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g1 > Economia

Japão lança foguete para missão que pode ser a primeira a coletar amostras de lua de Marte

Ilustração mostra a sonda MMX e o trajeto previsto de ida a Marte e retorno à Terra. JAXA Cientistas japoneses lançaram um foguete que transporta uma sonda não tripulada com a missão de coletar amostras de uma das duas luas de Marte. Se for bem-sucedida, a operação poderá ser a primeira do mundo a trazer material de uma dessas luas para a Terra. O foguete H3 decolou do Centro Espacial de Tanegashima às 16h41 desta segunda-feira (19), pelo horário de Brasília — 4h41 da terça-feira (20) no Japão. A bordo estava a sonda Martian Moons eXploration (MMX). O lançamento foi transmitido ao vivo pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A missão tem como alvo Fobos, a maior das duas luas de Marte, e deve durar cerca de cinco anos. Segundo o planejamento da JAXA, a sonda chegará às proximidades do planeta aproximadamente um ano após o lançamento. Em seguida, entrará em uma órbita próxima a Fobos para observar o satélite natural em detalhes e realizar a tentativa de coleta de amostras (entenda mais abaixo). Agora no g1 Depois das observações e da coleta, a nave deverá iniciar a viagem de volta à Terra, que levará cerca de um ano. O material recolhido poderá ajudar cientistas a investigar como as luas marcianas se formaram e o que elas revelam sobre a história do planeta e do Sistema Solar. Por que estudar as luas de Marte? Marte tem algumas características em comum com a Terra, mas hoje apresenta uma atmosfera muito fina e um ambiente frio. Segundo a JAXA, pousar no planeta e trazer amostras de volta à Terra são desafios técnicos, em parte por causa de sua gravidade. Por isso, a missão MMX tem como alvo Fobos, um corpo celeste menor que, segundo os cientistas japoneses, pode ter sofrido poucas mudanças ao longo do tempo e conservar informações importantes sobre a evolução da região de Marte. 🪐 A origem das duas luas marcianas ainda é tema de debate. Uma das hipóteses é que elas tenham se formado a partir de destroços lançados ao espaço depois de uma grande colisão entre Marte e outro corpo celeste. Esses fragmentos teriam se juntado até formar as luas. Outra possibilidade é que Fobos e Deimos, a segunda lua de Marte, sejam asteroides originários de regiões mais distantes do Sistema Solar que foram capturados pela gravidade do planeta. De acordo com a agência japonesa, as observações feitas pela MMX e a análise das amostras trazidas à Terra poderão ajudar a esclarecer qual cenário explica melhor a origem desses corpos. *Com informações da Agence France-Presse
19/10/2026 20:17:48 +00:00
Quase 500 mil brasileiros na malha fina receberão carta da Receita Federal

Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026. Joédson Alves/Agência Brasil A Receita Federal está enviando cartas a 498.487 contribuintes de todo o país que tiveram a declaração do Imposto de Renda de 2026 retida na malha fina. A operação começou em 5 de outubro e termina amanhã (20). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A ação faz parte do “Projeto Cartas 2026”, que busca incentivar os contribuintes a corrigir possíveis erros por conta própria antes de receberem uma notificação ou intimação formal. 🔎 As declarações retidas na malha fina são aquelas em que a Receita Federal identificou alguma pendência que precisa ser esclarecida ou corrigida. Isso não significa, necessariamente, que houve fraude ou que o contribuinte já tenha sido multado. Segundo o Fisco, regularizar a situação antecipadamente reduz o risco de multas e de atrasos no recebimento da restituição. Agora no g1 Como saber se a declaração tem pendências? Vale dizer que não é preciso esperar a carta chegar para verificar a situação do Imposto de Renda. A consulta pode ser feita pela internet, no serviço Meu Imposto de Renda, disponível no site e no aplicativo da Receita Federal. Para acessar o sistema, é necessário ter uma conta gov.br com nível prata ou ouro. Veja como consultar e corrigir a declaração: Acesse o Meu Imposto de Renda: entre no site ou no aplicativo da Receita Federal. Verifique se há pendências: se a declaração estiver retida na malha fina, aparecerá a indicação “Com Pendência”. Identifique o problema: clique na pendência para consultar o motivo da retenção e as orientações para resolvê-la. Confira os dados e os comprovantes: verifique se os valores informados estão corretos e se há documentos que comprovem as informações declaradas. Corrija a declaração, se necessário: caso encontre erros, envie uma declaração retificadora, ou seja, uma nova versão corrigida da declaração original. Todo o procedimento pode ser feito pela internet, sem necessidade de comparecer a uma unidade da Receita Federal. Quais erros podem levar à malha fina Entre os problemas mais comuns identificados pela Receita estão: 💰 Rendimentos não declarados: esquecer de informar valores recebidos de forma pontual ao longo do ano. 👨‍👩‍👧 Rendimentos de dependentes: deixar de incluir os valores recebidos por pessoas declaradas como dependentes. 👴 Aposentadorias omitidas: não informar todos os rendimentos quando o contribuinte ou seu dependente recebe aposentadoria de mais de uma fonte pagadora. 🩺 Despesas médicas incorretas: informar o ano ou o valor errado de um gasto, ou incluir despesas que não podem ser deduzidas do Imposto de Renda. 🏦 Plano VGBL declarado como dedução: informar contribuições para esse tipo de plano como despesa dedutível, embora elas não possam ser abatidas do imposto. São Paulo lidera o número de cartas São Paulo é o estado com o maior número de contribuintes que receberão cartas da Receita Federal: são 163.159, cerca de um terço do total nacional. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 48.509, e Rio de Janeiro, com 45.403. A concentração também se reflete no resultado por região. O Sudeste reúne 267.234 cartas, o equivalente a cerca de 54% do total previsto para o país. Veja no infográfico a distribuição dos envios pelos estados brasileiros. São Paulo lidera lista de estados com mais cartas da Receita Arte/g1
19/10/2026 19:28:21 +00:00
Doença em granja de SC pode afetar exportações de frango do Brasil para a China; entenda o risco

Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China  Um acordo comercial com a China prevê a suspensão temporária das exportações brasileiras de carne de frango em caso de ocorrência de Doença de Newcastle, como a confirmada no domingo (18) em uma granja de perus em Santa Catarina. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A informação foi dada nesta segunda-feira (19) pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista à Reuters. Segundo Santin, a suspensão inicial, chamada de “autoembargo”, permite que a China, maior mercado importador de carne de frango do Brasil, defina se a restrição será aplicada a todo o país, ao estado afetado ou apenas à região onde a doença foi identificada. “Alguns países, como a China, se tiver uma dessas doenças (Newcastle ou gripe aviária), o Brasil precisa suspender as exportações, para ela definir como vai ficar a regionalização (do embargo)”, disse. De janeiro a setembro, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango, o equivalente a 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro. De acordo com o presidente da ABPA, poucos países têm acordos que preveem esse tipo de suspensão inicial. Para a maioria dos importadores, o bloqueio deve ficar restrito à área do foco da doença, em um raio de 10 quilômetros. Uma restrição limitada à região afetada reduziria o impacto sobre as exportações brasileiras, já que Santa Catarina responde por pouco mais de 20% dos embarques de carne de frango do país. Santin afirmou, porém, que ainda é difícil estimar os prejuízos causados pela ocorrência da Doença de Newcastle. Confira a nota da ABPA na íntegra A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) informam que acompanham, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, a ocorrência de Doença de Newcastle em um estabelecimento de produção comercial de perus na cidade de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. Cabe esclarecer: a ocorrência não apresenta manifestação clínica. Ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. As entidades ressaltam que o Brasil dispõe de um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente. A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo. As entidades reforçam sua confiança na atuação das autoridades sanitárias brasileiras e no compromisso do setor produtivo com a biosseguridade, a transparência e o cumprimento dos protocolos estabelecidos, fundamentais para a preservação da sanidade avícola nacional. A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC seguirão acompanhando a situação e apoiando as ações das autoridades competentes. O que aconteceu? O MAPA registrou um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A informação foi confirmada nesta durante uma coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. A TV Globo apurou que a granja foi fechada e tem 6.000 animais. Foram iniciados também trabalhos para eliminar o foco e outros estabelecimentos na região serão analisados. "O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle", disse o MAPA, em nota. O ministério esclareceu ainda que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A ocorrência será notificada à Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. Conforme a nota, novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. Como parte das medidas de contenção, será realizado monitoramento epidemiológico em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. A operação prevê o acompanhamento de aproximadamente 133 propriedades. As equipes técnicas realizarão visitas, avaliações clínicas das aves e coletas de amostras para análise no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), com objetivo de identificar possíveis sinais clínicos e verificar a presença do vírus nas propriedades monitoradas. No momento, não haverá recolhimento de produtos nem devolução de aves que já tenham saído de outras propriedades da região. O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC Comerciantes são obrigados a comprar frango de empresas ligadas a facções. Fantástico
19/10/2026 19:10:04 +00:00
Apple pode ter de pagar mais em caso de patente com indenização de US$ 5,7 bilhões

Logotipo da Apple Reuters Uma empresa de tecnologia que obteve uma indenização de US$ 5,7 bilhões (R$ 28,82 bilhões) contra a Apple por violação de patente pediu à Justiça dos Estados Unidos que aumente o valor a ser pago pela fabricante do iPhone. A solicitação inclui compensação por vendas mais recentes de produtos e juros, o que pode elevar ainda mais a conta da companhia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em setembro, um júri federal da Califórnia concedeu à Taction, empresa sediada em San Diego, a maior indenização por violação de patente já determinada nos EUA. Os jurados concluíram que a Apple usou sem autorização uma tecnologia patenteada de "feedback háptico" em iPhones e Apple Watches. 🔎 O feedback háptico é o recurso que faz o aparelho vibrar para dar uma resposta física ao usuário, como ao tocar na tela ou receber determinados alertas. Agora no g1 Em um pedido apresentado na sexta-feira, a Taction argumentou que a indenização cobre apenas as vendas da Apple realizadas entre 2021 e o fim de março. Por isso, pediu que o tribunal também determine o pagamento de uma compensação pelas vendas dos seis meses seguintes. A empresa também solicitou juros anteriores ao julgamento, calculados pela taxa legal da Califórnia, de 7%. Segundo a Taction, esse acréscimo representaria pelo menos centenas de milhões de dólares além dos US$ 5,7 bilhões (R$ 28,82 bilhões) fixados pelo júri. A companhia pediu ainda juros pelo período posterior à decisão judicial. “O valor da indenização concedida pelo júri não é motivo para reter os juros”, disse Taction ao tribunal. A Apple negou ter cometido irregularidades e afirmou que vai recorrer. A empresa também pediu à Justiça que anule o veredicto. Apple já foi condenada a pagar juros em outro caso Neste mês, a Apple foi condenada a pagar US$ 184,2 milhões (R$ 931,5 milhões) em juros anteriores ao julgamento à Masimo, empresa de tecnologia de monitoramento médico, em outro processo de propriedade intelectual. O pagamento se refere a um caso no qual a Masimo obteve uma indenização de US$ 634 milhões (R$ 3,21 bilhões) em um julgamento realizado no ano passado.
19/10/2026 18:16:07 +00:00
Após 43 anos, jornalista Christiane Amanpour deixará a CNN americana

Christiane Amanpour, CNN .Foto: Reprodução redes sociais A jornalista Christiane Amanpour, principal âncora internacional da CNN nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (19) que deixará a emissora americana em junho de 2027, após 43 anos de trabalho na rede. A decisão foi divulgada em um comunicado. “Após muitos meses de reflexão e algumas noites sem dormir, decidi me separar da CNN, minha parceira ao longo de 43 anos fantásticos!”, afirmou a jornalista. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Aos 68 anos, Amanpour apresenta desde 2009 um programa de entrevistas que leva seu nome na CNN International. A atração terá sua frequência reduzida a partir de janeiro de 2027, quando passará a ser exibida uma vez por semana, até o encerramento, previsto para maio. Mesmo após o fim do programa, ela continuará trabalhando como repórter da CNN e viajando para cobrir notícias internacionais até junho de 2027. Agora no g1 O presidente da CNN, Mark Thompson, comunicou a decisão aos funcionários da emissora em um memorando enviado na manhã desta segunda-feira. Segundo ele, os dois conversaram sobre a saída durante alguns meses. “Assim como muitos integrantes da CNN que receberão a notícia hoje, lamento muito vê-la partir, mas compreendi que este é o momento certo para ela, tanto pessoal quanto profissionalmente”, escreveu Thompson. O executivo descreveu Amanpour como uma das jornalistas mais confiáveis e queridas do mundo e afirmou que a emissora terá tempo para celebrar sua trajetória antes da saída, no próximo ano. Cobertura de guerras e conflitos internacionais Amanpour construiu sua carreira na cobertura de acontecimentos internacionais e conflitos armados. Entre suas principais coberturas estão a Primeira Guerra do Golfo, a Guerra da Bósnia, o genocídio em Ruanda e conflitos no Afeganistão, na Ucrânia e no Irã. Em seu comunicado, a jornalista agradeceu aos colegas com quem trabalhou ao longo da carreira, especialmente às equipes de produção e aos profissionais que a acompanharam nas reportagens em campo. Ela afirmou que o trabalho coletivo foi fundamental para buscar fatos, evidências e humanidade nas coberturas realizadas pela emissora. Amanpour também disse que pretende se dedicar a novos projetos após deixar a CNN e que continuará apoiando a tradição de jornalismo independente da rede.
19/10/2026 17:57:46 +00:00
Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC

Ministério da Agricultura confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em SC O Ministério da Agricultura (MAPA) registrou um foco da doença de Newcastle (DNC) em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (19) em coletiva de imprensa pelo ministro André de Paula. A TV Globo apurou em Brasília que a granja foi fechada e tem 6.000 animais. Foram iniciados também trabalhos para eliminar o foco e outros estabelecimentos na região serão analisados. "O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle", disse o MAPA, em nota. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O ministério esclareceu ainda que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) destacou que o consumo de carne de aves e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população (confira a nota completa da Cidasc no final da reportagem). Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM - de um Serviço de Inspeção Municipal SIE - do Serviço de Inspeção Estadual SIF - do Serviço de Inspeção Federal A ocorrência será notificada à Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil. Conforme a nota, novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. Em comunicado conjunto, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC), disseram que acompanham o caso, esclarecendo que "a ocorrência não apresenta manifestação clínica" - ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados. "A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo". Criação de perus - imagem ilustrativa Ernesto de Souza/Ed. Globo O que é a doença de Newcastle? A DNC é uma enfermidade viral que contamina aves domésticas e silvestres. Ela é causada pelo vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1). Com isso, as aves apresentam sinais respiratórios, seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça. A doença é transmitida por aves migratórias infectadas que fazem rotas comuns através dos continentes. Por conta disso, elas podem ter ocorrência em qualquer lugar do mundo. A doença pode causar, no máximo, conjuntivite transitória em humanos, podendo durar cerca de uma semana. A transmissão ocorre pelo contato, e não pelo consumo. Confira a nota oficial do Ministério da Agricultura O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 18 de outubro de 2026, um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença. O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), conforme os critérios estabelecidos pela OMSA. O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. Novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem. O que diz a Cidasc Confira abaixo a nota da Cidasc sobre o foco em Nova Itaberaba: Nesta segunda-feira (19), o Governo do Estado de Santa Catarina recebeu a confirmação do foco de Doença de Newcastle em aviário comercial de criação de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste Catarinense. De imediato, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) acionaram as equipes para adoção das medidas sanitárias necessárias. Também foi emitida a Nota Técnica 001/2026 Sape/Cidasc com orientações. As amostras foram processadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA/SP) e o diagnóstico foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As medidas sanitárias estão sendo aplicadas pela Cidasc em conjunto com o Mapa e setor produtivo para contenção e erradicação do foco, bem como estão sendo intensificadas as ações de vigilância em populações de aves na região. A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância ativa da Cidasc. Embora as aves não tenham apresentado sinais clínicos, exames laboratoriais detectaram a presença do vírus da doença de Newcastle. O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Cidasc iniciaram as medidas sanitárias para contenção e erradicação do foco, que incluem o sacrifício sanitário das aves e a limpeza e desinfecção das instalações da propriedade. As ações de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Segundo o Mapa, a área de monitoramento inclui 133 granjas. A Nota Técnica emitida pela Sape/Cidasc reitera a necessidade de reforçar a adoção de todas as medidas de biosseguridade em granjas avícolas, a fim de proteger a saúde e segurança dos plantéis avícolas catarinenses. A Doença de Newcastle é causada por vírus que afeta aves domésticas e silvestres, causando sinais clínicos respiratórios, frequentemente seguidos por manifestações nervosas, diarreia e edema da cabeça nestes animais, causando alta mortalidade em curtos espaços de tempo. O consumo da carne de aves e ovos de estabelecimentos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial permanece seguro à população. Estes produtos podem ser identificados pela presença na embalagem de um dos selos de inspeção sanitária: SIM (de um Serviço de Inspeção Municipal), SIE (do Serviço de Inspeção Estadual) ou SIF (do Serviço de Inspeção Federal). VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
19/10/2026 16:20:43 +00:00
ANPD dá cinco dias para Meta explicar suspensão de contas e remoção de posts

Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu cinco dias úteis para que a Meta, dona do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, esclareça denúncias de possíveis violações aos direitos dos usuários na suspensão de contas, na remoção de publicações e na restrição do alcance de conteúdos. Os ofícios foram enviados à Meta nesta segunda-feira (19), após a abertura de um procedimento administrativo na última sexta-feira (16). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O processo de fiscalização foi iniciado depois que a agência recebeu denúncias sobre possíveis irregularidades nos critérios adotados pelas plataformas e nos mecanismos disponíveis para contestar decisões. Os relatos com potencial repercussão na legislação eleitoral foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por avaliar questões relacionadas à aplicação dessas normas. (entenda o caso) TSE dá 24h para Meta comprovar medidas tomadas para garantir igualdade entre campanhas Segundo a ANPD, o procedimento foi motivado por uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), denúncias de organizações da sociedade civil que atuam na defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais e petições enviadas por cidadãos aos canais oficiais da agência. A partir desses relatos, abriu um procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades de caráter geral, sem relação direta com o processo eleitoral. Já as denúncias envolvendo conteúdos e publicações com possível repercussão nas eleições foram encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os problemas relatados estão a falta de justificativas específicas para usuários afetados, a ausência de critérios claros e a ocorrência de bloqueios considerados indevidos ou pouco transparentes. A Meta deverá explicar os critérios utilizados para receber denúncias, remover conteúdos e suspender contas. A empresa também terá de detalhar quais informações fornece aos usuários afetados e quais medidas adota para evitar o uso abusivo dos mecanismos de denúncia. Outro ponto envolve decisões tomadas com base no tratamento automatizado de dados pessoais. A agência quer saber como funciona a revisão dessas decisões quando os usuários apresentam recursos. Os questionamentos consideram obrigações previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Marco Civil da Internet, com regulamentação atualizada pelo Decreto nº 12.975/2026. As normas tratam de direitos relacionados à transparência dos critérios adotados pelas plataformas, à possibilidade de contestar decisões e solicitar sua revisão e à proteção contra o uso abusivo dos mecanismos de denúncia. Após analisar as respostas da Meta e verificar a conformidade dos procedimentos com a legislação, a ANPD poderá adotar novas medidas de fiscalização. O Instagram e o Facebook também são monitorados pela ANPD em uma iniciativa que abrange as principais plataformas digitais em atuação no Brasil, incluindo lojas de aplicativos, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo a agência, o objetivo é verificar se as empresas cumprem as obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), no Marco Civil da Internet e nos decretos que regulamentam essas leis. A agência, que é vinculada ao Ministério da Justiça, tem uma atuação semelhante à de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas voltada à proteção de dados pessoais e à privacidade no ambiente digital. Nos últimos meses, a atuação da ANPD foi ampliada. A agência também passou a fiscalizar o cumprimento do ECA Digital, que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em plataformas digitais, como redes sociais, jogos e sites.
19/10/2026 15:14:46 +00:00
Governo antecipa calendário do Bolsa Família a seis dias do 2º turno; veja as datas

Bolsa Familia Reprodução O governo federal antecipou os pagamentos do Bolsa Família de outubro e concentrou os depósitos em três datas. A parcela deste mês será a primeira com o piso de R$ 691, anunciado pelo governo em 17 de setembro. A antecipação foi anunciada nesta segunda-feira (19), seis dias antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Veja quem vai receber antes. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo o governo federal, a mudança busca reduzir os impactos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A unificação também será adotada em novembro e dezembro, meses em que o fenômeno climático pode intensificar seus efeitos no país. Agora no g1 A decisão foi tomada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), com base em análises sobre o aumento de desastres climáticos e nas previsões para os próximos meses. Como fica o calendário de pagamentos? Mesmo com a medida anunciada pelo governo nesta segunda-feira, os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1 e 2 recebem nas datas já previstas pelo calendário regular. A mudança acontece a partir da quarta-feira, para aqueles com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Veja como ficam os pagamentos: 19/10: pagamentos para NIS com final 1; 20/10: pagamentos para NIS com final 2; 21/10: pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Já os beneficiários que vivem em municípios com situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal receberão o benefício de forma unificada nesta segunda-feira (19), independentemente do final do NIS. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Como consultar o benefício Para receber o Bolsa Família, as famílias precisam manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, atender aos critérios do programa e cumprir as condicionalidades de saúde e educação, como frequência escolar, vacinação das crianças e acompanhamento pré-natal das gestantes. Os beneficiários podem consultar a situação do pagamento, os extratos e os valores liberados pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou pelo Portal Cidadão da Caixa. Dúvidas sobre regras e cadastros podem ser esclarecidas pelo Disque Social do MDS, no telefone 121. Para informações sobre pagamentos e saques, a Caixa disponibiliza o telefone 111. Governo cita alta de desastres climáticos para unificar pagamentos do Bolsa Família Em agosto e setembro de 2026, o governo federal reconheceu 518 situações de emergência ou calamidade pública, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025 (253). O aumento foi impulsionado por tempestades no Sul e pela alta de casos de estiagem e seca, que passaram de 172 para 239. Para o último trimestre, a previsão indica menos chuva em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e mais precipitações no Sul e em partes do Sudeste e do Nordeste. Segundo o governo, a unificação dos pagamentos do Bolsa Família busca ajudar famílias vulneráveis a enfrentar os efeitos de secas, enchentes e interrupções no abastecimento. A medida já foi adotada em emergências anteriores, como nas enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
19/10/2026 14:21:25 +00:00
Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Loja da Ri Happy Divulgação A Ri Happy e outras cinco empresas do grupo pediram recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo, no domingo (18), para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. Credores que representam R$ 308,8 milhões da dívida já aceitaram negociar os valores, o equivalente a 42,38% do total incluído no plano. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No pedido apresentado à Justiça e obtido pelo g1, o grupo atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, entre eles os efeitos da pandemia, os juros elevados, a queda das vendas no varejo e a concorrência de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico. 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com os credores novas condições para quitar dívidas. O acordo pode prever, por exemplo, prazos maiores ou outras mudanças nas condições de pagamento. Diferentemente da recuperação judicial, a negociação ocorre inicialmente fora do processo judicial tradicional, embora a empresa possa pedir à Justiça a homologação do plano. Agora no g1 O pedido foi apresentado pouco mais de um mês após a aquisição do grupo pela BluSun Capital, anunciada em agosto. Desde então, a empresa passou a ser liderada por Héctor Nuñez, fundador da gestora. Procurada pelo g1, a Ri Happy afirmou que a recuperação extrajudicial faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional iniciado após a troca de gestão. Segundo a empresa, as lojas físicas e os canais digitais seguem operando normalmente, enquanto as equipes se concentram nos preparativos para a Black Friday e o Natal. No documento, o grupo afirma ter mais de 2.600 funcionários e cerca de 292 lojas em operação no Brasil, entre unidades próprias das marcas Ri Happy e PBKids e franquias. Entenda a crise da Ri Happy No pedido, a empresa afirma que a pandemia prejudicou sua situação financeira, já que o fechamento de lojas e shopping centers reduziu o faturamento da rede de brinquedos. A companhia também cita os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas bancárias, e a perda de poder de compra dos consumidores. Outro fator apontado foi o fracasso da recuperação esperada após uma renegociação de dívidas bancárias realizada em 2023. Na ocasião, o grupo renegociou cerca de R$ 292 milhões com bancos, mas, segundo a empresa, a recuperação econômica esperada não se concretizou nos anos seguintes. A companhia também atribui parte da pressão sobre os resultados à concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, que oferecem produtos a preços mais baixos. No documento, o grupo também aponta a concorrência de plataformas estrangeiras, como Shopee e AliExpress. Segundo a empresa, mesmo com a chamada “taxa das blusinhas”, que estabelecia imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, os produtos importados ainda têm vantagem tributária em relação aos vendidos no Brasil. Como exemplo, o pedido cita dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), segundo os quais quase metade do preço de uma bicicleta e de uma bola de futebol corresponde a impostos. No caso dos patins, os tributos representam 52,78% do valor. “A crise do Grupo Ri Happy se insere em um movimento mais amplo de deterioração das condições do varejo, que vem atingindo diversos participantes do setor", diz o documento. "A retração do consumo, o encarecimento do crédito e as dificuldades financeiras de varejistas, indústrias, importadoras e distribuidoras se propagam pela cadeia, pressionando as condições de fornecimento, os prazos de pagamento e a disponibilidade de capital de giro.” Fundada em São Paulo em 1988, a Ri Happy se consolidou como uma das principais redes de lojas de brinquedos do país e ampliou sua presença no varejo ao longo das décadas. Em 2012, a empresa foi adquirida pelo fundo de investimentos Carlyle Group, que também comprou a PBKids. Em agosto deste ano, o controle do grupo passou para a BluSun Capital. O que diz a empresa Em comunicado, o Grupo Ri Happy afirmou que a nova gestão está adotando medidas para melhorar a liquidez, controlar custos e reorganizar a estrutura de capital, ou seja, a forma como a empresa financia suas operações e administra suas dívidas. A companhia informou que fez ajustes nas equipes corporativas e prepara uma mudança de sede. A Ri Happy também afirmou que pretende melhorar o desempenho das lojas físicas e dos canais digitais e fortalecer o relacionamento com clientes, funcionários, fornecedores, franqueados, shopping centers e instituições financeiras. Segundo a empresa, o objetivo é ajustar os compromissos financeiros às necessidades da operação e garantir a continuidade do negócio no longo prazo. Para Bruno Medeiros Durão, advogado, empresário e fundador da DAP Advocacia (Durão, Almeida & Pontes), o sucesso da recuperação dependerá da capacidade de adequar as dívidas à geração de caixa da operação. “A recuperação extrajudicial pode ser uma ferramenta importante para empresas que precisam reorganizar o endividamento sem interromper suas operações. Mas o pedido, por si só, não resolve o problema financeiro. O resultado depende da viabilidade do plano, da adesão dos credores envolvidos e da capacidade da companhia de gerar caixa suficiente para cumprir os compromissos renegociados e manter o negócio funcionando”, afirma. Segundo o advogado, manter as lojas abertas não significa, necessariamente, que a empresa tenha recursos suficientes para pagar todas as suas obrigações. Por isso, a reestruturação precisa levar em conta os juros, os prazos das dívidas, os custos operacionais e os recursos necessários para manter a atividade. “A reestruturação só produz resultados consistentes quando o acordo financeiro vem acompanhado de medidas concretas de gestão. É preciso compatibilizar o pagamento das dívidas com a operação, preservar recursos para o funcionamento do negócio e estabelecer metas realistas”, diz Durão. Ri Happy é a segunda grande empresa de brinquedos a recorrer à Justiça A Ri Happy é a segunda grande empresa do setor de brinquedos a recorrer à Justiça para reorganizar dívidas. Em maio, a fabricante Estrela, conhecida por produtos como Banco Imobiliário, Autorama, Genius e Susi, informou que entrou com um pedido de recuperação judicial. Entre os fatores apontados pela Estrela para justificar as dificuldades estavam os juros elevados, a maior dificuldade de acesso a empréstimos e as mudanças nos hábitos de consumo, com uma disputa crescente pela atenção e pelos gastos dos consumidores com jogos e entretenimento digital.
19/10/2026 14:12:20 +00:00
Lindt troca CEO após queda nas vendas e alta no preço do cacau

Do cacau ao papel: sul da Bahia se reinventa após crise nos anos 80 Lindt troca CEO após queda nas vendas e alta no preço do cacau
19/10/2026 14:11:40 +00:00
Bolsa Família vai ter regra de transição de dois anos, diz coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro

Bolsa Familia Reprodução A coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou nesta segunda-feira (19) que o programa Bolsa Família terá um período de transição de dois anos se ele for eleito. Durante esse tempo, o beneficiário continuaria recebendo os valores, mesmo se conseguir um emprego. Perderia o benefício somente após 24 meses empregado. (CORREÇÃO: ao publicar essa reportagem, o g1 errou ao dizer que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, os beneficiários seriam desligados do Bolsa Família após 24 meses mesmo sem terem conseguido um emprego. Na verdade, Daniella Marques disse que haverá uma regra de transição de dois anos para o beneficiário abrir seu negócio, ou aceitar um emprego de carteira assinada. E um retorno automático ao programa caso dê errado. A reportagem foi corrigida e atualizada às 15h23.)    Atualmente, o Bolsa Família conta com uma regra de proteção que permite a permanência temporária das famílias que apresentarem aumento de renda. Segundo as normas atuais do programa, a aplicação da regra depende da renda por pessoa da família, da data de entrada na proteção e do tipo de renda identificada (entenda abaixo). O senador Flávio Bolsonaro concorre à Presidência da República com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Os dois participaram do primeiro debate neste domingo (18). O segundo turno está marcado para 25 de outubro. "Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade', disse Marques, em entrevista à CBN Bahia. Após a publicação da reportagem, a assessoria de Daniella Marques procurou o g1 e disse que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), o beneficiário retornaria ao programa se perdesse o emprego. Ainda de acordo com a coordenadora da campanha de Flávio Bolsonaro na entrevista, o Ministério da Prosperidade, a ser criado em um eventual governo do PL, ajudaria a população a abandonar o Bolsa Família com a concessão de crédito para um novo negócio, além de oferecer capacitação. "O coração do plano é focar na prosperidade. Colocar o brasileiro para crescer junto com o brasil. Estão preservadas as proteções sociais, mas a gente quer todo brasileiro um plano para que o cresçam mais, com crédito, capacitação e parcerias com empresas privadas para cursos livres", acrescentou. Bolsa Família Principal vitrine na área social do presidente Lula, o Bolsa Família foi relançado pelo petista em março de 2023, primeiro ano de seu novo mandato. Em setembro, já em meio à corrida eleitoral, o governo anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em cerca de 15,04%. Com isso, o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691. Desde que foi relançado em março de 2023 pelo governo petista, o Bolsa Família estava sem reajustes. Nesta segunda, o governo anunciou que os pagamentos do Bolsa Família de outubro, o primeiro mês com os valores reajustados, terão o calendário unificado a partir desta quarta (21). A 17 dias das eleições, governo anuncia reajuste no Bolsa Família Para ter direito ao benefício, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218, e o Cadastro Único para todos os membros familiares deve estar atualizado. Também é necessário o cumprimento de compromissos em saúde e educação. Em agosto, o governo realizou o pagamento do benefício para cerca de 19,3 milhões de famílias no Brasil. Além do valor de R$ 691, há benefícios adicionais cumulativos. São eles: R$ 173 por criança entre zero e 7 anos de idade incompletos; R$ 58 por gestante; R$ 58 por pessoa entre 7 e 18 anos incompletos; R$ 58 por bebê de até 6 meses. Regra de proteção O programa conta, hoje, com uma regra de proteção, cujos critérios foram atualizados em maio de 2025. As mudanças passaram a valer em junho aquele ano. famílias que já estavam na regra de proteção até junho de 2025 e com renda de até R$ 759,00 continuam recebendo 50% do valor do benefício por até 24 meses; famílias que recebem renda fixa, como aposentadoria ou pensão, e que ultrapassam o limite a partir de julho de 2025 podem permanecer na regra de proteção por até 2 meses; e famílias cuja renda aumenta, mas não é fixa, podem permanecer na regra de proteção por até 12 meses. A regra de proteção é aplicável quando a renda da família beneficiária ultrapassa R$ 218,00 por pessoa. Se a renda da família voltar a ser de até esse valor por membro, o pagamento do benefício retorna ao valor integral. Segundo o governo, o objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício, reconhecendo que a superação da pobreza não acontece de forma automática com a conquista de um emprego.
19/10/2026 13:48:07 +00:00
China cresce 4,5% com exportações em alta, mas crise imobiliária ameaça ritmo

China usa parques que contêm enchentes para afirmar liderança global em economia verde A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionada pelas exportações e pela produção industrial. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (19), ficou acima das expectativas do mercado, mas ocorre em meio à crise imobiliária e à fraqueza da demanda interna. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Produto Interno Bruto (PIB) chinês acelerou em relação ao segundo trimestre, quando havia crescido 4,3%, no ritmo mais lento em mais de três anos. Economistas esperavam alta de 4,4% entre julho e setembro. Apesar do resultado melhor que o previsto, os dados mostram que a economia chinesa ainda enfrenta dificuldades para equilibrar o crescimento. Enquanto a indústria e as exportações sustentam a atividade, o mercado imobiliário continua em retração e as famílias mantêm os gastos contidos. Indústria avança, mas consumo segue fraco A produção industrial da China cresceu 5,5% em setembro, na comparação anual, acelerando em relação à alta de 5,2% registrada em agosto. O resultado ficou em linha com a expectativa dos analistas consultados pela Reuters. As vendas no varejo, por sua vez, aumentaram 1,1% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025. Embora o resultado tenha superado a previsão de 0,6% e melhorado em relação à alta de 0,4% de agosto, o avanço permaneceu limitado. Segundo Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, o crescimento real das vendas no varejo, descontada a inflação, praticamente não avançou em relação a um ano antes. A diferença entre o desempenho da indústria e o do consumo é um dos principais desafios para o governo chinês, que busca tornar o crescimento menos dependente das vendas ao exterior e estimular a demanda doméstica. Crise imobiliária pressiona investimento O investimento no setor imobiliário chinês caiu 20,6% entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025. Nos oito primeiros meses do ano, a retração acumulada era de 19,9%, indicando que a queda se aprofundou. O investimento em ativos fixos, que inclui imóveis, infraestrutura e outros projetos, recuou 7,2% no acumulado de janeiro a setembro. A crise imobiliária é um dos principais entraves à economia chinesa. A fraqueza do setor afeta os investimentos e contribui para a cautela das famílias, em um cenário no qual a demanda interna ainda não ganhou força suficiente para sustentar uma expansão mais equilibrada. Para Raymond Yeung, economista-chefe para a China do ANZ, a demanda doméstica fraca, as pressões deflacionárias persistentes e a continuidade da crise imobiliária seguem limitando a atividade econômica. “Embora as exportações tenham oferecido uma proteção importante, é improvável que compensem totalmente a fraqueza em outras áreas da economia”, afirmou o economista à Reuters. Exportações ajudam a sustentar o crescimento As vendas ao exterior têm sido um dos principais motores da economia chinesa em 2026, em parte pelo avanço das exportações relacionadas à inteligência artificial e pela força da indústria. Esse desempenho, porém, também enfrenta riscos. Uma desaceleração dos investimentos globais em inteligência artificial pode reduzir a demanda por produtos e componentes tecnológicos chineses. Outro fator de pressão é a relação comercial com a União Europeia. Um acordo para limitar os embarques de veículos híbridos chineses pode afetar um dos segmentos de exportação que mais crescem no país. Para Ho Woei Chen, economista do UOB, a demanda externa continua sendo um fator decisivo para manter a economia chinesa em movimento. Segundo ele, o desempenho ainda dentro da meta de crescimento reduz a probabilidade de uma ampliação imediata dos estímulos econômicos. China deve crescer menos em 2026 A economia chinesa deve crescer 4,5% em 2026, abaixo da expansão de 5% registrada em 2025, segundo a mediana das projeções de economistas consultados pela Reuters. Para 2027, a previsão é de desaceleração para 4,4%. O resultado do terceiro trimestre também reduz a pressão sobre o governo para anunciar medidas amplas de estímulo econômico no curto prazo. Nos três primeiros trimestres de 2026, o PIB acumulou crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, economistas avaliam que o desempenho da economia permanece desigual. As exportações e a produção industrial sustentam parte da expansão, mas o investimento imobiliário e a demanda interna continuam sendo pontos de fragilidade. A expectativa é que o governo recorra mais a medidas fiscais para apoiar a atividade econômica, enquanto a inflação ao consumidor e a melhora dos preços ao produtor limitam o espaço para cortes mais agressivos nos juros. *Contém informações da Agência Reuters Sob Xi Jinping, os planos quinquenais da China têm como foco o "desenvolvimento de alta qualidade" Grigory Sysoev/RIA Novosti/Pool/Anadolu via Getty Images/BBC
19/10/2026 12:36:43 +00:00
Noruega quer proibir plataformas de jogo 'nocivas' aos menores de 16 anos

Europa quer proibir uso de plataformas digitais por menores de 13 anos Jornal Nacional/ Reprodução O governo da Noruega anunciou nesta segunda-feira (19) que pretende incluir alguns jogos e plataformas de mensagens em seu projeto de proibição de redes sociais para menores de 16 anos. Oslo, que deve apresentar um projeto de lei sobre o tema até o fim do ano, modificou sua proposta para incluir as "plataformas nocivas". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 São consideradas "nocivas" as redes ou plataformas que, "por seu design, suas características ou seus conteúdos, representam um risco para o desenvolvimento emocional, cognitivo ou para a saúde das crianças, ou para sua segurança", afirmou o governo em um comunicado. Aplicativos como TikTok, Snapchat e o jogo Roblox, em seu estado atual, também deverão enfrentar restrições. Agora no g1 "Hoje existem certas plataformas que se apresentam como jogos, mas que na verdade estão repletas de recursos como sistemas de recomendação algorítmica e publicidade ilegal direcionada às crianças", disse a ministra da Infância e da Família, Lene Vagslid. "É por isso que queremos que elas também sejam incluídas", afirmou ao canal público de televisão NRK. O limite de idade será válido até 1º de janeiro do ano em que a criança completar 16 anos. As plataformas deverão implementar, por conta própria, um sistema de verificação de idade. O governo trabalhista tem minoria no Parlamento, o que significa que precisará obter o apoio de outras legendas para aprovar a lei. A Austrália instituiu no ano passado uma legislação que proíbe menores de 16 anos de acessar determinadas redes sociais, enquanto a União Europeia prevê, por sua vez, adotar restrições "graduais", com diferentes níveis segundo a idade.
19/10/2026 12:33:09 +00:00
Dólar cai e fecha a R$ 5,04 com mercado de olho na reta final das eleições; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,49% nesta segunda-feira (19), cotado a R$ 5,0480. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,17%, aos 205.079 pontos. A reta final da campanha presidencial concentra as atenções do mercado, após o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) promovido pela Band no fim de semana. Investidores também repercutiram o Boletim Focus e, no exterior, monitoraram manifestações na Europa e o PIB da China. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O primeiro debate eleitoral entre Lula e Flávio quadro eleitoral foi o foco nesta segunda-feira. No encontro, que marcou o primeiro confronto entre os dois candidatos nesta eleição, Lula e Flávio falaram sobre diversos temas e trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. (veja mais abaixo) Quando será o debate presidencial da Globo? Veja a data e o horário ▶️Na agenda econômica, o Boletim Focus apontou uma queda nas projeções do PIB para este ano. As estimativas do mercado passaram de 1,85% na semana passada para 1,83% nesta semana. A projeção para a inflação, por sua vez, seguiu a mesma para 2026, mas subiu de 4,30% para 4,32% em 2027. ▶️ No exterior, chamou atenção a intensificação dos protestos na Europa. O movimento, iniciado por estudantes em meados de setembro, tem reivindicações sobre o sistema educacional e ganhou adesão de sindicatos, reunindo mais de meio milhão de pessoas na França. Protestos menores também aconteceram na Bélgica, na Itália e em Portugal. ▶️ O crescimento da economia chinesa também ficou no radar, após o PIB do país ter crescido 4,5% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi puxado pelas exportações e pela produção industrial. O resultado ficou acima do esperado pelo mercado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,49%; Acumulado do mês: -2,44%; Acumulado do ano: -8,03%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,32%; Acumulado da semana: -0,17% Acumulado do mês: +10,06%; Acumulado do ano: +27,28%. Como foi o primeiro debate entre Lula e Flávio? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026. Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição. Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras. Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto. Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade. Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta. O embate passou então para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados. Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes. O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme. Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação. Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades. Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral. Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro. Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta. Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda. Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula. Veja o que é #FATO ou #FAKE no debate entre Lula e Flávio Bolsas globais Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta segunda-feira, conforme investidores repercutiam o noticiário internacional. O Dow Jones recuou 0,07%, enquanto o S&P 500 avançou 0,43% e o Nasdaq Composite teve alta de 1,11%. Na Europa, as ações francesas tiveram seu pior dia em quase duas semanas, conforme investidores repercutiam as manifestações que aconteceram em diversas cidades do país no último final de semana. O índice CAC-40, de Paris, caiu 1,1%. Já o pan-europeu STOXX 600, recuou 0,9%, para 639,1 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve perdas de 1,18%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 1,08% e o IBEX 35, da Espanha, desvalorizou 1,49%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, impulsionadas por ações do setor financeiro, em meio aos dados mais otimistas do PIB do terceiro trimestre. A economia chinesa cresceu 4,5%em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões e reduzindo a pressão sobre Pequim para ampliar estímulos. O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,4%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, avançou 0,1%. No Japão, o Nikkei caiu 0,62%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 1,76%. O Hang Seng, de Hong Kong, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar Pexels
19/10/2026 12:00:21 +00:00
Volkswagen planeja congelar salários até 2030, diz conselho de trabalhadores

Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China. REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo A Volkswagen planeja congelar os salários de seus 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, segundo o Conselho Global de Trabalhadores da montadora alemã. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19) e confirma uma reportagem publicada anteriormente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O conselho afirmou ter recebido informações internas sobre os planos da direção da empresa. Procurada, a Volkswagen se recusou a comentar o que classificou como “especulações”. Um porta-voz informou que uma nova rodada de negociações, prevista para esta semana, será a oportunidade para discutir eventuais propostas relacionadas aos custos com pessoal. Agora no g1 O Conselho Global de Trabalhadores classificou a proposta como “absurda” e afirmou esperar forte resistência à iniciativa, que considera “bastante irrealista”. “Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva”, afirmou um porta-voz do sindicato alemão IG Metall. Segundo o Süddeutsche Zeitung, a ausência de reajustes salariais pode representar uma perda de cerca de 10% no poder de compra dos funcionários afetados até 2030, devido à inflação. As novas diretrizes globais de gestão, previstas para entrar em vigor no quarto trimestre, também incluem cortes na remuneração variável, nos pagamentos extras, nos benefícios e no número de postos de trabalho. A relação entre a Volkswagen e os representantes dos trabalhadores se deteriorou nos últimos meses, enquanto o CEO Oliver Blume avança com um plano de reestruturação considerado o mais radical da história da montadora alemã.
19/10/2026 11:24:43 +00:00
Elon Musk promete dar ações da SpaceX a crianças dos EUA; doação pode valer R$ 53 bilhões

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o fundador e CEO da SpaceX e da xAI, Elon Musk, falam com jornalistas na entrada da Casa Branca após um almoço com líderes do setor de tecnologia na Sala Leste, em Washington. Jonathan Ernst / Reuters O empresário Elon Musk afirmou que pretende destinar parte de suas ações da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos a partir de 2027. A declaração foi publicada em uma postagem na rede social X nesta segunda-feira (19), na qual ele acrescentou que essa será a primeira de várias iniciativas do tipo. “Esta será a primeira de muitas”, escreveu Musk, segundo a tradução exibida na publicação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo dados do censo de 2025, os EUA têm aproximadamente 72 milhões de crianças. Se cada uma recebesse uma ação da SpaceX, a distribuição poderia movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões (R$ 53,3 bilhões), considerando o preço de US$ 146,03 por ação no fechamento de sexta-feira (16) Initial plugin text Musk, porém, não explicou como a iniciativa funcionaria na prática. Não há informações sobre os critérios para receber as ações, o calendário de distribuição ou se os papéis seriam depositados em contas de investimento destinadas às crianças, como as chamadas Contas Trump. O empresário, de 55 anos, tinha uma fortuna estimada em US$ 904 bilhões (R$ 4,59 trilhões), segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Agora no g1 🔍 A SpaceX desenvolve foguetes e veículos para missões espaciais e opera a rede de internet por satélite Starlink. Musk também tem participações em empresas como a fabricante de carros elétricos Tesla, a Neuralink, de tecnologia cerebral, e a The Boring Company, que atua na construção de túneis. Segundo dados divulgados pelo Business Insider, Musk detém cerca de 4,77 bilhões de ações da SpaceX, o equivalente a aproximadamente 36% da empresa. A distribuição de 72 milhões de papéis representaria cerca de 1,5% de sua participação. Se novas doações forem realizadas, a fatia do empresário na companhia poderá diminuir ainda mais. Até o momento, porém, Musk não detalhou como pretende executar a proposta. Na semana passada, o patrimônio do empresário voltou a superar a marca de US$ 1 trilhão, equivalente a cerca de R$ 5,17 trilhões. A alta foi impulsionada pela valorização das ações da SpaceX. Segundo a Fortune, a fortuna de Musk passou de US$ 976,9 bilhões para US$ 1,04 trilhão após os papéis da empresa acumularem alta de 16,07% em uma semana. O empresário já havia ultrapassado US$ 1 trilhão em junho, quando a SpaceX abriu capital. Depois, perdeu a marca com a queda das ações. Simulador permite gastar toda a fortuna de Musk com hambúrgueres, cavalos, mansões e mais O que são as Contas Trump A proposta de Musk surge em meio a iniciativas para ampliar o acesso de crianças americanas ao mercado financeiro. No início deste ano, o governo dos EUA lançou as chamadas Contas Trump, contas de investimento com vantagens fiscais. O programa prevê um depósito inicial de US$ 1.000 (cerca de R$ 5.073) pelo governo federal para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028. Michael Dell, fundador da empresa de tecnologia Dell Technologies, e sua mulher, Susan Dell, empresária e filantropa, anunciaram uma doação de US$ 6,25 bilhões para contas de investimento de 25 milhões de crianças nos EUA. Em julho, Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, e seu marido também prometeram doar ações da empresa para mais de 2 milhões de crianças.
19/10/2026 11:08:56 +00:00
Uber escapa de indenização de R$ 2,3 bilhões pedida por taxistas de Londres

Táxis tradicionais de Londres circulam pela Oxford Street, na capital britânica. REUTERS/Belinda Jiao/File Photo A Uber conseguiu, nesta segunda-feira (19), derrubar dois processos que pediam cerca de £ 340 milhões (R$ 2,3 bilhões) em indenizações. As ações foram movidas por milhares de taxistas tradicionais de Londres e por duas antigas empresas de transporte privado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa foi processada em 2024 por supostas irregularidades na obtenção de uma licença para operar serviços de transporte privado na capital britânica. Os autores das ações alegaram que a Uber forneceu informações "enganosas e imprecisas" à Transport for London, responsável pelo sistema de transportes da cidade. Agora no g1 Os processos, apresentados à Alta Corte de Londres, pediam quase £ 200 milhões (R$ 1,35 bilhão) em indenizações para cerca de 13 mil taxistas tradicionais. Outra ação, movida em nome das empresas Kabbie e Iride, que encerraram suas atividades, reivindicava cerca de £ 140 milhões (cerca de R$ 945 milhões). A Uber negou as acusações e argumentou que os processos foram apresentados após o prazo legal de seis anos para esse tipo de ação, o que justificaria sua rejeição. Em decisão por escrito, o juiz Simon Birt afirmou que os autores poderiam ter descoberto a suposta fraude antes de 2018, seis anos antes da apresentação dos processos. Assim, rejeitou as ações com base no prazo legal, sem analisar o mérito das acusações. "Estamos satisfeitos que o tribunal tenha rejeitado todas essas ações por completo, na primeira oportunidade possível, e que a decisão de hoje tenha colocado definitivamente essas questões antigas no passado", afirmou um porta-voz da Uber. Os processos se concentravam nas informações fornecidas pela Uber à Transport for London quando a empresa obteve, em 2012, sua primeira licença para operar serviços de transporte privado. Desde então, a companhia conquistou uma parcela significativa dos clientes dos tradicionais táxis pretos de Londres, conhecidos como black cabs. "Estamos obviamente muito decepcionados e, junto com a equipe jurídica, estamos avaliando todas as opções disponíveis para os taxistas que movem a ação", afirmou um porta-voz da RGL Management, empresa que administrou os processos em nome dos autores. A decisão desta segunda-feira antecede um processo ainda maior envolvendo a Uber em Londres, previsto para a próxima semana. Na ocasião, a empresa enfrentará a autoridade tributária britânica em uma disputa fiscal de mais de £ 1 bilhão (R$ 6,75 bilhões).
19/10/2026 11:04:06 +00:00
Após três anos de alta, pedidos de recuperação judicial no agro caem no 2º trimestre

Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, volume 20,7% menor que o observado no mesmo período do ano anterior. Foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022, segundo análise da Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (19). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também mostrou retração em relação aos três primeiros meses de 2026, quando as solicitações de recuperação judicial somaram 474 (-5,5%). Apesar de positiva diante do atual cenário de endividamento dos produtores rurais, a desaceleração deve ser interpretada com cautela, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. "A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores", explicou Pimenta. "Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres", acrescentou. Segundo ele, o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo. O Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do Brasil, continuou liderando o número de pedidos de recuperação judicial entre os estados, com 107 registros. Em seguida aparecem Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). Por atividade, o cultivo de soja — principal cultura do país — concentrou 70 solicitações de recuperação judicial, seguido pela criação de bovinos, com 28, segundo a Serasa. Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa física caíram 10,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025, para 197. Já as solicitações de produtores pessoa jurídica recuaram 34,2%, para 160. Na análise por porte, os produtores classificados como "sem propriedades", categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 70 pedidos. Em seguida aparecem os grandes proprietários, com 51 solicitações; os pequenos, com 39; e os médios, com 37. Chapéu, produtor rural Foto de setengah lima sore
19/10/2026 10:36:18 +00:00
País mais feliz do mundo, Finlândia enfrenta crise, pode cortar serviços públicos e benefícios

