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Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência A ampliação da licença-paternidade no Brasil, sancionada na última terça-feira (31), reacendeu um debate que vai além do direito ao afastamento após o nascimento de um filho. A mudança também toca na desigualdade de gênero no mercado de trabalho: a forma como o cuidado ainda é tratado como responsabilidade feminina e como essa percepção influencia decisões empresariais, como contratações e promoções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova lei amplia o benefício de forma gradual. O período passa dos atuais cinco dias para 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 dias em 2029. O direito vale para nascimento, adoção e guarda. O texto também estende o acesso ao benefício a trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais. Apesar dos avanços, o modelo brasileiro ainda mantém o cuidado majoritariamente concentrado na mulher. A maternidade segue sendo tratada como um custo previsível: empresas projetam afastamentos e, muitas vezes, tomam decisões baseadas nessa expectativa antes mesmo da contratação, explica Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, programa de aceleração de carreiras femininas. “A ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante porque começa a endereçar a origem de um dos principais fatores que geram vieses no mercado de trabalho, que é a distribuição do cuidado”, afirma. Segundo Dhafyni, quando apenas a mulher se afasta, o mercado concentra nela todo o custo percebido da parentalidade. Esse custo não é apenas financeiro. Envolve expectativas sobre desempenho, disponibilidade e continuidade de carreira. Experiências internacionais indicam que políticas mais equilibradas alteram o comportamento do mercado. Em países onde homens e mulheres têm direitos semelhantes, o risco associado à contratação feminina tende a diminuir. “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar”, afirmou o jornalista Guga Chacra ao Estúdio i, na GloboNews. O contraste internacional ajuda a dimensionar o desafio. Nos Estados Unidos, não há licença parental remunerada garantida em nível federal. O afastamento depende de acordos individuais e varia conforme o estado e o tipo de emprego. Em muitos casos, pais retornam ao trabalho imediatamente após o nascimento do filho, relatou o jornalista. Na outra ponta, países como Suécia, Islândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia adotam modelos mais estruturados. Na Suécia, são 480 dias de licença parental por família, com divisão entre os responsáveis e períodos obrigatórios para cada um. Parte do benefício não pode ser transferida, o que incentiva o uso pelos homens e impede que o afastamento recaia exclusivamente sobre as mulheres. Segundo Dhafyni, esse desenho institucional faz diferença. Em países onde a licença para homens era apenas opcional, muitos deixavam de utilizá-la por receio de julgamento ou de prejuízo à carreira. No Brasil, a nova lei retira o país de um grupo entre os mais restritivos e o posiciona em um patamar intermediário. Com cinco dias de licença, o país ocupava a 80ª posição em um ranking global. Com 20 dias, deve figurar entre os 20 primeiros. Ainda assim, permanece distante dos modelos mais avançados. “A ampliação é importante, mas ainda é tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui. “O Brasil não adota uma política de licença parental compartilhada. O cuidado continua concentrado na mulher.” Os dados ajudam a explicar como essa concentração se traduz em desigualdade. As mulheres representam 51,5% da população, mas apenas 53,5% delas estão na força de trabalho. Entre os homens, esse índice chega a 72,8%. 🎓 A diferença não está na formação: elas correspondem a 59,6% dos concluintes do ensino superior. Mulheres no mercado de trabalho g1 Mesmo mais escolarizadas, avançam menos na carreira. Apenas 26,5% ocupam cargos de alta liderança. A desigualdade também aparece na remuneração. Em 2024, as mulheres receberam, em média, 78,6% do rendimento dos homens. Além disso, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e de cuidado. Os homens, 11,7 horas. Entre as mulheres fora da força de trabalho, 22,9% apontam essas responsabilidades como principal motivo para não buscar emprego. Entre os homens, o índice é de 3,1%. Essa sobrecarga molda a forma como o mercado enxerga a maternidade — e o impacto se intensifica no retorno ao trabalho. Conforme o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Ministério das Mulheres, estudos baseados na RAIS (Relação Anual de Informações Sociai) indicam que a probabilidade de emprego das mulheres cai imediatamente após o fim da licença-maternidade. Em até 24 meses, quase metade das mães deixa o mercado formal. A maior parte das saídas ocorre por iniciativa do empregador. Dados do eSocial, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), reforçam esse padrão. Entre 2020 e 2025, mais de 383 mil mulheres foram demitidas sem justa causa até dois anos após o retorno da licença. Outras 265 mil pediram demissão no mesmo período. Para Dhafyni, esse movimento não se resume às demissões. “Muitas mulheres deixam de ser alocadas em projetos estratégicos. Isso impacta diretamente a visibilidade, a influência e as oportunidades de crescimento dentro das empresas”, afirma. Dispensas do trabalho entre 2020 e 2025 sem justa causa Arte g1 Mesmo quando permanecem empregadas, muitas enfrentam a percepção de que são menos disponíveis. Essa visão se apoia na própria realidade da sobrecarga. "É comum que escolas, creches e serviços de saúde acionem exclusivamente a mãe. Isso reforça a ideia de que ela é a principal responsável", diz. ⚠️ Esse conjunto de fatores cria um ciclo: a sobrecarga afeta a rotina; a rotina reforça estereótipos; os estereótipos influenciam decisões corporativas; e essas decisões limitam a trajetória profissional das mulheres. Há, no entanto, um contraponto que costuma ficar fora do debate, lembra Dhafyni. A maternidade também está associada ao desenvolvimento de competências valorizadas no ambiente de trabalho. Estudos em neurociência indicam que a gravidez e o pós-parto promovem mudanças cognitivas relevantes, com impactos na regulação emocional, na tomada de decisão, no pensamento crítico e na criatividade, afirma a especialista. “No nosso trabalho com desenvolvimento de lideranças, observamos com clareza como a maternidade funciona como um potencializador de habilidades”, afirma Dhafyni. Segundo ela, mães tendem a apresentar maior adaptabilidade, melhor gestão do tempo e alta capacidade de priorização. Em pesquisas conduzidas pelo Todas Group com líderes da América Latina, a maternidade aparece entre as experiências citadas por mulheres que chegaram ao topo das organizações. “O problema não é a maternidade. É a forma como o mercado reage a ela”, afirma. Essa constatação reforça o caráter estrutural da desigualdade. O mercado penaliza um evento que, na prática, pode fortalecer habilidades essenciais para a liderança. A ampliação da licença-paternidade atua na raiz dessa distorção, mas não resolve o problema de forma isolada. Para Dhafyni, a permanência das mulheres no mercado após a maternidade também depende de práticas internas das empresas. Entre as mais eficazes, segundo a especialista, estão: Planejamento de carreira antes e durante a licença Programas estruturados de retorno ao trabalho Lideranças preparadas para conduzir essa transição Benefícios voltados ao cuidado na primeira infância Outro ponto central é o acesso a soluções de cuidado na primeira infância. Empresas que oferecem suporte nessa fase tendem a registrar maior retenção de talentos e menor rotatividade após a maternidade. “Criar contextos que permitam a continuidade dessas carreiras é uma decisão estratégica. Estamos falando de profissionais altamente qualificadas, prontas para o próximo estágio, mas que ainda enfrentam barreiras que nada têm a ver com desempenho”, afirma Dhafyni. A nova legislação brasileira abre espaço para esse movimento. Ela sinaliza uma mudança de direção e reconhece, ainda que de forma parcial, que o cuidado precisa ser compartilhado. Paternidade Juan Pablo Serrano/Pexels O que muda na prática? Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito. O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício. Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.

Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 Carlos Barria/Reuters Em 2 de abril de 2025, Donald Trump surpreendeu o mundo ao anunciar a "independência econômica" dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas de importação a todos os países. Desde então, o presidente americano tem se mostrado disposto a manter a medida, mesmo com a Suprema Corte questionando a legalidade do tarifaço. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A DW analisou dados comerciais sobre a origem das importações dos EUA ao longo do último ano para entender os efeitos das tarifas de Trump. Como o mundo vem se ajustando a essa nova ordem econômica? E quem está se beneficiando dessas mudanças? Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como falas de Trump mexem no preço do petróleo — e como ele reage com respostas do Irã 2 de abril de 2025: Casa Branca anuncia as tarifas do "Dia da Libertação" No anúncio do tarifaço, no chamado "Dia da Libertação", a Casa Branca informou que todos os países — com algumas exceções devido a sanções e acordos comerciais pré-existentes — seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10% sobre todas as importações. Além disso, 85 países que exportam mais para os EUA do que importam seriam alvo de tarifas mais altas, que chegavam a até 50%. "Não acho que as pessoas esperavam que o governo dos EUA basicamente declarasse uma guerra comercial contra o mundo inteiro", afirma Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong, cuja pesquisa se concentra em como tarifas e sanções afetam o comércio global. O impacto foi imediato, e os mercados financeiros globais despencaram. Enquanto Trump insistia publicamente que "as grandes empresas não estão preocupadas com tarifas", o governo americano decidiu, em 9 de abril, fazer uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%. Durante essa suspensão, diversos parceiros comerciais, como União Europeia, Vietnã e Reino Unido, correram para negociar acordos comerciais na tentativa de reduzir as tarifas anunciadas. As negociações com a China permaneceram tumultuadas nos meses seguintes, com rodadas de ameaças de tarifas recíprocas que chegaram a até 125%. Após múltiplas extensões de última hora da pausa de 90 dias, as tarifas específicas por país entraram em vigor em 7 de agosto de 2025. O Brasil acabou sendo penalizado com uma tarifa adicional de 40%. Isso elevou para 50% a alíquota extra imposta às exportações brasileiras a partir de 6 de agosto. A sobretaxa, porém, foi revertida por decisão do próprio Trump no fim de novembro. Início de 2025: importadores dos EUA fazem estoques prevendo tarifas Mesmo antes de abril, já era claro que mudanças estavam a caminho. "As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba", declarou Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025. As empresas americanas entenderam o recado. Em uma corrida para encher armazéns antes do aumento de custos, ampliaram drasticamente os pedidos e trouxeram para o país, entre janeiro e março, um volume de bens 20% maior do que a média de 2022 a 2024 — um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares (R$ 949 milhões). Prevendo tarifas mais altas sobre barras de ouro, por exemplo, os EUA importaram cerca de 50 vezes o volume habitual no início de 2025, totalizando aproximadamente 72 bilhões de dólares (R$ 371 bilhões) — principalmente da Suíça, mas também de fornecedores menos tradicionais, como Uzbequistão, Filipinas e Zimbábue. Grandes fabricantes em toda a Ásia também registraram fortes altas, com Taiwan, Vietnã e Índia exportando volumes acima do normal para os Estados Unidos nesse período. Abril a julho de 2025: empresas americanas migram para países com tarifas mais baixas O período de suspensão implementado em 9 de abril deu aos importadores americanos uma janela de três meses para se adaptar à nova situação. Um estudo de Haishi Li e colegas constatou que as empresas tentaram deslocar suas cadeias de suprimentos para países com menor risco tarifário. "As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas", disse Li à DW. Nenhum país sofreu uma redução maior do que a China, que enfrentou as ameaças tarifárias mais altas e voláteis. Entre abril e julho de 2025, os EUA importaram 66 bilhões de dólares a menos da China do que nos anos anteriores. O Canadá, que enfrentou ameaças de tarifas de 25%, também registrou uma queda significativa de 24 bilhões de dólares. No entanto, o país parece ter compensado essa redução ao ajustar seu comércio com outros parceiros: no total, as exportações canadenses em 2025 ficaram apenas 1,6 bilhão abaixo das de 2024. "Os países que mais se beneficiaram do tarifaço foram os 'países dos 10%', como Austrália e várias nações da América Latina", aponta Haishi Li. Mas algumas nações sujeitas a taxas elevadas também registraram forte aumento nas exportações para os EUA: Vietnã, Tailândia e Taiwan enfrentaram algumas das chamadas "tarifas recíprocas" mais altas — 46%, 36% e 34%, respectivamente — e, ainda assim, os EUA registraram um acréscimo de 34 bilhões de dólares em importações de Taiwan apenas entre abril e julho. "Os importadores americanos buscaram países que pudessem servir como substitutos para a China", explica o economista da Universidade de Hong Kong. Muitos fabricantes em Taiwan e no Vietnã já mantinham laços fortes com empresas dos EUA, reforçados durante a disputa comercial com a China no primeiro mandato de Trump, o que já havia deslocado parte da produção e das cadeias de suprimentos para essas e outras economias asiáticas. Americanos arcam com maior parte dos custos Até agora, a medida não trouxe a produção de volta para os Estados Unidos, afirma Alex Durante, economista-sênior do think tank americano Tax Foundation, que analisou o impacto doméstico do tarifaço de Trump. "O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego", diz ele à DW. "Os setores que estão crescendo tendem a ser aqueles relativamente protegidos das tarifas, devido a isenções como as concedidas a computadores e produtos ligados à inteligência artificial." Mesmo com a mudança na origem das compras, o valor total das importações voltou ao normal pouco depois do anúncio do "Dia da Libertação", em 2 de abril. Um dos números que mais cresceram foi a arrecadação alfandegária dos EUA. Em 2025, o Tesouro americano recolheu 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo do registrado em anos anteriores. Dados preliminares indicam que 2026 deve ultrapassar esse total. Essa arrecadação representou cerca de 5% de todos os impostos coletados nos Estados Unidos em 2025. Estudos mostram que as tarifas mais altas têm sido pagas quase integralmente pelos importadores americanos, e não por exportadores estrangeiros. Como resultado, os consumidores dos EUA acabaram arcando com a maior parte dos custos. "Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025", afirma Alex Durante, da Tax Foundation. "Esse é o efeito cumulativo de as empresas aumentarem preços, reduzirem investimentos, cortarem empregos ou diminuírem salários para se ajustar às tarifas." Incerteza assombra exportadores No cenário internacional, os meses desde agosto de 2025 têm sido marcados por acordos comerciais fechados às pressas — e desfeitos com a mesma rapidez —, além de novas rodadas de ameaças tarifárias direcionadas a países ou grupos específicos de produtos. O comércio global, afirma Haishi Li, tornou-se muito mais incerto. "Se você perguntar a acadêmicos, formuladores de políticas nos EUA ou a qualquer pessoa o que vai acontecer neste ano, acredito que ninguém saiba responder", diz o economista. O choque mais recente nesse equilíbrio já frágil do sistema tarifário dos EUA veio com a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou a base legal das tarifas do "Dia da Libertação". Com uma nova alíquota geral de 15% em vigor e o governo americano aparentemente determinado a encontrar outras formas de aplicar tarifas mais altas, exportadores e importadores tentam prever o que os próximos meses trarão. Para se adaptar a essa incerteza, diz Haishi Li, os governos podem priorizar o apoio a empresas que busquem novos mercados fora dos EUA. "Se conseguirem diversificar suas cadeias de suprimentos, isso as tornará mais resilientes — o que pode ser um ponto positivo em meio a esse cenário", finaliza.

Plantio de oliveiras Paulo Lanzetta/Embrapa Produtores interessados no plantio de oliveiras podem acessar gratuitamente uma cartilha com orientações técnicas sobre o tema. O material foi elaborado pela Epamig e reúne aspectos técnicos da cultura, com orientações sobre a implantação dos olivais, os tratos culturais e dicas sobre colheita e pós-colheita. A cartilha está disponível online.📱Acesse aqui Agricultor encontra 'tomate' em pé de batata

De onde vem o que eu como: chocolate Na Páscoa do ano que vem, os consumidores podem encontrar um chocolate com mais cacau nos supermercados. Isso porque um Projeto de Lei aprovado em março na Câmara dos Deputados criou novas regras para a composição do produto. A lei atual, por exemplo, não prevê receitas especiais para chocolates dos tipos amargo e meio amargo, que passarão a ter definição. Mas especialistas dizem que a mudança deve ter pouco efeito prático. Isso por duas razões: muitas fabricantes já usam mais cacau do que o mínimo exigido, para atender consumidores mais exigentes; tem se popularizado no país um novo tipo de produto, o "sabor chocolate", que usa teores mais baixos de cacau. Mesmo assim, parte do setor criticou a proposta. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) disse em nota que os conceitos "restringem pesquisa e inovação, bem como novas categorias para parâmetros já previstos em normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)". Ovo de Páscoa: como a tradição começou com galinhas e virou chocolate? Como é hoje e como deve ficar? Na legislação atual, de 2022, apenas dois chocolates recebem definição. Confira abaixo: 🍫 Chocolate: é obtido a partir da mistura de derivados de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Além disso, deve ter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate branco: é obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Deve ser constituído de, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau. Quando o Projeto de Lei entrar em vigor, as regras ficarão da forma abaixo. 🍫 Chocolate amargo ou meio amargo: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. 🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados; 🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite. Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom e a sua versão solúvel, e coberturas sabor chocolate, mas não define quantidade mínima de cacau para esses itens. Qualidade vai aumentar? Para Bruno Lasevicius, presidente da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino, a mudança da lei não vai causar, necessariamente, uma melhora no produto no mercado. Isso porque existem diferentes segmentos de chocolate, cada um voltado a um tipo de público. 🍫 Chocolates finos: como os da associação Been to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo. 🍫 Chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%. 🍫 Chocolates industriais populares: esse setor já usa os teores mínimos de chocolate, de acordo com o levantamento da associação. Além disso, os preços elevados do cacau nos últimos anos fizeram com que fossem lançados doces que são "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta Lasevicius. "Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma. O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate. Vai aumentar as vendas de cacau? Mais cacau no chocolate também pode não significar um aumento significativo das vendas da amêndoa, aponta Marcos Silveira Bernardes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e produtor de cacau. "Haverá uma necessidade de ajuste da indústria, mas os efeitos sobre oferta, demanda e estoque serão muito pequenos e não deverão efetivamente causar qualquer mudança significativa nos preços de amêndoas de cacau", afirma. Isto porque, segundo cálculos do pesquisador, o consumo das amêndoas deve aumentar em cerca de 5% pela indústria. Considerando que o Brasil representa cerca de 4% do mercado mundial, o crescimento das compras em nível global deve ser de 0,15%. Já para o presidente da Associação Been To Bar, o Projeto de Lei não deve aumentar a demanda para os produtores brasileiros. Isso porque a indústria possui uma preferência pelas amêndoas importadas, que possuem o mecanismo de drawback, ou seja, são isentas de impostos, por se tratar de matéria-prima. Por outro lado, produtores dizem que o Brasil tem oferta suficiente para atender a uma possível nova demanda, diz Lasevicius. Leia também: Cacau é afrodisíaco e ajuda a prevenir doenças: veja curiosidades sobre a fruta do chocolate Bacalhau ou 'tipo bacalhau': o que saber para não errar na compra Saiba como funciona uma fábrica de chocolates finos na Amazônia

Receita Federal identifica irregularidades em MEIs Criado para facilitar a formalização de pequenos negócios, o Microempreendedor Individual (MEI) continua sendo a principal porta de entrada para quem decide empreender de forma simples e com poucos recursos. Nos últimos anos, porém, o regime também passou a ser usado de forma indevida por parte dos contribuintes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Fiscalizações da Receita Federal identificaram milhares de empreendedores que permaneceram como MEI mesmo após deixarem de cumprir requisitos básicos do regime, como o limite de faturamento, a atuação restrita às atividades permitidas e a exigência de não ter outras empresas em seu nome. ⚠️ Em muitos casos, essa permanência irregular ocorre de forma deliberada, com omissão de receita ou divisão de faturamento para manter o valor fixo de tributos que caracteriza a categoria. Na avaliação do advogado tributarista Marco Ruzene, o MEI acabou se tornando um atalho para a sonegação por reunir três fatores. “Carga tributária extremamente reduzida, com valor fixo mensal independentemente do faturamento real, dispensa de escrituração contábil formal e uma percepção equivocada de baixo risco, alimentada pela ideia de que ‘MEI não é fiscalizado’.” A partir desse cenário, o Fisco passou a identificar um uso crescente do MEI como forma de reduzir impostos de maneira indevida e, em alguns casos, como instrumento para fraudes estruturadas. Para enfrentar o problema, a Receita intensificou o cruzamento digital de dados nos últimos dois anos, o que aumentou drasticamente o número de exclusões e desenquadramentos. 'Pente-fino' Só em 2025, a Receita Federal retirou 3,9 milhões de MEIs do SIMEI, sistema de tributação da categoria. A maioria não deixou o regime por iniciativa própria: foram exclusões e desenquadramentos após análises que identificaram descumprimento das regras. 🔍 Exclusão e desenquadramento têm efeitos diferentes. O desenquadramento retira o MEI do regime por descumprimento de regras. Já na exclusão, o contribuinte perde o direito de permanecer como MEI, pode sair do Simples Nacional e ainda ter impostos cobrados de forma retroativa. A maior parte das exclusões de 2025 ocorreu em CNPJs inativos ou abandonados, que já não atendiam às exigências mínimas. Foram mais de 3,7 milhões de casos. Ainda assim, o excesso de faturamento continuou sendo uma das situações mais recorrentes — e o principal indício de que empresas que já deveriam pagar tributos mais altos estavam recolhendo menos ao permanecerem indevidamente enquadradas como MEI. O limite de faturamento do MEI é de R$ 81 mil por ano. Quem ultrapassa esse teto deve migrar para microempresa. Em 2025: 18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%; 60.637 ultrapassaram em até 20%; 3.720 excederam o limite no primeiro ano de atividade. Ao todo, mais de 83 mil foram retirados do regime por excesso de faturamento sem comunicação prévia ao Fisco — situação que, quando deliberada, passa a configurar omissão de receita. A mudança na fiscalização ficou mais evidente em 2024, quando a Receita passou a cruzar de maneira sistemática os dados de PIX, cartões de crédito, marketplaces e e-Financeira. Esse novo modelo de monitoramento ampliou a identificação de receitas não declaradas. Como resultado: 📈 Em 2024, mais de 571 mil MEIs foram excluídos ou desenquadrados por faturamento acima do limite — um número 30 vezes maior do que no ano anterior. Segundo o doutor em Direito Tributário Marco Ruzene, muitos contribuintes ainda acreditam que pequenas omissões podem passar despercebidas, mas o cruzamento automático de dados mostra o contrário. “O ponto de inflexão é quando o Fisco substitui a fiscalização declaratória pela fiscalização digital, cruzando Pix, cartões, maquininhas, marketplaces e movimentações bancárias (e‑Financeira e DIMP). A partir daí, o MEI deixou de ser invisível”, afirma o advogado. Entre as exigências para permanecer no regime estão: faturar até R$ 81 mil ao ano; possuir, no máximo, um funcionário; não ter outras empresas em seu nome; atuar somente em atividades permitidas; ter conta gov.br em níveis Prata ou Ouro; não ser servidor público federal ativo. Quando o contribuinte permanece no MEI fora desses critérios, o enquadramento passa a não refletir a realidade do negócio e, associado à omissão de receitas, indica prática irregular. Quando vira fraude? 🚫 A irregularidade vira fraude quando há intenção de enganar. Entre os métodos mais identificados pela Receita estão: abertura de MEIs em nome de terceiros para dividir faturamento; uso de múltiplas maquininhas ou contas bancárias para dispersar receitas; registro de operações de alto valor por meio de um CNPJ de MEI; subdeclaração na DASN-SIMEI; omissão de pagamentos em dinheiro ou PIX. Essas práticas são usadas para manter artificialmente a tributação reduzida do MEI mesmo quando o negócio já opera em escala maior. A omissão intencional de receita pode configurar crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/90), com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa. Também há risco de enquadramento por falsidade ideológica quando informações sabidamente falsas são declaradas. As penalidades administrativas incluem: desenquadramento retroativo; multas que chegam a 75% do imposto devido, podendo dobrar em caso de fraude; exclusão do Simples Nacional. No desenquadramento retroativo, o CNPJ deixa de ser MEI desde a data da infração, e todos os tributos são recalculados como se fosse microempresa. Quando o faturamento excede o limite em mais de 20%, a retroatividade volta automaticamente para janeiro do ano da infração. Fachada da Receita Federal, em Brasília. Marcelo Camargo/Agência Brasil Fiscalização Hoje, a Receita utiliza principalmente o cruzamento digital para identificar irregularidades. As informações vêm da e-Financeira, das operadoras de cartão de crédito, dos marketplaces, das notas fiscais eletrônicas e das transações por PIX. Esses dados revelam inconsistências como despesas superiores às receitas declaradas, compras incompatíveis com o faturamento informado, ausência de emissão de notas fiscais e movimentações acima do padrão esperado para um MEI. Para Ruzene, a maior parte das irregularidades não ocorre por desconhecimento, mas por tentativa de reduzir a carga tributária. Ele destaca que quem abre um MEI passa por sistemas com orientações claras sobre limites e obrigações. “Se não o faz, não é por desconhecimento nem por falta de acesso à informação de qualidade.” Para permanecer dentro da legalidade, o especialista recomenda que o contribuinte seja transparente em relação aos dados bancários e de compras. Se esses dados forem compatíveis com os declarados na DASN-SIMEI, o risco de autuação e desenquadramento é mínimo. Além disso, Ruzene destaca algumas medidas práticas que ajudam o empreendedor a manter o negócio em ordem: 📊 Monitoramento mensal do faturamento: mantenha um controle próprio e atualizado do fluxo de caixa. Não dependa da memória ou apenas dos extratos bancários. Registre todas as vendas, tanto de produtos quanto de serviços. 📦 Gestão das compras e atenção ao equilíbrio entre entradas e saídas: a Receita costuma presumir omissão de receita quando o volume de compras ultrapassa 80% do faturamento declarado. Acompanhar essa relação evita interpretações equivocadas. 🔐 Separação rígida entre contas pessoal e empresarial: evite misturar contas. Não use a conta jurídica do MEI para despesas pessoais nem receba pagamentos em contas de pessoa física. O cruzamento de dados via PIX e e‑Financeira identifica rapidamente esse tipo de inconsistência. 💳 Cuidado com meios de pagamento eletrônicos: operadoras de cartão e plataformas financeiras informam transações à Receita por meio da DIMP. A soma de todas as maquininhas e chaves Pix deve refletir o faturamento real e respeitar o limite anual do MEI. 📈 Planejamento da expansão do negócio: se o faturamento tende a estourar o limite no fim do ano, o ideal é planejar a migração voluntária para microempresa a partir de janeiro. Esse movimento evita multas e impede o desenquadramento retroativo. 🧾 Emissão regular de notas fiscais: mesmo dispensado de emitir nota para pessoas físicas, o MEI pode usar a nota fiscal como ferramenta de controle. Emitir notas facilita acompanhar o próprio faturamento e reduz o risco de ultrapassar o limite sem perceber.

Diesel sobe quase 20% nos postos; Petrobras aumenta produção A recente valorização das ações preferenciais PETR4 da Petrobras (títulos que oferecem prioridade aos acionistas no recebimento de dividendos e compensações, geralmente não dão direito a voto e servem de referência para avaliação do valor de mercado da companhia) na Bolsa de Valores (B3) reflete a alta da principal commodity da estatal: o petróleo. Em razão da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o setor petrolífero mundial, no qual a companhia brasileira está inserida, vive uma enorme disparada de preços. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mesmo assim, a corrida aos papéis da Petrobras talvez não ocorresse com a mesma intensidade sem a retomada de investimentos exploratórios e a modernização do parque de refino. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, que enfatizam as oportunidades abertas para a Petrobras diante da crise no Oriente Médio, classificada por analistas do banco norte-americano Goldman Sachs como um autêntico choque do petróleo – o terceiro dos últimos 50 anos, depois dos registrados em 1973 e 1979. Diferentemente dos choques anteriores, que apanharam o Brasil na dependência radical dos grandes exportadores no Oriente Médio, o atual encontra o país autossuficiente em produção de petróleo bruto, do qual é exportador. Segundo balanço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado na quarta-feira (1º), a produção brasileira de petróleo e gás natural bateu recorde em fevereiro, alcançando 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). "Considerando que todos os outros fatores permaneçam inalterados, os preços do petróleo em alta poderiam aumentar exportações e receitas tributárias [do Brasil], assim como dividendos fluindo para o Tesouro", afirmam os economistas István Kecskeméti e Zoltan Horváth em análise divulgada no dia 11 de março no site da consultoria húngara OTP Global Markets. O país ainda necessita importar, entretanto, derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. Na esteira da produção recorde de fevereiro, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa cogita a possibilidade de atingir a autossuficiência em diesel em cinco anos – originalmente, a intenção era suprir 80% da demanda nesse período. "Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel", disse na quarta-feira (1º). Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil O anúncio coincide com registros de racionamento ou desabastecimento de diesel no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, onde o insumo é determinante para o sucesso da colheita da safra de verão, que inclui culturas como soja, milho e arroz. Preocupado com os reflexos da crise sobre sua imagem e a campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com indignação a um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores do que os cobrados na tabela da companhia. "Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem que fizeram", disse. Lula ameaçou anular o processo, mas isentou a direção da Petrobras de responsabilidade pelo episódio. "Para a economia brasileira, a grande preocupação centra-se no diesel – e, acima de tudo, nos fertilizantes", afirma o ex-vice-presidente do Banco Mundial Otaviano Canuto em artigo publicado na quarta-feira (1/4) no site do Centro de Política para o Novo Sul (Policy Center for the New South). O economista Mahatma Ramos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra, vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), afirma que o preço das ações da Petrobras tem sido historicamente afetado pelas situações externa e interna. Ele lembra, por exemplo, que a ação PETR4 chegou a valer R$ 23 em abril de 2021, durante a pandemia do novo coronavírus. No primeiro semestre de 2022, em razão da guerra da Ucrânia, o preço chegou a R$ 32, caindo depois diante das incertezas da sucessão presidencial daquele ano. "Desde janeiro de 2023, o que se vê é um processo de recuperação do valor das ações", sustenta. Essa escalada prosseguiu até o início de 2024, quando o preço da ação PETR4 estabilizou-se entre R$ 35 e R$ 42, e voltou a cair no ano seguinte por conta da desaceleração da economia chinesa e da guerra comercial. "Agora, em 2026, [o preço da ação] explode de novo, alcançando quase R$ 50 de valor de face." Para se ter uma ideia do peso da guerra do Irã na alta das ações PETR4, basta olhar o calendário. No dia 27 de fevereiro, uma sexta-feira, véspera do início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, a cotação desses títulos fechou em baixa de 0,28 pontos (–0,71%), tendo sido negociados na abertura a R$ 39,92, alcançando máxima de R$ 40,27 e fechando a R$ 39,33. Em 2 de março, quando os mercados reabriram após o final de semana, as PETR4 arrancaram a R$ 41,30 e fecharam a R$ 41,13, registrando uma valorização de 1,8 ponto (4,58%). Nos 22 dias seguintes de pregão, os títulos preferenciais da Petrobras deixaram de fechar no azul em apenas sete. Em 1º de abril, fecharam a R$ 47,29 – uma valorização de cerca de 20% em aproximadamente um mês. Quando se analisa a cotação do barril de petróleo Brent (cru), que serve de parâmetro para todo o setor petrolífero, as correspondências com as ações da Petrobras são evidentes. Em 27 de fevereiro, o barril Brent fechou a US$ 73,25, e em 2 de março, a US$ 77,75. Petrobras encontra petróleo em poço da Bacia de Campos, RJ No dia 2 de abril, esteve cotado a US$ 107,94, depois de atingir um pico de US$ 116,25 no dia 9 de março, quando ficou claro que o Irã utilizaria como arma de guerra a ameaça de bloqueio do estreito de Ormuz, por onde é escoado um quinto da produção petrolífera global. Para o professor do Programa de Pós-graduação Profissional em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maurício Weiss, o comportamento das ações da estatal brasileira de petróleo pode ser descrito com mais precisão como uma "síntese de fatores conjunturais e estruturais". "Este ano, a Petrobras já subiu mais de 50% [em valor de mercado]. Em março, ela subiu 18%. Isso decorre de fato do conflito no Oriente Médio, com a alta dos preços dos combustíveis", explica Weiss. O professor lembra, porém, que a empresa já vinha apresentando desempenho notável em termos de produtividade e lucratividade antes da eclosão da guerra. "Desde o ano passado, houve uma grande elevação do lucro da Petrobras em relação ao [ano] anterior [2024]. Chegou a praticamente 200% de aumento [do lucro], superior a R$ 110 bilhões. Isso é resultado do aumento da produção de petróleo e gás, especialmente por conta do pré-sal", assinala. O economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (Dieese), ressalta que a avaliação do valor de uma empresa não é 100% neutra e objetiva, mas resulta da confluência de análises operacional, política e de mercado. "Uma empresa pode ser muito rentável, ter um futuro muito promissor, mas, por uma série de questões políticas, por exemplo, acabar mal-avaliada", afirma. "Ou o contrário: uma empresa pode estar se desmontando, completamente falida, e, por avaliação especulativa de mercado, ver subir o preço de suas ações." Maior empresa da América Latina em valor de mercado, estimado em mais de US$ 130 bilhões, a Petrobras teve seu perfil incrementado pela descoberta e exploração das reservas situadas na camada pré-sal das águas territoriais brasileiras no Atlântico, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, a partir de meados da década de 2000. Na década seguinte, porém, a companhia foi alvo de um megaescândalo de corrupção, investigado pela chamada Operação Lava-Jato, que levou ao processo e condenação de pelo menos quatro diretores da estatal por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi decisivo para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. No governo seguinte, do antes vice-presidente Michel Temer (MDB) (2016-2019), a gestão da Petrobras sofreu uma guinada por meio do chamado Preço de Paridade de Importação (PPI), da venda de ativos e da abertura ao capital estrangeiro na exploração do pré-sal. Essa política forneceu o pano de fundo para a greve dos caminhoneiros, em 2018 – que tinha como uma das bandeiras o protesto contra o alto preço do diesel –, e para a forte alta do preço dos combustíveis em 2022, logo depois do início da invasão russa da Ucrânia, já sob Jair Bolsonaro (2019-2022), sucessor de Temer. Petrobras reajusta querosene de aviação: entenda o impacto nas passagens Personagem central do escândalo da Lava-Jato, que culminou em sua condenação e prisão por 580 dias entre 2018 e 2019 (as condenações foram anuladas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal), Lula elegeu-se no ano seguinte com a promessa de sepultar o PPI, sob o qual o litro da gasolina comum chegou a custar R$ 8,95 em 2022. "Nós não vamos pagar o preço internacional, nós vamos pagar o preço do custo da gasolina aqui no Brasil", disse Lula em maio daquele ano. Para o presidente, a empresa devia se preocupar em induzir o desenvolvimento. "Porque a Petrobras tem que pensar no investimento, (...) pensar em 200 milhões de brasileiros que são donos dessa empresa ou são sócios dessa empresa", afirmou. Sob pressão da alta do petróleo a partir do início da guerra no Oriente Médio, o governo Lula adotou uma série de medidas mitigadoras como a redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel, o subsídio de R$ 0,32 por litro desse combustível e a redução de alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pactuada com todos os 27 governadores. Cararine afirma que a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2024, e a guerra no Irã servem como lembrete de que a economia mundial continua largamente dependente dos combustíveis fósseis. A China, por outro lado, embora continue sendo a maior importadora de petróleo do mundo, aposta na diversificação da sua matriz energética. "A China tem petróleo, carvão e minerais críticos, mas tem apostado nos últimos anos na não-dependência do petróleo." A Petrobras, avalia, deveria levar em conta a existência desses dois fatores – de um lado, o negacionismo climático de Trump e a nova guerra do Golfo, e de outro, o interesse da China em energia limpa – e converter-se de empresa petrolífera em empresa de energia. "O futuro vai depender dessa relação de forças. Se, por um lado, esse modelo americano, que considero insustentável, permanecer por mais tempo, isso adiará a transição energética. Se houver uma mudança de direção nos Estados Unidos, com um governo mais preocupado com isso, crescerá o espaço para políticas que vão no mesmo sentido", finaliza.

Oliveiras colhidas em Encruzilhada do Sul Reprodução/RBS TV O Dante Zanini, de Dom Pedrito (RS), escreveu ao Globo Rural pedindo dicas para o plantio de oliveiras. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem um folheto gratuito com as informações sobre o assunto. 📱Acesse aqui. Maior produtor de azeite do mundo, Espanha investe nas oliveiras

O governo federal arrecadou o valor R$ 425 milhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais, a chamada "taxa das blusinhas", em janeiro deste ano. Segundo números da Receita Federal, isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado — quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões. No primeiro mês deste ano, foram recebidas 15,3 milhões remessas internacionais, em comparação com 11,4 milhões em janeiro de 2025. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ➡️De acordo com o jornal "O Globo", o governo voltou a avaliar a revogação da chamada "taxa das blusinhas", em um ano eleitoral. O movimento é liderado pela ala política, especialmente o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas envolve outros setores. ➡️Ao mesmo tempo, a Câmara dos Deputados já discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, ou seja, impõe um fim à chamada "taxa das blusinhas". O vice-presidente Geraldo Alckmin lembrou que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país (veja mais abaixo nessa reportagem). Se por um lado a medida tem ajudado na arrecadação federal, por outro ela tem resultado em prejuízo aos Correios, que passam por forte crise financeira. Resultado em 2025 💵No acumulado de todo ano de 2025, a chamada taxa das blusinhas arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões, ajudando o governo no atingimento da meta fiscal. Segundo informou o Fisco em fevereiro, 50 milhões de brasileiros estão "cumprindo suas obrigações tributárias" por meio das empresas habilitadas no Remessa Conforme — programa adotado para regularizar as encomendas internacionais. "Com o PRC [Programa Remessa Conforme] o governo conseguiu elevar drasticamente o registro de declarações de importação e combater a evasão fiscal, ao mesmo tempo em que acelerou o prazo de entrega dos produtos. O número de encomendas 'não PRC' [fora do programa] no Brasil caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025", informou o Fisco, em fevereiro. GETTY IMAGES via BBC Taxa das blusinhas ➡️Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme. 🔎A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. ➡️À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira. Alckmin defende a indústria nacional Alinhado com a indústria nacional, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse nesta semana que não tem participado do debate sobre a revogação da taxa das blusinhas. 🔎Alckmin deixou o cargo de ministro nesta semana para concorrer a reeleição ao cargo de vice-presidente na chapa do presidente Lula neste ano. Ele lembrou, porém, que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país. Alckmin não citou o viés arrecadatório da taxação. "Defendi lá atrás, porque se você pegar o produto fabricado no brasil, a roupa, ele paga entre 45%, a quase 50% de tributo. Uma média de 45%. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro (...) Mesmo com a tributação [taxa das blusinhas], ainda é a carga bem menor do que o produto brasileiros", disse o vice-presidente, nesta sexta-feira (2). No começo do ano passado, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) fez a mesma avaliação. Segundo a entidade, a taxa das blusinhas contribuiu para a manutenção de milhares de empregos de trabalhadores no país. "Os bons resultados decorrentes da taxação de 20% das remessas internacionais de até U$ 50 demonstram a pertinência da isonomia tributária e regulatória. Esta agenda, que tem sido trabalhada por diversos países e sobre a qual ainda precisamos avançar mais, seguirá como prioridade da Abit, pois são sempre positivos os impactos da redução das desigualdades de condições entre as empresas brasileiras e as estrangeiras", informou a Abit, em 2025, por meio de nota.

'Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX', diz Lula ao comentar relatório dos EUA O Banco Central (BC) continua trabalhando na chamada agenda evolutiva do PIX e prepara novidades para a ferramenta de transferências em tempo real. Inaugurada em 2020, a plataforma voltou a ser alvo de críticas nesta quarta-feira (1º) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — sob o argumento de que o sistema é prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. Orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu prontamente e disse que "ninguém" vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX. Reprodução/TV Globo Novidades em estudo ➡️O Banco Central também prevê novidades para o PIX neste ano. Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários. Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico. ➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central: PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. O objetivo é interligar sistemas de pagamento instantâneos. PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. ➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido. Números do PIX A ferramenta de transferências do Banco Central é um sucesso. No ano passado, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. Além do amplo e generalizado uso pela população brasileira, a plataforma foi responsável pela inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro. O sistema também estimulou a economia, principalmente em pequenos negócios, seja presenciais ou digitais, que antes tinham mais dificuldades em receber os pagamentos por seus produtos e serviços. Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. "É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião. “Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas”, afirmou o diretor do BC, Renato Gomes, em novembro do ano passado. Evolução nos últimos anos Reconhecida internacionalmente, a ferramenta de transferência em tempo real do Banco Central evoluiu nos últimos cinco anos. Veja a evolução: 📩 PIX Cobrança: passou a cumprir o papel do boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviço emitam e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente. 💵 PIX Saque e PIX Troco: lojas e outros estabelecimentos passaram a funcionar como pontos de saque, o que descentraliza o acesso ao dinheiro e ainda reduz custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos. 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, ganhando relevância entre empregadores, autônomos e profissionais liberais pela previsibilidade e organização financeira. 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, trouxe a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação, para o ambiente digital. 🔄 PIX Automático: transforma os pagamentos recorrentes ao democratizar o equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições, e facilitar cobranças de serviços contínuos. 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais, permitindo iniciar pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular. Divulgação

Ovos de páscoa Divulgação Com variação de R$ 54 e R$ 114, o preço dos ovos de Páscoa em Piracicaba (SP) está até 19,8% mais caro em relação a 2025. A estimativa foi apontada em um estudo do Grupo Painel Econômico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que ainda aponta uma tendência de substituição por colombas. 🐰 De acordo com o levantamento da USP, uma família de quatro pessoas que irá consumir chocolates e preparar o almoço de Sexta-feira Santa, com o tradicional bacalhau, irá gastar aproximadamente R$ 365,86. Leia mais: Páscoa 2026: compare o preço dos ovos com os do ano passado 📊 Os dados foram coletados em nove estabelecimentos — tanto supermercados, quanto atacarejos — de Piracicaba entre 16 e 27 de março de 2026. A metodologia segue os padrões do Procon/Dieese, que analisa produtos consumidos por famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Ovos de Páscoa mais caros Os preços dos ovos de Páscoa em Piracicaba para 2026 apresentam um aumento em todas as categorias de peso quando comparados ao ano de 2025. Confira o comparativo abaixo: Faixa de 200 g a 250 g: O preço médio saltou de R$ 45,73 para R$ 54,24, representando uma alta de 18,61%; Faixa de 300 g a 350 g: O valor médio subiu de R$ 64,42 para R$ 75,06, representando uma alta de 16,52%; Faixa de 500 g: Esta categoria registrou a maior alta percentual, passando de R$ 95,67 para R$ 114,63, um aumento de 19,82%. Ovos de páscoa ficam mais caros em Piracicaba e podem ser 'trocados' pela colomba Claudia Assencio/g1 Chocolate ou brindes: o que atrai os consumidores? De acordo com o levantamento da USP, o que mais atrai consumidores nos ovos de Páscoa tradicionais não é mais o chocolate, mas os brindes e brinquedos que vêm dentro. Eles deixaram de ser apenas um doce e se transformaram em experiência de consumo. Os fabricantes ampliaram o portfólio para atender diferentes faixas de renda, com preços variados e opções para todos os bolsos. Além disso, diversificaram a oferta de produtos artesanais e novos sabores, focando no público adulto tanto quanto em crianças e jovens. 🐰 Seis recheios em um só: ovo de Páscoa fatiado vira sucesso entre clientes e bomba na web Ovos de páscoa ficam mais caros em Piracicaba e podem ser 'trocados' pela colomba Claudia Assencio/g1 Alternativas mais baratas Devido às restrições orçamentárias, de acordo com a pesquisa da USP, há uma tendência de substituição dos ovos por colombas. No entanto, as alternativas mais baratas ficaram mais caras em 2026 — veja abaixo: Colomba de Frutas (350 g): O preço médio é de R$ 22,25, o que representa uma alta de 2,25% em relação a estimativa de 2025. Colomba de Chocolate (350 g): Teve o aumento mais expressivo, de 20,47%, passando de R$ 18,32 em 2025, para R$ 22,07 em 2026. Para contornar as restrições orçamentárias, muitos consumidores também estão optando por comprar barras de chocolate, bombons ou coberturas para produzir suas próprias sobremesas em casa. Essa opção, neste ano, é o que está mais em conta. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🍫 A cobertura fracionada blend, utilizada para fazer sobremesas caseiras, apresentou uma queda de 29,76% no seu preço médio, passando de R$ 43,82 em 2025, para R$ 30,78 em 2026. Ovos de Páscoa estão até 19,8% mais caros em Piracicaba e podem perder espaço para colombas Claudia Assencio/g1 Gasto de R$ 365 para a celebração De acordo com o levantamento da USP, a estimativa de gastos para uma família de quatro pessoas (composta por dois adultos e duas crianças) para a celebração na cidade é de aproximadamente R$ 365,86. Para presentear a família e preparar uma sobremesa, a estimativa considera a compra de quatro itens, totalizando R$ 161,42. Esse valor representa um aumento de 3,93% em relação ao ano anterior — veja os produtos considerados na estimativa: Bacalhau Arquivo/Restaurante Porto Cave Dois ovos de Páscoa na faixa de 200 g a 250 g; Uma colomba pascal (calculada pela média de preço entre os sabores de frutas e chocolate); Uma barra de cobertura fracionada (1 kg). O custo para adquirir os ingredientes básicos para o preparo de do almoço na Sexta-feira Santa é de R$ 204,44. Em comparação à Páscoa de 2025, o preço do almoço está 2,09% mais barato, principalmente, segundo o levantamento, devido à queda no preço dos legumes e do azeite. 🛒 Os legumes mais usados para o preparo do prato de bacalhau são a batata, a cebola e o tomate. Veja a lista completa dos ingredientes considerados no levantamento: 1 kg de bacalhau: R$ 152,28 (o item mais caro, com alta de 9,22%) 500 ml de azeite: R$ 34,37 (teve queda de 22,75%) 1 kg de batata: R$ 4,86 (queda de 43,82%) 1 kg de cebola: R$ 4,23 (queda de 51,88%) 1 kg de tomate: R$ 8,70 (alta de 16,94%) Piracicaba tem menor preço de ovos de Páscoa entre cidades Seis recheios em um: tendência do ovo de Páscoa fatiado é 'instagramável' e pedida por clientes Acervo Pessoal/ A pesquisa também comparou os preços de Piracicaba com os dados do Procon de Sorocaba (SP), Ribeirão Preto (SP) e São Paulo (SP). Entre os ovos de Páscoa, Piracicaba possui o menor preço médio entre as cidades. Ovos de 300 g e 350 g em Ribeirão Preto chegam a ser 13,04% mais caros (R$ 84,85) do que em Piracicaba (R$ 75,06). Piracicaba apresenta os preços mais altos das colombas e do azeite. No bacalhau, Sorocaba disparou com o preço mais alto, registrando R$ 184,67/kg, valor 21,27% superior ao de Piracicaba. 📊 Confira o comparativo completo na tabela abaixo: Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Duas operações realizadas por auditores fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) resgataram 29 imigrantes bolivianos submetidos a condições análogas à escravidão em oficinas de costura que produziam peças para as marcas Anne Fernandes e Lore. Os trabalhadores foram encontrados nos municípios de Betim e Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). As ações ocorreram em 2025 e tiveram início a partir de denúncias anônimas, além de uma investigação que rastreou a cadeia produtiva das empresas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo os relatórios, uma das operações começou após o Conselho Tutelar receber denúncias por meio do Disque 100. Os relatos indicavam que um cidadão boliviano aliciava conterrâneos e os submetia a jornadas que iam das 6h da manhã até a madrugada, inclusive com a participação de crianças nas atividades. Em um dos casos, envolvendo a Lore Confecções, 16 trabalhadores foram resgatados – 12 homens e 4 mulheres, incluindo um adolescente. Já na fiscalização relacionada à Lagoa Mundau Indústria e Comércio Atacadista de Roupas, dona da marca Anne Fernandes, outras 13 pessoas foram encontradas nas mesmas condições. Em nota, a Lagoa Mundau disse que repudia violações trabalhistas, afirmou que a oficina era um fornecedor autônomo e que não tinha controle sobre a mão de obra. A companhia declarou ainda que desconhecia as irregularidades, contestou a autuação e rescindiu o contrato após a operação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As inspeções identificaram uma série de irregularidades graves. Os trabalhadores atuavam sem registro em carteira e sem acesso a direitos básicos, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e cobertura do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de receberem remuneração inferior ao salário mínimo em parte dos casos. A remuneração era feita por produção, com descontos relacionados a despesas como passagem internacional, alimentação e medicamentos, o que, segundo a fiscalização, configurava um sistema de servidão por dívida. Os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas, que chegavam a cerca de 68 horas semanais. De segunda a sexta-feira, o expediente médio era de 12 horas e 45 minutos por dia, com relatos de trabalho das 7h às 21h e, em casos mais graves, até a madrugada. Aos sábados, a jornada seguia das 7h ao meio-dia. Apesar de haver pausas para refeições, a carga horária ultrapassava o limite legal de 8 horas diárias e 44 semanais. A pressão era intensificada pelo pagamento por produção e pelo endividamento dos imigrantes, que precisavam quitar despesas e garantir a subsistência das famílias. As condições de trabalho e moradia também foram consideradas degradantes. Em muitos casos, os trabalhadores viviam nos próprios locais de produção ou em imóveis superlotados. As oficinas apresentavam instalações elétricas improvisadas, ausência de equipamentos de segurança, risco de incêndio e acúmulo de materiais inflamáveis. O ambiente era quente e sem ventilação adequada, devido ao uso de telhas de fibrocimento, e não havia qualquer controle térmico ou acústico. O mobiliário era precário, com uso de cadeiras improvisadas, caixas de papelão ou assentos sem encosto. Também foram constatadas falhas graves em higiene e infraestrutura: banheiros insuficientes e compartilhados entre homens, mulheres e crianças, ausência de refeitórios adequados e preparo de alimentos em condições inadequadas. Em um dos locais, o bebedouro estava apoiado sobre um vaso sanitário. Bebedouro apoiado sobre vaso sanitário em operações realizadas por auditores fiscais do trabalho. Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Os relatórios ainda apontam indícios de tráfico de pessoas, com recrutamento de trabalhadores bolivianos em situação de vulnerabilidade, trazidos ao Brasil sob falsas promessas de emprego. Em um dos casos, uma adolescente atuava como cozinheira para o grupo. Os valores pagos pelas marcas às oficinas variavam conforme a peça, indo de cerca de R$ 10 a R$ 80 — com casos pontuais mais altos. No entanto, os trabalhadores recebiam apenas uma fração desses valores. Anotações de produção mostram pagamentos de R$ 3 por saia, entre R$ 4 e R$ 10 por blusa, de R$ 10 a R$ 16 por calça e de R$ 13,50 a R$ 27 por vestido. Em muitos casos, o valor ainda era dividido entre vários trabalhadores envolvidos na confecção. Além disso, iniciantes chegavam a receber cerca de R$ 1.200 por mês, abaixo do salário mínimo, e parte da remuneração era descontada para cobrir despesas como moradia, alimentação e passagens, reforçando o endividamento. Por outro lado, peças das marcas são vendidas por valores muito superiores no varejo. Uma jaqueta da Anne Fernandes pode custar quase R$ 10,7 mil, enquanto itens da Lore chegam a cerca de R$ 6,5 mil. Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) De acordo com a fiscalização, as marcas exerciam controle direto sobre a produção, definindo modelos, preços, prazos e padrões de qualidade, o que mantinha as oficinas em situação de dependência econômica. Os auditores apontam ainda que as empresas tinham conhecimento das condições precárias e não adotaram medidas para regularizar a situação. Nos dois casos, as oficinas funcionavam como estruturas informais, apesar de vinculadas às marcas por meio de ordens de serviço. Para os fiscais, há indícios de terceirização irregular e uso de empresas de fachada. As investigações indicam ainda um padrão recorrente no setor de confecção: a exploração de mão de obra imigrante em condições degradantes, com moradia no próprio local de trabalho e ausência de direitos trabalhistas. As empresas podem sofrer uma série de sanções. Entre elas estão o reconhecimento do vínculo empregatício com os trabalhadores resgatados, pagamento de verbas rescisórias – que, em um dos casos, ultrapassaram R$ 130 mil –, além de autos de infração e multas administrativas. Os nomes das empresas também podem ser incluídos no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, a depender da tramitação administrativa do caso. Além disso, podem responder por danos morais individuais e coletivos. Os relatórios apontam ainda a nulidade dos contratos de terceirização firmados com as oficinas e indicam que as empresas agiram com falhas na escolha e fiscalização dos fornecedores. Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Nota de posicionamento da Lagoa Mundaú Indústria A empresa manifesta seu repúdio absoluto e incondicional a qualquer forma de trabalho que viole a dignidade humana, especialmente o trabalho em condições análogas à de escravo. Esse valor não é apenas uma diretriz, mas um pilar fundamental e inegociável de nossa cultura corporativa e de nosso histórico de mercado. Compartilhamos da mesma indignação da sociedade e de nossos parceiros diante de uma temática tão grave e reafirmamos que nossa atuação é pautada pelo mais estrito cumprimento da lei. É fundamental esclarecer a natureza da relação jurídica com a oficina de costura citada. A Lagoa Mundau mantinha um contrato de natureza estritamente mercantil de industrialização por encomenda, conhecido como "facção". Nessa relação, celebrada entre duas empresas autônomas, a Lagoa Mundau apenas contratava uma etapa específica do processo produtivo, fornecendo a matéria-prima. O fornecedor em questão era um empresário individual independente, cuja oficina de facção era devidamente estabelecida e autorizada pelos órgãos legais do Brasil, possuindo não somente CNPJ ativo, mas também inscrição estadual fornecida pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais. Ele possuía maquinário próprio e atendia a outros clientes no mercado, o que comprova sua plena autonomia empresarial e afasta qualquer tese de exclusividade ou dependência em relação à nossa marca. A gestão de suas atividades e, principalmente, de sua mão de obra, era de sua exclusiva responsabilidade. Tratava-se de um empresário autônomo, financeiramente capaz e independente de qualquer um de seus contratantes. Nossa interação com a oficina era extremamente limitada. A Lagoa Mundau apenas tinha acesso à área de entrega de matéria-prima e recebimento das roupas prontas. Nesse local, era feita a verificação da qualidade das peças por nosso profissional. Jamais adentramos internamente na oficina, principalmente nos locais onde os trabalhos eram realizados ou onde permaneciam os empregados daquele estabelecimento. Por consequência, não tínhamos nenhum conhecimento do funcionamento interno da oficina, muito menos contato com seus trabalhadores ou qualquer outro tipo de interação com as pessoas que ali trabalhavam. O poder de direção da Lagoa Mundau limitava-se estritamente ao controle de qualidade do produto final, não alcançando, em hipótese alguma, a gestão interna da oficina, a definição de jornadas, a contratação de pessoal ou o pagamento de salários. Sobre as alegações da fiscalização, a Lagoa Mundau esclarece que a autuação administrativa é tecnicamente equivocada e baseada em premissas frágeis. A idoneidade da empresa é comprovada por seu histórico impecável, ostentando a classificação máxima "Sintonia A+" da Receita Federal, selo concedido a organizações com o mais alto nível de conformidade fiscal. Estamos em dia com todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fundiárias, sem qualquer débito no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT). Assim que tomamos conhecimento da ação fiscal em setembro de 2025, agimos com rapidez e rigor. Mesmo antes da conclusão de qualquer processo, a empresa realizou o distrato imediato com o fornecedor em outubro de 2025. Essa medida demonstra nossa política de tolerância zero: qualquer indício de descumprimento de normas trabalhistas na cadeia de suprimentos resulta no desligamento sumário do parceiro comercial. Apresentamos defesas administrativas robustas, fundamentada em documentos que provam a ausência de subordinação e a total autonomia do fornecedor. Estamos convictos de que a justiça prevalecerá e a improcedência das acusações será reconhecida, restabelecendo a verdade sobre nossa conduta diligente. Quanto à nossa rede de parceiros, mantemos um canal de diálogo constante com influenciadores digitais e revendedoras, reafirmando nosso compromisso inabalável com a produção ética. Este episódio isolado com um fornecedor externo serviu para intensificar ainda mais nossos protocolos de auditoria e conformidade (compliance). Implementamos mecanismos de monitoramento ainda mais rigorosos na seleção e vigilância de prestadores de serviços, garantindo que toda a cadeia produtiva reflita os altos padrões de responsabilidade social que sustentam a trajetória da marca Anne Fernandes. Reiteramos nosso compromisso com a transparência, com a ética e com o desenvolvimento social, e permanecemos à disposição para novos esclarecimentos que se façam necessários. ⚠️ Como denunciar? Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota no Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Este é o canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão. O denunciante não precisa se identificar, basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações. A ideia é que a fiscalização possa, a partir dessas informações do denunciante, analisar se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e realizar as verificações no local. Sobrevivente de trabalho escravo em vinícolas vira agente fiscal e ampara outras vítimas

