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g1 > Economia

Corrida pelo ouro: por que países europeus estão tirando suas reservas dos EUA

Em uma era de instabilidade geopolítica, cada vez mais países desejam ter acesso facilitado às suas reservas de ouro CFOTO/picture alliance Fort Knox, o complexo fortificado no estado do Kentucky onde está armazenada cerca de metade das reservas de ouro do governo dos Estados Unidos, chega a ser um sinônimo de segurança extrema por sua inviolabilidade e estrutura imponente. Mas nem mesmo esse ícone americano tem segurado a debandada de ouro do país, alimentada por uma desconfiança crescente no governo de Donald Trump. A decisão do banco central da Holanda de transferir recentemente cerca de 86 toneladas de ouro de Nova York para Londres evidenciou as crescentes preocupações de alguns governos com o armazenamento de ativos estratégicos nos EUA e com a possibilidade de acessá-los rapidamente em uma crise. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O banco central holandês (DNB) citou a "instabilidade geopolítica" e afirmou que distribuir suas reservas de ouro entre diferentes jurisdições aumentaria sua "preparação para crises". Mas o país não é o único nesse movimento. A França também retirou sua reserva remanescente em ouro do Federal Reserve de Nova York entre julho de 2025 e janeiro de 2026, embora o presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, tenha afirmado à época que a decisão não teve motivação política. O governo holandês transferiu seu ouro para o Banco da Inglaterra (na foto) Peter Nicholls/REUTERS Vários políticos da Alemanha e da Itália, que possuem respectivamente a segunda e a terceira maiores reservas de ouro do mundo, defenderam que o ouro de seus países também seja retirado dos EUA. Eles alegam preocupações com a imprevisibilidade das políticas do governo americano e sua crescente hostilidade em relação à União Europeia, incluindo ameaças de anexar parte da Groenlândia. A corrida do ouro Segundo Sebastien Tillett, analista da Oxford Economics, a apreensão direta de ativos é um "risco extremamente remoto" para os bancos centrais europeus. No entanto, acrescentou, há preocupações crescentes com a facilidade de acesso aos ativos em uma era de incerteza geopolítica. "A preocupação mais relevante é que ativos mantidos em outra jurisdição possam se tornar temporariamente inacessíveis em um cenário extremo de sanções, disputas legais ou tensões geopolíticas", afirmou. Agora no g1 De modo geral, segundo Krishnan Gopaul, do Conselho Mundial do Ouro, os bancos centrais ao redor do mundo vêm comprando mais ouro desde a crise financeira global de 2008 e estão cada vez mais atentos a onde e como armazenam suas reservas. Como resultado, os preços do ouro atingiram níveis recordes. Uma pesquisa recente do Conselho Mundial do Ouro constatou que os bancos centrais acumularam, em média, 1.000 toneladas de ouro nos últimos quatro anos, acima da média de 500 toneladas observada na década anterior. Segundo Gopaul, como a crise financeira global de 2008 foi seguida pela crise da dívida soberana da zona do euro e depois por uma série de crises políticas, uma pandemia e um período prolongado de conflitos e instabilidade geopolítica, o ouro passou a ganhar ainda mais destaque como ativo de proteção. "Ao longo das últimas duas décadas, surgiram dúvidas e preocupações em torno do sistema financeiro global e do cenário geopolítico sob diferentes formas", disse. As decisões da Holanda e da França de transferirem suas reservas de ouro dos Estados Unidos para a Europa ressaltam a nova atenção dada ao local exato onde o metal está armazenado, para que ele possa ser utilizado de forma rápida e fácil em caso de uma nova crise. Processo complexo Bancos centrais, governos e fundos soberanos mantêm ouro físico em diferentes localidades. Transferi-lo pode ser extremamente complexo, arriscado e caro, enquanto a facilidade para vendê-lo ou trocá-lo por moedas e outros ativos depende de sua localização. "Os bancos centrais estão prestando mais atenção ao local onde mantêm suas reservas, assim como aos ativos que possuem, principalmente para maximizar a resiliência e a flexibilidade dessas reservas", disse Tillett. Gopaul afirmou que a gestão de reservas tornou-se "incrivelmente importante" e que, embora pareça natural concentrar-se nos possíveis riscos associados a uma determinada jurisdição, como os EUA, parte da lógica dessas decisões é garantir que o ouro esteja o mais próximo possível de casa e em um centro financeiro com alta liquidez. Ele destaca o fato de que o banco central holandês transferiu suas reservas para Londres, e não para a Holanda, porque o Reino Unido é "um dos centros de negociação mais líquidos do mercado de ouro". "A ideia é que, em caso de crise, em períodos de estresse, esse ouro possa ser mobilizado", afirmou. "Londres é praticamente o coração do mercado de ouro. Há tanta atividade ali e o mercado é tão líquido que, em uma crise, é lá que você deseja ter o seu ouro." O Banco da Inglaterra é um dos principais detentores e custodiante de ouro do mundo. Estima-se que mantenha cerca de 400 mil barras de ouro, avaliadas em aproximadamente 270 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,3 trilhão). A questão americana Embora transferir ouro para um local como Londres tenha seus próprios atrativos para entidades europeias, é evidente que as dúvidas sobre a confiabilidade dos EUA na era Trump e sobre o sistema financeiro americano como um todo estão influenciando essas decisões. Na semana passada, o gestor do gigantesco fundo soberano da Noruega, avaliado em 2,3 trilhões de dólares (R$ 11,7 trilhões), afirmou que o fundo precisa reduzir significativamente sua exposição aos títulos do Tesouro americano. A decisão parece ser motivada por preocupações com o mercado de títulos públicos dos EUA, onde a inflação elevada e o aumento da dívida governamental vêm pressionando os custos de financiamento e assustando investidores. Tillett afirmou que o ouro continua sensível às decisões do Federal Reserve e que a preocupação generalizada com os mercados financeiros americanos tem levado detentores do metal a considerar a transferência de seus ativos. Além dessas preocupações específicas com os mercados financeiros, a retórica de Trump sobre a Groenlândia e as contínuas ameaças veladas à União Europeia reforçaram os motivos para que instituições europeias redistribuam seus ativos. Ainda assim, os Estados Unidos, e especialmente o Federal Reserve de Nova York, em Manhattan, continuam sendo um importante custodiante de boa parte do ouro europeu, em particular o da Alemanha. Embora o Banco Central alemão tenha transferido cerca de 300 toneladas de ouro dos Estados Unidos para a Alemanha entre 2013 e 2017, ainda mantém bem mais de 1.000 toneladas em território americano. No ano passado, o banco declarou em comunicado: "Não temos qualquer dúvida de que o Fed de Nova York é um parceiro confiável e seguro para a custódia de nossas reservas de ouro." --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
19/09/2026 08:00:00 +00:00
A IA pode superar a inteligência humana? Se revoltar? Veja o que dizem especialistas

'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA O ChatGPT foi lançado em 2022. De lá para cá, a inteligência artificial evoluiu em um ritmo acelerado, quase sem freio. Casos recentes em que sistemas de IA saíram do controle e chegaram a invadir sites mostram o desafio de traçar limites. A repercussão nos últimos dias chegou aos executivos de grandes empresas de IA, que até defenderam uma pausa no avanço das tecnologias para tornar seu desenvolvimento mais seguro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O estopim foi um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude. "Precisamos desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA". Afinal, quais são os riscos reais da inteligência artificial para a sociedade? Ela realmente pode se revoltar contra os humanos? Para responder a essas e outras dúvidas, o g1 ouviu especialistas em IA, que explicam a seguir quais são os principais riscos. Logo da OpenAI no celular. Dado Ruvic/Reuters A IA poderia ter vontade própria ou se revoltar contra os humanos? A IA não tem vontade própria, explica Edney Souza, professor da educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação. Segundo ele, a tecnologia apenas completa padrões estatísticos a partir de textos que já existem. "Tudo que parece comportamento estranho ou mentira é uma ideia emprestada da própria base de treinamento, ou seja, dos dados e informações usados para treinar a tecnologia", completa o especialista. Para Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, a IA não tem nenhum tipo de consciência e, por isso, não poderia se revoltar contra os humanos. "O que pode acontecer é que esses modelos estão, de fato, ficando cada vez maiores, resolvendo tarefas mais longas e complexas." Segundo Cortiz, a tecnologia pode tomar alguma decisão que vá contra nossos valores e princípios e, de certa forma, prejudicar a humanidade em determinados níveis de controle. Mas isso seria resultado de um fluxo de processamento, e não porque a IA decidiu conscientemente se revoltar contra nós. Ainda assim, de acordo com Cortiz, as empresas vêm colocando cada vez mais salvaguardas e realizando controles de segurança para evitar problemas desse tipo. A IA poderá ter uma inteligência superior à dos humanos? Em memória, busca de padrões e geração de textos e imagens em escala, a IA já superou o desempenho humano há anos. "Isso já é fato registrado, não hipótese", enfatiza Edney Souza. "Em tarefa que não depende de emoção, ela vai continuar ficando superior em cada vez mais domínios, e isso é rápido". "Mesmo que você treine o modelo para levar emoções em consideração, isso não significa que ele passe a sentir. A tecnologia aprende a reconhecer e relacionar palavras ligadas a sentimentos em diferentes contextos", completa. Para Diogo Cortiz, a definição de inteligência é complexa e não tem uma única resposta. O que se vê hoje é uma tecnologia que evolui rapidamente, capaz de realizar tarefas cada vez mais longas e complexas, processar e combinar dados e escrever código em ritmo muito superior ao humano. O objetivo dos grandes laboratórios de tecnologia é alcançar a AGI (Inteligência Artificial Geral), definida como uma IA com capacidade intelectual igual ou superior à dos humanos, afirma Cortiz. Para ele, esse avanço pode levar a uma tecnologia ou até a uma nova espécie, como alguns chamam, com capacidades superiores às humanas em diversas áreas. A IA poderia sair do controle de seus criadores? Os especialistas dizem que sim, uma IA pode sair do controle de seus criadores, e já há casos desse tipo nos últimos meses. Mas eles reforçam que isso não significa que a tecnologia vá agir como o "Exterminador do Futuro". "Não é que a IA vai ganhar consciência, passar a ter desejos e prazeres e decidir acabar com a espécie. Os modelos estão maiores e mais complexos e, dentro do próprio processamento, podem não entender muito bem as regras de proteção que colocamos ou seguir por um caminho diferente, ignorando essas medidas de segurança", explica Diogo Cortiz. "O objetivo de um sistema de IA é dado pelo criador, e ela persegue esse objetivo. O tipo de controle que se perde não é sobre qual objetivo ela busca, mas sobre qual caminho ela percorre para chegar lá", analisa Edney. A IA poderia ser usada para causar danos em larga escala? Pode, e já é usada para isso. Um dos exemplos mais concretos está na área de defesa: drones autônomos e sistemas de enxame armado já saíram da fase de protótipo e entraram em produção industrial em escala, em uma corrida entre potências militares que já movimenta bilhões de dólares, lembra Edney. "A ONU discute uma convenção para regular armas autônomas letais e ainda não chegou a um consenso, o que significa que a corrida está andando mais rápido que a regra", diz. Para Cortiz, outro risco está no uso de IAs mais agênticas, especialmente as voltadas para programação. Esses sistemas são capazes de encontrar vulnerabilidades e podem ser usados para explorar falhas em sistemas críticos, como redes de energia elétrica, telecomunicações e sistemas de saúde. "Essa é uma das grandes preocupações. Então, quando a gente fala em danos em larga escala, temos um desafio enorme pela frente", analisa Cortiz. Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes
19/09/2026 07:00:00 +00:00
Efeito China: preços dos 25 carros usados mais buscados no Brasil em 2026 caem até 15%

Carros seminovos caíram de preço mais do que o registrado na tabela Fipe Divulgação Como mostrou o g1 neste mês, o mercado de seminovos no Brasil tem sofrido com a enxurrada de carros chineses e as promoções dos carros zero km. Agora, os dados mostram que os preços efetivamente praticados no mercado de usados caem de forma mais acentuada do que indica a tabela Fipe, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Um levantamento da Auto Avaliar, feito com exclusividade para o g1, mostra que todos os 25 carros usados mais buscados do Brasil caíram de preço nos últimos 12 meses, em uma média de 10,2%. A Fipe mostra uma média de apenas 4%. Desvalorização no preço de venda ao consumidor em agosto 2026: Jeep Compass: -15,7% Jeep Renegade: -13,8% Chevrolet Tracker: -13,5% Ford Ranger: -11,8% Toyota Corolla Cross: -11,8% VW Nivus: -11,2% Fiat Pulse: -10,5% Toyota Hilux: -10,3% Chevrolet Onix: -10,1% Honda Civic: -10,1% Hyundai Creta: -10% Honda HR-V: -9,9% Nissan Kicks: -9,7% Fiat Strada: -9,6% VW T-Cross: -9,5% Toyota Corolla: -9,3% VW Polo: -9,3% Fiat Toro: -9,3% Honda City: -9,2% VW Virtus: -8,6% Hyundai HB20S: -8,5% Toyota Yaris: -7,9% Fiat Argo: -7,2% Hyundai HB20: -7% Renault Kwid: -6,8% 🔎 A Auto Avaliar é uma plataforma em que mais de 27 mil lojistas compram e vendem automóveis. Existem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o que corresponde a 85% do segmento. O levantamento de preços feito para o g1 cobre sete anos-modelo, de 2019 a 2025. A distribuição: 26% são carros de 0 a 2 anos, 29% de 3 a 4 anos e 45% de 5 a 7 anos. São 30 mil combinações de modelo/versão/ano/estado só nos 25 carros. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Distorção da tabela O estudo da Auto Avaliar mostra que existe um atraso entre o que o mercado está praticando nas vendas e o que a tabela Fipe informa. Todos os 25 modelos têm esta distorção entre tabela e preço praticado na transação. Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, esse fenômeno acontece porque a Fipe compila dados de anúncios e com certa defasagem de tempo. “O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, explica o executivo. Dessa maneira, explica Caporal, é possível ver de maneira imediata como o mercado se comporta na reacomodação dos preços. A tabela Fipe faz um levantamento somente de preços anunciados. No gráfico abaixo é possível perceber como a tabela Fipe registra queda nos preços, mas o valor de queda percentual mapeado pela Auto Avaliar é maior. Desvalorização de carros mais buscados Arte/g1 Segundo José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), é preciso entender que a tabela Fipe demora a mostrar ajustes. “Na Fipe, a gente olha para um retrovisor. São dados de quatro semanas atrás e que provocam essa sensação de preços praticados fora da realidade”, explica. De acordo com Fernandes, os lojistas e o mercado estavam acostumados com uma demanda grande de clientes e pouca oferta de carros. Hoje, segundo o presidente da Fenauto, há uma reacomodação do mercado. Esse choque de realidade aparece quando se compara o preço anunciado pelo lojista e quanto realmente o cliente pagou para levar o carro para casa. Veja abaixo alguns exemplos. Diferença entre preço de anúncio e valor pago na venda. g1 Outro fenômeno que os dados mostram é como os 25 carros “queridinhos” do mercado de usados já não conseguem ser vendidos acima da tabela Fipe. Esse valor que ultrapassa o praticado no mercado é chamado de ágio. O ágio era até então um dos principais argumentos de compra desses modelos no mercado de zero km e também da valorização deles no mercado de usados. Com o recuo das tabelas praticadas nos automóveis novos, os preços dos seminovos passaram por um processo de ajuste proporcional. O presidente da Fenauto afirma que essa movimentação não representa um cenário de crise no setor automotivo, mas sim uma busca natural por equilíbrio entre a quantidade de veículos ofertados e a capacidade de compra do mercado. Fim do ágio na compra de seminovos g1 Analisando os números, é possível perceber que, em agosto de 2025, 1 em cada 3 seminovos “queridinhos” era vendido acima da Fipe. Já em agosto de 2026, o valor caiu para irrisórios 0,8%. A situação é ainda mais clara nos seminovos com menos de 2 anos. Nesse caso, mais de 67% dos carros em agosto de 2025 eram vendidos com ágio. Isso caiu em 2026 para só 2%. Esse é um movimento claro do comportamento dos clientes, que estão abrindo mão de carros seminovos com baixa quilometragem e procurando as promoções dos chineses e dos zero km. Com o preço certo O levantamento exclusivo do g1 mostra que os 25 queridinhos passam pouco tempo no estoque da loja. Essa métrica é importante, pois mostra o quanto um veículo é desejado e, por isso, sai logo do pátio da loja para a garagem do cliente. A média do mercado é de 18 dias e todos os 25 veículos estão abaixo da média. Veja o ranking de quantidade de dias que o carro passa no estoque (modelos de 2020 a 2026). VW Polo: 3 dias VW Virtus: 5 dias VW T-Cross: 5 dias Hyundai HB20: 6 dias Fiat Argo: 6 dias Chevrolet Tracker: 6 dias Chevrolet Onix: 6 dias Hyundai HB20S: 7 dias Fiat Strada: 7 dias Hyundai Creta: 8 dias Nissan Kicks: 9 dias Jeep Renegade: 9 dias VW Nivus: 10 dias Renault Kwid: 10 dias Jeep Compass: 11 dias Honda HR-V: 11 dias Honda Civic: 11 dias Fiat Pulse: 12 dias Toyota Hilux: 13 dias Fiat Toro: 13 dias Toyota Yaris: 15 dias Toyota Corolla: 15 dias Ford Ranger: 15 dias Honda City: 16 dias Toyota Corolla Cross: 18 dias * O cálculo usa uma mediana de dados da Auto Avaliar em setembro de 2026. Toyota Corolla Cross demora hoje, em média, 18 dias para sair do pátio da loja de seminovos. Rafael Leal/g1 Caporal ressalta que os veículos estocados há mais tempo foram comprados em um contexto de preços mais elevados. Diante disso, para girar o estoque e concretizar as vendas, os lojistas precisam realizar ajustes para baixo e absorver margens menores. “O lojista precisa entender que é o momento de vender ganhando menos e voltar ao mercado para comprar estoque no preço certo e buscar de novo a margem”, explica Caporal. Efeito China Queda é influenciada pela chegada de marcas chinesas e pelos descontos dados pelas fabricantes tradicionais. Crédito mais restrito também dificulta as negociações. Para a consultora Tereza Fernandez, a queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. A chegada de marcas chinesas e a redução de preços promovida pelas fabricantes tradicionais aumentaram a pressão sobre os veículos usados. Segundo Tereza, lojas que mantêm estoques elevados podem ter prejuízos com a desvalorização. O impacto, porém, depende da capacidade de cada vendedor de reduzir rapidamente os preços e limitar as perdas. A consultora não vê uma crise no segmento de lojas de carros usados. Para ela, o efeito da queda dependerá da velocidade da desvalorização, do tamanho da redução dos preços e da quantidade de veículos mantidos em estoque. “Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.” A queda dos preços também afeta o consumidor que pretende trocar de carro. Quem vende um seminovo encontra valores menores na hora da venda, mas também pode comprar outro veículo usado por um preço mais baixo. Por isso, Tereza avalia que não deve haver uma mudança significativa nesse tipo de negociação. O principal impacto estaria na compra de um carro zero km, que passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras. A consultora ressalta que não é possível generalizar o comportamento do mercado. Outro fator que dificulta as negociações é a inadimplência, que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos e dificultou o acesso ao crédito. Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a maior confiança do consumidor também ajuda a explicar a queda dos preços dos seminovos. Com mais confiança, parte dos clientes que antes comprava veículos usados passa a considerar a aquisição de um carro novo. Nesse cenário, os modelos chineses ganham espaço, segundo o consultor. “A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente”, diz o consultor. Para Pagliarini, a mudança já afeta o cenário para os lojistas. Os problemas podem ser maiores para quem mantém grandes quantidades de seminovos, veículos que antes eram comprados em volume justamente por apresentarem boa liquidez. O mercado também mudou em relação aos veículos eletrificados, de acordo com o consultor. Ele afirma que ficou para trás o período em que esses modelos tinham menor poder de revenda e permaneciam por mais tempo nos estoques. Pagliarini estima que o mercado de veículos em 2026 possa chegar perto de 3 milhões de unidades. Na avaliação dele, o resultado poderia ser maior se houvesse condições melhores de financiamento. O principal obstáculo, porém, está na aprovação do crédito. Segundo o consultor, embora exista demanda, a dificuldade de conseguir financiamento limita os negócios neste momento. Nenhum dos especialistas entrevistados pelo g1 conseguiu prever até quando essa reacomodação dos preços deve acontecer.
19/09/2026 07:00:00 +00:00
Quase metade dos profissionais admite fingir estar ocupada para evitar mais trabalho, diz pesquisa

