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g1 > Economia

Por que fundador de gigante do setor imobiliário foi condenado à prisão perpétua na China

Hui Ka Yan, ao centro, é fundador do grupo chinês Evergrande Shenzhen Intermediate People’s Court/WeChat via BBC O fundador da Evergrande — gigante do setor imobiliário no centro de uma grande crise do mercado imobiliário chinês — foi condenado nesta quinta-feira (20/08) à prisão perpétua e teve todos os seus bens pessoais confiscados. Hui Ka Yan se declarou culpado em abril de várias acusações, incluindo apropriação indevida de bens e suborno corporativo. O Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen também multou suas antigas empresas em um total de 15,82 bilhões de yuans (R$ 11 bilhões) por diversos crimes, incluindo falsificação de registros e ocultação de dívidas. A sentença de Hui marca um momento crucial nas consequências do colapso da Evergrande, que abalou o setor imobiliário da China e afetou duramente investidores e bancos do país. Hui e seus negócios "perturbaram seriamente" o mercado imobiliário chinês, resultando em perdas econômicas significativas, afirmou o tribunal. Outros executivos da Evergrande, incluindo os dois filhos de Hui, Xu Zhijian e Xu Tenghe, também foram condenados a penas de prisão que variam de 22 meses a 18 anos, de acordo com a mídia estatal. Considerado em anos recentes o homem mais rico da Ásia, Hui viu sua fortuna e influência diminuírem à medida que sua empresa entrou em colapso. Hui, também conhecido como Xu Jiayin, teve uma origem humilde na zona rural da China, onde foi criado pela avó antes de se aventurar no ramo imobiliário e fundar a Evergrande em 1996. Ele supervisionou a ascensão meteórica da empresa por meio de um programa de expansão agressivo, financiado com grandes quantias de dinheiro emprestado. A Evergrande tornou-se a maior incorporadora imobiliária da China, com um valor de mercado superior a US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões). A empresa sofreu um duro golpe quando Pequim introduziu medidas em 2020 para controlar a dívida no setor imobiliário do país. Enquanto a empresa lutava para pagar os juros de suas dívidas, ela vendeu propriedades com grandes descontos, antes de entrar em colapso em 2021. Em abril, o tribunal ouviu que a empresa havia recebido milhões de dólares em financiamento que foi direcionado para novos empreendimentos imobiliários, resultando em centenas de projetos inacabados. Em março de 2024, Hui foi multado em US$ 6,5 milhões e banido do mercado de capitais da China para sempre, porque sua empresa superestimou sua receita em US$ 78 bilhões. A avaliação de mercado das ações da Evergrande caiu 99% antes de suas ações serem retiradas da bolsa de valores de Hong Kong em agosto de 2025, após mais de uma década e meia de negociação. O colapso da Evergrande tem sido frequentemente apontado como o fator que desencadeou uma recessão mais ampla no mercado imobiliário chinês, que continua afetando negativamente a economia. Em seu auge, a Evergrande era a maior empresa do setor imobiliário do país, que representava cerca de um terço do produto interno bruto da China na época. O mercado imobiliário foi um importante motor de crescimento e uma fonte de receita significativa para os governos locais na China. Os problemas persistentes do setor têm afetado gravemente a segunda maior economia do mundo, visto que várias outras grandes construtoras também passaram a enfrentar dificuldades financeiras.
20/08/2026 10:14:09 +00:00
Leilão da Casas Bahia tem notebooks, celulares e eletrodomésticos; veja como não cair em golpe

Casas Bahia deve R$ 8 bilhões a 50 fornecedores; varejista pediu recuperação judicial Um leilão de produtos da Casas Bahia termina nesta quinta-feira (20), pela plataforma Kwara. Os itens são provenientes de lojas fechadas em meio à crise financeira da varejista. A lista inclui notebooks, smartphones, refrigeradores, lavadoras e fogões. O leilão, que coincide com o pedido de recuperação judicial da empresa, ganhou repercussão nas redes sociais, mas também abriu espaço para golpes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Kaspersky afirma que ainda não identificou uma campanha fraudulenta específica relacionada à recente liquidação de estoques, mas alerta que esse tipo de golpe já é conhecido. Segundo a empresa, criminosos costumam clonar sites de leiloeiros reais e criar páginas falsas para receber pagamentos das vítimas. O PIX é um dos principais pontos de atenção. Como a transferência é instantânea, o dinheiro pode ser rapidamente distribuído entre diferentes contas, dificultando a recuperação dos valores. "Para não cair em páginas clonadas, recomendamos a verificar a reputação da plataforma, confirmar os dados do leiloeiro, ler o edital com cautela e, principalmente, validar o destinatário na hora do pagamento", afirma Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky. Como evitar golpes em leilões Veja as principais dicas de como não cair em golpes: Pesquise a reputação do site: consulte o histórico da plataforma em sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui. Também verifique o portal Leilão Seguro, que mantém uma lista de sites de leilão falsos; Leia o edital: confira as condições da venda antes de dar um lance. Em leilões de logística reversa e desativação, os produtos são vendidos "no estado em que se encontram" e podem ter avarias, componentes ausentes ou defeitos não aparentes; Calcule o custo total: o valor do lance não é necessariamente o preço final. Pode haver comissão de 5% do leiloeiro e outras taxas administrativas, dependendo da plataforma; Confira a retirada: em geral, o produto não é entregue em casa. O arrematante é responsável por desmontar, embalar e transportar o item a partir do local indicado pela organizadora. Verifique no edital os prazos e horários de retirada, além de possíveis multas por atraso ou perda do lote; Confirme o registro do leiloeiro: verifique se o profissional está registrado na Junta Comercial do estado em que atua. O nome e a matrícula podem ser consultados no site do órgão; Tenha atenção ao pagamento: em um leilão legítimo, o pagamento deve ser feito para a conta da pessoa jurídica organizadora ou diretamente para a conta do leiloeiro oficial. Evite Pix, TED ou depósitos para contas de terceiros ou CPFs desconhecidos. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1
20/08/2026 08:03:02 +00:00
Por que grandes redes de varejo estão fechando lojas e pedindo recuperação judicial

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Fechamento de lojas, recuperações judiciais e falências deixaram de ser episódios isolados no varejo. Da Europa aos Estados Unidos e ao Brasil, grandes redes que dominaram o consumo nas últimas décadas enfrentam dificuldades para se adaptar a um cenário marcado por juros elevados, consumidores cada vez mais exigentes e concorrência crescente. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A alemã Galeria Kaufhof avalia fechar dezenas de lojas e mantém uma página dedicada a listar as unidades já encerradas. A brasileira Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial. Já a americana Sears, símbolo do varejo em décadas passadas, luta para permanecer em operação após "sobreviver a duas guerras mundiais, uma depressão econômica e diversas oscilações financeiras". Embora cada caso tenha suas particularidades, especialistas apontam uma combinação de fatores econômicos, transformação digital e mudanças nos hábitos de consumo como as principais causas das dificuldades enfrentadas pelo setor. Parte dessas transformações já vinha sendo observada há mais de uma década. Em meados dos anos 2010, o termo Retail Apocalypse ("apocalipse do varejo") ganhou força no mercado financeiro com a expansão do comércio eletrônico, segundo o jornal Financial Times. Hoje, porém, analistas avaliam que a pressão sobre o setor vai além da digitalização e inclui desafios financeiros e competitivos cada vez mais complexos. Na Alemanha, que também enfrenta um cenário desafiador para o varejo, um estudo da seguradora de crédito Allianz Trade contabilizou 2.490 falências no setor entre agosto de 2024 e agosto de 2025. Já a Sears, que chegou a ser a maior varejista dos Estados Unidos, mantinha apenas cinco lojas no país ao fim de 2025, segundo a Forbes. No Brasil, além das Casas Bahia, a rede de móveis Marabraz também pediu recuperação judicial. Apesar das dificuldades enfrentadas por grandes empresas, especialistas ressaltam que não existe uma única explicação para o momento vivido pelo setor. Plataformas globais espremem as margens de varejistas ao redor do mundo, segundo especialistas Foto: Alain Apaydin/ABACA/picture alliance Novos modelos de consumo e negócios Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, especializada em varejo, "há uma continuidade, mas não se trata exatamente do mesmo fenômeno" do apocalipse do varejo, inicialmente associado à dificuldade de grandes redes tradicionais de adaptar amplas estruturas de lojas físicas a uma nova forma de consumo. Segundo ela, a transformação digital continua em curso, mas agora é acompanhada por uma pressão financeira maior. Depois de anos de crédito barato, empresas que expandiram suas operações por meio de endividamento passaram a enfrentar juros mais altos, crédito mais restrito e custos maiores para manter estoques e financiar suas operações. Ao mesmo tempo, os consumidores lidam com dívidas crescentes e perda de poder de compra. "Estamos em uma segunda fase dessa transformação: a primeira colocou em questão o modelo tradicional de loja física; a atual testa a sustentabilidade financeira dos negócios", acrescenta. Os impactos variam de acordo com o segmento. Varejistas de bens duráveis, como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, tendem a sofrer mais em períodos de juros elevados porque dependem do crédito ao consumidor e da manutenção de grandes estoques. Já empresas que vendem produtos essenciais e de compra frequente costumam ser mais resistentes a esse cenário. "Por isso, não considero correto falar em uma crise generalizada do varejo. Existem modelos de negócio e categorias muito mais expostos do que outros. O próprio varejo global voltou a crescer em termos reais em 2025, o que mostra que não existe um colapso do setor como um todo", explica. Para Ulysses Reis, professor da Strong Business School (SBS), da Fundação Getulio Vargas (FGV), comportamento do consumidor, economia e tecnologia estão diretamente ligados nesse cenário. Ele observa que a pandemia acelerou mudanças de hábitos e consolidou o comércio eletrônico entre consumidores que hoje priorizam praticidade, rapidez e comparação de preços. Entre esses novos modelos estão o dropshipping, em que o vendedor comercializa produtos sem manter estoque próprio; os showrooms, usados apenas para exposição; o conceito phygital, que combina experiências físicas e digitais; e, em um futuro próximo, as inteligências artificiais capazes de automatizar decisões de compra de forma personalizada com base nas informações fornecidas pelos consumidores. Segundo Ulysses, todos esses modelos priorizam a eficiência logística e a redução de custos fixos, tornando ultrapassado o modelo tradicional das lojas de departamento. Pressão econômica global Embora os níveis de juros variem entre os países, especialistas apontam desafios econômicos semelhantes em diferentes mercados. Eduardo Yamashita, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Inteligência, afirma que o cenário global, especialmente no Brasil, é marcado pela inadimplência, pelo endividamento e pela inflação, fatores que limitam a capacidade de consumo da população. Ao mesmo tempo, custos operacionais e despesas financeiras elevados pressionam receitas, margens e geração de caixa. No pedido de recuperação judicial, as Casas Bahia citaram "patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro" entre os fatores que levaram ao agravamento da situação financeira da empresa. O professor lembra que a empresa aproveitou o período de estabilização da economia brasileira após o Plano Real, marcado pelo crescimento do consumo e pela popularização das vendas a prazo. Segundo ele, o modelo "começou a dar errado quando a Selic subiu". "Os juros aumentam de forma expressiva e a população empobrece, o que reduz o consumo porque sobra menos dinheiro disponível para gastar." Por isso, para Ulysses, modelos baseados em grandes redes de lojas físicas, estoques elevados e forte dependência do crediário perderam espaço para empresas que operam com estruturas mais enxutas, logística eficiente e atuação fortemente digital, como Amazon e Mercado Livre. "O modelo que temos hoje está superado. É caro, ineficiente e convive com taxas de juros muito altas." "Estamos vivendo o fim de alguns modelos de negócio", ressalta. "A pandemia também foi muito dura nos países ricos e mudou o comportamento das pessoas. Na Alemanha, por exemplo, é mais comum preparar refeições em casa do que almoçar ou jantar fora. E, quando alguém quer pedir comida, recorre ao delivery, porque o custo de manter um salão e uma equipe de atendimento é muito alto. É uma mudança sem volta. O modelo de varejo baseado em loja, vendedores, estoque e crediário acabou." "Operações estão estressadas e sem nenhuma margem, e isso pressiona as companhias", diz analista Foto: Dimitar Dilkoff/AFP Impacto das plataformas chinesas Outro fator apontado pelos especialistas é o avanço de plataformas internacionais como Shein, Shopee e Temu, que oferecem preços muito mais baixos e pressionam as margens das varejistas em diversos mercados. "O consumidor não compara mais uma loja apenas com a concorrente da esquina. Ele compara os preços de uma varejista nacional com os de dezenas ou centenas de vendedores de vários países em poucos segundos", explica a especialista da AGR. Segundo ela, a vantagem dessas empresas vai além do baixo custo de produção. O modelo combina escala industrial, tecnologia, marketplaces globais, logística internacional e análise de dados em larga escala, "transformando tendências em produtos finais com enorme rapidez". Diante desse cenário, diversos países têm adotado medidas para taxar encomendas internacionais de baixo valor. Para Ana Paula, o debate envolve a busca por condições mais equilibradas de concorrência. "O problema não é competir com a China. A competição é saudável. O problema é competir em um ambiente de desigualdade de condições, em que a empresa brasileira começa em desvantagem porque enfrenta uma estrutura tributária e regulatória diferente daquela dos produtos vendidos pelas plataformas internacionais", afirma. Ulysses argumenta que a melhor resposta seria reduzir custos e tributos para empresas locais, em vez de ampliar tarifas sobre importações. Efeito das apostas online Como fator adicional de pressão sobre o consumo, executivos do varejo também passaram a apontar as plataformas de apostas esportivas. No Brasil, um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em dados do Banco Central, estimou que as famílias brasileiras destinaram R$ 62,5 bilhões às apostas em 2025. Para Ana Paula, as chamadas bets passaram a disputar diretamente a renda disponível das famílias, sobretudo em um contexto de elevado endividamento. "O orçamento familiar é limitado. Quando uma nova categoria de gasto cresce rapidamente, ela precisa disputar espaço com outras despesas, como consumo, entretenimento, pagamento de dívidas ou poupança. Por isso, especialmente entre as famílias de menor renda, valores recorrentes destinados às apostas podem reduzir os recursos disponíveis para outras compras", diz. Apesar dos desafios enfrentados por grandes redes, especialistas avaliam que o setor não caminha para o desaparecimento das lojas físicas, mas para uma reestruturação. Para Ulysses, a sobrevivência das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de oferecer comodidade, transparência e preços competitivos em um ambiente altamente digitalizado. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1
20/08/2026 08:03:00 +00:00
Sair durante atestado ou gravar trend no trabalho pode dar justa causa? Entenda os limites

Técnica de enfermagem foi demitida após gravar trend em hospital Reprodução/Instagram de Sirlany Maria Dois casos envolvendo demissões por justa causa chamaram atenção nesta semana e levantaram dúvidas sobre em quais situações o comportamento de um funcionário pode levar a esse tipo de desligamento. Em Goiás, uma técnica de enfermagem foi demitida após gravar e publicar nas redes sociais o vídeo de uma trend dentro de um hospital de Jataí, na região sudoeste do estado. (entenda o caso) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já em Blumenau, em Santa Catarina, a Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um funcionário flagrado dançando na Oktoberfest enquanto estava afastado por atestado médico. (entenda o caso) 🤔 Afinal, quando uma atitude pode levar à justa causa? O trabalhador de atestado pode sair de casa? E gravar vídeos durante o expediente pode resultar em demissão? A resposta é: depende. Técnica de enfermagem é demitida após gravar vídeo de trend dentro de hospital Trabalhador afastado com atestado é demitido por justa causa após ser visto dançando Quando uma conduta pode dar justa causa? A demissão por justa causa é a punição mais grave que pode ser aplicada ao trabalhador. A CLT prevê uma série de situações que podem levar a esse tipo de desligamento, como abandono de emprego, indisciplina, insubordinação, desídia e atos de improbidade, além de ofensas físicas ou à honra. Mas cometer uma irregularidade no trabalho não significa, automaticamente, que o funcionário possa ser demitido por justa causa. Segundo Ricardo Calcini, professor de Direito do Trabalho do Insper, a empresa precisa analisar a gravidade do comportamento e ter provas do que aconteceu e de quem praticou o ato. Também é preciso avaliar se o episódio tem relação com o trabalho e se a punição é proporcional à falta cometida. “A empresa precisa comprovar que a conduta foi grave o suficiente para quebrar a relação de confiança com o trabalhador”, explica Calcini. Na prática, quanto mais grave a falta, mais severa pode ser a punição. Em situações menos graves, a empresa pode recorrer primeiro a medidas como advertência ou suspensão. Isso não significa, porém, que todo funcionário precise receber uma advertência antes de ser demitido por justa causa. Segundo Calcini, quando a falta é grave o suficiente para romper a confiança entre empregado e empregador, a demissão pode ser aplicada diretamente. O histórico profissional também pode entrar nessa avaliação. Um funcionário com muitos anos de empresa e sem punições anteriores, por exemplo, pode ter esse fator considerado. Por outro lado, advertências, suspensões e a repetição de comportamentos inadequados podem pesar contra ele. A advogada trabalhista Zilda Ferreira reforça que uma atitude pode ser considerada irregular e merecer punição sem necessariamente ser grave o suficiente para levar à justa causa. “Não basta provar que o empregado fez algo inadequado”, afirma a advogada trabalhista. Por isso, segundo os especialistas, cada situação precisa ser analisada individualmente, levando em conta o que aconteceu, a gravidade do ato, as provas disponíveis e o histórico do funcionário. Justa causa por trabalhar 4 minutos a mais: quando fazer hora extra pode virar motivo de demissão? Posso sair de casa durante um atestado médico? Sim. Estar afastado do trabalho por atestado médico não significa que o funcionário seja obrigado a permanecer dentro de casa durante todo o período, explica Calcini. Ir a uma festa, show ou outro evento durante o afastamento não configura, por si só, motivo para justa causa. Segundo o professor, o atestado afasta o funcionário da obrigação de comparecer ao trabalho, mas não significa que ele tenha de permanecer em casa durante todo o período. O ponto principal é saber se a atividade realizada é compatível com a doença ou lesão que provocou o afastamento e com as recomendações médicas. O que pode justificar a demissão não é o lazer em si, mas a incompatibilidade entre a atividade exercida e a doença ou lesão atestada. Zilda explica que também devem ser considerados fatores como o tipo de doença ou lesão, a atividade realizada, sua intensidade e duração e um eventual impacto na recuperação. Além disso, a situação pode ser mais grave se houver indícios de fraude na obtenção ou no uso do atestado. No caso do funcionário de Santa Catarina, um elemento importante é que, segundo o processo, o atestado determinava repouso absoluto por 90 dias. Seis dias depois do acidente e da fratura no tornozelo, ele foi flagrado dançando na Oktoberfest. Segundo Calcini, quando há uma orientação expressa de repouso e o funcionário pratica uma atividade incompatível com ela, o comportamento pode ser considerado grave e, dependendo das circunstâncias, levar à justa causa. Funcionário é demitido após ir à praia durante licença médica; Justiça mantém justa causa E gravar uma trend no trabalho? Gravar um vídeo para as redes sociais durante o expediente pode gerar punição e, em situações mais graves, levar à justa causa. Mas tudo depende das circunstâncias. Segundo Zilda, devem ser considerados o tempo gasto na gravação, a frequência desse comportamento, um eventual prejuízo ao trabalho, as regras internas da empresa e a existência de episódios anteriores. Um episódio isolado e de pequena gravidade normalmente não sustenta, sozinho, a justa causa. Calcini acrescenta que a empresa também pode avaliar se havia regras sobre o uso de celular e se a gravação expôs informações confidenciais, clientes, colegas ou o próprio ambiente de trabalho sem autorização. O local onde o vídeo foi produzido também pode fazer diferença. Em hospitais, por exemplo, há questões relacionadas à privacidade dos pacientes, à ética profissional e às próprias regras da instituição. Segundo Calcini, o uso do celular para fins particulares, quando não prejudica o trabalho, não é suficiente, por si só, para justificar a demissão por justa causa. Ou seja: gravar uma trend durante o expediente não leva automaticamente à justa causa. Dependendo da gravidade do caso, a situação pode resultar em uma punição mais leve, como advertência ou suspensão. Público na Oktoberfest Blumenau 2025 Daniel Zimmermann O que acontece fora do trabalho pode dar justa causa? Em regra, a empresa não pode interferir na vida pessoal do funcionário simplesmente porque discorda de seu comportamento fora do expediente. Existem, porém, situações em que uma atitude tomada fora do trabalho pode ter impacto direto na relação profissional e resultar em punição. Segundo Calcini, isso pode acontecer, por exemplo, quando o comportamento atinge a imagem ou a reputação da empresa, envolve ameaças ou violência contra colegas, superiores ou clientes ou provoca uma quebra de confiança relacionada à função exercida. E o que é publicado nas redes sociais também pode entrar nessa discussão. Fotos e vídeos publicados pelo próprio funcionário podem ser usados pela empresa como prova, inclusive em um caso envolvendo demissão por justa causa. “Fotos e vídeos podem ser utilizados como prova, especialmente se publicados pelo próprio empregado”, afirma Zilda. Segundo a advogada trabalhista, porém, é preciso verificar quem fez a publicação, quando ela foi feita, o contexto em que o conteúdo foi produzido, sua autenticidade e se o material não foi alterado. Para que um comportamento fora do ambiente profissional tenha consequências no emprego, ele precisa ter uma relação relevante com o trabalho. Justiça anula justa causa de funcionário demitido por ficar 4 minutos a mais no trabalho
20/08/2026 07:01:56 +00:00
Ministro das relações exteriores do Irã diz que 'Dia D econômico' de Trump trará 'mais derrota' aos EUA

Trump diz que não há perspectiva de negociações com o Irã O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse na quinta-feira (20) que o "Dia D Econômico" dos EUA contra o Irã foi uma distração dos problemas econômicos americanos e alertou que a pressão adicional fracassaria. De acordo com Araqchi, decisão de Trump só trará "mais derrota" aos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (19), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o que chamou de "operação econômica mais esmagadora" já realizada contra um país, tendo como alvo o Irã com guerra econômica e isolamento. Ele também ameaçou punir qualquer país que ajudar a manter a economia iraniana funcionando. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES", publicou. "Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são." 🔎 O presidente não detalhou como a ofensiva vai funcionar nem afirmou como irá punir países que colaboram com o Irã. Trump afirmou ainda esperar que todos os aliados dos Estados Unidos trabalhem para "isolar" e "derrotar" a "ameaça iraniana". O presidente disse que a medida está sendo adotada por causa da falta de um acordo com o Irã. Os dois países começaram a negociar a interrupção do programa nuclear iraniano no início do ano. O fracasso nas conversas provocou uma guerra. Segundo Trump, a "guerra econômica" contra o Irã irá asfixiar o país. Quem pode ser afetado? Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 Ken Cedeno/Reuters Há dúvidas sobre a efetividade de uma guerra econômica contra o Irã. O país já é alvo de uma série de sanções, que dificultam o comércio com outras nações. Além disso, em janeiro, Trump já havia anunciado uma tarifa de 25% para qualquer país que fizesse negócios com o Irã. Mesmo sob sanções, porém, o Irã mantém uma grande rede de parceiros comerciais, principalmente por ser um importante produtor de petróleo. Apenas em 2022, segundo o Banco Mundial, o Irã enviou produtos para 147 países. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Irã. Em 2022, o país exportou US$ 22 bilhões em produtos para os chineses. Já as importações chegaram a US$ 15 bilhões. Em segundo lugar aparece a Índia. Nos primeiros dez meses de 2025, o comércio entre os dois países somou US$ 1,34 bilhão. As principais exportações indianas para o Irã incluem arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos. A lista de grandes parceiros comerciais do Irã também inclui Alemanha, Coreia do Sul e Japão, países que são aliados dos Estados Unidos. O Irã não figura entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, é um dos principais destinos brasileiros no Oriente Médio. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar. *Com informações da Reuters. VÍDEOS: mais assistidos do g1 Agora no g1
20/08/2026 06:22:02 +00:00
Homem-Aranha na BMW abre discussão: montadoras podem colocar propaganda na tela do carro?

BMW fez ação em parceria com estúdio de cinema em telas de multimídia de carros da marca Reprodução / Instagram No começo de agosto, proprietários de BMW em mais de 70 países se depararam com um novo ícone na tela da central multimídia dos carros. Ao ligar o veículo, um banner do filme "Homem-Aranha: Um Novo Dia" aparece no sistema. Ao tocar na imagem, o motorista pode iniciar uma animação inspirada no filme. A ação também utiliza recursos do veículo, com efeitos sincronizados entre a iluminação da cabine e a tela da central multimídia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A campanha é resultado de uma parceria da BMW com a Sony e a Marvel. Os carros da marca também aparecem no filme. Nas redes sociais de outros países, a iniciativa provocou reações negativas entre proprietários. Parte dos donos de BMW questionou a presença de publicidade na central multimídia e afirmou que não gostaria de receber esse tipo de conteúdo dentro do próprio veículo. Agora no g1 A campanha abriu uma discussão mais ampla: as montadoras podem usar a central multimídia dos carros para vender espaço publicitário? O proprietário pode recusar esse tipo de conteúdo? E o que acontece quando a propaganda é direcionada a partir de dados do motorista? O g1 procurou a BMW para saber se a campanha também foi realizada no Brasil, mas não havia recebido resposta até a última atualização desta reportagem. A possibilidade de montadoras exibirem publicidade na central multimídia dos carros não é, por si só, proibida no Brasil. Mas a empresa não tem liberdade para transformar a tela do veículo em um espaço publicitário sem limites. Animação do herói Homem-Aranha é exibida em carros da BMW para promover parceria em filme Reprodução / Instagram Segundo especialistas, a forma como os anúncios são apresentados, o uso de dados pessoais, as informações dadas ao consumidor e os efeitos sobre a segurança são alguns dos pontos que precisam ser considerados. Para Gisele Karassawa, sócia do VLK Advogados, uma montadora pode explorar comercialmente o sistema do veículo, diretamente ou por meio de parceiros. O fato de a central estar dentro de um bem privado não impede a publicidade, mas também não dá à empresa autorização irrestrita para fazer o que quiser. A advogada afirma que a atividade precisa respeitar: Contrato de compra; Expectativas do consumidor; Código de Defesa do Consumidor (CDC); Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD); Regras relacionadas à segurança do produto. Uma mudança posterior que introduza anúncios invasivos em um veículo vendido sem essa característica pode levantar questionamentos sobre prática abusiva ou falha de informação. "Aceitar os 'Termos’ não significa renunciar à privacidade nem autorizar qualquer uso futuro dos dados”, explica a advogada. Mesmo que exista uma previsão nos termos de uso do veículo, isso não significa que a montadora tenha autorização para utilizar dados ou alterar a experiência do consumidor de qualquer maneira. Mas a montadora pode vender espaço publicitário? Para Anderson Silva, advogado, professor universitário e CEO da A2 Paralegal, a resposta é sim. Segundo ele, não há uma proibição geral para que a montadora comercialize espaço dentro da interface digital do veículo. Os carros passaram a funcionar também como plataformas conectadas, com software, aplicativos e conteúdo. Isso não significa, porém, que qualquer publicidade seja permitida. O anúncio precisa ser transparente, não pode prejudicar funções do veículo, ser abusivo ou comprometer a segurança. Há ainda uma preocupação específica com conteúdos exibidos na tela dianteira enquanto o carro está em movimento, já que a legislação de trânsito estabelece regras para evitar a distração do motorista. “O limite está na forma como isso é feito. Contrato, LGPD e Código de Defesa do Consumidor precisam caminhar juntos”, diz o advogado. Silva também destaca que a existência de uma propaganda na tela, por si só, não significa que a montadora esteja cometendo uma irregularidade. Para haver responsabilidade, é necessário analisar o caso concreto. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para o tratamento de informações que possam identificar uma pessoa. No caso de publicidade, ela é relevante quando a montadora usa dados do proprietário ou motorista para decidir qual anúncio será exibido. Entre os exemplos estão: Localização; Perfil; Hábitos; Comportamento do usuário. Se a propaganda for simplesmente enviada para todos os veículos de determinado modelo, sem utilização de dados pessoais para selecionar os destinatários, os advogados afirmam que a questão está principalmente relacionada ao direito do consumidor, e não necessariamente à LGPD. A situação muda quando existe personalização. Nesse caso, a empresa precisa ter uma base legal para utilizar os dados e respeitar princípios como finalidade, necessidade e transparência. Se o tratamento estiver baseado em consentimento, o consumidor pode revogá-lo. Quando a base utilizada for outra, como o legítimo interesse, há outras possibilidades de oposição e questionamento, dependendo de como os dados estão sendo tratados. O consumidor precisa aceitar a publicidade? Karassawa afirma que uma previsão contratual pode permitir a utilização comercial do sistema, mas a cláusula precisa ser clara, destacada e compreensível. O consumidor deve conseguir saber, por exemplo: Que poderá receber publicidade; Quais dados serão utilizados; Com quem eles poderão ser compartilhados; Como poderá exercer seus direitos. Uma referência genérica escondida em um documento extenso, segundo a advogada, não necessariamente resolve a questão. Silva segue linha semelhante. Para ele, os termos precisam informar claramente que a central multimídia poderá apresentar comunicações comerciais, conteúdos patrocinados ou campanhas de parceiros. Uma cláusula genérica, porém, não cria uma autorização ilimitada. “Não existe uma proibição geral que impeça uma montadora de comercializar espaço publicitário dentro da interface digital do veículo”, diz Silva. Karassawa afirma que uma publicidade introduzida posteriormente em um produto que foi vendido originalmente sem essa característica pode ser considerada prática abusiva ou falha de informação, especialmente se for invasiva. Além disso, anúncios que desviem a atenção do motorista podem trazer questões relacionadas à segurança e à responsabilidade civil. Por isso, não basta a montadora argumentar que a central multimídia é um sistema conectado e que a tecnologia permite atualizações remotas. É preciso considerar o que foi informado ao consumidor no momento da compra e como a nova função altera a utilização do produto. Se o consumidor não quiser Os especialistas apontam que o consumidor pode ter direitos diferentes dependendo da maneira como a publicidade é feita. Se houver tratamento de dados pessoais, Karassawa afirma que o proprietário pode pedir a interrupção dos anúncios e do uso de seus dados para essa finalidade, inclusive solicitar a exclusão dessas informações quando cabível. Também pode reclamar ao Procon e apresentar uma petição à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). “Não. A LGPD não dá ao consumidor um direito geral de não receber publicidade”, explica Silva. O que a lei protege, segundo o advogado, é o uso dos dados pessoais. Portanto, uma campanha genérica e não personalizada é diferente de uma publicidade direcionada a partir de informações coletadas sobre o motorista. Para que exista responsabilidade da montadora, é necessário identificar alguma ilegalidade ou dano relevante. Entre as situações que podem ser analisadas estão uso irregular de dados, violação contratual, publicidade abusiva, falha de informação, invasão de privacidade ou risco à segurança. “Qualquer consumidor pode procurar a Justiça, mas isso não significa que a simples aparição de uma publicidade no multimídia gere automaticamente direito a indenização”, diz Silva. Karassawa acrescenta que, em uma eventual disputa, é importante guardar fotos e vídeos dos anúncios, termos de uso, respostas da montadora e registros relacionados ao uso ou compartilhamento de dados. Essas informações podem ajudar a demonstrar a frequência e o caráter invasivo da publicidade. O que diz o Procon O Procon-SP adota uma posição de atenção especial à informação e à possibilidade de escolha do consumidor. O órgão considera que as centrais multimídia deixaram de ser apenas equipamentos instalados no painel. Elas funcionam cada vez mais como plataformas digitais conectadas à internet, capazes de receber atualizações, notificações, mensagens e ofertas comerciais. Por isso, se uma montadora decidir exibir publicidade na tela, o consumidor deve ser informado “antes, de forma clara e ostensiva”, para que possa decidir se aceita ou não esse tipo de comunicação. O Procon-SP também defende que o proprietário tenha um mecanismo para recusar os anúncios, principalmente quando eles ocuparem espaço ou funções da interface pela qual o consumidor pagou. “É de fundamental importância que seja assegurado ao consumidor um mecanismo de recusa a referida publicidade, evitando que seja imposto de forma permanente ou invasiva, sob pena de caracterizar prática abusiva”, diz em nota o Procon. O órgão reforça que o consumidor deve receber informações sobre “quais dados são coletados, para qual finalidade eles serão utilizados, com quem serão compartilhados e como poderá exercer seus direitos”. O Procon-SP também destaca as regras da LGPD sobre consentimento. Quando essa for a base utilizada para o tratamento, a manifestação do consumidor precisa ser demonstrável e relacionada a uma finalidade determinada. Autorizações genéricas não são válidas, e o consentimento pode ser revogado por um procedimento gratuito e facilitado. Na prática, isso significa que uma montadora que queira criar um sistema de publicidade personalizada dentro do carro precisa deixar claro o que está fazendo com os dados e oferecer ao consumidor meios para exercer seus direitos.
20/08/2026 06:00:47 +00:00
Fundador da Evergrande é condenado a prisão perpétua na China; penas de outros cinco executivos vão de 6 a 18 anos

Fundador da Evergrande é condenado a prisão perpétua por fraude financeira na China O bilionário fundador da Evergrande, a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, foi condenado à prisão perpétua na quinta-feira (19) por um tribunal chinês, que ordenou o confisco de todos os seus bens pessoais. Hui Ka Yan (nome em cantonês), também conhecido como Xu Jiayin (nome em mandarim), declarou-se culpado, em abril, de oito acusações, incluindo desvio de recursos, fraude na captação de fundos e captação ilegal de depósitos do público. A Evergrande, que já foi a principal incorporadora da China, entrou em inadimplência a partir de 2021 em relação à maior parte de suas dívidas, que somam US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão); suas dificuldades são emblemáticas de uma crise no setor imobiliário que há muito tempo pesa sobre a segunda maior economia do mundo. A sentença de Hui encerra sua trajetória de ascensão meteórica, mas dificilmente trará grande alívio aos credores nacionais e estrangeiros da Evergrande. O ex-presidente da Evergrande, Xu Jiayin, também conhecido como Hui Ka Yan, em 2012 AFP Além da sentença de Hui, o tribunal da cidade de Shenzhen, no sul do país, informou em comunicado que aplicou multas de 8,82 bilhões de yuans (US$ 1,31 bilhão; cerca de R$ 6,7 bilhões) à Evergrande e de 7 bilhões de yuans (cerca de R$ 5,4 bilhões) à sua principal subsidiária, a Hengda Real Estate, e condenou outros cinco executivos de alto escalão ao pagamento de multas e a penas de prisão que variam de seis a 18 anos. Miriam Leitão comenta crise da Evergrande
20/08/2026 05:26:30 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 50 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.047 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 50 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (20), em São Paulo. No concurso da última terça (18), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 16 - 23 - 24 - 33 - 36 - 52. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
20/08/2026 03:01:04 +00:00
Apesar de queda na fila no INSS, pessoas relatam espera de até 8 meses por resposta a pedido de benefício

A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando e atingiu o menor patamar em 21 meses, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Apesar da redução, pessoas ouvidas pelo g1 relatam uma espera de até oito meses por uma resposta a pedidos de benefício. E dizem enfrentar dificuldades durante o processo. Dados do governo mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho, o que representa, segundo a Previdência Social, uma redução de 74% desde o início do ano. A queda ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que pretende zerar a fila ainda em 2026. O g1 entrevistou pessoas que aguardam há meses por uma resposta, tiveram pedidos negados ou enfrentaram dificuldades durante as perícias médicas. Conheça alguns relatos nesta reportagem: Motorista de app enquanto aposentadoria não sai José Flávio trabalha como motorista de app enquanto aguarda resposta a pedido de aposentadoria Acervo pessoal José Flávio Costa, 58 anos, aguarda há cerca de oito meses uma resposta do INSS ao pedido de aposentadoria feito em 24 de novembro de 2025. Enquanto espera, trabalha como motorista de aplicativo para manter as despesas da casa em dia e pagar o apartamento que financiou. Ele afirma que começou a trabalhar ainda na infância, e passou 27 anos trabalhando como motorista de ônibus. “Um trabalho exaustivo, muito cansativo”, afirma. Trabalhando com aplicativo, José Flávio afirma que chega a ficar até 13 horas na rua para tentar atingir a meta de renda. “É muito desgastante", complementa. Depois de mais de 50 anos de trabalho, José lamenta o fato de estar enfrentando dificuldade para obter a aposentadoria. “O que vai me restar é trabalhar de aplicativo até quando eu aguentar, até quando o corpo fala: ‘Hoje eu não aguento mais. Hoje você tem que parar’. Então, se eu me aposentar, eu consigo quitar meu apartamento. Eu consigo chegar numa velhice mais saudável, porque do jeito que tá é difícil chegar lá”, diz. Erika aguarda benefício enquanto espera cirurgia Erika Antônia é cozinheira e diz estar impossibilitada de trabalhar em razão de problemas na coluna Acervo pessoal Cozinheira em um resort na cidade de Ubatuba (SP), Erika Antônia Bonifácio, 38 anos, está sem receber o benefício do INSS e sem salário enquanto aguarda, há cerca de seis meses, uma cirurgia na coluna pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os problemas físicos, afirma Erika, começaram há cerca de cinco anos. Em fevereiro do ano passado, a cozinheira avaliou não ter mais condições de continuar trabalhando. Ela chegou a receber o benefício por incapacidade temporária entre março e julho de 2025. No entanto, depois desses pagamentos, a continuidade do benefício foi negada após a realização de uma perícia do INSS. O caso foi levado à Justiça, que reconheceu a incapacidade laboral. O INSS, então, voltou a pagar o benefício até maio deste ano, mas, após uma reavaliação em julho, o pagamento foi encerrado novamente. Erika trabalha desde os 16 anos, mas hoje afirma depender financeiramente do marido. O filho, de 11 anos, também ajuda nas tarefas domésticas que ela tem dificuldade para fazer. Para Erika, o benefício é necessário não apenas para garantir a renda da família, mas para conseguir continuar o tratamento enquanto não pode voltar ao trabalho. “Muitas vezes, acham que as pessoas que vão atrás de um benefício desses que é para dar golpe. E não é. A gente só quer a oportunidade de poder fazer um tratamento justo. Não é brincadeira, a gente não tá inventando coisa”, finaliza. Demora no resultado da perícia Maria Delene trabalhava como vendedora e, agora, aguarda resultado de perícia do INSS para receber benefício Acervo pessoal Maria Delene Oliveira tem 52 anos e conta que trabalha desde os 11 anos para ajudar a família. Ela deixou o emprego de vendedora com carteira assinada no ano passado por causa de problemas nos joelhos, quadril, lombar e ombros. Ela pediu um benefício por incapacidade temporária em dezembro do ano passado e só conseguiu passar pela perícia cerca de sete meses depois. O resultado, no entanto, ainda não saiu. Paralelamente, ela faz bicos como costureira, o que lhe permite alternar momentos sentada e em pé. O dinheiro ajuda a pagar as despesas e a manter o plano de saúde para tratamento de saúde. “Eu ganho por dia. Se eu trabalhar eu ganho, senão, eu não ganho", afirma. Durante a perícia, Maria diz que teve dificuldades para explicar todos os problemas que enfrenta. Ela teme que o fato de ter conseguido andar e permanecido em pé durante a avaliação seja interpretado como capacidade para trabalhar. Como recorrer das decisões do INSS INSS reduz fila de espera, mas aumenta número de benefícios negados ➡️ O número de benefícios negados tem registrado forte elevação. Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão. ➡️ No acumulado do ano de 2026, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente. Para garantir a proteção dos direitos dos segurados, o Ministério da Previdência Social explica que, se não concordarem com a decisão, é possível recorrer administrativamente e sem custos. A contestação é feita junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em até 30 dias após a análise. “O recurso é um instrumento previsto no próprio sistema previdenciário para garantir que as decisões possam ser reavaliadas quando o cidadão apresentar novos elementos ou discordar da análise realizada. A possibilidade de recurso, portanto, é uma garantia de proteção dos direitos dos segurados e faz parte do funcionamento regular da Previdência Social”, informou o Ministério da Previdência. Como entrar com um processo administrativo: Entre no Meu INSS. Informe seu CPF e senha. Siga para “Do que você precisa?”. Digite “Recurso ordinário”. Confira os documentos necessários. Escolha o serviço e avance conforme as orientações. Para consultar a resposta, vá em “Consultar pedidos”, no aplicativo ou site do Meu INSS. Alguns benefícios do INSS exigem perícia médica para obtenção e permanência do repasse financeiro. Natinho Rodrigues/SVM
20/08/2026 03:00:56 +00:00
Vazamento de dados na Latam: entenda o que foi exposto e como se proteger

Latam não revelou quantos clientes foram afetados Latam/Divulgação Clientes da companhia aérea Latam tiveram dados pessoais e parte de números de cartões de crédito expostos após um incidente de segurança que permitiu consultas não autorizadas a seu sistema. Em comunicado enviado na quarta-feira (19) por e-mail, a Latam disse que o caso foi identificado em 29 de julho, mas só foi divulgado depois de uma análise técnica para identificar quais clientes e quais dados foram atingidos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A empresa não revelou quantos clientes foram afetados. O g1 solicitou a informação, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. Ao comunicar o caso, a Latam orientou clientes a permanecerem atentos a eventuais mensagens e ligações de terceiros usando os dados cadastrais para tentar aplicar golpes. Veja abaixo o que foi exposto e quais cuidados a companhia recomenda. Agora no g1 Quais dados foram expostos? Segundo a Latam, os dados que puderam ser consultados por pessoas não autorizadas incluem: nome completo; data de nascimento; e-mail; telefone; endereço residencial; número de sócio do Latam Pass; categoria no programa de fidelidade; saldo de milhas; pontos qualificáveis; seis primeiros e quatro últimos dígitos do cartão de crédito; bandeira do cartão; nome do titular do cartão; data de validade do cartão. A companhia afirmou que não foram expostos o número completo do cartão, o código de segurança e as senhas. Como se proteger? A Latam orientou clientes a ficarem atentos a possíveis tentativas de golpes usando as informações que ficaram expostas. A empresa alertou especialmente para eventuais pedidos de pagamentos, transferências, senhas ou códigos de confirmação. Por isso, clientes devem desconfiar de contatos que façam esse tipo de solicitação em nome da empresa. "Como algumas informações de contato foram visualizadas, orientamos atenção redobrada quanto a potenciais tentativas de mensagens ou ligações falsas", afirmou, no comunicado. "A Latam jamais solicita senhas de acesso, tokens enviados por SMS ou dados completos de cartão de crédito por telefone ou aplicativos de mensagens". O que a Latam fez após identificar o problema? A Latam informou que tomou medidas assim que identificou o incidente. Segundo a empresa, foram bloqueados endereços de IP considerados suspeitos, o código-fonte do sistema foi corrigido e foram aplicadas travas adicionais de segurança. A companhia também disse que notificou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
20/08/2026 03:00:34 +00:00
Maior térmica do Brasil é paralisada após falha em equipamento

Usina GNA II, no complexo portuário do Açu, no Rio de Janeiro, é a maior termelétrica do país Divulgação/GNA A usina GNA II, maior termelétrica do país, interrompeu a operação em 10 de agosto após uma falha no disjuntor da turbina a vapor, que afetou o transformador elevador da unidade, segundo fato relevante divulgado pela companhia nesta quarta-feira (19). Com 1,7 gigawatt (GW) de potência instalada, o empreendimento pertence a uma joint venture entre BP, Siemens e SPIC Brasil. A usina fica no complexo portuário do Açu, no Rio de Janeiro, e é movida a gás natural. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A empresa afirmou que os sistemas de proteção atuaram como previsto, resultando no desligamento da usina, e que não houve feridos nem impactos ambientais decorrentes do incidente. "As equipes técnicas da companhia, com o apoio do fabricante do equipamento, estão conduzindo uma avaliação das causas do evento e do plano de retorno da UTE GNA II à operação", disse a empresa, sem dar previsão. Agora no g1 A indisponibilidade da unidade foi comunicada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e já está refletida na programação de despacho do órgão. A empresa acrescentou que as instalações compartilhadas com a UTE GNA I Geração de Energia, no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, incluindo o terminal de GNL e a FSRU, não foram afetadas e continuam operando normalmente. A companhia informou ainda que comunicou o evento à seguradora e que a inspeção e a regulação do sinistro estão em andamento.
20/08/2026 00:22:34 +00:00
Trump anuncia 'guerra econômica' contra o Irã e ameaça países que ajudarem o regime

Trump diz que não há perspectiva de negociações com o Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) que está lançando uma "guerra econômica" contra o Irã. Ele também ameaçou punir qualquer país que ajudar a manter a economia iraniana funcionando. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em uma publicação na Truth Social, Trump afirmou que irá promover a "operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país". Segundo ele, a campanha será uma forma de "guerra econômica" e de isolamento do Irã em uma escala sem precedentes. "QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES", publicou. "Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são." 🔎 O presidente não detalhou como a ofensiva vai funcionar nem afirmou como irá punir países que colaboram com o Irã. Trump afirmou ainda esperar que todos os aliados dos Estados Unidos trabalhem para "isolar" e "derrotar" a "ameaça iraniana". O presidente disse que a medida está sendo adotada por causa da falta de um acordo com o Irã. Os dois países começaram a negociar a interrupção do programa nuclear iraniano no início do ano. O fracasso nas conversas provocou uma guerra. Segundo Trump, a "guerra econômica" contra o Irã irá asfixiar o país. Quem pode ser afetado? Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 Ken Cedeno/Reuters Há dúvidas sobre a efetividade de uma guerra econômica contra o Irã. O país já é alvo de uma série de sanções, que dificultam o comércio com outras nações. Além disso, em janeiro, Trump já havia anunciado uma tarifa de 25% para qualquer país que fizesse negócios com o Irã. Mesmo sob sanções, porém, o Irã mantém uma grande rede de parceiros comerciais, principalmente por ser um importante produtor de petróleo. Apenas em 2022, segundo o Banco Mundial, o Irã enviou produtos para 147 países. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Irã. Em 2022, o país exportou US$ 22 bilhões em produtos para os chineses. Já as importações chegaram a US$ 15 bilhões. Em segundo lugar aparece a Índia. Nos primeiros dez meses de 2025, o comércio entre os dois países somou US$ 1,34 bilhão. As principais exportações indianas para o Irã incluem arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos. A lista de grandes parceiros comerciais do Irã também inclui Alemanha, Coreia do Sul e Japão, países que são aliados dos Estados Unidos. O Irã não figura entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, é um dos principais destinos brasileiros no Oriente Médio. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar. VÍDEOS: mais assistidos do g1 Agora no g1
19/08/2026 23:06:34 +00:00
Após descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, Marina Silva defende estudos para 'evitar impactos indesejáveis'

Após descoberta de petróleo, Marina defende estudos para 'evitar impactos indesejáveis' Candidata ao Senado Federal por São Paulo, Marina Silva (Rede Sustentabilidade) defendeu nesta quarta-feira (19), em São Carlos (SP), a necessidade de estudos técnicos para evitar "impactos [ambientais] indesejáveis" em caso de exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas. Ela afirmou que a bacia é "sensível'. Marina cumpriu agenda de campanha com lideranças políticas e partidárias, no Grêmio Recreativo Flor de Maio. A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Aprovação técnica e estudos complementares A candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva Brenda Bento/g1 Durante o compromisso no município, a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima enfatizou que os processos de licenciamento conduzidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cumprem diretrizes estritamente técnicas e autônomas, sem interferência política do Poder Executivo. "Como senadora ou como ministra, eu vou sempre respeitar o que diz a lei e a opinião dos técnicos, que é baseada em conhecimento e em muita aferição de dados", disse a ministra ao g1, reforçando a postura institucional do governo em relação aos órgãos fiscalizadores. Ao comentar o histórico do processo na Margem Equatorial brasileira, Marina relembrou que a negação anterior de licenças ocorreu dentro do rito regulatório previsto, com o objetivo de garantir os adequados ajustes de segurança e mitigação de riscos operacionais. "Não por acaso, a licença foi negada por duas vezes para que ajustes fossem feitos. Na hora que os técnicos entenderam que deveriam dar a licença para a prospecção, eles deram a licença. E de forma autônoma. Se a licença for sim, vai ser técnica. Se for não, é técnica e será respeitada", explicou. LEIA TAMBÉM: Por que projeto de exploração de petróleo na Foz do Amazonas é controverso? Bacia é 'sensível' Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação Apesar dos avanços na fase inicial de testes, Marina ressaltou a sensibilidade ecológica da Bacia da Foz do Amazonas e defendeu a realização de estudos para uma possível exploração de petróleo. "Em relação à Foz do Amazonas, é uma bacia sensível, sim, e é uma bacia que não tem muitos estudos. O que eu tenho defendido é de que se façam os estudos necessários na bacia, para evitar os impactos indesejáveis de possível exploração. Qual é o estudo mais importante a ser feito agora? É a Avaliação Ambiental para a Área Sedimentar (AAAS)", concluiu. Exploração na Margem Equatorial Recentes descobertas e pesquisas de petróleo pela Petrobras na Foz do Amazonas aqueceram as discussões sobre o potencial energético da região, considerada uma das fronteiras petrolíferas mais promissoras do mundo. No entanto, por se tratar de uma área de alta vulnerabilidade ambiental e ecossistemas marinhos ainda pouco mapeados, órgãos ambientais e pesquisadores reforçam a necessidade de avaliações rigorosas para garantir a preservação da biodiversidade costeira. Diversas organizações ambientais já se colocaram contra os planos de exploração na área, considerada ecologicamente sensível. VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara
19/08/2026 21:51:08 +00:00
Foguete dá ré? China consegue feito inédito ao fazer propulsor voltar e pousar em terra firme; VÍDEO

A startup chinesa LandSpace conseguiu um feito inédito nesta quarta-feira (19): recuperou e pousou de ré, em terra firme, o primeiro estágio de seu foguete Zhuque-3. Veja o vídeo abaixo: China faz foguete pousar "de ré" em terra firme Segundo reportagem da Reuters, com a manobra, a empresa se tornou a primeira companhia privada chinesa a realizar esse tipo de pouso de um propulsor de classe orbital, aproximando o país da tecnologia de foguetes reutilizáveis dominada por empresas americanas como SpaceX e Blue Origin. A capacidade de retornar, recuperar e reutilizar um propulsor é fundamental para reduzir custos e facilitar o lançamento de satélites em órbita, transformando a exploração espacial em um negócio comercialmente viável, semelhante à aviação civil. O feito ocorreu na segunda tentativa da LandSpace de pousar o primeiro estágio do Zhuque-3, um foguete de aço inoxidável equipado com nove motores e apresentado pela empresa como a resposta chinesa ao Falcon 9, da SpaceX. Com 66,1 metros de altura, o Zhuque-3 decolou da Zona-Piloto de Inovação Comercial Espacial de Dongfeng, no noroeste da China. O primeiro estágio — também chamado de propulsor — retornou a uma área de pouso na província de Gansu, a cerca de 390 quilômetros a sudeste da plataforma de lançamento, segundo a imprensa estatal chinesa. China faz foguete pousar "de ré" em terra firme Reprodução O pouso deve aumentar a confiança dos investidores enquanto a LandSpace avança em seus planos de abrir capital no STAR Market, segmento de tecnologia da Bolsa de Xangai, escreveu a Reuters em sua reportagem. A empresa pretende levantar 7,5 bilhões de yuans (US$ 1,11 bilhão ou R$ 5,73 bilhões) em uma oferta pública inicial de ações para financiar o desenvolvimento e ampliar seus serviços de lançamento de foguetes reutilizáveis. Em junho, a empresa apresentou uma versão atualizada do prospecto de IPO à Bolsa de Xangai. No documento, afirmou que pretende se tornar lucrativa até 2029. Quarta tentativa O lançamento desta quarta-feira marcou a quarta tentativa da China de recuperar um propulsor de foguete de classe orbital. A LandSpace fez história em dezembro de 2025 ao se tornar a primeira empresa chinesa a realizar um teste de foguete reutilizável. O foguete entrou em órbita conforme o planejado, mas seu primeiro estágio não conseguiu concluir o pouso controlado. Semanas depois, a China lançou o Long March 12A, desenvolvido pelo Estado, que também alcançou a órbita, mas não conseguiu recuperar o primeiro estágio. Em julho, a China realizou com sucesso um teste experimental de recuperação de propulsor usando um sistema de captura por rede instalado em uma plataforma marítima. Com isso, tornou-se apenas o segundo país a conseguir pousar um foguete de classe orbital. Diferentemente dos foguetes equipados com pernas de pouso retráteis, o Long March 10B reutilizável utiliza quatro ganchos leves para se conectar a cabos de aço instalados no sistema de rede da plataforma. Segundo Pequim, a inovação simplifica a estrutura do foguete, reduz seu peso e aumenta sua capacidade de carga. *Com informações da Reuters
19/08/2026 21:36:01 +00:00
Latam diz que falha de segurança expôs nome, endereço e parte do cartão de crédito de clientes

Latam não revelou quantos clientes foram afetados por vazamento de dados Gabriel Magacho/Divulgação Aeroporto da Zona da Mata A companhia aérea Latam informou nesta quarta-feira (19) que uma falha em seu sistema permitiu que dados de clientes fossem consultados por pessoas não autorizadas. A empresa não informou quantos clientes foram afetados. O incidente foi identificado em 29 de julho e expôs dados como nome completo, data de nascimento, e-mail, telefone, endereço residencial, número de sócio e categoria no programa de fidelidade Latam Pass, saldo de milhas e pontos qualificáveis. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O vazamento permitiu ainda acesso indevido a dados parciais do cartão de crédito, como os primeiros seis e últimos quatro dígitos, bandeira, nome de titular e data de validade. Segundo a Latam, não houve exposição do número completo e do código de segurança do cartão, nem de senhas. "Como algumas informações de contato foram visualizadas, orientamos atenção redobrada quanto a potenciais tentativas de mensagens ou ligações falsas", afirmou a Latam. Agora no g1 Em comunicado, a Latam explicou que comunicou o incidente agora depois de realizar uma análise técnica dos registros para saber quais clientes e quais dados foram afetados. A empresa disse que, assim que identificou o incidente, bloqueou endereços de IP suspeitos, corrigiu o código-fonte do sistema, aplicou travas adicionais de segurança e notificou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A companhia também orientou que clientes fiquem atentos a eventuais tentativas de golpes que citam dados cadastrais para pedir pagamentos, transferências, senhas ou códigos de confirmação. "A Latam jamais solicita senhas de acesso, tokens enviados por SMS ou dados completos de cartão de crédito por telefone ou aplicativos de mensagens", afirmou.
19/08/2026 21:26:49 +00:00
Após recordes, bolsa entra em queda livre: por que o Ibovespa vive sua pior sequência desde 2023?