Quando abriu o aplicativo do banco para conferir as movimentações do mês, a costureira Silvana* se deparou com uma cobrança inesperada: um boleto de R$ 495 emitido por uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar. O documento aparecia registrado no sistema de Débito Direto Autorizado (DDA), mecanismo usado pelos bancos para reunir boletos vinculados ao CNPJ ou CPF do cliente — normalmente contas e cobranças regulares de fornecedores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por alguns minutos ela chegou a considerar fazer o pagamento. “Na hora, bateu o medo de ficar inadimplente com o CNPJ”, relata. Sem qualquer contato prévio, proposta comercial ou contratação de serviço, o documento tinha aparência de uma cobrança legítima. Antes de pagar, porém, Silvana decidiu pesquisar o nome da empresa na internet. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao encontrar relatos semelhantes de outros empresários, ele decidiu não efetuar o pagamento. A decisão também levou em conta o desinteresse pelo serviço oferecido: uma plataforma que reúne dados cadastrais de CPFs e CNPJs e permite consultar informações usadas em análises de crédito e decisões comerciais, como pendências relacionadas a cheques, protestos, ações cíveis e processos de recuperação judicial. Situações como essa têm sido relatadas por microempreendedores e donos de pequenos negócios em diferentes regiões do país. Empresários afirmam receber boletos registrados em seus CNPJs por empresas com as quais nunca mantiveram relação comercial. Os valores costumam variar e chegam aos aplicativos bancários por meio do DDA — sistema criado justamente para facilitar o controle de pagamentos. A prática tem gerado milhares de reclamações e levantado questionamentos jurídicos sobre possíveis abusos em estratégias comerciais baseadas no envio de chamados “boletos de proposta”. Envio de boletos sem solicitação De acordo com relatos de empresários e especialistas ouvidos pelo g1, o mecanismo costuma seguir uma lógica simples: empresas registram boletos em nome de CNPJs mesmo sem qualquer contratação prévia de serviço. Como o documento passa a aparecer diretamente no sistema bancário, muitos empreendedores interpretam a cobrança como uma obrigação financeira legítima — especialmente quando o boleto surge no aplicativo do banco ao lado de contas e pagamentos recorrentes. No caso relatado por Silvana, o documento foi emitido pela SEBRACOM Empresarial. Boleto proposta recebido por micro e pequenos empreendedores Arquivo pessoal Segundo a microempreendedora, o que mais causou estranhamento foi o fato de o boleto ter sido o primeiro contato da empresa com ela. “Não houve ligação, e-mail ou proposta explicando o serviço. O primeiro contato foi um boleto”, afirma. “Isso faz a gente se sentir vítima de um golpe.” Situações semelhantes aparecem em relatos publicados no Reclame Aqui. Um empreendedor da cidade de Agudos, no interior de São Paulo, contou na plataforma que chegou a pagar o boleto de R$ 495 acreditando se tratar de uma cobrança de um fornecedor de matéria-prima. A confusão só foi percebida depois. “Achei que era uma fatura de material que eu havia comprado. Depois minha gerente do banco comentou que a empresa tem péssima fama por esse tipo de cobrança”, relatou. O empresário afirma que solicitou reembolso e classificou o episódio como “golpe”. Boleto proposta recebido por micro e pequenos empreendedores Arquivo pessoal Na mesma plataforma, há também relatos de empresários que dizem receber boletos de forma recorrente. Um empreendedor de São José dos Campos (SP) afirmou que documentos no valor de R$ 495 aparecem mensalmente em seu aplicativo bancário, mesmo sem autorização. Segundo ele, a intenção é buscar ajuda de órgãos de defesa do consumidor caso os envios continuem. Reclamações se multiplicam O volume de reclamações relacionadas a esse tipo de prática também chama atenção. Levantamento feito pelo g1 no site Reclame Aqui mostra que a SEBRACOM acumulou mais de 19,1 mil queixas ao longo de 2025. Nos relatos publicados na plataforma, o padrão se repete: empresários afirmam ter recebido boletos sem qualquer contratação prévia e dizem ter ficado em dúvida sobre a natureza da cobrança. Situação semelhante foi relatada nas redes sociais pela esteticista Duanne Ellen. Em um vídeo publicado em abril do ano passado, ela conta que encontrou um boleto de R$ 459 registrado em seu DDA bancário. Initial plugin text Ao pesquisar o nome da empresa, diz ter encontrado uma sequência de reclamações semelhantes no Reclame Aqui. “Você entra na plataforma e vê reclamações com minutos ou horas de diferença. Parece algo feito em massa.”. Segundo ela, a decisão foi não pagar o documento. 'Proposta' que pode induzir ao erro Ao g1, especialistas em direito afirmam que o formato dessas propostas comerciais pode gerar confusão justamente por reproduzir elementos típicos de cobranças reais. A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, explica que o envio de boletos de proposta — documentos usados para apresentar uma oferta comercial — não é proibido por si só. O problema, segundo ela, surge quando o documento é estruturado de forma muito semelhante a uma cobrança obrigatória. 🔎 Isso acontece, por exemplo, quando o boleto apresenta características comuns de contas a pagar, como data de vencimento e valor definido, sem deixar claro de forma inequívoca que se trata apenas de uma oferta opcional. “Quando o documento se parece com uma cobrança legítima, o risco de indução ao erro é muito grande”, afirma. A advogada acrescenta que a estratégia tende a se apoiar justamente na rotina administrativa das empresas. Pequenos negócios lidam diariamente com uma grande quantidade de contas, tributos e cobranças de fornecedores, o que pode levar a pagamentos feitos de forma automática ou sem conferência detalhada. “É uma prática que explora exatamente esse fluxo de pagamentos. Funciona quase como uma forma de engenharia social aplicada ao ambiente empresarial”, diz. Porém, dependendo da forma como o documento é apresentado, a prática pode ultrapassar os limites de uma oferta comercial legítima. Para Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, nesses casos o envio de cobranças para serviços não contratados pode ser considerado abusivo. “Você está ofertando algo que não foi solicitado e que chega com aparência de cobrança”, afirma. Segundo ele, se não houver prestação efetiva de serviço, a situação pode até ser interpretada como estelionato. Nesses casos, empresários que realizam o pagamento por engano têm direito de pedir a devolução do valor. 📚 Os especialistas também destacam que, embora a relação envolva duas empresas, o Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado em determinadas situações. Isso ocorre quando micro e pequenas empresas demonstram vulnerabilidade técnica ou informacional diante do fornecedor. O advogado Leandro Aghazarm, da área cível do Henneberg Ferreira Marques Advogados, afirma que o envio de boletos com aparência de cobrança pode caracterizar cobrança indevida e até publicidade enganosa. Segundo ele, a prática também pode violar o princípio da boa-fé objetiva que deve orientar as relações contratuais. “O envio de documentos com aparência típica de cobrança, sem explicar claramente que se trata apenas de uma proposta comercial, pode ser considerado uma conduta abusiva”, afirma. Aghazarm lembra ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu, em diferentes decisões, a possibilidade de aplicar o Código de Defesa do Consumidor em relações entre empresas quando há fragilidade na relação contratual. O que fazer ao receber ou pagar um boleto proposta? Especialistas recomendam atenção redobrada sempre que uma cobrança desconhecida aparecer no sistema bancário da empresa. A primeira medida é verificar a origem do documento e confirmar se existe, de fato, alguma relação comercial com a empresa emissora. Caso não haja contratação prévia, a orientação é não efetuar o pagamento. 📢 Também é recomendável registrar a situação em canais de reclamação ou em órgãos de defesa do consumidor, como o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), para alertar outros empresários sobre a prática. Agora, se o pagamento tiver sido feito por engano, ainda é possível tentar recuperar o valor. O caminho inicial costuma ser procurar diretamente a empresa responsável pela cobrança e solicitar a devolução, explicando que não houve contratação do serviço. A advogada Daniela Poli Vlavianos explica que, em muitos casos, a tentativa de resolver o problema fora da Justiça é o primeiro passo. “Uma notificação pedindo o reembolso pode resolver a situação. Caso contrário, é possível ingressar com ação judicial por enriquecimento sem causa.” ⚖️ Se não houver acordo, o empresário pode recorrer ao Judiciário. A ação pode se basear justamente na inexistência de relação contratual que justifique a cobrança, além do fato de o pagamento ter sido realizado por erro. Projeto de lei tenta proibir prática O envio de boletos sem solicitação prévia também tem sido alvo de debate no Congresso Nacional. O advogado Eduardo Terashima, sócio de resolução de disputas do NHM, explica que tramita no Congresso o Projeto de Lei nº 2243/2019, que busca proibir o envio desse tipo de documento quando não houver pedido prévio do destinatário. A proposta, explica ele, surgiu justamente para evitar situações em que empresários sejam levados ao erro ao interpretar esses documentos como cobranças obrigatórias. A discussão também já chegou ao âmbito estadual. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Lei nº 9.784/2022 proíbe o envio de boletos sem autorização prévia de quem irá recebê-los. Para Terashima, a preocupação faz sentido diante da rotina administrativa de muitas empresas. Negócios que lidam com grande volume de contas podem acabar processando pagamentos de forma automática, o que aumenta o risco de quitações feitas por engano. “Departamentos financeiros muitas vezes processam pagamentos de forma rotineira. Se o documento não deixa claro que é apenas uma proposta, o risco de erro aumenta bastante.” O que diz a empresa? Em respostas a reclamações registradas no site Reclame Aqui, a empresa afirma que os boletos enviados representam apenas uma proposta de filiação a um sistema de consultas cadastrais e análise de crédito. "Ao identificar as vantagens e relevância dos nossos serviços para a sua empresa, é possível filiar-se adquirindo um valor em crédito para as consultas através do nosso boleto de proposta e, tão logo o valor seja recolhido, a empresa torna-se cliente logo o acesso exclusivo ao sistema, o qual fora projetado especificamente para micros e pequenos empresários de todos os setores", responde a empresa nas queixas registradas no Reclame Aqui. Procurada pelo g1, a SEBRACOM reiterou esse posicionamento e disse que os documentos encaminhados aos pequenos e microempresários fazem parte de propostas comerciais facultativas, sem obrigação de pagamento. Segundo a companhia, sua atuação é voltada exclusivamente ao segmento empresarial (B2B) e não envolve cobrança automática. “A SEBRACOM atua exclusivamente no segmento B2B, direcionando propostas de seus serviços a pessoas jurídicas, e todos consistem em propostas comerciais facultativas, sem qualquer obrigação de pagamento”, afirmou a empresa. A companhia também explicou que o envio da proposta no formato de boleto faz parte de um modelo comercial que permite adesão direta ao serviço. “O formato adotado integra um modelo comercial empresarial utilizado para apresentação de proposta com possibilidade de adesão direta”, declarou. Sobre a origem das informações usadas para emitir os documentos, a companhia informou que utiliza dados disponíveis publicamente em bases empresariais. “Os dados utilizados são de natureza pública, extraídos de bases empresariais regularmente acessíveis”, disse. Questionada sobre as críticas de que o formato pode levar pequenos empresários a pagar o boleto por engano, acreditando se tratar de uma cobrança legítima, a empresa afirmou que os documentos trazem indicações de que se tratam de propostas facultativas. A companhia também afirmou manter canais de atendimento para esclarecer dúvidas. A SEBRACOM acrescentou ainda que revisa seus procedimentos periodicamente para tornar as informações mais claras e garantir que suas práticas comerciais estejam “alinhadas com os princípios de transparência e boa-fé nas relações comerciais”. “A empresa revisa continuamente seus procedimentos com o objetivo de aperfeiçoar a clareza das informações prestadas”, afirmou. * Nome fictício para preservar a identidade da fonte. Golpe do boleto falso, um dos mais recorrentes da internet Profissão Repórter

Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil A disparada nos preços dos fertilizantes, em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deve ter pouco impacto sobre os preços dos alimentos este ano. No curto prazo, a maior pressão virá do aumento dos combustíveis. Isso porque boa parte da colheita de grãos já terminou ou está em processo de finalização, como a de arroz, soja e as primeiras safras de feijão e milho. "Nesses casos, o fertilizante já saiu do solo", comenta Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já o café, cuja colheita começa neste mês, foi plantado no ano passado. Enquanto as segundas safras de milho e de feijão também já foram semeadas. O consumidor não deve sentir os efeitos agora, mas os produtores já estão preocupados. As próximas grandes importações de adubo acontecem na virada do semestre e, até o momento, não há certeza sobre até quando o conflito irá se estender. A dependência pelo insumo é alta. "O Brasil importa hoje cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com destaque para ureia, potássio e fosfatos”, diz André Braz, economista do FGV Ibre. "O Brasil importa 90% do seu consumo de nitrogênio, 96% do potássio e, do fosfatado, é um pouquinho menos, cerca de 80%", detalha Serigati. O Oriente Médio é o quarto maior fornecedor do Brasil, depois da Europa, Ásia e África. A região tem um papel central no mercado de fertilizantes, respondendo, por exemplo, por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, segundo dados da StoneX Brasil. Portanto, tudo o que acontece na região impacta diretamente os preços globais. Fertilizantes comprados pelo Brasil 'não terão problemas em ser exportados' Como cada plantio será afetado A disparada nos preços dos fertilizantes deve afetar de forma generalizada os custos de produção, afirma Braz. Segundo o economista, as lavouras mais impactadas serão aquelas mais intensivas no uso de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), base da adubação moderna. O milho, por exemplo, é altamente dependente de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. "Já há evidências internacionais de risco de prejuízo econômico com o aumento de custos", afirma o economista. "O milho é uma das culturas mais vulneráveis no curto prazo", acrescenta. Somente nas três primeiras semanas de conflito, o preço da ureia subiu 46%, segundo levantamento do Rabobank. "Quando olhamos para um período mais longo, desde o início do ano até a semana de 20 de março, a ureia apresenta uma alta de 76%", destaca o relatório. Arroz e trigo também exigem grandes volumes de nitrogênio e, diante da pressão de custos, podem levar produtores a reduzir a área plantada, diz Braz. No caso da soja, a necessidade de nitrogênio é menor, mas o plantio exige aplicação de fósforo e potássio em grande escala. "O impacto, nesse caso, vem do aumento no custo de reposição dos nutrientes do solo", destaca o economista. Por fim, a lavoura de cana-de-açúcar tem um uso intensivo de potássio, o que também deve elevar o custo de produção e reduzir a produtividade da indústria, responsável pela produção de açúcar e de etanol. Como fertilizantes impactam os preços O aumento dos preços dos fertilizantes não se traduz imediatamente em alimentos mais caros para o consumidor, destaca Serigati. Segundo ele, a alta nos custos dos adubos afeta a oferta ao longo do tempo, principalmente por dois canais: redução da área plantada e queda de produtividade — ou seja, menos produção por área. "Com insumos mais caros, produtores podem optar por plantar menos ou reduzir a aplicação de fertilizantes — o que afeta diretamente o volume colhido", diz o economista. Se essa tendência se confirmar, o impacto dos fertilizantes nos preços dos alimentos ocorreria no médio prazo. Mas, neste momento, é impossível cravar uma tendência, diz Serigati. Isso porque o custo dos fertilizantes é apenas um dos fatores por trás da inflação de alimentos. "O fator clima, por exemplo, é capaz de 'botar no bolso o fator fertilizante'", avalia Serigati. "Se o clima for favorável, uma safra recorde pode baixar os preços finais; se houver secas ou geadas, a oferta cai e os preços sobem, independentemente de outros custos", exemplifica. O economista lembra, por exemplo, que a safra de verão de 2022 foi plantada sob o impacto da Guerra na Ucrânia, com preços de fertilizantes e combustíveis em níveis maiores do que os atuais. "Mesmo com os custos elevados, o Brasil colheu uma safra recorde em 2023 porque o clima foi favorável, o que fez com que a inflação de alimentos, na verdade, se desacelerasse naquele ano", pontua. Na visão dele, neste momento, o preço dos combustíveis tem sido um fator mais decisivo na formação de preços. "O diesel tem um impacto muito mais direto e imediato no bolso do consumidor do que o fertilizante", reforça. "Ele afeta tanto o uso de maquinário agrícola quanto toda a cadeia de transporte e distribuição rodoviária no Brasil", finaliza. Colheita do arroz no Rio Grande do Sul. Fernando Dias/Ascom Seapdr

Robotáxis ficam parados no meio da rua após pane na China Diversos robotáxis ficaram parados e atrapalharam o trânsito na cidade de Wuhan, no centro da China, na última terça-feira (31), segundo autoridades locais. A pane teria sido causada por uma falha no sistema dos modelos Apollo Go, da Baidu. A polícia recebeu relatos de que vários carros Apollo Go pararam no meio das ruas e não conseguiam se mover, segundo comunicado oficial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança, e não houve feridos, informou a polícia. A causa do incidente ainda está sob investigação. Pelo menos 100 veículos do Apollo Go foram afetados, disse um policial de trânsito em vídeo publicado pelo The Paper, de Xangai. Robotáxi Apollo Go, da Baidu, disponível na China PEDRO PARDO / AFP O policial acrescentou que, embora as portas dos carros pudessem ser abertas, alguns passageiros hesitaram em sair por causa do tráfego intenso e chamaram a polícia para pedir ajuda. Um vídeo verificado pela Reuters e publicado na versão chinesa do TikTok, o Douyin, mostrou veículos parados em ruas movimentadas, obstruindo o trânsito. A mídia local informou que alguns passageiros ficaram presos nos veículos por quase duas horas. A Baidu não respondeu ao pedido de comentário. O incidente reacendeu discussões nas redes sociais chinesas sobre a segurança e a confiabilidade dos robotáxis. Um robotáxi Apollo Go que transportava um passageiro caiu em uma vala de obra em Chongqing, em agosto. Três meses antes, um dos carros operados pela Pony.ai pegou fogo em uma rua de Pequim. Não houve feridos em nenhum dos casos. Uma queda de energia generalizada em São Francisco, no fim do ano passado, também fez com que robotáxis da Waymo parassem e causassem congestionamento. A Baidu é uma das maiores operadoras de frotas de direção autônoma da China, ao lado da Pony.ai e da WeRide. As empresas lançaram serviços comerciais de robotáxis em grandes cidades chinesas e expandiram as operações para mercados internacionais, incluindo o Oriente Médio. Pane faz diversos robotáxis Apollo Go ficarem parados no meio da rua em Wuhan, na China SOCIAL MEDIA via REUTERS

Cadeirinhas infantis: veja as regras para usar cada uma A escolha e o uso adequado da cadeirinha infantil ainda despertam dúvidas entre pais e responsáveis, mesmo após a sua obrigatoriedade em veículos de passeio, estabelecida em setembro de 2010. O lugar mais seguro para transportar a criança é o banco traseiro, com cinto de três pontos e o dispositivo adequado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Mas há exceções. Em carros que só têm cinto de dois pontos no banco de trás — e não há cadeirinha certificada para esse tipo de cinto — o ideal é levar a criança no banco da frente, com cinto de três pontos e o equipamento de retenção. É preciso desligar o airbag, nos carros equipamentos com o dispositivo, para não eclodir em caso de acidente e causar mais danos do que proteger a criança. “Dar um jeito de fixar a cadeirinha feita para cinto de três pontos em um cinto com dois pontos é ruim”, alerta Fábio Viviani, especialista em segurança veicular. “Pode até parecer que ficou firme, mas nos crash tests é impressionante ver as forças envolvidas. A cadeirinha sem esse terceiro ponto de fixação não vai trabalhar da maneira como foi projetada”. Nesses casos, a recomendação é recuar o banco dianteiro ao máximo, para afastar a criança do painel. Bebê conforto, cadeirinha e assento com elevação: os dispositivos indispensáveis para transportar crianças g1 Confira abaixo as principais dúvidas sobre transporte seguro de crianças em carros: Qual cadeirinha usar no carro? Quando trocar a cadeirinha? Como usar e fixar o assento de elevação? Quando a criança pode ir no banco da frente? O que é e como usar o Isofix? Qual cadeirinha usar no carro? No papel, a regra do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) define faixas etárias para cada tipo de equipamento: Bebê conforto: até 1 ano ou 13 kg; Cadeirinha: de 1 a 4 anos ou entre 9 kg e 18 kg; Assento de elevação: de 4 a 7 anos; entre 15 kg e 36 kg ou até 1,45 m de altura; Banco traseiro com cinto de segurança: de 7 anos a 10 anos, desde que a criança tenha pelo menos 1,45 m de altura. O uso incorreto da cadeirinha, além da insegurança para o bebê ou a criança, inclui multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo. O Inmetro, que certifica os produtos, classifica os dispositivos por grupos que combinam idade, peso e altura. Há modelos que abrangem mais de um grupo e podem ser usados por mais tempo. “Existem cadeirinhas certificadas que comportam de 0 kg a 25 kg, por exemplo. Outras duram praticamente todo o tempo em que a criança vai precisar usar dispositivo de retenção”, afirma Gustavo Kuster, do Inmetro. Volte para o início. Quando trocar a cadeirinha? O modelo da cadeirinha deve acompanhar o crescimento da criança, garantindo que ela esteja sempre firme e protegida. Como cada versão é indicada para uma faixa etária específica, a troca do equipamento se torna necessária conforme o desenvolvimento. A transição entre os dispositivos deve considerar, na seguinte ordem de prioridade: 💺 O conforto; 👶 O tamanho da criança; 🎂 A idade da criança. Um bebê que já não cabe no bebê conforto, por exemplo, pode ir para a cadeirinha, mesmo que ainda não tenha completado a idade mínima para a transição. “Se ela ainda cabe naquele dispositivo, está confortável, com o cinto bem preso, pode continuar nele”, afirma Kuster. A posição do bebê conforto — voltado para o encosto do banco — é recomendada por causa da anatomia dos recém-nascidos. “O bebê nasce com a cabeça maior que o corpo, como na forma de um martelo. Nessa posição, ele fica mais protegido”, explica Celso Arruda, especialista da Unicamp. Volte para o início. Como usar e fixar o assento de elevação? Para os mais crescidos, a altura é o fator mais importante na hora de dispensar o assento de elevação. Crianças com menos de 1,45 m não devem usar apenas o cinto de segurança, mesmo que tenham mais de 7 anos. O assento serve para posicionar corretamente o cinto de três pontos, que deve passar pelo peito. “Se ela ainda não tiver altura suficiente e quiser continuar usando inclusive a cadeirinha completa, sem dispensar o encosto, ainda que tenha mais de 4 anos ou mais de 36 kg, tudo bem. Desde que esteja confortável”, diz Kuster. Volte para o início. Quando a criança pode ir no banco da frente? O Contran permite o transporte no banco da frente em situações específicas: Crianças a partir de 10 anos, com cinto de segurança; Quando o banco traseiro só tem cinto de dois pontos; Em veículos sem banco traseiro, como picapes de cabine simples; Quando há mais crianças do que lugares no banco traseiro — a de maior estatura pode ir na frente; Equipamentos certificados. Segundo a Senatran, apenas bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação são considerados dispositivos adequados. O Inmetro reforça que não há certificação para outros tipos de equipamentos. “Sem um equipamento certificado, ou seja, que passou por testes rigorosos, a criança não estará devidamente protegida”, afirma Viviani. Volte para o início. O que é e como usar o Isofix? Uma das formas de prender o bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação nos carros é o Isofix, que ancora a cadeirinha ao assento traseiro do carro. Porém, a lei do Isofix foi sancionada em 2015 e somente em 2020 é que passou a ser obrigatória para todos os veículos novos fabricados ou importados no país. Este tipo de ancoragem exige pontos de fixação específicos, tanto no veículo quanto na cadeirinha. O sistema é composto por dois pontos de fixação na base da cadeirinha ou do bebê-conforto, que se encaixam a dois pontos no veículo, localizados no vão entre o assento e o encosto do banco traseiro. Pontos de ancoragem do Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Para fixar a cadeirinha, você precisa: Localizar os pontos de ancoragem no banco traseiro, que podem ser visíveis como na imagem acima, ou escondidos. Neste caso, um ícone de cadeirinha infantil ou o nome "Isofix" fica fisível. Guiar os pontos da cadeirinha aos locais do banco e empurrar, até escutar um "clique". Em algumas cadeirinhas, uma indicação em verde aparece próxima do local de ancoragem no assento do veículo. Ponto de ancoragem Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Um terceiro ponto pode estar no carro e ele se liga a uma espécie de gancho da cadeirinha, evitando que o dispositivo se movimente. Esse ponto tem nome de Top Tether e, se estiver no seu carro, estará em um dos seguintes locais: No assoalho; Na parte de trás do encosto (na área do porta-malas, como na imagem abaixo); Na lateral do carro (na mesma área de onde saem os cintos de segurança). Top tether em um Volvo XC40 divulgação/Volvo Volte para o início.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou tarifas de 100% sobre determinadas importações de medicamentos de marca. O anúncio ocorre um ano após o "dia da libertação", quando Trump determinou uma série de tarifas sob produtos de países por todo o mundo. Junto ao anúncio da tarifa sobre medicamentos importados, o presidente também reformulou tarifas sobre produtos com aço, alumínio e cobre. LEIA MAIS: Trump reformula tarifas sobre produtos com aço, alumínio e cobre O novo pacote de tarifas tem como objetivo, em parte, recompor tributos perdidos quando a Suprema Corte as derrubou em fevereiro deste ano. No entanto, as medidas foram criticadas por alguns grupos empresariais por criarem novas pressões de custo em um momento em que a guerra com o Irã elevou os preços de energia para os consumidores. Nesta quinta-feira (2), o governo publicou os resultados de uma investigação de segurança nacional sobre importações farmacêuticas. Trump afirmou que: fabricantes estrangeiros de produtos patenteados devem concordar em firmar acordos com o governo dos EUA para reduzir os preços de medicamentos prescritos; e se comprometer a transferir a produção para os Estados Unidos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Eles precisarão fazer ambas as coisas para evitar totalmente as tarifas e enfrentarão uma taxa de 20% caso apenas transfiram parte da produção para os EUA, segundo uma autoridade do governo. Aqueles que não fizerem nenhuma das duas medidas enfrentarão uma tarifa de 100%. As tarifas não se aplicarão a importações de medicamentos de todos os países. As taxas sobre medicamentos de marca serão limitadas a 15% em acordos comerciais com a União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Suíça. Os EUA e o Reino Unido também finalizaram um acordo separado para o setor farmacêutico que garante tarifa zero para medicamentos produzidos no Reino Unido por pelo menos três anos, enquanto o país amplia a produção em território americano. Trump dá entrevista a bordo do Air Force One em 29 de março de 2025. Reuters/Elizabeth Frantz Uma autoridade do governo disse que grandes farmacêuticas terão 120 dias para cumprir as regras antes que as tarifas de 100% entrem em vigor, enquanto produtores menores terão 180 dias. Um ano do “dia da libertação” As alterações ocorrem no aniversário de um ano do chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou tarifas “recíprocas” entre 10% e 50% sobre importações de todos os parceiros comerciais — e até de algumas ilhas desabitadas. As medidas, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, desencadearam meses de retaliações da China, negociações comerciais e disputas judiciais por parte de importadores. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais essas tarifas, levando uma instância inferior a ordenar que a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras elaborasse um plano para devolver cerca de US$ 166 bilhões arrecadados ao longo de um ano. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, defendeu as tarifas como um “botão de reinicialização” para um sistema global de comércio considerado falho. Ele afirmou que elas incentivaram empresas a construir novas fábricas nos EUA e pressionaram parceiros comerciais a conceder vantagens às exportações americanas. “O melhor ainda está por vir, à medida que o programa tarifário do presidente Trump incentiva a produção doméstica, eleva os salários dos trabalhadores e fortalece nossas cadeias de suprimentos críticas”, disse Greer em comunicado. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Reação da Indústria A Câmara de Comércio dos EUA afirmou que um ano de tarifas mais altas já elevou preços e aumentou custos para vários setores, alertando que as novas medidas podem provocar novos aumentos “Um novo e complexo sistema tarifário sobre medicamentos elevará os custos de saúde para as famílias americanas”, disse o diretor de políticas da entidade, Neil Bradley. “Alterações nas tarifas de metais também elevarão preços para consumidores e aumentarão a pressão sobre manufatura, construção e energia — setores que já enfrentam custos elevados e desafios nas cadeias de suprimentos”, acrescentou. Por outro lado, o presidente da Associação de Fabricantes de Aço, Philip Bell, elogiou o governo por ajustar a lista de produtos derivados e atualizar a metodologia de avaliação, garantindo que as tarifas permaneçam direcionadas ao fortalecimento da indústria siderúrgica americana sem prejudicar objetivos econômicos mais amplos.

Bacalhau Getty Images via BBC Em seus quase 40 anos de sacerdócio, não foram poucas as vezes em que o padre Eugênio Ferreira de Lima questionou o costume, tradicional em muitas famílias católicas brasileiras, de não comer carne vermelha na quaresma — alguns, apenas na Semana Santa; outros, exclusivamente na Sexta-Feira Santa, dia em que o protagonista à mesa costuma ser o bacalhau. "Sobretudo porque bacalhau é mais caro do que certas carnes", disse Lima, em troca de mensagens com a reportagem da BBC News Brasil. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Também não vejo sentido em fazer jejum ou não comer carne e não dar o que deixou de comer para os mais pobres. Às vezes me sinto uma voz isolada nesse sentido." O questionamento levantado pelo religioso faz muito sentido, sobretudo em tempos de inflação, que tem reduzido a oferta de alimentos na mesa dos brasileiros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mas, ao mesmo tempo, é uma crítica que instiga: de onde veio o costume do bacalhau na sexta-feira que antecede à Páscoa? Para especialistas, é uma história longa em que não há uma única explicação. E, claro, tem suas raízes na influência de Portugal enquanto país colonizador do que depois se tornaria o Brasil. Outra parte da explicação está no fato de ser um produto que pode ser conservado por mais tempo sem refrigeração. "Quando o assunto é o 'não se pode comer tal coisa' e 'é permitido consumir tais produtos', a regra não é tanto baseada na questão econômica", explica o historiador André Leonardo Chevitarese, professor titular do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus de Nazaré: O Que a História Tem a Dizer sobre Ele, entre outros. "E o caso do bacalhau tem a ver com a colonização portuguesa", observa. "A chave para pensar essa questão, se não é econômica, tem a ver com a questão religiosa. Por isso é tão tensa essa questão. Nem todo cristão faz jejum ou abre mão de comer carne vermelha durante a Semana Santa", lembra Chevitarese. "O que leva alguém a consumir ou não carne vermelha diz respeito a olhares, formas de se ler teologicamente o que vem a ser o sacrifício de Jesus na cruz", completa ele. É por isso que a abstinência de carne suscita comentários que vão desde o "a Igreja Católica proibiu sem base bíblica" aos que defendem que regulamentações oriundas de documentos ou da tradição católica estariam, sim, ancoradas pelos ensinamentos dos livros sagrados, como contextualiza Chevitarese, em "simbologias teológicas do ato do sacrifício de Jesus". "Ou seja: eu não discutiria questões econômicas, mas pensaria em simbologias", conclui ele. E aí há algumas questões que precisam ser levadas em conta: a prática do jejum, o simbolismo do peixe, o prazer de comer carne vermelha e, por fim, a disseminação do bacalhau no mundo lusitano. Prática foi influenciada pelos portugueses Getty Images via BBC Jejum "Tudo começa, na verdade, com o jejum", afirma a vaticanista Mirticeli Medeiros, pesquisadora de história do catolicismo na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. "Desde os primeiros séculos do cristianismo tal prática é observada, mas sem focar em um alimento específico. Até porque, na era primitiva do cristianismo, havia essa preocupação de romper com as práticas judaicas em alguns aspectos, embora a influência, do ponto de vista cultural, fosse mais que evidente. É na Idade Média que se começa a desenhar tal preceito." Chevitarese ressalta que desde os primeiros cristãos já havia uma reflexão sobre "pensar o sacrifício de Jesus" experimentando alguma forma de abstinência. "A ideia de jejuar, de ter uma ascese, representaria, sob muitos aspectos, uma austeridade, um autocontrole diante dos prazeres humanos, sempre em dimensão ao sacrifício feito por Jesus na cruz", pontua. O historiador, teólogo e filósofo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta que essa ideia de jejum, no catolicismo, está ligada ao sacramento da penitência, ou seja, um sacrifício feito para a remissão dos pecados. "No catolicismo, é um conceito que trabalha de modo muito forte com a ideia de reconciliação", diz Moraes. Ora, a quaresma é, por assim dizer, o momento perfeito para a ocorrência dessa experiência religiosa. “Porque é um período de perdão, de reconstrução. E é dentro dessa lógica toda que aparece a abstinência da carne, como um símbolo dessa vida que pede para ser reconciliada”, acrescenta o historiador. Afinal, a simbologia está na narrativa: a quaresma é o percurso que resulta na Páscoa. E a Páscoa, a festa da ressurreição, seria o ápice dessa história de renovação, essa possibilidade de que cada um se torne um novo ser humano. Moraes aponta que essa prática de abstinência não costuma ser seguida por cristãos protestantes, evangélicos ou de outras denominações. Segundo ele, a raiz dessa diferença está justamente na questão dos sacramentos — se para os católicos, são sete, incluindo a penitência ou arrependimento dos pecados, protestantes têm apenas dois: batismo e eucaristia. Peixe Mas se a ideia é jejuar, por que o peixe seria permitido? São muitas as explicações que, somadas, resultam numa unânime permissão. Em primeiro lugar, é preciso lembrar como peixes eram importantes no contexto do Jesus histórico, ou seja, no dia a dia daquelas comunidades do Oriente Médio de cerca de 2 mil anos atrás. Não à toa, os primeiros seguidores de Jesus são apresentados, nos evangelhos, como pescadores. "Ele tinha entre os discípulos, pescadores. É lógico que o peixe é um alimento importante na cultura judaica. Mas não há uma relação explícita, direta, [disso com a ideia da troca da carne pelo peixe]", diz Moraes. O que há, lembra Chevitarese, é uma questão ortográfica. Peixe, no grego antigo, era ichthys. Os cristãos primitivos, naqueles tempos em que eram perseguidos por sua fé, decidiram usar o peixe como símbolo atribuindo à palavra um acrônimo: Iesous Christos Theou Yios Soter, que significa Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. "Assim, o consumo do peixe também passa por um conjunto de simbolismos, na experiência, na prática cotidiana de muitos cristãos", argumenta o historiador. "As letras que compõem a palavra ichthys formam o sentido que está muito relacionado ao cristianismo", afirma. "Este peixe é, por si só, simbolicamente algo que se remete a Jesus como salvador." Para muitas famílias, na Sexta-Feira Santa, o protagonista à mesa costuma ser o bacalhau Getty Images via BBC Carne vermelha OK, havia a prática do jejum, já disseminada. E havia o hábito do peixe, acrescido da simbologia toda. Mas qual o problema com a carne vermelha, afinal? A teoria mesmo veio apenas no século 13, graças ao filósofo, teólogo e frade italiano São Tomás de Aquino (1225-1274), um dos grandes pensadores do mundo medieval. "Quando ele prescreveu uma orientação aos fiéis a respeito do jejum, apontou a carne como um dos alimentos mais prazerosos, juntamente com os laticínios", conta Medeiros. "Fez isso porque o jejum era concebido como o ato de se abster de algo que mais se gostava, não necessariamente privar-se de carne. Mas a carne, em si, por satisfazer o prazer do paladar, estava muito associada à luxúria, aos pecados sexuais, comumente chamados de 'pecados da carne'." "A teologia [da abstinência de carne vermelha] foi trazida por Tomás de Aquino", concorda Chevitarese. Medeiros atenta para a recorrência de exemplos que confirmam essa ideia. Por exemplo, a regra de São Bento, documento atribuído ao monge São Bento de Núrsia (480-547) e que rege a ordem beneditina. "Exigia que os monges só comessem carne em caso de necessidade extrema ou por questão de saúde", afirma a estudiosa do catolicismo. Ela conta que o tema foi muito debatido em sínodos da Igreja ao longo de séculos. "Foi colocado em questão, inclusive, se a carne moída e o presunto poderiam ser consumidos no lugar da carne [em si] porque, uma vez triturados, teriam perdido suas propriedades 'carnosas'", exemplifica Medeiros. "Por fim, na Idade Média, os fiéis observavam o chamado 'jejum magro', que previa a abstinência de carne em várias épocas do ano, incluindo na sexta-feira", conta a pesquisadora. A regra atual consta de dois documentos do Vaticano: o Código de Direito Canônico de 1917 e a Constituição de 1966, do papa Paulo 6º (1897-1978). Não são poucos os artifícios retóricos que buscam explicar a diferença entre carnes de diversos bichos, de modo a autorizar o consumo do peixe e proibir o de outros animais, por exemplo. "Há o elemento do peixe como uma carne cujo sangue é frio, em detrimento ao sangue quente da carne vermelha dos bovinos e do frango", comenta Chevitarese. As nuances não são muito claras tampouco na hora de definir o que é um peixe ou não. Nesse sentido, a religião não necessariamente bebe nas fontes da ciência. "Na tradição judaica, o peixe seria o animal que tem escama e barbatana. Embora consideremos peixes muitos outros animais marinhos que não necessariamente tenham escama e barbatana", explica o historiador. Ele relata que já se deparou com entendimentos bastante afrontosos ao conhecimento taxonômico. "Por exemplo, em Nova Orleans [nos Estados Unidos] houve um bispo que disse que jacaré deve ser considerado um peixe. Então os católicos de lá podem comer carne de jacaré na Sexta-Feira Santa", conta. "Tem culturas que encaram a capivara como peixes, então católicos podem comer capivara na quaresma. E em Quebec [no Canadá], um bispo disse que castores também são peixes…" "Então, a regra varia muito sobre o que é peixe [no âmbito religioso], como definir o que é peixe…" acrescenta ele. "Há muitas brechas." 'Por ser considerado um peixe de longa conservação, muitos fiéis consumiam o bacalhau durante toda a quaresma', diz Medeiros Getty Images via BBC Bacalhau "Não há nenhuma prescrição da Igreja sobre o uso do bacalhau", frisa Medeiros. Ela vai direto ao ponto: a tradição pegou no Brasil "simplesmente porque fomos influenciados pelos costumes portugueses". Ora, pois… "Eles trouxeram a iguaria para cá no século 19. Por ser considerado um peixe de longa conservação, muitos fiéis o consumiam durante toda a quaresma", acrescenta ela. Aí parece estar o pulo do gato — ou o salto do peixe. Em tempos anteriores à invenção da geladeira, sobretudo em que a quaresma ocorre no verão, como o Brasil, era preciso facilitar essa ideia de comer peixe. Como o bacalhau costuma ser curado, em um processo com adição de sal e desidratação, ele é um produto que pode ser conservado por mais tempo sem refrigeração. Em resumo: não foi por fé no bacalhau, foi por puro pragmatismo. O historiador Chevitarese explica que o consumo do bacalhau foi trazido ao Brasil com a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808. Aos poucos, a iguaria começou a estar disponível nos famosos empórios de secos e molhados. "A lógica da penitência impõe ao fiel que ele obedeça, de livre e espontânea vontade, a um momento penitencial importante", enfatiza Moraes. "A Páscoa é uma excelente oportunidade para isso. Na Sexta-Feira Santa, então, o sujeito faz essa substituição [da carne pelo bacalhau], que é uma coisa histórica, tradicional." "Somos um país criado sob a influência do catolicismo, então essa observância dos fiéis católicos vem desde a época da colonização e é algo muito evidente, ancorado pela orientação dos padres daqui. E o peixe [o bacalhau] apareceu como uma tradição da própria corte portuguesa", diz ele. O teólogo sintetiza: se o ritual da abstinência veio com a colonização, a prática se acentuou com a chegada da corte portuguesa ao Rio. "Então o bacalhau, com praticidade de algo que fazia parte da culinária portuguesa e não se estragava com facilidade, foi inserido. E aquilo foi sendo ressignificado ao longo do tempo", comenta. Sim, porque com todos os ingredientes, é a hora de lembrar da frase bíblica que apregoa que as coisas de Deus devem ser deixadas a Deus e as coisas de César, a César. Porque o deus mercado é capaz de fazer perpetuar as mais diversas tradições inventadas… “O consumo do bacalhau, trazido pela corte, caiu no gosto do brasileiro. Vivemos num modo de produção capitalista e quando algo cai no gosto da prática mercantilista comercial, tudo vira mercadoria: tem gente que vende e gente que consome", reflete Moraes. "Então está aí: ficou sendo uma prática muito explorada até hoje. E os vendedores de peixe agradecem." Esta reportagem foi publicada originalmente em 6 de abril de 2023

Trump no Salão Oval da Casa Branca em 31 de março de 2026. Reuters/Evan Vucci/File Photo A Casa Branca publicou nesta quinta-feira (2) uma proclamação presidencial que reformula as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos de aço, alumínio e cobre, com mudanças nas alíquotas conforme o tipo de produto. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As novas regras estabelecem que parte dos itens acabados com participação relevante desses insumos deixarão de enfrentar tarifa de 50% e passarão a ser taxados em 25%. 🔎 Essa taxa será aplicada sobre o valor total do produto. Antes, a tarifa de 50% incidia apenas sobre o valor do metal utilizado nos itens. Conforme as mudanças, produtos derivados que contenham mais de 15% do peso total em aço, alumínio ou cobre terão tarifa de 25% sobre o valor integral da importação. Máquinas de lavar e fogões a gás, por exemplo, passam a ter alíquota fixa de 25% quando feitos majoritariamente de aço. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar da redução em alguns casos, as mudanças podem elevar o custo de diversas importações, ao ampliar a base de cálculo das tarifas, avaliou o jornal norte-americano Wall Street Journal. Isso ocorre porque a cobrança passará a incidir sobre o valor total dos bens importados, e não apenas sobre o conteúdo de aço ou alumínio de cada produto. A nova proclamação também estabelece que: A tarifa de 50% segue válida para produtos de aço, alumínio e cobre classificados como commodities, ou seja, compostos majoritariamente por esses metais. Determinados itens podem ser reclassificados como commodities se forem feitos quase integralmente desses materiais. Produtos com menos de 15% de conteúdo metálico ficam fora do regime e passam a pagar a tarifa global mínima de 10% estabelecida por Trump. Produtos feitos no exterior com metais dos EUA podem ter tarifa reduzida, de 10%. As mudanças têm como objetivo simplificar um regime tarifário excessivamente complexo, que dificultava a determinação do valor do conteúdo metálico em milhares de produtos derivados — de peças de tratores a pias de aço inoxidável e equipamentos ferroviários. “Então é mais fácil, mais simples, mais direto. Para muitos produtos, será mais baixo. Para alguns, será um pouco mais alto, mas, em geral, está ok”, disse um alto funcionário do governo Trump à Reuters, acrescentando que o governo discutiu as mudanças com a indústria e recebeu retorno positivo. A expectativa é que, com a medida, o governo dos EUA arrecade mais com as tarifas sobre aço e alumínio, impostas sob a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962. A decisão ocorre após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, grande parte das tarifas aplicadas por Trump. Em resposta, o republicano recorreu a um novo instrumento legal, a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, para impor uma tarifa global de 10% sobre produtos importados. LEIA MAIS: Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço * Com informações da agência de notícias Reuters

Programa de subvenção ao diesel foi criado para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis Jornal Nacional/ Reprodução A primeira fase do programa do governo federal de subvenção ao diesel terminou com apenas cinco empresas habilitadas: a Petrobras, a refinaria de Mataripe (BA), a Sea Trading Comercial, a Midas Distribuidora e Sul Plata Training. A informação é da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), que registrou a adesão das cinco empresas. As três distribuidoras nacionais de combustíveis – Vibra Energia, Raízen e Ipiranga – não participarão desta etapa. Segundo as regras, os agentes econômicos que atuam no setor tiveram até 31 de março para aderir ao programa para o período de 12 a 31 de março. Para o próximo período, de 1º a 30 de abril, o prazo para adesão ainda está aberto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A ANP recebeu pedidos de adesão para esse segundo período e está analisando os documentos", disse a agência, sem dar detalhes. O programa de subvenção ao diesel foi criado pelo governo federal para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis causados pela disparada do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. A iniciativa prevê o ressarcimento de até R$ 0,32 por litro de diesel para os agentes econômicos, a depender dos preços praticados por eles e de parâmetros definidos pelo governo em cada período. O Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria que fixou o preço de comercialização máximo do diesel para o primeiro período da subvenção. A partir dos períodos seguintes -- em sua maioria com duração de 30 dias até o fim do ano -- o preço máximo de venda será calculado com base em preço de referência definido pela ANP no primeiro dia de cada período. O preço de referência vai oscilar diariamente, a fim de determinar o quanto será pago aos agentes.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, nesta quinta-feira (2), que iniciou uma ação de fiscalização para apurar informações relacionadas aos leilões de GLP (gás de cozinha) realizados pela Petrobras em 31 de março. A iniciativa foi motivada "por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI)". Mais cedo nesta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o leilão como "bandidagem". "Foi feito um leilão, com cretinice e bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'Não vamos aumentar o GLP'. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras", disse Lula em entrevista à TV Record. "Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", acrescentou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Equipes da ANP estiveram na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, e na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Segundo a agência, no entanto, as solicitações de informações abrangem todos os polos produtores da companhia. Ainda de acordo com a agência, a fiscalização se baseia, entre outros pontos, em uma medida provisória editada no ano passado que ampliou suas competências legais para apurar infrações relacionadas à elevação abusiva de preços e à recusa injustificada de fornecimento de combustíveis, biocombustíveis e derivados de petróleo. Botijões de gás de cozinha Reprodução/TV Globo A ANP ressaltou que a ação tem caráter fiscalizatório e não representa, neste momento, constatação de irregularidades. "A instauração da fiscalização não representa juízo prévio de que foram constatadas irregularidades, sendo assegurados à empresa fiscalizada o contraditório e a ampla defesa. Caso sejam constatadas infrações, poderão ser adotadas as medidas administrativas cabíveis, a partir da abertura de processo administrativo que poderá resultar em multa, nos termos da legislação aplicável", informou a ANP. Governo aciona secretaria do consumidor O Ministério de Minas e Energia (MME) solicitou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a avaliação de possíveis práticas abusivas na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, no mercado brasileiro. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o governo está atento ao cenário internacional e às possíveis repercussões no mercado brasileiro. “O mundo vive um momento de tensão no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e exige nossa atenção. No Brasil, não vamos admitir que instabilidades externas sejam usadas como justificativa para práticas abusivas que prejudiquem o consumidor, especialmente quando se trata de um item essencial como o gás de cozinha”, afirmou. O pedido foi realizado após registros de comercialização do produto por meio de leilões em áreas de elevada demanda, com ágios que superam 100% em relação aos preços normalmente praticados em contratos de fornecimento. Essa dinâmica pode provocar encarecimento do combustível e gerar impactos ao consumidor. A iniciativa também ocorre em um cenário de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesse contexto, o Governo do Brasil tem reforçado o monitoramento da cadeia de abastecimento de combustíveis para ampliar a transparência na formação de preços e coibir práticas abusivas no setor. Recentemente, uma MP tipificou como infrações administrativas as práticas de preços abusivos e a recuso no fornecimento de produtos. Essas novas infrações dialogam diretamente com os conceitos de "abusividade de preços", constante da legislação consumerista, e de "infração à ordem econômica", oriundo da legislação antitruste, ambas sob a guarda temática do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT O governo dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (2) que devem recorrer da decisão de um tribunal da Califórnia que o impediu de aplicar punições contra a empresa de inteligência artificial a Anthropic. A companhia é dona do Claude, assistente rival do ChatGPT 🔎 EUA x ANTHROPIC: o governo americano trava uma disputa para ter o uso irrestrito de IA para fins militares. A empresa impõe limites por ser contra a adoção de suas ferramentas em sistemas de vigilância em massa de cidadãos e de armamento autônomos, por exemplo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Advogados do Departamento de Justiça dos EUA manifestaram o desejo de entrar com um recurso e terão até 30 de abril para apresentar seus argumentos, conforme o prazo definido pelo tribunal que analisa a proibição para punições contra a Anthropic. Na semana passada, o Departamento de Guerra dos EUA, também conhecido como Pentágono, foi impedido pela Justiça de classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de fornecimentos, designação normalmente reservada a empresas de países adversários. A Justiça americana também derrubou a ordem do presidente Donald Trump para órgãos federais deixarem de usar a inteligência artificial da Anthropic. Mesmo com a ordem contrária, os EUA usaram o Claude na ofensiva militar contra o Irã, segundo o The Wall Street Journal. O assistente costuma ajudar o Exército americano a fazer avaliações de inteligência, identificar alvos e simular cenários de batalha. Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, e Donald Trump, presidente dos EUA Reuters/Bhawika Chhabra; Reuters/Nathan Howard As "amplas medidas punitivas" tomadas pelo governo americano pareceram arbitrárias e poderiam "paralisar a Anthropic", afirmou a juíza Rita Lin, que impediu as duas punições contra a empresa por uma semana. "Nada na legislação vigente apoia a noção orwelliana de que uma empresa americana possa ser rotulada como uma potencial adversária e sabotadora dos EUA por expressar discordância com o governo", disse a juíza em referência ao autor de livros distópicos George Orwell. Ela afirmou que a decisão não obriga os EUA a usarem os produtos da Anthropic nem o impede de fazer a transição para outros fornecedores de IA. Um alto funcionário do Pentágono disse que a decisão era uma "vergonha". O subsecretário de Guera dos EUA, Emir Michael, afirmou que a medida "prejudicaria a plena capacidade" do secretário Pete Hegseth de "conduzir operações militares com os parceiros que escolher". Além do tribunal na Califórnia, a Anthropic entrou com um processo no tribunal federal de apelações em Washington, D.C. As ações contestam aspectos diferentes das ações adotadas pelo Pentágono contra a empresa. Diversas entidades apresentaram pareceres jurídicos favoráveis à Anthropic, incluindo a Microsoft, associações comerciais, trabalhadores do setor de tecnologia, líderes militares aposentados e um grupo de teólogos católicos.

