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Governo fala daqui a pouco sobre novo tarifaço de 25% dos EUA contra Brasil Ministério da Indústria e Comércio faz coletiva sobre as novas taxas aplicadas ao paós. Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira fez um pronunciamento sobre o assunto. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa.. Vieira ainda classifica como 'ofensivas' declarações de Rubio e diz que secretário dos EUA ataca Lula com grosseria e arrogância.. A nova tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho e atingirá principalmente bens industriais e alguns produtos agrícolas.. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora. Já produtos como açúcar, etanol, tabaco , entre outros, serão taxados. Veja a lista aqui. . A medida gerou uma disputa em torno da responsabilidade. Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação, o governo defende que a determinação tem caráter político.

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (16) que há grandes chances da produção de carnes brasileira não conseguir atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobiano e, com isso, perder acesso a esse mercado. "Eu acho que o Ministério da Agricultura está dialogando com todos os elos da cadeia, tanto com a indústria quanto com os pecuaristas, para se chegar a uma boa decisão que ainda não temos, mas a gente está acompanhando para que a gente chegue nessa boa decisão", afirmou Perosa. Segundo Perosa, considerando o ciclo da criação bovina, as exigências podem não ser atendidas, pois a adaptação levaria cerca de 30 meses, ou seja, dois anos e meio. 🔎 Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia. No início de junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com isso, o país ficará impedido de exportar carnes para o mercado europeu a partir de 3 de setembro. Na lista publicada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Agora, o país estará impedido de exportar todos esses produtos para o bloco de países europeus. Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar para a União Europeia. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado da lista por não apresentar as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos. Embora represente uma parcela relativamente pequena do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por concentrar a compra de cortes de maior valor agregado. No ano passado, 5% das exportações brasileiras de carne tiveram como destino a União Europeia. O Terra da Gente registrou a famosa travessia da boiada de uma margem para a outra Márcio de Campos Salvaguardas chinesas Além das restrições impostas pela União Europeia, o setor enfrenta outro desafio: as salvaguardas adotadas pela China. A partir de 1º de janeiro de 2026, o país passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira. A medida, com duração prevista de três anos, estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse volume ficam sujeitas a uma sobretaxa de 55%. Segundo Perosa, os efeitos das restrições já começaram a ser percebidos neste mês, diante da dificuldade de escoar uma produção que cresceu significativamente nos últimos anos. Entre os reflexos, estão relatos de férias coletivas em frigoríficos. "Não temos a mesma demanda global de carne", afirmou Perosa. Segundo ele, é justamente a demanda internacional que ajuda a sustentar os preços no mercado interno. "O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que faz com que a gente não precise fazer uma elevação aguda dos preços internos. Esse mix que trazia essa garantia de remuneração do mercado externo com a China, isso não existe. E estamos vendo muitas indústrias com dificuldade. Hoje a maioria das indústrias estão trabalhando no vermelho", disse. Questionado sobre os reflexos no preço da carne no Brasil, Perosa afirmou que, em um primeiro momento, os preços devem permanecer estáveis. Em um segundo momento, porém, a pressão sobre as margens de produção e o aquecimento da economia podem levar a reajustes. "A tendência é que o preço da carne se mantenha estável, mas depois pode aumentar", declarou.

Dupla que fingiu ser policial roubou R$ 800 mil em criptomoedas após falsa abordagem Criminosos estão explorando brechas na regulamentação para movimentar bilhões de dólares em recursos ilícitos por meio do mercado de criptomoedas, afirmou nesta quinta-feira (16) o Grupo de Ação Financeira (Gafi) em seu mais recente relatório sobre ativos virtuais e financiamento ilícito. No documento, o organismo intergovernamental de combate à lavagem de dinheiro, com sede em Paris, França, afirma que os crimes envolvendo criptomoedas se tornaram mais "complexos e interconectados" no último ano. Segundo o Gafi, reguladores, instituições financeiras e empresas do setor enfrentam "desafios significativos e contínuos" para identificar e interromper fluxos de lavagem de dinheiro ligados a golpes financeiros e esquemas de fraude em investimentos. O relatório mostra que houve avanços na adoção das recomendações do grupo. Em abril de 2026, 51 das 149 jurisdições avaliadas estavam "amplamente em conformidade" com os padrões do Gafi para ativos virtuais, o equivalente a pouco mais de um terço (34%) do total. No ano anterior, esse percentual era de 29%. No ano passado, um robô de IA ganhou milhões de dólares em criptomoedas: conheça o Truth Terminal BBC Ainda existe margem para o erro Apesar da evolução, o organismo alerta que ainda persistem "lacunas significativas" na implementação de medidas capazes de reduzir os crimes relacionados às criptomoedas. O Gafi também destacou o crescimento do uso de stablecoins - criptomoedas atreladas a um ativo de referência, como o dólar - por organizações criminosas. Segundo o relatório, algumas dessas redes passaram a desenvolver suas próprias stablecoins, projetadas para resistir ao congelamento de ativos e à apreensão por autoridades.

Lula se reúne com ministros para discutir tarifas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou ministros nesta quinta-feira (16) para discutir a posição do governo sobre a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o que vem sendo chamado de novo "tarifaço". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira estão reunidos no Planalto para discutir o tema com o presidente. Além disso, estão previstos dois pronunciamentos do governo sobre o tema após a reunião, nesta tarde: um na sede do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e outro no Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (MDIC). A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço". Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político". Presidente Lula em discurso Washington Costa/Ministério da Fazenda O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nessa quarta-feira (15) a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de isenções. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". Governo repudiou decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e disse que"repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a Lei da Reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".

Em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. No final deste mês, sob Trump, elas chegarão a 14,42%. Reuters via BBC Após o anúncio de novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros feito pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15) o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em comparação com os 30 países que mais exportam para os EUA. Quando Joe Biden encerrou seu mandato em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. Atualmente a tarifa efetiva média é de 11,66%. No final deste mês, quando as medidas do governo Trump entrarem em vigor, a tarifa contra o Brasil terá subido para 14,42% — um salto de mais de 13 pontos percentuais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nenhum outro país viu um salto de tarifas tão grande desde que Trump voltou ao poder — apesar de diversos países terem sofrido também aumento nas suas alíquotas. As tarifas efetivas de importação subiram 9,57 pontos percentuais para produtos da Coreia do Sul, 8,39 para Tailândia, 7,7 para o Japão e 7,48 pontos para a China. Os dados atualizados nesta quinta-feira (16/07) são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que números de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Esses dados já incluem o novo anúncio feito pela Casa Branca. Após investigação, EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil Os dados do GTA compilados com exclusividade a pedido da BBC News Brasil consideram apenas as tarifas efetivas (ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos) e não as tarifas nominais (que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo). Existe uma diferença entre as duas alíquotas, já que os EUA listam diversas exceções de produtos brasileiros que não precisam pagar as mesmas alíquotas (confira abaixo na reportagem). A alíquota nominal anunciada pela Casa Branca é de 25%, mas na prática — considerando os mais de 2 mil produtos que são ou isentos dessas tarifas ou recebem alíquota menor — a tarifa efetiva média é de 14,42%, segundo o cálculo do GTA. Produtos brasileiros só têm taxação menor do que a dos chineses — a tarifa efetiva média para importados da China nos EUA chegará a 21,5% no final deste mês. Antes do anúncio, o Brasil era o 13º país com a maior tarifa efetiva média nos EUA. O novo tarifaço de Trump fez o Brasil ultrapassar 11 países no ranking dos mais tarifados do mundo: Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Exceções O Brasil foi alvo de uma grande investigação comercial iniciada em julho do ano passado — na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais. Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que conduziu a investigação, havia sugerido em um documento de 107 páginas diversas medidas de retaliação contra o Brasil, com tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros. Nesta quarta-feira, o governo americano anunciou sua decisão final, que é levemente mais branda do que a sugestão dada pelo USTR no mês passado. A proposta original da USTR teria elevado as tarifas efetivas médias contra produtos brasileiros a 14,89%, pelos cálculos do GTA. Agora a entidade suíça calcula que a tarifa média será de 14,42%. As tarifas americanas incidem sobre milhares de produtos importados como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, papel e aço — mas há também uma vasta lista de exceções que foram divulgadas em um anexo em junho. Na nova decisão desta semana, os EUA incluíram outros produtos como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor na lista de isenções. Os EUA fizeram consultas em audiências públicas abertas a todos os setores da economia. O documento divulgado pelo governo americano nesta semana afirma que nas consultas as autoridades receberam comentários de setores industriais dos EUA, alegando que alguns produtos brasileiros deveriam entrar na lista de exceção das tarifas. Entre os motivos alegados estão o fato de que alguns desses produtos são de difícil substituição, apresentam risco de causar interrupções na cadeia de suprimentos ou pouco contribuiriam para os objetivos da investigação dos EUA. Apenas um quarto dos produtos brasileiros vão pagar a tarifa máxima de 25%, segundo o GTA. Isso significa que dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil para os EUA — usando valores de 2024 — cerca de US$ 8,5 bilhões estariam sujeitos a alíquota máxima. LEIA TAMBÉM: Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25% 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Impacto Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, mesmo com a grande quantidade de exceções na lista, alguns produtores brasileiros podem sofrer com o novo tarifaço. "A lista é longa. Não vai ser 25% em tudo. Grande parte do que exportamos para eles está na lista exceção, logo o impacto será menor", disse Zeidan à BBC News Brasil. "Mas [o tarifaço] afeta muita gente sim, porque eles negaram autorização para produtos manufaturados industrializados específicos. E esses produtos são muito mais difíceis de você achar outros compradores no mundo." Ele diz que para indústrias que trabalham produtos homogêneos — como commodities — há menos impacto no tarifaço, pois as vendas podem ser redirecionadas a outros países sem mudanças na produção. "Mas é mais complicado quando você produz máquinas e peças e equipamentos que são específicos para um setor. Quanto mais especializado é, mais problemático [o tarifaço] é para uma empresa." "O tarifaço, no geral, acabou sendo muito menor do que 25%. Mas para diversas empresas o impacto vai ser bastante grande." Reação do Brasil Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' Na terça-feira (14) antes do anúncio oficial das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil. "A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas. Governo Lula promete reagir com nova lei de reciprocidade. EPA via BBC O anúncio das tarifas já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O professor Rodrigo Zeidan acredita que o Brasil tem capacidade para adotar medidas de reciprocidade — mas que isso pode gerar uma nova retaliação americana. Nesse caso, é difícil prever o que aconteceria. "Os Estados Unidos disseram que as negociações continuam. É possível haver negociação. Mas a atenção dos americanos às vezes muda muito rápido." Fim de outro tarifaço Johannes Fritz — diretor do St. Gallen Endowment que compilou os dados do GTA — ressaltou que as tarifas americanas contra produtos brasileiros estão entrando em vigor poucos dias antes do fim de um outro tarifaço americano de 10% contra diversos países do mundo, inclusive o Brasil. Em fevereiro, Trump assinou uma proclamação com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que lhe permitia impor uma nova tarifa temporária de 10% sobre produtos de todos os países. Mas em maio essa tarifa foi derrubada por um tribunal. No entanto, elas seguem em vigor enquanto tramita um recurso e devem expirar apenas em 26 de julho. Em um breve período de quatro dias — entre 22 e 26 de julho — a alíquota efetiva contra produtos do Brasil será de 18,17%, pelos cálculos do GTA. O que é a investigação contra o Brasil? Em julho do ano passado, o governo dos EUA abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), resultou nas medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras, anunciadas nesta quarta-feira. O governo americano concluiu, em relatório divulgado no mês passado, que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". O documento do USTR de 107 páginas divulgado em junho trouxe conclusões da investigação em seis áreas distintas: Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site. Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores". Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção". Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria". Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas". Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste". Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país. Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil. A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.

Lula no G7 LUDOVIC MARIN / AFP Horas após o anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal começou a analisar uma resposta às medidas, que deve incluir retaliações comerciais e a retomada de uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters. Entre as possibilidades em discussão estão medidas envolvendo o setor audiovisual e patentes farmacêuticas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ministros e técnicos do governo se reúnem no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (16) para avaliar as medidas anunciadas pelo governo americano e discutir a resposta brasileira. As alternativas serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidirá quais medidas adotar, acrescentaram as fontes. "Os próximos passos vão depender das orientações do presidente, mas dificilmente deixaremos de dar uma resposta dura", disse uma das fontes. Agora no g1 LEIA MAIS Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25% Quais itens serão afetados e quais ficarão isentos Segundo outra fonte informou à agência, o Brasil deve retomar medidas analisadas no ano passado no âmbito da Lei da Reciprocidade Econômica, como o bloqueio de pagamentos ou a adoção de restrições sobre remessas de dividendos e royalties do setor audiovisual. Essa é uma das áreas que mais contribuem para o déficit brasileiro na balança de serviços com os Estados Unidos. Outra possibilidade em estudo envolve o setor farmacêutico, com a eventual quebra de patentes de medicamentos, e o setor agrícola, por meio de medida semelhante aplicada a sementes. Durante a primeira rodada de tarifas adotadas pelos EUA contra o Brasil, no ano passado, essas medidas foram consideradas as mais viáveis pelo governo por não afetarem as cadeias produtivas brasileiras nem pressionarem a inflação. Segundo essa avaliação, a taxação de produtos específicos poderia gerar impactos econômicos internos maiores. "Mas tudo ainda precisa ser discutido com os setores envolvidos, porque sabemos que haverá uma reação dos EUA e precisamos avaliar de que forma ela poderá ocorrer e quais impactos teria para o Brasil", disse a segunda fonte à Reuters. Integrantes do governo americano já afirmaram que os EUA poderão rever suas políticas comerciais caso o Brasil adote medidas de retaliação. Uma preocupação recorrente do setor privado brasileiro é a possibilidade de os EUA restringirem ainda mais o acesso de produtos nacionais ao seu mercado. Desde o tarifaço do ano passado, porém, diversos setores passaram a diversificar seus destinos de exportação. De acordo com dados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), o valor das exportações brasileiras para os EUA caiu 13% no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, as exportações totais do Brasil cresceram 5,1%. Em outra frente da resposta brasileira, o governo federal retomará a disputa aberta na OMC no ano passado. Outra fonte ouvida pela Reuters afirmou que se trata do mesmo processo, o que deve acelerar sua tramitação. Como a disputa foi aberta há cerca de um ano, o Brasil já pode solicitar a instalação de um painel no Mecanismo de Solução de Controvérsias da OMC. Pelas regras do sistema, os EUA podem barrar esse pedido uma única vez, mas o painel é automaticamente estabelecido diante de uma segunda solicitação brasileira. Embora os EUA atualmente deem pouca relevância aos mecanismos multilaterais de resolução de disputas, como a OMC, uma eventual vitória do Brasil daria respaldo jurídico internacional para a adoção de medidas de retaliação. Em nota oficial divulgada logo após o anúncio das tarifas, na madrugada desta quinta-feira, o governo informou que "iniciará imediatamente" os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Loja da Samsung em Seul, na Coreia do Sul Reuters/Kim Hong-Ji Autoridades comerciais dos EUA abriram uma investigação sobre os chips de memória da Samsung Electronics e os produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes, após uma denúncia da Netlist por suposta violação de patentes. A Netlist, que tem sede na Califórnia, acusou a Samsung e suas subsidiárias nos Estados Unidos de infringir patentes relacionadas à memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM, na sigla em inglês), um tipo de chip que armazena temporariamente dados para os processadores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A informação foi divulgada na quarta-feira (15) pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC). Esses componentes são essenciais para os servidores que sustentam a expansão da inteligência artificial. A Netlist pediu à USITC que bloqueie a importação dos chips e dos produtos envolvidos no caso e determine que as empresas deixem de comercializá-los nos EUA. Um juiz administrativo da comissão conduzirá uma audiência para análise das provas e emitirá uma decisão inicial, que poderá ser revisada pela própria USITC. A comissão definirá, em até 45 dias, o prazo para a conclusão da investigação. Qualquer decisão entra em vigor imediatamente e se torna definitiva após 60 dias, a menos que seja revertida pelo Representante de Comércio dos EUA por razões de política comercial. Agora no g1 A investigação representa o capítulo mais recente de uma disputa de patentes que se arrasta há anos entre as empresas e envolve tecnologias de memória de alto desempenho. Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (R$ 598,6 milhões) à Netlist por violação de patentes relacionadas a tecnologias de processamento de dados usadas em produtos de memória. A decisão veio após outro veredicto favorável à Netlist, de US$ 303 milhões (R$ 1,5 bilhão), em um caso semelhante julgado em 2023. Desde então, a demanda por chips de memória disparou, à medida que grandes empresas de tecnologia dos EUA aceleram a construção de centros de dados necessários para operar serviços de inteligência artificial. O movimento tem impulsionado os preços desses componentes produzidos por fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron. Samsung, Google (controlado pela Alphabet), Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%

Após investigação, EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil A nova tarifa adicional de 25% anunciada nesta quarta-feira (15) pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros vai atingir uma parcela importante das exportações do Brasil, mas preservará boa parte dos itens que mais geram receita nas vendas ao mercado americano. Entre os 50 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2025, produtos como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio ficaram fora da nova cobrança. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio passarão a pagar uma tarifa adicional de 25% a partir de 22 de julho. A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Ao todo, milhares de produtos brasileiros foram incluídos na nova cobrança. Outros ficaram de fora porque o governo americano decidiu conceder exceções por motivos econômicos, estratégicos ou porque já estavam sujeitos a outras tarifas. (veja a aqui a lista de produtos isentos) O que muda para os principais produtos exportados Os EUA compraram cerca de US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros em 2025. Os dez principais produtos vendidos ao país responderam por quase metade desse valor. A maior parte desses produtos continuará sem pagar a nova tarifa de 25%. Entre eles estão: petróleo bruto; café em grão; aeronaves; ferro-gusa; celulose branqueada; carne bovina congelada; suco de laranja congelado e não congelado; ferro-nióbio; minério de ferro; combustíveis de aviação; partes de turbinas; silício. Também ficaram fora da nova cobrança produtos como couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e alguns produtos de madeira. Por outro lado, diversos produtos brasileiros passarão a enfrentar a tarifa adicional, incluindo: fuel oil (óleo combustível, usado principalmente em geração de energia e em processos industriais); gasolina; carregadeiras; transformadores elétricos; bulldozers (tratores de esteira, máquinas pesadas usadas em obras de terraplenagem e mineração); motoniveladoras; pneus para automóveis, caminhões e ônibus; açúcar de cana; etanol; tabaco em folhas; portas e madeira serrada; madeira compensada; calçados de couro; granito e pedras trabalhadas; matérias proteicas; chapas de alumínio. Os dados foram levantados a partir do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que reúne estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro, considerando as exportações do país para os EUA em 2025. Como ficam as tarifas sobre produtos brasileiros Antes da nova tarifa de 25% anunciada pelo USTR, os produtos brasileiros exportados ao mercado americano estavam sujeitos principalmente às tarifas de importação regulares dos EUA, conhecidas como tarifa de nação mais favorecida (MFN, na sigla em inglês). Essas alíquotas variam conforme o produto, já que alguns itens entram no país com tarifa zero, enquanto outros estão sujeitos a cobranças específicas definidas pela classificação tarifária americana. Em média, a tarifa MFN aplicada pelos EUA ficava em torno de 3% a 3,5%. A partir de fevereiro deste ano, esses produtos também passaram a ser afetados por uma tarifa global adicional de 10% aplicada pelo governo Donald Trump sobre importações de praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. A sequência de mudanças começou com o chamado “tarifaço” anunciado anteriormente pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A medida previa sobretaxas para diversos países e, no caso do Brasil, chegou a elevar a tarifa adicional para 50%, somando uma cobrança extra às tarifas já existentes. A política, porém, sofreu um revés judicial quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que a IEEPA não dava ao presidente autoridade para criar tarifas de importação dessa forma. A decisão derrubou parte relevante das tarifas aplicadas com base nessa legislação, mas estabeleceu um período de transição para a retirada das cobranças. Após a decisão, Trump adotou uma nova estratégia tarifária e anunciou uma tarifa global temporária de 10% para substituir as cobranças derrubadas pelo tribunal. A medida foi criada com base em outra autoridade comercial e passou a valer de forma ampla para produtos importados de diversos países. Essa cobrança tem validade limitada até este mês de julho, prazo definido na própria medida, enquanto o governo americano avalia novas ações comerciais. 🔍 Com a nova sobretaxa da Seção 301, ainda não está totalmente esclarecido se haverá acumulação com a tarifa global de 10%. Na prática, permanece a dúvida se os produtos brasileiros atingidos pagarão apenas os 25% adicionais da Seção 301 ou se a cobrança poderá chegar a 35%, caso a tarifa global continue válida e seja aplicada de forma cumulativa. Os documentos divulgados pelo USTR confirmam a nova tarifa de 25% baseada na Seção 301, mas não detalham como a medida será combinada com a tarifa global temporária de 10%. Por que alguns produtos de aço e alumínio ficaram fora Enquanto isso, alguns produtos de aço e alumínio não receberam a nova tarifa adicional de 25% porque já estão submetidos à Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, uma medida que permite aos EUA impor tarifas sobre produtos considerados estratégicos para a segurança nacional. No caso do aço e do alumínio, essas tarifas da Seção 232 já estão em vigor e foram elevadas para 50% em 2025 para determinados produtos. 🔩 Na decisão final da investigação contra o Brasil, o USTR determinou que os itens já abrangidos pela Seção 232 não seriam submetidos também à tarifa adicional de 25% da Seção 301, evitando a chamada bitributação — isto é, a aplicação de duas tarifas adicionais sobre a mesma mercadoria. A decisão, portanto, não significa que esses produtos ficaram livres de tarifas. Eles continuam sujeitos à cobrança da Seção 232, de 50%, mas não acumulam a nova sobretaxa de 25% aplicada pela Seção 301. Com isso, determinados produtos siderúrgicos brasileiros, como alguns semimanufaturados de aço e laminados planos, permanecem enquadrados apenas no regime da Seção 232. A medida evita que um mesmo produto seja penalizado simultaneamente por duas ações tarifárias diferentes do governo americano. Nova investigação pode aumentar tarifas no futuro Além da investigação que resultou na tarifa de 25%, o USTR conduz outro processo envolvendo o Brasil. O órgão americano avalia se produtos fabricados com trabalho forçado estariam entrando no mercado dos EUA. Nas conclusões preliminares, o governo americano sugeriu uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão final ainda não foi divulgada e dependerá do governo dos EUA. Cargas de exportação são destaque na movimentação e registram novo recorde histórico mensal do Porto de Santos Santos Port Authority

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), criticou nesta quinta-feira (16) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Nas redes sociais, Caiado culpou a polarização, afirmou que setores inteiros podem "quebrar", enquanto Lula "não tem capacidade de dialogar" e Flávio "está preocupado com as eleições" — sem citar esse último nominalmente (leia mais abaixo). Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' "O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada", escreveu. "O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país", prosseguiu. Ronaldo Caiado (PSD) durante evento em Aracaju TV Sergipe Ataques ao agro Nesta quarta (15), Caiado já tinha publicado outra mensagem nas redes sociais com críticas mais contundentes a Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás mencionou o pedido de adiamento do tarifaço, até as eleições, feito por Flávio durante uma audiência pública nos Estados Unidos. Na mesma mensagem, Ronaldo Caiado argumentou que o governo tratou a situação das tarifas com "cuidados paliativos". "O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE [União Europeia] vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão", disse. Em outro momento, Caiado defendeu que o Brasil adote a Lei da Reciprocidade Econômica diante das medidas impostas. "Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos", prosseguiu. LEIA TAMBÉM Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas dos EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência' Rubio é 'anti-América Latina' e não gosta do Brasil, diz Lula sobre secretário de Trump Nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio. O atual secretário de Estado mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. O governo brasileiro argumenta que a decisão tem um componente político. A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) Divulgação Governo critica decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". Também defenderam que as críticas ao PIX, à regulação de plataformas digitais são "descabidas", assim como "são absurdas as acusações sobre desmatamento". Leia a manifestação na íntegra aqui.

Planalto pode usar Lei da Reciprocidade contra EUA A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço". Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político". O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de isenções. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico. Além disso, representantes do governo conversaram com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, em pelo menos 11 ocasiões. Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X O governo afirma que, em todos os casos, a iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, em uma tentativa de negociar uma saída para o impasse comercial. A informação é apresentada como resposta às críticas de que o Brasil teria deixado de buscar uma negociação com o governo dos Estados Unidos antes da adoção das medidas tarifárias. A percepção é que o cenário se mostrava favorável às negociações após o encontro entre Lula e Trump na Malásia e ainda melhor após o encontro entre os dois em Washington. Porém, nas últimas semanas, esse cenário mudou depois da visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA. ➡️ Marco Rubio mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. Governo chamou decisão de 'lastimável' Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil Veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa

Fachada do Google em Irvine, Califórnia Reuters/Mike Blake O Google, controlado pela Alphabet, terá de permitir que a OpenAI, outras empresas de inteligência artificial (IA) e concorrentes do mercado de buscas online acessem alguns de seus serviços. A medida faz parte das regras da União Europeia (UE) para limitar o poder das gigantes de tecnologia, detalhadas na última quarta-feira (15) pelos reguladores do bloco. A medida da Comissão Europeia, responsável por fiscalizar a concorrência no bloco, foi anunciada seis meses após a abertura de um processo para definir como o Google deveria se adequar à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De acordo com a decisão, a empresa terá de abrir o acesso a 11 funcionalidades do sistema operacional Android para que concorrentes de IA possam utilizar esses recursos e competir em melhores condições com o Gemini, ferramenta de inteligência artificial da empresa. Na prática, isso permitirá que os usuários ativem assistentes de IA de empresas concorrentes por comandos de voz semelhantes ao tradicional "Ok Google", para tarefas como pedir um táxi ou buscar informações sobre locais. As mudanças devem chegar aos usuários a partir de julho de 2027, com uma futura atualização do Android. Agora no g1 O Google voltou a criticar as mudanças exigidas pela União Europeia. "As decisões anunciadas hoje podem comprometer proteções essenciais de privacidade e segurança para milhões de europeus", afirmou o advogado do Google, Kent Walker, em comunicado enviado por e-mail. "Temos apresentado repetidamente soluções para proteger os usuários e, ao mesmo tempo, atender aos objetivos da DMA, mas essas decisões ignoram evidências significativas dos possíveis impactos negativos para os usuários", acrescentou. A Comissão Europeia afirmou que as medidas incluem mecanismos para proteger a privacidade dos usuários e a segurança dos dispositivos. Segundo o órgão, o Google só será obrigado a disponibilizar os recursos a empresas que cumpram critérios de segurança e proteção de dados. A decisão também determina que a empresacompartilhe, de forma anonimizada, dados usados para aprimorar seus serviços de busca com a OpenAI e outras empresas que operam chatbots de IA com ferramentas de pesquisa. O Google poderá avaliar se os concorrentes representam riscos à segurança cibernética ou à proteção de dados antes de conceder acesso às informações. A medida, que começa a ser aplicada em janeiro do próximo ano, também prevê uma metodologia para calcular quanto deverá ser pago pelo compartilhamento desses dados. "Com essas medidas, esperamos estimular o surgimento de alternativas ao Google Search e a serviços de IA da empresa, como o Gemini, ampliando as opções disponíveis para os usuários da União Europeia", afirmou a chefe de tecnologia do bloco, Henna Virkkunen, em comunicado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em montagem. Reuters Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação nas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16), Rubio acusou Lula de "colocar seu próprio ego" à frente de tentativas de acordos entre os dois países e disse que o brasileiro não agiu de boa-fé. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mas as ofensas não foram as primeiras proferidas por Rubio contra Lula, que também já criticou algumas vezes o secretário de Estado norte-americano, um conservador filho de cubanos nascido na Flórida. Relembra, abaixo, as trocas de farpas entre os dois: 'Passa pano para Maduro' Em 2023, quando era senador republicano pelo estado da Flórida, Marco Rubio acusou Lula de encobrir supostas atividades criminosas do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. "O Lula da Silva do Brasil é o mais recente líder de extrema-esquerda a passar pano para a natureza criminosa do narcorregime de Maduro, dias após se reunir com o Pres. Biden. Sob a fraca política externa do governo Biden, tiranos em nossa região se sentem encorajados a buscar apoio internacional", escreveu Rubio em uma postagem em suas redes sociais. Initial plugin text 'Curva-se à China' No mesmo ano, Marco Rubio questionou o respeito de Lula à democracia ao dizer que o brasileiro pensa primeiro "em si mesmo" ao "se curvar ao regime genocida da China". Rubio também criticou Lula por um encontro com o chanceler russo durante a guerra da Ucrânia — depois disso, no entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin. "Lembram quando Democratas e a imprensa liberal afirmavam que Lula era um aliado da 'democracia'? Eles deveriam lembrar que Lula está em busca de si mesmo e do Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China e receber o chanceler de uma nação que lidera uma guerra injustificada contra a Ucrânia", escreveu Rubio em suas redes sociais. 'Latino-americano frustrado' Lula também criticou o secretário norte-americano em diferentes ocasiões, a maioria delas neste ano, após as ameaças dos EUA de aplicarem novas tarifas a produtos brasileiros. Em junho deste ano, o brasileiro chamou Rubio de "latino-americano frustrado" ao comentar ameaças do governo Trump de aplicar uma nova leva de tarifas ao Brasil, confirmadas na noite de quarta-feira (15). "Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e menos ainda do Brasil. Ele (Marco Rubio) é um latino-americano frustrado", afirmou Lula, durante reunião ministerial. Lula não falou mais sobre Rubio na ocasião, mas deu a entender que fazia referência ao histórico pessoal do secretário norte-americano, cujos pais deixaram Cuba — a saída de sua família da ilha, no entanto, ocorreu antes que Fidel Castro impusesse um regime comunista no país. 'Anti-América Latina' Um dia antes dessa declaração, Lula também havia criticado a relação de Rubio com a América Latina: "Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião", afirmou Lula, em referência ao encontro que teve com Trump no início de maio. 'Certo desconhecimento sobre o Brasil' Na mesma semana, Lula contou ainda que, durante telefonema com Trump, pediu que o Marco Rubio conversasse "com o Brasil sem preconceito" e apontou um "certo desconhecimento" por parte do secretário sobre o Brasil. "Ele [Trump] disse que o Marco Rubio vai conversar com o pessoal (ministros brasileiros), eu pedi para ele dizer ao Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito com o Brasil, porque pelas entrevistas que ele deu há um certo desconhecimento sobre o Brasil", disse Lula. 'Não agiu de boa fé' Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Em publicação nas redes sociais nesta quinta, Rubio também acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio também disse achara que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X 👉 As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço, rejeitou o argumento. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Ainda de acordo com a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. O governo brasileiro alegou que o Brasil manteve diálogo com o governo de Donald Trump e fez várias tentativas de reuniões para evitar o tarifaço. Em maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniram-se na Casa Branca para debater a agenda comercial. Dias após o encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Em julho, durante as audiências do USTR para discutir se aplicaria o tarifaço ao Brasil, o governo brasileiro enviou representantes aos encontros. USTR detalha críticas ao Brasil após anúncio da tarifa Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira O USTR divulgou nas redes sociais uma longa lista de argumentos para justificar a medida. Segundo o órgão, o Brasil adota há décadas práticas que prejudicam empresas americanas, favorecem produtores brasileiros e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais. Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio Ricardo Stuckert / PR LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein

Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço Evaristo Sa and KAREN MINASYAN / AFP via Getty Images Ao anunciar a decisão de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro". Em suas redes sociais, o secretário que faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países na América Latina, disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de Lula. Ainda segundo Rubio, o presidente e seu governo "não negociaram com os EUA de boa fé". "Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé", escreveu no X "Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso." Autoridades ligadas ao governo brasileiro afirmaram à BBC News Brasil em caráter reservado, porém, que os americanos nunca estiveram de fato dispostos a ouvir os argumentos brasileiros em relação à acusações feitas pelo USTR. Segundo uma fonte no Palácio do Planalto, a motivação para as tarifas seria política e os EUA não estariam abertos para uma negociação baseada em elementos comerciais ponderados. PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais A aplicação das tarifas foi anunciada por Rubio e pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão. A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas." Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília. A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional. Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O novo tarifaço, o segundo em um ano, é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O mecanismo permite que o governo americano investigue práticas comerciais estrangeiras que considere injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos dos Estados Unidos e, ao fim do processo, adote medidas de retaliação como a aplicação de tarifas de importação. No caso brasileiro, a investigação teve como principais alvos: - supostas irregularidades relativas ao funcionamento do Pix; - decisões judiciais contra plataformas digitais norte-americanas; - tarifas concedidas pelo Brasil a produtos do México e da Índia que prejudicariam os EUA e; - supostas falhas no combate à corrupção, à pirataria e ao desmatamento ilegal. Reação de Flávio Bolsonaro O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou a postagem de Marco Rubio sobre Lula e a taxação e disse que o petista "não tem mais condições de ser o presidente do Brasil". "O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!", escreveu no X, em referência ao ex-presidente americano Joe Biden. Lula acusa o seu adversário de ter advogado em favor da taxação contra o Brasil em encontros na Casa Branca. Flávio se encontrou com Trump dias antes de o USTR recomendar a aplicação da tarifa. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nega as acusações e afirma ter pedido a Washington que suspendesse a imposição. EUA oficializam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil Quem é Marco Rubio? O atual secretário de Estado é um dos principais oficiais ligados à Casa Branca à frente das negociações comerciais com o Brasil, além de Jamieson Greer e outros técnicos do USTR. No ano passado, quando Trump impos uma sobretaxa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo movido pelo país contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Rubio foi oficialmente nomeado pelo presidente americano para lidar com a questão. A taxação anterior foi revogada em novembro, após negociações entre os governos. Além do tarifaço, Rubio liderou sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — a quem ele acusou de fazer uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro no processo que condenou o ex-presidente a golpe de Estado. Posteriormente, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram retirados da lista de sancionados. Rubio também esteve à frente da revogação de vistos de autoridades brasileiras em represália ao Programa Mais Médicos, como o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O secretário de Estado faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países como Cuba, Venezuela e China — este último, principal parceiro comercial do Brasil. A relação entre os dois países, inclusive, já foi criticada por Rubio quando era senador. Na época, ele também já fazia críticas diretas ao presidente Lula. Em uma postagem em abril de 2023, ele sugeriu que o presidente brasileiro seria um "radical antiamericano" devido a uma visita do presidente brasileiro à empresa de tecnologia chinesa Huawei. Ele ainda questionou se Lula é um "aliado da democracia" após viagem à China. "Lula está pensando em si mesmo e no Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China", disse em publicação no X. Em setembro 2024, Rubio voltou a citar o governo brasileiro por causa da suspensão do X no país. O bloqueio foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes após Elon Musk, dono do X, ter descumprido uma decisão judicial e durou cerca de 40 dias. Rubio disse que a medida, sob o governo Lula, "levantava sérias preocupações sobre a liberdade de expressão" no país. O secretário de Estado americano também fez reiteradas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de "violador de direitos humanos". Moraes foi o relator da ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado. Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que vai acionar Lei de Reciprocidade 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O dólar opera em alta nesta quinta-feira (16), com um avanço de 0,46% perto das 15h20, cotado a R$ 5,1014. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1134. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em queda de 1,17% no mesmo horário, aos 173.958 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os Estados Unidos confirmaram a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros na noite de ontem. A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e foi publicada junto a uma extensa lista de itens isentos. (entenda mais abaixo) 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA ▶️ Já no noticiário geopolítico, as atenções seguem voltadas para o conflito no Oriente Médio. Os EUA lançaram novos ataques contra o Irã. Os dois países continuam a disputar pelo Estreito de Ormuz e na véspera, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que o governo iraniano quer "chegar a um acordo desesperadamente". O aumento do conflito na região continua a trazer volatilidade para o mercado internacional de petróleo. Perto das 15h20, o barril do Brent, referência internacional, caía 0,77%, cotado a US$ 84,30. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 0,97%, cotado a US$ 78,83 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,60%; Acumulado do mês: -1,64%; Acumulado do ano: -7,48%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,04%; Acumulado do mês: +2,32%; Acumulado do ano: +9,24%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Tarifaço de Trump O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. ENTENDA: Quais as justificativas dos EUA para taxar o Brasil? Veja a lista de produtos taxados e isentos No Brasil, o governo prevê um impacto macroeconômico reduzido com as novas taxas, reiterando que as exportações mostraram resiliência mesmo após o tarifaço em agosto do ano passado, com recuperação gradual desde novembro. "Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma", afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no "Boletim MacroFiscal". Segundo a Fazenda, as exceções para diversos produtos previstas pela medida tende a manter o impacto agregado modesto. Escalada das tensões no Oriente Médio O Irã acusou nesta quinta-feira (16) os Estados Unidos de realizarem um “ataque bárbaro” depois que um hospital oncológico no sudoeste do Irã foi forçado a evacuar seus pacientes devido a ataques nas proximidades. “Este ataque bárbaro, que remete às atrocidades de Israel contra instalações de saúde, causou intenso sofrimento e ansiedade nas crianças hospitalizadas”, publicou no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmando que “211 pacientes em tratamento de quimioterapia” foram evacuados. Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Além de centros de comando, a ofensiva também mirou posições de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira iranianas. Em comunicado, o Centcom afirmou que os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. As forças americanas informaram ainda que utilizaram munições de precisão contra alvos em diferentes localidades, incluindo Bandar Abbas. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma "linha vermelha" inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo. Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL). Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em queda nesta quinta-feira (16), em meio ao enfraquecimento das ações de chips e enquanto os investidores analisavam novos dados econômicos em busca de pistas sobre a saúde da economia. Perto das 15h20, o Dow Jones tinha queda de 0,24%, enquanto o S&P 500 caía 0,52% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 1,12%. Já na Europa, as bolsas da região fecharam mistas, em meio aos temores sobre o conflito no Oriente Médio. O índice pan-europeus STOXX 600 subiu 0,16%, para 643,73 pontos. Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,34%, enquanto o CAC-40, da França, teve queda de 0,05% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve ganhos de 0,54%. Na Ásia, a maioria das ações da região fechou em queda, puxadas pelo fraco desempenho dos papéis de fabricantes de semicondutores. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,85%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 2,03%. Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,33%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 2,79% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 6,37%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar freepik

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e responsabilizá-lo pela decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Nas redes sociais, Flávio comentou a decisão e culpou o presidente Lula pela sanção norte-americana. Também chegou a compará-lo com o ex-presidente Joe Biden. "Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação", afirmou o senador. Ele prosseguiu: "Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!". Pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em live em 13 de julho de 2026 Reprodução LEIA TAMBÉM Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas do EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência' Rubio é 'anti-América Latina' e não gosta do Brasil, diz Lula sobre secretário de Trump Críticas de Marco Rubio O senador respondeu a uma publicação nas redes sociais do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual o norte-americano defende que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusa Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio. O atual secretário de Estado mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (c), faz um pronunciamento na tarde desta terça-feira, 19 de maio de 2026, na sede de seu partido em Brasília (DF). Wilton Junior/Estadão Conteúdo Na ocasião, Flávio afirmou que durante o encontro foi discutida a possibilidade de os Estados Unidos designarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O senador afirmou que o secretário é favorável à medida. Dois dias depois, o Departamento de Estado dos EUA - chefiado por Rubio - anunciou que iria classificar as facções como organizações terroristas. Em comunicado naquele dia, Rubio afirmou que "o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". Governo critica decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". Também defenderam que as críticas ao Pix, à regulação de plataformas digitais são "descabidas", assim como "são absurdas as acusações sobre desmatamento". Leia a manifestação na íntegra aqui.