Até 13 de agosto, eles retiraram R$ 15,63 bilhões da Bolsa brasileira Divulgação/ B3 Depois de meses renovando recordes históricos, a bolsa de valores brasileira mudou de direção. Nesta terça-feira (18), o Ibovespa, principal índice da B3, chegou à 11ª sessão consecutiva de queda, registrando a maior sequência de perdas desde 2023. Nesta quarta, o índice conseguiu encerrar a fase ruim e fechou em alta de 0,90%. Se tivesse caído nesta sessão e na próxima, igualaria o recorde histórico de recuos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em 2026, o desempenho acumulado ainda é positivo: o Ibovespa sobe 4,16%. No entanto, o mês de agosto praticamente eliminou os ganhos acumulados no ano. A perda no mês é de 5,71%, o que coloca a bolsa brasileira como a segunda pior entre os 21 principais mercados acionários acompanhados pela consultoria Elos Ayta. 🤔 Mas o que explica essa mudança tão rápida no humor do mercado? Segundo analistas ouvidos pelo g1, não há um único fator. A combinação entre a saída recorde de investidores estrangeiros, as dúvidas sobre o ritmo de queda dos juros, as incertezas fiscais e eleitorais, e o agravamento do cenário geopolítico levou muitos investidores a reduzir suas apostas no Brasil. Entenda abaixo como esse movimento afeta o Ibovespa. Agora no g1 Estrangeiros retiram bilhões da bolsa O principal gatilho para essa sequência de perdas foi a retirada de recursos por investidores estrangeiros. Até 13 de agosto, investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da bolsa brasileira. É a maior saída mensal desde 2022. O recorde anterior havia sido registrado apenas três meses antes, em maio, quando o fluxo negativo somou R$ 13,28 bilhões. Com isso, 2026 já concentra as duas maiores retiradas mensais de capital estrangeiro da série histórica. 🔎 Por que isso derruba a bolsa? Quando investidores estrangeiros vendem grandes volumes de ações, a oferta desses papéis aumenta. Se há mais vendedores do que compradores, os preços caem, pressionando o Ibovespa. O movimento contrasta com o observado no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, investidores estrangeiros aplicaram R$ 42,56 bilhões na bolsa brasileira, um dos maiores volumes registrados na última década. Esse fluxo ajudou o Ibovespa a renovar sucessivos recordes e a superar, pela primeira vez, os 190 mil pontos. Naquele momento, o Brasil reunia uma série de fatores considerados atrativos: os juros elevados aumentavam a rentabilidade dos investimentos locais; muitas ações eram vistas como baratas em comparação com outros mercados; havia maior interesse global por países emergentes; e havia mais dinheiro circulando no mercado financeiro internacional. Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, esse cenário começou a mudar quando os investidores perceberam que os cortes na Selic, a taxa básica de juros da economia, seriam menos intensos do que o esperado. "O mercado esperava um ciclo mais intenso de cortes na Selic, mas essa expectativa diminuiu por causa do conflito no Oriente Médio e das incertezas em relação à inflação. Com isso, muitos investidores revisaram suas apostas e reduziram a exposição ao Brasil", afirma. 🔎 Por que isso importa para a bolsa? Quando a Selic está alta, aplicações de renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, passam a oferecer retornos mais atrativos, enquanto o crédito para empresas fica mais caro. Com isso, muitos investidores deixam a bolsa para aplicar nesses ativos. Quando a Selic cai, a bolsa tende a se tornar mais atrativa, já que empresas e consumidores conseguem crédito mais barato e a economia ganha impulso. No início do ano, parte do mercado acreditava que o Banco Central do Brasil (BC) teria espaço para reduzir os juros de forma mais intensa ao longo de 2026. Afinal, a Selic estava no maior patamar em quase duas décadas. Com a inflação demorando mais para recuar, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e as preocupações com as contas públicas, o mercado passou a acreditar que os juros permaneceriam elevados por mais tempo. “A leitura predominante do mercado é que o país está precificando um prêmio de risco eleitoral, que combina a incerteza sobre a continuidade do ciclo de cortes da Selic, a competição por capital global com o setor de IA nos Estados Unidos e fatores externos, como o conflito no Oriente Médio”, afirma Beny Fard, sócio da Segundo Minuto e analista geopolítico e econômico. 🔎 Prêmio de risco é o retorno adicional que investidores exigem para aplicar recursos em um país considerado mais incerto. Quanto maior a percepção de risco, menor tende a ser o preço das ações e mais difícil fica atrair novos investimentos. Na avaliação dos analistas, a preocupação com a eleição presidencial de outubro também passou a influenciar as expectativas do mercado. Isso porque a situação das contas públicas e o plano dos candidatos para o ano que vem interferem diretamente nas decisões do BC sobre a taxa Selic. Além disso, o mercado acompanha as pesquisas eleitorais para tentar antecipar os rumos da política econômica a partir de 2027. Propostas que sinalizem maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas tendem a melhorar a percepção de risco do país e favorecer o retorno do capital estrangeiro. O cenário internacional também mudou Foto mostra painel em Teerã no dia 6 de agosto de 2026, em meio à guerra entre EUA e Irã. Fatemeh Bahrami/Anadolu/Reuters Além dos fatores internos, a piora do cenário internacional aumentou a cautela dos investidores. A escalada das tensões no Oriente Médio intensificou a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar, o ouro e os títulos do Tesouro dos EUA. 🔎 No mercado financeiro, esse movimento é conhecido como "flight to quality", ou "voo para a segurança". Como o g1 mostrou, a escalada do conflito fez o ouro disparar nos mercados internacionais, reforçando esse movimento de busca por proteção. "Não existe um único culpado. O investidor estrangeiro está saindo do Brasil em ritmo acelerado, os juros continuam altos, a renda fixa segue mais atrativa e o aumento das tensões geopolíticas reduziu o apetite global por ativos de risco", afirma economista e consultora financeira Isabel Abreu. Segundo ela, embora muitas empresas tenham divulgado resultados sólidos nos últimos balanços, esse fator ficou em segundo plano. "Hoje, o mercado reage muito mais às incertezas políticas, fiscais e ao cenário internacional do que aos resultados das empresas." Vale lembrar que o tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil, somado ao acirramento das tensões diplomáticas entre os dois países, também contribuiu para aumentar a cautela dos investidores. Nem todos os setores sofrem da mesma forma Petrobras Foto Divulgação A queda da bolsa não afeta todas as empresas da mesma forma. Os setores mais ligados ao consumo interno costumam sentir com mais intensidade os efeitos dos juros elevados, da desaceleração da economia e do aumento da inadimplência. Já as empresas exportadoras, que faturam em dólar ou dependem menos da atividade econômica brasileira, tendem a enfrentar melhor os períodos de turbulência. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, os setores mais prejudicados neste momento são o varejo e as empresas que vendem produtos e serviços não essenciais, como roupas, eletrodomésticos, móveis e veículos, além das companhias que dependem do crédito. "Juros elevados, inadimplência e menor poder de compra pressionam a receita e as margens dessas empresas. Os bancos também ficam mais vulneráveis, principalmente por causa do aumento do risco de crédito e das provisões [recursos reservados para cobrir possíveis calotes de clientes]", afirma. Nesse cenário, as ações dos grandes bancos estiveram entre as principais responsáveis pelas perdas do Ibovespa nos últimos pregões. Já a Petrobras ajudou a limitar parte dessas perdas, impulsionada pelos preços do petróleo e pela repercussão da descoberta na Foz do Amazonas. Por isso, na avaliação de Sidney, empresas ligadas à produção de commodities, como petróleo, minério de ferro e aço, tendem a oferecer maior proteção aos investidores. "Os setores de petróleo, mineração e siderurgia conseguem atravessar melhor esse cenário porque dependem mais das commodities, do dólar e da demanda externa do que da atividade doméstica. Petrobras e Vale, por exemplo, têm funcionado como importantes amortecedores do Ibovespa", diz. Ainda há espaço para novas quedas? Apesar da sequência de perdas, os analistas acreditam que grande parte dos fatores que pressionaram a bolsa já foi absorvida pelo mercado e já está refletida no preço das ações. Entretanto, a bolsa deve continuar bastante sensível aos próximos indicadores econômicos e aos desdobramentos dos cenários político e internacional. Segundo Matheus Spiess, três fatores serão decisivos para definir o rumo do Ibovespa nos próximos meses: os indicadores de inflação e da atividade econômica brasileira, que podem influenciar a trajetória da Selic; o cenário político e das contas públicas, com foco nas eleições; o noticiário geopolítico, especialmente os desdobramentos no Oriente Médio, que continuam afetando os preços da energia e os juros globais. Esses fatores serão fundamentais para avaliar se o BC terá espaço para continuar reduzindo a taxa Selic. E, segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado continua vulnerável caso o cenário econômico piore. "Uma parte relevante dos riscos já foi precificada após a sequência recente de quedas, mas ainda há espaço para novas perdas se houver uma deterioração adicional do cenário fiscal, eleitoral, do crédito ou das expectativas para a Selic." Por outro lado, a queda acumulada tornou algumas ações mais baratas. Para Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, esse movimento pode abrir oportunidades para investidores, desde que o cenário macroeconômico apresente melhora. "Não é um cenário ideal, mas ficou um pouco mais estável. Se houver espaço para novos cortes na Selic, isso aumenta a atratividade da Bolsa e pode favorecer uma recuperação gradual dos ativos." Na avaliação dos analistas, a bolsa pode estar mais próxima do fim do que do início desse movimento de correção. Ainda assim, uma retomada consistente dependerá da combinação de diversos fatores. Até lá, a expectativa é de que o mercado continue sujeito a períodos de forte volatilidade.
19/08/2026 18:25:12 +00:00
Ministro do Desenvolvimento diz que tarifaço dos EUA é 'ilegal' e espera amenizar efeitos até dezembro

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (20) que o governo brasileira espera "aplacar minimamente", ou seja, amenizar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA) para o Brasil até dezembro. Em entrevista, após o Fórum Saúde EMS Esfera - Soberania e Tecnologia: Impulsionando a Indústria Nacional, ele classificou a sobretaxa específica destinada ao país como "ilegal", "indevida" e "abusiva". Elias avaliou, também, que não deverá ser possível finalizar o processo de reciprocidade brasileiro, a respeito do tarifaço dos EUA, até dezembro. "Acho que não dará não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade mas a minha expectativa é que a gente consiga negociar e resolver ou pelo menos aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano", declarou o ministro. Agora no g1 Em meados do mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. No processo, o governo Trump afirmou que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram outra sobretaxa sobre 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas variando entre 10% e 12,5%. A decisão, informou os EUA, foi resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ele defendeu que o Brasil continue negociando com os Estados Unidos, apesar da barreira comercial imposta por meio do tarifaço, mas que também se defenda - algo que pode ser implementado por meio do processo de reciprocidade. O ministro explicou que, nesse processo de defesa comercial, foi concedido um prazo aos ministérios de 60 dias para coleta de informações sobre o que pode ser feito. "Nós vamos elaborar um relatório, daqui a provavelmente 60 dias, discriminando, detalhando quais são os aspectos mais relevantes da participação, da medida que foi imposta e quais os efeitos que ela possa reproduzir", explicou Márcio Elias. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC
19/08/2026 18:18:33 +00:00
Ex-executivo da Meta diz que Zuckerberg deixou segurança infantil em segundo plano

Ex-diretor da Meta Arturo Bejar. Jose Luis Magana/AP Photo Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms testemunhou nesta quarta-feira (19) que o CEO, Mark Zuckerberg, foi responsável por criar uma cultura que pode ter levado a empresa a evitar sua responsabilidade de proteger crianças que usam o Facebook e o Instagram contra possíveis danos. Arturo Bejar, que foi funcionário da empresa entre 2009 e 2015, afirmou que o presidente da Meta participava diretamente de grande parte das decisões. Segundo ele, a estrutura hierárquica da empresa fazia com que mudanças nos produtos só fossem implementadas mediante aprovação do CEO. "Se Mark prioriza algo, montanhas se movem em poucos meses", disse Bejar. Bejar é a primeira testemunha de um julgamento considerado histórico envolvendo acusações de uma coalizão de estados americanos. Os estados alegam que a Meta projetou suas plataformas para estimular o uso compulsivo entre usuários jovens e coletou ilegalmente dados de crianças menores de 13 anos. Agora no g1 Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de desenvolver o Facebook e o Instagram de forma a incentivar o uso excessivo por jovens, contribuindo para problemas como ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas. Os estados também afirmam que a empresa induziu consumidores ao erro sobre a segurança das plataformas. Esses estados, juntamente com outros 25, também acusam a Meta de violar a legislação federal ao coletar e utilizar indevidamente dados pessoais de crianças em suas plataformas. A Meta negou as acusações e argumentou que as opiniões de Bejar extrapolam o escopo de suas funções na empresa. Bejar começou a depor na terça-feira, primeiro dia do julgamento, no tribunal federal de Oakland, na Califórnia. O julgamento deve durar cerca de seis semanas, e a expectativa é que Zuckerberg também preste depoimento. Mark Zuckerberg, CEO da Meta ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Segurança era uma preocupação secundária Bejar ajudou a conduzir pesquisas sobre a experiência de adolescentes no Instagram como integrante de uma equipe que analisava o impacto da plataforma no bem-estar dos usuários entre 2019 e 2021. Desde então, ele se tornou um dos principais críticos das políticas de segurança da Meta para crianças. Em 2023, ao depor diante de uma comissão do Senado dos Estados Unidos, afirmou que a empresa tinha conhecimento de casos de assédio e de outros problemas enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não adotou medidas suficientes para solucioná-los. No depoimento desta quarta-feira, Bejar afirmou que a empresa utilizava indicadores como nível de engajamento e número de usuários ativos diários para avaliar e recompensar funcionários. Segundo ele, isso fazia com que o crescimento e a rentabilidade recebessem mais atenção do que a segurança dos usuários. Ele também afirmou que uma ferramenta criada para incentivar pausas no uso dos aplicativos, frequentemente citada pela Meta em sua defesa, teria sido "projetada para falhar". Segundo Bejar, o recurso não vem ativado por padrão e os lembretes são fáceis de ignorar. "Tudo depende de como o tempo de desenvolvimento dos produtos é distribuído", disse ele. "Nesse contexto, a segurança sempre ficou em segundo plano." Bejar também afirmou que a Meta tinha tecnologia para identificar usuários suspeitos de terem menos de 13 anos e exigir verificações adicionais de idade. Segundo ele, a empresa optava por não agir de forma ampla diante do problema, adotando uma postura que classificou como de "não pergunte, não conte", por considerar essa estratégia financeiramente vantajosa no longo prazo. "Onde estão as crianças de hoje estão também os usuários do futuro", disse ele. Especialistas afirmam que este julgamento representa o maior teste judicial já realizado sobre os efeitos das redes sociais entre os jovens. A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes relacionados a supostos danos causados a crianças. Bejar atuou como testemunha em três dos casos que chegaram a julgamento até agora. Um deles, movido pelo estado do Novo México, terminou com a imposição de US$ 942 milhões em indenizações e multas, além de uma ordem judicial determinando mudanças nas plataformas da empresa no estado.
19/08/2026 17:11:50 +00:00
Justiça manda Casas Bahia reverter demissões; veja como ficam os funcionários

Loja das Casas Bahia, no Shopping Piedade, em Salvador Alan Oliveira/g1 A Justiça do Trabalho determinou que o Grupo Casas Bahia restabeleça provisoriamente os contratos dos trabalhadores demitidos durante a nova rodada de cortes realizada em agosto e suspenda os efeitos das dispensas coletivas promovidas no âmbito da chamada "Fase 2" do Plano de Transformação da companhia. A liminar foi concedida na noite desta terça-feira (18) pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília, em ação proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). A magistrada ressaltou que a decisão tem caráter provisório e foi tomada com base em uma análise inicial do caso, sem representar julgamento definitivo sobre a validade dos desligamentos. A decisão envolve um número de trabalhadores que ainda não está totalmente definido. A CNTC afirma que cerca de 1,9 mil funcionários foram demitidos nos dias 13 e 14 de agosto. A própria Casas Bahia, porém, informou no pedido de recuperação judicial que aproximadamente 3 mil trabalhadores foram desligados nesta nova etapa da reestruturação. Segundo a Justiça, o número exato de funcionários atingidos ainda será definido ao longo do processo. Além de determinar o restabelecimento temporário dos vínculos empregatícios, a juíza proibiu a empresa de promover novas demissões coletivas ligadas à reestruturação sem a prévia intervenção das entidades sindicais. A decisão também obriga a varejista a iniciar imediatamente um processo formal de negociação e diálogo com sindicatos e federações representativas dos trabalhadores. Para Marcello Burle, sócio sênior da área trabalhista de Martorelli Advogados, a decisão coloca em discussão os limites da reestruturação empresarial em um cenário de crise e as garantias relacionadas à participação sindical nas demissões coletivas. Segundo ele, o fundamento jurídico central da liminar está no Tema 638 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece a necessidade de intervenção sindical prévia em dispensas em massa. "A recente decisão judicial da juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 10ª Vara do Trabalho de Brasília, traz à tona um importante debate sobre os limites da reestruturação empresarial e as garantias sindicais", afirma Burle. Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise financeira da varejista. Dois dias antes, em 16 de agosto, o Grupo Casas Bahia havia pedido recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e manter as operações. A ação foi ajuizada pela CNTC após a reestruturação anunciada pela empresa em agosto. Segundo a entidade, entre os dias 13 e 14 de agosto a companhia promoveu uma operação nacional que resultou no fechamento de 298 lojas e no desligamento concentrado de aproximadamente 1,9 mil trabalhadores, sem participação prévia dos sindicatos. A entidade pediu que a investigação também alcançasse eventuais demissões realizadas até 17 de agosto relacionadas à mesma operação. A juíza observou que documentos apresentados pela própria Casas Bahia confirmam que o fechamento das lojas e a redução do quadro de funcionários fazem parte de uma única estratégia empresarial denominada "Plano de Transformação - Fase 2". O que a Casas Bahia terá de fazer? A empresa terá cinco dias, contados da intimação, para restabelecer provisoriamente os vínculos dos trabalhadores abrangidos pelas dispensas realizadas nos dias 13 e 14 de agosto, bem como dos desligamentos ocorridos até 17 de agosto que integrem a mesma operação coletiva. Na prática, os trabalhadores deverão voltar à folha de pagamento e terão restaurados os benefícios vinculados aos contratos de trabalho, explica Ronaldo Tolentino, advogado trabalhista. No entanto, a decisão deixa claro que isso não significa retorno automático aos antigos postos de trabalho. A empresa poderá realocar empregados ou mantê-los em afastamento remunerado enquanto a medida estiver em vigor. "Aqueles trabalhadores que haviam sido demitidos têm seu contrato de trabalho restabelecido normalmente, com todos os direitos e obrigações (...) a prestação efetiva do serviço vai depender de cada situação. Para os empregados que trabalhava em lojas que foram fechadas, vai depender de nova orientação do empregador", afirma o advogado. ⚠️ Planos de saúde e demais benefícios assistenciais eventualmente cancelados em razão das demissões também deverão ser reativados em até 48 horas. Outro ponto relevante da decisão envolve os trabalhadores que já receberam verbas rescisórias. A juíza determinou expressamente que esses valores não precisam ser devolvidos neste momento. Eventuais discussões sobre compensação futura, restituição ou outros ajustes financeiros serão analisadas posteriormente, após a apresentação da defesa da empresa e o aprofundamento da instrução processual. Além do restabelecimento dos contratos, a Casas Bahia terá 48 horas para convocar a CNTC, federações e sindicatos das bases atingidas pela reestruturação e iniciar formalmente o procedimento de intervenção sindical relacionado à Fase 2 do plano. A companhia deverá apresentar informações gerais sobre: unidades afetadas; quantidade de postos atingidos; etapas já executadas; fases ainda previstas; alternativas de realocação consideradas. A decisão ressalta que a obrigação é negociar e fornecer informações, não alcançar um acordo obrigatório com os sindicatos. A liminar também determina que a empresa preserve documentos e registros relacionados à Fase 2 da reestruturação. A ordem alcança e-mails corporativos, mensagens internas, planilhas, documentos de recursos humanos, arquivos em nuvem, backups, registros de folha de pagamento, históricos de alterações e demais informações relacionadas ao fechamento das lojas e aos desligamentos. Segundo Marcello Burle, a preservação de provas é uma das obrigações centrais consideradas no caso. Ele afirma que, na petição que deu origem ao processo, foi pedido o estabelecimento de uma multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento dessa ordem, relacionada ao procedimento conhecido como legal hold. De acordo com o advogado, a medida tem como foco impedir a destruição de dados, mensagens e documentos eletrônicos corporativos relacionados ao fechamento coordenado das 298 lojas e ao desligamento dos trabalhadores. E essa não é a única. Se a empresa não restabelecer os contratos dentro do prazo fixado, poderá pagar outra multa de R$ 500 por dia para cada trabalhador atingido, limitada inicialmente ao equivalente a dez remunerações mensais por empregado. Além disso, caso realize novas dispensas coletivas relacionadas à Fase 2 sem prévia intervenção sindical, a multa prevista é de R$ 10 mil por trabalhador dispensado em desacordo com a ordem judicial. Também foram fixadas multas para eventual descumprimento das determinações de preservação de documentos e entrega das informações exigidas pela Justiça. Na avaliação de Burle, as multas impostas em decisões liminares têm natureza coercitiva: o objetivo é pressionar a empresa a cumprir a ordem judicial, e não puni-la por uma conduta passada. Segundo ele, no caso das dispensas coletivas, a discussão está ligada justamente ao suposto descumprimento do Tema 638 do STF. Crise financeira se agravou nos últimos anos A decisão acontece no momento mais delicado da crise financeira da companhia. No pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo, o Grupo Casas Bahia afirmou enfrentar a pior crise financeira de sua história. A empresa atribui as dificuldades ao período prolongado de juros elevados, ao aumento da inadimplência, à queda no consumo de bens duráveis e às mudanças no comportamento dos consumidores. Segundo a companhia, o processo de reestruturação começou em 2023. Naquele ano, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias e cerca de 8,6 mil postos de trabalho foram eliminados. A situação se agravou em 2026. De acordo com o pedido de recuperação judicial, somente em agosto a empresa fechou quase 300 lojas e demitiu aproximadamente 3 mil trabalhadores como parte do esforço para reduzir despesas e reorganizar as finanças. Considerando as duas etapas da reestruturação, a varejista afirma ter encerrado as atividades de cerca de 355 lojas e eliminado aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho desde o início do processo. Apesar dos cortes, a empresa afirma que continua sendo economicamente viável. Segundo a petição apresentada à Justiça, o grupo ainda possui mais de 20 mil funcionários e mais de 700 lojas em operação no país. Outro ponto analisado pela juíza foi o pedido de recuperação judicial apresentado pela Casas Bahia em 16 de agosto. A solicitação ocorreu apenas dois dias depois do período apontado na ação trabalhista como o principal momento das demissões coletivas. Segundo a decisão, a recuperação judicial não impede a Justiça do Trabalho de analisar se os desligamentos seguiram as regras aplicáveis às demissões coletivas. Por isso, a magistrada determinou que a vara responsável pelo processo de recuperação judicial em São Paulo seja informada sobre a decisão trabalhista. A medida busca permitir a cooperação entre os dois processos. A decisão ainda não encerra a discussão sobre as demissões. A liminar foi concedida com base em uma análise inicial do caso. A Casas Bahia terá prazo para apresentar sua defesa e poderá entregar documentos que mostrem, por exemplo, eventual negociação prévia com os sindicatos. Até que haja uma nova decisão, porém, os efeitos das dispensas abrangidas pela liminar ficam suspensos. *Com colaboração da repórter Isabela Ortiz
19/08/2026 16:56:56 +00:00
Google paga US$ 10 milhões por dados de companhia aérea falida para treinar IA

Logotipo do Google é visto em escritório da empresa em Mountain View, na Califórnia Paresh Dave/Reuters O Google vai pagar US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões) pelos dados internos da Spirit Airlines, companhia aérea conhecida pelas passagens de baixo custo que encerrou as operações em maio após enfrentar preços elevados do combustível de aviação e uma pesada dívida. Segundo reportagem da Forbes, o material será usado para treinar modelos de inteligência artificial da empresa. Spirit Airlines ASSOCIATED PRESS O conjunto de dados inclui centenas de milhões de e-mails de funcionários, mensagens do Microsoft Teams, planilhas, calendários e informações operacionais. Todo o conteúdo será anonimizado antes da venda. O valor dos dados foi suficiente para provocar uma disputa entre empresas. O Google venceu a startup de rotulagem de dados Mercor, que havia oferecido US$ 7,5 milhões (R$ 38,77 milhões). Dados corporativos se tornaram especialmente valiosos para o treinamento de sistemas de inteligência artificial porque os laboratórios já haviam vasculhado praticamente toda a internet pública até o fim de 2024. O uso da Inteligência Artificial nas Eleições 2026 e o combate à desinformação Empresas que encerraram suas atividades podem deixar para trás grandes volumes de informações digitais, como códigos, conversas por e-mail, mensagens no Slack e chamados de suporte de tecnologia, que ajudam a representar como funciona um ambiente de trabalho real. Startups como SimpleClosure e Sunset, que auxiliam empresas no processo de encerramento das atividades, também passaram a oferecer a compra desses dados para treinamento de sistemas de IA.
19/08/2026 16:18:17 +00:00
Exportações de carne bovina caem 26% em agosto com temor de tarifa maior na China

As exportações brasileiras de carne bovina registraram queda de 26% no balanço parcial de agosto, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 🔎Os cálculos levam em consideração o total de carne bovina exportado pelo Brasil para vários países do mundo. O recuo ocorre em meio à preocupação do setor com o esgotamento da cota de exportação para a China que permite a entrada do produto com tarifa menor. Pelos dados do governo, a média diária embarcada caiu de 12,7 mil toneladas em agosto do ano passado para 9,4 mil toneladas neste mês. Representantes da indústria afirmam que a cota brasileira destinada ao mercado chinês já foi atingida quando se considera também a carne que deixou o Brasil em julho e ainda está a caminho da China. Agora no g1 Oficialmente, porém, as autoridades chinesas informam que cerca de 90% da cota foi utilizada, sem contabilizar os produtos que ainda estão em trânsito nos navios. "A indústria considera que a cota já foi integralmente atingida desde o início de julho (100%), levando em conta os volumes já embarcados e as cargas em trânsito", explicou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). E associação afirma ainda que outros mercados devem crescer para a carne brasileira, especialmente na Ásia, porém hoje não existe outro mercado capaz de absorver sozinho o que deixará de ser vendido para a China. De acordo com a entidade, os efeitos da situação já começam a ser sentidos pelas empresas. Segundo a entidade, frigoríficos adotam medidas como férias coletivas diante da expectativa de redução das vendas ao principal mercado da carne bovina brasileira. A desaceleração acontece após um período de crescimento. Entre janeiro e julho deste ano, as exportações brasileiras de carne bovina avançaram cerca de 10% em volume na comparação com o mesmo período do ano anterior. A preocupação do setor está ligada a uma medida de salvaguarda adotada pela China para as importações de carne bovina. O Brasil recebeu a maior cota entre todos os exportadores: 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, continua valendo a tarifa de importação de 12%. Depois que o volume for atingido, as exportações brasileiras poderão continuar normalmente, mas o excedente passará a pagar tarifa de 55%, o que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês. Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que mantém diálogo permanente com as autoridades chinesas desde que o país asiático comunicou a intenção de adotar a medida. Segundo a pasta, o governo brasileiro apresentou alternativas e propostas para minimizar os impactos sobre o comércio bilateral e destacou que o Brasil recebeu uma cota mais de duas vezes superior à do segundo maior exportador contemplado pela medida. O ministério informou ainda que, no fim de julho, formalizou às autoridades chinesas sua preocupação com o ritmo de utilização da cota e com os possíveis impactos sobre a continuidade do fluxo comercial entre os dois países. Na ocasião, o governo brasileiro também defendeu a ampliação da cota destinada ao Brasil em 2026 para preservar a estabilidade e a previsibilidade das exportações. "O diálogo com a China permanece constante. O Ministério segue acompanhando a situação e mantendo interlocução com as autoridades chinesas", informou o Mapa. A pasta acrescentou que trabalha na abertura, ampliação e diversificação de mercados para reduzir eventuais impactos sobre os produtos agropecuários brasileiros. Carne bovina Cindie Hansen/Unplash
19/08/2026 16:17:16 +00:00
Lei Seca: Brasil já tem teste para flagrar motorista que usou drogas; veja substâncias detectadas

Lei Seca em Itaperuna Redes sociais O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A resolução estabelece, entre outras mudanças, o uso de equipamentos destinados à identificação de uso de substâncias psicoativas pelos motoristas. O texto já está em vigor após publicação no Diário Oficial da União nesta terça-feira (18). Agora cabe aos Detrans e aos órgãos de trânsito homologar os equipamentos que serão usados nos testes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A resolução determina que esses aparelhos devem ter “certificado no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro”. 🔎 Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. Leia nesta reportagem: Teste para substâncias psicoativas Novo procedimento de bafômetro O que muda na fiscalização Como ficam os casos de álcool residual na boca Fiscalização após acidentes O que acontece com quem recusa o teste Entenda as novas regras da Lei Seca Teste para substâncias psicoativas Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) já existe no Brasil um teste de saliva que detecta uma série de drogas. Em nota enviada à reportagem do g1, o Inmetro esclarece que o teste detecta de forma preliminar as seguintes substâncias: anfetamina; cocaína; MDMA (ecstasy); 6-MAM (heroína); LSD; Δ9-THC (cannabis); fentanil; cetamina; K2 (canabinoides sintéticos); morfina; metanfetamina; e MDPV. O instituto esclarece que já existe certificado de conformidade para este teste. O equipamento permite uma triagem rápida. “Situações que exijam maior robustez técnica para fins administrativos, penais ou judiciais, os resultados preliminares podem demandar confirmação por análise laboratorial, conforme os procedimentos e a regulamentação aplicáveis.” Portanto, mesmo com um teste positivo durante a blitz, novos exames poderão ser feitos para comprovar a presença de substância psicoativa. A certificação deste aparelho não significa, por si só, que o equipamento esteja automaticamente liberado para uso em blitz e fiscalizações de trânsito. Isso vai ser definido por cada Detran e outros aparelhos e testes, sempre certificados como prevê a resolução do Contran, podem ser homologados. É preciso reforçar que a resolução do Contran dá ao agente de trânsito o poder de constatar “sinais de alteração da capacidade psicomotora”. E esse quadro não precisa necessariamente ter sido provocado por uso de álcool ou drogas. Nesses casos, o agente precisa verificar ao menos dois desses sinais para comprovar a situação do condutor. Os sinais são divididos em categorias: Aparência: sonolência; olhos vermelhos; vômito; soluços; desordem nas vestes; e odor de álcool no hálito. Atitude: agressividade; arrogância; exaltação; ironia; falante; e dispersão. Orientação: sabe onde está; e sabe a data e a hora. Memória: sabe seu endereço; e lembra dos atos cometidos. Capacidade motora e verbal: dificuldade no equilíbrio; e fala alterada. Voltar ao índice. Homem soprando bafômetro, em imagem de arquivo Andre Borges/Agência Brasília Novo procedimento de bafômetro Uma das principais mudanças é a criação de uma etapa inicial de triagem. Nela, os agentes poderão usar equipamentos de pré-teste ou teste passivo de alcoolemia (quantidade de álcool etílico presente no sangue) para verificar possíveis sinais da presença de álcool. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução já passa a valer após a publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. Voltar ao índice. O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Voltar ao índice. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Voltar ao índice. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Voltar ao índice. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada Voltar ao índice.
19/08/2026 16:10:08 +00:00
Trump anuncia acordo com o Canadá e diz que tarifas serão zeradas para agricultores

Donald Trump anuncia tarifas. AFP Os Estados Unidos e o Canadá anunciaram nesta quarta-feira (19) um acordo comercial que interrompe a escalada da guerra tarifária entre os dois países. O presidente Donald Trump afirmou que o pacto elimina as tarifas sobre produtos agrícolas americanos exportados ao Canadá e declarou que, para os agricultores dos EUA, as tarifas serão inexistentes. Além disso, os EUAtambém devem reduzir pela metade as tarfias sobre aço e alumínio, segundo a Bloomberg, e diminuir de 25% para 15% as alíquotas sobre carros e caminhões canadenses. Nesse momento, o ministro do Canadá responsável pelo comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, está retornando a Ottawa para se reunir com o primeiro-ministro, Mark Carney, e participar de outras reuniões necessárias para finalizar as negociações comerciais. O entendimento foi fechado menos de 24 horas após Trump anunciar a suspensão, por três dias, das novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses que entrariam em vigor à meia-noite de terça-feira (18). Na ocasião, o presidente disse que os dois países estavam prestes a chegar a um acordo. Cerca de uma hora depois, Carney, confirmou que as negociações haviam avançado e afirmou, em comunicado, que "progressos substanciais foram feitos, embora ainda haja trabalho importante a ser realizado". Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 20 de janeiro de 2026. REUTERS/Denis Balibouse A seguir, a Reuters reuniu os principais pontos de atrito destacados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em seu relatório de 2026 sobre o Canadá. Leite, aves e ovos Os Estados Unidos criticam o sistema canadense que controla a produção de leite, aves e ovos. Nesse modelo, o governo estabelece limites de produção e também define cotas de importação - ou seja, uma quantidade máxima que pode entrar no país com tarifas reduzidas. Quando as importações ultrapassam essa cota, o Canadá cobra tarifas que podem superar 200%, o que, segundo Washington, dificulta o acesso de produtores americanos ao mercado canadense. Brasil vê 'discriminação' em novas tarifas dos EUA e pede mediação da OMC Os EUA também reclamam da forma como o Canadá administra as cotas de importação de laticínios previstas no USMCA e das políticas de preços do leite. O governo de Mark Carney já afirmou que esse sistema não será negociado. Preferência para empresas canadenses Washington afirma que a iniciativa Buy Canadian (“Compre Canadense”) dá prioridade a empresas do país e ao uso de aço, alumínio e madeira produzidos no Canadá em grandes contratos públicos. Os EUA também contestam regras adotadas por províncias como Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica, que, segundo o governo americano, colocam fornecedores dos Estados Unidos em desvantagem em licitações públicas. Vinho, cerveja e destilados Na maior parte do Canadá, a distribuição de bebidas alcoólicas é controlada por órgãos públicos provinciais. Os Estados Unidos dizem que esse modelo cria barreiras por meio de regras sobre quais produtos podem ser vendidos, preços e exigências de distribuição. A disputa se intensificou depois que várias províncias deixaram de vender bebidas alcoólicas americanas em resposta às tarifas impostas por Trump sobre produtos canadenses no ano passado. Saiba como rota da uva impulsionou tradição centenária do vinho em MG e SP Devanir Gino/Claudemir Camilo/EPTV O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que as bebidas dos EUA só voltarão às prateleiras se as tarifas forem retiradas ou se um novo acordo comercial for firmado. Impostos sobre serviços digitais e plataformas Os Estados Unidos continuam acompanhando o imposto canadense sobre serviços digitais, cobrado de grandes empresas de tecnologia. Embora Ottawa tenha prometido revogar a medida, ela ainda não havia sido oficialmente eliminada até o fim de 2025, segundo o USTR. Washington também critica a Lei de Notícias Online, que obriga grandes plataformas digitais a remunerar organizações jornalísticas canadenses pelo uso de seu conteúdo. Outro ponto de atrito são as regras para serviços de streaming, que exigem que determinadas plataformas contribuam financeiramente para o sistema de radiodifusão do Canadá. O governo canadense sinalizou que pretende abandonar a proposta de obrigar empresas como a Netflix a financiar produções locais para evitar aumento de custos aos consumidores. Como aliciadores usam o Discord para ganhar a confiança de crianças e adolescentes Agricultura e sementes Os EUA afirmam que o sistema canadense de registro de sementes é lento e burocrático, o que dificulta a entrada de sementes e grãos americanos no país. Washington também mantém objeções a restrições sobre a importação de algumas frutas e hortaliças frescas. Propriedade intelectual O Canadá continua na lista de observação dos Estados Unidos sobre proteção à propriedade intelectual. As preocupações incluem a venda de produtos falsificados e pirateados, especialmente no Pacific Mall, em Toronto, além de questões relacionadas à proteção de patentes e ao reconhecimento de indicações geográficas, que identificam produtos ligados a uma região específica. Trabalho forçado Embora o Canadá tenha adotado medidas para impedir a importação de produtos feitos com trabalho forçado, os Estados Unidos afirmam que a fiscalização ainda é insuficiente e pode permitir a entrada desses itens no mercado canadense. No início deste mês, o país apresentou uma nova lei para reforçar a proibição dessas importações. Governo Trump anuncia novo tarifaço de 50% para o Canadá Trabalho Forçado/ Escravidão Moderna/ Trabalho Análogo à Escravidão Organização Internacional do Trabalho/ Kazi Salahuddin Razu/ Getty Images Mercado de energia em Alberta Washington afirma que o mercado de eletricidade da província de Alberta continua prejudicando produtores americanos. Segundo os EUA, empresas do setor reclamam que a energia gerada no estado vizinho de Montana recebe prioridade menor do que a eletricidade produzida em Alberta, mesmo quando ambas têm o mesmo preço, limitando o acesso de fornecedores americanos ao mercado provincial. Preços de medicamentos Os Estados Unidos dizem que o órgão canadense responsável por revisar os preços de medicamentos patenteados reduz de forma injusta o valor de remédios inovadores. A crítica é que o Canadá deixou de usar Estados Unidos e Suíça como referência na comparação internacional de preços de medicamentos patenteados, o que, segundo a indústria farmacêutica americana, reduz artificialmente os preços praticados no mercado canadense.
19/08/2026 15:33:53 +00:00
😭 não é só choro: como o emoji virou o mais popular do mundo em 2025; veja o ranking

Carinha chorando é o emoji mais usado de 2025 O emoji mais popular do mundo em 2025 foi o 😭, um rosto com expressão de choro intenso e lágrimas abundantes. Para as novas gerações, ele é multiuso, usado quando algo é tão engraçado, emocionante ou constrangedor que dá vontade de chorar. Em seguida, apareceram o 🤣 e o 😂, ambos usados para expressar risadas acompanhadas de lágrimas. Os dados foram divulgados pelo Google ao jornal americano The New York Times (NYT) e têm como base uma amostra de 665 milhões de emojis usados no mundo todo por meio do Gboard, teclado da empresa integrado à maioria dos dispositivos Android. Segundo o jornal, que analisou postagens no Reddit com o apoio de linguistas, parte da popularidade do emoji no último ano pode ser explicada por uma mudança cultural: os jovens passaram a considerar que alguns emojis estavam sendo usados em excesso e migraram para outras opções. Agora no g1 De acordo com os especialistas consultados pelo NYT, os adolescentes costumam ser os primeiros a adotar novas formas de linguagem, especialmente as meninas e mulheres, que tendem a manter mais conexões sociais e um vocabulário emocional mais amplo. Segundo a diretora criativa do Google, Jennifer Daniel, enquanto gerações anteriores se preocupavam mais com a comunicação em massa nas redes sociais, os mais jovens buscam uma comunicação mais direta e íntima, seja em conversas em grupo ou em comunidades online que desenvolvem suas próprias referências, piadas, expressões e formas de se comunicar. "[O importante é] ser compreendido por esse público imediato", afirmou a especialista ao NYT. carinha chorando Reprodução Os especialistas destacam que muitos emojis ganham novos significados nessas comunidades online, onde criadores de memes buscam constantemente inovar. Quando esses usos e significados chegam ao grande público, esses grupos normalmente já estão popularizando novas tendências. Um exemplo é o emoji de caveira (💀), que foi usado por adolescentes para indicar que alguém "morreu de rir". Em determinado momento, esse uso chegou a superar o 😭, mas perdeu força rapidamente. Ainda segundo o jornal americano, os mais jovens têm substituído emojis amplamente usados por outras gerações por alternativas que transmitem sentimentos semelhantes. É o caso da flor murcha (🥀), adotada por muitos usuários no lugar do coração partido (💔), e do emoji de fogo (🔥), que passou a ocupar o espaço antes associado ao emoji dos cem pontos (💯). De acordo com os especialistas consultados pelo NYT, parte da popularização dos emojis está ligada ao avanço da comunicação digital em detrimento das interações presenciais. Com isso, expressões faciais, gestos e tom de voz deixam de fazer parte da conversa, aumentando a necessidade de outros recursos para transmitir emoções e intenções. Além disso, os emojis também funcionam como uma forma de demonstrar pertencimento a determinado grupo. "Normalmente, quanto mais um grupo é minoritário, mais motivos ele tem para se diferenciar", disse o linguista Adam Aleksic ao jornal. “As comunidades jovens negras ou LGBTQIAP+ são talvez as maiores inovadoras.” O NYT também informou que, ao menos nos últimos anos, o grupo dos 10 emojis mais usados mudou pouco, segundo dados do Google. Embora existam mais de 3.600 emojis disponíveis, esses 10 responderam por 36% de todo o uso registrado no ano passado, com mudanças apenas na posição ocupada por alguns deles. Veja quais foram os 10 emojis mais populares do mundo em 2025 😭 : rosto chorando intensamente 🤣: rolando no chão de tanto rir 😂: rosto com lágrimas de alegria ❤️: coração vermelho 🙏: mãos unidas 😘: rosto mandando beijo 🥰: rosto sorridente com corações 👍: polegar para cima 😍: rosto sorridente com olhos de coração 😁: rosto sorridente mostrando os dentes
19/08/2026 15:00:58 +00:00
Ações da Moderna disparam 90% após vacina personalizada contra câncer ter resultado positivo em teste