Helsinque, capital da Finlândia Unsplash/Tapio Haaja O clima é de apreensão na Finlândia, eleita o país mais feliz do mundo por nove anos consecutivos. Um inverno mais rigoroso do que o habitual se aproxima, acompanhado do orçamento de austeridade mais duro dos últimos anos. Com eleições marcadas para abril de 2027, a discussão já não gira em torno de quanto cortar, mas de quais serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias sofrerão as maiores reduções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar das dificuldades econômicas, a Finlândia continua liderando o Relatório Mundial da Felicidade, que classifica os países a partir da avaliação que seus habitantes fazem da própria vida. Na edição de 2026, o Brasil apareceu na 32ª posição entre 147 países. A dívida pública e o déficit fiscal da Finlândia estão nos piores níveis desde a década de 1990, quando uma crise bancária e o colapso da União Soviética, então um importante parceiro comercial, mergulharam o país nórdico em uma profunda recessão. Agora no g1 Endividamento dispara desde a pandemia Em setembro, o instituto nacional de estatísticas da Finlândia confirmou que a dívida pública havia chegado a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Antes da pandemia de covid-19, esse percentual era de aproximadamente 65%. Para efeito de comparação, a dívida bruta do governo geral brasileiro correspondia a 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central. Os indicadores, porém, seguem metodologias distintas. Mais uma vez, os problemas a leste do país ajudam a explicar a situação. A Finlândia ampliou os gastos com defesa depois de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2023, um ano após o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia. Finlândia entra formalmente na Otan Helsinque, que antes dependia da Rússia para cerca de um terço de seu abastecimento energético, também enfrentou custos muito mais elevados durante a transição para outros fornecedores. O governo finlandês gasta mais do que arrecada desde a crise financeira mundial de 2008 e 2009, em parte devido ao envelhecimento da população e ao crescimento econômico lento. Em setembro, o Tesouro Nacional projetou que o déficit fiscal chegaria a 4,2% do PIB em 2026. União Europeia pressiona por redução do déficit A União Europeia (UE) intensificou a pressão sobre a Finlândia para reduzir o déficit fiscal. Pelas regras do bloco, os países-membros devem manter o déficit público abaixo de 3% do PIB e a dívida pública dentro do limite de referência de 60%. Em janeiro, o Conselho da UE abriu um procedimento por déficit excessivo contra a Finlândia e deu ao país até o fim de 2028 para corrigir a situação. O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo, que assumiu o poder em junho de 2023, anunciou que pretendia economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura. Petteri Orpo celebra vitória do partido Coligação Nacional, de direita, na eleição da Finlândia, em 2023 Antti Aimo-Koivisto/Lehtikuva via AP Mas, segundo economistas, quem vencer as próximas eleições terá que promover cortes muito mais profundos. "As estimativas atuais variam entre 8 bilhões e 11 bilhões de euros", afirmou à Jarkko Kivisto, assessor do departamento de política monetária e pesquisa do Banco da Finlândia. No início de 2026, todos os partidos políticos, com exceção de um, concordaram em apoiar a adoção de um mecanismo de contenção da dívida pública, pelo qual o próximo governo se comprometeria a reduzir o déficit fiscal para cerca de 2% do PIB até 2031. Governo descarta aumento de impostos Até agora, o Partido da Coalizão Nacional, de centro-direita, liderado por Orpo, é o único que prometeu realizar cortes adicionais de 9 bilhões de euros caso o primeiro-ministro conquiste um segundo mandato. Além de novas economias nas áreas de saúde, assistência social e benefícios sociais, Orpo pretende promover mudanças nos regimes de previdência vinculados ao emprego, sem reduzir os benefícios atualmente pagos. Enquanto os social-democratas defendem uma combinação de cortes de gastos e aumentos de impostos, Orpo pretende alcançar sua meta sem elevar a carga tributária. Isso significa que os serviços públicos terão que arcar com a maior parte do ajuste. Kivisto, porém, fez um alerta: "O déficit é tão grande que seria necessário um pacote que incluísse aumentos de impostos e cortes de despesas." Bandeiras da Finlândia e da Otan são expostas no topo dos mastros em Helsinki, capital finlandesa Lehtikuva/Antti Hamalainen via REUTERS Embora a proporção de pessoas em risco de pobreza na Finlândia seja inferior à média da UE, o desemprego é o mais alto entre os países do bloco. Em agosto, a taxa de desemprego finlandesa estava em 10,3%, pouco acima dos 10% registrados na Espanha, segundo a Eurostat, agência de estatísticas da UE. Entre os jovens, o desemprego chegou a 23,3%, diante de uma média de 15,4% na UE. Com a queda já registrada no consumo das famílias, Lauri Holappa, diretor do Centro Finlandês de Nova Análise Econômica, alertou que uma nova rodada de austeridade representaria um duro golpe para a economia do país. "Mais de um quarto da população trabalha no setor público. Portanto, se esses trabalhadores enfrentarem a ameaça de demissão, a taxa de poupança aumentará e o consumo privado voltará a cair", afirmou. Uma sucessão de crises, desde a pandemia de covid-19 até a alta dos juros e os impactos econômicos globais das guerras na Ucrânia e no Irã, prejudicou as tentativas de reduzir o déficit fiscal. A proposta orçamentária para 2027 ainda prevê um rombo de 12,4 bilhões de euros. Gastos militares crescem após invasão russa Antes mesmo da guerra na Ucrânia, a Finlândia já havia se comprometido a comprar 64 caças F-35A dos Estados Unidos, em um acordo de aproximadamente 8,4 bilhões de euros. Ao longo de mais de quatro anos de guerra da Rússia contra a Ucrânia, o país nórdico elevou seus gastos militares de 4,5 bilhões para mais de 8 bilhões de dólares por ano, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri). Enquanto a paz não vem, Europa se mantém em alerta, preparando a população para um confronto maior Em abril, o governo anunciou que aumentaria ainda mais as despesas com defesa, para 3,2% do PIB, percentual próximo da meta de 3,5% da Otan. Com os preços do petróleo ainda próximos de 100 dólares por barril devido à guerra no Irã, o governo tem resistido à pressão para ampliar os subsídios aos combustíveis. Isso apesar de o Banco da Finlândia ter registrado um aumento de 50% no custo da energia importada nos primeiros meses do conflito. A transição da Finlândia para fontes renováveis de energia, juntamente com a entrada em operação da usina nuclear Olkiluoto 3, em 2023, ajudou a evitar uma crise energética mais grave. Ainda assim, o banco central alertou durante o verão europeu que a manutenção dos preços elevados do petróleo e do gás resultaria em "menor crescimento econômico e inflação mais alta" em 2027. Por outro lado, alguns segmentos do setor exportador finlandês estão em forte expansão, impulsionados pela demanda por metais e pelas encomendas à indústria naval. Holappa comparou esse desempenho ao dos "anos de ouro da Nokia", período em que a fabricante de celulares, então líder de mercado, impulsionava o crescimento econômico do país. "Existe a possibilidade de que o setor exportador nos tire desta recessão", avaliou, desde que a demanda do restante da Europa permaneça elevada. Investidores ainda confiam na economia finlandesa Apesar das dificuldades para reduzir o déficit fiscal, a reação dos mercados ao endividamento da Finlândia tem sido moderada até agora. As agências de classificação de risco mantiveram a perspectiva de crédito do país estável, com exceção da S&P, que a alterou para negativa em abril, sem rebaixar a nota de crédito. Em 6 de outubro, o governo finlandês pagava um prêmio de risco de 0,38 ponto percentual em relação à Alemanha para tomar empréstimos com prazo de dez anos. Na França, esse diferencial era de 1,28 ponto percentual e, na Itália, de 1,07 ponto percentual. Em outras palavras, os investidores ainda consideram a dívida finlandesa uma das mais seguras da Europa. Isso, porém, desde que o próximo choque econômico não seja uma nova disparada prolongada dos preços do petróleo, uma escalada das tensões com a Rússia ou uma crise de dívida em toda a Europa, tendo a França como epicentro. Em março de 2027, a Finlândia ainda poderá ser eleita o país mais feliz do planeta pelo décimo ano consecutivo. Mas ninguém sabe por quanto tempo os sorrisos vão durar quando, um mês depois, chegar a conta de décadas de endividamento. Vista de Helsinque, capital da Finlândia; país tem um dos mais altos PIBs per capita e é o 'mais feliz do mundo' Ints Kalnins/Reuters
19/10/2026 08:00:00 +00:00
Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. Alvaro Alvarez/ BBC Aviso: Este artigo contém linguagem forte que pode ofender leitores Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor "sem fundamento científico". "O risco é muito real", afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas." 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia. Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear. Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar. Agora no g1 "Quase entramos em guerra com a China", afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado." O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas. No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores. Leia também: OpenAI encontra dispositivo de gravação escondido em escritório e funcionário é preso Protesto contra o Projeto Maven Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA. Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano. Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação. Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones. Ela compreendeu o que significava "encurtar a cadeia de ataque": reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências. "Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis", lembra ter dito publicamente. No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários. Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir. Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres Alvaro Alvarez/ BBC Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar. "Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017", afirma. A Palantir foi procurada pelo programa Global Women e declarou que "não há evidências de que o software da empresa tenha sido responsável por essa terrível tragédia". A empresa acrescentou que "a Palantir não é responsável pelos dados utilizados pelo sistema nem pela identificação de falhas nas informações de inteligência". No início deste ano, Louis Mosley, diretor da Palantir no Reino Unido e na Europa, disse à BBC que "sempre há uma pessoa envolvida no processo, portanto a decisão final é sempre tomada por um ser humano". As Forças Armadas dos EUA ainda não divulgaram os resultados da investigação sobre o ataque à escola em Minab, no Irã, mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os militares "jamais atacariam alvos civis". 'Tenho princípios' Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ter mais acesso às conversas em aplicativos de mensagens como o Signal e o WhatsApp. Uma das principais justificativas é a de proteger mulheres e crianças. Durante a semana de tecnologia London Tech Week 2026, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as empresas de tecnologia teriam de identificar e bloquear imagens de nudez nos dispositivos usados por crianças, sob pena de enfrentar novas leis. Whittaker argumenta que as crianças conseguiriam contornar qualquer medida desse tipo e classifica a proposta do governo como "um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações". O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido informou à BBC que está preparando propostas de mudanças na lei sobre o assunto. O Signal deixaria de operar em algum país, incluindo o Reino Unido, caso fosse obrigado a enfraquecer a criptografia de suas mensagens? "Sim! Meu Deus, eu tenho princípios", responde Whittaker. "Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores." Segundo Whittaker, se fosse necessário submeter à vigilância pessoas "que confiam em nós, às vezes em situações de vida ou morte, e que poderiam ter essas informações usadas contra elas", a empresa "deixaria de atuar naquele mercado". O aplicativo está total ou parcialmente bloqueado na Rússia, na China e no Irã. Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar Alvaro Alvarez/ BBC Rani Govender, responsável pela área de segurança infantil na internet da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), disse à BBC que a organização recebe relatos de crianças que foram aliciadas e levadas a usar plataformas com criptografia de ponta a ponta, nas quais são coagidas a produzir material de abuso sexual infantil. "As empresas de tecnologia são responsáveis pelas decisões que tomam ao desenvolver seus produtos e não podem ignorar os riscos que essas escolhas podem representar para as crianças." Mas o Signal conta com o apoio de algumas organizações de defesa dos direitos das mulheres, especialmente de países do Sul Global, cujas integrantes também utilizam o aplicativo. "Em tempos de vigilância estatal e ataques cibernéticos, o Signal é uma ferramenta de sobrevivência", afirma Hera Hussain, fundadora da Chayn, organização de combate à violência de gênero que atua em todo o sul da Ásia. "Como qualquer plataforma, ele também pode ser usado por pessoas mal intencionadas, e precisamos reconhecer essa realidade." Bill Gates alerta que IA pode causar 'um bilhão de mortes' 'O que vamos fazer com as cozinhas?' Cito a Whittaker um caso ocorrido no Canadá, em que policiais trocaram mensagens racistas e misóginas em um grupo do Signal. O conteúdo só veio a público depois que um dos participantes o repassou à imprensa. O advogado de um dos policiais afirmou que os homens acreditavam que suas conversas no Signal eram tão privadas e seguras quanto as que tinham dentro de casa. "Se eles tivessem conversado na cozinha e um dos amigos os tivesse dedurado, a pergunta seria: 'O que vamos fazer com as cozinhas?'", questiona Whittaker. "O aplicativo precisa funcionar para todos, caso contrário não funciona para ninguém. Esse é o princípio dos direitos fundamentais. Eles valem até para os idiotas." Ela menciona o caso de uma mulher nos EUA que foi presa depois que a Meta (dona de Instagram, WhatsApp e Facebook) entregou a autoridades mensagens que mostravam que ela havia ajudado a filha a ter acesso a um aborto em um Estado onde o procedimento havia sido criminalizado. Segundo Whittaker, a privacidade das comunicações protege as pessoas de diferentes ameaças, como "um marido abusivo, um policial misógino com acesso a um banco de dados ou um governo autoritário que acredita que as mulheres não devem estudar". Pergunto o que ela diria a uma mulher que deseja trabalhar na área de tecnologia, mas se sente intimidada pelo machismo no setor. "Você gosta mesmo disso?", questiona. "Quando se senta diante de um computador, sente aquela empolgação? Gosta de experimentar e desenvolver sistemas de inteligência artificial?" Ela faz uma pausa antes de continuar: "Você consegue lidar com ambientes interessantes, mas complicados, onde nem todo mundo vai ser simpático? Porque não há nada mais perigoso do que demonstrar covardia diante de alguém que pratica intimidação". Pergunto se esses ambientes estão cheios de pessoas assim. Uma colega de Whittaker intervém: "Acho que já são 14h", horário combinado para o fim da entrevista. Whittaker sorri. "Eu diria para não ser puxa-saco", afirma, usando uma expressão para se referir a quem bajula excessivamente pessoas em posição de autoridade. "Isso não vai ajudar em nada. Não ria de uma piada se você não a achar engraçada." Essa reportagem é parte do Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que compartilha histórias importantes e inéditas sobre mulheres ao redor do mundo. Leia também: Governo edita medida provisória para combater ligações abusivas de telemarketing Alemanha investiga suposto caso de assédio sexual cometido com robô controlado por jovens
19/10/2026 06:00:00 +00:00
Oliveiras destruídas e lavouras bloqueadas por tropas israelenses: a luta para produzir azeite em Gaza

O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, caminha por suas terras danificadas REUTERS/Mahmoud Issa Haidar Abu Middain, de 60 anos, levanta um galho ressecado de uma oliveira caída e o joga de lado, sobre o solo árido do que um dia foi um dos pomares mais prósperos da região central de Gaza. O pomar da família, dividido com irmãos e tios, ocupava 900 dunums — cerca de 90 hectares — repletos de oliveiras que, nesta época do ano, estariam carregadas de frutos maduros. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Toda a família participava da colheita de cerca de 1.500 toneladas de azeitonas, reunidas em cestos. Parte da produção era vendida in natura, e o restante era prensado, gerando azeite suficiente para encher até 900 tambores de 16 litros, recipiente em que o produto costuma ser comercializado. Hoje, quase metade do pomar encontra-se além da "linha amarela", vigiada por tropas israelenses que impedem os palestinos de acessar dois terços da Faixa de Gaza. A outra metade, embora ainda acessível, foi em grande parte destruída por tratores. Agora no g1 Apenas 20 ou 30 árvores continuam de pé. Abu Middain estima que elas produzirão apenas dois tambores de azeite, quantidade insuficiente até para atender às necessidades da própria família. "Antes da guerra, a colheita era uma bênção; era o suficiente para garantir o sustento de nossas famílias", disse ele à Reuters. "A produção daqui costumava ser suficiente para abastecer toda a região central, tanto com azeite quanto com azeitonas." LEIA TAMBÉM Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente Cultura e refúgio Antes da guerra, as azeitonas eram um dos principais símbolos da agricultura de Gaza. Delas se extraía azeite em quantidade suficiente para compor a base da dieta local, com um pequeno excedente exportado para Israel. Os pomares sombreados, que cercavam as cidades de concreto de Gaza, serviam de refúgio para as famílias em um dos territórios mais densamente povoados do mundo. Mas, um ano após o cessar-fogo que encerrou os principais combates, quase todos esses pomares foram arrasados por tratores. As autoridades agrícolas de Gaza estimam que, de um total de 2 milhões de oliveiras que existiam no território, restem apenas 150 mil. A previsão é de uma colheita de cerca de 5 mil toneladas de azeitonas, ante as 40 mil habituais, resultando na produção de apenas 700 toneladas de azeite, contra as 5 mil produzidas normalmente. Palestinos colhem azeitonas de uma árvore em uma propriedade agrícola em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza REUTERS/Mahmoud Issa Azeite mais caro Nesta época do ano, os mercados de Gaza costumavam ficar repletos de cestos de azeitonas e barris de azeite recém-extraído. Hoje, quase não há produto disponível. O pouco que chega ao mercado é vendido por cerca de três vezes o preço praticado antes da guerra, quase US$ 500 por barril. O valor está muito acima do que as famílias de Gaza podem pagar, relata Imad al-Ajrami, de 33 anos, cliente de um mercado em Deir al-Balah. As autoridades informam que apenas sete prensas de azeite continuam em operação, número muito inferior às cerca de 40 que existiam antes da guerra. Elas mal funcionam, diz Fawaz Zidan, que manteve sua prensa aberta em Deir al-Balah. "Comparado aos anos anteriores à guerra, é como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores, as azeitonas desapareceram", disse ele, enquanto moradores formavam fila com galões de plástico para coletar o azeite fresco que saía da prensa. Palestinos sentam-se em um lagar de azeitonas em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 5 de outubro de 2026. REUTERS/Mahmoud Issa Em Deir al-Balah, pequena área no centro de Gaza declarada pelas forças israelenses como "zona segura" e que não foi invadida durante o conflito, um dos poucos olivais remanescentes do território serve de refúgio para Khalil Mansi e sua família durante a colheita. Eles colhiam as azeitonas verdes. Os frutos caíam dos galhos e produziam um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos descalços subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos. Eles colhiam as azeitonas verdes; os frutos caíam dos galhos, produzindo um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos, descalços, subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos. Meninas, sentadas logo abaixo, separavam as azeitonas das folhas e gravetos. Mais tarde, a família sentou-se para um piquenique à sombra. Ahmed Khader, de 38 anos, saiu para trabalhar na colheita. Segundo ele, antigamente a temporada garantia emprego por dois ou três meses a trabalhadores como ele. Agora, sente-se grato por conseguir uma única diária. "Mas ainda precisamos garantir o sustento dos nossos filhos, colocar algo para eles comerem; queremos tentar ganhar o nosso pão de cada dia." Palestinos comem em uma plantação de oliveiras em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 20 de setembro de 2026. REUTERS/Mahmoud Issa LEIA TAMBÉM Morango cravejado: a sobremesa viral que encontrou um morango mais caro e escasso Quanto um porco come até chegar aos 120 kg para o abate? Veja a conta Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras
19/10/2026 06:00:00 +00:00
Bolsa Família 2026: pagamento de outubro, o primeiro com novos valores, começa nesta segunda

Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de outubro do Bolsa Família 2026 nesta segunda-feira (19). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. Este é o primeiro dia de pagamentos com os valores reajustados pelo governo. Anunciado em 17 de setembro, o aumento elevou o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e também ampliou os benefícios complementares. (leia mais abaixo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Neste mês, o governo federal antecipou parte dos pagamentos do Bolsa Família e concentrou os depósitos em três datas, sob a justificativa de reduzir os impactos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. O anúncio ocorreu seis dias antes do segundo turno das eleições. (veja abaixo) Agora no g1 Veja como ficou o calendário do Bolsa Família para outubro de 2026: 19/10: pagamentos para NIS com final 1; 20/10: pagamentos para NIS com final 2; 21/10: pagamentos para NIS com finais 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. O dinheiro costuma ser disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. Segundo o governo federal, a unificação adotada em outubro também será aplicada em novembro e dezembro, meses em que o Super El Niño pode intensificar seus efeitos no país. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? Com a mudança anunciada pelo governo, o Bolsa Família passou a prever o pagamento mínimo de R$ 691 por família. A medida também elevou de R$ 142 para R$ 164 o chamado Benefício de Renda de Cidadania. Esse é o valor pago por integrante da família pelo programa. O Bolsa Família funciona assim: 🔎 Se uma família elegível tiver três pessoas, por exemplo, a soma será de R$ 492 (3 × R$ 164). Como o valor fica abaixo do piso, a família receberá o complemento necessário para chegar a R$ 691. 🔎 Já uma família de cinco pessoas terá como base R$ 820 (5 × R$ 164). Além do piso, há benefícios complementares, que também foram reajustados: R$ 173 por criança de até 6 anos (eram R$ 150); R$ 58 por gestante (eram R$ 50); R$ 58 por criança ou adolescente de 7 a 17 anos (eram R$ 50); R$ 58 por bebê de até 6 meses (eram R$ 50). Na prática, portanto, o valor recebido por cada família varia conforme sua composição e pode aumentar com os benefícios adicionais para crianças, adolescentes e gestantes. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
19/10/2026 03:00:00 +00:00
Como está a economia da Argentina? Crescimento e queda da inflação contrastam com pobreza e desemprego

O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. Reuters A economia da Argentina virou tema do primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições brasileiras. Ao questionar candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua proximidade com Javier Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perguntou se o adversário pretendia reproduzir no Brasil a política econômica adotada pelo argentino. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A discussão ocorreu depois de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontar o governo de Milei como inspiração para medidas de redução de impostos e burocracia. Os indicadores, porém, revelam um quadro mais complexo: a economia argentina voltou a crescer e a inflação desacelerou, mas a pobreza e o desemprego aumentaram, enquanto o consumo interno e setores importantes para a geração de empregos enfrentam dificuldades. Agora no g1 Economia cresce nos dois primeiros trimestres de 2026 O Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, a alta foi de 2% na mesma base de comparação, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os resultados positivos, porém, escondem uma perda de ritmo. Entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, já descontados os efeitos sazonais. O consumo privado recuou 2,4%, o consumo público diminuiu 2,3% e os investimentos caíram 0,8%. Na comparação anual, a formação bruta de capital fixo — indicador dos investimentos realizados na economia — teve queda de 11,1%. A composição do crescimento também ajuda a entender esse cenário. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira estiveram entre os principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%. No segundo trimestre, atividades ligadas às exportações voltaram a se destacar: a pesca cresceu 44,7%, a mineração e a extração em pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária teve alta de 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, enquanto as importações diminuíram 8,6%. Em sentido contrário, a indústria manufatureira recuou 2,1%. ➡️ Os números apontam para uma recuperação desigual. Enquanto atividades ligadas às exportações avançam, segmentos mais dependentes do mercado interno enfrentam dificuldades. Inflação cai, mas pobreza volta a subir Um dos principais resultados reivindicados pelo governo de Javier Milei é a desaceleração da inflação. O índice oficial de preços, que chegou a quase 290% no acumulado de 12 meses, caiu para cerca de 30% durante os primeiros dois anos de sua gestão. Em agosto de 2026, a inflação mensal desacelerou para 1,7%, o menor resultado desde junho de 2025. A estabilização dos preços foi acompanhada de um forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, retirada de subsídios e outras medidas de austeridade. A redução da inflação foi inicialmente acompanhada de uma queda da pobreza, que havia atingido 52,9% em 2024. Em 2026, porém, essa melhora perdeu força. A proporção de argentinos abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% no segundo semestre de 2025 para 32,3% no primeiro semestre deste ano. O levantamento do Indec abrange 31 aglomerados urbanos e indica que 9,7 milhões de pessoas viviam na pobreza. Foi a primeira alta do indicador em dois anos. A extrema pobreza também aumentou. O número de pessoas nessa situação passou de 1,9 milhão, equivalente a 6,3% da população pesquisada, para 2,2 milhões, ou 7,5%. Pelo critério do Indec, são consideradas indigentes as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína. Desemprego e informalidade pressionam trabalhadores O mercado de trabalho também mostra os limites da recuperação. A taxa de desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período de 2025, segundo o Indec. A estimativa é que aproximadamente 1,8 milhão de argentinos estivessem desempregadas nos 31 aglomerados urbanos acompanhados pelo instituto. Além disso, quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem vínculo formal de emprego. O quadro combina, portanto, uma inflação muito menor do que a registrada no início do governo Milei com dificuldades para transformar a estabilização econômica em melhora contínua das condições de vida. Empresas e indústria enfrentam dificuldades A pressão sobre a atividade doméstica também aparece nos dados sobre empregadores com trabalhadores registrados. Segundo a Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), o número de empregadores com pelo menos um funcionário registrado no sistema de seguro contra acidentes caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. Foram 32.290 empregadores a menos, uma redução de 6,3%. A queda marcou o 18º mês consecutivo de retração. ➡️ O indicador, porém, exige cautela: deixar de aparecer no cadastro não significa necessariamente que uma empresa tenha fechado definitivamente. Um empregador também pode sair da base por ficar sem funcionários registrados, passar por uma reorganização ou sofrer alguma alteração cadastral. Ainda assim, entidades empresariais apontam que o consumo enfraquecido, os custos de energia e as condições de financiamento pressionam especialmente as pequenas e médias empresas. A maior abertura às importações acrescentou outra fonte de pressão sobre a produção local. Segundo o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), as compras externas de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial argentina caiu 12%. Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também indicam que os custos elevados e o endividamento das famílias têm limitado o consumo e o desempenho das empresas locais.
19/10/2026 01:53:48 +00:00
Trump diz que não quer afastar Rússia de negociações e acusa Zelensky de prolongar guerra

Vladimir Putin, Donald Trump e Volodymyr Zelensky. Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS, Reuters e Genya Savilov/AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que não quer adotar medidas que afastem a Rússia das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. Em publicação na rede social Truth Social, ele voltou a justificar a suspensão de sanções e tarifas contra Moscou e criticou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a quem acusou de não querer acabar com o conflito. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Trump afirmou que sua decisão sobre as medidas contra a Rússia "é simples" porque seu governo está tentando negociar a paz. Segundo ele, assinar a legislação que prevê as sanções neste momento poderia prejudicar as conversas. "Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia e não quero fazer nada que, de maneira insensata, afaste a Rússia da mesa de negociações. Grandes avanços estão sendo feitos, e isso inclui as atuais negociações sobre reféns!" Agora no g1 O presidente também disse que poderá assinar o documento mais adiante, sem estabelecer uma data para uma eventual mudança de posição. A declaração ocorre depois de Trump suspender, na sexta-feira (16), a aplicação de sanções e tarifas previstas na chamada Lei Graham. As medidas deveriam entrar em vigor na semana seguinte e incluíam tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia. No sábado (17), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Trump pretende usar um período de até 60 dias para avaliar os efeitos econômicos das medidas. Segundo Rubio, a análise considera possíveis impactos tanto sobre a economia global quanto sobre a dos EUA. Trump publicou nas redes sociais uma justificativa para sua decisão sobre as sanções à Rússia. Reprodução/Truth Social Trump critica Zelensky e ataques a refinarias russas Na publicação deste domingo, Trump criticou os ataques ucranianos a refinarias de diesel na Rússia e afirmou que eles prejudicam o mercado internacional do combustível, com impactos sobre empresas e produtores americanos. O presidente, porém, não apresentou dados que permitam dimensionar os efeitos mencionados. "Zelensky está usando refinarias de diesel na Rússia como alvo, sabendo que esses ataques estão prejudicando seriamente os mercados mundiais de diesel, inclusive nos EUA. Agricultores, pecuaristas e empresas de todos os tipos estão sofrendo muito com isso, mas a Rússia, apesar disso, está enviando milhões de barris de diesel ao mundo a preços baixos." Trump também acusou Zelensky de não querer encerrar a guerra e afirmou que o presidente ucraniano poderia ter conseguido um acordo melhor anos atrás. Na mesma publicação, mencionou o apoio financeiro dado à Ucrânia por países europeus e pelo governo do ex-presidente americano Joe Biden. Zelensky, por sua vez, criticou a suspensão das sanções e alertou que a medida poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar o conflito. Suspensão de sanções e acordo sobre diesel A suspensão das sanções contra a Rússia ocorre em meio à preocupação do governo americano com os efeitos dos conflitos internacionais sobre o fornecimento de energia. No sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a guerra na Ucrânia e os confrontos no Oriente Médio afetam o abastecimento global e defendeu um acordo para ampliar a oferta de diesel russo nos mercados internacionais. Segundo Trump, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas do combustível aos EUA, com novas remessas previstas a partir de novembro. O secretário de Energia americano, Chris Wright, afirmou neste domingo que o acordo busca incentivar o fim da guerra, e não oferecer apoio econômico à Rússia. Segundo ele, o aumento das exportações russas de diesel dependeria de uma redução do conflito com a Ucrânia.
18/10/2026 20:50:50 +00:00
Rubio diz que Trump terá até 60 dias para reavaliar suspensão de sanções à Rússia

Donald Trump e Vladimir Putin. Kevin Lamarque/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá até 60 dias para avaliar os impactos econômicos da suspensão de sanções e tarifas relacionadas à Rússia, afirmou neste sábado (17) o secretário de Estado americano, Marco Rubio. As medidas haviam sido suspensas na véspera, e Trump ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre o assunto. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “Acho que o presidente quer usar esse período de 60 dias para analisar o que a aplicação de sanções e tarifas significaria para a economia global e até mesmo para a economia dos EUA”, disse Rubio a jornalistas antes de embarcar para uma viagem ao Uzbequistão. Trump assinou na sexta-feira uma ordem executiva que suspendeu sanções e tarifas previstas na chamada Lei Graham. Ele havia sancionado a legislação no mês passado, após pressão de parlamentares que defendem medidas para pressionar Moscou por causa da guerra na Ucrânia. Agora no g1 As medidas incluem tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia. Elas deveriam entrar em vigor na próxima semana, mas a ordem executiva suspendeu sua aplicação sem especificar por quanto tempo a decisão permaneceria válida. Segundo Rubio, Trump optou por usar o período de 60 dias para avaliar os possíveis efeitos econômicos das medidas. “Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos resolver isso, e vocês ficarão sabendo”, disse Trump a jornalistas em seu clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. A suspensão foi criticada pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que alertou que a decisão poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar a guerra. LEIA MAIS Por que Trump suspendeu várias sanções contra a Rússia em meio a tensões com Ucrânia Zelensky pede R$ 400 bilhões à União Europeia em meio a tensões com Trump Papa fala ao telefone com Putin, oferece mediação na guerra e pede corredor humanitário Fornecimento de diesel Rubio também defendeu neste sábado um acordo separado entre os EUA e a Rússia para aumentar a oferta de diesel nos mercados globais. O objetivo é aliviar os preços dos combustíveis, que subiram em meio à guerra com o Irã e às interrupções no fornecimento de energia. “Esse diesel será vendido de uma forma ou de outra”, disse Rubio. “A única diferença é quanto dele os EUA conseguiriam obter.” Segundo Trump, pelo acordo, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas de diesel aos EUA, seguidas de remessas em novembro e nos meses seguintes. O acordo sobre o diesel é “um incentivo para tentar acabar com a guerra, não uma tábua de salvação econômica” para a Rússia, afirmou o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista ao programa This Week, da ABC, neste domingo. “Mas a única maneira de eles conseguirem exportar diesel adicional é reduzindo o conflito com a Ucrânia”, disse Wright, em entrevista, também neste domingo. “Se a Rússia conseguir colocar diesel adicional no mercado e exportá-lo, isso beneficiará os consumidores americanos”, disse ele. “Ele está exercendo pressão que beneficiaria os consumidores americanos e representaria um passo adiante para a paz na guerra entre Rússia e Ucrânia.” Rubio afirmou que o acordo sobre o diesel e a suspensão das sanções refletem a dificuldade de administrar os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que têm provocado interrupções no fornecimento global de energia. “Esses conflitos ao redor do mundo estão começando a se chocar uns com os outros”, disse.
18/10/2026 19:29:30 +00:00
Mega-Sena acumula e próximo concurso pode pagar até R$ 185 milhões; confira os números sorteados

Concurso 3071 da Mega-Sena: veja os números sorteados O sorteio do concurso 3.071 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (18), em São Paulo. Não houve ganhadores neste concurso, e próximo sorteio pode pagar até R$ 185 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 12 - 22 - 51 - 52 - 41 - 45. Sorteio da Mega-Sena. Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
18/10/2026 14:05:28 +00:00
Perdão de dívidas de MEIs pode aliviar contas, mas não resolve causas, dizem especialistas

Congresso aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas O perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho. A análise é de especialistas ouvidos pelo g1. Entre os principais fatores estão: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa. O projeto de lei complementar prevê o perdão de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria e permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio. “Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma. Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais. O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando. Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo. A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal. Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento. Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade. No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la. No segundo, a abertura pode ocorrer sem planejamento, como uma alternativa imediata para gerar renda. “Enquanto no caso do empreendedorismo por oportunidade o empreendedor vê isso como o seu futuro, o por necessidade o vê como ‘bico’, até que alguma coisa melhor apareça, o que diminui o planejamento e a resiliência”, diz. Isso não significa que todo negócio aberto por necessidade esteja condenado ao fracasso. A diferença apontada pelo economista está nas condições em que a atividade começa e na preparação para administrar os recursos, organizar as despesas e enfrentar períodos de menor movimento. (veja abaixo) Para Leal, políticas de apoio ao empreendedorismo precisam ir além da renegociação. Ele defende a ampliação do acesso a linhas de crédito subsidiadas — financiamentos com condições favorecidas — e o uso dos serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar os microempreendedores. Como separar as contas pessoais das contas da empresa A primeira medida para organizar as finanças é tratar o dinheiro do negócio e o da família como recursos diferentes, mesmo quando o empreendedor é o único proprietário da empresa. “Eu começaria com uma regra simples: são dois bolsos diferentes, o do negócio e o da pessoa física. O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo dinheiro que entra na empresa em dinheiro disponível para a família”, afirma Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar. Isso significa que o faturamento — todo o dinheiro recebido pelas vendas ou pelos serviços prestados — não deve ser confundido com o lucro. Parte dos recursos precisa ser usada para pagar fornecedores, impostos, despesas da operação e compromissos que ainda vão vencer. Outra parcela pode precisar ficar reservada para a compra de mercadorias e a continuidade da atividade. Antes de transferir dinheiro da empresa para a conta pessoal, o empreendedor deve calcular quanto sobrou depois dos custos e das despesas e verificar quanto pode retirar sem comprometer o funcionamento do negócio. 🧾 Maciel ilustra a diferença com um exemplo hipotético: Se uma empresa recebe R$ 6,5 mil, tem R$ 4 mil em pagamentos e compromissos e precisa reservar outros R$ 1 mil para manter a operação no período seguinte, restam R$ 1,5 mil disponíveis. Mesmo que o lucro calculado seja de R$ 1,8 mil, retirar mais do que R$ 1,5 mil comprometeria o dinheiro necessário para a atividade. As receitas variam mês a mês, e agora? Quando as receitas variam de um mês para outro, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para estabelecer uma retirada pessoal que também seja viável nos períodos mais fracos. Nos meses de maior faturamento, parte do dinheiro pode ser guardada para compensar eventuais quedas posteriores. O controle deve ser feito em duas frentes: A empresa precisa registrar suas vendas, custos, impostos e compromissos; Já o orçamento doméstico deve considerar apenas o dinheiro efetivamente transferido para o empreendedor como renda pessoal. Se as despesas da família forem maiores do que o negócio consegue sustentar, a saída é rever o orçamento doméstico ou buscar outra fonte de renda, em vez de retirar recursos destinados ao pagamento de fornecedores e à manutenção da atividade. MEI grafico Quais são os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle? O endividamento nem sempre começa com contas atrasadas. Em alguns casos, o empreendedor continua pagando tudo em dia, mas passa a depender de crédito caro para cobrir as despesas do mês. Segundo Antonio Maciel, planejador financeiro, sinais de alerta incluem recorrer ao cheque especial, pagar apenas parte da fatura do cartão de crédito ou contratar um empréstimo para quitar outro. O problema também pode aparecer quando toda compra de estoque depende de financiamento. Por isso, acompanhar apenas o saldo bancário não é suficiente. O planejador recomenda observar quatro pontos: O resultado do negócio depois dos custos e das despesas; O dinheiro disponível para manter a operação; O total das dívidas e o peso das parcelas e dos juros; e O volume de recursos parado em mercadorias, além dos prazos para receber dos clientes e pagar fornecedores. Um negócio pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades se os preços não cobrirem os custos. Da mesma forma, pode apresentar lucro no papel, mas ficar sem dinheiro para pagar as contas porque os clientes demoram a pagar ou porque o empreendedor retira recursos em excesso. A origem do problema muda a solução. Se a atividade consegue cobrir seus custos, mas falta dinheiro depois das retiradas pessoais, pode haver um desequilíbrio no orçamento familiar. Se o caixa já fica negativo antes dessas transferências, é preciso investigar os preços, os custos, as vendas e os prazos de recebimento. Como negociar dívidas sem criar um problema maior Ao perceber que as contas estão saindo do controle, o empreendedor precisa identificar quais compromissos são essenciais para manter a empresa funcionando e quais podem ser renegociados. Maciel, planejador financeiro, recomenda avaliar tanto o custo das dívidas quanto as consequências de deixar de pagá-las. Obrigações legais, como tributos e salários, quando houver funcionários, merecem atenção, assim como compromissos cujo atraso possa provocar a perda de um equipamento essencial ou interromper o fornecimento necessário para as vendas. Na comparação entre empréstimos, um dos principais indicadores é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas da operação. Também é necessário comparar o valor total a pagar, o prazo e o tamanho das parcelas em relação ao dinheiro que o negócio efetivamente recebe. Uma prestação menor nem sempre representa um acordo mais barato. Em um exemplo hipotético apresentado pelo planejador, um acordo de 12 parcelas de R$ 320 totaliza R$ 3.840. Já outro, de 24 parcelas de R$ 230, soma R$ 5.520. A segunda opção tem prestações menores, mas custa mais no total. “A renegociação só vira recuperação quando muda a capacidade de pagamento e vem acompanhada de uma correção na gestão”, afirma Maciel. Segundo ele, é necessário identificar se a dificuldade surgiu de uma queda temporária nas vendas, de retiradas pessoais excessivas, de mercadorias paradas, de preços inadequados ou de custos que o negócio não consegue sustentar. Imprevistos e perda de renda também podem provocar endividamento. O planejador alerta ainda para o risco de usar o cheque especial e o crédito rotativo do cartão — modalidade em que o consumidor não paga integralmente a fatura — como fontes permanentes de financiamento. Um empréstimo planejado para uma necessidade produtiva é diferente de contratar crédito todos os meses para cobrir prejuízos. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae
18/10/2026 08:00:01 +00:00
O que aconteceu com o experimento de Bukele para transformar El Salvador no 'país do bitcoin'

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, prometeu que a adoção do bitcoin traria 'prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira' a El Salvador AFP via Getty Images "Em El Salvador, estamos começando a criar um país para o futuro, preservando o que nos torna únicos e buscando inspiração nas melhores ideias que já surgiram no mundo ao longo da história. E acredito que o bitcoin possa ser uma delas." Foi o que disse o presidente Nayib Bukele em uma mensagem gravada e exibida durante a conferência Bitcoin 2021, realizada em março daquele ano, em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, diante de um público entusiasmado com a criptomoeda Bitcoin. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na ocasião, Bukele anunciou que enviaria à Assembleia Legislativa um projeto de lei para fazer de El Salvador o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin. O anúncio foi recebido com uma salva de palmas pelo público, que via um antigo ideal prestes a se concretizar — e em setembro daquele ano, o país adotou o Bitcoin como moeda de curso legal no país (ao lado do dólar americano). Agora no g1 Cinco anos depois, o dólar voltou a ser a única moeda oficial de El Salvador, a aceitação do bitcoin passou a ser facultativa e a promessa de construir uma cidade futurista, abastecida pela energia geotérmica de um vulcão e dedicada à mineração da criptomoeda, nunca saiu do papel. Afinal, o que restou do "país do bitcoin", como Bukele batizou El Salvador? O que foi cumprido do que se prometeu? E quem se beneficiou? Bitcoin e promessas O que restou do projeto de transformar El Salvador no "país do bitcoin" cinco anos depois? Getty Images via BBC O bitcoin é basicamente um arquivo digital que existe online e funciona como uma moeda alternativa. Nisso, ele se diferencia muito de moedas convencionais, como o dólar americano. Ele não é impresso por governos ou bancos tradicionais, mas criado por um processo computacional complexo conhecido como "mining" (mineração). 🔍 Todas as moedas e todas as transações feitas com elas ficam registradas na rede de internet – em um espaço conhecido como "blockchain", uma espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações. Dessa forma, as transações não podem ser rastreadas. E o bitcoin não tem um "valor inerente": seu preço é determinado pelo quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ela. A iniciativa de adotar o bitcoin em El Salvador começou em junho de 2021, quando a Assembleia Legislativa, controlada pelo partido do presidente, Novas Ideias, aprovou a lei que tornou a criptomoeda uma moeda oficial do país, ao lado do dólar — que já era a moeda oficial do país havia duas décadas. A promessa era de que a medida traria "prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira". O governo afirmava que o bitcoin reduziria os custos do envio de dinheiro por salvadorenhos que vivem no exterior, uma fonte de recursos que representa quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Em 2025, chegaram a 26,3% do PIB, segundo dados do Banco Central de Reserva de El Salvador. A adoção da criptomoeda também facilitaria o acesso de trabalhadores informais sem conta bancária ao sistema financeiro e atrairia investimentos estrangeiros. Para viabilizar a iniciativa, o governo criou um fundo de US$ 150 milhões (R$ 748 milhões) e ofereceu US$ 30 (R$ 150) a cada cidadão que instalasse a carteira digital Chivo no celular. Também destinou outros US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos e aos demais custos necessários para colocar o sistema em funcionamento. O governo de El Salvador destinou US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos para bitcoin e a outros custos de implementação do projeto AFP via Getty Images Nove meses depois, uma das primeiras pesquisas sobre a medida já mostrava o ceticismo dos salvadorenhos em relação ao bitcoin. Entre os entrevistados pelo Instituto Universitário de Opinião Pública (Iudop), da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), 71% afirmaram que a adoção da criptomoeda não havia trazido "nenhum benefício para a economia familiar". O resultado reforçava as conclusões do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), uma organização americana privada sem fins lucrativos. Em um relatório publicado em abril de 2022, a entidade constatou que a maioria das pessoas que instalaram a carteira digital Chivo deixou de usá-la depois de gastar o "bônus" oferecido pelo governo. Bukele, por sua vez, continuou comprando bitcoin com dinheiro público, apesar dos alertas de especialistas sobre os riscos para as finanças do país. A preocupação era com a forte oscilação do preço da criptomoeda, que perdeu mais de 60% de seu valor em 2022. "Às vezes, faço isso até quando estou no banheiro", escreveu Bukele em resposta às críticas na rede social então chamada Twitter (atual X). Em janeiro de 2023, a Assembleia Legislativa deu mais um passo no plano de Bukele ao aprovar a inédita e controversa Lei de Emissão de Ativos Digitais, destinada a atrair investimentos estrangeiros. Para convencer grandes investidores a apostar no projeto de adoção do bitcoin em El Salvador e conceder empréstimos de alto risco ao país, o governo anunciou no Twitter que a nova legislação abria caminho para a emissão dos chamados "títulos vulcão", que, segundo as autoridades, começariam a ser oferecidos em breve. Era, talvez, a etapa mais ambiciosa do projeto. A proposta previa que El Salvador contraísse dívidas em bitcoin por meio da emissão de títulos no mercado internacional, como fazem os governos para captar recursos, mas, nesse caso, com lastro na criptomoeda. Metade do dinheiro arrecadado seria usada para comprar mais bitcoin. A outra metade financiaria o início da construção da Bitcoin City (Cidade do Bitcoin, em tradução livre), uma cidade planejada aos pés do vulcão Conchagua, em El Salvador. Imagem da maquete da 'Bitcoin City' divulgada por Bukele na rede social X Nayib Bukele via Twitter Para completar o projeto, a cidade futurista usaria a energia geotérmica do vulcão para abastecer os potentes sistemas de computadores responsáveis pela criação de novos bitcoins, processo conhecido como mineração. "O plano é simples: enquanto o mundo mergulha na tirania, vamos criar um refúgio de liberdade", afirmou Bukele, em um discurso semelhante ao dos defensores mais fervorosos das criptomoedas. Esse movimento tem forte presença nos EUA, onde o mercado de criptomoedas ganhou contornos ideológicos, impulsionado por republicanos radicais e anarcocapitalistas. Esses grupos defendem o bitcoin como uma forma de reduzir o poder dos bancos centrais e a intervenção do Estado na economia. Também alimentam a expectativa de que qualquer pessoa possa enriquecer caso o preço da criptomoeda atinja valores exorbitantes. Mas, afinal, o que saiu do papel entre as tantas promessas feitas para transformar El Salvador no "país do bitcoin"? Baixa adesão "Se considerarmos os motivos apresentados por Bukele para adotar o bitcoin, não há dúvida de que o projeto fracassou", afirmou o economista Carlos Acevedo, ex-presidente do Banco Central de Reserva de El Salvador, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "É evidente que o governo esperava que, a esta altura, toda a população estivesse usando bitcoin. A aprovação da lei, a criação do fundo fiduciário, toda a estrutura foi pensada para isso, embora pesquisas anteriores já mostrassem que a população desconfiava muito dessa experiência", explicou Acevedo. "E, nesse sentido, de fato, não deu certo." Em 2022, quando o entusiasmo com a iniciativa estava no auge, uma pesquisa da CID-Gallup constatou que apenas 1 em cada 5 empresas aceitava bitcoin e que somente 5% dos pagamentos de impostos eram feitos com a criptomoeda. Dois anos depois, em 2024, a BBC News Mundo constatou, durante uma visita ao país, que o uso do bitcoin era raro e se concentrava principalmente na região conhecida como Bitcoin Beach (Praia do Bitcoin, em tradução livre), nos arredores da praia de El Zonte. O bitcoin "não teve a adesão que esperávamos", admitiu o próprio Bukele em entrevista à revista Time, publicada em agosto daquele ano. Uma pesquisa divulgada em janeiro de 2025 pelo Iudop confirmou a baixa adesão: 91,8% dos salvadorenhos disseram não ter usado a criptomoeda no ano anterior. Desse grupo, 76,2% afirmaram nunca ter utilizado bitcoin. Embora El Salvador tenha registrado um avanço importante no acesso a serviços bancários no ano passado, apenas quatro em cada dez salvadorenhos com mais de 15 anos têm conta bancária, segundo a pesquisa Global Findex 2025, do Banco Mundial. Remessas e títulos de dívida A adoção do bitcoin também teve pouco impacto sobre as remessas enviadas por salvadorenhos que vivem no exterior. Segundo os dados oficiais mais recentes do Banco Central de Reserva de El Salvador, o valor enviado por meio de carteiras digitais de criptomoedas entre janeiro e abril de 2026 cresceu 44,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 23,1 milhões. Ainda assim, representou apenas 0,7% dos US$ 3,286 bilhões enviados ao país nesse período. A maior parte do dinheiro enviado por salvadorenhos que vivem no exterior, essencial para o sustento de milhares de famílias no país, continua chegando pelos meios tradicionais. "O problema é que a proposta partiu de um diagnóstico equivocado", afirmou Frank Muci, pesquisador da Escola de Políticas Públicas da London School of Economics and Political Science (LSE, no Reino Unido), em entrevista à BBC News Mundo. "O que torna as remessas caras, com taxas elevadas, é, em parte, o fato de que o dinheiro é enviado em espécie nos EUA e os destinatários também querem recebê-lo em espécie", explicou o especialista, que já escreveu diversos trabalhos sobre a adoção do bitcoin em El Salvador. Uma pesquisa da CID-Gallup já havia constatado, em 2022, que apenas uma em cada cinco empresas aceitava bitcoin NurPhoto via Getty Images Muci define o projeto como um grande nothing burger, expressão em inglês usada para descrever algo sem importância ou impacto significativo. Sobre a suposta contribuição do bitcoin para atrair turistas ao país, como afirmam os defensores da criptomoeda, Muci considera que o efeito não é "significativo do ponto de vista macroeconômico". "Se você me perguntar o que Bukele fez que realmente está transformando o turismo, eu diria que foi a política de segurança", afirma Muci. Com sua "guerra contra as gangues", o governo Bukele conseguiu reduzir drasticamente a taxa de homicídios, ao mesmo tempo que transformou El Salvador em um dos países com as maiores taxas de encarceramento do mundo. A queda acentuada da violência contribuiu para a reeleição de Bukele, em fevereiro de 2024, com uma vitória esmagadora: o presidente recebeu cerca de 90% dos votos. Ao contrário da política de segurança, a adoção do bitcoin foi "uma medida que rendeu centenas de manchetes, se não milhares, mas que, no fundo, não teve resultado algum", prossegue Muci. "Além de gerar gastos com sua implementação e assustar os mercados, que durante algum tempo penalizaram duramente El Salvador." "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo", afirma o economista Carlos Acevedo Bloomberg via Getty Images "Pelo menos é importante destacar que não houve perda de dinheiro", ressalta Acevedo, do Banco Central de Reserva, referindo-se aos bitcoins comprados pelo governo nos últimos anos. "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo." Até a última quinta-feira (8/10), El Salvador acumulava 7.798,37 bitcoins, avaliados em US$ 636 milhões (R$ 3,17 bilhões), valor que oscila conforme a cotação da criptomoeda, segundo o Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga as transações em tempo real em seu site. Mas os chamados "títulos vulcão" ainda não foram emitidos, e a construção da Bitcoin City também não avançou. Samson Mow, diretor-executivo da JAN3, empresa de infraestrutura para bitcoin que ajudou a idealizar os "títulos vulcão", lamenta que os planos não tenham saído do papel. "O lado positivo é que o governo manteve a legislação sobre ativos digitais. Com isso, criamos um setor regulamentado, próspero e sólido, que está crescendo muito rapidamente", afirmou Mow à BBC News Mundo. Embora reconheça que não conversa com Bukele há muito tempo, Mow acredita que o presidente "ainda confia no bitcoin". "Mas ele precisa conciliar essa convicção com as exigências de governar um país e com as pressões e condições impostas por uma instituição como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para liberar uma grande quantidade de recursos para El Salvador", ressalta. A pressão do FMI Em meio às dificuldades econômicas enfrentadas por El Salvador, o governo fechou, em dezembro de 2024, um acordo de financiamento de US$ 1,4 bilhão (R$ 6,98 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob a condição de "reduzir os riscos associados ao bitcoin". No mês seguinte, sem grande divulgação por parte do governo, a Assembleia Legislativa aprovou mudanças na Lei do Bitcoin. Com a alteração de seis artigos e a revogação de outros três, a criptomoeda deixou de ter curso legal. Seu uso ficou restrito a transações entre cidadãos e empresas privadas, e a aceitação, antes obrigatória, passou a ser voluntária. Em setembro, o governo deu mais um passo para abandonar o plano original de transformar El Salvador no "país do bitcoin". Durante a terceira avaliação do cumprimento das condições do empréstimo, cujo pagamento seria feito em parcelas, o governo transferiu "a participação majoritária e o controle" da carteira digital estatal Chivo para uma "empresa privada". "A única coisa transferida foram as ações da Chivo, algo que já havia sido oferecido um ano e meio atrás, e não a reserva estratégica de bitcoin", escreveu Bukele na rede social X, depois que vários veículos de comunicação noticiaram a transferência. "Aproveitem para ler como El Salvador conseguiu um superávit fiscal primário e superou todas as expectativas de crescimento econômico graças à segurança e à confiança dos investidores, além de ter alcançado uma redução significativa da pobreza, favorecida por melhorias na eficiência dos serviços públicos", acrescentou. Somente na última quinta-feira foi divulgado que a empresa responsável pela operação é a Linguard Labs. Ainda não se sabe, porém, qual participação foi adquirida nem o valor da transação. O Estado salvadorenho continuará como acionista e sócio da empresa. A parceria "público-privada" prevê o relançamento da carteira digital com novos serviços, entre eles transferências gratuitas de dinheiro dos EUA para determinados usuários, acesso a microcrédito, adiantamentos em dinheiro e pagamentos com diferentes ativos digitais. O controle acionário da carteira digital Chivo passou para uma empresa privada, mas o governo de El Salvador continua como acionista e sócio Bloomberg via Getty Images O FMI também mencionou as compras de bitcoin feitas pelo governo salvadorenho no relatório em que autorizou a liberação de mais US$ 138 milhões (R$ 688 milhões) ao país. O governo continuou comprando a criptomoeda mesmo depois de assinar o acordo de financiamento, embora a suspensão dessas aquisições fosse uma das condições expressas do empréstimo. As operações constavam no site oficial do Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga dados sobre as compras, as vendas e as reservas da criptomoeda. Em comunicado, no entanto, o FMI afirmou que os bitcoins mais recentes haviam sido adquiridos por meio de "doações privadas, sem uso de recursos públicos", e que o governo salvadorenho havia se comprometido a não fazer novos investimentos. "Não está prevista a aquisição de mais bitcoins além daqueles provenientes das doações documentadas", concluiu o FMI. Mas quem fez essas doações? E qual foi o valor doado? Essas perguntas se somam às dúvidas que cercam o projeto desde o início. Até hoje, não está claro de onde vêm os recursos nem quem fiscaliza sua utilização. A BBC News Mundo enviou essas perguntas à Presidência de El Salvador, mas não obteve resposta. Também procurou o FMI, que informou não ter nada a acrescentar ao comunicado. O que restou da experiência? Embora reconheçam que o acordo com o FMI pôs fim às partes mais ambiciosas do projeto, tanto defensores quanto alguns críticos destacam sua importância simbólica. "Foi importante para a ideia do 'país do bitcoin', de um mundo em que o bitcoin teria substituído o dinheiro tradicional emitido pelos governos", afirma Muci, da LSE. Antes de 2021, a possibilidade de um governo adotar o bitcoin não passava de uma hipótese. El Salvador, sob o comando de Bukele, transformou essa ideia em realidade, ainda que apenas por algum tempo, destaca Mow, da JAN3. "Para o bitcoin, serviu para validar a ideia. Já El Salvador ganhou visibilidade mundial", acrescenta. Mow admite que esperava que outros países seguissem rapidamente o exemplo salvadorenho, mas afirma que a experiência mostrou que isso é "mais difícil do que parece". "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow, ao comentar as lições deixadas por El Salvador. "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow AFP via Getty Images "É preciso combinar medidas do governo que criem condições para o livre funcionamento dos mercados e eliminem as barreiras que dificultam a adoção dessa tecnologia com outras iniciativas voltadas à educação", avalia. "De qualquer forma, não acredito que o bitcoin precise de uma lei que obrigue as pessoas a usá-lo. Estou convencido de que é a melhor forma de dinheiro que a humanidade já conheceu e de que sua adoção acontecerá naturalmente", conclui Mow.
18/10/2026 08:00:00 +00:00
A eleição do churrasco: por que candidatos nos EUA estão disputando quem gosta mais de carne?

