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Sahand embala um terminal da Starlink sendo preparado para envio ao Irã via BBC "Se uma só pessoa conseguir ter acesso à internet, acho que tivemos sucesso e que valeu a pena", afirma Sahand. O iraniano está visivelmente nervoso ao conversar com a BBC, mesmo estando fora do Irã. Ele explica cuidadosamente que faz parte de uma rede de contrabando, que transporta clandestinamente tecnologia de internet via satélite (que é ilegal no Irã) para dentro do país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Sahand é um nome fictício. Ele receia pelos seus familiares e outros contatos que estão em território iraniano. "Se eu for identificado pelo regime iraniano, eles poderão fazer as pessoas com quem tenho contato no Irã pagarem o preço", explica ele. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O Irã vive um apagão digital há mais de dois meses. O governo do país mantém um dos mais longos bloqueios nacionais de internet já registrados em todo o mundo. O apagão atual começou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro. O acesso à internet havia sido parcialmente restaurado apenas um mês antes dos ataques, após outro apagão digital imposto em janeiro, durante a repressão do regime aos protestos que se espalharam pelo país. Naquela ocasião, mais de 6,5 mil manifestantes foram mortos e 53 mil foram detidos, segundo a Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos. As autoridades afirmam que o governo desligou a internet durante a guerra por razões de segurança, indicando que o objetivo é evitar vigilância, espionagem e ciberataques. Sem acesso a fontes de informação independentes, os iranianos dependem dos meios de comunicação estatais, administrados pelo regime ou próximos ao governo AFP via Getty Images Os aparelhos da Starlink que Sahand envia para o Irã são uma das formas mais confiáveis de escapar do apagão. Os terminais podem ser acoplados a roteadores e fornecem acesso à internet por conexão com a rede de satélites da empresa SpaceX, de Elon Musk. Eles permitem aos usuários evitar totalmente a internet doméstica iraniana, altamente controlada. Sahand explica que várias pessoas podem se conectar a cada terminal ao mesmo tempo. Ele conta que ele e outras pessoas da rede compram os aparelhos e "os contrabandeiam pelas fronteiras" em uma "operação muito complexa". Mas ele se recusa a fornecer mais detalhes. Sahand afirma que já enviou uma dúzia de aparelhos para o Irã desde janeiro e "estamos buscando ativamente outras formas de levar mais". A organização de defesa dos direitos humanos Witness estimou em janeiro que havia pelo menos 50 mil terminais Starlink no Irã. Mas os ativistas afirmam que o número provavelmente aumentou. A BBC entrou em contato com a SpaceX para obter mais detalhes sobre o uso da Starlink no país, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. No ano passado, o governo iraniano aprovou leis sujeitando o uso, compra ou venda de aparelhos da Starlink a até dois anos de prisão. E as penas por distribuir ou importar mais de 10 aparelhos podem atingir até 10 anos. A imprensa afiliada ao Estado iraniano relatou diversos casos de pessoas sendo presas por vender e comprar terminais Starlink, incluindo quatro pessoas (duas delas, estrangeiros) que foram presas no mês passado por "importar equipamento de internet via satélite". Os meios de comunicação estatais iranianos também noticiaram que algumas das prisões se referem a acusações de posse ilegal de armas e envio de informações para o inimigo. Manifestantes em Londres participaram dos protestos reivindicando acesso à internet sem restrições no Irã SOPA Images/LightRocket via Getty Images/BBC Mas o mercado para os terminais no Irã persiste, por exemplo, em um canal público do Telegram em idioma persa, chamado NasNet. Um voluntário de fora do Irã envolvido no canal contou à BBC que foram vendidos cerca de 5 mil terminais Starlink por meio do canal nos últimos dois anos e meio. O Irã tem um longo histórico de controle da informação, tanto promovendo suas próprias narrativas antiamericanas e anti-israelenses pelos meios de comunicação estatais, quanto restringindo a cobertura das medidas repressivas do regime contra seus críticos. Durante os protestos de janeiro, mesmo com a internet desligada, houve vazamento de relatos e vídeos de execuções extrajudiciais, prisões e agressões. As organizações de defesa dos direitos humanos sabem ou acreditam que grande parte dessas informações vieram de pessoas que tiveram acesso às plataformas de redes sociais via Starlink. O sistema atual de internet do Irã é descrito como sendo "em camadas". Todos os iranianos têm acesso a uma rede doméstica controlada pelo Estado. Nela, operam serviços como bancos, transporte e delivery de alimentos, além da imprensa estatal. Antes dos apagões, os iranianos também tinham acesso à internet global. Mas muitos sites e serviços como o Instagram, Telegram, YouTube e WhatsApp foram bloqueados e o governo criou preços de acesso superiores aos da rede doméstica. Muitos iranianos contornaram as restrições usando redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês), que conectam os usuários aos sites através de servidores remotos, ocultando suas localizações. Mas a assinatura destes serviços também aumentava os custos. Agora, com o apagão, apenas algumas autoridades selecionadas e outros indivíduos, incluindo os jornalistas que trabalham para a imprensa estatal, têm acesso à internet sem restrições, usando os chamados "cartões SIM brancos". Os satélites de propriedade da SpaceX (na foto, sendo transportados por um foguete Falcon 9) são usados pela Starlink para fornecer serviços de internet Getty Images via BBC Em 2022, Elon Musk anunciou a ativação da Starlink no Irã após graves cortes na internet, durante os protestos gerados pela morte de uma mulher iraniana em custódia, Mahsa Amini. Desde então, o uso do serviço aumentou, especialmente durante os apagões. Agora, com as autoridades em busca cada vez mais dos terminais Starlink, Sahand e sua rede aconselham os usuários a empregar VPNs com a tecnologia via satélite, para permanecerem incógnitos. Mas muitas pessoas não podem pagar por este serviço, especialmente em uma época de crise econômica. Sahand é uma das três pessoas que declararam à BBC que estão envolvidas no transporte clandestino de aparelhos da Starlink. Ele conta que a operação da qual ele faz parte, incluindo a compra dos terminais, é financiada por iranianos no exterior e por outras pessoas que querem ajudar a fazer os aparelhos chegarem ao país. Sahand afirma que não recebe fundos de nenhum Estado estrangeiro. Os terminais são enviados para indivíduos que, segundo eles acreditam, irão usar os aparelhos para compartilhar informações em nível internacional. "As pessoas precisam da internet para poderem compartilhar o que está acontecendo no país", explica Sahand. "Acreditamos que estes terminais devem estar nas mãos de quem realmente precisa deles para fazer a mudança." Os ataques aéreos dos Estados Unidos e Israel ao Irã continuaram durante os apagões da internet EPA/Shutterstock via BBC Um grupo de defesa dos direitos digitais, que pede para permanecer incógnito, declarou à BBC estimar que pelo menos 100 pessoas tenham sido detidas pela posse dos terminais. Sahand afirma que também conhece pessoas que foram presas por terem acesso ou possuírem aparelhos, mas nenhuma delas adquiriu dele o terminal. Yasmin, cidadã americana-iraniana também com nome fictício, contou à BBC que um homem, seu parente, foi preso no Irã e acusado de espionagem por possuir um terminal Starlink. A BBC perguntou à Embaixada iraniana em Londres por que apenas algumas pessoas têm autorização de acesso à internet no país e por que as penas pelo uso da Starlink são tão severas, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O governo iraniano reconheceu que o apagão prejudicou muito algumas empresas. Em janeiro, um ministro declarou que cada dia de apagão da internet custa pelo menos 50 trilhões de rials (US$ 35 milhões, cerca de R$ 175 milhões) para a economia do Irã. O país lançou recentemente um sistema chamado "Internet Pro", que oferece acesso parcial à internet global a algumas empresas. Um homem que trabalha para uma companhia iraniana contou à BBC que recebeu acesso por meio desta iniciativa. A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, declarou que a intenção é "manter a conectividade das empresas durante a crise". Ela também afirmou que o governo "se opõe totalmente à injustiça nas comunicações" e que, assim que as condições voltarem ao normal, "a situação da internet também irá se alterar". "Os apagões das comunicações são uma clara violação dos direitos humanos e não têm justificativa", declarou ao Serviço Mundial da BBC, em função do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio), a diretora de defesa e política regional do grupo de defesa dos direitos digitais Access Now, Marwa Fatafta. Ela alerta que os apagões da internet estão se tornando um "novo normal". Segundo a Access Now, houve 313 apagões em 52 países em 2025, o maior número global desde o início do rastreamento, em 2016. Cidadãos de Mianmar, Índia, Paquistão, Rússia e Irã vivenciaram o maior número de apagões da internet no ano passado, segundo o grupo de defesa dos direitos digitais. A diretora-executiva do Centro de Direitos Humanos Abdorrahman Boroumand, Roya Boroumand, afirma que o vácuo informativo no Irã "permite que o Estado transmita sua narrativa, retratando os manifestantes como pessoas violentas ou agentes estrangeiros, enquanto suas vítimas, incluindo aquelas sentenciadas à morte, e as fontes de informação permanecem silenciadas". Esta é uma motivação importante para Sahand. "O regime iraniano comprovou que, durante um apagão, eles podem matar", afirma ele. "É super fundamental para os iranianos poder retratar o quadro real da situação." Ele destaca que as pessoas que se apresentam voluntariamente para ajudar no transporte ilegal dos aparelhos "estão conscientes do risco". Mas Sahand acrescenta que esta "é uma luta" e que "sentimos que precisamos intervir e ajudar, de alguma forma".

A visita acontece em um momento em que já se falava, nos bastidores, de um eventual afastamento entre Lula e Trump após o que ambos classificaram como uma "boa química" Reuters Anunciada de última hora, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, deverá acontecer na quinta-feira (7/5). Esta será a segunda vez que Lula vai à capital norte-americana durante seu terceiro mandato, mas será a primeira vez que ele fará uma visita oficial ao atual presidente Donald Trump. A visita acontece em um momento em que já se falava, nos bastidores, de um eventual afastamento entre Lula e Trump após o que ambos classificaram como uma "boa química" obtida depois dos encontros que eles tiveram no ano passado. O governo brasileiro ainda não divulgou, oficialmente, os temas que serão discutidos entre os dois governos em Washington, mas duas fontes ouvidas pela BBC News Brasil em caráter reservado afirmaram que a equipe econômica tem pelo menos três tópicos principais a serem discutidos com os norte-americanos durante a passagem de Lula pelos Estados Unidos: as investigações do governo Trump sobre o Pix; o fim das tarifas restantes do chamado "tarifaço" que ainda incidem sobre exportações brasileiras; investimentos em minerais críticos. Essa agenda vinha sendo preparada há meses por integrantes de pelo menos quatro ministérios: Fazenda; Justiça e Segurança Pública (MJSP); Relações Exteriores (MRE); e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo a BBC News Brasil apurou, ainda não se sabe se todos os temas no radar da equipe econômica vão ser de fato tratados durante o encontro de Lula e Trump. Essa definição será finalizada próximo ao embarque do presidente e, segundo uma das fontes ouvidas pela BBC News Brasil, vai depender da "temperatura" que a Casa Branca dará à reunião. Apesar da confirmação da viagem por fontes ligadas ao governo brasileiro, a Casa Branca ainda não se manifestou sobre o assunto. Pix na mira de Trump A discussão em torno do sistema Pix é um dos tópicos sobre os quais os técnicos do governo brasileiro mais se debruçaram nos últimos meses. A equipe brasileira tenta dissuadir os Estados Unidos de adotarem medidas comerciais contra o Brasil em função da utilização do Pix. A preocupação do Brasil com o assunto começou em julho do ano passado, no auge da crise causada pelo tarifaço aplicado pelo governo norte-americano. Naquele mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) abriu uma investigação com base na seção 301 da Lei de Comércio do país sobre práticas comerciais supostamente irregulares do Brasil e incluiu o Pix entre os itens sob apuração. As alegações norte-americanas seriam de que o sistema de transferência de valores eletrônico desenvolvido pelo Banco Central do Brasil representaria uma ameaça à atuação de empresas dos Estados Unidos que operam o mercado de meios de pagamento. O governo brasileiro respondeu à investigação em agosto de 2025 negando que o Pix promova qualquer tipo de discriminação em relação a empresas norte-americanas e afirmou que até mesmo empresas do país como o Google já utilizam a ferramenta. Apesar disso, o assunto voltou à tona em março deste ano. O Pix foi mencionado em um relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas. O Pix é citado três vezes nas mais de 500 páginas do National Trade Estimate Report de 2026. "O Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos. Partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA. O Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500.000 contas." Os especialistas em comércio exterior e regulação econômica ouvidos pela BBC News Brasil em abril frisaram que os EUA não teriam jurisdição para agir diretamente contra o Pix. Segundo eles, as ferramentas à disposição dos norte-americanos caso queiram punir o Brasil pelo uso do Pix se concentrariam na esfera comercial, como prevê a Lei de Comércio de 1974 que baseia a investigação. A lei prevê que os Estados Unidos podem retaliar suspendendo benefícios e acordos comerciais e restringindo importações de produtos ou serviços de um determinado país. O Pix foi mencionado em um relatório em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas Marcello Casal Jr/Agência Brasil Politicamente, no entanto, o governo brasileiro vem usando o Pix como bandeira desde que o mecanismo foi citado pela primeira vez pela administração Trump. Lula fez diversos discursos em defesa do Pix e o governo até lançou uma campanha publicitária sobre o assunto enfatizando que a defesa do Pix seria uma questão de soberania nacional. "O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", disse Lula no início de abril durante um evento na Bahia. Guerra tarifária Apesar do relaxamento do tarifaço de Trump a uma série de produtos brasileiros nos últimos meses, técnicos da área econômica brasileira querem aproveitar a visita a Washington para tentar diminuir ou eliminar o restante das tarifas que ainda vigoram sobre parte das exportações do país aos Estados Unidos. Uma estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta que pelo menos 29% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estejam submetidas a tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano. Em abril de 2025, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 10% linear a praticamente todos os países do mundo. Em julho daquele ano, a administração Trump impôs uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros. À época, a medida foi justificada pelo governo norte-americano como uma resposta ao tratamento dado pelo Poder Judiciário ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrentava um julgamento por crimes como golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O governo Trump chamou o processo de "caça às bruxas". A administração do presidente Lula declarou que o governo não interferiria no julgamento de Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão. Sua defesa alega que ele é inocente. O episódio foi considerado o auge do mal-estar nas relações entre os dois países, mas a partir de setembro daquele ano a situação começou a mudar. Naquele mês, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro, em Nova York. Depois, os dois trocaram telefonemas e se encontraram novamente na Malásia. Em novembro, o governo Trump retirou parte das tarifas que incidiam sobre produtos brasileiros. Em fevereiro deste ano, foi a vez da Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que o "tarifaço" de Trump era ilegal e derrubou outra parte das taxas cobradas pelas exportações ao país, o que beneficou países como o Brasil. Em seguida, os EUA implementaram uma tarifa linear de 15% sobre importações globais ao país. Apesar de estudos como o do Global Trade Alert (GTA) apontarem que o Brasil foi um dos maiores beneficiados pela redução das tarifas, a equipe técnica brasileira quer convencer o governo norte-americano a reduzir tarifas que ainda incidem sobre segmentos considerados estratégicos para a economia brasileira como o da produção de máquinas industriais e a de revestimentos. Dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) estimam as exportações do Brasil para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano atingiram a menor participação histórica desde 1997. As exportações somaram US$ 7,8 bilhões no período, o que aponta para uma redução de 18,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Os números apontam que os Estados Unidos passaram a responder por 9,5% das exportações brasileiras. Minerais críticos Um dos temas considerados estratégicos para ambos os países e que está na pauta dos negociadores brasileiros são os minerais críticos. "Tem espaço na questão das big techs, terras raras e minerais estratégicos", disse o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao comentar sobre a viagem de Lula aos Estados Unidos, segundo o jornal Valor Econômico. De um lado, os norte-americanos querem acesso facilitado a projetos de mineração em jazidas de minerais críticos, especialmente de terras raras. Eles defendem menores barreiras a investimentos estrangeiros e facilitação do processo de licenciamento ambiental desses projetos. Do outro lado, o governo brasileiro vem defendendo um maior controle estatal sobre estes projetos e que os investimentos na área incluam o beneficiamento dos minerais e não apenas a exportação da matéria-prima. Os minerais críticos, entre eles as terras raras, são um conjunto de elementos químicos considerados cruciais por serem necessários tanto em equipamentos utilizados para gerar e armazenar energia limpa como para a indústria eletrônica e militar. O Brasil possui as maiores reservas de terras raras do mundo depois da China Getty Images Entre eles, estão lítio, cobalto e nióbio. Eles são usados, por exemplo, na fabricação de baterias elétricas, ímãs para turbinas eólicas, chips eletrônicos, aviões, mísseis e satélites. Desde que assumiu seu segundo mandato, o governo Trump estabeleceu que o país deveria reduzir sua dependência em relação à China para ter acesso a minerais críticos e, sobretudo, a terras raras. Estima-se que a China detenha em torno de 60% das reservas conhecidas desse material e seja responsável por 90% do refino. A China é hoje o principal adversário geopolítico dos Estados Unidos. Nessa estratégia, o Brasil surgiu como um possível parceiro, uma vez que o país tem, de acordo com estudos recentes, a segunda maior reserva conhecida de terras raras, atrás apenas da China. Nos últimos meses, os Estados Unidos lançaram uma série de iniciativas para ampliar seu acesso a reservas de minerais críticos, entre elas o projeto Cofre, que estabeleceu parcerias com outras nações detentoras de minerais considerados estratégicos. O Brasil, no entanto, vem resistindo a aderir a acordos do tipo com os Estados Unidos, especialmente se eles implicarem em regras que obriguem o Brasil a dar preferência à exportação aos norte-americanos. O presidente Lula e seus interlocutores afirmam que o Brasil pretende adotar políticas para agregar valor aos minerais críticos e evitar a exportação deles de forma bruta, como acontece com o minério de ferro e outros produtos. A BBC News Brasil apurou que os Estados Unidos enviaram uma proposta de memorando de entendimento para o governo brasileiro sobre o assunto no início do ano, mas o documento ainda não havia sido respondido até o início de abril. Apesar disso, os Estados Unidos já deram início a uma série de investimentos para ter acesso a jazidas de minerais críticos. Entre eles está a compra da empresa Serra Verde, responsável pela única mina de terras raras fora da Ásia. A transação foi anunciada em abril e está estimada em US$ 2,8 bilhões. A mineradora foi vendida para a empresa norte-americana USA Rare Earths. Antes disso, um braço do governo norte-americano, a Corporação Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC, na sigla em inglês), já havia feito um investimento de US$ 565 milhões. Na esfera política, o governo norte-americano tem procurado governos estaduais para firmar acordos sobre a exploração de minerais críticos. Um dos mais recentes foi firmado com o governo de Goiás, no primeiro trimestre deste ano, pelo então governador e atual pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD). Interlocutores do presidente brasileiro avaliam que esse tipo de acordo não teria validade e que ele pode ser interpretado como uma tentativa de influenciar o desenho de uma política nacional sobre minerais críticos, que está em discussão no Congresso Nacional. Vídeos em alta no g1

Daniela da Silva é ex-diretora do WhatsApp no Brasil CTRL+Z/Rebeca Figueiredo O Brasil acaba de ganhar uma ONG voltada a receber denúncias contra big techs. A CTRL+Z permite que usuários que tiveram problemas com plataformas como Instagram, Facebook, Google e X registrem seus casos e tenham acesso a suporte de advogados sem custo. A iniciativa também abre espaço para que funcionários dessas empresas façam denúncias e revelem práticas que ainda não vieram a público. 🔎 O que são big techs? O termo, em inglês, se refere às grandes empresas de tecnologia. Fazem parte desse grupo companhias como Apple, Amazon, Google, Microsoft e Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp). Em comum, elas dominam o mercado digital, concentram milhões de usuários e estão entre as maiores empresas do mundo. Por enquanto, a iniciativa está em fase de testes, o que significa que o suporte ainda pode demorar, segundo as responsáveis pela ONG, as jornalistas Tatiana Dias e Daniela da Silva. Vídeos em alta no g1 Daniela era chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil e deixou a empresa após Mark Zuckerberg anunciar o fim do programa de checagem de fatos na companhia. (saiba mais abaixo) Em conversa com o g1, Daniela afirmou que o objetivo da CTRL+Z é criar uma cultura de responsabilização das big techs. Segundo ela, a ONG busca parcerias e já conta com uma equipe de advogados para atuar nos casos. "E já surgiram ofertas. Começamos a receber várias mensagens de escritórios de advocacia interessados em fechar parceria", disse. Tatiana Dias é uma das fundadoras da ONG CTRL+Z. CTRL+Z/Rebeca Figueiredo Como funciona É possível fazer uma denúncia gratuitamente pelo site oficial da ONG (https://ctrlz.org.br/add/). Segundo as responsáveis, as vítimas podem relatar casos como encerramento de conta sem aviso, perfil falso, vazamento de dados pessoais, bloqueio temporário injustificado ou perda de acesso, por exemplo, em situações de conta hackeada. Daniela citou como exemplo o caso de uma pessoa que teve uma conta do Google, usada há 20 anos, suspensa de forma equivocada, segundo ela, sob suspeita de uso de imagem de exploração infantil. Ela explica que, por causa do login único da empresa, a suspensão da conta principal pode levar à perda de acesso a diversas plataformas e ferramentas essenciais. "Além dos prejuízos financeiros, pois muita atividade econômica hoje está diretamente ligada a essa presença online", afirmou. Segundo ela, após a atuação da ONG, o acesso foi recuperado. 🗣️ Para denunciar, no site oficial tem um formulário onde as vítimas devem informar o nome da plataforma e descrever o problema, relatando o que aconteceu, se houve contato com a empresa e se teve respostas. 🔍Também é possível anexar provas e fornecer dados pessoais, como nome, cidade e e-mail. Ao final, a pessoa pode indicar se autoriza o contato de um advogado para tirar dúvidas e prestar auxílio, além de decidir se permite ou não a divulgação pública do caso. Segundo as fundadoras, a ONG preferiu não usar formulários de big techs, como Google Forms e Microsoft Forms, para impedir que essas empresas tenham acesso ao conteúdo das denúncias. Por isso, utiliza um sistema com criptografia de ponta a ponta, uma camada de proteção em que apenas remetente e destinatário conseguem acessar as informações enviadas. Já o #VazaBigTech é o programa criado pela ONG para incentivar funcionários de big techs a denunciar casos de interesse público. Embora a plataforma possa ser acessada por navegadores comuns, as fundadoras destacam que o nível máximo de segurança e anonimato só é garantido com o uso do navegador Tor, que dificulta o rastreamento na internet. O objetivo é reunir relatos, documentos e informações sobre decisões consideradas arbitrárias ou negligências com potencial interesse público. Tatiana Dias afirma que a ferramenta permite o envio de denúncias anônimas. Nesse caso, "nem a gente tem como saber quem é", diz, ressaltando que a identidade da fonte permanece protegida. ONG foi criada por ex-chefe do WhatsApp no Brasil Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos Daniela da Silva deixou a Meta no início de 2025. Ela era diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil e atuou no cargo entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. A saída dela ocorreu após Mark Zuckerberg anunciar, em um vídeo, o fim da checagem de fatos nos EUA. Na ocasião, o executivo também disse que a Meta passaria a pressionar governos, em parceria com a administração Trump, contra o que classificou como tentativas de censura a companhias americanas. Ao g1, Daniela disse que já havia sinais de aproximação da Meta com o governo Trump, mas que a forma como isso se concretizou internamente, por meio do vídeo de Zuckerberg, foi uma surpresa. Ela disse que ficou sabendo da mudança "junto com todo mundo", ou no máximo uma hora antes da divulgação ao público. A brasileira expôs sua indignação em uma publicação no LinkedIn, onde também anunciou sua demissão. "A velocidade e a intensidade dessa virada retórica da Meta, e a adesão a uma base ideológica tão distinta dos valores que orientavam meu o trabalho até então (pensando nas medidas de integridade e segurança implementadas no WhatsApp nos últimos anos), isso simplesmente não é algo que eu possa compreender, muito menos apoiar", escreveu ela no LinkedIn. Daniela afirmou ao g1 que sua saída não foi planejada. "Foi inesperada e eu não tinha exatamente um plano do que fazer depois, eu não estava saindo de uma empresa indo para outra". Ela também disse que a decisão de deixar a Meta e criar uma ONG foi motivada pela percepção de que há insatisfação dentro das big techs. "Muitos funcionários dessas empresas pensam diferente do que a companhia defende e estão preocupados, mesmo trabalhando lá dentro". Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio

Usuários de transporte público nas capitais e regiões metropolitanas economizariam, juntos, R$ 45,6 bilhões por ano se pudessem circular de graça nos ônibus e metrôs. A conclusão é de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo o levantamento, sem essa despesa com passagem, os trabalhadores gastariam como outras coisas, como supermercados, farmácias e serviços locais, fazendo o dinheiro circular na economia. O estudo, financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional, com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, faz parte da pesquisa “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil”. A pesquisa é coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB, e foi divulgada nesta terça-feira (05). Uma das conclusões é que a medida vai além da mobilidade urbana e pode funcionar como instrumento de distribuição de renda, dinamização econômica e redução de desigualdades sociais. Impactos da Tarifa Zero nas capitais. Juan Silva/Arte g1 Para chegar aos números, os pesquisadores cruzaram dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB 2024), do IBGE e de operadoras de transporte coletivo, incluindo sistemas de ônibus e metroferroviários nas 27 capitais e suas regiões metropolitanas. Se fossem incluídos R$ 14,7 bilhões, que é a estimativa das gratuidades já existentes para idosos, estudantes e pessoas com deficiência, por exemplo, o potencial bruto de injeção anual na economia com a Tarifa Zero seria de R$ 60,3 bilhões por ano. "O valor certamente é ainda maior, porque nosso estudo só olha para as 27 capitais e seus sistemas metropolitanos de transporte”, disse Trindade. O estudo compara o efeito da medida ao de grandes programas sociais como o Bolsa Família, que paga R$ 57,9 bilhões por ano aos beneficiários de capitais e regiões metropolitanas. Já a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil faz os trabalhadores economizarem R$ 25,4 bilhões. De acordo com Trindade, o valor médio da passagem no país girava em torno de R$ 4,50 — número baseado em levantamento de 2024 da Associação Nacional dos Transportes Urbanos. “As pessoas economizariam entre R$ 8 e R$ 10 por dia, considerando a ida e volta. Mas essa é apenas uma estimativa, porque houve aumentos expressivos no começo do ano”, afirmou. ‘Ricos não querem pobres circulando pela cidade’ Além do impacto econômico, os pesquisadores destacam o caráter redistributivo da Tarifa Zero. O estudo aponta que o transporte pesa mais no orçamento das famílias de baixa renda, o que faz com que a gratuidade beneficie proporcionalmente mais a população vulnerável, moradores de periferias e a população negra. O debate envolve também uma mudança cultural sobre o direito à mobilidade urbana. “Está muito enraizado na nossa cultura social que, para as pessoas se locomovam pela cidade, elas têm que pagar a tarifa. A gente criou uma lógica onde você só pode circular se tiver dinheiro”, disse Trindade. Sem despesa com passagem, os trabalhadores gastariam com supermercados, farmácias e serviços locais, diz estudo. Fernando Frazão/Agência Brasil Segundo ele, essa visão começou a mudar a partir de 2015, quando o transporte foi incluído como direito social na Constituição Federal, por meio de um a emenda da deputada Luiza Erundina (Psol/SP), devido às manifestações de junho de 2013. “A gente está vivendo um processo de mudança de chave no debate sobre o transporte público”, disse o pesquisador. Mas ainda há resistência à política de Tarifa Zero. Na avaliação de Trindade, isso acontece por uma questão de interesse de classe e de controle social. "É algo similar ao debate sobre o fim da escala 6 por 1. As classes mais ricas não gostam da ideia de que as pessoas pobres tenham liberdade de circulação pela cidade. A tarifa é um instrumento de controle social, porque quando você cobra, você impede milhões de pessoas de circularem, afirmou Trindade. Empresas pagariam R$ 250 por funcionário Um estudo anterior, divulgado em novembro de 2025, analisou as possíveis formas de financiamento da Tarifa Zero e apontou como alternativa a substituição do vale-transporte por uma contribuição das empresas, inspirada no modelo francês conhecido como Versement Mobilité. Pela proposta, empresas de cidades com mais de 50 mil habitantes — cerca de 706 municípios —contribuiriam com um valor fixo mensal por funcionário. O modelo prevê isenção para empresas com até nove empregados, o que, segundo o estudo, beneficiaria cerca de 83% dos CNPJs do país. Com uma contribuição estimada em cerca de R$ 250 por trabalhador, seria possível arrecadar aproximadamente R$ 80 bilhões por ano — valor suficiente para financiar a política sem necessidade de novos impostos ou recursos adicionais do governo. O estudo também compara essa proposta com uma alternativa de gratuidade focalizada apenas para a população de baixa renda. Nesse cenário, atender cerca de 24 milhões de pessoas inscritas no CadÚnico custaria aproximadamente R$ 58 bilhões por ano — cerca de 75% do necessário para a implementação universal. Apesar do custo menor, os pesquisadores destacam que a Tarifa Zero universal tem maior potencial de simplificação, inclusão e redução das desigualdades no acesso ao transporte público.
Presidente americano, Donald Trump, anuncia aumento de tarifas para veículos da União Europeia
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou o tamanho da economia do país e já supera os US$ 31 trilhões, segundo novos dados divulgados pelo Bureau of Economic Analysis.
De acordo com a estimativa preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) para o primeiro trimestre de 2026, a economia americana somou US$ 31,22 trilhões entre abril de 2025 e março de 2026. No mesmo período, a dívida em poder do público chegou a US$ 31,27 trilhões, o equivalente a 100,2% do PIB.
Esse patamar está bem acima da média histórica, alerta o Committee for a Responsible Federal Budget, (Comitê para um Orçamento Federal Responsável, CRFB). Fora um breve período no início da pandemia de Covid-19, quando o PIB caiu temporariamente, a dívida só havia superado o tamanho da economia por dois anos, no fim da Segunda Guerra Mundial. Nas duas décadas seguintes, essa relação caiu para cerca de 34%.
Atualmente, a projeção é que a dívida alcance 125% do PIB até 2036. Uma reportagem do The Wall Street Journal destaca que o endividamento deve continuar crescendo, já que o governo gasta cerca de US$ 1,33 para cada dólar arrecadado.
Para Maya MacGuineas, presidente do CRFB, o cenário é preocupante.
“Ouvimos muitos alertas nos últimos anos sobre o rumo fiscal, mas este soa especialmente alto. A questão é saber se os líderes em Washington vão ouvir”, afirmou.

Arroz orgânico do MST em Viamão Celso Tavares / g1 O som da chuva pode funcionar como um sinal de alerta para sementes à espera de germinar. É o que indica o trabalho de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Na prática, é como se as sementes sentissem ou "ouvissem" a chuva por meio das vibrações que ela produz. Os cientistas descobriram que algumas delas germinam mais rapidamente por causa disso.. Para chegar à conclusão, os pesquisadores do MIT realizaram testes com sementes de arroz. Eles descobriram que as vibrações acústicas das gotas de chuva tiraram as sementes do estado de dormência e fizeram com que brotassem mais cedo do que ocorreria em outras condições. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports, oferecendo a primeira evidência direta de que sementes de plantas podem perceber sons e agir com base neles. Água quente com vinagre pode ser o segredo para arroz soltinho Acordo UE-Mercosul: veja os produtos protegidos contra imitação — e que podem deixar de ser feitos no Brasil Como "motor de jato no ar" Os pesquisadores expuseram milhares de sementes de arroz a gotas de água em um ambiente controlado, simulando chuvas de diferentes intensidades, de leves a fortes. As sementes ficaram submersas em água rasa — condições típicas do cultivo de arroz. As sementes expostas ao som da queda das gotas germinaram de 30% a 40% mais rápido do que as que foram mantidas em silêncio. Tudo se resume à física. Quando uma gota de chuva atinge a água ou o solo, a pressão que ela provoca cria vibrações ou ondas de pressão, que se propagam e podem ser percebidas como som. Na água, essas vibrações podem ser particularmente intensas. Nicholas Makris, pesquisador do MIT e coautor do estudo, compara as ondas de pressão captadas pelas sementes, a apenas alguns centímetros do impacto de uma gota de chuva, ao som que uma pessoa ouve "a poucos metros de um motor a jato no ar". Leia também: Áreas de arroz e feijão param de cair, após perderem espaço para soja e milho por 16 anos Sementes "ouvem" a chuva? Sabe-se que as plantas respondem a uma variedade de estímulos ambientais. Algumas reagem ao toque, outras a substâncias químicas, e a maioria, à luz. A ciência também já estabeleceu também que elas podem ser capazes de perceber a gravidade. No caso das gotas de chuva, a ideia de que as plantas "ouvem" sugere que existe uma parte da planta que está "escutando” e agindo de forma cognitiva com base no que "ouve”. E há um certo fundo de verdade. Outros estudos sugerem que sementes de plantas podem ter "centros de decisão", que funcionam como pequenos "cérebros vegetais". "Sabemos que as plantas são verdadeiros organismos vivos”, explica Frantisek Baluska, professor emérito de fisiologia vegetal e biologia celular vegetal da Universidade de Bonn. "As plantas estão emergindo como organismos cognitivos." Assim como na ideia de plantas ouvirem a chuva, as plantas não pensam da mesma forma que nós, humanos, entendemos o "pensar". Mas é possível, segundo Baluska, que as sementes decidam sobre a germinação com base numa forma de "avaliação cognitiva". Saiba também: melhoramento genético impulsiona produtividade do arroz no Brasil Sensibilidade à gravidade Os autores do estudo acreditam que as vibrações atuam sobre pequenas estruturas internas conhecidas como estatólitos. As organelas densas, semelhantes a grãos de areia, estão presentes dentro das células vegetais e ajudam a detectar a gravidade. Os estatólitos se depositam no fundo das células, permitindo que a semente saiba qual é o sentido de cima e de baixo — assim, as raízes crescem para baixo e os caules crescem para cima. No entanto, a pesquisa da equipe sugere que a energia das vibrações induzidas pela chuva interfere no funcionamento normal dos estatólitos. Sementes que respondem a essas vibrações provavelmente estão próximas da superfície, onde há umidade disponível, mas não tão profundas a ponto de os brotos emergentes não conseguirem alcançar a luz. Isso significa que o som da chuva pode ajudá-las a avaliar se estão em uma posição ideal para crescer. "A audição humana é adaptada para ser vantajosa aos seres humanos”, diz Makris. "O que descobrimos é que as sementes e mudas das plantas fazem algo que aparentemente também é vantajoso para elas." Segundo ele, é provável que sementes de outras plantas respondam ao som da chuva de maneira semelhante. Veja também: Água quente com vinagre pode ser o segredo para arroz soltinho Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro

Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI. Godofredo A. Vásquez/AP Photo Elon Musk fechou um acordo na ação civil movida pela Securities and Exchange Commission (SEC), que acusava o acusa de demorar para divulgar suas primeiras compras de ações do Twitter (atual X), em 2022. Um fundo em nome de Musk pagará uma multa civil de US$ 1,5 milhão, segundo o acordo divulgado nesta segunda-feira (4) em um tribunal federal de Washington, D.C. 🔎 A Securities and Exchange Commission (SEC) é a agência do governo dos Estados Unidos responsável por regular e fiscalizar o mercado financeiro. Musk não admitiu irregularidades e não terá que devolver os US$ 150 milhões que supostamente economizou com o atraso. O acordo ainda precisa ser aprovado pela juíza distrital Sparkle Sooknanan, que em fevereiro rejeitou o pedido de Musk para encerrar o caso. A decisão encerra mais de sete anos de disputas entre Musk e o regulador, iniciadas em setembro de 2018, quando a SEC o acusou de fraude por publicar que havia garantido financiamento para fechar o capital da Tesla. Musk resolveu aquele caso pagando US$ 20 milhões, permitindo que advogados da Tesla revisassem alguns de seus posts no Twitter e deixando o cargo de presidente do conselho da empresa. “O sr. Musk agora foi inocentado de todas as questões relacionadas ao atraso no envio de formulários na aquisição do Twitter, como dissemos desde o início”, afirmou seu advogado, Alex Spiro, em nota. A SEC se recusou a comentar. Saiba mais: Elon Musk é considerado culpado por fraudar acionistas antes de comprar o Twitter Musk comprou ações a preços artificialmente baixos, diz regulador Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft Na ação de janeiro de 2025, a SEC afirmou que o atraso de 11 dias na divulgação da participação inicial de 5% no Twitter, no fim de março e início de abril de 2022, permitiu a Musk comprar mais de US$ 500 milhões em ações a preços artificialmente baixos, antes de revelar uma fatia de 9,2%. O órgão defendia que Musk pagasse multa e devolvesse os US$ 150 milhões supostamente economizados às custas de investidores. Musk alegou que o atraso foi involuntário e acusou a SEC de violar sua liberdade de expressão ao persegui-lo. A ação foi apresentada seis dias antes de o ex-presidente Joe Biden deixar a Casa Branca e ser substituído por Donald Trump. O atual presidente da SEC, Paul Atkins, tem redirecionado as prioridades do órgão. “É um dia embaraçoso para a SEC”, disse Amanda Fischer, ex-chefe de gabinete de Gary Gensler. Segundo ela, o acordo “deveria levar o público a questionar se a SEC está protegendo aliados da Casa Branca em detrimento de investidores comuns”. Musk liderou o Departamento de Eficiência Governamental no governo Trump, voltado à redução de custos, antes de deixar o cargo em maio passado. Robert Frenchman, sócio do escritório Dynamis, em Nova York, disse que a multa de US$ 1,5 milhão é “modesta para a pessoa mais rica do planeta”, mas pode desestimular violações semelhantes. “É uma mensagem ao mercado de que as regras se aplicam a todos, inclusive a Elon Musk”, afirmou. Musk concluiu a compra do Twitter por US$ 44 bilhões em outubro de 2022. Posteriormente, integrou o Twitter à sua empresa de inteligência artificial xAI e, depois, incorporou a xAI à sua empresa espacial SpaceX. A revista Forbes estima que Musk tenha patrimônio de US$ 789,9 bilhões. Acordo após troca na chefia da SEC As duas partes informaram em 17 de março que estavam em negociações para um acordo, um dia após a chefe de fiscalização da SEC, Margaret Ryan, deixar o cargo após pouco mais de seis meses. A saída ocorreu após divergências com outros líderes da agência sobre a condução de casos, segundo fontes. Um advogado de Ryan não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. A multa aplicada a Musk é a maior já imposta pela SEC para esse tipo de infração, segundo uma fonte com conhecimento do acordo. O caso é separado de outra ação civil, na qual um júri de San Francisco considerou Musk responsável, em 20 de março, por fraudar acionistas do Twitter após anunciar a compra da empresa. Os acionistas alegaram que Musk questionou a quantidade de contas falsas e de spam na plataforma, os chamados bots, para forçar uma renegociação do preço ou desistir da aquisição. Segundo eles, as declarações derrubaram o valor das ações, causando prejuízos. As perdas podem chegar a US$ 2,5 bilhões. Os advogados de Musk, incluindo Spiro, pedem a anulação da decisão ou um novo julgamento, classificando o veredito como “resultado de viés e preconceito contra um réu polarizador”. *Com informações da Reuters.

Lançamento do novo Desenrola Brasil O Novo Desenrola Brasil, lançado nesta segunda-feira (4) cria novas formas de renegociação de dívidas, amplia prazos de pagamento e facilita o acesso ao crédito. Nesta edição, passa a atender também empresas. Segundo o governo, o endividamento elevado afeta o consumo e compromete a atividade produtiva quando atinge pequenos negócios. Esse grupo concentra a maior parte dos empregos no país e costuma enfrentar mais dificuldades para acessar crédito em momentos de aperto financeiro. Veja abaixo como vai funcionar o segmento que atende os empresários. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Categorias de negócios O Desenrola Empresas opera a partir de mudanças em políticas já existentes, principalmente no Pronampe e no Procred, que passam a ter regras mais flexíveis, prazos maiores e maior tolerância a atrasos. A mudança inclui negócios negativados ou com pequenos atrasos, possibilitando a troca de dívidas de curto prazo e juros elevados por financiamentos mais fáceis de administrar. 📎 O público-alvo inclui microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais, dentro dos limites de faturamento estabelecidos em lei. As condições de acesso variam de acordo com o porte do negócio. Microempresas Para negócios com faturamento anual de até R$ 360 mil, atendidas principalmente pelo Procred, o novo Desenrola prevê mudanças na estrutura dos financiamentos. Uma das principais alterações é a ampliação do prazo de carência, período em que a empresa ainda não começa a pagar as parcelas. Esse intervalo passa de até 12 para até 24 meses, criando uma margem maior para que o empreendedor reorganize as finanças. O prazo total do financiamento também foi ampliado. Antes limitado a 72 meses, agora pode chegar a 96 meses. Com isso, o valor das parcelas é diluído ao longo do tempo, reduzindo a pressão mensal sobre o caixa do negócio. Outro ponto é o aumento da tolerância a atrasos. Pelas regras anteriores, empresas com mais de 14 dias de atraso já encontravam obstáculos para contratar novas operações. Com o novo Desenrola, o limite passa a ser de 90 dias, levando em conta que oscilações temporárias de caixa são comuns entre pequenos negócios. O limite de crédito disponível também foi ampliado. O teto deixa de ser 30% do faturamento anual e passa para 50%, com valor máximo de R$ 180 mil por empresa. 👩🏻💼 No caso de microempresas comandadas por mulheres, esse percentual pode chegar a 60% do faturamento, como forma de incentivo ao empreendedorismo feminino. Micro e pequenas empresas Para micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, as mudanças se concentram no Pronampe, linha criada durante a pandemia e que se consolidou como uma das principais fontes de crédito para esse segmento. O prazo de carência foi ampliado para até 24 meses, e o prazo máximo de pagamento passou de 72 para 96 meses. A proposta é dar fôlego para que empresas endividadas consigam se reorganizar antes de retomar os desembolsos. A tolerância a atrasos também foi ampliada, passando de 14 para 90 dias. A medida evita o bloqueio automático do acesso ao crédito em situações de dificuldade financeira temporária. Outra mudança é o aumento do limite máximo de crédito, que sobe de R$ 250 mil para R$ 500 mil. Segundo o governo, a intenção é ampliar o acesso a recursos para capital de giro e criar condições para que empresas substituam dívidas mais caras, como cheque especial empresarial ou empréstimos de curto prazo, por financiamentos com juros menores e prazos mais longos. Como funcionam as garantias Um dos principais elementos do Desenrola Empresas é o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O fundo funciona como uma proteção para os bancos, ao assumir parte das perdas em caso de inadimplência. Com isso, o risco das operações diminui. Com menor risco, as instituições financeiras conseguem oferecer juros mais baixos e prazos mais longos, mesmo para empresas com histórico recente de atrasos ou com restrições no nome. Esse modelo diferencia o novo Desenrola de uma renegociação comum entre banco e cliente. Ao assumir parte do risco, o governo tenta ampliar o acesso ao crédito para quem enfrenta mais barreiras no mercado. Como participar? As empresas interessadas não precisam acessar um site do governo nem se cadastrar em uma plataforma centralizada. O acesso ocorre diretamente nas instituições financeiras participantes, pelos canais habituais de crédito. Cabe ao banco verificar se a empresa se enquadra nos critérios, como faturamento, programa aplicável e tipo de operação, e apresentar as condições previstas nas novas regras. O governo não renegocia as dívidas diretamente, mas estabelece os parâmetros para que esse redesenho do crédito seja feito. No caso dos microempreendedores individuais, a situação pode variar. Dependendo do tipo de dívida, o MEI pode acessar tanto as condições destinadas a pessoas físicas quanto as linhas voltadas a empresas, desde que cumpra os critérios de cada frente. Além da linha empresarial, o programa mantém frentes voltadas às famílias, com renegociação de dívidas de consumo e descontos que podem chegar a 90%, aos estudantes com débitos do Fies, com abatimentos que podem alcançar 99% para inscritos no CadÚnico, e aos agricultores familiares, com a prorrogação do Desenrola Rural até 2026. Essas frentes seguem regras próprias e funcionam de forma paralela à linha voltada às empresas. SAIBA MAIS SOBRE O DESENROLA 2.0 Desenrola Brasi Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

Quais são os próximos feriados de 2026? Spoiler: restam seis Após o feriado do Dia do Trabalhador, na sexta-feira (1º de maio), que rendeu a muitos um descanso prolongado de três dias, já há quem esteja de olho no próximo período de folga. Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 – e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A oportunidade mais próxima é o Corpus Christi, em 4 de junho. A data cai em uma quinta-feira e é considerada ponto facultativo nacional, ou seja, estados e municípios podem decretá-la como feriado religioso, desde que haja regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso. Nas cidades onde Corpus Christi é feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Caso o funcionário seja escalado, tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. Das 27 capitais brasileiras, 19 decretaram Corpus Christi como feriado, 4 adotaram o ponto facultativo e 4 ainda não publicaram decretos sobre o assunto. (veja a lista abaixo) Consideram feriado Macapá (AP) Manaus (AM) Salvador (BA) Fortaleza (CE) Brasília (DF) Vitória (ES) Goiânia (GO) São Luís (MA) Cuiabá (MT) Campo Grande (MS) Belo Horizonte (MG) Curitiba (PR) Teresina (PI) Rio de Janeiro (RJ) Natal (RN) Boa Vista (RR) Florianópolis (SC) São Paulo (SP) Aracaju (SE) Consideram ponto facultativo Rio Branco (AC) Maceió (AL) Belém (PA) Porto Velho (RO) Sem decreto João Pessoa (PB) Recife (PE) Porto Alegre (RS) Palmas (TO) Corpus Christi: ruas do país ganham tapetes coloridos confeccionados por fiéis Reprodução/TV Globo O que é ponto facultativo? Em dias de ponto facultativo, os servidores públicos são dispensados do trabalho sem prejuízo na remuneração. Essa medida costuma ser adotada em dias úteis que ficam entre feriados e fins de semana. No setor privado, como a data é considerada ponto facultativo e não feriado, as empresas não são obrigadas a dispensar seus funcionários. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida). Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Governo federal anuncia nova fase do Desenrola, programa para renegociação de dívidas Jornal Nacional/ Reprodução O Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas anunciado nesta segunda-feira (4) pelo governo federal, traz como novidade a possibilidade de os trabalhadores usarem parcela da sua poupança no FGTS não somente para quitar dívidas, mas também para reduzir seu endividamento. O trabalhador poderá usar até 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas. 💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa Econômica Federal deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Antes de usar o FGTS, porém, o trabalhador deverá aderir ao programa de refinanciamento de sua dívida, em contaro com as instituições financeiras. De acordo com o governo, essa regra tem como objetivo proteger o trabalhador, uma vez que obriga o banco a dar os descontos sobre a dívida original. Os valores resgatados do FGTS poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões. Início da renegociação O Ministério da Fazenda informou que o programa entrou em vigor e os interessados poderão procurar seus bancos e instituições financeiras para a renegociação das dívidas com a publicação da Medida Provisória nesta segunda-feira (4). O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e a troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105. “Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Lula. ➡️Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.