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Setores do agro conseguiram incluir na lista de isenções do novo tarifaço de Donald Trump alguns dos produtos que foram defendidos em audiências públicas nos EUA nos dias 6 e 7 de julho. Entre eles, estão o café solúvel, o mel orgânico e os pescados, como a tilápia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, com uma extensa lista de itens isentos. A carne bovina, por exemplo, um dos produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA, entrou na lista de exceções, mesmo sendo alvo de críticas e investigações abertas pelo presidente americano. Uma delas apura se frigoríficos brasileiros que produzem nos EUA estão concentrando mercado e contribuindo para uma disparada de preços da carne. Abaixo veja o que ficou isento e o que será taxado. Veja produtos que estão fora do tarifaço Produtos de origem animal e carnes Carne bovina: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada; carcaças; meias-carcaças; cortes com e sem osso; cortes de alta qualidade; carnes processadas. Miudezas e preparados: línguas; fígados; outras miudezas bovinas; carne preparada ou preservada, como corned beef. Peixes e crustáceos: tilápia (fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos); atum albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta; lagostins-do-mar. Outros produtos de origem animal: mel natural orgânico certificado; coral; conchas. Produtos vegetais e alimentos preparados Hortaliças e legumes: tomates (com períodos específicos de entrada); jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d'água; alcaparras; cogumelos secos (orelha-de-pau e shiitake). Raízes e tubérculos: feijão Bambara; mandioca (cassava); taro; inhame (yautia); dasheens; araruta. Frutas e nozes: cocos; castanha-do-pará; castanha de caju; macadâmia; noz-de-cola; areca; pinhões; bananas; abacaxis; abacates; goiabas; mangas; mangostões; laranjas; limas; etrogs; papaias; marmelos; kiwis; duriões; bagas. Café, chá e especiarias: café (torrado ou não, descafeinado ou não); café solúvel, chá verde; chá preto; erva-mate; pimenta; páprica; baunilha; canela; cravo; noz-moscada; macis; cardamomo; coentro; cominho; gengibre; açafrão; cúrcuma; louro; curry; endro. Cereais, moagem e bebidas: cevada; alpiste; fonio; triticale; amidos; farinhas; suco de laranja; sucos cítricos; suco de abacaxi; água de coco. Minerais, químicos e combustíveis Minérios e minerais: grafite; caulim; fosfatos; sulfato de bário; magnésite; amianto; mica; minérios de ferro, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio e titânio. Combustíveis e óleos: carvão; linhite; turfa; coque; benzeno; tolueno; xilenos; naftaleno; petróleo bruto e refinado; óleos para motores e lubrificantes; biodiesel; gás natural; propano; butanos. Produtos químicos: iodo; gases raros; ácidos clorídrico, sulfúrico e fosfórico; óxidos metálicos; hidrocarbonetos; derivados halogenados; álcoois; fenóis; éteres; cetonas; ácidos carboxílicos; vitaminas; hormônios; antibióticos (muitos classificados como Pharma). Produtos médicos, farmacêuticos e fertilizantes Sangue e vacinas: plasma humano; soro bovino fetal; produtos imunológicos; vacinas humanas e veterinárias; toxinas. Medicamentos: produtos contendo penicilinas; insulina; corticosteroides; alcaloides; vitaminas. Fertilizantes: fertilizantes de origem animal ou vegetal; ureia; sulfato de amônio; nitratos; superfosfatos. Materiais industriais Plásticos e borracha: polímeros de etileno, propileno e vinila; silicones; tubos; mangueiras; pneus (especialmente para aeronaves); juntas. Madeira e papel: madeira em bruto ou serrada (mogno, teca e meranti); compensados (plywood); painéis; pastas de madeira; produtos de papel para aeronaves. Metais, máquinas e equipamentos Metais: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho; metais raros. Máquinas: motores de aeronaves (turbojatos e turbopropulsores); bombas; compressores; ventiladores; aparelhos de ar-condicionado; refrigeradores; extintores. Informática e eletrônicos: computadores e unidades de processamento de dados; notebooks; teclados; unidades de disco; circuitos integrados; monitores; projetores; smartphones. Aeronaves, instrumentos e outros produtos Aeronáutica: balões; helicópteros; aviões; drones; hélices; trens de pouso. Instrumentos: lentes; prismas; bússolas; pilotos automáticos; termômetros; barômetros; multímetros. Arte e antiguidades: pinturas; esculturas; selos; coleções de interesse histórico ou botânico. Produtos que serão taxados Etanol Máquinas agrícolas Vestuário Maquinário elétrico Calçados Ferramentas de jardinagem Equipamentos de mineração Papel Açúcar orgânico Bens de capital Manufaturados em geral Produtos químicos diversos Itens industriais processados Como os setores reagiram Associações do setor comemoraram a decisão dos EUA de incluir o café solúvel na lista de produtos isentos da tarifa. O café em grão e o café torrado e moído já faziam parte das exceções. “Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”. A declaração faz parte de uma nota conjunta da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "Abic, Abics e Cecafé ponderam, entretanto, que ainda existe uma segunda investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%", afirmam. A empresária Joelma Lambertucci de Brito, da Lambertucci Trade Solution, que defendeu o mel brasileiro nos EUA disse que a inclusão do mel orgânico foi resultado "do diálogo técnico e da cooperação." "Essa conquista reforça que a colaboração entre o setor privado e o poder público pode gerar resultados concretos para toda a cadeia do mel", disse. Já a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) disse que recebeu com serenidade a inclusão de alguns pescados, como a tilápia. "A decisão é fruto de um trabalho técnico e estratégico desenvolvido pela Abipesca em conjunto com o National Fisheries Institute (NFI), principal entidade representativa da indústria de pescados dos Estados Unidos, além de empresas importadoras americanas, que atuaram para demonstrar os impactos econômicos e comerciais que a taxação poderia provocar em ambos os países." Setores que não conseguiram inclusão da lista também se manifestaram, caso do etanol e do açúcar orgânico. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) disse que lamentou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais sobre o etanol brasileiro. "Não existe qualquer acordo bilateral que obrigue o Brasil a conceder tratamento tarifário diferenciado ao etanol norte-americano. Da mesma forma, a redução das exportações de etanol dos Estados Unidos para o mercado brasileiro decorre, sobretudo, da expansão da produção nacional, especialmente do etanol de milho, e não de alterações na política tarifária brasileira", disse a entidade. Atualmente, as importações de etanol pelo Brasil são taxadas em 18%, alíquota praticada para todos os países. Segundo a Unica, a taxa "é plenamente compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)." "A entidade também ressalta que a decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países. As exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional." Como foi a decisão do tarifaço A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Pelo lado do Brasil, boa parte dos produtos mais importantes da pauta exportadora não será taxado pela nova medida. O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto fala com a imprensa no dia da cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas A investigação foi encerrada pelo órgão comercial após análises e negociações entre os governos Lula (PT) e Trump. Também participaram representantes de diferentes setores da economia por meio de audiências públicas realizadas neste mês, como parte da reta final do processo. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. (veja o resumo das reclamações abaixo) Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca apenas reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Assim, entendem que as tarifas não buscam, por exemplo, o fim do PIX, mas alterações no funcionamento do sistema para evitar o que Washington considera condições desleais para empresas americanas de pagamentos eletrônicos. Conforme já mostrou o g1, especialistas apontam que não há razões consistentes para questionar o sistema de pagamento instantâneo brasileiro. Quando a nova taxa passa a valer? A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. Em um processo paralelo, conduzido com base na mesma legislação, a gestão Trump prevê a aplicação de uma taxa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil. A justificativa é que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A adoção desta taxa ainda está em análise. Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil O Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu em junho a investigação que tem com base na Seção 301 da Lei de Comércio. No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. E apontou ainda as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reuniram setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA seguiu até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Agora, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros A imprensa internacional destacou a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (15/07) após o fim da investigação sobre práticas comerciais conduzida pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês). A decisão foi chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ao noticiar a decisão, o jornal britânico Financial Times afirmou que as tarifas foram anunciadas diante de "uma crescente ruptura nas relações bilaterais" antes das próximas eleições brasileiras. Segundo a reportagem, o USTR citou "práticas comerciais desleais em áreas como pagamentos eletrônicos, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e proteção ambiental" para justificar as tarifas. Uma fonte do governo dos EUA afirmou ainda ao FT que a Casa Branca vinha tentando negociar com o governo brasileiro "há mais de um ano". Ainda segundo o jornal, num momento em que o presidente Donald Trump busca reafirmar a influência dos EUA na América Latina, "o governo de esquerda do Brasil vê as queixas como motivadas por questões políticas, e não comerciais". 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil. Reuters via BBC "A taxa de importação é a mais recente de uma série de medidas dos EUA contra o Brasil que têm alimentado as tensões diplomáticas entre as duas maiores democracias das Américas", diz a reportagem. O FT afirma ainda que apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) temem que o endurecimento da posição dos EUA em relação ao Brasil — que incluiu também a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas em junho — possa escalar para interferência nas eleições de outubro. O jornal americano The New York Times também ressalta o impacto que a nova tarifa pode ter na disputa presidencial: "É provável que a nova tarifa se torne uma questão política no Brasil antes das eleições presidenciais de outubro". A reportagem destaca a posição do governo Lula, que acusa o seu adversário, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de ter advogado em favor da taxação em encontros na Casa Branca. Flávio se encontrou com Trump dias antes de o USTR recomendar a aplicação da tarifa. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nega as acusações e afirma ter pedido a Washington que suspendesse a imposição de tarifas. "Enquanto isso, as tensões diplomáticas com o Trump contribuíram para aumentar a popularidade de Lula. O líder brasileiro classificou as medidas econômicas como politicamente motivadas, acusando Trump de ameaçar a soberania do país", diz o NYT. 'Governo Trump impõe tarifa de 25% ao Brasil em meio à deterioração das relações bilaterais', diz título do FT. Reprodução/FT via BBC Em reportagem em seu site, a rede americana CNN Internacional detalhou o anúncio americano sobre a tarifa. "O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, anunciou as medidas na noite de quarta-feira em um comunicado, afirmando que a investigação concluiu que as políticas brasileiras prejudicam os interesses dos americanos com práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais injustas, acesso ao mercado de etanol e outras áreas", diz a matéria. Algumas mercadorias que não são produzidas nos EUA e que poderiam interromper as cadeias de suprimentos estão isentas, explica a reportagem, citando o comunicado do USTR. Entre as exceções estão café, carne bovina, laranjas e suco de laranja, certos produtos de etanol, além de peças e componentes aeroespaciais. Após o anúncio americano, o governo brasileiro disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Em nota, o Brasil afirmou ainda que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). 'Brasil condena medida dos EUA de impor tarifas de 25% na próxima semana', diz o britânico The Guardian. Reprodução/The Guardian via BBC Em sua própria reportagem sobre o tema, o jornal britânico The Guardian detalhou ainda que a tarifa será imposta com base na seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA iniciar uma investigação sobre as práticas comerciais de outros países. "Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu contra muitas das tarifas impostas por Trump sob uma lei diferente, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977. O tribunal considerou que ele extrapolou sua autoridade sob essa lei ao impor tarifas abrangentes aos parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil", diz o texto. Anteriormente, Trump havia imposto, com base nessa lei, uma tarifa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo movido pelo país contra Jair Bolsonaro por tentar reverter sua derrota nas eleições de 2022, detalhou ainda o Guardian, que afirma que o "relacionamento de Trump com Lula pareceu melhorar em maio, quando o presidente brasileiro visitou a Casa Branca". 'Riscos altos' Para a agência de notícias Bloomberg, "os riscos são altos para ambos os países". "Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e uma das poucas grandes economias com as quais o país apresenta déficit comercial. O Brasil importou mais de US$ 45 bilhões em produtos americanos em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações caíram quase 7%, com o petróleo bruto representando 12,5% das exportações", diz a reportagem. A matéria afirma ainda que apesar da escalada da disputa, ambos os governos ainda tentam evitar um conflito comercial mais amplo. "Greer se reuniu repetidamente com o ministro do Comércio do Brasil, Márcio Elias, nos últimos meses, em busca de uma solução. O governo Lula pretende continuar negociando até o último momento possível, mas descartou concessões que considera politicamente ou juridicamente inaceitáveis, incluindo mudanças no sistema de pagamentos Pix, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações", diz a matéria.

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A tarifa adicional contra os produtos brasileiros foi confirmada na madrugada desta quinta-feira, e a medida entrará em vigor em 22 de julho. Veja os itens afetados e os isentos. Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Veja mais abaixo o que o USTR falou sobre cada um desses assuntos. Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". O presidente Lula repudiou a nova tarifa aplicada pelos EUA e afirmou que aplicará a Lei de Reciprocidade em resposta. Leia aqui como funciona essa lei. Argumentos para novo tarifaço O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, em Carlisle, Pensilvânia, EUA, em 15 de julho de 2026. Reuters/Kylie Cooper Sobre o PIX, o USTR afirmou que o banco central brasileiro "desfavoreceu provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA, ao mesmo tempo em que favorece seu sistema nacional". Sobre a corrupção, o USTR alegou que "não é algo novo" no Brasil, porém o país "se afastou ainda mais das normas globais relacionadas ao combate ao suborno e à corrupção". O gabinete citou um Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, em que a máquina pública brasileira teria pontuado apenas 35 de 100 pontos possíveis. Sobre as ações contra as big techs, o USTR falou em "comércio digital" para incluir tais medidas no balaio, e relembrou ordens de restrição emitidas pelo STF nos últimos anos contra algumas redes sociais, como o bloqueio Rumble e uma suspensão temporária do X. Essas restrições foram justificadas pela Justiça brasileira por conta das plataformas terem se recusado a cumprirem leis do país ou ordens de retirada de conteúdo. Sobre a política de tarifas brasileira, o USTR acusou o Brasil de adotar "tratamento injusto e preferencial", e publicou um gráfico que supostamente mostraria favorecimento ao México e à Índia, em detrimento dos EUA. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' Sobre a proteção à propriedade intelectual, o USTR afirmou que o Brasil "não oferece proteção adequada e eficaz à propriedade intelectual ou acesso justo e equitativo ao mercado para pessoas dos Estados Unidos que dependem de propriedade intelectual", porém sem dar mais detalhes. Sobre o etanol, o USTR afirmou que o Brasil "descontinuou seu tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol dos EUA e falhou em corresponder às tarifas norte-americanas ao etanol brasileiro". Sobre o desmatamento, o USTR publicou um infográfico animado que mostraria o índice de desmatamento de florestas no Brasil entre 2001 e 2018, porém sem fonte para os dados, e afirmou que "as práticas de desmatamento no Brasil tornam mais difícil para a indústria madeireira dos Estados Unidos competir de forma justa nos mercados globais". Agora no g1

O presidente Lula assinou em 2025 o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica Reuters O governo brasileiro disse nesta quinta-feira (16/07) que pretende usar a Lei da Reciprocidade Econômica contra um novo tarifaço que foi anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou o fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelo governo americano e a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA. A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada e disse que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Lei de Reciprocidade Econômica é um instrumento novo aprovado pelo Congresso em abril de 2025 e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do mesmo ano — na mesma semana em que Donald Trump havia anunciado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O decreto estabelece em que casos e de que forma o governo brasileiro pode retaliar medidas como as impostas por Trump. O texto detalha os "critérios para suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira". A elaboração do decreto que regulamenta a lei foi um dos primeiros passos tomados pelo governo brasileiro após o anúncio das tarifas de Trump. A Lei da Reciprocidade Econômica foi aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional, num movimento inusitado das bancadas governistas e de oposição que, nos últimos anos, têm votado cada vez mais raramente na mesma direção. Na terça-feira (14/07), antes do anúncio oficial das novas tarifas americanas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil. "A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas. O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O que diz a lei? Segundo o projeto aprovado no Congresso e sancionado pelo presidente, a Lei de Reciprocidade Econômica pode ser utilizada em três circunstâncias. A primeira ocorre quando um país ou bloco econômico ameaçar ou impuser, de forma unilateral, barreiras comerciais, financeiras ou de investimentos com o objetivo de interferir em decisões "soberanas" do Brasil. A segunda possibilidade de utilização da lei é se um país ou bloco econômico violar termos de um acordo comercial com o Brasil, prejudicando o país e as empresas brasileiras. A terceira possibilidade é a imposição de medidas comerciais baseadas em exigências ambientais que sejam mais restritivas que as previstas pela lei brasileira. Um exemplo prático seria impedir a compra de commodities agrícolas brasileiras produzidas no Cerrado ou na Amazônia de acordo com as normas ambientais brasileiras sob o argumento de normas ambientais do país ou bloco comprador teriam sido violadas pelos produtores brasileiros. Se essa exigência for unilateral e não baseada em acordos multilaterais, e tiver um impacto negativo na exportação de produtos brasileiros, o Brasil poderia considerá-la uma medida passível de retaliação sob esta lei. Governo anunciou em nota que dará início a trâmites da Lei de Reciprocidade para retaliar novo tarifaço de Trump EPA/SHUTTERSTOCK Quais as armas do governo? O decreto também elenca os mecanismos que o governo tem para reagir às tarifas. A principal ferramenta é a imposição de tarifas a bens ou serviços importados do país que iniciou a guerra tarifária. Pelo decreto, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais ou sobretaxas a produtos específicos. A ideia é torná-los mais caros e, consequentemente, menos competitivos no mercado brasileiro. Outro mecanismo é a possibilidade de o Brasil deixar de cumprir termos de acordos comerciais firmados com o país ou bloco "agressor". Isso teria impacto em cotas de importação ou de exportação previamente acordadas entre as partes. Regulamentação da lei estabelece as regras para a aplicação de contramedidas sobre taxas que podem prejudicar exportações brasileiras Reuters Olho por olho, dente por dente? Apesar de ter sido batizada como "Lei de Reciprocidade Econômica", o decreto que regulamentou o texto manteve a ideia de que a sua aplicação não deverá atender lógica do "olho por olho, dente por dente" de forma irrestrita. A lei, por exemplo, estipula que a imposição de medidas de retaliação deverá "minimizar o impacto sobre a atividade econômica e evitar ônus e custos administrativos". Essa determinação é resultado da preocupação do governo e do Congresso de que tarifas contra determinados produtos importados possam acabar prejudicando cadeias produtivas já instaladas no Brasil que dependam desses insumos para a produção de bens ou serviços no país. O decreto também prevê as etapas para a adoção de medidas de retaliação. A primeira será a formação de comitês para avaliar o caso e a realização de consultas públicas com representantes das partes interessadas. Na prática, o governo já deu início a essa fase ao montar uma comissão com empresários de diferentes setores para discutir a resposta do governo. No decreto assinado pelo presidente Lula, o grupo que avalia o caso é chamado de "Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais". Ele é presidido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (o também vice-presidente Geraldo Alckmin), e conta com a participação dos ministérios da Casa Civil, da Fazenda e das Relações Exteriores. As contramedidas brasileiras também são avaliadas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), onde haverá a participação de representantes da administração pública e de setores privados da economia. A segunda etapa envolve estipular prazos para análise das demandas enviadas pelos setores consultados. O terceiro passo é a sugestão e a implementação das medidas, com eventuais consultas diplomáticas e negociações. O decreto também estipula que o Poder Executivo fica autorizado a adotar retaliação de forma provisória enquanto o governo realiza as etapas anteriores. O texto também prevê que o governo deverá montar uma comissão de monitoramento das retaliações e que poderá revogá-las ou alterá-las com base nas negociações diplomáticas em curso. * Com reportagem de Leandro Prazeres, da BBC News Brasil em Brasília.

Produtor colhe mamão de quase 8 kg no interior de São Paulo; veja vídeo Um produtor colheu um mamão de 7,75 quilos em São Pedro, no interior de São Paulo. Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o alimento pesa mais que o dobro das variedades comerciais. O mamão formosa, por exemplo, costuma ter entre 1 e 3 quilos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O agrônomo acredita que o mamoeiro provavelmente foi gerado depois da seleção de frutas maiores. Isso porque o tamanho está relacionado à genética da planta. Apesar do tamanho incomum, a fruta é segura para consumo. Leia também: Após promessas, supermercados seguem sem ampliar venda de ovos livres de gaiolas, diz estudo Café: da bebida 'do diabo' aos best-sellers de autoajuda cristã Veja curiosidades sobre o cacau, fruta da qual se faz o chocolate

Governo americano critica a condução do Brasil nas negociações e cita Lula Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação em suas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16), Marco Rubio disse que as políticas econômicas do governo de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em publicação nas redes sociais, Rubio também acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio também disse achara que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X 👉 As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço, rejeitou o argumento. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Ainda de acordo com a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo brasileiro alegou que o Brasil manteve diálogo com o governo de Donald Trump e fez várias tentativas de reuniões para evitar o tarifaço. Em maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniram-se na Casa Branca para debater a agenda comercial. Dias após o encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Em julho, durante as audiências do USTR para discutir se aplicaria o tarifaço ao Brasil, o governo brasileiro enviou representantes aos encontros. USTR detalha críticas ao Brasil após anúncio da tarifa Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira O USTR divulgou nas redes sociais uma longa lista de argumentos para justificar a medida. Segundo o órgão, o Brasil adota há décadas práticas que prejudicam empresas americanas, favorecem produtores brasileiros e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais. Ameaça de novas medidas em caso de retaliação O representante do USTR também afirmou que Washington continua disposto a negociar, mas indicou que eventuais medidas de retaliação por parte do Brasil poderiam provocar novas respostas dos Estados Unidos. "Continuamos abertos ao diálogo. Creio que, se houver retaliação, seremos solicitados a possivelmente modificar nossa ação para contrapor essa retaliação", disse. Apesar do alerta, ele afirmou que não espera uma resposta comercial do governo brasileiro. "Não prevejo retaliação. Se o Brasil optar por isso, provavelmente haverá novas medidas da nossa parte." Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio Ricardo Stuckert / PR Governo dos EUA diz que foco são práticas comerciais Questionado sobre o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral com o Brasil, o representante do USTR disse que esse aspecto não foi central para a investigação. Segundo ele, o foco esteve em temas considerados problemáticos pelos americanos, como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e regras aplicadas a serviços digitais. "Quanto ao superávit relacionado à nossa relação comercial, para ser sincero, se resolvêssemos essas outras questões, provavelmente teríamos um superávit maior com o Brasil", afirmou. Etanol e PIX seguem entre os principais pontos de atrito A autoridade americana também detalhou quais mudanças Washington espera ver do lado brasileiro. Um dos temas destacados foi o acesso de produtores americanos ao mercado de etanol. Segundo o representante, os EUA defendem tratamento equivalente ao concedido pelo Brasil a outros parceiros comerciais. Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Jornal Nacional/ Reprodução "Eles possuem acordos tarifários preferenciais com a Índia e o México, e gostaríamos de ter esse mesmo tipo de acesso", afirmou. O argumento também foi reforçado pelo USTR nas redes sociais. Segundo o órgão, o Brasil deixou de oferecer um tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano e não retribui as condições preferenciais concedidas pelos EUA ao combustível brasileiro. De acordo com o governo americano, as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil caíram de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025. Sobre o PIX, um dos pontos mais sensíveis da disputa, o governo americano negou que esteja pedindo o fim do sistema de pagamentos brasileiro. Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil A posição oficial é que empresas americanas do setor financeiro não sejam prejudicadas ou submetidas a condições consideradas desiguais. "Queremos que o PIX concorra com as empresas americanas em pé de igualdade comercial", disse a autoridade. Nas publicações divulgadas após o anúncio da tarifa, o USTR afirmou que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do PIX e que regras como a gratuidade para pessoas físicas e a limitação de tarifas cobradas das empresas favoreceriam o sistema brasileiro em relação a competidores privados americanos. LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein

Estágio superior da Starship antes de 12º voo de teste, em foto de 19 de maio de 2026 Reuters/Steve Nesius A SpaceX, empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, tentará um novo voo de teste de sua Starship, a nave mais poderosa do mundo. O lançamento está marcado para esta quinta-feira (16), às 19h45 (horário de Brasília). Este será o 13º lançamento de uma Starship, projetada para futuras missões à Lua e Marte. Como nos outros experimentos, não haverá passageiros a bordo e o cronograma poderá ser alterado por falhas na nave e fatores climáticos, por exemplo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O último lançamento da supernave aconteceu maio e terminou com uma queda brusca do propulsor, Super Heavy, o estágio inferior, que deveria fazer um pouso controlado no Golfo do México. Não houve relatos de feridos ou danos materiais. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) suspendeu os voos temporariamente até que as investigações fossem concluídas. O órgão encerrou sua análise na última segunda-feira (13) e abriu caminho para o novo teste. Starship faz decolagem em 12ª missão de testes da SpaceX A SpaceX informou que o que causou o incidente em maio foram problemas de acionamento em 5 de 33 motores do Super Heavy, o que fez a manobra de retorno ser interrompida antes da hora. Os objetivos da empresa para o novo lançamento são parecidos com o teste feito em maio, quando ela estreou a terceira geração da Starship e do Super Heavy. Na ocasião, a companhia buscava demonstrar na prática o funcionamento das novas peças da V3, como é chamada a nova geração da nave, projetada para missões de maior duração, e lançar no espaço dois satélites reais do seu serviço de internet Starlink. Agora, a nave tentará pela primeira vez liberar 20 unidades da terceira geração de satélites da Starlink. Eles tentarão se conectar com a rede que já opera no espaço, mas deverão ser destruídos em sua reentrada na atmosfera, que acontecerá cerca de 20 minutos após deixarem a nave. Entre as novidades estão mudanças na estrutura e no sistema do propulsor para solucionar problemas do voo anterior. A configuração de partida dos motores, por exemplo, teve ajustes para oferecer mais confiabilidade e fazer com que mudanças de direção do veículo sejam mais estáveis. O estágio superior também recebeu alterações em seu sistema de propulsão. Apesar de ter concluído o voo anterior, a cápsula perdeu um de seus três motores logo após se separar do propulsor, o que exigiu as mudanças. A SpaceX testará ainda o escudo térmico da Starship, proteção necessária para a nave não ser tomada por chamadas no retorno à Terra. Segundo a empresa, o foco é avançar em um projeto de reutilização rápida da nave.

Itens como petróleo, café, carne, aeronaves e celulose ficaram de fora de tarifaço O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida entra em vigor em 22 de julho. Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a nova taxa atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A conclusão do processo vem após um ano de negociações entre Brasília e Washington. Como g1 mostrou, o governo brasileiro realizou diversas reuniões com representantes americanos, incluindo encontros nas últimas semanas, mas não conseguiu reverter a aplicação das tarifas. Apesar do alcance da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os EUA ficaram fora da nova cobrança. O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa ao final de sua participação na cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Yves Herman Veja abaixo os principais itens na lista de isenções: Carne bovina Café Laranjas e sucos de laranja Petróleo bruto e gás natural Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico Semicondutores e máquinas para sua fabricação Peixes e crustáceos Certos produtos de madeira tropical Mel orgânico Ferro-gusa Castanhas Celulose de madeira Pastas químicas de madeira Helicópteros Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico Alguns minérios Determinados produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas americanas Veja abaixo os principais itens sujeitos a tarifa de 25%: Etanol Máquinas agrícolas Vestuário Maquinário elétrico Calçados Ferramentas de jardinagem Equipamentos de mineração Papel Açúcar orgânico Bens de capital Manufaturados em geral Produtos químicos diversos Itens industriais processados Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. A nova cobrança ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio. Veja os detalhes na reportagem abaixo. Nova tarifa se soma a medidas anteriores dos EUA A aplicação da tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros faz parte de uma sequência de medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump desde o início de 2026. Além da nova tarifa, Washington manteve tarifas específicas para determinados setores com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, principalmente produtos industriais, como itens de ferro e aço, alumínio, cobre, máquinas, equipamentos, autopeças e veículos. As alíquotas da Seção 232 variam conforme o produto e a classificação tarifária americana. Em alguns casos, produtos de aço, alumínio e cobre chegaram a ter tarifas adicionais de 50%, enquanto outros derivados desses metais estavam sujeitos a cobranças específicas, calculadas conforme o tipo de mercadoria e o conteúdo desses materiais. A nova tarifa anunciada nesta quarta-feira foi criada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada pelos EUA para investigar e responder a práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses americanos. Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, o que elevaria para 37,5% a tarifa adicional incidente sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. 🔍 A cobrança final, porém, dependerá das regras definidas pelos EUA para cada classificação tarifária e da existência de exceções ou tratamentos específicos para produtos que já estavam submetidos a outras medidas. Por isso, a aplicação da nova tarifa não representa, necessariamente, uma soma automática das alíquotas já existentes com os 25%. Antes da nova tarifa de 25%, os produtos brasileiros exportados aos EUA já estavam divididos em diferentes grupos tarifários. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 46% das exportações brasileiras não tinham tarifas adicionais, enquanto 25% estavam submetidas à sobretaxa global de 10% aplicada pelos EUA e 29% estavam enquadradas nas tarifas da Seção 232, principalmente nos setores de aço e alumínio. Decisão amplia tensão comercial entre Brasil e EUA No caso brasileiro, a investigação comercial envolveu temas como desmatamento ilegal, comércio digital e o sistema de pagamentos instantâneos PIX, que, segundo o governo americano, poderia prejudicar empresas de cartões de crédito. Ao decidir pela aplicação da nova taxa, o governo Trump alega que tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em reverter as práticas que considera injustas. Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Com a divulgação da decisão, o governo brasileiro vai analisar o teor do anúncio para definir qual será a reação, segundo interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo blog do Valdo Cruz. Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os americanos. 🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Tarifas de Trump sobre aço e alumínio: foto mostra fábrica mexicana de peças Reuters/Daniel Becerril

Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reagiu nesta quinta-feira (16) ao anúncio da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos e afirmou que a medida amplia as dificuldades já enfrentadas pelas empresas exportadoras. Em nota, a entidade avaliou que a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as vendas brasileiras aos Estados Unidos e aumenta a insegurança para companhias dos dois países. Segundo a CNI, os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já são percebidos no comércio bilateral. De acordo com a entidade, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13% no período, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A queda foi puxada principalmente pela redução das vendas de bens industriais, incluindo produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira. Donald Trump fala com a imprensa a bordo do Air Force One em 8 de julho de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst "Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A confederação informou ainda que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre os principais estados exportadores, Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%) e Paraná (-32,9%) apresentaram retrações significativas, segundo os dados da entidade. Apesar da redução das vendas, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período. Veja os detalhes do tarifaço na reportagem abaixo. Fiesp critica o governo brasileiro A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução do governo brasileiro nas negociações com os EUA após o anúncio de uma nova sobretaxa sobre produtos do Brasil. Em nota, a entidade afirmou que a medida representa um duro golpe para a competitividade da indústria nacional e avaliou que a retaliação comercial poderia ter sido evitada. Segundo a Fiesp, a decisão dos Estados Unidos é especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil, colocando os exportadores nacionais em desvantagem diante de concorrentes internacionais. A entidade também atribuiu parte do deterioramento do cenário comercial a uma condução que classificou como marcada por "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington". Para a federação, o episódio enfraqueceu uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos entre os dois países. A entidade defendeu que uma abordagem mais técnica e pragmática poderia ter evitado o agravamento das tensões comerciais. "O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. A federação informou ainda que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para buscar a reversão ou a mitigação das tarifas, com a ampliação da lista de produtos isentos. (Leia a nota na íntegra abaixo) FIEMG vê risco de perda de competitividade A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação com a decisão americana. Em nota, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros. Segundo a FIEMG, o impacto efetivo dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou ainda para possíveis efeitos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais. "A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras", afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG. A entidade defendeu o reforço das negociações entre Brasil e Estados Unidos e pediu regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e para a implementação das novas tarifas, de forma a evitar uma perda prolongada de competitividade da indústria nacional. (Leia a nota na íntegra abaixo) Amcham diz que tarifa é "muito negativa" e pede retomada do diálogo Em nota, a Amcham Brasil classificou como "muito negativo" o resultado da investigação que culminou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Segundo a entidade, a medida coloca o Brasil "entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano" e deve atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. A entidade também afirmou que as sobretaxas tendem a aumentar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA que utiliza insumos brasileiros e aprofundar a queda do comércio bilateral. "Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. "Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%." A Amcham também considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, por reduzir parte dos impactos da medida, mas defendeu a criação de um mecanismo que permita avaliar novas isenções para itens cujas sobretaxas possam gerar efeitos econômicos desproporcionais ou não contribuam para solucionar as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos. ABIMAQ diz que tarifa pode "comprometer investimentos" A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que vê com preocupação a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Para a entidade, a medida "aumenta a incerteza" nas relações comerciais entre os dois países e pode "elevar custos, reduzir a competitividade das empresas e afetar investimentos". Segundo a Abimaq, os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, o setor vendeu cerca de US$ 3,2 bilhões ao mercado americano, enquanto o Brasil importou US$ 4,8 bilhões em máquinas e equipamentos dos Estados Unidos, em uma relação marcada pela "elevada complementaridade industrial" e pela "forte interdependência produtiva" entre os dois países. A associação destaca que parte importante desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, com fábricas e operações nos dois países. Por isso, afirma que a tarifa pode "aumentar custos, reduzir a competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas", gerando impactos tanto para empresas brasileiras quanto americanas. A Abimaq concluiu seu posicionamento afirmando que divergências comerciais devem ser resolvidas "por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral" e que "medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor". A entidade informou que continuará acompanhando a implementação da tarifa e atuando para ampliar as exceções para o setor de máquinas e equipamentos. Leias as notas na íntegra: Fiesp "A Fiesp lamenta, com profunda preocupação, a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral. A retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano. “O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp. A Fiesp reafirma seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções." FIEMG "FIEMG critica tarifa de 25% dos EUA e alerta para perda de competitividade da indústria brasileira Medida amplia custos de acesso ao mercado norte-americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia com grande preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (15), de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo dependerá dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais. Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais. “A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG. A FIEMG reforça a necessidade de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e garantir regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e implementação da medida, evitando uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira." Amcham A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada em 15 de julho, de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3.000 produtos que o Brasil exporta, como conclusão da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil, consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral. A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos. Ademais de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região. Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países. “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. A Amcham Brasil considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos. Ao mesmo tempo, solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos. A Amcham Brasil seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias. ABIMAQ A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) manifesta profunda preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. A medida, anunciada pelo USTR, decorre da conclusão de que determinadas políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal configurariam práticas consideradas "injustas" ou "discriminatórias" sob a ótica norte-americana. A tarifa entrará em vigor em 22 de julho de 2026, alcançando, como regra geral, as importações provenientes do Brasil, com exceção de produtos expressamente excluídos pelo governo norte-americano. Embora o ato final tenha preservado diversas exceções relevantes, inclusive para produtos sujeitos às medidas da Seção 232 e para determinados bens considerados estratégicos para a economia norte-americana, a ABIMAQ avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos. Entre os produtos excluídos das novas tarifas encontram-se, por exemplo, artigos já submetidos à Seção 232, aeronaves civis e suas partes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados essenciais pelo próprio governo dos Estados Unidos. Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal mercado de exportação. Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações norte-americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva. A ABIMAQ ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral. A entidade também observa que, durante a consulta pública conduzida pelo USTR, diversos representantes da indústria norte-americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da medida, argumentando que esses produtos são essenciais para a competitividade da manufatura dos Estados Unidos, possuem limitada disponibilidade de fornecimento alternativo e que sua tributação produziria impactos negativos sobre investimentos, custos de produção e geração de empregos naquele país. O próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos. A ABIMAQ entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas. A Associação continuará acompanhando atentamente a implementação da medida, em especial a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, permanecerá atuando junto às autoridades brasileiras e aos interlocutores norte-americanos na defesa da ampliação das exclusões aplicáveis ao setor de máquinas e equipamentos e da construção de uma solução negociada que preserve a competitividade da indústria e o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.031 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 30 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça-feira (14), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Por que o brasileiro parcela tudo? O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) um projeto de lei que insere educação financeira na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. Por conta de alterações propostas pela relatora, a senadora e líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), agora o texto retorna para a Câmara dos Deputados, onde será revalidado pelos deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta, de autoria da deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS) estabelece que o ensino será "transversal e integrador" em toda a base curricular. A ideia de um ensino transversal é que ele permeie todos os anos de ensino, não ficando exclusivo para uma única faixa, assim como acontece com as demais disciplinas básicas, como matemática, português e história. "Esse desenvolvimento integral exige, de forma cada vez mais evidente, a compreensão da realidade econômica e a capacidade de tomada de decisões sobre consumo consciente, inclusive como instrumento de prevenção ao endividamento futuro", disse Teresa Leitão. Calculadora; empresa; gastos; dinheiro Freepik/cookie_studio "[Com o ensino transversal] preserva-se a flexibilidade necessária à organização curricular dos estabelecimentos de ensino e evita-se a sobrecarga da matriz curricular, ao mesmo tempo em que se assegura a permeabilidade do tema às diversas áreas do conhecimento", completou a senadora. A relatora ainda propôs e aprovou uma emenda ao texto que amplia o escopo da educação financeira, exigindo que também sejam ensinados conceitos sobre previdência, tributos e seguros. "Ao se estender a abordagem para além da dimensão estritamente financeira, alcançando as dimensões fiscal, previdenciária e securitária, amplia-se a capacidade do cidadão de compreender seus direitos e deveres perante o Estado e o mercado, de entender as forças e interesses que operam nessas dimensões e de planejar conscientemente o seu futuro", disse a petista.

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) Apesar de colocar as novas tarifas em vigor, os Estados Unidos determinaram que alguns itens ficarão de fora da taxação. Itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficarão fora da nova tarifa de 25%. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Já etanol, máquinas agrícolas e papel serão sobretaxados. Pelo lado do Brasil, boa parte dos produtos mais importantes da pauta exportadora não será taxado pela nova medida. O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto fala com a imprensa no dia da cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas A investigação foi encerrada pelo órgão comercial após análises e negociações entre os governos Lula (PT) e Trump. Também participaram representantes de diferentes setores da economia por meio de audiências públicas realizadas neste mês, como parte da reta final do processo. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. (veja o resumo das reclamações abaixo) Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca apenas reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Assim, entendem que as tarifas não buscam, por exemplo, o fim do PIX, mas alterações no funcionamento do sistema para evitar o que Washington considera condições desleais para empresas americanas de pagamentos eletrônicos. Conforme já mostrou o g1, especialistas apontam que não há razões consistentes para questionar o sistema de pagamento instantâneo brasileiro. Quando a nova taxa passa a valer? A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. Em um processo paralelo, conduzido com base na mesma legislação, a gestão Trump prevê a aplicação de uma taxa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil. A justificativa é que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A adoção desta taxa ainda está em análise. Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil O Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu em junho a investigação que tem com base na Seção 301 da Lei de Comércio. No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. E apontou ainda as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reuniram setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA seguiu até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Agora, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

Tarifaço de Trump: EUA definem hoje se aplicam novas taxas ao Brasil O Ministério da Fazenda prevê que o impacto macroeconômico de possíveis novas taxas dos Estados Unidos sobre o Brasil tenha efeito reduzido sobre a economia brasileira. As possíveis novas taxas podem ser aplicadas no âmbito de uma investigação aberta com base na chamada Seção 301. 🔎 Em 1º de junho, o governo americano concluiu uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos, entre elas desmatamento ilegal, pirataria e PIX. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo a pasta, as exportações mostraram resiliência mesmo após o tarifaço em agosto do ano passado, com recuperação gradual desde novembro. "Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma", afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no "Boletim MacroFiscal". Segundo a Fazenda, mesmo se as tarifas forem impostas, as medidas "preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado modesto". Soma-se a esses fatores, diz a pasta, as ações implementadas no ano passado em apoio aos setores mais expostos, com medidas voltados para o crédito, liquidez e diversificação de mercados, que deve auxiliar a mitigar os efeitos setoriais remanescentes. Imagem de drone do Porto de Santos (SP) Reuters Guerra no Oriente Médio Segundo a Secretaria de Política Econômica, o cenário internacional, marcado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, segue marcado por "elevada incerteza". "A trégua entre as partes reduziu o prêmio de risco sobre a oferta de petróleo e permitiu que a cotação do petróleo Brent recuasse momentaneamente", destacou a SPE. "Avanços diplomáticos arrefeceram momentaneamente os riscos geopolíticos entre maio e o começo de julho, mas incertezas ainda não foram totalmente eliminadas. A assinatura do acordo de trégua entre Estados Unidos e Irã para o cessar-fogo ajudou a reduzir riscos extremos associados ao choque de oferta de petróleo, especialmente diante do baixo nível dos estoques globais. Como resultado, o preço da principal commodity energética recuou para nível próximo ao observado no pré-conflito no começo de março", prossegue a análise. A interrupção do cessar-fogo na semana passada, no entanto, voltou a elevar o prêmio de risco e as cotações do petróleo. A reescalado do conflito não foi incorporada à análise e constitui um risco altista para os preços de energia e baixista para a atividade mundial.

Logo da empresa Twitter ao lado do perfil do bilionário americano, Elon Musk Dado Ruvic/REUTERS A rede social X, o antigo Twitter, completa 20 anos nesta quarta-feira (15). Nesse período, o serviço se tornou palco de conversas públicas em tempo real sobre assuntos em alta e passou por uma grande mudança de comando ao ser comprada pelo bilionário Elon Musk. O Twitter foi criado com a proposta de permitir que usuários compartilhassem textos curtos sobre o que estavam fazendo. Aos poucos, a plataforma ganhou outros recursos, como suporte a vídeos, transmissões ao vivo e comunidades. O serviço ajudou artistas, esportistas e políticos a se aproximarem de seguidores. E serviu para fazer comunicados: em 2020, um tuíte confirmou a morte do ator Chadwick Boseman, que interpretou o herói Pantera Negra nos cinemas, e se tornou um dos mais marcantes da rede social. Sob o comando de Musk, o X mudou suas políticas e afastou deixou insatisfeitos parte dos usuários, que migraram para serviços rivais como Bluesky e Threads. No Brasil, a rede social chegou a ser bloqueada por não cumprir ordens judiciais. Relembre os principais momentos da plataforma. Agora no g1 Onde tudo começou O Twitter foi lançado ao público em 15 de julho de 2006, mas sua primeira publicação foi feita quatro meses antes, no período de testes. "Estou criando minha conta Twttr", postou Jack Dorsey, em 21 de março daquele ano. O primeiro tuíte da história foi vendido em 2021 como NFT (sigla em inglês para "token não fungível"), uma espécie de ativo digital único. O registro custou pouco mais de US$ 2,9 milhões (R$ 14,7 milhões, na cotação atual) para o comprador. Initial plugin text Nos anos seguintes, o Twitter se firmou como uma rede social em que celebridades, atletas, políticos e empresas poderiam falar diretamente com seu público. Hoje, a conta de Musk é a mais popular, com 240 milhões de seguidores, mas isso só aconteceu após o empresário adquirir o serviço. Por muito tempo, o ex-presidente americano Barack Obama, hoje com 119 milhões de seguidores, foi o dono do perfil mais famoso da rede. No Brasil, Neymar Jr. lidera o ranking de contas mais populares, com 63 milhões de seguidores. Relembre abaixo momentos marcantes do X, antigo Twitter. A rede também ajudou a popularizar memes e fenômenos virais. Entre os mais famosos, está a selfie tirada pela apresentadora Ellen DeGeneres durante a cerimônia do Oscar de 2014. A foto, que reunia estrelas como Brad Pitt, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, é uma das mais curtidas da história. Selfie Oscar Redes sociais Ellen DeGenres A chegada de Elon Musk O capítulo mais turbulento da história da empresa começou em 2022. Em abril daquele ano, Elon Musk anunciou uma oferta para comprar o Twitter por cerca de US$ 44 bilhões. O processo foi marcado por negociações, disputas públicas e tentativas de desistência. Após meses de incerteza, o acordo foi concluído em outubro de 2022. Logo após assumir o controle da companhia, Musk promoveu uma ampla reestruturação, incluindo mudanças na liderança, demissões em massa e alterações em políticas da plataforma. Sob o comando de Musk, a plataforma passou a ser iainda mais questionada sobre falhas no combate à desinformação e em sua moderação de conteúdo. O novo dono passou a defender mudanças que priorizavam a ideia dele de liberdade de expressão. Elon Musk entra na sede do Twitter com uma pia nas mãos Twitter vira X Em julho de 2023, Musk anunciou o fim da marca Twitter. O tradicional pássaro azul, símbolo da plataforma por mais de uma década, foi substituído pela letra X, nome que passou a identificar a empresa e o serviço. A mudança fez parte da estratégia do bilionário de transformar a rede social em um aplicativo com múltiplos serviços, inspirado em modelos conhecidos como "superapps". A transição veio acompanhada de outras alterações, como mudanças no sistema de verificação de contas, novos produtos pagos, flexibilizações em regras da plataforma e ajustes em ferramentas utilizadas por desenvolvedores. Twitter ganha nova identidade visual com um grande "X" A relação turbulenta com o Brasil A relação entre o X e as autoridades brasileiras entrou em um de seus momentos mais delicados em 2024, até chegar à suspensão temporária da rede no país. Em agosto daquele ano, a empresa anunciou o fechamento de seu escritório no Brasil alegando que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tinha ameaçado sua representante legal no país de prisão caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse o novo representante legal. A ordem não foi cumprida, e o ministro decidiu pela suspensão da rede social em todo o território nacional, medida que só foi revertida cerca de 40 dias depois. Elon Musk e Aleandre de Moraes EVARISTO SA, ETIENNE LAURENT / AFP

Moeda comemorativa de US$ 1 com o rosto de Donald Trump — Foto: Divulgação Foto: Divulgação A Casa da Moeda dos Estados Unidos começou a produzir uma nova moeda comemorativa de US$ 1 com a imagem do presidente Donald Trump, informou o Departamento do Tesouro dos EUA nesta quarta-feira (15). A moeda faz parte das celebrações dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, comemorados em 2026. 🔎 Apesar de ter valor de face de US$ 1, a moeda não deve circular no comércio como as usadas no dia a dia. A peça é uma edição comemorativa, voltada principalmente para colecionadores. Nas redes sociais, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a peça representa um “legado duradouro da liberdade” e um “símbolo de patriotismo”. “Com a imagem do presidente Trump, ela celebra a força dos valores americanos e a promessa de uma nação dedicada a preservar a liberdade para todos”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA. Passaporte e moeda: Trump estampa rosto em símbolos dos EUA LEIA TAMBÉM: Passaporte, moeda e prédios: como Trump tem estampado o próprio rosto em símbolos públicos dos EUA Como é a moeda O desenho aprovado inicialmente pela Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos passou por alterações antes da produção final. A versão definitiva não será feita de ouro, mas apenas possuir um acabamento dourado. Na frente da moeda, Trump aparece usando terno e gravata, com expressão séria. Na parte superior está a inscrição "LIBERTY" ("Liberdade"), enquanto a parte inferior traz as datas "1776–2026", em referência aos 250 anos da independência dos EUA. No centro também aparece o lema "IN GOD WE TRUST" ("Em Deus confiamos"), tradicional nas moedas dos Estados Unidos. O verso da moeda traz a tradicional imagem da águia-careca, símbolo presente no Grande Selo dos Estados Unidos. A ave aparece com um escudo no peito e a inscrição "UNITED STATES OF AMERICA" ("Estados Unidos da América"). Sobre o escudo aparece a expressão em latim "E PLURIBUS UNUM", que significa "De muitos, um". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Moeda faz parte de série de celebrações com protagonismo de Trump O lançamento ocorre em meio às comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, marcadas pela forte presença do presidente Donald Trump. Durante o período de celebrações, Trump promoveu eventos de caráter tradicionalista, anunciou reformas em áreas públicas de Washington e apresentou projetos como a construção de um grande "arco do triunfo" na capital americana. Inclusão do rosto de Trump gera debate sobre regras americanas A inclusão da imagem de Trump na moeda gerou críticas porque a legislação dos Estados Unidos tradicionalmente impede que presidentes vivos apareçam em moedas e cédulas de circulação. A regra estabelece que a imagem de um presidente só pode ser usada no dinheiro americano após sua morte. No entanto, o secretário do Tesouro possui autoridade para autorizar, em determinadas situações, a emissão de moedas comemorativas. Outra diferença em relação ao projeto inicial é que Trump deixou de aparecer apoiado sobre uma mesa, enquanto se inclinava para frente. O Departamento do Tesouro não explicou os motivos das alterações no desenho. Assinatura de Trump também estará em novas cédulas A presença de Trump em símbolos nacionais vai além da moeda comemorativa. Em março, o Departamento do Tesouro informou que a assinatura do presidente passaria a aparecer nas novas cédulas emitidas pelos Estados Unidos. Tradicionalmente, as cédulas americanas levam as assinaturas do secretário do Tesouro e do tesoureiro dos Estados Unidos, e não do presidente da República. * Com informações da Associated Press

Senado aprova projeto que permite servidores do TCU receberem acima do teto do funcionalismo Jornal Nacional/ Reprodução O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (15) permitir que o salário e a gratificação por desempenho de função de chefia de servidores do próprio tribunal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal sejam considerados separademente. Isso significa que os servidores que já recebem o teto constitucional poderão, na prática, receber o valor total do benefício, sem abatimentos. O teto do funcionalismo corresponde à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente em R$ 46.366,19. A Constituição Federal diz que as verbas de caráter remuneratório, ou seja, aquelas pagas por conta do trabalho exercido pelo agente público, devem ficar submetidas ao teto. Ainda de acordo com essas regras, se a soma delas ultrapassa o limite estabelecido pelo teto, o excedente deve ser cortado. É feito o chamado "abate teto". Outros exemplos de verbas remuneratórias são as horas extras e o adicional noturno. Em março, o STF estabeleceu critérios para o pagamento das verbas indenizatórias para juízes e integrantes do Ministério Público. As verbas de caráter indenizatório não estão sujeitas ao teto e constituem uma espécie de ressarcimento ou compensação do Poder Público ao agente público por algo que ele gastou ao exercer sua função. São exemplos de verbas indenizatórias as diárias de viagem, ajudas de custo, auxílios-moradia, transporte, alimentação - e creche. LEIA TAMBÉM: Em meio à discussão sobre limitação a penduricalhos, presidente do TCU diz que aprovou gratificação com 'muito orgulho' e 'muita vontade' Penduricalhos: STF alterna entre restringir e liberar pagamentos; Congresso terá que estabelecer regras definitivas Placar julgamento A decisão foi tomada por oito votos a um. O relator, ministro Walton Alencar Rodrigues, votou para que o TCU não analisasse o pedido feito pelo Sindilegis, sindicato que representa servidores do Legislativo e do tribunal. Segundo ele, a entidade não teria legitimidade para apresentar a representação. O presidente do TCU e revisor da ação, ministro Vital do Rêgo, abriu divergência e defendeu que o caso fosse analisado. Para ele, a regra atual desestimula servidores a assumir funções de chefia, porque parte da gratificação acaba sendo reduzida pelo teto. Os demais ministros acompanharam a divergência. O que muda? Hoje, quando um servidor já recebe próximo ao teto constitucional e assume uma função de chefia, a gratificação pode ser reduzida ou até zerada. Com a decisão do TCU, a gratificação passa a ser tratada como uma parcela separada do salário do cargo efetivo, o que permite o pagamento integral do valor. Mudança pode beneficiar 25,7 mil servidores Segundo o acórdão do TCU, a mudança pode beneficiar 25,7 mil servidores. O impacto estimado é de aproximadamente R$ 211 milhões, valor equivalente a 0,09% da folha de pagamento dos servidores ativos da União. Agora no g1
xAI, de Elon Musk, processa usuário acusado de usar Grok para criar imagens de abuso sexual infantil

Rede Social X limita uso da inteligência artificial Grok para edição de imagens A startup de inteligência artificial xAI, de Elon Musk, processou um homem da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, preso no início deste ano sob acusação de explorar sexualmente menores de idade. Segundo a empresa, ele usou indevidamente o sistema de IA Grok para criar imagens de abuso sexual infantil. Na ação, apresentada na terça-feira (14) em um tribunal federal do Texas, a xAI afirma que Terry Harwood violou os termos de uso da plataforma. O caso está entre os primeiros em que uma empresa de inteligência artificial processa um usuário por supostamente utilizar uma ferramenta de IA para gerar conteúdo sexualmente explícito. Os contatos de Harwood, preso em fevereiro, não foram encontrados de imediato. A xAI também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pela imprensa nesta quarta-feira (15). Grok é acusado de permitir deepfakes sem consentimento O processo ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre a empresa por acusações de que o Grok tem permitido a criação de deepfakes sexualizados sem consentimento - vídeos ou imagens altamente realistas produzidos por inteligência artificial. Na ação judicial, a xAI afirma que combate esse tipo de uso com medidas como suspensão e encerramento de contas, além de comunicar casos suspeitos de material de abuso sexual infantil ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC, na sigla em inglês). Segundo a empresa, somente em 2026 foram 52.222 contas suspensas e 73.604 denúncias enviadas ao NCMEC, o que teria contribuído para pelo menos 244 prisões. Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk REUTERS/Dado Ruvic/Illustration Criminoso usou fotos adulteradas A xAI alega que Harwood enviou ao Grok imagens comuns de adultos e menores de idade e tentou usar a ferramenta para criar deepfakes sexualmente explícitos a partir delas. A empresa também afirma que ele produziu imagens sexuais falsas de adultos sem consentimento. No processo, a xAI pede uma indenização, cujo valor não foi divulgado, e solicita que a Justiça proíba definitivamente Harwood de utilizar o Grok. "A conduta do réu foi um plano deliberado para transformar a ferramenta da autora em um instrumento para fins criminosos, expondo vítimas reais a danos profundos e duradouros, além de causar riscos jurídicos e prejuízos à reputação da empresa", afirmou a xAI na ação.

IA em alta, mas ninguém quer um data center no quintal Um dia após o estado de Nova York anunciar a suspensão da aprovação de novos grandes data centers, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente a medida e defendeu nesta quarta-feira (15) que esses empreendimentos são essenciais para a geração de empregos, arrecadação e liderança tecnológica do país — que pode perder sua posição para a China. Em publicação na rede social Truth Social nesta quarta-feira (15), Trump afirmou que os data centers serão uma das maiores forças motrizes para os empregos no futuro e os descreveu como máquinas de fazer dinheiro para os estados onde são instalados. "Os data centers são um dos principais motores de criação de empregos para o futuro. Eles são grandes, robustos, arrojados e verdadeiras máquinas de gerar receita", escreveu o presidente americano. O republicano atribuiu a decisão à governadora de Nova York, Kathy Hochul, dizendo que ela interrompeu, "por razões políticas", a construção de todos os novos data centers no estado. "Nova York tomou uma decisão terrível. Toda essa receita e os demais benefícios irão para estados republicanos - e alguns democratas -, onde os data centers são vistos como fontes valiosas de recursos, oferecendo impostos mais baixos e gerando um número recorde de empregos", repudiou. Na terça-feira (14), Nova York anunciou uma moratória de um ano para a aprovação de novas licenças ambientais de grandes instalações, enquanto realiza um estudo sobre os impactos desses empreendimentos no consumo de energia, no uso de água e nas comunidades locais. Segundo Trump, a medida fará com que investimentos migrem para estados como Alabama, Flórida, Texas e Arizona, que, segundo ele, buscam atrair esse tipo de infraestrutura. "Os impostos e os empregos equivalem a ouro puro", escreveu. A vitória da China O presidente também argumentou que os próprios data centers devem arcar com seus custos de água e energia e que qualquer benefício excedente retorna aos governos estaduais e às comunidades locais. Na avaliação dele, esses empreendimentos representam "enormes vitórias" para os estados que conseguem recebê-los. Ao pedir que Nova York reverta a decisão "imediatamente", Trump afirmou ainda que a política adotada pelo estado pode fazer os Estados Unidos perderem investimentos em data centers, inteligência artificial e novas tecnologias para países como a China. "A esquerda radical não pode ser autorizada a nos fazer perder data centers, IA e toda essa incrível nova tecnologia para a China e outros países", escreveu. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião bilateral com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 14 de julho de 2026 REUTERS/Evan Vucci

O governo elevou nesta quarta-feira (15) a estimativa para a inflação oficial deste ano, de 4,5% para 5,1%, diante da persistência das pressões sobre os preços, especialmente dos alimentos, e dos reflexos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global. Ou seja, com isso a Fazenda projeta estouro da meta de inflação. 🔎Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. A revisão consta no "Boletim MacroFiscal", divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Agora no g1 Segundo a equipe econômica, apesar da desaceleração do Índices de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, os alimentos continuaram sendo o principal fator de pressão sobre a inflação acumulada no ano. O governo também afirmou que as medidas dessazonalizadas — isto é, tomadas diante de eventos extraordinários, como a guerra — seguem acima do padrão histórico "De maio a junho, observaram-se efeitos de segunda ordem nos preços de algumas cadeias produtivas, apesar do alívio recente nas cotações de petróleo, que tende a reduzir as pressões sobre os custos globais", afirmou o Ministério da Fazenda. A pasta avalia, porém, que ainda é cedo para concluir que os preços se estabilizaram. "Contudo ainda é cedo para afirmar que os preços tenham se estabilizado: o cessar-fogo permanece frágil, e sua interrupção, posterior à data de corte deste boletim, constitui risco altista não incorporado às projeções. Além disso, o possível aumento da demanda, para recomposição dos estoques, e os danos à infraestrutura no Oriente Médio podem ser vetores de alta para os preços do petróleo", prosseguem. O Ministério da Fazenda também aponta outros fatores que podem manter a inflação pressionada nos próximos meses. Entre eles estão o espaço remanescente para o repasse dos preços do atacado ao consumidor, o que pode elevar os custos de bens industriais, e o aumento da probabilidade de um El Niño mais intenso. Segundo a pasta, embora o fenômeno climático deva afetar principalmente a safra de 2027, ele já pode exercer pressão sobre os preços dos alimentos ainda em 2026. Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução Crescimento econômico O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, apesar da desaceleração da economia. Se confirmada, será a mesma taxa de crescimento registrada em 2025. "Os indicadores coincidentes seguiram majoritariamente positivos no início do segundo trimestre, sem sinalizar perda de tração generalizada. Na comparação entre trimestres, com ajuste sazonal, o IBC-Br avançou 1,2% no trimestre encerrado em abril de 2026, em ritmo próximo ao do trimestre encerrado em março", avaliou a Secretaria de Política Econômica. "A indústria manteve o principal impulso, com aceleração na leitura trimestral até maio, ainda que tenha recuado na margem mensal naquele mês, após quatro meses consecutivos de alta, refletindo o recuo da extrativa e o desempenho estável da transformação", prosseguiu.

Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual A Amazon anunciou nesta quarta-feira (15) que lançará seu novo serviço de internet via satélite, o Amazon Leo, na África do Sul em 2027. Com isso, a empresa fundada por Jeff Bezos deve sair na frente da Starlink, de Elon Musk, na disputa pelo mercado da economia mais desenvolvida do continente africano. Para viabilizar a operação, a Amazon firmou uma parceria com a provedora sul-africana de internet Herotel. Segundo a companhia, este é o primeiro acordo do Amazon Leo para oferta de internet via satélite no continente africano. Os valores da parceria não foram divulgados. O anúncio ocorre em meio às críticas de Elon Musk ao governo da África do Sul, seu país de origem. O bilionário afirma que a Starlink ainda não opera no país porque a legislação local teria impedido a empresa de obter uma licença por ele ser branco. Musk chegou a acusar o governo sul-africano de racismo. As críticas se referem às políticas de ação afirmativa adotadas pela África do Sul. Pela legislação, empresas estrangeiras do setor de telecomunicações precisam conceder uma participação minoritária de suas operações locais a investidores negros ou de outros grupos historicamente desfavorecidos para obter autorização de funcionamento. As regras foram criadas para ampliar o acesso da população não branca à economia após o fim do apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país durante décadas e concentrava o poder político e econômico na minoria branca. Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, e cofundador e co-CEO da Prometheus, participa da 10ª edição da feira de startups e inovação tecnológica VivaTech em Paris, na França, em junho de 2026. Abdul Saboor/Reuters Além de despontar, Amazon tem apoio do governo Diferentemente da Starlink, o acordo da Amazon recebeu apoio do governo sul-africano. O ministro das Comunicações, Solly Malatsi, participou do anúncio ao lado de representantes da Amazon e da Herotel. A Amazon começou a colocar em órbita seus primeiros satélites de baixa altitude no ano passado e afirma que já possui mais de 390 satélites em operação. A Starlink, por sua vez, iniciou suas operações em 2019 e conta atualmente com mais de 10 mil satélites em órbita. O serviço já está disponível em cerca de duas dezenas de países africanos, mas ainda não foi lançado na África do Sul porque a empresa de Musk se recusa a atender às exigências da legislação local. A empresa de Jeff Bezos afirmou que o acordo com a África do Sul marca o início de sua expansão pelo continente. Para isso, também firmou parceria com a Vanu Inc., companhia sediada em Lexington, no estado de Massachusetts (EUA), especializada em soluções de internet móvel para países em desenvolvimento. A África é considerada um mercado promissor para serviços de internet via satélite. O continente reúne mais de 1,5 bilhão de habitantes, muitos vivendo em áreas rurais ou regiões que ainda não contam com infraestrutura de internet fixa. O Amazon Leo, anteriormente conhecido como Projeto Kuiper, já anunciou acordos para operar na Tailândia, Cazaquistão, Austrália, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Apesar da expansão da Amazon, a Starlink segue muito à frente em escala global. Segundo a empresa, seu serviço já está disponível em mais de 160 países.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a afirmar nesta quarta-feira (15) que um eventual aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos seria algo "desproporcional" e "injustificado". 🔎Termina nesta quarta (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros. A sinalização é de as novas taxas serão mesmo aplicadas. Durigan disse que, se a medida for concretizada, o governo brasileiro vai agir para proteger a economia interna e que setores produtivos nacionais não podem pagar a conta de barreiras comerciais externas. "Com relação ao tarifaço, existe sempre um princípio que vai nos guiar: os empresários brasileiros, as famílias brasileiras, os caminhoneiros brasileiros e os agricultores brasileiros não podem ser prejudicados por medidas injustas adotadas por outros países", declarou o ministro. Agora no g1 Embora tenha adotado cautela, ao afirmar que ainda não há uma confirmação oficial sobre a aplicação prática das novas taxas americanas, o ministro da Fazenda disse que o governo federal deve mapear os setores que devem ser mais afetados para desenhar ações de suporte. O ministro disse que a reação seguirá a "linha de princípio" de medidas anteriores do governo para blindar o mercado doméstico. Ele declarou ainda que qualquer resposta brasileira a pressões externas passará pelo crivo das metas de controle de gastos públicos. "Nós vamos fazer uma avaliação sempre cuidadosa pelo compromisso de futuro, compromisso fiscal que nós temos, e nós vamos endereçar sempre protegendo a nossa população", ponderou. Dario Durigan Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram nesta quarta-feira (15) que chegaram a um acordo sobre a renegociação de dívidas de produtores rurais. Uma medida provisória para viabilizar o acordo foi publicada na noite desta quarta-feira (15). O entendimento anunciado nesta quarta busca destravar uma solução para o endividamento de produtores afetados por eventos climáticos extremos e dificuldades econômicas. O tema chegou a ser tratado em um projeto aprovado pelo Senado, mas sem o apoio do governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, com o acordo, produtores que, entre 2019 e 2025, registraram perdas de ao menos 30% de renda bruta em pelo menos duas safras, em razão de eventos climáticos ou da variação dos preços agrícolas, poderão renegociar débitos em condições especiais. A regra geral prevê prazo de oito anos para pagamento, com dois anos de carência e sem entrada. Para produtores com perdas maiores – de pelo menos três safras e perda de 40% da renda bruta – provocadas por eventos climáticos, especialmente no Rio Grande do Sul, o prazo poderá chegar a dez anos, também sem entrada. Agora no g1 "Se tiver três perdas, o prazo vai para dez anos. São dois anos de carência mais oito anos para pagar, sem necessidade de pagamento de entrada", afirmou Durigan. A renegociação terá como fontes: recursos do crédito rural fundos, como o Social, e outros supervisionados pela Fazenda 🔎O acordo foi fechado em um ano eleitoral, no qual o governo Lula tenta conquistar votos entre produtores rurais. Taxas vão variar conforme porte do produtor Pelo acordo anunciado, as taxas de juros serão diferenciadas conforme o porte do produtor. Para agricultores que tiveram perdas decorrentes de eventos climáticos, os juros serão: 5% ao ano para beneficiários do Pronaf; 8% ao ano para produtores do Pronamp; 11% ao ano para grandes produtores. Nas demais situações abrangidas pelo acordo, incluindo perdas causadas por variações de preços, as taxas serão: 6% ao ano para o Pronaf; 9% ao ano para o Pronamp; 12% ao ano para produtores de maior porte. Os limites de valores das dívidas renegociadas variarão de R$ 400 mil a R$ 8 milhões por beneficiário do programa, conforme o porte do produtor. CPRs entram na renegociação Uma das principais novidades anunciadas pelo governo é a inclusão das Cédulas de Produto Rural (CPRs) nas renegociações. Segundo Durigan, até as negociações realizadas no Senado, a equipe econômica não aceitava incluir esse tipo de operação, que possui regras diferentes das linhas tradicionais de crédito rural. Agora, operações de CPR em atraso poderão ser renegociadas inicialmente junto às instituições financeiras nos mesmos prazos definidos para as demais dívidas. "O agricultor que, além do crédito rural, se valeu de CPR, também terá uma alternativa de renegociação", disse o ministro. Cooperativas também serão contempladas O acordo também prevê a participação das cooperativas de produção. Segundo o governo, bancos públicos, instituições privadas e cooperativas de crédito poderão oferecer as condições negociadas aos produtores rurais aptos a aderir ao programa. Garantias Outro ponto do acordo trata das garantias exigidas pelos bancos. O governo informou que as garantias apresentadas nas operações originais poderão ser reaproveitadas nas renegociações, reduzindo a necessidade de apresentação de novos bens ou garantias adicionais pelos produtores. Segundo Durigan, a orientação é que as instituições financeiras reavaliem os contratos e exijam garantias extras apenas quando houver necessidade. Mudança de posição Em junho, após a aprovação do projeto pelo Senado sem acordo com o governo, Durigan afirmou que o governo poderia vetar a proposta por considerar elevado o impacto fiscal da medida. Na ocasião, o Ministério da Fazenda estimava que o custo poderia chegar a R$ 140 bilhões caso todos os produtores elegíveis aderissem ao refinanciamento. A proposta havia sido aprovada pelos senadores sem apoio do formal do Executivo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente da Câmara e parlamentares Reprodução/TV Globo
Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa

Divulgação/Cecafé O impacto do vai e vem das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ainda está sendo assimilado pelos setores não beneficiados por isenções. Muitos haviam estruturado suas cadeias produtivas em torno do mercado americano, como o de metais, da madeira e de diversas manufaturas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "No setor de café solúvel, 50% da exportação brasileira ia para os Estados Unidos. Eles aumentaram as vendas para outros destinos, mas mesmo assim a participação era muito grande. A mesma coisa ocorre com aço, alumínio e cobre", explica Welber Barral, especialista em comércio internacional. "Os Estados Unidos eram um grande comprador há muitas décadas, então você não consegue diversificar imediatamente. Para os calçados, por exemplo, os EUA não são um grande destino para o setor como um todo, mas algumas empresas em particular dependiam muito do mercado americano", observa. EUA definem hoje se aplicam novas tarifas a produtos brasileiros As barreiras comerciais prejudicam também os importadores. Grandes empresas como Coca-Cola e Tesla sinalizaram que não é tão simples substituir o café, o suco de laranja e os metais raros que costumavam comprar do Brasil com tarifas baixas. O consumidor americano acaba pagando essa conta. A confiança abalada acelera o afastamento Do lado dos parceiros do país, a confiança sai abalada. “No caso do Brasil, a consequência imediata é apressar um divórcio ou um processo de decoupling que já está sendo feito nos últimos 20 anos. É claro que a conjuntura afeta, mas é a continuação de uma tendência de um país que era o maior parceiro comercial brasileiro em muitas décadas, e que deixou de ser e vem em queda constante”, salienta Carlos Frederico Coelho, professor de comércio internacional da PUC Rio. "O tarifaço não inaugurou esse movimento, mas ele certamente o acelera.” Os anúncios intempestivos de Trump amplificaram no mundo um movimento de abertura de novas parcerias e intensificação das existentes. Desde 2025, junto com o Mercosul, cinco frentes avançaram para o Brasil: os acordos comerciais com a União Europeia, o EFTA (Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia) e Singapura foram fechados, além da abertura de negociações com o Japão e a reativação diplomática para a conclusão das tratativas com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Vietnã e Indonésia. O resultado é que, até 2024, apenas 12% das exportações brasileiras eram cobertas por acordos comerciais, e a parcela subiu para 31%. No ano passado, os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam a diversificação, com recordes de exportações para 42 países. A Alemanha, por exemplo, se consolidou como a quarta maior parceira e pretende dobrar as trocas com o Brasil nos próximos cinco anos. “Um efeito indireto e provavelmente não desejado por Trump foi o aumento desses acordos do Brasil e de vários outros países, para tentar diversificar do mercado americano. E não é só o Mercosul”, sublinha Welber Barral, ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior. “Se você olhar, países como Indonésia avançaram muito em novos acordos. A própria União Europeia avançou no acordo com a Índia”, aponta. O risco chinês A queda de 6,6% nas importações do Brasil pelos Estados Unidos foi compensada pelo aumento equivalente para a China e a Argentina, respectivamente o primeiro e o terceiro principais parceiros comerciais do Brasil. Hoje, Pequim absorve quase um terço das exportações brasileiras. "Diversificar é um pouco mais complexo do que se fala. O que preocupa nas trocas comerciais com a China é que, quando você analisa essa pauta, quase 90% está concentrado em quatro produtos: carnes, minério, soja e petróleo”, adverte Coelho. "Isso deveria nos assustar, porque se a China desacelerar, o Brasil vai sofrer imensamente. Não é desejável, para países tão distantes, que o Brasil tenha 30% das exportações indo para um só país." Barral concorda com os riscos dessa nova dependência, mas pondera que as trocas com os países asiáticos em geral também estão em alta, a exemplo da Índia, Indonésia e Vietnã. "Outros países asiáticos também podem se tornar grandes importadores no futuro, principalmente de commodities agrícolas”, afirma.

EUA e Brasil estão envolvidos em disputas comerciais e tarifárias Reuters via BBC O jornal britânico The Guardian publicou na terça-feira (14/07) um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O governo dos EUA deve anunciar até esta quarta-feira (15/07) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. "A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal. O jornal afirma que "Trump rejeita a defesa" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira. Agora no g1 "Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país", diz o editorial. O texto destaca que, em junho passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) "reagiu às mentiras online que ajudaram a alimentar a tentativa fracassada de golpe de extrema-direita liderada por Jair Bolsonaro em 2023". O Guardian diz que o STF decidiu que as plataformas de redes sociais poderiam ser responsabilizadas por postagens de alguns usuários, obrigando empresas como a X, de Elon Musk, e a Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos. "Um mês depois, Donald Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, queixando-se de que os juízes haviam obrigado empresas de tecnologia dos EUA a retirar do ar material 'político'", afirma o jornal britânico. O editorial também faz referências aos ataques dos EUA ao Pix. "Outra questão de soberania diz respeito a quem controla a infraestrutura financeira do Brasil e se é possível existir, na América Latina, uma infraestrutura pública de pagamentos bem-sucedida que não esteja sob controle americano", escreve o jornal. "Assim como a Índia, o Brasil construiu uma infraestrutura pública digital [o Pix] projetada para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por estrangeiros e proteger seu sistema doméstico de pagamentos contra pressões ou sanções externas. Na prática, o sistema contorna as redes de cartão nos moldes da Visa e da Mastercard, ameaçando os lucros dessas empresas." O editorial do Guardian também faz referência às eleições brasileiras, em que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem na frente nas pesquisas. "[Flávio] Bolsonaro é menos carismático que seu pai, mas está baseado no mesmo antiesquerdismo simplista, nas mesmas políticas punitivas de 'lei e ordem' e nas mesmas guerras culturais de extrema-direita", afirma o jornal. O Guardian disse que o pedido de Flávio Bolsonaro a Trump para que evite tarifas contra o Brasil até as eleições de outubro foi "extremamente audacioso". Já Lula é descrito como um dos políticos "mais bem-sucedidos deste século". "De operário a líder sindical e fundador de partido, Lula fez da redistribuição a linguagem da democracia brasileira. A pobreza extrema caiu de 30 milhões em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. Ele governou de 2003 a 2011. A política brasileira é polarizada: Lula só retornou em 2023 depois que juízes anularam condenações por corrupção." "A verdadeira infração [do Brasil] não é o protecionismo, mas a autonomia", escreve o Guardian. "Trump rebatizou essa soberania brasileira como discriminação comercial injusta. É tão previsível quanto preocupante que o bolsonarismo esteja disposto a embarcar nessa narrativa." LEIA MAIS EM: Brasil pode se tornar 2º país do mundo mais tarifado pelos EUA se Trump confirmar novo tarifaço Por que o PIX se tornou um foco da ofensiva comercial de Trump contra o Brasil?