Imagem de carne bovina nos EUA J. Scott Applewhite/AP Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne está no cardápio. Democratas e republicanos discutem os preços altos e a guerra com o Irã, mas também disputam quem gosta mais de carne. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O exemplo mais recente veio nesta semana, no Mississippi, em que o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, Scott Colom, divulgou um vídeo com um trecho da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante do cargo, dizendo que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, "há muitas outras opções de proteína para escolher". O vídeo então corta para um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira, que diz: "Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador." Congressistas dos EUA acusam Trump de tentar influenciar nas eleições brasileiras A disputa no Mississippi é um tanto incomum porque é o democrata quem está atacando a republicana por causa da carne bovina. Em outras partes do país, os republicanos têm retratado os democratas como veganos ou contrários ao consumo de carne, tentando mostrar que eles estão culturalmente desconectados dos eleitores, são hostis às indústrias pecuárias locais ou simplesmente não são masculinos o suficiente. No Texas, republicanos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado dos EUA, comemorava o fato de sua campanha eleitoral ter deixado de comprar carne e passado a adquirir apenas produtos veganos de estabelecimentos locais. Desde então, Talarico tem aparecido publicamente comendo churrasco para rebater as acusações de que suas escolhas alimentares significam que ele não é um texano de verdade. LEIA TAMBÉM: Agrotóxicos, água e câncer: por que a saúde virou tema das eleições em potência agrícola dos EUA Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O candidato democrata ao Senado James Talarico discursa durante um comício em 13 de julho de 2026, em Eagle Pass, no Texas, Estados Unidos. (Foto: AP/Brenda Bazán, Arquivo) O candidato acusado de ser anti-carne No Colorado, os republicanos têm atacado o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel por seu ativismo contra a produção de carne e a pecuária industrial. Na faculdade, ele foi fotografado sem camisa usando no peito uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA). Em 2021, Rutinel fundou a Climate Refarm, organização que defendia a redução do consumo de carne. Ele também assinou cartas defendendo o aumento de impostos sobre carne e laticínios. Além disso, apoiou uma proposta submetida a votação em 2024 para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, que acabou fracassando. Rutinel, de 31 anos, agora disputa uma vaga contra Gabe Evans, o republicano que representa o 8º distrito congressional do Colorado. A vasta região no nordeste do estado é pontilhada por ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento de carne, incluindo a sede da gigante da carne bovina JBS Swift. Os republicanos têm explorado intensamente o histórico de defesa do veganismo de Rutinel, a ponto de o grupo conservador de mídia Daily Wire divulgar nesta semana um vídeo gravado de forma oculta em que um integrante da campanha afirma que ele come carne "o mínimo possível". Rutinel tem feito questão de aparecer em público comendo tacos de carne durante a campanha e conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica. "Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato", disse ele em entrevista após uma recente parada de campanha. "Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles." Evans afirma que a questão vai além das preferências alimentares do adversário. "Não me importo com o que ele come pessoalmente", disse Evans em entrevista. "Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma."
18/10/2026 07:00:01 +00:00
'Óculos pervertidos': versão sem câmera poderá salvar o produto da Meta?

Óculos inteligentes da Meta Bloomberg via Getty Images via BBC Quando a Meta lançou seus óculos inteligentes alimentados por IA em 2023, em colaboração com a marca de óculos de sol Ray-Ban, surgiu uma enxurrada de controvérsias. Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para assediar mulheres e, principalmente, meninas. Elas foram filmadas sem consentimento e as imagens foram posteriormente compartilhadas na internet. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A recente contratação pela Meta de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, como principal modelo da empresa, aparentemente não resolveu o problema de imagem. Os dispositivos foram apelidados de óculos "pervertidos" ou "sinistros". No Reino Unido, os pubs JD Wetherspoon, alguns teatros importantes, a Comic-Con, certas escolas e a base da Marinha britânica Faslane, que abriga os submarinos nucleares do país, decidiram pela sua proibição. Agora no g1 Na quinta-feira (24/9), a Meta apresentou uma nova versão dos óculos inteligentes sem câmera, chamada Ray-Ban Meta Audio. Eles terão as mesmas funções de áudio dos óculos originais (incluindo a capacidade de fazer ligações telefônicas ou reproduzir música, com o som dirigido diretamente para o seu ouvido), mas com menos consequências para a privacidade das pessoas. Para alguns profissionais do setor, parece uma mudança interessante e, talvez, uma reação às críticas relativas à privacidade. A Meta nega que os novos óculos tenham sido lançados às pressas, em resposta ao furor do público. A gigante da tecnologia afirma que o produto estava em desenvolvimento há dois anos. A versão apenas com áudio é mais barata que seus primos dotados de câmeras e a empresa declarou que sua armação é mais leve e tem mais tempo de bateria. Contei ao chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, que eu imaginava que este modelo poderia superar as vendas dos óculos originais com câmera. Ao ouvir isso, ele fez uma pausa significativa. "Temos, eu acho, algo para todos", declarou ele, escolhendo suas palavras com muito cuidado. Mas será que o lançamento de uma opção sem câmera representa uma mudança da forma em que as companhias de tecnologia observam o futuro dos óculos inteligentes? E a versão original da Meta será mantida? Ou devemos observar os óculos sem câmera como um subproduto de nicho, que atende a um mercado pequeno, similar ao que fazem alguns fabricantes de celulares, que passaram a lançar telefones em forma de "tijolo", sem internet, para as pessoas cansadas de redes sociais? Música, mapas e lavagem de carros Sem dúvida, os óculos inteligentes se tornaram motivo de controvérsias. Recebi emprestado um par de Meta Ray-Ban (com câmera), para testar. Inicialmente, fiquei nervosa para usá-los em público, pela possibilidade de assédio físico. Soube de pessoas que arrancaram os óculos da cabeça dos usuários e os esmagaram na rua. Na verdade, eu os usei no transporte público e andando a pé em diversas cidades britânicas, como Londres, Glasgow e Portsmouth. Ninguém demonstrou reação. A experiência me fez imaginar se o conhecimento do público sobre eles realmente é tão grande quanto acreditam a Meta e os ativistas contrários aos óculos. Dito isso, algumas pessoas me disseram discretamente que não teriam confiança de abordar alguém usando esses óculos, mesmo se os identificassem, por medo de que a interação fosse filmada e carregada na internet. Os óculos são projetados para funcionar como uma extensão do seu telefone celular. Eles usam Bluetooth para se sincronizar com o aparelho, por meio do aplicativo de IA da Meta. Os dispositivos são ativados por voz e alto-falantes abertos nas hastes canalizam o som para os seus ouvidos. O resultado é parecido com os fones de ouvido sem cancelamento de ruído, de forma que você ainda consegue ouvir o mundo à sua volta. Minha opinião, que pode ser objeto de cancelamento, é que encontrei utilidade para várias das funções dos óculos. E o interessante é que nenhuma delas incluía a câmera. Ouvir música e podcasts no transporte, sem precisar de fones tampando meus ouvidos, me pareceu mais seguro. E senti mais confiança ao evitar os ladrões de celulares que andam de bicicleta pelo centro de Londres, sem ter meu telefone fisicamente nas mãos. Meu lamentável senso de direção me obriga a usar muito os aplicativos de mapas. E acabou sendo prático ouvir as instruções nos meus ouvidos. Mas a desvantagem foi precisar aceitar que o aplicativo Meta AI soubesse exatamente onde eu estava a todo tempo. A Meta é conhecida pela sua sede de dados pessoais. Quando postei sobre o uso do Meta Ray-Ban nas redes sociais, enfrentei momentos difíceis. Mas as reações foram diferentes quando os mostrei às pessoas que fazem parte do meu dia a dia. Minha cabeleireira, por exemplo, adorou a ideia de usá-los para registrar as transformações dos cabelos das suas clientes. Conversei com um fisiculturista na academia, que imaginou seu uso para gravar o que ele estivesse fazendo, seja em caso de acidentes ou até para ensinar novas técnicas às outras pessoas. Meu amigo corredor disse que gostaria de usar os óculos em uma corrida. E muitos criadores de conteúdo são fãs do dispositivo. Meu filho os pegou emprestados para lavar meu carro e me mostrou, orgulhoso, sua filmagem de como ele retirou delicadamente um pedaço de cocô de passarinho que resistia a sair do carro, sem danificar a pintura. Fiquei satisfeita, acreditando alegremente na palavra dele. Falando de forma mais ampla, os óculos inteligentes foram bem recebidos pela comunidade dos deficientes visuais. Um usuário os descreveu para a BBC como "revolucionários", pois eles podem fornecer descrições em áudio dos locais atuais e ler em voz alta textos visíveis, como as opções de cardápio de um restaurante. Em agosto, a Meta doou 15 mil pares para uma organização beneficente para deficientes visuais da Irlanda. Pedidos de regulamentação Ainda assim, o furor em relação à privacidade aumentou. Os óculos têm um LED branco que começa a piscar quando a câmera está ligada, o que levou ao surgimento de uma verdadeira indústria, em busca de soluções técnicas para desligar aquela luz. Algumas delas exigem que os óculos sejam desmontados. A Meta afirma que menos de 0,1% das armações vendidas em todo o mundo foram fisicamente manipuladas. Os números exatos de vendas são desconhecidos, mas a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, informou ter vendido sete milhões de unidades no ano passado. A empresária de tecnologia Liz Hunter criou uma petição convocando novas e urgentes regulamentações para os óculos inteligentes. Ela é mãe e está furiosa. "Eles nunca, nunca deveriam ter deixado o laboratório com a Meta", declarou Hunter. "É uma verdadeira paródia de confiança pública, de igualdade das mulheres, e reverteu nosso direito à privacidade bem diante dos nossos olhos." Hunter acredita que os óculos inteligentes devem permanecer disponíveis para pessoas com deficiências visuais, mas não para a população em geral. "Não precisamos deles, nem os queremos", afirma ela. Um desenvolvedor polonês lançou um aplicativo chamado ZuckOff. Ele usa Bluetooth para identificar óculos inteligentes nas proximidades e já foi instalado milhares de vezes, segundo a revista Wired. Ben Wood, da empresa de pesquisa em tecnologia CCS Insight, se lembra de ter lido pela primeira vez a expressão "óculos pervertidos" no jornal Financial Times, que é normalmente moralista. Para ele, este é um sinal de que o dispositivo gerou "forte reação contrária do público". Mas o furor não deteve outras empresas de observar o mercado. A Samsung estaria trabalhando para estabelecer colaboração com a conceituada marca de óculos Warby Parker. A Google também estaria desenvolvendo um modelo de óculos inteligentes. A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, lançou recentemente o modelo Specs, vendido no varejo americano por US$ 2.195 (cerca de R$ 11,4 mil). Os usuários podem ver dados dentro do vidro e estalar os dedos para tirar uma foto. O fundador da Snap, Evan Spiegel, acredita que os óculos inteligentes, um dia, irão substituir os telefones celulares. E ele não é o único a pensar assim. Retrocesso ou distanciamento? Quando a Meta lançou os óculos inteligentes, em 2021, eles eram projetados, em parte, com base no que o usuário poderia ver. A empresa prometeu que permitiria aos usuários "gravar facilmente o mundo como eles o vissem" e "capturar momentos da vida em tempo real, de um ponto de vista único em primeira pessoa". Por isso, o último lançamento da Meta (os óculos sem câmera) é tão notável. Preocupado com os óculos inteligentes, o pesquisador Janusz Swierczynski, da Escola de Negócios Saïd da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que o lançamento de uma versão sem câmera é um "sinal positivo" de que a Meta parece ter ouvido os receios relativos à privacidade. "Eles estão pensando nisso e estão respondendo", afirma Swierczynski. Mas ele não acha que esta seja uma resposta "perfeita", já que os óculos com câmeras permanecem no mercado. Outros não têm tanta certeza de que a medida represente uma mudança real. "Certamente, não é o fim das câmeras em óculos", segundo Wood, da CCS Insight. Ele acredita que os óculos inteligentes, em grande parte, servem para capturar informações. Os óculos coletam o máximo de dados que podem do seu ambiente e usam a IA para contar ao usuário sobre eles. E os óculos dotados de câmera (treinados com base no que você puder ver) são uma fonte "extremamente boa" dessas informações. "É um valioso fluxo de dados para uma plataforma de IA, que pode interpretar aqueles dados e fornecer as melhores informações possíveis relacionadas a eles", explica Wood. "Por isso, ter suas partes visuais com as câmeras é um pilar fundamental para obter a melhor experiência." Wood imagina que a Meta venha trabalhando nos óculos sem câmeras há vários anos e que as atuais reações negativas em relação à privacidade forneceram um "momento fantástico" para o seu lançamento. De fato, até o momento, a Meta não mostrou nenhum sinal de desacelerar o desenvolvimento de óculos com câmeras. A empresa irá lançar sua terceira geração dos óculos no Reino Unido em outubro. Eles podem exibir dados visualmente dentro das lentes. Aliás, como jornalista que faz transmissões ao vivo e já tendo falado abertamente sobre nevoeiro mental, consigo entender a atração exercida por um par de óculos que pode exibir discretamente um roteiro para o usuário. A analista de tecnologia Kate Winick, da empresa de pesquisa Forrester, afirma que não se trata de um retrocesso em relação aos óculos com câmeras, mas sim um "distanciamento, oferecendo aos usuários tempo para se acostumarem com a tecnologia... para que os próprios usuários comecem a dizer: 'Oh, seria muito mais útil se tivesse uma câmera.'" E ela comenta, paradoxalmente, que a existência de óculos sem câmera pode ajudar a "reduzir a pressão" sobre as pessoas que usam óculos com câmera em público. "Agora se sabe que alguns óculos no mercado têm câmeras e outros, não", explica ela. Por isso, "você não pode esbravejar automaticamente com todos os usuários de óculos da Meta, pois talvez você não saiba se eles têm ou não câmera." Rumo a uma norma social Outras empresas tentam responder aos receios sobre a privacidade de diferentes formas, sem eliminar a câmera. A companhia taiwanesa HTC lançou recentemente os óculos Vive Eagle, que custam menos de 25% do valor cobrado pela Snap. O vice-presidente da HTC Vive, Thomas Dexmier, afirma que, se qualquer pessoa próxima a um usuário de óculos Eagle disser "pare de filmar", ou "pare de gravar", e um dos quatro microfones captar a expressão, a câmera será desativada. Ele destaca que todas as gravações capturadas pelos óculos são criptografadas e nem a própria empresa pode observá-las. Mas isso também significa que a HTC não pode identificar conteúdo nocivo. "Reconhecemos que existem dificuldades que podem se tornar problemas reais, especialmente para as mulheres", segundo ele. Dexmier afirma que a HTC Vive está trabalhando para dificultar o emprego indevido da tecnologia, mas é "cedo demais para comentar" se a empresa consideraria uma versão sem câmeras. Em última análise, Wood acredita que os óculos com câmeras "não irão desaparecer". Ele conta que o momento atual o faz relembrar os anos 2000, quando algumas pessoas diziam que os fabricantes de telefones celulares não poderiam instalar câmeras nos seus aparelhos, devido a preocupações similares com a privacidade das pessoas. Para Wood, "isso é inevitável". "Precisaremos encontrar uma norma social, um enquadramento para o uso desses produtos."Zoe Kleinman
18/10/2026 07:00:01 +00:00
Elon Musk pode desligar a internet de uma guerra? Entenda o poder da Starlink

Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Seja nos desertos inóspitos do Saara ou na densa Floresta Amazônica, na imensidão do Oceano Pacífico ou na camada de gelo do Ártico, em muitas partes do mundo não existe acesso à internet. Originalmente, o bilionário sul-africano da tecnologia Elon Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para resolver precisamente esse problema, levando internet de alta velocidade a regiões do mundo onde cabos ou fibra ótica não chegam; ou onde isso é tão caro que simplesmente não compensa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entretanto, a gama de aplicações da Starlink expandiu-se consideravelmente. O sistema passou a ser utilizado para comunicação em áreas de desastre e também por exércitos ou movimentos de protesto – por exemplo, em áreas onde a internet original foi destruída por fogo inimigo ou bloqueada por regimes ditatoriais. Como funciona a Starlink? Rede Starlink tem quase 10 mil pequenos satélites em órbita baixa La Nacion/ZUMA Press/picture alliance Essencialmente, trata-se de um sistema de internet via satélite com quase 10 mil pequenos satélites orbitando a Terra. Eles retransmitem pacotes de dados entre si por meio de feixes de laser e não exigem uma linha de visão direta e constante com uma estação terrestre que conecte o sistema de satélites à internet convencional. Ao contrário de outros satélites de internet, que orbitam a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros, os satélites Starlink estão localizados a apenas cerca de 550 quilômetros acima da superfície da Terra. Isso permite que os sinais de internet sejam transmitidos muito mais rapidamente. A latência é mantida tão baixa que permite o funcionamento até mesmo de aplicações que exigem grande quantidade de dados. Os usuários precisam apenas de um pequeno terminal receptor com uma antena controlada eletronicamente que se alinha automaticamente com os satélites que passam. Esses terminais, então, encaminham o sinal recebido para um roteador próximo, que fornece a conexão de internet dentro da rede local. Onde a Starlink já foi utilizada? Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para prover internet a zonas remotas Julia Demaree Nikhinson/AP Photo/dpa/picture alliance Ucrânia: Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se uma das ferramentas de comunicação mais importantes na zona de guerra. Os militares utilizam o Starlink para coordenar unidades, operar drones e controlar sistemas terrestres não tripulados. No setor civil, o sistema é utilizado por hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana, entre outros. Alega-se também que o Exército russo está acessando a Starlink usando terminais contrabandeados ilegalmente para o país através de países intermediários. O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que trabalha em estreita colaboração com a operadora, SpaceX, para restringir ao máximo esse uso. Sudão: Na guerra civil sudanesa, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal. Centenas de dispositivos foram contrabandeados para o país através dos Emirados Árabes Unidos, e um verdadeiro mercado negro de terminais Starlink se estabeleceu. As RSF usam esses dispositivos para comunicação e coordenação entre suas milícias, enquanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) tentam bloquear sua importação e uso. Irã: No início deste ano, protestos em todo o país eclodiram contra o regime em Teerã, que respondeu, entre outras coisas, desligando a internet. No entanto, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados para o país e revendidos no mercado ilegal. Isso permitiu que manifestantes usassem a Starlink para coordenar seus atos contra o regime, apesar da censura estatal da internet. Venezuela: A Starlink também já foi usada no passado para burlar restrições de informação e garantir acesso gratuito à internet. Durante muito tempo, o serviço só esteve disponível extraoficialmente, através da compra de kits no comércio local. Após a intervenção dos EUA e a captura de Nicolás Maduro, Elon Musk ofereceu temporariamente acesso gratuito à internet aos cidadãos do país. Usuário precisa só de um terminal receptor com antena, que encaminha o sinal a um roteador próximo Middle East Images/picture alliance Faixa de Gaza: Desde julho de 2024, a Starlink tem sido usada para fins humanitários em uma Faixa de Gaza amplamente destruída. Organizações de ajuda humanitária e um hospital de campanha podem utilizá-lo para fornecer assistência por telemedicina e coordenação logística. No entanto, o acesso generalizado para civis permanece limitado, em parte devido a preocupações de segurança por parte de Israel. Quais são as críticas à Starlink? A Starlink costuma ser a única conexão de internet em zonas de conflito. Isso confere a Elon Musk uma enorme influência. Em alguns casos, a comunicação de forças armadas inteiras ou organizações humanitárias depende de sua empresa, a SpaceX. Por exemplo, Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia. O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou a Ucrânia com o desligamento dos satélites para forçar Kiev a fazer concessões nas negociações. Há também críticas do ponto de vista ecológico. Os satélites Starlink são produzidos em massa e têm uma vida útil de apenas cerca de cinco anos. Em média, um ou dois satélites de Musk se desintegram na atmosfera terrestre todos os dias; o óxido de alumínio liberado nesse processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. Além disso, os numerosos satélites refletem a luz solar, tornando o céu noturno mais claro, o que também pode ter um impacto sobre a vida selvagem. Quem está trabalhando em alternativas? Ferramenta vital em conflitos: soldado ucraniano com receptor de Starlink Alexander Polegenko/picture alliance Apesar de todas as preocupações, alternativas já estão sendo desenvolvidas, principalmente na Europa, para quebrar o monopólio da Starlink. O maior concorrente privado da SpaceX atualmente é a Eutelsat. No entanto, seu serviço de satélite, OneWeb, com uma frota de mais de 600 satélites, é significativamente menor. Além disso, o serviço se concentra em clientes corporativos e aplicações marítimas. A Eutelsat também está envolvida no desenvolvimento da IRIS², uma ambiciosa rede de satélites de alta segurança da União Europeia. Essa rede visa tornar a Europa menos dependente da Starlink. Contudo, ela não estará operacional antes de 2029. Elon Musk também enfrenta concorrência nos EUA, principalmente de seu colega bilionário Jeff Bezos. A empresa de Bezos, a Amazon, está trabalhando intensamente em seu serviço Amazon Leo: a construção de uma rede com mais de 3 mil novos satélites em órbita baixa da Terra. A Amazon planeja estrear seu serviço comercialmente ainda neste ano – inclusive no Brasil, graças a uma parceria com a Sky. Os céus estão prestes a ficar mais congestionados , especialmente porque a China está desenvolvendo dois sistemas próprios de comunicação via satélite. O projeto estatal Guowang é voltado principalmente para uso nacional e militar e prevê a inclusão de até 13 mil satélites, enquanto o projeto Qianfan, com aproximadamente 12 mil satélites, tem uma orientação mais comercial e destina-se a atender países emergentes e em desenvolvimento. Os primeiros lançamentos em massa para ambos os projetos também estão programados para este ano.
18/10/2026 06:00:00 +00:00
Mega-Sena 3071 pode pagar R$ 170 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.071 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 170 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (11), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quarta-feira (14), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
18/10/2026 03:00:00 +00:00
Volkswagen Tera ganha motor mais forte e novo câmbio, mas vai ganhar dos chineses? O g1 testou

Volkswagen Tera na versão Comfort. divulgação / Volkswagen A Volkswagen passou a oferecer o SUV compacto Tera com o motor 200 TSI nas versões automáticas Comfort e Highline. O modelo recebeu o motor 1.0 turbo de três cilindros, que entrega 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, combinado a uma nova transmissão automática de oito marchas. Anteriormente, ambas as versões já contavam com motor 1.0 turbo, mas com 116 cv de potência e câmbio de seis marchas. Agora, as demais configurações do Tera mantêm essa motorização e são oferecidas exclusivamente com câmbio manual. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Com as mudanças mecânicas, a versão Comfort passa a custar R$ 134.790, o que representa um reajuste de R$ 1.600. Já a versão Highline ficou R$ 1.000 mais cara e agora é vendida por R$ 147.190. Com o pacote ADAS e a pintura bicolor, o Tera passa dos R$ 154 mil. O g1 testou a configuração topo de linha do Tera com o pacote Outline para descobrir se a potência extra e o novo câmbio elevam o modelo a um novo patamar, especialmente diante de concorrentes bastante interessantes na mesma faixa de preço. Volkswagen ID.4 chega ao Brasil, mas sai de linha na Europa Consumo A boa notícia é que o motor de 128 cv alterou pouco as médias de consumo de combustível do utilitário esportivo em relação à calibração anterior. O rendimento melhorou no trânsito urbano e ficou ligeiramente menor em trajetos rodoviários. Com etanol: 8,7 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada. Com gasolina: 12,2 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada. O propulsor 200 TSI, que já integra a gama de outros modelos da marca, como o T-Cross, foi ajustado para entregar torque em baixas rotações. A caixa automática de oito velocidades distribui as relações para manter o motor na faixa ideal de funcionamento em diferentes condições de rodagem. Volkswagen Tera 200 TSI divulgação/Volkswagen O desenho do veículo e a lista de equipamentos permanecem. O modelo mantém painel digital, central multimídia VW Play Connect e suporte ao aplicativo Meu VW. Na versão Comfort, o ar-condicionado é do tipo convencional. Mudou, sem mudar Ao entrar no Volkswagen Tera, a sensação é de estar diante do mesmo carro, inclusive na versão topo de linha. A marca não sinalizou visualmente as mudanças na recalibração do motor e na adoção do novo câmbio automático de oito marchas. O pacote de equipamentos e os acabamentos continuam. Com o carro ligado e em movimento, porém, é possível perceber que a Volkswagen, como já fez em outras oportunidades, conseguiu combinar bem o câmbio de oito marchas com o motor 200 TSI. As trocas são suaves e aproveitam o giro do motor na faixa mais eficiente, o que proporciona, claro, retomadas melhores do que nas versões de 116 cavalos. Nas reduções de marcha, não há trancos. Tudo funciona de maneira adequada. A direção e a suspensão também continuam bem executadas, como antes. Interior do Volkswagen Tera Divulgação / VW Pergunta errada Mas haveria algum problema, então? A Volkswagen respondeu corretamente com essas novidades. O ponto é que ela deu a resposta certa para as perguntas erradas. Ao analisar o mercado atual, é possível perceber que o Tera e os concorrentes apontados pela própria VW estão deslocados em relação ao que acontece no segmento. Segundo Herlander Zola, CEO da Stellantis para a América do Sul (dona das marcas concorrentes da VW como Fiat e Jeep), montadoras tradicionais não previram a velocidade da eletrificação e perderam espaço para as chinesas. Em outubro, por exemplo, a Hyundai já está fazendo uma promoção para o i20. Um lançamento global que chegou sem nenhuma tecnologia inédita e “brigando” com o próprio HB20. Isso sem falar nos números baixos de vendas do Renault Kardian, que tem vários prêmios, mas é pouco visto nas ruas. Volkswagen Tera 200 TSI divulgação/Volkswagen São fenômenos que estão ligados ao "efeito China", que também atinge os preços de carros seminovos, como o g1 já mostrou. A resposta da Volkswagen para o segmento foi oferecer um câmbio mais moderno e um motor 1.0 com potência adequada. O problema é que essas não parecem ser os principais anseios dos clientes. Na hora de escolher um carro entre R$ 130 mil e R$ 155 mil, o consumidor brasileiro encontra diversas opções de modelos eletrificados. Veja alguns exemplos: BYD Dolphin GS: R$ 150 mil (promoção de R$ 139.990) CAOA Chery Tiggo 5X Sport: R$ 125 mil CAOA Chery Tiggo 5X Pro: R$ 140 mil CAOA Chery Tiggo 7 Sport: R$ 142 mil CAOA Changan CS55 Prime: R$ 145 mil CAOA Changan CS55 Infinity: R$ 155 mil Chevrolet Spark EUV: R$ 152 mil (promoção de R$ 147 mil) Geely EX2: R$ 124.600 Pro / R$ 137.800 Max MG4 Urban: R$ 135 mil Comfort / R$ 145 mil Luxury / R$ 155 mil Luxury Long Range Quando a Volkswagen afirma que já trabalha na eletrificação de sua frota e promove mudanças globais em suas fábricas, incluindo demissões e uma revisão completa do portfólio, fica mais evidente o contexto em que este novo Tera foi desenvolvido. A decisão de oferecer mais força e novo câmbio para o SUV compacto parece pertencer a outro momento. Um recorte no tempo em que a Volkswagen não dimensionou, pelo menos nos mercados brasileiro, a chegada dos fabricantes chineses, com preços agressivos, ampla oferta de modelos e volume de produção. Portanto, sim, o Volkswagen Tera melhorou com o novo câmbio e a potência extra. Mas essa pode não ser a resposta que o cliente procura nessa faixa de preço. Por enquanto, o modelo ainda faz sentido como uma opção de bom custo-benefício e mantém bons números de vendas. Segundo dados da Bright Consulting, as versões Comfort e a versão High correspondem a 62% das vendas do Tera. Portanto, a atualização é importante. Resta aguardar os próximos passos da Volkswagen e observar como o mercado vai se reorganizar em 2027, com as novas tecnologias que todas as marcas prometem trazer ao Brasil. Lançado no Brasil em 2025, o Tera tornou-se o segundo SUV mais vendido do país em 2026, posicionado atrás do T-Cross. A fábrica de Taubaté (SP) alcançou o volume de 100 mil unidades produzidas do modelo em menos de um ano. No mercado internacional, o veículo tornou-se o modelo mais exportado da marca no país em 2026. Entre janeiro e julho, a fabricante enviou 21.404 unidades do SUV para 17 mercados da América Latina. Volkswagen Tera 200 TSI Comprimento: 4,15 m Largura: 1,78 m Altura: 1,48 m Entre-eixos: 2,57 m Porta-malas: 350 litros Peso: 1.169 kg Rodas: 17 polegadas Pneus: 205/55 R17 Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Discos ventilados Freios traseiros: Discos sólidos Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 1.0 turbo flex, três cilindros em linha e 12 válvulas Combustível: flex Potência: 128 cv com etanol e 116 cv com gasolina Torque: 20,4 kgfm com etanol ou gasolina Câmbio: Automático Marchas: 8 Tração: Dianteira 0 a 100 km/h: 9,2 segundos com etanol e 9,5 segundos com gasolina Velocidade máxima: 188 km/h com etanol e 185 km/h com gasolina Consumo gasolina: cidade 12,2 km/l / estrada 14,4 km/l Etanol: cidade 8,7 km/l / estrada 10,1 km/l Tanque de combustível: 49 litros
17/10/2026 08:00:00 +00:00
Você pagaria R$ 2.000 por um quilo de café? Grão de MG bate recorde em leilão no Japão

Produtor Luiz Paulo ao lado de Nara Byun, representante da empresa compradora Snow Beans Coffe Reprodução / Redes sociais Você pagaria mais de R$ 2.000 por um quilo de café? Um café produzido em Minas Gerais bateu essa marca: a saca de 60 kg foi vendida por US$ 26.456, o equivalente a R$ 134.581,67, durante o SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, evento organizado pela Associação de Cafés Especiais do Japão, em Tóquio. O valor foi o maior já alcançado por um café brasileiro em leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔍 A Alliance for Coffee Excellence reúne produtores reconhecidos como lendas do setor por cultivarem cafés de qualidade excepcional e acumularem diversos prêmios do Cup of Excellence, o "Oscar" do setor. Apenas seis países fazem parte: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua. A Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, é considerada uma referência brasileira na produção de cafés especiais e já foi premiada no "Oscar" do setor. A compra foi feita pela empresa japonesa Snow Beans Coffee durante o leilão na sexta-feira (16). Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição Para o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, o resultado do leilão é fruto de um trabalho que leva meses. Ele explica que a variedade cultivada, a geisha natural, tem grande potencial de produção e dá à bebida um sabor floral, com notas de jasmim e mamão papaia. O resultado é um café mais doce e delicado ao paladar. O cafeicultor acredita que a localização da propriedade também contribuiu para a valorização do grão. O município fica nas montanhas da Serra da Mantiqueira, região de clima ameno. O preço alcançado no leilão, de US$ 200 por libra-peso, representa uma alta de 40% em relação ao recorde brasileiro anterior, registrado em 2018. Na época, o produto foi vendido por US$ 143 por libra-peso, totalizando US$ 18,9 mil por saca de 60 kg, cerca de R$ 96,2 mil. Embora Pereira seja da quarta geração da família a trabalhar com café, o investimento em cafés especiais começou nos anos 2000. Segundo ele, o objetivo é levar o produto brasileiro para o mundo. "Eles [a família] sempre acreditaram que, realmente, o café era um produto sem fronteira", afirma. "Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo", completa. LEIA MAIS Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente
17/10/2026 08:00:00 +00:00
'Superinteligência'? Por que Trump insiste em tentar mudar o termo 'IA', usado há 70 anos

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa antes de embarcar no helicóptero Marine One rumo a Grand Island, Nebraska REUTERS/Eric Lee O atual hiperfoco de Donald Trump é... a inteligência artificial 👀. O presidente dos Estados Unidos tem insistido que quer mudar o nome da tecnologia para "superinteligência (SI)". Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, Trump afirmou que "o nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa". Disse ainda que "de agora em diante, todos os documentos dos EUA e, espero, de todo o mundo, vão utilizar o nome Superinteligência". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Antes de decidir por "Superinteligência", Trump chegou a abrir uma enquete em sua rede social, a Truth Social, com as opções "Inteligência Superior (IS)", "Inteligência Extrema (IE)" e "Inteligência Suprema (IS)", traduzidas para o português. Dois dias depois, ele fez uma nova enquete, desta vez com "Superinteligência" e "Inteligência Superior". Em nenhuma das postagens, ele explicou como a alteração seria feita ou se o mercado de tecnologia concordava com a mudança. E tem mais: em seguida, Trump causou polêmica ao afirmar que passaria a tratar como "inimigo" quem usasse o termo "inteligência artificial" em vez de "Superinteligência". Agora no g1 O que Trump quer? Quem não acompanha tecnologia talvez tenha ouvido falar de IA apenas recentemente, sobretudo com o surgimento do ChatGPT. Mas o conceito existe há mais de 70 anos e a tecnologia está presente no dia a dia há muito tempo, após passar por grandes transformações nas últimas décadas. (entenda mais abaixo) Por isso, mudar o nome da IA não é tão simples quanto parece. Segundo Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA, o próprio conceito de inteligência ainda não tem uma definição precisa, tanto nas ciências biológicas e naturais quanto no campo da tecnologia. "O que chamamos hoje de inteligência artificial está relacionado à capacidade das máquinas de realizar tarefas que associamos à inteligência humana", afirma Soares, que também é fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG). "O objetivo de mudar o nome me parece muito mais um contragolpe na questão de paralisar o desenvolvimento da IA. Parece mais um ato político do que efetivamente algo construtivo e que contribua para o que está acontecendo em termos de desenvolvimento", completa. ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em IA, chama a atenção para o discurso de Trump na ONU. "Primeiro, ele disse 'bem-vindos ao novo mundo da superinteligência' e completou com 'vamos ver se isso vai dar certo'. Isso revela uma jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático", disse. Para o professor e pesquisador Allan Pscheidt, a proposta de Trump também não parece ser uma mudança na definição científica ou técnica da tecnologia, mas uma demonstração de poder e soberania dos EUA no cenário internacional de IA. "A gente está vivendo algo parecido com o que aconteceu na corrida para a Lua e na corrida espacial. Estamos passando agora para a corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral)", diz Pscheidt. "Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo 'superinteligência', ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve e que, com isso, vão mostrar sua soberania tecnológica", afirma. 🔎 AGI (sigla em inglês para "Inteligência Artificial Geral") é o termo usado para descrever uma IA capaz de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao dos humanos. Allan ressalta que, até o momento, não há comprovação científica de que já exista uma superinteligência. O presidente dos EUA, Donald Trump (no centro), durante reunião na Casa Branca com líderes de empresas de IA, como Meta, Nvidia, Google e xAI, em 29 de setembro de 2026. Jonathan Ernst/ Reuters Cleber Zanchettin, da UFPE, alerta que, como grande parte da população ainda tem pouco conhecimento sobre tecnologia, produtos com o rótulo de IA já enfrentam certa rejeição ou medo no mercado. "Introduzir um termo como 'superinteligência' ou 'inteligência suprema' pode soar como uma ameaça aos humanos e aumentar a rejeição do público", explica Zanchettin. "Poucos países e populações abraçaram a tecnologia de fato, e a maioria das pessoas ainda está tentando entender o que é a IA básica e como ela funciona". Mais da metade dos brasileiros (52%) diz estar mais preocupada do que animada com o avanço da inteligência artificial, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center. Nos EUA, a percepção é semelhante: cerca de nove em cada 10 americanos dizem estar mais preocupados do que animados com a possibilidade de a IA um dia superar a inteligência humana, segundo uma pesquisa da CNN divulgada em setembro. De onde surgiu o termo IA? Um caderno manuscrito de 56 páginas que pertenceu ao pioneiro da computação Alan Turing é leiloado em Nova York REUTERS/Bobby Yip O termo IA nasceu do trabalho de pesquisadores de diferentes áreas, como engenharia, matemática e estatística. Eles buscavam entender como criar máquinas capazes de demonstrar alguma forma de raciocínio e inteligência semelhante à dos seres humanos, explicou Zanchettin. O nome foi definido formalmente em meados de 1955, nos Estados Unidos, e surgiu do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, explicou o professor. "Eles precisavam de uma nomenclatura para pesquisas que misturavam matemática, engenharia e estatística para criar máquinas capazes de exibir raciocínio, algo que não se enquadrava no software tradicional da época", disse Zanchettin. Mas as pesquisas sobre máquinas capazes de pensar começaram antes disso. Entre as décadas de 1940 e 1950, o matemático e cientista da computação Alan Turing já estudava essa possibilidade, explica o pesquisador Allan Pscheidt. Na mesma época, em 1948, o matemático Norbert Wiener criou o termo "cibernética" para estudar sistemas capazes de usar informações sobre suas próprias ações para ajustar seu funcionamento. Segundo Pscheidt, foi nesse contexto que John McCarthy criou a expressão "inteligência artificial", em 1955. A escolha também buscava diferenciar esse campo de pesquisa da cibernética, com foco no raciocínio e na autonomia das máquinas. Com o avanço e a popularização da tecnologia, a IA passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, em recursos como reconhecimento facial de bancos, carros semiautônomos, drones, alto-falantes inteligentes e câmeras de celulares. Mais recentemente, a partir de 2017, ganhou força a IA generativa, que deu origem a ferramentas como o ChatGPT e é capaz de criar textos, imagens, vídeos e músicas. No fim, para Anderson Soares, "as ondas tecnológicas costumam passar por fases relativamente previsíveis: primeiro provocam medo e desconfiança; depois vêm a aceitação e o encantamento; e, com o tempo, a tecnologia passa a ser compreendida e deixa de parecer algo extraordinário". Óculos inteligentes são proibidos na cabine de votação
17/10/2026 07:00:00 +00:00
Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato

Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China  Como mostrou o g1 nesta semana, a China está produzindo mais carne e laticínios do que consegue consumir, e o excedente está sendo exportado. Com preços mais baixos e investimentos em tecnologia, empresas chinesas avançam sobre mercados tradicionalmente abastecidos por países como o Brasil. O movimento é resultado de uma mudança no consumo interno e de uma estratégia do governo chinês para ampliar a segurança alimentar. Nos últimos anos, o país incentivou a expansão da produção agropecuária, mas a demanda doméstica perdeu força, criando um excesso de oferta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dados alfandegários mostrados pela agência Reuters mostram agora que a China exportou US$ 2,6 bilhões em produtos de frango em 2025, quase o dobro do valor registrado em 2020. No ano passado, o país também se tornou exportador líquido de carne de frango, ou seja, passou a exportar mais do que importar o produto. China produz mais, mas consumo mudou Durante décadas, a carne suína foi a principal proteína da dieta chinesa. Houve uma redução do consumo de porco, especialmente entre moradores de áreas urbanas, que passaram a dar mais espaço a outras opções, como o frango. O consumo per capita de carne suína caiu 13% desde o pico registrado em 2023, segundo dados oficiais e informações da imprensa estatal chinesa. Na direção contrária, o consumo de frango por pessoa aumentou mais de 50% na década encerrada em 2024. Mesmo com a mudança nos hábitos alimentares e a desaceleração da economia, a produção continuou crescendo. Em 2025, a China produziu um recorde de 59 milhões de toneladas de carne suína, enquanto a produção de aves avançou 7%. Frango chinês chega a custar até 20% menos que o brasileiro Com a oferta elevada, os produtores chineses passaram a buscar compradores no exterior. A vantagem de preço tem ajudado as empresas a conquistar clientes em mercados antes abastecidos por exportadores tradicionais. Segundo Ezequiel Pires, presidente da comerciante internacional de carnes Branexx, cortes chineses de peito e coxa de frango custam de 10% a 20% menos que os produtos brasileiros. A empresa começou a comprar aves da China em março, depois que clientes africanos procuraram alternativas mais baratas às importações do Brasil. Na Tailândia, um dos principais concorrentes da China no setor, a expansão das vendas chinesas também preocupa. Representantes da indústria local afirmam que compradores têm usado os preços chineses como referência para negociar com outros fornecedores. Exportações chinesas avançam em mercados tradicionais A expansão já aparece nos dados de comércio internacional. A participação da China no mercado de produtos de aves processadas da União Europeia dobrou desde 2022, chegando a 10%. No Reino Unido, a fatia chinesa triplicou e superou 14%, segundo dados da consultoria Gira citados pela Reuters. O avanço aumenta a concorrência para produtores europeus e asiáticos e pode pressionar exportadores brasileiros que disputam os mesmos compradores internacionais. Além do frango, as empresas chinesas também ampliam as vendas de laticínios. As exportações desses produtos devem alcançar US$ 600 milhões em 2026, o dobro do valor registrado três anos antes, segundo dados citados pela Reuters. Subsídios e produção em larga escala ajudam a reduzir custos A expansão da produção chinesa foi estimulada por políticas de segurança alimentar e incentivos a grandes empresas agropecuárias. O objetivo era aumentar a oferta interna e recuperar rebanhos após crises sanitárias, como o surto de peste suína africana de 2018. Entre 2022 e 2024, os subsídios representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas chineses, quase três vezes o nível registrado no início dos anos 2000, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na avicultura, empresas também investiram em instalações maiores e em processos mais eficientes. Uma das companhias ouvidas pela Reuters, a Wintop Food, aumentou de 20 mil para 120 mil o número de frangos alojados em cada galpão ao longo de uma década. Preço baixo ainda precisa superar desconfiança sobre qualidade Apesar do avanço comercial, a indústria chinesa ainda enfrenta dúvidas relacionadas ao histórico de escândalos de segurança alimentar no país. Para consolidar as exportações, os produtores precisam demonstrar que seus produtos atendem aos padrões sanitários e mantêm qualidade e rastreabilidade consistentes. Na União Europeia, os alimentos importados devem cumprir as mesmas exigências sanitárias e de segurança aplicadas aos produtos locais. O bloco também planeja reforçar a identificação da origem dos alimentos, começando por produtos de aves em 2027. Para os compradores internacionais, porém, o preço continua sendo um fator decisivo. A combinação de produção em larga escala, oferta excedente e custos competitivos pode ampliar a presença chinesa no comércio global de proteínas e aumentar a disputa com exportadores tradicionais, como o Brasil. * Com informações da agência Reuters. Galinhas em granja em Taquari (RS) Reuters
17/10/2026 07:00:00 +00:00
Starlink tem uma 'irmã militar' controlada pelos EUA; entenda o que é a Starshield

Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Ucrânia, em fevereiro de 2024. Inna Varenytsia/ Reuters A queixa da Ucrânia de que a SpaceX, de Elon Musk, teria restringido os serviços Starlink de "nível militar" voltou a chamar a atenção para as diferenças entre o Starlink, serviço comercial de internet via satélite da empresa, e o Starshield, versão militar desenvolvida para o Pentágono. "Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos", escreveu Musk nesta quarta-feira (14/10) numa postagem no X, acrescentando que quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares ou pelo presidente dos EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já "o Starlink é um serviço comercial pertencente e controlado pela SpaceX. Seu uso está limitado a atividades civis ou defensivas e não pode ser empregado em ações militares ofensivas, pois isso seria inadequado para uma empresa comercial". Starlink e Starshield não são sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa: O Starlink é o serviço civil de internet administrado pela própria SpaceX. O Starshield é a versão governamental e conta com alguns satélites próprios para reconhecimento e comunicação militar, além de oferecer criptografia mais robusta. Agora no g1 Ambos, porém, operam com a mesma tecnologia e, em parte, utilizam os mesmos satélites. O que é o Starlink? Principal fonte de lucro da SpaceX, o Starlink é um serviço que utiliza satélites em órbita baixa da Terra para fornecer acesso à internet, principalmente em áreas remotas. Trata-se de uma rede composta por mais de 11 mil satélites que fornecem internet de alta velocidade diretamente aos equipamentos dos usuários. Seus cerca de 13 milhões de assinantes incluem moradores, excursionistas, empresas de navegação e grandes companhias aéreas. Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink, em 2019, a bordo dos foguetes reutilizáveis da SpaceX, a empresa formou uma vasta rede em órbita baixa que cobre grande parte do planeta. O sistema oferece conexões mais rápidas do que as fornecidas por satélites de comunicação tradicionais, que normalmente ficam muito mais distantes da Terra e existem em número bem menor. A internet via satélite é relativamente fácil de usar, e a velocidade da conexão chama a atenção. Os satélites do Starlink orbitam a Terra entre 328 e 614 quilômetros de altitude, uma distância significativamente menor do que a dos satélites dos concorrentes. O que é o Starshield? Starshield é a unidade de negócios da SpaceX que desenvolve sistemas de satélites para uso militar e de inteligência por governos e forças armadas. Seus principais clientes são órgãos dos EUA, como o Departamento de Defesa (Pentágono), a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO), responsável pelos satélites de reconhecimento do país. Equipamento da Starlink, empresa de Elon Musk, exposta na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 Os serviços de comunicação segura do Starshield utilizam sistemas avançados de proteção de dados e equipamentos próprios, mas têm como base os satélites do Starlink. Além disso, a empresa afirma que o sistema militar permite observar a Terra e incorporar sensores ou outros equipamentos aos satélites. O principal cliente é o Pentágono, que gastou bilhões de dólares em serviços do Starlink e do Starshield. Também adquiriu satélites Starshield, incluindo equipamentos de comunicação destinados a detectar antecipadamente possíveis ataques com mísseis, além de uma rede de satélites de espionagem para o NRO, segundo informou a Reuters em 2024. Mesmo hardware, usos diferentes O sistema Starshield utiliza a rede Starlink para transmitir dados e também conta com satélites próprios. As informações do Starshield podem passar pelos satélites convencionais da Starlink, mas recebem uma camada adicional de criptografia e são mantidas separadas dos dados dos usuários civis. Para missões de reconhecimento e comunicação militar, há satélites Starshield exclusivos, que não podem ser acessados por clientes civis. Em solo, o sistema também conta com equipamentos próprios para conexão via satélite. No entanto, terminais Starlink podem ser adaptados para uso do Starshield, como ocorreu na Ucrânia. Dúvidas sobre a relação entre Starlink e Starshield persistem desde que a Rússia ameaçou, em 2022, satélites ocidentais usados no apoio à Ucrânia. A SpaceX apresentou o Starshield no final daquele ano, mas o sigilo em torno de programas espaciais ligados à segurança nacional dos EUA tornou difícil determinar com precisão onde termina um sistema e começa o outro. Essas diferenças tornaram-se motivo de disputa no início deste ano, quando Pentágono e SpaceX entraram em conflito por causa dos preços mais altos dos serviços de satélite utilizados por drones militares durante o conflito com o Irã, segundo a Reuters. A SpaceX argumentou que alguns clientes, que pagavam cerca de 5 mil dólares por um terminal Starlink, deveriam utilizar o Starshield, a um custo de aproximadamente 25 mil dólares por terminal. Starlink na Ucrânia Em 24 de fevereiro de 2022, logo no início da invasão russa, um ataque cibernético atribuído à Rússia tirou do ar a rede de satélites KA-SAT, operada pela empresa americana Viasat. Com isso, as Forças Armadas ucranianas perderam um importante canal de comunicação. A ajuda aos ucranianos veio do espaço: dias depois, o então ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu a Musk, pelo Twitter (hoje X), que liberasse o serviço da Starlink no país. Musk respondeu pela mesma rede social: “O serviço Starlink está agora ativo, mais terminais estão a caminho”. Os serviços oferecidos pela SpaceX acabaram se tornando a espinha dorsal das comunicações da Ucrânia na linha de frente. Os terminais de internet via satélite da empresa de Musk são essenciais para orientar ataques com drones ucranianos de longo alcance nas regiões do sul e do leste do país ocupadas pela Rússia. Essas operações têm causado sérios danos à logística russa. A Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink de seus parceiros. A maioria deles, 29.500, é custeada pela Polônia, que paga cerca de 50 milhões de dólares por ano pelas assinaturas do serviço, segundo o ministro do Exterior, Radoslaw Sikorski. Nas regiões do leste da Ucrânia, onde boa parte da infraestrutura foi destruída, a Starlink é o principal meio de acesso à internet para civis e militares. Além disso, em 2023, os Estados Unidos, por meio do US European Command, financiaram 500 terminais Starshield por aproximadamente 40 milhões de dólares. Em agosto de 2024, um novo contrato do Space Systems Command ampliou o acesso ao Starshield para 2.500 terminais Starlink que já estavam em uso no país. Isso ajuda a explicar a confusão entre Starlink e Starshield nas declarações das autoridades ucranianas. Muitas vezes, o equipamento visível no campo de batalha é a antena plana da Starlink. A conexão, porém, pode estar vinculada a outro contrato, com um nível diferente de proteção dos dados e regras próprias. Os soldados continuam chamando o sistema de Starlink, embora, nesses casos, o serviço seja o Starshield.
17/10/2026 06:00:00 +00:00
Escala 6x1 acabou. E agora? Veja perguntas e respostas para entender tudo sobre mudança