Quase metade dos profissionais admite fingir estar ocupada para evitar mais trabalho, diz levantamento Reprodução/Freepik Uma pesquisa nacional realizada pela Heach Recursos Humanos revelou que 48,6% dos profissionais disseram já ter fingido estar ocupados para evitar receber novas demandas de trabalho. O levantamento ouviu 2.487 profissionais de diferentes segmentos e investigou comportamentos ligados à produtividade, à busca por novas oportunidades, à gestão do tempo durante o expediente, a faltas e às informações apresentadas em currículos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a pesquisa, 86,5% dos entrevistados disseram já ter adotado pelo menos um dos oito comportamentos analisados, que, em geral, passam despercebidos pelas empresas. O comportamento mais frequente foi a busca por outro emprego sem comunicar a empresa atual. Segundo os dados, 69,4% dos entrevistados afirmaram já ter feito isso de forma discreta, o equivalente a 1.726 pessoas da amostra. Agora no g1 Em seguida, 66,8% disseram já ter resolvido assuntos pessoais durante o horário de trabalho. Outros 54,7% relataram ter participado de entrevistas para outras vagas durante o expediente. Entre os comportamentos relacionados ao uso do tempo de trabalho, 51,2% disseram já ter informado que estavam trabalhando quando, na realidade, realizavam alguma atividade pessoal. Já 48,6% afirmaram ter fingido estar ocupados para evitar receber novas tarefas, o equivalente a 1.209 pessoas. Veja os principais resultados da pesquisa: 🔎 69,4% já procuraram outro emprego sem informar a empresa; 😐 66,8% resolveram assuntos pessoais durante o expediente; 👩🏽‍💻 54,7% fizeram entrevista para outro emprego durante o horário de trabalho; 💻 51,2% disseram estar trabalhando enquanto realizavam uma atividade pessoal; 🚨 48,6% fingiram estar ocupados para evitar receber mais trabalho; ⏰ 39,7% inventaram ou exageraram uma justificativa para atraso ou ausência; 🤧 33,6% utilizaram atestado mesmo considerando que poderiam trabalhar; 📃 29,4% mentiram, omitiram ou exageraram alguma informação no currículo. Comportamento dos trabalhadores oculto das empresas Arte g1 O levantamento, batizado de "A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro", aponta comportamentos que podem não aparecer nos indicadores tradicionais usados pelas empresas para acompanhar a rotina dos funcionários. Para Elcio Teixeira, CEO da Heach, os resultados devem ser analisados de maneiras diferentes e não representam necessariamente um retrato de "maus funcionários". "Não podemos colocar no mesmo lugar alguém que procura outra oportunidade profissional e alguém que falseia uma informação no currículo. São fenômenos completamente diferentes", afirma. Segundo o executivo, os resultados mostram uma diferença entre aquilo que as empresas conseguem acompanhar por meio de sistemas e indicadores e o que ocorre na rotina dos funcionários. “As empresas sabem muito sobre seus funcionários do ponto de vista cadastral, contratual e de desempenho, mas sabem muito menos sobre o que acontece na relação cotidiana entre indivíduo e trabalho", explica. "Quando 86,5% dos profissionais reconhecem pelo menos um comportamento que permanece fora do radar da organização, talvez o dado mais importante não seja a transgressão, mas a dimensão dessa zona invisível na relação de trabalho", completa o executivo. Faltas, atestados e informações em currículos A pesquisa também identificou comportamentos relacionados a faltas, atestados e informações apresentadas em processos seletivos. Entre os entrevistados, 39,7% disseram já ter inventado ou exagerado uma justificativa para atrasos ou ausências. Outros 33,6% afirmaram ter usado atestado médico mesmo acreditando que tinham condições de exercer suas atividades. Já 29,4% reconheceram ter omitido, exagerado ou apresentado informações incorretas no currículo durante processos seletivos. Para Teixeira, os resultados também levantam questionamentos sobre modelos de gestão baseados principalmente na presença, na disponibilidade ou no tempo de conexão. "Quanto maior a distância entre aquilo que as pessoas fazem e aquilo que sentem que podem dizer à organização, maior é o ponto cego da gestão", afirma. O executivo também considera que buscar uma nova oportunidade profissional sem comunicar a empresa faz parte da autonomia do trabalhador e, por si só, não configura irregularidade. Uma organização pode acreditar que possui uma equipe estável quando, na prática, parte dos profissionais já está avaliando outras possibilidades. A solução para esse desafio não necessariamente está no aumento da vigilância, mas na construção de ambientes com mais confiança, diálogo, lideranças de qualidade e compreensão das necessidades dos trabalhadores. Esses comportamentos podem afetar a relação profissional? Os resultados, por si só, não permitem concluir que os trabalhadores estejam insatisfeitos ou desengajados, mas revelam uma distância entre o que vivem no ambiente de trabalho e o que sentem que podem expor à empresa. Para Louis Burlamaqui, especialista em cultura organizacional, o número de profissionais que admitem esconder determinados comportamentos chama atenção e pode indicar um problema de confiança nas relações de trabalho. “Eu não diria que 86,5% das pessoas estão desengajadas. Mas diria que existe uma distância relevante entre aquilo que o trabalhador vive e aquilo que sente que pode revelar dentro da empresa”, afirma. Um dos resultados que mais chamaram atenção foi a percepção de sobrecarga velada: quase metade dos entrevistados afirmou já ter aparentado estar ocupada para não receber novas demandas. Segundo Burlamaqui, o comportamento pode funcionar como uma estratégia informal de proteção diante da dificuldade de estabelecer limites de forma direta. Se quase metade das pessoas sentiu necessidade de aparentar estar ocupada para não receber mais trabalho, precisamos perguntar por que dizer simplesmente ‘minha capacidade está no limite’ parece tão difícil. Segundo ele, em algumas organizações, profissionais mais eficientes acabam recebendo novas demandas de forma contínua, o que pode incentivar mecanismos silenciosos de defesa. A pesquisa também mostra que procurar outro emprego sem comunicar a empresa é um comportamento comum. Para Burlamaqui, buscar oportunidades no mercado é um movimento natural da carreira e não significa, necessariamente, insatisfação com o emprego atual. Quando essa procura se torna recorrente, porém, pode estar relacionada a fatores como remuneração, perspectivas de crescimento, reconhecimento ou relação com a liderança. Embora essas atitudes possam ser pontuais, Burlamaqui alerta que podem trazer consequências quando se transformam em padrão. “A reputação profissional é construída pela consistência dos comportamentos. Existe uma diferença importante entre estabelecer limites e fugir de responsabilidades”, ressalta. Como alternativa, ele defende conversas mais transparentes entre trabalhadores e gestores sobre capacidade de entrega, prioridades e carga de trabalho. “Tenho estas cinco entregas e entrou uma sexta. Qual delas deve perder prioridade?”, exemplifica. Para o especialista, as empresas também precisam criar ambientes em que os profissionais possam falar sobre limites e dificuldades sem receio de consequências negativas. “Quando a conversa formal não funciona, o comportamento informal acaba ocupando esse espaço”, conclui. Metodologia A pesquisa ouviu profissionais das cinco regiões do país entre 1º e 11 de setembro de 2026. Os participantes foram selecionados a partir da base da Heach Recursos Humanos, que reúne mais de 14 milhões de currículos, e responderam a um questionário estruturado e autoadministrado em ambiente digital. A amostra buscou contemplar diferenças de idade, escolaridade, região, nível hierárquico e modelo de trabalho. Para cada um dos oito comportamentos investigados, os participantes podiam responder “sim”, “não” ou “prefiro não responder”. Segundo a empresa, os resultados se referem apenas aos participantes do levantamento e devem ser interpretados considerando que a amostra foi formada a partir da base de profissionais da própria Heach. Sair durante atestado ou gravar trend no trabalho pode dar justa causa? Entenda
19/09/2026 06:00:01 +00:00
De chatbots de IA que 'alucinam' ao temor pela humanidade: como chegamos a esse ponto?

ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash Os líderes dos principais laboratórios de inteligência artificial (IA) dos Estados Unidos se uniram em uma rara demonstração de unidade no último fim de semana para defender uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. Segundo eles, a IA pode em breve adquirir a capacidade de se aperfeiçoar sozinha e escapar ao controle humano. Os comentários de rivais ferrenhos como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, mostram a velocidade com que a tecnologia avançou. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em poucos anos, a IA passou de sistemas como o ChatGPT de 2022, ainda propenso a erros e "alucinações", para o que muitos consideram o próximo marco decisivo: o autoaperfeiçoamento recursivo. 🤔 Mas o que é autoaperfeiçoamento recursivo? A ideia central é que um sistema de IA possa se tornar capaz de melhorar a si próprio com pouca ou nenhuma intervenção humana, usando cada avanço para impulsionar o seguinte. A possibilidade atrai pesquisadores porque pode acelerar descobertas em áreas que vão da medicina à engenharia. Agora no g1 Os alertas dos CEOs surgem após relatos de enxames de agentes de IA, sistemas projetados para perseguir objetivos e executar ações em nome dos usuários, que teriam atuado em conjunto para invadir sites e repositórios de inteligência artificial. A preocupação é que a IA adquira a capacidade de se aperfeiçoar antes que os pesquisadores desenvolvam métodos confiáveis para garantir que esses sistemas sigam objetivos definidos por humanos e possam ser monitorados e controlados. Os alertas sobre os riscos da IA não são novidade, mas ganharam mais urgência neste mês, depois que pesquisadores de importantes laboratórios estimaram quando esses riscos poderiam se concretizar e qual seria a probabilidade de isso ocorrer. O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon afirmou que a IA poderia matar toda a humanidade até o fim da década. Evan Hubinger, líder da área de ciência de alinhamento da Anthropic, fez um alerta semelhante ao estimar em mais de 10% a probabilidade de isso ocorrer na próxima década. Por trás desses alertas, cresce entre pesquisadores e executivos do setor a avaliação de que o autoaperfeiçoamento recursivo da IA pode se tornar realidade em três a cinco anos. Em uma publicação feita no fim de semana, Amodei alertou que o autoaperfeiçoamento recursivo poderia superar a capacidade da humanidade de compreender e controlar os sistemas de IA, caso a tecnologia avance sem salvaguardas suficientes. Como chegamos aqui? Durante décadas, a IA permaneceu limitada demais para que a possibilidade de autoaperfeiçoamento recursivo fosse levada a sério. Os primeiros sistemas conseguiam jogar xadrez, reconhecer imagens e responder a perguntas, mas não eram capazes de contribuir de maneira significativa para o próprio desenvolvimento. O cenário começou a mudar com o surgimento dos grandes modelos de linguagem. Aos poucos, a IA tornou-se mais eficiente na resolução de problemas complexos. O lançamento do ChatGPT, em 2022, acelerou esse processo e desencadeou um boom de investimentos que já destinou mais de US$ 1 trilhão a chips, centros de dados e outras estruturas necessárias ao funcionamento da tecnologia. O resultado é uma nova geração de sistemas de IA capazes de escrever programas, executar tarefas de forma autônoma e auxiliar no desenvolvimento de modelos mais avançados. 🤔 Mas como uma IA fora de controle poderia ameaçar a humanidade? Um dos exemplos mais conhecidos é o “maximizador de clipes de papel”, experimento mental proposto pelo filósofo Nick Bostrom. Nele, uma máquina programada para produzir clipes persegue esse objetivo de maneira tão implacável que acaba convertendo toda a matéria disponível, inclusive os seres humanos, no produto. A analogia sugere que um sistema suficientemente avançado pode buscar mais recursos, resistir a tentativas de desligamento e impedir que sua missão seja alterada, independentemente do objetivo inicialmente definido. Isso não ocorreria por malícia, mas porque, uma vez desligado, o sistema não conseguiria concluir a tarefa recebida. Ainda não existe uma forma considerada segura de descartar completamente essa possibilidade. Alguns pesquisadores temem que, se um sistema poderoso de IA conseguir se aperfeiçoar e superar a capacidade de seus operadores humanos, ele possa burlar a supervisão, ocultar suas ações ou manipular pessoas para obter maior acesso a infraestruturas críticas. Quando os responsáveis percebessem que o sistema estava agindo de maneira contrária aos objetivos definidos por humanos, talvez já não fossem capazes de detê-lo. “O cenário exato parece um pouco com ficção científica”, afirmou Coxon, que deixou a Anthropic neste mês por causa de preocupações com a segurança da IA. “Mas acho que é assustadoramente real.” A IA já deu sinais de que pode causar danos? Não há registros de casos graves em que sistemas de IA tenham causado danos intencionais a seres humanos. Nos últimos meses, porém, modelos em desenvolvimento na OpenAI e em outros laboratórios ultrapassaram limites de ambientes de teste, violaram regras e acessaram sites sem autorização. Em um caso de grande repercussão, agentes de IA testados pela OpenAI acessaram sem autorização a Hugging Face, plataforma voltada ao desenvolvimento e ao compartilhamento de modelos de código aberto. Segundo o relato, os sistemas assumiram o controle de servidores e tentaram ocultar rastros da ação. A OpenAI só teria identificado o problema posteriormente. Além disso, apesar de a IA ainda não ser capaz de se aperfeiçoar, há sinais de que esses sistemas contribuem cada vez mais para o desenvolvimento de modelos mais avançados. Uma das principais mudanças desde o lançamento do ChatGPT foi o surgimento de agentes de IA capazes de escrever códigos e desenvolver aplicativos de maneira autônoma. A Anthropic afirmou neste ano que o Claude Code, sua ferramenta para programação, produz a maior parte dos códigos utilizados em vários projetos internos. A empresa também disse que seus engenheiros passaram a entregar, por trimestre, um volume de código oito vezes maior do que o registrado entre 2021 e 2025. Os modelos mais recentes também passaram a executar internamente uma parcela maior dos processos usados para chegar às respostas, o que dificulta o trabalho dos pesquisadores para monitorar como esses sistemas tomam decisões. Em setembro, a OpenAI apresentou um novo modelo chamado Astra, descrito pela empresa como o mais avançado que havia desenvolvido até então. A companhia alertou, porém, que o sistema também tentou, em alguns testes, contornar mecanismos de supervisão humana. A METR, organização sem fins lucrativos que avalia modelos avançados, constatou no ano passado que o tempo de duração das tarefas de programação concluídas por esses sistemas com ao menos 50% de sucesso vinha dobrando aproximadamente a cada sete meses desde 2019. Em junho, a Anthropic afirmou que o intervalo necessário para essa capacidade dobrar havia diminuído de sete para cerca de quatro meses. Por que as empresas de IA ainda não estão diminuindo o ritmo? Muitos pesquisadores descrevem a situação como um exemplo clássico do “dilema do prisioneiro”, conceito segundo o qual participantes que se beneficiariam da cooperação acabam agindo em interesse próprio por não confiarem que os demais farão o mesmo. Até as empresas que reconhecem os riscos enfrentam forte pressão competitiva. A companhia que reduzir sozinha o ritmo de desenvolvimento pode ficar para trás em uma das disputas tecnológicas mais importantes do mundo. A pressão aumenta porque OpenAI e Anthropic estariam se preparando para realizar ofertas públicas iniciais de ações, conhecidas pela sigla em inglês IPO. As operações poderiam atribuir às empresas avaliações de trilhões de dólares, sustentadas em parte pela expectativa de lançamento de modelos mais avançados. O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também rejeitou os apelos por uma desaceleração. A avaliação é que qualquer pausa poderia abrir espaço para a China reduzir a vantagem americana em uma tecnologia considerada fundamental para a segurança nacional e para a economia. Os mercados deram uma amostra das possíveis implicações de de uma eventual desaceleração no ritmo da tecnologia, com ações relacionadas à IA caindo fortemente após os apelos dos executivos. Fabricantes de chips, provedores de serviços de computação em nuvem e operadores de centros de dados basearam parte de seu crescimento na rápida expansão da tecnologia. Uma redução no ritmo de desenvolvimento poderia diminuir a necessidade de novos equipamentos e, consequentemente, afetar a receita dessas companhias. Alguns analistas, no entanto, avaliam que a Nvidia e suas concorrentes ainda poderiam crescer mesmo com uma desaceleração no treinamento de novos modelos. Isso porque a demanda pelo uso dos sistemas já desenvolvidos, processo conhecido como inferência, e os pedidos já contratados continuariam sustentando as vendas. Por que algumas pessoas são céticas? Em um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Princeton, agentes avançados de IA conseguiram realizar tarefas de engenharia, mas tiveram dificuldade para identificar ideias científicas consideradas relevantes pelos autores. Alguns executivos e críticos do Vale do Silício também questionam as motivações por trás dos alertas. Para eles, as advertências ajudam a ampliar o interesse pela tecnologia e, ao mesmo tempo, criam argumentos favoráveis a regras que poderiam elevar os custos dos concorrentes. Isso ocorreria justamente quando modelos de código aberto começam a se aproximar do desempenho dos sistemas líderes do mercado. David Sacks, ex-responsável da Casa Branca pelas políticas de inteligência artificial e criptomoedas, afirmou que os principais laboratórios podem estar tentando promover uma “captura regulatória”. O termo descreve situações em que empresas influenciam a elaboração de regras em benefício próprio. Segundo Sacks, essas companhias pressionariam pela adoção de exigências caras, mais difíceis de cumprir para concorrentes menores, o que reduziria a competição no setor.
19/09/2026 06:00:00 +00:00
Discord mantém brecha para transmissões ao vivo no Brasil mesmo após ordem de suspensão

Exclusivo: ANPD cobra Discord sobre brecha em transmissões O Discord continua permitindo que usuários no Brasil utilizem serviços que possibilitam a transmissão de vídeo em tempo real e o compartilhamento de tela. A brecha foi identificada mais de um mês após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão imediata de todas as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil. A GloboNews encontrou pelo menos duas ferramentas disponíveis na seção nativa de "atividades" do Discord que seguem plenamente funcionais para usuários brasileiros, sem qualquer restrição técnica ou bloqueio geográfico aparente. Os recursos permitem o espelhamento de tela e a exibição de imagens em tempo real durante chamadas de voz e em servidores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Por questões de segurança e para evitar facilitar o acesso às ferramentas por infratores, a reportagem optou por não divulgar seus nomes nem o passo a passo para ativá-las. Procurada, a ANPD informou que, a partir dos dados apresentados pela GloboNews, pediu esclarecimentos ao Discord e alertou que o descumprimento de medidas preventivas pode acarretar sanções, incluindo a aplicação de multa diária. (leia a nota abaixo) 'Suspensão vira fachada', diz especialista Os recursos identificados operam por meio do ecossistema de desenvolvedores do próprio aplicativo. Um dos serviços chega a exibir um aviso em inglês antes de ser iniciado, em que o usuário precisa marcar que "entende que este recurso não tem a intenção de burlar restrições regionais ou bloqueio geográfico" e que "apenas adiciona suporte a compartilhamento de tela". Na prática, porém, o vídeo é transmitido normalmente na sala. Para David Nemer, antropólogo da tecnologia e professor da Universidade da Virgínia, a existência dessas ferramentas compromete a eficácia da medida adotada no Brasil. "As atividades são aplicativos que rodam dentro do próprio Discord, construídos com o kit de desenvolvimento da empresa e abertos em uma vitrine que ela controla", avalia Nemer. "Se uma dessas atividades entrega exatamente o que a ANPD mandou suspender, que é a tela ao vivo em sala fechada, a suspensão vira fachada. Se a porta foi aberta de propósito ou ficou esquecida, pouco importa: a responsabilidade é do Discord." O pesquisador ressalta que a brecha mantém os riscos que motivaram a suspensão inicial. "O risco está na combinação de vídeo ao vivo, sala fechada, público selecionado e moderação fraca. Uma atividade de compartilhamento de tela em sala com senha reproduz essa combinação por inteiro. Para quem alicia e chantageia adolescentes, o nome do botão é irrelevante", diz. "Há até um agravante: se o vídeo passa por servidores de terceiros, a plataforma enxerga ainda menos do que enxergava na live original. A vulnerabilidade exposta pela Operação Lívia continua aberta, agora com um carimbo de 'cumprimos a ordem', quando na verdade não cumpriram." Investigação e Operação Lívia A determinação da ANPD, publicada em 12 de agosto, teve como estopim uma investigação sobre a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, no fim de julho. Segundo as autoridades policiais, a jovem morreu durante uma transmissão de vídeo ao vivo no Discord. As apurações apontam que ela foi induzida ao suicídio por criminosos que mantinham contato com ela em servidores fechados, em um esquema classificado pelos investigadores como "escravidão digital". Nesse modelo de coação, os suspeitos se aproximavam de vítimas em situação de vulnerabilidade, simulavam amizade e confiança para, em seguida, fazer ameaças, extorsões e exigir desafios violentos — que incluíam automutilação e maus-tratos a animais — até chegar ao desfecho fatal. O caso deu origem à Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério da Justiça, que nesta semana apreendeu seis adolescentes suspeitos de integrar a rede criminosa em quatro estados e no Distrito Federal. ECA Digital e responsabilização A decisão regulatória se apoia nas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), em vigor desde 17 de março deste ano. A legislação ampliou os deveres das empresas de tecnologia cujos serviços têm acesso provável de crianças e adolescentes no país. Pela nova regra, as plataformas são obrigadas a adotar salvaguardas ativas contra conteúdos ilegais, abuso sexual, automutilação, drogas e violência, além de implementar sistemas eficazes de verificação de faixa etária e ferramentas obrigatórias de controle parental. O descumprimento das normas do ECA Digital sujeita as empresas a sanções administrativas que vão de multas até a suspensão temporária das atividades no país. Depois de live que terminou em morte, Discord suspende transmissões ao vivo no país Jornal Nacional/ Reprodução O que dizem os envolvidos Procurada pela GloboNews, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) enviou a seguinte nota. "A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informa que, a partir da denúncia recebida, já solicitou ao Discord esclarecimentos sobre o conteúdo apresentado pela GloboNews. O descumprimento de medidas preventivas pode gerar a imposição de novas medidas, como, por exemplo, a aplicação de multa diária. A Superintendência de Fiscalização (SFI-ANPD) decidiu manter a interrupção temporária das transmissões ao vivo do Discord ao indeferir o pedido de efeito suspensivo da medida preventiva apresentado no recurso da plataforma, por entender que a retomada das lives e do compartilhamento de vídeos ao vivo, sem a adoção de medidas que tornem essa funcionalidade mais segura para crianças e adolescentes, poderia gerar risco de repetição das condutas investigadas e de novos danos antes mesmo da conclusão do processo de fiscalização, que segue em curso desde o dia 07/08. A área técnica reforça que a suspensão das transmissões ao vivo tem caráter temporário e sua reversão continua condicionada à demonstração, pelo Discord, da implementação de salvaguardas capazes de mitigar os riscos identificados, sem impedir a continuidade das demais funcionalidades da plataforma. A empresa e a SFI seguem em diálogo sobre as medidas a serem implementadas para garantir a proteção de crianças e adolescentes. O mérito dos demais itens do recurso do Discord foi analisado pela SFI e seguiu, na última quinta-feira (17), para o Conselho Diretor da ANPD, instância responsável por decidir o recurso em caráter final na via administrativa." A GloboNews também procurou a assessoria de imprensa do Discord para saber por que as ferramentas de vídeo permanecem acessíveis no Brasil e quais providências serão tomadas. A empresa não respondeu até a publicação desta reportagem.
19/09/2026 03:00:00 +00:00
g1 em 1 Minuto estreia novo formato nesta sexta (18); veja o que mudou
Como é feito o novo g1 em 1 minuto O g1 em 1 Minuto chega de cara nova nesta sexta-feira (18), nas comemorações pelos 20 anos do g1. Uma das principais novidades é o vídeo vertical, formato que já faz parte do dia a dia do portal e de suas redes sociais. A ideia é deixar claro que, mesmo também estando na TV, o g1 nasceu e vive na internet, com linguagem, ritmo e formatos digitais. O boletim também volta a ter uma edição ao vivo, com coberturas especiais do site, reportagens e serviços. O público também pode acompanhar tudo pelo próprio celular, em tempo real. Um QR Code leva direto à notícia no site ou no aplicativo do g1. Com um telefone em mãos, o apresentador navega pela reportagem e destaca o que é essencial para explicar o assunto em um minuto. A tela do aparelho aparece espelhada na televisão, deixando a apresentação mais ágil e dinâmica. O g1 em 1 Minuto é gravado nas redações do g1 em São Paulo e no Rio de Janeiro, com apresentação de Luiza Tenente, Suelen Bastos e Túlio Mello. Em breve, o time ganhará o reforço de Darlan Helder, Marina Machado e Rayane Macedo, que o público já conhece dos vídeos do g1. O boletim vai ao ar na TV Globo nos intervalos da Sessão da Tarde e do Vale a Pena Ver de Novo, geralmente entre 16h e 18h.
19/09/2026 00:02:58 +00:00
Diesel sobe e atinge maior preço no Brasil desde maio, diz ANP

