimento. Na prática, a decisão dá respaldo institucional para que a estatal formalize a solicitação às instituições financeiras. Caberá ao BNDES e à Caixa avaliar o pedido de acordo com seus normativos internos, a legislação aplicável às operações de crédito e as regras para constituição de garantias. Agora no g1 A resolução, contudo, não altera os contratos de financiamento em vigor, nem determina a suspensão dos pagamentos ou impõe qualquer obrigação às instituições financeiras. A eventual concessão do chamado "stand still" dependerá da análise técnica e da decisão de cada banco. Como o g1 vem mostrando desde dezembro do ano passado, a estatal quer que os bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas ao empreendimento, até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o futuro da usina. Em fevereiro deste ano, Alexandre Caporal, à época presidente interino da estatal, afirmou que a Eletronuclear corre o risco de virar os Correios se não houver uma negociação da dívida, em referência à crise econômico-financeira da empresa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) . A suspensão dos pagamentos, afirmou Caporal, é considerada essencial para garantir a sustentabilidade financeira da estatal. A medida, já concedida por seis meses em 2024, daria fôlego à estatal até que o CNPE defina o destino de Angra 3, cujas obras estão paralisadas há cerca de dez anos. De acordo com Caporal, o serviço da dívida soma R$ 800 milhões em 2026. Quando somados aos custos de manutenção da usina, os gastos totais com Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão por ano. Angra 3 Eletronuclear

Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve Mais de oito em cada dez famílias brasileiras continuavam endividadas em junho, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (14) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ao todo, 81,6% das famílias disseram ter algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja. O percentual repetiu o registrado em maio e interrompeu a sequência de altas observada nos meses anteriores. O cenário também ficou estável entre as famílias com contas em atraso. Em junho, 29,9% dos entrevistados afirmaram ter dívidas vencidas, o mesmo índice do mês anterior. Já a parcela dos consumidores que declarou não ter condições de quitar esses débitos recuou levemente, de 12,3% para 12,2%. Apesar da estabilidade dos principais indicadores, a CNC avalia que houve uma melhora na composição do endividamento. A entidade destaca o aumento da participação de famílias que se consideram pouco endividadas, a manutenção do comprometimento da renda em níveis estáveis e a redução do tempo médio de atraso no pagamento das dívidas. Mudanças no perfil das dívidas Entre maio e junho, o percentual de famílias que se classificou como pouco endividada passou de 33,3% para 34,2%. No mesmo período, a fatia das que se consideram muito endividadas subiu de forma mais moderada, de 17% para 17,2%. A própria CNC ressalta, porém, que essa avaliação tem caráter subjetivo e reflete a percepção de cada consumidor sobre sua situação financeira. Em outras palavras, sentir-se muito endividado não significa, necessariamente, estar em uma situação de superendividamento. Outro sinal considerado positivo foi a redução do tempo médio de atraso das dívidas, que caiu para 64,8 dias. Além disso, 48,9% das famílias inadimplentes disseram estar com contas vencidas há mais de 90 dias, o menor percentual registrado neste ano. O comprometimento médio da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3%. Já a parcela de famílias com financiamentos ou empréstimos contratados por prazo superior a um ano continuou em 33,3%. Para a CNC, prazos mais longos ajudam a reduzir o valor das parcelas mensais e dão mais fôlego ao orçamento das famílias. Renda influencia o peso das dívidas As diferenças ficam mais evidentes quando os dados são analisados por faixa de renda. Entre as famílias que recebem até três salários-mínimos, 84,7% possuem algum tipo de dívida — o maior percentual entre todos os grupos pesquisados. Nessa faixa, 38,3% têm contas em atraso e 17,6% afirmam que não conseguirão quitar esses débitos. Já entre as famílias com renda superior a dez salários-mínimos, 71,4% disseram estar endividadas. Nesse grupo, a inadimplência ficou em 15,4% e apenas 5% declararam não ter condições de pagar as contas vencidas. Na comparação entre maio e junho, o maior avanço do endividamento ocorreu entre as famílias com renda de três a cinco salários-mínimos, cujo percentual passou de 83,1% para 83,7%. Em sentido oposto, entre aquelas com renda de cinco a dez salários-mínimos, o indicador recuou de 79,6% para 78,3%. Segundo a CNC, movimento semelhante foi observado na inadimplência: a faixa de renda que registrou maior aumento no endividamento também apresentou crescimento das contas em atraso, enquanto o grupo que reduziu o uso do crédito registrou queda na inadimplência. Desenrola pode ter ajudado, mas cenário ainda exige cautela Na avaliação da CNC, a melhora observada em alguns indicadores pode estar relacionada aos primeiros meses de funcionamento do Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas lançado em maio. A entidade também atribui esse desempenho ao avanço da renda média das famílias e ao maior controle da inflação, fatores que ajudam a preservar a capacidade de pagamento dos consumidores. Ainda assim, a confederação projeta que tanto o percentual de famílias endividadas quanto o de consumidores com contas em atraso deve voltar a crescer nos próximos meses. Por isso, avalia que, apesar dos sinais de melhora, o cenário ainda requer cautela. Decon realiza mutirão de negociação de dívidas e outros serviços no Bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza. Pexels/reprodução

Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (14) que desistiu de cobrar uma taxa de 20% sobre produtos de navios que circulem pelo Estreito de Ormuz, como havia anunciado na segunda-feira (13). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump afirmou que vai "substituir" a cobrança da taxa por acordos comerciais e de investimento com "vários países" do Golfo Pérsico. Mas disse que o bloqueio naval no estreito seguirá de pé (leia mais abaixo). ➡️ Na segunda-feira (13), diante da nova troca de ataques com o Irã, Trump anunciou que os EUA "tomariam o controle" do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas navais do petróleo e gás do mundo e que fica na costa do Irã. Além disso, afirmou que os EUA iriam impor uma taxa de 20% sobre o preço de produtos transportados por navios que cruzem o canal. O anúncio fez o preço do petróleo disparar e chegar ao maior nível em um mês. "Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que vários Estados do Golfo realizarão nos EUA", anunciou Trump em sua rede social Truth Social. Trump não especificou quais países do Golfo Pérsico se comprometeram com o acordo, mas disse que os governos fariam investimentos "gigantescos" dentro dos Estados Unidos que compensariam o pedágio que o presidente norte-americano queria impor em Ormuz. Apenas 1 hora depois, o presidente norte-americano afirmou em uma coletiva de imprensa acreditar que ninguém deveria poder cobrar taxas dos navios que passam por Ormuz. “Não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa. (...) Não gosto dessa ideia, mas, ao mesmo tempo, não é justo que estejamos protegendo este estreito para o mundo inteiro”, disse. Nenhum governo do Golfo Pérsico havia confirmado os acordos até a última atualização desta reportagem. 👉 Os países do Golfo, muitos deles aliados estratégicos dos EUA, viraram o principal alvo dos ataques retaliatórios do Irã durante a guerra no Oriente Médio. Em junho, EUA e Irã assinaram um acordo para encerrar o conflito. O documento estabelecia um cessar-fogo e colocava um período de 60 dias para negociar pontos finais para a paz total. Na semana passada, no entanto, a trégua foi rompida, e o acordo, abandonado. Nesta manhã, a agência de notícias Reuters disse ter tido acesso a uma notificação que Trump enviou ao Congresso norte-americano informando os parlamentares de que o conflito com o Irã havia sido retomado. Bloqueio naval segue de pé Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Apesar de desistir da taxa, Trump disse que o plano dos EUA de retomar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — previsto para iniciar nesta terça — segue de pé. O bloqueio, segundo ele, será feito apenas para embarcações do Irã e ao longo de toda a costa iraniana. As Forças Armadas dos EUA afirmaram que o novo bloqueio, formado por navios militares norte-americanos, começaria nesta tarde. 👉 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico (veja no mapa abaixo). 👉 Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. O memorando de paz assinado por EUA e Irã — e agora deixado de lado — previa que a via marítima fosse reaberta, sem qualquer cobrança durante 60 dias. Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo deveriam negociar a futura administração da via. Mapa Estreito de Ormuz Guilherme Pinheiro/G1

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (14) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 6,241 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. O balanço considera valores contabilizados até maio deste ano. Deste total: R$ 4.437.422.917,99 são recursos de 24.080.039 de pessoas físicas; R$ 1.804.196.767,06 são valores de 2.274.851 de empresas. Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0. O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições. Governo anunciou uso do dinheiro; TCU apura Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época. Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público. Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação). Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral. No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano. A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras. Como consultar o dinheiro esquecido Como consultar e resgatar o 'dinheiro esquecido' no Banco Central O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br. 🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução. 📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação. 💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos. Cédulas de dinheiro, em imagem de arquivo Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Ações da Meta enfrentam péssimo momento na bolsa de NY Reuters Vinte e seis ex-funcionários da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, entraram com uma ação judicial contra a empresa, acusando a companhia de usar um sistema de inteligência artificial que teria prejudicado trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica durante um processo de demissões em massa. Segundo o processo, obtido pela Reuters, a ferramenta de inteligência artificial teria selecionado de forma desproporcional funcionários nessas condições para serem demitidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A ação foi apresentada na segunda-feira (13) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, nos Estados Unidos. Os ex-funcionários afirmam que a Meta teria usado critérios como produtividade e uso de ferramentas de inteligência artificial para decidir quais trabalhadores seriam afetados pelos cortes. Segundo a acusação, esses critérios teriam prejudicado pessoas que precisaram faltar ao trabalho por causa de problemas de saúde. Os 26 ex-funcionários, que entraram com o processo de forma anônima, afirmam que a Meta violou leis federais e estaduais que proíbem discriminação ou retaliação contra trabalhadores com deficiência, que tiram licença médica ou que estão grávidas. Os autores da ação vivem em seis estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, além do Distrito de Columbia. A Meta afirmou que as acusações não têm fundamento. “As decisões sobre gestão de funcionários e organização da empresa foram e continuam sendo tomadas por pessoas, não por inteligência artificial”, disse um porta-voz da companhia à Reuters esta terça-feira (14). Agora no g1 As acusações surgem após uma rodada de cortes realizada pela empresa em maio, quando a Meta começou a demitir cerca de 8 mil funcionários como parte de uma reestruturação para concentrar recursos no desenvolvimento de inteligência artificial. Segundo a Bloomberg, os desligamentos representaram cerca de 10% da força de trabalho da companhia, que tinha aproximadamente 78,9 mil funcionários no fim de 2025. As notificações começaram a ser enviadas primeiro a trabalhadores da Ásia e depois aos funcionários dos Estados Unidos. Ainda não havia confirmação sobre o impacto das demissões entre funcionários da Meta no Brasil. Antes dos cortes, a empresa já havia informado que cerca de 7 mil funcionários seriam realocados para áreas ligadas à inteligência artificial. Segundo relatos de funcionários, as mudanças não eram opcionais e aumentaram a tensão interna. Em comunicado aos funcionários, a diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, afirmou que a decisão fazia parte dos esforços para tornar a empresa mais eficiente e compensar os altos investimentos na área de inteligência artificial. Corrida por inteligência artificial aumenta gastos da Meta A Meta tem ampliado os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, incluindo compra de chips e construção de centros de dados. A companhia planeja investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026 (cerca de R$ 570 bilhões a R$ 670 bilhões), principalmente para ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias de IA. No fim de fevereiro, a empresa também anunciou um acordo com a fabricante de chips AMD para comprar milhões de processadores, em um contrato avaliado em pelo menos US$ 60 bilhões.

Warren Buffett, CEO do Berkshire Hathaway. Rick Wilking/Reuters O investidor americano Warren Buffett anunciou nesta terça-feira (14) que deixou de fazer doações para a Fundação Bill & Melinda Gates, após a divulgação de informações sobre a relação do cofundador da Microsoft, Bill Gates, com o empresário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Buffett informou que vai doar cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 30 bilhões) em ações da sua empresa, a Berkshire Hathaway, para quatro instituições de caridade administradas por seus filhos e sua filha. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde 2006, Buffett destinava parte de suas ações da Berkshire Hathaway à Fundação Gates. Ao longo desse período, a instituição recebeu mais de US$ 47 bilhões em ações da companhia. Na declaração divulgada nesta terça-feira, Buffett não citou diretamente a fundação de Gates, mas afirmou que suas ações restantes serão doadas às quatro fundações familiares até 31 de dezembro de 2034. Agora no g1 “É claro que a mortalidade é imprevisível, mas minhas ações restantes serão doadas às quatro fundações de uma forma ou de outra até essa data”, disse Buffett. A Fundação Gates não comentou imediatamente o anúncio. Gates diz que se arrepende de relação com Epstein Departamento de Justiça dos EUA divulgou foto sem data de Jeffrey Epstein com Bill Gates Departamento de Justiça dos EUA A reputação de Bill Gates foi prejudicada após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de documentos sobre Epstein em fevereiro. Os arquivos incluíam fotos de Gates ao lado do empresário e de mulheres cujos rostos estavam ocultados. E-mails também mostraram comunicações entre Epstein e funcionários da fundação. Em junho, Gates disse ao Congresso americano que “não compreendeu totalmente a extensão” dos crimes de Epstein quando manteve contato com o empresário, inclusive em reuniões sobre possíveis projetos de filantropia. Gates, de 70 anos, não foi acusado de nenhum crime. Ele afirmou diversas vezes que se arrepende de ter tido qualquer relação com Epstein, negou ter passado tempo com vítimas dos abusos sexuais cometidos por Epstein e disse que nunca presenciou nenhum comportamento criminoso do empresário. Doações para instituições de caridade da família Aos 95 anos, Buffett já doou mais da metade das ações que possuía da Berkshire Hathaway desde que iniciou o processo de transferência de sua fortuna, em 2006. Antes das novas doações, ele possuía cerca de 14% das ações da Berkshire e tinha uma fortuna estimada em US$ 147 bilhões, segundo a revista Forbes. Nesta doação, Buffett está destinando: 9 milhões de ações da Berkshire para a Fundação Susan Thompson Buffett; 1 milhão de ações para cada uma das seguintes instituições: Fundação Howard G. Buffett, Fundação Sherwood e Fundação NoVo. Ele afirmou que seu objetivo é que os valores das doações aumentem todos os anos e que os repasses para a Fundação Susan Thompson Buffett cresçam em um ritmo um pouco maior. Susie Buffett lidera a Fundação Susan Thompson Buffett, que financia projetos relacionados à saúde reprodutiva. A instituição recebeu o nome da mãe dela, primeira esposa de Warren Buffett. A Fundação Sherwood apoia organizações sem fins lucrativos de Nebraska e projetos de educação infantil. A Fundação Howard G. Buffett atua no combate à fome no mundo, no enfrentamento ao tráfico de pessoas e na redução de conflitos. A Fundação NoVo desenvolve iniciativas voltadas para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade e comunidades indígenas.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, contudo, não descartou a possibilidade de o combustível se tornar permanente. "Estamos completamente seguros de avançar para essa mistura. Muitos dos nossos veículos circulam com 100% de etanol. Eles estão preparados", afirmou. "A previsão é de que entre em vigor em primeiro de agosto", emendou. ⛽ O etanol do tipo anidro passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor, segundo técnicos ouvidos pelo g1 (entenda mais abaixo). A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, e ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso", prossegue o documento do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. "De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", acrescenta. Entidades fazem alerta Apesar da defesa do governo, entidades do setor alertam para eventuais danos aos automóveis. Em nota divulgada após a decisão, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reafirmou ser contrária à medida "sem estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade com a frota brasileira". Segundo eles, os testes que embasaram a adoção da mistura de 30% de etanol na gasolina (E30) não validam tecnicamente a elevação da mistura obrigatória para 32% (E32). "Esses ensaios avaliaram o desempenho e a dirigibilidade dos veículos considerando a margem de tolerância da especificação do combustível, mas não incluíram testes de durabilidade, emissões, autonomia nem a validação do funcionamento da frota com E32 como mistura obrigatória. Por isso, os resultados não representam base técnica para justificar a elevação do teor de etanol para 32%", defendem. "Os testes com combustível contendo até 32% de etanol foram realizados apenas para contemplar a margem de tolerância prevista na especificação do E30 e não para comprovar a segurança e a compatibilidade de uma mistura obrigatória de E32. Além disso, a especificação do E32 admite combustíveis com teor de etanol de até 34%, condição que também não foi objeto de validação técnica específica", complementam. LEIA MAIS: Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris. Alain Jocard/AFP Testes em veículos antigos Como mostrou o g1, engenheiros afirmam que veículos mais antigos ou sem calibração específica podem sofrer aumento de consumo, corrosão e desgaste de componentes. Segundo os técnicos ouvidos pela reportagem, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O etanol anidro pode absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. Gasolina importada Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação da pasta, esse volume seria suficiente para tornar o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível. A proposta integra a política do Combustível do Futuro, marco regulatório criado para ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Ainda segundo a pasta, a medida pode reduzir em R$ 0,03 o valor a gasolina na bomba. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai avaliar nesta semana a retirada parcial ou total do subsídio à gasolina criado pelo governo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. ➡️Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%. Regras para o biodiesel Na mesma reunião desta terça, o CNPE aprovou uma resolução que atualiza as diretrizes para o fornecimento de biodiesel destinado à mistura obrigatória no óleo diesel. Pela nova regra, o biodiesel usado para atender à mistura obrigatória deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o conselho, a determinação vale apenas para o biodiesel destinado ao chamado diesel B. A comercialização de biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente. Combustível nuclear O CNPE também estabeleceu a obrigatoriedade de elaboração periódica de estudos comparativos sobre os preços do combustível nuclear praticados no Brasil em relação aos mercados internacionais. "Os estudos deverão contemplar as diferentes etapas do ciclo do combustível nuclear e ficarão sob a coordenação da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). Além disso, o material deverá utilizar parâmetros internacionais de comparação e resultar na publicação de relatório técnico com periodicidade de até cinco anos", disse o conselho, em nota.

MOSAIC FERTILIZANTES Mosaic Fertilizantes/Divulgação. A Mosaic, uma das maiores empresas globais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a produção em algumas das fábricas brasileiras por falta de enxofre, matéria-prima essencial para na produção de adubos fosfatados, usados em plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas. ➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, principal região exportadora de enxofre, elevando os custos e dificultando a chegada do insumo ao Brasil. "São necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo [enxofre] para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo. Diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção em determinadas unidades", disse a companhia. Bloqueio naval dos EUA ao Irã começa nesta terça; Trump diz que cobrará 20% de 'pedágio' sobre cargas em Ormuz Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques Veja como vão ficar as operações: Candeias (BA) e Catalão (GO): as unidades de mistura terãoas atividades temporariamente paralisadas, com possíveis impactos sobre os trabalhadores, ainda sujeitos às negociações com os sindicatos. Palmeirante (TO) e Sorriso (MT): a produção será reduzida com eventuais reflexos no quadro de funcionários, disse a empresa. Tapira (MG) e Catalão (GO): as paralisações temporárias já anunciadas deverão ser prorrogadas. Uberaba (MG): o complexo será gradualmente paralisado a partir de setembro. Paranaguá (PR): o Porto da Fospar seguirá operando normalmente. A produção de fertilizantes deve continuar até o fim de setembro, quando os estoques de ácido sulfúrico devem se esgotar. Cajati (SP): a unidade continuará em operação, apoiada por importações de enxofre para manter a produção de nutrição animal. Segundo a Mosaic, ainda não é possível prever quando a situação será normalizada. A empresa afirma que isso dependerá da queda nos preços do enxofre, da retomada das cadeias globais de suprimentos, da reabertura das rotas marítimas internacionais e da evolução do conflito no Oriente Médio. Leia também: Fim da 'tempestade perfeita': por que o agro prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais caros Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório

Preço do petróleo volta a disparar com o aumento das tensões no Oriente Médio O dólar opera em queda nesta terça-feira (14), com um recuo de 1,11% perto das 15h40, cotado a R$ 5,0747. Na mínima do dia, a moeda foi a R$ 5,0652. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha alta de 0,25% no mesmo horário, aos 176.175 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional para cima. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio naval ao Irã a partir de hoje e que passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo canal, que é rota de cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. As preocupações sobre o novo bloqueio do canal trazem mais um dia de alta para a commodity nesta terça-feira (13). Perto das 15h40, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 1,61%, cotado a US$ 84,64. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 1,47%, cotado a US$ 79,29 por barril. ▶️ Na agenda econômica, investidores avaliam novos dados da inflação ao consumidor nos EUA. O indicador caiu 0,4% em junho, após avançar em 0,5% em maio. Em 12 meses, o índice marcou alta de 3,5%. O resultado veio menor do que o esperado. Ainda assim, especialistas acreditam que os preços seguem elevados e há um grande número de apostas de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já neste mês. A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. ▶️Com isso, também fica no radar o primeiro depoimento de Kevin Warsh ao Congresso americano como presidente do Fed. O banqueiro central afirmou que está comprometido com as metas de inflação da instituição e prometeu "fazer o seu trabalho" caso seja desafiado por Trump. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,46%; Acumulado do mês: -0,61%; Acumulado do ano: -6,51%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,20%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: +9,07%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Escalada das tensões no Oriente Médio O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na véspera, um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã. A expetativa é que a operação tenha início nesta terça-feira, às 17h. A medida entra em vigor um dia após o presidente americano afirmar que pretende assumir o controle do canal — por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo — e volta a trazer preocupações sobre eventuais impactos na oferta da commodity no mercado internacional. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial "Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse Trump, afirmando, pouco tempo depois, que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota. Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam mistos, conforme investidores repercutiam os novos dados de inflação do país. Perto das 15h40, o Dow Jones caía 0,02%, enquanto o S&P 500 avançava 0,50% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 1,12%. Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta. Entre os principais, o DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,13%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,03% e o FTSE 100, do Reino Unido, registrou alta de 0,30%. Na Ásia, a maioria das bolsas fecharam em alta, após dados sólidos de exportações melhorarem o ânimo dos investidores. Papéis de energia também tiveram ganhos, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 2,15%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,36%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,52%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,74% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 0,73%. Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters
Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas

Grupo Oncoclínicas Divulgação A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, informou nesta terça-feira (14) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar novas condições de pagamento com os credores, sem interromper as operações da companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🔍 A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto em lei que permite a uma empresa renegociar dívidas com credores fora de um processo de recuperação judicial tradicional. O plano precisa ser aprovado por uma parcela dos credores e, depois, homologado pela Justiça. Agora no g1 Empresa já tem apoio de parte dos credores A Oncoclínicas informou que já conta com a adesão de credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano, percentual suficiente para apresentar o pedido à Justiça. Agora, a empresa terá até 90 dias para conseguir o apoio necessário para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores envolvidos. Segundo a companhia, o plano de reestruturação pode incluir medidas como: aporte de recursos pelos acionistas; conversão de parte da dívida em ações da empresa; troca de dívidas atuais por novos financiamentos; alongamento dos prazos de pagamento. A empresa ressaltou que essas alternativas ainda serão negociadas e não necessariamente serão adotadas. A Oncoclínicas afirmou que a recuperação extrajudicial não afeta o atendimento aos pacientes nem os pagamentos relacionados às operações do dia a dia, como fornecedores e parceiros considerados essenciais. Segundo a companhia, as unidades seguem funcionando normalmente em todo o país. Como parte da reestruturação financeira, a empresa informou que rescindiu dois contratos de aluguel de imóveis. Um deles é referente a um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa pela rescisão é estimada em R$ 76 milhões e foi incluída na renegociação das dívidas. O outro contrato era para um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado. O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda será submetido aos acionistas em assembleia. A empresa afirmou que continuará informando o mercado sobre o andamento da reestruturação. Fim de negociação com Porto e Fleury e tentativas de reestruturação O pedido de recuperação extrajudicial marca mais uma etapa da tentativa da Oncoclínicas de reorganizar sua situação financeira após meses de dificuldades. A medida taobém corre cerca de três meses depois do encerramento das negociações com a Porto Seguro e o Fleury para a criação de uma nova empresa de oncologia. As tratativas começaram em março e previam a transferência de clínicas da Oncoclínicas para uma nova companhia, que receberia um investimento de cerca de R$ 500 milhões da Porto Seguro e do Fleury. O projeto fazia parte da estratégia para reduzir o endividamento da empresa e facilitar a renegociação de seus passivos, inclusive com a possibilidade de converter parte das dívidas em participação na nova companhia. No entanto, as negociações foram encerradas em abril sem um acordo. Com o fim das tratativas, a Oncoclínicas passou a buscar outras alternativas para reestruturar suas dívidas, até chegar ao pedido de recuperação extrajudicial anunciado nesta terça-feira. Em relatório publicado em fevereiro deste ano, o Santander afirmou que a companhia já vinha adotando medidas para tentar recuperar sua saúde financeira, como aumento de capital, venda de ativos considerados não estratégicos e mudanças no conselho de administração e na diretoria. Para o banco, a troca na diretoria financeira, anunciada no início do ano, faz parte desse processo e pode ajudar a aproximar a empresa de investidores e credores. Já o Citi avalia que as dificuldades da Oncoclínicas podem abrir oportunidades para concorrentes do setor. Segundo o banco, que divulgou um relatório na semana passada, empresas maiores, como a Rede D’Or, podem atrair pacientes caso parte dos atendimentos oncológicos deixe de ser realizada pela companhia. O Citi também aponta possíveis impactos para as operadoras de planos de saúde. A análise considera que a Oncoclínicas tem uma estrutura de custos mais baixa na área de oncologia e que uma migração de pacientes para redes mais caras poderia elevar as despesas das operadoras e pressionar seus resultados.

Guga: Proposta de pedágio dos EUA em Ormuz é ilegal, desastrosa e abre brecha para o Irã Os preços do petróleo perderam a força no início da tarde desta terça-feira (14), após o presidente americano, Donald Trump, desistir de cobrar um pedágio de 20% de embarcações que passassem pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio global da commodity. Ainda assim, os preços do petróleo no mercado internacional seguem em alta. Perto das 15h40, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 1,61%, cotado a US$ 84,64. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 1,47%, cotado a US$ 79,29 por barril. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mais cedo, a commodity chegou a atingir o maior nível em um mês, em meio à escalada das tensões entre os EUA e o Irã. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Às 9h40, o Brent havia alcançado os US$ 86,91 (+4,33%), no maior valor desde 12 de junho, enquanto o WTI bateu os US$ 80,62 (+3,17%) e alcançou o maior patamar desde 16 de junho, antes de EUA e Irã assinarem, em 17 de junho, um memorando de entendimento para encerrar o conflito. Na segunda-feira (13), os preços chegaram a subir quase 10% após a escalada das tensões no Oriente Médio. O aumento no preço do petróleo acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades. LEIA TAMBÉM Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores: os EUA retomaram o bloqueio à navegação iraniana; o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito; dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos; o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses. Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas. Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação. Nos EUA, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços. Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta. Bolsas asiáticas sobem; futuros dos EUA operam sem direção única A alta do petróleo também influenciou o desempenho dos mercados financeiros nesta terça-feira. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%. No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável. Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial. As ações do setor de energia tiveram destaque, acompanhando a valorização do petróleo. Na Europa, o clima foi de cautela. Em Londres, o índice FTSE 100 recuava 0,3%, enquanto o FTSE 250 caía 0,7%. As perdas foram puxadas principalmente pelas ações dos setores financeiro e de viagens, que compensaram os ganhos das empresas de energia, beneficiadas pela alta do petróleo. As ações da petroleira BP avançavam após a empresa sediada no Reino Unido afirmar que a alta do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem impulsionar o lucro do segundo trimestre. No mercado de câmbio, o dólar permaneceu próximo das máximas em 13 meses com a expectativa de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação nos EUA e mantenha os juros elevados: o euro subia 0,2%, para US$ 1,1399, a libra esterlina avançava 0,2%, para US$ 1,337. o iene japonês era negociado a 162,27 por dólar, perto do menor nível em cerca de 40 anos. Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%. *Com informações da Reuters Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters

Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques O Estreito de Ormuz é hoje a principal fonte de influência estratégica e de dissuasão do Irã em seu conflito com os Estados Unidos e por isso Teerã tenta transformar o conflito militar em uma guerra econômica. A avaliação é de Mehran Kamrava, cientista político e professor da Universidade de Georgetown no Catar, em entrevista à BBC. Kamrava afirma que o chamado "Eixo da Resistência" do Irã — que inclui grupos como o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen — está desarticulado, ou pelo menos militarmente enfraquecido, em consequência da guerra. Por isso, o Estreito de Ormuz ganhou importância estratégica para os iranianos. "Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", disse Kamrava ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, nesta terça-feira (14/07). Segundo o professor, o Irã "tem plena consciência" de que não pode enfrentar os EUA em condições de igualdade em uma guerra. "Por isso, o Irã procura transformar um conflito militar em um conflito econômico. É justamente por essa razão que deseja manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz." Agora no g1 Como resposta, Kamrava acredita que os EUA estão "determinados a retirar do Irã o controle do estreito", mas ele acha que ninguém sabe exatamente como isso pode ser feito — "nem mesmo os estrategistas do Pentágono". "Já vimos o presidente dos EUA tentar diversas abordagens, e parece que os americanos agora estão adotando uma estratégia diferente. Eles estão atacando locais altamente estratégicos ao longo da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico", afirma o professor da Universidade de Georgetown "Se isso poderá eventualmente levar a uma invasão terrestre da Ilha de Kharg ou de alguma outra ilha iraniana é algo que precisaremos acompanhar de perto." O professor avalia que tanto o Irã quanto os EUA querem que o conflito chegue ao fim, mas ambos insistem que isso precisa acontecer nos seus próprios termos. "Países como Omã, Catar e Paquistão estão fazendo o que podem para incentivar uma mediação. Seja por meio do memorando de entendimento já assinado ou de alguma versão dele, os dois países reconhecem a necessidade de chegar a algum tipo de solução negociada", diz Kamrava. "O que exatamente isso significará, no entanto, ainda está indefinido." O conflito entre Irã e EUA está tendo repercussões negativas na região, segundo o professor. Ele afirma que países como Catar e Emirados Árabes Unidos passaram as últimas décadas construindo uma imagem de segurança, estabilidade e prosperidade. "E tudo isso está sendo abalado pelo que parece ser uma escalada involuntária do conflito. A frente envolvendo a Arábia Saudita e os houthis voltou a se intensificar. Se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb [outra via marítima crucial para a economia global], poderemos estar diante de uma nova escalada significativa. Estamos vivendo um momento extremamente delicado." Bloqueio americano em Ormuz Trump afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos. Reuters via BBC O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com o país. Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que "navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam". Em comunicado divulgado no X, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que o bloqueio entrará em vigor nesta terça-feira (14/7) às 17h (horário de Brasília). Os EUA lançaram ataques contra o Irã pela terceira noite consecutiva na segunda-feira, em meio à escalada das hostilidades entre os dois países. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de um ataque "audacioso" a dois navios-tanque no Estreito de Ormuz, que deixaram um tripulante morto e oito feridos — quatro deles gravemente. Trump também anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, mas não explicou como isso funcionaria. O dinheiro arrecadado, segundo Trump, seria para bancar a operação americana na via navegável essencial ao comércio de petróleo mundial. "O Estreito de Ormuz está aberto, e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio ao Irã — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam", escreveu o presidente americano, em publicação na sua rede social Truth Social. "Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz'; no entanto, nessa condição — e por uma questão de Justiça—, serão reembolsados (à taxa de 20% sobre toda a carga transportada) por todos e quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região do mundo, que é extremamente instável", disse Trump.

Para muitos, o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre GETTY IMAGES Basta uma espiada naquelas estantes cheias de best-sellers das livrarias, bem no ponto em que os livros religiosos tangenciam a autoajuda. Naquele segmento que o jargão editorial costuma classificar como "devocionais", não faltam títulos com a palavra "café". Na esteira do mega-sucesso editorial Café com Deus Pai — cuja primeira edição, em 2023, colocou o pastor evangélico, teólogo e escritor Junior Rostirola como o autor brasileiro mais vendido daquele ano —, outros escritores miram na mesma fórmula. Nas prateleiras, há títulos como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus, Café com os Santos, Café com as Mulheres da Bíblia, Café com Deus, Café com a Virgem Maria — e até mesmo Café com Exu, provando que o conceito transcende o cristianismo. A ideia, que parte de um conceito simples, funciona. No dia a dia, afinal, "tomar um café" pode ser um sinônimo de encontro intimista entre pessoas que se dão bem. Ao mesmo tempo, para muitos o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre. Alguns ainda percebem a palavra "fé" como a segunda sílaba de café. Quase uma brincadeira — fruto da síncope, da contração fonética, da elisão comum na língua coloquial em que "com a fé" vira simplesmente "ca fé". Mas se a relação entre religiosidade e a bebida quase onipresente nos lares brasileiros — segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o país é o segundo maior consumidor de café, perdendo apenas para os Estados Unidos — nem sempre foi de amizade. O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs. Uma breve história do café Os mais antigos registros escritos sobre o consumo de café são da segunda metade do século 6º, conforme explica a gastrônoma e historiadora Camila Landi, professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trata-se de um relato, com contornos lendários, de que um pastor de cabras na Etiópia teria notado os efeitos, em seus animais, a partir do consumo da planta. "Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região", conta a professora. Segundo artigo sobre a história da bebida publicado pelo Yale Center for the Study of Globalization, o pastor teria notado "um frenesi" atípico no seu rebanho. Já a torrefação teria sido iniciada bem depois. E já com pitadas de religiosidade. Landi diz que tudo indica que a prática tenha começado no século 14, "quando monges jogaram os frutos no fogo por os acharem muito amargos". Acabaram se surpreendendo com o aroma. Esses religiosos, ao que tudo indica, seriam da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas dissidências orientais do cristianismo. "Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente", pontua Landi. "Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares." O cafezinho se espalharia por outras partes da África. No século 15, passou a ser largamente utilizada por muçulmanos sufistas do Iêmen, como um recurso para se manterem acordados durante as longas preces noturnas. Logo, o mundo islâmico trouxe a bebida para o debate. Os árabes, afinal, já a chamavam de "qahwah" — daí a palavra café, aliás. O termo significa vinho. Justamente porque as propriedades estimulantes do café eram comparadas às de uma bebida alcoólica, cujo consumo é vetado pelos muçulmanos. Mas os juristas islâmicos daquele tempo entenderam que o café não precisava ser proibido. Porque, ao contrário do álcool, não inebria, não prejudica o discernimento — mantém a clareza mental daquele que o ingere. Ao que tudo indica apenas no século 16 o café chegaria à Europa, via Turquia — onde os registros mais antigos da presença do café são de 1453. A essa altura, cristãos já viam com maus olhos aquela bebida consumida pelos então adversários de fé do mundo árabe. Se eles a chamavam de vinho, aquilo só poderia ser o "vinho do diabo", a "bebida do satanás", detratavam os europeus. A bebida teria chegado ao mundo ocidental por volta de 1570, em Veneza, importante entreposto comercial da época. Se alguns cristãos experimentaram aquele "vinho" árabe e gostaram, evidentemente que a questão se tornou tema de debate no outrora poderoso mundo católico. Em uma história que mistura tanto fatos com lendas, efeitos e fés, destaca-se o que se conta sobre o papa Clemente 8º (1536-1605), que comandava a Igreja na virada do século 16 para o 17. Costuma-se dizer que ele "batizou" a bebida que, com isso, perderia o status de ser algo "do diabo" e então pôde ser consumida sem culpa pelos cristãos. Outras narrativas enriquecem os detalhes da história: em 1600, teriam levado a ele o café, na esperança de seu veredito sobre ser ou não pecado tomá-lo. O papa teria experimentado e achado tão bom que, resignado, exclamou que aquela maravilha não poderia ficar restrita apenas aos infiéis. Possivelmente essas versões são anedotas a partir do fato real de que a Igreja Católica parou de se opor ao consumo do café, abrindo as porteiras para sua expansão no mundo ocidental a partir do século 17. O artigo do Yale Center lembra que, em um contexto em que as pessoas consumiam majoritariamente bebidas alcoólicas, o papa aprovar o café era uma maneira de ajudar "a manter a sobriedade da população". Referência nas sinopses biográficas de sumos pontífices da Igreja, o livro The Oxford Dictionary of Popes, do teólogo britânico John Norman Davidson Kelly (1909-1997), não aborda a querela sacro-cafeeira da gestão de Clemente. Best-seller Café com Deus Pai deu origem a vários outros livros com temas semelhantes Divulgação Proibições Mas em épocas de extremo controle religioso sobre os hábitos sociais, o café despertava mesmo polêmicas no âmbito religioso. "Existem muitos indícios", comenta Landi. "O café foi alvo de muitas polêmicas religiosas. Registros históricos apontam proibições e restrições em diversas sociedades." "Ainda hoje, existem restrições em algumas religiões ou ocasiões", acrescenta a historiadora. Na seara cristã, dois casos destacam-se entre os mais emblemáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como igreja dos mórmons, proíbe que seus adeptos bebam café. A regra consta do livro Doutrina e Convênios, uma espécie de catecismo da denominação, onde estão as chamadas revelações escritas pelo criador da igreja, o norte-americano Joseph Smith (1805-1844). Em 27 de fevereiro de 1833 ele escreveu, contrariado pelo fato de que membros da igreja mascavam tabaco durante as reuniões: "condena-se o uso de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes". De acordo com a interpretação dos religiosos, o café, assim como o chá preto, estava banido. Em 2023 o historiador Keith Erekson, diretor de pesquisas históricas e divulgação da igreja dos mórmons, conversou com a reportagem da BBC News Brasil e explicou que a dita revelação é um incentivo para que "as pessoas cuidem de seu corpo físico, a fim de que possam ser saudáveis e receber recompensas espirituais, como sabedoria e conhecimento". Nesse sentido, o consumo de café estaria dentro de "alguns comportamentos" nocivos à saúde. Também surgida nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem postura semelhante. Oficialmente, a denominação não proíbe o café — mas orienta que seus adeptos não o bebam. Diretora associada do departamento de saúde da igreja para a América do Sul, a biomédica Lanny Cristina Burlandy Soares diz que a orientação é clara mas, "para compreendê-la bem" é preciso voltar à Bíblia. Segundo o entendimento religioso, Deus teria criado o ser humano à sua imagem e semelhança, confiando-lhe um propósito. "Nessa visão, o corpo não é um mero recipiente, mas é o templo pelo qual o ser humano exerce sua vocação. Cuidar dele é um ato de fidelidade ao propósito original de Deus", argumenta Soares. Daí que os adventistas pregam um cuidado integral à saúde. A biomédica explica que, como a cafeína tem propriedades estimulantes e "com o uso regular, pode causar dependência", há a recomendação de evitá-la. Ela relembra episódios do islã e do catolicismo em que o café também foi discutido. "Em 1511, em Meca, setores mais rigorosos proibiram o café com o argumento de que contrariava os preceitos do Alcorão", contextualiza. "Quando o café chegou à Europa, no século 17, enfrentou resistência semelhante." "A Igreja Católica via a bebida com desconfiança por sua origem árabe-islâmica e chegou a ser chamada de 'vinho do diabo' por setores do clero", recorda. "A virada veio com o papa Clemente 8º. Segundo a tradição histórica, após provar o café pessoalmente, o pontífice decidiu 'batizá-lo', tornando-o aceitável para os cristãos. Com esse gesto papal, a resistência eclesiástica cedeu rapidamente." Café com... O best-seller Junior Rostirola não é muito afeito a conceder entrevistas, segundo informa sua assessora de imprensa. Ele topou responder por escrito às questões da reportagem. Rostirola já era muito conhecido pelo seu trabalho como pastor da Igreja Reviver, sediada em Itajaí, em Santa Catarina, quando a primeira versão do Café com Deus Pai explodiu. O livro de mensagens devocionais diárias transcendeu o meio evangélico — acabou caindo no gosto de cristãos de todas as denominações. Ele gosta de café e explica que o título do livro veio da ideia de um espaço na correria para conversar com Deus. "O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade", frisa. "A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente em nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina." "Costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional diante de Deus. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai", completa Rostirola. O teólogo diz ver "com naturalidade" o fenômeno cafeeiro-religioso nas capas de livros. "É um símbolo muito presente na vida das pessoas e remete a acolhimento, proximidade e conversa. É compreensível que diferentes autores utilizem essa linguagem para comunicar suas mensagens", pontua. "Fico feliz em ver mais pessoas incentivando a leitura, a reflexão e a vida devocional. No fim das contas, o mais importante é que vidas sejam alcançadas e que as pessoas se aproximem de Deus", comenta o autor. Especialista em marketing literário e fundadora de uma agência de divulgação de livros, a jornalista Lilian Cardoso lembra que toda vez que surge um grande best-seller "todo mundo quer saber o segredo, a fórmula". "E o Café com Deus Pai do pastor Junior Rostirola já vendeu mais de 10 milhões de exemplares", salienta ela, autora de O Livro Secreto do Escritor. O pastor da Igreja Reviver Junior Rostirola fez sucesso com seu livro Café com Deus Pai Divulgação Para ela, além "da sacada do título", o sucesso também precisa ser atribuído à fama do autor, "que já tinha sua audiência" e seu público evangélico antes de publicar a obra. Mas ela reconhece que a ênfase no "momento com Deus, essa coisa da leitura diária" constitui a base para que o livro tenha se tornado um sucesso de vendagem. Os números fizeram com que outros autores e editoras também quisessem abocanhar um naco do segmento. "Outros projetos e outras editoras foram surfando nessa onda dos devocionais. Isso é uma coisa comum no mercado do livro", analisa ela. E às vezes a menção nem precisa ser direta. Fundadora da Cabana Church, a bispa Jeiza Pontes, por exemplo, acaba de lançar o livro Doses de Cura. Não tem café no título, mas fala em doses, em goles — porque também traz as mensagens bíblicas em forma de pequenos textos, pequenos ensinamentos. Como o foco da obra é ajudar quem está com depressão, ela lembra que o título alude ao tratamento. "Dificilmente uma pessoa tem êxito com uma dose única. Imaginei exatamente assim. Não uma promessa de 'leia isso e pronto'", explica. O fenômeno não se restringe ao cristianismo. O psicólogo Rubens Oliveira, por exemplo, buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu Café com Exu. "A ideia foi preencher uma lacuna editorial: a falta de obras de autoconhecimento e transformação pessoal a partir de referências ligadas a tradições afro-brasileiras", explica. Ele diz que buscou no título a união de "dois elementos carregados de significado simbólico muito forte". O café seria "o encontro, a conversa, a pausa". Exu, por sua vez, é o orixá associado a "comunicação, caminhos, escolhas, movimento e tomadas de decisão". "O título não foi pensado como referência religiosa no sentido tradicional, mas metáfora para uma conversa franca sobre a vida", resume. O psicólogo Rubens Oliveira buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu livro Café com Exu CRÉDITO, EDITORIAL PLANETA BRASIL/ DIVULGAÇÃO Cafezinho com fé O recurso é simbólico, claro. Mas a ideia do café com religião funciona justamente pelo apelo que o momento do cafezinho tem na cultura brasileira. "O uso da palavra café em livros de espiritualidade não acontece por acaso. Há um significado cultural muito forte que vai além da bebida. Está na socialização, na conversa, na escuta, no encontro e na circulação de ideias", analisa Oliveira. Para o psicólogo, nos tempos atuais, marcados pela velocidade e pelo excesso de informações, é sedutora a ideia de um momento de pausa no dia com a sugestão de disponibilidade, de ouvir e de refletir. Mesmo com a restrição ao consumo de café, a adventista Soares diz que não há problemas com livros religiosos com a bebida no título. Para ela, os adventistas veem "com interesse genuíno e admiração" o alcance que tais obras têm atingido. "Para entender como os adventistas leem esse fenômeno, é útil separar dois planos. O primeiro é o do conteúdo espiritual: a proposta de uma devoção diária, de pausar para refletir e cultivar uma conversa íntima com Deus está completamente alinhada com os valores adventistas", argumenta ela. "Os adventistas têm sua própria tradição de devocionais diários e valorizam profundamente a espiritualidade integrada ao cotidiano. O segundo plano é o da metáfora cultural. O café no título desses livros não é um endosso da bebida, mas uma imagem poderosa de acolhimento e conversa íntima. No Brasil, tomar café com alguém é um gesto de afeto e proximidade. Usar essa metáfora para falar da relação com Deus é uma escolha comunicativa sensível e criativa, que os adventistas reconhecem sem precisar endossar o uso da bebida." "Nossa posição é simples: acolhemos com simpatia qualquer iniciativa que aproxime as pessoas de Deus e da leitura bíblica", resume Soares. De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior
Estudo mostra impacto no coportamento com supermercados fechados aos domingos no ES O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já apresenta impacto no faturamento das empresas, segundo um estudo da Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado. Segundo o levantamento, o estado capixaba vinha registrando crescimento acima da média nacional no início do ano, mas passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a entrada em vigor da medida. Parte da queda pode estar atrelada ao fechamento das lojas aos domingos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,3%. Ou seja: o estado apresentava crescimento acima da média nacional. Já em março e abril, o cenário mudou. Enquanto o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo caiu 1,3%, a média nacional registrou crescimento de 0,7%, segundo a Scanntech. Ou seja: mesmo com crescimento menor na média nacional, no estado capixaba houve retração no setor. A empresa informou que o estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos e representa cerca de 64% do mercado capixaba no setor. VEJA OS HORÁRIOS: Supermercados vão abrir mais cedo e fechar mais tarde para compensar os domingos fechados no ES MUDANÇA NA ROTINA: trabalhadores comemoram mais tempo com a família e o alívio de não pegar ônibus - mas perdem folga em dia útil LOJAS FECHADAS: veja regras para shoppings, mercearias, açougues e materiais de construção ENTENDA: Por que ES é o único estado a fechar supermercados aos domingos? Mão de obra, faturamento e escala são desafios para empresas Supermercado no Espírito Santo. Reprodução/TV Gazeta Consumidores mudaram dia das compras O levantamento apontou que, com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias da semana. Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%). Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina. Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e aos sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos. Algumas categorias perderam mais vendas O estudo também identificou que algumas categorias foram mais afetadas do que outras. Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país. Para Passareli, isso ocorre porque os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados. "Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café", afirmou. Atacarejo no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Atacarejos tiveram maior impacto De acordo com a pesquisa, os atacarejos foram o formato de loja mais afetado pela mudança. No Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%. O levantamento também apontou que os supermercados de menor porte sentiram mais os efeitos do fechamento aos domingos: Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país; entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais; Já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual. Segundo Passareli, os dados indicam que "quanto menor a loja, maior o efeito" da medida. O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Por que ninguém responde seu currículo? Você envia currículo atrás de currículo. A resposta quase nunca chega. Quando chega, é automática, padronizada e fria: "não seguimos com sua candidatura". A sensação é de que centenas de empresas tenham chegado, ao mesmo tempo, à mesma conclusão sobre você. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford sugere uma explicação técnica para essa experiência, cada vez mais comum e já apontada pelo g1 em abril. Talvez você não esteja sendo rejeitado por várias empresas diferentes, mas, na prática, pelo mesmo sistema repetidas vezes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa, intitulada "Algorithmic Monocultures in Hiring", é a mais abrangente já realizada sobre recrutamento mediado por inteligência artificial. Os pesquisadores analisaram uma base inédita de dados reais, com mais de 3,4 milhões de candidatos e cerca de 4 milhões de candidaturas avaliadas em 156 empresas de 11 setores da economia. O volume de dados já chama atenção, mas há um detalhe ainda mais relevante: todas essas candidaturas foram avaliadas por algoritmos desenvolvidos por um mesmo fornecedor de tecnologia. Isso permitiu observar um fenômeno que costuma passar despercebido por candidatos, empresas e até pesquisadores do mercado de trabalho. Quando muitas organizações utilizam sistemas semelhantes para selecionar profissionais, as decisões deixam de ser totalmente independentes. 🔎 Os autores chamam esse fenômeno de "monocultura algorítmica". O conceito foi emprestado da agricultura, em que grandes áreas são ocupadas por uma única espécie de cultivo. Embora esse modelo possa trazer ganhos de eficiência, também cria vulnerabilidades, já que qualquer problema tende a se espalhar rapidamente. Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes. Pexels Empresas diferentes decidem de forma parecida No mercado de recrutamento e seleção, o que está sendo padronizado não é a produção, mas os critérios usados para decidir quem avança ou não em um processo seletivo. Durante décadas, as decisões de contratação ficaram nas mãos de recrutadores, gestores e equipes com visões próprias. Mesmo diante de currículos semelhantes, era comum que chegassem a conclusões diferentes. Com a expansão dos sistemas automatizados, parte dessa diversidade tende a desaparecer. Empresas diferentes podem acabar utilizando modelos que analisam candidatos de forma muito parecida, reproduzindo os mesmos padrões em larga escala. Na prática, quem procura emprego pode se deparar com várias portas de entrada aparentemente independentes, mas abertas ou fechadas pela mesma lógica. 🔎 Essa possibilidade levou os pesquisadores a investigar um fenômeno chamado "rejeição sistêmica". O termo descreve situações em que um candidato se inscreve em várias vagas e é rejeitado em todas elas. Esse tipo de experiência sempre existiu, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a frequência com que isso ocorre quando os processos seletivos são influenciados pelos mesmos sistemas. Os dados mostram que cerca de 10% dos candidatos que se inscrevem em quatro vagas são rejeitados em todas elas. O padrão se mantém mesmo quando o número de candidaturas aumenta. Entre os candidatos que se inscrevem em 10 vagas, aproximadamente 4% acumulam 10 rejeições consecutivas. À primeira vista, os percentuais podem parecer modestos. Do ponto de vista estatístico, porém, eles revelam um padrão importante: as rejeições se acumulam com uma frequência maior do que a esperada em decisões independentes. Para verificar se esse comportamento poderia ser explicado apenas pelo acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e com evidências de estudos anteriores sobre processos de recrutamento sem centralização algorítmica. A conclusão foi clara: as rejeições sucessivas não são apenas fruto do azar ou da coincidência. Elas refletem uma lógica de avaliação que se repete entre diferentes empresas. Essa dinâmica ajuda a explicar outra característica cada vez mais comum nos processos seletivos. Na maioria dos casos, os algoritmos não tomam a decisão final de contratação. Eles atuam antes, como um filtro inicial que define quais candidatos avançam e quais são eliminados. Assim, muitos profissionais podem ser eliminados antes mesmo de um recrutador analisar seus currículos. Do ponto de vista do candidato, a experiência é silenciosa: não há entrevista, contato com a empresa nem, muitas vezes, uma explicação para a rejeição. Parte da frustração de quem busca emprego pode estar ligada justamente a essa etapa oculta do processo. O currículo é enviado, mas não chega a disputar a vaga de fato. A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões. Pexels Perfis semelhantes tendem a receber respostas semelhantes Os pesquisadores encontraram evidências de que candidatos com características semelhantes tendem a receber avaliações parecidas, mesmo quando se candidatam a empresas diferentes. 🔎 Quando um sistema considera um perfil pouco adequado, há uma chance significativa de que outros sistemas semelhantes cheguem à mesma conclusão. E vice-versa. O ponto central é que os modelos de IA compartilham critérios semelhantes de classificação. Com isso, uma avaliação inicial, que pode ser limitada ou imperfeita, ganha peso ao ser reproduzida em diferentes processos seletivos. Diante desse cenário, os pesquisadores testaram uma questão prática: enviar mais candidaturas ainda aumenta as chances de conseguir uma vaga? A resposta é sim. Mas esse ganho tende a ser menor quando as decisões se repetem. Nas simulações, um candidato precisaria se inscrever em cerca de 10 vagas para ter uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva em um cenário de decisões independentes. Quando os processos são influenciados por sistemas centralizados, esse número sobe para cerca de 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%. A concentração do mercado amplia os efeitos Os resultados do estudo não dizem respeito apenas aos algoritmos. Eles também levantam questionamentos sobre a estrutura do mercado de tecnologia aplicada ao recrutamento. Hoje, muitas empresas utilizam soluções desenvolvidas por um número relativamente pequeno de fornecedores. Alguns atendem organizações de diferentes setores e operam em grande escala. Essa concentração amplia os efeitos da monocultura algorítmica. Quando um único sistema influencia decisões em dezenas ou centenas de empresas, eventuais falhas deixam de ser casos isolados. O mesmo vale para limitações ou vieses incorporados aos modelos. Por isso, os pesquisadores defendem que a concentração tecnológica merece atenção não apenas do ponto de vista concorrencial, mas também pelos impactos sobre as oportunidades profissionais. Apesar da crescente influência da inteligência artificial nos processos seletivos, o setor ainda opera com pouca transparência, segundo os pesquisadores. Os próprios autores destacam que estudos independentes em larga escala são raros. A principal razão é que as plataformas raramente disponibilizam seus dados para análises externas. Isso cria obstáculos tanto para a fiscalização quanto para o avanço do conhecimento. Sem acesso às informações, torna-se mais difícil identificar falhas, medir vieses e entender como esses sistemas afetam diferentes grupos. O desafio é especialmente relevante porque essas decisões têm impacto direto sobre o acesso ao emprego, à renda e às oportunidades de carreira.