Desenrola 2.0: governo lança nesta segunda novo pacote para renegociação de dívidas Bancos consultados pelo g1 informaram que vão aderir ao Novo Desenrola Brasil, mas ainda aguardavam definições operacionais para iniciar, de fato, a renegociação de dívidas. As instituições também ajustavam seus sistemas para viabilizar a implementação. O programa foi lançado oficialmente pelo governo federal na manhã de segunda-feira (4), com o objetivo de reduzir o endividamento das famílias e reorganizar o acesso ao crédito no país. A Medida Provisória que estabelece as regras foi publicada no fim do dia — e, com isso, já passou a valer. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Até então, os bancos procurados pelo g1 não tinham data definida para o início das operações e aguardavam o detalhamento para adaptar seus processos. O acesso ao programa será feito pelos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos, sites ou agências. Veja nesta reportagem o que disseram as instituições: Itaú Unibanco Santander Bradesco BTG Pactual e Banco Pan C6 Bank O g1 também entrou em contato com o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Nubank, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Já o Banco Inter informou estar em período de silêncio por causa de seu balanço financeiro e que, por isso, não poderia comentar. 🔎 Esta reportagem será atualizada à medida que os bancos enviarem novos posicionamentos. O Novo Desenrola prevê a renegociação de dívidas com descontos e condições facilitadas de pagamento, incluindo juros menores. Podem aderir pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. (leia mais abaixo) A expectativa do governo é que até R$ 58 bilhões em débitos sejam renegociados, incluindo dívidas antigas e recentes. Veja abaixo o que disseram os bancos. O presidente Lula, acompanhado dos ministros Paulo Henrique Rodrigues, Miriam Belchior, Dário Durigan e Bruno Moretti, assina Medida Provisória que cria o Novo Desenrola Brasil. Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Itaú Unibanco "O Itaú Unibanco trabalha na implementação do Novo Desenrola e, com a publicação da Medida Provisória, disponibilizará as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais — Superapp, WhatsApp (11 4004 1144), site (itau.com.br/renegociacao) e parceiros credenciados de renegociação. As condições de renegociação seguem os parâmetros estabelecidos pelo programa, sendo elegíveis pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil em atraso entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida, juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses." Santander “O Santander considera positivas iniciativas que favoreçam a saúde financeira da população brasileira e informa que irá aderir ao Desenrola 2.0. O Banco está realizando os testes necessários para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, dentro das condições definidas pelo Governo. A Instituição coloca seus canais à disposição dos clientes para atendimento e esclarecimento de eventuais dúvidas.” Bradesco "O Bradesco informa que vai aderir à nova fase do programa de renegociação de dívidas lançado hoje pelo governo federal, o Novo Desenrola Brasil. O banco está aguardando as autorizações do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para iniciar as renegociações dentro do novo programa. Enquanto isso, clientes interessados podem realizar um pré-cadastro, mediante o preenchimento do formulário já disponível no portal https://renegocie.bradesco.com.br Adicionalmente, o Bradesco disponibilizará um programa com condições próprias de renegociação para os clientes que não se enquadrem no programa do governo, seja por atraso menor ou maior do que o previsto ou por renda superior ao estabelecido como elegível. Com a iniciativa, o banco pretende ampliar os efeitos do processo de alívio do endividamento da população. (...) O Bradesco também irá habilitar os canais de atendimento telefônico e a rede de agências para oferecer suporte ao programa. Os demais clientes que não estiverem enquadrados no Desenrola 2 terão acesso a ofertas de renegociação disponíveis no mesmo portal." BTG Pactual e Banco Pan "O BTG Pactual e o Banco Pan informam que irão aderir ao programa Desenrola 2.0. As instituições acompanham o andamento da medida provisória publicada hoje e a regulamentação do programa, e manterão seus clientes informados sobre prazos, funcionamento e critérios de adesão assim que houver definições adicionais." C6 Bank "O C6 Bank confirma que vai aderir ao programa Novo Desenrola Brasil. Assim que estiverem devidamente estabelecidas as ferramentas tecnológicas (APIs) que permitem a conexão das instituições financeiras com o FGTS e o FGO, o C6 Bank oferecerá ao cliente a possibilidade de renegociação de dívida por meio do programa. Os requisitos para aderir ao Novo Desenrola são os determinados pelo governo – a pessoa precisa ter renda de até 5 salários-mínimos (R$ 8.105) e dívidas, contratadas até 31 de janeiro de 2026, atrasadas entre 90 dias e 2 anos com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O cliente que desejar renegociar dívidas e se enquadrar nessa faixa poderá procurar o banco nos canais oficiais de atendimento: no app ou no telefone (3003-6116 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-660-6116 para demais localidades)." Veja abaixo os principais pontos do programa Quem pode participar Quais são as frentes do programa Quais dívidas entram na renegociação Quais são as condições oferecidas FGTS na renegociação Pequenas dívidas Bloqueio em bets Quem pode participar Poderão participar do Desenrola Famílias todos os brasileiros endividados e que tenham renda máxima de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105). Além disso, estudantes que tenham dívidas em atraso há mais de 90 dias também poderão renegociar débitos por meio do Desenrola Fies. Micro e pequenas empresas e agricultores familiares também terão acesso ao novo programa. Quais são as frentes do programa O Desenrola 2.0 reúne diferentes iniciativas, cada uma voltada a um público específico. Entre elas estão: Desenrola Famílias Desenrola Fies Desenrola Empresas Desenrola Rural Além disso, o pacote inclui mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos. Quais dívidas entram na renegociação O programa abrange dívidas: Contratadas até 31 de janeiro de 2026; Com atraso entre 90 dias e dois anos; Relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Quais são as condições oferecidas O programa prevê uma combinação de descontos, prazos alongados e juros limitados para facilitar a renegociação de dívidas. Na prática, a proposta tenta equilibrar duas frentes: reduzir o valor devido e tornar o pagamento possível dentro da renda do consumidor. As principais condições são: Descontos entre 30% e 90% sobre o valor da dívida; Parcelamento em até 48 meses; Prazo de até 35 dias para começar a pagar; A nova dívida renegociada não pode ultrapassar R$ 15 mil por CPF, por instituição financeira, já considerando os descontos aplicados; Juros de até 1,99% ao mês. FGTS na renegociação Os trabalhadores poderão usar 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1.000 — o que for maior. O uso será permitido apenas após a renegociação, para garantir a aplicação dos descontos. Pequenas dívidas Pessoas com dívidas de até R$ 100 terão o nome retirado automaticamente dos cadastros de inadimplência. Quem renegociar também terá o nome limpo após o acordo. Bloqueio em bets O programa também prevê o bloqueio do CPF do beneficiário em plataformas de apostas por 12 meses, como forma de reduzir o risco de novo endividamento. TIRE TODAS AS SUAS DÚVIDAS: Desenrola 2.0: veja perguntas e respostas sobre o novo programa

Enel realiza campanha de negociação de dívidas no Ceará. Thiago Gadelha/SVM O percentual de famílias que não conseguem pagar dívidas em atraso chegou a 12,3% em março, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O indicador mantém trajetória de alta nos últimos anos. Em março de 2023, o índice era de 11,5%; em 2025, passou a 12,2%. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp Ao mesmo tempo, o endividamento total das famílias bateu recorde e chegou a 80,4%, acima dos 77,1% registrados em março de 2025. O endividamento total das famílias bateu recorde e chegou a 80,4%. Gui Sousa/Arte g1 Apesar de uma leve melhora na comparação mensal, o nível de inadimplência segue elevado. Em março, 29,6% das famílias tinham contas em atraso, percentual superior ao de um ano antes, quando era de 28,6% . A pesquisa é realizada mensalmente pela CNC com cerca de 18 mil consumidores nas capitais dos estados e no Distrito Federal. Percentual de famílias com dívidas em atraso. Gui Sousa/Arte g1 Veja o raio-x da inadimplência no Brasil Diante desse quadro, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas (leia mais abaixo). Crédito pessoal avança e muda perfil da dívida O cartão de crédito saiu de 86% da principal fonte de endividamento em março de 2023, para 84,9% em março deste ano. O movimento mais relevante no mesmo período está no avanço do crédito pessoal, cuja participação no total das dívidas subiu de 8,6% para 12,6%. Quase 70% dos brasileiros têm dívidas; 41% não pagaram familiares e amigos após empréstimo, diz Datafolha O mesmo acontece com crédito imobiliário, que saiu de 8,7% para 9,7%, e financiamento automotivo, que aumentou de 8,7% para 9,1%. Cartão de crédito é a principal dívida dos brasileiros. Gui Sousa/Arte g1 Atraso recorde e renda ainda pressionada Em março de 2026, o atraso médio no pagamento de dívidas chegou a 65,1 dias. Ao mesmo tempo, houve mudanças no perfil dessas dívidas, com redução da parcela de atrasos muito longos e aumento dos prazos médios de pagamento. Ainda assim, o comprometimento da renda permanece elevado. Endividamento dos brasileiros avança e entra na agenda dos pré-candidatos na eleição de 2026 Em média, as famílias destinam 29,6% da renda mensal ao pagamento de dívidas e levam cerca de 7,2 meses para quitá-las, o que indica um ciclo prolongado de endividamento, segundo a CNC. 12% das famílias não conseguem pagar dívidas em atraso. Gui Sousa/Arte g1 Desenrola 2.0 prevê renegociação e uso do FGTS Nesse contexto, o Desenrola 2.0 foi apresentado como tentativa de conter o avanço da inadimplência. O programa prevê renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Também permite o uso de até 20% do saldo do FGTS, ou um mínimo de R$ 1 mil, para pagamento de débitos. A iniciativa é voltada principalmente a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e inclui dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies. A estimativa do governo é liberar até R$ 8,2 bilhões para os trabalhadores. Desenrola 2.0: governo vai usar dinheiro esquecido em bancos para garantir renegociação de dívidas Para garantir que os recursos sejam usados na quitação de dívidas, o valor do FGTS será transferido diretamente ao banco credor. Quem aderir ao programa também ficará impedido de fazer apostas online por um ano. Primeira versão renegociou R$ 53 bilhões A primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de pessoas. Também houve a retirada de cerca de 10 milhões de registros negativos relacionados a débitos de até R$ 100. Segundo o governo, o programa ajudou a reduzir a inadimplência no período em que esteve ativo, mas o efeito perdeu força ao longo do tempo. Governo Federal lança novo pacote para renegociação de dívidas nesta segunda-feira (4)

Foto de arquivo da primeira-dama da Califórnia, Anne Gust Brown (à esquerda) ao lado de Doris Fisher, fundadora da rede de lojas de roupas Gap Inc. Hector Amezcua/Pool/Reuters Doris Fisher, que cofundou a icônica rede de roupas Gap Inc. em 1969 ao lado de seu marido Don Fisher, morreu aos 94 anos. Fisher morreu no sábado (2) cercada por sua família, confirmou um porta-voz da empresa na segunda-feira. A companhia, com sede em San Francisco, não informou a causa da morte. O casal fundou a Gap após uma experiência frustrante de compra, quando Don Fisher não conseguiu encontrar um jeans que servisse, segundo a varejista. Eles abriram uma pequena loja na Ocean Avenue, em San Francisco. Inicialmente, apenas jeans masculinos da Levi's e fitas de música eram vendidos. Com o tempo, a marca se tornou a base de um império global do varejo e ajudou a moldar a moda americana com foco em roupas casuais simples, como calças cáqui, jeans, camisetas e conjuntos de suéter. A rede se expandiu posteriormente para outras marcas, como Banana Republic e Old Navy, e hoje gera mais de US$ 15 bilhões em vendas globais. Fisher atuou como responsável pela área de moda da empresa por quase quatro décadas, enquanto seu marido cuidava do lado empresarial. Segundo a companhia, foi ela quem criou o nome da marca, com a ideia de reduzir o “gap geracional” entre pais e filhos. Don Fisher morreu em 2009. Vídeos em alta no g1 “Simplesmente não há igual a Doris Fisher”, afirmou o CEO e presidente da Gap, Richard Dickson, em comunicado divulgado na segunda-feira (4). “Ela foi uma verdadeira original. Doris foi parceira integral na fundação da empresa e uma empreendedora pioneira em uma época em que isso era altamente incomum para mulheres. Ela entendia de perto o valor da autoexpressão, diversidade e inclusão.” Dickson, que lidera um processo de recuperação da empresa após anos de queda nas vendas, disse ainda que Fisher “trabalhou incansavelmente para garantir que a Gap fosse mais do que uma vendedora de roupas”. A empresa destacou que a influência de Doris Fisher foi além do merchandising e do design das lojas. Ela ajudou a moldar o tom cultural da publicidade da marca e o desenvolvimento de produtos, mantendo presença constante na expansão da companhia e incentivando o foco nas necessidades dos clientes. A Gap abriu capital em 1976. Os Fishers também atuaram em iniciativas filantrópicas. O casal reuniu uma das maiores coleções privadas de arte moderna e contemporânea dos Estados Unidos. Em 2009, a família doou mais de 1.100 obras ao San Francisco Museum of Modern Art, uma das maiores doações do tipo. Doris Fisher também defendia o acesso à educação para estudantes de baixa renda. Ela integrou o conselho do Knowledge Is Power Program, uma rede de escolas charter voltada a ampliar oportunidades para alunos em situação de vulnerabilidade. Nascida em San Francisco em 1931 como Doris Feigenbaum, cresceu em uma família “marcada por valores de empreendedorismo, cultura e serviço comunitário”, segundo a empresa. Formou-se em economia pela Stanford University em 1953. Ela deixa três filhos - Robert, William e John — que deram continuidade aos compromissos empresariais e filantrópicos da família, além de 10 netos e 13 bisnetos.

Brasil e Vietnã se igualam à China em terras raras, mas ficam atrás em exploração O relator do projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos e estratégicos, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), apresentou nesta segunda-feira (4) um relatório que autoriza a criação de um fundo garantidor de até R$5 bilhões para estimular projetos na área. O texto teve a urgência aprovada e está na pauta da Câmara dos Deputados desta semana, com previsão para ser analisado na terça-feira (5). 💰 O texto autoriza a União a criar um fundo, do qual participará como cotista, no limite de R$2 bilhões. O fundo terá natureza privada. 🚜 Também serão cotistas outras empresas que tiverem receita a partir da pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais críticos e estratégicos. Conforme o relator, o BNDES estima que sejam necessários R$5 bilhões para destravar os projetos. “Esse fundo é muito importante. Quando recentemente o BNDES fez uma chamada sobre projetos vinculados a processamento e beneficiamento de minerais críticos, o volume foi muito significativo”, afirmou o relator. Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos Divulgação/Serra Verde O governo pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tente aprovar nessa semana o projeto sobre as terras raras e um projeto sobre o excedente de arrecadação com a alta do petróleo, em função da alta nos preços nos últimos dias. Segundo fontes do governo, Lula quer chegar na reunião com Donald Trump, esta semana em Washignton, com o projeto das terras raras aprovado pelos deputados, pelo menos. O governo apoia o texto de Arnaldo Jardim. Motta disse ao governo que vai avaliar a viabilidade. Argumentou que ainda está na fase de construção dos relatórios e que não poderia garantir que o texto fosse votado ainda esta semana. Incentivos ao processamento Conforme o relator, o projeto cria condicionantes para desestimular a exportação de commodities e incentivar o processamento e agregação de valor no Brasil. O texto não define, mas segundo o relator, abre a possibilidade de ser criar impostos para inibir a exportação “Isso não é uma novidade. Hoje, pela legislação, o governo tem a possibilidade de estabelecer imposto sobre exportação. A legislação permite. Isso pode ser visto (Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos – CMCE) pontualmente para alguns minerais e outros não”, disse Jardim. A proposta cria crédito fiscal vinculado a agregação de valor para as empresas. De acordo com o relator, os créditos podem ser concedidos para empresas que firmem contrato de longo prazo, de no mínimo cinco anos. Somente terão acesso aos créditos os projetos considerados prioritários e o percentual do crédito fiscal concedido poderá ser proporcional à agregação de valor na cadeia dos minerais. O texto estabelece créditos fiscais para o processamento de minérios em: concentrados; concentrados em grau bateria; concentrados em grau adequado para a produção de ímãs permanentes para motores elétricos. Quanto maior se subur na cadeia, maior será o crédito. Soberania O texto fixa o que considera princípios de soberania nacional, da supremacia do interesse público e da segurança jurídica. Segundo a proposta, o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), instituído pelo projeto, fará uma análise prévia de operações societárias que impliquem a venda de mineradoras que atuam em áreas de minerais críticos e estratégicos. O Conselho também avaliará: contratos, acordos ou parcerias internacionais que envolvam fornecimento dos minerais críticos e estratégicos em condições que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do Brasil; alienação, cessão ou oneração de ativos minerais críticos e estratégicos pertencentes, direta ou indiretamente, à União. O CMCE, conforme o texto, será formado por até 15 representantes de órgãos do Poder Executivo, assegurada a participação de, com direito a voto: um representante dos Estados e do Distrito Federal; um representante dos Municípios; dois representantes do setor privado com notório conhecimento em política mineral; um representante de instituições de ensino superior, com notório conhecimento do setor mineral Acesso a incentivos Para acessar os incentivos previsto pela Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), as empresas deverão cumprir requisitos como a contratação de mão-de-obra e serviços das comunidades afetadas pelo empreendimento, bem como aquisições no comércio local e da indústria nacional. Além disso, o texto prevê: apoio a iniciativas de desenvolvimento local e inclusão social; adoção de tecnologias disponíveis e práticas mundiais de segurança de barragens e empilhamento de estéreis e rejeitos; manutenção de diálogo contínuo e transparente com as comunidades afetadas; adoção de medidas de prevenção, mitigação e compensação de impactos das operações, para fins de proteção do meio ambiente e da qualidade de vida das comunidades locais; geração de valor agregado e inovação industrial em território nacional, bem como desenvolvimento regional. O que são terras raras e minerais críticos? As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. Conforme o texto, a lista de minerais será elaborada pelo Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos e revisada a cada 4 anos. Apesar do nome, elas não são exatamente raras: estão espalhadas pelo mundo, mas geralmente em baixas concentrações, o que torna a extração economicamente desafiadora. As terras raras fazem parte de um grupo mais amplo conhecido como minerais críticos. Entre eles estão o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Esses minerais se tornaram ainda mais vitais para a economia global, porque podem ser usados no contexto da transição energética, incluída a mobilidade de baixo carbono, e do avanço da inteligência artificial e da digitalização das empresas. Hoje, cerca de 70% da produção global de terras raras está concentrada na China, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A principal mina do mundo é Bayan Obo, no norte do país. Atualmente, o Brasil tem a maior reserva de nióbio do mundo, é o segundo em reservas de grafita, segundo em terras raras, com 21 milhões de toneladas e o terceiro maior em reservas de níquel.

Pouco menos de uma semana após a última decisão de juros de Jerome Powell à frente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Donald Trump publicou, nesta segunda-feira (4), uma imagem de Powell caindo dentro de uma lata de lixo. "“Tarde demais” é um DESASTRE para os EUA! Juros altos demais!", escreveu Trump na Truth Social. Trump publica imagem de Jerome Powell sendo jogado no lixo. Reprodução/Redes Sociais LEIA MAIS: Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em última decisão com Powell na presidência A relação entre Powell e o presidente norte-americano foi um verdadeiro cabo de guerra. Desde que o republicano tomou posse de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, não poupou críticas ao banqueiro. Trump insistiu diversas vezes em juros menores nos EUA, enquanto Powell se manteve resiliente às pressões. Em um ano e cinco meses, promoveu apenas três reduções — a última em dezembro do ano passado. Veja abaixo as diversas vezes em que Trump pressionou o presidente do Fed. Primeiro semestre de 2025: pressões iniciais e encontros Março de 2025 Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”. Abril de 2025 No chamado “Dia da Libertação”, defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação. Maio de 2025 Durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros. Resposta de Powell: Ressaltou que decisões sobre a política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou em comunicado que o Fed age “conforme determina a lei… isento de influência política”. Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo Junho de 2025 Trump intensificou ataques em redes sociais, chamando Powell de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele. Resposta de Powell: Em audiência no Congresso, ignorou os ataques pessoais e disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária. Segundo semestre de 2025: escalada verbal Julho de 2025 Trump chamou Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”. Outubro de 2025 Referiu-se a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”, afirmando que ele sairia do cargo em poucos meses. Novembro de 2025 A Casa Branca classificou Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta. Vídeos em alta no g1 Janeiro de 2026: investigação criminal e novo capítulo da disputa O conflito atingiu um novo patamar com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça (DOJ) contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed. 11 de janeiro de 2026 Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell: “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”. Resposta de Powell: Em vídeo, acusou o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”. 14 de janeiro de 2026 Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir. 29 de janeiro de 2026 Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump chamou Powell de “idiota” e disse que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, afirmando ainda que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”. 30 de janeiro de 2026 Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado.

Profissão Repórter Procura: Caco Barcellos está em busca de um novo talento do jornalismo O "Profissão Repórter Procura", quadro que estreia no Fantástico no segundo semestre, entrou em sua última semana de inscrições. Os candidatos podem se inscrever até o próximo domingo, 10 de maio, por meio do site movimentoled.com.br. O novo quadro vai colocar jovens repórteres diante dos desafios reais da profissão. Os candidatos farão reportagens na rua e nos estúdios, ao vivo, e serão avaliados por Caco Barcellos e por outros jornalistas da Globo. Se você é estudante de jornalismo, chegou a sua vez. SE INSCREVA AQUI! Podem se inscrever estudantes de Jornalismo (ou Comunicação Social com ênfase em Jornalismo) que estejam no último ano da faculdade e que sejam maiores de 18 anos. É necessário ter disponibilidade para participar do projeto durante o mês de julho de 2026, período das gravações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Para inscrição, o candidato deve enviar uma reportagem inédita sobre uma manifestação popular brasileira, como culinária, folclore, literatura, dança, artesanato ou música. O material pode ser gravado com celular, em formato horizontal, sem necessidade de equipamentos profissionais. Em uma primeira fase, 20 estudantes serão selecionados pela Academia LED Globo – Jornalismo na Universidade para um pitching e entrevistas individuais com Caco e uma banca da Globo. Desses, seis candidatos avançam para a seletiva que será exibida no novo quadro, composto por cinco episódios. A avaliação passa por critérios como as escolhas feitas em campo, a construção da narrativa, a relevância da pauta, a sensibilidade no trato com as histórias, entre outros fatores. Além do resultado das reportagens, o quadro também acompanha os bastidores do processo de decisão, registrando as reflexões, dúvidas e debates que fazem parte do exercício do jornalismo diário. A construção da reportagem acontece a partir das decisões que os candidatos tomam na rua, enfrentando imprevistos, limitações e escolhas editoriais reais. Cada episódio será inspirado em um programa do Jornalismo da Globo e Caco Barcellos estará presente em todos eles, recebendo jornalistas convidados para participar das análises e discussões. Os estudantes selecionados vão viajar para São Paulo e Rio de Janeiro com tudo pago e encarar desafios inspirados no trabalho de jornalistas da Globo, além de participar de workshops e conversas com repórteres, apresentadores e editores. Aquele que se destacar terá uma oportunidade de trabalhar como jornalista da Globo. Caco Barcellos Reprodução

Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI. Godofredo A. Vásquez/AP Photo Elon Musk entrou em contato com o presidente da OpenAI, Greg Brockman, para avaliar o interesse em um acordo dois dias antes do início de um julgamento nos Estados Unidos em que o bilionário acusa da criadora do ChatGPT de ter traído sua missão original de desenvolver inteligência artificial sem fins lucrativos. Quando Brockman sugeriu que ambas as partes desistissem de suas reclamações, Musk teria dito: "Até o final desta semana, você e Sam serão os homens mais odiados dos EUA. Se você insistir, assim será", segundo consta em um novo documento incorporado ao processo após ser apresentado no domingo. O bilionário se referiu a Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI. Musk afirmou na quinta-feira passada que leu apenas o título de um termo de compromisso de 2017 relacionado à mudança da OpenAI de uma estrutura sem fins lucrativos para uma organização com fins lucrativos. O bilionário afirma que os líderes da OpenAI lucraram indevidamente com suas contribuições de caridade, quando a empresa ainda operava em um esquema sem fins lucrativos. Vídeos em alta no g1 O fundador da SpaceX está buscando mudanças na liderança da OpenAI e US$150 bilhões em indenizações da empresa e da Microsoft, uma das maiores investidoras da criadora do ChatGPT. O julgamento perante a juíza distrital dos EUA Yvonne Gonzalez Rogers em Oakland, Califórnia, começou em 28 de abril e deve durar várias semanas, com um veredicto podendo ocorrer em meados deste mês. Musk, seu advogado e a OpenAI não responderam imediatamente a pedidos da Reuters para comentar o assunto.

Lançamento do novo Desenrola Brasil O governo federal anunciou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil, em uma tentativa de reduzir o nível de endividamento das famílias e reorganizar o acesso ao crédito no país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A proposta combina renegociação de dívidas com a oferta de crédito mais barato, mirando principalmente pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. A expectativa da equipe econômica é que até R$ 58 bilhões em débitos sejam renegociados, incluindo dívidas antigas e recentes. Veja perguntas e respostas sobre o novo programa: O que é o Novo Desenrola Brasil? Quem pode participar? Quais são as frentes do programa? O que é o Desenrola Famílias? Quais dívidas entram na renegociação? Quais são as condições oferecidas? Onde o consumidor deve buscar o programa? O que muda para quem tem dívidas pequenas? Há contrapartidas para quem participa? O que muda para os bancos? Como funciona o Desenrola Fies? Quais são os descontos para o Desenrola Fies? O que é o Desenrola Empresas? O que é o Desenrola Rural? Qual é o papel do Fundo Garantidor de Operações (FGO)? De onde vêm os recursos do fundo? O FGTS pode ser usado na renegociação? 1. O que é o Novo Desenrola Brasil? O Novo Desenrola Brasil é uma iniciativa nacional, com duração de 90 dias, voltada à renegociação de dívidas em atraso. A proposta é facilitar a regularização da situação financeira dos consumidores, com possibilidade de reduzir o valor devido e recuperar o acesso ao crédito. O programa também define novas condições para os acordos, com descontos e limites para os juros nas dívidas renegociadas. Além disso, estimula a troca de débitos mais caros por opções com custos menores, o que pode ajudar a aliviar o orçamento no dia a dia. Voltar ao início. 2. Quem pode participar? Poderão participar do Desenrola Famílias todos os brasileiros endividados e com renda máxima de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Além disso, estudantes que tenham dívidas em atraso há mais de 90 dias também poderão renegociar débitos por meio do Desenrola Fies. Micro e pequenas empresas e agricultores familiares também terão acesso ao novo programa. Voltar ao início. 3. Quais são as frentes do programa? O Desenrola 2.0 reúne diferentes iniciativas, cada uma voltada a um público específico. Entre elas estão: 👨👩👧👦 Desenrola Famílias 🎓 Desenrola Fies 🏢 Desenrola Empresas 🌾 Desenrola Rural Além disso, o pacote inclui mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos. Voltar ao início. 4. O que é o Desenrola Famílias? Essa é a principal frente do programa, voltada a pessoas físicas com dívidas em atraso. A proposta é permitir a renegociação de débitos bancários e não bancários por meio da contratação de um novo crédito, com garantia pública, para quitar dívidas antigas com custo mais elevado. Podem aderir brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) que tenham dívidas atrasadas. Voltar ao início. 5. Quais dívidas entram na renegociação? O programa abrange dívidas: Contratadas até 31 de janeiro de 2026; Com atraso entre 90 dias e dois anos; Relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Voltar ao início. 6. Quais são as condições oferecidas? O programa prevê uma combinação de descontos, prazos alongados e juros limitados para facilitar a renegociação de dívidas. Na prática, a proposta tenta equilibrar duas frentes: reduzir o valor devido e tornar o pagamento possível dentro da renda do consumidor. As principais condições são: Descontos entre 30% e 90% sobre o valor da dívida; Parcelamento em até 48 meses; Prazo de até 35 dias para começar a pagar; A nova dívida renegociada não pode ultrapassar R$ 15 mil por CPF, por instituição financeira, já considerando os descontos aplicados; Juros de até 1,99% ao mês. E por falar nos juros, a taxa oferecida pelo programa exige uma análise mais cuidadosa dos consumidores, já que é ela que determina quanto a dívida custará ao longo do tempo. Atualmente, a taxa básica da economia (Selic) está em 14,5% ao ano, um patamar inferior ao teto de juros previsto no programa. Isso indica que a iniciativa não oferece, necessariamente, as taxas mais baixas do mercado. Ainda assim, pode representar uma alternativa em determinados casos, já que parte das dívidas passíveis de renegociação costuma ter custos significativamente mais elevados — como no rotativo do cartão de crédito, que pode ultrapassar 400% ao ano. Voltar ao início. 7. Onde o consumidor deve buscar o programa? A adesão deve ser feita diretamente pelos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos, sites ou agências. O governo não centraliza a contratação nem atua como intermediador do processo. Embora a medida já esteja em vigor, o início efetivo das renegociações depende da adesão de cada banco ao programa. Isso significa que a oferta pode não estar disponível de forma imediata para todos os clientes. Voltar ao início. 8. O que muda para quem tem dívidas pequenas? Pessoas com dívidas de até R$ 100 terão o nome retirado automaticamente dos cadastros de inadimplência. Quem renegociar também terá o nome limpo após o acordo. Voltar ao início. 9. Há contrapartidas para quem participa? Uma das medidas previstas é o bloqueio do CPF do beneficiário em plataformas de apostas por 12 meses, como forma de reduzir o risco de novo endividamento. Voltar ao início. 10. O que muda para os bancos? As instituições financeiras deverão: Destinar parte dos recursos para educação financeira; Restringir o uso de crédito para apostas; Garantir a retirada do nome de quem renegociar dívidas. Voltar ao início. 11. Como funciona o Desenrola Fies? Voltado a estudantes com dívidas em atraso no Fies, programa que financia cursos no ensino superior, o Desenrola prevê descontos conforme o tempo de inadimplência e a participação em programas sociais. Segundo as regras do programa, o desconto máximo estará disponível apenas para estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias. Voltar ao início. 12. Quais são os descontos para o Desenrola Fies? As condições incluem: Pagamento à vista com eliminação de juros e multas e desconto no principal; Parcelamento com retirada de juros e multas; Reduções maiores para dívidas antigas, podendo chegar a até 99%. Nas estimativas do governo, mais de 1 milhão de estudantes podem ser beneficiados. Voltar ao início. 13. O que é o Desenrola Empresas? O programa amplia prazos e condições de crédito para micro e pequenas empresas. Veja abaixo: Carência máxima sobe de 12 para até 24 meses; Prazo de pagamento sobe de 72 para até 96 meses; Tolerância máxima de atraso sobe de 14 para 90 dias; Valor total de crédito para microempresas do Procred* sobe de até R$ 150 mil para até R$ 180 mil; Valor total de crédito para micro e pequenas empresas do Pronampe* sobe de R$ 250 mil para R$ 500 mil. 🔎 *O Procred e o Pronampe são linhas de crédito voltadas a micro e pequenas empresas, criadas pelo governo para ampliar o acesso a financiamento com condições mais acessíveis, como taxas reduzidas e maior prazo de pagamento. Voltar ao início. 14. O que é o Desenrola Rural? Voltado a agricultores familiares inadimplentes, o programa busca regularizar dívidas e facilitar o acesso ao crédito rural. A iniciativa já alcançou mais de 500 mil agricultores e pode chegar a até 1,3 milhão de produtores familiares. Voltar ao início. 15. Qual é o papel do Fundo Garantidor de Operações (FGO)? O FGO funciona como uma garantia para os bancos que concedem o novo crédito. Isso reduz o risco das operações e permite a oferta de juros mais baixos. Voltar ao início. 16. De onde vêm os recursos do fundo? O fundo será abastecido por recursos já disponíveis, novos aportes e valores esquecidos por consumidores em instituições financeiras. Esses valores incluem saldos de contas encerradas e cobranças indevidas, com parte reservada para eventuais resgates futuros. Voltar ao início. 17. O FGTS pode ser usado na renegociação? Sim. Trabalhadores poderão usar 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1.000, o que for maior. O uso será permitido apenas após a renegociação, para garantir a aplicação dos descontos. Voltar ao início. Dinheiro, real, economia, salário mínimo, pagamento, PIB, reais, auxílio, notas, dívidas, contas, endividamento Natalia Filippin/G1

Lançamento do novo Desenrola Brasil O governo propôs nesta segunda-feira (4), por meio do "Novo Desenrola" — também chamado de "Desenrola 2.0"— programa de renegociação de dívidas, novas regras para linhas de crédito específicas para micro e pequenas empresas, que contam com juros subsidiados. ➡️Houve ampliação dos limites, prazos e da carência. Para as microempresas que faturam até R$ 360 mil por ano, o Procred, linha que pode ser buscada nos bancos, terá essas mudanças: A carência irá de máximos 12 para 24 meses. É mais fôlego ao microempreendedor que precisou de crédito; O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa do microempreendedor; A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 dias para 90 dias; Aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com novo teto em R$ 180 mil); Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$ 180 mil). Já para as micro e pequenas empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões por ano, o Pronampe, linha que pode ser buscada nos bancos, terá essas mudanças: A carência sairá de até 12 meses para até 24 meses, dando fôlego ao quem precisou de crédito; O prazo máximo da operação subirá de 72 para 96 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no caixa da empresa; A tolerância no atraso para concessão de novos créditos subirá de 14 dias para 90 dias; Aumento do valor total do crédito de R$ 250 mil para R$ 500 mil. Lula assina medida provisória do Desenrola 2.0. Ricardo Stuckert/ Presidência da República Linhas gerais da nova fase O Desenrola 2.0 é um programa do governo federal criado para ampliar a renegociação de dívidas de pessoas físicas, estudantes e micro e pequenas empresas, com foco na redução da inadimplência e na recuperação financeira desses grupos. A nova fase do programa prevê descontos expressivos em contratos do Fies, com potencial de abatimento de dezenas de bilhões de reais, além de condições mais favoráveis para micro e pequenas empresas, como aumento dos limites de renegociação, prazos mais longos e períodos de carência ampliados. O programa também autoriza o uso de parte do saldo do FGTS para a quitação de dívidas, seguindo regras específicas, e prevê a utilização de recursos classificados como valores esquecidos para ajudar a custear as renegociações, com reserva de uma parcela para eventuais pedidos de resgate. Segundo o governo, a iniciativa busca aliviar o orçamento de famílias e empreendedores endividados, facilitar a regularização de débitos em atraso e permitir a retomada do acesso ao crédito em condições mais sustentáveis.

Em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, o maior número de inadimplentes em toda a série histórica da avaliadora de crédito Serasa Getty Images via BBC O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (4/5) a Medida Provisória do Novo Desenrola Brasil, pacote de medidas para a renegociação de dívidas, também chamado de Desenrola 2.0. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, o maior número de inadimplentes em toda a série histórica da avaliadora de crédito Serasa. "Estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente", disse Lula, no lançamento do programa, mencionando que parte da população se endividou durante a pandemia de covid-19 e ainda não conseguiu se livrar da dívida. Uma das medidas será liberar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas. Vídeos em alta no g1 O público-alvo do programa são aqueles ganham até cinco salários-mínimos mensais, ou seja, R$ 8.105. Podem entrar na renegociação dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. LEIA TAMBÉM: Desenrola 2.0: programa prevê desconto de dezenas de bilhões de reais para devedores do Fies Desenrola 2.0: estudantes do Fies podem ter descontos de até 99% com novo programa; veja regras 'Desenrola 2.0': dívidas de até R$ 100 serão desnegativadas pelos bancos 1. FGTS para quitar dívida A primeira etapa do Desenrola Brasil começou em julho de 2023 para quem tinha débitos com bancos e renda mensal bruta de até R$ 20 mil. Agora, além da mudança de faixa salarial do público-alvo, uma das novidades será a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar a dívida. Pelas regras, o trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta para pagar parcial ou integralmente dívidas. Os valores resgatados poderão alcançar o limite global de R$ 8,2 bilhões, segundo o governo. Para garantir que os recursos serão mesmo destinados à quitação das dívidas, a Caixa Econômica Federal deverá fazer a transferência do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Lançamento do novo Desenrola Brasil 2. Bloqueio em casas de apostas Os descontos para a renegociação das dívidas vão de 30 a 90%, de acordo com a linha de crédito e o prazo. A taxa de juro máxima é de 1,99% ao mês e haverá até 48 meses de prazo para pagar. O limite da nova dívida (após descontos) é, no máximo, R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. E cabe aos bancos aderirem ou não ao programa. O programa também prevê contrapartidas: o endividado terá o CPF bloqueado em casas de apostas por 12 meses. 3. Fundo com 'dinheiro esquecido' Para oferecer garantias às instituições financeiras que participarem do programa, o governo prevê utilizar recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO) Para isso, o governo deve fazer um aporte de R$ 5 bilhões, que serão somados aos R$ 2 bilhões que já estão disponíveis no fundo. Além disso, serão utilizados entre R$ 5 e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. Esses recursos esquecidos — ou não resgatados — estão atualmente disponíveis na tesouraria das instituições financeiras, como devolução de tarifas cobradas indevidamente e não resgatadas, contas pré- ou pós-pagas encerradas com saldo, entre outras. O Ministério da Fazenda vai publicar um edital para que interessados possam reclamar os recursos no período de 30 dias. Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO. Na primeira edição do Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas. 4. Dívida estudantil Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esta edição do Desenrola foi dividida em quatro categorias voltadas para famílias, estudantes — por meio do Financiamento Estudantil (FIES) — empresas e agricultores rurais. No caso do FIES, as dívidas foram classificadas conforme o tempo que foram contraídas: Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias: se o pagamento for à vista, desconto de 12% da dívida, além de desconto da totalidade dos juros e multas. Para pagamentos parcelados, é possível dividir em até 150 vezes e obter desconto da totalidade dos juros e multas. Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico: desconto de até 77% do valor total da dívida, dos juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico: desconto de até 99% do valor total da dívida, dos juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor. Com isso, o governo prevê beneficiar mais de um 1 milhão de estudantes. 5. Tempo para as empresas Para as microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, o programa concederá carência para o início do pagamento das parcelas de até 24 meses. Anteriormente, esse prazo era de 1 ano. O prazo máximo da quitação da dívida subiu de 72 para 96 meses e a tolerância no atraso para concessão de novos créditos, de 14 para 90 dias. Haverá também o aumento do valor total do crédito, de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com novo teto em R$ 180 mil). Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60% (com novo teto em R$ 180 mil). Para atender micro e pequenas empresas, ou seja, empresas com faturamento anual até R$ 4,8 milhões por ano, as alterações são as mesmas, com a diferença do aumento do valor total do crédito, de R$ 250 mil para R$ 500 mil.

O governo divulgou nesta segunda-feira (4) que por meio do Desenrola 2.0, novo programa de renegociação de dívidas, pretende dar um desconto bilionário a estudantes com dívidas vencidas há mais de um ano no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Pela proposta, serão concedidos descontos de 77% para dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes que não estão inscritos no Cadastro Único Para Programas Sociais (CadÚnico), e de 99% para estudantes inscritos no cadastro. As regras estão em uma medida provisória que foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira. Assim que publicadas, medidas provisórias entram em vigor, mas posteriormente precisam ser ratificadas pelo Congresso Nacional. Lançamento do novo Desenrola Brasil Segundo a equipe econômica, mais de um milhão de estudantes serão beneficiados com a renegociação de suas dívidas. De acordo com dados do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhada em abril ao Congresso Nacional, a dívida do Fies somou R$ 90 bilhões no fim do ano passado. Desse valor total, R$ 61 bilhões estão com o débito vencido há mais de um ano, situação na qual, pelo programa de renegociação de dívidas divulgado nesta segunda-feira, haverá um desconto de 77% a 99%. O desconto proposto, portanto, será superior a R$ 46 bilhões. O próprio governo avalia, no projeto da LDO, que os valores devidos pelos estudantes são de difícil recuperação. "De acordo com os critérios estabelecidos para a classificação de cada operação de crédito em função dos dias de atraso desconsiderando o impacto de eventuais instrumentos mitigadores de risco, o valor do ajuste para perdas estimadas no âmbito do Fies, para fins contábeis, alcançou cerca de R$ 56 bilhões para os contratos celebrados até 2017", diz o governo. Um milhão de estudantes serão beneficiados com descontos em dívidas do Fies, diz governo Reprodução/TV Globo
Desenrola 2.0: novo programa para renegociar dívidas é lançado pelo governo Trabalhadores que ganham até R$ 8.105 pode aderir ao programa. Governo lança 'Desenrola 2.0', programa que vai liberar parte do FGTS para trabalhadores pagarem dívidas.. Pessoas com salário de até R$ 8.105 vão poder aderir ao novo programa.. Quem tiver dívidas de até R$ 100 não vai ficar com o nome sujo.. Além disso, governo reduziu para 40% a margem do consignado de servidores e aposentados.. Dinheiro esquecido em bancos será usado para garantir renegociação de dívidas.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retomou, nesta segunda-feira (04), o leilão para as subfaixas de 700 MHz (708–718 MHz e 763–773 MHz), que visa acelerar a expansão da cobertura móvel em áreas rurais ou distritos distantes dos centros urbanos. O certame foi realizado após uma decisão judicial. Ao todo, os lotes vencedores somam cerca de R$ 23 milhões em outorgas para operadoras regionais. 🔎O sinal de 700 MHz percorre longas distâncias e atravessa obstáculos físicos com mais facilidade. Também exige menos antenas para cobrir grandes áreas. Por isso, é uma opção para zonas rurais e de rodovias. Veja os vencedores: Lote A1 (Norte e São Paulo): Amazônia Serviços Digitais, outorga mínima de R$ 7 milhões Lote A2 (Nordeste) Brisanet Serviços de Telecomunicações, outorga mínima de R$ 6,2 milhões Lote A3 (Centro-Oeste, exceto Triângulo Mineiro): Brisanet Serviços de Telecomunicações, outorga mínima de R$ 1,8 milhão Lote A4 (Sul): Unifique telecomunicações, outorga mínima de R$ 3,4 milhões Lote A5: (Sudeste, exceto SP): IEZ! Telecom, outorga mínima de R$ 4,4 milhões Vídeos em alta no g1 De acordo com a Anatel, o modelo adotado não é arrecadatório, pois o leilão exigirá das empresas vencedoras compromissos diretos de investimento em infraestrutura e modernização de redes, para garantir serviços mais estáveis. Entenda o leilão O edital estabelece a obrigatoriedade de cobertura em mais de 6,5 mil quilômetros de rodovias federais distribuídas por 16 estados. O foco são as chamadas “zonas de silêncio”, trechos sem sinal de telecomunicações, que incluem vias estratégicas como as BR-101, BR-116, BR-135, BR-163, BR-242 e BR-364. A licitação dá prioridade a provedores regionais que já venceram lotes no Edital do 5G de 2021, na faixa de 3,5 GHz. De acordo com a Anatel, a oferta da faixa de 700 MHz a esses investidores cria melhores condições técnicas para competir com as operadoras nacionais. Isso porque essas empresas já detêm autorizações em outras porções dessa faixa, além de frequências com características de propagação semelhantes, como a de 850 MHz. Sem acesso à faixa de 700 MHz, avalia a agência, novos entrantes enfrentariam custos mais elevados para cobrir grandes áreas utilizando apenas frequências mais altas, o que, em alguns casos, poderia inviabilizar a operação, especialmente em regiões de menor atratividade econômica e baixo potencial de receita. O investimento previsto é de cerca de R$ 2 bilhões, com potencial para beneficiar mais de 864 localidades, sobretudo em áreas rurais e remotas. Segundo a Anatel, o objetivo é assegurar cobertura contínua de voz e dados nas rodovias, contribuindo para a eficiência logística e ampliando a capacidade de resposta em situações de emergência. O edital também prevê a possibilidade de outorga do Serviço Móvel Pessoal (SMP), com o objetivo de ampliar a concorrência e elevar a qualidade dos serviços no setor de telecomunicações. BR-101 Região Serrana do Rio Divulgação

Lançamento do novo Desenrola Brasil O Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de débitos lançado pelo governo federal nesta segunda-feira (4), vai oferecer descontos de até 99% para dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A estimativa é que a medida beneficie mais de 1 milhão de estudantes. Segundo as regras do programa, o desconto máximo estará disponível apenas para estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias. Os descontos serão aplicados sobre a dívida principal e incluem juros e multas. Veja abaixo como vai funcionar: Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias Estudantes com dívidas do Fies vencidas e não pagas há mais de três meses estarão aptos a receber descontos. Se o pagamento for à vista na renegociação, o programa oferecerá desconto de até 12% sobre o valor principal da dívida. Multas e juros também não serão cobrados. O estudante também poderá optar pelo parcelamento da dívida em até 150 vezes. Nesse caso, o desconto fica apenas sobre os juros e multas, que não serão cobrados. Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes que não estejam no CadÚnico Estudantes fora do CadÚnico que tiverem dívidas vencidas e não pagas há mais de um ano estarão aptos a receber descontos de até 77% sobre o valor total devido — incluindo juros e multas. Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico Estudantes do CadÚnico que tiverem dívidas vencidas e não pagas há mais de um ano estarão aptos a receber descontos de até 99% sobre o valor total devido — incluindo juros e multas. O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é um programa do Ministério da Educação (MEC) e tem como objetivo conceder financiamento a estudantes em cursos superiores em instituições particulares Ares Soares O programa Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categorias voltadas para: famílias; estudantes do Fies; empresas; agricultores rurais. "Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos, vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, procure seu banco", afirmou o ministro. O programa também prevê a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar dívidas. Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS ou até R$ 1 mil — o que for maior —, para pagar débitos. A estimativa é que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores. 💰 Para garantir que os recursos sejam usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS diretamente para o banco em que o trabalhador tem débitos. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ➡️ Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os percentuais variam conforme a linha de crédito e o prazo. Haverá uma calculadora para que os trabalhadores simulem o desconto. O pacote de medidas voltado à redução do nível de endividamento da população foi anunciado pelo presidente na última quinta-feira (30). O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras — ou seja, o dinheiro da União cobrirá eventual inadimplência dos tomadores de crédito. Para formar esse fundo, o governo buscará entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. O governo também fará um novo aporte de até R$ 5 bilhões. Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", declarou o presidente. No fim de 2024, segundo o Banco Central (BC), 117 milhões de brasileiros tinham alguma dívida com instituições financeiras.