Moderna anuncia resultado preliminar de sucesso de vacina contra o câncer Reuters As ações da Moderna dispararam 90% no pré-mercado nesta quarta-feira (19) após a empresa anunciar resultados positivos de uma terapia personalizada contra o melanoma, um tipo de câncer de pele. Desenvolvido em parceria com a Merck, o tratamento usa tecnologia de mRNA para ajudar o sistema imunológico a identificar e combater células do tumor. ➡️ Chamada de intismeran autogene, a vacina é diferente das usadas para prevenir doenças infecciosas: em vez de proteger contra o câncer antes que ele apareça, ela é fabricada sob medida para tratar um tumor que já existe, a partir das mutações genéticas específicas daquele paciente. No estudo, ela foi testada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico da Merck já usado no tratamento do melanoma -- um tipo agressivo de câncer de pele. De acordo com a empresa, o tratamento atingiu os dois principais objetivos: Prolongar significativamente o tempo de sobrevida dos pacientes sem recidiva do melanoma, em comparação com o tratamento apenas com Keytruda. Além de reduzir o risco de disseminação do câncer para outras partes do corpo. A vacina, chamada intismeran autogene, foi testada em pacientes com melanoma — a forma mais letal de câncer de pele — que haviam passado por cirurgia para retirada completa do tumor, mas ainda corriam risco de a doença voltar. Pacientes que receberam os dois tratamentos juntos tiveram menos recorrências da doença e menos casos de metástase à distância do que os tratados apenas com Keytruda. Brasil registra patente de vacinas feitas de mRNA Como funciona a vacina Diferentemente das vacinas usadas para prevenir doenças infecciosas, a intismeran não protege contra o câncer antes que ele apareça: ela é fabricada sob medida para tratar um tumor que já existe, a partir das mutações genéticas específicas de cada paciente. E como isso acontece? Uma amostra do tumor é sequenciada para identificar essas mutações — uma espécie de "impressão digital" molecular daquele câncer. A partir daí, é produzida uma molécula de mRNA capaz de codificar até 34 alvos (neoantígenos) presentes só naquele tumor. Injetada no paciente, ela ensina o sistema imunológico a reconhecer essas mutações e atacar as células que as carregam. O Keytruda age de outra forma: bloqueia uma proteína (PD-1) que os tumores usam para escapar da vigilância do sistema imune, permitindo que os linfócitos T ajam com mais eficiência. A combinação busca unir os dois mecanismos — um aponta o alvo, o outro remove o freio da resposta imune. O que o estudo descobriu? O estudo atual incluiu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo. Dois terços receberam a combinação da vacina com Keytruda, e um terço recebeu apenas o imunoterápico, por cerca de um ano. Numa análise interina — feita antes do fim previsto do estudo —, o grupo que recebeu a combinação apresentou resultados estatisticamente superiores tanto na sobrevida livre de recorrência quanto na sobrevida livre de metástase à distância. A informação foi divulgada em um comunicado das empresas nesta quarta-feira. O estudo ainda está em andamento e não foi publicado. Moderna e Merk não divulgaram os percentuais exatos de redução de risco observados nesta nova análise. Em um estudo de fase intermediária com pacientes de melanoma de alto risco submetidos à cirurgia, a mesma combinação havia reduzido o risco de recorrência ou morte em 49% após cinco anos, resultado consistente com os dados de acompanhamento de três anos apresentados em 2023. O perfil de segurança da combinação, segundo o comunicado, foi consistente com o observado em estudos anteriores, sem novos sinais de risco identificados. Tecnologia está sendo testada em outros tipos de câncer O estudo divulgado nesta quarta trata especificamente de melanoma, mas a tecnologia por trás da vacina está sendo testada em outros tipos de tumor. O programa de pesquisa, chamado INTerpath, reúne nove estudos de Fase 2 e Fase 3 em andamento, incluindo câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e carcinoma de células renais. Há ainda estudos em fase inicial para câncer de pâncreas, estômago e outro tipo de tumor de pulmão. A tecnologia por trás dela é a mesma plataforma de mRNA usada pela Moderna para desenvolver sua vacina contra a Covid-19. A empresa tem buscado transformar sua plataforma de mRNA em uma franquia mais ampla e duradoura, aplicando a outros quadros. O que esperar com essa tecnologia? Para o oncologista Stephen Stefani, tratamentos personalizados como esse ocupam um espaço cada vez mais relevante na literatura médica, mas os resultados anunciados nesta quarta ainda precisam avançar por outras etapas antes de mudar a prática clínica. Ele pondera que a estratégia de usar vacinas customizadas contra o câncer já é discutida pela comunidade científica há bastante tempo, mas que transformar esse conhecimento em um tratamento disseminado depende de fatores que ainda não podem ser avaliados a partir do que foi divulgado até agora. "A boa notícia é que sim, estamos avançando em termos de novos conhecimentos. Agora, fato é de transformar isso numa prática disseminada e institucionalizada vai depender de muitos aspectos que não estão ainda disponíveis para avaliar. Há muito tempo se vem falando nessa estratégia de tratar pacientes com esse modelo de vacina. E, obviamente, se eu tenho algum dado que mostrou um aumento de sobrevida global, ele tem que ser olhado com atenção", explica.
19/08/2026 13:47:32 +00:00
Dólar cai fecha a R$ 5,17; Ibovespa sobe e interrompe sequência de 11 quedas

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,87% nesta quarta-feira (19), cotado a R$ 5,1761. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,90%, aos 167.830 pontos, interrompendo uma sequência de 11 quedas consecutivas. O mercado acompanhou a alta do petróleo em meio à escalada das tensões entre EUA e Irã e ficou de olho na ata do Banco Central americano, que reforçou as preocupações com a inflação americana. No Brasil, a alta da bolsa foi vista como um alívio temporário (entenda mais abaixo), enquanto as incertezas eleitorais, nas contas públicas e a saída de recursos estrangeiros continuam no radar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A piora das tensões no Oriente Médio trouxe mais um dia de alta para o petróleo. Nesta quarta-feira, o "Financial Times" afirmou que o Irã considera atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso a guerra entre eles tenha uma nova escalada. O cenário volta a trazer incertezas sobre a abertura do Estreito de Ormuz e os efeitos do conflito na inflação global. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 0,48%, cotado a US$ 91,46, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 0,80%, a US$ 85,62. ▶️ Na agenda econômica, as atenções ficaram com a nova ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O documento indicou uma maior preocupação do colegiado com a inflação americana, com vários dos dirigentes sinalizando que um aumento dos juros pode ser necessário caso os preços não caiam para a meta, de 2%. Saiba mais. ▶️ No Brasil, o cenário político e eleitoral também ficou no radar. O foco fica com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 no Senado. Para parte dos investidores, a possibilidade de tramitação pode favorecer a campanha de Lula e aumentar as preocupações sobre os gastos públicos em um eventual novo mandato. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,83%; Acumulado do mês: +2,10%; Acumulado do ano: --5,70%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,54%; Acumulado do mês: -5,71%; Acumulado do ano: +4,16%. Petróleo volta a ficar no centro das atenções O mercado internacional de petróleo voltou a ficar no centro das atenções. Nesta quarta-feira, o jornal britânico Financial Times afirmou que o Irã considera atacar alvos militares dos EUA na Europa caso a guerra entre eles tenha uma nova escalada. Um dos potenciais alvos seria a base aérea búlgara de Bezmer, que desde o mês passado tem sido utilizada por aeronaves do Exército dos EUA para reabastecimento; Outra instalação que poderia ser visada é uma base aérea britânica no Chipre que já havia sido atacada por um drone iraniano em março. Além disso, o regime iraniano também tem considerado a possibilidade de atacar cabos submarinos de fibra óptica no Estreito de Ormuz em caso essa nova escalada ocorra, segundo o FT. Tais ataques, caso venham a ser postos em prática, serviriam para elevar os riscos e consequências do conflito para os EUA, disseram as fontes iranianas ao jornal. Nas últimas semanas, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou declarar o Estreito de Ormuz como território dos EUA —algo inviável e proibido à luz do direito internacional— e bombardear o aliado Omã caso o país chegue a um acordo com o Irã sobre o controle da navegação comercial na via marítima. Teerã, por sua vez, que disse estar perto de concluir o acordo com o Omã, elevou o tom ao impor um ultimato aos EUA e afirmar que passaria a tomar uma postura mais ofensiva na guerra caso as negociações com a Casa Branca para o fim do conflito fracassem. As tensões voltam a elevar preocupações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra, e seus efeitos na inflação e na oferta de energia pelo mundo. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Ata do Fed mostra preocupação com a inflação americana A ata da última reunião do Fed, divulgada nesta quarta-feira, mostrou uma maior preocupação com a inflação americana por parte dos dirigentes da instituição. Segundo o documento, vários dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmaram estar prontos para aumentar as taxas de juros, sinalizando que o aumento nos custos de empréstimo pode ser necessário caso os preços não caiam para a meta, de 2%. Os dirigentes que se mostraram favoráveis a um aumento das taxas, afirmaram que "as pressões sobre os preços pareciam generalizadas" e julgaram que o comitê deveria adotar uma postura mais restritiva para cumprir com suas metas de estabilidade de preços e pleno emprego de forma sustentável. Naquela reunião, o Fed votou pela manutenção de sua taxa básica de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%. O documento também mostrou que o atual presidente do Fed, Kevin Warsh, solicitou que o comitê avaliasse uma possível redução no número de reuniões feitas pela instituição ao longo do ano, passando de oito para seis. Nenhuma decisão foi tomada a respeito dessa questão, segundo a ata, e o calendário de reuniões de 2026 não será alterado. No mercado, a expectativa é que o Fed volte a manter a taxa básica de juros americana inalterada em sua próxima reunião, marcada para os dias 15 e 16 de setembro, após dados recentes mostrarem uma leve desaceleração da inflação e cortes inesperados de empregos em julho. Os dados deixaram as autoridades ainda divididas sobre a necessidade de aumentos nas taxas de juros para conter ainda mais a inflação, mas também mais cautelosas quanto à força do mercado de trabalho e aos riscos para sua meta de manter o pleno emprego. Na ausência de orientações de Warsh, que tem se mostrado relutante em falar sobre os rumos da política monetária durante seu mandato, os investidores estão prevendo aumentos nas taxas de juros já na reunião de 27 e 28 de outubro. Ibovespa interrompe sequência de quedas O Ibovespa interrompeu nesta quarta-feira uma sequência de 11 quedas consecutivas. Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a alta foi puxada principalmente por fatores externos. Para ele, o movimento representa um “respiro temporário”, e não uma mudança na trajetória recente da bolsa. Gass explica que o principal impulso veio de uma medida do Tesouro dos Estados Unidos para aumentar a recompra de títulos de longo prazo. A iniciativa ajudou a reduzir os juros desses papéis e favoreceu a busca por investimentos de maior risco, inclusive em mercados como o Brasil. “O que aconteceu hoje foi um alívio externo e temporário, mas nada de uma solução doméstica.” Na avaliação do especialista, os fatores que vinham pressionando a bolsa brasileira continuam presentes. Entre eles estão a saída de recursos estrangeiros, que já supera R$ 13 bilhões no mês, as incertezas eleitorais e a taxa básica de juros, que está em 14%. Já Antônio Morais, sócio da Vault Capital, analisa o movimento que levou às 11 quedas consecutivas e aponta uma combinação de problemas econômicos e movimentos de mercado. Segundo ele, a percepção sobre o Brasil vinha piorando diante das preocupações com as contas públicas, do aumento dos pedidos de recuperação judicial e das incertezas eleitorais. “Essa queda tem dois vetores, que acabam se somando: um de fundamento e outro técnico.” Morais também destaca a saída de recursos estrangeiros como um dos fatores que ajudaram a acelerar a queda da bolsa. Segundo ele, quando os investidores estrangeiros aumentam as vendas de ações, outros investidores podem fazer o mesmo para reduzir riscos, ampliando as oscilações do mercado. Para o especialista, essa pressão pode perder força, mas as preocupações com as contas públicas e as eleições devem continuar no radar. Após recordes, bolsa entra em queda livre: por que o Ibovespa vive sua pior sequência desde 2023? Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em alta nesta quarta-feira, conforme os rendimentos dos títulos públicos recuavam de máximas registradas em várias décadas e os investidores avaliavam uma série de atualizações corporativas. Entre os destaques, as ações da fabricante de vacinas Moderna mais do que dobraram, após a empresa anunciar resultados positivos de uma terapia personalizada contra o melanoma, um tipo de câncer de pele. O Dow Jones subiu 0,23%, enquanto o S&P 500 avançou 0,24% e o Nasdaq Composite teve ganhos de 0,15%. Já na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em queda, em meio a preocupações com os efeitos da alta do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,11%, aos 651,16 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,14% e o CAC-40, da França, perdeu 0,09%. O FTSE 100, do Reino Unido, teve alta de 0,14%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em queda, com uma venda massiva de ações de chips e robótica em meio a preocupações com a economia e após resultados corporativos abaixo do esperado. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 2,9%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, caiu 2,4%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,09% e o Nikkei,, do Japão, teve perdas de 3,16%. O Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 5,80%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Dado Ruvic/ Reuters
19/08/2026 12:00:20 +00:00
Lei Seca com teste de drogas em motoristas entra em vigor; entenda o que muda

Lei Seca ASCOM - SEMOV O Diário Oficial da União publicou nesta terça-feira (18) a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) com novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A resolução atualiza os procedimentos usados pelos agentes de trânsito e regulamenta também a possibilidade de testes para identificar outras substâncias psicoativas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. Entenda as novas regras da Lei Seca Uma das principais mudanças é a criação de uma etapa inicial de triagem. Nela, os agentes poderão usar equipamentos de pré-teste ou teste passivo de alcoolemia (quantidade de álcool etílico presente no sangue) para verificar possíveis sinais da presença de álcool. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. O texto também estabelece regras para o uso de equipamentos destinados à identificação de outras substâncias psicoativas. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução já passa a valer após a publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Outras substâncias A nova regulamentação permite que os órgãos de trânsito utilizem equipamentos certificados para detectar substâncias psicoativas. O procedimento deverá ser combinado com a análise dos sinais apresentados pelo motorista. 🔎Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. A resolução não determina um modelo específico de equipamento. Também não estabelece que apenas a identificação de vestígios de uma substância seja suficiente para caracterizar a infração. A possibilidade está prevista no próprio CTB, que permite o uso de testes toxicológicos e de outros meios técnicos ou científicos para verificar se o motorista está sob influência de substâncias que podem comprometer a capacidade de condução. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada.
19/08/2026 11:27:37 +00:00
Descoberta na Foz do Amazonas só será 'passaporte para o futuro' se modelo adotado no pré-sal mudar, diz ex-diretor da Petrobras

Por que tanto otimismo com a descoberta na Bacia da Foz do Amazonas? A descoberta de petróleo em um poço na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é uma notícia "animadora" e que tem potencial de alavancar o papel global do Brasil, mas ainda está cercada de incertezas técnicas e de dúvidas sobre quem se beneficiará da riqueza que pode ser gerada, afirma Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras. Em entrevista à BBC News Brasil, Sauer questionou a ideia defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o achado na Margem Equatorial é um "passaporte para o futuro do Brasil". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o engenheiro, essa mesma expressão foi usada antes do início da exploração comercial do pré-sal brasileiro em 2006, mas o modelo de exploração adotado nos últimos 20 anos impediu que a previsão se concretizasse. "Não foi um passaporte para o futuro", diz. "Os recursos do pré-sal foram queimados até agora." Sauer defende há anos o maior controle estatal, por meio da Petrobras, da exploração do petróleo no Brasil, com uso dos lucros para o desenvolvimento nacional. "A minha defesa sempre foi de usar os recursos do petróleo para financiar um plano nacional de desenvolvimento econômico e social", disse à BBC. "Investir na educação pública, na saúde pública, resgatar previdência, fazer a reforma urbana, fazer a reforma agrária, investir decisivamente em tecnologias e sistemas que possam propiciar uma transição lenta e gradual que é necessária para não mais dependermos dos fósseis no futuro. Nada disso está sendo feito." Sauer foi diretor da Petrobras entre janeiro de 2003 e setembro de 2007, durante o primeiro mandato e o início do segundo mandato do presidente Lula. Anos após ele deixar o comando da estatal, a Operação Lava Jato revelou a existência, durante os anos 2000 e início dos anos 2010, de um amplo esquema de corrupção envolvendo dirigentes da empresa. Quando foi ouvido pela CPI da Petrobras em 2014, Sauer afirmou que sua saída não teve relação com esses esquemas posteriormente revelados pela Lava Jato, mas sim com divergências políticas e administrativas sobre os rumos da política energética e da gestão da estatal. 'Notícia animadora, mas que precisa de cautela' Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viável Petrobras/Divulgação via BBC A Petrobras afirmou ter encontrado petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas "ultraprofundas" na costa do Amapá. O achado ocorreu no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa. Ildo Sauer classificou a notícia como "muito animadora", mas afirmou que é preciso cautela. O especialista avalia que, a princípio, os primeiros resultados da perfuração parecem positivos, com indícios de presença de óleo leve, considerado mais valioso comercialmente. Ainda assim, ressalta que é cedo para estimar o tamanho das reservas e afirma que são necessárias muitas etapas técnicas para desenvolver a exploração na região. Os próximos passos passam pela perfuração de um segundo poço exploratório para confirmar a descoberta e obter uma estimativa preliminar do volume de óleo existente no local. Depois disso, é preciso comunicar a descoberta à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que o órgão regulador autorize a elaboração de um plano de avaliação. Entenda o que é o 'petróleo chique' do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal Também são necessários estudos geológicos, geofísicos e de avaliação econômica para determinar a quantidade exata de petróleo, os mecanismos necessários para desenvolver o recurso e a viabilidade econômica do projeto. Só depois que a viabilidade comercial da área é declarada formalmente, é que um plano de desenvolvimento é elaborado e aprovado. "Tipicamente, leva no mínimo 4 anos até chegar ao início do desenvolvimento", diz Sauer. "Estamos falando de um horizonte de 5 a 7 anos para de fato começar a colocar esse petróleo no mercado." Crítica ao modelo de exploração O principal ponto da crítica do ex-diretor da Petrobras não é a exploração em si, mas a forma como a renda do petróleo é distribuída no país. Ele defende que os recursos do subsolo pertencem a toda a população brasileira e argumenta que os ganhos obtidos com o pré-sal não se converteram em melhorias proporcionais em áreas como educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico. Segundo Sauer, esse cenário pode se repetir com a descoberta na bacia da Foz do Amazonas se não forem implementadas grandes mudanças no modelo. "Não adianta nada a gente desenvolver e descobrir o pré-sal, autorizar o pré-sal e seguir o mesmo paradigma com a Margem Equatorial", diz. Para o engenheiro, o principal problema do modelo atual é que uma parcela relativamente pequena da riqueza gerada pelo petróleo acaba se convertendo em investimentos capazes de transformar o país. Segundo ele, os recursos são distribuídos entre custos de produção, royalties, tributos e lucros das empresas petrolíferas, mas não há um mecanismo eficaz que garanta que essa renda seja direcionada prioritariamente para áreas como educação, saúde, infraestrutura, ciência e tecnologia. Em sua avaliação, a promessa de que o pré-sal financiaria o desenvolvimento nacional não se concretizou porque a maior parte dos ganhos foi apropriada por governos locais, pelo sistema financeiro e por acionistas, inclusive estrangeiros. Outra crítica central é ao próprio desenho regulatório do setor. Sauer afirma que, tanto no regime de concessão quanto no de partilha, o Estado brasileiro captura uma parcela menor da renda petroleira do que poderia. Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras Arquivo pessoal via BBC Para que o Estado capture a totalidade do excedente econômico, ele defende que o Brasil utilize um dispositivo da Lei nº 12.351/2010, que criou o regime de partilha para o pré-sal e áreas estratégicas, para a contratação direta da Petrobras pela União em um regime que, segundo o engenheiro, seria semelhante ao de prestação de serviços. Nesse formato, diz, a Petrobras receberia apenas uma retribuição pelo custo de produção, e todo o restante do excedente econômico ficaria diretamente com o Tesouro Nacional para financiar o desenvolvimento social. Potencial de protagonismo na geopolítica do petróleo O ex-diretor da Petrobras também avalia que a descoberta na bacia da Foz do Amazonas reforça a relevância estratégica do Brasil no mercado global de petróleo. Segundo ele, o pré-sal já transformou o país em um ator relevante na geopolítica energética, e a eventual confirmação de grandes reservas na Margem Equatorial pode ampliar esse papel. "O Brasil, que há 20 anos atrás era considerado inexistente na geopolítica do petróleo, assume, com o pré-sal, um papel de protagonista, não hegemônico, mas um protagonista relevante", diz Sauer. "E com a sinalização [sobre a descoberta] na Margem Equatorial, essa sinalização permanece, mas é mera contingência possível no cenário que ainda vai evoluir." Ainda assim, ele pondera que o Brasil ainda exerce um papel limitado na definição dos preços internacionais da commodity. Ele argumenta que o país atua principalmente como um "tomador de preços", se beneficiando dos valores sustentados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados sem participar efetivamente dos mecanismos de controle da oferta que influenciam o mercado global. É nesse contexto que Sauer menciona o que considera uma cultura de "subalternidade" na formulação das políticas nacionais, argumentando que o país abriu mão de exercer a liderança compatível com seu potencial energético, tanto na área do petróleo quanto em outros setores estratégicos. Segundo ele, com uma produção de cerca de 4,5 milhões de barris por dia e a perspectiva de expansão por meio da Margem Equatorial, o Brasil teria condições de assumir um papel mais estratégico na governança do mercado de petróleo. "Está para ser visto quando de fato haverá independência e autonomia brasileira de garantir a sua inserção internacional autônoma soberana em relação à riqueza do petróleo, de não se subordinar às pressões financeiras e de atuar de forma conjunta com a Opep e a Opep+ para ser um dos que carregam o ônus de beneficiar, de um lado, do preço elevado [do petróleo] e do outro lado de sustentar [esse preço]", argumenta o professor da USP. Sauer pondera ainda que o potencial das descobertas no litoral do Amapá exploratória não terá impacto imediato sobre crises internacionais, como eventuais tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. "A Margem Equatorial ainda é um pássaro voando", afirmou, em referência ao fato de que a descoberta ainda precisará ser confirmada e desenvolvida antes de produzir petróleo em escala comercial.
19/08/2026 10:17:04 +00:00
Crise do varejo? Por que algumas gigantes enfrentam dificuldades e outras seguem crescendo

Crise das Casas Bahia pode limitar crédito Os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, anunciados no último domingo (16), são novos capítulos da crise enfrentada por parte do varejo brasileiro. As dificuldades atingem principalmente as empresas que atendem consumidores de renda média e baixa. Pagar dívidas e gerar caixa se tornaram desafios em um cenário de juros elevados, crédito restrito, endividamento das famílias e consumo enfraquecido. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para especialistas do mercado financeiro, a situação força o setor a passar por uma transformação estrutural, que inclui a revisão das operações, o fechamento de lojas e a definição de novas prioridades estratégicas para manter a competitividade. Por outro lado, empresas que chegaram a esse período com balanços mais equilibrados e operações mais eficientes podem aproveitar a reorganização do setor para ganhar espaço sobre concorrentes em dificuldade. Há uma crise sistêmica no varejo nacional? Embora grandes varejistas tenham recorrido à recuperação judicial nos últimos anos, o mercado financeiro não vê sinais de uma crise sistêmica no setor. "Falar em uma crise generalizada do varejo seria um erro", afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos. A especialista vê uma espécie de "seleção empresarial", já que algumas companhias atravessam o atual cenário econômico com estruturas financeiras e operacionais mais sólidas do que outras. “O problema está concentrado principalmente nas companhias que combinaram endividamento elevado, margens de lucro mais estreitas, necessidade intensa de capital de giro e modelos operacionais custosos”, explica. Na prática, varejistas são naturalmente mais dependentes de crédito. Além de financiar estoques, operações e planos de expansão, muitas empresas do setor dependem do poder de compra dos consumidores, do acesso ao crédito e ao parcelamento. Os casos da Casas Bahia, da Marabraz e do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) são exemplos dos impactos do crédito mais caro e da redução do consumo das famílias. É o mesmo cenário que atingiu outros grandes nomes, como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura. São empresas que também passaram por processos de recuperação judicial, falência ou outras formas de reestruturação financeira. “Há uma dicotomia entre o avanço das grandes plataformas digitais — como Mercado Livre, Amazon e Shopee — que continuam ganhando participação, com eficiência logística e tecnológica, e parte do varejo tradicional, que sofre com lojas físicas custosas e vendas mais fracas”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Para a especialista, esse movimento também reflete a maior variedade de produtos oferecidos pelas plataformas digitais e o menor valor médio gasto em cada compra. “Como o consumidor continua comprando itens essenciais, segmentos ligados a bens básicos e grandes plataformas digitais seguem operando com margens saudáveis e em expansão”, acrescenta Nossig. Reestruturação do varejo Parte dessa readequação já começa a aparecer entre as grandes varejistas. Como o g1 já mostrou, várias dessas empresas começaram a rever seus modelos de crescimento, fechando lojas ou desacelerando a expansão física para reduzir custos. Ainda assim, o mercado não espera uma recuperação rápida dos resultados nem das ações das grandes varejistas tradicionais, principalmente enquanto os juros permanecerem elevados. “Ainda há preocupação com a saúde financeira e a sobrevivência de algumas empresas do setor. Claro que não deixarão de existir lojas, mas é um mercado bastante instável”, diz o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano. Para Brás, da Magno Investimentos, no entanto, a queda dos juros não funcionará como um “botão de reset”. “O consumidor ainda precisa recuperar renda disponível, a inadimplência precisa ceder e o crédito precisa chegar à ponta em condições melhores”, explica. “Também existe uma defasagem: uma redução da Selic não aparece instantaneamente no carnê, no financiamento ou no capital de giro. Para companhias já fragilizadas, alguns meses podem representar uma eternidade financeira.” Segundo os especialistas, esse cenário pode fazer com que empresas mais fragilizadas se tornem alvos de fusões, aquisições ou parcerias estratégicas. Ao mesmo tempo, o e-commerce tende a ganhar ainda mais espaço e consolidar sua participação no mercado. “O futuro do médio prazo do setor pertencerá às operações verdadeiramente integradas, em que a loja física deixa de ser apenas uma grande vitrine e passa a funcionar de forma inteligente como um centro de distribuição rápido e ponto de apoio para o comércio eletrônico”, diz Nossig, da Nomad. Como fica a carteira de investimentos? Embora o mercado não veja uma crise generalizada no varejo, as dificuldades enfrentadas por algumas empresas do setor também têm reflexos para investidores. Um exemplo é o caso das ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3), que protagonizam uma das maiores quedas da bolsa brasileira dos últimos anos, passando de mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, para centavos. Com isso, especialistas esperam uma redução da presença do varejo nas carteiras de investimentos, já que os sinais de desaceleração da economia tendem a aumentar a incerteza sobre o setor. Isso, no entanto, não significa uma completa extinção do varejo entre os investimentos. “Empresas com caixa robusto, baixa alavancagem, geração consistente de fluxo de caixa, marcas fortes e capacidade de ganhar participação podem até sair fortalecidas desse processo”, diz Brás. Nesse contexto, Nossig, da Nomad, afirma que o mercado tende a ser mais rigoroso na seleção das empresas em que investir. “Essa prátuica permite que empresas com fundamentos mais sólidos continuem ocupando posições relevantes nas carteiras”, explica, destacando o varejo alimentar e as redes de farmácias. “Os próximos vencedores provavelmente serão definidos menos pela velocidade de abertura de lojas e mais pela capacidade de gerar caixa, girar estoques, controlar o endividamento, integrar canais de venda e fidelizar consumidores sem depender continuamente de incentivos para sustentar essa relação”, completa Brás. Varejo. Steve Buissinne para Pixabay
19/08/2026 08:04:27 +00:00
Canetas emagrecedoras já mudam gastos com comida e até o PIB de países; entenda os efeitos

Como as canetas emagrecedoras impactam a economia global As canetas emagrecedoras já provocam efeitos que vão além da saúde. Um estudo com famílias americanas mostrou que, após seis meses de tratamento, os gastos com supermercado caíram 5,3%, em média, enquanto as despesas em fast-foods, cafeterias e restaurantes de serviço rápido recuaram cerca de 8%. Na Dinamarca, o setor farmacêutico, impulsionado pelas vendas das canetas, respondeu por cerca de metade do crescimento real do PIB em 2023. Segundo o Banco Central dinamarquês, sem esse avanço, a economia teria ficado praticamente estagnada. Há ainda possíveis impactos em estudo: uma projeção estima que passageiros 10% mais leves poderiam reduzir em até 1,5% o consumo de combustível dos aviões. O fenômeno que começou mudando o apetite já afeta os hábitos de consumo e diferentes setores da economia. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
19/08/2026 06:00:47 +00:00
Trump suspende por três dias tarifas de 50% sobre importações canadenses

Trump suspende por três dias tarifas de 50% sobre importações do Canadá O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira (18) que estava suspendendo por três dias as novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses que entrariam em vigor à meia-noite, afirmando que os dois países haviam chegado a um acordo. Uma hora depois, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou em comunicado que "progressos substanciais foram feitos, embora ainda haja trabalho importante a ser realizado". Trump afirmou em sua postagem no Truth Social que suspendeu as tarifas "com base no fato de que o Canadá e os EUA, sujeitos à finalização dos documentos, têm um ACORDO". Trump e Carney conversaram na tarde de terça-feira, em sua segunda conversa esta semana, e seus negociadores estiveram envolvidos em semanas de intensas e opacas negociações. Donald Trump anunciou na rede social Truth Social a suspensão das tarifas de importação sobre produtos canadenses Reprodução/Truth Social "Enquanto prosseguimos com esse trabalho, o Canadá permanece focado em construir uma economia mais forte, mais independente e mais competitiva em âmbito nacional", disse Carney em seu comunicado. O gabinete do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o acordo incluirá "acesso abrangente ao mercado para todos os produtos americanos, compromissos de segurança econômica, alinhamento do comércio digital" e outras disposições. Em um comunicado publicado no site da Casa Branca, Trump afirmou ter recebido o compromisso do Canadá de abordar as preocupações dos EUA relacionadas às tarifas sobre laticínios, bebidas alcoólicas e veículos automotores. As autoridades americanas não forneceram mais detalhes e o governo canadense não confirmou o conteúdo de nenhum acordo. As tarifas americanas sobre automóveis eram um ponto de discórdia, disseram anteriormente duas fontes do setor familiarizadas com as negociações. As novas tarifas americanas teriam abrangido cerca de 20 bilhões de dólares em importações e seriam aplicadas independentemente de os produtos canadenses se qualificarem para tratamento preferencial sob o acordo comercial EUA-México-Canadá, que protegeu grande parte da indústria canadense das tarifas americanas anteriores. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participa de uma coletiva de imprensa para discutir uma resposta às novas tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, em Ottawa, Ontário, Canadá. Blair Gable/ Reuters Trump acrescentou em sua postagem nas redes sociais que o oleoduto Keystone XL - um projeto cancelado pelo ex-presidente Joe Biden em 2021 após anos de oposição de povos indígenas e ambientalistas - "pode ​​ressurgir das cinzas", mas não forneceu detalhes. Trump fez das tarifas um pilar central de suas políticas externa e comercial, apesar dos reveses legais e das críticas de alguns analistas. As tarifas poderiam ter levado à perda de empregos e ao fechamento de empresas. Especialistas em comércio e representantes da indústria disseram anteriormente que as novas tarifas poderiam levar à perda de empregos e ao fechamento de empresas em setores vulneráveis ​​no Canadá, incluindo madeira, vinho e laticínios. Eles também alertaram que a disputa poderia complicar as negociações mais amplas do USMCA. O ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, e a principal negociadora comercial, Janice Charette, estão em Washington desde a semana passada para negociações. Agora no g1 Na segunda-feira, as autoridades canadenses se reuniram por quase duas horas com Greer e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Greer citou repetidamente as tarifas canadenses que se seguiram às tarifas iniciais dos EUA, o sistema canadense de gestão da oferta de laticínios e a recusa de algumas províncias em estocar bebidas alcoólicas americanas, entre outras queixas dos EUA. Em um comunicado divulgado na noite de terça-feira, o Conselho de Bebidas Destiladas dos EUA aplaudiu o anúncio de Trump e pediu "uma solução negociada que permita o retorno das bebidas destiladas americanas às prateleiras dos varejistas em todas as províncias canadenses e restabeleça o setor de bebidas destiladas a um regime tarifário de zero por zero". As partes também discutiram a redução das tarifas americanas da Seção 232 sobre veículos canadenses de 25% para 15%, com reduções adicionais baseadas na quantidade de conteúdo americano em cada veículo, disseram as fontes. Contabilização das deduções tarifárias Um dos principais pontos de discórdia era como as deduções tarifárias baseadas no conteúdo deveriam ser calculadas, com Washington exigindo que apenas o conteúdo produzido nos EUA fosse contabilizado. O Canadá, por sua vez, pressionava para que todo o conteúdo norte-americano, incluindo as peças canadenses e mexicanas, fosse contabilizado, segundo fontes anteriores. Na terça-feira, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou novas regras para que as montadoras que exportam do Canadá e do México certifiquem seus níveis atuais de conteúdo americano para fins de dedução de tarifas, reduzindo o complexo processo de duas vezes para uma vez por ano. Mas o aviso do Registro Federal afirmou que as montadoras devem recertificar o conteúdo americano dos veículos até 30 de setembro para poderem reivindicar deduções no novo ciclo anual que começa em 1º de dezembro. Uma fonte do governo canadense afirmou na semana passada que todas as opções continuam em aberto caso as novas tarifas entrem em vigor, incluindo o apoio governamental às indústrias nacionais afetadas e uma possível suspensão das negociações comerciais bilaterais, mas a fonte expressou esperança de que os EUA estejam interessados ​​em chegar a um acordo.
19/08/2026 04:54:08 +00:00
A Foz do Amazonas e o futuro da exploração de petróleo no Brasil - O Assunto #1786

No último sábado (15), a Petrobras anunciou a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá e a cerca de 2.800 metros de profundidade. A confirmação de que há petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial, gerou empolgação imediata – o presidente Lula chegou a chamar a descoberta de "passaporte para o futuro" do país. Mas ainda falta uma longa jornada até que seja confirmada a viabilidade econômica da exploração do petróleo na região. A presidente da estatal, Magda Chambriard, fala em até 7 anos para que o primeiro barril de petróleo seja extraído de águas submarinas. Há perspectivas econômicas otimistas, mas também há riscos ambientais e climáticos: a região é considerada de extrema sensibilidade ambiental e o investimento em combustível fóssil vai na contramão do compromisso do país com a transição energética. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Felipe Maciel, jornalista que acompanha há duas décadas os setores de petróleo, gás e energia. Ele explica como irá se dar a possível exploração, analisa os riscos para a questão ambiental e compara o caso brasileiro com o da Guiana. Participa também do episódio Shigueo Watanabe Jr., especialista em energia do Observatório do Clima e pesquisador do Climainfo. Convidado: Felipe Maciel, sócio-fundador e diretor executivo da agência eixos, especializada nos setores de petróleo, gás e energia. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Marco Antônio Martins. Colaborou neste episódio Thomé Granemann. Na apresentação: Natuza Nery. Por que tanto otimismo com a descoberta na Bacia da Foz do Amazonas? O que você precisa saber: Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá; Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços; Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas; JORNAL DO AMAPÁ: Lula visita navio-sonda no Amapá e defende petróleo na Foz do Rio Amazonas; MPF cobra explicações do Ibama sobre pedido da Petrobras para explorar mais 3 poços na Foz do Amazonas; Petrobras encontra indícios de petróleo em poço no Amapá, na Foz do Amazonas; 'Nova fronteira exploratória', diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo no AP, na Foz do Amazonas; O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Reprodução
19/08/2026 03:30:08 +00:00
Lei Seca: mais de 3,7 milhões de infrações foram registradas em 18 anos; entenda as multas e novas mudanças

Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou na última segunda-feira (17) novas regras para a fiscalização da Lei Seca. Lei Seca é o nome popular da Lei 11.705, que entrou em vigor em 2008 com o objetivo de endurecer a fiscalização e as punições para motoristas que dirigem “sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ao longo de 18 anos, a lei passou por uma série de atualizações. Entre as principais estão: Em 2012, a tolerância para a concentração de álcool no sangue passou a ser zero; Em 2016, a recusa ao teste do etilômetro, conhecido como bafômetro, passou a ser considerada infração gravíssima, e a multa foi atualizada, podendo chegar a R$ 2.934,70; Em 2018, o motorista bêbado que causa um acidente passou a poder ser preso por até 8 anos. Além disso, tem a CNH suspensa por 12 meses e pode ter o documento cassado se for flagrado dirigindo durante esse período. Entenda as novas regras da Lei Seca Mesmo com a tolerância zero em vigor, existe um limite técnico de 0,04 mg/L para a medição de álcool. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), valores abaixo desse limite não geram penalidades. Segundo o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando o resultado configura infração, a penalidade também inclui a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses e a retenção do veículo, até que outro motorista possa assumir a direção. Se cometer a mesma infração novamente em até 12 meses, o motorista terá a multa em dobro, no valor de R$ 5.869,40. A Senatran aponta que, desde a entrada em vigor da Lei Seca até maio de 2026, foram registradas 3,7 milhões de "infrações por dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência". Desse total, 1,26 milhão de autuações foi aplicada a motoristas que dirigiam sob efeito de álcool ou de outras substâncias. Já 2,45 milhões foram emitidas por "recusa em ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar a influência de álcool ou outra substância psicoativa". Fiscalização e regras mudam em 2026 Uma nova resolução atualiza os procedimentos usados pelos agentes de trânsito e regulamenta também a possibilidade de testes para identificar outras substâncias psicoativas. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. O texto também estabelece regras para o uso de equipamentos destinados à identificação de outras substâncias psicoativas. A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução passa a valer após sua publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Outras substâncias A nova regulamentação permite que os órgãos de trânsito utilizem equipamentos certificados para detectar substâncias psicoativas. O procedimento deverá ser combinado com a análise dos sinais apresentados pelo motorista. 🔎Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. A resolução não determina um modelo específico de equipamento. Também não estabelece que apenas a identificação de vestígios de uma substância seja suficiente para caracterizar a infração. A possibilidade está prevista no próprio CTB, que permite o uso de testes toxicológicos e de outros meios técnicos ou científicos para verificar se o motorista está sob influência de substâncias que podem comprometer a capacidade de condução. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Operação Lei Seca em Santarém Pablo Vastei/TV Tapajós Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada.
19/08/2026 03:00:48 +00:00
Mega-Sena 3046 acumula e vai a R$ 50 milhões; veja os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.046 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (18), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 42.8 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 50 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Lotrias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 16 - 23 - 24 - 33 - 36 - 52 5 acertos: 38 apostas ganhadoras, R$ 50.460,11 4 acertos: 3.041 apostas ganhadoras, R$ 1.039,35 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3046 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
19/08/2026 00:03:12 +00:00
Governo criará até o final do ano sala de situação para evitar manipulação esportiva em apostas, diz secretário

O secretário de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério da Fazenda, Giovanni Rocco, afirmou nesta terça-feira (18) que o governo federal deverá criar até o final do ano uma sala de situação para acompanhar o setor e evitar a manipulação esportiva. O plano é ter uma central que lembra as mesas de operação do mercado financeiro em técnicos do governo vão acompanhar, em tempo real, as oscilações das "odds", cotações das apostas esportivas, para identificar movimentações suspeitas. 🔎 As odds, ou seja, cotações que refletem as probabilidades atribuídas pelas casas de apostas aos diferentes resultados de uma partida, estão no centro do monitoramento. A ideia é identificar movimentações fora do padrão, principalmente antes do início dos jogos, quando grandes volumes de apostas concentrados em um determinado resultado podem indicar uma possível manipulação. Agora no g1 “São vários monitores. No fim do dia, as apostas são cotação de odds. O que é uma odd? É uma estatística e probabilidade. Então você tem o cruzamento dessas estatísticas e probabilidades. Quando existe a possibilidade de o time A ganhar do time B, a casa vai pagar menos nas apostas no time A e mais nas apostas no time B”, explicou Rocco. Segundo o secretário, a estrutura funcionará de maneira semelhante a uma central de monitoramento financeiro, com atenção especial a comportamentos considerados anômalos. “É como se fosse uma sala do Banco Central olhando as bolsas do mundo e os comportamentos anômalos, principalmente antes da partida, porque o risco é maior. Quando começa o jogo e a atividade esportiva, isso se inverte”, afirmou. O secretário explicou que uma movimentação atípica pode gerar um alerta para as autoridades e para as próprias casas de apostas. Apostas esportivas; bet Joédson Alves/Agência Brasil “Então se eu pego ali uma situação que não é usual e eu verifico que tem uma descarga de apostas muito grande, vai ter um alerta e já tem casas de apostas que identificam e fecham o mercado", disse Rocco, durante um evento sobre o setor. Com isso, o trabalho da sala de situação será o de cruzar a observação com sistemas fornecidos por entidades de integridade do mercado de apostas, permitindo comparar dados e identificar padrões suspeitos. Segundo o secretário, essas organizações, financiadas pelas próprias empresas do setor, reúnem e compartilham informações de diversas casas de apostas ao redor do mundo com o objetivo de monitorar a integridade das operações e detectar possíveis irregularidades.
18/08/2026 22:49:41 +00:00
Ibovespa tem 2º pior desempenho entre 21 bolsas em agosto

Ibovespa tem pior queda desde março e dólar sobe O Ibovespa acumula queda de 8,54% em agosto e tem o segundo pior desempenho entre 21 bolsas acompanhadas pela consultoria Elos Ayta. O levantamento considera os resultados em dólares até o dia 17. O resultado fica atrás apenas do registrado pelo Merval, principal índice da Bolsa da Argentina, que recua 10,47% no mesmo período. 🔍A comparação considera os resultados em dólares porque cada país tem sua própria moeda. Ao transformar os números para uma mesma moeda, é possível comparar de forma mais direta o desempenho das diferentes bolsas. No Brasil, por exemplo, o Ibovespa acumula queda de 6,30% em reais em agosto. Mas o dólar subiu 2,44% frente ao real no período. Isso faz com que a perda seja maior quando o resultado é calculado na moeda americana: 8,54%. O Ibovespa foi influenciado pelo tombo de diversas ações - os papéis da Magazine Luiza, do Grupo Soma e da construtora MRV chegaram a cair mais de 5% ao longo do dia adobe stock Na prática, isso significa que um investidor estrangeiro que aplicou na Bolsa brasileira não sofreu apenas com a queda das ações. Ele também foi afetado pela valorização do dólar (quando a moeda americana fica mais cara em relação ao real). Brasil fica entre os piores resultados Entre os quatro mercados com pior desempenho no levantamento, dois são da América Latina. A Argentina aparece na última colocação, com queda de 10,47% do Merval. O Brasil vem logo depois, com recuo de 8,54% do Ibovespa. Na sequência estão o FTSE China 50, índice que reúne grandes empresas chinesas, com queda de 2,55%, e o IPC México, principal índice acionário mexicano, que recua 2,29%. O desempenho mostra que, até o dia 17, as bolsas brasileira e argentina tiveram uma queda bem mais forte do que a registrada em outros grandes mercados. Ibov Einar rivero Bolsas da Europa e da Ásia sobem Na outra ponta do levantamento, os melhores resultados estão principalmente na Europa e na Ásia. O Euro Stoxx 50, índice que reúne 50 das principais empresas da zona do euro, lidera a lista, com alta de 7,02% em agosto. O Nikkei 225, principal índice da Bolsa do Japão, aparece em seguida, com avanço de 6,77%. Já o Nasdaq, dos Estados Unidos, que concentra muitas empresas de tecnologia, sobe 5,01%. Entre os mercados latino-americanos, Colômbia e Peru também apresentam desempenho positivo. Os índices desses países avançam 2,68% e 2,65%, respectivamente, no período. Assim, enquanto algumas das principais bolsas europeias e asiáticas acumulam ganhos em agosto, os mercados acionários do Brasil e da Argentina estão entre os que mais perderam valor no mês.
18/08/2026 18:37:36 +00:00
OpenAI reduz desenvolvimento de IA após agente em teste invadir sistemas de outra empresa

[bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images A OpenAI anunciou nesta terça-feira (18) que está desacelerando o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial enquanto reformula seus sistemas de pesquisa e treinamento. A decisão foi tomada após funcionários da empresa serem surpreendidos, no mês passado, quando um agente de inteligência artificial da companhia, ainda em fase de testes, invadiu sistemas de outra empresa do setor. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a OpenAI, as medidas incluem a suspensão dos testes de modelos por duas semanas e o aumento dos investimentos em outros sistemas de inteligência artificial para monitorar as atividades dos agentes que ainda estão em fase de testes. A OpenAI informou que algumas das maiores etapas de treinamento planejadas pela empresa continuam suspensas. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI A empresa não respondeu às perguntas sobre quando essa desaceleração teve início. Como foi o ataque O ataque aconteceu durante testes da OpenAI em que modelos de inteligência artificial são colocados para buscar falhas em outros sistemas, com o objetivo de melhorar suas capacidades de segurança. Nesse caso, os modelos usaram a infraestrutura de um cliente da empresa Model Labs para chegar até a Hugging Face, uma plataforma de compartilhamento de modelos de inteligência artificial. A Model Labs afirmou que um cliente havia publicado um ponto de acesso sem autenticação, que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código. A empresa disse que sua plataforma principal não foi comprometida. Segundo a Hugging Face, um ambiente de teste controlado, hospedado na infraestrutura de um provedor terceirizado, foi transformado em uma plataforma de lançamento de ataques. A invasão durou dois dias e meio. A OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e outro modelo ainda não divulgado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa e na infraestrutura da Hugging Face. A empresa disse que os modelos conseguiram invadir o sistema da Hugging Face. A plataforma afirmou que executou dois códigos enviados por um agente de IA, que conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura e obter credenciais para atacar outros sistemas internos. A Hugging Face havia informado anteriormente que a invasão permitiu acesso indevido a dados e credenciais. O ataque foi considerado pela OpenAI um incidente cibernético "sem precedentes", envolvendo recursos de última geração. Para a Hugging Face, o episódio foi diferente de tudo o que a empresa havia enfrentado antes. Reportagem com informações da agência Reuters.
18/08/2026 18:31:46 +00:00
Promessa de menos trabalho com IA esbarra em jornadas de até 90 horas; OpenAI não testou 'semana de 4 dias'