Morre o ator britânico e neozelandês Sam Neill, aos 78 anos A morte de Sam Neill, nesta segunda-feira (13), voltou a inundar a internet com imagens e vídeos criados por inteligência artificial para retratar o ator após a morte. Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia "Jurassic Park", o ator foi "recriado" como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio às nuvens. Imagem de IA cria o ator Sam Neill ao "chegar no céu" com o portão do Jurassic Park Reprodução/ X O mesmo aconteceu em maio, após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Entre os vídeos criados por IA, um mostra sua "chegada ao céu" em uma "academia nas nuvens". As "homenagens" reacenderam o debate sobre a manipulação da imagem de pessoas mortas e os limites do uso da IA. O fenômeno tem um nome: "necromancia digital". IA cria academia no céu em homenagem da morte de Gabriel Ganley Reprodução/ Internet 🔎 A "necromancia" é popularmente conhecida como a prática de se comunicar com os mortos ou invocar seus espíritos. A versão digital descreve o ato de manipular vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas falecidas para gerar conteúdos produzidos com IA. A tendência é cercada de controvérsias, pois o conteúdo feito por IA pode transformar o luto em um produto e criar "fantoches digitais" de pessoas que não podem mais se defender. É o que explica Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro "All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data" ("Todos os fantasmas na máquina: a vida após a morte digital dos seus dados pessoais", em tradução livre). Não é de hoje A grande novidade é que a criação dos avatares deixou de depender de pessoas com conhecimento técnico avançado. Hoje em dia, a criação dos chamados "grief bots", ou "robôs de luto", tornou-se mais comum com a popularização das ferramentas de IA. Plataformas como ChatGPT e Claude, por exemplo, podem ser usadas para transformar os "restos digitais" — mensagens, áudios e vídeos de uma pessoa falecida — em avatares. Esse uso indiscriminado de ferramentas para "reviver" personalidades também pode distorcer a memória dessas pessoas. Essa é a reclamação de Flávia Christina, filha de Pelé. Recentemente, ela criticou vídeos desse tipo e afirmou ficar desconfortável com imagens do pai: "não são atitudes normais dele". O assunto talvez chamasse menos atenção quando era usado com mais parcimônia ou quando não havia alternativa. Em Hollywood, dublês e computação gráfica foram usados para concluir as cenas do ator Paul Walker em Velozes e Furiosos 7, lançado em 2015. No ano seguinte, a franquia Star Wars também recriou digitalmente o ator Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars. Maria Rita e Elis Regina cantam "Como Nossos Pais" em publicidade Divulgação/Volkswagen No Brasil, o caso de maior repercussão ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou IA para criar um dueto entre a cantora Elis Regina, morta há 44 anos, e sua filha, Maria Rita. A montadora utilizou tecnologia de deepfake para recriar Elis na campanha. Na internet, as reações se dividiram, e órgãos reguladores passaram a analisar o caso. O Conar chegou a abrir uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Além disso, um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha estabelecer diretrizes para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por meio de IA. Ambos acabaram arquivados. Segundo Kasket, a regulamentação não avança com rapidez suficiente para reduzir os riscos do uso inadequado da IA após a morte, e figuras influentes podem se tornar alvo de interesses políticos ou comerciais. “Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, afirma a professora. Ela observa ainda que alguns governos são fortemente influenciados por empresas de tecnologia, o que pode ainda comprometer a proteção da privacidade dos cidadãos. Como solução, a especialista defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física e limite legalmente o uso de restos digitais para replicação ou personificação. Pessoalmente, Kasket já tomou precauções: "Coloquei uma cláusula de 'não me transforme em bot' no meu testamento, embora isso ainda não seja legalmente aplicável no Reino Unido". Mercado do luto Além da vulnerabilidade de quem morreu, especialistas também apontam a exploração dos familiares. No setor conhecido como "grief tech", ou "tecnologia do luto", empresas passaram a criar versões virtuais de pessoas falecidas para que amigos e parentes possam interagir com esses clones digitais. Essa prática também ganhou espaço entre pessoas comuns com a popularização dos "grief bots", ou "robôs do luto". Como qualquer pessoa pode criar clones digitais, também pode oferecer esse tipo de serviço a famílias enlutadas. Foi nesse contexto que surgiram casos polêmicos. No ano passado, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN nos Estados Unidos, entrevistou um avatar criado por inteligência artificial de Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018. “A família de Jennifer Ann Crecente pouco pôde fazer quando alguém utilizou o Character.AI para representar a jovem assassinada. Chegou-se a comentar que um autor que cria um personagem fictício tem mais controle sobre a forma como outras pessoas representam esse personagem do que os familiares de uma pessoa falecida têm sobre a imagem de seu ente querido”, disse Elaine Kasket. A professora ressalta que o luto é uma experiência individual. Por isso, é impossível prever o efeito que uma inovação tecnológica terá sobre quem enfrenta uma perda. “O que uma pessoa experimenta como algo bem-vindo ou útil pode ser inútil ou até traumático para outra”, afirma. A maior preocupação, segundo a especialista, é a tentativa da indústria de tecnologia de tratar o luto como um "problema" que precisa ser resolvido. Para ela, o luto não é uma patologia, mas uma parte fundamental da experiência humana. "A ideia de 'resolver' experiências humanas como o luto mostra a extensão em que ele está sendo plataformizado", explica, acrescentando que usar robôs para isso pode ser prejudicial ao processo natural de perda.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.030 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 25 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (14), em São Paulo. No concurso do último sábado (11), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 06 - 11 - 25 - 45 - 48 - 58. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Ovo caipira, orgânico, convencional e enriquecido: g1 explica as diferenças A maioria dos supermercados não apresentou avanços na transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas, segundo o estudo Observatório do Ovo, da ONG Alianima, realizado anualmente. Desde 2015, grandes empresas dos setores de alimentação e hotelaria passaram a anunciar compromissos públicos para substituir ovos de galinhas criadas em gaiolas por sistemas livres, conhecidos como "cage-free". (saiba mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Atualmente, mais de 160 empresas brasileiras já assumiram esse compromisso. As próprias empresas definiram prazos para cumprir as metas, que vão de 2021 a 2030. Mas, segundo o levantamento, 64% das redes não aumentaram o percentual de marcas de ovos livres de gaiolas ou ainda apresentaram retrocessos. Além disso, 24% das empresas que assumiram a meta não prestam contas sobre o avanço. O Carrefour é uma das redes citadas no relatório. A empresa assumiu compromisso público com a transição, mas, no último ano, reduziu a participação de ovos livres em seus supermercados, de 21,4% para 20,2%. A rede também foi apontada como a única entre as que assumiram compromisso de não oferecer ao menos uma marca de ovos livres em todas as lojas. Outro exemplo é o Pague Menos, que não apresentou evolução. O g1 entrou em contato com as duas empresas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Ovo caipira, orgânico, 'cage free': saiba diferenciar os tipos (spoiler: não é pela cor da casca) O que tem dificultado a transição? Para o levantamento, a Alianima ouviu redes de supermercados, que apontaram os principais desafios da transição: as regiões Norte e Nordeste foram classificadas como as mais difíceis para abastecimento de ovos livres; 67% das empresas relataram o alto custo do produto como um obstáculo; 44% apontaram a falta de conhecimento dos consumidores sobre o assunto; 33% afirmaram ter baixa aceitação do produto pelos clientes. No entanto, 78% disseram que a transição provoca uma percepção positiva da marca; 22% afirmaram haver falta de apoio de associações. Enquanto isso, 33% das empresas afirmaram não encontrar dificuldades na transição. Saiba mais: Conheça uma grande com sistema "cage free" Qual a diferença do 'cage free'? Cage free: sistema permite que galinhas sejam criadas soltas no galpão Em muitos sistemas de criação, a galinha é confinada em gaiolas assim que começa a botar. Até 28 animais dividem o mesmo espaço, sem conseguir ciscar, apenas comer e botar ovos. No sistema "cage free", isso não acontece e a ave fica livre durante toda a produção. O Instituto Certified Humane Brasil estabelece normas para a criação com foco no bem-estar animal e concede certificação às empresas que seguem esses padrões. Por exemplo, as regras estabelecem que o espaço do aviário pode conter, no máximo, de 7 a 11 aves por metro quadrado. Além disso, cada ave precisa de um espaço de 5 cm nos comedouros e 15 cm nos poleiros. Também é preciso deixar água e comida à vontade para os animais. Tipos de ovos são definidos pela criação das galinhas Arte/G1 Saiba também: Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China? Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode decidir, nesta terça-feira (14), sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A decisão já era esperada desde maio, mas foi adiada em três ocasiões após cancelamentos e mudanças na agenda do colegiado. Agora no g1 Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação da pasta, esse volume seria suficiente para tornar o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível. LEIA TAMBÉM: Governo adia reunião que pode aumentar etanol na gasolina de 30% para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos. A proposta integra a política do Combustível do Futuro, marco regulatório criado para ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%. Demanda por etanol Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento da mistura representa uma continuidade da política brasileira de incentivo aos biocombustíveis. "A medida foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com base em estudos técnicos, e reforça o uso de um combustível renovável produzido no Brasil, contribuindo para a segurança energética, a descarbonização e a redução da dependência de importações de gasolina", afirmou a entidade ao g1. A Unica estima que a mudança elevará em cerca de 1 bilhão de litros por ano a demanda por etanol anidro em comparação com a mistura atual de 30%. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido que a adoção do E32 é respaldada por estudos técnicos que comprovam a segurança da nova mistura para a frota brasileira. Mudança ocorre em meio à volatilidade do petróleo A decisão do CNPE deve ocorrer em um momento de volatilidade no mercado internacional de petróleo, provocado pelas tensões no Oriente Médio. Nesse cenário, o governo aposta na ampliação da participação do etanol na gasolina como uma forma de reduzir a dependência de importações, aumentar a oferta doméstica de combustível e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai avaliar nesta semana a retirada parcial ou total do subsídio à gasolina criado pelo governo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle Na última quinta-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nas redes sociais que o governo mantém o compromisso de retirar os subsídios concedidos à gasolina, mas que a medida dependerá da estabilização dos preços internacionais dos combustíveis. Na mesma publicação, Motta disse que acertou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o avanço da proposta que tramita na Câmara dos Deputados sobre o assunto. "Com relação ao PLP dos combustíveis, o Governo Federal segue comprometido em retirar o subsídio que está sendo dado para a gasolina, necessitando apenas de mais um tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã", escreveu.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu nesta terça-feira (14) aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota Os preços do petróleo subiram e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores. Medida vinha sendo estudada A medida de aumentar o volume de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo) Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também diz que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo) Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol Marcello Casal Jr./Agência Brasil O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. A lista engloba: tanque; boia; bomba de combustível; linhas de combustível metálicas ou plásticas; bico injetor; câmara de combustão; pistões; vedações. Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência. "As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor Arte / g1 Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor. O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina. 🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal. Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia. Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano. Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado. Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina Divulgação Revisões podem ficar caras No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos. "Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center. O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã. O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape. Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro Divulgação / Bosch Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor. Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade. Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo. "Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden. Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações. Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque. Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina. Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível. Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições. Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil. Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido. Bolso pode sentir E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação. As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI. Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina. “Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica. Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são: Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível; desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação; ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos; oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação; travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível; baixa vida útil de velas de ignição. Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019 Reprodução Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra. A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900. Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam. “Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica. Anfavea pede cautela A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves. Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes. "Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet. Igor Calvet, presidente da Anfavea Divulgação | Anfavea O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação. A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet. Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país. Indústria do etanol defende medida A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório. Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.” A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.” A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira. Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável. Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira. Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos. A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível. A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar. Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil. “Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA. * com Mariana Assis

Trump diz que EUA vão controlar o Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre carga de embarcações A crise no Estreito de Ormuz criou um "novo normal" para o mercado de petróleo. Ameaças militares, decisões geopolíticas e disputas pelo controle da passagem passaram a afetar preços, transporte e cadeias globais de abastecimento — mesmo sem um bloqueio completo da rota. A região também se tornou uma importante ferramenta de pressão do Irã no conflito com os Estados Unidos e um desafio para Donald Trump, que enfrenta os efeitos econômicos da escalada às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro. (leia mais abaixo) 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Nos últimos dias, ofensivas dos dois países colocaram em xeque o cessar-fogo anunciado em junho e reacenderam as preocupações sobre a segurança da navegação na região, pressionando novamente os preços do petróleo. Na segunda-feira (13), o barril do tipo Brent, referência internacional do petróleo, chegou a subir mais de 9%, alcançando US$ 83,04, após Trump anunciar que os EUA pretendem controlar o Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas que passarem pela rota. Nesta terça-feira (14), a valorização continuou, e o Brent chegou a US$ 86,47, o maior nível em cerca de quatro semanas. 🔎 O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Ao todo, passam por ali cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã REUTERS / Stringer Nova dinâmica no mercado No início da guerra, o temor era de que uma interrupção no fornecimento provocasse uma disparada do petróleo. Agora, o novo normal é o sobe e desce, com oscilações mais bruscas nas cotações mesmo sem uma interrupção efetiva da oferta. "A principal característica desse novo cenário é a volatilidade e a incerteza", resume Jackson Campos, especialista em comércio exterior. "Não se trata da falta de petróleo em si, porque isso não tem acontecido. Mas a possibilidade de interrupção faz com que armadores, seguradoras e refinarias reajam de forma preventiva, elevando os custos em um 'efeito chicote' mesmo antes de um bloqueio de fato", acrescenta. Segundo Campos, o mundo passou a monitorar a rota com maior atenção. Com isso, qualquer declaração política ou ameaça envolvendo EUA e Irã pode provocar uma reação imediata nos preços, incorporando o risco geopolítico ao custo diário do frete e do seguro marítimo. Evolução da cotação do petróleo. Arte/g1 O economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), afirma que o Estreito de Ormuz se tornou a principal referência para a formação dos preços do petróleo no curto e médio prazo. Ele acrescenta que os conflitos recentes, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram uma relação cada vez mais estreita entre segurança energética, segurança alimentar e inflação. "O novo normal vai além do Estreito de Ormuz. Existem duas áreas do mundo que estão passando por processos complicados e que levam a esse cenário", diz. Rússia e Oriente Médio são regiões estratégicas para a oferta global de energia e fertilizantes — com papel relevante na produção de petróleo, gás natural e insumos agrícolas. "A briga atual é quem vai mandar no Estreito de Ormuz. Enquanto isso não for resolvido — o que acredito que irá demorar — vamos viver períodos mais tensos e menos tensos", acrescenta. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1 Pedra no sapato de Trump A volatilidade do petróleo representa um desafio adicional para Donald Trump, que tem defendido preços mais baixos de energia como forma de estimular a economia americana e conter a inflação. Nos EUA, uma alta do barril tende a chegar rapidamente aos combustíveis, já que o governo não controla os preços da gasolina — diferentemente do que ocorre no Brasil, onde a Petrobras tem papel relevante na formação dos preços. Para Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o Irã identificou justamente esse ponto de vulnerabilidade dos EUA: o impacto da energia sobre a economia e o consumidor. Ele avalia que, ao usar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão, Teerã atinge diretamente um tema sensível para Trump. "O Irã ganhou a guerra justamente porque entendeu que o Estreito de Ormuz fechado faria com que o preço do petróleo e dos combustíveis subisse nos EUA. Isso afeta o eleitor, atingindo até mesmo a base 'MAGA' do presidente Trump", afirma. Os preços da gasolina já voltaram a subir nos EUA diante da nova escalada das tensões na região. Segundo a associação automobilística AAA, a média nacional do combustível chegou a US$ 3,84 por galão em 9 de julho, alta de 5 centavos em um dia — embora ainda abaixo do pico de US$ 4,56 registrado em maio. O movimento aumenta a preocupação da Casa Branca com a proximidade das eleições de meio de mandato (midterms), em novembro. Além de governadores, os americanos vão escolher as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso. O que esperar à frente Adriano Pires, do CBIE, avalia que um petróleo acima de US$ 90 por barril seria um problema político para Trump às vésperas das eleições. Por isso, o presidente americano deve tentar evitar que os preços ultrapassem esse nível para reduzir impactos sobre os combustíveis e a inflação. "Até novembro, acho que não vai ter petróleo acima de US$ 90. Sabemos que terá eleição americana, e petróleo muito caro aumenta o preço da gasolina e dos derivados nos EUA", afirma. No auge da crise do petróleo causada pelas tensões no Estreito de Ormuz, entre março e abril, a commodity chegou a encostar nos US$ 120 por barril. Do ponto de vista do mercado, o especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a previsão é de adaptação. "A tendência é o mercado se adaptar a essa nova realidade, diversificar fornecedores e buscar contratos mais flexíveis para tentar até fugir de Ormuz enquanto a situação não se estabiliza", conclui.

É comum ver caminhões transportando laranjas nas estradas do cinturão citrícola no interior de SP Fábio Tito/g1 O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta segunda-feira (13) que os senadores trabalham para construir um acordo para votar ainda nesta semana a medida provisória (MP) que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário. Randolfe indicou que o Senado vai manter a obrigatoriedade de um piso, como já consta na lei, mas sem definir o valor desse mínimo. Nas votações anteriores, na comissão criada para discutir a MP e no plenário da Câmara dos Deputados, parlamentares estipularam um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que percorrem longas distâncias. Segundo o líder, o trecho será retirado durante a votação no plenário do Senado, prevista entre terça (14) e quarta-feira (15). Randolfe afirmou que a mudança será considerada uma supressão, e não uma alteração do texto. Com isso, a proposta não precisaria retornar à Câmara para nova votação. Embora esteja em vigor desde março, a MP depende da aprovação do Congresso para se tornar lei em definitivo. Caso não seja analisada até quinta-feira (16), o texto perderá a validade. Quando foi publicada, em março, em meio à guerra no Oriente Médio, o principal objetivo da MP era reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete para que os valores refletissem os custos reais da operação de transporte, como diesel e pedágio. LEIA TAMBÉM: Em 2026, ANTT aplicou mais de R$ 354 milhões em multas por não pagamento do preço mínimo da tabela de frete Cálculo piso A MP endurece as punições para empresas que não pagarem o piso, que hoje é calculado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 🚚Criada em 2018, a política de preços mínimos do frete surgiu como uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve nacional daquele ano. Ela determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%, para baixo ou para cima. O mecanismo ficou conhecido à época como gatilho. "Há acordo de manutenção do piso e a gente faz um ajuste relativo ao valor, mesmo porque a jurisprudência do STF diz que não cabe a deliberação de [um valor de] piso por parte do Congresso. Então, há um acordo com os caminhoneiros. Podemos ter o piso, mas sem estabelecimento do valor", disse Randolfe. Randolfe e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), se reuniram com membros da oposição nesta segunda. Também participaram do encontro a líder do PP, Tereza Cristina (MS), e o senador Jaime Bagattoli (PL-RO). A líder do PP expôs, após o encontro, que majorar um valor para o piso, no caso dos R$ 5 mil, é uma "matéria estranha" à MP. De acordo com ela, os parlamentares conseguiram um "bom avanço". "Estamos fazendo negociação para que ela possa avançar e não caduque. Se houver acordo, não apresentaremos emendas", disse. Agora no g1 Vetos Lula Randolfe afirmou ainda que "certamente" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai vetar a anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, no contexto da tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, incluída no texto durante a tramitação na Câmara. Isso porque se o senadores cogitarem alterar o conteúdo, a medida terá de passar por nova rodada de votação na Câmara. Randolfe explicou que não há "tempo hábil" para isso. Interlocutores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), explicaram que, se o acordo for fechado, ele pautará a medida. Argumentos a favor e contra a MP O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, explica que a visão dos caminhoneiros é de que a intensificação da guerra entre EUA e Irã afeta os caminhoneiros e a população. Representantes de empresas que contratam o transporte de mercadorias, como indústrias, produtores rurais e o comércio, são contrários ao texto. O Instituto Livre Mercado e o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), por exemplo, dizem que qualquer aumento estrutural de custo logístico pode encarecer o preço de produtos para o consumidor final.

Emoji de cara distorcida Reprodução O emoji da "cara distorcida" é o mais popular entre os símbolos liberados na atualização mais recente, de setembro de 2025. O levantamento foi feito pelo Emojipedia, site que reúne informações sobre os ícones usados em plataformas como redes sociais e aplicativos de mensagens. Ele é seguido pelos emojis da baleia orca e de nuvem de briga, também de 2025. O levantamento leva em conta o número de vezes que eles foram copiados por usuários nos sites Emojipedia e GetEmoji, que servem de referência para buscar símbolos e usá-los em outros locais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O emoji de cara distorcida foi consultado mais de 336 mil vezes, valor expressivo para símbolo liberado há relativamente pouco tempo. Mas ícones populares têm números muito maiores: o coração vermelho (❤️) é o mais famoso e foi usado 8 milhões de vezes nos sites, enquanto o de risada (😂) foi usado em mais de 3,8 milhões de vezes. Agora no g1 O novo emoji é descrito como "um rosto sorridente com olhos grandes e esbugalhados olhando para cima, como se estivesse distorcido ou deformado". Segundo o Emojipedia, ele costuma ser usado para representar "choque, espanto ou angústia, como um recurso visual comum em animes e mangás", mas também pode servir para representar literalmente um rosto inflado ou esmagado. A aparência costuma ter pequenas variações de acordo com o aplicativo, mas o símbolo já está disponível nos serviços mais populares. Emojis mais populares entre os ícones liberados na última atualização, em 2025 Reprodução/Emojipedia

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais as tarifas impostas por Donald Trump a parceiros comerciais do país, o governo americano passou a devolver valores arrecadados de empresas que pagaram tarifas extras sobre produtos importados desde abril de 2025, quando o tarifaço foi anunciado. Segundo os dados do relatório de contas públicas divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Departamento do Tesouro dos EUA, foram reembolsados cerca de US$ 81 bilhões desde outubro de 2025, início do ano fiscal americano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No mesmo período do ano anterior, outros reembolsos do governo somaram apenas US$ 5 bilhões. Segundo o Tesouro, o aumento agora ocorreu "quase inteiramente" por causa da decisão da Suprema Corte, com os pagamentos concentrados principalmente nos meses de maio e junho. Em junho, inclusive, o governo arrecadou US$ 23,6 bilhões com tarifas, mas devolveu US$ 49,2 bilhões a importadores. Na prática, houve uma saída líquida de US$ 25,6 bilhões relacionada às tarifas no mês. Segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model, o governo Trump pode ser obrigado a devolver algo em torno de US$ 175 bilhões em tarifas. Agora no g1 Por que as tarifas estão sendo devolvidas? O presidente americano defendia as sobretaxas como uma forma de proteger a indústria, estimular a produção interna e ampliar a arrecadação do governo. Em fevereiro, porém, a Suprema Corte dos EUA derrubou as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025. O tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA. Segundo a Corte, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump para justificar o tarifaço, não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Desde então, o governo foi obrigado a reembolsar as empresas importadoras que haviam pago tarifas adicionais com base na IEEPA. No mesmo dia, Trump informou que usaria um novo instrumento legal para manter taxas contra produtos importados. Desta vez, utilizou a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que lhe permite impor sanções temporárias, para estabelecer uma nova tarifa de 10% com validade de 150 dias. Exportações Jornal Nacional/ Reprodução Déficit dos EUA chega a US$ 1,367 trilhão no ano fiscal A enorme devolução de tarifas ajudou a agravar o déficit orçamentário dos EUA em junho para US$ 120 bilhões. Um ano antes, o país havia tido um superávit de US$ 27 bilhões. No acumulado do ano fiscal, iniciado em outubro, o déficit americano alcançou US$ 1,367 trilhão, alta de 2% na comparação com o mesmo período anterior. A arrecadação total subiu 4% no período, para US$ 4,151 trilhões, mas as despesas cresceram em ritmo maior, chegando a US$ 5,518 trilhões. Além dos reembolsos das tarifas, o pagamento de juros da dívida pública também pressionou as contas. Os gastos com juros ultrapassaram US$ 1 trilhão no período, alta de 14%. * Com informações de Reuters e AFP

Em semana decisiva sobre novas taxas dos EUA, Lula diz não acreditar em tarifaço O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que "não vai ter tarifaço" ao ser questionado sobre a preocupação com um possível aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A fala ocorre em uma semana decisiva para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa é que a Casa Branca anuncie até quarta-feira (15) se colocará em prática novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada ao repórter João Mota, da TV Vanguarda, na saída de um evento de lançamento de uma turbina movida a etanol, em São José dos Campos, no interior de SP (leia mais abaixo). Lula não concedeu entrevista coletiva e respondeu apenas à pergunta durante a caminhada até a saída do local. O governo brasileiro informou que aguarda a decisão para definir uma eventual resposta à confirmação das novas tarifas e trabalha como cenário mais provável a confirmação das novas tarifas. A hipótese foi reforçada após a declaração recente do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, de que os dois países ainda estão distantes de um acordo. No entanto, negociadores brasileiros avaliam que, neste cenário, existe a possibilidade de o Departamento de Estado norte-americano incluir um anexo modificado na decisão sobre os 25%, aumentando a lista de exceções ao tarifaço, por exemplo. O governo brasileiro também aguarda ser chamado para uma última reunião virtual até quarta-feira (15) com Jamieson Greer. A expectativa é que haja uma prévia da decisão nessa reunião. Presidente Lula cumpriu agenda em São José dos Campos na tarde desta segunda (13). Reprodução/TV Vanguarda Turbina movida a etanol A declaração foi dada durante visita ao Campus do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), onde Lula conheceu a primeira unidade brasileira de geração de energia elétrica equipada com uma turbina a gás totalmente desenvolvida no país e abastecida com etanol hidratado. A tecnologia, criada por pesquisadores brasileiros, busca ampliar o uso do biocombustível na geração de energia e em aplicações como operações militares, regiões isoladas e sistemas de emergência. Durante discurso no evento, Lula defendeu o fortalecimento da indústria de defesa e afirmou que o Brasil precisa investir nas Forças Armadas para garantir a soberania nacional. O presidente também destacou que o país deve agregar valor aos minerais estratégicos, como as terras raras, e disse que quem quiser explorar esses recursos no Brasil terá de realizar o processamento no país, e não apenas exportar a matéria-prima. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Os investidores da SpaceX estão oscilando entre dois sentimentos distintos um mês depois que a empresa abriu seu capital na bolsa de valores nos EUA: euforia e preocupação. Quando as ações da empresa, cofundada e liderada por Elon Musk, ficaram disponíveis para compra por pessoas físicas no mercado de ações em 12 de junho, houve um frenesi entre os investidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Embora a empresa tivesse decidido precificar suas ações em US$ 135 cada, o preço subiu imediatamente para US$ 150 no primeiro dia, chegando a US$ 176, antes de fechar em US$ 160,95. Isso consolidou a SpaceX como a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de todos os tempos. Na semana seguinte, suas ações subiram ainda mais, atingindo uma alta intradiária (cotação máxima num dia) de US$ 225, ultrapassando a Amazon e a Microsoft em valor de mercado total. "No caso de Elon Musk, qualquer empresa na qual ele esteja envolvido gera entusiasmo", disse Keith Snyder, analista da empresa de pesquisa de investimentos CFRA. "Mas esta também foi a primeira vez que as pessoas sentiram que podiam investir em algo que estava sendo comercializado como um negócio ligado à inteligência artificial (IA)." Willy Lee, investidor da Neosteller, empresa que facilita a aplicação de capital por investidores individuais em empresas privadas, concorda que o entusiasmo em torno do IPO estava muito ligado à IA. "Todos viam a SpaceX como um caso de inteligência artificial", disse ele. No início deste ano, a SpaceX adquiriu a xAI, startup de IA de Musk, recentemente rebatizada como SpaceXAI e mais conhecida pelo polêmico chatbot Grok. Além disso, a empresa começou a alugar capacidade de data center para outras companhias de tecnologia. Mas seu principal negócio é a fabricação e o lançamento de foguetes e satélites de telecomunicações chamados de Starlink. Quando a Starlink anunciou que estava reduzindo os preços na região de Memphis, no Estado americano do Tennessee, em meio a preocupações locais com um enorme projeto de data center, as ações da SpaceX caíram 8% no mesmo dia. À medida que foi se descobrindo como a SpaceX gera sua receita, as ações da empresa começaram a cair. Em meio a algumas semanas turbulentas para as ações de empresas de tecnologia, a SpaceX sofreu um impacto especialmente forte. Quando foi adicionada ao índice da bolsa Nasdaq100 em 7 de julho, por exemplo, as ações da SpaceX caíram 4,4% (contra uma queda geral de 1,7% do índice). Uma inclusão anterior no índice FTSE Russell havia dado um leve impulso às ações. A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário da BBC. Ao final do primeiro mês de negociação, as ações da SpaceX estavam sendo negociadas a cerca de US$ 145 cada, aproximadamente 18% a menos que a máxima do primeiro dia de negociação e 35% abaixo do pico atingido. Elon Musk BBC News Leia também: SpaceXAI lança sua IA mais poderosa e promete mais economia para usuários 'Definitivamente afundando' Essa queda no preço significa que os investidores de varejo que compraram ações da SpaceX durante os primeiros cinco dias de negociação podem sofrer uma perda em seu investimento. "Se você comprou logo no primeiro lote, com certeza está no prejuízo", disse Snyder. "Começou a parecer muito com uma meme stock (ou ação de meme)'", completou o especialista, se referindo aos papéis negociados em bolsa que viralizam na internet, impulsionados por campanhas nas redes sociais em vez de fundamentos financeiros. Snyder cita como exemplos as ações da loja de jogos GameStop e da rede de lanchonetes Wendy's, onde investidores de varejo impulsionaram o preço das ações apenas por meio de memes de internet. Ele prevê que as ações da SpaceX cairão ainda mais, para cerca de US$ 115, com base no desempenho da empresa. Isso avaliaria a empresa em cerca de US$ 1,5 trilhão. Samuel Kerr, analista de mercados da Mergermarket, observa que as oscilações no preço das ações até o momento têm impactos distintos em diferentes investidores. "Se você é um investidor de IPO, está tudo bem", disse Kerr, referindo-se a grupos de investidores que conseguiram comprar ações da SpaceX ao preço de listagem proposto pela empresa, de US$ 135, ou que tinham participação acionária na empresa antes da negociação em bolsa. "Mas se você comprou nos primeiros dias, provavelmente não está muito feliz agora." Já Musk vem demonstrando entusiasmo pelas perspectivas de negócios da SpaceX. Após a abertura de capital da empresa, que o tornou o primeiro trilionário do mundo, Musk afirmou que a SpaceX faturaria US$ 1 trilhão por ano até 2030. Ele também demonstrou estar disposto a usar as ações da SpaceX, e sua volatilidade, como moeda. Quando o preço das ações disparou em 16 de junho, a SpaceX anunciou a aquisição da Cursor, uma startup que criou um robô de IA para escrever código de computador, em um negócio avaliado em US$ 60 bilhões. Ao fazer isso, Musk essencialmente comprou a Cursor de graça, dado o quanto as ações da SpaceX haviam se valorizado naquele exato momento. "Isso demonstrou um nível de sofisticação de mercado que quase nenhum outro emissor [de ações] possui", disse Kerr sobre a aquisição da Cursor. As ações da SpaceX caíram desde então. Atenção aos lucros O Morgan Stanley, que foi um dos principais bancos a operar o IPO da SpaceX, parece acreditar que a queda será apenas temporária. Na semana passada, a empresa estabeleceu um preço-alvo de US$ 300 para as ações, um aumento de 33% em relação ao seu preço máximo de negociação até o momento. Atualmente, a SpaceX opera com prejuízo e, no ano passado, obteve uma receita de US$ 18 bilhões, de acordo com as demonstrações financeiras exigidas para sua abertura de capital. A receita projetada por Musk, de US$ 1 trilhão, é aproximadamente 55 vezes maior. Neste momento, cresce a expectativa em torno do primeiro balanço público de resultados da empresa. A SpaceX ainda não anunciou uma data para isso, mas analistas financeiros esperam que aconteça no início de agosto. Os resultados da empresa provavelmente coincidirão com o fim do chamado período de "bloqueio", quando os funcionários da SpaceX que estavam proibidos de vender as ações da empresa recebidas como parte de sua remuneração poderão transferi-las para o mercado aberto. Mais ações à venda, além de uma explicação potencialmente mais detalhada sobre os negócios da SpaceX e seu crescimento futuro, podem gerar oscilações ainda mais drásticas no preço. "Se a SpaceX conseguir fazer tudo o que diz que fará, sim, os investidores estarão diante da empresa mais valiosa de todos os tempos", disse Kerr. "Mas ainda há muito trabalho a fazer para chegar lá." Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês). Leia também: Vendas globais de smartphones caem ao menor nível em 13 anos após escassez de chips de memória Ministério decide notificar Apple e Google por oferta irregular de aplicativos de apostas Startup brasileira cria ‘cérebro’ com IA para deixar robôs mais inteligentes

Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Uma juíza federal dos EUA anulou nesta segunda-feira (13) o acordo entre o presidente Donald Trump e a Receita Federal dos EUA (IRS, na sigla em inglês) que concedia a ele e suas empresas amplas proteções fiscais. Pelo acordo firmado em maio, o IRS seria obrigado a pedir desculpas a Trump e ficaria proibido de prosseguir com auditorias e possíveis cobranças de impostos ligadas a investigações já abertas contra o presidente, familiares e empresas dele. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A juíza distrital dos EUA em Miami Kathleen Williams acusou Trump de manipular o sistema judiciário ao processar uma agência federal sob seu próprio controle, contornando a exigência de que as partes em um processo tenham interesses conflitantes e preparando o terreno para um acordo. Williams concluiu que Trump e a Receita Federal, que ele supervisiona como presidente, não eram verdadeiramente adversários, como exige a Constituição dos EUA em processos cíveis. O acordo firmado entre Trump e o IRS também envolvia a criação de um fundo bilionário para reparar supostas "vítimas da instrumentalização do governo", que críticos apontam como uma forma de o republicano canalizar fundos do governo a seus apoiadores condenados por invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Posteriormente, a ideia da criação do fundo foi abandonada. Agora no g1 "Esta ação nunca teve como objetivo uma das partes buscar a resolução judicial de uma questão legal ou de uma disputa factual", escreveu Williams. A juíza afirmou que, em vez disso, tratava-se de uma tentativa de "dar alguma legitimidade a um acordo para conferir imunidade a pessoas e entidades ligadas ao presidente e destinar bilhões de dólares dos contribuintes americanos para reparar danos não definidos em lei". A ordem judicial de Williams impede que qualquer uma das partes envolvidas no caso, incluindo Trump, seus filhos adultos e sua empresa homônima, se refira ao acordo ou cite quaisquer de seus termos em futuros processos judiciais. Sede do IRS, a Receita Federal dos EUA Photographs in the Carol M. Highsmith Archive/Bilblioteca do Congresso dos EUA Essa medida pode anular a parte do acordo que impede o IRS de realizar auditorias em reivindicações fiscais passadas envolvendo Trump ou suas empresas. O procurador-geral interino, Todd Blanche, já informou ao Congresso que o plano de um fundo de quase US$ 1,8 bilhão para indenizar vítimas da "instrumentalização" e da "guerra jurídica" do governo — termos que Trump usa há tempos para descrever processos judiciais contra ele e seus aliados — não prosseguirá. Pedido de US$ 10 bi Trump processou o IRS em janeiro, acusando a agência de não ter feito o suficiente para impedir o vazamento de suas declarações de imposto de renda durante seu primeiro mandato e inicialmente buscando US$ 10 bilhões (R$ 51,5 bilhões, na cotação atual). O acordo intermediado em maio entre os advogados pessoais de Trump e altos funcionários do Departamento de Justiça levou Trump a desistir do processo em troca de amplas proteções fiscais e da criação do "fundo de instrumentalização". O acordo foi alvo de duras críticas por parte de diversos setores, incluindo alguns parlamentares republicanos, que acusaram o governo Trump de agir em benefício próprio e de desviar dinheiro dos contribuintes para aliados políticos. Um porta-voz da equipe jurídica de Trump não comentou diretamente a decisão do tribunal, mas reiterou as alegações de que os registros fiscais de Trump foram vazados indevidamente e afirmou que o presidente "continua responsabilizando aqueles que prejudicam a América e os americanos". Um porta-voz do Departamento de Justiça não respondeu de imediato a um pedido de comentário da agência Reuters.