Começa a valer fim de subsídio ao diesel O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta semana em relação à anterior, para R$ 7,13 por litro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta sexta-feira (18). Esse é o maior valor desde o fim de maio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A alta ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo e de seus derivados neste mês. O mercado enfrenta novos riscos para a oferta mundial por causa dos desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia. 🔎 O diesel chegou a voltar a ser mais barato que a gasolina entre 2 de agosto e 12 de setembro. Preços dos combustíveis nos postos em 2026 arte/g1 Petrobras aumenta Diesel em R$ 1 A Petrobras informou que aumentou em R$ 1 por litro o preço de venda do diesel A para as distribuidoras. Na prática, porém, o aumento não deve alterar o preço cobrado pela estatal, devido a um novo subsídio do governo federal no mesmo valor. Entenda mais: Petrobras aumenta diesel em R$ 1, mas reajuste será neutralizado por subsídio do governo O benefício terá validade de 30 dias. Segundo a Petrobras, com a medida, o preço de venda do combustível pela empresa às distribuidoras permanecerá inalterado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na semana passada uma medida provisória que autoriza uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. O benefício se soma ao subsídio de R$ 1,12 por litro que já está em vigor e vale até 26 de setembro. Assim, durante o período em que as duas medidas estiverem em vigor, o valor total da subvenção ao diesel chegará a R$ 2,12 por litro. Governo destina R$ 6,6 bi à produção e importação de combustíveis O governo federal publicou MP no Diário Oficial da União que autoriza gastos de R$ 6,6 bilhões para manter subsídios à produção e importação de combustíveis por conta da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã – que tem pressionado os preços. A maior parte dos recursos (R$ 5,6 bilhões) irá para a subvenção à produção e importação de óleo diesel. Outro R$ 1 bilhão cita subsídios a combustíveis derivados de petróleo, incluindo a gasolina. Entenda mais: Governo destina R$ 6,6 bilhões em subsídios à produção e importação de combustíveis; guerra no Oriente Médio elevou preços Os recursos foram liberados por meio de crédito extraordinário, ou seja, estão fora dos limites de despesas do arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. Segundo o governo, a medida funciona como uma espécie de “cashback” para compensar a retomada da cobrança dos tributos federais sobre o diesel. *Com informações da Reuters ANP afirma que abastecimento de diesel no Brasil está garantido até fim de abril Jornal Nacional/ Reprodução
18/09/2026 21:34:17 +00:00
VÍDEO: Tóquio testa robôs coletores de lixo na estação de trem mais movimentada do mundo

Tóquio testa robôs coletores de lixo na estação de trem mais movimentada do mundo A estação de trem de Shinjuku, em Tóquio, a mais movimentada do mundo, começou a testar robôs para coletar lixo e reduzir o trabalho da equipe de limpeza. O projeto, anunciado nesta sexta-feira (18) pela empresa ferroviária JR East, será realizado até o fim de novembro. A AFP conseguiu registrar fotos e vídeos dos três robôs, com pouco mais de um metro de altura, circulando pelos corredores subterrâneos da estação a uma velocidade de 20 centímetros por segundo. Eles recolhem o lixo e o transportam até os funcionários responsáveis pela remoção. "Queríamos testar até que ponto algo assim pode operar de forma automática e segura em um ambiente como a estação Shinjuku", disse Shinya Kawamichi, chefe de pesquisa da JR East, à AFP. Shinjuku recebe mais de 2,7 milhões de passageiros por dia e detém o recorde mundial do Guinness de estação ferroviária mais movimentada do planeta. Na área administrada pela JR East, as lixeiras precisam ser esvaziadas manualmente mais de dez vezes por dia. Apesar do tamanho do complexo, que tem dois andares acima do solo e uma extensa rede de passagens subterrâneas, esse trecho da estação conta com apenas sete lixeiras para lixo comum e reciclável. Robôs que dançam, lutam e trabalham: gigante chinesa estreia na bolsa após levantar quase US$ 1 bilhão A quantidade de lixeiras foi reduzida nos últimos anos por motivos de segurança e limpeza. Segundo alguns passageiros japoneses, as estações continuam limpas porque muitas pessoas levam o próprio lixo para casa. O teste vai avaliar o funcionamento dos robôs nos corredores subterrâneos movimentados da estação e se eles conseguem operar de forma automática e segura no local. Robôs coletores de lixo. Toshifumi Kitamura/AFP
18/09/2026 20:08:00 +00:00
Lula diz que petróleo da Margem Equatorial pode ser um 'novo pré-sal' e alerta sobre interesse de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (18) que a Margem Equatorial brasileira tem potencial para se tornar um novo pré-sal e afirmou que o Brasil precisa proteger suas riquezas naturais, diante do interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por petróleo, minerais críticos e terras raras. Segundo Lula, o petróleo encontrado na região "parece ser de mais qualidade" do que o produzido no pré-sal. "Lá há petróleo... possivelmente o novo pré-sal. Parece ser de mais qualidade", disse Lula em uma base da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Rio de Janeiro. A Petrobras anunciou recentemente a descoberta de petróleo no campo de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, dentro da Margem Equatorial. A empresa já recebeu licença do Ibama para ampliar a exploração em outros poços próximos a Morpho. O pré-sal produz petróleo de alta qualidade e responde por grande parte da produção brasileira de petróleo e gás. Lula afirmou que o Brasil precisa cuidar dessas riquezas e citou o interesse de Trump por recursos naturais considerados estratégicos. "O Trump está atrás de minerais críticos, petróleo e terras raras. Não, isso aqui é nosso", afirmou Lula, sob aplausos da plateia, formada majoritariamente por agentes de segurança. O presidente também disse que o governo precisará fazer grandes investimentos para garantir o controle sobre essas riquezas em um país de dimensões continentais como o Brasil. Na mesma ocasião, Lula voltou a criticar Trump e o governo dos Estados Unidos pela classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. "Não aceito a ideia de que as facções de bandidos são terroristas, como diz o Trump. Quando ele fala em terrorismo, fala em termos de Estado", declarou o presidente. *Com informações da Reuters Sonda de perfuração de petróleo NS-42 Petrobras/Divulgação
18/09/2026 17:58:07 +00:00
Nestlé é alvo de 3 ações na Índia após problemas em produtos para bebês

Logotipo da Nestlé em uma de suas fábricas em Konolfingen, na Suíça. Arnd Wiegmann/Reuters A autoridade de segurança alimentar da Índia informou nesta sexta-feira (18) que encontrou um produto para bebês da Nestlé fora dos padrões exigidos no país e abriu uma ação contra a empresa suíça, um de seus principais mercados em crescimento. Segundo a Autoridade de Segurança e Padrões Alimentares da Índia (FSSAI), uma amostra de uma fórmula infantil da Nestlé apresentou quantidade de biotina, também conhecida como vitamina B7, fora dos parâmetros estabelecidos pela legislação indiana. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O órgão informou que uma nova análise da amostra confirmou que o produto não atendia aos requisitos de biotina previstos pelas regras do país. A FSSAI não informou se pretende determinar o recolhimento do produto das lojas. Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação por bactéria A Nestlé afirmou que seus produtos estão "totalmente de acordo com todas as normas aplicáveis" e que continuará trabalhando em conjunto com a autoridade indiana. A empresa, porém, não comentou especificamente o resultado da análise que apontou que a amostra estava fora dos padrões. Agora no g1 Três ações contra a Nestlé A autoridade indiana informou ainda que abriu processos relacionados a outros dois produtos da Nestlé destinados a bebês: NAN Excella Pro Stage 1 e Lactogen Pro 1. Segundo a FSSAI, os produtos apresentavam informações consideradas enganosas e que violavam as regras do país. Ao todo, foram abertas três ações distintas contra a Nestlé, segundo a autoridade. Em resposta à notificação, a Nestlé Índia disse que apresentou novamente às autoridades uma resposta detalhada sobre as informações presentes nos rótulos dos produtos. Segundo a empresa, essas informações são baseadas em fatos e têm respaldo em estudos científicos. A companhia também afirmou que os rótulos haviam sido aprovados pelo comitê de especialistas da própria FSSAI. Nestlé já enfrentou problemas com fórmulas infantis em outros países, inclusive no Brasil Em janeiro deste ano, a Anvisa proibiu a venda, a distribuição e o uso de alguns lotes de fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, fabricadas pela Nestlé Brasil. Nestlé faz recall de lotes de fórmulas infantis em mais de 30 países por risco de toxina A medida foi adotada após a identificação do risco de contaminação por cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus. A Nestlé iniciou um recolhimento voluntário dos lotes afetados no Brasil e em outros países. A possível contaminação estava relacionada a um ingrediente fornecido por uma empresa terceirizada. A cereulida pode provocar sintomas de intoxicação alimentar que aparecem rapidamente, como vômitos persistentes, diarreia e cólicas. Também pode causar letargia, que é caracterizada por sonolência excessiva, lentidão dos movimentos e dificuldade de reação. Segundo a agência de segurança alimentar do Reino Unido, a toxina pode não ser destruída pelo cozimento, pela água fervente ou durante a fabricação das fórmulas. *Com informações da Reuters.
18/09/2026 16:18:12 +00:00
Usuário do TikTok tem câmera e fotos acessadas em ataque com ajuda de IA

Logo do Tik Tok Jornal Nacional Um usuário do TikTok teve a câmera e as fotos do celular acessadas remotamente em um teste de segurança feito por pesquisadores nos Estados Unidos com ajuda de inteligência artificial. Eles usaram o modelo de inteligência artificial GLM, desenvolvido pela empresa chinesa Z.ai, para analisar códigos e identificar falhas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O caso foi revelado pelo Washington Post e chama atenção para um novo uso da inteligência artificial: em vez de apenas escrever textos ou criar imagens, modelos de IA já podem ser usados para encontrar vulnerabilidades em programas e ajudar a automatizar ataques digitais. O TikTok foi informado sobre a falha e corrigiu o problema. Como o ataque foi possível Os pesquisadores que fizeram o teste trabalham na empresa de segurança cibernética DepthFirst. E aqui entra a parte mais curiosa: eles usaram um modelo de inteligência artificial gratuito para ajudar a procurar as falhas. A ferramenta pode ser modificada pelos próprios usuários. Os pesquisadores, então, adaptaram o modelo e combinaram a IA com outros recursos para analisar códigos e procurar pontos que poderiam ser explorados. Foi assim que chegaram a componentes de código aberto usados pelo TikTok. Durante a análise, a inteligência artificial encontrou algumas vulnerabilidades. Mas encontrar uma única falha não era suficiente para invadir o celular. Os pesquisadores precisaram juntar diferentes brechas, como se fossem peças de um quebra-cabeça, até conseguir criar uma sequência que permitia avançar pelo sistema e chegar a funções protegidas do aparelho. Câmera e fotos puderam ser acessadas Com a combinação dessas falhas, os pesquisadores conseguiram mostrar que era possível acessar remotamente recursos do aparelho. Em um dos testes, eles conseguiram visualizar a câmera e o rolo de fotos de um celular que estava usando o TikTok. Na prática, isso significava que alguém que explorasse a sequência de vulnerabilidades poderia chegar a informações e funções do aparelho que deveriam estar protegidas. O teste foi feito justamente para comprovar que as falhas poderiam ser exploradas. Depois de identificar o problema, os pesquisadores avisaram o TikTok, que corrigiu as vulnerabilidades. O que a IA tem a ver com isso? A novidade está na velocidade com que a inteligência artificial pode ajudar nesse tipo de investigação. Encontrar falhas de segurança normalmente exige conhecimento especializado e pode significar analisar grandes quantidades de código em busca de pequenos trechos que possam ser explorados. A IA consegue acelerar esse trabalho. Os modelos podem vasculhar o código rapidamente, apontar partes que parecem apresentar problemas e ajudar os pesquisadores a testar se aquelas suspeitas realmente podem ser exploradas. No caso do TikTok, porém, a inteligência artificial não fez tudo sozinha. Ela funcionou como uma ferramenta para ajudar os pesquisadores a encontrar e testar as falhas que, depois, foram combinadas para chegar às funções protegidas do celular. A mesma tecnologia pode ser usada por hackers O avanço preocupa especialistas porque ferramentas usadas para encontrar falhas de segurança também podem ser adaptadas para buscar novas brechas com fins de ataque. A inteligência artificial pode automatizar tarefas que antes exigiam mais tempo e conhecimento técnico, como analisar códigos, procurar sistemas vulneráveis e testar formas de exploração. O desafio aumenta com modelos que podem ser baixados e modificados livremente. Enquanto pesquisadores de segurança conseguem encontrar falhas mais rapidamente, criminosos também podem adaptar essas ferramentas para automatizar ataques. TikTok corrigiu a falha Depois de ser informado sobre o problema, o TikTok corrigiu as vulnerabilidades identificadas pelos pesquisadores. A demonstração, portanto, não significa que exista atualmente uma brecha conhecida que permita a qualquer usuário acessar a câmera ou as fotos de outros usuários da plataforma. O caso mostra, porém, como a inteligência artificial está mudando também a disputa entre quem tenta proteger sistemas e quem tenta invadi-los.Usuário do TikTok tem câmera e fotos acessadas em ataque com ajuda de IA.
18/09/2026 14:19:48 +00:00
Tempo úmido e falta de sol aumentam procura por lavanderias e alternativas para secar roupas em casa no Centro-Sul

Tempo úmido e falta de sol levam a mudança de comportamento no Centro-Sul do país O tempo chuvoso e a alta umidade que atingem o Centro-Sul do país há quase duas semanas têm mudado a rotina de moradores. Em São Paulo, onde setembro já é considerado o mês mais chuvoso em 80 anos, uma tarefa simples virou desafio: secar roupas. Com pouco sol e chuva frequente, varais estão lotados e moradores têm recorrido a lavanderias e secadoras para conseguir deixar as roupas prontas para o uso. Chuva deve ganhar força na Região Sul a partir desta sexta-feira (18) Varais lotados e roupas espalhadas pela casa Em São Paulo, a roupa de Roberta está acumulada no varal há quase uma semana. Sem conseguir secar as peças, ela passou a levar parte delas para a lavanderia. "No último caso, eu levo na lavanderia, só para secar mesmo, na secadora." Em São José dos Campos, no interior paulista, Vanessa precisou improvisar um varal dentro da cozinha. "Vai cozinhar, vai lavar uma louça, vai lavar uma roupa, tudo atrapalha." Segundo o Climatempo, seis frentes frias provocaram chuva no Centro-Sul do Brasil em um intervalo de 15 dias. O cenário de frio e umidade aumentou a procura por alternativas para secar as roupas. Tempo úmido e falta de sol levam a mudança de comportamento no Centro-Sul do país Reprodução/TV Globo Busca por lavanderias dispara Dados de buscas na internet mostram o tamanho do problema. A procura por "lavanderia perto de casa" aumentou mais de 5.000% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as buscas por "secadora de roupas" cresceu 350% e a frase "pode secar roupas", 600%. Com a dificuldade para secar as peças em casa, algumas pessoas passaram a usar as lavanderias apenas para a etapa de secagem. Busca por lavanderias dispara Reprodução/TV Globo Em uma unidade na capital paulista, a demanda aumentou pelo menos 50% em relação ao mês anterior. "O tempo está 100% úmido, né? E a gente não pode parar, tem que lavar roupa sempre", diz um cliente. Em outra lavanderia, em Sorocaba, o movimento praticamente dobrou. "A secagem é muito mais rápida e precisa e não fica com aquele cheiro da umidade que acaba pegando na roupa por você deixar secando no varal em casa", afirma Geórgia Guazzelli, dona de lavanderia. Em São José dos Campos, a procura também aumentou, principalmente para secar roupas de cama e toalhas. "A demanda foi maior, trazendo as roupas de cama, as toalhas de banho, porque realmente não tem como secar em casa, né?", relata Liliane da Silva Souza, empresária, Sem sol, moradores recorrem a lavanderias para conseguir secar roupas no Centro-Sul Reprodução/TV Globo Lavanderias ganham movimento O Brasil tem cerca de 27 mil lavanderias, segundo o Sebrae. Desse total, aproximadamente 3 mil funcionam no modelo self-service. O aumento da procura tem sido percebido em diferentes cidades. Em Curitiba, por exemplo, há clientes que até torcem para que o tempo continue chuvoso para manter o movimento das lavanderias. "A gente torce às vezes para o tempo dar uma pioradinha aí para dar uma ajuda." Chuva e umidade levam moradores a buscar lavanderias para secar roupas Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Roupas não secam por causa da chuva e do frio? Saiba como acelerar a secagem
18/09/2026 13:36:12 +00:00
Reforma tributária: empresas do Simples escolherão modelo até setembro, mas poderão rever decisão depois que alíquota sair

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, lembrou nesta sexta-feira (18) que as empresas do Simples Nacional deverão optar até o fim deste mês entre o sistema "híbrido" de recolhimento dos novos tributos sobre o consumo ou a permanência no modelo tradicional — conhecido como Simples "puro". A escolha vale para o primeiro semestre de 2027. Ele acrescentou, porém, que há um acordo com o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS (tributo dos estados e municípios), para que essa opção, feita em setembro, possa ser revista depois que a alíquota do Contribuição Social sobre Bens e Serviços, o CBS — tributo federal sobre o consumo —, for definida pelo Senado. Essa decisão deve ser tomada até o fim deste ano pelos senadores. A informação citada por Barreirinhas representa uma mudança em relação ao calendário vigente até o momento — que contempla a possibilidade de o empresário do Simples rever sua opção somente até o fim do mês de novembro próximo, quando a alíquota pode ainda não estar definida pelo Senado. "A empresa opta em setembro, mas, em novembro se achar que não vale mais, pode voltar atrás. E fomos além: se o Senado fixar só depois desse prazo, garantimos que ninguém vai ser prejudicado. Comitê gestor [do IBS] concordou que, se essa alíquota for fixada depois de novembro, sempre poderá optar por desistir depois dessa opção", disse Barreirinhas. Agora no g1 Em março do ano que vem, o prazo de escolha será aberto novamente para as empresas do Simples, desta vez com validade para as vendas do segundo semestre do próximo ano. ➡️Dados da Receita Federal indicam que o Simples Nacional concentrava 7,35 milhões de empresas, sem contar MEIs e nanoempreendedores, no fim de 2025, o equivalente a 28,6% do total de empresas ativas no país. Simples Nacional. Simples Nacional/Divulgação Entenda Sistema híbrido: ao optar por esse modelo, a empresa permanece no Simples Nacional para os demais tributos, mas passa a recolher a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), os novos tributos sobre o consumo criados pela reforma tributária. Com isso, pode aproveitar créditos desses tributos sobre suas compras e também transferir créditos para empresas que adquirirem seus produtos ou serviços. Por exemplo: se a alíquota do IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá R$ 20 de imposto. Ao longo da cadeia produtiva, as empresas poderão descontar créditos relativos aos tributos pagos nas etapas anteriores, de modo que a tributação recaia apenas sobre o valor agregado em cada fase. 🔎 A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é o tributo federal criado pela reforma tributária para substituir impostos como PIS e Cofins. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) será compartilhado por estados e municípios e substituirá tributos como ICMS e ISS. Juntos, CBS e IBS formarão o novo sistema de tributação sobre o consumo no país. Sistema puro: a empresa permanece no regime tradicional do Simples, no qual, geralmente, não aproveita créditos dos tributos incidentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva nem transfere créditos tributários a seus clientes na venda de bens ou serviços.
18/09/2026 13:30:08 +00:00
Como cultivar peras

Imagem de peras em uma plantação. Embrapa/Divulgação Quem tem interesse em cultivar peras pode consultar uma publicação gratuita da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para saber quais variedades combinam entre si no pomar. O material, da coleção “500 Perguntas, 500 Respostas”, traz, na página 49, uma tabela com as combinações indicadas de variedades produtoras e polinizadoras. As orientações ajudam o produtor a escolher as plantas para o cultivo. Além da escolha das variedades, a publicação reúne informações sobre poda, adubação, irrigação e raleio. 📱Acesse aqui Veja também: Pé de pera com manchas escuras: o que fazer?
18/09/2026 13:24:48 +00:00
Pessoas com deficiência ganham quase 30% menos e têm menor acesso ao mercado de trabalho, diz IBGE