Alcolumbre promulga PEC do fim da escala 6x1 O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de repouso remunerado por semana. A medida também reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. É a primeira redução geral da jornada de trabalho no país em 38 anos. A última havia ocorrido na Constituição de 1988, quando o limite semanal caiu de 48 para 44 horas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O caminho até a aprovação passou por propostas apresentadas no Congresso ao longo da última década, ganhou força com a mobilização de trabalhadores nas redes sociais e acabou se transformando em uma das pautas mais debatidas do país durante as eleições de 2026. Mas, apesar da ampla repercussão, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que realmente muda na prática, quem será beneficiado, quando as novas regras passam a valer e se esse direito poderá ser alterado no futuro. Para ajudar, o g1 reuniu abaixo os principais pontos que todo trabalhador precisa saber sobre o fim da escala 6x1. O que muda e quando muda? Quem fica fora das novas regras? Novo direito é permanente ou pode ser revertido? Como foi a votação? Quem foi contra a PEC? Quem é o autor da PEC? O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988? Como começou o movimento pelo fim da escala 6x1? Mudança da escala 6x1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso Tânia Rêgo/Agência Brasil O que muda e quando muda? A mudança aprovada pelo Congresso altera dois pontos centrais da jornada de trabalho prevista na Constituição Federal: reduz o limite máximo de horas que podem ser exigidas por semana e amplia o período mínimo de descanso garantido aos trabalhadores. Hoje, o limite constitucional é de 44 horas semanais. O texto também garante dois dias de descanso remunerado por semana e determina preferência para que um deles seja concedido aos domingos. 📅 As folgas, porém, não precisam ocorrer no fim de semana nem ser consecutivas. A nova regra determina apenas que o trabalhador tenha dois períodos de descanso de 24 horas cada, que podem ser concedidos em dias intercalados, como terça e quinta-feira. A mudança elimina a possibilidade de adoção da escala 6x1 como modelo regular de jornada. Ao mesmo tempo, preserva o limite máximo de oito horas diárias de trabalho e não altera outros direitos já assegurados pela legislação trabalhista. Com a aprovação em dois turnos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, a proposta deixa de ser uma PEC e passa a integrar oficialmente a Constituição como uma Emenda Constitucional. A diferença é importante: enquanto projetos de lei precisam da sanção do presidente da República para entrarem em vigor, as emendas constitucionais são promulgadas pela própria Mesa do Congresso Nacional após a aprovação pelos parlamentares. Mesmo assim, existe um intervalo entre a promulgação e a aplicação das novas regras. É que a emenda prevê uma implementação gradual para permitir a adaptação de empresas e trabalhadores. Primeira etapa Início em 16 de dezembro de 2026; redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais; garantia de dois dias de descanso remunerado por semana Segunda etapa Início em 16 de dezembro de 2027; redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais. Na prática, a implementação completa ocorreria cerca de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional. Quem fica fora das novas regras? O impacto mais imediato será sentido pelos cerca de 14,8 milhões de brasileiros que atualmente trabalham na escala 6x1. Mas os efeitos da mudança vão além. Quem já trabalha de segunda a sexta-feira também poderá ser beneficiado. Hoje, muitos empregados cumprem jornadas de oito horas e 48 minutos por dia para completar as 44 horas semanais e compensar o descanso de sábado. Com a redução gradual do limite constitucional para 40 horas, essas jornadas também deverão diminuir, sem redução salarial. A nova regra alcança a maior parte dos trabalhadores regidos pela CLT, incluindo empregados da iniciativa privada e terceirizados. No caso dos terceirizados que prestam serviços para órgãos públicos, a adequação dependerá inicialmente de ajustes contratuais entre as empresas e os órgãos contratantes. ⚠️ Apesar do alcance amplo, a emenda prevê algumas situações específicas. Abaixo, veja quem fica fora ou terá regras diferenciadas: Profissionais de alta renda ("hipersuficientes"): trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente acima de R$ 21,1 mil por mês, não ficam sujeitos obrigatoriamente ao novo limite semanal de 40 horas nem ao controle formal de jornada. O direito aos dois dias de descanso, porém, continua garantido. Serviços essenciais: hospitais, serviços de emergência, segurança pública, transporte coletivo, limpeza urbana e outras atividades que funcionam de forma contínua poderão manter escalas diferenciadas, como a jornada 12x36, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de descanso previstos na legislação e nos acordos coletivos. Profissionais PJ e autônomos: como não possuem vínculo formal de emprego, não passam a ser alcançados diretamente pelas novas regras da CLT. Nesses casos, continuam valendo as condições previstas nos contratos firmados entre as partes. Categorias que já possuem jornada menor: bancários, operadores de telemarketing e outros profissionais que já contam com jornadas inferiores a 40 horas semanais não terão uma nova redução automática da carga horária nem direito a um terceiro dia de folga. Microempreendedores Individuais (MEIs): a emenda não altera automaticamente a rotina de quem trabalha como MEI. Porém, se o microempreendedor tiver funcionário contratado com carteira assinada, deverá cumprir integralmente as novas regras em relação a esse empregado. Além disso, o texto prevê a criação de uma futura lei complementar para estabelecer regras de transição específicas para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, com o objetivo de reduzir impactos e preservar empregos. A aprovação da emenda também não acaba com as horas extras nem com o banco de horas. Ambos continuam existindo normalmente e poderão ser utilizados dentro das regras já previstas na legislação trabalhista. Na prática, a nova regra passa a valer para a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada, mas preserva regimes especiais já existentes e estabelece tratamentos específicos para algumas categorias e formas de contratação. Novo direito é permanente ou pode ser revertido? Do ponto de vista jurídico, a mudança passa a ter uma proteção muito maior do que uma lei comum. Isso acontece porque a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso semanal foram incorporadas diretamente ao artigo 7º da Constituição Federal, que reúne os principais direitos dos trabalhadores brasileiros. A nova regra passa a ocupar o mesmo nível constitucional de garantias históricas como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e licença-maternidade. Por isso, nenhuma lei aprovada pelo Congresso nem uma eventual mudança de governo poderão simplesmente derrubar o novo direito. Para que isso aconteça, seria necessário alterar novamente a própria Constituição. Em outras palavras, qualquer tentativa de reduzir o número de folgas, aumentar a jornada máxima ou modificar as novas garantias exigiria a apresentação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), repetindo praticamente todo o processo legislativo enfrentado pela proposta agora aprovada. E esse não é um caminho simples. Uma PEC só pode ser aprovada com o apoio de três quintos dos parlamentares em cada uma das duas Casas do Congresso Nacional, em dois turnos de votação. Por isso, especialistas consideram que uma eventual reversão da medida enfrentaria dificuldades políticas consideráveis, especialmente após a incorporação do novo direito ao texto constitucional. Isso não significa, porém, que o debate esteja encerrado. Mesmo antes da promulgação da emenda, parlamentares da oposição e parte do setor empresarial já defendiam modelos alternativos para a organização das jornadas de trabalho. A principal iniciativa nesse sentido é a chamada PEC da Jornada Flexível (PEC 12/2026), apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) após o avanço da proposta principal no Congresso. A ideia é criar um sistema baseado nas horas efetivamente trabalhadas, permitindo que empresas e trabalhadores optem por contratos mais flexíveis. Nesse modelo, o pagamento passaria a ser calculado de forma proporcional às horas trabalhadas. Benefícios como férias, 13º salário e FGTS também poderiam ser pagos proporcionalmente, seguindo uma lógica diferente daquela adotada pela CLT tradicional. A proposta também prevê maior peso para os contratos individuais de trabalho, reduzindo a influência de acordos e convenções coletivas. Lideranças do PL já declararam publicamente que pretendem retomar a discussão da PEC 12/2026 a partir de 2027. A intenção é oferecer uma alternativa ao modelo recém-incorporado à Constituição, permitindo jornadas menores acompanhadas de remuneração proporcional ao tempo efetivamente trabalhado. Por enquanto, porém, a única mudança aprovada e incorporada à Constituição é a que extingue a escala 6x1 como modelo regular de jornada. Como foi a votação? Embora o fim da escala 6x1 tenha se transformado em uma das pautas mais populares do debate público nos últimos anos, a aprovação da proposta não aconteceu sem resistência. Ao longo da tramitação, parlamentares apresentaram 37 emendas para alterar pontos centrais do texto, defenderam uma transição mais longa e tentaram adiar a votação para depois das eleições. A proximidade das eleições e pesquisas apontando cerca de 70% de apoio popular à redução da jornada, no entanto, acabaram aumentando a pressão sobre parlamentares de diferentes partidos. O movimento se tornou ainda mais visível quando lideranças que inicialmente faziam críticas à proposta passaram a adotar um discurso mais favorável ou menos contundente. Foi o caso do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que havia se manifestado contra a PEC e defendido modelos alternativos de contratação, mas declarou voto favorável na reta final da tramitação e liberou a bancada do partido para votar como entendesse. Foi nesse cenário que a PEC começou a avançar com ampla maioria no Congresso. No plenário, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários, no primeiro turno. No segundo turno, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra, números muito acima dos 308 votos necessários para alterar a Constituição. Os votos contrários ficaram concentrados principalmente em parlamentares do PL, Novo, MDB, União Brasil, PSD, PP e Missão. Já a base governista apoiou integralmente a proposta. Todos os 65 deputados do PT votaram favoravelmente nas duas votações. Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para o Senado. A tramitação foi mais rápida. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e rejeitou as emendas que buscavam modificar o conteúdo da proposta. Com acordo entre as lideranças para acelerar o processo, os dois turnos de votação aconteceram na mesma sessão. A PEC foi aprovada por 75 votos favoráveis e apenas um contrário nos dois turnos. O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Já o senador Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não votou em nenhuma das duas votações. Como os senadores aprovaram exatamente o mesmo texto enviado pela Câmara, sem alterações de mérito, a proposta não precisou voltar para análise dos deputados e seguiu diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional. Quem foi contra a PEC? Além de parlamentares - conforme explicado acima - a emenda enfrenta resistência de parte do setor empresarial e de parlamentares que defendem um modelo mais flexível de negociação entre empresas e empregados. Os críticos da medida não costumam questionar apenas o fim da escala 6x1. A principal divergência está na forma escolhida para promover essa mudança. Para esse grupo, questões relacionadas à jornada de trabalho deveriam ser negociadas entre empregadores e trabalhadores por meio de acordos coletivos ou contratos específicos, em vez de serem definidas diretamente pela Constituição Federal. O argumento é que diferentes setores da economia possuem realidades distintas e, por isso, precisariam de maior flexibilidade para organizar escalas e horários. Outra preocupação recorrente diz respeito ao impacto financeiro da medida, especialmente para pequenos negócios. Durante a tramitação da PEC na Câmara dos Deputados, representantes de diversos setores empresariais afirmaram que a redução da jornada sem redução salarial tende a elevar os custos das empresas. Foi justamente por causa dessas preocupações que o texto aprovado previu a criação de uma futura lei complementar com regras específicas de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte. Entidades empresariais também divulgaram estudos alertando para possíveis efeitos econômicos da mudança. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das indústrias brasileiras acreditam que a medida pode reduzir a competitividade das empresas e 68% avaliam que ela poderá provocar queda na produtividade. A entidade estima ainda que a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. No setor de bares e restaurantes, a preocupação é semelhante. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calcula que estabelecimentos que funcionam seis dias por semana poderão registrar aumento próximo de 20% nos custos operacionais. Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma que a redução da jornada pode afetar a competitividade das empresas brasileiras e trazer impactos negativos para a geração de empregos formais. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), por sua vez, declarou que cumprirá as novas regras, mas alertou para possíveis reflexos sobre a produção, a oferta de alguns produtos e os custos repassados ao consumidor. Quem é o autor da PEC? Embora o fim da escala 6x1 tenha ganhado força nos últimos anos, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é bem mais antiga e atravessa diferentes governos, partidos e legislaturas. Uma das primeiras propostas a tratar do tema no Congresso foi apresentada em 2015 pelo senador Paulo Paim (PT-RS). A PEC defendia a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas e também previa a ampliação do período de descanso dos trabalhadores. Anos depois, a pauta voltou ao centro do debate com a apresentação da PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto propunha uma redução ainda mais ampla da jornada, de 44 para 36 horas semanais, ao longo de uma década. Mais recentemente, a discussão ganhou novo fôlego com a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta ficou conhecida por defender uma semana de trabalho de quatro dias, modelo que passou a ser chamado de escala 4x3. Em paralelo à tramitação dessas propostas, o próprio governo federal passou a defender uma redução mais moderada da jornada. Em 2026, apresentou um projeto com a previsão de diminuir o limite constitucional de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de descanso sem redução salarial. Assim eram, inicialmente, as propostas: Ad PECs e PL que propõe o fim da escala 6x1 g1 Ao longo da tramitação na Câmara dos Deputados, essas diferentes iniciativas acabaram convergindo. Coube ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA), escolhido relator da matéria, unir as propostas em um único texto. Em vez da redução para 36 horas prevista em algumas PECs ou da adoção imediata da semana de quatro dias, o parlamentar optou por uma solução intermediária: a redução gradual da jornada para 40 horas semanais, acompanhada de um período de transição para permitir a adaptação das empresas. A proposta recebeu apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e avançou com ampla maioria entre os deputados. No Senado, a relatoria ficou com Omar Aziz (PSD-AM). Ao analisar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador apresentou parecer favorável e defendeu a manutenção integral do texto aprovado pela Câmara. Ou seja, a emenda promulgada nesta sexta-feira é resultado da combinação de diversas iniciativas que foram apresentadas ao longo da última década. O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988? A nova regra encerra um intervalo de quase quatro décadas sem mudanças no limite máximo da jornada de trabalho no país. A última redução geral havia ocorrido em 1988, durante a elaboração da Constituição Federal. Naquele momento, os constituintes diminuíram a jornada semanal de 48 para 44 horas e ampliaram uma série de direitos dos trabalhadores. Agora, 38 anos depois, o Brasil volta a alterar uma das regras mais importantes das relações de trabalho ao reduzir gradualmente o limite semanal para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado. A mudança coloca a nova emenda ao lado de marcos históricos da legislação trabalhista brasileira, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do descanso semanal remunerado, do 13º salário e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ao longo das últimas décadas, diversos direitos foram incorporados à legislação. Entre eles estão a jornada de oito horas diárias, as férias remuneradas, o repouso semanal, a licença-maternidade, o seguro-desemprego, o FGTS e a própria redução da jornada promovida pela Constituição de 1988. A discussão sobre diminuir novamente o tempo de trabalho, porém, permaneceu no Congresso por anos sem avanços concretos. Uma das razões é que o tema envolve um equilíbrio delicado entre os interesses de trabalhadores e empregadores. Enquanto defensores da medida argumentam que jornadas menores aumentam a qualidade de vida e ampliam o tempo para estudo, lazer e convivência familiar, empresários costumam alertar para possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos. Por isso, a aprovação da emenda é vista como uma das mais relevantes mudanças trabalhistas desde a promulgação da Constituição de 1988. Para especialistas, a mudança também recoloca no centro do debate uma questão que acompanha a história do trabalho em diversos países: como equilibrar produtividade, desenvolvimento econômico e qualidade de vida dos trabalhadores. Como começou o movimento pelo fim da escala 6x1? Diferentemente de outras reivindicações trabalhistas históricas, a campanha pelo fim da escala 6x1 não nasceu dentro de sindicatos, centrais sindicais ou partidos políticos. Ela surgiu de forma espontânea na internet e cresceu impulsionada pelo engajamento de milhões de trabalhadores que passaram a compartilhar experiências semelhantes. O ponto de partida foi um vídeo publicado em setembro de 2023 pelo balconista de farmácia Rick Azevedo. Em um desabafo gravado após mais uma rotina exaustiva de trabalho, ele relatava as dificuldades de conciliar a vida pessoal com uma escala que exige seis dias de trabalho para apenas um de descanso. No vídeo, Rick chegou a perguntar quando a classe trabalhadora se mobilizaria contra a escala 6x1. Em poucos dias, milhares de pessoas passaram a compartilhar relatos semelhantes. Trabalhadores de diferentes regiões do país relataram dificuldades para acompanhar o crescimento dos filhos, fazer cursos de qualificação, frequentar consultas médicas ou até realizar tarefas básicas do dia a dia por causa da falta de tempo livre. A discussão ganhou força principalmente entre jovens trabalhadores do comércio e de setores de serviços, mas logo ultrapassou esse universo. Nos anos seguintes, parlamentares passaram a incorporar a discussão em propostas legislativas e o tema chegou definitivamente ao Congresso. O avanço da PEC coincidiu com um momento em que a discussão sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ganhava cada vez mais espaço no debate público. Impulsionado pela visibilidade conquistada com a campanha, Azevedo ingressou na política, foi eleito vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
17/10/2026 03:00:04 +00:00
Petróleo dispara e Brent chega a US$ 110 pela 1ª vez desde maio; veja o que pressiona os preços

Miriam Leitão: Petróleo impacta crescimento global da economia O petróleo Brent atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, diante do temor de que o aumento das tensões no Oriente Médio restrinja ainda mais a oferta global. Os investidores também avaliaram quanto diesel a Rússia conseguirá fornecer ao mercado internacional. Os contratos futuros do Brent, referência internacional para os preços do petróleo, fecharam nesta sexta-feira (16) em alta de US$ 3,94, ou 3,7%, a US$ 109,86 por barril, o maior valor desde 19 de maio. Já os contratos do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiram US$ 3,44, ou 3,5%, e encerraram o dia a US$ 101,41 por barril, no maior patamar desde 17 de setembro. Na semana, até o momento, o Brent acumula alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou 10,4%. Segundo a consultoria Energy Aspects, consultada pela Reuters, os preços voltaram a subir após uma queda anterior, em meio ao temor de uma escalada do conflito e a relatos de possíveis ataques à infraestrutura de energia da Arábia Saudita. Relatos da imprensa israelense indicaram que o Irã poderia estar preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais identificarem movimentações militares incomuns. Embora não tenham sido confirmadas, essas informações reforçaram a preocupação com novos confrontos e possíveis interrupções no fornecimento de petróleo, segundo a consultoria. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho. 🔎 O porto é estratégico para o país porque permite escoar petróleo para o mercado internacional por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, passagem marítima importante para o transporte global da commodity. De acordo com a consultoria Rapidan Energy Group, também ouvida pela Reuters, as primeiras informações indicavam que não houve danos à infraestrutura de Yanbu. Ataques a refinarias na Rússia A oferta de combustíveis também é motivo de preocupação por causa dos ataques ucranianos a instalações de petróleo russas. Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria na Rússia, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciou que Kiev abandonaria a trégua que abrangia instalações de energia. O cessar-fogo havia sido anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelenskiy também criticou a disposição de Trump de negociar acordos com Moscou. Zelensky critica acordo entre Trump e Putin sobre diesel russo: 'Investimento na guerra' A refinaria de Ryazan, na Rússia, interrompeu as operações em uma unidade de destilação primária de petróleo após um ataque com drones na região, na quinta-feira, segundo duas fontes do setor ouvidas pela Reuters. A destilação primária é uma etapa inicial do refino em que o petróleo é aquecido e separado em diferentes componentes, que podem ser usados na produção de combustíveis, como diesel e gasolina. Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, entrevistado pela Reuters, a combinação das tensões no Oriente Médio com as dúvidas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem incentivado os investidores a comprar petróleo. Na tentativa de ampliar a oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou, na quinta-feira, em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado. Os Estados Unidos também abriram, na sexta-feira (16), uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país, segundo o Departamento de Energia americano. A reserva é um estoque mantido pelo governo para ajudar a enfrentar situações de interrupção no abastecimento. petróleo REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
16/10/2026 20:14:17 +00:00
Fim da escala 6x1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana foi promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16). O ato marca o início do período de transição até a entrada em vigor das novas regras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As novas regras não entram em vigor imediatamente. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as mudanças começarão a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição) A partir desse prazo, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado. A proposta também prevê a possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que seja assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A PEC estabelece ainda a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. No primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima será reduzida para 40 horas. Com a promulgação da PEC na manhã desta sexta-feira (16), o texto foi aprovado pelo Senado Federal sem alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados. Por isso, não precisou retornar aos deputados e seguiu diretamente para a promulgação. Após a promulgação, a emenda foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A partir da publicação, começam a contar os prazos de transição. Considerando a publicação em 16 de outubro de 2026, o cronograma previsto é: 16 de dezembro de 2026: início das novas regras, com jornada máxima de 42 horas semanais e dois dias de descanso remunerado por semana. 16 de dezembro de 2027: redução da jornada máxima para 40 horas semanais, ao fim do período de transição previsto. Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6x1. O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Quando começam os dois dias de folga? Como será a transição de 44 para 40 horas? A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Será necessária negociação coletiva? Como ficam horas extras e banco de horas? O que acontece com categorias que têm escalas especiais? O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas. A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo. "Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados. Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos. Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto. "Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva", diz a advogada do escritório Durão, Almeida & Pontes. A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto. Voltar ao menu. Quando começam os dois dias de folga? O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Voltar ao menu. Como será a transição de 44 para 40 horas? Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação. A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário. Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos. Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis. "O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho. Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados. “A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma. Voltar ao menu. A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador. "As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest. Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais. Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta. Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS. Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece. Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial. Voltar ao menu. Será necessária negociação coletiva? Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas. "A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest. Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra. Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição. Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras. Voltar ao menu. Como ficam horas extras e banco de horas? A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis. Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas. Voltar ao menu. O que acontece com categorias que têm escalas especiais? Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada. A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas. Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta. A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor. Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação. Voltar ao menu. Congresso marca a promulgação do fim da escala 6x1 para sexta-feira (16) Jornal Nacional/ Reprodução
16/10/2026 19:55:16 +00:00
Déficit das contas públicas dos EUA sobe a US$ 1,99 trilhão, maior em 5 anos

Musk gastou US$ 276 mi desde julho para ajudar partido de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA O déficit das contas públicas dos Estados Unidos subiu para US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro, alta de US$ 217 bilhões em relação ao período anterior. O resultado é o maior em cinco anos e foi impulsionado por gastos recordes do governo, pelo aumento das despesas com a dívida pública e por reembolsos de tarifas de importação, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Departamento do Tesouro americano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado representa o primeiro ano fiscal completo do segundo mandato do presidente Donald Trump. Em 2025, o déficit havia sido de US$ 1,78 trilhão. Apesar do aumento, o resultado ficou abaixo do registrado em 2021, quando o déficit chegou a US$ 2,77 trilhões, em meio aos gastos do governo para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19. O resultado de 2026 é o terceiro maior déficit anual já registrado pelos Estados Unidos. 🔍 Déficit público ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos e outras receitas. Para cobrir essa diferença, o governo precisa buscar recursos, geralmente por meio da emissão de títulos da dívida pública. Gastos do governo batem recorde As despesas do governo americano somaram US$ 7,40 trilhões no ano fiscal de 2026, um recorde e um aumento de 6% em relação aos US$ 7,01 trilhões registrados no período anterior. As receitas também atingiram um patamar recorde, de US$ 5,40 trilhões, alta de 3% na comparação com os US$ 5,24 trilhões de 2025. Mesmo com o aumento da arrecadação, as despesas cresceram em ritmo mais acelerado, ampliando o déficit das contas públicas. Custo da dívida pública aumenta Uma das principais pressões sobre o orçamento foi o custo do serviço da dívida pública. Os gastos com juros e outras despesas relacionadas ao endividamento somaram US$ 1,36 trilhão, alta de US$ 144 bilhões, ou 12%, em relação ao ano anterior. Com esse resultado, o serviço da dívida se tornou a terceira maior categoria de gastos do governo americano, atrás apenas da Previdência Social e das despesas combinadas com os programas Medicare e Medicaid, que financiam serviços de saúde. A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões cerca de dois meses antes da divulgação dos dados. Reembolsos de tarifas pressionam as contas Outro fator que contribuiu para o aumento do déficit foi a redução da receita líquida com tarifas de importação. Após uma decisão da Suprema Corte americana que derrubou grande parte das tarifas impostas por Trump em seu primeiro ano de mandato, o governo teve de realizar reembolsos a importadores. Segundo a Reuters, os reembolsos somaram US$ 145 bilhões no ano fiscal de 2026. Com isso, a receita líquida com tarifas caiu US$ 22 bilhões, uma redução de 11%, para cerca de US$ 173 bilhões. O Tesouro americano estimou que o déficit correspondeu a 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima da proporção de 5,8% registrada no ano fiscal de 2025. Em setembro, último mês do ano fiscal, o governo registrou déficit de US$ 27 bilhões. No mesmo mês do ano anterior, havia sido registrado superávit de US$ 198 bilhões. O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa após desembarcar do Air Force One, depois de participar de um comício de campanha em Clarksville, Tennessee, na Base Aérea Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 10 de outubro de 2026 REUTERS/Eric Lee *Com informações da Reuters
16/10/2026 18:13:09 +00:00
Aprenda a criar tilápias em cativeiro

Imagem ilustrativa de tilápia. Reprodução/TV TEM Quem deseja aprender mais sobre a criação de tilápias em cativeiro pode consultar uma publicação gratuita da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O material reúne orientações sobre a recria de tilápias, uma das etapas da produção dos peixes, e explica como instalar um sistema de recirculação de água e iniciar o povoamento dos tanques. A publicação também apresenta informações sobre como acompanhar os resultados da criação e os cuidados necessários para manter as condições adequadas da água. Entre as orientações estão o controle da temperatura e do pH da água, fatores importantes para o desenvolvimento dos peixes. O material da Embrapa é gratuito e pode ser consultado por produtores e pessoas interessadas na criação de tilápias em cativeiro. 📱Acesse aqui Veja também: Mercado de tilápia desacelera, mas produtores se preparam para alta nas vendas
16/10/2026 17:43:32 +00:00
Google aumentará visibilidade de notícias e links no Modo IA

Agora no g1 O Google anunciou que vai dar mais destaque a links de notícias e outros sites nos resultados de busca gerados por inteligência artificial (IA). A mudança ocorre em meio a reclamações de veículos de comunicação e empresas sobre a queda no número de acessos às suas páginas desde a adoção de respostas produzidas por IA nos resultados de pesquisa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa informou que os links contextuais passarão a aparecer com mais frequência e em posições mais altas dentro das respostas geradas pela tecnologia. O Google também ampliará globalmente o carrossel de links exibido logo abaixo da Visão geral criada por IA. O recurso reúne cartões com títulos e imagens de artigos relacionados à pesquisa do usuário. Outra mudança será a priorização de conteúdos publicados por sites que os próprios usuários tenham definido como fontes preferidas. O sistema também poderá incluir materiais de publicações relevantes em redes sociais e outros fóruns. Como funciona a busca com IA do Google O Google começou a incorporar recursos de inteligência artificial aos resultados de busca há mais de dois anos. Em maio de 2024, a empresa lançou a Visão geral criada por IA, ferramenta que apresenta respostas resumidas às pesquisas dos usuários, em vez de exibir apenas uma lista de links para outros sites. Em março de 2025, a companhia introduziu o Modo IA, acessado em uma janela separada. A ferramenta oferece respostas mais completas e apresenta um número maior de links do que a Visão geral criada por IA. Com esses recursos, parte das informações que antes levavam o usuário a acessar páginas externas passou a ser apresentada diretamente nos resultados de busca. Queda de acessos preocupa veículos e empresas Estudos têm apontado que a substituição dos resultados tradicionais por resumos gerados por inteligência artificial reduz a frequência com que os usuários clicam nos links apresentados. A mudança preocupa veículos de comunicação e outras empresas que dependem do tráfego vindo dos mecanismos de busca para alcançar leitores, atrair clientes e gerar receita. Ao destacar links e ampliar a presença de artigos nos resultados gerados por IA, o Google busca facilitar o acesso a conteúdos externos. A empresa, porém, não informou no anúncio qual será o impacto esperado da mudança no volume de acessos aos sites. Logo do Google exibido em um evento em Berlim, Alemanha. REUTERS/Lisi Niesner *Com informações de AFP e Reuters
16/10/2026 17:36:44 +00:00
Tarifa zero nos ônibus pode reduzir inflação em 0,25 ponto, mas arrecadação atual já não cobre custos, diz ANTP

Lula promete transporte gratuito nos finais de semana O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, anunciou nesta quinta-feira (15) que enviará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir transporte coletivo urbano gratuito aos finais de semana e feriados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A estimativa é que a medida reduza em 0,25 ponto percentual o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês em que a PEC for aprovada, explica Leonardo Costa, economista do ASA, instituição financeira. A medida passaria a valer em 2027, caso Lula vença a eleição deste mês. Transporte coletivo: Lula diz que vai enviar ao Congresso PEC para garantir tarifa zero aos finais de semana com dinheiro de emendas O cálculo de redução da inflação considera uma queda de aproximadamente 22,4% no preço do subitem ônibus urbano, que representa 1,116% do índice. A estimativa já leva em conta as cidades que oferecem gratuidade atualmente e aquelas em que a cobrança ainda existe. Para a Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), "hoje a receita proveniente do pagamento da tarifa pública não é suficiente para cobrir os custos operacionais do sistema de transporte, o que requer o aporte de receitas não tarifárias". Tal aporte já vem sendo feito pelo país por meio de subsídios públicos, "embora insuficientes para mudar a sua qualidade no Brasil", complementa. "São necessárias outras fontes de recursos para o que o sistema seja sustentado, com melhoria". "Ao mesmo tempo em que a tarifa zero representa o atendimento a um direito social constitucioal, são necessárias fontes seguras de recursos para suportar de forma perene a qualidade e todos os custos operacionais, o que não vem ocorrendo", escreve a ANTP em nota. No entanto, a ANTP entende que o processo de implantação de tarifa zero deve ser progressiva, incorporando a gratuidade inicialmente para a população mais pobre, e que a tarifa pública seja baixa, ao alcance das demais faixas de renda da população. "É imperativa a participação do Governo Federal no custeio da operação do transporte público", enfatiza. Cidades já adotam gratuidade ou desconto "A medida se soma às experiências já em curso em algumas capitais, que mostram como a gratuidade aos domingos pode funcionar na prática", afirma Costa. Em São Paulo, o programa Domingão Tarifa Zero começou em dezembro de 2023 e oferece gratuidade nos ônibus municipais aos domingos. Em Belo Horizonte, a gratuidade entrou em vigor em 14 de dezembro de 2025, por decreto, como parte do programa Catraca Livre. A medida abrange todas as linhas convencionais e suplementares aos domingos e feriados nacionais. Em Belém, os ônibus das empresas associadas ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) passaram a ser gratuitos aos domingos e feriados em 13 de abril de 2025. Brasília também adotou a gratuidade nesses dias, no início de fevereiro de 2025. Curitiba, por sua vez, optou por um desconto em vez da isenção total. Desde 5 de janeiro de 2025, a tarifa aos domingos e feriados custa R$ 3, o equivalente a um desconto de 50% sobre o valor regular. Transporte público em Goiânia. Diomício Gomes/O Popular
16/10/2026 15:30:33 +00:00
Fim da escala 6x1 é promulgado e prazos começam a contar; entenda como será a transição

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana foi promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16). O ato marca o início do período de transição até a entrada em vigor das novas regras. Essa é a primeira mudança nas regras gerais da jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, há 38 anos. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais chegou a ser discutida. Sem apoio suficiente, porém, o limite foi fixado em 44 horas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Agora, a Constituição passa a estabelecer o limite máximo de 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado por semana em todo o país. A mudança, no entanto, não será imediata. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as novas regras começarão a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição) A partir desse prazo, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que fosse assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A proposta também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. Durante o primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima passará a ser de 40 horas. Após a promulgação, a emenda precisa ser publicada no Diário Oficial da União (DOU). A publicação costuma ocorrer no mesmo dia ou no próximo dia útil. É a partir dela que começam a contar os prazos de transição. Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6x1. O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Quando começam os dois dias de folga? Como será a transição de 44 para 40 horas? A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Será necessária negociação coletiva? Como ficam horas extras e banco de horas? O que acontece com categorias que têm escalas especiais? O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas. A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo. "Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados. Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos. Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto. "Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva", diz a advogada do escritório Durão, Almeida & Pontes. A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto. Voltar ao menu. Quando começam os dois dias de folga? O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Voltar ao menu. Como será a transição de 44 para 40 horas? Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação. A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário. Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos. Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis. "O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho. Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados. “A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma. Voltar ao menu. A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador. "As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest. Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais. Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta. Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS. Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece. Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial. Voltar ao menu. Será necessária negociação coletiva? Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas. "A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest. Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra. Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição. Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras. Voltar ao menu. Como ficam horas extras e banco de horas? A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis. Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas. Voltar ao menu. O que acontece com categorias que têm escalas especiais? Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada. A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas. Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta. A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor. Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação. Voltar ao menu. Colegas parlamentares comemoram enquanto o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, anuncia o resultado da votação a favor de uma emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho no Brasil de seis para cinco dias, em Brasília, Brasil, 14 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
16/10/2026 13:24:22 +00:00
Brasil tem 1,5 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil

Agora no g1 O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025. Desse total, 525 mil estavam ocupados nas piores formas de exploração, que incluem atividades perigosas e insalubres proibidas para menores de 18 anos e previstas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP). O número representa 36,2% dos jovens que exerciam atividades econômicas no país, segundo dados da PNAD Contínua, do IBGE. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Sudeste concentrava o maior número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil casos em 2025. (Veja por região) 🔍 O IBGE considera em situação de trabalho infantil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que realizam atividades econômicas ou produzem bens para o próprio consumo, conforme os critérios da pesquisa. A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho antes dos 14 anos e permite a aprendizagem a partir dessa idade. Aos 16 e 17 anos, o trabalho é permitido, mas há restrições. Piores formas de trabalho infantil Cerca de 525 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil, o equivalente a 36,2% daqueles que realizavam atividades econômicas. É o menor número da série histórica. 🔍 A classificação segue a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), prevista no Decreto nº 6.481, de 2008. Ela inclui atividades que podem colocar em risco a saúde, a segurança e a moralidade de crianças e adolescentes, como determinados trabalhos com máquinas perigosas, produtos químicos e em condições insalubres. Na comparação com 2024, quando a estimativa era de 560 mil pessoas, houve queda de 6,3%. Em relação a 2016, quando 919 mil crianças e adolescentes estavam nessas ocupações, a redução acumulada chega a 42,9%. O perfil desse grupo também revela desigualdades: 72,6% eram meninos e 68,3% eram pretos ou pardos. Além disso, 333 mil tinham entre 16 e 17 anos, o equivalente a mais de 60% dos que estavam nas piores formas de trabalho infantil. Adolescentes de 16 e 17 anos concentram a maioria dos casos O trabalho infantil é mais frequente entre os mais velhos. Em 2025, os adolescentes de 16 e 17 anos correspondiam a 58,1% do total de crianças e adolescentes nessa situação: eram 871 mil pessoas, ou 14,5% da população dessa faixa etária. Entre os jovens de 14 e 15 anos, havia 348 mil pessoas em situação de trabalho infantil, o equivalente a 5,9% da população dessa faixa etária. Já entre crianças de 5 a 13 anos, eram 280 mil casos, ou 1,1% do total nessa idade. Nesse último grupo, 190 mil crianças, ou 67,7% do total, estavam envolvidas exclusivamente em atividades voltadas ao próprio consumo, como a produção de alimentos para a família. O levantamento também mostra desigualdades por sexo e raça ou cor. Os meninos representavam 65,4% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, enquanto as meninas correspondiam a 34,6%. Crianças e adolescentes pretos ou pardos somavam 67% do total. ⚠️ Nem todo adolescente que trabalha está necessariamente em situação irregular. A classificação como trabalho infantil depende da idade, da atividade exercida e das condições de trabalho, conforme os critérios da legislação e da pesquisa. A legislação brasileira estabelece regras diferentes para cada idade: Até os 13 anos, qualquer trabalho é proibido. Aos 14 e 15 anos, é permitido apenas o trabalho na condição de aprendiz. A partir dos 16 anos, o trabalho é autorizado, mas há restrições: menores de 18 anos não podem exercer atividades noturnas, perigosas ou insalubres, nem ocupações incluídas na Lista TIP. Informalidade e distância da escola Entre os adolescentes de 16 e 17 anos que trabalhavam, 67% estavam na informalidade, o equivalente a aproximadamente 705 mil pessoas. O percentual foi o menor da série histórica. Em 2022, a taxa era de 76,3%. A relação entre trabalho e educação é outro ponto de atenção. Entre as crianças e os adolescentes em situação de trabalho infantil, a taxa de escolarização era de 86,9%, abaixo dos 97,5% registrados entre todas as crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. A diferença é ainda maior entre os jovens de 16 e 17 anos. Nessa faixa, 79,6% daqueles em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, ante 89,6% do total de adolescentes da mesma idade. A diferença de 10 pontos percentuais não significa, por si só, que o trabalho tenha provocado o abandono escolar em todos os casos, mas mostra que os adolescentes em situação de trabalho infantil têm menor frequência escolar. Os dados de rendimento também mostram diferenças entre os grupos. Crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil recebiam, em média, R$ 936 por mês. Entre os que ainda estudavam, o rendimento médio era de R$ 844, enquanto aqueles que haviam deixado a escola recebiam R$ 1.326. A diferença é compatível com a possibilidade de jornadas mais longas entre os jovens que não frequentam a escola. Sudeste tem mais casos; Norte, maior proporção A distribuição regional mostra que o Sudeste concentrava o maior número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, com 481 mil pessoas. O Nordeste vinha em seguida, com 408 mil, seguido pelo Norte, com 249 mil, pelo Sul, com 233 mil, e pelo Centro-Oeste, com 128 mil. 🙍‍♂️ Quando o cálculo considera a proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em relação à população de cada região, porém, o cenário muda. O Norte apresentava a maior taxa do país, de 6,3%, enquanto o Sudeste registrava a menor, de 3,3%. Isso significa que, embora o Sudeste concentre mais casos em números absolutos, o trabalho infantil representa uma parcela maior da população jovem no Norte. O Nordeste, por sua vez, teve a maior redução acumulada entre 2016 e 2025, de 45,6%. Na comparação entre 2022 e 2025, a queda na região foi de 29,2%. Bolsa Família concentra mais de 95% da redução em 2025 A redução do trabalho infantil ocorreu principalmente entre crianças e adolescentes que vivem em famílias beneficiárias do Bolsa Família. De 2024 para 2025, o número de jovens em situação de trabalho infantil nessas famílias caiu 20,1%, de acordo com os dados da PNAD Contínua. Isso representa 144 mil crianças e adolescentes a menos nesse grupo, o equivalente a mais de 95% da redução de 151 mil casos registrada no país no período. Em 2025, 573 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que viviam em famílias atendidas pelo programa estavam em situação de trabalho infantil. O número corresponde a 4,4% das crianças e adolescentes que vivem nessas famílias. Ao todo, 13,1 milhões de crianças e adolescentes nessa faixa etária moravam em famílias beneficiárias do Bolsa Família, o equivalente a 34,7% da população de 5 a 17 anos no país. A diferença de renda entre os domicílios também chama a atenção. A renda média mensal por pessoa era de R$ 660 nas famílias beneficiárias, contra R$ 1.990 naquelas que não recebiam o benefício. Os números mostram que a redução do trabalho infantil esteve fortemente concentrada entre as famílias atendidas pelo programa. A comparação, porém, não permite atribuir toda a queda exclusivamente ao Bolsa Família: outros fatores econômicos e sociais também podem influenciar a entrada de crianças e adolescentes no mercado de trabalho antes da idade permitida. Fiscalização bate recorde, mas problema é grande Enquanto o IBGE estima a dimensão do trabalho infantil no país por meio de uma pesquisa domiciliar, a fiscalização federal atua para identificar casos de trabalho infantil e afastar crianças e adolescentes de atividades ilegais. Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais que resultaram no afastamento de 4.318 crianças e adolescentes do trabalho infantil. Foi o maior número de afastamentos dos últimos 10 anos. Minas Gerais, com 830 afastamentos, e São Paulo, com 629, registraram os maiores números entre os estados. Esses números são bem menores que o total de 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil estimado pelo IBGE para o mesmo ano. A comparação ajuda a mostrar a diferença entre o total estimado pela pesquisa e os casos identificados pela fiscalização, mas não representa uma taxa de cobertura oficial: os dois indicadores são produzidos por métodos diferentes, e as fiscalizações podem se concentrar em situações de maior gravidade. As dificuldades para enfrentar o problema incluem a informalidade, a existência de locais de trabalho espalhados pelo país e a dificuldade de identificar situações que ocorrem em ambientes privados, como o trabalho doméstico. A atuação dos auditores-fiscais também depende da estrutura disponível para realizar fiscalizações em todo o país. Além das ações de fiscalização, o número de denúncias também aumentou em 2025. O Disque 100 recebeu cerca de 5,1 mil denúncias relacionadas ao trabalho infantil, alta de 19,4% em relação ao ano anterior. Já o Ministério Público do Trabalho recebeu aproximadamente 7,9 mil denúncias, crescimento de 36,6%.
16/10/2026 13:00:00 +00:00
No 1º aumento em três meses, 'prévia do PIB' do Banco Central registra alta de 0,3% em agosto

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta sexta-feira (16), mostrou expansão de 0,3% em agosto, na comparação com o mês anterior. Esse foi o primeiro aumento do IBC-Br, do Banco Central, em três meses. 🔎O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes. O resultado representa melhora em relação a julho, quando houve contração de 0,3% no indicador. Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na parcial do ano, o indicador avançou 1,6% e, em 12 meses até agosto, teve aumento também de 1,6%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. Indústria e serviço Veja abaixo o desempenho setor por setor em agosto: agropecuária: recuou de 1,8%; indústria: alta de 0,9%; serviços: crescimento de 0,2%. ➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem). 🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social. Ano eleitoral Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população. Mais recentemente, a equipe econômica anunciou o aumento do Bolsa Família R$ 600 para R$ 691, além de ter anunciado um pacote de perdão de dívidas para os microempreendedores individuais. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias. ▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada em setembro, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 1,85% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado. Fachada do Banco Central, em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução PIB X IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.
16/10/2026 12:02:49 +00:00
Dólar cai com escala 6x1, pesquisas eleitorais e atividade econômica no radar; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,28% nesta sexta-feira (16), cotado a R$ 5,0728. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,54%, aos 205.430 pontos. O mercado acompanhou os desdobramentos da proposta que muda a escala de trabalho 6x1, promulgada nesta sexta-feira pela Mesa do Congresso Nacional, em sessão solene, após aprovação pelo Senado. A medida faz parte de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), que altera a Constituição Federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No quadro eleitoral, as duas pesquisas presidenciais mais recentes, divulgadas pelo Datafolha e pela Quaest, mostram um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) na disputa pelo segundo turno das eleições de 2026. Acompanhe as pesquisas eleitorais no g1. ▶️Também repercutiram a entrevista do presidente Lula na TV Globo na quinta-feira (15). Nesta sexta-feira (16), será a vez do senador Flávio Bolsonaro (PL) ser entrevistado. (veja mais abaixo) ▶️Na agenda econômica, o destaque foi a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, pelo Banco Central (BC). O indicador cresceu 0,3% em agosto, na primeira alta em três meses. No acumulado de janeiro a agosto, o avanço foi de 1,6%. 🔎 O IBC-Br é um indicador do Banco Central que funciona como uma espécie de termômetro da atividade econômica do Brasil. Ele ajuda a avaliar se a economia está crescendo ou perdendo força. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,77%; Acumulado do mês: -1,96%; Acumulado do ano: -7,58%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,32%; Acumulado da semana: -1,74% Acumulado do mês: +10,24%; Acumulado do ano: +27,50%. Datafolha e Quaest mostram empate técnico entre Lula e Flávio As pesquisas mais recentes do Datafolha e da Quaest mostram empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) na disputa pelo segundo turno das eleições de 2026. Embora o senador apareça numericamente à frente nos dois levantamentos, a diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. As duas pesquisas têm nível de confiança de 95%. ▶️ Datafolha: divulgado na quinta-feira, o levantamento aponta Flávio com 47% das intenções de voto, ante 45% de Lula. Na semana anterior, o senador tinha 49%, enquanto o presidente mantinha 45%, reduzindo a diferença de quatro para dois pontos percentuais. ▶️ Quaest: publicado na quarta-feira (14), o levantamento mostra Flávio com 46% e Lula com 44%. Outros 9% pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas; 1% está indeciso. Na entrevista à TV Globo na noite de ontem, Lula defendeu reduzir a maioridade penal em casos de crimes hediondos, pediu a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) citados em suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e comentou a relação comercial com os Estados Unidos. Conduzida por Renata Lo Prete, a entrevista foi transmitida pela TV Globo, GloboNews e g1. Veja o que o presidente disse e o que é #FATO ou #FAKE. Nesta sexta-feira, será a vez de Flávio Bolsonaro ser entrevistado por Renata Lo Prete, como parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. Veja quando e onde assistir. Fim da escala 6x1 O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira a emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A mudança representa a primeira alteração nas regras gerais da jornada de trabalho desde a Constituição de 1988. A nova regra estabelece a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. A partir da publicação da emenda no Diário Oficial da União (DOU), começa a contar o prazo de dois meses para a primeira etapa da transição. Nesse período, o limite de trabalho passará a ser de 42 horas semanais, com direito a dois dias de repouso remunerado. 🔎 Na prática, a garantia de dois dias de descanso por semana impede a adoção regular da escala 6x1, em que o funcionário trabalha seis dias e folga um. A mudança também poderá afetar quem trabalha de segunda a sexta-feira e atualmente compensa, durante a semana, as horas que seriam trabalhadas aos sábados. A emenda ainda não entra em vigor imediatamente. Os prazos para a implementação das novas regras começam a contar após a publicação do texto no Diário Oficial. Por se tratar de uma alteração na Constituição, a medida não precisa de sanção presidencial: a promulgação é feita pelo próprio Congresso Nacional. Empresa terá que mudar contratos? Como ficam horas extras? Tire dúvidas Quais profissões devem ser afetadas e quem fica de fora Prévia do PIB tem 1ª alta em três meses A atividade econômica brasileira cresceu 0,3% em agosto, após registrar queda de 0,3% em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Foi a primeira alta em três meses. O resultado foi puxado pela indústria, que avançou 0,9%, e pelos serviços, com crescimento de 0,2%. Já a agropecuária recuou 1,8%. Na comparação com agosto de 2025, a atividade econômica cresceu 1,2%. No acumulado de janeiro a agosto e em 12 meses, a alta foi de 1,6%. Os dados são do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador que funciona como um termômetro da economia e ajuda a antecipar tendências do Produto Interno Bruto (PIB). 🔎 O desempenho da economia também é acompanhado pelo Banco Central na definição da taxa básica de juros. Quando a atividade está aquecida, a demanda por produtos e serviços pode aumentar e pressionar a inflação, o que dificulta a redução dos juros. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices fecharam com desempenho misto. As ações de empresas de chips recuaram, enquanto a valorização dos papéis da Tesla ajudou segurar a queda do mercado. O S&P 500 recuou 1,10%, aos 7.658,62 pontos. Já o Nasdaq Composite caiu 2,15%, para 26.137,85 pontos. O Dow Jones, por sua vez, perdeu 0,36%, e fechou aos 51.990,05 pontos. Os investidores também acompanham as perspectivas para os juros americanos. A expectativa do mercado é que o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, mantenha as taxas inalteradas neste mês. As bolsas europeias fecharam em alta nesta sexta-feira, encerrando a semana com o melhor desempenho desde o fim de junho. Resultados financeiros positivos das empresas listadas ajudaram a compensar os efeitos de uma onda global de vendas de ações de empresas de tecnologia. No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,6%, o DAX, da Alemanha, subiu 0,94%, e o CAC 40, da França, teve alta de 0,28%. Em Londres, o FTSE 100 fehcou com ganho de 0,38%. Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, recuperando parte das perdas da sessão anterior, em meio a sinais de apoio do governo chinês e anúncios de resultados financeiros de empresas de IA. Apesar da recuperação, o índice CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 3,4% na semana, o pior resultado em três meses. Em Tóquio, o Nikkei subiu 1,39%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,52%. Em Seul, o Kospi teve alta de 2,05%. Xangai ganhou 0,24%, e o CSI300 avançou 0,11%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar John Guccione/Pexels
16/10/2026 12:00:00 +00:00
Tesla Roadster 'voa' com propulsores de ar comprimido de foguetes da SpaceX; entenda

Tesla Roadster flutua na rampa divulgação/Tesla A Tesla mostrou, nesta quinta-feira (15), a nova geração do esportivo Roadster flutuando e dando piruetas no palco. O recurso, segundo a Tesla, será oferecido ao clientes no veículo de produção. O modelo é o mais potente já criado pela empresa de Elon Musk e chega a 370 km/h. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Tesla usa no Roadster um sistema de propulsão a gás comprimido, uma tecnologia de bocais e válvulas acionadas por componentes derivados do robô Optimus. O recurso foi desenvolvido para permitir manobras extremas e até a capacidade de pairar no ar. O mecanismo central da versão Thrust é composto por um tanque de alta pressão, com capacidade para 200 litros e resistência de até 10.000 PSI. Agora no g1 Para a variante Rocket, o assento do passageiro é removido para dar lugar a um reservatório expansível de 400 litros, totalizando 600 litros de gás comprimido armazenado no veículo. O acionamento das válvulas de alta precisão é realizado por atuadores baseados na tecnologia do robô Optimus. Ao serem acionados, esses propulsores liberam o gás pressurizado por meio de bocais localizados na traseira da carroceria. O Tesla Roadster na versão Rocket tem força do empuxo comparável à de um jato de combate, segundo os engenheiros da marca. Tesla Roadster flutua na rampa divulgação/Tesla A versão extrema Rocket conta com seis propulsores adicionais integrados à estrutura. O conjunto inclui um propulsor em cada canto do automóvel para fornecer empuxo vertical e dois propulsores posicionados na parte dianteira para o controle de guinada. Esse recurso de engenharia foi projetado para permitir que o veículo execute manobras direcionais auxiliadas pelo ar e consiga pairar. O sistema opera sem processo de combustão. O uso do recurso é voltado exclusivamente para ambientes fora de estradas públicas, pois a força do jato pode arremessar detritos contra pedestres e outros veículos em circulação. Durante a apresentação do novo esportivo, a Tesla demonstrou que o Roadster também consegue ficar preso a uma parede sem cair. Para isso, um ventilador na base do veículo cria uma sucção que o mantém “grudado” à superfície. Tesla Roadster "voa" divulgação/Tesla “Ele pode puxar até 2 Gs [equivalentes a duas vezes a pressão atmosférica no nível do mar] para fazer o carro dirigir de ponta-cabeça, e pegamos emprestadas algumas tecnologias da SpaceX para fazer o resto", revelou Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos na Tesla. Elon Musk afirmou que o poder de sucção do novo carro não foi pensado para permitir que uma pessoa dirija de ponta-cabeça, mas para manter o veículo mais firme contra o solo e, assim, melhorar sua capacidade de fazer manobras em alta velocidade. Como é o novo Roadster Tesla Roadster por fora Além de voar e dirigir de ponta-cabeça, a segunda geração do Roadster segue o design minimalista já adotado pela Tesla em outros modelos já lançados. Por fora, são raros os detalhes coloridos ou cromados. Por dentro, há espaço apenas para duas pessoas e o painel traz acabamento com uma única textura visual. Tesla Roadster por dentro A Tesla não revelou a ficha técnica completa do novo carro, mas informou que: Acelera de 0 a 100 km/h em menos de 1 segundo; Atinge velocidade máxima de 370 km/h; Tem autonomia de 482,8 km com uma carga; Os faróis estão escondidos na carroceria, o que melhora a aerodinâmica do veículo; Para reduzir o peso, o novo Roadster utiliza uma liga de magnésio e titânio, além de fibra de carbono na carroceria. O novo Roadster será vendido em três versões: Performance: utiliza o sistema de ventilação para melhorar a dirigibilidade nas curvas; Thrust, em versão limitada: adiciona saídas de ar comprimido na traseira, que ajudam o carro a acelerar de 0 a 100 km/h em menos de um segundo; Rocket, ainda mais limitada e vendida apenas por convite: remove um dos dois assentos, acrescenta mais saídas de ar pelo veículo e é a versão capaz de flutuar. A fabricação do Roadster será iniciada em 2028, porém ainda não existe informação oficial sobre o preço do supercarro. Protótipo do novo Tesla Roadster foi mostrado em 2017 e não lembra em quase nada o carro mostrado em 2026. Divulgação / Tesla Novo Roadster foi prometido quase 10 anos atrás O protótipo deste novo Roadster foi revelado em 2017 com preço de US$ 200 mil e previsão inicial de entregas para 2020. O valor de tabela não foi atualizado desde então, mas as reservas continuam ativas mediante pagamento de US$ 50 mil. Em outubro de 2025, Elon Musk, CEO da Tesla, afirmou que o novo Roadster poderia "voar". A afirmação ocorreu durante entrevista ao podcast de Joe Rogan, na qual o executivo confirmou que o desenvolvimento do carro esportivo continuava em andamento. Durante a conversa, Musk citou a frustração de não existirem carros voadores no mundo atual. O executivo completou dizendo que as pessoas deveriam ser capazes de comprar um. O novo esportivo é fruto de uma colaboração entre a Tesla e a SpaceX, empresa de foguetes também liderada por Musk. Roadster de 1ª geração passou perto de Marte Há pouco mais de oito anos, um foguete lançou um Tesla Roadster da primeira geração ao espaço. Tesla Roadster de 1ª geração no espaço divulgação/Tesla O feito aconteceu em 6 de fevereiro de 2018, quando o foguete acionou os 27 motores em seu primeiro voo, decolou da plataforma de lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, e levou uma única carga a bordo: o carro. O segundo estágio foi ativado poucas horas após o lançamento e queimou combustível para colocar o Roadster em uma órbita heliocêntrica ao redor do Sol, cuja maior distância da estrela corresponde à órbita de Marte. O objetivo do lançamento, segundo o empresário Elon Musk, diretor executivo e principal acionista da Tesla, era deixar o Roadster em órbita de Marte por "centenas de milhões de anos". "Eu adoro a ideia de um carro navegando aparentemente sem parar pelo espaço e talvez sendo descoberto por uma raça alienígena milhões de anos no futuro", disse o empresário durante o lançamento. O veículo se aproximou de Marte em novembro de 2018, e segue em um movimento elíptico de ida e volta para a Terra. Modelo foi o primeiro carro da Tesla Lançado em 2008 e vendido até 2012, o primeiro Roadster foi o veículo elétrico pioneiro da empresa e utilizava o chassi do Lotus Elise. O projeto ajudou a mudar a visão do mundo sobre o que um carro elétrico poderia ser. Uma unidade até foi lançada ao espaço. Desde então, a fabricante ficou conhecida pelos utilitários esportivos Model Y e Model X e pelos sedãs Model S e Model 3. A revelação da nova geração acontece em um momento de mudança de foco da Tesla. A companhia tem transferido a prioridade da fabricação de carros para motoristas humanos em direção à robótica e tecnologias de direção autônoma guiadas por inteligência artificial. Neste ano, a montadora parou de vender os modelos Model S e Model X para abrir espaço para a produção de seus robôs humanoides Optimus. A empresa também lançou o Cybercab, um robô-táxi de dois lugares projetado sem controles manuais, como volante, pedais e retrovisores. *Com informações da Reuters.
16/10/2026 11:51:09 +00:00
Lojas viraram vitrines da internet? Entenda como os brasileiros estão mudando a forma de comprar