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025 Reuters/Ann Wang As remessas globais de smartphones caíram 11% no segundo trimestre, para o menor nível desde 2013, devido à prolongada escassez de chips de memória, que elevou os preços dos aparelhos e reduziu a demanda, segundo estimativas preliminares da Counterpoint Research. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Apple contrariou a tendência com um aumento de 3% nas remessas, elevando sua participação no mercado global para um recorde de 20% no trimestre, devido à demanda resiliente por sua linha premium de iPhones e à manutenção dos preços. No entanto, analistas preveem aumentos de preços nos próximos meses. A Samsung recuperou a liderança com uma participação de 24%, beneficiando-se das fortes vendas de sua linha principal Galaxy S26, melhor disponibilidade de produtos e menos aumentos de preços em mercados como a Índia e o Oriente Médio. Agora no g1 A Xiaomi, a Oppo e a Vivo, porém, registraram as maiores quedas nas remessas entre os cinco maiores fabricantes de smartphones, refletindo sua maior exposição a dispositivos de entrada e intermediários. A Counterpoint manteve a previsão de queda de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones este ano e afirmou que a escassez de memória provavelmente persistirá até 2027. Os preços da memória continuaram a subir, uma vez que os fornecedores priorizaram os clientes de data centers com foco em IA em detrimento dos eletrônicos de consumo, forçando os fabricantes a repassar os custos mais altos dos componentes aos consumidores por meio de aumentos de preços, principalmente para dispositivos de entrada e intermediários.

O Ministério da Justiça (MJ) decidiu notificar a Apple e o Google por manterem em suas lojas virtuais aplicativos de apostas em desacordo com a legislação brasileira. A medida, contudo, não representa punição contra as duas empresas. Segundo ofícios aos quais a TV Globo teve acesso — assinados pelo secretário nacional de Direitos Digitais do ministério, Victor Oliveira Fernandes, e pelo secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita — nessas lojas estão disponíveis aplicativos de apostas sem autorização para operar e que não possuem mecanismo de verificação etária. ➡️No Brasil, sites e aplicativos de apostas precisam de autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operarem. Além disso, a legislação proíbe o acesso de menores de 18 anos às chamadas “bets”. E para evitar esse acesso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca) Digital estabelece que os aplicativos de apostas devem dispor de mecanismo de verificação etária (leia mais abaixo). Agora no g1 🔎O ECA Digital é a lei que atualiza a proteção de crianças e adolescentes na internet. Em vigor desde março de 2026, a norma estabelece regras para redes sociais, jogos, aplicativos e outras plataformas digitais, com o objetivo de aumentar a segurança online de menores de idade. Apple e Google Reuters/Mike Segar/Andrew Kelly Primeira notificação Os ofícios mostram que o Ministério da Justiça notificou Apple e Google pela primeira vez em abril passado. Esses mesmos documentos apontam que a medida foi tomada após monitoramento de rotina feito por técnico da pasta. Os profissionais identificaram, nessas lojas, a presença de “inúmeros aplicativos que promoveriam, ofertariam ou viabilizariam o acesso a apostas de quota fixa e a outras modalidades lotéricas sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), os quais permaneceriam disponíveis para download e instalação sem controle etário efetivo.” Naqueles ofícios, o ministério ainda pediu informações sobre a política das duas empresas para os aplicativos de apostas, além dos mecanismos de triagem usados por elas para identificar se esses aplicativos cumpriam a legislação. Já os novos ofícios apontam que o ministério realizou, no dia 29 de junho, novo levantamento nas lojas virtuais e constatou que ambas continuavam oferecendo acesso a aplicativos em desacordo com a lei. Esses novos ofícios pedem informações adicionais a Apple e Google, como sobre os mecanismos adotados por elas para assegurar que menores de 18 anos não tenham acesso a conteúdo inadequado. Questionado, a empresa Google afirmou que não comenta notificações sobre casos legais em andamento. "Sobre a plataforma, o Google Play possui políticas claras para a oferta de aplicativos de jogos de azar com dinheiro real, jogos e concursos. Todos os desenvolvedores na plataforma estão sujeitos às políticas da loja e, caso seja identificada qualquer violação a essas diretrizes, os aplicativos estão sujeitos a medidas corretivas, o que inclui a remoção ou a suspensão do app e até mesmo o encerramento da conta do desenvolvedor", acrescentou, em nota. Já a Apple não respondeu aos contatos até a última atualização desta reportagem.

Lula diz que Trump vai praticar 'pirataria' se cobrar taxa sobre cargas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que o presidente Donald Trump vai praticar "pirataria" caso os Estados Unidos tomem o controle do Estreito de Ormuz e passem a cobrar 20% de taxa sobre cargas transportadas por embarcações que passam pelo local. A fala do petista é uma reação a declarações feitas pelo norte-americano, mais cedo nesta segunda, quando Trump comentou sobre a volta dos conflitos com o Irã. Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump disse que os EUA serão "os guardiões do estreito" e que deveriam ser "reembolsados" caso liberem a via marítima. E, na Truth Social, rede do presidente estadunidense, ele falou sobre a taxa que pretende instituir. Durante visita a laboratórios no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Lula comentou as declarações do norte-americano. "Hoje, tem um tuíte de Trump dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, dizendo que vai desobstruir, mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele", introduziu Lula. "Antigamente, isso se chamava pirataria, um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata, não tem que cobrar, é da responsabilidade deles, não estava fechado, não foi o Brasil que inventou a guerra, foi ele [Trump] que inventou a guerra", completou. Ainda sobre a afirmação de Trump, o petista classificou "anormal" alguém querer "ganhar dinheiro em cima da desgraça". "É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e agora começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele, não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório. É uma coisa anormal, alguém aproveitar a desgraça pra ganhar dinheiro as custas da desgraça", declarou o presidente brasileiro. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. Ao comentar o conflito, Lula criticou o fato de países que não participam diretamente do conflito sofrerem os impactos econômicos, como a alta no preço dos alimentos. "O Brasil deu algum tiro? Não. Matou alguém? Não. Não podemos aceitar que a guerra contra o Irã, inventada pelos EUA, dizendo que o Irã queria fazer arma nuclear – o que posso dizer que é mentira – o preço da guerra está chegando no feijão, no arroz, no tomate" declarou. No evento desta segunda, Lula também defendeu a produção nacional de biodiesel, afirmando que não vai cobrar alíquotas extras de países estrangeiros que quiserem comprar o combustível. "Não vamos cobrar nada, só o preço justo do biodiesel que estamos produzindo", concluiu Lula. O presidente Lula durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo Reprodução/Lula Questão de 'Justiça', afirmou Trump A fala de Trump nesta segunda contrasta com declarações feitas por ele em junho, dizendo que não haveria cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. "O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu na Truth Social. "Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou Trump. Irã responde A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" de Ormuz. "O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã". Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images

Paramount faz oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner A Califórnia e outros 11 estados americanos estão processando a tentativa de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 565,4 bilhões), para impedir que o negócio avance. As autoridades alegam que a operação reduziria a concorrência na distribuição de filmes e na televisão por assinatura, prejudicando cinemas e empresas de TV paga. Segundo o procurador-geral da Califórnia, os Estados pediram à Paramount que não conclua a fusão até o término da ação. Ela representa uma ameaça significativa à proposta do CEO da Paramount, David Ellison, de transformar a empresa em uma grande concorrente de gigantes como Netflix e Disney. “Com este processo, a Califórnia e nossos estados parceiros estão lutando por mercados livres e justos, e não por mercados manipulados. Os Estados Unidos não têm reis no governo nem na economia”, afirmou Bonta em comunicado. Segundo os estados, caso a operação seja aprovada, a Paramount passaria a controlar 27% do mercado de distribuição de filmes exibidos nos cinemas americanos, 30% da distribuição de grandes produções cinematográficas e 27% do mercado de canais básicos de TV a cabo. A decisão sobre as alegações dos estados provavelmente levará meses, provocando um atraso que pode gerar centenas de milhões de dólares em custos adicionais para a Paramount. Já a própria Paramount afirma que a ação "distorce a jurisprudência consolidada em matéria antitruste e baseia-se em uma representação equivocada da concorrência na indústria do entretenimento atual" Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters Atores e roteiristas também são contra O acordo provocou reação negativa de atores, roteiristas e outros profissionais da indústria, que temem impactos sobre empregos. Donos de cinemas também se posicionaram contra a transação, preocupados que a união entre o estúdio Warner Bros. e a Paramount Pictures resulte em uma redução no número de filmes lançados. A Paramount afirmou que o acordo permitirá aumentar, e não reduzir, sua produção após a empresa cortar US$ 6 bilhões (R$ 5,14 bilhões) em estruturas redundantes, marketing e cargos corporativos. Ellison prometeu que os estúdios de cinema combinados lançarão 30 filmes por ano. Torre de Água da Warner Bros é retratada nos estúdios da Warner Bros, em Burbank, Califórnia, EUA Reuters Justiça americana já aprovou a operação O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já autorizou a operação, afirmando que ela não apresenta problemas relacionados à concorrência. O pai do CEO da Paramount, David Ellison - o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle - mantém relações próximas com o presidente Donald Trump, e a empresa contratou ex-integrantes do governo Trump. A Paramount se comprometeu a pagar cerca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em taxas aos acionistas da Warner Bros. Discovery a cada trimestre caso o acordo não seja concluído antes de outubro. A companhia afirmou que atrasos podem obrigá-la a renegociar o financiamento da operação, gerar incertezas sobre o preço de suas ações ou até mesmo levar ao cancelamento definitivo da transação.

Linha de produção do Fiat Cronos no complexo de Ferreyra, na Argentina Divulgação / Stellantis A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram, anunciou nesta segunda-feira (13) que entregou quase 1,6 milhão de veículos no segundo trimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho na América do Norte, seu principal mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A recuperação das vendas é considerada peça-chave no plano de reestruturação liderado pelo presidente-executivo, Antonio Filosa. Nos últimos anos, a montadora perdeu participação em mercados estratégicos diante da alta nos preços dos veículos, da aposta mais intensa em modelos elétricos, de problemas de qualidade e da concorrência crescente de fabricantes chineses. Agora no g1 Em maio, Filosa apresentou um novo plano de negócios de 60 bilhões de euros até 2030, que prevê o lançamento de novos modelos, a reorganização do portfólio de marcas e a ampliação de parcerias nas áreas de tecnologia e manufatura. Novos Modelos Impulsionam Na América do Norte, as entregas cresceram 38% no segundo trimestre, alcançando 445 mil unidades. O resultado foi impulsionado pelo lançamento e renovação de modelos como a picape Ram 1500 com motor V8, sua versão de alto desempenho TRX SRT, além dos utilitários Jeep Grand Wagoneer, Grand Cherokee e da minivan Chrysler Pacifica. Segundo a empresa, o desempenho também refletiu os preparativos para a paralisação programada da produção durante o verão no hemisfério norte. Na Europa ampliada, outro mercado estratégico para a Stellantis, as entregas aumentaram 5%, para 762 mil unidades, impulsionadas pelo crescimento do mercado na região. O volume inclui cerca de 33 mil veículos da fabricante chinesa Leapmotor, distribuídos e comercializados pela Stellantis. A demanda na Europa foi puxada principalmente por modelos de entrada, como Citroën C3 e C3 Aircross, Opel Frontera e Fiat Panda. O crescimento registrado na América do Norte e na Europa foi parcialmente compensado pela queda nas entregas no Oriente Médio e na África, afetadas pelo conflito na região, e na América do Sul, onde a retração do mercado argentino pressionou os resultados.

Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos REUTERS/Nathan Frandino A Meta anunciou nesta segunda-feira (13), que seu data center em Richland Parish, no Estado norte-americano de Louisiana, será expandido para 5 gigawatts de capacidade computacional, com o investimento no projeto aumentando para mais de US$50 bilhões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O centro de dados planejado, conhecido como Hyperion, tinha previsão inicial de fornecer mais de 2 gigawatts de capacidade computacional para suportar o treinamento de grandes modelos de linguagem, a tecnologia por trás de ferramentas como o ChatGPT. O anúncio surge num momento em que grupos ambientalistas e de defesa do consumidor pressionam cada vez mais contra a expansão intensiva em energia. O pedido do grupo ambientalista norte-americano Earthjustice para investigar o financiamento do projeto do data center da Meta na Louisiana foi negado no início deste ano. Agora no g1 A Earthjustice afirmou que o acordo de financiamento poderia, em última análise, transferir injustamente os custos do projeto para os clientes da concessionária, caso a Meta abandone o projeto antes que a concessionária recupere seu investimento. No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o projeto do data center da empresa custaria US$50 bilhões. Desde o início das obras em dezembro de 2024, empresas locais da Louisiana receberam mais de US$1,6 bilhão em contratos da Meta, segundo a empresa. Com essa expansão, a empresa afirmou que planeja investir mais de US$1 bilhão em melhorias na infraestrutura local, incluindo estradas, sistemas de água e esgoto. A Meta, assim como suas concorrentes do setor de tecnologia, tem investido bilhões de dólares em data centers de inteligência artificial e poder computacional, visto que a demanda continua superando a oferta. A empresa prometeu investir US$600 bilhões em infraestrutura e empregos nos EUA nos próximos três anos, enquanto constrói enormes data centers para impulsionar as apostas agressivas do presidente-executivo, Mark Zuckerberg, em tecnologias de agentes de IA.

Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT. Michael Dwyer/AP Mais de 200 pesquisadores e economistas, incluindo 15 ganhadores do Prêmio Nobel e pesquisadores da OpenAI, da Anthropic e do Google, apelaram aos governos e aos líderes do setor de tecnologia para que criem, com urgência, políticas e instituições destinadas a lidar com o impacto econômico da inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Eles divulgaram a declaração assinada em conjunto nesta segunda-feira (13), alertando que a IA poderia impulsionar uma transformação econômica maior do que a Revolução Industrial, mas com um prazo “muito mais curto”, o que levanta questões para trabalhadores, empresas e instituições públicas. A declaração pede pesquisas mais aprofundadas sobre os impactos econômicos da IA e o início da elaboração de políticas e instituições necessárias para garantir que a tecnologia beneficie a sociedade e para lidar com riscos como a perda de empregos em grande escala. Agora no g1 “O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptarem. A IA pode nos dar apenas alguns anos”, disse Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia. “Não podemos improvisar nossa estratégia e nossas instituições no meio da transformação; esperar pela certeza significa chegar tarde demais", completou. Korinek, que se juntou à equipe de pesquisa econômica da Anthropic em março, organizou a iniciativa com os pares economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham. Entre os signatários estão a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar; o cientista-chefe do Google DeepMind, Jeff Dean; o cofundador da Anthropic, Jack Clark; e membros da equipe de pesquisa econômica da empresa criadora do chatbot Claude. Os ganhadores do Prêmio Nobel Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, entre outros, também assinaram a declaração.

Bandeiras da União Europeia Stephanie Lecocq/Reuters A União Europeia deseja estabelecer um acesso "progressivo e gradual" para crianças e adolescentes às plataformas digitais, a fim de protegê-los dos riscos, conforme recomendado por especialistas em um relatório publicado nesta segunda-feira (13). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O bloco analisa há meses a possibilidade de estabelecer uma "maioria digital" semelhante à adotada pela Austrália no ano passado. "A infância é um período extraordinário e delicado para o desenvolvimento do cérebro (...). Devemos considerar o acesso progressivo e gradual de diferentes faixas etárias" às redes sociais e outras plataformas digitais que representam riscos para menores, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. "Não se trata de saber se as crianças podem acessar as redes sociais, mas sim se as redes sociais podem acessar nossas crianças e quando", declarou. Agora no g1 A chefe da Comissão especificou que apresentará um projeto de lei "após o verão". Para obter aconselhamento sobre o assunto, Von der Leyen incumbiu um painel de especialistas composto por médicos, acadêmicos, representantes da juventude e pais de elaborar um relatório, cujas recomendações foram apresentadas nesta segunda-feira. Entre elas estão: Zero telas para bebês e crianças pequenas; Proibir o acesso de crianças menores de 13 anos a redes sociais e outros serviços digitais, incluindo assistentes de IA, exceto por períodos limitados sob supervisão dos pais ou em um ambiente educacional; "Uso progressivamente autônomo" das plataformas digitais para jovens de 13 a 18 anos, desde que possuam "recursos de segurança essenciais", como um sistema eficaz de verificação de idade e um design livre de funções viciantes; Os países da UE teriam liberdade para estabelecer proibições nacionais de acesso para além dos 13 anos; Aos 18 anos, os europeus atingiriam a "maioridade digital plena". As plataformas "devem demonstrar que seus serviços não causam danos. Na Europa, quem desenvolve um produto é responsável por sua segurança", afirmou Von der Leyen. "Todo o ecossistema que envolve as crianças precisa mudar. Mas não temos tempo a perder. As crianças e os adolescentes enfrentam graves riscos neste momento", disse Jorg Fegert, um dos copresidentes do painel, ao lado da presidente. Nos últimos meses, a UE intensificou a pressão sobre as plataformas de redes sociais para que levem em consideração o bem-estar físico e mental de seus usuários. Na sexta-feira, Bruxelas ordenou que o Facebook e o Instagram modificassem suas funções "viciantes", sob pena de multas pesadas, seguindo um alerta semelhante feito ao TikTok em fevereiro. A favor de um design seguro Um número crescente de Estados-membros da UE - França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Áustria e Suécia - adotou ou considera adotar restrições ao acesso de crianças às redes sociais. No entanto, a questão gera controvérsias dentro do bloco, com países que se opõem às proibições, como a Estônia, enquanto outros guardam silêncio. Implementar tais medidas no bloco evitaria uma colcha de retalhos de regulamentações nacionais e seria mais fácil de aplicar nas plataformas, cuja regulamentação já é, em grande parte, da responsabilidade de Bruxelas em coordenação com os 27 Estados-membros. Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, irá "examinar as propostas nacionais com muita atenção". O bloco "integrará" esse trabalho, assegurou ela, e então desenvolverá sua própria proposta para "harmonizar a abordagem e encontrar uma solução comum". A União Europeia já possui um arsenal reforçado para controlar as gigantes da tecnologia e proteger os usuários digitais, mas Bruxelas anunciou que prepara novas normas. O chefe da proteção do consumidor da UE, o comissário Michael McGrath, prometeu que uma nova lei, prevista para o final deste ano, oferecerá às crianças maior proteção contra designs viciantes. "Os mercados digitais são projetados para capturar a atenção e influenciar o comportamento. As novas normas ajudarão a garantir que os consumidores possam tomar decisões informadas e livres de manipulação", disse McGrath à AFP.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,45% nesta segunda-feira (13), cotado a R$ 5,1315, conforme investidores seguiam atentos às tensões no Oriente Médio. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,20%, aos 175.739 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã ficou no centro das atenções dos mercados financeiros. Após novos ataques entre os dois países, Teerã decidiu voltar a fechar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Com isso, os preços da commodity voltaram a subir nesta segunda-feira (13). Perto das 15h50, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 9,25%, cotado a US$ 83,04. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 9,23%, cotado a US$ 78,00 por barril. ▶️ As tentativas do governo brasileiro de negociar as tarifas impostas pelos EUA também seguem no radar. O prazo para a Casa Branca decidir se coloca em prática ou não a ofensiva tarifária, com taxas de 25% e 12,5% contra o Brasil, termina na quarta-feira (15). Segundo apuração da repórter Isabella Calzolari, a expectativa da equipe de Lula é que as tarifas passem a valer, após o representante do comércio americano, Jamieson Greer afirmar que os dois países ainda estão distantes de um acordo. ▶️ Na agenda econômica, investidores avaliam dados de vendas do varejo e o volume de serviços de maio, além da divulgação do IBC-Br, indicador mensal de atividade do Banco Central do Brasil. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,46%; Acumulado do mês: -0,61%; Acumulado do ano: -6,51%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,20%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: +9,07%. Escalada das tensões no Oriente Médio O Irã bombardeou, nesta segunda-feira (13), bases militares dos Estados Unidos em Bahrei, Kuwait, Omã e na Jordânia, em retaliação a ataques norte-americanos contra alvos iranianos. Além disso, o governo iraniano ameaçou abandonar o acordo de paz na guerra no Oriente Médio firmado com os EUA em junho caso Washington não mantenha seus compromissos para encerrar o conflito. “Cada vez que a outra parte [EUA] deixou de cumprir suas obrigações, nós também não cumpriremos as nossas e continuaremos a agir dessa forma”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, sobre o mais recente episódio de hostilidades entre os dois países. Os EUA afirmaram ter bombardeado alvos militares no Irã ao longo dos últimos dias. Apenas no sábado, foram mais de 100 localidades iranianas alvejadas. Como resposta, o Irã afirmou ter fechado "por tempo indeterminado" o Estreito de Ormuz para navios comerciais e retaliou contra bases dos EUA no Oriente Médio. O Estreito é uma das principais rotas marítimas comerciais do petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial O governo de Donald Trump contestou a alegação, e disse que a via marítima permanece aberta. O trânsito de embarcações na região, no entanto, permaneceu majoritariamente paralisado. Os dois países voltaram a trocar ataques com maior frequência ao longo deste fim de semana, algo que viola o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. O governo do Irã afirmou nesta segunda que segue o diálogo diplomático com os países mediadores do conflito —Catar, Paquistão e Omã— para "evitar uma escalada" que leve à retomada plena da guerra contra os EUA. Bolsas globais Em Wall Street, os índices fecharam em queda, em meio às preocupações com a nova escalada das tensões entre EUA e Irã. O Dow Jones teve queda de 0,26%, enquanto o S&P 500 recuou 0,78% e o Nasdaq Composite caiu 1,55%. Na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em alta, de olho no aumento dos preços do petróleo no mercado internacional. O índice pan-europeu STOXX 600 ficou estável. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, subiu 0,19%, enquanto o CAC-40, da França, teve alta de 0,31% e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,01%. Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,79%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, perdeu 2,06%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,16%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 1,92% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 8,95%. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP

O mercado financeiro reduziu sua estimativa média para a inflação em 2026, passando de 5,30% para 5,16%. A expectativa faz parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Os economistas também mantiveram a projeção de 14% em relação à taxa básica de juros, a Selic (veja mais abaixo nessa reportagem). ➡️ Para 2026, a estimativa de inflação recuou de 5,30% para 5,16%; ➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,18% para 4,20%; ➡️ Para 2028, a previsão se manteve em 3,70%; ➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Agora no g1 Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continua projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano — após três cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026, porém, se manteve em 14% ao ano; Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas subiu para 10,50% ao ano. Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado se manteve em 1,99%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB baixou para 1,65%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos permaneceu em R$ 5,28 por dólar.

Conflito de interesses? Empresas de Trump têm receita bilionária em 2025 As declarações financeiras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostram que ele e seus dois filhos mais velhos incentivavam investidores a aplicar recursos em projetos de criptomoedas — iniciativas que acabaram gerando grandes perdas para muitos investidores de varejo. Ao mesmo tempo, os administradores do patrimônio de Trump destinavam uma parcela significativa desses ganhos a investimentos considerados mais seguros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo sua declaração financeira mais recente, apresentada ao Escritório de Ética Governamental dos EUA, Trump recebeu mais de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões) no ano passado com os projetos de criptomoedas da família, incluindo a World Liberty Financial e a moeda meme lançada em seu nome. Uma análise da Reuters sobre os investimentos do presidente nos últimos dois anos mostra que suas carteiras de ações e títulos cresceram pelo menos quatro vezes com a entrada de recursos provenientes das criptomoedas. No fim de 2025, Trump tinha entre US$ 703 milhões e US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 3,9 bilhões a R$ 14,3 bilhões, considerando um dólar a R$ 5,50) em ativos financeiros tradicionais, ante um patrimônio entre US$ 225 milhões e US$ 608 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão a R$ 3,3 bilhões) no fim de 2024. Os documentos apresentam faixas de valores, e não montantes exatos, o que impede saber com precisão quanto dos ganhos com criptomoedas foi destinado a investimentos de menor risco. Embora tenha mantido parte dos ganhos em ativos digitais, nove especialistas em criptomoedas ouvidos pela Reuters afirmaram que os documentos sugerem que Trump não usa esses ativos como principal reserva de patrimônio. Além do bitcoin e da World Liberty Financial, ele também não declarou participação em duas empresas de criptomoedas de capital aberto apoiadas por seus filhos, Eric Trump e Donald Trump Jr. "Embora o presidente promova os ativos digitais como o futuro das finanças e defenda que os Estados Unidos se tornem a capital mundial das criptomoedas, sua declaração patrimonial indica uma estratégia de obter ganhos rápidos com esses ativos — por meio da venda da moeda meme e dos tokens da World Liberty — e, depois, direcionar esses recursos para investimentos tradicionais, como ações e títulos", afirmou Timothy Massad, diretor do Projeto de Políticas para Ativos Digitais da Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade Harvard. Massad presidiu a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) durante o governo de Barack Obama. Uma reportagem da Reuters publicada no mês passado mostrou que investidores de varejo nos quatro principais projetos de criptomoedas ligados a Trump acumulavam perdas de US$ 2,3 bilhões até abril. Organização Trump diz manter estratégia financeira conservadora Os documentos mostram que Trump ainda possui uma quantidade significativa de tokens da World Liberty Financial, empresa cofundada por ele e por seus filhos, ampliando sua exposição ao mercado de ativos digitais. No fim de 2025, o presidente detinha 15,75 bilhões de tokens de governança da World Liberty, avaliados em mais de US$ 50 milhões. Os ativos foram recebidos como parte de sua participação na empresa. Como cofundador, ele está sujeito a um período de carência maior antes de poder vender esses tokens. As empresas responsáveis por administrar os interesses do presidente na World Liberty Financial e na moeda meme de Trump tinham entre seus ativos pelo menos US$ 160 milhões em bitcoin e ether, além de até US$ 6 milhões em outros tokens no fim de 2025. No fim de 2024, o presidente havia declarado possuir entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ether. Em nota, um porta-voz da Organização Trump afirmou que a declaração financeira do presidente mostra que a empresa "continua mantendo uma posição financeira sólida, apoiada por ativos valiosos de classe mundial, ampla liquidez e um balanço patrimonial conservador". O representante não explicou por que parte dos lucros obtidos com criptomoedas foi direcionada para ações e títulos. A Casa Branca informou à Reuters que os ativos do presidente estão em "contas totalmente discricionárias administradas por instituições financeiras independentes". Já David Wachsman, porta-voz da World Liberty Financial, afirmou que "a World Liberty foi construída com foco no longo prazo e acredita firmemente que o futuro dos serviços financeiros será estruturado sobre a tecnologia de ativos digitais". Filhos de Trump reforçam defesa das criptomoedas Os filhos de Trump administram o fundo fiduciário responsável pelo patrimônio do presidente e estão entre os principais defensores públicos dos projetos de criptomoedas ligados à família. Desde novembro de 2024, Eric Trump, que dirige a Organização Trump, afirmou em entrevistas e conferências que o bitcoin é "o maior ativo dos tempos modernos" e que seu preço poderia alcançar US$ 1 milhão, ante cerca de US$ 64 mil na época das declarações. Eric Trump também disse no ano passado que seu pai "acredita profundamente nos ativos digitais". Nem Eric Trump nem Donald Trump Jr. responderam aos pedidos de comentário da Reuters sobre os investimentos do presidente. O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa ao final de sua participação na cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Yves Herman

EUA lançam novos ataques contra o Irã Os preços do petróleo subiam mais de 5% nesta segunda-feira (13), refletindo a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A alta foi impulsionada pela intensificação dos ataques entre os dois países no fim de semana e pela decisão de Teerã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. (confira a cobertura em tempo real) Por volta das 13h21 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência internacional, avançava 5,20%, cotado a US$ 79,96 o barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 4,99%, para US$ 74,97. O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção na navegação pela região aumenta o risco de problemas no abastecimento global e costuma pressionar os preços da commodity. A escalada das tensões também aumentou a aversão ao risco nos mercados financeiros. Investidores reduziram a exposição a ativos considerados mais arriscados e buscaram proteção em aplicações vistas como mais seguras, como o dólar. Mercados globais Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O índice de Xangai caiu 2,06%, aos 3.913 pontos, atingindo o menor nível em três meses. O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,79%, aos 4.695 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,16%, aos 24.213 pontos. Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, caiu 1,92%, aos 67.242 pontos; Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,95%, aos 6.806 pontos; Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,11%, aos 5.463 pontos; Taiex, de Taiwan, subiu 0,06%, aos 45.380 pontos; S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,03%, aos 8.808 pontos. Dólar oscila com tensão no Oriente Médio O dólar oscilou nesta segunda-feira após a retomada dos confrontos no Golfo. A moeda americana chegou a subir no início do pregão, acompanhando a alta do petróleo, mas perdeu força com os investidores avaliando os impactos do conflito. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis moedas, chegou a avançar 0,3%, mas encerrou o dia em queda de 0,2%, aos 100,83 pontos. Entre as principais moedas: Euro: queda de 0,1%, para US$ 1,1403; Libra esterlina: queda de 0,1%, para US$ 1,3383; Dólar australiano: queda de 0,1%, para US$ 0,6942; Dólar contra o iene: alta de 0,1%, para 161,92 ienes. A desvalorização do iene voltou a chamar atenção dos investidores, diante da possibilidade de uma intervenção das autoridades japonesas para conter a queda da moeda. No Brasil, o dólar operava em alta de 0,34% por volta das 13h32, cotado a R$ 5,1262, com investidores atentos às tensões no Oriente Médio. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, recuava 0,04%, aos 177.789 pontos. (veja mais detalhes do dia no mercado) Entenda a escalada do conflito A reação dos mercados ocorreu após uma nova troca de ataques entre EUA e Irã. Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, forças do país atingiram bases militares americanas no Barein e no Kuweit, além de alvos na Jordânia e em Omã. Em resposta, as Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado sistemas de defesa aérea, radares, mísseis, drones e embarcações iranianas. A escalada militar colocou em dúvida um acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e uma redução das tensões após semanas de negociações. Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que considera o cessar-fogo encerrado, mas disse que ainda vê espaço para novas negociações. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom duro. Em publicação na rede social X, afirmou que "a era dos acordos unilaterais acabou" e cobrou que os EUA cumpram os compromissos assumidos. A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, ampliou a instabilidade no Oriente Médio e levou Teerã a atacar bases militares americanas em diferentes países da região. O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que o tráfego normal de navios pelo Estreito de Ormuz só será restabelecido quando os EUA encerrarem as operações militares na região. O grupo alertou que novos confrontos podem provocar impactos ainda maiores no mercado global de petróleo e gás. O governo iraniano informou ainda que tenta negociar com Omã um mecanismo para administrar a passagem de embarcações pelo estreito, mas disse que as conversas têm sido dificultadas pela pressão americana. A alta do petróleo aumenta a preocupação com uma possível elevação dos preços dos combustíveis e da inflação em diversos países, caso o conflito se prolongue e afete a oferta global da commodity. *Com informações da Reuters Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters

Hamas anuncia que vai entregar o governo da Faixa de Gaza A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (13) o lançamento de uma iniciativa com 15 parceiros para destinar 883,6 milhões de euros, o equivalente a US$ 1 bilhão, em ajuda à Faixa de Gaza. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp De acordo com comunicado divulgado a imprensa, 12 países europeus e o Japão, além do Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimento, fazem parte da "Iniciativa Equipe Gaza", lançada na reunião do Grupo de Doadores para a Palestina em Bruxelas. O objetivo é apoiar projetos de recuperação inicial, tanto em andamento quanto planejados, para a população de Gaza. Na quinta-feira (9) o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, assinou um decreto que convoca eleições legislativas para 28 de novembro. O anúncio ocorreu três dias após o grupo terrorista Hamas anunciar sua saída do governo da Faixa de Gaza. Caso se concretizem, as eleições serão as primeiras do tipo em quase duas décadas. "O decreto presidencial conclama o povo palestino em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza a participar de eleições legislativas livres e diretas para escolher os membros do Conselho Legislativo Palestino na data estabelecida", informou a agência oficial de notícias Wafa, que cita o texto do decreto. Hamas fora do comando de Gaza Palestino sentado no topo de escombros de uma casa atingida por um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro de Gaza. Mahmoud Issa / Reuters Na segunda-feira (6), o Hamas anunciou a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza, mantido pelo grupo por quase duas décadas, em uma coletiva de imprensa. O chefe do governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo e a saída abriu caminho para que um comitê tecnocrático palestino implemente o governo civil no território. 🔎 A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo grupo terrorista desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. De acordo com Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo Hamas em Gaza, a medida foi tomada "para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar". Em um comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que a medida visa eliminar pretextos para a interferência israelense e reafirmou o compromisso do grupo em transferir todas as responsabilidades de governança em Gaza. O futuro de Gaza após cessar-fogo na guerra Agora no g1 Um acordo de cessar-fogo em Gaza entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. A primeira fase dele permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel. A segunda fase, no entanto, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada. Israel reforçou sua presença no território e o governo israelense e o Hamas continuam, com frequência, a trocar acusações de violação da trégua. Em meados de junho, facções palestinas reuniram-se com mediadores no Cairo e apresentaram sua proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza. A proposta apresentada pelo Conselho de Paz liderado pelos EUA inclui mecanismos para o futuro de Gaza, incluindo reconstrução, desarmamento, retirada israelense e implantação de uma força internacional de paz.

Volkswagen Taos muda para encarar SUVs concorrentes A Volkswagen poderá precisar cortar cerca de 50 mil empregos adicionais para alcançar um nível de competitividade semelhante ao de seus concorrentes, afirmou o presidente-executivo da montadora, Oliver Blume, em um comunicado interno enviado aos funcionários. A declaração confirma, pela primeira vez, que a empresa avalia eliminar até 100 mil postos de trabalho. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Blume tenta reestruturar a maior fabricante de automóveis da Europa, cujos lucros vêm sendo pressionados pelos bilhões de euros em custos com tarifas, pela forte concorrência no mercado chinês e pela necessidade de tornar sua rede de fábricas na Alemanha mais eficiente. Após já ter acertado o corte de 50 mil vagas em todo o grupo, incluindo as subsidiárias Porsche e Audi, a companhia avalia novas medidas para reduzir despesas. Segundo o comunicado, a Volkswagen identificou que seus custos são cerca de 20% maiores do que os de empresas concorrentes. Na prática, isso significaria, em uma estimativa teórica, a necessidade de eliminar outros 50 mil empregos em todo o mundo. "Estamos avaliando, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustes são realmente necessários e viáveis", afirmou Blume no documento. Até então, a Volkswagen vinha evitando comentar as notícias de que estudava eliminar até 100 mil postos de trabalho. O comunicado foi divulgado depois que representantes dos trabalhadores cobraram explicações da diretoria sobre o plano de reestruturação apresentado por Blume ao conselho de supervisão da empresa na quinta-feira. Fontes com conhecimento do assunto disseram que os representantes dos funcionários no conselho barraram as propostas, que incluíam cortes de empregos e o possível fechamento de quatro fábricas. Segundo Blume, a empresa ainda não conseguiu definir um uso economicamente viável para as unidades de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm na década de 2030. O executivo afirmou, porém, que prefere buscar "soluções inteligentes" em vez de fechar fábricas. Entre as alternativas já mencionadas estão o uso das instalações pela indústria de defesa ou a produção, na Europa, de modelos da Volkswagen desenvolvidos na China. Fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, produção do Golf divulgação/Volkswagen

Waze ganha IA para motoristas conversarem com o app, modo moto e novo controle de voz no Brasil. Google O app de navegação Waze anunciou nesta segunda-feira (13) uma série de novos recursos de inteligência artificial para o serviço no Brasil. Entre as novidades está uma ferramenta que permite conversar com o app em linguagem natural para enviar atualizações para o mapa. A empresa também está lançando o "Modo moto", que exibe o tempo estimado do trajeto para quem viaja de motocicleta. O Google Maps já oferece essa função há mais tempo, e ela só agora chega ao Waze. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Outro lançamento é o modo "Menos falante", que permite reduzir a quantidade de interações por voz do Waze durante a navegação. As novidades chegam em um momento em que várias empresas tentam incorporar IA aos seus serviços para melhorar a experiência dos usuários. Só neste ano, o Google Maps ganhou um modo de conversação, a Siri (assistente virtual da Apple) ficou mais inteligente com a integração do Gemini, e a Alexa+, assistente da Amazon reformulada com IA generativa, também chegou ao Brasil. Converse com o Waze Waze Map Mate Reprodução/YouTube Waze Anunciado para alguns usuários em fase de testes em 2025, o "Waze Map Mate" enfim foi lançado para todos no Brasil. O recurso permite que motoristas relatem ocorrências, como acidentes, buracos, obras e congestionamentos, usando comandos de voz. Será possível dizer frases como "O número desta casa mudou para [número]", "Tem uma lixeira no meio da rua Y" ou "Parece que tem carros parados à frente!". Para usar a ferramenta, basta tocar no botão de alertas e descrever a situação naturalmente. O aplicativo usa o Gemini para interpretar o que foi dito e gerar a sugestão de atualização do mapa. Segundo o Google, que é dono do Waze, as sugestões serão enviadas aos editores de mapas, que vão verificar as informações antes de atualizar o aplicativo. O recurso funciona em celulares Android e iPhone (iOS). Modo menos falante Recurso de "instruções por voz" do Waze. Divulgação/Google Em coletiva com a imprensa, executivos do Google disseram que os brasileiros gostam de personalizar o Waze com vozes temáticas, mas alguns usuários podem considerar que o aplicativo possa estar falando demais. A partir de agora, o menu "Instruções por voz" passa a oferecer as opções "Normal", "Menos falante", "Apenas alertas" e "Desativado". Segundo o Google, o modo "Menos falante" reduz a quantidade de instruções por voz e prioriza mensagens mais curtas. Ainda assim, o usuário continuará recebendo alertas considerados críticos, como avisos sobre perigos, conversões e mudanças de faixa. Modo moto Modo modo no Waze. Divulgação/Google Outra novidade é o Modo Moto, que passa a informar ao motociclista o tempo estimado de uma viagem feita de motocicleta. Segundo a empresa, o sistema usa IA para considerar restrições específicas para motos e informar sobre buracos, lombadas, fins de acostamento e pontes estreitas. O Waze afirma que conta com uma equipe de editores que pilotam motocicletas para ajudar a manter as informações do recurso atualizadas. A função, que já estava disponível no Google Maps, chega agora ao Waze e pode ser usada em celulares Android e iPhone (iOS). Mais recursos de IA no Waze O Waze está ampliando o uso de inteligência artificial e, para isso, tem aproveitado a tecnologia do próprio Google para tentar melhorar a experiência no aplicativo. A empresa está levando mais uma vez o Gemini, rival do ChatGPT, ao Waze para ajudar os usuários a encontrar destinos. Será possível fazer perguntas como "Encontre um estacionamento perto do meu destino", "Encontre um posto de gasolina próximo com os preços mais baixos" ou "Encontre uma cafeteria aberta agora". O aplicativo exibirá uma lista de recomendações e dará a opção de iniciar a navegação. Outra novidade é a navegação personalizada, recurso que busca entender melhor as preferências do motorista. Segundo o Waze, se o usuário costuma preferir rodovias a ruas locais com mais semáforos, por exemplo, o aplicativo poderá destacar essa rota após o destino ser informado. "Ele sugere rotas com base nas suas viagens anteriores e na análise dos padrões de trânsito locais", explicou a empresa. A função pode ser desativada a qualquer momento nas configurações. WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa

Chevrolet Sonic: vai ter problema na correia? É melhor que os rivais? Veja respostas A Chevrolet já vendeu mais de 5 mil unidades do Sonic e, por isso, o g1 criou uma lista com detalhes importantes para quem considera comprar o SUV. É preciso saber como cuidar da nova correia banhada a óleo, conhecer os preços dos acessórios, entender a política de preços promocionais da GM e como o Sonic se comporta ao volante. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Cara de SUV, alma de hatch O g1 foi o primeiro veículo de comunicação a testar o Chevrolet Sonic. Na ocasião foi possível perceber em primeira mão que o Sonic tem vários argumentos que fazem dele um SUV, mas que na prática as sensações são de um hatch maior. O acerto da suspensão é justo e não tem a flutuação comum de carros com suspensão elevada. As imperfeições do solo podem ser percebidas pelo acerto firme, mas sem incomodar. A direção comunica bem e a frente do Sonic é ágil. Repórter do g1 faz teste do Chevrolet Sonic em concessionária de São Paulo Carlos Cereijo / g1 A posição de dirigir lembra a do Onix mais do que a do Tracker. O que pode ser um ponto positivo para quem quer comprar o primeiro SUV, mas não gosta da posição alta de dirigir nem do acerto desajeitado de um utilitário esportivo popular. Por outro lado, o cliente que busca um carro com alma de SUV talvez fique decepcionado. Neste caso, é melhor já pular para alguma configuração do Tracker. Peças compartilhadas Uma estratégia adotada por quase todas as montadoras é compartilhar componentes que o consumidor não vê, como câmbio, motor, parte eletrônica e itens de segurança. Em geral, são peças que ficam escondidas sob a carroceria ou atrás dos revestimentos de plástico do automóvel. Alguns fabricantes também compartilham partes da carroceria para ganhar escala e acelerar o processo de desenvolvimento de novos modelos. Com o Sonic, não é diferente. Portas e vidros, por exemplo, são os mesmos utilizados no Onix. Chevrolet Sonic RS 2027 tem portas e vidros laterais do Onix. Divulgação / GM Essa prática também é adotada por outras montadoras. A Fiat Strada utiliza as portas e para-brisa do Mobi, enquanto o Volkswagen Nivus compartilha as portas com o Polo. O desafio ao desenvolver um novo carro utilizando peças já existentes é fazer com que esses componentes sejam integrados de forma harmoniosa, sem transmitir a impressão de um projeto remendado. No caso do Sonic, o resultado parece ter sido positivo, já que, à primeira vista, não é possível perceber rapidamente que essas peças são as mesmas usadas em um modelo bastante comum nas ruas brasileiras. Medida de porta-malas Quando o Sonic foi apresentado, a Chevrolet sempre o comparou ao Nivus, embora o posicionamento de preço tenha ficado mais próximo do Tera. O g1 já fez comparativo entre Chevrolet Sonic, Fiat Pulse e Volkswagen Tera. Com 392 litros de capacidade, ele consegue oferecer um bom uso no dia a dia, mesmo custando menos que o Volkswagen Nivus. Também é importante observar como as montadoras medem a capacidade do porta-malas. Algumas divulgam o volume em litros, considerando o compartimento totalmente preenchido com líquido. Aproveitando cada frestinha, por menor que seja. Método que não reflete o uso na vida real. Metodologia VDA para medição de volume de porta-malas reflete melhor o uso real. Divulgação / Skoda 🔎 Na prática, o método VDA é o mais representativo. Nesse sistema, pequenos blocos de espuma com volume de um litro são acomodados no porta-malas, o que permite medir de forma mais fiel a capacidade de uso do compartimento. Por isso, ao comparar o volume do porta-malas entre diferentes modelos, vale prestar atenção ao método de medição utilizado. E, claro, nada substitui ver o carro pessoalmente para avaliar o espaço disponível no uso real. Correia banhada a óleo O g1 já abordou esse tema no ano passado, quando o Onix recebeu uma atualização para tentar conter as reclamações de clientes que relatavam problemas com o componente. O curioso é que a Chevrolet nunca admitiu oficialmente a existência de um defeito, mas apresentou uma solução. Antes de explicar as mudanças, é preciso entender o problema: Segundo a Chevrolet, com o passar do tempo, ou em casos de manutenção inadequada (como falta de troca de óleo, uso de lubrificante fora da especificação, óleo falsificado), a parte traseira da correia, oposta à parte dos dentes, começava a se esfarelar. Isso acontecia porque o óleo criava um ambiente ácido e reagia com a correia, esfarelando-a. Esse material podia entupir dutos do motor, provocando falhas, acendimento da luz de injeção e outros problemas que levavam a reparos mais caros. Correia dentada banhada a óleo da Chevrolet André Fogaça/g1 De acordo com a GM, esse desgaste era provocado pelo uso de óleo inadequado ou fora das especificações recomendadas. Para resolver a situação, a Chevrolet adotou algumas medidas. A primeira foi trocar o fornecedor da correia. Segundo a montadora, o novo componente é mais resistente caso o óleo utilizado esteja fora da especificação. A segunda medida foi reforçar a orientação de que o motor deve utilizar exclusivamente óleo 0W20 com certificação Dexos. A terceira foi ampliar a garantia da correia para 15 anos. A Chevrolet também reforça que a correia banhada a óleo exige menos manutenção e, desde que todas as revisões sejam feitas corretamente, a substituição do componente só é necessária aos 240 mil quilômetros. O Chevrolet Sonic utiliza a mesma tecnologia. Segundo a GM, o modelo já sai de fábrica equipado com essa nova correia e deve seguir as mesmas recomendações. Resta saber se essas mudanças serão suficientes para reduzir as reclamações dos clientes. Preço promocional Quando o Chevrolet Sonic foi anunciado, o preço inicial era de pouco menos de R$ 129.990 para a versão Premier e de quase R$ 135.990 para a versão RS, a mesma testada pelo g1. Logo depois, esse valor passou a aparecer com um asterisco no site da montadora. Ao montar o Chevrolet Sonic no configurador, os preços são diferentes: a versão Premier custa R$ 134.990, enquanto a RS chega a R$ 140.990. Nos termos e condições do preço promocional, é possível verificar que o financiamento precisa ser feito por um banco específico, além da exigência de condições de entrada, parcelas ou da entrega de um veículo na troca. Portanto, o preço efetivo do Chevrolet Sonic é o que aparece no configurador do site. A condição promocional está em vigor até o dia 31 de julho de 2026. Chevrolet Sonic 2027 Divulgação / GM Pedido é diferente de venda Outro ponto importante envolve a divulgação de "recordes de vendas". E essa não é uma prática exclusiva da Chevrolet, mas também de outras montadoras. A GM divulgou que o Sonic alcançou 14 mil pedidos. Isso pode dar a impressão de que a marca vendeu 14 mil unidades do modelo no mês de maio. No entanto, os números oficiais de vendas divulgados nos relatórios da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) consideram os emplacamentos, ou seja, os veículos efetivamente licenciados. Ao observar esses dados, não há 14 mil unidades do Sonic emplacadas em maio de 2026. Foram vendidos naquele mês 2.778 Sonic. O número divulgado pela empresa corresponde às reservas ou intenções de compra feitas pelos consumidores, que podem até ter realizado um pagamento para garantir o veículo ou demonstrar interesse na aquisição. Pela legislação, porém, a pré-venda tem regras diferentes. Mesmo nessa etapa, ainda existe a possibilidade de desistência por parte do cliente, com devolução do valor pago, conforme as condições previstas em contrato. A reportagem do g1 entrou em contato com o Procon de São Paulo para entender a prática das campanhas de pré-vendas das montadoras. Segundo a entidade, a pré-venda pode ser equiparada a um pré-contrato entre as partes: fornecedor e consumidor. Ali são estabelecidas todas as regras e condições daquela contratação, como valores e formas de pagamento, datas e prazos, características do objeto da transação, condições para desistência, entre outras especificidades. Especificamente quanto às compras de carro feitas fora da concessionária física (como internet ou plataformas digitais), o Código de Defesa do Consumidor prevê a possibilidade de desistência da compra em até sete dias, a contar da data da aquisição ou do recebimento do produto. Nesses casos, os valores pagos pelo consumidor deverão ser devolvidos. Por isso, quando montadoras divulgam recordes, o que está sendo informado são recordes de pedidos ou de intenções de compra, e não de veículos efetivamente emplacados naquele momento. Preço dos acessórios A Chevrolet estreou no Sonic o desenho da sua nova “gravatinha”. E o SUV também trouxe a novidade do logo iluminado na grade dianteira. O item chama a atenção, mas não vem de série em nenhuma das versões. É preciso desembolsar R$ 800. Os adesivos em preto e vermelho nos para-lamas são mais R$ 698. Para seguir essa identidade nas rodas o preço é de R$ 390. No para-choque dianteiro, os filetes custam R$ 850. Galerias Relacionadas Quem gostou da iluminação customizável em LED para cabine vai precisar desembolsar R$ 1.163. Soleiras de porta com o logo Sonic custam mais R$ 447. O departamento de cores, assim como outras marcas, também tem valores diferentes. Na versão Premier, a cor de série é o azul. Já o branco custa R$ 950 e prata, cinza, preto e vermelho custam R$ 1.800. No Sonic RS, a cor que vem sem custo é a preta. Por R$ 950 dá para levar a carroceria em branco. Pelas cores vermelho e cinza, a GM pede R$ 1.800. Promoção na conectividade O Sonic tem uma nova configuração dos serviços conectados da Chevrolet. Os modelos equipados com o sistema OnStar passam a sair de fábrica com o plano Basics incluído por oito anos. Entre as funções disponíveis estão o acesso ao aplicativo myChevrolet, diagnósticos remotos, localização do veículo e comandos à distância, como travar e destravar as portas ou ligar o motor antes da viagem para climatizar a cabine. Quem quiser ampliar os recursos pode contratar o plano OnStar Protect, que acrescenta atendimento de segurança e emergência 24 horas. A promoção de gratuidade vale por 1 mês e tem mais dois meses após registro de cartão de crédito. O sistema OnStar Protect reúne outras funcionalidades. Em caso de acidente, por exemplo, os sensores do carro podem acionar automaticamente a central OnStar. A equipe tenta contato com os ocupantes e, quando necessário, encaminha o chamado aos serviços públicos de emergência. Outro recurso disponível é o assistente de recuperação veicular, que auxilia na localização do automóvel em casos de roubo ou furto. Todas essas funções atuam em conjunto com os demais sistemas eletrônicos do veículo. Em julho de 2026, os preços mensais do OnStar são R$ 104,90 pelo pacote Connect e R$ 124,90 pelo pacote Protect. O combo com os dois planos, chamado de Protect&Connect sai por R$ 149,90.

Inteligência Artificial no trabalho: até onde ela ajuda ou atrapalha? Reprodução/Freepik A inteligência artificial não está provocando uma "queda generalizada" do emprego nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde a taxa de desemprego se mantém próxima de seu mínimo histórico. As informações são do relatório sobre as perspectivas do emprego para 2026 publicado pela organização. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A taxa de desemprego na área do OCDE está em 4,9%, um nível próximo de seu mínimo histórico de 4,8% registrado em junho de 2023. Além disso, prevemos que o emprego nos países da OCDE continuará crescendo 0,3% neste ano e 0,6% no próximo", declarou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação do relatório à imprensa. "Até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra", destacou Cormann. "Embora a IA esteja modificando as competências que as empresas procuram e, claramente, tenha impacto sobre a demanda, por enquanto não está enfraquecendo as perspectivas de emprego nem para os jovens nem para os trabalhadores em geral. A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o", afirmou. Agora no g1 No entanto, o relatório destaca que "a incorporação dos jovens no mercado de trabalho é especialmente difícil" e que "os recentes avanços da inteligência artificial generativa" provavelmente não são alheios a esta situação. Segundo o relatório da organização econômica, que reúne 38 países da América, Europa, Ásia e Oceania, o mercado de trabalho também demonstrou resiliência diante da guerra no Oriente Médio, que provocou um forte aumento dos preços da energia. "A criação de emprego se manteve sólida, apesar dos efeitos do conflito em curso no Oriente Médio. O número de vagas, que constitui um indicador antecipado da demanda por mão de obra, diminuiu desde 2022 em relação ao máximo alcançado após a pandemia", explicou Cormann. No entanto, acrescentou: "desde a escalada do conflito, as vagas se estabilizaram em termos gerais". "No conjunto, as perspectivas de emprego são positivas, mas muitos trabalhadores ainda não percebem plenamente os benefícios de um mercado trabalhista dinâmico, especialmente no que diz respeito à sua remuneração", acrescentou o secretário-geral da OCDE. Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais "continuam sendo inferiores aos registrados há cinco anos", afirmou.

Jovens empreendedores: eles criam soluções, movimentam a economia e constroem o futuro O mercado de trabalho brasileiro está passando por uma transformação profunda. Cada vez mais jovens decidem pular a busca pelo primeiro emprego formal para abrir o próprio negócio. Dados recentes mostram que o número de empreendedores com até 29 anos subiu de 3,9 milhões em 2012 para 4,9 milhões em 2024. Esse movimento sugere um desejo por autonomia, mas será que apenas o entusiasmo juvenil garante o sucesso? Nosso estudo, publicado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), traz evidências que ajudam a entender melhor esse fenômeno e permite entender o que é sustentável de fato nesta tendência. O mito do jovem prodígio versus a realidade dos dados Reportagem publicada pelo jornal O Globo destaca histórias de sucesso de jovens com pouco mais de 20 anos. No entanto, a pesquisa acadêmica faz um alerta importante sobre o perfil de quem realmente prospera. O estudo identifica que o perfil de fundadores com maiores chances de êxito é o de profissionais maduros, acima de 40 anos. Essa evidência refuta a ideia comum de que o empreendedorismo é um “jogo apenas para jovens”. A maturidade traz uma menor aversão ao risco calculado e maior capacidade de realização. Além disso, o sucesso está muito ligado à experiência prévia em outras empresas e a uma formação acadêmica sólida. Educação: o diferencial entre sobreviver e crescer O levantamento do Sebrae mostra que o nível de escolaridade desses novos empresários aumentou. O grupo com ensino médio completo passou de 33% para 47% em pouco mais de uma década. Além disso, 17% dos jovens empreendedores já concluíram o ensino superior. Nosso estudo ratifica a formação acadêmica como um fator essencial para o sucesso. De forma mais específica, o estudo revela que 70% dos fundadores de startups de sucesso possuem pós-graduação. Pessoas com mais tempo de estudo sentem-se mais confiantes para detectar oportunidades de negócio. A educação formal ajuda a transformar a “vontade de fazer” em processos de gestão estruturados. Sem isso, o empreendimento corre o risco de ser apenas uma ocupação temporária por falta de opção. Design: muito além de uma “logomarca bonita” Um ponto comum entre a reportagem indicada e a pesquisa é a importância da tecnologia e da diferenciação. Muitos jovens usam ferramentas digitais para baratear a entrada no mercado. Mas o estudo da UERJ mostra que um dos segredos para inovação sustentável está numa boa gestão do Design. Para muitos, o design é apenas a estética do produto. Do ponto de vista acadêmico, ele é um processo de tomada de decisão para resolver problemas de forma criativa. O uso estratégico do design permite que a empresa entenda melhor as necessidades do cliente. Isso acontece por meio do que os pesquisadores chamam de abordagem Design Thinking. O Design Thinking organiza o pensamento crítico de forma criativa e colaborativa para criar soluções que as pessoas realmente queiram usar. O desafio do aprendizado constante Durante uma palestra em 2024 a professora da UERJ e assessora da diretoria de Tecnologia da Faperj, Renata Angeli, explicou que a troca de informações e experiências é vital para esses jovens. Esta afirmação é consistente com os achados acadêmicos e está associado ao conceito de meta-aprendizado. O meta-aprendizado é, basicamente, a capacidade de “aprender a aprender” de forma contínua. Os programas de aceleração apoiam diretamente no desenvolvimento dessa competência ao permitir que o empreendedor se dedique à sua ideia. Em um mundo onde as tecnologias mudam rápido, o empreendedor não pode parar de estudar. O estudo sugere que as universidades precisam ensinar liderança e autonomia de forma transversal. Isso prepararia o jovem para lidar com o fracasso, que ainda é um grande tabu no Brasil. Aprender com o erro é um pré-requisito para inovar em ambientes de incerteza. O crescimento do empreendedorismo jovem é uma notícia positiva para a economia. No entanto, para que esses 4,9 milhões de brasileiros gerem riqueza real, é preciso ir além do CNPJ. A ciência mostra que a combinação de educação superior, experiência de mercado e gestão do design é um dos caminhos que separam uma ideia passageira de um negócio escalável. O jovem empreendedor de 2026 tem a tecnologia a seu favor. Mas ele precisará da disciplina da gestão e da sensibilidade do design para transformar sua energia em inovação duradoura. Rodrigo Schoenacher foi bolsista da Capes entre 2019 e 2020 e atualmente exerce o cargo de Diretor de Operações na Conservação Internacional Brasil.

Alunas produzem absorventes para distribuir kits contra a pobreza menstrual Na biblioteca de uma escola municipal na periferia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de adolescentes decidiu transformar uma conversa antes cercada de vergonha em acolhimento, informação e impacto social. Foi ali que nasceu o coletivo “Garotas de Vermelho”, criado por estudantes da Escola Municipal Saint Hilaire para combater a pobreza menstrual e abrir espaço para debates sobre saúde, violência e dignidade feminina. A iniciativa surgiu depois que as próprias meninas perceberam que muitas colegas não tinham acesso a absorventes ou sequer conseguiam falar sobre menstruação dentro de casa e na escola. “A menstruação era um assunto escondido”, conta a estudante Joana Souza, uma das criadoras do projeto. Como alunas de escola pública usam empreendedorismo contra pobreza menstrual no RS Reprodução/PEGN Além de rodas de conversa, o coletivo distribui itens de saúde menstrual para meninas em situação de vulnerabilidade. O grupo também criou kits com absorventes reutilizáveis e bolsas térmicas. A lógica é simples: cada kit vendido ajuda a financiar outro que será doado gratuitamente. Com ações educativas voltadas para crianças e adolescentes, o projeto já passou por mais de 30 escolas da capital gaúcha e se tornou referência em debates sobre dignidade menstrual e prevenção à violência sexual. As conversas acontecem de “menina para menina”, o que, segundo as estudantes, faz com que as participantes se sintam mais seguras para compartilhar experiências e dúvidas. O impacto da iniciativa levou o grupo a conquistar destaque nacional no Desafio Liga Jovem, competição de empreendedorismo voltada para estudantes. Como alunas de escola pública usam empreendedorismo contra pobreza menstrual no RS Reprodução/PEGN A experiência abriu portas para mentorias, eventos e até uma viagem para Madri, onde as adolescentes apresentaram o projeto em espaços de inovação. Hoje, o sonho das jovens é ampliar o alcance da iniciativa para que mais meninas tenham acesso a itens básicos de saúde menstrual e informação sobre o próprio corpo. “A educação empreendedora contribui para a transformação social”, afirma a professora Maria Gabriela de Souza, orientadora do projeto. Coletivo Luisa Marques 📸 Instagram: https://www.instagram.com/coletivoluisamarques/ 📸 Instagram: https://www.instagram.com/garotasde_vermelho/

Em uma carta pública endereçada a autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, associações que representam empresários brasileiros e americanos defenderam a ampliação do comércio entre os dois países em diversas áreas, entre as quais data centers, automóveis e minerais críticos. A carta foi enviada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce no contexto em que autoridades do Brasil e dos Estados negociam um eventual acordo em torno do tarifaço sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano. O prazo para o acordo é 15 de julho. Estimativas da CNI dão conta de que, se implementado, o tarifaço vai atingir cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para o mercado americano, o que representa US$ 15 bilhões. Itamaraty mapeia mais de 40 empresas americanas contra tarifaço Nesse cenário, os empresários defendem, por exemplo: ➡️ampliar o acesso em alguns mercados (entre os quais segurança energética e data centers); ➡️aprofundar a cooperação regulatória em setores como o automotivo e o farmacêutico); ➡️apoiar uma moratória da OMC (transmissões eletrônicas); ➡️acelerar o exame de patentes; ➡️cooperação em minerais críticos. “Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros”, afirma um trecho da carta. “O avanço […] por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, concluíram as entidades. O documento é endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de Marco Rubio (secretário de Estado americano) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca). Em resposta à carta, o Ministério das Relações Exteriores afirmou: “Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional.” Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação Anadolu via Getty Images À espera da decisão O Brasil tenta convencer o UTSR a rever a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. Há expectativa de reuniões entre equipes brasileiras e americanas antes do dia 15 de julho, data limite para o órgão decidir sobre as tarifas. Nesta semana, o órgão abriu a fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais brasileiras e americanas dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, "a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”. Neto mencionou, ainda, que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado. As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos também recuaram 11% no mesmo período. "Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas", complementou. O sentimento geral é que a reversão das tarifas é impossível, mas que o alcance da medida possa ser reavaliado diante dos prejuízos à economia americana. Governo mapeou empresas americanas contra o tarifaço Como mostrou o g1, o Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pedem que produtos brasileiros não sejam tarifados com base na investigação aberta feita pelo governo de Donald Trump. Os pedidos foram apresentados sob o argumento de que não há substitutos produzidos no mercado doméstico para esses produtos. As entidades também alertaram que a aplicação das tarifas elevaria os custos para consumidores americanos e para indústrias dos Estados Unidos que utilizam esses itens como insumos para a fabricação de outros produtos. A informação consta da resposta oficial enviada pelo governo brasileiro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Entenda a investigação contra o Brasil Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA. Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. 🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção. Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos.

Ana Flor: Ainda serão feitas ao menos duas rodadas de conversas sobre tarifas dos EUA O governo brasileiro vai aguardar a dimensão da decisão dos Estados Unidos sobre aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% nas exportações de produtos brasileiros para calibrar a reação ao governo de Donald Trump. Termina na quarta-feira (15) o prazo para a Casa Branca decidir se coloca em prática ou não a nova ofensiva contra o Brasil. 🔎Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX. 🔎No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Em ambos os casos, uma longa lista de exceções foi apresentada para evitar uma alta de preços no mercado americano. Lula na Cúpula do G7 Jornal Nacional/ Reprodução A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha como cenário mais provável a confirmação das novas tarifas. A hipótese foi reforçada após a declaração recente do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, de que os dois países ainda estão distantes de um acordo. No entanto, negociadores brasileiros avaliam que, neste cenário, existe a possibilidade de o Departamento de Estado norte-americano incluir um anexo modificado na decisão sobre os 25%, aumentando a lista de exceções ao tarifaço, por exemplo. O governo brasileiro também aguarda ser chamado para uma última reunião virtual até quarta-feira (15) com Jamieson Greer. A expectativa é que haja uma prévia da decisão nessa reunião. Os cenários foram discutidos com o presidente Lula em reunião na última sexta-feira (10) com os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, no Palácio do Planalto. Segundo relatos, Lula reafirmou aos seus auxiliares que o Brasil tem obrigação de manter a negociação até o último momento, mas seguirá na posição de entender que as tarifas não têm justificativa. Reação do governo Até mesmo empresas americanas que dependem de importações brasileiras passaram a pressionar Washington para retirar alguns produtos do Brasil da lista de sobretaxas. O Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pedem que produtos brasileiros não sejam tarifados. Os pedidos foram apresentados sob o argumento de que não há substitutos produzidos no mercado doméstico para esses produtos. Caso haja a confirmação da taxação, interlocutores do presidente Lula afirmam que a reação imediata do governo brasileiro deverá ser manifestar oficialmente "indignação" sobre a decisão da Casa Branca. A declaração deve seguir a mesma linha de discursos públicos do petista e das respostas oficiais assinadas pelo Ministério das Relações Exteriores à investigação dos Estados Unidos — que, no caso dos 25%, afirmam que a taxação não se justifica porque "a estrutura tarifária aplicada pelo Brasil já é altamente favorável às exportações norte-americanas". O governo brasileiro deve reforçar também o entendimento de classificar uma nova taxação ao país como "inaceitável". As equipes técnicas e de alto nível do Brasil também devem se debruçar por alguns dias sobre a decisão para examinar a lista e avaliar os próximos passos — desde avaliar se há margem para tentar seguir nas negociações ou até a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade. 🔎A Lei de Reciprocidade foi aprovada no Congresso Nacional em abril do ano passado e regulamentada pelo presidente Lula três meses depois, uma semana após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A lei permite que o Estado possa retaliar países ou blocos que imponham barreiras contra o Brasil. A diplomacia brasileira acredita que o presidente Lula não deve fazer nenhum movimento neste momento para tentar negociar diretamente com Donald Trump alguma outra saída. Pedido de adiamento O governo de Lula acredita ser pouco provável o adiamento do tarifaço ao Brasil. O entendimento entre interlocutores é que a política industrial americana é feita com base em tarifas e até agora os EUA não fizeram concessões a nenhum país. Nas reuniões com os EUA, os norte-americanos sinalizaram também que o prazo para a conclusão da investigação em 15 de julho era “imexível”. Caso os EUA mudem de ideia e decidam adiar, a avaliação é que a decisão deverá vir com uma justificativa — o que evitaria, inclusive, uma guerra de narrativas sobre o que levou à decisão. O Brasil não chegou a pedir o adiamento da medida por entender que as tarifas não são justas, mas acredita que a prorrogação do prazo seria bem-vinda, ainda mais se motivada por questões econômicas ou pelo entendimento de que é necessário seguir com as negociações. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Reprodução Flávio pediu pelo adiamento das tarifas O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, tem defendido o adiamento da medida. No início do mês, ele enviou uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugerindo que a decisão sobre as taxas ficasse para depois das eleições. Em audiência pública nos Estados Unidos na semana passada, Flávio Bolsonaro reforçou o pedido e disse que este momento é o "pior possível" para novas tarifas e que elas beneficiariam Lula. 🔎 A participação nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) é aberta aos interessados que se inscreverem — foi assim que Flávio Bolsonaro ganhou o espaço para falar no evento. A atuação dele é independente e não tem relação com o Itamaraty. Em caráter reservado, um auxiliar da diplomacia brasileira cita que a ala ideológica do governo norte-americano, formada por nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil, pode tentar interferir nas eleições do Brasil mesmo que custe a credibilidade do Departamento de Estado. Um adiamento também pode vir como sinalização política para Flávio Bolsonaro, na busca de dar munição para o pré-candidato do PL usar em sua campanha. Seria um gesto político do presidente Donald Trump a favor do senador do PL. Trump, que havia se aproximado de Lula, acabou fazendo acenos para Flávio Bolsonaro ao recebê-lo na Casa Branca em maio, dias depois de também receber Lula. Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Um ano de tarifaço Há um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na qual anunciou que o governo americano iria impor uma tarifa adicional aos produtos brasileiros vendidos no mercado do país. Na carta, Trump saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e usou a expressão "caça às bruxas". Na mesma carta, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. O documento marcou uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países. Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas propostas pelos EUA entrem em vigor. Ao longo dos últimos 12 meses, algumas das tarifas foram revistas, outras mantidas e novas cobranças foram anunciadas pelo governo americano. Trump manda carta a Lula e anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros Reprodução

Katie e Alan Donegan conseguiram se aposentar quando ele tinha 40 anos, e ela, 35 Acervo pessoal/BBC Brasil Toda vez que chegava o inverno, Alan e Katie Donegan evitavam ligar o aquecimento da sua casa, no sul da Inglaterra. "Em vez disso, colocávamos mais camadas de roupa e usávamos bolsas de água quente; transformamos isso em um jogo", conta Alan. "Não era sofrimento, era estratégia." O casal reconhece que as outras pessoas os consideravam "extremistas" ou "loucos", por ficarem tão obcecados por não gastar dinheiro. Mas Alan explica que eles estavam "totalmente concentrados em comprar a liberdade". "Liberdade" significa a aposentadoria antecipada, que o casal conseguiu sete anos atrás, quando Alan tinha 40 anos, e Katie, apenas 35. Raramente eles pediam comida para entrega e sempre levavam almoço preparado em casa para o trabalho. "Economizamos 40 mil libras [R$ 274 mil] em 10 anos, graças a este hábito simples de levar as refeições para o trabalho", explica Alan. "Chegávamos a carregar os telefones celulares fora de casa e procurávamos cupons de supermercado que outras pessoas haviam descartado. Você pode chamar isso de loucura ou de jogada de mestre, mas funcionou." Alan havia trabalhado como paisagista, antes de abrir seu negócio de treinamento e coaching pessoal. Katie era avaliadora de riscos em uma empresa financeira. Em 2014, ele ganhava o equivalente a cerca de 63 mil libras (R$ 432 mil) por ano, e ela, 58 mil libras (R$ 397 mil). Além da boa renda, seus hábitos de economia extrema permitiram que eles se aposentassem cedo, já que aplicavam todo o dinheiro que podiam em investimentos. "Cada libra que investíamos nos aproximava um pouco mais da vida que desejávamos", explica Katie. Eles deixaram de trabalhar quando suas economias atingiram 1 milhão de libras (R$ 6,9 milhões). Leia mais Por que a gente gasta dinheiro mesmo quando queremos economizar? Entenda Katie e Alan Donegan procuravam todo tipo de cupons de descontos para economizar Getty Images/BBC Brasil 'Independência financeira, aposentadoria antecipada' Katie e Alan Donegan fazem parte de um movimento global pequeno, mas em crescimento, conhecido como Fire, sigla em inglês para "Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada". Este era um conceito pouco conhecido 15 anos atrás. Mas, hoje, são quase um milhão de membros no principal fórum de debates sobre o movimento na rede social Reddit. As instituições financeiras convencionais passaram a publicar inúmeros guias sobre o assunto. O princípio fundamental consiste em viver com extrema austeridade durante a vida profissional, para poder se aposentar o mais cedo possível. Para a maioria, a possibilidade de abandonar a vida profissional de forma antecipada é apenas um sonho. Com os altos custos de vida, de moradia e as dívidas estudantis, trabalharemos por mais tempo, não menos. Isso é confirmado pelas estatísticas. No ano passado, a idade média de aposentadoria no Reino Unido atingiu máximas históricas: 65,8 anos para os homens e 64,7 para as mulheres, segundo os dados oficiais. A situação é parecida nos Estados Unidos, onde a idade média de aposentadoria de homens e mulheres vem aumentando de forma constante desde a década de 1990. Em 2025, ela atingiu 64,8 e 63,3 anos, respectivamente, segundo um estudo de longo prazo. No Brasil, a idade média de concessão de aposentadorias foi de 57 anos para homens e de 56 para mulheres em 2024, segundo dados levantados pelo especialista Rogério Nagamine, citados em reportagem do jornal O Globo. Em 2019, a reforma da Previdência estabeleceu 65 anos como idade mínima de aposentadoria para homens e 62 para mulheres. Amy Minkley trabalhou como professora no exterior, até se aposentar aos 44 anos Acervo pessoal/BBC Brasil Mas os seguidores do movimento Fire estão plenamente comprometidos com seu objetivo. É o caso de Amy Minkley, de 49 anos. A professora americana de ensino secundário conseguiu se aposentar quando tinha 44 anos. Para isso, ela trabalhou no exterior, em escolas internacionais particulares do Japão, Singapura, Índia e Tailândia. Ali, ela conta que conseguiu ganhar mais dinheiro e ter um custo de vida muito menor que no seu Estado americano natal do Texas. Seu salário mensal chegava a US$ 6,3 mil (cerca de R$ 32,2 mil). Minkley também reduziu seus gastos ao mínimo. "Eu não tinha interesse em seguir o estilo de vida típico dos expatriados", afirma ela. "Eu raramente comprava roupas caras, conservava os aparelhos eletrônicos até que eles deixassem de funcionar, cozinhava a maior parte das minhas refeições em casa e pensava bem antes de fazer qualquer compra importante." "Compartilhar moradia quando vivi em Singapura e na Índia me permitiu economizar ainda mais", ela conta. "Além disso, em vários desses países, eu não precisava de carro, o que manteve meus gastos sob controle." Atualmente, Minkley mora em Bali, na Indonésia. Ali, sua receita de aposentadoria rende muito mais do que se ela tivesse voltado para os Estados Unidos. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a idade média de aposentadoria é de mais de 60 anos Getty Images/BBC Brasil Será que vale a pena? Carol Schleif é estrategista-chefe de mercado da consultoria financeira BMO Private Wealth, com sede em Toronto, no Canadá. Ela destaca que o movimento Fire continua sendo uma opção viável para muitas pessoas, mas a maioria se concentra mais em atingir equilíbrio na sua vida profissional. Por isso, em vez de se apressar para se aposentar o mais rápido possível, elas se concentram em combinar uma carreira profissional significativa com um estilo de vida dentro das suas possibilidades financeiras. "Se você se aposentar cedo, mas não tiver amigos, saúde ou um propósito de vida, terá atingido uma meta, mas sacrificado outras coisas", explica ela. "É preciso perguntar se realmente vale a pena." "Atualmente, as pessoas adotam um enfoque mais flexível. Elas tentam encontrar a forma de atingir seus objetivos de aposentadoria, sem deixar de aproveitar a vida." De toda forma, Sarah Coles, responsável por finanças pessoais da plataforma de investimentos britânica AJ Bell, alerta que seguir a filosofia Fire é cada vez mais difícil, já que a maioria das pessoas simplesmente não consegue colocá-la em prática. Mas ela destaca que diversos princípios do movimento Fire são valiosos e podem ajudar as pessoas a se aposentar um pouco mais cedo. Elas podem, por exemplo, começar a economizar desde jovens e aumentar os aportes para a aposentadoria após cada aumento de salário. "Um caminho equilibrado pode permitir que você atinja a aposentadoria que desejar, no momento que quiser, sem prejudicar seu estado de espírito. É simplesmente necessário um enfoque mais flexível e realista", explica Coles. Algumas das ideias do movimento Fire podem ser aplicadas à vida da maioria das pessoas Getty Images/BBC Brasil Na comunidade Fire, algumas pessoas passaram a optar por este caminho menos intenso, gerando a criação de subcategorias, como o Fire Barista. Este enfoque consiste em economizar o suficiente para que a receita dos investimentos possa cobrir a maior parte dos gastos do dia a dia e complementar o valor com um trabalho em meio período. Mas, para alguns seguidores do movimento, a frugalidade extrema continua sendo a principal estratégia para atingir a aposentadoria antecipada, um sacrifício que eles consideram valer a pena a longo prazo. "Os princípios do Fire são simples e não mudaram", diz Minkley. "Você gasta menos do que ganha, investe a diferença e dá ao seu dinheiro o tempo necessário para crescer."

IAC desenvolve batata-doce que produz 4 vezes mais e tem 'superdose' de vitamina A TV TEM/Reprodução Uma nova variedade de batata-doce desenvolvida no interior de São Paulo promete revolucionar o campo e a alimentação escolar devido ao seu superdesempenho e valor nutricional. Batizada de "IAC Dom Pedro II", a cultivar registrou uma produtividade 48% superior à da batata-doce canadense, que é a líder de cultivo no território paulista. Os testes ocupam uma área de meio hectare no Centro de Produção e Transferência de Tecnologia Agropecuária (CPTTA), em São José do Rio Preto (SP). O alimento foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e recebeu o nome em homenagem ao fundador do instituto. A tabela nutricional da nova variedade superou amplamente os índices de mercado, tornando-se uma aliada estratégica para a saúde humana. A batata "IAC Dom Pedro II" apresenta 77 microgramas de betacaroteno por grama de polpa fresca. A maioria das variedades comerciais cultivadas atualmente registra menos de 1 micrograma por grama. O composto é um poderoso antioxidante que o organismo humano transforma diretamente em vitamina A, nutriente essencial para o desenvolvimento e para a imunidade. De acordo com Carla Zoccal, coordenadora do CPTTA da Secretaria de Agricultura de Rio Preto, a variedade possui uma casca consideravelmente mais fina, o que reduz o desperdício. O rendimento por área surpreendeu as equipes técnicas durante os testes de colheita. Valdemir Antonio Peressin, pesquisador científico do Centro de Horticultura do IAC, relatou que o potencial produtivo da nova batata-doce gira em torno de 80 toneladas por hectare. O volume equivale a quatro vezes mais do que a média de produtividade atual do estado de São Paulo e chega a ser cinco vezes maior do que a média de produção nacional para a cultura da batata-doce. Embora os experimentos no CPTTA ainda estejam em fase inicial, o plano é dobrar a área de plantio nos próximos meses para gerar interesse nos agricultores locais. O objetivo principal do município é introduzir a "superbatata" na alimentação de escolas e creches municipais. Veja a reportagem exibida no programa em 12/07/2026: IAC desenvolve batata-doce que produz 4 vezes mais e tem 'superdose' de vitamina A VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

'Safrinha' de uva ganha força com o frio e vira negócio lucrativo no interior de SP TV TEM/Reprodução O amanhecer frio, com termômetros na casa dos 10°C, virou motivo de alegria para os produtores do interior de São Paulo. Embora a colheita tradicional da uva ocorra durante o verão, a chamada "safrinha" de inverno ganhou força e se consolidou como um negócio altamente lucrativo na região, chegando a registrar uma produtividade superior à da safra principal em algumas áreas. Na propriedade do produtor Anderson Tomazeto, são dois hectares e meio cultivados com diferentes tipos de uva. Nesta época do ano, as variedades Niágara, Núbia, Vitória e Melodia, as chamadas uvas de mesa, são as que mais saem. O frio é o grande responsável por impulsionar a qualidade das frutas, garantindo cores mais vivas, perfume marcante e sabor mais doce, embora a produção exija um manejo adaptado às baixas temperaturas. Em Itupeva (SP), o agricultor João Leonardo Foga utiliza a sabedoria de quem está na terceira geração da família no campo para conduzir uma estrutura de 70 mil pés de uva. Em sua propriedade, os trabalhos de colheita começaram na primeira semana de julho. O produtor destaca que a safra de inverno se tornou fundamental para a sustentabilidade financeira do trabalho no campo. Para proteger o investimento e garantir o padrão do fruto, toda a plantação do João é coberta por redes de proteção. Com mercado garantido, a produção local é vendida para grandes centros como Campinas, São Paulo e Belo Horizonte. O cenário confirma um período para celebrar o trabalho rural, prometendo excelentes retornos econômicos para os produtores. Veja a reportagem exibida no programa em 12/07/2026: 'Safrinha' de uva ganha força com o frio e vira negócio lucrativo no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Lavoura de girassol ocupa área cultivada entre as safras de milho e soja em propriedade no interior de São Paulo TV TEM/Reprodução Além de colorir a paisagem com o amarelo das flores, o girassol tem se consolidado como uma alternativa para produtores rurais do interior de São Paulo. Utilizada no período entre as safras de milho e soja ou na rotação com o amendoim, a cultura ajuda a diversificar a produção e ainda traz benefícios para o solo. Em Pederneiras (SP), o produtor rural Danilo Dornelas voltou a plantar girassol após alguns anos para aproveitar a área entre o cultivo de milho e soja. Apesar de a chuva e a ventania terem prejudicado o início da lavoura, a expectativa é positiva. Em quase 90 hectares plantados com a variedade Aguará, a previsão é colher cerca de 90 toneladas. A variedade é destinada à alimentação de pássaros e a colheita será mecanizada. Segundo o produtor, a negociação do girassol está entre R$ 1,50 e R$ 2 por quilo. No ano passado, ele não cultivou a cultura, mas afirma que, de acordo com outros produtores, o valor pago foi de R$ 1,50 por quilo. Em Itaju (SP), o produtor rural e engenheiro agrônomo Frauzo Ruiz Sanches utiliza o girassol na rotação de culturas com o amendoim. A planta se adapta bem aos períodos de seca, é resistente a pragas e contribui para melhorar as condições do solo por causa do sistema radicular profundo. Com ciclo de aproximadamente 60 dias, o girassol entra na fase de floração, quando as abelhas iniciam o processo de polinização. A produção de Frauzo é vendida para empresas da região que utilizam as sementes na fabricação de óleo. A colheita ainda não começou, mas a expectativa é comercializar o produto por R$ 2,85 o quilo, mesmo valor registrado no ano passado. Além do retorno financeiro, o produtor destaca que o cultivo também chama atenção pela beleza das lavouras. Veja a reportagem exibida no programa em 12/07/2026: Cultivo de girassol vira alternativa de renda para produtores no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de jatobá sem glúten e sem lactose TV TEM/Reprodução O Nosso Campo deste domingo (12) ensina a preparar um bolo de jatobá sem glúten e sem lactose. Saiba como fazer: Ingredientes: 100g de farinha de arroz; 120g de farinha de jatobá; 80 ml de óleo de girassol; 250 ml de leite de coco; 150g de açúcar mascavo; 10g de fermento químico; 35g de granola. Modo de preparo Em um recipiente misture o óleo e o açúcar; Acrescente a farinha de arroz, a farinha de jatobá e o leite, mexa até se tornar uma mistura homogênea; Quando a massa estiver no ponto, adicione o fermento químico; Despeje a massa em uma forma untada; Adicione a granola por cima; Leve o bolo para o forno pré aquecido a 200 °C por 45 minutos; Espere esfriar um pouco antes de servir; Sirva. Veja a reportagem exibida no programa em 12/07/2026: Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de jatobá sem glúten e sem lactose VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Brasil se aproxima do limite da cota chinesa, e frigoríficos diminuem compra de bois O Brasil esgotou a cota de exportação de carne bovina para a China e deve reduzir as vendas ao país até o fim do ano. Isso, porém, não significa que haverá excesso de carne no mercado brasileiro. Pelo contrário: a previsão é de que o produto fique ainda mais caro no último trimestre do ano, segundo economistas ouvidos pelo g1. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A China, principal compradora da carne bovina brasileira, adotou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida de 12%. Depois que esse volume é atingido, a tarifa sobe para 55%, reduzindo significativamente a competitividade da carne brasileira. 🥩Por que a carne não deve baratear? Neste momento, os frigoríficos estão reduzindo o abate de bois, ou seja, há menos carne sendo produzida. Sem aumento da oferta, os preços nos supermercados tendem a permanecer elevados. 🥩O que vai fazer o preço crescer? A carne é enviada à China em navios, em viagens que duram cerca de 40 dias. Em janeiro, a cota será renovada, reabrindo o mercado chinês ao produto brasileiro. Por isso, no fim do ano, os frigoríficos tendem a direcionar a produção para atender à demanda chinesa de 2027. Ao mesmo tempo, o consumo no mercado interno aumenta com as festas de fim de ano, o que cria uma nova pressão sobre os preços. Entenda mais detalhes desse cenário abaixo. Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou no 1º semestre Mais boi no pasto Segundo Larissa Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX, as cotas estabelecidas pela China mudaram a dinâmica do mercado do boi no Brasil. Tradicionalmente, a maior demanda da China ocorria no segundo semestre, para atender às comemorações do Ano Novo Chinês. Com a criação da cota, os frigoríficos passaram a disputar quem conseguiria exportar antes de o limite ser atingido, explica a especialista. Como consequência, o preço do boi gordo atingiu o recorde de R$ 365 em abril. Com a redução das compras chinesas, o setor passou a diminuir o abate de bois. Na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, a queda foi de quase 3%. A tendência é de retração ainda maior nos próximos meses. Apesar da redução dos abates, os animais continuam disponíveis para venda. Por isso, o preço do boi gordo está em queda e gira em torno de R$ 330, segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. "Como nós estamos falando de uma atividade de ciclo longo, fica mais complicado para o pecuarista brasileiro cortar a produção de uma maneira rápida. As decisões em torno disso são mais lentas", explica. Mas esse período de preços mais baixos deve durar pouco. No último bimestre do ano, o setor tende a preparar a carne que chegará à China em janeiro. "O grande problema nessa história toda é que vai ter uma menor disponibilidade de gado para o abate nesse período. Tem o clima muito seco por conta do super El Niño que vem pela frente. Isso vai impactar na condição do pasto e vai reduzir ainda mais a disponibilidade para o abate", afirma. Segundo Iglesias, esse conjunto de fatores deve encarecer a carne no Brasil justamente em um período em que a demanda interna cresce por causa das festas de fim de ano. Veja os países para onde o Brasil mais exportou carne bovina em 2025; exportações de carne bovina Kayan Albertin/g1 Como fica o preço agora? Segundo Iglesias, da Safras & Mercado, a procura por carne no Brasil está baixa e não sustenta os preços pagos ao produtor neste momento. "Até tínhamos um certo otimismo em relação à Copa do Mundo, mas a eliminação da nossa seleção brasileira prejudicou até isso", explica. Segundo o professor Bruno Capuzzi, do Insper Agro Global, isso deve ajudar a manter o preço do boi mais baixo, o que pode trazer um alívio temporário para o consumidor. Além disso, segundo ele, as férias coletivas nos frigoríficos não significam redução da oferta no mercado interno, mas apenas uma manutenção do volume exportado. Já para Alvarez, da StoneX, a tendência é de estabilidade nos preços ao consumidor. Leia também: Veto à carne brasileira: governo responsabiliza setor produtivo por adequação às exigências da UE China pode ser substituída? Na previsão de Iglesias, perder o mercado chinês no segundo semestre representaria um prejuízo de até US$ 2 bilhões. Na prática, porém, o impacto deve ser menor, já que as exportações não serão totalmente interrompidas, embora devam cair de forma relevante. A tendência também é que os exportadores busquem novos mercados. Segundo o analista da Safras & Mercado, o Brasil já ampliou as vendas para países como Argentina e Uruguai. Outros países que ainda exportam para a China com tarifa reduzida também podem ampliar as compras de carne brasileira, seja para consumo interno ou para revenda ao mercado chinês. Isso ocorre porque, diferentemente do Brasil, muitos deles não conseguem atender simultaneamente à demanda doméstica e à chinesa. As cotas foram criadas pela China para estimular a produção local de carne bovina. Atualmente, os pecuaristas chineses não conseguem atender à demanda interna, e os preços permanecem elevados no país. "A China entende que, nesse momento, para ter essa recuperação do setor, vai precisar oferecer preços mais altos para a sua população. Sem alta do preço, não vai acontecer a alta do boi", explica Iglesias. Por outro lado, Capuzzi, do Insper, avalia que, se os preços continuarem subindo na China, o país poderá rever a restrição para ampliar as importações do Brasil. Outra possibilidade, segundo ele, é utilizar cotas de outras nações para atender ao consumo interno. Quando a medida foi anunciada, o Brasil tentou negociar pegar fatias de países concorrentes. No entanto, o pedido foi negado. LEIA TAMBÉM Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos 'Não existe mais ano normal': agricultores dos EUA mudam horários de colheita e protegem mudas para enfrentar calor extremo Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou no 1º semestre