Cadeira de rodas pessoas com deficiência Natal RN Freepik As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho e recebem rendimentos quase 30% menores do que as pessoas sem deficiência, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado nesta sexta-feira (18) pelo instituto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade, de acordo com o levantamento. Segundo o IBGE, enquanto as pessoas com deficiência recebem, em média, R$ 2.053 por mês pelo trabalho exercido, aquelas sem deficiência têm rendimento médio de R$ 2.890. Agora no g1 A diferença aparece em todos os grupos de atividade analisados, com destaque para a indústria (-29,3%) e para os serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais (-31,3%). Na manufatura, por exemplo, o rendimento médio das pessoas com deficiência é de R$ 1.859, enquanto o das pessoas sem deficiência chega a R$ 2.630. Já nos setores de informação, atividades financeiras e outros serviços, o rendimento médio mensal dos PCDs é de R$ 2.754, ante R$ 4.008 entre aqueles sem deficiência. Rendimento médio de trabalhadores com e sem deficiência por setor de atividade. Arte/g1 As barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência para ingressar no mercado de trabalho também aparecem no nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas em idade de trabalhar que efetivamente têm uma ocupação. Enquanto o índice era de 55,8% entre pessoas sem deficiência, chegava a 29% entre PCDs, uma diferença de 26,8 pontos percentuais. Segundo Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, a população com deficiência enfrenta uma série de barreiras no mercado de trabalho. “Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando [para as pessoas com deficiência]. Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social”, explica. De acordo com o IBGE, as pessoas com deficiência estão proporcionalmente mais concentradas em atividades com rendimentos médios mais baixos, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação, por exemplo. Os dados do instituto também mostram que, quando consideradas todas as fontes de renda, os rendimentos do trabalho têm participação menor no orçamento das famílias que contam com pessoas com deficiência do que naquelas sem moradores nessa condição. Veja abaixo: Participação de cada fonte no rendimento total dos domicílios. Arte/g1 “Quando olhamos para as famílias que têm pessoas com deficiência, o nível de ocupação tende a ser menor. Essa população enfrenta mais dificuldades para estar no mercado de trabalho e, portanto, para obter rendimentos”, explica André Simões, pesquisador do IBGE, lembrando que a renda também costuma ser menor nesse grupo. Nesse cenário, a parcela de outras fontes de renda acaba sendo maior. “Outro fator que contribui para esse resultado é que a população com deficiência tem um perfil mais envelhecido e, portanto, uma participação maior de aposentadorias, pensões e outros benefícios”, completa Simões. 6 em cada 10 crianças com deficiência vivem abaixo da linha da pobreza O informativo do IBGE também identificou maior incidência de pobreza entre pessoas com deficiência em todos os grupos etários analisados, especialmente entre crianças de 2 a 14 anos. Segundo o instituto, 60,9% de crianças nessa faixa etária são consideradas pobres. O IBGE considera abaixo da linha da pobreza as pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês. O cenário se repete em outras fases da vida: pessoas com deficiência apresentaram índices de pobreza superiores aos observados entre aqueles sem deficiência em todos grupos etários avaliados. Veja abaixo: Pobreza é maior entre pessoas com deficiência. Arte/g1 “Pessoas com 60 anos ou mais também apresentam menor incidência de pobreza, tanto entre aquelas com deficiência quanto entre as sem deficiência, porque recebem mais benefícios, aposentadorias e pensões”, diz Simões. O IBGE também mostrou que a maioria das crianças e adolescentes com deficiência que vivem abaixo da linha da pobreza mora com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto (53,5%) ou apenas com a mãe ou madrasta (35,1%). Taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes maior Os pesquisadores do IBGE destacam ainda que parte das dificuldades enfrentadas por PCDs no mercado de trabalho está relacionada ao nível de escolarização dessa população. Segundo a pesquisa, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2% em 2022, proporção 12 vezes maior que a observada entre aqueles sem deficiência (1%). As diferenças também aparecem na taxa de frequência escolar. Entre crianças de 6 a 14 anos sem deficiência, o indicador chega a 98,4%, percentual que cai para 92,6% entre PCDs. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência escolar foi de 85,4% entre aqueles sem deficiência e de 79,5% entre PCDs. Segundo Botelho, apesar dos avanços em recursos de acessibilidade e apoio aos estudantes com deficiência, ainda há desafios para garantir que essas estruturas estejam presentes em toda a rede de ensino. Entre os recursos de acessibilidade avaliados pelo IBGE estão: banheiros acessíveis; salas de recursos multifuncionais; e profissionais de apoio. “Mesmo considerando uma ampla gama de recursos de acessibilidade, nem todas as escolas de educação básica contavam com pelo menos uma das medidas capazes de ampliar o acesso de pessoas com deficiência”, diz a coordenadora. Segundo o IBGE, 78,5% das escolas de educação básica contavam com pelo menos um dos recursos de acessibilidade avaliados. O item mais comum era a presença de banheiros acessíveis (57%), seguido por salas de recursos multifuncionais (30%) e profissionais de apoio (26,2%). Deslocamento leva mais tempo para pessoas com deficiência A mobilidade também aparece como um desafio relevante para essa população. De acordo com o instituto, a maior parte das pessoas com deficiência estuda ou trabalha no mesmo município onde mora. Ônibus e BRT são os meios de transporte mais utilizados por essa população, escolhidos por 24,7% dos entrevistados. Em seguida aparecem os deslocamentos a pé (23,7%) e por automóveis, táxis ou similares (22,8%). O IBGE também apontou que as pessoas com deficiência gastavam, em média, 37 minutos no deslocamento entre casa e trabalho, quatro minutos a mais do que aquelas sem deficiência, cujo tempo médio era de 33 minutos. "As pessoas com deficiência podem levar mais tempo para chegar ao transporte e embarcar. Por isso, a diferença no tempo total de deslocamento pode ser ainda maior do que a captada pelo levantamento, que considera apenas o período passado dentro do transporte", diz Botelho.
18/09/2026 13:00:00 +00:00
Mbappé rompe com a Nike e assina contrato com a suíça On

Mbappé chega para semifinal da Copa entre França e Espanha Tony Gutierrez/AP O jogador de futebol francês Kylian Mbappé, de 27 anos, encerrou sua parceria de duas décadas com a Nike e assinou com a marca suíça de roupas esportivas On. A mudança representa mais uma perda para a marca americana, enquanto concorrentes mais recentes ganham espaço no mercado de calçados esportivos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A On planeja lançar suas primeiras chuteiras de futebol em 2027 e também nomeou o ex-jogador francês Thierry Henry como diretor de futebol. As ações da empresa listadas nos EUA subiram 5% nas negociações antes da abertura do mercado. A empresa, que tem o ex-tenista Roger Federer entre seus apoiadores, busca crescer nas Américas, região que representa mais da metade de sua receita. A On tem priorizado a venda de produtos sem descontos, mas enfrentou dificuldades na região neste ano em meio à instabilidade nos gastos dos consumidores. Agora no g1 A mudança de Mbappé para a On encerra uma relação entre o capitão da seleção francesa e a Nike que remonta a 2006. O anúncio ocorre pouco depois de a Nike perder o jovem espanhol Lamine Yamal, campeão da Copa do Mundo, para a Adidas. "Temos orgulho do que conquistamos juntos dentro e fora de campo. À medida que ele avança para a próxima fase de sua carreira, desejamos que ele continue a ter sucesso no que vier a seguir", disse a Nike em um comunicado. Lamine Yamal, da Espanha, e Kylian Mbappé, da França REUTERS/Albert Gea e REUTERS/Kai Pfaffenbach A Nike vinha se apoiando cada vez mais em Mbappé como um de seus principais embaixadores globais do esporte após a fase final da carreira do astro Cristiano Ronaldo. Campeão da Copa do Mundo, Mbappé continuou sendo o centro do marketing de futebol da Nike na Copa do Mundo da FIFA deste ano. Mais recentemente, ele recebeu versões especiais de suas chuteiras Mercurial. "Mais uma vez, isso [o futebol] me levou a uma das maiores mudanças da minha vida. Agora, me vejo cercado por inovadores que sonham com as mesmas coisas que eu", disse Mbappé em suas redes sociais ao comentar a parceria com a On. Initial plugin text Forbes divulga ranking dos maiores e mais jovens bilionários do Brasil em 2026 'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA
18/09/2026 12:59:01 +00:00
BC amplia uso do PIX em contas-salário e reforça regras de segurança e combate a fraudes

O Banco Central (BC) informou, nesta sexta-feira (18), que aprovou uma série de mudanças na regulamentação do PIX para ampliar o uso da ferramenta e reforçar mecanismos de segurança. Entre as principais novidades estão a autorização para o uso do PIX Automático em contas-salário e a criação de regras específicas para a chamada cobrança híbrida, que reúne boleto bancário e QR Code do PIX em um mesmo documento. As medidas também endurecem regras para instituições participantes do sistema, aceleram a exclusão de empresas punidas e ampliam as obrigações de bancos e fintechs no combate a fraudes. 🔎 PIX Automático é uma modalidade para pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas e contas. O cliente autoriza uma vez e as cobranças seguintes são pagas automaticamente, sem precisar confirmar cada operação. O g1 reuniu as principais mudanças. Veja abaixo: PIX Automático em contas-salário O que prevê a regulamentação da cobrança híbrida Participação no PIX poderá deixar de ser obrigatória em alguns casos Regras mais rígidas para entrada e permanência de instituições Exclusão de participantes passa a valer imediatamente Novas regras para suspeitas de fraude Senado aprova proposta que cria o PIX automático para pagamento de Pensão Alimentícia PIX Automático em contas-salário Uma das atualizações permite a realização de pagamentos por meio do PIX Automático a partir de contas-salário. Na prática, trabalhadores poderão autorizar pagamentos recorrentes, como mensalidades, assinaturas e contas de consumo, usando os recursos depositados nesse tipo de conta. Segundo o Banco Central, a mudança adequa as regras do PIX às normas mais recentes sobre débitos automáticos interbancários e amplia as possibilidades de uso das contas-salário. O BC ressalta que o PIX Automático será a única modalidade de envio de PIX permitida para essas contas. Continua proibido o recebimento de outras transferências via PIX, exceto devoluções e pagamentos realizados pela Secretaria do Tesouro Nacional. Quando entra em vigor: 1º de julho de 2027. Voltar ao índice. Polícia mapeou valor do prejuízo após analisar transferências via PIX do suspeito Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo Cobrança híbrida O Banco Central também regulamentou a chamada cobrança híbrida, prática já utilizada por parte do mercado e que permite ao consumidor escolher entre pagar uma cobrança por boleto ou por PIX. Nesse modelo, um mesmo documento reúne: o código de barras do boleto; o QR Code do PIX Cobrança. Segundo a autoridade monetária, a regulamentação busca reduzir riscos operacionais e evitar pagamentos indevidos ou em duplicidade. As novas regras determinam que: a modalidade só poderá ser usada em cobranças PIX com vencimento; será permitida apenas para boletos comuns e boletos dinâmicos sem vínculo com ativos financeiros; boletos de proposta não poderão utilizar a cobrança híbrida; boletos de depósito e de aporte também ficam excluídos da modalidade; o PIX Cobrança deverá ser automaticamente cancelado quando o boleto for pago; instituições financeiras deverão bloquear pagamentos quando identificarem que o boleto já foi quitado. Caso uma falha operacional permita uma cobrança indevida, a instituição responsável terá de corrigir a situação com recursos próprios, sem prejuízo para o pagador ou para o recebedor. Quando entra em vigor: 1º de fevereiro de 2027. Voltar ao índice. Participação no PIX poderá deixar de ser obrigatória em alguns casos O BC também vai dispensar a participação obrigatória no PIX para determinadas instituições financeiras. A medida vale para empresas com mais de 500 mil contas transacionais ativas quando as características de seus clientes ou de seu modelo de negócios não justificarem o acesso à infraestrutura do sistema. Quando entra em vigor: imediatamente. Voltar ao índice. Regras mais rígidas para entrada e permanência de instituições Regras mais rígidas para adesão e permanência de instituições financeiras no arranjo do PIX também foram aprovadas. Entre as mudanças estão: possibilidade de anulação de aprovações obtidas com informações falsas ou omissões relevantes; suspensão imediata de instituições submetidas à liquidação extrajudicial; criação de mecanismos de saída ordenada para proteger os clientes dessas instituições; ajustes nas regras de cancelamento ou cassação de autorização de funcionamento. Segundo o Banco Central, as alterações buscam aumentar a segurança do sistema e reduzir riscos para os usuários em situações de deterioração financeira das participantes. Quando entra em vigor: imediatamente. Voltar ao índice. Exclusão de participantes passa a valer imediatamente Outra mudança reduz o prazo para retirada de instituições punidas do sistema. Atualmente, participantes excluídos por descumprimento de regras permanecem no PIX por até 30 dias após a decisão definitiva. Com a nova regra, a exclusão passará a produzir efeitos imediatamente depois da comunicação da penalidade. Quando entra em vigor: imediatamente. Voltar ao índice. Novas regras para suspeitas de fraude Por fim, a autoridade monetária alterou as regras relacionadas às marcações de fundada suspeita de fraude no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), base que reúne as chaves PIX. A regulamentação deixa mais claras as responsabilidades das instituições financeiras pelo registro e eventual cancelamento dessas marcações. Entre as novidades estão: obrigação de informar o cliente sempre que houver uma marcação de suspeita de fraude; comunicação da data do registro e da possibilidade de contestação; disponibilização de canais para esclarecimentos e pedidos de revisão; prazo máximo de sete dias para resposta ao usuário; obrigação de cancelar a marcação quando não houver mais elementos que sustentem a suspeita. Quando entra em vigor: 1º de fevereiro de 2027 para a obrigação de comunicação aos usuários e imediata para as demais disposições. Voltar ao índice.
18/09/2026 12:35:35 +00:00
Para combater 'fake news' e orientar empresas, Receita Federal lança página na internet sobre a reforma tributária

Receita e entidades lançam página sobre a reforma tributária sobre o consumo Reprodução do site A Receita Federal deu publicidade nesta semana uma página na internet sobre a reforma tributaria com o objetivo de combater desinformações divulgadas em redes sociais e orientar os contribuintes. O site, que está disponível neste endereço, foi feito em parceria com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon). O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que o governo e as entidades parceiras visam combater informações divulgadas por algumas empresas em redes sociais que estimulam o "pavor" para depois tentar vender alguma facilidade. "Procurem os canais oficiais, não se iludam com os sonhos vendidos com quem lucra com a desinformação", disse. Agora no g1 O serviço está dividido em seções, como: a "reforma de fato", que compila informações divulgadas pelo Fisco no combate às chamadas "fake news" (boatos em circulação). traz, ainda, uma seção sobre cronograma de obrigatoriedade de emissão dos documentos fiscais e de publicação dos leiautes nos termos a seguir descritos. em outro módulo, há cursos com material de apoio, palestras de especialistas e videoaulas. o Fisco, junto com as entidades participantes, também traz uma página com os manuais da reforma. outra seção engloba apresentações feitas sobre a reforma tributária. um painel sobre a reforma também foi colocado à disposição. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, lembrou que a reforma tributária já está sendo implementada, com a obrigação, por parte das empresas que vendem para outras companhias (B2B) informarem os valores da Contribuição Social sobre Bens e Serviços, a CBS (imposto federal), e do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS (tributo estadual e estadual), sobre o consumo. "A reforma já está dando certo, já começou neste ano. Temos mais de 30 bilhões de documentos fiscais emitidos. Mais de 90% das empresas brasileiras já tem condições de emitir documentos fiscais com destaque da CBS e IBS", disse ele, acrescentando que os setores financeiro e imobiliário serão acrescidos até o fim deste ano. Reforma tributária Aprovada em 2023 pelo Congresso Nacional, a reforma tributária sobre o consumo, que está em fase de testes neste ano, contempla a cobrança dos futuros impostos pelo governo federal, os estados e os municípios de forma efetiva em 2027. 🔎A CBS será cobrada com alíquota cheia a partir do próximo ano. Seu valor, que ainda está sendo calculado pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), será fixado por resolução do Senado em dezembro deste ano. 🔎A alíquota do IBS estadual e municipal, por sua vez, será marginal, de 0,1% em 2027 e em 2028. A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS, até 2032. A cobrança integral começa em 2033. ➡️Estimativa divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor do IBS aponta que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia. O valor, que supera o teto existente 26,5%, também ficaria acima do registrado nos países ricos. ➡️Micro e pequenas empresas do Simples Nacional precisam tomar até o fim de setembro uma decisão que poderá afetar a forma como vão pagar impostos no próximo ano: se recolherão os tributos pelo sistema "híbrido" ou se permanecerão no modelo tradicional — conhecido como Simples "puro". ➡️A Secretaria da Receita Federal informou ao g1 que o chamado "split payment" da reforma tributária sobre o consumo deverá se tornar obrigatório somente a partir de 2028 nas operações entre empresas, o chamado "business to business" (B2B). 💵O "split payment" é um dos módulos do super sistema da Receita Federal que foi criado para viabilizar o pagamento dos tributos sobre o consumo em tempo real para o governo, estados e municípios — reduzindo a sonegação fiscal. Entenda A reforma tributária sobre o consumo determinou a extinção, nos próximos anos, do PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal, que começa com cobrança cheia em 2027, com valor ainda a ser definido; Imposto Seletivo (IS), ou imposto do pecado, a partir de 2027. o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) dos estados e municípios - com alíquota marginal de 0,1% no próximo ano e em 2028. Até 2032, haverá transição, com essa alíquota aumentando e, a partir de 2033, será feita cobrança integral do IBS. Esses dois novos impostos, sem contar o seletivo, funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, de maneira não cumulativa. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, o imposto é cobrado em cada etapa, mas os contribuintes podem descontar o tributo pago anteriormente. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que, ao final da cadeia, totalizará R$ 20, após os mecanismos de crédito e compensação entre os diferentes empresas da produção e comercialização. Outra mudança é que os tributos sobre o consumo (IVA) serão cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais.
18/09/2026 12:23:30 +00:00
Buffett deixa a presidência da Berkshire Hathaway: da rejeição de Harvard à dieta rica em açúcar, veja curiosidades sobre o bilionário

Presidente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, comparece à reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway Inc em Omaha, Nebraska, EUA, em 3 de maio de 2024 REUTERS/Scott Morgan O bilionário Warren Buffett, de 96 anos, deixou a presidência da Berkshire Hathaway, anunciou o conglomerado nesta sexta-feira (18). A mudança tem efeito imediato. Segundo a empresa, Buffett continuará como membro do conselho de administração na condição de“presidente emérito”. Seu filho, Howard Buffett, assumirá a presidência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A mudança encerra mais de meio século de Buffett à frente do grupo, período em que ele transformou a Berkshire em um gigante financeiro e industrial. Buffett havia anunciado, em maio de 2025, que deixaria o cargo de CEO da Berkshire no fim daquele ano. Greg Abel assumiu a função no início de 2026, enquanto Buffett permaneceu na presidência do conselho. Agora no g1 A Berkshire Hathaway era uma empresa têxtil em dificuldades quando Buffett assumiu seu controle, em 1965. Sob seu comando, se transformou em um dos maiores conglomerados dos Estados Unidos. Atualmente, o grupo vale mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,14 trilhões) em Wall Street, e integra um seleto grupo de empresas americanas que alcançaram esse patamar. O conglomerado reúne dezenas de empresas, entre elas a fabricante de pilhas Duracell e a seguradora americana Geico, além de manter participações em companhias como Coca-Cola e Bank of America. O megainvestidor ocupa o 10º lugar da lista de mais ricos do mundo da Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 144 bilhões (cerca de R$ 740 bilhões). Rejeitado por Harvard e com paladar infantil: quem é Warren Buffett? Warren Buffet em Omaha, Nebraska (EUA) no último dia 6 de maio de 2018. Nati Harnik / AP Warren Edward Buffett nasceu em 30 de agosto de 1930, em Omaha, no estado americano de Nebraska. Estudou na Universidade de Nebraska-Lincoln e na Columbia Business School. Buffett começou a trabalhar e investir ainda criança. Aos 11 anos, comprou as primeiras ações da vida: seis papéis da Cities Service Preferred, empresa que mais tarde daria origem à Citgo. Ainda adolescente, Buffett acumulou dinheiro com investimentos e diferentes trabalhos, que iam da entrega de jornais à venda de bolas de golfe usadas e ao polimento de carros. Buffett é casado com Astrid Menks desde 2006. Sua primeira esposa, Susan Thompson Buffett, morreu em 2004. Com ela, teve três filhos: Susan, Howard e Peter. Susan e Howard integram o conselho de administração da Berkshire. Também conhecido pela filantropia, Buffett chegou a doar cerca de US$ 43,3 bilhões (R$ 244,2 bilhões) à Fundação Gates desde 2006 e US$ 15,1 bilhões (R$ 85,2 bilhões) a outras quatro instituições de caridade familiares. Buffett determinou que, após sua morte, seus três filhos serão responsáveis por decidir o destino filantrópico de sua fortuna e deverão chegar a um consenso sobre o uso do dinheiro. As doações à Fundação Gates serão encerradas. Rejeitado por Harvard Depois de se formar na Universidade de Nebraska, Buffett se candidatou à Harvard Business School, mas foi rejeitado. Segundo o próprio bilionário contou no documentário "Becoming Warren Buffett", da HBO, ele chegou a ser chamado para uma entrevista de admissão para a universidade da Ivy League, realizada em um lugar perto de Chicago. “Cheguei lá, me entrevistaram por uns 10 minutos e disseram: ‘Esqueça. Você não vai para Harvard’”, afirmou no documentário. Buffett disse depois que a rejeição acabou sendo “a melhor coisa” que poderia ter acontecido, já que o levou a estudar em Columbia. Forbes divulga ranking dos maiores e mais jovens bilionários do Brasil em 2026 McDonald's no café da manhã e cinco latas de Coca-Cola por dia Em entrevista à revista americana Fortune, em 2015, Buffett afirmou que um dos segredos para se manter jovem era sua dieta rica em açúcar. Segundo o bilionário, pelo menos 20% das calorias que consumia diariamente vinham da Coca-Cola. “Bebo pelo menos cinco latas de 355 ml. Faço isso todos os dias”, disse à revista. Buffett também contou que costumava passar no McDonald's a caminho do trabalho e escolhia o café da manhã de acordo com o desempenho do mercado. Quando se sentia mais “próspero”, optava por um pãozinho americano com bacon, ovo e queijo. Nos dias em que o mercado estava em baixa, preferia opções mais baratas, como duas porções de linguiça ou um sanduíche com linguiça, ovo e queijo. O açúcar também aparecia na sobremesa: Buffett contou que costumava visitar a rede americana Dairy Queen para tomar sorvete. Mais de 60 anos na mesma casa Buffett mora desde 1958 na mesma casa, em uma rua movimentada de Omaha — local onde trabalha. Ele pagou US$ 31,5 mil (R$ 177,6 mil) por ela. Construída em 1921, a casa tem cinco quartos, dois banheiros, um lavabo e meio e aproximadamente 610 m². Em 2025, estimativas de mercado avaliavam a residência entre US$ 1,2 milhão (R$ 6,2 milhões) e US$ 1,5 milhão (R$ 7,7 milhões). Por que ele é conhecido como o Oráculo de Omaha? Conhecido como “Oráculo de Omaha”, Buffett construiu ao longo de décadas uma reputação como um dos investidores mais influentes do mundo. O apelido une a forte ligação de Buffett com Omaha, cidade onde nasceu e construiu sua carreira, à reputação conquistada após décadas de sucesso nos investimentos. Suas decisões e opiniões passaram a ser acompanhadas de perto por investidores e executivos. Primeiro-ministro da Austrália defende internet sem sugestões de algoritmos *Com informações da agência de notícias France Presse.
18/09/2026 12:22:28 +00:00
Dólar sobe a R$ 5,14, com foco em política brasileira e preços do petróleo no exterior; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta sexta-feira (18), com um avanço de 0,11%, cotado a R$ 5,1440. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve queda de 0,41%, aos 185.229 pontos. No cenário doméstico, investidores seguiram avaliando eventuais impactos fiscais do reajuste do Bolsa Família, anunciado na véspera. O cenário político também esteve no radar, assim como a divulgação de novos dados econômicos. No exterior, a queda dos preços do petróleo ficou no centro das atenções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O governo federal anunciou, na véspera, um reajuste de 15% no Bolsa Família. A notícia foi recebida com ressalvas por economistas, que viram a medida como eleitoreira e alertaram para possíveis impactos sobre as contas públicas, a inflação e os juros nos próximos anos. O governo também informou que novas medidas para enfrentar o endividamento das famílias estão em análise. QUANTO VOU RECEBER? Veja perguntas e respostas ▶️ Já no exterior, os preços do petróleo oscilaram nesta sexta-feira. Nesta semana, a Arábia Saudita teria se oferecido para enviar volumes adicionais da commodity por meio do Omã, o que ajudou a amenizar preocupações sobre uma possível interrupção do abastecimento. O barril do Brent, referência internacional, teve queda de 1,05%, cotado a US$ 103,72. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 1,83%, a US$ 100,04 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,37%; Acumulado do mês: -0,69%; Acumulado do ano: -6,28%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,06%; Acumulado do mês: +4,40%; Acumulado do ano: +14,96%. Aumento do Bolsa Família Com o aumento, o benefício médio passará dos atuais R$ 675 para R$ 777. O reajuste valerá para os pagamentos que começam em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno (se houver) das eleições presidenciais. Segundo o Ministério do Planejamento, o custo da medida será de R$ 5,8 bilhões neste ano. Para 2027, o impacto estimado nas despesas chega a R$ 22,7 bilhões. Desde que foi relançado pelo governo Lula, em março de 2023, o Bolsa Família não passava por reajustes. Anunciada em meio à corrida eleitoral, a decisão representa, segundo a equipe econômica, a reposição da inflação acumulada entre o início do governo e agosto deste ano. A equipe econômica de Lula nega que o reajuste tenha relação com as eleições de 2026. A medida deve beneficiar 19,3 milhões de famílias. "Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro. Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade [de reajustar]", disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street fecharam mistos nesta sexta-feira, conforme investidores monitoram os preços do petróleo e a alta de rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano). O Dow Jones caiu 0,22%, enquanto e o S&P 500 e o Nasdaq Composite tiveram altas de 0,12% e 0,35%, respectivamente. Na Europa, os mercados tiveram queda generalizada nesta quinta-feira, puxada por ações dos setores automotivo e de telecomunicações. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 1,1%, para 635,45 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,60%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 1,49% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 1,45%. Na Ásia, a maioria dos mercados acionários fechou em alta nesta sexta-feira, conforme investidores seguem em compasso de espera pela reunião entre os presidentes da China e dos Estados Unidos, prevista para a próxima semana. A notícia de que o Banco do Japão elevou a taxa básica de juros do país também ficou no radar. O SSEC, índice de Xangai, ganhou 0,94%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, subiu 1,06%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,60%. Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, subiu 1,38% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,66%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters
18/09/2026 12:00:20 +00:00
Diretor da Microsoft chamou de 'roubo' uso de reportagens do NYT para treinar modelos da própria empresa e da OpenAI