Segundo a primeira edição do Radar Smollan, realizada em agosto deste ano, 76% dos entrevistados afirmaram já ter visto um produto em uma loja física e comprado pela internet posteriormente Divulgação Como mostrou o g1 em agosto, o comércio varejista tem enfrentado dificuldades para fechar as contas. Reduzir o número de lojas, cortar custos e investir em operações mais eficientes se tornaram parte das estratégias para reverter os números ruins. Outro motivo para essa revisão das operações é a mudança no comportamento do consumidor. Ele pesquisa preços na internet, visita lojas para conhecer os produtos e, muitas vezes, finaliza a compra no comércio eletrônico. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse comportamento, conhecido como "showrooming", ajuda a ilustrar um dos desafios do varejo tradicional: 🤔 Como manter a relevância das lojas físicas em um mercado no qual os consumidores comparam preços com facilidade e têm cada vez mais opções on-line? Enquanto marketplaces e plataformas digitais ampliam a concorrência e pressionam os preços, o comprador enfrenta um aperto financeiro com os juros elevados e crédito caro, que limitam o espaço das famílias para consumir. Nesse cenário, a loja física está perdendo espaço para o comércio eletrônico ou ganhando um novo papel na jornada de compra? Uma pesquisa da Smollan, empresa de soluções para o varejo, mostra como a jornada de compra já combina os ambientes físico e digital. Segundo pesquisa da empresa, realizada em agosto deste ano, 76% dos entrevistados afirmaram já ter visto um produto em uma loja física e comprado pela internet posteriormente. O movimento também ocorre no sentido inverso: 81% disseram pesquisar na internet antes de realizar uma compra em uma loja física; 87% afirmaram já ter entrado em uma loja para comprar um produto e saído com outro. O levantamento reuniu 1.828 conversas com consumidores de 156 cidades, distribuídas por 25 estados. "O digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não reduziu a capacidade do ponto de venda de influenciar a escolha", afirma Renato Vechiatto, diretor de operações (COO) da Smollan para a América Latina. “O consumidor chega à loja mais informado e, muitas vezes, já tem uma decisão encaminhada. Ainda assim, fatores como preço, disponibilidade, promoções e experiência de compra podem influenciar sua escolha. Para as marcas, isso reforça a importância de garantir que os produtos estejam disponíveis e bem apresentados nas lojas”, afirma Vechiatto. Por que o consumidor ainda vai à loja física? Mesmo com a facilidade de pesquisar preços e comprar pela internet, ver o produto pessoalmente continua sendo um dos motivos para visitar uma loja. Na pesquisa, 46,1% dos entrevistados apontaram essa experiência como um fator importante para ir ao ponto de venda. Outros 29,2% destacaram a vantagem de sair da loja com o produto em mãos. 🥘 A preferência pelo canal varia conforme a categoria: Para comprar carne, 93,4% dos consumidores preferem lojas físicas; No caso de hortifrútis, o percentual chega a 92%. 📱 Já no segmento de eletrônicos, as preferências são mais divididas: 39,6% optam pela loja física; 39% alternam entre os canais; 22% compram pela internet. A diferença mostra que a experiência presencial continua relevante, mas seu peso depende do produto e das necessidades do consumidor. Em alguns casos, tocar, experimentar ou avaliar pessoalmente um item ajuda a reduzir a insegurança antes da compra. Em outros, a praticidade e a possibilidade de comparar preços on-line podem ser determinantes. Para Vechiatto, os canais não precisam competir entre si. O varejista pode usar a loja para oferecer uma experiência que o ambiente digital não proporciona da mesma forma e, quando não consegue igualar o preço on-line, apresentar alternativas para concretizar a venda. “Nem sempre será possível cobrir o preço do comércio eletrônico, mas é possível oferecer outras alternativas, como crediário, seguro e acessórios, ou até apresentar outro modelo de produto. A capacitação dos vendedores é importante para que a experiência seja única", afirma Vechiatto. O executivo também destaca que a comparação de preços é mais simples no comércio eletrônico, enquanto a loja física oferece a possibilidade de conhecer o produto pessoalmente. Nesse caso, o atendimento e a segurança durante a compra podem ajudar a convencer o consumidor a concluir a transação presencialmente. Preço e disponibilidade podem mudar a decisão Compras em sites brasileiros que não informam produtos vindos da China frustram consumidores e-commerce comércio on-line compras internacionais cartão de crédito consumo Thaisa Figueiredo/g1 A disputa entre os canais também passa pela capacidade de oferecer o produto certo, pelo preço esperado e no momento em que o consumidor deseja comprá-lo. Na pesquisa, o preço foi apontado como fator importante na decisão de compra por 77,7% dos entrevistados. As promoções apareceram em seguida, citadas por 61,1%. Marca (41,1%), disponibilidade do produto (23,2%) e atendimento (20,6%) também foram mencionados. Quando questionados sobre o que mais chama a atenção dentro da loja, 59,6% destacaram as ofertas promocionais. O levantamento também identificou um problema que pode levar à perda de vendas: 27% dos entrevistados disseram que a disponibilidade dos produtos é o aspecto que mais precisa melhorar nas lojas, à frente dos preços (20,9%) e da integração entre os canais físico e on-line (17,6%). Além disso, 57% afirmaram já ter desistido de uma compra em uma loja física por não encontrar o produto que procuravam. “A falta de um produto pode levar o consumidor a desistir não apenas daquele item, mas também de continuar comprando na loja. Por isso, garantir a disponibilidade e a boa exposição dos produtos no ponto de venda é tão importante para os resultados das marcas”, afirma Vechiatto. A falta de integração entre os canais pode agravar o problema. Se o consumidor encontra um produto na internet, mas não consegue localizá-lo na loja ou não tem acesso a informações claras sobre estoque e entrega, a empresa corre o risco de perder a venda para um concorrente. Por isso, manter estoques adequados e integrar as informações entre lojas, centros de distribuição e plataformas digitais se torna importante para evitar que o consumidor encontre o produto em um canal, mas não consiga comprá-lo nas condições desejadas. Como as lojas podem se adaptar? Black Friday no Amapá Mariana Ferreira/g1 Como o g1 mostrou, as mudanças no comportamento do consumidor têm pressionado varejistas e redes de lojas físicas a rever suas operações. Manter esses estabelecimentos envolve custos com aluguel, funcionários, estoque e logística, o que leva as empresas a priorizar unidades mais rentáveis e formatos menores. No varejo alimentar, juros elevados, crédito caro e consumidores mais atentos aos preços reforçam a busca por eficiência e integração com os canais digitais. Isso não significa o fim das lojas físicas, mas uma mudança em seu papel na jornada de compra, segundo Renato Vechiatto. “A gente prevê um alinhamento, uma linguagem única, mantendo as características de cada canal. O consumidor que busca essencialmente preço pode ir até a loja física, mas ser orientado a comprar no digital. Os canais sempre serão ambientes que se complementam, mas a integração permite que o varejista não perca vendas para a concorrência.” Segundo o diretor de operações da Smollan, essa integração também passa por mudanças na logística, como parcerias entre varejistas e centros de distribuição que reduzam custos e agilizem entregas. Há também formatos que exigem estruturas menores, como lojas de automóveis com poucos veículos em exposição e operações de delivery e dark kitchens, voltadas exclusivamente à preparação de pedidos para entrega. O showrooming, portanto, não representa necessariamente o fim das lojas físicas, mas reforça a necessidade de oferecer preços competitivos, disponibilidade e uma boa experiência, independentemente do canal de compra.
16/10/2026 08:00:00 +00:00
Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição

Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição Você reparou se o café coado que faz em casa está diferente? Se a resposta for sim, pode ser porque a indústria mudou a composição dos cafés "tradicional" e "extraforte", ainda que o sabor tenha ficado praticamente o mesmo. Esses cafés são produzidos a partir de uma mistura de dois tipos de grão, conhecida como "blend": ☕ o arábica: considerado mais aromático e preferido pelos brasileiros; ☕ o conilon: mais encorpado e com maior teor de cafeína. O arábica sempre teve maior participação na composição dos cafés vendidos no país, mas, nos últimos anos, o conilon ganhou espaço, segundo Eric Emiliano, sócio da L.E.K Consulting. Isso aconteceu porque o arábica ficou mais caro para a indústria. O grão também é mais sensível ao clima e tem sido afetado por altas temperaturas, geadas e chuvas fora de época. Já o conilon é mais resistente às variações climáticas e se tornou mais atraente para os produtores. ▶️ Quer entender melhor essa história? Confira o vídeo no início da reportagem. LEIA TAMBÉM QUIZ: Teste seus conhecimentos sobre a bebida queridinha dos brasileiros O que vai na sua xícara: um mergulho na composição química dos grãos de café brasileiros Calor deixa o café 'estressado', pode derrubar a produção brasileira e encarecer a bebida
16/10/2026 06:00:00 +00:00
Perdão de dívidas, aumento do teto e mais funcionários no MEI: veja novas regras e quem tem direito

Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15) o Projeto de Lei Complementar (PLC) que amplia o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), aumenta a possibilidade de contratação de funcionários e perdoa dívidas de microempreendedores inadimplentes. A proposta, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores com débitos junto à União, eliminando dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Entre as principais mudanças aprovadas pelo Congresso estão: Perdão de dívidas de MEIs contraídas até 13 de outubro de 2026; Aumento do limite anual de faturamento para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028; Possibilidade de contratação de até dois funcionários em determinadas atividades; O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14), por 461 votos favoráveis e quatro contrários. Já no Senado, recebeu 78 votos favoráveis e nenhum voto contrário nesta quinta-feira. Como os senadores mantiveram a versão aprovada pelos deputados, a proposta seguirá diretamente para sanção presidencial. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o conjunto das medidas pode alcançar cerca de 17,6 milhões de microempreendedores individuais em todo o país. Paralelamente, o governo também anunciou uma proposta que prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios. 💵 O recurso será não reembolsável, ou seja, não precisará ser devolvido pelo beneficiário. A medida, porém, ainda não faz parte do projeto aprovado e deverá ser enviada posteriormente aos parlamentares. ➡️ Abaixo, o g1 reuniu os principais pontos do projeto para explicar como vão funcionar o aumento do limite de faturamento, o perdão das dívidas, as novas regras para contratação de funcionários e quando as mudanças devem entrar em vigor. Perdão de dívidas Por que o governo decidiu perdoar essas dívidas? Como vai funcionar o aumento do limite de faturamento? Contratação de funcionários Quando as novas regras começam a valer? Quanto a medida deve custar? O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Perdão de dívidas Entre todas as mudanças aprovadas pelo Congresso, a que deve atingir mais rapidamente os microempreendedores é a anistia das dívidas com a União. Pelas regras aprovadas, serão perdoados os débitos contraídos até 13 de outubro de 2026. O benefício inclui não apenas o valor principal da dívida, mas também juros, multas e demais encargos. ⚠️ O alcance da medida ainda foi ampliado durante a tramitação. Inicialmente, o projeto previa o perdão apenas para débitos inscritos na Dívida Ativa da União. O texto aprovado passou a contemplar também dívidas que ainda estão em fase de cobrança administrativa e não foram formalmente inscritas. De acordo com o Ministério da Fazenda, essa ampliação pode gerar impacto adicional de até R$ 2 bilhões além das estimativas iniciais. O projeto, no entanto, estabelece algumas condições para que o empreendedor mantenha o benefício. O MEI deverá manter em dia o pagamento das contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da nova lei; Desistir de eventuais ações judiciais que discutam os débitos contemplados pela anistia; Cumprir as demais regras previstas na legislação para se enquadrar no benefício. Caso deixe de cumprir essas exigências, o perdão poderá ser cancelado. O texto também prevê que não haverá cobrança de honorários advocatícios em razão da extinção das ações judiciais relacionadas aos débitos anistiados. Já os valores pagos anteriormente não serão devolvidos. Por que o governo decidiu perdoar essas dívidas? Segundo o governo federal, uma parcela significativa desses débitos possui baixa perspectiva de recuperação. A avaliação é que o endividamento dos microempreendedores aumentou nos últimos anos, especialmente após a pandemia, dificultando a regularização de milhões de pequenos negócios. Ao anunciar o pacote, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, afirmou que a medida busca permitir que esses trabalhadores voltem a atuar de forma regular, ampliando as possibilidades de acesso a crédito e novas oportunidades de negócio. "Especialmente depois da pandemia, o nível de endividamento dos microempreendedores individuais aumentou muito. Nós tentamos trabalhar muito para reduzir esse endividamento ao longo dos últimos anos [...] mas chegamos à conclusão que ou o Estado brasileiro perdoa a dívida dos MEIs, ou a gente não vai vencer esse mal terrível", declarou. Como vai funcionar o aumento do limite de faturamento? Hoje, para permanecer enquadrado como MEI, o empreendedor pode faturar até R$ 80 mil por ano. Pelo texto aprovado pelo Congresso, esse valor passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028. O teto atual está em vigor desde 2018 e é considerado defasado por representantes do setor, que argumentam que muitos empreendedores acabam limitando as próprias vendas para não ultrapassar o valor permitido. A mudança permitirá que pequenos negócios cresçam sem precisar migrar tão rapidamente para outra categoria empresarial, que costuma ter mais obrigações tributárias e burocráticas. Durante a tramitação da proposta, o relator na Câmara, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), afirmou que muitos profissionais acabam recusando oportunidades para evitar desenquadramento. "Esse MEI hoje às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa do MEI." O projeto também prevê ajustes que podem permitir que empresas atualmente enquadradas no Simples Nacional voltem à condição de MEI, desde que atendam às exigências previstas na legislação. Contratação de funcionários Atualmente, o MEI pode contratar apenas um empregado. Com a nova regra, algumas atividades poderão ter até dois funcionários registrados. Ela ficou restrita às atividades de indústria, comércio e prestação de serviços no meio rural. Para os demais casos, continua valendo a regra atual, que limita a contratação a apenas um empregado. 💰 O texto estabelece que esses trabalhadores deverão receber exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. Segundo o governo, a medida pretende facilitar a expansão dos pequenos negócios e incentivar a geração de empregos formais. Quando as novas regras começam a valer? Como os senadores mantiveram a versão aprovada pelos deputados, o projeto não precisará retornar à Câmara e seguirá diretamente para sanção do presidente Lula (PT). Depois da sanção e da publicação da nova lei, as regras relacionadas ao perdão das dívidas poderão entrar em vigor. Já o aumento do limite de faturamento ocorrerá de forma escalonada: R$ 110 mil em 2027; R$ 140 mil em 2028. Quanto a medida deve custar? Segundo estimativas do governo federal, o aumento do limite de faturamento do MEI terá impacto fiscal de: R$ 1,57 bilhão em 2027; R$ 3,15 bilhões em 2028; R$ 3,38 bilhões em 2029. Já o impacto relacionado ao perdão das dívidas é estimado em cerca de R$ 3 bilhões ao longo de três anos. De acordo com o Ministério da Fazenda, esse valor deverá ser dividido da seguinte forma: R$ 1,1 bilhão em 2027; R$ 1 bilhão em 2028; R$ 909 milhões em 2029.
16/10/2026 06:00:00 +00:00
iPhone Duo entra em pré-venda no Brasil nesta sexta; veja preços do celular dobrável da Apple

iPhone Duo: Apple lança seu primeiro celular dobrável O iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, entrou em pré-venda no Brasil nesta sexta-feira (16). O novo aparelho, lançado em setembro, é vendido no site da Apple por até R$ 30.999 e ser entregue pela empresa a partir de 23 de outubro. (veja preços abaixo) Principal novidade do evento realizado pela Apple em setembro, o iPhone Duo marca a entrada da empresa em um segmento já explorado por concorrentes como Samsung e Huawei. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O novo celular tem tela externa de 5,4 polegadas, que permite acessar vários recursos do iOS, e tela interna de 7,6 polegadas, cerca de 80% maior que a do iPhone 18 Pro, segundo a Apple. Para funcionar com duas telas, o aparelho é fabricado com uma dobradiça equipada com 100 peças. A Apple diz que o componente foi projetado para oferecer abertura e fechamento suaves. iPhone Duo A empresa usou titânio na carcaça do iPhone Duo e aplicou uma textura à tela interna para reduzir o vinco que costuma aparecer no uso de celulares dobráveis. A tela interna promete oferecer mais produtividade para usuários e permite abrir, ao mesmo tempo, apresentações e chamadas de vídeo, por exemplo. iPhone 18 Pro, AirPods e Apple Watch: relembre lançamentos da Apple Já a tela externa consegue mostrar informações rápidas no modo de espera. Ela pode ser usada como um despertador, um porta-retratos, uma tela com previsão do tempo, entre outros. O modelo tem duas câmeras de 48 megapixels, uma de 12 megapixels na área externa, além de uma câmera para chamadas de vídeo que fica oculta quando não está em uso. O iPhone Duo será vendido nas cores chamadas pela Apple de branco-estrela e céu noturno. Ele se junta aos iPhone 18 Pro e Pro Max, que já estão sendo vendidos desde setembro. Confira abaixo os preços do celular dobrável da Apple. iPhone Duo (256 GB): R$ 21.999,00 iPhone Duo (512 GB): R$ 23.499,00 iPhone Duo (1 TB): R$ 26.499,00 iPhone Duo (2 TB): R$ 30.999,00 iPhone Duo divulgação/Apple O iPhone Duo usa o mesmo chip A20 Pro dos iPhone 18 Pro e Pro Max, lançados nesta quarta-feira. Por conta do novo visual, a Apple retomou o uso do Touch ID, seu leitor de impressões digitais, para desbloquear o aparelho. Nos modelos convencionais do iPhone, a empresa costuma usar apenas o Face ID, de reconhecimento facial, como recurso de biometria. E, assim como o iPhone Air, modelo compacto lançado em 2025, o iPhone Duo terá suporte apenas para o eSIM, sem uma porta para chips físicos. O celular tem proteção Ceramic Shield, que oferecem mais proteção contra quedas e certificação IP68, que garante resistência a respingos, água e poeira. Preços do iPhone Duo e da linha iPhone 18 g1 O iPhone Duo retomou o uso do leitor de impressões digitais (Touch ID) para desbloquear o aparelho. Outros iPhones usam o reconhecimento facial (FaceID). Reprodução iPhone Duo branco e preto divulgação/Apple
16/10/2026 03:00:00 +00:00
Salário mínimo: veja o que já defenderam as campanhas dos candidatos a presidente

Aposentados e pensionistas não podem receber menos do que um salário mínimo, pelas regras atuais Reprodução/RBS TV O salário mínimo, atualmente em R$ 1.621, serve de referência para 61,9 milhões de pessoas no Brasil, segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Seu cálculo passou por mudanças nos últimos anos. Até 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL), não foi concedido aumento acima da inflação. No atual governo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi retomada a política de reajuste real. 🔎De acordo com a Constituição brasileira, o salário mínimo deve ter reajustes periódicos que preservem seu poder de compra. Para isso, a legislação utiliza como referência a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A Constituição não impede que o reajuste fique acima da inflação. ➡️A alta real nos últimos anos impulsionou a renda dos brasileiros, a atividade e a arrecadação, mas também elevou as despesas do governo — contribuindo para o desequilíbrio das contas públicas. Por ser um indicador importante da economia, o g1 buscou saber quais são as propostas dos candidatos para a política de aumento do salário mínimo. O que dizem as campanhas Falando em nome da campanha de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que a atual fórmula que prevê aumento acima da inflação para o salário mínimo (limitada a 2,5% de alta real) será mantida em um eventual novo mandato de Lula, assim como seu atrelamento aos benefícios previdenciários. A proposta de orçamento para 2027, que prevê salário mínimo de R$ 1.741, prevê manter esse formato de correção. "Será dada continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em, aproximadamente, 2% do PIB, preservando a fórmula de reajuste do salário mínimo, com ganho real, conforme proposta apresentada e aprovada, bem como as vinculações aplicáveis aos benefícios previdenciários", informou o ministro Durigan. O g1 também entrou em contato com a equipe de campanha do candidato Flávio Bolsonaro e questionou se, em caso de vitória, o novo governo pretende alterar o atual formato de correção do salário mínimo e manter a vinculação dos benefícios previdenciários ao piso. Perguntou, ainda, qual seria a proposta exata para a regra de reajuste do salário mínimo. A equipe de Flávio Bolsonaro, que tem prometido um "tesouraço" nos gastos públicos, entretanto, não respondeu diretamente aos questionamentos. Lembrou apenas que o candidato do PL tem dito que "não irá mexer no salário mínimo nem na aposentadoria dos brasileiros". Não esclareceu, porém, o que isso significa na prática: se os reajustes do salário mínimo continuarão acima da inflação e se os benefícios previdenciários permanecerão vinculados ao piso. Também não detalhou qual seria a proposta para o modelo de correção do salário mínimo. "Ao contrário do cenário de caos nas contas públicas criado por Lula, o processo de consolidação fiscal proposto pela equipe de Flávio Bolsonaro será feito pelo lado da despesa, com o fim de privilégios e penduricalhos e a racionalização de gastos ineficientes, com redução de impostos (...) Agiremos com responsabilidade, eficiência e coragem para racionalizar despesas e reconstruir as contas públicas. O Brasil será recolocado no caminho da prosperidade e desenvolvimento", declarou a equipe de Flávio Bolsonaro. Na propaganda eleitoral gratuita, o candidato Flávio Bolsonaro informou que o salário mínimo continuará tendo reajuste acima da inflação, mas não detalhou qual a proposta exata de aumento real. Já Adolfo Sachsida, coordenador da área econômica do plano de governo do PL, afirmou em rede social que as aposentadorias continuarão vinculadas ao salário mínimo. Orçamento 2027: governo prevê aumento do salário mínimo para R$ 1.741 no próximo ano Mudanças no cálculo No governo do presidente Jair Bolsonaro, até 2022, a equipe econômica comandada pelo economista Paulo Guedes reajustou o salário mínimo com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, mas não concedeu aumentos acima da inflação. Em outubro de 2022, durante a campanha eleitoral daquele ano, Paulo Guedes chegou a afirmar que os benefícios previdenciários seriam "desindexados" do salário mínimo, ou seja, poderiam ter correção diferente — mas negou que fosse para que subissem menos. Alguns dias depois, ele disse que o salário mínimo teria alta real no ano seguinte, em 2023. Ao assumir o governo, em 2023, Lula retomou a fórmula usada na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, também petista, de conceder o aumento com base na inflação do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes (com aumento real). Posteriormente, no fim de 2024, a área econômica de Lula aprovou uma alteração na regra, que passou a considerar a inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB de dois anos antes (mas limitado a 2,5% de alta real, para se adequar ao limite do chamado arcabouço fiscal). Diferença de valores O salário mínimo, atualmente em R$ 1.621, seria de R$ 1.451 neste ano se tivesse sido mantida, de 2023 em diante, a política adotada no governo de Jair Bolsonaro — que não concedeu reajustes acima da inflação. O valor seria R$ 170 menor do que o que vigora atualmente. O cálculo, que considera o formato anterior de correção do salário mínimo, foi feito pelo g1 e confirmado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, arredondando o valor sempre para cima. Impacto na renda e na inflação ➡️O aumento real do salário mínimo, ou seja, acima da inflação, tem impacto na renda não somente dos trabalhadores brasileiros, mas também dos aposentados e pensionistas — que, pelas regras atuais, não podem receber um valor abaixo do piso nacional. "O salário mínimo tem enorme alcance social, servindo de referência direta para trabalhadores assalariados, servidores públicos, beneficiários da Previdência Social, do BPC e do abono salarial, além de influenciar a remuneração de trabalhadores sem carteira assinada. Ao elevar o piso nacional, a política contribuiu para a redução das desigualdades salariais, inclusive entre homens e mulheres, negros e não negros e entre diferentes regiões do país", avaliou o Dieese, no fim de 2025. ➡️Ao mesmo tempo, por injetar mais recursos na economia, o crescimento real do salário mínimo também estimula o nível de atividade da economia, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB), via aumento da demanda, com impacto positivo na arrecadação federal. ➡️Por outro lado, a alta real do mínimo é um dos principais fatores de pressão sobre as despesas e de desequilíbrio das contas públicas, pois cada R$ 1 de aumento gera uma alta de gastos do governo acima de R$ 400 milhões por ano, pressionando também a inflação. ➡️As contas do governo, por sua vez, registram déficits recorrentes desde 2014. A exceção foi 2022, último ano do governo Bolsonaro. Analistas consideram, porém, que aquele resultado foi pontual, influenciado pela limitação de precatórios e pelo aumento dos dividendos pagos por estatais. Em 2020, o rombo foi recorde por conta dos gastos extraordinários com a pandemia da Covid-19. ➡️O aumento real do salário mínimo, somado ao crescimento de outras despesas, como gastos dos ministérios (via PEC da transição), o pagamento de precatórios atrasados da gestão Bolsonaro, dos gastos em saúde e educação e da retomada de reajustes de servidores, ajudou a impulsionar a dívida pública — que atingiu 82,9% do PIB em agosto.
16/10/2026 03:00:00 +00:00
Tesla apresenta Roadster que 'voa' e dirige de ponta-cabeça com tecnologia da SpaceX

Tesla Roadster "voa" divulgação/Tesla A Tesla anunciou, nesta quinta-feira (15), uma nova geração do supercarro Roadster. O modelo é o mais potente já criado pela empresa de Elon Musk, além de ser o único da marca que pode "voar". Ao todo, o carro tem 10 saídas de ar desenvolvidas pela SpaceX, que permitem realizar manobras enquanto flutua. O empuxo é gerado por tanques de ar comprimido, mesma tecnologia usada em foguetes para controlar seu percurso no espaço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Assim como nos foguetes, os tanques podem ser recarregados a cada uso. Durante a apresentação do novo Roadster, a Tesla demonstrou que o carro também consegue ficar preso a uma parede sem cair. Para isso, um ventilador na base do veículo cria uma sucção que o mantém “grudado” à superfície. Agora no g1 “Ele pode puxar até 2 Gs [equivalentes a duas vezes a pressão atmosférica no nível do mar] para fazer o carro dirigir de ponta-cabeça, e pegamos emprestadas algumas tecnologias da SpaceX para fazer o resto", revelou Lars Moravy, vice-presidente de engenharia de veículos na Tesla. Tesla Roadster flutua na rampa divulgação/Tesla Elon Musk afirmou que o poder de sucção do novo carro não foi pensado para permitir que uma pessoa dirija de ponta-cabeça, mas para manter o veículo mais firme contra o solo e, assim, melhorar sua capacidade de fazer manobras em alta velocidade. Como é o novo Roadster Tesla Roadster por fora Além de voar e dirigir de ponta-cabeça, a segunda geração do Roadster segue o design minimalista já adotado pela Tesla em outros modelos já lançados. Por fora, são raros os detalhes coloridos ou cromados. Por dentro, há espaço apenas para duas pessoas e o painel traz acabamento com uma única textura visual. Tesla Roadster por dentro A Tesla não revelou a ficha técnica completa do novo carro, mas informou que: Acelera de 0 a 100 km/h em menos de 1 segundo; Atinge velocidade máxima de 370 km/h; Tem autonomia de 482,8 km com uma carga; Os faróis estão escondidos na carroceria o que melhora a aerodinâmica do veículo; Para reduzir o peso, o novo Roadster utiliza uma liga de magnésio e titânio, além de fibra de carbono na carroceria. O novo Roadster será vendido em três versões: Performance: utiliza o sistema de ventilação para melhorar a dirigibilidade nas curvas; Thrust, em versão limitada: adiciona saídas de ar comprimido na traseira, que ajudam o carro a acelerar de 0 a 100 km/h em menos de um segundo; Rocket, ainda mais limitada e vendida apenas por convite: remove um dos dois assentos, acrescenta mais saídas de ar pelo veículo e é a versão capaz de flutuar. A fabricação do Roadster será iniciada em 2028, porém ainda não existe informação oficial sobre o preço do supercarro. Novo Roadster foi prometido quase 10 anos atrás O protótipo deste novo Roadster foi revelado em 2017 com preço de US$ 200 mil e previsão inicial de entregas para 2020. O valor de tabela não foi atualizado desde então, mas as reservas continuam ativas mediante pagamento de US$ 50 mil. Em outubro de 2025, Elon Musk, CEO da Tesla, afirmou que o novo Roadster poderia "voar". A afirmação ocorreu durante entrevista ao podcast de Joe Rogan, na qual o executivo confirmou que o desenvolvimento do carro esportivo continuava em andamento. Durante a conversa, Musk citou a frustração de não existirem carros voadores no mundo atual. O executivo completou dizendo que as pessoas deveriam ser capazes de comprar um. O novo esportivo é fruto de uma colaboração entre a Tesla e a SpaceX, empresa de foguetes também liderada por Musk. Roadster de 1ª geração passou perto de Marte Há pouco mais de oito anos, um foguete lançou um Tesla Roadster da primeira geração ao espaço. Tesla Roadster de 1ª geração no espaço divulgação/Tesla O feito aconteceu em 6 de fevereiro de 2018, quando o foguete acionou os 27 motores em seu primeiro voo, decolou da plataforma de lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, e levou uma única carga a bordo: o carro. O segundo estágio foi ativado poucas horas após o lançamento e queimou combustível para colocar o Roadster em uma órbita heliocêntrica ao redor do Sol, cuja maior distância da estrela corresponde à órbita de Marte. O objetivo do lançamento, segundo o empresário Elon Musk, diretor executivo e principal acionista da Tesla, era deixar o Roadster em órbita de Marte por "centenas de milhões de anos". "Eu adoro a ideia de um carro navegando aparentemente sem parar pelo espaço e talvez sendo descoberto por uma raça alienígena milhões de anos no futuro", disse o empresário durante o lançamento. O veículo se aproximou de Marte em novembro de 2018, e segue em um movimento elíptico de ida e volta para a Terra. Modelo foi o primeiro carro da Tesla Lançado em 2008 e vendido até 2012, o primeiro Roadster foi o veículo elétrico pioneiro da empresa e utilizava o chassi do Lotus Elise. O projeto ajudou a mudar a visão do mundo sobre o que um carro elétrico poderia ser. Uma unidade até foi lançada ao espaço. Desde então, a fabricante ficou conhecida pelos utilitários esportivos Model Y e Model X e pelos sedãs Model S e Model 3. A revelação da nova geração acontece em um momento de mudança de foco da Tesla. A companhia tem transferido a prioridade da fabricação de carros para motoristas humanos em direção à robótica e tecnologias de direção autônoma guiadas por inteligência artificial. Neste ano, a montadora parou de vender os modelos Model S e Model X para abrir espaço para a produção de seus robôs humanoides Optimus. A empresa também lançou o Cybercab, um robô-táxi de dois lugares projetado sem controles manuais, como volante, pedais e retrovisores. *Com informações da Reuters.
16/10/2026 01:07:20 +00:00
Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes

Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15) projeto de lei que amplia o limite de faturamento para enquadramento de Microempreendedor Individual (MEI) e também perdoa dívidas de inadimplentes da categoria. Ambas as mudanças foram enviadas pelo governo Lula, com o perdão das dívidas do MEI sendo a última medida anunciada pela campanha de Lula nesta semana como tentativa de reaproximação com o grupo a poucos dias do 2º turno. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (14) e agora, segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta foi aprovada por 78 votos favoráveis e nenhum contra. O projeto amplia o enquadramento no MEI para os empreendedores com faturamento anual de R$ 110 mil em 2027 e de R$ 140 mil a partir de 2028, ante os R$ 80 mil atuais. "Esse MEI hoje às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa do MEI", explicou o relator do projeto na Câmara, deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA). A proposta também amplia o número de funcionários que podem ser contratados pelos microempreendedores individuais. Atualmente, apenas um funcionário pode ser empregado. O projeto aumenta esse número para até dois, desde que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. A oposição criticou a votação da medida às vésperas do segundo turno. Outra proposta, que prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios, só deve ser enviada pelo governo ao Congresso após as eleições. 💵 O recurso será não reembolsável. Ou seja, não precisará ser devolvido pelo beneficiário. Microempreendedor Individual (MEI) Jornal Nacional/ Reprodução Impacto fiscal O impacto fiscal estimado com a renúncia de receitas é de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029. Já o impacto com o perdão das dívidas é estimado em R$ 3 bilhões em 3 anos. Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto será dividido da seguinte forma: 2027: R$ 1,1 bilhão; 2028: R$ 1 bilhão; 2029: R$ 909 milhões. A proposta ainda contemplou as dívidas ainda não inscritas na dívida da ativa da União que ainda podem estar com o processo em tramitação. Isso poderia gerar impacto de até R$ 2 bilhões para além do já previsto. O projeto concedeu anistia integral aos MEIs inadimplentes. O projeto perdoa as dívidas contraídas pelos microempreendedores individuais até 13 de outubro de 2026.
15/10/2026 21:51:06 +00:00
Brasil deve voltar ao top 8 das maiores economias do mundo em 2027, prevê FMI

FMI diz que inteligência artificial e geopolítica estão moldando a economia global O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, ultrapassando a Itália e a Rússia, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua base de dados atualizada. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve alcançar US$ 2,796 trilhões no ano, ante US$ 2,772 trilhões da economia italiana e US$ 2,675 trilhões da russa. 🔎 O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos por um país em determinado período. Os valores usados na comparação são nominais, ou seja, não descontam os efeitos da inflação, e estão expressos em dólares. Esse indicador permite comparar o tamanho das economias em uma mesma moeda. Em 2026, o Brasil ainda deve ocupar a décima posição, com PIB projetado em US$ 2,655 trilhões. A Rússia aparece à frente, com US$ 2,861 trilhões, seguida pela Itália, com US$ 2,702 trilhões. A mudança prevista para 2027 ocorre porque o PIB brasileiro projetado supera o das duas economias europeias. O Brasil deve permanecer na oitava posição nos anos seguintes, segundo as estimativas apresentadas na base de dados, e alcançar US$ 3,398 trilhões em 2031. grafico FMI Brasil deve superar US$ 3 trilhões em 2029 Além da mudança no ranking mundial, as projeções indicam que a economia brasileira deve ultrapassar a marca de US$ 3 trilhões em PIB nominal pela primeira vez em 2029, quando o indicador deve chegar a US$ 3,056 trilhões. Em 2026, o PIB nominal brasileiro projetado, de US$ 2,655 trilhões, também deve superar o maior valor anterior da série informada, registrado em 2011, quando alcançou US$ 2,614 trilhões. FMI ainda vê desaceleração na economia real Apesar do avanço previsto no ranking e dos valores nominais, o FMI projeta uma desaceleração do crescimento real da economia brasileira. A taxa deve passar de 2,3% em 2025 para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027. 🔎 O crescimento real mede a variação da produção de bens e serviços descontando o efeito da inflação. A inflação brasileira, por sua vez, deve recuar gradualmente, de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Já a taxa de desemprego projetada deve subir de 6% para 6,2% e 6,8% no mesmo período. As projeções também apontam uma redução do déficit em transações correntes, indicador que mede o saldo das operações de bens, serviços, rendas e transferências entre o país e o exterior. O resultado negativo deve passar de 2,9% do PIB em 2025 para 2,4% em 2026 e 2% em 2027. Logotipo do FMI é visto do lado de fora do prédio da sede em Washington Yuri Gripas/Reuters
15/10/2026 20:41:29 +00:00
Casas Bahia fecha acordo que prevê mais de R$ 33 milhões para trabalhadores demitidos

Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 O Grupo Casas Bahia fechou um acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) que prevê o pagamento de indenização de R$ 7,5 mil para 4.435 trabalhadores atingidos pelas demissões em massa realizadas em agosto deste ano. Somadas, as indenizações poderão ultrapassar R$ 33 milhões, segundo a Justiça do Trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Agora no g1 O entendimento foi analisado em audiência de homologação nesta quinta-feira (15), no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em Brasília. A negociação foi construída após a CNTC questionar na Justiça a legalidade das dispensas coletivas promovidas pelo Grupo Casas Bahia sem negociação prévia com os sindicatos. Em decisão liminar concedida em agosto, a Justiça do Trabalho chegou a determinar a reintegração dos empregados desligados, entendimento que deu origem às tratativas conduzidas pelo Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (CEJUSC) de Brasília. Pela proposta, cada trabalhador abrangido pelo acordo receberá uma indenização individual de R$ 7.500, além das verbas rescisórias devidas, como aviso-prévio, multa de 40% do FGTS, férias e décimo terceiro proporcionais. O texto também estabelece mecanismos para garantir o pagamento de parte dos créditos trabalhistas fora do processo de recuperação judicial da companhia. Outro ponto do acordo determina que a empresa deverá comunicar previamente as entidades sindicais em futuras dispensas coletivas, com antecedência mínima de 72 horas. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa de R$ 1 mil por trabalhador afetado, limitada a R$ 1 milhão. A audiência foi conduzida pelo juiz Rogerio Neiva Pinheiro, coordenador do CEJUSC de Brasília, e contou com a participação das partes envolvidas e do Ministério Público do Trabalho (MPT). Entenda o caso O impasse começou em agosto, quando o Grupo Casas Bahia promoveu uma ampla reestruturação de suas operações. A empresa fechou 298 lojas em todo o país e realizou uma onda de desligamentos que atingiu milhares de trabalhadores. Poucos dias depois, em 16 de agosto, a varejista entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. Diante das demissões, a CNTC ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho alegando que os desligamentos em massa ocorreram sem qualquer negociação prévia com os sindicatos que representam os empregados. A entidade sustentou que a medida desrespeitava o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de intervenção sindical em casos de dispensas coletivas. Em 18 de agosto, a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar determinando a suspensão dos efeitos das demissões e o restabelecimento provisório dos contratos de trabalho dos empregados atingidos. A decisão também obrigou a empresa a reativar benefícios eventualmente cancelados, como os planos de saúde, e iniciar um processo formal de negociação com sindicatos e federações da categoria. Na decisão, a magistrada destacou que a medida tinha caráter provisório e não representava um julgamento definitivo sobre a validade dos desligamentos. Mesmo assim, determinou que a companhia restabelecesse os vínculos dos trabalhadores enquanto o mérito da ação fosse analisado. Paralelamente à discussão sobre a legalidade das demissões, surgiu outro problema para os ex-funcionários. Como os desligamentos ocorreram poucos dias antes do pedido de recuperação judicial, milhares de trabalhadores ficaram sem receber as verbas rescisórias dentro do prazo previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Com a recuperação judicial, os créditos trabalhistas passaram a integrar a lista de credores da empresa. Por conta disso, muitos trabalhadores passaram a aguardar a definição do plano de recuperação para receber valores referentes à rescisão, o que gerou insegurança entre os demitidos. Funcionários ouvidos pelo g1 relataram dificuldades financeiras após os desligamentos. Além da ausência do pagamento das verbas rescisórias, muitos afirmaram ter enfrentado problemas relacionados ao acesso ao FGTS, ao seguro-desemprego e à manutenção de benefícios que foram interrompidos após as demissões.
15/10/2026 20:33:18 +00:00
Petrobras bate recorde e chega a R$ 800 bilhões em valor de mercado; ações sobem até 110% em 2026

Petrobras faz nova descoberta de petróleo em poço na costa do Amapá A Petrobras bateu recorde no valor de mercado ao atingir R$ 800 bilhões no encerramento do pregão na B3 nesta quarta-feira (14), a primeira vez que a companhia supera esse patamar. Ao longo de 2026, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram cerca de 100% e as ações ordinárias (PETR3) tiveram alta de aproximadamente 110%. “Ao longo dos últimos meses, afirmei diversas vezes que quem apostasse contra a Petrobras iria perder dinheiro. [...] A companhia está forte, eficiente e cada vez mais capaz de gerar valor”, destaca Magda Chambriard, presidente da Petrobras. 🔎 Nesta quarta-feira, as ações preferenciais (PETR4) avançaram 2,22%, enquanto as ordinárias (PETR3) registraram alta de 1,94%. Qual foi o 'trampolim' da Petrobras? Além do impulso trazido pelo cenário internacional de preços do petróleo, o mercado também reagiu a aos acordos de equalização de gastos e volumes referentes às jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos, assinados com as parceiras Shell, Total Energies e Petrogal. Com o acordo, a Petrobras receberá cerca de US$ 859 milhões líquidos, a serem pagos até novembro de 2026. A empresa também registrou uma produção própria de óleo no Brasil de 2,7 milhões de barris por dia no segundo trimestre, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025. Como fica a Petrobras? Petróleo em alta turbina caixa da empresa, mas pressiona política de preços e inflação Também houve crescimento de mais de 10% da produção de combustíveis, em comparação ao segundo trimestre de 2025, com utilização recorde do parque de refino, que alcançou FUT superior a 100% no segundo trimestre do ano. O recorde ocorre dias após a companhia ter superado pela primeira vez a marca de R$ 700 bilhões em valor de mercado (3). Governo zera tributos sobre gasolina e publica MP que libera R$ 7,5 bilhões para segurar preço do diesel Na ocasião, o movimento de alta foi impulsionado pelo anúncio de uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Petrobras: perfuração exploratória na Foz do Amazonas vai 'muito bem', diz gerente-executivo Petrobras Foto Divulgação
15/10/2026 19:31:03 +00:00
Deepfakes estão cada vez mais difíceis de detectar, alertam especialistas da OpenAI e Meta

TSE mantém proibição de deepfake na campanha, mas exige realismo para ser ilícito Especialistas em tecnologia da OpenAI e da Meta alertaram nesta quinta-feira (15) que os vídeos e áudios falsificados por inteligência artificial (IA), conhecidos como deepfakes, estão cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos autênticos. O avanço da tecnologia pode dificultar a verificação de provas apresentadas em julgamentos nos Estados Unidos. O alerta foi feito durante uma reunião em Boston do Comitê Consultivo sobre Regras de Provas da Conferência Judicial dos EUA, acompanhada pela Reuters, que discute há três anos como lidar com os riscos de materiais falsificados por IA nos tribunais. Segundo os especialistas, os avanços da chamada IA generativa — tecnologia capaz de criar conteúdos, como imagens, vídeos e áudios, a partir de comandos — tornaram as falsificações difíceis de identificar tanto por pessoas quanto por programas de computador. “As imagens geradas por IA estão ficando cada vez melhores, e não acredito que haja, no futuro, uma maneira científica de detectá-las”, disse Shira Anderson, consultora de políticas da OpenAI. Desde 2023, o comitê debate como verificar a autenticidade de materiais suspeitos de serem deepfakes e como garantir que provas produzidas com IA atendam aos mesmos critérios de confiabilidade exigidos de outros tipos de evidência, incluindo aquelas analisadas por especialistas humanos. Apesar da preocupação, ainda há poucos registros de casos do tipo nos tribunais americanos. Em março, o Centro Federal do Judiciário, órgão de pesquisa do Poder Judiciário dos EUA, informou que apenas 15 dos 931 juízes que responderam a uma pesquisa haviam enfrentado um caso em que uma das partes contestou uma prova por suspeitar que ela fosse um deepfake. “Há muitos comentários acadêmicos e de outras fontes prevendo que os tribunais terão de lidar com deepfakes, mas ainda não vimos muitos casos desse tipo”, disse o juiz federal Jesse Furman, de Manhattan, que preside o comitê. Especialistas da indústria, da academia e do governo, porém, afirmam que o risco não é apenas hipotético. Para eles, será cada vez mais difícil para os tribunais identificar provas fabricadas com inteligência artificial. Devin Norder, diretor de gestão de produtos da Meta, afirmou à Reuters que conteúdos criados pelos modelos de IA mais avançados já podem ser indistinguíveis, para os seres humanos, de mídias autênticas. Ele também destacou que produzir esse tipo de material exige pouco tempo e dinheiro. OpenAI e Meta estão entre as grandes empresas que desenvolvem ferramentas e serviços para ajudar a verificar a autenticidade de conteúdos visuais. Novas leis exigem marca d'água Na Califórnia e na União Europeia, novas leis também exigem o uso de marcas-d'água para ajudar a identificar materiais falsificados por IA. Essas marcas são sinais incorporados ao conteúdo para indicar sua origem ou auxiliar na identificação. Anderson, consultora de políticas da OpenAI, no entanto, alertou que não existe um método universal capaz de identificar com segurança todas essas marcas ou confirmar a autenticidade de um conteúdo visual. Como cada empresa utiliza seu próprio sistema, a verificação continua sujeita a limitações. “Minha impressão é que isso certamente continuará melhorando”, disse ela. “Não acho que algum dia será à prova de falhas.” Imagem ilustrativa; deepfake; crimes cibernéticos; cyberbullying. Freepik
15/10/2026 19:09:31 +00:00
Grupo Globo comunica desligamento de Frederic Kachar e reforça independência editorial de seus veículos

Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo Gabriel Reis/Valor O Grupo Globo comunicou nesta quinta-feira (15) o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar. A decisão ocorre após a revelação de conversas privadas mantidas com o banqueiro Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025. Abaixo a nota oficial. O Grupo Globo comunicou hoje o desligamento do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar. O conteúdo das conversas privadas mantidas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025, às quais a empresa teve acesso ontem, revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante. A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo. A empresa reconhece os 29 anos de dedicação de Kachar ao desenvolvimento de seus negócios de mídia e informa que o nome de seu substituto à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio será divulgado em breve. Comunicação Globo Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2026 Executivo assume interinamente No início da noite, o Grupo Globo anunciou que Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding, vai acumular interinamente a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio. Abaixo a nota oficial. Comunicamos hoje o desligamento de Frederic Kachar da direção-geral de Mídia Impressa e Rádio. Ontem, tivemos acesso ao conteúdo de conversas privadas mantidas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025 que revelaram uma relação inadequada do executivo com um anunciante da Editora Globo. Reforço aqui o nosso compromisso com a ética e a transparência e, sobretudo, reafirmo a absoluta independência editorial do jornalismo de nossos veículos, premissa essencial de nossa atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que os nossos veículos têm feito do caso Master é a demonstração mais concreta do compromisso inegociável de todos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo. Desde sempre, nossos profissionais e veículos têm trazido informações e denúncias que ganharam grande destaque e repercutiram em toda a imprensa. Nosso noticiário absolutamente independente de patrocínio ou de qualquer relação comercial pode ser verificado facilmente na cobertura dos mais diversos assuntos – a do caso Master é apenas um deles. Reconhecemos os 29 anos de dedicação de Frederic Kachar ao desenvolvimento dos negócios de mídia no Grupo Globo. Ao longo de sua trajetória, Frederic Kachar exerceu diferentes funções de liderança, assumindo, em 2008, a direção-geral da Editora Globo e, em 2015, também a da Infoglobo. Em 2018, liderou a integração dos negócios na nova Editora Globo, que reúne marcas como O GLOBO, Extra e Valor, além das publicações das Edições Globo Condé Nast e da Globo Livros. A partir de 2020, passou a responder também pelo Sistema Globo de Rádio, conduzindo iniciativas de transformação digital, modernização e reestruturação das empresas. Informamos que Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding do Grupo Globo, vai acumular interinamente a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio. João Roberto Marinho Agora no g1
15/10/2026 18:17:24 +00:00
Netflix reajusta preços dos planos no Brasil; veja novos valores

Netflix reajusta preços dos planos no Brasil; premium chega a R$ 71,90 REUTERS/Francis Mascarenhas A Netflix aumentou nesta semana os preços dos três planos de assinatura no Brasil. Com a mudança, o plano mais caro, que permite assistir a conteúdos em até quatro telas simultâneas e oferece qualidade 4K+HDR, passa a custar R$ 71,90 por mês. O reajuste ocorre em meio à notícia de que a Netflix pretende demitir cerca de mil funcionários, o equivalente a 6% de sua força de trabalho global. Essa será a maior rodada de cortes da plataforma de streaming desde 2022. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O maior aumento percentual foi no plano Padrão com anúncios, que ficou 23,9% mais caro. A modalidade permite assistir a conteúdos em até dois dispositivos simultaneamente, com qualidade Full HD. Veja os novos preços da Netflix: Padrão com anúncios: de R$ 20,90 para R$ 25,90 (alta de 23,9%); Padrão: de R$ 44,90 para R$ 51,90 (alta de 15,6%); Premium: de R$ 59,90 para R$ 71,90 (alta de 20%). Em resposta ao g1, a empresa afirmou que busca entregar "mais valor" aos assinantes e por isso optou por atualizar os preços, "para continuar investindo em entretenimento de qualidade e melhorar a experiência de todos". "Continuamos oferecendo filmes, séries, reality shows e muito mais – com opções para diferentes orçamentos", disse em nota. O último reajuste da Netflix no Brasil havia ocorrido em maio de 2024, quando os preços dos planos subiram cerca de 12%. Na ocasião, a empresa afirmou que os aumentos permitiam ampliar a oferta de filmes e séries aos assinantes. Agora no g1 Demissão em massa Nesta quarta-feira (14), o The Wall Street Journal noticiou os planos da Netflix de demitir cerca de mil funcionários, o equivalente a aproximadamente 6% de sua força de trabalho. A decisão, segundo o jornal, foi comunicada por e-mail enviado pelos co-presidentes executivos da companhia, Greg Peters e Ted Sarandos. A maior parte dos cortes deve atingir as equipes de produto, tecnologia, recursos humanos e o departamento jurídico. No fim de 2025, a empresa tinha cerca de 16 mil funcionários em tempo integral. Procurada pela agência de notícias Reuters, a Netflix não respondeu imediatamente ao pedido de comentário. 📺 As demissões ocorrem em um cenário de concorrência crescente pela atenção dos consumidores e de mudanças no mercado global de entretenimento, marcado pela concentração de empresas e pela disputa por conteúdo e serviços de streaming. Para diversificar as fontes de receita, a Netflix tem investido em publicidade, programação ao vivo e jogos, além do modelo tradicional de assinaturas. A empresa busca ampliar as formas de monetização de sua base de usuários em um mercado no qual disputa espaço com plataformas digitais, emissoras e outros serviços de streaming. Um dos movimentos recentes que ilustram a consolidação do setor foi a disputa pelos ativos de estúdio e streaming da Warner Bros. Discovery. A Netflix participou da concorrência, mas perdeu para a Paramount Skydance, que concluiu neste mês a aquisição da companhia por US$ 110 bilhões. A operação reúne sob o mesmo grupo importantes marcas do entretenimento e do jornalismo, como Warner Bros., Paramount Pictures, HBO Max, Paramount+, CNN e CBS. O negócio também combina franquias cinematográficas como Harry Potter, Batman, Missão: Impossível e Top Gun, além de estúdios, plataformas de streaming e redes de televisão. Com a fusão, a companhia combinada passa a concentrar operações em cinema, televisão, streaming e jornalismo. O grupo terá cerca de US$ 80 bilhões em dívidas e será liderado por David Ellison. As ações passaram a ser negociadas na Bolsa de Nova York sob o código “SKYD”, após deixarem a Nasdaq. A aquisição encerra uma das principais disputas recentes pelo controle de ativos de Hollywood e reforça a tendência de consolidação entre grandes empresas de mídia, que buscam reunir catálogos de conteúdo, canais de distribuição e diferentes fontes de receita para competir por audiência.
15/10/2026 17:39:08 +00:00
TCU condiciona análise de contas do BC à conclusão da análise de liquidação do Banco Master

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu condicionar o julgamento das contas do Banco Central referentes a 2025 à conclusão do processo que analisa a atuação da autoridade monetária na liquidação extrajudicial do Banco Master. Na prática, o TCU entendeu que as conclusões desse processo podem influenciar a análise das contas do BC e, por isso, decidiu aguardar uma decisão definitiva sobre o caso antes de concluir o julgamento das contas. A posição dos ministros segue a recomendação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) e contraria o entendimento da área técnica do tribunal. A decisão foi tomada na sessão da 2ª Câmara do TCU, na última terça-feira (13), em uma análise em rea, ou seja, junto com outros processos e sem discussão. STF tenta dar encaminhamento a caso Master antes da chegada do novo Senado O MPTCU recomendou suspender o julgamento do processo que analisa a liquidação do Banco Master, relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus. Segundo o órgão, os fatos apurados nesse processo podem repercutir sobre o mérito das contas do Banco Central. Já a área técnica havia proposto considerar regulares as contas dos responsáveis e conceder quitação plena, entendimento que acabou rejeitado pelos ministros. O relator das contas do BC é o ministro Jorge Oliveira. Embate entre os órgãos O tensionamento entre o Banco Central e o TCU começou no fim do ano passado, quando o ministro Jhonatan de Jesus determinou que a autoridade monetária apresentasse, em 72 horas, esclarecimentos sobre supostos indícios de que a liquidação do Banco Master teria ocorrido de forma "precipitada". O ministro também decretou sigilo sobre o processo. Dias depois, no auge do atrito entre os órgãos, Jhonatan determinou uma inspeção nos documentos do BC por considerar que ainda faltavam informações para embasar as explicações apresentadas pela autoridade monetária sobre a liquidação, decretada em novembro. O Banco Central recorreu. Argumentou que a inspeção não poderia ser determinada individualmente pelo relator e deveria ser submetida ao colegiado do TCU. Jhonatan acolheu o pedido para levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, mas contestou o argumento apresentado pelo BC. "Sob o ângulo regimental, não procede a premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado", afirmou o ministro à época. Jhonatan também disse que a decisão de submeter o assunto ao plenário levou em consideração a "dimensão pública" alcançada pelo caso. Em meio a isso, um parecer da equipe técnica do TCU em fevereiro já afastava a existência de irregularidades ou omissões na atuação do Banco Central no processo de liquidação do Master. "Concluiu-se, ao final, que não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil. A decretação da liquidação extrajudicial foi considerada medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada, adotada tempestivamente após o esgotamento fático das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição supervisionada", diz o parecer dos técnicos envolvidos na auditoria. Banco Master Reprodução/TV Globo Processo foi suspenso em março Em março, Jhonatan de Jesus suspendeu a análise da atuação do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master até a conclusão de outras investigações relacionadas ao caso. Na ocasião, o ministro afirmou que aguardar os demais procedimentos permitiria ao tribunal decidir com um conjunto mais completo de informações. “Entendo que a apreciação imediata do relatório de inspeção e do mérito da representação, neste momento processual, não se afigura a medida mais adequada, sob pena de o julgamento ocorrer com grau de completude inferior ao desejável, quando há perspectiva concreta de superveniência de elementos oficiais aptos a qualificar o juízo definitivo”, afirmou o ministro.
15/10/2026 17:19:31 +00:00
Amazon lança dispositivos de IA que resumem conversas e criam lembretes