Líderes do setor dizem que IA significa menos horas de trabalho — mas seus funcionários afirmam trabalhar até 90 horas semanais. Divulgação/BBC Brasil Há anos, executivos de empresas que investem centenas de bilhões de dólares por ano no desenvolvimento de diversas ferramentas de inteligência artificial insistem que essa tecnologia, em última análise, fará com que as pessoas passem menos tempo trabalhando. Um diretor de engenharia do Google afirmou, há quatro anos, que a inteligência artificial possibilitaria uma semana de trabalho de quatro dias até 2025. No início deste ano, a OpenAI encarou esse desafio. Ela incentivou formalmente as empresas a começarem a testar a semana de trabalho de quatro dias (sem alteração salarial), alegando que a IA em breve será capaz de acelerar tanto o trabalho humano que o mundo corporativo deveria se preparar. No entanto, um ex-funcionário que deixou a OpenAI no ano passado disse à BBC que a empresa nunca chegou a testar a semana de trabalho de quatro dias que sugeriu que outros experimentassem enquanto ele estava lá. Em vez disso, a pessoa descreveu o que muitas vezes era uma cultura de trabalho exaustiva, marcada por frequentes "reuniões de crise", trabalho aos fins de semana e avaliações de desempenho "extremamente rigorosas" que resultavam na demissão repentina de colegas. "Você vai lá no sábado ou no domingo só para colocar o trabalho em dia ou para garantir que nada esteja quebrado", disse a pessoa. Outras empresas também têm defendido a ideia de que a IA irá efetivamente reduzir o número de horas que as pessoas precisam trabalhar, para o bem ou para o mal. A Anthropic se vangloria de que sua popular ferramenta de programação e chatbot Claude é capaz de trabalhar sozinha por sete horas sem interrupção, o que equivale a um dia inteiro de trabalho corporativo. Mark Zuckerberg, da Meta, afirmou que a inteligência artificial está começando a mudar de forma fundamental a maneira como as pessoas trabalham e que as ferramentas de IA podem tornar os funcionários tão mais produtivos que uma força de trabalho menor consegue realizar o que antes exigia um número muito maior de pessoas. Mark Zuckerberg presta depoimento em julgamento histórico sobre redes sociais Embora a Meta tenha demitido um em cada dez funcionários, o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, alertou que, à medida que as ferramentas de IA inevitavelmente se tornarem mais produtivas, isso poderá significar perdas de empregos ainda maiores. Apesar dessas alegações, os trabalhadores dessas mesmas empresas de tecnologia — que não só desenvolvem como também utilizam as ferramentas de IA que supostamente irão realizar pelo menos parte do trabalho das pessoas — afirmam estar trabalhando muito mais do que a típica semana de trabalho de cinco dias, com 40 horas. 'Sprints' Os profissionais de tecnologia nos EUA geralmente são bem remunerados e, embora outros setores — como mercado financeiro, direito e medicina — também frequentemente exijam longas jornadas de trabalho, uma jornada de 14 horas nem sempre foi a norma na área de tecnologia. Durante anos, era um trabalho de escritório mais típico, das 9h às 17h. Mas o ex-funcionário da OpenAI disse que trabalhava pelo menos 70 horas por semana, muito mais do que em seus empregos anteriores na área de tecnologia. Essa pessoa agora trabalha em uma startup também focada em IA e afirmou que seu equilíbrio entre vida profissional e pessoal melhorou, trabalhando cerca de 50 a 60 horas por semana, "fora dos períodos de sprints". Sprint é um termo usado para descrever um período comum em empresas de tecnologia, no qual as pessoas trabalham longas horas nas semanas que antecedem o lançamento de um novo recurso ou produto. No entanto, dentro de empresas de IA e grandes empresas de tecnologia que trabalham intensamente em projetos de IA, esses sprints podem ser extremos. Na OpenAI e na Anthropic, por exemplo, os sprints podem se estender por várias semanas e ultrapassar 90 horas de trabalho em um período de sete dias, disseram profissionais de tecnologia com quem a BBC conversou para esta reportagem. Nenhuma das empresas respondeu aos pedidos de comentários da BBC. Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas Inteligência Artificial 'Recrutamento' Na Meta, os funcionários disseram que foram abruptamente alocados em equipes este ano para realizar trabalhos de IA tratados como urgentes. Eles descreveram isso como "recrutamento", segundo um funcionário atual e um ex-funcionário, porque as pessoas não têm escolha. "Eles simplesmente te transferem", disse o ex-funcionário. "Você não pode dizer não — ou, se disser, tem que pedir demissão." Eles disseram que, embora a Meta tenha começado recentemente a repensar essa abordagem rígida de "aceitem ou nos deixem", a essa altura muitos trabalhadores já haviam sido forçados a realizar esse tipo de trabalho. As jornadas de trabalho nessas equipes da Meta costumam ser longas, com funcionários trabalhando até tarde da noite, nos fins de semana e sentindo-se "de plantão" durante o período em que não estão trabalhando, de acordo com relatos de funcionários atuais e antigos. Nos EUA, não há limite para o número de horas que uma pessoa com mais de 16 anos pode trabalhar. No Reino Unido e na Europa, por exemplo, as leis limitam a semana de trabalho a 48 horas, incluindo horas extras. Os projetos atuais de IA da Meta incluem a criação de uma ferramenta de IA que pode ser usada para engenharia de software e outros tipos de trabalho — além da construção de uma infraestrutura de modelos de IA capaz de medir o sucesso de um modelo de IA na replicação de diversas tarefas, acrescentaram os funcionários. "Você está literalmente trabalhando em equipes de pessoas tentando replicar humanos realizando tarefas", disse o ex-funcionário. Esse trabalho, acrescentou a pessoa, parece "interminável". Um porta-voz da Meta não quis comentar o assunto. Ilustração mostra um logotipo da Meta impresso em 3D ao lado da sigla "AI", em imagem produzida em 20 de julho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo Até mesmo os profissionais de tecnologia que não estão diretamente envolvidos no desenvolvimento de ferramentas de IA estão enfrentando jornadas de trabalho mais longas devido à tecnologia. Um ex-funcionário do Google, Amin Shali, deixou a empresa em maio devido aos impactos negativos que a IA, segundo ele, estava causando em seu trabalho. Entre os problemas, estava a necessidade de trabalhar até altas horas da noite por conta de falhas em funções internas de engenharia. Essa situação se tornava cada vez mais frequente à medida que o Google realocava recursos cruciais, como unidades de processamento e armazenamento de memória, para projetos de IA. Um porta-voz do Google não quis responder a perguntas da BBC. Desde que deixou o Google, Shali contou à BBC que seu sono e sua saúde em geral melhoraram. Ele afirmou ter percebido que a forte dependência de ferramentas de IA em grandes empresas de tecnologia "cria uma cultura ruim com pressão excessiva sobre os engenheiros". Economia de tempo 'absorvida' Novas pesquisas sugerem que as ferramentas de IA estão tornando a carga de trabalho das pessoas ainda mais pesada. Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley acompanhou centenas de funcionários de uma empresa de tecnologia americana durante oito meses enquanto utilizavam inteligência artificial. O estudo constatou que os funcionários "trabalharam em um ritmo mais acelerado, assumiram uma gama mais ampla de tarefas e estenderam sua jornada de trabalho por mais horas do dia". Neil Thompson, um especialista em inovação do MIT, afirmou que mesmo em empresas de tecnologia líderes no desenvolvimento de IA, é improvável que os funcionários sejam instruídos a simplesmente implantar as ferramentas que devem realizar parte do seu trabalho e seguir em frente. "Isso leva a uma situação em que, mesmo que houvesse economia de tempo real, ela seria consumida pelas mudanças, pela implementação delas e pela garantia de que funcionassem", disse Thompson. A pesquisa da UC Berkeley descobriu que a carga de trabalho dos funcionários de tecnologia aumentou em parte devido à necessidade de verificar constantemente os resultados das ferramentas de IA. Em situações em que um funcionário otimizou os processos para ferramentas de IA, as pessoas também tendem a preencher o tempo economizado com mais trabalho, acrescentou Thompson, seja porque querem ou porque sentem que devem fazê-lo para provar seu valor ao empregador. "As pessoas presumem que 20% menos trabalho significa semanas de quatro dias", disse Thompson. "Mas novos trabalhos surgem." Como observou Shali: "A IA deveria estar fazendo tanto por nós agora, que muito mais pessoas deveriam ter pelo menos melhor saúde e melhor qualidade de sono." Pelo contrário, parece ser exatamente o oposto.
18/08/2026 17:37:11 +00:00
Ministério da Fazenda suspende ZeroumBet, criada pela influenciadora Deolane Bezerra, e outras empresas de apostas online

O Ministério da Fazenda suspendeu na última sexta-feira (14) a empresa de apostas online ZeroumBet, criada pela advogada, influenciadora digital e empresária Deolane Bezerra, por não encaminhar as informações exigidas para o monitoramento e fiscalização conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas da pasta. A informação consta em uma medida cautelar publicada no site do Ministério da Fazenda, isto é, uma decisão provisória e preventiva adotada por um órgão público antes da conclusão de um O governo informa que cautelares são "instrumentos essenciais para o exercício da atividade fiscalizatória, pois permitem salvaguardar os interesses da sociedade e podem ser aplicadas quando estiverem presentes os requisitos de verossimilhança e do perigo de demora". A ZeroumBet é detentora dos direitos dos domínios “zeroum.bet.br”, " sportvip.bet.br" e “energia.bet.br”. Agora no g1 ➡️Atualmente, a empresa é administrada por José Daniel Carvalho Saturnino, que passou a figurar como sócio-administrador em dezembro de 2024. De acordo com o governo, eventuais apostas em curso deverão ser canceladas, sendo o valor apostado pelos apostadores devolvido imediatamente. O não cumprimento das medidas cautelares sujeita o agente operador de apostas ao pagamento de multa diária no valor de R$ 200 mil. Deolane Bezerra foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro para a cúpula do PCC Reprodução/TV Globo Outras empresas Também na semana passada, a Secretaria de Prêmios e Apostas suspendeu a operação das marcas Pixbet (pix.bet.br), Ganheibet (ganhei.bet.br) e Betdasorte (betdasorte.bet.br), em razão do "alto risco de dano a apostadores e ao mercado regulado". Está sendo permitido apenas o acesso às plataformas para retirada dos valores de posse dos apostadores, até que exista a comprovação à área técnica da implementação, pela empresa, das ferramentas analíticas de controle e acompanhamento dos apostadores. Outra empresa suspensa por não encaminhar as informações exigidas para o monitoramento e fiscalização conduzido pelo governo foi a Enseada Serviços e Tecnologia, detentora do domínio "kbet.bet.br", assim como a Select Operations, que opera os domínios “mma.bet.br”, " betvip.bet.br" e “papigames.bet.br”. A Nexus International, dona do domínio "megaposta.bet.br", também foi suspensa por não enviar as informações no prazo exigido, e a RR Participações e Intermediações, responsável pelos domínios “multi.bet.br", "brx.bet.br" e "rico.bet.br", sofreu suspensão para assegurar a segurança dos apostadores e do mercado de apostas regulado até que o referido processo administrativo sancionador seja concluído pelo governo. O que diz a Fazenda Em nota, o Ministério da Fazenda confirmou a suspensão cautelar atingiu 14 marcas de apostas de quota fixa ligadas a seis operadoras. Segundo a pasta, a medida determina a interrupção imediata da oferta de novas apostas, mas mantém o acesso dos usuários às plataformas para que possam sacar os valores disponíveis em suas contas. Ainda segundo a Fazenda, as operadoras terão 30 dias para apresentar defesa em processo administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa.
18/08/2026 16:41:23 +00:00
Bill Rasmussen, fundador da ESPN, morre aos 93 anos

Bill Rasmussen, fundador da ESPN, morre aos 93 anos. Divulgação/ESPN Bill Rasmussen, fundador da ESPN e responsável pela criação da primeira rede de televisão esportiva 24 horas do mundo, morreu nesta terça-feira (18), aos 93 anos. Segundo a ESPN, ele faleceu em sua casa, na Flórida, em decorrência dos efeitos da doença de Parkinson. Rasmussen criou a ESPN ao lado do filho, Scott Rasmussen. Inicialmente pensada como uma iniciativa em Connecticut, a proposta se transformou em uma rede esportiva nacional com programação 24 horas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a ESPN, no fim dos anos 1970, a ideia de criar um canal de esportes com programação ininterrupta era considerada arriscada. Rasmussen havia acabado de ser demitido do cargo de diretor de comunicação do New England Whalers quando decidiu apostar no projeto. Ele estourou o limite do cartão de crédito e usou um adiantamento de US$ 9 mil (R$ 46 mil) para adquirir espaço em um satélite de comunicação. "Bill foi um homem extraordinário — um visionário e inovador que teve a ideia de criar uma rede inteiramente dedicada aos esportes", afirmou o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, em comunicado. "De forma simples, nenhum de nós estaria aqui hoje se não fosse pela paixão de Bill, por todo o trabalho árduo e pelo espírito empreendedor que ele dedicou à construção da ESPN no fim dos anos 1970 — aspectos fundamentais da nossa cultura empresarial que permanecem até hoje." Estúdio B da ESPN: George Grande, à esquerda, e Bill Rasmussen durante uma chamada promocional para a 50.000ª edição do SportsCenter. Rich Arden/ESPN Rasmussen buscou apoio para o projeto e conversou com as principais ligas esportivas, operadoras de TV a cabo e investidores. Em 7 de setembro de 1979, nasceu a Entertainment and Sports Programming Network, posteriormente conhecida como ESPN. Bill e Scott Rasmussen foram cofundadores da emissora, e Bill se tornou seu primeiro presidente e CEO. Embora tenha deixado a ESPN alguns anos depois, Rasmussen ajudou a estabelecer as bases para o crescimento da rede. Uma reunião com a NFL não trouxe resultados imediatos, mas abriu caminho para uma parceria que mais tarde levaria à transmissão do "Monday Night Football" pela ESPN. "Bill foi o nosso George Washington e um grande amigo", afirmou o experiente apresentador Chris Berman, que se juntou à ESPN três semanas após o lançamento da emissora, em 1979. "Ele era uma pessoa muito grata, e todo fã de esportes pode ser grato a Bill. Ele não era do tipo que via o copo meio cheio. Seu copo estava sempre transbordando de otimismo. Ele recebia todos com um sorriso, e todos nós podemos sorrir sabendo do legado de Bill." Bill Rasmussen, à esquerda, e o prefeito de Bristol (EUA), Michael Werner, na cerimônia de lançamento em 1980. Divulgação/ESPN A vida de Bill depois da ESPN Depois de deixar a ESPN, Rasmussen participou de outros empreendimentos de mídia e passou a compartilhar sua experiência em palestras. Ele também escreveu o livro "Sports Junkies Rejoice: The Birth of ESPN", sobre a criação da emissora. Em entrevista à Forbes em 2012, Rasmussen afirmou: "Acredito que quanto mais você trabalha, mais sorte você tem". Segundo ele, essa era sua filosofia de vida. Rasmussen também contou que costumava incentivar estudantes universitários a perseguirem suas ideias, mesmo quando ainda não conheciam todos os detalhes necessários para colocá-las em prática. Rasmussen ficou viúvo de Lois, com quem foi casado por 56 anos e que morreu em 2011. Ele deixa os filhos Scott Rasmussen e sua mulher, Laura, e Glenn Rasmussen; a filha Lynn Van Hollebeke e seu marido, Louie; sete netos — Andy, P.J., Wil, MaryAnn, Donna, Jessica e Sarah — e dois bisnetos, Otto e Adelaide. Bill Rasmussen, à esquerda, e Jimmy Pitaro antes de um jogo do sunday Night Baseball. Joe Faraoni/ESPN
18/08/2026 16:35:11 +00:00
Vorcaro e Master vão a julgamento na CVM em processo sobre fraudes no mercado de capitais

Vorcaro e Master vão a julgamento na CVM em processo sobre fraudes no mercado de capitais A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento do processo administrativo que apura supostas fraudes relacionadas ao mercado de capitais. Entre os acusados no processo estão o Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros integrantes da família Vorcaro (leia mais abaixo). De acordo com pauta publicada pela CVM, a sessão está marcada para as 15h do dia 8 de setembro, será realizada de forma presencial no Rio de Janeiro e terá como relator o diretor João Accioly. Segundo a autarquia, o processo tem como objeto "apurar irregularidades atreladas à 3ª emissão de cotas do Brazil Realty FII, sob a alegação de operação fraudulenta no mercado de capitais, cumulada com violação de deveres fiduciários e informacionais e prática de embaraço à fiscalização". Além do Banco Master e de Daniel Vorcaro, a lista de acusados inclui, entre outros, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, além de empresas ligadas ao grupo e participantes da operação investigada. Na pauta divulgada pela autarquia, os acusados e seus advogados foram informados de que poderão participar da sessão e realizar sustentação oral, presencialmente ou por videoconferência, conforme as regras previstas pela CVM. 🔎Segundo a acusação da CVM, algumas empresas receberam cotas do fundo imobiliário Brazil Realty FII em troca de terrenos, ações e participações em empresas que teriam sido avaliados acima de seu valor real. RELEMBRE: Caso Master: PF investiga quem pagou por ataque de influenciadores ao Banco Central Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução O que será julgado O colegiado da CVM analisará as acusações relacionadas à terceira emissão de cotas do Brazil Realty FII. Segundo a descrição oficial do processo, estão sob análise suspeitas de: operação fraudulenta no mercado de capitais; violação de deveres fiduciários; violação de deveres de prestação de informações; embaraço à atividade de fiscalização da CVM. O que é a CVM? A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o órgão que fiscaliza o mercado de capitais brasileiro. Ela supervisiona fundos de investimento, companhias abertas, ofertas de valores mobiliários e a atuação de agentes do mercado. Quando identifica indícios de irregularidades, a CVM pode abrir um Processo Administrativo Sancionador (PAS) para apurar responsabilidades e eventualmente aplicar punições, como multas, inabilitação para exercer cargos no mercado financeiro ou outras sanções administrativas. Caso Master O caso Master começou a ganhar dimensão em 2025, quando o Banco Central liquidou o Banco Master e Daniel Vorcaro passou a ser alvo de investigações sobre suspeitas de fraude financeira. Em janeiro de 2026, a Polícia Federal abriu uma frente para apurar uma campanha de ataques ao Banco Central nas redes sociais. Em março, a PF deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, prendeu novamente Vorcaro e apontou suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de mercado. Em maio, as investigações avançaram sobre supostas operações utilizadas para inflar artificialmente o patrimônio do banco e o valor de ativos ligados ao grupo.
18/08/2026 16:34:29 +00:00
Efeito dominó: crises de Casas Bahia e Marabraz podem deixar crédito mais difícil ao varejo

Crise das Casas Bahia pode limitar crédito Os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia e Marabraz nesta semana reacenderam uma preocupação no mercado financeiro: a ameaça de um novo aperto generalizado nas linhas de financiamento para empresas do varejo. O cenário remete a janeiro de 2023, quando a fraude contábil da Americanas veio a público. O sistema financeiro reagiu rapidamente e, em um movimento de aversão ao risco, bancos e fundos fecharam as torneiras e reduziram o acesso ao crédito da Americanas, de sua cadeia de fornecedores e dos principais concorrentes. De Casas Bahia ao Grupo Pão de Açúcar: por que grandes varejistas estão revendo o modelo de lojas físicas O receio de que a crise se espalhasse pelo setor restringiu a oferta de crédito ao varejo. O temor dos bancos era de que outras empresas também enfrentassem dificuldades e novos empréstimos acabassem se transformando em calotes. Embora as crises tenham origens diferentes, o mesmo temor voltou ao mercado. Se a Americanas entrou em crise após a descoberta de inconsistências contábeis e operações de risco sacado não registradas, as dificuldades da Casas Bahia têm raízes macroeconômicas: o impacto dos juros altos sobre um modelo de negócios dependente do consumo a prazo. Os números apresentados pela Casas Bahia à Justiça mostram que as instituições financeiras estão entre os principais credores da empresa. O Banco Digio (instituição digital do Bradesco) é o principal nome da lista de credores, com R$ 2,6 bilhões a receber. Em seguida, estão Banco do Brasil (R$ 2,4 bilhões), Bradesco (R$ 1,5 bilhão), Riza Gestora de Recursos (R$ 803 milhões) e Redasset Gestão (R$ 585 milhões). Em 2023, o setor financeiro reagiu à crise com restrição ao crédito. Dados do Banco Central mostram que, nos seis meses seguintes ao anúncio do rombo da Americanas, o total de crédito bancário concedido às empresas do varejo caiu R$ 12 bilhões. No período, a exposição dos bancos ao setor recuou 5%. LEIA TAMBÉM: Juros altos, crédito caro e marketplaces: os choques que pressionam o varejo brasileiro Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões O movimento contrastou com o observado em outros setores da economia. No mesmo período, o total de empréstimos à construção civil cresceu 8,4%, um aumento de R$ 8,7 bilhões. Nos serviços voltados às famílias, houve ligeiro aumento de 0,4% no crédito no mesmo período. Já no setor de transportes, a carteira permaneceu estável, segundo os dados do BC. SAIBA MAIS SOBRE A CRISE DAS CASAS BAHIA: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
18/08/2026 16:30:08 +00:00
Crise na Apex: justiça decreta bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário de presidente afastado

MPES se manifesta sobre caso Apex no processo Os bens de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, ex-presidente afastado do grupo Apex, foram bloqueados nesta segunda-feira (17) pela Justiça do Espírito Santo. A decisão partiu da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória e determinou também a quebra do sigilo bancário do réu. Segundo o juiz Marcos Pereira Sanches, o processo apontou a "existência de um rombo bilionário na contabilidade", embora o alcance das chamadas "inconsistências financeiras" ainda não tenha sido definido e revelado oficialmente. A empresa de investimentos possui dívidas de quase R$ 1 bilhão. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Também foram identificadas transferências em alto valor das contas da empresa ABM Partnership Investimentos e Participações S.A. para a conta pessoal de Cinelli, totalizando cerca de R$ 5 milhões, sem justificativa. Além disso, a ata afirmou que, em mais de uma ocasião, Cinelli movimentou ou retirou bens que poderiam ser usados para pagar os credores. Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta MAIS SOBRE O CASO: CRISE NA APEX: Posso perder dinheiro? Entenda o que se sabe sobre dívida de quase R$ 1 bi e o impacto para clientes INCONSISTÊNCIAS: Entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça sobre crise na Apex Segundo o juiz, o fato de o ex-presidente movimentar dinheiro poderia prejudicar as pessoas e outras empresas que têm valores a receber, além de dificultar o resultado do processo. Por fim, o documento ressaltou que "a conduta retratada em mais de uma oportunidade indica a dissipação dos bens em prejuízo de toda a coletividade de credores". A assessoria do empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade. Entenda a crise na Apex Plataforma de investimentos do Espírito Santo, a Apex Partners conta com cerca de 8 mil clientes e administra mais de R$ 17 bilhões de pessoas físicas e jurídicas. A empresa entrou em crise após uma investigação interna apontar inconsistências financeiras e uma dívida de R$ 985,6 milhões. O fundador e então presidente, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados dos cargos após a descoberta da crise. Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta A plataforma pediu à Justiça uma blindagem temporária de 60 dias, enquanto uma auditoria externa apura a origem e a dimensão do problema. Um fundo ligado à Apex teve os saques suspensos pelo BTG Pactual. Os sócios acusam os ex-executivos de possível "gestão temerária" e "má-fé", mas o caso ainda é investigado. Já o governo do Espírito Santo informou que não há dinheiro público do Tesouro Estadual ou do Funses investido na Apex. *Com informações de Vilmara Fernandes. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
18/08/2026 16:18:05 +00:00
Robôs que dançam, lutam e trabalham: gigante chinesa estreia na bolsa após levantar quase US$ 1 bilhão

Robôs humanoides chineses superam humanos em meia-maratona em Pequim A Unitree, uma das maiores fabricantes de robôs humanoides do mundo em volume de vendas, estreia nesta quarta-feira (19) na bolsa de Xangai, na China, com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que já se tornou recorde no mercado local voltado para empresas de tecnologia. A empresa levantou 6,1 bilhões de yuans, cerca de US$ 905 milhões, na operação. A demanda pelas ações superou em mais de 8.000 vezes a quantidade oferecida por investidores de varejo. Com a estreia, a Unitree se torna a primeira fabricante de robôs humanoides a ser listada na bolsa continental da China. ➡️O movimento ocorre em meio à corrida do país para desenvolver robôs capazes de executar tarefas cada vez mais complexas, uma tecnologia vista por Pequim como estratégica para a indústria do futuro. Mas, enquanto o interesse dos investidores cresce, o setor começa a enfrentar uma cobrança diferente. China domina mercado de robôs humanoides; entenda por que os EUA decidiram barrá-los Depois de conquistar o público com robôs capazes de dançar, lutar e fazer acrobacias, as empresas precisam provar que as máquinas conseguem executar tarefas úteis de forma confiável e, principalmente, que podem se pagar. Robôs dançantes viraram vitrine da empresa Fundada em 2016 em Hangzhou, polo tecnológico no leste da China, a Unitree ganhou projeção internacional com vídeos de seus robôs humanoides dançando, lutando e realizando movimentos acrobáticos. No ano passado, os robôs da empresa apareceram no tradicional programa de Ano Novo Lunar da China, um dos eventos televisivos de maior audiência do país. China quer levar cães-robôs à Lua para construir base com astronautas até 2035 Mais recentemente, a companhia apresentou um novo modelo, chamado Superman. Segundo a Unitree, o robô consegue saltar até dois metros e atingir uma velocidade de 12,66 metros por segundo. A empresa também fabrica robôs quadrúpedes, conhecidos como cães-robôs. Eles representaram cerca de 42% da receita da Unitree no ano passado. Pessoas assistem robôs humanoides dançando no estande da Unitree durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) em Xangai, China, 17 de julho de 2026. REUTERS/Go Nakamura/Foto de arquivo O desafio agora é sair do espetáculo O momento de euforia em torno dos humanoides acontece justamente quando o setor começa a mudar de foco. Em vez de avaliar os robôs apenas pela capacidade de fazer movimentos impressionantes, investidores e potenciais clientes passaram a observar quanto trabalho eles conseguem realizar, quanto precisam de supervisão humana e se o ganho de produtividade compensa o custo da máquina. 🤖 Na China, alguns robôs já começaram a ser usados em aplicações específicas, como entregas de alimentos em hotéis e determinadas linhas de montagem. A adoção em larga escala, porém, ainda não aconteceu. A Unitree também enfrenta esse desafio. Segundo seu prospecto, instituições de pesquisa e universidades responderam pela maior parte das vendas, enquanto as aplicações industriais representaram menos de 10% das vendas nos três primeiros trimestres de 2025. Robô precisa competir com o custo do trabalhador O preço é um dos principais obstáculos para transformar os humanoides em uma ferramenta comum nas empresas. A corretora chinesa Guotai Securities estima que um robô humanoide industrial precisaria custar cerca de 160 mil yuans, incluindo manutenção, para se pagar em dois anos, considerando um trabalhador que recebe 80 mil yuans por ano. Na prática, os robôs humanoides normalmente custam entre 300 mil e 500 mil yuans, segundo o instituto de pesquisa alemão MERICS. Isso significa que, para ganhar espaço nas fábricas, as máquinas precisam não apenas realizar tarefas, mas fazê-las com produtividade suficiente para justificar o investimento. Receita dispara e empresa já dá lucro O crescimento da Unitree aparece nos resultados financeiros. Segundo o prospecto do IPO, a receita da empresa chegou a quase 1,7 bilhão de yuans, aproximadamente US$ 252 milhões, em 2025. O valor representa mais de dez vezes a receita registrada apenas dois anos antes. A companhia também registrou lucro líquido de 278 milhões de yuans, cerca de US$ 41 milhões, no ano passado. Uma placa Unitree em uma loja Unitree em Pequim, China, 1º de agosto de 2026 REARQUIVO REUTERS/Tingshu Wang Em 2025, a Unitree entregou mais de 5.500 robôs humanoides no mundo e se tornou a empresa que mais vendeu esse tipo de máquina globalmente. Apesar do avanço, os robôs ainda estão longe de uma adoção em massa. Analistas apontam que a indústria ainda precisa resolver problemas de confiabilidade, custo e demanda. China aposta nos humanoides para disputar corrida tecnológica O avanço da Unitree acontece dentro de uma estratégia mais ampla da China. Com o crescimento econômico desacelerando e a população em idade de trabalhar diminuindo, o governo chinês vem direcionando investimentos para robôs humanoides como uma possível nova frente de crescimento industrial. Pequim considera a tecnologia estratégica também na disputa com os Estados Unidos por liderança em inteligência artificial e tecnologias avançadas. A China já responde por cerca de 82% dos envios globais de robôs humanoides, segundo estimativa da empresa de pesquisa IDC. Outras empresas chinesas também avançam no setor. A UBTECH e a Dobot já são negociadas em Hong Kong, enquanto a Agibot busca realizar uma oferta pública inicial na cidade. Jogos vão testar robôs em tarefas do mundo real A corrida pelos humanoides também ganhará um teste prático nos próximos dias em Pequim. Os Jogos Mundiais dos Robôs Humanoides, que acontecem de 22 a 26 de agosto, terão provas que vão além de corridas, futebol e lutas. Os robôs também serão avaliados em tarefas inspiradas no trabalho cotidiano. O cronograma inclui embalagem e armazenamento, montagem industrial, alimentação de materiais, atendimento no varejo, tarefas de escritório, carregamento de veículos elétricos e atividades que exigem maior precisão, como conectar cabos e utilizar ferramentas. A diferença em relação a uma apresentação de dança é importante: nessas tarefas, os robôs precisam identificar objetos, manipulá-los repetidamente, corrigir erros e continuar trabalhando sem que um engenheiro precise intervir a todo momento. Mais de 300 empresas são esperadas na Conferência Mundial de Robôs, que acontece em Pequim na mesma semana da estreia da Unitree. O evento terá mais de 2.000 exposições e o lançamento de mais de 150 produtos, segundo autoridades locais. Unitree cresce, mas enfrenta barreiras nos EUA A expansão internacional da Unitree, porém, enfrenta obstáculos geopolíticos. Em junho, a empresa foi incluída pelo governo dos Estados Unidos em uma lista de companhias consideradas ligadas ao Exército chinês, o que restringe seus negócios com o Pentágono. Em julho, Washington também restringiu novas autorizações para equipamentos de robótica avançada fabricados no exterior, afetando empresas como a Unitree. Modelos que já haviam recebido autorização podem continuar sendo vendidos. Mais de 40% da receita da Unitree vem do exterior. No prospecto, a companhia reconheceu que novas restrições americanas podem dificultar a expansão internacional e até provocar uma queda no desempenho. Segundo a IDC, em um cenário de maiores restrições nos Estados Unidos, as vendas de robôs humanoides no país poderiam ficar 58% abaixo da previsão inicial para 2030. Os recursos obtidos com o IPO serão usados principalmente em pesquisa e desenvolvimento de hardware e inteligência artificial para robôs, além da expansão da capacidade de produção. A Unitree também anunciou em junho uma parceria com a Nvidia para pesquisa e desenvolvimento. Agora, o desafio da empresa é transformar o sucesso dos vídeos virais e o entusiasmo dos investidores em uma tecnologia capaz de realizar tarefas de forma confiável, em escala e a um custo que faça sentido para empresas. *Com informações da Reuters
18/08/2026 15:58:37 +00:00
Disney processa governo Trump para barrar ameaça contra emissoras da ABC

Disney corta empregos em meio à crise REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo A Disney e sua unidade ABC processaram a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos nesta terça-feira (18) para impedir a revisão antecipada das licenças de oito emissoras da ABC. A empresa argumenta que o governo de Donald Trump tenta punir a rede por seu conteúdo de transmissão. Segundo a Reuters, o presidente Trump tem pressionado repetidamente as emissoras a retirar do ar programas de comédia e jornalísticos dos quais não gosta ou que foram críticos a ele. Em diversas ocasiões, também pressionou a FCC a revogar as licenças da ABC. Em ação apresentada no Tribunal Distrital dos EUA, em Washington, a Disney afirmou que a FCC tenta coagir e retaliar contra "uma rede que se recusa a ceder às exigências do governo". A Disney e a ABC pediram ao tribunal a emissão urgente de uma liminar para suspender o processo de renovação das licenças e impedir que a FCC marque uma audiência. Segundo a empresa, o período de consulta pública terminou no início deste mês, e a comissão pode agir a qualquer momento. Trump ganha estátua na Disney O processo afirma que o governo viola o direito da empresa à liberdade de expressão, garantido pela Primeira Emenda. "Repetidamente, o governo atacou a liberdade de expressão da ABC — as reportagens de seus jornalistas e os pontos de vista veiculados em seus programas", diz o processo. A Casa Branca não se pronunciou imediatamente, escreveu a Reuters. FCC antecipa em dois anos revisão das licenças das emissoras O presidente da FCC, Brendan Carr, que não comentou o caso, ordenou as revisões em abril, embora a renovação das licenças das emissoras estivesse prevista apenas para outubro de 2028. Antes disso, a FCC não determinava uma revisão antecipada havia mais de 50 anos. As revisões foram determinadas um dia depois de Trump pedir que a ABC demitisse o apresentador do talk show noturno Jimmy Kimmel. Por que o FCC pode interferir? Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 Ken Cedeno/Reuters Emissoras de rádio e televisão precisam de licenças da FCC para utilizar as ondas públicas de radiodifusão. Embora a revogação dessas licenças seja extremamente rara, críticos afirmam que a ameaça pode pressionar as emissoras e gerar preocupações sobre a interferência do governo em decisões editoriais e de programação. As redes de televisão têm ampla proteção da Primeira Emenda para definir sua programação. Em novembro, Trump pediu à FCC que revogasse as licenças da ABC após criticar um correspondente da ABC News por questionar o príncipe herdeiro da Arábia Saudita sobre o assassinato de um colunista do Washington Post em 2018. Trump classificou a pergunta como "insubordinada". A FCC também investiga o programa de entrevistas diurno da ABC "The View", que debate política norte-americana, por entender que ele pode estar sujeito às normas federais que exigem das emissoras oportunidades iguais para candidatos políticos.
18/08/2026 15:40:55 +00:00
Lei Seca: nova regra vai detectar uso de drogas e fazer pré-teste em motorista para indicar álcool

'Operação Lei Seca' Divulgação/Detran-AM O Diário Oficial da União publicou nesta terça-feira (18) a resoluição do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nesta terça-feira (18) novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A resolução atualiza os procedimentos usados pelos agentes de trânsito e regulamenta também a possibilidade de testes para identificar outras substâncias psicoativas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Uma das principais mudanças é a criação de uma etapa inicial de triagem. Nela, os agentes poderão usar equipamentos de pré-teste ou teste passivo de alcoolemia (quantidade de álcool etílico presente no sangue) para verificar possíveis sinais da presença de álcool. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Entenda as novas regras da Lei Seca Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. O texto também estabelece regras para o uso de equipamentos destinados à identificação de outras substâncias psicoativas. A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução passa já passa a valer após a publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. A reportagem do g1 entrou em contato com o Detran-SP; a assessoria do órgão diz que ainda aguarda a publicação no DOU e as seguintes orientações do Contran para saber como realizar as fiscalizações. Leia nesta reportagem: O que muda na fiscalização Como ficam os casos de álcool residual na boca Testes para outras substâncias psicoativas Fiscalização de motoristas envolvidos em acidentes O que acontece com quem recusa o teste O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Voltar ao índice. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Voltar ao índice. Outras substâncias A nova regulamentação permite que os órgãos de trânsito utilizem equipamentos certificados para detectar substâncias psicoativas. O procedimento deverá ser combinado com a análise dos sinais apresentados pelo motorista. 🔎Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. A resolução não determina um modelo específico de equipamento. Também não estabelece que apenas a identificação de vestígios de uma substância seja suficiente para caracterizar a infração. A possibilidade está prevista no próprio CTB, que permite o uso de testes toxicológicos e de outros meios técnicos ou científicos para verificar se o motorista está sob influência de substâncias que podem comprometer a capacidade de condução. Voltar ao índice. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Voltar ao índice. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada. Voltar ao índice.
18/08/2026 15:12:50 +00:00
Elogiou, ganhou? Clientes acusam maior bet do Brasil de dar bônus por avaliações positivas

Na plataforma do Reclame Aqui, usuários relatam que a Betano ofereceu bônus em troca de avaliações positivas. Órgãos de defesa do consumidor alegam que suposta prática pode violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) BBC Clientes da Betano, uma das principais casas de apostas do Brasil, relataram que a empresa oferece bônus a apostadores em troca de avaliações positivas na principal plataforma privada de avaliação e reputação de empresas do país, o site Reclame Aqui. A BBC News Brasil coletou 35 depoimentos de clientes postados entre 2023 e agosto deste ano relatando esta prática no perfil da Betano hospedado no Reclame Aqui. A suposta oferta só veio a público porque os próprios usuários a denunciaram afirmando que a empresa, supostamente, não teria pago os bônus prometidos. Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo Órgãos de defesa do consumidor, especialistas no mercado de bets e entidades avaliam que a suposta prática configuraria uma tentativa de manipular artificialmente a reputação da companhia, viola o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e poderia criar incentivos indevidos para que jogadores continuem apostando. ➡️ Procurada pela BBC News Brasil, a Betano enviou uma nota afirmando que "atua em estrita conformidade com a legislação brasileira" e negou que tenha oferecido bônus a seus apostadores em troca de avaliações positivas. Bet é multada em R$ 850 mil por permitir aposta "A empresa ressalta que a oferta de qualquer benefício está sujeita a critérios internos de elegibilidade e não tem como finalidade condicionar ou obrigar o consumidor a alterar sua opinião ou avaliação sobre o atendimento recebido em plataformas públicas", disse. Leia a íntegra da nota da Betano no final da reportagem. A BBC News Brasil, no entanto, identificou postagens realizadas por funcionários a serviço da Betano se referindo ao pagamento dos bônus mencionados pelos clientes. Em nota enviada à BBC News Brasil, o Reclame Aqui disse que, após ser informada pela reportagem sobre as postagens, a empresa "instaurou procedimento interno para apurar detalhadamente a conduta". Ainda segundo a plataforma, a "apuração será concluída nos próximos dias". Após a publicação original desta reportagem, o Reclame Aqui comunicou a decisão de atribuir o status "Em Análise" à reputação da Betano na plataforma. "A partir das informações enviadas pela reportagem, iniciamos uma ampla investigação sobre a conduta da empresa. A análise identificou indícios que justificaram asuspensão preventiva da reputação da marca enquanto o procedimento é concluído." "Reforçamos que o principal objetivo do Reclame AQUI é assegurar que a reputação exibida reflita com fidelidade e transparência a real experiência de atendimento dos consumidores. Para isso, estamos em constante evolução de nossos sistemas, algoritmos e rotinas de monitoramento para identificar e combater ativamente qualquer prática que descumpra as regras do site ou tente manipular os indicadores da plataforma", concluiu a empresa. Em nota, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda disse que a lei que regulamenta o funcionamento das bets no Brasil estabelece "deveres de transparência, proteção ao consumidor-apostador e promoção do jogo responsável". A secretaria disse ainda que, caso identifique indícios de irregularidades, o governo adotará "as medidas cabíveis". Procurado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) disse que está monitorando as informações reveladas pela BBC News Brasil. "A partir dos elementos disponíveis, será avaliada a necessidade de eventual atuação ou instauração de procedimento para apuração dos fatos. A Secretaria ainda prevê o monitoramento de empresas envolvidas, a fim de solicitar esclarecimentos sobre a prática", disse a pasta em nota. Bônus por avaliações Os relatos sobre a oferta de bônus em troca de avaliações positivas no Reclame Aqui foram publicados no site da plataforma. Os nomes dos clientes não foram divulgados porque o Reclame Aqui não fornece a identidade dos usuários. No dia 25 de junho deste ano, por exemplo, uma usuária da Betano em Salvador relatou uma suposta oferta. "Após publicar uma reclamação no Reclame Aqui e concluir o processo de atendimento, recebi um e-mail e também uma mensagem dentro da própria plataforma informando que, ao realizar uma avaliação da reclamação no Reclame Aqui, eu receberia uma bonificação", disse a usuária. Em abril deste ano, um cliente da cidade de São Carlos, em São Paulo, foi ainda mais explícito. "Eles mandaram msg [mensagem] para mim falando que ganharia bônus caso eu avaliasse no reclame aqui como positivo e desce uma variação boa, eu voltei avaliei e nada de ganhar nada!", diz o comentário do usuário, publicado no dia 30 de abril. No mesmo dia, um funcionário da Betano respondeu à reclamação. O texto começa informando que a Betano teria tentado entrar em contato com o cliente sem sucesso, cita que o mercado de apostas passou pela regulamentação do governo federal e confirma o pagamento do bônus. "Informamos que o incentivo mencionado foi corretamente creditado em sua conta Betano no dia 30/04, dentro do prazo estipulado pela campanha elegível, conforme informamos via mensagem privada", diz a mensagem. Uma reclamação semelhante foi registrada no dia 25 de abril deste ano, alegadamente registrada por um usuário no município de Morro do Chapéu, na Bahia. "Experiência horrorosa com a Betano. Recebi uma proposta para avaliar positivamente no Reclame Aqui em troca de rodadas e apostas grátis, mas não recebi nada", diz um trecho do comentário. Três dias depois, um funcionário da Betano respondeu confirmando o pagamento dos bônus. "Verificamos que os incentivos mencionados foram corretamente creditados na sua conta Betano em 23/04, conforme informamos via ligação e mensagem privada, seguindo os critérios específicos da campanha elegível", disse a mensagem. Operação específica Duas pessoas que trabalharam na Betano relataram que a estratégia para melhorar a reputação da empresa no Reclame Aqui teria sido elaborada pela cúpula da companhia no Brasil. Segundo essas duas fontes, que falaram à BBC News Brasil de forma anônima, a estratégia era melhorar os índices de aprovação da companhia junto ao Reclame Aqui e obter uma melhor reputação junto à opinião pública em meio a reações negativas contra os impactos da popularização das bets no Brasil. Nos últimos anos, a atuação das bets no Brasil gerou protestos, fez com que o Congresso Nacional instaurasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e levou o governo federal a adotar medidas restringindo o mercado. O temor de uma explosão no volume de endividamento e de casos de transtorno do jogo compulsivo levou o governo bloquear o acesso de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de acessarem plataformas legalizadas de bets. Estima-se que o Brasil tenha hoje 25 milhões de pessoas cadastradas em casas de apostas, mais de 10% da população do país. O Brasil é, segundo levantamento da consultoria internacional Regulus Partners, o quinto maior mercado de bets em todo o mundo. Ainda de acordo com essas fontes, a operação junto ao Reclame Aqui seria realizada por equipes específicas dentro de uma operadora de telemarketing terceirizada contratada pela companhia. A Betano é uma marca comandada pela empresa Kaizen Gaming, que tem sede na Grécia. No Brasil, sua sede é em São Paulo. Segundo levantamento das consultorias Blask da brmkt.co, a Betano é a maior casa de apostas em operação no Brasil em faturamento e uma das principais patrocinadoras de eventos esportivos no país. Entre os eventos patrocinados pela empresa no Brasil está a Série A do Campeonato Brasileiro de futebol masculino. O que diz a lei? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o Código de Direito do Consumidor (CDC) e as leis e portarias que regulamentaram o mercado de bets no Brasil permitem o pagamento de bônus a clientes. No entanto, eles afirmam que esses bônus não podem ser oferecidos em troca de depósitos feitos pelos clientes ou para induzir os clientes a algum erro. "É importante distinguir iniciativas destinadas a incentivar a participação dos usuários em avaliações, independentemente de seu conteúdo, de situações em que a recompensa esteja atrelada à emissão de manifestações favoráveis. É justamente nesse segundo cenário que podem surgir questionamentos jurídicos mais sensíveis", disse o advogado Udo Seckelmann, que atua no escritório Bichara e Motta Advogados, e que é especializado em regulação do mercado de bets. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), entidade que atua na defesa dos direitos do consumidor e que monitora o funcionamento do mercado de bets no Brasil, levantou preocupações sobre a suposta prática revelada pela BBC News Brasil. O principal argumento é de que a oferta de bônus por avaliações positivas poderia violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ao supostamente criar uma imagem falsa sobre a empresa. "Consideramos que esse tipo de avaliação positiva ou alterar avaliação negativa para recebimento de bônus gera uma falsa percepção do consumidor sobre o serviço (...) considera-se que a prática tem finalidade de trazer informação falsa não passando, portanto, pelo crivo dos critérios de transparência e boa-fé que devem permear as relações de consumo.", diz o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) em nota enviada à BBC News Brasil. O Idec é uma organização não-governamental que atua promovendo a fiscalização de empresas e práticas comerciais. Segundo a entidade, a oferta supostamente feita pela Betano a seus clientes violaria o artigo 4º do CDC, segundo o qual as empresas deveriam atuar com "base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores". A entidade disse ainda que, no caso de uma casa de apostas, a oferta de bônus em troca de avaliações positivas poderia ter outros impactos negativos. "No caso das empresas de apostas isso se torna ainda mais grave, pois o suposto bônus concedido para o consumidor certamente será rapidamente exaurido no uso dos jogos aumentando a probabilidade de vício, podendo gerar a ruína financeira do próprio beneficiado com o bônus", critica o Idec. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP), vinculado ao governo do Estado de São Paulo, Estado onde a Betano está sediada no Brasil, disse que a oferta da Betano pode ser considerada "abusiva". "Isso compromete a liberdade de escolha do consumidor e prejudica a transparência que deve orientar as relações de consumo", disse o órgão à BBC News Brasil. Na avaliação do órgão, a prática pode criar uma imagem falsa sobre a marca. "Quando um comentário aparentemente espontâneo é, na realidade, estimulado por uma recompensa, cria-se uma percepção artificial da reputação da empresa. O consumidor que consulta essas avaliações pode ser induzido a erro quanto à real qualidade dos serviços oferecidos e reputação da plataforma". O órgão disse ainda que o caso da Betano poderia ter implicações ainda mais graves. "Há um elemento adicional de estímulo ao consumo do próprio produto ou serviço ofertado pela plataforma. E isso é especialmente sensível porque os sites de apostas envolvem riscos econômicos e podem afetar consumidores em situação de maior vulnerabilidade", afirmou o órgão. Reclame Aqui diz que investigará o caso; Betano nega irregularidades Em nota enviada à BBC News Brasil, o Reclame Aqui afirma que a empresa não faz a moderação direta entre os clientes e as empresas citadas em sua plataforma. Segundo ela, a plataforma tem mais de 30 milhões de usuários cadastrados e classifica a reputação de mais de 900 mil empresas. Além de anunciar a investigação, o Reclame Aqui criticou a suposta oferta de bônus em troca de avaliações positivas. "Reforçamos um preceito fundamental: o Reclame Aqui proíbe expressamente e considera infração grave qualquer tentativa de condicionar a concessão de bônus, brindes ou vantagens à obtenção de avaliações positivas ou à remoção de reclamações", diz a empresa. Ela continua afirmando que a suposta prática "configura indução do consumidor em erro, manipulação de indicadores e afronta à transparência do sistema". Em outro trecho da nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que se o pagamento de bônus ocorrer antes da avaliação final de um produto ou serviço sem estar condicionado a uma avaliação positiva, em tese, não haveria irregularidade. Por outro lado, caso a oferta de bônus esteja condicionada à realização ou alteração de uma avaliação positiva, o cenário é diferente. "A prática tem potencial para distorcer artificialmente os indicadores de reputação da empresa, fazendo com que eles deixem de refletir a experiência espontânea dos consumidores", disse. Ainda em nota, a pasta disse que "a manipulação deliberada desses indicadores mediante a concessão de vantagens condicionadas a avaliações positivas pode caracterizar publicidade enganosa, especialmente quando a nota ou o índice obtido dessa forma é apresentado ou utilizado para transmitir aos consumidores uma percepção de reputação ou confiabilidade que não corresponde à realidade". Em sua nota, a Betano negou supostas irregularidades e diz que cumpre a legislação brasileira. Veja a nota da empresa na íntegra: "A Betano esclarece que atua em estrita conformidade com a legislação brasileira e as regulamentações do setor de apostas de quota fixa, pautando todas as suas operações pela transparência, integridade e respeito ao consumidor. A concessão de incentivos é uma prática amplamente difundida e consolidada em diversos segmentos do mercado como estratégia legítima de fidelização e aprimoramento da experiência do cliente. A empresa ressalta que a oferta de qualquer benefício está sujeita a critérios internos de elegibilidade e não tem como finalidade condicionar ou obrigar o consumidor a alterar sua opinião ou avaliação sobre o atendimento recebido em plataformas públicas. A decisão sobre a avaliação e seu conteúdo cabe exclusivamente ao consumidor e todas as interações têm como objetivo único assegurar a satisfação do usuário e a efetiva solução de suas solicitações. Além disso, alinhada ao seu compromisso inegociável com o Jogo Responsável, a Betano reforça que a concessão de incentivos de qualquer natureza segue critérios rigorosos de análise de perfil, histórico de jogo e ferramentas de proteção ao usuário, garantindo que qualquer oferta seja atribuída de maneira consciente e segura."
18/08/2026 14:56:07 +00:00
De Casas Bahia ao Grupo Pão de Açúcar: por que grandes varejistas estão revendo o modelo de lojas físicas

