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g1 > Economia

SpaceX já gastou US$ 15 bilhões para viabilizar foguete reutilizável

Vídeos em alta no g1 A SpaceX já gastou mais de US$ 15 bilhões no desenvolvimento do foguete Starship, segundo documento da empresa analisado pela Reuters. O valor é superior ao investimento feito no Falcon 9, hoje o principal veículo da companhia, e reflete quase uma década de esforços para criar um sistema de lançamento que possa ser reutilizado diversas vezes. O projeto é central para o futuro dos negócios mais rentáveis da empresa de Elon Musk, que se prepara para chegar ao mercado com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Starship foi projetada para lançar maiores volumes de satélites da rede Starlink, transportar humanos à Lua e a Marte e, no longo prazo, colocar em órbita estruturas voltadas à computação para inteligência artificial, como alternativa a centros de dados na Terra. O investimento de US$ 15 bilhões, ainda não divulgado anteriormente, supera com ampla margem os cerca de US$ 400 milhões gastos no desenvolvimento do Falcon 9, considerado hoje o foguete mais utilizado no mundo. Esse modelo foi fundamental para a liderança comercial da SpaceX, ao permitir lançamentos frequentes da Starlink e consolidar vantagem sobre concorrentes. “Continuamos investindo de forma significativa para ampliar nossa liderança, buscando reutilização total e rápida em larga escala, incluindo mais de US$ 15 bilhões em nosso foguete de nova geração, Starship”, afirmou a empresa em seu registro confidencial. A SpaceX pretende iniciar o lançamento da nova geração de satélites Starlink, chamada V3, no segundo semestre de 2026. A expectativa é que isso ocorra com a Starship, que pode transportar até 60 satélites por voo — um número bem superior aos cerca de 24 levados atualmente pelo Falcon 9. Esse ganho de capacidade ajuda a explicar por que o desempenho da Starship é considerado decisivo para a expansão da Starlink. Quanto mais satélites forem lançados por missão, menor tende a ser o custo por unidade colocada em órbita. Hoje, o programa concentra a maior parte dos investimentos da empresa. Em 2025, a SpaceX destinou US$ 3 bilhões à pesquisa e desenvolvimento em seu segmento espacial, valor totalmente voltado à Starship — um aumento relevante em relação aos US$ 1,8 bilhão registrados no ano anterior. Falhas em testes Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship. Os resultados incluem avanços importantes, mas também episódios de falha que exigiram ajustes no projeto. Um dos marcos mais relevantes foi a captura do propulsor Super Heavy com braços mecânicos durante o retorno à Terra, um passo importante para tornar o sistema reutilizável. Mesmo com esse progresso, a empresa reconhece que ainda há desafios antes de atingir a meta de realizar milhares de lançamentos por ano. Esse volume seria necessário para viabilizar planos mais ambiciosos, como a colocação em órbita de grandes estruturas voltadas à inteligência artificial. “Eles estão muito perto”, disse Chris Quilty, presidente da consultoria Quilty Space. “Mas ainda não sabemos se conseguem fazer isso de forma repetida.” Entre os principais obstáculos está a infraestrutura necessária em terra, que envolve abastecimento de combustível, sistemas de água e proteção para o retorno do foguete à atmosfera. O consumo de recursos também chama atenção: um único lançamento pode exigir o equivalente a 244 caminhões de gás natural e cerca de 1 milhão de galões de água. Outro ponto considerado crítico é o reabastecimento em órbita, etapa ainda não testada que envolve transferir combustível entre veículos no espaço. Essa operação é vista como essencial para missões mais longas, como viagens à Lua ou a Marte. “Esse provavelmente é o último grande desafio”, disse Hans Koenigsmann, ex-vice-presidente da SpaceX. A complexidade aumenta porque o combustível precisa ser mantido em temperaturas extremamente baixas, o que dificulta o armazenamento e a transferência. “Não demonstramos nem testamos o reabastecimento em órbita até agora”, afirmou a empresa. Cidade das estrelas Ao longo da última década, a SpaceX construiu no Texas uma base dedicada ao desenvolvimento da Starship, chamada Starbase. O local foi estruturado para permitir produção em maior escala, com um ritmo mais próximo ao da indústria aeronáutica do que ao padrão tradicional do setor espacial. As falhas registradas durante os testes levaram a centenas de mudanças no projeto do foguete. Segundo especialistas, a Starship representa uma mudança significativa em relação aos modelos anteriores, tanto em tamanho quanto em complexidade. A empresa se prepara agora para um novo voo de teste — o primeiro desde outubro — que deve marcar a estreia do protótipo Starship V3. “A versão 3 é basicamente um projeto totalmente novo”, disse Charlie Cox, diretor de engenharia da Starship. Com diversas melhorias, o modelo foi projetado para voos orbitais, testes mais longos no espaço e missões tripuladas à Lua. Essa etapa é considerada uma das mais desafiadoras do programa Artemis, da NASA, que já destinou ao menos US$ 3 bilhões à SpaceX. “Muita coisa vai depender desse primeiro voo”, afirmou Kent Chojnacki, da NASA. Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025 Divulgação/SpaceX
01/05/2026 10:18:10 +00:00
Petróleo segue acima de US$ 110 enquanto bolsas globais têm desempenho misto

Vídeos em alta no g1 O preço do petróleo se mantém em patamar elevado nesta sexta-feira (1º), em meio às incertezas sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, junto aos seus efeitos sobre a oferta global da commodity. Por volta das 6h30 (horário de Brasília), o barril do Brent — referência internacional — subia 1,48%, sendo negociado a US$ 112,03 por barril, enquanto o petróleo de referência dos Estados Unidos avançava para US$ 105,19. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As dúvidas sobre um acordo para consolidar um cessar-fogo de três semanas persistem, após o líder supremo iraniano afirmar que o país manterá suas capacidades nucleares e de mísseis. O cenário pressiona o governo dos EUA, que avalia alternativas para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Depois da forte alta registrada na véspera, o mercado mostrou sinais de acomodação. Ao longo da quinta-feira, o Brent para entrega em julho chegou a US$ 114,70, recuou para perto de US$ 107 e encerrou o dia em US$ 110,40. Durante o conflito, o pico foi de US$ 119,50, enquanto, antes da guerra, o barril era negociado em torno de US$ 70. (veja mais no gráfico abaixo) Feriado esvazia mercados Com a maioria dos mercados fechados pelo feriado do Dia do Trabalhador, as bolsas globais tiveram movimentação limitada. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 0,6%. Já o Nikkei, no Japão, subiu 0,7%, e o S&P/ASX 200, na Austrália, avançou 0,9%. Nos EUA — onde os mercados operam normalmente nesta quarta-feira, já que o 1º de maio não é feriado no país —, os contratos futuros subiam após uma sessão de recordes na véspera. O S&P 500 avançou 1% e alcançou novo patamar histórico, enquanto o Dow Jones subiu 1,6% e o Nasdaq renovou seu recorde. O movimento foi impulsionado por resultados de grandes empresas. A Alphabet subiu 10% após divulgar lucro acima do esperado, enquanto a Meta caiu 8,7% diante da previsão de aumento de gastos com inteligência artificial. A Microsoft também recuou, após elevar suas estimativas de investimentos. Dados recentes mostram que a economia americana perdeu ritmo no início do ano, enquanto a inflação avançou em março. Ao mesmo tempo, pedidos de seguro-desemprego caíram, indicando menor número de demissões. *Com informações da Associated Press Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. Reuters
01/05/2026 09:23:58 +00:00
Projeto no Pará revoluciona o cultivo de dendê e eleva produção em até 38%; saiba mais

Dendê em sistema agroflorestal: projeto conquista produtores do Pará Um projeto inovador em Tomé-Açu (PA) está mudando a forma de produzir dendê ao apostar em sistemas agroflorestais que imitam a floresta. A iniciativa vem recuperando o solo, aumentando a produtividade em até 38% por planta e ainda atraindo o interesse da indústria de cosméticos (veja reportagem completa no vídeo acima). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O azeite de dendê, muito conhecido por ser ingrediente essencial no acarajé baiano, é hoje o óleo vegetal mais consumido no mundo. Ele está presente em diversos produtos do dia a dia — de alimentos industrializados a cosméticos e até no biodiesel. Apesar disso, a cultura do dendê carrega uma imagem negativa no cenário internacional, principalmente por estar associada ao desmatamento no Sudeste Asiático. De onde vem o que eu como: chocolate No Pará, maior produtor brasileiro, esse cenário começa a mudar. Em Tomé-Açu, produtores estão adotando um modelo mais sustentável, baseado no Sistema Agroflorestal (SAF), que integra o cultivo do dendê com outras espécies. Diferente do monocultivo tradicional, o chamado “SAF Dendê” combina a palmeira com culturas como açaí, cacau e andiroba. A proposta é simples: reproduzir o funcionamento da floresta. Esse modelo diversificado não só melhora o equilíbrio ambiental como também reduz a dependência de insumos externos, tornando a produção mais resiliente e sustentável. Da crise à inovação A vocação agrícola de Tomé-Açu vem de longe, desde a chegada de imigrantes japoneses na década de 1920. Nos anos 1960, a região viveu o auge da produção de pimenta-do-reino, conhecida como “diamante negro”. Porém, o cultivo intensivo em monocultura acabou esgotando o solo, favorecendo o surgimento da fusariose, uma doença causada por fungo que devastou as plantações. Esse episódio levou os produtores a repensarem o modelo de produção. O dendê foi introduzido nos anos 1980, inicialmente também em monocultivo. Mas, com o tempo, os agricultores passaram a incorporar conhecimentos tradicionais da Amazônia, adotando sistemas mais diversificados. Atualmente, os resultados do sistema agroflorestal têm sido são expressivos: produção por planta: no monocultivo, cada planta produz em média 130 kg de cachos por ano; no SAF, esse número chega a 180 kg. recuperação do solo: em cerca de 17 anos, a camada de matéria orgânica aumentou de 5 cm para mais de 30 cm. valor de mercado: o dendê produzido nesse sistema pode alcançar preços entre 15% e 20% superiores ao convencional. Além disso, o próprio sistema passa a fornecer nutrientes naturalmente, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.
01/05/2026 08:01:04 +00:00
Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos; entenda o que está por trás do esgotamento no trabalho

O Brasil enfrenta um agravamento da crise de saúde mental no trabalho, com impacto direto na vida de milhares de profissionais. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos. Em 2025, foram concedidos 7.595 benefícios por incapacidade temporária por esgotamento profissional, contra 823 em 2021 — quase nove vezes mais no período. (veja o comparativo ano a ano abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos Arte g1 O avanço também é observado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). As denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho passaram de 190 para 1.022 entre 2021 e 2025 — aumento de cerca de 438%, ou 832 registros a mais. (confira o comparativo abaixo) No ano passado, o g1 mostrou que o país havia atingido um pico histórico de afastamentos por transtornos mentais em 2024. Em 2025, o cenário não apenas se repete como se intensifica: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por esse tipo de adoecimento. Vídeos em alta no g1 Diante do avanço dos números, o governo federal anunciou uma atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos psicossociais e prevê punições a empresas por práticas que afetem a saúde mental dos trabalhadores. A medida estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, mas, após pressão de entidades empresariais, foi adiada para maio deste ano. Mas por que esse aumento vem acontecendo? O que há por trás do esgotamento no trabalho? Especialistas afirmam que os transtornos mentais são multifatoriais e não têm uma única explicação. Psiquiatras e analistas apontam que vínculos precários, jornadas longas, baixos salários, metas inalcançáveis e pressão constante ajudam a construir um ambiente de trabalho que empurra profissionais para o estresse crônico. A pandemia também deixou marcas profundas. Embora o desemprego e a informalidade tenham recuado, persistem efeitos das mudanças recentes, como a intensificação do ritmo de trabalho e o uso massivo de tecnologias digitais. Além disso, o crescimento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias equivalentes nas condições de trabalho. Soma-se a isso o déficit de auditores fiscais, que limita a fiscalização das relações trabalhistas no país. Nesta reportagem, você ainda vai entender: O que justifica esse aumento? Quem são esses trabalhadores? O que diz a legislação sobre burnout? Atraso na atualização da NR-1 Saúde mental no trabalho: o que mostram os dados Arte g1 O que justifica esse aumento? Para especialistas, os números não indicam apenas uma explosão repentina de novos casos, mas uma combinação de piora real nas condições de trabalho, maior reconhecimento do problema e mudanças na forma de registrar o sofrimento psíquico relacionado ao ambiente profissional. Segundo o psiquiatra Arthur Danila, Coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida (PROMEV) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o aumento deve ser interpretado como resultado de três fenômenos simultâneos. “O trabalho ficou mais acelerado, mais conectado, mais monitorado e mais competitivo. Ao mesmo tempo, passamos a reconhecer melhor que parte do sofrimento mental tem relação direta com o ambiente ocupacional”, afirma. De acordo com o especialista, houve uma piora objetiva das condições psicossociais no trabalho. Muitos profissionais convivem com altas demandas, pressão constante por resultados, insegurança econômica e pouca possibilidade de recuperação entre uma jornada e outra. Outro fator é a chamada jornada expandida invisível. Mesmo fora do horário formal, trabalhadores permanecem conectados por mensagens, e-mails e plataformas digitais, o que dificulta o descanso psicológico. “O trabalhador contemporâneo vive mais conectado, mais monitorado, mais competitivo e com menos previsibilidade. É uma combinação muito tóxica”, explica. Essa permanência em estado de alerta contínuo, segundo Danila, mantém o organismo em modo de ameaça. Segundo ele, esse estado de alerta contínuo compromete a capacidade de recuperação do organismo. “O sono piora, a irritabilidade aumenta, a concentração cai. A fronteira entre trabalho e vida pessoal foi corroída. O descanso existe fisicamente, mas não mentalmente”, diz. Desde 2022, o burnout passou a integrar a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, deixou de ser tratado apenas como “estresse” e passou a ser reconhecido como fenômeno ocupacional ligado ao trabalho. (veja abaixo o que mudou) Isso também ajudou a delimitar melhor o conceito. Diferentemente de uma doença médica isolada, o burnout é definido como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente manejado. O quadro é caracterizado por três dimensões principais: exaustão intensa, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. “Não se trata de usar o termo como rótulo para qualquer sofrimento. É preciso avaliar se os sintomas estão diretamente relacionados ao contexto de trabalho”, afirma o psiquiatra. Para o especialista, há sinais de redução parcial do estigma em relação à saúde mental. Mais trabalhadores procuram ajuda antes de um colapso total, e o tema passou a ser discutido com mais frequência em empresas e instituições. Por outro lado, os quadros chegam aos serviços de saúde com maior complexidade clínica. “Muitos pacientes apresentam insônia persistente, crises de ansiedade, sintomas depressivos e prejuízo significativo na vida pessoal e familiar. O risco é banalizar o burnout, mas é ainda mais grave tratá-lo como fragilidade individual”, diz Danila. Segundo ele, há fortes indícios de que o problema foi subnotificado no passado. Muitos casos eram registrados como depressão, ansiedade ou estresse, sem associação formal com o trabalho. Em outros, o sofrimento sequer chegava aos sistemas oficiais. Havia vergonha em associar adoecimento mental ao trabalho, tanto por parte dos trabalhadores quanto das empresas." Transtornos mentais Otávio Camargo/Arte g1 Quem são esses trabalhadores? A experiência de quem passou pelo burnout ajuda a entender como o problema se desenvolve no cotidiano profissional. É o caso de Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em um banco. Ela começou a perceber sinais de esgotamento após anos lidando com metas rígidas, pressão constante e mudanças sucessivas de equipe. Segundo ela, o ambiente corporativo já era marcado por estresse crônico, mas a situação se agravou quando passou a atuar em uma área com demandas mais urgentes e cobrança diária por resultados. “O trabalho exige que você esteja sempre se provando, aprendendo sozinho e entregando rápido. Isso vai se acumulando”, conta. " "Existe uma pressão muito grande para atingir metas. Elas não podem ser impossíveis, mas também não podem ser fáceis. Isso cria uma cobrança constante, que foge do saudável”, afirma. Com o tempo, o estresse se tornou contínuo. Marcela diz que demorou a perceber a gravidade da situação porque o cansaço havia se tornado parte da rotina. “Aquilo estava tão normalizado que eu achava que era só o meu estado padrão de sobrevivência”, relata. O alerta veio quando pessoas próximas começaram a questionar se ela estava bem. Entre os principais sintomas, ela relata uma alternância entre apatia e picos de ansiedade. “Ou eu não conseguia me importar com nada, ou entrava em pânico. Não tinha meio-termo.” Os sintomas se intensificaram após a retirada gradual de um antidepressivo que ela usava havia anos. Em consulta médica, recebeu a orientação para se afastar temporariamente do trabalho. Pouco tempo depois, acabou sendo demitida sem justa causa. Ela descreve o período como uma mistura de vergonha e alívio. “Foi um baque no ego, mas a sensação de alívio físico foi imediata. Era como se meu corpo entendesse que a pressão tinha acabado.” Hoje, ela busca reorganizar a vida profissional e cuidar da saúde mental. Para Marcela, a experiência deixou um alerta: “Não dá para tratar exaustão como algo normal. Eu precisei parar para perceber isso.” Marcela Moreira, formada em física e com carreira na área de dados em bancos, se afastou do trabalho por burnout Reproduçã/Instagram Outro caso é o da pedagoga e doutoranda Cristine Oittica, com mais de 15 anos de atuação na educação pública. Ela afirma que passou a adoecer mentalmente após ingressar no terceiro setor, em 2022, em uma grande fundação ligada ao sistema financeiro. Contratada como analista educacional, diz que desde o início foi excluída de projetos estruturantes e direcionada a tarefas operacionais, apesar da experiência e da formação acadêmica. “Eu via colegas com o mesmo cargo sendo alocados em projetos, crescendo e sendo promovidos. Eu não tinha projeto, não tinha estado, não tinha lugar”, relata. Segundo Cristine, pedidos de feedback e de desenvolvimento profissional recebiam respostas vagas, sem critérios claros para crescimento. Ao longo de quase quatro anos, ela passou por cinco gestões diferentes, sem um plano formal de desenvolvimento. A falta de reconhecimento gerou um sentimento constante de frustração. “Chegou um momento em que eu pensei: o problema sou eu. Comecei a trabalhar cada vez mais para tentar provar meu valor.” Com o tempo, os impactos passaram a aparecer na saúde. Ela relata insônia severa, crises de ansiedade, exaustão extrema, dificuldade de concentração e isolamento social. Nesse período, descreve jornadas prolongadas, ausência de pausas reais — inclusive em viagens de trabalho — e um ambiente marcado por cobrança velada e competição interna. “A gente batia o ponto, mas nunca parava de trabalhar. O trabalho ocupava o almoço, o jantar, a viagem, a cabeça”, afirma. “Eu trabalhava 12, 14 horas por dia, mesmo fora do expediente. O corpo entra em estado de alerta constante”, completa. Cristine buscou terapia e acompanhamento psiquiátrico e acionou canais internos da empresa para relatar episódios de assédio e discriminação, mas as denúncias, segundo ela, foram consideradas inconclusivas. Entre 2024 e 2025, passou por sucessivos afastamentos médicos. O diagnóstico formal registrado foi de transtorno de ansiedade generalizada — e não burnout, o que, segundo especialistas, pode dificultar o reconhecimento do vínculo entre adoecimento e trabalho. Após retornar de férias, foi demitida no mesmo dia. “A mensagem que ficou é que tudo o que eu fiz não foi suficiente. Isso desmonta a pessoa”, afirma. Hoje, Cristine segue em tratamento e tenta reconstruir a rotina. Para ela, o debate sobre saúde mental no trabalho precisa considerar quem são os trabalhadores que adoecem. O adoecimento tem cor, gênero, classe social. Não é só contratar. É preciso cuidar do que acontece depois. Cristine Reis Oittica, 36 anos, pedagoga e doutoranda, foi demitida após afastamento do trabalho. Arquivo Pessoal O que diz a legislação sobre burnout? A inclusão do burnout na CID-11 aumentou a visibilidade do problema, mas não alterou automaticamente o enquadramento jurídico no Brasil. Na prática, o reconhecimento ainda depende da comprovação de que o adoecimento está relacionado ao trabalho. A advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho explica que o impacto é mais interpretativo do que legal. “A entrada do burnout na CID-11 é importante, mas o reconhecimento jurídico depende da prova do nexo causal entre o trabalho e a doença.” Ou seja: o burnout pode ser equiparado a acidente de trabalho quando ficar comprovado de que o adoecimento está ligado ao trabalho. Para comprovar esse vínculo, é necessário reunir elementos como: diagnóstico médico consistente relatórios clínicos eventual afastamento previdenciário perícia médica provas das condições de trabalho, como excesso de jornada, metas abusivas, cobranças desproporcionais, assédio moral, acúmulo de funções e registros (e-mails, ponto, mensagens e testemunhas) O problema, segundo especialistas, é que muitas dessas situações não ficam formalmente registradas — e colegas de trabalho podem ter receio de depor. “A prova muitas vezes depende de testemunhas, e colegas ainda têm receio de se comprometer”, afirma. “Além disso, por se tratar de adoecimento psíquico, há discussão sobre fatores pessoais, o que exige demonstrar que o trabalho foi causa ou, ao menos, concausa relevante”, completa. Segundo a especialista, a Justiça do Trabalho analisa cada caso individualmente, sem condenações automáticas. Quando o conjunto de provas demonstra um ambiente de trabalho adoecedor, há decisões que reconhecem o burnout como doença ocupacional e condenam empregadores ao pagamento de indenizações por danos morais e, em alguns casos, materiais. O reconhecimento também pode garantir estabilidade provisória. Quando o burnout é equiparado a acidente de trabalho, aplica-se a garantia prevista na Lei nº 8.213/91, que assegura emprego por 12 meses após o fim do auxílio-doença acidentário. Mesmo sem esse tipo de benefício, a estabilidade pode ser reconhecida pela Justiça, desde que fique comprovado o nexo entre o adoecimento e o trabalho. Nos casos de afastamento, o INSS avalia tanto a incapacidade quanto a relação com a atividade profissional. Nesses casos, há dois tipos de benefício: Sem nexo ocupacional: benefício comum (B31) Com nexo ocupacional: benefício acidentário (B91) A diferença é relevante. No B91, o trabalhador tem direito à estabilidade de 12 meses após o retorno e ao depósito do FGTS durante o afastamento — o que não ocorre no benefício comum. “O afastamento por si só não garante estabilidade. É necessário comprovar a relação entre o adoecimento e o trabalho”, explica a advogada. “Mesmo quando o benefício é comum, a Justiça pode reconhecer esse direito, se houver prova do nexo”, completa. De acordo com Nathalia, há aumento na judicialização e maior sensibilidade do Judiciário em relação aos casos de saúde mental. “Isso não significa condenação automática, mas uma tendência de maior responsabilização quando há falha da empresa”, afirma. A especialista ainda destaca que a cobrança por produtividade não é ilegal, mas passa a ser considerada abusiva quando ultrapassa limites e expõe o trabalhador a situações de humilhação, pressão excessiva ou desgaste contínuo. Atraso na atualização da NR-1 Em 2024, o governo anunciou a atualização da NR‑1, que passaria a incluir os riscos psicossociais na fiscalização do ambiente de trabalho. O que mudaria com a NR-1? Com a atualização da norma, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho. ➡️ Ou seja, isso passaria a ter o mesmo peso de fiscalização de pontos como questões que envolvem acidente de trabalho ou doença. Prevista inicialmente para 2025, a regra foi adiada para maio de 2026 e pode sofrer novo adiamento após pressão de entidades empresariais. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (30) que não pretende adiar novamente a atualização da NR-1. Segundo ele, “já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”. O ministro ainda afirmou que uma nova mudança só ocorreria em caso de acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que hoje não existe. Por outro lado, auditores fiscais e o MPT defendem que seja mantido o prazo de 26 de maio. Para esses órgãos, as exigências não são novas e o adiamento pode comprometer a proteção à saúde dos trabalhadores. Enquanto o debate segue sem definição, especialistas alertam que o crescimento dos afastamentos reforça a urgência de medidas concretas para melhorar as condições de trabalho e prevenir o adoecimento mental. Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
01/05/2026 07:01:33 +00:00
Equipe econômica estima alta de gastos públicos três vezes acima do limite da regra fiscal em 2026

Fecomércio A equipe econômica está prevendo que as despesas totais do governo somem R$ 2,63 trilhões em 2026, com um crescimento real (acima da inflação) de 7,95%, ou R$ 194 bilhões. Os números constam no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado neste mês ao Congresso Nacional. Em 2025, os gastos do governo somaram R$ 2,44 trilhões. Vídeos em alta no g1 ➡️Com uma alta real (acima da inflação) projetada de quase 8% em 2026, um ano eleitoral, as despesas totais subirão 3,2 vezes acima do limite de 2,5% existente no arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. ➡️De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento real das despesas pode apresentar "valores distintos" do limite de 2,5% do arcabouço fiscal por conta de alguns fatores. São eles: despesas fora do limite da regra fiscal; período diferente de cálculo, pois a regra fiscal considera a alta real com base na inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior; etapa de execução da despesa, ao comparar dotação com valores pagos ou liquidados. Governo apresenta o projeto que define metas e prioridades para o orçamento de 2027 O g1 entrou em contato com o Tesouro Nacional e questionou se o arcabouço fiscal está falhando em conter as despesas, apesar do limite de 2,5% fixado. "Sim, a regra está em pleno funcionamento, com observância por todos os Poderes. Conforme mencionado, há seção específica do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do 1º bimestre de 2026 que demonstra a compatibilidade das projeções com o limite de despesas estipulado pela LC nº 200/2023", disse o Ministério da Fazenda. Crescem as exceções ao limite de gastos ➡️Conforme a explicação do governo, um motivo para alta real projetada dos gastos quase três vezes acima do teto do arcabouço, em 2026, são gastos fora do teto de 2,5%. Veja despesas não sujeitas ao limite da regra fiscal: Repasses aos estados e municípios de benefícios constitucionais por meio dos fundos de participação; Créditos extraordinários; Contribuição do Salário Educação; Exploração de Recursos Naturais; Complementação da União ao Fundeb; Fundo Constitucional do Distrito Federal; Precatórios (que voltam progressivamente para a meta em dez anos); Fundos de compensação e de desenvolvimento regional aos estados (decorrentes da reforma tributária sobre o consumo); E receitas próprias do Poder Judiciário, entre outros. Tesouro Nacional Ministério da Fazenda/Reprodução A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estima que cerca de R$ 250 bilhões em gastos (sem contar as transferências constitucionais aos estados e municípios) estarão fora do limite do arcabouço fiscal neste ano. ➡️O órgão observou, em estudo divulgado no fim de 2025, que as exceções ao arcabouço fiscal cresceram nos últimos anos. Avaliou, ainda, que o "uso contínuo" dessas exceções pode trazer um "indesejável enfraquecimento dessas regras como âncoras fiscais". "No limite, as regras deixariam de orientar os rumos da política fiscal, diminuindo a previsibilidade da atuação do poder público em relação à execução das despesas primárias", avaliou a instituição. Estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, divulgado em 2025, chega à mesma conclusão. "As novas exclusões e constituição de arranjos extraorçamentários cumulativamente reduzem a universalidade da regra e podem afetar a credibilidade do arcabouço fiscal (...) A consolidação do regime fiscal dependerá da capacidade do Congresso Nacional, do Poder Executivo e dos órgãos de controle em resistir à proliferação de exceções e fundos privados", diz o texto. Previdência e gastos com servidores ➡️Grande parte da pressão de aumento dos gastos, porém, está relacionada às despesas previdenciárias — estas dentro do limite do arcabouço fiscal —, com estimativa de uma alta real (acima da inflação) de 7,6% neste ano, o equivalente a quase R$ 80 bilhões. O crescimento de gastos da Previdência, por sua vez, tem a ver com a política de aumento do salário mínimo acima da inflação adotada pelo presidente Lula. Como o salário mínimo é o piso de aposentadorias, pensões e outros benefícios, seu aumento implica em mais gastos públicos. A estimativa do governo é de que a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, os gastos previdenciários subam cerca de R$ 400 milhões. Além do reajuste do salário mínimo, o governo também informou que buscará reduzir a fila do INSS, o que também pressionará as despesas em 2026. Grande parte da pressão de aumento dos gastos está relacionada às despesas previdenciárias. Wilton Junior/Estadão Conteúdo ➡️O governo estima ainda que os gastos com os servidores públicos terão forte alta neste ano, somando R$ 457 bilhões, um aumento real de quase 12% (bem acima do limite de 2,5% do arcabouço fiscal). Nesse caso, o aumento estimado é de R$ 47 bilhões. O governo Lula retomou a política de reajustes salariais aos servidores públicos, interrompida na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e também vem concedendo aumento de outros benefícios, como o vale alimentação. Pressão sobre os gastos livres ➡️Como os gastos com benefícios previdenciários e com servidores estão dentro do limite do arcabouço fiscal e são obrigatórios, eles não podem ser cortados pelo governo federal. ➡️Para atingir a meta fiscal e limitar as despesas sujeitas ao teto dentro do limite de alta real de 2,5%, a área econômica terá de comprimir os gastos livres, chamados de "discricionários". Entre os gastos livres (discricionários) do governo, estão: investimentos em infraestrutura; verbas para a defesa agropecuária; bolsas do CNPq e da Capes; emissão de passaportes; fiscalização ambiental e do trabalho escravo; Farmácia Popular; despesas administrativas; recursos para universidades federais; e recursos para agências reguladoras, entre outros. Com essa dinâmica de expansão dos gastos obrigatórios, economistas avaliam que será necessária uma nova reforma fiscal no futuro, pois o arcabouço, com as regras atuais, ficará insustentável. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que Lula enfrentará, já neste ano, restrições para investimentos e gastos livres dos ministério. A paralisia da máquina pública só não acontecerá em 2027 por conta da mudança na regra da contabilização dos precatórios dentro da meta fiscal. Crescimento da dívida pública A dinâmica de crescimento dos gastos também está pressionando a inflação, o que demanda juros mais altos por parte do Banco Central. Atualmente, a taxa básica da economia está em 14,5% ao ano, patamar historicamente elevado. Esse chamado ciclo vicioso de aumento de gastos e de juros elevados, por sua vez, pressiona a dívida pública brasileira — que já está acima dos países emergentes e da Zona do Euro. 💵 Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país. 🔎 A dívida do setor público consolidado é considerada um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise. Para conter o endividamento público, analistas apontam que o governo deveria retomar superávits nas contas públicas por meio de reformas mais profundas nos gastos obrigatórios (previdenciários, pessoal e sociais, por exemplo). Apesar da ausência de medidas mais duras no primeiro mandato do presidente Lula, a equipe econômica já deu sinais de preocupação sobre o aumento dos gastos obrigatórios. No ano passado, o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que esse tema precisará ser discutido, inevitavelmente, em até dez anos. Antes de deixar o cargo em março, o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu uma reformulação dos gastos sociais do governo, especialmente os voltados à assistência social. Um controle maior dos gastos públicos é algo que vem sendo pedido por economistas do mercado financeiro desde o início do governo Lula. Além da reforma de gastos sociais e de uma nova reforma previdenciária, eles também recomendam uma reforma administrativa, a desvinculação do salário mínimo das despesas previdenciárias e a desindexação de despesas com saúde e educação, entre outras medidas.
01/05/2026 07:01:16 +00:00
'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl

Anatolii Doroshenko é pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, na Ucrânia Getty Images via BBC O reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ficou completamente destruído com a explosão fatal do dia 26 de abril de 1986. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, a cerca de 10 metros de profundidade, permanecem os centros de controle e monitoramento, que sobreviveram ao desastre. "É como um grande labirinto embaixo do reator", explica à BBC o pesquisador Anatolii Doroshenko, de 38 anos, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP, na sigla em inglês). Vídeos em alta no g1 Seu trabalho inclui percorrer esse labirinto pelo menos uma vez por mês — uma missão que, segundo a revista New Scientist, "pode ser considerada o trabalho mais perigoso do mundo". Naquela rede de salas e corredores subterrâneos, tudo está contaminado pela radiação: o piso, os equipamentos, as paredes e até o ar. A explosão do dia 26 de abril de 1986 destruiu o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia Getty Images via BBC Ali, Doroshenko se encarrega de revisar os equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível nuclear. Em algumas salas, a radiação é tão alta que o pesquisador precisa completar suas tarefas em menos de quatro minutos e sair imediatamente. Em outras, os níveis de radiação não permitem nem mesmo que ele se detenha por ali. Seu trabalho é fundamental para garantir que as condições do reator se mantenham estáveis. Doroshenko reconhece que seu trabalho gera medo, mas ele usa esse receio como seu aliado. "O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação", explica ele. "Aqui, o maior risco é se acostumar às condições do lugar. Se você se acostumar ao medo, começa a ignorar que está rodeado de radiação. Qualquer coisa, uma luva, uma peça metálica, pode estar contaminada, mesmo que não se observe." Doroshenko (esq.) trabalha na usina nuclear de Chernobyl há 12 anos Arquivo Pessoal Sob as ruínas Os labirintos percorridos por Doroshenko são as instalações de onde era controlada a usina de Chernobyl. O local é escuro. Alguns corredores têm iluminação, mas o pesquisador e seus colegas sempre levam lanternas. Algumas passagens são tão estreitas que eles precisam caminhar agachados. Todas as salas e corredores estão sinalizados, mas é preciso conhecer bem o caminho para não se perder entre as passagens. Eles também contam com mapas de contaminação, que indicam quais são as áreas com maior radioatividade. "Aqui, todos os cientistas sabem onde podemos trabalhar e onde não", explica Doroshenko. Visitante da central nuclear de Chernobyl grava na sala de controle do bloco 4 destruído da usina Getty Images via BBC O local está repleto de tubos com água radioativa e perigosas formações de cório, uma substância produzida quando o combustível nuclear, sob temperaturas de milhares de graus Celsius, se misturou com a estrutura do núcleo do reator. Essa substância se infiltrou entre as ruínas, como se fosse lava, formando figuras peculiares. Uma das mais conhecidas é a chamada "pata de elefante". A 'pata de elefante' é uma formação de cório altamente radioativa Getty Images via BBC Locais inatingíveis Existem ainda na unidade 4 cerca de 200 toneladas de combustível nuclear, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. A previsão é que recuperar esse material altamente radioativo leve cerca de 40 anos. Tudo está coberto por um sarcófago que, por sua vez, está rodeado pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço mais alto que a Estátua da Liberdade. Ele foi projetado para vedar hermeticamente, durante 100 anos, o reator 4 e proteger o mundo da radiação de Chernobyl. Grande parte desse combustível nuclear está em locais inatingíveis para Doroshenko e seus colegas. Corredor dentro da central nuclear de Chernobyl Getty Images via BBC Após a explosão de 1986, a unidade 4 foi coberta com grandes volumes de cimento, para deter a infiltração da radiação. "Se pudéssemos retirar amostras do reator destruído, poderíamos determinar precisamente seu nível de risco nuclear", explica Doroshenko. "Mas ele está sob uma enorme camada de cimento e o acesso humano é impossível. Por isso, realizamos medições para compreender quais processos ocorrem no combustível nuclear." Tudo no interior do reator 4 de Chernobyl está contaminado pela radiação. Getty Images via BBC 'Quase eufórico' Para descer até o labirinto, Doroshenko utiliza diversas camadas de roupas protetoras. Elas incluem protetores dos braços, de sapatos e um respirador FFP2 com válvula. Em algumas regiões mais estreitas, onde é preciso abrir caminho entre os escombros, ele acrescenta um traje especial de polietileno. Ao sair, ele deve passar por diversos pontos de controle e por uma "zona suja", onde tira a roupa, que passa a ser descontaminada ou diretamente destruída, caso não se consiga remover a radiação. Em seguida, vem uma ducha obrigatória e uma estação de dosimetria para confirmar que não haja partículas radioativas no seu corpo. Doroshenko afirma que, para manter a segurança no reator, é preciso não entrar em pânico Arquivo pessoal Doroshenko gosta do seu trabalho. Ele conta que visitar a unidade 4 o leva a um estado de "quase euforia", uma emoção que, segundo ele acredita, pode ser comparada com escalar o Everest. Mas, mesmo assim, ele insiste que é fundamental manter o controle. "O principal é não entrar em pânico. O pânico leva você a cometer erros." Cerca de 10 metros abaixo do reator 4 de Chernobyl, existe uma rede de salas e corredores que Doroshenko percorre uma vez por mês Getty Images via BBC "Este lugar está repleto de mitos e é frequentemente demonizado, mas não é tão assustador, como muitos tentam apresentá-lo", explica o pesquisador. "Quando você está ali, se dá conta de que é uma estrutura criada por seres humanos. Você compreende que aquele espaço exige vigilância e supervisão constante." "Se pessoas como nós deixarmos de descer ali, será iniciado um processo sem controle, o que é perigoso", afirma ele. O reator 4 está coberto pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para durar 100 anos Getty Images via BBC Contra o esquecimento Uma vez por ano, Anatolii Doroshenko passa por exames médicos obrigatórios e, nas suas férias, tenta sempre ir para o mar. "Continuarei descendo para os labirintos do reator enquanto puder", afirma ele. "Não me impuseram um limite. Se vier uma geração que possa me substituir, pensarei em me aposentar. Mas, por enquanto, não penso nisso." Para ele, o mais importante é que as pessoas tenham em mente os desafios enfrentados em Chernobyl: conter a radiação dos resíduos de combustível nuclear e manter o controle das instalações. "É um trabalho duro. Chernobyl não deve ser esquecida." Imagem inicial de Caroline Souza, da Equipe de Jornalismo Visual da BBC Américas, com fotos da Getty Images e da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.
01/05/2026 06:01:14 +00:00
Cinco datas para tirar férias ainda em 2026 e 'ganhar' até seis dias de descanso

As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados Tem feriado que cai no meio da semana e vira só uma pausa isolada. Mas outros parecem feitos sob medida para quem quer esticar o descanso sem gastar tantos dias de férias, e 2026 ainda guarda algumas dessas oportunidades no calendário. A partir de abril, ainda dá para planejar folgas estratégicas que, com poucos dias de folga, se transformam em períodos mais longos longe do trabalho. Em alguns casos, a combinação de feriados com fins de semana permite emendar até seis dias seguidos de descanso. A legislação trabalhista permite emendar férias com feriados, desde que sejam respeitadas as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como a proibição de iniciar o período de férias nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal. A seguir, o g1 apresenta as combinações mais vantajosas entre feriados e férias ao longo de 2026. 👷 Dia do Trabalhador — até 17 dias de descanso usando 12 dias de férias 📅 Sugestão: 4 a 15 de maio O feriado de 1º de Maio cai numa sexta-feira. Ao emendar as férias logo depois, é possível aproveitar dois fins de semana e somar até 17 dias de folga. 🗡️ Independência do Brasil — até 16 dias usando 11 dias de férias 📅 Sugestão: 8 a 18 de setembro O feriado de 7 de setembro cai numa segunda-feira. Com férias encaixadas e dois fins de semana, o descanso pode render até 16 dias. 🙏 Nossa Senhora Aparecida até Finados — até 24 dias de descanso usando 18 dias de férias 📅 Sugestão: 13 a 30 de outubro O feriado de 12 de outubro (segunda-feira) pode ser o início de uma folga que vai até antes de 2 de novembro (domingo). É uma boa opção para quem deseja viajar para fora do país ou descansar por mais tempo. ⚰️ Finados + Consciência Negra — até 23 dias de descanso usando 17 dias de férias 📅 Sugestão: 31 de outubro a 22 de novembro Ao combinar os feriados de 2 de novembro (domingo) e 20 de novembro (quinta-feira), é possível garantir um dos períodos mais vantajosos do segundo semestre. 🎄Natal e Ano Novo — pausa prolongada no fim de ano Tanto o Natal quanto a Confraternização Nacional caem em sextas-feiras, o que facilita a criação de um recesso prolongado no final do ano. ➡️ No final desta reportagem, confira o calendário com feriados e pontos facultativos de 2026. Antes de marcar as férias, é importante lembrar algumas regras da CLT — e não são poucas. Por exemplo, existe um limite mínimo de dias para o descanso. Assim, quem pretende pedir apenas quatro dias para emendar com um feriado não conseguirá. Mesmo quem deseja vender parte das férias para receber um dinheiro extra deve respeitar o limite máximo permitido por lei. O g1 ouviu o advogado trabalhista Bruno Okajima para ajudar no planejamento. A seguir, ele responde às principais dúvidas: 🗓️ Posso emendar as férias com feriados ou finais de semana? ➗ Em quantas vezes posso parcelar as férias? 🤝 Quem decide as férias: o empregador ou o empregado? ❌ Posso cancelar ou alterar o período de férias já marcado? 💵 É possível vender todos os dias de férias? 🙅‍♂️ É possível perder o direito às férias? 👩‍🎓 Estagiários, temporários e PJs têm direito a férias? 📝 Veja o calendário de feriados em 2026 🗓️ Posso emendar as férias com feriados ou finais de semana? Sim, desde que as férias não comecem nos dois dias que antecedem feriados ou o descanso semanal remunerado. Segundo Okajima, essa regra evita que o trabalhador “perca” dias de férias ao coincidir com descansos já garantidos por lei. Além disso, convenções ou acordos coletivos podem estabelecer regras próprias sobre a emenda ou o início do período. Volte ao início. ➗ Em quantas vezes posso parcelar as férias? Desde a reforma trabalhista, as férias podem ser divididas em até três períodos. Um deles precisa ter pelo menos 14 dias corridos, e os outros dois, no mínimo 5 dias cada. “O fracionamento depende de acordo entre empregado e empregador, e normas coletivas podem impor restrições ou condições específicas”, explica Okajima. Volte ao início. 🤝 Quem decide as férias: o empregador ou o empregado? A decisão cabe ao empregador, que deve avisar o trabalhador com, no mínimo, 10 dias de antecedência. Há exceções, como no caso de familiares que trabalham na mesma empresa, que podem tirar férias no mesmo período. Volte ao início. ❌ Posso cancelar ou alterar o período de férias já marcado? Em regra, as férias são definidas pelo empregador, que deve comunicá-las com 30 dias de antecedência. Após esse prazo, só podem ser alteradas ou canceladas mediante comum acordo. Se o empregado já tiver assumido compromissos, como a compra de passagens, uma alteração unilateral pode gerar questionamentos. Algumas normas coletivas também preveem hipóteses de mudança em razão de necessidade do serviço. Volte ao início. 💵 É possível vender todos os dias de férias? Não. A CLT só permite vender até um terço do período — ou seja, até 10 dias, no caso de férias de 30 dias. Esse direito, chamado de abono pecuniário, deve ser solicitado até 15 dias antes do fim do período aquisitivo. O pagamento deve ser feito junto com o das férias, até dois dias antes do início do descanso, e o empregador não pode recusar o pedido. Volte ao início. 🙅‍♂️ É possível perder o direito às férias? Sim. O trabalhador pode perder o direito se tiver mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo ou em situações como: licença remunerada superior a 30 dias, paralisação da empresa por mais de 30 dias com salário pago ou afastamento previdenciário (auxílio-doença ou acidente) por mais de seis meses, mesmo que descontínuos. Fora essas hipóteses, o direito é irrenunciável. Caso a empresa não conceda as férias dentro do prazo legal, terá de pagá-las em dobro, explica Okajima. Volte ao início. 👩‍🎓 Estagiários, temporários e PJs têm direito a férias? A CLT assegura férias remuneradas a quem trabalha com carteira assinada, após 12 meses de serviço. Estagiários, embora não sejam regidos pela CLT, têm direito a um recesso de 30 dias após um ano de estágio — proporcional se o período for menor — e remunerado quando há bolsa ou outra forma de contraprestação. Já profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ) não têm direito a férias, pois são considerados autônomos. Trabalhadores temporários, por sua vez, recebem férias proporcionais ao tempo trabalhado, pagas na rescisão se o contrato terminar antes de completar um ano. Volte ao início. Veja o calendário de feriados em 2026 Calendário 2026 g1 Volte ao início. A ilha de Necker, que fica em arquipélago do caribe Divulgação/Necker Island
01/05/2026 06:00:44 +00:00
Bolsa Família 2026: veja calendário de pagamentos em maio

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de maio do Bolsa Família no dia 18. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para maio de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/5 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/5 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/5 Final do NIS: 4 - pagamento em 21/5 Final do NIS: 5 - pagamento em 22/5 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/5 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/5 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/5 Final do NIS: 9 - pagamento em 28/5 Final do NIS: 0 - pagamento em 29/5 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Junho: de 17/6 a 30/6; Julho: de 20/7 a 31/7; Agosto: de 18/8 a 31/8; Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
01/05/2026 03:01:14 +00:00
Chegou a hora! Veja quem ganha e quem perde no Brasil com o acordo UE-Mercosul