Jato E195-E2, da Embraer Embraer/Divulgação A Embraer entregou 44 aviões no primeiro trimestre deste ano. De acordo com a empresa, o número representa alta de 47% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram entregues 30 aeronaves nos primeiros três meses do ano. A alta foi puxada pelo segmento comercial. Foram entregues dez aviões no primeiro trimestre de 2026, sendo três do modelo E195-E2, a maior aeronave atualmente em produção pela Embraer nesse segmento. Nos primeiros três meses de 2025, foram entregues sete aeronaves comerciais - alta de 43%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O setor de defesa também foi outro destaque. A Embraer entregou uma aeronave de transporte militar multimissão KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano. No total, são cinco aeronaves no trimestre, enquanto não houve nenhuma entrega no mesmo período do ano anterior. Para a aviação executiva, foram entregues 29 jatos no trimestre, que representa aumento de 26% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram entregues 23 aeronaves. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja mais sobre o Vale do Paraíba e região bragantina

Bonecos da Lego com os craques da Copa do Mundo de 2026 Divulgação/Lego A LEGO anunciou uma nova coleção de produtos inspirados na Copa do Mundo de 2026 nesta quinta-feira (2), com bonecos de alguns dos principais nomes do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A linha reúne diferentes categorias de produtos, que vão desde kits menores, voltados para montagem rápida, até modelos mais elaborados e voltados para colecionadores. Entre os principais destaques estão as séries “Destaques do Futebol” e “Lendas do Futebol”, além de versões maiores que incluem itens como a bola oficial e o troféu do torneio. Os bonecos foram desenvolvidos com elementos personalizados para cada jogador, como cores das seleções, numeração das camisas e bases decorativas com identificação individual. O anúncio foi feito no Instagram em um vídeo que reúne os quatro craques do futebol mundial. Confira: Initial plugin text Quanto custam os bonecos LEGO da Copa do Mundo? No Brasil, ainda não há previsão do início das vendas, no entanto, no mercado internacional já é possível encontrar os bonecos dos jogadores. Se dentro de campo os craques são de nível mundial, pode se dizer que os preços também são. Confira: Troféu Oficial do Campeonato do Mundo™ da FIFA – 179,99 euros (R$ 1078,55); Bola de futebol – 119,99 euros (R$ 719); Bonecos Lendas do Futebol – 79,99 euros (R$ 479,32); Kits Destaques do Futebol – 29,99 euros (R$ 179,70); Lionel Messi Celebração – 179,99 euros (R$ 1078,55). Bonecos da Lego com os craques da Copa do Mundo de 2026 Divulgação/Lego Veja os vídeos que estão em alta no g1

Avião decolando da pista do Aeroporto Internacional de Cumbica Sidnei Barros/Prefeitura de Guarulhos Quem está planejando viajar de avião deve comprar a passagem o mais cedo possível, avaliam especialistas. Isso porque o reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1°/04) não deve demorar a ser repassado para os passageiros. Desde o início da ofensiva americana e israelense contra o Irã já havia a expectativa de alta nos preços de combustíveis em geral. No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "As aéreas fecham os contratos de combustível com seis meses de antecedência, mas, com a chegada das férias e segundo semestre – que sempre registra preços maiores –, o repasse do aumento deve chegar antes deste prazo", avalia. A alta anunciada nesta semana segue a tendência de março, quando o preço do combustível subiu 9,4%. Os valores estão em tabela disponibilizada pela Petrobras. Falcão projeta uma alta de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses apenas refletindo o aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação corresponde a cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a representar em torno de 45% destes custos. Menos voos, mais lotação O valor do aumento de até 20% é esperado também pelo economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires. "A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar", diz. Para ele, a alta do combustível pode levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos - uma tendência já observada em outros países. Pires compara o momento à pandemia de covid-19. "Quando a companhia área compra o combustível, depois isso tem um preço de reposição. Ela vai ter que colocar isso na passagem aérea, mas claro que ela não vai colocar na integridade”, explica o economista, ressaltando que parte desses custos tende a ser absorvida pelas próprias companhias aéreas, com impacto negativo para essas empresas. Com as companhias aéreas nacionais já retomando o volume de passageiros de 2019, porém com menos aeronaves em operação após pandemia, o resultado deve ser voos ainda mais lotados. Segundo Falcão, as três empresas que dominam o mercado brasileiro operam hoje com uma ocupação média de 90% dos assentos, acima do estimado como mínimo para a viabilidade da operação. O preço do querosene de aviação segue a tendência da valorização do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. A subida no valor do QAV acompanha o mercado internacional, apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene de aviação utilizado no país. "Essa guerra tem uma particularidade, diferente de outros momentos quando se teve elevações substanciais no preço do barril do petróleo. É que essa guerra está proporcionando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que a gente não teve em outros momentos”, comenta Pires em relação a ausência do que chamou de "sobra de oferta”. Pires explica que o querosene, assim como a gasolina, o diesel e o petróleo, é uma commodity. Isso significa que o preço dele reflete o mercado internacional. Nesse sentido, o economista ressalta que em regiões como Europa, Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul essas commodities relacionadas ao petróleo já vêm sofrendo aumento de preços há tempo, acompanhando a valorização do petróleo, o que não ocorreu no Brasil. Parcelamento no repasse do reajuste No mesmo dia que publicou os novos preços para o QAV, a Petrobrás anunciou que irá oferecer condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível que fornecem para a aviação comercial. A proposta é que essas distribuidoras, inicialmente, comprem o combustível com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a contar do mês de julho de 2026. O termo para aderir à medida deve ser disponibilizado pela Petrobras até a próxima segunda-feira (06/04). Para o viajante, isso pode significar uma diluição no aumento do preço das passagens aéreas. A professa da UFPE, no entanto, se preocupa com a viabilidade da operação. Com o aumento dos preços, existe a possibilidade de a Petrobras não ser capaz de manter este repasse "a conta gotas". "Fazendo esse processo de repassagem em gotas homeopáticas, certamente a Petrobras pode vir a sofrer, e não sabemos até quando ela consegue aguentar; ela pode segurar agora, mas mais adiante vai depender muito da conjuntura geopolítica internacional, ainda muito incerta”, afirma. O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações destinadas a aliviar a pressão sobre o setor aéreo. O documento, preparado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), reúne sugestões. Entre elas, estão a redução temporária de tributos que incidem sobre o querosene de aviação; a diminuição do IOF aplicado às operações financeiras das companhias aéreas; e a queda do Imposto de Renda cobrado sobre contratos de leasing de aeronaves. Segundo a pasta, essas medidas ajudariam a manter a competitividade das empresas, evitariam aumentos excessivos nas tarifas para os passageiros e garantiriam a continuidade da malha aérea nacional. Além disso, apurou-se que está em análise a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível, também com caráter temporário. Para Pires, voar de avião é um serviço "sem substituto” no Brasil, já que a população não dispõe de trens para viagens longas. Soma-se a isso a condição das estradas e a inviabilidade delas como em boa parte da região norte, ainda muito dependente do transporte fluvial. O resultado, segundo Falcão, é a população acabar pagando o preço por décadas de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado.

Irã ameaça atacar empesas e big techs ligadas aos EUA no Oriente Médio A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado um data center da Oracle em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo informações divulgadas pela mídia estatal iraniana nesta quinta-feira (2). O g1 procurou a Oracle, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Em seu site, a companhia diz que a operação na cidade segue normal. Mais tarde, o porta-voz de Dubai negou que o ataque tenha atingido o data center da empresa. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Essa não é a primeira vez nesta semana que o Irã mira big techs. Nesta quarta (1º), a operação de computação em nuvem da Amazon no Bahrein foi prejudicada após um ataque do Irã, segundo informações do Financial Times publicadas nesta quarta-feira (1º). De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, a unidade da Amazon Web Services (AWS) no país do Golfo sofreu danos após a ofensiva iraniana, em meio ao conflito na região. Mais cedo, o Ministério do Interior do Bahrein informou que equipes da defesa civil foram acionadas para conter um incêndio em uma instalação empresarial, provocado pelo que classificou como uma “agressão iraniana”. O órgão, no entanto, não detalhou qual empresa foi atingida. Os episódios ocorrem depois da guarda ameaçar atacar companhias americanas que operam no Oriente Médio. Entre os alvos citados estavam gigantes de tecnologia como Microsoft, Apple, Google e Meta. A Amazon não estava na lista divulgada pela corporação. Procurada pela agência Reuters, a Amazon não comentou diretamente o ataque específico. Ainda assim, segundo o Financial Times, instalações da AWS na região já foram atingidas diversas vezes desde o início do conflito. Escritório da Oracle em Dubai Oracle /Divulgação O comunicado iraniano Em comunicado divulgado pela mídia estatal, os militares iranianos listaram 18 organizações selecionadas como alvo e disseram que suas unidades podem ser bombardeadas a partir das 20h desta quarta-feira (1º) em Teerã - 13h30 no horário de Brasília. "Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro", diz o texto. Veja quais são as 18 empresas sob ameaça: Boeing G42 Spire Solution GE Tesla JP. Morgan Nvidia Palantir Dell IBM Meta Google Apple Microsoft Oracle Intel HP Cisco LEIA TAMBÉM: INVASÃO: Israel vai ocupar sul do Líbano e destruir casas após guerra contra Hezbollah, anuncia ministro INFOGRÁFICO: EUA ampliam presença militar no Oriente Médio em meio à indefinição sobre guerra contra o Irã GUERRA: Trump avalia encerrar guerra contra o Irã mesmo com Estreito de Ormuz fechado, diz jornal

Gmail Unsplash/Solen Feyissa O Google começou a permitir mudanças em endereços do Gmail (o trecho antes de "@gmail.com"). A novidade ainda está disponível apenas nos Estados Unidos, mas será liberada gradualmente para todos os usuários. A alteração foi liberada mais de 20 anos após o Google criar seu serviço de e-mail e foi comemorada pelo CEO da empresa, Sundar Pichai. "2004 foi um bom ano, mas seu endereço do Gmail não precisa ficar preso a ele", escreveu. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Usuários que fizerem a mudança no endereço de Gmail também alteram o meio de acessar serviços como Google Fotos e Google Drive, caso a conta também seja usada para usar essas ferramentas. Outra opção oferecida pelo Google é alterar como o seu nome é exibido para pessoas que veem seus e-mails. Esse recurso está disponível há mais tempo e pode ser alterado no Gmail (saiba mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como mudar seu endereço no Gmail Para conferir se você pode mudar seu endereço do Gmail, acesse myaccount.google.com/google-account-email pelo computador. Em um teste do g1, o Google informou que ainda "não é possível mudar essa configuração para sua conta". Quando a alteração estiver disponível no Brasil, a página exibirá um botão "Mudar e-mail da Conta do Google". Após selecionar a opção, será preciso inserir um endereço que ainda não é usado por ninguém, clicar em "Mudar e-mail" e seguir as instruções na tela. Mudança em endereço do Gmail Divulgação/Google Você ainda terá direito sobre seu antigo e-mail, que funcionará como um endereço alternativo e ainda poderá ser usado para acessar a sua conta. O Google informa ainda que após a mudança, você receberá e-mails enviados para os dois endereços e não poderá criar um novo e-mail terminado em "@gmail.com" para a conta durante 12 meses. Como mudar nome no Gmail Acesse o Gmail pelo computador; Clique em "Configurações" (símbolo de engrenagem no canto superior direito); Clique em "Ver todas as configurações"; Selecione "Contas e importação" ou "Contas"; Em "Enviar e-mail como", selecione "Editar informações"; Em "Nome", escreva como você deseja se apresentar no Gmail; Clique em "Salvar alterações".

Trump exibe tabela com tarifas que devem ser cobradas pelos EUA REUTERS O presidente dos Estdos Unidos, Donald Trump, quer mudar as regras de impostos sobre produtos de aço e alumínio. A ideia é manter a taxa alta, de 50%, para a importação desses metais “brutos”, mas diminuir o imposto para produtos derivados, como peças e eletrodomésticos. Nesse caso, a cobrança ficaria entre 15% e 25%, segundo a agência Reuters. Essas mudanças ainda podem ser ajustadas e dependem de um decreto do presidente, que deve sair já nesta quinta-feira (2). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A proposta foi divulgada primeiro pelo jornal Wall Street Journal. A Casa Branca não comentou o assunto até agora. Segundo fontes, o objetivo é deixar o sistema mais simples. No ano passado, Trump aumentou para 50% o imposto sobre aço e alumínio e também passou a cobrar taxas sobre milhares de produtos feitos com esses materiais, para incentivar a produção dentro dos Estados Unidos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O problema é que esse imposto era calculado só sobre a parte de aço e alumínio de cada produto, o que dificultava as contas para quem importa. Agora, a ideia é cobrar um imposto menor, mas sobre o valor total do produto, o que torna tudo mais fácil de calcular. O novo decreto também deve trazer uma lista atualizada dos produtos que serão taxados. Alguns equipamentos usados na produção de aço podem ter imposto menor, de 15%, já que o governo quer incentivar investimentos no setor. Esses equipamentos, como máquinas industriais, geralmente são importados de países como Alemanha e Itália e são feitos para suportar altas temperaturas. Tarifas impactam o Brasil O aumento das tarifas imposto por Donald Trump sobre aço, alumínio e produtos derivados entrou em vigor em junho do ano passado, quando as alíquotas subiram de 25% para 50%. Em agosto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participou de uma reunião na Câmara dos Deputados com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir propostas voltadas ao comércio exterior. Após o encontro, Alckmin informou que o Departamento de Comércio dos EUA passou a enquadrar exportações que contêm aço e alumínio na chamada Seção 232 do Ato de Expansão Comercial. Com isso, itens produzidos com esses metais também passaram a ser taxados em 50%, mesma alíquota já aplicada às matérias-primas. A mudança fez com que parte dos produtos brasileiros passasse a pagar tarifas iguais às de outros países, o que melhora a competitividade dos manufaturados nacionais. Segundo Alckmin, cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações brasileiras — de um total de US$ 40 bilhões — foram afetados pela medida, o equivalente a 6,4% do total. “Isso melhora nossa competitividade em relação ao resto do mundo”, afirmou na época. Apesar disso, uma parcela significativa das vendas brasileiras aos Estados Unidos continua sujeita às tarifas mais altas, o que tende a reduzir as exportações. Atualmente, as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA continuam sujeitas a alíquotas de 50%. Companhias mais voltadas ao mercado externo são as mais prejudicadas, por causa da queda nas exportações. Já aquelas com foco no mercado interno sentem menos impacto direto, mas podem enfrentar maior concorrência doméstica, o que pressiona preços e reduz margens de lucro. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações de diversos parceiros comerciais. Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros entendeu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral. Mesmo assim, no dia seguinte à decisão, Trump anunciou uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com aplicação imediata.

Logo da OpenAI, dona do ChatGPT REUTERS/Dado Ruvic/ Usuários do ChatGPT que apresentarem sinais de extremismo violento poderão ser encaminhados para apoio especializado, por meio de uma nova ferramenta em desenvolvimento na Nova Zelândia, disseram os responsáveis pelo projeto.. O sistema deve combinar atendimento humano e chatbots para tentar reduzir riscos de violência. A startup neozelandesa ThroughLine, contratada nos últimos anos pela OpenAI (dona do ChatGPT) e também por empresas como Anthropic e Google, busca redirecionar usuários para apoio em situações de crise. Isso acontece quando há sinais de risco, como automutilação, violência doméstica ou transtornos alimentares. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A iniciativa é a mais recente tentativa de abordar as preocupações com a segurança diante do número crescente de processos judiciais que acusam empresas de inteligência artificial de não impedir, e até incentivar, episódios de violência. Em fevereiro, a OpenAI foi ameaçada de intervenção pelo governo do Canadá. A medida ocorreu após a revelação de que o autor de um massacre em uma escola foi banido da plataforma sem que as autoridades fossem avisadas. A OpenAI confirmou a parceria com a ThroughLine, mas não deu mais detalhes. Já Anthropic e Google não responderam aos pedidos de comentário. Austrália anuncia restrições aos anúncios de apostas esportivas Como as criptomoedas estão movimentando a guerra na Rússia e no Irã? Serviço de prevenção Segundo o fundador da ThroughLine, Elliot Taylor, ex-assistente social que trabalhou com jovens, a empresa também estuda ampliar o serviço para incluir a prevenção ao extremismo violento. A ThroughLine está em negociações com o The Christchurch Call, uma iniciativa para combater o ódio online criada após o pior ataque terrorista da Nova Zelândia em 2019. Segundo Taylor, o grupo anti-extremismo fornecerá orientações, enquanto a ThroughLine desenvolve o chatbot de intervenção. "É algo que gostaríamos de avançar e fazer um trabalho melhor em termos de cobertura, para então poder dar um suporte melhor às plataformas", disse Taylor em entrevista, acrescentando que nenhum prazo foi definido. A startup de Taylor, operada a partir da zona rural da Nova Zelândia, tornou-se referência para empresas de IA. Hoje, oferece uma rede monitorada com 1.600 linhas de apoio em 180 países. Quando a inteligência artificial detecta sinais de crise de saúde mental, o usuário é encaminhado à ThroughLine. A plataforma, então, conecta a pessoa a um serviço local com atendimento humano. Segundo o fundador, o serviço ainda se limita a algumas categorias. Ele afirma que os problemas relatados online cresceram com a popularidade dos chatbots e agora incluem também o extremismo. Mais chatbots, mais problemas A ferramenta de combate ao extremismo de funcionar em modelo híbrido, combinando um chatbot treinado para responder a pessoas que apresentem sinais de extremismo e encaminhamentos para serviços de saúde mental presenciais, disse Taylor. "Não estamos usando os dados de treinamento de um modelo de linguagem básico", disse, referindo-se aos conjuntos de dados que as grandes plataformas usam para formar textos coerentes. "Estamos trabalhando com os especialistas certos." A tecnologia está atualmente em fase de testes, mas ainda não há data definida para lançamento. Galen Lamphere-Englund, consultor de contraterrorismo ligado ao The Christchurch Call, afirmou que a ferramenta poderia ser usada por moderadores de fóruns de jogos e por pais que querem combater o extremismo online. A ferramenta de redirecionamento de chatbots foi "uma ideia boa e necessária, porque reconhece que o problema não é apenas o conteúdo, mas também a dinâmica do relacionamento", segundo Henry Fraser, pesquisador de IA da Universidade de Tecnologia de Queensland. Ele afirmou que o sucesso da ferramenta depende da qualidade do acompanhamento e dos serviços para os quais os usuários serão encaminhados. Taylor afirmou que as medidas de acompanhamento, incluindo possíveis alertas às autoridades sobre usuários perigosos, ainda estão sendo definidas, mas levariam em consideração qualquer risco de desencadear comportamentos mais agressivos. Segundo ele, pessoas em sofrimento tendem a compartilhar online coisas que têm muita vergonha de dizer a alguém. Por esse motivo, afirma, os governos correm o risco de agravar o perigo se pressionarem as plataformas a bloquear usuários que participam de conversas delicadas. De acordo com um estudo de 2025 do Stern Center for Business and Human Rights, da Universidade de Nova York, a maior moderação para conter o extremismo nas plataformas, pressionadas pelas autoridades policiais, levou usuários a migrarem para alternativas menos regulamentadas, como o Telegram. "Se você conversar com uma IA, revelar a crise e ela encerrar a conversa, ninguém ficará sabendo do ocorrido, e essa pessoa poderá continuar sem apoio", disse Taylor.

Tesla Model S divulgação/Tesla A Tesla teve um começo de ano abaixo do esperado. A empresa não alcançou a previsão de analistas para a entrega de veículos no primeiro trimestre e registrou seu pior resultado em um ano. A queda acontece em meio à redução de incentivos para carros elétricos nos Estados Unidos e ao aumento da concorrência global. Ao todo, a Tesla entregou cerca de 358 mil veículos no primeiro trimestre, número abaixo do esperado pelo mercado. Apesar disso, houve crescimento em relação ao ano passado. 🔎Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa, comandada pelo bilionário Elon Musk, caíram quase 4% e já acumulam perda de cerca de 15% em 2026. Outro sinal de alerta foi o aumento no número de carros que ficaram sem vender. A Tesla produziu mais de 50 mil veículos a mais do que conseguiu entregar aos clientes — a maior diferença em pelo menos quatro anos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa também enfrenta um cenário mais competitivo. Recentemente, a Tesla perdeu o posto de maior fabricante de carros elétricos do mundo para a chinesa BYD. Ainda assim, neste começo de ano, a Tesla conseguiu vender mais veículos 100% elétricos do que a rival chinesa. Na China, um dos principais mercados da empresa, as vendas cresceram pelo segundo trimestre seguido. Entre janeiro e março, a alta foi de 23,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, especialistas veem sinais de desaceleração. A empresa já acumula dois anos seguidos de queda nas entregas — algo inédito em sua história — e há previsões de que essa tendência continue. Enquanto isso, concorrentes também ganham espaço. A Rivian, por exemplo, entregou mais veículos do que o previsto, indicando uma demanda mais estável por seus modelos. Nos Estados Unidos, o fim de um benefício fiscal de US$ 7.500 para quem comprava carros elétricos também prejudicou as vendas. Sem esse incentivo, muitos consumidores deixaram de adquirir esse tipo de veículo. Na Europa, montadoras tradicionais e marcas chinesas também estão disputando mais espaço, enquanto a Tesla mantém uma linha de modelos com poucas mudanças nos últimos anos. Apesar dos desafios, investidores ainda apostam no futuro da empresa. Isso porque Elon Musk tem direcionado a Tesla para novos negócios, como energia solar, robôs humanoides e carros autônomos. Hoje, a empresa vale cerca de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,2 trilhões), mesmo com a maior parte de sua receita ainda vindo da venda de carros. Um dos projetos mais ambiciosos é o de robotáxis — veículos que funcionam sem motorista. A Tesla já iniciou testes em Austin, no Texas, e planeja expandir o serviço nos próximos anos. Além disso, a empresa está desenvolvendo o Cybercab, um carro autônomo de dois lugares feito especialmente para esse tipo de transporte. Por enquanto, porém, essa operação ainda é pequena e limitada a poucas cidades, ficando atrás de concorrentes como a Waymo, que já tem uma presença maior no mercado americano. *Com informações da agência Reuters

Irã rebate ameaças de Trump e diz que EUA desconhecem poder militar iraniano As duas maiores usinas siderúrgicas do Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que foram obrigadas a suspender seu funcionamento devido aos ataques de Israel e dos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A Companhia Siderúrgica de Khuzestan, no sudoeste do país, e a Companhia Siderúrgica Mobarakeh, na província de Isfahan (centro), vêm sendo atingidas por ataques desde a semana passada e revelaram estar com vários equipamentos danificados. Em comunicado em seu site, a siderúrgica de Mobarakeh informou que suas "linhas de produção estão completamente paralisadas devido à intensidade dos ataques" e que "é impossível continuar com as operações". Já a de Khuzestan se pronunciou através do vice-diretor de operações, Mehran Pakbin, que afirmou que a usina só deve voltar a funcionar em, no mínimo, seis meses: "Todos os módulos e fornos de produção de aço deste complexo industrial foram danificados. Segundo as nossas previsões iniciais, a retomada das operações das unidades ocorreram entre seis meses e um ano, no mínimo". O aço é um material estratégico, utilizado na produção industrial e militar, em particular na fabricação de mísseis, drones e navios. Em represália, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou que irá fazer ataques com mísseis e drones contra zonas industriais de Israel e dos EUA no Oriente Médio. Imagem de satélite mostra ataque ao Irã Foto por - / SATELLITE IMAGE ©2026 VANTOR / AFP Irã diz que guerra continuará após discurso de Trump aos EUA Mais cedo, nesta quinta, o Irã prometeu que continuará a guerra contra os EUA e Israel "até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo", e que fará "ataques devastadores" contra os dois rivais. "Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição. (...) Aguardem nossos ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos", afirmou o porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, em comunicado divulgado pela TV estatal. A fala de Zolfaqari foi uma resposta a ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso televisionado na noite anterior. Trump prometeu retornar o Irã "para a Idade da Pedra" com ataques mais fortes nas próximas "duas a três semanas", e ameaçou também atacar a infraestrutura energética iraniana. Trump diz que objetivos no Irã estão quase concluídos No discurso, Trump voltou a ameaçar o Irã, inclusive com ataques a usinas de eletricidade caso o país não houver acordo. O porta-voz respondeu que as avaliações dos EUA e de Israel sobre as capacidades militares do Irã eram "incompletas". Também ameaçou Israel e os EUA com 'ações mais esmagadoras, amplas e destrutivas'. Em um carta endereçada "ao povo norte-americano" antes do pronunciamento de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não "nutre inimizade com as pessoas comuns dos Estados Unidos", disse não ser uma ameaça e acusou o governo de Donald Trump de enganar seus próprios cidadãos. Na carta, divulgada pela imprensa estatal iraniana, Pezeshkian pede ainda que os norte-americanos questionem "se Washington está realmente colocando os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar ou se está apenas agindo como um representante de Israel" e afirma que Trump está disposto a lutar "até o último soldado americano". O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, responde a perguntas da imprensa durante uma coletiva em Nova York, nesta sexta-feira (26) Angelina Katsanis/AP Photo A carta foi a primeira comunicação direta do governo iraniano direcionada à população dos EUA desde o início do conflito no Oriente Médio. No documento, o presidente iraniano faz uma separação entre o país Estados Unidos e o povo americano: "O povo iraniano não nutre qualquer inimizade contra outras nações, incluindo os povos da América, da Europa ou dos países vizinhos", diz a carta. "O que o Irã fez – e continua a fazer – é uma resposta ponderada, baseada na legítima defesa, e de forma alguma uma iniciação de guerra ou agressão", ela afirma. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Jeep Renegade fica mais minimalista e ganha sistema híbrido fraco O novo Jeep Renegade chega com mudanças pensadas para conter a queda nas vendas. O modelo, que já liderou o segmento, perdeu espaço nos últimos anos e hoje ocupa apenas a 11ª posição entre os SUVs. Duas são as principais novidades: o jipinho adotou um visual mais simples e passou a contar com um motor híbrido leve. São quatro versões, que vão de R$ 141.990 a R$ 189.490. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O g1 passou uma tarde com o novo Renegade em Itupeva (SP) para avaliar se essas mudanças são suficientes para o modelo reagir no mercado e vender mais do que concorrentes chineses mais caros. Sobre o visual, a Jeep destaca que o lado externo mudou bastante. No entanto, fora a parte frontal, é possível confundir o novo Renegade com a geração anterior. Galerias Relacionadas As mudanças aparecem em detalhes do para-choque e na grade, que se destacam mais durante o dia. Como grande parte dela é coberta por plástico preto e o fundo também é escuro, à noite fica difícil perceber o que realmente mudou. Por dentro, as mudanças são mais visíveis e bem-vindas. A principal delas é a central multimídia, que cresceu duas polegadas e agora tem 10,1 polegadas. Ainda fica abaixo do tamanho exagerado adotado por marcas chinesas, mas está alinhada ao padrão de concorrentes ocidentais, como o Volkswagen T-Cross, que também usa uma tela de 10,1 polegadas. Como a tela foi reposicionada para mais perto da linha de visão, ela chama mais atenção e facilita o acesso aos ajustes. Assim, o motorista consegue operar os comandos com menos necessidade de desviar o olhar da rua. A elevação da tela também levou o console central a uma posição mais alta. Antes, ele ficava na altura da canela e agora está próximo do joelho. A mudança segue uma tendência adotada por marcas chinesas, que dão mais atenção ao apoio de braço e à ergonomia. Ainda assim, o espaço do porta-objetos poderia ser maior no Renegade. Para reforçar a proposta minimalista, o Renegade perdeu a alça frontal e passou a ter um painel mais liso. A decisão acompanha a tendência de reduzir elementos visuais, iniciada pela Tesla e amplamente adotada por marcas chinesas, além de algumas fabricantes ocidentais. Ainda assim, o conjunto não seguiu o caminho da Chevrolet Captiva, que perdeu a identidade de SUV americano e adotou um interior totalmente chinês. Se, do ponto de vista da identidade, isso é positivo, na prática dificulta a concorrência com modelos chineses que vêm conquistando o consumidor brasileiro. Novo motor O motor estaria na lista de itens que não mudaram, não fosse a adoção do conjunto híbrido. Essa é a única novidade mecânica do modelo, e o sistema representa uma evolução do que a Fiat já havia aplicado no Pulse e no Fastback em 2025. O sistema híbrido não traciona as rodas e tem impacto muito pequeno no consumo de combustível. Durante o teste, não foi possível perceber melhora nos quilômetros por litro, embora a Jeep prometa uma redução de 9% no consumo do Renegade. A economia é modesta quando comparada à de híbridos completos, como o Toyota Corolla. Na versão híbrida, o sedã consome quase 48% menos combustível do que a opção movida apenas a combustão: Toyota Corolla híbrido: 17,5 km/l na cidade, com gasolina; Toyota Corolla a combustão: 11,9 km/l na cidade, com gasolina. Se, por um lado, o Renegade não protege o motorista da alta dos combustíveis, por outro, a experiência ao volante melhorou, com um comportamento mais ágil. Apesar de manter o motor 1.3 turbo de 176 cv e torque de 27,5 kgfm, o Renegade passou a responder de forma mais rápida ao acelerador. Isso ocorre porque o sistema híbrido adiciona até 15 cv, ajudando a reduzir o esforço do motor principal. Em números, enquanto o Renegade a combustão levava entre um e dois segundos para começar a responder ao acelerador totalmente pressionado, o novo modelo eletrificado reage antes de completar um segundo. Está distante da resposta imediata vista em híbridos nos quais o motor elétrico movimenta as rodas, como Toyota Yaris Cross, Corolla, GAC GS4 e Honda Civic. Ainda assim, a arrancada ficou bem mais ágil, e as retomadas passaram a exigir menos tempo para ganhar força. Fora isso, nada muda. O Renegade segue com suspensão firme e direção leve. No teste, esses ajustes não incomodaram, mas também não surpreenderam a ponto de fazer o utilitário se destacar. Como o Renegade é mais alto do que modelos como Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, a suspensão mais rígida ajuda a compensar a tendência de inclinação em curvas mais fechadas. O carro se mantém estável e transmite boa sensação de segurança. Versões e preços do Jeep Renegade O Jeep Renegade renovado com quatro versões, sendo: Jeep Renegade Altitude, por R$ 141.990 (R$ 129.990 para as primeiras 3.000 unidades): Jeep Renegade 2027 Altitude divulgação/Jeep Central multimídia de 10,1 polegadas; Rodas aro 17; Saída de ar traseira; Ar-condicionado digital de duas zonas; Teto bicolor de série; Chave presencial; Painel de instrumentos digital de 7 polegadas. Jeep Renegade Longitude, por R$ 158.690 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Longitude divulgação/Jeep Motor híbrido; Rodas aro 18; Bancos em couro; Volante em couro; Carregador de celular por indução; Sensor de estacionamento traseiro. Jeep Renegade Sahara, por R$ 175.990 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Sahara divulgação/Jeep Aplicativo para recursos remotos; Alexa integrada; Banco do motorista com ajustes elétricos; Teto solar panorâmico; Monitoramento de ponto cego; Sensor de estacionamento dianteiro. Jeep Renegade Willys, por R$ 189.490 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Willys divulgação/Jeep Motor somente a combustão; Rodas aro 17; Pneu de uso misto; Tração 4x4. Renegade perde versão mais barata Com a chegada do novo Renegade, a Jeep não atualizou a versão de entrada de R$ 118.290, chamada de Sport. Com isso, o preço inicial do SUV compacto passa a ser mais alto, começando em R$ 141.990. Até o lançamento da nova versão, havia uma configuração chamada Sport, que tinha diversos itens removidos para reduzir o preço final do utilitário. Ao g1, a assessoria de imprensa da Jeep informou que as vendas desse modelo eram impulsionadas principalmente pelos descontos oferecidos ao público PCD, que representava parte considerável dos compradores. No entanto, a montadora revelou que essa versão será descontinuada por uma decisão estratégica. A Jeep não confirmou que a mudança de estratégia do Renegade de entrada tem algo a ver com outro lançamento, mas a marca já anunciou oficialmente que lançará o Jeep Avenger no Brasil em 2026. O Avenger tem dimensões menores que as do Renegade e será o SUV mais acessível da Jeep, com produção nacional em Porto Real (RJ). O Avenger mede 4,08 metros de comprimento, ante 4,27 metros do Renegade. Também é mais baixo (1,53 metro contra 1,69 metro), mais estreito (1,77 metro contra 1,80 metro) e tem entre-eixos levemente menor (2,56 metros contra 2,57 metros). Por dentro, o acabamento é mais simples para ajudar a conter custos e manter o preço competitivo. Há mais plástico, o que reduz as áreas com toque macio. Em compensação, o porta-malas do Avenger é maior: tem capacidade para até 380 litros, ante 351 litros do Renegade. Sob o capô, o Jeep Avenger traz o motor 1.0 turbo da Stellantis, o mesmo usado em modelos como Fiat Pulse, Fastback e Peugeot 208. Nesse conjunto, o propulsor entrega 130 cv de potência e 25 kgfm de torque, podendo funcionar com gasolina ou etanol. Renegade vem perdendo espaço no mercado de zero km Lançado em 2015, quando havia poucos SUVs em faixas de preço mais baixas, o Renegade chegou a ocupar o segundo lugar entre os utilitários mais vendidos do país. Em 2019 atingiu o topo do ranking, repetiu o feito em 2021 e, depois disso, as vendas começaram a cair. Em 2025, foram registrados 44.793 emplacamentos. Menos da metade das 92.837 unidades do Volkswagen T‑Cross vendidas no mesmo período e bem abaixo do Hyundai Creta, que encerrou o ano com 76.156 carros novos nas ruas. Além dos concorrentes tradicionais, a BYD também ameaça o Renegade. Em 2025, o Jeep vendeu apenas 38 unidades a mais que a linha Song. ⚡Detalhe: todos os modelos da marca chinesa são híbridos. 2015: segundo SUV mais vendido, atrás do HR‑V; 2016: segundo SUV mais vendido, novamente atrás do HR‑V; 2017: quarto SUV mais vendido; 2018: quinto SUV mais vendido; 2019: primeiro SUV mais vendido; 2020: segundo SUV mais vendido, atrás do T‑Cross; 2021: primeiro SUV mais vendido; 2022: quinto SUV mais vendido; 2023: oitavo SUV mais vendido; 2024: sexto SUV mais vendido; 2025: 11º SUV mais vendido.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou em alta de 0,05% nesta quinta-feira (2), cotado a R$ 5,1594. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,05%, aos 188.052 pontos. O desempenho próximo à estabilidade reflete, em parte, a frustração dos investidores com a ausência de um cessar-fogo no Oriente Médio. Na noite de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques ao Irã continuarão. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O republicano também declarou que os EUA estão perto de atingir seus objetivos em Teerã. Apesar disso, sinalizou que os bombardeios podem se intensificar nas próximas duas a três semanas. As declarações ampliaram a cautela dos investidores. 🔎 Depois de fechar perto de US$ 100 por barril na quarta-feira, o petróleo voltou a subir nesta quinta. Por volta das 17h, o tipo Brent avançava 7,43%, cotado a US$ 108,74. Os contratos futuros do WTI (West Texas Intermediate) tinham alta de 11,55%, a US$ 111,69 por barril. ▶️ Em meio às preocupações com o fluxo de petróleo, o Reino Unido reuniu diplomatas de mais de 40 países para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity. ▶️ Os EUA não participaram da reunião, após Trump afirmar que a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. ▶️ No Brasil, investidores acompanharam a divulgação dos dados de produção industrial referentes a fevereiro. O indicador avançou 0,9% na comparação com janeiro, mas registrou queda de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,56%; Acumulado do mês: -0,37%; Acumulado do ano: -6,00%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +3,58%; Acumulado do mês: +0,31%; Acumulado do ano: +16,71%. Petróleo sobe após EUA indicarem continuidade da guerra Os preços do petróleo subiam mais de 7% nesta quinta-feira, em meio à nova escalada das tensões no Oriente Médio e à falta de sinais claros sobre o fim do conflito entre EUA e Irã. O movimento ocorre após uma breve queda nas cotações pouco antes de um pronunciamento do presidente americano, Donald Trump. Investidores aguardavam sinais sobre uma possível trégua no conflito. Em discurso na noite de quarta-feira, Trump afirmou que os EUA continuarão os ataques contra o Irã, mas não apresentou um cronograma para o fim da guerra. Segundo ele, as forças americanas estariam próximas de alcançar seus objetivos e o conflito poderia terminar em duas ou três semanas. “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”, disse o presidente. Trump também não voltou a mencionar o prazo que havia estabelecido para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma rota considerada essencial para o transporte global de petróleo e gás. Sem sinais claros sobre a normalização do fluxo na região, investidores passaram a temer que eventuais interrupções no fornecimento possam se prolongar. Países discutem reabertura do Estreito de Ormuz Enquanto o mercado reage à incerteza sobre o fornecimento de petróleo, governos de diferentes países tentam buscar uma saída diplomática para o impasse no Estreito de Ormuz. O Reino Unido reuniu diplomatas de mais de 40 países nesta quinta-feira (2) para discutir formas de reabrir a rota marítima, que tem sido afetada pela guerra envolvendo EUA e Israel contra o Irã. A reunião ocorreu de forma virtual e não contou com a participação dos EUA. A ausência ocorre após Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. O presidente também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse que o encontro demonstra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito por meios políticos e diplomáticos, e não militares. Segundo ela, o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação”, o que já começa a afetar a economia global. Cooper afirmou que a alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já impacta famílias e empresas em diferentes países. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos contra embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence. Com os riscos na região, o número de navios que atravessam o estreito diminuiu. Os poucos petroleiros que ainda passam pela área são, em sua maioria, embarcações que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rígido sobre quais navios podem cruzar a rota. Mercados globais Os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta quinta-feira, última sessão de uma semana encurtada pelo feriado de Páscoa. O Dow Jones recuou 0,13%, aos 46.504,60 pontos. O S&P 500 avançou 0,11%, aos 6.582,69 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,18%, aos 21.879,18 pontos. Na Europa, as bolsas também terminaram o dia em direções diferentes, mas com predominância de perdas. O índice STOXX Europe 600 recuou 0,2%, aos 596,63 pontos. Entre os principais mercados da região, o CAC 40, da França, caiu 0,24%, enquanto o DAX, da Alemanha, perdeu 0,79%. Na contramão, o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,69%. Na Ásia, os mercados também encerraram o dia em baixa. O Hang Seng Index, de Hong Kong, caiu 0,7%, aos 25.116,53 pontos. Na China continental, o Shanghai Composite Index recuou na mesma proporção, para 3.919,29 pontos. Entre os principais mercados da região, o Nikkei 225, de Tóquio, teve queda de 2,4%, encerrando aos 52.463,27 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou recuo mais forte, de 4,5%, fechando aos 5.234,05 pontos. Os preços dos metais preciosos também caíam. O Gold recuava 3,9%, para US$ 4.627 por onça, enquanto a Silver caía 6,9%, para US$ 70,85. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar John Guccione/Pexels

Torres de transmissão de energia REUTERS/Manon Cruz A comissão de leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negou os dois recursos apresentados pela holding J&F para alterar o resultado do leilão de capacidade realizado pelo governo neste mês, e encaminhou os processos para julgamento da diretoria do órgão regulador. Em notas técnicas, a comissão da Aneel rejeitou, por exemplo, que tenha havido erros de sistema, como alega a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que a teriam impedido de concorrer em algumas disputas por contratos de potência para o sistema elétrico brasileiro. Disse ainda que, em um dos casos, aceitar a proposta da J&F poderia impor aos consumidores de energia um sobrecusto da ordem de R$4 bilhões em 15 anos. A J&F foi uma das maiores ganhadoras do leilão de segurança energética, mas depois do certame, se disse prejudicada nas negociações envolvendo a usina termelétrica Santa Cruz e o projeto termelétrico Araucária II. No caso de Santa Cruz, a comissão da Aneel disse que está "incorreta" a percepção da empresa de que ela poderia negociar a potência da usina em dois produtos distintos, um para a parcela descontratada e outro para a parcela contratada. Também acrescentou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que cuida das habilitações técnicas dos certames do setor elétrico, não habilitou dois empreendimentos segregados para a usina Santa Cruz, mas apenas um. "É importante salientar que recorrente não participou, em 17 de março de 2026, da confirmação de dados..., momento oportuno em que seria possível à recorrente perceber que na plataforma de negociação não estava configurada de forma a tratar separadamente a parte da ampliação do restante do empreendimento", diz a nota técnica. Já para o projeto termelétrico Araucária II, a comissão afirmou que o enquadramento como empreendimento existente, e não novo, "derivou de escolha exercida pela recorrente, na fase de inscrição", e adicionou que a empresa também não participou da validação dos dados do empreendimento, o que implica aceitação tácita do que foi cadastrado. "Assim, não houve erro da plataforma de negociação ou atribuição errônea do preço inicial no certame para esse empreendimento". A comissão negou ainda a proposta da J&F de que a disputa para contratos de 2028 seja reaberta para que seu projeto possa participar como usina nova, dizendo que isso fere os princípios do processo licitatório e que poderia levar a um aumento expressivo dos valores que serão custeados pelos consumidores de energia. "Em um cálculo rápido, tal aumento do preço ofertado imporia aos pagantes do encargo do LRCAP (leilão) 2026 um sobrecusto da ordem de R$4 bilhões, que seria pago ao longo dos 15 anos de vigência do contrato, conforme pleiteado pela recorrente." Procurada, a J&F não retornou imediatamente a pedido de comentário. Outras grandes geradoras termelétricas participantes do certame, como Petrobras e a Eneva, haviam pedido que a Aneel rejeitasse os recursos da J&F. Segundo essas empresas, alterar o resultado do leilão agora traria insegurança jurídica e regulatória, além de potencial risco à segurança energética do país, devido à demora na homologação do resultado para os projetos que foram contratados.

Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo Getty Images A guerra no Irã segue espalhando seus efeitos pelo mundo e nesta semana o impacto no Brasil foi sentido com força no setor aéreo. Na quarta-feira (1/4), a Petrobras anunciou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV). No acumulado desde o início da guerra, em fevereiro, a alta é de 64%. Segundo a Petrobras, haverá apenas 18% de reajuste em abril. O restante será parcelado em seis meses, com a primeira parcela prevista para julho. A medida vem para assegurar o "bom funcionamento do mercado", segundo a companhia. Os impactos da crise são globais, mas para o passageiro brasileiro, o cenário é de "tempestade perfeita": a alta encontra custos normalmente já elevados, segurança jurídica fragilizada e um setor já abatido. Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo. A prévia da inflação de março (o IPCA-15) mostrou aumento de 5,94%. As passagens aéreas devem subir ainda mais com o aumento do preço do querosene de avião, mas o impacto exato ainda é incerto. O governo já acena que haverá algum tipo de pacote ajuda ao setor. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil explicam por que o país é particularmente vulnerável a esse choque e o que o consumidor deve considerar antes de comprar seus bilhetes. Preço das passagens aéreas pode subir até 20% com alta do querosene de aviação, dizem especialistas Por que os preços do querosene de aviação estão subindo? O impacto do conflito entre Irã e EUA nos preços do combustível dos aviões se dá porque o país do Oriente Médio detém o controle do estreito de Ormuz, uma área entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Por ele, passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Isso acontece porque o estreito é a única saída marítima de petróleo para grandes exportadores, como Arábia Saudita, Iraque e o próprio Irã. Com o conflito, os riscos em torno do transporte do petróleo aumentaram. Isso se refletiu na alta de preços do Brent, que é referência no mercado. Um dia antes da invasão norte-americana, o preço do barril de Brent fechou em US$ 71,32. Na quarta-feira, após ultrapassar a marca dos US$ 115 por barril em março, o preço girava em torno de U$ 99. Isto é, quase 40% acima do patamar pré-guerra. E voltou a subir na quinta-feira, após novo pronunciamento de Trump. Como o QAV é um derivado direto do petróleo, seu preço está ligado a essas oscilações — como já visto, mesmo que com menor intensidade, em outras situações de conflito, como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Combustível mais caro No Brasil, essa vulnerabilidade é amplificada pela política de Paridade de Preço de Importação (PPI), segundo Dany Oliveira, ex-diretor da International Air Transport Association (IATA) no Brasil. Esse modelo de precificação define o valor dos combustíveis no Brasil não pelo custo real de extração e refino nacional, mas pelo quanto custaria para um importador trazer esse mesmo produto do exterior. Na prática, a Petrobras calcula o preço somando a cotação internacional do petróleo (como o Brent, no caso do QAV) e a variação do dólar a "custos hipotéticos" de transporte, como fretes marítimos e taxas portuárias, como se o combustível estivesse cruzando o oceano em um navio-tanque. Assim, pouco importa que cerca de 90% do QAV usado no Brasil seja produzido no país — o seu preço vai seguir o mercado internacional. Segundo Oliveira, em tempos normais, o combustível de aviação representa cerca de 40% do custo total das empresas aéreas brasileiras, enquanto a média mundial gira em torno de 27%. Preço do querosene de aviação no Brasil segue a cotação internacional Getty Images Segundo nota da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) enviada à BBC, o combustível passou a responder por 45% dos custos totais das companhias após o último reajuste. Além disso, com a guerra, "as empresas precisam desviar de áreas justamente por conta da segurança", explica Oliveira. "Esses desvios podem alongar o tempo de voo em até uma hora meia. Isso é ainda mais tempo consumindo o querosene". Ajuda do governo Com o agravamento da situação e incerteza sobre o fim da guerra, o governo federal pretende anunciar um conjunto de medidas de socorro ao setor. As ações podem incluir o corte de tributos federais na importação e comercialização do QAV, além de uma linha de crédito emergencial com financiamento do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para a aquisição de combustível. Em nota enviada à BBC, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz que "tem acompanhado os impactos causados nos preços de QAV, juntamente com o Ministério da Fazenda, Casa Civil, Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Petróleo". "O governo federal tem agido para reduzir os impactos, porém, entendemos que algum impacto acontecerá, no caso de a guerra seguir por mais tempo", diz a nota. "Isso acontece em qualquer lugar do mundo, mesmo onde há pesados subsídios do Estado. Por isso, a consequência esperada pela Anac é algum repasse desse aumento de preço do QAV para as passagens aéreas". Vale a pena antecipar as compras de passagem? Para os consumidores, se esse repasse do QAV fosse integral, muitos voos teriam aumentos gigantes. Tomando o maior avião comercial do mundo como exemplo, o A380, poderia haver um custo adicional de cerca de R$ 1,8 mil por passageiro, considerando a ocupação média de 80% dos assentos. Embora seja improvável que a alta seja transmitida completamente aos viajantes, pode valer a pena se adiantar e comprar passagens para as viagens do resto do ano, diz Diego Endrigo, planejador financeiro pela Planejar. Ao contrário do câmbio, onde é possível comprar dólares aos poucos para fazer um "preço médio", o serviço aéreo tende a sofrer repasses abruptos. Além disso, "as pessoas podem e devem antecipar a compra da passagem pois há a possibilidade, com a guerra, de redução da quantidade de voos", diz Endrigo. "E aí, se reduzir a quantidade de voos, temos a famosa regra da oferta e demanda. E a inflação de preços ocorre exatamente por isso". Com menos oferta de voos disponíveis e demanda igual dos passageiros por viagens, os preços das passagens sobem. Os viajantes também devem redobrar a atenção ao seguro-viagem, muitas vezes oferecido pelas próprias operadoras de cartão de crédito, que pode oferecer proteção e assistência contra imprevistos, desde emergências médicas até cancelamento de voos. As incertezas trazidas por conflitos geopolíticos também podem trazer lições duradouras sobre planejamento pessoal, diz Diego. "Além de toda a tragédia, cidadãos pagam muito caro economicamente por uma guerra", afirma. "Para se preparar para situações de emergência podemos diversificar, para além de ativos, diversificar o risco-país. Hoje temos muitas opções acessíveis de contas internacionais, que permitem ter ativos em vários locais". Mudança no STF congelou ações de passageiros contra aéreas A decisão de compra também esbarra em uma questão para além das finanças: os direitos dos passageiros em caso de cancelamentos. Isso porque, em novembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os processos contra companhias aéreas que tratem de atrasos, alterações ou cancelamentos de voos decorrentes de "fortuito externo" ou força maior, conforme as definições do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA). Na prática, isso significa que os processos motivados por eventos alheios ao controle das empresas (como condições meteorológicas adversas, fechamento de aeroportos, restrições impostas por autoridades da aviação civil ou situações de pandemia) devem ser paralisados até que o tribunal decida de forma definitiva sobre a controvérsia. A disputa é qual conjunto de regras deve prevalecer nessas situações: se é o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que oferece maior proteção e reparação ao passageiro, ou o CBA, que possui regras mais restritivas. Assim, a depender do que decidir o STF, é possível que situações de guerra como a que acontece no Irã sejam lidas como "fortuito externo" e, dessa forma, passageiros afetados por um cancelamento nessas condições não tenham direito a reclamação contra companhias. Para Walter Moura, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), uma "guerra que tem mais de três semanas não é como um tornado, que acontece do nada". Portanto, ele defende que conflitos como o do Irã não sejam enquadrados como "fortuitos externos". "Para vendas futuras, eles têm plenas condições de fazer cálculos preditivos, criando planos especiais de pagamento e cancelamento", diz. "Não acredito que o Supremo resista à pressão das aéreas. É bom o consumidor se preparar para comprar passagens aéreas da mesma forma que comprar bilhetes de loteria. As chances de perder dinheiro são cada vez maiores." A Anac disse em nota que as regras brasileiras "não trazem orientação específica para situação de guerra", mas entende que "o texto deve ser expandido para esse tipo de circunstância". "Ou seja, que as companhias aéreas não são responsáveis pelo dano, o que não as isenta da necessidade de garantir assistência material aos passageiros", disse a Anac. Potencial do Brasil para baratear combustível de aviação Se a situação atual é de crise para todos os envolvidos, ela pode ter um pequeno ponto positivo a longo prazo: impulsionar a busca de alternativas para o QAV, que tem origem fóssil. "O momento mostra uma altíssima dependência de um único insumo poluente, e precisamos diminuir essa dependência", diz Dany de Oliveira. Uma das opções é o Sustainable Aviation Fuel (SAF), um biocombustível produzido a partir de resíduos como óleo de cozinha, gordura animal e biomassa de cana-de-açúcar. Os atuais motores de aviões já são compatíveis com o SAF. O combustível sustentável (SAF) é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum, mas diferença pode cair com alta do Brent Getty Images Historicamente, o SAF é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum. No entanto, com o barril de Brent subindo com a guerra, essa distância econômica diminui. "O Brasil tem tudo para ser a 'Arábia Saudita do SAF'", diz Oliveira. Além de ter a maior reserva de biomassa do mundo, o Brasil já tem décadas de experiência com o Proálcool e a mistura de biodiesel, com infraestrutura adequada para biocombustíveis. Além disso, o SAF pode trazer independência geopolítica: um combustível produzido a partir de cana-de-açúcar ou gordura animal em solo brasileiro não depende do estreito de Ormuz. De olho nisso, o SAF faz parte da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que regula os passos da transição energética no Brasil. Ela define que, a partir de 2027, as companhias aéreas precisam usar uma pequena porcentagem de SAF. Empresas como a LATAM já começaram a usar o biocombustível em determinadas operações. "O arcabouço regulatório ajuda, mas ainda falta uma carteira de investimentos para acelerar esses projetos do SAF. O que temos hoje é potencial", diz Oliveira. "Que esse momento seja uma alavanca para que esses projetos fiquem mais robustos e consigam ser acelerados". Veja os vídeos que estão em alta no g1

Trump diz que objetivos no Irã estão quase concluídos Os preços do petróleo subiam mais de 7% nesta quinta-feira (2), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país manteria os ataques ao Irã sem apresentar um cronograma para o fim da guerra. A declaração aumentou os temores dos investidores sobre possíveis interrupções prolongadas no fornecimento. 🔎Por volta das 10h41 (horário de Brasília), o petróleo tipo Brent avançava 7,85%, cotado a US$ 109,10. No mesmo horário, os futuros do petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) subiam 13,08%, para US$ 113,20 o barril. A alta vinha após uma queda de mais de US$ 1 nos dois principais benchmarks, registrada antes do discurso televisionado de Trump à nação. "Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto", disse Trump. Ele acrescentou que as forças armadas dos EUA estão próximas de atingir seus objetivos e que o conflito pode terminar em duas ou três semanas, sem dar detalhes. Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os mercados reagem à ausência de "qualquer menção clara a um cessar-fogo ou a iniciativas diplomáticas" no discurso. "Se as tensões se intensificarem ou os riscos no transporte marítimo aumentarem, o petróleo pode atingir novas altas, à medida que o mercado passa a considerar possíveis interrupções no fornecimento." As ameaças ao tráfego marítimo têm aumentado com a intensificação do conflito na região. Na quarta-feira, um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país. O chefe da Agência Internacional de Energia também alertou que eventuais interrupções no fornecimento devem começar a afetar a economia europeia a partir de abril. Até agora, o continente vinha sendo protegido por cargas contratadas antes do início da guerra. "Sem menção a um plano consistente de cessar-fogo ou a uma estratégia de saída, os mercados seguem assimilando as declarações do governo", disse Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy. Ações da China e de Hong Kong caem As bolsas da China e de Hong Kong fecharam em baixa nesta quinta-feira, pressionadas pela cautela dos investidores após as falas de Donald Trump. No fechamento, o índice de Xangai caiu 0,74%, aos 3.919 pontos, enquanto o CSI300 recuou 1,04%, aos 4.478 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,70%, aos 25.116 pontos. Entre os destaques negativos, ações de semicondutores lideraram as perdas, refletindo a redução do apetite por risco. Na Ásia, o movimento foi generalizado: o Nikkei (Tóquio) caiu 2,28%, o Kospi (Seul) recuou 4,47%, o Taiex (Taiwan) perdeu 1,82%, o Straits Times (Cingapura) cedeu 0,70% e o S&P/ASX 200 (Sydney) caiu 1,06%. Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters

Do avião ao ovo: por que o petróleo afeta o preço de tudo? Uma guerra no Oriente Médio pode impactar o bolso dos brasileiros porque a região concentra grandes reservas de petróleo. E petróleo mais caro encarece combustíveis como gasolina e diesel, e aumenta o custo do transporte em um país onde quase tudo circula por caminhões. Esse efeito em cascata chega aos preços de alimentos, produtos industriais e ao agronegócio, já que o petróleo também é matéria-prima de embalagens, plásticos e fertilizantes, pressionando a inflação e até as decisões sobre juros. Neste vídeo, você vai entender quais são os efeitos da forte alta do petróleo para o seu bolso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Bicudo-vermelho preocupa produtores de palmeiras no Brasil Uma nova ameaça vinda do exterior acende o alerta para a biodiversidade e a produção agrícola no Brasil. O bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro exótico que já devastou plantações em diversos países, pode já estar no território nacional, segundo pesquisadores. A primeira notificação formal no Brasil foi feita em 2022 pelo biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo, em Porto Feliz (SP). A suspeita é que o inseto tenha chegado por meio de palmeiras importadas do Uruguai. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde então, o instituto identificou exemplares do bicudo-vermelho em amostras de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O Ministério da Agricultura ainda não confirmou oficialmente a presença da praga, mas emitiu um alerta em março dizendo que há "risco de prejuízos expressivos para produtores". Segundo o órgão, por enquanto há apenas “indícios” da presença do bicudo-vermelho. A confirmação depende da coleta e análise de amostras por equipes do próprio governo em laboratórios credenciados. Especialistas alertam que a praga pode ser confundida com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa que também ataca palmeiras. A diferença está principalmente no tamanho — o inseto brasileiro costuma ser maior — e na coloração, que é preta. ➡️O Brasil reúne uma das maiores diversidades de palmeiras do mundo, com mais de 260 espécies nativas, como a guariroba e o butiá. Além da importância ambiental, essas plantas sustentam cadeias econômicas relevantes — como coco, açaí e dendê — e são amplamente usadas no paisagismo. Como o inseto destrói as palmeiras Imagem do besouro bicudo-vermelho que ameaça palmeiras no Brasil. Reprodução O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. A fêmea perfura a planta para depositar os ovos. Quando nascem, as larvas passam a se alimentar do interior da palmeira, atingindo o “miolo” — conhecido como palmito. Como as folhas crescem a partir dessa região central, o ataque impede a formação de novas folhas e leva a planta à morte. Diferentemente das árvores comuns, as palmeiras não têm tronco lenhoso, mas um caule mais flexível, chamado estipe. Essa estrutura facilita a ação das larvas, que se desenvolvem protegidas dentro da planta, dificultando a detecção precoce. Galinha leva 25 horas para produzir um ovo; entenda o processo 'Tomatinhos' no pé de batata? Entenda fenômeno que assustou produtor em MG Setor ornamental em alerta O risco preocupa especialmente o mercado de plantas ornamentais. Em uma fazenda em Jacareí (SP), por exemplo, uma palmeira da espécie Phoenix canariensis — uma das preferidas do bicudo-vermelho — pode levar até 20 anos para atingir o tamanho comercial e chega a custar R$ 24 mil. O presidente da Sociedade Brasileira de Palmeiras (SBP), Juliano Borim, relata o impacto observado em países vizinhos. “Vi quilômetros e quilômetros de palmeiras mortas ou derrubadas”, afirma. Segundo ele, após atingir espécies exóticas, o inseto passou a atacar também palmeiras nativas, como o jerivá e o butiá. Falta de controle e impasse oficial O combate à praga enfrenta entraves no Brasil: Entrada irregular: o inseto pode chegar ao país em palmeiras importadas ilegalmente; Ausência de predadores: por ser exótico, não tem inimigos naturais no ecossistema brasileiro; Falta de insumos registrados: produtos usados no exterior, como feromônios e inseticidas específicos, ainda não têm registro no país para esse uso. O Ministério da Agricultura diz que avalia alternativas de controle e que poderá adotar medidas para registro de produtos caso a presença seja confirmada. Enquanto isso, produtores e pesquisadores cobram rapidez na resposta. “Se nada for feito, podemos ter problemas sérios tanto nas palmeiras ornamentais quanto nas produtivas”, alerta o agrônomo Roberto Betancur. O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. Reprodução

Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple Reprodução Vídeo Institucional Apple / Apple Fandom Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple, em 1976. Meio século depois, ele segue na empresa. No mercado de tecnologia, essa é uma história cada vez mais rara. Hoje, aos 64 anos, Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple. A trajetória dele foi destaque em uma reportagem do jornal "The New York Times", que contou como o veterano participa, até hoje, do desenvolvimento do sistema operacional da Apple TV. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer: profissionais que constroem toda a carreira em uma única empresa. Esse tipo de percurso se tornou incomum, sobretudo no Vale do Silício, onde trocar de emprego com frequência virou regra. Nascidos entre meados dos anos 1940 e o início da década de 1960, os baby boomers cresceram em um mercado de trabalho baseado na estabilidade. A promessa era clara: dedicação agora, segurança mais tarde. Como mostrou uma reportagem do g1 publicada em agosto no ano passado, gerações mais antigas entraram no mercado em um período de vínculos duradouros, benefícios garantidos e progressão de carreira atrelada ao tempo de casa. “O lema era: trabalho agora para viver melhor depois”, explicou o especialista em mercado de trabalho Ricardo Nunes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Foi nesse ambiente que surgiram profissionais como Espinosa. Pessoas que ficaram décadas na mesma empresa e ajudaram a construí-la passo a passo. Hoje, o cenário é outro. Profissionais mais jovens enfrentam um mercado marcado pela precarização, pela automação e pela alta rotatividade para conseguir avança na carreira, segundo Nunes. No setor de tecnologia, mudar de emprego a cada dois ou três anos se tornou algo comum. Uma carreira construída dentro da Apple Espinosa foi o oitavo funcionário da Apple. Na época, a empresa ainda funcionava na casa de infância de Steve Jobs e montava computadores manualmente. Ao longo de quase 50 anos, ele passou por várias funções. Trabalhou como programador, cuidou da documentação de produtos e, atualmente, atua no desenvolvimento do sistema da Apple TV. Ao Times, Espinosa descreveu o início da empresa como um período instável. Segundo ele, havia grandes promessas, mas também muita incerteza. Mesmo quando deixou a Apple por um curto período para estudar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ele manteve vínculo com a empresa. Trabalhou meio período e escreveu o extenso manual do Apple II, com mais de 200 páginas. A carreira também atravessou momentos difíceis. Nos anos 1980 e 1990, a Apple enfrentou crises e promoveu demissões em massa. Espinosa contou que só não foi desligado porque sua indenização seria alta, já que ele acumulava muitos anos de empresa. Sem diploma universitário e com experiência concentrada quase exclusivamente na Apple, ele chegou a pensar no futuro. Decidiu ficar. “Eu estava aqui quando acendemos as luzes. Posso muito bem ficar até que as apaguemos”, afirmou ao jornal. Além da estabilidade, funcionários antigos da Apple também se beneficiaram financeiramente do crescimento da empresa. Segundo o New York Times, Espinosa recebeu 2 mil ações da Apple após a abertura de capital, em 1980. O bônus fazia parte de um plano criado por Steve Wozniak para recompensar os primeiros funcionários. Hoje, essa quantidade de ações valem cerca de US$ 114 milhões, valor equivalente a R$ 588 milhões. Esse modelo é comum em empresas de tecnologia. Além do salário, trabalhadores recebem ações da companhia. Se a empresa cresce, os papéis se valorizam. Para quem permanece por muitos anos, o resultado pode ser uma fortuna. Espinosa não revelou detalhes atuais sobre salário ou bônus. Ainda assim, sua trajetória mostra como esse tipo de benefício pode pesar na decisão de ficar. A transformação da Apple Ao longo das cinco décadas de Espinosa na empresa, a Apple mudou radicalmente. Após o crescimento inicial, a companhia enfrentou crise financeira e perdeu o rumo nos anos 1990. A virada veio em 1997, com o retorno de Steve Jobs. Segundo Espinosa disse ao New York Times, os primeiros 20 anos da Apple foram marcados por "arrogância". Já as décadas seguintes redefiniram a eletrônica de consumo, com produtos como o iPod e o iPhone. Hoje, a Apple está entre as empresas mais valiosas do mundo. Vale trilhões de dólares e tem bilhões de dispositivos em uso. Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple. Arquivo institucional Apple Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer: Vídeo Institucional Apple/ Reprodução Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração

IBGE: vagas para profissionais em todo o Brasil Divulgação/Hugo de Paula - IBGE O processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que previa a contratação temporária de cerca de 39 mil profissionais, passou por mudanças, segundo o projeto básico publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) nesta terça-feira (31). A principal alteração é a redução no número de vagas. Antes, estavam previstas 39.108 oportunidades; agora, o total foi ajustado para 36.946 – abaixo do quantitativo autorizado pelo governo federal em dezembro. (veja abaixo como ficou a distribuição) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Outro ponto de destaque é o adiamento na escolha da banca organizadora. Antes prevista para março, a contratação foi remarcada para abril. Segundo o novo cronograma, as empresas interessadas poderão enviar propostas entre 6 e 17 de abril. O edital deve ser publicado em maio, com resultados previstos até novembro. A empresa contratada ficará responsável por todas as etapas do processo, desde a elaboração dos editais e gestão das inscrições até a logística das provas, correção, recursos e relatórios finais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em nota enviada ao g1, o IBGE confirmou a redução no número de vagas e informou que o ajuste segue orientações da Coordenação Geral de Operações Censitárias. Segundo o instituto, o número anterior era apenas uma estimativa máxima e poderia ser readequado conforme a necessidade. O instituto ainda explicou que as contratações temporárias seguem as regras da legislação e dependem de previsão orçamentária e autorização conjunta dos ministérios da Gestão e do Planejamento. (veja abaixo o posicionamento completo) O processo foi iniciado em setembro de 2024 e resultou na publicação de uma portaria em dezembro de 2025. Nesse período, o instituto afirma que realizou revisões técnicas no planejamento, com ajustes metodológicos e operacionais, o que levou à atualização do número de vagas para refletir de forma mais precisa a necessidade atual e o uso dos recursos públicos. Sobre o cronograma da banca, o órgão afirmou que as datas divulgadas anteriormente eram apenas previsões, não havia determinação de datas. A expectativa é que a contratação da banca seja concluída até o fim de abril. Os documentos disponíveis no PNCP detalham que o contrato pode durar até 30 meses. O processo seletivo deve ocorrer em mais de 4,3 mil municípios e terá reserva de 5% das vagas para pessoas com deficiência e 30% para candidatos de cotas raciais e sociais. As provas devem seguir o padrão de seleções anteriores do IBGE, com 60 questões de múltipla escolha. O instituto estima atrair cerca de 364 mil inscritos, com base em projeções do projeto básico e em dados de seleções anteriores. As vagas serão destinadas a atividades relacionadas a levantamentos estatísticos e censitários conduzidos pelo instituto. Segundo o órgão, esse total de oportunidades será dividido em dois editais distintos. A autorização para a contratação dos temporários foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de dezembro. A medida permite ao IBGE contratar profissionais por tempo determinado para atender a necessidades temporárias de excepcional interesse público, conforme previsto em lei. Nesta reportagem, o g1 mostra o que já foi definido e o que ainda depende da publicação dos editais. ➡️ Veja abaixo: Por que o governo autorizou tantas vagas? Em quais censos os contratados vão trabalhar? Quais cargos serão oferecidos? Quais são os salários? Quando sai o edital? Últimos concursos do IBGE O que diz o IBGE Por que o governo autorizou tantas vagas? O número elevado de vagas está diretamente ligado à dimensão dos censos que o IBGE pretende realizar. São pesquisas que exigem grande estrutura operacional, com equipes espalhadas por todo o país para coletar dados diretamente com a população. Esse tipo de trabalho é intenso, mas temporário. Ele ocorre em períodos específicos e, por isso, o instituto costuma reforçar o quadro com contratações por tempo determinado sempre que precisa executar levantamentos dessa magnitude. Em quais censos os contratados vão trabalhar? Segundo a portaria, os profissionais selecionados vão atuar na operacionalização de dois censos. Um deles é o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, voltado à coleta de informações sobre a produção no campo. O outro é o Censo da População em Situação de Rua, que busca mapear um grupo que exige metodologia própria e abordagem diferenciada. Quais cargos serão oferecidos? A maior parte das vagas será destinada ao cargo de recenseador, responsável pela coleta de dados. Apenas para essa função, estão previstas 27.279 oportunidades. As demais vagas serão distribuídas entre funções operacionais e de apoio. O número de vagas por função já foi estabelecido, mas as atribuições detalhadas de cada cargo devem constar apenas no edital, que ainda não foi publicado. Para ser contratado, será necessário passar por um processo seletivo simplificado. Quais são os salários? As remunerações ainda não foram definidas. Os valores serão estabelecidos pelo próprio IBGE, com despesas custeadas pelo orçamento do próprio instituto, classificadas como “Outras Despesas Correntes”. A autorização está condicionada à declaração de adequação orçamentária e financeira, em conformidade com a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Quando sai o edital? O IBGE tem até seis meses, contados a partir da publicação da portaria, para divulgar o edital de abertura das inscrições — ou seja, até o mês de maio. Até lá, não há datas definidas para o início das inscrições, aplicação de provas ou divulgação de resultados. Últimos concursos do IBGE O último concurso do IBGE ocorreu em 2023, quando o governo federal autorizou o instituto a contratar 8.141 funcionários temporários para a realização de pesquisas. Além disso, no ano passado o IBGE também ofertou 895 oportunidades no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). Atualmente, o IBGE mantém outro processo seletivo temporário em andamento, com 9.580 vagas para os cargos de Agente de Pesquisas e Mapeamento e Supervisor de Coleta e Qualidade. O que diz o IBGE "Nos termos da Lei nº 8.745/1993, as contratações por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público devem observar a dotação orçamentária específica e ser precedidas de autorização conjunta do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). O IBGE iniciou esse processo em setembro de 2024, que culminou na Portaria Conjunta MGI/MPO n. 90, de 2 de dezembro de 2025. Neste intervalo e no período subsequente, o Instituto manteve a revisão técnica contínua de seus processos e etapas operacionais. Como resultado desse aprimoramento do planejamento, que envolve ajustes metodológicos, redefinição de estratégias operacionais e busca permanente por maior eficiência, houve a atualização dos quantitativos inicialmente estimados, refletindo de forma mais precisa a necessidade atual do órgão e a adequada utilização dos recursos públicos. Os quantitativos definitivos serão oficialmente divulgados por ocasião da publicação do edital, em consonância com a situação mais atualizada possível do planejamento das operações censitárias em curso". IBGE Tânia Rêgo/Agência Brasil

Trump afirma que Irã pediu cessar-fogo O mercado reage a cada manifestação dos EUA e reação do Irã. Após discurso de Donald Trump sobre a guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo Brent teve alta de 4,9%, chegando a US$ 106,16 (cerca de R$ 547,78) por barril nesta quinta-feira (2). Mais cedo nesta quarta-feira (1º), Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA devem deixar o Irã "muito rapidamente" e que o país pode retornar para "ataques pontuais", se necessário. Em mais um indicativo de que a guerra no Oriente Médio pode chegar ao fim, Trump também disse que o Irã pediu um cessar-fogo no conflito entre os dois países. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Irã negou a informação, assim como tem negado a existência de negociações diretas com os EUA. Não é a primeira vez que essa disputa de versões ocorre, e tem impactado o mercado de petróleo — que subiu de cerca de US$ 70 para US$ 110 ao longo do conflito, gerando uma crise energética sem precedentes. Recentemente, a primeira postagem de Trump falando sobre possíveis negociações com o Irã para encerrar a guerra provocou uma reação imediata. Em poucos minutos, o preço do barril caiu quase US$ 15, mesmo que a interrupção da guerra não tenha se concretizado. Trump diz que EUA e Irã tiveram conversas “produtivas” e adia ataques a infraestrutura iraniana enquanto negociações continuam. Reproduçao/Redes sociais Para o Instituto de Estudos de Energia de Oxford (OIES), o episódio ilustra o peso que declarações políticas podem ter sobre um mercado altamente sensível a notícias sobre conflitos e riscos de interrupção na oferta de petróleo. “A administração dos EUA tem intervindo pesadamente no mercado de petróleo por meio de fluxos de informação e mensagens, que nem sempre são precisas ou corretas”, afirma Bassam Fattouh, diretor do IOES. Segundo ele, Washington tem buscado “soluções criativas diariamente para manter o preço do petróleo estável”. Esse tipo de estratégia tende a aumentar a volatilidade das cotações no curto prazo, mas também revela a preocupação das autoridades em conter os impactos econômicos da guerra. Tensão no Oriente Médio mexe com o petróleo Quando surgem declarações que indicam negociações, possíveis tréguas ou mediação internacional, a tensão dos investidores diminui e, com isso, o temor de problemas no transporte de petróleo também recua, explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “As quedas no preço do petróleo ocorrem invariavelmente sempre que surgem sinais de redução na tensão geopolítica”, afirma. O economista explica que qualquer indicação de melhora no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz muda rapidamente a leitura do mercado. “A expectativa de que as tensões diminuam já é suficiente para que os preços caiam imediatamente. Mesmo que nada tenha mudado efetivamente na produção ou na logística de distribuição.” 🔎 Isso acontece porque o petróleo é um insumo central para combustíveis, transporte e geração de energia. Quando seu preço oscila por causa de decisões políticas ou novos capítulos do conflito, o efeito se espalha pela economia e acaba chegando ao bolso de consumidores em diferentes países — inclusive no Brasil. Um desses episódios ocorreu em 9 de março. Na ocasião, Trump afirmou que a guerra contra o Irã estaria “praticamente concluída” e poderia terminar em breve. A declaração levou parte do mercado a reduzir as apostas em uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo. Como resultado, o preço do barril do tipo Brent caiu de cerca de US$ 98,96 para US$ 87,8 no dia seguinte. A queda, porém, durou pouco. No dia seguinte, autoridades iranianas rebateram as declarações de Trump e descartaram qualquer cessar-fogo ou negociação com Washington. O chanceler do país, Abbas Araghchi, afirmou que o desfecho do conflito seria decidido por Teerã e indicou que não haveria diálogo. Com a sinalização de continuidade da guerra e da possibilidade de novas tensões na região, o mercado voltou a revisar suas expectativas. O resultado foi uma nova alta nas cotações, com o petróleo subindo de US$ 87,8 para US$ 91,98. Guerra e petróleo: declarações de Trump e do Irã movem o mercado. Arte/g1 Retórica vira estratégia geopolítica O peso das declarações políticas também foi analisado por Javier Blas, colunista de energia e commodities da Bloomberg. Ele descreve a estratégia adotada por Donald Trump como uma forma de “jawboning”. 🗣️ O termo é usado para caracterizar tentativas de influenciar o comportamento do mercado por meio de discursos públicos. “O presidente Donald Trump fez intervenções verbais constantes e eficazes”, escreveu o colunista. “Seu ‘jawboning’ sobre o fim da guerra ajudou diretamente a conter compras motivadas por pânico.” Para Blas, essas declarações ajudaram a evitar movimentos mais bruscos de alta, mesmo diante de preocupações com a oferta global de petróleo. Mas quando as declarações não se confirmam ou são contestadas, o movimento se inverte. É o que aponta o analista Pedro Galdi, da AGF, ao destacar que o conflito tem sido marcado por versões divergentes entre os envolvidos. “O presidente dos EUA sinaliza que está ocorrendo avanços nas negociações, por outro lado fontes do Irã desmentem”, diz Galdi. Segundo ele, esse desencontro de informações dificulta a leitura do que está acontecendo e mantém o mercado em constante ajuste. Em um momento, prevalece a expectativa de trégua. No seguinte, o risco de continuidade da guerra volta a ganhar força. Para o analista, essa dinâmica explica por que o petróleo segue sob influência de movimentos especulativos. “O preço do petróleo internacional segue em patamar elevado e com forte influência de movimentos de especulação”, afirma. Expectativas ganham peso sobre a oferta Esse padrão de reação — com quedas após sinais de negociação e altas quando essas sinalizações perdem força — ajuda a entender a rapidez com que o mercado tem reagido a declarações políticas. Segundo Bassam Fattouh, diretor do Oxford Institute for Energy Studies (OIES), esse tipo de dinâmica ganhou força porque os instrumentos tradicionais para lidar com crises no petróleo têm alcance limitado. Medidas mais concretas, como o uso de estoques estratégicos ou a adoção de sanções e regulações, costumam levar tempo para produzir efeitos e nem sempre conseguem resolver interrupções no fornecimento de grande escala. “Autoridades estão intervindo pesadamente no mercado de petróleo em termos de fluxos de informação e mensagens (muitas vezes com certo grau de 'licença criativa')”, afirma o diretor do OIES . O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a uma pergunta durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami REUTERS/Kevin Lamarque

PIX é imparável? Especialistas analisam concorrência com cartões nos EUA Um relatório divulgado pela Casa Branca nesta quarta-feira (1º) ressaltou novamente o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. "O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do PIX é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Esta não é a primeira vez que o governo Trump cita o PIX como um risco a empresas americanas. Em julho de 2025, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos Estados Unidos. No documento que oficializou o processo, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época. Golpe do PIX Divulgação O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, ainda cita: Mineração ilegal de ouro no Brasil Extração ilegal de madeira Leis trabalhistas brasileiras PL dos Mercados Digitais Regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados Taxa de uso de rede Satélites Sobre a mineração ilegal de ouro no Brasil, o relatório narra preocupação com a competição desleal que as mepresas americanas, 'que seguem padrões ambientais e trabalhistas', estão sujeitas. "Relatórios indicam que o ouro ilícito representa 28% da atividade de mineração total no país". Em relação a extração ilegal de madeira, o relatório extima que quase '50% da madeira colhida no Brasil — e 90% da madeira da Amazônia brasileira — seja ilegal'. O relatório cita o enfraquecimento da fiscalização, produção agrícola e corrupção como principais fatores que permitem as práticas ilegais. "Espécies de alto valor como o ipê e o mogno são as principais afetadas." A falta de uma 'proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado' também vulnerabiliza a competitividade de empresas dos EUA, diz o relatório. Vista da Casa Branca Reuters/g1 O projeto que trata da regulação econômica dos mercados digitais, conhecido como 'PL dos Mercados Digitais', também é visto como um risco à concorrência. Apesar do projeto ainda não ter avançado no Congresso, o relatório ressalta que 'os critérios de designação afetariam desproporcionalmente empresas dos EUA e permitiriam multas de até 20% do faturamento global.' O relatório expressa preocupação com o atraso da implementação de uma regulação da LGPD. "Desde agosto de 2025, empresas dos EUA que lidam com dados brasileiros devem ter contratos atualizados e um Encarregado de Dados (DPO) nomeado." Ainda nas páginas destinadas ao Brasil, o documento fala de consultas da Anatel sobre a regulação de 'serviços de valor adicionado' e plataformas digitais, incluindo obrigações de remuneração. "Em novembro de 2024, o Ministério das Comunicações anunciou que o governo desistiria da abordagem de taxas de rede", diz o relatório. Já sobre os satélites, o relatório da Casa Branca expõe que operadores estrangeiros de satélite precisam pagar taxas anuias de exploraçãos mais altas que empresas brasileiras. "O Brasil permite que entidades brasileiras adquiram o direito exclusivo de operar satélites e frequências. No entanto, operadores estrangeiros obtêm apenas um direito não exclusivo (direito de exploração) por no máximo 15 anos, devendo readquiri-lo posteriormente."

Sexta-feira Santa é feriado nacional? O que a lei garante para o trabalhador Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado "feriadão" prolongado que chega nesta sexta-feira (3): a Paixão de Cristo, também chamada de Sexta-feira Santa. A data, declarada como feriado nacional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante aos funcionários um dia de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já mais para o final do mês, outro feriado aparece no horizonte: o Dia de Tiradentes, que cai na terça-feira, 21 de abril. Mas enquanto alguns terão a oportunidade de aproveitar o tempo livre, outros continuarão suas atividades normalmente. Isso porque a legislação trabalhista autoriza o funcionamento das atividades em alguns setores que são classificados como essenciais. (confira abaixo) ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem alguns direitos assegurados. O g1 conversou com advogados especialistas em direito trabalhista para te ajudar a entender mais sobre o assunto. Abaixo, você vai descobrir: 👩⚖️ Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? 🐰 Como funciona no domingo de Páscoa? 🥱 Tenho direito a faltar algum dia? 🚫 O que acontece se eu faltar ao trabalho? 🤔 As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? 📅 Como funciona no caso do trabalhador intermitente? Páscoa nas Americanas Divulgação 1- Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? Depende. Segundo o calendário oficial do governo, a data é feriado nacional. Porém, alguns serviços seguem funcionando normalmente. É que, apesar do artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores de indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos. Assim, se o trabalhador for convocado para trabalhar, ele tem direito ao pagamento em dobro pelo dia ou a uma folga compensatória. Volte ao índice. Abril terá dois feriados com chance de emenda; veja datas e seus direitos 2- Como funciona no domingo de Páscoa? O domingo de Páscoa, no dia 5, não é feriado nacional. Nesse caso, os estados e municípios podem decidir se o dia será feriado ou ponto facultativo. Se não decidirem, aplicam-se as regras gerais de trabalho aos domingos. A folga ou pagamento em dobro depende de como isso está descrito nos contratos individuais ou do setor em que o empregado trabalha. Vale a pena verificar se existem acordos ou convenções coletivas daquela categoria, que regulam as escalas de trabalho das empresas. De qualquer forma, se o trabalho aos domingos resultar em horas extras, a Constituição Federal e a CLT garantem que esse serviço seja remunerado com pelo menos 50% a mais do valor da hora normal. Volte ao índice. 3 - Tenho direito a faltar algum dia? Caso o funcionário seja convocado para trabalhar, se ele precisar faltar, a ausência precisa ser justificada, com comprovações válidas que expliquem por que o empregado não pode realizar as atividades. Se não justificar, o empregado pode ser penalizado com advertência, suspensão e até ser demitido por justa causa. Volte ao índice. 4 - O que acontece se eu faltar ao trabalho? Caso o empregado tenha sido escalado para trabalhar no feriado, ele é obrigado a comparecer. Se, de alguma forma, ele for surpreendido aproveitando a Páscoa na praia, por exemplo, sanções como desconto na remuneração, advertências e demissão por justa causa podem ser aplicadas. Volte ao índice. 5 - As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? Se forem contratos com carteira assinada, as regras para empregados fixos e temporários são as mesmas, já que ambos têm seus direitos garantidos pela legislação trabalhista em relação à jornada de trabalho, horas extras e folgas. Empregados temporários podem ter regras específicas estipuladas em contratos por prazo determinado, e essa análise deve ser feita caso a caso. Volte ao índice. 6 - Como funciona no caso do trabalhador intermitente? No caso do trabalhador intermitente, que tem uma forma de contratação flexível em que o empregador o chama conforme a necessidade, a remuneração é calculada com base nas horas trabalhadas. Se o empregado for convocado para trabalhar em feriados, ele também tem direito ao adicional correspondente, conforme a legislação vigente. Em muitos casos, a legislação prevê um adicional de 100%, o que resulta na dobra do pagamento pelo dia trabalhado. A convocação do trabalhador deve ocorrer até 72 horas de antecedência e o empregado tem até 24 horas para aceitar ou recusar a convocação. Volte ao índice. g1 em 1 minuto: Governo divulga calendário de feriados e pontos facultativos em 2026

Passagem aérea pode subir até 20% com querosene, dizem especialistas Os preços das passagens aéreas podem subir até 20% com a alta do querosene de aviação (QAV), segundo especialistas ouvidos pelo g1. A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) um aumento de mais de 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir deste mês, o que impacta diretamente os custos de operação das companhias aéreas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida reflete o avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Os gastos para transportar um passageiro por quilômetro vão aumentar aproximadamente 20%. Como quase metade das despesas das companhias aéreas é com o QAV, o custo operacional deve subir nessa proporção", afirma Andre Castelini, sócio da Bain&Company. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o especialista, ainda não é possível dizer se os repasses serão imediatos ou ocorrerão de forma gradual, já que o processo depende da ocupação dos voos e da avaliação de cada companhia aérea. “Talvez elas tenham que cortar voos que não sejam rentáveis, porque o passageiro não consegue absorver esse aumento. Com isso, o número de passageiros pode cair, e aí passa a fazer sentido reduzir a oferta”, acrescenta. 🔎 Para suavizar os efeitos do aumento e, possivelmente, conter os preços ao consumidor, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos das distribuidoras. Além disso, o governo avalia outras medidas para reduzir os impactos. (leia mais abaixo) Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que o impacto sobre as passagens aéreas pode ficar na faixa de 10% a 20%, sendo “algo próximo de 15%” o cenário mais provável. “Esse é um movimento relevante porque, quando o preço das passagens sobe, a demanda tende a recuar. Para cada 1% de aumento no preço, a demanda tende a cair em magnitude semelhante, embora isso varie conforme o perfil do passageiro”, afirma. França acrescenta que, em viagens de lazer, a sensibilidade ao preço costuma ser um pouco maior, enquanto nas viagens de negócios, um pouco menor. "Em um cenário de alta de cerca de 15% nas passagens, é razoável esperar também uma retração da demanda em torno de 15%, o que seria bastante significativo para as empresas do setor", avalia. 'Consequências severas' A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens. Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%. "A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo", diz, em nota, a Abear. A declaração ocorreu poucas horas após a confirmação oficial de que a Petrobras elevaria os preços às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Ao todo, mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo. Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 0,35%, a US$ 100,23. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97. Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores. "A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a nota. A Petrobras, por sua vez, anunciou em comunicado uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", informou a Petrobras. Governo avalia medidas Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. O documento, elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), traz medidas como: redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAV); redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas; redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves. Na avaliação do Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas preservariam a competitividade das empresas, evitariam repasses excessivos ao consumidor e manteriam a conectividade aérea do país. O g1 apurou que outra medida em estudo é a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para compra de QAV, em caráter temporário. O que diz a área econômica Questionado pelo g1, o Ministério da Fazenda informou que acompanha de “forma permanente a evolução do cenário internacional, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia brasileira”. "A pasta mantém monitoramento contínuo de variáveis relevantes, a fim de avaliar eventuais efeitos sobre o Brasil", disse. "Sendo assim, ressalta que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade, à luz das evidências, e sempre em conformidade com os marcos fiscais vigentes", acrescentou. Aeroporto de Congonhas, em São Paulo Felipe Rau/Estadão Conteúdo

Demétrio: 'Trump prometeu na TV cometer crimes de guerra' O preço do petróleo Brent teve alta de 4,9%, chegando a US$ 106,16 (cerca de R$ 547,78) por barril nesta quinta-feira (2) após discurso de Donald Trump sobre a guerra no Oriente Médio. Um barril de West Texas Intermediate (WTI), a referência dos EUA, subiu 4%, para US$ 104,15 (cerca de R$ 537,41). Durante o discurso desta quarta (1º), Trump comentou a questão da alta dos preços de petróleo, e da gasolina no mercado americano, dizendo que o aumento acontece "no curto prazo". Ele prometeu continuar com os ataques, o que pode ter influenciado a reação imediata do mercado. Na abertura do pregão asiático, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,9%, para 52.731,94. Já o índice Kospi da Coreia do Sul recuou 3,6%, para 5.281,22. O índice Hang Seng de Hong Kong caiu 0,9%, para 25.056,42 pontos, enquanto o índice composto de Xangai recuou 0,5%, para 3.928,30 pontos. O índice S&P/ASX 200 da Austrália caiu 0,6%, enquanto o índice Taiex de Taiwan registrava queda de 1,1%. LEIA MAIS: Trump ameaça atacar usinas de eletricidade no Irã se não houver acordo Trump diz em discurso que objetivos da guerra contra o Irã estão próximos de serem atingidos: 'Nós vamos terminar o trabalho logo' 'Não precisamos do petróleo deles' O pronunciamento à nação feito por Trump nesta quarta foi o primeiro desde o início da guerra no Oriente Médio, que já completou um mês e apresenta reflexos em todos os setores da economia mundial. "Agora somos totalmente independentes do Oriente Médio, e ainda assim, estamos lá para ajudar. Não precisamos. Não precisamos do petróleo deles, não precisamos de nada, eles têm tudo, estamos lá para ajudar nossos aliados", ele disse, em referência à escassez de petróleo no mercado devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Trump e seus assessores têm oferecido explicações e cronogramas variáveis para o conflito, agora em sua quinta semana. Se ele convencer os eleitores de que a guerra tem prazo limitado e está perto do fim, isso poderá ajudar a aliviar as preocupações crescentes entre os norte-americanos, a maioria dos quais se opõe ao conflito e muitos dos quais estão frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido a interrupções no fornecimento global de petróleo. Veja os principais pontos da declaração de Trump: Segundo o presidente dos EUA, objetivo dos EUA era destruir a capacidade de Teerã realizar um ataque contra o país e impossibilitar que o regime exercesse seu poder militar fora de seu território. Trump também declarou que vai atacar alvos da infra-estrutura de energia iraniana daqui pra frente: "Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram", afirmou o republicano. Trump discursa na Casa Branca Alex Brandon/Pool via REUTERS Ao comentar sobre o Estreito de Ormuz, importante corredor que escoa o petróleo do Golfo Pérsico fechado pelo Irã, Trump foi evasivo. Ele sugeriu que a reabertura interessa mais aos países europeus do que a Washington. "Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse o presidente americano. Trump faz discurso a nação sobre a guerra contra o Irã Alex Brandon/Pool via Reuters Criticas à OTAN Em entrevista à Reuters mais cedo, Trump disse que também expressaria seu descontentamento com a OTAN pelo que ele considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã. Um racha transatlântico durante o segundo mandato de Trump se aprofundou depois que os aliados europeus rejeitaram seu pedido para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Ele disse que estava "absolutamente" considerando retirar os EUA da Otan, uma organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado dos EUA em 1949. Trump acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã "muito rapidamente", os militares poderiam retornar para "ataques pontuais", conforme necessário. Guerra impopular As pesquisas de opinião pública mostram que a guerra é amplamente impopular, principalmente entre os eleitores independentes, e aliados de Trump têm pedido que o governo apresente aos eleitores uma justificativa mais clara e consistente para o conflito. Enquanto isso, Trump flertou com opções tanto para aumentar quanto para diminuir a escalada do conflito e seus próximos passos não estão claros, mesmo para alguns assessores próximos. Autoridades do governo cogitaram uma operação ousada para confiscar fisicamente os estoques restantes de urânio altamente enriquecido do Irã, bem como operações terrestres para controlar pedaços estratégicos de terra -- incluindo partes do litoral do Irã e a Ilha de Kharg, por onde o Irã exporta a maior parte de seu petróleo. Milhares de soldados adicionais continuam a navegar em direção à região do Golfo, indicando que o presidente quer manter suas opções militares em aberto. Ao mesmo tempo, Trump sugeriu que pode se afastar do conflito, mesmo que o Irã se recuse a reabrir o Estreito de Ormuz. Há indícios de que ele está interessado em voltar sua atenção para outro lugar. Na manhã desta quarta-feira, Trump visitou a Suprema Corte dos EUA para assistir aos argumentos sobre a legalidade de uma política que ele considera crucial para sua abordagem linha-dura em relação à imigração: uma diretriz que ele assinou no ano passado que limitaria a cidadania por nascimento. Foi a primeira vez que um presidente em exercício assistiu a uma discussão oral na Suprema Corte. De volta à Casa Branca para um almoço de Páscoa, Trump disse, em referência à guerra contra o Irã, que o governo estava "praticamente encerrando o assunto". "Temos que dar mais alguns golpes", disse ele. Uma autoridade da Casa Branca disse que o vice-presidente JD Vance havia se comunicado com intermediários do Paquistão sobre o conflito com o Irã ainda na terça-feira, em meio a esforços incipientes para buscar um acordo negociado. Trump disse que essas negociações estão indo bem, enquanto Teerã disse que não há nenhuma discussão direta em andamento.

Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer A OpenAI anunciou nesta terça-feira (31) que foi avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em uma rodada de financiamento concluída recentemente, na qual captou US$ 122 bilhões (R$ 633 bilhões). O valor superou as estimativas, refletindo o aumento dos custos de capacidade computacional. A captação ocorre em meio a dúvidas sobre como as empresas de inteligência artificial (IA) vão conseguir gerar receita suficiente para cobrir seus gastos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "O capital investido hoje está ajudando a construir a camada de infraestrutura para a própria inteligência", publicou a OpenAI. "Com o tempo, esse valor vai retornar para a economia, para as empresas, para as comunidades e, cada vez mais, para os indivíduos." A criadora do ChatGPT destacou que sua receita mensal, de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões), vem crescendo rapidamente. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A rodada de financiamento contou com um conjunto diversificado de investidores, entre eles Amazon, Microsoft, Nvidia e SoftBank, informou a empresa. Em um movimento incomum, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 15,6 bilhões) teriam sido captados junto a investidores individuais. O uso do mecanismo de busca on-line do ChatGPT triplicou em um ano, informou a startup, sediada em San Francisco, nos Estados Unidos. “Não se trata apenas de marcos de crescimento, mas mostra que a IA de ponta está se tornando parte do cotidiano de pessoas em todo o mundo.” No mês passado, a empresa começou a inserir anúncios em sua versão gratuita para aumentar a receita. A OpenAI também anunciou o desenvolvimento de um “superapp”, que reunirá o ChatGPT, navegação na web, uma ferramenta de programação chamada Codex e recursos que permitirão que assistentes digitais executem tarefas de forma autônoma. A empresa deve abrir seu capital este ano, em meio ao aumento da concorrência no setor de inteligência artificial.