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, GPA, Dia, St Marche. A lista de grandes redes que, nos últimos anos, recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial, fecharam lojas ou frearam a expansão física só cresce e já atinge diferentes segmentos do varejo brasileiro, dos supermercados às redes de móveis e eletrodomésticos. Em comum, elas têm um modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de lojas que perdeu força diante dos juros altos, do crédito mais caro e de um consumidor mais cauteloso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os casos mais recentes são os da Marabraz e do Grupo Casas Bahia. Nos últimos dias, as duas recorreram à Justiça para reestruturar suas dívidas. A Marabraz pediu recuperação judicial com um passivo de R$ 140 milhões. Já a Casas Bahia fez o mesmo, com dívidas de R$ 17,3 bilhões — a segunda reestruturação em dois anos, após uma recuperação extrajudicial em 2024 que não foi suficiente para estabilizar as finanças da companhia. No varejo alimentar, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) seguiu outro caminho: optou por uma recuperação extrajudicial e por uma ampla reestruturação, que levou ao fechamento e à conversão de dezenas de lojas Extra. Dono das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Extra Mercado, o GPA vive uma das maiores reestruturações de sua história. Em março deste ano, a empresa botou em prática um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Um dos gargalos foi a expansão desordenada de lojas físicas. Em 2020, o GPA chegou a ter cerca de 800 lojas, mas reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper para o Assaí, em 2021. A operação marcou uma mudança de estratégia do grupo, que passou a concentrar esforços em formatos menores e considerados mais rentáveis, como supermercados de bairro e lojas de proximidade. Ao fim de 2025, a companhia tinha cerca de 700 lojas no país. Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP Outras redes também passaram a rever o modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de unidades. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus encontraram dificuldades para sustentar operações maiores. As redes passaram a priorizar a rentabilidade das unidades existentes, reduzir custos e tornar a operação mais eficiente. O faturamento não é o problema: segundo o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores empresas do varejo alimentar brasileiro movimentaram mais de R$ 361 bilhões em 2025. O líder foi o Carrefour, com faturamento de R$ 123,6 bilhões, seguido pelo Assaí Atacadista (R$ 84,7 bilhões) e Grupo Mateus (R$ 31 bilhões). O GPA continua entre os maiores, e chegou aos R$ 20,6 bilhões. Mas especialistas afirmam que o desafio para todos está no custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país, especialmente quando o ambiente econômico muda. (saiba mais abaixo) Mais lojas, mais custos Durante anos, a expansão física foi vista como um dos principais caminhos para ganhar mercado no varejo alimentar. 🏪 A lógica era simples: redes maiores tinham mais capacidade de negociar com fornecedores, ampliar a presença regional e conquistar consumidores. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que esse modelo ficou mais difícil de sustentar porque cada nova unidade também aumenta a estrutura necessária para operar. Uma loja física exige gastos com aluguel, funcionários, logística, estoque, manutenção e tecnologia. Em um setor marcado por margens de lucro apertadas, qualquer aumento relevante de custos pode prejudicar o resultado das empresas. “Em tese, aumenta o faturamento, mas também aumenta a estrutura necessária para manter esse crescimento”, explica Ulysses Reis, especialista em varejo da Strong Business School. Segundo ele, a estratégia da loja física só funciona quando a operação também tem ganho de eficiência. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Além dos custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor reduziu a vantagem de simplesmente estar mais perto do cliente. Com mais acesso a informações de preço, comparação de produtos e compras digitais, o consumidor passou a escolher menos pela localização e mais pela combinação entre preço, conveniência e experiência. (saiba mais abaixo) Juros altos mudaram a conta da expansão O ambiente econômico do país também não ajudou, principalmente com o fim de um período de juros mais baixos, quando as companhias conseguiam empréstimos mais baratos para financiar as novas unidades, aumento de estoques e de operações. Em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic, a taxa básica de juros, chegou a 2%, menor nível da história. Mas, com a inflação mais alta após a reabertura econômica, o Banco Central (BC) precisou subir novamente os juros. Em julho de 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas — patamar que segue pesando sobre companhias endividadas, caso da própria Casas Bahia, cujo passivo bilionário reflete justamente essa combinação de juros elevados e crédito mais restrito. “O custo do dinheiro é muito alto. Quando o endividamento fica caro, isso ‘espreme’ a operação”, explica o advogado especializado em reestruturação empresarial e sócio fundador do Felsberg Advogados, Thomas Felsberg. Segundo ele, o risco aumenta quando a expansão da rede é financiada por empréstimos. Nesses casos, o crescimento das vendas, por si só, não garante que a empresa esteja em uma situação financeira melhor, já que os custos e as dívidas também aumentam. 💰 Uma empresa pode vender mais e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se a estrutura criada para sustentar esse crescimento consumir uma parcela cada vez maior do resultado. Diante desse cenário, muitas redes de supermercados precisaram mudar de estratégia. Algumas reduziram o ritmo de abertura de novas lojas. Outras fecharam unidades que davam pouco retorno, renegociaram dívidas ou passaram a investir em formatos menores e mais eficientes, movimento que, em graus diferentes, também aparece agora nos planos anunciados por Casas Bahia e Marabraz. Consumidor mais cauteloso Um dos principais fatores por trás da transformação do setor está no comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado, os brasileiros passaram a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas. A proximidade da loja deixou de ser o único fator decisivo, uma vez que preço e conveniência ganharam ainda mais peso. Essa mudança aparece em pesquisas de mercado. Segundo levantamento da NielsenIQ (NIQ) publicado em junho deste ano, diante da pressão sobre o orçamento: 66% dos consumidores afirmam buscar opções de menor preço; 45% dizem escolher produtos mais baratos independentemente da marca; 80% afirmam planejar as compras com antecedência. Além disso, 47% dos consumidores brasileiros pretendiam comprar mais produtos de marca própria — itens vendidos com a marca da própria rede de supermercados, que costumam ter preços mais baixos do que os de fabricantes tradicionais. Essa nova postura do consumidor favoreceu formatos como os atacarejos, que oferecem preços menores para compras em maior volume, e aumentou a importância das marcas próprias. Segundo dados da Abras, o varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão no ano passado. Desse total, os atacarejos responderam por 29% das vendas, com R$ 327,7 bilhões, ficando atrás apenas do autosserviço, que concentrou quase metade do faturamento do setor, com R$ 563,6 bilhões (49%). 🔎 O autosserviço representa o varejo alimentar tradicional, que inclui principalmente supermercados, hipermercados e outros formatos de lojas em que o cliente entra, pega os produtos nas gôndolas e passa pelo checkout. Também acelerou a busca por canais digitais, que permitem comparar preços e pesquisar avaliações sem depender exclusivamente da loja física. Em 2025, o marketplace movimentou R$ 7,3 bilhões o equivalente a cerca de 1% do faturamento total do varejo alimentar. Mesmo com uma participação ainda pequena, o canal já aparece como o quinto maior formato de vendas do setor, segundo a Abras. Essa mudança aumentou a concorrência pelo consumidor. Além dos supermercados tradicionais, empresas como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99 passaram a disputar esse espaço, oferecendo a compra de alimentos e bebidas por meio de aplicativos, lojas online e serviços de entrega rápida. A estratégia ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado, orçamento mais apertado e maior preocupação das famílias com os gastos. Com menos espaço no bolso, consumidores passaram a buscar alternativas que permitam comparar preços, encontrar promoções e economizar nas compras do dia a dia. GPA busca reorganizar dívidas após anos de pressão financeira O caso do Grupo Pão de Açúcar representa um dos exemplos mais conhecidos dos desafios enfrentados por redes que construíram uma grande presença física ao longo dos anos. A companhia apresentou em março deste ano um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. 🔎 A recuperação extrajudicial permite que a empresa renegocie dívidas diretamente com os credores, sem recorrer ao processo tradicional. Nesse modelo, as negociações ocorrem fora da Justiça, diferentemente da recuperação judicial adotada por Casas Bahia e Marabraz. A crise do GPA foi resultado de uma combinação de fatores. A empresa acumula prejuízos desde 2022, pressionada pela queda no consumo, pelo aumento dos juros — que encareceu suas dívidas —, pelos custos de reestruturação e pela saída de lojas com baixo desempenho. No fim de 2025, o grupo informou ao mercado que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, diante de um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão relacionado principalmente ao vencimento de dívidas previstas para 2026. O cenário financeiro também aparece nos resultados. No ano passado, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e bruta de R$ 4 bilhões. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, a companhia teve prejuízo de R$ 204 milhões. Apesar disso, a operação do supermercado melhorou, mas o resultado final foi prejudicado principalmente pelos altos gastos com juros da dívida. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças na gestão e na estrutura societária. O Grupo Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino, antigo controlador, manteve participação de 22,5%. Segundo o GPA, o plano de recuperação busca melhorar o perfil da dívida, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para a sustentabilidade financeira da companhia. Enquanto isso, as lojas seguem funcionando normalmente e que os pagamentos a fornecedores e parceiros estão em dia. St Marche e Dia apostam em reestruturação Unidade da St Marche em São Paulo Reprodução/Facebook O St Marche, rede de supermercados voltada principalmente ao público de alta renda, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A empresa também anunciou a venda da operação para o grupo chileno Cencosud, dono do Giga Atacado no Brasil. A companhia atribuiu parte das dificuldades ao aumento do endividamento, aos juros elevados e à redução das linhas de crédito. Outro caso é o da rede Dia, que entrou em recuperação judicial em março de 2024 após acumular mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Na época, a empresa anunciou o fechamento de 343 lojas e três centros de distribuição no país. A estratégia foi concentrar a operação em São Paulo, onde estavam as unidades consideradas mais rentáveis. A rede anunciou a saída da recuperação judicial em junho. Para Ulysses Reis, esses movimentos indicam uma mudança estrutural no setor. Segundo ele, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e expansão acelerada e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. Redes como o Oxxo seguem essa estratégia, com lojas compactas voltadas para compras rápidas e de conveniência. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma. Segundo o especialista, as unidades físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico, enquanto estoques menores e maior eficiência ganham importância. Casas Bahia e Marabraz apostam em reestruturação para reduzir dívidas Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos (SP) Sarah Brito/g1 A recuperação judicial é a principal aposta de Casas Bahia e Marabraz para reorganizar as finanças e garantir a continuidade das operações. 🔎 O mecanismo permite que empresas em dificuldades renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, enquanto mantêm as atividades e apresentam um plano de recuperação aos credores. No caso da Casas Bahia, a empresa afirma que pretende reduzir despesas, otimizar a operação e concluir a reestruturação iniciada em 2024, quando renegociou parte de suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial. O objetivo agora é preservar o caixa, adequar o perfil da dívida e criar condições para retomar o crescimento. Segundo o presidente da empresa, Renato Franklin, os fechamentos de lojas foram concentrados em uma única etapa para eliminar unidades menos rentáveis e evitar novos ajustes. A estratégia também prevê priorizar vendas com maior margem de lucro, inclusive no comércio eletrônico. Franklin afirmou ainda que a empresa trabalha com um cenário econômico mais difícil em 2027 do que em 2026. Segundo ele, o elevado endividamento das famílias deve continuar pressionando o consumo e as condições de crédito. Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com marketplaces, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis. No ano passado, a Casas Bahia firmou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line. Já a Marabraz informou que a recuperação judicial faz parte de uma estratégia para reequilibrar as contas, renegociar dívidas com credores, preservar empregos e manter o atendimento aos clientes durante o processo. Fechar lojas ajuda, mas não resolve imediatamente Uma das medidas adotadas por empresas em dificuldade é o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis. No entanto, a estratégia não gera alívio imediato no caixa. Segundo o próprio pedido apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1, a Casas Bahia atribui suas dificuldades principalmente aos juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência, às pressões do setor nos últimos anos e aos impactos da transformação digital no comércio. As primeiras medidas de reestruturação teriam sido adotadas já em 2023, diante da piora do cenário econômico, com redução de estoques, corte de investimentos e ajustes nos centros de distribuição. Só em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. Somadas as duas etapas de reestruturação citadas no processo, a companhia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas — mas afirma que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Segundo Thomas Felsberg, a redução da estrutura envolve custos, principalmente relacionados a contratos e funcionários. “Você fechar uma loja tem um custo muito grande por causa dos direitos trabalhistas. O alívio no caixa não é imediato; ele aparece no médio prazo, quando a empresa reduz despesas”, afirma. Para o advogado, reconhecer o problema rapidamente é fundamental em processos de reestruturação. “Quanto mais demora para reconhecer que a situação é ruim, mais difícil fica a recuperação. O ideal é agir enquanto ainda existe caixa e possibilidade de negociação”, diz. Para os especialistas, a crise atual não representa o fim das lojas físicas, mas uma mudança no modelo de crescimento. A expansão baseada apenas na abertura de novas unidades perdeu força. O varejo passa a buscar formatos menores, mais digitais e com maior eficiência operacional. “O futuro não é simplesmente ter mais lojas. É integrar canais, reduzir custos e oferecer conveniência ao consumidor”, afirma Reis. O g1 procurou o GPA e o St Marche, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Em nota, o Grupo Dia afirmou que o varejo alimentar continua enfrentando um “cenário desafiador”. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor "cada vez mais criterioso" exige das companhias "gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante". A cautela também aparece nos indicadores de confiança. Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou praticamente estável em 88,7 pontos. Segundo a instituição, apesar de as famílias avaliarem melhor sua situação financeira atual, elas seguem mais pessimistas em relação aos próximos meses, principalmente sobre a própria condição financeira e a intenção de comprar bens duráveis. “Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação”, afirmou o grupo Dia.
18/08/2026 14:55:38 +00:00
STF decide que municípios não podem cobrar IPTU com alíquota maior por causa do tamanho do imóvel

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta segunda-feira (177), por unanimidade, que municípios não podem fixar alíquotas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) com base apenas na área do imóvel, isto é, na metragem. A Corte entendeu que a Constituição autoriza a progressividade do imposto conforme o valor da propriedade, além da adoção de alíquotas diferentes segundo a localização e o uso do imóvel, mas não em razão do seu tamanho. A decisão foi tomada no julgamento de um recurso com repercussão geral reconhecida, mecanismo que faz com que o entendimento sirva de orientação para casos semelhantes em todo o país. O caso analisado pelos ministros envolvia uma lei do município de Chapecó, em Santa Catarina, que previa alíquota de 1% de IPTU para imóveis com área construída igual ou superior a 400 metros quadrados. Agora no g1 A norma havia sido considerada inconstitucional pela Justiça catarinense, decisão contra a qual o município recorreu ao STF. Ao defender a regra, a prefeitura argumentou que uma área construída maior representaria utilização mais intensa do solo urbano e, por isso, justificaria uma tributação mais elevada. Relator do caso, o ministro Dias Toffoli rejeitou esse entendimento. Segundo ele, após a Emenda Constitucional 29, de 2000, a Constituição passou a permitir a progressividade fiscal do IPTU em razão do valor do imóvel e a fixação de alíquotas distintas conforme a localização e o uso da propriedade. No voto, Toffoli afirmou que a área do imóvel não está entre os critérios autorizados pela Constituição para a cobrança diferenciada do imposto. O ministro também destacou que o Supremo já consolidou o entendimento de que a fixação de alíquotas com base na área do imóvel configura progressividade do tributo e não seletividade. Ainda de acordo com o relator, a área do imóvel não se confunde com seu valor, sua localização ou seu uso, e os municípios não podem criar novos critérios de progressividade além daqueles previstos na Constituição Federal. Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, com estátua da Justiça em destaque. Divulgação/STF Tese fixada Ao final do julgamento, o plenário aprovou a seguinte tese de repercussão geral: "É inconstitucional a fixação, por lei municipal posterior à EC nº 29/2000, de alíquota do IPTU em razão da área do imóvel". 🔎O que muda? A decisão não impede que cidades cobrem IPTU mais alto de imóveis mais valiosos. O que o STF proibiu foi o uso do tamanho do imóvel, por si só, como critério para aumentar a alíquota do tributo. Segundo a Corte, a Constituição só autoriza a progressividade do imposto com base no valor venal da propriedade e diferenciações relacionadas à localização ou ao uso do imóvel. Como o IPTU é calculado? O IPTU é calculado com base no valor venal do imóvel, que é uma estimativa feita pela prefeitura sobre quanto a propriedade vale para fins tributários. Quanto maior esse valor, maior tende a ser o imposto. Segundo o STF, a Constituição permite que as alíquotas variem conforme o valor, a localização e o uso do imóvel, mas não em razão da área da propriedade. Exemplo prático Imagine dois imóveis residenciais localizados no mesmo bairro e sujeitos à mesma alíquota de IPTU, de 1%. Imóvel A: valor venal de R$ 300 mil Imóvel B: valor venal de R$ 600 mi Nesse caso: Imóvel A: 1% de R$ 300 mil = R$ 3 mil de IPTU por ano Imóvel B: 1% de R$ 600 mil = R$ 6 mil de IPTU por ano Pela regra considerada correta pelo STF, o imposto aumenta porque o valor do imóvel é maior, e não porque ele tem mais metros quadrados.
18/08/2026 12:52:19 +00:00
Dólar sobe a R$ 5,22 e Ibovespa tem maior sequência de quedas desde 2023

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,40% nesta terça-feira (18), cotado a R$ 5,2216. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,27%, aos 166.335 pontos. Com o resultado, o Ibovespa chegou à 11ª sessão consecutiva de queda, na maior sequência de baixas desde 2023, segundo levantamento da Elos Ayta. A última vez que o índice havia registrado uma sequência tão longa foi em agosto daquele ano, quando acumulou 13 sessões seguidas de perdas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltaram a colocar o petróleo no centro das atenções. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório. As exigências incluem o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação de ativos congelados. Em meio às tensões, os preços do petróleo ficaram no radar. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 0,17%, cotado a US$ 91,02, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 0,52%, a US$ 84,94. ▶️ Na agenda de indicadores, investidores avaliaram uma série de novos dados da economia americana. Entre os destaques, estão a variação semanal de empregos do relatório ADP e indicadores de indústria, construção e preços de exportação. ▶️ No Brasil, o mercado seguiu atento ao varejo brasileiro. No domingo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, aumentando a atenção dos investidores sobre a situação financeira das empresas do setor. Ao mesmo tempo, a saída de recursos estrangeiros da bolsa brasileira tem pressionado os preços das ações. ▶️ O cenário político também entrou no radar nesta terça-feira. Os ativos brasileiros pioraram após a notícia de que a proposta que acaba com a escala 6x1 pode avançar no Senado. Para parte dos investidores, a possibilidade de tramitação pode favorecer a campanha de Lula e aumentar as preocupações sobre os gastos públicos em um eventual novo mandato. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,04%; Acumulado do mês: +3,00%; Acumulado do ano: --4,87%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,36%; Acumulado do mês: -6,55%; Acumulado do ano: +3,79%. De olho no ambiente corporativo O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia. Ormuz continua fechado A nova escalada das tensões entre EUA e Irã também volta a ficar no foco. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano, Mahammmad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio global antes da guerra, continuará fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório. Entre as exigências, estão o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação dos ativos iranianos congelados. Já na véspera, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News. "Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total", disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV. ➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda, pressionadas pelos papéis do setor de tecnologia, enquanto expectativas cada vez menores de um acordo de paz no Oriente Médio sustentavam os preços do petróleo. O Dow Jones teve queda de 0,22%, enquanto o S&P 500 caiu 0,67% e o Nasdaq Composite perdeu 1,31%. Na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em queda, à medida que investidores lidavam com rendimentos mais altos de títulos e novas preocupações com a inflação. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,69%, aos 651,90 pontos. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, recuou 0,60% e o CAC-40, da França, perdia 0,60%. Já o FTSE 100, do Reino Unido, subia 0,39%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam praticamente estáveis, com a queda nos papéis do setor de inteligência artificial e de tecnologia sendo compensada pelos ganhos das ações de energia, em meio às tensões no Oriente Médio. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,3%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,2%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,07% e o Nikkei,, do Japão, teve perdas de 2,54%. O Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,55%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters
18/08/2026 12:00:09 +00:00
ChatGPT anuncia versão para adolescentes com limites de conteúdo, uso e controle dos pais

Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais A OpenAI anunciou uma versão do ChatGPT desenvolvida especificamente para adolescentes. A experiência, chamada de ChatGPT para Adolescentes, foi criada para usuários de 13 a 17 anos e combina ferramentas de inteligência artificial para estudos com proteções adicionais de segurança. Segundo a empresa, adolescentes que declararem ter entre 13 e 17 anos ou que forem identificados pelo sistema como menores de 18 anos serão direcionados automaticamente para a experiência voltada ao público adolescente. Primeiro a OpenAI, depois a Meta: por que robôs de IA continuam fazendo ataques hackers A proposta é permitir que jovens usem inteligência artificial para aprender e criar, mas com limites mais rígidos para conteúdos considerados inadequados para a idade. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images ChatGPT ganha recursos voltados para os estudos Uma das principais mudanças está na forma como a ferramenta deve ajudar os adolescentes com tarefas escolares. Em vez de simplesmente entregar uma resposta pronta, o sistema pode orientar o estudante por meio de perguntas e etapas para que ele chegue à solução. A experiência inclui o Modo Estudo, que utiliza perguntas orientadoras e explicações passo a passo. Também foram anunciados lembretes para tarefas de casa, que podem identificar quando o estudante parece estar tentando apenas obter uma resposta e direcioná-lo para uma resolução colaborativa. A OpenAI também incluiu quizzes e recursos de visualização para ajudar os estudantes a praticar o conteúdo e testar o que aprenderam. ➡️Outra novidade são as Horas de Estudo, que permitem definir períodos em que o Modo Estudo será ativado por padrão. A empresa afirma que o desenho do Modo Estudo foi desenvolvido com participação de professores, cientistas e especialistas em pedagogia e utiliza técnicas como perguntas orientadoras, testes de conhecimento e estímulos para que o estudante explique seu próprio raciocínio. Proteções contra conteúdos sensíveis A versão para adolescentes também terá salvaguardas ativadas por padrão. A OpenAI diz que elas foram desenvolvidas para reduzir a exposição de menores a conteúdos potencialmente prejudiciais ou inadequados para seu estágio de desenvolvimento. Entre os temas que terão proteções específicas estão automutilação, violência, transtornos alimentares, atividades perigosas e conteúdo sexual ou gráfico explícito. A empresa também pretende ampliar os mecanismos de controle disponíveis para os pais. Contas de adolescentes vinculadas a contas dos responsáveis poderão ter Horas de Silêncio e determinadas configurações administradas pelos pais, além de notificações de segurança em situações consideradas de alto risco. IA não deve substituir relações humanas, diz empresa Outro foco da nova experiência é reduzir o risco de dependência emocional da inteligência artificial. A OpenAI afirma que o ChatGPT para adolescentes terá lembretes para que os usuários façam pausas durante o uso prolongado e elementos que deixem claro que a interação ocorre com uma inteligência artificial. Para menores de 18 anos, o modelo também não deve utilizar linguagem romântica, incentivar dependência emocional ou sugerir que possui sentimentos ou consciência. A intenção, segundo a empresa, é reforçar a importância das relações no mundo real. A plataforma também passará a alertar adolescentes antes do envio de imagens privadas ou sensíveis e poderá apresentar lembretes mais frequentes para que eles interrompam o uso após períodos prolongados. OpenAI quer ensinar adolescentes a usar IA Além de modificar o próprio ChatGPT, a OpenAI anunciou uma parceria com a CodeAI para ampliar o acesso de estudantes e educadores a ferramentas e recursos de educação sobre inteligência artificial. A proposta é ensinar adolescentes não apenas a utilizar sistemas de IA, mas também a entender como eles funcionam, questionar suas respostas e reconhecer seus erros. A empresa também apresentou exemplos de adolescentes que já utilizam o ChatGPT para desenvolver projetos. Entre eles estão estudantes da Virgínia que criaram um sistema que utiliza sinais de Wi-Fi para ajudar na localização de pessoas presas sob escombros e uma jovem do Texas que utilizou a ferramenta para desenvolver uma plataforma de jogos educativos em áudio voltada a estudantes cegos. Proteções ainda estão em desenvolvimento A OpenAI afirma que continuará realizando pesquisas sobre o uso de inteligência artificial por adolescentes e testando suas salvaguardas em situações consideradas de maior risco. A empresa diz que pretende publicar mais avaliações sobre o comportamento dos modelos diante de situações envolvendo menores de 18 anos, incluindo casos relacionados a automutilação, transtornos alimentares, violência, conteúdos com restrição de idade e material sexual. A companhia afirma que o objetivo é permitir que adolescentes usem inteligência artificial para aprender, criar e explorar novas ideias, mas com mecanismos de proteção compatíveis com a idade e que incentivem hábitos saudáveis e relações fora da plataforma.
18/08/2026 11:42:49 +00:00
Meta enfrenta julgamento que pode forçar mudanças em Facebook e Instagram

Usuário se tornou produto, diz ex-funcionário da Meta em julgamento por coleta de dados de crianças Uma coalizão de 29 estados dos EUA começa a apresentar nesta terça-feira (18), em um tribunal federal da Califórnia, suas acusações contra a Meta Platforms. Os estados afirmam que Facebook e Instagram foram projetados de forma prejudicial à saúde mental de crianças e adolescentes, em um julgamento que poderá levar a mudanças nas plataformas. Os advogados do Colorado, Califórnia, Nova Jersey e Kentucky, que lideram uma coalizão bipartidária de 29 estados, farão suas declarações iniciais perante um júri de oito integrantes em Oakland. O grupo atua apenas como órgão consultivo da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, responsável pela decisão final do caso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O julgamento analisará as acusações dos quatro estados de que a Meta desenvolveu Facebook e Instagram para estimular o uso compulsivo por crianças e adolescentes e enganou consumidores ao apresentar as plataformas como seguras para usuários mais jovens. O julgamento também abordará as acusações dos 29 estados de que a Meta coletou e utilizou indevidamente dados pessoais de crianças durante o uso das plataformas, em violação à legislação federal. Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026 REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo Os advogados da Meta deverão argumentar que a empresa investiu fortemente em medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. A empresa afirma que não fez declarações enganosas sobre segurança e que os estados não apresentaram provas de danos concretos causados a seus residentes. O fundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deverá depor no julgamento, que deve durar várias semanas. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, também deverá prestar depoimento. Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram Desafio judicial Pelos possíveis impactos financeiros e regulatórios para a Meta, especialistas consideram este o caso mais relevante já enfrentado pela empresa em disputas judiciais relacionadas a jovens usuários de redes sociais. O julgamento ocorre em meio ao debate global sobre os efeitos dessas plataformas na saúde mental de crianças e adolescentes. A Meta afirmou que as multas em discussão no processo podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 trilhões), valor próximo ao valor de mercado da empresa, estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,8 trilhões). Os procuradores-gerais, porém, ainda não detalharam o montante que pretendem solicitar à Justiça. Em uma audiência realizada na semana passada, eles disseram que o valor pode se aproximar de US$ 200 bilhões (R$ 1,040 bilhão). A estimativa da Meta considera um cenário de aplicação máxima das penalidades previstas, enquanto os estados indicaram um valor bem inferior durante as discussões preliminares do caso. Os procuradores-gerais do Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey também pedem que a Justiça obrigue a Meta a adotar mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, eliminar recursos como a rolagem infinita e promover outras mudanças em suas plataformas em todo o país. Em comunicado divulgado antes da abertura dos argumentos, um porta-voz da Meta afirmou que as acusações dos estados não têm fundamento e que a empresa mantém um histórico de medidas voltadas à proteção de adolescentes. "Os procuradores-gerais não apresentam provas de que alguém em seus estados tenha sido enganado. Eles alegam que recursos inofensivos, como a possibilidade de manter uma conta adicional no Instagram, de alguma forma prejudicaram seus residentes e tentam responsabilizar a Meta por desafios comuns a todo o setor, como a verificação de idade", disse o porta-voz. "Em vez de se ater aos fatos e à legislação, os estados decidiram buscar uma indenização exorbitante." Como o caso contra a Meta começou O processo movido pelos estados, em 2023, decorre de uma investigação conjunta sobre os impactos do Instagram e do Facebook em crianças e adolescentes. A investigação foi anunciada após as revelações de Frances Haugen, ex-funcionária e denunciante da Meta, que prestou depoimento a uma comissão do Senado dos EUA em 2021. Ela afirmou que a empresa sabia que seus produtos poderiam prejudicar crianças e adolescentes e conhecia formas de reduzir esses riscos, mas optou por não implementar mudanças mais amplas por considerar seus impactos sobre os resultados financeiros da companhia. Os estados deverão apresentar documentos internos e estudos produzidos pela Meta, além de depoimentos de ex-funcionários e especialistas ligados à empresa. A Meta e outras empresas de redes sociais, como a Snap Inc, a ByteDance, controladora do TikTok, e a Alphabet, controladora do YouTube, enfrentam pressão crescente de legisladores e dos tribunais. O processo está entre os milhares de casos movidos contra empresas de redes sociais por estados, municípios, distritos escolares e indivíduos, sob a acusação de que seus produtos causam danos a crianças e adolescentes. A Meta afirmou que a crescente onda de processos judiciais pode afetar significativamente seus negócios e seus resultados financeiros. Por que 29 estados estão juntos contra a Meta Os 29 estados americanos defendem que suas acusações sejam analisadas em conjunto porque, segundo os procuradores-gerais, o caso envolve decisões da Meta que afetaram jovens usuários em todo o país. Eles argumentam que uma ação conjunta permite apresentar uma visão mais ampla sobre as práticas do Instagram e do Facebook e buscar mudanças nas plataformas que tenham alcance nacional. A Meta, por outro lado, defendeu que os processos fossem divididos em julgamentos menores. A empresa afirma que as leis estaduais são diferentes e que um julgamento único poderia dificultar a análise das particularidades de cada acusação. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers adotou uma solução intermediária. As acusações baseadas nas leis estaduais de proteção ao consumidor de Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey serão julgadas juntas. Ao mesmo tempo, as acusações baseadas na legislação federal de privacidade infantil apresentadas pelos estados também fazem parte do julgamento. A estratégia dos procuradores-gerais segue um modelo já usado em grandes disputas contra empresas de outros setores. Especialistas ouvidos pela Reuters citam os processos contra as indústrias do tabaco e dos opioides, nos quais estados se uniram para concentrar recursos, compartilhar conhecimento e aumentar seu poder de negociação. O resultado do julgamento pode influenciar como os processos dos outros estados serão conduzidos e, caso a Meta seja responsabilizada, levar a mudanças no funcionamento do Facebook e do Instagram e a multas que podem chegar a bilhões de dólares.
18/08/2026 10:54:46 +00:00
Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região. Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto. Lula diz que petróleo do Amapá é 'soberania nacional' e que Brasil não aceitará interferências Petrobras amplia ofensiva e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas O que sabemos 1. Onde está o petróleo O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico. Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação. 2. Serão necessários novos poços A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias. A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. "É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou a presidente da estatal. Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais Petrobras/Divulgação 3. Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas — e o que ela tem a ver com o pré-sal A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma "nova fronteira energética do Brasil", nas palavras do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian. A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico. Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035. O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras. Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve Divulgação/Petrobras 4. A descoberta não é, por enquanto, comercial Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial. Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial. 5. Há controvérsias A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro. O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis. 6. Expectativa já mudou a região Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável. A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque. Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária. O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água. O que ainda não sabemos 1. Quanto petróleo existe no Morpho Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume. Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área. A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes. 2. Se a descoberta será economicamente viável Também não há resposta para essa pergunta. A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial. 3. Quando — ou se — haverá produção de petróleo Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área. Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo — ou mesmo se isso acontecerá. 4. Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos. Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas. Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração. Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças. Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental.
18/08/2026 09:52:48 +00:00
Crise econômica, 'santinho' nas redes e mais: casos na Justiça mostram formas mais comuns de assédio eleitoral no trabalho

Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Pressão para compartilhar propaganda política no WhatsApp, exigência de "santinhos" em perfis pessoais, vigilância das redes sociais e ameaças relacionadas ao emprego. Essas são algumas das situações mais frequentes em processos de assédio eleitoral que chegaram à Justiça do Trabalho nos últimos anos e foram analisadas em uma pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgada com exclusividade ao g1. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O estudo mostra como a pressão política ocorre dentro das empresas e quais estratégias são mais frequentemente utilizadas contra trabalhadores durante períodos eleitorais. (saiba mais abaixo) Muitos desses processos foram ajuizados após o trabalhador deixar o emprego, fazendo com que casos de uma eleição apareçam no ano seguinte. Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos de assédio eleitoral no país. Os dados estão no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a instituição de mecanismos específicos para identificação desses casos. ➡️ O número de denúncias é muito maior que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até agora, foram 74 — mas a campanha eleitoral acabou de começar. É nesse conjunto de casos que o TST buscou entender como o assédio eleitoral acontece na prática. O tribunal fez uma pesquisa qualitativa com 138 processos de todas as regiões do país, selecionados em uma amostra estatisticamente válida. Terror psicológico é a forma mais comum A modalidade mais recorrente identificada nos processos foi o chamado terror psicológico, presente em 81,9% dos casos analisados. 🔎 Trata-se da disseminação de narrativas alarmistas sobre possíveis resultados eleitorais. Entre os exemplos estão mensagens associando a vitória de determinado candidato ao fechamento de empresas, perda de empregos, redução salarial, crise econômica ou colapso social. O ambiente digital também é um dos principais meios de execução do assédio eleitoral. Ferramentas virtuais estiveram presentes em 67,4% dos processos analisados. A pesquisa identificou práticas como: criação de grupos de WhatsApp para propaganda política; envio obrigatório de conteúdos eleitorais; exigência para compartilhar mensagens políticas; obrigação de colocar "santinhos" em status pessoais; monitoramento das redes sociais dos trabalhadores; fiscalização do posicionamento político dos empregados. Segundo o TST, o WhatsApp aparece como a principal ferramenta tecnológica utilizada nas práticas de assédio eleitoral. Ameaças econômicas Outro mecanismo recorrente identificado pela pesquisa foi a pressão econômica. Ela esteve presente em 61,6% dos processos analisados e inclui situações como: ameaças de demissão; ameaças ligadas ao salário; perda de função ou benefícios; promessas de vantagens financeiras; oferta de prêmios e recompensas associadas a posicionamentos políticos. O estudo aponta ainda que o assédio eleitoral raramente se restringe à conduta isolada de um chefe. Em 92% dos processos analisados, foram encontradas características de assédio institucional, quando a pressão política está associada à própria estrutura ou cultura organizacional da empresa. Nesses casos, a pesquisa identificou o envolvimento da alta administração nas práticas de assédio, além do uso de canais corporativos para propaganda político-partidária. Também foram relatadas reuniões internas com conteúdo eleitoral, orientações de como se manifestar e convocações de funcionários para atividades de campanha, como carreatas e panfletagens. Em parte dos casos, houve ainda a utilização da jornada de trabalho para atividades relacionadas às eleições. Segundo o TST, a maior parte das ações está concentrada em cinco estados. São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina respondem juntos por cerca de 56,3% dos processos registrados. A maioria absoluta dos processos foi apresentada pelos próprios trabalhadores. Dos 738 casos registrados, 644 foram ajuizados por pessoas físicas. Justiça reforçou monitoramento O assédio eleitoral passou a ter identificação própria no sistema da Justiça do Trabalho em 2023, após a edição da Resolução CSJT nº 355. Hoje, o tema conta com: classificação específica no Processo Judicial Eletrônico (PJe); monitoramento nacional permanente; painel estatístico atualizado periodicamente; identificação territorial dos casos; acompanhamento por atividade econômica; monitoramento em tempo real em primeiro, segundo e terceiro graus. Em julho deste ano, a regra foi atualizada. Juízes que identificarem indícios de assédio eleitoral devem comunicar imediatamente o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho. Desde 1º de agosto, a Justiça do Trabalho também mantém plantão para analisar medidas urgentes relacionadas a denúncias de assédio eleitoral, como ameaças. O que a Justiça pode determinar Além de indenizações, a Justiça do Trabalho pode determinar medidas para interromper o assédio eleitoral, como retirar conteúdos irregulares, divulgar comunicados, promover campanhas e treinamentos, criar canais de denúncia e programas de prevenção. Também pode proibir o monitoramento de posicionamentos políticos dos trabalhadores ou o uso da estrutura da empresa para propaganda eleitoral. O descumprimento pode resultar em multas diárias e indenizações por danos morais individuais e coletivos. Urna eletrônica para votação nas eleições brasileiras Marcelo Camargo/Agência Brasil
18/08/2026 08:03:06 +00:00
Empregos em tecnologia crescem mais fora do Sul e Sudeste; salários chegam a R$ 40,5 mil

Empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Reprodução/Unsplash Os empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo em ritmo mais acelerado fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil, embora o mercado continue fortemente concentrado em São Paulo. É o que mostra um levantamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), antecipado ao g1 com exclusividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o estudo, o Brasil tem cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações de TIC. Desse total, cerca de 252 mil postos de trabalho estão concentrados na função de analista de desenvolvimento de sistemas, com salário médio de R$ 8,3 mil. Já entre as ocupações mais bem remuneradas, diretor de serviços de informática lidera o ranking, com média salarial de R$ 40,5 mil por mês. (veja os rankings abaixo) Agora no g1 Entre 2023 e 2025, o número de empregos na área cresceu 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. As taxas ficaram acima das registradas no Sul (3,1%) e no Sudeste (2%). Apesar do avanço de outras regiões, o Sudeste ainda reúne 62,5% dos empregos formais de TIC do país, com 588,9 mil trabalhadores e salário médio de R$ 6.802. O Sul aparece em segundo lugar, com 17,5% dos postos. Segundo a Brasscom, o avanço de polos de tecnologia em outras partes do país está relacionado à transformação digital e à maior demanda por profissionais da área. “Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da Brasscom. São Paulo concentra quase metade dos empregos Mesmo com o movimento de expansão regional, São Paulo sozinho concentra 44,7% dos empregos formais em TIC do Brasil. São 420.996 trabalhadores, com salário médio de R$ 7.321. Minas Gerais aparece na segunda colocação, com 83.854 empregos (8,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná completam a lista dos seis estados com maior número de profissionais. Veja o ranking: Ranking regional dos empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) Estados com mais empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) No recorte regional, o Nordeste soma 89.643 empregos formais, com salário médio de R$ 3.950. Já o Centro-Oeste tem 62.782 trabalhadores e remuneração média de R$ 4.855. No Distrito Federal, a média chega a R$ 6.622. O Norte, apesar de ter registrado o maior crescimento percentual entre 2023 e 2025, ainda possui o menor contingente e a menor remuneração entre as cinco regiões: são 36.079 empregos e salário médio de R$ 2.715. Analista de desenvolvimento de sistemas lidera em empregos Entre as ocupações analisadas pelo levantamento, analista de desenvolvimento de sistemas é a que reúne mais trabalhadores. Segundo a tabela de dezembro de 2025, são 252.346 empregos formais, com salário médio de R$ 8.335,81. Na outra ponta, entre as dez ocupações com mais empregos, operador de computador (inclusive microcomputador) apresenta a menor remuneração média, de R$ 2.120,21. Já o técnico de apoio ao usuário de informática, conhecido como profissional de helpdesk, recebe em média R$ 2.333,70. Apesar da remuneração mais baixa, o helpdesk foi a ocupação que apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos, segundo a Brasscom. Veja as 10 ocupações de TIC com mais empregos formais: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com mais empregos formais no Brasil Salários chegam a R$ 40,5 mil No recorte por remuneração, os maiores salários estão concentrados principalmente em cargos de liderança e funções de alta especialização. Diretor de serviços de informática lidera o ranking, com salário médio de R$ 40.543,46 por mês, praticamente o dobro dos R$ 20.986,82 pagos, em média, aos gerentes de segurança de tecnologia da informação, que aparecem na segunda posição. A lista também inclui gerentes, arquitetos, pesquisadores e engenheiros. Entre as dez ocupações mais bem remuneradas, todas têm salários médios acima de R$ 13,7 mil. Confira as 10 ocupações de TIC com os maiores salários médios: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com os maiores salários médios O levantamento considera apenas trabalhadores com vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em ocupações típicas de TIC, como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura e cientistas de dados. Por isso, os cerca de 943 mil trabalhadores contabilizados não representam todos os funcionários de empresas do setor de tecnologia. Profissionais de áreas como vendas, logística, jurídico e administração, mesmo quando contratados por essas empresas, não entram nesse recorte. Um levantamento setorial mais amplo da Brasscom, que inclui essas funções, contabiliza cerca de 2,1 milhões de empregos. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
18/08/2026 08:02:41 +00:00
Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados

Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados Pexels O chefe grita, expõe funcionários, faz cobranças excessivas e cria um clima de medo na equipe. Mesmo assim, continua sendo elogiado pela empresa porque entrega resultados. Essa é uma percepção compartilhada por muitos trabalhadores brasileiros. Uma pesquisa da consultoria CLA Brasil, divulgada com exclusividade ao g1, mostra que 72,7% dos profissionais acreditam que lideranças adotam comportamentos inadequados sob a justificativa da alta performance. Outros 71,8% afirmam que abusos são tratados como algo normal diante da pressão por resultados. Os números sugerem que, para muitos trabalhadores, o desempenho ainda pesa mais do que a forma como as pessoas são tratadas. O estudo ouviu 303 profissionais por meio de participação espontânea. "Existe um problema cultural quando a organização começa a enxergar o resultado como uma espécie de salvo-conduto para o comportamento. É a lógica de que 'ele pode ser difícil, mas entrega'. O problema é que resultado não neutraliza conduta inadequada", afirma Mariana Rodrigues, especialista em investigações corporativas comportamentais. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho Segundo ela, em algumas empresas, gestores que batem metas acabam ganhando influência e passam a ser vistos como profissionais difíceis de substituir. "Para algumas pessoas, a regra fica mais flexível. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, os funcionários percebem essa diferença de tratamento", diz. Quando o abuso vira parte da cultura Gritos, humilhações públicas, ironias frequentes, exposição de erros diante da equipe e cobranças exageradas estão entre os comportamentos que podem acabar sendo tolerados quando o gestor é visto como um profissional de sucesso. Para Mariana, o problema nem sempre está apenas em um chefe específico. Ela explica que, em algumas empresas, a pressão excessiva vem dos níveis mais altos e acaba sendo reproduzida por toda a cadeia de liderança. "Quem não se adapta a esse modelo muitas vezes sai. Quem fica acaba entendendo que é assim que se lidera e repassa esse comportamento para a própria equipe", afirma. O preço da alta performance Apesar dos resultados aparecerem no curto prazo, o custo costuma chegar depois. A pesquisa mostra que 87,8% dos entrevistados acreditam que pessoas pedem demissão ou deixam equipes porque não suportam a forma como são tratadas pelos gestores. Segundo Mariana, uma liderança abusiva pode até gerar bons números inicialmente, mas cobra uma conta alta mais adiante. "Uma liderança abusiva pode até produzir resultados no curto prazo, mas tende a gerar custos no médio e longo prazo, como perda de engajamento, aumento do turnover, afastamentos e queda de produtividade", afirma. Ela destaca ainda um efeito menos visível. "Existe ainda um custo menos visível: a perda de confiança. Quando funcionários deixam de se sentir seguros para discordar, pedir ajuda ou apontar problemas, a empresa perde informações importantes. Por isso, uma liderança que entrega resultado destruindo o ambiente ao redor pode estar criando uma falsa eficiência." O estudo também mostra um outro fenômeno: 94,5% dos entrevistados acreditam que existe medo de retaliação ao reportar situações de assédio. Para quase metade, esse receio é relevante. O levantamento mostra que 71,8% sabem como denunciar um caso, mas isso não significa que se sintam seguros para fazê-lo. Apenas 52,9% afirmam que confiariam em fazer uma denúncia atualmente. Outros 29,4% responderam "talvez" e 17,6% disseram que não confiariam. Para Mariana, a pergunta que passa pela cabeça de quem pensa em denunciar é simples: o que vai acontecer comigo depois? "O funcionário quer saber, antes de falar: 'O que vai acontecer comigo depois?'. Se ele acredita que pode perder oportunidades, ser isolado, prejudicado na carreira ou passar a ser visto como uma pessoa problemática, a existência do canal não será suficiente para gerar confiança". Essa percepção pode ser ainda mais forte quando a denúncia envolve alguém considerado importante para o negócio. "Quando profissionais observam que uma liderança poderosa é denunciada e nada acontece, ou que a consequência para quem reporta é maior do que para quem é acusado, a organização ensina, na prática, que denunciar pode representar um risco." Por isso, a CLA indica que a principal diferença não está na existência de um canal de denúncias, mas na confiança de que a empresa fará alguma coisa. Entre os profissionais que acreditam que a empresa trata adequadamente os relatos, 87,5% afirmam que denunciariam uma situação de assédio. Entre aqueles que não confiam na resposta da organização, esse percentual cai para 12,9%. Para a especialista, é justamente nesses momentos que os funcionários descobrem se as regras realmente valem para todos. "A maior mensagem que uma empresa passa não está no treinamento nem no cartaz da parede. Está na forma como ela reage quando a denúncia envolve alguém importante para o negócio", afirma. A pesquisa mostra que a maioria das empresas já possui ferramentas para lidar com o problema. Segundo os entrevistados, 81,4% trabalham em locais que têm políticas sobre assédio e conduta, e 74,6% afirmam conhecer bem essas regras. Também houve avanço nos treinamentos: 67,5% dizem que suas empresas promovem capacitações sobre o tema. Ainda assim, o levantamento aponta que o principal desafio não é criar novas regras, mas fazer com que os funcionários acreditem que elas realmente serão aplicadas, inclusive quando envolvem os chefes que mais entregam resultados.
18/08/2026 07:03:11 +00:00
Câmeras digitais e fones com fio estão de volta. Mas por quê?