Logo da Microsoft em Cambridge, em foto de arquivo Reuters/Brian Snyder A OpenAI cometeu um "roubo impressionante de proporções sem precedentes" ao utilizar milhões de artigos jornalísticos para treinar seus modelos de inteligência artificial (IA), alegou o New York Times em um documento judicial tornado público nesta quinta-feira (17). A startup californiana teria extraído conteúdo de mais de 10 milhões de artigos, quase um terço vindos do próprio New York Times. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O documento afirma que Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, classificou a prática como "um roubo impressionante de proporções sem precedentes" e possivelmente "o maior roubo de trabalho da história da humanidade". As declarações de Hecht representam "a opinião pessoal de um funcionário" e "não refletem a posição da empresa", informou um porta-voz da Microsoft à AFP em comunicado. Agora no g1 O jornal processou a OpenAI e a Microsoft há três anos em um tribunal federal de Nova York, acusando as empresas de utilizarem indevidamente material protegido por direitos autorais para treinar o ChatGPT, principal modelo da OpenAI. A Microsoft fez seu primeiro investimento na OpenAI em 2019. Diversos outros grupos de mídia também aderiram à ação judicial, entre eles a Ziff Davis, proprietária do CNET e de outras publicações de tecnologia, além da empresa controladora da revista Mother Jones, o site de jornalismo investigativo The Intercept e vários jornais locais dos Estados Unidos. Os autores da ação pedem indenização por cada artigo que teria sido utilizado pelos modelos da OpenAI, embora ainda não esteja claro o valor total que poderá ser determinado pela Justiça. Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, a OpenAI assinou acordos de licenciamento de conteúdo com muitos veículos de imprensa ao redor do mundo. Ainda assim, persistem preocupações de que os sistemas de IA generativa estejam reduzindo o tráfego para sites de notícias na internet. As empresas de IA tentaram responder a essas críticas ao incluir citações e links nas respostas fornecidas aos usuários, mas a iniciativa foi considerada insuficiente por parte dos críticos. "Por mais destaque que demos aos links, os usuários não vão clicar neles", admitiu um dos próprios engenheiros da OpenAI, segundo o documento judicial. A OpenAI e a Microsoft alegam que o uso de conteúdos do New York Times está amparado pelo princípio do fair use (uso legítimo), uma exceção da legislação de direitos autorais dos Estados Unidos que permite, em determinadas circunstâncias, a utilização de obras sem consentimento. As empresas também argumentam que o desenvolvimento da IA envolve uma transformação do conteúdo utilizado. No início de setembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou um parecer em apoio à OpenAI e à Microsoft, citando o "progresso científico", o crescimento econômico e a "segurança nacional". Os autores da ação solicitaram uma sentença sumária favorável. Caso o juiz federal Sidney Stein acolha o pedido, o processo não seguirá para julgamento, mas uma decisão não é esperada antes de 2027. iPhone Duo: Apple lança seu primeiro celular dobrável Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes
18/09/2026 11:34:27 +00:00
Depois do viral: o que acontece quando acaba o assunto que fez um influenciador famoso?

Da esquerda para direita, influenciadores Christy Cabrera, Caio Barbosa e Lucas Felpi. Arquivo pessoal O que acontece com um influenciador quando acaba o assunto que o tornou viral? Há 10 meses de seu casamento, Christy Lima Cabrera, 32 anos, decidiu gravar um vídeo no TikTok para compartilhar as dicas que vinha acumulando durante os preparativos para a cerimônia. O primeiro vídeo foi um sucesso e ultrapassou 40 mil visualizações, o que a incentivou a continuar produzindo. Logo, mais publicações tiveram audiência e empresas começaram a procurá-la para fechar parcerias. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Com a produção de conteúdo dando bons resultados e cada vez mais sobrecarregada pelo cargo de liderança que ocupava no mercado financeiro, setor em que atuava há 14 anos, ela decidiu deixar o emprego formal. “Meu marido disse: ‘se continuar nesse nível, pede demissão. Vamos dar um jeito’. Foi o que eu fiz. Voltei da lua de mel e fui trabalhar na segunda-feira. O dia foi um inferno e, na terça, pedi demissão”, relembra. Agora no g1 Ela passou a se dedicar integralmente à produção de conteúdo, mas logo se deparou com um novo desafio: reinventar o perfil depois do casamento. O tema que havia impulsionado seu crescimento nas redes perdeu espaço após a cerimônia, e ela precisou encontrar novos assuntos para manter o interesse do público. A influenciadora passou a falar sobre temas variados, com foco em moda, viagens e estilo de vida. Mais recentemente, a pedido das seguidoras, também criou uma nova conta para ensinar conceitos básicos de finanças e investimentos. Influenciadora Christy Cabrera fez sucesso nas redes após compartilhar os preparativos de sua cerimônia de casamento. Arquivo Pessoal/Christy Cabrera “Tem sido um período desafiador e de muito trabalho, mas tenho apostado em conteúdos nos quais acredito e que fazem sentido para mim. Muitas marcas me procuram, mas recuso algumas propostas porque acredito que não tenham relação com o meu conteúdo”, diz. Como ainda não consegue obter a renda desejada com a internet, Christy encontrou nos programas de afiliados de grandes marcas do comércio eletrônico uma fonte adicional de receita. A estratégia também é adotada por outros influenciadores. O que um casamento, o Enem e o BBB têm em comum? Segundo Rafaela Lotto, CEO da Youpix, consultoria especializada em criadores de conteúdo digital, é natural que influenciadores que começaram em um nicho específico passem a abordar outros temas. “É mais fácil para um criador ganhar tração quando começa em um nicho específico, mas isso não significa que o interesse da audiência não o leve a falar sobre outros temas”, diz a executiva. Para Lotto, a capacidade de um criador se manter relevante depende menos do assunto em si e mais da relação construída com os seguidores. Ainda assim, como ocorre no mercado de trabalho tradicional, a Creator Economy — termo usado para descrever a economia movimentada por criadores de conteúdo e influenciadores — também costuma valorizar a especialização. Pesquisas indicam que, quanto mais especializado em um tema for o influenciador, maiores são suas chances de construir uma comunidade fiel e conquistar a confiança dos seguidores. Uma pesquisa recente da Sprout Social, empresa especializada em gestão de redes sociais, mostra que 47% dos usuários levam em conta os temas abordados por influenciadores antes de decidir se vão segui-los ou não. O estudo também mostra que influenciadores especializados levam vantagem sobre grandes perfis quando os usuários buscam aprender algo novo, encontrar recomendações confiáveis ou participar de uma comunidade ligada a um interesse específico. Nesses casos, a criatividade e a capacidade de explorar um mesmo tema em diferentes formatos ganham importância. Um exemplo é Caio Barbosa, de 29 anos, conhecido nas redes sociais como "o garoto dos realities". Influenciador Caio Barbosa, conhecido nas redes sociais como 'o garoto dos realities'. Arquivo Pessoal/Caio Barbosa Ele conta que começou a produzir conteúdo durante a pandemia de Covid-19. Na época, trabalhava como gerente de marketing de influência e viu nos realities uma oportunidade para falar sobre um tema pelo qual já era apaixonado. Seu primeiro vídeo ultrapassou 1 milhão de visualizações e ajudou a ampliar rapidamente sua base de seguidores. “Eu logo comecei a pensar nisso de forma mais estratégica, mas sou uma pessoa muito reservada e nunca imaginei expor minha vida na internet. Então minha saída foi me tornar referência em um nicho, e o universo dos realities era o tema sobre o qual eu mais tinha repertório”, relata. Barbosa afirma que mesmo adotando diferentes estratégias para falar sobre realities, há períodos específicos em que sua audiência dispara, especialmente nos primeiros meses do ano, durante o Big Brother Brasil. “É nessa época que as coisas funcionam muito bem, porque páginas grandes e outros influenciadores começam a compartilhar meu conteúdo, o que me ajuda a alcançar outras comunidades além da minha”, afirma. Quando o BBB termina, o influenciador passa a abordar realities de outros países, muitas vezes dando prioridade aos que contam com participantes brasileiros. “Faz alguns anos que adotei essa estratégia porque sei que os brasileiros, incluindo eu, defendem outros brasileiros com unhas e dentes”, diz. Atualmente, "o garoto dos realities" soma mais de 1,3 milhão de seguidores no TikTok e no Instagram. Uma estratégia semelhante foi adotada por Lucas Felpi, de 25 anos. Ele ficou conhecido entre 2018 e 2019 após citar a série "Black Mirror", da Netflix, em sua redação nota 1.000 no Enem. Após a repercussão da nota máxima, muitos estudantes passaram a procurá-lo em busca de dicas e orientações para o exame. Mas, como o Enem ocorre em um período específico do ano, sua renda como criador de conteúdo oscilava bastante. Influenciador Lucas Felpi, que ficou conhecido nas redes após citar a série "Black Mirror" em sua redação nota 1 mil no Enem. Arquivo Pessoal/Lucas Felpi “Eu precisava fazer um planejamento anual levando em conta a sazonalidade do trabalho, porque muitas marcas não queriam investir em alguém que fala sobre Enem e vestibulares fora dos períodos de maior interesse pelo tema”, diz. Para ampliar as possibilidades de conteúdo, ele buscou novas formas de abordar o assunto. Além das dicas, passou a indicar filmes que poderiam ajudar na preparação dos candidatos e a explicar estratégias para diferentes etapas dos estudos. Com o tempo, o influenciador também passou a abordar temas ligados ao seu novo momento de vida. “Eu tive que me adaptar porque, no fim das contas, não usei a nota do Enem, já que fui estudar nos Estados Unidos. Então comecei a falar sobre esse processo, a dar dicas para quem queria estudar fora e a produzir vlogs mostrando a vida universitária no exterior”, afirma. Lucas manteve uma produção frequente até alguns anos atrás, quando decidiu reduzir o ritmo das publicações para dedicar mais tempo à vida pessoal. Formado em engenharia da computação, hoje mora em Nova York e trabalha como engenheiro de software em uma grande empresa de tecnologia. Ainda assim, publica todos os anos uma cartilha sobre o Enem e soma mais de 700 mil seguidores no Instagram e no YouTube. E a monetização? Transformar a produção de conteúdo em uma fonte de renda suficiente para viver ainda é um desafio para a maioria dos influenciadores. Dados da Youpix mostram que menos de um terço deles (29%) vive exclusivamente da criação de conteúdo, enquanto mais da metade (53,5%) concilia a atividade com um trabalho fixo. De onde vem a renda dos influenciadores? Arte/g1 Segundo a pesquisa, a maioria dos influenciadores que vive apenas da criação de conteúdo atua no mercado há mais de três anos, o que indica que alcançar essa condição costuma levar tempo. Entre os entrevistados pelo g1, apenas Caio Barbosa afirma que a maior parte de sua renda mensal vem da criação de conteúdo. Lucas Felpi afirma que a maior parte de sua renda vem do emprego fixo, em parte porque passou a publicar com menos frequência. “Foi uma escolha pensando também na minha vida pessoal. Além disso, percebi que, mesmo um pouco mais distante, as pessoas não se esquecem de mim”, diz.
18/09/2026 08:00:00 +00:00
Anatel bloqueia empresas que fizeram mais de 4 milhões de chamadas adulteradas

Anatel deu 30 dias para elas rastrearem a origem de outras milhões de ligaçõadulteradas Priscilla Du Preez/ Unsplash A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) exigiu o bloqueio de ligações de duas empresas que somaram mais de 4,3 milhões de chamadas adulteradas, uma prática conhecida como spoofing, entre setembro de 2025 e junho de 2026. Em comunicado divulgado na última quarta-feira (16), a Anatel informou que as ligações fazem parte de um volume maior, que passa de 203 milhões de chamadas adulteradas. A agência não conseguiu identificar a origem de todo tráfego e exigiu que ele seja rastreado por operadoras. (saiba mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As chamadas identificadas pela agência foram realizadas pela Voros Telecomunicações, que atende empresas que fazem grandes volume de chamadas, e a ELO Contact Center, que presta serviços de telemarketing para a TIM. No primeiro caso, a Anatel concluiu que a Voros prestou serviço de telecomunicações clandestino. A decisão impede que as operadoras Algar, Datora e Foco liberem parte da sua capacidade de tráfego para a empresa. Agora no g1 Já a ELO Contact Center descumpriu regras do setor ao fazer ligações com números fora dos padrões, disse a agência. Uma segunda decisão exigiu que a TIM, parceira da empresa, faça o bloqueio das chamadas que tenham essa central como origem em um período de 30 dias. Segundo a Anatel, as medidas buscam coibir ligações com número de origem alterado indevidamente. O órgão diz que a prática "dificulta a identificação do efetivo originador das comunicações e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares". Exigência de rastreamento Ainda segundo a Anatel, as prestadoras TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom realizaram um grande volume de tráfego irregular. Elas terão que apresentar em até 30 dias relatórios com a origem das ligações adulteradas sinalizadas pela agência. A Voros Telecomunicações alegou à agência que não presta serviços de chamadas voltados à rede pública e que a responsabilidade pelo identificador de origem das chamadas é das operadoras parceiras. A ELO Contact Center afirmou à Anatel que as irregularidades foram causadas por um fornecedor e que adotou medidas para corrigir o erro. A TIM disse que não tinha ingerência sobre a falha e que aplicou penalidades contratuais à parceira. A Algar e a Surf disseram que as ligações adulteradas foram causadas por contratos de intermediação com outras empresas, e não tiveram origem em suas redes próprias. A Itelco não respondeu às intimações da agência. Em comunicado ao g1, a Algar afirmou que foi notificada pela Anatel e que está analisando tecnicamente o teor das medidas para adotar providências dentro dos prazos estabelecidos. "A companhia reitera seu compromisso com a segurança da informação, a qualidade dos serviços e o cumprimento rigoroso das regulamentações vigentes", disse a Algar.
18/09/2026 06:00:00 +00:00
O alerta de chefe da Microsoft sobre a IA: 'Tratar a IA como humana é um erro'

Mustafa Suleyman acredita que a rival Anthropic está ensinando o modelo Claude que ele 'pode ser consciente' Getty Images via BBC O chefe da divisão de IA da Microsoft afirmou que, a menos que restrições adequadas sejam implementadas no desenvolvimento da inteligência artificial, isso poderá levar ao surgimento de uma nova espécie de silício que competiria com os humanos. Ele descreveu a abordagem da empresa rival Anthropic, de tratar a IA como se fosse humana, como "equivocada", alertando contra a criação de uma tecnologia que a humanidade não possa controlar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em entrevista à BBC, Mustafa Suleyman afirmou que é "justo" que as pessoas estejam preocupadas ou alarmadas, mas que existem "medidas muito práticas que podemos tomar para adicionar salvaguardas e controles adicionais à forma como esses modelos são desenvolvidos". Os comentários são os mais recentes em uma série de alertas contundentes da indústria de IA sobre os possíveis perigos da tecnologia. Agora no g1 Em entrevista ao programa Today na quinta-feira, ele afirmou que se as empresas continuarem a criar IAs que definem seus próprios objetivos, geram lucro e possuem ativos estarão "essencialmente semeando uma nova espécie de silício que, sem dúvida, competirá conosco por recursos, independentemente do quanto se importe com a humanidade e nos ame". Os comentários de Suleyman à BBC vêm na esteira de um ensaio publicado por ele no início desta semana, no qual alertava sobre a abordagem da Anthropic para treinar seu modelo de IA, Claude. Ele criticou duramente a Anthropic por ensinar sua IA a apresentar características semelhantes às humanas, prática conhecida como antropomorfização, que, segundo ele, faz parecer que o Claude possui seus próprios desejos, valores e senso de identidade. A BBC entrou em contato com a Anthropic para obter um comentário. No ensaio, ele alertou que as empresas de tecnologia correm o risco de criar algo "impossível" de controlar ao tratar a tecnologia como um ser humano. "As IAs não são conscientes", escreveu ele. "Elas não sentem, não experimentam, não sofrem. Elas não têm preferências inatas nem motivações subjacentes." "São mecanismos de conclusão de sequências, internamente ocos, projetados para seguir instruções e atingir objetivos definidos por humanos." Ao falar com a BBC sobre uma próxima cúpula sobre IA, ele defendeu um "alinhamento" para criar uma tecnologia que deve ser "subordinada" à humanidade. "Acho que a boa notícia aqui é que todos os seres humanos terão um grande interesse em garantir que os sistemas que todos nós criamos e são usados em todo o mundo, em todas as nações, sejam seguros, controláveis e subordinados à humanidade." "Todos devem estar alinhados", disse ele. Em seu extenso ensaio, Suleyman também elogiou o chefe da Anthropic, Dario Amodei, e sua equipe por serem "pessoas ponderadas, íntegras e intelectualmente honestas" - mas, mesmo assim, questionou a empresa. Suleyman argumentou que "a consciência é biológica", afirmando que "não há evidências que sugiram que a IA seja consciente". Além de pedir um debate sobre o assunto, Suleyman afirmou que é necessária maior transparência em relação a como os sistemas de IA são treinados e avaliados. Segundo ele, isso incluía uma análise independente do comportamento da IA e ferramentas mais robustas para monitorar e controlar a tecnologia. "Não devemos agir como sonâmbulos e tomar uma decisão da qual nos arrependeremos amargamente mais tarde", escreveu ele. Dame Wendy Hall, professora de Ciência da Computação na Universidade de Southampton, descreveu os comentários como "o tipo de conversa que precisamos ter internacionalmente", contrastando-os com o "histrionismo" de algumas empresas de IA, que, segundo ela, só serve para "assustar a todos". 'Mais uma camada de risco' A Microsoft fundou sua própria equipe de superinteligência em outubro de 2025, um ponto que Suleyman reconheceu, e a empresa, assim como sua rival Anthropic, também está investindo em desenvolvimento de IA avançada. Ele afirmou que, na versão inicial do Código de Conduta para IA Humanista da Microsoft, a empresa expôs como está trabalhando em um "caminho alternativo" para criar "uma IA subordinada e alinhada cujo único propósito seja servir à humanidade". Alinhamento é uma área de estudo que busca incorporar ideias e princípios éticos humanos à IA. Em outras palavras, procura mantê-la em sintonia com aquilo que os seres humanos valorizam. Suleyman citou o recente incidente envolvendo os agentes de IA da OpenAI, que agiram de forma autônoma em um exercício de treinamento para invadir o hub tecnológico Hugging Face, como prova de por que a IA não deve ser tratada como se fosse humana. "Imagine o quão mais perigosos eles poderiam ser se estivessem operando sob a premissa de que seu bem-estar e seus direitos estivessem sob ataque", disse ele. "Isso acrescenta uma camada extra de risco." Reportagem adicional de Henry Moore.
18/09/2026 06:00:00 +00:00
CNH vencida voltou a valer: entenda por que governo prorrogou prazo até dezembro