Apenas a parte superior da casa no meio desta foto — um apartamento de três dormitórios — estava à venda por quase US$ 3 milhões Open Homes via BBC Em uma rua arborizada no bairro residencial abastado de Duboce Triangle, em São Francisco, a parte superior de uma casa isolada branca, da era eduardiana, atraía visitantes, entre potenciais compradores. O apartamento de três dormitórios, luxuosamente reformado, estava à venda por quase US$ 3 milhões (mais de R$ 15 milhões). E vinha atraindo cada vez mais atenção devido a uma forma de pagamento incomum: o vendedor aceitaria receber ações das empresas de inteligência artificial OpenAI ou Anthropic em vez de dinheiro. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia "O valor [do imóvel] é questionável, mas eu gostaria de comprá-lo", diz um jovem funcionário da OpenAI que acaba de visitar o apartamento com sua parceira. O funcionário, que se mudou para a cidade californiana há dois anos para um cargo técnico na empresa sediada em São Francisco, está atualmente morando de aluguel. Ele planeja perguntar aos seus chefes sobre a possibilidade de transferência de ações. Agora no g1 Bem-vindo a São Francisco em 2026, cidade que também abriga a gigante da IA, Anthropic. São Francisco é o epicentro da revolução da inteligência artificial e os preços imobiliários na cidade subiram drasticamente este ano. "Os preços estão simplesmente astronômicos", diz Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, uma empresa imobiliária que acompanha os preços de imóveis nos EUA. "As pessoas estão com dinheiro sobrando e prontas para comprar." Em março, São Francisco recuperou o título de cidade mais cara para compradores de imóveis nos EUA, ultrapassando a rival São Jose, localizada a 80 quilômetros ao sul, no coração do tradicional Vale do Silício. Naquele mês, o preço médio das casas em São Francisco subiu 19% em relação ao ano anterior, e essa tendência continuou, com altas de 14,5% e 14,1% em abril e maio, respectivamente, de acordo com dados fornecidos pela Redfin. O preço médio de venda na cidade, em maio de 2026, atingiu o recorde de US$ 1,76 milhão, em comparação com quase US$ 400 mil nos EUA como um todo, onde os preços subiram apenas 1,4% em março e 2% em abril e maio. A opinião de praticamente todos na cidade é que o dinheiro proveniente da inteligência artificial é o principal motor do aquecido mercado imobiliário de São Francisco. "Chegamos a essa conclusão com base no que estamos vendo nos dados e no que ouvimos de nossos agentes", afirma Fairweather. Ela destaca o aumento acentuado nos preços nos endereços de luxo da região da Baía de São Francisco – que inclui o Triângulo de Duboce – desde que a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022. Isso interrompeu a recessão que São Francisco sofreu durante a pandemia de covid, quando a população diminuiu e os preços dos imóveis caíram. Hoje, os altos salários e bônus de contratação pagos aos principais profissionais de IA na cidade podem ser extraordinários, mesmo para os padrões do Vale do Silício. Ainda mais generosas são as opções de ações que os funcionários puderam resgatar parcialmente por meio de vendas limitadas de ações. Em outubro passado, mais de 600 funcionários atuais e antigos da OpenAI venderam ações no valor total de US$ 6,6 bilhões, uma média de US$ 11 milhões por participante, conforme relatado recentemente. Na Anthropic, cujo principal produto é o Claude, foi divulgado recentemente que os funcionários também foram autorizados a vender ações no valor total de cerca de US$ 6 bilhões. E com ambas as empresas prestes a realizar aberturas de capital em bolsa ainda este ano ou no próximo, criando mais funcionários multimilionários, muitos acreditam que o setor imobiliário de São Francisco vai se valorizar ainda mais. Apartamento de três dormitórios no Duboce Triangle foi luxuosamente mobiliado Open Homes via BBC "A guerra de preços de hoje será vista como pechincha, e já é", diz Rachel Swann, a corretora responsável pelo imóvel no Triângulo de Duboce. Enrico Moretti é professor de economia na Universidade da Califórnia, Berkeley, e mora na cidade. Ele afirma que o boom da IA ainda está no começo e destaca que, embora a população e os níveis de emprego da cidade estejam aumentando, eles permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia. Existem também forças contrárias que podem estar impedindo o progresso. Grandes empresas de tecnologia, como a Meta, têm registado recentemente demissões em massa. E à medida que a indústria de IA passa de sua fase de inovação em rápido crescimento para uma de empresas consolidadas, é provável que necessite de trabalhadores menos especializados, que terão menos capacidade de exigir a mesma remuneração. Moretti também destaca que a maior parte da riqueza proveniente das futuras ofertas públicas iniciais (IPOs) da OpenAI e da Anthropic irá para os investidores, e não para os funcionários, e que essas empresas estão localizadas em diferentes partes do mundo. Mas, enquanto isso, o corretor de imóveis de São Francisco, Matthew Goulden, diz que a situação atual é "uma loucura". Goulden, que trabalha nesse mercado há mais de 20 anos, afirma que começou a notar um aumento no número de potenciais compradores – muitos do mundo da IA – no final do ano passado. Segundo ele, a tendência de alta não se restringe apenas a imóveis de luxo, mas se estende por todo o mercado, desde casas para uma única família até apartamentos de um quarto, e embora seja mais acentuada em bairros desejáveis, está sendo sentida em quase todos os lugares. Ele afirma que as guerras de lances — em que compradores se dispõem a pagar preços cada vez mais altos — são comuns neste momento, por vezes elevando os preços de venda milhões acima do valor pedido. Ao mesmo tempo, ele acrescenta que as casas estão sendo vendidas mais rápido do que nunca, e o número de compras à vista parece estar aumentando consideravelmente, principalmente no segmento de alto padrão do mercado. Danielle Lazier, outra corretora de imóveis experiente de São Francisco, descreve uma situação semelhante, mas acrescenta uma perspectiva diferente. Segundo ela, há muito tempo existe uma tendência em São Francisco de anunciar imóveis abaixo do valor de mercado para criar um efeito de leilão. E a oferta é cronicamente limitada – São Francisco é pequena, tem uma alta proporção de inquilinos e tem tido dificuldades para construir novas moradias (mesmo que o novo prefeito da cidade, focado no crescimento e na recuperação, esteja buscando mudar isso). "De repente, o dinheiro proveniente da IA pode ter um efeito desproporcional", diz ela. Enquanto isso, à medida que o novo boom da IA ganha força, a história de quem consegue ficar em São Francisco e quem não consegue é contada pelos seus moradores. Duas famílias de São Francisco com filhos em idade escolar, que pediram anonimato para proteger sua privacidade, conseguiram recentemente comprar casas prontas para morar, atendendo à sua necessidade urgente de mais espaço – mas apenas uma delas conseguiu fazê-lo dentro da cidade. Essa família conseguiu comprar uma casa no disputado bairro residencial onde moravam de aluguel há muito tempo, depois que um dos pais, que trabalha na OpenAI, vendeu algumas ações da empresa em outubro passado, dando à família o impulso financeiro necessário para comprar o imóvel à vista. O casal diz se sentir "em conflito e constrangido" pelo fato de ter sido o dinheiro da inteligência artificial que tornou tudo isso possível. "Não somos pessoas extravagantes", dizem. "Apenas fizemos o que pudemos com a oportunidade." Em contrapartida, a outra família, que não obtém sua renda da IA ou do mundo da tecnologia, teve que se mudar para uma cidade mais suburbana na região da Baía de São Francisco, ao norte. A nova casa deles, comprada em parte com um financiamento imobiliário, inclui piscina e terreno adicional. É um tipo de vida diferente, observa a mãe de família, e eles já se adaptaram em grande parte – embora isso envolva um longo trajeto diário para o marido, que ocupa um cargo importante no governo em São Francisco. "Não teríamos ido embora se tivéssemos condições de ficar", reflete ela. "É meio frustrante e fico um pouco chateada ao ver todo esse dinheiro extra da IA expulsando todo mundo." O apartamento no Duboce Triangle foi vendido por US$ 3,2 milhões – US$ 200 mil acima do preço pedido, segundo o corretor imobiliário. Ele não disse se o negócio incluiu ações de empresas de IA. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Veja como ocupar o tempo das crianças nas férias Muitos trabalhadores brasileiros não utilizam integralmente o período de descanso garantido por lei. Apenas 33% aproveitam todos os 30 dias de férias a que têm direito — ou seja, somente 1 a cada 3 funcionários. A mediana de dias efetivamente utilizados é de 20 dias, mesmo a legislação assegurando 30. O levantamento da Deel, plataforma global de RH e folha de pagamento, em parceria com a Andreessen Horowitz, foi feito a partir de registros reais de solicitações de férias e licenças envolvendo mais de 1,5 milhão de trabalhadores em 150 países. No Brasil, foram analisadas 993 solicitações de férias em empresas, principalmente dos setores de tecnologia, startups e organizações com modelo de trabalho remoto ou híbrido. Com 30 dias de férias anuais assegurados pela legislação, o Brasil tem a segunda maior concessão entre os países analisados, atrás apenas da França, onde a média é de 34 dias. No entanto, o aproveitamento do benefício é menor: enquanto os brasileiros utilizam 72% dos dias disponíveis, os franceses chegam a 88%. A diferença chama atenção porque os dois países possuem políticas consideradas amplas de descanso. Mesmo com uma quantidade semelhante de dias garantidos, o Brasil registra um índice de utilização 16 pontos percentuais inferior ao francês. Brasileiros estão entre os trabalhadores que tiram férias mais longas Embora parte dos profissionais não utilize todos os dias disponíveis, o Brasil se destaca pelo tamanho dos períodos de descanso. De acordo com a pesquisa, 62% dos trabalhadores brasileiros tiram ao menos um período de 11 dias consecutivos ou mais de férias por ano - um dos maiores índices da amostra global. O percentual supera o registrado em países conhecidos por políticas voltadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como Suécia (55%) e Dinamarca (51%). O homem tinha ido de férias com a esposa e os dois filhos para Kos, na Grécia Getty Images via BBC Licenças médicas revelam diferença significativa entre homens e mulheres O levantamento também identificou uma diferença relevante no uso de licenças médicas entre homens e mulheres no Brasil. Durante o período analisado, 41% das trabalhadoras registraram ao menos uma licença médica, contra 21% dos homens, uma diferença de 20 pontos percentuais. O maior índice aparece entre mulheres de 35 a 39 anos: 54% delas tiveram pelo menos uma licença médica registrada no período, tornando esse o grupo com maior frequência de afastamentos em toda a amostra brasileira. Férias de meio período ainda são pouco utilizadas no Brasil Outro comportamento identificado pela pesquisa é o baixo uso de férias em períodos menores, como meio dia de afastamento. No Brasil, apenas 3% das solicitações analisadas corresponderam a esse formato, percentual bem inferior ao observado em países como França (11,5%), Reino Unido (11,3%) e Alemanha (9,4%). Enquanto nesses mercados a flexibilização da jornada já faz parte da cultura de trabalho, no Brasil ainda predomina um modelo mais tradicional, o profissional está trabalhando ou está oficialmente afastado.

Passada a fase de emergência, a Venezuela terá pela frente o desafio da reconstrução Getty Images via BBC A Venezuela enfrenta dias trágicos desde os terremotos de 24 de junho, que deixaram milhares de mortos e feridos no norte do país. Foram dias de muito esforço e desespero na busca por sobreviventes sob os escombros e no atendimento aos feridos em hospitais que já trabalhavam no limite antes da tragédia. Ao mesmo tempo, crescem as críticas à demora na resposta do governo venezuelano. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Mas a etapa mais difícil pode estar apenas começando. Passada a fase de emergência, o país terá pela frente o desafio da reconstrução. Será preciso erguer novamente os prédios que desabaram e recuperar estradas e outras infraestruturas danificadas ou destruídas pelo que já é considerado o pior desastre da história recente da Venezuela. Isso exigirá tempo e muito dinheiro. A questão agora é de onde virão esses recursos. Agora no g1 Até o momento, os valores anunciados pelo governo venezuelano, por países e por organismos multilaterais dispostos a ajudar estão muito abaixo do que especialistas estimam ser necessário para que o país se recupere dos danos causados pelos terremotos. A árdua batalha está apenas começando. Quanto custará a reconstrução da Venezuela O nível de destruição provocado pelo duplo terremoto é tão grande que ainda é difícil estimar não apenas a extensão dos danos, mas também quanto custará reconstruir as áreas atingidas: a capital, Caracas, e os estados de La Guaira, Carabobo, Miranda, Yaracuy e Aragua. Além das vidas perdidas e dos ferimentos sofridos por milhares de sobreviventes, há os enormes prejuízos materiais. Ainda não existe um levantamento completo, mas as imagens de dezenas de prédios desabados e de estradas partidas ao meio no Estado de La Guaira dão uma dimensão da catástrofe. As estimativas iniciais de diferentes instituições e especialistas variam, mas todas apontam que o esforço para reconstruir as áreas afetadas será gigantesco. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estimou os danos físicos diretos em US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 36,2 bilhões). Com base em imagens de satélite, o órgão calculou a quantidade de estruturas nas áreas atingidas pelos terremotos e ressaltou que a estimativa pode cair para US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 25,4 bilhões) ou subir para US$ 8,7 bilhões (aproximadamente R$ 47 bilhões), principalmente em razão das perdas em moradias e outros bens. Ainda assim, o valor não contempla todos os danos à infraestrutura nem o custo da reconstrução de longo prazo. Em comunicado, o Pnud afirmou que, à medida que novas informações forem reunidas, as estimativas do impacto total deverão ser revisadas. Segundo o órgão, esse impacto costuma variar entre 1,5 e três vezes o valor dos danos diretos. Caso a estimativa de US$ 6,7 bilhões se confirme, ela equivaleria a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) da Venezuela, segundo o Pnud. Mas outras projeções são ainda mais altas. O economista venezuelano Asdrúbal Oliveros estima que o custo da reconstrução deverá ficar entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões (entre cerca de R$ 64,8 bilhões e R$ 81 bilhões), incluindo habitação, infraestrutura, comércio, transporte e logística entre os setores mais afetados. Já Alejandro Grisanti, da consultoria venezuelana Ecoanalítica, disse à BBC News Mundo, serviço espanhol da BBC, que as suas estimativas iniciais apontam que o custo total da reconstrução ficará em torno de US$ 20 bilhões (em torno de R$ 108 bilhões). Quando as operações de resgate terminarem, a Venezuela terá pela frente o desafio da reconstrução Getty Images via BBC Os desafios da Venezuela A primeira fase da emergência exigiu uma intensa operação para resgatar pessoas presas sob os escombros e atender os feridos. Também foi preciso abrigar as milhares de pessoas que perderam suas casas, além de garantir alimentação e transporte para os desabrigados. Outra tarefa, talvez a mais dolorosa, é identificar os mortos e dar assistência às crianças que ficaram órfãs. Nas próximas semanas, o foco deverá se voltar para a avaliação dos danos e o início da reconstrução de estradas, da rede elétrica e das moradias. E, segundo especialistas, a ajuda internacional será indispensável. Os terremotos agravaram a situação de um país cuja economia já enfrentava anos de dificuldades. Esse cenário contribuiu para que a Venezuela registrasse uma das maiores ondas migratórias das últimas décadas. Segundo a Universidade Católica Andrés Bello, na Venezuela, o PIB venezuelano encolheu mais de 70% entre 2014 e 2021 por causa dos efeitos da queda da produção de petróleo, dos desequilíbrios fiscais e da hiperinflação. Antes mesmo dos terremotos, o Programa Mundial de Alimentos da ONU estimava, em seu relatório mais recente, que mais de 5 milhões de pessoas precisavam de assistência alimentar urgente no país. Grisanti, da Ecoanalítica, disse à BBC News Mundo que, "embora seja preciso agradecer a solidariedade internacional demonstrada no primeiro momento, com o envio de equipes de resgate, os valores anunciados para ajudar a Venezuela a se reconstruir estão muito longe do que será necessário". Imagens aéreas mostram a dimensão da destruição em La Guaira. Getty Images via BBC Quais recursos já foram anunciados A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo destinará US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,08 bilhão) de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) já alocados ao país. Ela também informou que o presidente da China, Xi Jinping, determinou o envio de US$ 17 milhões (cerca de R$ 92 milhões) para ajudar a Venezuela. O governo dos Estados Unidos prometeu mais de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,62 bilhão) em ajuda humanitária direta ao país sul-americano. Já o Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas liberou imediatamente US$ 15 milhões (cerca de R$ 81 milhões) para a Venezuela. Outros países e organizações diversas também anunciaram ajuda. Os limites e os obstáculos da ajuda Mesmo somando todos os recursos anunciados até agora, o valor está muito abaixo das dezenas de bilhões de dólares que, segundo especialistas, serão necessários para reconstruir o país. "As primeiras cifras anunciadas pela ajuda internacional foram modestas", disse Grisanti, da Ecoanalítica. Tamara Herrera, da consultoria Síntesis Financiera, afirmou à BBC News Mundo que "o desafio da reconstrução se soma aos problemas econômicos que a Venezuela enfrenta há anos". Os economistas concordam que o governo venezuelano não tem condições de assumir sozinho o custo da reconstrução. "O país não tem capacidade nem acesso ao financiamento internacional e agora se vê obrigado a buscar soluções sem saber como nem quando elas chegarão", afirmou Herrera. Além de insuficientes, os recursos anunciados até agora esbarram em dúvidas sobre a capacidade das autoridades venezuelanas de administrá-los e na imagem negativa do governo chavista em muitos países, o que pode desestimular doadores e investidores internacionais. "Quando há tanta desconfiança e tantas denúncias de corrupção, é natural que a primeira reação da comunidade internacional seja de cautela", disse Grisanti. "A falta de transparência do Estado venezuelano e as dúvidas sobre sua legitimidade dificultam a obtenção da ajuda internacional de que o país vai precisar." Outro obstáculo é a dificuldade da Venezuela para obter crédito. A dívida pública do país está tecnicamente em inadimplência desde 2017, quando o governo deixou de honrar os pagamentos dos títulos que havia emitido. Desde então, a Venezuela perdeu acesso aos mercados internacionais de crédito e acumula uma dívida estimada em cerca de US$ 170 bilhões (aproximadamente R$ 918 bilhões). As sanções impostas pelos EUA também dificultam o acesso a financiamento externo. Nesta semana, Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela negocia com os EUA e com o FMI a recuperação de recursos para reconstruir as áreas afetadas, mas ainda não há datas nem valores definidos. Em maio, o FMI anunciou a retomada das relações com o governo venezuelano e informou que iniciará conversas para restabelecer sua atividade de supervisão no país. O organismo ressaltou, no entanto, que essa reaproximação "não implica financiamento imediato" e que será "um processo". Durante a pandemia, a Venezuela deixou de receber os recursos extraordinários que o FMI disponibilizou a países para enfrentar a crise sanitária. Na época, o organismo afirmou que não podia determinar qual era o governo legítimo do país. Naquele momento, os EUA e seus aliados reconheciam o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Mas desde então muita coisa mudou. Nicolás Maduro foi capturado em Caracas e levado para Nova York em uma operação militar dos EUA, em 3/1 deste ano. A sua vice-presidente e principal aliada, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência e governa agora com o apoio explícito do presidente americano, Donald Trump. O FMI não descarta conceder ajuda ao governo de Rodríguez. Diante do histórico recente, é provável que exija um plano rigoroso de supervisão e o cumprimento de uma série de condições. E, caso os recursos sejam liberados, será necessário administrá-los com transparência e definir prioridades entre as diferentes necessidades das regiões afetadas. "Em outras catástrofes desse tipo, foi criada uma autoridade independente para garantir uma gestão eficiente e organizada dos recursos. Essa é uma fórmula que poderia ser adotada agora", propõe Grisanti, da Ecoanalítica. Mesmo que isso aconteça, outro desafio será contar com profissionais qualificados para conduzir a reconstrução. "O governo enfrenta limitações de capital humano, e o país vem de anos de declínio econômico, deterioração ética e sanções", afirmou Herrera, da Síntesis Financiera. Para Herrera, a situação enfrentada pela Venezuela, que pode marcar os próximos anos, pode ser resumida da seguinte forma: "Estamos diante de um Estado enfraquecido e tutelado, que hoje não tem condições de responder adequadamente. Por isso, a articulação com o restante da sociedade será indispensável."

Com o Innovation Park Artificial Intelligence (IPAI), Heilbronn quer competir com outros centros tecnológicos, como Londres. Nicolas Martin/DW Quando o empresário Bernd Wagner caminha pela nova sede da empresa, fica entusiasmado e diz coisas como "sete vezes mais aço do que foi utilizado na construção da Torre Eiffel" ou "cabos suficientes para ir daqui até Nápoles". Wagner é o responsável pela área de computação em nuvem e vendas da Schwarz Digits. Essas enormes quantidades de aço e cabos foram empregadas na construção da nova sede, que será oficialmente inaugurada em 21 de julho de 2026. O complexo, projetado para 3.500 funcionários e equipado com creche, restaurante e área fitness, lembra as sedes da Amazon, da Apple ou da Google: localizado numa elevação, é composto por cinco edifícios de vidro de vários andares, com formas suavemente curvas e estrutura em formato de colmeia. No centro do chamado Campus Schwarz Digits, há um pequeno lago, muito verde e bancos à sombra. "Isso aqui é uma declaração de intenções. Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém", afirma Wagner. Agora no g1 Dos supermercados para a TI Essa sede não fica na Califórnia, mas em Bad Friedrichshall, uma pequena cidade no sul da Alemanha, a poucos quilômetros de Heilbronn, a cidade natal daquele que é apontado por revistas especializadas como o homem mais rico da Alemanha: Dieter Schwarz, de 86 anos. Foi a partir de Heilbronn que ele construiu o império Lidl, uma das redes de supermercados mais conhecidas da Alemanha e presente em vários países da Europa. Mais de 600 mil pessoas trabalham em empresas do Grupo Schwarz em todo o mundo. 'Não precisamos nos esconder da Google nem de ninguém', afirma Wagner. Nicolas Martin/DW O conglomerado cresceu sobretudo graças às redes de supermercados Lidl e Kaufland. Mas, como o Grupo Schwarz prefere fazer tudo por conta própria, expandiu-se para diversas áreas: produção de alimentos, gestão de resíduos, reciclagem e, agora, digitalização. Em 2025, o Grupo Schwarz registrou um faturamento de quase 185 bilhões de euros – mais do que SAP, Mercedes ou Bayer. Só a montadora Volkswagen faturou mais entre as empresas alemãs. Europa sem dependência tecnológica O Grupo Schwarz sempre foi conhecido pela discrição. Quase nunca se fala sobre seu fundador, Dieter Schwarz. Há poucas fotografias públicas dele. Diz-se que ele consegue andar por Heilbronn sem ser reconhecido. Mas agora o Grupo Schwarz está nas manchetes com uma nova narrativa, que começa com a Schwarz Digits e gira em torno da independência digital e da valorização da Alemanha como polo tecnológico. "Se você não está sentado à mesa, acaba fazendo parte do cardápio", diz Wagner em seu escritório climatizado. Se nos últimos anos a Schwarz Digits cuidou sobretudo da infraestrutura de TI dos 14.500 supermercados do grupo ao redor do mundo, agora oferece seus serviços de nuvem e segurança digital também para empresas privadas e órgãos públicos. Segundo Wagner, o objetivo é fazer com que Alemanha e Europa voltem a ter protagonismo e deixem de depender totalmente das tecnologias dos Estados Unidos ou da China. "Queremos devolver à Europa sua capacidade de agir", afirma. Esse posicionamento está dando resultados. Nos últimos tempos, a empresa vem conquistando grandes contratos. Entre seus clientes e parceiros estão o governo da Holanda, ministérios alemães e a Federação Alemã de Futebol (DFB). Na região de Spreewald, ao sul de Berlim, a Schwarz Digits está construindo um centro de dados. Ao custo de 11 bilhões de euros, trata-se do maior investimento individual da história do grupo. O valor investido na nova sede em Bad Friedrichshall não foi divulgado. O que se sabe é que a instalação foi concebida para manter os talentos de TI na Alemanha e até mesmo atrair novos profissionais. A mensagem é clara: por que se mudar para o caro Vale do Silício se é possível trabalhar num setor do futuro no sul da Alemanha? Heilbronn se transforma Quem passeia por Heilbronn vê claramente como a cidade está formando os seus talentos. Um exemplo é o campus educacional da Fundação Dieter Schwarz, onde diversas instituições de ensino e pesquisa alemãs formam cerca de 8 mil estudantes. A expectativa é de que o número ainda vá crescer significativamente. Nas proximidades está o Experimenta, que se apresenta como o maior centro de ciência da Alemanha e virou símbolo da cidade e atração turística. Lá os visitantes podem vivenciar na prática tecnologias e aplicações de inteligência artificial. O prefeito de Heilbronn, Harry Mergel, participou da iniciativa que levou à construção do Experimenta há cerca de 20 anos. Uma das principais financiadoras do projeto foi justamente a Fundação Dieter Schwarz. Mergel é prefeito da cidade, que tem mais de 130 mil habitantes, desde 2014. Assim como muitos outros, ele evita falar muito sobre o mecenas que não deixou sua terra natal. "Toda pessoa tem direito ao anonimato", diz. O megaprojeto de IA A transformação da cidade já é visível. Heilbronn, que os próprios moradores às vezes chamavam de forma autodepreciativa de "Heilbronx", aparece hoje em alguns rankings como a cidade com o maior poder de compra da Alemanha. O crescente número de moradores vindos da Índia e da China também indica que empregos em tecnologia da informação estão atraindo profissionais para a região. Além disso, há um megaprojeto que deverá tornar a cidade ainda mais conhecida internacionalmente nos próximos anos: o Innovation Park Artificial Intelligence (IPAI). Com esse parque de inovação em inteligência artificial, Heilbronn pretende competir com centros tecnológicos como Londres e Paris. A expectativa é que até 5 mil pessoas trabalhem e pesquisem no complexo localizado nos arredores da cidade. Os primeiros edifícios serão inaugurados em 2027. Mais uma vez, tanto a Fundação Dieter Schwarz quanto o Grupo Schwarz desempenham um papel central no projeto. Os custos não foram divulgados, mas o IPAI já opera como rede de colaboradores desde 2022, e cerca de 140 empresas e parceiros desenvolvem projetos relacionados à inteligência artificial. Mergel, cujo mandato vai até 2030, é taxativo: "O futuro está sendo construído em Heilbronn". Loja da rede Lidl. Jelena Djuvic Pejic/DW Vai dar certo? Wagner vai na mesma linha: "A nossa região em breve se tornará o maior polo de formação em inteligência artificial da Alemanha e da Europa." E a Schwarz Digits pretende, claro, ocupar um papel importante nesse cenário. Mas será que a empresa realmente consegue competir com os gigantes da tecnologia? A Amazon, por exemplo, faturou 135 bilhões de dólares só no seu negócio de computação em nuvem no último ano. A Schwarz Digits, considerando todas as suas atividades, alcança cerca de 2,2 bilhões de euros em receita. Mesmo assim, Wagner demonstra confiança. Segundo ele, as oportunidades surgem naturalmente, já que Alemanha e Europa precisam urgentemente de soluções de TI independentes. O Grupo Schwarz também não é por acaso o maior varejista da Europa e o quarto maior do mundo. Dieter Schwarz já demonstrou diversas vezes paciência estratégica e faro para grandes oportunidades. Por isso, é perfeitamente possível que a nova grande aposta dele acabe se revelando um sucesso.

Efeitos do El Niño preocupam produtores de café no ES Os possíveis impactos do super El Niño sobre o clima já começaram a preocupar os produtores, especialmente de café, no Espírito Santo. O estado é um dos maiores produtores do Brasil e o primeiro em produção de conilon. O receio é de que o fenômeno reduza a safra do próximo ano. A formação do fenômeno climático fez disparar as cotações do café conilon e do arábica nas bolsas internacionais no últimos dias. E esse movimento de alta pode chegar ao bolso dos consumidores nos próximos meses. Com risco de quebra na produção e menos produto no mercado, a tendência é de que os preços subam. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Na Bolsa de Londres, que é referência para o café conilon, a valorização foi de quase 20% em menos de um mês. Já na Bolsa de Nova York, que negocia o café arábica, a alta chegou a 30% no mesmo período. Somente na última segunda (6), as cotações registraram uma das maiores altas da história, com avanço de até 16% em um único dia, o equivalente a cerca de US$ 60 por saca. Segundo o vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Jorge Nicchio, três fatores explicam a disparada dos preços: o risco de impactos do El Niño na próxima safra; a produção atual menor do que a esperada; e a atuação de fundos financeiros no mercado internacional. "Primeiro, se o El Niño vier vier numa intensidade grande, vai fazer um efeito de que a produção no próximo ano seja bem menor. O segundo motivo para a alta nos preços é a safra atual, que já está finalizando. O conilon teve uma queda expressiva, então vai ser uma safra menor do que o mercado estava precificando", explicou. No Brasil, o fenômeno do super El Niño deve provocar mais chuvas na Região Sul e estiagem nas regiões Norte e Nordeste, além de aumentar a temperatura em praticamente todo o território nacional, principalmente entre novembro e janeiro. LEIA TAMBÉM: DE REMÉDIO À GARANTIA DE ÁGUA: TCE recomenda medidas ao ES para enfrentar o Super El Niño; veja as ações CURIOSIDADE: DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção AGRESSÕES: Mulher mata homem a pauladas e diz que se defendeu de tentativa de estupro no ES Grão de café é impactado pela seca, afetando a qualidade do fruto Reprodução/TV Gazeta No bolso dos consumidores Apesar de um cenário favorável para quem vende café, Nicchio recomenda cautela aos produtores. "Se ele tem 100 sacas, ele vende 10 ou 15. Depois, vende mais 10 ou 15. Ele consegue fazer uma média de preço, o que é um preço bom no café dele", disse o vice-presidente. Quem acompanha os preços nas prateleiras ainda consegue notar um alívio nos supermercados. A professora universitária Claudia Cavalcanti contou que, nas últimas semanas, até notou uma pequena redução no valor do café. "Eu consumo bastante café e o que eu tenho observado é que, uns tempos atrás, o preço do café estava muito elevado, mas nas últimas semanas eu notei uma leve redução. Então, isso está facilitando bastante meu bolso", afirmou. Essa sensação pode ser explicada pela alta expressiva do café ao longo de 2025. O produto chegou a subir 80% em 12 meses. Como estava muito alto, qualquer redução, mesmo que pequena, já causa um alívio no bolso. Assim, os consumidores têm uma ligeira sensação de preço baixo, mas num patamar ainda elevado. Imagem ilustrativa de preparação do café reprodução Essa tendência deredução nos preços, no entanto, pode mudar. Para o economista Guilherme Dietze, o mercado mundial já enfrenta um cenário de baixa oferta e estoques reduzidos, situação que tende a pressionar ainda mais os preços caso o El Niño provoque perdas na produção. "Estamos falando de um período de baixa oferta, de um estoque mundial mais baixo. E diante de um grande desafio que temos, que é o super El Ñino, que pode prejudicar bastante a safra, isso pode também reduzir a oferta, manter baixa para o mercado e, com isso, mantendo o preço alto nos supermercados", explicou. Segundo o economista, caso o cenário climático se confirme, os efeitos devem ser sentidos de forma mais intensa no segundo semestre de 2026, à medida que as altas nas bolsas internacionais forem repassadas ao varejo. Os impactos podem seguir até 2027. Como enfrentar o El Niño Enquanto isso, o governo do Espírito Santo já começa a discutir medidas para reduzir os impactos sobre os produtores. O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, informou que a pasta se reuniu com instituições financeiras para garantir estratégias de proteção aos agricultores. "Os produtores que têm parcelas de crédito a vencer neste período de crise, já está acordado com os bancos de jogar essa parcela mais a frente, nas mesmas condições de contrato. Quem tem seguro, por exemplo, agricultura familiar, operação de custeios, que é o proágua, deve acionar o proágua. Também vamos lançar o nosso programa de crédito rural do Espírito Santo. A gente pega os dados do governo federal com as nossas linhas de crédito e vamos priorizar o financiamento dessas atividades mais resilientes", disse Enio Bergoli. Efeitos do El Ñino podem reduzir a próxima safra e preços começam a subir Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Anúncios do Instagram promovem material com abuso sexual infantil na Índia, segundo investigação da BBC BBC Importante: esta reportagem contém descrições de abusos. O Instagram vem publicando anúncios pagos promovendo material que contém abuso sexual infantil na Índia, segundo concluiu investigação da BBC. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os anúncios, conferidos pelo Serviço Mundial da BBC, empregam expressões como "vídeo de estupro" e "vídeo infantil" e oferecem aos usuários links para canais no aplicativo de mensagens Telegram, onde o material pode ser comprado por até 99 rúpias indianas (cerca de US$ 1, ou R$ 5,15). Após a publicação da reportagem, o governo indiano ordenou que a Meta, empresa proprietária do Instagram, desabilitasse imediatamente os anúncios e pediu explicações, no prazo de uma semana, sobre os motivos que os levaram a serem autorizados na plataforma, segundo uma autoridade de alto escalão. Agora no g1 Os anúncios no Instagram só são publicados depois de aprovados pela sua tecnologia de moderação. A BBC denunciou um dos anúncios ao Instagram. A plataforma de rede social respondeu 24 horas depois, afirmando que a postagem não violava as "normas da comunidade". A BBC enviou posteriormente um pedido de comentários à Meta, que respondeu já ter desativado diversos anúncios e suspendido as contas responsáveis pelas postagens. A empresa afirmou ter removido outros anúncios, desativado mais contas e bloqueado URLs (endereços na Internet) de outros conteúdos que violavam suas políticas, em resposta às descobertas da BBC. O Telegram declarou ter removido mais de 274 mil grupos e canais relacionados a materiais contendo abuso sexual infantil em 2026. A BBC criou uma conta com nome alternativo no Instagram, após perceber que a plataforma estava impulsionando conteúdo sexualmente sugestivo, mesmo para usuários que não buscavam este tipo de material. Este conteúdo incluía mulheres que postavam sobre comida, o clima e o dia a dia na Índia, vestidas com roupas reveladoras e usando insinuações sexuais nas suas postagens. Criada na Índia, a nova conta com nome alternativo começou a seguir essas mulheres e outras pessoas similares (10, ao todo) para investigar conteúdo sexualizado na plataforma. Em menos de uma semana, o Instagram começou a mostrar anúncios no feed, com mulheres oferecendo chamadas por vídeo e mostrando casais claramente nus em atos sexuais. Dias depois, a plataforma começou a mostrar anúncios de crianças com adultos em situações sexualmente sugestivas e links para canais no Telegram. O juiz aposentado da Suprema Corte da Índia, Madan Lokur, declarou recear que o Instagram estivesse 'ganhando dinheiro ao participar de atividade criminosa' BBC Surgiram ao todo cerca de 30 anúncios diferentes promovendo abuso sexual infantil, mas alguns deles foram compartilhados por diversas contas. Nossa conta alternativa também recebeu cerca de 20 anúncios mostrando pornografia com adultos. A distribuição de material relativo a abusos sexuais infantis e pornografia de adultos é crime na Índia. E a política da Meta afirma que os anúncios não devem conter nudez de adultos ou genitais, nem conteúdo que explore sexualmente crianças ou as coloque em risco. A BBC reportou todos os anúncios e os canais no Instagram para as autoridades indianas. Um dos anúncios mostrava um menino e uma menina, ambos aparentemente com cerca de 12 anos de idade, envolvidos em um ato sexual. Outro mostrou um homem com seu braço em torno de uma menina. O texto dizia que ele tinha 52 anos e a menina, 12. "Clique para assistir mais", dizia o anúncio, com um link para um canal no Telegram. A BBC reportou ao Instagram um anúncio mostrando uma menina muito jovem em lágrimas. Os dizeres indicavam que ela havia sofrido abuso sexual. Mas, 24 horas depois, o Instagram respondeu que não havia removido o anúncio porque "nossa equipe de revisão concluiu que o anúncio não viola os padrões da nossa comunidade". A Meta declarou posteriormente à BBC que "nenhum sistema é perfeito e nosso processo de análise pode não detectar todas as violações da política". "Continuamos a aplicar tecnologia de detecção proativa aos anúncios quando são publicados e qualquer pessoa pode nos reportar um anúncio que, segundo ela, violaria nossas regras", segundo a Meta. A empresa destacou que, quando toma conhecimento de uma aparente exploração infantil, ela o reporta ao Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC, na sigla em inglês), em cumprimento à legislação em vigor. O NCMEC é o sistema global centralizado de comunicação sobre a exploração sexual de crianças na internet. A BBC reportou ao Telegram dois canais por venderem vídeos de abuso sexual infantil. Um deles foi rapidamente derrubado em seguida e substituído por uma mensagem com os dizeres: "Este grupo não pode ser exibido porque violou os Termos de Serviço do Telegram". O outro canal continuou a postar novos vídeos para venda por mais de duas semanas, até ser igualmente derrubado. Críticos já haviam acusado anteriormente a plataforma de não fazer o suficiente para evitar a publicação de conteúdo criminoso. Com sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a empresa não é membro do NCMEC. No final de 2024, ela entrou para a Internet Watch Foundation, que também trabalha com a maioria das plataformas online para encontrar, reportar e remover este tipo de material. O Telegram declarou à BBC que a empresa utiliza moderação humana e automática para erradicar material de abuso sexual infantil do aplicativo. Com isso, o aplicativo "virtualmente eliminou a divulgação de material de abuso sexual ao público na sua plataforma", segundo a empresa. Anúncios do Instagram promovem material com abuso sexual infantil na Índia, segundo investigação da BBC Reuters via BBC Os anúncios são uma importante fonte de renda para a Meta. Em janeiro, a empresa divulgou que quase 98% da sua receita de US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 1 trilhão) obtida no ano fiscal com término em 2025 vieram da publicidade. E analistas calculam que os anúncios representem mais de 90% da receita do Instagram. As postagens padrão geralmente não são verificadas pela tecnologia da Meta antes da sua publicação. Mas a empresa afirma que todos os anúncios são analisados antes de serem autorizados nas suas plataformas. Seu sistema de análise conta principalmente com tecnologia automática e é projetado para verificar imagens, vídeo, texto e áudio, além do público-alvo do anúncio e dos links para onde ele encaminha os usuários. Este software rejeita ou aprova os anúncios, encaminhando casos incertos para análise humana. Em março, a Meta anunciou estar reduzindo o emprego de moderadores humanos e aumentando o uso de inteligência artificial. A empresa afirmou que "especialistas irão projetar, treinar, supervisionar e avaliar nossos sistemas de IA". A BBC descreveu os anúncios observados para o juiz aposentado da Suprema Corte da Índia Madan Lokur. Ele receia que o Instagram estivesse "ganhando dinheiro ao participar de atividade criminosa". "Esta é uma questão séria para que a Suprema Corte da Índia tome conhecimento por iniciativa própria [o que ocorre quando um tribunal inicia processos legais sem esperar que terceiros apresentem o caso] e faça com que o governo tome ações contra qualquer plataforma de rede social", segundo ele. Lokur destaca que, embora a legislação indiana proteja as empresas de redes sociais para que não sejam responsabilizadas por conteúdo postado pelos usuários, "a plataforma não pode fugir da sua responsabilidade". O ex-vice-presidente do Facebook, Brian Boland, declarou que o algoritmo do Instagram foi projetado para manter os usuários na plataforma, mostrando 'algo mais extremo, mais tentador' BBC Um ex-vice-presidente do Facebook, como a Meta era conhecida até mudar de nome em 2021, declarou que as descobertas da BBC o deixaram "horrorizado, mas não surpreso". Brian Boland, que trabalhou para a empresa entre 2009 e 2020 e a ajudou a construir seus negócios de marketing e publicidade, conta que saiu por acreditar que "eles não tinham nenhuma preocupação com os usuários". Boland declarou que o algoritmo do Instagram foi projetado para manter os usuários na plataforma, mostrando a eles "algo mais extremo, mais tentador". "Não é um algoritmo que diga 'vamos transformar as pessoas em pedófilos'. Mas, como eles não o orientam e controlam de forma responsável (ele só busca os objetivos de cliques e receita), ele criará estes resultados se as pessoas não se protegerem, de forma real e agressiva, contra esses sistemas." Boland conta que, entre 2009 e 2010, ele liderou um projeto para remover anúncios que promovessem golpes entre os usuários. Com isso, ele "tinha permissão, na época, para suprimir uma enorme parte da receita da empresa, para o bem da segurança e da experiência do usuário". "Acho que foi triste e trágico que, ao longo do tempo, o equilíbrio entre o lucro e a experiência do usuário se tornasse uma parte mais central das discussões", afirma ele. Boland afirma ter excluído sua conta no Instagram em 2025, destacando que "se as pessoas começassem a dizer em massa 'estou saindo, chega, acabou', a empresa começaria a prestar atenção". Em declaração enviada à BBC, a Meta afirmou que "a exploração infantil é um crime horrível e a Meta trabalha agressivamente no seu combate nos nossos aplicativos". A empresa afirmou ser "categoricamente imprecisa" a sugestão de que a Meta apontasse deliberada e conscientemente anúncios apresentando crianças aos usuários, com interesse inadequado naquele material. A Meta negou priorizar a receita em detrimento da segurança e afirmou que, em 2025, desativou automaticamente mais de quatro milhões de contas, por exibirem "sinais suficientes de comportamento potencialmente suspeito". "Criminosos determinados tentam passar sem serem detectados, mas as nossas equipes de especialistas trabalham constantemente para melhorar nossas defesas, desenvolvendo novas tecnologias para eliminar predadores, bloqueando links para websites transgressores e compartilhando inteligência com outras empresas, para que elas também possam tomar medidas", afirma a Meta. Boland testemunhou contra a Meta em um julgamento no Estado americano do Novo México no início deste ano. A empresa foi acusada de enganar usuários sobre a segurança das suas plataformas para as crianças. O tribunal ordenou que a Meta pagasse US$ 375 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhões) para o Estado do Novo México. Na época, uma porta-voz da empresa declarou que a Meta não concordava com a decisão e pretendia apresentar recurso. Shikha Goel, do Escritório de Cibersegurança do Estado de Telangana, no sul da Índia, afirma ter recebido mais alertas das plataformas da Meta, em comparação com outras redes sociais BBC As empresas americanas de redes sociais são obrigadas a relatar material referente a abusos sexuais infantis na sua plataforma à linha de denúncias do NCMEC, que encaminha os relatos às agências policiais competentes de cada país onde se acredita que ocorreram os incidentes. Em 2025, a Índia recebeu 1,9 milhão de denúncias, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com dois milhões. Shikha Goel é uma das principais policiais especializadas em crimes cibernéticos da Índia. Ela é diretora do Escritório de Cibersegurança do Estado indiano de Telangana, no sul do país. Ela afirma que o Instagram e o Facebook, ambos de propriedade da Meta, foram responsáveis pela maior parte das denúncias recebidas. "Mas isso não significa que elas sejam as maiores", explica ela. "Se eles tiverem um bom algoritmo para rastrear material de abuso sexual infantil, obviamente serão gerados mais alertas." A ONG Fundação Rati, com sede em Mumbai, mantém um serviço de ajuda para crianças que enfrentam perigos na internet. A entidade também declarou que a ampla maioria dos relatos recebidos sobre material de abuso sexual infantil vem das plataformas da Meta. A fundação colabora com as plataformas de redes sociais para a remoção de conteúdo perigoso. Mas seu diretor Siddharth Pillai, que também é um dos seus fundadores, afirma que "os criminosos fazem uso da navegação integrada entre o Instagram e o Telegram para se esquivar do nosso trabalho de moderação e continuam carregando novamente o conteúdo que ajudamos a derrubar". Especialistas afirmam que o material de abuso sexual infantil na Índia é normalmente criado por grupos criminosos, como traficantes de pessoas. Mas, às vezes, as famílias e membros da comunidade também são responsáveis. Bhuwan Ribhu é o fundador do grupo Just Rights for Children, uma rede de mais de 250 organizações que trabalham para evitar a violência contra crianças na Índia. Ele afirma que o crime não recebe denúncias suficientes e a polícia ainda tenta desenvolver habilidades técnicas para combatê-lo. E, para que este trabalho tenha sucesso, Ribhu destaca que a cooperação internacional e o compartilhamento de inteligência através das fronteiras são fundamentais. Para "encontrar os tentáculos do crime organizado, toda a cadeia de oferta e demanda precisa ser rastreada", declarou ele. LEIA TAMBÉM: O pedido de desculpas de Mark Zuckerberg a famílias de crianças prejudicadas por redes sociais Usuários verificados do X espalham imagens de abuso sexual infantil livremente, mostra investigação da BBC TikTok recomenda conteúdo sexual e pornografia para crianças, denuncia relatório