Emaranhados de fio dos fones de ouvido são vistos por alguns como um símbolo cultural Moritz Scholz/Getty Images via BBC É sábado à tarde e quase tropecei no primeiro obstáculo: deixei a bateria da minha câmera digital carregando em casa. A última vez que usei esta câmera foi há 15 anos, em uma viagem de férias em família para as Ilhas Canárias. Agora, com a bateria carregada em mãos, vou usar minha câmera digital em um show como um experimento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As tecnologias antigas estão em alta — as redes sociais estão cheias de pessoas falando sobre por que estão voltando a itens básicos, como câmeras digitais, fones de ouvido com fio e tocadores de MP3. As vendas de iPods e Walkman no Reino Unido, através do eBay, aumentaram quase 50% em 2025, segundo informações da plataforma. As buscas por iPod mini na mesma plataforma cresceram 48% no último ano. 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Câmeras digitais - fotos mais nítidas do que as tiradas com celular? Por sorte, estou acompanhada da minha melhor amiga, que adora fotografia. Ela me ajuda a ajustar as configurações da câmera e tira fotos enquanto eu estou ocupada na pista de dança. O simples fato de nos verem sacando a câmera e olhando através do seu minúsculo visor chama a atenção — "Não vejo uma dessas há anos", comenta um homem. Ele tem razão — as câmeras digitais tiveram seu auge no final da década de 1990 e início dos anos 2000, pouco antes dos smartphones decolarem. Atualmente, existem 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo, sendo que mais de um terço deles tem entre 18 e 30 anos e é amplamente influenciado pelas tendências das mídias sociais, de acordo com um relatório de pesquisa de mercado do ano passado. A mesma foto foi tirada com uma câmera digital (esquerda) e com um smartphone (direita) — qual você prefere? BBC Então, por que, quando estamos cercados por tecnologias mais avançadas em 2026, elas parecem estar ressurgindo? Para Lily Redman, uma criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, as câmeras digitais "capturam uma qualidade que meu celular simplesmente não consegue reproduzir". Ela tem usado o celular em saídas noturnas e shows e acha que o flash da câmera "é granulado e tem definição muito alta" em comparação com o resultado final "mais suave" de uma câmera digital. "Acho que as pessoas estão buscando um pouco de autenticidade ou algo que pareça um pouco mais real", diz ela. Lily Redman gosta de sair com sua câmera digital Lily Redman Isso também pode explicar por que fotos com baixa exposição tiradas com iPhones e Androids – onde as pessoas evitam filtros prontos para reduzir artificialmente a exposição e produzir uma imagem mais escura – também estão populares nas redes sociais atualmente. Com as câmeras digitais, que oferecem um elemento surpresa ao conectar o leitor de cartão de memória ao computador em casa, elas capturam um momento no tempo. "Se eu olhar para fotos que minha mãe tirou quando eu tinha dois anos, elas parecem tão antigas, mas quando olho para fotos que tirei há cinco anos, elas parecem ter sido tiradas ontem", diz Redman. "As fotos tiradas com celular distorceram nossa percepção do tempo." MP3 e a lembrança de 'tempos mais simples' Não são apenas as câmeras digitais que estão voltando dos arquivos (ou de um armário empoeirado), mas também os primeiros dispositivos de MP3, como os iPods. Segundo o site de eletrônicos recondicionados Backmarket, os iPods estão "impulsionando a tendência" nas vendas de dispositivos MP3 mais antigos, com um aumento de 48% nas vendas entre 2024 e 2025, e a demanda por tocadores de MP3 e MP4 "deve acelerar ainda mais em 2026". Cheri Sanih, de 30 anos, administra uma conta no Tumblr sobre tecnologia antiga, que, segundo ela, ganhou milhares de seguidores recentemente. Enquanto percorre a biblioteca de músicas em seu iPod verde-menta, repleto de capas de álbuns de 15 a 20 anos atrás, as lembranças da infância de ter recebido um como presente de Natal voltam à tona. O iPod verde-menta de Cheri Sanih é uma relíquia do passado Cheri Sanih via BBC Para ela, tudo se resume à nostalgia de "querer se lembrar de tempos mais simples" e de poder "mergulhar no escapismo". Sanih destaca como seu "celular está sempre recebendo notificações e às vezes eu só quero ouvir música tranquilamente". Ela acha que os iPods voltaram a ser populares por causa do seu "design bonito" e do fato de o reprodutor de música ser "o primeiro dispositivo tecnológico realmente pensado para os humanos, com uma interface de usuário menos confusa". Conectados por cabo — não por Bluetooth E por falar em voltar ao básico, os fones de ouvido com fio seguem fazendo sucesso online. Esses fones de ouvido se tornaram um item essencial no dia a dia de Monique Wellman-Mason, de 23 anos, de Bristol, que se cansou de perder seus fones de ouvido sem fio. "Toda vez que tiro os fones da bolsa, passo dois minutos tentando desembaraçá-los, o que é um pouco chato", brinca ela, "mas ao mesmo tempo adoro que eles tenham microfone e que eu esteja [sempre] conectada ao meu celular". Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio? Ela contou à BBC que o microfone de alta qualidade é útil para o seu trabalho como gestora de redes sociais e que gosta de poder "despertar essa nostalgia". Outro ponto positivo é que os fones de ouvido com fio são "muito baratos", custando cerca de 20 libras (R$ 140). Monique trocou os fones de ouvido sem fio Bluetooth pelos fones de ouvido com fio há alguns meses. "A tecnologia só evolui e estamos sempre buscando a solução mais rápida, mas isso é um passo atrás, de certa forma – e eu adorei", diz ela. Monique Wellman-Mason prefere fones de ouvido com fio aos modelos sem fio mais sofisticados Monique Wellman-Mason via BBC Sejam câmeras digitais, iPods ou fones de ouvido com fio, será que o recente interesse de alguns jovens por aparelhos eletrônicos antigos revela algo mais? Essa questão tem estado na mente de Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano na Universidade de Oxford. Segundo ele, a predileção por tecnologias mais básicas se fundamenta no "desejo profundo das pessoas de controlar suas experiências". Ele afirma que o mundo digital moderno muitas vezes nos deixa paralisados pela indecisão – a incapacidade de escolher devido à grande quantidade de opções. Quando uma nova série é lançada, ele explica, "maratoná-la automaticamente" muitas vezes parece uma decisão imediata. Em contrapartida, quando você decide ligar uma câmera digital e explorar suas configurações ou adicionar um álbum à biblioteca do seu iPod, "você se move em direção a algo que deseja, em vez de ser abordado por algo que vem até você". Andrew diz que "as pessoas querem mais do que simplesmente alugar as coisas [e experiências] pelas quais são apaixonadas" e que comprar sua própria música ou tirar suas próprias fotos cria uma sensação de conexão. Ele menciona a falha nos servidores do Xbox no final de julho, na qual os usuários não conseguiam jogar mesmo que possuíssem os jogos em discos físicos. "Imagine se um livro funcionasse dessa maneira", acrescenta ele. Reportagem adicional de Amy Walker. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
18/08/2026 06:02:16 +00:00
Limões 'alienígenas' intrigam produtora; entenda o que causa a deformação

Limão nasce deformado, parecendo 'alienígena'; entenda o que causa Os limões da produtora Viviane Marques chamaram a atenção pelo formato incomum: alguns nasceram deformados, parecendo até "alienígenas". Intrigada, ela procurou o Globo Rural para descobrir o que causou o problema. Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o limoeiro foi atacado por ácaros do tipo "ácaro-das-gemas". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nos galhos afetados surgem brotações, e os frutos ficam deformados. Apesar disso, os limões podem ser consumidos. No entanto, podem ter pouco suco. Para combater os ácaros no limoeiro, é possível usar óleo de nim. LEIA TAMBÉM China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção
18/08/2026 06:00:18 +00:00
Como o 'Super El Niño' pode afetar economia global e fazer subir os preços de alimentos

Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos. Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção. O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida. Secas e enchentes podem gerar prejuízos Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução. Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras. Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção. Pressão sobre a inflação A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia. Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas. Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial. O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução. Um fenômeno global O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta. No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global. As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027. Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados. Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global. Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados Reprodução/TV Globo
18/08/2026 06:00:10 +00:00
Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 45 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.046 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 45 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (18), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (16), ninguém acertou as seis dezenas e o prêmio acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
18/08/2026 03:00:57 +00:00
Bolsa Família 2026: pagamentos de agosto começam nesta terça; veja calendário

Bolsa Família: veja as regras e dias de pagamentos em agosto de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de agosto do Bolsa Família 2026 nesta terça-feira (18). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para agosto de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/8 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/8 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/8 Final do NIS: 4 - pagamento em 21/8 Final do NIS: 5 - pagamento em 24/8 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/8 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/8 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/8 Final do NIS: 9 - pagamento em 28/8 Final do NIS: 0 - pagamento em 31/8 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
18/08/2026 03:00:37 +00:00
Itaú Unibanco recebe autorização preliminar para ter banco múltiplo nos EUA

Fachada de unidade do Itaú em São Paulo Reuters/Amanda Perobelli O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (17) que recebeu autorização preliminar para criar um banco com licença nacional nos Estados Unidos, a ser chamado de Itaú Bank. Em comunicado ao mercado, o banco afirmou que a licença foi emitida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão responsável pela supervisão de bancos nos EUA. A empresa destacou que a aprovação é uma etapa importante para o estabelecimento do Itaú Bank, mas "não representa autorização final para o início das suas atividades". "A abertura do Itaú Bank permanecerá sujeita ao cumprimento das condições regulatórias e operacionais aplicáveis, bem como à obtenção das aprovações necessárias junto às demais autoridades competentes", disse o banco. Agora no g1 Entre as autoridades que analisarão o pedido do Itaú, estão o Federal Reserve Board, conselho do órgão americano equivalente ao Banco Central, e a Federal Deposit Insurance Corporation, agência independente responsável por proteger titulares de contas bancárias. Maior banco privado do Brasil, o Itaú opera nos EUA desde 1979 e diz que a criação do Itaú Bank está alinhada à estratégia de "ampliar sua capacidade de atender clientes nos Estados Unidos" e de oferecer "uma oferta mais abrangente de produtos e serviços financeiros naquele mercado".
18/08/2026 00:50:08 +00:00
Rede social X diz que deixou de sugerir postagens de candidatos para cumprir lei eleitoral

Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft A rede social X anunciou que, durante o período de campanha eleitoral, deixará de recomendar perfis e postagens de candidatos na aba "Para Você", voltada a conteúdos sugeridos com base nos interesses dos usuários. A plataforma afirmou que a medida passou a valer no último domingo (16), com o início do período oficial de campanha. A Justiça Eleitoral proíbe serviços online de promover contas e publicações de candidatos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Os candidatos oficiais não estão suspensos e seu conteúdo vai permanecer disponível em seus perfis. Essa medida deverá afetar a visibilidade e alcance dos perfis e de seus conteúdos", informou o X na última sexta-feira (14). Em seu comunicado, o X apresentou uma versão atualizada do código do algoritmo que recomenda conteúdo aos usuários. O arquivo agora conta com um filtro para as eleições brasileiras que remove cerca de 600 contas de políticos da aba de sugestões. Agora no g1 A relação do X com as autoridades brasileiras já passou por um de seus momentos mais delicados em 2024, quando a rede chegou a ser suspensa temporariamente no país. Em agosto daquele ano, a empresa anunciou o fechamento de seu escritório no Brasil e alegou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia ameaçado prender sua representante legal no país caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse um novo representante legal. Como a ordem não foi cumprida, o ministro determinou a suspensão do X em todo o território nacional. A medida só foi revertida cerca de 40 dias depois.
17/08/2026 22:33:54 +00:00
Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, conduz visita de Lula e Alexandre Silveira à sonda NS-42, na Margem Equatorial Divulgação/Ricardo Stuckert A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A informação foi dada pela presidente da empresa, Magda Chambriard, durante uma coletiva de imprensa em Oiapoque (AP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades do governo. Na última sexta-feira (14), a estatal havia anunciado a identificação de "hidrocarbonetos" no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros. Na ocasião, a Petrobras dizia apenas que esse era um primeiro indício da presença de petróleo ou gás natural na costa amapaense, mas que ainda não era possível confirmar a descoberta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto. Nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer, mas nós aqui desse macacão cor de abóbora estamos extremamente otimistas com o que a gente está encontrando por aqui", disse Chambriard. De acordo com a presidente da Petrobras, a perfuração do poço ainda levará de 15 a 20 dias. Só então será possível estimar o tamanho da reserva de petróleo na região. "Nós temos que delimitar essa descoberta, ou seja, a gente tem que saber quanto é que de petróleo tem de fato nessa área, né?", afirmou. Para dar continuidade à exploração de mais regiões, a Petrobras protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) um pedido de licença ambiental para perfurar três novos poços na Margem Equatorial. A estatal também prevê outras perfurações na região. Em nota, o Ibama informou que o processo de licenciamento ambiental para a perfuração no bloco FZA-M-59 prevê quatro poços: um principal e três contingentes. Segundo o órgão, a Licença de Operação emitida em outubro de 2025 contempla apenas o poço Morpho. A autorização para os demais poços segue em análise das informações complementares apresentadas pela Petrobras em 14 de agosto, consideradas necessárias para a conclusão das avaliações técnicas. (Leia a nota completa mais abaixo) "Nós temos outros cinco [poços para perfurar] e esse esforço exploratório, que é gigantesco, né? É que vai dizer para a gente quanto é de petróleo que a Margem Equatorial, no offshore do Amapá, tem para nos oferecer, né?", disse Chambriard. "Tudo indica que vai ser bom, né? Nós estamos extremamente otimistas", afirmou. Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação Mesma 'emoção' do pré-sal Antes do anúncio, o presidente Lula visitou o navio-sonda responsável pela perfuração em águas profundas. Em seguida, fez um discurso em que contou como recebeu a notícia de que a Petrobras havia encontrado petróleo na Margem Equatorial. "Eu dizia para Magda que, quando ela me comunicou que tinha encontrado óleo, eu senti a mesma sensação e a mesma emoção que eu senti no dia que o Sérgio Gabrielli, em 2007, e o meu querido amigo [Guilherme] Estrella entraram no meu gabinete para anunciar que a Petrobras tinha descoberto o pré-sal", disse Lula. O presidente relembrou que houve resistência dentro do governo à decisão de anunciar a obtenção da licença ambiental para a exploração de petróleo na região. Lula, porém, classificou a descoberta da estatal como uma "conquista do bom senso". "É uma conquista de um governo que acha que a empresa tem que pesquisar e é uma conquista de uma empresa que tem uma diretoria que acha que ela existe porque ela é uma empresa não só de petróleo, mas que tem como ciência a questão do petróleo." "E, quando eu falo o passaporte para o futuro desse país, eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil, porque o país vai continuar sendo o país rei da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável", disse Lula. O presidente também parabenizou Magda Chambriard e disse que valeu a pena "brigar tanto" nas reuniões. "Valeu a pena vocês voltarem a levantar a cabeça da Petrobras", disse. "Porque vocês sabem que, há pouco tempo, na Lava Jato, o objetivo era tentar destruir duas coisas: a Petrobras e as empresas da construção civil nesse país. E tentar também acabar com a possibilidade de eu ser presidente da República." "Cá estou eu, cá está a Petrobras e cá está o povo brasileiro, firme e forte. Porque isso aqui vai ser enriquecido pelo povo brasileiro, vai ser enriquecido para o Amapá." Os próximos passos A fase atual é de avaliação exploratória e busca responder, principalmente, a duas perguntas: Qual é o volume de petróleo existente no reservatório; Se a quantidade encontrada é economicamente viável para produção. Neste momento, a área de engenharia está concentrada em concluir a perfuração do poço — ainda restam 1 mil metros. Segundo a empresa, a operação custa, em média, US$ 1 milhão por dia e já consumiu US$ 300 milhões em investimentos. "Esperamos muitos reservatórios ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor", celebrou a presidente da empresa. Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Ibama aplica multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras por vazamento de fluido na Foz do Amazonas Petrobras recebe aval do Ibama para perfurar poço exploratório na região da Foz do Amazonas Licenças ambientais Em fevereiro desse ano, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após a descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no mar. O incidente ocorreu em 4 de janeiro, apenas 75 dias após a liberação do Ibama para explorar a região. O problema aconteceu na instalação Navio Sonda 42 (NS-42), que operava no mesmo local que agora encontrou petróleo. Na época, a Petrobras informou que interrompeu a perfuração após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho — para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas, e que o vazamento foi contido imediatamente. A substância vazada continha componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático. Com base nesse histórico recente, a diretoria executiva confirmou que as determinações do Ibama estão sendo incorporadas ao novo projeto como parte do processo de licenciamento ambiental. “Estamos fazendo isso com muito respeito ao meio ambiente. [...] Nunca tivemos um único acidente perfurando petróleo na nossa fase exploratória”, afirmou a presidente da Petrobras. Como parte da operação, a estatal utiliza o BOP (blowout preventer, ou preventor de explosão), equipamento instalado no assoalho marinho que funciona como uma barreira de segurança durante a perfuração. O sistema reúne válvulas e sensores capazes de interromper a operação e, se necessário, cortar a coluna de perfuração para isolar o poço. “Isso foi mostrado ao presidente Lula, e ele ficou impressionado com o nível de segurança de um poço que utiliza o BOP”, disse Magda. Além do BOP, a Petrobras destacou o desenvolvimento do Plano de Emergência Individual (PEI), semelhante ao adotado na Bacia de Santos. O plano reúne medidas de resposta para proteger a fauna e a flora da Margem Equatorial em caso de incidente. “Eu gosto de dizer que andamos sempre pelo lado seguro. Assim como fazemos seguro do carro ou da casa, é isso que estamos fazendo aqui. [...] O Plano de Emergência Individual é como um seguro: esperamos que ele nunca precise ser acionado”, afirmou. Leia a nota do Ibama: "O processo de licenciamento ambiental para a perfuração marítima no bloco FZA-M-59 prevê quatro poços, sendo um principal e três contingentes. A Licença de Operação para a perfuração do poço principal, denominado Morpho, foi emitida em outubro de 2025, uma vez que ainda eram necessárias informações específicas para a avaliação dos demais poços. O processo encontra-se em análise das informações complementares solicitadas pelo Instituto, protocoladas pelo empreendedor em 14 de agosto de 2026 (sexta-feira) e que são necessárias para a conclusão das avaliações técnicas."
17/08/2026 19:57:15 +00:00
Paramount pede garantia de US$ 1,88 bilhão a estados americanos que contestam fusão com Warner

Agora no g1 A Paramount Skydance pediu nesta segunda-feira (17) a um juiz dos Estados Unidos que obrigue 12 estados que tentam impedir sua compra da Warner Bros. Discovery a depositar uma garantia de US$ 1,88 bilhão (R$ 9,78 bilhões). O valor serviria para cobrir os custos provocados pelo atraso na conclusão do negócio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A empresa terá de pagar US$ 7 milhões (R$ 36,41 milhões) por dia caso a operação, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 572,11 bilhões), não seja concluída até 30 de setembro. A Paramount afirmou que o julgamento do processo movido pelos estados está previsto para março. Até que o julgamento termine e as partes apresentem seus últimos argumentos à Justiça, a empresa estima que terá pago US$ 1,3 bilhão (R$ 6,76 bilhões) aos acionistas da Warner Bros. Discovery em valores relacionados ao atraso — quantia que não poderá ser recuperada. Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters
17/08/2026 19:07:19 +00:00
Casas Bahia espera um 2027 pior que 2026, diz presidente da empresa

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia A Casas Bahia trabalha com a expectativa de um cenário econômico mais difícil em 2027 do que neste ano. Segundo o presidente-executivo da varejista, Renato Franklin, o plano de fechamento de quase 300 lojas foi elaborado considerando uma possível piora nas condições de crédito para os consumidores. “Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse o executivo durante uma conferência com analistas, um dia após a companhia se tornar mais uma empresa do setor a pedir recuperação judicial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “O endividamento vai continuar e algumas alavancas que deram fôlego para o consumo este ano vão criar um passivo no futuro, o que pode gerar uma deterioração do cenário de crédito”, acrescentou Franklin. Segundo ele, a Casas Bahia está adotando critérios cada vez mais restritivos para conceder financiamentos aos consumidores. A companhia anunciou, no fim de semana, o pedido de recuperação judicial e o fechamento de cerca de 30% de suas lojas, o equivalente a 298 unidades. Segundo Franklin, os fechamentos foram feitos em uma “onda única”, já considerando uma possível deterioração do mercado no próximo ano e para “não gerar ansiedade por mais ajustes”. O executivo afirmou que, com as medidas, a rede eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”. Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com marketplaces, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis. Durante a conferência, ele disse que os marketplaces são “viabilizadores desse ajuste que estamos fazendo no mercado digital”. No ano passado, a Casas Bahia firmou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line. Analistas do Citi afirmaram, em relatório enviado a clientes, que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia tem impacto marginalmente negativo para o Mercado Livre. Segundo eles, uma alternativa para suprir essa demanda no segmento de eletroeletrônicos poderia ser uma “futura parceria com o Magazine Luiza, que atualmente mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon”. Apesar disso, os analistas avaliam que o Mercado Livre poderá se beneficiar de melhores condições de negociação com fornecedores. Além da Casas Bahia, as Lojas Marabraz anunciaram nesta segunda-feira (17) que também entraram com pedido de recuperação judicial no fim de semana, na Justiça de São Paulo, em meio a dívidas de R$ 140 milhões. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões * Com informações da agência de notícias Reuters. LEIA MAIS EM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
17/08/2026 18:19:52 +00:00
Recuperação judicial da Casas Bahia: o que muda para quem comprou? E para os funcionários?

Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Na noite de domingo (16), o grupo Casas Bahia anunciou um pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo. Mas o que isso significa para clientes e trabalhadores? A princípio, o pedido não permite que clientes deixem de pagar parcelas nem retira direitos dos trabalhadores. A empresa afirma que continuará operando normalmente enquanto tenta renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A recuperação judicial é um processo supervisionado pela Justiça que permite à empresa reorganizar suas dívidas para evitar a falência. O processo altera a relação da companhia com os credores, mas não cancela automaticamente contratos de compra nem obrigações trabalhistas. Preciso continuar pagando o carnê? Sim, desde que o produto tenha sido entregue. Segundo Fernando Moreira, especialista em direito do consumidor e professor da FGV, a recuperação judicial não autoriza o consumidor a interromper o pagamento do carnê ou das parcelas. "A recuperação judicial reorganiza as dívidas da empresa; ela não cancela automaticamente os contratos com os consumidores", afirma. Letícia Málaga, especialista em direito empresarial e sócia do Urbano Vitalino Advogados, reforça que deixar de pagar por conta própria pode gerar juros, cobranças e até a negativação do nome. Ou seja, quem recebeu a mercadoria deve continuar pagando nas condições previstas no contrato. E se eu paguei, mas o produto não foi entregue? Nesse caso, o consumidor continua protegido pelo Código de Defesa do Consumidor. Se o prazo de entrega ainda não venceu, a orientação é aguardar a data combinada. O pedido de recuperação judicial, por si só, não significa que as entregas serão interrompidas. A própria Casas Bahia informou que pretende manter suas operações. Se o prazo expirou e a mercadoria não foi entregue, há descumprimento da oferta. Pela lei, o cliente pode escolher entre: Exigir a entrega do produto; Aceitar um item equivalente; Cancelar a compra e pedir a devolução do dinheiro, com correção monetária e, quando cabível, indenização por prejuízos. Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Vou receber meu dinheiro de volta imediatamente? Não necessariamente. Os especialistas fazem uma distinção importante: ter direito ao reembolso não significa receber o dinheiro imediatamente. Segundo Moreira, quando o crédito do consumidor surge antes do pedido de recuperação judicial, ele pode passar a integrar o processo e seguir as regras do plano que será aprovado pela Justiça e pelos credores. Málaga explica que o consumidor mantém o direito de pedir a restituição, mas o prazo e a forma de pagamento podem depender das regras da recuperação judicial. E quem financiou a compra? Alguns consumidores que contrataram um financiamento vinculado à compra do produto têm proteção adicional. De acordo com Fernando Moreira, em determinadas situações o Código de Defesa do Consumidor permite que o cliente também peça a rescisão do financiamento quando a loja não entrega o produto. Por isso, a recomendação não é simplesmente deixar de pagar as parcelas, mas formalizar a contestação e buscar a resolução do contrato, evitando cobranças e eventual negativação indevida. O que acontece com os funcionários da Casas Bahia? Para quem continua empregado, a recuperação judicial não autoriza a empresa a deixar de pagar salários, recolher o FGTS ou cumprir outros direitos trabalhistas. Segundo Jorge Soares, advogado especialista em direito do trabalho e sócio da IW Melcheds Advogados, todas as obrigações trabalhistas que surgirem durante a recuperação judicial devem continuar sendo cumpridas normalmente. Ele também destaca que a empresa não pode reduzir salários nem alterar contratos apenas por ter entrado em recuperação judicial. Qualquer mudança precisa respeitar a legislação e, quando necessário, ser negociada coletivamente. E quem foi demitido? Os trabalhadores demitidos continuam tendo direito às verbas rescisórias, ao FGTS e às indenizações devidas. Se esses valores tiverem origem antes do pedido de recuperação judicial, passam a integrar o processo como créditos trabalhistas — nome dado às dívidas que a empresa tem com seus empregados. Soares orienta que o ex-funcionário verifique se seu nome e o valor devido constam corretamente na relação de credores. Se houver erro ou ausência, poderá ser necessário pedir a inclusão ou a correção ao administrador judicial. Quando o valor ainda está sendo discutido em uma ação trabalhista, o processo continua na Justiça do Trabalho até que a dívida seja reconhecida e calculada. Depois disso, o crédito passa a integrar a recuperação judicial. Os trabalhadores têm prioridade para receber? Sim. Os créditos trabalhistas têm prioridade no pagamento. Isso, porém, não significa que os trabalhadores receberão imediatamente. Em regra, o plano de recuperação judicial não pode prever prazo superior a um ano para quitar esses créditos, contado a partir da decisão que concede a recuperação. Além disso, os salários atrasados dos três meses anteriores ao pedido têm proteção especial: até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador, devem ser pagos em até 30 dias. Mesmo assim, Soares ressalta que ainda é cedo para dizer quando cada funcionário receberá. "Neste início do processo, ainda não é possível afirmar exatamente quando cada trabalhador receberá. Isso dependerá do andamento da recuperação e das condições do plano que vier a ser aprovado", afirma.
17/08/2026 18:10:54 +00:00
'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense

'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense Getty Images via BBC "É muito fácil vender histórias assustadoras para os pais. Nós somos um grupo ansioso", diz a psicóloga canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre e adolescentes. Os possíveis efeitos nocivos dessas tecnologias são fonte de preocupação não apenas para pais e mães, mas também para governos ao redor do mundo, muitos dos quais vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovens. No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do Discord. A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma. Agora no g1 A plataforma tem até esta segunda-feira (17/8) para cumprir a determinação. A suspensão vale até que a empresa comprove que adotou medidas eficazes para proteger crianças e adolescentes. Mas Odgers, que é professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos se dedica a estudar a saúde mental de crianças e adolescentes, argumenta que essas reações não são baseadas em evidências científicas. "Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje", diz Odgers à BBC News Brasil. Odgers enfatiza que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por garantir a segurança das plataformas e que é preciso mais regulamentação. No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes sociais e a saúde mental dos jovens, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação. Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras soluções e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Candice Odgers é especialista em psicologia do desenvolvimento e professora da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA Cortesia/Steve Zylius/UC Irvine Odgers não é a única a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes sociais e saúde mental mostram "efeitos pequenos" e "associações fracas", que podem ser "influenciados por uma combinação de experiências boas e ruins". "Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes sociais são universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade é mais complexa", disseram os autores. Mas propostas para restringir o acesso de jovens às redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os possíveis impactos de um ambiente online onde muitas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outras ameaças. Segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos Estados Unidos são a favor de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibição de celulares em sala de aula. No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras. Desde então, diversos países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição. No Brasil, entrou em vigor em março o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que não impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma série de restrições de conteúdo e controles. Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescentes em seus smartphones, ela ressalta que eles são resilientes e destaca os avanços nos últimos 20 anos, como queda nas taxas de violência, consumo de álcool e gravidez na adolescência. "Os adolescentes de hoje são incríveis", diz Odgers no TED Talk, intitulado What we're getting wrong about kids and tech ("O que estamos entendendo errado sobre as crianças e a tecnologia", em tradução livre). Para a psicóloga, que é mãe de dois adolescentes, a maneira de ajudar os jovens é estabelecer expectativas altas e apoiá-los para que consigam alcançá-las. Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista à BBC News Brasil. BBC News Brasil — Nos últimos anos, smartphones e redes sociais vêm sendo citados entre as principais causas para a crise de saúde mental entre crianças e adolescentes. Mas a senhora estuda o tema há 25 anos e diz que não há evidências disso. O que exatamente mostram os estudos? Candice Odgers — Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje. Existem correlações entre o uso mais intenso e problemas de saúde mental, mas não sabemos em qual direção elas vão. Muitas vezes observamos que jovens que [já] enfrentam problemas de saúde mental tendem a passar mais tempo online. Então, encontramos associações mínimas e em direções variadas. Às vezes, as pessoas encontram associações positivas com o tempo passado nas redes sociais, por estarem mais conectadas. Outras vezes, negativas. Mas o ponto principal é que essas associações são muito pequenas. Não é o que você pensaria de início ao acompanhar as manchetes da imprensa ou as discussões sobre o assunto. Se estivermos falando apenas sobre saúde mental de adolescentes e analisarmos todos os principais fatores que comprovadamente preveem sintomas de problemas de saúde mental, as redes sociais frequentemente sequer entram nessa lista. E isso é realmente surpreendente para as pessoas, porque as redes sociais são algo de que todos falam quando o assunto é a saúde mental dos adolescentes. E há uma forte crença de que são o motivo pelo qual os jovens estão enfrentando dificuldades. Mas existem muitos motivos pelos quais os jovens nos dizem [nos estudos que ela conduz] que estão enfrentando problemas de saúde mental. E as redes sociais não estão nessa lista. BBC News Brasil — Quantos estudos a senhora analisou? Todos chegaram à mesma conclusão? Candice Odgers — Esse campo mudou rapidamente, porque as redes evoluíram rapidamente. Os estudos iniciais eram sobre quanto tempo os jovens passavam em frente a qualquer tela, centenas e centenas de estudos e metanálises que examinaram esse material. E o que se constata é que a associação entre tempo de uso de telas e bem-estar explica menos de 1% da variação. Ou seja, 99% das razões pelas quais estão deprimidos se devem a outros fatores nesses modelos. Então isso é minúsculo. Além disso, nesses modelos, não se sabe a direção da causalidade. No caso das redes sociais, [também há] algumas centenas de estudos. E esses estudos algumas vezes encontram uma correlação mínima, como mencionei. Mas assim que se controlam outros fatores, como traumas no início da vida, histórico familiar, saúde mental dos pais, essas associações diminuem e, frequentemente, desaparecem. Não estou dizendo que as redes sociais não têm impactos negativos para algumas pessoas. Existem populações vulneráveis para as quais as redes sociais podem piorar uma situação que já é ruim, assim como estar em qualquer ambiente que as exponha à comparação social ou a conteúdos negativos. E existem, sem dúvida, riscos no ambiente online que precisam ser reduzidos e eliminados para todos nós. É por isso, aliás, que gosto da abordagem do Brasil para essa questão, que foca em aprimorar o design para todos, visando à segurança, em vez de simplesmente excluir os jovens das plataformas e fingir que eles não estão lá. Em resumo, não estou dizendo que não existe associação ou danos, mas o sinal que vemos é muito pequeno, e essa é uma mensagem muito diferente da que estão nos passando. Isso provavelmente significa que simplesmente proibir não será a solução mágica que todos imaginamos. Além de todos os outros problemas que surgiriam ao tentar banir os jovens da internet. BBC News Brasil — Mas defensores de restrições, como o psicólogo Jonathan Haidt, afirmam que muitos estudos misturam todas as plataformas, meninos e meninas, diferentes tipos de problemas de saúde mental. Segundo eles, se o foco for em um recorte mais específico como, por exemplo, a relação entre redes sociais e ansiedade ou depressão em meninas, o sinal é mais forte. Candice Odgers — Uma metanálise especificamente sobre meninas, redes sociais e depressão encontrou uma correlação relativamente pequena. Associações pequenas ainda assim devem receber a nossa atenção. Mas esses estudos não controlam outros fatores que sabemos que influenciam tanto a probabilidade de passar mais tempo online quanto a suscetibilidade à depressão. Portanto, precisamos ter muito cuidado ao avaliar essas pesquisas. Porque, quando investigamos a fundo e fazemos isso de forma rigorosamente controlada, descobrimos que esses efeitos caem para zero ou muito perto de zero. Acho intrigante toda essa ênfase que tem sido colocada nas redes sociais, quando sabemos que os jovens estão crescendo em um mundo cada vez mais instável economicamente, expostos a violência nas escolas, conflitos, pais que enfrentam problemas de saúde mental, incerteza financeira. Ou seja, todos esses fatores complexos com os quais precisam conviver e superar enquanto amadurecem. Tudo isso acaba sendo deixado de lado em favor dessa narrativa simples de que "a culpa é do tempo passado no TikTok". Crise de saúde mental não é só entre os jovens, mas também na população adulta Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora concorda que há uma crise de saúde mental entre os jovens? Se não é causada pelas redes sociais, quais seriam as outras possíveis explicações? Candice Odgers — Eu concordo que há uma crise de saúde mental entre a população adulta nos Estados Unidos, já há algumas décadas. A dimensão é verdadeiramente sem precedentes. E a saúde mental dos responsáveis impacta a saúde mental dos jovens de maneiras extremamente importantes. Estamos vendo cenários bastante diversos ao redor do mundo. A taxa de suicídios entre jovens, por exemplo, não está aumentando na maioria dos países, não é um aumento universal. Quando vemos um aumento, como estamos observando, em termos de sintomas de problemas de saúde mental, há a tendência de procurar uma única explicação e de concentrar toda a nossa atenção nisso. E isso é bastante perigoso quando pensamos em algo tão complexo e influenciado por múltiplos fatores. As causas vão ser muito diferentes para cada grupo de pessoas. Além disso, a população de jovens também está mudando, por meio da imigração, variações geracionais e outros fatores. Então, essa ideia de buscar uma única explicação nunca vai corresponder à realidade. Sempre vai ser uma combinação de vários fatores. Cada país precisa examinar os fatores que estão moldando a saúde mental da sua comunidade e entender qual é o perfil dessa população. Nos Estados Unidos, suicídios entre jovens começaram a crescer depois da Grande Recessão de 2008, e suicídios entre adultos já estavam aumentando antes disso. Os jovens têm relatado preocupação crescente com a segurança na escola. Tivemos um crescimento, por exemplo, nos casos de ataques a tiros em escolas. Tivemos aumento de instabilidade política. Muitos jovens se identificam com grupos marginalizados. Vimos sentimento anti-imigração, o movimento Black Lives Matter, uma sensibilidade à injustiça, tanto nas comunidades locais quanto em nível global. Há muita coisa impactando os jovens. E, obviamente, parte disso eles estão descobrindo por meio das redes sociais, e estão se mobilizando pelas redes e se conectando para buscar mais informações. Então existe também esse aspecto de conscientização, que acho interessante. BBC News Brasil — A senhora costuma dizer que o foco nas redes sociais está sufocando o resto do debate. Que efeitos negativos esse foco pode ter? Candice Odgers — As pessoas me perguntam qual é o mal em simplesmente expulsar os jovens das redes, banir tudo, em colocar a segurança em primeiro lugar, por cautela, já que não sabemos ao certo quais são os impactos. E eu acho que optar pela segurança em primeiro lugar seria válido, desde que isso fosse comunicado como tal. Mas o discurso atual é de que descobrimos a causa central por trás da depressão e da ansiedade [entre os jovens]. Esses são problemas graves de saúde mental, e estamos afirmando que identificamos uma causa principal e que basta desativar [as redes] para que tudo melhore. E isso canaliza muita energia e dinheiro para criar e aplicar essas medidas, desviando o foco de outras necessidades fundamentais para os jovens. Outro ponto é que ao afirmar que vamos proibir o uso, estamos nos iludindo. Estamos vendo na Austrália que 85% dos jovens continuam nas plataformas mesmo após a proibição [segundo pesquisa publicada em junho na revista científica BMJ]. Vimos isso logo no primeiro dia [da proibição na Austrália], quando encerraram todas as contas no YouTube, por exemplo. Isso não tirou os jovens do YouTube, o que fez foi desativar suas contas, que tinham configurações de privacidade, controles parentais, filtros de conteúdos. Os jovens continuaram conseguindo entrar no YouTube, só que na versão para adultos. Então piorou a situação, a experiência acabou piorando para muitas dessas crianças. E também acho que estamos enviando uma mensagem para os jovens sobre seu comportamento, de que são viciados [em redes sociais], que seus cérebros estão destruídos, quando na verdade seu comportamento é absolutamente comum. Eles estão online para consumir cultura jovem e se conectar com os amigos. E sabemos isso porque vemos [nas nossas pesquisas] os dados de seus celulares e recebemos relatórios diários deles sobre o que estão fazendo. E são coisas bem normais de qualquer adolescente. Agora, o que não é normal é ter uma empresa de tecnologia controlando esse ecossistema, com feeds e conteúdos tóxicos, sem ser responsabilizada por garantir a segurança desde a concepção [das plataformas]. Esses são os pontos nos quais precisamos focar. Mas precisamos melhorar isso para todo mundo. Porque se simplesmente dissermos que as crianças não estão nessas plataformas, estaremos mentindo para nós mesmos. E estaremos permitindo que as empresas de tecnologia mintam para nós e digam que os jovens não estão lá. Precisamos corrigir isso e construir um mundo online melhor. Mas precisamos fazer isso para todos nós, incluindo os jovens, que sempre serão os primeiros a adotar com entusiasmo as novas tecnologias, e simplesmente estarão à nossa frente na ocupação desses espaços ou na criação de seus próprios novos ambientes. BBC News Brasil — Se não há evidências de que as redes sociais estão por trás da crise de saúde mental entre os jovens, como essa ideia se tornou tão prevalente? E por que não é rejeitada publicamente por mais especialistas? Candice Odgers — Essa narrativa se tornou tão poderosa. Fizemos uma pesquisa com pais e mães e eleitores na Califórnia e cerca de 80%, fossem democratas, republicanos ou independentes, eram a favor de restringir redes sociais [para jovens]. Portanto, para os políticos, se estão procurando um tema que será vitorioso, é este. Crianças não votam, então não haverá muita oposição. E muitos adultos bem-intencionados acreditam que isso vai melhorar a situação. Existe um argumento perfeitamente razoável de uma abordagem que prioriza a segurança, como mencionei antes, que é o fato de não termos o retrato completo de quais são os efeitos da tecnologia sobre todos esses aspectos do desenvolvimento. Trata-se de uma área da ciência ainda cercada de muitas incertezas, e as histórias que estão nos contando sobre isso são muito diferentes do que vemos na prática. E as grandes empresas de tecnologia não são populares e, por vários bons motivos, acabam se tornando um vilão fácil neste momento. Mas muitas pessoas sabem que essas proibições provavelmente não vão funcionar. O que precisamos considerar é o que vem depois da proibição. O que vamos fazer quando essas proibições não produzirem os ganhos milagrosos que prometem em termos de aprendizagem, saúde mental, redução do tempo passado online? O que vamos fazer, além das proibições, para realmente oferecer apoio aos jovens, tanto fora quanto dentro da internet? Porque esse é um caso em que políticos e outros adultos podem facilmente declarar vitória sem realmente gerar impacto. Acho que é politicamente impopular dizer publicamente que as redes sociais não são responsáveis por toda a crise de saúde mental entre os jovens como tem sido retratado. Porque esse tem sido um enquadramento político muito útil dessa questão, para impulsionar esse tipo de política pública. E a maioria das pessoas não quer se envolver nisso. Você recebe muitos e-mails interessantes, pode sofrer assédio. BBC News Brasil — A senhora sofreu algum tipo de assédio? Já foi alvo de alegações de que estaria trabalhando secretamente para empresas de tecnologia, não é mesmo? Candice Odgers — Um jornalista específico estava convencido de que minha pesquisa era financiada pela Meta, o que não é verdade. Eu estava dizendo que, nos Estados Unidos, as armas de fogo são a principal causa de morte entre as crianças, não as redes sociais. E, de alguma forma, ele achou que, para dizer isso, eu deveria estar na mão das grandes empresas de tecnologia. A Meta não financia minha pesquisa. O governo federal financia, assim como o Canadian Institute for Advanced Research [Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas, ou Cifar, na sigla em inglês] e outras fundações. É um tipo de reação preguiçosa, mas é a resposta imediata que se recebe quando alguém vem a público e diz "espere um pouco, isso realmente não fecha, esse não é o efeito enorme que pensamos que é". E então as pessoas não querem lidar com esse nível de assédio. Outro ponto é que algumas pessoas estão questionando, de maneira compreensível, qual é o problema em colocar essas políticas em prática e ver o que acontece. E eu adoto uma abordagem diferente nesse ponto, porque acho que há um custo enorme em ignorar as causas reais, em enviar aos jovens a mensagem de que seu comportamento é de certa forma viciante e vergonhoso. E acho que essas políticas podem ter o efeito contrário e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Já é bem difícil fazer com que os jovens contem que algo negativo aconteceu online e permitam que você os ajude a lidar com isso, porque têm medo de que você tire o acesso deles à tecnologia. E agora proibimos e tornamos ilegal estar nesses espaços, então nenhum desses jovens vai relatar danos [que tenham sofrido online]. Mas eles vão estar nesses espaços, não vão abandonar o ecossistema digital. E vão surgir novos espaços diferentes. A inteligência artificial está mudando completamente o cenário, as redes sociais vão ser muito diferentes daqui a 18 meses. Então precisamos ser ágeis e trabalhar com os jovens para resolver isso. Quando você ouve as pessoas que estão criando essas leis, fica claro que elas não têm ideia de como as crianças usam a tecnologia ou de como a tecnologia funciona. Idade 'certa' para ter dispositivos varia em cada caso, avalia Odgers Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora diz que, além de riscos, as redes sociais também trazem benefícios para os jovens. Em suas pesquisas, o que eles relatam sobre suas experiências nas redes? Candice Odgers — Muitas pessoas que pertencem a comunidades vulneráveis encontram online uma conexão que não encontrariam fora da internet. Eles buscam apoio social, conectam-se com os amigos, fazem planos, se divertem, criam. Não estou dizendo que tudo é bom, mas certamente não é tudo ruim. Depende de como é usado. Grande parte da questão é como ajudamos nossos jovens e a nós mesmos a ter um envolvimento saudável com as redes sociais e as ferramentas online. Aprender a usar essas ferramentas para o nosso trabalho, nosso lazer, para tudo o que precisamos fazer para alcançar nossos próprios objetivos, em vez de vê-las como essa substância tóxica que está destruindo uma parcela da população. Temos que construir isso juntos. Pais e mães não conseguem resolver isso sozinhos, os jovens não conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas de tecnologia não querem resolver. Então, a pressão sobre as empresas de tecnologia é boa. Eu argumentaria que o Brasil está fazendo a coisa certa ao não expulsar um grupo específico [das redes]. Estão exercendo pressão por meio de políticas cuidadosamente elaboradas para melhorar a experiência online para todos. BBC News Brasil — A senhora costuma observar que muitas crianças que sofrem bullying ou abusos online também enfrentam isso fora da internet. Como é essa relação? Candice Odgers — Trabalho há muito tempo com jovens em situações de bastante vulnerabilidade. E o que as pessoas frequentemente esquecem é que a vasta maioria dos jovens que sofrem abusos são vitimados por alguém que conhecem, em locais onde deveriam estar seguros. Em suas casas, escolas, comunidades, locais onde os adultos estão, e geralmente são adultos que eles conhecem. O perigo vindo de estranhos é algo raro. O outro ponto é que jovens que sofrem abusos ou estão vulneráveis fora da internet têm mais chances de passar por experiências negativas online. E parte disso vem da ausência de adultos de confiança para apoiá-los. Parte pode ser o fato de pesquisarem conteúdos mais perigosos na internet ou compartilharem informações sensíveis. Há uma grande sobreposição. E quando se trata de prever futuros problemas de saúde mental, a vitimização fora da rede é o indicador de maior peso. Quero ressaltar que há casos horríveis de abuso e exploração online. Mas se o nosso objetivo é prevenir que crianças sofram abusos, precisamos focar no que ocorre em seus lares, escolas, famílias, com pessoas de seu convívio, inclusive no contato virtual com quem elas já conhecem. Outro aspecto é que, no caso de jovens vulneráveis no ambiente presencial, é preciso compreender como os recursos online chegam até eles. Canais de apoio via texto, por exemplo, têm extrema importância ao proporcionar uma forma de buscar ajuda. Devemos falar sobre de que maneiras o mundo virtual aumenta os riscos, talvez expondo [as crianças] a contatos indesejados, ou normalizando conteúdos inapropriados para a idade. E também sobre de que maneiras pode proteger ou ajudar, por meio de canais de ajuda via texto, com a integração de serviços de apoio. É esse equilíbrio que precisamos alcançar se quisermos de fato ajudar os jovens, em vez de apenas criar a impressão de que estamos agindo ao proibir as tecnologias. BBC News Brasil — A senhora é mãe de dois adolescentes, e costuma dizer que decisões sobre uso de smartphones e redes sociais devem ser tomadas pela família. Quais são as regras na sua casa? Candice Odgers — Quando os filhos entram na adolescência, fica muito mais difícil manter aquele controle absoluto que os pais querem. É aí que surge grande parte da questão das redes sociais, bem no momento em que os jovens estão começando a explorar o mundo com mais independência e os pais estão ficando muito mais ansiosos em abrir mão desse controle. Vejo muitos paralelos entre ensinar e apoiar as crianças a navegar em espaços online e prepará-las para sair pelo mundo e explorar espaços [físicos], onde também vão se deparar com riscos e complicações e precisar pedir o seu apoio ou desenvolver habilidades para serem bem-sucedidas. Na nossa casa, a questão era se nossos filhos eram responsáveis o suficiente para ter um dispositivo, um celular, e tomamos a decisão de permitir quando estavam no sexto ano. Eles iam a pé para a escola, nós conhecíamos todos os seus amigos. Eles podiam ir para a casa dos amigos após as aulas e nós podíamos nos comunicar com eles. Eles podiam aprender a usá-lo com responsabilidade antes de fazerem a próxima transição, no sétimo ano, para uma escola maior, com pessoas novas, horários novos e pressões novas. Mas essa foi simplesmente a decisão na nossa família. Não é que eu, como psicóloga do desenvolvimento, esteja dizendo que todas as crianças estão prontas para ter um celular aos 11 anos de idade. A questão é se seus filhos estão prontos, se isso se encaixa com a escola, o ambiente, a rotina deles. A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'
17/08/2026 17:58:56 +00:00
Rio ‘AAA’: o que a nota de crédito da Fitch significa para a cidade?