Petrobras: a FPSO P-78 é a sétima plataforma em operação no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos Divulgação/Petrobras A produção de petróleo do Brasil registrou recorde pelo segundo mês consecutivo em março de 2026, ao atingir 4,25 milhões de barris por dia (bpd), alta de aproximadamente 17% em relação a março de 2025, com impulso de novas plataformas no pré-sal, apontaram dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O volume do terceiro mês do ano superou em mais de 4% o recorde anterior, registrado em fevereiro, de 4,06 milhões de bpd. O desempenho de fevereiro e março seguiu puxado pelo pré-sal, que respondeu por cerca de 80% do total produzido no país em março, atingindo 3,41 milhões de bpd de petróleo. O resultado vem também após o Brasil ter produzido um volume médio recorde de petróleo em 2025 de 3,77 milhões de bpd, com alta de cerca de 12% ante 2024. Com isso, a Petrobras manteve a liderança na produção nacional. Considerando os dados por concessionário, a estatal somou 2,57 milhões de bpd de petróleo em março, alta de 15% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a ANP. Alta do barril de petróleo eleva risco de recessão, além de pressionar a inflação em todo o mundo A Shell, segunda maior produtora do Brasil e principal sócia da Petrobras no pré-sal, produziu 427,5 mil bpd em março, avanço de 10,8% na mesma comparação. Já a TotalEnergies produziu 201,75 mil bpd no mês, crescimento de 22,6%, segundo o boletim da ANP. A produção nacional de gás natural também aumentou, alcançando 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) em março, avanço de 23,3% frente ao mesmo mês de 2025 e alta de 3,3% na comparação com fevereiro. Mas nem todo o gás produzido é vendido: em março de 2026, 67,39 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado, enquanto 112,02 milhões de m³/d foram reinjetados nos campos produtores. Além disso, houve consumo interno em plataformas de 19,25 milhões de m³/d e queima de 5,46 milhões de m³/d. Considerando petróleo e gás natural, a produção total brasileira chegou a um recorde de 5,53 milhões de barris de óleo equivalente por dia em março, contra 4,66 milhões de boe/d em março de 2025.

Lançamento do novo Desenrola Brasil O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das preocupações da economia e já mobiliza bancos, varejistas e o governo. Em fevereiro, o indicador atingiu 49,9% da renda — o maior nível da série histórica do Banco Central do Brasil (BC), iniciada em 2005. É nesse cenário que o governo lança, nesta segunda-feira (4), o “Novo Desenrola Brasil”, um pacote para destravar renegociações e aliviar o peso das dívidas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida chega em um momento de forte expansão do crédito: hoje, 130 milhões de pessoas — cerca de 74% da população com relacionamento bancário — têm limite disponível. Em quatro anos, 32 milhões passaram a acessar esses produtos, um salto de 34%, segundo o relatório de Cidadania Financeira, do BC. O g1 reuniu dados para traçar o perfil dos endividados e inadimplentes no país. Panorama do endividamento no Brasil No fim de 2024, mais de 73 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado, segundo dados do Banco Central. As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram 27,4% desse total. Em março deste ano, esse número chegou a 82,8 milhões de pessoas, segundo a Serasa. Além disso, o número de pessoas com dificuldades mais graves para pagar dívidas também cresceu. Em dezembro, cerca de 16% dos brasileiros com crédito ativo estavam com atrasos superiores a 90 dias. Entre 2020 e 2024, esse grupo aumentou em 6 milhões de pessoas, chegando a 18,9 milhões — um avanço de 47% no período, acima do crescimento do acesso ao crédito. Quem são os mais afetados 41 a 60 anos: adultos representam a maior fatia, com 35,5%; Baixa renda: pessoas inscritas no CadÚnico têm taxa de 18%; Até 2 salários mínimos: concentram 73% dos casos mais graves; Regiões: Norte (19%) e Nordeste (17%) lideram os índices; Gênero: mulheres são mais endividadas (50,6%). Região Norte lidera inadimplência no país Dados do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, publicado em março pela Serasa, mostra que o problema está longe de ser uniforme pelo país. Hoje, o estado do Amapá lidera o ranking, com 65,1% da população inadimplente. Na sequência aparecem Distrito Federal (62,7%), Amazonas (60,1%) e Mato Grosso do Sul (59,5%). Na outra ponta, Santa Catarina tem o menor índice: 40,4%. 👉 Veja abaixo a representatividade (%) de inadimplentes na população adulta por estado. Passe o mouse ou clique na unidade da federação para consultar o percentual, e use o zoom para ampliar a visualização: Tipos de dívida com mais risco Em março de 2026, o valor médio das dívidas por pessoa no Brasil era de R$ 6.728,51, alta de 1,98% em relação ao mês anterior, segundo a Serasa. Cada dívida tinha, em média, valor de R$ 1.647,64, enquanto o total devido no país somava cerca de R$ 557 bilhões. As dívidas mais difíceis de pagar estão, em geral, nas formas de crédito mais caras. O principal exemplo é o cartão de crédito. Entre os jovens, quase 40% atrasam pagamentos no rotativo — quando se paga só uma parte da fatura e o restante vira uma dívida com juros altos — ou no parcelamento. O empréstimo consignado, que costuma ter juros menores, também preocupa: entre os jovens, o atraso é mais que o dobro do registrado entre adultos. No geral, a maior parte das dívidas no país está concentrada em bancos e cartões (27,3%). Depois vêm contas do dia a dia, como luz, água e gás (21%), além de financeiras (20,2%) e serviços (11,5%). Na hora de negociar essas dívidas, quem mais fecha acordos são empresas que compram débitos atrasados (21,9%), seguidas por operadoras de telefonia (8,5%) e bancos (7,9%). Um dado que chama atenção é o da população em situação de rua. Segundo o Banco Central, quase 37% têm dívidas em atraso, muitas vezes antigas. 🔎Segundo o relatório do Banco Central, o cartão de crédito é o principal motor do superendividamento no Brasil por reunir juros muito altos — especialmente no rotativo, que pode passar de 400% ao ano — e grande impacto no orçamento das famílias, que chegam a comprometer mais da metade da renda com esse tipo de gasto. Diferença entre faixas de renda e idade A inadimplência grave varia bastante conforme a idade e é mais alta entre os mais jovens. Jovens (18 a 34 anos): cerca de 19% têm atrasos graves; Adultos (35 a 59 anos): ficam próximos da média, em torno de 16%; Idosos (60+): cerca de 9%, o menor nível. Os dados mostram que os jovens lideram a inadimplência em todas as faixas de renda, mesmo entre os que ganham mais. Até 2 salários mínimos: 17,4% inadimplentes; De 2 a 5 salários mínimos: 13,8%; Acima de 5 salários mínimos: 10%. Parte disso está ligada à entrada mais recente no sistema financeiro (a idade média caiu de 35 anos, em 2020, para 20 anos em 2024) e ao maior uso de crédito sem experiência suficiente. Já os adultos concentram o maior uso de crédito e comprometem cerca de 26% da renda com dívidas. Os idosos, por outro lado, são mais cautelosos e têm menor inadimplência, mas enfrentam outras limitações, como menor uso de ferramentas digitais e maior vulnerabilidade financeira. Diferenças entre homens e mulheres Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, as mulheres são maioria entre os inadimplentes no Brasil, com 50,6% do total, enquanto os homens representam 49,4%. Já os dados do BC mostram que o acesso ao crédito é parecido entre os gêneros — 75% das mulheres e 73% dos homens —, assim como a inadimplência grave, que atinge 16% em ambos os casos. Ainda assim, outros indicadores mostram maior pressão financeira sobre elas. As mulheres comprometem uma parcela maior da renda com dívidas (25,3%, ante 24,1% dos homens). No cartão de crédito, destinam 7,1% da renda ao pagamento de juros, enquanto os homens comprometem 5,6%. Também são mais frequentes entre os chamados “endividados de risco”, com maior chance de superendividamento (15,4%, contra 12,1%). Além disso, dados indicam que elas tendem a contratar crédito a juros mais altos. No dia a dia, essa pressão aparece na prática: mulheres relatam maior dificuldade para lidar com as contas e níveis mais altos de estresse financeiro: 60% dizem enfrentar forte pressão com dinheiro, ante 40% dos homens. Novo Desenrola Brasil O novo Desenrola prevê a renegocição de dívidas de pessoas com renda de até R$ 8.105. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para: famílias Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) empresas agricultores rurais A iniciativa vale para débitos feitos até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e até o Fies. A proposta prevê descontos de 30% a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. Além disso, o trabalhador poderá usar até 20% do saldo do FGTS para reduzir a dívida, com transferência direta entre bancos, mediante autorização. 💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Para aderir, será necessário procurar os canais oficiais das instituições financeiras. Quem participar ficará impedido de usar plataformas de apostas online por um ano. (Saiba mais sobre o programa) Com dívida em alta recorde, governo lança novo Desenrola Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Negociação de dívida Marcos Santos/USP Imagens O "Novo Desenrola Brasil", anunciado pelo governo federal nesta segunda-feira (4), prevê que as instituições financeiras vão desnegativar devedores com dívidas de até R$ 100. Ou seja, eles não estarão mais com o "nome sujo". Atualização: anteriormente, o ministro da Fazenda Dario Durigan falou, durante o lançamento do programa, que as dívidas de até R$ 100 seriam perdoadas. Mais tarde, porém, a informação foi corrigida pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Ele afirmou que o nome dos devedores serão apenas desnegativados. Ou seja, a dívida continua válida, mas o devedor não ficará mais com o nome sujo. Além da desnegativação das dívidas de até R$ 100, os bancos também devem: Destinar à educação financeira o equivalente a 1% do valor que for renegociado; Proibir o envio de recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, pix crédito e pix parcelado; Segundo o ministro, é favorável para os bancos que as dívidas sejam renegociadas porque passam a receber um dinheiro que antes não receberiam. Por conta disso, as instituições financeiras enfrentam contrapartidas com o programa. O programa O "Novo Desenrola Brasil", também chamado de "Desenrola 2.0", consiste em um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados. Uma delas é a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas. O programa tem como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105. A medida provisória (MP) foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, com previsão de publicação ainda nesta segunda em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores (leia mais abaixo). Novo Desenrola terá veto a apostas e uso do FGTS Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categorias voltadas para: famílias Fies empresas agricultores rurais "Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, procure seu banco", afirmou o ministro. 💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ➡️Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto. Descontos do Novo Desenrola Apresentação do Ministério da Fazenda Fontes de recurso O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. Também será realizado um novo aporte de até R$ 5 bilhões pelo governo. Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano. "É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante que façam suas dividas mas não percam de vista suas condições de pagamento", afirmou Lula durante coletiva. "Estamos tentando corrigir, e já fizemos outras vezes. Esse país vem se endividando há muito tempo, a Covid também fez as pessoas se endividarem por necessidade mesmo. Estamos tentando uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para respirar normal, voltar a sonhar, e ter o nome limpo na praça", prosseguiu o presidente. Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses Ministério da Fazenda Cenário político e eleitoral O detalhamento do programa ocorre em um momento em que o governo federal busca reforçar agendas de impacto direto no cotidiano da população em meio a um cenário político adverso no Congresso e à aproximação das eleições de 2026. Após uma sequência de derrotas no Legislativo e com dificuldades para avançar em pautas estruturais, a estratégia do Planalto tem sido apostar em medidas econômicas de execução mais rápida e com efeito perceptível sobre renda, crédito e consumo. Programas voltados à renegociação de dívidas e à retirada de restrições no CPF são avaliados internamente como instrumentos capazes de recuperar apoio entre eleitores mais afetados pelo endividamento, reduzir a dependência de negociações no Parlamento e fortalecer a narrativa de reconstrução econômica e social que o governo pretende apresentar no ciclo eleitoral.

Empréstimo consignado: veja o que muda com nova regra para quem tem desconto direto no salário ou na aposentadoria Jornal Nacional/ Reprodução Entidades do setor bancário manifestaram nesta segunda-feira (04) "grande preocupação, surpresa e insegurança" com a decisão do Tribunal de Contas da União, na semana passada, que suspendeu todas as modalidades de crédito consignado do INSS. "É indispensável mitigar riscos de fraudes, coibir contratações indevidas e corrigir fragilidades operacionais no ecossistema do consignado", afirmaram a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Zetta, associação que reúne fintechs e instituições de pagamento. "No entanto, a paralisação do consignado do INSS, por decisão inesperada do poder público, interrompe um mercado regulado que movimenta cerca de R$100 bilhões por ano, com aproximadamente R$9 bilhões em descontos mensais, e penaliza sobretudo uma população de baixa renda e alta vulnerabilidade financeira." Na última quarta-feira (29), decisão cautelar do TCU determinou ao INSS e às instituições financeiras conveniadas a suspensão temporária da concessão de novos empréstimos consignados aos beneficiários do sistema previdenciário até que sejam implantadas e comprovadas travas de segurança e controles automatizados no sistema eConsignado, bem como suspensão das modalidades cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício. Vídeos em alta no g1 Na nota conjunta, ABBC, a Febraban e a Zetta citam que cerca de 4 em cada 10 aposentados e pensionistas — aproximadamente 17 milhões de beneficiários do INSS — têm empréstimos consignados e que a carteira total do consignado do INSS (empréstimos e cartão) reúne 65,4 milhões de contratos ativos e R$283,9 bilhões em crédito. Também citam que a taxa média do consignado do INSS é de 1,82% ao mês, uma das mais baixas disponíveis para os segmentos de menor renda. As entidades também afirmaram ser indispensável calibrar as medidas para proteger o planejamento financeiro dos beneficiários e assegurar a estabilidade e a previsibilidade de um ecossistema regulado, com contratos vigentes e múltiplos participantes, públicos e privados. A ABBC, a Febraban e a Zetta destacaram que buscarão a modulação dos efeitos da decisão cautelar, com base em um compromisso firme das instituições financeiras associadas de continuar implementando, de forma gradual e verificável, todas as medidas e controles compatíveis com o racional definido pelo Tribunal.
A equipe econômica anunciou nesta segunda-feira (4) mudanças nas regras dos empréstimos consignados, ou seja, com desconto na folha de pagamentos, para os servidores públicos e para os aposentados e pensionistas.
➡️A principal delas é a redução da margem de consignação, ou seja, o comprometimento da renda mensal que os trabalhadores e aposentados poderão utilizar: o limite passou de 45% para 40%.
➡️O governo informou que esse limite continuará recuando nos próximos anos, em dois pontos percentuais por ano, até que atinja 30% em cinco anos.
Vídeos em alta no g1
Consignado do INSS
De acordo com o governo, as mudanças no consignado dos aposentados "darão mais acesso e ajudarão o aposentado e o pensionista que precisa desse crédito".
Veja as mudanças
Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado e de benefícios (5% e 5%), que é dívida cara, e o limite de consignação total que antes era de 45% (5% do cartão de crédito, 5% do cartão de benefícios e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão consignado e de benefícios a no máximo 5% cada;
Ampliação do prazo da operação de 96 para 108 meses;
Fim da vedação à carência e permissão para que ela seja de até 90 dias;
Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%.
Consignado dos servidores
A equipe econômica diz que as mudanças no consignado do servidor "melhoram as condições do endividamento para o servidor público que precisou tomar crédito".
Entenda o que mudou:
Acabam os 10% de margem exclusiva para cartão consignado, que é dívida cara, e o limite de consignação total que antes era de 45% (10% consignado do cartão e 35% geral) passa a ser de 40%, limitando a participação do cartão a no máximo 10%;
O prazo máximo da operação irá de 96 para 120 meses, diluindo o peso do pagamento da dívida no orçamento familiar do servidor;
Haverá autorização de carência de até 120 dias;
Além da redução de 45% para 40%, haverá redução gradual da margem consignável de 2 pontos percentuais ao ano até atingir 30%.
'Desenrola 2.0'
Além da mudança no consignado, o governo também anunciou nesta segunda (4) um novo programa de renegociação de dívidas, chamado de 'Desenrola 2.0'.
O programa tem como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105. A medida provisória (MP) foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã.
Saiba mais aqui.

Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China A série “Entre Dois Mundos”, do Fantástico, revela um contraste profundo entre China, Estados Unidos e Brasil quando o assunto é alimentação — especialmente no bolso do consumidor. Uma comparação de itens básicos mostra o contraste. Na China, uma dúzia de ovos custa cerca de R$ 4,75. No Brasil, o mesmo produto sai por aproximadamente R$ 12. Já nos Estados Unidos, o preço pode chegar a R$ 50. A diferença se repete em outros alimentos: Arroz: o quilo na China está R$ 5, valor semelhante ao Brasil, e até R$ 14 nos EUA Tomate: R$ 5 na China, R$ 10 no Brasil e R$ 14 nos EUA Peixe: R$ 18 na China, R$ 40 no Brasil e R$ 60 nos EUA O impacto desses preços aparece também no prato. Cada chinês consome, em média, mais de 400 quilos de vegetais frescos por ano. Nos Estados Unidos, o número cai para cerca de 130 quilos. Além disso, em um almoço farto para várias pessoas em Xangai, a conta surpreende: cerca de R$ 50 por pessoa, com sobra de comida. Por que a China tem comida fresca e barata, e os EUA cara e ultraprocessada? Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China Reprodução/TV Globo Modelo chinês: comida fresca, barata e próxima O modelo chinês combina forte atuação do Estado com incentivo à produção local. Em grandes cidades como Xangai, alimentos frescos são vendidos em feiras e pequenas barracas próximas às casas — muitas vezes com aluguel subsidiado pelo governo para manter os preços baixos. Além disso, há investimento pesado em tecnologia agrícola, subsídios à produção e controle indireto de preços. O país também mantém estoques estratégicos de alimentos e políticas para equilibrar oferta e demanda, o que ajuda a evitar oscilações bruscas. Outro fator é a logística: a cadeia é mais curta, com menos intermediários. A margem de lucro de atacadistas gira em torno de 3%, bem abaixo dos cerca de 15% nos Estados Unidos. Estados Unidos: comida cara e mais industrializada Do outro lado, os Estados Unidos enfrentam um cenário oposto. Milhões de pessoas vivem nos chamados “desertos alimentares”, áreas onde é preciso dirigir pelo menos meia hora para encontrar comida fresca. O que sobra, muitas vezes, são produtos ultraprocessados. A preocupação com o custo de vida domina o debate político. Programas como o SNAP (os “vales-alimentação”) ajudam cerca de 40 milhões de americanos, mas consomem cifras muito maiores do que programas similares no Brasil — e ainda assim não impedem a escalada dos preços. O Brasil no meio do caminho O Brasil aparece como um ponto de equilíbrio nessa comparação. Em vários itens básicos, os preços brasileiros ficam entre China e Estados Unidos. O país é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas enfrenta gargalos históricos de logística, desigualdade e renda. Enquanto a China atua fortemente na origem — produção, transporte e oferta —, Brasil e EUA concentram esforços no consumo, com programas de transferência de renda para garantir acesso à comida. No Brasil, o Bolsa Família atende cerca de 50 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o país ganha espaço no tabuleiro global: com a guerra comercial entre China e Estados Unidos, a soja brasileira avançou, tornando-se ainda mais estratégica para alimentar o mercado chinês. Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e Chin Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

O governo federal informou que vai usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. Esse dinheiro irá para um fundo público para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Balanço divulgado no mês passado pelo Banco Central mostra que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 10,55 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. Deste total: R$ 8,15 bilhões são recursos de 47 milhões de pessoas físicas; R$ 2,4 bilhões são valores de 5,06 milhões de empresas. Vídeos em alta no g1 Até o momento, o Banco Central informou que já foram devolvidos R$ 14,14 bilhões em recursos que estavam esquecidos nas instituições financeiras. Segundo o Ministério da Fazenda, será publicado um edital para que interessados possam reclamar os recursos esquecidos no período de 30 dias. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo. O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas". 🔴 Lula assina Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil Reprodução

Lançamento do novo Desenrola Brasil O programa de renegociações de dívidas do governo federal, o Novo Desenrola Brasil, lançado nesta segunda-feira (4), tem como público-alvo pessoas que ganham até cinco salários mínimos, ou seja, R$ 8.105. Nele, serão renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Segundo o governo, para entrarem no programa, as pessoas devem procurar os canais oficiais dos bancos. SAIBA MAIS: Governo reduz para 40% margem do consignado de servidores e aposentados Dívidas de até R$ 100 serão desnegativadas pelos bancos Governo vai usar dinheiro esquecido em bancos para garantir renegociação de dívidas O programa Descontos do Novo Desenrola Apresentação do Ministério da Fazenda Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categorias voltadas para: famílias Fies empresas agricultores rurais "Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos vai ter acesso franqueado, seja do cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, procure seu banco", afirmou o ministro. O programa também prevê a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas. Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores. 💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pacote de medidas voltado à redução do nível de endividamento da população foi anunciado pelo ele na última quinta-feira (30). ➡️ Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto. O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. O governo também fará um novo aporte de até R$ 5 bilhões. Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", declarou o presidente. Programa também prevê que os bancos perdoem dívidas de até R$ 100. No fim de 2024, segundo o Banco Central (BC), 117 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras. Governo federal anuncia nova fase do Desenrola, programa para renegociação de dívidas Jornal Nacional/ Reprodução Cenário político e eleitoral O detalhamento do programa ocorre em um momento em que o governo federal busca reforçar agendas de impacto direto no cotidiano da população em meio a um cenário político adverso no Congresso e à aproximação das eleições de 2026. Após uma sequência de derrotas no Legislativo e com dificuldades para avançar em pautas estruturais, a estratégia do Planalto tem sido apostar em medidas econômicas de execução mais rápida e com efeito perceptível sobre renda, crédito e consumo. Programas voltados à renegociação de dívidas e à retirada de restrições no CPF são avaliados internamente como instrumentos capazes de recuperar apoio entre eleitores mais afetados pelo endividamento, reduzir a dependência de negociações no Parlamento e fortalecer a narrativa de reconstrução econômica e social que o governo pretende apresentar no ciclo eleitoral.

Bandeiras da União Europeia Stephanie Lecocq/Reuters Os países da União Europeia estão pressionando pela rápida implementação da parte do bloco em um acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado para evitar a ameaça de tarifas automotivas mais altas, disseram diplomatas da UE nesta segunda-feira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Representantes do Parlamento Europeu e do Conselho, o órgão que representa os governos da UE, retomarão na quarta-feira as negociações sobre a legislação para reduzir as tarifas da UE sobre produtos importados dos EUA, com a assembleia da UE querendo estabelecer várias salvaguardas. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que aumentará as tarifas sobre carros e caminhões da UE para 25% na próxima semana porque a UE não está cumprindo os termos do acordo firmado em seu resort de golfe Turnberry, na Escócia, em julho. Nove meses depois, a UE ainda não removeu as tarifas sobre os produtos industriais importados dos EUA, conforme acordado entre as duas partes. A legislação para isso foi suspensa duas vezes pelo Parlamento Europeu após as ameaças de Trump de impor novas tarifas aos aliados europeus que não apoiassem sua proposta de aquisição da Groenlândia e sua nova taxa de importação. Vídeos em alta no g1 O chanceler alemão, Friedrich Merz, cujo país provavelmente será o mais afetado por um aumento nas tarifas de automóveis, disse à emissora ARD: "Os norte-americanos já finalizaram o acordo, e os europeus não - e é por isso que espero que possamos chegar a um acordo o mais rápido possível." Os membros da UE querem um acordo rápido entre o Parlamento e o Conselho sobre a implementação da parte do bloco no acordo, disseram os diplomatas. Manfred Weber, chefe do Partido Popular Europeu, de centro-direita e o maior grupo no Parlamento da UE, também disse que deve haver uma conclusão rápida das negociações para permitir que o Parlamento dê sua aprovação final neste mês. Esse seria um cronograma ambicioso. Bernd Lange, que preside o comitê de comércio do Parlamento e liderará as negociações para a assembleia da UE, disse que o comportamento de Trump é inaceitável e que as várias salvaguardas buscadas são ainda mais necessárias. Lange disse que organizará uma reunião com outros parlamentares na quarta-feira para discutir os próximos passos.

Nubank adquire naming rights do estádio do Palmeiras Divulgação/Nubank O acordo de naming rights entre o Nubank e a WTorre, gestora do estádio do Palmeiras, deve ser um dos mais caros do Brasil. O novo nome oficial da arena, Nubank Parque, foi anunciado nesta segunda-feira (4), após votação popular. Pela estimativa anual, o contrato já nasce no topo: o banco digital deve desembolsar cerca de R$ 50 milhões por ano para estampar seu nome em uma das principais arenas do país — o maior valor já pago nesse tipo de acordo no Brasil. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Se o contrato for cumprido até 2044, o total deve chegar a cerca de R$ 900 milhões, tornando este o segundo maior acordo de naming rights de estádios do país. (veja o ranking abaixo) 🔎 Em português, naming rights significa “direitos de nome”, prática em que empresas pagam para rebatizar espaços e associar suas marcas a eles. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O montante do Nubank Parque só perderia para o Mercado Livre Arena Pacaembu, estimado em R$ 1 bilhão ao longo de 30 anos — cerca de R$ 33,3 milhões por ano. Os dados foram compilados pelo especialista em gestão e marketing esportivo Fernando Trevisan, da Trevisan Escola de Negócios. Segundo o levantamento, a Neo Química Arena, estádio do Corinthians, ocupa a terceira posição, com contrato de 20 anos firmado em 2020 e valor total previsto em R$ 300 milhões. O Allianz Parque, que cede lugar ao Nubank Parque, tinha contrato previsto também em R$ 300 milhões. O acordo, porém, foi encerrado antecipadamente, levando a estimativa final a R$ 195 milhões após 13 anos de naming rights. 📝 O estudo considera valores históricos divulgados pela imprensa, sem correção pela inflação. Os totais foram estimados a partir das cifras anuais multiplicadas pelo prazo dos contratos. Veja abaixo o ranking dos maiores naming rights no país até agora: Maiores contratos de naming rights em estádios brasileiros Arte/g1 Novo nome e valores históricos O novo contrato prevê que o Nubank detenha os naming rights da arena até 2044. As estimativas indicam que o banco deve pagar cerca de US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) por ano pelo direito. Valores oficiais não foram divulgados. Para Fernando Trevisan, o acordo reforça que a febre dos naming rights segue em alta no mercado brasileiro — especialmente nos estádios, que continuam entre os principais ativos. “O valor anual estimado é o maior da história no Brasil, coerente com o estádio do Palmeiras, um dos que mais recebem shows no mundo. São mais de dois eventos musicais por mês, em média, além dos jogos do Palmeiras e de eventos corporativos”, afirma. O novo nome do estádio, após 13 anos sob a marca Allianz, foi anunciado nesta segunda-feira, após votação popular entre três opções: Nubank Parque, Nubank Arena ou Parque Nubank. LEIA MAIS: Estádios, cinemas, casas de shows e até estações de metrô: entenda a febre dos 'naming rights' Por que empresas optam por naming rights? A visibilidade da marca é um dos principais atrativos desses acordos. Mas o impacto vai além: depende de uma série de frentes que compõem a estratégia, afirmam especialistas em marketing ouvidos pelo g1. “Nas negociações de naming rights, também pode ficar acertado que, dentro do espaço, a empresa instale lojas, pontos de venda ou outras operações, em uma presença que vai muito além de dar nome ao local”, explica Idel Halfen, que já liderou equipes de marketing de grandes companhias. Contratos recentes no país seguem essa lógica. Além de rebatizar estádios, empresas têm garantido o direito de operar suas marcas nesses espaços, criando um ecossistema de contato direto com o público. Especialistas também destacam que, para gerar efeito, a exposição precisa ser contínua. Por isso, os contratos são longos, muitas vezes por décadas. É esse horizonte que permite consolidar a presença da marca e aprofundar a relação com o público. Foco no esporte e no entretenimento A premissa dos naming rights é simples: associar a marca a locais com grande fluxo de pessoas, de preferência alinhados ao perfil de público que a empresa quer atingir. Com o tempo, porém, o modelo se mostrou mais aderente a espaços de esporte e entretenimento, como estádios, casas de shows e teatros. Isso não acontece à toa. Esses ambientes costumam estar ligados a momentos de lazer e alegria, em que o público vive experiências marcadas por emoção e cria memórias — um contexto que favorece a conexão com as marcas. “Quando vamos a um show ou a um jogo, existe ali um ambiente mágico, em que você está bem aberto a sensações e emoções. Por isso é tão especial se associar a um equipamento desse tipo”, conclui Fernando Trevisan.

Nubank adquire naming rights do estádio do Palmeiras Divulgação/Nubank O Nubank anunciou nesta segunda-feira (04), que a arena da Sociedade Esportiva Palmeiras passará a se chamar “Nubank Parque”, em mais um movimento de reposicionamento de marca no esporte. A mudança envolve o acordo de naming rights do estádio, atualmente conhecido como Allianz Parque, e reforça a estratégia da fintech de ampliar sua presença em grandes eventos e no futebol brasileiro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A escolha do novo nome da arena foi definida por votação popular: “Nubank Parque” recebeu 47,5% dos votos; “Nubank Arena” ficou com 29,8% dos votos; “Parque Nubank” ficou em último com 22,7%. Vídeos em alta no g1 Pela estimativa anual, o contrato já nasce no topo: o banco digital deve desembolsar cerca de R$ 50 milhões por ano para estampar seu nome em uma das principais arenas do país — o maior valor já pago nesse tipo de acordo no Brasil. Se o contrato for cumprido até 2044, o total deve chegar a cerca de R$ 900 milhões, tornando este o segundo maior acordo de naming rights de estádios do país. (veja o ranking abaixo) Maiores contratos de naming rights em estádios brasileiros Arte/g1 SAIBA MAIS

Lançamento do novo Desenrola Brasil O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o "Novo Desenrola Brasil" também chamado de "Desenrola 2.0", um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados. O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105. “Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas. Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas. Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores (leia mais abaixo). A medida provisória (MP) do programa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, com previsão de publicação ainda nesta segunda em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). LEIA MAIS: 'Desenrola 2.0': dívidas de até R$ 100 serão desnegativadas pelos bancos Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para: famílias (estimado em 20 milhões de pessoas) Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) (estimado em 1,5 milhão de pessoas) empresas agricultores rurais (estimado em 800 mil pessoas) "Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos, vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, credito pessoal, procure seu banco", afirmou o ministro. 💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Lula. ➡️Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto. Descontos do Novo Desenrola Apresentação do Ministério da Fazenda Fontes de recurso O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos. Também será realizado um novo aporte de até R$ 5 bilhões pelo governo. Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano. "É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante que façam suas dividas mas não percam de vista suas condições de pagamento", afirmou Lula durante coletiva. "Estamos tentando corrigir, e já fizemos outras vezes. Esse país vem se endividando há muito tempo, a Covid também fez as pessoas se endividarem por necessidade mesmo. Estamos tentando uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para respirar normal, voltar a sonhar, e ter o nome limpo na praça", prosseguiu o presidente. Lula assina medida provisória do Desenrola 2.0. Ricardo Stuckert/ Presidência da República Endividamento em alta Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado, do ponto de vista histórico. Em um ano marcado por eleições, o governo atua para reduzir o comprometimento de renda dos trabalhadores com empréstimos. "O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito, mais sensível aos movimentos nas taxas de juros e à maior expansão do crédito emergencial, tipicamente com taxas mais elevadas, alcançou nível recorde no quarto trimestre [de 2025]", informou a instituição, em março. Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos, corroendo a renda dos trabalhadores: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio. Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. Desse modo, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos. O presidente do Banco Central afirmou, naquele momento, que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda — pois essa linha de crédito tem taxas "punitivas". Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses Ministério da Fazenda Primeiro Desenrola, de 2024 No primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, o que contribuiu para reduzir a inadimplência naquele período. O programa começou com os principais bancos retirando 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão em débitos. Também foram feitas negociações das dívidas diretamente pelos bancos credores (Faixa 2 do Desenrola) com pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil. Essa faixa terminou no fim de dezembro de 2023 e englobou três milhões de pessoas com a negociação de R$ 25,7 bilhões em débitos. No site do programa, a média de descontos foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados. O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista; e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.

Ford Maverick Divulgação / Ford A Ford do Brasil anunciou um recall para Bronco Sport e Maverick nas versões Tremor, Black e Hybrid. Segundo a empresa, o sensor de detecção de passageiro dianteiro pode apresentar defeito. O mau funcionamento deste item desativa o airbag para o passageiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Em caso de colisão, o não acionamento do airbag aumenta o risco de danos físicos e até mesmo fatais ao passageiro dianteiro”, explica em nota a Ford. As unidades envolvidas foram fabricadas em 2025. Vídeos em alta no g1 De acordo com a montadora, o sensor apresenta defeito por uma falha no processo de fabricação. “O motorista será avisado pela luz de advertência no painel de instrumentos e pela indicação do airbag do passageiro desligado”, diz o comunicado da Ford. A solução é substituição do componente, que será gratuita. Os clientes só poderão fazer o reparo no último trimestre de 2026, pois a solução ainda não está disponível nas concessionárias Ford. Ford Bronco Sport 2025 Chassis 3FMCR9DA9SRF14826 – produzido em 29 de julho de 2025. 3FMCR9DAXSRF14799 e 3FMCR9DA5SRF15519 – produzidos em 5 de agosto de 2025. Ford Maverick Tremor 2025 Chassis 3FTTW8NA5SRB44531 e 3FTTW8NA5SRB59286 – produzidas em 10 de outubro de 2025. Ford Maverick Black 2025 Chassis De SRB29780 até SRB31207 – produzidas em 8 de agosto de 2025. Ford Maverick Hybrid 2025 Chassis De SRB27247 até SRB45800 – produzidas de 8 de agosto de 2025 até 11 de setembro de 2025. Ford Bronco 2025 Divulgação | Ford SUV e picape já tiveram recall Esta não é a primeira campanha de reparo que a Ford faz para os modelos Bronco e Maverick. Em março, a empresa anunciou o recall de Ford Bronco Sport 2025 e Ford Maverick Black e Tremor 2025 por um problema na válvula de recirculação de gases do escape (EGR). Segundo a montadora, o componente pode não funcionar corretamente em razão de uma falha no processo de fabricação. De acordo com a Ford, o defeito pode provocar aceleração fraca, vibração do motor, dificuldade na partida, acendimento da luz de aviso de mau funcionamento do motor e perda de força motriz, especialmente em baixas velocidades, de até 20 km/h. Nessas condições, há aumento do risco de acidentes, com possibilidade de danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros.

Promotores calculam que só a transferência de ativos para o governo russo soma US$ 29 bilhões, o maior movimento do tipo desde as privatizações dos anos 1990. REUTERS/Marina Lystseva Um tribunal da Rússia determinou o bloqueio dos bens de Vadim Moshkovich, fundador bilionário da gigante agrícola Vadim Moshkovich, segundo a mídia local. A decisão inclui uma participação de 49% na empresa, avaliada em 49 bilhões de rublos (R$ 3 bilhões). Moshkovich foi preso em março de 2025 e é acusado de desviar 30 bilhões de rublos (cerca de R$ 2 bilhões). Ele se declarou inocente. Promotores pediram à Justiça, em 1º de maio, a apreensão dos bens. O tribunal informou que realizou nesta segunda-feira os “preparativos” para uma audiência marcada para 5 de maio. Segundo uma fonte ouvida por agências russas, foi imposto um bloqueio cautelar sobre bens móveis e imóveis de Moshkovich, além de 100% das ações de várias empresas, incluindo a Rusagro. A decisão abrange todas as ações da companhia pertencentes ao empresário. Vídeos em alta no g1 Desde o início da campanha militar na Ucrânia, em 2022, o Estado russo já confiscou mais de US$ 50 bilhões em propriedades privadas, incluindo ativos de empresas estrangeiras que deixaram o país. A estimativa é de um escritório de advocacia de Moscou. Promotores calculam que só a transferência de ativos soma US$ 29 bilhões — o maior movimento do tipo desde as privatizações dos anos 1990. A prisão de Moshkovich, que já foi deputado e construiu um dos maiores grupos agrícolas da Rússia após começar vendendo computadores no período pós-soviético, causou forte reação no meio empresarial. Este é o caso mais relevante envolvendo um empresário russo desde a prisão, em 2018, de Ziyavudin Magomedov, fundador do grupo Summa, e da detenção domiciliar, em 2014, de Vladimir Yevtushenkov, acionista do AFK Sistema. A Rusagro, única grande empresa agrícola russa listada em bolsa, afirmou anteriormente que segue operando normalmente apesar da prisão do fundador. A companhia é uma grande produtora de açúcar, carne suína e óleos vegetais, e exporta para 23 países, incluindo China, Turquia e Irã. A empresa não comentou o bloqueio de bens. As ações da Rusagro caíam 1,4% nesta segunda-feira e acumulam perda de cerca de 7% desde que começaram a ser negociadas na Bolsa de Moscou, em julho do ano passado.

Ícone do Instagram em um smartphone. Dado Ruvic/Reuters/Ilustração O Instagram anunciou nesta segunda-feira (4) que está lançando a etiqueta "Criador de conteúdo de IA", para sinalizar aos usuários quando uma conta cria conteúdos com inteligência artificial. A empresa explica que o novo rótulo começa a ser disponibilizado hoje, em fase de teste, e deve chegar a mais pessoas nas "próximas semanas". Criadores que optarem por ativar a etiqueta terão a mensagem "Criador de conteúdo de IA" exibida no perfil, no feed, nos Reels e na aba Explorar. Vídeos em alta no g1 A rede social admite que mais usuários veem, pela primeira vez, conteúdos gerados por IA, enquanto outros recorrem à tecnologia para "expressar sua criatividade". "Sabemos que as pessoas querem mais transparência sobre quem ou o que está por trás do que veem e, por isso, estamos tomando medidas para elevar o padrão de transparência sobre IA no Instagram e ajudar as pessoas a reconhecer quando algo foi criado com IA", afirma a empresa. México reconhece 'cachorro caramelo' como raça mexicana e provoca reação de brasileiros na TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos

Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters Os preços do petróleo subiam nesta segunda-feira (4) após a agência iraniana Fars relatar um incidente envolvendo um navio de guerra dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A notícia aumentou o temor de uma interrupção prolongada em uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. 🔎Por volta das 8h25 (horário de Brasília), o petróleo Brent avançava US$ 3,74, ou 3,46%, a US$ 111,88 por barril, depois de ter recuado US$ 2,23 na sexta-feira. Já o petróleo dos Estados Unidos (WTI) subia US$ 3,43, ou 3,36%, a US$ 105,36 por barril, após queda de US$ 3,13 na sessão anterior. Segundo a Fars, um navio de guerra americano que tentava atravessar o Estreito de Ormuz foi forçado a recuar após ignorar um aviso do Irã. A agência, citando fontes locais, afirmou ainda que dois mísseis teriam atingido a embarcação perto da região de Jask. Vídeos em alta no g1 A Marinha iraniana também declarou que impediu a entrada de navios militares dos EUA na área. As informações, porém, não puderam ser confirmadas de forma independente. Não houve resposta imediata dos Estados Unidos, mas o site Axios citou uma autoridade americana negando que qualquer navio tenha sido atingido. Mesmo antes dos relatos, os preços do petróleo já operavam em alta, pressionados pelas interrupções no fluxo da commodity pelo estreito. “A tendência dos preços segue de alta enquanto a passagem pelo estreito continuar limitada”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país pretende ajudar embarcações retidas na região. Ainda assim, os preços permaneceram acima de US$ 100 por barril, diante da ausência de um acordo de paz e das restrições ao tráfego marítimo. Em resposta, militares iranianos alertaram nesta segunda-feira que reagirão com firmeza a qualquer presença considerada ameaçadora no estreito. No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) informou que vai aumentar a produção em 188 mil barris por dia em junho para sete países, marcando o terceiro mês seguido de elevação. O ajuste repete o volume acordado para maio, sem a participação dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep em 1º de maio. Ainda assim, a expectativa é de que boa parte desse aumento não se concretize, já que o conflito envolvendo o Irã continua afetando o fornecimento de petróleo na região.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,32% nesta segunda-feira (4), a R$ 4,9677. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,92%, aos 185.600 pontos. Os mercados reagiram à nova escalada de tensões no Oriente Médio, com foco no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de petróleo —, o que impulsionou o preço da commodity para acima de US$ 110 por barril. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã e afirmou que o país “será varrido da face da Terra” caso ataque navios americanos que escoltam outras embarcações pelo Estreito de Ormuz. ▶️ Em meio ao aumento das tensões na região, os EUA iniciaram nesta segunda-feira a operação “Projeto Liberdade”, para escoltar navios retidos no Golfo Pérsico e retirá-los da área próxima ao Estreito de Ormuz. Trump tenta garantir o fluxo na região e conter impactos sobre o petróleo. ▶️ Mais cedo, porém, o Irã afirmou ter impedido a entrada de navios de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz e advertiu que poderá atacar embarcações militares americanas caso avancem pela rota. ▶️ Nesse contexto de confronto, Trump acusou o Irã de atacar navios de países “não relacionados” à operação liderada pelos EUA, incluindo um cargueiro sul-coreano. Ele afirmou ainda que “talvez seja hora de a Coreia do Sul se juntar à missão”. 🛢️ A escalada das tensões elevou o risco para a oferta global de petróleo. Em reação, o barril do tipo Brent subia 6,33%, a US$ 114,50, enquanto o WTI avançava 3,75%, a US$ 105,69. ▶️ No Brasil, os investidores voltaram do feriado de olho nas projeções sobre a economia. O boletim Focus, do Banco Central (BC), mostrou que a expectativa para a inflação em 2026 subiu de 4,86% para 4,89% — é a oitava semana seguida de aumento na previsão. 🔎 A alta do petróleo, que se mantém acima de US$ 110, é vista como um fator de pressão sobre a inflação, sobretudo pelo impacto nos preços dos combustíveis. ▶️ Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à redução do endividamento no país. (leia mais abaixo) Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,32%; Acumulado do mês: +0,32%; Acumulado do ano: -9,49%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,92%; Acumulado do mês: -0,92%; Acumulado do ano: +15,19%. Tensão no Oriente Médio As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter escoltado, nesta segunda-feira, os primeiros navios comerciais norte-americanos pelo Estreito de Ormuz. A escolta é a primeira desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma operação militar para garantir a passagem de embarcações pelo estreito, apesar de o Irã afirmar que está bloqueando a rota. A iniciativa, porém, gerou reação do Irã. Teerã afirmou pela manhã que impediu a entrada de navios de guerra dos EUA em Ormuz. No início da manhã, havia divergências sobre se um navio dos EUA teria sido atingido por mísseis iranianos. Nas horas seguintes, porém, os EUA negaram o episódio, e o próprio Irã ajustou o discurso ao afirmar que se tratavam de "disparos de advertência", e não de um ataque direto à embarcação. A tensão no mar e no campo das declarações continuou nesta tarde, quando Trump fez novas ameaças ao Irã e disse que o país "será varrido da face da Terra" caso ataque navios dos EUA. A declaração foi dada em entrevista à emissora americana Fox News. O republicano também afirmou, na Truth Social, que o Irã atacou embarcações de países “não relacionados” à operação militar liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz, incluindo um cargueiro sul-coreano. “Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir e se juntar à missão”, escreveu Trump ao comentar o episódio. Segundo o presidente, além do navio sul-coreano, não houve danos a outras embarcações que atravessaram o estreito até o momento. Novo Desenrola Brasil O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o "Novo Desenrola Brasil" também chamado de "Desenrola 2.0", um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados. O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105. “Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas. Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas. Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores. LEIA MAIS: Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS Mercados globais Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em queda, diante da escalada das tensões no Oriente Médio. O Dow Jones caiu 1,13%, o S&P 500 recuou 0,39% e o Nasdaq Composite teve perda de 0,19%. Na Europa, o desempenho também foi negativo. O STOXX 600 recuou 0,94%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,14%. O DAX, da Alemanha, teve perda de 1,24%. Já o CAC 40, da França, recuou 1,71%. Na Ásia, os mercados fecharam em alta. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 1,24%. Já o Shanghai Composite, de Xangai, subiu 0,11%. Em Tóquio, o Nikkei 225 avançou 0,38%, enquanto, em Seul, o KOSPI teve alta de 5,12%. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP

Os analistas do mercado financeiro elevaram mais uma vez sua estimativa para a inflação em 2026. Esta é oitava semana seguida de aumento. As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, acima de US$ 110 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Vídeos em alta no g1 ➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,86% para 4,89%; ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4%; ➡️ Para 2028, a previsão avançou de 3,61% para 3,64%. ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano. Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 13% ao ano na última semana, embutindo uma redução no decorrer de 2026. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 11% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Guerra no Oriente Médio atinge diretamente setores da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima Jornal Nacional/ Reprodução Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado continuou em 1,85%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,8% para 1,75%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,25 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos recuou de R$ 5,35 para R$ 5,30 por dólar.