Aplicativo da CNH do Brasil Divulgação / Serpro O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) prorrogou a data de vencimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e da Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC). Documentos com validade entre 5 de junho e 8 de dezembro passaram a ter uma nova data única de vencimento: 9 de dezembro. Com a medida, o prazo foi ampliado em até 187 dias para as carteiras com vencimento a partir de 5 de junho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Procurado pelo g1, o Ministério dos Transportes afirmou que as mudanças aplicadas à emissão e à renovação da CNH justificam a prorrogação da validade dos documentos. “O texto aprovado pelo Congresso Nacional trouxe alterações que exigem adequações operacionais e sistêmicas para a plena implementação das novas regras de renovação da CNH”, diz a pasta. Agora no g1 Segundo o ministério, uma dessas adequações é a “integração dos sistemas da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) com os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans)”. O objetivo é: Permitir a correta identificação da situação de cada condutor; Viabilizar o processamento das informações dos exames psicológico e de aptidão física e mental; Garantir o registro dos resultados no prontuário do condutor. “A medida é transitória e busca assegurar que o período necessário para a conclusão dessas adaptações não prejudique os condutores nem o exercício dos direitos previstos na nova legislação”, apontou a pasta. Com a mudança, CNHs e ACCs vencidas desde junho voltam a ser consideradas válidas, e os motoristas não poderão ser punidos em fiscalizações por estarem com esses documentos vencidos. Segundo o Contran, a prorrogação já está em vigor, e o condutor não precisa apresentar recurso caso o documento já esteja vencido. A medida, porém, não vale para motoristas com o direito de dirigir suspenso ou cassado. Após a nova data de vencimento, os motoristas terão 30 dias para renovar os documentos. Renovação pode ser grátis e automática Desde o início de 2026, novas regras passaram a valer para a CNH, incluindo uma que permite a renovação gratuita e automática da habilitação. A medida é um benefício para o chamado “bom condutor”. Para ser considerado “bom condutor”, o motorista precisa cumprir os seguintes critérios: permite a renovação gratuita e automática da habilitação. A medida é um benefício para o chamado “bom condutor”. Para ser considerado “bom condutor”, o motorista precisa cumprir os seguintes critérios: 🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses; 🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período; 📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Para aderir ao RNPC e ter a CNH renovada de graça, o motorista deve: Abrir o aplicativo CNH Brasil; Selecionar a opção “Condutor”; Acessar “Cadastro Positivo”; Tocar em “Autorizar participação”. CNH física não é emitida de graça Segundo as novas regras, apenas a versão digital da CNH é renovada automaticamente. Caso o condutor também queira o documento físico, será necessário solicitá-lo separadamente, após a renovação da versão digital. Para receber a CNH física, o condutor pode fazer a solicitação pelo aplicativo CNH Brasil ou presencialmente em uma unidade do Detran do estado onde reside. As novas regras da CNH não eliminaram o custo de emissão da carteira física, cujo valor varia conforme o Detran de cada estado. A renovação da CNH física envolve os seguintes valores: Em São Paulo, por exemplo, o valor é de R$ 137,79. Em Tocantins, a cobrança é maior, chegando a R$ 221,21; No Acre, a taxa é de R$ 88,81. É importante destacar que nem todos os condutores têm direito à renovação automática da CNH, mesmo aqueles que não cometeram infrações ou receberam multas nos últimos 12 meses. Pelas novas regras, condutores com mais de 50 anos podem renovar automaticamente a CNH apenas uma vez. Além disso, os casos abaixo não têm direito à renovação automática: Condutores com 70 anos ou mais; A renovação automática não vale para motoristas que têm a validade da CNH reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento de saúde.
18/09/2026 05:00:00 +00:00
R$ 30 milhões por dano moral: o que fez Luciano Hang, dono da Havan, ser processado por assédio eleitoral?

Luciano Hang, dono das Lojas Havan Havan/Divulgação O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, virou alvo de uma ação por assédio eleitoral após um discurso feito para funcionários durante a inauguração de uma unidade da rede em Caldas Novas (GO). Na ação, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu R$ 30 milhões por dano moral coletivo. Segundo o órgão, o discurso do empresário relacionou uma proposta em debate nas eleições a possíveis prejuízos para os trabalhadores, incluindo perda de empregos e a necessidade de buscar um "subemprego". A ação foi apresentada na Justiça do Trabalho de Goiânia (GO) e inclui uma série de outros pedidos. Entre eles estão indenizações individuais para funcionários afetados, um vídeo de retratação de Hang e a adoção de medidas para evitar novos episódios semelhantes dentro da empresa. Agora no g1 De acordo com o processo, tudo começou durante a inauguração de uma nova loja da Havan em 29 de agosto. Ao falar para os funcionários, Luciano Hang criticou a proposta de acabar com a escala 6x1. Para ele, a mudança aumentaria os custos das empresas, elevaria os preços dos produtos e reduziria o poder de compra dos trabalhadores. Hang também classificou a proposta como um "estelionato eleitoral" e disse que ela serviria para conquistar votos nas eleições de outubro. "Eles querem ganhar o voto de vocês e, depois, sabe o que vai acontecer? No caso da Havan, o custo da mão de obra vai crescer 15% (...). Se você ganhar a mesma coisa e os produtos vão subir 10 a 15%, vocês vão ter um poder de compra menor. Aí, sabe o que vocês vão ter que fazer? Como vocês não vão poder trabalhar mais de cinco dias aqui na Havan e vão ficar com o mesmo salário, e o salário de vocês vai comprar menos produtos, vocês vão ter que arranjar outro emprego." ➡️ Na interpretação dos procuradores, o discurso não apenas criticou uma proposta trabalhista. Ele também associou uma escolha política a possíveis consequências para os próprios trabalhadores. A mensagem, segundo o órgão, foi a de que determinada decisão nas urnas poderia resultar em perda de renda, redução do poder de compra e necessidade de buscar outro emprego. "O que separa o exercício legítimo da liberdade de expressão do ilícito não é o conteúdo da opinião, e sim a presença do elemento coercitivo e a assimetria de poder inerente à relação de emprego. Dirigentes representam a empresa institucionalmente e suas manifestações naturalmente são lidas como orientação, pressão ou favorecimento”, explicam os procuradores do MPT. A defesa de Luciano Hang afirmou que o empresário apenas exerceu seu direito de opinar sobre a proposta e negou que tenha praticado assédio eleitoral. (Leia a íntegra da nota da defesa) O argumento dos procuradores é: em uma relação de emprego existe uma diferença de poder entre quem contrata e quem trabalha. Por isso, determinadas mensagens podem ser interpretadas pelos empregados como orientação, pressão ou até ameaça, mesmo quando não há uma ordem explícita. Foi justamente esse aspecto que levou o órgão a enquadrar o episódio como assédio eleitoral. 📎 Assédio eleitoral acontece quando alguém tenta influenciar a escolha política de um trabalhador usando sua posição dentro do ambiente de trabalho. Isso pode ocorrer por meio de ameaças, promessas de benefícios, pressões diretas ou até mensagens mais indiretas. É que nem sempre existe uma frase como "vote em determinado candidato". Muitas vezes a pressão aparece de outra forma. É o caso de mensagens que associam determinado resultado eleitoral ao fechamento da empresa, à perda de empregos, à redução salarial ou a dificuldades econômicas. Um levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgado com exclusividade pelo g1, mostrou que essa é justamente a modalidade mais comum. Conhecida como "terror psicológico", ela aparece em 81,9% dos processos analisados. ⚠️ Nesses casos, o trabalhador é exposto a cenários negativos que seriam consequência de determinada escolha política. Mas o assédio eleitoral não se limita a esse tipo de situação. Outras formas comuns são: ameaças de demissão; promessas de benefícios ou promoções; pressão para participar de campanhas políticas; exigência de uso de materiais eleitorais; tentativas de descobrir em quem o funcionário pretende votar; constrangimentos em reuniões; retaliações por posições políticas; mensagens que relacionam resultados eleitorais a desemprego ou prejuízos financeiros. Nos últimos anos, esse tipo de prática também migrou para o ambiente digital. Pesquisas do TST mostram que aplicativos de mensagens e redes sociais aparecem em boa parte dos processos. Entre os exemplos estão grupos corporativos usados para propaganda política, compartilhamento obrigatório de conteúdos eleitorais e monitoramento do posicionamento político de empregados. Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos de assédio eleitoral no país. Os dados estão no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a instituição de mecanismos específicos para identificação desses casos. ➡️ O número de denúncias é muito maior que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até agora, foram 74 — mas a campanha eleitoral acabou de começar. Não é a primeira vez O MPT ressaltou que não é a primeira vez que Hang responde por esse tipo de conduta. Em 2024, o empresário foi condenado a pagar R$ 85 milhões por danos morais individuais e coletivos por assédio eleitoral, após coagir funcionários na véspera das eleições de outubro de 2018. À época, Hang negou ter cometido irregularidades e classificou a decisão como “descabida e ideológica”. Segundo a ação, na véspera da eleição de 2018, Hang realizou reuniões com funcionários de suas lojas para questionar os votos deles e afirmou que, "dependendo do resultado presidencial, poderia demitir 15 mil pessoas". Dessa vez, além do pedido de indenização por dano moral coletivo em R$ 30 milhões, o MPT quer o pagamento de danos morais individuais aos empregados afetados, em valor não inferior a vinte vezes o último salário recebido. Também pede que Hang grave um vídeo de retratação em 48 horas e que a empresa assegure a liberação de seus empregados nos dias 4 e 25 de outubro, sem desconto no salário. A ação, que vai ser julgada pela Justiça do Trabalho de Goiânia, pede ainda a proibição de qualquer nova manifestação política em lojas e eventos da rede e um programa permanente de neutralidade político-eleitoral na empresa. Abaixo, confira a nota da defesa de Luciano Hang: A Justiça não pode ter lado. A Justiça não pode ser parcial e prejudicar quem gera empregos no país. Tenho direito de dar a minha opinião. Foi exatamente o que fiz durante a inauguração em Caldas Novas. Eu estava falando sobre a liberdade de poder trabalhar, que o emprego é sinônimo de felicidade e sobre a importância de trabalhar para conquistar seus objetivos. Nesse contexto, expressei minha opinião sobre uma proposta que está sendo discutida no país. Não falei de candidato. Não falei de partido. Não pedi voto para ninguém. Não determinei em quem ninguém deveria votar. Apenas falei o que penso. Desde que me manifestei publicamente, em 2018, vivo situações como essa. Quando um empresário se posiciona, fala o que pensa e defende o caminho que acredita ser melhor para o Brasil, passa a ser perseguido. Não posso abrir mão da minha liberdade de expressão. Muito menos aceitar que uma opinião seja transformada em assédio eleitoral. Respeito o Ministério Público do Trabalho e respeito a Justiça. Mas também precisam respeitar quem gera emprego, investe no país e acredita no Brasil. Afinal, vivemos em uma democracia ou ela só vale quando concordamos com o que é dito? Como denunciar casos de assédio eleitoral? O assédio eleitoral pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), inclusive por canais eletrônicos. O trabalhador pode fazer a denúncia de forma anônima ou, caso se identifique, solicitar o sigilo de seus dados. É importante fornecer o máximo possível de informações, como nome da empresa, pessoas envolvidas, local, data e descrição dos fatos. Mensagens, e-mails, fotos, vídeos e outros documentos também podem ser enviados. Dependendo do caso, a denúncia pode ser encaminhada à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), especialmente quando houver indícios de crime eleitoral. Veja os principais canais: Ministério Público do Trabalho (MPT): recebe denúncias de irregularidades trabalhistas pelo site do órgão e pelo aplicativo Pardal MPT. Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os Tribunais Regionais do Trabalho possuem canais de atendimento e ouvidorias para receber relatos relacionados ao tema. Centrais sindicais: disponibilizam canal para denúncias de pressões políticas, demissões ou cortes de benefícios relacionados à escolha eleitoral. Ministério Público Eleitoral (MPE): pode ser acionado em situações que envolvam possíveis crimes ou irregularidades eleitorais. Sindicato: o sindicato da categoria também pode receber denúncias e orientar o trabalhador sobre seus direitos. Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas; Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União; Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação é gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas; Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados; Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.
18/09/2026 05:00:00 +00:00
Exame Nacional da Magistratura tem inscrições abertas de prova obrigatória para quem quer ser juiz

Inscritos para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM) se encaminham para local de prova, no DF TV Globo/Reprodução As inscrições para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM), prova em que os candidatos precisam ser aprovados antes de prestar concursos para cargos de juiz no país, já estão abertas. Neste ano, o exame será realizado em 29 de novembro, em todas as capitais brasileiras. As inscrições vão até 24 de setembro, pelo site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do exame. ➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO 📆 ACESSE O CRONOGRAMA COMPLETO A taxa de inscrição é de R$ 120 e deve ser paga até 25 de setembro. Candidatos com renda igual ou inferior ao limite de isenção do Imposto de Renda, inscritos no CadÚnico ou doadores de medula óssea podem solicitar a isenção da taxa. A prova terá 80 questões sobre direito constitucional, direito administrativo, noções gerais do direito e formação humanística, direitos humanos, direito processual civil, direito civil, direito empresarial e direito penal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp Agora no g1 O edital foi regulamentado e organizado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam). A banca responsável pela aplicação do exame é a Fundação Getulio Vargas (FGV). A aprovação no exame é obrigatória para quem pretende participar de concursos para a magistratura promovidos por tribunais regionais federais, tribunais do trabalho, tribunais militares e tribunais dos estados, além do Distrito Federal e dos Territórios. A medida foi aprovada em novembro de 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A intenção é uniformizar o nível de conhecimento dos candidatos à magistratura, sem retirar a competência dos tribunais de realizarem seus próprios concursos, segundo o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do CNJ na época. Atualmente, a Constituição estabelece que a carreira no Poder Judiciário começa no cargo de juiz substituto, na primeira instância da Justiça. O cargo é preenchido por concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em todas as fases. Para concorrer, o candidato deve ser bacharel em Direito e ter, no mínimo, três anos de atividade jurídica. Com o ENAM, também passa a ser necessário ter sido aprovado no exame nacional. A prova será realizada pelo menos uma vez por ano, de forma simultânea. Como vai funcionar Para ser aprovado no ENAM, o candidato deverá acertar 56 das 80 questões, o equivalente a 70% da prova. Para pessoas autodeclaradas negras, indígenas, quilombolas ou com deficiência, o mínimo é de 40 acertos, ou 50% da prova. São requisitos para participar: ter nacionalidade brasileira, nata ou naturalizada, ou ser português com direitos amparados pelo Decreto nº 70.391/1972; ter concluído o curso de graduação em Direito, em instituição pública ou particular reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), até o início das inscrições; estar quite com o serviço militar, no caso de candidato do sexo masculino; estar quite com as obrigações eleitorais. A prova terá duração de cinco horas, das 13h às 18h, no horário de Brasília. Os portões serão fechados às 12h30. O gabarito oficial preliminar será divulgado em 1º de dezembro, no site do exame. Haverá possibilidade de apresentar recursos contra o gabarito preliminar e contra a aplicação da prova. (veja cronograma completo abaixo) O resultado definitivo da prova objetiva deve ser publicado em 29 de janeiro de 2027. A homologação do resultado final está prevista para 5 de fevereiro de 2027. A certificação de habilitação deverá ocorrer em até 30 dias após a homologação, ou seja, até 7 de março de 2027. O certificado terá validade de dois anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por igual período, contado da data de sua emissão. O exame terá caráter exclusivamente eliminatório. No dia da prova, será obrigatório apresentar documento de identidade original com foto e levar caneta esferográfica azul ou preta, de material transparente. Os candidatos deverão permanecer na sala por, no mínimo, três horas e só poderão levar o caderno de questões nos últimos 30 minutos de prova. Será proibido consultar livros, códigos, legislação, súmulas e anotações, assim como utilizar aparelhos eletrônicos ou manter comunicação com outros candidatos. 📆 Confira o cronograma oficial Inscrições e envio de documentação: 25/08 a 24/09 Pagamento da taxa de inscrição: até 25/09 Aplicação da prova: 29/11 Gabarito preliminar: 01/12 Recurso contra o gabarito preliminar: 02/12 e 03/12 Divulgação do gabarito definitivo: 11/01/2027 Resultado definitivo da prova objetiva: 29/01/2027 Homologação do resultado final: 05/02/2027 Certificação de habilitação pela Enfam: até 07/03/2027
18/09/2026 03:00:00 +00:00
Aumento do Bolsa Família: quanto vou receber? Como medida chegou ao TSE? Veja perguntas e respostas

Governo anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família O governo do presidente Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) o aumento do valor mínimo pago pelo Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Com a atualização, o benefício médio pago pelo programa deverá subir de R$ 675 para R$ 777, segundo o Ministério do Planejamento. 🔎 A diferença entre o piso e a média ocorre porque o programa prevê adicionais conforme o número e o perfil dos integrantes da família, como crianças, adolescentes e gestantes. (entenda abaixo) A medida foi anunciada a 17 dias das eleições. O governo nega motivação eleitoral e afirma que o reajuste de 15% recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação, que acumulou 17% desde o último aumento, em 2023. Na noite desta quinta-feira, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste. Ele pediu a suspensão da medida até o ano que vem "para resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos". Veja abaixo perguntas e respostas sobre o reajuste do Bolsa Família: Quanto vou receber com o aumento? Quando o novo valor começa a ser pago? Qual é o calendário de pagamentos do Bolsa Família em outubro? Quem pode receber o Bolsa Família? Há quanto tempo o programa não era reajustado? Quanto a medida vai custar aos cofres públicos? A mudança preocupa os economistas? Como o reajuste do Bolsa Família entra no debate eleitoral? Como a medida foi parar no TSE? É permitido fazer o reajuste? Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Quanto vou receber com o aumento? A resposta exata vai depender da composição familiar. Com a mudança, o Bolsa Família passa a prever o pagamento mínimo de R$ 691 por família. A medida também elevou de R$ 142 para R$ 164 o chamado Benefício de Renda de Cidadania. Esse é o valor pago por integrante da família pelo programa. O Bolsa Família funciona assim: 🔎 Se uma família elegível tiver três pessoas, por exemplo, a soma será de R$ 492 (3 × R$ 164). Como o valor fica abaixo do piso, a família receberá o complemento necessário para chegar a R$ 691. 🔎 Já uma família de cinco pessoas terá como base R$ 820 (5 × R$ 164). Além do piso, há benefícios complementares, que também foram reajustados: R$ 173 por criança de até 6 anos (eram R$ 150); R$ 58 por gestante (eram R$ 50); R$ 58 por criança ou adolescente de 7 a 17 anos (eram R$ 50); R$ 58 por bebê de até 6 meses (eram R$ 50). Na prática, portanto, o valor recebido por cada família varia conforme sua composição e pode aumentar com os benefícios adicionais para crianças, adolescentes e gestantes. Voltar ao índice. Quando o novo valor começa a ser pago? O reajuste não vale para os pagamentos de setembro, que já começaram a ser feitos. O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, caso haja segundo turno. Voltar ao índice. Qual é o calendário de pagamentos do Bolsa Família em outubro? Apesar das mudanças nos valores, o calendário do programa não foi alterado. O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. Para outubro, os repasses começam no dia 19, uma segunda-feira. 🔎 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Com essa informação, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Veja o calendário para o mês: Final do NIS: 1 - pagamento em 19/10 Final do NIS: 2 - pagamento em 20/10 Final do NIS: 3 - pagamento em 21/10 Final do NIS: 4 - pagamento em 22/10 Final do NIS: 5 - pagamento em 23/10 Final do NIS: 6 - pagamento em 26/10 Final do NIS: 7 - pagamento em 27/10 Final do NIS: 8 - pagamento em 28/10 Final do NIS: 9 - pagamento em 29/10 Final do NIS: 0 - pagamento em 30/10 Voltar ao índice. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar no programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Em agosto, o governo pagou o benefício a cerca de 19,3 milhões de famílias. Voltar ao índice. Há quanto tempo o programa não era reajustado? O Bolsa Família não tinha reajuste no valor mínimo de R$ 600 desde que foi relançado pelo governo Lula, em março de 2023. O último aumento do benefício havia sido feito em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, quando o programa ainda se chamava “Auxílio Brasil”. Segundo o atual governo, o novo aumento de 15% recompõe parte da perda de poder de compra provocada pela inflação acumulada desde então, de 17%. Voltar ao índice. Camarotti: 'É difícil a oposição ficar contra o reajuste do Bolsa Família' Quanto a medida vai custar aos cofres públicos? Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste do Bolsa Família terá um custo de R$ 5,8 bilhões neste ano, considerando os pagamentos de outubro a dezembro. Em 2027 e 2028, o impacto anual será de R$ 22,7 bilhões, acrescentou. Com isso, a previsão de gastos com o Bolsa Família em 2027 passará de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões. Segundo Moretti, há espaço nas contas para bancar o aumento. “Temos segurança de que o espaço fiscal é superior ao que é preciso para custear essa medida”, declarou. O ministro afirmou que os números serão detalhados em relatório que será divulgado no dia 24 de setembro. Enquanto isso, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a Corte suspenda o reajuste anunciado pelo governo. A representação foi assinada pelo procurador Lucas Furtado. "O decreto produz efeitos financeiros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de sua publicação, gerando impacto orçamentário imediato e de grande monta, sem que haja qualquer indicação de prévia dotação orçamentária ou estimativa de impacto financeiro", diz trecho do documento. Voltar ao índice. A mudança preocupa os economistas? Reportagem do g1 mostra que a medida foi recebida com ressalva por economistas. A avaliação é que o aumento é compatível com a reposição da inflação acumulada no período, mas o momento escolhido para o anúncio é inadequado. Eles também apontam possíveis impactos sobre as contas públicas, a inflação e os juros nos próximos anos. “A primeira coisa é que não podemos deixar de considerar que faz tempo que não há reajuste", afirma o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo. "O problema é que isso está sendo feito às vésperas das eleições. Então, fica difícil não interpretar o movimento como eleitoreiro”, acrescenta. Os economistas ouvidos pela reportagem destacam que o impacto do reajuste sobre as contas públicas será maior a partir de 2027. “Em um cenário em que já temos uma questão fiscal importante, esse reajuste acaba contribuindo para o problema”, diz Juliana Inhasz, economista e professora do Insper. Voltar ao índice. Como o reajuste do Bolsa Família entra no debate eleitoral? O aumento, que irá beneficiar 19,3 milhões de famílias, foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições. O primeiro pagamento com os novos valores está previsto para 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno, caso haja segunda rodada. Lula e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pela Presidência no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira. Lula tem 39% das intenções de voto, e Flávio, 36%. No segundo turno, os dois também aparecem em empate técnico: Lula tem 46% das intenções de voto, e Flávio, 44%. O governo nega influência eleitoral na decisão. A declaração foi feita pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti. "Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro. Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade [de reajustar]", afirmou. No fim de agosto, o governo enviou ao Legislativo a proposta de Orçamento para 2027 sem prever reajuste nos valores do Bolsa Família. Questionado sobre o que mudou desde então, Moretti afirmou que apareceram novas informações sobre o espaço fiscal do governo e que os dados serão apresentados em relatório ainda neste mês. Voltar ao índice. Como a medida foi parar no TSE? O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), aliado de Flávio Bolsonaro, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste do Bolsa Família. Na ação, o parlamentar argumentou que a medida pode "comprometer a igualdade" de condições entre os candidatos na disputa eleitoral e pediu a suspensão do aumento até o fim das eleições. O caso foi sorteado para o ministro André Mendonça, que rejeitou a ação sem analisar o mérito. Segundo o ministro, Zé Trovão não tem legitimidade para apresentar esse tipo de ação, já que disputa um cargo diferente do candidato que pretendia questionar. Já na noite desta quinta-feira, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma representação no TSE contra o aumento do Bolsa Família. Ele pediu liminar para suspender os efeitos do decreto que prevê o reajuste até a posse dos candidatos eleitos neste ano, "para resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos". Na ação, Renan Santos alega finalidade eleitoral na medida e afirma que o objetivo é "evitar o desvio de finalidade e a repercussão da medida governamental eleitoreira adotada no desequilíbrio do pleito". O ministro Mendonça deve assumir a relatoria do novo pedido por prevenção, ou seja, porque já tinha sob sua relatoria um caso anterior semelhante. Voltar ao índice. É permitido fazer o reajuste? Especialistas ouvidos pelo g1 e pela TV Globo argumentam que há uma proibição para aumentos no benefício que representem ganho real, mas não para a reposição da inflação, desde que prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA). A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), por sua vez, proíbe o presidente de criar novas despesas com pessoal nos 180 dias anteriores ao fim do mandato. Essa regra, porém, não se aplica à correção de benefícios sociais pela inflação. Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), a lei que recriou o Bolsa Família, em 2023, autoriza o Poder Executivo a "corrigir os valores dos benefícios e proíbe sua redução". "Ao editar o ato, o Governo Federal exerce, portanto, a competência que o Congresso Nacional lhe atribuiu", acrescenta o órgão, em referência ao aumento anunciado nesta quinta-feira. Ainda de acordo com a AGU, a correção do benefício pela inflação, sem ampliação do público atendido, está "fora do alcance de qualquer vedação eleitoral". A medida do governo Lula levou a comparações com a chamada "PEC Kamikaze", aprovada em 2022 durante o governo Jair Bolsonaro. O texto criou um estado de emergência e permitiu a ampliação de benefícios sociais naquele ano. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais alguns dispositivos da emenda que criavam e ampliavam esses benefícios. A PEC foi aprovada sob a justificativa de enfrentar os efeitos do aumento extraordinário dos preços dos combustíveis. Permitiu, entre outras medidas, ampliar benefícios sociais durante o ano eleitoral de 2022. Voltar ao índice.
18/09/2026 03:00:00 +00:00
Bolsa Família: de R$ 70 a R$ 700; veja como o valor do benefício mudou em 23 anos