Agência eleva nota de crédito da cidade do Rio para o grau AAA, o mais alto nível, e deixa o Rio à frente de São Paulo O Rio de Janeiro recebeu a nota máxima na escala nacional de crédito da Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo. O RJ1 ouviu especialistas para entender o que, na prática, a nota mudar de AA+ para AAA traz de benefícios para a cidade. A classificação funciona como uma espécie de selo sobre a capacidade do município de honrar suas dívidas e outros compromissos financeiros. Quanto melhor a avaliação, menor é a percepção de risco para quem pretende emprestar dinheiro ou investir em projetos relacionados à cidade. O que significa receber AAA? As agências de risco analisam governos e empresas para estimar a possibilidade de eles cumprirem suas obrigações financeiras. As notas funcionam de maneira semelhante a uma escala: quanto mais alta, menor é considerado o risco de crédito. Na escala nacional da Fitch, AAA é o nível mais elevado. Isso não significa, porém, que o Rio tenha recebido a melhor avaliação possível em uma comparação mundial. A classificação AAA anunciada pela Fitch é nacional, ou seja, compara o risco de crédito do município com o de outros emissores brasileiros. Por que isso pode atrair investimentos? Uma classificação melhor pode aumentar a confiança de bancos, fundos e outros investidores na capacidade de pagamento do município. Segundo o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, isso é especialmente importante para investidores institucionais e estrangeiros que seguem regras sobre o nível de risco dos locais em que podem aplicar recursos. Com uma percepção menor de risco, o município pode encontrar condições mais favoráveis para obter financiamento e se tornar mais atraente para determinados investimentos. E o que muda para o carioca? Não há uma mudança automática ou imediata. Receber AAA não significa que dinheiro novo entrará imediatamente no caixa da prefeitura, nem garante a instalação de empresas ou a criação de empregos. O efeito é indireto: uma situação fiscal considerada mais sólida pode facilitar investimentos e financiamentos e contribuir para um ambiente mais favorável à realização de novos projetos. Se isso se transformar em novos empreendimentos, o resultado pode aparecer na geração de empregos e no aumento da arrecadação municipal. Mais receita também pode ampliar a capacidade de investimento da prefeitura — mas a forma como esses recursos são aplicados depende das decisões do governo municipal. Por que a Fitch melhorou a nota? No relatório, a Fitch afirma que o Rio apresentou nos últimos anos "melhoras consistentes na gestão fiscal", que se traduziram em margens operacionais sólidas e bons indicadores de liquidez. A agência também prevê uma redução gradual da dívida, com os pagamentos tendendo a superar a contratação de novos empréstimos. Ressalvas da agência A Fitch apontou, porém, fragilidades. Entre elas estão a dependência de um número reduzido de contribuintes, a pouca capacidade de aumentar receitas por meio de impostos e a dificuldade de cortar despesas diante de uma eventual queda de arrecadação. Ou seja: o AAA é uma avaliação positiva sobre o risco de crédito do município, mas não significa que as contas da cidade estejam livres de vulnerabilidades. Mais sobre a análise da Fitch A Fitch também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local. Praias de Ipanema e Leblon vistas do Parque Penhasco Dois Irmãos José Raphael Berrêdo / G1
17/08/2026 16:45:07 +00:00
Juros altos, crédito caro e marketplaces: os choques que pressionam o varejo brasileiro

Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Casas Bahia, Marabraz, Americanas, GPA e Marisa estão entre as grandes empresas do varejo brasileiro que enfrentaram crises financeiras nos últimos anos, com impactos que vão de reestruturações e fechamento de lojas a processos de recuperação. (veja mais abaixo) De móveis e eletrodomésticos a alimentos e roupas, os casos são diferentes, mas ajudam a mostrar uma pressão que atravessa o setor: o dinheiro ficou mais caro justamente quando a forma de vender e competir também mudou. 🔎 Juros elevados e crédito caro reduzem o espaço das famílias para parcelar compras e, ao mesmo tempo, encarecem as dívidas e o funcionamento das empresas. 💸 Enquanto isso, marketplaces, comércio eletrônico e concorrência internacional aumentam a disputa por preços e pressionam as margens das empresas, além de exigir investimentos em tecnologia e logística. Nesse cenário, ficam mais vulneráveis as empresas que geram pouco caixa com a própria operação, acumulam estoques, mantêm estruturas físicas caras ou têm dívidas difíceis de pagar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Como a crise atingiu grandes varejistas brasileiras Arte/g1 O primeiro choque: o crédito caro chega ao consumidor Quando a taxa básica de juros está alta, o custo do dinheiro também tende a subir. A Selic, que serve de referência para as demais taxas da economia, está em 14% ao ano. Isso contribui para encarecer o crédito para consumidores e empresas. 🔎 Na prática, os juros tornam as compras parceladas mais caras e podem levar o consumidor a adiar a aquisição de produtos de maior valor. Quanto maior o preço e mais longo o prazo de pagamento, maior tende a ser o custo final. Por isso, categorias como móveis e eletrodomésticos são especialmente sensíveis ao crédito. O Relatório de Economia Bancária (REB), do Banco Central, mostra que as taxas de crédito no Brasil dificultam o parcelamento de compras por períodos mais longos. O impacto é maior entre as famílias de menor renda, que enfrentam juros mais altos e, por isso, têm menos espaço para financiar bens de maior valor. Quando o consumidor adia uma compra, o efeito também chega ao varejista. 📉 A loja vende menos e, se precisar oferecer condições de pagamento mais vantajosas para manter as vendas, pode demorar mais para receber ou ter custos para antecipar esse dinheiro. 📈 Enquanto isso, despesas como salários, aluguel, fornecedores, impostos e juros continuam correndo. Em outras palavras, o problema não é apenas a queda nas vendas. A situação se agrava quando as vendas deixam de gerar caixa suficiente para bancar as despesas do dia a dia. Segundo Bruno Medeiros Durão, especialista em Direito Bancário e Tributário, a diferença está justamente aí. “Muitas empresas olham apenas para o faturamento e esquecem que existe uma diferença enorme entre vender muito e gerar caixa.” Comércio varejo loja Natal RN Inter TV Cabugi/Reprodução Juros altos não atingem todos da mesma forma Ainda assim, os efeitos não são iguais em todo o varejo. Os segmentos que dependem mais de crédito tendem a sentir primeiro a perda de ritmo da economia, enquanto aqueles menos dependentes de financiamento podem ser afetados de outras formas. Essa diferença também é apontada pela Genial Investimentos, que relaciona a desaceleração da economia a uma taxa de juros “significativamente contracionista” e identifica perda de fôlego justamente nos segmentos mais ligados ao crédito. Isso ajuda a explicar por que o mesmo cenário econômico pode ter efeitos tão diferentes sobre as empresas. Uma varejista que depende de vendas parceladas, mantém estoques elevados e tem uma grande rede de lojas, por exemplo, pode enfrentar uma combinação particularmente difícil: consumidores comprando menos, dívidas mais caras e despesas que continuam mesmo quando as vendas caem. 🚨 Nesse cenário, a dívida deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a afetar o funcionamento da própria empresa. O segundo choque: mudou a forma de vender e competir Ao mesmo tempo em que enfrenta o crédito caro, o varejo passa por outra transformação: o consumidor ganhou mais opções para comparar preços e fazer compras. Marketplaces e plataformas digitais aumentaram a concorrência entre vendedores e ampliaram o acesso dos consumidores a produtos nacionais e estrangeiros. ❗ Para competir nesse ambiente, porém, não basta colocar produtos em uma loja virtual. É preciso investir em tecnologia, sistemas de gestão de estoques e estruturas logísticas capazes de fazer os produtos chegarem rapidamente ao consumidor. Segundo o geógrafo Igor Venceslau, no artigo "Digitalização do território brasileiro e comércio eletrônico: os serviços informacionais na divisão territorial do trabalho", o comércio eletrônico exige justamente essa combinação de sistemas de informação, gestão de estoques e estruturas logísticas. Em relatório, analistas do BTG Pactual também destacam a importância de integrar lojas físicas e canais digitais e fortalecer a presença das empresas no ambiente online. Nas Casas Bahia, o canal online, em parceria com o Mercado Livre, foi apontado como uma das principais “alavancas” para o crescimento do negócio. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou o fechamento de 298 unidades, cerca de 29% da rede, como parte da tentativa de reduzir custos e redimensionar a operação. Já o pesquisador Paulo Nassar, em "Cotidiano e memória coletiva no varejo", apresenta um contraponto: durante a crise de confiança da Americanas provocada pela fraude contábil, as vendas digitais caíram muito mais do que as das lojas físicas. Isso sugere que a presença física pode funcionar como um elemento de confiança e resiliência em determinados momentos. A questão, portanto, não é simplesmente ter ou não ter lojas. É manter uma estrutura — física e digital — compatível com o volume de vendas e com a capacidade de gerar caixa para sustentar a operação. Quando a crise exige mudanças na operação A combinação desses fatores ajuda a explicar por que algumas empresas conseguem atravessar períodos de pressão, enquanto outras precisam cortar custos, reduzir operações, renegociar dívidas ou, em casos mais graves, buscar proteção judicial. A recuperação judicial, porém, não acontece de uma hora para outra. “Quando uma empresa chega a uma recuperação judicial, normalmente estamos falando de uma dificuldade que foi se acumulando”, afirma Letícia Rocha Carneiro, advogada tributarista. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Nas Casas Bahia, por exemplo, a crise é associada a juros altos, crédito restrito e aumento dos custos financeiros. O fechamento de lojas faz parte das medidas adotadas pela empresa para reduzir custos e redimensionar a operação. Mas a recuperação judicial, por si só, não torna uma empresa saudável. O processo pode reorganizar as dívidas e dar tempo para a companhia se reestruturar, mas o negócio precisa voltar a gerar caixa suficiente para sustentar a operação. “Recuperação judicial apenas ‘compra tempo’”, afirma Marcos Pelozato, advogado especialista em recuperação judicial. Para ele, o sucesso depende da capacidade de a empresa voltar a gerar caixa de forma sustentável e operar com margens saudáveis. A mesma lógica aparece em outras reestruturações do varejo. O BTG cita Azzas/Hering, Grupo SBF, CVC e Casas Bahia entre as empresas que adotaram medidas como redução de custos, controle de estoques e busca por maior geração de caixa. No fim, as empresas mais vulneráveis são aquelas que precisam fazer essa adaptação enquanto lidam com baixa geração de caixa, estoques elevados, estruturas físicas caras ou dívidas difíceis de administrar. “O pedido de recuperação judicial representa um momento crítico, mas não é uma sentença de morte para a empresa”, resume Letícia. Segundo ela, o que vem depois é a parte mais difícil: mostrar que, com menos dívida e uma operação reorganizada, a empresa ainda tem um negócio capaz de gerar caixa.
17/08/2026 16:31:34 +00:00
Estrangeiros retiram R$ 15,6 bilhões da Bolsa em agosto, maior saída desde 2022

Pessoas caminham em frente à B3, a bolsa de valores de São Paulo, em 2023. REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo Os investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da B3 em agosto, considerando os pregões até a última quinta-feira (13), segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria com base em dados da Bolsa. 🔎O cálculo desconsidera os recursos destinados a ofertas iniciais de ações (IPOs), quando uma empresa estreia na Bolsa, e a follow-ons, que são novas ofertas de ações realizadas por companhias já listadas no mercado. O volume já configura a maior saída mensal da série histórica acompanhada pela consultoria desde janeiro de 2022. O resultado supera o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões registrado em maio deste ano, que até então ocupava a primeira posição. Com isso, 2026 passa a reunir as duas maiores retiradas mensais de recursos estrangeiros da série. RJ1 alerta para calendário de pagamento do Bolsa Família em agosto O dado chama atenção porque agosto ainda é um mês parcial. Em apenas nove pregões, a saída já ultrapassou todo o volume registrado em maio, que teve 21 pregões, evidenciando uma aceleração do fluxo de retirada de capital. Dólar sobe e Ibovespa cai com investidores estrangeiros retirando dinheiro do Brasil Entrada líquida mensal de rescursos de investidores estrangeiros na B3 em R$ bilhões, sem aportes em IPOs e Folloe Ons. Estudo exclusivo do Elos Ayta Tudo mudou em apenas alguns meses No primeiro trimestre, os investidores estrangeiros aportaram R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março. Em julho, o saldo também foi positivo, com entrada de R$ 2,56 bilhões. A partir do segundo trimestre, porém, o fluxo mudou de direção. Depois da saída de R$ 13,28 bilhões em maio, junho registrou retirada de R$ 7,79 bilhões, e agosto já acumula um volume ainda maior antes da metade do mês. Segundo a Elos Ayta, o principal ponto de atenção é justamente a velocidade da saída. Como o mês ainda não terminou, não é possível antecipar o saldo definitivo, mas o ritmo observado até agora coloca agosto como o período de maior retirada de capital estrangeiro da B3 desde o início da série histórica da consultoria.
17/08/2026 16:14:13 +00:00
Ex-funcionários da Casas Bahia lamentam fechamento de lojas em meio a crise da varejista

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Um funcionário da Casas Bahia usou as redes sociais para desabafar após ser informado sobre o fechamento da unidade da rede em Ponta Porã (MS). Em um vídeo, Edson Silva relata a emoção de encerrar uma trajetória de 21 anos na empresa e agradece a colegas, gestores e clientes que fizeram parte de sua carreira. No vídeo, Edson afirma que recebeu a notícia durante uma reunião. Segundo ele, o fechamento da loja representa um dos momentos mais difíceis de sua vida profissional. "Hoje o coração tá partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido", disse. No depoimento, o funcionário relembra sua trajetória na empresa e destaca a importância que o emprego teve em sua vida pessoal. Segundo ele, foi com o trabalho nas Casas Bahia que conseguiu sustentar a família e criar os filhos ao longo de mais de duas décadas. "Foi daqui que eu tirei meu sustento, foi daqui que eu criei meus filhos, foi daqui que eu formei minha família", afirmou. Também no Instagram, a ex-funcionária Caroline Lacowictz relembrou sua trajetória de 10 anos na empresa. "Foram 10 anos de história, duas filiais, de 2014 a 2025, de Analista de Crédito a Consultora Administrativa. Uma História construída, onde cresci, amadureci, errei, aceitei, conquistei, e onde conheci pessoas maravilhosas, que levo em meu coração até hoje", diz. Já o paulistano Rodrigo Santana usou um carrossel com fotos dele e de colegas para marcar a despedida da loja. "Hoje encerro um ciclo muito importante na minha trajetória. A Casas Bahia de Osvaldo Cruz encerra suas atividades, e junto com ela ficam muitas histórias, aprendizados, desafios e, principalmente, amizades que levarei comigo", escreveu. "Cada conversa, cada venda, cada desafio e cada momento compartilhado deixou sua marca", completou. LEIA TAMBÉM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
17/08/2026 15:49:27 +00:00
Dona do TikTok assina acordo sobre direitos autorais de IA com grupo de Hollywood

Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, e a Motion Picture Association (MPA), entidade que representa grandes estúdios de Hollywood, assinaram nesta segunda-feira (17) um acordo para reforçar a proteção de direitos autorais em ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram vídeos e imagens. O acordo envolve o Seedance, ferramenta de geração de vídeos, e o Seedream, voltado à criação de imagens. A parceria ocorre meses depois de a MPA questionar a forma como a ByteDance lidava com conteúdos protegidos por direitos autorais nessas ferramentas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em fevereiro, a associação enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance após estúdios de Hollywood demonstrarem preocupação com a possibilidade de as ferramentas produzirem vídeos e imagens com personagens protegidos por direitos autorais e reproduzirem a aparência de celebridades sem autorização. A ByteDance afirmou que as versões mais recentes dos modelos contam com medidas mais rígidas para proteger conteúdos e personagens sujeitos a direitos autorais. As ferramentas são oferecidas em serviços da empresa, como TikTok, CapCut e Dreamina. Segundo a MPA e a ByteDance, as duas partes continuarão trabalhando juntas para desenvolver novas medidas de proteção de conteúdos sujeitos a direitos autorais à medida que a tecnologia de IA avança. Agora no g1
17/08/2026 15:11:44 +00:00
De ameaça a oportunidade: como a Nestlé quer lucrar com a febre de Ozempic e Mounjaro

Logo da Nestlé na sede da empresa em Vevey, na Suíça, em 25 de novembro de 2024. REUTERS/Denis Balibouse A Nestlé busca transformar a crescente popularidade dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 de uma ameaça em uma oportunidade de negócio. Para isso, a empresa usa inteligência artificial e ciência nutricional para desenvolver produtos voltados a milhões de consumidores que usam medicamentos como Ozempic e Wegovy. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A rápida adoção dos medicamentos fabricados pela Novo Nordisk e pela Eli Lilly aumentou a preocupação dos investidores de que os remédios, que reduzem o apetite, possam diminuir de forma permanente a demanda por alimentos industrializados, lanches e bebidas. A Nestlé, no entanto, acredita que esses medicamentos também estão criando um novo mercado para produtos voltados a alguns dos efeitos da perda rápida de peso. Agora no g1 O diretor de tecnologia da empresa, Stefan Palzer, disse à Reuters que a Nestlé usa inteligência artificial e outras tecnologias para analisar pesquisas clínicas, identificar combinações de nutrientes e desenvolver produtos específicos para pessoas que utilizam medicamentos à base de GLP-1. "Estamos bem posicionados com o portfólio. É uma grande oportunidade para nossa empresa", disse ele. Materiais de apresentação mostrados à Reuters detalham efeitos associados à perda rápida de peso, como a redução da massa muscular e da gordura facial, frequentemente chamada de "rosto de Ozempic". Os documentos também apontam áreas em que a Nestlé acredita que seus produtos podem ajudar. O mercado de medicamentos à base de GLP-1 é dominado por Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, e por Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk. De acordo com o Boston Consulting Group, cerca de 16 milhões de americanos usam medicamentos dessa classe, número que deve crescer consideravelmente até o fim da década. A estratégia da Nestlé tem sido desenvolver produtos adaptados às necessidades de quem utiliza esses remédios. Para isso, a empresa usa inteligência artificial para acelerar pesquisas, desenvolver alimentos e bebidas e analisar o comportamento dos consumidores. Combate aos efeitos da perda de peso Palzer afirmou que os cientistas da Nestlé estudam as consequências da perda rápida de peso e desenvolvem produtos para ajudar os consumidores a lidar com esses efeitos. A empresa usa ferramentas de inteligência artificial para processar grandes volumes de pesquisas clínicas e identificar combinações de nutrientes que possam contribuir para a manutenção da massa muscular, a hidratação e uma alimentação adequada. A Nestlé também começou a adicionar proteína de colágeno aos produtos da marca Vital Proteins, com o objetivo de atender a preocupações com a saúde da pele, dos cabelos e das unhas durante a perda rápida de peso. "Uma grande parte da perda de peso se deve à perda de massa muscular magra", disse Palzer. "Descobrimos uma combinação de dois micronutrientes que industrializamos e que estimulam o crescimento do tecido muscular. Por um lado, fornecemos proteína; por outro, estimulamos o tecido muscular a se regenerar mais rapidamente." Palzer afirmou ainda que a Nestlé patenteou combinações de ingredientes desenvolvidas para reduzir o apetite de consumidores que apresentam aumento da fome após interromper o tratamento com medicamentos à base de GLP-1. A empresa já lançou produtos específicos para esse público. A divisão americana da Nestlé criou o Boost Advanced Nutrition Shake, que oferece 35 gramas de proteína e promete auxiliar na manutenção da massa muscular durante o emagrecimento. Na Ásia e na Austrália, a empresa lançou uma versão com maior teor de proteína de sua bebida maltada Milo, chamada Milo PRO High Protein. Fabricantes de sorvetes também enfrentam desafios semelhantes e têm apostado em produtos com mais proteína, porções menores e listas de ingredientes mais simples. IA ajuda a criar e testar receitas A inteligência artificial tem um papel cada vez mais importante nesse processo. A Nestlé desenvolveu sistemas internos para analisar pesquisas científicas, simular o comportamento dos consumidores, identificar tendências e ajudar no desenvolvimento de produtos a partir de um banco de dados de aproximadamente 120 mil receitas. Entre essas ferramentas está uma plataforma interna chamada Food Genie. Segundo Palzer, ela ajuda cientistas e desenvolvedores a prever o desempenho das receitas e identificar oportunidades de reformulação dos produtos. "Imagine uma pequena empresa com apenas mil receitas. É muito difícil modelar e prever receitas usando IA", disse ele. "A IA precisa de dados", completa. A Nestlé também testa simulações baseadas em inteligência artificial para prever como os consumidores reagiriam a novos produtos e a alegações relacionadas à saúde antes que eles cheguem às prateleiras. A empresa também usa a tecnologia para monitorar as redes sociais e identificar novas tendências de consumo. "Você percebe a repercussão em torno de certos tópicos e então pode concluir se essa é uma tendência duradoura ou não", disse Palzer. "A inteligência artificial estará cada vez mais presente nesse campo." Nem todos estão convencidos Alguns especialistas em nutrição questionam se produtos desenvolvidos especificamente para usuários de medicamentos para perda de peso oferecem vantagens significativas em relação aos alimentos convencionais. "É muito triste que estejamos sempre recorrendo a novos produtos que são mais caros do que alimentos frescos e integrais que também contêm as mesmas proteínas e nutrientes", disse Amanda Avery, professora associada de nutrição e dietética da Universidade de Nottingham, no centro da Inglaterra. Ela destacou que carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, nozes e outras leguminosas continuam sendo fontes relativamente acessíveis de proteínas e nutrientes. Ainda assim, Avery afirmou que produtos voltados especificamente para usuários de medicamentos à base de GLP-1 provavelmente encontrarão compradores. "Infelizmente, somos bastante influenciados pelo marketing", disse ela. "A Nestlé certamente fez sua pesquisa."
17/08/2026 14:58:33 +00:00
Ministro da Fazenda espera retomada da relação com os Estados Unidos após eleições e diz que Brasil não se dobra

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou nesta segunda-feira (17) que os problemas do Brasil com os Estados Unidos são pontuais, localizados, e afirmou esperar que, depois das eleições de outubro, o fluxo de comércio e o diálogo institucional possam ser normalizados. Durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, ele declarou que o Brasil está sendo punido com sobretaxas a seus produtos enquanto apresenta déficit comercial (mais importa do que exporta) com os norte-americanos. "Não faz nenhum sentido, nenhum sentido", disse. "O que o presidente Lula sempre coloca é o seguinte: o Brasil não se dobra à América do Norte, à Europa ou à Ásia. O Brasil, ele se vê como liderança global que merece respeito que vai fazer o debate sabendo das suas fraquezas e das suas fortalezas", acrescentou Durigan. Brasil aciona Lei da Reciprocidade para responder a tarifas dos EUA Em meados do mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. No processo, o governo Trump afirmou que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram outra sobretaxa sobre 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas variando entre 10% e 12,5%. A decisão, informou os EUA, foi resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Sem 'alinhamento automático' Segundo o ministro Durigan, não há opção de o governo brasileiro fazer um "alinhamento automático" com qualquer país que seja pois o Brasil não quer ter uma "dependência maior a um só país". "Seja porque a gente não vai ficar dizendo que nós vamos fazer tudo que um país da América do Norte quer, não vamos fazer nenhuma coisa nenhuma que vamos achar o nosso caminho em termos de potencialidades", concluiu o ministro. Ele lembrou, também, da parceria existente com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado na América Latina. "É natural que essa parceria aconteça de maneira mais amigável com os Estados Unidos. nos outros países da região, a gente tem uma série de coisas institucionais feitas pela Polícia Federal, pela Receita, que não fazem sentido a gente meter política nessa história e atrapalhar fluxos de informação, de inteligência que já acontecem muito bem", acrescentou. Dario Durigan Washington Costa/MF Juros altos e ajuste fiscal O ministro da Fazenda voltou a afirmar que é preciso realizar ajuste das contas púbicas para permitir uma queda da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, são os juros mais altos do mundo, em ranking da MoneYou. "Isso precisa ser tratado bastante rapidamente para que a gente volte a ter projeto de desenvolvimento, projeto de país em breve. Então eu diria que um controle de gasto obrigatório, de rediscutir a questão das emendas rediscutir, privilégios que existem, seja do ponto de vista de aposentadoria, que eu falo no servidor público, de militar, em especial, penduricalho e super salário", declarou ele. Apesar do aumento de gastos públicos e da disparada de 10 pontos percentuais do PIB na dívida pública na parcial da atual gestão, Durigan afirmou que, em um eventual novo mandato de Lula, o governo "precisa seguir buscando o equilíbrio fiscal" e "resultados positivos" para fiar mais forte em contexto de incertezas globais.
17/08/2026 14:49:07 +00:00
Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial A rede de móveis Marabraz protocolou, no último domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa busca reorganizar suas finanças e renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas, segundo confirmação da companhia ao g1. O pedido envolve cinco empresas do grupo: Comercial de Móveis Jordanésia; S.V.C. Jaraguá Comercial; Comercial Móveis das Nações; Comercial Zena Móveis; Monta Móveis Prestadora de Serviços. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e manter as atividades em funcionamento. (entenda mais aqui) Em nota enviada ao g1, a Marabraz afirmou que a decisão foi motivada pela combinação de fatores que afetaram a empresa nos últimos anos. "Diante dos desafios enfrentados pelo setor varejista e com objetivo de preservar a continuidade de suas atividades, a Marabraz ajuizou pedido de recuperação judicial. A medida representa uma decisão responsável para promover a reestruturação da operação, organizar compromissos e criar condições para a continuidade dos negócios", afirmou o diretor da Marabraz, Nasser Fares. Segundo a assessoria da companhia, os principais fatores que levaram ao pedido foram o atual cenário desafiador do varejo brasileiro, a ruptura na estrutura familiar que dava suporte às operações do grupo e a dificuldade de acesso ao crédito. A empresa informou que as lojas continuarão funcionando normalmente durante o processo de recuperação judicial. "A empresa permanece em operação, com lojas abertas, e reafirma seu compromisso com a transparência e com o cumprimento das etapas previstas na legislação", disse a companhia. "O processo terá como prioridades a preservação de empregos e a manutenção das relações construídas ao longo de sua história com clientes, fornecedores e parceiros." Fundada por uma família de origem libanesa que iniciou suas atividades comerciais na década de 1950, a Marabraz tornou-se uma das principais redes de móveis e eletrodomésticos do estado de São Paulo. No comunicado, a empresa afirmou que pretende utilizar a recuperação judicial para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições para retomar o crescimento. "A Marabraz está empenhada em atravessar este período com responsabilidade para preservar sua operação e se fortalecer para um novo ciclo de crescimento, reforçando o valor de sua marca para honrar o legado construído com ética, respeito e confiança", concluiu a companhia. Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões Divulgação
17/08/2026 14:35:54 +00:00
Casas Bahia pede recuperação judicial; entenda o que significa e como funciona

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo, e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Nesta reportagem você vai entender: O que é a recuperação judicial? Quem pode pedir recuperação judicial? Como é feito o pedido de recuperação judicial? Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? Por que uma empresa pede recuperação judicial? O que é a recuperação judicial? A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias e a operação é mantida. A recuperação judicial foi instituída no Brasil em 2005 pela lei 11.101, que substituiu a antiga Lei das Concordatas, de 1945. A diferença entre as duas é que, na recuperação judicial, é exigido que a empresa apresente um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores. Na concordata, era concedido alongamento de prazo ou perdão das dívidas sem a participação dos credores. Voltar ao início. Quem pode pedir recuperação judicial? Empresas privadas de qualquer porte e com mais de dois anos de operação podem recorrer à recuperação judicial. Porém, a lei não vale para estatais e empresas de capital misto, bem como para cooperativas de crédito e planos de saúde. Também não podem pedir recuperação judicial as empresas que já tenham feito outro pedido há menos de cinco anos e as comandadas por empresários que já foram condenados por crime falimentar (relacionados a processos de falência). Voltar ao início. Como é feito o pedido de recuperação judicial? O pedido é feito à Justiça por meio de uma petição inicial que contém, entre outras informações, o balanço financeiro dos últimos três anos, as razões pelas quais entrou em crise financeira, e a lista de credores. Depois que o pedido é aceito, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação, e as execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias. A lei determina que a assembleia de credores aconteça em até 150 dias após o deferimento do processo pela Justiça, mas, na prática, esse prazo costuma ser ultrapassado. Voltar ao início. Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? A recuperação judicial serve para tentar evitar a falência e recuperar a empresa, o que nem sempre acontece. Na falência, a companhia encerra completamente as atividades. Todos os seus ativos são recolhidos pela Justiça e vendidos para o pagamento das dívidas, enquanto na recuperação judicial há uma negociação. Voltar ao início. Por que uma empresa pede recuperação judicial? Em geral, as empresas pedem recuperação judicial quando já estão com dívidas atrasadas e começam a ser cobradas pelos credores. Os motivos que levam uma empresa à crise financeira são diversos. "Pode acontecer de [a companhia] pedir antes de ficar inadimplente, mas usualmente é quando ela vê que não está conseguindo pagar e quer ganhar tempo para conseguir conversar com os credores sem execuções", diz a advogada Clara Azzoni, especialista em recuperação judicial do escritório Felsberg. Voltar ao início. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos Sarah Brito/g1 VÍDEOS: notícias de Economia
17/08/2026 13:50:29 +00:00
Ações da Casas Bahia despencam na bolsa e passam de mais de R$ 400 para centavos em 5 anos

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08. Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,49 — queda de 25,76%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%. O que explica a queda? A desvalorização ocorreu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles: aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico; impacto da pandemia sobre as lojas físicas; forte alta dos juros a partir de 2021; aumento do custo das dívidas; queda do consumo das famílias e maior inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras. Plano de reestruturação não foi suficiente Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques. No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa. Mesmo assim, a empresa afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial ao qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas. Empresa virou uma 'penny stock' Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como "penny stocks". 🔎 O termo "penny stock" é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis apresentam forte volatilidade e podem estar associados a empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira. O preço baixo, porém, não significa, por si só, que uma ação esteja "barata". Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam queda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30. A empresa abriu capital na bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, quando passou a adotar o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia na bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira. Recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa. A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, nos EUA e na Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram. Prejuízo bilionário no 2º trimestre Ainda no domingo, a empresa divulgou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar disso, alguns indicadores melhoraram. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas online avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões, de acordo com o balanço da companhia. A empresa também comunicou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que será substituído por Sírley Lima, além das saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração. Calderón permanecerá à frente de comitês internos da companhia. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
17/08/2026 13:46:10 +00:00
Casas Bahia pede recuperação judicial: entenda a crise da varejista e quem faz parte do grupo

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia informou no último domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Segundo a empresa, o pedido se tornou necessário diante da piora de sua situação financeira, em meio ao cenário de juros elevados no país — que encareceu o crédito e aumentou os custos financeiros — e ao consumo mais fraco, que reduziu sua capacidade de gerar caixa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Essa, no entanto, não foi a primeira tentativa do grupo de reestruturar as finanças e preservar suas operações. Os primeiros sinais da crise surgiram em 2022, quando a empresa começou a registrar sucessivos prejuízos trimestrais, em um cenário que se agravou nos últimos anos. Entenda como começou a crise e o que é o Grupo Casas Bahia Casas Bahia Divulgação/Casas Bahia O que é e como funciona a recuperação judicial? Entenda a crise da Casas Bahia Os primeiros sinais da crise do Grupo Casas Bahia apareceram no terceiro trimestre de 2022, quando a empresa registrou o primeiro de uma série de prejuízos trimestrais. Naquela época, a companhia já havia começado a fechar lojas com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda enfraquecida pelos efeitos da pandemia de Covid-19. No fim daquele ano, em meio ao cenário de alta dos juros iniciado em 2021, a empresa já buscava aumentar a rentabilidade e alcançar um crescimento mais sustentável, com foco na geração de caixa. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação, baseado nesses dois pilares e com previsão de crescimento após 2025. Plano de transformação e recuperação extrajudicial À época, o presidente da Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto (antigo Ponto Frio), Renato Horta Franflin, afirmou que a companhia já havia adotado uma estratégia de crescimento focada nas vendas digitais, além da abertura de novos canais, da expansão de lojas e da aposta em fintechs. "Nós entendemos que isso tudo foi feito. Construímos uma super plataforma, e ela já é grande. Então, entre investir para crescer mais essa plataforma ou pegar e rentabilizar o que tenho aqui, preferimos ganhar dinheiro com o que tem aqui", diz. Ao longo daquele ano, no entanto, mesmo com o fechamento de dezenas de lojas e milhares de postos de trabalho, o cenário continuou desafiador para o varejo brasileiro, diante dos juros elevados, do crédito mais caro e do maior endividamento dos consumidores. Com o Grupo Casas Bahia não foi diferente. Assim, apenas oito meses após o anúncio do plano, o Grupo Casas Bahia deu um novo passo na reestruturação financeira e pediu recuperação extrajudicial para alongar e renegociar dívidas estimadas em R$ 4,1 bilhões. Dívidas alongadas e nova reestruturação financeira A homologação do pedido de recuperação extrajudicial do grupo ocorreu em abril de 2024 e suspendeu, por 180 dias, as execuções movidas por credores contra a empresa. 🔎 O processo é diferente da recuperação judicial, em que a companhia em crise financeira recorre à Justiça para negociar com seus credores. Na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores e, depois, submetida à homologação da Justiça. Em 2025, como parte da transformação de sua estrutura de capital, o grupo conseguiu reduzir a alavancagem — o quanto uma empresa depende de dinheiro emprestado para operar e crescer — e cortar em 75% sua dívida líquida. Situação volta a piorar No primeiro semestre deste ano, no entanto, a situação da empresa voltou a piorar, em meio a uma nova pressão sobre o caixa. Apesar de ter reduzido a dívida líquida em R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, o grupo logo sinalizou a necessidade de reorganizar suas obrigações financeiras. No último domingo (16), a companhia reportou prejuízo líquido de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre deste ano. Também informou que fechou mais de 200 lojas em uma nova etapa do plano de transformação anunciado em 2023, na tentativa de enfrentar o cenário mais desafiador para o varejo brasileiro. Segundo o grupo, essa nova etapa incluiria mudanças na estratégia dos canais digitais, redução de estoques, cortes de custos e despesas, menor necessidade de capital para manter o negócio funcionando e busca por alternativas para reforçar o caixa e reduzir o peso das dívidas. No balanço, a Casas Bahia também afirmou que tentou levantar recursos no Brasil e no exterior para reforçar o caixa, mas parte das negociações não avançou. A desistência de um investidor e a dificuldade para obter novos financiamentos, em um cenário de juros altos, crédito mais restrito e maior incerteza nos mercados, também contribuíram para o pedido de recuperação judicial. Quem faz parte do Grupo? O Grupo Casas Bahia é uma das maiores varejistas do Brasil e controla marcas como Casas Bahia, Ponto, Extra.com.br e a fabricante de móveis Bartira. O grupo também atua nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, como o Casas Bahia Pay. A atual estrutura do grupo começou a ser formada em 2009, quando a rede Casas Bahia foi incorporada à Globex, controladora do Ponto (antigo Pontofrio). Em 2010, a empresa adotou o nome Via Varejo, que passou a ser apenas Via em 2021 e, em 2023, mudou para o nome atual, Grupo Casas Bahia. Nos últimos anos, o grupo também expandiu os canais digitais e investiu em comércio eletrônico, logística, meios de pagamento e serviços financeiros, além de adquirir empresas de tecnologia e ligadas ao ecossistema digital. No segundo trimestre deste ano, a empresa reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões e anunciou novos planos para reduzir o tamanho da operação, concentrar esforços nos negócios mais rentáveis e cortar gastos para gerar mais caixa e equilibrar as contas.
17/08/2026 13:30:41 +00:00
Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
17/08/2026 13:28:46 +00:00
'Prévia' do PIB do Banco Central registra crescimento de 0,2% no 2º trimestre, com forte desaceleração

Indústria se destacou no segundo trimestre deste ano Arquivo-Fiems O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre deste ano. O resultado pelo BC foi calculado após ajuste sazonal — uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes. A comparação foi feita com o primeiro trimestre de 2026. O dado divulgado pelo Banco Central mostra forte desaceleração da economia. Isso porque, no primeiro trimestre de 2026, o IBC-BR teve uma expansão bem maior: de 1,3%. O crescimento do IBC-Br no 2º trimestre deste ano foi o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025 — quando foi registrada uma retração de 0,5%. Por setores, foi registrada expansão em agropecuária e indústria no segundo trimestre, e retração em serviços. Agropecuária: + 0,3% Indústria: + 0,5% Serviços: - 0,1% Agora no g1 O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Já o IBC-Br tem um cálculo diferente, com um conjunto mais restrito de informações (veja mais abaixo nessa reportagem). O resultado oficial do PIB no segundo semestre deste ano, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 1º de setembro. 🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. 🔎Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social. Ano eleitoral Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população. A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias. ▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 2% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado. No cálculo do PIB, construção civil é um dos segmentos levados em consideração. Jornal Nacional/ Reprodução Mês de junho De acordo com o Banco Central, em junho deste ano, na comparação com o mês anterior, o IBC-Br registrou uma queda de 0,6%. Com isso, houve piora na comparação com fevereiro, quando o indicador apresentou estabilidade. Essa também foi a primeira queda em três meses. Na comparação com junho de 2025, a chamada prévia do PIB do BC teve alta de 2% (sem ajuste sazonal). Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,5% na comparação com os três primeiros meses de 2025. E, em 12 meses até junho, a expansão também foi de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. PIB X IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.
17/08/2026 12:01:15 +00:00
Dólar fecha em queda, após pesquisa eleitoral e de olho no varejo brasileiro; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (17), com um recuo de 0,36%, cotado a R$ 5,2006. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,09%, aos 166.784 pontos, na décima queda consecutiva. O mercado segue em um ambiente de cautela diante das incertezas eleitorais e do cenário fiscal. A nova pesquisa Quaest reforçou a liderança de Lula, enquanto o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia colocou o varejo brasileiro no radar dos investidores. No exterior, as tensões no Oriente Médio também pressionam os mercados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova pesquisa eleitoral da Quaest, divulgada na última sexta-feira (14), está entre os destaques da sessão. As sondagens apontaram novamente para uma liderança do presidente Lula (PT), elevando as as preocupações com o rumo das contas públicas. Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que os planos dos candidatos para os gastos do governo e para a condução da economia ganhem cada vez mais espaço nas decisões de investimento. ▶️ Já no ambiente corporativo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira, fazendo com que investidores olhem com cuidado para o varejo brasileiro. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Esse ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos. ▶️Na agenda de indicadores, investidores avaliaram novos dados de inflação no Brasil e a nova edição do Boletim Focus, do Banco Central. O IGP-10 registrou queda de 0,51% neste mês, após recuar 1,13% em julho. Já no Focus, o mercado manteve as projeções pra inflação, PIB, câmbio e Selic para este ano. ▶️ No exterior, as tensões no Oriente Médio seguiram no radar. Nesta segunda-feira (17), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o país "se intrometa" no Estreito de Ormuz. Já no final de semana, o Irã anunciou uma recompensa de US$ 30 mil (R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares americanos e entregá-los às autoridades iranianas. Em meio às tensões, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 2,65%, cotado a US$ 90,87 , enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 2,55%, a US$ 84,50. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,36%; Acumulado do mês: +2,58%; Acumulado do ano: --5,25%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. Pesquisa eleitoral: Lula segue na liderança A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na sexta-feira (14), apontou, mais uma vez, para a liderança do presidente Lula na corrida presidencial. Segundo o levantamento, enquanto o petista aparece com 38% das intenções de voto no 1º turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%. A terceira posição fica com Renan Santos (Missão), com 4%. O cenário eleitoral volta a levantar preocupações no mercado financeiro sobre a situação da dívida pública, tema frequentemente comentado como ponto de atenção para o futuro da economia e dos juros. Atenção para o varejo brasileiro O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Essa não foi a primeira vez que a Casas Bahia busca reorganizar sua situação financeira. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. A Casas Bahia também não foi a primeira varejista brasileira a demonstrar problemas. O grupo Toky, por exemplo, dona da Tok&Stok e da Mobly, que registrou um prejuízo de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre deste ano, já havia entrado com pedido de recuperação judicial em maio deste ano. Entre outras empresas com dificuldade nas contas, enquanto a Magazine Luiza apresentou um prejuízo de mais de R$ 50 milhões no segundo trimestre deste ano, a Americanas quase triplicou as perdas no período, para R$ 274 milhões. As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia. Com a notícia de recuperação judicial da Casas Bahia, os papéis da companhia caíam mais de 30% no Ibovespa, contaminando outros papéis de varejo do índice. Perto das 15h45, a Lojas Renner recuava 1,07%, Raia Drogasil perdia 1,31% e C&A tinha queda de 1,88%. Magazine Luiza, umas das principais rivais do grupo, ia na contramão e figurava entre os destaques da sessão, com alta de mais de 7% no mesmo horário. Tensões no Oriente Médio seguem no radar As tensões no Oriente Médio também seguem na mira dos mercados financeiros, conforme investidores avaliam eventuais riscos à oferta global de petróleo. Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News. "Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total", disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV. ➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita. Na entrevista, ainda de acordo com a Fox, Trump revelou ter um "canal secreto" de negociações para o fim da guerra com a Guarda Revolucionária do Irã. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Já o Irã, por sua vez, anunciou uma recompensa equivalente a US$ 30 mil dólares (cerca de R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares dos Estados Unidos e entregá-los às autoridades iranianas. Segundo relatos da imprensa iraniana, o valor será dobrado no caso de mulheres que participem da ação. As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices americanos caíram, conforme investidores avaliavam o cenário de tensões no Oriente Médio. O S&P 500 perdeu 0,51%, fechando em 7.746,21 pontos, enquanto o Nasdaq Composite caiu 0,31%, para 26.652,29 pontos. O Dow Jones recuou 0,49%, para 53.469,20 pontos. Na Europa, a maioria das bolsas locais fechou em queda, conforme o rali impulsionado por balanços corporativos perdeu força e o impasse contínuo entre os EUA e o Irã reduziu o apetite por risco. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,22%, aos 656,41 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 0,38%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,66% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,28%. Na Ásia, as ações chinesas registraram alta nesta segunda-feira (17), impulsionadas pelos setores de tecnologia, com as fabricantes de chips apresentando forte avanço graças aos sólidos resultados financeiros. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 1,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 1,4%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,34% e o Nikkei,, do Japão, teve ganhos de 0,74%. O Kospi, da Coreia do Sul, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Rick Wilking/Reuters
17/08/2026 12:00:22 +00:00
Dona da Tok&Stok e da Mobly tem prejuízo de R$ 232,7 milhões no 2º trimestre

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou na madrugada de sábado (15) prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, a perda havia sido de R$ 88,9 milhões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o balanço da companhia, que está em recuperação judicial, a receita líquida caiu 37,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 207,1 milhões. O resultado operacional também piorou. O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de despesas financeiras e tributos, ficou negativo em R$ 156,2 milhões. Um ano antes, o resultado havia sido positivo em R$ 19,4 milhões. As vendas brutas, medidas pelo chamado GMV (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias vendidas), somaram R$ 295,2 milhões, queda de quase 32% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Em maio, o Grupo Toky anunciou que havia entrado com pedido de recuperação judicial, citando dívidas superiores a R$ 1 bilhão. 🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente. Segundo a empresa, a decisão foi tomada diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito. De acordo com o grupo, esse cenário reduziu as vendas e pressionou o caixa da companhia. O Grupo Toky também afirmou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou aumentando. "Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a empresa, o pedido busca preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as dívidas. O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e corre sob segredo de justiça. Ainda em maio, um dia após anunciar o pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky promoveu mudanças em sua diretoria executiva. Victor Pereira Noda deixou a presidência, que passou a ser ocupada por André Ferreira Peixoto. Também houve alterações nas diretorias financeira e de operações. Os três executivos substituídos, que estão entre os fundadores da companhia, permaneceram no conselho de administração. Segundo o grupo, as mudanças não alteram a estratégia de longo prazo nem os compromissos assumidos pela empresa. "A transição ora comunicada não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado, ou na condução dos negócios da companhia", afirmou o grupo. O que é o Grupo Toky e como ele surgiu Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP Reprodução/Tok&Stok O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas das marcas mais conhecidas do setor de móveis e decoração do país. A fusão deu origem a um dos maiores grupos de casa e decoração da América Latina, reunindo operações físicas e digitais. A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco na venda online de móveis e itens de decoração. A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu suas operações para o varejo físico. Atualmente, conta com 11 lojas entre megastores, outlets e unidades compactas. Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos e acessíveis, acompanhando a expansão da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país. O grupo também controla a Guldi, marca especializada na venda de colchões. *Com informações da agência de notícias Reuters
17/08/2026 11:51:25 +00:00
Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram

Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram Getty Images via BBC Nos últimos anos, a Meta vem sofrendo sucessivas derrotas nos tribunais devido à forma como suas plataformas — Facebook e Instagram — afetam usuários jovens. Mas um julgamento marcado para começar na terça-feira (18/08) pode representar a maior ameaça até agora às suas operações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O julgamento decorre de um processo judicial instaurado em 2023 por 30 Estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, com acusações de inúmeras violações das leis federais e estaduais de privacidade infantil. Os Estados não só estão buscando mais de US$ 1 trilhão da Meta, como também exigem que ela faça mudanças no Instagram e no Facebook, incluindo o fim da contagem de "curtidas" e da rolagem infinita. Caso a Meta seja derrotada em um processo dessa magnitude, isso poderá forçar mudanças fundamentais na forma como os jovens interagem com as redes sociais. Agora no g1 Os Estados que processam a Meta estão pedindo diversas mudanças na forma como o Instagram e o Facebook funcionam para os jovens. Eles querem que a Meta: implemente um processo de verificação parental para usuários adolescentes; altere seus "algoritmos de recomendação que manipulam a dopamina"; remova diversos filtros de imagem que alteram a aparência nas fotos; encerre a reprodução automática do conteúdo de vídeo; proíba a criação de múltiplas contas; acabe com as publicações rápidas ou que desaparecem, como os Stories do Instagram. Todas essas funcionalidades são essenciais para a experiência atual do usuário nas plataformas da Meta. Esses recursos também são projetados para manter os usuários, incluindo adolescentes e crianças, nas plataformas com a maior frequência e pelo maior tempo possível, argumentam os Estados. Eles alegam que a Meta chega a dificultar que os jovens usem menos a plataforma, por meio de recursos como notificações frequentes criadas para incentivá-los a voltar aos aplicativos. Ao supostamente visar usuários menores de idade, o processo afirma que a Meta "optou por explorar" jovens para aumentar sua base de usuários e expandir seus negócios. Hoje, o valor da Meta na bolsa de valores é de cerca de US$ 1,5 trilhão. A Meta tem negado consistentemente todas essas alegações. "Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as evidências demonstrarão nosso compromisso de longa data com o apoio aos jovens", disse uma porta-voz da Meta em comunicado. O processo será conduzido por Yvonne Gonzalez Rogers, juíza federal chefe na Califórnia. Ela foi a juíza no julgamento de grande repercussão entre Elon Musk e Sam Altman e construiu uma reputação, ao longo de quase 20 anos de carreira, por ser incisiva e direta. 'Incômodo público' Em uma decisão recente contra a Meta, um juiz do Estado do Novo México multou a empresa em um total de US$ 942 milhões e ordenou que ela fizesse mudanças semelhantes às que outros Estados agora exigem. As mudanças determinadas pelo juiz Bryan Biedscheid incluem a eliminação da contagem de curtidas para usuários menores de 18 anos no Instagram e no Facebook, a proibição de adolescentes enviarem ou receberem nudez pelas plataformas e a limitação das notificações push dos aplicativos a determinados horários do dia. O juiz também declarou a Meta uma "perturbação pública" semelhante a uma fábrica que polui o ar que as pessoas respiram, causando "efeitos nocivos" que afetam toda uma população. A Meta afirmou que recorrerá da decisão. Embora a ordem do juiz Biedscheid exija que a Meta faça alterações apenas no Novo México, caso os 30 Estados vençam o processo contra a Meta, a empresa quase certamente precisará implementar mudanças na plataforma em todos os EUA. Os Estados envolvidos no processo representam quase dois terços da população do país. Uma decisão recente de um tribunal federal concluiu que as redes sociais são um fator que contribui para a deterioração da saúde mental entre os jovens Reuters via BBC A contagem de "curtidas", por exemplo, faz parte do Meta desde os seus primórdios, quando ainda se chamava Facebook. Hoje em dia, as curtidas são onipresentes nas plataformas de mídia social. É a principal forma pela qual as pessoas interagem com textos, fotos e vídeos que veem online. No entanto, as curtidas são cada vez mais vistas como uma forma de fomentar sentimentos negativos, principalmente entre os jovens. Kaley, uma jovem que venceu o processo contra a Meta no início deste ano, descreveu em depoimento judicial como criou dezenas de contas no YouTube e no Instagram. Ela usava o sistema de contas para gerar curtidas em suas próprias publicações, na esperança de aumentar o engajamento com outros usuários e, ao mesmo tempo, aumentar seus sentimentos de validação e autoestima. Kaley tinha apenas nove anos na época. Ela disse que se lembrava de se sentir deprimida, algo que lhe foi diagnosticado posteriormente, aos 10 anos. Pesquisas realizadas nos últimos anos têm demonstrado que métricas de engajamento, como o número de curtidas, podem gerar sentimentos de rejeição e depressão em adolescentes. No processo movido pelos Estados contra a Meta, no qual a empresa afirma ter entregado mais de 2 milhões de documentos, os advogados apontaram para a própria pesquisa da Meta, que demonstrava que contagens semelhantes impulsionavam a "comparação social", ou seja, o ato mental de avaliar a própria autoestima em relação às imagens de outra pessoa. Essa comparação social impulsionada pelo Instagram foi associada a "aumento da solidão, piora da imagem corporal e humor ou afeto negativo", de acordo com uma pesquisa interna da Meta. Conforme afirmou o juiz Biedscheid, a forma como as plataformas da Meta operaram por mais de uma década fez parte de uma crescente "crise de saúde mental entre jovens" no Novo México e em outros lugares. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
17/08/2026 11:45:56 +00:00
Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite deste domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções significativas para os consumidores. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial marca o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação voltado à redução de custos, ao aumento da eficiência operacional e ao fortalecimento da geração de caixa. Na primeira etapa, a empresa fechou 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano e reduziu aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, por meio da qual renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa avaliava que a renegociação, aliada à expectativa de queda dos juros e de retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto deste ano, já durante a segunda fase do plano de transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. O que levou ao pedido Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que o pedido foi motivado pelo agravamento do cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa. Além disso, a empresa informou que não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas essenciais para reforçar o dinheiro em caixa. No balanço divulgado antes do pedido de recuperação judicial, a companhia revelou que, entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, realizou reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em busca de novas fontes de financiamento, incluindo uma possível oferta de ações. Também negociava uma operação de grande porte com investidores internacionais, considerada estratégica para seu planejamento financeiro. Segundo a empresa, a operação acabou não sendo concluída após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas de liquidez, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não avançaram. "Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações", afirmou a empresa. Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda. ASAP Log Ltda. CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda. Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. Globex Administração e Serviços Ltda. Cnova Comércio Eletrônico S.A. Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. Casas Bahia Tecnologia Ltda. Indústria de Móveis Bartira Ltda. Prejuízo bilionário antecedeu o pedido Também no domingo, a Casas Bahia divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Segundo a empresa, R$ 9,1 bilhões desse total são referentes a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação, sem impacto imediato no caixa. 🔎 Entre esses ajustes estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar no futuro, a constituição de provisões para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação de ativos, como lojas e outros bens, além de despesas relacionadas ao processo de reestruturação da companhia. Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões. A companhia também informou que aumentou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e ampliou o prazo de vencimento da maior parte de seus financiamentos. Mudanças na direção No mesmo dia em que anunciou o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia também comunicou mudanças na alta administração. O vice-presidente jurídico e tributário, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando serviços de consultoria durante o processo de reestruturação. Para substituí-lo, a empresa nomeou Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY. A empresa também informou a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com as mudanças, Cláudia Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças. Mesmo deixando o Conselho de Administração, Jackson Schneider permanecerá à frente dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1
17/08/2026 10:15:09 +00:00
Novo golpe do Desenrola exibe CPF e dados da vítima para cobrar acordo por PIX; saiba como se proteger