Possibilidade de ganho imediato é o principal fator para mulheres optarem por trabalho por aplicativo Foto: Carlos A. Moreno/ZUMA/IMAGO Após ser agredida e ameaçada de morte pelo ex-marido, Nany Cardoso decidiu denunciá-lo e pedir o divórcio. Sem emprego e morando de favor na casa do irmão com as três filhas, alugou um carro para trabalhar como motorista de aplicativo em Niterói (RJ). "No começo, chegava a ficar 17 horas trabalhando direto. Tinha que trabalhar dobrado para cobrir o aluguel do carro e ainda sobrar. Apesar de tudo, foi o que fez minha vida melhorar, trouxe renda para cuidar das crianças e sustentar a casa", relata. Casos como o de Cardoso se repetem no Brasil. Em 2024, 187,9 mil mulheres foram alvo de violência doméstica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A dependência econômica é um dos fatores que dificultam que as mulheres ponham fim a esses relacionamentos: 61% das vítimas afirmaram ter deixado de denunciar os parceiros por depender deles financeiramente. "As mulheres têm dificuldade de romper com as agressões porque percebem que não conseguem sobreviver sozinhas. Dependem da renda do marido e, quando se dão conta de que precisam se manter, precisam buscar uma fonte de renda", explica a professora Noézia Ramos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Mulheres ganham 21% a menos do que homens no Brasil Renda para romper violência Ao tentar ingressar no mercado de trabalho, essas mulheres se deparam com outras dificuldades, como altas taxas de desemprego: 72,1% dos homens em idade ativa estão empregados, contra 53,1% das mulheres, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT). Outro problema é o desequilíbrio na distribuição do trabalho doméstico. De acordo com a OIT, 31,7% das mulheres em idade ativa não procuram trabalho porque têm de cuidar de filhos, parentes ou da casa. Na dinâmica da violência doméstica, 17,1% das mulheres são impedidas de trabalhar ou estudar pelos maridos. Com menor instrução e experiência, o trabalho informal se torna uma alternativa para quem não consegue uma colocação. Nesse cenário, uma das opções é o transporte por aplicativo. Para Ramos, as plataformas são "uma alternativa em um cenário de desespero". A advogada Andrea Sampaio, que pesquisou a categoria em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), afirma que o trabalho por aplicativo oferece uma oportunidade rápida de geração de renda e maior autonomia para as mulheres. "É uma atividade que dá segurança para escolher estar ou não em um relacionamento e que permite conciliar trabalho e vida pessoal." Segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média mensal líquida dos motoristas varia de R$ 3.083 a R$ 4,4 mil. Ganho imediato e flexibilidade O trabalho nos aplicativos de transporte em Porto Alegre (RS) foi a solução para as dificuldades de Julia Monteiro. Há três, ela estava desempregada e era agredida pela ex-mulher. "Ela me deu socos, me empurrou da escada e tentou me enforcar. Então essa foi uma oportunidade de sair de casa, dava um alívio não sofrer violências no tempo em que estava trabalhando, e também me dava um bom retorno financeiro", conta Monteiro. Um levantamento de 2025 da consultoria Think Eva avaliou o perfil das motoristas. Para 73% das entrevistadas, a possibilidade de ganho imediato é o principal fator para optar por esse trabalho. Outras 37% disseram que ganham mais como motoristas do que no emprego anterior. Cerca de 78% disseram que a flexibilidade de horários é um dos principais atrativos. A motorista Nany Cardoso só trabalha no período da noite para ter tempo de ficar com as filhas durante o dia. "Posso levar ao médico, participar das festas na escola, coisa que o emprego CLT não me permitia". Ela diz que "dá para ganhar um dinheiro bom se você trabalhar muito". Ao todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo no Brasil Foto: picture alliance / NurPhoto Custo da autonomia Ao todo, 103,3 mil mulheres atuam atualmente como motoristas de aplicativo, segundo dados do Cebrap. O número é 62% maior do que há quatro anos. Apesar do crescimento, elas representam apenas 6% do 1,7 milhão de motoristas do país. Ainda que a atividade permita alcançar autonomia financeira, especialistas apontam que o trabalho por aplicativo é marcado pela precarização. "Há uma sensação de que estão trabalhando para si mesmas, mas falta proteção social em casos de acidente ou doença. Também faltam políticas públicas e creches. Já presenciei mulheres trabalhando com os filhos no carro por não terem onde deixá-los", afirma Sampaio. Um estudo da OIT e da ONU Mulheres realizado em países da América Latina, além de Portugal, Espanha e Andorra, apontou que mulheres ganham, em média, 40% menos do que homens nas plataformas de transporte por aplicativo. Para Noézia Ramos, parte dessa diferença pode estar relacionada à menor disponibilidade de tempo para trabalhar. "Se as mulheres enfrentam uma tripla jornada, cuidando dos filhos, da casa e do trabalho remunerado, elas acabam rodando menos. Além disso, preconceito contra mulheres ao volante pode influenciar avaliações feitas pelos passageiros", afirma. A presidente do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), Carina Trindade, conta que resolveu testar as plataformas. "Em uma roda com homens e mulheres, ligamos o aplicativo todos juntos e na maioria das vezes, tocou primeiro para eles. O valor das corridas para os homens também era maior". Questionada sobre o assunto, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne representantes de plataformas como 99, Buser, Flixbus, Lalamove, Uber e Zé Delivery, informou que não há qualquer tipo de diferenciação de remuneração de viagens baseada em gênero dos condutores. "Oscilações no preço das viagens são influenciadas por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria da viagem escolhida, níveis de oferta e demanda por corridas no horário e local específico, entre outros", afirmou em nota. Assédio e insegurança Mais do que questões econômicas, as motoristas enfrentam desafios quanto à insegurança no volante. De acordo com um levantamento da plataforma GigU, 59% das motoristas afirmam que já foram assediadas, assim como 97% das passageiras. "Isso é bem pesado. Eu preciso falar grosso quando os caras estão de conversinha para ver se entendem", afirma Trindade. Cardoso foi alvo de assalto. "No fim da tarde, quando desembarquei uma passageira e passei em uma rua deserta, um homem que estava de moto parou meu carro, disse que não podia andar Uber ali e puxou meu telefone". Desde 2020, as empresas passaram a ofertar entre as opções de corrida as que tinham mulheres na direção. "Nunca sabemos se realmente é uma mulher ou homem. Aceitamos, acreditando ser uma passageira, mas elas podem chamar a corrida para eles e colocam as motoristas em risco. Se desistem da corrida, podem ser bloqueadas por excesso de cancelamentos", afirma Trindade. A Uber e a 99 estão entre as maiores plataformas do país. A primeira diz que faz campanhas educativas com motoristas para evitar comportamentos inapropriados. Já a 99 alega que nos últimos dois anos investiu R$ 125 milhões no desenvolvimento de ferramentas de segurança, o que resultou na queda de 33% dos incidentes sexuais graves com mulheres. Apesar das dificuldades, Cardoso diz que vai continuar trabalhando como motorista. "Já estou com 50 anos, entrar no mercado de trabalho é mais difícil. Meu sonho agora é terminar de construir minha casa".

Sorveteria que vende apenas um sabor fatura R$ 60 mil por mês A fila no calçadão de Ponta Negra, em Natal (RN), já virou parte da paisagem. Turistas e moradores se reúnem diariamente para provar um sorvete artesanal servido dentro do próprio coco — combinação que transformou um carrinho de praia em um negócio com faturamento médio de R$ 60 mil por mês. Por trás da ideia está Leo Fernandes, empreendedor que começou trabalhando apenas com açaí e cremes na praia há sete anos. Formado em gestão de negócios, ele sempre teve o objetivo de empreender e encontrou no sorvete de coco a oportunidade para dar um salto nas vendas. A inspiração veio de fora do país. Após ouvir de um amigo que havia visitado a Tailândia sobre sobremesas servidas no coco, Leo decidiu adaptar o conceito para o público brasileiro. O investimento inicial foi de R$ 10 mil. “Quando fez a mistura do sorvete com a polpa do coco ficou melhor ainda”, afirma o empreendedor. Sorvete no coco vira febre e faz empreendedor faturar R$ 60 mil em Natal Reprodução/PEGN O diferencial do produto está na experiência: o coco é aberto na hora, a polpa é retirada na frente do cliente e a água da fruta é oferecida gratuitamente como cortesia. “Foi uma estratégia também de negócio. Acho que foi buscar uma estratégia pra chamar mais o cliente”, diz Leo. As redes sociais ajudaram a impulsionar o negócio. O empreendedor começou divulgando vídeos gravados pelo próprio celular e contou com o apoio espontâneo de influenciadores digitais. “Vieram pessoas de fora que viram uma influenciadora muito forte e acabou divulgando. Então isso foi atraindo mais clientes ainda”, conta. Sorvete no coco vira febre e faz empreendedor faturar R$ 60 mil em Natal Reprodução/PEGN Hoje, a operação é familiar. As irmãs de Leo participam da produção, do atendimento e da logística do carrinho, enquanto fornecedores locais garantem a entrega diária dos cocos frescos. “Quanto mais eu vendo, mais eles ganham”, afirma o empreendedor sobre o trabalho em família. Com ticket médio de R$ 20, o negócio permitiu que Leo deixasse de atuar como microempreendedor Individual (MEI) e migrasse para microempresa (ME). Agora, ele estuda abrir novos pontos em outras praias do Rio Grande do Norte e até levar a marca para outros estados. “Coragem, persistência e muita resiliência em altos e baixos”, resume o empreendedor ao falar sobre os desafios do negócio. Empório Ponta Negra 📍 Endereço: Avenida Erivan França, 1180, 59090-100 (em frente à barraca do camarão) - Natal/RN – CEP: 59090-100 📞 Telefone: (84) 9 8843-1597 📧E-mail: leoniogfernandes_1@hotmail.com 📸 Instagram: https://www.instagram.com/emporiopontanegra

Do avião ao ovo: por que o petróleo afeta o preço de tudo? Uma guerra no Oriente Médio pode impactar o bolso dos brasileiros porque a região concentra grandes reservas de petróleo. E petróleo mais caro encarece combustíveis como gasolina e diesel, e aumenta o custo do transporte em um país onde quase tudo circula por caminhões. Esse efeito em cascata chega aos preços de alimentos, produtos industriais e ao agronegócio, já que o petróleo também é matéria-prima de embalagens, plásticos e fertilizantes, pressionando a inflação e até as decisões sobre juros. Neste vídeo, você vai entender quais são os efeitos da forte alta do petróleo para o seu bolso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Sorteio 3030 da mega-sena Reprodução O sorteio do concurso 3030 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (11), em São Paulo. O prêmio estimado acumulou em R$ 25 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 06 - 11 - 25 - 45 - 48 - 58. 6 acertos: não houve ganhadores 5 acertos: 41 apostas ganhadoras, R$ 42.373,42 4 acertos: 2.983 apostas ganhadoras, R$ 960,00 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Agora no g1 O tradicional prato feito talvez seja uma das poucas unanimidades da mesa do brasileiro. Mas, se antes era conhecido por ser uma das alternativas mais econômicas para quem precisava almoçar fora de casa, agora ocupa um espaço cada vez maior no orçamento. É o que mostra o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP). Segundo o levantamento, o preço médio da refeição chegou a R$ 31,90 em junho, alta de 5,4% em relação a março e de 7,2% na comparação com janeiro. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Isso significa um trabalhador que almoça fora durante os 20 dias úteis do mês desembolsa cerca de R$ 638 apenas com essa refeição — uma conta que não inclui café da manhã, lanches ou jantar. O avanço ocorre justamente em um momento em que a inflação dos alimentos perdeu força. Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE mostram que o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,24% em junho, ajudando a desacelerar o IPCA, a inflação oficial do país, que subiu 0,16% no mês. Mas a alimentação fora do domicílio continuou registrando alta de 0,15% em junho, embora em ritmo menor do que em maio, quando havia avançado 0,49%. Enquanto produtos como café moído, frutas e carnes ficaram mais baratos, o custo de comer em bares e restaurantes permaneceu em alta. Isso porque o preço do prato feito depende de uma série de custos que vão além dos ingredientes servidos na refeição. "O prato feito é a economia servida no prato. Nele estão o arroz, o feijão e a carne, mas também o aluguel do ponto comercial, a energia elétrica, o salário dos funcionários, o transporte, os tributos, o custo financeiro e a margem do empresário", afirma Rodrigo Simões Galvão, economista, coordenador e responsável técnico pelo Índice Prato Feito. Segundo ele, quando o prato feito fica mais caro, o reajuste costuma refletir a pressão de toda essa estrutura de custos — e não apenas uma alta nos preços dos alimentos. Onde o almoço fora pesa mais no bolso Além de ter subido em todo o país, o preço da refeição também varia de forma significativa entre as regiões. O Sul registra o maior valor médio, de R$ 34,90, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 34,45. No Sudeste, o prato feito custa, em média, R$ 31,99. Já Norte e Nordeste apresentam os menores preços, de R$ 29,99 e R$ 30, respectivamente. Com isso, os dados mostram que um trabalhador pode pagar cerca de 16% a mais pelo mesmo tipo de refeição, dependendo da região onde mora. "O Brasil não almoça pelo mesmo preço. O prato feito evidencia diferenças regionais importantes, mas também mostra um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país", afirma Galvão. Segundo o economista, fatores como aluguel, energia elétrica, água, gás, salários, transporte, juros e outros custos operacionais continuam pressionando os restaurantes, mesmo em períodos de alívio nos preços de alguns alimentos. Por isso, o aumento do prato feito nem sempre representa maior lucro para os estabelecimentos. Em muitos casos, trata-se apenas de um repasse parcial da alta dos custos enfrentados pelos empresários. "O empresário da alimentação está entre duas pressões: de um lado, consumidores cada vez mais sensíveis ao preço; de outro, custos operacionais que continuam elevados. O desafio é preservar qualidade, competitividade e sustentabilidade financeira." O que pode acontecer nos próximos meses Mesmo com a desaceleração da inflação dos alimentos em junho, novos fatores podem voltar a pressionar o custo das refeições. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño pode reduzir a oferta de diversos produtos agrícolas e provocar novos aumentos de preços. Entre os alimentos que costumam ser mais afetados estão batata, cebola, tomate, cenoura, maçã e uva. O milho também pode sofrer impacto, o que tende a encarecer a produção de carnes, já que o grão é um dos principais componentes da ração utilizada na criação de animais. Na avaliação de economistas, ainda é cedo para medir a intensidade desses efeitos, mas o fenômeno climático já é acompanhado com atenção pelo potencial de afetar a produção agrícola e os preços dos alimentos. Prato feito Reprodução

Baterias são de longe o componente mais caro e continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos John Walton/PA Wire/picture alliance Os carros elétricos passam por uma onda de popularidade sem precedentes desde a crise global do petróleo desencadeada pela guerra no Irã. Na Austrália, as vendas saltaram mais de 150% em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto na região Ásia-Pacífico cresceram 80% nos três primeiros meses de 2026 – excluindo a China, onde o crescimento expressivo das vendas já se estabilizou. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na América Latina foram vendidos cerca de 75% mais veículos elétricos, e na Europa, quase um terço a mais, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou em maio que as vendas recordes de veículos elétricos estão "proporcionando algum alívio em meio ao maior choque de oferta de petróleo da história" e que a queda nos preços das baterias deverá impulsionar ainda mais o setor. Agora no g1 Mesmo assim, as baterias – de longe o componente mais caro – continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos. Críticos dos veículos elétricos argumentam há muito tempo que as baterias, geralmente feitas com íons de lítio, podem pegar fogo e que incêndios nesses veículos são mais difíceis de extinguir do que em carros movidos a gasolina. Contudo, essa alegação ignora o fato de que veículos com motor a combustão têm uma propensão muito maior a incêndios. As grandes e pesadas baterias dos veículos elétricos também têm sido apontadas como uma possível causa de danos nas estradas. Especialistas, porém, contestam essa tese e afirmam que os principais responsáveis pelo desgaste das rodovias são os caminhões de grande porte. Dedo apontado para o cobalto Por conterem minerais como cobalto e níquel, as baterias dos veículos elétricos sempre despertaram preocupações relacionadas às cadeias de suprimento, especialmente nas minas de cobalto da República Democrática do Congo (RDC). Na Austrália, o programa jornalístico de horário nobre Spotlight, exibido em março, investigou minas de cobalto pertencentes a empresas chinesas no Congo. A reportagem revelou locais onde milhares de pessoas, incluindo muitas crianças, trabalham em condições precárias e em meio a um ambiente de forte poluição. Ao apresentar o cobalto como "o elemento-chave presente em praticamente todas as baterias de armazenamento do planeta, desde os veículos elétricos até as residências", o programa afirmou que a busca por um futuro "limpo e verde", baseado em energias renováveis e carros elétricos, tem um "custo mortal e devastador". No entanto, críticos da reportagem argumentaram que ela deixou de mencionar um ponto importante: a composição química das baterias de veículos elétricos passou amplamente para a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que não exige o uso de cobalto. David McElrea, diretor-executivo do Smart Energy Council, um grupo ligado ao setor energético da Austrália e que defende as energias renováveis, questiona por que a reportagem focou especificamente nas baterias de veículos elétricos e em outras tecnologias renováveis se celulares, tablets e laptops também contêm cobalto. Ele diz que os temores de exploração nas extensas cadeias de suprimento de minerais críticos usados em tecnologias renováveis são legítimos, mas afirma que a indústria de veículos elétricos reagiu às preocupações sobre a origem dos materiais e incentivou inovações que eliminaram o cobalto da maioria das baterias automotivas modernas. O professor de química Neeraj Sharma, da Universidade de Nova Gales do Sul, acrescenta que composições químicas mais baratas, como as baterias de íons de sódio, também estão chegando ao mercado. "Os fabricantes de veículos elétricos vêm se afastando do cobalto porque ele é caro, tóxico e apresenta dilemas éticos", afirma. A disputa pela narrativa dos minerais críticos Especialistas falam numa "guerra de narrativas" em torno dos minerais críticos. O instituto canadense Fraser Institute, de orientação conservadora e favorável aos combustíveis fósseis, afirmou em 2023 que seriam necessárias cerca de 400 novas minas de minerais críticos para atender à futura demanda por veículos elétricos. O autor do estudo, Kenneth P. Green, que há anos defende investimentos em combustíveis fósseis "baratos" em vez de energias renováveis, afirmou que "o risco de que a produção mineral e a mineração não consigam acompanhar à demanda projetada por veículos elétricos é significativo". Entretanto, em seu relatório Global EV Outlook 2026, a Agência Internacional de Energia afirma que as reservas geológicas conhecidas de minerais críticos são suficientes para atender à demanda de longo prazo por veículos elétricos, mesmo num cenário de eliminação gradual da maior parte dos carros movidos a combustíveis fósseis. Porém, a forte concentração da produção de baterias na China representa riscos para as cadeias globais de suprimento. A AIE também observa que o avanço das baterias de íons de sódio, que dispensam o uso de lítio, deverá reduzir ainda mais a demanda por minerais críticos. Além disso, a agência defende uma rápida expansão da reciclagem de minerais utilizados em baterias como forma de aumentar a transparência e a resiliência das cadeias de suprimento. Ataque direcionado ou crítica legítima? Mas como diferenciar preocupações legítimas sobre os impactos da mineração da desinformação sobre as cadeias de suprimento dos veículos elétricos? Enquanto McElrea diz haver um "ataque direcionado" contra os veículos elétricos, promovido por mídias simpáticas aos combustíveis fósseis, o especialista em minerais críticos e segurança energética Vlado Vivoda, da Universidade de Queensland, afirma que nem toda crítica é necessariamente coordenada ou feita de má-fé. "Muitas preocupações relacionadas à extração mineral, ao processamento, às condições de trabalho, aos impactos sobre o solo, aos resíduos e à concentração das cadeias de suprimento são reais", diz. É por isso, segundo ele, que é tão fácil contestar narrativas pró-transição energética que apresentam a energia limpa como algo "imaculado". O copresidente de comunicação da coalizão global Climate Action Against Disinformation, Philip Newell, afirma que preocupações reais com a injustiça na extração de recursos devem começar pelo fortalecimento das comunidades afetadas pela mineração. Isso pode ocorrer por meio da participação dessas comunidades nos lucros da atividade ou pelo fortalecimento e pela aplicação mais rigorosa das leis ambientais e trabalhistas. Crise energética alimenta desinformação Para Vivoda, "os esforços para deslegitimar as tecnologias limpas" tem que ver com a atual crise energética global. Ele argumenta que sugerir que as tecnologias limpas são "tão ruins quanto, ou até piores do que, o sistema baseado em combustíveis fósseis" acaba gerando inércia e atrasando a transição energética. Ainda assim, o especialista afirma que a transição para uma economia de baixo carbono precisa oferecer o nível de transparência nas cadeias de suprimento que muitas vezes esteve ausente no setor de combustíveis fósseis. "A resposta adequada não é romantizar a tecnologia limpa, mas comparar os sistemas de forma honesta e administrar as novas cadeias de suprimento muito melhor do que as antigas", diz.

Vídeo viral sobre cobrar curtidas de funcionários gera debate; veja limites "Se você tem um funcionário que nunca curte nada do que você posta, nunca compartilha nada da empresa e nunca comenta nada, manda embora". Foi com essa frase que a influenciadora e especialista em harmonização facial Mariana Almeida provocou uma onda de reações nas redes sociais nos últimos dias. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No vídeo, ela defende que empresas devem valorizar profissionais que apoiem o negócio para além das tarefas do dia a dia e afirma que a falta de interação com as publicações da empresa pode indicar ausência de compromisso com a cultura organizacional. "Funcionário bom não é só quem executa tarefa. Funcionário bom é quem compra a ideia, é quem entende que quando a empresa cresce, todo mundo cresce", diz ela na gravação. A fala rapidamente abriu uma discussão maior: o avanço das empresas sobre espaços que antes eram vistos como exclusivamente pessoais. 💭 Se o perfil é do trabalhador, a empresa pode esperar que ele seja usado para divulgar a marca? Curtir, comentar ou compartilhar publicações do empregador pode ser tratado como demonstração de comprometimento ? E o que acontece quando esse engajamento deixa de ser espontâneo e passa a ser esperado? Fala da influenciadora Dra. Mariana Almeida sobre demitir funcionários que não interagem com posts da empresa reacendeu discussão sobre trabalho e redes sociais TikTok/ Reprodução Dias depois da repercussão, Mariana publicou um novo vídeo afirmando que sua fala havia sido retirada de contexto. "Ninguém é obrigado por lei a curtir os meus posts, os posts da empresa, compartilhar, mas a empresa, ela também não é obrigada a manter quem não tem fit cultural (...) A relação de trabalho não é só bater ponto e vai embora", afirmou. A controvérsia, no entanto, acabou trazendo à tona em que momento termina o poder de direção da empresa e onde começam os direitos do trabalhador à privacidade e à vida pessoal? Para a advogada trabalhista Elisa Alonso, sócia do RCA Advogados, a legislação trabalhista não impõe ao empregado o dever de divulgar publicações da empresa e, embora o empregador tenha o direito de organizare fiscalizar a prestação dos serviços, esse poder encontra limites nos direitos fundamentais garantidos ao trabalhador. "Expressões como 'vestir a camisa' ou 'defender a marca' não autorizam a empresa a exigir comportamentos que não decorrem do contrato de trabalho, nem fundamentar punições ou tratamentos desiguais entre os empregados", diz a advogada. Abaixo, saiba ainda: Curtir publicações pode estar no contrato? A empresa pode monitorar as redes sociais dos funcionários? Quando a cobrança pode virar um problema? O trabalhador pode ser advertido? E se houver demissão? Como provar? Curtir publicações pode estar no contrato? Elisa explica que, para a maioria dos trabalhadores, utilizar perfis pessoais para divulgar a empresa simplesmente não integra as atividades para as quais foram contratados. "O empregado é contratado para prestar os serviços inerentes à sua função, e não para demonstrar, em seus perfis pessoais, alinhamento ao propósito da empresa." ⚠️ Isso não significa que empresas estejam proibidas de estimular esse comportamento. Segundo Elisa, é legítimo incentivar funcionários a participar de campanhas, compartilhar conquistas da organização ou contribuir espontaneamente para fortalecer a marca. A diferença está entre convite e obrigação. "Transformar esse comportamento em uma obrigação ou utilizá-lo como critério de punição ou ameaças pode gerar questionamentos na Justiça." Mas há exceções! Em algumas profissões, o uso de redes sociais pode fazer parte da própria atividade contratada. É o caso de profissionais de comunicação, marketing, publicidade, criação de conteúdo e gestão de redes sociais. "A depender da função exercida e dos termos da contratação, o uso das redes sociais pessoais pode integrar suas atribuições." A empresa pode monitorar as redes sociais dos funcionários? Se um trabalhador publica conteúdos em um perfil aberto ao público, a empresa pode visualizar esse material da mesma forma que qualquer outro usuário da internet, explica a advogada. Isso não significa, porém, que exista autorização para monitoramento irrestrito. "A empresa não pode exigir acesso a perfis privados, solicitar senhas ou invadir a vida pessoal do empregado." Segundo Elisa, também não é recomendável usar redes sociais como ferramenta permanente de vigilância sobre comportamentos que não tenham ligação com as atividades profissionais. "O direito de fiscalização existe, mas deve ser exercido com respeito à privacidade e aos direitos da personalidade do trabalhador." Quando a cobrança pode virar um problema? Na avaliação da especialista, o sinal de alerta aparece quando a empresa começa a associar engajamento digital à permanência no emprego, à possibilidade de promoção ou à avaliação de desempenho. "O problema surge quando a empresa passa a constranger, ameaçar, adotar como critério para promoção ou prejudicar o empregado porque ele não curtiu, comentou ou compartilhou uma publicação." Dependendo da intensidade e da frequência dessas cobranças, a conduta pode ser interpretada como abuso do poder diretivo e, dependendo das circunstâncias do caso concreto, até assédio moral. A especialista ressalta que o mesmo vale para situações em que a empresa tenta associar curtidas ou compartilhamentos a noções de propósito, lealdade ou pertencimento. "Vincular o comprometimento do empregado ao fato de ele interagir com as redes sociais da empresa, tratando esse comportamento como demonstração de 'propósito', de que 'veste a camisa' ou de que é um 'defensor da marca', pode extrapolar os limites do poder diretivo." O trabalhador pode ser advertido? Uma advertência baseada exclusivamente na recusa do empregado em utilizar suas redes pessoais para promover a empresa pode ser questionada judicialmente, explica a advogada. "Se ficar comprovado que a advertência, a avaliação negativa ou qualquer outro prejuízo profissional decorreu da recusa do trabalhador em utilizar suas redes sociais pessoais para promover a empresa, a medida poderá ser questionada na Justiça." Dependendo das circunstâncias, o trabalhador pode pedir a anulação da punição e, se houver constrangimento ou prejuízo, até uma indenização por danos morais. E se houver demissão? A situação é mais delicada. A legislação brasileira permite que empresas realizem demissões sem justa causa, sem necessidade de apresentar um motivo específico para o desligamento. Isso significa que uma empresa pode demitir um funcionário mesmo sem explicar formalmente por quê. Ainda assim, a motivação por trás da dispensa pode ser analisada pela Justiça. "Se ficar demonstrado que a demissão foi utilizada como forma de represália pela recusa do empregado em promover a empresa nas redes sociais, a depender da análise caso a caso, também poderá haver discussão sobre eventual reparação por danos morais." Nesses casos, porém, o debate normalmente não gira em torno da reintegração ao emprego. A principal discussão costuma ser a possibilidade de indenização, afirma Elisa. Como provar? Segundo a advogada, essa costuma ser a parte mais difícil do processo. Raramente um empregador registra oficialmente que a dispensa ocorreu porque determinado trabalhador não participava do engajamento digital da empresa. A prova normalmente surge por meio de mensagens, conversas internas, e-mails, grupos corporativos e testemunhas. "Normalmente vai ter algum comentário interno ou, por exemplo, grupo que não participa daquilo pode ter sido demitido por aquele motivo." Por isso, Elisa recomenda que o trabalhador peça esclarecimentos sobre os motivos do desligamento. "A prova é muito difícil, mas ela pode ser feita até, por exemplo, da pessoa questionar o chefe por que estaria sendo demitida e eventualmente registrar aquilo por mensagem." Sem documentos, colegas que tenham presenciado cobranças ou comentários também podem servir como testemunhas.

'Debate tem que avançar no próximo período para alguma forma de taxação de riqueza', defende professora Laura Carvalho, da FEA-USP e membro do 'Conselhão' de Lula Arquivo pessoal via BBC O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive um paradoxo. O desemprego está nas mínimas históricas (em 5,6% em maio deste ano, menor patamar para o mês desde o início da série histórica), a economia cresce acima das expectativas — 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025 — e 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza entre 2022 e 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ainda assim, 44% dos entrevistados na pesquisa Genial/Quaest de junho afirmam que a economia do país piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 20% dizem que melhorou. A economista Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o "Conselhão" de Lula, tem se dedicado a entender esse descolamento. Agora no g1 Como parte desse esforço, ela lançou recentemente o artigo "Paradoxos do Lulismo: a desconexão entre resultados macroeconômicos e percepção sobre a economia", em coautoria com seu marido e também economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para a dupla de economistas, quatro fatores principais estariam por trás desse descompasso: a inflação e seus efeitos persistentes sobre o bem-estar; a comparação com o ciclo de mobilidade social dos anos 2000, durante os dois primeiros governos Lula; a mudança nos desejos de consumo da população, impulsionada em grande medida pelas redes sociais; e a frustração de uma geração escolarizada que não encontra empregos compatíveis com a sua formação. "Com as redes sociais, as pessoas têm acesso ao padrão de consumo de classes muito mais ricas, de forma muito mais fácil", observa Carvalho, em entrevista à BBC News Brasil. "Você não só está vendo o que consome uma pessoa no seu bairro, na sua família, você está vendo o que consome uma pessoa da classe média europeia ou um rico no seu país. E então os desejos, as aspirações, vão se homogeneizando e se globalizando de uma forma muito rápida e única na história, com uma sensação de insatisfação saindo daí", afirma. Para a professora da USP, esse é um dos fatores que talvez expliquem a diferença entre o sentimento da população nos anos 2000, durante os governos Lula 1 e 2, e no atual governo. "Ali nos anos 2000, a distribuição de renda na base da pirâmide e o crescimento econômico expressivo incluíram uma parte da população no mercado consumidor que estava totalmente excluída desse mercado. Que passou a ter acesso a geladeira, a viagem de avião. Surgiu uma nova classe média, que hoje já não é mais satisfeita com esse mesmo padrão de consumo", diz Carvalho. Também diretora de Prosperidade Econômica e Climática da Open Society Foundation, Laura Carvalho lançou em 2018 o livro Valsa Brasileira, em que analisou os motivos que levaram a economia do país da prosperidade (2006-2010) a uma das piores recessões de sua história (2014-2017). Na entrevista à BBC News Brasil, a economista analisa por que a desigualdade no Brasil segue sendo uma das maiores do mundo, mesmo diante do elevado gasto do governo com políticas sociais nos últimos anos. E propõe uma agenda para devolver o país a um novo ciclo de prosperidade. Segundo ela, isso passa por uma expansão dos serviços públicos e diversificação da economia para gerar empregos qualificados para absorver a crescente população escolarizada. Mas também pelo avanço da agenda de tributação, iniciada com a reforma do Imposto de Renda. "O debate tem que avançar no próximo período para alguma forma de taxação de riqueza", defende. "A concentração de riqueza é mais elevada do que a da renda, o que faz com que a desigualdade se perpetue — e ela se perpetua também no sistema político. Porque a influência daqueles que estão nesse topo [de renda] é muito desproporcional e, com isso, atua para preservar a estrutura atual." Carvalho destaca ainda o papel da dívida pública na perpetuação desse topo de riqueza. "O Estado brasileiro, por meio da dívida pública elevada, que paga juros muito altos, acaba transferindo renda para os mais ricos e atuando para perpetuar essa desigualdade elevada", afirma. "Hoje, muitos dos detentores da dívida são pessoas de alto patrimônio e que, sem muito risco envolvido, obtêm esses rendimentos elevados. Isso significa, sim, que o governo transfere renda para os mais ricos. Inclusive, me parece que o custo distributivo da dívida é algo que a gente não fala muito", problematiza. Confira os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil - O World Inequality Report 2026, divulgado no fim do ano passado pelo grupo de economistas ligados ao [economista francês Thomas] Piketty, mostrou que a desigualdade no Brasil segue entre as mais altas do mundo, e inclusive cresceu entre 2014 e 2024. Na sua visão, o que explica essa persistência da desigualdade no país, mesmo diante do elevado gasto do governo com políticas sociais nos últimos anos? Laura Carvalho - Esse é o padrão da desigualdade brasileira, aliás, da América Latina. É uma das regiões mais desiguais do mundo e essa desigualdade é caracterizada por uma concentração muito alta da renda no topo da pirâmide — da renda e do patrimônio. Já a desigualdade entre o meio e a base da pirâmide é relativamente pequena no Brasil. Conseguimos, inclusive, reduzir muito a desigualdade entre o meio e a base, com os programas sociais, com a valorização do salário mínimo, com o próprio dinamismo do mercado de trabalho, que vem acompanhado de crescimento do emprego, sobretudo para trabalhadores menos escolarizados. Então, toda a redistribuição que a gente teve nos anos 2000 se deu entre esse meio e a base, onde a desigualdade já não era tão alta. Mas a desigualdade entre o topo e o meio não foi reduzida, ela se manteve elevada ao longo das últimas décadas. A primeira vez que começamos a atacar essa característica, na verdade, foi agora, nesse terceiro mandato do presidente Lula. Quando ele, já desde a campanha, fala que é sobre "colocar o pobre no Orçamento, e o rico no Imposto de Renda". Isso se refletiu na reforma do Imposto de Renda, não só pelo fato de se atribuir uma alíquota mínima para esse topo, mas a própria isenção para quem ganha até R$ 5 mil, com progressão até quem ganha R$ 7,5 mil, porque você está dando um benefício fiscal para quem está nesse meio. Mas claro, isso é apenas uma medida. Ainda há muito o que avançar, porque, mesmo com a alíquota mínima de 10%, continuamos com esse topo pagando menos do que quem vem logo abaixo dele. E não é só sobre taxação da renda, o debate tem que avançar no próximo período para alguma forma de taxação de riqueza, porque taxar a renda pode até frear a concentração, mas não corrige o que historicamente acumulou. A concentração de riqueza é mais elevada do que a da renda, o que faz com que essa desigualdade se perpetue, e ela se perpetua também no sistema político. Porque a influência daqueles que estão nesse topo é muito desproporcional e, com isso, atua para preservar a estrutura atual. BBC News Brasil - Numa fala pública no fim do ano passado, o Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde [fundo de investimento conhecido por seu histórico de alto retorno aos investidores], falou que o governo Lula age como "pai dos pobres e mãe dos ricos", por conta do elevado gasto social, combinado a juros altos. Você concorda com essa avaliação? Carvalho - Não que os juros sejam gerados pelo gasto social. Não acho que temos uma taxa de juros tão alta porque o governo está gastando muito, porque está gastando com benefícios sociais. Isso não tem evidência. O nosso alto patamar de taxa de juros depende também do contexto internacional e de como os fluxos de capitais estão entrando ou saindo dos países em desenvolvimento. Hoje há um cenário de juros altos no mundo inteiro, com o Brasil sendo, claro, sempre um caso um pouco fora da curva. [Nota da redação: em junho, o Brasil ocupava o topo do ranking das economias com maior juro real do mundo, mesmo após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,25% ao ano. No período recente, países com juros historicamente baixos ou zero elevaram suas taxas, em meio ao avanço global da inflação.] Mas também temos uma meta de inflação muito mais baixa do que outros países emergentes [atualmente, a meta de inflação é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos]. Então, o que acho que é válido nessa comparação é que, de fato, o Estado brasileiro, por meio da dívida pública elevada, que paga juros muito altos, acaba sim, transferindo renda para os mais ricos e atuando para perpetuar essa desigualdade elevada. Isso sim é verdade. Hoje, muitos dos detentores da dívida são pessoas de alto patrimônio e que, sem muito risco envolvido, obtêm esses rendimentos elevados. Isso significa, sim, que o governo transfere renda para os mais ricos. Inclusive, me parece que o custo distributivo da dívida é algo que a gente não fala muito. BBC News Brasil - Essa persistência da desigualdade se reflete, de alguma forma, no sentimento de mal-estar com relação à economia da população brasileira? Carvalho - Temos visto no mundo todo, não só no Brasil, uma desconexão entre indicadores macroeconômicos e percepção das pessoas sobre economia. Inclusive durante o governo [Joe] Biden, nos Estados Unidos, se cunhou o termo vibesession, que é uma espécie de recessão de sentimento. Então não é só aqui no Brasil, isso vem sendo observado ao redor do mundo, e o principal fator que tem sido trazido para explicar é a própria inflação. Vivemos um período no mundo inteiro de sucessivos choques inflacionários desde a pandemia, depois a guerra na Ucrânia, e agora um terceiro com a guerra no Irã. Então uma sequência de choques econômicos de natureza distinta, mas que levaram a efeitos similares, de uma crise com inflação. O que torna mais difícil para os governos lidar, porque, em crises de outro tipo, como a de 2008, o governo faz o quê? Baixa a taxa de juros. Hoje, nesses choques inflacionários, os governos atuam a partir do aumento de taxas de juros pelos bancos centrais e, com isso, têm menos espaço fiscal para ajudar a saída dessas crises. Isso tem a ver com desigualdade, sim, no sentido de que a população que mais foi afetada, sobretudo em 2024, pelo choque de preços de alimentos, foram os 50% mais pobres que têm nesses produtos essenciais uma parte maior da sua cesta de consumo. E, de fato, a gente observa que, nas pesquisas eleitorais, esse ciclo de deterioração de percepção econômica coincide com um ciclo de queda na aprovação do governo. BBC News Brasil - Mas a inflação é suficiente para explicar essa insatisfação? Carvalho - A inflação não é suficiente para explicar, porque há um segundo ciclo de deterioração dessa percepção sobre a economia, que vem entre 2025 e 2026. Ela se dá na classe média, entre os mais ricos. Há o crescimento da renda, ela supera a inflação, então não é que as pessoas estão perdendo poder de compra. As pessoas estão ganhando poder de compra e a inflação tampouco foi expressiva para esse grupo dos mais ricos, considerando a cesta de consumo deles. Então, a gente se debruça sobre outros fatores. E o principal, me parece, é que esse crescimento da renda se dá sobre níveis de renda muito deprimidos. A gente veio de um período de uma década com pouquíssimo crescimento da renda per capita, então só em 2024 as pessoas recuperam a renda que elas tinham lá em 2014. Então o crescimento não é tão robusto quanto foi o dos anos 2000 e ele se dá sobre uma memória de que você já foi mais próspero. E também o que se deseja mudou. A sociedade vai mudando e querendo acesso a outras coisas. BBC News Brasil - Você tem falado nessa questão do "consumo aspiracional" e isso, inclusive, entrou no radar da equipe econômica do governo. Por que isso virou uma preocupação? Carvalho - Isso é um fenômeno novo que tem sido estudado. Em particular, o efeito das redes sociais sobre o consumo aspiracional. Porque consumo aspiracional sempre fez parte da teoria econômica. Há muito tempo, o economista James Duesenberry olhava para essa questão. Como, na verdade, as pessoas não consomem só baseadas na própria renda. É claro, sempre que a renda delas cresce, elas consomem mais. Mas elas também acabam consumindo emulando o consumo de outros, sobretudo daquelas classes que elas aspiram ser. E elas então se comportam e têm os seus desejos de consumo pautados por aquilo, mesmo se a renda delas é insuficiente, o que, claro, está por trás de dinâmicas frequentes de endividamento. Porque quando há algum descompasso entre aquilo que você ganha e aquilo que você deseja consumir, o que cobre o resto acaba sendo o crédito. Isso sempre foi verdade, isso não é novo. Mas, claro, as redes sociais mudam muito essa dinâmica. Esse "efeito demonstração" de consumo ocorre de uma forma muito diferente com a presença das redes. As pessoas têm acesso ao padrão de consumo de classes muito mais ricas, de forma muito mais fácil. Você não só está vendo o que consome uma pessoa no seu bairro, na sua família, você está vendo o que consome uma pessoa da classe média europeia ou um rico no seu país. E então os desejos, as aspirações, vão se homogeneizando e se globalizando de uma forma muito rápida e única na história, com uma sensação de insatisfação saindo daí. Muitos estudos mostram que as pessoas se frustram também pelo fato de estarem vendo essa ostentação, que não é só a ostentação de bens de luxo, mas também do que as pessoas fazem com seu tempo livre, a viagem, o lazer. Consumo não é só coisas, é um padrão de vida. Acho que isso talvez traga um dos elementos da diferença entre o que foram os anos 2000 para o governo Lula 1, Lula 2, e o que vem sendo esse governo. Porque, ali nos anos 2000, a distribuição de renda na base da pirâmide e o crescimento econômico expressivo incluíram uma parte da população no mercado consumidor que estava totalmente excluída desse mercado. Que passou a ter acesso a geladeira, a viagem de avião. Surgiu uma nova classe média, que hoje já não é mais satisfeita com esse mesmo padrão de consumo. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Ricardo Stuckert/PR BBC News Brasil - E como mudar esse quadro de insatisfação e gerar um novo ciclo de prosperidade? Carvalho - Pelo fato de a renda ter ficado estagnada durante tanto tempo, vai levar tempo. Precisamos chegar num ponto em que as pessoas se sintam satisfeitas, que o salário no fim do mês seja suficiente para dar vazão àquilo que elas entendem como um padrão de vida confortável. Primeiro, a economia tem que crescer muito mais e o nível de renda tem que subir. O PIB [Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no país] continua importando e muito. E a renda tem que ser redistribuída. Quanto mais desigualdade, mais difícil é a gente chegar nesse ponto em que a maior parte da sociedade brasileira consiga se beneficiar desse crescimento. E terceiro, tem toda uma agenda de serviços públicos, porque nem toda inclusão se dá com renda direta para as pessoas. Elas também podem gastar menos da sua renda com serviços privados, porque têm acesso a serviços públicos de maior qualidade. Um plano de saúde que deixa de ser necessário porque o SUS atende, ou uma educação privada que deixa de ser necessária porque o sistema de educação atende. Isso já libera muita margem para que as pessoas deem vazão às suas ambições e aspirações. E um tempo menor no transporte público. Isso é uma mudança de qualidade de vida que também contribui para deixar as pessoas mais próximas de um padrão de vida que elas desejam. BBC News Brasil - Você cita a expansão dos serviços públicos como um dos itens dessa receita, como fazer isso num quadro de restrição fiscal, sem aumentar ainda mais os juros que alimentam a desigualdade? Carvalho - A gente defende que seja dado sequência à agenda de tributação. E aí não é só sobre cobrar mais impostos progressivos, mas também sobre subsídios. Os gastos tributários, que hoje representam 6% do PIB, também contribuem para a desigualdade. São deduções que não estão perseguindo nenhuma agenda específica, que foram sendo expandidas por influência dos setores beneficiados. BBC News Brasil - Mas é possível abrir espaço fiscal só via tributos? Ou reformas estruturais também podem ser necessárias, como uma reforma administrativa? Carvalho - Temos que continuar avançando em eficiência no gasto, nos serviços. Essa é uma agenda que temos visto nesse governo, com digitalização dos serviços. Para que um mesmo real gasto no sistema de saúde, no sistema de educação, atinja uma qualidade maior, atinja mais gente. Agora, não me parece que a gente vai conseguir chegar num objetivo de serviço público de maior qualidade, achando que o grande inimigo do Orçamento são as pessoas que estão trabalhando na prestação desses serviços. Tampouco acho que cortar benefício social [seja a solução], apesar de, claro, poder haver uma discussão sobre integração, sobre racionalização dos benefícios, que de fato são muitos, e são sobrepostos muitas vezes. Acho que isso é válido. BBC News Brasil - Você também tem citado como um dos fatores dessa frustração dos brasileiros, as gerações escolarizadas que não encontram empregos compatíveis. Por que isso está acontecendo? E como você vê o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro nos próximos anos, isso pode agravar esse quadro? Carvalho - O Brasil, nos primeiros ciclos de governos do PT, expandiu muito o nível educacional, deu acesso a [educação de] nível superior para filhos de famílias que nunca tiveram. Isso tanto pelo Fies, quanto pelo Prouni, quanto pela própria expansão das universidades federais. Passamos a ter uma geração inteira de pessoas com diploma universitário que hoje procuram empregos num nível de qualificação maior do que os seus pais tinham. E os empregos que estamos gerando são de um salário mínimo e em setores de serviços de baixa qualificação. Então, há um certo descompasso entre os empregos gerados e aqueles que as pessoas querem e têm qualificação para ter. Isso já vem sendo observado há algum tempo. Na última década, aumentou muito o percentual de pessoas que estão em empregos que requerem um nível educacional menor do que o que elas têm. BBC News Brasil - E como endereçar esse problema? Carvalho - Isso vem sendo debatido ao redor do mundo e demanda um tipo de política que olhe para a estrutura produtiva, e [defina] quais são os setores onde nós vamos entrar e onde o Brasil tem competitividade. Isso tem a ver com a agenda de desenvolvimento do país. É preciso olhar pela ótica do emprego, de maneira combinada a transição climática, soberania e vários outros objetivos que tem uma política industrial. Também tem que olhar pelo lado da própria educação. Porque, às vezes, os diplomas que estão sendo dados não são compatíveis com a estrutura produtiva. Então, [é preciso pensar] como você integra mais o Sistema S, as universidades, os institutos federais a essa estratégia. Para que as pessoas se eduquem também onde há oportunidades. A questão da IA, claro, afeta isso tudo. Mas eu acho que ela não é o principal. BBC News Brasil - A professora Rosana Pinheiro Machado tem escrito sobre como a direita radical tem mobilizado essa nova classe trabalhadora plataformizada por meio das redes digitais, com discurso particularmente direcionado para os microempreendedores e trabalhadores informais. Na sua visão, é possível reconquistar esses trabalhadores para o campo democrático através de medidas econômicas? Carvalho - Em alguns casos, esses são indivíduos que estão nesses trabalhos porque não têm outro, mas em muitos casos são pessoas que hoje valorizam algum grau de autonomia sobre o seu tempo. Até porque a sua alternativa seria estar numa escala 6x1, onde esse tempo não existe. Então a própria escala 6x1 é uma agenda que ajuda. O outro lado é, claro, proteção. Então, como essas pessoas vão ter acesso a proteção social caso elas percam empregos. Acho que tem toda uma agenda de regulação do setor que faz sentido. Mas, uma terceira parte, que eu acho que é pouco falada, é que esse setor depende muito de uma macroeconomia que vai bem. Quando a economia vai mal, os primeiros a sofrerem são esses trabalhadores que ou são precarizados, pois estão em empregos informais, ou são plataformizados. É um setor muito dependente de PIB e de desemprego baixo. Então a forma de entregar uma melhora substantiva para esses trabalhadores é ter uma economia que cresce. Essa é a principal. A gente precisa ter um ciclo de crescimento mais longo, mais robusto, com redistribuição de renda, para conseguir ver indicadores melhores de percepção das pessoas sobre a economia. BBC News Brasil - Você sempre esteve próxima dos governos petistas, mas nunca assumiu um cargo no Executivo. Tem esse desejo num eventual governo Lula 4? Carvalho - Eu sou uma professora universitária, fico muito confortável na posição de analista da política econômica brasileira. Estando fora, a gente contribui para essa compreensão, essa análise dos fenômenos, com diálogo permanente com aqueles que estão [dentro do governo] fazendo. Então, eu sempre fiquei muito confortável nessa posição. Nesse momento, estou mais pensando em escrever um novo livro, como foi o Valsa Brasileira, que analise esse novo ciclo necessário de prosperidade econômica no país. Qual é essa agenda de prosperidade econômica que possa nos ajudar a superar esses desafios novos, com os limites todos. Como abrir as frestas necessárias para conseguir implementar e adotar essas agendas. Então, isso é o que está mais na minha cabeça no momento.