A guerra comercial por trás das estrelas Michelin: por que a gastronomia se tornou tão obcecada por prêmios Getty Images via BBC Durante décadas, a garantia de que um restaurante era "bom" vinha estampada nas paredes por fotografias: artistas, políticos e outras figuras públicas que por ali haviam passado funcionavam como selo informal de prestígio. Hoje, esse código mudou. Antes mesmo de o maître dar as boas-vindas, o cliente já é recebido por placas, troféus e prateleiras repletas de prêmios que representam uma nova linguagem de validação que tomou a gastronomia. No lugar das celebridades, são as distinções que falam mais alto: quanto mais numerosas, maior a promessa (ao menos aparente) de qualidade. Os prêmios e rankings tornaram-se ativos centrais no universo gastronômico — e, no Brasil, não é diferente. A inédita distinção de dois restaurantes paulistanos, Evvai e Tuju, com três estrelas na mais recente edição do Guia Michelin, a mais alta distinção do setor, extrapolou o circuito especializado: ganhou espaço nos jornais, na televisão aberta e repercutiu internacionalmente. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Vídeos em alta no g1 Com isso, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de países com restaurantes três estrelas e torna-se o único representante da América Latina nesse patamar, ao lado de potências como França, Japão, Espanha e China. Um fato a ser celebrado, principalmente pelos restaurantes premiados. As estrelas representadas na placa vermelha à porta de um deles podem significar maior faturamento. Um levantamento feito por pesquisadores das universidades do Estado da Carolina do Norte e do Kansas indicou que, em termos gerais, uma estrela pode incrementar o que fatura um restaurante em 20% e que três delas podem ter um efeito estrondoso sobre as contas, duplicando o faturamento em um ano. O que explica o jogo quase obsessivo por conquistá-las. O valor de uma estrela "Não há como não reconhecer que eles [os prêmios] comercialmente ajudam muito um restaurante", afirma o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, quando o restaurante conquistou sua segunda estrela em 2024, as reservas e o faturamento multiplicaram. "Não sei dizer exatamente em números, mas é certo que esse e outros reconhecimentos tiveram um papel fundamental para nós e muitos. Não trabalhamos para prêmios, mas é impossível ignorar a importância que eles conquistam", acrescenta. Costa e Silva se refere ao Michelin, mas também a outros reconhecimentos, como os influentes rankings dos 50 Best, além de prêmios como o The Best Chefs Awards, o La Liste, o World Culinary Awards, entre tantos que passaram a dominar o cenário da gastronomia recentemente. A cada ano, novas listas e honrarias surgem para tentar girar ainda mais forte as engrenagens de um segmento que não para de crescer. "Os prêmios rendem um volume significativo de imprensa internacional e visibilidade, geram negócios para os restaurantes, mas também para as cidades que os recebem, por isso se tornaram, um excelente modelo", explica o consultor gastronómico Nidal Barake, da agência Gluttonomy, em Miami, mas que trabalha com empresas na área em todo o mundo. "A proliferação se torna problemática quando muitos prêmios começam a parecer iguais, ou quando parecem mais guiados por patrocínios e cliques do que por um reconhecimento genuíno", afirma. Por décadas, o Guia Michelin dominou o mercado basicamente sozinho. Criado pela maior fabricante de pneus da Europa em 1900 para incentivar viagens — e o consumo de seus produtos — ganhou seu atual sistema de estrelas em 1936: uma indica um restaurante "muito bom na sua categoria"; duas estrelas significam "excelente cozinha, que vale o desvio"; enquanto três estrelas, a distinção máxima, indicam uma "cozinha excepcional, que vale uma viagem especial". As avaliações são feitas por inspetores anônimos, que visitam os restaurantes em mais de 40 países (incluindo o Brasil), pagam as contas pela empresa e elaboram relatórios detalhados após cada refeição. Por décadas, o Guia Michelin dominou o mercado basicamente sozinho. Criado pela maior fabricante de pneus da Europa em 1900 para incentivar viagens Getty Images A explosão das listas Outros guias com modelos próprios de avaliação, como o Gault&Millau, baseados em pontuações foram surgindo no horizonte da gastronomia, ao mesmo tempo em que outros aparecem para propor modelos distintos. Foi o caso dos 50 Best: criado em 2002, o ranking dos 50 melhores restaurantes do mundo é definido por 1.120 votantes (entre jornalistas, chefs e viajantes) anônimos, que escolhem os lugares onde mais gostaram de comer. Eles não podem ter interesses financeiros nos restaurantes e devem ter visitado os locais em que votaram nos últimos 18 meses. Todo ano, elege o melhor restaurante do mundo e a lista dos outros 49 colocados, além de prêmios especiais (como sommelier, chef eleito por seus pares, etc). Para Érica Schecter, diretora de Relações Públicas e Comunicações da The World's 50 Best, o sucesso do ranking deu-se sobretudo por ter conseguido cobrir algo que os modelos críticos tradicionais historicamente negligenciaram: o cenário internacional, que os 50 Best, com votantes distribuídos por todos os continentes, tratou de abarcar. "A lista reformulou a ideia de 'o melhor' como uma conversa mais global, e não como um veredito exclusivamente europeu", ela diz. Entre os vencedores número 1 já estiveram representantes de países como Espanha, Dinamarca, mas também Estados Unidos e Peru. O prêmio ganhou tanta importância no meio gastronômico que a William Reed, empresa de mídia que detém a marca, passou a diversificar suas listas também mais regionalmente (América Latina, América do Norte, Ásia, mas também Oriente Médio e Norte da África) buscando ampliar suas atuações. E, claro, seus negócios. Gastronomia como estratégia global Impulsionados por um boom do turismo gastronômico mundial — um pilar central da economia global de viagens, com a gastronomia respondendo por cerca de 30% da receita turística em muitos destinos, segundo dados da Organização Mundial do Turismo (UNWTO) — os prêmios e listas viram nos governos ávidos por se promoverem uma mina de ouro. Embora não exista um número oficial único sobre o total de turistas motivados pela comida, estimativas da UNWTO indicam que mais de 80 bilhões de refeições são servidas anualmente a viajantes internacionais e domésticos, o que ajuda a explicar por que o turismo gastronómico se tornou um dos segmentos mais dinâmicos de uma indústria que gera de R$ 8 a R$ 10 trilhões por ano. Esses viajantes tendem a ter um padrão de gasto mais elevado: ficam em hotéis melhores, exploram vários restaurantes, visitam cafés e bares e se envolvem mais com o ecossistema local. Ou seja, são os turistas mais desejados. Assim, os prêmios encontraram um modelo de financiamento que passa pelos investimentos municipais, regionais ou nacionais para receber principalmente cerimônias de premiações, e, com elas, todo o holofote que podem trazer. "Os governos começaram a entender que o turismo gastronômico é uma das ferramentas de soft power mais impactantes à sua disposição, que nenhuma campanha publicitária consegue igualar", afirma Schecter. Ela justifica que há o impacto econômico direto, com participantes do evento reservando hotéis, voos e restaurantes durante o período da premiação, mas também indiretos ao trazer às cidades grandes nomes da indústria, que acabam frequentando e valorizando os estabelecimentos locais. De forma mais estratégica, as parcerias ajudam a reposicionar um destino no imaginário global por meio da cobertura midiática que gera. "Quando cidades como Valência, Melbourne ou Turim sediam o evento, estão sinalizando que fazem parte do topo das conversas gastronômicas mundiais, colocando-se firmemente no mapa dos destinos imperdíveis para estes viajantes internacionais", justifica. A cidade de Valência, na Espanha Getty Images Soft power à mesa A gastronomia se tornou uma importante bandeira da atual gestão do Turismo da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, que tem patrocinado a participação de seus chefs em eventos de caráter mundial (como o importante congresso Madrid Fusión, onde foi cidade internacional convidada) e buscado receber a nata da gastronomia mundial em premiações que acontecem na cidade. Em 2023 e 2024, o Rio sediou o Latin America's 50 Best Restaurants e, no início de abril, a gala do Guia Michelin (que volta a se repetir nos próximos anos)— eventos que ampliaram significativamente a projeção internacional da cidade, em investimentos totais estimados em cerca de R$ 24 milhões até agora. A aposta faz parte de uma política mais ampla de posicionar a cidade no mapa da diplomacia gastronômica, tratando grandes eventos do setor como ferramentas de promoção de destino e estímulo econômico. Embora raramente divulgados, os valores pagos por cidades anfitriãs ajudam a sustentar o modelo de prêmios como o do 50 Best — como mostram casos pontuais, como o de Melbourne, que investiu cerca de US$ 600 mil, segundo dados divulgados à época pelo governo local, para receber a cerimônia em 2017. Estima-se que os valores tenham aumentado consideravelmente com os anos, ainda que as empresas que promovem os prêmios não divulguem abertamente sobre as negociações. O Guia Michelin e outros prêmios, como o The Best Chef Awards, ao lado de patrocinadores privados (muitos deles ligados ao fornecimento de bebidas, equipamentos e insumos para restaurantes) passaram a capitalizar a busca cada vez mais intensa por visibilidade das secretarias de turismo. Cidades e regiões, ávidas por atrair visitantes, entram assim numa disputa geopolítica que hoje também se joga à mesa. "Vemos o crescente envolvimento dos governos na gastronomia como um sinal claro de que o setor agora é reconhecido como um ativo cultural e econômico estratégico", afirma Joanna Slusarczyk, uma das criadoras do The Best Chefs Awards. "A gastronomia não é mais vista apenas como hospitalidade ou entretenimento, mas como um poderoso motor do turismo, da identidade, da educação e do desenvolvimento local", acrescenta. Para ela, ao apoiar prêmios gastronômicos, os governos não apenas ganham visibilidade, atraem turismo de alto valor e fortalecem seu posicionamento no panorama cultural internacional, mas sobretudo ajudam a promover talentos locais, produtores e ecossistemas culinários, algo que premiações já fizeram por outras áreas, como música e cinema. "Comparada a áreas como música ou cinema, a gastronomia ainda é um ecossistema de premiações global relativamente jovem, portanto a rápida expansão de listas e rankings pode ser facilmente interpretada como inflação em vez de evolução", diz ao rebater a crítica de que há muitas premiações hoje no setor. O preço da visibilidade O consultor Nidal Barake concorda que mais prêmios — ainda que briguem pelas mesmas fatias do mercado — são sinal de um crescimento do segmento. Mas alerta que o modelo baseado substancialmente no dinheiro dos governos tem um efeito colateral mais amplo. "Se o financiamento depender excessivamente de recursos públicos, apenas cidades ou destinos com maior capacidade financeira conseguirão sediá-los. Isso cria um cenário desigual, no qual muitos destinos gastronômicos relevantes ficam de fora, não por falta de importância, mas simplesmente por não terem recursos para competir", diz. Na Argentina, o governo nacional decidiu deixar de financiar a edição de 2026 do Guia Michelin, a um custo estimado em cerca de US$ 400 mil, agora assumido pela cidade de Buenos Aires e pela província de Mendoza. A mudança, abrupta, evidencia o envolvimento cada vez mais direto (e indissociável) de destinos turísticos na promoção gastronômica como estratégia de posicionamento internacional. O modelo de financiamento público também voltou ao centro do debate com a parceria entre o The World's 50 Best Restaurants e o governo de Abu Dhabi, sede da gala deste ano, reforçando críticas de que rankings e premiações operam, hoje, como ferramentas de promoção turística sustentadas por verbas estatais. Reportagem do The New York Times aprofundou a polêmica ao questionar a escolha da capital de um país acusado de violações de direitos humanos. O texto aponta que o uso da gastronomia como instrumento para projetar uma imagem de modernidade, tolerância e abertura, com apoio de guias como o Michelin, financiado localmente pelo Departamento de Cultura e Turismo, contrasta com denúncias de organizações como a Human Rights Watch. Sem uma base financeira que prescinda de recursos públicos, essas premiações passam a arcar também com os custos reputacionais de seu próprio modelo de financiamento, argumenta Barake. "Com o tempo, isso pode não só limitar a diversidade e a independência, mas comprometer a credibilidade — e, no limite, a própria legitimidade — desses prêmios", conclui.

Marfrig e BRF criam Sadia Halal e preparam IPO na Arábia Saudita BRF A Marfrig e a BRF anunciaram no domingo (3) que concluíram a criação da Sadia Halal, uma joint venture entre a subsidiária integral BRF GmbH e a Halal Products Development Company, para reunir a produção na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Conforme o documento, as empresas estão começando a preparar listagem da nova empresa, que conta com um enterprise value de US$2,07 bilhões, na bolsa de valores de Riade. A joint venture é controlada principalmente pela subsidiária da BRF, que detém 90% do capital da Sadia Halal, enquanto a HPDC, subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita Public Investment Fund, possui os 10% restantes. O acordo prevê um investimento inicial da HPDC de US$ 24,3 milhões e uma contribuição complementar de US$ 73,1 milhões em transação primária até o fim do ano. Além disso, BRF celebrou um acordo de fornecimento de produtos com uma subsidiária da Sadia Halal por 10 anos renováveis. O fornecimento será realizado a partir de suas unidades no Brasil, acrescentou. De acordo com o documento, a Sadia Halal é constituída como uma das "maiores plataformas de produção e distribuição de proteínas halal do mundo", com acesso a uma base de consumidores de mais de 350 milhões de pessoas em 14 países islâmicos. Um produto halal é qualquer produto que está em conformidade com as leis islâmicas, tornando-o permitido para consumo ou uso por muçulmanos. Vídeos em alta no g1

Ebay Beck Diefenbach/Reuters A GameStop, rede americana de lojas de videogames, fez uma proposta bilionária para comprar o site de comércio eletrônico eBay. A oferta é de cerca de US$ 55,5 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões), com pagamento dividido entre dinheiro e ações. A empresa informou que já vinha se movimentando antes da proposta: desde 4 de fevereiro, passou a comprar ações do eBay e hoje já tem quase 5% de participação, incluindo papéis e derivativos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O valor oferecido é de US$ 125 por ação. Dependendo da base de comparação, isso representa um prêmio cerca de 46% acima do preço médio desde o início das compras e cerca de 20% em relação ao fechamento mais recente do mercado. Em entrevista ao Wall Street Journal, o CEO da GameStop, Ryan Cohen, disse que vê potencial para aumentar muito o valor do eBay. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Segundo ele, a empresa poderia chegar a “centenas de bilhões de dólares” e se tornar uma concorrente direta da Amazon. A estratégia, de acordo com Cohen, inclui cortar cerca de US$ 2 bilhões em custos anuais já no primeiro ano após a aquisição, o que ajudaria a aumentar os lucros. Outro ponto central do plano é usar as cerca de 1.600 lojas físicas da GameStop nos Estados Unidos como apoio ao eBay — funcionando como pontos de retirada, envio, autenticação de produtos e até integração com o varejo físico. Mesmo assim, a proposta é considerada ousada. O eBay tem valor de mercado quase quatro vezes maior que o da GameStop, o que torna incomum uma tentativa de compra desse tipo. Negócios assim normalmente dependem de alto nível de endividamento e da expectativa de ganhos futuros para se sustentarem. Para viabilizar a operação, Cohen afirmou que já garantiu apoio financeiro, incluindo uma carta de compromisso de cerca de US$ 20 bilhões em dívida. A GameStop também tinha cerca de US$ 9,4 bilhões em caixa e investimentos no fim de janeiro e pode buscar recursos adicionais com investidores externos, incluindo fundos soberanos. Cohen ainda disse que está preparado para levar a proposta diretamente aos acionistas, caso o conselho do eBay não se mostre aberto à negociação. Se o acordo avançar, ele pretende assumir como CEO da empresa combinada. Até agora, o eBay não comentou oficialmente a oferta. *Com informações da agência Reuters e France Presse

Procurado pela reportagem, o iFood afirmou que não incentiva comportamentos de risco e que adota medidas para aumentar a segurança dos entregadores. Victor Moriyama/Bloomberg via Getty Images/BBC A notificação do celular anuncia mais uma corrida. Na tela, o mapa mostra a distância a ser percorrida em 12 minutos para que Douglas Alexandre Santos pedale até um McDonald's na cidade de São Paulo. Para fugir do trânsito, ele decide subir na calçada com a bicicleta alugada. A corrente estoura, e ele quase sofre uma queda. Mas, enquanto tenta solucionar o problema, ele perde a entrega. O pedido é repassado a outro entregador. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Santos, na verdade, é um sociólogo que trabalhou como cicloentregador no iFood por seis meses entre 2023 e 2024, como parte da sua pesquisa de mestrado na Universidade de São Paulo (USP). O trabalho foi premiado como melhor dissertação de 2025 do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da instituição. A experiência etnográfica revelou, segundo o pesquisador, um sistema de trabalho em que o algoritmo não perdoa a prudência. Pelo contrário, ele diz que os prazos curtos do aplicativo forçam os entregadores a cometerem infrações e arriscarem a própria vida no trânsito, se quiserem garantir a entrega. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 "É um trabalho muito perigoso. E as plataformas não têm nenhum tipo de concernimento sobre a segurança do trabalho, sobre a integridade das pessoas e dos jovens negros que exercem essas ocupações", afirma. "Eles não usam capacetes, não usam EPI [Equipamento de Proteção Individual]. Eles não têm nenhum tipo de conscientização que parte das plataformas para preservar a própria vida e a própria integridade física." Procurado pela reportagem, o iFood afirmou que não incentiva comportamentos de risco e que adota medidas para aumentar a segurança dos entregadores, incluindo ciclistas. Segundo a empresa, os tempos de deslocamento definidos pelo aplicativo levam em conta dados de navegação e incluem uma margem adicional (leia mais sobre o posicionamento da empresa abaixo). Douglas Alexandre Santos trabalhou como entregador ciclista no iFood por seis meses entre 2023 e 2024 Douglas Alexandre Santos via BBC Como pesquisador, Santos estabeleceu um limite para a sua segurança: ele não atravessaria sinais vermelhos e não se arriscaria no trânsito perigoso. Ele preferia ir pelas calçadas quando o fluxo de carros era grande e só cruzava a rua quando o sinal estava verde para pedestres. A postura cautelosa teve um preço: respeitar as leis de trânsito significou mais perdas de entregas. "O tempo estipulado pela plataforma para as entregas simplesmente ignora engarrafamentos, semáforos fechados ou acidentes." "Esse é o tempo que você tem e você faz o que for necessário para cumprir. Pedalar entre os carros, subir nas calçadas, atravessar cruzamentos, atravessar sinais vermelhos, colocar a própria vida em risco o tempo todo", diz. No caso da entrega perdida do McDonald's, ele relata que acessou o aplicativo para informar o imprevisto, esperando ganhar alguns minutos para trocar a bicicleta alugada em uma estação próxima. Segundo Santos, a resposta da inteligência artificial foi automática: além da perda da entrega, a plataforma aplicou um bloqueio temporário de 15 minutos, sem possibilidade de receber novos pedidos. "Fica evidente que o trabalhador arca com todos os custos e riscos da infraestrutura, enquanto a plataforma pune qualquer desvio de produtividade. Seja usando uma bicicleta própria ou alugada, o desgaste físico e material é totalmente transferido para o ciclista." Com seis meses de pesquisa de campo, o pesquisador avaliou que já havia coletado informações suficientes. Mas também decidiu parar para não se arriscar mais. "A sensação de ter a vida em risco no trânsito de São Paulo era constante." App como libertação O trabalho por aplicativos segue em expansão no Brasil. Em 2024, eram 1,7 milhão de pessoas nessa modalidade, segundo o IBGE, o equivalente a 1,9% dos ocupados no setor privado. Em dois anos, houve um crescimento de 25,4%, com a entrada de mais 335 mil trabalhadores. A maioria atua no transporte de passageiros: são 58,3% (964 mil). Já os entregadores representam 29,3%. Ou seja, são 485 mil. Mas o grupo não é homogêneo. Os trabalhadores que atuam em entregas se dividem principalmente pela idade e pelo veículo utilizado pelos profissionais, pontua o pesquisador. De um lado, estão os motoboys. Douglas explica que esse grupo é formado por homens adultos, geralmente acima dos 30 anos, que são pais de família e principais provedores de seus lares. "Entre eles, existe muito a figura do pai de família, o homem que tem o seu próprio núcleo familiar e que precisa participar da manutenção de um lar", diz. Do outro lado, estão os entregadores que trabalham com a bicicleta, o foco da sua tese. São jovens, majoritariamente negros e moradores de periferias. A maioria tem entre 18 e 24 anos e nunca trabalhou com carteira assinada. "Esses jovens entregadores que baixam o aplicativo com 18 anos já têm uma trajetória ocupacional muito longa", diz o pesquisador. "Eles começam a trabalhar muito cedo, na informalidade, na ilegalidade, em todo tipo de ocupação que você imaginar. Então, o referencial que eles têm, por exemplo, para avaliar a ocupação com os aplicativos é muito difícil", continua. Um dos entregadores acompanhados relatou que começou a trabalhar aos 13 anos, carregando sacolas pesadas em uma ladeira íngreme em troca de gorjetas. Para esses jovens, o aplicativo aparece como uma libertação, já que elimina a figura do patrão tradicional e oferece uma sensação de autonomia, diz o pesquisador. Esses jovens demonstram, no geral, forte antipatia por movimentos políticos e sindicais — diferentemente de parte dos motoboys, que têm se organizado em torno da regularização do trabalho nas plataformas, em discussão no Congresso Nacional. Virilidade como sobrevivência Segundo o pesquisador, como o aplicativo pressiona por velocidade e pune os atrasos da corrida, os jovens abraçam o perigo como estilo de vida. "Percebi que tinha um componente que estava fugindo um pouco aos olhos dos sociólogos, que estão sempre atentos às dinâmicas de mobilização, de formalização da relação empregatícia, por exemplo, que é uma dinâmica que tem a ver com a constituição da identidade de gênero desses jovens periféricos e, ao mesmo tempo, da identidade profissional deles", afirma. "Observei dois fenômenos acontecendo ao mesmo tempo: a consolidação da identidade profissional e a consolidação da identidade de gênero. Essas coisas se construindo mutuamente." Lucas, de 19 anos, contou ao pesquisador que, apesar do medo constante da mãe, seus pais sentiam muito orgulho dele porque, ao garantir seu dinheiro de forma independente no trânsito, ele estava "virando homem". Passar cruzamentos no sinal vermelho, ignorar a ciclofaixa e costurar entre ônibus não são atitudes vistas por eles apenas como necessidades financeiras, mas como verdadeiras provas de masculinidade. Nos relatos de campo, os acidentes são contados com risadas. Rafael, um entregador de 20 anos, era famoso entre os colegas por sua ousadia e velocidade extremas. Ele já havia quebrado a perna, operado o pescoço e perdido o movimento de um dedo do pé em acidentes. Mesmo assim, vangloriava-se de parar o trânsito com a própria bicicleta. Com firmeza, Rafael afirmou diretamente ao pesquisador: "Pra gente não tem regra. Quem faz a regra é nóis!". Os jovens transformam o medo em coragem e adrenalina. Ao assumir uma postura destemida, o entregador ganha status no grupo, eleva sua autoestima e passa a se sentir invencível. Mas existe um custo físico dessa coragem. Santos acompanhou Wesley, um jovem que relatou ter pedalado tanto em um único dia que, ao chegar em casa e tirar os sapatos, viu que suas meias estavam manchadas de sangue. Fred, outro entregador veterano, resumiu a brutalidade da rotina dizendo que suas pernas já não sentiam mais dor. "Calejado é pouco." Empresas do setor afirmam que não incentivam comportamentos de risco e que adotam medidas para aumentar a segurança dos entregadores Victor Moriyama/Bloomberg via Getty Images/BBC Motoristas e entregadores de plataformas digitais estão hoje em uma "zona cinzenta", em que não são empregados formais pela CLT, mas profissionais autônomos que dependem de regulamentação específica. A regulamentação do trabalho intermediado por plataformas vem sendo debatida no Congresso Nacional e ganhou tração no governo Lula — mas tem sido difícil encontrar consenso entre empresas do setor, representantes dos trabalhadores e governo. Além da remuneração, um dos principais debates é em relação ao tipo de vínculo e a inclusão previdenciária dos trabalhadores do setor. Santos adverte que os projetos de lei para regulamentar os aplicativos no Brasil se centralizam, basicamente, na categoria dos motoboys. "O trabalho dos motoboys já é regulado pelas leis de trânsito. Já para o ciclista, é como se fosse uma terra de ninguém. Ele pode estar descalço, ele pode trabalhar sem nada e pode trabalhar com uma bolsa térmica velha, sem capacete, com celular antigo, seja lá qual for. E ninguém está olhando isso." Santos defende que, muito além de negociar centavos na taxa de entrega por quilômetro, as empresas de delivery precisam fornecer equipamentos de segurança individual (EPIs) e água, além de criar, urgentemente, campanhas de proteção à vida para seus entregadores. "O mais dramático nessa situação é que são vidas, integridade física, jovens se acidentando, ossos quebrados. É muito comum." O que dizem as plataformas Procuradas pela reportagem, empresas e representantes do setor afirmam que não incentivam comportamentos de risco e que adotam medidas para aumentar a segurança dos entregadores. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne plataformas como iFood, Uber e 99, disse que os tempos e trajetos das entregas são definidos por algoritmos que consideram dados como histórico de tráfego, velocidade das vias, volume de pedidos e condições em tempo real. Segundo a entidade, os prazos são dinâmicos e podem ser ampliados automaticamente em situações como chuva ou horários de pico, com o objetivo de reduzir a pressão sobre os trabalhadores. Em casos de imprevistos, como problemas mecânicos ou vias bloqueadas, a associação afirma que os entregadores podem acionar canais de suporte nos aplicativos para reportar atrasos sem sofrer penalidades automáticas. Nesses casos, o sistema pode redistribuir o pedido ou atualizar o cliente. As empresas também dizem investir em campanhas de segurança, cursos de direção defensiva e ferramentas tecnológicas que monitoram o comportamento dos condutores, com alertas de excesso de velocidade. O iFood, principal empresa do setor no país, afirma que não incentiva corridas contra o tempo e que os prazos de entrega incluem uma margem adicional em relação ao tempo estimado de deslocamento. "Não tem nenhum incentivo para que ele corra", disse Johnny Borges, diretor de Impacto Social da empresa. Segundo ele, entregas feitas por bicicleta são limitadas a trajetos mais curtos, de até quatro quilômetros, e concentradas em áreas com maior infraestrutura urbana. A empresa afirma ainda que evita direcionar ciclistas para regiões com relevo mais acentuado. Borges disse que a plataforma pode reatribuir pedidos antes da retirada no restaurante, caso identifique desvios de rota ou imprevistos, mas afirma que não há bloqueio por atraso na entrega ao cliente. Sobre segurança, o iFood afirma que oferece treinamentos, distribui equipamentos e mantém um seguro contra acidentes para todos os entregadores. Segundo o executivo, o uso de itens como capacete é incentivado, mas não obrigatório. "Eles não gostam de usar capacete", disse. O representante reconhece que o uso simultâneo de múltiplos aplicativos, uma prática comum entre entregadores, pode aumentar a pressão por tempo e influenciar comportamentos de risco. Já a Keeta, empresa chinesa que entrou recentemente no mercado brasileiro, afirmou que a segurança dos entregadores é prioridade e que investe em tecnologia para reduzir riscos na operação. Segundo a empresa, sistemas próprios de inteligência artificial permitem otimizar rotas, reduzir o tempo de espera e aumentar a produtividade sem exigir que os trabalhadores ultrapassem limites de velocidade. A Keeta afirma ainda que mantém uma central de suporte para entregadores, desenvolve iniciativas de orientação e atua em parceria com autoridades públicas e especialistas em mobilidade para aprimorar políticas de segurança. A Rappi e a 99Food também foram procuradas, mas não responderam até a publicação deste texto.

Criança com prato de comida Getty Images A interrupção do fornecimento de fertilizantes e seus principais ingredientes devido à guerra no Irã pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo e atingirá mais duramente os países mais pobres, de acordo com o chefe de um dos maiores produtores de fertilizantes do mundo. Svein Tore Holsether, executivo-chefe da Yara, disse à BBC que as hostilidades no Golfo, que bloquearam o transporte marítimo pelo estreito de Ormuz, estão colocando em risco a produção global de alimentos. A redução da produtividade das safras como resultado do menor uso de fertilizantes pode levar a uma disputa acirrada por alimentos, alertou ele. Holsether pediu aos países europeus que considerem cuidadosamente o impacto de uma guerra de preços sobre os "mais vulneráveis" em outros países. Embora seja muito improvável que o Reino Unido enfrente escassez de alimentos, espera-se que o aumento dos custos enfrentados pelos produtores de alimentos comece a aparecer nas contas de supermercado nos próximos meses. Agro brasileiro sente impactos da alta do diesel e redução na oferta de fertilizantes “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento devido à situação em que estamos”, disse Holsether. "O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes." Não aplicar fertilizante nitrogenado reduziria a produtividade das safras de algumas culturas em até 50% já na primeira safra, afirmou Holsether. “O mercado de fertilizantes é muito global, então essas partes estão se movendo pelo planeta, mas os principais destinos seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina, onde você veria o impacto mais imediato disso.” Partes do mundo onde já há subfertilização, como vários países da África subsaariana, poderiam ter um impacto ainda maior na produção agrícola, acrescentou ele, dizendo que “quedas significativas” são possíveis nesses locais. As épocas de plantio variam em todo o mundo. O Reino Unido está na alta temporada de plantio, enquanto na Ásia os agricultores estão apenas começando. As consequências da escassez de fertilizantes na Ásia não aparecerão nos preços dos alimentos até o fim do ano, quando colheitas que deveriam ter sido plantadas nesta primavera vierem menores do que deveriam, ou simplesmente não existirem, segundo analistas. O professor Paul Teng, pesquisador sênior em segurança alimentar em Cingapura, disse que alguns países podem ter fertilizantes suficientes para a temporada imediata de plantio, “mas se a crise se prolongar por mais tempo, veremos um impacto em culturas como o arroz nos próximos meses”. Agricultores de todo o mundo estão enfrentando uma série assustadora de desafios, disse Holsether, já que os preços que eles podem cobrar pelos alimentos que produzem ainda não foram ajustados para cobrir as contas mais altas que estão enfrentando. “Eles enfrentam custos de energia mais altos, o diesel para trator está aumentando, outros insumos para os agricultores estão aumentando, o custo do fertilizante está aumentando, mas ainda assim os preços das safras ainda não aumentaram na mesma medida”, disse ele. Disputa por comida De acordo com as Nações Unidas, cerca de um terço dos fertilizantes do mundo — como ureia, potássio, amônia e fosfatos — normalmente passam pelo estreito de Ormuz. O preço do fertilizante aumentou 80% desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. A continuação do conflito pode resultar em uma disputa por alimentos entre nações mais ricas e mais pobres, acrescentou Holsether. "Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente na Europa é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos?" "Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto por isso, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar." Isso teria implicações na “acessibilidade dos alimentos, na escassez de alimentos e na fome”, disse o chefe da Yara. No Reino Unido, a Federação de Alimentos e Bebidas previu recentemente que a inflação de alimentos poderia chegar a 10% em dezembro. O Banco da Inglaterra disse nesta semana que acha que a inflação dos preços dos alimentos pode subir para 4,6% em setembro e ainda mais no final do ano. O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio poderiam levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, espera-se que a insegurança alimentar aumente em 24% — o maior aumento relativo de qualquer região. Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.

Quais são os próximos feriados de 2026? Spoiler: restam seis Após o feriado do Dia do Trabalhador, na sexta-feira (1º de maio), que rendeu a muitos um descanso prolongado de três dias, já há quem esteja de olho no próximo período de folga. Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 – e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O próximo feriado nacional será em 7 de setembro (Independência do Brasil), que cai em uma segunda-feira e pode permitir a emenda para quem folga aos fins de semana. Antes disso, há uma oportunidade mais próxima: o Corpus Christi, em 4 de junho. A data cai em uma quinta-feira e é considerada ponto facultativo nacional, ou seja, estados e municípios podem decretá-la como feriado religioso, desde que haja regulamentação local – o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso. Praia Fortaleza Ceará folga feriado sol Divulgação Nas cidades onde Corpus Christi é feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Caso o funcionário seja escalado, tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. Mesmo nos feriados nacionais, nem todos são liberados. A legislação trabalhista permite o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais. ⚠️ Nesses casos, quem trabalhar na data tem direitos garantidos, como remuneração em dobro ou folga compensatória. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida). Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Governo Federal lança novo pacote para renegociação de dívidas nesta segunda-feira (4) O governo federal lançou nesta segunda-feira (4) o "Novo Desenrola Brasil" – um pacote de medidas voltado à redução do nível de endividamento da população. No fim de 2024, segundo o Banco Central (BC), 117 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras. Entre os principais eixos do programa, está a renegociação de débitos com bancos e operadoras de crédito. Os termos do Novo Desenrola foram definidos após uma série de reuniões entre o governo e representantes do setor financeiro. Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou o presidente Luiz Inácio lula da Silva (PT), durante pronunciamento em cadeia de rádio e televisão na última quinta-feira (30). Segundo ele, os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. O g1 apurou que o programa deve abarcar rendas de até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8 mil mensais. Lula disse, ainda, que o trabalhador poderá ter acesso a até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a amortização de dívidas. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, explicou na última quarta-feira (29) que essa operação será entre bancos. A Caixa Econômica Federal deverá transferir o dinheiro do FGTS para o banco em que está a dívida, após autorização do trabalhador. Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", declarou o presidente. Pronunciamento do presidente Lula sobre o 1º de Maio Reprodução Cenário político e eleitoral O detalhamento do programa ocorre em um momento em que o governo federal busca reforçar agendas de impacto direto no cotidiano da população em meio a um cenário político adverso no Congresso e à aproximação das eleições de 2026. Após uma sequência de derrotas no Legislativo e com dificuldades para avançar em pautas estruturais, a estratégia do Planalto tem sido apostar em medidas econômicas de execução mais rápida e com efeito perceptível sobre renda, crédito e consumo. Programas voltados à renegociação de dívidas e à retirada de restrições no CPF são avaliados internamente como instrumentos capazes de recuperar apoio entre eleitores mais afetados pelo endividamento, reduzir a dependência de negociações no Parlamento e fortalecer a narrativa de reconstrução econômica e social que o governo pretende apresentar no ciclo eleitoral.

Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China A diferença entre a comida fresca e barata da China e os alimentos caros e empacotados dos Estados Unidos foi o tema do segundo episódio da série “Entre Dois Mundos”, exibida pelo Fantástico. A reportagem investigou como o país asiático conseguiu garantir segurança alimentar para mais de 1,4 bilhão de pessoas, enquanto os americanos enfrentam inflação nos alimentos, desertos alimentares e uma dieta cada vez mais baseada em produtos ultraprocessados. Veja a reportagem completa no vídeo acima. Da fome ao planejamento Alimentar 1,4 bilhão de pessoas nunca foi simples. A China tem apenas 10% das terras aráveis do planeta, mas precisa sustentar cerca de 20% da população mundial. O desafio carrega um peso histórico: entre 1959 e 1962, durante o episódio conhecido como Grande Salto Adiante, uma combinação de políticas fracassadas e retirada de agricultores do campo levou a uma das maiores fomes da história, com a morte de até 50 milhões de pessoas. O trauma virou projeto. A partir do fim dos anos 1970, o país promoveu reformas econômicas, devolveu poder de decisão aos produtores rurais e passou a tratar a comida como uma questão estratégica de Estado. Hoje, esta é a primeira vez na história em que a China consegue alimentar toda a sua população com estabilidade. Tecnologia no campo e comida perto de casa Em Xangai, uma das maiores metrópoles do mundo, plantações convivem com arranha-céus. Por decisão do governo, cerca de 20% da área urbana da cidade deve ser destinada à produção de alimentos. Estufas inteligentes, algumas com mais de 100 mil metros quadrados, produzem verduras, legumes e até frutas como banana — tradicionalmente importada de países tropicais. Sensores monitoram nível de água, gás carbônico e oxigênio. Drones aplicam fertilizantes e ajudam na colheita. Cada nova tecnologia ou alimento cultivado localmente rende subsídios estatais aos produtores. O objetivo é simples: encurtar o caminho entre o campo e a mesa. A comida sai da terra, vai direto para a geladeira do consumidor — muitas vezes entregue por caminhões sem pedágio ou até por drones. Preço baixo sem controle direto Apesar da forte presença do Estado, os preços nos mercados chineses não são oficialmente tabelados. O controle acontece de forma indireta. O país mantém enormes estoques reguladores: em 2024, a colheita de grãos bateu recorde histórico, chegando a cerca de 700 milhões de toneladas. Mais da metade é comprada pelo governo. Existe um sistema que compara o preço do porco e do arroz. Se o preço do porco cai demais, o governo compra. Se sobe, vende parte das reservas. Quanto mais oferta no mercado, mais barato fica o alimento. Outro fator decisivo é a margem de lucro. Atacadistas chineses operam com ganhos em torno de 3%. Nos Estados Unidos, essa margem chega a 15%. Comer fora é barato — e fresco Uma refeição completa em Xangai, com várias entradas, pratos quentes e sobremesa, pode custar o equivalente a R$ 50 por pessoa — e ainda sobra comida. Não é exceção: o chinês médio consome mais de 400 quilos de vegetais frescos por ano. Nos Estados Unidos, esse número é muito menor. Milhões de americanos vivem nos chamados desertos alimentares, regiões onde só é possível comprar comida fresca depois de dirigir por longos minutos. O resultado aparece nas estatísticas: maior consumo de ultraprocessados, mais casos de diabetes tipo 2 e expectativa de vida até cinco anos menor nessas áreas. Eleições, inflação e reação política A alta do custo de vida virou tema central na política americana. O preço da comida já foi decisivo nas últimas eleições presidenciais e voltou ao debate em campanhas mais recentes. Em Nova York, um novo prefeito surpreendeu ao defender a criação de mercados populares em terrenos públicos, com subsídios para manter os preços baixos — uma ideia inspirada, em parte, no modelo chinês. Enquanto isso, agricultores dos EUA enfrentam custos crescentes de fertilizantes e combustível, agravados por conflitos internacionais que afetam rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Importados caros e espaço para o Brasil Na China, produtos importados contam outra história. Um vinho californiano pode custar mais de três vezes o preço praticado nos Estados Unidos, por causa de tarifas de importação, imposto sobre luxo e IVA. O chamado “imposto do burguês” torna esses produtos inacessíveis para a maioria da população. Essa política fechou uma porta para os americanos — mas abriu outra para o Brasil. Com a guerra tarifária, a venda de soja brasileira para a China cresceu significativamente. O país asiático é hoje o principal cliente do Brasil no setor, impulsionado pela maior renda da população chinesa e pelo aumento no consumo de carne. Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Um Airbus A319 da Spirit Airlines se aproxima do Aeroporto Regional de Manchester Boston para pouso, em 2 de junho de 2023 Charles Krupa / AP A Spirit Airlines afirmou neste domingo (3) que a maioria dos passageiros já foi reembolsada e sua equipe realocada para suas bases de origem — os aeroportos onde normalmente trabalham — após encerrar operações durante o fim de semana. A Spirit cancelou voos abruptamente no início da manhã de sábado, deixando passageiros e funcionários presos nos Estados Unidos, no Caribe e na América Latina. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia vinha enfrentando pressões financeiras, agravadas pelo forte aumento nos preços do combustível, provocado pela guerra entre os EUA e o Irã. Mais de 4.000 voos domésticos estavam programados até 15 de maio, segundo dados da empresa de análise de aviação Cirium. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A maioria dos clientes que reservaram com cartões de crédito ou débito já foi reembolsada, enquanto uma pequena parcela ainda está em processamento, informou a empresa. A viajante Jessica Stanton disse que havia voado na quinta-feira (30) de Myrtle Beach, Carolina do Sul, para Boston, Massachusetts, para sua formatura universitária. Na sexta-feira, recebeu um e-mail informando que sua viagem de volta havia sido cancelada. "Não recebi mais nada. Nenhuma mensagem sobre reembolso. Nada", disse Stanton. Em resposta a um pedido de comentário sobre o caso de Stanton, a Spirit afirmou que os reembolsos podem levar algum tempo para aparecer nas contas dos clientes. A companhia aérea havia entrado em falência duas vezes após uma proposta de fusão com a JetBlue ser bloqueada pela administração do ex-presidente Joe Biden em 2024. "Eles estavam perdendo dinheiro, então isso estava sendo planejado há algum tempo. Teriam que liquidar", disse o secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, neste domingo, no programa “This Week”, da ABC. Diversas companhias aéreas dos EUA — incluindo Frontier, JetBlue e Southwest — introduziram tarifas promocionais para ajudar passageiros prejudicados e anunciaram novos voos para o verão americano. Companhias como Delta e American Airlines também ofereceram tarifas temporariamente mais baixas para passageiros da Spirit. Um grupo final de cerca de 1,5 mil tripulantes foi realocado ao longo do fim de semana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante evento da Turning Point USA no dia 17 de abril de 2026 REUTERS/Evan Vucci A desaprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu um nível recorde, segundo pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos divulgada neste domingo (3). O levantamento indica que os americanos estão amplamente insatisfeitos com a atuação do republicano na guerra com o Irã e em outras questões-chave, a seis meses das eleições de meio de mandato. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De acordo com a pesquisa, a desaprovação de Trump chegou a 62%, o maior nível já registrado em seus dois mandatos. A aprovação está em 37%, próxima dos 39% observados em fevereiro. A pesquisa foi realizada nos EUA de forma online entre 24 e 28 de abril, com 2.560 adultos, e publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post. Vídeos em alta no g1 O levantamento mostra que a avaliação do presidente em relação à economia, tema central de sua retomada política em 2024, piorou desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro. Nesse contexto, a maioria dos americanos desaprova a condução de Trump na crise com o Irã, por 66% contra 33%. Na economia, a avaliação do republicano caiu sete pontos, para 34%, em meio à alta dos preços da gasolina. Já em relação à inflação, a aprovação recuou cinco pontos no período, para 27%. O pior desempenho no recorte econômico da pesquisa aparece na percepção sobre o custo de vida, com 23% de aprovação e 76% de desaprovação. Impacto no bolso dos americanos O crescente descontentamento dos americanos tem relação direta com a guerra. Dados da associação automobilística AAA mostram que o preço da gasolina já subiu cerca de 40% no país desde o início do conflito. E os impactos já se refletem em uma alta mais disseminada dos preços. A inflação subiu 0,9% em março, no maior aumento desde maio de 2024, alcançando 3,3% no acumulado em 12 meses. O resultado foi influenciado pela alta nos custos de energia, alimentos e moradia. O movimento é consequência da disparada do preço do barril de petróleo, que chegou a superar US$ 120. Na última sexta-feira, o tipo Brent, referência global, fechou a US$ 108,17, o que representa alta de cerca de 50% desde 28 de fevereiro. 🔎 Conforme mostrou o g1, a alta nos preços de energia desagrada o eleitorado dos EUA e pode azedar a disputa legislativa para o partido de Trump em novembro deste ano, quando os americanos vão às urnas para eleger governadores, deputados e senadores. O principal fator por trás da disparada dos preços é o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região — responsável também por cerca de um quinto do comércio global de gás natural (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios após o Irã anunciar o bloqueio e ataques a petroleiros. Com os impactos econômicos dos dois lados, o Estreito de Ormuz segue como centro da disputa entre Estados Unidos e Irã. Neste domingo, Trump afirmou que os EUA vão guiar em segurança navios presos na via marítima a partir da manhã desta segunda-feira (4), no horário do Oriente Médio. O presidente disse que a ação será destinada a embarcações de países que não estão envolvidos na guerra na região, mas não citou nenhuma nação especificamente. "Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente", escreveu em sua rede social, a Truth Social. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