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu aval, nesta quarta-feira (01), à renovação da concessão da Light no Rio de Janeiro. A decisão sobre a continuidade da renovação é do Ministério de Minas e Energia (MME). Segundo o ministro relator, Bruno Dantas, o ponto mais sensível da análise referiu-se ao critério de eficiência econômico-financeira, visto o histórico de desafios financeiros da concessionária. "A Light havia falhado em 2022, registrando Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida) negativo, o que impedia juridicamente a reversão da inadimplência via aporte de capital, dada a inexistência de geração de caixa operacional", explicou o relator. "Como apresentava indicadores preliminares negativos para 2023, sua elegibilidade para a renovação dependia diretamente da validação dos resultados desse último ano", complementou ele. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A distribuidora, porém, argumentou que os efeitos do seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ), homologado em 2024, deveriam ser considerados para sanar a inadimplência de 2023. De acordo com a Aneel, a reestruturação financeira da empresa conseguiu compatibilizar a dívida com a geração de caixa e garantir a sustentabilidade da concessão. "Forçar um aporte em dinheiro quando a dívida já havia sido reduzida contabilmente foi considerado desnecessário e contrário à autonomia gerencial da empresa. Com a aceitação desses efeitos financeiros como equivalentes a aportes de capital, a Aneel recalculou os indicadores e concluiu que a Light cumpriu o critério para o ano de 2023, evitando que a empresa acumulasse dois anos consecutivos de descumprimento, o que poderia inviabilizar a renovação do contrato", escreveu Dantas. Equipes da Light atuam no reparo de problema que levou a apagão em Copacabana e Leme, na Zona Sul do Rio Diógenes Melquíades/ TV Globo Dessa forma, Dantas considerou que as obrigações previstas no plano de recuperação, aliadas às novas cláusulas de governança e restrição de dividendos, são aptas a mitigar os riscos inerentes à continuidade da prestação do serviço público. A área de concessão da Light atende aproximadamente 3,9 milhões de unidades consumidoras, em 37 municípios do Rio de Janeiro, alcançando uma população estimada de quase 11 milhões de habitantes. O faturamento anual atinge cerca de R$ 19,8 bilhões, tendo o valor acumulado de quase R$ 600 bilhões para o período de vigência contratual.

Peugeot 208 híbrido de Portugal divulgação/Peugeot O grupo Stellantis, dono da Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram e Vauxhall está organizando um recall de 700 mil carros híbridos em todo o mundo por causa de um risco de incêndio. A medida afeta, principalmente, veículos das marcas Peugeot, Citroën, Fiat, Alfa Romeo e Jeep, segundo informações publicadas no site da Autoridade Federal de Transportes Motorizados da Alemanha (KBA) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp De acordo com a Stellantis, o recall foi decidido após o registro de 36 incidentes relacionados ao problema em todo o mundo, incluindo 12 casos iniciais de incêndio. Na França, a medida atinge 212 mil carros fabricados entre 2023 e 2026, sendo metade deles da marca Peugeot. A Stellantis, no entanto, não confirmou o número total de veículos afetados em todo o mundo citado pela KBA. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Por modelo, a KBA informa que o recall envolve: Peugeot 208 e 2008: 295 mil unidades; Citroën C3, C4 e C3 Aircross: 126 mil unidades; Fiat Grande Panda: 124 mil unidades; Alfa Romeo Junior: 44 mil unidades; Jeep Avenger: 88 mil unidades. O problema afeta carros híbridos de pequeno porte, nos quais o motor a combustão e o motor elétrico ficam muito próximos um do outro. Em situações de alta umidade, o contato entre o tubo do filtro de partículas e a tampa de proteção do motor de partida pode gerar uma faísca e dar início a um incêndio. Segundo a empresa, o problema pode ser resolvido em cerca de 30 minutos em uma oficina, com a instalação de uma tampa de proteção maior. O caso representa mais um revés técnico para a Stellantis, após problemas identificados nos motores PureTech e nos airbags da marca Takata, que também levaram a grandes campanhas de recall. O problema técnico não está relacionado ao motor híbrido 1.2 turbo de 48 volts — que substituiu o PureTech —, mas ao espaço que ele ocupa dentro do veículo. Procurada pelo g1, a Stellantis informou que nenhum dos modelos vendidos no Brasil faz parte desse programa de recall.

Lula vai até à avenida do Sambódromo e cumprimenta mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação para apurar um "suposto desvio de finalidade" e o "uso indevido da máquina pública" pelo governo federal no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apuração foi motivada por representação apresentada por parlamentares do partido Novo. No documento, eles solicitam que o tribunal investigue o caso. Os parlamentares afirmam que pode ter ocorrido a “utilização da estrutura estatal para organização logística, articulação institucional e apoio material” ao carro alegórico intitulado “Amigos do Lula”, no qual a primeira-dama, Janja da Silva, desfilaria como destaque. A primeira-dama, no entanto, não participou do desfile. O presidente Lula e ministros de Estado acompanharam a apresentação em um camarote no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O pedido No despacho, assinado no dia 24 de março, o ministro relator do caso, Augusto Nardes, solicita: a relação nominal de servidores deslocados para o evento, incluindo funções e período de deslocamento; os custos totais com diárias, passagens, hospedagem e horas extras; que o governo se manifeste sobre a suposta utilização de servidores do cerimonial da Presidência da República para o envio de convites, controle de lista de presença e coleta de medidas corporais de convidados para a confecção de fantasias, esclarecendo, de forma fundamentada, o amparo normativo para a prática de tais atos. Lula na Marquês de Sapucaí, no Rio. Ricardo Stuckert Outro caso Em fevereiro, o agora ministro aposentado Aroldo Cedraz rejeitou um pedido cautelar de suspensão do repasse de R$ 1 milhão da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) à escola de samba Acadêmicos de Niterói. Segundo o ministro, todas as escolas do o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro receberam a mesma quantia, o que mostra que a divisão dos recursos seguiu um critério objetivo e isonômico. Dessa forma, Cedraz avaliou que não havia qualquer elemento que indique favorecimento da Acadêmicos de Niterói em relação às demais escolas do Grupo Especial, nem indícios mínimos de que os repasses tenham sido realizados em razão de uma eventual homenagem pessoal ao presidente da República. O tema ganhou destaque após um parecer da área técnica do TCU sugerir que o governo federal deixasse de pagar o valor de R$ 1 milhão previsto no acordo de cooperação firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) à Acadêmicos de Niterói. A recomendação atende a um pedido de seis deputados federais do partido Novo, que alegam desvio de finalidade no uso de recursos públicos. Os parlamentares pediram que o TCU impedisse a apresentação do samba ou exija a devolução dos valores repassados pela Embratur, caso a escola mantenha o desfile com recursos próprios.
Novo aeroporto de Cachoeiro é entregue à população O aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, foi entregue oficialmente na manhã desta quarta-feira (1º), após mais de um ano de obras. O investimento no projeto de reforma foi de R$ 76 milhões. A expectativa é de que a nova pista e o terminal ampliado atraiam voos comerciais e coloquem a cidade na rota da aviação regional. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Com a estrutura modernizada, o aeroporto passa a ter capacidade para receber até nove aeronaves ao mesmo tempo. A pista, com 1.200 metros, agora também conta com iluminação para operações noturnas. A inauguração contou com a presença do governador Renato Casagrande. Segundo ele, a entrega "grandiosa" "ajuda muito no desenvolvimento do estado, no turismo e também (serve de) base de apoio para a Defesa Civil estadual. É uma alegria". LEIA TAMBÉM: OPORTUNIDADES: Ifes abre inscrições para mais de mil vagas em cursos técnicos de graça em todo o estado ACIDENTE: Motos batem de frente e duas pessoas morrem em Piúma; uma das vítimas foi atropelada após colisão MAIS BARATO: Preço da tilápia cai após produtores começarem a vender peixes direto às peixarias Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, é entregue à população Reprodução/TV Gazeta Impacto local A proposta do governo é transformar o aeroporto em um polo estratégico para importação e nacionalização de aeronaves, além de atrair novos investimentos para a cidade. Para o prefeito da cidade do Sul capixaba, Theodorico Feaço (PP), o terminal representa "uma obra muito importante para o progresso e o desenvolvimento" da região e uma oportunidade de viabilizar a produção de aparelhos para aeronaves e helicópteros na cidade". Também é esperado que o aeroporto facilite o acesso à região e fortaleça a economia local, especialmente setores como o comércio. Um dos segmentos que podem ser beneficiados é o de rochas ornamentais, um dos principais da economia da região, que vê no aeroporto uma oportunidade de crescimento. "Vai facilitar o acesso dos nossos clientes diretamente a Cachoeiro, movimentando ainda mais o setor. Isso tudo contempla o desejo antigo do setor de se conectar aos grandes centros", explicou o empresário Edson Martins. Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, é entregue à população Reprodução/TV Gazeta Desafios Depois da entrega da nova estrutura, o principal desafio passa a ser atrair companhias aéreas para operar voos comerciais no local. Diferente de outros aeroportos regionais, a administração será feita pela prefeitura. No entanto, a operação depende do interesse das empresas aéreas. "Aqui é possível receber aviões que transportam até 72 pessoas. Então, qualquer empresa que faz voos comerciais pode analisar a demanda de serviço aqui em Cachoeiro. A infraestrutura está entregue para que elas possam fazer toda essa análise e, daqui a pouco, ter voos comerciais aqui", defendeu o governador. Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, é entregue à população Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

g1 | Fantástico Diante da escalada do preço do querosene de aviação, associada à guerra no Oriente Médio, o governo federal estuda medidas para conter o impacto nas passagens aéreas. Nesta quarta-feira (1º), a Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após esse aumento anunciado pela Petrobras. Segundo a Abear, o reajuste do combustível da aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar, por ora, aumento nos preços das passagens. "Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", acrescentou a entidade. Propostas em estudo O Ministério de Portos e Aeroportos enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. O documento, que foi elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), traz algumas sugestões, tais como: redução temporária de tributos incidentes sobre o querosene de aviação (QAv); redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas; redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves. Na avaliação do Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas preservariam a competitividade das empresas, evitariam repasses excessivos ao consumidor e manteriam ativa a conectividade aérea do país. O g1 apurou que outra medida em estudo é a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para compra de QAV. A medida seria em caráter temporário. O que diz a área econômica Questionado pelo g1, o Ministério da Fazenda informou que acompanha de "forma permanente a evolução do cenário internacional, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia brasileira". "A pasta mantém monitoramento contínuo de variáveis relevantes, a fim de avaliar eventuais efeitos sobre o Brasil. Sendo assim, ressalta que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade, à luz das evidências, e sempre em conformidade com os marcos fiscais vigentes", acrescentou a Fazenda.

Receita Federal não entra em contato por WhatsApp g1 Circulam no WhatsApp mensagens enviadas em nome da Receita Federal com alertas sobre supostas pendências no Cadastro de Pessoa Física (CPF) e um link para "regularização". É #FAKE. selo fake g1 📲 Como o conteúdo chegou ao Fato ou Fake? Leitores passaram a enviar a mensagem ao nosso WhatsApp, no número +55 (21) 97305-9827, nos dias anteriores ao início do prazo para entrega da declaraão do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, que começou em 23 de março. 🛑 Como é o golpe? Para convencer as vítimas de que o conteúdo é legítimo, o texto começa assim: "As informações foram verificadas e estão corretas". Na sequência, cita o nome do destinatário e menciona: "ÚLTIMO AVISO DA RECEITA FEDERAL – IRPF 2025/2026". Veja a íntegra do material fraudulento: "Consta em nosso sistema a identificaão de uma pendência registrada vinculada ao documento nº [CPF], que pode impactar a regularidade do seu nome. PENDÊNCIA GRAVE EM ABERTO. Isso impede: Enviar e receber PIX, acesso a contas, cartões e investimentos em qualquer banco; operações financeiras normais; nomee em cadastros restritivos (Serasa, SPC, Bacen). Recomendamos que a consulta seja realizada imediatamente por meio do link abaixo: https://regularizetributos. Para evitar inconsistências futuras e possíveis restrições operacionais, é importante verificar a situação o quanto antes. Se o link não estiver azul, envie apenas um 'Oi', saia da conversa e entre novamente. Cadastro concluído no sistema". O conteúdo tem diversos sinais de golpe: tom de urgência e ameaça (expressões como "ÚLTIMO AVISO" e "PENDÊNCIA GRAVE"); consequências exageradas (bloqueio de PIX e conta); generalização e falta de detalhes oficiais (como número de processo); link suspeito (o endereço fornecido não é um domínio oficial do governo, como gov.br); e pedido de ação imediata por canal informal; uso indevido de autoridade (com citação órgãos oficiais). Veja detalhes ao final desta reportagem. Ao clicar no link, o usuário chega a uma página que imita a plataforma gov.br e pede para digitar o número do CPF. Na tela seguinte, vem o aviso sobre uma "dívida" de R$ 684,55. O não pagamento geraria multa de R$ 2.120, além de bloqueio bancário e restrição de crédito. Por fim, há um botão de "regularize agora", que leva a um chat com uma suposta "auditora da Receita Fiscal". Ela repete as mesmas ameaças e diz que "não haverá nova oportunidade" para regularizar o débito. Por fim, a vítima é induzida a fazer o PIX, sem informações informações sobre o destinatário final do dinheiro. ⚠️ Por que a mensagem é falsa? O Fato ou Fake entrou em contato com a assessoria de imprensa da Receita Federal, que respondeu, por e-mail: "Trata-se de um golpe. O portal correto é da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que já emitiu alerta para tentativas de comunicação falsa. A Receita Federal reforça que não solicita pagamentos por telefone, WhatsApp, e-mail ou mensagens. Todos os documentos de arrecadação (DARF e DAS) devem ser gerados exclusivamente pelos meios oficiais, disponíveis no site: www.gov.br/receitafederal". Em 2 de dezembro de 2025, o site oficial do órgão publicou um comunicado com o seguinte título: "Recebeu mensagem da PGFN? Cuidado, pode ser golpe!". O texto reforça que oa página regularize.pgfn.gov.br é o único meio oficial pelo qual os contribuintes que tenham débitos em aberto com a União podem quitar suas pendências: "A PGFN não entra contato pelo WhatsApp, somente por SMS, com o remetente 29347. Além disso, o acesso de pessoas físicas ao portal Regularize é feito somente por meio do login e da senha da plataforma oficial gov.br, o que confere mais segurança ao processo. A Procuradoria também não solicita o CPF do contribuinte como forma de acesso ao portal". A nota também menciona uma checagem anterior feita pelo Fato ou Fake, de 29 de novembro de 2025, com o título: É #FAKE mensagem de WhatsApp que cobra pagamento de 'Dívida Ativa com a União'; trata-se de golpe. Na ocasião, Eduardo Sadalla Bucci, coordenador de Dívida Pública da União e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTS) explicou: "Em nenhuma hipótese, de nenhum tipo de cobrança, há a possibilidade de cancelamento do seu PIX. Igualmente, nenhum tipo de constrição que não seja autorizada pelo Poder Judiciário vai ser feita. "Você não vai perder qualquer tipo de bem, a não ser por uma decisão judicial, em que você será citado, terá oportunidade de ter um advogado e todas as tramitações do devido processo legal", disse o especialista na oportunidade". Em fevereiro deste ano, o Fato ou Fake fez uma verificação semelhante: É #FAKE mensagem de Whatsapp sobre regularização de 'pendência grave' na Receita Federal; trata-se de golpe. ❌ Quais os indícios de golpe? Ao longo do texto, há diversos sinais de linguagem típicos de golpes: Tom de urgência e ameaça – Expressões como “ÚLTIMO AVISO” e “PENDÊNCIA GRAVE” são usadas para causar medo e pressionar a pessoa a agir rapidamente, sem pensar. Consequências exageradas – Bloqueio de PIX, contas, cartões e “nome irregular” são apresentados de forma alarmista e pouco precisa. Generalização e falta de detalhes oficiais – Ausência de informações específicas confiáveis (como número de processo, canal oficial ou instruções verificáveis), substituídas por menções genéricas a uma "pendência". Link suspeito – O endereço fornecido não é um domínio oficial do governo (como “.gov.br”). Pedido de ação imediata por canal informal – Orientações como "clicar no link" ou responder "Oi", que fogem totalmente dos procedimentos formais da Receita Federal. Uso indevido de autoridade – Tentativa de se legitimar citando órgãos como SERASA, SPC e Banco Central, mas sem contexto real — um recurso comum para parecer confiável. Contato via WhatsApp – Órgãos oficiais não utilizam mensagens diretas por aplicativos para cobrar regularizações dessa forma. Receita Federal não entra em contato por WhatsApp g1 Veja também É #FATO: Vídeo mostra canguru recebendo carinho em zoológico na China É #FATO: Vídeo mostra canguru recebendo carinho de visitantes em zoológico na China VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Vista aérea do Aeroporto de Brasília Bento Viana/Inframerica O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, nesta quarta-feira (1º) a repactuação do contrato de concessão do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek. O novo acordo prevê a realização de um processo competitivo simplificado, com a inclusão de novas obrigações contratuais, a conversão de parte da outorga fixa em variável e a incorporação de dez aeroportos regionais ao contrato. A Inframerica informou ao g1 que irá se manifestar sobre o tema apenas após a publicação do acórdão. Também está previsto um volume de investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no aeroporto brasiliense ao longo da vigência da nova concessão. Entre as intervenções planejadas estão, por exemplo: a construção de uma nova via de acesso ao aeroporto; a implantação de um edifício-garagem; a aquisição de equipamentos de segurança e inspeção de passageiros e bagagens. Outro ponto do acordo é a realização de um novo leilão ainda em 2026. A concorrência terá lance mínimo fixado em 5,9% da receita bruta da concessão. A Inframerica, atual administradora do aeroporto, é obrigada a participar do leilão. Saiba como funciona a logística das chegadas e partidas do Aeroporto de Brasília Novo contrato sem Infraero Pelas novas regras, a Infraero deixará a sociedade da concessão. A estatal será indenizada pela concessionária em função de sua participação de 49% na concessão vigente. O novo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, avalia que a repactuação "agrega práticas de sucesso para promover o desenvolvimento de aeroportos regionais pelo parceiro privado". "Essa medida traz segurança para novos investimentos, melhora o serviço para os usuários e leva o modelo de concessões a novos aeroportos, uma inovação que trará benefícios para outras cidades”, comentou. Aeroporto de Brasília, em foto de arquivo Divulgação Aeroportos regionais como 'contrapartida' Quem vencer o novo leilão terá que investir, como contrapartida, em 10 aeroportos regionais espalhados pelo centro-sul do Brasil. A futura concessionária deverá aportar cerca de R$ 660 milhões na ampliação, manutenção e operação dos terminais de: Juína, Cáceres e Tangará da Serra (MT); Alto Paraíso e São Miguel do Araguaia (GO); Bonito, Dourados e Três Lagoas (MS); Ponta Grossa (PR); Barreiras (BA). Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025 Divulgação/SpaceX A SpaceX protocolou nesta quarta-feira (1º) um pedido confidencial de oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos. A informação é da Reuters, com base em duas fontes familiarizadas com o assunto. 🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de ações de uma empresa, quando parte do seu capital passa a ser listada na bolsa de valores e pode ser vendida a investidores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na prática, o movimento da SpaceX prepara o terreno para o que pode se tornar a maior listagem da história do mercado acionário. O IPO da SpaceX tem avaliação potencial superior a US$ 1,75 trilhão depois da fusão com a startup de inteligência artificial xAI, também de Musk. A transação definiu o valor da empresa de foguetes em US$ 1 trilhão e a desenvolvedora do chatbot Grok em US$ 250 bilhões. A SpaceX coloca mais foguetes no espaço do que qualquer outra empresa, e o IPO deve abrir espaço para investimentos no retorno da humanidade à Lua e na tentativa de colonizar Marte. A companhia também pretende instalar centros de processamento de dados de inteligência artificial no espaço, enquanto opera um lucrativo sistema de comunicações por satélite, cada vez mais utilizado em guerras. Além disso, a empresa é comandada pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk, uma figura controversa que transformou a Tesla na montadora mais valiosa do planeta. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A SpaceX organiza um encontro com analistas do mercado financeiro em 21 de abril e incentiva a participação presencial, segundo uma fonte ouvida pela Reuters. A empresa também oferece aos analistas uma visita opcional ao centro de processamento de dados “Macrohard”, da xAI, em Memphis (Tennessee), em 23 de abril, e planeja uma sessão virtual em 4 de maio para discutir modelos financeiros com analistas de bancos, acrescentou a fonte. Avaliar o conglomerado não é simples, mas a liderança de Musk facilita a análise para alguns investidores. "Os investidores podem usar uma análise da soma das partes, mas, como no caso da Tesla, a avaliação da SpaceX pode flutuar muito, com base no quanto o público acredita na visão de Musk", disse Angelo Bochanis, associado da Renaissance Capital, fornecedora de pesquisas e ETFs voltados para IPOs. "Até o momento, os investidores parecem estar clamando por qualquer tipo de exposição à SpaceX." Representantes da SpaceX não comentaram o assunto. Maior IPO A SpaceX pode tentar levantar mais de US$ 50 bilhões no IPO, superando com folga a abertura de capital da Saudi Aramco, em 2019, ainda a maior oferta inicial de ações da história. A estreia da SpaceX pode reaquecer o mercado de IPOs após anos de atividade moderada, com expectativa de forte demanda de investidores institucionais e de varejo — alguns atraídos pela marca de Musk, outros em busca de exposição aos negócios espaciais e de satélites da companhia, em rápido crescimento. A SpaceX é a empresa privada mais valiosa do mundo, com base na avaliação implícita da fusão com a xAI. A empresa foi avaliada pela última vez em cerca de US$ 800 bilhões em uma venda secundária de ações. Outras startups relevantes, como a OpenAI, criadora do ChatGPT, e a rival Anthropic, também avaliam grandes IPOs, o que pode testar de forma mais ampla o apetite dos investidores por novas listagens. Muitas startups de grande porte têm permanecido privadas por mais tempo, explorando amplas fontes de capital no mercado privado, mas uma listagem de uma empresa como a SpaceX pode incentivar outras companhias a buscar ofertas públicas. Um registro confidencial permite que a empresa apresente documentos de IPO aos reguladores de forma reservada, ganhando tempo para responder a questionamentos e ajustar as informações antes da divulgação pública. Elon Musk em imagem de maio de 2025 AP Foto/Evan Vucci 'Muskonomia' Um IPO deve ampliar o escrutínio de analistas e investidores sobre a “Muskonomia” — o império de negócios em expansão e as fortunas interligadas do bilionário —, trazendo novo foco sobre como suas empresas são financiadas, administradas e avaliadas nos mercados. "Uma provável estrutura de ações de classe dupla permitirá que Musk aproveite o capital público e, ao mesmo tempo, mantenha o controle da empresa, mesmo após a diluição substancial que vem com uma oferta pública", disse Minmo Gahng, professor assistente de finanças da Universidade de Cornell. Musk comanda a Tesla, a fabricante de chips cerebrais Neuralink e a empresa de escavação de túneis The Boring Company. No ano passado, Musk também incorporou a plataforma de mídia social X à xAI por meio de uma troca de ações, dando à startup de IA acesso aos dados e à rede de distribuição da plataforma. As dúvidas sobre a capacidade de Musk de supervisionar várias empresas com valores de mercado superiores a US$ 1 trilhão podem diminuir o entusiasmo dos investidores, dizem analistas. "É compreensível que os investidores estejam preocupados com o fato de Musk supervisionar várias empresas importantes, especialmente devido ao seu perfil público polarizador às vezes. Entretanto, a SpaceX parece um tanto diferenciada", disse Kat Liu, vice-presidente da IPOX. "A empresa está operacionalmente madura, tecnologicamente à frente em várias áreas importantes e é lucrativa, o que proporciona uma sólida base fundamental." Corrida espacial O pedido de IPO da SpaceX ocorre no momento em que a agência espacial norte-americana, Nasa, se prepara para lançar quatro astronautas na noite desta quarta-feira para um voo de 10 dias ao redor da Lua, na mais ambiciosa missão espacial dos EUA em décadas. A SpaceX gerou cerca de US$ 8 bilhões de lucro sobre uma receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões no ano passado, informou a Reuters em janeiro, com base em fontes familiarizadas com o assunto. Um número crescente de bilionários e empresas privadas tem financiado uma nova corrida espacial nos EUA, com investimentos em foguetes, redes de satélites e projetos lunares, incluindo a SpaceX e a Blue Origin, de Jeff Bezos, fundador da Amazon. À medida que a Nasa amplia o uso de parceiros comerciais e os orçamentos militares crescem, o espaço se consolida como um campo estratégico, impulsionado pela vantagem tecnológica, por prioridades de segurança nacional e pela promessa de novos ganhos econômicos. A SpaceX também solicitou autorização para lançar até 1 milhão de satélites movidos a energia solar, projetados como centros de processamento de dados em órbita — muito além de qualquer projeto atualmente em operação ou em estudo. Engenheiros e especialistas da Nasa discutem há quase duas décadas a possibilidade de transferir para fora do planeta operações de computação intensivas em energia. A fusão da SpaceX com a xAI chamou a atenção dos investidores para como Musk pode usar uma rede integrada de foguetes, satélites e sistemas de IA para superar desafios técnicos e de capital, expandindo a infraestrutura de inteligência artificial para além da Terra. A inteligência artificial se tornou o principal tema em Wall Street, impulsionando uma forte alta nas ações de empresas do setor.
Comsefaz: medida para reduzir preço do diesel traz impacto de R$ 3,5 bilhões, metade para os estados
Medida para reduzir preço do diesel traz impacto de R$ 3,5 bilhões, metade para os estados, diz Comsefaz
O presidente do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), Flávio César, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o acordo firmado com o governo federal para subsidiar o diesel terá um impacto fiscal total estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. O custo será dividido igualmente: 50% custeados pela União e 50% pelos estados.
A medida prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). O objetivo central é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
A adesão dos governadores, no entanto, veio com um alerta de prazo. Flávio César destacou que o esforço só foi possível porque a vigência é de apenas 60 dias. Segundo ele, os estados não possuem fôlego financeiro para manter a ajuda caso a crise internacional se arraste por todo o semestre.
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"A expectativa é que esse período de dois meses seja suficiente para sanar o problema. Uma prorrogação traria consequências muito mais graves para os estados, tendo em vista que os orçamentos já estão todos comprometidos", alertou o secretário.
O acordo foi selado após uma reunião de mais de seis horas entre os 27 secretários de Fazenda e o Ministério da Fazenda. O impasse inicial era o receio dos governadores de ferirem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) caso fizessem uma desoneração direta no imposto.
Por que o acordo demorou? Segundo o presidente da Comsefaz, proposta original do governo federal era uma desoneração do ICMS. Contudo, os estados identificaram riscos jurídicos frente à Lei Complementar 192 e à LRF. O nó só foi desatado quando o Ministério da Fazenda aceitou o modelo de subsídio direto compartilhado. Em vez de mexer na alíquota do imposto, União e estados depositam valores para compor o desconto de R$ 1,20, garantindo a blindagem jurídica dos governadores.
Foco no escoamento da safra
A urgência da medida também se justifica pelo calendário agrícola. Com o Brasil em pleno momento de escoamento da safra, a alta do diesel importado — que chega a representar 40% da receita de combustíveis em alguns estados — ameaçava inviabilizar o frete e gerar um efeito cascata na inflação de alimentos.
Fiscalização rigorosa
Para garantir que o benefício chegue às bombas, os estados prometeram uma atuação contundente dos Procons. Além da fiscalização estadual, os governadores assinaram um convênio com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para monitorar postos e distribuidoras.
"O esforço conjunto precisa ter resultado imediato para o consumidor", disse Flávio César.
Preço da tilápia cai após produtores começarem a vender direto às peixarias na Grande Vitória, Espírito Santo Divulgação/Sindipesca-ES Uma nova forma de comercialização da tilápia promete impactar os preços do pescado para os consumidores da Grande Vitória. Pela primeira vez, produtores da agricultura familiar passaram a vender o peixe diretamente para peixarias, sem atravessadores, como ocorria anteriormente. Com a nova estratégia, o pescado sai direto dos tanques nas regiões produtoras para os pontos de venda, encurtando o caminho até o consumidor. A negociação nesse formato começou nesta semana. A ideia é que o preço do peixe reduza nas peixarias e pontos de venda. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A iniciativa é coordenada pelo Sindicato das Indústrias da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca ES), em parceria com a Cooperativa de Produtores Rurais de Domingos Martins (Coopram), que reúne cerca de 500 propriedades. “A gente quer trazer os pequenos produtores da agricultura familiar para as peixarias, garantindo legalidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Isso é um ajuste da cadeia produtiva que vai continuar. A cooperativa e esses produtores vão assumir, daqui para frente, um papel no consumo do capixaba e devem se consolidar”, avaliou o representante do Sindipesca-ES, Rafael Viola. Produtores de tilápia no ES vendem direto para peixarias e sem atravessador LEIA TAMBÉM: GUARAPAI: Queda de energia mata 5 mil tilápias e causa prejuízo de R$ 50 mil a produtor VÍDEO: Pinscher perdido é escoltado por policiais e motoristas na Terceira Ponte ASSISTA: Muro desaba, atinge casa e tomba escavadeira em Jerônimo Monteiro NOTURNO: Conheça o trabalho dos caçadores de escorpiões no ES Segundo Viola, com a venda pulverizada por meio de diversos atravessadores, com compras avulsas em cada fazenda, não havia uma identidade que marcasse o produtor. Agora, o objetivo é fortalecer a piscicultura capixaba por meio do cooperativismo. A expectativa do setor é que a mudança resulte em benefício direto para o consumidor e se reflita no preço, inclusive em períodos de alta demanda, como a Semana Santa e outras datas festivas. O valor final de venda vai ser estabelecido por cada peixaria. "Trazer um produto direto do produtor permite trabalhar com um preço mais acessível e oferecer melhor condição para o consumidor", afirmou o representante de peixarias da Grande Vitória, Mário José de Almeida. Nas propriedades rurais, o aumento da procura já é sentido. "Nosso peixe já está todo vendido para essa semana, mas o que está pronto agora já tem saída para as próximas semanas. Se tivesse mais produção, venderia tudo", afirmou o produtor Roselho Geraldo, que cria tilápia em Domingos Martins, na Região Serrana. Além do preço, a qualidade também é um dos diferenciais apontados pelos produtores. Com logística direta, o peixe pode chegar às peixarias em poucas horas após a retirada dos tanques, mantendo sabor e frescor. Preço da tilápia cai após produtores começarem a vender direto às peixarias na Grande Vitória, Espírito Santo Divulgação/Sindipesca-ES Preços promocionais na Semana Santa A nova forma de comercialização direta está sendo lançada nesta semana aliada a uma ação promocional, que começou na segunda-feira (30) até vai até o próximo dia 4, Sábado de Aleluia, ou enquanto durarem os estoques. A ideia é que neste período, a tilápia produzida pelos agricultores familiares capixabas seja vendida a um preço fixo de R$ 19,90 o quilo, em 51 peixarias cadastradas como parceiras. Inicialmente, dez toneladas seriam comercializadas por esse valor, mas, devido à procura, um novo lote com mais cinco toneladas foi separado. "Desde cedo, nesta quarta-feira (1°), as peixarias começaram a ligar dizendo que as vendas estavam a todo vapor e com a mercadoria já acabando. Então, fizemos um lote extra de mais cinco toneladas, que vai chegar às 19h, na Vila Rubim. Vamos distribuir hoje e amanhã para os estabelecimentos participantes", disse Viola. Produção de tilápia no ES Segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a tilápia domina a piscicultura no estado, representando 99,46% de toda a produção. Em 2024, foram produzidas 7,03 mil toneladas da espécie. Os demais peixes, somados, representam menos de 1% da produção. A produção está concentrada em municípios com forte tradição e estrutura técnica. Linhares lidera, com 3,2 mil toneladas, seguido por Domingos Martins, com 1,4 mil toneladas, e Marechal Floriano, com 550 toneladas. Para o Incaper, a expansão recente demonstra a capacidade de modernização do setor, com adoção de boas práticas de manejo, melhoria genética, uso de aeradores, alimentação balanceada e controle sanitário. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Álbum da Copa do Mundo 2026 da Panini. Reprodução/Panini A Panini Brasil iniciou nesta quarta-feira (1º de abril) a pré-venda do álbum de figurinhas da Copa do Mundo da FIFA 2026. A nova edição chega com preços mais altos, com pacotes custando R$ 7, o que deve fazer colecionadores gastarem mais para completar o livrinho do que no último mundial. O lançamento nas bancas está previsto para 1º de maio. Cada envelope custará R$ 7 e trará sete figurinhas – um real por figurinha. Já o álbum terá versões que vão de R$ 24,90 (brochura) a R$ 79,90 (capa dura especial). Há ainda uma edição premium que chega a R$ 359,90. O álbum acompanha a expansão do torneio, que terá 48 seleções pela primeira vez, com jogos nos Estados Unidos, Canadá e México. Com isso, a coleção será a maior já lançada, com 980 figurinhas e 112 páginas. Em 2022, eram 670 cromos no álbum. Na prática, completar o álbum ficou mais caro. Mesmo se a pessoa conseguir trocar todas as suas figurinhas e terminar a coleção sem nenhuma repetida, o gasto vai ser superior a R$ 1 mil. Na Copa de 2022, o preço do álbum já havia dobrado e gerado memes nas redes sociais - relembre. Considerando o IPCA, a inflação acumulada no Brasil entre 2022 e 2025 ficou em cerca de 21%. O álbum de 2022 tinha um custo teórico (sem nenhuma figurinha repetida) de R$ 550. Ou seja, o novo valor de mais de R$ 1 mil tem um aumento de 81%, muito superior a esse percentual, indicando uma alta real acima da inflação no período. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Irã ameaça atacar empesas e big techs ligadas aos EUA no Oriente Médio A operação de computação em nuvem da Amazon no Bahrein foi prejudicada após um ataque do Irã, segundo informações do Financial Times publicadas nesta quarta-feira (1º). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, a unidade da Amazon Web Services (AWS) no país do Golfo sofreu danos após a ofensiva iraniana, em meio ao conflito na região. Mais cedo, o Ministério do Interior do Bahrein informou que equipes da defesa civil foram acionadas para conter um incêndio em uma instalação empresarial, provocado pelo que classificou como uma “agressão iraniana”. O órgão, no entanto, não detalhou qual empresa foi atingida. O episódio ocorre um dia depois de a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar atacar companhias americanas que operam no Oriente Médio. Entre os alvos citados estavam gigantes de tecnologia como Microsoft, Apple, Google e Meta. A Amazon não estava na lista divulgada pela corporação. Procurada pela agência Reuters, a Amazon não comentou diretamente o ataque específico. Ainda assim, segundo o Financial Times, instalações da AWS na região já foram atingidas diversas vezes desde o início do conflito. Logotipo da Amazon Web Services (AWS) REUTERS/Benoit Tessier/Foto de Arquivo O comunicado iraniano Em comunicado divulgado pela mídia estatal, os militares iranianos listaram 18 organizações selecionadas como alvo e disseram que suas unidades podem ser bombardeadas a partir das 20h desta quarta-feira (1º) em Teerã - 13h30 no horário de Brasília. "Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro", diz o texto. Veja quais são as 18 empresas sob ameaça: Boeing G42 Spire Solution GE Tesla JP. Morgan Nvidia Palantir Dell IBM Meta Google Apple Microsoft Oracle Intel HP Cisco LEIA TAMBÉM: INVASÃO: Israel vai ocupar sul do Líbano e destruir casas após guerra contra Hezbollah, anuncia ministro INFOGRÁFICO: EUA ampliam presença militar no Oriente Médio em meio à indefinição sobre guerra contra o Irã GUERRA: Trump avalia encerrar guerra contra o Irã mesmo com Estreito de Ormuz fechado, diz jornal

Aeroporto de Congonhas Renato S. Cerqueira/Ato Press/Estadão Conteúdo A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira (1º) que o reajuste de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV) pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens. Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo", diz, em nota, a Abear. A declaração ocorre poucas horas após a confirmação de que a Petrobras elevou, em abril, o preço médio de venda do querosene de aviação às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Para suavizar os efeitos do aumento, a estatal também anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos. (leia mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A alta é resultado do avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 1,80%, a US$ 102,10. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97. Ao todo, mais de 80% do QAV consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo. Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores. "A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a nota. Em comunicado, a Petrobras anunciou uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", informou a Petrobras. Custos mais altos O aumento do combustível, associado à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, as empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras. Nesta semana, o Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, havia antecipado que a Petrobras elevaria os preços do querosene de aviação em cerca de 55%. O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o aumento anunciado pela Petrobras para abril seria “moderado” em comparação com a alta observada no mercado internacional. Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com as variações de custos ao longo do tempo. Ainda assim, o executivo afirmou, em conferência com analistas, que a empresa pode precisar elevar os preços das passagens sempre que o combustível subir. Irarrazaval declarou ainda que um acréscimo de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma elevação de cerca de 10% nas tarifas. A Azul informou na semana passada que já elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas. A companhia também anunciou que pretende limitar o crescimento da operação para lidar com a alta do combustível. Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre. Veja a íntegra da nota da Abear "A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo. Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas. Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações."

Aviões em aeroporto de Frankfurt, na Alemanha REUTERS/Heiko Becker O comissário europeu para energia, Dan Jorgensen, pediu na terça-feira (31/03) que os países-membros da União Europeia (UE) se preparem para interrupções prolongadas nas cadeias de fornecimento de energia e comecem a implementar medidas para economizar combustível em meio ao agravamento da guerra no Irã, que tem pressionado os mercados de petróleo e gás. Numa carta enviada aos 27 países-membros do bloco, Jorgensen incentivou a adoção de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE) que inclui: incentivo ao home office; car sharing; uso do transporte público; redução do limite de velocidade em autoestradas; medidas para uso de energia elétrica em vez de gás de cozinha; e redução de viagens aéreas. O plano da AIE foi originalmente elaborado em 2022, no início da guerra na Ucrânia, que também provocou interrupções no mercado global de energia. Agora, o apelo de Jorgensen ocorre num momento em que ministros de energia de países-membros da UE avaliam como lidar com escassez global diária de 11 milhões de barris de petróleo e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) provocada pela guerra no Irã. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços na UE subiram cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo. Em 30 dias de conflito, essa alta já acrescentou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis da UE. "Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão", disse Jorgensen nesta semana. "Esta crise demonstra, mais uma vez, que a Europa enfrenta uma vulnerabilidade fundamental a choques energéticos externos. E isto está ligado à nossa dependência de combustíveis fósseis importados." Por enquanto, os países europeus ainda não adotaram medidas para reduzir a demanda e não contemplam medidas drásticas similares às tomadas durante as crises do petróleo da década de 1970, quando governos impuseram racionamento de gasolina e dias sem circulação de veículos particulares. Na mesma carta, o comissário europeu recomendou que os países-membros adiem a manutenção das refinarias de petróleo para manter a produção e se preparem para garantir armazenamento adequado de gás para o próximo inverno. Risco de escassez Jorgensen afirmou ainda que o setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e escassez de suprimentos devido à forte dependência do setor em relação ao Golfo Pérsico, de onde a UE depende para mais de 40% de suas importações de querosene de aviação e diesel. Ele acrescentou que o risco de escassez é agravado pela "disponibilidade limitada de fornecedores alternativos e de capacidade de refino para produtos específicos dentro da UE". "A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia", afirmou Jorgensen na terça-feira, antes de uma reunião virtual dos ministros da Energia da UE. "É por isso que precisamos de agir já. E precisamos de agir em conjunto", acrescentou. "Só trabalhando em conjunto podemos ser mais fortes e proteger os nossos cidadãos e empresas de forma mais eficaz." Os alertas do comissário europeu ocorrem em meio ao crescente temor de que a guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã possa se prolongar ainda mais, tornando mais provável o risco de desabastecimento a longo prazo. Até o momento, o conflito já fez o petróleo Brent saltar em determinado momento para 119 dólares por barril, bem acima da marca de 70 dólares antes da guerra, e alguns analistas têm alertado que os preços podem subir para até 200 dólares com o agravamento do conflito. Nesta quarta-feira (1º/4), o chefe da AIE disse que os problemas de abastecimento de petróleo decorrentes da guerra aumentarão em abril e afetarão a Europa. "A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL", declarou Fatih Birol em um podcast com o chefe do fundo soberano da Dinamarca, Nicolai Tangen. "O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa." O alerta vem mesmo depois de os 32 membros da AIE liberarem 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, o maior desbloqueio de estoques da história da organização. Nesta semana, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, advertiu que os efeitos da guerra podem atingir a Europa de maneira similar que a pandemia de covid-19 em 2020-2021. "Se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais do que vivenciamos recentemente durante a pandemia da covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia", disse.

O supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, informou nesta quarta-feira (1º) que o Fisco ainda não tem uma data para disponibilizar a declaração totalmente pré-preenchida, na qual os contribuintes não precisariam mais incluir informações. Nesse formato, buscado pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, os trabalhadores teriam apenas de validar os dados informados no documento pelo leão. "A demanda [do ministro Durigan] chegou pra nós ontem [terça, 31 de março]. Temos ainda que avaliar o que falta e traçar um caminho. Não temos essa data [de liberar o novo formato para o público]", disse José Carlos da Fonseca, da Receita Federal. Assim que implementada, a nova declaração do IR seria uma evolução da declaração pré-preenchida, que já contempla uma série de informações dos contribuintes — mas não todas elas. O Fisco estima que a declaração pré-preenchida já deve abranger 60% dos contribuintes neste ano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎Na declaração pré-preenchida, a Receita Federal mostra ao contribuinte informações de rendimentos, deduções, bens e direitos e dívidas e ônus reais – que são carregadas automaticamente, sem a necessidade de digitação. 🔎Para optar pela declaração pré-preenchida, é preciso ter uma conta níveis prata ou ouro no "gov.br". Para quem não faz a própria declaração, ainda existe a alternativa de usar o site ou app "Meu Imposto de Renda". Nele, é possível dar autorização de acesso à declaração pré-preenchida para qualquer CFP ou CNPJ, evitando assim o compartilhamento da senha gov.br. "Esse é o caminho natural e gradual da evolução deste modelo da declaração a partir da evolução da pré-preenchida. Cada vez mais a Receita Federal obtém as informações diretamente das fontes pagadoras e dos registros de bens e direitos dos contribuintes, e oferece para validação do contribuinte", informou o órgão. A Receita Federal acrescentou que, com o aumento da consistência das informações a cada ano, vai gradualmente desobrigando o contribuinte da necessidade de preenchimentos. Imposto de Renda 2026: declaração pré-preenchida dá prioridade na restituição? Entenda Filtros do Imposto de Renda Atualmente, a Receita Federal já tem acesso a uma série de informações dos contribuintes, que são usadas na malha fina do leão. Além das movimentações financeiras, o Fisco checa, com a ajuda de supercomputadores e de inteligência artificial, uma quantidade enorme de informações dos contribuintes. Ao todo, são mais de 160 filtros de checagem de dados na declaração do Imposto de Renda, que tem de ser entregue todos os anos. Alguns cruzamentos são mais simples, como CPF, endereço, dependentes, ou seja, informações pessoais. Entre as informações obtidas e checadas pela Receita, estão: rendimentos; movimentações financeiras no PIX (acima de R$ 2 mil por mês); pagamentos no débito (acima de R$ 2 mil por mês); cartões de crédito (acima de R$ 2 mil por mês); aluguéis; despesas médicas (titular e dependentes, com recibos digitais a partir de 2025); mercado acionário e criptoativos; automóveis; aplicações em renda fixa; número de dependentes; despesas com educação (titular e dependentes); previdência complementar; gastos com empregados domésticos, informações sobre imóveis, incluindo compra e venda; carnê leão; bens no exterior; deduções de incentivo cultural; contribuição a entidades beneficentes. O objetivo é saber se os valores declarados no Imposto de Renda estão corretos, ou se eles precisam ser ajustados. Essas informações também serão usadas na declaração totalmente pré-preenchida, meta fixada pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock

Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação A Renault anunciou nesta quarta-feira (01) o preço oficial do Koleos: R$ 289.990. O utilitário esportivo já está em pré-venda e tem condição especial para os clientes que usarem carro usado na transação. O preço com isso cai para R$ 279.990. A marca francesa quer se reposicionar aos olhos dos brasileiros. Deixar de ser vista como a marca dos carros populares para ser reconhecida pelo requinte nos segmentos mais caros. O capítulo mais recente dessa estratégia, que já incluiu Kardian e Boreal, é o Koleos. O SUV tem proporções generosas, maiores que as do Jeep Commander, e aposta em uma cabine chamativa e em um conjunto híbrido de 245 cv para fisgar clientes que hoje compram BYD Song Plus e GWM Haval H6. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O Koleos segue o padrão global de design da Renault. As linhas vincadas da carroceria ganham destaque com a pintura cinza acetinada. Detalhes azulados e apliques pretos completam o visual futurista. Será o suficiente para conquistar o cliente brasileiro? A resposta talvez esteja no interior do Koleos. Renault lança Koleos no Brasil e quer clientes de SUVs chineses Painel com três telas No interior, a Renault priorizou a experiência de motorista e passageiros. São três telas alinhadas no painel, cada uma com 12,3 polegadas. Uma está logo atrás do volante e funciona como cluster de instrumentos. No meio, alinhada com o console central, está a tradicional tela do multimídia. A novidade é a terceira tela, logo a frente do carona. Nela é possível ajustar o ar-condicionado, escolher músicas no sistema de som Bose com 10 alto-falantes e até assistir à série favorita em serviços de streaming. Painel com 3 telas do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Essa tela do passageiro tem um efeito de discrição semelhante ao de películas de privacidade usadas em celulares. Quem observa de lado não consegue ver o conteúdo, que aparece escuro. Assim, o passageiro pode assistir a vídeos sem distrair o motorista. A má notícia é que a legislação brasileira não permite a reprodução de vídeos com o carro em movimento, mesmo com esse recurso na tela. Portanto, filmes e séries só podem ser assistidos com o Koleos parado. A qualidade dos materiais e do acabamento é superior. Por outro lado, a combinação de telas e revestimentos em preto brilhante acumula muitas marcas de dedo. A iluminação ambiente colore os painéis das portas e harmoniza com as costuras azuis e vermelhas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Comparado ao interior do Song Plus 2027, por exemplo, o Koleos integra melhor os elementos ao painel. A gigante tela flutuante do BYD rouba o protagonismo. A Renault transmite sensação de tecnologia sem recorrer a telas giratórias ou botões chamativos. O teto panorâmico reforça o ambiente sofisticado. Resta saber se o cliente brasileiro prefere a ousadia de alguns modelos ou a proposta mais discreta do Koleos. Banco traseiro generoso É de se imaginar que quem busca um veículo desse porte não quer passar aperto no banco traseiro. A plataforma CMA, também usada por Volvo e Geely, garante 2,82 m de entre-eixos e posiciona a bateria de forma compacta no centro do carro. O resultado é um assoalho praticamente plano e bom espaço para joelhos, ombros e cabeça. Além do espaço generoso, os ocupantes do banco traseiro contam com saídas de ar-condicionado com ajuste próprio de temperatura e bancos aquecidos, algo raro na segunda fileira. Também é possível reclinar o encosto, o que torna a viagem mais confortável. Bancos traseiros do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Equipamentos e preço para brigar O Koleos será vendido no Brasil em versão única, sem opcionais. A lista inclui rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado, pacote visual Esprit Alpine, bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, carregador de celular por indução, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, head-up display e outros itens de conforto. No lançamento, a Renault afirmou que o Koleos poderá ser comprado em qualquer um dos mais de 250 pontos de venda da marca. A empresa não confirmou preço, prazo de garantia, planos de manutenção nem expectativa de vendas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação O g1 apurou que a Renault considera como principais concorrentes do Koleos o BYD Song Plus e, nas versões mais completas, o GWM Haval H6. A lista também inclui Volkswagen Tiguan, Chevrolet Equinox e Jeep Commander. Com esses concorrentes na mira e o pacote de equipamentos oferecido, é possível estimar um preço próximo de R$ 260 mil. A confirmação dos valores e de informações como a garantia será feita no dia 1º de abril. “Não vamos brigar por volume de vendas, mas para ser referência no segmento”, explica Guilherme Ruibal, gerente de produto da Renault. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação São 29 sistemas de assistência ao motorista O Renault Koleos consegue fazer manobras de estacionamento de forma autônoma; o motorista não precisa nem acelerar. Há também condução semiautônoma de nível 2. Em vias rápidas, o SUV mantém velocidade e distância do veículo à frente de forma adaptativa. Ele identifica a faixa de rolamento e mantém o carro centralizado. O SUV conta com frenagem automática e assistente de manobras evasivas. Nesse caso, o sistema identifica quando a força aplicada pelo motorista pode não ser suficiente para evitar uma colisão e adiciona mais assistência à direção. Há câmera 360 graus, farol alto automático, limitador de velocidade, assistente de partida em rampa, alerta de distância segura do veículo à frente, alerta de colisão com frenagem automática inclusive em curvas, alerta de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta e frenagem para tráfego cruzado traseiro e frontal, aviso para saída segura dos ocupantes, alerta de colisão traseira, entre outros recursos. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Concorrentes plugáveis O motor 1.5 turbo com injeção direta do Koleos é movido apenas a gasolina e gera 144 cv, com torque de 23,4 kgfm. Os dois motores elétricos, acoplados à transmissão de três marchas, entregam juntos 136 cv e 32,6 kgfm de torque. A potência combinada chega a 245 cv. Os dados oficiais da Renault indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. Segundo o Inmetro, o consumo é de 13,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada — números que não impressionam para um híbrido. O g1 já experimentou o Koleos pelas ruas de São Paulo, mas as impressões de como o modelo se comporta ao volante só podem ser compartilhadas mais para frente. Motor 1.5 turbo do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Já é possível comparar o Renault com alguns dos modelos apontados como concorrentes. O BYD Song Plus acaba de ser atualizado, custa R$ 249.990 e entrega 239 cv. Além disso, a bateria de 26,3 kWh do modelo chinês permite rodar até 99 km no modo elétrico, sem acionar o motor a combustão. O GWM Haval H6 PHEV19 é vendido por R$ 249 mil e tem mais força. A potência combinada do motor 1.5 turbo com o elétrico chega a 326 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,6 segundos, mais rápida que a do Koleos. Já deu para perceber que a concorrência é pesada, tanto em preço quanto em números de desempenho. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Motor a combustão: 1.5 turbo, quatro cilindros em linha, gasolina Potência: 144 cavalos Torque: 23,4 kgfm Motores elétricos: 2 Potência: 136 cavalos Torque: 32,6 kgfm Bateria: Íon de lítio Capacidade da bateria: 1,64 kWh Tanque de combustível: 55 litros Câmbio: 3 marchas Tração: Dianteira Suspensão: McPherson (dianteira), multibraços (traseira) Direção: Elétrica Freios: Discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira) Consumo gasolina: 13,1 km/l (cidade) e 12,1 km/l (estrada) 0 a 100 km/h: 8,3 segundos Velocidade máxima: 180 km/h Comprimento: 4,78 m Largura: 1,88 m Altura: 1,68 m (com as barras do teto) Entre-eixos: 2,82 m Peso: 1.804 kg

Nestlé denuncia roubo de carga com 12 toneladas barras de KitKat na Europa REUTERS/Hannah McKay/Foto ilustrativa/Foto de arquivo A Nestlé lançou uma plataforma para rastrear unidades do chocolate KitKat após o roubo de uma carga de 12 toneladas do produto na Europa no último mês de março. A ferramenta, chamada “rastreador de KitKat roubado”, permite que o usuário insira o código do lote para verificar se a unidade pertence à carga desviada. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em seu perfil na rede social X, a Nestlé pediu que os usuários ajudassem a empresa a encontrar os chocolates roubados. "Obrigado pelo seu interesse nos KitKats desaparecidos. Apenas para esclarecer, isso não é uma ação de marketing nem uma piada de 1º de abril." ""Alguém realmente roubou 12 toneladas de KitKat. E nós realmente queremos saber para onde eles foram. Por isso, criamos o Rastreador de KitKat Roubado, que permite verificar se o seu KitKat faz parte do lote desaparecido." Initial plugin text Abastecimento não foi afetado, diz empresa Em nota divulgada no domingo (29), a KitKat confirmou que a carga foi roubada no deslocamento entre a fábrica no centro da Itália e o destino final, na Polônia. A empresa também afirmou que o abastecimento não será afetado e disse estar trabalhando de perto com as autoridades locais para auxiliar na investigação. "A boa notícia: não há preocupações para a segurança do consumidor e o abastecimento não foi afetado", afirmam. O caso aconteceu pouco tempo antes da Páscoa, o que gerou certa apreensão sobre a possibilidade de escassez justamente nessa data. (relembre abaixo) Roubo de 12 toneladas A carga de 12 toneladas de KitKat desapareceu na semana passada durante o trajeto até centros de produção e distribuição, informou a empresa. A Nestlé informou que “um caminhão que transportava 413.793 unidades da nova linha de chocolates foi roubado durante o transporte na Europa”. "Sempre incentivamos as pessoas a fazerem uma pausa com o KitKat", comentou um porta-voz da marca, citando o slogan da barra de chocolate. "Mas parece que os ladrões levaram a mensagem muito a sério e roubaram mais de 12 toneladas do nosso chocolate", acrescentou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O caminhão roubado saiu do centro da Itália e seguia para a Polônia, com a missão de distribuir as barras em vários países ao longo do trajeto. A empresa não informou onde a mercadoria desapareceu, mas indicou que "o veículo e seu conteúdo continuam desaparecidos". "As investigações prosseguem em estreita colaboração com as autoridades locais e os parceiros da cadeia de suprimentos", acrescentou. Também advertiu que as barras de chocolate roubadas "podem entrar em canais de venda não oficiais nos mercados europeus". A Nestlé destacou que é possível rastrear os produtos roubados escaneando os códigos de lote de cada barra. "Se uma correspondência for localizada, o sistema apresentará instruções claras sobre como alertar a KitKat, que então compartilhará as provas de maneira adequada", indicou.