O Brasil e o acordo 'ganha-ganha' entre UE e Mercosul O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começa a ser aplicado provisoriamente nesta sexta-feira (1º), após mais de duas décadas de negociações. A implementação é gradual, mas já produz efeitos imediatos sobre as exportações brasileiras. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada já nesta etapa inicial. 🛒 Ao todo, mais de 5 mil itens entram no mercado europeu sem imposto, ampliando o acesso das empresas nacionais. Embora o Brasil seja o principal beneficiado, concentrando mais de 80% do comércio do Mercosul com a União Europeia e tendo papel central nas negociações, isso não necessariamente se traduz em ganhos uniformes entre setores e regiões do país. Estimativas do governo apontam para um impacto positivo, porém limitado, entre 0,3% e 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com efeitos mais concentrados sobre atividades mais ligadas ao comércio exterior. (veja o mapa abaixo) Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Regiane Bressan explicou que o acordo amplia oportunidades, ao mesmo tempo em que expõe fragilidades estruturais do país. “Ele beneficia quem já é competitivo, mas deve acabar pressionando quem depende mais do mercado interno.” Quem ganha e quem perde com o acordo UE-Mercosul Arte/g1 Quem ganha no curto prazo? 🌾 Agronegócio exportador Os ganhos mais rápidos devem aparecer no agronegócio voltado à exportação, setor tradicionalmente competitivo e favorecido pelo desenho do acordo. Entre os produtos brasileiros com maior potencial de aumento nas vendas para a União Europeia estão: carnes de aves e suína; óleos vegetais; açúcar; etanol para uso industrial; café não torrado. Embora o acesso ao mercado europeu seja limitado por cotas em itens sensíveis, como carne bovina e açúcar, especialistas destacam que o volume autorizado já representa uma ampliação relevante em relação ao comércio atual. Esses efeitos tendem a beneficiar principalmente o Centro-Oeste, onde se concentram grãos e proteína animal, e parte do Sul, com forte presença de agroindústria exportadora. 🏭 Indústria exportadora Diferentemente de outros acordos firmados pelo Brasil, o tratado com a União Europeia também traz ganhos imediatos para a indústria exportadora. Dados da CNI mostram que, dos 2.932 produtos brasileiros com tarifa zerada já na entrada em vigor, cerca de 93% são bens industriais. Entre os setores mais beneficiados estão: máquinas e equipamentos; metalurgia; materiais elétricos; produtos químicos; alimentos industrializados. No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, incluindo compressores, bombas industriais e peças mecânicas. Segundo a entidade, a eliminação das tarifas reduz custos e aumenta a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes de países que não possuem acordo comercial com o bloco europeu. Quem ganha no médio e longo prazo? 🚢 Indústria dependente de insumos europeus Outro grupo que pode se beneficiar do acordo — ainda que de forma mais gradual — é a indústria brasileira que utiliza insumos, máquinas e componentes europeus. Hoje, tarifas que chegam a 35% encarecem equipamentos, peças e produtos químicos importados da União Europeia. Com a eliminação progressiva dessas tarifas, empresas podem reduzir custos de produção, ganhar eficiência e melhorar sua competitividade, inclusive no mercado interno. Entre os segmentos com potencial de ganho estão: indústria química; farmacêutica; autopeças; máquinas e equipamentos; setores de alta dependência tecnológica. Especialistas ressaltam, porém, que esses ganhos dependem de investimentos, modernização e de um ambiente de negócios mais favorável no país. Quem enfrenta mais riscos? ⚙️ Indústria menos competitiva Por outro lado, o acordo tende a aumentar a pressão sobre setores industriais menos competitivos, sobretudo aqueles voltados ao mercado interno e com menor capacidade de inovação. Mesmo com prazos longos para a redução de tarifas — que em alguns casos chegam a 15 ou 18 anos —, a expectativa é de intensificação gradual da concorrência com produtos europeus de maior valor agregado. O risco, segundo especialistas, não é um fechamento abrupto de fábricas, mas uma perda progressiva de participação de mercado, especialmente no Sudeste, principal polo industrial do país. 👨‍🌾 Agricultura familiar e pequenos produtores Outro grupo que vê o acordo com cautela é o da agricultura familiar e de pequenos produtores, especialmente em segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais. Embora o tratado proteja indicações geográficas brasileiras, produtores apontam que a concorrência com produtos europeus — muitas vezes subsidiados e produzidos em grande escala — pode dificultar a permanência no mercado doméstico. Para esses segmentos, Bressan destaca que o acordo exige adaptação rápida, acesso a crédito, certificações e políticas públicas de apoio. INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1
01/05/2026 03:01:09 +00:00
Acordo UE-Mercosul começa a valer; veja o que está em jogo para o agro — de frutas a carnes e café

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul passa a valer de forma provisória no Brasil nessa sexta-feira (1°). Com isso, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu. ➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa. Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local. Os produtores da UE desses setores são justamente os que resistem ao acordo, mesmo após sua assinatura em 17 de janeiro. Por pressão deles e de ambientalistas, o Parlamento europeu enviou o tratado para o Tribunal de Justiça do bloco, o que deve atrasar sua implementação definitiva . Ainda assim, a aplicação provisória já permite o início da redução das tarifas. Ao longo dos últimos meses, o g1 conversou com diversos setores do agro brasileiro para entender os potenciais benefícios do acordo e suas limitações. Mesmo os segmentos que já exportavam com tarifa zero para a UE avaliam positivamente o tratado, pois, segundo eles, acordos comerciais não se limitam à redução de tarifas, mas também abrem espaço para ampliação de investimentos bilaterais. A seguir, veja como fica o acordo para: Frutas; Café; Carnes; Sucos; Soja e celulose. 10 produtos do agro que o Brasil mais vende para a União Europeia. Arte/g1 🍇🍋‍🟩Frutas devem ganhar espaço na Europa Os exportadores de frutas estão entre os setores que mais devem se beneficiar do tratado. A uva brasileira, por exemplo, passará a entrar na União Europeia com tarifa zero a partir dessa sexta (1º), diz Luiz Roberto Barcelos, diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Outros produtos como abacate, limão, melão, melancia e maçã terão tarifas zeradas de 4 a 7 anos. O cronograma ficou assim: 🍇uva: tarifa de 11% zera imediatamente; 🥑abacate: taxa de 4% zera em 4 anos; 🍋‍🟩limão: imposto de 14% zera em 4 anos; 🍉melão e melancia: taxa de 9% zera em 7 anos; 🍎maçã: taxa de 10% zera em 10 anos. Segundo Barcelos, a medida tende a impulsionar o consumo de frutas brasileiras no continente europeu, ao reduzir os custos para os importadores. "O Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra europeia, além de frutas tropicais que não são produzidas localmente, o que reduz riscos de competição direta com produtores do bloco", afirma. ☕ Café solúvel e moído se beneficiam Nesse setor, os cafés solúvel e moído são os que mais devem ganhar com o acordo, pois o produto em grão, que representa 97% das vendas para a Europa, já entra no bloco sem tarifa. A UE aplica uma taxa de importação de 9% sobre o café solúvel brasileiro e de 7,5% sobre o torrado e moído. Mas, a partir dessa sexta, essas taxas vão começar a cair todos os anos, até zerar em 2030. "Cada ano, a taxa cairá 25%. No quinto ano, será zerada completamente", disse ao g1 Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa", destaca. Para ele, mesmo que quase todas as exportações já sejam isentas de tarifa, os benefícios de um tratado comercial não devem ser subestimados. "Um acordo comercial é mais do que redução de tarifas. No setor de café, isso representa, por exemplo, a possibilidade de um grande grupo empresarial investir em fábricas no Brasil, de produzir seus blends aqui", afirma. Champagne, gorgonzola, queijo Canastra: produtos ficam protegidos contra imitação após acordo UE-Mercosul; veja lista 🥩Carnes têm potencial limitado Já o potencial de aumento das exportações de carnes é mais restrito, seja pelas cotas que condicionam a redução de tarifas, seja pelas regras que a UE aprovou para proteger seus pecuaristas. Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes. Tradicionalmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação na UE. Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Com o acordo, esse percentual será zerado, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Outros tipos de carne pagavam tarifa de 12,8% mais 221,1 euros por 100 kg. Com o acordo, essa cobrança é substituída por uma cota conjunta para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai de até 99 mil toneladas anuais, com tarifa de 7,5% — bem abaixo das 128 mil toneladas que o Brasil exportou sozinho para a UE no ano passado. Em dezembro do ano passado, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, disse que a nova cota é pequena, mas que o acordo em si fortalece as relações com a UE. Já Roberto Perosa, presidente da Abiec, questionou em janeiro se o mercado terá "apetite" para crescer além do patamar atual ou se o acordo servirá sobretudo para reduzir o imposto sobre o que já é exportado, melhorando margens de lucro sem ampliar volumes. Como ficam as carnes de aves Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves. Até então, o setor contava com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país exporta até 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada. A partir dessa sexta, contudo, o Brasil passa a ter, junto a outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero. A cota começa menor no primeiro ano e cresce em parcelas anuais iguais até atingir o total no sexto ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As exportações fora dessa cota continuarão sujeitas às tarifas atuais. "O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional", disse a entidade, em dezembro. "Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango", concluiu a ABPA. Veja um raio X das exportações do agro brasileiro para o bloco europeu 🧃Sucos terão tarifa zero em 10 anos No setor de sucos de laranjas, os principais produtos exportados terão redução gradual de tarifas até chegar a zero em 7 a 10 anos. As alíquotas vigentes até então variavam de 12,2% a 33,6%, com algumas categorias sujeitas a um valor adicional por quilo. "Em cinco anos, já alcançaremos uma tarifa 50% menor do que a praticada hoje, o que é relevante", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, em dezembro. Segundo a associação, a diminuição das taxas deve gerar uma economia tarifária de aproximadamente US$ 250 milhões — o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão — nos primeiros cinco anos de vigência para as exportações brasileiras de suco de laranja. ➡️ Soja e celulose A soja e os produtos florestais são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais exportados pelo Brasil à UE, atrás apenas do café. Eles já têm tarifa zero na Europa, mas associações setoriais celebraram o acordo. “Trata-se de uma negociação construída ao longo de muitos anos, que agora dá mais um passo estratégico para aproximar duas regiões, em um momento de escala do protecionismo e forte enfraquecimento do multilateralismo como conhecíamos até então", diz Paulo Hartung, presidente executivo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) "No caso da celulose, [...] o ganho está mais ligado ao ambiente geral, com maior previsibilidade e segurança nas relações comerciais entre os blocos.” Já a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) disse que "o acordo poderá reduzir custos e ampliar a priorização dos produtos brasileiros, reforçando a competitividade do país nesses mercados". Blindagem do agro europeu incomodou Em dezembro, a UE aprovou uma série de proteções aos seus produtores rurais, conhecidas como "salvaguardas", que incomodaram o agro brasileiro. Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local. Ainda em dezembro, Sueme Mori da CNA disse que as salvaguardas são preocupantes. Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio. Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes, mas que farão parte de um regulamento interno da UE. Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios. Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%. Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis. "Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem", diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia. Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. "A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa", exemplificou. Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas. "Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada", disse a ABPA, ao g1. Acordo que se arrasta desde os anos 90 O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates. As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia. O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países. Em janeiro, o tratado foi assinado e entra em vigor de forma provisória nessa sexta. “É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo", disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupo das maiores economias do mundo. Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil Confira os principais clientes do agro brasileiro em 2025 Arte g1 Quanto dos principais produtos do agro brasileiro foi para a UE em 2025 Arte/g1
01/05/2026 03:01:08 +00:00
Acordo UE-Mercosul: imposto do vinho europeu começa a cair nesta sexta e zera em 2034; veja datas

Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro A taxa de importação sobre vinhos europeus e champanhes começa a cair progressivamente nessa sexta-feira (1°) e será zerada em 2034. A mudança faz parte do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que passa a valer de forma provisória a partir deste mês. 🍷 O imposto de importação sobre vinhos cairá de 27% para 24% nesta sexta, e para 21% em 1º de janeiro de 2027. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Abaixo, o g1 mostra como fica a tarifa ano a ano, com base em informações obtidas junto aos Ministérios do Desenvolvimento (Mdic) e da Agricultura (Mapa) e à Comissão Europeia. Veja como ficam as taxas de importação de vinhos europeus e de champanhe até 2034. Arte/g1 Já os espumantes têm um cronograma diferente. As garrafas com preço acima de US$ 8 por litro terão a tarifa zerada imediatamente. Já os rótulos abaixo desse valor só ficarão isentos após 12 anos. ➡️ A diferença entre champanhe e espumante está em sua origem: todo champanhe é um espumante, mas só pode receber esse nome se for feito na região de Champagne, na França, seguindo regras específicas de produção. A redução de tarifas será aplicada mesmo na fase provisória do acordo, que só não entrou em vigor de forma definitiva por causa resistência de produtores rurais europeus, principalmente dos franceses. Eles temem que produtos agrícolas sul-americanos se tornem mais baratos na Europa, reduzindo a competitividade dos produtores locais O acordo foi assinado no dia 17 de janeiro, após mais de 25 anos de negociações marcadas por idas e vindas. No entanto, quatro dias depois, o Parlamento europeu decidiu enviar o tratado para o Tribunal de Justiça da UE para revisão jurídica, o que deve atrasar a implementação definitiva. Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil Vinho europeu vai ficar mais barato? Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV, diz que a redução de imposto pode baratear o preço dos vinhos e ampliar a variedade de rótulos europeus no país. Ele explica que a Europa, diferentemente do Brasil, reúne alguns dos maiores produtores de vinho do mundo — como Itália, França e Espanha —, o que permite a oferta de bebidas mais baratas. “É possível encontrar vinhos muito bons por dois, três ou quatro euros”, afirma. No entanto, na visão dele, o que desestimula a compra desses vinhos mais baratos pelo Brasil é justamente a alta taxa de importação. "Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter. Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço. "Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta. "Hoje, para você ter um preço competitivo, você compra do Chile ou da Argentina", comenta o professor. Esses dois países sul-americanos têm um volume de produção de vinho bem maior que o do Brasil. E é por isso que os rótulos chilenos e argentinos são, em geral, mais em conta que os nacionais no mercado brasileiro, diz Kanter. Com o tempo, ele acredita que os vinhos europeus sigam a mesma tendência observada hoje nos rótulos chilenos e argentinos. O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda, e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional. Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente. Vinhos em todas as épocas do ano Freepik
01/05/2026 03:01:02 +00:00
Uso do FGTS, juros de até 1,99%, dívidas do Fies: o que se sabe sobre o pacote contra o endividamento

Governo Federal anuncia novo programa para a renegociação de dívidas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que o pacote de medidas do governo para reduzir o endividamento das famílias brasileiras será lançado oficialmente na próxima segunda-feira (4). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão pelo Dia do Trabalhador, Lula disse que pessoas endividadas terão acesso a descontos de até 90% no valor das dívidas. As negociações também incluirão débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ele chamou o pacote de medidas de Novo Desenrola Brasil e afirmou que o programa permitirá o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Quem aderir ficará bloqueado temporariamente em plataformas de apostas online, as chamadas bets. "Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira", disse o presidente. Dados do Banco Central do Brasil mostram que as famílias brasileiras nunca estiveram tão endividadas. Veja abaixo o que se sabe sobre o novo pacote do governo: O que as medidas preveem? Quem poderá aderir? Qual o objetivo das medidas? Terei desconto no pagamento das dívidas? Haverá restrições quanto ao uso do FGTS? Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS? O programa impacta as apostas em bets? Quando as medidas entrarão em vigor? O que as medidas preveem? Em linhas gerais, o programa inclui a liberação do uso do FGTS e a renegociação de dívidas de cartão de crédito, do rotativo, do crédito direto ao consumidor (CDC) e do cheque especial. 🔎 Como mostrou o g1, o uso do crédito rotativo do cartão — a modalidade mais cara do mercado financeiro — subiu quase 10% no primeiro trimestre. Esse tipo de crédito é apontado como um dos principais fatores do alto nível de endividamento da população brasileira. Nesta quinta-feira, o presidente Lula afirmou, sem dar detalhes, que as dívidas do Fies também poderão ser renegociadas dentro do programa. Voltar ao início. Quem poderá aderir? O recorte ainda não foi divulgado oficialmente pelo governo. O g1 apurou, no entanto, que o novo programa voltado à negociação de dívidas será direcionado a brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105,00). Voltar ao início. Qual o objetivo das medidas? A proposta do governo é reduzir o comprometimento da renda das famílias e aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico. A iniciativa ocorre no mesmo ano em que Lula concorre à reeleição. Voltar ao início. Terei desconto no pagamento das dívidas? Sim. O novo programa prevê descontos no processo de renegociação e condições mais favoráveis de pagamento, com potencial de reduzir significativamente o valor das dívidas. Segundo o governo, os brasileiros endividados terão juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida. "Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida", afirmou Lula em rede nacional. Voltar ao início. Haverá restrições quanto ao uso do FGTS? Sim. O presidente afirmou que cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do FGTS. Os recursos deverão ser usados exclusivamente para o pagamento de dívidas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, havia adiantado na quarta-feira (29) que cerca de R$ 4,5 bilhões devem ser liberados do fundo para que trabalhadores quitem débitos. Ele disse ainda que haverá um limite máximo de R$ 8 bilhões para essa finalidade, mas que o valor não deve chegar a esse patamar. Voltar ao início. Como o governo quer viabilizar o uso do FGTS? Após enfrentar dificuldades jurídicas, o governo federal estuda editar uma Medida Provisória (MP) para permitir o uso do FGTS no abatimento de dívidas, segundo o blog da Ana Flor. Com a medida, o Executivo ganharia tempo enquanto o Congresso Nacional analisa o texto. 🔎 As MPs têm força de lei assim que são publicadas, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. O Legislativo pode alterar ou rejeitar o conteúdo proposto pelo Executivo. Na prática, a MP daria segurança jurídica à iniciativa e passaria a valer imediatamente após a assinatura do presidente da República, mesmo que a análise pelo Congresso se estenda, inclusive em razão do ano eleitoral. Voltar ao início. O programa impacta as apostas em bets? Sim. O presidente Lula anunciou que quem aderir ao novo programa de renegociação de dívidas ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", justificou o presidente Lula em pronunciamento. No início desta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o objetivo é evitar novos ciclos de endividamento. Voltar ao início. Quando as medidas entrarão em vigor? O Novo Desenrola Brasil será lançado oficialmente na próxima segunda-feira (4). O governo não informou, porém, quais medidas passam a valer imediatamente ou se haverá um período de transição para sua implementação. Voltar ao início. Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido Jornal Nacional/ Reprodução
01/05/2026 03:00:40 +00:00
Mega-Sena, concurso 3.002: aposta de Curitiba acerta as seis dezenas e leva prêmio de R$ 127 milhões

Concurso 3.002 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3.002 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (30), em São Paulo. Uma aposta de Curitiba (PR) acertou as seis dezenas e vai levar, sozinha, o prêmio de R$ 127.017.606,25. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 27 - 51 - 52 - 54 - 58 Segundo a Caixa Econômica Federal, o vencedor fez uma aposta simples de sete números em uma lotérica da capital paranaense. A quina teve 113 apostas ganhadoras, com prêmio de R$ 34.683,44 para cada uma. Na quadra, 6.556 apostas foram premiadas, com cada vencedor recebendo R$ 985,39. O próximo sorteio da Mega será no sábado (2). Mega-Sena, concurso 3.002 Reprodução/Caixa O g1 passou a transmitir, neste mês, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
01/05/2026 00:02:39 +00:00
Supermercados BH, EPA e Mineirão assinam acordo para unir operações em MG e mais 3 estados

Supermercados BH, EPA e Mineirão assinam acordo para unir operações em MG e outros três estados Reprodução/Redes sociais A rede Supermercados BH e a DMA Distribuidora, que controla o EPA e o Mineirão Atacarejo, assinaram um acordo para unir as operações comerciais nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco. A negociação foi oficializada na última terça-feira (28). Em comunicado público, o grupo Supermercados BH afirmou que a medida representa um movimento estratégico para ambas as companhias. O valor da operação não foi anunciado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp A conclusão da transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de algumas condições prévias estabelecidas no acordo. O g1 procurou a autarquia federal para saber se o pedido de integração está sendo analisado, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Expectativa de 600 lojas pelo país Uma vez concluída a integração, a expectativa da varejista comandada pelo empresário Pedro Lourenço é passar a contar com aproximadamente 600 lojas pelo país, além de centros de distribuição e postos de combustíveis. "A iniciativa tem como objetivo potencializar ganhos de escala, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a capacidade de atendimento ao consumidor, com foco na melhoria contínua da experiência de compra, na ampliação do sortimento e na otimização da logística", disse a rede. Vídeos em alta no g1
30/04/2026 20:52:10 +00:00
Agrishow: comando de trator que se assemelha a 'videogame' torna rotina do produtor mais intuitiva e econômica

Agrishow: trator tem painel que parece um videogame Já imaginou dirigir um trator como se estivesse jogando videogame? Com tela touch, mapa da lavoura e comandos simples, essa já é a realidade de produtores que visitam a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP). No lugar de operações totalmente manuais, entram sistemas inteligentes que praticamente conduzem a máquina sozinhos. A tecnologia por trás dessa mudança é um piloto automático agrícola, já instalado em tratores como o MF Guide, da Massey Ferguson, com sistema da PTx Trimble, que combina GPS de alta precisão, sensores e uma interface digital parecida com a de um smartphone. “É uma interface intuitiva, porque quem vai operar nem sempre tem formação técnica. A ideia é ser fácil de usar, como um celular”, explica a especialista de marketing de produto de PTx, Rosiéli Mika. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Na prática, o operador define uma linha inicial e a partir disso o sistema mantém o trator alinhado automaticamente, com margem de erro de até 2,5 centímetros. O conjunto inclui um monitor digital, um receptor GPS de alta precisão e um sistema que atua diretamente na direção da máquina, como se fosse “uma mão mecânica” guiando o volante. Sistema de piloto automático transforma experiência de pilotar equipamentos agrícolas mais antigos em algo parecido com jogar videogame. Divulgação/PTx Menos cansaço e mais precisão no campo Além de facilitar a operação, o piloto automático muda completamente a rotina no campo. O operador fica menos cansado e pode focar em outras partes da operação. A tecnologia também garante passadas paralelas perfeitas, evitando falhas ou sobreposição no plantio e na aplicação de insumos, dois problemas que impactam diretamente no bolso do produtor. LEIA TAMBÉM Agrishow 2026: máquinas com inteligência artificial 'de fábrica' são destaques; veja novidades Tecnologia lançada no interior de SP pode transformar colheita de pimenta-do-reino; entenda Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar 'moram' no campo e combatem pragas com IA BYD se prepara para lançar nova picape no Brasil para competir com Fiat Toro; veja modelo “Se você sobrepõe a aplicação, gasta insumo à toa, se abre demais a passada do maquinário, perde área produtiva. O piloto corrige isso automaticamente, tanto uma situação quanto outro geram prejuízos que podem ser evitados para o produtor”, explica Rosiéli Além de guiar o trator, o sistema coleta dados da operação e envia tudo para plataformas digitais, permitindo que o produtor acompanhe o trabalho em tempo real, até mesmo à distância. Com isso, decisões que antes eram baseadas apenas na experiência passam a ser guiadas por informações precisas. Sistema que pode ser acoplado a tratores dá autonomia a máquinas agrícolas no campo. Divulgação/PTx Economia de combustível e ganho de produtividade Os ganhos vão além da praticidade. Segundo as empresas, o uso do piloto automático pode gerar economia de até 12% de combustível e aumento de produtividade de até 10%. Isso acontece porque o sistema reduz manobras desnecessárias e otimiza o trajeto da máquina na lavoura. Outro ponto que chama atenção é que não é preciso comprar um trator novo para ter acesso à tecnologia. O sistema pode ser instalado em máquinas já existentes. “É um kit com monitor, volante e antena. O produtor instala no trator que ele já tem e passa a ter todos esses benefícios. Se ele faz a operação mais rápido, com mais qualidade e sem sobreposição, a rentabilidade aumenta”, explica Lucas Zanetti, gerente de marketing da Massey Ferguson. Leia mais notícias da Agrishow 2026
30/04/2026 19:35:29 +00:00
Após visita do rei Charles III, Trump diz que vai suspender tarifas sobre uísque da Escócia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026 Chris Jackson/Pool via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que vai retirar tarifas e restrições que dificultam o comércio de uísque entre a Escócia e o estado americano de Kentucky, onde é produzido o bourbon. “As pessoas querem isso há muito tempo, já que havia um grande comércio entre países, especialmente no que diz respeito aos barris de madeira utilizados”, disse Trump em uma publicação na Truth Social. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A declaração veio após o republicano se reunir com o rei Charles III e a rainha Camilla, em visita oficial aos EUA nesta semana. Durante a passagem pelo país, o monarca fez um discurso histórico no Congresso. Segundo Trump, a medida foi adotada "em homenagem ao Rei e à Rainha do Reino Unido, que acabam de deixar a Casa Branca e em breve retornam ao seu maravilhoso país". Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 "O Rei e a Rainha me fizeram fazer algo que ninguém mais conseguiu, praticamente sem nem pedir!", acrescentou o republicano, ao destacar a própria decisão. Ele afirmou que a medida deve facilitar a cooperação entre a Escócia e o estado de Kentucky na produção de uísque e bourbon, destacando a importância do setor nas duas regiões. 🔎 Uísque é o nome geral de destilados de grãos produzidos em diversos países, como Escócia, Irlanda, EUA e Japão. O bourbon é um tipo específico de uísque feito nos EUA, com pelo menos 51% de milho e envelhecido em barris novos de carvalho carbonizados. Os EUA e o Reino Unido haviam assinado um acordo em 2025 que permite a Washington cobrar uma tarifa básica de 10% sobre a maioria dos produtos importados do Reino Unido. Após a formalização do novo anúncio de Trump, parte dessas taxas tende a cair. Segundo a BBC, representantes da indústria afirmaram que as destilarias poderão “respirar um pouco mais aliviadas em um período de forte pressão sobre o setor”. A rede britânica de comunicação acrescentou que o governo do Reino Unido confirmou que a medida se aplica a todas as tarifas sobre uísque, incluindo o irlandês. O primeiro-ministro escocês, John Swinney, comemorou a decisão. “Empregos estavam em risco. Milhões de libras estavam sendo perdidos todos os meses pela economia escocesa”, declarou. * Com informações da agência de notícias Reuters
30/04/2026 19:19:24 +00:00
Confiança do consumidor cai e entra em campo pessimista em abril, segundo Ipsos

A confiança do consumidor brasileiro caiu em abril e entrou em campo pessimista, segundo levantamento da Ipsos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou de 52,2 pontos em março para 49,2 em abril — queda de 3 pontos em um mês. O resultado rompeu a linha de neutralidade e atingiu o menor patamar em 11 meses, de acordo com o estudo. O levantamento aponta uma retração disseminada em todos os componentes do índice, com piora na percepção sobre situação financeira, emprego, consumo e expectativas para os próximos meses. A instituição classificou o movimento como uma “fadiga do otimismo”. Geração Z e os Baby Boomers são os mais pessimistas em relação ao futuro econômico Adriano Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo Para Rafael Lindemeyer, líder do cluster de experiência da Ipsos, a retração brasileira acompanha um mês de perdas quase generalizadas no mapa global. “Potências como os Estados Unidos e o Reino Unido viram seus índices derreterem (queda de 2,2 e 2,1 pontos, respectivamente). A Europa continental segue na mesma esteira, com a Alemanha perdendo 1,8 ponto. Na América Latina, a Argentina e o Chile apresentaram quedas agudas, sendo que o Chile recuou 7,5 pontos. O diagnóstico aponta que esse choque de pessimismo tem um gatilho claro: os impactos econômicos decorrentes da eclosão da Guerra no Irã”, afirma. O chamado “termômetro do presente”, que mede a percepção sobre a situação atual da economia, caiu de 44,1 para 39,4 pontos em abril. Já o índice ligado a investimentos e consumo recuou de 50 para 45,4 pontos. O indicador de emprego retraiu para 50,3 pontos, enquanto o índice de expectativas futuras passou de 65,8 para 63,6. Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros acreditam que o país está no rumo certo. Em dezembro de 2025, esse percentual era de 41%. Transmissão ao vivo g1 A percepção sobre a situação econômica do Brasil permaneceu estável em abril: 31,5% classificaram o cenário como “bom”. Apesar disso, o levantamento aponta deterioração em relação ao início do ano. Em janeiro, o índice havia chegado a 42,7%. O estudo também mostra piora na avaliação da economia local. O percentual de brasileiros que consideram a economia de sua região “forte” caiu para 31%, enquanto 48,2% acreditam que a situação econômica local estará melhor nos próximos seis meses — primeira vez no ano em que menos da metade da população demonstra expectativa de melhora. “O índice, o cenário de abril revela uma deterioração mais disseminada. O componente de Expectativas, que vinha sustentando o otimismo brasileiro, sofreu uma correção importante. Esse movimento sugere que o consumidor parou de projetar uma melhora automática no curto prazo, possivelmente influenciado pela persistência de juros elevados e revisões para cima nas projeções de inflação de itens essenciais, como alimentos e energia”, diz Lindemeyer. Na avaliação da Ipsos, os extremos geracionais foram os mais afetados pela piora das expectativas. A Geração Z e os Baby Boomers registraram as maiores quedas no otimismo em relação ao futuro econômico. A percepção sobre a situação financeira pessoal também piorou. Apenas 27,9% classificaram sua condição financeira atual como boa, enquanto 68,2% disseram acreditar que estarão em situação melhor daqui a seis meses.
30/04/2026 18:53:09 +00:00
Vale anuncia R$ 12 bi em investimentos no ES na celebração dos 60 anos de Tubarão em Vitória

Unidade Tubarão da Vale, no Espírito Santo Divulgação/Gabriel Lordêllo A Vale vai investir cerca de R$ 12 bilhões no Espírito Santo até 2030. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30), durante evento em comemoração aos 60 anos da unidade de Tubarão, em Vitória. Segundo a companhia, os investimentos serão feitos nas áreas de gestão hídrica, modernização de instalações e substituição de equipamentos. Os projetos, no entanto, não foram detalhados pela companhia. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, que esteve no evento de comemoração pelos 60 anos, na capital capixaba, falou sobre a atuação da companhia na região e destacou o pioneirismo do porto. "Celebrar os 60 anos da unidade Tubarão é reconhecer a importância do Espírito Santo para a Vale e para a mineração brasileira. Foi aqui que nasceu uma operação pioneira, baseada na integração entre mina, ferrovia e porto, que transformou nossa logística e segue estratégica para o presente e o futuro da companhia". O surgimento do Porto de Tubarão representou um avanço para a economia capixaba. Inclusive, apenas o parque industrial da Vale no estado já chegou a ser responsável por 13% do PIB (Produto Interno Brunto) do Espírito Santo. Pimenta destacou também a importância do Espírito Santo para a empresa como lobby logístico. "Investimos em soluções que também beneficiem o estado. Estamos focados em descarbonização e tecnologia", completou. Vídeos em alta no g1 LEIA TAMBÉM: VITÓRIA: Ex-PM foi executado por grupo de agiotagem de ex-policiais no ES VEJA VÍDEO: Mãe é intubada após filho colocar fogo na própria moto durante fiscalização da PM O evento contou com a presença de autoridades empresarias e políiticas, como o governador Ricardo Ferraço. Resultados A produção de pelotas de minério de ferro nas seis usinas da Vale, em Tubarão, bateu em 5,02 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026. O volume é 35,1% acima do que foi produzido nos primeiros três meses de 2025, 3,7 milhões de toneladas, avançou em 2,8% na comparação com as 4,89 milhões de toneladas que saíram das usinas no quarto trimestre do ano passado. As linhas capixabas tiveram resultado mais forte que a média geral das pelotizadoras, que ampliaram a sua produção em 14% na comparação com o início do ano passado. Os dados foram divulgados na noite de terça-feira (28), junto com os resultados da companhia. Transformação logística A história da unidade Tubarão está ligada à formação da logística da mineração do Brasil. A partir da década de 1960, o Porto de Vitória se consolidou como a principal rota de escoamento do minério de ferro extraído em Minas Gerais e transportado pela Estrada de Ferro Vitória-Minas. Porto de Tubarão foi inaugurado em 1 de abril de 1966 no Espírito Santo Arquivo/ Vale A construção do porto começou quando a Vale ainda era Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), antes da privatização da estatal. Esse movimento resultou, em 1º de abril de 1966, na inauguração do Porto de Tubarão, com a entrada em operação do Píer 1, marco decisivo para a expansão das exportações minerais brasileiras. No jornal A Gazeta do dia 2 de abril, a manchete era: "Castelo Branco inaugurou Tubarão sem falar". Três anos depois, em 1969, a unidade iniciou uma nova fase industrial com a inauguração da primeira usina de pelotização, agregando valor à produção mineral. A partir dos anos 1980, a operação passou a adotar, de forma estruturada, controles ambientais, com sistemas de recirculação de efluentes, monitoramento contínuo de emissões e ações de recuperação vegetal. Nas décadas seguintes, a expansão incluiu novos terminais, usinas e infraestruturas, além da adoção de equipamentos voltados à redução de impactos ambientais, como as barreiras de vento, instaladas a partir de 2009. Em 2016, a Unidade Tubarão avançou na segurança ambiental com o fechamento do primeiro transportador de minério do Porto, no Píer 2. Já em 2023, outro marco foi alcançado com a inauguração da usina de briquetes, reforçando o compromisso com a redução das emissões de carbono. Píer 2 do Porto de Tubarão, em Vitória Tadeu Bianconi/Agência Vale Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
30/04/2026 17:38:42 +00:00
Jaecco 7 ganha versão mais barata, de R$ 179.990; SUV híbrido plug-in tem 1.200 km de autonomia

Utilitário esportivo Jaecco 7, da Omoda Jaecoo, ganha nova vesão Elite Divulgação / Omoda Jaecoo A Omoda Jaecoo anunciou nesta quinta-feira (30) o lançamento da versão Elite do Jaecoo 7 no mercado brasileiro. A nova configuração chega como a opção mais acessível do portfólio, com preço de R$ 179.990. O modelo foi desenvolvido exclusivamente para o Brasil e já está em pré-venda. Segundo a empresa, a versão foi criada após ouvir as demandas do mercado brasileiro. O Jaecoo 7 Elite utiliza o sistema híbrido SHS (Super Hybrid System), que oferece até 1.200 km de autonomia combinada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O conjunto entrega 279 cavalos de potência, com motor 1.5 turbo de 135 cavalos aliado a um motor elétrico de 204 cavalos. A transmissão é do tipo DHT, com uma única marcha, e a bateria tem capacidade de 18,3 kWh. Em equipamentos, o modelo traz central multimídia de 13,2 polegadas, porta-malas com abertura elétrica e sensor de presença, carregador por indução com refrigeração, além de itens esperados para um SUV nessa faixa de preço. Vídeos em alta no g1 A versão Luxury do Jaecoo 7, que custa R$ 234.990, também recebeu novidades. Agora, conta com bancos dianteiros ventilados, câmeras ao redor do veículo, airbag de joelho para o motorista e teto solar panorâmico. Essa versão também passou a ter a mesma tela multimídia de 13,2 polegadas. A Omoda Jaecoo oferece sete anos de garantia e, segundo a empresa, já conta com mais de 70 concessionárias espalhadas por 24 estados brasileiros. A meta é alcançar mais de 100 lojas no país até o fim de 2026. Utilitário esportivo Jaecco 7, da Omoda Jaecoo, ganha nova vesão Elite Divulgação / Omoda Jaecoo
30/04/2026 17:30:19 +00:00
Reforma tributária: ministro da Fazenda diz que empresas terão apenas de enviar notas fiscais; declaração será pré-preenchida
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quinta-feira (30) que a reforma tributária sobre o consumo, cujo regulamento foi publicado pela União, estados e municípios, permitirá uma forte simplificação para as empresas. Segundo ele, a reforma representará um salto de desenvolvimento para o país, com as empresas tendo de emitir apenas a nota fiscal eletrônica. A partir daí, a Receita Federal e os fiscos estaduais e municipais consolidarão as informações e as empresas, e estas terão apenas de confirmar os dados — modelo semelhante ao da declaração pré-preenchida do IR das pessoas físicas. "A primeira delas [mudanças] é a redução de burocracia que a reforma vai trazer. Hoje, os negócios tem uma serie de obrigações de declarações a diferentes fiscos. Para além da obrigação de emitir a nota fiscal, tem uma série de agrupamento de dados que as pessoas têm de transmitir. A gente, basicamente, passa a ter só a obrigação de emissão da nota fiscal, a partir da reforma tributária", declarou Durigan. De acordo com o ministro da Fazenda, a consolidação das informações das notas fiscais, que já estão sendo enviadas no formato de teste neste ano por meio do super sistema por mais da metade das empresas, ficará a cargo do governo, estados e municípios. "A consolidação das informações fica mais a cargo dos poderes públicos do que dos contribuintes. Isso é importante para a vida das empresas. A declaração unificada vai ser precedida de uma apuração assistida, como eu tenho defendido na linha do fim do IR. Mais estimulo à racionalidade econômica e não se perder com questões burocráticas", acrescentou Durigan.
30/04/2026 15:09:23 +00:00
Governo, estados e municípios publicam regulamento da reforma tributária sobre o consumo, que começa em 2027
O governo federal, os estados e os municípios publicaram nesta quinta-feira (30) a regulamentação da reforma tributária sobre o consumo, ou seja, as regras que detalham como vão funcionar os futuros tributos federal e estadual. Antes de ser aprovada em 2024 e sancionada no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reforma vinha sendo discutida há décadas. Era muito aguardada pelo setor produtivo para aproximar as regras brasileiras do resto do mundo e simplificar um sistema que é tido como caótico por empresários e investidores. A alíquota do futuro imposto sobre o consumo, que será uma das maiores do mundo, ainda não foi divulgada. O governo e o Tribunal de Contas da União estão trabalhando nas estimativas para que ela mantenha a carga tributária para os entes federativos. A divulgação acontecerá até o fim de julho. Apesar de manter o peso dos tributos sobre o consumo — considerado elevado no Brasil, o que penaliza, principalmente, a população mais pobre — a reforma tributária promoverá uma redistribuição entre os setores da economia. Tributos extintos e nova sistemática Com a reforma, serão gradualmente extintos, nos próximos anos, o PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Eles funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, ou seja, eles serão não cumulativos. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, os impostos seriam pagos uma só vez por todos os participantes do processo. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que deverá ser dividido por toda a cadeia de produção (produtor, atacadista, distribuidor, varejista). Outra mudança é que o tributo sobre o consumo (IVA) será cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais. Prazo de implementação Já em fase de testes, o objetivo da Receita Federal é de que a plataforma esteja funcionando em 2026 sem gerar cobrança efetiva (alíquota pequena de 1%, que será "destacada", ou seja, abatida em outros tributos). A partir de 2027, quando haverá extinção do PIS e da Cofins federais, o sistema do "split payment" começará a operar em toda a economia para a CBS (tributo federal), focado nas negociações entre empresas — o chamado "business to business", sem abranger o varejo. De acordo com o governo, o split payment será opcional para o adquirente no começo do ano que vem. De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS, com a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS e o aumento gradual da alíquota do IBS (o futuro tributo sobre consumo dos estados e municípios). Super sistema tecnológico Uma nova plataforma tecnológica inédita no mundo, 150 vezes maior do que o PIX, em funcionamento em fase de testes, será usada para operacionalizar os pagamentos dos impostos sobre produtos e serviços. 🔎 O novo sistema vai viabilizar e estruturar o pagamento dos futuros impostos sobre valor agregado (IVA), previstos na reforma tributária sobre o consumo – aprovada em 2024 pelo Congresso Nacional e sancionada no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova plataforma vai viabilizar o chamado "split payment", ou seja, o pagamento do imposto no ato da compra do produto ou serviço paras vendas eletrônicas, algo que é considerado por especialistas como um desafio para as empresas - que atualmente têm um prazo maior para fazer o recolhimento. Isso exigirá um melhor controle contábil por parte das empresas. Cashback A reforma tributária prevê um mecanismo de "cashback" – ou seja, que os impostos cobrados no consumo sejam "devolvidos" às famílias. Isso também será viabilizado por meio do sistema da Receita Federal. O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O benefício entra em vigor em janeiro de 2027. Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal. Imposto do pecado A reforma tributária também prevê a criação de um imposto seletivo, chamado de imposto sobre o pecado, por englobar produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, que entrará em vigor a partir de 2027. O tributo incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas. Entretanto, a proposta de regulamentação do imposto seletivo, com o detalhamento da alíquota para cada produto, por exemplo, ainda não foi enviada ao Congresso Nacional. Para que tenha validade a partir do próximo ano, o regulamento tem de ser aprovado pelo Legislativo até o fim de 2026.
30/04/2026 14:34:32 +00:00
Acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira

Líderes do Mercosul e da UE participam da assinatura do acordo histórico. AFP O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul entra em vigor de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º). O decreto que promulga o tratado foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana. A medida encerra a etapa interna brasileira de incorporação do tratado ao ordenamento jurídico. Com isso, tanto o Brasil quanto a União Europeia começam a implementar o acordo provisoriamente a partir de amanhã, permitindo a aplicação gradual de suas regras entre os países integrantes dos blocos. A expectativa é que, embora tenha gerado controvérsias entre os países membros da União Europeia, o tratado beneficie exportadores da região e acalme os críticos, mesmo que não possa compensar totalmente o golpe das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Apoiadores europeus, como Alemanha e Espanha, afirmam que o acordo ajudará a compensar o impacto das tarifas americanas e reduzirá a dependência da China em relação a minerais essenciais. Já a França e outros críticos argumentam que o acordo aumentará as importações de carne bovina e açúcar mais baratos, prejudicando os agricultores nacionais, enquanto ambientalistas dizem que ele pode acelerar a destruição das florestas tropicais. Do ponto de vista econômico, especialistas alertam que os ganhos desse e de outros acordos concluídos pela UE nos últimos meses serão modestos e provavelmente não compensarão totalmente a perda de comércio com os Estados Unidos. O Parlamento Europeu, que precisa aprovar o acordo, havia votado em janeiro por contestá-lo no tribunal superior da UE, cuja decisão pode demorar até dois anos. Mesmo assim, a Comissão Europeia decidiu aplicar o tratado de forma provisória a partir de 1º de maio. Defensores esperam que o maior acordo da história da UE em termos de redução de tarifas — negociado ao longo de 25 anos — beneficie rapidamente os exportadores do bloco, para que, quando o Parlamento Europeu for votar, talvez em até dois anos, as vantagens já estejam evidentes. Trump gera corrida por acordos comeciais Além do Mercosul, a UE acelerou a conclusão de acordos comerciais com Índia, Indonésia, Austrália e México desde a reeleição de Trump. Esses acordos ajudam a reforçar o livre comércio, ainda mais em um momento em que as tarifas impostas por Trump e as restrições chinesas às exportações de minerais essenciais enfraquecem a ordem global. O bloco europeu também espera que os acordos ajudem a compensar uma queda de 15% ou mais nas exportações para os Estados Unidos e um impacto de cerca de 0,3% no PIB já neste ano. No entanto, Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia da ING Research, afirmou que é difícil imaginar que essas novas relações comerciais substituam os Estados Unidos. "Em termos simples, o PIB per capita dos EUA é de longe maior do que o desses novos parceiros comerciais", disse o executivo à Reuters. A Comissão Europeia estimou que o acordo com o Mercosul aumentará o PIB da UE em 0,05% até 2040. Já o acordo com a Índia, apelidado pela UE de “mãe de todos os acordos”, poderia acrescentar 0,1% ao PIB, segundo o Instituto Kiel para a Economia Global. Esses benefícios ainda estão a pelo menos uma década de distância, quando os acordos estiverem plenamente implementados, enquanto os efeitos das tarifas de Trump são imediatos. China já está lá As empresas da UE também devem enfrentar forte concorrência nesses mercados, onde rivais chineses vêm ampliando sua presença de forma constante há cerca de duas décadas. "O elefante na sala é a China", disse Lucrezia Reichlin, professora de economia da London Business School à Reuters. "E não se trata apenas de tarifas. Se observarmos o que a China fez na Ásia e na África, veremos que se trata de investimentos e da transição energética também." Maximiliano Mendez-Parra, principal pesquisador do ODI Global, afirmou que muita coisa mudou desde que foi coautor de um relatório para a Comissão Europeia, em dezembro de 2020, que previa um aumento de 0,1% no PIB da UE com o acordo UE-Mercosul. Desde então, segundo ele, a China ampliou as vendas de veículos e máquinas, justamente itens que a UE busca exportar. As reduções tarifárias devem ajudar as empresas da UE a competir de forma mais eficaz com os preços frequentemente baixos dos produtos chineses, mas os desafios continuam a aumentar. A China já começou a compensar os efeitos das tarifas dos Estados Unidos, ao registrar um superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, impulsionado pelo crescimento das exportações para mercados fora do país. O Global Trade Alert estimou que as tarifas dos Estados Unidos levaram ao redirecionamento de cerca de US$ 150 bilhões em exportações chinesas. Desse total, países da Asean absorveram mais de US$ 70 bilhões em produtos adicionais, além de aumentos expressivos para a América Latina, a África Subsaariana e o Golfo. Assim, embora os acordos comerciais da UE devam ajudar, o bloco dificilmente compensará a perda de exportações para os Estados Unidos sem uma agenda de reformas internas. Atualmente, cerca de 60% das exportações da UE ocorrem entre países do próprio bloco, e um mercado único mais eficiente e competitivo poderia compensar parte dessas perdas. *Com informações da agência de notícias Reuters.
30/04/2026 14:27:21 +00:00
Anatel suspende leilão da faixa 700 MHz após decisão da Justiça

Anatel suspende leilão da faixa 700 MHz após decisão da Justiça Júlia Martins/g1 A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou nesta quinta-feira (30) que o leilão de frequências na faixa de 700 MHz foi suspenso de maneira temporária pela Justiça. A decisão liminar foi proferida pela 10ª vara cível federal de São Paulo na noite de quarta-feira como parte de um mandado de segurança coletivo apresentado pela Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp). Segundo o presidente da Comissão Especial de Licitação (CEL) da Anatel, Vinicius Caram, a agência está tomando "todas as medidas cabíveis para a reversão da decisão". A retomada do certame depende de nova decisão judicial, acrescentou Caram. Vídeos em alta no g1 O leilão envolve autorizações de uso de radiofrequências nas subfaixas de 708 MHz a 718 MHz e de 763 MHz a 773 MHz. Além de fortalecer o 4G, a faixa de 700 MHz também ajuda a ampliar o alcance do 5G.   Anteriormente, a agência disse que o investimento previsto é de R$2 bilhões.  Ao todo, oito operadoras participam do leilão: Claro, TIM, Telefônica Brasil (Vivo), Amazônia Serviços Digitais, Brisanet, IEZ! Telecom, MHNet e Unifique. México reconhece 'cachorro caramelo' como raça mexicana e provoca reação de brasileiros na Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio
30/04/2026 13:51:52 +00:00
Com novo CEO brasileiro, Coca-Cola encolhe embalagens para driblar queda no consumo e inflação