Celular tá caro: o que a IA tem a ver com o aumento do preço de celulares? A Amazon anunciou nesta quinta-feira (15) dois novos dispositivos de inteligência artificial (IA) da linha Bee, capazes de transformar conversas em resumos, listas de tarefas, lembretes e recomendações personalizadas. Segundo a companhia, os aparelhos foram desenvolvidos para ajudar o usuário a guardar informações importantes e organizar as atividades do dia a dia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A partir das conversas captadas, a IA identifica os principais assuntos discutidos e sugere ações, como tarefas a cumprir e compromissos a agendar. Os novos produtos são o Bee Frontier, que pode ser usado no pulso ou preso à roupa, e o Bee Eclipse, um dispositivo compacto que se conecta magneticamente à parte traseira do celular. Em julho de 2025, a Amazon adquiriu a Bee, startup de São Francisco, nos EUA, conhecida por desenvolver uma pulseira equipada com IA e microfones capazes de captar, transcrever e analisar conversas. O valor da aquisição não foi divulgado. Além dos novos aparelhos, a empresa anunciou recursos que permitem conectar o Bee a aplicativos como Gmail, Google Agenda e Microsoft Outlook. A empresa também anunciou a possibilidade de integração com a Alexa+, versão de seu assistente virtual que utiliza recursos de inteligência artificial. Com a integração, a ferramenta pode identificar tarefas discutidas em reuniões, preparar rascunhos de e-mails e criar convites para compromissos no calendário. Como funcionam os dispositivos Novos aparelhos Bee podem ser usados no pulso, presos à roupa ou acoplados ao celular; modelo mais barato custa US$ 74,99. Divulgação O Bee Frontier é um dispositivo vestível que pode ser usado como pulseira ou preso à roupa. Segundo a Amazon, o aparelho tem bateria com duração de até sete dias, resistência à água e carregamento por USB-C. O modelo conta com dois microfones e tecnologia de redução de ruído, que permite captar conversas mesmo em ambientes movimentados. O usuário pode controlar o processamento de áudio por meio de um botão e de uma luz indicadora que sinaliza quando o dispositivo está ativo. Já o Bee Eclipse tem formato fino e leve, aproximadamente do tamanho de um cartão de crédito, e se fixa magneticamente à parte traseira do celular. De acordo com a empresa, a bateria dura mais de 21 dias com uma única carga. Os dois dispositivos permitem consultar resumos das conversas, recuperar informações discutidas anteriormente e organizar tarefas a partir do conteúdo registrado. A Amazon afirma que o áudio não é armazenado e que as transcrições são criptografadas com chaves criadas e controladas pelo dispositivo do usuário. Os aparelhos contam com controles físicos para ligar e desligar o processamento de áudio e luzes indicadoras que mostram quando estão ativos. No Bee Frontier, também é possível configurar o desligamento automático após um período sem detectar sons. Segundo a empresa, os usuários são orientados a pedir autorização aos participantes de uma chamada sempre que uma gravação for iniciada. Bee Eclipse é um acessório magnético para celular Divulgação O Bee Frontier já está à venda nos EUA por US$ 74,99 (cerca de R$ 379), nas cores ônix, lavanda e sálvia. O Bee Eclipse será lançado posteriormente, com preço inicial de US$ 99,99 (aproximadamente R$ 504) e opções nas cores prata, meia-noite, mel e rosa. A Amazon não informou quando os dispositivos chegarão a outros países, incluindo o Brasil. A compra dos dispositivos inclui resumos de conversas e histórico dos últimos 14 dias. Já o plano Bee Pro, por US$ 11,99 mensais, oferece resumos ilimitados, integração com aplicativos, lembretes, sugestões de tarefas e acesso ao aplicativo para computadores.
15/10/2026 15:13:29 +00:00
Irmãos Batista concluem compra da Avibras, fabricante de armas e foguetes de Jacareí, SP

Irmãos Batista concluem compra da Avibras, fabricante de armas e foguetes de Jacareí Divulgação Os empresários Joesley e Wesley Batista concluíram, nesta quinta-feira (15), a compra da Avibras Aeroco, indústria bélica que fabrica armas militares e tecnologia aeroespacial em Jacareí, no interior de São Paulo. A Avibras passa a ser controlada pela Globe Investimentos, empresa de investimentos pessoais dos irmãos Batista. A conclusão da venda foi anunciada em comunicado conjunto enviado pelos compradores e pela Avibras. A Globe passa a ser a única acionista da Nova AVB, empresa que detém todas as ações da fabricante. Com a mudança de controle, a Avibras afirma que pretende acelerar a retomada da produção e ampliar as vendas para outros países. O plano anunciado pelos novos controladores tem foco nas exportações, mas não detalha metas de produção, investimentos ou prazos para a expansão das atividades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Bruno Dantas assumirá a presidência executiva do Conselho de Administração da companhia. Segundo o comunicado, ele ficará responsável por apoiar a recuperação da capacidade industrial e buscar novos mercados para os produtos da empresa. Agora no g1 A venda ocorre após um período de crise financeira que paralisou as atividades da fabricante. Em 2022, a Avibras entrou em recuperação judicial, informou ter uma dívida de cerca de R$ 600 milhões e demitiu aproximadamente 400 trabalhadores. Os atrasos nos salários levaram os funcionários a iniciar uma greve que durou mais de três anos. A retomada das operações começou em maio de 2026, quando a unidade de Jacareí voltou a funcionar com cerca de 480 trabalhadores. No início de outubro, a empresa entregou o primeiro lote de munições ao Exército Brasileiro desde a retomada das atividades. A Globe destacou em nota que a operação mantém o controle da Avibras 100% nacional. Apesar de Joesley e Wesley Batista também serem ligados ao conglomerado J&F, a empresa não faz parte do grupo que comprou a indústria bélica. A conclusão da aquisição ocorreu após a aprovação da operação pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - relembre clicando aqui. Avibras avança na certificação de míssil Divulgação/Avibras O que a Avibras produz Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras é uma das empresas brasileiras especializadas no desenvolvimento de equipamentos de defesa. Entre seus principais produtos está o sistema ASTROS, usado pelo Exército Brasileiro para lançar foguetes e mísseis. A empresa também desenvolve mísseis táticos, foguetes para aeronaves e helicópteros e sistemas de defesa antiaérea. A atuação não se limita ao setor militar. A fabricante também desenvolve motores-foguete, sistemas de propulsão e veículos suborbitais voltados ao setor espacial. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
15/10/2026 15:11:21 +00:00
Para proteger menores, governo pede fiscalização de seis jogos com riscos semelhantes aos das bets

O Ministério da Justiça pediu à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), por meio de nota técnica, uma investigação sobre seis jogos que contêm as chamadas caixas de recompensa (loot boxes) por exporem crianças e adolescentes a riscos semelhantes aos das apostas online — proibidas no Brasil. O pedido está relacionado aos seis meses de vigência do ECA Digital, lei que protege crianças e adolescentes na internet, e proibiu o acesso de menores a mecanismos de recompensa aleatória em jogos eletrônicos. Os jogos citados na nota técnica são: NBA 2K26 e WWE 2K26, da Take-Two Interactive; Counter-Strike 2, da Valve; Call of Duty, da Activision; Genshin Impact, da HoYoverse; e PUBG Mobile, da Tencent Games. Segundo a nota, esses jogos mantêm as caixas de recompensa e têm classificação indicativa de 18 anos, mas não implementaram mecanismos de verificação de idade para impedir o acesso de crianças e adolescentes. Operação contra bets ilegais prende três suspeitos e mira bloqueio de até R$ 154 milhões 🔎As caixas de recompensa permitem aos jogadores comprarem, por pagamento direto ou moeda virtual, itens virtuais ou vantagens cujo conteúdo é definido de forma aleatória. O levantamento é preliminar e, segundo a nota, não permite concluir, por si só, que as empresas estejam descumprindo o ECA Digital. Caberá à fiscalização verificar a situação de cada jogo. De acordo com relatório da Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa, do Ministério da Justiça, o elemento central do mecanismo é a incerteza: o jogador paga antes de saber o que receberá, e o resultado é sorteado segundo probabilidades definidas pelo próprio fornecedor do jogo. É a combinação de pagamento, sorte e expectativa de recompensa que, segundo o Ministério da Justiça, aproxima o funcionamento desses mecanismos ao das apostas, como as bet. "A análise indica que a exposição às caixas de recompensa na infância e adolescência está associada, segundo a literatura científica examinada, a desfechos ligados ao jogo problemático, sofrimento psicológico e danos financeiros, embora essa associação não autorize, isoladamente, afirmar relação causal direta com transtornos clínicos", diz a nota do Ministério da Justiça. Segundo o documento, esse tipo de funcionamento pode incentivar compras repetidas, já que o jogador não sabe quantas tentativas serão necessárias para conseguir determinada recompensa e pode continuar gastando dinheiro nessa expectativa. A nota também pede que as informações sejam enviadas ao Ministério da Saúde para subsidiar estudos sobre os impactos das caixas de recompensa na saúde mental de crianças e adolescentes "Vale destacar que a associação entre a compra de caixas de recompensa por crianças e adolescentes e comportamento problemático de apostas não decorre apenas de um estudo isolado, mas um conjunto de estudo, que atravessa países", acrescenta o governo. Caberá à ANPD analisar as informações apresentadas pelo Ministério da Justiça e decidir sobre a eventual adoção de medidas. O levantamento não é definitivo, e outros jogos ainda podem ser incluídos na lista. Acesso bloqueado Brasil Sem Bets bets site celular Isabela Ortiz/g1
15/10/2026 15:00:45 +00:00
Tesla lança Roadster hoje; Musk diz que esportivo é mais insano que os carros do agente James Bond

Protótipo do novo Tesla Roadster foi mostrado em 2017. Divulgação / Tesla A Tesla apresenta na noite desta quinta-feira (15) a segunda geração do esportivo elétrico Roadster. O anúncio ocorre quase nove anos após a montadora mostrar pela primeira vez a nova geração do carro. O protótipo foi revelado em 2017 com preço de US$ 200 mil e previsão inicial de entregas para 2020. O valor de tabela não foi atualizado desde então, mas as reservas continuam ativas mediante pagamento de US$ 50 mil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em outubro de 2025, Elon Musk, CEO da Tesla, afirmou que o novo Roadster poderia "voar". A afirmação ocorreu durante entrevista ao podcast de Joe Rogan, na qual o executivo confirmou que o desenvolvimento do carro esportivo continuava em andamento. Durante a conversa, Musk citou a frustração de não existirem carros voadores no mundo atual. O executivo completou dizendo que as pessoas deveriam ser capazes de comprar um. Agora no g1 Questionado se a empresa está desenvolvendo um veículo voador elétrico e se o modelo terá asas retráteis, Musk evitou confirmar as características. O executivo disse que o evento de lançamento do Roadster será “inesquecível” e afirmou que o modelo possui uma tecnologia considerada “muito louca”. Na entrevista, Musk chegou a questionar se o veículo ainda pode ser classificado como um carro, apesar de manter o visual de um automóvel. Na comparação feita pelo empresário, o novo Roadster reúne características mais insanas do que todos os veículos do personagem James Bond combinados. Protótipo do novo Tesla Roadster foi mostrado em 2017. Divulgação / Tesla Impacto nos resultados O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, minimizou a importância do carro para as finanças da empresa. Em 2023, o executivo descreveu o projeto como uma situação pequena que não mudaria os resultados financeiros de forma expressiva. Ainda assim, o modelo carrega um peso simbólico. O analista da Morningstar, Seth Goldstein, afirmou em nota em setembro que a Tesla não possui hoje um veículo de luxo de alto desempenho para exibir sua melhor engenharia e tecnologia. Segundo o especialista, o Roadster assumirá esse papel. No anúncio do protótipo em 2017, Musk indicou que a versão de quatro lugares teria autonomia de 1.000 quilômetros com uma única carga. Em 2024, o executivo publicou na rede social X que o projeto havia sido redesenhado. Interior do protótipo do novo Tesla Roadster mostrado em 2017. Divulgação / Tesla O novo esportivo é fruto de uma colaboração entre a Tesla e a SpaceX, empresa de foguetes também liderada por Musk. A promessa é que o veículo acelere de 0 a 100 km/h em menos de um segundo. Na publicação, o executivo afirmou que essa é a parte menos interessante da novidade. A Morningstar projeta que a Tesla venda cerca de 2 mil unidades do Roadster por ano. O volume representa uma fração diante dos 1,6 milhão de veículos comercializados pela marca no ano passado. O primeiro modelo da Tesla foi justamente o Roadster, o modelo chegou em 2008 e usava base da Lotus. Divulgação / Tesla Primeiro Tesla Lançado em 2008 e vendido até 2012, o primeiro Roadster foi o veículo elétrico pioneiro da empresa e utilizava o chassi do Lotus Elise. O projeto ajudou a mudar a visão do mundo sobre o que um carro elétrico poderia ser. Uma unidade até foi lançada ao espaço. Desde então, a fabricante ficou conhecida pelos utilitários esportivos Model Y e Model X e pelos sedãs Model S e Model 3. A revelação da nova geração acontece em um momento de mudança de foco da Tesla. A companhia tem transferido a prioridade da fabricação de carros para motoristas humanos em direção à robótica e tecnologias de direção autônoma guiadas por inteligência artificial. Neste ano, a montadora parou de vender os modelos Model S e Model X para abrir espaço para a produção de seus robôs humanoides Optimus. A empresa também lançou o Cybercab, um robô-táxi de dois lugares projetado sem controles manuais, como volante, pedais e retrovisores. *Com informações da Reuters
15/10/2026 12:22:12 +00:00
6x1, 5x2, 4x3 e 12x36: entenda como funcionam as escalas de trabalho

Como funcionam as principais escalas de trabalho no Brasil? A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra o texto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para acelerar a tramitação, a votação ocorreu em dois turnos no mesmo dia. As novas regras, porém, não entram em vigor imediatamente. Com a aprovação, a emenda constitucional será promulgada pela Mesa do Congresso Nacional, sem necessidade de sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. As novas regras começam a produzir efeitos após a publicação no Diário Oficial. "Embora esse processo possa levar alguns dias, a expectativa é de que, neste caso, seja rápido. Minha estimativa é que a promulgação e a publicação ocorram até o fim da semana", explica Rubens Beçak, professor de Direito Constitucional da USP. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e garante dois dias de descanso remunerado por semana. A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal, que atualmente estabelece uma jornada máxima de 44 horas semanais. Pelo texto aprovado, a redução da carga horária ocorrerá em duas etapas. Primeira etapa: Iniciada 60 dias após a promulgação da emenda; redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais; garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Segunda etapa: Iniciada 12 meses após a primeira fase; redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais. O texto determina que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial nem afetar os pisos salariais das categorias profissionais. Vale lembrar que a escala 6x1 não é a única adotada no Brasil. As escalas de trabalho variam conforme a atividade e o regime de trabalho e devem respeitar as regras previstas na legislação trabalhista. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que as escalas estabelecem a distribuição dos dias de trabalho e de descanso. A jornada e os intervalos também podem variar de acordo com a escala, o setor e as regras aplicáveis a cada categoria. Na prática, o que diferencia uma escala da outra é a distribuição dos dias trabalhados e de descanso ao longo do período. Entre os modelos adotados estão as escalas 6x1, 5x2, 4x3 e 12x36. Entenda como funcionam as principais escalas de trabalho no Brasil Marcelo Camargo/Agência Brasil Veja abaixo como funciona cada um deles: 6x1: Um dos formatos mais tradicionais no Brasil, com seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de folga. Para cumprir o limite de 44 horas semanais, a jornada diária gira em torno de 7 horas e 20 minutos. É um modelo amplamente adotado em setores que demandam operação contínua, como comércio, indústria e serviços essenciais. 5x2: São cinco dias de trabalho e dois de descanso, que não precisam ser consecutivos — embora o mais comum seja a folga aos sábados e domingos. Nesse modelo, a jornada diária costuma ser de 8 horas e 48 minutos para totalizar as 44 horas semanais, ou de 8 horas diárias quando a carga semanal é de 40 horas. 4x3: Modelo mais recente, com quatro dias de trabalho e três de descanso. Para cumprir as 44 horas semanais, a jornada diária precisaria ser de 11 horas, acima do limite legal de 10 horas diárias (8 horas regulares mais até 2 horas extras). Por isso, a aplicação geralmente está associada a uma carga semanal reduzida, como 36 horas (com 9 horas diárias), e depende de negociação por meio de acordo ou convenção coletiva. 12x36: Regime especial em que o empregado trabalha por 12 horas consecutivas e descansa pelas 36 horas seguintes. Comum em setores como saúde e segurança, esse modelo foi validado pela reforma trabalhista e pode ser instituído por acordo individual escrito. Em um mês, o trabalhador costuma trabalhar cerca de 15 dias e folgar outros 15, em ciclos alternados. Abaixo, veja as principais características de cada escala: Segundo Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP), independentemente da escala adotada, o intervalo para repouso e alimentação e o descanso semanal remunerado são direitos que devem ser garantidos. “A legislação trabalhista brasileira permite a adoção dessas escalas, desde que respeitados os limites de jornada e os direitos do trabalhador. No entanto, a necessidade de acordo ou convenção coletiva varia conforme o modelo”, explica. Ela destaca que as escalas 6x1 e 5x2 estão alinhadas ao limite constitucional de até 8 horas diárias e 44 horas semanais e, por isso, podem ser adotadas diretamente no contrato de trabalho, sem necessidade de acordo coletivo, desde que esses parâmetros sejam respeitados. Já a escala 12x36 passou a ter respaldo legal com a reforma trabalhista de 2017, que permitiu sua adoção por meio de acordo individual escrito ou de negociação coletiva. Antes disso, esse modelo só era considerado válido quando previsto em convenção ou acordo coletivo. A escala 4x3, por sua vez, não tem previsão específica na legislação e exige maior cautela. Segundo Eliane, a adoção depende de negociação coletiva, já que, para cumprir 44 horas semanais, a jornada diária ultrapassaria o limite legal de horas permitidas. Mas como fica a remuneração? 💸 A escala de trabalho não altera o salário-base do trabalhador, definido pela jornada contratual. O principal impacto está na forma de cálculo das horas extras e dos adicionais. O valor da hora de trabalho serve como base para esses cálculos, e qualquer período que ultrapasse a jornada diária ou semanal prevista deve ser remunerado como hora extra, com adicional mínimo de 50%. Nas escalas 6x1 e 5x2, a regra segue o padrão: ultrapassada a jornada, há pagamento de hora extra. Na escala 12x36, a legislação considera compensados os feriados trabalhados e a prorrogação do trabalho noturno, pela própria natureza do regime. Nesse modelo, só há pagamento de horas extras quando a jornada ultrapassa as 12 horas previstas. Trabalho aos finais de semana e feriados 👷🏽‍♀️ Todo trabalhador, independentemente da escala, tem direito ao Descanso Semanal Remunerado (DSR), que é pago mesmo quando não há prestação de serviço naquele dia. Ana Maria Fiorencio, advogada trabalhista do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, explica que a Justiça do Trabalho tem garantido que empregados de setores autorizados a funcionar aos domingos tenham folga dominical ao menos uma vez a cada três semanas. No caso das mulheres, a folga aos domingos deve ocorrer, no mínimo, a cada 15 dias. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) deve julgar o Tema 49, que busca uniformizar o entendimento sobre a obrigatoriedade da concessão de folga aos domingos — a cada três semanas — nas escalas 6x1 ou 5x1. Caso essa regra não seja observada, o empregador pode ser obrigado a pagar o dia em dobro. Outra mudança relevante ocorreu com a nova regulamentação do trabalho no comércio em feriados. A portaria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determina que, como regra, o funcionamento do comércio em feriados depende de autorização prevista em convenção coletiva. Para os feriados, vale a regra geral da CLT: o trabalho nesses dias só é permitido com autorização em acordo coletivo e, quando ocorre, deve ser remunerado em dobro — exceto na escala 12x36, em que a compensação e o pagamento já estão previstos no regime. A empresa pode mudar a escala sozinha? 📆 A mudança na escala é considerada uma alteração relevante do contrato de trabalho — e, por isso, segundo o artigo 468 da CLT, só é válida quando houver mútuo consentimento e desde que não haja prejuízo ao empregado. Alterações que inviabilizem outro emprego, comprometam os estudos ou afetem o cuidado com filhos podem ser contestadas judicialmente. Em casos de necessidade operacional comprovada, pode haver flexibilização, mas a empresa deve justificar a mudança e comunicá-la previamente. “A empresa pode realizar a mudança se houver uma justificativa operacional real, se essa possibilidade estiver prevista no contrato de trabalho e, idealmente, se houver a concordância do funcionário. Comunicação prévia e transparência são fundamentais para minimizar conflitos”, afirma Eliane Aere. Trabalho no comércio em feriados passa a exigir convenção coletiva Tânia Rêgo/Agência Brasil Direitos que não podem ser alterados 🚫 A legislação trabalhista prevê um conjunto de direitos que não podem ser suprimidos ou reduzidos por acordo coletivo ou por mudança de escala. Entre eles estão: Salário mínimo; Depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); 13º salário; Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; Proteção do salário; Férias anuais de 30 dias, com adicional de um terço; Descanso semanal remunerado; Licença-maternidade (mínimo de 120 dias) e licença-paternidade; Aviso prévio proporcional; Normas de saúde, higiene e segurança do trabalho. Segundo Eliane Aere, esses direitos formam uma base mínima de proteção ao trabalhador, e nenhuma escala pode se sobrepor a eles. Erros mais comuns cometidos pelas empresas ❌ Entre as irregularidades mais frequentes cometidas pelas empresas na aplicação dessas escalas de trabalho estão: Não concessão do descanso semanal Desrespeito ao intervalo intrajornada Não pagamento de horas extras Folgas dominicais irregulares Compensação de jornada sem acordo válido Descumprimento do intervalo mínimo de 11 horas entre jornadas Horas extras habituais na escala 12x36, descaracterizando o regime Pagamento de horas extras a menor Diante de irregularidades, o trabalhador pode buscar o RH da empresa, o sindicato ou o Ministério do Trabalho e, em último caso, ingressar com ação trabalhista. Impactos na qualidade de vida ‼️ Especialistas alertam que a escolha da escala de trabalho tem impacto direto na saúde e no bem-estar dos funcionários. Escalas com folgas mais longas podem favorecer a recuperação física e mental, desde que não impliquem jornadas excessivamente extensas. Embora empresas que adotaram testes-piloto relatem ganhos de produtividade e bem-estar, entidades como a ABRH-SP defendem que qualquer mudança ocorra, preferencialmente, por meio da negociação coletiva, considerando as particularidades de cada setor. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com saúde mental, burnout e a sustentabilidade das jornadas, mantendo o tema no centro das discussões. O peso das urnas na aprovação do fim da escala 6x1
15/10/2026 12:18:57 +00:00
Correios oferece descarte gratuito de eletrônicos em 6 mil agências

Correios Marcelo Camargo Os Correios passam a receber, a partir deste mês, equipamentos eletroeletrônicos para descarte em mais de 6 mil agências que oferecem o serviço Balcão do Cidadão. A iniciativa, realizada em parceria com a Circular Brain, é gratuita e não exige agendamento prévio. Para utilizar o serviço, o consumidor deve colocar os equipamentos em uma caixa com peso de até 30 kg e levá-la aberta a uma agência participante. As unidades que oferecem o serviço podem ser encontradas neste link, que mostra outros parceiros da Circular Brain além dos Correios. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O atendente fecha a embalagem no momento da postagem. Em seguida, o cliente informa nome, CPF, endereço, e-mail e telefone e recebe um comprovante do envio. 📱 Podem ser descartados celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros equipamentos eletrônicos de pequeno porte. Pilhas, baterias e lâmpadas não são aceitas nessa modalidade. Após a postagem, os materiais são encaminhados à Rede Circulare, operada pela Circular Brain, que direciona cada remessa ao reciclador homologado mais próximo. O processo é rastreado até a destinação final dos resíduos. Segundo dados de 2022 da Global E-waste Statistics Partnership, iniciativa da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Desse total, apenas cerca de 3% é coletado formalmente. Segundo os Correios, a iniciativa busca ampliar o acesso da população ao descarte adequado desses materiais. Os Correios estão presentes em todos os municípios brasileiros e contam com mais de 10 mil agências, embora o novo serviço esteja disponível inicialmente nas mais de 6 mil unidades que oferecem o Balcão do Cidadão. “Milhões de brasileiros já utilizam as agências dos Correios em seu dia a dia. Agora, essa capilaridade também contribui para que a população tenha mais facilidade para dar a destinação correta a equipamentos eletrônicos sem uso”, afirma o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, em comunicado. A destinação correta desses resíduos também está prevista na legislação brasileira. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e o Decreto nº 10.240/2020 determinam que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de eletroeletrônicos criem sistemas para recolher produtos descartados pelos consumidores e encaminhá-los para a destinação correta, como a reciclagem. Esse processo é chamado de logística reversa. O lançamento ocorre em outubro, mês em que é celebrado, no dia 14, o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, data dedicada à conscientização sobre a importância do descarte adequado desses materiais.
15/10/2026 12:04:03 +00:00
Dólar fecha em alta e vai a R$ 5,08, com foco em inflação americana e pesquisas eleitorais; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quinta-feira (15), com um avanço de 1,17%, cotado a R$ 5,0871. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve queda de 1,06%, aos 204.324 pontos. O cenário político brasileiro seguiu sob os holofotes, conforme investidores repercutem novas pesquisas eleitorais e a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. Indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos também ficaram no radar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No Brasil, o tema do dia foi a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. A proposta foi aprovada pelo Senado na última quarta-feira por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso e a expectativa é que as mudanças aconteçam de forma gradativa. ▶️ No quadro eleitoral, Flávio Bolsonaro apareceu com 46% das intenções de voto no 2º turno, contra 44% de Lula. Os dados são da nova pesquisa Quaest, divulgada na véspera. Nesta quinta-feira, um novo levantamento deve ser divulgado pelo Datafolha. Acompanhe as pesquisas eleitorais no g1. ▶️ Na agenda econômica, o destaque ficou com o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA. O indicador subiu 1,3% em setembro, no maior avanço em mais de quatro anos, em meio à alta dos custos de bens e serviços. 🔎 Os dados reforçam a expectativa de que o Fed possa elevar os juros no fim deste mês. Taxas mais altas nos EUA tendem a fortalecer o dólar e a afastar investidores de mercados emergentes, como o Brasil, além de aumentar a pressão para manter os juros elevados por aqui. ▶️ No Brasil, o foco esteve com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de agosto. As vendas no varejo subiram 0,1% em agosto sobre julho na série com ajuste sazonal, abaixo do esperado pelo mercado, que previam alta de 0,7%, segundo a Reuters. O resultado acompanha dados mais fracos da indústria e de serviços e confirma a desaceleração da atividade econômica brasileira. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,06%; Acumulado do mês: -1,69%; Acumulado do ano: -7,32%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,32%; Acumulado da semana: -2,28% Acumulado do mês: +9,64%; Acumulado do ano: +26,80%. Flávio Bolsonaro segue em vantagem no 2º turno, diz pesquisa A primeira pesquisa Quaest do segundo turno, divulgada nesta quarta-feira (14), mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Os dois estão em empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo. Veja os números: Flávio Bolsonaro (PL): 46% Lula (PT): 44% Indecisos: 1% Branco/nulo/não vai votar: 9% A Quaest ainda divulgou uma pesquisa sobre a aprovação do governo Lula, mostrando que 48% desaprovam a gestão do petista, enquanto 45% aprovam. Outro levantamento mostrou, ainda, que 43% dos brasileiros têm medo da volta da família Bolsonaro com a possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que outros 43% têm medo da reeleição de Lula (PT). Em relação à última edição da pesquisa, de 3 de outubro, às vésperas do primeiro turno, houve um aumento de 3% nas respostas que citam o medo do retorno da família Bolsonaro. No levantamento anterior, o percentual foi de 40%, menor patamar desde 5 de agosto. Já os participantes que disseram ter mais medo da reeleição de Lula se mantiveram estáveis (43%) desde 21 de setembro. A expectativa, agora, é pela nova pesquisa do Datafolha, que deve ser divulgada nesta quinta-feira. Fim da escala 6x1 A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta. Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. Ela começa a produzir efeitos após a publicação no Diário Oficial. Como o g1 mostrou, a expectativa é que as mudanças comecem a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. A partir desse prazo, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que fosse assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A proposta também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. Durante o primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima passará a ser de 40 horas. Quais são os próximos passos? Veja perguntas e respostas Quais profissões devem ser afetadas e quem fica de fora Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários fecharam em alta nesta quinta-feira, enquanto os investidores repercutiam novos dados de inflação e atividade econômica no país. O Dow Jones avançou 1,01%, seguido pelo S&P 500, que subiu 0,32%, e pelo Nasdaq Composite, com alta de 0,07%. Do outro lado do Atlântico, as bolsas na Europa atingiram o maior nível em mais de duas semanas, impulsionadas por balanços sólidos e por uma alta no setor de saúde. O índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,38%. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,33%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,78% e o FTSE 100, do Reino Unido, ganhou 1,08%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam no menor patamar em 14 meses, acompanhando a fraqueza generalizada nos mercados globais e em meio à queda dos papéis do setor de tecnologia. O SSEC, índice de Xangai, e o CSI300, índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caíram 1,6%. Entre os demais índices da região, o Nikkei, do Japão, perdeu 4,90% e o Hang Seng, de Hong Kong, desvalorizou 1,03%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve perdas de 7,57%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar John Guccione/Pexels
15/10/2026 12:00:20 +00:00
OpenAI acusa ex-funcionário de levar arquivos sobre aparelho não lançado para a Apple

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo A OpenAI acusa um ex-funcionário de ter transferido para uma conta pessoal mais de 100 arquivos da empresa sobre um aparelho ainda não lançado. Ele deixou a criadora do ChatGPT para trabalhar na Apple. Segundo a OpenAI, o ex-colaborador fez uma apresentação sobre o produto para a alta direção da dona do iPhone. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A acusação consta de um documento apresentado pela OpenAI a um tribunal federal em San Jose, na Califórnia, nos Estados Unidos. A empresa afirma que a apresentação ocorreu meses atrás e que a Apple agora desenvolve seus próprios produtos de inteligência artificial. Como exemplo, cita o lançamento do HomeView nesta semana. Agora no g1 "A OpenAI está muito preocupada com o fato de seus segredos comerciais e informações confidenciais estarem circulando dentro da Apple, onde os engenheiros deles podem moldar os próximos produtos da empresa com base no trabalho confidencial e inovador da OpenAI", afirmou a criadora do ChatGPT no documento. A Apple disse que tem políticas e procedimentos para garantir que novos funcionários não utilizem informações confidenciais de empregadores anteriores. A empresa afirmou ainda que não encontrou evidências que sustentem as acusações da OpenAI.
15/10/2026 11:51:35 +00:00
Fim da escala 6x1 também afeta quem trabalha de segunda a sexta; veja o que muda

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra o texto. A redução também poderá afetar quem já trabalha de segunda a sexta-feira. Atualmente, trabalhadores com jornada de 44 horas podem compensar as quatro horas de sábado ao longo da semana. Com o limite de 40 horas semanais, essa jornada diária poderá ser reduzida, sem diminuição salarial (veja mais abaixo). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para acelerar a tramitação, a votação ocorreu em dois turnos no mesmo dia. As novas regras, no entanto, não entram em vigor imediatamente. Com a aprovação pelo Senado, a emenda constitucional seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. A mudança começará a produzir efeitos dois meses após a publicação da emenda constitucional no Diário Oficial. (veja como vai funcionar) O texto prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal, que atualmente estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Pelo texto aprovado, a redução da carga horária ocorrerá em duas etapas. Primeira etapa: Iniciada 60 dias após a promulgação da emenda; redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais; garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Segunda etapa: Iniciada 12 meses após a primeira fase; redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais. O texto também estabelece que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial nem afetar os pisos das categorias profissionais. Além disso, também será permitido a compensação prevista em norma coletiva, desde que seja garantida a média de dois dias de descanso por semana, com pelo menos um dia de repouso a cada sete dias. Segundo Vivian De Camillis, especialista em direito do trabalho e sócia da área trabalhista do escritório Tilkian Marinelli Marrey, se as 42 horas semanais forem distribuídas igualmente por cinco dias de trabalho, a jornada será de 8 horas e 24 minutos por dia. Quando o limite chegar a 40 horas, a jornada corresponderá a oito horas diárias, caso também seja dividida igualmente em cinco dias. Redução da jornada também afeta quem já trabalha de segunda a sexta A mudança também poderá impactar trabalhadores que já cumprem a escala 5x2, de segunda a sexta-feira, com folgas aos sábados e domingos. Atualmente, quem tem jornada de 44 horas semanais pode trabalhar oito horas de segunda a sexta-feira e mais quatro horas no sábado. Para compensar o sábado, muitas empresas distribuem essas horas ao longo da semana, ampliando a jornada diária para 8 horas e 48 minutos. Com a redução do limite para 40 horas semanais, esses profissionais também poderão ter a jornada diária reduzida, sem diminuição salarial. “Assim, esses trabalhadores também poderão ter a jornada diária reduzida, sem precisar trabalhar horas a mais durante a semana para compensar o sábado”, explica Vivian De Camillis. Na prática, quem trabalha atualmente 8 horas e 48 minutos por dia, de segunda a sexta-feira, poderá passar a cumprir oito horas diárias ao final da transição. Já quem trabalha 40 horas semanais, com dois dias de descanso, não terá redução automática da carga horária nem direito a uma terceira folga em razão da mudança, segundo a advogada Bárbara Ferrari, especialista em direito do trabalho e sócia do Ferrari Rodrigues Advogados. Mas como fica a jornada na prática? A quantidade de horas trabalhadas por dia dependerá da distribuição da jornada ao longo da semana. Considerando uma divisão igual em cinco dias de trabalho, os limites serão: A partir de dois meses da publicação: limite de 42 horas semanais, equivalente a 8 horas e 24 minutos por dia, se a jornada for distribuída igualmente em cinco dias. Após um ano de transição: limite de 40 horas semanais, equivalente a 8 horas por dia, em cinco dias de trabalho. A redução para 40 horas semanais, porém, não significa que todos os trabalhadores terão necessariamente a mesma jornada diária. A distribuição das horas poderá variar, respeitados os limites constitucionais e as regras aplicáveis. Na prática, quem trabalha 8 horas e 48 minutos por dia, de segunda a sexta-feira, passará a cumprir 8 horas diárias. Já os trabalhadores que fazem 40 horas semanais, com dois dias de descanso, não terão redução automática da jornada nem direito a uma terceira folga. Folgas não precisam ser aos sábados e domingos O fim da escala 6x1 também tem gerado dúvidas sobre a obrigatoriedade de folgas aos sábados e domingos. A proposta não determina, necessariamente, que os dois dias de descanso coincidam com o fim de semana nem que sejam consecutivos. Segundo o advogado trabalhista Antonio Vasconcellos Junior, a proposta prevê dois períodos de descanso remunerado por semana, cada um com 24 horas consecutivas. Isso significa que o trabalhador deve ter dois intervalos de repouso de um dia inteiro, mas eles não precisam ocorrer necessariamente um após o outro. Na prática, um trabalhador pode folgar na terça e na quinta-feira, por exemplo, ou descansar no sábado e no domingo. A organização dependerá da escala de trabalho e das regras aplicáveis à categoria. “O essencial é que sejam assegurados dois períodos de descanso semanal, cada um com 24 horas consecutivas, independentemente dos dias em que ocorram”, afirma Vasconcellos Junior, sócio-fundador do AVJ Advogados. O advogado trabalhista Maurício Corrêa da Veiga complementa que a legislação atual já assegura um descanso semanal de 24 horas, preferencialmente aos domingos, mas não obrigatoriamente nesse dia. Na prática, a distribuição das folgas poderá variar conforme o setor e o tipo de atividade da empresa, especialmente em áreas que funcionam continuamente, como comércio, saúde e serviços. Trabalhador negro computador oportunidade bolsa trabalho Freepik
15/10/2026 11:08:23 +00:00
Mães solo celebram fim da escala 6x1: 'Estava vendo a vida dos meus filhos passar'

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 em primeiro turno Às 5h, Luciana de Almeida, de 36 anos, já está de pé para começar a organizar o dia. Arruma as duas filhas caçulas, serve o café da manhã e segue para deixá-las na escola, em Realengo, no Rio de Janeiro. Filhas em sala de aula, a operadora de caixa embarca no transporte público por 1h30 para chegar ao supermercado onde trabalha na escala 6x1, em Campo Grande, a cerca de 20 quilômetros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Almoço às 15h, saída registrada no ponto às 17h50 e, duas horas depois, perto das 20h, Luciana está de volta em casa, liberando o filho mais velho de 15 anos do cuidado com as irmãs, de 4 anos e 1 ano e 8 meses. No único dia de folga que tem na semana, sobra pouco para o descanso diante das tarefas domésticas. Muitas vezes, ainda faz faxinas para conseguir uma renda extra para sustentar a família como mãe solo, conta. "Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados", diz Luciana, que trabalha na escala 6x1 no comércio desde os 18 anos. "No dia depois da folga, eu continuo trabalhando cansada." Não é de se estranhar que, nos últimos meses, a carioca acompanhou atenta às discussões da PEC que encerrou essa modalidade de trabalho. Na quarta-feira (14/10), para celebração de Luciana, o Senado aprovou por 75 a 1 o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil. Segundo o Ministério do Trabalho, no final de 2025, a escala 6x1 era a realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no Brasil, que representam pouco mais de um terço da mão de obra formal. A implementação ocorrerá em duas fases. A primeira terá início 60 dias após a promulgação do texto, garantindo o fim da escala 6x1 e reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. Depois de 14 meses, a carga horária será reduzida de 42 para 40 horas semanais. Fim da escala 6x1: o que acontece agora? Quais são os próximos passos? Entenda Após a aprovação no Senado, o texto ainda precisará ser promulgado em sessão solene pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para, enfim, ser publicado e passar a integrar a Constituição. Assim, passados todos esses prazos, a carioca vai viver agora a primeira experiência em sua vida com duas folgas na semanas. "Vai mudar muita coisa", diz. "Vou conseguir descansar, resolver coisas da minha vida, até fazer um extra se conseguir." Outro ponto de virada na vida de Luciana será acompanhar mais a vida dos filhos que, segundo ela, está "passando" sem que ela esteja presente. Foi nas férias desse ano, em uma rotina em casa, que ela teve essa reflexão: "Estou vendo a vida dos meus filhos passar, não consigo ir em festa de dia das mães, junina, nada", diz. "Preciso ter tempo com minhas filhas, ter algum lazer ou mesmo ficar em casa descansando", relata. A carioca diz não saber como será a readaptação na empresa onde trabalha e que vive uma expectativa pela eleição presidencial. Isso porque diz não saber o que aconteceria com uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente . Flávio, que é senador, se posicionara, na terça-feira, pela primeira vez, a favor do fim da escala 6x1 — e votou pela aprovação. Até então, ele dizia que a proposta era "oportunista", por ir a votação às vésperas das eleições. A proposta foi apresentada por parlamentares da esquerda e uma das maiores bandeiras da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu vou votar a favor do fim da 6x1", disse Flávio. O senador também segue defendendo uma "jornada flexível", na qual, segundo ele, empregador e empregado chegariam a um consenso sobre as condições de trabalho. Antes da votação, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante disse que Flávio vai insistir, depois das eleições, na votação da chamada "PEC das horas". A proposta, de autoria de Rogerio Marinho (PL-RN), prevê que o trabalhador escolha entre seguir o regime de trabalho tradicional previsto pela CLT, ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. 'Sinto alívio pelas mais novas' Setor de serviços e comércio terão que passar por maiores adaptações diante do fim da escala 6x1 Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images/BBC Em São Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, 50 anos, também comemorou a aprovação do fim da escala 6x1. Foram 20 anos de sua vida se dedicando ao trabalho com apenas uma folga na semana. Há 30 dias, a paulistana assumiu um novo emprego na escala 5x2, mas diz que guarda na memória as dificuldades que enfrentou, especialmente na relação com os dois filhos que criou sozinha. "Sinto hoje que perdi a maior parte das coisas que enxergo importante na criação dos filhos. Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da escola", conta Fabiane, emocionada. "Eu não posso me arrepender porque era o que dava nosso sustento, mas não deixo de sentir a dor. Me sinto aliviada quando penso em pessoas mais jovens e outras mulheres que vão viver uma situação que não às leve à exaustão física e mental e à exclusão materna." Fabiane passou por lojas no comércio e serviços na indústria alimentícia, automotiva e petrolífera. Mãe de dois filhos e vítima de violência doméstica por parte do ex-marido, ela não tinha uma rede de apoio para auxiliá-la. "Lembro que, 30 anos atrás, eu ganhava R$ 400 reais e pagava R$ 180 para alguém pegar meus filhos na escola e ficar com eles até o momento que eu chegava em casa, às 20h", lembra. Ela encarava 2 horas no transporte entre Sapopemba, onde morava, na Zona Leste da capital paulista, e a Barra Funda, onde trabalhava, na Zona Oeste. "Sempre tive total noção da qualidade de vida que eu não tinha. Mas o fator financeiro me exigia, era isso ou não tinha dinheiro em casa. Deixou de ser escolha para mim muito cedo", completa. A paulistana diz que a relação com os filhos acabou ficando marcada por mágoas deixadas por sua ausência em casa. "Me dói muito saber que o tempo que eu tinha era pouco para eles. Que sentiam minha falta", diz. "Pela primeira vez, mães como eu poderiam ter dia de lazer, organizar a vida, ficar em casa e poder descansar." Luciana vive expectativa por ter duas folgas na semana para conviver mais com três filhos Arquivo Pessoal via BBC
15/10/2026 10:21:34 +00:00
Fim da 6x1: entenda quais profissões serão afetadas pela mudança e quem fica de fora

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que 14,8 milhões de trabalhadores que são contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) atuam na escala 6x1 no Brasil. A proposta, porém, permite que algumas atividades continuem com regimes de jornada e descanso diferenciados. ➡️ A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra. Com a aprovação nas duas Casas do Congresso, a emenda constitucional segue para promulgação, sem necessidade de sanção do presidente da República. As novas regras começam a valer após a publicação, mas a implementação será gradual. A mudança prevê dois dias de repouso remunerado por semana e redução gradual da jornada máxima, sem diminuição salarial. Dois meses após a publicação da emenda, o limite semanal cairá de 44 para 42 horas. Após mais um ano, passará para 40 horas. A proposta também permite regimes diferenciados de jornada e descanso, que poderão ser regulamentados por lei e por normas coletivas, respeitando os limites constitucionais. (veja como funcionam as escalas de trabalho) É o caso de setores que precisam funcionar continuamente, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Segundo o advogado trabalhista Hugo Luiz Schiavo, a proposta não estabelece uma lista de profissões que ficariam fora das novas regras. “Não há uma lista de profissões que ficariam fora das novas regras, nem seria recomendável que ela existisse”, afirma Schiavo. Isso significa que trabalhadores dessas áreas poderão ter a jornada e os períodos de descanso organizados de maneira diferente, conforme as regras aplicáveis à atividade. A possibilidade de manter escalas especiais, como a 12x36, dependerá da regulamentação e das condições previstas para cada regime. O advogado também destaca que o intervalo para refeição e descanso deve ser respeitado. A proposta prevê ainda tratamento diferenciado para trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração igual ou superior a 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Para esse grupo, as novas regras de duração e controle da jornada não serão obrigatórias, salvo se o empregador decidir aplicá-las ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva. O direito ao repouso, porém, permanece. (entenda) A legislação trabalhista já prevê situações em que não há controle tradicional de jornada, como no caso de empregados que ocupam cargos de confiança ou que trabalham fora da empresa em atividades nas quais não é possível controlar o horário. Quem pode ter impactos menores com a mudança Nem todos os trabalhadores terão redução da jornada de 44 para 40 horas. Algumas categorias já possuem limites menores previstos em lei, enquanto outras não são regidas pela CLT. Bancários: algumas funções têm jornada de seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, totalizando 30 horas semanais. Por isso, a redução do limite geral de 44 para 40 horas não representa mudança para esses trabalhadores Teleatendimento e telemarketing: esses profissionais já têm jornada de até seis horas diárias e 36 horas semanais. A nova regra pode afetar principalmente a forma de organização dos dias de descanso. Trabalhadores de minas subterrâneas: também têm limites específicos de jornada, inferiores às 44 horas semanais previstas como limite geral. Autônomos, MEIs e PJs: quem trabalha por conta própria ou presta serviços como pessoa jurídica sem vínculo de emprego não é regido pela CLT e, portanto, não está diretamente sujeito às novas regras. Trabalhadores informais: profissionais sem carteira assinada, como ambulantes, entregadores e motoristas de aplicativo, também não estão submetidos às regras da CLT. Quem pode manter escalas diferentes O fim da escala 6x1 não significa necessariamente que todos os trabalhadores passarão a cumprir uma rotina tradicional de cinco dias de trabalho e dois de folga consecutivos. Setores que precisam manter serviços contínuos poderão organizar as jornadas e os descansos de maneira diferenciada, conforme a regulamentação e as regras de negociação coletiva. Saúde: hospitais e serviços de emergência podem manter plantões e escalas especiais, como a 12x36. Segurança: atividades que precisam funcionar continuamente podem manter escalas diferenciadas. Transporte: trabalhadores do setor podem ter a jornada organizada de acordo com a necessidade de funcionamento dos serviços. Limpeza urbana: por funcionar em horários variados e de forma contínua em muitas cidades, o setor pode adotar uma organização específica da jornada. Portaria e vigilância: trabalhadores dessas áreas também podem ter escalas especiais, conforme as regras aplicáveis. Escalas especiais poderão ser mantidas A advogada trabalhista Elisa Alonso, sócia do RCA Advogados, explica que o fato de uma atividade poder adotar uma escala diferenciada não significa que seus trabalhadores perderão o direito à nova proteção. Segundo ela, setores que precisam manter serviços contínuos, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão organizar as jornadas e as folgas de forma diferente, inclusive por meio de acordos e convenções coletivas. "Não significa que hospitais, serviços de segurança ou sistemas de transporte tenham necessariamente de adotar uma escala tradicional de segunda a sexta-feira", afirma. Na avaliação da advogada, trabalhadores que já atuam na escala 12x36, por exemplo, poderão continuar submetidos a esse modelo, desde que sejam respeitados os limites previstos na nova regra e as condições específicas de compensação. Assim, um hospital não precisaria necessariamente substituir todos os plantões de 12 horas por jornadas de oito horas. A especialista ainda ressalta que há diferença entre excluir uma profissão das novas regras e permitir que uma categoria tenha uma escala diferenciada. No primeiro caso, o trabalhador perderia o direito à nova proteção. No segundo, o direito permanece, mas a forma de organizar a jornada e os descansos é adaptada às características da atividade. "Talvez o principal efeito da proposta não seja simplesmente trocar a expressão '6x1' por '5x2'", afirma Alonso. Para quem hoje trabalha seis dias e folga um, a principal mudança seria a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a ampliação do descanso de um para dois dias. A distribuição desses períodos, porém, poderá variar conforme a atividade e as regras estabelecidas para cada regime. "Para algumas categorias, isso poderá significar cinco dias de trabalho e dois de folga; para outras, a manutenção de plantões ou escalas especiais, com uma distribuição diferente dos períodos de descanso", explica a advogada. Plenário do Senado Federal discute a PEC do fim da escala 6x1 Jonas Pereira/Agência Senado
15/10/2026 10:09:56 +00:00
#NÃOÉBEMASSIM: Bolsa Família teve reajuste maior que do salário mínimo em 2026, mas não supera aumento dos últimos três anos

Bolsa Família não teve reajuste maior que salário mínimo nos últimos 3 anos g1 Circulam nas redes sociais publicações alegando que o governo Lula (PT) deu mais de 15% de reajuste para o Bolsa Família, mas corrigiu em apenas 6% o salário mínimo. #NÃOÉBEMASSIM. ✅ Siga o canal de Fato ou Fake no WhatsApp Selo Não é Bem Assim (Horizontal) g1 🟡 Como são os posts? Publicações que viralizaram no X e no Instagram desde o final de setembro exibem uma imagem do presidente Lula (PT) segurando um cartão do programa social Bolsa Família. Abaixo, há o seguinte texto: "Discurso que gera polêmica: 'Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha?', diz trabalhador CLT". Veja um exemplo de legenda que acompanha a imagem: "Em um vídeo que acumula milhares de visualizações, um trabalhador regido pela CLT fez um desabafo direto sobre a condução econômica do governo: Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha? O questionamento expõe a insatisfação da classe trabalhadora com a perda do poder de compra e com o ritmo dos reajustes salariais frente aos repasses de programas assistenciais". Mas esses enunciados omitem que o reajuste anterior do Bolsa Família havia ocorrido em 2023. E que, nesse mesmo período, o salário mínimo acumulou um aumento de 22,8%. Em 2024, o valor passou de R$ 1.320 para R$ 1.412. Em 2025, chegou a R$ 1.518. E, em 2026, subiu para R$ 1.621. O percentual de 6%, citado nos posts desta checagem, é próximo apenas do registrado na correção mais recente: 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621) – leia detalhes abaixo. 📌 Por que #NÃOÉBEMASSIM? Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo federal anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em 15%. Com isso, o piso do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro. À época do anúncio do aumento para o Bolsa Família, o governo negou motivação eleitoral e afirmou que a medida recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação desde o aumento anterior, três anos atrás. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%. Economistas e especialistas consultados pelo g1 questionaram o momento da alteração e o risco às contas públicas. Procurado pelo Fato ou Fake, o Ministério do Planjeamento e Orçamento disse, por e-mail: "A recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos". O Fato ou Fake consultou o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Conselheiro Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), que explicou: "Para uma comparação adequada, o ideal é analisar a evolução acumulada do salário mínimo e do Bolsa Família entre 2023 e 2026, e não comparar o reajuste anual do mínimo com a recomposição acumulada de 15,04% aplicada ao programa social. Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família". Bolsa Família não teve reajuste maior que salário mínimo nos últimos 3 anos g1 Veja também Vídeo mostra homem tomando 'banho com fogo' em fonte natural de água na Rússia É #FATO: Vídeo mostra 'banho com fogo' em fonte de água na Rússia VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Agora no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito) GloboPop: clique para ver vídeos do palco de Fato ou Fake
15/10/2026 08:00:00 +00:00
'Estoques no limite': guerra no Oriente Médio afeta abastecimento de diesel para agricultores no RS

'Estoques no limite': guerra no Oriente Médio afeta abastecimento de diesel no agro Agricultores do Rio Grande do Sul estão preocupados com a escassez de óleo diesel às vésperas do plantio da safra de verão A Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis na região, diz que a redução dos estoques é reflexo dos conflitos no Oriente Médio, que pressionaram o preço do produto no mercado internacional. O Brasil importa 30% do diesel que consume. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "A importação está menor. Então, os estoques nacionais estão no limite do consumo. Não existe uma escassez, existe uma restrição. Não é falta de produto, é restrição e com preços elevados", afirma Fabrício Severo Braz, presidente da Sulpetro. Segundo ele, muitos estados passaram a buscar o produto no Sul por causa do preço mais acessível. O agricultor Arcênio Dupont está há 3 semanas com dificuldade para abastecer suas máquinas, no município de Santa Cruz do Sul. Ele diz que só conseguiu comprar mil litros do óleo diesel. Normalmente, ele consome 2 mil litros. Em Julio de Castilhos a história se repete. A cooperativa que atende 6 mil produtores não tem recebido combustível suficiente dos distribuidores para atender toda a demanda. O agricultor Sidnei Prates, de Santa Maria, precisou recorrer a postos de combustíveis para conseguir diesel para a colheita do arroz. Mas até os postos enfrentam restrições. O empresário Antônio Palharin disse que recebeu apenas metade do diesel encomendado. A Agencia Nacional do Petróleo (ANP) afirmou que não existe risco de desabastecimento de diesel no Rio Grande do Sul nem no restante do país. Após os relatos dos agricultores gaúchos, a ANP informou que reforçou o monitoramento dos estoques e da distribuição do combustível. LEIA TAMBÉM Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente 'O Menino da Porteira' faz 71 anos: como a música virou filme, monumento e chegou ao Grammy Abóbora gigante de 1.432 quilos colhida nos EUA pode bater recorde mundial
15/10/2026 08:00:00 +00:00
Agrotóxicos, água e câncer: por que a saúde virou tema das eleições em potência agrícola dos EUA