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A Petrobras elevou em mais de 50% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras em abril. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Os reajustes variam entre 53% e 56% em todas as modalidades de venda e nas bases da Petrobras. Em paralelo, a estatal anunciou um mecanismo de parcelamento para suavizar os efeitos da alta do querosene de aviação. (leia mais abaixo) 🔎 A Petrobras adota diferentes modalidades de venda para as distribuidoras, cada uma com um preço. A principal é a LPA (Livre para Armazém), que corresponde à entrega em terminais de distribuição. Também se destaca a ETM (Entrega no Tanque Marítimo), usada em regiões abastecidas por navio. Veja abaixo a lista completa. Norte/Nordeste Belém (PA) – ETM: +54,9% São Luís (MA) – ETM: +55,9% Fortaleza (CE) – ETM: +55,0% Ipojuca (PE) – ETM: +54,7% Ipojuca (PE) – LPA: +55,7% Sudeste Betim (MG) – LPA: +54,3% Betim (MG) – LPT: +54,5% Duque de Caxias (RJ) – LPA: +55,2% Paulínia (SP) – EXA: +55,4% Paulínia (SP) – LPA: +55,4% Guarulhos (SP) – EXA: +55,2% Guarulhos (SP) – LPA: +55,2% Guarulhos (SP) – LCT: +55,2% Sul Araucária (PR) – EXA: +55,1% Araucária (PR) – LPA: +55,1% Canoas (RS) – EXA: +54,4% Canoas (RS) – LPA: +53,4% O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. No Brasil, ele representa mais de 30% das despesas operacionais do setor. A Petrobras, maior produtora de petróleo do país, responde pela maior parte do refino e pela oferta desse combustível no mercado nacional. Procurada pelo g1, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou que o reajuste no QAV deve gerar "consequências severas" para o setor. Embora tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores. O reajuste da Petrobras ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 1,80%, a US$ 102,10. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97. Em março, o reajuste havia sido de 9,4%, também refletindo os preços do barril de petróleo no mercado internacional neste ano. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em comunicado, a Petrobras anunciou uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", informou a Petrobras. Tarifas mais altas O aumento do combustível, associado à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, as empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras. Nesta semana, o Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, havia antecipado que a Petrobras elevaria os preços do querosene de aviação em cerca de 55%. O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o aumento anunciado pela Petrobras para abril seria “moderado” em comparação com a alta observada no mercado internacional. Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com as variações de custos ao longo do tempo. Ainda assim, o executivo afirmou, em conferência com analistas, que a empresa pode precisar elevar os preços das passagens sempre que o combustível subir. Irarrazaval declarou ainda que um acréscimo de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma elevação de cerca de 10% nas tarifas. A Azul informou na semana passada que já elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas. A companhia também anunciou que pretende limitar o crescimento da operação para lidar com a alta do combustível. Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP. Ricardo Stuckert/PR O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (1) não querer impor "na marra" subsídio aos estados para baratear o preço do diesel. Ele reforçou que insistirá em um acordo com governadores. Lula acrescentou que diante de aumentos abusivos, mesmo com fiscalizações ocorrendo, será preciso "colocar alguém na cadeia". Mencionou também que as medidas tomadas pelo seu governo para conter o preço dos combustíveis não têm "nada a ver" com as tomadas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro para a mesma finalidade. "Não vamos comparar com a política do Bolsonaro, porque não tem nada a ver, até porque a situação é totalmente diferente. Nós temos uma guerra. Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã. Alegando o quê? Que no Irã tinha arma nuclear. Mentira. Eu digo porque eu fui, em 2010, ao Irã fazer um acordo — e fizemos o acordo — e depois os EUA não aceitaram, nem a União Europeia", afirmou. Lula frisou que a decisão de zerar a cobrança de impostos federais sobre o diesel — anunciada em 12 de março por ele — tem como pano de fundo o cenário de tensão no Oriente Médio. O momento, no entanto, também é de corrida eleitoral, já que Lula tentará a reeleição neste ano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Redução do ICMS X subvenção a importadores O presidente citou a tentativa frustrada de acordo com governadores em torno da redução do ICMS — imposto estadual que incide no preço final dos combustíveis. Inicialmente, o governo propôs que os estados reduzissem a cobrança do imposto, algo que não foi aceito pelos estados. Agora, as tratativas são por uma subvenção, ou seja, um apoio financeiro a importadores de diesel. 🔎A subvenção será dada por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de cada unidade da federação. Pelo menos 20 estados já chegaram a um acordo com o governo federal para conceder esse apoio financeiro à importação de diesel, na tentativa de conter a alta dos preços do combustível no país. A expectativa do Executivo, contudo, é que a ampla participação aumente a efetividade da medida no controle dos preços. Segundo Lula, essas negociações com os estados não podem acontecer "na marra", mas, sim, com acordo. "O que estou fazendo neste instante, por conta da guerra: o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, e está faltando óleo diesel. O Brasil importa 30% do óleo diesel e produz 70%, e o preço está aumentando no mundo inteiro. Tomamos a atitude de isentar PIS e Cofins [impostos federais], equivalente a 32 centavos no preço do óleo diesel, para a Petrobras não precisar aumentar. E fizemos isenção para os governadores não precisarem aumentar também", disse Lula. “Agora mesmo, propusemos aos governadores um acordo para que eles reduzam o ICMS, e o governo paga metade e eles a outra metade — tudo isso com acordo [medida que não foi aceita pelos governadores]. Não queremos fazer na marra. Queremos fazer o acordo, e isso vai acontecer. Vamos continuar fazendo todo o esforço", emendou. 'Colocar na cadeia' O presidente afirmou que há casos de pessoas e empresas que estariam recebendo o benefício para não reajustar os preços do diesel, mas que, mesmo assim, estariam aumentando os valores. Segundo Lula, a Polícia Federal e os órgãos de defesa do consumidor dos estados estão fiscalizando a situação. Ponderou, entretanto, que se houver irregularidades, os responsáveis poderão ser punidos. "O que acontece é que, como você tem gente de mau caráter neste país, tem gente que está recebendo para não aumentar e está aumentando. Então, nós estamos com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, tudo fiscalizando, porque vamos ter que colocar alguém na cadeia", justificou Lula. As declarações foram feitas durante entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará. Medidas adotadas por Bolsonaro Antes da eleição presidencial de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro lançou mão de uma série de medidas para tentar conter a alta dos combustíveis, em meio à pressão inflacionária provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia e ao desgaste político do governo. As ações envolveram principalmente corte de tributos federais e mudanças no ICMS, imposto estadual. Em março de 2022, o governo federal zerou as alíquotas de Pis e Cofins sobre o óleo diesel, com custo fiscal bancado pela União, como forma de aliviar o preço do combustível mais sensível para o transporte de cargas e para a inflação. Poucos meses depois, em junho de 2022, Bolsonaro sancionou a lei que limitou a cobrança do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações, ao classificá-los como bens essenciais. Com a medida, os estados ficaram proibidos de aplicar alíquotas acima do patamar geral, que variava entre 17% e 18%. Governadores estimaram perdas bilionárias de arrecadação e criticaram a falta de compensação integral. À época, o pacote foi interpretado como uma tentativa do governo de reduzir o impacto da inflação sobre o eleitorado no ano eleitoral, especialmente diante da escalada dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,43% nesta quarta-feira (1º), cotado a R$ 5,1566. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,26%, aos 187.953 pontos. Sinais de uma possível redução das tensões na guerra no Oriente Médio aumentaram o otimismo dos investidores, com impacto positivo nos mercados. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito com o Irã pode chegar ao fim em duas a três semanas, mesmo sem um acordo formal com Teerã. O republicano também disse, na terça-feira, que o país deixará o território persa “muito em breve”. 🔎 Com a possibilidade de redução dos conflitos, os preços do petróleo recuam no mercado internacional. Por volta das 17h (horário de Brasília), os contratos do barril do Brent para junho caíam 2,90%, a US$ 100,95. ▶️ No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo fará esforços para evitar uma alta no preço do diesel, combustível que influencia o custo dos alimentos. Ele também disse que a guerra no Irã não pode prejudicar os brasileiros. ▶️ Entre as medidas, o governo federal e os estados anunciaram uma subvenção a importadores. O incentivo será de R$ 1,20 por litro, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,62%; Acumulado do mês: -0,43%; Acumulado do ano: -6,05%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +3,52%; Acumulado do mês: +0,26%; Acumulado do ano: +16,65%. Trump sinaliza saída da guerra no Irã O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que a participação americana no conflito pode terminar em breve. Na terça-feira (31), ele afirmou que os EUA devem deixar o Irã “muito em breve” e disse que Teerã não precisa necessariamente assinar um acordo formal para que os ataques sejam interrompidos. Uma reportagem publicada na segunda-feira (30) pelo "The Wall Street Journa", citando fontes do governo americano, afirmou que Trump teria dito a assessores que está disposto a encerrar a guerra mesmo que o Estreito de Ormuz continue fechado. Segundo o jornal, o presidente e seus conselheiros avaliam que uma operação militar para reabrir completamente a rota marítima poderia prolongar o conflito além do prazo de seis semanas prometido por Trump. A estratégia discutida pelo governo seria concentrar os ataques em alvos militares considerados centrais, como a marinha iraniana e a capacidade de lançamento de mísseis do país. Depois dessa fase, os ataques seriam reduzidos, em uma tentativa de pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. As declarações do presidente também vieram acompanhadas de críticas a aliados dos EUA. Trump afirmou que outros países deveriam “buscar seu próprio petróleo” e reclamou da falta de maior envolvimento desses governos no esforço militar. Ele também voltou a ameaçar reduzir o apoio militar a aliados europeus, citando especialmente o Reino Unido. Segundo Trump, o governo britânico poderia ter de lidar sozinho com eventuais confrontos no Estreito de Ormuz — embora o país não tenha participado diretamente da guerra. O presidente ainda sugeriu que países europeus passem a comprar petróleo dos EUA, afirmando que o país “tem bastante”. Os efeitos do conflito também começam a aparecer em alguns mercados. Nos EUA, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão na terça-feira, o nível mais alto desde 2022. O aumento dos combustíveis pode trazer pressão adicional para a economia americana em um ano de eleições para o Congresso. Mercados globais Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta. O Dow Jones subiu 0,48%, aos 46.565,86 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,69%, aos 6.573,89 pontos, e o Nasdaq teve ganhos de 1,16%, aos 21.840,95 pontos. Na Europa, as bolsas fecharam com ganhos generalizados. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 2,41%, aos 597,19 pontos. Entre os principais mercados, o FTSE 100, de Londres, avançou 1,85%, aos 10.364,79; o DAX, de Frankfurt, teve alta de 2,73%, aos 23.298,89; e o CAC 40, de Paris, ganhou 2,10%, aos 7.981,27. Na Ásia, os mercados fecharam em alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 2,2%, para 25.339,45 pontos, enquanto o índice composto de Xangai terminou o dia com alta de 1,5%, aos 3.948,55 pontos. Já o Nikkei, de Tóquio, subiu 5,2%, para 53.739,68 pontos. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik

Parte do custo de diesel importado passa a ser pago pelo governo O governo federal e pelo menos 21 estados chegaram a um acordo para conceder apoio financeiro à importação de diesel, em uma tentativa de conter a alta dos preços do combustível no país. A medida surge em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Como o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o cenário externo tem impacto direto nos preços internos e no custo de vida da população. Diante disso, União e governos estaduais decidiram atuar de forma conjunta para reduzir esse efeito no curto prazo e garantir maior estabilidade no fornecimento. Veja abaixo os principais pontos do acordo: O que foi decidido? Qual será o valor do subsídio? Quem terá direito ao benefício? Qual é o objetivo da medida? Por quanto tempo o subsídio vai valer? Os estados são obrigados a participar? Como será a participação dos estados? Por que o governo não reduziu impostos diretamente? Essa medida substitui outras ações já anunciadas? Por que o diesel está subindo? Qual é o impacto disso para a população? O acordo já está valendo? 1. O que foi decidido? O governo federal e os estados apresentaram uma proposta conjunta para criar uma subvenção — ou seja, um apoio financeiro — ao diesel importado. A medida foi proposta pelo governo federal e discutida na última sexta-feira com os secretários de Fazenda dos estados. Na prática, o poder público passa a arcar com parte do custo do combustível importado, tentando evitar repasses mais intensos ao consumidor final. 2. Qual será o valor do subsídio? A proposta estabelece uma subvenção total de R$ 1,20 por litro de diesel importado. Esse valor será dividido igualmente: R$ 0,60 pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados. Somado ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52. A divisão busca repartir o custo da medida e facilitar a adesão dos governos estaduais, reduzindo a pressão sobre apenas um nível de governo. Pelo lado dos estados, o subsídio será feito por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O fundo é usado pelo governo federal para repassar recursos mensalmente aos governos estaduais. Agora, parte desse dinheiro será retido, em valor equivalente a R$ 0,60 por litro, que cada estado vai contribuir. O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 3. Quem terá direito ao benefício? O benefício será direcionado aos importadores de diesel, empresas responsáveis por trazer o combustível do exterior para complementar a oferta no país. Como o Brasil ainda depende da importação para atender cerca de 30% da demanda interna, o apoio busca garantir que essas operações continuem ocorrendo mesmo em um cenário de preços elevados no mercado internacional. 4. Qual é o objetivo da medida? O principal objetivo é garantir a previsibilidade e a segurança no abastecimento de diesel no país, além de conter a pressão de alta nos preços. Com o aumento do petróleo no mercado internacional, o custo do diesel sobe rapidamente, o que pode gerar risco de desabastecimento ou aumentos mais bruscos. A subvenção tenta suavizar esse impacto e dar mais estabilidade ao mercado no curto prazo. 5. Por quanto tempo o subsídio vai valer? A medida terá caráter temporário e deve vigorar por até dois meses. O prazo limitado foi definido para evitar que a política se torne permanente e gere um impacto duradouro nas contas públicas. A ideia é atuar apenas durante o período mais crítico da alta de preços, preservando o caráter emergencial da ação. 6. Os estados são obrigados a participar? Não. A adesão à proposta é voluntária, o que significa que cada estado pode decidir se participa ou não do programa. Apesar disso, a maioria já sinalizou apoio. Levantamento do g1 mostra que pelo menos 21 estados indicaram adesão à proposta. A expectativa do governo é que a ampla participação aumente a efetividade da medida no controle dos preços. 7. Como será a participação dos estados? A contribuição dos estados será proporcional ao volume de diesel consumido em cada unidade da federação. Ou seja, estados com maior consumo tendem a arcar com uma parcela maior do custo. Além disso, ficou definido que as cotas dos estados que optarem por não participar não serão redistribuídas entre os demais, preservando o caráter voluntário do acordo. 8. Por que o governo não reduziu impostos diretamente? Uma proposta inicial previa zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel, com compensação parcial da União pelas perdas de arrecadação dos estados. No entanto, a ideia enfrentou resistência, já que os governos estaduais argumentaram que ainda se recuperam de perdas anteriores e que a redução do imposto poderia afetar o financiamento de serviços públicos. Diante disso, a alternativa encontrada foi o subsídio direto, considerado mais viável politicamente. 9. Essa medida substitui outras ações já anunciadas? Não. A subvenção se soma a outras iniciativas já adotadas pelo governo federal para conter a alta do diesel. Entre elas estão a isenção de tributos federais, como PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), e um subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32. O conjunto de medidas busca reduzir o impacto acumulado da alta internacional do petróleo sobre os preços internos. 10. Por que o diesel está subindo? A alta do diesel está diretamente ligada ao aumento do preço do petróleo no mercado internacional. Esse movimento foi intensificado por tensões e conflitos no Oriente Médio, que afetaram rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz. Com menos oferta ou maior risco logístico, os preços sobem, e esse aumento acaba sendo repassado para combustíveis como o diesel. 11. Qual é o impacto disso para a população? O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando seu preço sobe, há um efeito em cadeia na economia. O custo maior do frete tende a ser repassado para alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação. A medida busca justamente reduzir esse impacto, evitando aumentos mais fortes no custo de vida. 12. O acordo já está valendo? Ainda não. A proposta precisa ser formalizada por meio de uma medida provisória (MP), que deve detalhar as regras de funcionamento do programa. Só após essa etapa a subvenção poderá começar a ser aplicada na prática. Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025 Divulgação/SpaceX A SpaceX está trabalhando com pelo menos 21 bancos em sua aguardada oferta pública inicial, disseram fontes familiarizadas com o assunto na terça-feira (31), formando um dos maiores grupos de subscrição dos últimos anos. A listagem, cujo codinome interno é Projeto Apex, deve ser uma das estreias mais acompanhadas do mercado de ações em Wall Street. A expectativa é que a oferta pública, prevista para junho, avalie a empresa de foguetes controlada pelo fundador e presidente-executivo Elon Musk em US$ 1,75 trilhão. Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup atuam como coordenadores principais da oferta — ou seja, são os bancos responsáveis por liderar a operação —, segundo as fontes, que pediram anonimato porque o processo não é público. Outros 16 bancos participam com funções menores, acrescentaram. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cerca de metade dos bancos envolvidos ainda não havia sido divulgada. O tamanho do grupo destaca a dimensão e a complexidade da oferta planejada. Os bancos, além dos bookrunners ativos, incluem: Allen & Co Barclays BTG Pactual do Brasil Deutsche Bank ING Groep, da Holanda Macquarie Mizuho Needham & Co Raymond James Royal Bank of Canada Société Générale Banco Santander Stifel UBS Wells Fargo William Blair Espera-se que os bancos atuem junto a investidores institucionais, clientes de alta renda e varejo, além de operarem em diferentes regiões geográficas, informou a Reuters anteriormente. O plano pode sofrer alterações, e outros bancos ainda podem ser incluídos, segundo as fontes. A SpaceX, sediada no Texas, não respondeu imediatamente ao pedido de comentário. Bank of America, Barclays, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan, Mizuho, Santander e Wells Fargo não quiseram comentar. Os demais bancos também não responderam aos pedidos. Nos últimos anos, grandes consórcios em ofertas públicas iniciais tornaram-se mais comuns em operações de grande porte. A fabricante de chips ARM Holdings trabalhou com cerca de 30 bancos em sua listagem de 2023, enquanto o Alibaba Group reuniu um grupo de tamanho semelhante de instituições para sua estreia recorde em 2014.

Como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais O WhatsApp parou de funcionar. Instagram e Facebook também. Já o Telegram, principal meio de comunicação da Rússia, com cerca de 100 milhões de usuários, vem sofrendo bloqueios contínuos – e a expectativa de que seja desligado nos próximos dias tem gerado raras reações públicas no país, que caminha para se isolar do mundo também digitalmente. O cerco do governo de Vladimir Putinao uso livre da internet vem se intensificando desde a invasão da Ucrânia. Em todo o país, inclusive em grandes metrópoles como Moscou e São Petersburgo, os apagões digitais são constantes. Sites considerados "pouco confiáveis" pelo regime são proibidos. Serviços básicos, como chamar um táxi, fazer pagamentos ou ligações costumam ficar indisponíveis de uma hora para a outra. A busca por alternativas chegou até mesmo a impulsionar venda de walkie-talkies, telefones fixos, pagers, mapas impressos e antigos tocadores de MP3. Nesta semana, o Kremlin passou a mirar VPNs, redes privadas virtuais utilizadas pelos usuários para contornar a censura digital do regime. "A meta é reduzir o uso", afirmou nessa segunda-feira (30/03) o ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, no MAX, aplicativo de mensagens desenvolvido pela Agência Russa de Telecomunicações, a Roskomnadzor, e propagandeado pelo regime da Rússia como "seguro". 'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais Segundo Shadayev, as medidas destinam-se a "restringir o acesso a uma série de plataformas estrangeiras", as quais, supostamente, não respeitam a legislação russa em termos de segurança e luta contra o terrorismo. Até meados de janeiro, a Rússia havia bloqueado mais de 400 VPNs, 70% a mais do que no final do ano passado, diz o jornal Kommersant. Isso não impede que novas softwares do tipo surjam para substituir os antigos. A pressão, no entanto, levou a gigante Apple a retirar, da plataforma App Store, as VPNs que possibilitavam o acesso a sites censurados pelo regime de Putin. Já os apagões na internet móvel pelo país, ainda não sistemáticos devido à dificuldade de execução devido à rede descentralizada, podem também entrar definitivamente na agenda. "De acordo com nossas previsões, os bloqueios em Moscou passarão a ser mais ou menos rotineiros", afirmaram especialistas da desenvolvedora Amnezia, citados pelo jornal britânico The Guardian. Segundo eles, no entanto, as autoridades têm a tecnologia para impor um apagão digital simultâneo em todo o país. "Observamos bloqueios semelhantes no Irãe podemos tirar conclusões sobre como isso poderia ser implementado na Rússia", afirmaram os analistas. Max, aplicativo promovido pelo governo da Rússia Reprodução/Max Telegram: o último aplicativo Em meio à dificuldade cada vez maior para acessar ferramentas de outros países, os russos aguardam o próximo golpe no último reduto de internet livre do país: o Telegram, cujo bloqueio total poderia ocorrer já nesta quarta-feira (01/04), como noticiado por alguns meios de comunicação do país – embora as autoridades possam reverter a decisão ou adiá-la para depois das eleições parlamentares de setembro. No mesmo comunicado sobre VPNs, o ministro da Digitalização adiantou, em relação ao Telegram, que houve tentativas "em vão" de chegar a um acordo para impor custos extra caso o tráfego de dados internacionais mensal ultrapassasse 15 gigabytes. Após a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia colocou em prática as leis mais repressivas vistas desde a era soviética, ordenando a censura e reforçando a influência do Serviço Federal de Segurança, órgão de vigilância sucessor da KGB. Naquele ano, a Meta, dona de Facebook e Instagram, foi oficialmente considerada "terrorista" no país, o que derrubou o acesso às redes sociais de Mark Zuckerberg. Mas, nos últimos meses, o Kremlin foi além: bloqueou o WhatsApp, reduziu a velocidade do Telegram e interrompeu repetidamente o acesso à internet móvel em Moscou e em outras cidades e regiões. Desenvolvido pelo russo Pavel Durov, hoje radicado nos Emirados Árabes, o Telegram se tornou um dos principais meios de comunicação utilizados no país. Há anos, vem sendo usado, por exemplo, por soldados em ação na Ucrânia para a comunicação com as famílias e por prefeituras de cidades russas próximas à zona de conflito para alertar a população sobre ataques aéreos. "É um retrocesso de 100 anos. É melhor que eles comecem logo a usar correspondência em papel, telégrafos e cavalos. É esse o tipo de civilização que eles têm. Talvez até o Putin goste disso. Talvez seja assim que ele se sinta jovem de novo", ironizou, no X, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. A justificativa do Kremlin é que as restrições à internet móvel são necessárias para combater os drones ucranianos. Mas o descontentamento com a medida vem levando a manifestações críticas de figuras até então alinhadas com o regime de Putin, como o governador de Belgorod, região na fronteira com a Ucrânia, que afirmou que as interrupções estavam causando "mortes desnecessárias" em meio ao conflito. De acordo com o jornal The New York Times, vídeos que circulam online mostram soldados russos do front, mascarados para dificultar a identificação, dizendo que o aplicativo de mensagens é crucial para as operações e pedindo que o Kremlin recue da decisão. As repercussões também chegaram à câmara baixa do Parlamento em Moscou, raramente crítico ao governo, que colocou em votação um requisito para que o Kremlin justificasse o bloqueio do Telegram. A proposta foi rejeitada, com 102 votos contrários – mas os 77 favoráveis expuseram o desconforto com a medida. Cerca de 25 pedidos de "autorizações para concentrações" de manifestantes contra as restrições ao Telegram também foram negados pelas autoridades na semana passada, o que não impediu a prisão de 12 pessoas, nesse domingo (29/03), em um protesto em Moscou em favor da liberdade de expressão. Por que a Rússia tentou 'bloquear completamente' WhatsApp no país Como Irã causou apagão da internet no país em janeiro

Torcedor da Finlândia em jogo de tênis na cidade espanhola de Málaga, em 2024 Clive Brunskill/Getty Images for ITF Se todos os brasileiros que vivem na Finlândia se reunissem, não encheriam uma única arquibancada de um estádio de futebol — são, afinal, 2.611 pessoas, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Mas, daqui a alguns anos, talvez lotem um estádio inteiro. O governo finlandês diz que as empresas do país planejam contratar 140 mil trabalhadores até 2035 para a área de tecnologia, e os brasileiros estão entre os principais alvos dessas vagas, ao lado de indianos e vietnamitas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para isso, a Finlândia pretende agilizar a concessão de vistos, reduzindo o prazo de emissão para até duas semanas, caso o estrangeiro tenha uma proposta de trabalho, e negocia com o Brasil um acordo bilateral de previdência social. Na prática, isso permitiria que os brasileiros que trabalharem na Finlândia, que lidera o ranking dos países mais felizes do mundo, mantenham o direito à aposentadoria no Brasil caso decidam retornar. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Por que a Finlândia busca brasileiros A expectativa de preencher 140 mil vagas, com brasileiros entre os profissionais visados, se ancora em duas mudanças profundas no mercado de trabalho finlandês. A primeira é o crescimento do setor de tecnologia no país, com o surgimento de startups ligadas a pesquisadores recém-formados e também de empresas que buscam uma alternativa ao alto custo de operação em outras partes da Europa. A segunda é a dificuldade de contratar e manter trabalhadores da Rússia e da Ucrânia, que eram parte importante da mão de obra estrangeira na Finlândia, em razão da guerra que já dura quatro anos e não tem previsão de término. Quem diz isso é Laura Lindemann, diretora do Work in Finland, órgão governamental voltado à promoção do mercado finlandês e à atração de estrangeiros, ao explicar por que os brasileiros passaram a ser buscados. "Avaliamos diferentes países sob a perspectiva das empresas finlandesas e da internacionalização — onde elas estão, para onde exportam ou querem exportar — e também onde há grande oferta de profissionais", afirma Lindemann. "Também foi considerado o fato de a Finlândia já estar presente no país, com escritório da Business Finland, uma embaixada, ou seja, não é preciso começar tudo do zero. As conexões entre Finlândia e Brasil já existem." Biblioteca Central de Helsinque Oodi, em Helsinque, capital da Finlândia Kimmo Brandt/EPA/Shutterstock Mas há ainda um terceiro fator — e, talvez, o mais importante: a Finlândia depende da imigração para evitar o encolhimento populacional, afirma a executiva, amparando-se em dados do Statistics Finland, órgão que tem como seu equivalente no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Hoje, nove em cada dez municípios finlandeses registram mais mortes do que nascimentos. "A Finlândia está envelhecendo, e não pode haver um gargalo para o crescimento do país por falta de talentos", diz Lindemann. "Estimamos que, nos próximos anos, 1 milhão de finlandeses vão se aposentar. É um número enorme para um país com pouco menos de 6 milhões de habitantes." Auroras boreais em Rovaniemi, na Lapônia, um dos maiores atrativos turísticos da Finlândia Alexander Kuznetsov/Handout via Reuters As áreas e perfis mais buscados Atualmente, há quase 800 vagas abertas, segundo o Work in Finland. A instituição reúne grande parte das oportunidades em seu portal, mas há posições oferecidas apenas nos sites das empresas — por isso, os interessados devem ampliar a busca. As oportunidades envolvem formações em diversos campos, segundo Lindemann. "Todas as áreas das ciências naturais são necessárias — matemática, física, química —, porque são importantes para o setor de deep tech, que concentra os novos negócios na Finlândia." "Deep tech significa que há pesquisa e, a partir dela, surgem inovações que são comercializadas. Inteligência artificial, computação quântica, semicondutores, microchips, tecnologia voltada à saúde — estamos falando desse campo", diz a executiva. "Empresas como a IQM, a Bluefors e a SemiQon trabalham com isso e estão se expandindo rapidamente." É preciso, portanto, ter interesse em pesquisa. No país, aliás, pesquisadores que estão fazendo um doutorado são tratados como profissionais e, em sua maioria, são funcionários das universidades. "Nossas universidades e empresas trabalham muito próximas, e o setor público também atua bastante com elas, financiando a pesquisa e o desenvolvimento desses ecossistemas", diz Lindemann. Ela acrescenta que o setor de desenvolvimento de software, embora também seja valorizado, está em profunda transformação por causa do avanço da inteligência artificial. "Então, nesta área, não basta ter apenas habilidades básicas. É preciso ter algo a mais." Licença-paternidade ampliada: veja o que muda Todas as posições requerem domínio do inglês. Para obter um visto de trabalho, não há exigência de um nível mínimo padronizado de proficiência, como ocorre no Reino Unido, por exemplo. Mas é preciso saber se comunicar com fluidez. Lindemann diz que o finlandês e o sueco — línguas oficiais do país, a depender da região — são diferenciais importantes, mas não obrigatórios. Espera-se, contudo, que o profissional tenha interesse em aprender ao menos o finlandês após se mudar, principalmente se tiver interesse em assumir posições de liderança no futuro. Mão de obra em falta, desemprego alto Lindemann pontua que a Finlândia enfrenta uma taxa de desemprego de quase 11%, bem mais alta do que a do Brasil, por exemplo. Mas afirma que trabalhadores estrangeiros, com competências diferentes das disponíveis localmente, podem ajudar o país a superar esses desafios. "Especialmente em uma situação como esta, de alto desemprego, precisamos de crescimento — e é por isso que precisamos dos melhores talentos para gerá-lo", diz a executiva. Ela acrescenta que muitas das pessoas hoje sem trabalho não podem ser contratadas para as vagas abertas porque não atendem aos requisitos. Com o envelhecimento da população, muitos não têm formação em áreas mais contemporâneas, como computação quântica, hoje entre as mais aquecidas no país. "Os empregadores precisam primeiro verificar se há talentos disponíveis na Finlândia ou na União Europeia. Somente se não encontrarem ninguém é que podem contratar fora", diz Lindemann. "Mas, quando se trata de pesquisadores, não há esse tipo de restrição, porque essas empresas dependem essencialmente de talentos internacionais. Elas precisam dos melhores do mundo em suas áreas." Os benefícios de trabalhar na Finlândia A Finlândia não espera que os brasileiros deixem seu país sem dar nada em troca, diz a diretora do Work in Finland. Lindemann lista algumas diferenças entre os dois países no que diz respeito ao mercado de trabalho, que, em sua avaliação, proporcionam um equilíbrio mais saudável entre vida pessoal e profissional. A começar pela jornada de trabalho, em geral de 37,5 horas semanais, contra as 44 do Brasil. Há ainda de 25 a 30 dias úteis de férias, e não 30 dias corridos — o que, na prática, significa mais descanso. Mas talvez a maior diferença esteja na licença parental. Para as mães, é de cerca de dez meses e meio, contra quatro meses no Brasil; para os pais, são cerca de cinco meses, ante os atuais cinco dias úteis no Brasil (recentemente ampliados para 10 dias a partir do próximo ano e progressivamente ampliados até chegar a 20 dias a partir de 2029). Por que a Finlândia é o país mais feliz do mundo Não é raro ver um brasileiro se surpreender ao descobrir que a Finlândia está no topo do ranking dos países mais felizes do mundo, enquanto o Brasil, tão associado à alegria, hoje ocupa a 32ª posição. É importante, diz a diretora do Work in Finland, saber o que esperar do país antes de decidir se mudar para lá. O país europeu onde vagas sobram e profissionais faltam Trata-se de um lugar frio, onde as temperaturas podem chegar a -20°C, e, no inverno, a noite pode durar quase o dia todo. Isso acontece porque o ranking da felicidade se baseia em uma única pergunta, em que os entrevistados avaliam suas vidas com notas de zero a dez. Eles são instigados a imaginar uma escada, em que o topo representa a melhor vida possível, e a base, a pior. Então, respondem em que degrau consideram estar hoje. São feitos ainda questionamentos sobre liberdade e emoções, que não são usados para ordenar os países, mas para entender por que cada um ocupa determinada posição e o que puxa sua nota para cima ou para baixo. Não é, portanto, uma pesquisa que pergunta se alguém se sente alegre ou se sorri com frequência, mas algo que busca avaliar a qualidade de vida. Em geral, são entrevistadas cerca de mil pessoas por país a cada ano. "Um dos motivos pelos quais os brasileiros deveriam se mudar para a Finlândia é a alegria que poderiam trazer, somada à felicidade finlandesa", diz Lindemann. "Também temos alegria, mas seria positivo ter esse tipo de atitude diante da vida que os brasileiros têm. Seria uma combinação perfeita." Licença-paternidade ampliada não vale de imediato; veja quando regra chega a 20 dias Entenda como funciona a licença parental de 14 meses na Finlândia

Licença-paternidade ampliada: veja o que muda A lei que amplia a licença-paternidade de cinco para até 20 dias, sancionada nesta terça-feira (31) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não entra em vigor de uma só vez. A mudança será implementada de forma gradual, com regras de transição que começam a valer em 2027 e só atingem o prazo máximo em 2029. Até lá, pais de recém-nascidos, crianças adotadas ou sob guarda precisam ficar atentos ao cronograma, às situações em que o benefício pode ser ampliado e às novas garantias previstas na legislação. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A ampliação da licença-paternidade era discutida no Congresso Nacional há mais de uma década e encerra uma espera de 38 anos pela regulamentação de um direito previsto na Constituição de 1988. O texto sancionado cria o chamado salário‑paternidade, incorpora o benefício às regras da Previdência Social e amplia o número de trabalhadores que poderão ter acesso ao afastamento remunerado. Pela lei, a ampliação será feita em etapas: 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027; 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028; 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029. ➡️ Até o início de 2027, permanece válida a regra atual, que garante cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela empresa. A transição, segundo parlamentares e especialistas, foi desenhada para permitir a adaptação gradual das empresas e do sistema previdenciário ao novo modelo. Abaixo, saiba ainda: Quem paga durante a fase de transição? Quem terá direito à licença-paternidade ampliada? Em que situações o benefício pode ser negado? Como fica em casais homoafetivos? O trabalhador terá estabilidade? Como fica o Programa Empresa Cidadã? Avanço histórico Quem paga durante a fase de transição? Uma das principais mudanças trazidas pela nova lei é a criação do salário‑paternidade, que passa a ter natureza de benefício previdenciário, nos moldes do salário‑maternidade. Na prática, a empresa continuará pagando o salário do trabalhador durante o período de afastamento e, depois, será reembolsada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O empregado terá direito à remuneração integral ou ao valor equivalente à média dos últimos seis salários de contribuição. A regra também permite que a licença seja emendada às férias, mas não autoriza a divisão do período. Quem terá direito à licença-paternidade ampliada? Outra mudança relevante é a ampliação do número de trabalhadores que passam a ter acesso ao benefício. Além dos empregados com carteira assinada, a nova lei inclui: trabalhadores autônomos; empregados domésticos; microempreendedores individuais (MEIs); demais segurados do INSS. Hoje, o direito está concentrado principalmente nos trabalhadores formais regidos pela CLT. Brasil amplia licença-paternidade Freepik Em que situações o benefício pode ser negado? Pela nova lei, o benefício poderá ser negado ou suspenso em casos de violência doméstica ou familiar, além de situações de abandono material — quando o pai deixa de prestar assistência financeira à criança. O salário-paternidade também poderá ser suspenso caso o trabalhador não se afaste efetivamente de suas atividades durante o período da licença. A lei prevê algumas situações em que o período de licença poderá ser ampliado: Falecimento da mãe: O pai ou companheiro passa a ter direito ao período da licença-maternidade, que varia de 120 a 180 dias. Criança com deficiência: Caso o recém-nascido — ou a criança ou adolescente adotado — tenha deficiência, a licença-paternidade será ampliada em um terço. Na prática, isso pode representar cerca de 13, 20 ou aproximadamente 27 dias, dependendo da fase de implementação da nova regra. Adoção ou guarda unilateral: Quando o pai adota sozinho a criança ou obtém a guarda sem a participação da mãe ou de um companheiro, ele também terá direito ao período equivalente ao da licença-maternidade. Parto antecipado: A licença-paternidade também será estendida e garantida nesses casos, independente do motivo para atencipação do parto. Internação da mãe ou do recém-nascido: O início da licença poderá ser adiado e passará a contar apenas após a alta hospitalar da mãe ou da criança. Ausência do nome da mãe no registro civil: Se no registro de nascimento não constar o nome da mãe, o pai terá direito a uma licença equivalente à licença-maternidade de 120 dias, além da estabilidade no emprego prevista nesses casos. Como fica em casais homoafetivos? O Supremo Tribunal Federal já decidiu, em casos específicos, pela concessão de licença-maternidade em casais homoafetivos. No entanto, a aplicação das regras para casais formados por dois homens ainda depende de análise caso a caso. De acordo com a nova lei, um dos integrantes do casal poderá receber a equiparação à licença e ao salário-maternidade. O texto também estabelece que, em casos de adoção por casais homoafetivos, uma pessoa poderá usufruir do período referente à licença-maternidade, enquanto a outra terá direito ao período vinculado à licença-paternidade. O trabalhador terá estabilidade? Assim como ocorre com as trabalhadoras grávidas, o projeto cria uma proteção contra demissão sem justa causa. A proposta proíbe a demissão arbitrária durante o período da licença e também por até 30 dias após o retorno ao trabalho. Caso o trabalhador seja dispensado nesse período, poderá ter direito à reintegração ao emprego ou a uma indenização equivalente ao dobro da remuneração referente ao período de estabilidade. Como fica o Programa Empresa Cidadã? Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã poderão continuar ampliando a licença-paternidade em 15 dias adicionais em troca de deduções no Imposto de Renda. Com a nova lei, porém, esses 15 dias passarão a ser somados aos 20 dias previstos na legislação, e não mais aos cinco dias atualmente garantidos. Licença-paternidade ampliada no Brasil; veja como funciona em outros países Avanço histórico Para a Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), a sanção do projeto representa “uma grande vitória da sociedade” e um passo fundamental para incentivar a cultura do cuidado compartilhado. “O Brasil vive um cenário em que milhões de crianças crescem sem a presença cotidiana do pai. Hoje, cerca de 6 milhões de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento”, afirma a entidade. Especialistas, porém, avaliam que a mudança ainda é limitada. Para a advogada Ana Gabriela Burlamaqui, o país segue distante de modelos adotados em países como Suécia, Noruega e Islândia, que avançaram para sistemas de licença parental compartilhada. "A ampliação para 20 dias representa um avanço, mas ainda é tímida. O cuidado com o recém-nascido continua concentrado quase exclusivamente na mulher", diz. O debate, avaliam especialistas, está longe de se encerrar, mas a nova lei inaugura uma mudança estrutural ao reconhecer, pela primeira vez, a paternidade como um direito social com proteção própria.
Do avião ao ovo: por que o petróleo afeta o preço de tudo?
Uma guerra no Oriente Médio pode impactar o bolso dos brasileiros porque a região concentra grandes reservas de petróleo. E petróleo mais caro encarece combustíveis como gasolina e diesel, e aumenta o custo do transporte em um país onde quase tudo circula por caminhões.
Esse efeito em cascata chega aos preços de alimentos, produtos industriais e ao agronegócio, já que o petróleo também é matéria-prima de embalagens, plásticos e fertilizantes, pressionando a inflação e até as decisões sobre juros.
Neste vídeo, você vai entender quais são os efeitos da forte alta do petróleo para o seu bolso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

De onde vem o que eu como: chocolate O preço do cacau despencou no Brasil e nas bolsas internacionais, mas o consumidor continua pagando caro pelo chocolate nesta Páscoa. Até a metade de março, a inflação do chocolate em barra e dos bombons subiu 24,8% em 12 meses, segundo o IBGE. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No campo, o movimento é o oposto. Produtores de cacau da Bahia, por exemplo, estão recebendo, em média, R$ 167 por arroba — menos de um quarto do valor registrado em março do ano passado (R$ 718), segundo a consultoria Mercado do Cacau. No Pará, a queda também foi acentuada: hoje, indústria e comerciantes pagam apenas R$ 9,50 pelo quilo do cacau ao produtor, contra R$ 44 no mesmo período do ano passado. O que explica a diferença de preço O descompasso entre os preços ocorre porque as amêndoas usadas na produção dos chocolates desta Páscoa foram compradas quando o cacau ainda atingia valores recordes no mercado internacional, explica o analista de mercado da StoneX Brasil, Lucca Bezzon. 🔎 Atualmente, o cacau é negociado na Bolsa de Nova York a cerca de US$ 3 mil por tonelada. Há um ano, a cotação chegava a US$ 8 mil. Bezzon explica que a indústria trabalha com compras antecipadas de matéria-prima. "As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras (processadoras) com antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista. “Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor caiu para cerca de US$ 3 mil.” Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar seus lucros. "A indústria de chocolate passou anos com margens apertadas devido ao déficit global de cacau e agora prioriza a recuperação dessas margens antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo. Segundo ele, a queda de preços no supermercado deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano. Bezzon, da StoneX Brasil, tem avaliação semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz. Páscoa 2026: compare o preço dos ovos com os do ano passado Antes de virar chocolate, semente do cacau sangra e morre; entenda O que motivou a disparada de preços? O preço alto do chocolate nas prateleiras ainda é resultado de uma forte queda na colheita de cacau no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Os países sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças. A indústria brasileira usa principalmente amêndoas nacionais na produção de chocolate, mas importa parte da matéria-prima, sobretudo de países africanos, para complementar a demanda. Em média, 80% é nacional e 20% vem do exterior. "Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram muito rápido", diz Bezzon. "As regiões de maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez em outros mercados", destaca. Recuperação das colheitas Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente após julho, puxados pela recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo. Segundo o Itaú BBA, a produção mundial cresceu 11% na safra 2024/25, impulsionada por condições climáticas favoráveis na África e na América do Sul. A tendência é de nova alta na colheita deste ano. “Após três safras consecutivas de déficit, algo que não ocorria desde o fim da década de 1960, o mercado iniciou um processo de normalização”, afirma o banco, em relatório. Cogo destaca que outro fator que contribuiu para a queda dos preços no campo foi o aumento das importações, impulsionado pela queda do dólar. Já o analista da StoneX Brasil afirma que a queda dos preços no campo se explica "muito mais por falta de demanda do que por uma recuperação da produção". "A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma. "Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras também reduziram a compra de amêndoas, o que fez os preços no Brasil despencarem", destaca. Protestos de agricultores A queda dos preços no campo gerou protestos em regiões produtoras. Em fevereiro, por exemplo, agricultores interditaram a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os baixos preços do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países. A resposta veio seis dias depois, quando o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças. Segundo o governo, esse risco existe porque há a "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné — que não têm autorização para exportar para o Brasil — estejam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional. Na época, o analista Carlos Cogo disse que a decisão do governo "deve ser respeitada", mas interpretou a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços no país. Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que atualmente há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção. “Hoje, não há incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta. Produtores de cacau protestam contra baixos preços na BA

Volvo EX30 Ultra Twin Motor divulgação/Volvo O Volvo EX30 Ultra Twin Motor quebra uma lógica comum do mercado automotivo: a de que os carros mais rápidos também são, necessariamente, os mais caros da marca. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em míseros 3,6 segundos, custando nem tão míseros R$ 309.950. Muito longe de ser barato, o valor é menos da metade do imponente EX90, o modelo mais caro da Volvo, que custa R$ 849.950 e acelera de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos. Esse EX30 "turbinado" também custa menos que os R$ 329.950 do EX40. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A pergunta é: por que apimentar logo o modelo mais barato da marca? A aposta da Volvo é fazer o EX30 ir além do papel de porta de entrada e oferecer uma experiência atraente para quem gosta de desempenho. O novo modelo tem dois motores, um em cada eixo, que juntos entregam 428 cv de potência. São 156 cv a mais que a versão tradicional do EX30. Agora, cada eixo traciona um par de rodas, formando um sistema de tração integral, em vez da tração traseira do modelo mais simples. O g1 dirigiu o novo EX30 em trechos urbanos e de estrada. Em ambos os cenários, foi fácil perceber o desempenho do novo conjunto. Pisou, o EX30 responde imediatamente em qualquer situação. O modelo não teve dificuldade em ultrapassagens ou arrancadas, o que ficou evidente nas saídas de pedágio ao longo do test-drive. O maior cuidado era conter a empolgação até o limite de 120 km/h da rodovia. A performance é superior ao clássico Golf GTI, por exemplo — e o modelo ainda é mais barato. O hatch esportivo da Volkswagen custa R$ 430 mil e leva 6,1 segundos para ir de 0 a 100 km/h, quase o dobro do tempo. A pegada esportiva deixa a suspensão do EX30 um pouco rígida, e uma calibração mais macia seria bem-vinda no uso urbano. Na estrada, o acerto funciona muito bem. Nas curvas mais rápidas, a tração integral e os sistemas de assistência ao motorista garantem a segurança esperada de um Volvo. Ao longo do trajeto, não houve sensação de perda de controle em condições normais de condução. Esse limite só é ultrapassado se o motorista insistir muito, já que sistemas como controle de estabilidade e distribuição de torque entram em ação para manter o carro sob controle. A sensação ao dirigir lembra a de um kart: posição de condução mais baixa, carro curto e respostas rápidas. Fora a esportividade, quase nada muda neste EX30 No design, é quase impossível distinguir a nova versão das demais do EX30, exceto pelo tamanho das rodas: no Ultra Twin Motor, elas são de 20 polegadas, enquanto no modelo de entrada são de 19. Mesmo com foco em desempenho, o Volvo EX30 Ultra Twin Motor mantém porte de SUV compacto, com dimensões próximas às de modelos conhecidos do mercado, como: Volkswagen Tera: o EX30 é 8 centímetros mais comprido; Honda WR-V: o EX30 é 9 centímetros mais curto; Jeep Renegade: o EX30 é 3 centímetros mais curto. Volvo EX30 Ultra Twin Motor Durante o trajeto, foi difícil ignorar o nível de minimalismo adotado pela marca sueca: Não há informações exibidas à frente do motorista, já que o painel de instrumentos simplesmente não existe; Tudo fica concentrado na central multimídia, que oferece amplo espaço para informações em sua tela de 12,3 polegadas; “Tudo” é literal: velocímetro, indicadores de luzes e sistemas de assistência à condução ficam ali. Para conferir a velocidade, é necessário desviar o olhar para a tela lateral; Ao olhar para a velocidade, o sistema alerta que é preciso manter a atenção na estrada; Os ajustes dos retrovisores também ficam na central, e não em botões na porta. Para subir ou descer o espelho, é preciso acessar o menu, selecionar a função e usar os comandos do volante; Até a abertura do porta-luvas é feita apenas pela tela. Todo esse minimalismo, aliado à menor carroceria já oferecida pela Volvo no Brasil e à ausência de itens presentes em modelos maiores — como o sensor a laser do EX90, usado para ampliar a percepção do ambiente no trânsito —, contribui para que o carro tenha um preço mais baixo. Volvo EX30 Ultra Twin Motor por dentro Há uma curva de aprendizado para se adaptar aos comandos concentrados na tela. No teste, foi necessário passar algum tempo com o carro antes da viagem para memorizar onde ficam funções básicas, como o acesso ao porta-luvas. A ausência de botões físicos para o ar-condicionado já parece uma tendência consolidada, mas a falta de comandos dedicados para o porta-luvas e os retrovisores ainda incomoda. Nada, porém, pesa tanto quanto o velocímetro no centro da tela — que nem sequer aparece com números grandes, como nos modelos da Mini. Sistema de som chamou atenção Em testes desse tipo, realizados durante lançamentos, raramente há tempo para explorar o sistema de som dos carros. Com o Volvo EX30, porém, isso foi possível, e a soundbar frontal chamou a atenção pela fidelidade sonora. Foram ouvidas músicas de rock e eletrônica, com forte presença de sintetizadores. Nas faixas com instrumentos acústicos, o chimbal e os vocais se mostraram nítidos e mantiveram a definição, mesmo com graves bem presentes. Nas faixas de synthwave, que combinam instrumentos eletrônicos com saxofone, a experiência se aproximou da de um show ou de um ambiente com caixas de som de alta fidelidade. Considerando as limitações naturais de um carro — como o ruído externo, que ainda chega à cabine mesmo com bom isolamento —, a impressão é a de um sistema de som muito competente. Volvo EX30 está em recall, mas não o novo modelo Recentemente, o EX30 passou por uma crise de imagem após a Volvo comunicar um amplo programa de recall do carro por risco de incêndio. ⚠️ De forma resumida: a Volvo identificou um problema na fabricação do conjunto de baterias do EX30. Segundo o comunicado de recall, as células internas podem entrar em curto-circuito, o que provoca superaquecimento e pode evoluir para incêndio. Na segunda quinzena de fevereiro, a Volvo afirmou que são 40.323 os modelos envolvidos no recall e que a troca da bateria, única solução para o problema, vai custar cerca de US$ 200 milhões à companhia. O g1 questionou a Volvo se o novo modelo já chega ao mercado dentro do programa de recall, já que ele tem a mesma capacidade de bateria da versão com dois motores. “Trocamos o fornecedor. O antigo fornecedor trabalhou para lotes específicos e o problema foi nesse lote. Agora já é outro fornecedor e não tem o mesmo problema", disse Marcelo Godoy, presidente da Volvo no Brasil. Volvo convoca recall do EX30 por risco de incêndio na bateria