Coca-Cola nomeia brasileiro Henrique Braun como novo CEO global Diante do aperto no orçamento das famílias — especialmente nos Estados Unidos — e a queda no consumo de refrigerantes, a Coca-Cola decidiu ajustar sua estratégia. A aposta é em embalagens menores e mais acessíveis, numa tentativa de sustentar as vendas em meio à alta da inflação. O brasileiro Henrique Braun, novo CEO da Coca-Cola, explicou, em entrevista ao The Wall Street Journal, que a empresa prefere ajustar o tamanho das embalagens em vez de reduzir preços com promoções. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Assim, o consumidor paga menos por unidade, mesmo levando uma quantidade menor de produto. A ideia é que as pessoas comprem com mais frequência, mesmo que levem menos refrigerante por vez. Segundo Braun, latinhas menores já fazem sucesso em alguns mercados, como nos Estados Unidos, principalmente em lojas de conveniência. “Na América do Norte, vimos o avanço das mini latas e dos multipacks. Também levamos versões individuais menores para lojas de conveniência, que passaram a ser uma opção de entrada mais barata”, afirmou. A companhia também lançou uma garrafa de 1,25 litro, pensada para o consumo em casa, como uma opção intermediária — nem tão grande, nem tão cara. Garrafas de Coca-Cola em prateleira de supermercado. Reuters/Regis Duvignau Apesar do cenário desafiador, a companhia apresentou resultados acima das expectativas no primeiro trimestre. O lucro por ação chegou a US$ 0,91, um aumento de 18% em comparação com o ano passado. Considerando os ajustes, ficou em US$ 0,86 — acima da expectativa do mercado, que era de US$ 0,81, segundo a FactSet. A receita também cresceu: subiu 12% e atingiu US$ 12,5 bilhões, superando o que analistas de Wall Street previam. Esse resultado foi impulsionado principalmente pela maior venda de concentrados, que são a base usada pelos parceiros para produzir os refrigerantes. Mesmo assim, o consumo ainda enfrenta dificuldades. Nos Estados Unidos, a confiança dos consumidores caiu para o nível mais baixo já registrado pela Universidade de Michigan, em meio a preocupações com a inflação, conflitos internacionais e um mercado de trabalho mais fraco. Nos últimos anos, a Coca-Cola tem reforçado a aposta em latas menores — como as de 220 ml e versões próximas, como 310 ml — além da tradicional de 350 ml, também vendidas no Brasil. No Brasil, a Coca-Cola FEMSA é responsável pela produção e distribuição das bebidas da Coca-Cola. O portfólio inclui refrigerantes como a própria Coca-Cola, Fanta, Sprite e Schweppes, além de chás Leão, sucos Del Valle e bebidas à base de soja Ades. A empresa também atua nos segmentos de energéticos, isotônicos, além de cervejas como Therezópolis, Eisenbahn, Sol, Kaiser, Bavaria, Tiger e Estrella Galicia, e da água mineral Crystal. No Brasil, que integra a divisão América do Sul, o volume de vendas cresceu 3,6%, totalizando 306 milhões de caixas. A receita somou cerca de US$ 1,2 bilhão, alta de 5% na comparação anual. Segundo a companhia, o crescimento no Brasil ajudou a compensar a fraqueza no México, principal mercado da divisão México e América Central. A divisão da América do Sul registrou avanço de 18,8% no lucro operacional, equilibrando os resultados consolidados da companhia. CEO brasileiro no comando Henrique Braun Divulgação/Coca-Cola Após quase 30 anos de carreira na companhia, Henrique Braun assumiu o cargo de CEO global da Coca-Cola em março deste ano. Com dupla nacionalidade — nasceu na Califórnia e foi criado no Brasil — ele começou como trainee em 1996 e passou por diversas áreas e regiões do mundo, incluindo liderança na China, Brasil e América Latina. Nos últimos anos, ocupou cargos globais estratégicos, como diretor de operações (COO), coordenando operações em todos os mercados. Braun substituiu James Quincey, que continua como chairman. Segundo a Coca-Cola, a escolha do executivo reflete sua experiência internacional e atuação em um período de mudanças no consumo e maior concorrência.
30/04/2026 13:51:32 +00:00
Como possível ação dos EUA no Irã elevou petróleo ao maior nível desde 2022

Combustível vai aumentar no Brasil? Entenda o impacto da guerra no Irã Os preços do petróleo atingiram o nível mais alto desde 2022 após a divulgação de um relatório segundo o qual militares dos Estados Unidos devem apresentar ao presidente americano, Donald Trump, novos planos para uma possível ação contra o Irã. O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) preparou um plano para uma série de ataques "breves e contundentes" com o objetivo de destravar as negociações com o Irã, informou o site Axios. A BBC entrou em contato com o Centcom e com a Casa Branca para comentar, mas não recebeu resposta até o momento. O barril de petróleo do tipo Brent subiu quase 7% e chegou a ultrapassar US$ 126 (cerca de R$ 630), o maior valor desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Os preços de energia vêm subindo nesta semana com as negociações de paz estagnadas, com o estratégico estreito de Ormuz ainda, na prática, fechado. O site Axios informou que o Comando Central dos EUA preparou um plano para uma série de ataques "breves e contundentes" contra o Irã Costfoto/NurPhoto via Getty Images Antes dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, passavam pelo estreito cerca de 20% do petróleo global, entre outros insumos. A reportagem do site Axios, com base em fontes anônimas, afirma que a proposta de ataques deve incluir alvos de infraestrutura. Outro plano envolve assumir o controle de parte do estreito de Ormuz para reabrir a rota ao transporte comercial, o que pode exigir o envio de tropas terrestres, segundo o Axios. O petróleo West Texas Intermediate, que serve como referência de preço nos EUA, também subiu, com alta de 2,3%, para cerca de US$ 109 (aproximadamente R$ 545) o barril. O contrato futuro do Brent para entrega em junho vence na quinta-feira (30/4). Já o contrato mais negociado, com entrega em julho, avançava cerca de 2%, para perto de US$ 113 (cerca de R$ 565), nas negociações da manhã na Ásia. Os contratos futuros são acordos para comprar ou vender um ativo em uma data previamente definida. Os mercados de petróleo reagiram rapidamente à possibilidade de uma nova ação militar no Golfo, afirmou Yeow Hwee Chua, professor de economia da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura. Ele acrescentou que mesmo uma pequena chance de escalada do conflito pode ter "efeitos desproporcionais" sobre a oferta global de energia. Os EUA disseram que vão bloquear portos iranianos enquanto o Irã continuar a ameaçar embarcações que tentam usar o estreito de Ormuz, o que pode afetar gravemente o transporte global de energia. O Irã reagiu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel ao ameaçar atacar navios na região, por onde costuma passar cerca de um quinto da energia consumida no mundo. Os preços do petróleo já haviam subido 6% na quarta-feira (29/4), após relatos de que os EUA se preparavam para um bloqueio "prolongado" ao Irã. "Há sinais de que uma escalada do conflito voltou ao centro das discussões, seja com os EUA mantendo o bloqueio ao Irã, seja com relatos e rumores de que, para sair desse impasse, o Irã pode voltar a atacar", disse Naveen Das, analista sênior de petróleo da Kpler, empresa de inteligência marítima. Ele afirmou ao programa Today, da BBC, que um preço do petróleo próximo de US$ 125 (cerca de R$ 625) é o ponto em que empresas e políticos "começam a ficar mais apreensivos". "Podemos começar a ver mais iniciativas para tentar reduzir a escalada", acrescentou, porque a alta dos preços "tem efeito em cadeia não só sobre o petróleo, mas também sobre produtos derivados, a inflação e praticamente todos os aspectos da vida cotidiana". A BBC apurou que executivos do setor de energia se reuniram com Trump na terça-feira (28/4) para discutir formas de limitar o impacto da guerra sobre os consumidores americanos, o que aumentou a preocupação do mercado com uma possível interrupção prolongada no fornecimento de energia. "A grande questão, na minha visão, é por quanto tempo o governo Trump conseguirá suportar a pressão econômica", disse Will Walker-Arnott, gestor de investimentos da Raymond James, ao programa Today. "As pessoas já começam a se preocupar com o impacto inflacionário da alta do petróleo", acrescentou. Vantagem do Brasil em biocombustíveis A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, provocou uma crise energética global, com alta do petróleo e risco de desabastecimento, especialmente após o bloqueio do estreito de Ormuz. Nesse cenário, o Brasil conta com uma vantagem estratégica: os biocombustíveis, avalia a revista britânica The Economist. A revista publicou um artigo em 26 de março em que afirma que "o Brasil tem uma arma secreta contra choques do petróleo" e que "os biocombustíveis vão ajudar o país a enfrentar os efeitos do conflito no Oriente Médio". Neste contexto, a The Economist afirma que poucos países estavam preparados para um choque do petróleo, mas "o Brasil estava". Isso porque o país, ao longo de décadas, investiu em alternativas e construiu "a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo". A reportagem destaca ainda o papel estrutural desses combustíveis na economia brasileira. "Eles são misturados à gasolina e ao diesel, com percentuais obrigatórios definidos pelo governo de 30% e 15%, respectivamente, entre os mais altos do mundo", observa a revista. O artigo também chama atenção para a frota nacional: "três quartos dos veículos leves no Brasil possuem tecnologia que permite rodar com qualquer mistura, desde gasolina pura até etanol 100%". "Isso reduz a dependência do Brasil de combustíveis fósseis importados e protege o país contra mercados inflacionados. O preço da gasolina nos postos brasileiros subiu 10% desde o início da guerra, e o do diesel, 20%, segundo dados divulgados em 20 de março pelo regulador de energia. É um aumento doloroso, mas muito abaixo dos saltos de 30% a 40% observados nos Estados Unidos." A The Economist lembra que essa estratégia começou nos anos 1970, após outra crise do petróleo, e desde então se consolidou como base da política energética do país. "Na época, o Brasil importava 80% do combustível que consumia; o embargo árabe estava sufocando a economia. Transformar o excedente de cana-de-açúcar em etanol foi uma solução óbvia", aponta o texto. A revista menciona ainda um plano do governo federal, em 2023, para promover o biodiesel, derivado de sementes, principalmente de soja. Hoje, diz a revista, o governo federal mantém essa linha, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que como "poucos abraçaram os biocombustíveis com tanta intensidade". Ainda assim, a revista faz uma ressalva: "os biocombustíveis não podem eliminar totalmente os custos provocados pela alta do petróleo". Mas a avaliação é que o Brasil entra nessa crise em posição mais favorável. Enquanto grandes economias enfrentam alta mais intensa de preços e risco de escassez, o país consegue amortecer parte do impacto — e até se beneficiar com o aumento da demanda global por alternativas ao petróleo. A análise aponta também que o modelo começa a chamar atenção internacional, com países como Índia e Japão estudando adaptar a experiência brasileira. Corte nos juros: 4 fatores que explicam a redução Governo deve liberar R$ 4,5 bilhões do FGTS para reduzir endividamento
30/04/2026 13:30:20 +00:00
Veja dicas para o cultivo e poda do cacau

Cacau Ronaldo Rosa/Embrapa Neste domingo (3), o Globo Rural indica um folheto do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com informações sobre produção, manejo e colheita do cacau. A publicação traz dicas específicas sobre a poda do cacaueiro, incluindo o material indicado para fazer os cortes e as recomendações para cada tipo de poda. 📱Acesse aqui Que fruta é essa?
30/04/2026 13:19:57 +00:00
Reforma tributária: penalidade por não preencher nota fiscal com impostos sobre consumo começa em 2027

O Ministério da Fazenda informou nesta sexta-feira (30) que a penalidade para as empresas que não preencherem os campos relativos aos impostos sobre o consumo, na nota fiscal eletrônica, começarão a partir de 2027. Segundo a Receita Federal, a regulamentação da reforma tributária, publicada nesta sexta-feira, permite que as penalidades sejam aplicadas a partir de agosto de 2026. Entretanto, informou que a intenção é de não aplicá-las neste ano. Correção: O g1 errou ao informar, anteriormente, que as multas começariam em agosto. A reportagem foi corrigida às 11h25 desta quinta-feira (29). "A intenção é que esse ano seja pedagógico. Para os casos em que seja necessário, a lei já estabelece que vai haver uma notificação do contribuinte que haja um prazo de 60 dias para se regularizar", disse João Pedro Nobre, do Ministério da Fazenda. Vídeos em alta no g1 Com isso, as notas fiscais que não trouxerem preenchidos os campos dos futuros impostos sobre o consumo, a CBS federal e o IBS estadual, não serão automaticamente rejeitadas antes de 2027. Reforma tributária freepik Nova plataforma tecnológica Uma nova plataforma tecnológica, que será inédita no mundo, 150 vezes maior do que o PIX, entra em funcionamento no próximo ano para operacionalizar os pagamentos dos impostos sobre produtos e serviços. 🔎 O novo sistema vai viabilizar e estruturar o pagamento dos futuros impostos sobre valor agregado (IVA), previstos na reforma tributária sobre o consumo – aprovada em 2024 pelo Congresso Nacional e sancionada no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já em fase de testes, o objetivo da Receita Federal é de que a plataforma esteja funcionando em 2026 sem gerar cobrança efetiva (alíquota pequena de 1%, que será "destacada", ou seja, abatida em outros tributos). Segundo a Receita Federal, das 13,5 bilhões de notas fiscais emitidas neste ano, 7,4 bilhões já têm os impostos "destacados" (informados) de maneira voluntária pelas empresas. A partir de 2027, quando haverá extinção do PIS e da Cofins federais, o sistema do "split payment" começará a operar em toda a economia para a CBS (tributo federal), focado nas negociações entre empresas — o chamado "business to business", sem abranger o varejo. De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS, com a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS e o aumento gradual da alíquota do IBS (o futuro tributo sobre consumo dos estados e municípios). Desafio para empresas Reportagem do g1 mostrou, em novembro, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas a partir de 2026. ➡️Especialistas ouvidos relataram que as empresas despreparadas poderiam ter desde mercadorias paradas e incapacidade do contas a pagar, liquidar a fatura, até a possibilidade de a empresa não aproveitar os créditos tributários, gerando um impacto direto no fluxo de caixa. ➡️Já a Receita Federal negou que haverá um aumento de complexidade na emissão das notas fiscais, e também afastou interpretações de que poderá haver um cenário caótico para as empresas a partir de 2026. Segundo o órgão, os campos das notas fiscais serão praticamente os mesmos de hoje, como: CNPJ ou CPF, de compradores ou vendedores, além da quantidade de produtos, valor da venda e códigos tributários, por exemplo.
30/04/2026 13:04:54 +00:00
Argentina vai aumentar impostos sobre combustíveis em maio

O presidente da Argentina, Javier Milei, em 2 de abril de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian O governo da Argentina anunciou que aumentará parcialmente os impostos sobre combustíveis a partir de maio. A decisão foi publicada no Diário Oficial do país nesta quinta-feira (30). A medida ocorre em meio ao avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Irã. Segundo a Bloomberg News, os preços da gasolina na Argentina já acumulavam uma alta de 20% desde o início do conflito, em fevereiro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O aumento dos impostos sobre combustíveis ocorre pouco tempo após um anúncio da estatal argentina de energia YPF. No início do mês, a companhia informou que manteria os preços da gasolina estáveis nos postos por 45 dias. “Vamos deixar os preços aproximadamente constantes por 45 dias. […] Se o preço do Brent subir ou cair, vamos manter a gasolina aproximadamente constante”, afirmou o CEO da companhia, Horacio Marin, em entrevista à TV La Nación. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O petróleo tipo Brent, referência internacional, já acumula uma alta de mais de 62% desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Na véspera, o barril da commodity encerrou a sessão cotado a US$ 118,03, no maior patamar em quase quatro anos. O aumento dos combustíveis já começa a se refletir na inflação argentina. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indicam que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou uma alta de 3,4% em março, puxado principalmente pelos setores de educação (12,1%) e transporte (4,1%). O resultado representa uma aceleração em relação aos 2,9% registrados em fevereiro e marca o maior nível em um ano. No acumulado de 12 meses até março, o índice ficou em 32,6%, abaixo dos 33,1% registrados no mês anterior. Ajuste econômico A Argentina, que já enfrentava uma forte recessão, passa por uma ampla reforma econômica. Após tomar posse, em dezembro de 2023, o presidente Javier Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de recursos aos estados. O governo também retirou subsídios às tarifas de água, gás, energia elétrica, transporte público e outros serviços essenciais. Com isso, houve um aumento expressivo nos preços ao consumidor. O país também observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação. No segundo semestre de 2025, o percentual caiu para 28,2%, no menor nível em sete anos. Por outro lado, o presidente conseguiu registrar uma sequência de superávits fiscais — quando a arrecadação supera os gastos — e retomar a confiança de parte dos investidores. Além disso, desde o ano passado, o governo e o Banco Central da Argentina lançaram uma série de medidas monetárias, fiscais e cambiais para ampliar a entrada de dólares no país, com o objetivo de cumprir o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e apoiar a recuperação econômica. O objetivo do governo é estabilizar a inflação, reforçar as reservas internacionais, melhorar o funcionamento do câmbio e atrair investimentos, ao mesmo tempo em que avança no ajuste econômico promovido por Milei. *Com apuração do repórter André Catto e informações da agência de notícias Reuters.
30/04/2026 12:51:27 +00:00
NR-1: Ministro diz que norma não será adiada sem acordo entre empresas e trabalhadores

Ministro descarta adiar NR-1 sem acordo entre empresas e trabalhadores O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que não pretende adiar novamente a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade das empresas sobre a saúde mental dos trabalhadores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em entrevista ao Bom Dia, Ministro, ele disse que “já houve uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para novo adiamento”. Segundo o ministro, uma nova mudança só ocorreria em caso de acordo entre empresas e representantes dos trabalhadores — o que hoje não existe. “Já fizemos uma prorrogação no ano passado e, neste momento, não há disposição para um novo adiamento. Isso só seria possível se as empresas chegarem a um acordo com os sindicatos e representantes dos trabalhadores. Se houver esse entendimento, vamos acatar. Mas esse acordo hoje não existe — e, sem ele, não há prorrogação",afirmou. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Reprodução/EPTV O que mudaria com a NR-1? Com a atualização da norma, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho. ➡️ Ou seja, isso passaria a ter o mesmo peso de fiscalização de pontos como questões que envolvem acidente de trabalho ou doença. O ministro também afirmou que as empresas terão que se adaptar às novas exigências e fez um alerta sobre a oferta de consultorias no mercado. Segundo ele, não há necessidade de contratar serviços externos para cumprir a norma. “As empresas não precisam contratar consultorias caras. Elas podem organizar seus próprios processos com os profissionais que já têm, como equipes de recursos humanos, assistência social e psicologia, seguindo as orientações do manual já publicado”, disse. Marinho afirmou ainda que as empresas podem buscar apoio em entidades representativas e no Sistema S para implementar as mudanças. O ministro ressaltou que, neste primeiro momento, a atuação da fiscalização será orientativa. A orientação aos auditores, segundo ele, é observar e apoiar as empresas na adaptação, e não aplicar penalidades imediatas. “A ideia é ajudar as empresas a organizar esse processo. Não é para sair autuando quem ainda enfrenta dificuldades”, afirmou. Ele também defendeu que a implementação seja gradual e com diálogo entre empresas e trabalhadores, evitando a judicialização. “Esperamos que haja conversa e que a norma seja implementada de acordo com a realidade de cada empresa, sem desespero ou alarmismo”, disse. A medida estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025, ano em que, como o g1 revelou, o país bateu recorde no número de afastamentos por transtornos mentais, com custo bilionário aos cofres públicos. Após pressão de sindicatos patronais e empresas, o governo adiou a medida por um ano, para maio de 2026. Agora, novamente sob pressão, um segundo adiamento estava em estudo pelo Ministério do Trabalho. A decisão de adiamento vai na contramão do cenário do trabalho no país. Em 2025, quando a norma já deveria estar em vigor, o quadro de afastamentos piorou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais. Em março, o MTE informou que ainda não tinha uma definição e que deveria divulgar uma decisão em breve. As entidades empresariais pressionam por um novo adiamento, alegando que o prazo não foi suficiente para adaptação — principalmente pela falta de orientações técnicas mais claras por parte do Ministério do Trabalho. Entre os argumentos, o setor afirma que a medida pode transferir às empresas a responsabilidade por problemas de saúde mental, gerar custos extras com profissionais especializados e trazer insegurança jurídica. Por outro lado, auditores fiscais do trabalho afirmam que as exigências não são novas e que a principal mudança é a inclusão dos riscos psicossociais na fiscalização. Além disso, o Ministério do Trabalho lançou, no ano passado, uma cartilha para orientar as empresas e, no início deste ano, um manual de interpretação e aplicação da norma. A possibilidade de um novo adiamento enfrenta resistência de entidades ligadas à fiscalização e à defesa dos trabalhadores. O Ministério Público do Trabalho (MPT) se posicionou contra a medida. Em nota, o órgão afirmou que a postergação pode gerar insegurança jurídica, comprometer a proteção à saúde mental no ambiente de trabalho e abrir espaço para o esvaziamento da norma. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT) também criticou a possibilidade de nova prorrogação. “Os trabalhadores estão sofrendo as graves consequências da falta de implementação da NR-1”, afirma a entidade. Já entidades da área de Segurança e Saúde no Trabalho defendem que seja mantido o prazo de 26 de maio de 2026. Segundo o setor, o tempo de adaptação foi suficiente e há orientação técnica disponível. ➡️ Entenda tudo o que aconteceu na reportagem completa: NR-1: Governo estuda adiar mais uma vez regra que pune empresas por danos à saúde mental no trabalho
30/04/2026 12:40:32 +00:00
Voos comerciais entre Miami e Caracas são retomados após sete anos

Voos comerciais entre Miami e Caracas são retomados após 7 anos A retomada de voos diretos entre Estados Unidos e Venezuela marca um novo capítulo na reaproximação entre os dois países. O primeiro voo comercial entre Miami e Caracas decolou nesta quinta-feira (30), após sete anos de interrupção. A operação foi feita pela American Airlines, primeira empresa americana autorizada a retomar a rota. A expectativa é de voos diários entre as duas cidades, operados por aeronaves Embraer 175, por meio da subsidiária Envoy Air. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O capitão Ric Wilson acena com uma bandeira venezuelana e o primeiro oficial acena com uma bandeira dos EUA no primeiro voo comercial direto entre os Estados Unidos e a Venezuela em sete anos, na quinta-feira, 30 de abril de 2026. AP/Rebecca Blackwell A retomada ocorre após mudanças políticas recentes e a reabertura gradual das relações diplomáticas entre os países, rompidas em 2019. Nas últimas semanas, a embaixada americana em Caracas voltou a funcionar, enquanto a Venezuela retomou sua representação em Washington. O governo dos EUA também vem flexibilizando, de forma gradual, sanções impostas ao país sul-americano. Ao mesmo tempo, Caracas aprovou mudanças em leis de hidrocarbonetos e mineração para atrair investimento privado, em um país que concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Apesar da reaproximação, o Departamento de Estado americano ainda recomenda cautela. O órgão classifica a Venezuela no nível 3 de alerta (em uma escala de 4) e desaconselha viagens devido a riscos como criminalidade, sequestros e limitações na infraestrutura de saúde. Frequência inicial Primeiro voo comercial entre Miami e Caracas em 7 anos AP/Rebecca Blackwell A American Airlines prevê inicialmente um voo diário de ida e volta entre Miami e Caracas, com possibilidade de ampliação da oferta conforme a demanda e a evolução das condições operacionais. A autorização concedida pelo governo dos EUA tem validade de dois anos e também inclui voos para a cidade de Maracaibo. Miami abriga uma das maiores comunidades da diáspora venezuelana, o que deve impulsionar a demanda pela rota. Antes da suspensão, em 2019, a American Airlines era a principal companhia aérea americana em operação na Venezuela. A empresa iniciou voos para o país ainda na década de 1980. Boeing 737 Max da American Airlines volta a voar AP LEIA TAMBÉM: EUA prendem sargento envolvido na captura de Maduro que apostou na operação e ganhou R$ 2 milhões EUA aliviam sanções e autorizam Venezuela a pagar advogados de Maduro Presidente da Venezuela encerra Lei de Anistia para presos políticos dois meses após implementar medida
30/04/2026 12:14:16 +00:00
Dólar cai a R$ 4,95 e fecha no menor valor em mais de dois anos, com juros e petróleo no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,99% nesta quinta-feira (30), cotada a R$ 4,9518 — o menor patamar desde 7 de março de 2024, quando encerrou a R$ 4,9336. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,39%, aos 187.318 pontos. Indicadores econômicos no Brasil e no exterior foram os principais destaques do dia. Investidores também avaliaram as decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve (Fed), e seguiram atentos ao conflito no Oriente Médio. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ As decisões de juros no Brasil e nos EUA vieram de acordo com o esperado pelo mercado financeiro. A guerra no Oriente Médio foi um fator comum de preocupação para os bancos centrais, que indicaram que as taxas podem permanecer mais altas para conter os efeitos da inflação. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,5% ao ano. Nos EUA , o Federal Reserve decidiu manter os juros inalterados na faixa de 3,50% e 3,75%. 🔎 Juros mais altos no Brasil tendem a desvalorizar o dólar no país, pois atraem investidores estrangeiros em busca de aplicações mais seguras e com maior retorno. ▶️ O mercado também avalia o impasse nas negociações de paz entre os EUA e o Irã. A expectativa é que o governo iraniano apresente um novo plano para encerrar a guerra, após Trump rejeitar a última proposta do país. O bloqueio aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz seguem pressionando os preços do petróleo. O barril do Brent (referência internacional) fechou a US$ 118,03 na véspera, no maior patamar desde 2022. ▶️ Entre os indicadores econômicos, a inflação anual dos EUA, medida pelo PCE, registrou alta de 0,7% em março, no maior avanço desde junho de 2022. Os preços mais altos da gasolina puxaram o índice, que é um dos preferidos do Fed para análise de preços e decisão de juros. ▶️ No Brasil, o destaque é a taxa de desemprego, que ficou em 6,1% no trimestre até março de 2026, segundo o IBGE. O resultado veio em linha com o esperado e é o menor para esse período desde 2012. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,92%; Acumulado do mês: -4,38%; Acumulado do ano: -9,78%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,78%; Acumulado do mês: -0,06%; Acumulado do ano: +16,28%. Petróleo toca os US$ 125 A tensão no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado de energia e levou o petróleo a níveis elevados nesta quinta-feira, chegando a ultrapassar os US$ 125 nas primeiras horas do dia, em meio à falta de avanço nas negociações entre EUA e Irã. Os preços arrefeceram ao longo do dia, mas as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e sobre uma solução para o conflito continuam a pairar sobre o mercado. Ao final da sessão, o barril do Brent (referência internacional) fechou em queda de 3,41%, cotado a US$ 114,01 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estaods Unidos, caiu 1,23% na sessão, a US$ 105,57 o barril. A volatilidade recente está diretamente ligada ao impasse geopolítico, que segue sem sinais claros de resolução: a guerra já entra na nona semana, sem avanço significativo nas negociações; os EUA mantêm restrições aos portos iranianos; a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece comprometida, afetando a oferta global. Vale lembrar que, nos últimos dias, declarações do presidente Donald Trump ampliaram o grau de incerteza. O governo americano avalia diferentes caminhos, que vão desde intensificar a pressão até reduzir sua presença militar na região. Do outro lado, o Irã indica que pode reagir a novos ataques e tem usado o período de cessar-fogo para reorganizar sua estrutura militar. Mercados globais Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em alta nesta quinta-feira, registrando os maiores ganhos mensais em anos. O avanço veio apoiado em resultados corporativos positivos, que acabaram compensando as preocupações com a oferta global de petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. Enquanto o Dow Jones subiu 1,62% na sessão, para 49.652,14, o S&P 500 avançou 1,02%, para 7.209,01 pontos e o Nasdaq Composite teve ganhos de 0,89%, aos 24.892,31 pontos. Na Europa, o desempenho foi majoritariamente positivo. O STOXX 600 avançou 0,35%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 1,03%. O DAX, da Alemanha, teve alta de 0,28%. Na contramão, o CAC 40, da França, caiu 0,59%. Na Ásia, os mercados fecharam em direções opostas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,3%, aos 25.772,50 pontos. Já o Shanghai Composite, de Xangai, subiu 0,1%, aos 4.109,99 pontos. Em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 1,1%, enquanto, em Seul, o KOSPI teve baixa de 1,38%. Dólar Heloise Hamada/G1
30/04/2026 12:00:33 +00:00
Desemprego sobe a 6,1% no trimestre até março, mas mantém mínima histórica para o período

Desemprego sobe para 6,1% no 1º trimestre A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a PNAD Contínua divulgada nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado e é o menor nível já registrado para esse período do ano desde o início da série, em 2012. Apesar disso, o número de pessoas sem trabalho aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam desocupadas, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição. Já o total de ocupados somou 102 milhões. Esse contingente recuou 1,0% no trimestre, mas avançou 1,5% em relação ao ano anterior, indicando uma recuperação ao longo de períodos mais longos. Esse movimento também aparece no nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada. O indicador ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a variação está associada a fatores típicos do início do ano, quando alguns setores passam por ajustes no número de trabalhadores. “No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários”, explicou. Para a pesquisadora, esse padrão costuma se repetir nesse período e ajuda a entender os resultados. “Esse é um comportamento que, de modo geral, ocorre nos primeiros trimestres de cada ano, e este não foi diferente.” Já a taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março. O indicador subiu 0,9 ponto percentual em relação ao período anterior, mas recuou 1,6 ponto na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam nessa condição. Esse contingente aumentou 6,6% no trimestre, com mais 1 milhão de pessoas, mas caiu 10,1% em um ano, o equivalente a 1,8 milhão a menos. Veja os destaques da pesquisa Taxa de desocupação: 6,1% População desocupada: 6,6 milhões de pessoas População ocupada: 102 milhões População fora da força de trabalho: 66,5 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,2 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,3 milhões Trabalhadores por conta própria: 26 milhões Trabalhadores informais: 38,1 milhões Taxa de informalidade: 37,3% Entre os grupos que compõem esse indicador, o número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ficou em 4,4 milhões, sem variações relevantes nas duas comparações. Já a população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, estável no trimestre e com alta de 1,3% em um ano, o que representa mais 841 mil pessoas. A população desalentada, que reúne aqueles que desistiram de procurar emprego, ficou em 2,7 milhões. Esse grupo não apresentou mudança significativa no trimestre, mas recuou 15,9% na comparação anual, com 509 mil pessoas a menos. 🔎 Os desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acharem que não encontrariam, por falta de qualificação ou de oportunidades na região onde moram, por exemplo. Vínculos, informalidade e renda O número de trabalhadores no setor privado somou 52,4 milhões no trimestre encerrado em março. Esse total recuou 1,0% em relação ao período anterior, com menos 527 mil pessoas, mas avançou 1,1% na comparação anual, o equivalente a 583 mil a mais. Dentro desse grupo, o emprego com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, e cresceu 1,3% em um ano. Já os sem carteira, de 13,3 milhões, caiu 2,1% no trimestre e não apresentou variação relevante na comparação anual. No setor público, o número de ocupados ficou em 12,7 milhões, com queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% em um ano. Entre os trabalhadores por conta própria, o total chegou a 26,0 milhões, estável no trimestre e com crescimento de 2,4% na comparação anual. A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice recuou em relação ao trimestre anterior e também na comparação com o mesmo período do ano passado. Os rendimentos seguiram em alta. O ganho médio habitual chegou a R$ 3.722, com avanço de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, atingindo o maior valor da série. Esse movimento também se refletiu no total de rendimentos pagos à população. A massa de renda somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual, também no maior nível já registrado. Renda avança em alguns setores O rendimento médio mensal apresentou aumento em poucos setores na comparação com o trimestre anterior. As altas ficaram concentradas em comércio e em atividades ligadas ao setor público, enquanto os demais segmentos não registraram mudanças relevantes. Entre os destaques do trimestre: 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,0% (mais R$ 86) 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5% (mais R$ 127) Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço da renda foi mais disseminado e atingiu diferentes áreas da economia. Nesse caso, seis grupos apresentaram crescimento, enquanto os demais permaneceram sem variação significativa. Os principais aumentos foram registrados em: 🏗️ Construção: alta de 4,5% (mais R$ 124) 🛒 Comércio e reparação de veículos: alta de 3,9% (mais R$ 113) 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras e profissionais: alta de 5,9% (mais R$ 291) 🏛️ Administração pública, educação e saúde: alta de 4% (mais R$ 198) 🧰 Outros serviços: alta de 11,4% (mais R$ 320) 🏠 Serviços domésticos: alta de 4,9% (mais R$ 66) Sinais de acomodação no mercado de trabalho Apesar da alta do desemprego no trimestre, economistas avaliam que alguns indicadores sugerem uma leve perda de fôlego. Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura exige cautela. Ele reforça que o resultado reflite a “sazonalidade do período” e, ao retirar esses efeitos, ele identifica uma desaceleração gradual. “Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica”, afirmou. Na avaliação do economista, o cenário segue positivo, mas com sinais mistos: a renda continua em alta, com avanço de 1,6% no trimestre e novo recorde, enquanto o número de desempregados cresce e a população ocupada recua. Já Maykon Douglas ressalta que a alta do desemprego no início do ano é comum, sobretudo após o fim de contratos temporários. Ao mesmo tempo, destaca que a ocupação segue em expansão e a renda mantém ritmo consistente. “A massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual”, disse. Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração gradual, sem uma reversão brusca. Segundo Douglas, mesmo com fatores que podem limitar o crescimento, como o cenário externo e a política de juros, o mercado de trabalho deve seguir resiliente, ainda que em ritmo mais moderado. Carteira de trabalho vaga de emprego Sine Maceió Jonathan Lins
30/04/2026 12:00:32 +00:00
Lula sinaliza a aliados que não vai abrir mão de nova indicação para o STF após derrota de Messias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou, em conversa com aliados na noite desta quarta-feira (29), que deve escolher um novo nome e não pretende deixar para o próximo governo a prerrogativa de indicar um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF). Reunido com aliados do governo no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que deve escolher um novo nome para a Corte, ainda que não de forma imediata. A expectativa, segundo relatos, é que a indicação ocorra nas próximas semanas. A posição foi discutida após a rejeição, pelo Senado Federal, do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente. Lula disse a interlocutores que recebeu com tranquilidade a decisão do Congresso Nacional. Messias, inclusive, estava na reunião. Um ministro que participou da reunião no Alvorada afirmou ao blog que "não há hipótese de o presidente Lula abrir mão da sua prerrogativa de indicar um nome ao STF". Em derrota histórica para Lula, Senado rejeita indicação de Messias ao STF Apesar disso, a votação acendeu alertas no Palácio da Alvorada. Aliados que participaram da reunião avaliaram que o placar — com apenas 34 votos favoráveis ao indicado — evidenciou traições dentro da base. Ao longo do encontro informal, auxiliares do presidente, incluindo ministros ligados ao Centrão e não apenas petistas, avaliaram que houve falhas na articulação política no Congresso. Segundo eles, lideranças não conseguiram antecipar que o resultado no plenário seria desfavorável ao indicado. Quando ficou claro, já durante a sessão, que Messias poderia ser rejeitado, articuladores do governo de outros partidos ainda tentaram adiar a votação. A tentativa, porém, não foi acatada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Outro ponto debatido na reunião foi o impacto do episódio na relação do governo com lideranças do Congresso. O nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi citado durante a conversa como alguém que teria votado contra o indicado. O episódio reforçou, entre os presentes, a leitura de que o presidente deve agir rapidamente para garantir sua indicação ao STF ainda durante o atual mandato. Presidente Lula durante entrevista Ricardo Stuckert/PR
30/04/2026 11:35:38 +00:00
Déficit de R$ 80,7 bilhões das contas públicas em março leva dívida a 80% do PIB, maior nível em quase 5 anos

As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 80,7 bilhões em março, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira (30). 🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário. 🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais. Na comparação com março do ano passado, houve forte piora, uma vez, que foi registrado saldo positivo de R$ 3,6 bilhões naquele mês. Vídeos em alta no g1 Veja abaixo o desempenho que levou ao déficit das contas em março deste ano: governo federal registrou saldo negativo de R$ 74,8 bilhões; estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 5,4 bilhões; empresas estatais apresentaram déficit de R$ 469 milhões. ➡️Nesta quarta-feira (29), a Secretaria do Tesouro Nacional informou que a piora no seu resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano. Foto aérea mostra a Esplanada dos Ministérios com o Congresso ao fundo Ana Volpe/Agência Senado Parcial do ano No acumulado dos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um superávit primário de R$ 6,62 bilhões — o equivalente a 0,21% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 88,7 bilhões (2,93% do PIB). No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 17,04 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um superávit de R$ 52,32 bilhões nos três primeiros meses de 2025. Essa piora também está relacionada, principalmente, com a antecipação no pagamento de precatórios neste ano pela Secretaria do Tesouro Nacional. Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação). Após despesas com juros Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 199,5 bilhões nas contas do setor público em março. ➡️No acumulado em 12 meses até março, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,21 trilhão, ou 9,4% do PIB. 🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores. O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, patamar elevado. Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,08 trilhão (8,35% do PIB) em doze meses até março deste ano. Dívida pública Com o déficit nas contas públicas em março, a dívida do setor público consolidado subiu 0,9 ponto percentual, para 80,1% do PIB, o equivalente a R$ 10,35 trilhões. ➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde julho de 2021, quando somava 80,3% do PIB, ou seja, é o maior patamar em quase cinco anos. ➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 8,4 pontos percentuais. A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros. ➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), conceito internacional — que considera os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em março: 92% do PIB. A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente. ➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI). Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por estas regras: a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação; a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano; o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro. Sem um corte robusto de despesas, necessário para manter de pé o arcabouço fiscal, especialistas em contas públicas estimam que a regra terá de ser abandonada nos próximos anos. 🔎Eles argumentam que, no atual formato, as regras ficarão insustentáveis. Por conta disso, preveem uma expansão maior da dívida pública no futuro, o que pode resultar em aumento das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao setor real da economia. Analistas do mercado financeiro estimaram, na semana passada, que a dívida pública brasileira deve atingir 98,9% do PIB em 2035 (pelo conceito brasileiro) — patamar bem distante dos países emergentes e mais próximo da Europa. ➡️Pelo conceito adotado pelo FMI, a dívida brasileira superaria muito a 100% do PIB em 2035.
30/04/2026 11:34:47 +00:00
Banco Central decreta liquidação extrajudicial de corretora de câmbio em São Paulo

Sede do Banco Central em Brasília Raphael Ribeiro/BCB O Banco Central do Brasil decretou nesta quinta-feira (30) a liquidação extrajudicial da Frente Corretora de Câmbio S.A., com sede em São Paulo. Segundo a autoridade monetária, a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, além de graves violações às normas legais e regulamentares que regem sua atividade. A corretora está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial — grupo que reúne instituições de menor porte — e tem baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, segundo o BC. 🔎 Em 2025, a empresa ocupou a 78ª posição no ranking de câmbio do Banco Central. No período, suas operações corresponderam a 0,021% do volume financeiro e a 0,054% do total de transações realizadas no mercado. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central passa a conduzir o processo de encerramento das atividades da instituição e a apuração de sua situação patrimonial. A autarquia informou que continuará adotando todas as medidas necessárias para investigar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações a outros órgãos competentes. A partir da decretação, os bens dos controladores e ex-administradores da corretora ficam indisponíveis, conforme previsto em lei. Quem é a Frente Corretora Fundada em 2017, a Frente Corretora de Câmbio S.A. nasceu com a proposta de enfrentar a concentração do mercado de câmbio no Brasil, então dominado por grandes bancos, segundo informações do site institucional. Sob a liderança da CEO Daniela Marchiori, a companhia investiu em tecnologia e na expansão de parcerias para ampliar o acesso ao câmbio, com o desenvolvimento da plataforma Simple, voltada ao modelo Business-to-Business-to-Consumer (B2B2C). Durante a pandemia, expandiu sua presença internacional, fechou acordos com empresas de grande porte e, em 2022, recebeu investimento da Travelex, que adquiriu 10% da companhia naquele ano. Além da corretora de câmbio, o grupo Frente reúne ainda as operações FrenteTech, Frente USA e Comm.Pix, além de parcerias com empresas como PicPay, MoneyGram, Smiles e Livelo. Em 2024, a corretora movimentou mais de US$ 2 bilhões em operações de câmbio — um salto significativo em relação aos cerca de US$ 80 milhões registrados em 2021 —, alcançando a segunda posição no ranking do Banco Central do Brasil. Segundo o Pipeline, o crescimento foi impulsionado principalmente por transações ligadas a plataformas internacionais de apostas. Liquidações extrajudiciais Entre o fim de 2025 e o início de 2026, o Banco Central do Brasil intensificou a atuação sobre instituições financeiras com problemas, somando cerca de 14 liquidações extrajudiciais no período. Grande parte desses casos está relacionada ao colapso do conglomerado do Banco Master, que concentrou oito liquidações entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Além desse grupo, outras instituições também foram alvo de intervenção ao longo de 2026, incluindo financeiras, bancos de menor porte e empresas de pagamento
30/04/2026 11:30:23 +00:00
Quando cai o quinto dia útil de Maio? Feriado pode impactar pagamento dos trabalhadores CLT

Carteira de trabalho. Divulgação/SDE Um novo mês começa e, como de costume, muitos trabalhadores já olham para o calendário à espera do pagamento do salário. Muitas empresas mantêm o hábito de fazer o depósito nos primeiros dias de cada mês — mas quando cai o quinto dia útil de maio neste ano? 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Neste mês, a data será no dia 7 de maio, quinta-feira. A contagem é impactada pelo feriado de 1º de maio (Dia do Trabalhador), que cai na sexta-feira, com a contagem iniciando no sábado, 2 de maio. Para o pagamento de salários, a contagem dos dias úteis inclui os sábados e desconsidera apenas domingos e feriados. A regra está prevista no artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho, que determina que o empregador deve efetuar o pagamento até o quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado. Confira os primeiros dias úteis de Maio: 1º dia útil: 2 de maio, sábado; 2º dia útil: 4 de maio, segunda-feira; 3º dia útil: 5 de maio, terça-feira; 4º dia útil: 6 de maio, quarta-feira; 5º dia útil: 7 de maio, quinta-feira. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Quando caem os pagamentos de 2026? Neste ano, a maioria das datas de pagamento para trabalhadores com carteira assinada cai em dias úteis da semana. Veja abaixo: Maio: Quinta-feira, dia 7 Junho: Sexta-feira, dia 5 Julho: Segunda-feira, dia 6 Agosto: Quinta-feira, dia 6 Setembro: Sexta-feira, dia 4 (5º dia útil no sábado) Outubro: Terça-feira, dia 6 Novembro: Sexta-feira, dia 6 (5º dia útil no sábado) Dezembro: Sexta-feira, dia 4 (5º dia útil no sábado) O que fazer se o salário não cair até o quinto dia útil? De acordo com o artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho, o pagamento deve ser feito até o quinto dia útil do mês seguinte. Se a empresa não cumprir o prazo, o trabalhador pode cobrar judicialmente o valor devido, com correção monetária. O sindicato também pode entrar com ação contra o empregador. Em casos de atrasos recorrentes, a Justiça do Trabalho entende que há descumprimento do contrato, o que pode justificar a rescisão indireta — quando o funcionário deixa o emprego com direito às verbas de uma demissão sem justa causa. Além disso, a empresa pode ser autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com multa por trabalhador prejudicado, e ainda ser alvo de investigação pelo Ministério Público do Trabalho. 1º de maio é feriado nacional? O que a lei garante para o trabalhador
30/04/2026 11:29:02 +00:00
Bloqueio em Ormuz pode fazer receitas do petróleo do Irã ‘cair para zero’, diz analista

Trump rejeita proposta do Irã e mantém bloqueio no Estreito de Ormuz Os mercados reagem à possibilidade de ações militares em análise em Washington e à perspectiva de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos. A passagem, estratégica para o comércio global, responde por cerca de um quinto do petróleo bruto transportado no mundo e está paralisada desde o fim de fevereiro. Com a interrupção, Teerã pode sofrer perdas significativas de receita. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na quarta-feira (29), uma fonte do governo americano afirmou que o presidente Donald Trump conversou com representantes de empresas do setor petrolífero sobre medidas para mitigar os efeitos do bloqueio aos portos iranianos. Ele também teria mencionado a possibilidade de estender a restrição “por vários meses”. O movimento ocorre enquanto o próprio Irã mantém restrições à passagem de navios petroleiros que tentam deixar a região. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a iniciativa dos Estados Unidos viola o direito internacional e está “condenada ao fracasso”. Segundo ele, a medida não contribui para a segurança regional e tende a ampliar as tensões no Golfo no longo prazo. Nesta quinta-feira, novas informações divulgadas pelo Axios também impactaram os mercados. De acordo com o veículo, Trump deve receber ainda hoje um relatório sobre possíveis planos de ação militar contra o Irã, com base em fontes próximas ao tema. O cenário aumenta a incerteza no Oriente Médio e reforça o risco de interrupções prolongadas no fornecimento global de petróleo e gás. Receitas do Irã sob pressão Especialistas alertam que o Irã tem capacidade limitada de armazenamento de petróleo, suficiente para poucos dias. Com o bloqueio no Estreito de Ormuz, o país enfrenta dificuldades para exportar sua produção e precisa estocar o excedente, o que eleva os riscos operacionais. Interromper a extração também não é uma solução simples, já que pode causar danos permanentes aos campos petrolíferos. Além disso, retomar a produção exige tempo e altos custos, com impacto direto sobre a capacidade futura e as receitas do país. Segundo Homayoun Falakshahi, chefe de análise da Kpler, o acúmulo forçado de petróleo representa um risco técnico e financeiro relevante para o setor energético iraniano e intensifica a pressão sobre a economia. “O armazenamento de petróleo pode atingir um limite crítico em cerca de 20 dias. Se o bloqueio persistir, as receitas, hoje estimadas entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões por mês, podem cair a zero”, afirmou o analista à RFI. Outro especialista, Anthony Kettle, da RBC BlueBay Asset Management, disse à Bloomberg que o mercado ainda não precificou totalmente os efeitos de um conflito prolongado na região. Mercados globais em queda e dólar em alta As tensões também afetaram as bolsas asiáticas. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,05%, enquanto o Kospi, em Seul, recuou 1,38%. Outros mercados da região também fecharam em baixa, como Taipei (-0,96%) e Sydney (-0,24%). A queda foi intensificada pela alta do petróleo, já que muitos países asiáticos dependem do Golfo para o abastecimento de energia. No câmbio, o dólar avançou 0,11% frente ao iene, cotado a 160,59. A moeda americana já havia subido na véspera, impulsionada tanto pelo risco de interrupções no fornecimento de petróleo quanto pela expectativa de manutenção dos juros elevados pelo Federal Reserve. Considerado um ativo de segurança em momentos de incerteza, o dólar se fortaleceu, enquanto o ouro subiu 0,64%, cotado a US$ 4.576 por onça, após um período de queda. Na Índia, a rúpia atingiu o menor nível da história frente ao dólar. A alta contínua do petróleo aumentou as preocupações com o déficit externo do país, levando a moeda a cair cerca de 0,4%, para aproximadamente 95,26 rúpias por dólar, superando o recorde anterior registrado no fim de março. Bloqueio em Ormuz pode fazer receitas do petróleo do Irã ‘cair para zero’, diz analista Jornal Nacional/ Reprodução
30/04/2026 10:52:25 +00:00
Chefe da agência de energia faz alerta: mundo pode enfrentar a maior crise energética da história