Funcionários do Lehman Brothers com caixas de papelão foram a imagem da crise financeira de 2008 Getty Images via BBC Em 15 de setembro de 2008, Bobby Seagull chegou ao seu escritório em Canary Wharf, em Londres, pouco antes das 6 da manhã. Era a última vez que ele precisaria ser pontual. Ele era um operador do Lehman Brothers, um banco americano que passava por sérias turbulências. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Tínhamos visto no noticiário de domingo, vindo dos Estados Unidos, que eles estavam entrando com pedido de falência. Não tínhamos muita certeza das implicações disso para nós no Reino Unido. Então, nos disseram apenas para comparecer normalmente." Inicialmente, foi um "caos", diz Bobby. "Não havia comunicação direta com nossos colegas americanos. Eles não atendiam o telefone. Algumas pessoas pegavam objetos, como quadros na parede, e diziam: 'Eles me devem ações'." Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Bobby pressentia que um desastre poderia acontecer e estava bem preparado. "Curiosamente, naquele verão, as pessoas perceberam uma certa inquietação. Gastei todo o meu cartão da máquina de venda automática, [no valor de] 300 libras, em chocolates, porque percebi que se a máquina de venda automática ou o banco quebrassem, meu cartão da máquina se tornaria inútil." Bobby, juntamente com milhares de colegas, colocou toda sua carreira em uma caixa de papelão e deixou o prédio. Foi uma imagem marcante da crise financeira global que viu milhares de empresas falirem e milhões de pessoas perderem seus empregos. Ela inaugurou uma das recessões mais longas e profundas desde a Segunda Guerra Mundial. Em 2008, o banco de investimentos Lehman Brothers declarou falência nos EUA Getty Images via BBC Agora, diversos sinais de alerta estão surgindo na economia mundial, levando alguns a questionar se estamos no início de outra crise financeira. Como seria o próximo colapso? E, considerando que as relações internacionais em 2026 estão mais instáveis do que em 2008, os formuladores de políticas terão as ferramentas necessárias para impedir um colapso? Sinal de alerta Antes da crise que assolou a economia mundial em 2008, já havia sinais de alerta em algumas partes do sistema financeiro. Em 2007, muitos investimentos em empréstimos imobiliários de alto risco nos EUA deram prejuízo, com a alta inadimplência dos donos dos imóveis. Fundos administrados pelo Bear Stearns, BNP Paribas e outros bancos tiveram que congelar a capacidade dos investidores de sacar seu dinheiro ou liquidar os fundos completamente. Esses problemas serviram como primeiros alertas para uma crise que se mostraria muito mais profunda. À medida que o nervosismo se espalhava, até mesmo os bancos eventualmente pararam de emprestar uns aos outros por medo de não receberem seu dinheiro de volta, criando a chamada crise de crédito. Isso causou uma crise financeira global. Uma crise assolou a economia mundial em 2008 Getty Images via BBC Agora, voltemos para os dias de hoje. Diversos fundos que emprestam dinheiro declararam prejuízos ou restringiram a capacidade dos investidores de resgatar seus investimentos. BlackRock, Blackstone, Apollo e Blue Owl enfrentaram pedidos de saques bilionários de fundos de crédito privado – instituições que oferecem uma alternativa aos bancos tradicionais. Reguladores bancários e veteranos do setor financeiro reconhecem as semelhanças entre as duas crises. Sarah Breeden é vice-governadora do Banco da Inglaterra, instituição responsável por garantir a estabilidade financeira no Reino Unido. Ela afirma que o novo mundo do crédito privado cresceu rapidamente, ainda não foi testado por adversidades financeiras e é pouco compreendido. "Há ecos da crise financeira global no que estamos vendo agora", diz ela. "O crédito privado passou de zero para US$ 2,5 trilhões nos últimos 15 a 20 anos. Há alavancagem [dinheiro emprestado], há opacidade, há complexidade, há interconexões com o restante do sistema financeiro. Tudo isso se assemelha ao que vimos na crise financeira global." Ela também está preocupada com o fato de que muito do dinheiro emprestado por fundos de crédito privado já tenha sido tomado emprestado, criando camadas de dívida — ou alavancagem — que podem amplificar quaisquer perdas. "Há alavancagem sobre alavancagem sobre alavancagem. O que queremos garantir é que todos entendam como essa complexa estrutura de alavancagem se acumula." Em 2007, formaram-se enormes filas nas agências do Northern Rock, com pessoas tentando sacar seu dinheiro Getty Images via BBC Mohammed El-Erian, principal consultor econômico da empresa financeira alemã Allianz e ex-CEO da PIMCO, a maior investidora em títulos do mundo, concorda que o risco de outra crise está sendo subestimado. "Há certas semelhanças com 2007 que me tiram o sono. As semelhanças são fragilidades claras no sistema financeiro que não são devidamente reconhecidas." Na verdade, ele afirma, foram as restrições impostas aos bancos após a crise que deram origem a esse novo mercado de crédito privado. Os bancos foram forçados por novas regulamentações a serem mais cautelosos. Por isso, fundos que imitavam os bancos surgiram para preencher a lacuna. "De repente, o sistema foi inundado por credores privados que desejam emprestar dinheiro para empresas. As empresas veem todo esse dinheiro disponível e, é claro, muito dinheiro faz as pessoas cometerem erros." Ele descreve um cenário assustador. "De repente, todos que emprestam dinheiro querem seu dinheiro de volta ao mesmo tempo. Daqui a pouco, algo começado como uma ótima ideia se transformou em algo que representa um risco de instabilidade e, em vez de beneficiar a economia, corre o risco de desestabilizá-la." Mas Larry Fink, chefe da maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, disse recentemente à BBC que não concorda que o crédito privado represente uma ameaça à economia mundial. Os problemas que afetam alguns fundos representam uma pequena fração do mercado total, afirma ele. A própria BlackRock é uma das várias empresas que limitaram os saques de investidores nervosos em fundos de crédito privado. Mas Fink é categórico ao afirmar que não há chance de uma repetição do trauma financeiro visto em 2007-08, pois acredita que as instituições financeiras hoje são mais seguras. "Não vejo nenhuma semelhança", diz ele. "Nenhuma." No entanto, alguns compararam o que está acontecendo no crédito privado a uma corrida lenta aos bancos. Você pode não ver as filas do lado de fora das agências do Northern Rock, como em 2007, mas há uma fila de pessoas querendo seu dinheiro de volta. Influência da crise energética Outra forma pela qual a história pode estar se repetindo é através da alta dos preços da energia. Esse foi um fator que contribuiu para a crise de 2008. O preço do petróleo bruto Brent subiu de cerca de US$ 50 por barril no início de 2007 para US$ 100 no final do ano — chegando a atingir o pico de US$ 147 em julho de 2008. Isso foi impulsionado pela crescente demanda de uma China em rápida expansão, mas também, em parte, pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Recentemente, os preços do petróleo subiram para mais de US$ 100 por barril, com alertas de que podem subir ainda mais se não houver uma resolução rápida para o conflito com o Irã, que fechou a artéria energética mais importante do mundo, o Estreito de Ormuz. Crise no Estreito de Ormuz fez preços de petróleo dispararem Getty Images via BBC Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia, classificou o fechamento do Estreito de Ormuz como "a maior crise de segurança energética da história", insistindo que ela é "mais grave" do que os choques energéticos anteriores de 1973 (quando alguns Estados árabes impuseram um embargo de petróleo ao Ocidente), 1979 (causado pela revolução iraniana) e 2022 (Ucrânia) "juntos". Esse nível de pessimismo ainda não se reflete nos preços atuais do petróleo. Embora os preços tenham subido mais de 50% desde antes do conflito com o Irã, eles ainda estão longe dos níveis observados antes da última crise financeira, quando o petróleo atingiu US$ 147 por barril (em valores atuais, isso equivale a cerca de US$ 190 por barril). E os mercados de ações estão atualmente perto de suas máximas históricas — nada parecido com o choque do petróleo de 1973, que provocou uma queda de 40% nos mercados de ações dos EUA, do pico ao vale. Sarah Breeden, do Banco da Inglaterra, diz que espera que os mercados de ações caiam em algum momento, pois o nível atual não reflete totalmente os muitos riscos para a economia global. Mas, por enquanto, os mercados de ações parecem presumir que a paz acabará prevalecendo, e muitas grandes empresas continuam a lucrar mais do que os investidores esperavam. Mas um choque energético faz parte da lista de riscos do Banco da Inglaterra, que Breeden teme que possa ocorrer simultaneamente. "O que acontece se vários desses riscos se concretizarem ao mesmo tempo?", ela pergunta. "Um grande choque macroeconômico, ao mesmo tempo em que a confiança no crédito privado cai, ao mesmo tempo em que as avaliações de IA e outras avaliações de ativos de risco se reajustam. O que acontece nesse ambiente e estamos preparados para ele?" Inteligência artificial E aí Breeden toca em outro risco a ser adicionado ao potencial coquetel de crise. Mais de US$ 2 trilhões foram investidos em IA, no que o cofundador da Microsoft, Bill Gates, chamou de "frenesi" e outros descrevem como uma bolha. Isso impulsionou as avaliações de algumas megaempresas a tal ponto que 37% do valor do principal índice do mercado de ações dos EUA, o S&P 500, agora está concentrado em apenas sete empresas (incluindo Nvidia, Microsoft, Alphabet (empresa controladora do Google) e Amazon, que também estão entre as maiores investidoras em infraestrutura de IA. Isso significa que os milhões de pessoas que investem em fundos de índice estão investindo uma grande parte de suas economias em IA, quer queiram ou não. Uma grande venda de ações dessas empresas afetaria os poupadores — incluindo indivíduos e fundos de pensão em diversos países — e inevitavelmente abalaria a confiança empresarial e do consumidor. O estouro da bolha das empresas "ponto com", que atingiu seu pico em março de 2000, contribuiu para desencadear uma recessão em 2001. O índice Nasdaq, com forte presença de empresas de tecnologia, caiu quase 80% entre março de 2000 e outubro de 2002, destruindo bilhões em valor de mercado. Esse colapso de empresas baseadas na internet, as enormes perdas para investidores e as demissões em massa no setor de tecnologia causaram uma recessão mais ampla na economia. 'Incêndio financeiro' Há também a questão da capacidade das autoridades para apagar um possível "incêndio financeiro". Em 2008, os governos finalmente conseguiram controlar o caos injetando bilhões de dólares de dinheiro público nos principais bancos para evitar seu colapso e aumentando as garantias sobre os depósitos bancários para impedir que os poupadores fugissem. Ao mesmo tempo, os principais bancos centrais cortaram as taxas de juros, incluindo um raro corte coordenado. Mas alguns temem que essas opções possam não existir mais. Em 2008, a dívida do governo do Reino Unido representava menos de 50% da renda nacional. Hoje, esse número está próximo de 100%, após grandes intervenções em 2008 para resgatar bancos, auxílios durante a covid-19 e subsídios de energia em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Portanto, a capacidade do governo de tomar empréstimos é muito mais limitada. Mohammed El-Erian usa a analogia de um corpo de bombeiros que ficou sem água. "Governos e bancos centrais tiveram que responder a crise após crise e, ao fazerem isso, reduziram sua capacidade de resposta", alerta ele. Esse sentimento é compartilhado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que afirmou no início deste mês que os múltiplos desafios econômicos mundiais ocorrem em um momento em que "o espaço para políticas públicas foi reduzido". Há também o estado precário das relações internacionais. Em meio à crise de 2008, líderes nacionais se reuniram em uma série de encontros de emergência, incluindo um crucial em Washington, em novembro de 2008, onde definiram seu plano para injetar bilhões nos bancos; e outro em Londres, em abril de 2009. Gordon Brown, o primeiro-ministro que ajudou a liderar a resposta internacional, afirmou que a forte cooperação internacional foi o que impediu que a crise se transformasse em uma depressão. Em meio à crise de 2008, líderes se reuniram em uma série de encontros de emergência, incluindo um crucial em Washington, em novembro de 2008 Getty Images via BBC Tudo isso pode ser mais difícil hoje, em meio a divergências significativas entre os países ricos sobre política comercial, Otan e até mesmo o status da Groenlândia. Escrevendo no início deste mês sobre os perigos de uma crise financeira, o FMI fez questão de alertar que a "cooperação internacional está mais fraca" agora do que em anos anteriores. A implicação, talvez, seja que, em uma era de guerra na Europa, guerras comerciais entre EUA e China e a política "América Primeiro" do presidente dos EUA, Donald Trump, será mais difícil para os governos deixarem de lado suas diferenças e sentarem na mesa de negociações como fizeram em 2008. Brown alertou diversas vezes sobre os perigos de uma abordagem isolacionista — de "nós contra eles" — em assuntos globais. Fragilidades financeiras Sarah Breeden, no entanto, demonstra otimismo, argumentando que os bancos têm mais capacidade de absorver choques do que em 2008. Ela se conforta com o fato de que os bancos estão "muito mais capitalizados agora" — em outras palavras, eles têm reservas de caixa maiores, em vez de depender de empréstimos. "Não acho que, se entrarmos em crise, será na mesma escala", diz ela. Mohammed El Erian concorda — até certo ponto. "Não estamos exatamente na situação de 2008, porque não acredito que o sistema bancário, e, portanto, o dinheiro dos depositantes e o sistema de pagamentos, estejam em risco. Mas estamos em um momento semelhante ao de 2008, no sentido de que o sistema financeiro pode agravar as fragilidades econômicas que nos levam à recessão." E se isso acontecer, ele não tem dúvidas de quem sofrerá mais. "As fragilidades econômicas e financeiras tendem a expor os segmentos mais vulneráveis da população. Eles têm a menor resiliência e tendem a ser atingidos com particular intensidade." Bobby Seagull agora é professor de matemática PA Media Bobby Seagull, que agora é professor de matemática, diz que os mercados financeiros estão ainda mais complexos hoje em dia e que nunca se sabe ao certo que surpresas desagradáveis podem estar escondidas. "Você está meio que passando instrumentos financeiros de uma pessoa para outra, sem ter certeza do que há dentro deles. E acho que a preocupação é que, se as coisas acontecerem, elas se intensificam muito rapidamente nos mercados financeiros. E é aí que você não quer ser a última pessoa a ficar com esse pacote."

Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a famílias rurais em Mineiros do Tietê Reprodução/TV TEM Em Mineiros do Tietê (SP), trabalhadores do campo estão recebendo atendimento de saúde sem sair da propriedade. A ação faz parte do programa Saúde no Campo, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o sindicato rural do município. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem e trabalham na zona rural, oferecendo acompanhamento periódico e orientação preventiva. Em uma das propriedades atendidas, a produtora Vera Lúcia Rodrigues Giraldi divide o tempo entre os pés de café e a máquina de costura. Durante a visita da equipe, a técnica em saúde rural Cássia Fernanda Dalmazo realiza o acompanhamento básico, como aferição de pressão e orientações. Vera conta que o suporte faz diferença na rotina. “Ajuda muito. Quando a Cássia me procurou, fiquei muito feliz. A gente sabe que pode contar com esse acompanhamento todo mês”, afirma. O programa também atende outras famílias da região, como a de Dilsa Mara da Silva. Para ela, o acesso ao serviço facilita o cuidado com a saúde. “É muito especial. A gente tem dificuldade de ir ao médico, então isso ajuda bastante. Eles medem pressão, acompanham diabetes, peso facilita muito pra nós”, diz. Segundo a supervisora do programa, Katy Priscila Lisboa Fernandes, o trabalho começa com o cadastro das famílias e segue com visitas periódicas. Além do acompanhamento, cada propriedade recebe um kit de primeiros socorros, e crianças e adolescentes ganham kits de saúde bucal. Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a famílias rurais em Mineiros do Tietê Reprodução/TV TEM Veja a reportagem exibida no programa em 03/05/2026: Programa Saúde no Campo leva atendimento gratuito a produtores rurais em Mineiros do Tietê VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Empreendedores rurais de Jales e região apostam em tecnologia para crescer Reprodução/TV TEM Produtores rurais das cidades de Jales e Jaci, no interior de São Paulo, estão transformando o cenário agrícola da região com investimentos em tecnologia e novos modelos de negócio. A aposta em maquinário moderno, especialização técnica e gestão empresarial tem impulsionado a expansão de propriedades, desde viveiros de mudas até granjas e usinas de borracha. Um dos exemplos é o do produtor Leandro da Silva, de Jales. O que começou há 22 anos em um terreno cedido pelo avô se tornou um viveiro com 14 mil metros quadrados de estufas. A grande mudança veio com a mecanização: uma máquina comprada há cinco anos preenche em uma hora a mesma quantidade de bandejas de mudas que antes levava um dia inteiro de trabalho manual. Com o ganho de produtividade, o viveiro hoje produz mais de 8 milhões de mudas de hortaliças e legumes por mês, que são vendidas para todo o Brasil. Além disso, o produtor investe em enxertia, uma técnica que torna as plantas mais resistentes a pragas e variações do clima. Outro caso de sucesso é o de Renato Martins, que em 2018 transformou um sítio de lazer da família em uma granja. Ele aderiu ao sistema de integração, no qual frigoríficos fornecem ração, aves e assistência veterinária. Em cinco anos, a propriedade saltou de três para 10 aviários e hoje abriga 420 mil aves. No setor da borracha em Jaci, o agrônomo Marcos Murbach usou sua formação para virar empresário. Após atuar como técnico e consultor, ele se uniu a outros produtores e fundou, há 10 anos, uma indústria de beneficiamento de látex. Atualmente, o grupo administra mais de 500 mil pés de seringueira. Esses casos mostram como a combinação de conhecimento técnico e visão de negócio tem gerado crescimento e contribuído para a economia da região. Veja a reportagem exibida no programa em 03/05/2026: Tecnologia e gestão transformam agro no noroeste paulista VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Agrishow atrai 197 mil visitantes com inovações tecnológicas e cultura regional Reprodução/TV TEM Desde o plantio da semente até a finalização da safra, a Agrishow exibiu o que vai além das propriedades rurais. Nesta semana, 197 mil pessoas conheceram o que mais de 800 expositores apresentaram, em um espaço de 520 mil m². A feira trouxe as mais recentes novidades para o trabalho no campo, em diferentes culturas, atendendo do pequeno ao grande produtor, além de palestras e inovações em maquinário. Entre as atrações, destacou-se a tecnologia. Para chamar a atenção dos visitantes, as máquinas até "dançaram" em apresentações que demonstraram acrobacia e agilidade. Além da tecnologia, os visitantes também puderam apreciar a cultura regional, com a venda de produtos artesanais, como queijos, doces e vinhos. Veja a reportagem exibida no programa em 03/05/2026: Agrishow reúne 197 mil visitantes e destaca tecnologia e cultura no campo VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
Empresas nos EUA lacram celulares de funcionários para evitar distrações; isso é possível no Brasil?

Um aluno usa o celular depois de destravar a bolsa que impede o uso durante o período escolar, na escola Bayside Academy, 16 de agosto de 2024, em San Mateo, Califórnia, EUA. Lea Suzuki/San Francisco Chronicle via AP, Arquivo Uma reportagam do jornal "Financial Times" mostra como empresas nos Estados Unidos têm adotado uma medida incomum para reduzir distrações e proteger informações sensíveis: exigir que funcionários guardem seus celulares em bolsas lacradas durante o expediente. A prática, que já aparece em diferentes setores, busca limitar o uso dos aparelhos no ambiente de trabalho e reforçar a segurança de dados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o jornal, a empresa de verificação de identidade digital ID.me implementou o sistema há cerca de três anos para aproximadamente 290 funcionários. Os aparelhos são colocados em pequenos sacos que permanecem com os trabalhadores, mas só podem ser abertos em estações magnéticas específicas. Vídeos em alta no g1 Diferentemente de armários tradicionais, as bolsas permitem que os funcionários percebam chamadas ou notificações urgentes. O uso dos celulares segue liberado durante os intervalos. De acordo com o jornal, as empresas que adotam a medida apontam principalmente dois motivos: evitar vazamentos — intencionais ou acidentais — de dados sensíveis e aumentar a produtividade ao reduzir distrações. A fabricante dessas bolsas, a Yondr, afirma que seus clientes incluem tribunais, agências governamentais, creches e empresas com propriedade intelectual sensível. Segundo o CEO da empresa, muitas organizações recorrem ao sistema após tentativas frustradas de confiar apenas em regras internas de uso. "As organizações que nos procuram geralmente já tentaram o sistema de confiança", diz Graham Dugoni, fundador e CEO da Yondr. "O que esses ambientes têm em comum é o reconhecimento de que uma política de não usar celular não é o mesmo que um ambiente livre de telefones", conta. A discussão também ganhou força em ambientes corporativos. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, já criticou o uso constante de celulares em reuniões, classificando o hábito como desrespeitoso e prejudicial à produtividade. "As pessoas estão em reuniões e recebem notificações, mensagens de texto pessoais e emails o tempo todo. Isso tem que parar. É desrespeitoso. É perda de tempo", afirmou. Apesar da resistência inicial, alguns trabalhadores relatam efeitos positivos. A funcionária Kamilah Muiruri, da ID.me, diz que a política melhorou sua relação com o celular e contribuiu para mais interação entre colegas. "Não preciso de tantas pausas para olhar meu celular." Para ela, há outro benefício. "Isso nos faz conectar com os outros. Eu não conhecia as pessoas do escritório porque estava focada nos amigos que tenho fora do trabalho. Agora, somos unidos como equipe e adoramos sair juntos". Ainda assim, a implementação não foi simples. A própria empresa relata que, nos primeiros meses, houve queixas e descumprimento frequente da regra, com parte dos funcionários interpretando a medida como falta de confiança da gestão. Kyle Scofield, vice-presidente sênior de suporte ao membro na ID.me, diz que quando a empresa adotou as bolsas, houve resistência de funcionários. "Durou mais do que eu esperava. Nos primeiros seis meses, as violações eram muito frequentes." Hoje, ele diz, "não saberia dizer a última vez que tivemos algo assim." A adoção das bolsas no ambiente corporativo segue uma tendência que já vem sendo testada em escolas. Em diferentes países, autoridades têm defendido a restrição do uso de smartphones em sala de aula como forma de reduzir a dependência digital e melhorar a concentração dos alunos. Nesse cenário, as bolsas lacradas surgem como uma alternativa prática — modelo que agora começa a ser replicado por empresas em busca de mais foco e menos distrações no trabalho. Efeitos na produtividade ainda são incertos Ainda segundo o jornal, especialistas destacam que os impactos da restrição ao uso de celulares não são consenso. Estudos indicam que a proibição pode aumentar a produtividade em tarefas simples e repetitivas, mas não necessariamente em atividades que exigem criatividade e autonomia. “É muito difícil para os pesquisadores determinar os efeitos de uma proibição em comparação com uma situação sem a restrição no mesmo contexto organizacional”, afirma Adrian Chadi, professor associado de economia da Universidade de Southampton. Segundo ele, o resultado varia conforme o tipo de trabalho. Enquanto funções mais operacionais podem se beneficiar da redução de distrações, atividades que dependem de pensamento criativo podem ter efeito oposto. Chadi também aponta que a medida pode ser mal recebida pelos funcionários, especialmente quando o uso do celular traz benefícios no dia a dia. “Também é possível que os trabalhadores percebam a proibição de forma negativa se o uso do aparelho oferecer vantagens claras no trabalho”, diz. Há ainda evidências de que permitir o uso dos celulares pode ajudar os funcionários a lidar com questões pessoais ao longo do expediente, o que pode ter impacto positivo no desempenho geral. Eoin Whelan, professor de análise de negócios e sociedade da Universidade de Galway, conduziu um estudo em uma empresa que voltou atrás na proibição. Segundo ele, a liberação dos aparelhos não prejudicou a produtividade e ajudou os trabalhadores a equilibrar demandas pessoais. "Depende do funcionário, mas no mundo de hoje, a maioria espera que haja uma fronteira entre trabalho e vida pessoal, especialmente aqueles responsáveis por cuidar da família fora do emprego", afirma. Uso de celular / telefone / aplicativo mensagem e comunicação Victor Lebre/g1 E como funciona no Brasil? No Brasil, empresas podem proibir ou restringir o uso de celulares pessoais durante o expediente, mas a medida precisa seguir alguns limites. Não há regra específica na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre o tema, mas o empregador tem o chamado poder diretivo — ou seja, pode organizar, controlar e fiscalizar as atividades dos funcionários. Na prática, a restrição pode ser prevista em contrato de trabalho ou em regulamentos internos, especialmente em atividades que envolvam riscos à integridade física, proteção de dados ou sigilo profissional. “O uso do celular pode ser limitado, desde que não haja invasão da privacidade, da intimidade e da dignidade do trabalhador”, afirma o juiz do trabalho Luiz Antonio Colussi, titular da 9ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, em entrevista à Rádio TST. Segundo o magistrado, a fiscalização deve ser proporcional e baseada no bom senso. Medidas como restringir o uso durante a operação de máquinas ou veículos, por exemplo, são consideradas legítimas e ajudam a evitar acidentes e conflitos no ambiente de trabalho. O descumprimento das regras pode levar a advertência, suspensão e, em casos mais graves — como situações de risco —, até demissão por justa causa. Especialistas recomendam que as empresas deixem claras as regras e prevejam exceções, como uso em emergências ou durante os intervalos. Brasil bate recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025

Vamos olhar o copo meio cheio: embora o preconceito de idade ainda seja a norma, o valor dos trabalhadores experientes está começando a ganhar corpo – e reconhecimento. Essa é a tese defendida por Annie Coleman, fundadora da RealiseLongevity (algo como “tomando consciência da longevidade”), que, após quatro décadas no mercado financeiro, agora se dedica a ajudar organizações a enxergar vidas mais longas como uma vantagem competitiva. Seu lema é claro: se não há uma estratégia para a longevidade, não existe uma estratégia de crescimento. Annie Coleman: empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra Divulgação Coleman utiliza histórias sob medida para ilustrar sua hipótese: nos arredores de Macclesfield, no noroeste da Inglaterra, uma filial da varejista de reformas B&Q enfrentava a alta rotatividade de empregados e a insatisfação recorrente dos clientes até pôr em prática um experimento simples: em 1989, a empresa compôs a equipe da loja majoritariamente com funcionários mais velhos. Os lucros aumentaram 18%, enquanto a rotatividade e o absenteísmo despencaram. A iniciativa levou a B&Q a abrir treinamento para todas as idades e a destacar veteranos em sua publicidade, tratando a experiência como uma vantagem, e não como um custo. Em 2007, a BMW começou a implementar adaptações ergonômicas de baixo custo em uma linha de montagem especializada em Dingolfing, na Alemanha. Focada em oferecer melhores condições aos funcionários de meia-idade e seniores, a empresa adotou estações de trabalho com altura ajustável, iluminação aprimorada e banquetas especializadas. O resultado? Um crescimento de 7% na produtividade. Um documento do Bank of America afirma que recrutar e reter colaboradores maduros está se tornando crucial à medida que as populações envelhecem. Por isso, benefícios inclusivos são vistos como um motor de desempenho organizacional, especialmente para funções onde o julgamento, a experiência e a qualidade da decisão são primordiais. Pesquisas recentes da AARP (American Association of Retired Persons), que conta com mais de 40 milhões de associados, e da OCDE (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostraram que empresas com mais trabalhadores acima dos 50 ganham em eficiência. Da mesma forma, um estudo de 2022 do Boston Consulting Group revelou que equipes multigeracionais superam as homogêneas quando o julgamento e a mentoria sênior se combinam com as habilidades digitais dos jovens. No entanto, Coleman aponta que iniciativas como essas raramente são apresentadas como uma estratégia central. A maioria das corporações ainda projeta carreiras como se a eficácia atingisse o pico cedo – e como se a velocidade, o vigor e a inovação pertencessem exclusivamente aos jovens. Se a experiência melhora os resultados, por que tantas empresas expulsam as pessoas justamente quando o seu valor atinge o auge? Nos EUA, uma análise do Urban Institute mostrou que mais da metade dos trabalhadores acima de 50 anos foi desligada de empregos de longa data por reestruturações, e não por problemas de desempenho. Ela enumera três desafios urgentes: O êxodo prematuro: expulsar os 50+ do mercado por razões não relacionadas ao desempenho é uma falha sistêmica de design e sinônimo de perda de capital intelectual. O ponto cego da demanda: os gastos dos indivíduos acima de 55 anos devem chegar a US$ 15 trilhões anuais até o fim desta década. Ignorar esse público é desperdiçar oportunidades de crescimento. Vidas profissionais longas são inevitáveis: seja por necessidade financeira ou mudanças nas políticas previdenciárias, as pessoas trabalharão por mais tempo. Empresas que não retiverem talentos experientes enfrentarão escassez de mão de obra. A terceira idade no mercado de trabalho

A empresa chinesa de roupas esportivas que quer desafiar Nike e Adidas Getty Images via BBC A economia chinesa estava apenas começando a se abrir no final da década de 1980, quando um jovem determinado, que havia largado a escola no ensino médio, partiu para Pequim com 600 pares de sapatos. Ding Shizhong os fabricou em uma fábrica de um parente e pretendia vendê-los. O dinheiro que ganhou permitiu que ele montasse sua primeira oficina, onde começou a fabricar calçados para outras empresas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O jovem de 17 anos era um dos muitos empreendedores emergentes na China, enquanto o capitalismo decolava sob o olhar atento dos governantes do Partido Comunista. Mas, como se viu, Ding tinha planos muito mais ambiciosos. Desde então, seu negócio cresceu e se tornou uma gigante do vestuário esportivo chamada Anta, que vem construindo um portfólio de marcas internacionais, incluindo Arc'teryx e Salomon. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Recentemente, a empresa adquiriu uma participação na Puma. A Anta agora busca competir com marcas como Nike e Adidas, um objetivo que Ding deixou claro em 2005: "Não queremos ser a Nike da China, mas a Anta do mundo." A Anta pode ainda não ser um nome familiar no Ocidente, mas possui mais de 10 mil lojas na China e patrocina atletas de elite como a esquiadora freestyle Eileen Gu. Em fevereiro, a empresa inaugurou sua primeira loja nos EUA, no exclusivo bairro de Beverly Hills, em Los Angeles. A Anta é uma gigante do setor de roupas esportivas na China. CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC A expansão global da empresa — que ocorre em um momento em que Donald Trump busca trazer de volta aos EUA empregos industriais por meio de tarifas — destaca o quão essenciais e competitivas as cadeias de suprimentos chinesas se tornaram para o setor manufatureiro. A ascensão da Anta — que significa "passos seguros" — não é um caso isolado. Décadas como a "fábrica do mundo" deram a diversas empresas chinesas ambiciosas a oportunidade de competir diretamente com as mesmas empresas que antes eram suas clientes. A Anta pretende conquistar o mercado internacional e competir com a Nike e a Adidas. Getty Images via BBC A 'capital mundial do calçado' Fundada em 1991, a Anta iniciou sua trajetória longe do glamour de Beverly Hills, como uma pequena fabricante na cidade de Jinjiang, na província de Fujian, no sudeste da China. Mas Jinjiang cresceu rapidamente, transformando-se de uma pacata cidade agrícola na "capital mundial do calçado", como parte do plano do governo para impulsionar indústrias específicas em diferentes províncias. Um grande volume de investimentos logo se seguiu, vindo de gigantes do calçado esportivo em busca de fábricas no exterior que lhes permitissem reduzir seus custos de produção. Em Jinjiang, assim como em cidades vizinhas ao longo da costa leste, surgiram diversos polos especializados em diferentes tipos de calçados, cada um com sua própria cadeia de suprimentos. No coração da região central de Jinjiang encontra-se o município de Chendai, uma área de cerca de 40 quilômetros quadrados com milhares de fábricas e fornecedores. Esse distrito ajudou a consolidar a reputação da cidade na fabricação de calçados para marcas globais como Nike e Adidas. Um terço dos trabalhadores de Jinjiang são empregados por fabricantes de calçados. CFOTO/Future Publishing via Getty Images via BBC Cada centro reunia fornecedores de cadarços, solados e tecidos, além de empresas de logística que ajudavam a transformar rapidamente projetos em produtos prontos para o varejo e a distribuí-los. Em 2005, a província de Fujian sozinha era responsável por quase um quinto da produção mundial de calçados, segundo estimativas das Nações Unidas. Até um terço dos trabalhadores de Jinjiang são empregados por uma das milhares de fábricas de calçados da cidade, o que a coloca entre os distritos econômicos de maior renda da China. Um fenômeno semelhante se desenvolveu em várias partes do gigante asiático. Jinjiang era apenas um dos muitos centros de manufatura na costa leste. Os outros produziam roupas ou eletrônicos. Esse nível de especialização na manufatura era inédito em qualquer outro lugar do mundo na época, afirma o professor Fei Qin, da Universidade de Bath, no Reino Unido, que pesquisou sobre fábricas no leste da China na década de 2000. À medida que clientes estrangeiros chegavam a essas fábricas para fechar negócios, o país colhia mais do que apenas receita. "Eles aprenderam não apenas a produzir mais, mas também a produzir melhor, mais rápido e de forma consistente", acrescenta Fei. A esquiadora olímpica de estilo livre Eileen Gu é embaixadora da marca chinesa de roupas esportivas Anta. Getty Images via BBC Uma firma global Foi nessas ruas que a Anta cresceu, fabricando calçados em larga escala e a baixo custo para marcas globais. Primeiro, ela estabeleceu uma vasta rede de distribuição para varejistas em toda a China, um fator crucial para fabricantes que buscam expansão. Ao mesmo tempo, a Anta construiu gradualmente o reconhecimento de sua marca no mercado interno, abrindo novas lojas e firmando parcerias com grandes eventos esportivos, incluindo competições nacionais de basquete e tênis de mesa. Empresas como a Anta sabem que há mais valor em ser uma marca reconhecida do que em ser uma subcontratada, afirma Fei. Em 2007, a Anta abriu seu capital na Bolsa de Valores de Hong Kong, arrecadando cerca de US$ 450 milhões, um recorde na época para uma empresa chinesa de artigos esportivos. A China busca competir com grandes marcas após décadas sendo a "fábrica do mundo". Getty Images via BBC O consultor de marcas Wei Kan, que trabalhou para a Converse e a Nike na China, afirma que a Anta chamou sua atenção por seu centro de produção integrado, que lhe permitia projetar e comercializar calçados mais rapidamente do que seus concorrentes. Além disso, era uma das poucas empresas chinesas que visavam o mesmo segmento de consumidores que as principais marcas ocidentais, diz Kan. Empresas como a Anta, que começam fabricando produtos para marcas globais, gradualmente aprendem os fundamentos da gestão de negócios, prosperam na China e "naturalmente aspiram a objetivos mais ambiciosos", acrescenta Kan. Há muitos outros exemplos, como a empresa de tecnologia Xiaomi. Essa empresa começou como desenvolvedora de software, personalizando sistemas baseados em Android, antes de fabricar seus próprios telefones, dispositivos eletrônicos e, agora, veículos elétricos. Da mesma forma, a DJI fabricava acessórios para câmeras e componentes para drones antes de se tornar, por mérito próprio, uma fabricante internacional de drones. Talvez o exemplo mais conhecido seja a BYD, que antes fabricava baterias para pioneiros de veículos elétricos como a Tesla e agora é a principal fabricante mundial do setor. "Cada uma dessas empresas é agora uma gigante em seu campo", afirma Kan. 'Estratégia multimarca' Agora, a Anta está de olho no mercado ocidental. A empresa administra mais de 12 mil lojas na China. Ela também possui mais de 460 pontos de venda fora do país e planeja ter mil lojas operando somente no Sudeste Asiático nos próximos três anos. A Nike, que ainda detém a maior participação no mercado de calçados esportivos, tem apenas mil lojas em todo o mundo. As empresas chinesas são conhecidas por se expandirem rapidamente dentro do próprio país antes de se aventurarem no exterior, onde enfrentam maiores desafios para ampliar suas operações. Para começar, há um desafio relacionado à percepção. Os produtos chineses são frequentemente vistos como itens baratos, de baixa qualidade ou meras imitações. A Anta tentou superar essa barreira por meio de aquisições, como parte de uma abordagem que denomina "estratégia multimarca". A primeira grande jogada da empresa foi a aquisição dos direitos da Fila na China, em 2009, tornando a marca italiana uma das principais fontes de receita para seus negócios, explica Elisa Harca, da agência de marketing chinesa Red Ant Asia. Em 2019, a Anta adquiriu uma participação majoritária na marca finlandesa de artigos esportivos Amer Sports. Esse acordo deu à Anta o controle sobre as subsidiárias da Amer, incluindo marcas de luxo como Arc'teryx e Salomon. A Anta também é proprietária da Wilson, fabricante americana de raquetes e bolas de tênis usadas pela National Basketball Association (NBA), e neste ano adquiriu uma participação de 29% na Puma, permitindo que auxilie a empresa alemã em sua expansão na China. Essas ações ajudam a Anta a evitar "impor" seus produtos em todos os mercados e, em vez disso, usar suas marcas ocidentais como porta de entrada, afirma o analista de negócios Rufio Zhu, da agência global de marketing esportivo IMG. Dessa forma, a Anta consegue alcançar compradores que podem estar desconfiados de uma marca com o rótulo "made in China", observa Zhu. A empresa chinesa Anta adquiriu uma participação na Puma. Getty Images via BBC O patrocínio de celebridades é um ativo fundamental para uma marca global. A Nike, por exemplo, selou seu emblemático acordo com Michael Jordan na década de 1980. Já a Anta contratou jogadores de basquete como Klay Thompson e Kyrie Irving. No entanto, ainda não conseguiu fechar acordos na mesma escala daqueles que forjaram o prestígio de marcas como Nike ou Adidas. Além disso, ser uma marca chinesa traz certos obstáculos, dada a relação tensa de Pequim com o Ocidente, e particularmente com os Estados Unidos. A esquiadora americana Eileen Gu, embaixadora da marca Anta, foi alvo de críticas após sua decisão de representar a China em vez dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos. Empresas que atingem uma escala significativa devem manter um delicado equilíbrio entre a China e o Ocidente, argumenta Kan. "Marcas como a Anta devem estar preparadas para isso." Mudança de rumos A ascensão da Anta ocorre em um momento em que rivais como Nike e Adidas enfrentam seus próprios desafios, tanto globalmente quanto na China. As tarifas americanas impactaram os lucros dessas duas empresas, já que elas importam produtos fabricados na Ásia. A Nike também está lutando para estimular suas vendas, pois sua incursão no comércio eletrônico fracassou após a pandemia de Covid-19. Além disso, a demanda na China diminuiu. Essas dificuldades colocam a Anta em uma posição vantajosa no exterior, especialmente considerando o crescente interesse do consumidor por outras marcas, observa o especialista em marketing esportivo Zhu. "A questão não é se a Anta conseguirá aumentar sua visibilidade, mas se seus concorrentes serão capazes de se adaptar com rapidez suficiente para defender seu próprio espaço", acrescenta Zhu. Enquanto isso, a China está "preparando seus fabricantes para o futuro" acelerando a implantação de robôs nas fábricas, o que agiliza a produção e pode reduzir custos, acrescenta Fei. A inauguração da primeira loja da Anta nos Estados Unidos ocorreu após anos de venda de seus produtos no país por meio de lojas de departamento. Suas paredes estão repletas de prateleiras cheias de tênis e sapatos de basquete: dois segmentos de mercado que a Anta precisa conquistar nos EUA para competir com a Nike ou a Adidas. A empresa reconhece que ainda tem um longo caminho a percorrer. "Somos realistas quanto à concorrência, mas o cenário global de roupas esportivas não é um jogo de soma zero", disse um porta-voz da Anta à BBC. "Estamos confiantes de que os entusiastas do esporte reconhecerão as inovações e o valor da marca que a Anta oferece", acrescentou. * Reportagem adicional de Adam Hancock.
Nova variedade de banana começa a ganhar espaço nas lavouras do ES Bananeiras com folhas limpas, saudáveis, que não precisam de agrotóxico, dão frutos mais doces e produzem cachos mais pesados.🍌 Isto é o que garante a espécie Ambrosia, do tipo nanica, que surgiu na Jamaica e agora promete alavancar a produção do Espírito Santo. Resistentes a doenças e pragas e adaptáveis a diferentes ambientes e climas, as mudas deste novo tipo de banana começaram a ser distribuídas recentemente aos produtores capixabas após mais de 20 anos de pesquisa. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O agricultor Álvaro Gottardo se surpreendeu com os resultados: "Eu plantei, não pus nada, só fiz análise de solo. Depois, eu pus calcário e um adubo. Não queimou nada, nem uma folha, não tem nada queimado. E dá um produto bom, um cacho bem grande." Bananeiras da espécia Ambrosia dão frutos mais doces e produzem cachos mais pesados no Espírito Santo. Divulgação/Incaper 🌧️Planta mais tolerante às mudanças do tempo Os estudos sobre a planta foram conduzidos em Alfredo Chaves, Sul do estado, pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O objetivo era observar o desenvolvimento da planta no Brasil, além do Espírito Santo, na Bahia, em São Paulo e na Amazônia. Os resultados foram animadores e mostraram uma boa adaptação da espécie em vários tipos de ambiente, como explica José Ventura, pesquisador do Incaper. "Essa é uma planta que tolera seca e tolera encharcamento. Há uns anos, logo depois da pandemia, nós tivemos enchentes e ela ficou alagada. A planta suportou o encharcamento e, depois do encharcamento, ela teve uma excelente recuperação. As outras bananas do tipo nanica não conseguiram." Outra vantagem da banana Ambrosia, segundo o especialista, é o tronco mais grosso, que promete facilitar o manejo nas lavouras. A característica dispensa a necessidade de escoramento e é mais resistente à broca. 🍌Vantagens da nova banana Ambrosia Fruta mais doce Cacho mais pesado Tronco mais grosso Resistência a doenças e pragas Dispensa o uso de agrotóxico Espécie de banana Ambrosia, do tipo nanica, surgiu na Jamaica e promete alavancar a produção do Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta 🌱 Lavoura experimental O berço dos estudos foi a lavoura experimental do Incaper, um Banco Ativo de Germoplasmas (BAG), que atualmente conta com 26 espécies de bananas de todo o mundo. O espaço funciona como um acervo, em que cada tipo de planta é estudado por anos. É só após décadas de pesquisa, quando as vantagens de cultivar uma espécie de banana se comprovam, que as mudas são apresentadas aos produtores. Desde 1976, quando o BAG foi criado, cinco variedades foram recomendadas pelo Incaper. A Ambrosia é a sexta, e a primeira do tipo nanica. 🍌A importância da banana para o ES O Espírito Santo produz mais de 400 mil toneladas de banana por ano em 76 municípios, sendo que a banana-prata é responsável por 75% da produção, seguida pela banana-da-terra, e a nanica, em terceiro lugar. A cidade de Alfredo Chaves, onde a Ambrosia foi estudada, disputa com Itaguaçu, no Noroeste capixaba, o título de maior produtor estadual da fruta. Bananeiras da espécia Ambrosia dão frutos mais doces e produzem cachos mais pesados no Espírito Santo. Divulgação/Incaper O município é conhecido, inclusive, por realizar anualmente a Festa da Banana e do Leite há mais de 50 anos. A comemoração serve para celebrar a fruta que salvou os agricultores da cidade na década de 1960, quando a cafeicultura entrou em crise no país. Com o cultivo Ambrosia, a expectativa é que a produção capixaba de banana cresça ainda mais. O Incaper já distribuiu 1.200 mudas da planta para produtores de todo o estado e vai continuar auxiliando os interessados nos laboratórios particulares. Espécie de banana Ambrosia, do tipo nanica, surgiu na Jamaica e promete alavancar a produção do Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palácio do Buriti Reprodução/ Agência Brasília O governo do Distrito Federal enfrenta um cenário fiscal delicado, com uma projeção de déficit que pode alcançar até R$ 4 bilhões até o fim de 2026. Para especialistas ouvidos pelo g1, o quadro exige medidas urgentes de contenção de gastos neste ano e reformas estruturais no médio prazo para evitar o agravamento da crise. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 no WhatsApp. Segundo o professor de economia do Ibmec Brasília Renan Silva, a prioridade imediata deveria ser o cumprimento rigoroso das medidas já anunciadas pelo governo. Entre elas, o decreto assinado na última semana que determina a renegociação de contratos com redução de até 25% nas despesas. Ibaneis Rocha diz que arrecadação do GDF caiu Além disso, o especialista destaca a importância do controle mensal do orçamento. “É vital que cada órgão respeite a liberação de apenas 1/12 do orçamento por mês para evitar descasamento financeiro”, afirma. Na mesma linha, o economista César Bergo avalia que o ajuste ainda em 2026 precisaria avançar em três frentes principais, com foco direto na redução de gastos: Corte de despesas administrativas: com enxugamento da máquina pública, revisão de gastos com pessoal e redução de despesas não essenciais, como eventos e patrocínios. Controle de contratos e terceirizações: reavaliar contratações e contratos, sem comprometer áreas prioritárias como saúde, educação e segurança. Revisão e renegociação de contratos: governo deveria renegociar valores, suspender serviços não iniciados e adiar despesas para melhorar o equilíbrio fiscal ainda neste ano. “Há margem para economia, e esse esforço precisa ser feito ainda neste ano”, avalia o economista. Ajustes para 2027, limite do orçamento e piora do caixa Para o médio prazo, já a partir do próximo mandato à frente do Palácio do Buriti, Renan Silva avalia que o DF precisará de reformas estruturais para melhorar o caixa. "Na minha opinião, o foco deve estar na consolidação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) que já está em debate, priorizando a eficiência do gasto através da participação popular e da redução da dependência de créditos extraordinários", diz. "Vale ressaltar que o orçamento total de R$ 74,4 bilhões para 2026 oferece uma base sólida. Na contrabalança, o fato de 64,6% desse montante estar comprometido com pessoal limita drasticamente o espaço para manobra", indica o professor. Esse cenário restringe a capacidade do governo de ampliar investimentos ou reagir a crises, tornando as decisões fiscais mais complexas. Mesmo com medidas já em curso, o economista afirma que o cenário mais provável ainda é preocupante. Sem novas reformas estruturais, o DF pode enfrentar atrasos em pagamentos a fornecedores e até risco de insolvência – em bom português, risco de dar calote. A avaliação leva em consideração a baixa disponibilidade de caixa do governo local, que já figura entre as piores do país. Na avaliação de Bergo, a reorganização fiscal também dependerá de mudanças institucionais. Ele destaca a importância de uma atuação mais criteriosa da Câmara Legislativa na aprovação de projetos, com exigência de retorno econômico ou social das propostas. O economista defende ainda maior participação da sociedade na elaboração do orçamento. Segundo ele, o tamanho da estrutura administrativa do DF é elevado e precisa ser reavaliado. Problema estrutural desde 2015, risco de atraso e piora do caixa Ainda de acordo com Cesar Bergo, o DF não deve conseguir pagar todas as despesas contratadas para 2026. O que sobrar deve ser empurrado para o ano seguinte, na forma de "restos a pagar" – o que pressiona, desde já, as contas de 2027. Para o economista, aconteça o que acontecer nas eleições de outubro, 2027 tende a ser um ano desafiador para a economia do DF – reflexo desse acúmulo de problemas fiscais. O cenário atual não surgiu de forma repentina. Um estudo do ObservaDF, ligado à Universidade de Brasília (UnB), mostra que a fragilidade das contas públicas do DF remonta a 2015 e vem sendo agravada ao longo dos anos. Segundo o levantamento, o principal problema não é o nível de endividamento, mas o fluxo de caixa. O governo consome praticamente toda a receita arrecadada, sem formar reservas para investimentos ou para enfrentar crises. Essa característica estrutural limita a capacidade de reação do DF diante de choques econômicos e ajuda a explicar por que o orçamento segue pressionado mesmo em períodos de maior arrecadação. Além disso, o estudo aponta que a situação foi agravada pela crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), que pode gerar impacto fiscal bilionário e aumentar ainda mais a pressão sobre os cofres públicos. Outro dado relevante é a baixa disponibilidade de caixa, que colocou o DF entre os piores resultados do país nesse indicador. Isso significa que o governo tem pouca margem para honrar compromissos e investir, especialmente em momentos de instabilidade. Pressão sobre a próxima gestão Sem mudanças mais profundas na estrutura do orçamento — especialmente na rigidez das despesas obrigatórias — especialistas avaliam que a pressão fiscal tende a se transferir para os próximos governos. No diagnóstico geral, o ajuste atual pode evitar um agravamento imediato da crise, mas não será suficiente para resolver o problema de forma definitiva. A combinação de receitas voláteis, gastos rígidos e falta de reserva financeira mantém o DF em situação de vulnerabilidade, exigindo planejamento de longo prazo e reformas estruturais consistentes. Miriam Leitão: BRB é o caso mais concreto de corrupção no Master Situação fiscal do DF O estudo da UnB teve como objetivo objetivo analisar a situação fiscal do Governo do Distrito Federal (GDF) no período de 2015 a 2024, abrangendo as administrações conduzidas pelos governadores Rodrigo Rollemberg (2015–2018) e Ibaneis Rocha (2019–2024). Durante o governo Rollemberg, o Distrito Federal enfrentou uma crise fiscal. Em 2015, o GDF identificou um déficit de R$ 6,5 bilhões para cobrir as despesas. Isso levou o DF a atrasar salários, negar reajustes e cortar investimentos. As despesas superaram a arrecadação, resultando em um déficit de cerca de R$ 2,5 bilhões nas contas públicas do DF – isso, só no primeiro ano. À época, o governo afirmou que as dívidas eram da gestão anterior, do governador Agnelo Queiroz (PT), que havia gasto mais e empenhado despesas sem ter os recursos necessários. De acordo com o estudo, em 2024, o DF registrou o quarto pior resultado do país em disponibilidade de caixa líquida entre os estados, evidenciando a dificuldade de manter reservas financeiras para honrar compromissos e enfrentar imprevistos. O documento afirma que a situação se agravou em 2026, último ano de mandato de Ibaneis Rocha (MDB), com sinais claros de "pressão sobre o caixa". Logo no começo do ano, o governo publicou decreto que criou limite mensal para gastos públicos. Na última semana, a governadora Celina Leão editou novo decreto determinando corte em contratos. BRB ainda busca solução financeira para cobrir fraudes do Master Embora a capital apresente um baixo nível de endividamento, o estudo revelou que quase toda a sua receita é consumida por despesas correntes, resultando em uma classificação negativa de sua capacidade de pagamento (Capag). 🔎Conforme noticiado pelo g1, o DF está com nota baixa em Capacidade de Pagamento (Capag), um indicador usado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados, municípios e da capital federal, e não poderá usar a União como garantidora de um eventual empréstimo. O relatório enfatiza ainda que esse choque fiscal é particularmente grave porque o DF já apresenta uma fragilidade fiscal de fluxo. O DF opera com disponibilidade de caixa negativa e poupança corrente próxima de zero. Na prática, isso significa que a capital federal não tem margem financeira para absorver um impacto patrimonial da magnitude que o BRB pode representar. As estimativas ainda estão sendo concluídas, mas apontam um possível rombo de até R$ 13 billhões. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Os preços do petróleo bruto Brent subiram brevemente acima de US$ 126 por barril, atingindo seu nível mais alto desde o início da guerra na Ucrânia em 2022. Getty Images via BBC Os preços do petróleo subiram para o nível mais alto desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, alimentando novas preocupações globais em meio a relatos de que os militares dos EUA darão ao presidente Donald Trump novas opções de ação contra o Irã. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça De acordo com o site de notícias Axios, o Comando Central dos EUA elaborou planos para uma onda de ataques “curtos e poderosos” com o objetivo de romper o impasse nas negociações com Teerã. A BBC entrou em contato com o Pentágono e a Casa Branca para comentar. Mas o impacto potencial vai muito além dos preços dos combustíveis. Especialistas dizem que o mecanismo é uma reação em cadeia: quando os preços do petróleo sobem, os efeitos se espalham por toda a economia global. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 O aumento dos preços do petróleo “tem um efeito indireto não apenas no petróleo, mas nos produtos relacionados ao petróleo, na inflação e basicamente em todos os fatores do nosso dia a dia”, diz Naveen Das, analista sênior de petróleo da plataforma de dados e análises Kpler. “Talvez comecemos a ver mais manchetes sobre tentativas de diminuir a escalada novamente”, acrescenta. 1. O petróleo fica mais caro Esse é o ponto de partida. Os preços do petróleo bruto aumentam devido a preocupações com a oferta, conflito geopolítico ou especulação de mercado. O petróleo Brent saltou brevemente quase 7% para mais de US$ 126 o barril, antes de voltar para cerca de US$ 116 nas negociações europeias. Os preços subiram nesta semana, com a paralisação dos esforços de paz. O estreito de Ormuz permanece fechado na prática, elevando os custos de combustível para os motoristas. Antes do início do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, o petróleo Brent estava sendo negociado em torno de US$ 70 o barril, cerca de 80% abaixo do pico de quinta-feira. O petróleo bruto é um componente essencial da gasolina e do diesel, o que significa que os preços mais altos no atacado passam rapidamente para a bomba. 2. Aumento dos preços de produtos relacionados ao petróleo "O aumento dos preços dos fertilizantes será repassado por toda a cadeia de suprimentos", afirma Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da consultoria de investimentos Wealth Club Getty Images via BBC O petróleo não é usado apenas como combustível, mas também como insumo essencial em uma ampla gama de produtos. Como resultado, preços mais altos do petróleo bruto se traduzem em maiores custos de produção em setores como combustível de aviação, plásticos e embalagens, bem como produtos químicos e fertilizantes. Governos de diferentes países vêm alertando que os consumidores podem enfrentar contas de energia, preços de alimentos e tarifas aéreas mais altas como resultado do conflito. Algumas companhias aéreas já estão aumentando o preço das suas passagens aéreas ou cortando rotas. Os preços dos fertilizantes também estão subindo, o que pode eventualmente aumentar os custos dos alimentos. Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos da consultoria de investimentos Wealth Club, diz que os custos podem permanecer elevados até o próximo ano. “Os embarques de ureia, usados como fertilizante, estão bloqueados — e os custos dispararam para agricultores de todo o mundo que não compraram estoques com antecedência”, diz ela. “A preocupação é que esses custos sejam repassados pelas cadeias de suprimentos, elevando o preço dos produtos de uso diário ainda este ano e no próximo.” 3. O transporte fica mais caro Como quase tudo depende do transporte — alimentos, bens de consumo e matérias-primas — os custos mais altos de combustível aumentam diretamente as despesas de frete. Quando se torna mais caro transportar mercadorias globalmente, as empresas normalmente repassam esses custos aos consumidores, aumentando a pressão sobre os preços de varejo. 4. Aumento da inflação Esses custos crescentes se acumulam em toda a economia global. À medida que a energia se torna mais cara, as empresas enfrentam custos operacionais mais altos, desde a operação de fábricas até o aquecimento de edifícios e o transporte de mercadorias. Os preços dos alimentos também aumentam, porque o plantio, empacotamento e distribuição dependem de combustível e fertilizantes ligados ao petróleo. Produtos de uso diário, de roupas a eletrônicos, também se tornam mais caros de produzir e transportar. À medida que esses aumentos se acumulam em vários setores ao mesmo tempo, as pressões de preços se tornam mais generalizadas e persistentes. Quando esse padrão continua ao longo do tempo, em vez de ser um pico de curto prazo, os economistas o descrevem como inflação — um aumento geral e sustentado do custo de vida. “O mundo inteiro está enfrentando isso, alguns países mais, outros menos”, diz André Perfeito, economista brasileiro que lidera a consultoria APCE. “O Brasil está sofrendo muito, por exemplo”, acrescenta, destacando que a inflação permaneceu persistentemente acima da meta do banco central nos últimos meses. Depois de atingir um pico acima de 5% em meados de 2025, a inflação anual do Brasil diminuiu gradualmente, mas permaneceu elevada, oscilando em torno de 4,3% a 4,4% no início de 2026 — ainda perto do limite superior da meta. Agora, espera-se que termine o ano em 4,86%, de acordo com a última previsão do Banco Central brasileiro, devido ao conflito no Oriente Médio. Vários outros países seguem um padrão semelhante. 5. Impacto na vida cotidiana Para os consumidores, isso acaba influindo na vida cotidiana de várias maneiras. As contas de supermercado aumentam, o deslocamento se torna mais caro e os custos de serviços públicos aumentam. À medida que o custo de vida aumenta, os trabalhadores podem buscar salários mais altos para manterem seus padrões, o que pode aumentar a pressão inflacionária. Em resposta, os bancos centrais costumam subir as taxas de juros para controlar a inflação, tornando empréstimos mais caros e desencorajando gastos e tomada de crédito. Em alguns países, como Paquistão e Bangladesh, o governo ordenou o fechamento de escolas para economizar combustível e reduzir custos. “Tudo isso está criando espaço para uma desaceleração, uma recessão global”, diz Perfeito. “Não há muita maneira de pensar em uma solução de curto prazo. Não acredito que Trump vá amenizar isso, pelo menos por enquanto.” Em seu mais recente relatório sobre o assunto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que o conflito com o Irã corre o risco de tirar a economia global “do rumo”, com uma escalada prolongada aumentando o risco de uma recessão global. Também pede que os bancos centrais sejam cautelosos ao aumentar as taxas de juros em resposta à inflação mais alta. No entanto, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à BBC News que uma “pequena dor econômica por semanas” era justificada se reduzisse o risco de o Irã desenvolver armas nucleares. “Estou menos preocupado com as previsões de curto prazo, em nome da segurança de longo prazo”, disse ele. Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.