As 5 mentiras mais comuns nos currículos — e como elas são descobertas por recrutadores "Menti que tinha uma pós-graduação. Fui contratada e acabei tendo que começar uma ‘pós’ que odeio". "Falei que tinha Excel avançado (...) quando a chefe pedia as coisas, eu ia ao banheiro assistir vídeos para aprender 🥺". "Coloquei no currículo que eu era pontual. Cheguei atrasada à entrevista e ao treinamento 😂". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Relatos como esses, que poderiam soar como exceções constrangedoras, viraram conteúdo viral. Em vídeos que somam milhares de curtidas no TikTok, influenciadores leem histórias enviadas por seguidores que misturam humor, improviso e risco calculado no universo corporativo. Em comum, a ideia de que uma "mentirinha" no currículo ou na entrevista pode ser o empurrão que faltava para entrar no mercado. No perfil da influenciadora Tais Pitanga, conhecida por ler histórias enviadas por seguidores, um dos vídeos mais populares resume bem esse espírito: "Minta no currículo. Minta na entrevista. Minta pros colegas de trabalho". Já no vídeo do criador Dennis Sloboda, o debate surge a partir da pergunta: 'Você já foi contratado depois de mentir no currículo?". As respostas vão de exageros técnicos a situações que beiram o absurdo, como inventar uma pós-graduação ou cadastrar o próprio número de telefone como referência profissional — mudando a voz quando o RH ligou. Influenciadores de conteúdo, como Taís Pitanga e Dennis Sloboda, fazem sucesso com relatos de pessoas que mentiram em processos seletivos. TikTok/ Reprodução Por trás do tom de humor, no entanto, existe uma percepção comum: a de que dizer toda a verdade pode tornar o candidato menos competitivo em uma disputa por vaga. O que aparece nas redes não está distante da realidade dos processos seletivos. Um levantamento da consultoria Robert Half mostra que 58% dos recrutadores já eliminaram candidatos por inconsistências no currículo logo nas primeiras etapas da seleção. Ainda assim, as distorções persistem e costumam seguir um padrão bem definido. Segundo o estudo, as cinco mentiras mais comuns são: 🛠️ Habilidades técnicas exageradas, que não se sustentam na prática; 📈 Experiência profissional inflada, com cargos ou responsabilidades ampliadas; 🌍 Proficiência em idiomas acima do nível real; 🎭 Motivos suavizados para desligamentos anteriores; 🏆 Conquistas e resultados descritos de forma mais grandiosa do que foram. Cerca de 74% dos profissionais afirmam nunca ter mentido em processos seletivos. Mesmo assim, 15% admitem já ter ajustado o currículo, e outros 10% dizem ter considerado essa possibilidade em algum momento. Para Giovanna De Meo, mais cedo ou mais tarde, suas habilidades serão testadas no trabalho Arquivo Pessoal A designer Giovanna de Meo é um exemplo disso. Em 2006, recém-formada, ela enfrentava dificuldades para se inserir na própria área de formação. Depois de uma passagem frustrada por um banco, surgiu a chance de disputar uma vaga em Brasília. A entrevista foi feita online, e a conversa fluía bem até surgir a pergunta: Você já está se mudando para a cidade? A resposta honesta seria não. Giovanna não tinha casa, plano nem dinheiro sobrando. Tinha cerca de R$ 3 mil guardados e nenhuma estrutura montada. Ainda assim, respondeu que sim — e foi além. “Falei: ‘Sexta-feira me mudo’. Era terça-feira. Ele respondeu: ‘Então te espero sexta, às três’. Se eu dissesse que precisava de mais tempo, provavelmente sairia da lista.” A mentira rapidamente virou ação. Em poucos dias, ela fez três malas, comprou uma passagem de ônibus e embarcou sem ter onde morar. Chegou a Brasília de madrugada e foi direto para a entrevista presencial. Ela foi contratada. "No começo, me arrependi muito (...) com o tempo, a experiência ganhou outro significado. Me adaptei, construí vínculos e aprendi rápido". Anos depois, já com mais intimidade, Giovanna contou a verdade ao chefe. A reação foi de riso. O episódio virou piada interna e nunca comprometeu sua credibilidade. Hoje, designer faz questão de não romantizar a situação. Chama o episódio de "mentira leve" e reforça: "Mais cedo ou mais tarde, você será testada naquilo". O custo de sustentar uma versão Para a psicóloga e headhunter Taís Targa, o que mais aparece no mercado não são mentiras elaboradas, mas exageros. "O mais comum é inflar competências técnicas no currículo. Em alguns casos, a pessoa realmente acredita que sabe mais do que sabe. Em outros, tenta sustentar algo que não consegue defender na entrevista". ⚠️ Testes práticos, perguntas mais aprofundadas e pedidos de exemplos concretos costumam desmontar esse tipo de discurso rapidamente. Mas o risco vai além da perda de uma vaga. "Quem mente ou apresenta incoerências acaba ficando marcado. O mercado é pequeno, as pessoas conversam", afirma. Em casos mais graves, como falsificação de diplomas ou de experiências profissionais, o resultado pode ser demissão por justa causa. Há ainda um tipo mais silencioso de distorção: a omissão estratégica. Segundo Targa, alguns profissionais deixam de mencionar mestrado ou doutorado para não parecer “qualificados demais” e serem eliminados antes mesmo da entrevista. Ela lembra ainda que recrutadores já identificam sinais claros de uso excessivo de ferramentas de inteligência artificial, como respostas mecânicas, inconsistências entre currículo e fala, dificuldade de sair de roteiros prontos e pouca profundidade ao explicar experiências. Um levantamento da Robert Half identificou os principais indícios percebidos por recrutadores no uso inadequado de IA em processos seletivos: Respostas muito padronizadas (69%): falas estruturadas demais e pouco naturais; Inconsistências entre currículo e entrevista (65%); Dificuldade de sustentar respostas fora do roteiro (51%); Falta de profundidade ao descrever experiências (51%); Incapacidade de explicar decisões técnicas (39%); Linguagem excessivamente formal (36%); Resultados irreais, sem falhas ou desafios (33%); Respostas muito semelhantes a modelos de IA (30%); Perda de fluidez ao entrar em detalhes (28%); Desconhecimento sobre atividades descritas no próprio currículo (26%). Marcela Esteves, diretora da Robert Half, explica que as ferramentas de IA podem ajudar na organização de ideias e na estrutura do currículo, mas não substituem a experiência real do profissional. “Quando o documento se distancia demais da trajetória do candidato, isso aparece rapidamente nas entrevistas e pode, sim, prejudicar sua reputação”, conclui. Para a CEO da consultoria CNP, Marcela Zaidem, o limite é claro: "Currículo bem feito não é currículo enfeitado. Currículo não é peça publicitária. É um documento de credibilidade". Ela pondera, no entanto, que processos seletivos superficiais, baseados apenas em palavras-chave, acabam estimulando esse tipo de comportamento. Não justificam a mentira, mas ajudam a explicar por que ela surge. Ainda segundo as especialistas ouvidas pelo g1, as histórias que viralizam costumam mostrar o lado que deu certo. Mas nem todas têm o mesmo desfecho. Elas ajudam a expor o fenômeno, mas revelam apenas parte dele. Algumas terminam em promoção. Outras, em constrangimento. Estudo revela as mentiras mais comuns no currículo — e como elas são descobertas Freepik

Emprego, carteira de trabalho, Espírito Santo, vagas de trabalho Reprodução/ TV Gazeta Um novo mês começa e, como de costume, muitos trabalhadores já enxergam no horizonte o pagamento de seus salários. Muitas empresas mantêm o costume de fazer o depósito nos primeiros dias de cada mês — mas quando cai o quinto dia útil de abril neste ano? 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Neste mês, a data será no dia 7, terça-feira. Para o pagamento de salários, a contagem dos dias úteis inclui os sábados e desconsidera apenas domingos e feriados. A regra está prevista no artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho, que determina que o empregador deve efetuar o pagamento até o quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado. Confira os primeiros dias úteis de abril: 1° dia útil: 1º de abril, quarta-feira; 2° dia útil: 2 de abril, quinta-feira; 3 de abril, sexta-feira — FERIADO; 3° dia útil: 4 de abril, sábado; 4° dia útil: 6 de abril, segunda-feira 5° dia útil: 7 de abril, terça-feira. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Quando caem os pagamentos de 2026? Neste ano, a maioria das datas de pagamento para trabalhadores com carteira assinada cai em dias úteis da semana. Veja abaixo: Abril: Terça-feira, dia 7 Maio: Quinta-feira, dia 7 Junho: Sexta-feira, dia 5 Julho: Segunda-feira, dia 6 Agosto: Quinta-feira, dia 6 Setembro: Sexta-feira, dia 4 (5º dia útil no sábado) Outubro: Terça-feira, dia 6 Novembro: Sexta-feira, dia 6 (5º dia útil no sábado) Dezembro: Sexta-feira, dia 4 (5º dia útil no sábado) O que fazer se o salário não cair até o quinto dia útil? De acordo com o artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho, o pagamento deve ser feito até o quinto dia útil do mês seguinte. Se a empresa não cumprir o prazo, o trabalhador pode cobrar judicialmente o valor devido, com correção monetária. O sindicato também pode entrar com ação contra o empregador. Em casos de atrasos recorrentes, a Justiça do Trabalho entende que há descumprimento do contrato, o que pode justificar a rescisão indireta — quando o funcionário deixa o emprego com direito às verbas de uma demissão sem justa causa. Além disso, a empresa pode ser autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com multa por trabalhador prejudicado, e ainda ser alvo de investigação pelo Ministério Público do Trabalho.

Steve Jobs ASSOCIATED PRESS A Apple comemora seu 50º aniversário em um momento em que a inteligência artificial (IA) desafia a empresa a mostrar que ainda é capaz de lançar uma inovação com potencial de provocar uma transformação cultural. Steve Jobs, um gênio do marketing, e Steve Wozniak, cofundador da Apple, revolucionaram a forma como as pessoas utilizam a tecnologia na era da internet e construíram uma empresa que hoje vale mais de US$ 3,6 trilhões (aproximadamente R$ 18,8 trilhões). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os dois universitários mudaram a forma como as pessoas usam computadores, ouvem música e se comunicam, dando origem a estilos de vida que giram em torno de aplicativos de smartphones. Os principais produtos da Apple — o Mac, o iPhone, o Apple Watch e o iPad — mantêm uma base fiel de usuários, décadas após o início da empresa, em 1º de abril de 1976, na garagem de Jobs, em Cupertino, na Califórnia. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Apple vendeu mais de 3,1 bilhões de iPhones desde o lançamento, em 2007, gerando uma receita de cerca de US$ 2,3 trilhões (aproximadamente R$ 12 trilhões), segundo dados da Counterpoint Research. Para o analista da Counterpoint Yang Wang, o iPhone é o produto eletrônico de consumo mais bem-sucedido da história: reformulou a comunicação humana e se tornou "um símbolo global de moda e status". Antes do iPhone, a Apple já havia abalado o setor da informática doméstica com o Macintosh de 1984, cuja interface baseada em ícones e o uso do mouse tornaram a computação mais acessível, além de impulsionar a rivalidade entre Jobs e Bill Gates, da Microsoft. "A Apple foi fundada sobre a ideia de que a tecnologia deveria ser pessoal, e essa crença — radical para a época — mudou tudo", afirmou o diretor-executivo da empresa, Tim Cook, em carta comemorativa publicada online. 'Culto à Apple' A Apple transformou o mercado musical com o iPod e o iTunes, tornou o smartphone um produto de consumo de massa com o iPhone e levou os tablets ao grande público com o iPad. O Apple Watch rapidamente assumiu a liderança do mercado de relógios inteligentes, apesar de ter sido lançado depois dos concorrentes. Embora não fosse engenheiro, Jobs — que morreu em 2011, aos 56 anos — ficou conhecido por sua determinação em unir tecnologia e design para criar produtos intuitivos e simples de usar. A Apple promoveu o Macintosh como o "computador para o resto de nós", mas foi o iPhone que realmente cumpriu essa promessa, destacou David Pogue, autor do livro "Apple: The First 50 Years". O domínio do iPhone transformou o modelo de negócios da Apple. Como o mercado de smartphones premium é considerado saturado, Cook passou a apostar cada vez mais na venda de serviços e conteúdo digital para a base de usuários da empresa. Um elemento central dessa estratégia é a App Store, que a Apple transformou na principal porta de entrada para softwares em seus dispositivos, cobrando comissão sobre transações, o que gerou acusações de abuso de posição dominante, investigações na Europa e decisões judiciais nos Estados Unidos para abrir a plataforma. O 'fator China' Nenhum país foi tão importante para a ascensão da Apple — nem tão desafiador para seu futuro — quanto a China, uma superpotência com a qual Cook estreitou laços por meio de visitas frequentes a lojas da Apple e compromissos oficiais. Cook liderou a estratégia que transformou a China na principal base de produção dos dispositivos da Apple, onde a grande maioria dos iPhones é montada pela Foxconn e por outros fornecedores em fábricas no país. O país também é um dos maiores mercados consumidores da Apple. No entanto, a empresa enfrenta pressão crescente nessas duas frentes: as tensões comerciais e as tarifas aceleraram a busca por diversificar a produção para países como Índia e Vietnã, enquanto a concorrência de rivais locais, como a Huawei, reduziu a fatia de mercado da Apple na China. O 'desafio da IA' Os investidores demonstram preocupação porque a Apple parece avançar com cautela excessiva na área de inteligência artificial generativa, enquanto concorrentes como Google, Microsoft e OpenAI avançam rapidamente. Uma atualização prometida para a assistente digital Siri sofreu atraso, algo incomum para a empresa. Além disso, em vez de apostar apenas em seus próprios engenheiros, a Apple recorreu ao Google para incorporar recursos de inteligência artificial. Ainda assim, o foco da Apple na privacidade do usuário, aliado ao seu hardware avançado, pode ajudar a popularizar a inteligência artificial personalizada e torná-la rentável — um objetivo que ainda parece distante para boa parte do setor. Os fones de ouvido AirPods já vêm sendo aprimorados com sensores e softwares mais inteligentes, e as lições dos óculos de realidade virtual Vision Pro podem ser aplicadas ao desenvolvimento de dispositivos com IA capazes de competir com os da Meta. Uma pessoa usa um telefone para fotografar iPhones em exposição durante o evento da Apple. Manuel Orbegozo/Arquivo/Reuters

A Páscoa, celebrada no domingo, não altera a regra de descanso, mas condições diferentes podem ser previstas em acordo coletivo. TV TEM/Reprodução Abril mal começou, mas já é aguardado por muitos trabalhadores. O mês terá dois feriados nacionais e pode render folgas com chance de emenda. O período de pausa começa na sexta-feira, 3 de abril, com o feriado nacional da Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa). Quem folga aos fins de semana poderá ter três dias seguidos de descanso — de sexta a domingo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Páscoa, celebrada no domingo (5), não garante folga extra por não ser feriado nacional, sendo considerada uma data comemorativa religiosa. No entanto, pode haver previsão diferente em acordo ou convenção coletiva. O outro feriado é o Dia de Tiradentes, em 21 de abril, que cai em uma terça-feira. Com isso, quem conseguir folga na segunda (20), considerada ponto facultativo para os servidores públicos federais, pode aproveitar um descanso prolongado — de sábado a terça. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja abaixo o calendário: 3 de abril (sexta-feira): Paixão de Cristo 5 de abril (domingo): Páscoa 20 de abril (segunda-feira): ponto facultativo (servidores públicos federais) 21 de abril (terça-feira): Tiradentes Apesar ser um feriado nacional, não é todo mundo que acaba sendo beneficiado. A legislação trabalhista autoriza o funcionamento das atividades em setores que são classificados como essenciais. (confira quais abaixo) ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como a remuneração em dobro ou um dia de folga compensatória. O g1 conversou com advogados especialistas em direito trabalhista para te ajudar a entender mais sobre o assunto. Abaixo, você vai descobrir: 🤔 Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? ⚖️ Quais são os meus direitos? 💰 Remuneração em dobro ou folga? Quem define? ❌ Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? ➡️ Quem pode emendar o feriado? ⚠️ As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? ✍🏼 Como funciona no caso do trabalhador intermitente? 📆 Quais são os próximos feriados de 2026? 1. Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? Sim. Apesar do artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores de indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos. 2. Quais são os meus direitos? Para quem é obrigado a trabalhar no feriado, a legislação garante o pagamento da remuneração em dobro ou compensação com folga em outro dia. " Havendo banco de horas também poderão ser lançadas estas horas de trabalho, nos termos do acordo individual ou coletivo", explica Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista e sócia do A. C Burlamaqui Consultores. 3. Remuneração em dobro ou folga? Quem define? A definição do tipo de compensação (seja através do pagamento em dobro ou concessão de folga compensatória) geralmente é determinada durante o acordo que feito entre empregador e sindicato. Na ausência da Convenção Coletiva de Trabalho, a decisão pode ser negociada entre empregador e funcionário. No entanto, é importante que as duas partes estejam de acordo e que a compensação escolhida esteja em conformidade com a legislação. "O empregador não pode decidir de forma unilateral. Se houver um acordo ou convenção coletiva prevendo a compensação por folga, essa regra prevalece; caso não exista, o pagamento em dobro pelo trabalho no feriado é obrigatório", afirma Elisa Alonso, advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados. 4. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? Depende. A falta pode ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior. "Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista. Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento. Em caso de expediente normal, o empregado poderá sofrer outras penalidades administrativas como o desconto do dia não trabalhado, que será considerado falta injustificada. "A falta injustificada deve ser repreendida, no entanto, para fins de justa causa necessário que outros sejam analisados, como a recorrência da conduta, o impacto causado à empresa e a função desempenhada pelo empregado, por exemplo", completa a advogada trabalhista Elisa Alonso. 5. Quem pode emendar o feriado? Por cair em uma terça-feira (21), o Dia de Tiradentes vai permitir a possibilidade que muitos trabalhadores "emendem" o feriado com o fim de semana, tirando quatro dias seguidos de folga. Apesar disso, é importante destacar que a segunda-feira (20) não é feriado e, sim, um dia de trabalho regular. Assim, essa possibilidade de "emenda" não é uma realidade de todos os trabalhadores: depende das políticas de cada empresa, no caso de funcionários de instituições privadas, e de decisões dos governos municipais, estaduais ou federal, para os servidores públicos. Veja: 🏢 EMPRESAS PRIVADAS - "Não há, na legislação trabalhista vigente, obrigatoriedade do empregador em conceder a 'emenda de feriado' aos seus empregados", afirma a advogada trabalhista Vanessa Carvalho. "Entretanto, é possível e bastante comum que este tema seja objeto de negociação entre as partes, empregadores e empregados", continua a especialista. Uma opção para o empregador é pedir uma compensação do dia da emenda em gestão de banco de horas, um sábado ou com até duas horas a mais nos dias de semana. Já algumas empresas concedem folga na emenda do feriado de forma espontânea. Nestes casos, não são permitidos descontos do dia não trabalhado, e nem exigir sua compensação. 🏛️ FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS - Para os servidores federais, a segunda-feira (20) será ponto facultativo, de acordo com o calendário divulgado pelo governo no fim do ano passado. Para funcionários municipais e estaduais, a adoção do feriado depende de decisão de cada governo local. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura determinou a suspensão do expediente dos servidores públicos, com compensação posterior das horas não trabalhadas. Nesses casos, servidores, estagiários e residentes deverão repor as horas entre janeiro e setembro de 2026. A administração municipal também pode instituir plantões, se necessário. ➡️ Vale lembrar que os serviços essenciais continuam funcionando normalmente, sem alteração na jornada de trabalho. 6. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória. No entanto, contratados por meio de vínculo de trabalho temporário podem ter pré-condições específicas. 7. Como funciona no caso do trabalhador intermitente? Para o trabalhador que é contratado em regime de trabalho intermitente (previsão legal inserida na CLT pela Reforma Trabalhista de 2017), o pagamento em feriados deve ser acordado no momento da admissão. O contrato deve especificar o valor da hora de trabalho, que já deve considerar os adicionais devidos por trabalho em feriados ou horas extras. Dessa forma, o trabalhador intermitente receberá o valor que foi combinado para os dias trabalhados, incluindo feriados, aponta o advogado Luís Nicoli. 8. Quais são os próximos feriados de 2026? Depois de abril, o próximo feriado nacional será 1º de maio (Dia do Trabalhador), que cairá em uma sexta-feira e pode permitir emenda para quem folga aos fins de semana. Outra possibilidade de emenda é o Corpus Christi, em 4 de junho, que é considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, cada estado ou município tem autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local. Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou a uma folga compensatória. O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de abril do Bolsa Família no dia 16. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para abril de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 16/4 Final do NIS: 2 - pagamento em 17/4 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/4 Final do NIS: 4 - pagamento em 22/4 Final do NIS: 5 - pagamento em 23/4 Final do NIS: 6 - pagamento em 24/4 Final do NIS: 7 - pagamento em 27/4 Final do NIS: 8 - pagamento em 28/4 Final do NIS: 9 - pagamento em 29/4 Final do NIS: 0 - pagamento em 30/4 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Maio: de 18/5 a 29/5; Junho: de 17/6 a 30/6; Julho: de 20/7 a 31/7; Agosto: de 18/8 a 31/8; Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

Tim Cook na posse de Donald Trump, em janeiro de 2025 Getty Images via AFP O aniversário de 50 anos da Apple nesta quarta-feira (1º) é cercado pelos rumores de aposentadoria do executivo que está há mais tempo à frente da empresa. Tim Cook é CEO da Apple desde agosto de 2011 e já superou o fundador Steve Jobs, que comandou a empresa de 1997 a 2011 com algumas interrupções curtas por motivos médicos. Em entrevista divulgada há cerca de duas semanas, Cook negou ter dito que gostaria de se aposentar. "Não posso imaginar a vida sem a Apple", afirmou à rede de TV americana ABC. Mas, aos 65 anos, o executivo analisa sua futura sucessão. "Eu passo muito tempo pensando em quem estará na sala daqui a cinco anos, daqui a dez anos. Sou obcecado por isso", disse Cook a funcionários, segundo a Bloomberg. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A gigante da tecnologia elabora um plano de transição de seu comando ao menos desde 2024 e pode já ter um escolhido, ainda de acordo com a Bloomberg. O favorito para assumir o cargo é John Ternus, vice-presidente de engenharia de hardware que, desde o início do ano, atua mais próximo da equipe de design, segundo Gurman. A mudança é vista como a preparação para ele assumir um cargo ainda maior no futuro. Sob o comando de Tim Cook, a Apple desenvolveu melhorias em aparelhos consagrados, apostou em serviços por assinatura e, mais recentemente, fez uma aproximação estratégica com o governo de Donald Trump. Entenda o momento da empresa e as diferenças entre o executivo e Steve Jobs. A era Tim Cook Tim Cook está na Apple desde 1998, após gerenciar a distribuição de equipamentos nas fabricantes americanas IBM, durante 12 anos, e Compaq, por cerca de 1 ano. O executivo ingressou na Apple como vice-presidente de operações e, em 2005, se tornou diretor de operações, cargos de gestão de cadeia de suprimentos, vendas e serviços. Tim Cook, CEO da Apple, no evento do iPhone 17 nos EUA Manuel Orbegozo/Reuters Ele assumiu o cargo de CEO da Apple cerca de dois meses antes da morte de Steve Jobs. Hoje, Cook também ocupa uma cadeira no conselho diretor da companhia. Na liderança, Cook supervisionou a expansão da empresa para novos negócios, incluindo dispositivos vestíveis, como o relógio Apple Watch e os óculos Vision Pro, e serviços por assinatura, como Apple Music e Apple TV+. Foi com Tim Cook que o valor de mercado subiu de US$ 350 bilhões em 2011 para mais de US$ 3,6 trilhões em 2026. A companhia também ampliou o foco na cadeia de suprimentos global, enfatizou o retorno financeiro para acionistas e promoveu mais ações de sustentabilidade. E, no início de 2025, demonstrou uma proximidade maior com o governo Trump. Tim Cook esteve na cerimônia de posse junto com outros executivos de gigantes da tecnologia. Em agosto de 2025, a Apple anunciou na Casa Branca um investimento de US$ 100 bilhões para fabricar componentes do iPhone nos EUA. Cook ainda presenteou Trump com um troféu simbólico com a frase "Fabricado nos EUA, 2025". Donald Trump e Tim Cook Reuters/Jonathan Ernst Antes, em fevereiro de 2025, a Apple já tinha anunciado investimento de US$ 500 bilhões nos EUA em um prazo de quatro anos. Parte dos aportes será destinada à produção de chips em território americano. Trump já tinha exigido que a Apple transferisse para os EUA a fabricação do iPhone, hoje concentrada na China e na Índia. O presidente americano ameaçou impor uma tarifa de importação de 25% sobre produtos da Apple caso a empresa não tomasse essa decisão. Cook e Jobs Steve Jobs fundou a Apple em 1976 ao lado de Steve Wozniak, mas deixou a empresa em 1985 por conta de vendas abaixo do esperado do computador Macintosh e conflitos internos relacionados ao seu estilo de gestão. Ele era conhecido por seu temperamento explosivo e por sua imagem carismática, comparada à de um astro pop desde o início da carreira. E também chamava atenção por seu interesse em temas como espiritualidade e alimentação saudável, por exemplo. Tim Cook ao lado de Steve Jobs durante conferência sobre problemas no iPhone 4, em julho de 2010. Cook é o sucessor de Jobs na Apple Kimberly White/Reuters STEVE JOBS: por que o fundador da Apple era tão especial Tim Cook, por outro lado, é descrito como cordial e discreto. Com sua experiência de anos em cargos fora dos holofotes, ele também passou a ser considerado um mestre em questões operacionais. Segundo a Apple, Cook teve um papel fundamental na melhoria das relações com revendedores e fornecedores em seu período no departamento de operações. Jobs liderou algumas das principais revoluções da indústria de tecnologia. Primeiro nos anos 1970 com o computador pessoal Apple II. Depois na década de 1980 com o Macintosh, controlado por um mouse. Ele ainda liderou a criação do iPod (2001), do iPhone (2007) e do iPad (2010). Em meio à busca por um sucessor, Jobs recusou vários candidatos de forma brusca e chegou até mesmo a abandonar uma entrevista no meio, segundo uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal em 2011. Mas, apesar dos estilos diferentes, ele simpatizou com Cook, que se tornou seu homem de confiança. "Trabalhar na Apple jamais constou dos planos que fiz para minha vida, mas sem dúvida alguma foi a melhor decisão que já tomei", disse Cook, em 2011.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2991 O sorteio do concurso 2.991 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (31), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 7,5 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 14 - 19 - 23 - 36 - 53 5 acertos - 36 apostas ganhadoras: R$ 27.813,25 4 acertos - 2.483 apostas ganhadoras: R$ 664,70 O próximo sorteio da Mega será no sábado (4). Mega-Sena, concurso 2.991 Reprodução/Caixa Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1
Para conter a alta do preço do diesel, o governo federal e os estados anunciaram um acordo para fornecer uma subvenção, ou seja, um apoio financeiro a importadores de diesel.
"A medida tem caráter excepcional, temporário e busca assegurar a previsibilidade e a estabilidade no abastecimento de combustíveis no país, atenuando os efeitos críticos mundiais que derivaram da atual intervenção conflituosa no Oriente Médio", diz nota assinada pelo Ministério da Fazenda e pelo Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal .
A medida estabelece o incentivo de R$ 1,20 por litro de diesel importado, sendo R$ 0,60 custeado pela União e R$ 0,60 pelos estados.
A contrapartida estadual, ainda de acordo com a nota, será proporcional ao volume de diesel importado consumido em cada unidade da federação.
Miriam Leitão: Racha para subvenção de diesel não resolve
Principais termos da medida:
Prazo limitado: a subvenção vigorará pelo período de até dois meses para que a medida não crie um passivo fiscal para os estados;
Definição de cotas: as cotas referentes aos estados que não aderirem à medida não serão redistribuídas aos estados participantes, preservando o equilíbrio federativo e a voluntariedade de adesão.
A nota não diz quais estados aderiram à proposta, afirma apenas que "80% já sinalizaram positivamente com a adesão e parceria com o governo federal visando mitigar os efeitos do choque de preços do petróleo sobre a população dos seus respetivos estados".
Levantamento do g1 mostra que pelo menos 20 estados indicaram adesão à proposta.
Entre os estados estão Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais. Outros ainda não se manifestaram. O governo do Rio de Janeiro, por exemplo, informou que vai aguardar a publicação da medida provisória para decidir sobre a adesão à política de subvenção ao diesel.
Impasse com governadores
O governo federal chegou a propor que os estados isentassem o ICMS sobre a importação do diesel até o fim de maio. Nesse caso, metade das perdas de arrecadação seria compensada pela União.
A isenção do ICMS na importação do diesel custaria R$ 3 bilhões por mês até o fim do período, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1, 5 bilhão por mês aos estados.
A proposta encontrou resistências dos estados, que argumentaram que ainda estavam se recompondo do impacto de uma medida de 2022 que fixou um teto para o ICMS.
Redução impostos federais sobre o diesel
No dia 12 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel e também uma subvenção a importadores do combustível.
As medidas representaram, segundo o governo à época, uma redução de R$ 0,32 por litro pela redução dos tributos. E outros R$ 0,32 por litro pela subvenção aos importadores do combustível. Um impacto total, portanto, de R$ 0,64 por litro.
O custo total das medidas foi estimado pelo governo em R$ 30 bilhões. Para compensar, o governo elevou o imposto de exportação sobre petróleo de zero para 12%.

BRB não divulga dentro do prazo o balanço do ano passado O Banco de Brasília (BRB) convocou, para o próximo dia 22, uma nova assembleia para votar a ampliação do capital social do banco – o que pode ajudar a recuperar a situação patrimonial da instituição. A assembleia servirá, também, para homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o fim do ano passado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Banco Central determina que BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança Reprodução/TV Globo "O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado", diz o comunicado. Uma assembleia de acionistas com a mesma pauta tinha sido convocada pelo BRB para 18 de março, mas foi cancelada na noite anterior. O motivo foi a insegurança jurídica causada pelo vaivém de decisões judiciais sobre os imóveis públicos que o governo do DF pretende usar para capitalizar o banco. Balanço de 2025 sem data O BRB também anunciou, na noite desta terça-feira, que não cumprirá o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025. A legislação brasileira prevê que todas as instituições financeiras no país têm até o fim de março para divulgar suas demonstrações financeiras do ano anterior. O prazo termina às 23h59 desta terça. No comunicado de "fato relevante", o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade: "de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero'; "da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos." "A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas", diz o comunicado. "A apreciação do tema ocorrerá tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária", segue. Além da divulgação da demonstração financeira anual, os acionistas esperavam que o banco indicasse o pacote de soluções que usará para cobrir os prejuízos acumulados nas transações realizadas com o Banco Master. Ibaneis Rocha deixa governo do DF sem solucionar crise do BRB criada durante sua gestão A não divulgação das contas dentro do prazo tende, também, a afetar a confiança de investidores e analistas. Essa incerteza pode aumentar a volatilidade dos papéis ligados ao banco e pressionar ainda mais a imagem institucional do BRB. 🔎Volatilidade é uma medida econômica que indica a frequência e intensidade das mudanças no valor de um ativo em um período específico. No caso do BRB, a volatilidade pode se refletir nos ativos ligados ao banco, como títulos de dívida, e na percepção de risco do mercado. Celina Leão diz que não participou de decisões sobre BRB A crise no BRB O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense. A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país. Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado. LEIA TAMBÉM: NOVA CHEFE DO EXECUTIVO: BRB, violência contra mulher e 'GDF nas ruas': Celina Leão discursa ao assumir governo do DF ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA: Celina Leão cancela festa do aniversário e destina R$ 25 milhões à Saúde Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

BRB não divulga dentro do prazo o balanço do ano passado O Banco de Brasília (BRB) anunciou, na noite desta terça-feira (31), que não cumprirá o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025. A legislação brasileira prevê que todas as instituições financeiras no país têm até o fim de março para divulgar suas demonstrações financeiras do ano anterior. O prazo termina às 23h59 desta terça. O BRB não informou uma data prevista para a divulgação dos dados. No comunicado de "fato relevante", o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade: "de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero'; "da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos." Sede do Banco BRB Getty Images via BBC "A medida visa assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras, em observância aos deveres legais e fiduciários da Administração e à proteção dos interesses da Companhia e de seus acionistas", diz o comunicado. "A apreciação do tema ocorrerá tão logo concluídas as avaliações e providências em curso, mediante convocação específica para a continuidade da Assembleia Geral Ordinária", segue. Além da divulgação da demonstração financeira anual, os acionistas esperavam que o banco indicasse o pacote de soluções que usará para cobrir os prejuízos acumulados nas transações realizadas com o Banco Master. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O que acontece agora? Ao desrespeitar o prazo, o banco terá de prestar esclarecimentos a órgãos reguladores como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). ➡️As regras da CVM preveem multa diária caso os prazos sejam descumpridos. Os valores são baixos – o impacto maior é de imagem. ➡️ Se a infração ultrapassar 12 meses, o registro do BRB como companhia aberta (ou seja, que negocia ações em bolsa) pode inclusive ser suspenso. Ibaneis Rocha deixa governo do DF sem solucionar crise do BRB criada durante sua gestão A não divulgação das contas dentro do prazo tende, também, a afetar a confiança de investidores e analistas. Essa incerteza pode aumentar a volatilidade dos papéis ligados ao banco e pressionar ainda mais a imagem institucional do BRB. 🔎Volatilidade é uma medida econômica que indica a frequência e intensidade das mudanças no valor de um ativo em um período específico. No caso do BRB, a volatilidade pode se refletir nos ativos ligados ao banco, como títulos de dívida, e na percepção de risco do mercado. Celina Leão diz que não participou de decisões sobre BRB A crise no BRB O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense. A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país. Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado. LEIA TAMBÉM: NOVA CHEFE DO EXECUTIVO: BRB, violência contra mulher e 'GDF nas ruas': Celina Leão discursa ao assumir governo do DF ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA: Celina Leão cancela festa do aniversário e destina R$ 25 milhões à Saúde Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

O presidente da Argentina, Javier Milei Tomas Cuesta/Reuters O número de argentinos que vivem abaixo da linha da pobreza recuou no segundo semestre de 2025, para 8,5 milhões de pessoas, informou o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), nesta terça-feira (31). A pesquisa, que abrange 31 aglomerados urbanos da Argentina, aponta que 28,2% da população está em situação de pobreza. Entre as famílias, são 2,1 milhões — 21% do total. Essa é a menor taxa dos últimos sete anos. 🔎 Quando projetado para todo o território nacional (ou seja, além das áreas analisadas), cerca de 13,2 milhões de pessoas estariam na pobreza. Os novos dados indicam um cenário mais positivo, apesar da pressão sobre o presidente ultraliberal Javier Milei, que enfrenta desafios para estabilizar a economia. O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu em 2025, mas o avanço se concentrou em poucos setores, enquanto o consumo segue fraco e o desemprego é o maior desde a pandemia de Covid-19. (leia mais abaixo) 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No segundo semestre de 2025, cerca de 6 milhões de pessoas saíram da pobreza, segundo o Indec. A taxa recuou 3,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao primeiro semestre, quando 31,6% da população (14,5 milhões de pessoas) estavam nessa condição. 🔎 Para definir se um cidadão argentino está abaixo da linha da pobreza, o Indec considera a renda das famílias e o acesso a necessidades essenciais, como alimentos, vestuário, transporte, educação e saúde. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda de acordo com a pesquisa, 1,9 milhão de pessoas estão em situação de indigência, o equivalente a 6,3% da população avaliada. No primeiro semestre de 2025, eram 2,1 milhões (6,9%). Quando observadas as famílias, 500 mil foram consideradas indigentes (4,8%) no segundo semestre — abaixo das 566 mil contabilizadas nos primeiros seis meses do ano (5,6%). 🔎 Segundo o Indec, estão em situação de indigência as pessoas sem acesso a uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína. O governo de Javier Milei comemorou o resultado. Em nota, o Ministério do Capital Humano afirmou que a queda da pobreza reflete a implementação de “políticas econômicas que contribuíram para reduzir a inflação e estabilizar a economia”, além de outras ações da pasta. Na rede social X, Milei compartilhou uma série de publicações positivas sobre os números. Em uma delas, escreveu: “A pobreza continua diminuindo. É fato, não narrativa”. Ele concluiu com “MAGA”, em referência ao slogan de Donald Trump, “Make America Great Again”, adaptado por Milei à Argentina. Na avaliação de Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, o resultado confirma uma tendência de recuperação social, alinhada ao processo de desaceleração inflacionária, reorganização das contas públicas e maior previsibilidade econômica. "Avaliações técnicas indicam que a continuidade dessa tendência dependerá da evolução do mercado de trabalho, da recuperação dos salários reais e da manutenção do controle inflacionário, considerados essenciais para sustentar novos avanços sociais em 2026 e nos anos seguintes", diz. Economia argentina cresce, mas enfrenta desafios O PIB do país cresceu 4,4% em 2025, resultado que representa uma recuperação em relação a 2024, quando a economia retraiu 1,3%, conforme valores revisados. Esse foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão de Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023. Também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 6%, durante o governo de Alberto Fernández. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que, embora o resultado do PIB tenha sido positivo, ele ainda apresenta desafios estruturais, com crescimento concentrado em setores específicos e consumo interno ainda fraco — ou seja, os argentinos seguem consumindo pouco. PIB da Argentina Arte/g1 Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, explica que o consumo ainda baixo no país está diretamente ligado ao forte ajuste nas contas públicas promovido por Javier Milei. "Do lado da demanda, o crescimento do PIB foi sustentado principalmente pelas exportações, enquanto o consumo interno permaneceu fraco e o gasto público foi reduzido devido ao ajuste fiscal", avalia. A Argentina, que já enfrentava uma forte crise antes de 2023, passou por uma ampla reforma na economia sob o comando de Milei. Após assumir o cargo, ele paralisou obras federais e interrompeu o repasse de recursos aos estados, medidas que reduziram a atividade econômica em 2024. No chamado Plano Motosserra, o presidente também retirou subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais, provocando um aumento expressivo nos preços — com impacto direto no bolso dos consumidores. O cenário se estendeu para 2025. Isso fez o controle da inflação se tornar a principal obsessão do governo, embora a tarefa tenha se mostrado difícil. O índice de preços avançou 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, afetando diretamente o consumo. Em 2025, a inflação caiu para 31,5%, mas analistas avaliam ainda não ser o suficiente para a estabilização econômica. Tito Nolazco, da Prospectiva, destaca que Milei adotou medidas econômicas relevantes em seus dois primeiros anos de governo: implementou reformas pró-mercado, abriu a economia, eliminou restrições cambiais e reduziu a inflação. "Ele ainda não consegue, porém, que essa estabilização macroeconômica se traduza em geração de empregos, aumento do consumo e dinamismo da economia", analisa. Dados divulgados recentemente pelo Indec mostram que o desemprego subiu 1,1 ponto percentual em 2025, alcançando 7,5% — o maior nível desde a pandemia de Covid‑19. A taxa mede a proporção de pessoas sem trabalho que estão disponíveis e procurando emprego. Ano de transição Os dados de 2025 indicam que a economia argentina atravessa um momento de transição, com sinais de reorganização após o forte ajuste macroeconômico promovido por Milei, avalia Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo. "Embora esses avanços tenham sido acompanhados de custos no curto prazo, especialmente sobre o consumo e a atividade industrial, a economia apresentou sinais de reorganização, com melhora de alguns fundamentos, como o controle fiscal e a desaceleração inflacionária", diz. Conforme mostrou o g1, a Argentina registrou superávit nas contas públicas em 2024 e 2025, sob o governo Milei — ou seja, o país arrecadou mais do que gastou, mesmo considerando os juros da dívida. O país não alcançava dois anos consecutivos com resultado positivo desde 2008. A reorganização da economia, porém, ainda não se dá de forma equilibrada entre os setores. Segundo Jimena Zuniga, analista de geoeconomia da América Latina da Bloomberg Economics, o crescimento se manteve forte em alguns segmentos, como energia e mineração, mas continuou fraco em outros. "O setor manufatureiro e a maioria dos serviços — ou seja, os setores que empregam mais pessoas — permaneceram muito fracos. Por isso, embora as exportações tenham continuado crescendo sequencialmente, o consumo e o investimento praticamente não avançaram", analisa. Como os números impactam Milei — e o que esperar à frente Tito Nolazco, da Prospectiva, avalia que o principal desafio do governo de Milei em 2026 será gerar resultados concretos para os cidadãos, em busca de garantir uma base sólida de apoio social para o próximo ano eleitoral. O especialista projeta que o governo continuará com sua agenda de reformas no Congresso — muitas delas demandadas pelo setor privado —, mas ressalta que há um intervalo significativo entre a aprovação das medidas e seus efeitos reais na economia. "Explicar isso à população será fundamental do ponto de vista da comunicação governamental", afirma. Em fevereiro, Milei conseguiu aprovar no Congresso uma ampla reforma trabalhista que flexibiliza regras do mercado de trabalho. O governo comemorou o avanço de sua agenda de reformas, enquanto sindicatos e trabalhadores protestaram e prometeram disputas jurídicas. Nesta segunda-feira (30), a Justiça da Argentina suspendeu 82 artigos da reforma trabalhista. Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, destaca que o crescimento do PIB tem grande relevância política ao indicar que o programa econômico de Milei pode ter interrompido, em certa medida, a crise argentina. "Isso confere ao governo um ganho de credibilidade no curto prazo, especialmente junto a mercados e setores mais favoráveis às reformas", explica. Ele, entretanto, pondera que esse resultado traz ressalvas: o crescimento de 2025 reflete, em grande parte, a recuperação após a forte queda de 2024 e apresenta dados concentrados e pouco inclusivos. "A ausência de uma melhora consistente no emprego, no consumo e na atividade industrial limita o impacto político positivo do resultado", conclui. Economistas esperam que o PIB da Argentina volte a crescer em 2026. A pesquisa mais recente do banco central do país mostra que, em média, os analistas projetam alta de 3,4% para este ano.