Chefe da agência de energia faz alerta: mundo pode enfrentar a maior crise energética da história Leslie Von Pless/NASA O mundo enfrenta "a maior crise energética de sua história", provocada pela guerra no Oriente Médio e pelos impactos no comércio de petróleo e gás, afirmou nesta quinta-feira (30) o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. Assim como na invasão russa da Ucrânia em 2022, o conflito no Oriente Médio expôs a forte dependência global de combustíveis fósseis. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo — fez os preços dispararem para níveis não vistos há quatro anos. O petróleo Brent chegou a US$ 126 (R$ 629) nesta quinta-feira. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos impõem um bloqueio naval aos portos iranianos. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O fechamento prolongado dessa rota estratégica para o comércio global pode provocar problemas de abastecimento e escassez no longo prazo. Durante uma conferência da AIE em Paris, onde fica sua sede, Birol afirmou que a alta dos preços está "colocando muita pressão sobre diversos países". "O mundo enfrenta a maior crise energética de sua história", disse, durante o evento na capital francesa dedicado às energias renováveis. "Os mercados de petróleo e gás enfrentarão grandes dificuldades", acrescentou. No mesmo evento, o presidente da cúpula climática COP31, que será realizada na Turquia no fim do ano, Murat Kurum, defendeu "acelerar a transição para energias limpas". "Agora está claro que a economia mundial precisa mudar seu modelo energético. O passo mais crucial é acelerar a transição para energias limpas", afirmou Kurum, segundo tradução de seu discurso em turco.
30/04/2026 10:42:29 +00:00
Petróleo Brent ultrapassa US$ 125 após Trump indicar que manterá bloqueio em Ormuz

Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo Getty Images via BBC O preço do petróleo bruto Brent ultrapassou os US$ 125 por barril (cerca de R$ 624,73) no início desta quinta-feira (30), à medida que a estagnação nas negociações entre EUA e Irã levantou dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e um fim permanente para a guerra no Irã. O petróleo Brent para entrega em junho saltou 6,2%, para US$ 125,36, e o Brent para entrega em julho subiu 3,1%, para US$ 113,85. O petróleo de referência dos EUA subiu 2,3%, para US$ 109,38 por barril. Antes do início da guerra no final de fevereiro, o Brent era negociado em torno de US$ 70 por barril. Nesta manhã, por volta das 8h (horário de Brasília), o barril Brent era negociado a US$ 109,35, em queda de 0,99%. Já o WTI caía 1,06%, a US$ 105,75. A guerra no Irã, que está em sua nona semana, ainda não apresenta um caminho claro para o fim. Os EUA mantiveram o bloqueio aos portos iranianos enquanto o Estreito de Ormuz permanece fechado, impulsionando os preços do petróleo. Relatos de quarta-feira sugerindo uma possível escalada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, dissiparam as esperanças de um fim rápido para o conflito. "O colapso das conversas entre EUA e Irã, juntamente com o relato de que o presidente Trump rejeitou a proposta do Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, faz com que o mercado perca a esperança de qualquer retomada rápida nos fluxos de petróleo", escreveram os estrategistas do ING Bank, Warren Patterson e Ewa Manthey, em nota de pesquisa. Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça Irã com montagem de explosões em publicação na rede social em 29 de abril de 2026. Reprodução/Donald Trump no Truth Social Os preços do petróleo variam dependendo do tipo de óleo, onde é negociado e sob quais termos, para contratos futuros. Por algumas medidas, o Brent atingiu seu nível mais alto desde o pico de US$ 147,50 por barril em 2008, durante a crise financeira global. Com a guerra abalando os mercados mundiais, o dólar americano subiu para 160,51 ienes japoneses, seu nível mais alto em quase dois anos. A moeda fechou a 160,44 ienes na quarta-feira. O dólar ganhou força frente a outras moedas principais em parte devido ao seu status de porto seguro para investidores em tempos de risco, e em parte porque as taxas de juros dos EUA permaneceram relativamente altas, enquanto o Federal Reserve se esforça para equilibrar a necessidade de impulsionar a economia com os preços mais altos resultantes da guerra. A decisão do Fed de manter as taxas de juros estáveis em sua reunião de política monetária na quarta-feira deu suporte adicional ao dólar. Analistas disseram que autoridades japonesas provavelmente interviriam no mercado caso o iene caísse muito mais. O euro caiu de US$ 1,1675 para US$ 1,1663. Os contratos futuros dos EUA e as ações na Ásia recuaram após um desempenho morno em Wall Street na quarta-feira. O índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,6%, para 58.967,07, e o Kospi, na Coreia do Sul, recuou 1,1%, para 6.615,51. O Hang Seng de Hong Kong perdeu 1,3%, para 25.772,50, e o índice Composto de Xangai operou em alta de 0,1%, a 4.109,99. A atividade fabril da China para abril desacelerou ligeiramente, mas permaneceu em território de expansão pelo segundo mês, apesar do choque energético global provocado pela guerra no Irã, mostrou uma pesquisa oficial. O S&P/ASX 200 da Austrália caiu 0,3%, para 8.665,50. O Taiex de Taiwan recuou 0,1% e o Sensex da Índia perdeu 1,2%. Na quarta-feira, as ações dos EUA fecharam mistas. O índice S&P 500 caiu menos de 0,1%, para 24.673,24. O Dow Jones Industrial Average caiu 0,6%, para 48.861,81, enquanto o Nasdaq avançou menos de 0,1%, para 24.673,24. As ações da Starbucks saltaram 8,4% após resultados melhores que o esperado, e a Visa subiu 8,3% pelo mesmo motivo. Em outras negociações, o rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos subiu de 4,36% na terça-feira para 4,42%, após o Fed anunciar que estava adiando cortes nas taxas de juros.
30/04/2026 05:45:26 +00:00
Você conhece a sapucainha? Fruta exótica da Mata Atlântica tem sementes tóxicas e consumo exige cuidado

Que fruta é essa? Uma fruta de aspecto exótico despertou a curiosidade do produtor rural Flávio Aganete, de Caeté (MG). Ao encontrar o exemplar em sua propriedade, ele buscou identificar a espécie e descobriu que se tratava da sapucainha, uma árvore nativa da Mata Atlântica. Também chamada de “fruta-de-babado” ou “fruta-de-cutia”, a sapucainha exige cautela, pois suas sementes são tóxicas, alerta o agrônomo Chukichi Kurozawa, consultor do Globo Rural. Quem deseja experimentar a polpa da fruta precisa retirar cuidadosamente as sementes. Mas, diante do risco, a recomendação geral é evitar o consumo. A sapucainha também se destaca no paisagismo. A árvore produz flores bonitas e pode ser uma excelente opção ornamental, contribuindo tanto para a beleza de propriedades quanto para a preservação da flora nativa. Sapucainha: sementes da fruta são tóxicas. Globo Rural
30/04/2026 05:00:38 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 130 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-sena O concurso 3.002 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 130 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (30), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça-feira (28), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
30/04/2026 03:01:28 +00:00
Presença digital virou regra para trabalhadores? Veja dicas de como não errar nas redes sociais

Como as redes sociais viraram vitrine obrigatória para profissionais de todas as áreas Médicos, advogados, professores, juízes e até pedreiros: profissionais de diversas áreas estão cada vez mais ativos nas redes sociais. O que antes se concentrava apenas no LinkedIn, agora também ocupa espaços em outras plataformas como o TikTok e Instagram. 🤔 Mas porque isso vem acontecendo? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, essa tendência é reflexo da “plataformização do trabalho”, processo em que as plataformas digitais moldam as práticas profissionais e redefinem as formas de visibilidade. Ou seja: esse fenômeno faz com que os trabalhadores sejam praticamente obrigados a estar ativos nas redes sociais. LEIA TAMBÉM: Funcionário pode ser obrigado a gravar vídeos para as redes sociais da empresa? Profissionais ouvidos pelo g1, que supostamente não seriam obrigados a ter presença nas redes sociais, relatam que estavam “quase escondidos” no mercado antes de começarem a compartilhar o trabalho nessas plataformas. Mas essa prática exige cuidados. Veja abaixo o que dizem especialistas sobre o assunto. 💡Uso das redes sociais de forma ética e estratégica Luana Carvalho, diretora de comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), afirma que é importante tomar alguns cuidados ao compartilhar conteúdo do trabalho nas redes. Por isso, o profissional: 🚫 Não pode publicar dados confidenciais; 🚫 Evite compartilhar produtos ou serviços que são lançamentos; 🚫 Não postar a tela do computador; 🚫 Não divulgar reuniões estratégicas; 🚫 Evitar abordar assuntos polêmicos; 🚫 Tomar cuidado com erros de português; 🚫 Não compartilhar notícias falsas; 🚫 Não postar informações que exponham pessoas específicas sem autorização; ‼️Se for apontar algo que enxerga de errado na empresa ou na profissão, faça isso em tom mais genérico. Sem “falar mal” de nenhuma empresa ou pessoa específica; ‼️ Cuidado com o humor. Ele é uma excelente ferramenta de comunicação e conexão. Mas é importante analisar o tom do humor utilizado para não passar uma imagem infantil. De acordo com a especialista, é um “desafio criar bons conteúdos com frequência sem exagerar na hora de expor situações do cotidiano e impactar negativamente em alguma dessas frentes de trabalho”. É importante checar se a empresa ou cliente tem alguma política própria de restrições em relação à conteúdos compartilhados. Inclusive contratos de prestação de serviço podem ter esse tipo de cláusula. A especialista ainda defende o que pode ser postado (sem medo): ✅ Reflexões próprias, que são originadas da sua vivência, mas não como se fosse uma verdade absoluta; ✅ Sugestões, dicas de estudo e conteúdo para quem se interessa na área que você trabalha; ✅ Contar histórias de outras pessoas desde que sejam autorizadas ou contadas de uma forma que seja impossível de identificar os personagens; ✅ Expectativas e planos de carreira e trabalho. Compartilhar metas e seu dia a dia de estudo, organização e trabalho. ✍🏽Dicas para quem está começando Para quem pensa em produzir conteúdos sobre a profissão nas redes sociais, a especialista Luana Carvalho traz algumas dicas, como: 📲 Defina qual objetivo ao postar conteúdo nas redes: Ter isso muito claro e se lembrar o tempo todo. É muito fácil cair nas métricas de vaidade das mídias digitais, como seguidores e número de curtidas. 📈 Evite cair nas métricas: Engajamento não é a métrica mais relevante para fechar negócios, conseguir clientes ou promoções. Tem muito mais relação com conseguir atingir as pessoas certas. 👩🏽‍💻Com um objetivo claro, tudo fica mais leve: Ter esse objetivo claro desde o primeiro dia faz com que criar conteúdo seja muito mais leve e deixa a escolha das estratégias muito mais assertivas. 📝 Busque referências alinhadas ao seu propósito: Vale conhecer e seguir orientações de especialistas que também têm objetivos parecidos com o seu. Assim você tem acesso às estratégias que funcionam no seu caso. ➡️ Investir no aprendizado: Faça cursos e sempre esteja atualizado. O mercado criativo está em constante evolução com novas ferramentas técnicas que exigem um portfólio em constante atualização. 😎 Crie uma presença online que seja capaz de ser uma extensão do seu portfólio e habilidades. Tenha um portfólio de “Instagram”, performer como um TikToker e planeje a sua carreira como profissional do Linkedin. 🤞🏽 Invista em networking: busque conexões com outros profissionais on e offline. LEIA MAIS Conheça os 'blogueiros CLTs', que mostram a rotina e os perrengues de trabalho nas redes sociais ‘Fotos que me pagaram para editar’: como fotógrafos e designers faturam até R$ 30 mil por mês no TikTok Conheça o ‘Chronoworking’, método de trabalho que segue o ritmo biológico
30/04/2026 03:01:27 +00:00
Como fazer a declaração anual de MEI?

O empreendedor que não apresentou a declaração no prazo pagará multa de até 20% do valor dos tributos devidos Reprodução O prazo para os Microempreendedores Individuais (MEIs) entregarem a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) vai até o fim de maio de 2026. O envio é obrigatório e deve ser feito anualmente pelo Portal do Empreendedor. Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado. Para isso, o MEI precisa: Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI"; Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração; O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas; Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos. A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025. Errei uma informação, e agora? Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'. O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão. LEIA MAIS Como declarar renda obtida por 'freelas', trabalho autônomo ou informal? É #FAKE que o limite de faturamento de MEI tenha subido para R$ 130 mil ao ano Mais de 1 milhão de MEIs podem ser excluídos do Simples Nacional por causa de dívidas
30/04/2026 03:01:26 +00:00
Licença‑paternidade de até 20 dias: o que muda para MEIs?

Licença-paternidade ampliada: veja o que muda No fim de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que amplia a licença-paternidade no Brasil e cria um novo benefício previdenciário para trabalhadores sem vínculo formal de emprego. A medida amplia gradualmente o período de afastamento, dos atuais cinco dias para até 20 dias até 2029. (Veja abaixo como vai funcionar) A nova legislação regulamenta um direito previsto na Constituição desde 1988 e amplia o alcance da licença. Agora, também passam a ter acesso ao benefício microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores domésticos, avulsos e segurados especiais. A principal mudança para esses trabalhadores é a criação do chamado salário-paternidade, um benefício previdenciário que garante renda durante o afastamento em casos de nascimento, adoção ou guarda judicial de criança ou adolescente. Na prática, trabalhadores fora do regime formal também terão a renda assegurada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) durante o período de afastamento. Segundo a advogada trabalhista Ana Luísa Santana, a medida corrige uma lacuna histórica. “Não se trata de licença no sentido clássico, porque não há empregador, mas de um benefício pago pela Previdência. Isso permite que o MEI ou o autônomo se afaste das atividades sem ficar totalmente sem renda”, explica. Para especialistas, a principal inovação está no reconhecimento da paternidade como um evento protegido pela Previdência Social, mesmo para quem não tem vínculo formal de emprego. Antes, esses trabalhadores precisavam continuar trabalhando ou arcar integralmente com a perda de renda nesse período. Agora, passam a ter uma proteção semelhante à dos empregados formais. Brasil amplia licença-paternidade Freepik Como vai funcionar o benefício? Para trabalhadores com carteira assinada, o pagamento continua sendo feito pela empresa, que depois é ressarcida pela Previdência Social. Já no caso de MEIs, autônomos, trabalhadores avulsos e empregados domésticos, o valor será pago diretamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o Ministério da Previdência Social, as regras para concessão do salário-paternidade devem seguir a mesma lógica do salário-maternidade. No caso dos trabalhadores avulsos, o pagamento será feito pelo sindicato da categoria ou pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO), já que esses profissionais têm direitos equiparados aos dos empregados com carteira assinada. Já os contribuintes individuais — categoria que inclui os microempreendedores individuais (MEIs) — deverão solicitar o benefício diretamente ao INSS. De acordo com a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, o benefício terá valor equivalente à renda mensal do segurado, calculado com base nas contribuições feitas à Previdência Social. No caso dos MEIs, que normalmente contribuem sobre o salário mínimo, o valor tende a seguir esse piso. Já para contribuintes individuais com recolhimentos maiores, o pagamento será proporcional à base de contribuição. Segundo o Ministério da Previdência Social, não há valor mínimo de contribuição nem carência para acessar o salário-paternidade. O requisito é ter qualidade de segurado no momento do nascimento, da adoção ou da guarda. Na prática, MEIs e autônomos que contribuem regularmente para o INSS já têm direito ao benefício, seguindo a mesma regra do salário-maternidade. Quando começa a valer? A lei que amplia a licença-paternidade de cinco para até 20 dias não entra em vigor de uma só vez. A mudança será implementada de forma gradual, com regras de transição que começam a valer em 2027 e só atingem o prazo máximo em 2029. Até lá, pais de recém-nascidos, crianças adotadas ou sob guarda precisam ficar atentos ao cronograma, às situações em que o benefício pode ser ampliado e às novas garantias previstas na legislação. Pela lei, a ampliação será feita em etapas: 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027; 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028; 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029. ➡️ Até o início de 2027, permanece válida a regra atual, que garante cinco dias corridos de licença-paternidade, pagos pela empresa. A transição, segundo parlamentares e especialistas, foi desenhada para permitir a adaptação gradual das empresas e do sistema previdenciário ao novo modelo. Veja perguntas e respostas sobre a nova lei nesta reportagem: Licença-paternidade ampliada: veja o que muda e os próximos passos após sanção de Lula
30/04/2026 03:01:25 +00:00
Veja os serviços e como funciona o Contrata+Brasil, plataforma que conecta MEIs às contratações públicas

Tela do site 'Contrata+Brasil', lançado pelo governo federal PR/Reprodução O "Contrata+Brasil" funciona como um "marketplace" de pequenas contratações públicas. A plataforma permite que os órgãos públicos divulguem demandas pontuais e recebam propostas de profissionais cadastrados no município. A ferramenta foi criada para serviços de manutenção e pequenos reparos, respeitando o limite de R$ 13.098,41, valor máximo permitido para contratações de pronto pagamento, sem licitação. Nesta quinta-feira (30), o governo federal ampliou o número de serviços disponíveis no Contrata+Brasil. A iniciativa passou de 47 para 107 atividades, o que pode beneficiar cerca de 1,3 milhão de profissionais em todo o país. O anúncio foi feito pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), durante evento promovido pelo Sebrae. Com a mudança, a plataforma deixa de focar apenas em pequenos reparos e passa a incluir uma variedade maior de atividades, como serviços de mecânica, costura, instalação de redes de computadores e reciclagem de materiais. Entre os serviços mais comuns estão pintura, reformas, assentamento de pisos, manutenção de ar-condicionado e instalações elétricas. Os profissionais enviam propostas, e o governo seleciona a de menor preço. Segundo o governo, a ampliação deve facilitar o acesso de pequenos negócios ao mercado público e aumentar a geração de renda. A expectativa é que mais categorias consigam ofertar serviços diretamente ao Estado, com menos burocracia. Desde a criação, há pouco mais de um ano, o Contrata+Brasil já movimentou mais de R$ 20 milhões em recursos públicos e gerou mais de 6.500 oportunidades. Atualmente, 740 municípios estão aptos a usar a plataforma, e 357 já realizaram contratações. Veja abaixo os serviços disponíveis: Como funciona a contratação? Publicação da demanda: quando precisa de um serviço, o órgão público publica a demanda na plataforma. Aviso aos prestadores: o sistema envia automaticamente a oferta aos MEIs habilitados na região, por aplicativo de mensagem. Envio de propostas: os interessados informam valor e prazo para execução do serviço. Escolha do contratado: o órgão seleciona a proposta com base principalmente em preço e prazo. Prazos: o prazo para contratação é de até cinco dias e o pagamento ocorre em até cinco dias após a execução do serviço. O modelo dispensa etapas do formato tradicional, como editais, estudos técnicos preliminares (ETP) e termos de referência (TR), que já são padronizados previamente pelo governo federal. Segundo o governo, hoje uma contratação direta pode levar cerca de dois meses e uma licitação, até seis meses. Apesar de serviços como pintura, elétrica, hidráulica e pequenos reparos já serem comuns na administração pública, a participação de MEIs ainda é baixa: dos cerca de 16 milhões de microempreendedores em atividade no país, apenas 70 mil estão cadastrados como fornecedores do governo federal. ‘Contrata mais Brasil’: conheça a plataforma que conecta MEIs às contratações públicas Sou MEI, como posso me cadastrar? Para MEIs que prestam serviços como pintura, elétrica, gesso ou reformas, a plataforma é uma oportunidade de trabalhar diretamente com órgãos públicos. Veja o passo a passo: Acesse a plataforma: Entre no site gov.br/contratamaisbrasil e clique em “Entrar com GOV.BR”. Complete o cadastro: Informe seus dados pessoais e os serviços que você pode oferecer. Adicione sua empresa: Vá em “Minhas Empresas”, clique no símbolo de “+” e informe o CNPJ do MEI. Preencha os dados e atividades: Complete as informações da empresa — o número de WhatsApp é essencial — e selecione as atividades exercidas. Acesse as oportunidades: Consulte as demandas publicadas pelos órgãos públicos e, se necessário, envie perguntas pelo sistema. Envie sua proposta: Escolha o serviço desejado e informe o valor cobrado. A proposta pode ser ajustada enquanto a oportunidade estiver aberta. Acompanhe o resultado: Após o encerramento do prazo, o órgão público seleciona a melhor proposta. Sempre que surgir uma nova oportunidade compatível com os serviços e a região do empreendedor, o MEI recebe um alerta por WhatsApp. Todos os profissionais também precisam estar registrados no Sistema de Cadastro Unificado de Fornecedores (Sicaf). Para simplificar esse processo, desde 13 de fevereiro, basta informar o número do CNPJ na plataforma "Contrata+Brasil" para concluir automaticamente o registro, com integração direta ao sistema. A mudança elimina a necessidade de preencher dados em dois cadastros, já que a plataforma busca as informações nas bases do governo e realiza o credenciamento obrigatório de forma automática. Para auxiliar os microempreendedores, o Sebrae lançou um curso online e uma cartilha com orientações sobre a plataforma. Avaliação e controle Após a execução do serviço, contratantes e contratados avaliam a experiência na plataforma. Empresas mal avaliadas ou que não cumprirem o contrato podem sofrer sanções, incluindo a exclusão do sistema. MEI vira atalho para sonegação: as fraudes mais comuns e como a Receita identificou milhares de casos Segundo o Ministério do Empreendedorismo, não há limitações legais que impeçam alguém com o nome sujo de se cadastrar como MEI Unsplash/Reprodução
30/04/2026 03:01:18 +00:00
Por que o ouro perdeu brilho em meio à guerra no Oriente Médio?

Barras de ouro Reuters O ouro costuma ser visto como um investimento de proteção em momentos de instabilidade nos mercados. Mesmo assim, os volumes de investimento no metal caíram no primeiro trimestre, segundo dados divulgados na quarta-feira (29) pelo Conselho Mundial do Ouro. De acordo com a entidade, os investimentos em ouro recuaram 5% no período, apesar de o metal ter atingido uma máxima histórica em janeiro. Naquele momento, a busca por proteção aumentou diante da fraqueza do dólar e das incertezas em torno da condução da política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O relatório também aponta que "fortes saídas de capital em março reverteram grande parte das entradas de janeiro e fevereiro" nos fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro, uma forma simples de investir nesse metal. Segundo o conselho, esse movimento ocorreu principalmente em fundos baseados nos EUA. Juan Carlos Artigas, especialista do Conselho Mundial do Ouro, afirma que o metal costuma ser um dos primeiros ativos vendidos quando investidores precisam levantar recursos rapidamente. Vídeos em alta no g1 "Muitas vezes, como o ouro é tão amplamente aceito, ele é a primeira coisa a ser vendida quando é preciso ter acesso a dinheiro ou liquidez." Tensões no Oriente Médio O cenário se intensificou após ataques de Israel e dos EUA ao Irã. Em resposta, Teerã bloqueou o trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. A medida fez os preços do petróleo e do gás dispararem e aumentou a volatilidade nos mercados, levando muitos investidores a buscar recursos para cobrir perdas ou ajustar suas posições. Outro fator que pesou sobre o mercado foi a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), eleve as taxas de juros para conter a inflação. Esse movimento fortalece o dólar e tende a tornar o ouro mais caro para investidores que utilizam outras moedas. Apesar da queda no volume comprado, o valor das aquisições subiu 62%, refletindo a forte alta dos preços do metal. O ouro chegou a quase US$ 5.600 por onça no fim de janeiro e registrou média de US$ 4.873 por onça ao longo do trimestre. Mesmo com essa valorização, os preços elevados reduziram a demanda por joias. O setor também foi afetado pela guerra, já que o Oriente Médio é um importante centro logístico para o transporte desses produtos.
30/04/2026 03:01:12 +00:00
Vai trabalhar no feriado de 1º de maio? Veja quais são os seus direitos

1º de maio é feriado nacional? O que a lei garante para o trabalhador Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado “feriadão” prolongado que chega na próxima sexta-feira (1º): o Dia do Trabalhador. A data, considerada feriado nacional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante aos funcionários um dia de descanso. O Dia do Trabalhador entrou para a história após uma greve operária nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial, que reivindicava a jornada de 8 horas diárias e melhores condições de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Como a data cai em uma sexta-feira, quem folga aos fins de semana poderá ter três dias seguidos de descanso — de sexta a domingo. Enquanto alguns terão a oportunidade de aproveitar o tempo livre, outros seguirão trabalhando normalmente. A legislação trabalhista autoriza o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais (veja quais abaixo). ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar no feriado tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. O g1 conversou com especialistas em direito trabalhista para explicar como funcionam as regras. Abaixo, você vai descobrir: 🤔 Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? ⚖️ Quais são os meus direitos? 💰 Remuneração em dobro ou folga? Quem define? ❌ Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? ⚠️ As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? ✍🏼 Como funciona no caso do trabalhador intermitente? 📆 Quais são os próximos feriados de 2026? Vai trabalhar no feriado de 1º de maio? Veja quais são os seus direitos Marcelo Camargo/Agência Brasil 1. Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? Sim. Apesar do artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores de indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos. 2. Quais são os meus direitos? Para quem é obrigado a trabalhar no feriado, a legislação garante o pagamento da remuneração em dobro ou compensação com folga em outro dia. " Havendo banco de horas também poderão ser lançadas estas horas de trabalho, nos termos do acordo individual ou coletivo", explica Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista e sócia do A. C Burlamaqui Consultores. 3. Remuneração em dobro ou folga? Quem define? A definição do tipo de compensação (seja através do pagamento em dobro ou concessão de folga compensatória) geralmente é determinada durante o acordo que feito entre empregador e sindicato. Na ausência da Convenção Coletiva de Trabalho, a decisão pode ser negociada entre empregador e funcionário. No entanto, é importante que as duas partes estejam de acordo e que a compensação escolhida esteja em conformidade com a legislação. "O empregador não pode decidir de forma unilateral. Se houver um acordo ou convenção coletiva prevendo a compensação por folga, essa regra prevalece; caso não exista, o pagamento em dobro pelo trabalho no feriado é obrigatório", afirma Elisa Alonso, advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados. 4. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? Depende. A falta pode ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior. "Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista. Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento. Em caso de expediente normal, o empregado poderá sofrer outras penalidades administrativas como o desconto do dia não trabalhado, que será considerado falta injustificada. "A falta injustificada deve ser repreendida, no entanto, para fins de justa causa necessário que outros sejam analisados, como a recorrência da conduta, o impacto causado à empresa e a função desempenhada pelo empregado, por exemplo", completa a advogada trabalhista Elisa Alonso. 5. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória. No entanto, contratados por meio de vínculo de trabalho temporário podem ter pré-condições específicas. 6. Como funciona no caso do trabalhador intermitente? Para o trabalhador que é contratado em regime de trabalho intermitente (previsão legal inserida na CLT pela Reforma Trabalhista de 2017), o pagamento em feriados deve ser acordado no momento da admissão. O contrato deve especificar o valor da hora de trabalho, que já deve considerar os adicionais devidos por trabalho em feriados ou horas extras. Dessa forma, o trabalhador intermitente receberá o valor que foi combinado para os dias trabalhados, incluindo feriados, aponta o advogado Luís Nicoli. 7. Quais são os próximos feriados de 2026? Depois de abril, a próxima possibilidade de emenda é o Corpus Christi, em 4 de junho, que é considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, cada estado ou município tem autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local. Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou a uma folga compensatória. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada
30/04/2026 03:01:11 +00:00
Imposto de Renda 2026: os erros mais comuns na declaração e como evitar a malha fina

Imposto de Renda 2026: MEI precisa declarar? Veja quem é obrigado O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 termina em um mês, no dia 29 de maio. Contribuintes precisam ficar atentos ao preenchimento dos dados, já que erros podem atrasar ou até impedir o pagamento da restituição. 🔎 Isso porque a malha fina ocorre quando a Receita Federal retém a declaração para análise e correção de divergências identificadas no cruzamento de informações com outras bases de dados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A seguir, veja os erros mais comuns que levam à malha fina — e como evitá-los. Segundo o guia elaborado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e pela Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), entre os principais equívocos cometidos pelos contribuintes estão: Omissão de rendimentos: Deixar de informar salários, rendimentos de aluguéis, bancos ou investimentos é um dos erros mais frequentes. Erros com dependentes: Falhas na inclusão de dependentes ou esquecimento de rendimentos deles — como bolsas de estágio, pensões ou investimentos — também são motivos comuns de inconsistência. Erros no preenchimento de valores de criptoativos ou a omissão de ganhos com apostas (bets), quando o total anual ultrapassa R$ 28.467,20, podem gerar problemas com o Fisco. Além disso, quem opta pelo modelo completo e declara deduções sem apresentar recibos válidos corre risco de cair na malha fina. Rendimentos de aluguel: quando apenas uma das partes declara (locador ou locatário), o risco de cair na malha fina é alto. Nos casos com intermediação de imobiliárias, os dados são enviados à Receita Federal via Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) — e qualquer divergência de valores pode atrasar a restituição. Divergência com dados de terceiros: bancos, empregadores, planos de saúde e profissionais de saúde também reportam informações ao Fisco. Se os valores não coincidirem com os declarados pelo contribuinte, a declaração pode ser retida. Despesas médicas inconsistentes: declarar valores sem comprovação, sem documentos de suporte ou que não são dedutíveis pode levar à retenção. Dados bancários incorretos: informar conta errada ou de titular diferente pode atrasar o pagamento da restituição, mesmo que não haja outras pendências. Como evitar problemas com o Fisco Existem algumas medidas ajudam a reduzir o risco de inconsistências e garantir uma declaração mais segura: ▶️Use a declaração pré-preenchida: A ferramenta é considerada uma das formas mais seguras de evitar erros, já que importa automaticamente dados de rendimentos, despesas médicas, imóveis e operações financeiras já informadas à Receita Federal. Mas é preciso conferir todos os dados para evitar questionamentos. Cabe ao contribuinte garantir a correção dos números. ▶️Organize e guarde documentos: Todos os comprovantes de rendimentos e recibos de despesas dedutíveis (como saúde, educação e previdência) devem ser guardados por pelo menos cinco anos. ▶️Acompanhe alertas do sistema: O programa do IRPF 2026 conta com alertas automáticos que indicam possíveis inconsistências durante o preenchimento. ▶️Consulte o e-CAC: Após o envio, é possível acompanhar a situação da declaração pelo portal e-CAC e identificar pendências com mais rapidez. Caso o contribuinte identifique algum erro após o envio, a recomendação é corrigir os dados o quanto antes por meio de uma declaração retificadora. Em situações mais complexas ou com dúvidas, buscar o apoio de um contador pode ajudar a evitar inconsistências e garantir o preenchimento correto. Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda em 2026 quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado; contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior; quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. 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30/04/2026 03:01:07 +00:00
VÍDEO: Após derrota, Messias recebe cumprimentos na liderança do governo no Senado

Após derrota, Messias recebe cumprimentos na liderança do governo no Senado Após o Plenário do Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Messias recebeu cumprimentos de aliados na liderança do governo no Senado. Veja o vídeo acima. Messias não acompanhou a votação no Plenário. O advogado-geral estava acompanhado de lideranças e ministros do governo. Após a derrota, Messias foi abraçado pela esposa, pelo ministro da Defesa, José Múcio, e pelo ministro da articulação política, José Guimarães. Essa é a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo. Ana Flor: Clima é de tristeza na sala onde está Jorge Messias com governistas Messias foi rejeitado por 42 votos a 34 e uma abstenção. A votação foi secreta. O ministro de Lula precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta. Com a rejeição, a mensagem com a indicação de Messias foi arquivada e o presidente Lula terá que enviar um novo nome para ocupar a vaga deixada por Luis Roberto Barroso no Supremo. Jorge Messias tem nome rejeitado no Senado Geraldo Magela/Agência Senado A nova indicação precisará ser validada pelo Senado. Messias é a terceira indicação do governo Lula para o STF neste mandato. Antes dele, Cristiano Zanin e Flávio Dino chegaram à Corte. Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação de Messias por 16 votos a 11. O Plenário ainda precisava votar e dar aval ao nome. Durante a sabatina na CCJ, Messias reforçou sua posição contrária ao aborto e criticou as decisões individuais do STF que, segundo ele, diminuem a dimensão institucional do Supremo.
29/04/2026 22:39:20 +00:00
Receita da Alphabet cresce mais de 20%, com melhor trimestre da história de unidade de nuvem após boom de IA

Google Arnd Wiegmann/Reuterus A Alphabet, empresa controladora do Google, reportou nesta quarta-feira (29) lucro e receita trimestrais que superaram as estimativas de Wall Street. O crescimento de 22% acontece depois de investimentos corporativos em inteligência artificial proporcionando à sua divisão de computação em nuvem a melhor alta em um trimestre desde o início do boom da IA. A receita total atingiu US$ 109,9 bilhões no primeiro trimestre do ano, enquanto previsões compiladas pela LSEG apontavam US$ 107,2 bilhões. O lucro operacional da unidade de nuvem triplicou, passando para US$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre, de US$ 2,2 bilhões um ano antes. Vídeos em alta no g1 A receita do Google Cloud cresceu 63%, para US$ 20 bilhões no período, acima da expansão de 50,1% apontada pela média das projeções de analistas compiladas pela LSEG. Essa taxa de crescimento é a maior desde que a empresa passou a divulgar separadamente a receita do segmento, em 2020, segundo dados da LSEG. “2026 começou de forma extraordinária. Nossos investimentos em IA e nossa abordagem integrada de ponta a ponta estão impulsionando todas as áreas do negócio”, afirmou o CEO Sundar Pichai, referindo-se a todas as camadas da cadeia de tecnologia de IA, incluindo chips, data centers, modelos de IA e ferramentas para desenvolvedores. A carteira de contratos da unidade de nuvem quase dobrou na comparação trimestral, de acordo com a empresa, para mais de US$ 460 bilhões. A companhia disse que contava com 350 milhões de assinaturas pagas distribuídas entre o YouTube, seu serviço de armazenamento em nuvem, o serviço avançado de IA Google One e outros produtos. A carteira de pedidos da unidade de nuvem quase dobrou em relação ao trimestre anterior, segundo a empresa, ultrapassando US$460 bilhões. Leia também: UE diz que Meta falha em impedir crianças de usar Facebook e Instagram Investimento em IA A forte demanda por serviços de IA baseados em nuvem continua superando a oferta em todo o setor, levando as gigantes de tecnologia a acelerar investimentos em data centers, chips avançados e equipamentos de rede. Os investimentos (capex) da Alphabet mais do que dobraram em relação a um ano antes, para US$ 35,67 bilhões, mas ficaram ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 36,06 bilhões. A empresa informou no trimestre passado que planeja investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em capex neste ano. Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta devem gastar juntas bem mais de US$600 bilhões neste ano para expandir a capacidade de IA. Saiba também: Documentos mostram que apenas Elon Musk pode demitir Elon Musk da SpaceX, diz agência Famílias de vítimas processam dona do ChatGPT por massacre que deixou 8 mortos no Canadá México reconhece 'cachorro caramelo' como raça mexicana e provoca reação de brasileiros na
29/04/2026 22:14:39 +00:00
Apesar de corte na Selic, Brasil segue em 2º no ranking de maiores juros reais do mundo; veja lista

Como a Selic mexe com tudo na sua vida O Brasil continua a ter o segundo maior juro real do mundo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) decidir nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 9,33%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A liderança do ranking ficou com a Rússia, que registrou uma taxa real de 9,67%. O México aparece na terceira posição, com juros reais de 5,09%. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o MoneYou afirmou que o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre os preços globais mudou a dinâmica das projeções de inflação. Com isso, o cenário reconfigurou diversas posições no ranking, consolidando o Brasil na segunda colocação. A Argentina, que passou por um forte choque econômico sob o governo de Javier Milei, caiu para a 39ª posição do ranking, com juro real de -1,15% — refletindo, em parte, a dificuldade do país em conter a inflação. Veja abaixo os principais resultados da lista de 40 países. Queda da Selic Nesta quarta-feira, o Copom anunciou a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. Trata-se do segundo corte consecutivo. O movimento ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que tem gerado pressão inflacionária ao redor do mundo. Juros nominais Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação), a taxa brasileira manteve a quarta posição. Veja abaixo: Turquia: 37% Argentina: 29% Rússia: 14,5% Brasil: 14,50% Colômbia: 11,25% México: 6,75% África do Sul: 6,75% Hungria: 6,25% Índia: 5,25% Indonésia: 4,75% Chile: 4,50% Filipinas: 4,5% Austrália: 4,1% Israel: 4% Hong Kong: 4% Polônia: 3,75% Reino Unido: 3,75% Estados Unidos: 3,75% República Tcheca: 3,50% China: 3% Malásia: 2,75% Coreia do Sul: 2,5% Nova Zelândia: 2,25% Canadá: 2,25% Alemanha: 2,15% Áustria: 2,15% Espanha: 2,15% Grécia: 2,15% Holanda: 2,15% Portugal: 2,15% Bélgica: 2,15% França: 2,15% Itália: 2,15% Taiwan: 2% Suécia: 1,75% Dinamarca: 1,6% Cingapura: 1,02% Tailândia: 1% Japão: 0,75% Suíça: 0% Sede do Banco Central em Brasília Raphael Ribeiro/BCB
29/04/2026 21:34:51 +00:00
Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14,75% para 14,5% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. Copom reduz juros e selic vai a 14,50% ao ano 🔎 A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. O novo corte da Selic acontece em meio à guerra no Oriente Médio, que está gerando pressão inflacionária ao redor do mundo. O tema foi mencionado pelo Copom no comunicado sobre a decisão. "No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz o texto. A disparada do petróleo já está impulsionando os preços dos combustíveis no Brasil. Por conta disso, há analistas que defendem uma parada no ciclo de corte dos juros. Copom O Copom é formado pelo presidente do BC e por oito diretores da autarquia. Em 2025, os diretores indicados pelo presidente Lula formaram maioria no colegiado, ou seja, eles são responsáveis diretamente pela decisão tomada. Na reunião desta semana, o Diretor de Administração, Rodrigo Alves Teixeira, não participou Banco Central do Brasil (BC) Marcello Casal/Agência Brasil Como as decisões são tomadas Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o ano de 2027 fechado. Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4%, ou seja, acima da meta central de 3%.
29/04/2026 21:34:49 +00:00
TCU manda INSS suspender concessão de novos empréstimos pessoais consignados até ajustes internos

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou, nesta quarta-feira (29), que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspenda imediatamente concessão de novos empréstimos pessoais consignados até que as travas de segurança e controles internos estejam adequados no sistema eConsignado. A Corte de Contas também mandou suspender novas concessões de crédito consignado nas modalidades “cartão de crédito consignado” e “cartão consignado de benefício” até que o tribunal volte a decidir sobre o tema. Segundo o ministro relator, Marcos Bemquerer, as medidas são necessárias diante do risco iminente de danos ao erário e aos segurados do INSS, visto que a ausência desses controles permite a ocorrência de fraudes críticas, como consignações em nome de pessoas falecidas, contratações sem suporte contratual ou com identificação biométrica prejudicada, entre outros. 🔎A decisão foi dada no contexto de uma representação que apontou indícios de práticas abusivas e fraudulentas em empréstimos consignados, impulsionadas pelo vazamento de dados sigilosos de aposentados e pensionistas do INSS. Vídeos em alta no g1 Em nota, o Ministério da Previdência Social afirmou que, assim como o INSS, ainda não foi notificado da decisão que "o Ministério e suas entidades vinculadas reiteram sua postura de total transparência e colaboração com os órgãos de controle". A Dataprev também afirmou que ainda não foi notificada, que tão logo seja comunicada "adotará as medidas necessárias ao cumprimento dos prazos definidos pela Corte" e que "trabalha continuamente na evolução e no aprimoramento dos sistemas, com foco na segurança, na integridade dos dados e na eficiência operacional." (veja a íntegra das manifestações no fim da reportagem) Modalidades Atualmente, há três modalidades de consignação de empréstimos em benefícios previdenciários operadas pelo INSS: cartão de crédito consignado, cartão consignado em benefício e empréstimo pessoal consignado. Em relação ao “empréstimo pessoal consignado”, o ministro destacou fragilidades como a realização de empréstimo pessoal consignado “sem envio da documentação contratual exigida ou sem comprovação da autorização da consignação, indicação de conta corrente para depósito não correspondente à conta de pagamento do benefício, dentre outros. Fachada do Tribunal de Contas da União Jornal Nacional/ Reprodução Ao TCU, o INSS explicou que, diferentemente dos contratos tradicionais, as modalidades de crédito consignado e cartão consignado de benefício possuem um cronograma diferente de pagamentos, com o saldo devedor variando conforme o uso do limite disponível. Ainda segundo o órgão, por causa dessa característica rotativa, a fiscalização é limitada. O INSS informou ao TCU, ainda, que não possui visibilidade sobre a composição detalhada das faturas, a evolução dos encargos financeiros ou a confirmação de que os valores foram efetivamente disponibilizados ao segurado, limitando-se ao controle da regularidade formal da averbação. "A confirmação de que o sistema eConsignado permite a averbação de descontos sem a documentação mínima necessária e a incapacidade operacional do INSS em fiscalizar o volume massivo de contratos configura afronta aos princípios da legalidade e da eficiência administrativa", destacou o ministro Bemquerer, em seu voto. "A fumaça do bom direito é especialmente densa nas modalidades de cartão de crédito e cartão de benefício, onde a opacidade das operações é maior", complementou o relator, mencionando a Operação Sem Desconto, que descortinou uma fraude sistêmica na concessão de benefícios previdenciários. O ministro do TCU Marcos Bemquerer Divulgação/TCU Além das suspensões, o TCU determinou que a DataPrev priorize a execução de demandas, abertas entre novembro de 2025 e março de 2026, considerando que a demora na implementação de ajustes sistêmicos básicos prolonga "injustificadamente" a exposição de milhões de beneficiários a práticas abusivas e erros operacionais. O INSS e o DataPrev terão que apresentar, em 45 dias, relatório técnico que comprove a plena eficácia das travas de segurança para mitigar as irregularidades apontadas neste momento processual. O Banco Central, INSS, DataPrev terão 30 dias para apresentar alternativas mais adequadas para a efetiva fiscalização dessas consignações. Outro lado Manifestação do Ministério da Previdência Social: A Previdência Social reafirma que o aprimoramento da segurança nas operações de crédito consignado e a proteção dos dados dos beneficiários são prioridades centrais da atual gestão. O Ministério da Previdência Social e o INSS não foram formalmente notificados sobre a referida decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). O Ministério e suas entidades vinculadas reiteram sua postura de total transparência e colaboração com os órgãos de controle. Assim que houver a notificação oficial, os termos da decisão serão analisados com celeridade para que sejam tomadas as medidas necessárias. Manifestação da Dataprev: A Dataprev é uma empresa pública de tecnologia, parceira estratégica do Governo Federal na manutenção e ampliação de iniciativas de digitalização, automação de processos e transformação digital dos serviços públicos. Sobre o questionamento apresentado, a empresa informa que: 1. Até o momento, a empresa não recebeu o acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), desta quarta-feira (29). Tão logo seja notificada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), adotará as medidas necessárias ao cumprimento dos prazos definidos pela Corte; 2. A Dataprev reforça que trabalha continuamente na evolução e no aprimoramento dos sistemas, com foco na segurança, na integridade dos dados e na eficiência operacional.
29/04/2026 21:18:29 +00:00
No Rio, Jeep Avenger mostra novo design antes de chegada ao mercado brasileiro; veja FOTOS

Novo Jeep Avenger nas ruas do Rio de Janeiro Divulgação/Jeep A nova versão do Jeep Avenger, com design renovado, fez sua estreia mundial com uma aparição nas ruas do Rio de Janeiro, segundo a fabricante. O SUV, que chega ao mercado brasileiro ainda em 2026, percorreu a cidade no contexto do evento "Todo Mundo no Rio", que tem como principal destaque o show gratuito da cantora Shakira na Praia de Copacabana no próximo sábado (2). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Com dimensões menores que as do Renegade, o Jeep Avenger chegará como o SUV mais acessível da marca, com produção nacional em Porto Real (RJ). Ele havia sido apresentado pela marca no Salão do Automóvel do ano passado. A Jeep ainda não confirmou a data exata de lançamento do novo SUV no mercado nacional. Veja apresentação do Jeep Avenger no Salão do Automóvel de 2025: Jeep Avenger é apresentado no Salão do Automóvel 2025 Veja o novo Jeep Avenger nas ruas do Rio: Novo Jeep Avenger nas ruas do Rio de Janeiro Divulgação/Jeep Novo Jeep Avenger nas ruas do Rio de Janeiro Divulgação/Jeep Novo Jeep Avenger nas ruas do Rio de Janeiro Divulgação/Jeep Novo Jeep Avenger nas ruas do Rio de Janeiro Divulgação/Jeep Como é o novo SUV da Jeep O Avenger é mais compacto que o Jeep Renegade, medindo 4,08 metros de comprimento, ante 4,27 metros do antigo modelo. Também é mais baixo (1,53 metro contra 1,69 metro), mais estreito (1,77 metro contra 1,80 metro) e tem entre-eixos levemente menor (2,56 metros contra 2,57 metros). Por dentro, o acabamento é mais simples. Há mais plástico, o que reduz as áreas com toque macio. Em compensação, o porta-malas do Avenger é maior: tem capacidade para até 380 litros, ante 351 litros do Renegade. Entre as novidades, o modelo traz o ChatGPT integrado à central multimídia, capaz de oferecer respostas mais naturais às perguntas feitas pelos ocupantes do veículo. Sob o capô, o Jeep Avenger traz o motor 1.0 turbo da Stellantis, o mesmo usado em modelos como Fiat Pulse, Fastback e Peugeot 208. Nesse conjunto, o propulsor entrega 130 cv de potência e 25 kgfm de torque, podendo funcionar com gasolina ou etanol. A transmissão é automática do tipo CVT, com sete marchas simuladas.
29/04/2026 20:04:58 +00:00
MPT pede condenação da JBS de R$ 118 milhões por comprar de fazendas na 'lista suja' do trabalho escravo no PA