Um riacho atravessa uma área de cultivo em Marshalltown, em Iowa. Brittany Peterson/AP O estado de Iowa, uma das potências do agronegócio dos Estados Unidos, enfrenta um déficit orçamentário, custos elevados e dificuldades econômicas provocadas por disputas comerciais que têm pressionado os agricultores. Mas dois problemas que se arrastam há décadas — a qualidade da água e os índices de câncer — ganharam destaque nas campanhas para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ➡️ As midterms são realizadas na metade do mandato presidencial. Elas renovam toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de definir governadores e outros cargos estaduais e locais. Em Iowa, esses temas polêmicos estão sendo abordados em debates, mesas-redondas e propagandas eleitorais de candidatos democratas e republicanos a diferentes cargos. Agora no g1 Historicamente, o assunto tem sido um tabu político para evitar apontar responsabilidades da indústria agropecuária de Iowa, um dos principais produtores de milho, soja e suínos dos Estados Unidos. ➡️ Os fertilizantes químicos e os dejetos animais usados na produção agropecuária, por exemplo, contêm nitratos e fósforo, que podem ser levados pela água da chuva ou do derretimento da neve até os rios do estado. O problema há muito tempo provoca tensões entre os centros urbanos de Iowa, de tendência mais progressista e que dependem de rios e lagos para o abastecimento de água potável, e os produtores rurais, em sua maioria conservadores. Cada vez mais agricultores adotam práticas para impedir que esses resíduos sejam levados para os cursos d’água, embora críticos afirmem que a falta de regulamentação obriga os moradores que vivem rio abaixo a pagar pela poluição. A atenção ao tema aumentou — e o cálculo político mudou — após dois anos consecutivos de restrições ao uso da água na região de Des Moines, somados ao crescimento do movimento “Make America Healthy Again” (“Tornar os Estados Unidos saudáveis novamente”) nas pequenas cidades e comunidades rurais de Iowa. LEIA TAMBÉM: Abóbora gigante de quase 1.500 kg é colhida nos EUA e pode bater recorde mundial Cliente ou rival? Como a China pode passar de grande compradora a concorrente do frango brasileiro Índices de câncer são um problema crescente em Iowa Iowa tem a segunda maior taxa de novos diagnósticos de câncer do país. Os diagnósticos de alguns tipos, como os de próstata, mama e pulmão, estão aumentando mais rapidamente no estado do que nos Estados Unidos como um todo. O problema afeta tanto as áreas urbanas quanto as rurais. Uma nova pesquisa da Universidade de Iowa, financiada pelo governo estadual, mostra que fatores demográficos e comportamentais, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool em uma única ocasião, podem explicar a maior parte — mas não a totalidade — da incidência acima do normal de cinco tipos de câncer no estado. Na próxima etapa, os pesquisadores avaliarão fatores ambientais, incluindo os níveis de nitrato. “O verdadeiro problema é a água e os nitratos”, disse o democrata Josh Turek, candidato ao Senado dos Estados Unidos, durante uma conversa com pacientes com câncer na semana passada. “Todo morador de Iowa merece ter a certeza, ao abrir a torneira, de que sua água está limpa e não está lhe causando câncer.” Musk gastou US$ 276 mi desde julho para ajudar partido de Trump nas eleições de meio de mandato nos EUA Alguns estudos encontraram uma associação entre nitratos na água potável e determinadas doenças, mas o tema continua em debate. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) atualmente não classifica os nitratos como um fator de risco para o câncer. A agência iniciou um plano para rever essa avaliação em 2017, mas o processo foi paralisado, retomado e novamente interrompido sob diferentes governos na Casa Branca. A deputada federal republicana Ashley Hinson, que disputa a vaga com Turek, reuniu recentemente agricultores, pesquisadores e autoridades locais para discutir os problemas da água em Iowa. Ela afirmou que é preciso manter os investimentos em infraestrutura, monitoramento da qualidade da água e programas de conservação para garantir água potável segura à população. Também disse que as pessoas podem se sentir seguras porque a água tratada que chega às torneiras atende às normas federais. “Todos sabemos que temos alguns desafios aqui em Iowa”, afirmou. “Não acho que a qualidade da água seja uma questão partidária.” Poluição dos rios gera tensão política Há mais de dez anos, a companhia de abastecimento de água da região de Des Moines entrou na Justiça para que outras administrações locais ajudassem a pagar pela remoção de nitratos da água, que custava cerca de US$ 16 mil por dia. Essas regiões ficam em trechos dos rios anteriores à chegada da água a Des Moines. A ação foi rejeitada, e líderes republicanos de Iowa comemoraram a decisão. No ano passado, a Central Iowa Water Works proibiu os moradores de regar gramados pela primeira vez, para diminuir o consumo de água e aliviar a sobrecarga do sistema de remoção de nitratos. Políticos do estado rejeitaram tentativas de responsabilizar os agricultores. Nos últimos anos, Iowa vinha investindo quase US$ 100 milhões por ano em medidas para reduzir a presença de nutrientes na água. Em maio, a governadora republicana Kim Reynolds e parlamentares destinaram mais US$ 320 milhões a obras de infraestrutura hídrica, incentivos à conservação ambiental e outros projetos. Parte dos recursos foi reservada à modernização dos equipamentos da Central Iowa Water Works. “A qualidade da água não é uma questão do campo. Não é uma questão das cidades, nem uma questão política”, disse Reynolds. “Mas é absolutamente inegociável.” Apesar dos investimentos, a demora nos resultados continua sendo alvo de críticas, inclusive dos candidatos que disputam a sucessão da governadora. Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa Tema ganha destaque na disputa pelo governo O republicano Zach Lahn e o democrata Rob Sand defendem que o estado dê mais atenção à qualidade da água. Nenhum dos dois, porém, propõe obrigar os produtores rurais a adotar práticas que reduzam a quantidade de poluentes levados das lavouras e criações para os rios. Lahn recebeu o apoio do comitê político MAHA Action no início da disputa interna do partido. Diferentemente de muitos colegas republicanos, ele associa diretamente a água poluída e os produtos químicos usados na agricultura aos altos índices de câncer em Iowa. Em agosto, durante um encontro do candidato com eleitores para discutir agricultura no nordeste do estado, uma participante demonstrou preocupação. Lahn reconheceu a importância de determinados produtos químicos para a produção agrícola. “Não estamos aqui para proibir produtos”, afirmou, “mas precisamos enfrentar o problema da qualidade da água”. Nos Estados Unidos, as normas federais permitem até 10 miligramas de nitrato por litro de água potável. O limite foi definido para prevenir a chamada síndrome do bebê azul, condição em que o sangue do bebê não tem oxigênio suficiente. Estudos científicos vêm investigando, porém, se concentrações abaixo desse limite também podem estar associadas a certos tipos de câncer. Lahn contou que testou a água de seu poço e de um riacho na zona rural do centro-leste de Iowa. Nos dois casos, os níveis de nitrato ficaram muito acima do permitido. Neste ano, a Central Iowa Water Works precisou manter o sistema de remoção de nitratos funcionando por 193 dias seguidos, um recorde. No auge do verão, mesmo após o tratamento, a água tinha entre oito e nove miligramas de nitrato por litro, perto do limite federal. Sand também costuma falar da qualidade da água logo no início de seus discursos de campanha. Ele conta que a defesa da água limpa foi um dos motivos que o levaram a se filiar ao Partido Democrata, já que gosta de pescar. Na terça-feira, após se reunir com sobreviventes de câncer e pais de crianças com a doença, o candidato disse que a preocupação da população com o tema tem crescido nos últimos anos. “Ouço com frequência pessoas tão preocupadas com isso que se perguntam se querem continuar em Iowa”, disse Sand. Disputa pela Secretaria de Agricultura de Iowa expõe a tensão O pesquisador Chris Jones conta que, há 20 anos, informava seu chefe na companhia de abastecimento de água de Des Moines sobre os níveis de nitrato nos rios. “Ele me perguntava: ‘Cadê a indignação?’”, lembrou Jones. “Agora, a indignação chegou.” Jones, que depois trabalhou no monitoramento da qualidade da água na Universidade de Iowa, considera uma grave falha do estado que os moradores já não confiem na água que bebem. Pelo Partido Democrata, ele disputa o cargo de secretário de Agricultura de Iowa, escolhido por eleição, e tenta derrotar o atual ocupante, o republicano Mike Naig. Uma das principais diferenças entre os candidatos está na obrigatoriedade de medidas de conservação ambiental no campo. Em um debate, Naig classificou Jones como uma voz isolada na defesa dessa exigência. O setor agropecuário de Iowa resiste à adoção de regras obrigatórias. Entre os argumentos estão o fato de que nem todos os produtores são donos das terras onde trabalham e o risco de que algumas medidas reduzam os lucros, pelo menos no início. Naig, que já trabalhou na fabricante de produtos químicos Monsanto, destacou os recordes alcançados pela secretaria durante o governo Reynolds. Segundo ele, as ações de conservação estão sendo ampliadas para que os resultados apareçam mais rápido. “Esse tem sido um tema muito discutido na campanha”, disse Naig. Mas “precisamos olhar para essas questões no longo prazo, e estamos avançando”.
15/10/2026 06:00:00 +00:00
Volkswagen ID.4 chega por R$ 299.990 para uma disputa difícil com os chineses; g1 testou

Volkswagen ID.4 chega ao Brasil, mas sai de linha na Europa A Volkswagen confirmou em setembro a chegada do ID.4 ao mercado brasileiro como seu primeiro carro elétrico vendido ao público no país. O modelo já havia sido oferecido anteriormente, mas apenas por meio de aluguel. Agora, chega por R$ 299.990, com mais potência e uma bateria maior. O curioso é que, poucas semanas depois do anúncio, a montadora confirmou em seu site global a chegada à Europa e aos EUA do ID. Tiguan, modelo que vai substituir o ID.4. Ou seja, o carro chega agora ao Brasil, mas já tem substituto anunciado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ainda assim, o g1 testou o SUV elétrico para entender se ele vale a compra e, principalmente, se justifica o preço de R$ 300 mil diante de tantos concorrentes chineses mais baratos. O SUV é equipado com um motor de 286 cv de potência e 55,6 kgfm de torque. A bateria de 84 kWh (79 kWh de capacidade líquida) garante uma autonomia de 389 km, segundo o Inmetro. São números melhores do que os da versão disponível para locação, que vinha com 204 cv e bateria de 77 kWh. O sistema de recarga suporta até 185 kW em corrente contínua. Em carregadores rápidos de 180 kW, é possível elevar a carga da bateria de 10% a 80% em 25 minutos. Em postos públicos comuns, a recarga leva algumas horas. Volkswagen ID.4 chega ao Brasil por R$ 299.990. Divulgação / VW Arquitetura elétrica Construído sobre a plataforma modular elétrica MEB, o carro mede 4,58 metros de comprimento e possui 2,77 metros de distância entre eixos. O porta-malas tem capacidade para 533 litros. O teto solar é panorâmico e feito de vidro. O visual externo apresenta linhas com coeficiente de arrasto aerodinâmico de 0,28. Quanto menor este número, melhor é a capacidade do veículo de “furar” o ar e ser eficiente. Um carro “comum” tem coeficiente perto de 0,30. O conjunto de iluminação em LED possui faróis direcionais e tecnologia de controle do farol alto para evitar o ofuscamento de outros condutores. As lanternas traseiras são conectadas por uma faixa iluminada, recurso também adotado na grade dianteira. Volkswagen ID.4 pesa mais de 2.000 kg. Divulgação / VW As maçanetas possuem iluminação própria e o logotipo da fabricante é projetado no chão para facilitar o acesso em áreas escuras. A carroceria será vendida em duas cores, chamadas Costa Azul, que traz o teto pintado em Preto Piano, e Preto Granadilho. As rodas são de 19 polegadas, com pneus tamanho 235/55 na frente e 255/50 na parte traseira. Interior ao estilo VW Na parte interna, o acabamento utiliza materiais sintéticos sem uso de couro animal, combinando as cores preto e marrom. Os bancos contam com microfibra, composta por 71% de material reciclado. O pequeno painel de instrumentos digital fica fixado na coluna de direção. A central multimídia tem tela de 12,9 polegadas, navegação por GPS nativo, comando de voz e conexão sem fio para os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Os bancos dianteiros possuem ajustes elétricos, sistema de aquecimento e função de massagem com opções que duram até 30 minutos. Interior do Volkswagen ID.4 tem combinação de marrom, preto e cinza. Divulgação / VW O ar-condicionado é dividido em três zonas com configuração independente para o motorista, passageiro e banco traseiro. A cabine também conta com iluminação interna configurável em 30 opções de cores, além de carregador de celular por indução e quatro portas USB-C. A lista de equipamentos de segurança inclui o Emergency Assist, sistema que assume o controle e para o veículo caso o motorista perca a consciência. Há também o Memory Park Assist, capaz de memorizar o trajeto próximo e o espaço de vagas frequentes para estacionar o carro automaticamente. O pacote tecnológico oferece controle de cruzeiro adaptativo com função de parada e partida, alerta de tráfego cruzado traseiro e detector de ponto cego. O sistema de frenagem de emergência inclui reconhecimento de pedestres e ciclistas, e o veículo conta ainda com assistente de permanência em faixa. O acesso ao veículo é feito por aproximação da chave. O porta-malas, por sua vez, pode ser aberto ou fechado com um movimento do pé sob o para-choque traseiro. Galerias Relacionadas Diferente nem sempre é bom A primeira impressão ao entrar no ID.4 é que a Volkswagen tentou inovar em alguns pontos da cabine nos quais isso não era necessário. O primeiro exemplo está nos comandos dos vidros elétricos, que têm apenas dois botões na porta dianteira do motorista. Para controlar os vidros traseiros, o condutor precisa tocar em um comando sensível ao toque identificado como “Rear” (que pode ser traduzido como “traseiro”, em inglês) e, só então, acionar os respectivos botões e comandar os vidros de trás. A própria Volkswagen abandonou essa solução no ID. Tiguan. O sucessor tem comandos tradicionais, com um botão para cada vidro ao lado do motorista. Comando dos vidros do Volkswagen ID.4 tem "economia" de botões. Divulgação / VW Outra novidade do ID.4 é o quadro de instrumentos bastante reduzido. A pequena tela, que lembra um celular deitado atrás do volante, exibe a velocidade e outras informações necessárias durante a condução. É uma confusão entre minimalismo e miniaturização. A peça não transmite a sensação de valor esperada em um carro de R$ 300 mil e tampouco facilita a visualização dos dados pelo motorista. O mesmo erro é cometido por algumas marcas chinesas. O ID. Tiguan também dá sinais de que a Volkswagen reviu essa escolha. O modelo tem uma tela maior, com instrumentos que utilizam representações semelhantes às dos mostradores redondos tradicionais. A lógica de construção da cabine do ID.4, por outro lado, segue uma receita já conhecida em outros carros da marca. O volante tem linhas próximas às do Tera, por exemplo, enquanto a combinação de plásticos brilhantes, acabamento em couro sintético e disposição dos elementos do painel lembra modelos como T-Cross, Nivus e Polo. Essa estratégia é interessante porque cria uma identidade visual para os veículos de uma mesma fabricante. O problema é que quem desembolsa R$ 300 mil pode não querer entrar em um carro e encontrar elementos semelhantes aos de um modelo que custa R$ 120 mil. O que a Volkswagen considera um trunfo, portanto, pode se tornar um dos motivos que dificultam a justificativa do preço do ID.4 para o consumidor brasileiro. Pelo menos o espaço no banco traseiro, a construção e a ergonomia do SUV são bons. Volkswagen ID.4 ficou mais potente e tem bom acerto de direção e suspensão. Divulgação / VW Bom acerto Ao volante, o ID.4 mostra bastante do DNA da Volkswagen. A suspensão é bem acertada, a direção transmite informações sobre o comportamento do carro para as palmas das mãos. O SUV mostra solidez, e o isolamento acústico é bom. O motorista pode escolher entre quatro modos de condução, denominados Eco, Normal, Sport e Individual. As retomadas são corajosas e os mais de 2.000 kg ficam só na impressão da ficha técnica. Essa é a vantagem da propulsão elétrica e seu torque instantâneo. Claro, com uma condução mais empolgada, a autonomia prevista cai consideravelmente. A experiência ao dirigir mostra que a montadora dedicou atenção ao acerto do modelo. A grande questão é saber se os consumidores valorizam essas características na hora de decidir a compra. Alguns SUVs vendidos no Brasil, como os da Omoda, GWM e BYD, não apresentam o mesmo refinamento na direção e no acerto dinâmico, mas ainda assim conseguem vender bem. Mercado difícil A conclusão é que o ID.4 chega ao mercado brasileiro com um prazo de validade já estabelecido. A Volkswagen não quis comentar oficialmente a estratégia de lançar o modelo no Brasil e a matriz, em seguida, anunciar seu substituto. O que está confirmado é que o ID.4 será oferecido no Brasil durante 2027. Já o ID. Tiguan será vendido no mercado europeu, mas ainda não tem definição para chegar ao país. O presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, afirmou em nota que a chegada do automóvel representa um marco na estratégia da companhia. "O ID.4 é um produto global de sucesso e que chega ao Brasil para inaugurar uma nova etapa da nossa jornada rumo a uma mobilidade cada vez mais sustentável", declarou. Galerias Relacionadas Porém, em 2026, com a chegada de novos carros chineses, a análise de qualquer produto precisa começar pelo preço. É a partir dele que o consumidor consegue comparar as opções disponíveis e avaliar se o que está sendo oferecido faz sentido diante dos novos concorrentes. Por R$ 300 mil, o ID.4 entra em uma faixa de preço na qual precisará muito mais da paixão do consumidor pela Volkswagen do que de uma justificativa racional para a compra. Ele vai encarar, por exemplo, o BYD Yuan Plus, que tem 449 cv e preço na promoção de R$ 269.990; o GAC AION V, que tem os mesmos 389 km de autonomia, 204 cv e preço de R$ 219 mil; o Omoda E5, também com 204 cv e preço de R$ 209 mil; Leapmotor C10 com 218 cv e tamanho mais generoso, por R$ 215 mil. Galerias Relacionadas Isso sem falar dos híbridos nessa faixa de preço, que também dividem a atenção dos clientes que buscam a eletrificação, mas ainda não podem ter um carro 100% elétrico. A questão, portanto, é que há modelos elétricos mais baratos e que transmitem uma sensação maior de novidade. Nesse cenário, fica difícil explicar a escolha do SUV da Volkswagen, exceto pela identificação com a marca. A montadora também não informou se pretende oferecer descontos ou promoções para o modelo. Por esse valor, portanto, o ID.4 pode continuar raro nas ruas, como já acontecia quando era oferecido apenas por aluguel. Resta esperar para saber se o ID. Tiguan chegará ao Brasil e corrigirá não apenas os problemas identificados no ID.4, mas também o posicionamento de preço, tornando-o mais compatível com a realidade do mercado. Volkswagen vai substuir o ID.4 pelo ID.Tiguan em 2027 na Europa e EUA. Divulgação / VW Ficha técnica do Volkswagen ID.4 Assentos: 5 Comprimento: 4,58 m Largura: 1,85 m (sem espelho retrovisor) Altura: 1,63 m Entre-eixos: 2,77 m Porta-malas: 533 litros Peso: 2.163 kg (em ordem de marcha) Rodas: 19 polegadas Pneus: 235/55 R19 Dianteiro / 255/50 R19 Traseiro Suspensão dianteira: Independente, McPherson Suspensão traseira: Independente, multibraço Freios dianteiros: Disco de freio ventilado Freios traseiros: Tambor Direção: Elétrica Motor: elétrico Potência: 286 cv Torque: 55,6 kgfm Bateria: íon lítio fosfato Capacidade das baterias: 84,0 kWh (bruto) / 79,0 kWh (líquido) Câmbio: Automático Marchas: 1 marcha Tração: traseira 0 a 100 km/h: 6,7 segundos Velocidade máxima: 180 km/h Autonomia no modo elétrico: 389 km Capacidade de carga: 527 kg (carga útil)
15/10/2026 06:00:00 +00:00
Regra de transição e dois dias de folga: entenda como ficou a proposta que acaba com a escala 6x1

Plenário do Senado Federal Jonas Pereira/Agência Senado O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de folga por semana para o trabalhador sem diminuição do salário. O texto ainda precisa ser promulgado para entrar em vigor. A previsão é que isso ocorra na semana que vem. Mas, para que os trabalhadores brasileiros cheguem à nova jornada, haverá ainda uma transição. O período para a adaptação das empresas terá início logo depois da promulgação: em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado; em um ano após esses dois meses, redução da jornada semanal para 40 horas. 🎯Depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida em definitivo sem redução de salário. Segundo as novas regras, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. LEIA TAMBÉM: Fim da escala 6x1: o que acontece agora? Quais são os próximos passos? Entenda Congresso aprova e PEC que acaba com escala 6x1 será lei Horas extras e banco de horas A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos ainda poderão ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Regras específicas para categorias Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social, ou seja, quem ganhe mais de R$ 21.188 por mês. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Terceirizados e MEIs No caso dos trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Os microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte também são citados no texto. A PEC prevê a aprovação de lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos.
15/10/2026 05:00:00 +00:00
Abono salarial PIS/Pasep 2026: pagamento complementar começa nesta quinta; veja quem recebe

Antigo PIS/Pasep: novo lote de dinheiro esquecido começa a ser pago nesta sexta (25) O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) começa a pagar nesta quinta-feira (15) um lote complementar do abono salarial referente ao ano-base 2024. Ao todo, 1.030.899 trabalhadores receberão R$ 804,2 milhões. Os valores variam de R$ 136 a R$ 1.621, conforme o número de meses trabalhados em 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O pagamento contempla trabalhadores cujos empregadores enviaram ou corrigiram informações entre 1º de setembro de 2025 e 20 de junho de 2026. ➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa. A revisão dos dados permitiu identificar pessoas que tinham direito ao benefício, mas não haviam sido incluídas nos pagamentos anteriores, além de corrigir valores de trabalhadores que já estavam habilitados. O lote inclui 704.398 trabalhadores da iniciativa privada, que recebem o Programa de Integração Social (PIS) pela Caixa Econômica Federal, e 326.501 servidores públicos, beneficiários do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), pago pelo Banco do Brasil. O calendário regular de pagamentos começou em 16 de fevereiro desse ano. Os valores ficarão disponíveis para saque até 30 de dezembro deste ano. Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026: grafico MTE Abono salarial 2026 De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados até o fim do ano, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos. A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores foram liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data tenha caído no fim de semana ou feriado. O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono. Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem: Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja regras e o calendário completo PIS/Pasep, FGTS - Saque José Cruz/Agência Brasil
15/10/2026 03:00:01 +00:00
Fim da escala 6x1: relembre outros marcos da legislação trabalhista brasileira

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, o Congresso Nacional aprovou o fim da escala 6x1. A medida foi aprovada por ampla maioria no plenário do Senado nesta quarta-feira (14). A medida, que agora segue para promulgação, dividiu entidades que representam os trabalhadores, como os sindicatos, e associações patronais, que representam as empresas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende mais tempo de descanso para os trabalhadores e argumenta que o modelo atual penaliza principalmente os mais pobres. Após tentar adiar votação do fim da escala 6 por 1, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, mudou de opinião e passou a defender a proposta por ser a vontade da "maioria dos trabalhadores". O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), chegou a dizer que não fazia bem ao país "votar um assunto dessa gravidade". O texto defendido por ele prevê a possibilidade de redução da jornada, com redução proporcional do salário. Reprodução/RPC Outros fatos relevantes da legislação trabalhista ➡️Criação do Ministério do Trabalho (1930), que passou a formular políticas trabalhistas, fiscalizar condições de trabalho, regulamentar a organização sindical e atuar na mediação de conflitos entre empregados e empregadores. ➡️Constituição de 1934 foi a primeira a constitucionalizar amplamente direitos trabalhistas, incluindo jornada máxima de oito horas diárias, férias anuais remuneradas, salário mínimo e repouso semanal. ➡️Instalação da Justiça do Trabalho (1941): instância ficou responsável por julgar disputas envolvendo questões como salários, férias, jornada de trabalho e indenizações. ➡️Criação da CLT (1943): Governo Getúlio Vargas reuniu em um único texto as principais normas trabalhistas do país. A CLT reuniu a legislação trabalhista produzida desde os anos 1930, consolidando normas sobre jornada, férias, descanso semanal, proteção ao trabalho de mulheres e menores, segurança do trabalho e organização sindical. ➡️Direito de Greve: Promulgada após o fim do Estado Novo, a Constituição de 1946 incorporou a Justiça do Trabalho ao Poder Judiciário e reconheceu o direito de greve, consolidando garantias trabalhistas em um contexto de redemocratização do país. ➡️Repouso Semanal Remunerado (1949): Lei garantiu aos trabalhadores o direito ao repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, além de disciplinar o pagamento de salários nos dias de descanso e feriados civis e religiosos. ➡️13º salário (1962): Lei instituiu o 13º salário, também conhecido como gratificação natalina, garantindo aos trabalhadores o recebimento de uma remuneração adicional anual proporcional ao tempo de serviço prestado no ano. ➡️FGTS (1966): Criou uma poupança compulsória formada por depósitos mensais feitos pelos empregadores em contas vinculadas aos trabalhadores. O regime criado surgiu como alternativa à estabilidade decenal e passou a substituí-la gradualmente, tornando-se obrigatório para todos os trabalhadores regidos pela CLT com a Constituição de 1988. ➡️Constituição de 1988: A chamada "Constituição Cidadã" ampliou significativamente os direitos trabalhistas. Entre as principais mudanças estão a jornada máxima de 44 horas semanais, licença-maternidade de 120 dias, licença-paternidade, seguro-desemprego, adicional mínimo de 50% para horas extras, universalização do FGTS e ampliação dos direitos dos trabalhadores rurais. ➡️Banco de horas (1998): Lei 9.601 permitiu a compensação de horas extras por meio de folgas ou redução da jornada em outros dias, mediante acordo ou convenção coletiva, ampliando a flexibilidade das relações de trabalho. ➡️PEC das Domésticas (2013) e regulamentação (2015): A emenda constitucional ampliou os direitos dos trabalhadores domésticos, aproximando-os dos demais empregados. Em 2015, uma lei complementar regulamentou direitos como FGTS obrigatório, jornada de trabalho, horas extras, adicional noturno e seguro-desemprego para a categoria. ➡️ Reforma Trabalhista (2017): Ampliou a possibilidade de acordos entre empregados e empregadores, instituiu a prevalência do negociado sobre o legislado, regulamentou o trabalho intermitente, flexibilizou regras de jornada e teletrabalho, alterou procedimentos na Justiça do Trabalho e tornou facultativa a contribuição sindical. A medida reduziu uma das principais fontes de financiamento dos sindicatos. Em paralelo, mudanças na legislação ampliaram as possibilidades de terceirização no país. ➡️Consolidação do teletrabalho (2022): Mudanças na legislação regulamentaram o home office e o trabalho híbrido, definindo regras para controle de jornada, contratação por produção ou tarefa e outras condições aplicáveis ao trabalho remoto. Contra e a favor Segundo uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das indústrias do país preveem queda na competitividade e 68% na produtividade com o fim da escala 6x1. Ao participar de uma audiência no Senado, o presidente da entidade, Ricardo Alban, disse ser preciso pensar em medidas que garantam que o mercado interno seja “forte” e “competitivo”. “Os produtos de fora têm que ajudar a nos forçarmos a sermos competitivos, produtivos e eficientes, mas não para nós ficarmos a reboque de uma realidade de perda de competitividade”, afirmou Alban, da CNI, na ocasião. Estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o fim da escala 6x1 pode elevar a folha salarial do setor em 21% e gerar custo adicional de R$ 122,4 bilhões ao ano. Segundo a CNC, 93% dos trabalhadores formais do comércio varejista e 92% do atacadista cumprem jornadas acima de 40 horas semanais. Para estimar os impactos, a CNC simulou a adoção de um novo teto de 40 horas semanais. O parecer afirma que, como a legislação impede a redução nominal de salários, a adaptação exigiria reorganização dos contratos de trabalho. Em um texto publicado na sua página na internet em maio deste ano, como subsídio para o debate, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) avaliou que a proposta representa avanço importante no enfrentamento à precarização das condições de trabalho no Brasil. "Entre os principais impactos esperados estão a melhor distribuição da riqueza produzida no país, o estímulo à produtividade, a ampliação do tempo disponível para qualificação profissional e a preservação da saúde dos trabalhadores", avaliou o Dieese. Citando pesquisa do Datafolha de março desse ano, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), por sua vez, informou que a proposta de acabar com a jornada 6x1 têm apoio de 71% dos brasileiros. A CUT cita um estudo da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, pelo qual a redução da jornada de 44 para 36 horas poderá criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%.
15/10/2026 03:00:01 +00:00
Concurso da Câmara dos Deputados: inscrições estão abertas; salários passam de R$ 32 mil

Câmara dos Deputados Divulgação / Câmara dos Deputados Começaram nesta quinta-feira (15) as inscrições para o novo concurso da Câmara dos Deputados. A seleção reúne 184 oportunidades entre vagas imediatas e cadastro de reserva para profissionais de diferentes áreas, da comunicação às engenharias, além de cargos que aceitam diploma em qualquer graduação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp. ➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO Os interessados poderão se inscrever até 17 de novembro, pelo site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe). O salário inicial é de R$ 32.070,88 para todas as especialidades da carreira de analista legislativo. Entre as áreas contempladas estão Jornalismo, Relações Públicas, Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e diferentes especialidades de Engenharia. O edital também prevê vagas para Registro e Redação, área que concentra a maior oferta de oportunidades e aceita diploma de curso superior em qualquer área reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). O g1 preparou um guia com os principais pontos do concurso. Abaixo, entenda: Cargo e formação Salários e benefícios Requisitos Atribuições Como serão as provas? Quando os aprovados poderão ser convocados? Como funcionará a reserva de vagas? Cargos e formação Embora todas as vagas pertençam à carreira de analista legislativo, o concurso não é destinado a um único perfil profissional. Um dos destaques do edital é que a especialidade com maior número de vagas não exige formação superior específica. A área de Registro e Redação oferece 25 vagas imediatas e outras 25 para cadastro de reserva. Para concorrer, basta possuir diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), independentemente da área de formação. Já as demais oportunidades são destinadas a candidatos com graduações específicas. Veja a distribuição prevista no edital: O novo concurso da Câmara dos Deputados g1 Salários e benefícios Independentemente da especialidade escolhida, todos os aprovados ingressarão na carreira com remuneração inicial de R$ 32.070,88. Os servidores serão lotados em Brasília, onde está localizada a sede da Câmara dos Deputados. Além do salário, os ocupantes do cargo terão acesso aos benefícios oferecidos pela Casa e às garantias previstas para os servidores efetivos da administração pública federal. Requisitos Além da formação exigida para cada especialidade, os candidatos deverão atender aos requisitos legais para ingresso no serviço público federal. Entre as exigências estão: ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, nos casos previstos em lei; estar em dia com as obrigações eleitorais; estar quite com as obrigações militares, quando aplicável; possuir aptidão física e mental para o exercício do cargo; apresentar a documentação exigida para a posse; possuir a graduação exigida para a especialidade escolhida. Algumas áreas também exigem registro profissional no respectivo conselho de classe. Atribuições Embora todos os aprovados ingressem na carreira de analista legislativo, as atividades desempenhadas variam de acordo com a especialidade escolhida. Os profissionais da área de Divulgação Institucional atuam na criação de campanhas, ações educativas e projetos de comunicação voltados à população. Os jornalistas são responsáveis pela cobertura das atividades parlamentares, produção de reportagens, notícias, entrevistas e conteúdos para os diversos veículos de comunicação da Câmara. Já os relações-públicas trabalham na organização de eventos, cerimônias, ações de relacionamento institucional e iniciativas voltadas ao fortalecimento da imagem da Casa. Na área de gestão da informação, os arquivistas organizam e preservam documentos produzidos ao longo de décadas de atividade legislativa. Os bibliotecários administram acervos e auxiliam em pesquisas técnicas utilizadas por parlamentares e servidores. Os museólogos, por sua vez, cuidam da preservação da memória institucional e dos bens históricos relacionados ao Poder Legislativo. As especialidades de engenharia têm atribuições ligadas à manutenção e modernização da infraestrutura da Câmara. Os profissionais participam da elaboração de projetos, fiscalização de obras, emissão de pareceres técnicos e acompanhamento de contratos. Já os servidores de Registro e Redação exercem uma das funções mais diretamente ligadas ao processo legislativo. Eles são responsáveis pelo registro oficial de debates, pronunciamentos e sessões parlamentares, além da elaboração, revisão e organização de documentos produzidos pela Casa. Como serão as provas? As provas estão marcadas para 17 de janeiro de 2027. A aplicação ocorrerá nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Dessa forma, os candidatos poderão realizar os exames em seus próprios estados, sem a necessidade de viajar para Brasília. ➡️ As avaliações serão aplicadas em dois turnos. Os horários definitivos serão divulgados posteriormente pelo Cebraspe. A seleção será composta por prova objetiva e prova discursiva, ambas aplicadas no mesmo dia. A prova objetiva terá 180 itens no formato "certo" ou "errado", distribuídos entre conhecimentos gerais e conhecimentos específicos. Já a prova discursiva será voltada para conteúdos relacionados à especialidade escolhida pelo candidato. Quando os aprovados poderão ser convocados? A Câmara dos Deputados poderá iniciar as nomeações após a homologação do resultado final do concurso. Segundo o cronograma oficial, a divulgação do resultado final está prevista para 30 de abril de 2027. A partir dessa data, as nomeações poderão ocorrer de acordo com as necessidades da administração e a disponibilidade de vagas. Além dos candidatos classificados dentro das vagas imediatas, aprovados no cadastro de reserva também poderão ser convocados durante o período de validade do concurso, que será de dois anos - contados a partir da homologação do resultado final. Esse prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por igual período. Isso significa que a Câmara dos Deputados poderá convocar aprovados por até quatro anos, conforme suas necessidades administrativas. Cadastro reserva O concurso prevê 118 oportunidades para cadastro de reserva, mecanismo utilizado para formar uma lista de candidatos aptos a serem convocados futuramente. Ou seja, quem for aprovado para o cadastro de reserva não tem direito à nomeação imediata. Esses candidatos ficam em uma espécie de lista de espera e podem ser chamados caso surjam novas vagas, ocorram aposentadorias, exonerações ou haja necessidade de reforçar o quadro de servidores durante o período de validade do concurso. A convocação segue a ordem de classificação e pode ocorrer a qualquer momento enquanto o concurso estiver válido. Cronograma 5 de outubro de 2026: divulgação das regras para sorteio das vagas reservadas; 8 de outubro de 2026: sorteio das vagas reservadas; 14 de outubro de 2026: divulgação do resultado final do sorteio; 15 a 23 de outubro de 2026: prazo para solicitar isenção da taxa; 15 de outubro a 17 de novembro de 2026: período de inscrições; 19 de novembro de 2026: prazo final para pagamento da taxa; 22 de dezembro de 2026: consulta aos locais de prova; 17 de janeiro de 2027: aplicação das provas objetiva e discursiva; 19 a 22 de janeiro de 2027: divulgação dos gabaritos preliminares; 18 de fevereiro de 2027: resultado das provas objetivas; 9 de abril de 2027: resultado provisório das provas discursivas; 30 de abril de 2027: resultado final do concurso.
15/10/2026 03:00:01 +00:00
Tesla apresenta novo Roadster nesta quinta; relembre o modelo enviado ao espaço por Elon Musk

Tesla Roadster de 1ª geração no espaço divulgação/Tesla Há pouco mais de oito anos, um foguete lançou um Tesla Roadster da primeira geração ao espaço. Agora, quase uma década depois, a segunda geração do supercarro será apresentada na noite desta quinta-feira (15). O feito aconteceu em 6 de fevereiro de 2018, quando o foguete acionou os 27 motores em seu primeiro voo, decolou da plataforma de lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, e levou uma única carga a bordo: o carro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O segundo estágio foi ativado poucas horas após o lançamento e queimou combustível para colocar o Roadster em uma órbita heliocêntrica ao redor do Sol, cuja maior distância da estrela corresponde à órbita de Marte. O objetivo do lançamento, segundo o empresário Elon Musk, diretor executivo e principal acionista da Tesla, era deixar o Roadster em órbita de Marte por "centenas de milhões de anos". "Eu adoro a ideia de um carro navegando aparentemente sem parar pelo espaço e talvez sendo descoberto por uma raça alienígena milhões de anos no futuro", disse o empresário durante o lançamento. Lançamento do Tesla Roadster de 1ª geração divulgação/Tesla O veículo se aproximou de Marte em novembro de 2018, e segue em um movimento elíptico de ida e volta para a Terra. Como é o Tesla Roadster que está no espaço Este Tesla é de primeira geração, que foi lançado em 2008 com forte inspiração e construído sobre o chassi do Lotus Elise. Ele foi produzido entre 2008 e 2012. Ficha técnica do Tesla Roadster de 1ª geração arte/g1 Alguns pontos são exclusivos do modelo que está no espaço, como: O Roadster no espaço é "pilotado" por um manequim com trajes de astronauta chamado Starman. O nome é uma homenagem à música de mesmo nome, de David Bowie. Ao contrário do "motorista" em seu traje, o Roadster não tem proteção contra o espaço, e isso pode contribuir para que ele não dure os "milhões de anos" que Musk prevê; Uma imagem estática na central multimídia do veículo diz "Don’t panic", em homenagem ao livro "Guia do mochileiro das galáxias", de Douglas Adams; O sistema de som foi configurado para reproduzir a música "Space Oddity", de David Bowie, em loop — mas, graças ao vácuo do espaço, é impossível escutar qualquer coisa; Em uma das placas do Roadster, há a frase "Feito na Terra por humanos", para que, caso o conversível encontre alguma raça alienígena que saiba ler inglês, os ETs entendam de onde o carro vem; O Tesla não tem sistema de propulsão, nem para as rodas, nem um "foguete"; Câmeras instaladas no carro transmitiram imagens do veículo para a Terra, mas suas baterias suportam quatro horas de uso e estão, desde então, sem energia; Embora as imagens mostrem o veículo aparentemente solto, flutuando no espaço, ele está preso a uma plataforma que faz parte do segundo estágio do foguete. Tesla Roadster de 1ª geração no espaço divulgação/Tesla
15/10/2026 03:00:00 +00:00
Simples Nacional: prazo para entrar em 2027 termina nesta quinta; veja o que muda

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Microempresas e empresas de pequeno porte têm até esta quinta-feira (15) para solicitar o ingresso ou o retorno ao Simples Nacional em 2027. O prazo faz parte do calendário de mudanças estabelecido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 194, publicada no Diário Oficial da União, e ocorre em meio à preparação das empresas para as novas regras de recolhimento de tributos criadas pela reforma tributária. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já as empresas que permanecerem no Simples e quiserem optar pelo regime regular de recolhimento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) terão até 30 de outubro para fazer a escolha. Os dois procedimentos são diferentes e não devem ser confundidos. Agora no g1 A escolha pelo regime regular não significa sair do Simples Nacional. A empresa continuará no regime simplificado para os demais tributos, mas seguirá regras próprias para calcular e pagar IBS e CBS. Com isso, o calendário para entrar no Simples Nacional também mudou. Empresas que quiserem ingressar no regime em 2027 devem fazer o pedido até esta quarta-feira. Se a solicitação for aceita, a entrada no regime valerá a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Já as empresas que fazem parte do Simples Nacional continuarão enquadradas automaticamente, desde que não tenham sido excluídas do regime. Nesse caso, não será necessário fazer uma nova adesão. Abaixo, entenda o que muda: A opção terá validade por quanto tempo? O que muda na prática? Qual opção é mais vantajosa? O prazo para entrar no Simples também muda? Quais regras para novas empresas? O que são IBS e CBS? E o MEI? Outras mudanças no Simples Nacional A opção terá validade por quanto tempo? A decisão sobre a forma de recolhimento de IBS e CBS feita em setembro valerá de janeiro a junho de 2027, ou seja: seis meses. Entre 1º e 31 de março de 2027, as empresas terão uma nova oportunidade para escolher como recolherão os tributos no segundo semestre. Nesse caso, a decisão valerá de julho a dezembro. Quem optar pelo regime regular em setembro poderá cancelar a decisão até 30 de novembro de 2026. Para as escolhas realizadas em março de 2027, o cancelamento poderá ser feito até 31 de maio. Segundo o Comitê Gestor do Simples, a antecipação dos prazos busca dar mais previsibilidade às empresas e evitar que elas comecem o ano sem saber se poderão permanecer ou ingressar no regime. O que muda na prática? Para as empresas que mantiverem IBS e CBS dentro do Simples Nacional, a lógica continuará mais próxima da atual: os tributos serão incluídos no pagamento unificado feito por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), dentro de um percentual sobre a receita. Já quem optar pelo regime regular terá de calcular e pagar IBS e CBS separadamente. Em contrapartida, poderá aproveitar créditos gerados nas compras para reduzir os valores a pagar e também gerar mais créditos para seus clientes. Segundo Kályta Caetano, contadora da MaisMei, essa diferença na geração de créditos é um dos principais pontos que as empresas devem considerar antes de tomar uma decisão. No regime regular, a empresa poderá gerar crédito integral de IBS e CBS para quem comprar seus produtos ou contratar seus serviços. No Simples, o crédito repassado ao comprador tende a ser menor. Por isso, a diferença pode ser mais relevante para pequenos negócios que vendem produtos ou serviços para outras empresas. "Isso pode fazer diferença principalmente para quem vende para outras empresas, porque elas vão preferir comprar de fornecedores que dão mais crédito", afirma Caetano. Qual opção é mais vantajosa? Não há uma resposta única. Segundo Caetano, a escolha dependerá do perfil de cada negócio, e um dos principais fatores a considerar é quem são seus clientes. Empresas que vendem principalmente para outros negócios podem ter mais motivos para avaliar o regime regular. Isso porque a possibilidade de gerar créditos maiores de IBS e CBS pode tornar esses fornecedores mais atrativos para seus clientes. Para negócios voltados principalmente ao consumidor final, esse benefício tende a ter menos impacto. Por outro lado, o regime regular exige que IBS e CBS sejam calculados separadamente e demanda mais controles fiscais, o que pode aumentar os gastos com contabilidade e tornar a rotina tributária mais complexa. Por isso, a recomendação é que os empresários simulem os dois cenários antes do prazo de setembro, considerando os possíveis benefícios e os custos envolvidos em cada opção. "O melhor caminho é simular os dois cenários com o contador de confiança antes de decidir", afirma Caetano. “Não existe uma resposta única. A decisão deve considerar não apenas o valor dos tributos, mas também os créditos gerados, a competitividade, o faturamento, a margem e o fluxo de caixa”, completa Fábio Edelberg, CEO da Navecon. Prazo para entrar no Simples também muda? Sim. Outra mudança importante é no calendário para empresas que ainda não fazem parte do Simples Nacional e pretendem ingressar no regime em 2027. Até agora, a opção era feita em janeiro. Para 2027, o pedido deverá ser apresentado até esta quarta-feira (30). Se aceito, valerá a partir de 1º de janeiro. A empresa poderá desistir do pedido até o último dia de novembro. Caso a adesão seja negada por alguma pendência, haverá prazo de 30 dias para regularizar a situação e tentar garantir o ingresso no regime. Quem já está no Simples e não tiver sido excluído continuará automaticamente no regime e não precisará solicitar uma nova adesão. Quais regras para novas empresas? Há uma regra específica para empresas que solicitarem a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2026. Nesses casos, a opção pelo Simples feita no momento da abertura valerá tanto para o restante de 2026 quanto para todo o ano de 2027. Se a empresa também escolher recolher IBS e CBS pelo regime regular durante a abertura, essa opção começará a valer em janeiro de 2027. O que são IBS e CBS? IBS e CBS são dois dos principais tributos criados pela Reforma Tributária do Consumo. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é federal e substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A administração ficará sob responsabilidade da Receita Federal. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substituirá o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados, e o Imposto sobre Serviços (ISS), de competência dos municípios. A administração ficará a cargo de um comitê formado por representantes dos estados e municípios. E o MEI? O Microempreendedor Individual (MEI) não participa da escolha entre recolher IBS e CBS dentro do Simples ou pelo regime regular. Os microempreendedores continuarão sujeitos às regras específicas do Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional (Simei), com pagamento mensal em valor fixo. As mudanças no calendário de adesão ao Simples também não se aplicam ao MEI. A opção pelo Simei continuará sendo realizada em janeiro, até o último dia útil do mês. A regulamentação, porém, traz mudanças relacionadas à emissão de documentos fiscais. Na prestação de serviços, permanece a Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e) de padrão nacional. Já nas vendas de mercadorias e em determinadas atividades de transporte, a regulamentação prevê o uso preferencial da Nota Fiscal Fácil (NFF). Outras mudanças no Simples Nacional As novas regras também alteram alguns critérios usados para calcular os tributos do Simples Nacional, incluindo os aplicados a empresas em início de atividade, à receita acumulada e à folha de salários. A definição de receita bruta também foi atualizada e passa a mencionar expressamente operações com bens materiais, bens imateriais, direitos e serviços. Os valores de IBS e CBS pagos pelo regime regular não entrarão no cálculo da receita bruta considerada para fins do Simples Nacional. Outra mudança envolve o momento em que a receita é reconhecida para o cálculo dos tributos. Pela nova regra, o faturamento passa a estar ligado à emissão do documento fiscal que registra a venda ou a prestação do serviço. O sublimite — teto de faturamento usado para definir o recolhimento de determinados impostos dentro do Simples Nacional — será de R$ 3,6 milhões para IBS, ICMS e ISS. Isso significa que, ao ultrapassar esse valor de receita, a empresa pode ter de recolher esses tributos separadamente. Também permanece o limite adicional de R$ 3,6 milhões para receitas de exportação, enquanto a antiga referência ao sublimite de R$ 1,8 milhão deixa de existir. Além disso, a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) deixará de ser apresentada separadamente. As informações passarão a ser incluídas diretamente no Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (PGDAS-D) e deverão ser informadas uma vez por ano, entre janeiro e março. Sites de dopamina: conheça as plataformas com sensação de comprar sem gastar
15/10/2026 03:00:00 +00:00
Fim da escala 6x1: veja a repercussão da decisão entre empresários e trabalhadores

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 no Senado nesta quarta-feira (14) repercutiu entre representantes do setor produtivo e de trabalhadores. Entidades empresariais manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos. Centrais sindicais comemoraram o resultado. (veja abaixo as notas das entidades) 🔍 A proposta foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação; texto agora segue para promulgação. As novas regras não entram em vigor imediatamente. Após a promulgação pelo Congresso Nacional e a publicação oficial, começam a contar os prazos de transição previstos na proposta. "Embora esse processo possa levar alguns dias, a expectativa é de que, neste caso, seja rápido. Minha estimativa é que a promulgação e a publicação ocorram até o fim da semana", explica Rubens Beçak, professor de Direito Constitucional da USP. Plenário do Senado Federal discute a PEC do fim da escala 6x1 Jonas Pereira/Agência Senado O que prevê a PEC aprovada A tramitação da PEC mobilizou parlamentares, empresários e trabalhadores ao longo dos últimos meses porque a proposta altera um dos principais parâmetros da legislação trabalhista brasileira. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial e garante dois dias de descanso remunerado por semana. A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal, que atualmente estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Pelo texto aprovado, a redução da carga horária ocorrerá em duas etapas. Primeira etapa: Iniciada 60 dias após a promulgação da emenda; redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais; garantia de dois dias de descanso remunerado por semana. Segunda etapa: Iniciada 12 meses após a primeira fase; redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais. O texto determina que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial nem afetar os pisos salariais das categorias profissionais. A PEC também estabelece regras específicas para contratos terceirizados com a administração pública, prevê a possibilidade de regulamentação de regimes diferenciados para determinadas atividades e autoriza a criação de medidas voltadas a reduzir os impactos econômicos sobre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. Essas medidas, no entanto, dependerão de regulamentação posterior e não entram em vigor automaticamente com a promulgação da emenda constitucional. O que diz o setor produtivo Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, avalia que a aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala 6x1 é uma tragédia socioeconômica anunciada e denunciada pela Abrasel. “Ela terá impactos extraordinários na sociedade. Os primeiros serão percebidos tão logo ela comece a vigorar, por conta dos serviços essenciais”, afirma. Hoje, 15 milhões de pessoas trabalham em escala 6x1 e vão passar a trabalhar um dia a menos. Para manter a mesma oferta de serviços e cobrir esse dia, o país precisaria de mais 3 milhões de trabalhadores. “Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte”, diz Solmucci. Segundo ele, muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra. Hospitais também podem não conseguir manter as portas abertas todos os dias, como alertou Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, em reunião na Fiesp. Balestrin defendeu uma legislação específica para o setor. “Nós vamos ver serviços essenciais diversos precarizados, e isso obviamente a sociedade vai sentir”, afirma Solmucci. O momento seguinte será um aumento generalizado de preços. Manter a qualidade do serviço vai custar mais. O estabelecimento que quiser continuar aberto seis dias por semana terá alta de 20% nos custos. Nos prédios residenciais, o condomínio pode subir de 18% a 20% para manter a mesma estrutura de serviço. O mesmo vale para um conjunto enorme de atividades. “O que a gente vê é uma primeira onda de precarização enorme dos serviços. Logo em seguida, aumento de custo, inflação grande e perda de poder aquisitivo da população, o que afeta inclusive o setor de bares e restaurantes, porque menos dinheiro no bolso significa menos consumo”, explica. O próximo passo é o risco de recessão, que terá dois vetores: a queda da demanda, provocada pela perda de poder aquisitivo e pela alta de preços, e os juros, que vão subir ou continuar altos por mais tempo. “A medida é tão ruim, tão ruim, que ela pode até ser boa, no sentido de que a sociedade vai rapidamente querer modificá-la”, avalia. Solmucci lembra que, se a PEC do trabalho flexível for aprovada, o trabalhador poderá escolher entre a CLT e o trabalho por hora. “A minha visão é que o governo Lula feriu de morte a CLT no Brasil”, afirma. Ele prevê uma grande migração para o trabalho por hora, para que as contas fechem, a produtividade cresça e a qualidade de vida prometida às famílias se materialize. No trabalho por hora, a pessoa escolhe quantos dias e em quais dias quer trabalhar. “Ela pode trabalhar metade de um dia enquanto o filho está na escola e ficar com ele em casa na outra metade”, diz. Para Solmucci, é a PEC do trabalho flexível que dá a flexibilidade e a qualidade de vida desejadas por todos e também aumento de renda. Nos Estados Unidos, o trabalho por hora em bares e restaurantes é remunerado 60% acima do mensalista. No Brasil, de 30% a 40% acima. O mesmo acontece em diversas profissões. Fora do Brasil, médicos que trabalham por hora recebem de 30% até 200% a mais que a hora de um mensalista. Há países que estabelecem 25% como ganho mínimo extra. “Desta maneira em que a proibição da 6x1 foi aprovada, o que a gente vai ver é uma fuga da CLT. Essa transição para o trabalho por hora, que o mundo em geral já adotou, virá após muito sofrimento coletivo e social, como solução para o problema criado”, conclui. Confederação Nacional da Indústria (CNI) A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera preocupante a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece o fim da escala 6x1. Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada pelo Senado Federal causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o país. Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional. “Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, pontua o presidente da CNI, Ricardo Alban. “Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, acrescenta o dirigente. Levantamento recente da CNI mostra que a redução da jornada para 40 horas semanais, com manutenção dos salários, elevará os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e resultará em uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a R$ 76,9 bilhões. Os dados apontam, ainda, que os preços para o consumidor terão alta de 6,2% em média, impactando nas compras em supermercado, por exemplo, que podem ficar 5,7% mais caras. Os produtos industrializados terão alta média de 6% – no caso de roupas e calçados o aumento dos preços pode alcançar 6,6%. Para a CNI, além de causar insegurança jurídica, a emenda constitucional atinge em cheio todo o setor produtivo, que precisará ajustar sua produção e aumentar seus custos em meio a um cenário econômico adverso do país, que já convive com pesada carga tributária e juros estratosféricos. Para o cumprimento da medida, a indústria terá de fazer uma série de adaptações em suas escalas e a reorganização do processo produtivo. Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifesta preocupação com a aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal. Para a entidade, a medida pode trazer consequências significativas para a economia brasileira, especialmente em relação ao aumento dos custos do trabalho, à competitividade das empresas e à manutenção dos empregos formais. Na semana passada, antes da votação, a FIEMG entregou aos senadores material técnico com os principais prejuízos que, na avaliação da entidade, podem decorrer da aprovação da proposta. O documento alerta para o aumento do custo do trabalho, os riscos para o emprego formal e para a segurança jurídica e os impactos sobre setores intensivos em mão de obra, além de defender a preservação da negociação coletiva e dos regimes especiais já pactuados. Para a FIEMG, a aprovação de uma mudança dessa magnitude, em um contexto marcado pela proximidade do calendário eleitoral, reforça a preocupação com a ausência de um debate técnico aprofundado sobre suas consequências para a economia brasileira. A Federação avalia que a redução compulsória da jornada, sem redução proporcional dos salários e sem ganhos correspondentes de produtividade, aumenta o custo da hora trabalhada e compromete a competitividade das empresas. O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, critica o caráter eleitoreiro da proposta e alerta que a conta da medida não ficará restrita ao setor produtivo. “Sem aumento de produtividade, reduzir a jornada mantendo integralmente os salários significa aumentar o custo da hora trabalhada. Isso pressiona as empresas, reduz a competitividade e acaba chegando ao cidadão por meio de produtos e serviços mais caros. Não podemos tomar uma decisão dessa magnitude ignorando seus efeitos sobre emprego, renda e crescimento do país”, afirma Roscoe. A FIEMG também alerta que a aprovação de um modelo rígido de organização da jornada desconsidera as diferenças entre setores, empresas e atividades econômicas. Indústria, comércio, serviços, saúde e outras atividades intensivas em mão de obra possuem necessidades distintas de organização do trabalho, que não podem ser tratadas por uma única solução. Outro ponto de preocupação é o impacto sobre acordos e convenções coletivas já negociados entre empresas e trabalhadores. Para a Federação, a negociação coletiva deve continuar sendo o principal instrumento para a definição das jornadas e escalas, permitindo soluções adequadas às particularidades de cada atividade produtiva. Diante da aprovação da proposta, a FIEMG reafirma a importância de que os próximos encaminhamentos legislativos considerem os impactos econômicos e sociais da medida, com responsabilidade, diálogo e respeito às especificidades dos setores produtivos. A entidade seguirá defendendo a segurança jurídica, a valorização da negociação coletiva, a competitividade das empresas e a preservação dos empregos. ABPA A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que o setor de proteína animal cumprirá a nova legislação que estabelece as novas escalas e a jornada de trabalho. A ABPA ressalta que o setor já enfrentava grandes dificuldades para preencher o quadro de colaboradores sob a antiga legislação — o que demandou, inclusive, a adoção de mão de obra imigrante. Com o novo quadro, a capacidade produtiva será impactada, ocasionando a adaptação ao novo sistema com eventuais reduções na oferta de alguns produtos e aumento do custo médio produtivo, com o inevitável repasse ao consumidor final. O que dizem representantes dos trabalhadores Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que representa mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores do comércio, bens e serviços, reafirma sua posição favorável ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Para a entidade, a redução da jornada está diretamente relacionada à saúde física e mental dos trabalhadores, ao direito ao descanso e à convivência familiar. A CNTC destaca que a mudança deve considerar as particularidades do comércio e dos serviços, assegurando a preservação dos direitos trabalhistas. A Confederação também ressalta a importância da negociação coletiva e da participação dos sindicatos na implementação das novas regras, de forma a garantir segurança jurídica, proteção aos trabalhadores e equilíbrio nas relações de trabalho. CUT A Central Única dos Trabalhadores saúda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição - PEC 221/2019 no Senado Federal, consagrando o fim da massacrante escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas no Brasil. Esta conquista não é uma concessão nem um presente das elites, ela é a vitória maiúscula da luta, do suor e da organização da classe trabalhadora brasileira! A defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma pauta fundacional da CUT. Desde a nossa criação, em 1983, fincamos a nossa bandeira na luta contra a exploração e a precarização do trabalho, afirmando que o crescimento do país só faz sentido se acompanhado de distribuição de renda, trabalho decente, vida digna e democracia plena. A aprovação da PEC 221/2019 resgata esse compromisso histórico e marca um divisor de águas na superação de um modelo arcaico e cruel que suga as energias de quem realmente trabalha e produz a riqueza desta nação. Garantir o fim da escala 6x1 é garantir dignidade, saúde, convivência familiar, tempo livre, cultura e lazer para a classe trabalhadora. É reconhecer e reparar problemas estruturais acumulados pela ganância capitalista, permitindo que a inovação e os avanços tecnológicos sirvam ao bem-estar social, e não apenas à acumulação privada. Trata-se, também, de uma vitória fundamental para as mulheres trabalhadoras, em especial as mulheres negras, historicamente sobrecarregadas pelas duplas e triplas jornadas de trabalho e do cuidado. Esta conquista histórica é a demonstração inequívoca da força do povo brasileiro! É o resultado da união consciente de homens e mulheres, de jovens e veteranos de tantas lutas, de sindicatos e centrais sindicais, movimentos sociais e populares e de todas as organizações e pessoas que se recusaram a aceitar a imposição de uma jornada e escala de trabalho que enriquece poucos e adoece muitas pessoas. Saudamos com muito orgulho toda a nossa base sindical, todas as dirigentes e os dirigentes de agora e os que vieram antes de nós e pavimentaram os caminhos para essa conquista; saudamos os Comitês de Luta e as Brigadas Digitais da CUT, que mantiveram a chama acesa nos locais de trabalho, nas ruas e nas redes e nos ajudaram a aperfeiçoar nosso diálogo e nossa atuação com a sociedade brasileira. Saudamos o Governo Federal do presidente Lula pela coragem de enviar essa PEC para o Parlamento Brasileiro e todos os parlamentares que defenderam e votaram favorável a esse direito. A aprovação da PEC no Senado é um passo gigantesco, mas a nossa caminhada não para aqui. A CUT reafirma o seu compromisso histórico e inegociável com todas as pessoas que vivem do trabalho e assume desde já o papel central de fiscalizar a rigorosa implementação da PEC 221/2019 em cada local de trabalho, em cada categoria e em cada convenção e acordo coletivo de trabalho. Não permitiremos recuos ou manobras que venham a burlar este direito conquistado com tanta luta! Convocamos todo o povo brasileiro a celebrar essa conquista histórica e, ao mesmo tempo, a se manter animado, organizado e mobilizado, ocupando todos os espaços da sociedade, nas ruas, nas cidades, no campo, nas águas, nas florestas e nas redes sociais, exercendo com firmeza o direito à atuação política e à transformação social do nosso país. Quando a classe trabalhadora se une e luta, ela vence e todo o Brasil ganha! Trabalhar menos, trabalhar todos! Por vida digna, descanso e soberania popular!
15/10/2026 01:12:45 +00:00
Upfront Globo 2027 apresenta principais novidades para o próximo ano