Armazém com ureia em Sergipe Reprodução/TV Sergipe Os fertilizantes comprados pelo Brasil de empresas iranianas não serão impedidos de embarcar para o país, informou o embaixador do Irã, Abdollah Nekounam, nesta terça-feira (31). "Alguns meses atrás nós começamos a exportar fertilizante de ureia para o Brasil com algumas empresas na atividade. [...] Até o presente momento e no cenário atual, os produtos que foram adquiridos pelo Brasil não terão nenhum problema de ser exportados", declarou. Segundo o embaixador, algumas cargas já foram enviadas ao Brasil. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda Por que os fertilizantes do Oriente Médio importam? O Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), de 2025. A liderança é da Europa, seguida por Ásia e África. Analisando os países individualmente, a Rússia lidera o ranking, com China e Canadá logo atrás. As nações do Oriente Médio aparecem mais abaixo na lista, como Arábia Saudita (6º), Israel (8º), Omã (9º), Catar (11º) e Irã (22º). Apesar disso, o Oriente Médio tem um papel central no mercado de fertilizantes. A região responde, por exemplo, por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, destaca Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil. Considerando apenas a ureia, o Irã foi responsável por apenas 2% das compras brasileiras em 2025, segundo dados do Itaú BBA. Os principais fornecedores do produto são a Nigéria, Rússia e Catar, respectivamente. Mas isso não significa que não existe mais ureia iraniana no Brasil. Isso porque o Irã é alvo de sanções comerciais, por isso, realiza um tipo de triangulação: vende para países vizinhos e estes comercializam para o Brasil. Deste modo, é possível fugir da penalidade, explica Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA. No Brasil, os produtores costumam comprar adubos fosfatados e potássicos para o plantio de soja entre maio, junho e julho, detalha. Já a procura por adubos nitrogenados, como a ureia, ganha tração mais tarde, em novembro, dezembro e janeiro, visando a recomposição de estoques para a safra de milho. O Brasil é dependente das importações de fertilizantes. Uma alternativa ao Oriente Médio pode ser o Canadá, diz Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. Produtos que o Brasil mais compra do Irã. Arte/g1 Leia também: Etanol ajuda Brasil a conter alta do petróleo em meio à guerra com o Irã Bacalhau ou 'tipo bacalhau': o que saber para não errar na compra Sem banheiro e água: caminhoneiros relatam dias em fila em porto no Pará

O colapso do petróleo nos anos 1970 desencadeou uma crise econômica e financeira global James Pozarik/Liaison via Getty Images O fechamento por quase um mês de uma via crucial para o fornecimento global de energia, o Estreito de Ormuz, tem levado a alertas de que o mundo está caminhando em direção a problemas piores do que aqueles causados na crise do petróleo dos anos 1970. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Lars Jensen, especialista em transporte marítimo e ex-diretor da Maersk, uma das maiores companhias marítimas do mundo, afirmou à BBC que o impacto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode, aliás, ser "substancialmente maior" do que o caos econômico de 50 anos atrás. A opinião de Jensen se segue ao alerta feito pelo diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, no início deste mês, de que o mundo estava "enfrentando a maior ameaça da história à segurança energética global". A AIE é um organismo internacional que coordena a política energética e as reservas estratégicas de petróleo de 32 países industrializados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "É muito maior do que o que tivemos nos anos 1970, com os choques do preço do petróleo. É também muito maior do que o choque do preço do gás natural que tivemos com a invasão russa na Ucrânia", disse Jensen à BBC. Mas, ainda que o fechamento do Estreito de Ormuz cause a ruptura das cadeias globais de suprimentos, alguns especialistas afirmam que o mundo hoje é mais resiliente a impactos desse tipo do que aquele dos anos 1970. O que aconteceu na crise do petróleo dos anos 1970? A crise do petróleo dos anos 1970 foi "fundamentalmente diferente" da atual. O primeiro choque do petróleo naquela época foi "resultado de uma decisão política deliberada", explicou a economista e chefe executiva da Crystol Energy, Carole Nakhle, em entrevista à BBC. Em outubro de 1973, os produtores árabes de petróleo impuseram um embargo a um grupo de países liderados pelos EUA por causa do apoio a Israel durante a Guerra do Yom Kippur. O embargo foi acompanhado de uma ação coordenada para reduzir a produção de petróleo. A Guerra do Yom Kippur teve início em 6 de outubro de 1973, quando uma coalizão árabe liderada pelo Egito e pela Síria lançou um ataque combinado contra Israel, coincidindo com o feriado do Yom Kippur, um dia sagrado para os judeus. O então presidente egípcio, Mohamed Anwar el-Sadat, e o mandatário sírio, Hafez al-Assad, queriam recuperar territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967. Em meio à Guerra Fria, aparatos militares começaram a chegar da União Soviética para seus aliados sírios e egípcios, enquanto os EUA começaram a enviar material militar para Israel, o que irritou o mundo árabe. Com o embargo e o corte da produção de petróleo no Oriente Médio, "o preço do petróleo quase quadruplicou em poucos meses", conta Nakhle. A explosão dos preços levou a racionamentos nos países que eram grandes consumidores de petróleo e seus derivados, levando a uma "crise econômica e financeira global" com consequências duradouras. Tiarnán Heaney, pesquisador da Queen's University Belfast, na Irlanda do Norte, explica que o aumento do preço do petróleo elevou a inflação, "resultando em cortes nos negócios e alta do desemprego". "Isso levou a uma reação em cadeia que atingiu o tecido social de muitos países com greves, tumultos e aumento da pobreza, já que muitas pessoas sofreram para fechar a conta", afirma Heaney. Tanto os EUA quanto o Reino Unido tiveram recessões de 1973 a 1975, com a crise contribuindo para a queda do governo do conservador britânico Ted Heath em 1974. O Brasil, que vivia o chamado "milagre econômico", havia aumentado seu PIB (soma de todas as riquezas produzidas) em 14% em 1973. Mas, com o choque do petróleo, a alta anual do PIB caiu para 9% no ano seguinte e 5,2% em 1975. O crédito, que antes era farto, ficou de repente escasso. A economia brasileira, tão dependente de empréstimo estrangeiro, passou a enfrentar dificuldade. A rolagem da dívida externa teve de ser feita a juros mais elevados, o que deteriorou as contas públicas do país. Um segundo choque do petróleo veio em 1979, com a Revolução Islâmica do Irã. O que está acontecendo na atual crise do petróleo? Desde que os EUA e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã, em 28/2, o Estreito de Ormuz foi praticamente fechado para o tráfego de navios cargueiros. Esse fechamento levou a interrupções nas cadeias de fornecimento de petróleo, gás e outros produtos essenciais a partir de países do Golfo, que normalmente exportam cerca de 20% do petróleo global. O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou várias táticas para reativar o tráfego pelo Estreito de Ormuz, incluindo pedir a nações aliadas que enviassem embarcações militares para escoltar os cargueiros e ameaçar ampliar os ataques ao Irã se o país persa não permitisse a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Mas Jensen, especialista em transporte que agora atua na consultoria Vespucci Maritime, afirmou ao programa Today, da BBC, que muito do petróleo que deixou o Golfo há mais de um mês ainda está chegando às refinarias ao redor do mundo. Mas esse fluxo vai parar em breve. "A falta de petróleo que temos visto vai piorar, mesmo se o Estreito de Ormuz for magicamente reaberto amanhã", disse Jensen. "Nós vamos enfrentar preços de energia massivos não apenas enquanto a crise continuar, mas também por 6 a 12 meses depois que ela acabar." A crise atual poderia ser pior do que a dos anos 1970? Nakhle, executiva da Crystol Energy e secretária-geral do Clube Árabe de Energia, ressalta dois pontos: o mercado do petróleo é mais diversificado do que o dos anos 1970 e o seu peso relativo ao tamanho da economia global caiu bastante. Para Nakhle, ainda que os preços estejam altos, a crise atual não é tão grave quanto a dos anos 1970. "Ainda que o tamanho dos impactos seja significante, sem dúvida os maiores da história recente, o mercado é muito mais resiliente do que o dos anos 1970", afirma. "Ele é mais diverso, menos ligado ao petróleo, e mais bem equipado com 'para-choques' e mecanismos emergenciais de resposta." Heaney, pesquisador da Queen's University Belfast, afirma que algumas diferenças entre as duas crises podem favorecer o mundo hoje, incluindo um melhor entendimento sobre as economias e mais países além do Oriente Médio com reservas de petróleo. "O melhor cenário é o conflito acabar o mais rápido possível e uma certa estabilidade ser restaurada, diz Heaney. Alicia Garcia Herrero, economista-chefe para Ásia-Pacífico da Natixis CIB, afirma que os choques de petróleo dos anos 1970 levaram os preços às alturas com o corte de 5% a 7% do fornecimento global. Por outro lado, afirma Garcia Herrero, a crise atual afeta 20% dos suprimentos globais de petróleo. "A crise da guerra no Irã pode acabar sendo um choque maior [do que o dos anos 1970] se a situação não melhorar logo", diz ela, acrescentando que a crise também afeta o suprimento de gás e outros produtos refinados. "As consequências disso é que podemos vivenciar aumentos acentuados dos preços, uma inflação mais ampla e maiores riscos de recessão, especialmente em países da Ásia que importam bastante desse petróleo", afirma Garcia Herrero. "Reservas e eficiência oferecem certa margem que os episódios dos anos 1970 não tiveram, mas a escala da perda de suprimentos torna isso muito pior, sem solução rápida à vista." Reportagem adicional de Luis Barrucho LEIA TAMBÉM: A arma secreta do Brasil contra crises do petróleo, segundo a Economist Por que a pequena ilha de Kharg, alvo de Trump no Irã, é estratégica na guerra Como a China passou anos se preparando para uma crise mundial do petróleo e qual é o seu ponto fraco Trump sugere que aliados busquem petróleo no Esteiro de Ormuz à força

Logo do aplicativo TikTok Dado Ruvic/Reuters O TikTok está buscando aprovação do Banco Central para operar como uma instituição financeira no Brasil, informou a agência Reuters nesta terça-feira (31). A rede social controlada pela chinesa ByteDance pediu duas licenças: uma de "emissor de moeda eletrônica" e outra de "sociedade de crédito direto", disseram à Reuters fontes em condição de anonimato. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A primeira licença permitiria à empresa oferecer contas de pagamento digitais para usuários manterem dinheiro, receberem transferências e fazerem pagamentos no aplicativo do TikTok. Já a segunda daria à companhia o direito de oferecer seu próprio capital para empréstimos ou atuar como uma intermediadora entre tomadores e credores. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Executivos da ByteDance, incluindo o chefe de Pagamentos Globais, Liao Baohua, se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em Brasília na manhã desta terça-feira (31), de acordo com a sua agenda pública. A ByteDance lançou em 2021 o Douyin Pay, um sistema de pagamentos da versão chinesa do TikTok. A plataforma compete com outros serviços já estabelecidos no país como o WeChat Pay e o AliPay. A rede social também solicitou em 2023 uma licença para operar como serviço de pagamentos na Indonésia. O pedido foi recusado, e a plataforma passou a buscar parcerias com empresas locais. Em seu plano de expansão no Brasil, o TikTok anunciou no final de 2025 que construirá um data center no Ceará. O empreendimento vai gerar investimentos de mais de R$ 200 bilhões, segundo a empresa.

A economia brasileira gerou 255,3 mil empregos formais em fevereiro deste ano, informou nesta terça-feira (31) o Ministério do Trabalho com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em fevereiro: 2,381 milhões de contratações; 2,126 milhões de demissões. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, que teve geração de 440,4 mil empregos formais, houve uma queda, conforme dados oficiais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O resultado de fevereiro de 2026 é o pior para o mês desde 2023, quando foram criados 252,5 mil vagas, de acordo com a série histórica, iniciada em 2020. A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada, porque o governo mudou a metodologia naquele ano. Veja os resultados para os meses de fevereiro dos últimos anos: 2020: criação de 217,3 mil vagas 2021: abertura de 397,8 mil empregos 2022: criação de 353,4 mil vagas 2023: 252,4 mil novos empregos criados 2024: geração de 307,7 mil vagas 2025: abertura de 404,4 mil postos de trabalho 2026: 255,3 mil novos empregos Empregos por setor Os números do Caged de fevereiro de 2026 mostram que foram criados empregos formais em todos os cinco setores da economia. O maior número absoluto foi no setor de serviços. O comércio foi o que menos contratou no mês passado. Serviços: 177,9 mil Indústria: 32,0 mil Construção: 31,1 mil Agropecuária: 8,1 mil Comércio: 6,1 mil Acumulado do ano No acumulado de janeiro e fevereiro, o saldo é de 370,3 mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Esse valor foi menor do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando foram criadas 594,9 mil vagas formais. Veja a criação de empregos no acumulado de janeiro e fevereiro nos últimos anos: 2020: 329,4 mil 2021: 652,3 mil 2022: 520,8 mil 2023: 342,6 mil 2024: 480,9 mil 2025: 594,9 mil 2026: 370,3 mil Caged x Pnad Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não incluem os informais. Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). Carteira de trabalho digital Marcelo Camargo/Agência Brasil

Veja os vídeos que estão em alta no g1 As ações da Natura dispararam nesta terça-feira, superando R$10 pela primeira vez desde setembro do ano passado, após acordo que prevê a aquisição de uma participação de até 10% na fabricante de cosméticos pela norte-americana Advent International. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O compromisso firmado por acionistas signatários do acordo da Natura, incluindo os fundadores, com o fundo de investimento Lotus, detido pela empresa de private equity, envolve a aquisição no mercado secundário de participação equivalente a no mínimo 8% e no máximo 10% do capital social. A operação, de acordo com fato relevante da Natura na noite da véspera, deverá ocorrer no prazo de até seis meses, observado o preço-alvo médio de R$9,75. Alcançando essa participação minoritária, Advent poderá indicar dois membros adicionais para compor o conselho de administração e participar de alguns comitês de assessoramento do colegiado. "A possível entrada da Advent pode redefinir/reforçar o senso de responsabilidade e de 'ownership' na Natura, o que, ao longo do tempo, pode se traduzir em melhor execução, eficiência operacional e retornos", afirmaram analistas do Bradesco BBI em relatório publicado no final da segunda-feira. Por volta de 13h30, as ações saltavam 9,52%, a R$10,12, melhor desempenho entre os papéis do Ibovespa, que subia 1,69%. Os papéis não haviam sido negociados acima de R$10 desde 19 de setembro do ano passado, quando chegaram a R$10,44 na máxima daquela sessão. NOVO CONSELHO, SEM FUNDADORES A Natura também divulgou que os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos decidiram migrar do conselho de administração para um novo conselho consultivo, a ser instituído e eleito, conforme proposta a ser apreciada em assembleia de acionistas convocada para 29 de abril. De acordo com a proposta, o conselho consultivo, se instituído, terá por função zelar pela preservação dos propósitos, dos valores e da cultura da Natura, bem como pela perpetuação do legado dos seus fundadores, sem funções executivas ou poderes decisórios ou de representação da empresa. A Natura também anunciou que Fábio Barbosa deixará o conselho de administração, no qual ocupa a cadeira de presidente, e passará a atuar como membro do conselho consultivo, dependendo também da decisão na assembleia. Diante disso, a administração propôs a recomposição integral do conselho para um mandato de dois anos, a ser iniciado após a assembleia. A chapa proposta prevê a permanência de Duda Kertesz, João Paulo Ferreira (CEO) e Alessandro Carlucci, com este último assumindo a presidência do colegiado; além da entrada de Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra, parte da transição dos fundadores, e a eleição de Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto. Além dos fundadores e de Barbosa, Bruno Rocha e Gilberto Mifano também deixam o conselho. "Nós enxergamos a proposta de renovação do conselho, juntamente com a mentalidade estratégica de 'nova fase', como um desenvolvimento construtivo", afirma o relatório do Bradesco BBI assinado por Pedro Pinto e equipe, que têm recomendação "outperform" para as ações. "A nova composição traz profissionais experientes e seniores, mais alinhados às competências necessárias para a próxima etapa da companhia, e é liderada por Alessandro Carlucci, membro do conselho no último ano e, anteriormente, CEO da Natura em um ciclo de destaque (2004–2014)", acrescentaram. Os analistas do Bradesco BBI também destacaram que o envolvimento contínuo dos fundadores e "principais visionários da Natura deve ajudar a preservar a cultura da empresa e seu DNA estratégico de longo prazo, ativos fundamentais na construção de uma das marcas mais fortes do Brasil e da América Latina". Estande da Natura recebeu o público do Festival Negritudes, em Salvador, cidade palco que inspirou o perfumista Jerry Padoly. Matheus Thierry

Diesel: 17 estados aderem a proposta do governo para conter alta de preços Marcello Casal Jr./Agência Brasil Pelo menos 21 estados já indicaram adesão à proposta do governo federal que prevê uma subvenção (subsídio) a importadores de diesel para conter a alta do preço do combustível no país, segundo levantamento do g1. Entre os estados estão Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais. Outros ainda não se manifestaram. O governo do Rio de Janeiro, por exemplo, informou que vai aguardar a publicação da medida provisória para decidir sobre a adesão à política de subvenção ao diesel. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Confira abaixo os estados que se manifestaram a favor da medida: Acre (AC) Alagoas (AL) Amazonas (AM) Bahia (BA) Ceará (CE) Espírito Santo (ES) Maranhão (MA) Mato Grosso (MT) Mato Grosso do Sul (MS) Minas Gerais (MG) Paraíba (PB) Paraná (PR) Pernambuco (PE) Piauí (PI) Rio Grande do Norte (RN) Rio Grande do Sul (RS) Roraima (RR) Santa Catarina (SC) São Paulo (SP) Sergipe (SE) Tocantins (TO) Amapá (AP), Goiás (GO) e Pará (PA) ainda não se manifestaram. Rondônia (RO) e o Distrito Federal (DF) já se posicionaram contra. Nesta terça-feira (31), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida deve ser viabilizada mesmo sem unanimidade e será formalizada por medida provisória (MP) ainda nesta semana. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entenda a proposta Pela proposta apresentada aos governadores, o governo federal pretende conceder uma subvenção aos importadores de diesel para conter a alta dos preços. O benefício seria de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, dividido igualmente entre União e estados, com R$ 0,60 para cada parte. O acordo teria validade de dois meses e, nesse período, a perda estimada de arrecadação para os estados é de cerca de R$ 1,5 bilhão. A compensação será feita por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de cada unidade da federação. Nesse modelo, os estados não precisariam zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — diferentemente da proposta inicial, que previa a redução do imposto sobre o diesel. A iniciativa se soma a outras ações já adotadas pelo governo federal, como a isenção de PIS/Cofins e a subvenção de R$ 0,32 por litro já concedida pela União. Reunião dos estados Na semana passada, representantes do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) se reuniram em São Paulo com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, para discutir a medida. Na ocasião, Ceron afirmou que um número “relevante” de estados demonstrou apoio. Após o encontro, os estados que ainda não haviam se posicionado tiveram até segunda-feira (30) para enviar um parecer final. Ceron também afirmou que o governo tem atuado com urgência diante dos impactos da alta do petróleo. “É uma guerra da qual o país não participa diretamente, mas que traz impactos relevantes. O aumento do preço do petróleo afeta o diesel, que impacta a produção rural, os caminhoneiros, o transporte e a logística, e isso acaba sendo repassado para toda a sociedade”, disse. O secretário lembrou que já foram adotadas medidas como a redução de tributos e concessão de subsídios, mas que ainda são necessárias ações adicionais, especialmente na importação. “O Brasil exporta petróleo, mas ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Há uma preocupação com a incerteza nessa importação, que pode gerar problemas pontuais na distribuição, especialmente no setor rural”, explicou. Para ele, a proposta busca justamente reduzir esses riscos. “Não se trata de retirada de tributos dos estados, mas de uma medida conjunta para apoiar a população, os produtores rurais e os caminhoneiros, evitando que esse choque de preços chegue com força à ponta”, disse. Já o presidente do Comsefaz, Flávio Cesar de Oliveira, avaliou a reunião como positiva. Segundo ele, o encontro permitiu avanços importantes, principalmente no esclarecimento de dúvidas técnicas que ainda travavam a adesão de parte dos estados. A proposta inicial do governo previa zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação de metade das perdas pela União — um custo estimado em cerca de R$ 3 bilhões por mês, sendo R$ 1,5 bilhão ressarcido aos estados. A ideia, porém, foi rejeitada pelo Comsefaz, sob o argumento de que a redução do imposto comprometeria a arrecadação destinada a serviços públicos e nem sempre resulta em queda efetiva dos preços ao consumidor. Guerra no Oriente Médio O conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, com impacto agravado pelo fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global. 🔎 Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 115. Com isso, o produto caminha para encerrar março com a maior alta desde 1990. O receio é que o conflito provoque uma alta mais persistente dos preços de energia, pressionando a inflação e elevando o risco de desaceleração econômica em várias partes do mundo. 🛢️ O petróleo é extraído do solo ou do mar e, nas refinarias, passa por um processo de separação que gera diversos produtos, como gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha. O diesel é uma dessas frações e é amplamente utilizado em caminhões, ônibus, tratores e máquinas. Por isso, quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, o custo de produção do diesel também aumenta. No Brasil, a alta do diesel gera efeito em cadeia, encarecendo frete, alimentos, energia e o agronegócio. Desde o início da guerra, o preço médio do combustível acumula alta de 23,55%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados na última sexta-feira (27). Como principal combustível do transporte de cargas, o diesel mais caro tende a ser repassado ao longo de toda a cadeia produtiva. O movimento foge do padrão, já que reajustes costumam ocorrer após mudanças anunciadas pela Petrobras. (Saiba mais aqui) Diante desse cenário, o governo também quer ampliar o monitoramento das operações, com envio de notas fiscais em tempo real à ANP e compartilhamento de informações entre estados, incluindo listas de devedores contumazes. Em paralelo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga possíveis distorções de preços após relatos de aumento de margens no mercado. As medidas buscam coibir irregularidades, evitar fraudes e garantir que eventuais reduções de custos cheguem ao consumidor final. * Colaboraram com o levantamento de adesão dos Estados à proposta: Aline Nascimento, Lucas Leite, Jacqueline Nascimento, Josi Paixão, TV Bahia, Thaís Brito, Iana Caramori, Juirana Nobres, Vinicius Moraes, Cíntia Araújo, Camila Falabela, Loraine França, Caio Tumelero, Arielly Barth, Rogério Júnior, Luana Silva, Marina Servio, Caio Budel, Manuella Mariani, Bruno Marinho, Cristina Boeckel, Igor Jácome, Yara Ramalho, Pedro Trindade, Madu Brito, Mira Marques, Patrício Reis, Edson Reis e Caroline Borges.

Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Grupo Abra, holding que controla a companhia aérea Gol, informou nesta terça-feira que a Petrobras elevará os preços do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% a partir de 1º de abril. Segundo a empresa, o reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. O aumento pode ampliar a pressão sobre o setor aéreo brasileiro, em um momento em que duas das maiores companhias do país, Gol e Azul, ainda se recuperam de processos recentes de reestruturação de dívidas. O querosene de aviação é um dos principais custos das companhias aéreas. No Brasil, ele representa mais de 30% das despesas operacionais do setor. A Petrobras, maior produtora de petróleo do país, responde pela maior parte do refino e pela oferta desse combustível no mercado nacional. A empresa costuma ajustar os preços do QAV no início de cada mês, levando em conta fatores como a cotação internacional do petróleo e a variação do dólar. Procurada, a Petrobras não comentou o assunto. Tarifas mais altas A alta do combustível, associada à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras. O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o aumento anunciado pela Petrobras para abril será “moderado” quando comparado à alta observada no mercado internacional. Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias aéreas a lidar com variações nos custos ao longo do tempo. Ainda assim, o executivo disse, em conferência com analistas, que a empresa pode precisar elevar os preços das passagens sempre que o combustível ficar mais caro. De acordo com ele, um aumento de US$ 1 por galão no preço do querosene de aviação pode exigir uma alta de cerca de 10% nas tarifas. O grupo Abra também controla a companhia aérea colombiana Avianca. A Azul informou na semana passada que já aumentou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo de três semanas. A empresa também anunciou que pretende limitar o crescimento de sua operação para lidar com o aumento do combustível. Entre as medidas previstas está a redução de 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre. Governo avalia medidas Segundo reportagem publicada na segunda-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, o governo brasileiro estuda um pacote de medidas para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre o setor aéreo. Entre as propostas discutidas estão a criação de uma linha de crédito para ajudar companhias aéreas na compra de combustível e possíveis cortes de impostos. O Ministério de Portos e Aeroportos não comentou o assunto até o momento. Petrobras perde R$ 34 bilhões em valor de mercado após demissão de Jean Paul Prates Jornal Nacional/ Reprodução

Produtos da McCormick & Company são conhecidos pelos frascos com tampas vermelhas REUTERS/Andrew Kelly A empresa de temperos e condimentos McCormick anunciou nesta terça-feira (31) que vai se fundir à divisão de alimentos da Unilever, responsável por marcas conhecidas do público, como Hellmann’s e Knorr. A nova empresa manterá o nome e a liderança da McCormick. Após a conclusão do acordo, os acionistas da Unilever devem ficar com 55,1% da empresa de alimentos, além de 9,9% de participação em ações ainda em circulação. Já os acionistas da McCormick terão 35%. Avaliada em cerca de US$ 15 bilhões, a McCormick é conhecida por seus frascos de temperos com tampas vermelhas. O acordo anunciado nesta terça-feira não inclui as operações de alimentos da Unilever na Índia, no Nepal e em Portugal. Em comunicado oficial, o diretor-presidente da McCormick, Brendan Foley, afirmou que a união “acelera a estratégia da empresa e reforça o foco contínuo em sabor”. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo ele, a McCormick sempre admirou o negócio de alimentos da Unilever, que reúne marcas alinhadas ao que a empresa já faz hoje e aos seus planos de longo prazo. Unilever e McCormick confirmaram no mês passado que estavam negociando um acordo. A Unilever busca simplificar suas operações e concentrar seus esforços nos setores de beleza e cuidados pessoais. Mercado já esperava acordo "Existe lógica em uma venda do negócio de alimentos, cujos volumes foram reduzidos nos últimos anos", disse Harsharan Mann, gerente de portfólio da Aviva Investors, acionista da Unilever, em comentários enviados à Reuters. As ações da Unilever, que caíram mais de 6% até agora neste ano, subiam 0,9% no início das negociações desta terça-feira. As ações da McCormick subiam 3,9% nas negociações pré-mercado em Nova York. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Trajetórias de Unilever e McCormick A Unilever, sediada em Londres, foi fundada há quase um século a partir da união da fabricante holandesa de margarina Margarine Unie com a empresa britânica de sabonetes Lever Brothers. Atualmente, o grupo reúne dezenas de marcas conhecidas, como o sabonete Dove, a vaselina Vaseline, a maionese Hellmann’s, a bebida hidratante Liquid I.V., o desodorante Axe e o creme dental Pepsodent. Em 2024, a Unilever anunciou a separação de seu negócio de sorvetes, que incluía marcas como Ben & Jerry’s, Magnum e Breyers. Essa área passou a operar de forma independente com o nome Magnum Ice Cream Co., com sede em Amsterdã. Unilever vendeu divisão de sorvetes com marcas famosas, como Ben & Jerry's e Magnum REUTERS/Kylie Cooper No ano passado, a empresa também vendeu a The Vegetarian Butcher, marca de alimentos à base de plantas, e a Graze, voltada a lanches considerados mais saudáveis. A McCormick, com sede em Hunt Valley, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, vem ampliando seu conjunto de marcas para acompanhar o interesse crescente dos consumidores por sabores e molhos de diferentes partes do mundo. Fundada há 137 anos, a McCormick comprou em 2017 a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser, que incluía marcas como a mostarda French’s e o molho de pimenta Frank’s RedHot. Em 2020, adquiriu a Cholula, marca mexicana de molho apimentado.

Licença-paternidade ampliada no Brasil; veja como funciona em outros países O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (31) o projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias a partir de 2029. O benefício será concedido aos pais em casos de nascimento, adoção ou obtenção de guarda de criança ou adolescente. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A ampliação da licença-paternidade era discutida no Congresso Nacional há mais de uma década. A Constituição de 1988 já prevê o direito, mas determinou que uma lei específica deveria regulamentar a duração do benefício. A proposta institui o salário-paternidade como benefício previdenciário e promove alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e nas normas da seguridade social, com o objetivo de aproximar a proteção à paternidade das garantias já asseguradas à maternidade. “O projeto também prevê situações em que a licença-paternidade será equiparada à licença-maternidade, como nos casos em que não houver registro da mãe na certidão de nascimento ou quando a adoção ou a guarda for concedida exclusivamente ao pai”, afirma Rodrigo Marques, gestor de relações trabalhistas do PG Advogados. pai bebê filho licença paternidade Pexels Para a Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), a aprovação do projeto que amplia a licença-paternidade representa um avanço histórico e um primeiro passo para incentivar uma divisão mais equilibrada do cuidado com os filhos. Segundo a entidade, a medida pode trazer benefícios como melhora no desenvolvimento infantil, apoio à recuperação das mães e impactos positivos no mercado de trabalho, além de ajudar a reduzir desigualdades de gênero. Entenda abaixo o que diz a nova lei: O que muda com a nova lei? Em que situações o benefício pode ser negado? Em quais casos o benefício pode ser estendido? Como fica em casais homoafetivos? O trabalhador terá estabilidade? Quem terá direito? Como fica o Programa Empresa Cidadã? Senado aprova projeto que amplia gradulmente a licença-paternidade O que muda com a nova lei? Trabalhadores tinham direito a cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela empresa. Além disso, empresas que participam do Programa Empresa Cidadã podem conceder mais 15 dias de licença aos funcionários e, em troca, recebem deduções no Imposto de Renda. Pela nova regra, a duração da licença-paternidade passará a ser: 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027; 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028; 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029. A proposta também prevê que a Previdência Social passará a arcar com o custo do afastamento. Na prática, a empresa continuará pagando o salário normalmente e depois será reembolsada pelo INSS. O texto garante que o empregado receberá a remuneração integral ou o valor equivalente à média dos últimos seis meses. O trabalhador também poderá emendar a licença às férias. No entanto, o período não poderá ser dividido. Empresas cidadãs encolhem 71% em dois anos, e acesso à licença-maternidade ampliada diminui Em que situações o benefício pode ser negado? Pela nova lei, o benefício poderá ser negado ou suspenso em casos de violência doméstica ou familiar, além de situações de abandono material — quando o pai deixa de prestar assistência financeira à criança. O salário-paternidade também poderá ser suspenso caso o trabalhador não se afaste efetivamente de suas atividades durante o período da licença. Em quais casos o benefício pode ser estendido? A lei prevê algumas situações em que o período de licença poderá ser ampliado: Falecimento da mãe: O pai ou companheiro passa a ter direito ao período da licença-maternidade, que varia de 120 a 180 dias. Criança com deficiência: Caso o recém-nascido — ou a criança ou adolescente adotado — tenha deficiência, a licença-paternidade será ampliada em um terço. Na prática, isso pode representar cerca de 13, 20 ou aproximadamente 27 dias, dependendo da fase de implementação da nova regra. Adoção ou guarda unilateral: Quando o pai adota sozinho a criança ou obtém a guarda sem a participação da mãe ou de um companheiro, ele também terá direito ao período equivalente ao da licença-maternidade. Parto antecipado: A licença-paternidade também será estendida e garantida nesses casos, independente do motivo para atencipação do parto. Internação da mãe ou do recém-nascido: O início da licença poderá ser adiado e passará a contar apenas após a alta hospitalar da mãe ou da criança. Ausência do nome da mãe no registro civil: Se no registro de nascimento não constar o nome da mãe, o pai terá direito a uma licença equivalente à licença-maternidade de 120 dias, além da estabilidade no emprego prevista nesses casos. Como fica em casais homoafetivos? O Supremo Tribunal Federal já decidiu, em casos específicos, pela concessão de licença-maternidade em casais homoafetivos. No entanto, a aplicação das regras para casais formados por dois homens ainda depende de análise caso a caso. De acordo com a nova lei, um dos integrantes do casal poderá receber a equiparação à licença e ao salário-maternidade. O texto também estabelece que, em casos de adoção por casais homoafetivos, uma pessoa poderá usufruir do período referente à licença-maternidade, enquanto a outra terá direito ao período vinculado à licença-paternidade. A ampliação da licença-paternidade para 20 dias representa um avanço, mas ainda é uma mudança tímida. O Brasil continua adotando um modelo que concentra o cuidado com o recém-nascido quase exclusivamente na mulher e ainda não avançou para uma política efetiva de licença parental compartilhada. "Ao mesmo tempo, a nova lei traz um ponto relevante ao reconhecer que, em determinadas situações, a função parental exercida pelo pai pode justificar um período de afastamento equivalente ao da licença-maternidade, corrigindo, ainda que parcialmente, uma distorção já tensionada pela jurisprudência recente", completa a especialista Ana Gabriela Burlamaqui. O trabalhador terá estabilidade? Assim como ocorre com as trabalhadoras grávidas, o projeto cria uma proteção contra demissão sem justa causa. A proposta proíbe a demissão arbitrária durante o período da licença e também por até 30 dias após o retorno ao trabalho. Caso o trabalhador seja dispensado nesse período, poderá ter direito à reintegração ao emprego ou a uma indenização equivalente ao dobro da remuneração referente ao período de estabilidade. Licença-paternidade de servidores do DF é de 30 dias. Foto: Tony Winston/Agência Brasília Quem terá direito? Outra mudança amplia o número de trabalhadores que poderão acessar o benefício. Atualmente, o direito está concentrado principalmente em trabalhadores com carteira assinada. Com a nova regra, passam a ter direito: trabalhadores com carteira assinada; autônomos; empregados domésticos; microempreendedores individuais (MEIs); demais segurados do INSS. Como fica o Programa Empresa Cidadã? Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã poderão continuar ampliando a licença-paternidade em 15 dias adicionais em troca de deduções no Imposto de Renda. Com a nova lei, porém, esses 15 dias passarão a ser somados aos 20 dias previstos na legislação, e não mais aos cinco dias atualmente garantidos. Senado aprova projeto que amplia licença-paternidade

Meta lança dois óculos inteligentes Ray-Ban para usuários de lentes com grau Divulgação/Meta A Meta lançou dois óculos inteligentes da Ray-Ban nesta terça-feira (31), ampliando sua atuação em uma área que se tornou um dos poucos sucessos da empresa na corrida por dispositivos com recursos de inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os novos óculos, disponíveis para pré-venda nos Estados Unidos a partir de US$ 499, ampliam as opções para usuários que precisam de correção visual. O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, disse em janeiro que “bilhões de pessoas usam óculos ou lentes de contato para correção da visão”. A Meta informou que os novos produtos — Ray-Ban Meta Blayzer Optics e Ray-Ban Meta Scriber Optics — estarão disponíveis em óticas nos EUA e em mercados internacionais selecionados a partir de 14 de abril. Segundo a empresa, os novos modelos oferecem opções de ajuste que os tornam adaptáveis ao formato do rosto de cada usuário. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As vendas globais de óculos inteligentes atingiram 9,6 milhões de unidades no ano passado, com a Meta respondendo por cerca de 76,1% do total, disse o diretor de pesquisa da IDC, Ramon Llamas. Ele acrescentou que as vendas devem chegar a 13,4 milhões de unidades em 2026. A Meta lançou os óculos Meta Ray-Ban Display por US$ 799 no ano passado, seu primeiro modelo com tela integrada, permitindo que os usuários leiam mensagens, sigam instruções de navegação e interajam com serviços de IA sem precisar de um telefone. No início deste ano, no entanto, a empresa atrasou o lançamento global do modelo, citando escassez de oferta e forte demanda. Os óculos Display também podem ser encomendados com lentes de grau por um adicional de US$ 200. A rival Snap Inc. criou uma subsidiária independente para seus óculos inteligentes de realidade aumentada e se prepara para lançar o produto ao consumidor. Enquanto isso, o Google firmou parceria com a Warby Parker para lançar óculos com inteligência artificial. CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025. REUTERS/Carlos Barria

Estande da Huawei da World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025 REUTERS/Go Nakamura A chinesa Huawei Technologies anunciou nesta terça-feira (30) um crescimento de 2,2% na receita em 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelas áreas de infraestrutura de rede e de dispositivos de consumo, enquanto o negócio de computação em nuvem teve queda no faturamento. A empresa, que tem sede em Shenzhen, alcançou receita de US$ 127,5 bilhões em 2025, alta de 2,2% em comparação com o ano anterior. O resultado mostra uma desaceleração significativa frente ao crescimento de 22,4% registrado em 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O desempenho de 2025 representa a segunda maior receita anual da Huawei, abaixo apenas do recorde de US$ 128,9 bilhões obtido em 2020. O lucro líquido cresceu 8,6%, chegando a US$ 9,8 bilhões. A área de consumo, que reúne smartphones e outros aparelhos digitais, registrou aumento de 1,6% na receita, para US$ 49,8 bilhões. A divisão de infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação, principal fonte de faturamento da empresa, teve crescimento de 2,6% nas vendas, que somaram US$ 54,2 bilhões, segundo comunicado da Huawei. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Já o negócio de computação em nuvem (embora menor, mas relevante para a companhia) apresentou queda de 3,5% na receita, reflexo da forte concorrência no mercado chinês. A área de soluções automotivas inteligentes, voltada ao apoio a montadoras tradicionais no desenvolvimento de veículos com tecnologia avançada, registrou alta expressiva de 72,1% na receita, que alcançou US$ 6,5 bilhões.

Ao menos 24 estados aceitaram proposta do governo sobre ICMS O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (31) que o governo está "muito perto" de convencer todos os estados a aderir ao acordo proposto que fixa uma subvenção, um auxílio a importadores de diesel. A declaração ocorreu durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, nesta manhã. Essa é mais uma iniciativa do governo para tentar conter a escalada do preço do diesel, em alta por conta da guerra no Oriente Médio. Ao menos 24 estados já aceitaram a proposta do governo, segundo informações obtidas pela GloboNews. Há, entretanto, ao menos um posicionamento contrário. O governo do Distrito Federal se manifestou contra, enquanto outras unidades da federação ainda não se posicionaram oficialmente. O governo do Rio de Janeiro informou que vê possibilidade de adesão, mas somente após a publicação da Medida Provisória. Questionado por jornalistas, ele confirmou que isso é suficiente para levar adiante a proposta, e que Medida Provisória com a regulamentação será publicada ainda nesta semana. "Sim, a proposta vai ser viabilizada. Ontem vários governadores me escreveram, eu liguei para alguns deles, e a gente está chegando muito próximo de ter todos, ou praticamente todos, os governadores e os estados aderindo com a lógica de que a gente está trabalhando juntos", disse Durigan. Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, mas devem ser ratificadas posteriormente pelo Congresso Nacional. "Acho que a gente teve uma boa compreensão de que é uma medida limitada por período temporário [até o fim de maio] e os governadores entenderam que nós temos que colocar o interesse do país acima", acrescentou o ministro da Fazenda. Novo ministro da Fazenda durante reunião ministerial nesta terça-feira (31). Reprodução/ CanalGov Durante a reunião, Durigan fez um balanço da situação econômica do país e das medidas adotadas pelo governo. Entre as ações, citou o decreto que zerou impostos federais sobre o diesel, "muito pra atacar a questão do abastecimento e do impacto do preço no bolso das famílias dos nossos caminhoneiros", afirmou. "A pedido do presidente eu propus aos estados pra que, junto conosco, retirassem o peso do ICMS na importação do diesel, e ontem falando com vários governadores, estamos muito próximos de ter unanimidade dos estados aderindo a proposta do presidente Lula", prosseguiu. De acordo com interlocutores dos estados, a medida não precisa de unanimidade entre os governadores para que seja implementada, e nem mesmo de aprovação pelas assembleias legislativas. O ministro Dario Durigan, da Fazenda, confirmou que a medida não precisa de unanimidade para ser implementada. Entenda a proposta Pela proposta apresentada na semana passada aos governadores, o governo federal pretende bancar uma subvenção (um tipo de subsídio) aos importadores de diesel. A ajuda financeira ao setor seria de R$ 1,20 por litro de diesel importado, até o fim de maio. De acordo com Durigan, R$ 0,60 será coberto pelos estados e R$ 0,60 pela União. Durante as negociações, ficou definido que o acordo terá validade de apenas dois meses, período no qual os estados terão uma perda estimada de arrecadação de R$ 1,5 bilhão. A subvenção será dada por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de cada unidade da federação. Alguns secretários de Fazenda dos estados manifestaram preocupação de que, se a medida for prorrogada, os números da renúncia de arrecadação serão bem maiores do que o valor estimado inicialmente. Nesse formato, os estados não precisariam zerar o ICMS. A medida proposta difere um pouco da sugerida anteriormente, pela qual os estados zerariam o tributo sobre o diesel. Segundo o ministro Dario Durigan, a proposta, se aceita, será uma medida adicional ao que já tinha sido anunciado pelo governo federal, a isenção do PIS/Cofins e da subvenção de R$ 0,32 por litro concedida pela União, e concessão de subsídio a produtores e importadores (em mais R$ 0,32). Guerra no Oriente Médio O movimento do governo ocorre em meio às tensões geopolíticas que têm pressionado o mercado internacional de energia. Conflitos no Oriente Médio e a instabilidade em regiões produtoras de petróleo aumentaram a volatilidade dos preços no exterior, o que tende a impactar o valor dos combustíveis no Brasil. Diante desse cenário, o governo Lula já vinha estudando medidas para reduzir os efeitos dessas oscilações no Brasil.

Novo ministro da Fazenda durante reunião ministerial nesta terça-feira (31). Henrique Raynal | CC O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (31) que tem pedido à Receita Federal que finalize os procedimentos para que os trabalhadores não mais precisem declarar Imposto e Renda, tendo apenas de validar as informações. De acordo com ele, a ideia é que a declaração do IR, no futuro, contenha mais dados enviados por empresas e por bancos, por exemplo, formato conhecido como pré-preenchido. Seria uma evolução desse tipo de declaração. O Fisco estima que a declaração pré-preenchida, disponível desde o início de prazo de apresentação neste ano, já deve concentrar 60% dos contribuintes neste ano. "O que tenho pedido para a Receita é que a gente construa o sistema para logo, que a gente não precise mais declarar Imposto de Renda. Como a gente tem um país informatizado, as informações dos bancos, do plano de saúde, das empresas, isso tudo vai sendo colocado no sistema e pessoa precisa validar simplesmente", explicou Durigan durante reunião ministerial nesta terça. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA MAIS: Lula confirma que Geraldo Alckmin será candidato a vice na chapa que disputará reeleição Ele avaliou, ainda, que é preciso caminhar para um país com "menos burocracia, para uma economia de inovação". "O Brasil é liderança global nisso", completou. Declaração pré-preenchida 🔎Na declaração pré-preenchida, a Receita Federal mostra ao contribuinte informações de rendimentos, deduções, bens e direitos e dívidas e ônus reais – que são carregadas automaticamente, sem a necessidade de digitação. 🔎Para optar pela declaração pré-preenchida, é preciso ter uma conta níveis prata ou ouro no "gov.br". Para quem não faz a própria declaração, ainda existe a alternativa de usar o site ou app "Meu Imposto de Renda". Nele, é possível dar autorização de acesso à declaração pré-preenchida para qualquer CFP ou CNPJ, evitando assim o compartilhamento da senha gov.br. A Receita Federal alerta que os contribuintes devem checar atentamente as informações da declaração pré-preenchida, pois elas são enviadas por de terceiros. Começa prazo para entrega do Imposto de Renda; declaração pré-preenchida já está disponível, por enquanto, com informações básicas Jornal Nacional/ Reprodução Neste ano, a declaração pré-preenchida também passará a informar: recuperação das informações de pagamento (DARFs); informações do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de renda variável (comum e day-trade); informações do eSocial – empregados domésticos; otimização na recuperação das informações dos dependentes (núcleo familiar). Em anos anteriores, que continuam a valer em 2026, também foram disponibilizadas informações sobre: contribuições de previdência privada; atualização do saldo de conta bancária e poupança; atualização do saldo de fundos de investimento; imóveis adquiridos no ano calendário; doações efetuadas no ano calendário; conta bancária/poupança ainda não declarada; fundo de investimento ainda não declarado; contas bancárias no exterior.

Pessoas protestam contra a violência sexual e em apoio à atriz Collien Fernandes, em Berlim. REUTERS/Christian Mang/File Photo Milhares de pessoas estão se manifestando na Alemanha em apoio à atriz Collien Fernandes, que acusa seu ex-marido de divulgar vídeos pornográficos falsos gerados por inteligência artificial (IA), na qual ela aparece em evidência. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De Berlim à Frankfurt, passando por Hamburgo, diversos atos foram realizados para apoiar Fernandes, muitos deles convocados pelo coletivo Vulver, que denunciou as "lacunas gritantes" da proteção jurídica das mulheres na internet. A Alemanha já estava preparando um projeto de lei sobre a divulgação de vídeos falsos gerados com IA (chamados "deepfakes"), mas a publicação, em meados de março, de uma investigação da revista Spiegel sobre este caso evidenciou a urgência de regular estas práticas. Collien Fernandes, de 44 anos, que também é modelo e apresentadora de televisão, acusa o ex-marido, o ator e apresentador Christian Ulmen, de 50 anos, de ter criado perfis falsos nas redes sociais para contactar homens, sobretudo do seu círculo social, e de ter difundido vídeos pornográficos falsos em que aparece sua imagem. Devido a isso, a atriz sofre assédio online há anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Alguns meios de comunicação alemães observam neste cenário o equivalente digital ao caso da francesa Gisèle Pelicot, que se tornou uma figura mundial da luta contra a violência sexual por ter denunciado publicamente os estupros cometidos por dezenas de homens recrutados por seu ex-marido. "Paraíso para os agressores" Na sexta-feira, a Procuradoria alemã afirmou que está investigando Ulmen por uma "suspeita inicial" baseada nos elementos apresentados pela atriz no artigo da Spiegel. Por ora, investiga-se o crime de assédio, mas outras infrações podem ser acrescentadas posteriormente. Uma denúncia já havia sido apresentada em 2024, mas foi arquivada em junho por falta de pistas para identificar o autor dos vídeos. Fernandes denunciou que o marco jurídico para casos deste tipo continua sendo muito limitado na Alemanha, país que é, segundo ela, um "paraíso para os agressores". A atriz também apresentou uma queixa na Espanha, onde o casal morava e no qual a legislação sobre violência contra as mulheres é mais rígida. O escândalo levou milhares de pessoas às ruas. No dia 26 de março, 17.000 manifestantes protestaram em Hamburgo, no norte do país, para pressionar o governo. Pessoas protestam contra a violência sexual e em apoio à atriz Collien Fernandes, em Berlim. REUTERS/Christian Mang/File Photo Merz acusa imigrantes Após ter recebido ameaças de morte, Collien Fernandes descartou em um primeiro momento participar das mobilizações, mas acabou por subir ao palco, vestindo um colete à prova de balas por baixo de um casaco, "pois [há] homens, e apenas homens, que querem me matar", afirmou sob os aplausos da multidão. Os manifestantes estão também "do lado das vítimas que não têm uma voz tão forte nem qualquer publicidade", declarou à AFP Luna Sahling, porta-voz da Juventude dos Verdes, que organizou outra marcha no domingo em Munique (sul). "Precisamos de leis verdadeiras que sensibilizem especialmente as mulheres sobre esta violência digital", sublinhou. Questionado há alguns dias por uma deputada sobre o que pretendia fazer para proteger as mulheres da violência, o chefe de Governo alemão, Friedrich Merz (conservador), evocou uma "explosão da violência na nossa sociedade, tanto no espaço físico como no digital". Mas causou grande polêmica ao afirmar que uma "parte considerável desta violência procede das comunidades de imigrantes", em uma tentativa adicional de travar o avanço da extrema direita, com um discurso cada vez mais duro contra os migrantes. "Uma mentira populista escandalosa", reagiu Lydia Dietrich, diretora da associação feminista Frauenhilfe München, durante o ato de apoio a Collien Fernandes na capital da Baviera. Christian Ulmen e Collien Fernandes eram um casal de celebridades muito conhecido na Alemanha G. Chlebarov/VISTAPRESS/IMAGO
GR Yaris chega ao Brasil por R$ 354.990
O Toyota lançou nesta terça-feira (31) o novo GR Yaris no Brasil em duas versões: automática e manual. Durante a pré-venda, que termina hoje, a marca vendeu todas as 99 unidades do primeiro lote.
A previsão inicial da Toyota era de emplacar 198 GR Yaris no Brasil em 2026. O preço é R$ 354.990.
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O motor é o três cilindros 1.6 turbo mais potente do mundo. O hatch produz 304 cv e 40,8 kgfm de torque.
Para aguentar toda essa força, os pistões são reforçados. A injeção direta teve pressão elevada para 260 bar. O radiador de óleo teve sistema de refrigeração aperfeiçoado e o Toyota pode pulverizar água no intercooler para controlar a temperatura do ar na admissão.
A tração é integral GR-Four, a mesma usada pelo GR Corolla. E pode ser ajustada para o modo Normal, Gravel (cascalho) e Track. A novidade é a opção de câmbio automático de oito marchas, além do manual de seis marchas que já era oferecido.
A estrutura é exclusiva da Gazoo Racing, divisão esportiva da Toyota. São aplicados 15% a mais de pontos de solda e 15% a mais de adesivos estruturais. A suspensão dianteira é McPherson; a traseira, independente, usa double wishbone.
A direção elétrica foi recalibrada por Kazuya Oshima, piloto japonês multicampeão em categorias de protótipos e Fórmula.
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*Essa reportagem está em atualização.

CASO MASTER 🔍 Documentos internos do Banco de Brasília (BRB) apontam que o Banco Master cancelou reuniões, deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar o 58% das ações Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro. As informações estão em relatórios, de 4 de abril e de 19 de maio de 2025, elaborados por um grupo de trabalho do BRB responsável por analisar operações do produto CredCesta — um cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, onde o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento. O g1 questionou o BRB, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Segundo os documentos, o banco identificou inconsistências em repasses financeiros, falhas na documentação e dificuldades para verificar contratos. Com o diagnóstico, o BRB tentou, sem sucesso, resolver os problemas diretamente com o Master. De acordo com o primeiro relatório, concluído uma semana depois do BRB informar ao mercado a intenção de comprar o Master, o banco passou a enviar cobranças após identificar divergências nos repasses. Em um dos casos, técnicos apontaram que parcelas previstas não haviam sido incluídas nos arquivos enviados pelo Master, o que gerou uma "inadimplência muito acima do esperado". Diversos adiamentos Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 Rovena Rosa/Agência Brasil Já no segundo relatório o banco destaca que, além dos e-mails, encaminhou ao menos três cartas formais pedindo esclarecimentos sobre pendências financeiras, critérios das operações e cumprimento de cláusulas contratuais. Houve apenas resposta parcial a um dos pedidos. O segundo relatório detalha uma sequência de tentativas frustradas do BRB de se reunir com o Banco Master para tratar de pendências nas carteiras de crédito. A primeira reunião foi marcada para 4 de abril. Na própria data, o Banco Master pediu o adiamento do encontro para o dia 7. No encontro, a pauta foi alterada e a reunião específica sobre lastros acabou remarcada para o dia seguinte, 8 de abril No dia 8, a reunião chegou a ser realizada, mas, segundo o relatório, serviu apenas para que o Banco Master solicitasse um novo adiamento, passando o encontro para o dia seguinte. Em 9 de abril, pouco antes do horário previsto, o Master voltou a pedir o reagendamento, desta vez para o dia 14 de abril. Na ocasião, o BRB havia solicitado ao banco quatro levantamentos considerados essenciais para a análise das carteiras, mas nenhum deles foi apresentado. Segundo o relatório, os pedidos envolviam: a relação de contratos originados por associações; a relação de contratos originados diretamente pelo Banco Master; a listagem dos contratos do produto CredCesta; e a identificação de contratos de crédito consignado e de outros produtos vinculados às operações. De acordo com o documento, o próprio Banco Master informou, por e-mail, que não havia conseguido concluir esses levantamentos, o que motivou o novo pedido de adiamento da reunião. No dia 14 de abril, o Banco Master declinou da reunião. O BRB chegou a pedir, por meio de mensagens, que fosse informada uma nova data e horário ainda naquele dia, mas não houve retorno. Diante da sequência de adiamentos e da falta de resposta, em 15 de abril de 2025 o grupo de trabalho do BRB registrou formalmente preocupação com o que classificou como “constantes remarcações e recusas” do Banco Master em participar das reuniões. Primeira visita técnica Na mesma data, o grupo de trabalho iniciou a primeira visita técnica na sede do Master, em São Paulo, para tentar avançar na resolução das pendências. Entre os dias 15 e 17 de abril de 2025, o grupo de trabalho esteve no Master com o objetivo de obter respostas às cobranças feitas nas cartas formais e conciliar informações financeiras relacionadas aos repasses. O relatório destaca que o controle das operações era feito de forma manual, por meio de planilhas, e havia limitações na capacidade de calcular os valores de repasse. O documento também aponta demora no atendimento às demandas do BRB e pouco conhecimento, por parte da equipe do Master sobre parte das operações — especialmente aquelas originadas por associações. Durante os trabalhos, técnicos do BRB identificaram valores referentes a parcelas que constavam nos arquivos, mas não haviam sido repassados financeiramente. De acordo com o documento, foram identificados cerca de R$ 15,5 milhões nessas condições, dos quais o Banco Master reconheceu aproximadamente R$ 14,5 milhões, que foram efetivamente pagos durante a visita do grupo de trabalho. Segunda visita técnica Uma segunda visita técnica foi realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 com o objetivo de aprofundar a apuração sobre averbações, lastros e informações complementares das operações, além de discutir aspectos operacionais, como a possibilidade de utilização de conta escrow — uma conta do Banco Master no BRB onde os repasses dos órgãos pagadores seriam depositados diretamente, permitindo ao BRB conciliar os valores antes de qualquer movimentação. Foi nesta visita que o BRB descobriu que boa parte das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Daniel Vorcaro e sim a Tirreno, empresa fundada meses antes, em 4 de novembro de 2024. Quando questionada nas reuniões anteriores sobre a origem das carteiras de crédito, a equipe do Master dizia que parte dos contratos vinha de uma "associação", mas sem identificar o nome da instituição. A identificação formal como Tirreno só veio na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix. Duas semanas depois, segundo o relatório, o Master informou ao BRB em uma reunião virtual que não realizava o registro dessas operações em seu balanço, o que, segundo o grupo de trabalho, dificultava a rastreabilidade e a validação dos contratos adquiridos. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025. Comprou então créditos - sem realizar qualquer pagamento – da Tirreno para, em seguida, revender ao BRB. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.