Concurso 3.003 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3.003 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (2), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou os seis números, 17 apostas acertaram cinco e 1.682 acertaram quatro números. O prêmio principal acumulou, e a estimativa é de que chegue a R$ 8 milhões no próximo sorteio, marcado para terça-feira (5). Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 08 - 24 - 27 - 37 - 47 - 55 5 acertos - 17 apostas ganhadoras: R$ 61.173,63. 4 acertos - 1.682 apostas ganhadoras: R$ 1.019,14. Resultado Mega-Sena Caixa O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Como funciona a Mega-sena O concurso 3.003 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (2), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Casal produz água com gás 'sabor cerveja' no interior de São Paulo Uma água com gás sem álcool e com sabor de cerveja foi uma das atrações da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola que aconteceu esta semana em Ribeirão Preto (SP). A bebida, lançada oficialmente no evento, foi descoberta por um acaso pelo casal de produtores de lúpulo Luciana Pereira e Isidro Pontes, de Araraquara (SP), enquanto testavam receitas com os cones de lúpulo para tentar fazer sorvete. "Eu sabia que o lúpulo tinha em shampoo, perfume e outras coisas. Eu estava mirando em fazer sorvete e todos os dias eu chegava em casa, pegava o meu lúpulo e fazia receitas, até que cheguei em uma formulação perfeita da água saborizada", afirma Luciana. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Plantação de lúpulo no quintal O casal começou a produzir lúpulo de forma experimental há quatro anos, no quintal da chácara em que moram no interior de São Paulo, com a ajuda de um tio de Luciana, que é fitoterapeuta. Aos poucos, com as dificuldades da cultura, geralmente inviável para as condições climáticas do Brasil, o conhecimento sobre o assunto foi aumentando. "A gente estava quase desistindo. Foi quando um engenheiro agrônomo especialista nos ajudou e apoio, para continuarmos as pesquisas", diz Isidro. Mas ter a plantação não era suficiente, e Luciana e Isidro começaram a buscar formas de escalar a produção para entrar no radar do mercado cervejeiro, não só para cervejeiros artesanais, mas também para grandes empresas. Lançada na Agrishow, água 'sabor cerveja' é produzida a partir de produção experimental de lúpulo em Araraquara (SP). Lúpulo Guarani/Redes sociais LEIA TAMBÉM De 'trator que fala' a 'trator fantasma', veja máquinas com IA que operam sozinhas Comando de trator que se assemelha a 'videogame' torna rotina do produtor mais intuitiva e econômica Máquinas com inteligência artificial 'de fábrica' são destaques; veja novidades Com o tempo, o casal percebeu que, para competir com lúpulos importados, era necessário se atentar a questões fitossanitárias da planta, geralmente produzida em clima temperado, além de detalhes sobre o beneficiamento do produto final. Tanto que a maior parte utilizada pelas cervejarias brasileiras ainda é importada do hemisfério norte. "A industrialização do lúpulo é extremamente delicada e de uma exigência química cirúrgica", diz Luciana. Água 'sabor cerveja' Com a planta se desenvolvendo no quintal da chácara, Luciana e Isidro decidiram não ficar parados e começaram a buscar formas inovadoras de utilizar os pellets. Até que, há um ano, durante alguns testes, descobriram que a matéria-prima que tinham nas mãos não só seria ótima para a produção de cervejas, como também de uma água saborizada fácil de beber - a chamada "drinkability" - que agrega todo o aroma e o frescor da plantação deles. "O lúpulo utilizado para produzir esse lote vendido na feira foi colhido em março, ao contrário dos pallets importados que foram colhidos há dois ou três anos. A gente não briga com a indústria consagrada de importação da planta, com a água lupulada a gente quer entrar pra aprender", afirma Luciana. Após degustações bem sucedidas em 2025, o casal decidiu lançar a bebida enlatada na Agrishow deste ano, com a aposta de alcançar um público ao mesmo tempo preocupado com saúde e bem-estar e apaixonado por cerveja. "É uma novidade que sai da mesmice do mercado", diz Isidro. A produtora de lúpulo Luciana Pereira lançou água 'sabor cerveja' na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP0. Matheus Vinicius Leia mais notícias da Agrishow 2026

Idosos na fila para se vacinar contra a gripe, em Goiânia, Goiás Reprodução/TV Anhanguera O envelhecimento da população brasileira pressionará o sistema previdenciário brasileiro e, também, a área de saúde no futuro. Por outro lado, será possível gastar menos com educação. 🔎As informações constam no projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril deste ano. De acordo com as estimativas do governo, o sistema previdenciário será fortemente afetado, com o déficit do INSS quadruplicando até 2100. Governo e especialistas apontam a necessidade de uma nova reforma da Previdência (veja mais abaixo). O sistema de saúde, por sua vez, demandará recursos já nos próximos anos. A estimativa do governo é de que serão necessários mais R$ 121 bilhões até 2036. A lógica é que a população de maior idade "demanda proporcionalmente" mais serviços de saúde. Vídeos em alta no g1 Ao mesmo tempo, o governo diz que o setor de educação poderá contar com R$ 30,2 bilhões a menos pelo fato de que o "tamanho da população jovem tem caído não apenas em termos relativos, mas também em termos absolutos". "Nas próximas décadas, o Brasil passará por profunda modificação de sua estrutura etária, com aumento do número de idosos na população e redução do número de jovens. Tal transformação demográfica impõe desafios às políticas públicas, na medida em que influi diretamente sobre a demanda por diferentes formas de atuação estatal", diz o governo, na LDO. Como funcionam saúde e educação O Sistema Único de Saúde (SUS) foi foi consolidado no texto da Constituição Federal de 1988, sendo que sua gestão é "solidária e participativa" entre os três entes da Federação: a União, os Estados e os municípios. ➡️Ao mesmo tempo em que oferece acesso universal à saúde no Brasil, o SUS enfrenta problemas de financiamento e, também, de acesso, ou seja, dificuldade na marcação de consultas e exames. Estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, concluiu que o Brasil possui "crônico subfinanciamento" do Sistema Único de Saúde (SUS) na comparação com os países mais ricos — que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Falta em consultas chegam a 57 mil no SUS em Piracicaba; vagas perdidas poderiam ter zerado fila, diz Saúde Reprodução/EPTV A educação pública, por sua vez, também funciona em regime de colaboração entre municípios, estados, Distrito Federal e a União (governo federal). 🔎Os municípios atuam principalmente na educação infantil e no ensino fundamental, sobretudo nos anos iniciais. Os estados se concentram mais nos últimos anos do ensino fundamental, e no ensino médio. E o governo federal fica, principalmente, com o ensino superior, além de coordenar as políticas e definir diretrizes. Desde a aprovação do arcabouço fiscal, em 2023, as despesas de saúde e educação da União voltaram a estar atreladas à arrecadação federal (15% da receita líquida e as de educação, a 18%), com alta acima da inflação. Estados e municípios também têm um piso de aplicação de recursos nestas áreas. Previdência Social No sistema previdenciário de repartição, usado no Brasil, as contribuições dos trabalhadores ativos são utilizadas para pagar os benefícios dos aposentados e pensionistas, sem a formação de um fundo individual para cada segurado. Previdência Social Marco Favero/ Agencia RBS Por isso, o governo avalia que o envelhecimento populacional vai gerar problemas maiores de financiamento nas próximas décadas, quando haverá menos trabalhadores na ativa para financiar um contingente maior de aposentados. Para 2026, a previsão é de que o déficit do INSS atingirá 2,49% do PIB, ou R$ 338 bilhões; Para 2100, a expectativa é de que o rombo totalizará 10,41% do PIB, ou R$ 28,44 trilhões. A comparação na proporção com o PIB é considerada mais apropriada por especialistas. O governo estima que, em 2060, para cada pessoa com mais de 60 anos, teremos 1,6 pessoa com idade entre 16 e 59 anos. Essa relação, diz a LDO, é "substancialmente inferior à atual, que está em 4,6 indicando um progressivo comprometimento da base de sustentação da previdência social". "Embora o Brasil ainda tenha uma estrutura etária relativamente jovem, a forte queda nas taxas de fecundidade associadas às quedas nas taxas de mortalidade levarão a um rápido processo de envelhecimento da população e a uma redução acentuada da participação dos jovens no total da população, gerando grandes pressões por mudanças nas políticas públicas de forma geral e especificamente na previdenciária", avalia o governo federal. O aumento no rombo previdenciário, estimado pelo governo, ocorrerá mesmo após a reforma da Previdência Social feita em 2019 no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. Entre as mudanças, foi instituída uma idade mínima de aposentadoria de 62 anos mulheres e de 65 anos homens. Também foi fixado um tempo mínimo de contribuição de 15 anos para mulheres e de 20 anos para homens. Foi determinado um sistema de pontos na regra de transição, que combina o tempo mínimo de contribuição e a idade, além de mudanças no cálculo para o benefício integral. No ano passado, o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos. Analistas do setor privado avaliam que uma nova reforma da Previdência é inevitável. Entre as medidas necessárias, eles elencam: aumento da idade mínima na aposentadoria rural (hoje, de 55 anos para mulheres e de 60 para homens); mudanças no regime do Microempreendedor Individual (MEI), que paga contribuição menor; criação de um mecanismo de ajuste automático (por exemplo, elevar a idade mínima ou reduzir benefícios conforme sobe a expectativa de vida); fim das regras especiais para aposentadoria de servidores estaduais e municipais; fim da paridade e da integralidade para militares.

A Noruega produz e exporta petróleo e gás, mas seu consumo interno é baseado principalmente na energia limpa. GETTY IMAGES A Noruega é considerada um dos países mais verdes do mundo. As bicicletas são onipresentes nas suas cidades, 98% da sua eletricidade provém de fontes renováveis e nove em cada 10 carros novos vendidos em 2024 foram veículos elétricos. A Noruega é também o país membro da Agência Internacional de Energia em que a eletricidade representa a maior proporção do consumo total de energia. E foi um dos primeiros a criar impostos sobre as emissões de carbono. Mas, ao mesmo tempo, o país não deixa de aumentar sua produção de gás e petróleo e exportar massivamente os combustíveis fósseis contaminantes. Esses recursos representam a maior fonte de receita do Estado norueguês e formam o pilar do famoso fundo soberano, o chamado "Fundo do Petróleo", que garante a solvência do generoso sistema de aposentadorias e bem-estar do país. Essa contradição entre a descarbonização interna e seu papel como grande exportador global de combustíveis fósseis é conhecida como "paradoxo norueguês" e gera, há anos, um intenso debate político e social. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 De um lado, grupos ambientalistas e jovens ativistas exigem compromissos concretos e um calendário para reduzir a atividade petrolífera. Do outro, o setor do petróleo e gás defende sua importância para a economia e as centenas de milhares de empregos gerados por ele. A guerra no Oriente Médio e o aumento dos preços globais do petróleo e gás causado pelo bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz geraram enormes e inesperados benefícios para a Noruega, mas também reabriram um dos seus debates internos mais incômodos. "Para um ambientalista norueguês como eu, é claro que essa é uma situação vergonhosa", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o presidente da associação ecologista Amigos da Terra Noruega, Truls Gulowsen. Importância estratégica A Noruega é um dos países mais desenvolvidos do mundo, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. E o setor de energia é a sua principal fonte de riqueza. As exportações do setor representam mais de 60% do total dos produtos vendidos para o exterior e somam mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O Estado mantém participação majoritária no conglomerado Equinor, o principal operador da plataforma continental norueguesa, e destina a maior parte dos seus benefícios ao fundo soberano. No final de 2025, o fundo contava com ativos no valor estimado de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 9,4 trilhões), o equivalente a US$ 350 mil (R$ 1,7 milhão) por cidadão do país. As exportações de petróleo e gás desempenham papel fundamental na economia da próspera Noruega KRISTIAN HELGESEN/GETTY IMAGES No contexto atual de 2026, as tensões no Oriente Médio indicam que esses números continuarão aumentando. O Estado norueguês recebeu US$ 5 bilhões (cerca de R$ 24,7 bilhões) a mais desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. E a Bolsa de Valores da capital norueguesa, Oslo, bateu recordes graças às companhias locais do setor de energia. O governo trabalhista tentou neutralizar a ideia de que o país que concede o Prêmio Nobel da Paz vem enriquecendo com os transtornos da guerra. O ministro das Finanças norueguês e ex-secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, destacou que esse é um paradoxo, já que a Noruega "se beneficia mais da paz". Mas, como afirmou a colunista da rede pública norueguesa de rádio e televisão NRK, Cecilie Langum Becker, "a dura realidade é que, quando o mundo está em chamas, o dinheiro flui para o nosso orçamento estatal". Essa dinâmica já havia ficado clara em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia reduziu drasticamente as exportações de Moscou para a Europa. Desde então, a Noruega surgiu como o último fornecedor confiável de um continente assolado pela crise energética. "Fornecemos, hoje, cerca de 30% do gás e 15% do petróleo que é consumido na Europa, para onde enviamos 90% das nossas exportações", explica à BBC a analista Thina Saltvedt, da empresa financeira Nordea. O debate sobre as exportações de combustíveis fósseis está presente na Noruega há anos. PAUL S. AMUNDSEN/GETTY IMAGES A descarbonização Apesar das suas jazidas petrolíferas, a Noruega possui, há décadas, uma das infraestruturas mais limpas da Europa, graças à sua rede hidrelétrica. Em 1991, o governo norueguês criou um imposto ao carbono, para promover a energia limpa. Em 2005, incentivos transformaram o país no líder mundial em carros elétricos. E, em 2017, o Parlamento da Noruega aprovou a Lei do Clima, para reduzir as emissões em 50% até 2030. Mas o atual contexto internacional parece ter freado esta tendência. Os conflitos na Ucrânia e no Irã obrigaram até mesmo os partidos mais "verdes" a aceitar que o gás norueguês é um "mal necessário" para a segurança energética da Europa. Para Gulowsen, a narrativa dominante, agora, é que a instabilidade global justifica a aposta nos hidrocarbonetos. "Fala-se em abrir áreas em águas profundas do Ártico, que são ambientes vulneráveis onde não deveria haver exploração, em nenhuma hipótese." O governo norueguês quer continuar desenvolvendo a indústria petrolífera e aprovou novas licenças de exploração. CHRIS RATCLIFFE/GETTY IMAGES O que acontecerá agora? O governo do primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, ofereceu recentemente 57 novas licenças de exploração. "Continuaremos buscando mais petróleo para fornecer à Europa, prometeu Støre. Ele aposta no "desenvolvimento" da indústria, em vez de estabelecer "fases de saída". Apesar da pressão dos setores mais jovens do seu partido, Støre não tem intenção de defender um calendário de abandono. Pelo contrário, ele aposta na zona menos explorada do país (o mar de Barents) para compensar a queda das jazidas atuais. Frode Alfheim, do sindicato Industri Energi, relembrou à BBC News Mundo a importância social do setor. "Estamos falando de mais de 200 mil postos de trabalho diretos", destaca ele. "Não é o momento de deixar a Europa sem fornecimento." Já Saltvedt conclui com uma advertência. "Cada vez mais pessoas se dão conta de que há um pôr do sol no horizonte. Mas será doloroso."

Empresa de limpeza viraliza no Japão por serviço de 'spa para pelúcias' PHILIP FONG / AFP Um Pikachu surrado, ursos de pelúcia gastos ou animais felpudos manchados são os clientes VIP de um meticuloso serviço de lavanderia japonês que viralizou nas redes sociais por deixar estes brinquedos brilhando como novos. Masakazu Shimura, profissional de limpeza com 30 anos de experiência deu um bom banho a vapor a um boneco de Pokémon, escovando-o com cuidado após esfregá-lo delicadamente com espuma, quase como se estivesse cuidando de um bebê recém-nascido. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os vídeos dos rigorosos cuidados que os bichos de pelúcia recebem em seu local de trabalho, a Cleaning Yonmarusan, conquistaram fãs na internet e atraíram clientes de todo o mundo para este serviço especializado em tecidos de alta qualidade. Com base em sua perícia e experiência na limpeza de todo tipo de item, de camisas sociais a barracas de acampamento, Shimura lava e restaura as delicadas fibras dos bichos de pelúcia. Vídeos em alta no g1 "Enquanto lavo à mão, sinto com cuidado que tipo de material é e avalio o seu estado, entre outras coisas, massageando-o suavemente com as mãos", explicou à AFP. Shimura é um dos 12 profissionais de limpeza certificados da Yonmarusan, uma rede regional de Yamanashi, a oeste de Tóquio. Embora a empresa limpe bichos de pelúcia há décadas, o negócio viveu um boom graças a publicações virais nas redes sociais nos últimos anos, impulsionado pela adoração da Geração Z por pelúcias e pelo amor do Japão por tudo o que é "lindo e fofo". Atualmente, o serviço limpa mais de 10.000 pelúcias por ano, em comparação com cerca de 1.200 há uma década. Empresa de limpeza viraliza no Japão por serviço de 'spa para pelúcias' PHILIP FONG / AFP Algumas pessoas chegam até a "vir ao Japão especificamente com o propósito de mandar limpar seus bichos de pelúcia", conta Hisako Mori, gerente de relações públicas da empresa. "Enquanto a limpeza é feita, elas aproveitam para viajar pelo Japão. Ao final da viagem, recolhem seus bichos de pelúcia antes de voltar para casa", explicou. Shimura relata que alguns clientes querem conservar arranhões ou rabiscos específicos, já que essas marcas por vezes carregam lembranças preciosas. "Estes itens guardam memórias especiais. Isso também é verdade para as roupas, mas ainda mais para os bichos de pelúcia, que sabemos que nossos clientes veem como membros da família", destacou. Empresa de limpeza viraliza no Japão por serviço de 'spa para pelúcias' PHILIP FONG / AFP

Um Airbus A319 da Spirit Airlines se aproxima do Aeroporto Regional de Manchester Boston para pouso, em 2 de junho de 2023 Charles Krupa / AP A companhia aérea de baixo custo em falência Spirit Airlines anunciou o cancelamento de todos os voos a partir deste sábado (2). "Todos os voos da Spirit foram cancelados e os passageiros da Spirit não devem se dirigir ao aeroporto", informou a companhia aérea em um comunicado à imprensa na madrugada de sábado. Ainda havia alguma esperança para evitar o fechamento da empresa nesta sexta (1º), porém, uma reunião do conselho da empresa terminou sem acordo para salvar a companhia, segundo um fonte ouvida pela agência de notícias Reuters. O colapso da Spirit resultará em milhares de demissões e marca a primeira falência de uma aérea, em parte, devido à duplicação dos preços do combustível de aviação durante a guerra com o Irã, iniciada há dois meses. É também um revés para o presidente Donald Trump, que havia proposto US$ 500 milhões para salvar a empresa, apesar da oposição de aliados e de muitos republicanos no Congresso. Vídeos em alta no g1 'Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?' Nenhuma companhia aérea americana do porte da Spirit — que já respondeu por 5% dos voos nos EUA — foi liquidada nas últimas duas décadas. A empresa ajudava a manter tarifas mais baixas nos mercados em que competia com grandes companhias. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse à Reuters que tentou encontrar compradores para a Spirit, sem sucesso. “O que alguém compraria?”, questionou. “Se ninguém quer comprá-la, por que nós compraríamos?”, pontuou Duffy. Em uma coletiva de imprensa na manhã deste sábado (2), Duffy afastou a ideia de uma crise no setor aéreo americano. "Não acho que seja necessário resgatar nenhuma companhia aérea neste momento", disse. "Depois de hoje, veremos um mercado mais competitivo em nossa indústria de aviação" A empresa deve iniciar um encerramento ordenado das atividades, suspendendo voos durante a noite, reposicionando aeronaves para devolução e liberando tripulações, disse uma das fontes. “O governo Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode dar vida a um cadáver. Diante disso, a empresa deve deixar claras suas intenções pelo bem de clientes e funcionários”, afirmou um credor envolvido nas negociações. Um porta-voz da companhia se recusou a comentar as discussões em andamento. Na sexta-feira, Trump afirmou que a Casa Branca apresentou uma proposta final à Spirit e seus credores para tentar resgatar a empresa. O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington Mark Schiefelbein / AP O governo também entrou em contato com outras companhias para discutir como acomodar passageiros com passagens da Spirit. United Airlines, American Airlines, Frontier Airlines e JetBlue Airways informaram que estão se preparando para atender esses clientes. Plano fracassa A presidente da Associação de Comissários de Bordo, Sara Nelson, afirmou que o destino da Spirit estava nas mãos de Trump e que um fechamento pode eliminar quase 20 mil empregos. O governo chegou a propor um financiamento de US$ 500 milhões em troca de participação equivalente a 90% da empresa, mas houve divergências internas e nem todos os credores concordaram com o plano. A Spirit havia negociado um acordo com credores para sair da recuperação judicial até meados de 2026, mas os planos foram frustrados após a guerra elevar os preços do combustível. A companhia projetava custos de cerca de US$ 2,24 por galão em 2026, mas até o fim de abril o valor havia subido para aproximadamente US$ 4,51 — mais que o dobro do previsto. *Com informações da Reuters e AFP.

Caçadores de trufas arriscam a vida em meio a minas terrestres na Síria Na Síria, a caça de trufas pode render dinheiro — mas também pode custar vidas. Conhecidas no país como a “iguaria banhada em sangue”, as trufas podem ser vendidas por até US$ 50 o quilo e se tornaram uma das poucas formas de sobrevivência para moradores da região de Deir El-Zour, no nordeste sírio. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Caçadores na Síria se arriscam apra encontrar trufas em meio a minas terrestres Reprodução/DW Diante de uma paz ainda frágil, os caçadores enfrentam ataques de grupos armados, como o Estado Islâmico. Mas o maior risco continua sendo o das minas terrestres espalhadas pelo território após anos de guerra. "A gente vê as minas com os nossos próprios olhos. Ou seja, andamos e recolhemos trufas em meio a minas espalhadas pelo chão. Mas fazer o quê? Uma mina explodiu a nossa caminhonete. Agora o meu braço está quebrado e as minhas costas, cheias de estilhaços", contou o caçador de trufas Hassan Al-Daham Al-Hassan. Outro caçador, Hamza Al-Mohammad, também ficou gravemente ferido após a explosão de uma mina terrestre. Segundo ele, não havia nenhum aviso sobre o perigo na área. "Onde eu estava coletando trufas não tinha nenhum aviso,ninguém nos disse para não nos aproximarmos daquela área. Espero que o governo encontre uma solução para esse problema das minas terrestres, porque todos os dias há explosões que atingem pessoas. Isso virou um desastre", disse Hamza. Veja mais: Estamos caminhando para a Terceira Guerra Mundial ou este é um receio exagerado? Como a guerra no Irã quebrou a imagem de segurança de locais do Golfo como Dubai e Catar — e o que isso está custando EUA vão emitir passaportes com o rosto de Trump

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começou a valer nesta sexta-feira (29). Com isso, alimentos tradicionais dos países-membros dos dois blocos passam a ser considerados propriedade intelectual e ficam protegidos contra imitações. Essa proteção é chamada de indicação geográfica (IG). Na prática, nenhum outro país poderá fabricar ou comercializar produtos com o mesmo nome. Produtos como champanhe, conhaque e presunto tipo Parma devem deixar de ser fabricados no Brasil, por terem indicação geográfica de países europeus. O acordo, porém, prevê um período de adaptação para as empresas, que pode chegar a 10 anos.(veja mais abaixo) O Brasil também tem alimentos com indicação geográfica na lista do acordo. Ao todo, são 37 produtos, entre eles a cachaça e o queijo Canastra. Os outros países do Mercosul têm principalmente vinhos na lista, como o 25 de Mayo, da Argentina, e o Bella Unión, do Uruguai. O registro é concedido por cada país, conforme suas próprias leis, a produtos ou serviços característicos de seu local de origem. Para entrar no acordo, o Estado precisa solicitar a inclusão do item na lista de proteção. Esses produtos constam na versão final do acordo divulgada pelo governo em dezembro de 2024. SAIBA MAIS: Por que o acordo União Europeia-Mercosul é alvo de tanta disputa no agro? VEJA TAMBÉM: O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul? Ainda vai ter 'champanhe' e 'parmesão' brasileiro? A fiscalização para prevenir fraudes cabe a cada país-membro dos blocos. Eles devem combater produtos enganosos — tanto os que não vêm do local de origem, mas usam o mesmo nome, quanto os fabricados na região fora das regras. Também será proibido o uso de termos como “tipo”, “estilo”, “imitação” ou “semelhante” nas embalagens. Por outro lado, o acordo prevê exceções. Elas se aplicam a casos em que o nome do produto é amplamente usado, sem relação direta com o local de origem protegido. Essas exceções ocorrem de duas formas. Veja a seguir. ➡️ Para empresas específicas Nesse caso, o termo pode continuar a ser usado por empresas que já têm a marca registrada. Porém, há condições: elas não podem fazer referência à indicação geográfica, seja por meio de imagens, bandeiras ou nomes. ⚠️ EXEMPLO: O queijo italiano “Parmigiano Reggiano” não impedirá o uso do termo "parmesão" no Brasil, desde que o produto não se passe pelo original. A mesma regra vale para os queijos gorgonzola, fontina, grana e gruyère, além das bebidas genebra e steinhaeger. O documento lista as empresas autorizadas a continuar usando esses nomes, conforme as condições previstas para cada produto. Essas marcas terão 12 meses, após a entrada em vigor do acordo, para se adaptar às novas regras. ➡️ Com prazo determinado Nessa exceção, o nome poderá continuar sendo usado por um prazo determinado, contado a partir da validação do acordo. Nesse caso, a embalagem deve indicar a origem do produto, como informar que foi feito no Brasil. Veja os produtos que entram nesse caso e os prazos de adaptação: 5 anos: Münchener Bier; Pont-l'Évêque; Reblochon ou Rebleusson; Asiago; Taleggio; Tokaj, tokaji ou Tocai; Margot. 7 anos: Feta; Roquefort; Saint-Marcellin; Bordô; Conhaque; Presunto tipo Parma; Grappa ou Grapa. 10 anos: Champagne; Mortadela Bologna ou Mortadela tipo Bologna; Prosecco ou Proseco. Como funciona a indicação geográfica no Brasil? Essas proteções são comuns entre países. O Brasil já prevê em lei, independentemente do acordo entre os dois blocos, regras próprias de indicação geográfica. Na legislação, trata-se de alimentos que apresentam qualidade "única" por causa de recursos naturais (como solo, vegetação e clima) e do modo de produção, segundo o Ministério da Agricultura. As indicações geográficas existem de duas formas no Brasil. Veja abaixo. ➡️ Indicação de procedência: nome geográfico de país, cidade, região ou localidade que se tornou conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou serviço. ➡️ Denominação de origem: nome geográfico que identifica produto ou serviço cujas características são exclusivas ou essencialmente determinadas pelo local, incluindo fatores naturais e humanos. No Brasil, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é responsável pelas concessões do título. LEIA TAMBÉM Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório Mistura maior de etanol na gasolina deve elevar demanda pelo combustível em 1 bilhão de litros, diz Unica Veja dados das exportação do Brasil para a UE em 2025 Arte g1

Petrobras eleva preço do gás natural em 19,2% a partir desta sexta-feira Freepik A Petrobras anunciou um aumento médio de 19,2% no preço da molécula do gás natural vendido às distribuidoras, com vigência a partir desta sexta-feira (1º). Os valores são ajustados a cada três meses. A alta afeta o gás canalizado e o GNV usado em veículos. O impacto ao consumidor, no entanto, varia conforme tributos e as tarifas das distribuidoras. O aumento não atinge o gás de botijão (GLP), que segue outras regras de reajuste. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Petrobras informou que os contratos de venda de gás natural acompanham a variação do petróleo tipo Brent, do câmbio e, desde o início do ano, também do índice Henry Hub. 🔎 O Henry Hub é o principal índice de referência do preço do gás natural nos Estados Unidos, baseado nas negociações em um ponto de distribuição na Louisiana e amplamente usado como referência global de preços. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 No período considerado, o preço do Brent subiu cerca de 24,3%, enquanto o gás natural nos EUA, medido pelo Henry Hub, caiu 14,1%, informou a Petrobras. Já o real se valorizou 2,5% frente ao dólar. "As efetivas variações finais dos preços por distribuidora dependerão dos produtos contratados e dos volumes efetivamente retirados, considerando os prêmios de Incentivo à Demanda e Performance criados pela Petrobras a partir de 2024", afirmou, em nota, a estatal. Ainda segundo a Petrobras, o preço médio da molécula vendido às distribuidoras acumula uma redução de 26% desde dezembro 2022, incluindo o efeito da atualização desta sexta-feira. (veja a nota na íntegra mais abaixo) Alta no querosene de aviação A Petrobras também elevou nesta sexta-feira o preço médio de venda de querosene de aviação (QAV) às distribuidoras. A companhia informou o reajuste citando um “contexto excepcional causado por questões geopolíticas”. O aumento corresponde a um acréscimo de R$ 1 por litro em relação ao preço do mês anterior. O comunicado informa ainda que a Petrobras seguirá oferecendo ao mercado a opção de parcelar parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela a ser paga em julho de 2026. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", completou. Os preços do petróleo vêm subindo desde que EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, o que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e à interrupção do transporte de cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Os ajustes do QAV da Petrobras ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Veja a íntegra da nota da Petrobras sobre o gás natural A partir de 01/05/26 os preços de venda da molécula de gás natural da Petrobras para as distribuidoras serão atualizados, com aumento médio de cerca de 19,2% em relação ao trimestre anterior. Os contratos de venda de gás natural às distribuidoras preveem atualizações trimestrais da parcela do preço relacionada à molécula do gás e tradicionalmente vinculam esta variação, para cima ou para baixo, às oscilações do petróleo Brent, da taxa de câmbio R$/US$ e, desde o início do ano, também para variação do Henry Hub. No período de aferição, a referência do petróleo Brent subiu aproximadamente 24,3%, a referência do Henry Hub caiu aproximadamente 14,1% e o câmbio teve apreciação de 2,5% (isto é, a quantia em reais para se converter em um dólar reduziu 2,5%). Os contratos de venda de gás natural celebrados pela Petrobras com as distribuidoras já contam com dispositivo comercial (média trimestral de variação dos índices) que tem o objetivo de mitigar a volatilidade de curto prazo das variáveis de indexação. As efetivas variações finais dos preços por distribuidora dependerão dos produtos contratados e dos volumes efetivamente retirados, considerando os prêmios de Incentivo à Demanda e Performance criados pela Petrobras a partir de 2024. Importante destacar que, desde dezembro 2022, o preço médio da molécula vendido às distribuidoras acumula uma redução da ordem de 26%, incluindo o efeito da atualização de maio. * Com informações da agência de notícias Reuters

Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. AP/Altaf Qadri, Arquivo O governo do presidente Donald Trump estima que o Irã deixou de arrecadar US$ 4,8 bilhões em receitas de petróleo devido às restrições impostas pelos Estados Unidos no Golfo de Omã, o que tem intensificado a pressão econômica sobre Teerã. A informação é do site de notícias americano Axios. A medida é a principal e mais recente estratégia de pressão de Trump para tentar negociar o fim da guerra com o Irã. Ao divulgar os dados, o Departamento de Defesa dos EUA busca mostrar o impacto dessa ação enquanto as negociações de paz seguem sem um acordo definitivo. (leia mais abaixo) 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O presidente americano iniciou a operação na região do Golfo de Omã em 13 de abril. A área fica ligada ao Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa 20% do petróleo global — e se conecta ao Mar Arábico, que dá acesso ao Oceano Índico. A ação da Marinha dos EUA foi adotada após o Irã restringir o tráfego no Estreito de Ormuz. Na prática, a passagem nunca foi totalmente interrompida: navios ligados a Teerã continuaram a cruzar a região, enquanto outras embarcações enfrentaram limitações. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A estratégia do presidente norte-americano de bloquear a passagem de navios ligados a Teerã segue a lógica de pressão econômica adotada em outros contextos, como no caso da Venezuela neste ano. Segundo o portal Axios, a chave da campanha de pressão dos EUA é forçar o Irã a atingir sua capacidade máxima de armazenamento, o que levaria ao fechamento de poços de petróleo. “Eles provavelmente estão a várias semanas — ou talvez até um mês — de esgotar a capacidade de armazenamento”, disse Gregory Brew, analista da Eurasia Group, ao Axios. Ao impedir ou dificultar a circulação de petroleiros, os EUA atingem uma das principais fontes de receita do Irã, já que o petróleo responde por cerca de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A escalada das tensões e as incertezas em torno do Estreito de Ormuz impulsionaram o preço do petróleo, que já acumula alta de mais de 50% desde o início da guerra entre EUA e Irã. Na tarde desta sexta-feira (1º), o barril do tipo Brent, referência global, era cotado a US$ 109,12. Bloqueio ao Estreito de Ormuz Editoria de Arte/g1 Trump se diz 'insatisfeito' Donald Trump afirmou nesta sexta-feira que não está satisfeito com a mais recente proposta de acordo de paz do regime iraniano. “Eles querem fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito com isso, então veremos o que acontece”, disse. "Tivemos uma conversa com o Irã. Vamos ver o que acontece, mas eu diria que não estou satisfeito. Eles precisam apresentar o acordo certo. Neste momento, não estou satisfeito com o que estão oferecendo", acrescentou. Trump também afirmou a repórteres que não está preocupado com a situação dos estoques de mísseis dos EUA, em meio a relatos de apreensão sobre o ritmo de uso de armamentos durante o conflito com o Irã. Na noite de quinta-feira (30), o Irã entregou sua proposta mais recente de negociação a mediadores no Paquistão, segundo informou a agência estatal iraniana IRNA. O frágil cessar-fogo de três semanas entre os EUA e o Irã parece ainda estar sendo mantido, embora ambos os países tenham trocado acusações de violações. Manobra no Congresso Também nesta sexta, Trump informou ao Congresso que as hostilidades com o Irã “foram encerradas”, apesar de tropas americanas manterem um bloqueio naval contra o país, o que é considerado ato de guerra pelo direito internacional. Na prática, a medida tenta contornar o prazo legal que terminou na quinta-feira para que o Congresso autorizasse a continuidade da guerra. Nos EUA, o presidente pode iniciar ações militares sozinho, mas precisa do aval do Congresso em até 60 dias para manter o conflito. Como o Congresso não votou o tema, o governo passou a afirmar que a regra não se aplica porque o conflito teria terminado com um cessar-fogo iniciado no começo de abril. “As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas”, escreveu Trump ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley. Ainda na carta, o próprio presidente indicou que a crise está longe do fim. Ele justificou a permanência de militares no Oriente Médio ao afirmar que o Irã ainda representa uma “ameaça significativa” aos EUA e às Forças Armadas. * Com informações da Associated Press

Presidente interina da Venezuela sanciona lei de anistia A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na quinta-feira (30) um aumento de 26% na chamada renda mínima integral, que passou de US$ 190 (cerca de R$ 950) para US$ 240 (cerca de R$ 1.200) por mês. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O reajuste é o primeiro desde a queda de Nicolás Maduro e foi recebido com uma mistura de satisfação e críticas pelos venezuelanos. O “aumento” não elevou de fato o salário mínimo. Isso porque a chamada “renda mínima” não corresponde apenas ao salário base: ela é composta por um salário mínimo oficial de cerca de US$ 0,30 (aproximadamente R$ 1,50), acrescido de bônus pagos pelo governo. Esses bônus não são considerados salário formal e, por isso, não entram no cálculo de direitos trabalhistas, como férias, aposentadoria ou décimo terceiro. Na prática, o governo injeta mais dinheiro por meio desses bônus para melhorar a renda dos trabalhadores que recebem o menor salário mínimo da região, congelado há quatro anos e corroído por uma inflação elevada e persistente. “O primeiro anúncio que quero fazer é que a renda mínima integral chegará ao equivalente a US$ 240”, declarou Rodríguez, sem dar mais detalhes. “Devo enfatizar que este é o aumento mais significativo dos últimos anos”, afirmou, em discurso em um palanque montado na principal avenida de Caracas. Rodríguez já havia prometido um aumento salarial “responsável” no início de abril, após uma série de manifestações de trabalhadores que pediam reajuste. O anúncio foi recebido com aplausos e gritos de comemoração entre milhares de apoiadores do chavismo reunidos em Caracas, ao fim de uma marcha que exigia o fim das sanções contra o país. Ainda assim, o novo valor está longe dos US$ 677 (cerca de R$ 3.385) que, segundo estimativas privadas, são necessários para cobrir a cesta básica de uma família de cinco pessoas. LEIA TAMBÉM Trump diz não estar satisfeito com acordo de paz proposto pelo Irã para encerrar a guerra Como decisão da Suprema Corte pode reduzir a representação de negros e latinos nos EUA Papa Leão XIV nomeia ex-imigrante irregular como bispo nos EUA Resignação A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em 30 de abril de 2026 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria Nas ruas de Caracas, predominam sentimentos de resignação e insatisfação: “É suficiente apenas para sobreviver, não dá para muita coisa”, disse uma pessoa. “Tenho esperança, mas isso não basta”, afirmou outra. “Não é suficiente, mas por enquanto cobre o básico.” “Para mim, por enquanto, dá.” Mais cedo, entre os participantes da marcha convocada por Rodríguez, o discurso era de cautela. “Aos poucos, os problemas estão sendo resolvidos, e precisamos entender o momento atual. Muitos querem aumentos exorbitantes”, diziam manifestantes alinhados ao governo. Por outro lado, grupos organizados cobram respostas mais imediatas. A Coalizão Trabalhista, uma ampla articulação popular, havia convocado uma marcha até a sede do governo para reivindicar direitos trabalhistas, mas os manifestantes foram impedidos de avançar. Segundo o líder do grupo, José Patines, policiais armados cercaram o ponto de partida. “Eles não nos permitiram protestar por um direito básico, que é um salário digno. Quanto custa uma cesta básica? Esse deveria ser o salário mínimo: US$ 1.500 (cerca de R$ 7.500). Se não têm como pagar, o problema é deles. Vamos convocar eleições e resolver isso”, afirmou. Os manifestantes não conseguiram chegar ao destino, já que Caracas amanheceu com diversos bloqueios de ruas determinados pelas autoridades, o que paralisou o trânsito na capital. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) projeta que, já no primeiro ano de vigência do Acordo Mercosul-União Europeia, o Brasil poderá ampliar suas exportações em até US$ 1 bilhão. A estimativa considera 543 produtos com maior potencial de ganho imediato, dentro de um universo de cerca de 5 mil itens do Mercosul que passam a ter tarifa zerada a partir desta sexta-feira (1º). Na prática, cerca de 54% das exportações do bloco passam a contar com tarifa zero, enquanto aproximadamente 10% dos produtos europeus terão o mesmo benefício no acesso ao mercado sul-americano. Entre os itens com maior potencial de impulsionar as vendas externas estão: 🍯mel 🍇uvas 🔋geradores elétricos 🛩️aeronaves ⚙️motores 👞couro “Uma tarifa de 3% ou 7% pode definir se o negócio acontece ou não. A eliminação desses custos abre espaço imediato para o produto brasileiro ganhar participação”, destacou o presidente da Apex, Laudemir Muller, a jornalistas. Ele acrescentou que o segmento de aeronaves, com a tarifa zerada, pode acessar um mercado estimado em cerca de US$ 16 bilhões. A União Europeia é o segundo maior importador do mundo. Somados, os países do bloco movimentam cerca de US$ 7,4 trilhões em importações, sendo mais de US$ 3 trilhões provenientes de mercados externos ao próprio bloco. O mercado europeu é cerca de nove vezes maior que o do Mercosul, e sua abertura ocorre em ritmo até cinco vezes mais acelerado, o que pode ampliar o potencial de inserção internacional das empresas brasileiras. A redução de preços para os consumidores, no entanto, não deve ser imediata. O impacto inicial tende a se concentrar nas empresas exportadoras, enquanto os efeitos para o consumidor final devem ocorrer de forma gradual, à medida que os fluxos comerciais se ajustam e os produtos passem a chegar mais baratos aos mercados. Quem ganha e quem perde com o acordo UE-Mercosul Arte/g1