Tarifaço de Trump: EUA definem nesta quarta (15) se aplicam novas taxas ao Brasil O dólar fechou estável nesta quarta-feira (15), com variação positiva de 0,01%, cotado a R$ 5,0780. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,36%, aos 176.011 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️A decisão dos Estados Unidos sobre aplicar ou não as novas taxas sobre produtos brasileiros ficou no centro das atenções nesta quarta-feira. A investigação, que ocorreu com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana avalia a aplicação de duas sobretaxas ao Brasil: uma de 25%, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas; e outra de 12,5%, aplicada também a mais de 60 países, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. ▶️ Além disso, as tensões no Estreito de Ormuz continuam a trazer preocupações sobre o mercado internacional de petróleo. Nesta quarta-feira, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, no 5º dia seguido de agressões. Com isso, Teerã voltou a fechar o Estreito e o presidente americano, Donald Trump, reagiu retomando o bloqueio naval ao país do Oriente Médio. Em meio às tensões, o petróleo teve um dia de volatilidade nesta quarta-feira. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,23%, cotado a US$ 85,77. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha um avanço de 1,26%, cotado a US$ 80,34 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,60%; Acumulado do mês: -1,64%; Acumulado do ano: -7,48%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,04%; Acumulado do mês: +2,32%; Acumulado do ano: +9,24%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Tarifaço de Trump Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de tarifas contra produtos brasileiros. O processo abriu uma disputa entre Brasília e Washington e mobilizou setores da economia brasileira, que participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contra as medidas. ENTENDA: por que os EUA vão taxar o Brasil? No Brasil, o governo aprovou uma Medida Provisória (MP) que libera uma linha de financiamento de R$ 15 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço e também pela guerra no Oriente Médio. O crédito será ofertado dentro do Plano Brasil Soberano para exportadores de bens industriais, produtos da agricultura e da pecuária e recursos da mineração. Também estão incluídos produtos das florestas plantadas, da pesca e da aquicultura. Escalada das tensões no Oriente Médio Um ataque de mísseis dos Estados Unidos matou sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr, no extremo sudeste do Irã, nesta quarta-feira (15), informou o Exército do país. O anúncio ocorre em meio à intensificação dos confrontos entre os dois países e a volta do bloqueio militar norte-americano aos portos iranianos para tentar manter a navegação aberta no Estreito de Ormuz. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Apesar dos esforços, nesta quarta, a Guarda Revolucionária do Irã voltou a afirmar que a rota permanecerá fechada até que os “atos de agressão” dos EUA parem. “As operações de represália dos combatentes continuarão, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos ponham fim aos seus atos de agressão”, afirma comunicado divulgado pela televisão estatal Irib. Em reação ao fechamento do canal, os EUA anunciaram um bloqueio naval ao Irã, iniciada no final da tarde de ontem. Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em alta nesta quarta-feira (15), conforme investidores avaliavam resultados corporativos. O Dow Jones teve ganhos de 0,29%, enquanto o S&P 500 subiu 0,36% e o Nasdaq Composite avançou 0,62%. Já na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda, com investidores ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. O DAX, da Alemanha, teve queda de 0,59%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,19% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,13%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em baixa nesta quarta-feira, em meio a uma liquidação de ações de semicondutores, com investidores realizando lucros recentes e redirecionando capital para setores mais tradicionais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,20%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 0,29%. Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,40%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 1,49% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 6,24%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo Jornal Nacional/ Reprodução

Sessão de Debates - Fim da escala 6x1 no Brasil. Andressa Anholete/Agência Senado Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, contra 22% que se dizem contrários. O percentual a favor variou pouco desde julho de 2025 (69%), passando por 72% em dezembro de 2025 e 68% em maio de 2026. 🔎 A proposta reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas por semana em até 14 meses e permite o fim da escala 6x1. SAIBA MAIS: O que é a escala 6x1? Entenda os principais formatos de jornada no Brasil A proposta, que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de folga, já é conhecida pela maioria da população. 75% dos entrevistados disseram saber que a Câmara aprovou o fim da escala 6x1 e que o texto agora tramita no Senado, enquanto 25% ficaram sabendo apenas ao responder à pesquisa. Apesar do apoio majoritário, a população se divide sobre os efeitos práticos da mudança: 50% acreditam que, se aprovada, passarão a trabalhar menos horas por semana, enquanto 45% não acreditam nisso e 5% não souberam responder. A Quaest também perguntou o que os entrevistados pretendem fazer com seu tempo livre, caso a proposta seja aprovada. Veja as respostas: Descansar e passar mais tempo com a família: 53% Buscar outro trabalho ou fazer hora extra para aumentar a renda: 13% Fazer cursos/estudar: 12% Ir à igreja ou à cerimônias religiosas: 9% Passear/ir a bares e restaurantes/fazer festas: 6% Viajar: 4% Não sabe/não respondeu: 3%. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-07181/2026.

Quaest: 36% avaliam o governo Lula positivamente O principal fator que levou à melhora dos dados do governo e fez cair a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), é a economia. Os dados indicam que aumentou o número de brasileiros que avaliam que a situação econômica do país deixou de piorar. Essa mudança de percepção aparece como o principal fator por trás da redução da rejeição ao presidente e da melhora na avaliação do governo. O levantamento divulgado nesta quarta aponta que 48% dos entrevistados aprovam o governo Lula (PT), enquanto 47% desaprovam. Os números mostram uma situação de empate técnico. Mas, é a primeira vez que a aprovação supera a rejeição numericamente desde 2024. O levantamento também mostra que programas voltados ao alívio financeiro das famílias têm impacto diferente na opinião pública. Entre as medidas testadas, o Desenrola 2.0 apresenta maior potencial para reduzir a desaprovação ao governo do que a proposta de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Uma pergunta da pesquisa, em específico, mostra o impacto positivo na vida de parte dos eleitores. Os números oficiais mostram que 39 milhoes de brasileiros buscaram o Desenrola. Questionados se depois do lançamento do programa haviam percebido mudança na renda, a maior fatia deles, 35%, dizem que a renda aumentou significativamente. O conhecimento do programa também é grande e chega a 66% dos entrevistados. O governo tem ampliado seus gastos neste ano eleitoral. Estimativas de diferentes economistas chegam a contabilizar expansão de gastos em quase R$ 200 bilhões. Regime de trabalho O conhecimento sobre a proposta de fim da escala 6x1 também demonstrou ser amplo. Veja os números: 75% dos eleitores dizem ter tomado conhecimento, contra 25% que desconhecem. 69% deles se dizem favoráveis à proposta. Perguntados sobre o que farão se a medida passar a valer, 53% afirmaram que passarão mais tempo com a família. Os resultados reforçam a avaliação de que a percepção sobre a economia continua sendo o principal determinante da popularidade do governo e tende a influenciar o cenário político nos próximos meses. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis - MG Ricardo Stuckert / PR Pesquisa Quaest Em abril, a diferença entre os índices de desaprovação e aprovação do governo Lula era de nove pontos. Em maio, caiu para três, e era de apenas um ponto em junho, o que se manteve em julho. Na pesquisa anterior, 48% desaprovavam o governo e 47% aprovavam a gestão do presidente. A análise de Felipe Nunes, diretor da Quaest, destaca que Lula tem saldo de aprovação positivo pela primeira vez desde dezembro de 2024. A Quaest também questionou aos entrevistados como eles avaliam o trabalho que o presidente Lula está fazendo. Veja os números: Positivo: 36% (eram 34% em junho, 34% em maio, 31% em abril e 31% em março);; Negativo: 36% (eram 38% em junho, 39% em maio, 42% em abril e 43% em março);; Regular: 26% (eram 26% em junho, 25% em maio, 26% em abril e 25% em março);; Não sabe/não respondeu: 2% (eram 2% em junho, 2% em maio, 1% em abril e 1% em março). A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-07181/2026.

Um funcionário gira uma roda de queijo Parmigiano Reggiano dentro do cofre de queijos do Magazzini Generali delle Tagliate, do Credito Emiliano. Foto de 6 de julho de 2026 Matteo Minnella/Reuters Há cinquenta anos, os agricultores da região da Emília-Romanha, na Itália, costumavam abrir as janelas dos celeiros durante as noites de verão para refrescar o gado. Hoje, com as ondas de calor elevando as temperaturas a níveis recordes, essas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger as vacas e, consequentemente, o leite que dá origem ao Parmigiano Reggiano, base de uma indústria centenária de queijo na região. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O calor extremo afeta a qualidade e a quantidade do leite", afirmou Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, que também administra a fazenda leiteira fundada por sua família em 1895, nos arredores de Parma. 'PF' mais salgado: prato feito fica mais caro apesar do alívio na inflação dos alimento Calor extremo ameaça produção de vinho na França e acelera colheita de uvas De onde vem o que eu como: queijo nasceu em estômago de animais e hoje tem concurso mundial, g1 foi conferir Custos aumentam à medida que o queijo envelhece Aspersores refrescam vacas, na fazenda leiteira Bertinelli, durante uma onda de calor em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026.á-las Matteo Minnella/Reuters Com temperaturas acima de 40°C, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e produzem até 10% menos leite — um dos apenas três ingredientes do Parmigiano, ao lado do sal e do coalho. A produção do autêntico Parmigiano Reggiano só é permitida em cinco províncias, a maioria delas na Emília-Romanha, e as vacas devem ser alimentadas exclusivamente com capim e feno produzidos nessa região. "Se não chove, o capim não cresce, o feno não pode ser produzido e é impossível obter o leite necessário para fazer o queijo", disse Bertinelli, de 54 anos, à Reuters. Ele e outros produtores também instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, mas essas medidas extras de resfriamento fizeram os custos de energia dispararem. As contas mais altas também atingem os administradores dos armazéns onde as rodas de queijo ficam armazenadas durante o processo de maturação, que dura pelo menos 12 meses e pode chegar a três anos ou mais. Mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, estão armazenadas nos dois depósitos operados pela Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), unidade do banco Credito Emiliano, nas províncias de Reggio Emilia e Modena. "Durante os picos de calor deste ano, nosso consumo diário de energia aumentou cerca de 30%", afirmou o diretor da MGT, Giancarlo Ravanetti. "Para tornar nossas instalações o mais eficientes possível do ponto de vista energético, aprimoramos os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhoramos o isolamento dos edifícios e ampliamos a produção de energia renovável", acrescentou. 'Não queremos ser a última geração a comer esse queijo' Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, posa para uma foto no estábulo da fazenda leiteira de sua família, enquanto o calor extremo afeta a produção de leite, em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026. Matteo Minnella/Reuters Os armazéns climatizados da região se tornaram instituições conhecidas coletivamente como o "Banco do Parmigiano". Atrás de seus muros, tecnologia e tradição caminham lado a lado. Cada roda de Parmigiano Reggiano passa por rigorosas inspeções de qualidade, incluindo exames de raio X para identificar defeitos. Além disso, especialistas verificam semanalmente cada peça, batendo com pequenos martelos e ouvindo o som produzido para detectar possíveis falhas surgidas durante o envelhecimento. "O fator humano continua sendo essencial e é a verdadeira força de todo o processo", afirmou Ravanetti. Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas do grupo alimentício GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, compartilha a preocupação com o aumento dos custos. "Se os eventos climáticos extremos se tornarem mais duradouros e intensos, certamente terão impacto tanto na quantidade quanto na qualidade do leite, mas, acima de tudo, levarão a custos mais elevados", disse. Há muito em jogo. A indústria do Parmigiano Reggiano gera uma receita estimada em 4,5 bilhões de euros (US$ 5,15 bilhões) por ano, emprega milhares de pessoas e movimenta a economia local. Em 2025, as exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano, sendo os Estados Unidos o principal mercado externo. "O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos", afirmou Ganzerli. "Não queremos ser a última geração a comê-lo."

Prazo para recadastramento de transporte escolar termina em Divinópolis O que mais pesa no orçamento das famílias brasileiras no fim do mês? Em junho, os três principais gastos apontados pela população foram alimentação, contas de serviços públicos e aluguel ou financiamento da moradia. Mas um item chamou atenção: o transporte passou a ocupar um espaço muito maior no bolso dos brasileiros em comparação com o mesmo período do ano passado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os dados fazem parte da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV Ibre, divulgada nesta terça-feira (14). Na sondagem, o transporte apresentou a maior variação em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre quem apontou o transporte como uma das três despesas que mais pesam no orçamento, o percentual de entrevistados passou de 2% em junho de 2025 para 27,6% em junho de 2026, alta de 25,6 pontos percentuais. Na avaliação de Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, o avanço do transporte entre os principais gastos das famílias está relacionado ao aumento dos custos de deslocamento, especialmente dos combustíveis. “Tínhamos um percentual baixo falando desse fator [o transporte] no ano passado e, agora, ele é um dos três maiores gastos mensais das famílias”, ressalta. Segundo o pesquisador, a alta está ligada aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo. “Isso faz com que haja mais ruídos e aumentos nos preços dos combustíveis e do transporte em si, seja individual ou coletivo. Esse é um fator que deve permanecer ainda em um patamar elevado”, explica. Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o comportamento acompanha a trajetória dos preços ao consumidor. “O subgrupo de transportes no IPCA segue entre os mais voláteis, fortemente influenciado pelos combustíveis, pelas tarifas de transporte público e pelo custo dos veículos”, diz. Fechar as contas está mais difícil Embora 69,1% dos entrevistados pela pesquisa afirmem ter conseguido pagar as contas essenciais nos últimos três meses — abril, maio e junho —, esse percentual vem caindo desde fevereiro, quando era de 72,4%. Isso significa que menos pessoas têm conseguido fechar o mês com as contas em dia. Para Tobler, do FGV Ibre, o resultado mostra que o principal movimento não é necessariamente uma queda da renda, mas um aumento da pressão dos custos sobre o orçamento das famílias. “Há duas óticas: ou as pessoas estão ganhando menos ou estão tendo mais custos. E me parece que é mais uma pressão de custos do que uma redução de ganhos”, explica. As depesas que mais impactam no bolso Segundo o especialista, embora o crescimento da renda não esteja no mesmo ritmo de antes, o mercado de trabalho ainda permanece estável. O problema é que o aumento dos gastos reduz a percepção de bem-estar das famílias. Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, os dados mostram que o orçamento das famílias continua concentrado principalmente em despesas que não podem ser adiadas. “Com 75% das famílias citando alimentação entre as maiores despesas, metade citando contas de serviços públicos e quase metade moradia, o orçamento brasileiro está concentrado no que é inadiável”, diz. Satisfação com o trabalho recua A pesquisa também avaliou a percepção dos trabalhadores sobre a satisfação com o emprego. No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados se declararam satisfeitos. O resultado, porém, representa uma queda em relação a janeiro deste ano, quando era de 68%. No mesmo período, a parcela de trabalhadores insatisfeitos passou de 5,7% para 6,9%. Entre os fatores que explicam a insatisfação com o trabalho, a baixa remuneração aparece como o principal motivo apontado pelos entrevistados, citado por 57,9%. Para Tobler, a satisfação está relacionada também ao fato de a renda não acompanhar o aumento dos custos. Segundo ele, a pesquisa mostra que o trabalhador continua inserido no mercado, mas sente uma pressão maior sobre o orçamento. A mobilidade também dificulta uma melhora: 41% dos entrevistados consideram difícil conseguir emprego no Brasil. “Se a desaceleração continuar na economia, as pessoas entendem que o mercado de trabalho pode piorar nesse cenário. Então, existe uma certa cautela dos trabalhadores olhando para frente”, reitera. Na avaliação de Matos, da MA7 Negócios, essa combinação reflete um mercado em que o trabalhador acredita ser capaz de encontrar uma nova fonte de renda, mas não necessariamente conta com uma rede de proteção. “Uma parcela grande dos brasileiros trabalha na informalidade ou por conta própria, e nesse tipo de ocupação conseguir uma nova fonte de renda, um bico, um serviço, uma entrega é o mais comum. Só que essa mesma facilidade de entrada é a marca do vínculo frágil, sem seguro-desemprego, sem FGTS, sem colchão”, afirmou. Segundo ele, esse cenário gera uma percepção dupla: confiança na capacidade de encontrar alguma fonte de renda, mas insegurança diante de uma eventual perda de rendimento. “É um mercado que dá chão, mas não dá rede”, disse. Ônibus do transporte público em Natal (RN) Divulgação/STTU

Em 1979, o Fiat 147 feito no Brasil surgiu como primeiro carro no mundo a rodar com 100% de etanol. Divulgação / Stellantis Nesta terça-feira (14), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida tem 180 dias de duração e é uma manobra para controlar os preços após a retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã atrapalharem o fornecimento global de petróleo e subirem o preço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Preço do barril do petróleo dispara e o governo brasileiro estuda alternativas”, parece até uma manchete deste cenário de 2026, não é? Na verdade, essa também era realidade na década de 1970, quando o preço do combustível fóssil disparou e causou uma crise mundial. A presença do etanol na gasolina data dos anos 1930, mas foi a partir dessa turbulência, 40 anos depois, que o Brasil passou a incentivar o etanol como alternativa, inclusive misturado com gasolina em maiores proporções. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou as torneiras e forçou a escassez de barris. O preço foi US$ 1,90 em 1972 para US$ 11,20 por barril em 1974. Em novembro de 1975, nasceu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A iniciativa agregava governos, fabricantes e pesquisadores do mundo acadêmico. (saiba mais abaixo) Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Álcool na gasolina importada A trajetória do etanol como combustível automotivo no Brasil vem de antes e é marcada por respostas a crises econômicas globais e iniciativas dos governantes. A inserção regulamentada do etanol na gasolina teve início em fevereiro de 1931, com a assinatura do Decreto nº 19.717. A medida estabeleceu que toda a gasolina importada que entrasse no país deveria receber a adição de 5% de álcool. Essa implementação ocorreu de forma escalonada para que o mercado se adaptasse: Julho de 1931: início com 2% de mistura. Agosto de 1931: elevação para 3%. Setembro de 1931: subida para 4%. Outubro de 1931: consolidação do patamar de 5%. Além do comércio geral, as frotas do próprio governo foram orientadas a priorizar o uso do biocombustível. O intuito principal, já naquela época, era diminuir a dependência de produtos estrangeiros e dar suporte à agricultura nacional. Ainda na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, o cenário ganhou um novo braço institucional: a fundação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em 1933. O IAA passou a coordenar e regular o setor sucroalcooleiro, utilizando a produção de álcool como uma válvula de escape para os momentos de superprodução de açúcar. Quando o preço do açúcar caía ou sobrava matéria-prima, o excedente de cana era direcionado para as destilarias. O IAA também promoveu campanhas de divulgação do chamado "álcool-motor", chegando a testar e autorizar formulações com proporções significativamente maiores do combustível ecológico em períodos críticos. Veja quais carros podem sentir os efeitos do aumento do etanol na gasolina Em 1938, um decreto estabeleceu que até a gasolina nacional deveria ter a adição de etanol e que os volumes seriam determinados pelo IAA e pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP). O modelo baseado em aditivações e regulação de excedentes funcionou por décadas, mas o cenário mudou drasticamente nos anos 1970. Com a crise internacional do petróleo, os preços do barril dispararam, pressionando fortemente a balança comercial do Brasil. Em 1979, anúncio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) celebra o Proalcool. Reprodução O Proálcool Em 14 de novembro de 1975, foi instituído o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) por meio do Decreto nº 76.539, que criou estímulos financeiros e promoveu a modernização e expansão de destilarias. A iniciativa buscava elevar rapidamente a fabricação do combustível vegetal. A criação do Proálcool marcou o início da maior política pública de substituição parcial de combustíveis fósseis por um combustível renovável já implementada no mundo. O programa foi estruturado sobre três pilares principais: A mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina; A expansão da distribuição de etanol em postos de combustíveis em todo o país; O desenvolvimento e a produção de veículos movidos exclusivamente a álcool hidratado. A estratégia buscava reduzir a dependência brasileira do petróleo importado em um momento em que a segurança energética havia se tornado uma preocupação global. O petróleo deixou de ser apenas uma commodity e passou a representar um fator de risco econômico e geopolítico, sujeito às decisões dos países produtores e às crises internacionais. O programa também impulsionou uma transformação da própria cana-de-açúcar. A cultura, antes voltada principalmente para a produção de açúcar, passou a assumir um novo papel como matéria-prima energética. Nos primeiros anos, o sucesso do Proálcool esteve diretamente ligado ao preço internacional do petróleo. Enquanto o barril permaneceu caro, a política ganhou força. As oscilações do preço do petróleo foram o principal parâmetro econômico da primeira fase do programa, influenciando seu ritmo de expansão e os investimentos realizados. A iniciativa também ajudou a aproximar governo, universidades, centros de pesquisa, produtores de cana e a indústria automobilística. Essa colaboração permitiu que, anos depois, o Brasil desenvolvesse tecnologias próprias para motores movidos a álcool e, posteriormente, para os veículos flex. Desafios técnicos Antes mesmo de o governo federal oficializar o Proálcool, o ecossistema automotivo brasileiro já testava misturas e implementações em menor escala. No começo da década de 1970, mecânicos de retíficas e estabelecimentos de reparação (que já estavam autorizados a modificar motores) ganharam sinal verde para colocar o derivado da cana diretamente nos tanques dos automóveis. As conversões eram feitas de modo improvisado, limitando-se a adiantar o ponto de ignição, instalar velas novas, modificar carburadores para injetar mais volume e usar baterias mais robustas. A estratégia não tinha metodologia estabelecida e gerava dores de cabeça frequentes aos motoristas. E também impedia que as qualidades energéticas do etanol fossem totalmente exploradas. De acordo com relatos da diretoria técnica da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nem sequer as especificações químicas do álcool eram controladas naquele período, abrindo margem até para testes paralelos com metanol. Essa falta de padronização refletia diretamente nas bombas, em que o teor do componente misturado à gasolina oscilava sem previsibilidade. A proporção flutuava ao sabor do mercado, registrando saltos de 10% para 17%, recuos para 12% e novas altas até os 20%. As oscilações repentinas ocorriam sem o suporte de estudos científicos ou ensaios de longa duração. Como consequência, os proprietários enfrentavam uma lista extensa de falhas operacionais: Degradação interna de dutos; Vazamentos constantes de combustível; Severa dificuldade para dar a partida nas manhãs mais frias; e acúmulo de resíduos espessos que entupiam o carburador. O maior desafio técnico, no entanto, residia na reação química dos materiais. O biocombustível reagia de forma agressiva com os componentes de alumínio e ligas dos sistemas de carburação. A interação com tubulações de cobre criava um efeito semelhante ao de uma pilha eletroquímica, acelerando o desgaste das autopeças. Nem mesmo os tanques de combustível saíam ilesos, já que as ligas metálicas utilizadas na fabricação dos reservatórios da época eram corroídas rapidamente pelo novo composto. 1979, linha de montagem do Fiat 147 movido a álcool em Betim (MG). Divulgação / Stellantis O primeiro carro a álcool Foi só em 1979 que os engenheiros conseguiram entregar um veículo que podia rodar com 100% de etanol no tanque. O Fiat 147, apelidado de "Cachacinha", começou a ser desenvolvido em 1976 e já deu as caras como protótipo no Salão do Automóvel de São Paulo daquele ano. A Fiat realizou vários testes em dezenas de milhares de quilômetros percorridos. O desafio era ajustar o carburador a trabalhar com etanol em diferentes cenários. Foi justamente para provar que o “Cachacinha” estava pronto para tudo que a Fiat fez o teste final em 1978. O 147 percorreu 6,8 mil quilômetros em 12 dias e passou por variações de clima de mais de 30º graus centígrados. Galerias Relacionadas Aos mais jovens, vale um lembrete: 🔎 Um dos problemas mais comuns do etanol em motores é no momento da partida. O motor frio tem dificuldade em queimar o combustível quando o motorista vira a chave. Isso é ainda pior quando a temperatura ambiente é baixa. As paredes frias da câmara de combustão condensam o etanol e ele não queima. O carro fica, na linguagem popular, engasgado. A solução passa por ajustes na mistura e velas com centelha mais forte para o carro “pegar”. Depois, o próprio calor da queima do etanol deixa o motor em melhores condições. É por isso que carros flex no começo tinham um tanquinho com gasolina. Ela era usada na partida do motor frio. Hoje os carros flex usam aquecedores na linha de combustível para que o etanol entre quente na câmara e queime com mais facilidade. O Proalcool enfrentou dificuldades na década de 1990, quando a queda do preço internacional do petróleo reduziu sua competitividade. O programa chegou perto de desaparecer. A retomada ocorreu a partir de 2003, impulsionada pela parceria entre os produtores de etanol e a indústria automobilística, que lançou os primeiros veículos bicombustíveis em larga escala. O Brasil se transformou no principal laboratório mundial de desenvolvimento dessa tecnologia. Segundo dados da Unica, hoje existem mais de 32 milhões de carros flex no Brasil, o que equivale a 85% da frota. Nome mudou para etanol em 2010 Os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso vinha acontecendo sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol. 🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional. “A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época. A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM
Por que o brasileiro parcela tudo? Após décadas de inflação alta, renda apertada e dificuldade para poupar, o parcelamento ampliou o acesso ao consumo no Brasil e levou muitos consumidores a priorizar o valor da prestação em vez do preço total da compra. Segundo a economia comportamental, dividir o pagamento reduz a percepção do gasto. Com isso, o cérebro tende a dar mais peso ao valor da parcela do que ao custo total da compra, influenciando a decisão do consumidor. Apesar de ser uma ferramenta útil, o parcelamento exige atenção. O acúmulo de prestações pode comprometer o orçamento e, em alguns casos, os juros elevam ainda mais o valor final. Por isso, a recomendação é considerar o custo total da compra antes de fechar o negócio. Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

RedNote Anna KURTH / AFP O Xiaohongshu, aplicativo de estilo de vida mais popular da China, se prepara para abrir capital ainda este ano. Conhecido como "Instagram chinês", ele permite que usuários publiquem fotos, vídeos e transmissões ao vivo. O serviço é chamado no Ocidente de RedNote, tem um visual parecido com o da rede social americana Pinterest e chamou atenção depois de receber usuários do TikTok nos EUA, em meio à expectativa do bloqueio do aplicativo no país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Agora, o Xiaohongshu também mostra seu impacto no turismo na China, onde os trajetos domésticos atingem níveis recordes. Viajantes usam o aplicativo para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos. Um lago no bairro histórico de Shichahai, em Pequim, é um dos vários pontos "daka", isto é, que são considerados parada obrigatória na cidade, e que atraem cada vez mais pessoas por conta do Xiaohongshu. JN na China: ao vivo da Grande Muralha, em Pequim, série especial conta a história do sistema político do país Por lá, há uma concorrência acirrada entre fotógrafos que fazem retratos de mulheres vestidas com trajes tradicionais. As imagens têm um destino: o Xiaohongshu. Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas que passavam pelo local. Ela cobrava 10 yuans (cerca de R$ 7,60) por retrato. A poucos metros dali, outros fotógrafos davam instruções a jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras. Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles tem 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos. Inspiração para viagens A China registrou um recorde de 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, de acordo com a agência Xinhua. O resultado representou um aumento de 16% em relação a 2024. No período, a base de usuários do Xiaohongshu também cresceu, passando de 300 milhões, em 2024, para 350 milhões de usuários ativos mensais, em 2025, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua. A rede social impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram. Vídeos recomendados e loja on-line do RedNote Reprodução A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários. "Hoje, ele é indispensável para mim", disse a estudante de 20 anos à AFP. O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde "muitos viajantes jovens" buscam inspiração, disse Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting. Mas o turismo estimulado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai. Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos também geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes. 'Refugiados' do TikTok O aplicativo ganhou atenção internacional em 2025 quando o plano do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de "refugiados", a migrar para o RedNote, versão ocidental do Xiaohongshu. Nas últimas semanas, o "Instagram chinês" voltou às manchetes por seu preparativo para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal. A AFP entrou em contato com a empresa para comentar a informação. As mulheres jovens de cidades ricas da China são a principal base de usuários do Xiaohongshu, de acordo com a Qiangua. Mas a rede social também está atraindo falantes de chinês em países como Malásia e Singapura. O aposentado singapurense Ernest Phua usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim "estratégias de viagem" e recomendações. "Se queremos saber como é realmente a vida na China" e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, "o Xiaohongshu tem muito conteúdo", afirmou. Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo. "Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu", disse. JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
A Nova Zelândia confirmou nesta quarta-feira (15) seu primeiro caso de gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade em uma ave marinha migratória, segundo informou o ministro da Biossegurança, Andrew Hoggard.
A confirmação ocorre poucas semanas depois de a Austrália registrar os primeiros casos da doença em seu território continental, encerrando uma condição que fazia do continente australiano a única grande massa continental sem registros do vírus.
Segundo o governo neozelandês, o caso foi identificado em uma ave marinha migratória. As autoridades afirmam que, até o momento, não há evidências de transmissão entre aves silvestres no país nem registros de surtos em granjas comerciais.
"Não há evidências de mortalidade em massa na vida selvagem ou de transmissão entre aves silvestres na Nova Zelândia. Não houve detecção em aves domésticas", disse Hoggard em comunicado.
Gripe aviária não é transmitida a quem come carne de frango
A descoberta reforça a preocupação das autoridades da Oceania com a chegada da cepa H5N1 por meio de aves migratórias.
Em junho, a Austrália confirmou dois casos da doença em menos de uma semana no estado da Austrália Ocidental. O primeiro foi identificado em um mandrião-pardo migratório. O segundo ocorreu em um petrel-gigante-do-norte encontrado doente em uma praia próxima à cidade de Esperance, a cerca de 570 quilômetros de Perth.
Até então, a Austrália era considerada o único continente sem registro da gripe aviária H5N1 em seu território continental. O vírus havia sido detectado apenas no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico australiano localizado a cerca de 4 mil quilômetros da costa australiana.
Após os registros, autoridades australianas reforçaram protocolos de biossegurança em fazendas, ampliaram a testagem de aves costeiras e intensificaram medidas de vigilância para impedir que o vírus chegasse aos sistemas de produção comercial.
Apesar do avanço da doença entre aves selvagens em diferentes partes do mundo, as infecções humanas continuam sendo consideradas raras. Ainda assim, a disseminação global da gripe aviária levou ao abate de milhões de aves nos últimos anos, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços de alimentos, especialmente ovos e carne de frango.
Por enquanto, tanto a Nova Zelândia quanto a Austrália afirmam não ter identificado transmissão do H5N1 para aves de criação nos casos mais recentes.
*Com informações da Reuters.

Saneamento impulsiona o desenvolvimento sustentável e melhor a vida em municípios por todo o Brasil. Divulgação Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, o Brasil ampliou os investimentos no setor e avançou na estruturação de concessões, privatizações e projetos de regionalização. Apesar dos avanços, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a universalização dos serviços até 2033, meta estabelecida pela legislação. Um levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados mostrou que o investimento médio anual por habitante cresceu 51% entre 2020 e 2024, passando de R$ 90,54 para R$ 137,02. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Apesar do avanço, o valor ainda está distante dos cerca de R$ 225 por habitante por ano estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para alcançar as metas de universalização. ✍️ A lei estabelece que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e que 90% conte com coleta e tratamento de esgoto. Agora no g1 Atualmente, o país ainda está longe desse cenário. Segundo os dados utilizados no estudo, 15,9% dos brasileiros não têm acesso à água potável e 43,3% não contam com coleta de esgoto. Na prática, isso representa dezenas de milhões de pessoas sem acesso a serviços básicos de saneamento. O estudo aponta que: Os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões entre 2020 e 2024. O investimento por habitante cresceu 51% no período, alcançando R$ 137,02 em 2024. O investimento estimado como necessário para cumprir as metas do Marco Legal é de cerca de R$ 225 por habitante por ano. O setor precisa manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões anuais até 2033. Ainda faltam aproximadamente R$ 431 bilhões em investimentos para universalizar os serviços. "O desafio da universalização permanece enorme. Precisaremos manter um ritmo de R$ 48 bilhões em investimentos ao ano, algo ainda inédito", afirma Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil. Avanços desde a criação do Marco Legal Sancionado em julho de 2020, o Marco Legal do Saneamento foi criado para ampliar os investimentos no setor, incentivar a participação da iniciativa privada, fortalecer a regulação e acelerar a expansão do acesso aos serviços. Segundo o estudo, o principal efeito observado nos últimos seis anos foi o aumento do número de projetos estruturados. Os contratos já assinados têm potencial para beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios. Além disso, há projetos em preparação que preveem R$ 58,4 bilhões em investimentos adicionais e poderão atender outros 18 milhões de habitantes em 625 municípios. Casas na beira do canal em Macapá - Saneamento João Pantoja/Rede Amazônica Ao todo, os projetos contratados ou em execução somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos previstos. O estudo cita como exemplos processos de concessão e privatização realizados ou estruturados após o novo marco, incluindo projetos em estados como São Paulo, Pará, Sergipe, Paraíba e Rondônia. Gargalo regulatório Apesar dos avanços nos investimentos, os pesquisadores destacam que parte importante dos obstáculos ainda está relacionada à governança e à regulação do setor. De acordo com o levantamento, cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em 963 municípios que ainda não possuem agência reguladora cadastrada na Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), responsável por estabelecer diretrizes nacionais para o setor. Iniciativa da companhia Aegea impulsiona o saneamento básico no Rio de Janeiro. Divulgação O problema vai além da ausência de cadastro. Entre as entidades registradas, apenas 29 agências comprovaram adesão integral às normas de referência da ANA, conjunto de diretrizes nacionais para a regulação dos serviços de saneamento. Juntas, elas atendem 2.809 municípios e cerca de 92 milhões de habitantes, o equivalente a 43% da população brasileira. Na avaliação dos autores, esse cenário pode dificultar a fiscalização dos contratos e reduzir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos de longo prazo para o setor. Desigualdade regional permanece O estudo também mostra que os investimentos continuam concentrados em determinadas regiões do país. Boa Vista tem segundo melhor saneamento básico entre capitais do Norte, aponta estudo Yasmim Trindade/Caer O Sudeste recebeu mais da metade dos recursos aplicados desde 2020, impulsionado principalmente por São Paulo. Já a Região Norte, que reúne alguns dos piores indicadores de saneamento do país, recebeu apenas R$ 5,3 bilhões no período analisado, apesar do grande déficit de atendimento à população. Segundo os pesquisadores, essa diferença ajuda a explicar por que os indicadores de saneamento avançam em ritmos distintos entre as regiões brasileiras. O que falta para atingir as metas? Na avaliação do Instituto Trata Brasil, o país avançou na estruturação de projetos e na atração de investimentos, mas os próximos anos serão decisivos para transformar contratos em obras e ampliar, na prática, o acesso da população aos serviços. Para cumprir as metas até 2033, o estudo aponta como prioridades: manutenção do crescimento dos investimentos; fortalecimento das agências reguladoras; ampliação da adesão às normas da ANA; avanço da regionalização dos serviços; execução dos projetos já contratados. Seis anos após a aprovação do Marco Legal, os pesquisadores avaliam que os principais desafios do saneamento deixaram de estar na atração de investimentos e passaram a se concentrar na execução dos projetos, no fortalecimento da regulação e na redução das desigualdades regionais. Sem avanços nessas frentes, a universalização dos serviços até 2033 tende a permanecer distante.

Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja datas de pagamento e novas regras O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá novo pagamento nesta quarta-feira (15). Desta vez, o benefício será destinado aos trabalhadores que nasceram nos meses de setembro e outubro. Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026. ➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa. Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93. O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br. Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026: Abono salarial 2026 De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos. A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado. O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono. Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem: Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja regras e o calendário completo O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores. Marcello Casal Jr.