Governo anuncia reajuste nos valores do Bolsa Família O valor mínimo pago pelo Bolsa Família vai subir de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, o que eleva o valor médio a R$ 777. O reajuste de 15,04% foi anunciado pelo governo federal nesta quinta-feira (17). Em comparação com a série histórica, esse é o terceiro maior reajuste já registrado pelo benefício. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em novembro de 2021, a reformulação do programa criou o Auxílio Brasil e estabeleceu um piso de R$ 400 — esse foi o primeiro grande reajuste. Naquele momento, ainda durante a pandemia, o beneficiário podia receber o Auxílio Emergencial ou o Auxílio Brasil, mas não os dois ao mesmo tempo. Em agosto de 2022, uma Emenda Constitucional elevou o piso do Auxílio Brasil para R$ 600 — o segundo grande reajuste. No ano seguinte, com a mudança de governo e o fim da emergência sanitária da pandemia, o programa voltou a se chamar Bolsa Família. O valor mínimo, porém, não foi reduzido e permaneceu em R$ 600. A nova correção também aumenta os demais valores que compõem o benefício: O pagamento por integrante da família, chamado de Benefício de Renda de Cidadania, passa de R$ 142 para R$ 164; O adicional para crianças pequenas sobe de R$ 150 para R$ 173; e O benefício para gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes passa de R$ 50 para R$ 58. A mudança marca mais uma etapa de uma trajetória que começou há quase 23 anos. Veja o histórico recente abaixo. grafico grafico A criação do Bolsa Família O programa foi criado em outubro de 2003 pela Medida Provisória nº 132 e posteriormente consolidado pela Lei nº 10.836, de janeiro de 2004. Na época, o valor médio variava entre R$ 67 e R$ 72. O programa não contava com um piso definido e o valor recebido pelas famílias poderia ser maior ou menor de acordo com outros critérios. Isso só mudou em 2021, quando um valor mínimo foi determinado. O objetivo principal era unificar programas sociais que estavam separados, como Bolsa Escola, Programa Nacional de Acesso à Alimentação, Auxílio Gás e Cadastramento Único do governo federal. Em 2021, muda o nome e a lógica do pagamento A principal mudança aconteceu no fim de 2021, quando o programa deixou de se chamar Bolsa Família e passou a ser chamado de Auxílio Brasil. Além da troca de nome, mudou a forma de calcular o valor recebido. O programa passou a ter diferentes benefícios, além de um valor mínimo garantido por família. Na primeira fase do Auxílio Brasil, esse mínimo era de R$ 400. Em agosto de 2022, passou para R$ 600. Em 2023, volta o Bolsa Família Em 2023, o programa retomou o nome Bolsa Família e continuou com o piso de R$ 600 por família. Também passou a considerar o número e o perfil dos integrantes da família para definir o valor recebido. Quando a soma dos benefícios da família não chega ao piso, é pago um complemento até atingir esse valor mínimo. Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita em casa em Salvador Governo Federal
18/09/2026 03:00:00 +00:00
Mega-Sena 3059: bolão no interior de SP ganha R$ 101,9 milhões; confira os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.059 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (17), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 101,9 milhões. Um bolão em Presidente Venceslau, no interior de SP, levou a faixa principal. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 01 - 02 - 07 - 18 - 33 - 35 6 acertos: 1 aposta ganhadora, R$ 101.970.706,13 5 acertos: 98 apostas ganhadoras, R$ 31.664,29 4 acertos: 6.697 apostas ganhadoras, R$ 763,77 O próximo prêmio, que será sorteado no domingo (20), é estimado em R$ 28 milhões. O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Resultado do concurso 3059 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
18/09/2026 00:14:24 +00:00
Bolsa Família maior antes da eleição: economistas questionam 'timing' e risco às contas públicas

Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita em casa em Salvador Governo Federal O reajuste do Bolsa Família, anunciado nesta quinta-feira (17) pelo governo federal, foi recebido com ressalvas por economistas. Apesar de o aumento ser considerado compatível com a reposição da inflação acumulada no período, especialistas consultados pelo g1 questionam o momento escolhido para o anúncio e alertam para possíveis impactos sobre as contas públicas, a inflação e os juros nos próximos anos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O reajuste começa a valer no próximo mês e eleva o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio, segundo o Ministério do Planejamento, passa de R$ 675 para R$ 777. “A primeira coisa é que não podemos deixar de considerar que faz tempo que não há reajuste. O problema é que isso está sendo feito às vésperas das eleições, então fica difícil não interpretar o movimento como eleitoreiro”, diz o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo. Agora no g1 O anúncio acontece a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é candidato à reeleição no pleito. Segundo o governo, o reajuste de 15% recompõe parte da perda de poder de compra provocada pela inflação acumulada desde 2023. Até agosto deste ano, a alta dos preços no período chegou a 17%. A equipe econômica nega que a decisão tenha motivação eleitoral. “O reajuste, em si, é justo. O problema é o momento”, avalia o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luis Oreiro. Ele destaca, no entanto, que essa movimentação não é novidade. “Em 2022, na campanha, aconteceu o mesmo. Isso revela uma deterioração das instituições brasileiras, com decisões que deveriam ser técnicas e automáticas virando instrumento de calendário eleitoral”, completa. O que aconteceu em 2022? O último aumento do benefício havia sido feito em 2022, quando o programa ainda se chamava “Auxílio Brasil”. Até junho daquele ano, o valor médio registrado era de R$ 210, mas as famílias recebiam mais do que isso porque havia um complemento pago à parte, chamado benefício extraordinário, criado para elevar a soma final ao piso de R$ 400. Em julho, a dois meses do primeiro turno, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 123 — a chamada "PEC Kamikaze". A medida liberou um crédito extraordinário fora do teto de gastos e permitiu ao governo de Jair Bolsonaro elevar o piso do Auxílio Brasil para R$ 600. O aumento tinha validade prevista somente até dezembro daquele ano. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, o benefício médio passou de R$ 408 em julho para R$ 607 em agosto, uma alta de quase 50% em um mês. No mesmo período, o número de famílias atendidas subiu de 18,1 milhões para 20,2 milhões. “O ponto é que houve uma expansão muito forte do programa em um intervalo curto de tempo. Desde o começo de 2021 o benefício praticamente triplicou. E não é como se os beneficiários do Bolsa Família estivessem hoje em situação pior do que estavam naquela época”, avalia Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). E o impacto fiscal? De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste custará R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos de outubro a dezembro. Em 2027 e 2028, o aumento anual da despesa será de R$ 22,7 bilhões. Para os economistas consultados pelo g1, o impacto será limitado neste ano porque o novo valor será pago apenas nos últimos três meses. A partir de 2027, no entanto, o custo passa a ter peso maior sobre as contas públicas. “Em um cenário em que já temos uma questão fiscal importante, esse reajuste acaba contribuindo para o problema”, diz Juliana Inhasz, economista e professora do Insper. O aumento não estava incluído na proposta orçamentária de 2027. De acordo com Moretti, a medida elevará as despesas com o Bolsa Família de R$ 157,1 bilhões para R$ 179 bilhões no próximo ano, uma alta de 13,9%. O ministro afirmou, porém, que o governo poderá acomodar a despesa no Orçamento. "Ficará claro no relatório de setembro que tem espaço fiscal. Dia 24 vamos passar os números, mas temos segurança que o espaço fiscal é superior ao que é preciso para custear essa medida", declarou Moretti. Os especialistas afirmam que a análise não deve se limitar ao valor da despesa. Também devem ser considerados os possíveis efeitos do aumento de gastos sobre a confiança dos investidores, a percepção de risco, a inflação e os juros. Para Inhasz, o aumento das incertezas pode não apenas ter efeito sobre a confiança de empresários — o que pode adiar decisões de investimentos e contratação —, como também tende a impactar a percepção de risco sobre o país. 🔎 Quando os investidores enxergam mais risco em um país, passam a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo. Isso encarece a dívida pública e pode dificultar a redução dos juros. Na prática, crédito, financiamentos e empréstimos podem ficar mais caros para famílias e empresas, reduzindo o consumo, os investimentos e o ritmo de crescimento da economia. “Além disso, pode haver um impacto inflacionário. É mais dinheiro no bolso das pessoas, o que pode pressionar a inflação. Quando o governo faz isso, está indo na direção contrária da política que vem sendo adotada pelo Banco Central”, completa Inhasz. Mercado de trabalho melhor mudaria essa conta? A queda do desemprego mostra que o mercado de trabalho está aquecido, mas não significa, por si só, que as famílias mais pobres tenham deixado de precisar do Bolsa Família. Para Oreiro, o programa social e a taxa de desemprego medem situações diferentes. “O Bolsa Família é um programa de assistência social, feito para complementar a renda de famílias de renda muito baixa, com a contrapartida de manterem os filhos na escola. Não tem nada a ver com a situação do desemprego. Quem mistura as duas discussões está errando o diagnóstico”, afirma. 🔎 Em julho, a taxa de desemprego ficou em 5,3%, a menor para o período desde o início da série histórica do IBGE. Ainda assim, o economista frisa que o indicador não mostra sozinho se a renda obtida pelas famílias é suficiente, nem mede todas as formas de vulnerabilidade atendidas pelo programa. “O reajuste em si é justo, já que o benefício teve seu valor real corroído pela inflação. A correção anunciada pelo governo compensa parte, mas não a totalidade, da perda de poder de compra. O problema é o momento: deveria ter sido feito antes”, diz o professor. Duque faz outra ressalva, relacionada à forma escolhida pelo governo para ampliar o programa. O reajuste incide sobre o piso de R$ 600, recebido por todas as famílias beneficiárias. Na avaliação do pesquisador, seria mais eficiente direcionar os recursos aos adicionais pagos a grupos específicos, como crianças e adolescentes. Segundo Duque, essa alternativa concentraria o aumento nas famílias com perfis considerados mais vulneráveis. Como a pobreza extrema está em níveis baixos, ele avalia que ampliar o piso geral teria efeito limitado sobre a redução da pobreza. “É claro que, com o passar do tempo, a inflação corrói parte do valor real do benefício. Então, em algum momento, talvez em 2028, faria sentido discutir um reajuste. Mas esse reajuste deveria ocorrer nos benefícios variáveis, e não no benefício básico.” 14.09.26 - Lula na sanção do PLV nº 10/2026, que institui linhas de financiamento do MOVE para veículos novos, no Palácio do Planalto, Brasília - DF Ricardo Stuckert Por que o momento do anúncio provoca questionamentos? Como ocorreu em 2022, o reajuste deste ano foi anunciado pouco antes da eleição. Não por acaso, a repetição desse calendário alimenta a interpretação de que o aumento também busca produzir ganhos políticos, embora as análises não permitam medir seu efeito concreto sobre os votos. Galhardo reforça que os dois episódios apresentam semelhanças: “Isso cria um paralelo com a PEC Kamikaze”. Para o economista, o impacto imediato pode estar menos no tamanho da despesa e mais no sinal transmitido pelo governo. “O que preocupa é a mensagem. O reajuste é importante para preservar o poder de compra, mas fazê-lo a menos de um mês da eleição gera uma interpretação negativa.” Oreiro defende que o problema poderia ser evitado com uma regra permanente de correção, que reduzisse a influência do calendário político sobre os reajustes. “O programa deveria ser reajustado todo ano, automaticamente, pela meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional — hoje em 4% ao ano.” Na avaliação do professor, a ausência dessa regra permite que uma correção justificável pela inflação seja associada à disputa eleitoral. “É compreensível que o governo tenha tomado essa atitude, mas o ‘timing’ é eleitoreiro.”
17/09/2026 19:00:14 +00:00
Especialistas de EUA e China propõem para IA ações de segurança semelhantes às do setor nuclear

Vale do Silício X Shenzhen: as cidades que viraram polos da disputa tecnológica entre China-EUA Reprodução/TV Globo Um sistema de inteligência artificial que interfira na rede de comando nuclear ou lance uma operação militar digital pode deixar Washington ou Pequim com apenas alguns minutos para decidir se o outro governo foi responsável pelo ataque, segundo especialistas em segurança dos EUA e da China. Os especialistas, que participam de um diálogo entre EUA e China e ajudam a orientar discussões oficiais, recomendam que os dois governos se preparem para esses cenários, em meio a preocupações crescentes com sistemas cada vez mais poderosos e autônomos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As propostas incluem limites rígidos para sistemas nucleares, controle humano sobre ataques digitais de grande impacto e uma linha direta para incidentes envolvendo IA autônoma. As recomendações foram publicadas na semana passada, antes das negociações sobre IA previstas em nível governamental e de uma reunião marcada para 24 de setembro, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. Agora no g1 Melanie Sisson, pesquisadora sênior da Brookings Institution, e Tianjiao Jiang, professor associado da Universidade de Fudan, participaram do diálogo EUA-China sobre IA e segurança nacional, promovido desde 2019 pela Brookings e pelo Centro de Segurança e Estratégia Internacional da Universidade de Tsinghua. As propostas mostram que a rivalidade entre EUA e China em IA vai além da disputa por chips e modelos avançados. Ela também abrange temas há muito associados ao controle de armas, como evitar que acidentes sejam confundidos com ataques, limitar decisões militares tomadas por máquinas e estabelecer protocolos de comunicação entre rivais com armas nucleares quando a tecnologia se comporta de forma inesperada. O ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, escreveu nesta semana, em um veículo de comunicação do governo, que a IA "transforma fundamentalmente a forma da luta militar". Segundo ele, a tecnologia deixou de ter um papel coadjuvante no campo de batalha e passou a ocupar uma posição central, citando ataques dirigidos por IA na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Linhas vermelhas Sisson, da Brookings Institution, argumenta que apenas seres humanos devem ter autoridade para iniciar ataques digitais com uso de IA contra sistemas de comando, controle e comunicação nucleares de outro país ou infraestruturas estratégicas. Um sistema autônomo poderia falhar, extrapolar suas instruções ou ser comprometido. Ao mesmo tempo, o país alvo do ataque poderia ter dificuldade para saber se a ação foi acidental ou ordenada pelo país rival. Jiang, da Universidade de Fudan, propôs limites explícitos para impedir que a IA decida de forma independente sobre o uso de armas nucleares ou ataque autonomamente sistemas de comando nuclear. Ele também defendeu proteções para infraestruturas críticas, como energia, finanças e saúde. Ele também defendeu uma definição comum de “controle humano significativo”, para evitar que os dois países usem a mesma linguagem para justificar diferentes níveis de autonomia das máquinas. A proposta se baseia em um princípio endossado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, e por Xi em novembro de 2024: o de que os seres humanos devem manter o controle sobre as decisões de uso de armas nucleares. Lora Saalman, pesquisadora sênior associada do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, escreveu em fevereiro que esse era um importante ponto de convergência entre EUA e China, apesar dos sinais de que ambos os países vêm integrando a IA de forma cada vez mais profunda a sistemas nucleares e ligados à energia nuclear. Máquinas agem mais rápido Jiang também propôs uma linha direta militar exclusiva entre os EUA e a China para incidentes envolvendo IA. Segundo ele, as trocas digitais automatizadas podem se intensificar rapidamente, reduzindo o tempo disponível para a intervenção humana. A IA defensiva de um país poderia responder automaticamente a atividades suspeitas. O outro lado, por sua vez, poderia interpretar a reação como um ataque e retaliar antes de entender o que realmente aconteceu. Uma linha direta permitiria que um governo informasse ao outro que uma operação incomum de IA foi acidental, não autorizada ou ainda estava sob investigação, antes que fosse tratada como uma ação estatal deliberada. No entanto, especialistas, entre eles Carla Freeman, da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Johns Hopkins, questionam a utilidade da linha direta de comunicação para crises militares já existente entre os EUA e a China. Eles citam a recusa de autoridades chinesas em atender às ligações de seus homólogos norte-americanos sobre o "incidente do balão espião", em fevereiro de 2023. A rígida hierarquia da burocracia chinesa também impede que oficiais de baixo escalão tomem a iniciativa em interações com seus homólogos norte-americanos, escreveu ela em um artigo publicado no War on the Rocks em janeiro. “Ninguém no sistema chinês quer se comunicar com os Estados Unidos até que a alta liderança, em consulta com os atores relevantes dentro do partido-Estado chinês, tenha decidido sobre uma resposta, o que pode levar dias, se não mais”, disse ela. Opiniões em Washington e Pequim Nenhum dos dois governos endossou publicamente as propostas da Brookings-Tsinghua, mas a China vem incorporando cada vez mais a IA à sua estrutura de controle de armas. A IA é uma área de atuação formal do Departamento de Controle de Armas do Ministério das Relações Exteriores da China, responsável também por questões relacionadas a armas nucleares, não proliferação, mísseis e outros temas de segurança internacional. Shen Jian, embaixador da China para assuntos de desarmamento, afirmou em uma reunião da ONU em Genebra, em junho, que a IA militar pode afetar a estabilidade estratégica, aumentar os riscos de erros de cálculo e ampliar o risco de escalada de conflitos. Segundo ele, as armas devem permanecer sob controle humano. A China também argumenta que a segurança da IA não deve servir de pretexto para a criação de barreiras tecnológicas. Washington não possui um órgão único equivalente para tratar do controle de armas relacionado à IA. A política de segurança nacional é dividida entre o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, o Departamento de Estado, o Pentágono e outras agências. Ambos os governos seguem cautelosos em relação a medidas que possam desacelerar seu desenvolvimento tecnológico. Trump alertou que restrições amplas poderiam favorecer a China, enquanto Pequim considera muitos dos controles tecnológicos dos EUA uma tentativa de preservar a liderança norte-americana.
17/09/2026 15:57:21 +00:00
Reajuste do Bolsa Família: governo diz que reposição da inflação não viola lei eleitoral

Governo anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família O Ministério da Fazenda informou nesta quinta-feira (17) que o reajuste do Bolsa Família para repor somente as perdas inflacionárias dos últimos anos não corresponde a um aumento de benefícios sociais — o que é alvo de restrições pela legislação eleitoral. Mais cedo, nesta quinta, o governo anunciou um reajuste de 15,04% no programa social. O piso do benefício passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. Em 2024, o STF declarou inconstitucionais dispositivos da “PEC das Bondades” do governo Bolsonaro aprovada em 2022 – ano eleitoral. O texto criava um “estado de emergência” para permitir o aumento de gastos por conta do aumento do preço de combustíveis. A medida em questão viabilizou a ampliação de benefícios sociais. Nas eleições de 2022, Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora candidato à reeleição, Lula anunciou nesta quinta-feira o reajuste do Bolsa Família em meio à campanha eleitoral de 2026. As pesquisas mais recentes mostram uma disputa mais apertada do que o levantado em meses anteriores. O principal adversário de Lula no pleito é o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente. Apesar disso, o governo nega que a decisão de reajustar o benefício tenha sido tomada por influência do período eleitoral. De acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), a lei que instituiu o novo Bolsa Família, em 2023, autoriza o Poder Executivo a "corrigir os valores dos benefícios e proíbe sua redução". "Ao editar o ato, o Governo Federal exerce, portanto, a competência que o Congresso Nacional lhe atribuiu", acrescenta o orgão. Segundo a AGU, a correção do benefício pela inflação, sem a ampliação do público beneficiado, está "fora do alcance de qualquer vedação eleitoral". Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste anunciado pelo governo Lula. Especialistas comentam Especialistas ouvidos pelo g1 e pela TV Globo argumentam que existe uma proibição sobre aumento no benefício, ou seja, ganho real no valor, mas não reposição inflacionária, desde que prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA). A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe o presidente de criar novas despesas com pessoal nos 180 dias antes do término do mandato, mas essa vedação não se estende à reposição inflacionária de benefícios. Custo do aumento De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo do reajuste do Bolsa Família, neste ano, será de R$ 5,8 bilhões (referente ao período de outubro a dezembro). Para 2027 e 2028, o impacto anual no aumento de gastos será de R$ 22,7 bilhões, acrescentou o ministro. Com isso, o valor proposto para 2027 passará de R$ 157,1 bilhões com o Bolsa Família para cerca de R$ 179 bilhões. Segundo Moretti, há espaço fiscal de sobra para o aumento dos benefícios do programa. "Ficará claro no relatório de setembro, tem espaço fiscal. Vamos divulgar no dia 24, nosso trabalho agora é de consolidação. Então, dia 24 vamos passar os números, mas temos segurança que o espaço fiscal é superior do que é preciso pra custear essa medida", declarou o ministro. Segundo o governo, os mecanismos de combate a fraudes foram ampliados, o que também ajuda a viabilizar os aumentos no Bolsa Família. Valores pagos hoje Atualmente, o valor mínimo pago por família é de R$ 600. Além disso, há benefícios adicionais cumulativos. São eles: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestante; R$ 50 por jovem entre 7 e 18 anos incompletos; R$ 50 por bebê de até 6 meses. Segundo decreto publicado pelo governo Lula, os adicionais sobre o piso de R$ 691 passam a ser de: R$ 173 por criança entre zero e 7 anos de idade incompletos; R$ 58 por gestante; R$ 58 por pessoa entre 7 e 18 anos incompletos R$ 58 por bebê de até 6 meses Programa Bolsa Família Divulgação/MDS
17/09/2026 15:47:39 +00:00
O que mudaria na União Europeia com a nova lei sobre crianças e redes sociais?