MPT pede condenação de R$ 118 milhões à JBS no Pará O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Pará pediu a condenação da multinacional JBS em, no mínimo, R$ 118 milhões pelo trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da pecuária. Em nota, a JBS disse que "não foi notificada sobre as ações mencionadas" - (veja a íntegra da nota ao final da reportagem). O MPT entrou com uma ação civil pública contra a empresa na Vara do Trabalho de Xinguara, no sul do Pará, após constatar que ela possui, na cadeia produtiva, mão de obra em condições análogas às de escravo ao adquirir produtos de fazendas que estão na 'lista suja' do trabalho escravo. Ainda segundo o MPT, houve resgate de 53 trabalhadores em propriedades de pecuaristas no Pará diretamente vinculados à JBS e flagrados por trabalho escravo nos anos de 2014, 2018, 2021, 2022 e 2025. "Mesmo tendo ciência da situação, a empresa manteve transações comerciais com esses fornecedores incluídos na 'Lista Suja' do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), demonstrando um padrão sistemático de negligência”, diz o MPT. JBS é multada pela CGU em R$ 170 milhões - Goiás Divulgação/JBS De 2014 a 2025, a JBS estabeleceu, segundo o MPT, transações comerciais com 7 pecuaristas flagrados em operações do grupo especial de fiscalização móvel, ocorridas nos municípios paraenses de Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu, Novo Repartimento, Pacajá, Brasil Novo, Uruará e Cumaru do Norte. Para o MPT, a JBS, na "condição de empresa líder, tinha o dever de monitorar todas as etapas de sua cadeia produtiva no estado, adotando práticas para prevenir, identificar e corrigir violações aos direitos trabalhistas fundamentais, conforme imposto pelo ordenamento jurídico nacional e internacional". A ação cita que o valor estabelecido de indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 118.941.340,55, é correspondente ao total das transações comerciais com fornecedores flagrados por trabalho análogo à escravidão no período investigado. Além disso, segundo o MPT, também foi pedido à justiça trabalhista a "imposição de obrigações de fazer e de não fazer em relação à própria empresa, eventuais subsidiárias, filiais, subcontratadas, fornecedores diretos ou indiretos localizados no Pará, inseridos na cadeia produtiva da pecuária, a partir de mais de 40 diretrizes". "Reação em Cadeia" A ação civil pública é resultado do Projeto Reação em Cadeia, implementado pelo MPT para rastrear e responsabilizar empresas líderes de cadeias produtivas que se beneficiam, nas relações comerciais, do trabalho em condições análogas à escravidão. O MPT informou que instaurou o procedimento para implementar o projeto na cadeia da pecuária no Pará, focado no gado bovino, quando identificou "empresas no processamento de carne bovina que estariam se beneficiando, direta ou indiretamente, de relações comerciais com fornecedores envolvidos em trabalho escravo". O órgão trabalhista afirmou também que o rastreamento da cadeia da JBS na pecuária ocorreu a partir do cruzamento de dados fiscais com informações constantes na “Lista Suja do MTE”. Houve também análise de Relatórios de Fiscalizações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), mapeando fluxos comerciais entre fornecedores e produtores de carne bovina no Estado do Pará. Os documentos das transações financeiras entre a JBS S.A. e os empregadores que figuraram na “Lista Suja” do trabalho escravo foram incluídos aos relatórios da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (CONAETE/MPT). Essas transações, segundo o MPT, foram consultadas em sites como Ministério da Agricultura e Pecuária e da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará). O cruzamento de dados revelou que a JBS S.A. "manteve relações comerciais regulares e duradouras com fornecedores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas às de escravo, adquirindo insumos para sua atividade econômica, consistente na produção e comercialização de gêneros alimentícios, dentre eles, carne bovina", diz ainda o MPT. Atividade agropecuária O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço foi puxado pela agropecuária, que cresceu 11,7% no período. A JBS é a maior produtora de frango e carne bovina do mundo. O MPT pontuou que, somente no Pará, a empresa possui atividades em seis fábricas e um centro de distribuição nos municípios de Marituba, Tucumã, Marabá, Santana do Araguaia, Conceição do Araguaia e Santa Maria das Barreiras. São cerca de 4 mil empregados, além de parcerias com mais de 2 mil pecuaristas, que são responsáveis pelo fornecimento de animais e produtos derivados. O Pará é o 4º estado com mais operações de resgate de pessoas em condições análogas à escravidão, segundo MPT. No Brasil, foram mais de 2,7 mil pessoas resgatadas em 2025. O setor da pecuária bovina "acumula o maior número de trabalhadores resgatados em todo o país, estando constantemente associado, na região amazônica, ao desmatamento ilegal, à grilagem de terras e à ocupação de territórios indígenas", afirma o MPT. O que diz a empresa A JBS divulgou, na quinta-feira (30), a seguinte nota: "(...) As compras da Companhia seguem procedimentos rigorosos. Por meio de um sistema de monitoramento geoespacial e consultas a informações públicas, a JBS avalia, desde 2009, milhares de potenciais fazendas fornecedoras de bovinos diariamente. Nossa Política de Compras de Matéria-Prima proíbe a aquisição de animais de propriedades na Lista Suja do Trabalho Escravo. Auditorias externas independentes têm demonstrado o cumprimento deste critério. A empresa é signatária do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal, organizado pelo Ministério Público Federal, e segue as normas do protocolo Boi na Linha. Em relação aos fornecedores mencionados pela reportagem, a Companhia esclarece que todas as aquisições foram regulares e seguiram integralmente os protocolos adotados." LEIA TAMBÉM: Boi com chip na Amazônia: como funciona o rastreamento para saber se a carne está livre de desmatamento VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará
29/04/2026 20:01:53 +00:00
Produção e venda de foie gras podem passar a ser consideradas maus-tratos a animais no Brasil; entenda

Técnica gavage para produção de foie gras Jerry ツ on Visualhunt O Projeto de Lei 90/20, que proíbe a produção e venda de itens obtidos por meio de alimentação forçada de animais, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, na terça-feira (28). Agora, o texto pode seguir para sanção presidencial, já que foi criado pelo Senado e analisado em caráter conclusivo, sem alteração pelas comissões permanentes da Câmara. Com a proposta, passariam a ser proibidos pratos como o foie gras, que é o fígado gordo de pato ou ganso na culinária francesa. Se a lei for sancionada, quem descumprir pode ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme a Lei de Crimes Ambientais para maus-tratos de animais. Esse tipo de produto é obtido com a técnica chamada "gavage". Nela, um tubo é colocado na garganta da ave para forçar a alimentação e aumentar o fígado. Vídeos em alta no g1 A proposta quer proibir o uso do método tanto para produtos in natura quanto enlatados. Segundo o relator, o deputado Fred Costa (PRD-MG), a técnica aumenta a taxa de mortalidade dos animais em até 25 vezes. O autor do projeto, o senador Eduardo Girão (Novo - CE), afirmou que esse tipo de produção já é proibido em países como Argentina, Austrália e Índia. O senador também lembrou que a cidade de São Paulo aprovou uma lei semelhante em 2015. No entanto, a norma foi considerada inconstitucional pela Justiça, que entendeu que municípios não podem legislar sobre esse tipo de produto. Foie gras Valeria Boltneva via pexels Leia também: Crise dos fertilizantes: quase metade do adubo importado vem de países em conflito, diz relatório Governo estuda exportar sobras de energia hidrelétrica à Argentina e ao Uruguai Coxinha fica em 7º lugar no ranking de melhores comida de rua da América do Sul
29/04/2026 19:57:29 +00:00
Powell diz que permanecerá no Fed como diretor após o fim do mandato como presidente

Jerome Powell durante uma coletiva de imprensa após decisão sobre taxas de juros, em 17 de setembro de 2025. Reuters O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira (29) que permanecerá como diretor do banco central dos Estados Unidos após 15 de maio, quando seu mandato se encerra. "Após o término do meu mandato como presidente, continuarei a atuar como diretor por um período a ser determinado", afirmou, acrescentando que pretende manter "um perfil discreto" no cargo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O anúncio foi feito em coletiva de imprensa após o Fed revelar sua decisão de manter a taxa básica de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Esta foi a última reunião em que o Fed definiu os juros com Powell à frente da instituição, após oito anos no cargo. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, esteja no comando do Fed já na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. O nome de Warsh foi aprovado por um comitê do Senado nesta quarta, antes de seguir para votação no plenário. “Só existe um presidente do conselho do Federal Reserve. Quando Kevin Warsh for confirmado e tomar posse, ele será o presidente”, afirmou Powell, reforçando que a intenção dele não é "interferir" na liderança. A afirmação tem um contexto: é praxe que presidentes do Fed também deixem o cargo de diretor ao fim do mandato. Neste caso, a decisão de Powell foge ao padrão. O atual presidente do BC tem mandato na instituição até 2028 e, portanto, pode seguir na diretoria até o término do governo Trump. Ao longo dos últimos anos, o presidente dos EUA elevou o tom das críticas a Powell, com xingamentos frequentes como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”. Em entrevista a jornalistas, o chefe do BC americano afirmou nesta quarta-feira que está preocupado com ataques ao Fed que, segundo ele, “ameaçam a capacidade de conduzir a política monetária sem considerar fatores políticos”. VEJA A LINHA DO TEMPO DAS CRÍTICAS DE TRUMP: 'Mula', 'cabeça oca', 'estúpido': insultos e pressão por juros baixos marcaram embate Trump x Powell Oito anos à frente do Fed O mandato de Powell na presidência se encerra oficialmente em 15 de maio, após oito anos no cargo. Sua trajetória foi marcada por grandes choques econômicos, como a pandemia de Covid-19 — que, além das perdas humanitárias, desorganizou a economia global e provocou uma disparada nos preços ao redor do mundo. Mais recentemente, outros fatores ampliaram a pressão sobre o banqueiro central. Entre eles estão a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, o tarifaço global promovido por Trump e a recente escalada das tensões no Oriente Médio, com EUA e Israel em conflito contra o Irã. Em comum, esses episódios sustentam um ambiente de inflação persistente — dor de cabeça constante para os chefes dos bancos centrais. 🔎 O Fed tem um mandato duplo: controlar a inflação e sustentar o mercado de trabalho. Sua principal ferramenta é a taxa de juros. Quando os preços aceleram, o banco central sobe os juros para conter o consumo e o crédito. Quando a economia perde força, a estratégia é reduzir as taxas para estimular a atividade. Diante desse cenário, os juros do país atingiram, em 2023, o maior nível desde 2001. A partir do fim de 2024, o referencial passou a cair, e hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Ofensivas de Trump É nesse contexto que Donald Trump passou a disparar críticas contra Powell. O presidente dos EUA fez sucessivas investidas e pressões públicas para que o Fed reduzisse os juros. A lógica é simples: juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, o que tende a esfriar a atividade econômica — efeito que pode se traduzir em maior insatisfação dos consumidores e impacto político na popularidade do governo. Como mostrou o g1, críticas a presidentes de bancos centrais não são exclusividade de Trump. No Brasil, o presidente Lula (PT) também se posicionou contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — ainda que sem o tom de ofensas adotado pelo republicano. Fim da investigação sobre Powell O Departamento de Justiça dos EUA decidiu, na última sexta-feira (24), encerrar a investigação sobre os custos das reformas na sede do Fed, sob a gestão de Jerome Powell. A decisão, anunciada pela procuradora federal Jeanine Pirro, elimina um dos fatores que vinham sendo usados como justificativa para travar a confirmação, no Senado, de Kevin Warsh para o comando do banco central. O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, chegou a prometer bloquear todas as nomeações para o Fed enquanto o inquérito não fosse encerrado, classificando-o como infundado. Powell foi investigado por suspeita de ter mentido ao Congresso sobre os custos e características da reforma da sede do Fed, especialmente após o aumento relevante do valor do projeto, estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões). Nenhuma acusação formal foi apresentada. A investigação foi iniciada pelo governo Trump justamente em um momento de escalada da pressão do republicano por cortes nos juros. Após a decisão de juros nesta quarta-feira, a atenção se volta para os rumos da política monetária americana com a saída de Powell do comando da instituição.
29/04/2026 19:12:25 +00:00
Trabalhadores poderão usar 20% do FGTS para pagar dívidas; governo deve liberar R$ 4,5 bilhões do fundo

Governo deve liberar R$ 4,5 bilhões do FGTS para reduzir endividamento O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), disse nesta quarta-feira (29), que devem ser liberados cerca de R$ 4,5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar dívidas. Marinho afirmou que será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS para pagar débitos. O ministro afirmou que haverá um limite máximo de R$ 8 bilhões a ser resgatado do FGTS para essa finalidade. No entanto, o ministro calcula que serão efetivamente utilizados os cerca de R$ 4,5 bilhões. 💳 Essa medida faz parte do pacote que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende lançar nos próximos dias para reduzir o endividamento das famílias e empresas do país. Um dos pilares do pacote será a renegociação de dívidas que a população tem com bancos. 💵 Essa medida que envolve o FGTS deverá atender a quem recebe até cinco salários mínimos, cerca de R$ 8 mil por mês. 💰 Além disso, para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos – isso depois que a renegociação for feita e o trabalhador autorizar o repasse. A liberação deverá ser feita enquanto durar o programa, o que, de acordo com ele, pode ser por um período de três meses. Segundo Marinho, isso não compromete as atividades do fundo, pois ele tem um patrimônio de mais de R$ 700 bilhões. Desconto nas dívidas No caso da renegociação direta com os bancos, o governo diz que haverá um desconto de, no mínimo, 40% do valor devido. E que isso poderá chegar a 90%. O ministro também afirma que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online. O governo já havia lançado um programa semelhante, o Desenrola, para reduzir o endividamento da população, mas os débitos voltaram a subir. “É preciso que faça educação financeira para que a gente adote mudança de padrão de comportamento em relação ao endividamento”, disse o ministro. Para que as condições dessa renegociação sejam favoráveis, o governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos renegociadores. “Nesse momento estamos debruçados, consolidando medidas, Lula fará referência no seu pronunciamento de amanhã e anunciará a medida na semana seguinte, talvez na segunda-feira ou na sequência”, disse Marinho. Integrantes do governo trabalham nos ajustes finais para que as ações sejam apresentadas, inicialmente, pelo presidente Lula em um pronunciamento na quinta-feira (30), véspera do 1º de maio, feriado do Dia do Trabalhador. No entanto, se ainda for necessário um prazo para que bancos e órgãos públicos se alinhem para colocar as medidas em prática, o presidente deverá manter a menção ao programa contra o endividamento no discurso. Mas o detalhamento do plano só ocorrerá na segunda-feira (4) de maio, ou posteriormente. Celular vira a principal forma de sacar o FGTS; saiba em quais situações o resgate é permitido Jornal Nacional/ Reprodução Impacto eleitoral Depois do pacote para combater os efeitos da guerra no Oriente Médio no Brasil, o governo definiu o socorro aos brasileiros endividados como prioridade para o primeiro semestre deste ano, como informou o blog do jornalista Valdo Cruz. O presidente Lula pediu ao ministro da Fazenda para levantar medidas para o refinanciamento das dívidas de brasileiros. A medida têm um componente eleitoral, principalmente num momento em que Lula enfrenta novamente uma fase de aprovação ruim dos brasileiros. Lula não quer inflação em alta durante a campanha eleitoral, nem que as famílias continuem reclamando que seu orçamento não está fechando no final do mês.
29/04/2026 18:46:17 +00:00
Trump comemora saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep

Saída dos Emirados Árabes Unidos abala Opep e levanta risco de efeito dominó O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres na Casa Branca, na quarta-feira (29), que considera ótimo que os Emirados Árabes Unidos estejam saindo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), informou a agência de notícias Reuters. ""Acho que, no fim das contas, é uma coisa boa para baixar o preço da gasolina, do petróleo, de tudo", disse Trump. "Eles estão tendo alguns problemas na Opep." Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na terça-feira que deixarão a Opep e a Opep+ a partir de 1º de maio. (saiba mais abaixo) A decisão foi tomada após os Emirados Árabes Unidos, importante centro de negócios e um dos principais aliados dos Estados Unidos, criticarem outros países árabes por não fazerem o suficiente para defendê-los de ataques do Irã durante o conflito. 🔎O que são a Opep e a Opep+? A Opep foi criada em 1960 para controlar a quantidade de petróleo disponível no mundo e influenciar seu preço. Hoje, reúne 12 membros, principalmente do Oriente Médio e da África. Já a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados), criada em 2016, reúne esse grupo e mais 11 países produtores, que se encontram regularmente para decidir sobre a oferta de petróleo no mercado internacional. SAIBA MAIS: Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é importante Aliado dos EUA A saída do país da Opep é vista como uma vitória para o presidente Donald Trump, que já acusou a organização de “roubar o resto do mundo” ao elevar os preços do petróleo. Trump também relacionou o apoio militar dos Estados Unidos à região do Golfo aos preços do petróleo, afirmando que, enquanto os americanos protegem os países da Opep, eles “exploram isso impondo preços altos do petróleo”. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, também criticou a resposta dos países árabes e do Golfo aos ataques do Irã durante uma reunião no Fórum de Influenciadores do Golfo, na segunda-feira. “Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”, disse Gargash “Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso”, afirmou. Leia também: Petróleo sobe mais de 6% e tem maior patamar em quase quatro anos, com Oriente Médio no radar Saída em meio à crise energética A inesperada saída dos Emirados, membro da Opep desde 1967, ocorre em um período em que o conflito com o Irã provocou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial. A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que costuma manter uma imagem de união, apesar de divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção. Os países do Golfo que fazem parte da Opep já enfrentavam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã. Por esse local passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques de iranianos a navios. Saiba também: Como fica a Opep depois de os Emirados Árabes Unidos saírem do grupo Emirados Árabes têm a 5ª maior reserva conhecida de petróleo no mundo; veja MAPA
29/04/2026 18:43:08 +00:00
Tesouro diz que faltam dados para União garantir crédito para o BRB, mas afirma que regras atuais impedem concessão

BRB aprova aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para reduzir rombo deixado pelo Master Jornal Nacional/ Reprodução O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal, confirmou nesta quarta-feira (29) que o órgão recebeu um pedido do governo do Distrito Federal relacionado a um empréstimo bilionário para o Banco de Brasília (BRB). Segundo Leal, no entanto, o documento não traz todas as informações necessárias para que o pedido seja formalmente analisado. ➡️O governo do DF é o acionista majoritário do BRB e tenta pegar R$ 6,6 bilhões emprestados junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recompor o patrimônio do banco, abalado pelo escândalo do Banco Master. ➡️O governo distrital tenta convencer a União a oferecer garantia nesse empréstimo -- o que poderia melhorar as condições de negociação do crédito. Daniel Leal indicou, sem dizer explicitamente, que o pedido de garantia da União deve ser rejeitado em razão da baixa "Capacidade de Pagamento" do Distrito Federal. BRB ainda busca solução financeira para cobrir fraudes do Master ➡️A "Capacidade de Pagamento" (Capag) é uma análise da situação fiscal dos estados nacionais que querem contrair novos empréstimos com garantia da União. Como mostrou o g1, o Distrito Federal tem nota "C" no Capag. E o Tesouro Nacional só avaliza operações para estados e municípios com notas melhores, "A" ou "B". Para melhorar essa capacidade de pagamento, o secretário do Tesouro Nacional explicou que o Distrito Federal teria de ingressar no chamado Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF). Nesse plano, os entes federativos são incentivados a implementar medidas de ajuste para equilibrar suas contas e retomarem os investimentos por meio de operações de crédito com garantia da União. Há um problema, no entanto: os governos não podem aderir ao PEF em 2026, último ano de mandato. Ou seja, o Distrito Federal teria que melhorar sua nota de gestão fiscal, sem a ajuda do principal mecanismo disponível, para só então contar com a garantia da União. "O que eu posso falar é só sobre critérios técnicos que vão ser analisados pelo Tesouro. Não tenho como antecipar nada de força maior, politica, ou de interesse da nação. Posso comentar a análise técnica que [o Tesouro] vai realizar com base na legislação", afirmou. Defesa diz que ex-presidente do BRB pretende fazer delação premiada Questionado sobre uma mudança nessas regras para permitir o aval ao governo do DF, o secretário do Tesouro disse que é "difícil dizer onde pode ter reanálise do pleito". Leal indicou que algumas dessas regras estão em portarias do Ministério da Fazenda, mas outras estão inscritas na legislação. Ou seja, não podem ser mudadas sem passar pelo Legislativo.
29/04/2026 18:23:58 +00:00
Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano em última decisão com Powell na presidência

Jerome Powell, presidente do Fed Kevin Lamarque/Reuters O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Foi a terceira reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve a taxa no mesmo nível. Esta também é a última decisão com Jerome Powell na presidência da instituição. Ele deixará o cargo em 15 de maio, após oito anos no comando e em meio a atritos com Donald Trump. (leia mais abaixo) 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A guerra no Oriente Médio e a consequente disparada do preço do petróleo no mercado global continuaram em destaque na decisão desta quarta-feira. A principal preocupação do banco central americano é o impacto sobre a inflação no país. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esta é a 11ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano. O que disse o Fomc O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) informou, em comunicado, que a atividade econômica dos EUA tem se expandido em um ritmo sólido, enquanto a criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. O colegiado destacou que a inflação "está elevada, refletindo, em parte, o recente aumento nos preços globais de energia", em meio à guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. (leia mais abaixo) "Os desdobramentos no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos", diz o texto. O Fomc afirmou ainda que "continuará monitorando as implicações das novas informações recebidas para a perspectiva econômica" e que está "preparado para ajustar a política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam dificultar o alcance de seus objetivos". Impactos da guerra no Oriente Médio Com o início da guerra, em 28 de fevereiro, o petróleo disparou no mercado internacional e chegou a US$ 120, o maior nível desde 2022. Na tarde desta quarta-feira, o barril do tipo Brent era cotado a US$ 118,70, o que representa uma alta de mais de 60% desde o início do conflito. Diante do cenário, Trump passou a buscar formas de conter a alta da commodity, atento ao impacto no bolso dos eleitores americanos e às eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. (leia mais aqui) Petróleo mais caro costuma significar gasolina e diesel mais caros — e, em efeito cascata, pressões sobre os preços de diversos produtos nos EUA. O cenário preocupa, em especial, o Fed, que tem mandato duplo: controlar a inflação e manter o mercado de trabalho aquecido. "O Comitê está fortemente comprometido em apoiar o máximo emprego e em trazer a inflação de volta à meta de 2%", declarou o Fomc nesta quarta-feira. Atualmente, a taxa está em 3,3% no acumulado em 12 meses. Nos dados mais recentes, os preços nos EUA subiram 0,9% em março, no maior aumento desde maio de 2024, influenciados pela alta nos custos de energia, alimentos e moradia. A pressão é reforçada pelos combustíveis: dados da associação automobilística AAA mostram que o preço da gasolina já subiu mais de 40% desde que o republicano iniciou a guerra. 🚢 O fator central da disparada dos preços é o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região — responsável também por cerca de um quinto do comércio global de gás natural (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios após o Irã anunciar o bloqueio e ataques a petroleiros. O fluxo da commodity na região passou a preocupar Trump, que chegou a pedir apoio de outros países para monitorar e “cuidar” da passagem — solicitação rejeitada por aliados europeus e asiáticos. Na sequência, o presidente determinou que a Marinha dos EUA bloqueasse a passagem de navios petroleiros ligados ao Irã que ainda circulavam pela área. Com isso, o estreito segue no centro da disputa, tanto sob o ponto de vista geopolítico quanto econômico. Fim do mandato de Powell Esta é a última reunião de decisão de juros com Jerome Powell à frente da instituição, após oito anos no cargo. A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado por Trump, esteja à frente da instituição já na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. O nome de Warsh foi aprovado por um comitê do Senado nesta quarta, antes de seguir para votação no plenário. Apesar do fim do mandato como presidente, Powell afirmou nesta quarta que permanecerá como diretor do Fed. Ele tem mandato até janeiro de 2028. “Continuarei a servir como diretor por um período ainda a ser determinado”, disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira. “Só existe um presidente do conselho do Federal Reserve. Quando Kevin Warsh for confirmado e tomar posse, ele será o presidente”, acrescentou. O economista pode seguir na diretoria até o término do governo Trump, que, ao longo dos últimos anos, elevou o tom das críticas ao atual chefe da instituição, com xingamentos frequentes como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”. RELEMBRE A TRAJETÓRIA DE POWELL À FRENTE DO FED: Pressão e ofensas de Trump: Superquarta terá última decisão de Powell à frente do Fed; relembre É praxe que presidentes do Fed também deixem o cargo de diretor ao fim do mandato. Em meio aos embates com Donald Trump, Powell afirmou nesta quarta que, ao permanecer na instituição, não pretende interferir na provável liderança de Kevin Warsh. “Minha intenção não é interferir”, disse. “Fui diretor por quase seis anos e, como alguém prestes a deixar a presidência, entendo como é difícil construir consenso." Busca por cadeiras No segundo semestre de 2025, Trump intensificou as críticas ao Federal Reserve e passou a se dedicar à indicação de nomes alinhados à sua agenda econômica para a diretoria da instituição. Em setembro, o republicano nomeou Stephen Miran para substituir Adriana Kugler, diretora que antecipou sua saída e deixou o cargo em agosto. Além disso, há o nome de Warsh, indicado para chefiar a instituição. Paralelamente, a Suprema Corte ainda analisa a tentativa do republicano de demitir Lisa Cook do cargo de diretora do Fed. Caso a Justiça confirme a demissão de Lisa Cook, Trump terá garantido ao menos duas indicações para a diretoria do Fed , além do presidente da instituição. Em meio às movimentações no Fed, caso Trump alcance maioria de aliados no conselho da instituição — que tem sete membros —, ele terá maior influência sobre a aprovação das nomeações nos 12 bancos regionais. Assim, ampliaria sua interferência sobre as decisões de juros. Mais uma vez, a decisão de juros nesta quarta não foi unânime. Além do presidente do Fed, Jerome Powell, e do vice, John C. Williams, outros nove diretores votaram para manter a taxa inalterada — três deles, no entanto, divergindo do tom do comunicado. Apenas Stephen Miran, nomeado por Trump, se posicionou a favor de um corte de 0,25 ponto percentual. Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Os juros, ainda considerados elevados nos EUA, mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes. Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana. Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil. Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020) Kevin Lamarque / Reuters
29/04/2026 18:00:28 +00:00
DF envia ao Ministério da Fazenda pedido de garantia para empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC ao BRB

Governadora do DF, Celina Leão reprodução/CLDF A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), formalizou ao governo federal o pedido de garantia da União para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao Banco de Brasília (BRB). O pedido consta em ofício enviado ao Ministério da Fazenda na terça-feira (28), ao qual o g1 teve acesso. No documento, o DF solicita aval para contratar a operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com objetivo de reforçar o capital do banco público. ➡️ Celina Leão também enviou um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (28) para pedir uma reunião, ainda esta semana, sobre a crise do BRB. Até a tarde desta quarta, não havia confirmação do encontro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A movimentação ocorre em meio à crise enfrentada pela instituição após prejuízos relacionados às operações com o Banco Master e à operação Compliance Zero. "Esses eventos produziram efeitos diretos sobre a geração de caixa esperada e demandaram reforço de provisões, pressionando a posição de liquidez e os indicadores prudenciais da instituição", diz o documento assinado por Celina e pelo secretário de Economia do DF, Valdivino Oliveira. O empréstimo seria tomado pelo governo do DF, acionista controlador do BRB, e repassado ao banco para sanear a crise patrimonial vivida pela instituição desde as transações malsucedidas com o Banco Master. Em nota, o GDF afirmou que a iniciativa integra uma lista de medidas para “garantir a estabilidade do BRB” (veja a nota na íntegra abaixo). Impasse fiscal Tribunal de Contas tem 9 processos para apurar o tamanho do rombo no BRB A movimentação ocorre apesar de o Distrito Federal estar atualmente com nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador do Tesouro Nacional que avalia a saúde fiscal de estados e municípios. ➡️ Como mostrou o g1, essa classificação impede que a União atue como garantidora em novas operações de crédito — prerrogativa restrita a entes com notas A ou B. Na prática, a ausência de garantia federal dificulta a obtenção de empréstimos em condições mais vantajosas, com juros menores e prazos mais longos. O Capag se baseia em critérios de endividamento, poupança e liquidez (veja detalhes abaixo) que, juntos, definem a "saúde fiscal" de cada ente. Na prática, indicam o risco de aquele governo dar o calote em um empréstimo. ➡️ A União só entra como avalista em empréstimos de Estados e municípios que tenham nota alta (A ou B). ➡️ O DF tinha nota B em 2023 e 2024, mas caiu para C na avaliação feita em 2025 e divulgada no início deste mês. Com isso, o DF perdeu a garantia da União para novas operações de crédito. O que diz o GDF "O Governo do Distrito Federal informa que a governadora Celina Leão irá encaminhar ao Tesouro Nacional ofício solicitando aval do governo federal para avançar nas tratativas relacionadas a uma operação junto ao Fundo Garantidor de Créditos. A iniciativa integra as medidas que vêm sendo conduzidas com transparência, responsabilidade e diálogo institucional para garantir a estabilidade do BRB. O documento está em fase final de formalização." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
29/04/2026 17:58:30 +00:00
Brasil cria 228,2 mil vagas de emprego formal em março, quase três vezes mais que 2025

O Ministério do Trabalho divulgou nesta quarta-feira (29) a criação de mais de 228 mil empregos com carteira assinada em março. O resultado é quase três vezes maior que o saldo registrado em março do ano passado, quando foram registrados 79.994 empregos, e o segundo melhor desempenho para o mês na série histórica, iniciada em 2020. O setor de serviços foi o que mais criou emprego com carteira assinada no mês passado (152.391 vagas), seguido por construção civil (38.316 vagas). No acumulado de janeiro a março, o Brasil gerou mais de 613 mil vagas formais de trabalho neste ano. Isso representa uma queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram criadas 675.119 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que o país criou menos emprego formal neste ano do que em 2025 por causa das altas taxas de juros. "Confirmando o que estamos falando, desde 2024, que entraríamos diminuição da velocidade de crescimento. [...] O juro está muito alto e isso reduz a geração de emprego", afirmou. Vídeos em alta no g1 Saldo para meses de março: 2020: - 294.960 (negativo, fechamento de vagas) 2021: 154.226 2022: 99.168 2023: 195.028 2024: 245.599 2025: 79.994 Saldo para o acumulado de janeiro a março: 2020: 34.471 2021: 806.569 2022: 620.072 2023: 537.605 2024: 726.578 2025: 675.119 2025: 613.373 Emprego por estados Em março, as unidades da federação que tiveram maior número de vagas formais criadas foram São Paulo, com 67.876 postos criados; Minas Gerais, com 38.845; e Rio de Janeiro, com 23.914 postos. No acumulado do ano, o resultado foi maior em São Paulo, com 183,1 mil vagas criadas; Minas Gerais, com 70,6 mil; e Santa Catarina, com 59,4 mil. Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital Agência Brasil
29/04/2026 17:52:04 +00:00
Contas do governo têm déficit de R$ 73,8 bilhões em março, pior resultado para o mês da história

As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março, informou Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). 🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública. ➡️Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado positivo de R$ 1,59 bilhão (valor corrigido pela inflação). ➡️Esse também foi o pior resultado para meses de março desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997, ou seja, em 30 anos. ➡️De acordo com o governo, a piora no resultado negativo está relacionada, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano. Vídeos em alta no g1 "Em 2026, esses pagamentos [de precatórios] concentraram-se em março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente em julho", informou o Tesouro Nacional. Pagamento de precatórios eleva despesas 📈Segundo o Tesouro Nacional, as despesas totais do governo somaram R$ 269,88 bilhões em março deste ano, com uma alta real de 49,2% no período. A maior parte desse forte aumento de despesas, por sua vez, está relacionada, justamente, pelo cronograma de pagamentos de precatórios (sentenças judiciais). Este fator, de acordo com o Tesouro Nacional, impactou fortemente as rubricas de: Sentenças Judiciais e Precatórios (+R$ 34,9 bilhões), Benefícios Previdenciários (+R$ 28,6 bilhões), e de Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 11,3 bilhões). A elevação nos gastos com benefícios previdenciários e pessoal também foram influenciadas, em menor proporção, pelo aumento na base de segurados, pela política de valorização do salário mínimo e pelos reajustes salariais concedidos ao funcionalismo público. Câmara e Senado: fachada do prédio do Congresso Nacional na Esplanada dos Ministérios no dia 4 de julho de 2017 Edilson Rodrigues/Agência Senado Receitas também sobem 📈 Em março, também houve um aumento real de 7,5% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 196,1 bilhões. O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as Receitas Administradas, os maiores impactos positivos vieram: do IOF (+R$ 2,8 bilhões), fomentado pelo aumento na arrecadação associada às operações de crédito, seguro e câmbio, refletindo o aumento efetuado no ano passado; do Imposto de Importação (+R$ 2,3 bilhões), que conjugou crescimento no volume importado e elevação na alíquota média efetiva; do Imposto sobre a Renda (+R$ 2,3 bilhões) e da CSLL (+R$ 1,4 bilhão), impulsionados por aumentos no lucro presumido, na declaração de ajuste e no IRRF-Capital (aplicações de renda fixa); e da Cofins (+R$ 1,5 bilhão), com destaque para o setor de serviços. Parcial do ano No acumulado dos três primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 17,09 bilhões. Com isso, houve uma forte piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado positivo somou R$ 58,75 bilhões (valor corrigido). A piora nas contas do governo no primeiro trimestre deste ano também está relacionada com a antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (sentenças judiciais). 📈 No primeiro trimestre deste ano, houve um aumento real de 4,2% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 626,41 bilhões. 📈 Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 643,52 bilhões entre janeiro e março deste ano, com uma alta real de 23,3% no período Meta fiscal em 2026 Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
29/04/2026 17:32:42 +00:00
Petróleo sobe a US$ 118 e tem maior patamar em quase quatro anos, com Oriente Médio no radar

Plataforma de petróleo em Sergipe Jeová Luiz/TV Sergipe Os preços do petróleo subiram pelo 8º dia seguido nesta quarta-feira (28) e alcançaram o maior patamar em quase quatro anos, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio. Além do impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, investidores também continuavam a avaliar a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, que reúne aliados estratégicos do grupo. Segundo dados da Bloomberg, o petróleo tipo Brent, referência internacional, subiu e fechou cotado a US$ 118,03 — maior patamar desde 10 de junho de 2022, quando alcançou US$ 122,01. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, encerrou a US$ 106,88. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Veja a cotação do petróleo: 🔍 O tipo Brent é a principal classificação de petróleo cru para os mercados europeu e asiático. É a referência utilizada pela Petrobras para definir os preços dos combustíveis no mercado interno. Extraído principalmente no Mar do Norte, classificado como "leve" e "doce" devido à sua baixa densidade e baixo teor de enxofre, o que facilita o refino em gasolina e diesel. O avanço nos preços da commodity ganharam força pela manhã, após o presidente dos EUA, Donald Trump, voltar a ameaçar o Irã. Em uma publicação nas suas redes sociais, o republicano compartilhou uma montagem em que aparece segurando um fuzil, com explosões ao fundo, com a mensagem "chega de bancar o bonzinho". "O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!", afirmou Trump. Segundo a mídia internacional, o presidente dos EUA está insatisfeito com a proposta do Irã para encerrar a guerra. A expectativa é que o governo americano dê uma resposta ainda nos próximos dias. Já o Irã afirmou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel. A retomada do trânsito dependerá ainda do cumprimento de protocolos de segurança definidos por Teerã. A escalada das tensões se soma, ainda, à saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio, anunciada na véspera. A decisão causou um grande golpe ao grupo e para a Arábia Saudita, seu principal líder. O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a saída à Reuters e explicou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada das estratégias de energia do país na região. A inesperada saída dos Emirados, membro da Opep desde 1967, acontece em um período em que o conflito com o Irã causou uma crise energética sem precedentes e afetou a economia mundial. A decisão pode gerar instabilidade e enfraquecer o grupo, que geralmente tenta manter uma imagem de união, mesmo com divergências internas sobre temas como política internacional e limites de produção. Quando perguntado se os Emirados Árabes Unidos conversaram com a Arábia Saudita sobre a decisão, Suhail Mohamed al-Mazrouei disse que o país não tratou do tema com nenhuma outra nação. "Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção", disse o ministro de Energia. Os países do Golfo que fazem parte da Opep já estavam tendo problemas para exportar pelo Estreito de Ormuz, que fica entre o Irã e Omã. Por esse local passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, mas as exportações foram prejudicadas por ameaças e ataques de iranianos a navios. Mazrouei disse que a saída dos Emirados Árabes Unidos não deve causar grande impacto no mercado, por causa da situação no estreito. *Com informações da agência de notícias Reuters.
29/04/2026 15:59:58 +00:00
Caiado diz que é 'agro raiz' e critica políticos que se aproximam do setor por conveniência

Caiado diz que é 'agro raiz' e critica quem se aproxima do setor por conveniência Sem mencionar nomes, o pré-candidato à presidente Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta quarta-feira (29) os políticos que, por conveniência, se dizem alinhados com o agronegócio em época de eleição. "Eu posso dizer a você que eu sou um agro raiz. Eu não sou uma geração que tem sabor de agro, mas não é agro raiz, entendeu? Alguns que se propõem a entender do agro em períodos de campanhas eleitorais, são aqueles que eu os denomino sabor agro", disse o ex-governador de Goiás. A declaração foi dada em Ribeirão Preto (SP), onde Caiado esteve para visitar a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país que, assim como outros grandes eventos do setor, tem sido frequentada por pré-candidatos que buscam apoio do segmento nas eleições 2026. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Ao longo desta semana, os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo-MG) também estiveram na feira do interior de São Paulo. O ex-governador de Goiás disse que atua em defesa do setor há décadas, desde quando, segundo ele, o agronegócio era demonizado, e reiterou que não é a primeira vez que visita a Agrishow. "Estou nessa luta em defesa do setor produtivo primário da agropecuária brasileira no direito de propriedade desde 1986. Depois na Constituinte, depois mais 24 anos no Congresso, depois como governador do Estado. (...) Agro raiz mesmo, na essência, aí realmente, nós começamos essa luta há muitos anos e vimos aí a superação da classe." Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência da República pelo PSD, durante passagem pela Agrishow em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 'Você não aprende a governar na cadeira da Presidência' Durante a visita, o ex-governador também criticou os políticos que se utilizam do prestígio nas redes sociais para se eleger, mas que, segundo ele, não têm competência para governar. "Espero que as pessoas que muitas vezes alimentam a sua popularidade por rede social e TikTok, que aquele que está assistindo, faça uma reflexão e pesquise o que ele já fez. Porque você, para se sentar na cadeira da Presidência da República, não pode ser apenas você dizer na rede social que você vai consertar as coisas. Vem cá, mas você já fez alguma coisa? Você já mostrou que você é capaz disso? Porque escrever no papel ou falando é muito fácil." Nesse contexto, ele mencionou que Lula voltou ao poder por problemas na gestão depois de 2018, quando o Brasil estava sob o comando de Jair Bolsonaro. "Você não aprende a governar na cadeira da Presidência da República. Você tem que ter mais responsabilidade com isso. Então, este é o momento. Por que nós perdemos as eleições em 2022? Porque não tiveram as entregas. Então, você já aprovou esses dois modelos. Você quer repetí-los?" Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência da República pelo PSD, durante passagem pela Agrishow em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Terras raras Ainda durante a passagem pelo interior de São Paulo, Caiado defendeu um memorando que assinou com grupos estrangeiros para a exploração das terras raras, com minérios visados por potências como EUA e China, em Goiás, estado que governou até o fim de março. "Terras raras é o que é mais demandado no mundo hoje. Então, calma lá, isso não pode ser assim, eu não posso estar vendendo uma tonelada de minério concentrado por 50 dólares", disse. Segundo ele, o objetivo foi garantir que a atividade resulte em um maior valor agregado para as exportações a partir da separação de materiais, em vez da comercialização que já ocorre com minérios brutos como nióbio e cobre. O ex-governador argumentou que, antes de dar autorização ambiental para a atividade no estado, foi o próprio governo federal quem deu a concessão para a mineradora Serra Verde, e que apenas buscou dar uma melhor destinação econômica para a exploração por meio de tecnologia própria. "O que Goiás está fazendo é dizer: 'Olha, o minério que está saindo aqui do subsolo foi autorizado pelo governo federal a uma empresa de capital americano e inglês e vocês, governo federal, autorizaram. A hora que ela sai daqui, ela vai de forma bruta para a China. Eu falei: 'Calma lá. O que eu quero é que vocês separem o produto aqui no Brasil." Palco político no interior de SP Caido foi o um dos políticos que, nesta semana, visitaram a Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do país. Pela representatividade no agro, o evento se tornou uma parada quase obrigatória para aqueles que buscam uma maior proximidade com o setor na corrida eleitoral de 2026. Antes dele, também passaram pelo evento o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB). Acompanhado por autoridades, e diante de críticas do segmento com relação a problemas como altas taxas de juros e endividamento, ele anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de equipamentos agrícolas. LEIA TAMBÉM Zema afirma que equilíbrio de poderes depende de Supremo 'sem rabo preso' Em primeira agenda conjunta com Tarcísio, Flávio Bolsonaro critica atuação de Lula no agro Alckmin anuncia programa para diminuir juros em financiamentos de máquinas agrícolas Na segunda-feira (27), foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira, em um primeiro ato pré-eleitoral conjunto entre o governador, que acena com a tentativa de buscar a reeleição, e do senador, que anunciou sua pré-candidatura à presidência da República. Durante o evento, eles fizeram críticas ao governo federal, principalmente às políticas voltadas para o setor agropecuário. Na terça-feira (28) foi a vez de Romeu Zema (Novo-MG), que reiterou críticas ao STF e rebateu declarações do ministro Gilmar Mendes, que ironizou o sotaque mineiro dele. Agrishow 2026: Visitantes poderão encontrar o que há de mais novo em máquinas e implementos agrícolas em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026
29/04/2026 15:58:14 +00:00
Comissão do Senado dos EUA aprova indicação de Trump para o Fed

Kevin Warsh, indicado por Trump para a presidência do Federal Reserve, o Fed Kevork Djansezian/AFP Kevin Warsh, escolhido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para liderar o Federal Reserve, abriu caminho nesta quarta-feira (29) para suceder Jerome Powell, em meio aos esforços da Casa Branca para exercer controle sobre o banco central mais poderoso do mundo. A Comissão Bancária do Senado aprovou o encaminhamento da indicação de Warsh ao plenário da Casa, que é controlado pelos republicanos. Todos os 13 republicanos do comitê apoiaram Warsh. O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, retirou sua oposição após o Departamento de Justiça encerrar, na sexta-feira (24), uma investigação criminal contra Powell, que Tillis considerava uma ameaça à independência política do Fed. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Vídeos em alta no g1 Os 11 democratas do comitê, que dizem duvidar da promessa de Warsh de definir políticas sem levar em conta os desejos do presidente, votaram contra ele. A votação ocorreu no momento em que Powell lidera o que provavelmente será sua última reunião de definição de política monetária como chefe do Fed. Espera-se que o Comitê Federal de Mercado Aberto deixe sua taxa básica de juros inalterada, na faixa atual de 3,50% a 3,75%, dada a inflação ainda elevada e a pressão de alta sobre os preços decorrente da interrupção do fornecimento global de petróleo devido à guerra do Irã. Há poucas dúvidas de que o Senado confirmará a indicação de Warsh, um advogado de 56 anos. Financista e ex-diretor do Fed, ele prometeu uma "mudança de regime" para o banco central. Segundo Trump, ele executará fará os cortes de juros que o presidente americano deseja. Incerteza sobre Powell O mais cedo que o Senado poderá votar a indicação de Warsh será na semana de 11 de maio. Se a votação for realizada nessa data, Warsh poderá tomar posse em 15 de maio, quando termina o mandato de liderança de Powell. O que não está claro é se a ascensão de Warsh significaria a saída de Powell do Fed, ou se o atual chefe do banco central permanecerá como membro da sua diretoria -- e, se o fizer, se Trump levará adiante sua ameaça de tentar demiti-lo. Uma medida desse tipo certamente atrairia uma contestação legal, assim como a tentativa do presidente, no verão passado, de demitir a diretora do Fed Lisa Cook. O mandato de Powell na diretoria vai até janeiro de 2028. Os chefes do Fed quase sempre deixam o cargo para dar lugar a seus sucessores, e Powell é um advogado cuja adesão à regularidade é profunda. Mas ele considerou que a investigação criminal do governo era uma intimidação política e parte dos esforços do governo Trump para influenciar a forma como o Fed define as taxas de juros. Powell disse no mês passado que não deixará o Fed até que a investigação criminal seja concluída com "finalidade", e que ele ainda pode permanecer no cargo se achar que isso é melhor para o banco central e para o país. A Procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, disse na sexta-feira que não hesitará em retomar sua investigação "caso os fatos o justifiquem". Os democratas do Senado Elizabeth Warren e Dick Durbin classificaram essa declaração na sexta-feira como uma ameaça de "futuras investigações infundadas" sobre Powell ou qualquer outro diretor do Fed.
29/04/2026 15:58:11 +00:00
Documentos mostram que apenas Elon Musk pode demitir Elon Musk da SpaceX, diz agência

Vídeos em alta no g1 Ninguém pode destituir Elon Musk dos cargos de diretor-executivo (CEO) e presidente do conselho da SpaceX sem o consentimento do próprio bilionário. A informação aparece em um trecho do documento preparado pela empresa para sua abertura de capital (IPO, na sigla em ingês), analisado pela Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o documento, Musk “só pode ser removido do nosso conselho ou dessas posições pelo voto dos detentores de ações Classe B” — papéis com direito a dez votos cada. Após o IPO, essas ações ficarão sob controle dele. Na prática, isso significa que qualquer decisão sobre sua saída dependeria de uma votação dominada pelo próprio Musk. O documento acrescenta que, se ele “mantiver uma parcela significativa de suas ações ordinárias Classe B por um longo período, poderá continuar controlando a eleição e a destituição da maioria do nosso conselho”. Como funciona a estrutura de ações da SpaceX? A regra faz parte da estrutura acionária que a SpaceX pretende adotar ao abrir capital. Nesse modelo, a empresa terá duas classes de ações — uma para investidores do mercado e outra com maior poder de voto, destinada a pessoas ligadas à companhia (entenda mais abaixo). Esse tipo de estrutura é comum em empresas de tecnologia lideradas por fundadores. Mesmo nesses casos, porém, o conselho de administração normalmente mantém a autoridade formal para substituir o diretor-executivo. Especialistas em governança corporativa dizem que o impacto da regra dependerá dos detalhes dos documentos legais da empresa. Consideradas em conjunto, as disposições dariam a Musk poder para barrar qualquer tentativa de removê-lo do comando da empresa. Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber A própria SpaceX alertou investidores de que essa estrutura “limitará ou impedirá sua capacidade de influenciar questões corporativas e a eleição de nossos diretores.” “Essa disposição não é comum. Normalmente, a remoção do CEO é uma decisão do conselho, e controladores contam com seu poder para substituir o conselho”, afirmou Lucian Bebchuk, professor da Faculdade de Direito de Harvard que pesquisa governança corporativa, direito e finanças. A SpaceX e Musk não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. Estruturas semelhantes já foram adotadas Estruturas com diferentes classes de ações tornaram-se frequentes em empresas de tecnologia que abriram capital nos últimos anos. O Facebook, que estreou na bolsa em 2012, concedeu ações com maior poder de voto a investidores pré-IPO, incluindo Mark Zuckerberg. Com o tempo, esse poder ficou mais concentrado à medida que alguns investidores venderam suas participações. Aberturas de capital mais recentes, como a da Figma, concentraram ainda mais essas ações com maior poder de voto diretamente nos fundadores. 🚀 No caso da SpaceX, as ações serão divididas entre Classe A, destinadas aos investidores do mercado, e Classe B, com maior poder de voto para pessoas ligadas à empresa. Musk manterá a maioria dos votos, o que liga o controle do conselho e da gestão às ações que ele possui, informou a Reuters anteriormente. Esse modelo difere do adotado pela Tesla, que tem apenas uma classe de ações. A SpaceX está registrada no Texas, seguindo o movimento da Tesla, que Musk transferiu para o estado depois que um tribunal de Delaware anulou seu pacote de remuneração de US$ 56 bilhões por comandar a montadora. O pacote de compensação foi restabelecido pela Suprema Corte de Delaware no fim do ano passado.
29/04/2026 14:22:55 +00:00
Famílias de vítimas processam dona do ChatGPT por massacre que deixou 8 mortos no Canadá