IBGE: vagas para profissionais em todo o Brasil Tânia Rêgo/Agência Brasil As inscrições para o segundo processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para atuar no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola e no 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua terminam nesta quarta-feira (15), às 23h59. A seleção oferece 1.414 vagas temporárias para os cargos de Analista Censitário e Agente Censitário de Qualidade. Este é o segundo processo seletivo lançado pelo IBGE para os censos de 2026. Enquanto o primeiro edital, cujas inscrições terminaram na semana passada, oferecia 8.238 vagas de nível médio para funções operacionais e de supervisão, este reúne oportunidades para Analista Censitário (nível superior) e Agente Censitário de Qualidade (nível médio) – veja a diferença. ✅ Siga o canal do g1 Concursos no WhatsApp ➡️ Acesse o edital completo Agora no g1 Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site do Instituto Avalia, banca organizadora da seleção. A taxa de inscrição varia conforme o cargo: Agente Censitário de Qualidade: R$ 41,76; Analista Censitário: R$ 37,50. O edital prevê isenção da taxa para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e para doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos. Do total de vagas, 1.020 são para Analista Censitário e 394 para Agente Censitário de Qualidade. As remunerações variam conforme a função: Agente Censitário de Qualidade (ACQ): exige ensino médio completo e oferece salário de R$ 2.932; Analista Censitário (AC): exige nível superior em áreas específicas e oferece salário de R$ 5.255,40. As vagas de Analista Censitário contemplam diversas áreas de formação, como Agronomia, Assistência Social, Biblioteconomia, Cartografia, Ciência de Dados, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Design Educacional, Tecnologia da Informação, Economia, Engenharia de Produção, Estatística, Geografia, Geoprocessamento, Jornalismo, entre outras. Em ambos os cargos, a jornada é de 40 horas semanais. Além do salário, os contratados terão direito ao auxílio-alimentação de R$ 1.192 por mês, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar e pagamento proporcional de férias e 13º salário, conforme o período trabalhado. 🔎 O Censo Agropecuário é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE e tem como objetivo reunir informações sobre a estrutura e a produção dos estabelecimentos rurais. Os dados levantados orientam políticas públicas, programas de financiamento e ações voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário. ➡️ Já o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua é um levantamento inédito que vai mapear, contar e traçar o perfil das pessoas que vivem nas ruas em todo o país. A pesquisa reunirá informações como quantidade de pessoas, distribuição geográfica, perfil sociodemográfico e condições de vida. Quem pode participar? Podem participar candidatos que atendam aos requisitos de escolaridade e às demais condições previstas no edital. Para Agente Censitário de Qualidade, é exigido ensino médio completo. Já para Analista Censitário, diploma de nível superior na área correspondente à vaga. Além disso, os candidatos devem: Ter, no mínimo, 18 anos completos na data da contratação; Ser brasileiro ou português amparado pelo Estatuto da Igualdade entre brasileiros e portugueses; Estar em dia com as obrigações eleitorais e, no caso dos candidatos do sexo masculino, também com as obrigações militares; Estar em pleno exercício dos direitos políticos; Possuir aptidão física e mental para o exercício da função; Atender aos demais requisitos previstos no edital. Não poderão ser contratados candidatos que: Ocupem cargo ou emprego na administração pública federal, estadual, distrital ou municipal; Sejam aposentados do serviço público ou das Forças Armadas, das Polícias Militares ou dos Corpos de Bombeiros Militares; Sejam proprietários ou administradores de empresas, incluindo microempreendedores individuais (MEIs); Tenham sido contratados temporariamente pelo governo federal com base na Lei nº 8.745/1993 nos últimos 24 meses, exceto nos casos previstos em lei. Reserva de vagas O edital prevê reserva de vagas para ações afirmativas, distribuídas da seguinte forma: 5% para pessoas com deficiência (PcD); 25% para pessoas pretas e pardas (PPP); 3% para pessoas indígenas (PI); 2% para pessoas quilombolas (PQ). Ao todo, 30% das vagas são reservadas para candidatos pretos e pardos, indígenas e quilombolas, além da reserva de 5% para pessoas com deficiência. Os candidatos inscritos nas cotas também concorrem às vagas da ampla concorrência. Caso obtenham nota suficiente para aprovação na lista geral, serão convocados por essa modalidade e não ocuparão uma vaga reservada. Se o candidato se enquadrar em mais de uma modalidade de cota, será classificado prioritariamente naquela com maior percentual de reserva. As vagas reservadas que não forem preenchidas serão redistribuídas conforme os critérios previstos no edital. Todos os candidatos realizarão as mesmas provas e serão avaliados pelos mesmos critérios, independentemente da modalidade de concorrência. Como será a prova? A seleção será composta por prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, com duração de quatro horas. O exame terá 60 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas e apenas uma resposta correta. A distribuição das disciplinas varia conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Geografia (15); Conhecimentos Técnicos (20). Analista Censitário Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Conhecimentos Específicos (35). Os critérios mínimos de aprovação também variam conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade acertar, no mínimo, 30% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. Analista Censitário: acertar, no mínimo, 40% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. As provas serão aplicadas no dia 30 de agosto, em todas as capitais e no Distrito Federal, em turnos diferentes: Manhã: Agente Censitário de Qualidade (ACQ); Tarde: Analista Censitário (AC). No dia da prova, o candidato deverá: Apresentar documento oficial com foto; Levar caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente; Chegar com, pelo menos, uma hora de antecedência; Respeitar as regras do edital, que proíbem o uso de celulares, relógios, calculadoras e outros equipamentos eletrônicos durante a prova. Quanto tempo dura o contrato? Os contratos temporários terão duração inicial de até 12 meses. Os contratos serão firmados inicialmente por períodos de 30 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas, de acordo com a necessidade do IBGE, a disponibilidade orçamentária e o desempenho do profissional. As prorrogações poderão ocorrer conforme a necessidade do instituto e o andamento da coleta de dados, respeitado o limite máximo de 48 meses, previsto na legislação para contratações temporárias. Durante esse período, os profissionais serão avaliados periodicamente com base em critérios como assiduidade, produtividade, cumprimento de prazos e qualidade das atividades desempenhadas. Cadastro de reserva Embora o edital não preveja formação de cadastro de reserva, candidatos aprovados além do número de vagas imediatas poderão ser convocados durante a validade do processo seletivo, em caso de desistências, rescisões de contrato ou novas necessidades do IBGE, sempre respeitando a ordem de classificação. Cronograma As principais datas do processo seletivo são: 15 de julho — encerramento das inscrições; 24 de agosto — divulgação do cartão de convocação para a prova; 30 de agosto — aplicação da prova objetiva; 31 de agosto — divulgação do gabarito preliminar; 25 de setembro — divulgação do resultado definitivo da prova objetiva e do resultado preliminar da seleção; 28 de outubro — divulgação do resultado definitivo do procedimento para concorrer às vagas reservadas; 6 de novembro — divulgação do resultado definitivo da seleção. IBGE prorroga inscrições para concurso com mais de 8 mil vagas temporárias

Imposto de Renda 2026: Receita paga lote especial de restituição nesta quarta (15) A Receita Federal paga nesta quarta-feira (15) o lote especial de restituição automática do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), iniciativa piloto conhecida como "cashback". O pagamento será realizado diretamente na conta vinculada à chave PIX do tipo CPF do contribuinte. (veja como consultar) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O lote é destinado a pessoas que não estavam obrigadas a entregar a declaração do Imposto de Renda em 2025 e, por isso, não declararam, mas tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2024 e possuem valores a restituir. Segundo a Receita, cerca de 4 milhões de contribuintes devem ser beneficiados nesta etapa, com a liberação de aproximadamente R$ 500 milhões em restituições. O valor da devolução é limitado a R$ 1.000 por contribuinte. Como funciona o "cashback" Receita libera consulta ao lote especial de restituição automática do IR Divulgação A restituição automática é um projeto piloto criado para facilitar a devolução de valores pagos indevidamente ou a maior por contribuintes que não precisavam apresentar a declaração do Imposto de Renda. Nesse modelo, a Receita utiliza informações já disponíveis em suas bases de dados para elaborar automaticamente uma declaração simplificada, identificando eventuais valores a restituir sem que o cidadão precise iniciar o processo. 🔍 De acordo com o órgão, a medida busca reduzir a burocracia e evitar que milhões de brasileiros deixem de receber recursos aos quais têm direito por desconhecimento das regras ou por estarem dispensados de declarar o imposto. Quem tem direito Para receber a restituição automática, o contribuinte precisa atender a todos os seguintes requisitos: não estar obrigado a entregar a declaração do IRPF referente ao exercício de 2025; não ter apresentado a declaração por iniciativa própria; ter tido imposto de renda retido na fonte durante 2024; ter direito à restituição de até R$ 1.000; possuir CPF regular e uma chave PIX cadastrada com o CPF. Como consultar a restituição especial? A partir desta quarta-feira, o contribuinte poderá verificar se foi contemplado no lote especial de restituição por meio dos canais oficiais da Receita Federal. A consulta pode ser feita: Pelo site da Receita Federal: Acesse o portal da Receita Federal. Clique em "Meu Imposto de Renda". Selecione a opção "Consultar a Restituição". Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro), se solicitado. Verifique se o seu CPF foi contemplado no lote especial. Ou pelo celular: Abra o aplicativo Receita Federal, disponível para Android e iOS. Faça login com sua conta gov.br. Acesse a área de consulta da restituição e verifique se foi contemplado. Para acessar o serviço, é necessário fazer login com uma conta gov.br de nível prata ou ouro. Na área "Meu Imposto de Renda", o contribuinte poderá acessar a declaração gerada automaticamente pela Receita, que possui as mesmas funcionalidades de uma declaração tradicional. Será possível: conferir os dados utilizados pela Receita; incluir informações adicionais, se necessário; retificar ou ajustar a declaração antes da conclusão do processamento. Caso tenha direito à restituição, o crédito será feito exclusivamente em uma conta vinculada a uma chave Pix do tipo CPF. Não haverá depósito em contas de outra titularidade nem emissão de ordem de pagamento. Por isso, a Receita orienta que os contribuintes providenciem uma chave Pix vinculada ao CPF para receber os valores. Cronograma Este lote especial segue um calendário próprio e não faz parte do cronograma regular de restituições do Imposto de Renda 2026: 8 de julho: consulta aos contemplados; 15 de julho: pagamento da restituição em parcela única; 31 de julho: pagamento do próximo lote regular do IRPF. Enquanto esse lote especial contempla contribuintes que não apresentaram a declaração, as restituições tradicionais continuam sendo pagas normalmente para quem entregou o documento dentro do prazo legal. Segundo a Receita Federal, a iniciativa faz parte da estratégia de modernização da administração tributária, com foco na automatização de processos, simplificação das obrigações fiscais e ampliação do acesso dos contribuintes a valores pagos indevidamente. O órgão recomenda que as consultas e o acompanhamento do processo sejam feitos apenas pelos canais oficiais, para reduzir o risco de golpes e fraudes.

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros. O processo abriu uma disputa entre Brasília e Washington e mobilizou setores da economia brasileira, que participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contra as medidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o governo americano avalia a aplicação de duas sobretaxas sobre produtos brasileiros. A primeira é uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada também a mais de 60 países, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A segunda prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas. A seguir, entenda como a disputa começou, como funcionaram as audiências públicas, quem participou e qual foi a atuação do governo brasileiro ao longo do processo. Agora no g1 Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu uma investigação aberta quase um ano antes, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar possíveis barreiras comerciais em outros países. (saiba mais abaixo) No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. Como resultado, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reúnem setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA segue até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. A expectativa era de uma última rodada de conversas antes do anúncio. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Se a medida entrar em vigor, a reação inicial deverá ser uma manifestação oficial de "indignação" com a decisão da Casa Branca, segundo interlocutores do presidente. A nota deve reforçar os argumentos apresentados ao longo da investigação, de que as medidas são injustificadas e de que a estrutura tarifária brasileira já favorece as exportações americanas. Depois disso, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

Concurso 3031 da Mega-Sena Reprodução / Caixa O sorteio do concurso 3031 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (14), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas e o prêmio para o próximo concurso está estimado em R$ 30 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 28 - 20 - 32 - 40 - 54 - 35 6 acertos: não houve ganhadores 5 acertos: 24 apostas ganhadoras, R$ 63.791,87 4 acertos: 1.859 apostas ganhadoras, R$ 1.357,52 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Mega-Sena, concurso 3031: confira os números sorteados Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Empresários estão apreensivos com decisão americana sobre tarifaço Na véspera do prazo para os Estados Unidos decidirem sobre a aplicação de novas taxas, o governo do Brasil se reuniu com representantes do governo americano nesta terça-feira (14) e reiterou que considera o tarifaço ao Brasil é ‘injusto’. Foi a quinta reunião entre os países sobre o assunto. Os Estados Unidos investigam o Brasil sob a Seção 301 por supostas "práticas comerciais desleais" e pode aplicar novas taxas a produtos brasileiros em função dessa apuração. A investigação concentra-se em: PIX, sob a alegação de que o sistema prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito; desmatamento ilegal, apontando uma suposta falta de eficácia na fiscalização que resulta na exportação de produtos agrícolas; reivindicações das big techs americanas sobre regulação no setor no Brasil. Conforme a avaliação de negociadores brasileiros envolvidos nas conversas, foi possível obter avanços juntos ao governo americano nas conversas. Entretanto, desde maio, os representantes da Casa Branca passaram a se mostrar “inflexíveis”, apresentando questões “inegociáveis” para o Brasil, como mudanças no PIX e na legislação sobre minerais críticos. Além disso, conforme integrantes da diplomacia brasileira, os dados apresentados sobre desmatamento, por exemplo, foram desconsiderados, sem contrapropostas ou indicações por parte dos americanos. Há cerca de dez dias, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta. Em razão do prazo dado pelo governo americano, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro, mesmo assim, no início da manhã desta terça-feira, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma nova rodada de negociação. De acordo com ministros, a ordem do presidente Lula foi que o Brasil não deixe a mesa de negociação nem deixe a ideologia contaminar as conversas. Entretanto, a avaliação do governo brasileiro foi que a decisão do USTR de recomendar as tarifas foi política. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, dos 10 produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa. Além disso, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana têm tarifa média de 3%. Diante disso, Alckmin tem dito que o tarifaço americano não faz "sentido". Uavio porta-contêineres no Porto de Santos, em São Paulo Divulgação/Copersucar Efeitos na economia Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 4,2 mil produtos brasileiros vendidos no mercado americano podem ser afetados se o tarifaço for implementado. Juntos, esses 4,2 mil produtos somam US$ 15 bilhões em exportações brasileiras, de acordo com a entidade. Entre os produtos que podem ser afetados, conforme a entidade, estão ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Nesse contexto, a CNI, a Câmara Americana de Comércio (AmCham) e US Chamber of Commerce enviaram uma carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e a autoridades americanas, como Jamieson Greer, pedindo que os dois países insistam nas negociações. Leia a íntegra da nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: "NOTA À IMPRENSA – 5ª REUNIÃO COM REPRESENTANTE DE COMÉRCIO DOS ESTADOS UNIDOS Hoje, no final da tarde, as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, do Ministério das Relações Exteriores – MRE e da Assessoria Especial do Presidente da República, mantiveram a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde 07 de maio, quando os dois Presidentes decidiram estabelecer um grupo de trabalho dedicado ao diálogo comercial. Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias. Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado. O prazo para o anúncio da medida e da lista de bens expostos à recomendação terminará amanhã, 15 de julho."

Uso da Inteligência Artificial nas eleições vai ser fiscalizado pelo TRE Mais uma empresa leva rasteira da inteligência artificial. A IBM enfrentou uma forte reação do mercado após divulgar uma carta aos investidores em que o CEO, Arvind Krishna, reconheceu que a companhia não conseguiu reagir rápido o suficiente a uma mudança inesperada no comportamento dos clientes. Após a divulgação do documento, as ações da empresa fecharam em queda de 25%, a maior desvalorização desde 1972, segundo o jornal "Financial Times". A empresa perdeu US$ 68 bilhões (R$ 346,12 bilhões) em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. Na carta, Krishna afirma que o resultado do segundo trimestre de 2026 — que será divulgado na próxima quarta-feira (22) — ficou abaixo das expectativas da empresa, principalmente pelo desempenho da área de infraestrutura. A receita da divisão caiu 7%, pressionada por dificuldades nos negócios relacionados aos sistemas Z, os tradicionais mainframes (computadores de grande porte) da IBM, e pelos softwares associados a esses equipamentos, especialmente em processamento de transações. “Essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente”, lamenta o executivo aos investidores. Segundo ele, diversos grandes contratos deixaram de ser concluídos nos prazos esperados, o que representou a maior parte do impacto negativo no resultado. Como a IA entra nesse balaio? O problema, segundo a IBM, veio de uma mudança rápida na estratégia de investimento dos clientes. Nas últimas semanas de junho, empresas passaram a direcionar seus gastos de capital para a compra de servidores, armazenamento e memória, buscando garantir equipamentos diante de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços. A companhia afirmou que já esperava algum impacto relacionado à cadeia de suprimentos, mas não previa a intensidade dessa mudança na prioridade dos clientes. À medida que empresas de diferentes setores passaram a investir mais em IA, aumentou a necessidade por uma infraestrutura capaz de sustentar essa tecnologia. Foi justamente esse movimento que alterou as prioridades de investimento dos clientes da IBM: em vez de seguirem o cronograma esperado para algumas compras tradicionais da companhia, eles direcionaram parte do orçamento para garantir equipamentos de computação antes de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços. Visitantes passam pelo logotipo da IBM no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, Espanha 3 de março de 2026 REUTERS/Nacho Doce E isso se mostrou nos números. Apesar da queda de 7% nos pesados e antigos mainframes Z, uma área mais tradicional de sua infraestrutura, uma outra área despontou. A chamada infraestrutura distribuída — que reúne servidores, armazenamento e soluções voltadas a ambientes tecnológicos mais modernos — teve o melhor desempenho histórico da companhia, com crescimento de 37% no trimestre. Período não define estratégia Apesar do reconhecimento da falha, o CEO afirmou que o resultado não muda a confiança da IBM em sua estratégia de longo prazo. “Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a atravessar períodos de incerteza e encontrar caminhos para crescer seus negócios, independentemente do que esteja acontecendo no ambiente externo”, disse Krishna. A empresa também destacou avanços em inteligência artificial e computação quântica. A IBM anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões (R$ 25,45 bilhões) voltada ao uso de novas capacidades de IA para criar uma plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em softwares de código aberto, com participação de mais de 20 mil engenheiros e adoção inicial por grandes instituições financeiras. Na computação quântica, a companhia afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões) nos próximos cinco anos em pesquisa, desenvolvimento, fabricação, aquisições e expansão do ecossistema. A IBM mantém a meta de entregar o primeiro computador quântico de grande escala tolerante a falhas até 2029. Computador quântico Getty Images O que esperar do balanço No trimestre, a IBM registrou receita de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,54 bilhões) , alta de 1% na comparação anual. A divisão de software cresceu 5%, enquanto a área de consultoria ficou praticamente estável. O lucro por ação ajustado subiu 5%, para US$ 2,93 (R$ 14,91), mas o desempenho da infraestrutura ficou abaixo do esperado e levou a empresa a revisar a percepção dos investidores sobre o ritmo de adaptação da companhia ao novo ciclo de investimentos em tecnologia.

Transporte de cargas, caminhões, Paraná Reprodução/RPC A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aplicou R$ 932,4 milhões em multas a empresas pelo descumprimento do piso mínimo do frete em 2026. Ao todo, a agência emitiu 270,4 mil autos de infração. 🚚Em 2018, quando foi instituída a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, após paralisação nacional de caminhoneiros, a agência aplicou R$ 69 mil reais em multas durante todo o ano, em 31 autos de infração. Os dados foram levantados pela agência a pedido do g1. O Senado aprovou nesta terça-feira (14) uma medida provisória (MP) que endurece as regras do piso mínimo do frete rodoviário. A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A MP estabelece um novo escalonamento de penalidades para quem contratar frete abaixo do mínimo legal: multa elevada, que pode chegar a R$ 1 milhão; suspensão do registro do transportador; e cancelamento do registro em casos de reincidência grave. 🎯As regras também passam a atingir intermediadores e plataformas digitais que ofertem serviços em desacordo com o piso. De acordo com a ANTT, o aumento dos registros de autuação está relacionado à ampliação da fiscalização eletrônica. Ainda segundo a agência, os valores correspondem ao montante das autuações lavradas. Os autos de infração são submetidos ao devido processo administrativo, assegurados o contraditório e a ampla defesa, podendo haver cancelamento, alteração ou confirmação das penalidades. Veja os valores das multas de 2018 até 2026 (até junho): 2018: R$ 69,3 mil 2019: R$ 71,2 milhões 2020: R$ 4,1 milhões 2021: R$ 14,5 milhões 2022: R$ 15,3 milhões 2023: R$ 21,2 milhões 2024: R$ 20,8 milhões 2025: R$ 221,9 milhões 2026 (Até 30/06/2026): R$ 932,4 milhões Piso mínimo Criada em 2018, a política de preços mínimos do frete surgiu como uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve nacional daquele ano. Ela determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%, para baixo ou para cima. O mecanismo ficou conhecido à época como gatilho. Agora no g1

Agora no g1 A Ânima Educação informou nesta terça-feira (14) que assinou um contrato para comprar a Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU) em uma operação que pode chegar a R$ 410 milhões. A instituição de ensino, que está em recuperação judicial, tem cerca de 51 mil alunos e seis campi na cidade de São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A aquisição será realizada por meio da subsidiária Rede Educacional do Brasil, que fechou o acordo com o Camp Nou Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, atual controlador da FMU. Do valor total da negociação, R$ 240 milhões serão pagos à vista no fechamento da operação. Os R$ 170 milhões restantes serão desembolsados posteriormente e poderão ser ajustados de acordo com o desempenho financeiro da FMU e outras condições previstas em contrato. Antes de ser concluída, a aquisição ainda precisa cumprir etapas comuns a esse tipo de transação, entre elas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa da Ânima é que a análise do órgão seja finalizada até o fim de 2026. LEIA TAMBÉM: Ex-donos da FMU pedem à Justiça conversão de recuperação judicial em falência; entenda FMU: entenda a briga judicial e o que pode acontecer com os alunos em eventual caso de falência FMU reforça expansão da Ânima Em comunicado ao mercado, a companhia afirma que a compra faz parte da estratégia de ampliar sua presença no ensino superior com a incorporação de uma das instituições mais tradicionais do país. Com mais de 50 anos de atuação, a FMU reúne cerca de 51 mil alunos, seis campi na cidade de São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância espalhados pelo Brasil. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a FMU registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões e um resultado operacional ajustado de R$ 52,9 milhões. A Ânima também destacou que a instituição recebeu nota máxima no conceito institucional do Ministério da Educação (MEC) e tem forte atuação nas áreas de Direito e Saúde, consideradas estratégicas para o crescimento do grupo. Campus Santo Amaro da FMU, na Zona Sul de São Paulo Reprodução/Google Street View

Pedro Porro, da Espanha, comemora o segundo gol da equipe em jogo contra França REUTERS/Hannah Mckay A classificação da Espanha para a final da Copa do Mundo nesta terça-feira (14) rendeu memes. Nas redes sociais, várias pessoas brincaram que a torcida dos brasileiros pela França deu azar. Muitos brasileiros estavam torcendo para a França por entenderem que a equipe liderada por Mbappé teria mais condições de vencer a Argentina de Messi na final. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A partida terminou com vitória da Espanha por 2 a 0, com gols de de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro. A Argentina e a Inglaterra se enfrentarão na quarta-feira (14) para decidir quem segue para a final da Copa do Mundo. Confira os memes: Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Agora no g1

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Uma autoridade do alto escalão do governo americano disse nesta terça-feira (14) ao Congresso dos Estados Unidos que a Nvidia enviou para a China um pequeno número de chips H200, o segundo processador de inteligência artificial mais poderoso da empresa. As vendas dos chips H200 se tornaram um ponto sensível na disputa tecnológica entre os dois países. O governo dos EUA busca restringir o acesso da China a semicondutores de ponta que possam ser utilizados em aplicações militares. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A confirmação de que os chips foram enviados para a China foi feita por Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos EUA. "Houve exportações mínimas de H200 para a China até agora", afirmou Kessler ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Segundo ele, o número de chips é "muito pequeno". Agora no g1 Uma subsidiária da fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações ZTE Corp e outras duas empresas chinesas estão entre as entidades que mais recentemente receberam autorização dos EUA para comprar chips avançados de IA da Nvidia e da AMD, informou a Reuters. O Departamento de Comércio dos EUA já havia aprovado a venda de chips H200 para cerca de 10 empresas chinesas em maio, mas nenhuma entrega tinha sido realizada, segundo a agência. As empresas autorizadas incluíam Alibaba, Tencent e ByteDance, dona do TikTok. Kessler afirmou que o Departamento de Comércio forneceu ao Congresso uma lista confidencial dos pedidos para compra dos chips H200 e seus respectivos status, mas não deu mais detalhes. Restrições a empresas chinesas O deputado Gregory Meeks, principal democrata no comitê, criticou o Departamento de Comércio por não ter adicionado mais empresas chinesas à lista de controle de exportações desde outubro. É o maior período sem novas inclusões em mais de uma década. Segundo Meeks, o presidente Donald Trump "transformou os controles de exportação em uma moeda de troca nas negociações mais amplas com a China" e "enfraqueceu salvaguardas existentes ao aprovar licenças para chips avançados de IA destinados à China". Kessler defendeu a postura do governo e disse que é importante fazer cumprir restrições às empresas que já integram as listas de controle. E indicou que novas medidas regulatórias sobre inteligência artificial estão a caminho. O Departamento de Comércio adiou a inclusão da DeepSeek e de outras 100 empresas chinesas à lista de restrições, informou a Reuters em junho a partir de duas pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo a agência, a medida faz parte dos esforços do governo Trump para evitar uma escalada das tensões com Pequim. Empresas americanas não podem exportar bens, software ou tecnologia para companhias incluídas nessa lista sem uma licença específica, cuja aprovação costuma ser negada.

Indústria Pexels A indústria brasileira está mais pessimista com os rumos da economia, pressionada pelo aumento das dúvidas e inseguranças da economia global. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que caiu 2,3 pontos em julho, chegando a 44,4 pontos. Atualmente, o indicador está 8,9 pontos abaixo da sua média histórica, que é de 53,3 pontos. 🔎 O ICEI funciona como um termômetro para medir o humor de quem comanda as fábricas no país. Quando o índice cai, pode significar que o empresário está pisando no freio, o que costuma travar novos investimentos e contratações. Divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), este é o menor nível de confiança do setor desde junho de 2020, quando o indicador havia despencado para 41,2 pontos devido aos impactos iniciais da pandemia de Covid-19. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI O número final do índice é composto por duas avaliações: Momento atual: mede como os empresários avaliam a situação da economia brasileira e da própria empresa em relação aos últimos seis meses. Expectativas: mede o que os empresários esperam para a economia e para a empresa nos próximos seis meses. As respostas são transformadas em uma pontuação que vai de 0 a 100: Acima de 50 pontos: confiança. Abaixo de 50 pontos: falta de confiança. A avaliação sobre a própria empresa tem peso maior do que a da economia em cada componente e as expectativas têm peso maior do que a avaliação do momento atual. O que está por trás do pessimismo da indústria? Na avaliação da CNI, a piora na confiança foi impulsionada pela percepção mais negativa sobre a economia brasileira, pelo aumento das incertezas no cenário internacional e pelo enfraquecimento das expectativas para as próprias empresas. "O cenário se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros", explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. Em julho de 2026, o Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos, 0,7 ponto abaixo do mês anterior. O resultado foi puxado principalmente pela piora na percepção sobre a economia brasileira, cujo indicador recuou de 36 para 34,7 pontos. Já o índice que mede a avaliação sobre as próprias empresas caiu de 45,4 para 45,1 pontos. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI Preocupação com o futuro O levantamento da CNI mostra uma forte queda no otimismo da indústria em relação aos próximos seis meses. O indicador que mede as expectativas para o futuro despencou 3,1 pontos e fechou em 45,8 pontos, registrando a maior queda para um único mês desde novembro de 2022. O resultado foi puxado principalmente pela piora nas expectativas para a economia brasileira, cujo indicador recuou de 41 para 37,2 pontos. Já o índice de expectativas para as próprias empresas caiu de 52,8 para 50,1 pontos, praticamente eliminando o otimismo registrado nos meses anteriores e deixando o indicador no limite da neutralidade. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI

Representação artística do centro de dados de IA planejado pela Meta - o primeiro da empresa no Canadá, a ser construído em Sturgeon County, Alberta Meta/Divulgação Nova York se tornou nesta terça-feira (14) o primeiro estado americano a suspender a construção de novos grandes data centers, em meio a preocupações sobre o impacto dessas estruturas no consumo de energia, no uso de água e nas comunidades locais. A medida ocorre enquanto empresas de tecnologia aceleram a construção de data centers para atender à demanda gerada pelo avanço da inteligência artificial. Esses centros abrigam milhares de computadores usados para armazenar dados e processar informações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A suspensão, com validade de um ano, impede a aprovação de novas licenças ambientais para instalações com potência de 50 megawatts ou mais. Durante esse período, o governo de Nova York fará uma análise dos impactos ambientais e definirá novas regras para a instalação desses empreendimentos. Agora no g1 A pausa não afeta projetos que já tenham concluído todas as etapas de licenciamento. “À medida que o desenvolvimento de data centers ameaça aumentar as contas de energia, esgotar nossos recursos naturais e criar incertezas para os nova-iorquinos, é minha responsabilidade agir e liderar”, disse a governadora Kathy Hochul. Nova York tem atualmente mais de 130 data centers, segundo o Data Center Map. O número é menor do que o de estados como Virgínia, com mais de 600 unidades, e Texas, com cerca de 500. Empresas de tecnologia como Alphabet e Microsoft não comentaram a decisão. Meta, Amazon e Oracle não responderam aos pedidos de manifestação da Reuters. A operadora de data centers Digital Realty afirmou que a medida pode levar investimentos para outros estados. “Uma pausa de um ano não é a abordagem correta”, disse a empresa. O executivo-chefe da NTT Global Data Centers, Doug Adams, afirmou que o setor precisa explicar melhor os impactos dessas estruturas nas comunidades, como geração de empregos, investimentos e uso de recursos naturais. LEIA TAMBÉM: Por que estados americanos podem proibir a construção de data centers Meta amplia projeto de data center para IA nos EUA e eleva investimento para mais de US$ 50 bilhões Pressão sobre energia e infraestrutura O crescimento dos data centers nos Estados Unidos tem gerado preocupação porque essas instalações consomem grandes volumes de eletricidade. Em algumas regiões, moradores e autoridades temem que a expansão aumente o valor das contas de luz e pressione a rede elétrica. A Assembleia Legislativa de Nova York já aprovou um projeto para criar regras mais rígidas para data centers com potência acima de 20 megawatts, o que alcançaria ainda mais empreendimentos do que a suspensão anunciada nesta terça-feira. A proposta ainda não foi enviada para a sanção da governadora de Nova York. Apenas um em cada três americanos apoia o ritmo atual de construção de data centers, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. A maioria diz que seria contra a instalação de uma unidade em sua própria comunidade. Segundo dados do operador da rede elétrica de Nova York, havia em maio mais de 12 gigawatts em grandes pedidos de conexão à rede, incluindo data centers. Um gigawatt de energia é suficiente para abastecer cerca de 750 mil casas.

Governo americano propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação que durou um ano EPA via BBC O governo dos Estados Unidos deve anunciar até quarta-feira (15) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgado no mês passado sugere tarifas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros — mas uma decisão final ainda não havia sido tomada, em meio a negociações entre Brasil e EUA. Caso as retaliações sugeridas pelo USTR sejam de fato adotadas, o Brasil passará a ser o segundo país com maiores tarifas aplicadas a seus produtos pelos EUA — apenas os produtos chineses importados pelos americanos teriam taxações superiores. Os dados são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que dados de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Atualmente, o Brasil é o 13º país com maiores tarifas impostas pelos EUA, segundo os cálculos do GTA. Com tarifa média efetiva de 11,73%, o país está atrás de China, Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Agora no g1 Mas, se o tarifaço de 25% for confirmado pelo governo Trump, o Brasil saltaria para a segunda posição. A China é o país que mais viu suas tarifas médias de importação subir no segundo mandato de Trump — um aumento de 27%, comparado às tarifas praticadas pelo governo Biden, disse Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment, à BBC News Brasil. Segundo os dados do GTA, caso as tarifas propostas pela USTR se concretizem, o Brasil seria o segundo país que mais sofreu aumento de tarifas no segundo mandato de Trump — um aumento médio previsto de 18%. Os dados do GTA consideram apenas as tarifas efetivas — ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos — e não as tarifas nominais — que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo. LEIA TAMBÉM: Por que o PIX se tornou um foco da ofensiva comercial de Trump contra o Brasil? Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Por que Brasil é tão visado? O que justifica o Brasil ser tão visado pelo segundo mandato do governo Trump, já que é apenas o 17º maior parceiro comercial dos EUA? "Isso seria uma tentativa de ler os sinais que vêm de Washington. O que parece plausível é que tenha um componente de alianças pessoais ou, pelo menos, políticas, já que Bolsonaro foi citado explicitamente", diz Fritz. No ano passado, quando os EUA anunciaram a imposição da taxa de 50% às exportações brasileiras, Trump citou seu descontentamento com o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro acabou condenado em setembro do ano passado e está atualmente cumprindo pena de 27 anos, em prisão domiciliar. Mas o diretor do centro de estudos na Suíça afirma também que o Brasil pode estar sendo alvo do governo americano por suas políticas tecnológicas. Segundo ele, o Brasil está entre as economias que se arriscaram a confrontar as empresas de tecnologia dos EUA, ao lado da União Europeia e da Austrália. "Há preocupações também com o aspecto da política tecnológica, em que o Brasil se expôs no passado com decisões judiciais contra plataformas no que diz respeito à proteção de conteúdo, por exemplo", diz Fritz. Entre os exemplos, está a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tirar do ar a plataforma de compartilhamento de vídeos Rumble em fevereiro de 2025 e o bloqueio do X em setembro de 2024. Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, as tarifas que serão anunciadas pelos EUA provavelmente abrirão caminho para novas negociações entre os governos. "Esse é o padrão [da Casa Branca]. Se é que tem um padrão, né? O anúncio da tarifa é uma forma de trazer o parceiro comercial para a mesa e impor o que quer que seja do que realmente implementar loucamente [as tarifas anunciadas]", disse Zeidan à BBC News Brasil. Para ele, no entanto, essas negociações não terão necessariamente uma lógica estritamente econômica e comercial. "Todo o argumento americano para justificar as tarifas com outros países é que os EUA têm déficit comercial. Mas, com o Brasil, os EUA exportam o dobro do que os brasileiros exportam para eles. Então esse argumento nem faz sentido nesse caso." "Claramente os EUA não estão movidos pela lógica econômica. Estão movido pela lógica nacionalista e política." O que é a investigação contra o Brasil? Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras. Uma das consequências dessa investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio é que os EUA podem tomar medidas punitivas, como imposição de tarifas ou restrições de importação. No caso brasileiro, o documento do USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo. O governo americano concluiu que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". O documento do USTR tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas: Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site. Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores". Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção". Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria". Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas". Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste". Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país. Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil. A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.