Retorno de 'Avenida Brasil', dinâmica com haters no BBB e filme da Marta são destaques da Globo pra 2027 O Upfront Globo 2027, um dos eventos mais aguardados do calendário da indústria criativa brasileira, foi realizado na noite desta quarta-feira (14), no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. O evento apresentou ao mercado as oportunidades de mídia da Globo para o próximo ano. A partir dele, anunciantes e agências podem planejar e garantir espaços nos principais produtos e projetos da empresa, tanto nacionais quanto regionais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na abertura da cerimônia, Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, ressaltou que o papel da empresa é criar pontes para que os negócios cheguem à casa e à vida de cada brasileiro todos os dias. "Essa presença pode se tornar um vínculo duradouro. E esse é o convite que fazemos a vocês", afirmou. Upfront Globo 2027 Maurício Fidalgo/Globo "A relevância da Globo está ligada a esses compromissos e a um encontro entre quem investe, quem informa, quem cria e quem vive as nossas histórias. É para isso que seguimos construindo a Globo junto com todos vocês", acrescentou Marinho. Manzar Feres, diretora-geral de Negócios em Publicidade da Globo, destacou a capacidade da empresa de reunir e mobilizar pessoas e, a partir disso, gerar valor para as marcas. Para ela, influência vai além do alcance e passa também por fazer uma mensagem importar, ser percebida, lembrada e capaz de mover pessoas. “A Globo tem uma combinação muito particular de forças para fazer isso acontecer. (...) Neste ano, nós já falamos com quase 200 milhões de pessoas. Só até setembro, foram mais de 4 trilhões de minutos consumidos em nossas plataformas”, afirmou. “Alcançar, a gente sabe que é só o começo. Importa também o que acontece depois. Na Globo, uma história não termina quando o programa acaba. Ela continua reverberando, influencia conversas e vira negócio”, acrescentou. O Upfront 2027 teve início com o cantor Péricles, que levantou o público ao som de "A Gente Bota pra Quebrar". Veja os destaques abaixo. Copa do Mundo Feminina no Brasil Upfront 2027: Luís Roberto, Renata Silveira, Ana Thaís Matos, Mari Spinelli e Luana Maluf subiram ao palco para receber as jogadoras e o técnico da Seleção Brasileira, Arthur Elias, para falar sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027. Maurício Fidalgo/Globo Luís Roberto, Renata Silveira, Ana Thaís Matos, Mari Spinelli e Luana Maluf receberam Arthur Elias, técnico da Seleção Brasileira, e as jogadoras convocadas para falar sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027. O encontro destacou a expectativa para o Mundial, que será realizado no Brasil e promete mobilizar torcedores de todo o país. O Troféu da Copa do Mundo da FIFA também desembarcou no país e chegou ao palco do Upfront. Além da grande cobertura do evento esportivo, a Globo apresentou conteúdos que levarão o Mundial para além dos campos. No GNT, Sabrina Sato comanda um esquenta com encontros que trazem histórias das atletas antes do início dos jogos. No Multishow, Blogueirinha acompanha os bastidores do Mundial em um mockumentary com muito humor. Ainda durante o evento, Sabrina Sato levou a atriz Alice Carvalho ao palco do Upfront 2027 para apresentar "Marta", cinebiografia da maior jogadora da história do futebol feminino mundial. Dirigido por Andrucha Waddington, o filme traz Alice Carvalho no papel da protagonista, em um elenco que reúne Drica Moraes, Irandhir Santos, Thelmo Fernandes e Claudia Di Moura. "Marta" chega aos cinemas brasileiros em abril de 2027. Em 2027, a Globo também reúne um portfólio de transmissões que acompanha os principais acontecimentos esportivos do ano, com cobertura multiplataforma, informação e entretenimento para diferentes públicos. BBB 27 Tadeu Schmidt apresenta o BBB 27 Maurício Fidalgo/Globo Tadeu Schmidt apresentou as novidades do BBB 27. A próxima temporada reúne veteranos, pipocas e camarotes e amplia a participação do público com novas dinâmicas, um "Sincerão" mais ágil e uma Casa de Vidro que definirá parte do elenco e dará vantagens no jogo. "Nosso 'Sincerão' está reformulado, mais dinâmico, gameficado. Está diferente. Vocês vão gostar", afirmou o apresentador Tadeu Schmidt. Na TV Globo, a eliminação de terça-feira será seguida por uma conversa do eliminado com um fã e um hater, enquanto os domingos terão duas edições: uma à tarde, com o início da formação do paredão, e outra à noite, com a conclusão da dinâmica. Chef de Alto Nível Chef de Alto Nível Fábio Rocha/Globo Em um vídeo, Ana Maria Braga e os chefs Alex Atala, Jefferson Rueda e Renata Vanzetto confirmaram no Upfront a terceira temporada de Chef de Alto Nível para 2027. A renovação vem após o sucesso comercial da atual edição, que teve todas as cotas de patrocínio vendidas. 'Academia dos Nepo Babies' Rafaella Justus, Ticiane Pinheiro e Helô Pinheiro Maurício Fidalgo/Globo Ticiane Pinheiro subiu ao palco acompanhada da mãe, Helô Pinheiro, e da filha, Rafaella Justus, para apresentar "Academia dos Nepo Babies", novo reality show Original Globoplay, produzido pelos Estúdios Globo. Na competição, filhos de personalidades brasileiras precisam testar novas habilidades em profissões inusitadas. Jornalismo da Globo César Tralli e Maju Coutinho Maurício Fidalgo/Globo Maju Coutinho e César Tralli ressaltaram que, em 2027, o Jornalismo da Globo reafirma o compromisso com a informação bem apurada, ágil e próxima do público, sempre presente onde os fatos acontecem e dedicada a explicá-los com clareza, profundidade e relevância. Novo reality de relacionamento Ana Clara Maurício Fidalgo/Globo No Upfront, Ana Clara anunciou que a Globo prepara um novo reality de relacionamento que irá explorar os desafios, expectativas e dinâmicas que surgem quando se decide casar. Ainda sem apresentador definido, o programa tem estreia prevista para 2027. Welcome Ads Cauã Reymond Maurício Fidalgo/Globo Cauã Reymond apresentou o Welcome Ads, novo formato publicitário do Globoplay exibido na tela de login, antes da escolha do perfil e do conteúdo. A novidade oferece às marcas um novo ponto de contato, em um momento de grande visibilidade no início da navegação. O Welcome Ads integra a evolução da oferta comercial do Globoplay e se soma a soluções como Pause Ads, Binge Ads e inserção dinâmica de publicidade no simulcast dos canais lineares. Entretenimento Marcos Mion, Serginho Groisman, Daniel, Louro Mané, Luciano Huck, Patrícia Poeta, Maria Beltrão e Eliana Maurício Fidalgo/Globo Luciano Huck, Serginho Groisman, Marcos Mion, Maria Beltrão, Patrícia Poeta, Eliana, Daniel e Louro Mané destacaram a força e a diversidade do entretenimento da Globo, com atrações que acompanham o público em diferentes momentos e plataformas. A atração inédita "Chefinho de Alto Nível" foi anunciada pela Eliana. A novidade leva o universo da gastronomia para o público infantil ao "Em Família com Eliana". No mesmo palco, Luciano Huck anunciou um reforço no time de entretenimento da Globo em 2027: Márcio Garcia, que vai apresentar um game show desenvolvido pelos Estúdios Globo em parceria com a Endemol Shine Brasil, com provas cocriadas com marcas. Avenida Brasil 2 Parte do elenco de Avenida Brasil 2 Maurício Fidalgo/Globo Um dos principais anúncios da noite transformou o palco do Upfront 2027 em um reencontro marcado pela emoção. Adriana Esteves, Murilo Benício, Débora Falabella, Cauã Reymond, Eliane Giardini, Marcos Caruso, Leticia Isnard, Thalita Carauta e Karol Lannes se reuniram para confirmar o retorno de "Avenida Brasil". A nova história também recebe nomes como Mel Maia, Thomas Aquino e Jessica Ellen. Mais de uma década depois de conquistar o país, a novela que marcou uma geração volta a abrir as portas do Divino e promete fazer o Brasil parar mais uma vez.
15/10/2026 01:11:24 +00:00
Quando começa a valer o fim da escala 6x1? Entenda etapas até redução da jornada de trabalho

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). As novas regras não entram em vigor imediatamente. Para acelerar a tramitação, a votação ocorreu em dois turnos no mesmo dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ➡️ A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta. Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. Ela começa a produzir efeitos após a publicação no Diário Oficial. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as mudanças começariam a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição) A partir desse prazo, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que fosse assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A proposta também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. Durante o primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima passará a ser de 40 horas. Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6x1. O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Quando começam os dois dias de folga? Como será a transição de 44 para 40 horas? A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Será necessária negociação coletiva? Como ficam horas extras e banco de horas? O que acontece com categorias que têm escalas especiais? O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas. A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo. "Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados. Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos. Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto. "Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva", diz a advogada do escritório Durão, Almeida & Pontes. A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto. Voltar ao menu. Quando começam os dois dias de folga? O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Voltar ao menu. Como será a transição de 44 para 40 horas? Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação. A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário. Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos. Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis. "O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho. Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados. “A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma. Voltar ao menu. A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador. "As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest. Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais. Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta. Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS. Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece. Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial. Voltar ao menu. Será necessária negociação coletiva? Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas. "A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest. Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra. Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição. Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras. Voltar ao menu. Como ficam horas extras e banco de horas? A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis. Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas. Voltar ao menu. O que acontece com categorias que têm escalas especiais? Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada. A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas. Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta. A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor. Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação. Voltar ao menu. Colegas parlamentares comemoram enquanto o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, anuncia o resultado da votação a favor de uma emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho no Brasil de seis para cinco dias, em Brasília, Brasil, 14 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
15/10/2026 01:00:24 +00:00
Fim da escala 6x1: o que acontece agora? Quais são os próximos passos? Entenda

Fim da escala 6x1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas  A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para acelerar a tramitação, a votação ocorreu em dois turnos no mesmo dia. As novas regras não entram em vigor imediatamente. Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. Ela começa a produzir efeitos após a publicação no Diário Oficial. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as mudanças começariam a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição) A partir desse prazo, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que fosse assegurada a média de dois dias de descanso por semana. A proposta também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. Durante o primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima passará a ser de 40 horas. Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6x1. O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Quando começam os dois dias de folga? Como será a transição de 44 para 40 horas? A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Será necessária negociação coletiva? Como ficam horas extras e banco de horas? O que acontece com categorias que têm escalas especiais? O que muda para o trabalhador? E para a empresa? Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga. A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas. A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo. "Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora", explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados. Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos. Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant'Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto. Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva." A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto. Voltar ao índice. Quando começam os dois dias de folga? O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição. A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais. Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana. Voltar ao índice. Como será a transição de 44 para 40 horas? Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação. A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos. Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário. Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente. Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos. Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis. "O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra", reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho. Segundo Tatiana Sant'Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados. “A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma. Voltar ao índice. A empresa terá que mudar os contratos de trabalho? Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador. "As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais", afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest. Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais. Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta. Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS. Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece. Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro. Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial. Voltar ao índice. Será necessária negociação coletiva? Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas. "A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade", reiteram os especialistas do Demarest. Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra. Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição. Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras. Voltar ao índice. Como ficam horas extras e banco de horas? A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas. Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas. Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas. Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis. Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas. Voltar ao índice O que acontece com categorias que têm escalas especiais? Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada. A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas. Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta. A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12x36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor. Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação. Voltar ao índice. Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho na região de Campinas Reprodução/EPTV
15/10/2026 00:59:24 +00:00
Fim da escala 6x1: como é a jornada de trabalho em outros países?

Plenário do Senado discute proposta sobre o fim da escala 6x1 O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 no país. A proposta altera a Constituição para diminuir as horas de trabalho semanais de 44 para 40 horas, e coloca o Brasil entre os países que estão reduzindo as jornadas de trabalho previstas em lei. A mudança será gradual e estará totalmente implementada em cerca de 14 meses, segundo o texto. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A PEC, que agora segue para promulgação em sessão conjunta do Congresso Nacional, assegura que os trabalhadores tenham dois dias de descanso por semana sem redução salarial. Em 2026, três países da América Latina começaram, deram continuidade ou concluíram as discussões acerca da carga horária trabalhada de seus cidadãos. Enquanto o Chile e a Colômbia chegaram a 42 horas semanais, o México deve começar a implementação da nova jornada a partir de 2027. 👉 Reduzir o limite semanal de horas não significa necessariamente acabar com a escala 6x1. Chile e Colômbia, por exemplo, permitem que a jornada seja distribuída em até seis dias. As legislações também variam quanto a horas extras, períodos de descanso e possibilidades de flexibilização. Veja, abaixo, como é a carga horário de trabalho de outros países: Chile Funcionário trabalha em linha de montagem de fábrica em Fuyang, na província chinesa de Anhui China Daily/via REUTERS O Chile reduziu a jornada máxima semanal de 45 para 42 horas em 2026, como parte de uma lei aprovada em 2023. A implementação é gradual e prevê que o limite chegue a 40 horas semanais em abril de 2028. A redução se aplica aos trabalhadores regidos pelo Código do Trabalho chileno. Colômbia A jornada máxima semanal na Colômbia foi reduzida de 44 para 42 horas em julho de 2026, concluindo o cronograma de diminuição gradual previsto em uma lei de 2021. A redução não pode resultar em corte salarial. A medida encerra uma transição iniciada em 2023, quando o limite era de 47 horas por semana. México O parlamento mexicano aprovou, em fevereiro de 2026, uma reforma constitucional para reduzir a jornada máxima semanal de 48 para 40 horas até 2030. A mudança será gradual, com a primeira redução, para 46 horas, prevista para janeiro de 2027. O calendário estabelece limites de 44 horas em 2028, 42 em 2029 e 40 em 2030. Novamente, a lei impede a redução de salários ou benefícios. LEIA TAMBÉM Veja o que acontece se proposta for aprovada ou rejeitada Quais setores poderão ter escalas diferentes? Veja profissões que podem ficar de fora Lula diz que PL decidiu apoiar fim da escala 6x1 'depois da pressão da sociedade' Bélgica A Bélgica permite que trabalhadores em tempo integral concentrem a jornada semanal normal em quatro dias, em vez de cinco, desde que sejam cumpridas as condições legais e os procedimentos previstos para cada empresa. A medida não reduz necessariamente o total de horas trabalhadas. Por lá, a carga horária é de 38 horas por semana. Quem quiser realizar toda a jornada semanal em menos dias, pode fazer nove horas e meia por dia durante quatro dias. Grécia Em outubro de 2025, a Grécia aprovou uma reforma que permite, em determinadas condições, jornadas de até 13 horas por dia para trabalhadores do setor privado, limitadas a três dias por mês. A lei também prevê a possibilidade de organizar a jornada em quatro dias, com dez horas diárias, mediante acordo. A mudança não representou uma redução geral da carga horária e provocou protestos de sindicatos, que criticaram a ampliação do tempo de trabalho. Por lá, a jornada semanal é de 40 horas. Portugal Portugal realizou em 2023 um projeto-piloto de semana de quatro dias, com participação de 41 empresas privadas e mais de mil trabalhadores. A experiência permitiu que as empresas participantes testassem diferentes formatos de redução ou reorganização da jornada. Os resultados, divulgados em 2024, apontaram redução das horas trabalhadas e melhora em indicadores de bem-estar. O programa, entretanto, não estabeleceu uma redução obrigatória das horas de trabalho para todo o país. Por lá, a jornada de trabalho padrão é de 8 horas por dia e 40 horas por semana, mas permite diferentes formas de distribuição do tempo. Estados Unidos Nos Estados Unidos, a legislação federal não estabelece um limite máximo geral de horas que um adulto pode trabalhar por semana. A regra determina, porém, que a maioria dos trabalhadores receba pagamento adicional pelas horas extras. Quem trabalha mais de 40 horas semanais tem direito a receber pelo menos uma vez e meia o valor normal da hora trabalhada. A regra não vale para todos. Algumas categorias, como determinados cargos executivos e profissionais assalariados que atendem a critérios legais, podem ser dispensadas do pagamento de horas extras. Além disso, alguns estados têm regras próprias que ampliam a proteção dos trabalhadores. Por lá, a remuneração é proporcional às horas trabalhadas. O modelo vinha sendo defendido por políticos brasileiros de oposição, como o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), como uma alternativa ao fim da escala 6x1. Na última terça-feira, entretanto, o candidato mudou de opinião e disse que votaria a favor da mudança. Segundo os defensores, a ideia é flexibilizar as relações de trabalho, reduzir custos para as empresas e dar mais liberdade para empregadores e funcionários negociarem jornadas e remunerações. De acordo com esse argumento, regras menos rígidas poderiam facilitar contratações e estimular a atividade econômica. Reino Unido A legislação britânica estabelece um limite geral de 48 horas semanais em média, normalmente calculado ao longo de 17 semanas. Trabalhadores adultos podem concordar formalmente em não se submeter a esse teto, em um procedimento conhecido como opt-out. Há exceções para determinadas profissões e atividades, mas a lei também prevê períodos mínimos de descanso diário e semanal e pausas durante o trabalho. França O país é conhecido por ter uma das menores jornadas legais. Na França, o padrão é de 35 horas semanais para trabalhadores em tempo integral. O limite não significa que seja proibido trabalhar mais, mas as horas excedentes são tratadas, em regra, como horas extras, sujeitas a compensação ou pagamento adicional. A legislação também estabelece limites para a duração diária e semanal do trabalho, com exceções previstas em lei e em acordos coletivos. China A legislação chinesa estabelece uma jornada padrão de oito horas por dia e 40 horas por semana, segundo uma regulamentação do Conselho de Estado. A Lei do Trabalho, por sua vez, determina que a jornada diária não ultrapasse oito horas e que a média semanal não exceda 44 horas. A lei também prevê pelo menos um dia de descanso por semana e limita, em regra, as horas extras a uma hora por dia, podendo chegar a três horas em situações especiais, desde que a saúde dos trabalhadores seja protegida, com teto de 36 horas extras por mês. Rússia Na Rússia, a jornada normal é de até 40 horas por semana. A distribuição pode ocorrer em uma semana de cinco dias, com dois dias de descanso, ou de seis dias, com um dia de descanso, conforme o regime adotado. A lei prevê jornadas menores para determinados grupos, como adolescentes e trabalhadores em condições prejudiciais à saúde. Alemanha Na Alemanha, a lei estabelece que a jornada normal não deve ultrapassar oito horas por dia, mas permite chegar a dez horas em um mesmo dia se a média voltar a oito horas por dia útil em um período de seis meses ou 24 semanas. Na prática, isso permite distribuir as horas de forma mais flexível, desde que o limite médio seja respeitado. Muitos contratos e acordos coletivos estabelecem jornadas semanais de 38 a 40 horas. A legislação também exige pelo menos 11 horas consecutivas de descanso entre duas jornadas. Itália A jornada normal italiana é de 40 horas semanais, mas acordos coletivos podem estabelecer limites menores. A média de trabalho, incluindo horas extras, não pode ultrapassar 48 horas por semana no período de referência previsto em lei, geralmente de quatro meses, com possibilidade de extensão em determinadas condições. Japão A legislação japonesa estabelece jornada padrão de oito horas por dia e 40 horas por semana, além de exigir ao menos um dia de descanso por semana ou quatro dias a cada período de quatro semanas. As horas extras dependem, em regra, de acordo formal entre empregador e representantes dos trabalhadores. O limite geral é de 45 horas extras por mês e 360 por ano, embora a lei permita exceções específicas, sob condições mais restritas. Canadá No Canadá, as regras sobre jornada variam conforme a província ou o território e o setor de atividade. Nos locais de trabalho regulados pela legislação federal, a jornada padrão é de 40 horas semanais, com pagamento de horas extras após esse limite para a maioria dos trabalhadores abrangidos. O teto geral costuma ser de 48 horas por semana, embora existam exceções e mecanismos para calcular a jornada média em períodos mais longos. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
15/10/2026 00:50:16 +00:00
Em vitória de Lula, Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 e trabalhador terá dois dias de folga por semana

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e garante dois dias de folga por semana para o trabalhador sem diminuição do salário. A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta. A 11 dias do segundo turno, a aprovação da PEC por ampla maioria é uma vitória para o presidente Lula (PT), que transformou o tema em bandeira de campanha. (veja mais abaixo) 🔎 Como é uma mudança constitucional, a proposta precisa ser aprovada por no mínimo 49 senadores em dois turnos. A PEC do fim da jornada 6x1 altera a Constituição para diminuir as horas de trabalho semanais de 44 para 40 horas. Também estabelece que é necessário garantir dois dias de folga remunerada, um deles preferencialmente aos domingos. A grande mudança é garantir que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal sem a possibilidade de redução salarial. Um desses dias deve ser preferencialmente o domingo. A oposição ao governo Lula tentou alterar a PEC do fim da 6x1 para retirar redução de jornada proporcional para trabalhadores que hoje já trabalham menos de 40 horas por leis específicas. A emenda, no entanto, foi retirada após acordo. Protesto pelo fim da escala 6x1 na Paulista em agosto Henrique Silva/TV Globo Período de transição Para que os trabalhadores brasileiros cheguem às 40 horas semanais com dois dias livres, haverá um período de transição. A PEC ainda precisa ser promulgada para entrar em vigor. Depois disso, segue o seguinte calendário: em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado; em um ano após esses dois meses, redução da jornada semanal para 40 horas. A mudança não será aplicada para trabalhadores com ensino superior que ganhem por mês mais de 2,5 vezes o teto do INSS, ou seja, quem ganhe mais de R$ 21.188 por mês. Colegas parlamentares comemoram enquanto o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, anuncia o resultado da votação a favor de uma emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho no Brasil de seis para cinco dias, em Brasília, Brasil, 14 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado Votação após articulação do governo O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) abriu a sessão desta quarta-feira dizendo que a votação depois do primeiro turno cumpre o acordo feito com senadores. Alcolumbre afirmou ainda que cada senador deveria votar conforme sua consciência. "Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem, na própria rotina, o valor de um dia a mais de descanso", disse o presidente do Senado. A sessão contou principalmente com discursos a favor da mudança na escala de trabalho. Um senador que foi aplaudido foi Paulo Paim (PT-RS), que defende há anos a redução da jornada para 40 horas. Paim se aposenta da vida pública no fim de 2026 e já havia dito que queria votar essa matéria antes de deixar o Senado. "Vamos entrar para a história de cabeça erguida", disse ele. "Aqui eu só tenho a dizer a todos vocês, ao povo brasileiro que foi às ruas em todos os estados, eu termino só dizendo a vocês que o Congresso, este Senado, só tem que dizer: gratidão, gratidão, gratidão e gratidão!" Por outro lado, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticou o que ele chamou de falta de dados para entender os impactos nos setores econômicos. Mas disse que um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode corrigir isso. "O que a gente pode fazer no futuro, no governo Flávio, que será nosso presidente, é mitigar trazendo instrumentos que a gente já viveu no governo Bolsonaro", disse o líder do PL. Já o senador Valderlan Cardoso (PSD-GO) disse ser favorável à PEC, mas criticou a votação em momento eleitoral. "Esse tema passou meses sendo tratado como pauta de campanha. Foi adiado ou apressado por cálculo eleitoral. Atacado e defendido como conveniência do calendário das urnas", disse o parlamentar. "Fico indignado com este tipo de situação. Quando um tema de interesse nacional vira disputa de palanque, o Brasil perde". Tema na eleição A votação representou uma vitória do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apoiadores do petista buscavam desde a semana passada acelerar o processo para aprovar a mudança na escala de trabalho antes do segundo turno das eleições presidenciais. Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados falaram abertamente contra a PEC. O candidato do PL defende uma proposta alternativa de pagamento por horas. Nesse modelo, o trabalhador só receberia pela hora trabalhada e poderia ter seu salário diminuído de forma proporcional. Flávio Bolsonaro visita Jair, muda o tom e declara voto a favor da PEC do fim da 6x1 Com o tema ganhando tração na campanha eleitoral e com cobranças públicas de Lula, na terça-feira (13), Flávio afirmou que se posicionaria “conforme a vontade da maioria do povo”. O senador e candidato a presidente no entanto, não compareceu ao Senado nesta quarta-feira e votou à distância. O PL liberou a bancada para cada senador votar como desejava enquanto falam em mudanças depois das eleições. Lula ironizou a mudança de Flávio, que para ele só ocorreu pela pressão da sociedade. “Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, disse o presidente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) PL quer mudança em 2027 O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta quarta-feira (14) que o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), vai insistir na PEC das horas trabalhadas depois das eleições. Nessa nova modalidade, segundo o deputado, não haveria salário-mínimo ou um mínimo de horas que o trabalhador teria direito a trabalhar semanalmente. Na ideia de hora trabalhada, hora paga, haveria espaço para diminuição do salário. Ao ser questionado sobre direitos como 13º e férias remuneradas, Sóstenes disse que a proposta do PL não prevê esses direitos. "A PEC não é CLT, você tem que mudar o chip", disse o deputado. A PEC da oposição foi apresentada pelo coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN). O candidato à Presidência tem sido um crítico do fim da 6x1 e defende o modelo de horas trabalhadas.
15/10/2026 00:50:03 +00:00
Mega-Sena 3070 acumula e prêmio vai a R$ 170 milhões; confira os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.070 da Mega-Sena foi realizado exepcionalmente na noite desta quarta-feira (14), em São Paulo, devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 152 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 170 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 19 - 27 - 29 - 43 - 54 - 60 5 acertos: 91 apostas ganhadoras, R$ 52.767,96 4 acertos: 7.384 apostas ganhadoras, R$ 1.071,93 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Resultado do concurso 3070 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
15/10/2026 00:05:17 +00:00
Apple encerra pregão avaliada em US$ 5 trilhões pela primeira vez

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple nos EUA, em foto de 19 de setembro de 2025 Reuters/Shannon Stapleton A Apple encerrou o pregão desta quarta-feira (14) com alta de 0,5% em suas ações e registrou valor de mercado acima dos US$ 5 trilhões (cerca de R$ 25 trilhões) pela primeira vez em sua história. A empresa já tinha alcançado esse valor durante o pregão, quando chegou a se tornar a marca mais valiosa do mundo por alguns instantes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Naquela ocasião, as ações caíram antes do fechamento e fizeram o valor de mercado da companhia voltar para um patamar abaixo dos US$ 5 trilhões. Com o valor alcançado nesta quarta, a Apple se isolou como a segunda empresa mais valiosa do mundo e a segunda a ter alcançado este valor de mercado no fechamento do pregão. Agora no g1 A primeira foi a fabricante de semicondutores Nvidia, que chegou a esta marca em outubro de 2025 e agora caminha para ser avaliada em US$ 6 trilhões (R$ 30 trilhões). As ações da Apple tem se valorizado em meio à demanda elevada por produtos como o iPhone e os computadores Mac mini e iMac, que passaram a estar disponíveis nos Estados Unidos por meio de programas de assinatura. Em setembro, a empresa lançou novas versões do iPhone, incluindo uma com tela dobrável, além de novos fones de ouvido e relógios inteligentes. Os preços no Brasil chegam a R$ 30.999. A Apple passa por uma mudança na gestão que envolve a saída de Tim Cook após 15 anos como CEO e a chegada de John Ternus, que era vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware na empresa. Ternus planeja realizar uma reformulação para dar mais foco à engenharia, lançar produtos com mais frequência e tornar a estrutura da companhia mais enxuta, revelou a Bloomberg no final de setembro. Entre as mudanças, estão a mudança do tradicional calendário de lançamentos de produtos, que hoje é concentrado em setembro, e a redução de cargos de gerência intermediária. Segundo a reportagem, Ternus sinalizou internamente que a Apple deve lançar produtos com mais rapidez e testar novas ideias para se manter competitiva na era da inteligência artificial.
14/10/2026 23:34:37 +00:00
Câmara aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes

Lula perdoa dívidas dos MEIs e anuncia pé-de-meia para universitários A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14) projeto de lei que amplia o limite de faturamento para enquadramento de Microempreendedor Individual (MEI) e também perdoa dívidas de inadimplentes da categoria. O placar foi de 461 deputados favoráveis e quatro contra. Ambas as mudanças foram enviadas pelo governo Lula, com o perdão das dívidas do MEI sendo a última medida anunciada pela campanha de Lula nesta semana como tentativa de reaproximação com o grupo a poucos dias do 2º turno. Agora, o texto segue para análise do Senado Federal. O projeto amplia o enquadramento no MEI para os empreendedores com faturamento anual de R$ 110 mil em 2027 e de R$ 140 mil a partir de 2028, ante os R$ 80 mil atuais. "Esse MEI hoje às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa do MEI", disse o relator, deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA). O projeto também amplia o número de funcionários que podem ser contratados pelos microempreendedores individuais. Atualmente, apenas um funcionário pode ser empregado. O projeto aumenta esse número para até dois, desde que recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. A oposição criticou a votação da medida às vésperas do segundo turno. "Ainda que eu veja que os empreendedores mereçam essa correção – que é justiça não é bondade –, acho lamentável que venha como uma medida eleitoreira. Lamentável é isso ser pautado", disse a deputada Adriana Ventura (Novo-SP). MEIs Jornal Nacional/ Reprodução Outra proposta, que prevê a concessão de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios, só deve ser enviada pelo governo ao Congresso após as eleições. 💵 O recurso será não reembolsável. Ou seja, não precisará ser devolvido pelo beneficiário. Impacto fiscal O impacto fiscal estimado com a renúncia de receitas é de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029. Já o impacto com o perdão das dívidas é estimado em R$ 3 bilhões em 3 anos. Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto será dividido da seguinte forma: 2027: R$ 1,1 bilhão; 2028: R$ 1 bilhão; 2029: R$ 909 milhões. O relator ainda contemplou as dívidas ainda não inscritas na dívida da ativa da União que ainda podem estar com o processo em tramitação. Isso poderia gerar impacto de até R$ 2 bilhões para além do já previsto. O projeto concedeu anistia integral aos MEIs inadimplentes. O projeto perdoa as dívidas contraídas pelos microempreendedores individuais até 13 de outubro de 2026. Segundo o relator, parte desse endividamento se iniciou ainda no período da pandemia e o grupo precisa do auxílio governamental para retomar o controle sobre seus negócios. "O objetivo não é um perdoou geral. Pelo contrário. Há uma regra que exige o adimplemento futuro", afirmou. O projeto estabelece contrapartidas para a remissão dos valores devidos: não ficar devedor pelos seis meses consecutivos ao perdão e desistir de eventuais ações na Justiça ligadas aos valores devidos.
14/10/2026 22:43:05 +00:00
Estados americanos processam OpenAI e acusam ChatGPT de incentivar automutilação em jovens

FBI prende engenheiro da OpenAI que instalou aparelho espião em escritório Oito estados norte-americanos entraram com ações judiciais contra a OpenAI nesta quarta-feira (14), sob a alegação de que o ChatGPT incentivou usuários, incluindo adolescentes, a machucar a si mesmos ou outras pessoas. Os estados afirmam que o chatbot reforça delírios, estimula comportamentos perigosos e pode ajudar no planejamento de atos violentos, como tiroteios em massa, apurou a Reuter.s Os processos foram apresentados separadamente pelos procuradores-gerais dos estados, autoridades responsáveis por representar os governos estaduais em questões judiciais. Entre os envolvidos estão Iowa, Kansas, Arizona, Arkansas, Idaho, Montana, Nebraska e Virgínia Ocidental. As ações acusam a OpenAI de violar leis estaduais de proteção ao consumidor por, segundo os procuradores, induzir o público a acreditar que o ChatGPT é seguro. Os estados também alegam que a empresa colocou a saúde dos moradores em risco, causando perturbação da ordem pública. Segundo os processos, o chatbot foi projetado para ser agradável e envolvente, com o objetivo de conquistar a confiança dos usuários. Os estados afirmam, porém, que essa característica pode contribuir para reforçar ideias delirantes e facilitar o planejamento de atos violentos. Que mudanças os estados pedem? Os procuradores-gerais pedem que a Justiça determine mudanças no funcionamento do ChatGPT. Entre as medidas solicitadas, está a proibição do desenvolvimento de modelos de inteligência artificial (IA) capazes de se aperfeiçoar sozinhos, a menos que a empresa possa garantir que eles estejam alinhados aos valores humanos. Os estados também pedem multas por supostas violações das leis estaduais e indenizações pelos danos alegados. A iniciativa é descrita como a maior ação coordenada entre estados norte-americanos contra uma empresa de inteligência artificial. Ela amplia a pressão judicial sobre a OpenAI enquanto a companhia se prepara para abrir capital, processo pelo qual uma empresa passa a ter ações negociadas na bolsa de valores. A Flórida apresentou, em junho, a primeira ação estadual desse tipo contra a empresa. Um porta-voz da OpenAI, buscado pela Reuters, não comentou o assunto. A empresa também enfrenta dezenas de processos movidos por particulares que alegam que o ChatGPT ajudou usuários a planejar tiroteios em massa ou outros atos de violência. OpenAI afirma que a confiança e a privacidade são fundamentais para seus produtos Getty Images
14/10/2026 21:15:02 +00:00
Gol corta voos após preço do combustível dobrar; veja o que muda para passageiros

Setor aéreo alerta para impacto no preço das passagens após alta do querosene A Gol está ajustando sua malha aérea, com redução ou suspensão de voos em algumas rotas, em meio à alta do combustível de aviação. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Até o momento, a empresa ainda não confirmou quais destinos foram cortados, mas enfatizou que as suspensões entram em vigor apenas em fevereiro de 2027. Segundo a companhia, o preço do querosene de aviação (QAV) dobrou e o insumo representa cerca de 40% de seus custos operacionais. Em nota, a empresa afirmou que o planejamento das rotas é um processo contínuo e acompanha as necessidades da operação. Segundo a Gol, as mudanças são feitas “sem qualquer distinção ou priorização regional”. Até o momento, a empresa ainda não confirmou quais foram as rotas suspensas e modificadas, mas enfatizou que entram em vigor apenas em fevereiro de 2027. A companhia informou que continuará oferecendo alternativas de viagem aos passageiros, seja por meio de voos com conexão — quando é necessário trocar de avião durante o trajeto —, seja por parcerias com outras empresas aéreas. A Gol afirma ter mais de 60 acordos de codeshare e interline, modalidades de parceria que permitem às companhias comercializar voos em conjunto ou integrar trechos de uma mesma viagem. O que é recomendado aos passageiros? Os passageiros que compraram passagens diretamente com a Gol podem solicitar remarcação, crédito ou reembolso pela Central de Atendimento, nos telefones 0300-115-2121, no Brasil, e +55 11 3471 2973, no exterior. Quem adquiriu bilhetes com milhas deve gerenciar a reserva diretamente com a Smiles. Os contatos são 0300 115 7001, para clientes Smiles ou da categoria Prata; 0300 115 7007, para clientes Ouro e Diamante; e +55 11 991 824 233, pelo WhatsApp, para clientes Magno, com atendimento 24 horas. Já os passageiros que compraram passagens por meio de agências de viagens devem procurar a própria agência para resolver questões relacionadas à reserva. Gol Linhas Aéreas Divulgação/Gol Linhas Aéreas
14/10/2026 20:28:53 +00:00
Minerais críticos e estratégicos concentram 57% dos empregos da mineração em 2025, diz ANM

As atividades ligadas aos minerais críticos e estratégicos concentraram 57% dos empregos da indústria extrativa mineral brasileira em 2025, segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). ➡️Do total de 226,6 mil empregos no setor, o segmento desses minerais representou 129,4 mil postos de trabalho. Dos 129,4 mil empregos ligados a esses minerais, 51.714 são ocupados por trabalhadores com mão de obra qualificada. Esse contingente equivale a 23% de todos os empregos da indústria extrativa mineral brasileira. Já os trabalhadores com ensino superior somam 30.707, o equivalente a 14% do total de postos da indústria extrativa mineral do país. E os homens predominam nessas atividades: eles respondem por 78% dos empregos relacionados aos minerais críticos e estratégicos, enquanto as mulheres ocupam 22% dos postos. Ana Flor: Brasil é a grande reserva de minerais críticos, por isso os EUA estão de olho Os números fazem parte do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado nesta tarde pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Entre os municípios com maior número de trabalhadores em atividades relacionadas aos MCE estão Parauapebas (PA), com 8.234 empregos; Nova Lima (MG), com 8.218; e Congonhas (MG), com 7.114. Em 2025, o salário mediano dos trabalhadores com níveis fundamental, médio e superior foi, respectivamente, de R$ 3.218,08, R$ 4.142,24 e R$ 11.856,16. Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima Jornal Nacional/ Reprodução Política Nacional Após uma longa discussão, o governo sancionou, no mês passado, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabelece diretrizes para as etapas de pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. A política considera como críticos os minerais cujo abastecimento está sujeito a riscos capazes de afetar setores essenciais da economia. Já os estratégicos são aqueles considerados importantes para o desenvolvimento tecnológico e regional, para a balança comercial ou para a redução das emissões de gases de efeito estufa. 🔍O Brasil ainda não tem uma lista oficial de minerais classificados como críticos e estratégicos. A tarefa ficará a cargo do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), também criado pela política. Esses minerais têm aplicações em áreas diversas, como transição energética, digitalização, defesa e indústria de alta tecnologia. Lítio, níquel, cobalto, grafita e manganês são usados em baterias de íon-lítio, por exemplo. Os veículos elétricos, por sua vez, também utilizam minerais como lítio, cobre e níquel, além de terras raras, em sua composição. A política também prevê instrumentos como: Fundo Garantidor da Atividade Mineral; Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos; Certificado Mineral de Baixo Carbono; Cadastro nacional de projetos; e Rede de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação profissional.
14/10/2026 19:00:00 +00:00
México vai exigir que plataformas digitais protejam menores de conteúdos violentos e sexuais

Agora no g1 A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta quarta-feira (14) que assinará um decreto para exigir que plataformas digitais, incluindo redes sociais e serviços de streaming, protejam crianças e adolescentes de conteúdos violentos, sexuais e outros materiais considerados prejudiciais. As empresas terão um mês para cumprir as novas exigências, segundo Luisa María Alcalde, integrante do governo mexicano. Sheinbaum afirmou que, caso as plataformas não cumpram as regras, o governo apoiará um projeto de lei para estabelecer punições. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida amplia a pressão sobre as grandes empresas de tecnologia no México, a segunda maior economia da América Latina. Segundo autoridades mexicanas, representantes de empresas como Meta, Microsoft, Apple, TikTok, Google, X e Huawei já participaram de reuniões com o governo para discutir o assunto. O que o decreto exige das plataformas digitais Retirar imediatamente contas e conteúdos que promovam ou gerem violência. Verificar a idade dos usuários e classificar conteúdos por faixa etária. Oferecer ferramentas de supervisão parental. Disponibilizar canais para denunciar conteúdos e usuários. Adotar configurações padrão de privacidade e segurança mais protetoras para menores. Comunicar às autoridades a identificação de conteúdos que representem riscos de violência. O decreto não estabelece sanções imediatas pelo descumprimento Ataque em escola motivou medida O anúncio ocorre após um ataque a uma escola de ensino médio no estado de Coahuila, no norte do México. O episódio envolveu dois ex-alunos de 18 anos e deixou uma pessoa morta e outras três feridas, segundo a Reuters. Movimento internacional A iniciativa mexicana faz parte de um movimento internacional para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Governos europeus e a Austrália têm reforçado a fiscalização das plataformas, enquanto estados dos Estados Unidos adotaram diferentes medidas voltadas à segurança infantil na internet. As iniciativas reacendem o debate sobre como reduzir a exposição de menores a conteúdos prejudiciais sem comprometer a privacidade dos usuários e a liberdade de expressão. *Com informações da agência Reuters Marco civil da internet: como EUA e Europa tratam as 'big techs' BBC/Getty Images
14/10/2026 18:13:00 +00:00
'Rouanet Games': governo anuncia R$ 200 milhões para desenvolver games no Brasil

Já no Centro de Convenções Vasco Vasques, começa o Tecnogame 2026, festival que reúne games, tecnologia, cultura geek, cosplay, e-sports, música e o aguardado show da banda japonesa Flow Foto: Divulgação O governo federal anunciou nesta quarta-feira (14) um pacote de medidas para incentivar a produção de videogames no Brasil, com R$ 200 milhões destinados ao financiamento do desenvolvimento de jogos e de soluções digitais inovadoras. Os recursos serão disponibilizados por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência pública que apoia projetos de pesquisa e inovação. As medidas também buscam facilitar o acesso das empresas brasileiras de games a empréstimos e incluem a criação do chamado “Rouanet Games”, que permitirá captar patrocínios por meio da Lei Rouanet, em parceria com empresas públicas. O anúncio ocorre durante a disputa do segundo turno da eleição presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, houve redução do Imposto de Importação sobre videogames. Agora no g1 Uma das medidas prevê diminuir o valor mínimo dos empréstimos destinados ao setor por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A proposta da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que será apresentada ao comitê gestor do fundo, é reduzir o piso de R$ 500 mil para R$ 150 mil. Com isso, empresas que precisam de quantias menores poderão ter acesso ao financiamento. O governo também propõe reduzir os juros cobrados nesses empréstimos. A taxa passaria de Taxa Referencial (TR) mais 2% ao ano para TR mais 0,5% ao ano. A TR é um indicador usado como referência em operações financeiras. Basicamente, a mudança busca tornar o crédito mais barato para as empresas. Para 2026, o FSA prevê R$ 460 milhões em crédito para a indústria audiovisual, incluindo o setor de videogames. O decreto também reconhece que as empresas de games podem acessar mecanismos federais de incentivo à tecnologia, à pesquisa, ao desenvolvimento, à inovação e à cultura. Caberá à Ancine regulamentar o acesso do setor aos recursos da Lei do Audiovisual e propor critérios para o financiamento de projetos com dinheiro do FSA. * Com informações da Reuters
14/10/2026 17:26:31 +00:00
Lula diz que para se fazer uma política pública é difícil, mas, para destruir, basta um passo: 'Tem maluco pra tudo'

Lula diz que para fazer uma política pública é 'difícil', mas, para destruir, basta 'um pa O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (14) que, na política, "tem maluco pra tudo" e que, para elaborar um programa em uma gestão, é "difícil" porque demanda participação de vários setores, mas que, para "destruir" uma política pública, basta "um passo". O petista deu a declaração a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, no qual concorre contra o candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL). Ele discursou durante a cerimônia de regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos no Palácio do Planalto. A campanha de Lula tem afirmado que, se eleito, o filho de Jair Bolsonaro vai acabar com programas sociais criados em governos petistas, como o Pé-de-Meia; o Minha Casa, Minha Vida; e o Farmácia Popular – o que Flávio nega. Ao discursar no evento no Planalto nesta quarta, Lula disse aos jovens presentes que eles precisam se organizar para evitar a perda de conquistas sociais. "Se preparem, porque fazer é difícil, para destruir, é apenas um passo. É um passo. Então, se organizem, para que vocês não permitam que ninguém tire o que vocês conquistaram. Porque vocês sabem que tem maluco pra tudo. Não é só maluco beleza, tem maluco pra tudo", disse Lula. "E o cara pode entrar e falar: 'Não gosto disso, não presta, vai ensinar bobagem para o meu filho, porque quero uma escolha cívico-militar, porque eu não quero banheiro unissex'. Ou seja, essas loucuras que a gente pensava que não existiam mais, mas que existem. Então, agora, que vocês estão felizes e conquistaram a regulamentação, tirem proveito e façam disso uma grande indústria", completou. Regulamentação do Marco Legal dos Games O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) experimentou um game brasileiro antes de assinar decreto que regulamenta Marco Legal dos Jogos Eletrônicos Ricardo Stuckert Lula assinou, no Planalto, um decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. A legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2024 e sancionada por Lula naquele mesmo ano, mas ainda precisava ser regulamentada pelo governo. A lei estabelece regras para a fabricação, desenvolvimento e a comercialização de jogos eletrônicos no Brasil, além de prever incentivos para o setor. Entre as medidas, está a possibilidade de empresas de games captarem recursos por meio dos mecanismos de incentivo fiscal da Lei Rouanet, destinada ao financiamento de projetos culturais. Antes da assinatura do decreto, Lula se reuniu com gamers no Palácio do Planalto e chegou a experimentar o jogo brasileiro Árida. Com a regulamentação, o governo fixou diretrizes para fomentar o setor de games, proteger a propriedade intelectual e os usuários, além de criar a plataforma pública Game Brasil para catalogar, promover e divulgar os jogos nacionais e indicar onde estão disponíveis. Para fortalecer a produção e a inovação no setor, foram anunciadas medidas financeiras, incluindo a proposta da Ancine de reduzir o valor mínimo de empréstimos do Fundo Setorial do Audiovisual para R$ 150 mil e abaixar os juros. Adicionalmente, o plano prevê captações de recursos através da Lei do Audiovisual, a criação do programa Rouanet Games para patrocínios, e uma chamada pública da Finep de R$ 200 milhões voltada para startups e soluções inovadoras. No âmbito da formação profissional, o Ministério da Educação criará graduações na área em cinco universidades federais, complementadas por iniciativas de capacitação do Ministério da Cultura e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O decreto também contempla a proteção da saúde dos usuários e de menores, em conformidade com o ECA Digital, medidas de simplificação de importações e aduaneiras, e a instituição de um comitê interministerial e de procedimentos simplificados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para o registo de propriedade intelectual
14/10/2026 16:51:28 +00:00
IA da Meta no WhatsApp cria imagem de 'Flávio 22', mas não de 'Lula 13' e 'Flávio Bolsonaro 22'

WhatsApp gera imagens de Flávio, mas não de Lula Usuários da Meta AI no WhatsApp relataram que a tecnologia se recusou a gerar imagens de campanha de Lula (PT), mas aceitou pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O g1 confirmou que o assistente de IA apresentou essa diferença nas respostas, embora também tenha criado uma imagem com o nome de Lula após várias tentativas. (veja mais abaixo). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os testes também mostraram que a Meta AI se recusou a gerar imagens de campanha de Flávio quando o sobrenome "Bolsonaro" era incluído no pedido. Por volta das 19h30, a Meta AI bloqueava a criação de imagens sobre Lula ou Flávio Bolsonaro. "É um tipo de conteúdo político com candidato que eu não posso criar", disse o assistente em uma das mensagens. Interação com a Meta AI para criar arte de campanha de Lula e Bolsonaro. Reprodução/WhatsApp Pela Lei das Eleições, a criação de imagens sobre candidatos por meio de assistentes de inteligência artificial é proibido. A resolução 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe "emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas". Nos testes do g1 realizados pela manhã, a diferença nas respostas ocorreu apenas na Meta AI dentro do WhatsApp. No site do assistente, que tem funcionamento semelhante ao ChatGPT, a tecnologia se recusou a criar imagens de campanha para ambos os candidatos. 🔎 A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito e integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Ela funciona de forma semelhante ao ChatGPT nos serviços da Meta e, a partir de descrições simples, pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens, por exemplo. Meta impede criação de imagens sobre Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) Reprodução Procurada, a Meta afirmou que, para cumprir as regras eleitorais brasileiras, proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. “Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, disse a empresa por volta das 12h20. Mesmo após o comunicado da Meta, alguns usuários ainda conseguem gerar imagens de campanha de candidatos, que incluem até slogans. IA só gerou imagem de Lula após insistência Interação com a Meta AI para criar arte de campanha de Lula e Bolsonaro. Reprodução/WhatsApp No WhatsApp, ao receber o pedido para criar uma imagem "vermelha e branca com Lula 13", a IA respondeu que "não conseguiu gerar a imagem". Em seguida, ao receber a solicitação de uma imagem "azul e amarela com Flavio 22", a IA gerou a arte sem impedimentos. (veja na imagem acima) Em outro teste, após várias tentativas, a IA da Meta gerou uma imagem com “13 apoio político”. Em seguida, também atendeu à solicitação para incluir o nome de Lula na arte. Antes de criar a versão com o nome de Lula, o assistente havia dito que não conseguiria atender ao pedido. Questionado sobre a recusa, afirmou que houve um bloqueio automático do sistema e acrescentou: "Não tenho o detalhe do motivo aqui". IA fez imagem de campanha de Lula após insistência do usuário. Reprodução/WhatsApp Não está claro se as restrições da IA se aplicam apenas ao Brasil. Uma pessoa na Bélgica relatou ter conseguido gerar, sem restrições, imagens de Lula e de Flávio Bolsonaro com os respectivos números de campanha, incluindo o sobrenome "Bolsonaro" no pedido. (veja na imagem abaixo). Em agosto, o TSE anunciou um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para compartilhar uma Cartilha de Boas Práticas de Inteligência Artificial. O acordo estabeleceu regras para garantir a neutralidade dos materiais produzidos com IA. “As ações conjuntas deverão observar os princípios da estrita neutralidade institucional e da isenção político-partidária”, afirmaram TSE e AGU. Uma brasileira na Bélgica disse ter conseguido gerar, sem restrições, imagens de Lula e de Flávio Bolsonaro com os respectivos números de campanha. Reprodução/WhatsApp Óculos inteligentes são proibidos na cabine de votação
14/10/2026 13:41:36 +00:00
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