Na Alemanha, empregados tiram, em média, quase 20 dias de licença médica por ano. Sergey Mironov/Zoonar/IMAGO O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, anunciou semana passada uma ofensiva para combater o elevado número de dias de afastamento do trabalho por motivos de doença no país. A medida ocorre após uma pesquisa publicada em janeiro pelo IGES Institut, com sede em Berlim, mostrar que os trabalhadores alemães tiram, em média, 19,5 dias úteis de licença médica por ano. O número representa um aumento significativo em relação aos cerca de 13 dias registrados em 2018. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Como parte das propostas de Merz, a partir de janeiro do próximo ano os trabalhadores não poderão mais obter um atestado médico por telefone. Será necessário consultar um médico presencialmente já no primeiro dia de doença. A medida, na prática, torna mais difícil tirar licença por motivos de saúde. Segundo Merz, o elevado número de ausências está prejudicando a economia alemã. "Não podemos mais arcar com essa desvantagem competitiva causada por longos períodos de afastamento do trabalho", afirmou. Agora no g1 O chanceler apresentou a iniciativa como uma forma de restaurar o que chamou de "justiça e funcionalidade" no mercado de trabalho, permitindo que empregadores e seguradoras de saúde reajam de forma mais rigorosa a faltas recorrentes. A mudança faz parte de um pacote mais amplo de reformas e cortes orçamentários em programas de saúde e seguridade social acordado pela coalizão governista, formada pelo bloco conservador de Merz – integrado pelos partidos União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) – e pelo Partido Social-Democrata (SPD). Como funciona a licença médica na Alemanha? A Alemanha possui um dos sistemas de licença médica mais generosos do mundo. Os trabalhadores têm direito a receber 100% do salário por até seis semanas de afastamento, pago pelo empregador. Normalmente, é necessário apresentar um atestado médico após três dias de ausência. Após seis semanas, o seguro público de saúde assume o pagamento, cobrindo cerca de 70% do salário bruto, com limite máximo, por até 78 semanas ao longo de três anos, desde que se trate da mesma doença. Além de proteger os trabalhadores contra perda de renda, o sistema incentiva a recuperação adequada e reduz o risco de transmissão de doenças no ambiente de trabalho. O modelo alemão contrasta com o de muitos outros países. Nos Estados Unidos, não existe exigência federal de uma licença médica remunerada. Muitos trabalhadores não recebem esse benefício ou contam com apenas alguns dias, dependendo do empregador. Na Índia, a licença médica remunerada costuma ser limitada a poucos dias por ano, e muitas ausências curtas não são pagas. As regras variam amplamente entre empresas, setores e estados. No Brasil, a licença médica é remunerada pelo empregador nos primeiros 15 dias de afastamento. Para afastamento mais prolongado, a partir do 16º dia, o funcionário precisa solicitar o auxílio-doença no INSS, que assume o pagamento do benefício. Dentro da própria Alemanha, políticos e líderes empresariais frequentemente criticam o sistema, argumentando que ele estimula o absenteísmo e prejudica a produtividade e a competitividade. A economia alemã enfrenta dificuldades devido à concorrência crescente da China, tensões geopolíticas e custos elevados de energia, entre outros problemas. O governo procura formas de estimular o crescimento econômico. Críticos das reformas de Merz, contudo, afirmam que as medidas podem estigmatizar doenças legítimas e transferir para os trabalhadores – especialmente uma população cada vez mais envelhecida – a culpa pelos problemas econômicos do país. Por que a Alemanha se tornou o "doente da Europa"? Segundo o IGES Institut, uma das principais razões para o aumento dos afastamentos é a melhoria dos registros. Isso ocorreu graças ao novo sistema eletrônico de atestados médicos (eAU), que entrou plenamente em vigor em 2023. Agora, os médicos enviam os atestados diretamente às seguradoras de saúde, e os empregadores podem acessá-los digitalmente, tornando o acompanhamento mais preciso. Mudança da regra prevê que empregados tenham que obter atestado pessoalmente, e não mais por telefone. Jochen Tack/imageBROKER/picture alliance O IGES argumenta que muitas ausências curtas que antes não eram registradas em papel passaram a aparecer nas estatísticas. Outro fator é a mudança de comportamento observada durante e após a pandemia de covid-19. Os trabalhadores se tornaram mais conscientes sobre a transmissão de vírus e, hoje, tendem a ficar em casa quando estão resfriados ou gripados. Embora isso seja positivo para a saúde pública, aumenta o número de dias de afastamento registrados. Problemas de saúde mental também cresceram como causa de ausências. Já os distúrbios musculoesqueléticos, como dores nas costas, continuam entre os principais motivos para licenças médicas. A pesquisa do IGES, realizada para a seguradora DAK-Gesundheit, mostra que os profissionais da saúde apresentam as maiores taxas de afastamento, enquanto trabalhadores das áreas de tecnologia da informação e processamento de dados estão entre os que menos faltam. Como a Alemanha se compara a outros países? A forma mais simples de comparação utiliza dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, a OCDE calcula as licenças médicas considerando semanas de sete dias, e não apenas dias úteis, o que dificulta uma comparação direta com os números do IGES. Segundo a OCDE, a Alemanha registrou no ano passado uma média de 3,5 semanas de afastamento, equivalente a cerca de 24,5 dias. Ainda assim, o país não lidera o ranking. Noruega, Espanha e Eslovênia superam cinco semanas anuais de afastamento. Finlândia (4,8 semanas), França (4,1), Portugal (4,0) e Bélgica (3,9) também apresentam índices superiores aos da Alemanha. Por outro lado, vários países do Leste e do Sul da Europa registram taxas muito menores. Bulgária, Romênia, Turquia, Grécia e Hungria têm média de uma semana ou menos por ano, enquanto os trabalhadores poloneses tiram cerca de 1,8 semana (entre oito e nove dias). Os dados da OCDE, que abrangem 32 dos 38 países-membros da organização, indicam que os trabalhadores dos Estados Unidos tiraram em média 1,1 semana de licença médica em 2024, o ano mais recente disponível.
Dívida boa e dívida ruim: qual é a diferença e por que isso importa? Nem toda dívida é ruim. A diferença entre “dívida boa” e “dívida ruim” é econômica, não moral — e saber identificar isso é essencial. A boa é aquela que pode aumentar a renda ou ajudar a construir patrimônio, desde que o retorno compense o custo dos juros. Já a dívida ruim é a usada para antecipar consumo e tende a crescer mais rápido que a renda, pressionando o orçamento. Nesse contexto, o endividamento caro e mal planejado preocupa no Brasil atualmente. Como resultado, o consumo pode perder força e a economia pode deixar de crescer. Neste vídeo, você vai entender por que o problema não é ter dívida — mas, sim, dever mal. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Divulgação TCU O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, disse em entrevista ao g1 que assinou a portaria que criou em junho uma gratificação aos servidores da Casa que ocupam funções de direção, chefia e assessoramento com "muito orgulho" e com "muita vontade". 💸O adicional poderá aumentar em até 15% a remuneração desses servidores e será direcionado a quem desempenha atividades classificadas como de alta complexidade técnica, de fiscalização e de gestão institucional. ➡️A novidade se caracteriza como um "penduricalho" do Tribunal. O termo usado é para definir verbas indenizatórias, gratificações e auxílios extras que são somadas aos salários dos servidores públicos. Como não entram no cálculo do teto constitucional (atualmente em R$ 46,3 mil), esses pagamentos na prática elevam os contracheques acima do limite legal. "O que eu justifico é que, quando meu servidor atinge o teto, eu vou convocá-lo para ele assumir uma função de direção de uma Secretaria, de uma Unidade, de ser secretário-geral. Sabe quantos querem vir? Nenhum, porque vão entrar em uma Secretaria especializada e não receber nada em troca. Rapaz, eu assinei a portaria com muito orgulho. Estou beneficiando quem economiza R$ 65 bilhões ao Brasil. A cada R$ 1 que está no meu orçamento, o TCU devolve R$ 28", disse Vital do Rêgo. 🔎Responsável, entre outras funções, por fiscalizar o uso de recursos públicos federais, aplicar sanções e determinar correções na administração pública, o TCU também poderá ser acionado para investigar os chamados "penduricalhos" na administração pública, tendo por base regras definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "A gratificação que eu dei, mantendo uma decisão do Supremo. Supremo deu, todos os órgãos da justiça federal deram, mas esperando que saia a legislação do Congresso Nacional. Mas eu fiz com muita vontade porque eu conheço o trabalho do meu servidor, eu sei a importância que ele tem para o país, sei que eu posso contar com ele", acrescentou o presidente do TCU. Vital do Rêgo argumentou que os salários dos servidores do TCU estão defasados, pelo fato de o comando constitucional de correção pela inflação não ter sido obedecido, o que elevaria o teto para R$ 72,8 mil ao mês. "Quanto você acha que ganha um CEO da iniciativa privada? R$ 1 milhão? Quando você acha que ganha um médico especializado em cirurgia torácica? Ganha bem. Porque faz um serviço especializado. O meu auditor que entra aqui, ele fez o concurso mais difícil da nação", justificou. ➡️De acordo com estudo do Banco Mundial, o Estado brasileiro gastou cerca de 10% do PIB com o pagamento de salários e vencimentos de servidores públicos em 2018. "Estima-se que os servidores públicos federais tinham em 2017 salários 96% maiores que trabalhadores do setor privado formal e servidores públicos estaduais, 16%, em média", diz o documento. ➡️Servidores públicos concursados que já adquiriram estabilidade também têm proteção contra demissão sem justa causa, podendo perder o cargo apenas nas hipóteses previstas em lei. STF forma maioria para liberar parte dos penduricalhos Vital do Rêgo avaliou, porém, que em alguns casos, não no caso do TCU, houve" generosidades excessivas, não apenas da união, mas replicando nos estados" na concessão dos penduricalhos. "A justiça estadual passou do limite nesses chamados penduricalhos", declarou Vital do Rêgo. Progressão de carreira no serviço público O presidente do TCU avaliou que a gratificação aos servidores da Casa que ocupam funções de direção, chefia e assessoramento é necessária, no Tribunal, pelo fato de que os servidores atingem o teto de carreira em até seis anos, ou seja, o salário máximo. Com isso, segundo ele, não há incentivo em assumir cargos de chefia. O Ministério da Gestão informou que está ampliando, nos acordos assinados com servidores nos últimos anos, de 13 para 20 níveis os degraus de progressão de carreira. Segundo a ministra Esther Dweck, na prática, muito servidores do Executivo chegavam ao topo da carreira com 13 anos. Em entrevista ao jornal Valor Econômico em 2024, ela defendeu que isso aconteça somente com 20 anos de serviço. De acordo com o estudo de 2019, "A Reforma do RH do governo federal", coordenado pela economista Ana Carla Abrão, sócia da Oliver Wyman, documento que serviu de base em discussões sobre a reforma administrativa nos últimos anos, o modelo brasileiro, que concede progressão de carreira aos servidores com base em tempo de serviço, não é comum. Em países desenvolvidos, esse levantamento mostra que a progressão na carreira, bem como alavancagem de oportunidades internas de crescimento, "são amparadas fundamentalmente no desempenho individual". Esse modelo foi progressão com base somente no tempo de serviço foi considerada uma "distorção a ser eliminada" na proposta de reforma administrativa do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, conduzida pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes. O texto não foi aprovado pelo Congresso Nacional. Decisões do STF sobre penduricalhos Em março, o STF estabeleceu os critérios para o pagamento das verbas indenizatórias — chamadas de "penduricalhos" — para os magistrados e os integrantes do Ministério Público. Na ocasião, foi informado que a decisão levaria a uma economia de R$ 7,3 bilhões ao ano. 💵 Foram autorizados, naquele momento, alguns pagamentos indenizatórios, até o limite de 35% do valor do teto constitucional, correspondente ao valor da remuneração dos ministros do Supremo – atualmente em R$ 46.366,19. Isso significa que os penduricalhos podem chegar a até R$ 16.228,16. Também em março, o STF liberou ainda o benefício por tempo de carreira, também limitado a 35% do teto constitucional. Na prática, somando os dois tipos de verbas, foi permitido o pagamento de até R$ 32.456,32 mais o salário mensal, podendo chegar a R$ 78.822,32. Em junho, porém, o STF decidiu liberar parte dos "penduricalhos". Com a decisão, o limite ainda precisa ser respeitado, mas deixam de valer restrições que haviam sido impostas a algumas verbas indenizatórias pelo próprio STF. Passou a ser permitido, por exemplo, o pagamento em dinheiro de férias, licenças-prêmio e plantões acumulados antes do julgamento.

O Ministério da Fazenda publicou nesta sexta-feira (10) uma portaria que estabelece novas regras para publicidade de apostas online — conhecidas como bets —, e estabelece que toda publicidade de bet será acompanhada de uma advertência, semelhante com o que acontece com propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas. O texto define que as publicidades devem alertar sobre os riscos associados de dependência e de transtornos do jogo patológico, com uma das seguintes frases de advertência obrigatória: "Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência"; "Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro"; ou "Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento". Agora no g1 Além disso, a advertência deverá estar na horizontal, serem claras, legíveis e proporcionais ao restante da ação de comunicação e de publicidade, e ter um mínimo de 10% do comprimento ou tamanho do anúncio. As novas regras entram em vigor no dia 17 de julho. Além disso, também foi publicada uma portaria em conjunto com o Ministério da Justiça que estabelece regras sobre o conteúdo das publicidades de apostas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que veículos de comunicação estão proibidos de veicular empresas não autorizadas a operar no mercado. "A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, a nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado", afirmou o ministro da Fazenda. Jogo caça-níquel Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho Matheus Moreira Com as portarias, informou Durigan, empresas ficam proibidas de criar senso de urgência, apresentar apostas como investimento ou solução financeira, mostrar ganhos ou histórico de premiações como incentivo e induzir o consumidor a erro. Vedações a comentaristas A portaria também proíbe que as ações de publicidade emitam estratégias, opiniões técnicas ou análises que possam "induzir ou influenciar a realização de apostas de quota fixa em determinado evento ou mercado de apostas". "[Não é lícito misturar] um comentário de alguém que é especialista, comentarista, especializado em um determinado jogo, determinado assunto. Ele dizendo que a melhor aposta é uma, ou que o caminho a ser adotado é aquele, portanto induzindo o consumidor a adotar uma certa prática com um verniz de respaldo técnico. Então, isso não deve ser feito", disse Dario Durigan. O texto também proíbe propagandas que: sugiram a obtenção de ganho fácil ou apresentem a aposta como sinal de virtude, de êxito pessoal, social ou financeiro, como prioridade na vida ou como conduta socialmente atraente, inclusive por meio de afirmações de personalidades conhecidas ou de celebridades; apresentem a aposta como fonte de renda, forma de investimento, alternativa ao emprego, solução para problemas pessoais, sociais ou financeiros ou meio de recuperação de valores perdidos em apostas anteriores ou de outras perdas financeiras; encorajem práticas excessivas de aposta ou contenham chamadas para ação, inclusive com mecânicas promocionais, que sugiram ato imediato por parte do apostador; contenham informação falsa ou enganosa, inclusive quanto às probabilidades de ganhar ou quanto à possibilidade de a habilidade, a destreza ou a experiência do apostador influenciar o resultado da aposta; vinculem apostas a atitudes ou comportamentos ilegais ou discriminatórios, utilizem mensagens de cunho sexual ou de objetificação de atributos físicos ou ofendam crenças culturais ou tradições do País; e sejam dirigidas, direta ou indiretamente, a crianças e adolescentes. Com a publicação da portaria, essas regras já passam a valer. Penalidades Segundo Durigan, em caso de descumprimento das regras, as penalidades previstas são multas, que podem chegar a 20% do faturamento da empresa que opera a bet. E, também, a suspensão por 180 dias. Em caso de reincidência grave, pode haver a cassação da autorização para atuação no mercado de apostas online. O secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, disse que pode ser aplicado o teto da multa, cerca de R$ 14 milhões, a quem veicular publicidade irregular de bet. O governo também informou que a empresa vai ser punida caso o influenciador contratado faça uma publicidade irregular, infringindo as novas regras, e o conteúdo também pode ser derrubado.

Quem é o funcionário mais antigo da Apple que ganhou ações, hoje avaliadas em milhões A Apple entrou com uma ação judicial nesta sexta-feira (10) contra a OpenAI e dois ex-funcionários, acusando a empresa responsável pelo ChatGPT de se beneficiar de informações confidenciais da fabricante do iPhone para avançar em sua entrada no mercado de dispositivos eletrônicos. O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, alega que houve uma ação coordenada para obter segredos comerciais da Apple, incluindo informações sobre projetos de produtos, processos de fabricação e estratégias da cadeia de fornecedores. A ação envolve a OpenAI Foundation, a OpenAI Group PBC e a io Products, além de dois ex-funcionários da Apple: Chang Liu, que atuava como engenheiro sênior de sistemas elétricos, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produtos do iPhone e do Apple Watch. O que aconteceu? Segundo a Apple, Liu teria deixado de devolver um notebook corporativo fornecido pela empresa e, posteriormente, teria explorado uma falha no sistema de autenticação para acessar a rede interna da companhia. A fabricante afirma que ele baixou "dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware" antes de deixar a empresa e ingressar na OpenAI. A Apple também acusa Tan de ter usado informações internas da companhia em benefício da OpenAI. De acordo com a ação, o ex-executivo teria enviado para si próprio dados sobre fornecedores da Apple e análises internas do setor antes de sua saída da empresa. Segundo a big tech, Tan incentivou funcionários da companhia a levarem componentes da Apple para entrevistas de emprego na OpenAI, em sessões de “mostrar e contar” (“show and tell”). No processo, a empresa cita um episódio em que um candidato a uma vaga na OpenAI teria dito que “nem sabia que podíamos pegar essas coisas do escritório”. Mais de 400 ex-funcionários da Apple agora trabalham na OpenAI, segundo a empresa no processo, afirmando que “não é surpreendente” que alguns deles tenham conhecimento de informações confidenciais. A companhia afirma ainda que a OpenAI teria feito perguntas altamente específicas a fornecedores sobre processos de fabricação e componentes usados pela Apple - informações que, segundo a empresa, só poderiam ser obtidas por alguém com conhecimento interno. A Apple também alega que a OpenAI teria convencido um de seus parceiros comerciais a realizar técnicas de acabamento em metal desenvolvidas pela fabricante do iPhone para projetos de hardware da empresa de inteligência artificial, apesar de limitações contratuais. “Só porque a OpenAI agora emprega pessoas que antes eram responsáveis pelos segredos comerciais da Apple, isso não dá à empresa o direito de usar essas informações para acelerar seus esforços em hardware”, escreveu a fabricante do iPhone na ação. Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple nos EUA, em foto de 19 de setembro de 2025 Reuters/Shannon Stapleton Uma rivalidade bilionária O processo aumenta significativamente a tensão entre Apple e OpenAI, uma relação que já vinha sendo pressionada nos últimos meses pela disputa por talentos e tecnologias estratégicas no setor de inteligência artificial. A OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters. A rivalidade entre as duas empresas ocorre em meio à corrida para desenvolver novos produtos baseados em inteligência artificial. Em 2024, a Apple anunciou a integração da sua plataforma "Apple Intelligence" em aplicativos como a Siri e também incorporou o ChatGPT aos seus dispositivos. A parceria permite que usuários do iPhone acessem respostas do ChatGPT por meio da Siri e também assinem planos pagos da OpenAI diretamente pelas configurações do sistema iOS. A OpenAI ampliou sua atuação além dos softwares ao comprar, no ano passado, a startup de hardware io Products, fundada pelo ex-designer da Apple Jony Ive, em um negócio avaliado em US$ 6,5 bilhões. O acordo reforçou a estratégia da empresa de criar produtos físicos voltados ao consumidor. Ive, porém, não é citado como réu no processo. No mês passado, a Apple lançou uma atualização da Siri que estava atrasada há meses. A empresa havia prometido grandes melhorias para a assistente virtual há dois anos, mas os recursos foram adiados repetidamente. *Com informações da Reuters

Como a inteligência artificial está mudando a forma de nos relacionarmos A fabricante sul-coreana de chips SK Hynix estreou nesta sexta-feira (10) na Nasdaq como uma das maiores ofertas já realizadas nos Estados Unidos por uma empresa estrangeira. A operação movimentou US$ 26,5 bilhões (R$ 135,6 bilhões) e ficou atrás apenas da oferta de recorde da SpaceX, que levantou US$ 86 bilhões (R$ 440,1 bilhões) no mês passado. A SK Hynix já era negociada na bolsa de Seul há anos. O que ocorreu nesta sexta-feira foi a estreia dos papéis da companhia nos EUA por meio dos chamados American Depositary Receipts (ADRs), recibos que representam ações de empresas estrangeiras e permitem sua negociação no mercado americano. 🔎 Ou seja, a empresa não realizou uma abertura de capital nos EUA. Ela apenas passou a oferecer uma nova forma para investidores americanos acessarem suas ações. Os papéis negociados nos EUA abriram com valorização de 14%, a US$ 170 (R$ 870,40) por ação, acima do preço definido na oferta, de US$ 149 (R$ 762,88). A operação colocou a companhia entre as maiores empresas estrangeiras a acessar diretamente investidores americanos e reforça o interesse do mercado por empresas ligadas ao avanço da inteligência artificial (IA). A oferta deve ajudar a SK Hynix a ampliar seus investimentos, incluindo a construção de novas fábricas, além de dar à companhia acesso direto a uma das maiores bases de investidores do mundo. 🔎 Coreia do Sul e China têm ampliado seus investimentos para fortalecer suas indústrias de chips e reduzir a dependência de tecnologia estrangeira. Enquanto a Coreia do Sul busca consolidar sua liderança em semicondutores, com grandes aportes de empresas como SK Hynix e Samsung, a China também acelera seus planos para desenvolver uma cadeia própria de inteligência artificial e chips avançados. LEIA MAIS China e Coreia do Sul querem aumentar investimento em IA O que faz a SK Hynix? A SK Hynix é uma das principais fabricantes mundiais de chips de memória, componentes responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de dados. A companhia, sediada em Icheon, na Coreia do Sul, é a maior fabricante mundial de chips de memória de alta largura de banda (HBM, na sigla em inglês), tecnologia essencial para o processamento de grandes volumes de dados em sistemas de inteligência artificial. Esses componentes são usados em equipamentos de computação avançada, incluindo unidades de processamento gráfico (GPUs) desenvolvidas por empresas como Nvidia e AMD para alimentar modelos de IA cada vez mais sofisticados. Nos últimos anos, a corrida pela IA fez empresas de tecnologia investirem centenas de bilhões de dólares na construção de infraestrutura para suportar essa nova geração de sistemas. Segundo uma análise do Bank of America Securities divulgada nesta semana, os investimentos globais em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial podem se aproximar de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,68 trilhões) até 2027, com crescimento anual entre 40% e 50%. Esse movimento elevou a demanda por chips mais avançados e transformou fabricantes de componentes, como a SK Hynix, em algumas das empresas mais acompanhadas pelo mercado. Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas Inteligência Artificial Demanda supera em sete vezes a quantidade oferecida A entrada na Nasdaq permite que a SK Hynix amplie sua exposição entre investidores internacionais, especialmente nos EUA, onde estão algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. A oferta recebeu uma procura mais de sete vezes superior ao número de ações disponíveis, segundo uma fonte ouvida pela Reuters. Para Giuseppe Sette, cofundador da plataforma de análise de investimentos Reflexivity, a listagem americana representa uma forma de aproveitar o interesse dos investidores pelo setor de inteligência artificial e reduzir a diferença de avaliação em relação a concorrentes americanas. Apesar da forte demanda, analistas avaliam que empresas que tentarem seguir o mesmo caminho podem encontrar um mercado mais seletivo, especialmente diante das preocupações com os preços elevados das ações de tecnologia e com a possibilidade de desaceleração dos investimentos em IA. Logo da Micron em ilustração. A empresa superou Meta e Tesla em valor de mercado impulsionada pela demanda por chips para inteligência artificial. Dado Ruvic/Reuters Disputa com a Micron e o futuro dos chips de IA A demanda por chips HBM aumentou nos últimos anos porque empresas que desenvolvem computadores e servidores voltados para inteligência artificial precisam desses componentes para ampliar a capacidade de processamento. A alta procura transformou esses semicondutores em produtos disputados e beneficiou fabricantes que atuam nesse segmento. A concorrente americana Micron também teve forte valorização no último ano, com alta de 711% em 12 meses. A SK Hynix registrou alta de 630% no mesmo período. Antes da estreia nos EUA, porém, as ações da SK Hynix haviam recuado cerca de 25% desde o recorde atingido duas semanas antes, acompanhando uma perda de ritmo recente dos papéis ligados a semicondutores. Mesmo sendo líder no segmento de memória para IA, a SK Hynix negocia atualmente por cerca de 5,8 vezes o lucro esperado para os próximos anos, enquanto a Micron está avaliada em aproximadamente sete vezes esse indicador, segundo dados da LSEG. * Com informações da Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto fala com a imprensa no dia da cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (10) novas sanções relacionadas ao Irã em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. As medidas têm como alvo Ali Ansari, banqueiro e empresário iraniano radicado em Dubai, além de outras 13 pessoas e entidades. O Departamento do Tesouro dos EUA afirmou que as sanções foram adotadas após a retomada de ataques de Teerã contra petroleiros no Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Principal alvo, o banqueiro Ansari já havia sido sancionado pelo Reino Unido por seu suposto papel no apoio financeiro às atividades da Guarda Revolucionária do Irã. O governo americano citou esse histórico ao anunciar as novas sanções. A gestão Trump também descreveu o banqueiro como um "importante financiador" do novo líder iraniano, Mojtaba Khamenei, e afirmou que ele teria desviado recursos públicos para construir um amplo portfólio de imóveis e participações comerciais no exterior. Agora no g1 Segundo as autoridades americanas, os recursos teriam beneficiado o próprio empresário, integrantes da elite do governo e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês). "O governo dos EUA está tomando medidas decisivas para cortar as linhas de financiamento que sustentam a elite governante do Irã", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em comunicado. Em geral, as sanções americanas incluem o bloqueio de ativos sob jurisdição dos EUA, a proibição de que cidadãos e empresas americanas realizem transações com os alvos e a possibilidade de punições contra estrangeiros que mantenham relações comerciais com essas entidades. Nesta sexta-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro americano (OFAC, na sigla em inglês) também sancionou casas de câmbio iranianas e empresas estrangeiras "de fachada". Segundo o governo dos EUA, essas entidades movimentavam bilhões de dólares por ano em nome de bancos iranianos sancionados e usavam uma rede de intermediários para ocultar as operações. A OFAC também anunciou medidas contra indivíduos e empresas ligados às operações dessas casas de câmbio. Entre os alvos estão a CDM Trading Limited, sediada em Hong Kong, que, segundo o órgão, realizava transações financeiras por meio dessas instituições, e a Naba Alzaki Raw Materials Trading LLC, dos Emirados Árabes Unidos. Escalada das tensões As novas sanções foram anunciadas após uma semana de retomada dos confrontos. No período, três navios-tanque comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram atingidos por disparos iranianos, segundo os EUA. O episódio levou Washington a atacar alvos no Irã, que respondeu com ataques contra instalações militares americanas em países do Golfo. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o cessar-fogo acordado com o Irã havia terminado, mas disse que Washington concordou em manter as negociações a pedido de Teerã. Em comunicado sobre as novas sanções, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o departamento continuaria "usando todas as ferramentas à sua disposição" para isolar Khamenei e outros altos funcionários iranianos do sistema financeiro global. O Irã afirmou estar preparado para uma "defesa total" caso os EUA violem o memorando de entendimento firmado no mês passado. Em uma publicação no Telegram, o principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que a guerra nunca terminará com a rendição de Teerã. Para Brett Erickson, diretor-gerente da Obsidian Risk Advisors, as novas sanções enviaram uma mensagem clara a Teerã. "Washington não está mais tentando preservar a estrutura existente. Está se preparando para substituí-la completamente", afirmou. * Com informações da agência de notícias Reuters

Dancinhas de TikTok e remixes de funk invadem quadrilhas escolares O TikTok informou nesta sexta-feira (10) que irá fortalecer suas ferramentas, parcerias e mecanismos de segurança para ajudar seus usuários a identificar conteúdos gerados por inteligência artificial (IA). As novidades anunciadas incluem: Novos recursos educacionais e mais investimentos no fundo de letramento em IA; Testes de sistemas aprimorados de detecção para identificar contas dedicadas à publicação de spam gerado por IA, que prejudicam criadores originais; e Fortalecimento dos padrões técnicos que adicionam metadados criptografados a imagens, vídeos e áudios. Chamado de “selo de procedência”, o recurso permite verificar a autoria, a data e todas as ferramentas de edição utilizadas na criação do conteúdo. “À medida que essa tecnologia evolui, há também o risco de que ela seja utilizada indevidamente para produzir conteúdo de spam em grande escala, o que acaba ofuscando criadores autênticos”, explicou o TikTok em nota. Segundo a empresa, a rede social já trabalha há algum tempo no combate ao spam e utiliza tecnologia para remover esse tipo de publicação. “Só no primeiro trimestre deste ano, removemos mais de 86 milhões de contas falsas”, acrescentou a companhia. Nas próximas semanas, especificamente, o TikTok testará melhorias nos sistemas de detecção de contas dedicadas à publicação de spam gerado por IA em temas que possam representar riscos à confiança ou ao bem-estar do público. Entre os conteúdos monitorados estão: Política e atualidades; Aconselhamento financeiro; e Conteúdos de saúde. “Até o momento, classificamos mais de 3 bilhões de vídeos como AIGC [conteúdo gerado por inteligência artificial] por meio de uma combinação das Credenciais de Conteúdo, ferramentas de identificação de criadores e nossa tecnologia de marca d’água invisível”, explicou a empresa.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) adiou para 27 de julho o início das operações da linha de crédito, em bancos públicos, destinada a mototaxistas e entregadores de aplicativos, dentro do programa Move Brasil. Segundo o governo, o financiamento, que começaria em 13 de julho, teve o cronograma alterado para permitir a conclusão de testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas envolvidos. "O ajuste no cronograma foi necessário para a finalização de testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas envolvidos, com o objetivo de garantir segurança e estabilidade no atendimento aos trabalhadores", afirmou a pasta, em nota divulgada nesta manhã. Com isso, a partir do dia 27 de julho, os trabalhadores que tiverem a participação confirmada no programa devem procurar a Caixa, Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento. Lula diz que motoristas de app estão deixando a 'invisibilidade' A aprovação do cadastro apenas confirma que o trabalhador cumpre os requisitos do programa. A liberação do financiamento, porém, dependerá da análise de crédito feita pelos bancos. Sobre a linha A linha de crédito é destinada a entregadores ciclistas e motociclistas, motofretistas e mototaxistas que usam motos ou bicicletas como instrumento de trabalho, por aplicativo ou com vínculo formal de emprego. O programa permite financiar, sem entrada, um veículo zero-quilômetro por beneficiário, entre bicicletas elétricas, motonetas, ciclomotores, motos elétricas e motos flex, conforme as regras do programa. O financiamento, garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO), tem prazo de até 48 meses e carência de dois meses para início do pagamento. Motociclistas de app cobram mais ações educativas para passageiros para melhorar segurança Thiago Gadelha/SVM

Folarin Balogun, dos EUA, recebe cartão vermelho do árbitro Raphael Claus. Phil Noble/Reuters Se o presidente da Fifa, Gianni Infantino, esperava que a tecnologia ajudasse a reduzir as controvérsias da arbitragem, a Copa do Mundo mostrou que o debate está longe de terminar. O uso da tecnologia esteve no centro das principais polêmicas do torneio, incluindo a expulsão de Folarin Balogun, caso que chegou a chamar a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia As críticas variaram de acusações de excesso de interferência e falta de critério uniforme na aplicação do VAR a teorias conspiratórias de que a tecnologia estaria favorecendo determinadas seleções ou jogadores. O técnico do Egito, Hossam Hassan, reuniu essas críticas após a derrota por 3 a 2 para a Argentina nas oitavas de final. Na partida, sua equipe teve um gol anulado pelo VAR devido a uma falta na outra ponta do campo e um pedido de pênalti que não foi atendido. Agora no g1 “O que está acontecendo não é justo”, disse ele. O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, afirmou em uma entrevista na quarta-feira que estava satisfeito com o andamento das coisas e, em particular, defendeu a decisão de anular o gol do Egito por causa de uma falta na jogada que antecedeu o gol. "Não existe um limite pré-estabelecido para a distância da jogada em relação ao gol nem para o tempo transcorrido até a conclusão da jogada", afirmou Collina. “Acreditamos que uma falta é uma falta. Independentemente de a falta parecer ‘óbvia’, se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir.” O Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) foi criado para corrigir erros considerados claros e evidentes, como o famoso gol marcado com a mão por Diego Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986. A introdução do VAR na Copa do Mundo enfrentou resistência de Joseph Blatter quando ele era presidente da Fifa, mas foi rapidamente adotada por Infantino quando assumiu o cargo em 2016. Houve 20 intervenções do VAR nos 64 jogos da Copa de 2018 e menos de 30 no mesmo número de partidas no Catar, em 2022. Já na edição de 2026, esses números foram superados ainda nas fases iniciais da competição, que passou a contar com 104 jogos. Fifa amplia o papel do VAR O aumento das intervenções não ocorreu por acaso. A ampliação do papel dos quatro árbitros responsáveis pelo VAR é um dos pilares da estratégia adotada por Collina para esta Copa do Mundo. Em parceria com o International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas regras do futebol, Collina ampliou as situações em que o VAR pode intervir, acrescentando quatro novas categorias de revisão. O especialista em ciência de redes Brennan Klein afirmou que um futuro no qual uma rede cada vez maior de câmeras e sistemas de inteligência artificial assumisse parte das decisões de arbitragem em tempo real — embora possível — era improvável, simplesmente porque os torcedores parecem cada vez menos dispostos a aceitar um nível maior de intervenção tecnológica. "Esse tipo de futuro distópico, de excesso de arbitragem em tudo, acaba não abordando a questão que motivou a intervenção inicial", disse à Reuters Klein, que vem analisando dados ao longo do torneio com sua equipe na Universidade Northeastern. "Tenho a impressão de que, de modo geral, os torcedores no estádio simplesmente detestam isso. Eles foram informados de que essa é a maneira correta de fazer as coisas, mas não tiveram realmente voz ativa na decisão." "Acho que os torcedores parecem estar votando com suas vaias." 'Abuso da tecnologia' Se a partida entre Croácia e Portugal tivesse acontecido na Copa do Mundo de 2014, provavelmente teria terminado empatada por 2 a 2 no tempo regulamentar. Josko Gvardiol marcou aos 13 minutos dos acréscimos e empatou o jogo para a Croácia. No entanto, o VAR apontou que a bola havia tocado em Igor Matanovic antes de chegar ao defensor, o que colocou um companheiro de equipe em posição irregular. O toque não pôde ser percebido a olho nu e tampouco alterou visivelmente a trajetória da bola. Ainda assim, um sensor instalado no equipamento registrou o contato, possivelmente até com o cabelo de Matanovic. "(O sensor) é capaz de detectar até os contatos mais leves, fornecendo aos árbitros informações sem precedentes para tomar decisões rápidas e precisas", afirmou a Fifa em uma publicação nas redes sociais. Luka Modric, croata que se despediu das Copas do Mundo após a derrota por 2 a 1, não ficou impressionado com a decisão. "A tecnologia é útil em determinadas situações, mas está sendo usada de forma incorreta ou seletiva, dependendo da equipe envolvida ou de outros fatores", afirmou o jogador. "Se for um erro evidente, a intervenção faz sentido. Mas, quando a jogada está em uma área cinzenta e sujeita à interpretação, não há motivo para interferir." A Federação Croata de Futebol (HNS), que apoia o uso do VAR, enviou um ofício à Fifa pedindo explicações sobre a decisão e classificando o episódio como "um abuso da tecnologia".
Fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), onde são produzidos quatro modelos da marca. Celso Tavares/g1 Representantes dos trabalhadores da Volkswagen bloquearam um amplo plano de reestruturação da empresa na Alemanha, disseram duas fontes à Reuters nesta sexta-feira. O episódio evidencia as dificuldades enfrentadas pelo presidente-executivo Oliver Blume para reformular a maior montadora da Europa. Blume tenta tornar o grupo mais eficiente em um momento em que a Volkswagen enfrenta o avanço da concorrência chinesa, bilhões de euros em custos associados às tarifas impostas pelos Estados Unidos e dúvidas sobre a competitividade de suas fábricas na Alemanha. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A estrutura de governança da Volkswagen, porém, torna a tomada de decisões mais complexa. Isso porque representantes dos trabalhadores e o Estado da Baixa Saxônia controlam a maioria dos assentos no conselho de supervisão da empresa. Em reunião realizada na quinta-feira (9), o conselho de supervisão rejeitou por 12 votos a 7 a proposta de reestruturação apresentada pela diretoria, após a oposição dos representantes dos trabalhadores, segundo as fontes. Agora no g1 Fontes familiarizadas com as discussões haviam informado anteriormente à Reuters que a proposta de Blume incluía o corte de até 100 mil postos de trabalho e o possível fechamento de quatro fábricas na Alemanha. Em meio à pressão sobre a empresa, a Volkswagen informou nesta sexta-feira uma queda de 8,6% nas entregas do segundo trimestre, a maior retração em quatro anos. Analistas veem falta de medidas concretas no plano Após a reunião, a Volkswagen divulgou um comunicado. Analistas, porém, afirmaram que o chamado "plano para o futuro" traz poucas medidas concretas e evidencia a dificuldade da diretoria em avançar com mudanças mais profundas. No comunicado divulgado na noite de quinta-feira, a Volkswagen não mencionou cortes de empregos nem fechamento de fábricas. Em vez disso, reiterou metas já conhecidas para simplificar suas operações, medidas que nem sequer dependiam da aprovação do conselho de supervisão. Analistas do Jefferies afirmaram que "não há indicação de progresso rumo a um acordo". Já analistas da Bernstein disseram que o plano está "repleto de ideais, mas muito pobre em medidas concretas". Alguns analistas, no entanto, avaliaram positivamente as propostas de simplificação, que incluem reduzir a capacidade global de produção de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano e cortar em até 50% o número de modelos oferecidos. A reestruturação remodelaria gradualmente o portfólio do grupo, que reúne marcas de grande volume, como Volkswagen e Skoda, além da fabricante de carros esportivos Porsche e da marca de luxo Lamborghini. Sindicatos cobram detalhes do plano após protestos O IG Metall, maior sindicato industrial da Alemanha, realizou manifestações em unidades da Volkswagen em todo o país nesta quinta-feira e cobrou da empresa uma estratégia clara para garantir a produção no futuro. O conselho de trabalhadores exigiu que a empresa esclarecesse, até o fim desta sexta-feira, seus planos de redução de custos. O atual acordo trabalhista da Volkswagen limita a realização de greves, mas os sindicatos ameaçaram ampliar os protestos caso a empresa tente rever os compromissos assumidos em relação à segurança no emprego. Apesar das tensões, ambos os lados concordam quanto à dimensão dos desafios enfrentados pela Volkswagen, cujas margens de lucro caíram pela metade nos últimos cinco anos devido à fraqueza do mercado chinês, aos custos da eletrificação e às tarifas comerciais. O chanceler alemão Friedrich Merz prometeu implementar reformas para aumentar a competitividade do país em meio às dificuldades enfrentadas por setores-chave da indústria. "Todos os envolvidos têm consciência de que a Volkswagen e a indústria automobilística enfrentam um momento crítico em um ambiente de competição internacional cada vez mais desafiador", afirmou Olaf Lies, primeiro-ministro do Estado da Baixa Saxônia. Fontes familiarizadas com o assunto disseram que a Baixa Saxônia, onde fica a sede da Volkswagen em Wolfsburg, tentou intermediar um compromisso durante as discussões do conselho de supervisão. Segundo uma das fontes, o governo estadual chegou a planejar apresentar sua própria proposta, mas a ideia acabou sendo abandonada. A fonte não forneceu mais detalhes. O governo da Baixa Saxônia se recusou a comentar o assunto.

Logo da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Tony Avelar/AP A Meta terá de modificar o que a União Europeia classifica como um "design viciante" no Facebook e no Instagram ou poderá enfrentar multas elevadas, advertiu o bloco nesta sexta-feira (10). Segundo a Comissão Europeia, a Meta não adotou medidas suficientes para reduzir os riscos que o Facebook e o Instagram representam para os usuários, especialmente crianças e pessoas vulneráveis. Na avaliação do órgão, as plataformas utilizam mecanismos que incentivam o uso contínuo das redes sociais. Se as conclusões preliminares forem confirmadas, a UE poderá aplicar uma multa equivalente a até 6% do faturamento anual global da empresa. "Proteger a saúde física e mental dos europeus deve ser uma prioridade para as plataformas de redes sociais", afirmou, em comunicado, Henna Virkkunen, vice-presidente da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica. Agora no g1 Nos últimos meses, a UE intensificou a pressão sobre as grandes empresas de tecnologia para que reforcem a proteção aos usuários, especialmente às crianças. Em um parecer preliminar divulgado nesta sexta-feira, a Comissão Europeia afirmou ter identificado indícios de que a Meta violou regras europeias e disse que a empresa precisará promover mudanças no design do Instagram e do Facebook. Segundo a Comissão, as mudanças poderiam incluir o fim de recursos considerados viciantes, como a reprodução automática de conteúdo e a rolagem infinita. O órgão também quer mecanismos mais eficazes para limitar o tempo de uso e ajustes nos sistemas de recomendação para reduzir o incentivo ao consumo contínuo de conteúdo. A Meta disse discordar das conclusões preliminares, mas afirmou que continuará "colaborando de maneira construtiva" com a União Europeia. Uma alta autoridade da UE afirmou à France-Presse (AFP) que o objetivo da Comissão Europeia não é punir as empresas. "Queremos promover mudanças e, se conseguirmos isso por meio de compromissos assumidos pelas empresas, ficaremos muito satisfeitos", disse. UE questiona mecanismos de proteção As conclusões foram divulgadas poucos dias antes de um painel de especialistas encarregado pela Comissão Europeia apresentar, na segunda-feira (13), recomendações para ampliar a proteção de crianças contra conteúdos inadequados na internet. Em fevereiro, a UE fez um alerta semelhante ao TikTok, informando à plataforma que deveria alterar seu design ou correria o risco de receber multas elevadas. Ainda assim, a autoridade ressaltou que há uma "pequena diferença" em relação ao TikTok, argumentando que "a Meta sempre procurou abordar a proteção dos menores na internet". Em seu parecer, a Comissão Europeia observou que as ferramentas de controle de tempo do Facebook e do Instagram podem ser desativadas com facilidade pelos próprios usuários. Além disso, os controles parentais só seriam eficazes se os responsáveis tivessem determinados conhecimentos técnicos. A UE iniciou sua investigação sobre a Meta em 2024 com base na Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). A legislação é uma das principais ferramentas adotadas pela União Europeia para responsabilizar grandes empresas de tecnologia por conteúdos e riscos em suas plataformas e ampliar a proteção dos usuários online.

Estreito de Ormuz Reuters/Stringer O movimento de navios no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo, diminuiu nesta semana, em meio à escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Dados de rastreamento marítimo mostraram que apesar de pelo menos 22 embarcações — todas ligadas ao Japão — terem deixado o Golfo desde terça-feira (7), o tráfego diário geral reduziu na região. Segundo a Reuters, empresas de navegação e governos acompanham de perto a situação no Estreito, após os ataques iranianos desta semana contra navios comerciais e as ações retaliatórias dos Estados Unidos contra o Irã. Dados da Kpler e da LSEG mostram que pelo menos cinco navios-tanque de GNL sem carga entraram no Estreito de Ormuz nos últimos dias. Agora no g1 Entre eles estão o GasLog Shanghai, operado pela empresa de navegação grega GasLog, e quatro embarcações ligadas à QatarEnergy: Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan. Segundo os dados, o GasLog Shanghai e o Al Rayyan provavelmente entraram no Estreito de Ormuz durante a madrugada, após terem sido avistados fora da via navegável em 9 de julho. Os outros três navios ligados à QatarEnergy haviam sido vistos pela última vez na costa oeste da Índia, fora do Estreito de Ormuz. Segundo os dados, o Al Samriya e o Al Gattara foram identificados na região entre 18 e 19 de junho, enquanto o Al Dafna apareceu pela última vez em 29 de junho. A QatarEnergy e a GasLog não responderam imediatamente aos pedidos de comentário feitos fora do horário comercial por parte da Reuters. O superpetroleiro Nissos Kea entrou no Estreito de Ormuz na quinta-feira, enquanto o Lila Vadinar deixou a passagem marítima. "O que mudou em relação ao início do conflito é que o Irã passou a atacar embarcações que utilizam a rota de Omã, em vez de mirar todos os navios. Isso pode levar mais embarcações a optar pela rota iraniana ou a adotar medidas mais discretas ao atravessar o estreito", disse Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa. Fontes do setor afirmaram à Reuters que as embarcações têm desligado com mais frequência os sistemas públicos de rastreamento AIS, o que dificulta o monitoramento de todos os navios que cruzam o estreito. Uma análise da Kpler dos navios que podem ser monitorados mostrou que o tráfego diário de petroleiros e navios-tanque de GNL caiu na quinta-feira para o menor nível desde 28 de junho. Foram 10 embarcações transitando pelo estreito, ante 14 na quarta-feira e 22 na segunda-feira. Ataques entre EUA e Irã Na noite de quarta-feira (8), as forças do Comando Central dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios no Estreito de Ormuz. A ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Entenda o que está por trás da nova onda de ataques entre EUA e Irã Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou no 1º semestre O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os grupos pesquisados, a Habitação teve a maior alta de preços no mês e foi o que mais pressionou a inflação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por outro lado, a inflação dos alimentos caiu 0,24% em junho e teve o maior impacto negativo sobre o índice geral do mês. Os preços dos alimentos consumidos em casa tiveram queda de 0,39%, depois de uma alta de 1,65% em maio, com influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%). Já a alimentação fora de casa subiu 0,15% em junho, uma desaceleração em relação a maio (+0,49%). Contas de luz sobem até o triplo da inflação Abaixo veja os 20 alimentos que mais encareceram e que mais baratearam no 1º semestre deste ano. Alimentos que ficaram mais caros Pepino: 155,47% Cenoura: 103,14% Tomate: 82,41% Batata-inglesa: 82,11% Morango: 60,97% Cebola: 53,34% Feijão-carioca (rajado): 52,82% Repolho: 29,79% Açaí (emulsão): 27,64% Abobrinha: 23,46% Feijão-preto: 22,62% Leite longa vida: 22,08% Couve-flor: 21,96% Brócolis: 19,72% Feijão-mulatinho: 19,22% Manga: 19,17% Couve: 17,73% Batata-doce: 15,92% Peito bovino: 13,02% Alimentos que ficaram mais baratos Abacate: -41,3% Laranja-baía: -32,81% Laranja-lima: -23,36% Banana-maçã: -18,9% Maracujá: -12,93% Café moído: -11,49% Maçã: -11,03% Açúcar refinado: -10,78% Limão: -9,45% Óleo de soja: -9,25% Banana-d'água: -8,31% Açúcar demerara: -8,23% Açúcar cristal: -7,77% Laranja-pera: -7,03% Azeite de oliva: -6,67% Carne de porco: -5,64% Farinha de trigo: -4,77% Pimentão: -4,73% Café solúvel: -4,34% Frango em pedaços: -4% Por que as hortaliças ficaram mais caras Problemas climáticos e redução da produção em momentos importantes da safra são alguns dos fatores que explicam a alta de preços das hortaliças. O pepino, por exemplo, sofreu com o calor nas principais regiões produtoras, especialmente em São Paulo e em Minas Gerais, segundo o relatório do índice Ceagesp, publicado em maio. O calor excessivo afetou a produtividade das plantações – ou seja, a quantidade colhida por hectare –, o que diminuiu o volume colhido. No caso da cenoura, o excesso de chuvas em parte da safra comprometeu a qualidade das raízes, provocando deformações e doenças. Isso reduziu a quantidade de cenouras aptas para comercialização. Em relação ao tomate, a queda das temperaturas e o aumento da umidade atrasaram a maturação dos frutos e favoreceram a proliferação de fungos e bactérias nas lavouras. Com menor produtividade e menos tomate chegando ao mercado, os preços subiram. Preço do tomate sobe até 40% e pesa no bolso, em Belém Inflação em junho O grupo de Despesas Pessoais teve a segunda maior alta entre os grupos pesquisados, depois da habitação, com aumento de 0,25%. Os principais reajustes vieram dos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%). Em Saúde e Cuidados Pessoais, que subiu 0,23%, o destaque ficou para os artigos de higiene pessoal, impulsionados pela alta de 1,12% dos perfumes. Os planos de saúde também ficaram mais caros, refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em vigor desde maio. Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,24%; Habitação: 0,63%; Artigos de residência: 0,23%; Vestuário: 0,17%; Transportes: 0,17%; Saúde e cuidados pessoais: 0,23%; Despesas pessoais: 0,25%; Educação: -0,02%; Comunicação: 0,19%. Energia elétrica desacelera, mas segue pressionando a inflação Apesar de a alta dos preços de Habitação ter perdido força em relação a maio, quando o grupo subiu 1,11%, ele continuou sendo o que mais pressionou a inflação de junho. Isso ocorreu principalmente por causa da energia elétrica residencial, que desacelerou de 3,67% para 1,53%, mas ainda foi o item que mais contribuiu para o resultado do mês. Segundo o IBGE, a conta de luz continuou mais cara devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Inflação ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Inflação ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado de junho mostra uma desaceleração da inflação em relação a maio, quando o IPCA havia subido 0,58%. Com o resultado do mês, a inflação acumula alta de 3,36% em 2026. Nos últimos 12 meses, o aumento dos preços foi de 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio. Em junho do ano passado, a inflação havia sido de 0,24%. No primeiro semestre, o IPCA acumulou alta de 3,36%, acima dos 2,99% registrados no mesmo período de 2025. Esse é o maior avanço para os seis primeiros meses do ano desde 2022. Entre os grupos pesquisados, Habitação teve a maior alta de preços no mês e foi o que mais pressionou a inflação. Já Alimentos e Bebidas registrou queda nos preços, ajudando a conter o índice. Os demais grupos tiveram variações pequenas, entre uma leve queda em Educação e uma alta moderada em Despesas Pessoais. (veja o que ficou mais caro e o que barateou no 1º semestre) Despesas Pessoais teve a segunda maior alta entre os grupos pesquisados, com aumento de 0,25%. Os principais reajustes vieram dos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%). Em Saúde e Cuidados Pessoais, que subiu 0,23%, o destaque ficou para os artigos de higiene pessoal, impulsionados pela alta de 1,12% dos perfumes. Os planos de saúde também ficaram mais caros, refletindo o reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em vigor desde maio. Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,24%; Habitação: 0,63%; Artigos de residência: 0,23%; Vestuário: 0,17%; Transportes: 0,17%; Saúde e cuidados pessoais: 0,23%; Despesas pessoais: 0,25%; Educação: -0,02%; Comunicação: 0,19%. Energia elétrica desacelera, mas segue pressionando a inflação Apesar de a alta dos preços de Habitação ter perdido força em relação a maio, quando o grupo subiu 1,11%, ele continuou sendo o que mais pressionou a inflação de junho. Isso ocorreu principalmente por causa da energia elétrica residencial, que desacelerou de 3,67% para 1,53%, mas ainda foi o item que mais contribuiu para o resultado do mês. Segundo o IBGE, a conta de luz continuou mais cara devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Além disso, entraram em vigor reajustes nas tarifas de distribuidoras de energia em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte ao longo do mês. Alimentos ficam mais baratos Após subir 1,33% em maio, o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,24% em junho, ajudando a reduzir a inflação do mês. Os alimentos consumidos em casa ficaram 0,39% mais baratos em junho, puxados principalmente pela queda nos preços de: ☕ Café moído: -3,72% 🍎 Frutas: -1,58% 🥩 Carnes: -0,64% Por outro lado, alguns produtos ficaram mais caros: 🫘 Feijão-carioca: +8,31% 🥔 Batata-inglesa: +3,57% A alimentação fora de casa também perdeu força. A alta desacelerou de 0,49% em maio para 0,15% em junho, com aumentos menores tanto nos lanches quanto nas refeições. Entre as capitais pesquisadas, Brasília registrou a maior inflação do mês (0,52%), puxada principalmente pelo aumento das passagens aéreas e da gasolina. Já Recife teve a menor variação (-0,04%), influenciada pela queda dos preços do tomate e da gasolina. O grupo de Transportes teve alta de 0,17% em junho. O principal aumento veio das passagens aéreas, que subiram 7,12%. Em compensação, os combustíveis ficaram mais baratos no mês: Etanol: -3,09% Óleo diesel: -1,19% Gás veicular: -0,19% Gasolina: -0,12% Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a gasolina acumulou alta de 6,37% no primeiro semestre. Parte dessa pressão ocorreu em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que elevaram os preços internacionais do petróleo e aumentaram a preocupação com o abastecimento global. O preço do ônibus urbano subiu 0,72%, influenciado por mudanças nas regras de gratuidade e descontos aos domingos e feriados em Belo Horizonte, Brasília, Belém e Curitiba. O metrô teve alta de 0,20%, refletindo a incorporação da gratuidade aos domingos e feriados em Brasília. Já o ônibus intermunicipal avançou 0,38%, em razão de um reajuste extraordinário de 15% nas tarifas em Rio Branco, em vigor desde 8 de maio, e de um aumento de 7,32% nas tarifas em Porto Alegre, válido desde 2 de junho. Agora no g1

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (10), com um recuo de 0,28%, cotado a R$ 5,1084. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou as negociações em alta de 2,97%, aos 177.866 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os novos dados da inflação brasileira são o grande destaque do dia. Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho, acumulando um avanço de 4,64% em 12 meses. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado financeiro, de alta de 0,31%. O indicador é acompanhado de perto pelo Banco Central do Brasil (BC) na avaliação das perspectivas para o futuro dos juros do país. O resultado impulsionou o Ibovespa nesta sexta-feira, com ações do setor de varejo, que são mais sensíveis a juros, demonstrando um bom desempenho. Papéis do setor financeiro também subiram e ajudaram a sustentar a alta do índice. ▶️ Além disso, a escalada das tensões no Oriente Médio também segue no radar. Na quinta-feira, os Estados Unidos e o Irã anunciaram novos ataques em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás. Ainda assim, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o país "busca um acordo" para encerrar o conflito. Diante das incertezas em relação à guerra, o petróleo tinha volatilidade nesta sexta-feira. Perto das 15h50, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 0,33%, cotado a US$ 76,05. Já o West Texas Intermediate (WTI), negociado nos EUA, caia 0,85%, a US$ 71,47 por barril. ▶️Entre os destaques do Ibovespa, as ações do setor financeiro operavam em forte alta nesta sexta-feira, com destaque para os papéis da B3 (+4,39%) e Bradesco (4,28%). Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,15%; Acumulado do mês: -1,05%; Acumulado do ano: -6,93%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,18%; Acumulado do mês: +3,40%; Acumulado do ano: +10,39%. Inflação desacelera em junho O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,16% em junho, abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava alta de 0,31%. A taxa também desacelerou em relação a maio, quando o índice havia avançado 0,58%. Com esse desempenho, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,36%. Em 12 meses, o IPCA passou de 4,72% até maio para 4,64% em junho. LEIA TAMBÉM: O que ficou mais caro e o que barateou entre os alimentos no 1º semestre Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,24%; Habitação: 0,63%; Artigos de residência: 0,23%; Vestuário: 0,17%; Transportes: 0,17%; Saúde e cuidados pessoais: 0,23%; Despesas pessoais: 0,25%; Educação: -0,02%; Comunicação: 0,19%. EUA e Irã trocam ataques Na noite de quarta-feira (8), as forças do Comando Central dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios no Estreito de Ormuz. A ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em alta nesta sexta-feira, conforme investidores aguardavam a estreia da SK Hynix, empresa sul-coreana de chips, na Nasdaq. Perto das 15h50, o Dow Jones subia 035%, enquanto o S&P 500 avançava 0,37% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,28%. Na Europa, a preocupação com o conflito no Oriente Médio trouxe um dia misto para os mercados. O índice pan-europeu STOXX 600 interrompeu uma sequência de quatro semanas de ganho, com perdas de 1,8%. No dia, fechou praticamente estável. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, teve queda de 0,20%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,15% e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,24%. Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em alta, impulsionadas pelo maior otimismo em relação às empresas chinesas de internet. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,96%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, perdeu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,60%, enquanto o Nikkei, do Japão, avançou 1,20% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 2,52%. Notas de dólar. Rick Wilking/Reuters

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou nesta sexta-feira (10) que segue “empenhado” nas negociações com autoridades dos Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço proposto pelo escritório do representante comercial do país (USTR, na sigla em inglês) contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano. O prazo para um acordo entre os dois países acaba em 15 de julho. A afirmação foi enviada à Globonews após entidades que representam empresários brasileiros e americanos terem pedido que haja uma nova rodada de negociação, e defenderem que os dois países cheguem a um acordo para evitar a aplicação da tarifa de 25% (leia detalhes mais abaixo). “Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional”, informou o Ministério das Relações Exteriores. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros podem ser impactados caso o tarifaço entre em vigor, entre os quais ferro gusa, molduras de madeiras e álcool etílico. Juntos, segundo a CNI, esses 4,2 mil produtos somam US$ 15 bilhões em exportações brasileiras para os EUA. Ana Flor: Ainda serão feitas ao menos duas rodadas de conversas sobre tarifas dos EUA No Palácio do Planalto e no Ministério das Relações Exteriores, a percepção é que a decisão do USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos apresentados ao longo do último ano sobre desmatamento e PIX, por exemplo. Diante disso, a avaliação de momento do governo Lula é que o governo americano tem se mostrado “inflexível”, apresentado questões “inegociáveis”. A carta dos empresários Nesta quinta (9), entidades que representam empresários brasileiros e americanos divulgaram uma carta conjunta para pedir que Brasil e Estados Unidos sigam em negociação. Assinam a carta a CNI, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e a U.S Chamber of Commerce. O documento é dirigido a quatro autoridades: Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; Márcio Elias Rosa, ministro da Indústria e Comércio; Jamieson Greer, chefe do escritório comercial (USTR); Marco Rubio, secretário de Estado americano. Entre outros pontos, as entidades: ➡️reiteram apoio ao fortalecimento da parceria econômica entre os dois países; ➡️dizem que a relação Brasil-EUA é estratégica nas áreas de comércio, investimentos, tecnologia, inovação; ➡️pedem que as negociações do tarifaço levem a resultados que reforcem a previsibilidade, ampliem oportunidades e e fortaleçam a confiança mútua. "Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros”, afirma a carta. “O avanço […] por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, concluíram as entidades. Chanceler Mauro Vieira Mateus Oliveira/MRE

Shein Reuters Após tentativas frustradas de abrir capital nas bolsas de Londres e Nova York, a varejista de moda online Shein avançou nesta sexta-feira (10) em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), ao obter a aprovação de reguladores chineses para a listagem em Hong Kong. As informações foram publicadas no site da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A varejista aguardou cerca de um ano pela aprovação de Pequim. O pedido para o IPO em Hong Kong havia sido protocolado em julho do ano passado. Segundo a Reuters, a demora ocorreu porque a abertura de capital da companhia precisava ser liberada pelos "mais altos escalões do Partido Comunista Chinês". A agência ainda informou que a previsão é que a empresa realize seu IPO ainda neste ano, entre setembro e outubro. Agora no g1 Ainda segundo a agência de notícias, a Shein teria indicado que poderia vender até 8% de suas ações, mas o percentual final provavelmente será menor, de acordo com informações de uma fonte à Reuters. Com uma possível avaliação de IPO entre US$ 40 bilhões (R$ 205,3 bilhões) e US$ 50 bilhões (R$ 256,7 bilhões), o valor arrecadado seria considerado baixo. A Shein foi avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 513,3 bilhões) em uma rodada de financiamento de 2022. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Biofertilizantes podem ser utilizados para combater pragas do campo Reprodução/TVCA Quem quer saber mais sobre biofertilizantes pode acessar gratuitamente uma cartilha da Embrapa com orientações sobre o tema. O material reúne boas práticas para a produção e o uso desses insumos naturais, utilizados para nutrir o solo e as plantas. A publicação explica como produzir e aplicar os biofertilizantes, além de apresentar os principais cuidados no manuseio dos produtos. Também mostra como eles podem contribuir para melhorar a fertilidade do solo e a saúde das plantas. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

Pizza da Baco Pizzaria, em Brasília Rafael Facundo Celebrado nesta sexta-feira (10), o Dia da Pizza convida a olhar para um contraste da economia brasileira: enquanto o país abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, com o menor número de fechamentos da última década, comprar uma pizza pesa cada vez mais no orçamento de parte das famílias. É o que mostra o Índice Mozarela, desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) para medir o poder de compra das famílias paulistanas. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Em 2021, metade dos distritos da cidade conseguiu comprar pelo menos 131 pizzas por mês com sua renda familiar média. Em 2025, essa mediana caiu para 120. 🍕 Inspirado no Índice Big Mac, o indicador calcula quantas pizzas de muçarela — sabor clássico e de menor preço — a renda familiar média consegue comprar em cada distrito da cidade, considerando os valores praticados pelas pizzarias da própria região. Agora no g1 Embora o levantamento se restrinja à capital paulista, ele ajuda a retratar um dos principais mercados consumidores do país. Isso porque, além de concentrar o maior número de pizzarias do Brasil, São Paulo é tradicionalmente considerada a capital nacional da pizza, o que faz da cidade um importante termômetro para acompanhar a relação entre preços, renda e consumo. Peso da pizza no orçamento Segundo o estudo, a alta no preço das pizzas reflete, entre outros fatores, o aumento do custo dos insumos. O principal deles foi a muçarela, que acumulou alta de quase 40% entre 2021 e 2025 e é um dos ingredientes mais importantes do produto. Ao mesmo tempo, os rendimentos do trabalho não acompanharam o aumento do custo de vida da população, observa Rodolfo Ribeiro, um dos pesquisadores responsáveis pelo Índice Mozarela. "Vivemos um período de baixo crescimento econômico, e isso acaba pressionando o orçamento das famílias, sobretudo das que têm menor renda", explica. Esse cenário aparece de forma bastante desigual entre os bairros da capital paulista. Em Alto de Pinheiros, a renda média permite comprar 313 pizzas por mês, o maior índice da cidade. Em Anhanguera, esse potencial de compra cai para 73 pizzas mensais. As diferenças também aparecem nos preços cobrados pelas pizzarias. 📈 Pinheiros, Moema e Jardim Paulista concentram algumas das pizzas mais caras de São Paulo, com medianas de R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49, respectivamente. 📉 Já Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí registram os menores valores, de R$ 39,74, R$ 40,93 e R$ 41,15. Segundo os autores do levantamento, essa diferença está ligada às características de cada mercado local. Nas regiões periféricas, a concorrência acontece principalmente pelo preço. Como precisam conciliar custos de produção elevados com consumidores de menor poder de compra, os empresários têm pouca margem para utilizar ingredientes mais caros ou investir em diferenciais no produto e no serviço. "O orçamento das famílias é muito limitado, então o preço baixo é fundamental para a venda. Isso faz com que os preços entre diferentes pizzarias variem muito pouco entre si", destaca Ribeiro. Nos bairros de maior renda, o cenário é diferente. O maior poder de compra dos consumidores amplia as possibilidades para os empresários diversificarem o cardápio, os ingredientes e a forma de comercializar seus produtos. "O empreendedor possui mais 'grau de liberdade' para decidir que tipo de produto vai oferecer e como irá ofertá-lo. Isso permite que as empresas testem diferentes estratégias comerciais e nichos de mercado", completa o pesquisador. Onde a pizza pesa mais para os paulistanos Arte/g1 Mais pizzarias, menos fechamentos A perda de poder de compra das famílias, no entanto, não impediu a expansão do setor. Enquanto o consumo ficou mais pressionado pelo orçamento, o mercado brasileiro de pizzarias continuou crescendo e alcançou, em 2025, seu maior tamanho já registrado. Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) mostram que o Brasil encerrou o ano com 40.332 pizzarias ativas, alta de 10,29% em relação ao ano anterior. Foi também o período com o menor número de fechamentos da última década: 2.969 empresas encerraram as atividades, uma queda de 43,8% na comparação com 2024. O ritmo permaneceu acelerado em 2026. Entre janeiro e maio, foram abertas 1.990 novas pizzarias, crescimento de 6,1% sobre o mesmo período do ano passado. Na prática, isso significa que o País passou a ganhar, em média, uma nova pizzaria a cada duas horas. Segundo Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, os números mostram que o setor continua atraindo novos empreendedores e mantém um ritmo consistente de expansão, mesmo diante de um cenário econômico desafiador. “Esse comportamento reforça a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que seguem investindo mesmo em um cenário econômico desafiador", explica. O crescimento também deixou de se concentrar apenas nos grandes centros urbanos. Embora o Sudeste ainda reúna 51% das pizzarias brasileiras e São Paulo permaneça como principal polo do setor, cerca de três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026 abriram as portas fora do estado paulista. 📊 Norte e Nordeste lideram esse crescimento proporcional, indicando que a expansão do setor avança para além dos mercados tradicionalmente mais consolidados. Na avaliação de Cardamoni, a tendência é que esse movimento continue nos próximos anos, mas acompanhado de um nível cada vez maior de profissionalização entre os empresários. “Não se trata apenas de abrir novas unidades, mas de consolidar operações, tendo a diferenciação, a gestão eficiente e o profundo conhecimento do mercado local como fatores decisivos.” Para a Apubra, a combinação entre a queda no número de fechamentos e o avanço das inaugurações indica um mercado mais maduro, em que a expansão vem acompanhada de maior capacidade de gestão e consolidação das operações. Pizzarias cresceram em todos os estados Arte/g1

Melhor pizzaiolo da América Latina ensina como fazer pizza em casa de forma simples Do jantar de sexta-feira ao encontro de domingo com a família, a pizza segue presente na rotina dos brasileiros em volumes cada vez maiores. 🍕 Hoje, o Brasil produz cerca de 2,78 milhões de pizzas por dia, o equivalente a quase 116 mil unidades por hora. No delivery, o apetite também impressiona: somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados 50 milhões de pedidos de pizza no iFood, uma média de 195 pedidos por minuto. Esse forte consumo tem impulsionado a abertura de novos negócios no país. Um levantamento da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra) mostra que o Brasil ganhou 1.990 pizzarias entre janeiro e maio deste ano. Isso equivale à inauguração de um novo estabelecimento a cada duas horas. Os números indicam que a relação dos brasileiros com a pizza continua forte. Segundo o iFood, 62% dos pedidos são feitos entre sexta-feira e domingo, reforçando a tradição de associar a refeição a momentos de lazer. O sábado responde por mais de 21% de toda a demanda semanal registrada na plataforma. ➡️ Apesar disso, a forma de consumir pizza mudou: se antes a escolha costumava ficar restrita a um único sabor, hoje a personalização ganhou espaço. Cerca de 80% das pizzas vendidas no iFood são meio a meio ou customizadas. As mudanças aparecem também no ranking dos sabores favoritos. A tradicional calabresa continua no topo da preferência nacional, mas os dados indicam alterações importantes no paladar dos consumidores. Em levantamento da Apubra realizado em 2024, a muçarela ocupava a segunda posição, seguida pela portuguesa e pela marguerita. Já os dados mais recentes do iFood mostram uma mudança nesse comportamento. Confira os sabores mais pedidos nas pizzarias no primeiro semestre de 2026: 🥇 Calabresa 🥈 Frango com requeijão cremoso 🥉 Marguerita ⭐ Muçarela 🔥 Portuguesa A liderança da calabresa, porém, não é novidade. Dados divulgados anteriormente pela Apubra mostram que o sabor aparecia em 59% dos pedidos realizados no país em 2024. Evento de encerramento do concurso SP8 Pizza irá premiar as pizzarias eleitas pelo público. Divulgação O 'boom' das pizzarias Segundo a Apubra, o número de pizzarias abertas entre janeiro e maio deste ano foi 6,1% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram inaugurados 1.875 estabelecimentos. O resultado dá continuidade ao desempenho observado em 2025. Naquele ano, o Brasil registrou a abertura de 4.109 novas pizzarias, alta de 6,26% em relação a 2024, quando foram inaugurados 3.867 negócios. Atualmente, o país possui mais de 40 mil pizzarias em operação. São Paulo concentra 32% dos estabelecimentos, seguido por Minas Gerais, com 8,71%. 📎 O levantamento da Apubra considera microempresas (ME), empresas de pequeno porte (EPP) e companhias enquadradas como LTDA, que representam cerca de 89% do mercado nacional. Os microempreendedores individuais (MEIs) não foram incluídos na análise. Além do aumento no número de empresas, a associação aponta sinais de amadurecimento do setor. Segundo a Apubra, houve redução no número de fechamentos, levando o mercado ao menor índice de pizzarias inativas da última década. A entidade avalia que a tendência é de continuidade desse movimento, com menos encerramentos, crescimento sustentado e maior distribuição das pizzarias pelo território nacional, fortalecendo a profissionalização e a competitividade do setor. Para Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, o desempenho registrado nos primeiros meses de 2026 mostra que o avanço não foi um movimento isolado. "O mercado continua em expansão, mantém um ritmo consistente de abertura de novos negócios e demonstra que ainda há espaço para empreender no setor de pizzarias. Esse comportamento reforça a maturidade do segmento e a confiança dos empresários, que seguem investindo mesmo em um cenário econômico desafiador", disse. Embora São Paulo continue sendo o maior consumidor de pizza por delivery do Brasil, com um volume de pedidos quase três vezes superior ao do Rio de Janeiro, os maiores avanços no consumo vêm sendo registrados fora dos mercados tradicionalmente mais fortes. As regiões Norte e Nordeste lideram esse crescimento. O Amazonas registrou aumento de 31% nos pedidos de pizza no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Pará e Ceará aparecem na sequência, ambos com alta de 19%. Os estados com maior volume de pedidos na plataforma são: São Paulo Rio de Janeiro Paraná Minas Gerais Santa Catarina O comportamento também muda quando a compra é feita em supermercados e atacadistas dentro do aplicativo. Enquanto nas pizzarias a média é de uma pizza por pedido, na categoria Mercado os consumidores costumam adquirir duas unidades por vez, em um hábito mais associado ao abastecimento doméstico. Nesse segmento, que reúne produtos congelados e semiprontos, a muçarela lidera a preferência dos consumidores, e mais de 40% dos pedidos são realizados no horário do almoço.

Mega-Sena, concurso 3029: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3029 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (9), em São Paulo. Uma aposta simples em uma casa lotérica de Divinópolis (MG) acertou os seis números. O prêmio será de R$ 43.068.394,39. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 01 - 11 - 24 - 33 - 35 - 59 5 acertos: 39 apostas ganhadoras, R$ 45.642,92. 4 acertos: 3.261 apostas ganhadoras, R$ 899,78. Sorteio da Mega-Sena, concurso 3029. Reprodução O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Wally Funk após viagem espacial com Jeff Bezos em nave da Blue Origin AP Photo/Tony Gutierrez Morreu nesta quinta-feira (9) aos 87 anos Wally Funk, uma pioneira no setor aeroespacial. Ela ficou mais conhecida por ter se tornado em 2021 a mulher mais velha a fazer uma viagem espacial. Wally faleceu no seu apartamento em uma instituição de repouso no Texas, Estados Unidos, depois de sofrer algumas quedas e contrair uma infecção na perna, informou a Associated Press. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nos anos 1960, ela esteve entre as 13 mulheres que fizeram um treinamento de astronautas da Nasa. Elas não chegaram a participar de missões espaciais pela agência por serem mulheres. Em 2021, Wally foi a "convidada de honra" no primeiro voo suborbital tripulado da Blue Origin, que também teve como passageiro o fundador da empresa, Jeff Bezos. (relembre abaixo) Jeff Bezos no espaço: Veja os melhores momentos do voo e entenda o caso Na ocasião, ela tinha 82 anos e se tornou a pessoa mais velha a ir ao espaço, marca superada mais tarde por William Shatner, ator que interpretou o Capitão Kirk em "Star Trek", e Ed Dwight, primeiro candidato negro a astronauta dos EUA. Os dois homens viajaram com 90 anos cada um. Wally Funk foi pilota, instrutora de voo e a primeira mulher a se tornar inspetora da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e investigadora de segurança aérea do Conselho Nacional de Segurança do Transporte dos EUA (NTSB). A Blue Origin chamou Wally de pioneira em cada sentido da palavra. "Estamos profundamente tristes com a morte de Wally Funk. Sentimo-nos honrados em fazer parte de sua jornada. Sua história continuará a inspirar gerações de futuros exploradores". A cuidadora Duff O'Dell disse que Wally foi a pessoa mais otimista que ela conheceu. "Muitos homens disseram a ela: 'Não, você não pode fazer isso, você não pode fazer aquilo'. E ela nunca se irritou com isso. Ela simplesmente ficou mais determinada". Imagem não datada mostra a pioneira de viagens espaciais Wally Funk, que viajou ao espaço com Jeff Bezos em 2021 Blue Origin via AFP

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram nesta quinta-feira (9) uma nota conjunta em que pedem uma nova rodada de negociação para evitar a aplicação de tarifas aos produtos brasileiros. Os Estados Unidos acusam o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com o país e propõem uma tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. O prazo para a tomada de decisão do governo americano termina em 15 de julho. Itamaraty mapeia mais de 40 empresas americanas contra tarifaço Reuniões e audiências públicas As equipes do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) têm mantido conversas técnicas com representantes do governo de Dolnald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, chegou a ter encontro virtual com o representante do escritório comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Segundo ele, a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que o governo “nunca” abandone a mesa de negociação. Em paralelo, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) promoveu audiências públicas para que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos. O pré-candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, pediu para participar e, em discurso, fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a Lula. 🔎 O USTR é o órgão é responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas. Resultados práticos e cooperação econômica As entidades dizem que esperam que as tratativas já em andamento levem a "resultados práticos e relevantes que reforcem a previsibilidade", sugerem, entretanto, uma "abordagem incremental, estruturada em duas etapas". "Ao avançar, em um primeiro momento, as questões comerciais mais imediatas e, em seguida, ampliar a agenda para abarcar oportunidades estratégicas de longo prazo, ambos os governos poderão fortalecer a confiança, aumentar a competitividade e estabelecer bases mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura", diz a declaração conjunta. As organizações defendem que, no curto prazo, os governos dos dois países deveriam concentrar esforços para: • ampliar o acesso a mercados para produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial; • aprofundar a cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos; • acelerar o exame de patentes e reduzir o estoque de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, bem como fortalecer o combate à pirataria; • avançar em uma cooperação sobre minerais críticos sobre mapeamento geológico conjunto. Em um segundo momento, CNI, Amcham Brasil e a U.S. Chamber of Commerce sugerem incluir outras áreas de interesse dos países, tais como economia digital, descarbonização industrial e transportes. "O avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países", acrescenta a nota. Ameaça de novas tarifas: Departamento de Comércio dos Estados Unidos acusa governo brasileiro de práticas injustas ou discriminatórias Jornal Nacional/ Reprodução

Armínio Fraga GloboNews O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, anunciou a criação de um grupo de especialistas externos para revisar diferentes áreas de atuação da instituição. Entre os 15 nomes escolhidos para liderar os trabalhos está o ex-presidente do Banco Central brasileiro Armínio Fraga. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A iniciativa foi apresentada após a primeira reunião de política monetária comandada por Warsh, realizada nos dias 16 e 17 de junho. O objetivo é avaliar desde temas tradicionais, como a gestão do balanço patrimonial do Fed, até desafios mais recentes, como o impacto da inteligência artificial sobre a economia. Segundo comunicado do banco central americano, os especialistas terão o apoio da equipe técnica do Fed, mas atuarão de forma independente. "O objetivo é claro: garantir que o Fed esteja na melhor posição possível para alcançar nossos objetivos neste momento decisivo", afirmou Warsh em comunicado. A missão será analisar evidências, oferecer avaliações críticas e apresentar recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), responsável por definir a política de juros dos Estados Unidos. Agora no g1 Quem são os especialistas escolhidos? O grupo reúne economistas, ex-dirigentes de bancos centrais e representantes do setor privado com diferentes visões. Além de Armínio Fraga, também participarão ex-presidentes dos bancos centrais da Inglaterra e da Índia. O economista Thomas Sargent, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Nova York, também integrará o grupo responsável por discutir inflação. Ainda entre eles estão o professor de economia da Universidade Harvard Raj Chetty, que coordenará o grupo sobre dados econômicos, e o investidor de tecnologia Marc Andreessen, que ajudará a liderar os debates sobre produtividade e mercado de trabalho. Também integra a lista Greg Mankiw, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos no governo de George W. Bush, que ficará à frente da força-tarefa sobre inflação. "A economia dos EUA mudou significativamente ao longo da última geração, e nunca tanto quanto agora. Cada força-tarefa avaliará cuidadosamente se os meios e métodos dos formuladores de políticas, as ferramentas analíticas e as abordagens políticas podem ser aprimorados", destacou Warsh. O Fed não detalhou como os grupos irão trabalhar nem divulgou um cronograma oficial. Na primeira entrevista coletiva após assumir o comando da instituição, porém, Warsh afirmou esperar receber as recomendações até o fim deste ano. As cinco forças-tarefa vão tratar de dados econômicos, inflação, produtividade e emprego, comunicação do banco central e gestão do balanço patrimonial — conjunto de ativos e passivos administrados pelo Fed, utilizado como instrumento para influenciar a economia. Mudança reflete prioridades do novo presidente A criação dos grupos também marca uma mudança na forma como o banco central conduz esse tipo de revisão. Em vez de depender principalmente de análises internas, Warsh optou por trazer especialistas de fora da instituição para avaliar áreas consideradas estratégicas. Ex-diretor do Fed entre 2006 e 2011, Warsh vinha defendendo mudanças na atuação do banco central desde que deixou o cargo. Entre suas críticas estavam o tamanho do balanço patrimonial da instituição, que permanece na casa dos trilhões de dólares, e o uso limitado de informações econômicas em tempo real para orientar as decisões de política monetária. Nos últimos anos, ele também passou a defender que o Fed incorporasse com mais rapidez os possíveis efeitos da inteligência artificial sobre a produtividade e o mercado de trabalho. Ainda não está definido qual será a participação dos sete diretores do Fed e dos 12 presidentes dos bancos regionais nas discussões conduzidas pelas forças-tarefa. O banco central destacou, porém, que os relatórios servirão como base para futuras decisões. Mudanças mais relevantes na forma de atuação da instituição deverão depender da aprovação dos demais dirigentes e, como costuma ocorrer no Fed, de um amplo consenso interno. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, discursa durante cerimônia de posse no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de maio de 2026. Foto de arquivo. REUTERS/Evelyn Hockstein

ChatGPT Work Divulgação/OpenAI A OpenAI lançou nesta quinta-feira (9) o ChatGPT Work, um agente de inteligência artificial criado para ajudar em tarefas do trabalho como planilhas e apresentações de slides. Segundo a empresa, o ChatGPT Work precisa de apenas um comando para fazer todas as etapas de processos complexos. Isso é possível porque ele é capaz de dividir o trabalho em pequenas tarefas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O agente analisa arquivos externos ao se integrar com serviços de e-mail, calendários e gerenciadores de projetos, além de programas como Excel, Teams, Slack e Notion. A novidade é baseada no GPT-5.6, modelo de IA que também foi lançado nesta quinta e é dividido em três versões: Sol, para tarefas mais avançadas; Terra, capaz de balancear eficiência e custo; e Luna, a mais econômica. Agora no g1 O ChatGPT Work foi liberado para assinantes das versões Pro, Enterprise e Edu, e ficará disponível nos próximos dias para as versões Plus e Business. O GPT-5.6 também é exclusivo para versões pagas do ChatGPT e outros serviços da OpenAI. A estreia do GPT-5.6 aconteceria em junho, mas foi adiada a pedido do governo dos Estados Unidos, que apontou preocupações com a segurança nacional e com o possível uso indevido de tecnologias de inteligência artificial de alta capacidade. Segundo a OpenAI, o GPT-5.6 Sol tem desempenho parecido com o Mythos Preview, que foi criado pela Anthropic e também passou por uma extensa análise do governo americano. Agentes de IA são aposta de empresas, e quem os domina pode ganhar até R$ 20 mil A OpenAI afirmou que o ChatGPT Work pode fazer por conta própria todas as ações pedidas pelos usuários, mas destacou que também é possível controlar o processo, ao fazer perguntas, mudar orientações e revisar ações importantes. O agente também pode assumir tarefas repetitivas, como monitorar sites e criar resumos, mesmo que o usuário não esteja online. As ações podem ser feitas em uma frequência determinada ou quando outro evento acontece.