Homenagem às vítimas do massacre que deixou nove mortos em uma escola de Tumbler Ridge, no Canadá, em fevereiro de 2026 Christinne Muschi/The Canadian Press via AP Familiares das vítimas de um dos massacres mais mortais da história do Canadá entraram com um processo contra a OpenAI, dona do ChatGPT, e contra o CEO Altman, em um tribunal dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (29). No ataque que aconteceu em fevereiro, em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, uma atiradora matou oito pessoas, incluindo várias crianças, e cometeu suicídio em seguida. 📩 Assine a newsletter do Guia de Compras do g1 com testes e dicas de tecnologia Segundo a alegação dos familiares, a empresa identificou a atiradora Jesse Van Rootselaar representava um risco oito meses antes do ataque, mas não alertou a polícia. Na semana passada, um jornal de Tumbler Ridge publicou uma carta aberta em que Altman disse estar “profundamente arrependido” pelo fato de a conta da atiradora não ter sido comunicada às autoridades. Vídeos em alta no g1 Veja mais: Altman pede desculpas por não ter alertado a polícia sobre atiradora de massacre no Canadá Flórida abre investigação contra ChatGPT por ataque a tiros que matou duas pessoas Os processos, apresentados no tribunal federal de São Francisco, acusam os chefes da OpenAI de não avisarem a polícia para evitar que viesse à tona a quantidade de conversas violentas no ChatGPT. Segundo deles, esse aviso também poderia prejudicar os planos da empresa de abrir capital na bolsa, com uma oferta pública inicial de quase US$ 1 trilhão. Em um comunicado, a OpenAI classificou o tiroteio como “uma tragédia” e disse que a empresa tem uma política de tolerância zero para o uso de suas ferramentas na facilitação de atos violentos. “Como compartilhamos com as autoridades canadenses, já fortalecemos nossas salvaguardas, incluindo a melhoria de como o ChatGPT responde a sinais de angústia, conectando pessoas com suporte local e recursos de saúde mental, reforçando como avaliamos e escalamos ameaças potenciais de violência e aprimorando a detecção de reincidência de violadores de políticas”, disse a empresa. Onda de processos Esses casos fazem parte de um aumento de ações judiciais contra empresas de inteligência artificial, acusadas de não impedir conversas em chatbots que, segundo os autores, levam à automutilação, problemas de saúde mental e violência. Estas são as primeiras acusações nos Estados Unidos que afirmam que o ChatGPT contribuiu para a realização de um massacre. Jay Edelson, advogado dos autores do processo, informou que pretende entrar com mais 20 ações judiciais contra a OpenAI nas próximas semanas, representando outras pessoas afetadas pelo ataque. Vítimas do ataque em escola e casa em cidade do Canadá Divulgação/RCMP.CA Equipe de segurança da OpenAI foi ignorada, dizem ações Jesse Van Rootselaar, que teve conversas com o ChatGPT citadas nos processos, atirou em sua mãe e meio-irmão em casa antes de matar uma assistente educacional e cinco alunos entre 12 e 13 anos em sua antiga escola, em 10 de fevereiro, segundo a polícia. Van Rootselaar, que tinha 18 anos, cometeu suicídio em seguida. Entre os autores do processo estão familiares das vítimas da escola e uma menina de 12 anos que sobreviveu após ser atingida por três tiros, mas permanece em terapia intensiva. Segundo uma das denúncias, em junho de 2025, sistemas automáticos da OpenAI identificaram conversas no ChatGPT em que a atiradora falava sobre situações de violência com armas. Integrantes da equipe de segurança sugeriram avisar a polícia depois de concluírem que ela era uma ameaça real e imediata, conforme a denúncia, que menciona um artigo do Wall Street Journal de fevereiro sobre debates internos na empresa. No entanto, Sam Altman e outros dirigentes da OpenAI teriam desconsiderado a orientação da equipe de segurança, e a polícia não foi avisada, segundo o processo. A conta da atiradora foi bloqueada, mas ela conseguiu abrir outra conta e continuou usando o ChatGPT para planejar o crime, de acordo com o processo. Depois que o artigo do Wall Street Journal foi publicado, a empresa afirmou que a conta foi identificada por sistemas que detectam “usos indevidos de nossos modelos para atividades violentas”, mas que o caso não se encaixava nos critérios internos para avisar as autoridades. Em um texto publicado na terça-feira (28) em seu blog, a OpenAI informou que prepara seus sistemas para rejeitar pedidos que possam “facilitar significativamente a violência” e avisa as autoridades quando as conversas mostram “um risco iminente e crível de dano a outros”, contando com especialistas em saúde mental para analisar situações mais delicadas. A empresa declarou que está sempre melhorando seus sistemas e formas de identificação de riscos, levando em conta o uso da plataforma e opiniões de especialistas. Os processos pedem uma indenização em valor não divulgado e uma decisão judicial que obrigue a OpenAI a mudar suas regras de segurança, incluindo a criação de procedimentos obrigatórios para avisar as autoridades. Uma das vítimas chegou a entrar com um processo no Canadá, mas desistiu e optou por processar na Califórnia, disse o representante das famílias. OpenAI enfrenta ações na Justiça Os processos ligados ao tiroteio em Tumbler Ridge ocorrem após diversas ações judiciais contra a OpenAI em tribunais estaduais e federais dos EUA nos últimos meses, alegando que o ChatGPT incentivou comportamentos perigosos, suicídio e, em pelo menos um caso, um assassinato seguido de suicídio. Esses casos, que ainda estão em fases iniciais, vão obrigar os tribunais a discutir qual é a responsabilidade de uma plataforma de IA na promoção da violência e se a empresa pode ser responsabilizada por seus próprios atos ou pelos atos de quem usa o serviço. A OpenAI negou as acusações feitas nos processos e, no caso do assassinato seguido de suicídio, afirmou que o responsável já tinha um histórico de problemas mentais. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, informou no início deste mês que está investigando criminalmente o envolvimento do ChatGPT em um tiroteio que aconteceu em 2025 na Universidade Estadual da Flórida.
29/04/2026 14:12:57 +00:00
Quem é Diogo Guillen, ex-diretor do BC que assume a chefia econômica do Itaú

Diogo Guillen, diretor de política econômica do Banco Central, durante a apresentação do Relatório de Política Monetária. Raphael Ribeiro/BC O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira (28) uma mudança no comando de sua área de pesquisa econômica. Diogo Guillen, ex-diretor do Banco Central do Brasil, será o novo economista-chefe do banco a partir de 1º de julho de 2026. Ele substituirá Mário Mesquita, que deixa o cargo após quase dez anos à frente das áreas de macroeconomia e pesquisa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Guillen assume a função após cumprir período de quarentena. Formado pela PUC-Rio e com doutorado pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, o economista tem passagem recente pelo setor público, onde atuou como diretor de Política Econômica do Banco Central entre 2022 e 2025. Antes disso, integrou a área econômica da Asset do próprio Itaú entre 2015 e 2021. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 De acordo com o banco, a transição prevê que Mesquita permaneça como consultor, contribuindo com as funções macroeconômicas durante o período de adaptação. Sócio do banco e economista-chefe desde julho de 2016, ele foi responsável por fortalecer a reputação da instituição em análises econômicas, liderando a consolidação do time de macroeconomia e a reestruturação da área de pesquisa. "Ao longo de sua trajetória no banco, Mário desempenhou papel central no fortalecimento da reputação do Itaú em análises econômicas, liderando a consolidação do time de Macro e a reestruturação do Research, sendo reconhecido pela profundidade, equilíbrio e credibilidade junto a clientes e investidores, no Brasil e nos mercados internacionais", afirmou o Itaú, em nota. Trajetória A nomeação de Diogo Guillen para o Itaú Unibanco marca um retorno ao banco onde construiu parte relevante de sua trajetória no setor privado. Itaú Asset Management (2015–2021): Antes de ir para o setor público, Guillen escalou posições na gestora do banco, atuando como economista-chefe e, posteriormente, como head de ciência de dados. Nessa fase, liderou as áreas de pesquisa econômica para o Brasil e exterior. Gávea Investimentos (2013–2015): Atuou como Economista sênior em uma das gestoras mais tradicionais do país. Seus primeiros passos no mercado financeiro foram dados na Ventor Investimentos e na Galanto Consultoria, onde já demonstrava o potencial que o levaria a postos de comando. Na Universidade de Princeton, recebeu a bolsa por mérito William G. Bowen e foi laureado com o prêmio Harry G. A. Seggerman ‘49, concedido por excelência em economia internacional. Durante esse período, também participou do Lindau Meeting of Nobel Laureates. Antes disso, graduou-se e concluiu o mestrado na PUC-Rio, onde figurou entre os melhores alunos do curso, com prêmios acadêmicos e bolsas de destaque. Sua formação inclui ainda experiências internacionais como pesquisador visitante no Federal Reserve de Minneapolis e no National Bank of Belgium. Além da atuação no mercado e no setor público, Guillen se dedicou à publicação acadêmica com artigos publicados em periódicos como a Revista Brasileira de Economia e a Economics Letters. Na área acadêmica, Guillen também teve passagem pela docência, com atuação como professor no Insper até 2021 e na PUC-Rio até 2018, período em que lecionou disciplinas ligadas à macroeconomia e economia monetária e participou da formação de alunos de pós-graduação. Transição monetária A atuação de Diogo Guillen como diretor de Política Econômica do Banco Central do Brasil, entre 2022 e 2025, foi marcada por um perfil técnico e discreto, com foco na formulação de cenários e no suporte às decisões de política monetária. Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Diogo Guillen integrou a diretoria de política econômica do Banco Central do Brasil até dezembro de 2025, quando se encerrou seu mandato. À frente de uma das áreas mais estratégicas da autoridade monetária, foi responsável por coordenar análises de inflação, atividade econômica e expectativas de mercado — insumos que orientam as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. Sua gestão coincidiu com um período de transição na política monetária, marcado pela passagem do ciclo de alta de juros no pós-pandemia para o debate sobre o início dos cortes na taxa básica. Nesse contexto, a diretoria teve papel relevante na construção do cenário base utilizado pelo BC para calibrar o ritmo e o momento das mudanças nos juros. Guillen foi um dos últimos integrantes da diretoria indicados ainda no governo Bolsonaro. Com a autonomia do Banco Central, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2021, o presidente e os diretores da instituição passaram a ter mandatos fixos de quatro anos, sem possibilidade de substituição antes do término.
29/04/2026 13:06:49 +00:00
Em julgamento, Musk diz que OpenAI, dona do ChatGPT, era sua ideia e que não buscava lucro

Elon Musk é interrogado por seu advogado Steven Molo durante o processo de Musk sobre a conversão da OpenAI para lucro em um tribunal federal em Oakland, Califórnia, EUA, em 28 de abril de 2026, em um retrato no tribunal. REUTERS/Vicki Behringer Em depoimento na terça-feira (28), no julgamento que opõe Elon Musk à OpenAI, o bilionário afirmou ser o criador do projeto que hoje controla o ChatGPT e disse que nunca pensou em lucrar com a empresa, segundo informações da agência Reuters. A disputa judicial, iniciada por Musk em 2024, gira em torno da alegação de que a organização teria traído sua missão original de atuar como entidade sem fins lucrativos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Eu tive a ideia, o nome, recrutei as pessoas-chave, ensinei tudo o que sei e forneci todo o financiamento inicial", disse Musk. "Foi especificamente concebido como uma instituição de caridade que não beneficia nenhuma pessoa individual. Eu poderia ter criado uma empresa com fins lucrativos, mas escolhi não fazer isso", completou ele. Vídeos em alta no g1 "Se permitirmos o saque de uma instituição de caridade, toda a base da filantropia nos Estados Unidos será destruída", afirmou Musk no primeiro dia do julgamento. "Essa é a minha preocupação." William Savitt, advogado da OpenAI, disse que Musk queria "as chaves do reino" e só entrou com o processo após fracassar em seus objetivos. Segundo ele, o bilionário iniciou, em 2023, seu próprio negócio de inteligência artificial, a xAI, hoje parte da SpaceX. "O que importa para ele é estar no topo", disse Savitt em sua declaração inicial. "Estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu o que queria", completou. Já o advogado de Musk, Steven Molo, afirmou aos jurados que os réus da OpenAI é que estariam motivados por interesses financeiros, à medida que a empresa passou a atrair investidores, incluindo a Microsoft, que investiu US$ 10 bilhões em janeiro de 2023. Entenda a treta Elon Musk reage em um tribunal federal durante um intervalo do julgamento em seu processo sobre a conversão da OpenAI para lucro e conversão com fins lucrativos, em Oakland, Califórnia. REUTERS/Manuel Orbegozo Um dos cofundadores originais da OpenAI, Musk afirma que a empresa, liderada por Sam Altman e Greg Brockman, abandonou o foco no benefício da humanidade para se tornar uma "máquina de riqueza". Musk pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft. Segundo pessoas ligadas ao caso, o valor seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI. Além do valor financeiro, o bilionário quer que a OpenAI volte a ser estritamente sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de seus cargos executivos. O empresário sustenta que foi mantido no escuro sobre a criação de uma estrutura comercial em 2019 e que seu nome e apoio financeiro foram usados indevidamente para atrair investidores. Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na OpenAI entre 2016 e 2020. A defesa da OpenAI Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Os advogados da OpenAI rebatem as acusações afirmando que Musk é motivado pelo desejo de controle e pelo interesse em impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI, fundada por ele em 2023. A empresa afirma que Musk participou das discussões para a mudança de estrutura e que ele mesmo exigiu ser o CEO na época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho da empresa. Em comunicado intitulado "A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI", divulgado nesta segunda (27), a OpenAI contra-atacou. No texto, a empresa afirma que as ações do bilionário são motivadas por "ciúmes, arrependimento por ter abandonado a OpenAI e desejo de descarrilar uma concorrente". "Elon passou anos assediando a OpenAI por meio de processos infundados e ataques públicos. Ele está usando seu processo para atacar a fundação sem fins lucrativos OpenAI, que é focada em trabalhos em áreas como ciências da vida e na cura de doenças para o benefício de todos", diz o comunicado. De 'Projeto Manhattan' a disputa de egos Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer Documentos internos revelados no processo oferecem detalhes sobre a evolução da empresa, que nasceu em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões. Altman apresentou a ideia a Musk em 2015, descrevendo-a como o "Projeto Manhattan da IA". O apoio de Musk foi fundamental para atrair cientistas de elite. Em 2017, tensões surgiram quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Na mesma época, anotações do diário de Brockman revelavam o desejo de "se livrar" de Musk, chamando-o de "líder glorioso" de forma irônica. Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI fracassaria diante do Google. Em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos, e o lançamento do ChatGPT no fim de 2022 consolidou seu sucesso global. O desfecho do caso ocorre em um momento crítico. A OpenAI prepara uma possível abertura de capital que pode elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. Do outro lado, a xAI de Musk tenta diminuir a distância tecnológica para o ChatGPT, enquanto a SpaceX também planeja seu IPO (oferta pública de ações). *Com informações da agência de notícias Reuters. Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans
29/04/2026 12:08:31 +00:00
Dólar sobe e fecha a R$ 5, com tensões no Oriente Médio e decisões de juros no radar; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou a sessão desta quarta-feira (29) em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,0014. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 5,0129. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 2,05%, aos 184.750 pontos. O impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã mantiveram o Oriente Médio no centro das atenções, em meio a incertezas sobre eventuais impactos na oferta de petróleo e na economia global. As decisões de juros no Brasil e nos EUA também ficam no radar. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Pela manhã, o presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã. Em uma publicação nas suas redes sociais, o republicano compartilhou uma montagem em que aparece segurando um fuzil, com explosões ao fundo, com a mensagem "chega de bancar o bonzinho". "O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!", afirmou Trump. Segundo a mídia internacional, o presidente dos EUA está insatisfeito com a proposta do Irã para encerrar a guerra. A expectativa é que o governo americano dê uma resposta ainda nos próximos dias. ▶️ Já o Irã afirmou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel. A retomada do trânsito dependerá ainda do cumprimento de protocolos de segurança definidos por Teerã. A escalada das tensões entre os dois países, somada à saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, que reúne aliados do grupo, voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional. Perto das 17h20, o barril do Brent, referência internacional, marcava alta de 7,51% segundo dados da Bloomberg, cotado a US$ 119,62. Mais cedo, chegou a bater US$ 120,22 — maior patamar desde 2002. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava 8,15% no mesmo horário, a US$ 108,07. ▶️ No noticiário econômico, as decisões de juros dos bancos centrais dos EUA e do Brasil ganhavam destaque. No Brasil, a expectativa é que o Banco Central mantenha o ciclo de aperto monetário e reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5%. Já no caso americano, o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) decidiu manter as taas de juros na faixa de 3,50% e 3,75%. Essa foi a última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) com Jerome Powell à frente da instituição — o banqueiro central deixará o cargo em 15 de maio, após oito anos no comando e em meio a atritos com Trump. ▶️ Ainda na agenda nacional, o Ministério do Trabalho divulgou nesta quarta-feira (29) a criação de mais de 228 mil empregos com carteira assinada em março. O resultado é quase três vezes maior que o saldo registrado em março do ano passado, quando foram registrados 79.994 empregos, e o segundo melhor desempenho para o mês na série histórica, iniciada em 2020. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,07%; Acumulado do mês: -3,42%; Acumulado do ano: -8,88%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -3,14%; Acumulado do mês: -1,45%; Acumulado do ano: +14,66%. Guerra no Oriente Médio O presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã publicamente, demonstrando insatisfação com as propostas apresentadas nas negociações e indicando a possibilidade de novos ataques militares. As conversas para encerrar o conflito seguem travadas, sem avanço concreto. Ao mesmo tempo, os EUA avaliam diferentes estratégias, incluindo declarar vitória e reduzir sua presença militar na região. Do lado iraniano, o país afirma que a guerra não acabou e que responderá com mais intensidade caso seja atacado novamente. Durante o cessar-fogo, Teerã tem aproveitado para reorganizar sua capacidade militar, incluindo a recuperação de equipamentos e a produção de drones. Outro ponto central da crise é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O Irã mantém restrições à passagem de navios e condiciona a reabertura total ao fim definitivo da guerra e a garantias de segurança. 🛢️ A passagem permanece, na prática, fechada, o que impede que petroleiros sigam viagem até seus destinos. ⏳ A interrupção já dura semanas e ocorre mesmo após um cessar-fogo frágil no conflito regional, mantendo investidores em alerta. Decisões de juros Copom O mercado financeiro espera que o Banco Central do Brasil realize um novo corte na taxa básica de juros nesta quarta-feira (29), durante reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). 🔎A projeção majoritária é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano — o que marcaria o segundo corte consecutivo. A decisão ocorre em um cenário mais delicado. A guerra no Oriente Médio tem pressionado a inflação global, principalmente por meio da alta do petróleo, que já impacta os preços dos combustíveis no Brasil. Esse contexto faz com que parte dos analistas defenda mais cautela ou até uma pausa no ciclo de queda dos juros. O Banco Central, no entanto, toma suas decisões com base nas projeções futuras de inflação. Com a meta contínua fixada em 3% (com tolerância entre 1,5% e 4,5%), a autoridade monetária avalia se há espaço para estimular a economia sem perder o controle dos preços. Hoje, o mercado projeta inflação de cerca de 4% para o próximo ano, acima do centro da meta. Fed O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. Foi a terceira reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve a taxa no mesmo nível. Esta também é a última decisão com Jerome Powell na presidência da instituição. Ele deixará o cargo em 15 de maio, após oito anos no comando e em meio a atritos com Donald Trump. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. A gestão de Powell foi marcada por choques relevantes, como a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia, além das tensões mais recentes no Oriente Médio, que mantiveram a inflação sob pressão. Nesse cenário, o Fed alternou ciclos de alta e queda de juros para tentar equilibrar controle de preços e atividade econômica. Nos últimos anos, Powell também enfrentou forte pressão política de Donald Trump, que criticou duramente a condução da política monetária e cobrou cortes mais rápidos nos juros. As críticas vieram acompanhadas de ataques públicos e até de uma investigação sobre gastos do Fed, que acabou sendo encerrada sem acusações. Com a saída de Powell, cresce a expectativa sobre a possível mudança de direção na política monetária americana, especialmente com a indicação de um novo presidente alinhado ao governo, Kevin Warsh. Mercados globais Os mercados globais tiveram um dia misto nesta quarta-feira, com desempenho positivo na Ásia e majoritariamente negativo nos Estados Unidos e na Europa, refletindo tanto fatores internos quanto o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única. Enquanto o Dow Jones recuou 0,57% e o S&P 500 caiu 0,04%, o Nasdaq teve ganhos de 0,04%. Já na Europa, os índices encerraram a sessão no nível mais baixo em três semanas, em meio a balanços corporativos mistos, preocupações sobre os efeitos econômicos da guerra no Irã e cautela antes da decisão de juros do Fed. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,60%. Entre os principais mercados da região, o FTSE 100, de Londres, recuou 1,16%, enquanto o DAX, de Frankfurt, caiu 0,27% e o CAC-40, de Paris, perdeu 0,39%. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, puxadas por setores ligados a tecnologia e transição energética. Em Xangai, o índice SSEC subiu 0,71%, aos 4.107 pontos, enquanto o CSI300 avançou 1,10%, aos 4.810 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 1,68%, aos 26.111 pontos. Em Seul, o Kospi subiu 0,75%, aos 6.690 pontos. Já Taiwan registrou queda de 0,55%, aos 39.303 pontos, e Singapura também caiu 0,55%, aos 4.860 pontos. Em Sydney, o S&P/ASX 200 recuou 0,27%, aos 8.687 pontos, enquanto o mercado de Tóquio permaneceu fechado. O desempenho positivo na China foi impulsionado principalmente por ações de terras raras, baterias e energia limpa, com ganhos expressivos após resultados fortes de empresas do setor. Ainda assim, investidores mostraram cautela após o Politburo do Partido Comunista Chinês sinalizar continuidade das políticas atuais, sem novos estímulos imediatos. Dólar Heloise Hamada/G1
29/04/2026 12:00:33 +00:00
Tecnologia lançada no interior de SP pode transformar colheita de pimenta-do-reino; entenda

Tecnologia nacional pode transformar colheita de pimenta-do-reino Uma tecnologia nacional lançada na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), promete transformar a produção de pimenta-do-reino por meio de um processo de mecanização da colheita. "O equipamento vem atender uma demanda muito clara do mercado, dos produtores, que é uma eficiência operacional, um aumento de rentabilidade, de produtividade e o cuidado com o grão", afirma Joel Backes, diretor comercial da MIAC, empresa responsável pela inovação. O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do mundo, atrás apenas do Vietnã, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Com uma produção estimada em 125 mil toneladas em 2024 e valor de R$ 3,67 bilhões, a cultura vem ganhando espaço como alternativa de diversificação no campo. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O Espírito Santo é o maior produtor de pimenta-do-reino do país, responsável por cerca de 60% da safra nacional, seguido pelo Pará e pela Bahia. Apesar da relevância no cenário global, a produção ainda carrega um desafio histórico, a colheita manual. É justamente nesse ponto que uma inovação aposta na transformação da dinâmica do setor e impulsionar a atividade no Brasil. “Atendendo a esse mercado, a gente teve um desenvolvimento de três anos focado nesse nicho. A gente teve a experiência com o cliente, de escutar as dores e desenvolver o produto”, afirma. Máquina lançada na Agrishow mecaniza colheita de pimenta-do-reino e pode reduzir custos com mão de obra. Divulgação/MIAC Como é a realidade da colheita no país A produção da pimenta-do-reino começa a partir do segundo ano após o plantio, com maior produtividade a partir do terceiro. A colheita acontece entre julho e novembro e geralmente é feita quase totalmente de forma manual. “Era totalmente manual, não existia nenhuma mecanização da colheita. O produtor colhe, coloca em baldes para depois transportar todo o produto até o beneficiamento”, explica Backes. Esse modelo exige grande quantidade de mão de obra e eleva os custos de produção, além de impactar a eficiência logística dentro das propriedades. Máquina brasileira inédita Para enfrentar esse gargalo, a empresa lançou a BP Master, uma recolhedora trilhadora de pimenta-do-reino considerada inédita no mundo. O equipamento é acoplado ao trator e realiza, de forma mecanizada, etapas que antes eram feitas manualmente “A máquina tem um sistema de alimentação contínua, através de uma lona, colocada entre as ruas das plantas de pimenta. Os operadores colhem o cacho da pimenta, jogam sobre a lona e através de um cilindro de trilha, uma peneira, a gente faz toda a trilha do grão, separando o grão de toda a massa folhar, trazendo um ganho operacional imenso”, explica Backes. Além disso, como o equipamento mantém a integridade do grão de pimenta, há um aumento na qualidade do produto e consequentemente um ganho logístico na propriedade. Isso porque ele transporta apenas o grão, e não mais o caule e toda a massa folhar que acompanha o momento da colheita. O CEO explica que, em um hectare, que hoje pode exigir até 100 pessoas trabalhando, a máquina permite fazer o mesmo trabalho com cerca de 20 pessoas. “O produtor sente no bolso imediatamente, porque, por exemplo, reduzindo 50% da mão de obra, e além, até 20% de ganha de produtividade nessa operação, o custo cai pela metade só na mão de obra, então ele rentabiliza de forma imediata”, afirma Backes. Equipamento nacional lançado na Agrishow mecaniza colheita de pimenta-do-reino Divulgação/MIAC Setor em expansão Atualmente, cerca de 90% da pimenta-do-reino produzida no Brasil é exportada, principalmente para mercados asiáticos e europeus. O setor movimenta bilhões e vem crescendo nos últimos anos, mesmo sem mecanização. Apesar do avanço, um dos principais desafios ainda é a adaptação dos produtores à nova tecnologia, já que muitos estão acostumados ao modelo tradicional. “Nos últimos três anos, a produção praticamente dobrou. Com a mecanização, a tendência é crescer ainda mais. A maior barreira é a quebra de paradigma, um produtor que estava acostumado a vida toda fazer isso de forma manual, mas com suporte técnico e assistência no campo, essa transição tende a acontecer”, afirma Backes. Agrishow 2026: Maior feira de tecnologia agrícola da América Latina tem 900 expositores este ano Érico Andrade/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026
29/04/2026 11:01:00 +00:00
Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é importante

Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo Getty Images via BBC A saída abrupta dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da Opep, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, é um movimento relevante. O país aderiu à Opep em 1967, antes mesmo de se tornar um Estado-nação, em 1971. A Opep reúne principalmente exportadores de petróleo do Golfo e, por décadas, influenciou o preço do barril ao ajustar a produção e estabelecer cotas entre seus membros. Teve papel central nas crises do petróleo dos anos 1970, que transformaram a política energética global. A Opep foi formada em 1960 como um cartel, com o objetivo de controlar a oferta mundial de petróleo e seu preço. Hoje, as nações da Opep produzem cerca de 30% do petróleo bruto do mundo. Em 2016, quando os preços do petróleo estavam particularmente baixos, a Opep se uniu a 10 outros produtores de petróleo para criar a Opep+, com 23 membros que somam cerca de 40% da produção global. O Brasil participa de discussões da Opep+, mas não aderiu aos compromissos do grupo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O que a saída dos Emirados Árabes da Opep pode representar para economia global? Embora a produção da Opep seja liderada pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos detêm a segunda maior capacidade ociosa de produção. Em outras palavras, são o segundo principal "produtor de ajuste", com capacidade de elevar a produção para ajudar a conter eventuais aumentos dos preços, por exemplo. Foi justamente esse papel que levou a reavaliar sua posição no longo prazo. Em termos simples, os Emirados Árabes Unidos querem usar a capacidade em que investiram. As cotas da Opep limitavam a produção dos Emirados Árabes Unidos a algo entre 3 milhões e 3,5 milhões de barris por dia. Na prática, o país vinha se sacrificando, com perda de receita, por causa de exigências do acordo com a Opep. O momento da decisão indica impactos da guerra com o Irã. A tensão crescente no Golfo afetou a relação dos Emirados Árabes Unidos com o Irã e pode agravar o desgaste com a Arábia Saudita. Para a Opep, este é um golpe relevante, num momento em que já se questiona a coesão do grupo no longo prazo. Não é só uma questão de os Emirados Árabes Unidos buscarem níveis próximos de 5 milhões de barris por dia, caso consigam escoar plenamente sua produção por mar ou oleodutos. Há também o risco de reação da Arábia Saudita, possivelmente com uma guerra de preços, algo que a economia mais diversificada dos Emirados Árabes Unidos poderia suportar, mas que outros membros mais pobres não conseguiriam. Muito dependerá da resposta da Arábia Saudita. Autoridades dos Emirados Árabes Unidos discutem a construção de novos oleodutos a partir dos campos de Abu Dhabi, contornando o estreito de Ormuz e direcionando a produção ao porto de Fujairah, hoje subutilizado. Já existe um oleoduto em operação, mas será preciso ampliar a capacidade para dar conta do aumento da produção e de mudanças duradouras na circulação e no custo do transporte de petróleo no Golfo. No momento, com o tráfego marítimo no estreito de Ormuz afetado por um bloqueio duplo, esse não é o principal fator a influenciar os mercados, que impactam os preços de petróleo, gás, combustíveis, plásticos e alimentos. Embora o foco esteja no barril a US$ 110 (cerca de R$ 550), não se pode descartar a possibilidade de queda para perto de US$ 50 (aproximadamente R$ 250) no próximo ano, por exemplo, se a situação no estreito for resolvida a tempo das eleições legislativas nos EUA ainda este ano. A Opep hoje tem menos peso no mercado global do que nos anos 1970. Sua participação no comércio internacional de petróleo caiu cerca de 85% para cerca de 50%. O petróleo também é menos central para a economia mundial. A organização ainda exerce influência, mas não tem mais o poder de impor suas condições ao restante do mundo. Lembro-me de ouvir do líder da Opep, o ex-ministro do petróleo da Arábia Saudita, Sheikh Yamani: "A Idade da Pedra não terminou porque o mundo ficou sem pedras. A era do petróleo não vai terminar porque o mundo ficará sem petróleo". A frase antecipa um cenário em que os hidrocarbonetos são substituídos por outras fontes de energia. Uma forma de entender a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é como um sinal da redução da dependência global em relação ao petróleo. Há outros sinais à vista: os investimentos da China em eletrificação ajudaram a aliviar no país o impacto do aumento dos preços do petróleo e do gás durante a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo algumas estimativas do mercado, o processo de eletrificação na China de carros, caminhões e trens reduziu a demanda por petróleo em 1 milhão de barris por dia. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA. Como essa tendência de eletrificação tem acelerado em outros países, a demanda global por petróleo pode atingir seu ápice em breve. Sob esse ponto de vista, faz sentido extrair o máximo valor possível (e o mais rápido possível) das reservas de petróleo antes que a demanda despenque. Os Emirados Árabes Unidos têm poder de fogo financeiro e uma economia parcialmente diversificada por meio de serviços financeiros e do turismo. Muito vai depender do que será o "novo normal" se e quando cessar o conflito na região. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode desencadear um efeito dominó em outros países do grupo, elevando a pressão sobre a Arábia Saudita. Quando os cargueiros voltarem a transitar pelo estreito de Ormuz novamente, ou se os Emirados Árabes Unidos redobrarem suas tentativas de construir novos oleodutos, o petróleo vai fluir dos Emirados Árabes Unidos como nunca, sem qualquer restrição ligada a compromissos com a Opep. A medida terá poucos efeitos nos bloqueios atuais. Mas pode mudar tudo depois. A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode redefinir o mercado global de petróleo. Os efeitos podem, a médio prazo, derrubar o preço do barril. Como disse, no curto prazo, os preços continuarão atrelados à crise no Golfo, especialmente no estreito de Ormuz. O bloqueio marítimo é hoje o principal fator de pressão sobre o mercado. Mas o cenário pode mudar rapidamente. Caso a situação se normalize, há espaço para uma queda relevante nos preços. Por isso, não se descarta a possibilidade de que ele possa estar mais próximo de US$ 50 (cerca de R$ 250) em algum momento no próximo ano — se a situação no estreito for resolvida, por exemplo, a tempo das eleições de meio de mandato nos EUA ainda este ano, quando o controle do Congresso americano pode passar das mãos do Partido Republicano (ao qual o presidente Donald Trump pertence) para o Partido Democrata (de oposição ao governo Trump). O preço dos combustíveis e a inflação serão centrais nessa disputa eleitoral. Existe, portanto, a possibilidade de o barril recuar significativamente em relação aos níveis atuais. Para ampliar a discussão sobre a saída dos Emirados Árabes da Opep, Renata Lo Prete entrevista Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio
29/04/2026 10:26:38 +00:00
O que está por trás da disputa entre os ex-amigos Elon Musk e Sam Altman, do ChatGPT, nos tribunais dos EUA

Elon Musk e Sam Altman Getty Images via BBC A amarga rivalidade entre Elon Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, já dura anos, mas tem se manifestado principalmente nas redes sociais na forma de acusações, respostas e provocações. Na segunda-feira (27), Musk voltou a atacar Altman em uma publicação no X, chamando-o de "Scam Altman" (Altman golpista, em tradução livre). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Contudo, desde a terça-feira (28), o confronto entre os bilionários da tecnologia passou a ganhar um palco de maior repercussão: um tribunal federal na Califórnia, onde a disputa deve concentrar atenções em um julgamento com duração de um mês. O tribunal vai analisar a ação movida por Musk, que acusa Altman — com quem cofundou a OpenAI — de tê-lo enganado em milhões de dólares e de ter traído a missão original sem fins lucrativos da empresa responsável pelo ChatGPT. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O próprio Musk e Altman estão entre os que devem depor em um caso no qual o futuro da inteligência artificial pode estar em jogo. E, embora um deles deva sair vencedor, é bem possível que nenhum dos dois saia ileso. A batalha já foi comparada a dois boxeadores pesos-pesados subindo ao ringue. Um observador, inclusive, a descreve como um confronto entre King Kong e Godzilla. "Musk e Altman são figuras gigantescas, colossais e tão distantes da realidade cotidiana", afirma Sarah Federman, professora da Universidade de San Diego e especialista em resolução de conflitos. "E é justamente isso que torna tão fascinante assistir enquanto entram em choque." Um júri composto por nove pessoas, que prestaram juramento na segunda-feira, ajudará a definir o desfecho do caso sob a supervisão da juíza Yvonne Gonzalez Rogers. A magistrada afirmou que a enorme riqueza, o poder e a fama que Musk e Altman levam ao tribunal federal de Oakland não lhes garantirão "nenhum tratamento especial". Musk também entrou com ações contra a OpenAI, seu cofundador e presidente Greg Brockman, além da Microsoft, que, segundo ele, ajudou no plano de monetizar a empresa. A Microsoft, no entanto, nega as acusações. Musk pede bilhões de dólares no que seus advogados chamam de "ganhos indevidos", valor que ele quer destinar ao financiamento do braço sem fins lucrativos da OpenAI, além de mudanças na empresa, incluindo a saída de Altman. A OpenAI, por sua vez, afirma que Musk é movido por inveja e arrependimento por ter deixado a empresa. E, com a corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI) avançando a todo vapor, a empresa acusa Musk de tentar atrapalhar um de seus principais concorrentes. A origem da briga Musk e Altman cofundaram a OpenAI em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de garantir que a AGI beneficiasse toda a humanidade. A AGI é, em termos gerais, definida como uma inteligência artificial capaz de superar a inteligência humana. Na época da fundação da OpenAI, Musk já era uma figura de enorme destaque. Era visto como um tecnólogo incansável que, à frente da Tesla, ajudou a popularizar os veículos elétricos, enquanto desenvolvia tecnologias inovadoras de foguetes reutilizáveis na SpaceX. Altman, por sua vez, era bastante conhecido dentro do Vale do Silício, embora ainda pouco fora dele. Como líder da influente incubadora Y Combinator, suas opiniões — frequentemente publicadas nas redes sociais, em tom quase oracular — eram acompanhadas de perto por fundadores de startups. Os dois foram apresentados por um investidor do Vale do Silício em 2012. Altman, então na casa dos 20 anos, e 14 anos mais jovem que Musk, acabou apresentando a ideia da OpenAI ao empresário. O desenvolvimento responsável da inteligência artificial era um dos pilares centrais da proposta. Dentro da OpenAI, os dois mantiveram uma relação cordial, unidos pela crença no potencial da tecnologia. Durante uma participação conjunta em uma conferência em 2015, Musk afirmou que a IA era a tecnologia que "mais poderia transformar a humanidade", mas alertou que também era "realmente obscura" e "repleta de desafios". Mas o que começou como uma organização sem fins lucrativos acabou sendo transformado em uma entidade com fins lucrativos — de forma ilegal, segundo Musk. Já a OpenAI afirma que, em 2017, houve um acordo entre Musk e os demais envolvidos de que a criação de uma estrutura com fins lucrativos seria o próximo passo lógico "para avançar a missão". A empresa diz que rejeitou a proposta de Musk de assumir o cargo de CEO com "controle absoluto". Musk deixou a OpenAI em 2018, após uma disputa de poder com Altman. "Pessoal, já me cansei disso", escreveu Musk em um e-mail alguns meses antes de sua saída. "Ou vocês seguem por conta própria ou continuam com a OpenAI como uma organização sem fins lucrativos. Não vou mais financiar a OpenAI até que haja um compromisso firme de vocês em permanecer assim, ou então serei apenas um tolo basicamente bancando gratuitamente a criação de uma startup." Em 2022, a OpenAI deu início à revolução da IA voltada ao consumidor com o lançamento do ChatGPT, que rapidamente ganhou popularidade e alcançou 100 milhões de usuários ativos mensais em poucos meses. Desde então, Musk criou sua própria startup de inteligência artificial, a xAI, responsável pelo chatbot Grok, que ficou atrás dos concorrentes. Ao entrar com a ação em 2024, Musk alegou que a OpenAI havia se desviado de sua missão original e passado a priorizar a "maximização de lucros" para a Microsoft. Ele afirmou ter doado cerca de US$ 40 milhões à OpenAI, após ter sido manipulado pelos envolvidos, que, segundo ele, o traíram ao tentar transformar a organização em uma entidade majoritariamente com fins lucrativos. Batalha de titãs da tecnologia Desde que a ação foi movida, a animosidade entre Musk e Altman tem vindo a público com frequência. No ano passado, Musk e um consórcio de investidores ofereceram US$ 97,4 bilhões para comprar os ativos da OpenAI. A empresa havia sido avaliada em US$ 157 bilhões em uma rodada recente de financiamento (e agora se aproxima de uma possível abertura de capital, ou IPO, com valor estimado em cerca de US$ 850 bilhões). A OpenAI rejeitou a oferta, e Altman respondeu na plataforma X — rede social de Musk, anteriormente conhecida como Twitter —: "não, obrigado, mas compramos o Twitter por US$ 9,74 bilhões, se você quiser". "Vigarista", retrucou Musk em um comentário na publicação. Mensagens privadas com Mark Zuckerberg também mostram Musk perguntando ao chefe da Meta se ele estaria "aberto à ideia de fazer uma oferta pela propriedade intelectual da OpenAI comigo e outros?". O interesse de Musk em comprar a empresa pode acabar confundindo o cenário do julgamento, afirma Dorothy Lund, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Columbia. "Musk já tentou assumir o controle da OpenAI várias vezes. Foi rejeitado", disse à BBC. "Por isso, não é absurdo pensar que suas motivações possam ser um pouco questionáveis neste caso. A própria juíza responsável pelo processo, Yvonne Gonzalez Rogers, já chamou atenção para isso." Detalhes pitorescos Também é esperado que o tribunal ouça o depoimento do CEO da Microsoft, Satya Nadella, dos ex-cientistas da OpenAI Mira Murati e Ilya Sutskever, e da ex-integrante do conselho da OpenAI Shivon Zilis, que é mãe de quatro dos filhos de Musk. Nos preparativos para o julgamento, vieram à tona detalhes curiosos da vida privada dos bilionários envolvidos, enquanto seus advogados travam disputas acaloradas sobre quais provas e testemunhos devem ou não ser apresentados ao júri. Por exemplo, a juíza decidiu que não será permitido mencionar no tribunal o suposto uso, pelo chefe da Tesla, de "rhino ket" — como a ketamina é chamada na gíria do Vale do Silício. A equipe jurídica de Musk também virou notícia. Um de seus advogados tem trabalhado como palhaço nas horas vagas, segundo o Business Insider. Outro, que também atua como produtor em Hollywood, teve o perfil publicado recentemente pela revista Vanity Fair. O que está em jogo O que está em jogo neste caso é de grande magnitude para Musk e para a OpenAI — e, potencialmente, para todos nós. No fim de 2023, Musk defendia uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial. Em meio a essa onda de preocupação com o ritmo acelerado dos avanços tecnológicos, Altman chegou a ser afastado temporariamente do cargo de CEO da OpenAI, após suspeitas de que teria enganado membros do conselho. Agora, com a xAI — empresa que foi recentemente adquirida pela SpaceX, sua companhia de foguetes que se prepara para abrir capital —, Musk está profundamente envolvido na corrida rumo à inteligência artificial geral (AGI). "Se Musk vencer, isso pode significar a derrota de um concorrente-chave na corrida pela AGI", afirmou Rose Chan Loui, diretora executiva do Centro Lowell Milken de Filantropia e Organizações Sem Fins Lucrativos da UCLA. "Quem vencer essa corrida terá um enorme poder." Chan Loui avalia que Musk tenta se posicionar como a pessoa mais adequada para representar, de forma justa, os interesses da OpenAI enquanto organização sem fins lucrativos. "Embora eu reconheça que ele trouxe visibilidade ao tema, há preocupação de que não seja imparcial, já que lidera sua própria e grande empresa de IA", disse. Para Sarah Federman, autora do livro Corporate Reckoning, a credibilidade de quem move esse tipo de ação é um fator central. O julgamento entre Musk e Altman ocorre justamente no momento em que o público começa a compreender melhor como a inteligência artificial está sendo integrada ao dia a dia. Ambos foram pioneiros em levar essa tecnologia ao grande público. O processo pode lançar nova luz sobre suas ambições e intenções em relação ao desenvolvimento de uma tecnologia que já é utilizada por uma parcela crescente da população mundial. Em King Kong contra Godzilla, "todos os mortais lá embaixo tentam escapar enquanto esses gigantes se enfrentam", diz Federman. "No fim, um vence, mas o que fica é um rastro com o qual o resto de nós terá de conviver."
29/04/2026 10:14:12 +00:00
BYD se prepara para lançar nova picape no Brasil para competir com Fiat Toro; veja modelo

BYD exibe maquete da nova picape que chega ao mercado para competir com Fiat Toro A BYD colocou no radar do público o lançamento de uma nova picape durante a Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio do Brasil, que acontece até sexta-feira (1º) em Ribeirão Preto (SP). Uma maquete em tamanho natural do modelo que vem sendo chamado de Mako pode ser vista no estande da montadora no evento. Ela será lançada para brigar com modelos da Fiat e da Ford. Segundo o supervisor de comunicação da BYD Victor François, o protótipo é uma espécie de spoiler e ainda pode passar por alterações. O utilitário com caçamba terá variações que visam atender tanto o público do campo quanto da cidade. "A ideia é que a partir da Shark, nosso showcase de caminhonetes, a gente vá desdobrando outros modelos para outros nichos de mercado, com diferentes enfoques e posicionamentos", diz. BYD exibe modelo da nova picape Mako, que será lançada no segundo semestre de 2026 Matheus Vinícius/g1 O lançamento amplia o leque de picapes da montadora no país. Atualmente, a BYD tem o modelo Shark, vendido a R$ 344.990 na tabela sugerida da BYD. Shark, em inglês, quer dizer tubarão. Mako é uma raça veloz da espécie. De acordo com François, a Mako deve estar nas lojas com preço mais acessível. A ideia é que ela concorra com modelos como Fiat Toro e Ford Maverick, que custam a partir de R$ 159 mil nas concessionárias. A Shark é a única do mercado das picapes que segue o formato híbrido. A previsão é que a Mako tenha a mesma característica e uma versão 4x4. "Por enquanto, informações técnicas eu não posso abrir ainda, mas o mercado vai gostar muito do que a BYD vai lançar. A princípio, a marca só trabalha com carros elétricos e híbridos, então, seguindo a linha da Shark, a gente está falando aí de um modelo híbrido", afirma. BYD exibe modelo da nova picape Mako, que será lançada no segundo semestre de 2026 Matheus Vinícius/g1 François diz que a BYD estuda o modelo híbrido flex para lançamentos futuros. A expectativa é que a Mako também seja produzida em Camaçari (BA), como o Dolphin Mini e o Song Pro. "A princípio, a nossa fábrica na Bahia tem capacidade para produzir todos os modelos, então a gente vai estudando a aceitação de mercado. A ideia é que a gente possa produzir todos os modelos dos top sellers na Bahia, mas a princípio está no radar." LEIA TAMBÉM: Zema afirma que equilíbrio de poderes depende de Supremo 'sem rabo preso' Robôs movidos a energia solar 'moram' no campo e combatem pragas com IA Tecnologia que mede ‘suor’ das plantas ajuda a salvar colheitas; entenda Agrishow 2026: Veja FOTOS da maior feira de tecnologia agrícola da América Latina BYD exibe modelo da nova picape Mako, que será lançada no segundo semestre de 2026 Matheus Vinícius/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026
29/04/2026 09:34:13 +00:00
Lembra dele? Honda Civic desaparece das lojas e o g1 descobre quem são os culpados; VÍDEO