Agrishow movimenta R$ 11,4 bilhões e reúne mais de 197 mil visitantes A Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, encerrou a edição de 2026 com uma queda de 22% no volume de negócios. Segundo dados divulgados pela organização nesta sexta-feira (1º), o evento ajudou a prospectar R$ 11,4 bilhões, R$ 3,2 bilhões a menos do que em 2025. O resultado confirma o cenário de queda de 20% nas vendas do setor de máquinas e implementos agrícolas no país no primeiro trimestre, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Entre os problemas associados a esse retrospecto estão altas taxas de juros que dificultam o acesso ao crédito, baixa no preço das commodities, inadimplência no campo, além de desdobramentos da guerra no Oriente Médio que encarecem os custos de produção e reduzem o capital dos produtores para fazer investimentos. "O mercado reflete uma situação em que o agricultor já vem de alguns anos de aumento de custos de produção e os preços continuam e os preços não estão, as margens deles diminuindo. Por isso nós temos esse volume de recuperação judicial no campo e também o agricultor hoje está priorizando o custeio", afirmou João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow. Apesar de ter sido comum ver ruas esvaziadas na feira, a organização confirmou que o número de visitantes foi o mesmo do ano passado, de 197 mil pessoas. A próxima edição está prevista para acontecer entre 26 e 30 de abril de 2027. AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Sol predominou ao longo do dia na feira. Érico Andrade/g1 Condições especiais para driblar desafios da economia Mesmo com a queda divulgada pela organização da Agrishow, representantes de empresas entrevistados pelo g1 fizeram um balanço oposto sobre o evento. Diretor de marketing da Massey Ferguson, Breno Cavalcanti afirma que as visitações em alta ao estande da marca, com máquinas como tratores e colheitadeiras, foram na contramão dos resultados negativos apontados pelo setor de máquinas agrícolas este ano. "O mercado está em um momento um pouco mais complexo. A gente sempre se orienta pelos indicadores como Fenabrave e Abimaq. Eles reportam um percentual de queda, mas pra nós a movimentação no estande e as negociações foram muito positivas", afirmou. Para atrair os clientes, a fabricante apostou em condições especiais para adesão a consórcios, bem como descontos, redução em taxas e benefícios. "A gente trouxe uma série de campanhas ao longo do mês de abril que vão se estender até maio (...). Um determinado produto que o cliente comprava, por exemplo, ganhava as três primeiras revisões." LEIA TAMBÉM De 'trator que fala' a 'trator fantasma', veja máquinas com IA que operam sozinhas Comando de trator que se assemelha a 'videogame' torna rotina do produtor mais intuitiva Agrishow 2026: máquinas com inteligência artificial 'de fábrica' são destaques; veja novidades Linhas de financiamento especiais, produtos a pronta entrega e alternativas como o "barter", em que o produtor utiliza a safra futura de grãos como forma de pagamento para insumos como fertilizantes, foram algumas das opções oferecidas pela Coopercitrus na feira. "Nós organizamos ônibus, vans, para trazer produtores de regiões mais distantes, porque a gente quer que ele aproveite a oportunidade", afirma o CEO Fernando Degobbi. Agrishow: trator tem painel que parece um videogame A estratégia, segundo ele, deu certo e resultou em uma movimentação recorde no estande do evento, que representa até 20% do faturamento anual da cooperativa. “Não sabemos quanto tempo a guerra vai durar, mas alguns produtos, obviamente, pós-guerra, vão cair de preço. Eles estão afetados por esse cenário, só que ninguém sabe até quando. E aí você tem o tempo para poder plantar, para poder colocar os insumos, e essa é a questão que o produtor tem que estar atento e eu acho que ele está entendendo isso. Você pode conferir aqui, é um fluxo bastante grande de produtores", afirma. Se os números não foram positivos para todos, o retorno surpreendeu a equipe da Tritucap, empresa de Sertãozinho (SP) que voltou à feira após sete anos com uma tecnologia que faz a erradicação de lavouras de café de maneira sustentável. "Esperávamos um bom desempenho com o lançamento voltado ao café, que vive um momento positivo, mas o volume de vendas foi três vezes maior do que o previsto", diz. Equipamentos voltados para a citricultura, fruticultura, pastagens e trato florestal também tiveram boa aceitação. "Já avaliamos ampliar nossa área de exposição em 2027”, afirma. Nas palavras de Luís Pio, presidente da Herbicat, que desenvolve tecnologias de aplicação de insumos como um pulverizador inteligente para plantas novas, essa foi a melhor Agrishow da história da empresa mesmo com o cenário desafiador na economia e com os resultados gerais apontados como negativos pelos organizadores. "Nesta edição, registramos mais de 300 contatos de interessados em nossas soluções, o que estimamos gerar um retorno de vendas entre 10% a 20% no pós-evento. Saímos dessa feira com uma carteira de prospecção mais robusta que a edição passada. Sem dúvida, foi a melhor Agrishow de toda a nossa história." AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Visitante confere máquina agrícola no interior de São Paulo. Érico Andrade/g1 Ativações geram movimentação milionária A Agrishow é considerada a maior feira de tecnologia agrícola do país, com uma área de exposição maior do que a de 50 campos de futebol que ajudou a movimentar R$ 5 milhões somente com ativações e ações promocionais nos estandes que fecharam contrato com a BP One, especializada em live marketing. “O stand é uma plataforma de relacionamento. É o espaço onde a marca se posiciona, traduz a solução, a inovação e ela se tornou uma ferramenta estratégica da geração de valor para a marca. A interação foi extremamente positiva", afirma Tânia Noguchi, diretora de estratégia e gestão da Live Retail Marketing da BP One. A empresa é que esteve por trás da operação de grandes marcas como a Valtra, que tinha um espaço próprio de 3,5 mil metros quadrados, e da Baldan, com 4 mil metros quadrados. "O produtor plural está cada vez mais técnico e objetivo. Então, as marcas, nós como representantes das marcas e como agência, a gente tem que ficar cada vez mais atento para que essas interações façam sentido e sejam cada vez mais relevantes.” AGRISHOW 2026 - QUINTA-FEIRA (30) – RIBEIRÃO PRETO (SP) - Estande com tratores em exposição na feira. Érico Andrade/g1 Palco político no interior de SP Pela representatividade no agro, o evento se tornou uma parada quase obrigatória para aqueles que buscam uma maior proximidade com o setor na corrida a presidente nas eleições 2026. No domingo (26), como uma das autoridades participantes da cerimônia oficial de abertura, a feira recebeu o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB), que anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas. Agrishow 2026: Flávio Bolsonaro e Tarcisio de Freitas visitam estande de tratores em evento que acontece em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Na segunda-feira (27), foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira e fazerem críticas ao governo federal, principalmente às políticas voltadas para o setor agropecuário. Na terça-feira (28) foi a vez de Romeu Zema (Novo-MG), que reiterou críticas ao STF e rebateu declarações do ministro Gilmar Mendes, que ironizou o sotaque mineiro dele. Na quarta-feira (29), o evento recebeu Ronaldo Caiado (PSD), que questionou a proximidade de outros políticos com o segmento agro apenas em épocas de eleição, e Aldo Rebelo (DC), que sugeriu a criação de um "emendão" para desbloquear obras travadas pelo STF e outras instituições. AGRISHOW 2026 - QUARTA-FEIRA (29) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à presidência da República, concede entrevista durante visita a feira Érico Andrade/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026

Às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado neste domingo (3), a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) divulgou uma mensagem em homenagem a jornalistas e veículos de comunicação de vários países, ressaltando o papel do jornalismo na democracia e no Estado de Direito. (veja a nota na íntegra ao fim desta reportagem) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo o presidente da AIR, Paulo Tonet Camargo, profissionais da imprensa seguem atuando “com coragem, independência e compromisso com a liberdade”, mesmo diante de cenários adversos em várias partes do mundo. A associação lembra que a data foi instituída pelas Nações Unidas (ONU) com base na Declaração de Windhoek e funciona como um marco para destacar a relevância de uma imprensa livre, plural e independente. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 No comunicado, a AIR ressalta que a liberdade de expressão não é um privilégio de jornalistas ou empresas de mídia, mas um direito fundamental de toda a sociedade, previsto no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Uma imprensa livre, plural e independente é condição essencial para a democracia e o Estado de Direito.” A entidade também destacou a responsabilidade dos governos na proteção do jornalismo. Segundo a associação, cabe aos Estados garantir a segurança dos profissionais de imprensa e enfrentar práticas como censura, intimidação e violência. “Hoje, mais do que nunca, é necessário reafirmar o dever dos Estados de proteger os jornalistas, garantir sua segurança e evitar toda forma de censura, intimidação ou violência.” A AIR ainda defende o fortalecimento do jornalismo independente e o acesso da população a informações diversas e sem interferências. Para a entidade, o livre fluxo de informações é essencial para o funcionamento de sociedades abertas. Mensagem do presidente da Associação Internacional de Radiodifusão "No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Associação Internacional de Radiodifusão presta homenagem a todos os jornalistas e meios de comunicação que, em cada canto do mundo, exercem sua atividade com coragem, independência e compromisso com a liberdade. Esta data, proclamada pelas Nações Unidas em comemoração à Declaração de Windhoek, nos lembra que uma imprensa livre, plural e independente é condição essencial para a democracia e o Estado de Direito. A liberdade de expressão, consagrada no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não é um privilégio: é um direito fundamental de toda pessoa e uma garantia indispensável para sociedades abertas. Hoje, mais do que nunca, é necessário reafirmar o dever dos Estados de proteger os jornalistas, garantir sua segurança e evitar toda forma de censura, intimidação ou violência. A AIR faz um chamado para fortalecer o jornalismo livre e independente e para defender o direito dos cidadãos de receber informação plural e sem interferências. Porque sem liberdade de imprensa, não há democracia. Paulo Tonet Camargo, presidente da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR)" Protesto em defesa da liberdade de imprensa nas Filipinas em foto de arquivo em 19 de janeiro de 2018 Bullit Marquez/AP

Trump diz que vai aumentar em 25% tarifas sobre veículos da UE Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (1º) que vai elevar para 25% as tarifas sobre carros e caminhões importados da União Europeia a partir da "próxima semana". Segundo ele, a medida ocorre porque o bloco não estaria cumprindo integralmente o acordo comercial firmado com os EUA. "Tenho o prazer de anunciar que, com base no fato de que a União Europeia não está cumprindo nosso Acordo Comercial totalmente acordado, na próxima semana aumentarei as tarifas cobradas à União Europeia para carros e caminhões que entram nos EUA. A tarifa será aumentada para 25%", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa com jornalistas na Casa Branca em 30 de abril de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst Trump afirmou que a tarifa não será aplicada a empresas europeias que produzem carros e caminhões nos EUA. "Muitas fábricas de automóveis e caminhões estão atualmente em construção, com mais de 100 bilhões de dólares investidos, um RECORDE na história da fabricação de carros e caminhões", escreveu. Tarifas sobre uísque da Escócia A decisão ocorre um dia depois de Trump anunciar a retirada de tarifas e restrições que dificultam o comércio de uísque entre a Escócia e o estado americano de Kentucky, onde é produzido o bourbon. “As pessoas querem isso há muito tempo, já que havia um grande comércio entre países, especialmente no que diz respeito aos barris de madeira utilizados”, disse Trump em uma publicação na Truth Social. A declaração veio após o republicano se reunir com o rei Charles III e a rainha Camilla, em visita oficial aos EUA nesta semana. Durante a passagem pelo país, o monarca fez um discurso histórico no Congresso. Segundo Trump, a medida foi adotada "em homenagem ao Rei e à Rainha do Reino Unido, que acabam de deixar a Casa Branca e em breve retornam ao seu maravilhoso país". Corte nos juros: 4 fatores que explicam a redução Promessas virais para quitar dívidas podem esconder armadilhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (1º), para celebrar o Dia do Trabalhador, apresentando um balanço das ações de seu governo. Lula destacou, entre as medidas, a isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais, além da redução do tributo para faixas salariais de até R$ 7.350. O petista também citou a redução do desemprego e da inflação. "Temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, a menor taxa de desemprego, e o rendimento médio dos trabalhadores é o maior da história do Brasil", disse Lula na postagem. Lula também declarou que o governo tem compromisso com a valorização real do salário mínimo e a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas, medida que tem sido adotada anualmente em sua gestão como forma de injetar recursos na economia. Vídeos em alta no g1 O presidente destacou ainda a aprovação da ampliação da licença-paternidade, que visa a uma maior participação masculina nos cuidados com recém-nascidos. A ampliação será feita de forma gradual. Conforme lei sancionada por Lula, a licença passará dos atuais cinco dias para: 10 dias em 2027; 15 dias em 2028; 20 dias em 2029. No setor de energia e assistência, o petista mencionou a isenção da conta de luz para famílias de baixa renda e o programa que garante botijão de gás de cozinha para a população vulnerável. Renegociação de dívidas e uso do FGTS Pronunciamento do presidente Lula sobre o 1º de Maio Reprodução Em pronunciamento em cadeia aberta de rádio e TV nesta quinta-feira (30), Lula afirmou que o governo federal lançará medidas para reduzir o nível de endividamento das famílias. No pronunciamento alusivo ao Dia do Trabalhador, o petista anunciou: um novo programa de renegociação de dívidas do Fies e do cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor (CDC). nele, os débitos vão poder ser renegociados a juros de no máximo 1,99% ao mês; os descontos vão ser de 30% a 90% no valor principal da dívida; e trabalhadores vão poder usar até 20% do saldo do FGTS para reduzir o saldo devedor.

Elon Musk é interrogado por Russell Cohen, advogado da Microsoft, durante o processo de Musk sobre a conversão da OpenAI para lucro em um tribunal federal em Oakland, Califórnia, EUA, em 30 de abril de 2026, em um retrato no tribunal. REUTERS/Vicki Behringer O bilionário Elon Musk confirmou nesta quinta-feira (30) que sua empresa de inteligência artificial, a xAI, usou tecnologias do ChatGPT para melhorar o próprio sistema, o Grok. A declaração foi feita em tribunal na Califórnia, onde Musk e a OpenAI se enfrentam desde segunda-feira. ➡️ A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, gira em torno da alegação de que a organização teria traído sua missão original de atuar como entidade sem fins lucrativos (entenda mais abaixo). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ao ser questionado por William Savitt, advogado da OpenAI, sobre o que é destilação de modelos, técnica que usa um modelo maior de IA para treinar outro menor, Musk demonstrou conhecimento. Em seguida, foi perguntado se a xAI havia usado essa técnica com tecnologia da OpenAI. Musk inicialmente evitou responder e afirmou que "geralmente todas as empresas de IA fazem isso". Pressionado, admitiu: "Em parte, [usou modelos de IA da OpenAI]". "É prática comum usar outras IAs para validar sua IA", acrescentou durante o depoimento. Entenda a treta Elon Musk reage em um tribunal federal durante um intervalo do julgamento em seu processo sobre a conversão da OpenAI para lucro e conversão com fins lucrativos, em Oakland, Califórnia. REUTERS/Manuel Orbegozo Um dos cofundadores originais da OpenAI, Musk afirma que a empresa, liderada por Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o foco no benefício da humanidade para se tornar uma "máquina de riqueza". Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft. Segundo pessoas ligadas ao caso, o valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Além do valor financeiro, o bilionário quer que a OpenAI volte a ser estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos. O empresário sustenta que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020. A defesa da OpenAI Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Os advogados da OpenAI rebatem as acusações afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023. A empresa afirma que Musk participou das discussões para a mudança de estrutura e que ele mesmo exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho da empresa. Em comunicado intitulado "A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI", divulgado nesta segunda (27), a OpenAI contra-atacou. No texto, a empresa afirma que as ações do bilionário são motivadas por "ciúmes, arrependimento por ter abandonado a OpenAI e desejo de descarrilar uma concorrente". "Elon passou anos assediando a OpenAI por meio de processos infundados e ataques públicos. Ele está usando seu processo para atacar a fundação sem fins lucrativos OpenAI, que é focada em trabalhos em áreas como ciências da vida e na cura de doenças para o benefício de todos", diz o comunicado. De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite. Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações). *Com informações da agência de notícias Reuters. Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans

A Petrobras elevará o preço médio de venda de querosene de Aviação (QAV) a distribuidoras em 18% a partir desta sexta-feira (1º), informou a companhia em nota, citando um "contexto excepcional causado por questões geopolíticas". O aumento da Petrobras corresponde a um acréscimo de R$ 1 por litro em relação ao preço do mês anterior. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O comunicado aponta ainda que a Petrobras seguirá disponibilizando ao mercado uma opção de parcelamento de parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela a ser paga em julho de 2026. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", completou. Os preços do petróleo vêm subindo desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro, o que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz e na interrupção do transporte de cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Os ajustes do QAV da Petrobras ocorrem todo começo de mês, conforme previsto em contratos. Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil

OpenAI Reuters/Dado Ruvic O Pentágono informou nesta sexta-feira (1º) que fechou acordos com sete empresas do setor de inteligência artificial: SpaceX, OpenAI, Google, NVIDIA, Reflection, Microsoft e Amazon Web Services (AWS). Segundo o órgão, a iniciativa busca acelerar a adoção dessa tecnologia nas Forças Armadas dos Estados Unidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A parceria exclui a Anthropic, dona do Claude, que tem mantido divergências com o Pentágono sobre as diretrizes para o uso de suas ferramentas de inteligência artificial pelos militares, segundo a Reuters. Em comunicado, o Pentágono afirmou que os acordos têm como objetivo transformar o Exército em uma força que prioriza o uso dessa tecnologia, além de ampliar a capacidade dos militares de tomar decisões com mais rapidez e eficiência em diferentes cenários de conflito. Vídeos em alta no g1 “Esses acordos aceleram a transformação rumo ao estabelecimento das Forças Armadas dos EUA como uma força de combate ‘AI-first’ (priorizando inteligência artificial) e vão fortalecer a capacidade dos nossos combatentes de manter a superioridade na tomada de decisões em todos os domínios da guerra”, disse o Pentágono. Funcionários do Pentágono, ex-integrantes da pasta e prestadores de serviços de TI que atuam em estreita colaboração com as Forças Armadas dos EUA disseram à Reuters que relutam em abandonar as ferramentas de IA da Anthropic, consideradas por eles superiores às alternativas, apesar da ordem para removê-las nos próximos seis meses. Uso da IA em redes de alta segurança O comunicado detalha que as empresas também vão atuar na implantação dessas tecnologias em redes classificadas de uso militar, que operam em níveis de segurança diferentes e restritos. Segundo o departamento de Defesa americano, o objetivo é permitir o uso “legal e operacional” de sistemas de inteligência artificial nesses ambientes. A integração dessas ferramentas deve ajudar a organizar e analisar grandes volumes de dados. Na prática, isso pode facilitar a leitura de cenários de operação e apoiar decisões em situações mais complexas. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do departamento para acelerar o uso da inteligência artificial em suas atividades. O texto também destaca a plataforma GenAI.mil, usada por militares, civis e prestadores de serviço. Segundo o comunicado, mais de 1,3 milhão de pessoas já utilizaram a ferramenta em cerca de cinco meses, com dezenas de milhões de interações e centenas de milhares de aplicações automatizadas. O órgão afirma que essas soluções já estão em uso prático para reduzir o tempo de execução de tarefas. Entre as aplicações citadas estão: organização e geração de informações para apoio a atividades internas automação de tarefas repetitivas apoio à análise de dados em diferentes áreas operacionais A estratégia também prevê evitar a dependência de um único fornecedor de tecnologia. A proposta é permitir o uso de diferentes soluções de inteligência artificial, com o objetivo de manter flexibilidade e ampliar a capacidade operacional das forças militares. Logo do Pentágono é visto na sala de briefing do Departamento de Defesa americano em Arlington, na Virgínia. Al Drago/Reuters

Vídeos em alta no g1 A SpaceX já gastou mais de US$ 15 bilhões no desenvolvimento do foguete Starship, segundo documento da empresa analisado pela Reuters. O valor é superior ao investimento feito no Falcon 9, hoje o principal veículo da companhia, e reflete quase uma década de esforços para criar um sistema de lançamento que possa ser reutilizado diversas vezes. O projeto é central para o futuro dos negócios mais rentáveis da empresa de Elon Musk, que se prepara para chegar ao mercado com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Starship foi projetada para lançar maiores volumes de satélites da rede Starlink, transportar humanos à Lua e a Marte e, no longo prazo, colocar em órbita estruturas voltadas à computação para inteligência artificial, como alternativa a centros de dados na Terra. O investimento de US$ 15 bilhões, ainda não divulgado anteriormente, supera com ampla margem os cerca de US$ 400 milhões gastos no desenvolvimento do Falcon 9, considerado hoje o foguete mais utilizado no mundo. Esse modelo foi fundamental para a liderança comercial da SpaceX, ao permitir lançamentos frequentes da Starlink e consolidar vantagem sobre concorrentes. “Continuamos investindo de forma significativa para ampliar nossa liderança, buscando reutilização total e rápida em larga escala, incluindo mais de US$ 15 bilhões em nosso foguete de nova geração, Starship”, afirmou a empresa em seu registro confidencial. A SpaceX pretende iniciar o lançamento da nova geração de satélites Starlink, chamada V3, no segundo semestre de 2026. A expectativa é que isso ocorra com a Starship, que pode transportar até 60 satélites por voo — um número bem superior aos cerca de 24 levados atualmente pelo Falcon 9. Esse ganho de capacidade ajuda a explicar por que o desempenho da Starship é considerado decisivo para a expansão da Starlink. Quanto mais satélites forem lançados por missão, menor tende a ser o custo por unidade colocada em órbita. Hoje, o programa concentra a maior parte dos investimentos da empresa. Em 2025, a SpaceX destinou US$ 3 bilhões à pesquisa e desenvolvimento em seu segmento espacial, valor totalmente voltado à Starship — um aumento relevante em relação aos US$ 1,8 bilhão registrados no ano anterior. Falhas em testes Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship. Os resultados incluem avanços importantes, mas também episódios de falha que exigiram ajustes no projeto. Um dos marcos mais relevantes foi a captura do propulsor Super Heavy com braços mecânicos durante o retorno à Terra, um passo importante para tornar o sistema reutilizável. Mesmo com esse progresso, a empresa reconhece que ainda há desafios antes de atingir a meta de realizar milhares de lançamentos por ano. Esse volume seria necessário para viabilizar planos mais ambiciosos, como a colocação em órbita de grandes estruturas voltadas à inteligência artificial. “Eles estão muito perto”, disse Chris Quilty, presidente da consultoria Quilty Space. “Mas ainda não sabemos se conseguem fazer isso de forma repetida.” Entre os principais obstáculos está a infraestrutura necessária em terra, que envolve abastecimento de combustível, sistemas de água e proteção para o retorno do foguete à atmosfera. O consumo de recursos também chama atenção: um único lançamento pode exigir o equivalente a 244 caminhões de gás natural e cerca de 1 milhão de galões de água. Outro ponto considerado crítico é o reabastecimento em órbita, etapa ainda não testada que envolve transferir combustível entre veículos no espaço. Essa operação é vista como essencial para missões mais longas, como viagens à Lua ou a Marte. “Esse provavelmente é o último grande desafio”, disse Hans Koenigsmann, ex-vice-presidente da SpaceX. A complexidade aumenta porque o combustível precisa ser mantido em temperaturas extremamente baixas, o que dificulta o armazenamento e a transferência. “Não demonstramos nem testamos o reabastecimento em órbita até agora”, afirmou a empresa. Cidade das estrelas Ao longo da última década, a SpaceX construiu no Texas uma base dedicada ao desenvolvimento da Starship, chamada Starbase. O local foi estruturado para permitir produção em maior escala, com um ritmo mais próximo ao da indústria aeronáutica do que ao padrão tradicional do setor espacial. As falhas registradas durante os testes levaram a centenas de mudanças no projeto do foguete. Segundo especialistas, a Starship representa uma mudança significativa em relação aos modelos anteriores, tanto em tamanho quanto em complexidade. A empresa se prepara agora para um novo voo de teste — o primeiro desde outubro — que deve marcar a estreia do protótipo Starship V3. “A versão 3 é basicamente um projeto totalmente novo”, disse Charlie Cox, diretor de engenharia da Starship. Com diversas melhorias, o modelo foi projetado para voos orbitais, testes mais longos no espaço e missões tripuladas à Lua. Essa etapa é considerada uma das mais desafiadoras do programa Artemis, da NASA, que já destinou ao menos US$ 3 bilhões à SpaceX. “Muita coisa vai depender desse primeiro voo”, afirmou Kent Chojnacki, da NASA. Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025 Divulgação/SpaceX

Vídeos em alta no g1 O preço do petróleo passou a cair nesta sexta-feira (1º), após a divulgação de que o Irã apresentou uma nova proposta para retomar as conversas com os Estados Unidos por meio do Paquistão, que atua como mediador. Apesar da queda, a commodity ainda é negociada acima de US$ 110 por barril. Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o barril do Brent — referência internacional — recuava 0,18%, sendo negociado a US$ 110,20 por barril, enquanto o petróleo de referência dos Estados Unidos tinha queda de 2,46% para US$ 102,49. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As dúvidas sobre um acordo para consolidar um cessar-fogo de três semanas persistem, após o líder supremo iraniano afirmar que o país manterá suas capacidades nucleares e de mísseis. O cenário pressiona o governo dos EUA, que avalia alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Nesta sexta-feira, a imprensa estatal iraniana informou que o país persa apresentou uma nova proposta para conversas com os Estados Unidos através do mediador Paquistão. Depois da forte alta registrada na véspera, o mercado mostrou sinais de acomodação. Ao longo da quinta-feira, o Brent para entrega em julho chegou a US$ 114,70, recuou para perto de US$ 107 e encerrou o dia em US$ 110,40. Durante o conflito, o pico foi de US$ 119,50, enquanto, antes da guerra, o barril era negociado em torno de US$ 70. (veja mais no gráfico abaixo) Feriado esvazia mercados Com a maioria dos mercados fechados pelo feriado do Dia do Trabalhador, as bolsas globais tiveram movimentação limitada. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 0,6%. Já o Nikkei, no Japão, subiu 0,7%, e o S&P/ASX 200, na Austrália, avançou 0,9%. Nos EUA — onde os mercados operam normalmente nesta quarta-feira, já que o 1º de maio não é feriado no país —, os contratos futuros subiam após uma sessão de recordes na véspera. O S&P 500 avançou 1% e alcançou novo patamar histórico, enquanto o Dow Jones subiu 1,6% e o Nasdaq renovou seu recorde. O movimento foi impulsionado por resultados de grandes empresas. A Alphabet subiu 10% após divulgar lucro acima do esperado, enquanto a Meta caiu 8,7% diante da previsão de aumento de gastos com inteligência artificial. A Microsoft também recuou, após elevar suas estimativas de investimentos. Dados recentes mostram que a economia americana perdeu ritmo no início do ano, enquanto a inflação avançou em março. Ao mesmo tempo, pedidos de seguro-desemprego caíram, indicando menor número de demissões. *Com informações da Associated Press Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. Reuters

Dendê em sistema agroflorestal: projeto conquista produtores do Pará Um projeto inovador em Tomé-Açu (PA) está mudando a forma de produzir dendê ao apostar em sistemas agroflorestais que imitam a floresta. A iniciativa vem recuperando o solo, aumentando a produtividade em até 38% por planta e ainda atraindo o interesse da indústria de cosméticos (veja reportagem completa no vídeo acima). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O azeite de dendê, muito conhecido por ser ingrediente essencial no acarajé baiano, é hoje o óleo vegetal mais consumido no mundo. Ele está presente em diversos produtos do dia a dia — de alimentos industrializados a cosméticos e até no biodiesel. Apesar disso, a cultura do dendê carrega uma imagem negativa no cenário internacional, principalmente por estar associada ao desmatamento no Sudeste Asiático. De onde vem o que eu como: chocolate No Pará, maior produtor brasileiro, esse cenário começa a mudar. Em Tomé-Açu, produtores estão adotando um modelo mais sustentável, baseado no Sistema Agroflorestal (SAF), que integra o cultivo do dendê com outras espécies. Diferente do monocultivo tradicional, o chamado “SAF Dendê” combina a palmeira com culturas como açaí, cacau e andiroba. A proposta é simples: reproduzir o funcionamento da floresta. Esse modelo diversificado não só melhora o equilíbrio ambiental como também reduz a dependência de insumos externos, tornando a produção mais resiliente e sustentável. Da crise à inovação A vocação agrícola de Tomé-Açu vem de longe, desde a chegada de imigrantes japoneses na década de 1920. Nos anos 1960, a região viveu o auge da produção de pimenta-do-reino, conhecida como “diamante negro”. Porém, o cultivo intensivo em monocultura acabou esgotando o solo, favorecendo o surgimento da fusariose, uma doença causada por fungo que devastou as plantações. Esse episódio levou os produtores a repensarem o modelo de produção. O dendê foi introduzido nos anos 1980, inicialmente também em monocultivo. Mas, com o tempo, os agricultores passaram a incorporar conhecimentos tradicionais da Amazônia, adotando sistemas mais diversificados. Atualmente, os resultados do sistema agroflorestal têm sido são expressivos: produção por planta: no monocultivo, cada planta produz em média 130 kg de cachos por ano; no SAF, esse número chega a 180 kg. recuperação do solo: em cerca de 17 anos, a camada de matéria orgânica aumentou de 5 cm para mais de 30 cm. valor de mercado: o dendê produzido nesse sistema pode alcançar preços entre 15% e 20% superiores ao convencional. Além disso, o próprio sistema passa a fornecer nutrientes naturalmente, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.

Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos O Brasil enfrenta um agravamento da crise de saúde mental no trabalho, com impacto direto na vida de milhares de profissionais. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos. Em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 em 2021 — quase nove vezes mais no período. (veja o comparativo ano a ano abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos Arte g1 O avanço também é observado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025 — aumento de cerca de 438%, ou 832 registros a mais. (confira o comparativo abaixo) No ano passado, o g1 mostrou que o país havia atingido um pico histórico de afastamentos por transtornos mentais em 2024. Em 2025, o cenário não apenas se repete como se intensifica: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse tipo de adoecimento. Diante do avanço dos números, o governo federal anunciou uma atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos psicossociais e prevê punições a empresas por práticas que afetem a saúde mental dos trabalhadores. A medida estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, mas, após pressão de entidades empresariais, foi adiada para maio deste ano. Mas por que esse aumento vem acontecendo? O que há por trás do esgotamento no trabalho? Especialistas afirmam que os transtornos mentais são multifatoriais e não têm uma única explicação. Psiquiatras e analistas apontam que vínculos precários, jornadas longas, baixos salários, metas inalcançáveis e pressão constante ajudam a construir um ambiente de trabalho que empurra profissionais para o estresse crônico. A pandemia também deixou marcas profundas. Embora o desemprego e a informalidade tenham recuado, persistem efeitos das mudanças recentes, como a intensificação do ritmo de trabalho e o uso massivo de tecnologias digitais. Além disso, o crescimento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias equivalentes nas condições de trabalho. Soma-se a isso o déficit de auditores fiscais, que limita a fiscalização das relações trabalhistas no país. Nesta reportagem, você ainda vai entender: O que justifica esse aumento? Quem são esses trabalhadores? O que diz a legislação sobre burnout? Atraso na atualização da NR-1 Saúde mental no trabalho: o que mostram os dados Arte g1 O que justifica esse aumento? Para especialistas, os números não indicam apenas uma explosão repentina de novos casos, mas uma combinação de piora real nas condições de trabalho, maior reconhecimento do problema e mudanças na forma de registrar o sofrimento psíquico relacionado ao ambiente profissional. Segundo o psiquiatra Arthur Danila, Coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida (PROMEV) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o aumento deve ser interpretado como resultado de três fenômenos simultâneos. “O trabalho ficou mais acelerado, mais conectado, mais monitorado e mais competitivo. Ao mesmo tempo, passamos a reconhecer melhor que parte do sofrimento mental tem relação direta com o ambiente ocupacional”, afirma. De acordo com o especialista, houve uma piora objetiva das condições psicossociais no trabalho. Muitos profissionais convivem com altas demandas, pressão constante por resultados, insegurança econômica e pouca possibilidade de recuperação entre uma jornada e outra. Outro fator é a chamada jornada expandida invisível. Mesmo fora do horário formal, trabalhadores permanecem conectados por mensagens, e-mails e plataformas digitais, o que dificulta o descanso psicológico. “O trabalhador contemporâneo vive mais conectado, mais monitorado, mais competitivo e com menos previsibilidade. É uma combinação muito tóxica”, explica. Essa permanência em estado de alerta contínuo, segundo Danila, mantém o organismo em modo de ameaça. Segundo ele, esse estado de alerta contínuo compromete a capacidade de recuperação do organismo. “O sono piora, a irritabilidade aumenta, a concentração cai. A fronteira entre trabalho e vida pessoal foi corroída. O descanso existe fisicamente, mas não mentalmente”, diz. Desde 2022, o burnout passou a integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, deixou de ser tratado apenas como “estresse” e passou a ser reconhecido como fenômeno ocupacional ligado ao trabalho. (veja abaixo o que mudou) Isso também ajudou a delimitar melhor o conceito. Diferentemente de uma doença médica isolada, o burnout é definido como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente manejado. O quadro é caracterizado por três dimensões principais: exaustão intensa, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. “Não se trata de usar o termo como rótulo para qualquer sofrimento. É preciso avaliar se os sintomas estão diretamente relacionados ao contexto de trabalho”, afirma o psiquiatra. Para o especialista, há sinais de redução parcial do estigma em relação à saúde mental. Mais trabalhadores procuram ajuda antes de um colapso total, e o tema passou a ser discutido com mais frequência em empresas e instituições. Por outro lado, os quadros chegam aos serviços de saúde com maior complexidade clínica. “Muitos pacientes apresentam insônia persistente, crises de ansiedade, sintomas depressivos e prejuízo significativo na vida pessoal e familiar. O risco é banalizar o burnout, mas é ainda mais grave tratá-lo como fragilidade individual”, diz Danila. Segundo ele, há fortes indícios de que o problema foi subnotificado no passado. Muitos casos eram registrados como depressão, ansiedade ou estresse, sem associação formal com o trabalho. Em outros, o sofrimento sequer chegava aos sistemas oficiais. Havia vergonha em associar adoecimento mental ao trabalho, tanto por parte dos trabalhadores quanto das empresas." Transtornos mentais Otávio Camargo/Arte g1 Quem são esses trabalhadores? A experiência de quem passou pelo burnout ajuda a entender como o problema se desenvolve no cotidiano profissional. É o caso de Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em um banco. Ela começou a perceber sinais de esgotamento após anos lidando com metas rígidas, pressão constante e mudanças sucessivas de equipe. Segundo ela, o ambiente corporativo já era marcado por estresse crônico, mas a situação se agravou quando passou a atuar em uma área com demandas mais urgentes e cobrança diária por resultados. “O trabalho exige que você esteja sempre se provando, aprendendo sozinho e entregando rápido. Isso vai se acumulando”, conta. " "Existe uma pressão muito grande para atingir metas. Elas não podem ser impossíveis, mas também não podem ser fáceis. Isso cria uma cobrança constante, que foge do saudável”, afirma. Com o tempo, o estresse se tornou contínuo. Marcela diz que demorou a perceber a gravidade da situação porque o cansaço havia se tornado parte da rotina. “Aquilo estava tão normalizado que eu achava que era só o meu estado padrão de sobrevivência”, relata. O alerta veio quando pessoas próximas começaram a questionar se ela estava bem. Entre os principais sintomas, ela relata uma alternância entre apatia e picos de ansiedade. “Ou eu não conseguia me importar com nada, ou entrava em pânico. Não tinha meio-termo.” Os sintomas se intensificaram após a retirada gradual de um antidepressivo que ela usava havia anos. Em consulta médica, recebeu a orientação para se afastar temporariamente do trabalho. Pouco tempo depois, acabou sendo demitida sem justa causa. Ela descreve o período como uma mistura de vergonha e alívio. “Foi um baque no ego, mas a sensação de alívio físico foi imediata. Era como se meu corpo entendesse que a pressão tinha acabado.” Hoje, ela busca reorganizar a vida profissional e cuidar da saúde mental. Para Marcela, a experiência deixou um alerta: “Não dá para tratar exaustão como algo normal. Eu precisei parar para perceber isso.” Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em bancos, se afastou do trabalho por burnout Reproduçã/Instagram Outro caso é o da pedagoga e doutoranda Cristine Oittica, com mais de 15 anos de atuação na educação pública. Ela afirma que passou a adoecer mentalmente após ingressar no terceiro setor, em 2022, em uma grande fundação ligada ao sistema financeiro. Contratada como analista educacional, diz que desde o início foi excluída de projetos estruturantes e direcionada a tarefas operacionais, apesar da experiência e da formação acadêmica. “Eu via colegas com o mesmo cargo sendo alocados em projetos, crescendo e sendo promovidos. Eu não tinha projeto, não tinha estado, não tinha lugar”, relata. Segundo Cristine, pedidos de feedback e de desenvolvimento profissional recebiam respostas vagas, sem critérios claros para crescimento. Ao longo de quase quatro anos, ela passou por cinco gestões diferentes, sem um plano formal de desenvolvimento. A falta de reconhecimento gerou um sentimento constante de frustração. “Chegou um momento em que eu pensei: o problema sou eu. Comecei a trabalhar cada vez mais para tentar provar meu valor.” Com o tempo, os impactos passaram a aparecer na saúde. Ela relata insônia severa, crises de ansiedade, exaustão extrema, dificuldade de concentração e isolamento social. Nesse período, descreve jornadas prolongadas, ausência de pausas reais — inclusive em viagens de trabalho — e um ambiente marcado por cobrança velada e competição interna. “A gente batia o ponto, mas nunca parava de trabalhar. O trabalho ocupava o almoço, o jantar, a viagem, a cabeça”, afirma. “Eu trabalhava 12, 14 horas por dia, mesmo fora do expediente. O corpo entra em estado de alerta constante”, completa. Cristine buscou terapia e acompanhamento psiquiátrico e acionou canais internos da empresa para relatar episódios de assédio e discriminação, mas as denúncias, segundo ela, foram consideradas inconclusivas. Entre 2024 e 2025, passou por sucessivos afastamentos médicos. O diagnóstico formal registrado foi de transtorno de ansiedade generalizada — e não burnout, o que, segundo especialistas, pode dificultar o reconhecimento do vínculo entre adoecimento e trabalho. Após retornar de férias, foi demitida no mesmo dia. “A mensagem que ficou é que tudo o que eu fiz não foi suficiente. Isso desmonta a pessoa”, afirma. Hoje, Cristine segue em tratamento e tenta reconstruir a rotina. Para ela, o debate sobre saúde mental no trabalho precisa considerar quem são os trabalhadores que adoecem. O adoecimento tem cor, gênero, classe social. Não é só contratar. É preciso cuidar do que acontece depois. Cristine Reis Oittica, 36 anos, pedagoga e doutoranda, foi demitida após afastamento do trabalho. Arquivo Pessoal O que diz a legislação sobre burnout? A inclusão do burnout na CID-11 aumentou a visibilidade do problema, mas não alterou automaticamente o enquadramento jurídico no Brasil. Na prática, o reconhecimento ainda depende da comprovação de que o adoecimento está relacionado ao trabalho. A advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho explica que o impacto é mais interpretativo do que legal. “A entrada do burnout na CID-11 é importante, mas o reconhecimento jurídico depende da prova do nexo causal entre o trabalho e a doença.” Ou seja: o burnout pode ser equiparado a acidente de trabalho quando ficar comprovado de que o adoecimento está ligado ao trabalho. Para comprovar esse vínculo, é necessário reunir elementos como: diagnóstico médico consistente relatórios clínicos eventual afastamento previdenciário perícia médica provas das condições de trabalho, como excesso de jornada, metas abusivas, cobranças desproporcionais, assédio moral, acúmulo de funções e registros (e-mails, ponto, mensagens e testemunhas) O problema, segundo especialistas, é que muitas dessas situações não ficam formalmente registradas — e colegas de trabalho podem ter receio de depor. “A prova muitas vezes depende de testemunhas, e colegas ainda têm receio de se comprometer”, afirma. “Além disso, por se tratar de adoecimento psíquico, há discussão sobre fatores pessoais, o que exige demonstrar que o trabalho foi causa ou, ao menos, concausa relevante”, completa. Segundo a especialista, a Justiça do Trabalho analisa cada caso individualmente, sem condenações automáticas. Quando o conjunto de provas demonstra um ambiente de trabalho adoecedor, há decisões que reconhecem o burnout como doença ocupacional e condenam empregadores ao pagamento de indenizações por danos morais e, em alguns casos, materiais. O reconhecimento também pode garantir estabilidade provisória. Quando o burnout é equiparado a acidente de trabalho, aplica-se a garantia prevista na Lei nº 8.213/91, que assegura emprego por 12 meses após o fim do auxílio-doença acidentário. Mesmo sem esse tipo de benefício, a estabilidade pode ser reconhecida pela Justiça, desde que fique comprovado o nexo entre o adoecimento e o trabalho. Nos casos de afastamento, o INSS avalia tanto a incapacidade quanto a relação com a atividade profissional. Nesses casos, há dois tipos de benefício: Sem nexo ocupacional: benefício comum (B31) Com nexo ocupacional: benefício acidentário (B91) A diferença é relevante. No B91, o trabalhador tem direito à estabilidade de 12 meses após o retorno e ao depósito do FGTS durante o afastamento — o que não ocorre no benefício comum. “O afastamento por si só não garante estabilidade. É necessário comprovar a relação entre o adoecimento e o trabalho”, explica a advogada. “Mesmo quando o benefício é comum, a Justiça pode reconhecer esse direito, se houver prova do nexo”, completa. De acordo com Nathalia, há aumento na judicialização e maior sensibilidade do Judiciário em relação aos casos de saúde mental. “Isso não significa condenação automática, mas uma tendência de maior responsabilização quando há falha da empresa”, afirma. A especialista ainda destaca que a cobrança por produtividade não é ilegal, mas passa a ser considerada abusiva quando ultrapassa limites e expõe o trabalhador a situações de humilhação, pressão excessiva ou desgaste contínuo. Atraso na atualização da NR-1 Em 2024, o governo anunciou a atualização da NR‑1, que passaria a incluir os riscos psicossociais na fiscalização do ambiente de trabalho. O que mudaria com a NR-1? Com a atualização da norma, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho. ➡️ Ou seja, isso passaria a ter o mesmo peso de fiscalização de pontos como questões que envolvem acidente de trabalho ou doença. Prevista inicialmente para 2025, a regra foi adiada para maio de 2026 e pode sofrer novo adiamento após pressão de entidades empresariais. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (30) que não pretende adiar novamente a atualização da NR-1. Segundo ele, “já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”. O ministro ainda afirmou que uma nova mudança só ocorreria em caso de acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que hoje não existe. Em nota enviada ao g1, o Ministério do Trabalho afirmou que, "neste momento, segue em vigor a Portaria MTE nº 1.419/2024, que inclui os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) a partir de 26 de maio". Por outro lado, auditores fiscais e o MPT defendem que seja mantido o prazo de 26 de maio. Para esses órgãos, as exigências não são novas e o adiamento pode comprometer a proteção à saúde dos trabalhadores. Enquanto o debate segue sem definição, especialistas alertam que o crescimento dos afastamentos reforça a urgência de medidas concretas para melhorar as condições de trabalho e prevenir o adoecimento mental. Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde

Fecomércio A equipe econômica está prevendo que as despesas totais do governo somem R$ 2,63 trilhões em 2026, com um crescimento real (acima da inflação) de 7,95%, ou R$ 194 bilhões. Os números constam no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado neste mês ao Congresso Nacional. Em 2025, os gastos do governo somaram R$ 2,44 trilhões. Vídeos em alta no g1 ➡️Com uma alta real (acima da inflação) projetada de quase 8% em 2026, um ano eleitoral, as despesas totais subirão 3,2 vezes acima do limite de 2,5% existente no arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. ➡️De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento real das despesas pode apresentar "valores distintos" do limite de 2,5% do arcabouço fiscal por conta de alguns fatores. São eles: despesas fora do limite da regra fiscal; período diferente de cálculo, pois a regra fiscal considera a alta real com base na inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior; etapa de execução da despesa, ao comparar dotação com valores pagos ou liquidados. Governo apresenta o projeto que define metas e prioridades para o orçamento de 2027 O g1 entrou em contato com o Tesouro Nacional e questionou se o arcabouço fiscal está falhando em conter as despesas, apesar do limite de 2,5% fixado. "Sim, a regra está em pleno funcionamento, com observância por todos os Poderes. Conforme mencionado, há seção específica do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do 1º bimestre de 2026 que demonstra a compatibilidade das projeções com o limite de despesas estipulado pela LC nº 200/2023", disse o Ministério da Fazenda. Crescem as exceções ao limite de gastos ➡️Conforme a explicação do governo, um motivo para alta real projetada dos gastos quase três vezes acima do teto do arcabouço, em 2026, são gastos fora do teto de 2,5%. Veja despesas não sujeitas ao limite da regra fiscal: Repasses aos estados e municípios de benefícios constitucionais por meio dos fundos de participação; Créditos extraordinários; Contribuição do Salário Educação; Exploração de Recursos Naturais; Complementação da União ao Fundeb; Fundo Constitucional do Distrito Federal; Precatórios (que voltam progressivamente para a meta em dez anos); Fundos de compensação e de desenvolvimento regional aos estados (decorrentes da reforma tributária sobre o consumo); E receitas próprias do Poder Judiciário, entre outros. Tesouro Nacional Ministério da Fazenda/Reprodução A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estima que cerca de R$ 250 bilhões em gastos (sem contar as transferências constitucionais aos estados e municípios) estarão fora do limite do arcabouço fiscal neste ano. ➡️O órgão observou, em estudo divulgado no fim de 2025, que as exceções ao arcabouço fiscal cresceram nos últimos anos. Avaliou, ainda, que o "uso contínuo" dessas exceções pode trazer um "indesejável enfraquecimento dessas regras como âncoras fiscais". "No limite, as regras deixariam de orientar os rumos da política fiscal, diminuindo a previsibilidade da atuação do poder público em relação à execução das despesas primárias", avaliou a instituição. Estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, divulgado em 2025, chega à mesma conclusão. "As novas exclusões e constituição de arranjos extraorçamentários cumulativamente reduzem a universalidade da regra e podem afetar a credibilidade do arcabouço fiscal (...) A consolidação do regime fiscal dependerá da capacidade do Congresso Nacional, do Poder Executivo e dos órgãos de controle em resistir à proliferação de exceções e fundos privados", diz o texto. Previdência e gastos com servidores ➡️Grande parte da pressão de aumento dos gastos, porém, está relacionada às despesas previdenciárias — estas dentro do limite do arcabouço fiscal —, com estimativa de uma alta real (acima da inflação) de 7,6% neste ano, o equivalente a quase R$ 80 bilhões. O crescimento de gastos da Previdência, por sua vez, tem a ver com a política de aumento do salário mínimo acima da inflação adotada pelo presidente Lula. Como o salário mínimo é o piso de aposentadorias, pensões e outros benefícios, seu aumento implica em mais gastos públicos. A estimativa do governo é de que a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, os gastos previdenciários subam cerca de R$ 400 milhões. Além do reajuste do salário mínimo, o governo também informou que buscará reduzir a fila do INSS, o que também pressionará as despesas em 2026. Grande parte da pressão de aumento dos gastos está relacionada às despesas previdenciárias. Wilton Junior/Estadão Conteúdo ➡️O governo estima ainda que os gastos com os servidores públicos terão forte alta neste ano, somando R$ 457 bilhões, um aumento real de quase 12% (bem acima do limite de 2,5% do arcabouço fiscal). Nesse caso, o aumento estimado é de R$ 47 bilhões. O governo Lula retomou a política de reajustes salariais aos servidores públicos, interrompida na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também vem concedendo aumento de outros benefícios, como o vale alimentação. Pressão sobre os gastos livres ➡️Como os gastos com benefícios previdenciários e com servidores estão dentro do limite do arcabouço fiscal e são obrigatórios, eles não podem ser cortados pelo governo federal. ➡️Para atingir a meta fiscal e limitar as despesas sujeitas ao teto dentro do limite de alta real de 2,5%, a área econômica terá de comprimir os gastos livres, chamados de "discricionários". Entre os gastos livres (discricionários) do governo, estão: investimentos em infraestrutura; verbas para a defesa agropecuária; bolsas do CNPq e da Capes; emissão de passaportes; fiscalização ambiental e do trabalho escravo; Farmácia Popular; despesas administrativas; recursos para universidades federais; e recursos para agências reguladoras, entre outros. Com essa dinâmica de expansão dos gastos obrigatórios, economistas avaliam que será necessária uma nova reforma fiscal no futuro, pois o arcabouço, com as regras atuais, ficará insustentável. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que Lula enfrentará, já neste ano, restrições para investimentos e gastos livres dos ministério. A paralisia da máquina pública só não acontecerá em 2027 por conta da mudança na regra da contabilização dos precatórios dentro da meta fiscal. Crescimento da dívida pública A dinâmica de crescimento dos gastos também está pressionando a inflação, o que demanda juros mais altos por parte do Banco Central. Atualmente, a taxa básica da economia está em 14,5% ao ano, patamar historicamente elevado. Esse chamado ciclo vicioso de aumento de gastos e de juros elevados, por sua vez, pressiona a dívida pública brasileira — que já está acima dos países emergentes e da Zona do Euro. 💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país. 🔎 A dívida do setor público consolidado é considerada um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise. Para conter o endividamento público, analistas apontam que o governo deveria retomar superávits nas contas públicas por meio de reformas mais profundas nos gastos obrigatórios (previdenciários, pessoal e sociais, por exemplo). Apesar da ausência de medidas mais duras no primeiro mandato do presidente Lula, a equipe econômica já deu sinais de preocupação sobre o aumento dos gastos obrigatórios. No ano passado, o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos. Antes de deixar o cargo em março, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente os voltados à assistência social. Um controle maior dos gastos públicos é algo que vem sendo pedido por economistas do mercado financeiro desde o início do governo Lula. Além da reforma de gastos sociais e de uma nova reforma previdenciária, eles também recomendam uma reforma administrativa, a desvinculação do salário mínimo das despesas previdenciárias e a desindexação de despesas com saúde e educação, entre outras medidas.