Agora no g1 O que começou como uma ferramenta para transferências instantâneas de dinheiro se transformou em um dos meios de pagamento mais usados pelos brasileiros. Em poucos anos, o PIX passou a liderar as transações no país e agora também entrou no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A poucos meses das eleições presidenciais brasileiras, o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central virou um dos pontos de atrito entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão de Donald Trump. Washington acusa o Brasil de favorecer um sistema estatal de pagamentos e dar tratamento considerado desfavorável a empresas americanas que atuam no setor, especialmente as operadoras de cartões de crédito. "A gente não precisa pagar taxa nenhuma pelo PIX. Com cartão de crédito tem taxa, anuidade, taxa do banco... Com o Pix não", disse à AFP Paulo Ricardo Conceição, dono de um quiosque de bebidas na Praia de Copacabana que exibe o logotipo do sistema. Além do PIX, o governo americano questiona outras políticas brasileiras que considera discriminatórias. Com base nessas críticas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) avalia a adoção de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A decisão deve ser anunciada nos próximos dias. LEIA TAMBÉM: Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Por que o PIX é importante? Lançado em 2020, o PIX se tornou o meio de pagamento mais utilizado no Brasil. Segundo o Banco Central, responsável por desenvolver o sistema, ele responde por 54% de todas as transações realizadas no país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, em carta enviada ao USTR, que o PIX conseguiu incluir milhões de brasileiros que antes estavam fora do sistema bancário tradicional. Hoje, cerca de 80% da população utiliza a ferramenta para fazer pagamentos e transferências dos mais variados valores — da compra de um coco na praia à aquisição de um imóvel — em poucos segundos. "Antigamente a gente tinha que andar com dinheiro. Agora você pega só o celular e faz o PIX na hora. Acho que facilitou bastante a vida de todo mundo", afirmou à AFP Ingrid Ferreira, servidora pública de 32 anos, em Brasília. A ampla adesão fez do PIX um dos poucos temas que reúnem apoio em diferentes grupos políticos. Pesquisas indicam que mais de 90% dos brasileiros avaliam positivamente o sistema. O que os Estados Unidos contestam? Na avaliação de Washington, o Banco Central exerce ao mesmo tempo o papel de operador e de regulador do PIX, o que configuraria um conflito de interesses e colocaria empresas americanas em desvantagem competitiva. O governo de Trump também afirma que os bancos são obrigados a destacar o PIX na página inicial de seus aplicativos e não podem cobrar tarifas dos usuários pelo serviço. "Isso força os provedores americanos a promoverem seu concorrente brasileiro", afirmou o USTR, que considera esse tratamento "injusto". Segundo uma fonte do governo brasileiro ouvida pela AFP, a principal insatisfação parte das empresas de cartão de crédito, cuja participação nas transações realizadas no país caiu de 23% para 15% desde o lançamento do PIX. "Grande parte da população brasileira trabalha na informalidade ou é formada por pequenos empresários e microempreendedores, que antes dependiam muito das grandes operadoras de cartão e precisavam pagar taxas", explicou à AFP Marco Sanfins, professor da Universidade Federal Fluminense. Como o Brasil responde? O governo brasileiro rejeita as acusações e argumenta que o PIX ampliou o mercado de pagamentos digitais, beneficiando inclusive empresas americanas, como Google e Visa. O Banco Central também afirma que, desde a criação do PIX, o número de usuários de cartões no país continuou crescendo. Segundo Brasília, o governo americano também vê o PIX e sistemas semelhantes como uma possível ameaça à predominância internacional do dólar. Além do Brasil, países como Quênia, Nigéria, Índia e Colômbia também desenvolveram sistemas nacionais de pagamentos instantâneos. Por que o tema ganhou dimensão política? A disputa ocorre em um momento de forte tensão política entre Brasil e Estados Unidos. Em outubro, Lula disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Trump impôs tarifas ao Brasil no ano passado e classificou o julgamento de Jair Bolsonaro como uma "caça às bruxas". Posteriormente, a maior parte dessas tarifas foi revogada. Diante das críticas americanas ao PIX, Flávio Bolsonaro buscou se distanciar da posição de Washington em relação a um sistema implantado durante o governo de seu pai. "O PIX é bom para o Brasil. E, por incrível que pareça, é bom também para os Estados Unidos", afirmou o senador após participar de um encontro no USTR, em Washington. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Tire dúvidas sobre o Programa Move Brasil O Move Aplicativos, nova linha de crédito para financiar carros com juros mais baixos para motoristas de aplicativo e taxistas, alcançou R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (14) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa financiou veículos novos para pouco mais de 10 mil profissionais em todo o país. O valor médio dos financiamentos contratados foi de R$ 102 mil por motorista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O programa foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos da linha de crédito, de cerca de R$ 30 bilhões, são do Tesouro Nacional e repassados ao BNDES para viabilizar os financiamentos. A expectativa era de adesão de 100 bancos participantes e de venda de 200 mil a 300 mil carros. Podem participar: taxistas devidamente registrados e ativos; motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses, que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período, na mesma plataforma. O carro também precisa atender aos seguintes critérios: custar até R$ 150 mil; ser flex, elétrico ou híbrido flex — modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa; ser zero km, já que o programa não contempla veículos usados; ser produzido por montadora habilitada no programa Mover. As taxas de juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. O prazo do financiamento pode chegar a 72 meses, com seis meses de carência. Segundo o balanço do BNDES, 47 modelos de veículos, produzidos por 13 fabricantes, estão habilitados para financiamento pelo programa. (veja abaixo) Lista de veículos financiáveis pelo BNDES Move Motoristas Além do valor do veículo, o financiamento também pode incluir custos adicionais, desde que contratados junto com o bem principal. São eles: seguro do veículo; seguro prestamista — modalidade que cobre o pagamento das parcelas em situações previstas no contrato, como morte ou invalidez; itens de segurança destinados a atender às necessidades de mulheres que atuam no transporte de passageiros, limitados a até 10% do valor total financiado; Encargo por Concessão de Garantia (ECG), quando a operação contar com garantia do Programa Emergencial de Acesso a Crédito na modalidade garantia (Peac-FGI); custos relacionados à constituição, registro e averbação da alienação fiduciária, incluindo despesas cartorárias previstas na regulamentação do programa. As instituições financeiras credenciadas pelo BNDES precisam contratar as operações de crédito com os motoristas até 15 de setembro de 2026. Veja abaixo como aumentar suas chances de aprovação: Impacto ainda tímido nas vendas Apesar do avanço nas contratações, o programa ainda não teve impacto significativo nas vendas de veículos. De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, o Move Aplicativos começou a operar em 19 de junho e ainda está em fase inicial. Segundo Calvet, um dos fatores que explicam a ausência de impacto imediato nos emplacamentos é que a cobertura do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que garante até 80% das operações de financiamento, só passou a valer em 2 de julho. Com a ampliação da participação dos bancos e o funcionamento pleno da garantia do FGI, a expectativa da indústria é que as operações cresçam nos próximos meses. Por enquanto, são 10 instituições operando o programa, com nomes como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Sicredi. O banco Safra e o Santander manifestaram interesse junto com outros 12 participantes, como C6 Bank e Banco Pan. Alguns gigantes do mercado ainda estão de fora, como Itaú Unibanco e Bradesco. Instituições financeiras do BNDES Move Motoristas A Anfavea espera que os efeitos do programa apareçam nas estatísticas de vendas de veículos dos próximos meses. O chamado programa de financiamentos à exportação dos bens e serviços de engenharia brasileiros do BNDES consiste no aporte a empresas brasileiras para executarem serviços no exterior. Getty Images Linha de crédito do Move Brasil para mototaxistas e entregadores de app é adiada para 27 de julho Baterias são de longe o componente mais caro e continuam sendo um dos principais pontos vulneráveis dos carros elétricos John Walton/PA Wire/picture alliance

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) reconheceu nesta terça-feira (14) "interesse público" no pedido da Eletronuclear para obter uma suspensão temporária do pagamento da dívida relacionada à construção da Usina Termonuclear de Angra 3. A medida, conhecida no mercado como "stand still", abre caminho para que a estatal negocie um alívio temporário no fluxo de caixa com os bancos credores. Assim, a resolução aprovada pelo CNPE autoriza a Eletronuclear a apresentar o pedido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal (CEF), que poderão analisar a viabilidade de uma eventual suspensão temporária dos pagamentos da dívida referente ao empreendimento. Na prática, a decisão dá respaldo institucional para que a estatal formalize a solicitação às instituições financeiras. Caberá ao BNDES e à Caixa avaliar o pedido de acordo com seus normativos internos, a legislação aplicável às operações de crédito e as regras para constituição de garantias. Agora no g1 A resolução, contudo, não altera os contratos de financiamento em vigor, nem determina a suspensão dos pagamentos ou impõe qualquer obrigação às instituições financeiras. A eventual concessão do chamado "stand still" dependerá da análise técnica e da decisão de cada banco. Como o g1 vem mostrando desde dezembro do ano passado, a estatal quer que os bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas ao empreendimento, até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o futuro da usina. Em fevereiro deste ano, Alexandre Caporal, à época presidente interino da estatal, afirmou que a Eletronuclear corre o risco de virar os Correios se não houver uma negociação da dívida, em referência à crise econômico-financeira da empresa da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) . A suspensão dos pagamentos, afirmou Caporal, é considerada essencial para garantir a sustentabilidade financeira da estatal. A medida, já concedida por seis meses em 2024, daria fôlego à estatal até que o CNPE defina o destino de Angra 3, cujas obras estão paralisadas há cerca de dez anos. De acordo com Caporal, o serviço da dívida soma R$ 800 milhões em 2026. Quando somados aos custos de manutenção da usina, os gastos totais com Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão por ano. Angra 3 Eletronuclear

Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve Mais de oito em cada dez famílias brasileiras continuavam endividadas em junho, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (14) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ao todo, 81,6% das famílias disseram ter algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja. O percentual repetiu o registrado em maio e interrompeu a sequência de altas observada nos meses anteriores. O cenário também ficou estável entre as famílias com contas em atraso. Em junho, 29,9% dos entrevistados afirmaram ter dívidas vencidas, o mesmo índice do mês anterior. Já a parcela dos consumidores que declarou não ter condições de quitar esses débitos recuou levemente, de 12,3% para 12,2%. Apesar da estabilidade dos principais indicadores, a CNC avalia que houve uma melhora na composição do endividamento. A entidade destaca o aumento da participação de famílias que se consideram pouco endividadas, a manutenção do comprometimento da renda em níveis estáveis e a redução do tempo médio de atraso no pagamento das dívidas. Mudanças no perfil das dívidas Entre maio e junho, o percentual de famílias que se classificou como pouco endividada passou de 33,3% para 34,2%. No mesmo período, a fatia das que se consideram muito endividadas subiu de forma mais moderada, de 17% para 17,2%. A própria CNC ressalta, porém, que essa avaliação tem caráter subjetivo e reflete a percepção de cada consumidor sobre sua situação financeira. Em outras palavras, sentir-se muito endividado não significa, necessariamente, estar em uma situação de superendividamento. Outro sinal considerado positivo foi a redução do tempo médio de atraso das dívidas, que caiu para 64,8 dias. Além disso, 48,9% das famílias inadimplentes disseram estar com contas vencidas há mais de 90 dias, o menor percentual registrado neste ano. O comprometimento médio da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 29,3%. Já a parcela de famílias com financiamentos ou empréstimos contratados por prazo superior a um ano continuou em 33,3%. Para a CNC, prazos mais longos ajudam a reduzir o valor das parcelas mensais e dão mais fôlego ao orçamento das famílias. Renda influencia o peso das dívidas As diferenças ficam mais evidentes quando os dados são analisados por faixa de renda. Entre as famílias que recebem até três salários-mínimos, 84,7% possuem algum tipo de dívida — o maior percentual entre todos os grupos pesquisados. Nessa faixa, 38,3% têm contas em atraso e 17,6% afirmam que não conseguirão quitar esses débitos. Já entre as famílias com renda superior a dez salários-mínimos, 71,4% disseram estar endividadas. Nesse grupo, a inadimplência ficou em 15,4% e apenas 5% declararam não ter condições de pagar as contas vencidas. Na comparação entre maio e junho, o maior avanço do endividamento ocorreu entre as famílias com renda de três a cinco salários-mínimos, cujo percentual passou de 83,1% para 83,7%. Em sentido oposto, entre aquelas com renda de cinco a dez salários-mínimos, o indicador recuou de 79,6% para 78,3%. Segundo a CNC, movimento semelhante foi observado na inadimplência: a faixa de renda que registrou maior aumento no endividamento também apresentou crescimento das contas em atraso, enquanto o grupo que reduziu o uso do crédito registrou queda na inadimplência. Desenrola pode ter ajudado, mas cenário ainda exige cautela Na avaliação da CNC, a melhora observada em alguns indicadores pode estar relacionada aos primeiros meses de funcionamento do Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas lançado em maio. A entidade também atribui esse desempenho ao avanço da renda média das famílias e ao maior controle da inflação, fatores que ajudam a preservar a capacidade de pagamento dos consumidores. Ainda assim, a confederação projeta que tanto o percentual de famílias endividadas quanto o de consumidores com contas em atraso deve voltar a crescer nos próximos meses. Por isso, avalia que, apesar dos sinais de melhora, o cenário ainda requer cautela. Decon realiza mutirão de negociação de dívidas e outros serviços no Bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza. Pexels/reprodução

Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (14) que desistiu de cobrar uma taxa de 20% sobre produtos de navios que circulem pelo Estreito de Ormuz, como havia anunciado na segunda-feira (13). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump afirmou que vai "substituir" a cobrança da taxa por acordos comerciais e de investimento com "vários países" do Golfo Pérsico. Mas disse que o bloqueio naval no estreito seguirá de pé (leia mais abaixo). ➡️ Na segunda-feira (13), diante da nova troca de ataques com o Irã, Trump anunciou que os EUA "tomariam o controle" do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas navais do petróleo e gás do mundo e que fica na costa do Irã. Além disso, afirmou que os EUA iriam impor uma taxa de 20% sobre o preço de produtos transportados por navios que cruzem o canal. O anúncio fez o preço do petróleo disparar e chegar ao maior nível em um mês. "Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que vários Estados do Golfo realizarão nos EUA", anunciou Trump em sua rede social Truth Social. Trump não especificou quais países do Golfo Pérsico se comprometeram com o acordo, mas disse que os governos fariam investimentos "gigantescos" dentro dos Estados Unidos que compensariam o pedágio que o presidente norte-americano queria impor em Ormuz. Apenas 1 hora depois, o presidente norte-americano afirmou em uma coletiva de imprensa acreditar que ninguém deveria poder cobrar taxas dos navios que passam por Ormuz. “Não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa. (...) Não gosto dessa ideia, mas, ao mesmo tempo, não é justo que estejamos protegendo este estreito para o mundo inteiro”, disse. Nenhum governo do Golfo Pérsico havia confirmado os acordos até a última atualização desta reportagem. 👉 Os países do Golfo, muitos deles aliados estratégicos dos EUA, viraram o principal alvo dos ataques retaliatórios do Irã durante a guerra no Oriente Médio. Em junho, EUA e Irã assinaram um acordo para encerrar o conflito. O documento estabelecia um cessar-fogo e colocava um período de 60 dias para negociar pontos finais para a paz total. Na semana passada, no entanto, a trégua foi rompida, e o acordo, abandonado. Nesta manhã, a agência de notícias Reuters disse ter tido acesso a uma notificação que Trump enviou ao Congresso norte-americano informando os parlamentares de que o conflito com o Irã havia sido retomado. Bloqueio naval segue de pé Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Apesar de desistir da taxa, Trump disse que o plano dos EUA de retomar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz — previsto para iniciar nesta terça — segue de pé. O bloqueio, segundo ele, será feito apenas para embarcações do Irã e ao longo de toda a costa iraniana. As Forças Armadas dos EUA afirmaram que o novo bloqueio, formado por navios militares norte-americanos, começaria nesta tarde. 👉 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico (veja no mapa abaixo). 👉 Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. O memorando de paz assinado por EUA e Irã — e agora deixado de lado — previa que a via marítima fosse reaberta, sem qualquer cobrança durante 60 dias. Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo deveriam negociar a futura administração da via. Mapa Estreito de Ormuz Guilherme Pinheiro/G1

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (14) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 6,241 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. O balanço considera valores contabilizados até maio deste ano. Deste total: R$ 4.437.422.917,99 são recursos de 24.080.039 de pessoas físicas; R$ 1.804.196.767,06 são valores de 2.274.851 de empresas. Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0. O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições. Governo anunciou uso do dinheiro; TCU apura Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época. Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público. Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação). Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral. No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano. A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras. Como consultar o dinheiro esquecido Como consultar e resgatar o 'dinheiro esquecido' no Banco Central O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br. 🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução. 📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação. 💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos. Cédulas de dinheiro, em imagem de arquivo Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Ações da Meta enfrentam péssimo momento na bolsa de NY Reuters Vinte e seis ex-funcionários da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, entraram com uma ação judicial contra a empresa, acusando a companhia de usar um sistema de inteligência artificial que teria prejudicado trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica durante um processo de demissões em massa. Segundo o processo, obtido pela Reuters, a ferramenta de inteligência artificial teria selecionado de forma desproporcional funcionários nessas condições para serem demitidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A ação foi apresentada na segunda-feira (13) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, nos Estados Unidos. Os ex-funcionários afirmam que a Meta teria usado critérios como produtividade e uso de ferramentas de inteligência artificial para decidir quais trabalhadores seriam afetados pelos cortes. Segundo a acusação, esses critérios teriam prejudicado pessoas que precisaram faltar ao trabalho por causa de problemas de saúde. Os 26 ex-funcionários, que entraram com o processo de forma anônima, afirmam que a Meta violou leis federais e estaduais que proíbem discriminação ou retaliação contra trabalhadores com deficiência, que tiram licença médica ou que estão grávidas. Os autores da ação vivem em seis estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, além do Distrito de Columbia. A Meta afirmou que as acusações não têm fundamento. “As decisões sobre gestão de funcionários e organização da empresa foram e continuam sendo tomadas por pessoas, não por inteligência artificial”, disse um porta-voz da companhia à Reuters esta terça-feira (14). Agora no g1 As acusações surgem após uma rodada de cortes realizada pela empresa em maio, quando a Meta começou a demitir cerca de 8 mil funcionários como parte de uma reestruturação para concentrar recursos no desenvolvimento de inteligência artificial. Segundo a Bloomberg, os desligamentos representaram cerca de 10% da força de trabalho da companhia, que tinha aproximadamente 78,9 mil funcionários no fim de 2025. As notificações começaram a ser enviadas primeiro a trabalhadores da Ásia e depois aos funcionários dos Estados Unidos. Ainda não havia confirmação sobre o impacto das demissões entre funcionários da Meta no Brasil. Antes dos cortes, a empresa já havia informado que cerca de 7 mil funcionários seriam realocados para áreas ligadas à inteligência artificial. Segundo relatos de funcionários, as mudanças não eram opcionais e aumentaram a tensão interna. Em comunicado aos funcionários, a diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, afirmou que a decisão fazia parte dos esforços para tornar a empresa mais eficiente e compensar os altos investimentos na área de inteligência artificial. Corrida por inteligência artificial aumenta gastos da Meta A Meta tem ampliado os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, incluindo compra de chips e construção de centros de dados. A companhia planeja investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026 (cerca de R$ 570 bilhões a R$ 670 bilhões), principalmente para ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias de IA. No fim de fevereiro, a empresa também anunciou um acordo com a fabricante de chips AMD para comprar milhões de processadores, em um contrato avaliado em pelo menos US$ 60 bilhões.

Warren Buffett, CEO do Berkshire Hathaway. Rick Wilking/Reuters O investidor americano Warren Buffett anunciou nesta terça-feira (14) que deixou de fazer doações para a Fundação Bill & Melinda Gates, após a divulgação de informações sobre a relação do cofundador da Microsoft, Bill Gates, com o empresário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Buffett informou que vai doar cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 30 bilhões) em ações da sua empresa, a Berkshire Hathaway, para quatro instituições de caridade administradas por seus filhos e sua filha. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde 2006, Buffett destinava parte de suas ações da Berkshire Hathaway à Fundação Gates. Ao longo desse período, a instituição recebeu mais de US$ 47 bilhões em ações da companhia. Na declaração divulgada nesta terça-feira, Buffett não citou diretamente a fundação de Gates, mas afirmou que suas ações restantes serão doadas às quatro fundações familiares até 31 de dezembro de 2034. Agora no g1 “É claro que a mortalidade é imprevisível, mas minhas ações restantes serão doadas às quatro fundações de uma forma ou de outra até essa data”, disse Buffett. A Fundação Gates não comentou imediatamente o anúncio. Gates diz que se arrepende de relação com Epstein Departamento de Justiça dos EUA divulgou foto sem data de Jeffrey Epstein com Bill Gates Departamento de Justiça dos EUA A reputação de Bill Gates foi prejudicada após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de documentos sobre Epstein em fevereiro. Os arquivos incluíam fotos de Gates ao lado do empresário e de mulheres cujos rostos estavam ocultados. E-mails também mostraram comunicações entre Epstein e funcionários da fundação. Em junho, Gates disse ao Congresso americano que “não compreendeu totalmente a extensão” dos crimes de Epstein quando manteve contato com o empresário, inclusive em reuniões sobre possíveis projetos de filantropia. Gates, de 70 anos, não foi acusado de nenhum crime. Ele afirmou diversas vezes que se arrepende de ter tido qualquer relação com Epstein, negou ter passado tempo com vítimas dos abusos sexuais cometidos por Epstein e disse que nunca presenciou nenhum comportamento criminoso do empresário. Doações para instituições de caridade da família Aos 95 anos, Buffett já doou mais da metade das ações que possuía da Berkshire Hathaway desde que iniciou o processo de transferência de sua fortuna, em 2006. Antes das novas doações, ele possuía cerca de 14% das ações da Berkshire e tinha uma fortuna estimada em US$ 147 bilhões, segundo a revista Forbes. Nesta doação, Buffett está destinando: 9 milhões de ações da Berkshire para a Fundação Susan Thompson Buffett; 1 milhão de ações para cada uma das seguintes instituições: Fundação Howard G. Buffett, Fundação Sherwood e Fundação NoVo. Ele afirmou que seu objetivo é que os valores das doações aumentem todos os anos e que os repasses para a Fundação Susan Thompson Buffett cresçam em um ritmo um pouco maior. Susie Buffett lidera a Fundação Susan Thompson Buffett, que financia projetos relacionados à saúde reprodutiva. A instituição recebeu o nome da mãe dela, primeira esposa de Warren Buffett. A Fundação Sherwood apoia organizações sem fins lucrativos de Nebraska e projetos de educação infantil. A Fundação Howard G. Buffett atua no combate à fome no mundo, no enfrentamento ao tráfico de pessoas e na redução de conflitos. A Fundação NoVo desenvolve iniciativas voltadas para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade e comunidades indígenas.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, contudo, não descartou a possibilidade de o combustível se tornar permanente. "Estamos completamente seguros de avançar para essa mistura. Muitos dos nossos veículos circulam com 100% de etanol. Eles estão preparados", afirmou. "A previsão é de que entre em vigor em primeiro de agosto", emendou. ⛽ O etanol do tipo anidro passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor, segundo técnicos ouvidos pelo g1 (entenda mais abaixo). A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, e ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso", prossegue o documento do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. "De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", acrescenta. Entidades fazem alerta Apesar da defesa do governo, entidades do setor alertam para eventuais danos aos automóveis. Em nota divulgada após a decisão, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reafirmou ser contrária à medida "sem estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade com a frota brasileira". Segundo eles, os testes que embasaram a adoção da mistura de 30% de etanol na gasolina (E30) não validam tecnicamente a elevação da mistura obrigatória para 32% (E32). "Esses ensaios avaliaram o desempenho e a dirigibilidade dos veículos considerando a margem de tolerância da especificação do combustível, mas não incluíram testes de durabilidade, emissões, autonomia nem a validação do funcionamento da frota com E32 como mistura obrigatória. Por isso, os resultados não representam base técnica para justificar a elevação do teor de etanol para 32%", defendem. "Os testes com combustível contendo até 32% de etanol foram realizados apenas para contemplar a margem de tolerância prevista na especificação do E30 e não para comprovar a segurança e a compatibilidade de uma mistura obrigatória de E32. Além disso, a especificação do E32 admite combustíveis com teor de etanol de até 34%, condição que também não foi objeto de validação técnica específica", complementam. LEIA MAIS: Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris. Alain Jocard/AFP Testes em veículos antigos Como mostrou o g1, engenheiros afirmam que veículos mais antigos ou sem calibração específica podem sofrer aumento de consumo, corrosão e desgaste de componentes. Segundo os técnicos ouvidos pela reportagem, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O etanol anidro pode absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. Gasolina importada Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação da pasta, esse volume seria suficiente para tornar o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível. A proposta integra a política do Combustível do Futuro, marco regulatório criado para ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Ainda segundo a pasta, a medida pode reduzir em R$ 0,03 o valor a gasolina na bomba. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai avaliar nesta semana a retirada parcial ou total do subsídio à gasolina criado pelo governo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. ➡️Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%. Regras para o biodiesel Na mesma reunião desta terça, o CNPE aprovou uma resolução que atualiza as diretrizes para o fornecimento de biodiesel destinado à mistura obrigatória no óleo diesel. Pela nova regra, o biodiesel usado para atender à mistura obrigatória deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o conselho, a determinação vale apenas para o biodiesel destinado ao chamado diesel B. A comercialização de biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente. Combustível nuclear O CNPE também estabeleceu a obrigatoriedade de elaboração periódica de estudos comparativos sobre os preços do combustível nuclear praticados no Brasil em relação aos mercados internacionais. "Os estudos deverão contemplar as diferentes etapas do ciclo do combustível nuclear e ficarão sob a coordenação da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). Além disso, o material deverá utilizar parâmetros internacionais de comparação e resultar na publicação de relatório técnico com periodicidade de até cinco anos", disse o conselho, em nota.

MOSAIC FERTILIZANTES Mosaic Fertilizantes/Divulgação. A Mosaic, uma das maiores empresas globais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a produção em algumas das fábricas brasileiras por falta de enxofre, matéria-prima essencial para na produção de adubos fosfatados, usados em plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas. ➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, principal região exportadora de enxofre, elevando os custos e dificultando a chegada do insumo ao Brasil. "São necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo [enxofre] para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo. Diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção em determinadas unidades", disse a companhia. Bloqueio naval dos EUA ao Irã começa nesta terça; Trump diz que cobrará 20% de 'pedágio' sobre cargas em Ormuz Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques Veja como vão ficar as operações: Candeias (BA) e Catalão (GO): as unidades de mistura terãoas atividades temporariamente paralisadas, com possíveis impactos sobre os trabalhadores, ainda sujeitos às negociações com os sindicatos. Palmeirante (TO) e Sorriso (MT): a produção será reduzida com eventuais reflexos no quadro de funcionários, disse a empresa. Tapira (MG) e Catalão (GO): as paralisações temporárias já anunciadas deverão ser prorrogadas. Uberaba (MG): o complexo será gradualmente paralisado a partir de setembro. Paranaguá (PR): o Porto da Fospar seguirá operando normalmente. A produção de fertilizantes deve continuar até o fim de setembro, quando os estoques de ácido sulfúrico devem se esgotar. Cajati (SP): a unidade continuará em operação, apoiada por importações de enxofre para manter a produção de nutrição animal. Segundo a Mosaic, ainda não é possível prever quando a situação será normalizada. A empresa afirma que isso dependerá da queda nos preços do enxofre, da retomada das cadeias globais de suprimentos, da reabertura das rotas marítimas internacionais e da evolução do conflito no Oriente Médio. Leia também: Fim da 'tempestade perfeita': por que o agro prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais caros Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório
Dólar recua mais de 1% e fecha a R$ 5,07, após inflação dos EUA e de olho no petróleo; Ibovespa sobe

Preço do petróleo volta a disparar com o aumento das tensões no Oriente Médio O dólar fechou em queda nesta terça-feira (14), com um recuo de 1,05%, cotado a R$ 5,0777. Na mínima do dia, a moeda foi a R$ 5,0652. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,51%, aos 176.641 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional para cima. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio naval ao Irã a partir de hoje e que passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo canal, que é rota de cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. As preocupações sobre o novo bloqueio do canal trouxeram mais um dia de alta para a commodity nesta terça-feira (14). No final do dia, o barril do Brent, referência internacional, teve alta de 1,7%, cotado a US$ 84,73. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subiu 1,48%, cotado a US$ 79,34 por barril. ▶️ Na agenda econômica, investidores avaliaram novos dados da inflação ao consumidor nos EUA. O indicador caiu 0,4% em junho, após avançar em 0,5% em maio. Em 12 meses, o índice marcou alta de 3,5%. O resultado veio menor do que o esperado. Ainda assim, especialistas acreditam que os preços seguem elevados e há um grande número de apostas de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já neste mês. A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. ▶️Com isso, também ficou no radar o primeiro depoimento de Kevin Warsh ao Congresso americano como presidente do Fed. O banqueiro central afirmou que está comprometido com as metas de inflação da instituição e prometeu "fazer o seu trabalho" caso seja desafiado por Trump. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,60%; Acumulado do mês: -1,65%; Acumulado do ano: -7,49%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,69%; Acumulado do mês: +2,68%; Acumulado do ano: +9,63%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Escalada das tensões no Oriente Médio O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na véspera, um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã. A expetativa é que a operação tenha início nesta terça-feira, a partir das 17h. A medida entra em vigor um dia após o presidente americano afirmar que pretende assumir o controle do canal — por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo — e volta a trazer preocupações sobre eventuais impactos na oferta da commodity no mercado internacional. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial "Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse Trump, afirmando, pouco tempo depois, que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota. Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. Bolsas globais Os principais índices de Wall Street encerraram o pregão desta terça-feira em alta, com os investidores avaliando os novos dados de inflação dos EUA. O Dow Jones avançou 0,02%, aos 52.508,66 pontos. O S&P 500 subiu 0,38%, para 7.543,89 pontos, enquanto o Nasdaq Composite teve a maior alta do dia, de 0,90%, encerrando aos 26.107,01 pontos. Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta. Entre os principais, o DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,13%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,03% e o FTSE 100, do Reino Unido, registrou alta de 0,30%. Na Ásia, a maioria das bolsas fecharam em alta, após dados sólidos de exportações melhorarem o ânimo dos investidores. Papéis de energia também tiveram ganhos, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 2,15%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,36%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,52%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,74% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 0,73%. Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters
Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas

Grupo Oncoclínicas Divulgação A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, informou nesta terça-feira (14) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar novas condições de pagamento com os credores, sem interromper as operações da companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🔍 A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto em lei que permite a uma empresa renegociar dívidas com credores fora de um processo de recuperação judicial tradicional. O plano precisa ser aprovado por uma parcela dos credores e, depois, homologado pela Justiça. Agora no g1 Empresa já tem apoio de parte dos credores A Oncoclínicas informou que já conta com a adesão de credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano, percentual suficiente para apresentar o pedido à Justiça. Agora, a empresa terá até 90 dias para conseguir o apoio necessário para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores envolvidos. Segundo a companhia, o plano de reestruturação pode incluir medidas como: aporte de recursos pelos acionistas; conversão de parte da dívida em ações da empresa; troca de dívidas atuais por novos financiamentos; alongamento dos prazos de pagamento. A empresa ressaltou que essas alternativas ainda serão negociadas e não necessariamente serão adotadas. A Oncoclínicas afirmou que a recuperação extrajudicial não afeta o atendimento aos pacientes nem os pagamentos relacionados às operações do dia a dia, como fornecedores e parceiros considerados essenciais. Segundo a companhia, as unidades seguem funcionando normalmente em todo o país. Como parte da reestruturação financeira, a empresa informou que rescindiu dois contratos de aluguel de imóveis. Um deles é referente a um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa pela rescisão é estimada em R$ 76 milhões e foi incluída na renegociação das dívidas. O outro contrato era para um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado. O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda será submetido aos acionistas em assembleia. A empresa afirmou que continuará informando o mercado sobre o andamento da reestruturação. Fim de negociação com Porto e Fleury e tentativas de reestruturação O pedido de recuperação extrajudicial marca mais uma etapa da tentativa da Oncoclínicas de reorganizar sua situação financeira após meses de dificuldades. A medida taobém corre cerca de três meses depois do encerramento das negociações com a Porto Seguro e o Fleury para a criação de uma nova empresa de oncologia. As tratativas começaram em março e previam a transferência de clínicas da Oncoclínicas para uma nova companhia, que receberia um investimento de cerca de R$ 500 milhões da Porto Seguro e do Fleury. O projeto fazia parte da estratégia para reduzir o endividamento da empresa e facilitar a renegociação de seus passivos, inclusive com a possibilidade de converter parte das dívidas em participação na nova companhia. No entanto, as negociações foram encerradas em abril sem um acordo. Com o fim das tratativas, a Oncoclínicas passou a buscar outras alternativas para reestruturar suas dívidas, até chegar ao pedido de recuperação extrajudicial anunciado nesta terça-feira. Em relatório publicado em fevereiro deste ano, o Santander afirmou que a companhia já vinha adotando medidas para tentar recuperar sua saúde financeira, como aumento de capital, venda de ativos considerados não estratégicos e mudanças no conselho de administração e na diretoria. Para o banco, a troca na diretoria financeira, anunciada no início do ano, faz parte desse processo e pode ajudar a aproximar a empresa de investidores e credores. Já o Citi avalia que as dificuldades da Oncoclínicas podem abrir oportunidades para concorrentes do setor. Segundo o banco, que divulgou um relatório na semana passada, empresas maiores, como a Rede D’Or, podem atrair pacientes caso parte dos atendimentos oncológicos deixe de ser realizada pela companhia. O Citi também aponta possíveis impactos para as operadoras de planos de saúde. A análise considera que a Oncoclínicas tem uma estrutura de custos mais baixa na área de oncologia e que uma migração de pacientes para redes mais caras poderia elevar as despesas das operadoras e pressionar seus resultados.

Guga: Proposta de pedágio dos EUA em Ormuz é ilegal, desastrosa e abre brecha para o Irã Os preços do petróleo perderam a força no início da tarde desta terça-feira (14), após o presidente americano, Donald Trump, desistir de cobrar um pedágio de 20% de embarcações que passassem pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio global da commodity. Ainda assim, os preços do petróleo no mercado internacional seguiram em alta. No final do dia, o barril do Brent, referência internacional, avançou 1,7%, cotado a US$ 84,73. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subiu 1,48%, cotado a US$ 79,34 por barril. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mais cedo, a commodity chegou a atingir o maior nível em um mês, em meio à escalada das tensões entre os EUA e o Irã. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Às 9h40, o Brent havia alcançado os US$ 86,91 (+4,33%), no maior valor desde 12 de junho, enquanto o WTI bateu os US$ 80,62 (+3,17%) e alcançou o maior patamar desde 16 de junho, antes de EUA e Irã assinarem, em 17 de junho, um memorando de entendimento para encerrar o conflito. Na segunda-feira (13), os preços chegaram a subir quase 10% após a escalada das tensões no Oriente Médio. O aumento no preço do petróleo acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades. LEIA TAMBÉM Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores: os EUA retomaram o bloqueio à navegação iraniana; o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito; dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos; o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses. Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas. Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação. Nos EUA, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços. Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta. Bolsas asiáticas sobem; futuros dos EUA operam sem direção única A alta do petróleo também influenciou o desempenho dos mercados financeiros nesta terça-feira. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%. No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável. Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial. As ações do setor de energia tiveram destaque, acompanhando a valorização do petróleo. Na Europa, o clima foi de cautela. Em Londres, o índice FTSE 100 recuava 0,3%, enquanto o FTSE 250 caía 0,7%. As perdas foram puxadas principalmente pelas ações dos setores financeiro e de viagens, que compensaram os ganhos das empresas de energia, beneficiadas pela alta do petróleo. As ações da petroleira BP avançavam após a empresa sediada no Reino Unido afirmar que a alta do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem impulsionar o lucro do segundo trimestre. No mercado de câmbio, o dólar permaneceu próximo das máximas em 13 meses com a expectativa de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação nos EUA e mantenha os juros elevados: o euro subia 0,2%, para US$ 1,1399, a libra esterlina avançava 0,2%, para US$ 1,337. o iene japonês era negociado a 162,27 por dólar, perto do menor nível em cerca de 40 anos. Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%. *Com informações da Reuters Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters

Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Ormuz; Irã reage com ataques O Estreito de Ormuz é hoje a principal fonte de influência estratégica e de dissuasão do Irã em seu conflito com os Estados Unidos e por isso Teerã tenta transformar o conflito militar em uma guerra econômica. A avaliação é de Mehran Kamrava, cientista político e professor da Universidade de Georgetown no Catar, em entrevista à BBC. Kamrava afirma que o chamado "Eixo da Resistência" do Irã — que inclui grupos como o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen — está desarticulado, ou pelo menos militarmente enfraquecido, em consequência da guerra. Por isso, o Estreito de Ormuz ganhou importância estratégica para os iranianos. "Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", disse Kamrava ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, nesta terça-feira (14/07). Segundo o professor, o Irã "tem plena consciência" de que não pode enfrentar os EUA em condições de igualdade em uma guerra. "Por isso, o Irã procura transformar um conflito militar em um conflito econômico. É justamente por essa razão que deseja manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz." Agora no g1 Como resposta, Kamrava acredita que os EUA estão "determinados a retirar do Irã o controle do estreito", mas ele acha que ninguém sabe exatamente como isso pode ser feito — "nem mesmo os estrategistas do Pentágono". "Já vimos o presidente dos EUA tentar diversas abordagens, e parece que os americanos agora estão adotando uma estratégia diferente. Eles estão atacando locais altamente estratégicos ao longo da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico", afirma o professor da Universidade de Georgetown "Se isso poderá eventualmente levar a uma invasão terrestre da Ilha de Kharg ou de alguma outra ilha iraniana é algo que precisaremos acompanhar de perto." O professor avalia que tanto o Irã quanto os EUA querem que o conflito chegue ao fim, mas ambos insistem que isso precisa acontecer nos seus próprios termos. "Países como Omã, Catar e Paquistão estão fazendo o que podem para incentivar uma mediação. Seja por meio do memorando de entendimento já assinado ou de alguma versão dele, os dois países reconhecem a necessidade de chegar a algum tipo de solução negociada", diz Kamrava. "O que exatamente isso significará, no entanto, ainda está indefinido." O conflito entre Irã e EUA está tendo repercussões negativas na região, segundo o professor. Ele afirma que países como Catar e Emirados Árabes Unidos passaram as últimas décadas construindo uma imagem de segurança, estabilidade e prosperidade. "E tudo isso está sendo abalado pelo que parece ser uma escalada involuntária do conflito. A frente envolvendo a Arábia Saudita e os houthis voltou a se intensificar. Se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb [outra via marítima crucial para a economia global], poderemos estar diante de uma nova escalada significativa. Estamos vivendo um momento extremamente delicado." Bloqueio americano em Ormuz Trump afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos. Reuters via BBC O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com o país. Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que "navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam". Em comunicado divulgado no X, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que o bloqueio entrará em vigor nesta terça-feira (14/7) às 17h (horário de Brasília). Os EUA lançaram ataques contra o Irã pela terceira noite consecutiva na segunda-feira, em meio à escalada das hostilidades entre os dois países. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de um ataque "audacioso" a dois navios-tanque no Estreito de Ormuz, que deixaram um tripulante morto e oito feridos — quatro deles gravemente. Trump também anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, mas não explicou como isso funcionaria. O dinheiro arrecadado, segundo Trump, seria para bancar a operação americana na via navegável essencial ao comércio de petróleo mundial. "O Estreito de Ormuz está aberto, e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio ao Irã — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam", escreveu o presidente americano, em publicação na sua rede social Truth Social. "Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz'; no entanto, nessa condição — e por uma questão de Justiça—, serão reembolsados (à taxa de 20% sobre toda a carga transportada) por todos e quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região do mundo, que é extremamente instável", disse Trump.

Para muitos, o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre GETTY IMAGES Basta uma espiada naquelas estantes cheias de best-sellers das livrarias, bem no ponto em que os livros religiosos tangenciam a autoajuda. Naquele segmento que o jargão editorial costuma classificar como "devocionais", não faltam títulos com a palavra "café". Na esteira do mega-sucesso editorial Café com Deus Pai — cuja primeira edição, em 2023, colocou o pastor evangélico, teólogo e escritor Junior Rostirola como o autor brasileiro mais vendido daquele ano —, outros escritores miram na mesma fórmula. Nas prateleiras, há títulos como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus, Café com os Santos, Café com as Mulheres da Bíblia, Café com Deus, Café com a Virgem Maria — e até mesmo Café com Exu, provando que o conceito transcende o cristianismo. A ideia, que parte de um conceito simples, funciona. No dia a dia, afinal, "tomar um café" pode ser um sinônimo de encontro intimista entre pessoas que se dão bem. Ao mesmo tempo, para muitos o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre. Alguns ainda percebem a palavra "fé" como a segunda sílaba de café. Quase uma brincadeira — fruto da síncope, da contração fonética, da elisão comum na língua coloquial em que "com a fé" vira simplesmente "ca fé". Mas se a relação entre religiosidade e a bebida quase onipresente nos lares brasileiros — segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o país é o segundo maior consumidor de café, perdendo apenas para os Estados Unidos — nem sempre foi de amizade. O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs. Uma breve história do café Os mais antigos registros escritos sobre o consumo de café são da segunda metade do século 6º, conforme explica a gastrônoma e historiadora Camila Landi, professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trata-se de um relato, com contornos lendários, de que um pastor de cabras na Etiópia teria notado os efeitos, em seus animais, a partir do consumo da planta. "Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região", conta a professora. Segundo artigo sobre a história da bebida publicado pelo Yale Center for the Study of Globalization, o pastor teria notado "um frenesi" atípico no seu rebanho. Já a torrefação teria sido iniciada bem depois. E já com pitadas de religiosidade. Landi diz que tudo indica que a prática tenha começado no século 14, "quando monges jogaram os frutos no fogo por os acharem muito amargos". Acabaram se surpreendendo com o aroma. Esses religiosos, ao que tudo indica, seriam da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas dissidências orientais do cristianismo. "Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente", pontua Landi. "Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares." O cafezinho se espalharia por outras partes da África. No século 15, passou a ser largamente utilizada por muçulmanos sufistas do Iêmen, como um recurso para se manterem acordados durante as longas preces noturnas. Logo, o mundo islâmico trouxe a bebida para o debate. Os árabes, afinal, já a chamavam de "qahwah" — daí a palavra café, aliás. O termo significa vinho. Justamente porque as propriedades estimulantes do café eram comparadas às de uma bebida alcoólica, cujo consumo é vetado pelos muçulmanos. Mas os juristas islâmicos daquele tempo entenderam que o café não precisava ser proibido. Porque, ao contrário do álcool, não inebria, não prejudica o discernimento — mantém a clareza mental daquele que o ingere. Ao que tudo indica apenas no século 16 o café chegaria à Europa, via Turquia — onde os registros mais antigos da presença do café são de 1453. A essa altura, cristãos já viam com maus olhos aquela bebida consumida pelos então adversários de fé do mundo árabe. Se eles a chamavam de vinho, aquilo só poderia ser o "vinho do diabo", a "bebida do satanás", detratavam os europeus. A bebida teria chegado ao mundo ocidental por volta de 1570, em Veneza, importante entreposto comercial da época. Se alguns cristãos experimentaram aquele "vinho" árabe e gostaram, evidentemente que a questão se tornou tema de debate no outrora poderoso mundo católico. Em uma história que mistura tanto fatos com lendas, efeitos e fés, destaca-se o que se conta sobre o papa Clemente 8º (1536-1605), que comandava a Igreja na virada do século 16 para o 17. Costuma-se dizer que ele "batizou" a bebida que, com isso, perderia o status de ser algo "do diabo" e então pôde ser consumida sem culpa pelos cristãos. Outras narrativas enriquecem os detalhes da história: em 1600, teriam levado a ele o café, na esperança de seu veredito sobre ser ou não pecado tomá-lo. O papa teria experimentado e achado tão bom que, resignado, exclamou que aquela maravilha não poderia ficar restrita apenas aos infiéis. Possivelmente essas versões são anedotas a partir do fato real de que a Igreja Católica parou de se opor ao consumo do café, abrindo as porteiras para sua expansão no mundo ocidental a partir do século 17. O artigo do Yale Center lembra que, em um contexto em que as pessoas consumiam majoritariamente bebidas alcoólicas, o papa aprovar o café era uma maneira de ajudar "a manter a sobriedade da população". Referência nas sinopses biográficas de sumos pontífices da Igreja, o livro The Oxford Dictionary of Popes, do teólogo britânico John Norman Davidson Kelly (1909-1997), não aborda a querela sacro-cafeeira da gestão de Clemente. Best-seller Café com Deus Pai deu origem a vários outros livros com temas semelhantes Divulgação Proibições Mas em épocas de extremo controle religioso sobre os hábitos sociais, o café despertava mesmo polêmicas no âmbito religioso. "Existem muitos indícios", comenta Landi. "O café foi alvo de muitas polêmicas religiosas. Registros históricos apontam proibições e restrições em diversas sociedades." "Ainda hoje, existem restrições em algumas religiões ou ocasiões", acrescenta a historiadora. Na seara cristã, dois casos destacam-se entre os mais emblemáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como igreja dos mórmons, proíbe que seus adeptos bebam café. A regra consta do livro Doutrina e Convênios, uma espécie de catecismo da denominação, onde estão as chamadas revelações escritas pelo criador da igreja, o norte-americano Joseph Smith (1805-1844). Em 27 de fevereiro de 1833 ele escreveu, contrariado pelo fato de que membros da igreja mascavam tabaco durante as reuniões: "condena-se o uso de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes". De acordo com a interpretação dos religiosos, o café, assim como o chá preto, estava banido. Em 2023 o historiador Keith Erekson, diretor de pesquisas históricas e divulgação da igreja dos mórmons, conversou com a reportagem da BBC News Brasil e explicou que a dita revelação é um incentivo para que "as pessoas cuidem de seu corpo físico, a fim de que possam ser saudáveis e receber recompensas espirituais, como sabedoria e conhecimento". Nesse sentido, o consumo de café estaria dentro de "alguns comportamentos" nocivos à saúde. Também surgida nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem postura semelhante. Oficialmente, a denominação não proíbe o café — mas orienta que seus adeptos não o bebam. Diretora associada do departamento de saúde da igreja para a América do Sul, a biomédica Lanny Cristina Burlandy Soares diz que a orientação é clara mas, "para compreendê-la bem" é preciso voltar à Bíblia. Segundo o entendimento religioso, Deus teria criado o ser humano à sua imagem e semelhança, confiando-lhe um propósito. "Nessa visão, o corpo não é um mero recipiente, mas é o templo pelo qual o ser humano exerce sua vocação. Cuidar dele é um ato de fidelidade ao propósito original de Deus", argumenta Soares. Daí que os adventistas pregam um cuidado integral à saúde. A biomédica explica que, como a cafeína tem propriedades estimulantes e "com o uso regular, pode causar dependência", há a recomendação de evitá-la. Ela relembra episódios do islã e do catolicismo em que o café também foi discutido. "Em 1511, em Meca, setores mais rigorosos proibiram o café com o argumento de que contrariava os preceitos do Alcorão", contextualiza. "Quando o café chegou à Europa, no século 17, enfrentou resistência semelhante." "A Igreja Católica via a bebida com desconfiança por sua origem árabe-islâmica e chegou a ser chamada de 'vinho do diabo' por setores do clero", recorda. "A virada veio com o papa Clemente 8º. Segundo a tradição histórica, após provar o café pessoalmente, o pontífice decidiu 'batizá-lo', tornando-o aceitável para os cristãos. Com esse gesto papal, a resistência eclesiástica cedeu rapidamente." Café com... O best-seller Junior Rostirola não é muito afeito a conceder entrevistas, segundo informa sua assessora de imprensa. Ele topou responder por escrito às questões da reportagem. Rostirola já era muito conhecido pelo seu trabalho como pastor da Igreja Reviver, sediada em Itajaí, em Santa Catarina, quando a primeira versão do Café com Deus Pai explodiu. O livro de mensagens devocionais diárias transcendeu o meio evangélico — acabou caindo no gosto de cristãos de todas as denominações. Ele gosta de café e explica que o título do livro veio da ideia de um espaço na correria para conversar com Deus. "O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade", frisa. "A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente em nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina." "Costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional diante de Deus. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai", completa Rostirola. O teólogo diz ver "com naturalidade" o fenômeno cafeeiro-religioso nas capas de livros. "É um símbolo muito presente na vida das pessoas e remete a acolhimento, proximidade e conversa. É compreensível que diferentes autores utilizem essa linguagem para comunicar suas mensagens", pontua. "Fico feliz em ver mais pessoas incentivando a leitura, a reflexão e a vida devocional. No fim das contas, o mais importante é que vidas sejam alcançadas e que as pessoas se aproximem de Deus", comenta o autor. Especialista em marketing literário e fundadora de uma agência de divulgação de livros, a jornalista Lilian Cardoso lembra que toda vez que surge um grande best-seller "todo mundo quer saber o segredo, a fórmula". "E o Café com Deus Pai do pastor Junior Rostirola já vendeu mais de 10 milhões de exemplares", salienta ela, autora de O Livro Secreto do Escritor. O pastor da Igreja Reviver Junior Rostirola fez sucesso com seu livro Café com Deus Pai Divulgação Para ela, além "da sacada do título", o sucesso também precisa ser atribuído à fama do autor, "que já tinha sua audiência" e seu público evangélico antes de publicar a obra. Mas ela reconhece que a ênfase no "momento com Deus, essa coisa da leitura diária" constitui a base para que o livro tenha se tornado um sucesso de vendagem. Os números fizeram com que outros autores e editoras também quisessem abocanhar um naco do segmento. "Outros projetos e outras editoras foram surfando nessa onda dos devocionais. Isso é uma coisa comum no mercado do livro", analisa ela. E às vezes a menção nem precisa ser direta. Fundadora da Cabana Church, a bispa Jeiza Pontes, por exemplo, acaba de lançar o livro Doses de Cura. Não tem café no título, mas fala em doses, em goles — porque também traz as mensagens bíblicas em forma de pequenos textos, pequenos ensinamentos. Como o foco da obra é ajudar quem está com depressão, ela lembra que o título alude ao tratamento. "Dificilmente uma pessoa tem êxito com uma dose única. Imaginei exatamente assim. Não uma promessa de 'leia isso e pronto'", explica. O fenômeno não se restringe ao cristianismo. O psicólogo Rubens Oliveira, por exemplo, buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu Café com Exu. "A ideia foi preencher uma lacuna editorial: a falta de obras de autoconhecimento e transformação pessoal a partir de referências ligadas a tradições afro-brasileiras", explica. Ele diz que buscou no título a união de "dois elementos carregados de significado simbólico muito forte". O café seria "o encontro, a conversa, a pausa". Exu, por sua vez, é o orixá associado a "comunicação, caminhos, escolhas, movimento e tomadas de decisão". "O título não foi pensado como referência religiosa no sentido tradicional, mas metáfora para uma conversa franca sobre a vida", resume. O psicólogo Rubens Oliveira buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu livro Café com Exu CRÉDITO, EDITORIAL PLANETA BRASIL/ DIVULGAÇÃO Cafezinho com fé O recurso é simbólico, claro. Mas a ideia do café com religião funciona justamente pelo apelo que o momento do cafezinho tem na cultura brasileira. "O uso da palavra café em livros de espiritualidade não acontece por acaso. Há um significado cultural muito forte que vai além da bebida. Está na socialização, na conversa, na escuta, no encontro e na circulação de ideias", analisa Oliveira. Para o psicólogo, nos tempos atuais, marcados pela velocidade e pelo excesso de informações, é sedutora a ideia de um momento de pausa no dia com a sugestão de disponibilidade, de ouvir e de refletir. Mesmo com a restrição ao consumo de café, a adventista Soares diz que não há problemas com livros religiosos com a bebida no título. Para ela, os adventistas veem "com interesse genuíno e admiração" o alcance que tais obras têm atingido. "Para entender como os adventistas leem esse fenômeno, é útil separar dois planos. O primeiro é o do conteúdo espiritual: a proposta de uma devoção diária, de pausar para refletir e cultivar uma conversa íntima com Deus está completamente alinhada com os valores adventistas", argumenta ela. "Os adventistas têm sua própria tradição de devocionais diários e valorizam profundamente a espiritualidade integrada ao cotidiano. O segundo plano é o da metáfora cultural. O café no título desses livros não é um endosso da bebida, mas uma imagem poderosa de acolhimento e conversa íntima. No Brasil, tomar café com alguém é um gesto de afeto e proximidade. Usar essa metáfora para falar da relação com Deus é uma escolha comunicativa sensível e criativa, que os adventistas reconhecem sem precisar endossar o uso da bebida." "Nossa posição é simples: acolhemos com simpatia qualquer iniciativa que aproxime as pessoas de Deus e da leitura bíblica", resume Soares. De onde vem o que eu bebo: o café especial que faz o Brasil ser premiado no exterior
Estudo mostra impacto no coportamento com supermercados fechados aos domingos no ES O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já apresenta impacto no faturamento das empresas, segundo um estudo da Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado. Segundo o levantamento, o estado capixaba vinha registrando crescimento acima da média nacional no início do ano, mas passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a entrada em vigor da medida. Parte da queda pode estar atrelada ao fechamento das lojas aos domingos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,3%. Ou seja: o estado apresentava crescimento acima da média nacional. Já em março e abril, o cenário mudou. Enquanto o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo caiu 1,3%, a média nacional registrou crescimento de 0,7%, segundo a Scanntech. Ou seja: mesmo com crescimento menor na média nacional, no estado capixaba houve retração no setor. A empresa informou que o estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos e representa cerca de 64% do mercado capixaba no setor. VEJA OS HORÁRIOS: Supermercados vão abrir mais cedo e fechar mais tarde para compensar os domingos fechados no ES MUDANÇA NA ROTINA: trabalhadores comemoram mais tempo com a família e o alívio de não pegar ônibus - mas perdem folga em dia útil LOJAS FECHADAS: veja regras para shoppings, mercearias, açougues e materiais de construção ENTENDA: Por que ES é o único estado a fechar supermercados aos domingos? Mão de obra, faturamento e escala são desafios para empresas Supermercado no Espírito Santo. Reprodução/TV Gazeta Consumidores mudaram dia das compras O levantamento apontou que, com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias da semana. Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%). Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina. Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e aos sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos. Algumas categorias perderam mais vendas O estudo também identificou que algumas categorias foram mais afetadas do que outras. Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país. Para Passareli, isso ocorre porque os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados. "Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café", afirmou. Atacarejo no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Atacarejos tiveram maior impacto De acordo com a pesquisa, os atacarejos foram o formato de loja mais afetado pela mudança. No Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%. O levantamento também apontou que os supermercados de menor porte sentiram mais os efeitos do fechamento aos domingos: Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país; entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais; Já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual. Segundo Passareli, os dados indicam que "quanto menor a loja, maior o efeito" da medida. O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Por que ninguém responde seu currículo? Você envia currículo atrás de currículo. A resposta quase nunca chega. Quando chega, é automática, padronizada e fria: "não seguimos com sua candidatura". A sensação é de que centenas de empresas tenham chegado, ao mesmo tempo, à mesma conclusão sobre você. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford sugere uma explicação técnica para essa experiência, cada vez mais comum e já apontada pelo g1 em abril. Talvez você não esteja sendo rejeitado por várias empresas diferentes, mas, na prática, pelo mesmo sistema repetidas vezes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa, intitulada "Algorithmic Monocultures in Hiring", é a mais abrangente já realizada sobre recrutamento mediado por inteligência artificial. Os pesquisadores analisaram uma base inédita de dados reais, com mais de 3,4 milhões de candidatos e cerca de 4 milhões de candidaturas avaliadas em 156 empresas de 11 setores da economia. O volume de dados já chama atenção, mas há um detalhe ainda mais relevante: todas essas candidaturas foram avaliadas por algoritmos desenvolvidos por um mesmo fornecedor de tecnologia. Isso permitiu observar um fenômeno que costuma passar despercebido por candidatos, empresas e até pesquisadores do mercado de trabalho. Quando muitas organizações utilizam sistemas semelhantes para selecionar profissionais, as decisões deixam de ser totalmente independentes. 🔎 Os autores chamam esse fenômeno de "monocultura algorítmica". O conceito foi emprestado da agricultura, em que grandes áreas são ocupadas por uma única espécie de cultivo. Embora esse modelo possa trazer ganhos de eficiência, também cria vulnerabilidades, já que qualquer problema tende a se espalhar rapidamente. Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes. Pexels Empresas diferentes decidem de forma parecida No mercado de recrutamento e seleção, o que está sendo padronizado não é a produção, mas os critérios usados para decidir quem avança ou não em um processo seletivo. Durante décadas, as decisões de contratação ficaram nas mãos de recrutadores, gestores e equipes com visões próprias. Mesmo diante de currículos semelhantes, era comum que chegassem a conclusões diferentes. Com a expansão dos sistemas automatizados, parte dessa diversidade tende a desaparecer. Empresas diferentes podem acabar utilizando modelos que analisam candidatos de forma muito parecida, reproduzindo os mesmos padrões em larga escala. Na prática, quem procura emprego pode se deparar com várias portas de entrada aparentemente independentes, mas abertas ou fechadas pela mesma lógica. 🔎 Essa possibilidade levou os pesquisadores a investigar um fenômeno chamado "rejeição sistêmica". O termo descreve situações em que um candidato se inscreve em várias vagas e é rejeitado em todas elas. Esse tipo de experiência sempre existiu, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a frequência com que isso ocorre quando os processos seletivos são influenciados pelos mesmos sistemas. Os dados mostram que cerca de 10% dos candidatos que se inscrevem em quatro vagas são rejeitados em todas elas. O padrão se mantém mesmo quando o número de candidaturas aumenta. Entre os candidatos que se inscrevem em 10 vagas, aproximadamente 4% acumulam 10 rejeições consecutivas. À primeira vista, os percentuais podem parecer modestos. Do ponto de vista estatístico, porém, eles revelam um padrão importante: as rejeições se acumulam com uma frequência maior do que a esperada em decisões independentes. Para verificar se esse comportamento poderia ser explicado apenas pelo acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e com evidências de estudos anteriores sobre processos de recrutamento sem centralização algorítmica. A conclusão foi clara: as rejeições sucessivas não são apenas fruto do azar ou da coincidência. Elas refletem uma lógica de avaliação que se repete entre diferentes empresas. Essa dinâmica ajuda a explicar outra característica cada vez mais comum nos processos seletivos. Na maioria dos casos, os algoritmos não tomam a decisão final de contratação. Eles atuam antes, como um filtro inicial que define quais candidatos avançam e quais são eliminados. Assim, muitos profissionais podem ser eliminados antes mesmo de um recrutador analisar seus currículos. Do ponto de vista do candidato, a experiência é silenciosa: não há entrevista, contato com a empresa nem, muitas vezes, uma explicação para a rejeição. Parte da frustração de quem busca emprego pode estar ligada justamente a essa etapa oculta do processo. O currículo é enviado, mas não chega a disputar a vaga de fato. A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões. Pexels Perfis semelhantes tendem a receber respostas semelhantes Os pesquisadores encontraram evidências de que candidatos com características semelhantes tendem a receber avaliações parecidas, mesmo quando se candidatam a empresas diferentes. 🔎 Quando um sistema considera um perfil pouco adequado, há uma chance significativa de que outros sistemas semelhantes cheguem à mesma conclusão. E vice-versa. O ponto central é que os modelos de IA compartilham critérios semelhantes de classificação. Com isso, uma avaliação inicial, que pode ser limitada ou imperfeita, ganha peso ao ser reproduzida em diferentes processos seletivos. Diante desse cenário, os pesquisadores testaram uma questão prática: enviar mais candidaturas ainda aumenta as chances de conseguir uma vaga? A resposta é sim. Mas esse ganho tende a ser menor quando as decisões se repetem. Nas simulações, um candidato precisaria se inscrever em cerca de 10 vagas para ter uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva em um cenário de decisões independentes. Quando os processos são influenciados por sistemas centralizados, esse número sobe para cerca de 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%. A concentração do mercado amplia os efeitos Os resultados do estudo não dizem respeito apenas aos algoritmos. Eles também levantam questionamentos sobre a estrutura do mercado de tecnologia aplicada ao recrutamento. Hoje, muitas empresas utilizam soluções desenvolvidas por um número relativamente pequeno de fornecedores. Alguns atendem organizações de diferentes setores e operam em grande escala. Essa concentração amplia os efeitos da monocultura algorítmica. Quando um único sistema influencia decisões em dezenas ou centenas de empresas, eventuais falhas deixam de ser casos isolados. O mesmo vale para limitações ou vieses incorporados aos modelos. Por isso, os pesquisadores defendem que a concentração tecnológica merece atenção não apenas do ponto de vista concorrencial, mas também pelos impactos sobre as oportunidades profissionais. Apesar da crescente influência da inteligência artificial nos processos seletivos, o setor ainda opera com pouca transparência, segundo os pesquisadores. Os próprios autores destacam que estudos independentes em larga escala são raros. A principal razão é que as plataformas raramente disponibilizam seus dados para análises externas. Isso cria obstáculos tanto para a fiscalização quanto para o avanço do conhecimento. Sem acesso às informações, torna-se mais difícil identificar falhas, medir vieses e entender como esses sistemas afetam diferentes grupos. O desafio é especialmente relevante porque essas decisões têm impacto direto sobre o acesso ao emprego, à renda e às oportunidades de carreira.

Necromancia digital; entenda polêmicas do fenômeno que ‘revive’ mortos com IA A morte de Sam Neill, nesta segunda-feira (13), voltou a inundar a internet com imagens e vídeos criados por inteligência artificial para retratar o ator após a morte. Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia "Jurassic Park", o ator foi "recriado" como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio às nuvens. Imagem de IA cria o ator Sam Neill ao "chegar no céu" com o portão do Jurassic Park Reprodução/ X O mesmo aconteceu em maio, após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Entre os vídeos criados por IA, um mostra sua "chegada ao céu" em uma "academia nas nuvens". As "homenagens" reacenderam o debate sobre a manipulação da imagem de pessoas mortas e os limites do uso da IA. O fenômeno tem um nome: "necromancia digital". IA cria academia no céu em homenagem da morte de Gabriel Ganley Reprodução/ Internet 🔎 A "necromancia" é popularmente conhecida como a prática de se comunicar com os mortos ou invocar seus espíritos. A versão digital descreve o ato de manipular vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas falecidas para gerar conteúdos produzidos com IA. A tendência é cercada de controvérsias, pois o conteúdo feito por IA pode transformar o luto em um produto e criar "fantoches digitais" de pessoas que não podem mais se defender. É o que explica Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro "All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data" ("Todos os fantasmas na máquina: a vida após a morte digital dos seus dados pessoais", em tradução livre). Não é de hoje A grande novidade é que a criação dos avatares deixou de depender de pessoas com conhecimento técnico avançado. Hoje em dia, a criação dos chamados "grief bots", ou "robôs de luto", tornou-se mais comum com a popularização das ferramentas de IA. Plataformas como ChatGPT e Claude, por exemplo, podem ser usadas para transformar os "restos digitais" — mensagens, áudios e vídeos de uma pessoa falecida — em avatares. Esse uso indiscriminado de ferramentas para "reviver" personalidades também pode distorcer a memória dessas pessoas. Essa é a reclamação de Flávia Christina, filha de Pelé. Recentemente, ela criticou vídeos desse tipo e afirmou ficar desconfortável com imagens do pai: "não são atitudes normais dele". O assunto talvez chamasse menos atenção quando era usado com mais parcimônia ou quando não havia alternativa. Em Hollywood, dublês e computação gráfica foram usados para concluir as cenas do ator Paul Walker em Velozes e Furiosos 7, lançado em 2015. No ano seguinte, a franquia Star Wars também recriou digitalmente o ator Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars. Maria Rita e Elis Regina cantam "Como Nossos Pais" em publicidade Divulgação/Volkswagen No Brasil, o caso de maior repercussão ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou IA para criar um dueto entre a cantora Elis Regina, morta há 44 anos, e sua filha, Maria Rita. A montadora utilizou tecnologia de deepfake para recriar Elis na campanha. Na internet, as reações se dividiram, e órgãos reguladores passaram a analisar o caso. O Conar chegou a abrir uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Além disso, um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha estabelecer diretrizes para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por meio de IA. Ambos acabaram arquivados. Segundo Kasket, a regulamentação não avança com rapidez suficiente para reduzir os riscos do uso inadequado da IA após a morte, e figuras influentes podem se tornar alvo de interesses políticos ou comerciais. “Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, afirma a professora. Ela observa ainda que alguns governos são fortemente influenciados por empresas de tecnologia, o que pode ainda comprometer a proteção da privacidade dos cidadãos. Como solução, a especialista defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física e limite legalmente o uso de restos digitais para replicação ou personificação. Pessoalmente, Kasket já tomou precauções: "Coloquei uma cláusula de 'não me transforme em bot' no meu testamento, embora isso ainda não seja legalmente aplicável no Reino Unido". Mercado do luto Além da vulnerabilidade de quem morreu, especialistas também apontam a exploração dos familiares. No setor conhecido como "grief tech", ou "tecnologia do luto", empresas passaram a criar versões virtuais de pessoas falecidas para que amigos e parentes possam interagir com esses clones digitais. Essa prática também ganhou espaço entre pessoas comuns com a popularização dos "grief bots", ou "robôs do luto". Como qualquer pessoa pode criar clones digitais, também pode oferecer esse tipo de serviço a famílias enlutadas. Foi nesse contexto que surgiram casos polêmicos. No ano passado, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN nos Estados Unidos, entrevistou um avatar criado por inteligência artificial de Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018. “A família de Jennifer Ann Crecente pouco pôde fazer quando alguém utilizou o Character.AI para representar a jovem assassinada. Chegou-se a comentar que um autor que cria um personagem fictício tem mais controle sobre a forma como outras pessoas representam esse personagem do que os familiares de uma pessoa falecida têm sobre a imagem de seu ente querido”, disse Elaine Kasket. A professora ressalta que o luto é uma experiência individual. Por isso, é impossível prever o efeito que uma inovação tecnológica terá sobre quem enfrenta uma perda. “O que uma pessoa experimenta como algo bem-vindo ou útil pode ser inútil ou até traumático para outra”, afirma. A maior preocupação, segundo a especialista, é a tentativa da indústria de tecnologia de tratar o luto como um "problema" que precisa ser resolvido. Para ela, o luto não é uma patologia, mas uma parte fundamental da experiência humana. "A ideia de 'resolver' experiências humanas como o luto mostra a extensão em que ele está sendo plataformizado", explica, acrescentando que usar robôs para isso pode ser prejudicial ao processo natural de perda.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.030 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 25 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (14), em São Paulo. No concurso do último sábado (11), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 06 - 11 - 25 - 45 - 48 - 58. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Ovo caipira, orgânico, convencional e enriquecido: g1 explica as diferenças A maioria dos supermercados não apresentou avanços na transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas, segundo o estudo Observatório do Ovo, da ONG Alianima, realizado anualmente. Desde 2015, grandes empresas dos setores de alimentação e hotelaria passaram a anunciar compromissos públicos para substituir ovos de galinhas criadas em gaiolas por sistemas livres, conhecidos como "cage-free". (saiba mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Atualmente, mais de 160 empresas brasileiras já assumiram esse compromisso. As próprias empresas definiram prazos para cumprir as metas, que vão de 2021 a 2030. Mas, segundo o levantamento, 64% das redes não aumentaram o percentual de marcas de ovos livres de gaiolas ou ainda apresentaram retrocessos. Além disso, 24% das empresas que assumiram a meta não prestam contas sobre o avanço. O Carrefour é uma das redes citadas no relatório. A empresa assumiu compromisso público com a transição, mas, no último ano, reduziu a participação de ovos livres em seus supermercados, de 21,4% para 20,2%. A rede também foi apontada como a única entre as que assumiram compromisso de não oferecer ao menos uma marca de ovos livres em todas as lojas. Outro exemplo é o Pague Menos, que não apresentou evolução. O g1 entrou em contato com as duas empresas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM Ovo caipira, orgânico, 'cage free': saiba diferenciar os tipos (spoiler: não é pela cor da casca) O que tem dificultado a transição? Para o levantamento, a Alianima ouviu redes de supermercados, que apontaram os principais desafios da transição: as regiões Norte e Nordeste foram classificadas como as mais difíceis para abastecimento de ovos livres; 67% das empresas relataram o alto custo do produto como um obstáculo; 44% apontaram a falta de conhecimento dos consumidores sobre o assunto; 33% afirmaram ter baixa aceitação do produto pelos clientes. No entanto, 78% disseram que a transição provoca uma percepção positiva da marca; 22% afirmaram haver falta de apoio de associações. Enquanto isso, 33% das empresas afirmaram não encontrar dificuldades na transição. Saiba mais: Conheça uma grande com sistema "cage free" Qual a diferença do 'cage free'? Cage free: sistema permite que galinhas sejam criadas soltas no galpão Em muitos sistemas de criação, a galinha é confinada em gaiolas assim que começa a botar. Até 28 animais dividem o mesmo espaço, sem conseguir ciscar, apenas comer e botar ovos. No sistema "cage free", isso não acontece e a ave fica livre durante toda a produção. O Instituto Certified Humane Brasil estabelece normas para a criação com foco no bem-estar animal e concede certificação às empresas que seguem esses padrões. Por exemplo, as regras estabelecem que o espaço do aviário pode conter, no máximo, de 7 a 11 aves por metro quadrado. Além disso, cada ave precisa de um espaço de 5 cm nos comedouros e 15 cm nos poleiros. Também é preciso deixar água e comida à vontade para os animais. Tipos de ovos são definidos pela criação das galinhas Arte/G1 Saiba também: Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China? Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode decidir, nesta terça-feira (14), sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A decisão já era esperada desde maio, mas foi adiada em três ocasiões após cancelamentos e mudanças na agenda do colegiado. Agora no g1 Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação da pasta, esse volume seria suficiente para tornar o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível. LEIA TAMBÉM: Governo adia reunião que pode aumentar etanol na gasolina de 30% para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos. A proposta integra a política do Combustível do Futuro, marco regulatório criado para ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%. Demanda por etanol Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento da mistura representa uma continuidade da política brasileira de incentivo aos biocombustíveis. "A medida foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com base em estudos técnicos, e reforça o uso de um combustível renovável produzido no Brasil, contribuindo para a segurança energética, a descarbonização e a redução da dependência de importações de gasolina", afirmou a entidade ao g1. A Unica estima que a mudança elevará em cerca de 1 bilhão de litros por ano a demanda por etanol anidro em comparação com a mistura atual de 30%. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido que a adoção do E32 é respaldada por estudos técnicos que comprovam a segurança da nova mistura para a frota brasileira. Mudança ocorre em meio à volatilidade do petróleo A decisão do CNPE deve ocorrer em um momento de volatilidade no mercado internacional de petróleo, provocado pelas tensões no Oriente Médio. Nesse cenário, o governo aposta na ampliação da participação do etanol na gasolina como uma forma de reduzir a dependência de importações, aumentar a oferta doméstica de combustível e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai avaliar nesta semana a retirada parcial ou total do subsídio à gasolina criado pelo governo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle Na última quinta-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nas redes sociais que o governo mantém o compromisso de retirar os subsídios concedidos à gasolina, mas que a medida dependerá da estabilização dos preços internacionais dos combustíveis. Na mesma publicação, Motta disse que acertou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o avanço da proposta que tramita na Câmara dos Deputados sobre o assunto. "Com relação ao PLP dos combustíveis, o Governo Federal segue comprometido em retirar o subsídio que está sendo dado para a gasolina, necessitando apenas de mais um tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã", escreveu.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu nesta terça-feira (14) aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota Os preços do petróleo subiram e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores. Medida vinha sendo estudada A medida de aumentar o volume de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo) Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também diz que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo) Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol Marcello Casal Jr./Agência Brasil O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. A lista engloba: tanque; boia; bomba de combustível; linhas de combustível metálicas ou plásticas; bico injetor; câmara de combustão; pistões; vedações. Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência. "As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor Arte / g1 Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor. O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina. 🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal. Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia. Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano. Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado. Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina Divulgação Revisões podem ficar caras No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos. "Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center. O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã. O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape. Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro Divulgação / Bosch Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor. Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade. Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo. "Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden. Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações. Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque. Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina. Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível. Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições. Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil. Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido. Bolso pode sentir E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação. As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI. Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina. “Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica. Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são: Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível; desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação; ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos; oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação; travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível; baixa vida útil de velas de ignição. Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019 Reprodução Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra. A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900. Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam. “Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica. Anfavea pede cautela A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves. Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes. "Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet. Igor Calvet, presidente da Anfavea Divulgação | Anfavea O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação. A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet. Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país. Indústria do etanol defende medida A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório. Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.” A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.” A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira. Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável. Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira. Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos. A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível. A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar. Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil. “Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA. * com Mariana Assis

Trump diz que EUA vão controlar o Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre carga de embarcações A crise no Estreito de Ormuz criou um "novo normal" para o mercado de petróleo. Ameaças militares, decisões geopolíticas e disputas pelo controle da passagem passaram a afetar preços, transporte e cadeias globais de abastecimento — mesmo sem um bloqueio completo da rota. A região também se tornou uma importante ferramenta de pressão do Irã no conflito com os Estados Unidos e um desafio para Donald Trump, que enfrenta os efeitos econômicos da escalada às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro. (leia mais abaixo) 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Nos últimos dias, ofensivas dos dois países colocaram em xeque o cessar-fogo anunciado em junho e reacenderam as preocupações sobre a segurança da navegação na região, pressionando novamente os preços do petróleo. Na segunda-feira (13), o barril do tipo Brent, referência internacional do petróleo, chegou a subir mais de 9%, alcançando US$ 83,04, após Trump anunciar que os EUA pretendem controlar o Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas que passarem pela rota. Nesta terça-feira (14), a valorização continuou, e o Brent chegou a US$ 86,47, o maior nível em cerca de quatro semanas. 🔎 O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Ao todo, passam por ali cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã REUTERS / Stringer Nova dinâmica no mercado No início da guerra, o temor era de que uma interrupção no fornecimento provocasse uma disparada do petróleo. Agora, o novo normal é o sobe e desce, com oscilações mais bruscas nas cotações mesmo sem uma interrupção efetiva da oferta. "A principal característica desse novo cenário é a volatilidade e a incerteza", resume Jackson Campos, especialista em comércio exterior. "Não se trata da falta de petróleo em si, porque isso não tem acontecido. Mas a possibilidade de interrupção faz com que armadores, seguradoras e refinarias reajam de forma preventiva, elevando os custos em um 'efeito chicote' mesmo antes de um bloqueio de fato", acrescenta. Segundo Campos, o mundo passou a monitorar a rota com maior atenção. Com isso, qualquer declaração política ou ameaça envolvendo EUA e Irã pode provocar uma reação imediata nos preços, incorporando o risco geopolítico ao custo diário do frete e do seguro marítimo. Evolução da cotação do petróleo. Arte/g1 O economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), afirma que o Estreito de Ormuz se tornou a principal referência para a formação dos preços do petróleo no curto e médio prazo. Ele acrescenta que os conflitos recentes, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram uma relação cada vez mais estreita entre segurança energética, segurança alimentar e inflação. "O novo normal vai além do Estreito de Ormuz. Existem duas áreas do mundo que estão passando por processos complicados e que levam a esse cenário", diz. Rússia e Oriente Médio são regiões estratégicas para a oferta global de energia e fertilizantes — com papel relevante na produção de petróleo, gás natural e insumos agrícolas. "A briga atual é quem vai mandar no Estreito de Ormuz. Enquanto isso não for resolvido — o que acredito que irá demorar — vamos viver períodos mais tensos e menos tensos", acrescenta. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1 Pedra no sapato de Trump A volatilidade do petróleo representa um desafio adicional para Donald Trump, que tem defendido preços mais baixos de energia como forma de estimular a economia americana e conter a inflação. Nos EUA, uma alta do barril tende a chegar rapidamente aos combustíveis, já que o governo não controla os preços da gasolina — diferentemente do que ocorre no Brasil, onde a Petrobras tem papel relevante na formação dos preços. Para Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o Irã identificou justamente esse ponto de vulnerabilidade dos EUA: o impacto da energia sobre a economia e o consumidor. Ele avalia que, ao usar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão, Teerã atinge diretamente um tema sensível para Trump. "O Irã ganhou a guerra justamente porque entendeu que o Estreito de Ormuz fechado faria com que o preço do petróleo e dos combustíveis subisse nos EUA. Isso afeta o eleitor, atingindo até mesmo a base 'MAGA' do presidente Trump", afirma. Os preços da gasolina já voltaram a subir nos EUA diante da nova escalada das tensões na região. Segundo a associação automobilística AAA, a média nacional do combustível chegou a US$ 3,84 por galão em 9 de julho, alta de 5 centavos em um dia — embora ainda abaixo do pico de US$ 4,56 registrado em maio. O movimento aumenta a preocupação da Casa Branca com a proximidade das eleições de meio de mandato (midterms), em novembro. Além de governadores, os americanos vão escolher as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso. O que esperar à frente Adriano Pires, do CBIE, avalia que um petróleo acima de US$ 90 por barril seria um problema político para Trump às vésperas das eleições. Por isso, o presidente americano deve tentar evitar que os preços ultrapassem esse nível para reduzir impactos sobre os combustíveis e a inflação. "Até novembro, acho que não vai ter petróleo acima de US$ 90. Sabemos que terá eleição americana, e petróleo muito caro aumenta o preço da gasolina e dos derivados nos EUA", afirma. No auge da crise do petróleo causada pelas tensões no Estreito de Ormuz, entre março e abril, a commodity chegou a encostar nos US$ 120 por barril. Do ponto de vista do mercado, o especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a previsão é de adaptação. "A tendência é o mercado se adaptar a essa nova realidade, diversificar fornecedores e buscar contratos mais flexíveis para tentar até fugir de Ormuz enquanto a situação não se estabiliza", conclui.

É comum ver caminhões transportando laranjas nas estradas do cinturão citrícola no interior de SP Fábio Tito/g1 O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta segunda-feira (13) que os senadores trabalham para construir um acordo para votar ainda nesta semana a medida provisória (MP) que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário. Randolfe indicou que o Senado vai manter a obrigatoriedade de um piso, como já consta na lei, mas sem definir o valor desse mínimo. Nas votações anteriores, na comissão criada para discutir a MP e no plenário da Câmara dos Deputados, parlamentares estipularam um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que percorrem longas distâncias. Segundo o líder, o trecho será retirado durante a votação no plenário do Senado, prevista entre terça (14) e quarta-feira (15). Randolfe afirmou que a mudança será considerada uma supressão, e não uma alteração do texto. Com isso, a proposta não precisaria retornar à Câmara para nova votação. Embora esteja em vigor desde março, a MP depende da aprovação do Congresso para se tornar lei em definitivo. Caso não seja analisada até quinta-feira (16), o texto perderá a validade. Quando foi publicada, em março, em meio à guerra no Oriente Médio, o principal objetivo da MP era reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete para que os valores refletissem os custos reais da operação de transporte, como diesel e pedágio. LEIA TAMBÉM: Em 2026, ANTT aplicou mais de R$ 354 milhões em multas por não pagamento do preço mínimo da tabela de frete Cálculo piso A MP endurece as punições para empresas que não pagarem o piso, que hoje é calculado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 🚚Criada em 2018, a política de preços mínimos do frete surgiu como uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve nacional daquele ano. Ela determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%, para baixo ou para cima. O mecanismo ficou conhecido à época como gatilho. "Há acordo de manutenção do piso e a gente faz um ajuste relativo ao valor, mesmo porque a jurisprudência do STF diz que não cabe a deliberação de [um valor de] piso por parte do Congresso. Então, há um acordo com os caminhoneiros. Podemos ter o piso, mas sem estabelecimento do valor", disse Randolfe. Randolfe e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), se reuniram com membros da oposição nesta segunda. Também participaram do encontro a líder do PP, Tereza Cristina (MS), e o senador Jaime Bagattoli (PL-RO). A líder do PP expôs, após o encontro, que majorar um valor para o piso, no caso dos R$ 5 mil, é uma "matéria estranha" à MP. De acordo com ela, os parlamentares conseguiram um "bom avanço". "Estamos fazendo negociação para que ela possa avançar e não caduque. Se houver acordo, não apresentaremos emendas", disse. Agora no g1 Vetos Lula Randolfe afirmou ainda que "certamente" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai vetar a anistia de multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022, no contexto da tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, incluída no texto durante a tramitação na Câmara. Isso porque se o senadores cogitarem alterar o conteúdo, a medida terá de passar por nova rodada de votação na Câmara. Randolfe explicou que não há "tempo hábil" para isso. Interlocutores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), explicaram que, se o acordo for fechado, ele pautará a medida. Argumentos a favor e contra a MP O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, explica que a visão dos caminhoneiros é de que a intensificação da guerra entre EUA e Irã afeta os caminhoneiros e a população. Representantes de empresas que contratam o transporte de mercadorias, como indústrias, produtores rurais e o comércio, são contrários ao texto. O Instituto Livre Mercado e o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), por exemplo, dizem que qualquer aumento estrutural de custo logístico pode encarecer o preço de produtos para o consumidor final.

Emoji de cara distorcida Reprodução O emoji da "cara distorcida" é o mais popular entre os símbolos liberados na atualização mais recente, de setembro de 2025. O levantamento foi feito pelo Emojipedia, site que reúne informações sobre os ícones usados em plataformas como redes sociais e aplicativos de mensagens. Ele é seguido pelos emojis da baleia orca e de nuvem de briga, também de 2025. O levantamento leva em conta o número de vezes que eles foram copiados por usuários nos sites Emojipedia e GetEmoji, que servem de referência para buscar símbolos e usá-los em outros locais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O emoji de cara distorcida foi consultado mais de 336 mil vezes, valor expressivo para símbolo liberado há relativamente pouco tempo. Mas ícones populares têm números muito maiores: o coração vermelho (❤️) é o mais famoso e foi usado 8 milhões de vezes nos sites, enquanto o de risada (😂) foi usado em mais de 3,8 milhões de vezes. Agora no g1 O novo emoji é descrito como "um rosto sorridente com olhos grandes e esbugalhados olhando para cima, como se estivesse distorcido ou deformado". Segundo o Emojipedia, ele costuma ser usado para representar "choque, espanto ou angústia, como um recurso visual comum em animes e mangás", mas também pode servir para representar literalmente um rosto inflado ou esmagado. A aparência costuma ter pequenas variações de acordo com o aplicativo, mas o símbolo já está disponível nos serviços mais populares. Emojis mais populares entre os ícones liberados na última atualização, em 2025 Reprodução/Emojipedia

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais as tarifas impostas por Donald Trump a parceiros comerciais do país, o governo americano passou a devolver valores arrecadados de empresas que pagaram tarifas extras sobre produtos importados desde abril de 2025, quando o tarifaço foi anunciado. Segundo os dados do relatório de contas públicas divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Departamento do Tesouro dos EUA, foram reembolsados cerca de US$ 81 bilhões desde outubro de 2025, início do ano fiscal americano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No mesmo período do ano anterior, outros reembolsos do governo somaram apenas US$ 5 bilhões. Segundo o Tesouro, o aumento agora ocorreu "quase inteiramente" por causa da decisão da Suprema Corte, com os pagamentos concentrados principalmente nos meses de maio e junho. Em junho, inclusive, o governo arrecadou US$ 23,6 bilhões com tarifas, mas devolveu US$ 49,2 bilhões a importadores. Na prática, houve uma saída líquida de US$ 25,6 bilhões relacionada às tarifas no mês. Segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model, o governo Trump pode ser obrigado a devolver algo em torno de US$ 175 bilhões em tarifas. Agora no g1 Por que as tarifas estão sendo devolvidas? O presidente americano defendia as sobretaxas como uma forma de proteger a indústria, estimular a produção interna e ampliar a arrecadação do governo. Em fevereiro, porém, a Suprema Corte dos EUA derrubou as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025. O tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA. Segundo a Corte, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump para justificar o tarifaço, não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Desde então, o governo foi obrigado a reembolsar as empresas importadoras que haviam pago tarifas adicionais com base na IEEPA. No mesmo dia, Trump informou que usaria um novo instrumento legal para manter taxas contra produtos importados. Desta vez, utilizou a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que lhe permite impor sanções temporárias, para estabelecer uma nova tarifa de 10% com validade de 150 dias. Exportações Jornal Nacional/ Reprodução Déficit dos EUA chega a US$ 1,367 trilhão no ano fiscal A enorme devolução de tarifas ajudou a agravar o déficit orçamentário dos EUA em junho para US$ 120 bilhões. Um ano antes, o país havia tido um superávit de US$ 27 bilhões. No acumulado do ano fiscal, iniciado em outubro, o déficit americano alcançou US$ 1,367 trilhão, alta de 2% na comparação com o mesmo período anterior. A arrecadação total subiu 4% no período, para US$ 4,151 trilhões, mas as despesas cresceram em ritmo maior, chegando a US$ 5,518 trilhões. Além dos reembolsos das tarifas, o pagamento de juros da dívida pública também pressionou as contas. Os gastos com juros ultrapassaram US$ 1 trilhão no período, alta de 14%. * Com informações de Reuters e AFP

Em semana decisiva sobre novas taxas dos EUA, Lula diz não acreditar em tarifaço O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que "não vai ter tarifaço" ao ser questionado sobre a preocupação com um possível aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A fala ocorre em uma semana decisiva para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa é que a Casa Branca anuncie até quarta-feira (15) se colocará em prática novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada ao repórter João Mota, da TV Vanguarda, na saída de um evento de lançamento de uma turbina movida a etanol, em São José dos Campos, no interior de SP (leia mais abaixo). Lula não concedeu entrevista coletiva e respondeu apenas à pergunta durante a caminhada até a saída do local. O governo brasileiro informou que aguarda a decisão para definir uma eventual resposta à confirmação das novas tarifas e trabalha como cenário mais provável a confirmação das novas tarifas. A hipótese foi reforçada após a declaração recente do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, de que os dois países ainda estão distantes de um acordo. No entanto, negociadores brasileiros avaliam que, neste cenário, existe a possibilidade de o Departamento de Estado norte-americano incluir um anexo modificado na decisão sobre os 25%, aumentando a lista de exceções ao tarifaço, por exemplo. O governo brasileiro também aguarda ser chamado para uma última reunião virtual até quarta-feira (15) com Jamieson Greer. A expectativa é que haja uma prévia da decisão nessa reunião. Presidente Lula cumpriu agenda em São José dos Campos na tarde desta segunda (13). Reprodução/TV Vanguarda Turbina movida a etanol A declaração foi dada durante visita ao Campus do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), onde Lula conheceu a primeira unidade brasileira de geração de energia elétrica equipada com uma turbina a gás totalmente desenvolvida no país e abastecida com etanol hidratado. A tecnologia, criada por pesquisadores brasileiros, busca ampliar o uso do biocombustível na geração de energia e em aplicações como operações militares, regiões isoladas e sistemas de emergência. Durante discurso no evento, Lula defendeu o fortalecimento da indústria de defesa e afirmou que o Brasil precisa investir nas Forças Armadas para garantir a soberania nacional. O presidente também destacou que o país deve agregar valor aos minerais estratégicos, como as terras raras, e disse que quem quiser explorar esses recursos no Brasil terá de realizar o processamento no país, e não apenas exportar a matéria-prima. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Os investidores da SpaceX estão oscilando entre dois sentimentos distintos um mês depois que a empresa abriu seu capital na bolsa de valores nos EUA: euforia e preocupação. Quando as ações da empresa, cofundada e liderada por Elon Musk, ficaram disponíveis para compra por pessoas físicas no mercado de ações em 12 de junho, houve um frenesi entre os investidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Embora a empresa tivesse decidido precificar suas ações em US$ 135 cada, o preço subiu imediatamente para US$ 150 no primeiro dia, chegando a US$ 176, antes de fechar em US$ 160,95. Isso consolidou a SpaceX como a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de todos os tempos. Na semana seguinte, suas ações subiram ainda mais, atingindo uma alta intradiária (cotação máxima num dia) de US$ 225, ultrapassando a Amazon e a Microsoft em valor de mercado total. "No caso de Elon Musk, qualquer empresa na qual ele esteja envolvido gera entusiasmo", disse Keith Snyder, analista da empresa de pesquisa de investimentos CFRA. "Mas esta também foi a primeira vez que as pessoas sentiram que podiam investir em algo que estava sendo comercializado como um negócio ligado à inteligência artificial (IA)." Willy Lee, investidor da Neosteller, empresa que facilita a aplicação de capital por investidores individuais em empresas privadas, concorda que o entusiasmo em torno do IPO estava muito ligado à IA. "Todos viam a SpaceX como um caso de inteligência artificial", disse ele. No início deste ano, a SpaceX adquiriu a xAI, startup de IA de Musk, recentemente rebatizada como SpaceXAI e mais conhecida pelo polêmico chatbot Grok. Além disso, a empresa começou a alugar capacidade de data center para outras companhias de tecnologia. Mas seu principal negócio é a fabricação e o lançamento de foguetes e satélites de telecomunicações chamados de Starlink. Quando a Starlink anunciou que estava reduzindo os preços na região de Memphis, no Estado americano do Tennessee, em meio a preocupações locais com um enorme projeto de data center, as ações da SpaceX caíram 8% no mesmo dia. À medida que foi se descobrindo como a SpaceX gera sua receita, as ações da empresa começaram a cair. Em meio a algumas semanas turbulentas para as ações de empresas de tecnologia, a SpaceX sofreu um impacto especialmente forte. Quando foi adicionada ao índice da bolsa Nasdaq100 em 7 de julho, por exemplo, as ações da SpaceX caíram 4,4% (contra uma queda geral de 1,7% do índice). Uma inclusão anterior no índice FTSE Russell havia dado um leve impulso às ações. A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário da BBC. Ao final do primeiro mês de negociação, as ações da SpaceX estavam sendo negociadas a cerca de US$ 145 cada, aproximadamente 18% a menos que a máxima do primeiro dia de negociação e 35% abaixo do pico atingido. Elon Musk BBC News Leia também: SpaceXAI lança sua IA mais poderosa e promete mais economia para usuários 'Definitivamente afundando' Essa queda no preço significa que os investidores de varejo que compraram ações da SpaceX durante os primeiros cinco dias de negociação podem sofrer uma perda em seu investimento. "Se você comprou logo no primeiro lote, com certeza está no prejuízo", disse Snyder. "Começou a parecer muito com uma meme stock (ou ação de meme)'", completou o especialista, se referindo aos papéis negociados em bolsa que viralizam na internet, impulsionados por campanhas nas redes sociais em vez de fundamentos financeiros. Snyder cita como exemplos as ações da loja de jogos GameStop e da rede de lanchonetes Wendy's, onde investidores de varejo impulsionaram o preço das ações apenas por meio de memes de internet. Ele prevê que as ações da SpaceX cairão ainda mais, para cerca de US$ 115, com base no desempenho da empresa. Isso avaliaria a empresa em cerca de US$ 1,5 trilhão. Samuel Kerr, analista de mercados da Mergermarket, observa que as oscilações no preço das ações até o momento têm impactos distintos em diferentes investidores. "Se você é um investidor de IPO, está tudo bem", disse Kerr, referindo-se a grupos de investidores que conseguiram comprar ações da SpaceX ao preço de listagem proposto pela empresa, de US$ 135, ou que tinham participação acionária na empresa antes da negociação em bolsa. "Mas se você comprou nos primeiros dias, provavelmente não está muito feliz agora." Já Musk vem demonstrando entusiasmo pelas perspectivas de negócios da SpaceX. Após a abertura de capital da empresa, que o tornou o primeiro trilionário do mundo, Musk afirmou que a SpaceX faturaria US$ 1 trilhão por ano até 2030. Ele também demonstrou estar disposto a usar as ações da SpaceX, e sua volatilidade, como moeda. Quando o preço das ações disparou em 16 de junho, a SpaceX anunciou a aquisição da Cursor, uma startup que criou um robô de IA para escrever código de computador, em um negócio avaliado em US$ 60 bilhões. Ao fazer isso, Musk essencialmente comprou a Cursor de graça, dado o quanto as ações da SpaceX haviam se valorizado naquele exato momento. "Isso demonstrou um nível de sofisticação de mercado que quase nenhum outro emissor [de ações] possui", disse Kerr sobre a aquisição da Cursor. As ações da SpaceX caíram desde então. Atenção aos lucros O Morgan Stanley, que foi um dos principais bancos a operar o IPO da SpaceX, parece acreditar que a queda será apenas temporária. Na semana passada, a empresa estabeleceu um preço-alvo de US$ 300 para as ações, um aumento de 33% em relação ao seu preço máximo de negociação até o momento. Atualmente, a SpaceX opera com prejuízo e, no ano passado, obteve uma receita de US$ 18 bilhões, de acordo com as demonstrações financeiras exigidas para sua abertura de capital. A receita projetada por Musk, de US$ 1 trilhão, é aproximadamente 55 vezes maior. Neste momento, cresce a expectativa em torno do primeiro balanço público de resultados da empresa. A SpaceX ainda não anunciou uma data para isso, mas analistas financeiros esperam que aconteça no início de agosto. Os resultados da empresa provavelmente coincidirão com o fim do chamado período de "bloqueio", quando os funcionários da SpaceX que estavam proibidos de vender as ações da empresa recebidas como parte de sua remuneração poderão transferi-las para o mercado aberto. Mais ações à venda, além de uma explicação potencialmente mais detalhada sobre os negócios da SpaceX e seu crescimento futuro, podem gerar oscilações ainda mais drásticas no preço. "Se a SpaceX conseguir fazer tudo o que diz que fará, sim, os investidores estarão diante da empresa mais valiosa de todos os tempos", disse Kerr. "Mas ainda há muito trabalho a fazer para chegar lá." Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês). Leia também: Vendas globais de smartphones caem ao menor nível em 13 anos após escassez de chips de memória Ministério decide notificar Apple e Google por oferta irregular de aplicativos de apostas Startup brasileira cria ‘cérebro’ com IA para deixar robôs mais inteligentes

Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Uma juíza federal dos EUA anulou nesta segunda-feira (13) o acordo entre o presidente Donald Trump e a Receita Federal dos EUA (IRS, na sigla em inglês) que concedia a ele e suas empresas amplas proteções fiscais. Pelo acordo firmado em maio, o IRS seria obrigado a pedir desculpas a Trump e ficaria proibido de prosseguir com auditorias e possíveis cobranças de impostos ligadas a investigações já abertas contra o presidente, familiares e empresas dele. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A juíza distrital dos EUA em Miami Kathleen Williams acusou Trump de manipular o sistema judiciário ao processar uma agência federal sob seu próprio controle, contornando a exigência de que as partes em um processo tenham interesses conflitantes e preparando o terreno para um acordo. Williams concluiu que Trump e a Receita Federal, que ele supervisiona como presidente, não eram verdadeiramente adversários, como exige a Constituição dos EUA em processos cíveis. O acordo firmado entre Trump e o IRS também envolvia a criação de um fundo bilionário para reparar supostas "vítimas da instrumentalização do governo", que críticos apontam como uma forma de o republicano canalizar fundos do governo a seus apoiadores condenados por invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Posteriormente, a ideia da criação do fundo foi abandonada. Agora no g1 "Esta ação nunca teve como objetivo uma das partes buscar a resolução judicial de uma questão legal ou de uma disputa factual", escreveu Williams. A juíza afirmou que, em vez disso, tratava-se de uma tentativa de "dar alguma legitimidade a um acordo para conferir imunidade a pessoas e entidades ligadas ao presidente e destinar bilhões de dólares dos contribuintes americanos para reparar danos não definidos em lei". A ordem judicial de Williams impede que qualquer uma das partes envolvidas no caso, incluindo Trump, seus filhos adultos e sua empresa homônima, se refira ao acordo ou cite quaisquer de seus termos em futuros processos judiciais. Sede do IRS, a Receita Federal dos EUA Photographs in the Carol M. Highsmith Archive/Bilblioteca do Congresso dos EUA Essa medida pode anular a parte do acordo que impede o IRS de realizar auditorias em reivindicações fiscais passadas envolvendo Trump ou suas empresas. O procurador-geral interino, Todd Blanche, já informou ao Congresso que o plano de um fundo de quase US$ 1,8 bilhão para indenizar vítimas da "instrumentalização" e da "guerra jurídica" do governo — termos que Trump usa há tempos para descrever processos judiciais contra ele e seus aliados — não prosseguirá. Pedido de US$ 10 bi Trump processou o IRS em janeiro, acusando a agência de não ter feito o suficiente para impedir o vazamento de suas declarações de imposto de renda durante seu primeiro mandato e inicialmente buscando US$ 10 bilhões (R$ 51,5 bilhões, na cotação atual). O acordo intermediado em maio entre os advogados pessoais de Trump e altos funcionários do Departamento de Justiça levou Trump a desistir do processo em troca de amplas proteções fiscais e da criação do "fundo de instrumentalização". O acordo foi alvo de duras críticas por parte de diversos setores, incluindo alguns parlamentares republicanos, que acusaram o governo Trump de agir em benefício próprio e de desviar dinheiro dos contribuintes para aliados políticos. Um porta-voz da equipe jurídica de Trump não comentou diretamente a decisão do tribunal, mas reiterou as alegações de que os registros fiscais de Trump foram vazados indevidamente e afirmou que o presidente "continua responsabilizando aqueles que prejudicam a América e os americanos". Um porta-voz do Departamento de Justiça não respondeu de imediato a um pedido de comentário da agência Reuters.

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025 Reuters/Ann Wang As remessas globais de smartphones caíram 11% no segundo trimestre, para o menor nível desde 2013, devido à prolongada escassez de chips de memória, que elevou os preços dos aparelhos e reduziu a demanda, segundo estimativas preliminares da Counterpoint Research. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Apple contrariou a tendência com um aumento de 3% nas remessas, elevando sua participação no mercado global para um recorde de 20% no trimestre, devido à demanda resiliente por sua linha premium de iPhones e à manutenção dos preços. No entanto, analistas preveem aumentos de preços nos próximos meses. A Samsung recuperou a liderança com uma participação de 24%, beneficiando-se das fortes vendas de sua linha principal Galaxy S26, melhor disponibilidade de produtos e menos aumentos de preços em mercados como a Índia e o Oriente Médio. Agora no g1 A Xiaomi, a Oppo e a Vivo, porém, registraram as maiores quedas nas remessas entre os cinco maiores fabricantes de smartphones, refletindo sua maior exposição a dispositivos de entrada e intermediários. A Counterpoint manteve a previsão de queda de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones este ano e afirmou que a escassez de memória provavelmente persistirá até 2027. Os preços da memória continuaram a subir, uma vez que os fornecedores priorizaram os clientes de data centers com foco em IA em detrimento dos eletrônicos de consumo, forçando os fabricantes a repassar os custos mais altos dos componentes aos consumidores por meio de aumentos de preços, principalmente para dispositivos de entrada e intermediários.

O Ministério da Justiça (MJ) decidiu notificar a Apple e o Google por manterem em suas lojas virtuais aplicativos de apostas em desacordo com a legislação brasileira. A medida, contudo, não representa punição contra as duas empresas. Segundo ofícios aos quais a TV Globo teve acesso — assinados pelo secretário nacional de Direitos Digitais do ministério, Victor Oliveira Fernandes, e pelo secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita — nessas lojas estão disponíveis aplicativos de apostas sem autorização para operar e que não possuem mecanismo de verificação etária. ➡️No Brasil, sites e aplicativos de apostas precisam de autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operarem. Além disso, a legislação proíbe o acesso de menores de 18 anos às chamadas “bets”. E para evitar esse acesso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca) Digital estabelece que os aplicativos de apostas devem dispor de mecanismo de verificação etária (leia mais abaixo). Agora no g1 🔎O ECA Digital é a lei que atualiza a proteção de crianças e adolescentes na internet. Em vigor desde março de 2026, a norma estabelece regras para redes sociais, jogos, aplicativos e outras plataformas digitais, com o objetivo de aumentar a segurança online de menores de idade. Apple e Google Reuters/Mike Segar/Andrew Kelly Primeira notificação Os ofícios mostram que o Ministério da Justiça notificou Apple e Google pela primeira vez em abril passado. Esses mesmos documentos apontam que a medida foi tomada após monitoramento de rotina feito por técnico da pasta. Os profissionais identificaram, nessas lojas, a presença de “inúmeros aplicativos que promoveriam, ofertariam ou viabilizariam o acesso a apostas de quota fixa e a outras modalidades lotéricas sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), os quais permaneceriam disponíveis para download e instalação sem controle etário efetivo.” Naqueles ofícios, o ministério ainda pediu informações sobre a política das duas empresas para os aplicativos de apostas, além dos mecanismos de triagem usados por elas para identificar se esses aplicativos cumpriam a legislação. Já os novos ofícios apontam que o ministério realizou, no dia 29 de junho, novo levantamento nas lojas virtuais e constatou que ambas continuavam oferecendo acesso a aplicativos em desacordo com a lei. Esses novos ofícios pedem informações adicionais a Apple e Google, como sobre os mecanismos adotados por elas para assegurar que menores de 18 anos não tenham acesso a conteúdo inadequado. Questionado, a empresa Google afirmou que não comenta notificações sobre casos legais em andamento. "Sobre a plataforma, o Google Play possui políticas claras para a oferta de aplicativos de jogos de azar com dinheiro real, jogos e concursos. Todos os desenvolvedores na plataforma estão sujeitos às políticas da loja e, caso seja identificada qualquer violação a essas diretrizes, os aplicativos estão sujeitos a medidas corretivas, o que inclui a remoção ou a suspensão do app e até mesmo o encerramento da conta do desenvolvedor", acrescentou, em nota. Já a Apple não respondeu aos contatos até a última atualização desta reportagem.

Lula diz que Trump vai praticar 'pirataria' se cobrar taxa sobre cargas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que o presidente Donald Trump vai praticar "pirataria" caso os Estados Unidos tomem o controle do Estreito de Ormuz e passem a cobrar 20% de taxa sobre cargas transportadas por embarcações que passam pelo local. A fala do petista é uma reação a declarações feitas pelo norte-americano, mais cedo nesta segunda, quando Trump comentou sobre a volta dos conflitos com o Irã. Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump disse que os EUA serão "os guardiões do estreito" e que deveriam ser "reembolsados" caso liberem a via marítima. E, na Truth Social, rede do presidente estadunidense, ele falou sobre a taxa que pretende instituir. Durante visita a laboratórios no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Lula comentou as declarações do norte-americano. "Hoje, tem um tuíte de Trump dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, dizendo que vai desobstruir, mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele", introduziu Lula. "Antigamente, isso se chamava pirataria, um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata, não tem que cobrar, é da responsabilidade deles, não estava fechado, não foi o Brasil que inventou a guerra, foi ele [Trump] que inventou a guerra", completou. Ainda sobre a afirmação de Trump, o petista classificou "anormal" alguém querer "ganhar dinheiro em cima da desgraça". "É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e agora começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele, não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório. É uma coisa anormal, alguém aproveitar a desgraça pra ganhar dinheiro as custas da desgraça", declarou o presidente brasileiro. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. Ao comentar o conflito, Lula criticou o fato de países que não participam diretamente do conflito sofrerem os impactos econômicos, como a alta no preço dos alimentos. "O Brasil deu algum tiro? Não. Matou alguém? Não. Não podemos aceitar que a guerra contra o Irã, inventada pelos EUA, dizendo que o Irã queria fazer arma nuclear – o que posso dizer que é mentira – o preço da guerra está chegando no feijão, no arroz, no tomate" declarou. No evento desta segunda, Lula também defendeu a produção nacional de biodiesel, afirmando que não vai cobrar alíquotas extras de países estrangeiros que quiserem comprar o combustível. "Não vamos cobrar nada, só o preço justo do biodiesel que estamos produzindo", concluiu Lula. O presidente Lula durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo Reprodução/Lula Questão de 'Justiça', afirmou Trump A fala de Trump nesta segunda contrasta com declarações feitas por ele em junho, dizendo que não haveria cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. "O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu na Truth Social. "Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou Trump. Irã responde A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" de Ormuz. "O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã". Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images

Paramount faz oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner A Califórnia e outros 11 estados americanos estão processando a tentativa de aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 565,4 bilhões), para impedir que o negócio avance. As autoridades alegam que a operação reduziria a concorrência na distribuição de filmes e na televisão por assinatura, prejudicando cinemas e empresas de TV paga. Segundo o procurador-geral da Califórnia, os Estados pediram à Paramount que não conclua a fusão até o término da ação. Ela representa uma ameaça significativa à proposta do CEO da Paramount, David Ellison, de transformar a empresa em uma grande concorrente de gigantes como Netflix e Disney. “Com este processo, a Califórnia e nossos estados parceiros estão lutando por mercados livres e justos, e não por mercados manipulados. Os Estados Unidos não têm reis no governo nem na economia”, afirmou Bonta em comunicado. Segundo os estados, caso a operação seja aprovada, a Paramount passaria a controlar 27% do mercado de distribuição de filmes exibidos nos cinemas americanos, 30% da distribuição de grandes produções cinematográficas e 27% do mercado de canais básicos de TV a cabo. A decisão sobre as alegações dos estados provavelmente levará meses, provocando um atraso que pode gerar centenas de milhões de dólares em custos adicionais para a Paramount. Já a própria Paramount afirma que a ação "distorce a jurisprudência consolidada em matéria antitruste e baseia-se em uma representação equivocada da concorrência na indústria do entretenimento atual" Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters Atores e roteiristas também são contra O acordo provocou reação negativa de atores, roteiristas e outros profissionais da indústria, que temem impactos sobre empregos. Donos de cinemas também se posicionaram contra a transação, preocupados que a união entre o estúdio Warner Bros. e a Paramount Pictures resulte em uma redução no número de filmes lançados. A Paramount afirmou que o acordo permitirá aumentar, e não reduzir, sua produção após a empresa cortar US$ 6 bilhões (R$ 5,14 bilhões) em estruturas redundantes, marketing e cargos corporativos. Ellison prometeu que os estúdios de cinema combinados lançarão 30 filmes por ano. Torre de Água da Warner Bros é retratada nos estúdios da Warner Bros, em Burbank, Califórnia, EUA Reuters Justiça americana já aprovou a operação O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já autorizou a operação, afirmando que ela não apresenta problemas relacionados à concorrência. O pai do CEO da Paramount, David Ellison - o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle - mantém relações próximas com o presidente Donald Trump, e a empresa contratou ex-integrantes do governo Trump. A Paramount se comprometeu a pagar cerca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em taxas aos acionistas da Warner Bros. Discovery a cada trimestre caso o acordo não seja concluído antes de outubro. A companhia afirmou que atrasos podem obrigá-la a renegociar o financiamento da operação, gerar incertezas sobre o preço de suas ações ou até mesmo levar ao cancelamento definitivo da transação.

Linha de produção do Fiat Cronos no complexo de Ferreyra, na Argentina Divulgação / Stellantis A Stellantis, dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram, anunciou nesta segunda-feira (13) que entregou quase 1,6 milhão de veículos no segundo trimestre, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho na América do Norte, seu principal mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A recuperação das vendas é considerada peça-chave no plano de reestruturação liderado pelo presidente-executivo, Antonio Filosa. Nos últimos anos, a montadora perdeu participação em mercados estratégicos diante da alta nos preços dos veículos, da aposta mais intensa em modelos elétricos, de problemas de qualidade e da concorrência crescente de fabricantes chineses. Agora no g1 Em maio, Filosa apresentou um novo plano de negócios de 60 bilhões de euros até 2030, que prevê o lançamento de novos modelos, a reorganização do portfólio de marcas e a ampliação de parcerias nas áreas de tecnologia e manufatura. Novos Modelos Impulsionam Na América do Norte, as entregas cresceram 38% no segundo trimestre, alcançando 445 mil unidades. O resultado foi impulsionado pelo lançamento e renovação de modelos como a picape Ram 1500 com motor V8, sua versão de alto desempenho TRX SRT, além dos utilitários Jeep Grand Wagoneer, Grand Cherokee e da minivan Chrysler Pacifica. Segundo a empresa, o desempenho também refletiu os preparativos para a paralisação programada da produção durante o verão no hemisfério norte. Na Europa ampliada, outro mercado estratégico para a Stellantis, as entregas aumentaram 5%, para 762 mil unidades, impulsionadas pelo crescimento do mercado na região. O volume inclui cerca de 33 mil veículos da fabricante chinesa Leapmotor, distribuídos e comercializados pela Stellantis. A demanda na Europa foi puxada principalmente por modelos de entrada, como Citroën C3 e C3 Aircross, Opel Frontera e Fiat Panda. O crescimento registrado na América do Norte e na Europa foi parcialmente compensado pela queda nas entregas no Oriente Médio e na África, afetadas pelo conflito na região, e na América do Sul, onde a retração do mercado argentino pressionou os resultados.

Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos REUTERS/Nathan Frandino A Meta anunciou nesta segunda-feira (13), que seu data center em Richland Parish, no Estado norte-americano de Louisiana, será expandido para 5 gigawatts de capacidade computacional, com o investimento no projeto aumentando para mais de US$50 bilhões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O centro de dados planejado, conhecido como Hyperion, tinha previsão inicial de fornecer mais de 2 gigawatts de capacidade computacional para suportar o treinamento de grandes modelos de linguagem, a tecnologia por trás de ferramentas como o ChatGPT. O anúncio surge num momento em que grupos ambientalistas e de defesa do consumidor pressionam cada vez mais contra a expansão intensiva em energia. O pedido do grupo ambientalista norte-americano Earthjustice para investigar o financiamento do projeto do data center da Meta na Louisiana foi negado no início deste ano. Agora no g1 A Earthjustice afirmou que o acordo de financiamento poderia, em última análise, transferir injustamente os custos do projeto para os clientes da concessionária, caso a Meta abandone o projeto antes que a concessionária recupere seu investimento. No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o projeto do data center da empresa custaria US$50 bilhões. Desde o início das obras em dezembro de 2024, empresas locais da Louisiana receberam mais de US$1,6 bilhão em contratos da Meta, segundo a empresa. Com essa expansão, a empresa afirmou que planeja investir mais de US$1 bilhão em melhorias na infraestrutura local, incluindo estradas, sistemas de água e esgoto. A Meta, assim como suas concorrentes do setor de tecnologia, tem investido bilhões de dólares em data centers de inteligência artificial e poder computacional, visto que a demanda continua superando a oferta. A empresa prometeu investir US$600 bilhões em infraestrutura e empregos nos EUA nos próximos três anos, enquanto constrói enormes data centers para impulsionar as apostas agressivas do presidente-executivo, Mark Zuckerberg, em tecnologias de agentes de IA.

Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT. Michael Dwyer/AP Mais de 200 pesquisadores e economistas, incluindo 15 ganhadores do Prêmio Nobel e pesquisadores da OpenAI, da Anthropic e do Google, apelaram aos governos e aos líderes do setor de tecnologia para que criem, com urgência, políticas e instituições destinadas a lidar com o impacto econômico da inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Eles divulgaram a declaração assinada em conjunto nesta segunda-feira (13), alertando que a IA poderia impulsionar uma transformação econômica maior do que a Revolução Industrial, mas com um prazo “muito mais curto”, o que levanta questões para trabalhadores, empresas e instituições públicas. A declaração pede pesquisas mais aprofundadas sobre os impactos econômicos da IA e o início da elaboração de políticas e instituições necessárias para garantir que a tecnologia beneficie a sociedade e para lidar com riscos como a perda de empregos em grande escala. Agora no g1 “O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptarem. A IA pode nos dar apenas alguns anos”, disse Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia. “Não podemos improvisar nossa estratégia e nossas instituições no meio da transformação; esperar pela certeza significa chegar tarde demais", completou. Korinek, que se juntou à equipe de pesquisa econômica da Anthropic em março, organizou a iniciativa com os pares economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham. Entre os signatários estão a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar; o cientista-chefe do Google DeepMind, Jeff Dean; o cofundador da Anthropic, Jack Clark; e membros da equipe de pesquisa econômica da empresa criadora do chatbot Claude. Os ganhadores do Prêmio Nobel Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, entre outros, também assinaram a declaração.

Bandeiras da União Europeia Stephanie Lecocq/Reuters A União Europeia deseja estabelecer um acesso "progressivo e gradual" para crianças e adolescentes às plataformas digitais, a fim de protegê-los dos riscos, conforme recomendado por especialistas em um relatório publicado nesta segunda-feira (13). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O bloco analisa há meses a possibilidade de estabelecer uma "maioria digital" semelhante à adotada pela Austrália no ano passado. "A infância é um período extraordinário e delicado para o desenvolvimento do cérebro (...). Devemos considerar o acesso progressivo e gradual de diferentes faixas etárias" às redes sociais e outras plataformas digitais que representam riscos para menores, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. "Não se trata de saber se as crianças podem acessar as redes sociais, mas sim se as redes sociais podem acessar nossas crianças e quando", declarou. Agora no g1 A chefe da Comissão especificou que apresentará um projeto de lei "após o verão". Para obter aconselhamento sobre o assunto, Von der Leyen incumbiu um painel de especialistas composto por médicos, acadêmicos, representantes da juventude e pais de elaborar um relatório, cujas recomendações foram apresentadas nesta segunda-feira. Entre elas estão: Zero telas para bebês e crianças pequenas; Proibir o acesso de crianças menores de 13 anos a redes sociais e outros serviços digitais, incluindo assistentes de IA, exceto por períodos limitados sob supervisão dos pais ou em um ambiente educacional; "Uso progressivamente autônomo" das plataformas digitais para jovens de 13 a 18 anos, desde que possuam "recursos de segurança essenciais", como um sistema eficaz de verificação de idade e um design livre de funções viciantes; Os países da UE teriam liberdade para estabelecer proibições nacionais de acesso para além dos 13 anos; Aos 18 anos, os europeus atingiriam a "maioridade digital plena". As plataformas "devem demonstrar que seus serviços não causam danos. Na Europa, quem desenvolve um produto é responsável por sua segurança", afirmou Von der Leyen. "Todo o ecossistema que envolve as crianças precisa mudar. Mas não temos tempo a perder. As crianças e os adolescentes enfrentam graves riscos neste momento", disse Jorg Fegert, um dos copresidentes do painel, ao lado da presidente. Nos últimos meses, a UE intensificou a pressão sobre as plataformas de redes sociais para que levem em consideração o bem-estar físico e mental de seus usuários. Na sexta-feira, Bruxelas ordenou que o Facebook e o Instagram modificassem suas funções "viciantes", sob pena de multas pesadas, seguindo um alerta semelhante feito ao TikTok em fevereiro. A favor de um design seguro Um número crescente de Estados-membros da UE - França, Espanha, Grécia, Dinamarca, Áustria e Suécia - adotou ou considera adotar restrições ao acesso de crianças às redes sociais. No entanto, a questão gera controvérsias dentro do bloco, com países que se opõem às proibições, como a Estônia, enquanto outros guardam silêncio. Implementar tais medidas no bloco evitaria uma colcha de retalhos de regulamentações nacionais e seria mais fácil de aplicar nas plataformas, cuja regulamentação já é, em grande parte, da responsabilidade de Bruxelas em coordenação com os 27 Estados-membros. Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, irá "examinar as propostas nacionais com muita atenção". O bloco "integrará" esse trabalho, assegurou ela, e então desenvolverá sua própria proposta para "harmonizar a abordagem e encontrar uma solução comum". A União Europeia já possui um arsenal reforçado para controlar as gigantes da tecnologia e proteger os usuários digitais, mas Bruxelas anunciou que prepara novas normas. O chefe da proteção do consumidor da UE, o comissário Michael McGrath, prometeu que uma nova lei, prevista para o final deste ano, oferecerá às crianças maior proteção contra designs viciantes. "Os mercados digitais são projetados para capturar a atenção e influenciar o comportamento. As novas normas ajudarão a garantir que os consumidores possam tomar decisões informadas e livres de manipulação", disse McGrath à AFP.