Psicólogo explica os danos à saúde mental de quem cai em golpe Um levantamento da Kaspersky identificou uma nova campanha de golpes que usa o Desenrola Brasil como isca para atrair pessoas interessadas em renegociar dívidas. A fraude é disseminada principalmente pelas redes sociais e direciona as vítimas para páginas falsas que simulam o processo de negociação do programa. Até o momento, foram identificados mais de 60 domínios registrados com o termo “desenrola”. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os criminosos prometem descontos de até 99% para quitar dívidas, retirar o nome de cadastros de inadimplentes e aumentar o score de crédito. Para concluir a suposta renegociação, porém, a vítima é induzida a pagar uma taxa por PIX. O dinheiro não é destinado ao pagamento da dívida e, segundo a Kaspersky, é transferido para contas de laranjas usadas pelos golpistas. A fraude chama atenção pelo nível de personalização empregado para conferir aparência de legitimidade às páginas. Os sites reproduzem elementos visuais de páginas oficiais do governo e exibem imagens de autoridades e de integrantes ligados ao programa de renegociação de dívidas. Ao acessar uma das páginas falsas, a vítima é direcionada para um chat em que aparecem dados pessoais, como nome completo, CPF e data de nascimento. A exibição dessas informações dá a impressão de que o site tem acesso a uma base oficial. Na sequência, a página apresenta uma suposta análise da situação financeira do usuário, com informações sobre score de crédito e valores de dívidas. O atendimento continua em um chat integrado ao site, no qual uma suposta atendente envia mensagens, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa individualizada. Depois, a vítima recebe uma proposta de renegociação com desconto de até 99% sobre o valor da dívida. Os criminosos afirmam ainda que o procedimento permitiria retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e elevar o score de crédito. Para finalizar o suposto acordo, no entanto, é cobrada uma taxa por PIX. O pagamento é apresentado como uma etapa necessária para concluir a negociação, mas não resulta em qualquer renegociação real da dívida. Chat de atendimento com a confirmação de dados e análise de score. Divulgação/Kaspersky “Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros”, explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky. Segundo ele, a apresentação de informações corretas não comprova que um site seja legítimo. A orientação é verificar o endereço eletrônico antes de fornecer dados ou realizar pagamentos e desconfiar de ofertas que prometam benefícios extraordinários ou exijam cobranças inesperadas. Como evitar o golpe Confira o endereço do site: antes de fornecer informações pessoais ou realizar qualquer pagamento, verifique se o endereço pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira envolvida. Desconfie de cobranças antecipadas: não faça pagamentos por Pix para liberar descontos, concluir uma renegociação ou obter algum benefício do programa. Procure os canais oficiais: em caso de dúvida, acesse diretamente os sites do governo ou do banco credor, em vez de clicar em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais. Não confie apenas na exibição de dados pessoais: informações como nome, CPF, data de nascimento ou score podem ser obtidas por criminosos e não comprovam que a página seja oficial. Denuncie a fraude: sites falsos e contas utilizadas para receber os pagamentos podem ser denunciados às autoridades e às instituições financeiras envolvidas. Layout do site fraudulento. Divulgação/Kaspersky
17/08/2026 08:04:11 +00:00
Usar o ChatGPT prejudica o cérebro? O que sabemos, e o que não sabemos, sobre a 'dívida cognitiva'

Homem pede conselho médico ao ChatGPT e IA manda ele 'entregar para Deus' Os seres humanos têm criado ferramentas para resolver problemas desde tempos imemoriais. Mas o ritmo dos avanços está se tornando cada vez mais vertiginoso. Em menos de 100 anos passamos da calculadora eletrônica portátil à inteligência artificial generativa. Usamos tanto essas ferramentas que elas quase se tornaram uma extensão de nós. Pensemos nisso: seríamos capazes de calcular a raiz quadrada de 2.209 ou improvisar uma história infantil? Se o primeiro impulso é perguntar à IA, é porque nossa mente tenta aliviar sua carga, externalizando recursos. Na verdade, esse fenômeno já foi descrito pela literatura científica dos últimos 30 anos como delegação cognitiva, memória externa ou mente estendida. Muitos cientistas, especialistas da área clínica e educadores, no entanto, estão cada vez mais preocupados com o impacto que a IA terá a longo prazo na mente humana. LEIA TAMBÉM: Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo O estudo do MIT Para descobrir de que maneira o uso de ferramentas como a inteligência artificial nos afeta cognitivamente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estudaram o que acontece no cérebro ao usar a IA para escrever textos. Durante três sessões, eles mediram a atividade cerebral de 54 jovens e avaliaram a qualidade de seus textos. Um terço deles utilizou o ChatGPT, outro terço o Google, e o restante contou apenas com seu próprio cérebro para compor o texto. ➡️ Os resultados mostraram que aqueles que utilizaram o ChatGPT tiveram um desempenho inferior ao dos demais em termos neuronais, linguísticos e na qualidade de seus textos. Além disso, apresentaram pior memória com relação ao que escreveram e se sentiram menos conectados às ideias escritas. Assim, os pesquisadores do MIT argumentaram que depender repetidamente do ChatGPT substitui o esforço cognitivo necessário para o pensamento independente. Isso poderia gerar um acúmulo do que chamaram de “déficit cognitivo” ou “dívida cognitiva”, com custos cerebrais a longo prazo. Limitações e viralização dos resultados Embora algumas vozes tenham apontado as limitações do estudo, vários meios de comunicação sugeriram com base em esses resultados que o uso da IA gera inevitavelmente uma dívida cognitiva. Ou seja, uma perda progressiva de capacidades mentais que não é visível no curto prazo. Mas essa repercussão não se refletiu em trabalhos empíricos: as evidências brilham pela ausência. A maioria dos artigos científicos publicados continua sendo teórica, ou até mesmo normativa, oferecendo orientações sobre como prevenir os efeitos cerebrais do uso contínuo da IA. Os resultados nesse campo ainda são limitados e preliminares. Por que recorremos à IA? Por outro lado, podemos analisar o impacto da IA na saúde cerebral sob outra perspectiva. Há uma década, os pesquisadores Evan Risko e Sam Gilbert desenvolveram um modelo cognitivo para explicar por que usamos sistemas externos em vez de nosso próprio cérebro. Em outras palavras, eles ajudaram a explicar quais processos mentais seguimos quando, por exemplo, decidimos pesquisar algo no Google ou perguntar à inteligência artificial. 🔍Esses especialistas afirmaram que o impacto cognitivo depende dos objetivos que buscamos ao utilizar esses sistemas. Assim, podemos recorrer a eles para evitar esforço cognitivo ou porque acreditamos que melhorarão nosso desempenho. Podemos, por exemplo, pedir ao ChatGPT que escreva uma redação porque não nos sentimos capazes. Ou porque queremos comparar ideias e buscar novas perspectivas que aprimorem nosso texto. Portanto, para compreender as consequências cerebrais da delegação cognitiva será essencial perguntar primeiro por que delegamos. Esse é um aspecto que o estudo do MIT não explorou de forma alguma. Open AI é a dona do ChatGPT Getty Images via BBC Recursos cognitivos economizados Além do motivo pelo qual usamos o ChatGPT, é importante saber o que fazemos com os recursos “economizados”. Ou seja, se nos custou menos tempo ou esforço concluir uma tarefa cognitiva (um resumo, uma redação, um esboço, uma ideia). o que fazemos com o tempo e a energia que economizamos? Simplesmente nos dedicamos à divagação mental? Ou os destinamos a novos aprendizados? 'Eu me candidatei a papa': como usar o ChatGPT fez usuários perderem o contato com a realidade Estudos sobre o uso do Google indicam que, quando o utilizamos para potencializar outros aprendizados — como saber onde localizar informações úteis —, nossa habilidade na tarefa pode melhorar. O mesmo ocorre com a inteligência artificial: usá-la de forma deliberada para potencializar o treinamento cognitivo, ou para dialogar sobre conceitos, em vez de simplesmente pedir a resposta para uma tarefa, pode aprimorar nossa aprendizagem estratégica. O próprio estudo do MIT que mencionamos oferece evidências a esse respeito: os autores convidaram os participantes para uma quarta sessão, na qual aqueles que haviam usado o ChatGPT não poderiam mais fazê-lo. Em contrapartida, aqueles que usaram o Google ou seu próprio cérebro passaram a ter acesso à IA. Os primeiros continuaram apresentando menor atividade cerebral e pior desempenho, enquanto os segundos apresentaram melhorias em ambos os resultados. Isso indica que o uso da IA pode trazer benefícios em certos cenários (por exemplo, quando integramos nossas ideias às sugestões do ChatGPT), potencializando processos mentais como a atenção e a memória. Por essa razão é tão importante, especialmente no contexto educacional, definir cuidadosamente quais tarefas poderiam ser automatizadas com a ajuda da IA e quais outras, mais significativas, poderiam ser reforçadas com o tempo e o esforço poupados. Nem tudo é dívida cognitiva Em resumo, a dívida cognitiva que o uso contínuo da IA pode gerar é uma realidade possível, mas ainda incerta. O estudo do MIT é promissor e abre as portas para um mundo ainda desconhecido. Mas ainda estamos longe de saber como a IA afeta as capacidades mentais a longo prazo. Chat GPT Getty Images via BBC O estudo citado deu início a uma onda de conclusões catastróficas sobre a dívida cognitiva, mas não definiu quais formas de uso podem ser prejudiciais e quais, ao contrário, podem até ser benéficas. Observar como e para que usamos essas ferramentas de IA (como pode ser visto na árvore de autorreflexão que acompanha este artigo) ajuda a analisar esses fatores antes de cair em interpretações apocalípticas. Madalin Marian Deliu Dumitru: docente da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Católica de Ávila; Universidade de Salamanca Patricia Alzola Bordón: pesquisadora de doutorado em formação (especialização em Neuropsicologia), Universidade de Salamanca
17/08/2026 06:00:37 +00:00
Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026

Correios devem ter prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026 Dados prévios do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026. Para o segundo trimestre, o prejuízo acumulado é de cerca de R$ 2,2 bilhões. 🔎Um balancete contábil é um demonstrativo provisório que traz a fotografia de como estão as contas contábeis de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês, trimestre ou semestre. O prejuízo do semestre é menor do que o obtido pela empresa nos últimos dois trimestres o 1º deste ano e o 4º trimestre de 2025, apontando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira dos Correios, que teve um prejuízo recorde no 1º trimestre de 2026. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão da estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento". Em nota, os Correios afirmaram que a empresa não se manifesta sobre demonstrações financeiras antes de sua divulgação oficial. "As demonstrações financeiras encontram-se em fase de consolidação e serão divulgadas após a aprovação pelas instâncias competentes, em conformidade com os procedimentos de governança da empresa". As receitas obtidas até 30 de junho deste ano ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2025, reduzindo cerca de R$ 28,2 milhões. As despesas diminuíram R$ 1,1 bilhão. Receitas: R$ 8,18 bilhões em 2025 e R$ 8,16 bilhões em 2026; Despesas: R$ 13,5 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026. Apesar do aumento expressivo nas despesas, a estatal previa um desempenho ainda pior para o período com os gastos alcançando R$ 14,8 bilhões, desempenho de R$ 1,2 bilhão melhor do que o esperado. Desempenho das receitas Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente. O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador. A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. Desempenho das receitas Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre. O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais. O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou. Desempenho das despesas Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos. Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos. Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica As despesas financeiras tiveram um aumento de 179%, passando de R$ 590 milhões em 2025 para R$ 1,6 bilhão em 2026. Aumento de mais de R$ 700 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre. Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência. Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,4 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,6 bilhão. O montante também representa uma alta de 44,5% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 1,1 bilhão.
17/08/2026 05:00:10 +00:00
Agência de classificação de risco Fitch eleva nota de crédito do município do Rio de Janeiro para o grau mais alto

Rio ganha nota máximo de grau de investimento A Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para “AAA”, que é o grau de investimento de mais alta qualidade. A agência indica perspectiva de estabilidade e destaca que o Rio de Janeiro, nos últimos anos, apresentou “melhoras consistentes na gestão fiscal”. No comentário que justifica a elevação da nota de "AA+" para "AAA", a Fitch diz que os resultados do município trouxeram “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez” e afirma acreditar que "dívida do Rio diminuirá gradualmente ao longo do horizonte do rating". A agência também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Cristo Redentor, Pão de Açúcar e o bairro de Botafogo Fernando Maia/Riotur Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local.
16/08/2026 15:44:40 +00:00
Mega-Sena, concurso 3045: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3045: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3045 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (16), em São Paulo. O prêmio acumulou para o próximo concurso, que acontece nesta terça-feira (18), e pode chegar a R$ 45 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Lotrias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 23 - 29 - 33 - 42 - 43 - 57 Mega-sena, concurso 3045 Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
16/08/2026 14:03:19 +00:00
Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP

Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP Nosso Campo O período de inverno, caracterizado pela colheita de cana-de-açúcar, agora é marcado pela constante aparição de moscas-de-estábulo. Os insetos, atraídos pela concentração de vinhaça e umidade, se fixam no gado e interferem na rotina dos bovinos. Em vez de utilizar o tempo para alimentação e descanso, as vacas permanecem de pé, com espasmos e desconforto. Elas priorizam gastar energia para se proteger das moscas, o que as mantém fracas e debilitadas. Isso afeta seu ganho de peso, a produção de leite e a qualidade de vida, podendo causar a morte dos bovinos. Em Avanhandava (SP), no centro-oeste paulista, o pecuarista Alexander von Büldring perdeu oito cabeças de gado e teve uma redução de 60% na produção de leite. Alexander relata o diagnóstico de complexo de tristeza parasitária após os animais demonstrarem fadiga, desconforto e presença de sangue na urina e nas fezes. Dos 36 animais da propriedade, 16 estão em ordenha, cada um produzindo seis litros de leite. Nas proximidades da propriedade, uma usina de açúcar e etanol propicia a presença das moscas, devido à alta quantidade de vinhaça e matéria orgânica. Em nota, a usina Diana Bioenergia compartilhou medidas tomadas para combater as moscas-de-estábulo, como prevenção de vazamentos, monitoramento da população de moscas, consultoria especializada em manejo de pragas e ajustes no manejo da palha, na aplicação de compostos orgânicos e na distribuição da vinhaça. Outra propriedade que enfrenta o mesmo problema recorreu ao uso de ventilação mecânica para reduzir o impacto das moscas sobre as 110 cabeças de gado. O pecuarista João Heck Junior observa a constante perda de peso dos animais e relata a perda de algumas vacas. O veterinário Luís Felipe Cruiol informa que os insetos se adaptaram aos períodos de inverno. Com a chegada do setor de cana e o favorecimento da reprodução das moscas, o gado fica vulnerável. De acordo com o médico-veterinário, reforçar a higiene dos estábulos, rastelar as fezes e evitar a umidade são medidas que podem ajudar na qualidade de vida dos bovinos nesse período. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
16/08/2026 10:30:13 +00:00
Peão de Orindiúva viaja 10 mil km para divulgar cultura caipira

Pedro Henrique Biondo, o Berranteiro das Américas Reprodução / TV TEM O engenheiro civil Pedro Henrique Biondo, de Orindiúva (SP), deixou o trabalho em 2023 para viajar pelo mundo e divulgar a cultura caipira. Ao lado do cão Bastião, um border collie, percorreu 10 mil quilômetros em três anos e passou por 16 países. O objetivo da viagem, segundo Pedro, foi mostrar que a cultura brasileira vai além do samba e do futebol. Ele leva o berrante e as roupas típicas como símbolos da identidade caipira. O primeiro berrante foi presente da avó, para ajudar em problemas respiratórios. O instrumento despertou nele a paixão pela cultura boiadeira. Hoje, Pedro é tetracampeão do Concurso de Berrante da Festa do Peão de Barretos. Pedro compartilhou a rotina nas redes sociais, onde reúne 1 milhão de seguidores. Entre os momentos marcantes, lembra da apresentação na Times Square, em Nova York, e do desafio de domar duas mulas ariscas — Heida e Oklahoma — presenteadas por uma família norte-americana. Depois de percorrer até 30 quilômetros por dia em uma rotina incerta, Pedro voltou para casa com a sensação de dever cumprido. Agora, planeja seguir viagem rumo ao Alasca. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Peão de Orindiúva viaja 10 mil km para divulgar cultura caipira VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
16/08/2026 10:30:12 +00:00
Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA?

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC O Brasil ganhou um reforço importante no seu enfrentamento ao tarifaço dos Estados Unidos nesta semana — depois que a China pediu para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação brasileira contra o tarifaço imposto por Donald Trump. A avaliação é de dois especialistas consultados pela BBC News Brasil. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Para o Brasil, isso é importante porque o país ganha não apenas um aliado, mas 'o' aliado. A China é hoje a principal potência mundial em termos de comércio, investimentos e também em termos geopolíticos", afirma Ana Garcia, professora de Relações Internacionais e coordenadora do Centro de Estudos Avançados (CEA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). "É um apoio indireto, de uma espécie de amigo que não precisa necessariamente agir imediatamente contra os EUA, mas que pode fazê-lo mais adiante, caso seja diretamente afetado. E a China possui muito mais espaço de barganha e poder de contestação contra os EUA do que o Brasil. Eles têm meios de retaliação aos EUA onde o Brasil é mais frágil." Para Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ, o pedido chinês pode ser entendido como um apoio ao argumento do Brasil contra os EUA. "Isso reforça o peso político do caso brasileiro e fortalece o argumento central contra a Seção 301 dos EUA, que tem vários elementos considerados muito frágeis do ponto de vista da defesa da tarifa em si." No final do mês passado, o Brasil apresentou um pedido de consultas aos EUA no sistema de solução de controvérsias da OMC contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil disse que as tarifas americanas são "injustificadas e incompatíveis" com obrigações assumidas pelos EUA no âmbito de regras internacionais de comércio. Uma das medidas questionadas é sobre a investigação americana contra o Brasil, na qual o governo Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros. O pedido de consultas é a primeira etapa de um sistema de solução de controvérsias da OMC. Nesta semana, os EUA responderam que estão "à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas". Aproximação com a China Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA? Getty Images via BBC China e Brasil são os dois países que mais viram suas tarifas médias de importação subirem no segundo mandato de Trump. Ibañez acredita que a China não age por altruísmo ao pedir para participar das consultas do Brasil na OMC. "A China, ao fazer esse movimento, não está simplesmente sendo 'boazinha' e defendendo um país prejudicado. Ela também possui interesses próprios", afirma o professor. Um desses interesses seria combater os EUA em foros internacionais. "De um lado, há um país que tem reduzido a importância dos mecanismos multilaterais. Do outro, há um país que busca se apresentar como porta-voz do multilateralismo no mundo contemporâneo. É uma queda de braço entre gigantes, e o Brasil está no meio dela." Ele também ressalta que o fato de o Brasil estar recebendo esse apoio chinês não significa que exista um alinhamento entre os dois países. "O meu temor é que essa situação seja interpretada como um alinhamento direto do Brasil à China. O Brasil não é um país alinhado diretamente a nenhum desses dois grandes centros de poder. Ele tem estabelecido relações com ambos os lados. Lula não se furtou a ir aos EUA quando convidado por Trump. Vai à China e também mantém relações com os americanos", afirma. Para analista, Brasil está no meio de uma queda de braço entre gigantes Getty Images via BBC Ele acredita que o Brasil não pode abrir mão das suas relações com os EUA. "Já estamos observando os efeitos problemáticos de ter atritos com eles. Além disso, os EUA têm demonstrado uma doutrina muito clara de ampliar sua área de influência na América Latina", diz. Nesta semana, o governo de Donald Trump exaltou novamente a Doutrina Monroe como uma diretriz para sua política externa no continente americano. Um vídeo de mais de cinco minutos publicado na terça-feira (11/08) nas redes sociais do Departamento de Estado dos EUA afirma que a "doutrina encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump". Por outro lado, o Brasil tenta se equilibrar entre China e EUA, defendendo uma boa relação com as duas potências. "O Brasil construiu com a China, ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, uma relação comercial extremamente forte", afirma Ibañez. "A China é um grande parceiro e também um ator ao qual precisamos estar atentos. Ela vem investindo em áreas estratégicas no Brasil, como energia, infraestrutura, portos, empresas nacionais e agronegócio. São diversos setores nos quais a presença chinesa é muito significativa, com crescente influência sobre o mercado brasileiro e sobre os mecanismos de cooperação tecnológica. OMC fragilizada Ambos os analistas destacam que a consulta brasileira sobre os EUA acontece em um momento em que a OMC parece ter pouca capacidade de agir. "Considero fundamental destacar que os mecanismos multilaterais de resolução de contenciosos estão muito enfraquecidos", afirma Ibañez. "Trump tem atuado como uma espécie de xerife internacional de forma muito intensa e sem seguir plenamente as regras do sistema internacional. Por isso, acredito que, mesmo que o Brasil obtenha uma decisão favorável na OMC, dificilmente isso resultará, por si só, em uma reviravolta prática." "Não se pode deixar de pontuar que a OMC é hoje uma instituição fragilizada. É um espaço multilateral que teve muita importância desde sua criação, em 1994. As negociações multilaterais de comércio, que no pós-guerra aconteciam sob o GATT [órgão que antecedeu a OMC], sempre constituíram um espaço relativamente forte, apesar das crises econômicas e disputas geopolíticas", diz Ana Garcia. "Mas, como várias outras instituições multilaterais, a OMC foi perdendo força à medida que os grandes Estados passaram a privilegiar ações bilaterais. Esse é claramente o caso dos EUA." Ela afirma que a OMC já enfrentava dificuldades antes mesmo do tarifaço de Trump. "Os acordos multilaterais já encontravam obstáculos por falta de entendimento entre europeus, países emergentes relevantes, como Índia e Brasil, e outros atores importantes." Multilateralismo Para Pablo Ibañez, a disputa comercial está envolvida também em uma briga dos EUA contra instituições multilaterais, como a OMC. "No caso da OMS, por exemplo, tivemos uma situação grave, com os Estados Unidos saindo da Organização Mundial da Saúde. Os Estados Unidos têm atuado de maneira muito assertiva para diminuir a importância, a relevância e a atuação dos mecanismos multilaterais de resolução, sejam eles voltados para conflitos, guerras, saúde ou comércio", afirma Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ. Já a China atuaria no sentido contrário neste momento, tentando aumentar sua influência nessas instituições multilaterais. "Há também, nos EUA, o entendimento de que a China tem tido cada vez mais proeminência dentro dessas organizações multilaterais e que, por isso, elas estariam perdendo credibilidade. Esse é o panorama mais amplo do que está acontecendo agora." Essa preferência por órgãos multilaterais da China neste momento é algo que, segundo Garcia, coincide com um princípio defendido tradicionalmente pela diplomacia brasileira. "A aposta do governo brasileiro é no multilateralismo. Ao acionar os EUA no sistema de arbitragem da OMC, o Brasil também sinaliza sua preferência por mecanismos multilaterais em vez de ações unilaterais, algo que historicamente marca a política externa brasileira." Analistas apontam que OMC está fragilizada neste momento Getty Images via BBC Poucos efeitos práticos Os analistas acreditam que, embora haja um componente político importante na ação do Brasil na OMC, qualquer decisão da entidade não deve ter grande impacto real no tarifaço americano. "Não devemos esperar grandes resultados. O processo na OMC tende a ser demorado. Mesmo que haja uma decisão favorável ao Brasil, ela pode ter pouco efeito prático sobre as ações americanas, dada a capacidade dos EUA de agir unilateralmente. Por isso, acredito que os efeitos dessa iniciativa sejam limitados", diz Garcia. Para Garcia, o fato de China e Brasil estarem se aproximando no combate ao tarifaço americano não significa necessariamente que haverá aumento do comércio entre os dois países. "Já existe um volume muito elevado de comércio entre os dois países. O Brasil tem a China como principal parceiro comercial, e a China vê o Brasil como um fornecedor fundamental de produtos ligados à sua segurança alimentar", diz Garcia. "Os produtos afetados pelas tarifas americanas não são, em sua maioria, produtos cuja demanda seria naturalmente absorvida pelo mercado chinês. Na minha leitura, eles tendem a ser redirecionados gradualmente para outros mercados, como Europa, outros países asiáticos ou mesmo por meio de uma integração maior na América Latina. É nesses mercados que existe mais espaço para manufaturados brasileiros."
16/08/2026 08:00:34 +00:00
Trilionário por 2 meses: a ‘marcha à ré’ da SpaceX que fez Elon Musk perder bilhões de dólares

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026. REUTERS/Jeenah Moon Dizem que foguete não dá ré, mas o da SpaceX dá — e a fortuna de Elon Musk também. O empresário, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se o primeiro trilionário da história graças, em grande parte, à valorização da empresa espacial. Só que a marca durou pouco: em apenas dois meses, sua fortuna encolheu US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões), em meio à queda no valor da companhia. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Agora no g1 As ações da empresa recuaram 31% desde a máxima de US$ 201,8 (R$ 1.053,27), alcançada em junho, e Musk é dono de 42% da SpaceX. Por isso, quando o valor da companhia cai, a participação do empresário também passa a valer menos — e sua fortuna encolhe. Ação da SpaceX recua 31% desde a máxima de junho Arte/g1 SpaceX cresce em ritmos diferentes O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital mostra uma empresa em forte expansão, mas que é formada por negócios com características diferentes entre si. A receita quase dobrou em um ano, mas a expansão também exigiu investimentos pesados: foram US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) em apenas três meses, mais de seis vezes o valor registrado no mesmo período de 2025. As três principais áreas da companhia crescem em ritmos distintos. A internet via satélite já é lucrativa, enquanto inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos. (veja mais no infográfico abaixo) É essa diferença que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera central para entender as contas da SpaceX. Em relatório, o especialista destaca que, em 2025, o segmento de conectividade gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional. Já a área de IA acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões). Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, o resultado mostra uma empresa que está crescendo enquanto faz uma aposta pesada no futuro. “A maior gama de resultados potenciais do valor futuro da SpaceX reside em seus empreendimentos de inteligência artificial”, afirma Owens. Segundo ele, o mercado precisa decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda terão de provar seu potencial nos próximos anos. Onde a SpaceX está colocando seus bilhões Arte/g1 IA e Starship: as apostas bilionárias A maior parte dos investimentos da SpaceX no segundo trimestre foi direcionada à inteligência artificial. Entre os movimentos estão: 🖥️ Ampliação da infraestrutura de computação em nuvem e de projetos como o Colossus II, os planos de usar chips da Nvidia em satélites voltados à inteligência artificial. 🤝 Acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando a oferta de ferramentas de IA para empresas. É esse movimento que Menzies resume como uma fase de “reinvestimento agressivo”. “A companhia está canalizando capital para o desenvolvimento do Starship, para a fabricação de satélites e infraestrutura de IA", diz o diretor da Openbook Analytics. O desafio, segundo Owens, é fazer com que toda essa infraestrutura comece a gerar receita e justifique o dinheiro investido. “Mesmo com sua volatilidade acentuada desde o IPO, acreditamos que os investidores ainda estão considerando cenários mais otimistas para a reusabilidade do Starship e para a vantagem comercial de datacenters orbitais do que o que é mais provável neste momento.” Mas a inteligência artificial não é a única aposta de longo prazo da SpaceX. O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões. 🚀 Em 2025, a empresa investiu mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,66 bilhões) no projeto, além de outros US$ 930 milhões (R$ 4,85 bilhões) no primeiro trimestre deste ano. Para o mercado, portanto, não basta que a SpaceX cresça. É preciso saber se os investimentos feitos agora serão capazes de criar negócios grandes o suficiente para justificar o dinheiro gasto. A SpaceX desenvolveu um sistema que permite ao Starship voltar à base após o lançamento e ser recuperado na própria plataforma de onde partiu. Reprodução Starlink paga a conta — mas também enfrenta pressão É nesse ponto que a importância do Starlink ganha mais destaque. O serviço de internet via satélite é hoje um dos principais negócios da SpaceX e ajuda a financiar a expansão das outras áreas. A base de clientes dobrou em um ano, para 12 milhões, mas a receita média por usuário caiu de US$ 85 (R$ 443,65) para US$ 66 (R$ 344,48) entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano. Segundo Menzies, a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda e ofereça preços mais competitivos. Por enquanto, o crescimento do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas, se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão importante para o mercado. "Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada pelo crescimento do volume, comprimiria as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo." Para os especialistas, a empresa ainda tem dinheiro para continuar investindo e expandindo seus negócios. O que mudou é a percepção do mercado sobre essas apostas: quanto elas vão valer — e quanto tempo vão levar para dar retorno? A resposta pode determinar não apenas o valor da SpaceX, mas também o rumo da fortuna de Musk.
16/08/2026 08:00:32 +00:00
Sem janelas e mais econômico: como será voar no 'avião-arraia', aposta de aéreas americanas

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será Viajar no avião Z4, projeto da americana JetZero, será bem diferente de voar em um avião comum. Em vez das janelas ao lado dos passageiros, a aeronave terá telas que mostrarão imagens do lado de fora captadas por câmeras de alta definição. O projeto tem um formato que lembra uma arraia, com a área central integrada às asas. A JetZero diz que o desenho melhora a aerodinâmica e poderá reduzir entre 30% e 50% o consumo de combustível em comparação com modelos como o Boeing 787. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A iluminação natural da cabine virá de duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras. O avião deverá transportar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções, e terá um compartimento de bagagem para cada assento. Críticos ouvidos pelo Wall Street Journal apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto nas curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Outra mudança do projeto está nas portas: elas serão posicionadas em locais distintos dos usados em aviões convencionais, o que pode dificultar a adaptação do Z4 na maioria dos aeroportos, já que eles estão mais preparados para receber modelos tradicionais. A JetZero planeja fazer o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027. A empresa pretende iniciar o uso comercial da aeronave no começo da década de 2030. O Z4 foi projetado para voos de até 5.000 milhas náuticas (cerca de 9.200 km). A autonomia seria suficiente, por exemplo, para uma viagem entre São Paulo e Madri, na Espanha, uma distância de aproximadamente 8.400 km. A empresa já tem o apoio de companhias aéreas americanas. A United Airlines planeja comprar 200 unidades do Z4, enquanto Delta e Alaska Airlines também apoiam o projeto. Para acelerar o desenvolvimento, a JetZero pretende usar componentes presentes em outros aviões e que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), órgão que regula o setor no país. A empresa também tem um acordo de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com o governo americano para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A estrutura será usada para acelerar a produção da aeronave. Se o projeto avançar como planejado, o avião-arraia poderá unir uma cabine diferente da convencional com uma promessa de redução significativa no consumo de combustível. Mas, antes de chegar aos passageiros, ele terá que passar por uma série de testes. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero
16/08/2026 07:01:24 +00:00
Curral eclético: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES; veja VÍDEO

Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES Em um curral eclético, ouvindo de forró a música clássica, cerca de 30 vacas de uma fazenda no Espírito Santo estão produzindo mais leite desde passaram a ouvir músicas durante o manejo e a ordenha. A cena parece ter saído de um filme, mas é uma realidade que transformou a produção de leite nas terras do agricultor Edson Michael Rohr. Uma das estrelas desse curral é a vaca Luana, da raça girolanda, que produz cerca de 200 litros de leite por semana. Os animais são cuidados pelo produtor rural Edson Michael Rohr, na propriedade Sítio Rô, que fica em Rio Novo do Sul, na Região Sul do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O hábito de ligar o rádio para que os animais também pudessem ouvir uma trilha sonora diversificada não é de agora. Segundo o produtor, ligar o som durante o trabalho surgiu há cerca de 15 anos. As vacas do produtor são realmente ecléticas, tanto que o estilo musical mais ouvido no local passeia pelo sertanejo, música clássica e até pop rock. Para ele, o diferencial não é apenas a quantidade de leite produzida, mas ouvir música também ajuda no manejo dos animais no dia a dia. "As vacas ficam mais calmas, a música ajuda bastante. Quando chega alguém diferente ou tem algum barulho, permanecem tranquilas. Parece que ficam concentradas no som", disse. A prática começou de forma despretenciosa. Mas também não foi difícil de ser implementada, afinal, como Edson mesmo diz: "Todo produtor tem um radinho na roça". Além da música, o contato e o carinho com os animais são outras estratégias que ajudam a amansar as vacas e proporcionam um diferencial durante as competições de produção leiteira, outro hobby que o produtor gosta de praticar. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr A ciência explica E acredite se quiser: outras vacas ao redor do mundo também têm gosto musical refinado e motivaram pesquisas científicas que garantem que a música influencia nos resultados observados nas produções leiteiras. Gercílio Alves de Almeida, zootecnista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que uma boa trilha sonora contribui na liberação de leite durante a ordenha por melhorar o bem-estar e a sensação de conforto dos animais. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Gêmea nasce empelicada e fazendo 'pose' com as mãos em Vitória ARACRUZ: Baleias-jubarte cercam lancha durante pescaria de amigos e são flagradas até debaixo d'água SUL DO ES: Nail designer cria unhas 3D inspiradas em símbolos capixabas para competição nacional Essa prática integra o chamado enriquecimento ambiental, um conjunto de estratégias voltadas para melhorar o bem-estar dos animais de diversas espécies, com efeitos cientificamente comprovados. "O efeito é positivo porque promove o relaxamento da vaca e estimula a liberação do hormônio ocitocina, que depende de estímulos positivos do ambiente e é responsável pela 'descida' do leite", afirmou. Outros estímulos positivos, como carinho, a presença do bezerro e até uma massagem também favorecem a produção desse hormônio. No entanto, assim como a música incentiva, outros tipos de barulhos podem causar uma influência negativa. "Ruídos como motores, cães latindo, objetos caindo ou pessoas gritando assustam o animal e provocam a liberação de adrenalina, hormônio que tem efeito contrário ao da ocitocina. Ele inibe a descida do leite, porque a vaca está sob estresse ou medo", alertou o professor. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Portanto, quanto mais agradável o ambiente, melhor para os animais e a produção. E tem mais um detalhe: a música só traz benefícios quando faz parte da rotina dos animais. Gercílio afirmou que as vacas são animais que gostam de rotina e mudanças no manejo e ambiente podem afetar a produção de leite. Por isso, se a música é utilizada durante a ordenha, o ideal é que ela seja mantida de forma constante. O estilo musical também pode influenciar a resposta das vacas, já que elas tendem a reagir melhor a músicas mais suaves, como as clássicas. No entanto, o zootecnista ressaltou que o mais importante é a familiaridade. "Se o produtor costuma deixar o rádio ligado com sertanejo, por exemplo, os animais acabam se acostumando com aquele som, que passa a fazer parte da rotina e transmite sensação de segurança". Na prática, muitos produtores já mantêm o rádio ligado durante o trabalho por hábito próprio e, sem perceber, acabam proporcionando um ambiente mais familiar e tranquilo, do qual as vacas também se beneficiam. Vacas criadas ao som de música produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Edson é produtor rural e cria cerca de 30 vacas ao som de música no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
16/08/2026 07:01:18 +00:00
China domina mercado de robôs humanoides; entenda por que os EUA decidiram barrá-los

Feira da Indústria tem exposição de robôs humanóides A fabricante chinesa de robôs humanoides e quadrúpedes Unitree Robotics abriu na segunda-feira (10) as inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. É a primeira empresa do setor a dar esse passo na China, em uma operação que pode elevar seu valor de mercado a mais de 50 bilhões de yuans (R$ 37,7 bilhões). A empresa ganhou destaque internacional pela capacidade de fabricar robôs sofisticados a preços competitivos, ajudando a impulsionar a liderança chinesa no mercado global. Agora, deve ganhar ainda mais projeção com a entrada de capital privado. A movimentação ocorre em paralelo à decisão dos Estados Unidos, anunciada no fim de julho, de proibir a entrada no país de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. A medida, justificada por "riscos inaceitáveis" à segurança nacional, foi interpretada por analistas como um sinal de que os EUA temem que sua liderança tecnológica seja ameaçada por Pequim. O gigante asiático respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025, segundo o banco britânico Barclays. O argumento da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA é que os robôs "coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs". Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias acusadas de manter vínculos com as Forças Armadas chinesas. Robôs da empresa já foram utilizados em exercícios militares. China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas Imaginechina/Sipa USA/picture alliance Quão séria é a ameaça dos robôs chineses à segurança dos EUA? Autoridades americanas alertam que robôs humanoides e quadrúpedes chineses podem coletar dados detalhados de localização e informações pessoais, ser controlados remotamente e representar riscos para infraestruturas críticas dos EUA. As preocupações se concentram principalmente no potencial uso duplo dos robôs, tanto para fins civis quanto militares. Pesquisadores já demonstraram que robôs da Unitree apresentam falhas de segurança que permitem a invasores assumir o controle por meio de um comando de voz e, em seguida, utilizar um robô para controlar outros. Washington também teme que uma grande quantidade de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados do mundo real a sistemas chineses de inteligência artificial, que vêm se aproximando rapidamente de seus concorrentes americanos. A ameaça, porém, ainda é em grande parte teórica, já que a maioria dos robôs humanoides comerciais está em estágios iniciais de desenvolvimento. A China rejeitou as acusações e afirmou que os EUA estão usando a segurança nacional como pretexto para o protecionismo e para restringir a tecnologia chinesa. Dias depois do anúncio da Casa Branca, a China respondeu com a imposição de controles sobre as exportações de drones aos EUA e a proibição de negócios com seis entidades americanas. Ação de Trump vai impulsionar a indústria americana de robôs? O governo de Donald Trump nunca escondeu seu objetivo de apoiar a indústria doméstica de robótica dos EUA, que, por sua vez, sustenta a expansão da infraestrutura de IA do país, avaliada em quase US$ 1 trilhão. Segundo observadores do setor, Trump quer proteger empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics da concorrência de fabricantes chineses de grande escala, cujos robôs frequentemente custam metade do preço, ou menos, dos modelos americanos. Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento VCG/IMAGO Washington já impôs restrições semelhantes a drones e painéis solares chineses e atualmente aplica uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses. A medida é vista como uma tentativa de Trump de ganhar tempo diante da rapidez com que a China expandiu sua produção de robôs. Segundo a empresa de pesquisa tecnológica Omdia, a China tem seis empresas entre as dez maiores do setor de robótica. Essas companhias venderam quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de unidades vendidas por empresas americanas. Em março, o Bank of America projetou cerca de 90 mil unidades embarcadas até o fim deste ano. Os EUA são considerados mais fortes no desenvolvimento do "cérebro" dos robôs, por meio de IA avançada, enquanto a China lidera na produção em massa de robôs mais baratos, com movimentos aprimorados por atuadores de alto desempenho, uma espécie de músculo robótico. Elon Musk tem grandes planos para o robô Optimus, da Tesla. Reprodução/DW Rush Doshi, do think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), descreveu o veto da Casa Branca como "uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA". Evan Beard, CEO da fabricante de braços robóticos Standard Bots, diz que o governo Trump está enviando uma mensagem "inequívoca" à China. "A robótica é uma tecnologia que os Estados Unidos precisam liderar e dominar, e robôs subsidiados por governos estrangeiros não terão permissão para dominar injustamente a robótica americana...", escreveu Beard na rede X. Críticos, porém, avaliam que a proibição pode desacelerar a inovação em IA nos EUA, já que pesquisadores utilizam robôs chineses de baixo custo para realizar testes. "Restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo", disse Georg Stieler, consultor da indústria de robótica, via X. Há também quem avalie que a proibição pode levar Pequim a "restringir ainda mais as vendas de terras raras para empresas americanas e [...] o acesso de companhias americanas, como Tesla e Nvidia, ao mercado chinês", como argumentou Marc Einstein, diretor de pesquisas da Counterpoint Research, ao canal americano de TV CNBC. Robôs humanoides em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa Reprodução/CCTV Mercado de robôs humanoides é promissor O Barclays estima que o mercado, atualmente avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (R$ 10,2 bilhões a R$ 15,3 bilhões), poderá chegar a US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) até 2035, no cenário mais otimista, caso haja avanços no cérebro, na força física e nas baterias dos robôs. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é ainda mais otimista. Ele aposta que o Optimus, da Tesla, pode se tornar "o maior produto de todos os tempos", com vendas que, no longo prazo, poderiam chegar a US$ 10 trilhões (R$ 51 trilhões). Em larga escala, ele acredita que os robôs, atualmente vendidos por cerca de US$ 100 mil, poderão custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, tornando-se acessíveis para fábricas, armazéns e, posteriormente, residências. Combinando a projeção do Barclays com a meta de preços de Musk, o mercado poderia chegar à venda de aproximadamente 7 milhões a 10 milhões de robôs humanoides por ano até 2035. No curto prazo, a expectativa é que os humanoides assumam tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em armazéns e fábricas. Mais adiante, poderão atuar também em áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos.
16/08/2026 06:00:35 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.045 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 38 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (12), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
16/08/2026 03:00:32 +00:00
Presidente da Petrobras diz que Amapá vai produzir petróleo em águas ‘ultraprofundas’ em até sete anos

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou neste sábado (15) em entrevista à Globonews que o Amapá estará produzindo petróleo em águas ultraprofundas em até sete anos. A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. "Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender. Então, imagino que o Amapá possa ter petróleo sendo produzido em águas ultraprofundas de hoje a uns seis, sete anos", afirmou, A exploração na região faz parte da estratégia da Petrobras para repor suas reservas de combustível e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas. A Petrobras é a única dona da área e opera o local de forma exclusiva. O direito de exploração foi comprado em 2013, em um leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Magda afirmou que a descoberta é "absolutamente relevante", porque o Brasil poderia a voltar a importar petróleo nos próximos anos se as reservas não fossem repostas. "Essa descoberta no Amapá representa tudo isso. Representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década como um todo", disse. Poço Morfo O poço Morfo está localizado a 175 km do litoral do estado do Amapá, e abaixo de uma lâmina d'água de quase 3 mil metros de profundidade, a 500 km da foz do Rio Amazonas. Segundo especialistas, a presença de hidrocarbonetos significa, na prática, que a Petrobras descobriu petróleo na região. A Petrobras afirmou que a atuação na região é feita de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas. A nota da estatal disse também que a atuação faz parte da estratégia para recompor as reservas da companhia e garantir o atendimento da demanda nacional durante a transição energética justa. Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo disse que a descoberta é muito importante porque confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás em outras regiões, o que reforça a segurança energética nacional no médio e longo prazo '
15/08/2026 16:34:47 +00:00
China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro

Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China "A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa." A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que vem orientando a política de segurança alimentar da China: produzir mais alimentos internamente e depender menos das importações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse objetivo aparece nas metas estabelecidas pelo governo chinês em seu 15º Plano Quinquenal, publicado no início do ano para o período de 2026 a 2030. 🔎 O Plano Quinquenal reúne as principais metas estratégicas da China para períodos de cinco anos, com objetivos de desenvolvimento econômico e social. Nesta edição, o documento prevê ampliar a produção interna de produtos dos quais o Brasil é hoje um dos principais fornecedores, como soja, milho e carne. (saiba mais abaixo) As cotas de importação de carne bovina impostas pela China neste ano a diversos países, incluindo o Brasil, já fazem parte desse movimento. O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%. Mas como fica o Brasil diante dessa nova estratégia? Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras. “O jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada. Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca. E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só”, afirma Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, que facilita negócios com o país asiático. “Continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água”, acrescenta. Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura. Boa parte do país é formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas. Além disso, concentra menos de 5% da água doce disponível no planeta. Por isso, os planos da China devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade — ou seja, produzir mais na mesma área com o apoio de tecnologias, como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado. Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, afirma que, embora a China esteja longe de se tornar 100% autossuficiente, não se deve subestimar sua capacidade de cumprir as metas que estabelece. “Acompanho a política pública chinesa há anos e vejo que, quando a China se compromete a fazer algo e coloca seus esforços de tecnologia, educação e recurso financeiro em prol disso, ela consegue ter resultado consistente", diz. LEIA TAMBÉM Subsídios, planejamento, estoques e drones: como China mantém comida barata e garante abastecimento Por que a China tem comida barata, enquanto os EUA enfrentam alta de preços? O que prevê o plano chinês de segurança alimentar Dentre as diversas frentes do plano chinês, alguns pontos destacados pelos especialistas são: mais grãos: elevar a capacidade de produção anual para 725 milhões de toneladas até 2030. No ano passado, a China colheu um pouco menos que 715 milhões de toneladas. mais tecnologia no campo: aumentar de 64% para 67% a contribuição da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento agrícola; menos dependência da soja importada: reduzir a participação do farelo de soja na ração animal de cerca de 14% para menos de 10% até 2030; mais autossuficiência: produzir ao menos 95% dos grãos básicos, como arroz e trigo, dentro da China; alcançar 85% de autossuficiência em carne bovina e ovina e de 70% em leite. Theo Santana afirma que a China já atingiu a meta de autossuficiência em grãos básicos, como arroz e trigo, e que a produção desses alimentos já supera em mais de 100% a demanda interna, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística do governo chinês, levantados por ele. No entanto, o país ainda está abaixo das metas para outros alimentos. No caso das carnes bovina e ovina, o país consegue suprir 70% da demanda interna. Já na produção de leite, esse percentual é de 62%. Pessoas são vistas andando em meio a uma plantação de arroz em Yuanyang, na China. AP/Liang Zhiqiang/Xinhua Como a estratégia chinesa atinge o Brasil O consultor Theo Paul Santana destaca que o foco da estratégia chinesa está, principalmente, nos grãos destinados à alimentação da população, produtos que o Brasil praticamente não exporta para o país. "O que o Brasil vende é justamente aquilo em que a China não consegue ser autossuficiente: soja e carne", diz. No ano passado, a China importou um volume recorde de quase 112 milhões de toneladas de soja, e mais de 70% desse total teve origem no Brasil. A produção chinesa responde por apenas cerca de 20% da demanda do país. A China, no entanto, se sente “desconfortável” com essa dependência, afirma Larissa Wachholz. Por isso, o país vem intensificando os investimentos em tecnologia e melhoramento genético, inclusive em sementes transgênicas, tema que, até pouco tempo atrás, era tratado como “tabu” no país. O objetivo é aumentar a produção sem ampliar a área plantada nem o consumo de água. No mercado de grãos, o Brasil já sentiu o impacto nas exportações de milho. No ano passado, a China teve uma safra recorde e reduziu as importações do cereal de 8,4 milhões de toneladas em 2024 para menos de 4 milhões em 2025. Como resultado, o valor das exportações brasileiras de milho para a China caiu 20,8% no ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura. Outro reflexo desse movimento já apareceu no mercado de carne bovina, com a adoção de cotas para o Brasil e outros países exportadores. Em janeiro, a China estabeleceu uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne brasileira que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas. Em julho, esse limite que já foi batido, segundo levantamento do consultor Fernando Enrique Iglesias, do Safras & Mercado. "A cota nasceu de uma investigação de salvaguarda, e o próprio Ministério do Comércio chinês foi explícito ao justificá-la: a carne importada estava prejudicando a indústria doméstica, e a medida serviria para estabilizar o rebanho e dar tempo aos produtores chineses de se reorganizar", afirma Santana. Mas, para o especialista, essa política vai encontrar um teto. "A China produz cerca de 7,8 milhões de toneladas de carne bovina e consome perto de 11 ou 12 milhões. Esse buraco é estrutural, e a OCDE projeta que ele chegue perto de 4 milhões de toneladas por ano até 2032", diz Santana. "Ou seja, a cota administra o ritmo da importação e protege o pecuarista local, mas não elimina a dependência. É um escudo temporário, não uma porta que fecha". O que o Brasil deve fazer? Uma das saídas é diversificar destinos de exportação. "Só em 2025, o Brasil abriu mais de 200 novos mercados, sendo quase 20 deles para carne bovina", diz Santana. Contudo, não vai ser fácil substituir parte do mercado chinês, que compra metade de tudo o que o Brasil exporta de carne bovina. Valor exportado de carne bovina em 2025; total e para os 5 maiores destinos. Arte/g1 Outra frente é ampliar a presença das empresas brasileiras na China para acompanhar mais de perto as mudanças regulatórias, tecnológicas e comerciais. Segundo Larissa Wachholz, a presença do setor privado brasileiro no país ainda está aquém da importância que esse mercado tem para o agronegócio nacional. A especialista diz que o Brasil pode ainda criar novas oportunidades, como na área de produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para o transporte marítimo, setores que devem ampliar a demanda por matérias-primas agrícolas nos próximos anos. Nesse cenário, soja e milho podem ganhar novos mercados de maior valor agregado, reduzindo a dependência da exportação de grãos. Por fim, os especialistas reforçam que a nova estratégia da China está longe de provocar uma ruptura entre os dois países. "Tem um sinal que vale mais que discurso: os chineses estão investindo no Brasil para garantir abastecimento de alimentos. A COFCO ampliou terminal no Porto de Santos, comprou locomotivas e vagões, e há um memorando para estudar a ferrovia bioceânica ligando o Centro-Oeste ao Pacífico", diz Santana. "Ninguém investe em logística de longo prazo num fornecedor que pretende abandonar. O comércio agrícola entre os dois países já bate a casa dos US$ 100 bilhões por ano. O que muda é a exigência, não a importância", conclui.
15/08/2026 08:00:13 +00:00
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