Anatolii Doroshenko é pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, na Ucrânia Getty Images via BBC O reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ficou completamente destruído com a explosão fatal do dia 26 de abril de 1986. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, a cerca de 10 metros de profundidade, permanecem os centros de controle e monitoramento, que sobreviveram ao desastre. "É como um grande labirinto embaixo do reator", explica à BBC o pesquisador Anatolii Doroshenko, de 38 anos, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP, na sigla em inglês). Vídeos em alta no g1 Seu trabalho inclui percorrer esse labirinto pelo menos uma vez por mês — uma missão que, segundo a revista New Scientist, "pode ser considerada o trabalho mais perigoso do mundo". Naquela rede de salas e corredores subterrâneos, tudo está contaminado pela radiação: o piso, os equipamentos, as paredes e até o ar. A explosão do dia 26 de abril de 1986 destruiu o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia Getty Images via BBC Ali, Doroshenko se encarrega de revisar os equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível nuclear. Em algumas salas, a radiação é tão alta que o pesquisador precisa completar suas tarefas em menos de quatro minutos e sair imediatamente. Em outras, os níveis de radiação não permitem nem mesmo que ele se detenha por ali. Seu trabalho é fundamental para garantir que as condições do reator se mantenham estáveis. Doroshenko reconhece que seu trabalho gera medo, mas ele usa esse receio como seu aliado. "O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação", explica ele. "Aqui, o maior risco é se acostumar às condições do lugar. Se você se acostumar ao medo, começa a ignorar que está rodeado de radiação. Qualquer coisa, uma luva, uma peça metálica, pode estar contaminada, mesmo que não se observe." Doroshenko (esq.) trabalha na usina nuclear de Chernobyl há 12 anos Arquivo Pessoal Sob as ruínas Os labirintos percorridos por Doroshenko são as instalações de onde era controlada a usina de Chernobyl. O local é escuro. Alguns corredores têm iluminação, mas o pesquisador e seus colegas sempre levam lanternas. Algumas passagens são tão estreitas que eles precisam caminhar agachados. Todas as salas e corredores estão sinalizados, mas é preciso conhecer bem o caminho para não se perder entre as passagens. Eles também contam com mapas de contaminação, que indicam quais são as áreas com maior radioatividade. "Aqui, todos os cientistas sabem onde podemos trabalhar e onde não", explica Doroshenko. Visitante da central nuclear de Chernobyl grava na sala de controle do bloco 4 destruído da usina Getty Images via BBC O local está repleto de tubos com água radioativa e perigosas formações de cório, uma substância produzida quando o combustível nuclear, sob temperaturas de milhares de graus Celsius, se misturou com a estrutura do núcleo do reator. Essa substância se infiltrou entre as ruínas, como se fosse lava, formando figuras peculiares. Uma das mais conhecidas é a chamada "pata de elefante". A 'pata de elefante' é uma formação de cório altamente radioativa Getty Images via BBC Locais inatingíveis Existem ainda na unidade 4 cerca de 200 toneladas de combustível nuclear, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. A previsão é que recuperar esse material altamente radioativo leve cerca de 40 anos. Tudo está coberto por um sarcófago que, por sua vez, está rodeado pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço mais alto que a Estátua da Liberdade. Ele foi projetado para vedar hermeticamente, durante 100 anos, o reator 4 e proteger o mundo da radiação de Chernobyl. Grande parte desse combustível nuclear está em locais inatingíveis para Doroshenko e seus colegas. Corredor dentro da central nuclear de Chernobyl Getty Images via BBC Após a explosão de 1986, a unidade 4 foi coberta com grandes volumes de cimento, para deter a infiltração da radiação. "Se pudéssemos retirar amostras do reator destruído, poderíamos determinar precisamente seu nível de risco nuclear", explica Doroshenko. "Mas ele está sob uma enorme camada de cimento e o acesso humano é impossível. Por isso, realizamos medições para compreender quais processos ocorrem no combustível nuclear." Tudo no interior do reator 4 de Chernobyl está contaminado pela radiação. Getty Images via BBC 'Quase eufórico' Para descer até o labirinto, Doroshenko utiliza diversas camadas de roupas protetoras. Elas incluem protetores dos braços, de sapatos e um respirador FFP2 com válvula. Em algumas regiões mais estreitas, onde é preciso abrir caminho entre os escombros, ele acrescenta um traje especial de polietileno. Ao sair, ele deve passar por diversos pontos de controle e por uma "zona suja", onde tira a roupa, que passa a ser descontaminada ou diretamente destruída, caso não se consiga remover a radiação. Em seguida, vem uma ducha obrigatória e uma estação de dosimetria para confirmar que não haja partículas radioativas no seu corpo. Doroshenko afirma que, para manter a segurança no reator, é preciso não entrar em pânico Arquivo pessoal Doroshenko gosta do seu trabalho. Ele conta que visitar a unidade 4 o leva a um estado de "quase euforia", uma emoção que, segundo ele acredita, pode ser comparada com escalar o Everest. Mas, mesmo assim, ele insiste que é fundamental manter o controle. "O principal é não entrar em pânico. O pânico leva você a cometer erros." Cerca de 10 metros abaixo do reator 4 de Chernobyl, existe uma rede de salas e corredores que Doroshenko percorre uma vez por mês Getty Images via BBC "Este lugar está repleto de mitos e é frequentemente demonizado, mas não é tão assustador, como muitos tentam apresentá-lo", explica o pesquisador. "Quando você está ali, se dá conta de que é uma estrutura criada por seres humanos. Você compreende que aquele espaço exige vigilância e supervisão constante." "Se pessoas como nós deixarmos de descer ali, será iniciado um processo sem controle, o que é perigoso", afirma ele. O reator 4 está coberto pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para durar 100 anos Getty Images via BBC Contra o esquecimento Uma vez por ano, Anatolii Doroshenko passa por exames médicos obrigatórios e, nas suas férias, tenta sempre ir para o mar. "Continuarei descendo para os labirintos do reator enquanto puder", afirma ele. "Não me impuseram um limite. Se vier uma geração que possa me substituir, pensarei em me aposentar. Mas, por enquanto, não penso nisso." Para ele, o mais importante é que as pessoas tenham em mente os desafios enfrentados em Chernobyl: conter a radiação dos resíduos de combustível nuclear e manter o controle das instalações. "É um trabalho duro. Chernobyl não deve ser esquecida." Imagem inicial de Caroline Souza, da Equipe de Jornalismo Visual da BBC Américas, com fotos da Getty Images e da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.

As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados Tem feriado que cai no meio da semana e vira só uma pausa isolada. Mas outros parecem feitos sob medida para quem quer esticar o descanso sem gastar tantos dias de férias, e 2026 ainda guarda algumas dessas oportunidades no calendário. A partir de abril, ainda dá para planejar folgas estratégicas que, com poucos dias de folga, se transformam em períodos mais longos longe do trabalho. Em alguns casos, a combinação de feriados com fins de semana permite emendar até seis dias seguidos de descanso. A legislação trabalhista permite emendar férias com feriados, desde que sejam respeitadas as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como a proibição de iniciar o período de férias nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal. A seguir, o g1 apresenta as combinações mais vantajosas entre feriados e férias ao longo de 2026. 👷 Dia do Trabalhador — até 17 dias de descanso usando 12 dias de férias 📅 Sugestão: 4 a 15 de maio O feriado de 1º de Maio cai numa sexta-feira. Ao emendar as férias logo depois, é possível aproveitar dois fins de semana e somar até 17 dias de folga. 🗡️ Independência do Brasil — até 16 dias usando 11 dias de férias 📅 Sugestão: 8 a 18 de setembro O feriado de 7 de setembro cai numa segunda-feira. Com férias encaixadas e dois fins de semana, o descanso pode render até 16 dias. 🙏 Nossa Senhora Aparecida até Finados — até 24 dias de descanso usando 18 dias de férias 📅 Sugestão: 13 a 30 de outubro O feriado de 12 de outubro (segunda-feira) pode ser o início de uma folga que vai até antes de 2 de novembro (domingo). É uma boa opção para quem deseja viajar para fora do país ou descansar por mais tempo. ⚰️ Finados + Consciência Negra — até 23 dias de descanso usando 17 dias de férias 📅 Sugestão: 31 de outubro a 22 de novembro Ao combinar os feriados de 2 de novembro (domingo) e 20 de novembro (quinta-feira), é possível garantir um dos períodos mais vantajosos do segundo semestre. 🎄Natal e Ano Novo — pausa prolongada no fim de ano Tanto o Natal quanto a Confraternização Nacional caem em sextas-feiras, o que facilita a criação de um recesso prolongado no final do ano. ➡️ No final desta reportagem, confira o calendário com feriados e pontos facultativos de 2026. Antes de marcar as férias, é importante lembrar algumas regras da CLT — e não são poucas. Por exemplo, existe um limite mínimo de dias para o descanso. Assim, quem pretende pedir apenas quatro dias para emendar com um feriado não conseguirá. Mesmo quem deseja vender parte das férias para receber um dinheiro extra deve respeitar o limite máximo permitido por lei. O g1 ouviu o advogado trabalhista Bruno Okajima para ajudar no planejamento. A seguir, ele responde às principais dúvidas: 🗓️ Posso emendar as férias com feriados ou finais de semana? ➗ Em quantas vezes posso parcelar as férias? 🤝 Quem decide as férias: o empregador ou o empregado? ❌ Posso cancelar ou alterar o período de férias já marcado? 💵 É possível vender todos os dias de férias? 🙅♂️ É possível perder o direito às férias? 👩🎓 Estagiários, temporários e PJs têm direito a férias? 📝 Veja o calendário de feriados em 2026 🗓️ Posso emendar as férias com feriados ou finais de semana? Sim, desde que as férias não comecem nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal remunerado. Segundo Okajima, essa regra evita que o trabalhador “perca” dias de férias ao coincidir com descansos já garantidos por lei. Além disso, convenções ou acordos coletivos podem estabelecer regras próprias sobre a emenda ou o início do período. Volte ao início. ➗ Em quantas vezes posso parcelar as férias? Desde a reforma trabalhista, as férias podem ser divididas em até três períodos. Um deles precisa ter pelo menos 14 dias corridos, e os outros dois, no mínimo 5 dias cada. “O fracionamento depende de acordo entre empregado e empregador, e normas coletivas podem impor restrições ou condições específicas”, explica Okajima. Volte ao início. 🤝 Quem decide as férias: o empregador ou o empregado? A decisão cabe ao empregador, que deve avisar o trabalhador com, no mínimo, 10 dias de antecedência. Há exceções, como no caso de familiares que trabalham na mesma empresa, que podem tirar férias no mesmo período. Volte ao início. ❌ Posso cancelar ou alterar o período de férias já marcado? Em regra, as férias são definidas pelo empregador, que deve comunicá-las com 30 dias de antecedência. Após esse prazo, só podem ser alteradas ou canceladas mediante comum acordo. Se o empregado já tiver assumido compromissos, como a compra de passagens, uma alteração unilateral pode gerar questionamentos. Algumas normas coletivas também preveem hipóteses de mudança em razão de necessidade do serviço. Volte ao início. 💵 É possível vender todos os dias de férias? Não. A CLT só permite vender até um terço do período — ou seja, até 10 dias, no caso de férias de 30 dias. Esse direito, chamado de abono pecuniário, deve ser solicitado até 15 dias antes do fim do período aquisitivo. O pagamento deve ser feito junto com o das férias, até dois dias antes do início do descanso, e o empregador não pode recusar o pedido. Volte ao início. 🙅♂️ É possível perder o direito às férias? Sim. O trabalhador pode perder o direito se tiver mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo ou em situações como: licença remunerada superior a 30 dias, paralisação da empresa por mais de 30 dias com salário pago ou afastamento previdenciário (auxílio-doença ou acidente) por mais de seis meses, mesmo que descontínuos. Fora essas hipóteses, o direito é irrenunciável. Caso a empresa não conceda as férias dentro do prazo legal, terá de pagá-las em dobro, explica Okajima. Volte ao início. 👩🎓 Estagiários, temporários e PJs têm direito a férias? A CLT assegura férias remuneradas a quem trabalha com carteira assinada, após 12 meses de serviço. Estagiários, embora não sejam regidos pela CLT, têm direito a um recesso de 30 dias após um ano de estágio — proporcional se o período for menor — e remunerado quando há bolsa ou outra forma de contraprestação. Já profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ) não têm direito a férias, pois são considerados autônomos. Trabalhadores temporários, por sua vez, recebem férias proporcionais ao tempo trabalhado, pagas na rescisão se o contrato terminar antes de completar um ano. Volte ao início. Veja o calendário de feriados em 2026 Calendário 2026 g1 Volte ao início. A ilha de Necker, que fica em arquipélago do caribe Divulgação/Necker Island

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de maio do Bolsa Família no dia 18. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para maio de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/5 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/5 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/5 Final do NIS: 4 - pagamento em 21/5 Final do NIS: 5 - pagamento em 22/5 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/5 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/5 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/5 Final do NIS: 9 - pagamento em 28/5 Final do NIS: 0 - pagamento em 29/5 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Junho: de 17/6 a 30/6; Julho: de 20/7 a 31/7; Agosto: de 18/8 a 31/8; Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

O Brasil e o acordo 'ganha-ganha' entre UE e Mercosul O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começa a ser aplicado provisoriamente nesta sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A implementação é gradual, mas já produz efeitos imediatos sobre as exportações brasileiras. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada já nesta etapa inicial. 🛒 Ao todo, mais de 5 mil itens entram no mercado europeu sem imposto, ampliando o acesso das empresas nacionais. Embora o Brasil seja o principal beneficiado, concentrando mais de 80% do comércio do Mercosul com a União Europeia e tendo papel central nas negociações, isso não necessariamente se traduz em ganhos uniformes entre setores e regiões do país. Estimativas do governo apontam para um impacto positivo, porém limitado, entre 0,3% e 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com efeitos mais concentrados sobre atividades mais ligadas ao comércio exterior. (veja o mapa abaixo) Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Regiane Bressan explicou que o acordo amplia oportunidades, ao mesmo tempo em que expõe fragilidades estruturais do país. “Ele beneficia quem já é competitivo, mas deve acabar pressionando quem depende mais do mercado interno.” Quem ganha e quem perde com o acordo UE-Mercosul Arte/g1 Quem ganha no curto prazo? 🌾 Agronegócio exportador Os ganhos mais rápidos devem aparecer no agronegócio voltado à exportação, setor tradicionalmente competitivo e favorecido pelo desenho do acordo. Entre os produtos brasileiros com maior potencial de aumento nas vendas para a União Europeia estão: carnes de aves e suína; óleos vegetais; açúcar; etanol para uso industrial; café não torrado. Embora o acesso ao mercado europeu seja limitado por cotas em itens sensíveis, como carne bovina e açúcar, especialistas destacam que o volume autorizado já representa uma ampliação relevante em relação ao comércio atual. Esses efeitos tendem a beneficiar principalmente o Centro-Oeste, onde se concentram grãos e proteína animal, e parte do Sul, com forte presença de agroindústria exportadora. 🏭 Indústria exportadora Diferentemente de outros acordos firmados pelo Brasil, o tratado com a União Europeia também traz ganhos imediatos para a indústria exportadora. Dados da CNI mostram que, dos 2.932 produtos brasileiros com tarifa zerada já na entrada em vigor, cerca de 93% são bens industriais. Entre os setores mais beneficiados estão: máquinas e equipamentos; metalurgia; materiais elétricos; produtos químicos; alimentos industrializados. No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas. Segundo a entidade, a eliminação das tarifas reduz custos e aumenta a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes de países que não possuem acordo comercial com o bloco europeu. Quem ganha no médio e longo prazo? 🚢 Indústria dependente de insumos europeus Outro grupo que pode se beneficiar do acordo — ainda que de forma mais gradual — é a indústria brasileira que utiliza insumos, máquinas e componentes europeus. Hoje, tarifas que chegam a 35% encarecem equipamentos, peças e produtos químicos importados da União Europeia. Com a eliminação progressiva dessas tarifas, empresas podem reduzir custos de produção, ganhar eficiência e melhorar sua competitividade, inclusive no mercado interno. Entre os segmentos com potencial de ganho estão: indústria química; farmacêutica; autopeças; máquinas e equipamentos; setores de alta dependência tecnológica. Especialistas ressaltam, porém, que esses ganhos dependem de investimentos, modernização e de um ambiente de negócios mais favorável no país. Quem enfrenta mais riscos? ⚙️ Indústria menos competitiva Por outro lado, o acordo tende a aumentar a pressão sobre setores industriais menos competitivos, sobretudo aqueles voltados ao mercado interno e com menor capacidade de inovação. Mesmo com prazos longos para a redução de tarifas — que em alguns casos chegam a 15 ou 18 anos —, a expectativa é de intensificação gradual da concorrência com produtos europeus de maior valor agregado. O risco, segundo especialistas, não é um fechamento abrupto de fábricas, mas uma perda progressiva de participação de mercado, especialmente no Sudeste, principal polo industrial do país. 👨🌾 Agricultura familiar e pequenos produtores Outro grupo que vê o acordo com cautela é o da agricultura familiar e de pequenos produtores, especialmente em segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais. Embora o tratado proteja indicações geográficas brasileiras, produtores apontam que a concorrência com produtos europeus — muitas vezes subsidiados e produzidos em grande escala — pode dificultar a permanência no mercado doméstico. Para esses segmentos, Bressan destaca que o acordo exige adaptação rápida, acesso a crédito, certificações e políticas públicas de apoio. INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passa a valer de forma provisória no Brasil nessa sexta-feira (1°). Com isso, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu. ➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa. Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local. Os produtores da UE desses setores são justamente os que resistem ao acordo, mesmo após sua assinatura em 17 de janeiro. Por pressão deles e de ambientalistas, o Parlamento europeu enviou o tratado para o Tribunal de Justiça do bloco, o que deve atrasar sua implementação definitiva . Ainda assim, a aplicação provisória já permite o início da redução das tarifas. Ao longo dos últimos meses, o g1 conversou com diversos setores do agro brasileiro para entender os potenciais benefícios do acordo e suas limitações. Mesmo os segmentos que já exportavam com tarifa zero para a UE avaliam positivamente o tratado, pois, segundo eles, acordos comerciais não se limitam à redução de tarifas, mas também abrem espaço para ampliação de investimentos bilaterais. A seguir, veja como fica o acordo para: Frutas; Café; Carnes; Sucos; Soja e celulose. 10 produtos do agro que o Brasil mais vende para a União Europeia. Arte/g1 🍇🍋🟩Frutas devem ganhar espaço na Europa Os exportadores de frutas estão entre os setores que mais devem se beneficiar do tratado. A uva brasileira, por exemplo, passará a entrar na União Europeia com tarifa zero a partir dessa sexta (1º), diz Luiz Roberto Barcelos, diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Outros produtos como abacate, limão, melão, melancia e maçã terão tarifas zeradas de 4 a 7 anos. O cronograma ficou assim: 🍇uva: tarifa de 11% zera imediatamente; 🥑abacate: taxa de 4% zera em 4 anos; 🍋🟩limão: imposto de 14% zera em 4 anos; 🍉melão e melancia: taxa de 9% zera em 7 anos; 🍎maçã: taxa de 10% zera em 10 anos. Segundo Barcelos, a medida tende a impulsionar o consumo de frutas brasileiras no continente europeu, ao reduzir os custos para os importadores. "O Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra europeia, além de frutas tropicais que não são produzidas localmente, o que reduz riscos de competição direta com produtores do bloco", afirma. Voltar ao índice. ☕ Café solúvel e moído se beneficiam Nesse setor, os cafés solúvel e moído são os que mais devem ganhar com o acordo, pois o produto em grão, que representa 97% das vendas para a Europa, já entra no bloco sem tarifa. A UE aplica uma taxa de importação de 9% sobre o café solúvel brasileiro e de 7,5% sobre o torrado e moído. Mas, a partir dessa sexta, essas taxas vão começar a cair todos os anos, até zerar em 2030. "Cada ano, a taxa cairá 25%. No quinto ano, será zerada completamente", disse ao g1 Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca. Para ele, mesmo que quase todas as exportações já sejam isentas de tarifa, os benefícios de um tratado comercial não devem ser subestimados. "Um acordo comercial é mais do que redução de tarifas. No setor de café, isso representa, por exemplo, a possibilidade de um grande grupo empresarial investir em fábricas no Brasil, de produzir seus blends aqui", afirma. Champagne, gorgonzola, queijo Canastra: produtos ficam protegidos contra imitação após acordo UE-Mercosul; veja lista Voltar ao início. 🥩Carnes têm potencial limitado Já o potencial de aumento das exportações de carnes é mais restrito, seja pelas cotas que condicionam a redução de tarifas, seja pelas regras que a UE aprovou para proteger seus pecuaristas. Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes. Tradicionalmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação na UE. Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Com o acordo, esse percentual será zerado, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Outros tipos de carne pagavam tarifa de 12,8% mais 221,1 euros por 100 kg. Com o acordo, essa cobrança é substituída por uma cota conjunta para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai de até 99 mil toneladas anuais, com tarifa de 7,5% — bem abaixo das 128 mil toneladas que o Brasil exportou sozinho para a UE no ano passado. Em dezembro do ano passado, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, disse que a nova cota é pequena, mas que o acordo em si fortalece as relações com a UE. Já Roberto Perosa, presidente da Abiec, questionou em janeiro se o mercado terá "apetite" para crescer além do patamar atual ou se o acordo servirá sobretudo para reduzir o imposto sobre o que já é exportado, melhorando margens de lucro sem ampliar volumes. Como ficam as carnes de aves Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves. Até então, o setor contava com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país exporta até 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada. A partir dessa sexta, contudo, o Brasil passa a ter, junto a outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero. A cota começa menor no primeiro ano e cresce em parcelas anuais iguais até atingir o total no sexto ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As exportações fora dessa cota continuarão sujeitas às tarifas atuais. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a entidade, em dezembro. "Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA. Veja um raio X das exportações do agro brasileiro para o bloco europeu Voltar ao início. 🧃Sucos terão tarifa zero em 10 anos No setor de sucos de laranjas, os principais produtos exportados terão redução gradual de tarifas até chegar a zero em 7 a 10 anos. As alíquotas vigentes até então variavam de 12,2% a 33,6%, com algumas categorias sujeitas a um valor adicional por quilo. "Em cinco anos, já alcançaremos uma tarifa 50% menor do que a praticada hoje, o que é relevante", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, em dezembro. Segundo a associação, a diminuição das taxas deve gerar uma economia tarifária de aproximadamente US$ 250 milhões — o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão — nos primeiros cinco anos de vigência para as exportações brasileiras de suco de laranja. Voltar ao início. ➡️ Soja e celulose A soja e os produtos florestais são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais exportados pelo Brasil à UE, atrás apenas do café. Eles já têm tarifa zero na Europa, mas associações setoriais celebraram o acordo. “Trata-se de uma negociação construída ao longo de muitos anos, que agora dá mais um passo estratégico para aproximar duas regiões, em um momento de escala do protecionismo e forte enfraquecimento do multilateralismo como conhecíamos até então", diz Paulo Hartung, presidente executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) "No caso da celulose, [...] o ganho está mais ligado ao ambiente geral, com maior previsibilidade e segurança nas relações comerciais entre os blocos.” Já a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) disse que "o acordo poderá reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados". Voltar ao início. Blindagem do agro europeu incomodou Em dezembro, a UE aprovou uma série de proteções aos seus produtores rurais, conhecidas como "salvaguardas", que incomodaram o agro brasileiro. Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local. Ainda em dezembro, Sueme Mori da CNA disse que as salvaguardas são preocupantes. Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio. Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes, mas que farão parte de um regulamento interno da UE. Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios. Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%. Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis. "Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia. Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou. Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas. "Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1. Acordo que se arrasta desde os anos 90 O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates. As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia. O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países. Em janeiro, o tratado foi assinado e entra em vigor de forma provisória nessa sexta. “É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupo das maiores economias do mundo. Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil Confira os principais clientes do agro brasileiro em 2025 Arte g1 Quanto dos principais produtos do agro brasileiro foi para a UE em 2025 Arte/g1

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro A taxa de importação sobre vinhos europeus e champanhes começa a cair progressivamente nessa sexta-feira (1°) e será zerada em 2034. A mudança faz parte do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passa a valer de forma provisória a partir deste mês. 🍷 O imposto de importação sobre vinhos cairá de 27% para 24% nesta sexta, e para 21% em 1º de janeiro de 2027. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Abaixo, o g1 mostra como fica a tarifa ano a ano, com base em informações obtidas junto aos Ministérios do Desenvolvimento (Mdic) e da Agricultura (Mapa) e à Comissão Europeia. Veja como ficam as taxas de importação de vinhos europeus e de champanhe até 2034. Arte/g1 Já os espumantes têm um cronograma diferente. As garrafas com preço acima de US$ 8 por litro terão a tarifa zerada imediatamente. Já os rótulos abaixo desse valor só ficarão isentos após 12 anos. ➡️ A diferença entre champanhe e espumante está em sua origem: todo champanhe é um espumante, mas só pode receber esse nome se for feito na região de Champagne, na França, seguindo regras específicas de produção. A redução de tarifas será aplicada mesmo na fase provisória do acordo, que só não entrou em vigor de forma definitiva por causa resistência de produtores rurais europeus, principalmente dos franceses. Eles temem que produtos agrícolas sul-americanos se tornem mais baratos na Europa, reduzindo a competitividade dos produtores locais O acordo foi assinado no dia 17 de janeiro, após mais de 25 anos de negociações marcadas por idas e vindas. No entanto, quatro dias depois, o Parlamento europeu decidiu enviar o tratado para o Tribunal de Justiça da UE para revisão jurídica, o que deve atrasar a implementação definitiva. Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil Vinho europeu vai ficar mais barato? Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV, diz que a redução de imposto pode baratear o preço dos vinhos e ampliar a variedade de rótulos europeus no país. Ele explica que a Europa, diferentemente do Brasil, reúne alguns dos maiores produtores de vinho do mundo — como Itália, França e Espanha —, o que permite a oferta de bebidas mais baratas. “É possível encontrar vinhos muito bons por dois, três ou quatro euros”, afirma. No entanto, na visão dele, o que desestimula a compra desses vinhos mais baratos pelo Brasil é justamente a alta taxa de importação. "Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter. Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço. "Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta. "Hoje, para você ter um preço competitivo, você compra do Chile ou da Argentina", comenta o professor. Esses dois países sul-americanos têm um volume de produção de vinho bem maior que o do Brasil. E é por isso que os rótulos chilenos e argentinos são, em geral, mais em conta que os nacionais no mercado brasileiro, diz Kanter. Com o tempo, ele acredita que os vinhos europeus sigam a mesma tendência observada hoje nos rótulos chilenos e argentinos. O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda, e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional. Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente. Vinhos em todas as épocas do ano Freepik

Governo Federal anuncia novo programa para a renegociação de dívidas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que o pacote de medidas do governo para reduzir o endividamento das famílias brasileiras será lançado oficialmente na próxima segunda-feira (4). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão pelo Dia do Trabalhador, Lula disse que pessoas endividadas terão acesso a descontos de até 90% no valor das dívidas. As negociações também incluirão débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ele chamou o pacote de medidas de Novo Desenrola Brasil e afirmou que o programa permitirá o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Quem aderir ficará bloqueado temporariamente em plataformas de apostas online, as chamadas bets. "Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira", disse o presidente. Dados do Banco Central do Brasil mostram que as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Veja abaixo o que se sabe sobre o novo pacote do governo: O que as medidas preveem? Quem poderá aderir? Qual o objetivo das medidas? Terei desconto no pagamento das dívidas? Haverá restrições quanto ao uso do FGTS? Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS? O programa impacta as apostas em bets? Quando as medidas entrarão em vigor? O que as medidas preveem? Em linhas gerais, o programa inclui a liberação do uso do FGTS e a renegociação de dívidas de cartão de crédito, do rotativo, do crédito direto ao consumidor (CDC) e do cheque especial. 🔎 Como mostrou o g1, o uso do crédito rotativo do cartão — a modalidade mais cara do mercado financeiro — subiu quase 10% no primeiro trimestre. Esse tipo de crédito é apontado como um dos principais fatores do alto nível de endividamento da população brasileira. Nesta quinta-feira, o presidente Lula afirmou, sem dar detalhes, que as dívidas do Fies também poderão ser renegociadas dentro do programa. Voltar ao início. Quem poderá aderir? O recorte ainda não foi divulgado oficialmente pelo governo. O g1 apurou, no entanto, que o novo programa voltado à negociação de dívidas será direcionado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105,00). Voltar ao início. Qual o objetivo das medidas? A proposta do governo é reduzir o comprometimento da renda das famílias e aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico. A iniciativa ocorre no mesmo ano em que Lula concorre à reeleição. Voltar ao início. Terei desconto no pagamento das dívidas? Sim. O novo programa prevê descontos no processo de renegociação e condições mais favoráveis de pagamento, com potencial de reduzir significativamente o valor das dívidas. Segundo o governo, os brasileiros endividados terão juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida. "Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida", afirmou Lula em rede nacional. Voltar ao início. Haverá restrições quanto ao uso do FGTS? Sim. O presidente afirmou que cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do FGTS. Os recursos deverão ser usados exclusivamente para o pagamento de dívidas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, havia adiantado na quarta-feira (29) que cerca de R$ 4,5 bilhões devem ser liberados do fundo para que trabalhadores quitem débitos. Ele disse ainda que haverá um limite máximo de R$ 8 bilhões para essa finalidade, mas que o valor não deve chegar a esse patamar. Voltar ao início. Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS? Após enfrentar dificuldades jurídicas, o governo federal estuda editar uma Medida Provisória (MP) para permitir o uso do FGTS no abatimento de dívidas, segundo o blog da Ana Flor. Com a medida, o Executivo ganharia tempo enquanto o Congresso Nacional analisa o texto. 🔎 As MPs têm força de lei assim que são publicadas, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. O Legislativo pode alterar ou rejeitar o conteúdo proposto pelo Executivo. Na prática, a MP daria segurança jurídica à iniciativa e passaria a valer imediatamente após a assinatura do presidente da República, mesmo que a análise pelo Congresso se estenda, inclusive em razão do ano eleitoral. Voltar ao início. O programa impacta as apostas em bets? Sim. O presidente Lula anunciou que quem aderir ao novo programa de renegociação de dívidas ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", justificou o presidente Lula em pronunciamento. No início desta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o objetivo é evitar novos ciclos de endividamento. Voltar ao início. Quando as medidas entrarão em vigor? O Novo Desenrola Brasil será lançado oficialmente na próxima segunda-feira (4). O governo não informou, porém, quais medidas passam a valer imediatamente ou se haverá um período de transição para sua implementação. Voltar ao início. Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido Jornal Nacional/ Reprodução
Mega-Sena, concurso 3.002: aposta de Curitiba acerta as seis dezenas e leva prêmio de R$ 127 milhões

Concurso 3.002 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3.002 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (30), em São Paulo. Uma aposta de Curitiba (PR) acertou as seis dezenas e vai levar, sozinha, o prêmio de R$ 127.017.606,25. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 27 - 51 - 52 - 54 - 58 Segundo a Caixa Econômica Federal, o vencedor fez uma aposta simples de sete números em uma lotérica da capital paranaense. A quina teve 113 apostas ganhadoras, com prêmio de R$ 34.683,44 para cada uma. Na quadra, 6.556 apostas foram premiadas, com cada vencedor recebendo R$ 985,39. O próximo sorteio da Mega será no sábado (2). Mega-Sena, concurso 3.002 Reprodução/Caixa O g1 passou a transmitir, neste mês, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Supermercados BH, EPA e Mineirão assinam acordo para unir operações em MG e outros três estados Reprodução/Redes sociais A rede Supermercados BH e a DMA Distribuidora, que controla o EPA e o Mineirão Atacarejo, assinaram um acordo para unir as operações comerciais nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. A negociação foi oficializada na última terça-feira (28). Em comunicado público, o grupo Supermercados BH afirmou que a medida representa um movimento estratégico para ambas as companhias. O valor da operação não foi anunciado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp A conclusão da transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de algumas condições prévias estabelecidas no acordo. O g1 procurou a autarquia federal para saber se o pedido de integração está sendo analisado, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Expectativa de 600 lojas pelo país Uma vez concluída a integração, a expectativa da varejista comandada pelo empresário Pedro Lourenço é passar a contar com aproximadamente 600 lojas pelo país, além de centros de distribuição e postos de combustíveis. "A iniciativa tem como objetivo potencializar ganhos de escala, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a capacidade de atendimento ao consumidor, com foco na melhoria contínua da experiência de compra, na ampliação do sortimento e na otimização da logística", disse a rede. Vídeos em alta no g1

Agrishow: trator tem painel que parece um videogame Já imaginou dirigir um trator como se estivesse jogando videogame? Com tela touch, mapa da lavoura e comandos simples, essa já é a realidade de produtores que visitam a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). No lugar de operações totalmente manuais, entram sistemas inteligentes que praticamente conduzem a máquina sozinhos. A tecnologia por trás dessa mudança é um piloto automático agrícola, já instalado em tratores como o MF Guide, da Massey Ferguson, com sistema da PTx Trimble, que combina GPS de alta precisão, sensores e uma interface digital parecida com a de um smartphone. “É uma interface intuitiva, porque quem vai operar nem sempre tem formação técnica. A ideia é ser fácil de usar, como um celular”, explica a especialista de marketing de produto de PTx, Rosiéli Mika. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Na prática, o operador define uma linha inicial e a partir disso o sistema mantém o trator alinhado automaticamente, com margem de erro de até 2,5 centímetros. O conjunto inclui um monitor digital, um receptor GPS de alta precisão e um sistema que atua diretamente na direção da máquina, como se fosse “uma mão mecânica” guiando o volante. Sistema de piloto automático transforma experiência de pilotar equipamentos agrícolas mais antigos em algo parecido com jogar videogame. Divulgação/PTx Menos cansaço e mais precisão no campo Além de facilitar a operação, o piloto automático muda completamente a rotina no campo. O operador fica menos cansado e pode focar em outras partes da operação. A tecnologia também garante passadas paralelas perfeitas, evitando falhas ou sobreposição no plantio e na aplicação de insumos, dois problemas que impactam diretamente no bolso do produtor. LEIA TAMBÉM Agrishow 2026: máquinas com inteligência artificial 'de fábrica' são destaques; veja novidades Tecnologia lançada no interior de SP pode transformar colheita de pimenta-do-reino; entenda Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar 'moram' no campo e combatem pragas com IA BYD se prepara para lançar nova picape no Brasil para competir com Fiat Toro; veja modelo “Se você sobrepõe a aplicação, gasta insumo à toa, se abre demais a passada do maquinário, perde área produtiva. O piloto corrige isso automaticamente, tanto uma situação quanto outro geram prejuízos que podem ser evitados para o produtor”, explica Rosiéli Além de guiar o trator, o sistema coleta dados da operação e envia tudo para plataformas digitais, permitindo que o produtor acompanhe o trabalho em tempo real, até mesmo à distância. Com isso, decisões que antes eram baseadas apenas na experiência passam a ser guiadas por informações precisas. Sistema que pode ser acoplado a tratores dá autonomia a máquinas agrícolas no campo. Divulgação/PTx Economia de combustível e ganho de produtividade Os ganhos vão além da praticidade. Segundo as empresas, o uso do piloto automático pode gerar economia de até 12% de combustível e aumento de produtividade de até 10%. Isso acontece porque o sistema reduz manobras desnecessárias e otimiza o trajeto da máquina na lavoura. Outro ponto que chama atenção é que não é preciso comprar um trator novo para ter acesso à tecnologia. O sistema pode ser instalado em máquinas já existentes. “É um kit com monitor, volante e antena. O produtor instala no trator que ele já tem e passa a ter todos esses benefícios. Se ele faz a operação mais rápido, com mais qualidade e sem sobreposição, a rentabilidade aumenta”, explica Lucas Zanetti, gerente de marketing da Massey Ferguson. Leia mais notícias da Agrishow 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026 Chris Jackson/Pool via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que vai retirar tarifas e restrições que dificultam o comércio de uísque entre a Escócia e o estado americano de Kentucky, onde é produzido o bourbon. “As pessoas querem isso há muito tempo, já que havia um grande comércio entre países, especialmente no que diz respeito aos barris de madeira utilizados”, disse Trump em uma publicação na Truth Social. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A declaração veio após o republicano se reunir com o rei Charles III e a rainha Camilla, em visita oficial aos EUA nesta semana. Durante a passagem pelo país, o monarca fez um discurso histórico no Congresso. Segundo Trump, a medida foi adotada "em homenagem ao Rei e à Rainha do Reino Unido, que acabam de deixar a Casa Branca e em breve retornam ao seu maravilhoso país". Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 "O Rei e a Rainha me fizeram fazer algo que ninguém mais conseguiu, praticamente sem nem pedir!", acrescentou o republicano, ao destacar a própria decisão. Ele afirmou que a medida deve facilitar a cooperação entre a Escócia e o estado de Kentucky na produção de uísque e bourbon, destacando a importância do setor nas duas regiões. 🔎 Uísque é o nome geral de destilados de grãos produzidos em diversos países, como Escócia, Irlanda, EUA e Japão. O bourbon é um tipo específico de uísque feito nos EUA, com pelo menos 51% de milho e envelhecido em barris novos de carvalho carbonizados. Os EUA e o Reino Unido haviam assinado um acordo em 2025 que permite a Washington cobrar uma tarifa básica de 10% sobre a maioria dos produtos importados do Reino Unido. Após a formalização do novo anúncio de Trump, parte dessas taxas tende a cair. Segundo a BBC, representantes da indústria afirmaram que as destilarias poderão “respirar um pouco mais aliviadas em um período de forte pressão sobre o setor”. A rede britânica de comunicação acrescentou que o governo do Reino Unido confirmou que a medida se aplica a todas as tarifas sobre uísque, incluindo o irlandês. O primeiro-ministro escocês, John Swinney, comemorou a decisão. “Empregos estavam em risco. Milhões de libras estavam sendo perdidos todos os meses pela economia escocesa”, declarou. * Com informações da agência de notícias Reuters

A confiança do consumidor brasileiro caiu em abril e entrou em campo pessimista, segundo levantamento da Ipsos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou de 52,2 pontos em março para 49,2 em abril — queda de 3 pontos em um mês. O resultado rompeu a linha de neutralidade e atingiu o menor patamar em 11 meses, de acordo com o estudo. O levantamento aponta uma retração disseminada em todos os componentes do índice, com piora na percepção sobre situação financeira, emprego, consumo e expectativas para os próximos meses. A instituição classificou o movimento como uma “fadiga do otimismo”. Geração Z e os Baby Boomers são os mais pessimistas em relação ao futuro econômico Adriano Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo Para Rafael Lindemeyer, líder do cluster de experiência da Ipsos, a retração brasileira acompanha um mês de perdas quase generalizadas no mapa global. “Potências como os Estados Unidos e o Reino Unido viram seus índices derreterem (queda de 2,2 e 2,1 pontos, respectivamente). A Europa continental segue na mesma esteira, com a Alemanha perdendo 1,8 ponto. Na América Latina, a Argentina e o Chile apresentaram quedas agudas, sendo que o Chile recuou 7,5 pontos. O diagnóstico aponta que esse choque de pessimismo tem um gatilho claro: os impactos econômicos decorrentes da eclosão da Guerra no Irã”, afirma. O chamado “termômetro do presente”, que mede a percepção sobre a situação atual da economia, caiu de 44,1 para 39,4 pontos em abril. Já o índice ligado a investimentos e consumo recuou de 50 para 45,4 pontos. O indicador de emprego retraiu para 50,3 pontos, enquanto o índice de expectativas futuras passou de 65,8 para 63,6. Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros acreditam que o país está no rumo certo. Em dezembro de 2025, esse percentual era de 41%. Transmissão ao vivo g1 A percepção sobre a situação econômica do Brasil permaneceu estável em abril: 31,5% classificaram o cenário como “bom”. Apesar disso, o levantamento aponta deterioração em relação ao início do ano. Em janeiro, o índice havia chegado a 42,7%. O estudo também mostra piora na avaliação da economia local. O percentual de brasileiros que consideram a economia de sua região “forte” caiu para 31%, enquanto 48,2% acreditam que a situação econômica local estará melhor nos próximos seis meses — primeira vez no ano em que menos da metade da população demonstra expectativa de melhora. “O índice, o cenário de abril revela uma deterioração mais disseminada. O componente de Expectativas, que vinha sustentando o otimismo brasileiro, sofreu uma correção importante. Esse movimento sugere que o consumidor parou de projetar uma melhora automática no curto prazo, possivelmente influenciado pela persistência de juros elevados e revisões para cima nas projeções de inflação de itens essenciais, como alimentos e energia”, diz Lindemeyer. Na avaliação da Ipsos, os extremos geracionais foram os mais afetados pela piora das expectativas. A Geração Z e os Baby Boomers registraram as maiores quedas no otimismo em relação ao futuro econômico. A percepção sobre a situação financeira pessoal também piorou. Apenas 27,9% classificaram sua condição financeira atual como boa, enquanto 68,2% disseram acreditar que estarão em situação melhor daqui a seis meses.
Unidade Tubarão da Vale, no Espírito Santo Divulgação/Gabriel Lordêllo A Vale vai investir cerca de R$ 12 bilhões no Espírito Santo até 2030. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30), durante evento em comemoração aos 60 anos da unidade de Tubarão, em Vitória. Segundo a companhia, os investimentos serão feitos nas áreas de gestão hídrica, modernização de instalações e substituição de equipamentos. Os projetos, no entanto, não foram detalhados pela companhia. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, que esteve no evento de comemoração pelos 60 anos, na capital capixaba, falou sobre a atuação da companhia na região e destacou o pioneirismo do porto. "Celebrar os 60 anos da unidade Tubarão é reconhecer a importância do Espírito Santo para a Vale e para a mineração brasileira. Foi aqui que nasceu uma operação pioneira, baseada na integração entre mina, ferrovia e porto, que transformou nossa logística e segue estratégica para o presente e o futuro da companhia". O surgimento do Porto de Tubarão representou um avanço para a economia capixaba. Inclusive, apenas o parque industrial da Vale no estado já chegou a ser responsável por 13% do PIB (Produto Interno Brunto) do Espírito Santo. Pimenta destacou também a importância do Espírito Santo para a empresa como lobby logístico. "Investimos em soluções que também beneficiem o estado. Estamos focados em descarbonização e tecnologia", completou. Vídeos em alta no g1 LEIA TAMBÉM: VITÓRIA: Ex-PM foi executado por grupo de agiotagem de ex-policiais no ES VEJA VÍDEO: Mãe é intubada após filho colocar fogo na própria moto durante fiscalização da PM O evento contou com a presença de autoridades empresarias e políiticas, como o governador Ricardo Ferraço. Resultados A produção de pelotas de minério de ferro nas seis usinas da Vale, em Tubarão, bateu em 5,02 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026. O volume é 35,1% acima do que foi produzido nos primeiros três meses de 2025, 3,7 milhões de toneladas, avançou em 2,8% na comparação com as 4,89 milhões de toneladas que saíram das usinas no quarto trimestre do ano passado. As linhas capixabas tiveram resultado mais forte que a média geral das pelotizadoras, que ampliaram a sua produção em 14% na comparação com o início do ano passado. Os dados foram divulgados na noite de terça-feira (28), junto com os resultados da companhia. Transformação logística A história da unidade Tubarão está ligada à formação da logística da mineração do Brasil. A partir da década de 1960, o Porto de Vitória se consolidou como a principal rota de escoamento do minério de ferro extraído em Minas Gerais e transportado pela Estrada de Ferro Vitória-Minas. Porto de Tubarão foi inaugurado em 1 de abril de 1966 no Espírito Santo Arquivo/ Vale A construção do porto começou quando a Vale ainda era Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), antes da privatização da estatal. Esse movimento resultou, em 1º de abril de 1966, na inauguração do Porto de Tubarão, com a entrada em operação do Píer 1, marco decisivo para a expansão das exportações minerais brasileiras. No jornal A Gazeta do dia 2 de abril, a manchete era: "Castelo Branco inaugurou Tubarão sem falar". Três anos depois, em 1969, a unidade iniciou uma nova fase industrial com a inauguração da primeira usina de pelotização, agregando valor à produção mineral. A partir dos anos 1980, a operação passou a adotar, de forma estruturada, controles ambientais, com sistemas de recirculação de efluentes, monitoramento contínuo de emissões e ações de recuperação vegetal. Nas décadas seguintes, a expansão incluiu novos terminais, usinas e infraestruturas, além da adoção de equipamentos voltados à redução de impactos ambientais, como as barreiras de vento, instaladas a partir de 2009. Em 2016, a Unidade Tubarão avançou na segurança ambiental com o fechamento do primeiro transportador de minério do Porto, no Píer 2. Já em 2023, outro marco foi alcançado com a inauguração da usina de briquetes, reforçando o compromisso com a redução das emissões de carbono. Píer 2 do Porto de Tubarão, em Vitória Tadeu Bianconi/Agência Vale Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo