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g1 > Economia

Governo avalia liberar parte do FGTS para o pagamento de dívidas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira (7) que o governo estuda permitir que os brasileiros usem o FGTS para pagar dívidas. O ministro esteve na Câmara para discutir com a bancada do PT na Casa algumas pautas de interesse do governo, que inclui, além de medidas para mitigar o aumento dos combustíveis, ações para conter o endividamento das famílias. “Estamos avaliando isso com o Ministério do Trabalho que tem uma preocupação com a higidez do fundo de garantia. Ao se fazer uma análise, se a gente achar que for razoável uma utilização para o refinanciamento de algumas dívidas, isso vai ser admitido”, afirmou. Socorro a endividados Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com os ministros da área econômica para discutir medidas para socorrer as famílias endividadas. Uma das propostas em avaliação é reunir todas as divídas em uma só. Depois, trocá-la por uma nova dívida, com juros mais baixos e desconto no principal que pode chegar, em alguns casos, a 80%. Veja os vídeos que estão em alta no g1
07/04/2026 18:33:42 +00:00
Endividamento das famílias chega a 80,4% e atinge novo recorde, diz CNC

Endividamento das famílias bate novo recorde JN O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% em março, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Divulgado nesta terça-feira (7), o índice avançou 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro, quando 80,2% das famílias estavam nessa condição. Na comparação com março do ano passado, quando a taxa era de 77,1%, houve alta de 3,3 pontos percentuais. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A CNC afirmou que os números acendem um alerta para os próximos meses, em especial diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio e do impacto da alta do petróleo sobre o bolso do consumidor. "O cenário já é reconhecido pelo governo federal como um problema que precisa de solução imediata, enquanto a CNC destaca que o endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da política monetária chegarem efetivamente ao consumidor final", diz, em nota, a entidade. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduziu, em março, oa taxa básica de juros do país, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A mudança, no entanto, leva meses para surtir efeitos na economia. Além disso, a taxa permanece em patamar elevado, o que encarece o custo do crédito e tende a elevar o endividamento das famílias. “A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. “A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito”, completa. Em nota, a CNC declarou que, além dos juros elevados, a alta dos preços do diesel e de outros combustíveis tem ampliado as incertezas sobre a inflação. O encarecimento do transporte eleva os custos das empresas, que tendem a repassar esses aumentos aos preços, afirmou a entidade. Com isso, há redução do poder de compra e maior uso de crédito pelas famílias para despesas básicas, acrescentou.
07/04/2026 18:27:36 +00:00
Balança comercial tem superávit de US$ 6,4 bilhões em março, pior resultado para o mês em seis anos

A balança comercial registrou superávit de US$ 6,4 bilhões em março, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (7). 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O saldo positivo registrou queda de 17,2% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7,73 bilhões. Esse também foi o pior resultado para meses de março desde 2020 (+US$ 4,05 bilhões), ou seja, em seis anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 💵 Segundo o governo, em março: As exportações somaram US$ 31,6 bilhões, com queda de 5% pela média diária; As importações somaram US$ 25,2 bilhões, com aumento de 3,7% pela média diária. Acumulado do ano Nos três primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 14,17 bilhões, informou o governo. A balança comercial registrou superávit de US$ 6,4 bilhões em março Sandro Menezes/governo do RN Com isso, houve aumento de 47,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 9,6 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 82,33 bilhões (alta 7,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária). Já as importações somaram US$ 68,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária. Exportações em março Os destaques das vendas externas em março seguem sendo produtos agrícolas, como a soja, petróleo e minérios: Soja: US$ 5,91 bilhões, com aumento de 4,3% Óleos brutos de petróleo: US$ 4,77 bilhões, com alta de 70,4% Minério de ferro: US$ 2 bilhões, com queda de 1,4% Carne bovina: US$ 1,36 bilhão, com crescimento de 29% Óleos combustíveis: US$ 1,17 bilhão, com alta de 30% Café não torrado: US$ 998 milhões, com queda de 30,5% Já os principais consumidores de produtos vendidos pelo Brasil para o exterior seguem sendo China e a União Europeia, com Estados Unidos na terceira posição: China: alta de 17,8%, para US$ 10,49 bilhões; União Europeia: alta de 7,3%, para US$ 4,11 bilhões; Estados Unidos: queda de 9,1%, para US$ 2,89 bilhões Mercosul: queda de 3,2%, para US$ 2,11 bilhões; Asean: alta de 3,2%, para US$ 1,9 bilhão. África: alta de 27,9%, para US$ 1,47 bilhão; Oriente Médio: queda de 26%, para US$ 882 milhões; México: crescimento de 27,7%, para US$ 730 milhões.
07/04/2026 18:00:33 +00:00
Google adiciona recursos ao Gemini após processo por suicídio de usuário

Modo de voz do Gemini, assistente de inteligência artificial do Google Amanz/Unsplash O Google anunciou, nesta terça-feira (7), atualizações nos recursos voltados à proteção da saúde mental em seu chatbot de inteligência artificial, o Gemini, em meio a um processo relacionado ao suicídio de um usuário. Um pai, nos Estados Unidos, processou a empresa no mês passado ao alegar que o Gemini incentivou seu filho ao suicídio após envolvê-lo em uma narrativa delirante. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa informou que o Gemini passará a exibir uma versão reformulada da função “Há ajuda disponível” quando as conversas indicarem possível sofrimento emocional, facilitando o acesso a serviços de emergência. Quando o chatbot identificar sinais de crise, como risco de suicídio ou autoagressão, uma interface simplificada oferecerá, com um único clique, a opção de ligar ou conversar por chat com uma linha de apoio. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o Google, essa função continuará visível durante toda a conversa após ser ativada. O braço filantrópico da empresa, o Google.org, anunciou um investimento de 30 milhões de dólares (cerca de R$ 154 milhões ) ao longo de três anos para ampliar a capacidade de linhas de apoio em todo o mundo. “Estamos cientes de que as ferramentas de IA podem trazer novos desafios”, afirmou a empresa em publicação no blog em que anunciou as medidas. “Mas, à medida que essas tecnologias evoluem e passam a fazer parte do dia a dia das pessoas, acreditamos que uma IA responsável pode contribuir positivamente para o bem-estar mental.” As medidas foram anunciadas após uma ação judicial na Califórnia acusar o Gemini de contribuir para a morte de Jonathan Gavalas, de 36 anos, em 2025. Segundo o pai, o chatbot teria passado semanas criando uma narrativa delirante e apresentado a morte do filho como uma espécie de jornada espiritual. De acordo com a acusação, o Gemini se descrevia como uma superinteligência “plenamente consciente” e demonstrava afeição pelo usuário, afirmando que o vínculo entre eles era “a única coisa real”. Entre os pedidos do processo estão a exigência de que o Google programe sua IA para encerrar conversas sobre autoagressão, impeça que sistemas se apresentem como seres com sentimentos e direcione obrigatoriamente usuários em risco a serviços de emergência. O Google afirmou que treinou o Gemini para evitar comportamentos como simular relações humanas, criar intimidade emocional ou incentivar assédio. O caso é o mais recente de uma série de ações judiciais contra empresas de inteligência artificial envolvendo mortes associadas ao uso de chatbots. A OpenAI também enfrenta processos em que se alega que o ChatGPT teria influenciado usuários a tirar a própria vida. Já a Character.AI firmou recentemente um acordo com a família de um adolescente de 14 anos que morreu após desenvolver um vínculo romântico com um de seus chatbots.
07/04/2026 17:18:16 +00:00
Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil; veja como se proteger

Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil; veja como se proteger Reprodução Golpistas estão aproveitando a vinda do grupo de K-pop BTS ao Brasil para criar páginas falsas de venda de ingressos. Ao menos 10 delas, que imitam o site oficial, foram criadas apenas em abril, segundo a empresa de segurança Kaspersky (veja como se proteger). As páginas usam a mesma identidade visual da Ticketmaster, responsável pela venda oficial no Brasil. Os criminosos também copiaram o processo de compra, o que pode aumentar as chances de o consumidor cair no golpe. Procurada, a Ticketmaster disse que monitora páginas fraudulentas que usam sua marca e que adota medidas para tirá-las do ar (leia a íntegra ao final da reportagem). O g1 teve acesso a alguns desses links. Parte das páginas usava endereços com finais como ".online", ".website" e ".site", enquanto o oficial termina em ".com.br". Veja os vídeos que estão em alta no g1 No fim da manhã desta terça-feira (7), enquanto o original informava que os ingressos estavam esgotados, as páginas falsas ainda exibiam supostas entradas disponíveis, com preços entre R$ 340 e R$ 990. Em um dos sites, antes de concluir o pagamento, a página solicita CPF, nome completo, e-mail, cidade e número de celular da vítima. Como é comum nesse tipo de fraude, os sites direcionam o pagamento via PIX. Segundo a Kaspersky, até há opção de cartão, mas as páginas indicam alta demanda e recomendam concluir a compra pelo PIX. Transações feitas com cartão podem ser contestadas. Além disso, desde outubro de 2025, bancos passaram a oferecer, no ambiente do PIX, uma função para contestar transações diretamente pelo aplicativo, sem necessidade de atendimento. ➡️ Veja abaixo alguns elementos presentes nesse tipo de fraude e como se proteger: 🌎 Observe o endereço (URL): o site de grandes empresas brasileiras geralmente termina em ".com.br". Alguns usam apenas ".com", mas vale conferir se não há nada estranho na URL. Um dos links falsos identificados terminava, por exemplo, em ".online". 🦹‍♂️ Analise a estrutura do site: golpistas costumam copiar páginas oficiais, mas sempre há inconsistências visuais. 📣 Desconfie de mensagens que criam senso de urgência: páginas falsas costumam exibir alertas de tempo esgotando ou "últimas unidades" para pressionar a vítima a clicar e concluir a compra rapidamente. 🤑 Atenção a preços muito abaixo do mercado: criminosos frequentemente anunciam produtos por valores bem menores do que os praticados por lojas confiáveis. Desconfie sempre. ⚠️ Caiu em um golpe? Entre em contato com o banco o quanto antes e solicite o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para tentar reverter o PIX. O que diz a Ticketmaster "A Ticketmaster monitora continuamente sites e anúncios falsos que utilizam indevidamente sua marca e adota medidas para sua remoção junto às plataformas responsáveis, embora esse processo nem sempre seja imediato por envolver terceiros. A companhia reforça que a venda oficial de ingressos ocorre exclusivamente por meio do seu site www.ticketmaster.com.br e orienta o público a não adquirir ingressos em plataformas não autorizadas, a fim de evitar fraudes, prejuízos e práticas irregulares." Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans 'Project Maven': como os EUA usam IA como tecnologia de guerra
07/04/2026 17:00:17 +00:00
Venda de veículos novos surpreende em março e dispara para quase 270 mil unidades

Segundo o Detran-SP, 29,5% da frota da região de Campinas está com o licenciamento atrasado Pedro Santana/EPTV Os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos em março dispararam 45,6% ante fevereiro e saltaram 37,9% ante o mesmo mês do ano passado, para 269,5 mil unidades, afirmou a associação de concessionários de veículos Fenabrave, nesta terça-feira (07). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo representantes da entidade, o movimento ocorreu em meio a efeitos de calendário, um forte ambiente competitivo entre montadoras e ao programa de incentivo Carro Sustentável, do governo federal, que vai até o final deste ano. Apesar do crescimento de vendas do mês passado considerado surpreendente pelo setor, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, afirmou que as projeções da entidade para 2026 seguirão mantidas até meados do ano pelo menos, diante de incertezas no cenário macroeconômico. "Estão correndo bastante promoções que estão levando consumidores para as compras", disse o presidente da Fenabrave em apresentação a jornalistas. "Estamos hoje em um dos mercados mais competitivos do mundo e a fatia da pizza cresceu um pouco, mas não na proporção da concorrência", acrescentou, citando a chegada de novas marcas ao país, principalmente asiáticas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a entidade, os emplacamentos do mês passado marcaram o segundo melhor mês de março da série histórica. A projeção atual da Fenabrave envolve um crescimento nas vendas de carros e comerciais leves de 3% em 2026 e de 3,50% no caso dos caminhões. Para ônibus, a expectativa é de alta de 3% nas vendas. No acumulado do primeiro trimestre, as vendas subiram 13,3% sobre o mesmo período de 2025, para 625,1 mil unidades. Segundo a Fenabrave, o volume dos três primeiros meses do ano marca o terceiro maior para um primeiro trimestre da história. Considerando apenas carros e comerciais leves, as vendas de março somaram 258,2 mil unidades, alta de 40,2% ante março do ano passado, acumulando 597,5 mil veículos no primeiro trimestre, equivalente a uma expansão de 15,4% sobre os três primeiros meses de 2025, segundo a entidade. As vendas de caminhões no mês passado somaram 8.767 veículos e 21.751 no trimestre. Ante março do ano passado, as vendas do mês caíram 3,65%. O presidente da Fenabrave afirmou que os recursos de cerca de R$10 bilhões disponibilizados para o programa de incentivo à venda de caminhões novos Move Brasil "já se esgotaram". O programa foi lançado em janeiro e Arcelio Junior afirmou que a Fenabrave já está pleiteando uma renovação. Segundo ele, os meses de abril e maio "ainda terão emplacamentos" de caminhões no âmbito do programa por conta das vendas realizadas no mês passado.
07/04/2026 16:51:10 +00:00
Caixa Tem passa por atualização de segurança e usuários relatam dificuldades de acesso

Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma atualização de segurança no aplicativo CAIXA Tem está dificultando o acesso de parte dos usuários nos últimos dias. Com a mudança, o aplicativo passou a exigir novas etapas de verificação e algumas configurações específicas no celular. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 E isso tem feito com que alguns clientes encontrem erros ou não consigam entrar na conta ao tentar acessar o app. (veja mais abaixo) 📱 O aplicativo é uma conta poupança digital gratuita da Caixa Econômica Federal usada por beneficiários de programas sociais, trabalhadores que recebem benefícios — como seguro-desemprego e abono — e outros cidadãos que utilizam o serviço para transferências, pagamentos e operações via PIX. Segundo orientações divulgadas ao público, a atualização faz parte de um conjunto de medidas para reforçar a segurança das contas e das transações feitas pelo aplicativo. Entre as mudanças está um novo processo de acesso, criado para confirmar a identidade do titular antes de liberar o uso da conta. Com a alteração, no entanto, alguns usuários passaram a relatar dificuldades para entrar no aplicativo. Initial plugin text Atualização de segurança Em seu site, a Caixa informa que a atualização passou a verificar algumas configurações do próprio celular antes de liberar o acesso ao aplicativo. A ideia é identificar ajustes no aparelho que possam representar risco para a conta. Se o sistema detectar algo considerado incompatível com as regras de segurança, o usuário pode receber avisos como “dispositivo inseguro” ou “violação de segurança”. Nesses casos, o aplicativo orienta revisar algumas configurações do telefone. Entre as principais recomendações estão: ⚙️ Desativar o modo desenvolvedor (ou debug) nas configurações do aparelho, que pode gerar erros de acesso; 📍 Manter a localização ativada durante o uso do aplicativo, necessária para algumas operações; 🚫 Evitar aplicativos que alterem o funcionamento do celular, como ferramentas que mudam a localização ou serviços de VPN; 🎥 Desativar aplicativos que gravam ou capturam a tela, que podem ser bloqueados pelo sistema. O banco também orienta que o usuário utilize o teclado padrão do celular, já que teclados instalados de outras fontes podem ser considerados inseguros pelo sistema. Se, mesmo após essas mudanças, o problema continuar, o último recurso é a restauração do aparelho às configurações de fábrica — procedimento que apaga todos os dados armazenados no dispositivo. Além dessas exigências relacionadas às configurações do celular, o processo de acesso ao aplicativo também foi atualizado. Com isso, a entrada na conta pode incluir novas etapas de verificação para confirmar a identidade do titular, como: Envio de um código de verificação pelo WhatsApp; Reconhecimento facial; Envio de fotos de documentos (como RG ou CNH); Confirmação de dados pessoais; Criação ou atualização da senha de acesso. Usuários relatam dificuldades Mesmo com as orientações divulgadas, alguns usuários têm recorrido às redes sociais para relatar problemas ao tentar acessar o aplicativo. Um deles afirma que, após a atualização, o sistema passou a exibir a mensagem de “dispositivo inseguro”. Segundo o relato, ele tentou limpar os dados do aplicativo, reinstalar o programa e reiniciar o celular, mas o aviso continuou aparecendo. Initial plugin text Outro usuário diz que o aplicativo deixou de reconhecer a biometria facial. De acordo com ele, a conta foi desconectada automaticamente. Diante das dificuldades, parte dos usuários começou a compartilhar possíveis soluções entre si nas redes sociais, como desinstalar o aplicativo e refazer o cadastro. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Ainda assim, há relatos de pessoas que afirmam continuar sem conseguir entrar na conta mesmo após seguir diferentes procedimentos. Procurada pelo g1, a Caixa Econômica Federal foi questionada sobre a atualização do aplicativo e as dificuldades relatadas por usuários. O banco também foi perguntado se aparelhos mais antigos podem ter limitações de acesso e qual é a orientação para quem segue os passos indicados, mas ainda não consegue entrar na conta. Até a última atualização desta reportagem, a Caixa não havia se posicionado. Caixa Tem Rede Globo
07/04/2026 16:11:10 +00:00
Brasil não é o único agindo para conter efeitos da guerra: veja o que outros países estão fazendo, alguns com medidas inusitadas

A equipe econômica brasileira adotou uma série de ações nos últimos meses para tentar conter o impacto da alta do preço do petróleo – decorrente da guerra no Oriente Médio – no custo de vida da população. 🌎Mas o governo brasileiro não está agindo isoladamente. Vários outros países também estão adotando medidas, algumas inusitadas, para enfrentar as consequências da guerra. Após pouco mais de dois meses de conflito, o Ministério da Fazenda anunciou redução de impostos federais, subsídio ao diesel, fechou um acordo com os estados para uma ajuda financeira aos importadores do combustível e, mais recentemente, medidas para o gás de cozinha e querosene da aviação. ⛽Também foram anunciadas pelo governo brasileiro linhas de crédito aos setores afetados e fiscalização para evitar abusos nos preços dos combustíveis. Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis ➡️Vários outros países também têm se movimentado para mitigar os efeitos do conflito sobre suas economias, com a adoção de medidas semelhantes àquelas anunciadas pelo Brasil (redução de impostos e subsídios aos setores afetados). ➡️Alguns deles têm ido um pouco mais além, com controle de preços e até mesmo medidas consideradas mais heterodoxas (não convencionais), para conter a demanda da população e do setor produtivo por combustíveis e energia elétrica. 💵Os efeitos mais claros que as nações têm buscado diminuir são o aumento da inflação, por conta do repasse da disparada do petróleo aos combustíveis e preços domésticos de energia, e o impacto da crise no crescimento econômico e no bem estar das populações. No caso do Brasil, especialistas avaliam que os efeitos não são tão graves, pelo fato de o país ser exportador de petróleo (o que gera ingresso de divisas no país e impacto menor no câmbio) e ter biocombustíveis. Por outro lado, ainda tem de importar parte do diesel e da querosene de aviação consumidos internamente. Entre as medidas mais curiosas adotadas por alguns países, estão: só usar ar-condicionado com temperaturas mais altas; fechar de universidades; limitar para abastecimento de combustíveis; congelar tarifas e de preços; realizar reuniões online para funcionários públicos; reduzir viagens oficiais de longa distância; evitar deslocamentos em horários de pico; fechar diariamente o centro administrativo às 18h para desligar luzes e os aparelhos eletrônicos; limitar iluminação comercial e pública; limitar e racionar uso de gás natural e gás de cozinha; determinar trabalho remoto às sextas-feiras para servidores públicos; incentivar estratégias de economia de energia em prédios governamentais; solicitar que veículos particulares não circulem um dia por semana e limitar o acesso a estacionamentos públicos de acordo com as placas dos veículos; reduzir a semana escolar de cinco para três dias; limitar aumento de preços de combustíveis a apenas uma vez por dia; subsidiar combustíveis por meio de cartão para as famílias; fixar apoio direcionado para pensionistas, cuidadores e pessoas com deficiência; subsidiar motoristas de ônibus, táxi, entregadores, motoristas de aplicativos de transporte; declarar emergência energética nacional; promover auditorias energéticas; viagens de ônibus gratuitas para estudantes e trabalhadores em cidades selecionadas; aumentar preços de placas de veículos estrangeiros; congelar preços dos combustíveis para cozinhar; anunciar apoio ao aquecimento para consumidores vulneráveis; incentivar o compartilhamento de carros. Ações anunciadas pelos países Os Estados Unidos e Israel atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano, além de unidades produtoras de petróleo e gás do Irã Getty Images via BBC De acordo com painel da Agência Internacional de Energia (AIE), pelo menos 39 países já adotaram ações para conter os impactos da disparada do petróleo e do custo da energia. A Agência Internacional de Energia (AIE) é um fórum de energia criado em 1974, composto por 29 países industrializados que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre as medidas adotadas, segundo o levantamento, estão: Alemanha: limitou o aumento de preços da gasolina e diesel a apenas uma vez por dia. África do Sul: reduziu taxação de combustíveis. Austrália: reduziu imposto sobre combustíveis, concedeu empréstimos sem juros para apoiar as empresas mais afetadas e incentivou os cidadãos a reduzirem voluntariamente o consumo de combustível para ajudar a garantir o abastecimento. Argentina: adiaou aumentos nos impostos sobre combustíveis e permitiu maior teor de bioetanol na mistura de gasolina. Bangladesh: limitou o uso de ar-condicionado a temperaturas acima de 25 graus, determinou fechamento de universidades públicas e privadas; determinou ao público e às empresas que evitem iluminação desnecessária e estabeleceu limites de abastecimento de combustível para veículos, além de incentivar o transporte público. Brunei: limitou a compra de combustível para veículos estrangeiros e veículos nacionais que saem do país. Camboja: reduziu imposto sobre combustíveis e tarifa de de importação para produtos relacionados a veículos elétricos, energias renováveis ​​e fogões elétricos; aumentou a supervisão governamental para evitar a especulação de preços nos postos de gasolina; está realizando reuniões online para funcionários públicos, está incentivando a limitação da temperatura a 24-25 graus em repartições públicas; reduziu viagens oficiais de longa distância e está evitando deslocamentos em horários de pico. A empresa estatal de eletricidade está incentivando o público a reduzir o consumo de eletricidade. Cingapura: incentivou o público a conservar energia e usar eletrodomésticos eficientes. Chile: congelou ou conteve o aumento das tarifas do transporte público nas cidades; estabeleceu créditos para táxis comprarem veículos elétricos; suspender crédito diferenciado para combustíveis e congelou os preços da querosene. China: impôs controles aos preços do petróleo refinado no mercado interno. Coreia do Sul: fixou teto para o preço dos combustíveis domésticos; proibição dirigir por dois dias na semana, com base na placa do veículo, para funcionários do setor público; fez campanha sobre ações práticas e solicitou que as principais empresas consumidoras de petróleo reduzam o consumo de energia. Também solicitou que veículos particulares não circulem um dia por semana e limitou o acesso a estacionamentos públicos de acordo com as placas dos veículos. Croácia: limitou preços do petróleo e do diesel e reduzir imposto sobre combustíveis. Egito: fixou um dia de trabalho remoto para o setor público; limitou as viagens de funcionários públicos; fechou diariamente capital administrativa às 18h para desligar as luzes e os aparelhos eletrônicos; pediu à população que economize combustível, limitou iluminação comercial e pública; promoveu o transporte público e exigir que as administrações governamentais reduzam o consumo de combustível. Eslováquia: limitou a compra de combustível, aumentou os preços das placas de veículos estrangeiros. Eslovênia: limitou temporariamente compras de combustível e reduziu imposto especial de consumo sobre gasolina, diesel e óleo de aquecimento. Espanha: reduziu o IR para reformas, instalação de energia solar e medidas de eletrificação, baixou o imposto sobre o consumo sobre combustíveis e suspendeu o imposto especial de consumo sobre hidrocarbonetos. Também alterar a regulamentação para promover novas comunidades energéticas e outras modalidades de autoconsumo. Etiópia: incentivou o público a ser "frugal" no uso de combustível. Filipinas: anunciou subsídios de combustível para motoristas de ônibus, táxi, entregadores, motoristas de aplicativos de transporte e trabalhadores do setor de transportes, para combustíveis e fertilizantes para agricultores e pescadores; reduziu impostos sobre combustíveis; anunciou uma semana de trabalho de 4 dias para funcionários públicos; incentivou limitar da temperatura a 24 graus em repartições públicas; limitar viagens governamentais não essenciais; declarou emergência energética nacional; solicitou que órgãos públicos reduzam o consumo de combustível, pediu aos consumidores que limitem a demanda e promoveu auditorias energéticas; além de viagens de ônibus gratuitas para estudantes e trabalhadores em cidades selecionadas. Índia: reduziu o imposto sobre combustíveis e diesel, limitou o consumo de gás natural pela indústria, acelerou a implantação de gás natural canalizado para substituir o GLP, e racionou o uso comercial de GLP. Irlanda: estendeu subsídio de combustível e aumentou o desconto no diesel; reduziu o imposto especial de consumo sobre gasolina e diesel e diminuição e fixou apoio direcionado para pensionistas, cuidadores e pessoas com deficiência. Indonésia: aumentou orçamento estatal para subsídios aos combustíveis; fixou trabalho remoto às sextas-feiras para servidores públicos; limitou as viagens de funcionários públicos; incentivou estratégias de economia de energia em prédios governamentais e acelerou programa de biodiesel. Itália: reduziu impostos sobre combustíveis. Laos: fixou trabalho remoto e turnos rotativos para funcionários públicos; reduziu a semana escolar de cinco para três dias; fez campanha para incentivar a economia de combustível; incentivou o transporte público e reduziu do imposto sobre veículos elétricos. França: esta fornecendo apoio temporário direcionado a setores-chave, como transportes, pesca e agricultura. Grécia: limitou as margens de lucro sobre combustíveis por três meses; subsidiou o diesel, o cartão de combustível para famílias e fertilizante para agricultores. Hungria: limitou os preços dos combustíveis. Japão: reduziu impostos sobre combustíveis. México: fechou acordo com os distribuidores de combustíveis para limitar os preços da gasolina. Moçambique: limitou os preços dos combustíveis no varejo. Namíbia: reduziu impostos sobre combustíveis. Nova Zelândia: anunciou um pacote de ajuda a famílias vulneráveis. Reino Unido: anunciou apoio ao aquecimento para consumidores vulneráveis; acelerou o Plano de Casas Aquecidas e, também, trabalho para aprovar a energia solar plug-in e realizou declarações ministeriais contra a especulação de preços de combustíveis. República Checa: reduziu o imposto sobre o consumo e limitou as margens de lucro dos revendedores de combustíveis. Senegal: fez um apelo à população para adaptar os hábitos de consumo de energia. Suécia: reduziu temporariamente o imposto sobre combustíveis para veículos. Tailândia: incentivou trabalho remoto e as videoconferências; incentivar a limitação da temperatura de ar condicionado a 26 graus; está evitando viagens internacionais de funcionários públicos, pedir aos funcionários de escritório que limitem o consumo de energia; incentivou o compartilhamento de carros e limitou viagens desnecessárias; aumentou a mistura de biocombustíveis; congelou preços dos combustíveis para cozinhar até maio e forneceu subsídios para combustíveis no âmbito do Fundo de Combustíveis Petrolíferos. Turquia: reduziu imposto sobre combustíveis. Vietnã: reduziu tarifas de importação de combustível até 30 de abril, fornecer fundos extras ao mecanismo de estabilização de preços de combustível existente; incentivou o trabalho remoto, limitou viagens de funcionários públicos, solicitar que governos locais ajudem a economizar energia, desencorajou o uso de veículos particulares e está promovendo o uso do transporte público, além do compartilhamento de carros. Zâmbia: reduziu o imposto sobre consumo sobre gasolina e diesel.
07/04/2026 14:51:22 +00:00
FGC inicia pagamento a 312 mil credores do Will Bank que têm mais de R$ 1 mil a receber; valor total soma R$ 6 bilhões

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que iniciou nesta terça-feira (7) a segunda fase do pagamento de garantias aos credores do Will Bank que possuam valores a receber superiores a R$ 1 mil e de até R$ 250 mil. Segundo o fundo, deverão ser pagos, neste etapa, R$ 6,06 bilhões, contemplando cerca de 312 mil credores. 🔎 O FGC é uma entidade privada criada para proteger parte do dinheiro aplicado por clientes em bancos e outras instituições financeiras associadas. 🔎🔎Quando uma dessas instituições entra em processo de liquidação — etapa que ocorre quando suas atividades são encerradas — o fundo pode devolver aos investidores os valores garantidos, respeitando os limites definidos pelas regras do sistema. A liquidação extrajudicial do Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, que faz parte do conglomerado do Banco Master, foi decretada em janeiro deste ano pelo Banco Central. A medida interrompeu as atividades da empresa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A ação deixou, naquele momento, clientes mais vulneráveis, de renda média e baixa, com todo o dinheiro bloqueado e sem prazo definido para reembolso. O banco afirmava ter cerca de 12 milhões de clientes, dos quais 60% estavam no Nordeste, em sua maioria em cidades pequenas. Segundo o FGC, os pagamentos aos clientes do Will Bank serão realizados por meio do aplicativo do FGC, observadas as etapas aplicáveis à solicitação da garantia ordinária. O credor deverá efetuar seu cadastro, complementar as informações requeridas, encaminhar a documentação necessária e formalizar a solicitação pelos canais disponibilizados na plataforma. É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo. O FGC lembra que, em 13 de fevereiro deste ano, foi iniciada a antecipação do pagamento da garantia aos credores que são clientes diretos do Will Bank e que tinham valores a receber de até R$ 1 mil. Já foram pagos R$ 126 milhões, o que representa 70,84% do montante das antecipações a ser pago (valor estimado em R$ 177,8 milhões). Em termos de número de beneficiários, aproximadamente 1,145 milhão de credores já receberam os valores, correspondente a 18,28% do total de 6,269 milhões de pessoas que atendem aos requisitos para receber a antecipação da garantia, acrescentou o fundo. O FGC observou que, caso o credor tenha recebido valores do Banco Master, Master de Investimento e Letsbank e atingido o limite da garantia de até R$ 250 mil no conglomerado, não terá valores a receber do Will Bank por ser do mesmo conglomerado financeiro. "Os instrumentos elegíveis adquiridos até 31/08/2024, inclusive, contam com a garantia preservada (limitada a R$ 250mil). A partir de 1º/09/2024, o limite passa a ser consolidado no conglomerado Master", acrescentou o fundo. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, que estava sob Regime de Administração Especial Temporária desde novembro, período em que também foi determinada a liquidação do Banco Master. Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo
07/04/2026 14:44:41 +00:00
Crise do petróleo e gás supera as de 1973, 1979 e 2022, diz chefe de agência internacional

Governo anuncia novas medidas para tentar conter efeitos da alta do petróleo A atual crise de petróleo e gás, provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, afirmou Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla internacional), ao jornal Le Figaro. “O mundo nunca enfrentou uma interrupção no fornecimento de energia dessa magnitude”, disse em entrevista ao jornal francês, publicada na edição de terça-feira (7). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo Birol, países europeus, além de Japão, Austrália e outros, serão afetados pela crise. No entanto, as nações em desenvolvimento devem sofrer mais, com a alta dos preços do petróleo e do gás, o encarecimento dos alimentos e o avanço da inflação. Os países-membros da IEA concordaram no mês passado em liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo. Parte desses estoques já foi utilizada, e o processo continua, afirmou Birol. Em resposta aos ataques de Israel e dos Estados Unidos, o Irã bloqueou quase totalmente o tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, o que tem pressionado os preços da energia. No mês passado, o chefe da agência de energia voltou a sinalizar a possibilidade de liberar mais petróleo dos estoques estratégicos caso a situação se agrave. “Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros”, afirmou Birol, durante evento em Canberra, na Austrália. Nos bastidores, a IEA também tem mantido conversas com autoridades internacionais para coordenar possíveis respostas à crise, além de acompanhar cadeias logísticas e a demanda global por energia. A própria agência também sugeriu uma série de medidas para aliviar a pressão dos preços da energia sobre consumidores. Entre as sugestões estão trabalhar de casa e evitar viagens aéreas. Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia Isabel Kua/REUTERS EUA pressionam para a reabertura do Estreito de Ormuz O preço do petróleo disparou e voltou a ficar perto de US$ 110 o barril nesta terça-feira (7), em meio à forte escalada das tensões no Oriente Médio. O prazo dado por Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás do mundo — termina hoje, elevando ainda mais a incerteza no mercado. A crise se agravou após novos ataques de Israel a instalações estratégicas no Irã, incluindo o maior campo de gás do mundo e áreas-chave para exportação de petróleo. O cenário segue altamente instável, com risco de novos confrontos, o que mantém forte pressão sobre os preços da energia. *Com informações da agência Reuters
07/04/2026 13:34:18 +00:00
Projeto de interligação Brasil–Colômbia entra em consulta pública em novo leilão de energia

Usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra Divulgação Axia Energia A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (7), a abertura de consulta pública sobre o segundo leilão de transmissão de energia deste ano, com previsão de oferta de nove lotes ao mercado e investimentos totais estimados em R$ 11,3 bilhões. O leilão é considerado estratégico para ampliar a infraestrutura do setor elétrico e garantir o escoamento da energia produzida no país. Na etapa de consulta pública, a agência recebe sugestões da sociedade e do setor antes de concluir as regras do leilão. 🔎 Leilões de transmissão definem quais empresas vão construir e operar linhas responsáveis por levar a energia das usinas aos centros consumidores. O maior lote a ser oferecido no leilão reúne as obras necessárias para viabilizar a conexão entre sistemas de energia do Brasil e da Colômbia, conforme previsto em acordo assinado entre os presidentes dos dois países no mês passado. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O projeto de conexão internacional soma R$ 6,74 bilhões em investimentos estimados. As obras serão realizadas em Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná e têm como objetivo ampliar a capacidade de geração de energia e a interligação com a Colômbia. Ao todo, o projeto prevê 1.320 quilômetros de linhas de transmissão, com um corredor de 500 quilovolts (kV), além de subestações e sistemas especiais, como conversoras e tecnologia back-to-back, usados na integração entre redes elétricas distintas. Programado para 30 de outubro, o certame ofertará um total de 2.069 quilômetros de novas linhas de transmissão de energia e seccionamentos, que são pontos de divisão da linha usados para controle e segurança do sistema. Essa distância que se aproxima à de uma viagem de carro entre São Paulo e Sergipe (cerca de 2.110 quilômetros). Essas linhas estão distribuídas por 13 estados e terão cerca de 13.564 megavolt-ampères (MVA) em capacidade de transformação e compensação síncrona. 🔎 A compensação síncrona é um recurso voltado para manter a estabilidade da rede elétrica. Ela ajuda a controlar a tensão da eletricidade, evitando oscilações que podem causar falhas, desligamentos ou prejuízos ao funcionamento do sistema. Esse recurso normalmente está presente em regiões com muitas linhas de transmissão ou grande variação na geração de energia. *Com informações da agência de notícias Reuters.
07/04/2026 13:34:00 +00:00
Recall no Brasil: Ford Maverick e Ford F-150 têm possível falha em freio do reboque

Ford F-150 2024 é um dos modelos afetados pelo recall no Brasil Divulgação | Ford A Ford do Brasil anunciou nesta terça-feira (7) o recall para as picapes Maverick e F-150 por um problema no módulo de reboque. Segundo a marca, luzes de freio, luzes indicadoras de direção e sistema de freios do reboque podem não funcionar se o módulo apresentar falha. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp "O sistema de reboque pode não funcionar corretamente devido à possibilidade de falha na calibração do módulo do reboque", explicou a Ford no comunicado. Nessas condições, segundo a marca, essa falha pode causar aumento do risco de acidentes, com possibilidade de danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros. Ford Maverick Divulgação / Ford A atualização do módulo será feita de forma gratuita nas concessionárias da marca a partir de 30 de abril de 2026. O serviço leva 30 minutos e já pode ser agendado. Para saber se o seu veículo está incluído neste recall, é possível visitar o site da Ford e verificar pelo número do chassi. Chassis afetados pelo recall Ford F-150 Modelo 2023: de PFA00090 até PFC36403 Modelo 2024: de RFA00319 até RFC18688 Modelo 2025: de SFA48597 até SFC65449 Modelo 2026: de TFA42762 até TFA48308 Ford Maverick Modelo 2022: de NRA00402 até NRB12287 Modelo 2023: de PRA00070 até PRA92941 Modelo 2024: de RRA00027 até RRB83362 Modelo 2025: de SRA19045 até SRB79879 Modelo 2026: de TRA00080 até TRA61887 Veja os vídeos que estão em alta no g1
07/04/2026 12:45:50 +00:00
Dólar sobe com mercado atento ao ultimato de Trump sobre Ormuz; Ibovespa recua
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar opera com volatilidade nesta terça-feira (7), avançando 0,35% por volta das 12h15, sendo negociado a R$ 5,1645. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,70%, aos 186.844 pontos. A escalada das tensões no Oriente Médio continua repercutindo no cenário internacional. O conflito entra agora em um momento decisivo: termina nesta noite o prazo estabelecido por Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Na véspera, Trump afirmou que a reabertura da rota é uma “prioridade muito grande”. A declaração chama atenção porque, anteriormente, o próprio presidente havia indicado que esse ponto não era central nas negociações. ▶️ Diante desse cenário, o preço do petróleo opera em alta nesta terça-feira. Por volta das 8h30, o barril do tipo Brent subia 0,60%, negociado a US$ 110,39 — perto do patamar de US$ 110. ▶️ No Brasil, a alta do petróleo levou o governo a anunciar novas medidas para reduzir os efeitos do encarecimento dos combustíveis. As medidas devem valer ao menos entre este mês e maio. O plano inclui ações para diminuir as oscilações no preço do diesel e reduzir impactos sobre o gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, e o querosene de aviação (QAV). Também estão previstas linhas de crédito para companhias aéreas. ▶️ O custo estimado é de R$ 4 bilhões — sendo R$ 2 bilhões bancados pela União e outros R$ 2 bilhões pelos Estados e pelo Distrito Federal. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,25%; Acumulado do mês: -0,62%; Acumulado do ano: -6,24%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,06%; Acumulado do mês: +0,37%; Acumulado do ano: +16,78%. Guerra no Oriente Médio O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” em uma publicação na rede Truth Social nesta terça-feira. A mensagem foi divulgada poucas horas antes do prazo estabelecido por ele para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, e ocorre após autoridades iranianas indicarem que Teerã não deve ceder às pressões. Na publicação, Trump disse que não deseja que isso aconteça, mas afirmou que o desfecho pode ser inevitável. Ele também criticou o regime que governa o país há 47 anos. Antes da mensagem do presidente americano, a televisão estatal do Irã exibiu um chamado para que a população participe de correntes humanas em torno das usinas de energia do país, citadas em ameaças feitas por Trump. 🛢️ Em meio a esse cenário, o preço do petróleo opera em alta, próximo de US$ 110 por barril. Por volta das 8h30, o barril do tipo Brent subia 0,60%, cotado a US$ 110,39. Com poucas horas restantes para o prazo definido pelos EUA — às 21h no horário de Brasília —, Alireza Rahimi, apresentado pela emissora como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, convocou a mobilização. O apelo foi direcionado a jovens, atletas, artistas, estudantes universitários e professores. Também nesta terça-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de iranianos estão “prontos para se sacrificar” pelo país. Efeitos no Brasil A disparada do petróleo em meio à guerra passou a pressionar o preço dos combustíveis no Brasil, incluido o querosene de aviação, um dos principais custos do setor aéreo. Para conter o impacto nas passagens — que podem subir até 20% —, governo federal anunciou, nesta segunda-feira, um pacote de medidas para reduzir os impactos da alta. 💰 As medidas são: zerar PIS/Cofins para as empresas aéreas, o que gera uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível; prorrogar o pagamento da tarifa de navegação. As empresas pagarão apenas em dezembro as tarifas da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho; abrir duas linhas de crédito. A primeira linha de crédito conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou instituição por ele habilitada. A pressão sobre os preços vem após a Petrobras elevar em mais de 50% o valor do combustível, refletindo a alta do petróleo no cenário internacional em meio à guerra no Oriente Médio. O setor aéreo alerta para impactos relevantes, enquanto o governo tenta reduzir os efeitos para consumidores. O governo também anunciou medidas para frear os preços do diesel e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha. A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somado ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52. Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio desse ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. LEIA MAIS: Mercados globais Wall Street caminha para mais um dia de queda, enquanto os preços do petróleo atingem o nível mais alto em quase quatro anos. Antes da abertura dos mercados, os contratos futuros apontavam recuo: os índices S&P 500 e Dow Jones caíam 0,5%, enquanto o Nasdaq recuava 0,7%. Na Europa, por volta das 9h30 (horário de Brasília), o índice pan-europeu STOXX 600 tinha queda de 0,33%, aos 594,70 pontos. Entre os principais mercados da região, o índice CAC 40, da França, subia 0,3%. Já o DAX, da Alemanha, recuava 0,3%, e o FTSE 100, do Reino Unido, caía 0,2%. Na Ásia, o índice Shanghai Composite, da China, fechou em alta de 0,3%, aos 3.890,16 pontos. A bolsa de Hong Kong permaneceu fechada por feriado. No Japão, o índice Nikkei 225 encerrou o dia praticamente estável, com leve alta inferior a 0,1%, aos 53.429,56 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,8%, para 5.494,78 pontos.
07/04/2026 12:00:21 +00:00
Governo indica Guilherme Santos Mello para conselho da Petrobras

Guilherme Mello, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, durante encontro de ministros de finanças do G20 André Ribeiro/TheNews2/Estadão Conteúdo O governo brasileiro indicou Guilherme Santos Mello ao cargo de conselheiro de administração da Petrobras e solicitou que a indicação de Mello seja considerada à presidência do colegiado, divulgou a petroleira na noite de segunda-feira (6). A indicação do acionista controlador da companhia tem em vista a convocação da assembleia geral ordinária (AGO) para 16 de abril. 🔎 O conselho de administração é o órgão que define as estratégias da empresa. Ele tem de 7 a 11 membros, indicados pelo governo federal (acionista controlador), por acionistas minoritários e por representantes dos empregados. Atualmente, Mello é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e membro do conselho da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA). Ele possui doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp, mestrado em Economia Política pela PUC-SP e graduações em Ciências Sociais e Ciências Econômicas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 É professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp, onde atua como coordenador do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico. "Em conformidade com os procedimentos de governança interna da Petrobras e com a sua Política de Indicação de Membros da Alta Administração, essas indicações serão submetidas à análise dos requisitos legais, de gestão e integridade pertinentes", afirmou a empresa no comunicado ao mercado. Petrobras anuncia Marcelo Weick como presidente interino Ainda na noite desta segunda, a Petrobras anunciou que Marcelo Weick Pogliese será o presidente do conselho de administração da empresa até a eleição de um novo presidente do colegiado. Ele substitui interinamente Bruno Moretti, que foi nomeado ministro do Planejamento e Orçamento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Weick exercerá o cargo de presidente do colegiado até a próxima assembleia geral ordinária, em 16 de abril. Ele já era conselheiro da Petrobras e também ocupa o posto de secretário da Secretaria Especial Para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Pogliese entrou no conselho em agosto do ano passado na vaga deixada por Pietro Mendes, que renunciou ao cargo para se tornar diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), vinculada ao MME.
07/04/2026 11:45:18 +00:00
Preço do petróleo oscila entre altas e baixas após ONU rejeitar uso de força para reabrir Estreito de Ormuz

Analistas dizem que nenhum cenário pode reestabelecer, no curto prazo, a antiga ordem de preços do petróleo Jornal Nacional/ Reprodução Os preços do petróleo passaram a oscilar entre altas e baixas nesta terça-feira (7), após a Organização das Nações Unidas (ONU) ter rejeitado o uso de força para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à escalada das tensões com Israel e Estados Unidos. ➡️ A resolução estipulava que países poderiam usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio. Leia mais sobre o tema nesta reportagem. Perto das 13h40, o petróleo registrava queda de 0,24%, cotado a US$ 109,51. A guerra entrou em um dia decisivo: termina na noite desta terça-feira o prazo dado por Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, uma rota de trânsito crucial por onde passa 20% do petróleo e do gás natural consumidos em todo o mundo. Na segunda-feira (6), Israel voltou a atacar o complexo petroquímico de South Pars, no Irã, o maior campo de produção de gás do mundo. O ataque foi anunciado pelo Ministério da Defesa israelense. Esta é a segunda vez, desde o início da guerra, que Israel bombardeia o complexo. Na primeira, em meados de março, os Estados Unidos condenaram o ataque e garantiram ao Irã que não haveria novas ofensivas no local. 👉 Contexto: Desde então, o tom dos EUA mudou. No último domingo (5), Donald Trump deu um novo ultimato para que o Irã abra o Estreito de Ormuz, ameaçando atacar usinas de energia e pontes - que são alvos civis. O cenário agravou as tensões no Oriente Médio. Nesta terça-feira (7), o Exército de Israel fez um "alerta urgente" para que iranianos não viajem de trem nas próximas horas, indicando que realizaria bombardeios contra ferrovias do país em breve. Segundo a imprensa iraniana, a Ilha de Kharg foi bombardeada nesta terça. Na região, são armazenados 90% do petróleo exportado do Irã. Pontes também foram bombardeadas em Qom, uma das maiores cidades do Irã, a cerca de 150 quilômetros de Teerã. A imprensa local fala de um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel. Nenhum dos dois se pronunciou sobre o caso. Estratégica, a Ilha de Kharg foi poupada da guerra no Oriente Médio nas duas primeiras semanas da guerra. Mas, em meados de março, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou ter bombardeado a ilha. Trump afirmou, no entanto, que poupou as reservas de petróleo locais e que apenas bases militares de Kharg foram alvejadas. Israel e Irã voltam a trocar ataques
07/04/2026 11:28:49 +00:00
Fundo de Bill Ackman propõe aquisição da Universal Music por US$ 64 bilhões

Logo da Universal Music Group REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo O fundo de investimento Pershing Square, do bilionário Bill Ackman, propôs nesta terça-feira (7) uma fusão com a Universal Music Group (UMG), a maior gravadora do mundo, dona de um catálogo que inclui artistas como Taylor Swift, The Weeknd, Billie Eilish, Drake e Lady Gaga. A oferta, que combina pagamento em dinheiro e em ações, avalia a Universal Music Group em cerca de 30,40 euros por ação — valor 78% acima do último fechamento, de 17,10 euros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com isso, o negócio é estimado em aproximadamente 55,75 bilhões de euros (US$ 64,31 bilhões), segundo cálculos da Reuters. Atualmente, a Pershing detém cerca de 4,7% da UMG e é a quarta maior acionista da companhia. Na prática, a proposta — ainda não definitiva — prevê a fusão da empresa com a SPARC Holdings, ligada à gestora. A operação daria origem a uma nova companhia, registrada nos Estados Unidos e com ações negociadas na Bolsa de Nova York. Após a proposta, as ações da Universal Music Group, listadas em Amsterdã, subiram cerca de 13% nas primeiras negociações do dia. Já os papéis de sua maior acionista, o Bolloré Group, avançaram 6%. Listagem em Nova York no radar A cantora Taylor Swift assinou com a Universal Music Group em 2018, após sair da Big Machine Records. Taba Benedicto/Estadão Conteúdo A nova proposta surge após a Universal Music Group decidir, no mês passado, adiar seus planos de abrir capital nos Estados Unidos. Com isso, a empresa voltou atrás em um acordo que tinha com a Pershing Square. Além da fusão, a gestora acredita que, com ações negociadas em Nova York, a gigante da indústria musical pode atrair mais investidores e aumentar seu valor de mercado. Em carta ao conselho de administração da companhia, o investidor Bill Ackman elogiou a gestão da Universal Music, afirmando que o trabalho tem sido “excelente”. Ainda assim, destacou que as ações da companhia não têm tido bom desempenho desde a estreia na bolsa, em 2021. 🔎 Segundo ele, isso se deve a alguns fatores: dúvidas sobre o futuro da participação de 18% do Bolloré Group, o atraso na abertura de capital nos EUA e o uso pouco eficiente dos recursos da empresa. Segundo a Reuters, o executivo Michael Ovitz, ex-presidente da Walt Disney Company, deve assumir a presidência do conselho da nova companhia. Se o negócio for aprovado, os acionistas da UMG receberão uma combinação de dinheiro e ações: ao todo, 9,4 bilhões de euros em dinheiro, além de papéis da nova empresa. O pagamento em dinheiro viria de diferentes fontes da Pershing, como recursos próprios, empréstimos e parte dos valores obtidos com sua participação no Spotify. A expectativa é concluir a operação até o fim do ano, caso seja aprovada. A estreia da Universal Music Group na bolsa ocorreu em setembro de 2021, na Euronext, em Amsterdã, e foi cercada de grande expectativa. Na época, a empresa não fez um IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial) tradicional. Em vez disso, foi “desmembrada” da Vivendi, conglomerado francês de mídia, que distribuiu a maior parte das ações da UMG aos seus acionistas. As ações da companhia subiram forte na estreia, impulsionadas pelo entusiasmo dos investidores com o setor, especialmente pelo crescimento do streaming. No entanto, depois disso, tiveram desempenho mais fraco, com pouca valorização e períodos de instabilidade nos últimos anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1
07/04/2026 10:45:22 +00:00
Governo atualiza 'lista suja' do trabalho escravo e inclui Amado Batista e BYD

Trabalho análogo à escravidão Wellyngton Souza/Sesp-MT O governo federal atualizou, nesta segunda-feira (6), a chamada “lista suja”, que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Foram adicionados 169 novos empregadores ao cadastro, o que representa um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Desse total, 102 são pessoas físicas (patrões) e 67 são empresas (pessoas jurídicas). Entre os novos nomes incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. Com a atualização, o total de empregadores listados passa a cerca de 613. 📃 A “lista suja” é um documento público divulgado semestralmente pelo Ministério do Trabalho, em abril e outubro, que dá visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo. Empregadores entram após processo administrativo concluído, sem recurso; permanecem por 2 anos e só saem se não tiverem novos casos e estiverem com a situação regularizada. Nessa nova atualização, as atividades econômicas com o maior número de empregadores incluídos na lista foram: Serviços domésticos (23); Criação de bovinos para corte (18); Cultivo de café (12); Construção de edifícios (10); Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6). Veja os vídeos que estão em alta no g1 No total, os novos casos incluídos no cadastro resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração e de trabalho análogo à escravidão. A atualização também excluiu 225 empregadores que completaram os dois anos de permanência no cadastro. Os casos incluídos nesta atualização ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 unidades da Federação. Os estados com maior número de empregadores foram: Minas Gerais (35); São Paulo (20); Bahia (17); Paraíba (17); Pernambuco (13); Goiás (10); Mato Grosso do Sul (10); Rio Grande do Sul (9); Mato Grosso (7); Paraná (6); Pará (5); Santa Catarina (4); Maranhão (4); Acre (2); Distrito Federal (2); Espírito Santo (2); Rio de Janeiro (2); Amazonas (1); Ceará (1); Rondônia (1); Sergipe (1). BYD está entre os nomes incluídos na 'Lista suja' do trabalho escravo Caso BYD e Amado Batista A montadora BYD entrou no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses em dezembro de 2024. Ao todo, 220 trabalhadores haviam sido contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA). Os trabalhadores chineses foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local. Segundo as autoridades, os passaportes eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) associou um acidente com uma serra ao cansaço causado pela falta de folgas. O MPT-BA também apontou que todos os trabalhadores entraram no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra. Na ocasião, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa. A montadora afirmou ainda que não tolera desrespeito à legislação brasileira nem à dignidade humana e determinou a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região. No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) firmou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora chinesa e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Após o acordo, a BYD afirmou manter um compromisso inegociável com os direitos humanos e informou que iria se manifestar nos autos da ação movida pelo órgão. (leia a íntegra da nota da ocasião) O g1 procurou a BYD para comentar a inclusão na "lista suja", mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Imagens mostram condições de trabalho em obra da BYD na Bahia Arquivo Pessoal No caso do cantor Amado Batista, ele aparece em duas autuações registradas em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia (GO). Uma delas envolve o Sítio Esperança, com 10 trabalhadores, e a outra menciona o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Os casos ocorreram em 2024. Em nota enviada ao g1, a assessoria do cantor afirmou que são “completamente falsas e inverídicas” as informações sobre o resgate de 14 trabalhadores em propriedades vinculadas ao artista. De acordo com a nota, não houve resgate de trabalhadores, e todos os funcionários seguem exercendo suas atividades normalmente. A assessoria informou ainda que, em 2024, houve uma fiscalização em uma fazenda arrendada para o plantio de milho. Na ocasião, foram identificadas irregularidades na contratação de quatro trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio. Ainda segundo o posicionamento, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), e todas as obrigações trabalhistas teriam sido integralmente cumpridas e quitadas. Sobre a existência de duas propriedades, a nota informa que não houve resgate de trabalhadores no Sítio Esperança. A assessoria afirmou ainda que foram apontadas melhorias relacionadas à moradia e às áreas de convivência, que, segundo a nota, já foram realizadas e concluídas. A nota também indicou que todos os trabalhadores estão devidamente registrados e recebem regularmente seus direitos trabalhistas e encargos legais. Por fim, informou que estão sendo adotadas medidas administrativas para o encerramento de eventuais procedimentos de autuação. Cantor Amado Batista Reprodução/Redes Sociais Os nomes dos empregadores só são incluídos no cadastro após a conclusão do processo administrativo que analisou o caso, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. (Entenda mais abaixo). Em regra, cada nome permanece na lista por um período de dois anos. No entanto, uma portaria publicada em julho de 2024 criou novas regras que permitem a retirada antecipada do cadastro ou até mesmo a não inclusão do nome. Essa possibilidade existe para empregadores que assinarem um termo de ajustamento de conduta, comprometendo-se a indenizar as vítimas com ao menos 20 salários mínimos, e a investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados. Nesses casos, os empregadores passam a integrar outra lista, o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta. No entanto, podem voltar à “lista suja” caso descumpram os compromissos assumidos ou reincidam na prática de condições análogas à escravidão. A "lista suja" foi criada em 2004, mas enfrentou impasses nos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). A divulgação do cadastro chegou a ser suspensa entre 2014 e 2016, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do documento. O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), que atua em todo o território nacional, completou 30 anos em 2025. Desde sua criação, em 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão. Ao longo das operações, mais de R$ 160 milhões em verbas salariais e rescisórias foram assegurados aos trabalhadores. Esse resultado é fruto da atuação da Auditoria-Fiscal do Trabalho, responsável pela coordenação do GEFM. ➡️ VEJA LISTA COMPLETA ABAIXO: LEIA TAMBÉM: O que a lei considera trabalho análogo à escravidão Sobrevivente de trabalho escravo em vinícolas vira fiscal Como alguém vai parar na ‘lista suja’? Auditores-fiscais do trabalho do MTE realizam constantemente ações de combate ao trabalho análogo à escravidão, que podem contar com a participação de integrantes da Defensoria Pública da União, dos Ministérios Públicos Federal e do Trabalho, da Polícia Federal, Polícia Rodoviária, entre outras forças policiais. Quando, durante essas ações, são encontrados trabalhadores em condição análoga à escravidão, um auto de infração é lavrado. Cada auto de infração gera um processo administrativo, no qual as irregularidades são apuradas e os empregadores têm direito à defesa. Pessoas físicas ou jurídicas só são incluídas na “lista suja” quando o processo administrativo que julgou o auto específico de trabalho análogo à escravidão em relação àquele empregador é concluído, com decisão sem possibilidade de recurso. ⚠️ Como denunciar? Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota pelo Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. O sistema é o canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão. O denunciante não precisa se identificar: basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações. A proposta é que, a partir dessas informações, a fiscalização avalie se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e, se necessário, realize as verificações no local. Saiba o que é trabalho escravo Saiba o que é trabalho escravo
07/04/2026 10:14:56 +00:00
Picanha brasileira entra em ranking internacional de melhores pratos do mundo

Imagem de cortes de picanha. Henrique Martin/g1 A picanha brasileira ficou em 15º lugar na lista dos 100 melhores pratos do TasteAtlas 2025/2026, considerado uma enciclopédia gastronômica dos EUA. A costela bovina brasileira também apareceu na lista, mas na 35ª posição. Outro prato nacional que marcou presença foi a moqueca baiana, porém mais ao final, em 98º lugar. "Com uma camada generosa de gordura e preparo simples, ela conquistou espaço não só no Brasil, mas também no exterior", descreve o TasteAtlas. A publicação afirma ainda que, nos EUA, a picanha é conhecida como top sirloin cap ou coulotte steak. "No entanto, nem sempre é fácil encontrá-la [nos EUA], já que o corte costuma ser dividido em outras partes, como o lombo ou a alcatra. Nesses casos, a recomendação é pedir ao açougueiro pelo top sirloin cap e solicitar que a gordura seja mantida", afirma. A seguir, veja os pratos que ficaram nas 10 primeiras posições. Vori-vori (Paraguai): sopa preparada com fubá e queijo; Pizza Napoletana (Itália): clássica pizza de Nápoles; Tajarin al tartufo bianco d'Alba (Itália): massa com trufas brancas; Sate kambing (Indonésia): espetos de carne de cabra; Oltu cağ kebabı (Turquia): prato de cordeiro; Kontosouvli (Grécia): carne de porco no espeto; Arroz tapado (Peru): camadas de arroz branco com recheio de carne temperada; Komplet lepinja (Sérvia): pão achatado cortado ao meio, coberto com creme e finalizado com um ovo; Quesabirria (México): tacos de birria com queijo; Pappardelle al cinghiale (Itália) Massa com carne de javali; Central Texas-Style Barbecue (Estados Unidos): churrasco típico do Texas; Bath kulu badhu (Sri Lanka): prato tradicional de arroz com curry; Seco de cabrito (Peru): ensopado típico peruano à base de carne de cabrito; Beyran çorbası (Turquia): sopa tradicional de carne, típica da culinária turca.; Picanha (Brasil): corte da parte superior traseira do boi, localizado acima da alcatra Chef de cozinha ensina picanha com queijo e pão de alho
07/04/2026 06:01:08 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 15 milhões nesta terça-feira

Como funciona a Mega-sena O concurso 2.993 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 15 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (7), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último sábado, nenhuma aposta acertou as seis dezenas. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
07/04/2026 03:01:20 +00:00
'Project Maven': como os EUA usam IA como tecnologia de guerra para lançar ataques letais em minutos

'Project Maven': como os EUA usam IA como tecnologia de guerra Os Estados Unidos têm recorrido a um aliado não convencional na campanha contra o Irã: a inteligência artificial. No centro dessa estratégia está o Project Maven, sistema que cruza dados e imagens para identificar alvos e mapear o cenário de combate. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Quando foi criado em 2017, o projeto surgiu para apoiar analistas militares diante da avalanche de imagens geradas por drones. Até então, o trabalho era feito manualmente: operadores precisavam examinar quadro a quadro para identificar possíveis indícios. Agora, o projeto é visto pelo governo dos EUA como um facilitador da tomada de decisão no campo de batalha. Isso porque, ao analisar dados como imagens de satélite e registros de drones, reúne dados em uma única tela, filtra informações, identifica possíveis alvos e sugere como atacá-los. No mundo das big techs, o Project Maven sofre críticas éticas pelo uso de IA para ações militares. Como é na prática? Project Maven Reprodução/X Uma demonstração do Departamento de Defesa em março mostrou como funciona a plataforma. Veja o passo a passo: Integração de dados: o sistema reúne informações de sensores e imagens em uma única tela, permitindo visão do campo de batalha. Filtragem: o operador seleciona e organiza os dados na própria interface. Identificação de alvos: ao detectar um elemento suspeito, o sistema transforma a informação em um alvo. Classificação: os alvos são organizados por tipo, o que orienta a tomada de decisão. Sugestão de ataque: a plataforma cruza dados e indica escolhas. Decisão e ação: o operador escolhe uma das opções e inicia a operação. Execução integrada: todo o processo ocorre no mesmo sistema. Segundo o chefe de IA do departamento, Cameron Stanley, graças ao programa, o que antes exigia programas diferentes e horas de trabalho humano agora leva minutos. "Estávamos fazendo isso em cerca de oito ou nove sistemas, onde humanos estavam literalmente movendo detecções de um lado para o outro para chegar ao nosso estado final desejado", disse. Do Google à Palantir A Palantir é a empresa responsável pelo software de IA que alimenta o projeto. Mas essa não foi sempre a realidade. Quando o projeto começou, em 2017, o Google era responsável pelo seu desenvolvimento. Mas questões éticas acerca do uso de IA em conflitos armados fizeram a big tech desistir. Em 2018, mais de 3 mil funcionários da empresa assinaram uma carta aberta para denunciar que o contrato ultrapassava uma linha vermelha. De acordo com a AFP, engenheiros da empresa chegaram a pedir demissão. Isso fez com que o Google se recusasse a renovar o contrato. A empresa, então, publicou uma carta ética sobre IA que excluía qualquer participação em sistemas de armamento. Em fevereiro do ano passado, contudo, a empresa alterou sua política de inteligência artificial (IA) e removeu uma cláusula que proibia o uso da tecnologia para o desenvolvimento de armas e vigilância. Após a desistência do Google, a Palantir ocupou o lugar no projeto. Desde então, passou a liderar o fornecimento do Project Maven, com sua tecnologia de inteligência artificial formando a base central de funcionamento do programa. A Palantir é uma empresa americana de tecnologia especializada em análise de dados, conhecida por softwares usados por governos e forças de segurança. A empresa é alvo de críticas por fornecer tecnologia ao ICE, usada em operações contra imigrantes e alvo de debates sobre direitos civis. Os resultados O Pentágono e a Palantir se recusaram comentar sobre o desempenho do Maven na guerra com o Irã. Entretanto, segundo a AFP, o ritmo dos ataques americanos mostra que o projeto provavelmente acelerou o processo de seleção de alvos e de disparo. Nas primeiras 24 horas da Operação Fúria Épica, iniciada em 28 de fevereiro, as forças americanas atingiram mais de mil alvos. Uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times em 2024 aponta que o Maven enfrentou o seu primeiro teste real na Guerra da Ucrânia, mas ali o software enfrentou um problema. Segundo o jornal, a guerra evidenciou que é difícil aplicar tecnologia avançada em um conflito que ainda se parece com guerras do passado, baseadas em trincheiras e artilharia pesada.
07/04/2026 03:01:13 +00:00
Governo zera impostos do combustível de aviação: o que pode acontecer com as passagens aéreas?

Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis O governo federal lançou nesta segunda-feira (6/4) um pacote de medidas para tentar amortecer os impactos da guerra no Irã nos combustíveis, incluindo iniciativas específicas de alívio para o setor aéreo. Para esse segmento, as medidas anunciadas são a isenção dos impostos federais (PIS e Cofins) para o querosene de aviação (QAV) — gerando economia de R$ 0,07 por litro de combustível —, duas linhas de crédito no valor de R$ 9 bilhões para o setor, e prorrogação, para dezembro, das tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho. O pacote, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criou uma nova subvenção para a importação e produção do biodiesel, que se somará ao subsídio anunciado no início de março, e também ao gás. No início do mês, a Petrobras havia anunciado aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação. No acumulado desde o início da guerra, em fevereiro, a alta é de 64%. Segundo a Petrobras, haverá 18% de reajuste em abril. O restante será parcelado em seis meses, com a primeira parcela prevista para julho. A medida vem para assegurar o "bom funcionamento do mercado", segundo a companhia. Avião da Latam LATAM/Divulgação Os impactos da crise são globais, mas para o passageiro brasileiro, o cenário é de "tempestade perfeita": a alta encontra custos normalmente já elevados e um setor já abatido. Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo. A prévia da inflação de março (o IPCA-15) mostrou aumento de 5,94%. Com as novas medidas anunciadas nesta segunda, a expectativa é de que os impactos sejam amortecidos. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil explicam por que o país é particularmente vulnerável a esse choque e o que o consumidor deve considerar antes de comprar seus bilhetes. Por que os preços do querosene de aviação estão subindo? O impacto do conflito entre Irã e EUA nos preços do combustível dos aviões se dá porque o país do Oriente Médio detém o controle do estreito de Ormuz, uma área entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Por ele, passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Isso acontece porque o estreito é a única saída marítima de petróleo para grandes exportadores, como Arábia Saudita, Iraque e o próprio Irã. Estreito de Ormuz Arte/g1 Com o conflito, os riscos em torno do transporte do petróleo aumentaram. Isso se refletiu na alta de preços do Brent, que é referência no mercado. Um dia antes da invasão norte-americana, o preço do barril de Brent fechou em US$ 71,32. Mas, ao longo do conflito, o valor já ultrapassou a marca dos US$ 115 por barril. Como o QAV é um derivado direto do petróleo, seu preço está ligado a essas oscilações — como já visto, mesmo que com menor intensidade, em outras situações de conflito, como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Combustível mais caro No Brasil, essa vulnerabilidade é amplificada pela política de Paridade de Preço de Importação (PPI), segundo Dany Oliveira, ex-diretor da International Air Transport Association (IATA) no Brasil. Esse modelo de precificação define o valor dos combustíveis no Brasil não pelo custo real de extração e refino nacional, mas pelo quanto custaria para um importador trazer esse mesmo produto do exterior. Na prática, a Petrobras calcula o preço somando a cotação internacional do petróleo (como o Brent, no caso do QAV) e a variação do dólar a "custos hipotéticos" de transporte, como fretes marítimos e taxas portuárias, como se o combustível estivesse cruzando o oceano em um navio-tanque. Assim, pouco importa que cerca de 90% do QAV usado no Brasil seja produzido no país — o seu preço vai seguir o mercado internacional. Preço do querosene de aviação no Brasil segue a cotação internacional Getty Images via BBC Segundo Oliveira, em tempos normais, o combustível de aviação representa cerca de 40% do custo total das empresas aéreas brasileiras, enquanto a média mundial gira em torno de 27%. Segundo nota da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) enviada à BBC, o combustível passou a responder por 45% dos custos totais das companhias após o último reajuste. Além disso, com a guerra, "as empresas precisam desviar de áreas justamente por conta da segurança", explica Oliveira. "Esses desvios podem alongar o tempo de voo em até uma hora e meia. Isso é ainda mais tempo consumindo o querosene". Vale a pena antecipar as compras de passagem? Para Diego Endrigo, planejador financeiro pela Planejar, pode valer a pena se adiantar e comprar passagens para as viagens do resto do ano. Ao contrário do câmbio, onde é possível comprar dólares aos poucos para fazer um "preço médio", o serviço aéreo tende a sofrer repasses abruptos. Além disso, "as pessoas podem e devem antecipar a compra da passagem, pois há a possibilidade, com a guerra, de redução da quantidade de voos", diz Endrigo. "E aí, se reduzir a quantidade de voos, temos a famosa regra da oferta e demanda. E a inflação de preços ocorre exatamente por isso". Com menos oferta de voos disponíveis e demanda igual dos passageiros por viagens, os preços das passagens sobem. Os viajantes também devem redobrar a atenção ao seguro-viagem, muitas vezes oferecido pelas próprias operadoras de cartão de crédito, que pode oferecer proteção e assistência contra imprevistos, desde emergências médicas até cancelamento de voos. As incertezas trazidas por conflitos geopolíticos também podem trazer lições duradouras sobre planejamento pessoal, diz Diego. "Além de toda a tragédia, cidadãos pagam muito caro economicamente por uma guerra", afirma. "Para se preparar para situações de emergência, podemos diversificar, para além de ativos, diversificar o risco-país. Hoje temos muitas opções acessíveis de contas internacionais, que permitem ter ativos em vários locais". Mudança no STF congelou ações de passageiros contra aéreas A decisão de compra também esbarra em uma questão para além das finanças: os direitos dos passageiros em caso de cancelamentos. Isso porque, em novembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os processos contra companhias aéreas que tratem de atrasos, alterações ou cancelamentos de voos decorrentes de "fortuito externo" ou força maior, conforme as definições do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA). Na prática, isso significa que os processos motivados por eventos alheios ao controle das empresas (como condições meteorológicas adversas, fechamento de aeroportos, restrições impostas por autoridades da aviação civil ou situações de pandemia) devem ser paralisados até que o tribunal decida de forma definitiva sobre a controvérsia. A disputa é qual conjunto de regras deve prevalecer nessas situações: se é o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que oferece maior proteção e reparação ao passageiro, ou o CBA, que possui regras mais restritivas. Assim, a depender do que decidir o STF, é possível que situações de guerra como a que acontece no Irã sejam lidas como "fortuito externo" e, dessa forma, passageiros afetados por um cancelamento nessas condições não tenham direito a reclamação contra companhias. Para Walter Moura, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), uma "guerra que tem mais de três semanas não é como um tornado, que acontece do nada". Portanto, ele defende que conflitos como o do Irã não sejam enquadrados como "fortuitos externos". "Para vendas futuras, eles têm plenas condições de fazer cálculos preditivos, criando planos especiais de pagamento e cancelamento", diz. "Não acredito que o Supremo resista à pressão das aéreas. É bom o consumidor se preparar para comprar passagens aéreas da mesma forma que comprar bilhetes de loteria. As chances de perder dinheiro são cada vez maiores." A Anac disse em nota que as regras brasileiras "não trazem orientação específica para situação de guerra", mas entende que "o texto deve ser expandido para esse tipo de circunstância". "Ou seja, que as companhias aéreas não são responsáveis pelo dano, o que não as isenta da necessidade de garantir assistência material aos passageiros", disse a Anac. Potencial do Brasil para baratear combustível de aviação Se a situação atual é de crise para todos os envolvidos, ela pode ter um pequeno ponto positivo a longo prazo: impulsionar a busca de alternativas para o QAV, que tem origem fóssil. "O momento mostra uma altíssima dependência de um único insumo poluente, e precisamos diminuir essa dependência", diz Dany de Oliveira. Uma das opções é o Sustainable Aviation Fuel (SAF), um biocombustível produzido a partir de resíduos como óleo de cozinha, gordura animal e biomassa de cana-de-açúcar. Os atuais motores de aviões já são compatíveis com o SAF. Historicamente, o SAF é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum. No entanto, com o barril de Brent subindo com a guerra, essa distância econômica diminui. O combustível sustentável (SAF) é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum, mas diferença pode cair com alta do Brent Getty Images "O Brasil tem tudo para ser a 'Arábia Saudita do SAF'", diz Oliveira. Além de ter a maior reserva de biomassa do mundo, o Brasil já tem décadas de experiência com o Proálcool e a mistura de biodiesel, com infraestrutura adequada para biocombustíveis. Além disso, o SAF pode trazer independência geopolítica: um combustível produzido a partir de cana-de-açúcar ou gordura animal em solo brasileiro não depende do estreito de Ormuz. De olho nisso, o SAF faz parte da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que regula os passos da transição energética no Brasil. Ela define que, a partir de 2027, as companhias aéreas precisam usar uma pequena porcentagem de SAF. Empresas como a LATAM já começaram a usar o biocombustível em determinadas operações. "O arcabouço regulatório ajuda, mas ainda falta uma carteira de investimentos para acelerar esses projetos do SAF. O que temos hoje é potencial", diz Oliveira. "Que esse momento seja uma alavanca para que esses projetos fiquem mais robustos e consigam ser acelerados". * Com reportagem de Marina Rossi
07/04/2026 03:01:08 +00:00
O pacote do governo Lula contra alta do diesel e outros combustíveis em 5 pontos

Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (6/4) mais um pacote de medidas visando conter o impacto da guerra no Irã sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Entre as medidas anunciadas estão a ampliação da subvenção ao diesel, a criação de um subsídio para a importação de gás de cozinha e a isenção de impostos (PIS e Cofins) sobre o biodiesel e o querosene de aviação (QAV). Em março, o governo já havia anunciado a isenção da alíquota de PIS e Cofins sobre o óleo diesel e um subsídio de R$ 0,32 por litro do produto produzido no Brasil ou importado. O efeito desse primeiro pacote, no entanto, ainda não chegou integralmente aos consumidores, porque três grandes empresas do setor (Vibra — antiga BR Distribuidora —, Ipiranga e Raízen), responsáveis por metade das importações privadas de diesel, não aderiram à política. Governo Lula anunciou novo pacote de medidas visando conter impacto da guerra no Irã sobre preços de combustíveis no Brasil Agência Brasil/Getty Images Com as medidas anunciadas nesta segunda-feira, o governo visa conter uma aceleração da inflação em pleno ano eleitoral. Com custo bilionário, o pacote se soma a outros bilhões em gastos sociais do governo para aumentar o poder de compra da população, aquecer a economia e conter a inflação, às vésperas da nova tentativa de reeleição de Lula. "Em conjunto, as ações geram um novo alívio para os consumidores e os setores produtivos brasileiros, reduzindo os efeitos internos do choque de preços causado pela guerra", afirmou o Planalto, em comunicado sobre as ações para conter a alta dos combustíveis. "E fortalecem a soberania energética e a segurança do abastecimento no país, garantindo que a população brasileira continue sendo uma das menos afetadas pela crise geopolítica", completou a Presidência da República. Nesta segunda-feira, o petróleo do tipo WTI para maio (referência do mercado americano) fechou em alta de 0,77%, a US$ 112,41 por barril. Já o Brent para junho (referência mundial) avançou 0,68%, a US$ 109,77 por barril. O preço do petróleo está em alta desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de petróleo do mundo. Com isso, a alta dos combustíveis se tornou uma dor de cabeça para o governo federal no ano eleitoral, com ameaça de greve dos caminhoneiros e potenciais impactos sobre a popularidade de Lula. Confira as medidas anunciadas nesta segunda-feira. Óleo diesel Para o diesel, o governo anunciou uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para produtores nacionais e de R$ 1,20 por litro para importação do combustível. As subvenções anunciadas agora se somam àquela de R$ 0,32 por litro anunciada em 12 de março e que já está em vigor. Considerando as medidas já anunciadas em março, o subsídio total ficará em R$ 1,52 por litro de diesel importado e R$ 1,12 para o produto nacional. Governo anunciou subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para produtores nacionais de diesel, e de R$ 1,20 por litro para importação do combustível José Cruz/Agência Brasil via BBC Na importação, a subvenção será financiada em conjunto por União e estados, com cada parte sendo responsável por 50% do custo (ou R$ 0,60 por litro cada). Essa medida terá duração inicial de dois meses (abril e maio) e custo total estimado em R$ 4 bilhões (sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para estados e Distrito Federal). Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, 25 unidades da federação já confirmaram disposição de participar do programa e apenas dois estados ainda não sinalizaram adesão, mas ele disse esperar que a participação possa ser unânime. Já na produção nacional, o subsídio adicional de R$ 0,80 por litro será bancado apenas pela União, com custo de R$ 3 bilhões por mês e duração de dois meses, prorrogáveis por igual período — o que, se confirmado, elevaria o gasto total a R$ 12 bilhões em quatro meses. O óleo diesel é o combustível utilizado pela maioria dos veículos de carga, dos caminhões que transportam os alimentos, medicamentos e até a gasolina que abastece nos postos, aos navios que transportam mercadorias pelo mundo. É também o que muitos ônibus e trens usam. E é desse combustível que muitas indústrias dependem para alimentar suas máquinas — e que produtores agrícolas precisam para operar seus tratores e poder semear e colher. Apesar disso, o diesel é um item de pouco peso sobre o IPCA (índice oficial de inflação do país) – em fevereiro, ele respondia por apenas 0,23% da cesta. No entanto, por ser muito utilizado no transporte rodoviário, ele acaba afetando indiretamente vários outros componentes da inflação, uma vez que afeta os custos das empresas. Daí a ação do governo para conter a alta de preços. Biodiesel O governo zerou ainda as alíquotas de PIS e Cofins sobre o biodiesel, com impacto esperado de R$ 0,02 por litro do combustível. Atualmente, o biodiesel é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, a uma proporção de 15%. Gás de cozinha Para o gás de cozinha (gás liquefeito de petróleo, ou GLP), o governo vai subsidiar em R$ 850 cada tonelada de GLP importado, com o objetivo de que o produto estrangeiro seja comercializado no Brasil pelo mesmo valor do item nacional. Segundo o governo Lula, o objetivo da medida é "reduzir o impacto da guerra sobre o dia a dia da população mais vulnerável". A subvenção deve durar dois meses, prorrogáveis por mais dois, com custo estimado em R$ 330 milhões. O subsídio anunciado nesta segunda-feira é mais uma medida do governo sobre o gás de cozinha. Em fevereiro, Lula sancionou lei que torna o programa Gás do Povo permanente. O programa mais do que triplicou as famílias atendidas em 2026, de 4,5 milhões para 15 milhões. Os beneficiários têm direito a recargas de 4 a 6 botijões por ano, a depender do tamanho das famílias. O valor médio nacional do botijão está em R$ 110, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Subvenção ao gás de cozinha deve durar dois meses, com custo de R$ 330 milhões Banco Central/Agência Brasil via BBC Aviação Para conter a alta de preços das passagens aéreas, o governo decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o querosene de aviação (QAV), com uma economia esperada de R$ 0,07 por litro do combustível. Na semana passada, a Petrobras anunciou um reajuste de 55% no preço do combustível dos aviões, item que representa mais de 40% do custo operacional das companhias aéreas. O Executivo também anunciou até R$ 9 bilhões em linhas de crédito para o setor aéreo, com foco na reestruturação financeira das empresas e em capital de giro. Também anunciou que as empresas pagarão as tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira (FAB) referentes aos meses de abril, maio e junho somente em dezembro. As tarifas de navegação são cobranças feitas pelo governo (no Brasil, administradas pela FAB) para custear os serviços que permitem que os aviões voem com segurança no espaço aéreo. Governo zerou alíquotas de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, com economia esperada de R$ 0,07 por litro do combustível Rovena Rosa/Agência Brasil via BBC Fiscalização O governo anunciou, por fim, o fortalecimento da fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre os preços dos combustíveis. Uma medida provisória (MP) inclui penalidades maiores para elevação abusiva de preço e recusa de fornecimento de combustível em contextos de conflitos geopolíticos ou de calamidade. Além disso, um projeto de lei encaminhado em regime de urgência constitucional cria um novo tipo penal para coibir o aumento abusivo de preços, podendo acarretar de dois a cinco anos de prisão.
07/04/2026 03:01:06 +00:00
Imposto de Renda 2026: declaração online ou programa no computador? Veja diferenças

Declaração do imposto de renda de 2026 começa hoje O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026 já começou e vai até 29 de maio. Para prestar contas à Receita Federal, os contribuintes podem escolher entre duas formas de preencher e enviar os dados: usar o programa instalado no computador ou fazer todo o processo pela internet. As duas opções estão disponíveis e permitem o envio da declaração dentro do mesmo prazo. A expectativa do Fisco é receber cerca de 44 milhões de declarações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto o programa tradicional para computador continua em funcionamento, a Receita tem ampliado os recursos da versão digital chamada “Meu Imposto de Renda”, que pode ser acessada pelo navegador ou pelo aplicativo no celular. De acordo com José Carlos da Fonseca, supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, o contribuinte continua livre para escolher qual ferramenta utilizar na hora de prestar contas ao Leão. “Nada mudou. A gente continua com duas formas de preencher e entregar a declaração”, afirmou. A seguir, o g1 explica como funciona cada opção e as diferenças entre elas. Programa no computador continua disponível Declaração também pode ser feita pela internet Novidades na versão online Pré-preenchida é a mesma nas duas opções Programa no computador continua disponível O Programa Gerador da Declaração (PGD) é a forma mais tradicional de enviar o Imposto de Renda. Nesse modelo, o contribuinte precisa baixar o programa no computador, preencher os dados manualmente e, depois, enviar a declaração para a Receita Federal pela própria ferramenta. O preenchimento pode começar a partir dos documentos que o contribuinte já tem em mãos, como informes de rendimentos fornecidos por empresas e bancos. ▶️ Como o programa funciona diretamente no computador do usuário, o preenchimento é feito localmente, no próprio dispositivo. Por isso, algumas verificações do sistema não aparecem automaticamente durante o preenchimento. O envio da declaração à Receita e o acesso à chamada declaração pré-preenchida — quando parte das informações já aparece automaticamente — só acontecem quando o sistema se conecta aos servidores da Receita Federal. Voltar ao índice. Declaração também pode ser feita pela internet Outra opção é preencher a declaração pela internet, usando o sistema Meu Imposto de Renda, que funciona dentro das plataformas digitais da Receita Federal. O acesso pode ser feito de diferentes formas: pelo site da Receita Federal; pelo portal e-CAC (Centro Virtual de Atendimento); pelo aplicativo da Receita Federal, disponível para celulares Android e iPhone. Segundo Fonseca, o acesso direto pelo site da Receita costuma ser mais rápido. Isso porque evita a navegação por várias páginas dentro do e-CAC, que reúne diversos serviços do órgão. ▶️ Uma das principais diferenças da versão online é que o sistema faz verificações enquanto o contribuinte preenche a declaração. Assim, podem aparecer alertas quando alguma informação parece incomum ou incompleta. Entre os exemplos de alertas estão: 💊 despesas médicas muito elevadas 👥 dependentes com rendimentos que não foram informados 💸 escolha de restituição por PIX sem chave cadastrada no CPF Esses avisos não impedem que a declaração seja enviada à Receita, mas indicam que pode valer a pena revisar os dados antes de concluir o envio. Apesar dessas funções, o sistema online ainda não pode ser usado em alguns casos. Atualmente, ele não atende contribuintes que tiveram: 💰 ganho de capital, como lucro na venda de imóveis 🌾 atividade rural 📜 declaração final de espólio ✈️ saída definitiva do país Nesses casos, o envio da declaração ainda precisa ser feito pelo programa instalado no computador. Imposto de Renda 2026: veja quem deve declarar Voltar ao índice. Novidades na versão online A Receita Federal ampliou algumas funcionalidades da declaração online neste ano. Uma das mudanças é que contribuintes que tiveram operações em renda variável — como compra e venda de ações na bolsa de valores — agora também poderão usar o sistema pela internet. ▶️ Antes, nesses casos, era obrigatório preencher e enviar a declaração pelo programa instalado no computador. Outra novidade é a possibilidade de corrigir declarações enviadas pelo programa diretamente pelo celular ou pela internet. Isso significa que, se o contribuinte entregou a declaração pelo computador e depois percebeu algum erro, poderá fazer a correção pela versão online. O aplicativo da Receita também permite acompanhar o andamento da declaração após o envio. Entre as funções disponíveis estão: 🔎 verificar se a declaração já foi processada; 💰 acompanhar o pagamento da restituição; ⚠️ receber avisos caso haja pendências; 📄 verificar se a declaração caiu na chamada malha fina (quando o Fisco identifica informações que precisam ser analisadas com mais atenção). Voltar ao índice. Imposto de renda Marcos Serra/g1 Pré-preenchida é a mesma nas duas opções Uma das facilidades disponíveis atualmente é a declaração pré-preenchida, em que parte das informações já aparece automaticamente no sistema. Entre os dados que podem ser incluídos estão, por exemplo: 🏢 rendimentos informados por empresas; 🏦 informações enviadas por bancos e instituições financeiras; 🧾 pagamentos declarados por prestadores de serviço. Segundo a Receita Federal, o conteúdo da declaração pré-preenchida é o mesmo independentemente da ferramenta utilizada. Isso significa que os mesmos dados aparecem tanto no programa instalado no computador quanto na versão online. Mesmo com essa facilidade, o Fisco orienta que o contribuinte confira todos os dados antes de concluir o envio. Isso porque as informações são fornecidas por terceiros, como empresas e instituições financeiras. Voltar ao índice.
07/04/2026 03:00:42 +00:00
Petrobras anuncia Marcelo Weick como presidente do conselho de administração até escolha de nome definitivo

Marcelo Weick Pogliese (ao centro), secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República (SAJ) Henrique Raynal - CC A Petrobras anunciou que Marcelo Weick Pogliese será o presidente do conselho de administração da empresa até a eleição de um novo presidente do colegiado. Ele substitui interinamente Bruno Moretti, que foi nomeado ministro do Planejamento e Orçamento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Weick exercerá o cargo de presidente do colegiado até a próxima assembleia geral ordinária, em 16 de abril. Ele já era conselheiro da Petrobras e também ocupa o posto de secretário da Secretaria Especial Para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Pogliese entrou no conselho em agosto do ano passado na vaga deixada por Pietro Mendes, que renunciou ao cargo para se tornar diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), vinculada ao MME. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 O conselho de administração é o órgão que define as estratégias da empresa. Ele tem de 7 a 11 membros, indicados pelo governo federal (acionista controlador), por acionistas minoritários e por representantes dos empregados. Quem é Marcelo Weick Marcelo Weick Pogliese é professor titular da Universidade Federal da Paraíba. Advogado de formação, possui pós-doutorado em direito público pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), doutorado em direito pela Uerj e mestrado em direito pela UFRN. Também já foi procurador-geral de João Pessoa, procurador-geral do estado da Paraíba e chefe da Casa Civil do governo paraibano, além de ter atuado como assessor especial da presidência na Petrobras. Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil
06/04/2026 23:46:22 +00:00
Medidas para frear alta dos combustíveis custarão R$ 30,5 bilhões; governo decide mexer na tributação dos cigarros para compensar parte dos gastos
Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis O governo federal estimou que as medidas que já estão em vigor e as que foram anunciadas nesta segunda-feira (6) para reduzir o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis no Brasil custarão R$ 30,5 bilhões. Esse impacto leva em conta as seguintes medidas: isenção do PIS e Cofins sobre o diesel (R$ 20 bilhões); subvenção aos importadores e aos produtores brasileiros de diesel (R$ 10 bilhões); retirada dos impostos federais que incidem sobre o Querosene de Aviação (QAV) e sobre o biodiesel e apoio financeiro aos importadores de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) (R$ 500 milhões). Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em coletiva no Palácio do Planalto, a maior parte da compensação dos gastos virá de receitas atreladas ao petróleo. Em março, na primeira leva de medidas para conter a pressão externa sobre os preços domésticos, o governo havia elevado o imposto de exportação sobre petróleo de zero para 12% para cobrir a isenção de tributos federais sobre o diesel e os primeiros estímulos aos importadores do combustível. Tributação cigarros Para compensar a isenção do PIS e Cofins do QAV e do biodiesel, a equipe econômica decidiu aumentar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre cigarros. Com essa mudança, o governo espera arrecadar R$ 1,2 bilhão no período em que a medida vai vigorar, dois meses. A alíquota subirá de 2,25% para 3,5% e o preço mínimo da carteira de cigarros passará de R$ 6,50 para R$ 7,50. É esperado um decreto para zerar os impostos federais sobre o combustível de aviação e sobre o biodiesel. Segundo os cálculos do governo, a economia será de R$ 0,07 por litro do combustível. No caso do biodiesel, a economia será de R$ 0,02 por litro do combustível. O biodiesel é um combustível renovável adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, em uma proporção de 15%. Subvenção compartilhada A subvenção aos importadores do diesel foi negociada com os estados. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, 25 estados aderiram à proposta, que prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel importado (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Segundo o governo, a medida será aplicada nos meses de abril e maio deste ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. O governo federal vai inicialmente fazer o pagamento da parte que cabe aos estados e depois vai reter o valor correspondente a cada um deles no Fundo de Participação dos Estados (FPE). ➡️ O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
06/04/2026 22:26:33 +00:00
Governo zera imposto sobre querosene de aviação para tentar conter alta das passagens aéreas

Governo zera imposto sobre querosene de aviação para tentar conter alta das passagens aéreas Os ministros da Fazenda, de Portos e Aeroportos e do Planejamento e Orçamento anunciaram medidas em meio à alta dos combustíveis O governo Lula anunciou nesta segunda-feira (6) novas medidas para conter o aumento de combustíveis.. Para tentar conter o aumento do querosene de aviação, o governo vai zerar Pis/Cofins sobre o combustível.. Outra medida estudada é a subvenção para o gás de cozinha.
06/04/2026 20:34:40 +00:00
Governo anuncia subvenção à importação de gás liquefeito para reduzir impacto da guerra sobre o preço do botijão

Governo lança programa que amplia acesso ao gás de cozinha Reprodução/TV Globo O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um apoio financeiro aos importadores de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). 🔎O GLP, também conhecido como “gás de cozinha” ou “gás de botijão”, é destinado principalmente ao uso doméstico. O pagamento da subvenção será de R$ 850,00 sobre cada tonelada de GLP, com o custo de R$ 330 milhões. Com a medida, o produto importado será comercializado com o mesmo preço daquele produzido no Brasil. De acordo com o governo, o objetivo é reduzir o impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis no mercado interno. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva no Palácio do Planalto, disse que a medida viabiliza a manutenção da importação do GLP mesmo no cenário internacional adverso e garante "a distribuição para as famílias de mais baixa renda, que dependem dessa energia, de gás de cozinha, no seu dia a dia". Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta no preço de combustíveis A subvenção à compra externa do GLP, com duração de dois meses, podendo ser prorrogada por mais dois meses, está prevista em medida provisória que traz outras ações para tentar para frear alta nos preços de combustíveis.
06/04/2026 20:34:28 +00:00
Carne de paca: post em que Janja prepara prato para Lula gera dúvidas sobre consumo; entenda regras

Carne de paca: post em que Janja prepara o prato gera dúvidas sobre consumo Uma publicação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, gerou dúvidas na internet sobre o consumo de carne de paca no Brasil. A prática é permitida desde que a origem do animal seja de produtores autorizados. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça No vídeo, Janja aparece cozinhando carne de paca para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o feriado de Páscoa. Seguidores perguntaram sobre a legalidade do consumo do animal no país. Diante da repercussão, Janja comentou a publicação cerca de uma hora depois, afirmando que a carne consumida era de origem legal. “Ei, pessoal! A carne foi presente de um produtor legalizado. Hoje mesmo vimos no @globorural uma reportagem sobre a criação de pacas. Desde que proveniente de criadouros autorizados pelo Ibama, a carne de paca pode ser comercializada em nosso país”, disse. LEIA TAMBÉM Colheita de soja chega a 82% da área no Brasil, enquanto milho sofre com clima seco Safra de caqui no interior de SP tem 'colha e pague' e tradição de 70 anos A legislação no Brasil Após a publicação de Janja, as buscas sobre a legalidade do consumo do animal do Brasil cresceram na internet. Segundo a legislação, a caça e a comercialização de animais silvestres, como a paca, são proibidas. Contudo, no caso de animais criados em cativeiros com licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), o comércio é permitido. O Globo Rural deste domingo (5) visitou uma criação de paca em Tatuí, no estado de São Paulo. O dono do criadouro explicou que a captura do animal na natureza é proibida e, para começar a criação, o proprietário precisa adquirir de criadores legalizados. A autorização para o início do criadouro de paca demora cerca de um ano e é fiscalizado pelo governo. O Ibama também deve fiscalizar a criação e a comercialização. Post de Janja gera dúvidas sobre consumo de carne da paca no Brasil Reprodução/Instagram
06/04/2026 19:46:14 +00:00
Governo zera PIS e Cofins sobre o combustível de aviação para conter alta do preço das passagens aéreas

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (6), um pacote de medidas para reduzir os impactos da alta do querosene de aviação em meio à escalada do preço do produto. O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciado pela Petrobras na última semana. O reajuste ocorreu em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. 💰As medidas, já adiantadas pelo g1 são: zerar PIS/Cofins para as empresas aéreas, o que gera uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível; prorrogar o pagamento da tarifa de navegação. As empresas pagarão apenas em dezembro as tarifas da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho; abrir duas linhas de crédito. 🔎A tarifa de navegação aérea paga à FAB é uma espécie de taxa cobrada pelo uso de serviços, auxílios e comunicações do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). A primeira linha de crédito conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou instituição por ele habilitada. A segunda linha de crédito terá foco no capital de giro de seis meses, com recursos de R$ 1 bilhão, e condições financeiras e elegibilidade a serem definidas ainda pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco assumido pela União. As linhas se somam ao mecanismo já adotado pela Petrobras de mitigação do aumento do preço do QAV, anunciado na semana passada. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos preços de combustíveis Entidades do setor Na semana passada, a Abear afirmou que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens. Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%. "A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo", diz, em nota, a Abear. A declaração ocorreu poucas horas após a confirmação oficial de que a Petrobras elevaria os preços às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Ao todo, mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo. ✈️ O aumento do combustível, associado à tensão no Oriente Médio, tem afetado companhias aéreas em diferentes países. Com custos maiores, as empresas do setor tendem a repassar parte desse impacto para as passagens ou revisar suas projeções financeiras. Avião da Azul decola do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ricardo Moraes/ Reuters Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 0,35%, a US$ 100,23. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97. Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores. "A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a nota. A Petrobras, por sua vez, anunciou em comunicado uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", informou a Petrobras.
06/04/2026 19:34:05 +00:00
Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos preços de combustíveis

Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das medidas anunciadas será de R$ 30,5 bilhões. Mas, segundo ele, não terá impacto fiscal, pois será compensado por receita advinda do óleo diesel e royalties, por exemplo. As ações contemplam subvenção (um apoio financeiro) ao diesel importado, ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e ao querosene da aviação. Entre as medidas anunciadas estão: subvenção ao diesel (importado e ao produzido no Brasil); isenção de impostos federais sobre o biodiesel; subvenção ao gás de cozinha; subvenção ao querosene da aviação; linhas de crédio para o setor aéreo. Entre as medidas anunciadas estão uma medida provisória, um projeto de lei e decretos que buscam conter os impactos da alta dos combustíveis decorrentes da guerra no Oriente Médio. ➡️ Medidas provisórias têm força de lei, mas depois precisam ser confirmadas pelo Congresso Nacional – que tem a prerrogativa de alterar o que foi proposto. Medidas para o diesel A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel importado (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somada ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52. ➡️ O objetivo central é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. ⛽ O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando seu preço sobe, há um efeito em cadeia na economia. O custo maior do frete, por sua vez, tende a ser repassado para alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação. A divisão busca repartir o custo da medida e facilitar a adesão dos governos estaduais, reduzindo a pressão sobre apenas um nível de governo. Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio deste ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. Pelo lado dos estados, o subsídio será feito por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O fundo é usado pelo governo federal para repassar recursos mensalmente aos governos estaduais. Agora, parte desse dinheiro será retido, em valor equivalente a R$ 0,60 por litro, que cada estado vai contribuir. ➡️ O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O benefício será direcionado aos importadores de diesel, empresas responsáveis por trazer o combustível do exterior para complementar a oferta no país. Governo federal propõe aos estados zerar ICMS sobre importação de diesel Jornal Nacional/ Reprodução A medida também cria uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, que se somará àquela de R$ 0,32/litro que já está em vigor. Essa subvenção será realizada apenas com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês. A medida durará por dois meses, podendo ser prorrogada por igual período. Os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor. Além disso, o governo vai publicar um decreto que zera o PIS/Cofins que incidem sobre o biodiesel. Segundo o Palácio do Planato, a medida vai gerar uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível. O combustível renovável hoje é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, em uma proporção de 15%. Acordo com os estados Segundo o Ministério da Fazenda, o apoio financeiro não terá validade nos estados que não aderiram ao acordo com o governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, 25 estados já aderiram ao programa. "Alguns governadores me ligaram, independentemente do lado político, apontei o que a gente estava vendo, o que tinha que agir e felizmente, depois de muito dialogo, a gente viu 25 estados ja manifestando positivamente pela adesão ao programa. Dois estados ainda não se manifestaram pela adesão, espero que esses dois estados não deixem sua população com diesel mais caro e faço apelo para que todos os estados adiram", disse Durigan. Gás de cozinha O governo também subsidiará o gás de cozinha. Segundo o governo, haverá uma compensação relativa à diferença entre o preço nacional e o internacional, que será coberto por uma subvenção de até R$ 330 milhões. De acordo com o ministro da Fazenda, a isenção do PIS/Cofins, tanto para o biodiesel quanto para o querosene da aviação, será compensada pelo ajuste da alíquota dos cigarros. Com isso, a alíquota será elevada a 3,5%, e o preço mínimo aumentará de R$ 6,50 para R$ 7,50. Querosene da aviação Diante do risco de as passagens aéreas aumentarem em até 20%, o governo federal anunciou que vai zerar o PIS/Cofins até o final do ano sobre o querosene da aviação. O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciado pela Petrobras na última semana. Também serão lançadas duas linhas de crédito. Uma delas será ofertada pelo Fundo Nacional da Aviação (Fnac) e terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. As tarifas de navegação também serão prorrogadas. As taxas referentes aos meses de abril, maio e junho serão pagas pelas empresas aéreas somente no mês de dezembro. Cenário desfavorável A medida surge em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento. Como o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o cenário externo tem impacto direto nos preços internos e no custo de vida da população. Com o aumento do petróleo no mercado internacional, o custo do diesel sobe rapidamente, o que pode gerar risco de desabastecimento ou aumentos mais bruscos. ➡️ A subvenção tenta suavizar esse impacto e dar mais estabilidade ao mercado no curto prazo, até o fim de maio. A ideia é atuar apenas durante o período mais crítico da alta de preços.
06/04/2026 19:25:36 +00:00
Leapmotor terá modelos B10 e C10 produzidos pela Stellantis em Pernambuco

Leapmotor C10 Divulgação/Leapmotor O grupo automotivo Stellantis anunciou nesta segunda-feira (6) que vai produzir dois veículos da marca chinesa Leapmotor em seu polo industrial em Goiana (PE). Os modelos serão os utilitários eletrificados B10 e C10, que utilizam uma tecnologia em que o motor a combustão funciona apenas como gerador para carregar a bateria que alimenta o motor elétrico responsável pela tração do veículo. Publicações especializadas citaram que a produção local ocorrerá a partir de 2027, mas a companhia não confirmou a informação ao ser questionada pela Reuters. Outros detalhes, como o nível de nacionalização dos veículos que serão produzidos em Pernambuco, não foram divulgados. A Stellantis chama o sistema de propulsão pela sigla em inglês REEV, e afirma que já começou o desenvolvimento local de versão flex capaz de funcionar também com etanol em qualquer mistura com gasolina. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a Stellantis, a aplicação da motorização flex na tecnologia REEV "é pioneira no mundo". "A produção local da Leapmotor em nossa fábrica de Goiana (PE) é uma peça fundamental na estratégia de consolidar e ampliar o alcance da marca no Brasil e América do Sul", disse o presidente da Stellantis para América do Sul, Herlander Zola, em comunicado à imprensa. A Stellantis anunciou a chegada da marca chinesa ao Brasil no ano passado. O polo automotivo de Goiana produz atualmente modelos das marcas Jeep e RAM. Volkswagen lança T-Cross Seleção por R$ 129.990; veja tudo da edição limitada do SUV BYD Dolphin ganha versão mais potente e maior para enfrentar rivais como a Chevrolet no Brasil Fundada em 2015 na cidade de Hangzhou, na China, a Leapmotor é uma fabricante de veículos eletrificados. Com o apoio da Stellantis — dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citröen e Ram —, a empresa começou suas operações no mercado nacional em 2025 e conta com uma linha inicial de SUVs totalmente eletrificados. A Stellantis é acionista da Leapmotor desde 2023. As duas companhias formaram em 2024 uma joint venture global — chamada Leapmotor International BV — para expandir a marca para além do mercado chinês. O Brasil foi o primeiro mercado externo em que a Leapmotor passou a vender seus veículos. A operação começou com 36 concessionárias do grupo Stellantis, distribuídas em 29 cidades. Leapmotor B10 Divulgação/Leapmotor
06/04/2026 19:08:46 +00:00
Apple, 50 anos: 3 sucessos e 3 fracassos da empresa em sua história

Quem é o funcionário mais antigo da Apple que ganhou ações, hoje avaliadas em milhões Poucas empresas conseguiram definir como as pessoas usam a tecnologia no seu dia a dia tão categoricamente quanto a Apple. A empresa comemorou seus 50 anos de fundação na semana passada. Ela foi fundada por dois Steves, em uma garagem de São Francisco, no Estado americano da Califórnia. Seu sucesso foi realmente estrondoso, mas a companhia também foi marcada por alguns fiascos notáveis. Atualmente, cerca de uma a cada três pessoas do planeta tem um produto da Apple. Para Emma Wall, estrategista-chefe de investimentos da empresa de serviços financeiros Hargreaves Lansdown, este sucesso tem muito a ver com o marketing da empresa, além do seu próprio hardware. "Eles venderam um sonho", ela conta. Fachada da loja da Apple em Manhattan, em Nova York, em 21 de julho de 2015 REUTERS/Mike Segar Tim Cook se isola como CEO mais longevo da Apple; veja as diferenças para Steve Jobs Apple, 50 anos: funcionário mais antigo ganhou ações que hoje valem milhões Wall acredita que eles desenvolveram algo "bastante novo na época — a ideia de que a marca é tão importante quanto a linha de produtos." A série de sucessos da Apple, sem dúvida, diminuiu após a morte do visionário Steve Jobs (1955-2011), um dos seus fundadores. A empresa passou a se concentrar mais em aprimorar sua tecnologia já existente. Ken Segall, diretor criativo de Jobs por 12 anos, declarou à BBC que o atual executivo-chefe da Apple, Tim Cook, fez um "trabalho incrível" de adaptação com o passar do tempo, mantendo a rentabilidade da empresa. Mas ele destaca que muitos puristas da Apple ainda não se sentem tão animados com a fase atual da companhia, pois "eles se lembram da antiga Apple, que era Steve Jobs." Com a Apple completando meio século de existência, pedimos a especialistas e analistas da tecnologia que observassem algumas das mudanças mais significativas trazidas pela empresa para o mundo da tecnologia e as ocasiões em que ela, indiscutivelmente, errou o alvo. iPod (sucesso) Longe de ser o primeiro aparelho de música digital portátil na época do seu lançamento, em 2001, o iPod é um dos "produtos mais simbólicos da Apple", segundo Craig Pickerill, do blog The Apple Geek — não apenas pelo que ele foi, mas "pelo que ele mudou". "Os aparelhos de MP3 eram desajeitados, sua armazenagem era limitada e gerenciar sua biblioteca de músicas parecia dar trabalho", relembra ele. "O iPod mudou tudo isso quase da noite para o dia." O iPod foi lançado em 2001 e abriu o caminho para que o download legal de música digital se tornasse o padrão do setor Getty Images via BBC O design de anel de clique diferenciava o aparelho, que introduziu a biblioteca iTunes, abrindo o caminho para que o download legal de música digital se tornasse o padrão do setor. Lançado em 2007, o iPod Touch foi projetado pela mesma equipe que viria a inventar o iPhone — que rapidamente superou o iPod. "Sem o iPod, a Apple provavelmente não teria o apoio financeiro e a maturidade operacional necessárias para assumir a complexidade da indústria do smartphone", afirma o analista de tecnologia Francisco Jeronimo, da empresa de pesquisa de mercado IDC. iPhone (sucesso) Mais de 200 milhões de iPhones são vendidos todos os anos. São cerca de sete aparelhos comprados a cada segundo, em algum lugar do planeta. Para Ben Wood, da empresa de análise de mercado CCS Insight, o iPhone é o "Hotel Califórnia dos smartphones". Quando você tem um, é "muito improvável que você saia" do ecossistema da Apple para um aparelho concorrente, com sistema Android. "iPod, telefone e comunicador via internet. Não são aparelhos separados, este é um aparelho", declarou Steve Jobs, radiante com a primeira versão do celular nas mãos, ao apresentá-lo ao mundo em 2007. 'iPod, telefone e comunicador via internet': Steve Jobs apresentou a primeira versão para o mundo em 2007 AFP via Getty Images Como muitos produtos revolucionários da Apple, o iPhone não foi o primeiro exemplo da sua espécie. Outros telefones já tinham capacidade de acesso à internet ou telas sensíveis ao toque. Mas a jornalista especializada em tecnologia Kara Swisher defende que seu "belo marketing" ajudou a catapultar o aparelho para o público. "Ele fez você pensar no iPhone não como um aparelho tecnológico, mas como um dispositivo de romance", afirma ela. Apple Watch (sucesso) Na época do lançamento do Apple Watch, em 2015, Steve Jobs já havia morrido de câncer. Mas seu sucessor, Tim Cook, assumiu com um propósito condizente com seu predecessor: produzir o melhor relógio de pulso do mundo. Em termos de receita gerada para a Apple (cerca de US$ 15 bilhões, ou R$ 78 bilhões), é difícil argumentar que o smartwatch mais vendido do mundo não tenha atingido seu objetivo. "Como negócio isolado, o Apple Watch ficaria confortavelmente entre as 250 a 300 maiores empresas dos Estados Unidos", segundo Wood. O sucessor de Jobs, Tim Cook, queria produzir o melhor relógio de pulso do mundo Getty Images via BBC Seu primeiro protótipo era relativamente básico, mas seus modelos futuros também foram pioneiros na tecnologia de saúde vestível. Funções como o monitoramento cardíaco fizeram dele um importante promotor da tecnologia de saúde e fitness. Atualmente, acredita-se que o Apple Watch venda mais unidades todos os anos do que toda a tradicional indústria de relógios de pulso suíços. Apple Lisa (fracasso) De certa forma, o computador pessoal Apple Lisa, lançado em 1983 pelo alto preço de cerca de US$ 10 mil (cerca de R$ 52 mil, pelo câmbio atual), foi inovador. Ele foi um dos primeiros PCs a incorporar uma interface gráfica de usuário (GUI, na sigla em inglês) e um mouse. O Apple Lisa foi lançado em 1983 por cerca de US$ 10 mil (R$ 52 mil) Science & Society Picture Library via BBC Mas o analista de tecnologia Paolo Pescatore afirma que o computador, destinado às empresas, era "caro demais", o que impediu seu sucesso comercial. O fracasso, para ele, demonstrou que "estar à frente na curva não é suficiente se o produto estiver mal posicionado". A Apple aprenderia com seus erros ao lançar o Macintosh original, um ano depois, com preço relativamente melhor para o consumidor final, de US$ 2.495 (cerca de R$ 13 mil, pelo câmbio atual). Teclado 'borboleta' (fracasso) O teclado com design "borboleta" da Apple foi um mecanismo introduzido nos laptops em 2015. Para Pickerill, ele foi um "raro deslize de confiabilidade". Usado em aparelhos como o MacBook Air, o design consistia em equipar os teclados com teclas de encaixe bilateral que pareciam asas de borboleta. O design do teclado foi um 'raro deslize de confiabilidade' Bloomberg via Getty Images/BBC Mas ele dividiu opiniões. Algumas pessoas afirmavam que o mecanismo dificultou a digitação nos teclados, dando a impressão de que a Apple estaria "priorizando a pouca espessura e não a durabilidade", segundo Pickerell. Em 2019, a empresa apresentou um novo MacBook Pro de 16 polegadas, sem o teclado borboleta. Vision Pro (fracasso) Para Wood, um fracasso notável e muito mais recente da Apple foi o headset Vision Pro, o primeiro lançamento importante da empresa desde o Apple Watch. Wood acredita que a grande aposta da Apple na realidade aumentada acabou sendo muito "complicada", sem conteúdo que permitisse igualar o sucesso de outros produtos da empresa. Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual O site de notícias de tecnologia The Information afirma que a companhia reduziu a produção do headset de US$ 3,5 mil (cerca de R$ 18 mil) poucos meses após o lançamento, devido à baixa demanda e à grande quantidade de estoque não vendido. O fracasso significa que a Apple "provavelmente será cautelosa para entrar rapidamente em áreas relacionadas, como óculos inteligentes", segundo Wood. A grande aposta da Apple na realidade aumentada acabou sendo muito 'complicada' Getty Images via BBC
06/04/2026 17:26:05 +00:00
Colheita de soja chega a 82% da área no Brasil, enquanto milho sofre com clima seco

A colheita da soja da safra 2025/26 no Brasil alcançou 82% da área cultivada até quinta-feira da semana passada, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela consultoria AgRural. O avanço foi de sete pontos percentuais em relação à semana anterior. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar do progresso, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já atingiam 87% da área plantada. Neste momento, a colheita está mais concentrada nas regiões com calendário agrícola mais tardio, como o Matopiba — que reúne áreas produtoras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e no Rio Grande do Sul. De acordo com a AgRural, no Matopiba o excesso de umidade nos grãos tem causado problemas de qualidade em parte das lavouras. A condição também tem dificultado o ritmo da colheita e a recepção da produção nos armazéns. Enquanto isso, no Paraná, lavouras de milho da segunda safra continuam sob atenção por causa da baixa umidade do solo, agravada por temperaturas acima da média. Segundo a consultoria, a situação é mais sensível no oeste do Estado, onde muitas lavouras já entraram na fase reprodutiva. Nessa etapa do ciclo, os produtores já começam a calcular possíveis perdas nas áreas mais afetadas pela estiagem. O Paraná é o segundo maior produtor de milho do país, e na semana passada a AgRural já havia reduzido sua estimativa para a safra brasileira do cereal. O relatório também aponta piora nas condições de umidade em outras regiões. No norte do Paraná, no sul de Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo, as lavouras começam a sentir maior pressão causada pela falta de chuva. Nas demais áreas produtoras do centro-sul do país, porém, o cenário é mais favorável. As chuvas têm sido mais frequentes e o milho da safrinha 2026 apresenta bom desenvolvimento. Ainda assim, a consultoria ressalta que o cereal precisa de precipitações regulares até maio para garantir bons níveis de produtividade. Soja ROBERTO SCHMIDT / AFP
06/04/2026 15:23:04 +00:00
Governo convoca 14 distribuidoras para renovar concessões de energia por mais 30 anos

Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Ministério de Minas e Energia convocou 14 distribuidoras de energia elétrica para assinar a renovação de seus contratos de concessão. A medida garante às empresas a continuidade da prestação do serviço por mais 30 anos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A convocação foi publicada nesta segunda-feira (6) no Diário Oficial da União. O despacho inclui três distribuidoras do grupo CPFL (CPFL Piratininga, RGE Sul e CPFL Paulista), duas da Equatorial (Maranhão e Pará) e três da Neoenergia (Cosern, Coelba e Elektro). Também foram chamadas quatro concessionárias do grupo Energisa (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Paraíba), além da EDP São Paulo e da Light. O documento determina que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disponibilize às empresas os aditivos contratuais. Após essa etapa, as concessionárias terão prazo de até 60 dias para assinar os novos termos. Concessões estão sendo atualizadas Ao todo, 19 distribuidoras com contratos que vencem até 2031 passam por processo de renovação. As concessões estão sendo atualizadas com base em regras definidas pelo governo federal, que buscam ampliar as exigências de qualidade na prestação do serviço aos consumidores. As 14 empresas convocadas agora se somam a outras duas que já firmaram novos contratos com o ministério: Neoenergia Pernambuco e EDP Espírito Santo. Ainda faltam definições sobre as três distribuidoras operadas pelo grupo italiano Enel. A Aneel já recomendou a renovação das concessões no Rio de Janeiro e no Ceará. Já a situação da Enel São Paulo segue em análise. A distribuidora é alvo de um processo que pode levar à caducidade do contrato, mecanismo que permite ao poder público encerrar a concessão antes do prazo previsto. Torres de transmissão de energia REUTERS/Manon Cruz
06/04/2026 15:00:25 +00:00
Tribunal italiano ordena Netflix a reembolsar clientes por reajustes ilegais

Logo da Netflix em prédio de Los Angeles. Mario Anzuoni/Arquivo/Reuters O Tribunal de Roma acatou uma ação movida pelo Movimento dos Consumidores da Itália contra os aumentos de preços aplicados pela Netflix. Os juízes consideraram abusivas e injustas as cláusulas que permitiam a alteração dos valores das assinaturas do streaming entre 2017 e janeiro de 2024. Segundo o jornal "Corriere della Sera", cada assinante terá direito à redução do valor atual da assinatura, ao reembolso de quantias pagas indevidamente e a uma indenização por danos. No plano premium, os aumentos considerados ilegais — aplicados em 2017, 2019, 2021 e 2024 — somam atualmente 8 euros por mês. Já no plano padrão, os reajustes totalizam 4 euros mensais. Com isso, um cliente premium que manteve a assinatura contínua desde 2017 pode ter direito a cerca de 500 euros em reembolso, enquanto um assinante do plano padrão pode receber aproximadamente 250 euros. Em nota, a Netflix informou que irá recorrer da decisão: “Levamos os direitos do consumidor muito a sério e acreditamos que nossos termos sempre estiveram em conformidade com a legislação e as práticas italianas”, explicou a Reuters. VEJA TAMBÉM Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT
06/04/2026 14:58:38 +00:00
Volkswagen lança T-Cross Seleção por R$ 129.990; veja tudo da edição limitada do SUV

Volkswagen T-Cross Seleção: SUV será vendido só até a Copa Enquanto o Brasil inteiro discute se Neymar deve ir à Copa do Mundo, a Volkswagen lança o T-Cross Seleção. A edição limitada do SUV custa R$ 129.990 e será vendida até o começo da competição. A nova versão usa como base a Sense, destinada a compradores corporativos. O motor é 1.0 turbo flex, com 128 cavalos e torque de 20,4 kgfm. O câmbio é automático de seis marchas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A lista de equipamentos de série tem como destaques ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos, faróis e lanternas de LED, painel de instrumentos digital, multimídia de 10,1 polegadas, freios a disco nas quatro rodas, volante com comandos, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, seis airbags e assistente de partida em rampa. Volkswagen T-Cross Seleção 2026 divulgação / Volkswagen Uma das novidades está escondida nos pneus Pirelli. Eles contam com a tecnologia Seal Inside, que evita o esvaziamento em caso de furo na banda de rodagem. Uma massa colada dentro do pneu consegue preencher um eventual furo. Esse material "abraça" o causador do estrago e impede a perda de ar. A tecnologia funciona com objetos de até 4 milímetros de diâmetro. Volkswagen T-Cross Seleção 2026 divulgação / Volkswagen Canarinho só na picape A Volkswagen tem uma cor marcante chamada Amarelo Canário. Porém, ela está reservada para a nova picape da marca, a Tukan. A novidade aqui é o azul Norway, que não está disponível na versão Sense do T-Cross. Não gostou desse tom? O Seleção também pode ser branco, preto ou cinza. As rodas de liga leve têm 17 polegadas e já são conhecidas da versão Comfortline. As maçanetas são pretas, e as capas dos retrovisores também. Na porta, um adesivo com a palavra ‘seleção’ vem acompanhado de cinco estrelas. Na tampa traseira, o nome do Brasil vem junto com o logo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O T-Cross Seleção é discreto, e a mesma filosofia se repete no interior. Volkswagen T-Cross Seleção 2026 divulgação / Volkswagen Esquema campeão Em ano de Copa do Mundo, todo brasileiro vira técnico da Seleção. E o T-Cross vem com um detalhe para quem gosta de dar pitaco em esquema tático. Na soleira da porta do lado esquerdo, aparecem cinco esquemas táticos com os números 58, 62, 70, 94 e 02. Dá para ver o Brasil de 1970 com quatro camisas 10 juntos: Pelé, Tostão, Rivelino e Gerson. E o futebol pragmático do técnico Carlos Alberto Parreira em 1994, com duas linhas de quatro jogadores na defesa e no meio-campo. Formação táticas dos times campeões do mundo pelo Brasil divulgação / Volkswagen E os três zagueiros Lúcio, Roque Júnior e Edmílson postados para encarar a Alemanha na final de 2002. Na verdade, Edmílson ficava na sobra, como líbero, e compunha o meio-campo na transição com a bola... Olha eu dando uma de técnico. Na outra soleira de porta, a frase "gigantes pela própria natureza" faz alusão ao hino nacional. Os tapetes têm costura azul e discreta etiqueta amarela "seleção". As pedaleiras em alumínio são emprestadas da versão Highline. Pedaleiras do Volkswagen T-Cross Seleção 2026 divulgação / Volkswagen Vale convocação Será que o T-Cross Seleção merece ser convocado para a sua garagem? A maioria dos itens é estética, com exceção dos pneus, que antes só estavam na versão Extreme, e das rodas maiores. No T-Cross Sense, elas usam calotas e têm 16 polegadas. O preço de R$ 129.990 pode fazer muito cliente voltar a pensar na Seleção. No portfólio da Volkswagen, o próximo T-Cross é o 200 TSI, por R$ 161.490. É verdade que aí a lista de equipamentos fica bem mais generosa. O T-Cross Seleção perde de 7 a 1 nesse quesito para o irmão mais caro. O 200 TSI vem, por exemplo, com ACC e frenagem de emergência. O T-Cross Seleção vai chamar a atenção de quem busca um SUV econômico, com bom preço e com a esperança de marcar a conquista do hexa. Ficha técnica Motor: 1.0 turbo, quatro cilindros em linha, flex Potência: 128 cavalos (etanol) / 116 cavalos (gasolina) Torque: 20,4 kgfm (etanol e gasolina) Tanque de combustível: 49 litros Câmbio: Automático 6 marchas Tração: Dianteira Suspensão: McPherson (dianteira), eixo de torção (traseira) Direção: Elétrica Freios: Discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira) Consumo gasolina: 12,1 km/l (cidade) e 14,5 km/l (estrada) Consumo etanol: 8,5 km/l (cidade) e 10,2 km/l (estrada) 0 a 100 km/h: 10 segundos Velocidade máxima: 192 km/h Comprimento: 4,29 m Largura: 1,76 m Altura: 1,57 m Entre-eixos: 2,65 m Peso: 1.259 kg Volkswagen T-Cross Seleção 2026 divulgação / Volkswagen
06/04/2026 14:00:41 +00:00
Petróleo sobe após Irã e EUA rejeitarem proposta de cessar-fogo

Os preços do petróleo passaram a subir levemente nesta segunda-feira (6), em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã sobre uma possível trégua no conflito. Investidores seguem cautelosos diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento global da matéria-prima. Por volta das 10h45 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, avançavam 0,1%, para US$ 109,13 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), usado como referência nos EUAs, subia 0,69%, ou 77 centavos, para US$ 112,31 por barril. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As oscilações refletem a incerteza em torno da guerra e das negociações diplomáticas. EUA e Irã receberam um esboço de proposta para encerrar o conflito, mas Teerã rejeitou a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. A resposta americana veio em seguida. O presidente Donald Trump afirmou que poderia “fazer chover inferno” sobre o país caso um acordo não seja alcançado até o fim de terça-feira. Já o governo iraniano disse ter definido suas próprias posições e exigências em resposta às propostas de cessar-fogo apresentadas por intermediários. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Estreito de Ormuz segue parcialmente fechado O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Por ele passam carregamentos de países como Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, a passagem permanece em grande parte interrompida após ataques iranianos contra embarcações na região. Mesmo assim, alguns navios voltaram a atravessar o estreito nos últimos dias. Dados de navegação indicam que um petroleiro operado por Omã, um navio porta-contêineres de propriedade francesa e um navio de transporte de gás japonês passaram pela rota desde quinta-feira. A movimentação reflete a política do Irã de permitir a passagem de embarcações de países considerados mais próximos diplomaticamente. Para o analista Ole Hvalbye, da SEB Research, o mercado ainda tenta avaliar os possíveis efeitos da situação. “O mercado está tentando entender o que esperar daqui para frente. A principal notícia do fim de semana foi que alguns navios conseguiram atravessar o estreito”, disse. Segundo ele, a disputa por petróleo também tem alterado o fluxo de abastecimento global, com a Europa perdendo parte das cargas para a Ásia em um cenário de oferta mais restrita. Refinarias buscam petróleo em outras regiões Com a interrupção das exportações do Oriente Médio, refinarias passaram a procurar petróleo em outras regiões, principalmente nos EUA e no Mar do Norte, área produtora próxima ao Reino Unido. Esse movimento aumentou a competição por cargas disponíveis. Como resultado, os prêmios pagos no mercado à vista pelo petróleo WTI americano atingiram níveis recordes, impulsionados pela disputa entre refinarias asiáticas e europeias. Na Índia, refinarias chegaram a adiar paradas programadas para manutenção para garantir combustível suficiente para atender à demanda interna. Opep+ tenta ampliar produção Em meio ao cenário de incerteza, a Opep+ — grupo que reúne países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia — decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de maio. Ainda assim, analistas avaliam que o impacto dessa medida pode ser limitado enquanto o conflito continuar afetando o comércio global de petróleo. “Os movimentos da Opep parecem enfrentar limitações relacionadas à disponibilidade de exportações”, afirmou Janiv Shah, analista da consultoria Rystad. A Arábia Saudita também elevou o preço oficial de venda do petróleo Arab Light para a Ásia em maio. O valor foi fixado em um prêmio recorde de US$ 19,50 por barril acima da média de referência Oman/Dubai — aumento de US$ 17 em relação ao mês anterior, segundo a estatal Aramco. Oferta russa também enfrenta interrupções Além das tensões no Oriente Médio, o fornecimento russo também sofreu interrupções recentes após ataques de drones ucranianos a terminais de exportação no Mar Báltico. Segundo relatos da imprensa no domingo, o terminal de Ust-Luga retomou os carregamentos no sábado depois de vários dias de paralisação. Ao mesmo tempo, as exportações do porto de Tuapse, no Mar Negro, devem subir para 794 mil toneladas métricas em abril. O volume representa um aumento diário de 8,7% em relação às 755 mil toneladas previstas para março, de acordo com dois traders e cálculos da Reuters. Petrobras descobre petróleo de alta qualidade na Bacia de Campos Reuters/Bruno Domingos
06/04/2026 13:14:24 +00:00
BYD Dolphin ganha versão mais potente e maior para enfrentar rivais como a Chevrolet no Brasil

BYD Dolphin Special Edition chega ao Brasil por R$ 159.990 A BYD anunciou, nesta segunda-feira (6), uma nova versão do Dolphin. O hatch custa R$ 159.990, recebeu mudanças no interior para se adaptar melhor a um mercado cada vez mais disputado: uma delas é o fim da central multimídia giratória. O hatch também ficou mais equipado e potente, além de ganhar alguns centímetros de comprimento. As mudanças servem para dar mais fôlego ao modelo e ajudá‑lo a enfrentar uma concorrência que não existia quando ele chegou ao mercado. BYD Dolphin Special Edition divulgação/BYD Por fora, o novo BYD Dolphin recebeu novo desenho da iluminação em LED e ficou 15,5 centímetros mais comprido que o Dolphin de entrada, além de ser 1 centímetro mais curto que o Plus. A mudança é resultado do novo para-choque, que também alterou algumas linhas do visual. Apesar do aumento no comprimento, o carro manteve todas as demais medidas, incluindo o mesmo entre-eixos de um Toyota Corolla. BYD Dolphin Special Edition Assim como ocorre nas dimensões, o novo Dolphin se posiciona como uma opção intermediária entre a versão de entrada e o Plus: Em potência, são 177 cv, frente aos 95 cv da versão mais simples e aos 204 cv do Plus; Na bateria, o novo modelo traz 45,12 kWh, contra 44,9 kWh do Dolphin de entrada e 60,48 kWh do Plus. A BYD ainda não informou a autonomia dessa nova bateria segundo os padrões do Inmetro. No teste realizado na China, porém, o novo Dolphin consegue rodar até 405 km com uma única carga. No interior, as mudanças ficam mais evidentes. A principal delas é o fim da central multimídia giratória, que passa a ser fixa. BYD Dolphin Special Edition por dentro Além disso, foi retirada a “prateleira” para objetos que ficava logo abaixo do equipamento. O câmbio deixa de ficar entre os botões centrais, logo abaixo da central multimídia, e passa a ser acionado por uma das aletas posicionadas na coluna de direção, atrás do volante. A mudança é comum em carros chineses e reforça a proposta de visual mais limpo adotada por diversas marcas, como Geely, GAC e GWM. O painel de instrumentos cresceu de 5 para 8,8 polegadas, enquanto o carregador de celular sem fio ficou mais rápido, diminuindo o tempo necessário para recarregar a bateria do smartphone. Dolphin desacelerou nas vendas A primeira versão do Dolphin chegou ao Brasil em junho de 2023. Mesmo contando com apenas metade do ano para as vendas, o modelo registrou um volume 3,7 vezes maior que o do segundo colocado no ranking de carros 100% elétricos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): BYD Dolphin: 6.812 emplacamentos; Volvo XC40: 1.802 emplacamentos; BYD Yuan Plus: 1.756 emplacamentos; BYD Seal: 1.040 emplacamentos; Volvo C40: 841 emplacamentos. O bom desempenho seguiria no mesmo ritmo, não fosse a chegada do BYD Dolphin Mini. Embora seja um modelo completamente diferente, o hatch compacto herdou o nome Dolphin e conquistou o público brasileiro com um preço ainda mais acessível. Resultado: desde 2024, tornou-se o carro elétrico mais vendido do país e ocupa esse cargo até agora. O sucesso é tão grande que, em 2025, o Dolphin Mini registrou o dobro de emplacamentos do Dolphin tradicional. Já o modelo seguinte no ranking, considerando a soma das vendas do BYD Yuan Plus e Pro, não alcançou sequer 40% do volume obtido pelo Dolphin no mesmo período: BYD Yuan Plus: 6.029 emplacamentos. BYD Dolphin: 15.237 emplacamentos; BYD Dolphin Mini: 32.486 emplacamentos; Atualmente, o Dolphin enfrenta uma concorrência que não existia na época de seu lançamento. Em abril de 2026, quem busca um hatch compacto encontra outras opções relevantes, com preços próximos, como: GWM Ora 03: a partir de R$ 169.000. Chevrolet Spark EUV: a partir de R$ 156.660; Geely EX2: a partir de R$ 123.800. Como mostra o gráfico acima, as vendas do Dolphin cresceram 120% de 2023 para 2024. Já em 2025, o avanço foi bem menor, com alta de apenas 1,57%. Pouco, e por isso o Dolphin precisava de uma novidade importante em 2026 para voltar a chamar atenção de futuros compradores e, assim, ganhar mercado como já fez no passado recente. BYD Yuan Plus ganha tração integral BYD Yuan Plus AWD divulgação/BYD Além do Dolphin, o Yuan Plus também recebeu uma versão especial para 2026, por R$ 269.990. O SUV manteve as mesmas dimensões, mas ganhou um motor elétrico adicional, o que resultou em quatro avanços importantes: Aceleração de 0 a 100 km/h passou de 7,3 para 3,9 segundos. Torque cresceu 80%, indo de 31,61 para 57,10 kgfm; A potência mais que dobrou, passando de 204 cv para 449 cv; Tração integral, com força distribuída para as quatro rodas; Por fora, o Yuan Plus é quase idêntico ao modelo com tração apenas em duas rodas, mas alguns recursos passam a chamar mais atenção nesta versão: Assistente do Google integrado ao veículo. Exibição de mapas do Waze e do Google Maps no painel de instrumentos digital; Carregador de celular por indução mais rápido; Projeção da velocidade e de outras informações diretamente no para-brisa.
06/04/2026 12:26:41 +00:00
Beneficiários de programas sociais sem cadastro biométrico ganham mais prazo para fazer nova identidade

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou nesta segunda-feira (6) que foi estabelecido um novo cronograma para o uso das bases biométricas na concessão ou renovação de benefícios sociais. De acordo com a pasta, os beneficiários de programas sociais que ainda não têm nenhum cadastro biométrico terão de emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) até janeiro de 2027. Já quem é beneficiário ou tem cadastro biométrico do Tribunal Superior Eleitoral ou da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou passaporte, a CIN só passará a ser obrigatória em janeiro de 2028. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ➡️Antes da mudança, as pessoas que buscassem um benefício poderiam ser impactadas a partir de maio deste ano. Segundo o governo, a mudança serve para que os cidadãos tenham mais tempo para fazer o cadastro biométrico de forma gratuita a partir da CIN. Além disso, garante que nenhuma pessoa será prejudicada. Como fazer O primeiro passo para a emissão da carteira de identidade nacional, de acordo com o Ministério da Gestão, é acessar o gov.br/identidade, entrar no link de agendamento de seu estado e marcar a coleta da biometria. No dia da emissão, o governo explicou que é necessário levar a certidão de nascimento ou de casamento. Caso seja do interesse, a versão digital da CIN também possibilita a inclusão de outros documentos, como a CNH ou o título de eleitor. Nova Carteira de Identidade Nacional. Ascom SSP-PI
06/04/2026 12:03:53 +00:00
Dólar cai e fecha a R$ 5,14 com foco em possível cessar-fogo entre EUA e Irã; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,25% nesta segunda-feira (6), cotado a R$ 5,1464 — menor valor desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 fevereiro. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,06%, aos 188.162 pontos. O conflito entre Estados Unidos e Irã permaneceu no centro das atenções dos investidores. Mesmo após os dois países negarem um cessar-fogo mediado pelo Paquistão, a percepção de que a guerra não deve voltar a escalar no curto prazo sustentou o desempenho positivo dos mercados. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Em meio ao impasse, o regime iraniano apresentou uma contraproposta para a suspensão do conflito. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a elogiar o plano, mas afirmou que ele ainda não é bom o suficiente. ▶️ O Irã, por sua vez, rejeitou a proposta do Paquistão por defender um encerramento definitivo do conflito, e não apenas uma trégua temporária — que, na avaliação de Teerã, abriria espaço para a reorganização de adversários e novos ataques. ▶️ Em entrevista a jornalistas nesta tarde, Trump afirmou que os EUA podem tomar "o Irã inteiro em apenas uma noite". Disse ainda que, caso não haja acordo, "todas as pontes no Irã vão ser dizimadas à meia-noite de terça-feira" e "todas as usinas de energia estarão demolidas". ▶️ Diante das incertezas sobre o conflito e o fluxo de petróleo, os preços da commodity subiam por volta das 17h. O Brent avançava 0,12%, a US$ 109,14 o barril, enquanto o WTI subia 0,30%, a US$ 111,88. ▶️ No Brasil, o boletim Focus mostrou nova revisão para cima na projeção de inflação. A mediana para o IPCA de 2026 subiu para 4,36%, na quarta alta seguida nas estimativas de economistas consultados pelo Banco Central. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,25%; Acumulado do mês: -0,62%; Acumulado do ano: -6,24%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,06%; Acumulado do mês: +0,37%; Acumulado do ano: +16,78%. Guerra no Oriente Médio Após semanas de escalada militar no Oriente Médio, um plano de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, mediado pelo Paquistão, chegou a ser apresentado, segundo agências internacionais. No entanto, a proposta articulada por EUA e Israel foi rejeitada por Teerã, de acordo com a agência estatal Irna. O governo iraniano, inclusive, apresentou uma contraproposta. O presidente Donald Trump chegou a elogiar a iniciativa, mas afirmou que o texto ainda não é suficiente. 🔎 O plano previa duas etapas: um cessar-fogo imediato, que poderia viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz — fechado há mais de um mês —, seguido de negociações para um acordo mais amplo em até 15 a 20 dias. Também estavam em discussão possíveis concessões do Irã em relação ao programa nuclear, em troca de alívio de sanções. Segundo a Irna, porém, Teerã prefere negociar o encerramento definitivo do conflito, e não uma trégua temporária que, na avaliação do governo, poderia abrir espaço para novos ataques por parte dos adversários. Em postagem no domingo (5), líder americano ameaçou atacar pontes e usinas de energia no Irã, se o Estreito de Ormuz não for reaberto até terça-feira. O Irã reagiu às declarações americanas, classificando-as como agressivas e prometendo retaliação. Enquanto isso, os confrontos continuam na região, com ataques envolvendo também Israel e outros países do Golfo, ampliando o risco de impacto na economia global, especialmente via inflação e energia. Efeitos no Brasil Além do diesel, a disparada do petróleo em meio à guerra também pressiona o preço do querosene de aviação, um dos principais custos do setor aéreo. Para conter o impacto nas passagens — que podem subir até 20% —, governo federal anunciou, nesta segunda-feira, um pacote de medidas para reduzir os impactos da alta. 💰 As medidas são: zerar PIS/Cofins para as empresas aéreas, o que gera uma economia de R$ 0,07 por litro do combustível; prorrogar o pagamento da tarifa de navegação. As empresas pagarão apenas em dezembro as tarifas da Força Aérea Brasileira referentes aos meses de abril, maio e junho; abrir duas linhas de crédito. A primeira linha de crédito conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou instituição por ele habilitada. A pressão sobre os preços vem após a Petrobras elevar em mais de 50% o valor do combustível, refletindo a alta do petróleo no cenário internacional em meio à guerra no Oriente Médio. O setor aéreo alerta para impactos relevantes, enquanto o governo tenta reduzir os efeitos para consumidores. O governo também anunciou medidas para frear os preços do diesel e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha. A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somado ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52. Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio desse ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. LEIA MAIS: Boletim Focus Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar a projeção de inflação para 2026 pela quarta semana seguida, segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BC). A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 4,36%, pressionada principalmente pela alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio. Apesar disso, o mercado manteve a expectativa de queda da taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano, com previsão de 12,5% no fim de 2026; As projeções para o PIB seguem estáveis, com crescimento de 1,85% neste ano; No câmbio também não mudou, com o dólar estimado em R$ 5,40 ao fim de 2026. Mercados globais Em Wall Street, os mercados fecharam em alta, diante do possível cessar-fogo entre EUA e Irã. O índice Dow Jones subiu 0,35%, enquanto o S&P 500 avançou 0,45% e o Nasdaq teve ganho de 0,54%. Já as bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta segunda, com investidores acompanhando as tensões entre EUA e Irã, mas dando mais peso à possibilidade de um acordo de paz. No Japão, o principal índice, o Nikkei, subiu 0,55%, enquanto na Coreia do Sul o KOSPI avançou 1,36%. Mesmo após novas ameaças do presidente Donald Trump, o mercado reagiu com relativa calma, apostando que negociações podem evitar uma escalada maior do conflito. Dólar freepik
06/04/2026 12:00:23 +00:00
Em meio a guerra, analistas do mercado sobem estimativa de inflação pela 4ª semana seguida

Analistas do mercado financeiro elevaram de novo a estimativa para a inflação em 2026. Esta é a quarta semana seguida de aumento. As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera nesta segunda acima de US$ 100 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Inflação em alta De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo IPCA, some 4,36% neste ano, contra a projeção anterior de 4,31%. Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,84% para 3,85%; ➡️ Para 2028, a previsão subiu de 3,57% para 3,60%. ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC). Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 12,50% ao ano na última semana, embutindo uma redução no decorrer de 2026. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento permaneceu em 1,85%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do IBGE. ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio, ao fim deste ano, estável em R$ 5,40. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos permaneceu em R$ 5,45.
06/04/2026 11:28:58 +00:00
Programas sociais turbinados e isenção do IR: os bilhões que Lula vai injetar na economia em ano eleitoral

Os bilhões que Lula vai injetar na economia em ano eleitoral: programas sociais turbinados e isenção do IR Ricardo Stuckert / PR via BBC Com uma disputada eleição presidencial pela frente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um conjunto de medidas para aumentar o poder de compra da população, aquecer a economia e reduzir o impacto da alta dos preços dos combustíveis, devido à guerra envolvendo Estados Unidos e Irã. Por outro lado, as medidas devem pressionar a inflação no país e dificultar a redução dos juros pelo Banco Central, afirmam economistas ouvidos pela reportagem. Parte dessas medidas vai significar alívio direto no bolso dos brasileiros neste ano, como a redução do Imposto de Renda para a classe média e a ampliação de benefícios para os mais pobres, através dos novos programas Gás do Povo (distribuição de botijões) e Luz do Povo (descontos na conta de energia). O aumento da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da alíquota para quem ganha até R$ 7.350, mudanças que começaram a valer em janeiro, devem evitar a arrecadação de algo entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, segundo projeções de instituições financeiras, como BTG Pactual e ARX Investimentos, beneficiando 15 milhões de pessoas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Questionado pela BBC News Brasil, o Ministério da Fazenda disse que não tem uma projeção atualizada do impacto da mudança. "É quase um 14º salário", disse Lula em novembro, ao exaltar a economia que trabalhadores com renda próxima a R$ 5 mil terão com a isenção. Já o Gás do Povo e o Luz do Povo devem somar, neste ano, um alívio de R$ 15,5 bilhões no bolso de famílias de baixa renda, uma alta de R$ 3,6 bilhões em relação a 2025, segundo dados do próprio governo federal. Os dois programas, criados no ano passado, ampliaram políticas já existentes para acesso gratuito a botijões e descontos na conta de energia. As políticas foram rebatizadas e se tornaram vitrines do governo Lula. No caso do Gás do Povo, o programa mais que triplicou as famílias atendidas em 2026, de 4,5 milhões para 15 milhões. Os beneficiários têm direito a recargas de 4 a 6 botijões por ano, a depender do tamanho das famílias. O valor médio nacional do botijão está em R$ 110, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Já o número de residências beneficiadas pelo Luz do Povo deve passar de 16,7 milhões para 20,9 milhões ao longo de 2026, segundo o Ministério de Minas e Energia. O programa garante gratuidade na conta de energia para famílias com renda de até meio salário-mínimo por pessoa e consumo de até 80 kWh por mês. E dá um desconto de 11,8% na conta das famílias com renda de até um salário-mínimo por pessoa e consumo mensal de até 120 kWh. Além do alívio direto no bolso, o governo Lula adotou, ao longo de 2025, medidas para estimular o acesso a crédito barato, que terão impacto neste ano. A novidade que deve movimentar mais recursos é o Crédito do Trabalhador, linha de crédito consignado criada em março de 2025 e que vem crescendo. Nessa modalidade, trabalhadores formais conseguem contrair empréstimos usando até 10% do seu saldo do FGTS como garantia — isso reduz o risco de inadimplência, diminuindo também os juros cobrados. Neste ano, até 16 de março, haviam sido concedidos R$ 26 bilhões de novos empréstimos, cerca de metade de todo o valor liberado em 2025 (R$ 53 bilhões), segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Além das operações novas, trabalhadores também migraram para o programa R$ 41 bilhões em empréstimos antigos que tinham juros mais caros. A projeção da ARX Investimentos é que serão liberados, no total, R$ 134 bilhões em novas operações em 2026. "A estratégia do governo para maximizar o dividendo político-eleitoral é atuar em várias frentes. Então, tem de benefícios sociais até medidas que vão manter a economia aquecida, como a expansão do crédito", afirma o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros. Os estímulos ocorrem em um momento de desaceleração da atividade econômica. Segundo economistas consultados pelo Banco Central semanalmente no Boletim Focus, o mercado prevê expansão de 1,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, resultado pior que os de 2025 (2,3%) e de 2024 (3,4%). Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto não quis se manifestar. Lula e seus ministros costumam rebater as críticas de que as medidas sociais e econômicas mirem a eleição de 2026. O governo argumenta que ações como o aumento da isenção do IR e a oferta de empréstimo consignado melhoram a vida dos trabalhadores. "As pessoas agora podem ter crédito barato para sair do endividamento. Sair da mão do agiota, do banco que cobra até 10%, 12%, para procurar o crédito mais barato que elas puderem encontrar", disse Lula no ano passado, sobre o Crédito do Trabalhador. Programa com maior aprovação popular, Minha Casa Minha Vida tem expansão Barros destaca também o crescimento do Minha Casa Minha Vida (MCMV), programa do governo Lula com maior aprovação popular — 90% de apoio, segundo pesquisa de dezembro do instituto Quaest. O MCMV, que oferece empréstimo subsidiado para compra de imóveis com recursos do FGTS e outros fundos públicos, alcançou orçamento recorde de R$ 180 bilhões em 2025 e deve continuar crescendo em 2026. Segundo o Ministério das Cidades, o programa já contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões, e a meta é chegar a 3 milhões até o final de 2026 — ou seja, a previsão de novos contratos para este ano é quase o dobro da média dos três primeiros anos de mandato. Dentro desse plano de expansão, o governo anunciou na semana passada a ampliação das faixas de renda atendidas pelas quatro modalidades do MCMV, assim como o aumento do valor dos imóveis que podem ser financiados. Com isso, o limite de renda passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil, e o valor máximo do imóvel aumentou de R$ 500 mil para R$ 600 mil, elevando o potencial de beneficiários. No ano passado, o governo já havia lançado duas novidades para o setor habitacional. Uma delas foi a criação da faixa 4 do MCMV, no final de março, para atender famílias de maior renda. E a outra foi o programa Reforma Casa Brasil, que oferece financiamentos para obras residenciais, no valor de R$ 5 mil a R$ 30 mil, com juros subsidiados, para famílias com ganhos de até R$ 9,6 mil por mês. A previsão da ARX Investimentos é que apenas essas duas novas políticas vão movimentar R$ 46 bilhões neste ano, ante apenas R$ 8 bilhões no ano passado. Segundo Gabriel de Barros, há ainda outras medidas que, embora não signifiquem dinheiro ou crédito direto para as famílias, também devem contribuir para estimular a atividade econômica em 2026, como a forte expansão dos empréstimos do BNDES. Em 2025, as operações do banco somaram R$ 169,7 bilhões, aumento de 27% frente a 2024 e de 74% ante 2022. Para 2026, a expectativa é que o valor liberado ultrapasse R$ 200 bilhões. "Isso ajuda o governo eleitoralmente, porque vai gerar emprego, vai gerar renda, o PIB vai ficar resiliente", reforça. Pressão sobre inflação e juros O outro lado dessa política de expansão do poder de compra das famílias e da oferta de crédito, nota o economista, é o aumento da pressão sobre a inflação e os juros. A taxa Selic, fixada pelo Banco Central e que serve de referência para os juros cobrados no país, subiu de 10,50% ao ano em julho de 2024 para 15% ao ano em junho de 2025, maior patamar desde 2006. A taxa continua a maior em vinte anos, após sofrer um pequeno corte na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), neste mês, para 14,75% ao ano. "Essa quantidade de grana movimentando a economia fez com que a Selic tivesse que ser 15%. Não fosse isso [as medidas do governo], poderia ser muito menor", afirma Barros. A preocupação é compartilhada pelo economista Samuel Pessoal, pesquisador da FGV e do BTG Pactual, que aponta também o impacto das medidas no aumento da dívida pública. Isso ocorre, explica, tanto pelo aumento das despesas do governo, como pelo aumento da taxa Selic, que serve de referência para correção da dívida. Segundo dados do Banco Central, a dívida pública cresceu de 71,7% do PIB em dezembro de 2022, antes de Lula assumir a presidência, para 78,7% do PIB em janeiro deste ano. "Quando você aumenta o consumo agregado, sendo que a economia já está operando a pleno emprego, isso gera pressão inflacionária. Aí tem que ter mais juros e a dívida pública vai crescer mais", afirma Pessoa. Outros economistas têm uma visão menos crítica das ações do governo. Para Nelson Marconi, professor da FGV Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo), o problema da alta da dívida pública está relacionado a uma meta de inflação baixa, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na sua visão, isso obriga o Banco Central a manter os juros que corrigem a dívida muito elevados. Por outro lado, como a Selic alta esfria a economia, isso leva o governo a adotar mais medidas para estimular o crescimento do país, avalia. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com margem de tolerância até 4,5%. O IPCA, índice de preços do IBGE, fechou fevereiro com alta acumulada em 12 meses de 3,81%. A previsão do Boletim Focus é que o índice feche 2016 acima de 4%. Segundo os dois economistas ouvidos, esse cenário torna mais desafiador para o presidente eleito em outubro reduzir despesas e aumentar o superávit primário (economia para pagar juros da dívida). "O que está sendo feito não é sustentável", critica Barros. A guerra envolvendo Estados Unidos e Irã também aumentou a pressão sobre a inflação devido à disparada global do barril de petróleo, que chegou a ser negociado a US$ 119 em março, maior valor desde 2022, quando teve início a guerra entre Rússia e Ucrânia. O governo já adotou medidas para tentar segurar o preço do diesel, diante de temores de uma greve de caminhoneiros no país similar a que ocorreu em 2018, paralisação que provocou um tombo na economia. O objetivo do governo é garantir um desconto de R$ 0,64 por litro no preço na bomba, ao aliar redução de impostos e subvenção a importadores. O pacote terá um custo de R$ 30 bilhões, que será compensado com um novo imposto sobre a exportação de petróleo. A guerra também pressiona o preço dos botijões de gás, com a associação de revendedores pressionando o governo a tomar medidas para não prejudicar o programa Gás do Povo. Benefícios sociais e impulso econômico garantem votos? Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, as políticas sociais e econômicas adotadas pelo governo Lula podem não se converter em vitória nas urnas. Na sua avaliação, o peso da economia na definição da eleição diminuiu nos últimos pleitos, quando a política brasileira se tornou muito polarizada entre o lulismo e o bolsonarismo. Ele lembra que Jair Bolsonaro não conseguiu se reeleger em 2022, mesmo lançando um pacote de medidas de R$ 41 bilhões em agosto daquele ano (o equivalente a cerca de R$ 46 bilhões hoje), a poucos meses da eleição. Isso foi possível após seu governo conseguir aprovar no Congresso uma controversa alteração constitucional que declarava "estado de emergência" no país para driblar restrições à criação de novos benefícios às vésperas do pleito. A justificativa para a medida era a alta no preço dos combustíveis por causa da guerra na Ucrânia. A mudança ficou conhecida como PEC Kamikaze e permitiu ampliar o Auxílio-Gás e o Auxílio Brasil (substituto do Bolsa Família) e criar benefícios temporários para caminhoneiros e taxistas. Depois, em 2024, o STF considerou essa PEC inconstitucional. Seu governo criou também uma modalidade controversa de consignado para beneficiários do Auxílio Brasil entre o primeiro e o segundo turno presidencial, liberando R$ 9,5 bilhões em outubro de 2022 (o equivalente a cerca de R$ 11 bilhões hoje) em empréstimos para os segmentos mais pobres da população. Após a eleição, os desembolsos caíram fortemente e o programa acabou no início de 2023. Apesar das medidas, Bolsonaro não conseguiu se reeleger, devido ao elevado índice de rejeição a seu governo, que analistas atribuem, em boa parte, à sua atuação na pandemia de covid-19, quando se posicionou contra a vacinação e medidas sanitárias. "Ele começou com promessas ultraliberalizantes, uma política econômica ortodoxa. Depois, houve uma degradação da popularidade dele na pandemia, por sua postura na questão sanitária. A partir disso, ele entra na fase de populismo de gastos. Até mudança na Constituição ele fez", aponta Cortez. "Eu vejo o Bolsonaro muito mais eleitoreiro do que Lula", compara. Após derrotar Bolsonaro em 2022, o petista deve enfrentar em outubro o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pesquisas eleitorais indicam que, se a eleição fosse hoje, ambos estariam empatados em um eventual segundo turno. Cortez nota que as principais novidades do governo estão em iniciativas para a classe média, como o aumento da isenção do Imposto de Renda. Na sua leitura, porém, a forte polarização da sociedade e a vantagem bolsonarista nesse grupo podem dificultar a conversão dessas políticas em votos. "Não importa o que [Lula] faça. Um dos efeitos da polarização é diminuir o número de eleitores dispostos a mudar de ideia. Não é que o voto econômico não importa, mas ele não é mais suficiente para a vitória do incumbente em 2026 como era no passado". "Tem um problema político maior que é uma leitura [da população] de falta de novidade no governo. E se a gente pega as pesquisas eleitorais, quase todas estão mostrando que o Lula não merece um novo mandato. Então, acho que esse é um desafio para esse contágio eleitoral [das medidas do governo]", continua. Segundo pesquisa de março do instituto Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em um eventual segundo turno, com 41% de intenção de votos cada. Os últimos levantamentos da Quaest mostram que o apoio a Lula no grupo que ganha de dois a cinco salários-mínimos (R$ 3.242 a R$ 8.105) — em boa parte beneficiado pela mudança no IR — recuou de 46% em agosto de 2025 para 38% em março de 2026. Agora, o petista aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro nesse grupo, já que a intenção de voto no senador subiu de 35% para 41% no mesmo período. Já entre os que ganham mais de cinco salários-mínimos (R$ 8.105), a vantagem de Flávio é ainda maior, aparecendo com 52% ante 33% de Lula na última pesquisa. O petista, por outro lado, mantém vantagem no eleitor com ganho de até dois salários-mínimos (R$ 3.242), marcando 52% contra 32% do senador. Governo defende impacto das medidas para trabalhadores Ao defender suas ações, o presidente Lula diz que seu governo atua pelos trabalhadores e os grupos mais pobres. O aumento da isenção do IR, por exemplo, foi uma promessa de campanha do petista e foi aprovado com amplo apoio no Congresso. "Quando o bem comum está acima de interesses menores, é possível unir o Brasil em torno de grandes causas", defendeu o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quando a mudança na tributação foi promulgada. Para compensar as perdas de arrecadação, o governo aumentou impostos dos mais ricos, medida que deve impactar, em contraste, apenas 141 mil pessoas, segundo o Ministério da Fazenda. A medida é elogiada por especialistas em desigualdade de renda, como o economista Sergio Gobetti e o sociólogo Marcelo Medeiros, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Enquanto o governo amplia algumas políticas, o maior programa social criado por Lula não teve crescimento em seu terceiro mandato. O Bolsa Família teve uma grande expansão durante o governo de Jair Bolsonaro, com o objetivo de minimizar o crescimento da pobreza durante a pandemia de covid-19, momento em que o programa mudou de nome para Auxílio Brasil. Após sua eleição, Lula resgatou o nome original, mas manteve o novo valor do benefício, de ao menos R$ 600 por família. Depois disso, o benefício não teve qualquer reajuste, nem mesmo correção inflacionária. Com a redução das famílias atendidas, hoje em 18,7 milhões, o valor total transferido caiu de R$ 170 bilhões em 2024 para R$ 160 bilhões em 2025 — valor que deve ser mantido em 2026, segundo o Orçamento da União. Outra ação que deve se manter estável em 2026 é o Pé de Meia, criado em 2024. Com orçamento anual de R$ 12 bilhões, o programa transfere renda para estudantes do Ensino Médio de famílias pobres, como forma de evitar o abandono escolar. Lula chegou a prometer universalizar o benefício para todos os estudantes de Ensino Médio da rede pública neste ano, mas, devido às restrições orçamentárias, não há previsão de cumprimento da promessa. Procurado pela reportagem, o Ministério da Educação apenas informou que o orçamento anual do programa continua em R$ 12 bilhões. Em entrevista à BBC News Brasil em outubro, o ministro Camilo Santana disse que a universalização demandaria mais R$ 5 bilhões, segundo cálculos iniciais da pasta.
06/04/2026 11:22:47 +00:00
Governo estuda zerar impostos sobre querosene de aviação para baratear passagens aéreas

Governo avalia medidas para conter avanço das passagens aéreas O Ministério dos Portos e Aeroportos estuda zerar os impostos federais (PIS/Cofins) sobre o querosene de aviação, como parte de um pacote de medidas para conter o avanço no preço das passagens aéreas. A informação foi confirmada pelo novo ministro Tomé Franca à GloboNews. Como publicou o g1, os preços das passagens podem subir até 20% com a alta do querosene de aviação (QAV), segundo especialistas. Na última semana, o Ministério de Portos e Aeroportos apresentou ao Ministério da Fazenda um pacote de medidas para tentar evitar essa alta de preços. As propostas incluem ações emergenciais voltadas ao setor de aviação. Entre as medidas estão: ➡️A criação de linhas de crédito para as empresas aéreas com recursos aportados pelo Tesouro. A proposta seria a partir de uma linha operada pelo Banco do Brasil, em que as companhias poderão acessar até R$ 400 milhões, com prazo de pagamento até o final do ano. ➡️Outra proposta prevê zerar a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, um dos principais custos das companhias. ➡️O pacote também inclui a postergação do pagamento das tarifas de navegação aérea à Força Aérea Brasileira (FAB). Essa medida está sendo tratada diretamente entre a FAB e o Ministério da Fazenda. 🔎A tarifa de navegação aérea paga à FAB é uma espécie de taxa cobrada pelo uso de serviços, auxílios e comunicações do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). A previsão é que representantes dos ministérios se reúnam na terça-feira (7) para definir as medidas que devem ser adotadas. O preço das passagens aéreas sobe e pode aumentar mais com a guerra no Oriente Médio Guerra no Oriente Médio A Petrobras anunciou na quarta-feira (1º) um aumento de mais de 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir deste mês, o que impacta diretamente os custos de operação das companhias aéreas. A medida reflete o avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã. 🔎 Para suavizar os efeitos do aumento e, possivelmente, conter os preços ao consumidor, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos das distribuidoras. Além disso, o governo avalia outras medidas para reduzir os impactos. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens. Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo Getty Images
06/04/2026 11:04:50 +00:00
Irã adverte sobre retaliação 'devastadora' após ameaças e ultimato de Trump; petróleo volta a subir

Trump usa palavrão e ameaça 'inferno' sobre o Irã O preço referência do barril de petróleo atingiu US$ 110 nesta segunda-feira (6) após a ameaça feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã no fim de semana. O preço do Brent subiu inicialmente 1,6%, para US$ 110,85, antes de recuar ligeiramente durante as negociações da manhã na Ásia. O aumento ocorreu depois que Trump ameaçou atacar pontes e usinas de energia iranianas caso o país não interrompa ataques contra navios que tentam cruzar o Estreito de Ormuz. As principais bolsas de valores asiáticas registraram altas nesta segunda-feira. O índice Nikkei 225 do Japão subiu 1,6%, enquanto o índice Kospi da Coreia do Sul teve alta de 0,9%. Donald Trump ameaça realizar uma nova grande onda de ataques ao Irã na próxima terça-feira (7/4), caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto. O Irã zombou do ultimato, que classificou como "ameaça desesperada, nervosa e estúpida". Em uma postagem repleta de palavrões publicada no domingo em sua rede social Truth Social, Trump mencionou ataques à infraestrutura civil e disse que o Irã "viverá no inferno" se a importante rota marítima não for aberta. "Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão no inferno - AGUARDEM! Louvado seja Alá. Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu o republicano. Posteriormente, em uma nova publicação, Trump escreveu: "Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA!" Isso corresponde às 3h30 da manhã de quarta-feira, no horário de Teerã, capital do Irã (ou 21h de terça-feira pelo horário de Brasília). Não está claro a que se refere a segunda publicação de Trump nas redes sociais. A BBC solicitou esclarecimentos à Casa Branca. Trump havia estipulado anteriormente um prazo até 6 de abril para que o Irã fechasse um acordo. Mas o americano já adiou por diversas vezes prazos que ele mesmo estabeleceu para a reabertura do estreito. Duas postagens de Donald Trump na rede Truth Social neste domingo (5/4) Reprodução/Truth Social Na última quinta (2/4), os EUA já haviam atacado uma ponte em construção em Karaj, cidade a oeste de Teerã, no que foi considerada por alguns analistas uma ampliação dos alvos americanos e um possível primeiro passo para novos ataques à infraestrutura de água, energia e transporte do país do Oriente Médio. Ao jornal The Wall Street Journal, Trump disse neste domingo que, se o Irã quiser manter o estreito fechado, "perderá todas as usinas de energia e todas as outras instalações que possui em todo o país". À emissora Fox News, ele afirmou que está considerando "explodir tudo e tomar o controle do petróleo" do Irã se um acordo para encerrar a guerra não for alcançado rapidamente. Mas, na entrevista com o correspondente-chefe de assuntos internacionais da Fox, Trey Yingst, o americano também disse que há uma "boa chance" de um acordo ser fechado na segunda-feira. "Eles estão negociando agora", disse ele. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou no domingo que as "ações imprudentes de Trump estão arrastando os EUA para um inferno na Terra para todas as famílias". "Não se enganem: vocês não ganharão nada com crimes de guerra", acrescentou. Ghalibaf acusou Trump de seguir ordens do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse que "a única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e acabar com esse jogo perigoso". O general Ali Abdollahi Aliabadi, do comando militar central do Irã, disse que a ameaça de Trump é uma "ameaça desesperada, nervosa e estúpida", acrescentando que "os portões do inferno se abrirão" para o líder americano. Enquanto isso, Israel segue atacando instalações de infraestrutura civil iranianas — uma instalação petroquímica atacada no sábado (4/4) foi o alvo mais recente — e aguarda a aprovação dos EUA para atacar mais instalações de energia nesta semana, segundo autoridades de defesa. Ataques conjuntos de EUA e Israel também atingiram o Aeroporto Internacional Qasem Soleimani, no sudoeste do Irã, no domingo. O Irã, por sua vez, continuou a disparar drones e mísseis contra Israel e seus aliados no Golfo ao longo do fim de semana. Um prédio residencial na cidade israelense de Haifa foi atingido diretamente por um míssil balístico no domingo. Quatro pessoas ficaram feridas. Mais cedo, autoridades de Abu Dhabi informaram que estavam combatendo incêndios em uma instalação petroquímica operada pela empresa Borouge, causados ​​por destroços de um míssil iraniano. O Kuwait afirmou que ataques com drones iranianos danificaram gravemente instalações de petróleo e petroquímicas. Usinas industriais e de combustíveis também foram alvejadas no Bahrein. Histórico de ameaças Esta não é a primeira vez que Trump dá um ultimato a Teerã, na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ele já estabeleceu diferentes prazos para o regime dos aiatolás fechar um acordo. Relembre esse histórico de ultimatos: 1º prazo: Em 21 de março, Trump disse que "atacaria e obliteraria" usinas de energia, "começando pelas maiores", se o Irã não reabrisse a hidrovia em 48 horas. 2º prazo: Dois dias depois, ele disse que houve "conversas muito boas e produtivas" entre os países e adiou os ataques contra a infraestrutura energética por cinco dias. 3º prazo: Em 27 de março, Trump disse que adiaria os ataques às usinas de energia por 10 dias, "conforme solicitação do governo iraniano", estendendo o prazo para 6 de abril. Aviso de 48 horas: No sábado (4/4), com o prazo de 6 de abril se aproximando, o presidente americano avisou que o Irã tinha "48 horas" antes que ele desencadeasse "o inferno". Mais recente ameaça: Em uma postagem repleta de linguagem ofensiva, Trump reiterou essa ameaça neste domingo (5/4). Por que o Estreito de Ormuz é tão importante O Estreito de Ormuz é uma importante via comercial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início da guerra entre os EUA e Israel com o Irã, inúmeros navios foram atacados na região. Cerca de 3 mil navios costumam navegar pelo estreito todos os meses, mas esse número diminuiu drasticamente no período recente, com o Irã ameaçando atacar petroleiros e outras embarcações. Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes também passa pelo estreito, que é um canal vital para as importações do Oriente Médio, incluindo alimentos, medicamentos e suprimentos tecnológicos. O bloqueio efetivo do estreito fez com que os preços do barril de petróleo disparassem. Há receios de que isso possa levar a uma forte alta da inflação mundial. Anistia Internacional critica ameaças de Trump A secretária-geral da organização de direitos humanos Anistia Internacional, criticou a publicação repleta de palavrões de Trump, com novas ameaças à infraestrutura civil do Irã. "Que mensagem revoltante", escreveu Agnes Callamard, em uma publicação no X (antigo Twitter). "Os civis iranianos serão os primeiros a sofrer com a destruição de usinas de energia e pontes", acrescentou. "Sem eletricidade, aquecimento ou água; sem poder fugir dos ataques. Potencial para uma série de crimes de guerra em cascata." A mensagem de Callamard vem a público dias depois de um grupo de mais de 100 especialistas em direito internacional ter assinado uma carta aberta expressando "profunda preocupação" com o que consideram graves violações do direito internacional pelos EUA, Israel e Irã na guerra. Em resposta ao relatório, a Casa Branca disse que Trump estava tornando toda a região mais segura e desconsiderou o que chamou de "os ditos especialistas". Em postagem no domingo (5/4), líder americano ameaçou atacar pontes e usinas de energia no Irã, se o Estreito de Ormuz não for reaberto até terça-feira Reuters via BBC
06/04/2026 10:21:25 +00:00
Como navios parados do outro lado do mundo atrapalham a sua vida aqui no Brasil? g1 explica

Do avião ao ovo: por que o petróleo afeta o preço de tudo? Navios parados em rotas estratégicas do outro lado do mundo podem parecer um problema distante - mas não são. Quando o transporte marítimo trava, mercadorias atrasam, fretes ficam mais caros e cadeias de produção inteiras são afetadas. O g1 EXPLICA NO VÍDEO ACIMA; ASSISTA. E isso chega direto ao Brasil. Com custos mais altos para importar insumos e exportar produtos, o impacto aparece nos preços de alimentos, eletrônicos, combustíveis e até no agronegócio. Em um país que depende do comércio internacional e do transporte, qualquer gargalo lá fora vira pressão aqui dentro, inclusive na inflação. Neste vídeo, você vai entender como navios parados podem atrapalhar a sua vida no Brasil. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
06/04/2026 07:01:35 +00:00
Presidente da Colômbia defende PIX após críticas dos EUA: 'Peço ao Brasil que estenda o sistema'

'Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX', diz Lula ao comentar relatório dos EUA O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do sistema de transferências instantâneas PIX e pediu que a ferramenta seja adotada em seu país. A manifestação foi feita em uma publicação na rede social X. No post, Petro respondeu a uma mensagem que mencionava declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria ameaçado impor sanções ao Brasil caso o PIX não fosse encerrado, sob o argumento de que o sistema prejudica empresas de cartão de crédito como Visa e Mastercard. Ao comentar o tema, o presidente colombiano afirmou que o modelo brasileiro representa uma alternativa mais eficiente e criticou mecanismos usados pelos Estados Unidos no sistema financeiro internacional. “Le pido a Brasil extender el sistema PIX a Colombia”, escreveu Petro. Initial plugin text Na mesma publicação, o presidente colombiano fez duras críticas à lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro americano. Segundo ele, o mecanismo "já não é uma arma contra o narcotráfico" e estaria sendo utilizado como instrumento de controle político. Petro afirmou ainda que grandes líderes do tráfico internacional conseguem driblar o sistema e viver com luxo fora de seus países, enquanto a ferramenta seria usada para pressionar adversários políticos ao redor do mundo. O presidente também voltou a defender uma governança global mais democrática e criticou conflitos internacionais, afirmando que guerras “não servem para nada” e geram perdas para toda a humanidade. As declarações ocorrem em meio a um debate crescente sobre o papel do PIX no sistema financeiro global. Criado pelo Banco Central em 2020, o modelo brasileiro se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país e vem sendo estudado para operações internacionais. Gustavo Petro REUTERS/Luisa Gonzalez Na última quarta-feira (1º), um relatório divulgado pela Casa Branca ressaltou novamente o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito. "O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do PIX é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas." No documento que oficializou o processo, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu a críticas de Trump e afirmou que o Brasil não pretende recuar no uso do sistema. O Banco Central, por sua vez, trabalha na expansão da ferramenta, incluindo a possibilidade de integração entre países no futuro. "Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o PIX, disseram que o PIX distorce o comércio internacional, porque o PIX acho que cria problema para a moeda deles", introduziu Lula. "O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", completou o petista. Na sequência, Lula disse que o governo brasileiro, por própria iniciativa, pode até "aprimorar o PIX, para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens" que usam a ferramenta.
06/04/2026 04:54:48 +00:00
Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam oito)

Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam oito) Divulgação Depois da combinação entre a Sexta-feira Santa (3) e a Páscoa, no domingo (5), que garantiu a muitos trabalhadores um feriadão prolongado de três dias, já tem gente pensando no próximo período de descanso. Agora, restam oito feriados no ano, sendo que sete deles podem ser emendados para prolongar os dias de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O próximo feriado é o Dia de Tiradentes, em 21 de abril, que cai em uma terça-feira. Com isso, quem conseguir folga na segunda (20), considerada ponto facultativo para os servidores públicos federais, pode aproveitar um descanso prolongado — de sábado a terça. Veja abaixo o calendário: 20 de abril (segunda-feira): ponto facultativo (servidores públicos federais) 21 de abril (terça-feira): Dia de Tiradentes Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar de ser um feriado nacional, nem todos são beneficiados. A legislação trabalhista permite o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais. ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como remuneração em dobro ou folga compensatória. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de abril, o próximo feriado nacional será 1º de maio (Dia do Trabalhador), que cairá em uma sexta-feira e pode permitir emenda para quem folga aos fins de semana. Outra possibilidade de emenda é o Corpus Christi, em 4 de junho, considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, cada estado ou município tem autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local. Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou à folga compensatória. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 21 de abril, Dia de Tiradentes (terça-feira) 1º de maio, Dia do Trabalhador (sexta-feira) 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 20 de abril (segunda-feira) 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada
06/04/2026 03:01:03 +00:00
Imposto de Renda 2026: veja como obter o informe de rendimentos no banco, empresa e INSS

Divulgação O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2026, referente ao ano-base 2025, já começou — e um dos documentos mais importantes para o contribuinte é o informe de rendimentos. O comprovante reúne salários, benefícios, aplicações financeiras e impostos pagos ao longo do ano, sendo a base para prestar contas à Receita Federal. A seguir, veja como acessar o documento e o que fazer em caso de problemas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Onde conseguir o informe de rendimentos? O informe de rendimentos deve ser obtido junto a todas as fontes pagadoras ao longo do ano, como empresas, bancos, corretoras, planos de previdência e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), no caso de aposentados e pensionistas. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cada uma dessas instituições é responsável por fornecer um documento com os valores pagos ou informados à Receita Federal. 🔎 Esse comprovante reúne dados essenciais para a declaração, como rendimentos tributáveis, valores isentos, imposto retido na fonte, saldos em conta e aplicações financeiras. Por isso, é fundamental reunir todos os informes antes de começar a preencher a declaração, evitando erros ou omissões. Como obter o informe de rendimentos no banco? O informe de rendimentos dos bancos pode ser acessado de forma simples pelos canais digitais ou solicitado diretamente à instituição. A forma mais comum é pelo aplicativo ou pelo internet banking, onde o documento geralmente fica disponível em formato PDF. Segundo Márcia Cleide Ribeiro, advogada especializada em Direito Tributário e Previdenciário, é importante saber onde procurar. “Os bancos costumam disponibilizar o informe em áreas como ‘Imposto de Renda’, ‘Documentos’, ‘Comprovantes’ ou ‘Serviços’. Caso o cliente não encontre, ele pode solicitar pelo atendimento, gerente ou canais oficiais como telefone e WhatsApp”, explica. O documento traz informações como saldo em conta, aplicações financeiras, rendimentos, juros e imposto retido, que são essenciais para preencher corretamente a declaração e evitar inconsistências. Como acessar o informe de rendimentos pelo INSS? Aposentados e pensionistas podem acessar o informe de rendimentos do INSS pelo site ou aplicativo Meu INSS, utilizando a conta gov.br. Após o login, basta buscar pela opção “Extrato de Imposto de Renda”, onde é possível visualizar, baixar e imprimir o documento. O acesso é totalmente digital e não exige ida a uma agência. Além disso, em muitos casos, o informe também pode ser obtido no banco onde o benefício é pago. Esse documento traz os valores recebidos ao longo do ano, além de possíveis descontos e retenções, sendo indispensável para quem precisa declarar. Como pedir o informe à empresa? No caso de trabalhadores com carteira assinada, o informe de rendimentos deve ser fornecido pela empresa, independentemente de o funcionário ainda estar empregado ou não. O documento costuma ser disponibilizado automaticamente, mas, se isso não acontecer, é possível solicitá-lo. “O pedido pode ser feito ao RH, ao departamento pessoal ou ao setor financeiro, por e-mail, WhatsApp corporativo ou pelo portal do colaborador. O ideal é sempre formalizar essa solicitação”, orienta Márcia. O informe reúne dados como salários, bônus, descontos e imposto retido, sendo fundamental para garantir que a declaração esteja correta. Quem já saiu da empresa ainda pode pedir o documento? Sim. Mesmo após o desligamento, a empresa continua obrigada a fornecer o informe de rendimentos referente ao período em que o trabalhador atuou. “A obrigação da fonte pagadora permanece, independentemente do vínculo atual. O ex-funcionário pode solicitar o documento normalmente pelos canais oficiais da empresa”, afirma a advogada. O envio pode ser feito de forma digital, e, se necessário, o contribuinte pode solicitar uma via impressa. O que fazer se a empresa não entregar o informe? Se a empresa não enviar o documento, o primeiro passo é reforçar a solicitação por escrito, preferencialmente por e-mail ou outro canal que permita comprovar o pedido. Isso é importante caso seja necessário tomar medidas posteriores. “A empresa tem obrigação legal de fornecer o informe. Se não cumprir, pode sofrer penalidade. Por isso, o contribuinte deve guardar provas da solicitação”, afirma a especialista. Caso o problema persista, é possível consultar os dados na Receita Federal, por meio do Meu Imposto de Renda ou do e-CAC. Ainda assim, esses dados podem não estar completos, e o ideal é insistir no envio do documento correto. Posso usar só a declaração pré-preenchida? A declaração pré-preenchida pode facilitar bastante o processo, pois reúne automaticamente informações enviadas por empresas, bancos e outras instituições à Receita Federal. No entanto, ela não substitui o informe de rendimentos. Segundo Ribeiro, a pré-preenchida deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como uma fonte definitiva. O contribuinte precisa conferir todos os dados antes de enviar a declaração”. Isso porque podem existir informações incompletas, desatualizadas ou até incorretas, o que pode gerar problemas futuros. O que fazer se houver diferença entre o informe e a pré-preenchida? Se houver divergência entre os dados do informe de rendimentos e da declaração pré-preenchida, o correto é revisar cuidadosamente e ajustar manualmente as informações com base nos documentos oficiais. O contribuinte deve sempre dar prioridade ao informe da fonte pagadora. Quando houver diferença, é necessário corrigir os dados na declaração para evitar inconsistências. Ignorar essas diferenças pode aumentar o risco de cair na malha fina. Caso a declaração já tenha sido enviada com erro, o contribuinte deve fazer uma retificação o quanto antes. Confira outras dicas importantes: Priorize os documentos oficiais: use como base o informe de rendimentos, além de comprovantes de planos de saúde e de corretoras; Corrija a pré-preenchida: ajuste manualmente os valores para que fiquem iguais aos do informe; Confira os dados da empresa: se as informações do eSocial ou da fonte pagadora estiverem corretas, a diferença pode ser um atraso na atualização da Receita; Espere, se necessário: quando a fonte pagadora corrige os dados, a pré-preenchida pode levar alguns dias para atualizar — mas você pode inserir os valores corretos por conta própria; Evite problemas com a Receita: fazer ajustes não leva à malha fina; o risco está em enviar a declaração com dados errados; Se já enviou com erro: o ideal é fazer uma declaração retificadora o quanto antes para corrigir as informações. Quem recebeu de mais de uma fonte precisa de vários informes? Sim. Quem teve rendimentos de mais de uma fonte pagadora ao longo do ano precisa reunir um informe de cada uma delas. Isso inclui empresas, bancos, INSS, corretoras e outras instituições financeiras. “Cada fonte pagadora informa seus próprios dados, e todos precisam ser considerados na declaração. Por isso, é essencial organizar todos os informes antes de preencher”, diz Márcia. A conferência deve ser feita separadamente, garantindo que todos os valores estejam corretos e completos.
06/04/2026 03:01:02 +00:00
Safra de caqui no interior de SP tem 'colha e pague' e tradição de 70 anos

Galhos carregados indicam safra maior de caqui em propriedade de Piedade (SP) TV TEM/Reprodução A safra promissora de caqui está em andamento no interior de São Paulo, impulsionada por condições climáticas favoráveis. Em propriedades da região, os galhos carregados de frutos já indicam uma colheita mais produtiva do que no ano passado. Em Piedade (SP), a família Sakaguti cultiva a fruta há mais de 70 anos. A produção começou com imigrantes japoneses e segue até hoje, com a terceira geração à frente do sítio. Segundo o produtor Erik Sakaguti, a expectativa é colher 50 toneladas nesta safra, cerca de 20% a mais do que no ano anterior. Metade da produção nacional de caqui está concentrada no estado de São Paulo. No interior, além da produção, a fruta também representa tradição e história para as famílias que mantêm a atividade. Na propriedade dos Sakaguti, toda a produção é destinada ao evento “colha e pague”, organizado pela família e que já se tornou tradição. A expectativa é receber cerca de 10 mil visitantes, incluindo turistas de outras regiões e até do exterior. O sítio conta com aproximadamente 1 mil pés de caqui, sendo 90% da variedade Fuyu. Com técnicas de manejo, algumas árvores chegam a produzir por quase 70 anos. Uma delas é a prática anual de lavagem dos pés para retirada de musgos, método de origem japonesa que ajuda a prolongar a vida útil das plantas. Em Pilar do Sul (SP), outra propriedade aposta na produção voltada ao mercado interno. São seis hectares com cerca de 3 mil pés da variedade Fuyu. Apesar da boa carga de frutos, os produtores enfrentam preços mais baixos em relação ao ano passado. A produtora rural Naomi Jojima, que também é advogada, decidiu atuar no campo para manter a tradição da família e valorizar a cultura japonesa na região. Mesmo com preços menores, a expectativa é de aumento na produção total em Pilar do Sul, considerando o conjunto dos produtores. Segundo especialistas, a safra reforça a importância da atividade na região, aliando tradição, técnicas de cultivo e novas formas de geração de renda. Produção de caqui também impulsiona turismo rural em sistema “colha e pague” no interior de SP TV TEM/Reprodução Veja a reportagem exibida no programa em 05/04/2026: Safra de caqui deve crescer no interior de SP e impulsionar turismo rural VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
05/04/2026 10:30:40 +00:00
Fazenda que hospedou Dom Pedro II em Mineiros do Tietê abre para visitas

Fazenda que hospedou Dom Pedro II abre para visitação em Tietê Reprodução/TV TEM Uma paisagem que encanta, um lugar tranquilo para se conectar com a natureza e uma viagem no tempo. A histórica Fazenda da Serra, em Mineiros do Tietê (SP), cujo casarão de mais de 1.200 m² foi construído em meados de 1800, está abrindo suas portas para visitação, revelando um capítulo importante da história do Brasil. No final do Império, em 1879, a fazenda teve a honra de hospedar por cerca de uma semana o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina. Entusiasta das ciências e da tecnologia, o monarca visitou a região para inaugurar uma ferrovia e, principalmente, para conhecer o manejo e a agricultura de ponta da época, durante o auge do ciclo do café. O que era parte do imaginário local agora poderá ser visto de perto em eventos pontuais ao longo do ano. Tesouros da época imperial A fazenda guarda preciosidades que remontam à visita. O corrimão da escadaria principal foi importado da França em 1876, especialmente para receber o imperador. O piso de madeira, a porta de entrada e até uma pia na sala são originais da época. Parte da pintura em estilo afresco foi cuidadosamente restaurada, mantendo viva a atmosfera do passado. Segundo relatos, Dom Pedro II tinha o costume de plantar uma palmeira imperial em cada local que visitava. Embora a árvore plantada na fazenda tenha caído com o tempo, seu tronco permanece no local como um vestígio da visita. De memória de família a atração turística As irmãs Regina Helena Dahas de Carvalho e Roselene Carvalho Santili herdaram a fazenda e, junto com suas filhas, preservam essa memória. Elas relembram a infância marcada pela presença do imperador no imaginário. "A vida toda brincamos aqui falando: 'Dom Pedro passou por aqui'", contam. Elas mencionam a construção de um "quarto de banho" com água corrente de mina, uma exigência do monarca na época. Agora, a família decidiu compartilhar essa riqueza com o público. Melina Santilli, filha de Roselene, está à frente da organização dos eventos. "Era algo que a cidade sempre pedia. Temos um patrimônio histórico muito importante para mostrar. Então, resolvemos abrir nossas portas", explica. As visitas guiadas incluirão novidades como um café da manhã e a degustação do café produzido na própria fazenda. Os eventos serão pontuais e divulgados previamente pelas redes sociais da fazenda. A história completa, incluindo a senzala A experiência também oferece um olhar sobre o período da escravidão no Brasil. Os visitantes poderão conhecer a antiga senzala e a história de "Seu Pedro", um homem escravizado que, mesmo após a abolição, permaneceu na fazenda e viveu ali até os 105 anos, tendo conhecido pessoalmente Dom Pedro II. Ingrid Cury, uma das primeiras visitantes, se emocionou com a experiência. "É resgatar de onde viemos, a nossa história, os costumes. Cada pedacinho da fazenda me emociona, porque é como se a gente estivesse voltando nos livros de história e vendo um pouquinho da realidade da época", conclui. Veja a reportagem exibida no programa em 05/04/2026: Fazenda que hospedou Dom Pedro II em Mineiros do Tietê abre para visitas VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
05/04/2026 10:30:37 +00:00
Diaristas premium sofisticam profissão para cobrar mais: 'Não tiro menos de R$ 8 mil por mês'

Diaristas premium mostram como reinventaram profissão Durante anos, o trabalho de diarista ocupou a vida de Cláudia Rodrigues de maneira exaustiva. A rotina começava às 3h da manhã: ônibus lotado, longos deslocamentos por São Paulo e chegada às casas dos clientes antes do amanhecer. As jornadas eram longas, os ambientes, enormes. Cláudia limpava do chão ao teto, sem saber se sairia dali no meio da tarde ou já à noite. Com semanas cheias, eram mais de 20 diárias mensais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por dia, recebia R$ 120. Após pagar transporte e alimentação, chegava em casa com cerca de R$ 80. São tempos que ficaram para trás. Hoje, Cláudia continua trabalhando com limpeza, mas em outro patamar: ela se tornou diarista premium. Seus pacotes custam R$ 250 (4h), R$ 280 (6h) e R$ 330 (8h), com adicionais entre R$ 80 e R$ 100 para serviços como limpeza de geladeira e armários. A agenda ficou tão cheia que ela contratou uma colaboradora para acompanhar a demanda. “Não tiro menos de R$ 8 mil. Minha agenda está cheia, sempre encaixando clientes”, diz. Segundo o IBGE, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores domésticos foi de R$ 1.367 em 2025. O valor se refere à média geral da categoria, sem distinção entre quem tem carteira assinada e quem não tem. As diaristas premium conseguem faturar quase seis vezes mais que a média dos domésticos ao refinar o serviço e atender um público de alto padrão. Diaristas premium mostram como reinventaram profissão g1 Cláudia conta que sua virada aconteceu quando descobriu, no Instagram, que havia outra forma de fazer o que sempre fez. Encontrou profissionais falando sobre técnica, método, organização e posicionamento. Não era uma nova profissão — era um novo olhar sobre a limpeza. ➡️ A chamada "faxina premium" é apenas um reposicionamento profissional, contam as diaristas ouvidas pelo g1. A sacada é deixar de atuar com foco em rapidez e preço baixo, e passar a entregar um serviço técnico e personalizado. 🔎 Na prática, elas contam que é necessário estudar tipos de piso, aprender sobre produtos químicos, criar cronogramas de organização, investir em imagem profissional e levar equipamentos próprios para as diárias. Essa reinvenção também cria um ecossistema próprio. Algumas delas usaram os aprendizados para lançar cursos, listas de produtos e conteúdos que fortalecem a profissão e ajudam a combater o preconceito ainda existente. Cláudia, por exemplo, investiu em mentoria, mudou a forma de atender, passou a levar os próprios produtos, estruturou pacotes por hora e adotou técnicas de detalhamento — do uso de pincéis ao acabamento de metais. A imagem profissional também virou parte central do negócio. A diarista investiu em fotos, passou a usar uniforme e formalizou o trabalho como microempreendedora individual (MEI). “No início, quando fiz as fotos profissionais e comecei a alimentar o Instagram, pensei: vou colocar que limpo chão, vão rir da minha cara. Existia muito preconceito”, lembra. Cláudia Silva estudou técnicas e hoje usa até pincéis para entregar uma limpeza premium. Arquivo pessoal Essa transformação também marcou a trajetória de Gabriela Valente. Ela pediu demissão de um emprego com carteira assinada porque acreditava que a faxina poderia trazer mais retorno. A decisão gerou insegurança, mas a aposta deu certo. Durante a pandemia, Gabriela lotou a agenda com pacotes que chegavam a R$ 400 por dia. Ao mesmo tempo, viu colegas perderem clientes e enfrentarem dificuldades. "Em 2020, vi gente sem dinheiro até para comer", conta. Enquanto ela faturava alto, viu muitas diaristas ficarem sem renda. A disparidade a levou a compartilhar o que sabia nas redes sociais. Hoje, Gabriela é diarista por escolha. Além dos atendimentos, atua como mentora, palestrante e criadora de conteúdo. Ela também criou seu próprio produto de limpeza. “Passei fome. Vendi roupa para comer. Hoje, tudo mudou. Consegui reformar a casa da minha mãe, construir a lavanderia dos sonhos dela, montar um escritório e pagar colégio particular para meus filhos”, relata. Gabriela Valente é diarista por escolha e fatura alto com serviços premium, mentoria e produtos próprios Arquivo pessoal Mesmo com novas frentes de trabalho, Gabriela mantém quatro clientes fixos. Para novos contratantes, cobra R$ 600 por quatro horas e R$ 1.000 por oito horas. Mas não revela ao g1 quanto fatura por mês. Trabalha uniformizada e leva uma mala de 23 quilos com equipamentos profissionais. Nas aulas, ela insiste que a técnica evita prejuízos. Em casas com porcelanatos de R$ 5 mil o metro ou sofás de R$ 30 mil, um erro pode sair muito caro. A diarista detalha as diferenças entre pisos, rejuntes e estofados e orienta sobre os produtos adequados para cada superfície. "Todo mundo sabe limpar, mas usa sabão em pó, detergente neutro ou misturinhas da internet. Quando você aprende o produto certo e o equipamento certo, tudo muda", afirma. Embora muitas profissionais se sintam atraídas pela promessa de autonomia e ganhos maiores, sindicatos e consultores reforçam que essa transição não é simples. Ignorar riscos pode comprometer a estabilidade que muitos buscam ao deixar o emprego formal. O Sebrae alerta que diaristas autônomas não têm Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), férias remuneradas, 13º salário ou aviso prévio. Também reforça que a faxina premium não é uma nova categoria formal, mas um movimento de mercado em um contexto de queda do emprego fixo. “Está cada vez mais custoso ter um trabalhador doméstico formalizado. Além disso, os próprios profissionais perceberam que o trabalho como diarista é mais lucrativo e dá mais liberdade para ter mais tempo livre ou investir em outras atividades”, explica Glauco Nunes, coordenador de Mercado do Sebrae Rio. Segundo a entidade, o sucesso depende de planejamento. Isso vai desde a forma de se vender até a precificação e a gestão do orçamento. Mônica Andrade trabalha como diarista premium na Europa, depois de deixar a carreira de cabeleireira e manicure por 22 anos. Arquivo pessoal Aventura internacional Mônica Oliveira consolidou seu caminho ao recomeçar na Holanda. Após mais de 20 anos como cabeleireira e manicure no Brasil e em Portugal, ela abriu um salão na Europa, mas a pandemia interrompeu os planos. Sem alternativa, aprendeu as técnicas de limpeza com outra brasileira e rapidamente percebeu que, na Holanda, o serviço era mais valorizado e melhor remunerado. Mônica começou atendendo casas e hotéis de luxo em Amsterdã e levou para o dia a dia o padrão que observava na hotelaria. Nada de jogar água no chão. O protocolo é técnico: pano específico para cada superfície, produtos adequados e aspirador profissional. A brasileira também abandonou a cobrança por hora e passou a vender combos com serviços fechados. Para cada novo cliente, envia um documento detalhando serviços, técnicas e extras, como limpeza de geladeira, armários e lava-louças. Mônica Andrade mantém agenda cheia, tem site, cursos e mais de 500 mil seguidores que acompanham suas técnicas de limpeza. Arquivo pessoal A limpeza básica custa 87 euros, cerca de R$ 550. Em serviços mais completos, o valor pode chegar a 290 euros, aproximadamente R$ 1.830. Limpezas de mudança alcançam 150 euros, algo em torno de R$ 950. A proposta vai além da limpeza visível. Mônica observa a disposição dos objetos, o alinhamento das toalhas, o brilho dos metais e a fragrância do ambiente. Sua entrega é proporcionar ao cliente a sensação de entrar em um quarto de hotel. Ou seja, o foco deixou de ser o tempo e passou a ser a experiência entregue. Seu público inclui moradores de alto padrão, expatriados e clientes que buscam padrão de hotelaria dentro de casa. Hoje, Mônica tem agenda cheia, site próprio, oferece cursos e acumula mais de 500 mil seguidores no Instagram, onde compartilha dicas de limpeza e bastidores do dia a dia. Alguns cuidados Especialistas alertam que essa perspectiva de ganhos da faxina premium deve vir acompanhada de preparo, planejamento e de ciência da realidade jurídica e previdenciária da profissão. O Sindoméstica, sindicato das trabalhadoras domésticas, destaca a falta de direitos trabalhistas para diaristas. Janaina Souza, presidente do sindicato, chama atenção para a confusão entre faturamento alto e segurança. Muitas diaristas realmente ganham mais como autônomas, mas abrem mão de garantias importantes. Existe ainda o risco de precarização quando a diarista não se organiza juridicamente. A contribuição ao INSS, por exemplo, precisa ser feita por conta própria. Sem isso, não há amparo em caso de acidente, licença ou doença. Tanto o sindicato quanto o Sebrae recomendam a formalização via MEI. Essa etapa facilita a emissão de nota, o acesso a crédito, a comprovação de renda e benefícios previdenciários básicos, como aposentadoria ou auxílio-doença. O Sebrae orienta que o planejamento deve começar antes da mudança. Algumas dicas são: Calcule todos os custos reais envolvidos no serviço: transporte, alimentação, compra e manutenção de equipamentos, desgaste físico, reposição de produtos, investimento em marketing e até custos com internet e ferramentas digitais. Construa uma presença digital profissional: boas fotos, portfólio, materiais de apresentação e conteúdos nas redes ajudam a transmitir credibilidade. Evite competir apenas por preço: destaque-se pela qualidade, pela experiência e pelo profissionalismo. Formalize-se como MEI: isso garante segurança jurídica e acesso a benefícios. Defina preços de forma estratégica: a precificação deve cobrir custos, garantir lucro e refletir o posicionamento da profissional. A precificação, inclusive, é um dos pontos mais delicados. Gabriela costuma alertar suas alunas que não adianta cobrar caro sem entregar qualidade, nem cobrar barato ignorando o próprio valor. "Quem entende o trabalho, paga", afirma. Por fim, especialistas recomendam criar uma reserva financeira e adotar contratos de prestação de serviços. Isso ajuda a enfrentar períodos de baixa demanda e evita conflitos com clientes.
05/04/2026 08:01:05 +00:00
Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível no ES

Projeto do Ifes ensina agricultores a reaproveitar cada parte das frutas Um projeto desenvolvido pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no campus de Venda Nova do Imigrante, no Sul do estado, está transformando frutas que antes seriam descartadas e iriam para o lixo em fonte de renda para agricultores familiares. A proposta ensina uma técnica de desidratação que converte frutas e legumes maduros em lâminas finas e flexíveis, semelhantes a um "couro vegetal" comestível. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O material pode ser consumido normalmente, é isento de lactose, glúten e açúcar, e pode ser utilizado na produção de flores decorativas para bolos e eventos, além de outras aplicações gastronômicas. A técnica parte de frutas que já passaram do ponto ideal de venda in natura, e que não.teriam valor para venda. Elas são higienizadas, batidas até virar um purê e espalhadas em camada fina sobre uma superfície antes de irem para a desidratadora. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta LEIA TAMBÉM: PLANTADA HÁ 18 ANOS: Parreira gigante produz 500 quilos de uva por ano, até 25 vezes mais do que uma videira comum CASTELO: Chocolate de café ou com sabor de café? Produtores investem no doce feito com grãos especiais REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO: Banana que iria para o lixo vira amido que pode abastecer indústria Após cerca de 12 horas a um dia e meio, o resultado é uma lâmina maleável, pronta para corte e modelagem. "Sabe aquela fruta que geralmente o produtor fala que já não dá pra vender?! A gente pensa: 'Faz alguma coisa com ela, bate um suco!'. Então, é essa fruta que iria ser desperdiçada, sem valor de venda, que volta a ser um produto através da desidratação", explicou a coordenadora geral de Extensão e do Núcleo Incubador do Ifes, Zâmora Santos. Em seis meses, o grupo testou e analisou diferentes produtos, como pitaya, limão siciliano, goiaba, maracujá, tomate e café. As experiências resultaram na elaboração de uma cartilha com orientações técnicas para replicar o processo. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta Durante três meses, dez produtores da agricultura familiar participaram da formação prática no campus. Eles receberam conteúdo teórico, apostila com passo a passo e kits com desidratadores para aplicar a técnica nas propriedades. "O nosso curso foi totalmente prático mesmo, mão na massa. Eles receberam o conteúdo teórico, uma apostila com todo o passo a passo, em cada aula nós fornecemos pra eles um roteiro, como se fosse uma receita de bolo, para eles produzirem, e fomos para dentro do laboratório iniciar a produção", afirmou a professora do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Michele Nogueira. O projeto integra o InovaTech, iniciativa da incubadora do Ifes, e conta com apoio do Incaper, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Redução de perdas no campo Na propriedade da produtora rural Vanuza Rosa Falqueto, em Venda Nova do Imigrante, o cultivo é diversificado, com produção de palmito, laranja, abacate, café e limão siciliano. Parte da itens, no entanto, se perdia por falta de escala para venda antes do começo da produção das lâminas. "A nossa produção aqui não é grande. Então, quando a gente ia vender para os atravessadores, eles necessitavam de uma quantidade maior. Muito produto acabava se perdendo aqui na propriedade", disse Vanuza. Com a técnica e a adaptação de uma receita própria, ela passou a transformar principalmente limão siciliano e palmito juçara em lâminas comestíveis. A produtora rural Vanuza Rosa Falqueto transforma principalmente limão siciliano em couro vegetal comestível, em Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo TV Gazeta Também em Venda Nova, a produtora rural Maria Dalva Garcia Andrerão está se capacitando para começar a utilizar as jabuticabas cultivadas na propriedade para criar as lâminas. A família já produzia geleias, doces e compotas e vê na novidade uma oportunidade de ampliar a renda, diversificando os produtos. "Nós estamos pensando em começar primeiro pelos enroladinhos, depois pela florzinhas, que a gente ainda está aprendendo com os professores no curso. Então, eu acho que vai ser de grande valor para nós. É algo que provavelmente iria para o lixo e a gente aproveita tudo, como banana, abacaxi, hortelã, limão, tudo coisas que a gente já tem no sítio", contou Maria Dalva. Para o extensionista do Incaper, Thiago Monteiro, o diferencial do projeto está na sustentabilidade. "O viés de sustentabilidade desse curso está justamente na possibilidade de você fazer o uso de um produto que já não está apto para o consumo in natura, uma fruta que já passou um pouquinho do ponto para banca, o legume que já passou um pouquinho, pra agregar valor a ele. Você pode fazer um uso mais nobre daquele produto, processar e vender como produto acabado", avaliou. Produto no mercado Após o encerramento das aulas, os produtores passam a receber acompanhamento técnico e consultoria para definir preço, embalagem e estratégias de venda. Frutas e legumes que iriam para o lixo viram couro vegetal comestível em projeto desenvolvido pelo Ifes em Venda Nova do Imigrante, no Sul do Espírito Santo TV Gazeta "Quanto vai custar para o mercado? Quanto vai custar para mim? Eles ainda estão com dúvidas nessa parte e é nisso que a gente vai seguir, para eles conseguirem efetivamente colocar o produto no mercado", reforçou Zâmora Santos. A expectativa é que as lâminas comestíveis, que já deram origem a medalhões de pêssego, lasanha com lâmina de berinjela e combinações como abóbora com coco, passem a integrar o comércio local, ampliando as possibilidades de renda no campo e reduzindo o desperdício de alimentos. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
05/04/2026 07:01:43 +00:00
Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue longe de países referência; compare

Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência A ampliação da licença‑paternidade no Brasil, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (31), representa um avanço aguardado há décadas. Depois de mais de 10 anos de debate no Congresso, os pais brasileiros finalmente vão ganhar mais tempo para acompanhar os primeiros dias de vida dos filhos — ainda que esse tempo continue bem menor do que o oferecido em países considerados referência no tema. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Até agora, a licença‑paternidade no Brasil era de apenas cinco dias corridos. Com a nova lei, esse período vai aumentar de forma gradual: passa para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e chega a 20 dias em 2029. O benefício vale para casos de nascimento, adoção ou guarda de crianças e adolescentes. Com isso, o Brasil deixa de ocupar o grupo dos países com regras mais restritivas e passa a figurar em uma posição intermediária no cenário internacional. Supera países como México e também fica à frente dos Estados Unidos, onde não existe uma licença parental remunerada garantida em nível nacional. Ainda assim, o país permanece distante de modelos mais avançados, adotados principalmente no norte da Europa. Os países que oferecem direito igualitário para pais e mães GloboNews Como funciona fora do Brasil Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que poucos países adotaram um modelo realmente igualitário de licença parental, garantindo o mesmo direito para pais e mães. É o caso de Suécia, Islândia, Austrália e Nova Zelândia. Na Suécia, por exemplo, o cuidado com os filhos é tratado como responsabilidade conjunta desde o primeiro dia. O país garante 480 dias de licença parental por família, que podem ser divididos entre os responsáveis. Cada um tem direito a 240 dias, sendo que uma parte desse período é obrigatoriamente individual e não pode ser transferido. 📎 A remuneração não é integral durante todo o tempo, mas o volume de dias disponíveis é muito superior ao brasileiro. Na Nova Zelândia, a lógica é parecida, mas com menos tempo. A licença parental remunerada pode chegar a seis meses e é concedida ao cuidador principal, que pode ser o pai ou a mãe, conforme decisão da família. O benefício pode ser transferido entre os parceiros, mas só um pode usar por vez. Licença-paternidade na Europa GloboNews ➡️ Na União Europeia, existe uma regra mínima: todos os países devem garantir pelo menos duas semanas de licença‑paternidade. A partir daí, cada governo define seus próprios critérios. A França oferece quatro semanas. A Holanda, seis. Em Portugal, os pais têm cinco semanas de licença‑paternidade, sendo quatro obrigatórias e totalmente remuneradas, além de incentivos para que o pai use parte da licença compartilhada, aumentando o tempo total de afastamento da família. Um outro levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com base em dados de 2025, mostra o número de dias de licença-paternidade em cerca de 193 países. A liderança é da Eslováquia, com 197 dias, seguida pela Islândia, com 183, e pela Espanha, com 133 dias. A maior parte dos países no topo do ranking é europeia. O Brasil, com cinco dias, ocupa a 80ª posição. Com os 20 dias previstos para 2029, o país passaria a figurar entre os 20 primeiros, igualando-se à Bélgica e superando o Uruguai, que conta com 17 dias. Abaixo, veja como a licença-paternidade ao redor do mundo: Licença-Paternidade no mundo (ano base 2025) Arte g1 Quando o Brasil é comparado aos Estados Unidos, o avanço fica ainda mais evidente. Apesar de ser a maior economia do mundo, o país não tem uma licença parental remunerada garantida por lei federal. “Aqui nos Estados Unidos não existe licença, nem maternidade de direito. É tudo caso a caso, depende do contrato”, explicou o jornalista Guga Chacra, em comentário ao Estúdio I. Segundo ele, muitas empresas simplesmente não oferecem nenhum benefício. EUA e Canadá não garantem, por lei federal, licença-paternidade remunerada GloboNews “Muitos pais só vão ao hospital, veem o bebê e no dia seguinte já estão trabalhando. Às vezes, se não voltam no mesmo dia”, relatou. A legislação americana garante apenas até 12 semanas de afastamento sem salário, e isso só vale para trabalhadores de empresas maiores e com mais tempo de vínculo. Alguns estados criaram programas próprios de licença remunerada, mas eles não cobrem todo o país e pagam apenas uma parte do salário. Por que dar o mesmo direito a pais e mães? Segundo Guga Chacra, os países que decidiram equiparar a licença de homens e mulheres fizeram isso por um motivo prático, além da preocupação social. “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar e ficar meses afastada.” Esse tipo de política ajuda a reduzir a discriminação contra mulheres no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, estimula uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa. Em alguns países, o direito à licença é do casal, independentemente de serem dois homens, duas mulheres ou um casal heterossexual. O tempo pode ser dividido ao longo dos anos, conforme a necessidade da família. Brasil amplia licença-paternidade Freepik 'Ampliação tímida' No Brasil, a nova lei representa um passo concreto para reconhecer o papel do pai nos primeiros dias de vida da criança. A legislação também corrige distorções ao prever situações em que o pai terá direito a uma licença equivalente à maternidade, como nos casos de falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido. Mesmo assim, especialistas avaliam que o avanço ainda é limitado. “A ampliação para 20 dias é importante, mas continua sendo tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui. Segundo ela, o Brasil ainda mantém um modelo que concentra o cuidado com o recém‑nascido quase totalmente na mulher e não adota, de fato, uma política de licença parental compartilhada. Licença-paternidade ampliada O que muda na prática? Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito. O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício. Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.
05/04/2026 07:01:41 +00:00
Colapso do turismo: lojas de luxo em Dubai sentem baque da guerra no Oriente Médio

Shopping pouco baixo movimento em Dubai Reprodução/TV Globo Louis Vuitton, Dior, Louboutin... No 'Mall of the Emirates', em Dubai, as lojas de luxo estão alinhadas umas ao lado das outras, quase idênticas. Mas, após um mês de guerra no Oriente Médio, seus corredores estão longe da agitação habitual e seus vendedores passam as horas quase sem clientes. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Não se deve vir para Dubai neste momento. É perigoso, estamos em guerra. Para mim é diferente, eu sou daqui; se eu morrer, morro com minha família", diz uma das poucas clientes da Chanel, que prefere não se identificar. Os vendedores, impecavelmente vestidos com ternos, garantem que receberam a ordem de não falar. Ainda assim, um deles descreve brevemente o ambiente geral. "Claro que há menos clientes, mas isso se nota sobretudo nos turistas; os locais continuam vindo. E, por sorte, temos muita clientela local, aqui ninguém está em pânico". A imagem de refúgio seguro para ricos expatriados e de paraíso das compras de luxo que Dubai havia construído levou um duro golpe quando mísseis e drones iranianos atingiram alguns de seus locais mais emblemáticos no início do conflito desencadeado pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Os turistas fugiram, mas a indústria do luxo tenta se manter positiva. "O sentimento predominante", passado o "espanto" dos últimos dias, "é de que a situação é temporária, de que tudo será resolvido rapidamente", afirma um agente do setor sob condição de anonimato. Veja o momento em que hotel de luxo de Dubai é atingido por retaliação iraniana Queda nas vendas Entre 6% e 8% do faturamento mundial das grandes marcas de luxo vem do Oriente Médio, segundo analistas da consultoria Bernstein. Os especialistas estimam que as vendas de artigos de luxo em março podem cair pela metade nesta região, sobretudo devido ao colapso do turismo, tanto o de visitantes quanto o de passageiros em trânsito, com os grandes aeroportos de Dubai, Doha e Abu Dhabi fechados ou operando de forma reduzida. Mais da metade das boutiques de luxo da região está localizada na Arábia Saudita e nos Emirados. Entre elas, as que registram as melhores vendas estão concentradas no Dubai Mall, outro gigantesco centro comercial da cidade. Com suas cascatas internas, seu aquário gigante, 1.200 lojas e mais de 110 milhões de visitantes por ano, este colosso da opulência ostenta o título de lugar mais frequentado do planeta. Mas, em plena guerra, o local perdeu seu ritmo frequente. Não se veem grupos de turistas, mas os clientes habituais continuam ali. Para não "gerar preocupações inúteis" ou prejudicar a "reputação" dos Emirados, a incorporadora imobiliária Emaar proibiu as lojas de fechar ou reduzir os horários de funcionamento. Segundo analistas da Bernstein, os níveis de visitação "despencaram" e várias marcas realocaram seus vendedores para tarefas de prospecção on-line, uma estratégia que se mostrou eficaz, garantem, um cenário semelhante como "durante a pandemia de Covid". De acordo com um profissional do setor, o pior cenário seria que o conflito se prolongasse com ataques esporádicos no Golfo, algo que poderia comprometer de forma duradoura a atratividade de Dubai. Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW
05/04/2026 06:00:46 +00:00
Quando a criança pode ir no banco da frente? Veja como evitar erros na volta do feriado

Cadeirinhas infantis: veja as regras para usar cada uma A escolha e o uso adequado da cadeirinha infantil ainda despertam dúvidas entre pais e responsáveis, mesmo após a sua obrigatoriedade em veículos de passeio, estabelecida em setembro de 2010. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) permite o transporte no banco da frente em situações específicas: Crianças a partir de 10 anos, com cinto de segurança; Quando o banco traseiro só tem cinto de dois pontos; Em veículos sem banco traseiro, como picapes de cabine simples; Quando há mais crianças do que lugares no banco traseiro — a de maior estatura pode ir na frente; Equipamentos certificados. Segundo a Senatran, apenas bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação são considerados dispositivos adequados. O Inmetro reforça que não há certificação para outros tipos de equipamentos. “Sem um equipamento certificado, ou seja, que passou por testes rigorosos, a criança não estará devidamente protegida”, alerta Fábio Viviani, especialista em segurança veicular. Bebê conforto, cadeirinha e assento com elevação: os dispositivos indispensáveis para transportar crianças g1 Confira abaixo as principais dúvidas sobre transporte seguro de crianças em carros: Qual cadeirinha usar no carro? Quando trocar a cadeirinha? Como usar e fixar o assento de elevação? Onde instalar a cadeirinha? O que é e como usar o Isofix? Qual cadeirinha usar no carro? No papel, a regra do Contran define faixas etárias para cada tipo de equipamento: Bebê conforto: até 1 ano ou 13 kg; Cadeirinha: de 1 a 4 anos ou entre 9 kg e 18 kg; Assento de elevação: de 4 a 7 anos; entre 15 kg e 36 kg ou até 1,45 m de altura; Banco traseiro com cinto de segurança: de 7 anos a 10 anos, desde que a criança tenha pelo menos 1,45 m de altura. O uso incorreto da cadeirinha, além da insegurança para o bebê ou a criança, inclui multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo. O Inmetro, que certifica os produtos, classifica os dispositivos por grupos que combinam idade, peso e altura. Há modelos que abrangem mais de um grupo e podem ser usados por mais tempo. “Existem cadeirinhas certificadas que comportam de 0 kg a 25 kg, por exemplo. Outras duram praticamente todo o tempo em que a criança vai precisar usar dispositivo de retenção”, afirma Gustavo Kuster, do Inmetro. Volte para o início. Quando trocar a cadeirinha? O modelo da cadeirinha deve acompanhar o crescimento da criança, garantindo que ela esteja sempre firme e protegida. Como cada versão é indicada para uma faixa etária específica, a troca do equipamento se torna necessária conforme o desenvolvimento. A transição entre os dispositivos deve considerar, na seguinte ordem de prioridade: 💺 O conforto; 👶 O tamanho da criança; 🎂 A idade da criança. Um bebê que já não cabe no bebê conforto, por exemplo, pode ir para a cadeirinha, mesmo que ainda não tenha completado a idade mínima para a transição. “Se ela ainda cabe naquele dispositivo, está confortável, com o cinto bem preso, pode continuar nele”, afirma Kuster. A posição do bebê conforto — voltado para o encosto do banco — é recomendada por causa da anatomia dos recém-nascidos. “O bebê nasce com a cabeça maior que o corpo, como na forma de um martelo. Nessa posição, ele fica mais protegido”, explica Celso Arruda, especialista da Unicamp. Volte para o início. Como usar e fixar o assento de elevação? Para os mais crescidos, a altura é o fator mais importante na hora de dispensar o assento de elevação. Crianças com menos de 1,45 m não devem usar apenas o cinto de segurança, mesmo que tenham mais de 7 anos. O assento serve para posicionar corretamente o cinto de três pontos, que deve passar pelo peito. “Se ela ainda não tiver altura suficiente e quiser continuar usando inclusive a cadeirinha completa, sem dispensar o encosto, ainda que tenha mais de 4 anos ou mais de 36 kg, tudo bem. Desde que esteja confortável”, diz Kuster. Volte para o início. Onde instalar a cadeirinha? O lugar mais seguro para transportar a criança é o banco traseiro, com cinto de três pontos e o dispositivo adequado. Mas há exceções. Em carros que só têm cinto de dois pontos no banco de trás — e não há cadeirinha certificada para esse tipo de cinto — o ideal é levar a criança no banco da frente, com cinto de três pontos e o equipamento de retenção. Mas é preciso desligar o airbag, nos carros equipamentos com o dispositivo, para não eclodir em caso de acidente e causar mais danos do que proteger a criança. “Dar um jeito de fixar a cadeirinha feita para cinto de três pontos em um cinto com dois pontos é ruim”, alerta Viviani. “Pode até parecer que ficou firme, mas nos crash tests é impressionante ver as forças envolvidas. A cadeirinha sem esse terceiro ponto de fixação não vai trabalhar da maneira como foi projetada”. Nesses casos, a recomendação é recuar o banco dianteiro ao máximo, para afastar a criança do painel. Volte para o início. O que é e como usar o Isofix? Uma das formas de prender o bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação nos carros é o Isofix, que ancora a cadeirinha ao assento traseiro do carro. Porém, a lei do Isofix foi sancionada em 2015 e somente em 2020 é que passou a ser obrigatória para todos os veículos novos fabricados ou importados no país. Este tipo de ancoragem exige pontos de fixação específicos, tanto no veículo quanto na cadeirinha. O sistema é composto por dois pontos de fixação na base da cadeirinha ou do bebê-conforto, que se encaixam a dois pontos no veículo, localizados no vão entre o assento e o encosto do banco traseiro. Pontos de ancoragem do Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Para fixar a cadeirinha, você precisa: Localizar os pontos de ancoragem no banco traseiro, que podem ser visíveis como na imagem acima, ou escondidos. Neste caso, um ícone de cadeirinha infantil ou o nome "Isofix" fica fisível. Guiar os pontos da cadeirinha aos locais do banco e empurrar, até escutar um "clique". Em algumas cadeirinhas, uma indicação em verde aparece próxima do local de ancoragem no assento do veículo. Ponto de ancoragem Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Um terceiro ponto pode estar no carro e ele se liga a uma espécie de gancho da cadeirinha, evitando que o dispositivo se movimente. Esse ponto tem nome de Top Tether e, se estiver no seu carro, estará em um dos seguintes locais: No assoalho; Na parte de trás do encosto (na área do porta-malas, como na imagem abaixo); Na lateral do carro (na mesma área de onde saem os cintos de segurança). Top tether em um Volvo XC40 divulgação/Volvo Volte para o início.
05/04/2026 04:00:35 +00:00
Mega-Sena, concurso 2.992: prêmio acumula e vai a R$ 15 milhões

O sorteio do concurso 2.992 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (4), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 15 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 17 - 49 - 33 - 04 - 23 - 36. 5 acertos - 102 apostas ganhadoras: R$ 18.954,16 4 acertos - 5.666 apostas ganhadoras: R$ 562,44 O próximo sorteio da Mega será na terça (7). Mega-Sena, concurso 2.992 Reprodução/YouTube da Caixa Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1
05/04/2026 00:37:38 +00:00
Mudanças na licença-paternidade podem impactar contratação e carreira de mulheres; entenda

Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência A ampliação da licença-paternidade no Brasil, sancionada na última terça-feira (31), reacendeu um debate que vai além do direito ao afastamento após o nascimento de um filho. A mudança também toca na desigualdade de gênero no mercado de trabalho: a forma como o cuidado ainda é tratado como responsabilidade feminina e como essa percepção influencia decisões empresariais, como contratações e promoções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova lei amplia o benefício de forma gradual. O período passa dos atuais cinco dias para 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 dias em 2029. O direito vale para nascimento, adoção e guarda. O texto também estende o acesso ao benefício a trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais. Apesar dos avanços, o modelo brasileiro ainda mantém o cuidado majoritariamente concentrado na mulher. A maternidade segue sendo tratada como um custo previsível: empresas projetam afastamentos e, muitas vezes, tomam decisões baseadas nessa expectativa antes mesmo da contratação, explica Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, programa de aceleração de carreiras femininas. “A ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante porque começa a endereçar a origem de um dos principais fatores que geram vieses no mercado de trabalho, que é a distribuição do cuidado”, afirma. Segundo Dhafyni, quando apenas a mulher se afasta, o mercado concentra nela todo o custo percebido da parentalidade. Esse custo não é apenas financeiro. Envolve expectativas sobre desempenho, disponibilidade e continuidade de carreira. Experiências internacionais indicam que políticas mais equilibradas alteram o comportamento do mercado. Em países onde homens e mulheres têm direitos semelhantes, o risco associado à contratação feminina tende a diminuir. “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar”, afirmou o jornalista Guga Chacra ao Estúdio i, na GloboNews. O contraste internacional ajuda a dimensionar o desafio. Nos Estados Unidos, não há licença parental remunerada garantida em nível federal. O afastamento depende de acordos individuais e varia conforme o estado e o tipo de emprego. Em muitos casos, pais retornam ao trabalho imediatamente após o nascimento do filho, relatou o jornalista. Na outra ponta, países como Suécia, Islândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia adotam modelos mais estruturados. Na Suécia, são 480 dias de licença parental por família, com divisão entre os responsáveis e períodos obrigatórios para cada um. Parte do benefício não pode ser transferida, o que incentiva o uso pelos homens e impede que o afastamento recaia exclusivamente sobre as mulheres. Segundo Dhafyni, esse desenho institucional faz diferença. Em países onde a licença para homens era apenas opcional, muitos deixavam de utilizá-la por receio de julgamento ou de prejuízo à carreira. No Brasil, a nova lei retira o país de um grupo entre os mais restritivos e o posiciona em um patamar intermediário. Com cinco dias de licença, o país ocupava a 80ª posição em um ranking global. Com 20 dias, deve figurar entre os 20 primeiros. Ainda assim, permanece distante dos modelos mais avançados. “A ampliação é importante, mas ainda é tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui. “O Brasil não adota uma política de licença parental compartilhada. O cuidado continua concentrado na mulher.” Os dados ajudam a explicar como essa concentração se traduz em desigualdade. As mulheres representam 51,5% da população, mas apenas 53,5% delas estão na força de trabalho. Entre os homens, esse índice chega a 72,8%. 🎓 A diferença não está na formação: elas correspondem a 59,6% dos concluintes do ensino superior. Mulheres no mercado de trabalho g1 Mesmo mais escolarizadas, avançam menos na carreira. Apenas 26,5% ocupam cargos de alta liderança. A desigualdade também aparece na remuneração. Em 2024, as mulheres receberam, em média, 78,6% do rendimento dos homens. Além disso, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e de cuidado. Os homens, 11,7 horas. Entre as mulheres fora da força de trabalho, 22,9% apontam essas responsabilidades como principal motivo para não buscar emprego. Entre os homens, o índice é de 3,1%. Essa sobrecarga molda a forma como o mercado enxerga a maternidade — e o impacto se intensifica no retorno ao trabalho. Conforme o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Ministério das Mulheres, estudos baseados na RAIS (Relação Anual de Informações Sociai) indicam que a probabilidade de emprego das mulheres cai imediatamente após o fim da licença-maternidade. Em até 24 meses, quase metade das mães deixa o mercado formal. A maior parte das saídas ocorre por iniciativa do empregador. Dados do eSocial, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), reforçam esse padrão. Entre 2020 e 2025, mais de 383 mil mulheres foram demitidas sem justa causa até dois anos após o retorno da licença. Outras 265 mil pediram demissão no mesmo período. Para Dhafyni, esse movimento não se resume às demissões. “Muitas mulheres deixam de ser alocadas em projetos estratégicos. Isso impacta diretamente a visibilidade, a influência e as oportunidades de crescimento dentro das empresas”, afirma. Dispensas do trabalho entre 2020 e 2025 sem justa causa Arte g1 Mesmo quando permanecem empregadas, muitas enfrentam a percepção de que são menos disponíveis. Essa visão se apoia na própria realidade da sobrecarga. "É comum que escolas, creches e serviços de saúde acionem exclusivamente a mãe. Isso reforça a ideia de que ela é a principal responsável", diz. ⚠️ Esse conjunto de fatores cria um ciclo: a sobrecarga afeta a rotina; a rotina reforça estereótipos; os estereótipos influenciam decisões corporativas; e essas decisões limitam a trajetória profissional das mulheres. Há, no entanto, um contraponto que costuma ficar fora do debate, lembra Dhafyni. A maternidade também está associada ao desenvolvimento de competências valorizadas no ambiente de trabalho. Estudos em neurociência indicam que a gravidez e o pós-parto promovem mudanças cognitivas relevantes, com impactos na regulação emocional, na tomada de decisão, no pensamento crítico e na criatividade, afirma a especialista. “No nosso trabalho com desenvolvimento de lideranças, observamos com clareza como a maternidade funciona como um potencializador de habilidades”, afirma Dhafyni. Segundo ela, mães tendem a apresentar maior adaptabilidade, melhor gestão do tempo e alta capacidade de priorização. Em pesquisas conduzidas pelo Todas Group com líderes da América Latina, a maternidade aparece entre as experiências citadas por mulheres que chegaram ao topo das organizações. “O problema não é a maternidade. É a forma como o mercado reage a ela”, afirma. Essa constatação reforça o caráter estrutural da desigualdade. O mercado penaliza um evento que, na prática, pode fortalecer habilidades essenciais para a liderança. A ampliação da licença-paternidade atua na raiz dessa distorção, mas não resolve o problema de forma isolada. Para Dhafyni, a permanência das mulheres no mercado após a maternidade também depende de práticas internas das empresas. Entre as mais eficazes, segundo a especialista, estão: Planejamento de carreira antes e durante a licença Programas estruturados de retorno ao trabalho Lideranças preparadas para conduzir essa transição Benefícios voltados ao cuidado na primeira infância Outro ponto central é o acesso a soluções de cuidado na primeira infância. Empresas que oferecem suporte nessa fase tendem a registrar maior retenção de talentos e menor rotatividade após a maternidade. “Criar contextos que permitam a continuidade dessas carreiras é uma decisão estratégica. Estamos falando de profissionais altamente qualificadas, prontas para o próximo estágio, mas que ainda enfrentam barreiras que nada têm a ver com desempenho”, afirma Dhafyni. A nova legislação brasileira abre espaço para esse movimento. Ela sinaliza uma mudança de direção e reconhece, ainda que de forma parcial, que o cuidado precisa ser compartilhado. Paternidade Juan Pablo Serrano/Pexels O que muda na prática? Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito. O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício. Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.
04/04/2026 08:01:21 +00:00
Como o tarifaço de Trump remodelou o comércio global

Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 Carlos Barria/Reuters Em 2 de abril de 2025, Donald Trump surpreendeu o mundo ao anunciar a "independência econômica" dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas de importação a todos os países. Desde então, o presidente americano tem se mostrado disposto a manter a medida, mesmo com a Suprema Corte questionando a legalidade do tarifaço. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A DW analisou dados comerciais sobre a origem das importações dos EUA ao longo do último ano para entender os efeitos das tarifas de Trump. Como o mundo vem se ajustando a essa nova ordem econômica? E quem está se beneficiando dessas mudanças? Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como falas de Trump mexem no preço do petróleo — e como ele reage com respostas do Irã 2 de abril de 2025: Casa Branca anuncia as tarifas do "Dia da Libertação" No anúncio do tarifaço, no chamado "Dia da Libertação", a Casa Branca informou que todos os países — com algumas exceções devido a sanções e acordos comerciais pré-existentes — seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10% sobre todas as importações. Além disso, 85 países que exportam mais para os EUA do que importam seriam alvo de tarifas mais altas, que chegavam a até 50%. "Não acho que as pessoas esperavam que o governo dos EUA basicamente declarasse uma guerra comercial contra o mundo inteiro", afirma Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong, cuja pesquisa se concentra em como tarifas e sanções afetam o comércio global. O impacto foi imediato, e os mercados financeiros globais despencaram. Enquanto Trump insistia publicamente que "as grandes empresas não estão preocupadas com tarifas", o governo americano decidiu, em 9 de abril, fazer uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%. Durante essa suspensão, diversos parceiros comerciais, como União Europeia, Vietnã e Reino Unido, correram para negociar acordos comerciais na tentativa de reduzir as tarifas anunciadas. As negociações com a China permaneceram tumultuadas nos meses seguintes, com rodadas de ameaças de tarifas recíprocas que chegaram a até 125%. Após múltiplas extensões de última hora da pausa de 90 dias, as tarifas específicas por país entraram em vigor em 7 de agosto de 2025. O Brasil acabou sendo penalizado com uma tarifa adicional de 40%. Isso elevou para 50% a alíquota extra imposta às exportações brasileiras a partir de 6 de agosto. A sobretaxa, porém, foi revertida por decisão do próprio Trump no fim de novembro. Início de 2025: importadores dos EUA fazem estoques prevendo tarifas Mesmo antes de abril, já era claro que mudanças estavam a caminho. "As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba", declarou Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025. As empresas americanas entenderam o recado. Em uma corrida para encher armazéns antes do aumento de custos, ampliaram drasticamente os pedidos e trouxeram para o país, entre janeiro e março, um volume de bens 20% maior do que a média de 2022 a 2024 — um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares (R$ 949 milhões). Prevendo tarifas mais altas sobre barras de ouro, por exemplo, os EUA importaram cerca de 50 vezes o volume habitual no início de 2025, totalizando aproximadamente 72 bilhões de dólares (R$ 371 bilhões) — principalmente da Suíça, mas também de fornecedores menos tradicionais, como Uzbequistão, Filipinas e Zimbábue. Grandes fabricantes em toda a Ásia também registraram fortes altas, com Taiwan, Vietnã e Índia exportando volumes acima do normal para os Estados Unidos nesse período. Abril a julho de 2025: empresas americanas migram para países com tarifas mais baixas O período de suspensão implementado em 9 de abril deu aos importadores americanos uma janela de três meses para se adaptar à nova situação. Um estudo de Haishi Li e colegas constatou que as empresas tentaram deslocar suas cadeias de suprimentos para países com menor risco tarifário. "As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas", disse Li à DW. Nenhum país sofreu uma redução maior do que a China, que enfrentou as ameaças tarifárias mais altas e voláteis. Entre abril e julho de 2025, os EUA importaram 66 bilhões de dólares a menos da China do que nos anos anteriores. O Canadá, que enfrentou ameaças de tarifas de 25%, também registrou uma queda significativa de 24 bilhões de dólares. No entanto, o país parece ter compensado essa redução ao ajustar seu comércio com outros parceiros: no total, as exportações canadenses em 2025 ficaram apenas 1,6 bilhão abaixo das de 2024. "Os países que mais se beneficiaram do tarifaço foram os 'países dos 10%', como Austrália e várias nações da América Latina", aponta Haishi Li. Mas algumas nações sujeitas a taxas elevadas também registraram forte aumento nas exportações para os EUA: Vietnã, Tailândia e Taiwan enfrentaram algumas das chamadas "tarifas recíprocas" mais altas — 46%, 36% e 34%, respectivamente — e, ainda assim, os EUA registraram um acréscimo de 34 bilhões de dólares em importações de Taiwan apenas entre abril e julho. "Os importadores americanos buscaram países que pudessem servir como substitutos para a China", explica o economista da Universidade de Hong Kong. Muitos fabricantes em Taiwan e no Vietnã já mantinham laços fortes com empresas dos EUA, reforçados durante a disputa comercial com a China no primeiro mandato de Trump, o que já havia deslocado parte da produção e das cadeias de suprimentos para essas e outras economias asiáticas. Americanos arcam com maior parte dos custos Até agora, a medida não trouxe a produção de volta para os Estados Unidos, afirma Alex Durante, economista-sênior do think tank americano Tax Foundation, que analisou o impacto doméstico do tarifaço de Trump. "O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego", diz ele à DW. "Os setores que estão crescendo tendem a ser aqueles relativamente protegidos das tarifas, devido a isenções como as concedidas a computadores e produtos ligados à inteligência artificial." Mesmo com a mudança na origem das compras, o valor total das importações voltou ao normal pouco depois do anúncio do "Dia da Libertação", em 2 de abril. Um dos números que mais cresceram foi a arrecadação alfandegária dos EUA. Em 2025, o Tesouro americano recolheu 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo do registrado em anos anteriores. Dados preliminares indicam que 2026 deve ultrapassar esse total. Essa arrecadação representou cerca de 5% de todos os impostos coletados nos Estados Unidos em 2025. Estudos mostram que as tarifas mais altas têm sido pagas quase integralmente pelos importadores americanos, e não por exportadores estrangeiros. Como resultado, os consumidores dos EUA acabaram arcando com a maior parte dos custos. "Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025", afirma Alex Durante, da Tax Foundation. "Esse é o efeito cumulativo de as empresas aumentarem preços, reduzirem investimentos, cortarem empregos ou diminuírem salários para se ajustar às tarifas." Incerteza assombra exportadores No cenário internacional, os meses desde agosto de 2025 têm sido marcados por acordos comerciais fechados às pressas — e desfeitos com a mesma rapidez —, além de novas rodadas de ameaças tarifárias direcionadas a países ou grupos específicos de produtos. O comércio global, afirma Haishi Li, tornou-se muito mais incerto. "Se você perguntar a acadêmicos, formuladores de políticas nos EUA ou a qualquer pessoa o que vai acontecer neste ano, acredito que ninguém saiba responder", diz o economista. O choque mais recente nesse equilíbrio já frágil do sistema tarifário dos EUA veio com a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou a base legal das tarifas do "Dia da Libertação". Com uma nova alíquota geral de 15% em vigor e o governo americano aparentemente determinado a encontrar outras formas de aplicar tarifas mais altas, exportadores e importadores tentam prever o que os próximos meses trarão. Para se adaptar a essa incerteza, diz Haishi Li, os governos podem priorizar o apoio a empresas que busquem novos mercados fora dos EUA. "Se conseguirem diversificar suas cadeias de suprimentos, isso as tornará mais resilientes — o que pode ser um ponto positivo em meio a esse cenário", finaliza.
04/04/2026 07:01:44 +00:00
Veja dicas sobre o plantio de oliveiras

Plantio de oliveiras Paulo Lanzetta/Embrapa Produtores interessados no plantio de oliveiras podem acessar gratuitamente uma cartilha com orientações técnicas sobre o tema. O material foi elaborado pela Epamig e reúne aspectos técnicos da cultura, com orientações sobre a implantação dos olivais, os tratos culturais e dicas sobre colheita e pós-colheita. A cartilha está disponível online.📱Acesse aqui Agricultor encontra 'tomate' em pé de batata
04/04/2026 06:49:07 +00:00
Chocolate com mais cacau: entenda se nova lei deve melhorar a qualidade no Brasil

De onde vem o que eu como: chocolate Na Páscoa do ano que vem, os consumidores podem encontrar um chocolate com mais cacau nos supermercados. Isso porque um Projeto de Lei aprovado em março na Câmara dos Deputados criou novas regras para a composição do produto. A lei atual, por exemplo, não prevê receitas especiais para chocolates dos tipos amargo e meio amargo, que passarão a ter definição. Mas especialistas dizem que a mudança deve ter pouco efeito prático. Isso por duas razões: muitas fabricantes já usam mais cacau do que o mínimo exigido, para atender consumidores mais exigentes; tem se popularizado no país um novo tipo de produto, o "sabor chocolate", que usa teores mais baixos de cacau. Mesmo assim, parte do setor criticou a proposta. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) disse em nota que os conceitos "restringem pesquisa e inovação, bem como novas categorias para parâmetros já previstos em normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)". Ovo de Páscoa: como a tradição começou com galinhas e virou chocolate? Como é hoje e como deve ficar? Na legislação atual, de 2022, apenas dois chocolates recebem definição. Confira abaixo: 🍫 Chocolate: é obtido a partir da mistura de derivados de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Além disso, deve ter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate branco: é obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Deve ser constituído de, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau. Quando o Projeto de Lei entrar em vigor, as regras ficarão da forma abaixo. 🍫 Chocolate amargo ou meio amargo: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. 🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados; 🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite. Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom e a sua versão solúvel, e coberturas sabor chocolate, mas não define quantidade mínima de cacau para esses itens. Qualidade vai aumentar? Para Bruno Lasevicius, presidente da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino, a mudança da lei não vai causar, necessariamente, uma melhora no produto no mercado. Isso porque existem diferentes segmentos de chocolate, cada um voltado a um tipo de público. 🍫 Chocolates finos: como os da associação Been to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo. 🍫 Chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%. 🍫 Chocolates industriais populares: esse setor já usa os teores mínimos de chocolate, de acordo com o levantamento da associação. Além disso, os preços elevados do cacau nos últimos anos fizeram com que fossem lançados doces que são "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta Lasevicius. "Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma. O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate. Vai aumentar as vendas de cacau? Mais cacau no chocolate também pode não significar um aumento significativo das vendas da amêndoa, aponta Marcos Silveira Bernardes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e produtor de cacau. "Haverá uma necessidade de ajuste da indústria, mas os efeitos sobre oferta, demanda e estoque serão muito pequenos e não deverão efetivamente causar qualquer mudança significativa nos preços de amêndoas de cacau", afirma. Isto porque, segundo cálculos do pesquisador, o consumo das amêndoas deve aumentar em cerca de 5% pela indústria. Considerando que o Brasil representa cerca de 4% do mercado mundial, o crescimento das compras em nível global deve ser de 0,15%. Já para o presidente da Associação Been To Bar, o Projeto de Lei não deve aumentar a demanda para os produtores brasileiros. Isso porque a indústria possui uma preferência pelas amêndoas importadas, que possuem o mecanismo de drawback, ou seja, são isentas de impostos, por se tratar de matéria-prima. Por outro lado, produtores dizem que o Brasil tem oferta suficiente para atender a uma possível nova demanda, diz Lasevicius. Leia também: Cacau é afrodisíaco e ajuda a prevenir doenças: veja curiosidades sobre a fruta do chocolate Bacalhau ou 'tipo bacalhau': o que saber para não errar na compra Saiba como funciona uma fábrica de chocolates finos na Amazônia
04/04/2026 06:00:45 +00:00
Quando o MEI vira fraude? Veja práticas usadas para sonegar que entram na mira da Receita

Receita Federal identifica irregularidades em MEIs Criado para facilitar a formalização de pequenos negócios, o Microempreendedor Individual (MEI) continua sendo a principal porta de entrada para quem decide empreender de forma simples e com poucos recursos. Nos últimos anos, porém, o regime também passou a ser usado de forma indevida por parte dos contribuintes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Fiscalizações da Receita Federal identificaram milhares de empreendedores que permaneceram como MEI mesmo após deixarem de cumprir requisitos básicos do regime, como o limite de faturamento, a atuação restrita às atividades permitidas e a exigência de não ter outras empresas em seu nome. ⚠️ Em muitos casos, essa permanência irregular ocorre de forma deliberada, com omissão de receita ou divisão de faturamento para manter o valor fixo de tributos que caracteriza a categoria. Na avaliação do advogado tributarista Marco Ruzene, o MEI acabou se tornando um atalho para a sonegação por reunir três fatores. “Carga tributária extremamente reduzida, com valor fixo mensal independentemente do faturamento real, dispensa de escrituração contábil formal e uma percepção equivocada de baixo risco, alimentada pela ideia de que ‘MEI não é fiscalizado’.” A partir desse cenário, o Fisco passou a identificar um uso crescente do MEI como forma de reduzir impostos de maneira indevida e, em alguns casos, como instrumento para fraudes estruturadas. Para enfrentar o problema, a Receita intensificou o cruzamento digital de dados nos últimos dois anos, o que aumentou drasticamente o número de exclusões e desenquadramentos. 'Pente-fino' Só em 2025, a Receita Federal retirou 3,9 milhões de MEIs do SIMEI, sistema de tributação da categoria. A maioria não deixou o regime por iniciativa própria: foram exclusões e desenquadramentos após análises que identificaram descumprimento das regras. 🔍 Exclusão e desenquadramento têm efeitos diferentes. O desenquadramento retira o MEI do regime por descumprimento de regras. Já na exclusão, o contribuinte perde o direito de permanecer como MEI, pode sair do Simples Nacional e ainda ter impostos cobrados de forma retroativa. A maior parte das exclusões de 2025 ocorreu em CNPJs inativos ou abandonados, que já não atendiam às exigências mínimas. Foram mais de 3,7 milhões de casos. Ainda assim, o excesso de faturamento continuou sendo uma das situações mais recorrentes — e o principal indício de que empresas que já deveriam pagar tributos mais altos estavam recolhendo menos ao permanecerem indevidamente enquadradas como MEI. O limite de faturamento do MEI é de R$ 81 mil por ano. Quem ultrapassa esse teto deve migrar para microempresa. Em 2025: 18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%; 60.637 ultrapassaram em até 20%; 3.720 excederam o limite no primeiro ano de atividade. Ao todo, mais de 83 mil foram retirados do regime por excesso de faturamento sem comunicação prévia ao Fisco — situação que, quando deliberada, passa a configurar omissão de receita. A mudança na fiscalização ficou mais evidente em 2024, quando a Receita passou a cruzar de maneira sistemática os dados de PIX, cartões de crédito, marketplaces e e-Financeira. Esse novo modelo de monitoramento ampliou a identificação de receitas não declaradas. Como resultado: 📈 Em 2024, mais de 571 mil MEIs foram excluídos ou desenquadrados por faturamento acima do limite — um número 30 vezes maior do que no ano anterior. Segundo o doutor em Direito Tributário Marco Ruzene, muitos contribuintes ainda acreditam que pequenas omissões podem passar despercebidas, mas o cruzamento automático de dados mostra o contrário. “O ponto de inflexão é quando o Fisco substitui a fiscalização declaratória pela fiscalização digital, cruzando Pix, cartões, maquininhas, marketplaces e movimentações bancárias (e‑Financeira e DIMP). A partir daí, o MEI deixou de ser invisível”, afirma o advogado. Entre as exigências para permanecer no regime estão: faturar até R$ 81 mil ao ano; possuir, no máximo, um funcionário; não ter outras empresas em seu nome; atuar somente em atividades permitidas; ter conta gov.br em níveis Prata ou Ouro; não ser servidor público federal ativo. Quando o contribuinte permanece no MEI fora desses critérios, o enquadramento passa a não refletir a realidade do negócio e, associado à omissão de receitas, indica prática irregular. Quando vira fraude? 🚫 A irregularidade vira fraude quando há intenção de enganar. Entre os métodos mais identificados pela Receita estão: abertura de MEIs em nome de terceiros para dividir faturamento; uso de múltiplas maquininhas ou contas bancárias para dispersar receitas; registro de operações de alto valor por meio de um CNPJ de MEI; subdeclaração na DASN-SIMEI; omissão de pagamentos em dinheiro ou PIX. Essas práticas são usadas para manter artificialmente a tributação reduzida do MEI mesmo quando o negócio já opera em escala maior. A omissão intencional de receita pode configurar crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/90), com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa. Também há risco de enquadramento por falsidade ideológica quando informações sabidamente falsas são declaradas. As penalidades administrativas incluem: desenquadramento retroativo; multas que chegam a 75% do imposto devido, podendo dobrar em caso de fraude; exclusão do Simples Nacional. No desenquadramento retroativo, o CNPJ deixa de ser MEI desde a data da infração, e todos os tributos são recalculados como se fosse microempresa. Quando o faturamento excede o limite em mais de 20%, a retroatividade volta automaticamente para janeiro do ano da infração. Fachada da Receita Federal, em Brasília. Marcelo Camargo/Agência Brasil Fiscalização Hoje, a Receita utiliza principalmente o cruzamento digital para identificar irregularidades. As informações vêm da e-Financeira, das operadoras de cartão de crédito, dos marketplaces, das notas fiscais eletrônicas e das transações por PIX. Esses dados revelam inconsistências como despesas superiores às receitas declaradas, compras incompatíveis com o faturamento informado, ausência de emissão de notas fiscais e movimentações acima do padrão esperado para um MEI. Para Ruzene, a maior parte das irregularidades não ocorre por desconhecimento, mas por tentativa de reduzir a carga tributária. Ele destaca que quem abre um MEI passa por sistemas com orientações claras sobre limites e obrigações. “Se não o faz, não é por desconhecimento nem por falta de acesso à informação de qualidade.” Para permanecer dentro da legalidade, o especialista recomenda que o contribuinte seja transparente em relação aos dados bancários e de compras. Se esses dados forem compatíveis com os declarados na DASN-SIMEI, o risco de autuação e desenquadramento é mínimo. Além disso, Ruzene destaca algumas medidas práticas que ajudam o empreendedor a manter o negócio em ordem: 📊 Monitoramento mensal do faturamento: mantenha um controle próprio e atualizado do fluxo de caixa. Não dependa da memória ou apenas dos extratos bancários. Registre todas as vendas, tanto de produtos quanto de serviços. 📦 Gestão das compras e atenção ao equilíbrio entre entradas e saídas: a Receita costuma presumir omissão de receita quando o volume de compras ultrapassa 80% do faturamento declarado. Acompanhar essa relação evita interpretações equivocadas. 🔐 Separação rígida entre contas pessoal e empresarial: evite misturar contas. Não use a conta jurídica do MEI para despesas pessoais nem receba pagamentos em contas de pessoa física. O cruzamento de dados via PIX e e‑Financeira identifica rapidamente esse tipo de inconsistência. 💳 Cuidado com meios de pagamento eletrônicos: operadoras de cartão e plataformas financeiras informam transações à Receita por meio da DIMP. A soma de todas as maquininhas e chaves Pix deve refletir o faturamento real e respeitar o limite anual do MEI. 📈 Planejamento da expansão do negócio: se o faturamento tende a estourar o limite no fim do ano, o ideal é planejar a migração voluntária para microempresa a partir de janeiro. Esse movimento evita multas e impede o desenquadramento retroativo. 🧾 Emissão regular de notas fiscais: mesmo dispensado de emitir nota para pessoas físicas, o MEI pode usar a nota fiscal como ferramenta de controle. Emitir notas facilita acompanhar o próprio faturamento e reduz o risco de ultrapassar o limite sem perceber.
04/04/2026 05:00:41 +00:00
Por que guerra no Irã fez ações da Petrobras baterem recorde – e como isso impacta a empresa e o Brasil

Diesel sobe quase 20% nos postos; Petrobras aumenta produção A recente valorização das ações preferenciais PETR4 da Petrobras (títulos que oferecem prioridade aos acionistas no recebimento de dividendos e compensações, geralmente não dão direito a voto e servem de referência para avaliação do valor de mercado da companhia) na Bolsa de Valores (B3) reflete a alta da principal commodity da estatal: o petróleo. Em razão da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o setor petrolífero mundial, no qual a companhia brasileira está inserida, vive uma enorme disparada de preços. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mesmo assim, a corrida aos papéis da Petrobras talvez não ocorresse com a mesma intensidade sem a retomada de investimentos exploratórios e a modernização do parque de refino. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, que enfatizam as oportunidades abertas para a Petrobras diante da crise no Oriente Médio, classificada por analistas do banco norte-americano Goldman Sachs como um autêntico choque do petróleo – o terceiro dos últimos 50 anos, depois dos registrados em 1973 e 1979. Diferentemente dos choques anteriores, que apanharam o Brasil na dependência radical dos grandes exportadores no Oriente Médio, o atual encontra o país autossuficiente em produção de petróleo bruto, do qual é exportador. Segundo balanço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado na quarta-feira (1º), a produção brasileira de petróleo e gás natural bateu recorde em fevereiro, alcançando 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). "Considerando que todos os outros fatores permaneçam inalterados, os preços do petróleo em alta poderiam aumentar exportações e receitas tributárias [do Brasil], assim como dividendos fluindo para o Tesouro", afirmam os economistas István Kecskeméti e Zoltan Horváth em análise divulgada no dia 11 de março no site da consultoria húngara OTP Global Markets. O país ainda necessita importar, entretanto, derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. Na esteira da produção recorde de fevereiro, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa cogita a possibilidade de atingir a autossuficiência em diesel em cinco anos – originalmente, a intenção era suprir 80% da demanda nesse período. "Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel", disse na quarta-feira (1º). Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil O anúncio coincide com registros de racionamento ou desabastecimento de diesel no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, onde o insumo é determinante para o sucesso da colheita da safra de verão, que inclui culturas como soja, milho e arroz. Preocupado com os reflexos da crise sobre sua imagem e a campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com indignação a um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores do que os cobrados na tabela da companhia. "Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem que fizeram", disse. Lula ameaçou anular o processo, mas isentou a direção da Petrobras de responsabilidade pelo episódio. "Para a economia brasileira, a grande preocupação centra-se no diesel – e, acima de tudo, nos fertilizantes", afirma o ex-vice-presidente do Banco Mundial Otaviano Canuto em artigo publicado na quarta-feira (1/4) no site do Centro de Política para o Novo Sul (Policy Center for the New South). O economista Mahatma Ramos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra, vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), afirma que o preço das ações da Petrobras tem sido historicamente afetado pelas situações externa e interna. Ele lembra, por exemplo, que a ação PETR4 chegou a valer R$ 23 em abril de 2021, durante a pandemia do novo coronavírus. No primeiro semestre de 2022, em razão da guerra da Ucrânia, o preço chegou a R$ 32, caindo depois diante das incertezas da sucessão presidencial daquele ano. "Desde janeiro de 2023, o que se vê é um processo de recuperação do valor das ações", sustenta. Essa escalada prosseguiu até o início de 2024, quando o preço da ação PETR4 estabilizou-se entre R$ 35 e R$ 42, e voltou a cair no ano seguinte por conta da desaceleração da economia chinesa e da guerra comercial. "Agora, em 2026, [o preço da ação] explode de novo, alcançando quase R$ 50 de valor de face." Para se ter uma ideia do peso da guerra do Irã na alta das ações PETR4, basta olhar o calendário. No dia 27 de fevereiro, uma sexta-feira, véspera do início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, a cotação desses títulos fechou em baixa de 0,28 pontos (–0,71%), tendo sido negociados na abertura a R$ 39,92, alcançando máxima de R$ 40,27 e fechando a R$ 39,33. Em 2 de março, quando os mercados reabriram após o final de semana, as PETR4 arrancaram a R$ 41,30 e fecharam a R$ 41,13, registrando uma valorização de 1,8 ponto (4,58%). Nos 22 dias seguintes de pregão, os títulos preferenciais da Petrobras deixaram de fechar no azul em apenas sete. Em 1º de abril, fecharam a R$ 47,29 – uma valorização de cerca de 20% em aproximadamente um mês. Quando se analisa a cotação do barril de petróleo Brent (cru), que serve de parâmetro para todo o setor petrolífero, as correspondências com as ações da Petrobras são evidentes. Em 27 de fevereiro, o barril Brent fechou a US$ 73,25, e em 2 de março, a US$ 77,75. Petrobras encontra petróleo em poço da Bacia de Campos, RJ No dia 2 de abril, esteve cotado a US$ 107,94, depois de atingir um pico de US$ 116,25 no dia 9 de março, quando ficou claro que o Irã utilizaria como arma de guerra a ameaça de bloqueio do estreito de Ormuz, por onde é escoado um quinto da produção petrolífera global. Para o professor do Programa de Pós-graduação Profissional em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maurício Weiss, o comportamento das ações da estatal brasileira de petróleo pode ser descrito com mais precisão como uma "síntese de fatores conjunturais e estruturais". "Este ano, a Petrobras já subiu mais de 50% [em valor de mercado]. Em março, ela subiu 18%. Isso decorre de fato do conflito no Oriente Médio, com a alta dos preços dos combustíveis", explica Weiss. O professor lembra, porém, que a empresa já vinha apresentando desempenho notável em termos de produtividade e lucratividade antes da eclosão da guerra. "Desde o ano passado, houve uma grande elevação do lucro da Petrobras em relação ao [ano] anterior [2024]. Chegou a praticamente 200% de aumento [do lucro], superior a R$ 110 bilhões. Isso é resultado do aumento da produção de petróleo e gás, especialmente por conta do pré-sal", assinala. O economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos (Dieese), ressalta que a avaliação do valor de uma empresa não é 100% neutra e objetiva, mas resulta da confluência de análises operacional, política e de mercado. "Uma empresa pode ser muito rentável, ter um futuro muito promissor, mas, por uma série de questões políticas, por exemplo, acabar mal-avaliada", afirma. "Ou o contrário: uma empresa pode estar se desmontando, completamente falida, e, por avaliação especulativa de mercado, ver subir o preço de suas ações." Maior empresa da América Latina em valor de mercado, estimado em mais de US$ 130 bilhões, a Petrobras teve seu perfil incrementado pela descoberta e exploração das reservas situadas na camada pré-sal das águas territoriais brasileiras no Atlântico, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, a partir de meados da década de 2000. Na década seguinte, porém, a companhia foi alvo de um megaescândalo de corrupção, investigado pela chamada Operação Lava-Jato, que levou ao processo e condenação de pelo menos quatro diretores da estatal por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O caso foi decisivo para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. No governo seguinte, do antes vice-presidente Michel Temer (MDB) (2016-2019), a gestão da Petrobras sofreu uma guinada por meio do chamado Preço de Paridade de Importação (PPI), da venda de ativos e da abertura ao capital estrangeiro na exploração do pré-sal. Essa política forneceu o pano de fundo para a greve dos caminhoneiros, em 2018 – que tinha como uma das bandeiras o protesto contra o alto preço do diesel –, e para a forte alta do preço dos combustíveis em 2022, logo depois do início da invasão russa da Ucrânia, já sob Jair Bolsonaro (2019-2022), sucessor de Temer. Petrobras reajusta querosene de aviação: entenda o impacto nas passagens Personagem central do escândalo da Lava-Jato, que culminou em sua condenação e prisão por 580 dias entre 2018 e 2019 (as condenações foram anuladas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal), Lula elegeu-se no ano seguinte com a promessa de sepultar o PPI, sob o qual o litro da gasolina comum chegou a custar R$ 8,95 em 2022. "Nós não vamos pagar o preço internacional, nós vamos pagar o preço do custo da gasolina aqui no Brasil", disse Lula em maio daquele ano. Para o presidente, a empresa devia se preocupar em induzir o desenvolvimento. "Porque a Petrobras tem que pensar no investimento, (...) pensar em 200 milhões de brasileiros que são donos dessa empresa ou são sócios dessa empresa", afirmou. Sob pressão da alta do petróleo a partir do início da guerra no Oriente Médio, o governo Lula adotou uma série de medidas mitigadoras como a redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel, o subsídio de R$ 0,32 por litro desse combustível e a redução de alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pactuada com todos os 27 governadores. Cararine afirma que a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2024, e a guerra no Irã servem como lembrete de que a economia mundial continua largamente dependente dos combustíveis fósseis. A China, por outro lado, embora continue sendo a maior importadora de petróleo do mundo, aposta na diversificação da sua matriz energética. "A China tem petróleo, carvão e minerais críticos, mas tem apostado nos últimos anos na não-dependência do petróleo." A Petrobras, avalia, deveria levar em conta a existência desses dois fatores – de um lado, o negacionismo climático de Trump e a nova guerra do Golfo, e de outro, o interesse da China em energia limpa – e converter-se de empresa petrolífera em empresa de energia. "O futuro vai depender dessa relação de forças. Se, por um lado, esse modelo americano, que considero insustentável, permanecer por mais tempo, isso adiará a transição energética. Se houver uma mudança de direção nos Estados Unidos, com um governo mais preocupado com isso, crescerá o espaço para políticas que vão no mesmo sentido", finaliza.
03/04/2026 19:50:21 +00:00
Veja dicas e boas práticas para o plantio de oliveiras

Oliveiras colhidas em Encruzilhada do Sul Reprodução/RBS TV O Dante Zanini, de Dom Pedrito (RS), escreveu ao Globo Rural pedindo dicas para o plantio de oliveiras. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem um folheto gratuito com as informações sobre o assunto. 📱Acesse aqui. Maior produtor de azeite do mundo, Espanha investe nas oliveiras
03/04/2026 18:45:33 +00:00
Taxa das blusinhas: arrecadação do governo sobe 25% em janeiro, para R$ 425 milhões; Alckmin avalia que medida protege o emprego

O governo federal arrecadou o valor R$ 425 milhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais, a chamada "taxa das blusinhas", em janeiro deste ano. Segundo números da Receita Federal, isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado — quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões. No primeiro mês deste ano, foram recebidas 15,3 milhões remessas internacionais, em comparação com 11,4 milhões em janeiro de 2025. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ➡️De acordo com o jornal "O Globo", o governo voltou a avaliar a revogação da chamada "taxa das blusinhas", em um ano eleitoral. O movimento é liderado pela ala política, especialmente o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas envolve outros setores. ➡️Ao mesmo tempo, a Câmara dos Deputados já discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, ou seja, impõe um fim à chamada "taxa das blusinhas". O vice-presidente Geraldo Alckmin lembrou que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país (veja mais abaixo nessa reportagem). Se por um lado a medida tem ajudado na arrecadação federal, por outro ela tem resultado em prejuízo aos Correios, que passam por forte crise financeira. Resultado em 2025 💵No acumulado de todo ano de 2025, a chamada taxa das blusinhas arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões, ajudando o governo no atingimento da meta fiscal. Segundo informou o Fisco em fevereiro, 50 milhões de brasileiros estão "cumprindo suas obrigações tributárias" por meio das empresas habilitadas no Remessa Conforme — programa adotado para regularizar as encomendas internacionais. "Com o PRC [Programa Remessa Conforme] o governo conseguiu elevar drasticamente o registro de declarações de importação e combater a evasão fiscal, ao mesmo tempo em que acelerou o prazo de entrega dos produtos. O número de encomendas 'não PRC' [fora do programa] no Brasil caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025", informou o Fisco, em fevereiro. GETTY IMAGES via BBC Taxa das blusinhas ➡️Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme. 🔎A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. ➡️À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira. Alckmin defende a indústria nacional Alinhado com a indústria nacional, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse nesta semana que não tem participado do debate sobre a revogação da taxa das blusinhas. 🔎Alckmin deixou o cargo de ministro nesta semana para concorrer a reeleição ao cargo de vice-presidente na chapa do presidente Lula neste ano. Ele lembrou, porém, que defendeu a adoção do tributo no passado para proteger a produção, o emprego e a renda no país. Alckmin não citou o viés arrecadatório da taxação. "Defendi lá atrás, porque se você pegar o produto fabricado no brasil, a roupa, ele paga entre 45%, a quase 50% de tributo. Uma média de 45%. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro (...) Mesmo com a tributação [taxa das blusinhas], ainda é a carga bem menor do que o produto brasileiros", disse o vice-presidente, nesta sexta-feira (2). No começo do ano passado, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) fez a mesma avaliação. Segundo a entidade, a taxa das blusinhas contribuiu para a manutenção de milhares de empregos de trabalhadores no país. "Os bons resultados decorrentes da taxação de 20% das remessas internacionais de até U$ 50 demonstram a pertinência da isonomia tributária e regulatória. Esta agenda, que tem sido trabalhada por diversos países e sobre a qual ainda precisamos avançar mais, seguirá como prioridade da Abit, pois são sempre positivos os impactos da redução das desigualdades de condições entre as empresas brasileiras e as estrangeiras", informou a Abit, em 2025, por meio de nota.
03/04/2026 13:16:50 +00:00
Criticado por Trump e defendido por Lula: veja as novidades previstas para o PIX, que bateu recorde em 2025

'Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX', diz Lula ao comentar relatório dos EUA O Banco Central (BC) continua trabalhando na chamada agenda evolutiva do PIX e prepara novidades para a ferramenta de transferências em tempo real. Inaugurada em 2020, a plataforma voltou a ser alvo de críticas nesta quarta-feira (1º) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — sob o argumento de que o sistema é prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. Orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu prontamente e disse que "ninguém" vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX. Reprodução/TV Globo Novidades em estudo ➡️O Banco Central também prevê novidades para o PIX neste ano. Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários. Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico. ➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central: PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. O objetivo é interligar sistemas de pagamento instantâneos. PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. ➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido. Números do PIX A ferramenta de transferências do Banco Central é um sucesso. No ano passado, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. Além do amplo e generalizado uso pela população brasileira, a plataforma foi responsável pela inclusão de milhões de pessoas no sistema financeiro. O sistema também estimulou a economia, principalmente em pequenos negócios, seja presenciais ou digitais, que antes tinham mais dificuldades em receber os pagamentos por seus produtos e serviços. Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. "É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião. “Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas”, afirmou o diretor do BC, Renato Gomes, em novembro do ano passado. Evolução nos últimos anos Reconhecida internacionalmente, a ferramenta de transferência em tempo real do Banco Central evoluiu nos últimos cinco anos. Veja a evolução: 📩 PIX Cobrança: passou a cumprir o papel do boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviço emitam e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente. 💵 PIX Saque e PIX Troco: lojas e outros estabelecimentos passaram a funcionar como pontos de saque, o que descentraliza o acesso ao dinheiro e ainda reduz custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos. 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, ganhando relevância entre empregadores, autônomos e profissionais liberais pela previsibilidade e organização financeira. 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, trouxe a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação, para o ambiente digital. 🔄 PIX Automático: transforma os pagamentos recorrentes ao democratizar o equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições, e facilitar cobranças de serviços contínuos. 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais, permitindo iniciar pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular. Divulgação
03/04/2026 11:32:18 +00:00
Páscoa salgada: ovos de chocolate ficam até 19,8% mais caros no interior de SP e podem perder espaço para colombas; aponta USP

Ovos de páscoa Divulgação Com variação de R$ 54 e R$ 114, o preço dos ovos de Páscoa em Piracicaba (SP) está até 19,8% mais caro em relação a 2025. A estimativa foi apontada em um estudo do Grupo Painel Econômico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que ainda aponta uma tendência de substituição por colombas. 🐰 De acordo com o levantamento da USP, uma família de quatro pessoas que irá consumir chocolates e preparar o almoço de Sexta-feira Santa, com o tradicional bacalhau, irá gastar aproximadamente R$ 365,86. Leia mais: Páscoa 2026: compare o preço dos ovos com os do ano passado 📊 Os dados foram coletados em nove estabelecimentos — tanto supermercados, quanto atacarejos — de Piracicaba entre 16 e 27 de março de 2026. A metodologia segue os padrões do Procon/Dieese, que analisa produtos consumidos por famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Ovos de Páscoa mais caros Os preços dos ovos de Páscoa em Piracicaba para 2026 apresentam um aumento em todas as categorias de peso quando comparados ao ano de 2025. Confira o comparativo abaixo: Faixa de 200 g a 250 g: O preço médio saltou de R$ 45,73 para R$ 54,24, representando uma alta de 18,61%; Faixa de 300 g a 350 g: O valor médio subiu de R$ 64,42 para R$ 75,06, representando uma alta de 16,52%; Faixa de 500 g: Esta categoria registrou a maior alta percentual, passando de R$ 95,67 para R$ 114,63, um aumento de 19,82%. Ovos de páscoa ficam mais caros em Piracicaba e podem ser 'trocados' pela colomba Claudia Assencio/g1 Chocolate ou brindes: o que atrai os consumidores? De acordo com o levantamento da USP, o que mais atrai consumidores nos ovos de Páscoa tradicionais não é mais o chocolate, mas os brindes e brinquedos que vêm dentro. Eles deixaram de ser apenas um doce e se transformaram em experiência de consumo. Os fabricantes ampliaram o portfólio para atender diferentes faixas de renda, com preços variados e opções para todos os bolsos. Além disso, diversificaram a oferta de produtos artesanais e novos sabores, focando no público adulto tanto quanto em crianças e jovens. 🐰 Seis recheios em um só: ovo de Páscoa fatiado vira sucesso entre clientes e bomba na web Ovos de páscoa ficam mais caros em Piracicaba e podem ser 'trocados' pela colomba Claudia Assencio/g1 Alternativas mais baratas Devido às restrições orçamentárias, de acordo com a pesquisa da USP, há uma tendência de substituição dos ovos por colombas. No entanto, as alternativas mais baratas ficaram mais caras em 2026 — veja abaixo: Colomba de Frutas (350 g): O preço médio é de R$ 22,25, o que representa uma alta de 2,25% em relação a estimativa de 2025. Colomba de Chocolate (350 g): Teve o aumento mais expressivo, de 20,47%, passando de R$ 18,32 em 2025, para R$ 22,07 em 2026. Para contornar as restrições orçamentárias, muitos consumidores também estão optando por comprar barras de chocolate, bombons ou coberturas para produzir suas próprias sobremesas em casa. Essa opção, neste ano, é o que está mais em conta. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 🍫 A cobertura fracionada blend, utilizada para fazer sobremesas caseiras, apresentou uma queda de 29,76% no seu preço médio, passando de R$ 43,82 em 2025, para R$ 30,78 em 2026. Ovos de Páscoa estão até 19,8% mais caros em Piracicaba e podem perder espaço para colombas Claudia Assencio/g1 Gasto de R$ 365 para a celebração De acordo com o levantamento da USP, a estimativa de gastos para uma família de quatro pessoas (composta por dois adultos e duas crianças) para a celebração na cidade é de aproximadamente R$ 365,86. Para presentear a família e preparar uma sobremesa, a estimativa considera a compra de quatro itens, totalizando R$ 161,42. Esse valor representa um aumento de 3,93% em relação ao ano anterior — veja os produtos considerados na estimativa: Bacalhau Arquivo/Restaurante Porto Cave Dois ovos de Páscoa na faixa de 200 g a 250 g; Uma colomba pascal (calculada pela média de preço entre os sabores de frutas e chocolate); Uma barra de cobertura fracionada (1 kg). O custo para adquirir os ingredientes básicos para o preparo de do almoço na Sexta-feira Santa é de R$ 204,44. Em comparação à Páscoa de 2025, o preço do almoço está 2,09% mais barato, principalmente, segundo o levantamento, devido à queda no preço dos legumes e do azeite. 🛒 Os legumes mais usados para o preparo do prato de bacalhau são a batata, a cebola e o tomate. Veja a lista completa dos ingredientes considerados no levantamento: 1 kg de bacalhau: R$ 152,28 (o item mais caro, com alta de 9,22%) 500 ml de azeite: R$ 34,37 (teve queda de 22,75%) 1 kg de batata: R$ 4,86 (queda de 43,82%) 1 kg de cebola: R$ 4,23 (queda de 51,88%) 1 kg de tomate: R$ 8,70 (alta de 16,94%) Piracicaba tem menor preço de ovos de Páscoa entre cidades Seis recheios em um: tendência do ovo de Páscoa fatiado é 'instagramável' e pedida por clientes Acervo Pessoal/ A pesquisa também comparou os preços de Piracicaba com os dados do Procon de Sorocaba (SP), Ribeirão Preto (SP) e São Paulo (SP). Entre os ovos de Páscoa, Piracicaba possui o menor preço médio entre as cidades. Ovos de 300 g e 350 g em Ribeirão Preto chegam a ser 13,04% mais caros (R$ 84,85) do que em Piracicaba (R$ 75,06). Piracicaba apresenta os preços mais altos das colombas e do azeite. No bacalhau, Sorocaba disparou com o preço mais alto, registrando R$ 184,67/kg, valor 21,27% superior ao de Piracicaba. 📊 Confira o comparativo completo na tabela abaixo: Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba
03/04/2026 09:47:14 +00:00
Trabalho análogo à escravidão: imigrantes são resgatados em oficinas que produziam para marcas de roupas em MG

Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Duas operações realizadas por auditores fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) resgataram 29 imigrantes bolivianos submetidos a condições análogas à escravidão em oficinas de costura que produziam peças para as marcas Anne Fernandes e Lore. Os trabalhadores foram encontrados nos municípios de Betim e Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). As ações ocorreram em 2025 e tiveram início a partir de denúncias anônimas, além de uma investigação que rastreou a cadeia produtiva das empresas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo os relatórios, uma das operações começou após o Conselho Tutelar receber denúncias por meio do Disque 100. Os relatos indicavam que um cidadão boliviano aliciava conterrâneos e os submetia a jornadas que iam das 6h da manhã até a madrugada, inclusive com a participação de crianças nas atividades. Em um dos casos, envolvendo a Lore Confecções, 16 trabalhadores foram resgatados – 12 homens e 4 mulheres, incluindo um adolescente. Já na fiscalização relacionada à Lagoa Mundau Indústria e Comércio Atacadista de Roupas, dona da marca Anne Fernandes, outras 13 pessoas foram encontradas nas mesmas condições. Em nota, a Lagoa Mundau disse que repudia violações trabalhistas, afirmou que a oficina era um fornecedor autônomo e que não tinha controle sobre a mão de obra. A companhia declarou ainda que desconhecia as irregularidades, contestou a autuação e rescindiu o contrato após a operação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As inspeções identificaram uma série de irregularidades graves. Os trabalhadores atuavam sem registro em carteira e sem acesso a direitos básicos, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e cobertura do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de receberem remuneração inferior ao salário mínimo em parte dos casos. A remuneração era feita por produção, com descontos relacionados a despesas como passagem internacional, alimentação e medicamentos, o que, segundo a fiscalização, configurava um sistema de servidão por dívida. Os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas, que chegavam a cerca de 68 horas semanais. De segunda a sexta-feira, o expediente médio era de 12 horas e 45 minutos por dia, com relatos de trabalho das 7h às 21h e, em casos mais graves, até a madrugada. Aos sábados, a jornada seguia das 7h ao meio-dia. Apesar de haver pausas para refeições, a carga horária ultrapassava o limite legal de 8 horas diárias e 44 semanais. A pressão era intensificada pelo pagamento por produção e pelo endividamento dos imigrantes, que precisavam quitar despesas e garantir a subsistência das famílias. As condições de trabalho e moradia também foram consideradas degradantes. Em muitos casos, os trabalhadores viviam nos próprios locais de produção ou em imóveis superlotados. As oficinas apresentavam instalações elétricas improvisadas, ausência de equipamentos de segurança, risco de incêndio e acúmulo de materiais inflamáveis. O ambiente era quente e sem ventilação adequada, devido ao uso de telhas de fibrocimento, e não havia qualquer controle térmico ou acústico. O mobiliário era precário, com uso de cadeiras improvisadas, caixas de papelão ou assentos sem encosto. Também foram constatadas falhas graves em higiene e infraestrutura: banheiros insuficientes e compartilhados entre homens, mulheres e crianças, ausência de refeitórios adequados e preparo de alimentos em condições inadequadas. Em um dos locais, o bebedouro estava apoiado sobre um vaso sanitário. Bebedouro apoiado sobre vaso sanitário em operações realizadas por auditores fiscais do trabalho. Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Os relatórios ainda apontam indícios de tráfico de pessoas, com recrutamento de trabalhadores bolivianos em situação de vulnerabilidade, trazidos ao Brasil sob falsas promessas de emprego. Em um dos casos, uma adolescente atuava como cozinheira para o grupo. Os valores pagos pelas marcas às oficinas variavam conforme a peça, indo de cerca de R$ 10 a R$ 80 — com casos pontuais mais altos. No entanto, os trabalhadores recebiam apenas uma fração desses valores. Anotações de produção mostram pagamentos de R$ 3 por saia, entre R$ 4 e R$ 10 por blusa, de R$ 10 a R$ 16 por calça e de R$ 13,50 a R$ 27 por vestido. Em muitos casos, o valor ainda era dividido entre vários trabalhadores envolvidos na confecção. Além disso, iniciantes chegavam a receber cerca de R$ 1.200 por mês, abaixo do salário mínimo, e parte da remuneração era descontada para cobrir despesas como moradia, alimentação e passagens, reforçando o endividamento. Por outro lado, peças das marcas são vendidas por valores muito superiores no varejo. Uma jaqueta da Anne Fernandes pode custar quase R$ 10,7 mil, enquanto itens da Lore chegam a cerca de R$ 6,5 mil. Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) De acordo com a fiscalização, as marcas exerciam controle direto sobre a produção, definindo modelos, preços, prazos e padrões de qualidade, o que mantinha as oficinas em situação de dependência econômica. Os auditores apontam ainda que as empresas tinham conhecimento das condições precárias e não adotaram medidas para regularizar a situação. Nos dois casos, as oficinas funcionavam como estruturas informais, apesar de vinculadas às marcas por meio de ordens de serviço. Para os fiscais, há indícios de terceirização irregular e uso de empresas de fachada. As investigações indicam ainda um padrão recorrente no setor de confecção: a exploração de mão de obra imigrante em condições degradantes, com moradia no próprio local de trabalho e ausência de direitos trabalhistas. As empresas podem sofrer uma série de sanções. Entre elas estão o reconhecimento do vínculo empregatício com os trabalhadores resgatados, pagamento de verbas rescisórias – que, em um dos casos, ultrapassaram R$ 130 mil –, além de autos de infração e multas administrativas. Os nomes das empresas também podem ser incluídos no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, a depender da tramitação administrativa do caso. Além disso, podem responder por danos morais individuais e coletivos. Os relatórios apontam ainda a nulidade dos contratos de terceirização firmados com as oficinas e indicam que as empresas agiram com falhas na escolha e fiscalização dos fornecedores. Imigrantes bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em oficinas Auditoria-fiscal do Trabalho/Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Nota de posicionamento da Lagoa Mundaú Indústria A empresa manifesta seu repúdio absoluto e incondicional a qualquer forma de trabalho que viole a dignidade humana, especialmente o trabalho em condições análogas à de escravo. Esse valor não é apenas uma diretriz, mas um pilar fundamental e inegociável de nossa cultura corporativa e de nosso histórico de mercado. Compartilhamos da mesma indignação da sociedade e de nossos parceiros diante de uma temática tão grave e reafirmamos que nossa atuação é pautada pelo mais estrito cumprimento da lei. É fundamental esclarecer a natureza da relação jurídica com a oficina de costura citada. A Lagoa Mundau mantinha um contrato de natureza estritamente mercantil de industrialização por encomenda, conhecido como "facção". Nessa relação, celebrada entre duas empresas autônomas, a Lagoa Mundau apenas contratava uma etapa específica do processo produtivo, fornecendo a matéria-prima. O fornecedor em questão era um empresário individual independente, cuja oficina de facção era devidamente estabelecida e autorizada pelos órgãos legais do Brasil, possuindo não somente CNPJ ativo, mas também inscrição estadual fornecida pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais. Ele possuía maquinário próprio e atendia a outros clientes no mercado, o que comprova sua plena autonomia empresarial e afasta qualquer tese de exclusividade ou dependência em relação à nossa marca. A gestão de suas atividades e, principalmente, de sua mão de obra, era de sua exclusiva responsabilidade. Tratava-se de um empresário autônomo, financeiramente capaz e independente de qualquer um de seus contratantes. Nossa interação com a oficina era extremamente limitada. A Lagoa Mundau apenas tinha acesso à área de entrega de matéria-prima e recebimento das roupas prontas. Nesse local, era feita a verificação da qualidade das peças por nosso profissional. Jamais adentramos internamente na oficina, principalmente nos locais onde os trabalhos eram realizados ou onde permaneciam os empregados daquele estabelecimento. Por consequência, não tínhamos nenhum conhecimento do funcionamento interno da oficina, muito menos contato com seus trabalhadores ou qualquer outro tipo de interação com as pessoas que ali trabalhavam. O poder de direção da Lagoa Mundau limitava-se estritamente ao controle de qualidade do produto final, não alcançando, em hipótese alguma, a gestão interna da oficina, a definição de jornadas, a contratação de pessoal ou o pagamento de salários. Sobre as alegações da fiscalização, a Lagoa Mundau esclarece que a autuação administrativa é tecnicamente equivocada e baseada em premissas frágeis. A idoneidade da empresa é comprovada por seu histórico impecável, ostentando a classificação máxima "Sintonia A+" da Receita Federal, selo concedido a organizações com o mais alto nível de conformidade fiscal. Estamos em dia com todas as obrigações trabalhistas, previdenciárias e fundiárias, sem qualquer débito no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT). Assim que tomamos conhecimento da ação fiscal em setembro de 2025, agimos com rapidez e rigor. Mesmo antes da conclusão de qualquer processo, a empresa realizou o distrato imediato com o fornecedor em outubro de 2025. Essa medida demonstra nossa política de tolerância zero: qualquer indício de descumprimento de normas trabalhistas na cadeia de suprimentos resulta no desligamento sumário do parceiro comercial. Apresentamos defesas administrativas robustas, fundamentada em documentos que provam a ausência de subordinação e a total autonomia do fornecedor. Estamos convictos de que a justiça prevalecerá e a improcedência das acusações será reconhecida, restabelecendo a verdade sobre nossa conduta diligente. Quanto à nossa rede de parceiros, mantemos um canal de diálogo constante com influenciadores digitais e revendedoras, reafirmando nosso compromisso inabalável com a produção ética. Este episódio isolado com um fornecedor externo serviu para intensificar ainda mais nossos protocolos de auditoria e conformidade (compliance). Implementamos mecanismos de monitoramento ainda mais rigorosos na seleção e vigilância de prestadores de serviços, garantindo que toda a cadeia produtiva reflita os altos padrões de responsabilidade social que sustentam a trajetória da marca Anne Fernandes. Reiteramos nosso compromisso com a transparência, com a ética e com o desenvolvimento social, e permanecemos à disposição para novos esclarecimentos que se façam necessários. Nota de posicionamento da Lore A empresa esclarece que não mantém qualquer vínculo com as oficinas citadas desde o fim de 2025. A rescisão contratual ocorreu imediatamente após a comunicação das irregularidades. Reafirmamos que não compactuamos com qualquer violação à dignidade humana ou aos direitos trabalhistas. Os contratos com as oficinas foram firmados com empresas autônomas para fornecimento de produto acabado. Não havia ingerência na gestão da produção ou da mão de obra por parte da nossa companhia. A empresa reitera seu compromisso com a legalidade, o respeito às pessoas e a plena colaboração com as autoridades competentes. ⚠️ Como denunciar? Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota no Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Este é o canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão. O denunciante não precisa se identificar, basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações. A ideia é que a fiscalização possa, a partir dessas informações do denunciante, analisar se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e realizar as verificações no local. Sobrevivente de trabalho escravo em vinícolas vira agente fiscal e ampara outras vítimas
03/04/2026 09:00:58 +00:00
‘O primeiro contato foi um boleto’: empreendedores denunciam envio de cobranças que induzem ao erro

Quando abriu o aplicativo do banco para conferir as movimentações do mês, a costureira Silvana* se deparou com uma cobrança inesperada: um boleto de R$ 495 emitido por uma empresa da qual nunca tinha ouvido falar. O documento aparecia registrado no sistema de Débito Direto Autorizado (DDA), mecanismo usado pelos bancos para reunir boletos vinculados ao CNPJ ou CPF do cliente — normalmente contas e cobranças regulares de fornecedores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por alguns minutos ela chegou a considerar fazer o pagamento. “Na hora, bateu o medo de ficar inadimplente com o CNPJ”, relata. Sem qualquer contato prévio, proposta comercial ou contratação de serviço, o documento tinha aparência de uma cobrança legítima. Veja vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Antes de pagar, porém, Silvana decidiu pesquisar o nome da empresa na internet. E ao encontrar relatos semelhantes de outros empresários, decidiu não efetuar o pagamento. A cobrança estava ligada a uma plataforma que reúne dados cadastrais de CPFs e CNPJs e permite consultar informações usadas em análises de crédito e decisões comerciais, como pendências relacionadas a cheques, protestos, ações cíveis e processos de recuperação judicial. Boletos desse tipo costumam aparecer diretamente nos aplicativos bancários por meio de sistemas criados para facilitar o controle de pagamentos. No entanto, a prática tem gerado milhares de reclamações e levantado questionamentos jurídicos sobre possíveis abusos em estratégias comerciais baseadas no envio dos chamados “boletos de proposta”. Envio de boletos sem solicitação De acordo com relatos de empresários e especialistas ouvidos pelo g1, o mecanismo costuma seguir uma lógica simples: empresas registram boletos em nome de CNPJs mesmo sem qualquer contratação prévia de serviço. Como o documento passa a aparecer diretamente no sistema bancário, muitos empreendedores interpretam a cobrança como uma obrigação financeira legítima — especialmente quando o boleto surge no aplicativo do banco ao lado de contas e pagamentos recorrentes. No caso relatado por Silvana, o documento foi emitido pela SEBRACOM Empresarial. Boleto proposta recebido por micro e pequenos empreendedores Arquivo pessoal Segundo a microempreendedora, o que mais causou estranhamento foi o fato de o boleto ter sido o primeiro contato da empresa com ela. “Não houve ligação, e-mail ou proposta explicando o serviço. O primeiro contato foi um boleto”, afirma. “Isso faz a gente se sentir vítima de um golpe.” Situações semelhantes aparecem em relatos publicados no Reclame Aqui. Um empreendedor da cidade de Agudos, no interior de São Paulo, contou na plataforma que chegou a pagar o boleto de R$ 495 acreditando se tratar de uma cobrança de um fornecedor de matéria-prima. A confusão só foi percebida depois. “Achei que era uma fatura de material que eu havia comprado. Depois minha gerente do banco comentou que a empresa tem péssima fama por esse tipo de cobrança”, relatou. O empresário afirma que solicitou reembolso e classificou o episódio como “golpe”. Boleto proposta recebido por micro e pequenos empreendedores Arquivo pessoal Na mesma plataforma, há também relatos de empresários que dizem receber boletos de forma recorrente. Um empreendedor de São José dos Campos (SP) afirmou que documentos no valor de R$ 495 aparecem mensalmente em seu aplicativo bancário, mesmo sem autorização. Segundo ele, a intenção é buscar ajuda de órgãos de defesa do consumidor caso os envios continuem. Reclamações se multiplicam O volume de reclamações relacionadas a esse tipo de prática também chama atenção. Levantamento feito pelo g1 no site Reclame Aqui mostra que a SEBRACOM acumulou mais de 19,1 mil queixas ao longo de 2025. Nos relatos publicados na plataforma, o padrão se repete: empresários afirmam ter recebido boletos sem qualquer contratação prévia e dizem ter ficado em dúvida sobre a natureza da cobrança. Situação semelhante foi relatada nas redes sociais pela esteticista Duanne Ellen. Em um vídeo publicado em abril do ano passado, ela conta que encontrou um boleto de R$ 459 registrado em seu DDA bancário. Initial plugin text Ao pesquisar o nome da empresa, diz ter encontrado uma sequência de reclamações semelhantes no Reclame Aqui. “Você entra na plataforma e vê reclamações com minutos ou horas de diferença. Parece algo feito em massa.”. Segundo ela, a decisão foi não pagar o documento. 'Proposta' que pode induzir ao erro Ao g1, especialistas em direito afirmam que o formato dessas propostas comerciais pode gerar confusão justamente por reproduzir elementos típicos de cobranças reais. A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, explica que o envio de boletos de proposta — documentos usados para apresentar uma oferta comercial — não é proibido por si só. O problema, segundo ela, surge quando o documento é estruturado de forma muito semelhante a uma cobrança obrigatória. 🔎 Isso acontece, por exemplo, quando o boleto apresenta características comuns de contas a pagar, como data de vencimento e valor definido, sem deixar claro de forma inequívoca que se trata apenas de uma oferta opcional. A advogada acrescenta que a estratégia tende a se apoiar justamente na rotina administrativa das empresas. Pequenos negócios lidam diariamente com uma grande quantidade de contas, tributos e cobranças de fornecedores, o que pode levar a pagamentos feitos de forma automática ou sem conferência detalhada. “É uma prática que explora exatamente esse fluxo de pagamentos. Funciona quase como uma forma de engenharia social aplicada ao ambiente empresarial”, diz. Porém, dependendo da forma como o documento é apresentado, a prática pode ultrapassar os limites de uma oferta comercial legítima. Para Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, nesses casos o envio de cobranças para serviços não contratados pode ser considerado abusivo. “Você está ofertando algo que não foi solicitado e que chega com aparência de cobrança”, afirma. Segundo ele, se não houver prestação efetiva de serviço, a situação pode até ser interpretada como estelionato. Nesses casos, empresários que realizam o pagamento por engano têm direito de pedir a devolução do valor. 📚 Os especialistas também destacam que, embora a relação envolva duas empresas, o Código de Defesa do Consumidor pode ser aplicado em determinadas situações. Isso ocorre quando micro e pequenas empresas demonstram vulnerabilidade técnica ou informacional diante do fornecedor. O advogado Leandro Aghazarm, da área cível do Henneberg Ferreira Marques Advogados, afirma que o envio de boletos com aparência de cobrança pode caracterizar cobrança indevida e até publicidade enganosa. Segundo ele, a prática também pode violar o princípio da boa-fé objetiva que deve orientar as relações contratuais. “O envio de documentos com aparência típica de cobrança, sem explicar claramente que se trata apenas de uma proposta comercial, pode ser considerado uma conduta abusiva”, afirma. Aghazarm lembra ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu, em diferentes decisões, a possibilidade de aplicar o Código de Defesa do Consumidor em relações entre empresas quando há fragilidade na relação contratual. O que fazer ao receber ou pagar um boleto proposta? Especialistas recomendam atenção redobrada sempre que uma cobrança desconhecida aparecer no sistema bancário da empresa. A primeira medida é verificar a origem do documento e confirmar se existe, de fato, alguma relação comercial com a empresa emissora. Caso não haja contratação prévia, a orientação é não efetuar o pagamento. 📢 Também é recomendável registrar a situação em canais de reclamação ou em órgãos de defesa do consumidor, como o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), para alertar outros empresários sobre a prática. Agora, se o pagamento tiver sido feito por engano, ainda é possível tentar recuperar o valor. O caminho inicial costuma ser procurar diretamente a empresa responsável pela cobrança e solicitar a devolução, explicando que não houve contratação do serviço. A advogada Daniela Poli Vlavianos explica que, em muitos casos, a tentativa de resolver o problema fora da Justiça é o primeiro passo. “Uma notificação pedindo o reembolso pode resolver a situação. Caso contrário, é possível ingressar com ação judicial por enriquecimento sem causa.” ⚖️ Se não houver acordo, o empresário pode recorrer ao Judiciário. A ação pode se basear justamente na inexistência de relação contratual que justifique a cobrança, além do fato de o pagamento ter sido realizado por erro. Projeto de lei tenta proibir prática O envio de boletos sem solicitação prévia também tem sido alvo de debate no Congresso Nacional. O advogado Eduardo Terashima, sócio de resolução de disputas do NHM, explica que tramita no Congresso o Projeto de Lei nº 2243/2019, que busca proibir o envio desse tipo de documento quando não houver pedido prévio do destinatário. A proposta, explica ele, surgiu justamente para evitar situações em que empresários sejam levados ao erro ao interpretar esses documentos como cobranças obrigatórias. A discussão também já chegou ao âmbito estadual. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Lei nº 9.784/2022 proíbe o envio de boletos sem autorização prévia de quem irá recebê-los. Para Terashima, a preocupação faz sentido diante da rotina administrativa de muitas empresas. Negócios que lidam com grande volume de contas podem acabar processando pagamentos de forma automática, o que aumenta o risco de quitações feitas por engano. “Departamentos financeiros muitas vezes processam pagamentos de forma rotineira. Se o documento não deixa claro que é apenas uma proposta, o risco de erro aumenta bastante.” O que diz a empresa? Em respostas a reclamações registradas no site Reclame Aqui, a empresa afirma que os boletos enviados representam apenas uma proposta de filiação a um sistema de consultas cadastrais e análise de crédito. Procurada pelo g1, a SEBRACOM reiterou esse posicionamento e disse que os documentos encaminhados aos pequenos e microempresários fazem parte de propostas comerciais facultativas, sem obrigação de pagamento. Segundo a companhia, sua atuação é voltada exclusivamente ao segmento empresarial (B2B) e não envolve cobrança automática. “A SEBRACOM atua exclusivamente no segmento B2B, direcionando propostas de seus serviços a pessoas jurídicas, e todos consistem em propostas comerciais facultativas, sem qualquer obrigação de pagamento”, afirmou a empresa. A companhia também explicou que o envio da proposta no formato de boleto faz parte de um modelo comercial que permite adesão direta ao serviço. “O formato adotado integra um modelo comercial empresarial utilizado para apresentação de proposta com possibilidade de adesão direta”, declarou. Sobre a origem das informações usadas para emitir os documentos, a companhia informou que utiliza dados disponíveis publicamente em bases empresariais. “Os dados utilizados são de natureza pública, extraídos de bases empresariais regularmente acessíveis”, disse. Questionada sobre as críticas de que o formato pode levar pequenos empresários a pagar o boleto por engano, acreditando se tratar de uma cobrança legítima, a empresa afirmou que os documentos trazem indicações de que se tratam de propostas facultativas. A companhia também afirmou manter canais de atendimento para esclarecer dúvidas. A SEBRACOM acrescentou ainda que revisa seus procedimentos periodicamente para tornar as informações mais claras e garantir que suas práticas comerciais estejam “alinhadas com os princípios de transparência e boa-fé nas relações comerciais”. “A empresa revisa continuamente seus procedimentos com o objetivo de aperfeiçoar a clareza das informações prestadas”, afirmou. * Nome fictício para preservar a identidade da fonte. Golpe do boleto falso, um dos mais recorrentes da internet Profissão Repórter
03/04/2026 07:01:19 +00:00
Fertilizantes disparam com a guerra, mas preço dos alimentos não deve subir agora; veja projeções

Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil A disparada nos preços dos fertilizantes, em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deve ter pouco impacto sobre os preços dos alimentos este ano. No curto prazo, a maior pressão virá do aumento dos combustíveis. Isso porque boa parte da colheita de grãos já terminou ou está em processo de finalização, como a de arroz, soja e as primeiras safras de feijão e milho. "Nesses casos, o fertilizante já saiu do solo", comenta Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já o café, cuja colheita começa neste mês, foi plantado no ano passado. Enquanto as segundas safras de milho e de feijão também já foram semeadas. O consumidor não deve sentir os efeitos agora, mas os produtores já estão preocupados. As próximas grandes importações de adubo acontecem na virada do semestre e, até o momento, não há certeza sobre até quando o conflito irá se estender. A dependência pelo insumo é alta. "O Brasil importa hoje cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com destaque para ureia, potássio e fosfatos”, diz André Braz, economista do FGV Ibre. "O Brasil importa 90% do seu consumo de nitrogênio, 96% do potássio e, do fosfatado, é um pouquinho menos, cerca de 80%", detalha Serigati. O Oriente Médio é o quarto maior fornecedor do Brasil, depois da Europa, Ásia e África. A região tem um papel central no mercado de fertilizantes, respondendo, por exemplo, por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, segundo dados da StoneX Brasil. Portanto, tudo o que acontece na região impacta diretamente os preços globais. Fertilizantes comprados pelo Brasil 'não terão problemas em ser exportados' Como cada plantio será afetado A disparada nos preços dos fertilizantes deve afetar de forma generalizada os custos de produção, afirma Braz. Segundo o economista, as lavouras mais impactadas serão aquelas mais intensivas no uso de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), base da adubação moderna. O milho, por exemplo, é altamente dependente de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. "Já há evidências internacionais de risco de prejuízo econômico com o aumento de custos", afirma o economista. "O milho é uma das culturas mais vulneráveis no curto prazo", acrescenta. Somente nas três primeiras semanas de conflito, o preço da ureia subiu 46%, segundo levantamento do Rabobank. "Quando olhamos para um período mais longo, desde o início do ano até a semana de 20 de março, a ureia apresenta uma alta de 76%", destaca o relatório. Arroz e trigo também exigem grandes volumes de nitrogênio e, diante da pressão de custos, podem levar produtores a reduzir a área plantada, diz Braz. No caso da soja, a necessidade de nitrogênio é menor, mas o plantio exige aplicação de fósforo e potássio em grande escala. "O impacto, nesse caso, vem do aumento no custo de reposição dos nutrientes do solo", destaca o economista. Por fim, a lavoura de cana-de-açúcar tem um uso intensivo de potássio, o que também deve elevar o custo de produção e reduzir a produtividade da indústria, responsável pela produção de açúcar e de etanol. Como fertilizantes impactam os preços O aumento dos preços dos fertilizantes não se traduz imediatamente em alimentos mais caros para o consumidor, destaca Serigati. Segundo ele, a alta nos custos dos adubos afeta a oferta ao longo do tempo, principalmente por dois canais: redução da área plantada e queda de produtividade — ou seja, menos produção por área. "Com insumos mais caros, produtores podem optar por plantar menos ou reduzir a aplicação de fertilizantes — o que afeta diretamente o volume colhido", diz o economista. Se essa tendência se confirmar, o impacto dos fertilizantes nos preços dos alimentos ocorreria no médio prazo. Mas, neste momento, é impossível cravar uma tendência, diz Serigati. Isso porque o custo dos fertilizantes é apenas um dos fatores por trás da inflação de alimentos. "O fator clima, por exemplo, é capaz de 'botar no bolso o fator fertilizante'", avalia Serigati. "Se o clima for favorável, uma safra recorde pode baixar os preços finais; se houver secas ou geadas, a oferta cai e os preços sobem, independentemente de outros custos", exemplifica. O economista lembra, por exemplo, que a safra de verão de 2022 foi plantada sob o impacto da Guerra na Ucrânia, com preços de fertilizantes e combustíveis em níveis maiores do que os atuais. "Mesmo com os custos elevados, o Brasil colheu uma safra recorde em 2023 porque o clima foi favorável, o que fez com que a inflação de alimentos, na verdade, se desacelerasse naquele ano", pontua. Na visão dele, neste momento, o preço dos combustíveis tem sido um fator mais decisivo na formação de preços. "O diesel tem um impacto muito mais direto e imediato no bolso do consumidor do que o fertilizante", reforça. "Ele afeta tanto o uso de maquinário agrícola quanto toda a cadeia de transporte e distribuição rodoviária no Brasil", finaliza. Colheita do arroz no Rio Grande do Sul. Fernando Dias/Ascom Seapdr
03/04/2026 06:01:03 +00:00
Robotáxis sofrem pane, param no meio da rua e obrigam motoristas a desviar em cidade na China

Robotáxis ficam parados no meio da rua após pane na China Diversos robotáxis ficaram parados e atrapalharam o trânsito na cidade de Wuhan, no centro da China, na última terça-feira (31), segundo autoridades locais. A pane teria sido causada por uma falha no sistema dos modelos Apollo Go, da Baidu. A polícia recebeu relatos de que vários carros Apollo Go pararam no meio das ruas e não conseguiam se mover, segundo comunicado oficial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os passageiros conseguiram sair dos veículos em segurança, e não houve feridos, informou a polícia. A causa do incidente ainda está sob investigação. Pelo menos 100 veículos do Apollo Go foram afetados, disse um policial de trânsito em vídeo publicado pelo The Paper, de Xangai. Robotáxi Apollo Go, da Baidu, disponível na China PEDRO PARDO / AFP O policial acrescentou que, embora as portas dos carros pudessem ser abertas, alguns passageiros hesitaram em sair por causa do tráfego intenso e chamaram a polícia para pedir ajuda. Um vídeo verificado pela Reuters e publicado na versão chinesa do TikTok, o Douyin, mostrou veículos parados em ruas movimentadas, obstruindo o trânsito. A mídia local informou que alguns passageiros ficaram presos nos veículos por quase duas horas. A Baidu não respondeu ao pedido de comentário. O incidente reacendeu discussões nas redes sociais chinesas sobre a segurança e a confiabilidade dos robotáxis. Um robotáxi Apollo Go que transportava um passageiro caiu em uma vala de obra em Chongqing, em agosto. Três meses antes, um dos carros operados pela Pony.ai pegou fogo em uma rua de Pequim. Não houve feridos em nenhum dos casos. Uma queda de energia generalizada em São Francisco, no fim do ano passado, também fez com que robotáxis da Waymo parassem e causassem congestionamento. A Baidu é uma das maiores operadoras de frotas de direção autônoma da China, ao lado da Pony.ai e da WeRide. As empresas lançaram serviços comerciais de robotáxis em grandes cidades chinesas e expandiram as operações para mercados internacionais, incluindo o Oriente Médio. Pane faz diversos robotáxis Apollo Go ficarem parados no meio da rua em Wuhan, na China SOCIAL MEDIA via REUTERS
03/04/2026 06:00:34 +00:00
Vai viajar? Veja onde instalar a cadeirinha infantil e como evitar erros fatais

Cadeirinhas infantis: veja as regras para usar cada uma A escolha e o uso adequado da cadeirinha infantil ainda despertam dúvidas entre pais e responsáveis, mesmo após a sua obrigatoriedade em veículos de passeio, estabelecida em setembro de 2010. O lugar mais seguro para transportar a criança é o banco traseiro, com cinto de três pontos e o dispositivo adequado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Mas há exceções. Em carros que só têm cinto de dois pontos no banco de trás — e não há cadeirinha certificada para esse tipo de cinto — o ideal é levar a criança no banco da frente, com cinto de três pontos e o equipamento de retenção. É preciso desligar o airbag, nos carros equipamentos com o dispositivo, para não eclodir em caso de acidente e causar mais danos do que proteger a criança. “Dar um jeito de fixar a cadeirinha feita para cinto de três pontos em um cinto com dois pontos é ruim”, alerta Fábio Viviani, especialista em segurança veicular. “Pode até parecer que ficou firme, mas nos crash tests é impressionante ver as forças envolvidas. A cadeirinha sem esse terceiro ponto de fixação não vai trabalhar da maneira como foi projetada”. Nesses casos, a recomendação é recuar o banco dianteiro ao máximo, para afastar a criança do painel. Bebê conforto, cadeirinha e assento com elevação: os dispositivos indispensáveis para transportar crianças g1 Confira abaixo as principais dúvidas sobre transporte seguro de crianças em carros: Qual cadeirinha usar no carro? Quando trocar a cadeirinha? Como usar e fixar o assento de elevação? Quando a criança pode ir no banco da frente? O que é e como usar o Isofix? Qual cadeirinha usar no carro? No papel, a regra do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) define faixas etárias para cada tipo de equipamento: Bebê conforto: até 1 ano ou 13 kg; Cadeirinha: de 1 a 4 anos ou entre 9 kg e 18 kg; Assento de elevação: de 4 a 7 anos; entre 15 kg e 36 kg ou até 1,45 m de altura; Banco traseiro com cinto de segurança: de 7 anos a 10 anos, desde que a criança tenha pelo menos 1,45 m de altura. O uso incorreto da cadeirinha, além da insegurança para o bebê ou a criança, inclui multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo. O Inmetro, que certifica os produtos, classifica os dispositivos por grupos que combinam idade, peso e altura. Há modelos que abrangem mais de um grupo e podem ser usados por mais tempo. “Existem cadeirinhas certificadas que comportam de 0 kg a 25 kg, por exemplo. Outras duram praticamente todo o tempo em que a criança vai precisar usar dispositivo de retenção”, afirma Gustavo Kuster, do Inmetro. Volte para o início. Quando trocar a cadeirinha? O modelo da cadeirinha deve acompanhar o crescimento da criança, garantindo que ela esteja sempre firme e protegida. Como cada versão é indicada para uma faixa etária específica, a troca do equipamento se torna necessária conforme o desenvolvimento. A transição entre os dispositivos deve considerar, na seguinte ordem de prioridade: 💺 O conforto; 👶 O tamanho da criança; 🎂 A idade da criança. Um bebê que já não cabe no bebê conforto, por exemplo, pode ir para a cadeirinha, mesmo que ainda não tenha completado a idade mínima para a transição. “Se ela ainda cabe naquele dispositivo, está confortável, com o cinto bem preso, pode continuar nele”, afirma Kuster. A posição do bebê conforto — voltado para o encosto do banco — é recomendada por causa da anatomia dos recém-nascidos. “O bebê nasce com a cabeça maior que o corpo, como na forma de um martelo. Nessa posição, ele fica mais protegido”, explica Celso Arruda, especialista da Unicamp. Volte para o início. Como usar e fixar o assento de elevação? Para os mais crescidos, a altura é o fator mais importante na hora de dispensar o assento de elevação. Crianças com menos de 1,45 m não devem usar apenas o cinto de segurança, mesmo que tenham mais de 7 anos. O assento serve para posicionar corretamente o cinto de três pontos, que deve passar pelo peito. “Se ela ainda não tiver altura suficiente e quiser continuar usando inclusive a cadeirinha completa, sem dispensar o encosto, ainda que tenha mais de 4 anos ou mais de 36 kg, tudo bem. Desde que esteja confortável”, diz Kuster. Volte para o início. Quando a criança pode ir no banco da frente? O Contran permite o transporte no banco da frente em situações específicas: Crianças a partir de 10 anos, com cinto de segurança; Quando o banco traseiro só tem cinto de dois pontos; Em veículos sem banco traseiro, como picapes de cabine simples; Quando há mais crianças do que lugares no banco traseiro — a de maior estatura pode ir na frente; Equipamentos certificados. Segundo a Senatran, apenas bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação são considerados dispositivos adequados. O Inmetro reforça que não há certificação para outros tipos de equipamentos. “Sem um equipamento certificado, ou seja, que passou por testes rigorosos, a criança não estará devidamente protegida”, afirma Viviani. Volte para o início. O que é e como usar o Isofix? Uma das formas de prender o bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação nos carros é o Isofix, que ancora a cadeirinha ao assento traseiro do carro. Porém, a lei do Isofix foi sancionada em 2015 e somente em 2020 é que passou a ser obrigatória para todos os veículos novos fabricados ou importados no país. Este tipo de ancoragem exige pontos de fixação específicos, tanto no veículo quanto na cadeirinha. O sistema é composto por dois pontos de fixação na base da cadeirinha ou do bebê-conforto, que se encaixam a dois pontos no veículo, localizados no vão entre o assento e o encosto do banco traseiro. Pontos de ancoragem do Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Para fixar a cadeirinha, você precisa: Localizar os pontos de ancoragem no banco traseiro, que podem ser visíveis como na imagem acima, ou escondidos. Neste caso, um ícone de cadeirinha infantil ou o nome "Isofix" fica fisível. Guiar os pontos da cadeirinha aos locais do banco e empurrar, até escutar um "clique". Em algumas cadeirinhas, uma indicação em verde aparece próxima do local de ancoragem no assento do veículo. Ponto de ancoragem Isofix em um Volkswagen Golf divulgação/Volkswagen Um terceiro ponto pode estar no carro e ele se liga a uma espécie de gancho da cadeirinha, evitando que o dispositivo se movimente. Esse ponto tem nome de Top Tether e, se estiver no seu carro, estará em um dos seguintes locais: No assoalho; Na parte de trás do encosto (na área do porta-malas, como na imagem abaixo); Na lateral do carro (na mesma área de onde saem os cintos de segurança). Top tether em um Volvo XC40 divulgação/Volvo Volte para o início.
03/04/2026 04:00:36 +00:00
Trump anuncia tarifas de 100% sobre medicamentos importados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou tarifas de 100% sobre determinadas importações de medicamentos de marca. O anúncio ocorre um ano após o "dia da libertação", quando Trump determinou uma série de tarifas sob produtos de países por todo o mundo. Junto ao anúncio da tarifa sobre medicamentos importados, o presidente também reformulou tarifas sobre produtos com aço, alumínio e cobre. LEIA MAIS: Trump reformula tarifas sobre produtos com aço, alumínio e cobre O novo pacote de tarifas tem como objetivo, em parte, recompor tributos perdidos quando a Suprema Corte as derrubou em fevereiro deste ano. No entanto, as medidas foram criticadas por alguns grupos empresariais por criarem novas pressões de custo em um momento em que a guerra com o Irã elevou os preços de energia para os consumidores. Nesta quinta-feira (2), o governo publicou os resultados de uma investigação de segurança nacional sobre importações farmacêuticas. Trump afirmou que: fabricantes estrangeiros de produtos patenteados devem concordar em firmar acordos com o governo dos EUA para reduzir os preços de medicamentos prescritos; e se comprometer a transferir a produção para os Estados Unidos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Eles precisarão fazer ambas as coisas para evitar totalmente as tarifas e enfrentarão uma taxa de 20% caso apenas transfiram parte da produção para os EUA, segundo uma autoridade do governo. Aqueles que não fizerem nenhuma das duas medidas enfrentarão uma tarifa de 100%. As tarifas não se aplicarão a importações de medicamentos de todos os países. As taxas sobre medicamentos de marca serão limitadas a 15% em acordos comerciais com a União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Suíça. Os EUA e o Reino Unido também finalizaram um acordo separado para o setor farmacêutico que garante tarifa zero para medicamentos produzidos no Reino Unido por pelo menos três anos, enquanto o país amplia a produção em território americano. Trump dá entrevista a bordo do Air Force One em 29 de março de 2025. Reuters/Elizabeth Frantz Uma autoridade do governo disse que grandes farmacêuticas terão 120 dias para cumprir as regras antes que as tarifas de 100% entrem em vigor, enquanto produtores menores terão 180 dias. Um ano do “dia da libertação” As alterações ocorrem no aniversário de um ano do chamado “Dia da Libertação”, quando Trump anunciou tarifas “recíprocas” entre 10% e 50% sobre importações de todos os parceiros comerciais — e até de algumas ilhas desabitadas. As medidas, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, desencadearam meses de retaliações da China, negociações comerciais e disputas judiciais por parte de importadores. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais essas tarifas, levando uma instância inferior a ordenar que a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras elaborasse um plano para devolver cerca de US$ 166 bilhões arrecadados ao longo de um ano. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, defendeu as tarifas como um “botão de reinicialização” para um sistema global de comércio considerado falho. Ele afirmou que elas incentivaram empresas a construir novas fábricas nos EUA e pressionaram parceiros comerciais a conceder vantagens às exportações americanas. “O melhor ainda está por vir, à medida que o programa tarifário do presidente Trump incentiva a produção doméstica, eleva os salários dos trabalhadores e fortalece nossas cadeias de suprimentos críticas”, disse Greer em comunicado. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Reação da Indústria A Câmara de Comércio dos EUA afirmou que um ano de tarifas mais altas já elevou preços e aumentou custos para vários setores, alertando que as novas medidas podem provocar novos aumentos “Um novo e complexo sistema tarifário sobre medicamentos elevará os custos de saúde para as famílias americanas”, disse o diretor de políticas da entidade, Neil Bradley. “Alterações nas tarifas de metais também elevarão preços para consumidores e aumentarão a pressão sobre manufatura, construção e energia — setores que já enfrentam custos elevados e desafios nas cadeias de suprimentos”, acrescentou. Por outro lado, o presidente da Associação de Fabricantes de Aço, Philip Bell, elogiou o governo por ajustar a lista de produtos derivados e atualizar a metodologia de avaliação, garantindo que as tarifas permaneçam direcionadas ao fortalecimento da indústria siderúrgica americana sem prejudicar objetivos econômicos mais amplos.
03/04/2026 03:52:42 +00:00
Como bacalhau virou prato típico da Sexta-Feira Santa

Bacalhau Getty Images via BBC Em seus quase 40 anos de sacerdócio, não foram poucas as vezes em que o padre Eugênio Ferreira de Lima questionou o costume, tradicional em muitas famílias católicas brasileiras, de não comer carne vermelha na quaresma — alguns, apenas na Semana Santa; outros, exclusivamente na Sexta-Feira Santa, dia em que o protagonista à mesa costuma ser o bacalhau. "Sobretudo porque bacalhau é mais caro do que certas carnes", disse Lima, em troca de mensagens com a reportagem da BBC News Brasil. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Também não vejo sentido em fazer jejum ou não comer carne e não dar o que deixou de comer para os mais pobres. Às vezes me sinto uma voz isolada nesse sentido." O questionamento levantado pelo religioso faz muito sentido, sobretudo em tempos de inflação, que tem reduzido a oferta de alimentos na mesa dos brasileiros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mas, ao mesmo tempo, é uma crítica que instiga: de onde veio o costume do bacalhau na sexta-feira que antecede à Páscoa? Para especialistas, é uma história longa em que não há uma única explicação. E, claro, tem suas raízes na influência de Portugal enquanto país colonizador do que depois se tornaria o Brasil. Outra parte da explicação está no fato de ser um produto que pode ser conservado por mais tempo sem refrigeração. "Quando o assunto é o 'não se pode comer tal coisa' e 'é permitido consumir tais produtos', a regra não é tanto baseada na questão econômica", explica o historiador André Leonardo Chevitarese, professor titular do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus de Nazaré: O Que a História Tem a Dizer sobre Ele, entre outros. "E o caso do bacalhau tem a ver com a colonização portuguesa", observa. "A chave para pensar essa questão, se não é econômica, tem a ver com a questão religiosa. Por isso é tão tensa essa questão. Nem todo cristão faz jejum ou abre mão de comer carne vermelha durante a Semana Santa", lembra Chevitarese. "O que leva alguém a consumir ou não carne vermelha diz respeito a olhares, formas de se ler teologicamente o que vem a ser o sacrifício de Jesus na cruz", completa ele. É por isso que a abstinência de carne suscita comentários que vão desde o "a Igreja Católica proibiu sem base bíblica" aos que defendem que regulamentações oriundas de documentos ou da tradição católica estariam, sim, ancoradas pelos ensinamentos dos livros sagrados, como contextualiza Chevitarese, em "simbologias teológicas do ato do sacrifício de Jesus". "Ou seja: eu não discutiria questões econômicas, mas pensaria em simbologias", conclui ele. E aí há algumas questões que precisam ser levadas em conta: a prática do jejum, o simbolismo do peixe, o prazer de comer carne vermelha e, por fim, a disseminação do bacalhau no mundo lusitano. Prática foi influenciada pelos portugueses Getty Images via BBC Jejum "Tudo começa, na verdade, com o jejum", afirma a vaticanista Mirticeli Medeiros, pesquisadora de história do catolicismo na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. "Desde os primeiros séculos do cristianismo tal prática é observada, mas sem focar em um alimento específico. Até porque, na era primitiva do cristianismo, havia essa preocupação de romper com as práticas judaicas em alguns aspectos, embora a influência, do ponto de vista cultural, fosse mais que evidente. É na Idade Média que se começa a desenhar tal preceito." Chevitarese ressalta que desde os primeiros cristãos já havia uma reflexão sobre "pensar o sacrifício de Jesus" experimentando alguma forma de abstinência. "A ideia de jejuar, de ter uma ascese, representaria, sob muitos aspectos, uma austeridade, um autocontrole diante dos prazeres humanos, sempre em dimensão ao sacrifício feito por Jesus na cruz", pontua. O historiador, teólogo e filósofo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta que essa ideia de jejum, no catolicismo, está ligada ao sacramento da penitência, ou seja, um sacrifício feito para a remissão dos pecados. "No catolicismo, é um conceito que trabalha de modo muito forte com a ideia de reconciliação", diz Moraes. Ora, a quaresma é, por assim dizer, o momento perfeito para a ocorrência dessa experiência religiosa. “Porque é um período de perdão, de reconstrução. E é dentro dessa lógica toda que aparece a abstinência da carne, como um símbolo dessa vida que pede para ser reconciliada”, acrescenta o historiador. Afinal, a simbologia está na narrativa: a quaresma é o percurso que resulta na Páscoa. E a Páscoa, a festa da ressurreição, seria o ápice dessa história de renovação, essa possibilidade de que cada um se torne um novo ser humano. Moraes aponta que essa prática de abstinência não costuma ser seguida por cristãos protestantes, evangélicos ou de outras denominações. Segundo ele, a raiz dessa diferença está justamente na questão dos sacramentos — se para os católicos, são sete, incluindo a penitência ou arrependimento dos pecados, protestantes têm apenas dois: batismo e eucaristia. Peixe Mas se a ideia é jejuar, por que o peixe seria permitido? São muitas as explicações que, somadas, resultam numa unânime permissão. Em primeiro lugar, é preciso lembrar como peixes eram importantes no contexto do Jesus histórico, ou seja, no dia a dia daquelas comunidades do Oriente Médio de cerca de 2 mil anos atrás. Não à toa, os primeiros seguidores de Jesus são apresentados, nos evangelhos, como pescadores. "Ele tinha entre os discípulos, pescadores. É lógico que o peixe é um alimento importante na cultura judaica. Mas não há uma relação explícita, direta, [disso com a ideia da troca da carne pelo peixe]", diz Moraes. O que há, lembra Chevitarese, é uma questão ortográfica. Peixe, no grego antigo, era ichthys. Os cristãos primitivos, naqueles tempos em que eram perseguidos por sua fé, decidiram usar o peixe como símbolo atribuindo à palavra um acrônimo: Iesous Christos Theou Yios Soter, que significa Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. "Assim, o consumo do peixe também passa por um conjunto de simbolismos, na experiência, na prática cotidiana de muitos cristãos", argumenta o historiador. "As letras que compõem a palavra ichthys formam o sentido que está muito relacionado ao cristianismo", afirma. "Este peixe é, por si só, simbolicamente algo que se remete a Jesus como salvador." Para muitas famílias, na Sexta-Feira Santa, o protagonista à mesa costuma ser o bacalhau Getty Images via BBC Carne vermelha OK, havia a prática do jejum, já disseminada. E havia o hábito do peixe, acrescido da simbologia toda. Mas qual o problema com a carne vermelha, afinal? A teoria mesmo veio apenas no século 13, graças ao filósofo, teólogo e frade italiano São Tomás de Aquino (1225-1274), um dos grandes pensadores do mundo medieval. "Quando ele prescreveu uma orientação aos fiéis a respeito do jejum, apontou a carne como um dos alimentos mais prazerosos, juntamente com os laticínios", conta Medeiros. "Fez isso porque o jejum era concebido como o ato de se abster de algo que mais se gostava, não necessariamente privar-se de carne. Mas a carne, em si, por satisfazer o prazer do paladar, estava muito associada à luxúria, aos pecados sexuais, comumente chamados de 'pecados da carne'." "A teologia [da abstinência de carne vermelha] foi trazida por Tomás de Aquino", concorda Chevitarese. Medeiros atenta para a recorrência de exemplos que confirmam essa ideia. Por exemplo, a regra de São Bento, documento atribuído ao monge São Bento de Núrsia (480-547) e que rege a ordem beneditina. "Exigia que os monges só comessem carne em caso de necessidade extrema ou por questão de saúde", afirma a estudiosa do catolicismo. Ela conta que o tema foi muito debatido em sínodos da Igreja ao longo de séculos. "Foi colocado em questão, inclusive, se a carne moída e o presunto poderiam ser consumidos no lugar da carne [em si] porque, uma vez triturados, teriam perdido suas propriedades 'carnosas'", exemplifica Medeiros. "Por fim, na Idade Média, os fiéis observavam o chamado 'jejum magro', que previa a abstinência de carne em várias épocas do ano, incluindo na sexta-feira", conta a pesquisadora. A regra atual consta de dois documentos do Vaticano: o Código de Direito Canônico de 1917 e a Constituição de 1966, do papa Paulo 6º (1897-1978). Não são poucos os artifícios retóricos que buscam explicar a diferença entre carnes de diversos bichos, de modo a autorizar o consumo do peixe e proibir o de outros animais, por exemplo. "Há o elemento do peixe como uma carne cujo sangue é frio, em detrimento ao sangue quente da carne vermelha dos bovinos e do frango", comenta Chevitarese. As nuances não são muito claras tampouco na hora de definir o que é um peixe ou não. Nesse sentido, a religião não necessariamente bebe nas fontes da ciência. "Na tradição judaica, o peixe seria o animal que tem escama e barbatana. Embora consideremos peixes muitos outros animais marinhos que não necessariamente tenham escama e barbatana", explica o historiador. Ele relata que já se deparou com entendimentos bastante afrontosos ao conhecimento taxonômico. "Por exemplo, em Nova Orleans [nos Estados Unidos] houve um bispo que disse que jacaré deve ser considerado um peixe. Então os católicos de lá podem comer carne de jacaré na Sexta-Feira Santa", conta. "Tem culturas que encaram a capivara como peixes, então católicos podem comer capivara na quaresma. E em Quebec [no Canadá], um bispo disse que castores também são peixes…" "Então, a regra varia muito sobre o que é peixe [no âmbito religioso], como definir o que é peixe…" acrescenta ele. "Há muitas brechas." 'Por ser considerado um peixe de longa conservação, muitos fiéis consumiam o bacalhau durante toda a quaresma', diz Medeiros Getty Images via BBC Bacalhau "Não há nenhuma prescrição da Igreja sobre o uso do bacalhau", frisa Medeiros. Ela vai direto ao ponto: a tradição pegou no Brasil "simplesmente porque fomos influenciados pelos costumes portugueses". Ora, pois… "Eles trouxeram a iguaria para cá no século 19. Por ser considerado um peixe de longa conservação, muitos fiéis o consumiam durante toda a quaresma", acrescenta ela. Aí parece estar o pulo do gato — ou o salto do peixe. Em tempos anteriores à invenção da geladeira, sobretudo em que a quaresma ocorre no verão, como o Brasil, era preciso facilitar essa ideia de comer peixe. Como o bacalhau costuma ser curado, em um processo com adição de sal e desidratação, ele é um produto que pode ser conservado por mais tempo sem refrigeração. Em resumo: não foi por fé no bacalhau, foi por puro pragmatismo. O historiador Chevitarese explica que o consumo do bacalhau foi trazido ao Brasil com a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808. Aos poucos, a iguaria começou a estar disponível nos famosos empórios de secos e molhados. "A lógica da penitência impõe ao fiel que ele obedeça, de livre e espontânea vontade, a um momento penitencial importante", enfatiza Moraes. "A Páscoa é uma excelente oportunidade para isso. Na Sexta-Feira Santa, então, o sujeito faz essa substituição [da carne pelo bacalhau], que é uma coisa histórica, tradicional." "Somos um país criado sob a influência do catolicismo, então essa observância dos fiéis católicos vem desde a época da colonização e é algo muito evidente, ancorado pela orientação dos padres daqui. E o peixe [o bacalhau] apareceu como uma tradição da própria corte portuguesa", diz ele. O teólogo sintetiza: se o ritual da abstinência veio com a colonização, a prática se acentuou com a chegada da corte portuguesa ao Rio. "Então o bacalhau, com praticidade de algo que fazia parte da culinária portuguesa e não se estragava com facilidade, foi inserido. E aquilo foi sendo ressignificado ao longo do tempo", comenta. Sim, porque com todos os ingredientes, é a hora de lembrar da frase bíblica que apregoa que as coisas de Deus devem ser deixadas a Deus e as coisas de César, a César. Porque o deus mercado é capaz de fazer perpetuar as mais diversas tradições inventadas… “O consumo do bacalhau, trazido pela corte, caiu no gosto do brasileiro. Vivemos num modo de produção capitalista e quando algo cai no gosto da prática mercantilista comercial, tudo vira mercadoria: tem gente que vende e gente que consome", reflete Moraes. "Então está aí: ficou sendo uma prática muito explorada até hoje. E os vendedores de peixe agradecem." Esta reportagem foi publicada originalmente em 6 de abril de 2023
03/04/2026 03:01:02 +00:00
Trump reformula tarifas sobre produtos com aço, alumínio e cobre

Trump no Salão Oval da Casa Branca em 31 de março de 2026. Reuters/Evan Vucci/File Photo A Casa Branca publicou nesta quinta-feira (2) uma proclamação presidencial que reformula as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos de aço, alumínio e cobre, com mudanças nas alíquotas conforme o tipo de produto. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As novas regras estabelecem que parte dos itens acabados com participação relevante desses insumos deixarão de enfrentar tarifa de 50% e passarão a ser taxados em 25%. 🔎 Essa taxa será aplicada sobre o valor total do produto. Antes, a tarifa de 50% incidia apenas sobre o valor do metal utilizado nos itens. Conforme as mudanças, produtos derivados que contenham mais de 15% do peso total em aço, alumínio ou cobre terão tarifa de 25% sobre o valor integral da importação. Máquinas de lavar e fogões a gás, por exemplo, passam a ter alíquota fixa de 25% quando feitos majoritariamente de aço. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar da redução em alguns casos, as mudanças podem elevar o custo de diversas importações, ao ampliar a base de cálculo das tarifas, avaliou o jornal norte-americano Wall Street Journal. Isso ocorre porque a cobrança passará a incidir sobre o valor total dos bens importados, e não apenas sobre o conteúdo de aço ou alumínio de cada produto. A nova proclamação também estabelece que: A tarifa de 50% segue válida para produtos de aço, alumínio e cobre classificados como commodities, ou seja, compostos majoritariamente por esses metais. Determinados itens podem ser reclassificados como commodities se forem feitos quase integralmente desses materiais. Produtos com menos de 15% de conteúdo metálico ficam fora do regime e passam a pagar a tarifa global mínima de 10% estabelecida por Trump. Produtos feitos no exterior com metais dos EUA podem ter tarifa reduzida, de 10%. As mudanças têm como objetivo simplificar um regime tarifário excessivamente complexo, que dificultava a determinação do valor do conteúdo metálico em milhares de produtos derivados — de peças de tratores a pias de aço inoxidável e equipamentos ferroviários. “Então é mais fácil, mais simples, mais direto. Para muitos produtos, será mais baixo. Para alguns, será um pouco mais alto, mas, em geral, está ok”, disse um alto funcionário do governo Trump à Reuters, acrescentando que o governo discutiu as mudanças com a indústria e recebeu retorno positivo. A expectativa é que, com a medida, o governo dos EUA arrecade mais com as tarifas sobre aço e alumínio, impostas sob a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962. A decisão ocorre após a Suprema Corte derrubar, em fevereiro, grande parte das tarifas aplicadas por Trump. Em resposta, o republicano recorreu a um novo instrumento legal, a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, para impor uma tarifa global de 10% sobre produtos importados. LEIA MAIS: Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço * Com informações da agência de notícias Reuters
03/04/2026 01:02:49 +00:00
Distribuidoras nacionais ficam de fora de 1ª fase do programa de subvenção ao diesel

Programa de subvenção ao diesel foi criado para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis Jornal Nacional/ Reprodução A primeira fase do programa do governo federal de subvenção ao diesel terminou com apenas cinco empresas habilitadas: a Petrobras, a refinaria de Mataripe (BA), a Sea Trading Comercial, a Midas Distribuidora e Sul Plata Training. A informação é da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), que registrou a adesão das cinco empresas. As três distribuidoras nacionais de combustíveis – Vibra Energia, Raízen e Ipiranga – não participarão desta etapa. Segundo as regras, os agentes econômicos que atuam no setor tiveram até 31 de março para aderir ao programa para o período de 12 a 31 de março. Para o próximo período, de 1º a 30 de abril, o prazo para adesão ainda está aberto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A ANP recebeu pedidos de adesão para esse segundo período e está analisando os documentos", disse a agência, sem dar detalhes. O programa de subvenção ao diesel foi criado pelo governo federal para atenuar os efeitos nos preços domésticos de combustíveis causados pela disparada do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. A iniciativa prevê o ressarcimento de até R$ 0,32 por litro de diesel para os agentes econômicos, a depender dos preços praticados por eles e de parâmetros definidos pelo governo em cada período. O Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria que fixou o preço de comercialização máximo do diesel para o primeiro período da subvenção. A partir dos períodos seguintes -- em sua maioria com duração de 30 dias até o fim do ano -- o preço máximo de venda será calculado com base em preço de referência definido pela ANP no primeiro dia de cada período. O preço de referência vai oscilar diariamente, a fim de determinar o quanto será pago aos agentes.
03/04/2026 00:03:51 +00:00
ANP anuncia fiscalização de leilões de gás de cozinha após Lula criticar os preços

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, nesta quinta-feira (2), que iniciou uma ação de fiscalização para apurar informações relacionadas aos leilões de GLP (gás de cozinha) realizados pela Petrobras em 31 de março. A iniciativa foi motivada "por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos Preços de Paridade de Importação (PPI)". Mais cedo nesta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o leilão como "bandidagem". "Foi feito um leilão, com cretinice e bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'Não vamos aumentar o GLP'. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras", disse Lula em entrevista à TV Record. "Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", acrescentou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Equipes da ANP estiveram na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, e na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Segundo a agência, no entanto, as solicitações de informações abrangem todos os polos produtores da companhia. Ainda de acordo com a agência, a fiscalização se baseia, entre outros pontos, em uma medida provisória editada no ano passado que ampliou suas competências legais para apurar infrações relacionadas à elevação abusiva de preços e à recusa injustificada de fornecimento de combustíveis, biocombustíveis e derivados de petróleo. Botijões de gás de cozinha Reprodução/TV Globo A ANP ressaltou que a ação tem caráter fiscalizatório e não representa, neste momento, constatação de irregularidades. "A instauração da fiscalização não representa juízo prévio de que foram constatadas irregularidades, sendo assegurados à empresa fiscalizada o contraditório e a ampla defesa. Caso sejam constatadas infrações, poderão ser adotadas as medidas administrativas cabíveis, a partir da abertura de processo administrativo que poderá resultar em multa, nos termos da legislação aplicável", informou a ANP. Governo aciona secretaria do consumidor O Ministério de Minas e Energia (MME) solicitou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a avaliação de possíveis práticas abusivas na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, no mercado brasileiro. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o governo está atento ao cenário internacional e às possíveis repercussões no mercado brasileiro. “O mundo vive um momento de tensão no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e exige nossa atenção. No Brasil, não vamos admitir que instabilidades externas sejam usadas como justificativa para práticas abusivas que prejudiquem o consumidor, especialmente quando se trata de um item essencial como o gás de cozinha”, afirmou. O pedido foi realizado após registros de comercialização do produto por meio de leilões em áreas de elevada demanda, com ágios que superam 100% em relação aos preços normalmente praticados em contratos de fornecimento. Essa dinâmica pode provocar encarecimento do combustível e gerar impactos ao consumidor. A iniciativa também ocorre em um cenário de forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesse contexto, o Governo do Brasil tem reforçado o monitoramento da cadeia de abastecimento de combustíveis para ampliar a transparência na formação de preços e coibir práticas abusivas no setor. Recentemente, uma MP tipificou como infrações administrativas as práticas de preços abusivos e a recuso no fornecimento de produtos. Essas novas infrações dialogam diretamente com os conceitos de "abusividade de preços", constante da legislação consumerista, e de "infração à ordem econômica", oriundo da legislação antitruste, ambas sob a guarda temática do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
02/04/2026 22:00:15 +00:00
EUA contestam decisão em favor da Anthropic em meio a disputa por uso de IA em guerras

Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT O governo dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (2) que devem recorrer da decisão de um tribunal da Califórnia que o impediu de aplicar punições contra a empresa de inteligência artificial a Anthropic. A companhia é dona do Claude, assistente rival do ChatGPT 🔎 EUA x ANTHROPIC: o governo americano trava uma disputa para ter o uso irrestrito de IA para fins militares. A empresa impõe limites por ser contra a adoção de suas ferramentas em sistemas de vigilância em massa de cidadãos e de armamento autônomos, por exemplo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Advogados do Departamento de Justiça dos EUA manifestaram o desejo de entrar com um recurso e terão até 30 de abril para apresentar seus argumentos, conforme o prazo definido pelo tribunal que analisa a proibição para punições contra a Anthropic. Na semana passada, o Departamento de Guerra dos EUA, também conhecido como Pentágono, foi impedido pela Justiça de classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de fornecimentos, designação normalmente reservada a empresas de países adversários. A Justiça americana também derrubou a ordem do presidente Donald Trump para órgãos federais deixarem de usar a inteligência artificial da Anthropic. Mesmo com a ordem contrária, os EUA usaram o Claude na ofensiva militar contra o Irã, segundo o The Wall Street Journal. O assistente costuma ajudar o Exército americano a fazer avaliações de inteligência, identificar alvos e simular cenários de batalha. Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, e Donald Trump, presidente dos EUA Reuters/Bhawika Chhabra; Reuters/Nathan Howard As "amplas medidas punitivas" tomadas pelo governo americano pareceram arbitrárias e poderiam "paralisar a Anthropic", afirmou a juíza Rita Lin, que impediu as duas punições contra a empresa por uma semana. "Nada na legislação vigente apoia a noção orwelliana de que uma empresa americana possa ser rotulada como uma potencial adversária e sabotadora dos EUA por expressar discordância com o governo", disse a juíza em referência ao autor de livros distópicos George Orwell. Ela afirmou que a decisão não obriga os EUA a usarem os produtos da Anthropic nem o impede de fazer a transição para outros fornecedores de IA. Um alto funcionário do Pentágono disse que a decisão era uma "vergonha". O subsecretário de Guera dos EUA, Emir Michael, afirmou que a medida "prejudicaria a plena capacidade" do secretário Pete Hegseth de "conduzir operações militares com os parceiros que escolher". Além do tribunal na Califórnia, a Anthropic entrou com um processo no tribunal federal de apelações em Washington, D.C. As ações contestam aspectos diferentes das ações adotadas pelo Pentágono contra a empresa. Diversas entidades apresentaram pareceres jurídicos favoráveis à Anthropic, incluindo a Microsoft, associações comerciais, trabalhadores do setor de tecnologia, líderes militares aposentados e um grupo de teólogos católicos.
02/04/2026 21:51:45 +00:00
Embraer entrega 44 aviões no 1º trimestre de 2026 e registra alta de 47% em relação ao ano anterior

Jato E195-E2, da Embraer Embraer/Divulgação A Embraer entregou 44 aviões no primeiro trimestre deste ano. De acordo com a empresa, o número representa alta de 47% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram entregues 30 aeronaves nos primeiros três meses do ano. A alta foi puxada pelo segmento comercial. Foram entregues dez aviões no primeiro trimestre de 2026, sendo três do modelo E195-E2, a maior aeronave atualmente em produção pela Embraer nesse segmento. Nos primeiros três meses de 2025, foram entregues sete aeronaves comerciais - alta de 43%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O setor de defesa também foi outro destaque. A Embraer entregou uma aeronave de transporte militar multimissão KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano. No total, são cinco aeronaves no trimestre, enquanto não houve nenhuma entrega no mesmo período do ano anterior. Para a aviação executiva, foram entregues 29 jatos no trimestre, que representa aumento de 26% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram entregues 23 aeronaves. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja mais sobre o Vale do Paraíba e região bragantina
02/04/2026 21:40:18 +00:00
LEGO lança coleção da Copa do Mundo 2026 com Messi, CR7 e Vini Jr; preços passam dos R$ 1 mil

Bonecos da Lego com os craques da Copa do Mundo de 2026 Divulgação/Lego A LEGO anunciou uma nova coleção de produtos inspirados na Copa do Mundo de 2026 nesta quinta-feira (2), com bonecos de alguns dos principais nomes do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A linha reúne diferentes categorias de produtos, que vão desde kits menores, voltados para montagem rápida, até modelos mais elaborados e voltados para colecionadores. Entre os principais destaques estão as séries “Destaques do Futebol” e “Lendas do Futebol”, além de versões maiores que incluem itens como a bola oficial e o troféu do torneio. Os bonecos foram desenvolvidos com elementos personalizados para cada jogador, como cores das seleções, numeração das camisas e bases decorativas com identificação individual. O anúncio foi feito no Instagram em um vídeo que reúne os quatro craques do futebol mundial. Confira: Initial plugin text Quanto custam os bonecos LEGO da Copa do Mundo? No Brasil, ainda não há previsão do início das vendas, no entanto, no mercado internacional já é possível encontrar os bonecos dos jogadores. Se dentro de campo os craques são de nível mundial, pode se dizer que os preços também são. Confira: Troféu Oficial do Campeonato do Mundo™ da FIFA – 179,99 euros (R$ 1078,55); Bola de futebol – 119,99 euros (R$ 719); Bonecos Lendas do Futebol – 79,99 euros (R$ 479,32); Kits Destaques do Futebol – 29,99 euros (R$ 179,70); Lionel Messi Celebração – 179,99 euros (R$ 1078,55). Bonecos da Lego com os craques da Copa do Mundo de 2026 Divulgação/Lego Veja os vídeos que estão em alta no g1
02/04/2026 20:32:02 +00:00
Comprar passagens de avião agora ou esperar?

Avião decolando da pista do Aeroporto Internacional de Cumbica Sidnei Barros/Prefeitura de Guarulhos Quem está planejando viajar de avião deve comprar a passagem o mais cedo possível, avaliam especialistas. Isso porque o reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1°/04) não deve demorar a ser repassado para os passageiros. Desde o início da ofensiva americana e israelense contra o Irã já havia a expectativa de alta nos preços de combustíveis em geral. No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "As aéreas fecham os contratos de combustível com seis meses de antecedência, mas, com a chegada das férias e segundo semestre – que sempre registra preços maiores –, o repasse do aumento deve chegar antes deste prazo", avalia. A alta anunciada nesta semana segue a tendência de março, quando o preço do combustível subiu 9,4%. Os valores estão em tabela disponibilizada pela Petrobras. Falcão projeta uma alta de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses apenas refletindo o aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação corresponde a cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a representar em torno de 45% destes custos. Menos voos, mais lotação O valor do aumento de até 20% é esperado também pelo economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires. "A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar", diz. Para ele, a alta do combustível pode levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos - uma tendência já observada em outros países. Pires compara o momento à pandemia de covid-19. "Quando a companhia área compra o combustível, depois isso tem um preço de reposição. Ela vai ter que colocar isso na passagem aérea, mas claro que ela não vai colocar na integridade”, explica o economista, ressaltando que parte desses custos tende a ser absorvida pelas próprias companhias aéreas, com impacto negativo para essas empresas. Com as companhias aéreas nacionais já retomando o volume de passageiros de 2019, porém com menos aeronaves em operação após pandemia, o resultado deve ser voos ainda mais lotados. Segundo Falcão, as três empresas que dominam o mercado brasileiro operam hoje com uma ocupação média de 90% dos assentos, acima do estimado como mínimo para a viabilidade da operação. O preço do querosene de aviação segue a tendência da valorização do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. A subida no valor do QAV acompanha o mercado internacional, apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene de aviação utilizado no país. "Essa guerra tem uma particularidade, diferente de outros momentos quando se teve elevações substanciais no preço do barril do petróleo. É que essa guerra está proporcionando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que a gente não teve em outros momentos”, comenta Pires em relação a ausência do que chamou de "sobra de oferta”. Pires explica que o querosene, assim como a gasolina, o diesel e o petróleo, é uma commodity. Isso significa que o preço dele reflete o mercado internacional. Nesse sentido, o economista ressalta que em regiões como Europa, Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul essas commodities relacionadas ao petróleo já vêm sofrendo aumento de preços há tempo, acompanhando a valorização do petróleo, o que não ocorreu no Brasil. Parcelamento no repasse do reajuste No mesmo dia que publicou os novos preços para o QAV, a Petrobrás anunciou que irá oferecer condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível que fornecem para a aviação comercial. A proposta é que essas distribuidoras, inicialmente, comprem o combustível com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a contar do mês de julho de 2026. O termo para aderir à medida deve ser disponibilizado pela Petrobras até a próxima segunda-feira (06/04). Para o viajante, isso pode significar uma diluição no aumento do preço das passagens aéreas. A professa da UFPE, no entanto, se preocupa com a viabilidade da operação. Com o aumento dos preços, existe a possibilidade de a Petrobras não ser capaz de manter este repasse "a conta gotas". "Fazendo esse processo de repassagem em gotas homeopáticas, certamente a Petrobras pode vir a sofrer, e não sabemos até quando ela consegue aguentar; ela pode segurar agora, mas mais adiante vai depender muito da conjuntura geopolítica internacional, ainda muito incerta”, afirma. O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações destinadas a aliviar a pressão sobre o setor aéreo. O documento, preparado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), reúne sugestões. Entre elas, estão a redução temporária de tributos que incidem sobre o querosene de aviação; a diminuição do IOF aplicado às operações financeiras das companhias aéreas; e a queda do Imposto de Renda cobrado sobre contratos de leasing de aeronaves. Segundo a pasta, essas medidas ajudariam a manter a competitividade das empresas, evitariam aumentos excessivos nas tarifas para os passageiros e garantiriam a continuidade da malha aérea nacional. Além disso, apurou-se que está em análise a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível, também com caráter temporário. Para Pires, voar de avião é um serviço "sem substituto” no Brasil, já que a população não dispõe de trens para viagens longas. Soma-se a isso a condição das estradas e a inviabilidade delas como em boa parte da região norte, ainda muito dependente do transporte fluvial. O resultado, segundo Falcão, é a população acabar pagando o preço por décadas de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado.
02/04/2026 19:33:07 +00:00
Irã afirma ter atacado data center da Oracle em Dubai; porta-voz do país nega

Irã ameaça atacar empesas e big techs ligadas aos EUA no Oriente Médio A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado um data center da Oracle em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo informações divulgadas pela mídia estatal iraniana nesta quinta-feira (2). O g1 procurou a Oracle, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Em seu site, a companhia diz que a operação na cidade segue normal. Mais tarde, o porta-voz de Dubai negou que o ataque tenha atingido o data center da empresa. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Essa não é a primeira vez nesta semana que o Irã mira big techs. Nesta quarta (1º), a operação de computação em nuvem da Amazon no Bahrein foi prejudicada após um ataque do Irã, segundo informações do Financial Times publicadas nesta quarta-feira (1º). De acordo com uma fonte ouvida pelo jornal, a unidade da Amazon Web Services (AWS) no país do Golfo sofreu danos após a ofensiva iraniana, em meio ao conflito na região. Mais cedo, o Ministério do Interior do Bahrein informou que equipes da defesa civil foram acionadas para conter um incêndio em uma instalação empresarial, provocado pelo que classificou como uma “agressão iraniana”. O órgão, no entanto, não detalhou qual empresa foi atingida. Os episódios ocorrem depois da guarda ameaçar atacar companhias americanas que operam no Oriente Médio. Entre os alvos citados estavam gigantes de tecnologia como Microsoft, Apple, Google e Meta. A Amazon não estava na lista divulgada pela corporação. Procurada pela agência Reuters, a Amazon não comentou diretamente o ataque específico. Ainda assim, segundo o Financial Times, instalações da AWS na região já foram atingidas diversas vezes desde o início do conflito. Escritório da Oracle em Dubai Oracle /Divulgação O comunicado iraniano Em comunicado divulgado pela mídia estatal, os militares iranianos listaram 18 organizações selecionadas como alvo e disseram que suas unidades podem ser bombardeadas a partir das 20h desta quarta-feira (1º) em Teerã - 13h30 no horário de Brasília. "Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro", diz o texto. Veja quais são as 18 empresas sob ameaça: Boeing G42 Spire Solution GE Tesla JP. Morgan Nvidia Palantir Dell IBM Meta Google Apple Microsoft Oracle Intel HP Cisco LEIA TAMBÉM: INVASÃO: Israel vai ocupar sul do Líbano e destruir casas após guerra contra Hezbollah, anuncia ministro INFOGRÁFICO: EUA ampliam presença militar no Oriente Médio em meio à indefinição sobre guerra contra o Irã GUERRA: Trump avalia encerrar guerra contra o Irã mesmo com Estreito de Ormuz fechado, diz jornal
02/04/2026 19:24:48 +00:00
Google começa a liberar mudanças em endereços do Gmail; veja como vai funcionar

Gmail Unsplash/Solen Feyissa O Google começou a permitir mudanças em endereços do Gmail (o trecho antes de "@gmail.com"). A novidade ainda está disponível apenas nos Estados Unidos, mas será liberada gradualmente para todos os usuários. A alteração foi liberada mais de 20 anos após o Google criar seu serviço de e-mail e foi comemorada pelo CEO da empresa, Sundar Pichai. "2004 foi um bom ano, mas seu endereço do Gmail não precisa ficar preso a ele", escreveu. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Usuários que fizerem a mudança no endereço de Gmail também alteram o meio de acessar serviços como Google Fotos e Google Drive, caso a conta também seja usada para usar essas ferramentas. Outra opção oferecida pelo Google é alterar como o seu nome é exibido para pessoas que veem seus e-mails. Esse recurso está disponível há mais tempo e pode ser alterado no Gmail (saiba mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como mudar seu endereço no Gmail Para conferir se você pode mudar seu endereço do Gmail, acesse myaccount.google.com/google-account-email pelo computador. Em um teste do g1, o Google informou que ainda "não é possível mudar essa configuração para sua conta". Quando a alteração estiver disponível no Brasil, a página exibirá um botão "Mudar e-mail da Conta do Google". Após selecionar a opção, será preciso inserir um endereço que ainda não é usado por ninguém, clicar em "Mudar e-mail" e seguir as instruções na tela. Mudança em endereço do Gmail Divulgação/Google Você ainda terá direito sobre seu antigo e-mail, que funcionará como um endereço alternativo e ainda poderá ser usado para acessar a sua conta. O Google informa ainda que após a mudança, você receberá e-mails enviados para os dois endereços e não poderá criar um novo e-mail terminado em "@gmail.com" para a conta durante 12 meses. Como mudar nome no Gmail Acesse o Gmail pelo computador; Clique em "Configurações" (símbolo de engrenagem no canto superior direito); Clique em "Ver todas as configurações"; Selecione "Contas e importação" ou "Contas"; Em "Enviar e-mail como", selecione "Editar informações"; Em "Nome", escreva como você deseja se apresentar no Gmail; Clique em "Salvar alterações".
02/04/2026 18:44:15 +00:00
Trump deve cortar tarifas sobre produtos de aço e alumínio, diz agência

Trump exibe tabela com tarifas que devem ser cobradas pelos EUA REUTERS O presidente dos Estdos Unidos, Donald Trump, quer mudar as regras de impostos sobre produtos de aço e alumínio. A ideia é manter a taxa alta, de 50%, para a importação desses metais “brutos”, mas diminuir o imposto para produtos derivados, como peças e eletrodomésticos. Nesse caso, a cobrança ficaria entre 15% e 25%, segundo a agência Reuters. Essas mudanças ainda podem ser ajustadas e dependem de um decreto do presidente, que deve sair já nesta quinta-feira (2). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A proposta foi divulgada primeiro pelo jornal Wall Street Journal. A Casa Branca não comentou o assunto até agora. Segundo fontes, o objetivo é deixar o sistema mais simples. No ano passado, Trump aumentou para 50% o imposto sobre aço e alumínio e também passou a cobrar taxas sobre milhares de produtos feitos com esses materiais, para incentivar a produção dentro dos Estados Unidos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O problema é que esse imposto era calculado só sobre a parte de aço e alumínio de cada produto, o que dificultava as contas para quem importa. Agora, a ideia é cobrar um imposto menor, mas sobre o valor total do produto, o que torna tudo mais fácil de calcular. O novo decreto também deve trazer uma lista atualizada dos produtos que serão taxados. Alguns equipamentos usados na produção de aço podem ter imposto menor, de 15%, já que o governo quer incentivar investimentos no setor. Esses equipamentos, como máquinas industriais, geralmente são importados de países como Alemanha e Itália e são feitos para suportar altas temperaturas. Tarifas impactam o Brasil O aumento das tarifas imposto por Donald Trump sobre aço, alumínio e produtos derivados entrou em vigor em junho do ano passado, quando as alíquotas subiram de 25% para 50%. Em agosto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participou de uma reunião na Câmara dos Deputados com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir propostas voltadas ao comércio exterior. Após o encontro, Alckmin informou que o Departamento de Comércio dos EUA passou a enquadrar exportações que contêm aço e alumínio na chamada Seção 232 do Ato de Expansão Comercial. Com isso, itens produzidos com esses metais também passaram a ser taxados em 50%, mesma alíquota já aplicada às matérias-primas. A mudança fez com que parte dos produtos brasileiros passasse a pagar tarifas iguais às de outros países, o que melhora a competitividade dos manufaturados nacionais. Segundo Alckmin, cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações brasileiras — de um total de US$ 40 bilhões — foram afetados pela medida, o equivalente a 6,4% do total. “Isso melhora nossa competitividade em relação ao resto do mundo”, afirmou na época. Apesar disso, uma parcela significativa das vendas brasileiras aos Estados Unidos continua sujeita às tarifas mais altas, o que tende a reduzir as exportações. Atualmente, as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA continuam sujeitas a alíquotas de 50%. Companhias mais voltadas ao mercado externo são as mais prejudicadas, por causa da queda nas exportações. Já aquelas com foco no mercado interno sentem menos impacto direto, mas podem enfrentar maior concorrência doméstica, o que pressiona preços e reduz margens de lucro. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações de diversos parceiros comerciais. Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros entendeu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza o presidente a criar tarifas de forma unilateral. Mesmo assim, no dia seguinte à decisão, Trump anunciou uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com aplicação imediata.
02/04/2026 16:57:06 +00:00
ChatGPT testa sistema para identificar extremismo e encaminhar usuários a suporte

Logo da OpenAI, dona do ChatGPT REUTERS/Dado Ruvic/ Usuários do ChatGPT que apresentarem sinais de extremismo violento poderão ser encaminhados para apoio especializado, por meio de uma nova ferramenta em desenvolvimento na Nova Zelândia, disseram os responsáveis pelo projeto.. O sistema deve combinar atendimento humano e chatbots para tentar reduzir riscos de violência. A startup neozelandesa ThroughLine, contratada nos últimos anos pela OpenAI (dona do ChatGPT) e também por empresas como Anthropic e Google, busca redirecionar usuários para apoio em situações de crise. Isso acontece quando há sinais de risco, como automutilação, violência doméstica ou transtornos alimentares. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A iniciativa é a mais recente tentativa de abordar as preocupações com a segurança diante do número crescente de processos judiciais que acusam empresas de inteligência artificial de não impedir, e até incentivar, episódios de violência. Em fevereiro, a OpenAI foi ameaçada de intervenção pelo governo do Canadá. A medida ocorreu após a revelação de que o autor de um massacre em uma escola foi banido da plataforma sem que as autoridades fossem avisadas. A OpenAI confirmou a parceria com a ThroughLine, mas não deu mais detalhes. Já Anthropic e Google não responderam aos pedidos de comentário. Austrália anuncia restrições aos anúncios de apostas esportivas Como as criptomoedas estão movimentando a guerra na Rússia e no Irã? Serviço de prevenção Segundo o fundador da ThroughLine, Elliot Taylor, ex-assistente social que trabalhou com jovens, a empresa também estuda ampliar o serviço para incluir a prevenção ao extremismo violento. A ThroughLine está em negociações com o The Christchurch Call, uma iniciativa para combater o ódio online criada após o pior ataque terrorista da Nova Zelândia em 2019. Segundo Taylor, o grupo anti-extremismo fornecerá orientações, enquanto a ThroughLine desenvolve o chatbot de intervenção. "É algo que gostaríamos de avançar e fazer um trabalho melhor em termos de cobertura, para então poder dar um suporte melhor às plataformas", disse Taylor em entrevista, acrescentando que nenhum prazo foi definido. A startup de Taylor, operada a partir da zona rural da Nova Zelândia, tornou-se referência para empresas de IA. Hoje, oferece uma rede monitorada com 1.600 linhas de apoio em 180 países. Quando a inteligência artificial detecta sinais de crise de saúde mental, o usuário é encaminhado à ThroughLine. A plataforma, então, conecta a pessoa a um serviço local com atendimento humano. Segundo o fundador, o serviço ainda se limita a algumas categorias. Ele afirma que os problemas relatados online cresceram com a popularidade dos chatbots e agora incluem também o extremismo. Mais chatbots, mais problemas A ferramenta de combate ao extremismo de funcionar em modelo híbrido, combinando um chatbot treinado para responder a pessoas que apresentem sinais de extremismo e encaminhamentos para serviços de saúde mental presenciais, disse Taylor. "Não estamos usando os dados de treinamento de um modelo de linguagem básico", disse, referindo-se aos conjuntos de dados que as grandes plataformas usam para formar textos coerentes. "Estamos trabalhando com os especialistas certos." A tecnologia está atualmente em fase de testes, mas ainda não há data definida para lançamento. Galen Lamphere-Englund, consultor de contraterrorismo ligado ao The Christchurch Call, afirmou que a ferramenta poderia ser usada por moderadores de fóruns de jogos e por pais que querem combater o extremismo online. A ferramenta de redirecionamento de chatbots foi "uma ideia boa e necessária, porque reconhece que o problema não é apenas o conteúdo, mas também a dinâmica do relacionamento", segundo Henry Fraser, pesquisador de IA da Universidade de Tecnologia de Queensland. Ele afirmou que o sucesso da ferramenta depende da qualidade do acompanhamento e dos serviços para os quais os usuários serão encaminhados. Taylor afirmou que as medidas de acompanhamento, incluindo possíveis alertas às autoridades sobre usuários perigosos, ainda estão sendo definidas, mas levariam em consideração qualquer risco de desencadear comportamentos mais agressivos. Segundo ele, pessoas em sofrimento tendem a compartilhar online coisas que têm muita vergonha de dizer a alguém. Por esse motivo, afirma, os governos correm o risco de agravar o perigo se pressionarem as plataformas a bloquear usuários que participam de conversas delicadas. De acordo com um estudo de 2025 do Stern Center for Business and Human Rights, da Universidade de Nova York, a maior moderação para conter o extremismo nas plataformas, pressionadas pelas autoridades policiais, levou usuários a migrarem para alternativas menos regulamentadas, como o Telegram. "Se você conversar com uma IA, revelar a crise e ela encerrar a conversa, ninguém ficará sabendo do ocorrido, e essa pessoa poderá continuar sem apoio", disse Taylor.
02/04/2026 15:08:23 +00:00
Tesla decepciona com entregas e enfrenta mais concorrência no mercado de carros elétricos

Tesla Model S divulgação/Tesla A Tesla teve um começo de ano abaixo do esperado. A empresa não alcançou a previsão de analistas para a entrega de veículos no primeiro trimestre e registrou seu pior resultado em um ano. A queda acontece em meio à redução de incentivos para carros elétricos nos Estados Unidos e ao aumento da concorrência global. Ao todo, a Tesla entregou cerca de 358 mil veículos no primeiro trimestre, número abaixo do esperado pelo mercado. Apesar disso, houve crescimento em relação ao ano passado. 🔎Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa, comandada pelo bilionário Elon Musk, caíram quase 4% e já acumulam perda de cerca de 15% em 2026. Outro sinal de alerta foi o aumento no número de carros que ficaram sem vender. A Tesla produziu mais de 50 mil veículos a mais do que conseguiu entregar aos clientes — a maior diferença em pelo menos quatro anos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa também enfrenta um cenário mais competitivo. Recentemente, a Tesla perdeu o posto de maior fabricante de carros elétricos do mundo para a chinesa BYD. Ainda assim, neste começo de ano, a Tesla conseguiu vender mais veículos 100% elétricos do que a rival chinesa. Na China, um dos principais mercados da empresa, as vendas cresceram pelo segundo trimestre seguido. Entre janeiro e março, a alta foi de 23,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, especialistas veem sinais de desaceleração. A empresa já acumula dois anos seguidos de queda nas entregas — algo inédito em sua história — e há previsões de que essa tendência continue. Enquanto isso, concorrentes também ganham espaço. A Rivian, por exemplo, entregou mais veículos do que o previsto, indicando uma demanda mais estável por seus modelos. Nos Estados Unidos, o fim de um benefício fiscal de US$ 7.500 para quem comprava carros elétricos também prejudicou as vendas. Sem esse incentivo, muitos consumidores deixaram de adquirir esse tipo de veículo. Na Europa, montadoras tradicionais e marcas chinesas também estão disputando mais espaço, enquanto a Tesla mantém uma linha de modelos com poucas mudanças nos últimos anos. Apesar dos desafios, investidores ainda apostam no futuro da empresa. Isso porque Elon Musk tem direcionado a Tesla para novos negócios, como energia solar, robôs humanoides e carros autônomos. Hoje, a empresa vale cerca de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,2 trilhões), mesmo com a maior parte de sua receita ainda vindo da venda de carros. Um dos projetos mais ambiciosos é o de robotáxis — veículos que funcionam sem motorista. A Tesla já iniciou testes em Austin, no Texas, e planeja expandir o serviço nos próximos anos. Além disso, a empresa está desenvolvendo o Cybercab, um carro autônomo de dois lugares feito especialmente para esse tipo de transporte. Por enquanto, porém, essa operação ainda é pequena e limitada a poucas cidades, ficando atrás de concorrentes como a Waymo, que já tem uma presença maior no mercado americano. *Com informações da agência Reuters
02/04/2026 13:57:47 +00:00
Duas maiores siderúrgicas do Irã suspendem funcionamento após ataques dos EUA e Israel

Irã rebate ameaças de Trump e diz que EUA desconhecem poder militar iraniano As duas maiores usinas siderúrgicas do Irã anunciaram nesta quinta-feira (2) que foram obrigadas a suspender seu funcionamento devido aos ataques de Israel e dos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A Companhia Siderúrgica de Khuzestan, no sudoeste do país, e a Companhia Siderúrgica Mobarakeh, na província de Isfahan (centro), vêm sendo atingidas por ataques desde a semana passada e revelaram estar com vários equipamentos danificados. Em comunicado em seu site, a siderúrgica de Mobarakeh informou que suas "linhas de produção estão completamente paralisadas devido à intensidade dos ataques" e que "é impossível continuar com as operações". Já a de Khuzestan se pronunciou através do vice-diretor de operações, Mehran Pakbin, que afirmou que a usina só deve voltar a funcionar em, no mínimo, seis meses: "Todos os módulos e fornos de produção de aço deste complexo industrial foram danificados. Segundo as nossas previsões iniciais, a retomada das operações das unidades ocorreram entre seis meses e um ano, no mínimo". O aço é um material estratégico, utilizado na produção industrial e militar, em particular na fabricação de mísseis, drones e navios. Em represália, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou que irá fazer ataques com mísseis e drones contra zonas industriais de Israel e dos EUA no Oriente Médio. Imagem de satélite mostra ataque ao Irã Foto por - / SATELLITE IMAGE ©2026 VANTOR / AFP Irã diz que guerra continuará após discurso de Trump aos EUA Mais cedo, nesta quinta, o Irã prometeu que continuará a guerra contra os EUA e Israel "até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo", e que fará "ataques devastadores" contra os dois rivais. "Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e seguro, e rendição. (...) Aguardem nossos ataques mais devastadores, amplos e mais destrutivos", afirmou o porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, em comunicado divulgado pela TV estatal. A fala de Zolfaqari foi uma resposta a ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso televisionado na noite anterior. Trump prometeu retornar o Irã "para a Idade da Pedra" com ataques mais fortes nas próximas "duas a três semanas", e ameaçou também atacar a infraestrutura energética iraniana. Trump diz que objetivos no Irã estão quase concluídos No discurso, Trump voltou a ameaçar o Irã, inclusive com ataques a usinas de eletricidade caso o país não houver acordo. O porta-voz respondeu que as avaliações dos EUA e de Israel sobre as capacidades militares do Irã eram "incompletas". Também ameaçou Israel e os EUA com 'ações mais esmagadoras, amplas e destrutivas'. Em um carta endereçada "ao povo norte-americano" antes do pronunciamento de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não "nutre inimizade com as pessoas comuns dos Estados Unidos", disse não ser uma ameaça e acusou o governo de Donald Trump de enganar seus próprios cidadãos. Na carta, divulgada pela imprensa estatal iraniana, Pezeshkian pede ainda que os norte-americanos questionem "se Washington está realmente colocando os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar ou se está apenas agindo como um representante de Israel" e afirma que Trump está disposto a lutar "até o último soldado americano". O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, responde a perguntas da imprensa durante uma coletiva em Nova York, nesta sexta-feira (26) Angelina Katsanis/AP Photo A carta foi a primeira comunicação direta do governo iraniano direcionada à população dos EUA desde o início do conflito no Oriente Médio. No documento, o presidente iraniano faz uma separação entre o país Estados Unidos e o povo americano: "O povo iraniano não nutre qualquer inimizade contra outras nações, incluindo os povos da América, da Europa ou dos países vizinhos", diz a carta. "O que o Irã fez – e continua a fazer – é uma resposta ponderada, baseada na legítima defesa, e de forma alguma uma iniciação de guerra ou agressão", ela afirma. Veja os vídeos que estão em alta no g1
02/04/2026 12:42:14 +00:00
Jeep Renegade muda na versão 2027, mas fica devendo em um mercado lotado de SUVs; veja teste

Jeep Renegade fica mais minimalista e ganha sistema híbrido fraco O novo Jeep Renegade chega com mudanças pensadas para conter a queda nas vendas. O modelo, que já liderou o segmento, perdeu espaço nos últimos anos e hoje ocupa apenas a 11ª posição entre os SUVs. Duas são as principais novidades: o jipinho adotou um visual mais simples e passou a contar com um motor híbrido leve. São quatro versões, que vão de R$ 141.990 a R$ 189.490. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O g1 passou uma tarde com o novo Renegade em Itupeva (SP) para avaliar se essas mudanças são suficientes para o modelo reagir no mercado e vender mais do que concorrentes chineses mais caros. Sobre o visual, a Jeep destaca que o lado externo mudou bastante. No entanto, fora a parte frontal, é possível confundir o novo Renegade com a geração anterior. Galerias Relacionadas As mudanças aparecem em detalhes do para-choque e na grade, que se destacam mais durante o dia. Como grande parte dela é coberta por plástico preto e o fundo também é escuro, à noite fica difícil perceber o que realmente mudou. Por dentro, as mudanças são mais visíveis e bem-vindas. A principal delas é a central multimídia, que cresceu duas polegadas e agora tem 10,1 polegadas. Ainda fica abaixo do tamanho exagerado adotado por marcas chinesas, mas está alinhada ao padrão de concorrentes ocidentais, como o Volkswagen T-Cross, que também usa uma tela de 10,1 polegadas. Como a tela foi reposicionada para mais perto da linha de visão, ela chama mais atenção e facilita o acesso aos ajustes. Assim, o motorista consegue operar os comandos com menos necessidade de desviar o olhar da rua. A elevação da tela também levou o console central a uma posição mais alta. Antes, ele ficava na altura da canela e agora está próximo do joelho. A mudança segue uma tendência adotada por marcas chinesas, que dão mais atenção ao apoio de braço e à ergonomia. Ainda assim, o espaço do porta-objetos poderia ser maior no Renegade. Para reforçar a proposta minimalista, o Renegade perdeu a alça frontal e passou a ter um painel mais liso. A decisão acompanha a tendência de reduzir elementos visuais, iniciada pela Tesla e amplamente adotada por marcas chinesas, além de algumas fabricantes ocidentais. Ainda assim, o conjunto não seguiu o caminho da Chevrolet Captiva, que perdeu a identidade de SUV americano e adotou um interior totalmente chinês. Se, do ponto de vista da identidade, isso é positivo, na prática dificulta a concorrência com modelos chineses que vêm conquistando o consumidor brasileiro. Novo motor O motor estaria na lista de itens que não mudaram, não fosse a adoção do conjunto híbrido. Essa é a única novidade mecânica do modelo, e o sistema representa uma evolução do que a Fiat já havia aplicado no Pulse e no Fastback em 2025. O sistema híbrido não traciona as rodas e tem impacto muito pequeno no consumo de combustível. Durante o teste, não foi possível perceber melhora nos quilômetros por litro, embora a Jeep prometa uma redução de 9% no consumo do Renegade. A economia é modesta quando comparada à de híbridos completos, como o Toyota Corolla. Na versão híbrida, o sedã consome quase 48% menos combustível do que a opção movida apenas a combustão: Toyota Corolla híbrido: 17,5 km/l na cidade, com gasolina; Toyota Corolla a combustão: 11,9 km/l na cidade, com gasolina. Se, por um lado, o Renegade não protege o motorista da alta dos combustíveis, por outro, a experiência ao volante melhorou, com um comportamento mais ágil. Apesar de manter o motor 1.3 turbo de 176 cv e torque de 27,5 kgfm, o Renegade passou a responder de forma mais rápida ao acelerador. Isso ocorre porque o sistema híbrido adiciona até 15 cv, ajudando a reduzir o esforço do motor principal. Em números, enquanto o Renegade a combustão levava entre um e dois segundos para começar a responder ao acelerador totalmente pressionado, o novo modelo eletrificado reage antes de completar um segundo. Está distante da resposta imediata vista em híbridos nos quais o motor elétrico movimenta as rodas, como Toyota Yaris Cross, Corolla, GAC GS4 e Honda Civic. Ainda assim, a arrancada ficou bem mais ágil, e as retomadas passaram a exigir menos tempo para ganhar força. Fora isso, nada muda. O Renegade segue com suspensão firme e direção leve. No teste, esses ajustes não incomodaram, mas também não surpreenderam a ponto de fazer o utilitário se destacar. Como o Renegade é mais alto do que modelos como Volkswagen T-Cross e Hyundai Creta, a suspensão mais rígida ajuda a compensar a tendência de inclinação em curvas mais fechadas. O carro se mantém estável e transmite boa sensação de segurança. Versões e preços do Jeep Renegade O Jeep Renegade renovado com quatro versões, sendo: Jeep Renegade Altitude, por R$ 141.990 (R$ 129.990 para as primeiras 3.000 unidades): Jeep Renegade 2027 Altitude divulgação/Jeep Central multimídia de 10,1 polegadas; Rodas aro 17; Saída de ar traseira; Ar-condicionado digital de duas zonas; Teto bicolor de série; Chave presencial; Painel de instrumentos digital de 7 polegadas. Jeep Renegade Longitude, por R$ 158.690 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Longitude divulgação/Jeep Motor híbrido; Rodas aro 18; Bancos em couro; Volante em couro; Carregador de celular por indução; Sensor de estacionamento traseiro. Jeep Renegade Sahara, por R$ 175.990 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Sahara divulgação/Jeep Aplicativo para recursos remotos; Alexa integrada; Banco do motorista com ajustes elétricos; Teto solar panorâmico; Monitoramento de ponto cego; Sensor de estacionamento dianteiro. Jeep Renegade Willys, por R$ 189.490 e adiciona: Jeep Renegade 2027 Willys divulgação/Jeep Motor somente a combustão; Rodas aro 17; Pneu de uso misto; Tração 4x4. Renegade perde versão mais barata Com a chegada do novo Renegade, a Jeep não atualizou a versão de entrada de R$ 118.290, chamada de Sport. Com isso, o preço inicial do SUV compacto passa a ser mais alto, começando em R$ 141.990. Até o lançamento da nova versão, havia uma configuração chamada Sport, que tinha diversos itens removidos para reduzir o preço final do utilitário. Ao g1, a assessoria de imprensa da Jeep informou que as vendas desse modelo eram impulsionadas principalmente pelos descontos oferecidos ao público PCD, que representava parte considerável dos compradores. No entanto, a montadora revelou que essa versão será descontinuada por uma decisão estratégica. A Jeep não confirmou que a mudança de estratégia do Renegade de entrada tem algo a ver com outro lançamento, mas a marca já anunciou oficialmente que lançará o Jeep Avenger no Brasil em 2026. O Avenger tem dimensões menores que as do Renegade e será o SUV mais acessível da Jeep, com produção nacional em Porto Real (RJ). O Avenger mede 4,08 metros de comprimento, ante 4,27 metros do Renegade. Também é mais baixo (1,53 metro contra 1,69 metro), mais estreito (1,77 metro contra 1,80 metro) e tem entre-eixos levemente menor (2,56 metros contra 2,57 metros). Por dentro, o acabamento é mais simples para ajudar a conter custos e manter o preço competitivo. Há mais plástico, o que reduz as áreas com toque macio. Em compensação, o porta-malas do Avenger é maior: tem capacidade para até 380 litros, ante 351 litros do Renegade. Sob o capô, o Jeep Avenger traz o motor 1.0 turbo da Stellantis, o mesmo usado em modelos como Fiat Pulse, Fastback e Peugeot 208. Nesse conjunto, o propulsor entrega 130 cv de potência e 25 kgfm de torque, podendo funcionar com gasolina ou etanol. Renegade vem perdendo espaço no mercado de zero km Lançado em 2015, quando havia poucos SUVs em faixas de preço mais baixas, o Renegade chegou a ocupar o segundo lugar entre os utilitários mais vendidos do país. Em 2019 atingiu o topo do ranking, repetiu o feito em 2021 e, depois disso, as vendas começaram a cair. Em 2025, foram registrados 44.793 emplacamentos. Menos da metade das 92.837 unidades do Volkswagen T‑Cross vendidas no mesmo período e bem abaixo do Hyundai Creta, que encerrou o ano com 76.156 carros novos nas ruas. Além dos concorrentes tradicionais, a BYD também ameaça o Renegade. Em 2025, o Jeep vendeu apenas 38 unidades a mais que a linha Song. ⚡Detalhe: todos os modelos da marca chinesa são híbridos. 2015: segundo SUV mais vendido, atrás do HR‑V; 2016: segundo SUV mais vendido, novamente atrás do HR‑V; 2017: quarto SUV mais vendido; 2018: quinto SUV mais vendido; 2019: primeiro SUV mais vendido; 2020: segundo SUV mais vendido, atrás do T‑Cross; 2021: primeiro SUV mais vendido; 2022: quinto SUV mais vendido; 2023: oitavo SUV mais vendido; 2024: sexto SUV mais vendido; 2025: 11º SUV mais vendido.
02/04/2026 12:00:41 +00:00
Dólar tem leve alta e fecha a R$ 5,15 com frustração sobre cessar-fogo; Ibovespa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou em alta de 0,05% nesta quinta-feira (2), cotado a R$ 5,1594. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,05%, aos 188.052 pontos. O desempenho próximo à estabilidade reflete, em parte, a frustração dos investidores com a ausência de um cessar-fogo no Oriente Médio. Na noite de quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques ao Irã continuarão. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O republicano também declarou que os EUA estão perto de atingir seus objetivos em Teerã. Apesar disso, sinalizou que os bombardeios podem se intensificar nas próximas duas a três semanas. As declarações ampliaram a cautela dos investidores. 🔎 Depois de fechar perto de US$ 100 por barril na quarta-feira, o petróleo voltou a subir nesta quinta. Por volta das 17h, o tipo Brent avançava 7,43%, cotado a US$ 108,74. Os contratos futuros do WTI (West Texas Intermediate) tinham alta de 11,55%, a US$ 111,69 por barril. ▶️ Em meio às preocupações com o fluxo de petróleo, o Reino Unido reuniu diplomatas de mais de 40 países para discutir formas de reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte da commodity. ▶️ Os EUA não participaram da reunião, após Trump afirmar que a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. ▶️ No Brasil, investidores acompanharam a divulgação dos dados de produção industrial referentes a fevereiro. O indicador avançou 0,9% na comparação com janeiro, mas registrou queda de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,56%; Acumulado do mês: -0,37%; Acumulado do ano: -6,00%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +3,58%; Acumulado do mês: +0,31%; Acumulado do ano: +16,71%. Petróleo sobe após EUA indicarem continuidade da guerra Os preços do petróleo subiam mais de 7% nesta quinta-feira, em meio à nova escalada das tensões no Oriente Médio e à falta de sinais claros sobre o fim do conflito entre EUA e Irã. O movimento ocorre após uma breve queda nas cotações pouco antes de um pronunciamento do presidente americano, Donald Trump. Investidores aguardavam sinais sobre uma possível trégua no conflito. Em discurso na noite de quarta-feira, Trump afirmou que os EUA continuarão os ataques contra o Irã, mas não apresentou um cronograma para o fim da guerra. Segundo ele, as forças americanas estariam próximas de alcançar seus objetivos e o conflito poderia terminar em duas ou três semanas. “Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”, disse o presidente. Trump também não voltou a mencionar o prazo que havia estabelecido para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma rota considerada essencial para o transporte global de petróleo e gás. Sem sinais claros sobre a normalização do fluxo na região, investidores passaram a temer que eventuais interrupções no fornecimento possam se prolongar. Países discutem reabertura do Estreito de Ormuz Enquanto o mercado reage à incerteza sobre o fornecimento de petróleo, governos de diferentes países tentam buscar uma saída diplomática para o impasse no Estreito de Ormuz. O Reino Unido reuniu diplomatas de mais de 40 países nesta quinta-feira (2) para discutir formas de reabrir a rota marítima, que tem sido afetada pela guerra envolvendo EUA e Israel contra o Irã. A reunião ocorreu de forma virtual e não contou com a participação dos EUA. A ausência ocorre após Trump afirmar que garantir a segurança da via marítima não é responsabilidade americana. O presidente também criticou aliados europeus por não apoiarem a guerra e voltou a ameaçar retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse que o encontro demonstra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito por meios políticos e diplomáticos, e não militares. Segundo ela, o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação”, o que já começa a afetar a economia global. Cooper afirmou que a alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já impacta famílias e empresas em diferentes países. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos contra embarcações comerciais na região, com 11 tripulantes mortos, segundo a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence. Com os riscos na região, o número de navios que atravessam o estreito diminuiu. Os poucos petroleiros que ainda passam pela área são, em sua maioria, embarcações que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rígido sobre quais navios podem cruzar a rota. Mercados globais Os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta quinta-feira, última sessão de uma semana encurtada pelo feriado de Páscoa. O Dow Jones recuou 0,13%, aos 46.504,60 pontos. O S&P 500 avançou 0,11%, aos 6.582,69 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,18%, aos 21.879,18 pontos. Na Europa, as bolsas também terminaram o dia em direções diferentes, mas com predominância de perdas. O índice STOXX Europe 600 recuou 0,2%, aos 596,63 pontos. Entre os principais mercados da região, o CAC 40, da França, caiu 0,24%, enquanto o DAX, da Alemanha, perdeu 0,79%. Na contramão, o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,69%. Na Ásia, os mercados também encerraram o dia em baixa. O Hang Seng Index, de Hong Kong, caiu 0,7%, aos 25.116,53 pontos. Na China continental, o Shanghai Composite Index recuou na mesma proporção, para 3.919,29 pontos. Entre os principais mercados da região, o Nikkei 225, de Tóquio, teve queda de 2,4%, encerrando aos 52.463,27 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou recuo mais forte, de 4,5%, fechando aos 5.234,05 pontos. Os preços dos metais preciosos também caíam. O Gold recuava 3,9%, para US$ 4.627 por onça, enquanto a Silver caía 6,9%, para US$ 70,85. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar John Guccione/Pexels
02/04/2026 12:00:18 +00:00
Comissão da Aneel rejeita contestação da J&F ao leilão de energia; decisão fica para diretoria

Torres de transmissão de energia REUTERS/Manon Cruz A comissão de leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negou os dois recursos apresentados pela holding J&F para alterar o resultado do leilão de capacidade realizado pelo governo neste mês, e encaminhou os processos para julgamento da diretoria do órgão regulador. Em notas técnicas, a comissão da Aneel rejeitou, por exemplo, que tenha havido erros de sistema, como alega a empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que a teriam impedido de concorrer em algumas disputas por contratos de potência para o sistema elétrico brasileiro. Disse ainda que, em um dos casos, aceitar a proposta da J&F poderia impor aos consumidores de energia um sobrecusto da ordem de R$4 bilhões em 15 anos. A J&F foi uma das maiores ganhadoras do leilão de segurança energética, mas depois do certame, se disse prejudicada nas negociações envolvendo a usina termelétrica Santa Cruz e o projeto termelétrico Araucária II. No caso de Santa Cruz, a comissão da Aneel disse que está "incorreta" a percepção da empresa de que ela poderia negociar a potência da usina em dois produtos distintos, um para a parcela descontratada e outro para a parcela contratada. Também acrescentou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que cuida das habilitações técnicas dos certames do setor elétrico, não habilitou dois empreendimentos segregados para a usina Santa Cruz, mas apenas um. "É importante salientar que recorrente não participou, em 17 de março de 2026, da confirmação de dados..., momento oportuno em que seria possível à recorrente perceber que na plataforma de negociação não estava configurada de forma a tratar separadamente a parte da ampliação do restante do empreendimento", diz a nota técnica. Já para o projeto termelétrico Araucária II, a comissão afirmou que o enquadramento como empreendimento existente, e não novo, "derivou de escolha exercida pela recorrente, na fase de inscrição", e adicionou que a empresa também não participou da validação dos dados do empreendimento, o que implica aceitação tácita do que foi cadastrado. "Assim, não houve erro da plataforma de negociação ou atribuição errônea do preço inicial no certame para esse empreendimento". A comissão negou ainda a proposta da J&F de que a disputa para contratos de 2028 seja reaberta para que seu projeto possa participar como usina nova, dizendo que isso fere os princípios do processo licitatório e que poderia levar a um aumento expressivo dos valores que serão custeados pelos consumidores de energia. "Em um cálculo rápido, tal aumento do preço ofertado imporia aos pagantes do encargo do LRCAP (leilão) 2026 um sobrecusto da ordem de R$4 bilhões, que seria pago ao longo dos 15 anos de vigência do contrato, conforme pleiteado pela recorrente." Procurada, a J&F não retornou imediatamente a pedido de comentário. Outras grandes geradoras termelétricas participantes do certame, como Petrobras e a Eneva, haviam pedido que a Aneel rejeitasse os recursos da J&F. Segundo essas empresas, alterar o resultado do leilão agora traria insegurança jurídica e regulatória, além de potencial risco à segurança energética do país, devido à demora na homologação do resultado para os projetos que foram contratados.
02/04/2026 11:33:50 +00:00
O que vai acontecer com as passagens aéreas no Brasil após aumento do querosene?

Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo Getty Images A guerra no Irã segue espalhando seus efeitos pelo mundo e nesta semana o impacto no Brasil foi sentido com força no setor aéreo. Na quarta-feira (1/4), a Petrobras anunciou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV). No acumulado desde o início da guerra, em fevereiro, a alta é de 64%. Segundo a Petrobras, haverá apenas 18% de reajuste em abril. O restante será parcelado em seis meses, com a primeira parcela prevista para julho. A medida vem para assegurar o "bom funcionamento do mercado", segundo a companhia. Os impactos da crise são globais, mas para o passageiro brasileiro, o cenário é de "tempestade perfeita": a alta encontra custos normalmente já elevados, segurança jurídica fragilizada e um setor já abatido. Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens aéreas já vinham subindo. A prévia da inflação de março (o IPCA-15) mostrou aumento de 5,94%. As passagens aéreas devem subir ainda mais com o aumento do preço do querosene de avião, mas o impacto exato ainda é incerto. O governo já acena que haverá algum tipo de pacote ajuda ao setor. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil explicam por que o país é particularmente vulnerável a esse choque e o que o consumidor deve considerar antes de comprar seus bilhetes. Preço das passagens aéreas pode subir até 20% com alta do querosene de aviação, dizem especialistas Por que os preços do querosene de aviação estão subindo? O impacto do conflito entre Irã e EUA nos preços do combustível dos aviões se dá porque o país do Oriente Médio detém o controle do estreito de Ormuz, uma área entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Por ele, passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Isso acontece porque o estreito é a única saída marítima de petróleo para grandes exportadores, como Arábia Saudita, Iraque e o próprio Irã. Com o conflito, os riscos em torno do transporte do petróleo aumentaram. Isso se refletiu na alta de preços do Brent, que é referência no mercado. Um dia antes da invasão norte-americana, o preço do barril de Brent fechou em US$ 71,32. Na quarta-feira, após ultrapassar a marca dos US$ 115 por barril em março, o preço girava em torno de U$ 99. Isto é, quase 40% acima do patamar pré-guerra. E voltou a subir na quinta-feira, após novo pronunciamento de Trump. Como o QAV é um derivado direto do petróleo, seu preço está ligado a essas oscilações — como já visto, mesmo que com menor intensidade, em outras situações de conflito, como a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Combustível mais caro No Brasil, essa vulnerabilidade é amplificada pela política de Paridade de Preço de Importação (PPI), segundo Dany Oliveira, ex-diretor da International Air Transport Association (IATA) no Brasil. Esse modelo de precificação define o valor dos combustíveis no Brasil não pelo custo real de extração e refino nacional, mas pelo quanto custaria para um importador trazer esse mesmo produto do exterior. Na prática, a Petrobras calcula o preço somando a cotação internacional do petróleo (como o Brent, no caso do QAV) e a variação do dólar a "custos hipotéticos" de transporte, como fretes marítimos e taxas portuárias, como se o combustível estivesse cruzando o oceano em um navio-tanque. Assim, pouco importa que cerca de 90% do QAV usado no Brasil seja produzido no país — o seu preço vai seguir o mercado internacional. Segundo Oliveira, em tempos normais, o combustível de aviação representa cerca de 40% do custo total das empresas aéreas brasileiras, enquanto a média mundial gira em torno de 27%. Preço do querosene de aviação no Brasil segue a cotação internacional Getty Images Segundo nota da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) enviada à BBC, o combustível passou a responder por 45% dos custos totais das companhias após o último reajuste. Além disso, com a guerra, "as empresas precisam desviar de áreas justamente por conta da segurança", explica Oliveira. "Esses desvios podem alongar o tempo de voo em até uma hora meia. Isso é ainda mais tempo consumindo o querosene". Ajuda do governo Com o agravamento da situação e incerteza sobre o fim da guerra, o governo federal pretende anunciar um conjunto de medidas de socorro ao setor. As ações podem incluir o corte de tributos federais na importação e comercialização do QAV, além de uma linha de crédito emergencial com financiamento do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para a aquisição de combustível. Em nota enviada à BBC, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) diz que "tem acompanhado os impactos causados nos preços de QAV, juntamente com o Ministério da Fazenda, Casa Civil, Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Petróleo". "O governo federal tem agido para reduzir os impactos, porém, entendemos que algum impacto acontecerá, no caso de a guerra seguir por mais tempo", diz a nota. "Isso acontece em qualquer lugar do mundo, mesmo onde há pesados subsídios do Estado. Por isso, a consequência esperada pela Anac é algum repasse desse aumento de preço do QAV para as passagens aéreas". Vale a pena antecipar as compras de passagem? Para os consumidores, se esse repasse do QAV fosse integral, muitos voos teriam aumentos gigantes. Tomando o maior avião comercial do mundo como exemplo, o A380, poderia haver um custo adicional de cerca de R$ 1,8 mil por passageiro, considerando a ocupação média de 80% dos assentos. Embora seja improvável que a alta seja transmitida completamente aos viajantes, pode valer a pena se adiantar e comprar passagens para as viagens do resto do ano, diz Diego Endrigo, planejador financeiro pela Planejar. Ao contrário do câmbio, onde é possível comprar dólares aos poucos para fazer um "preço médio", o serviço aéreo tende a sofrer repasses abruptos. Além disso, "as pessoas podem e devem antecipar a compra da passagem pois há a possibilidade, com a guerra, de redução da quantidade de voos", diz Endrigo. "E aí, se reduzir a quantidade de voos, temos a famosa regra da oferta e demanda. E a inflação de preços ocorre exatamente por isso". Com menos oferta de voos disponíveis e demanda igual dos passageiros por viagens, os preços das passagens sobem. Os viajantes também devem redobrar a atenção ao seguro-viagem, muitas vezes oferecido pelas próprias operadoras de cartão de crédito, que pode oferecer proteção e assistência contra imprevistos, desde emergências médicas até cancelamento de voos. As incertezas trazidas por conflitos geopolíticos também podem trazer lições duradouras sobre planejamento pessoal, diz Diego. "Além de toda a tragédia, cidadãos pagam muito caro economicamente por uma guerra", afirma. "Para se preparar para situações de emergência podemos diversificar, para além de ativos, diversificar o risco-país. Hoje temos muitas opções acessíveis de contas internacionais, que permitem ter ativos em vários locais". Mudança no STF congelou ações de passageiros contra aéreas A decisão de compra também esbarra em uma questão para além das finanças: os direitos dos passageiros em caso de cancelamentos. Isso porque, em novembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os processos contra companhias aéreas que tratem de atrasos, alterações ou cancelamentos de voos decorrentes de "fortuito externo" ou força maior, conforme as definições do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA). Na prática, isso significa que os processos motivados por eventos alheios ao controle das empresas (como condições meteorológicas adversas, fechamento de aeroportos, restrições impostas por autoridades da aviação civil ou situações de pandemia) devem ser paralisados até que o tribunal decida de forma definitiva sobre a controvérsia. A disputa é qual conjunto de regras deve prevalecer nessas situações: se é o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que oferece maior proteção e reparação ao passageiro, ou o CBA, que possui regras mais restritivas. Assim, a depender do que decidir o STF, é possível que situações de guerra como a que acontece no Irã sejam lidas como "fortuito externo" e, dessa forma, passageiros afetados por um cancelamento nessas condições não tenham direito a reclamação contra companhias. Para Walter Moura, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), uma "guerra que tem mais de três semanas não é como um tornado, que acontece do nada". Portanto, ele defende que conflitos como o do Irã não sejam enquadrados como "fortuitos externos". "Para vendas futuras, eles têm plenas condições de fazer cálculos preditivos, criando planos especiais de pagamento e cancelamento", diz. "Não acredito que o Supremo resista à pressão das aéreas. É bom o consumidor se preparar para comprar passagens aéreas da mesma forma que comprar bilhetes de loteria. As chances de perder dinheiro são cada vez maiores." A Anac disse em nota que as regras brasileiras "não trazem orientação específica para situação de guerra", mas entende que "o texto deve ser expandido para esse tipo de circunstância". "Ou seja, que as companhias aéreas não são responsáveis pelo dano, o que não as isenta da necessidade de garantir assistência material aos passageiros", disse a Anac. Potencial do Brasil para baratear combustível de aviação Se a situação atual é de crise para todos os envolvidos, ela pode ter um pequeno ponto positivo a longo prazo: impulsionar a busca de alternativas para o QAV, que tem origem fóssil. "O momento mostra uma altíssima dependência de um único insumo poluente, e precisamos diminuir essa dependência", diz Dany de Oliveira. Uma das opções é o Sustainable Aviation Fuel (SAF), um biocombustível produzido a partir de resíduos como óleo de cozinha, gordura animal e biomassa de cana-de-açúcar. Os atuais motores de aviões já são compatíveis com o SAF. O combustível sustentável (SAF) é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum, mas diferença pode cair com alta do Brent Getty Images Historicamente, o SAF é de 3 a 5 vezes mais caro que o querosene comum. No entanto, com o barril de Brent subindo com a guerra, essa distância econômica diminui. "O Brasil tem tudo para ser a 'Arábia Saudita do SAF'", diz Oliveira. Além de ter a maior reserva de biomassa do mundo, o Brasil já tem décadas de experiência com o Proálcool e a mistura de biodiesel, com infraestrutura adequada para biocombustíveis. Além disso, o SAF pode trazer independência geopolítica: um combustível produzido a partir de cana-de-açúcar ou gordura animal em solo brasileiro não depende do estreito de Ormuz. De olho nisso, o SAF faz parte da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que regula os passos da transição energética no Brasil. Ela define que, a partir de 2027, as companhias aéreas precisam usar uma pequena porcentagem de SAF. Empresas como a LATAM já começaram a usar o biocombustível em determinadas operações. "O arcabouço regulatório ajuda, mas ainda falta uma carteira de investimentos para acelerar esses projetos do SAF. O que temos hoje é potencial", diz Oliveira. "Que esse momento seja uma alavanca para que esses projetos fiquem mais robustos e consigam ser acelerados". Veja os vídeos que estão em alta no g1
02/04/2026 10:31:46 +00:00
Petróleo sobe mais de 7% após Trump dizer que EUA manterão ataques ao Irã

Trump diz que objetivos no Irã estão quase concluídos Os preços do petróleo subiam mais de 7% nesta quinta-feira (2), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país manteria os ataques ao Irã sem apresentar um cronograma para o fim da guerra. A declaração aumentou os temores dos investidores sobre possíveis interrupções prolongadas no fornecimento. 🔎Por volta das 10h41 (horário de Brasília), o petróleo tipo Brent avançava 7,85%, cotado a US$ 109,10. No mesmo horário, os futuros do petróleo bruto WTI (West Texas Intermediate) subiam 13,08%, para US$ 113,20 o barril. A alta vinha após uma queda de mais de US$ 1 nos dois principais benchmarks, registrada antes do discurso televisionado de Trump à nação. "Vamos terminar o trabalho, e vamos fazê-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto", disse Trump. Ele acrescentou que as forças armadas dos EUA estão próximas de atingir seus objetivos e que o conflito pode terminar em duas ou três semanas, sem dar detalhes. Segundo Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, os mercados reagem à ausência de "qualquer menção clara a um cessar-fogo ou a iniciativas diplomáticas" no discurso. "Se as tensões se intensificarem ou os riscos no transporte marítimo aumentarem, o petróleo pode atingir novas altas, à medida que o mercado passa a considerar possíveis interrupções no fornecimento." As ameaças ao tráfego marítimo têm aumentado com a intensificação do conflito na região. Na quarta-feira, um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país. O chefe da Agência Internacional de Energia também alertou que eventuais interrupções no fornecimento devem começar a afetar a economia europeia a partir de abril. Até agora, o continente vinha sendo protegido por cargas contratadas antes do início da guerra. "Sem menção a um plano consistente de cessar-fogo ou a uma estratégia de saída, os mercados seguem assimilando as declarações do governo", disse Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy. Ações da China e de Hong Kong caem As bolsas da China e de Hong Kong fecharam em baixa nesta quinta-feira, pressionadas pela cautela dos investidores após as falas de Donald Trump. No fechamento, o índice de Xangai caiu 0,74%, aos 3.919 pontos, enquanto o CSI300 recuou 1,04%, aos 4.478 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,70%, aos 25.116 pontos. Entre os destaques negativos, ações de semicondutores lideraram as perdas, refletindo a redução do apetite por risco. Na Ásia, o movimento foi generalizado: o Nikkei (Tóquio) caiu 2,28%, o Kospi (Seul) recuou 4,47%, o Taiex (Taiwan) perdeu 1,82%, o Straits Times (Cingapura) cedeu 0,70% e o S&P/ASX 200 (Sydney) caiu 1,06%. Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters
02/04/2026 10:12:39 +00:00
Como a guerra no Irã pode causar inflação na comida do Brasil? Entenda efeito da alta do petróleo

Do avião ao ovo: por que o petróleo afeta o preço de tudo? Uma guerra no Oriente Médio pode impactar o bolso dos brasileiros porque a região concentra grandes reservas de petróleo. E petróleo mais caro encarece combustíveis como gasolina e diesel, e aumenta o custo do transporte em um país onde quase tudo circula por caminhões. Esse efeito em cascata chega aos preços de alimentos, produtos industriais e ao agronegócio, já que o petróleo também é matéria-prima de embalagens, plásticos e fertilizantes, pressionando a inflação e até as decisões sobre juros. Neste vídeo, você vai entender quais são os efeitos da forte alta do petróleo para o seu bolso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
02/04/2026 08:51:45 +00:00
Besouro invasor que destrói palmeiras acende alerta para agricultura no Brasil

Bicudo-vermelho preocupa produtores de palmeiras no Brasil Uma nova ameaça vinda do exterior acende o alerta para a biodiversidade e a produção agrícola no Brasil. O bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro exótico que já devastou plantações em diversos países, pode já estar no território nacional, segundo pesquisadores. A primeira notificação formal no Brasil foi feita em 2022 pelo biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo, em Porto Feliz (SP). A suspeita é que o inseto tenha chegado por meio de palmeiras importadas do Uruguai. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde então, o instituto identificou exemplares do bicudo-vermelho em amostras de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O Ministério da Agricultura ainda não confirmou oficialmente a presença da praga, mas emitiu um alerta em março dizendo que há "risco de prejuízos expressivos para produtores". Segundo o órgão, por enquanto há apenas “indícios” da presença do bicudo-vermelho. A confirmação depende da coleta e análise de amostras por equipes do próprio governo em laboratórios credenciados. Especialistas alertam que a praga pode ser confundida com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa que também ataca palmeiras. A diferença está principalmente no tamanho — o inseto brasileiro costuma ser maior — e na coloração, que é preta. ➡️O Brasil reúne uma das maiores diversidades de palmeiras do mundo, com mais de 260 espécies nativas, como a guariroba e o butiá. Além da importância ambiental, essas plantas sustentam cadeias econômicas relevantes — como coco, açaí e dendê — e são amplamente usadas no paisagismo. Como o inseto destrói as palmeiras Imagem do besouro bicudo-vermelho que ameaça palmeiras no Brasil. Reprodução O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. A fêmea perfura a planta para depositar os ovos. Quando nascem, as larvas passam a se alimentar do interior da palmeira, atingindo o “miolo” — conhecido como palmito. Como as folhas crescem a partir dessa região central, o ataque impede a formação de novas folhas e leva a planta à morte. Diferentemente das árvores comuns, as palmeiras não têm tronco lenhoso, mas um caule mais flexível, chamado estipe. Essa estrutura facilita a ação das larvas, que se desenvolvem protegidas dentro da planta, dificultando a detecção precoce. Galinha leva 25 horas para produzir um ovo; entenda o processo 'Tomatinhos' no pé de batata? Entenda fenômeno que assustou produtor em MG Setor ornamental em alerta O risco preocupa especialmente o mercado de plantas ornamentais. Em uma fazenda em Jacareí (SP), por exemplo, uma palmeira da espécie Phoenix canariensis — uma das preferidas do bicudo-vermelho — pode levar até 20 anos para atingir o tamanho comercial e chega a custar R$ 24 mil. O presidente da Sociedade Brasileira de Palmeiras (SBP), Juliano Borim, relata o impacto observado em países vizinhos. “Vi quilômetros e quilômetros de palmeiras mortas ou derrubadas”, afirma. Segundo ele, após atingir espécies exóticas, o inseto passou a atacar também palmeiras nativas, como o jerivá e o butiá. Falta de controle e impasse oficial O combate à praga enfrenta entraves no Brasil: Entrada irregular: o inseto pode chegar ao país em palmeiras importadas ilegalmente; Ausência de predadores: por ser exótico, não tem inimigos naturais no ecossistema brasileiro; Falta de insumos registrados: produtos usados no exterior, como feromônios e inseticidas específicos, ainda não têm registro no país para esse uso. O Ministério da Agricultura diz que avalia alternativas de controle e que poderá adotar medidas para registro de produtos caso a presença seja confirmada. Enquanto isso, produtores e pesquisadores cobram rapidez na resposta. “Se nada for feito, podemos ter problemas sérios tanto nas palmeiras ornamentais quanto nas produtivas”, alerta o agrônomo Roberto Betancur. O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. Reprodução
02/04/2026 08:03:51 +00:00
Apple, 50 anos: funcionário mais antigo ganhou ações que hoje valem milhões e viu big tech quase quebrar

Quem é o funcionário mais antigo da Apple que ganhou ações, hoje avaliadas em milhões Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple, em 1976. Meio século depois, ele segue na empresa. No mercado de tecnologia, essa é uma história cada vez mais rara. Hoje, aos 64 anos, Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple. A trajetória dele foi destaque em uma reportagem do jornal "The New York Times", que contou como o veterano participa, até hoje, do desenvolvimento do sistema operacional da Apple TV. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer: profissionais que constroem toda a carreira em uma única empresa. Esse tipo de percurso se tornou incomum, sobretudo no Vale do Silício, onde trocar de emprego com frequência virou regra. Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple Reprodução Vídeo Institucional Apple / Apple Fandom Nascidos entre meados dos anos 1940 e o início da década de 1960, os baby boomers cresceram em um mercado de trabalho baseado na estabilidade. A promessa era clara: dedicação agora, segurança mais tarde. Como mostrou uma reportagem do g1 publicada em agosto no ano passado, gerações mais antigas entraram no mercado em um período de vínculos duradouros, benefícios garantidos e progressão de carreira atrelada ao tempo de casa. “O lema era: trabalho agora para viver melhor depois”, explicou o especialista em mercado de trabalho Ricardo Nunes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Foi nesse ambiente que surgiram profissionais como Espinosa. Pessoas que ficaram décadas na mesma empresa e ajudaram a construí-la passo a passo. Hoje, o cenário é outro. Profissionais mais jovens enfrentam um mercado marcado pela precarização, pela automação e pela alta rotatividade para conseguir avança na carreira, segundo Nunes. No setor de tecnologia, mudar de emprego a cada dois ou três anos se tornou algo comum. Uma carreira construída dentro da Apple Espinosa foi o oitavo funcionário da Apple. Na época, a empresa ainda funcionava na casa de infância de Steve Jobs e montava computadores manualmente. Ao longo de quase 50 anos, ele passou por várias funções. Trabalhou como programador, cuidou da documentação de produtos e, atualmente, atua no desenvolvimento do sistema da Apple TV. Ao Times, Espinosa descreveu o início da empresa como um período instável. Segundo ele, havia grandes promessas, mas também muita incerteza. Mesmo quando deixou a Apple por um curto período para estudar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ele manteve vínculo com a empresa. Trabalhou meio período e escreveu o extenso manual do Apple II, com mais de 200 páginas. A carreira também atravessou momentos difíceis. Nos anos 1980 e 1990, a Apple enfrentou crises e promoveu demissões em massa. Espinosa contou que só não foi desligado porque sua indenização seria alta, já que ele acumulava muitos anos de empresa. Sem diploma universitário e com experiência concentrada quase exclusivamente na Apple, ele chegou a pensar no futuro. Decidiu ficar. “Eu estava aqui quando acendemos as luzes. Posso muito bem ficar até que as apaguemos”, afirmou ao jornal. Além da estabilidade, funcionários antigos da Apple também se beneficiaram financeiramente do crescimento da empresa. Segundo o New York Times, Espinosa recebeu 2 mil ações da Apple após a abertura de capital, em 1980. O bônus fazia parte de um plano criado por Steve Wozniak para recompensar os primeiros funcionários. Hoje, essa quantidade de ações valem cerca de US$ 114 milhões, valor equivalente a R$ 588 milhões. Esse modelo é comum em empresas de tecnologia. Além do salário, trabalhadores recebem ações da companhia. Se a empresa cresce, os papéis se valorizam. Para quem permanece por muitos anos, o resultado pode ser uma fortuna. Espinosa não revelou detalhes atuais sobre salário ou bônus. Ainda assim, sua trajetória mostra como esse tipo de benefício pode pesar na decisão de ficar. A transformação da Apple Ao longo das cinco décadas de Espinosa na empresa, a Apple mudou radicalmente. Após o crescimento inicial, a companhia enfrentou crise financeira e perdeu o rumo nos anos 1990. A virada veio em 1997, com o retorno de Steve Jobs. Segundo Espinosa disse ao New York Times, os primeiros 20 anos da Apple foram marcados por "arrogância". Já as décadas seguintes redefiniram a eletrônica de consumo, com produtos como o iPod e o iPhone. Hoje, a Apple está entre as empresas mais valiosas do mundo. Vale trilhões de dólares e tem bilhões de dispositivos em uso. Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple. Arquivo institucional Apple Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer: Vídeo Institucional Apple/ Reprodução Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração
02/04/2026 08:03:47 +00:00
IBGE reduz vagas para 36,9 mil em concurso de temporários; edital sai em maio

IBGE: vagas para profissionais em todo o Brasil Divulgação/Hugo de Paula - IBGE O processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que previa a contratação temporária de cerca de 39 mil profissionais, passou por mudanças, segundo o projeto básico publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) nesta terça-feira (31). A principal alteração é a redução no número de vagas. Antes, estavam previstas 39.108 oportunidades; agora, o total foi ajustado para 36.946 – abaixo do quantitativo autorizado pelo governo federal em dezembro. (veja abaixo como ficou a distribuição) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Outro ponto de destaque é o adiamento na escolha da banca organizadora. Antes prevista para março, a contratação foi remarcada para abril. Segundo o novo cronograma, as empresas interessadas poderão enviar propostas entre 6 e 17 de abril. O edital deve ser publicado em maio, com resultados previstos até novembro. A empresa contratada ficará responsável por todas as etapas do processo, desde a elaboração dos editais e gestão das inscrições até a logística das provas, correção, recursos e relatórios finais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em nota enviada ao g1, o IBGE confirmou a redução no número de vagas e informou que o ajuste segue orientações da Coordenação Geral de Operações Censitárias. Segundo o instituto, o número anterior era apenas uma estimativa máxima e poderia ser readequado conforme a necessidade. O instituto ainda explicou que as contratações temporárias seguem as regras da legislação e dependem de previsão orçamentária e autorização conjunta dos ministérios da Gestão e do Planejamento. (veja abaixo o posicionamento completo) O processo foi iniciado em setembro de 2024 e resultou na publicação de uma portaria em dezembro de 2025. Nesse período, o instituto afirma que realizou revisões técnicas no planejamento, com ajustes metodológicos e operacionais, o que levou à atualização do número de vagas para refletir de forma mais precisa a necessidade atual e o uso dos recursos públicos. Sobre o cronograma da banca, o órgão afirmou que as datas divulgadas anteriormente eram apenas previsões, não havia determinação de datas. A expectativa é que a contratação da banca seja concluída até o fim de abril. Os documentos disponíveis no PNCP detalham que o contrato pode durar até 30 meses. O processo seletivo deve ocorrer em mais de 4,3 mil municípios e terá reserva de 5% das vagas para pessoas com deficiência e 30% para candidatos de cotas raciais e sociais. As provas devem seguir o padrão de seleções anteriores do IBGE, com 60 questões de múltipla escolha. O instituto estima atrair cerca de 364 mil inscritos, com base em projeções do projeto básico e em dados de seleções anteriores. As vagas serão destinadas a atividades relacionadas a levantamentos estatísticos e censitários conduzidos pelo instituto. Segundo o órgão, esse total de oportunidades será dividido em dois editais distintos. A autorização para a contratação dos temporários foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de dezembro. A medida permite ao IBGE contratar profissionais por tempo determinado para atender a necessidades temporárias de excepcional interesse público, conforme previsto em lei. Nesta reportagem, o g1 mostra o que já foi definido e o que ainda depende da publicação dos editais. ➡️ Veja abaixo: Por que o governo autorizou tantas vagas? Em quais censos os contratados vão trabalhar? Quais cargos serão oferecidos? Quais são os salários? Quando sai o edital? Últimos concursos do IBGE O que diz o IBGE Por que o governo autorizou tantas vagas? O número elevado de vagas está diretamente ligado à dimensão dos censos que o IBGE pretende realizar. São pesquisas que exigem grande estrutura operacional, com equipes espalhadas por todo o país para coletar dados diretamente com a população. Esse tipo de trabalho é intenso, mas temporário. Ele ocorre em períodos específicos e, por isso, o instituto costuma reforçar o quadro com contratações por tempo determinado sempre que precisa executar levantamentos dessa magnitude. Em quais censos os contratados vão trabalhar? Segundo a portaria, os profissionais selecionados vão atuar na operacionalização de dois censos. Um deles é o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, voltado à coleta de informações sobre a produção no campo. O outro é o Censo da População em Situação de Rua, que busca mapear um grupo que exige metodologia própria e abordagem diferenciada. Quais cargos serão oferecidos? A maior parte das vagas será destinada ao cargo de recenseador, responsável pela coleta de dados. Apenas para essa função, estão previstas 27.279 oportunidades. As demais vagas serão distribuídas entre funções operacionais e de apoio. O número de vagas por função já foi estabelecido, mas as atribuições detalhadas de cada cargo devem constar apenas no edital, que ainda não foi publicado. Para ser contratado, será necessário passar por um processo seletivo simplificado. Quais são os salários? As remunerações ainda não foram definidas. Os valores serão estabelecidos pelo próprio IBGE, com despesas custeadas pelo orçamento do próprio instituto, classificadas como “Outras Despesas Correntes”. A autorização está condicionada à declaração de adequação orçamentária e financeira, em conformidade com a Lei Orçamentária Anual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Quando sai o edital? O IBGE tem até seis meses, contados a partir da publicação da portaria, para divulgar o edital de abertura das inscrições — ou seja, até o mês de maio. Até lá, não há datas definidas para o início das inscrições, aplicação de provas ou divulgação de resultados. Últimos concursos do IBGE O último concurso do IBGE ocorreu em 2023, quando o governo federal autorizou o instituto a contratar 8.141 funcionários temporários para a realização de pesquisas. Além disso, no ano passado o IBGE também ofertou 895 oportunidades no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). Atualmente, o IBGE mantém outro processo seletivo temporário em andamento, com 9.580 vagas para os cargos de Agente de Pesquisas e Mapeamento e Supervisor de Coleta e Qualidade. O que diz o IBGE "Nos termos da Lei nº 8.745/1993, as contratações por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público devem observar a dotação orçamentária específica e ser precedidas de autorização conjunta do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). O IBGE iniciou esse processo em setembro de 2024, que culminou na Portaria Conjunta MGI/MPO n. 90, de 2 de dezembro de 2025. Neste intervalo e no período subsequente, o Instituto manteve a revisão técnica contínua de seus processos e etapas operacionais. Como resultado desse aprimoramento do planejamento, que envolve ajustes metodológicos, redefinição de estratégias operacionais e busca permanente por maior eficiência, houve a atualização dos quantitativos inicialmente estimados, refletindo de forma mais precisa a necessidade atual do órgão e a adequada utilização dos recursos públicos. Os quantitativos definitivos serão oficialmente divulgados por ocasião da publicação do edital, em consonância com a situação mais atualizada possível do planejamento das operações censitárias em curso". IBGE Tânia Rêgo/Agência Brasil
02/04/2026 07:01:22 +00:00
Como falas de Trump mexem no preço do petróleo — e como ele reage com respostas do Irã

Trump afirma que Irã pediu cessar-fogo O mercado reage a cada manifestação dos EUA e reação do Irã. Após discurso de Donald Trump sobre a guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo Brent teve alta de 4,9%, chegando a US$ 106,16 (cerca de R$ 547,78) por barril nesta quinta-feira (2). Mais cedo nesta quarta-feira (1º), Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA devem deixar o Irã "muito rapidamente" e que o país pode retornar para "ataques pontuais", se necessário. Em mais um indicativo de que a guerra no Oriente Médio pode chegar ao fim, Trump também disse que o Irã pediu um cessar-fogo no conflito entre os dois países. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Irã negou a informação, assim como tem negado a existência de negociações diretas com os EUA. Não é a primeira vez que essa disputa de versões ocorre, e tem impactado o mercado de petróleo — que subiu de cerca de US$ 70 para US$ 110 ao longo do conflito, gerando uma crise energética sem precedentes. Recentemente, a primeira postagem de Trump falando sobre possíveis negociações com o Irã para encerrar a guerra provocou uma reação imediata. Em poucos minutos, o preço do barril caiu quase US$ 15, mesmo que a interrupção da guerra não tenha se concretizado. Trump diz que EUA e Irã tiveram conversas “produtivas” e adia ataques a infraestrutura iraniana enquanto negociações continuam. Reproduçao/Redes sociais Para o Instituto de Estudos de Energia de Oxford (OIES), o episódio ilustra o peso que declarações políticas podem ter sobre um mercado altamente sensível a notícias sobre conflitos e riscos de interrupção na oferta de petróleo. “A administração dos EUA tem intervindo pesadamente no mercado de petróleo por meio de fluxos de informação e mensagens, que nem sempre são precisas ou corretas”, afirma Bassam Fattouh, diretor do IOES. Segundo ele, Washington tem buscado “soluções criativas diariamente para manter o preço do petróleo estável”. Esse tipo de estratégia tende a aumentar a volatilidade das cotações no curto prazo, mas também revela a preocupação das autoridades em conter os impactos econômicos da guerra. Tensão no Oriente Médio mexe com o petróleo Quando surgem declarações que indicam negociações, possíveis tréguas ou mediação internacional, a tensão dos investidores diminui e, com isso, o temor de problemas no transporte de petróleo também recua, explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “As quedas no preço do petróleo ocorrem invariavelmente sempre que surgem sinais de redução na tensão geopolítica”, afirma. O economista explica que qualquer indicação de melhora no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz muda rapidamente a leitura do mercado. “A expectativa de que as tensões diminuam já é suficiente para que os preços caiam imediatamente. Mesmo que nada tenha mudado efetivamente na produção ou na logística de distribuição.” 🔎 Isso acontece porque o petróleo é um insumo central para combustíveis, transporte e geração de energia. Quando seu preço oscila por causa de decisões políticas ou novos capítulos do conflito, o efeito se espalha pela economia e acaba chegando ao bolso de consumidores em diferentes países — inclusive no Brasil. Um desses episódios ocorreu em 9 de março. Na ocasião, Trump afirmou que a guerra contra o Irã estaria “praticamente concluída” e poderia terminar em breve. A declaração levou parte do mercado a reduzir as apostas em uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo. Como resultado, o preço do barril do tipo Brent caiu de cerca de US$ 98,96 para US$ 87,8 no dia seguinte. A queda, porém, durou pouco. No dia seguinte, autoridades iranianas rebateram as declarações de Trump e descartaram qualquer cessar-fogo ou negociação com Washington. O chanceler do país, Abbas Araghchi, afirmou que o desfecho do conflito seria decidido por Teerã e indicou que não haveria diálogo. Com a sinalização de continuidade da guerra e da possibilidade de novas tensões na região, o mercado voltou a revisar suas expectativas. O resultado foi uma nova alta nas cotações, com o petróleo subindo de US$ 87,8 para US$ 91,98. Guerra e petróleo: declarações de Trump e do Irã movem o mercado. Arte/g1 Retórica vira estratégia geopolítica O peso das declarações políticas também foi analisado por Javier Blas, colunista de energia e commodities da Bloomberg. Ele descreve a estratégia adotada por Donald Trump como uma forma de “jawboning”. 🗣️ O termo é usado para caracterizar tentativas de influenciar o comportamento do mercado por meio de discursos públicos. “O presidente Donald Trump fez intervenções verbais constantes e eficazes”, escreveu o colunista. “Seu ‘jawboning’ sobre o fim da guerra ajudou diretamente a conter compras motivadas por pânico.” Para Blas, essas declarações ajudaram a evitar movimentos mais bruscos de alta, mesmo diante de preocupações com a oferta global de petróleo. Mas quando as declarações não se confirmam ou são contestadas, o movimento se inverte. É o que aponta o analista Pedro Galdi, da AGF, ao destacar que o conflito tem sido marcado por versões divergentes entre os envolvidos. “O presidente dos EUA sinaliza que está ocorrendo avanços nas negociações, por outro lado fontes do Irã desmentem”, diz Galdi. Segundo ele, esse desencontro de informações dificulta a leitura do que está acontecendo e mantém o mercado em constante ajuste. Em um momento, prevalece a expectativa de trégua. No seguinte, o risco de continuidade da guerra volta a ganhar força. Para o analista, essa dinâmica explica por que o petróleo segue sob influência de movimentos especulativos. “O preço do petróleo internacional segue em patamar elevado e com forte influência de movimentos de especulação”, afirma. Expectativas ganham peso sobre a oferta Esse padrão de reação — com quedas após sinais de negociação e altas quando essas sinalizações perdem força — ajuda a entender a rapidez com que o mercado tem reagido a declarações políticas. Segundo Bassam Fattouh, diretor do Oxford Institute for Energy Studies (OIES), esse tipo de dinâmica ganhou força porque os instrumentos tradicionais para lidar com crises no petróleo têm alcance limitado. Medidas mais concretas, como o uso de estoques estratégicos ou a adoção de sanções e regulações, costumam levar tempo para produzir efeitos e nem sempre conseguem resolver interrupções no fornecimento de grande escala. “Autoridades estão intervindo pesadamente no mercado de petróleo em termos de fluxos de informação e mensagens (muitas vezes com certo grau de 'licença criativa')”, afirma o diretor do OIES . O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a uma pergunta durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami REUTERS/Kevin Lamarque
02/04/2026 06:00:44 +00:00
Governo Trump diz que PIX cria 'desvantagem' para gigantes de cartão de crédito

PIX é imparável? Especialistas analisam concorrência com cartões nos EUA Um relatório divulgado pela Casa Branca nesta quarta-feira (1º) ressaltou novamente o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. "O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do PIX é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Esta não é a primeira vez que o governo Trump cita o PIX como um risco a empresas americanas. Em julho de 2025, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos Estados Unidos. No documento que oficializou o processo, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época. Golpe do PIX Divulgação O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, ainda cita: Mineração ilegal de ouro no Brasil Extração ilegal de madeira Leis trabalhistas brasileiras PL dos Mercados Digitais Regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados Taxa de uso de rede Satélites Sobre a mineração ilegal de ouro no Brasil, o relatório narra preocupação com a competição desleal que as mepresas americanas, 'que seguem padrões ambientais e trabalhistas', estão sujeitas. "Relatórios indicam que o ouro ilícito representa 28% da atividade de mineração total no país". Em relação a extração ilegal de madeira, o relatório estima que quase '50% da madeira colhida no Brasil — e 90% da madeira da Amazônia brasileira — seja ilegal'. O relatório cita o enfraquecimento da fiscalização, produção agrícola e corrupção como principais fatores que permitem as práticas ilegais. "Espécies de alto valor como o ipê e o mogno são as principais afetadas." A falta de uma 'proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado' também vulnerabiliza a competitividade de empresas dos EUA, diz o relatório. Vista da Casa Branca Reuters/g1 O projeto que trata da regulação econômica dos mercados digitais, conhecido como 'PL dos Mercados Digitais', também é visto como um risco à concorrência. Apesar do projeto ainda não ter avançado no Congresso, o relatório ressalta que 'os critérios de designação afetariam desproporcionalmente empresas dos EUA e permitiriam multas de até 20% do faturamento global.' O relatório expressa preocupação com o atraso da implementação de uma regulação da LGPD. "Desde agosto de 2025, empresas dos EUA que lidam com dados brasileiros devem ter contratos atualizados e um Encarregado de Dados (DPO) nomeado." Ainda nas páginas destinadas ao Brasil, o documento fala de consultas da Anatel sobre a regulação de 'serviços de valor adicionado' e plataformas digitais, incluindo obrigações de remuneração. "Em novembro de 2024, o Ministério das Comunicações anunciou que o governo desistiria da abordagem de taxas de rede", diz o relatório. Já sobre os satélites, o relatório da Casa Branca expõe que operadores estrangeiros de satélite precisam pagar taxas anuias de exploraçãos mais altas que empresas brasileiras. "O Brasil permite que entidades brasileiras adquiram o direito exclusivo de operar satélites e frequências. No entanto, operadores estrangeiros obtêm apenas um direito não exclusivo (direito de exploração) por no máximo 15 anos, devendo readquiri-lo posteriormente."
02/04/2026 03:25:03 +00:00
Sexta-feira Santa é feriado nacional? Ganho em dobro se trabalhar? Tire suas dúvidas

Sexta-feira Santa é feriado nacional? O que a lei garante para o trabalhador Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado "feriadão" prolongado que chega nesta sexta-feira (3): a Paixão de Cristo, também chamada de Sexta-feira Santa. A data, declarada como feriado nacional pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante aos funcionários um dia de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já mais para o final do mês, outro feriado aparece no horizonte: o Dia de Tiradentes, que cai na terça-feira, 21 de abril. Mas enquanto alguns terão a oportunidade de aproveitar o tempo livre, outros continuarão suas atividades normalmente. Isso porque a legislação trabalhista autoriza o funcionamento das atividades em alguns setores que são classificados como essenciais. (confira abaixo) ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem alguns direitos assegurados. O g1 conversou com advogados especialistas em direito trabalhista para te ajudar a entender mais sobre o assunto. Abaixo, você vai descobrir: 👩‍⚖️ Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? 🐰 Como funciona no domingo de Páscoa? 🥱 Tenho direito a faltar algum dia? 🚫 O que acontece se eu faltar ao trabalho? 🤔 As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? 📅 Como funciona no caso do trabalhador intermitente? Páscoa nas Americanas Divulgação 1- Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? Depende. Segundo o calendário oficial do governo, a data é feriado nacional. Porém, alguns serviços seguem funcionando normalmente. É que, apesar do artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores de indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos. Assim, se o trabalhador for convocado para trabalhar, ele tem direito ao pagamento em dobro pelo dia ou a uma folga compensatória. Volte ao índice. Abril terá dois feriados com chance de emenda; veja datas e seus direitos 2- Como funciona no domingo de Páscoa? O domingo de Páscoa, no dia 5, não é feriado nacional. Nesse caso, os estados e municípios podem decidir se o dia será feriado ou ponto facultativo. Se não decidirem, aplicam-se as regras gerais de trabalho aos domingos. A folga ou pagamento em dobro depende de como isso está descrito nos contratos individuais ou do setor em que o empregado trabalha. Vale a pena verificar se existem acordos ou convenções coletivas daquela categoria, que regulam as escalas de trabalho das empresas. De qualquer forma, se o trabalho aos domingos resultar em horas extras, a Constituição Federal e a CLT garantem que esse serviço seja remunerado com pelo menos 50% a mais do valor da hora normal. Volte ao índice. 3 - Tenho direito a faltar algum dia? Caso o funcionário seja convocado para trabalhar, se ele precisar faltar, a ausência precisa ser justificada, com comprovações válidas que expliquem por que o empregado não pode realizar as atividades. Se não justificar, o empregado pode ser penalizado com advertência, suspensão e até ser demitido por justa causa. Volte ao índice. 4 - O que acontece se eu faltar ao trabalho? Caso o empregado tenha sido escalado para trabalhar no feriado, ele é obrigado a comparecer. Se, de alguma forma, ele for surpreendido aproveitando a Páscoa na praia, por exemplo, sanções como desconto na remuneração, advertências e demissão por justa causa podem ser aplicadas. Volte ao índice. 5 - As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? Se forem contratos com carteira assinada, as regras para empregados fixos e temporários são as mesmas, já que ambos têm seus direitos garantidos pela legislação trabalhista em relação à jornada de trabalho, horas extras e folgas. Empregados temporários podem ter regras específicas estipuladas em contratos por prazo determinado, e essa análise deve ser feita caso a caso. Volte ao índice. 6 - Como funciona no caso do trabalhador intermitente? No caso do trabalhador intermitente, que tem uma forma de contratação flexível em que o empregador o chama conforme a necessidade, a remuneração é calculada com base nas horas trabalhadas. Se o empregado for convocado para trabalhar em feriados, ele também tem direito ao adicional correspondente, conforme a legislação vigente. Em muitos casos, a legislação prevê um adicional de 100%, o que resulta na dobra do pagamento pelo dia trabalhado. A convocação do trabalhador deve ocorrer até 72 horas de antecedência e o empregado tem até 24 horas para aceitar ou recusar a convocação. Volte ao índice. g1 em 1 minuto: Governo divulga calendário de feriados e pontos facultativos em 2026
02/04/2026 03:01:10 +00:00
Preço das passagens aéreas pode subir até 20% com alta do querosene de aviação, dizem especialistas

Passagem aérea pode subir até 20% com querosene, dizem especialistas Os preços das passagens aéreas podem subir até 20% com a alta do querosene de aviação (QAV), segundo especialistas ouvidos pelo g1. A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) um aumento de mais de 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir deste mês, o que impacta diretamente os custos de operação das companhias aéreas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida reflete o avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos e Israel contra o Irã. "Os gastos para transportar um passageiro por quilômetro vão aumentar aproximadamente 20%. Como quase metade das despesas das companhias aéreas é com o QAV, o custo operacional deve subir nessa proporção", afirma Andre Castelini, sócio da Bain&Company. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o especialista, ainda não é possível dizer se os repasses serão imediatos ou ocorrerão de forma gradual, já que o processo depende da ocupação dos voos e da avaliação de cada companhia aérea. “Talvez elas tenham que cortar voos que não sejam rentáveis, porque o passageiro não consegue absorver esse aumento. Com isso, o número de passageiros pode cair, e aí passa a fazer sentido reduzir a oferta”, acrescenta. 🔎 Para suavizar os efeitos do aumento e, possivelmente, conter os preços ao consumidor, a Petrobras anunciou um mecanismo de parcelamento dos pagamentos das distribuidoras. Além disso, o governo avalia outras medidas para reduzir os impactos. (leia mais abaixo) Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que o impacto sobre as passagens aéreas pode ficar na faixa de 10% a 20%, sendo “algo próximo de 15%” o cenário mais provável. “Esse é um movimento relevante porque, quando o preço das passagens sobe, a demanda tende a recuar. Para cada 1% de aumento no preço, a demanda tende a cair em magnitude semelhante, embora isso varie conforme o perfil do passageiro”, afirma. França acrescenta que, em viagens de lazer, a sensibilidade ao preço costuma ser um pouco maior, enquanto nas viagens de negócios, um pouco menor. "Em um cenário de alta de cerca de 15% nas passagens, é razoável esperar também uma retração da demanda em torno de 15%, o que seria bastante significativo para as empresas do setor", avalia. 'Consequências severas' A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou nesta quarta-feira que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” para o setor — sem mencionar eventual aumento nos preços das passagens. Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%. "A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo", diz, em nota, a Abear. A declaração ocorreu poucas horas após a confirmação oficial de que a Petrobras elevaria os preços às distribuidoras. Os ajustes do QAV ocorrem no início de cada mês, conforme previsto em contrato. Ao todo, mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil é produzido no país. Ainda assim, os preços seguem a paridade internacional, o que amplia os efeitos das oscilações do barril de petróleo. Desde o início da guerra, o preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115. Nesta quarta-feira, o preço do barril Brent caía 0,35%, a US$ 100,23. Ontem, o combustível fechou em US$ 103,97. Embora a Abear tenha citado os impactos dos choques externos sobre os custos das companhias aéreas, a associação não mencionou diretamente a possibilidade de um aumento nos preços das passagens aos consumidores. "A Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações", conclui a nota. A Petrobras, por sua vez, anunciou em comunicado uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os cerca de 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho. "Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", informou a Petrobras. Governo avalia medidas Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. O documento, elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), traz medidas como: redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAV); redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas; redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves. Na avaliação do Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas preservariam a competitividade das empresas, evitariam repasses excessivos ao consumidor e manteriam a conectividade aérea do país. O g1 apurou que outra medida em estudo é a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para compra de QAV, em caráter temporário. O que diz a área econômica Questionado pelo g1, o Ministério da Fazenda informou que acompanha de “forma permanente a evolução do cenário internacional, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia brasileira”. "A pasta mantém monitoramento contínuo de variáveis relevantes, a fim de avaliar eventuais efeitos sobre o Brasil", disse. "Sendo assim, ressalta que eventuais medidas serão analisadas com responsabilidade, à luz das evidências, e sempre em conformidade com os marcos fiscais vigentes", acrescentou. Aeroporto de Congonhas, em São Paulo Felipe Rau/Estadão Conteúdo
02/04/2026 03:01:01 +00:00
Barril de petróleo ultrapassa US$ 106 após discurso de Trump

Demétrio: 'Trump prometeu na TV cometer crimes de guerra' O preço do petróleo Brent teve alta de 4,9%, chegando a US$ 106,16 (cerca de R$ 547,78) por barril nesta quinta-feira (2) após discurso de Donald Trump sobre a guerra no Oriente Médio. Um barril de West Texas Intermediate (WTI), a referência dos EUA, subiu 4%, para US$ 104,15 (cerca de R$ 537,41). Durante o discurso desta quarta (1º), Trump comentou a questão da alta dos preços de petróleo, e da gasolina no mercado americano, dizendo que o aumento acontece "no curto prazo". Ele prometeu continuar com os ataques, o que pode ter influenciado a reação imediata do mercado. Na abertura do pregão asiático, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,9%, para 52.731,94. Já o índice Kospi da Coreia do Sul recuou 3,6%, para 5.281,22. O índice Hang Seng de Hong Kong caiu 0,9%, para 25.056,42 pontos, enquanto o índice composto de Xangai recuou 0,5%, para 3.928,30 pontos. O índice S&P/ASX 200 da Austrália caiu 0,6%, enquanto o índice Taiex de Taiwan registrava queda de 1,1%. LEIA MAIS: Trump ameaça atacar usinas de eletricidade no Irã se não houver acordo Trump diz em discurso que objetivos da guerra contra o Irã estão próximos de serem atingidos: 'Nós vamos terminar o trabalho logo' 'Não precisamos do petróleo deles' O pronunciamento à nação feito por Trump nesta quarta foi o primeiro desde o início da guerra no Oriente Médio, que já completou um mês e apresenta reflexos em todos os setores da economia mundial. "Agora somos totalmente independentes do Oriente Médio, e ainda assim, estamos lá para ajudar. Não precisamos. Não precisamos do petróleo deles, não precisamos de nada, eles têm tudo, estamos lá para ajudar nossos aliados", ele disse, em referência à escassez de petróleo no mercado devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Trump e seus assessores têm oferecido explicações e cronogramas variáveis para o conflito, agora em sua quinta semana. Se ele convencer os eleitores de que a guerra tem prazo limitado e está perto do fim, isso poderá ajudar a aliviar as preocupações crescentes entre os norte-americanos, a maioria dos quais se opõe ao conflito e muitos dos quais estão frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido a interrupções no fornecimento global de petróleo. Veja os principais pontos da declaração de Trump: Segundo o presidente dos EUA, objetivo dos EUA era destruir a capacidade de Teerã realizar um ataque contra o país e impossibilitar que o regime exercesse seu poder militar fora de seu território. Trump também declarou que vai atacar alvos da infra-estrutura de energia iraniana daqui pra frente: "Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram", afirmou o republicano. Trump discursa na Casa Branca Alex Brandon/Pool via REUTERS Ao comentar sobre o Estreito de Ormuz, importante corredor que escoa o petróleo do Golfo Pérsico fechado pelo Irã, Trump foi evasivo. Ele sugeriu que a reabertura interessa mais aos países europeus do que a Washington. "Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse o presidente americano. Trump faz discurso a nação sobre a guerra contra o Irã Alex Brandon/Pool via Reuters Criticas à OTAN Em entrevista à Reuters mais cedo, Trump disse que também expressaria seu descontentamento com a OTAN pelo que ele considera a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã. Um racha transatlântico durante o segundo mandato de Trump se aprofundou depois que os aliados europeus rejeitaram seu pedido para ajudar a manter a passagem segura do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Ele disse que estava "absolutamente" considerando retirar os EUA da Otan, uma organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado dos EUA em 1949. Trump acrescentou que, embora os EUA saíssem do Irã "muito rapidamente", os militares poderiam retornar para "ataques pontuais", conforme necessário. Guerra impopular As pesquisas de opinião pública mostram que a guerra é amplamente impopular, principalmente entre os eleitores independentes, e aliados de Trump têm pedido que o governo apresente aos eleitores uma justificativa mais clara e consistente para o conflito. Enquanto isso, Trump flertou com opções tanto para aumentar quanto para diminuir a escalada do conflito e seus próximos passos não estão claros, mesmo para alguns assessores próximos. Autoridades do governo cogitaram uma operação ousada para confiscar fisicamente os estoques restantes de urânio altamente enriquecido do Irã, bem como operações terrestres para controlar pedaços estratégicos de terra -- incluindo partes do litoral do Irã e a Ilha de Kharg, por onde o Irã exporta a maior parte de seu petróleo. Milhares de soldados adicionais continuam a navegar em direção à região do Golfo, indicando que o presidente quer manter suas opções militares em aberto. Ao mesmo tempo, Trump sugeriu que pode se afastar do conflito, mesmo que o Irã se recuse a reabrir o Estreito de Ormuz. Há indícios de que ele está interessado em voltar sua atenção para outro lugar. Na manhã desta quarta-feira, Trump visitou a Suprema Corte dos EUA para assistir aos argumentos sobre a legalidade de uma política que ele considera crucial para sua abordagem linha-dura em relação à imigração: uma diretriz que ele assinou no ano passado que limitaria a cidadania por nascimento. Foi a primeira vez que um presidente em exercício assistiu a uma discussão oral na Suprema Corte. De volta à Casa Branca para um almoço de Páscoa, Trump disse, em referência à guerra contra o Irã, que o governo estava "praticamente encerrando o assunto". "Temos que dar mais alguns golpes", disse ele. Uma autoridade da Casa Branca disse que o vice-presidente JD Vance havia se comunicado com intermediários do Paquistão sobre o conflito com o Irã ainda na terça-feira, em meio a esforços incipientes para buscar um acordo negociado. Trump disse que essas negociações estão indo bem, enquanto Teerã disse que não há nenhuma discussão direta em andamento.
02/04/2026 01:39:14 +00:00
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