Por que o Honda Civic sumiu das ruas? E o Honda Civic, hein? Essa é uma pergunta que se ouve desde o ano passado, como se o sedã fosse aquele primo que sempre estava nas festas de família e, de repente, sumiu. Todo mundo quer saber por onde ele anda. Pois bem: o Honda Civic continua nas lojas e ainda aparece no site da marca por R$ 266 mil. Porém, em 2026, apenas sete unidades foram emplacadas, segundo números da Fenabrave. A versão esportiva, Type-R, vendeu oito unidades no mesmo período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O que aconteceu com ele? Um carro que já foi produzido no Brasil, que esteve entre os sedãs médios mais vendidos e desejados do país, é hoje apenas uma lembrança do que já foi. Para entender essa história, o g1 vai mostrar a nova geração do sedã, que agora é híbrida, e explicar quem são os responsáveis por fazer o Civic deixar de ser aquela figurinha fácil que a gente sempre via no trânsito. E já adiantamos: há mais que um responsável. Honda Civic Advanced Hybrid 2026 Divulgação / Honda Recheado de equipamentos Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que o Civic vem muito bem equipado e com muita tecnologia. Basta observar as listas para ver os equipamentos de segurança e tudo que vem de série no veículo. Não deve em nada para qualquer outro modelo na mesma faixa de preço de R$ 260 mil. Mas é justamente aí que a Honda se torna responsável pelo baixo desempenho de vendas do Civic. O cliente imagina o sedã competindo ombro a ombro em preço com o Corolla, seu rival histórico. Mas agora a diferença de preço é de R$ 60 mil. Então, a Honda colocou o Civic numa prateleira que os clientes não alcançam. E o g1 perguntou para a marca justamente a razão dessa estratégia. O que levou a Honda a subir o Civic de patamar? “Os projetos de desenvolvimento seguem uma estratégia global e, dentro desse contexto, a nova geração do Civic passou a ser oferecida exclusivamente com tecnologia híbrida no Brasil. A opção por essa estratégia evidenciou os diferenciais do sistema e:HEV, elevando significativamente o nível de eficiência, desempenho e sofisticação do Civic. Por consequência, a percepção do consumidor em relação ao produto também foi alçada a um patamar muito superior. O conjunto híbrido da Honda é reconhecido por entregar um equilíbrio excepcional entre performance e baixo consumo, posicionando o Civic como uma referência em seu segmento por conta do nível mais elevado de tecnologia, segurança e experiência. Assim, o reposicionamento ocorreu não apenas em função de uma decisão comercial, mas também por refletir a evolução tecnológica do modelo e do alinhamento global da marca.” Honda Civic Advanced Hybrid 2026 Divulgação / Honda Paz interior A cabine transmite uma paz instantânea. Em poucos minutos todos os comandos já fazem sentido. Os materiais em tom escuro dão seriedade à experiência. Isso combina com as opções de cores para a carroceria oferecidas no Brasil: preto, azul muito escuro e... só. O espaço no banco traseiro é bom, mas dá para entender o consumidor que prefere um SUV mais generoso. O porta-malas tem trava com acionamento elétrico que abre sozinho, mas não fecha como vários utilitários esportivos. Outro atributo que já está ficando comum nessa faixa de preço. Galerias Relacionadas Caráter esvaneceu O que é legal ao dirigir o Civic é perceber o DNA da Honda na construção, na solidez e no acerto da suspensão. Porém, se você tem na memória o Civic da geração anterior, talvez fique desencantado com este modelo. Ela seguia um projeto mais tradicional e simples, com motor 2.0 de 150 cavalos, mas era muito focada em proporcionar uma sensação de condução diferente da oferecida pelo campeão Corolla. E essa era uma estratégia que fazia sentido. Quando existe um líder disparado, a melhor tática nem sempre é tentar imitá-lo, mas sim oferecer uma alternativa para um público que busca características diferentes. Honda Civic Advanced Hybrid 2026 tem ótima calibração de direção e suspensão Divulgação / Honda O Corolla sempre foi um carro voltado para uma direção neutra, extremamente confortável e pensado para passar despercebido em suas sensações. Está claro que o brasileiro gosta dessa proposta, tanto que o modelo vende muito bem. Já o Civic anterior seguia outro caminho. Não era necessariamente mais potente ou mais forte. A diferença estava na sensação ao volante, na calibração, na suspensão, na forma como a carroceria se comportava nas curvas. Além disso, o design também reforçava essa proposta: linhas mais ousadas, caimento de teto quase de cupê e uma proporção de porta-malas mais curta. Tudo isso entregava uma opção mais jovial para quem não se identificava com o visual mais sisudo do Corolla. Agora, com este novo Civic, essa história mudou. Ele parece quase uma versão em escala menor do Accord. (compare com o sedã modelo 2021 abaixo) Honda Accord 2021 visto de perfil foi a inspiração para o Honda Civic Divulgação / Honda E não foi apenas o design e a proporção que ele herdou do irmão maior. Também adotou uma postura mais "aristocrática", mais voltada a transportar seus passageiros com conforto, quase como um chofer, do que a oferecer uma experiência marcante ao motorista. Talvez, ao considerar preço e posicionamento, o Civic tenha renunciado a parte da sua essência. E, por isso, abriu mão de um de seus argumentos para ser uma alternativa ao Corolla. Honda Civic Advanced Hybrid 2026 tem proporções mais sóbrias nesta geração Divulgação / Honda Híbrido com vida própria Debaixo do capô está um dos principais responsáveis por aumentar o preço do Civic: um excelente conjunto híbrido. Ele combina um motor 2.0 com injeção direta e ciclo Atkinson (mais voltado para eficiência de combustível) que gera 143 cavalos, com um motor elétrico de 184 cavalos. Além disso, há ainda um segundo motor elétrico, responsável pela recuperação de energia durante as desacelerações, recarregando as baterias de íon de lítio. Na prática, o carro alterna entre três modos de funcionamento: o modo totalmente elétrico, o modo híbrido, em que os dois motores trabalham juntos, e o modo somente a combustão. Essa variação depende do relevo, da intensidade com que o motorista acelera e também do nível de carga das baterias. Dentro do carro, com ele em movimento, tudo funciona muito bem, e os números de consumo são realmente impressionantes, comparáveis aos de carros 1.0. O único ponto que causa estranheza aparece em situações de trânsito intenso, como engarrafamentos. O motor a combustão entra em funcionamento apenas para manter o nível de carga das baterias, mesmo com o carro parado. O giro mais alto causa a sensação de que o motorista está acelerando sem sair do lugar, o que pode parecer um pouco estranho para quem passa na calçada. Você talvez seja cúmplice Bom, o segundo responsável pelo desaparecimento do Civic é o próprio cliente brasileiro. Se observarmos o último ano de fabricação da geração anterior do Civic no Brasil, em 2021, o sedã vendeu pouco mais de 19 mil unidades. Naquele mesmo ano, o HR-V, SUV da Honda, mesmo em sua geração anterior, já vendia 38,4 mil unidades. Bem mais que o Civic. No ano passado, em 2025, a nova geração do HR-V ultrapassou mais de 60 mil unidades vendidas. E agora a Honda também conta com o WR-V, que tem dimensões muito próximas, utiliza o mesmo motor e câmbio das versões de entrada do HR-V e já chama atenção no showroom. Ou seja: o cliente brasileiro não deixou de comprar Honda. Ele apenas deixou de comprar o Civic. Agora, esse consumidor prefere os SUVs da marca japonesa. A explicação, portanto, é simples e dispensa qualquer teoria da conspiração: a Honda apenas tomou a decisão de concentrar esforços no tipo de produto que percebeu que o brasileiro realmente quer comprar. E, nesse contexto, coincidiu o fato de que o Civic, nesta nova geração, já não fazer tanto sentido econômico para o mercado brasileiro, especialmente considerando o baixo volume de vendas. A própria Honda disse ao g1 em comunicado que percebeu o mesmo movimento. g1 – A Honda acredita que o mercado de sedãs médios diminuiu enquanto o de SUVs cresceu? "Globalmente — e isso já há vários anos —, os SUVs de diferentes portes, estilos e faixas de preço passaram a dominar a preferência dos consumidores. No Brasil, seguimos a mesma tendência, com os SUVs ganhando cada vez mais espaço no mercado. Em retrospecto, sim, é possível dizer que o mercado de sedãs médios é um dos que foram alterados com a popularização dos SUVs." Acontece em várias marcas Esse, aliás, não é um fenômeno exclusivo da Honda. A Toyota já vê o Corolla Cross vender significativamente mais que o Corolla sedã. Não por acaso, também lançou o Yaris Cross como uma alternativa de SUV posicionada logo abaixo. Da mesma forma, não é coincidência que a Toyota tenha lançado o novo RAV4 com preço reduzido em sua versão de entrada. Afinal, o consumidor brasileiro que está disposto a pagar na faixa dos R$ 300 mil, hoje, em grande parte não está mais buscando sedãs. Está comprando SUVs e, principalmente, SUVs de marcas chinesas. Honda Civic Advanced Hybrid 2026 Divulgação / Honda Outro patamar Portanto, muitas pessoas que passaram os últimos 30 anos admirando o Civic terão de se resignar. Viam o Honda como um dos carros mais vendidos do Brasil. Usavam o Civic como referência de sedã ideal para quem gosta de uma tocada mais esportiva. Agora, resta manter essa fantasia no imaginário. Com isso, sobra ao Civic Type-R carregar a bandeira do modelo. Ele é inacessível para a maioria, e acaba servindo mais como pôster ou papel de parede de celular. Ver o nome Civic adormecer na preferência popular (quem sabe, ele ainda pode voltar no futuro) não é exatamente uma novidade. Nos últimos anos, vimos o nome Gol ser colocado na geladeira pela Volkswagen. A Fiat já não produz mais o Uno. E a General Motors abandonou nomes como Corsa, Astra, Vectra, Cruze e tantos outros carros que fizeram sucesso, marcaram época e hoje já não estão mais presentes. Também é importante lembrar que, atualmente, nomes têm muito mais função estratégica e de marketing para as montadoras do que necessariamente ligação com a essência original. A Toyota, por exemplo, já não vê problema em usar o nome Corolla tanto em versões esportivas quanto em um SUV com o sobrenome Cross. A Chevrolet resgata nomes conhecidos e os reposiciona em novas propostas. Sonic era nome de hatch e agora é usado num SUV compacto. A Ford faz o mesmo ao colocar Mustang em um carro elétrico e transformar Maverick em uma picape híbrida. Talvez esse sentimento de saudosismo e decepção ao ver o Civic nessa condição seja apenas um sinal de que nós, estamos nos tornando uma geração “antiga” dentro do mercado automotivo.
29/04/2026 08:01:16 +00:00
Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar 'moram' no campo e combatem pragas com IA

Agrishow 2026: robôs movidos a energia solar 'moram' no campo e combatem pragas com IA O avanço da tecnologia no agronegócio brasileiro já não está apenas nos tratores ou softwares de gestão. Robôs autônomos, apresentados como novidades da Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola do país, em Ribeirão Preto (SP), começam a ganhar espaço nas lavouras, prometendo transformar como o produtor monitora, cuida e protege suas plantações. Entre as inovações está uma tecnologia desenvolvida com inteligência artificial e energia solar para diminuir custos com mão de obra e insumos, além de promover a sustentabilidade. “Hoje, a gente sai de uma agricultura de precisão para uma agricultura autônoma. Nós chamamos essa máquina popularmente de robô, mas é uma Inteligência Artificial física, responsável não só por entender todo o cenário que acontece no campo, mas também agir. Essa é a grande disrupção, que é conseguir entender, analisar, tomar as melhores decisões e agir”, explica Léo Carvalho, diretor de estratégia global da Solinftec. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Atualmente, a "família" de robôs é composta por quatro máquinas, duas lançadas na Agrishow. A tecnologia atua no cultivo de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Robô que 'mora' no campo promete combater pragas e reduzir custos para o produtor rural Divulgação/Solinftec Robô que 'vive' na lavoura Diferente de máquinas tradicionais, que entram e saem da área de produção, os robôs ficam no campo 24 horas por dia, sete dias por semana. Movidos a energia solar, monitoram continuamente cada parte da lavoura e de forma remota. Na prática, isso significa que uma área de 200 hectares pode ser analisada como se fosse dividida em 2 mil pequenos talhões, permitindo um acompanhamento detalhado e individualizado. “Eles moram no campo. Isso permite constantemente capturar informações e atingir a necessidade em tempo real. Esse conceito traz autonomia e liberdade para o produtor para que ele possa tomar decisões mais rapidamente”, afirma Carvalho. Essa presença constante permite identificar problemas ainda no início, como falhas no plantio, surgimento de plantas daninhas ou infestação de pragas. Menos herbicida e mais precisão Um dos principais ganhos da tecnologia está na redução do uso de herbicidas. Com câmeras de alta precisão e sistemas de visão computacional, os robôs conseguem diferenciar a cultura principal das plantas daninhas e aplicar o produto apenas onde é necessário. “O produtor precisa de alguma forma conseguir produzir mais com menos insumos, menos tempo e menos gasto de energia. Os nossos robôs fazem essa aplicação localizada, reduzindo o uso de insumos de uma forma sustentável, já que hoje a sustentabilidade é um grande diferencial”, explica o diretor. Além da economia, a prática reduz impactos ambientais, preservando a microbiologia do solo e diminuindo a pegada de carbono da produção. LEIA TAMBÉM Agrishow: entenda por que Índia virou 'cliente de ouro' do agro paulista Agrishow: Tecnologia que mede ‘suor’ das plantas ajuda a salvar colheitas; entenda Agrishow 2026: Veja FOTOS da maior feira de tecnologia agrícola da América Latina Robô que 'mora' no campo é uma das novidades da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Divulgação/Solinftec Retorno rápido O desenvolvimento da tecnologia levou em conta não apenas a inovação, mas também o retorno financeiro para o produtor. Além disso, a proposta é oferecer equipamentos de fácil manutenção e operação, reduzindo a dependência de assistência técnica especializada. “A gente trabalha com a lógica de payback em até um ano ou um ano e meio. Hoje, o produtor só investe em tecnologia se ele vê resultado claro”, explica. Com a combinação de inteligência artificial, robótica e energia limpa, a tecnologia representa um novo passo na evolução do agronegócio, que busca aumentar a produtividade sem ampliar a área plantada. “A agricultura do futuro não depende de máquinas maiores, mas de soluções mais eficientes. O produtor está mais criterioso e busca tecnologias que realmente façam diferença no custo e na produção”, conclui Carvalho. Agrishow 2026: Feira em Ribeirão Preto, SP, acontece até o dia 1º de maio Érico Andrade/g1 Leia mais notícias da Agrishow 2026
29/04/2026 07:01:46 +00:00
Jornadas longas, insegurança e assédio no trabalho causam mais de 840 mil mortes por ano, diz OIT

Problemas como estresse, assédio e jornadas longas causam mais de 840 mil mortes por ano, diz OIT Freepik/Reprodução Mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, insegurança no emprego e assédio. O dado é de um relatório global da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o estudo, esses fatores estão diretamente relacionados a doenças cardiovasculares e transtornos mentais, incluindo casos de suicídio. Ao todo, os riscos psicossociais levam à perda de quase 45 milhões de anos de vida saudável por ano, considerando doença, incapacidade ou morte prematura. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Além do impacto na saúde, o problema também pesa na economia. A OIT estima que esses riscos gerem perdas equivalentes a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB) global por ano. O relatório, intitulado “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação”, foi preparado para o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O documento destaca o impacto crescente da forma como o trabalho é planejado, organizado e gerido na saúde dos trabalhadores. De acordo com a organização, o ambiente psicossocial envolve a estrutura do trabalho, a forma de gestão, as relações interpessoais e as políticas adotadas pelas empresas — elementos que influenciam diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores. O relatório aponta três dimensões principais: A natureza do trabalho, como nível de exigência e adequação às habilidades; A organização e gestão, incluindo carga de trabalho, autonomia e apoio; E as políticas e práticas do ambiente profissional, como jornadas, remuneração e prevenção ao assédio. Quando mal administrados, esses fatores aumentam o risco de adoecimento. A OIT também destaca que mudanças recentes, como a digitalização, o uso de inteligência artificial e a expansão do trabalho remoto, estão transformando o ambiente profissional. Essas transformações podem agravar riscos existentes ou criar novos desafios caso não sejam acompanhadas por políticas adequadas. “Os riscos psicossociais estão se tornando um dos desafios mais significativos para a segurança e saúde no trabalho no mundo moderno”, afirmou Manal Azzi, líder da equipe de políticas de segurança e saúde da OIT. Segundo ela, melhorar o ambiente de trabalho é essencial não só para proteger a saúde física e mental dos trabalhadores, mas também para fortalecer a produtividade, o desempenho das organizações e o desenvolvimento econômico sustentável. O relatório reforça que esses riscos podem ser prevenidos, desde que suas causas estruturais sejam enfrentadas. Entre as recomendações estão a melhoria da organização do trabalho, o fortalecimento das políticas de saúde e segurança e o incentivo ao diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores. NR-1 No Brasil, o governo já reconheceu o avanço desses riscos com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais. A medida estava prevista para entrar em vigor em maio de 2025 — ano em que, como o g1 mostrou, o país bateu recorde de afastamentos por transtornos mentais, com custo bilionário aos cofres públicos. Após pressão de entidades empresariais, a implementação foi adiada para maio de 2026. Agora, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) avalia um novo adiamento. O que mudaria com a NR-1? Com a atualização da norma, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas caso fossem identificadas questões como metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia no trabalho e condições precárias de trabalho. ➡️ Ou seja, isso passaria a ter o mesmo peso de fiscalização de pontos como questões que envolvem acidente de trabalho ou doença. A decisão de adiamento vai na contramão do cenário do trabalho no país. Em 2025, quando a norma já deveria estar em vigor, o quadro de afastamentos piorou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais. O MTE informou que ainda não tem uma definição e que deve divulgar uma decisão em breve. Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde
29/04/2026 06:00:43 +00:00
O que é a taxa Selic — e como ela afeta juros, emprego e investimentos

Como a Selic mexe com tudo na sua vida A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo. Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
29/04/2026 06:00:35 +00:00
A saída dos Emirados Árabes da Opep: os impactos no petróleo e os efeitos para Trump - O Assunto #1709

Os Emirados Árabes Unidos decidiram, após quase 60 anos de alinhamento, sair da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A decisão foi tomada após “várias discussões” e “reflexões” sobre o cenário internacional do petróleo e entra em vigor no dia 1º de maio. O cenário por trás dessa saída envolve a falta de respostas a um evento que se prolonga há quase dois meses: a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A decisão ocorre em um momento delicado para o setor, marcado pela volatilidade dos preços, rearranjos geopolíticos e disputas cada vez mais intensas por influência sobre o fluxo global de energia. Em Washington, o movimento é visto como uma vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, crítico recorrente da atuação da Opep. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o analista internacional Tanguy Baghdadi para analisar os efeitos dessa mudança no mercado do petróleo e na geopolítica do conflito. Convidado: Tanguy Baghdadi é professor de Política Internacional e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Rio. O que você precisa saber: Emirados Árabes anunciam saída da Opep e Opep+, em golpe para grupo de produtores de petróleo Para analistas, saídas dos Emirados da Opep pode enfraquecer grupo e reduzir controle sobre preços do petróleo Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como esles podem afetar seu bolso Como fica a Opep depois de os Emirados Árabes saírem do grupo O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti e Stéphanie Nascimento. Apresentação: Natuza Nery. Colaborou neste episódio Felipe Turioni. Arábia Saudita quer petróleo caro, Emirados Árabes Unidos querem produzir mais O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo Getty Images via BBC
29/04/2026 03:30:33 +00:00
MEI ou Microempresa? Entenda regras para cada tipo de negócio

O Cartão do Empresário está disponível também para quem é Microempreendedor Individual (MEI). Pexels No Brasil há diversos enquadramentos empresariais. Além de MEIs, Microempresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP), mais recentemente surgiu a figura dos nanoempreendedores. Cada uma dessas categorias possui características únicas, como limite de faturamento, número de funcionários e impostos a serem pagos. Confira as principais diferenças na tabela abaixo. Comparação de Categorias de Negócios Para ajudar a entender as regras e os benefícios desses quatro tipos de formalização de pequenos negócios, o g1 conversou com especialistas em direito empresarial. Abaixo, você confere mais detalhes sobre: Nanoempreendedores Microempreendedores Individuais (MEIs) Microempresas (ME) Empresas de Pequeno Porte (EPP) Nanoempreendedores Entenda o que são nanoempreendedores Os nanoempreendedores são uma nova categoria, prevista na reforma tributária sancionada em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse grupo será formado por pessoas físicas que operam em pequena escala e possuem uma receita bruta anual inferior a R$ 40,5 mil (metade do limite dos MEIs). 🧑‍🌾 Trabalhadores informais, como vendedores ambulantes, jardineiros, cozinheiros, artesãos e agricultores familiares, são alguns exemplos que se enquadram nessa categoria. Profissionais autônomos em setores informais, como mototaxistas, também podem ser incluídos. Os empreendedores enquadrados nesse grupo não pagarão o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual criado pela reforma tributária, que substitui o ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI. A ideia é evitar que pequenos empreendedores sejam sobrecarregados com impostos, mantendo-os na formalidade, explica o advogado Carlos Schenato. A isenção não significa que eles não pagarão nenhum imposto a partir de 2026. Contribuições previdenciárias e impostos sobre propriedade ainda podem ser cobrados. O regime dos nanoempreendedores promete ser mais simplificado, com menos burocracia e foco na autodeclaração. Não será exigida a emissão de notas fiscais em todas as transações, reduzindo custos administrativos, afirma o advogado Leonardo Roesler. Outra diferença é que o nanoempreendedor não precisa registrar uma personalidade jurídica, e pode atuar como pessoa física. O MEI e outras modalidades, como Empresário Individual (EI), exigem a obtenção de um CNPJ. 🔎 Como o governo vai qualificar os nanoempreendedores? O controle será feito por sistemas integrados de cadastramento e monitoramento do faturamento anual. O governo deve usar plataformas digitais específicas ou otimizar o sistema do MEI. Volte ao índice. Microempreendedores Individuais (MEIs) Os Microempreendedores Individuais (MEIs) têm limite de receita bruta anual maior, chegando a R$ 81 mil. Mas eles também fazem parte do regime do Simples Nacional, que unifica diversos impostos. O MEI é ideal para quem deseja iniciar um negócio e sair da informalidade. Ao se cadastrar, a empresa obtém um CNPJ, além de adquirir obrigações e direitos de uma pessoa jurídica. Para se tornar MEI, o empreendedor não pode ter participação em outra empresa e pode empregar, no máximo, um funcionário. A adesão não impede que a pessoa tenha um emprego formal simultaneamente. A formalização é simples e pode ser feita em poucos minutos, totalmente online. Primeiro, é necessário obter uma senha de acesso ao gov.br, portal de serviços do governo federal. Quem não tem a senha deve clicar em "Fazer Cadastro". Depois, com a senha em mãos, acessar o Portal do Empreendedor, consultar se a atividade exercida é permitida ao MEI, clicando em "Quem pode ser MEI?". Se a atividade for permitida, clicar em "Quero ser MEI" e depois em "Formalize-se". Por fim, preencher o cadastro online. Embora a formalização seja gratuita, os MEIs precisam pagar uma taxa mensal, recolhida pelo Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que varia conforme a atividade exercida. As contribuições mensais foram reajustadas em fevereiro. Veja os valores atualizados: R$ 75,90 para o MEI em geral (5% do salário mínimo), R$ 182,16 para o MEI caminhoneiro (12% do salário mínimo). Os MEIs que atuam no comércio e na indústria pagam R$ 1 a mais referente ao ICMS, enquanto os ligados a serviços pagam R$ 5 a mais, referentes ao ISS. ⚠️ ATENÇÃO: O DAS inclui a contribuição previdenciária e os impostos devidos pelos MEIs. O valor total do documento tem acréscimo de R$ 1 para atividades sujeitas ao ICMS (comércio e indústria) e de R$ 5 para atividades sujeitas ao ISSQN (prestação de serviços). Estar formalizado como MEI traz diversas vantagens, começando pelo baixo custo mensal. O empresário fica isento dos tributos federais, como imposto de renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL, tendo como única despesa o pagamento mensal do DAS. Além disso, o MEI se torna segurado da Previdência Social, garantindo direitos como aposentadoria por idade ou invalidez, auxílio-doença, auxílio-maternidade e pensão por morte para a família. Outra vantagem é a facilidade para o negócio, pois o MEI ganha maior credibilidade com os clientes, acesso a descontos na compra de produtos e matéria-prima, e a possibilidade de ter uma maquininha de cartão de crédito. A formalização também melhora a relação com os bancos, permitindo ao MEI abrir conta bancária e ter acesso a crédito com juros mais baixos, graças ao CNPJ. Volte ao índice. Microempresas (ME) A Microempresa (ME) é destinada a negócios com faturamento anual entre R$ 81 mil e R$ 360 mil. A ME possui uma estrutura mais flexível que o MEI, permitindo uma maior diversidade de atividades comerciais. As microempresas podem optar por três regimes de pagamento de impostos: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. O Simples Nacional costuma ser mais vantajoso para muitas MEs, pois simplifica o pagamento de diversos impostos de uma só vez. Além disso, as MEs podem contratar mais funcionários. Empresas de comércio e serviços podem ter até nove empregados, enquanto as do setor industrial podem ter até 19 funcionários. As MEs podem ser constituídas como Sociedade Empresária Limitada (Ltda.), Sociedade Simples, Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) ou Empresário Individual (EI). Nas duas primeiras, é possível ter sócios no negócio. Para abrir uma microempresa, é necessário definir o tipo jurídico e realizar uma consulta de viabilidade para verificar a disponibilidade do nome escolhido. O registro é feito na Junta Comercial do estado, com a apresentação de documentos como contrato social e cópias dos documentos dos sócios. Volte ao índice. Empresas de Pequeno Porte (EPP) A Empresa de Pequeno Porte (EPP) é aquela com faturamento bruto anual entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões. Elas são incluídas no Simples Nacional, um regime tributário que favorece a atividade da companhia. As EPPs têm uma limitação no número de funcionários, variando de 10 a 99, dependendo do setor. As EPPs do setor de exportação têm direito a um faturamento anual superior ao limite das demais, até R$ 4,8 milhões. Para se tornar uma EPP, é indispensável contratar um contador para realizar o processo de legalização. É necessário definir a natureza jurídica da empresa, escolher um nome exclusivo, indicar as áreas de atuação conforme o CNAE, verificar restrições para a instalação do empreendimento, elaborar o Contrato Social, registrar a empresa na Junta Comercial, realizar a inscrição municipal e estadual, e efetuar a Conectividade Social no site da Caixa Econômica Federal. O registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é opcional. Volte ao índice.
29/04/2026 03:01:30 +00:00
Como consultar se o FGTS do empregado está sendo pago?

Governo avalia liberar parte do FGTS para o pagamento de dívidas O recolhimento do FGTS é responsabilidade do empregador e constitui um direito constitucional aos trabalhadores. Mas é importante que o profissional acompanhe se os depósitos estão sendo realizados corretamente. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Caso não saiba o saldo disponível, confira a seguir o passo a passo de como consultá-lo: Como consultar o saldo FGTS? Trabalhadores e trabalhadoras podem consultar seu saldo do FGTS pelo aplicativo do fundo ou, para quem é cliente da Caixa Econômica Federal, pelo internet banking, que pode ser acessado pelo computador ou em dispositivos móveis (tablet ou celular). Veja o passo a passo para cada modalidade: ▶️ Pelo aplicativo FGTS: Baixe o aplicativo do FGTS na loja do seu celular (Android ou iOS). Acesse o aplicativo; Faça o cadastro no aplicativo e utilize seu CPF e a senha para fazer login. Se fora a primeira vez, deve ser criada uma senha para os acessos, conforme instruções no aplicativo FGTS. Depois, basta seguir os passos de verificação de identidade solicitados. Para quem já tem cadastro no app, basta fazer o login para acessar. Clique na opção “Meu FGTS” ou em “ver todas as suas contas”; Selecione a conta FGTS desejada para visualizar o extrato. Para gerar um documento em formato PDF, clique em “gerar extrato PDF”. Para consultar os dados do contrato, clique em “dados do contrato”. Dentro do aplicativo, logo na parte superior da página principal aparece a opção "Saldo Total". Para verificar o saldo, é preciso clicar no botão de olho, onde está escrito "Toque para exibir o saldo". Logo abaixo, há o quadro "Resumo do Seu FGTS", em que é possível verificar o extrato completo, pelos pagamentos realizados por todas as empresas em que a pessoa já trabalhou ou ainda trabalha. ▶️ Pelo internet banking da Caixa (para clientes do banco): Acesse o Internet Banking no computador ou aplicativo Caixa; Faça login na sua conta para acessar os serviços do FGTS; Clique em “Benefícios e Programas” ou "Serviços ao Cidadão"; Clique em “Extrato do FGTS”; Clique em “FGTS”; Clique em “Extrato do FGTS”; Digite os números do PIS e do CPF; Insira sua senha; No menu, selecione “FGTS” e, em seguida, “Extrato Completo”. ▶️ Serviço de SMS: Cadastre-se gratuitamente para receber informações sobre os depósitos e o saldo do FGTS em seu celular por SMS; A Caixa envia mensagens mensais com os depósitos feitos pelo empregador e semestrais com o saldo atualizado; No aplicativo, vá em "Meu Perfil" e depois em "Notificações do App I SMS" e faça a Adesão; No Internet Banking, vá a "Caixa celular" > "Notificações SMS" > "Mensagens de Celular" > "Adesão"; Confirme o número de telefone para receber as informações sobre depósitos e saldos do FGTS por SMS. O que é o FGTS? O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) é direito de toda pessoa com contrato de trabalho formal, trabalhadores domésticos, rurais, temporários, intermitentes, avulsos, safreiros e atletas profissionais. Trata-se de um valor de 8% do salário que é depositado pelo empregador, mensalmente, em nome do funcionário. O saque do FGTS é permitido em situações específicas estabelecidas por lei, como demissão por justa causa, compra da casa própria e doença grave do trabalhador ou de seu dependente. Caso o empregador não esteja depositando o FGTS, o trabalhador deve procurar uma Delegacia Regional do Trabalho (DRT), pois o responsável pela fiscalização das empresas é o Ministério do Trabalho.​ CNPJ passará a ter letras e números; veja quem será afetado e o que muda
29/04/2026 03:01:29 +00:00
Quais descontos podem ser feitos no salário? Veja regras para saúde e vale-refeição

Trabalhador pode ter desconto no salário pelo plano de saúde ou vale-refeição? Planos de saúde, vale-refeição e outros benefícios extras têm ganhado cada vez mais peso na disputa por talentos. Mas afinal, eles são obrigação das empresas ou apenas um diferencial competitivo? Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o empregador não tem a obrigação de fornecer vale-alimentação, vale-refeição ou plano de saúde ao empregado. Porém, se houver a liberação desses benefícios em convenção ou acordo coletivo, além da previsão em contrato de trabalho, eles passam a ser obrigatórios para todos os trabalhadores da empresa. “As normas coletivas podem estabelecer a obrigatoriedade, valores, formas de concessão e condições de utilização, a possibilidade ou não de descontá-los do salário do empregado, além de limites para esse desconto”, explica a advogada trabalhista Maria Fernanda Redi. Por outro lado, especialistas em gestão de pessoas defendem que os benefícios são importantes para atrair colaboradores. Segundo Luiz Eduardo Drouet, conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), os profissionais priorizam cada vez mais as melhores condições de trabalho. “Empresas que oferecem melhores benefícios conseguem atrair os melhores talentos e as que não seguem este caminho têm muito mais dificuldade para contratar bons profissionais, e convivem com uma rotatividade superior de colaboradores”, completa o especialista. Self-service; quilão; restaurante por quilo; almoço; vale-refeição Marcos Serra Lima/g1 O g1 conversou com especialistas no assunto, e explica abaixo o que diz a lei sobre descontos desconto no salário referentes ao plano de saúde ou vale-refeição: 💸 Como funciona o desconto do vale-refeição/alimentação? 🤔 Posso ser demitido por uso indevido do vale-refeição/alimentação? 🚫 Existe um valor máximo de desconto do plano de saúde? 📝 Como funciona a coparticipação? 🚑 Fiz um procedimento caro, e agora? 💸 1. Como funciona o desconto do vale-refeição/alimentação? O vale-alimentação e o vale-refeição são regulamentados pela lei federal 6.321/1976, que institui o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). O benefício também é previsto no artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em ambas as leis, os descontos referentes ao vale-refeição/alimentação devem ser previstos em norma coletiva ou acordo individual por escrito com o empregado. Porém, o valor não pode ultrapassar 20% do salário do funcionário. Segundo a advogada trabalhista Maria Fernanda Redi, os descontos precisam ser previstos em cláusula no contrato de trabalho ou com autorização expressa em caso de adesão ao recebimento do benefício. Esses valores precisam ser descritos no holerite, e todos os funcionários da empresa precisam estar cientes. No caso do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), são oferecidos incentivos fiscais para incentivar as empresas a concederem os benefícios. “A empresa que realize a adesão voluntária ao PAT, pode fornecer o vale-alimentação/refeição ao funcionário e, em troca, recebe uma série de incentivos fiscais, como a dedução no Imposto de Renda”, completa a advogada trabalhista Luciana Guerra Fogarolli. Volte ao início. 🤔2. Posso ser demitido por uso indevido do vale-refeição/alimentação? Sim. Esse é um benefício precisa ser utilizado apenas com a finalidade destinada, ou seja: refeição e alimentação do trabalhador, conforme previsto pela lei federal 14.442/22, que prevê expressamente que: “As despesas destinadas aos programas de alimentação do trabalhador deverão abranger exclusivamente o pagamento de refeições em restaurantes e estabelecimentos similares, e a aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais”. Segundo a advogada Luciana Guerra Fogarolli, ao receber o benefício, o funcionário precisa ser informado com muita clareza todas as regras e políticas do vale-refeição/alimentação da empresa. O mau uso do benefício pode levar o trabalhador a ser demitido por justa causa, e trazer implicações até mesmo para o empregador. Veja abaixo alguns exemplos que podem ser caracterizados como uso indevido: Deixar que outras pessoas utilizem o vale; Vender ou trocar o vale por dinheiro; Comprar produtos que não sejam alimentícios, como utensílios domésticos, bebidas alcóolicas, cigarros, entre outros. “O empregador, além de deixar muito claras as regras de uso do benefício, deve observar a gradatividade das penalidades de advertência e suspensões, antes de tomar a decisão drástica de dispensar o trabalhador por justa causa”, afirma a especialista. No ano passado, mais de 20 funcionários da Meta foram demitidos por comprarem itens de casa com o dinheiro do vale refeição. Eles usaram parte dos US$ 70 (cerca de R$ 390) que ganhavam por dia para comprar produtos como sabão em pó, pasta de dente e taças de vinho. Volte ao início. 🚫 3. Existe um valor máximo de desconto do plano de saúde? Quando se trata do plano de saúde, que é regulamentado pela lei federal 9.656/98, não existe um limite mínimo ou máximo para desconto no salário do trabalhador. Na prática, costuma-se adotar o parâmetro de que o valor descontado não ultrapasse 30% do salário líquido do empregado. Além disso, a orientação Jurisprudencial (OJ) nº 18 da Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabelece que todos os descontos salariais somados não podem ultrapassar 70% do salário base do empregado. Isso porque, os valores debitados não podem comprometer o sustento e sobrevivência do trabalhador. As normas, acordos ou convenções coletivas também podem estabelecer os valores e limites de descontos referentes ao plano de saúde. “Qualquer desconto do salário (para pagar uma parte ou valor mensal do plano) deve ser autorizado pelo empregado, por escrito, como cláusula no seu contrato de trabalho. Outra possibilidade é o funcionário assinar termo de adesão ao benefício ou à política de concessão do benefício”, completa Maria Fernanda Redi. Volte ao início. 📝 4. Como funciona a coparticipação? Na prática, existem duas formas de mais comuns que a empresa disponibiliza o plano de saúde para o trabalhador. São elas: ➡️ Com coparticipação: a empresa paga a mensalidade do convênio, e os colaboradores arcam com parte dos valores dos procedimentos realizados. ➡️ Sem coparticipação: a empresa arca com o valor integral do plano de saúde dos funcionários, que ficam livres de qualquer despesa. Em ambos os casos, o valor debitado também deve ser previamente autorizado por escrito pelo empregado. No plano com coparticipação, o trabalhador deve arcar com até 40% dos custos por consulta, procedimento ou exame realizado. Segundo a advogada Luciana Guerra Fogarolli, é muito comum algumas empresas aderirem a coparticipação do empregado nesses benefícios, através de descontos da remuneração, que podem ser simbólicos ou não, dependendo do que foi acordado. Volte ao início. 🚑 5. Fiz um procedimento mais caro, e agora? Em planos que existem a coparticipação, procedimentos mais caros (como parto ou cirurgias) pode ter um valor variado de desconto conforme as regras do plano de saúde ou acordos feitos em convenção coletiva. “Mesmo com a aplicação do percentual de coparticipação, o custo final para o trabalhador é geralmente bem menor do que o valor total do procedimento. No entanto, ainda pode representar um impacto significativo na renda do empregado”, explica Luciana Guerra Fogarolli. Para o trabalhador não ter a renda comprometida, é comum que a empresa permita o parcelamento do valor da coparticipação em procedimentos mais caros. Dessa forma, o desconto mensal não ultrapassa o limite de 30% do salário líquido do trabalhador. "Essa prática visa proteger a subsistência do empregado, respeitando o equilíbrio entre o benefício e a capacidade financeira do segurado", completa a advogada trabalhista. Volte ao início. VEJA TAMBÉM Fui demitido, e agora? Veja dicas do que fazer Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração
29/04/2026 03:01:28 +00:00
Mesmo com riscos inflacionários e tensão no Oriente Médio, Banco Central deve cortar taxa de juros nesta quarta

Copom se reúne nesta quarta-feira para definir juro básico; decisão sai após as 18h Jornal Nacional/ Reprodução O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (29) e deve efetuar nova redução na taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,75% ao ano. Essa é a expectativa da maior parte do mercado financeiro, que projeta um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Se confirmada, será a segunda diminuição seguida no juro. 🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Se levado adiante, o novo corte da Selic acontecerá em meio à guerra no Oriente Médio, que está gerando pressão inflacionária ao redor do mundo. Mercado eleva projeção de inflação com guerra no Oriente Médio A disparada do petróleo já está impulsionando os preços dos combustíveis no Brasil. Por conta disso, há analistas que defendem uma parada no ciclo de corte dos juros. A decisão do Copom será anunciada após as 18h desta quarta-feira. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o ano de 2027 fechado. Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4%, ou seja, acima da meta central de 3%. O que dizem analistas De acordo com Gustavo Sung, economista-chefe Suno Research, o Copom deve dar continuidade ao processo de corte dos juros de "forma gradual", baixando a Selic para 14,5% ao ano. "O nível atual de juros reflete o forte aperto implementado nos últimos anos, que já mostra efeitos sobre a atividade econômica e garantiu à autoridade monetária uma margem de segurança para conduzir esse processo, com credibilidade. Ainda assim, o Comitê tende a adotar uma postura mais cautelosa no curto prazo. Essa abordagem considera as incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre a inflação", avaliou Sung, da Suno Research. De acordo com análise do Itaú, o BC deve baixar o juro para 14,5% ao ano e não deve realizar mudanças significativas de comunicação. "O comitê deve enfatizar serenidade e cautela na condução da política monetária, adicionando que os passos futuros do processo de calibração seguirão guiados pela evolução dos dados e pela avaliação contínua do balanço de riscos, além de incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e extensão no tempo dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", avalia o Itaú.
29/04/2026 03:01:27 +00:00
Funcionário pode ser obrigado a gravar vídeos para as redes sociais da empresa?

Empreendedores fazem de tudo por likes, mas trends exigem cautela Se você usa o TikTok ou Instagram, sem dúvidas já deve ter esbarrado com vídeos que iniciam com o seguinte bordão: “oi divos e divas”, e ainda traz algumas expressões como “babadeiro”, “iconic”, “faraônico” e “aesthetic”. O g1 já contou como gírias da geração Z vêm sendo adotadas por empreendedores para viralizar nas redes sociais, divulgar promoções e atrair clientes. Embora os vídeos sejam divertidos, existe cuidado para não expor os funcionários a situações constrangedoras ou de risco. É importante saber que um funcionário NÃO é obrigado a gravar vídeos para o TikTok ou qualquer rede social se não quiser ou se essa função não fizer parte de seu contrato. Essa prática pode configurar desvio de função, como explica Paulo Renato Fernandes, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. “Quando há desvio de função, o empregado tem direito a receber um adicional. Além disso, há a questão do direito de imagem, que é garantido por lei e precisa ser autorizado. Nesse caso, também é possível solicitar indenização pelo uso da imagem”, explica o professor. O empregador deve solicitar aos funcionários uma autorização por escrito para o uso de imagem, especificando onde os vídeos serão exibidos. Mesmo quando essa atividade já consta no contrato, o advogado trabalhista Maurício Corrêa da Veiga recomenda obter autorização do funcionário a cada nova campanha publicitária (veja mais o que diz a lei sobre o tema). Segundo o advogado, o empregado pode processar a empresa e pedir indenização se se sentir obrigado, induzido ou coagido de alguma forma a participar dos vídeos. ➡️ Mas quem deve aparecer nesses conteúdos? Para Tainá Alves, do Sebrae, o ideal é que o próprio empreendedor participe, pois isso gera credibilidade e conexão. “Se o empreendedor não tiver interesse, perfil ou aptidão para aparecer, e nenhum colaborador quiser participar da produção de conteúdo, é possível contratar microinfluenciadores”, explica. 📲 Os microinfluenciadores são criadores de conteúdo com número relativamente pequeno de seguidores (geralmente entre 1 mil e 100 mil). Esses influenciadores, geralmente locais ou de nicho, têm engajamento mais real com comunidades específicas. Segundo Tainá Alves, costumam gerar mais retorno do que grandes influenciadores. 'Eles criam comunidades autênticas e engajadas, formadas por pessoas realmente interessadas nos temas que tratam. Por isso, é fundamental pesquisar e escolher microinfluenciadores alinhados ao perfil do negócio', explicaTainá Alves, coordenadora de Relacionamento Digital do Sebrae. Outro ponto destacado pela especialista é a importância da Geração Z, nativa digital. Mesmo sem grande poder de compra, esse grupo influencia decisões familiares e deve ser incluído nas estratégias de comunicação. Além disso, a GenZ será o público do futuro. Por isso, é essencial fidelizar esse grupo. “Eles buscam propósito, impacto social e conteúdo autêntico. É com eles que as marcas precisam começar a dialogar desde já”, conclui Tainá. Loja de materiais de construção em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, ganhou visibilidade e se consolidou como marca local graças à forte presença online. Reprodução/Tiktok Empreendedores fazem de tudo por likes, mas trends exigem cautela Reprodução/Tiktok LEIA TAMBÉM: MEI, Microempresa, EPP ou Nanoempreendedor? Entenda regras para cada tipo de negócio As investidoras que querem provar que empresas lideradas por mulheres dão mais lucro
29/04/2026 03:01:25 +00:00
Pressão e ofensas de Trump: Superquarta terá última decisão de Powell à frente do Fed; relembre

Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, observa Jerome Powell, seu indicado para presidir o Federal Reserve (Fed), durante discurso na Casa Branca, em Washington, EUA, em 2 de novembro de 2017. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, terá nesta quarta-feira (28) sua última reunião de decisão de juros no comando do banco central dos Estados Unidos. A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, esteja à frente da instituição já na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. O nome de Warsh será analisado por um comitê do Senado nesta quarta, antes de seguir para votação no plenário. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar do fim do mandato como presidente, Powell ainda tem cadeira garantida no Fed e pode permanecer como diretor até janeiro de 2028. É praxe que o presidente deixe o cargo ao fim do mandato. A decisão dele, no entanto, ainda não foi anunciada publicamente. O economista poderia seguir na diretoria até o término do governo Trump, que, ao longo dos últimos anos, elevou o tom das críticas ao atual chefe da instituição, com xingamentos frequentes como “mula”, “cabeça oca” e “estúpido”. E a ofensiva não ficou apenas na narrativa. O republicano chegou a determinar a abertura de uma investigação contra Powell sobre os custos das reformas na sede do Fed — encerrada pelo próprio Departamento de Justiça dos EUA na última semana. (leia mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Oito anos à frente do Fed O mandato de Powell se encerra oficialmente em 15 de maio, após oito anos no cargo. Sua trajetória foi marcada por grandes choques econômicos, como a pandemia de Covid-19 — que, além das perdas humanitárias, desorganizou a economia global e provocou uma disparada nos preços ao redor do mundo. Mais recentemente, outros fatores ampliaram a pressão sobre o banqueiro central. Entre eles estão a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, o tarifaço global promovido por Trump e a recente escalada das tensões no Oriente Médio, com EUA e Israel em conflito contra o Irã. Em comum, esses episódios sustentam um ambiente de inflação persistente — dor de cabeça constante para os chefes dos bancos centrais. 🔎 O Fed tem um mandato duplo: controlar a inflação e sustentar o mercado de trabalho. Sua principal ferramenta é a taxa de juros. Quando os preços aceleram, o banco central sobe os juros para conter o consumo e o crédito. Quando a economia perde força, a estratégia é reduzir as taxas para estimular a atividade. Diante desse cenário, os juros do país atingiram, em 2023, o maior nível desde 2001. A partir do fim de 2024, o referencial passou a cair, e hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Ofensivas de Trump É nesse contexto que Donald Trump passou a disparar críticas contra Powell. O presidente dos EUA fez sucessivas investidas e pressões públicas para que o Fed reduzisse os juros. A lógica é simples: juros mais altos encarecem o crédito e reduzem o consumo, o que tende a esfriar a atividade econômica — efeito que pode se traduzir em maior insatisfação dos consumidores e impacto político na popularidade do governo. Como mostrou o g1, críticas a presidentes de bancos centrais não são exclusividade de Trump. No Brasil, o presidente Lula (PT) também se posicionou contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — ainda que sem o tom de ofensas adotado pelo republicano. A pressão de Trump contra Powell começou logo nos primeiros meses do atual mandato do presidente dos EUA. As ofensivas verbais, porém, se intensificaram em julho de 2025, quando o chamou de “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”. VEJA A LINHA DO TEMPO DAS CRÍTICAS: 'Mula', 'cabeça oca', 'estúpido': insultos e pressão por juros baixos marcaram embate Trump x Powell Fim da investigação sobre Powell O Departamento de Justiça dos EUA decidiu, na última sexta-feira (24), encerrar a investigação sobre os custos das reformas na sede do Fed, sob a gestão de Jerome Powell. A decisão, anunciada pela procuradora federal Jeanine Pirro, elimina um dos fatores que vinham sendo usados como justificativa para travar a confirmação, no Senado, de Kevin Warsh para o comando do banco central. O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, chegou a prometer bloquear todas as nomeações para o Fed enquanto o inquérito não fosse encerrado, classificando-o como infundado. Powell foi investigado por suspeita de ter mentido ao Congresso sobre os custos e características da reforma da sede do Fed, especialmente após o aumento relevante do valor do projeto, estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões). Nenhuma acusação formal foi apresentada. A investigação foi iniciada pelo governo Trump justamente em um momento de escalada da pressão do republicano por cortes nos juros. Nesta quarta-feira, a previsão é de que o Fed mantenha a taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, segundo estimativas do mercado financeiro. A expectativa, agora, se volta aos rumos da política monetária americana após a saída de Powell do comando da instituição. * Com informações da agência de notícias Reuters
29/04/2026 03:01:15 +00:00
O que significa a saída dos Emirados Árabes da Opep

Opep JN Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça‑feira (28) sua retirada, a partir de 1º de maio, da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), à qual pertenciam há seis décadas, assim como da aliança Opep+. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O que são a Opep e a Opep+? A Opep é um organismo econômico intergovernamental fundado em 1960 por Arábia Saudita, Venezuela, Irã, Iraque e Kuwait. Sua criação foi motivada pela queda do preço oficial do petróleo bruto, fixado de forma unilateral pelas grandes petrolíferas internacionais conhecidas como as "Sete Irmãs”, que dominavam o mercado do petróleo. A Opep surgiu como um contrapeso a esse domínio, com o objetivo de coordenar e unificar as políticas petrolíferas de seus países membros, além de defender suas receitas provenientes da exportação de petróleo. Até agora, a Opep era composta por 12 países: os cinco fundadores, além de Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria, Líbia, Guiné Equatorial, Congo e Gabão. A Opep tem sede em Viena e realiza conferências ministeriais ordinárias duas vezes por ano, embora nos últimos anos esses encontros tenham ocorrido apenas de forma virtual. Desde dezembro de 2016, existe também a aliança Opep+, que reúne os países do grupo e outros 10 grandes produtores de petróleo, inclusive o Brasil, sob liderança da Rússia. O Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento do Mercado (JMMC) da Opep+ se reúne virtualmente a cada dois meses. Vídeos em alta no g1 Quais são os motivos oficiais da saída dos EAU? Segundo o governo dos Emirados, a decisão é motivada pelos "interesses nacionais” e pelo compromisso do país de contribuir para atender às necessidades urgentes do mercado, em um contexto de volatilidade geopolítica causada por perturbações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que afetam a oferta. O ministro da Energia e Infraestrutura dos EAU, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei, afirmou que a retirada "reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado no longo prazo”. Em que contexto geopolítico ocorre a saída? A retirada acontece em meio à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, que provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz e ataques a instalações energéticas na região. Segundo a própria Opep, a produção de petróleo do grupo caiu em março quase 8 milhões de barris por dia (mbd), uma redução de 27,5% em relação a fevereiro, devido ao conflito e ao bloqueio. A saída dos EAU ocorre em um momento de máxima tensão entre os países vizinhos do Golfo Pérsico, que foram acusados por Abu Dhabi de não fazerem frente aos ataques iranianos contra a infraestrutura energética da região. Frustração com vizinhos influenciou decisão? Os Emirados aparentemente se sentem pouco apoiados pelos países vizinhos nessa crise do Irã. O assessor diplomático do presidente dos EAU, Anwar Gargash, criticou abertamente no início da semana os países do Conselho de Cooperação do Golfo. “Em 2000, assinamos um acordo de defesa conjunta”, afirmou Gargash. “E agora precisamos constatar que a posição dos países do Conselho de Cooperação do Golfo – embora seja verdade que tenham se apoiado mutuamente em termos logísticos – foi, do ponto de vista político e militar, historicamente a mais fraca.” “Essa é mais uma mensagem política do que econômica”, afirma Marc Ayoub, especialista em energia do Instituto Tahrir, citado pelo portal de notícias Tagesschau, da televisão pública alemã ARD. "Isso mostra que os Emirados não estão satisfeitos com a liderança da Opep. É um recado para a Arábia Saudita e um indicador do estado das relações saudita‑emiradenses, seja no campo político ou econômico, especialmente nas questões de energia.” A decisão é um golpe direto no principal vizinho e tradicional potência do Golfo: a Arábia Saudita. Com a saída da Opep, os Emirados também devem deixar claro que estão se aproximando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – inclusive adotando seu estilo de agir, priorizando seus próprios interesses em detrimento de aliados de longa data ou organizações multilaterais. Talvez também por acreditarem que, dessa forma, possam obter maior proteção de Washington. O que acontecerá com a política petrolífera dos EAU? As autoridades emiradenses afirmaram que, após deixar a Opep, o país continuará atuando de forma responsável, aumentando a produção de maneira gradual. O ministro da Energia reiterou o compromisso dos EAU com a segurança energética e com a garantia de um fornecimento confiável. Antes do início da guerra, o país produzia cerca de 3,4 milhões de barris por dia e possui reservas comprovadas de até 113 bilhões de barris, a sexta maior do mundo. Quais são as implicações para a Opep e a Opep+? O anúncio dos Emirados ocorre em um momento de elevada volatilidade nos mercados de energia. Com a saída da Opep, os EAU não precisarão mais cumprir as cotas de produção impostas pelo grupo, o que pode levá‑los a exportar mais petróleo do que antes. Isso poderia moderar os preços em um mercado fortemente pressionado pela guerra e pelo conflito em torno do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo exportado para o mercado internacional. A retirada dos Emirados representa um desafio para seu grande vizinho, a Arábia Saudita, que domina a Opep+ junto com a Rússia. No passado, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita tiveram diversas disputas sobre os níveis de produção de cada país membro da Opep. Com a saída dos EAU, a Arábia Saudita passa a ser o único país da Opep com potencial relevante para aumentar a produção. A grande questão será se Riad conseguirá manter unido o que restar da organização. O último país importante a deixar o grupo foi o Catar, em 2019, para focar mais na produção de gás natural. Outros países que abandonaram a Opep nos últimos anos foram Angola (2023) e Equador (2020). Quais os efeitos no mercado de petróleo? De acordo com o especialista em energia Marc Ayoub, os efeitos provavelmente serão principalmente de longo prazo. "Não terá um grande impacto nos mercados no curto prazo, porque o Estreito de Ormuz está fechado. Mas, no futuro, assim que as exportações se normalizarem, os Emirados Árabes Unidos poderão levar muitos barris ao mercado sem restrições", afirma o analista.
29/04/2026 03:01:09 +00:00
Vale tem lucro de US$ 1,9 bilhão no 1° trimestre, alta de 36%

Mineradora Vale. Washington Alves/ Reuters A Vale, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, informou nesta terça-feira (28) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado pelo aumento no volume de vendas e pela alta nos preços de seus principais produtos. Ainda assim, o lucro da mineradora ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, que era de US$ 2 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Neste mês, a companhia havia informado um aumento de 3,9% no volume de vendas de minério de ferro entre janeiro e março, em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando 68,7 milhões de toneladas. Além desse avanço, o preço médio do principal produto da companhia também subiu 5,5% no período. "Entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio", afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, em nota. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A companhia reportou um lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de US$ 3,83 bilhões, alta de 23% em relação ao ano anterior, após o volume de vendas de minério de ferro no primeiro trimestre ter atingido o maior patamar para o período desde 2018. A receita líquida de vendas avançou 14%, para US$ 9,26 bilhões, impulsionada também pelo aumento nos volumes vendidos de níquel e cobre. "Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações", destacou Pimenta. Um dos destaques foi registrado na operação S11D, no Pará, que teve a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre. De acordo com Pimenta, o "portfólio flexível" da companhia permitiu à empresa "capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto", enquanto a busca contínua por eficiência de custos segue preservando a competitividade. O custo caixa C1 do minério de ferro, entretanto, subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada, principalmente impactado pela apreciação do real frente ao dólar. Os custos all-in do minério de ferro ficaram em US$ 55,4 por tonelada no trimestre, 8% maiores ano contra ano. Na Vale Metais Básicos, que reúne ativos de níquel e cobre, o CEO disse que a empresa colheu resultados das iniciativas de otimização de ativos, "resultando em maior produção e menores custos". A companhia informou ainda um fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões, aumento de US$ 309 milhões na comparação anual. Já dívida líquida expandida chegou a US$ 17,8 bilhões ao fim do trimestre, um aumento de US$ 2,2 bilhões na comparação com o trimestre anterior. Segundo a Vale, a alta foi influenciada pelo pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de caixa livre, conforme explicou no balanço financeiro. Investimentos Os investimentos totalizaram US$ 1,09 bilhão no primeiro trimestre, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, mas em linha com a projeção anual da companhia, de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões para 2026, segundo a empresa. Os aportes em projetos de crescimento somaram US$ 182 milhões, recuo de 42%, principalmente devido à redução de desembolsos no segmento de soluções de minério de ferro. A queda reflete o avanço do projeto Capanema e o estágio mais adiantado do projeto Serra Sul +20, cuja entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026. A Vale informou que a construção do projeto Serra Sul +20, de minério de ferro, continua avançando e já atingiu 86% de execução física. "Os testes de carga do transportador de correia foram iniciados em março. A construção do britador de compactos está 91% concluída, com as obras civis finalizadas", afirmou a companhia. Se os investimentos em projetos de crescimento caíram, os aportes para manutenção aumentaram 5% na comparação anual, para US$ 907 milhões, com recursos destinados ao projeto de cobre Bacaba e iniciativas nas operações de pelotização e ferroviária.
29/04/2026 00:21:16 +00:00
Mega-Sena, concurso 3.001: prêmio acumula e vai a R$ 130 milhões

Concurso 3.001 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3.001 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (28), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou os seis números, 92 apostas acertaram cinco e 5.877 acertaram quatro números. O prêmio principal acumulou, e a estimativa é de que chegue a R$ 130 milhões no próximo sorteio, marcado para quinta-feira (30). Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 01 - 13 - 32 - 36 - 43 - 60. 5 acertos - 92 apostas ganhadoras: R$ 41.209,18. 4 acertos - 5.877 apostas ganhadoras: R$ 1.063,34. Mega-Sena, concurso 3001 Reprodução / Caixa O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
29/04/2026 00:02:54 +00:00
Escala 6x1: CNI entrega manifesto a Hugo Motta contra mudanças na jornada de trabalho

Presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que debate sobre o fim da escala 6x1 será uma das prioridades do ano legislativo de 2026 Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com as 27 federações estaduais, 98 associações setoriais e 741 sindicatos industriais, entregou um manifesto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), expressando preocupação com o avanço da tramitação das propostas que acabam com a escala 6x1. A Comissão Especial que vai analisar o tema será instalada nesta quarta-feira (29). Motta anunciou nesta teça-feira (28) os deputados que comandarão a comissão. O deputado Alencar Santana (PT-SP) será o presidente do colegiado e o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) o relator. No manifesto, a CNI afirmou que, embora o debate seja legítimo, as propostas "podem provocar impactos severos sobre a economia, os investimentos e a criação de empregos formais". De acordo com a CNI, estimativas indicam que a redução da jornada pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano. "Não estamos falando apenas de horas trabalhadas. Estamos falando de competitividade em um país que já convive com desafios estruturais para produzir e competir, alto custo de produção e insegurança jurídica" , disse a entidade no manifesto. O relator será o responsável por consolidar uma proposta para ser votada pela Casa a partir de duas sugestões apresentadas pela deputada Érika Hilton (Psol-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ele tem, entretanto, liberdade para construir um texto independente e totalmente novo em relação às propostas, desde que consiga o aval de maioria da comissão, que será composta por 38 deputados. Motta afirmou que pretende votar a PEC em plenário ainda em maio, em homenagem ao Dia do Trabalhador, comemorado no dia 1º de maio. Antes, o presidente da Câmara disse que todo o setor produtivo precisará ser ouvido antes da construção do texto final. "Toda e qualquer sugestão ao texto é válida e a comissão vai debater. Não vai ser a vontade de um partido ou de um grupo que prevalecerá. Será a vontade média da casa", disse Motta, antes de receber o documento da CNI.  No manifesto entregue ao presidente da Câmara, a CNI declarou ainda que "mudanças estruturais na legislação trabalhista precisam ser construídas com base em evidências, diálogo técnico e responsabilidade econômica". "A indústria deve participar desse debate para contribuir no estabelecimento de soluções equilibradas, que fortaleçam o ambiente de negócios, ampliem oportunidades de emprego para os brasileiros e promovam a sustentabilidade econômica de longo prazo do país", completou a CNI. Entenda as diferenças entre as propostas Há duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei sobre o mesmo assunto. São, portanto, três textos de diferentes autorias tramitando sobre o mesmo tema, com o objetivo central de abolir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Veja: a PEC proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apresentada no ano passado, prevê a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra; a PEC de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo, porém, de 10 anos para mudança entrar em vigor. o projeto de lei (PL) enviado pelo governo Lula nesta terça-feira (14), reduz a jornada de trabalho a 40 horas semanais. O texto do Executivo tramita sob urgência constitucional.
28/04/2026 22:39:00 +00:00
Cade investiga alinhamento de preços de passagens aéreas após indícios de atuação coordenada entre Latam e Gol

Movimentação intensa de passageiros para remarcação de passagens no Aeroporto de Congonhas RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta terça-feira (28) que instaurou um processo administrativo para apurar possíveis condutas anticoncorrenciais no mercado brasileiro de transporte aéreo doméstico de passageiros, envolvendo a Gol e a Latam. Segundo o órgão, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a apuração vai examinar "indícios de possível alinhamento de preços em rotas de elevada relevância comercial". "A Superintendência-Geral iniciou a investigação em 2023 e envolveu o exame do uso de ferramentas de precificação e de bases de dados de mercado, com emprego de técnicas avançadas de análise de dados pela equipe do Projeto Cérebro. As apurações indicam a existência de padrão persistente de interdependência entre os movimentos de preços das empresas", afirmou o órgão. O Cade afirmou que a análise buscou verificar se o comportamento dos preços dessas empresas era compatível com dinâmica da concorrência ou refletia mecanismos das empresas para manipular o mercado com o uso de algoritmos e compartilhamento de dados. O que dizem as empresas Em nota, a Gol afirmou que apresentou "todas as informações solicitadas pelo Cade e que continua à disposição do órgão". "A companhia reitera que sempre defendeu a livre concorrência e a liberdade tarifária entre todos os competidores. A Gol nega e repudia qualquer prática que fira tais princípios", diz a nota. A Latam afirmou que "sempre atua em conformidade com as melhores práticas de compliance, transparência e integridade". "A Latam repudia categoricamente qualquer hipótese de postura contrária à livre concorrência, valor inegociável para a companhia", disse a empresa. Vídeos em alta no g1 🔎 A abertura do processo não representa julgamento definitivo e tem por finalidade aprofundar a apuração, assegurar o contraditório e permitir o exame completo do conjunto de evidências. A decisão final sobre o andamento da investigação caberá ao Tribunal do Cade. A Superintendência-Geral também analisou contratos firmados por Latam e Gol com empresas que: fornecem serviços de inteligência tarifária, distribuem conteúdo; e fornecem soluções de precificação dinâmica. Segundo o Cade, essas ferramentas trazem "riscos de troca de informações comercialmente sensíveis, reduzindo a incerteza concorrencial e ampliando a capacidade coordenação". "A Superintendência-Geral destacou que, em mercados concentrados e com alta transparência informacional, o uso convergente de ferramentas algorítmicas e de infraestruturas comuns de dados pode aumentar riscos concorrenciais", disse o Cade. Com a instauração do processo administrativo, as empresas serão notificadas para apresentar defesa e indicar as provas que entenderem cabíveis.
28/04/2026 20:27:22 +00:00
Acordo entre Mercosul e União Europeia é oficializado e passa a valer em 1º de maio

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo Mercosul-UE Ricardo Stuckert / PR O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (28) o decreto que promulga o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A medida encerra a etapa interna brasileira de incorporação do tratado ao ordenamento jurídico. No Brasil, o acordo deve começar a valer de forma provisória a partir de 1º de maio, permitindo o início da aplicação gradual de suas regras entre os blocos. A promulgação ocorre após a aprovação do texto pelo Congresso Nacional e a troca de notificações entre Brasil e União Europeia, que já haviam concluído os trâmites necessários para essa fase inicial de implementação. As negociações entre os dois blocos duraram 27 anos e resultaram em um tratado que abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Vídeos em alta no g1 Durante discurso, o presidente Lula ressaltou a demora para a conclusão do acordo. "Quando o acordo vem dos colonizadores para colonizados, vem com mais rapidez, mas quando colonizados resolvem levantar cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas criam mais dificuldades porque aí nós viramos competitivos com produtos que são produzidos em outros países", disse. Lula afirmou que o acordo "foi feito a ferro, suor e sangue". "Tem muita coisa que querem evitar, que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo", disse. O presidente brasileiro citou a taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado e disse que o Brasil, "ao invés de ficar chorando o leite derramado", procurou novos parceiros. "Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país do mundo", afirmou Lula. Maior zona de livre comércio Com o decreto, o Brasil conclui sua parte no processo de ratificação interna de um acordo que envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de US$ 20 trilhões. ➡️No país, a medida deve impactar o comércio exterior com redução gradual de tarifas de importação e exportação, maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e abertura ampliada para bens e serviços europeus. A expectativa é de aumento da concorrência e estímulo a investimentos em diferentes setores da economia. Apesar da resistência de alguns países e setores dentro da União Europeia, o acordo segue com previsão de entrada em vigor provisória e passa a valer a partir de 1º de maio no Brasil. Isso ocorre porque a aplicação inicial pode ser feita de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, permitindo o início das regras comerciais enquanto o processo de ratificação completa ainda segue em discussão nas instâncias europeias. Resistência europeia Congresso promulga acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia, especialmente de países e setores ligados ao campo e a questões ambientais. No entanto, essas divergências não impedem o início da aplicação provisória do tratado. Isso porque a entrada em vigor inicial pode ocorrer de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, enquanto a ratificação completa segue em análise no Parlamento Europeu. Após a aprovação entre os Estados-membros, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país pode adotar medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário francês seja prejudicado pelo acordo. Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia 21 de janeiro de 2026 Yves Herman/Reuters Aprovação do acordo A presidência brasileira no Mercosul tinha como prioridade a conclusão do tratado. Após intensas negociações entre os países do bloco e a União Europeia, o acordo foi assinado em janeiro deste ano, já durante a presidência paraguaia do Mercosul, marcando um avanço decisivo nas tratativas. Além da etapa no Brasil, o acordo ainda precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, conforme seus próprios processos legislativos. Somente após a ratificação de todos os membros o tratado entrará em vigor de forma plena. Até lá, sua aplicação pode ocorrer de maneira gradual, conforme o avanço dos trâmites em cada país.
28/04/2026 19:59:33 +00:00
Após troca de presidente, INSS lança programa para tentar reduzir fila; veja medidas

A nova presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, anunciou nesta terça-feira (28) um pacote de medidas para tentar reduzir a fila de espera e melhorar o atendimento no órgão. A iniciativa reúne ações de gestão, ampliação da capacidade operacional e reforço no quadro de pessoal. (veja mais detalhes) 📊 Batizado de "Acelera INSS", o conjunto de medidas tem como objetivo reduzir o número de requerimentos analisados fora do prazo de 45 dias para menos de 400 mil em 90 dias. Atualmente, o INSS tem cerca 1,06 milhão de pedidos nesta situação. O anúncio aconteceu após a troca de presidente no órgão, que é responsável pela previdência pública no Brasil. Ela assumiu o lugar de Gilberto Waller, que assumiu o INSS em um esforço do governo para melhorar os processos no órgão após o esquema de corrupção envolvendo descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas. (entenda a saída) Ana Cristina Silveira é próxima do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), de quem era secretária-executiva. Wolney assumiu o ministério após a saída de Carlos Lupi (PDT), de quem também era secretário-executivo. Lupi deixou a pasta em meio à pressão causada pelas fraudes. Vídeos em alta no g1 As medidas do INSS Entre as medidas previstas estão a intensificação de mutirões a partir de maio, a nomeação de novos servidores e ajustes em processos internos para dar mais agilidade à análise dos benefícios. Segundo o INSS, já estão em andamento as seguintes medidas: ajustes no fluxo de requerimentos para evitar retrabalho (prazo de até 30 dias); priorização da Avaliação Social do Benefício de Prestação Continuada (BPC); reprocessamento de pedidos do BPC com uso de biometria; automação da concessão de salário-maternidade; implementação de sistemas automatizados de BI com verificação de endereço; revisão do controle de prazos do BPC. A fila de espera do INSS é um dos principais gargalos da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meados de abril, ele trocou o comando do órgão porque as filas do INSS estavam desgastando a imagem do governo, e serão usadas na campanha eleitoral. Dados mais recentes mostram que, em março, a fila caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões de solicitações. Apesar da redução, o volume é o mesmo registrado no mesmo mês de 2025. Em abril, a fila teve outra queda, para 2,5 milhões de pedidos. O INSS afirma que o acúmulo tem como causas estruturais o alto índice de reincidência de requerimentos e a capacidade operacional insuficiente no órgão. Aplicativo "Meu INSS" Reprodução/TV Globo Troca de comando Em meados de abril, Lula decidiu trocar o comando do INSS. Servidora de carreira do órgão, Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência. Graduada em direito, Ana está no INSS desde 2003, onde ingressou no cargo de analista do seguro social. Entre 2020 e 2024, atuou como professora de Direito Previdenciário. Ocupou a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) de abril de 2023 até fevereiro de 2026, quando foi nomeada secretária-executiva adjunta do Ministério. Sua trajetória inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Lula decidiu fazer a troca porque as filas do INSS estavam desgastando a imagem do governo, e serão usadas na campanha eleitoral. Demissão de Waller O antecessor de Ana, Gilberto Waller Júnior foi nomeado presidente do instituto em 30 de abril do ano passado, em meio a um escândalo de fraudes na Previdência Social. Ele passou a ocupar a função uma semana após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de desvios por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. 🔎 As investigações revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões. Na ocasião, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado e demitido em abril. Em novembro, foi preso. Outros cinco servidores da cúpula do órgão também foram afastados por decisão judicial, e posteriormente, detidos pela polícia. A demissão e a nova gestão do órgão foi anunciada em nota pelo Ministério da Previdência Social no dia 13 de abril. "A partir desta segunda-feira (13), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a ser liderado por Ana Cristina Viana Silveira. Servidora de carreira, ela assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto. Ana Cristina substitui Gilberto Waller, que esteve à frente da instituição nos últimos 11 meses", diz o texto. A nota acrescenta ainda que "a escolha de uma servidora com visão sistêmica — que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal — marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados."
28/04/2026 19:43:39 +00:00
EUA ordenam suspensão de envio de máquinas à 2ª maior fabricante de chips da China, diz agência

EUA e China marcam disputa no avanço da IA Reprodução/ TV Globo O Departamento de Comércio dos Estados Unidos ordenou que diversas empresas do setor de semicondutores interrompam o envio de determinadas ferramentas à Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. A informação é da Reuters. A medida, adotada na semana passada, é a mais recente tentativa de desacelerar o desenvolvimento de chips avançados no país, segundo duas fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O departamento enviou cartas a algumas empresas informando sobre novas restrições a ferramentas e outros materiais destinados às instalações da Hua Hong, que autoridades americanas acreditam poder produzir os chips mais avançados da China, segundo as fontes. Entre as empresas que teriam recebido a carta estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com forte presença no mercado chinês. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A Reuters informou, em março, que o grupo Hua Hong havia desenvolvido tecnologias avançadas de fabricação que poderiam ser usadas na produção de chips de inteligência artificial — um marco nos esforços de Pequim para ampliar a autossuficiência tecnológica. A unidade de fabricação sob contrato do grupo, a Huali Microelectronics, se preparava para adotar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai, segundo fontes ouvidas pela Reuters. A SMIC, maior fabricante contratada de chips da China, é atualmente a única empresa do país capaz de produzir chips com tecnologia de 7 nanômetros, segundo a reportagem. A empresa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. As cartas do Departamento de Comércio também visam impedir envios à Huali, segundo as fontes. As ações da KLA, Lam e Applied caíram entre 4% e 6% após a divulgação das cartas pela Reuters. Já os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% na terça-feira. EUA buscam proteger liderança em chips de IA Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem restringido o envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, como parte de um esforço para preservar a liderança tecnológica do país na produção de chips de inteligência artificial e outros semicondutores, por razões de segurança nacional. As cartas recentes dão continuidade a essa política, mas podem aumentar as tensões com a China antes da reunião prevista, em maio, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Empresas americanas de equipamentos para chips e outros fornecedores podem perder bilhões de dólares em vendas, disse uma das fontes, especialmente se abastecem fábricas em construção ou em processo de modernização para produzir chips mais avançados. As restrições podem desacelerar o avanço da indústria chinesa de semicondutores, embora a Hua Hong possa substituir os equipamentos por alternativas de fornecedores estrangeiros ou locais. Um porta-voz do Departamento de Comércio se recusou a comentar. A Hua Hong não respondeu imediatamente a pedidos de comentário feitos pela Reuters. Lam Research, Applied Materials e KLA também não se manifestaram.
28/04/2026 18:56:45 +00:00
Petrobras pode aumentar preço da gasolina nas refinarias se houver redução de tributos, diz CEO

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (28) que a estatal poderia aumentar os preços da gasolina nas refinarias caso a última proposta do governo federal para reduzir impostos sobre combustíveis seja aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo a executiva, esse eventual reajuste de preços não deve chegar ao consumidor final. Isso porque, assim como ocorreu com o diesel, em março deste ano, esse "desconto" bancado pelo governo abriria espaço para que a empresa eleve os preços nas refinarias sem que o impacto seja repassado às bombas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔎 Na prática, além do valor cobrado pela Petrobras, o preço dos combustíveis na saída das refinarias também é composto por tributos federais e outros fatores. Com isso, a companhia aposta na redução desses impostos como uma forma de ampliar sua margem de lucro sem provocar um aumento no preço final pago pelo consumidor. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O governo anunciou na semana passada um projeto de lei complementar para permitir que a arrecadação de receitas extras, decorrentes da alta do preço do petróleo, seja usada para reduzir tributos sobre combustíveis, como o PIS e o Cofins. "Acreditamos que a isenção de PIS e Cofins é suficiente para nós darmos respostas ao nosso investidor público e privado. [O projeto] abre margem para o reajuste de preços da Petrobras, mas não para o consumidor", explicou Chambriard. A executiva reiterou, no entanto, que a empresa não vai transferir ao consumidor brasileiro a "ansiedade" do momento, em meio às incertezas geradas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Aguardamos o projeto do PIS e Cofins na gasolina, o que para nós também é suficiente neste momento", disse a jornalistas, após um evento no Rio de Janeiro. Segundo Chambriard, a companhia ainda não sofre pressão imediata para reajustar os preços da gasolina porque o país produz grande parte do volume consumido internamente, sem depender de importações — o que tende a reduzir os impactos da alta do petróleo no mercado doméstico. O Brasil importa volumes proporcionalmente maiores de diesel do que de gasolina. Já nos combustíveis do ciclo Otto, o país conta ainda com a oferta de etanol, que complementa o abastecimento tanto na forma hidratada, usada diretamente nos veículos flex, quanto na forma anidra, misturada à gasolina fóssil. 🔎 O ciclo Otto se refere aos motores usados em carros a gasolina e etanol, como os veículos flex, que funcionam por ignição por faísca, diferente dos motores a diesel. *Com informações da agência de notícias Reuters.
28/04/2026 18:24:07 +00:00
GM espera aumento do lucro com reembolso de tarifas de Trump nos EUA

Logo da GM na sede da General Motors em Detroit, nos EUA. Rebecca Cook/ Reuters A General Motors aumentou sua previsão de lucros para este ano, apoiada na perspectiva de um mercado automotivo resiliente nos Estados Unidos e na expectativa de restituição das tarifas de importação impostas pelo presidente americano, Donald Trump. (entenda mais abaixo) A maior montadora dos EUA em vendas reportou um lucro antes de juros e impostos de US$ 4,3 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no primeiro trimestre do ano, acima das estimativas dos analistas, segundo dados da LSEG. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para 2026, a montadora aumentou sua perspectiva de lucro em US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) — valor que corresponde ao montante que a empresa espera recuperar com o reembolso das tarifas americanas. Com isso, a companhia projeta um lucro entre US$ 13,5 bilhões e US$ 15,6 bilhões (R$ 67,3 bilhões a R$ 77,8 bilhões) no ano. Apesar da melhora na projeção para 2026, a companhia reforçou que as tarifas americanas ainda devem ter um impacto negativo entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões a R$ 17,5 bilhões) no resultado do ano. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Segundo a GM, as tarifas comerciais impostas por Trump e os custos mais elevados de energia, ligados à guerra com o Irã, estão pesando sobre os resultados — mesmo com margens maiores, impulsionadas por regras mais flexíveis de controle de poluição e economia de combustível nos EUA, introduzidas pelo presidente americano no ano passado. A GM também alertou que a inflação provocada pela guerra deve continuar pressionando seus negócios. “A principal questão que estamos observando é a evolução do conflito com o Irã”, disse a presidente‑executiva Mary Barra, ao citar o aumento dos custos de commodities e logística. A empresa afirmou ainda que desviou remessas planejadas de 7.500 SUVs do Oriente Médio por causa do conflito. A estimativa da montadora é que a inflação em matérias‑primas, semicondutores e logística reduza os lucros entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões (R$ 7,5 bilhões a R$ 10 bilhões) neste ano — cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) a mais do que o projetado no fim do ano passado. *Com informações da agência de notícias Reuters.
28/04/2026 18:12:06 +00:00
Aprovação de Trump cai em meio a preocupações com o custo de vida e a guerra com o Irã, aponta pesquisa

Presidente Donald Trump fala a jornalistas na Casa Branca após o tiroteio que interrompeu jantar com correspondentes. Jonathan Ernst/Reuters A aprovação do governo de Donald Trump continua em queda nos EUA e atingiu o nível mais baixo de seu mandato, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. Preocupações com o custo de vida no país e com a guerra contra o Irã influenciaram a queda de aprovação. O levantamento mostra que 34% dos americanos aprovam o desempenho de Trump, porcentagem menor do que os 36% registrados em meados de abril. Já a aprovação sobre como Trump conduz as medidas que afetam o custo de vida dos americanos caiu de 25% para 22% entre as duas pesquisas. A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, foi realizada ao longo de quatro dias e concluída na segunda-feira (27). O levantamento foi conduzido em todo o país, de forma online, ouviu 1.014 adultos norte-americanos e apresenta uma margem de erro de 3 pontos percentuais. Vídeos em alta no g1 A maioria das respostas foi coletada ‌antes ‌do ataque a tiros na noite de sábado (25), durante um jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, onde Trump deveria ‌discursar. Os promotores federais acusaram o atirador de ‌tentar ‌assassinar o presidente. A posição de Trump perante a população ​dos EUA tem apresentado uma tendência de queda desde que ⁠ele assumiu ​o cargo em janeiro de 2025, quando 47% dos norte-americanos o aprovavam. Sua popularidade ⁠sofreu uma queda desde que EUA ⁠e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, o que levou a um aumento nos preços da gasolina.
28/04/2026 17:26:40 +00:00
O Brasil é a 'bola da vez' na economia?

O Brasil é a 'bola da vez' na economia? BBC O Brasil voltou aos radares dos investidores estrangeiros. É o que apontam instituições financeiras e analistas internacionais, diante da disparada nos preços do petróleo, alta dos juros e valorização do real. Um relatório do Bank of America (BofA), uma das principais instituições financeiras americanas, questiona se o país pode ser o "próximo ouro", em referência ao recente bom desempenho do ativo no mercado financeiro global. Outra análise, do banco de investimentos Goldman Sachs, indica que o Brasil tem se destacado como um dos principais beneficiários da alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do estreito de Ormuz. Ao elevar a projeção de crescimento da economia brasileira 1,6% para 1,9% em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também apontou o país como um dos que podem ser favorecidos no curto prazo pela crise, por ser exportador líquido de energia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O bom momento do Brasil, aliás, chegou às reuniões de primavera organizadas pelo FMI em Washington D.C. em meados de abril, segundo interlocutores. O colóquio é um dos dois grandes encontros globais anuais da instituição e reúne ministros das finanças, presidentes de bancos centrais, gestores de fundos, executivos e outros participantes do setor financeiro global. "O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente", disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista à BBC News Brasil. "Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país]." Vídeos em alta no g1 Como o Brasil se beneficia da guerra? Há uma leitura comum de que o Brasil — e a América Latina como um todo — tem se beneficiado de um pano de fundo global positivo para os países emergentes. À primeira vista, pode parecer contraditório que um conflito com efeitos negativos para a economia mundial favoreça, ainda que marginalmente, nações específicas. Mas há uma explicação clara: o papel desses países, incluindo o Brasil, como exportadores de commodities, especialmente energia. Com as interrupções na oferta de petróleo e as incertezas nesse mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra. Energia mais cara também encarece transporte, produção industrial e alimentos — especialmente em países dependentes de importações. Por isso, economias importadoras de commodities tendem a ser as mais prejudicadas, enfrentando inflação mais alta, desvalorização cambial e perda de renda. Para os exportadores de energia ou commodities, porém, o cenário pode ser outro. No caso do Brasil, que é considerado pelo FMI um exportador líquido de energia — ou seja, vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra — preços internacionais altos significam ganhos maiores. Esse efeito melhora os chamados "termos de troca" (a relação entre preços de exportação e importação), e pode impulsionar o crescimento econômico. Preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra. Reprodução Por tudo isso, o FMI considerou em seu relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, que a guerra deve ter "um pequeno efeito líquido positivo" sobre o Brasil em 2026, elevando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual. "É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante", afirmou a vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, em um pronunciamento à imprensa durante as reuniões nos EUA na semana passada. Atraindo investimentos Para instituições financeiras como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs, esse cenário também ajuda a consolidar o país como atrativo para investimentos estrangeiros. Mas além do peso das commodities na economia local, o Brasil se tornou destaque neste momento por conta das altas taxas de juros e o enfraquecimento do dólar. Segundo o relatório publicado pelo Bank of America (BofA) em 14 de abril, "os investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real brasileiro e às ações brasileiras". A percepção, de acordo com os economistas do BofA, é de que o aumento nas previsões de inflação diante dos impactos da guerra e da alta do petróleo devem manter os rendimentos atrativos, já que o Banco Central pode encontrar mais dificuldades para acelerar o ritmo de cortes de juros. A avaliação veio após reuniões com clientes em Nova York, às vésperas dos encontros do FMI e do Banco Mundial, que também organiza discussões com investidores todos os anos em abril. Analistas do Goldman Sachs também apontaram em um diagnóstico de 15 de abril que o Brasil segue sendo um foco interessante para investimentos por conta do impulso das matérias-primas. O banco afirma, porém, que setores domésticos que vêm sofrendo com a crise global, como os ligados ao crescimento local (bancos, varejo, construção), podem ver sua situação melhorar à medida que os cortes de juros forem aplicados. Mas a conclusão é positiva. "Na América Latina, o Brasil se destacou como beneficiário da alta dos preços do petróleo", dizem os economistas. "Com avaliações, em nossa opinião, atrativas em relação ao nível das taxas, e com expectativas de novos cortes na taxa e alta sensibilidade do mercado acionário às taxas de juros, esperamos que as ações brasileiras tenham um desempenho superior", afirma o relatório. Até 22 de abril, o capital estrangeiro na Bolsa de Valores (B3) somou R$ 64,42 bilhões neste ano, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025 (R$ 25,47 bilhões), segundo dados da consultoria Elos Ayta. Isso significa que 61,2% de tudo que entrou na bolsa brasileira em 2026 veio do exterior, uma tendência de elevação do fluxo internacional observada desde 2023. Mais recentemente, porém, o mercado acionário brasileiro vem atravessando um período de certa turbulência. O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma desvalorização acentuada de aproximadamente 10 mil pontos em um curto intervalo de tempo, após atingir a máxima histórica em 14 de abril. Analistas afirmam que o episódio deve ser visto mais como um ajuste típico de fluxo após um período de alta prolongado do que um sinal de alerta estrutural para a economia brasileira. Segundo um relatório do banco Santander, o movimento de venda de ações recente foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos. Uma estimativa do Instituto de Finanças Internacionais indica ainda que, a cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo, o Brasil recebe cerca de US$ 4 bilhões adicionais em entradas de dólares nas contas externas. "Isso representa aproximadamente 0,2% do PIB em termos de ingresso adicional de recursos", afirma Castellano. Para o economista e seus colegas do IIF, a alta no preço das commodities também afeta positivamente o crescimento no país. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço médio das matérias-primas disparou desde o início da guerra. O índice da Sondagem Industrial, que mede a variação do preço das commodities, saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos. O indicador não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de covid-19. O Brasil, que tem uma base de exportações mais diversificada do que outros países da América Latina, se beneficia especialmente desse movimento, diz Martín Castellano. "Outro fator que considero importante é que a economia brasileira é relativamente fechada, portanto não está tão exposta a choques globais", avalia. "Além disso, acredito que os investidores entendem que o governo brasileiro lidou bem com o choque das tarifas [impostas pelos] EUA, conseguiu negociar e o impacto foi relativamente limitado", diz Castellano. Depois de impor tarifas elevadas contra produtos brasileiros — em alguns casos chegando a 40% ou 50%, sob o argumento de desequilíbrios comerciais e questões políticas — o governo de Donald Trump reverteu parte dessas medidas em novembro passado. Há um temor, porém, de que o governo americano esteja se preparando para anunciar uma nova onda de tarifas, que podem ter o Brasil como alvo mais uma vez. 'A tempestade perfeita' para o real O momento de crise no Oriente Médio também foi definido como "a tempestade perfeita" para o real pelo pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, Robin Brooks. Segundo Brooks, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pode ser o gatilho para uma das maiores valorizações do real dos últimos anos. Em artigo do início de abril, ele projetou que o dólar poderia ficar abaixo de R$ 4,50. Brooks lembra o que ocorreu em 2022 como um precedente. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo do tipo Brent subiu 40% no primeiro trimestre e o real se valorizou 20%, tornando-se a moeda de melhor desempenho entre os emergentes. "Assim que os mercados perceberam que as coisas não iriam sair do controle, o real brasileiro — a personificação de uma moeda de beta alto [ou seja, uma moeda que tende a demonstrar alta sensibilidade aos ciclos econômicos globais e ao apetite por risco] — decolou de forma significativa", aponta Brooks. Para ele, esse movimento está se repetindo agora. O real foi a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar no mundo em 2026 até o momento. No acumulado do ano, a alta foi de 10,4% até 17 de abril, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Como país exportador e autossuficiente de petróleo, o Brasil tem se beneficiado diretamente da entrada adicional de dólares, o que pressiona a moeda nacional para cima. O cenário também é reflexo da procura dos investidores estrangeiros pelo país, seja por meio da bolsa de valores ou de títulos de renda fixa, dizem os especialistas. "O Brasil, assim como vários outros países, busca consolidar o apelo de sua moeda por meio de uma economia bem administrada", aponta Colin Lewis, professor da LSE (London School of Economics and Political Science), no Reino Unido. Segundo o economista, contribuem para isso outros bons indicadores econômicos atuais do Brasil, tais como um mercado de trabalho aquecido e a previsão de crescimento de 1,9% estimada pelo FMI. "(O primeiro-ministro britânico) Keir Starmer adoraria ter um crescimento de 2% no Reino Unido", brinca Lewis. A última previsão do FMI é que a economia britânica deverá crescer apenas 0,8% em 2026, abaixo da projeção anterior de 1,3%. "O Brasil está bem conectado globalmente e projetando sua imagem como um parceiro comercial confiável e previsível", acrescenta o economista britânico em entrevista à BBC Brasil. É apenas passageiro? Mas por quanto tempo esse cenário positivo pode se manter? Para Martín Castellano, do IIF, o avanço do Brasil em relação à produção de petróleo significa que as altas internacionais no preço da commodity devem continuar a beneficiar, ou pelo menos não afetar intensamente, o país. O economista destaca a mudança estrutural da última década: "o Brasil era um importador líquido de energia até 2017, mas após mudanças significativas no setor e alterações nas políticas, o país emergiu como um exportador líquido de petróleo bruto". Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo foi o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja. No ano passado, o feito se repetiu e o país se consolidou como o sétimo exportador do mundo. No entanto, a indústria nacional importa cerca de 10% da gasolina e até 25% do diesel que consome, por conta da falta de capacidade das refinarias locais. Ainda assim, os choques causados por variações internacionais no preço dos combustíveis afetam muito menos o país atualmente do que no passado. As exportações também auxiliam no crescimento da economia. "Analisando todo o contexto global, o Brasil é percebido como uma economia bastante bem administrada, o que indica certa confiança nas mudanças estruturais que vêm ocorrendo internamente", avalia Colin Lewis. Por outro lado, afirmam os especialistas, uma mudança nas taxas de juros pode sim afastar investidores estrangeiros, apesar de melhorar o acesso doméstico a crédito e aquecer a economia internamente. Em março, o Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos, reduzindo a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Atualmente, o mercado já espera uma nova redução, possivelmente para 14,5% ao ano. Outros dois fatores também podem interferir no atual cenário: as eleições presidenciais marcadas para outubro e o preço global dos fertilizantes. A incerteza em relação ao cenário eleitoral e o futuro das políticas públicas pode afastar alguns investidores, apontam os especialistas. Após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o principal índice da Bolsa brasileira mergulhou em fortes perdas, indicando uma possível aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro. "Lula tem uma bagagem, mas de qualquer forma os mercados já o conhecem", avalia Lewis. E segundo Martín Castellano, há uma preocupação específica com o futuro das políticas fiscais no país. "A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira", diz, apontando as mudanças constantes nessa frente e falta de disciplina como motivos que podem afastar investidores. Além disso, afirma, um aumento brusco no preço global dos fertilizantes pode ter um impacto negativo no setor agropecuário e no custo dos alimentos, neutralizando parte do ganho em outros setores. O setor dos fertilizantes é visto como um alvo invisível da guerra no Irã, principalmente a ureia, um composto nitrogenado essencial para o cultivo em escala. Para o Brasil, que tem a cadeia do agronegócio como propulsora da economia e não produz seus próprios fertilizantes, o baque pode ser grande. "O Oriente Médio fornece aproximadamente um terço das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, o Irã responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho, deixando a economia vulnerável a potenciais interrupções no fornecimento e no comércio", aponta o relatório do IIF sobre possíveis desdobramentos da crise para o Brasil.
28/04/2026 16:52:37 +00:00
Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 3,4 bilhões no 1º trimestre de 2026

Dados do balancete contábil da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, os Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo prévio de R$ 3,4 bilhões já no 1º trimestre de 2026. Nesse mesmo período do ano passado, esse valor foi de R$ 1,7 bilhão. 🔎Um balancete contábil nada mais é que um demonstrativo provisório com uma fotografia de como estão as receitas, despesas, bens e dívidas de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês ou trimestre. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão de a estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento". Enquanto as receitas registradas até 31 de março de 2026 se mantiveram estáveis, os gastos subiram nesse mesmo período (entenda mais abaixo). Receitas: R$ 4,1 bilhões em 2025 e R$ 4 bilhões em 2026; Despesas: R$ 6,4 bilhões em 2025 e R$ 7,4 bilhões em 2026. Vídeos em alta no g1 Entretanto, esse aumento nas despesas já era previsto pelo departamento financeiro da estatal, que estimou gastos totais de R$ 7,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. 🔎Ou seja, houve uma redução de R$ 200 milhões (3%) nos gastos reais em comparação à estimativa. Na semana passada, os Correios divulgaram o resultado de 2025, com um prejuízo total de R$ 8,5 bilhões em 2025, fechando 14 trimestres seguidos com resultados negativos. O valor acumulado no ano passado superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Perfil das despesas Nos gastos, a despesa com pessoal — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios por ter afetado diretamente a situação financeira da empresa — permaneceu controlada no primeiro trimestre de 2026. Os dados contábeis apontam que esses gastos mantiveram certa estabilidade, saindo de R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 2,6 bilhões no mesmo período deste ano — um aumento de R$ 80 milhões de um ano para o outro. Os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos foram os das despesas financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica. As despesas financeiras tiveram um aumento expressivo de 312%, passando de R$ 224 milhões em 2025 para R$ 925 milhões em 2026. Nessa rubrica entram gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões tomados pela estatal no fim do ano passado, cuja previsão é de gerar um custo total de R$ 22,4 bilhões em juros. Já as despesas com provisões e perdas ficaram acima do previsto. Enquanto a estimativa inicial era de R$ 1,2 bilhão, o valor executado chegou a R$ 1,4 bilhão. O montante também representa uma alta de 66,7% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 834 milhões. Perfil das receitas As receitas com prestação de serviços e venda de produtos permaneceram praticamente estáveis, com uma leve redução de R$ 84 milhões na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. O principal impacto veio da queda nas receitas com encomendas internacionais. Até 31 de março de 2025, os Correios haviam registrado R$ 393 milhões nesse tipo de receita. Nos três primeiros meses de 2026, o valor caiu para R$ 156 milhões — R$ 237 milhões (60,3%) a menos do que no mesmo período do ano anterior. O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais. O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Em 2024, os Correios registraram R$ 3,9 bilhões em receitas com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023. No ano seguinte, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, uma queda de R$ 2,6 bilhões em comparação com 2024. Com isso, essa fonte de receita, que chegou a representar 22% do total em 2023, passou a responder por apenas 7,8%. A estatal também registrou redução nas receitas com encomendas gerais, de 5,4%, o equivalente a R$ 128 milhões. Em contrapartida, houve aumento expressivo nas receitas de outros serviços. O principal destaque foi a área de logística, cuja receita saltou de R$ 103 milhões para R$ 258 milhões em 2026, crescimento de 150%. Em seguida, aparecem os serviços de conveniência, que avançaram 56%, passando de R$ 32,6 milhões para R$ 50,9 milhões. Também houve alta nas receitas com malotes, de 19,2%, e com mensagens — geralmente cartas de comunicação entregues em domicílios —, que cresceram 11,4%, ou R$ 124,8 milhões, saindo de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,2 bilhão.
28/04/2026 16:37:49 +00:00
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