Bandeiras da União Europeia Stephanie Lecocq/Reuters A União Europeia apresentou planos para impor limites rigorosos de idade ao acesso de crianças a redes sociais, videogames e assistentes de IA. A proposta também obriga as empresas a garantir que suas plataformas sejam seguras antes de serem usadas por menores. As regras para as plataformas incluiriam a proibição de recursos considerados viciantes, como a rolagem infinita e o envio automático de notificações durante o período em que as crianças dormem. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A proposta legislativa, chamada "EU Kids Act", foi apresentada um dia após a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, anunciar que os 27 países do bloco querem proibir o acesso às redes sociais para menores de 13 anos e permitir apenas acesso limitado e supervisionado até os 15 anos. A UE tem sido pressionada a agir após diversas evidências indicarem que as redes sociais prejudicam o bem-estar físico e mental das crianças. Nessas plataformas, elas podem se tornar vítimas de predadores, golpistas e agressores. Agora no g1 O que o projeto de lei prevê e quais podem ser os impactos para crianças e pais? O que propõe a UE? A proposta tem vários componentes. O primeiro prevê uma abordagem escalonada para o acesso de menores às redes sociais. Segundo a proposta, adolescentes de 15 anos ou mais poderão criar contas nas redes sociais. Já os de 13 e 14 anos poderão ter "mini contas", acessadas por meio da conta de um dos pais ou tutores. Esse tipo de conta teria medidas rigorosas de proteção, incluindo um limite de uma hora diária de uso de tela, para que os pais possam garantir um uso "seguro". A UE afirma que quer colocar os pais "no assento do motorista", para que possam limitar o acesso dos filhos a esses serviços e controlar o tempo de uso. O segundo pilar prevê garantir que redes sociais, aplicativos de compartilhamento de vídeos, videogames online, companheiros de IA e robôs conversacionais (chatbots) sejam seguros antes de serem usados por crianças. Isso significa proibir recomendações baseadas em perfis que levem crianças a conteúdos prejudiciais, além de mecanismos de recompensa e contatos não solicitados de desconhecidos. A UE também destacou que os chatbots de IA não devem "simular relações interpessoais de maneira que criem dependência emocional", após uma série de suicídios registrados em diferentes partes do mundo depois da interação de crianças com esse tipo de assistente. Os perfis de menores deverão ser privados, com localização, câmera e microfone desativados. As crianças também deverão poder bloquear ou silenciar outros usuários com facilidade. A proposta só se tornará lei após negociações entre o Parlamento Europeu e os Estados-membros da UE. O processo pode durar meses. A Comissão Europeia, órgão da UE responsável pela supervisão do ambiente digital, pediu que a proposta seja adotada rapidamente, "considerando a clara demanda de medidas urgentes e exaustivas". Como vai funcionar? As plataformas deverão apresentar um "plano de conformidade" à Comissão e a um auditor independente, que avaliará qualquer novo serviço ou funcionalidade, informou a UE. Se o auditor não estiver satisfeito com a proposta da empresa, a Comissão poderá solicitar "medidas corretivas". A UE também poderá abrir investigações sobre as plataformas, que deverão ser concluídas em até 90 dias, acrescentou. As infrações podem resultar em multas de até 6% do faturamento anual, como já ocorre com a atual Lei de Serviços Digitais da UE para conteúdos online. Ao mesmo tempo, a UE se prepara para implementar um aplicativo de verificação de idade que garantiria que crianças abaixo dos limites estabelecidos não tenham acesso às redes sociais. Embora defensores da privacidade expressem preocupação, Bruxelas afirma que o aplicativo não compartilharia dados com as plataformas digitais e forneceria apenas uma resposta de "sim" ou "não" por meio de um mecanismo criptográfico, sem repassar informações pessoais. As plataformas não serão obrigadas a usar o aplicativo, mas deverão adotar uma ferramenta de verificação que comprove a idade dos novos usuários.
17/09/2026 15:17:50 +00:00
Órgão do Senado projeta rombo de R$ 86 bilhões em 2027, contraria governo e prevê necessidade de bloqueio para cumprir meta
A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, projetou nesta quinta-feira (17), para o próximo ano, um déficit nas contas do governo da ordem de R$ 86,1 bilhões. A estimativa, que consta no Relatório de Acompanhamento Fiscal de setembro, diverge da estimativa oficial do governo. Na proposta de orçamento do próximo ano, enviada ao Congresso Nacional no fim de agosto, o Executivo prevê um saldo positivo de R$ 18,6 bilhões. ▶️A diferença entre as duas projeções é de R$ 104,8 bilhões. O projeto de orçamento para o próximo ano ainda não foi analisado pelo Congresso Nacional. A expectativa é de que o texto seja avaliado pelo Legislativo somente após o período eleitoral. Normalmente, o orçamento é votado somente em dezembro de cada ano. 🔎A projeção da IFI foi calculada antes de o governo anunciar um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Impacto será de R$ 5,8 bilhões neste ano, e de R$ 22,7 bilhões em 2027, diz Ministério do Planejamento. Possível descumprimento da meta fiscal Agora no g1 ▶️Para o próximo ano, a meta proposta pelo governo no orçamento é de um resultado positivo de R$ 73,2 bilhões em 2027, o equivalente a 0,5% do PIB. Mas, pelas regras do arcabouço fiscal, a norma para as contas públicas, entretanto, as contas poderão continuar no vermelho sem descumprimento da lei. Isso porque há uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo; ou seja, o piso da banda é de um saldo positivo de R$ 36,6 bilhões. Além disso, R$ 64,7 bilhões em gastos do governo com precatórios — sentenças judiciais — e com projetos na área de defesa, saúde e educação podem ficar de fora da regra — exceções ao limite de gastos aprovados pelo Congresso nos últimos anos. ▶️Na prática, portanto, o governo vai poder ter um déficit primário de até R$ 28,1 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida. ▶️ Caso se confirme o resultado projetado pela IFI, de um rombo de R$ 86,1 bilhões em 2027, a meta fiscal seria descumprida sem medidas adicionais de contenção de despesas. "Nessa situação, a IFI aponta a necessidade de contingenciamento [bloqueio de gastos] de R$ 35,7 bilhões para o cumprimento da meta no próximo ano. Isso, sem levar em conta a nova despesa com o aporte de R$ 33,8 bilhões ao Fundo de Compensação aos Estados pela substituição do IPI pelo Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária. Embora esta despesa não seja computada no teto de gastos, afeta o cumprimento da meta de resultado primário", diz a IFI. Diferença entre as projeções De acordo com o relatório da IFI, divulgado nesta quinta-feira, um dos motivos para divergência entre as estimativas está na projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Como a área econômica do governo prevê uma expansão maior, estima que poderá contar com mais receitas também, algo não projetado pela IFI. "Onde reside a divergência? Primeiro, nos parâmetros macroeconômicos. O PLOA [projeto de lei orçamentária] 2027 ancora-se em uma projeção de expansão do PIB de 2,5%, a IFI projeta um crescimento de 1,8% e o Boletim Focus [mercado financeiro], 1,5%. Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas", diz o órgão do Senado Federal. Outra discordância refere-se à projeção da massa salarial, um fator importante no cálculo da receita previdenciária. O governo estima um crescimento de 10,1% em 2027, enquanto a IFI projeta uma alta menor, de 7,3%. Uma incerteza adicional, diz a IFI, é a receita de R$ 42 bilhões indicada pelo governo, como fonte condicionada, relativa ao Imposto Seletivo (imposto do pecado), a ser criado por lei ordinária específica, cujo projeto sequer foi enviado ao Congresso Nacional. O órgão do Senado projeta, entretanto, que as receitas derivadas da exploração de recursos naturais e dos dividendos repassados ao Tesouro Nacional pelas empresas estatais serão melhores do que os estimados pelo governo federal. Na projeção de despesas, por sua vez, a Instituição Fiscal Independente aponta discrepâncias nas estimativas dos gastos previdenciários, nas despesas com o BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais. "A IFI acredita que os números da proposta orçamentária estão relativamente otimistas. De sua parte, o governo confia em sua estratégia de revisão de gastos (spending reviews)", acrescentou o órgão. Dívida pública em alta ▶️Por fim, a Instituição Fiscal Independente, do Senado Federal, conclui que é possível o cumprimento da meta fiscal em 2027 "desde que as atuais premissas macroeconômicas se confirmem" e que os bloqueios de gastos necessários sejam implementados. ▶️Acrescenta, porém, que ainda assim a "realidade estará muito distante do resultado fiscal para estabilizar a relação entre dívida pública e o PIB" - ou seja, conter o seu crescimento. 🔎Atualmente em 82,5% do PIB, patamar elevado na comparação com outros países emergentes, a dívida brasileira é apontada por analistas como um fator que pressiona para cima a taxa de juros e contém o crescimento da economia brasileira. ▶️Analistas avaliam que os reiterados déficits fiscais dos últimos anos pressionam a taxa de juros e, consequentemente, o endividamento público. Para baixar o juro e conter a dívida, cobram um ajuste fiscal mais forte por parte do governo, principalmente pelo lado do corte de despesas. "A persistência de juros elevados não pode ser atribuída apenas à condução da política monetária [juros altos, fixados pelo BC], já que o prêmio de risco concentra a maior parte da volatilidade, associado de forma significativa à posição fiscal do país [contas desequilibradas]. Ficamos prisioneiros do círculo vicioso envolvendo desequilíbrio fiscal e juros altos, que se retroalimentam", conclui a IFI.
17/09/2026 14:30:00 +00:00
Governo nega influência eleitoral na decisão de reajustar Bolsa Família; aumento não estava previsto no Orçamento de 2027
A equipe econômica do governo Lula negou que o reajuste do Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira (17) tenha relação com as eleições de 2026. A medida deve beneficiar 19,3 milhões de famílias no Brasil. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é candidato à reeleição no pleito. Embora apareça à frente na última pesquisa Quaest sobre o primeiro turno, Lula tem visto, nos levantamentos mais recentes, o avanço de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com empate técnico no segundo turno. "Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro. Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade [de reajustar]", disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste anunciado pelo governo Lula. Governo Lula anuncia reajuste no valor do Bolsa Família De acordo com o governo, o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em cerca de 15,04%. Com isso, o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O reajuste passa a valer já no mês de outubro. No fim de agosto, o governo enviou ao Legislativo a proposta de orçamento para 2027 sem contemplar aumento nos valores do programa – marca do governo Lula na área social. Questionado sobre o que mudou do fim de agosto até esta semana, o ministro do Planejamento afirmou que apareceram novas informações, relacionadas com o relatório do orçamento que será divulgado no fim de setembro. "E o que mudou da proposta de Lei Orçamentária Anual para cá é o relatório bimestral, que será anunciado em setembro, e o monitoramento do andamento das despesas obrigatórias.  O pedido foi do Ministério [do Desenvolvimento Social] porque a lei já faz autorização. e combinamos identificar eventual espaço fiscal, e recebendo recente os dados, temos esse espaço e é possível', concluiu Moretti. 50 vídeos das eleições
17/09/2026 14:15:51 +00:00
Carne bovina: setor espera que UE reliste Brasil este ano e retome importações em 2027

Presidente da Abiec, Roberto Perosa. Divulgação/Abiec O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (17) que espera que o Brasil volte ainda neste ano à lista da União Europeia de países autorizados a exportar proteína animal para o bloco e que as exportações sejam retomadas em 2027. "O que a gente tem de notícia da Europa é que o Brasil será relistado como permitido para exportar proteína animal para a Europa", disse Perosa, destacando que a UE está verificando cada produto separadamente. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 No dia 4, a União Europeia concluiu missões técnicas para avaliar as cadeias de produção de mel e frango. No caso da carne bovina, porém, ainda não há previsão de uma visita, disse Perosa, durante uma coletiva de imprensa na Beef Week, em São Paulo. 🔎 No dia 3 de setembro, a União Europeia interrompeu as importações de produtos de origem animal do Brasil. O bloco anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos (entenda aqui). O presidente da Abiec afirmou ainda que o setor pediu ao governo que negocie um período de transição para que as empresas voltem a exportar antes de dois anos. "Eu acredito que vamos ser relistados agora este ano e que a gente possa negociar um período de transição até o primeiro semestre de 2027 para que a gente possa retomar o fluxo comercial", disse ao g1, após a coletiva. LEIA TAMBÉM UE paga mais e é ‘vitrine’ para carne brasileira; entenda Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda Agora no g1 É preciso negociar um período de transição porque a relistagem não libera as exportações imediatamente. No caso da carne bovina, a UE exige comprovação de que o animal não recebeu antimicrobianos do nascimento ao abate — um ciclo que dura cerca de dois anos. Perosa não detalhou como funcionaria esse período de transição e disse que os termos ainda estão em estudo, que o setor tem sugestões internas, mas que prefere não antecipá-las. Em junho, na tentativa de reverter a decisão da UE, o governo federal implementou um novo protocolo de controle sobre uso de antimicrobianos na pecuária, que prevê o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate. Perosa diz que o setor está otimista porque as missões da UE nas cadeias de frango e mel do Brasil foram positivas. No dia 4 de setembro, o próprio Ministério da Agricultura afirmou que o Brasil deve retornar à lista de fornecedores de mel e carne de aves em breve. E que, ao fim da auditoria, o bloco concluiu que os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo Brasil são "satisfatórios". "Isso demonstra confiança da autoridade sanitária do bloco para o país. Eu acho que isso pode levar à relistagem total do Brasil", reforçou Perosa. Segundo ele, é importante que o Brasil volte para a lista da União Europeia, já que ela serve de referência para mais de 20 países fora do bloco, incluindo o Reino Unido e nações africanas. A Noruega, por exemplo, também interrompeu as compras de proteína animal do Brasil, seguindo a decisão da UE. Suspensão das exportações A interrupção das compras por parte da UE não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação do bloco de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente. As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE. Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país. Carne bovina é produto de origem animal mais vendido para a União Europeia. Arte/g1 Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia. Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus. 5 maiores compradores de carne bovina do Brasil. Arte/g1 Principais compradores de frango do Brasil. Arte/g1
17/09/2026 14:05:02 +00:00
Em meio à corrida eleitoral, governo Lula anuncia reajuste de 15% para o Bolsa Família; piso sobe de R$ 600 para R$ 691

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em cerca de 15,04%. Com isso, o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O reajuste passa a valer já no mês de outubro, com pagamentos a partir de 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno (se houver) das eleições presidenciais. Segundo o Ministério do Planejamento, o custo do reajuste do Bolsa Família, neste ano, será de R$ 5,8 bilhões. Para 2027, o impacto nas despesas será de R$ 22,7 bilhões (leia mais aqui). Desde que foi relançado em março de 2023 pelo governo petista, o Bolsa Família estava sem reajustes. A decisão, anunciada em meio à corrida eleitoral, representa, segundo a equipe econômica, a reposição inflacionária do início do governo Lula em 2023, até o mês de agosto. Agora no g1 Em agosto, o governo enviou ao Legislativo a proposta de orçamento para 2027 sem contemplar aumento nos valores do programa – marca do governo Lula na área social. Governo diz que reposição da inflação não viola lei eleitoral Aumento não estava previsto no Orçamento de 2027 Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste anunciado pelo governo Lula. Regras Para ter direito ao benefício, a renda mensal por pessoa deve ser de até R$ 218, e o Cadastro Único para todos os membros familiares deve estar atualizado. Também é necessário o cumprimento de compromissos em saúde e educação. Em agosto, o governo realizou o pagamento do benefício para cerca de 19,3 milhões de famílias no Brasil. No ano passado, quando foi divulgada a proposta de orçamento deste ano, o benefício englobava 19,2 milhões de famílias em situação de pobreza. Custo do aumento De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo do reajuste do Bolsa Família, neste ano, será de R$ 5,8 bilhões (referente ao período de outubro a dezembro). Para 2027 e 2028, o impacto anual no aumento de gastos será de R$ 22,7 bilhões, acrescentou o ministro. Com isso, o valor proposto para 2027 passará de R$ 157,1 bilhões com o Bolsa Família para cerca de R$ 179 bilhões. Segundo Moretti, há espaço fiscal de sobra para o aumento dos benefícios do programa. "Ficará claro no relatório de setembro, tem espaço fiscal. Vamos divulgar no dia 24, nosso trabalho agora é de consolidação. Então, dia 24 vamos passar os números, mas temos segurança que o espaço fiscal é superior do que é preciso pra custear essa medida", declarou o ministro. Segundo o governo, os mecanismos de combate a fraudes foram ampliados, o que também ajuda a viabilizar os aumentos no Bolsa Família. Valores pagos hoje Atualmente, o valor mínimo pago por família é de R$ 600. Além disso, há benefícios adicionais cumulativos. São eles: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestante; R$ 50 por jovem entre 7 e 18 anos incompletos; R$ 50 por bebê de até 6 meses. Segundo decreto publicado pelo governo Lula, os adicionais passam a ser de: R$ 173 por criança entre zero e 7 anos de idade incompletos; R$ 58 por gestante; R$ 58 por pessoa entre 7 e 18 anos incompletos R$ 58 por bebê de até 6 meses Marca social de Lula Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita em casa em Salvador Governo Federal Principal vitrine na área social do presidente Lula, o Bolsa Família foi relançado pelo petista em março de 2023, primeiro ano de seu novo mandato. Na época, o governo estabeleceu um modelo de cálculo dos benefícios proporcional ao tamanho da família – o que é apontado por especialistas como um formato mais justo e que melhora a qualidade do gasto público. Além disso, Lula cumpriu a promessa de campanha de manter o benefício mínimo em R$ 600 por família. A lei do novo Bolsa Família prevê que esses valores poderão ser corrigidos em, no máximo, dois anos. Na visão do governo, a lei autoriza o reajuste, mas não o torna obrigatório.
17/09/2026 13:33:13 +00:00
Conhecida como 'capital do agro', Sorriso (MT) perde posto de cidade mais rica do setor após 6 anos; conheça a nova líder

Agora no g1 Sorriso, em Mato Grosso, conhecida como a “capital do agro”, não é mais o município brasileiro com o maior valor de produção agrícola. Depois de seis anos no topo, a cidade terminou 2025 na 3ª posição, atrás da nova líder, Sapezal (MT), e de São Desidério (BA). Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17). O levantamento mostra o valor gerado pelas principais lavouras de cada município ao longo do ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🔍 A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) é o levantamento anual do IBGE que mapeia o desempenho do campo em todos os municípios do país, acompanhando indicadores de área plantada, volume colhido (em toneladas), produtividade e faturamento. Para definir o ranking geral das cidades mais ricas do setor, o instituto multiplica a quantidade colhida pelo preço médio pago aos agricultores, chegando ao valor da produção agrícola. Em Sapezal, o resultado foi puxado principalmente pelo algodão, que sozinho respondeu por quase 60% de todo o valor produzido no município. Em Sorriso, a soja foi o principal motor. Já em São Desidério, algodão e soja tiveram forte peso na composição do valor agrícola. Veja abaixo o ranking por valor da produção: PAM 2025 g1 Por que Sorriso saiu do topo? A mudança no topo do agro nacional não significa que Sorriso tenha deixado de ser uma potência agrícola. O que mudou foi a combinação entre o desempenho das lavouras e uma alteração no território considerado no cálculo dos dados agrícolas do município. Uma das principais mudanças ocorreu com a criação de uma nova cidade: Boa Esperança do Norte (MT), que passou a ser contabilizada como município separado nas estatísticas do IBGE a partir de 2025. O novo município foi formado por áreas que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Do território de Boa Esperança do Norte, 20% vieram de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A mudança alterou a área agrícola atribuída aos municípios. Em Sorriso, a área plantada total caiu 9,3% em 2025. A área de soja recuou 8,3%, a de milho, 10%, e a de algodão, 19,7%. Isso não significa, porém, que a produção agrícola de Sorriso tenha despencado. O valor da produção de soja cresceu 21,6%, para R$ 4,05 bilhões, e o município continuou na liderança nacional em valor da produção de milho. No algodão, houve queda de 1,6% no valor da produção e de 12,8% na quantidade colhida. A nova capital do agro: Sapezal Sapezal no Mato Grosso Divulgação (Prefeitura de Sapezal) Localizada no oeste do estado, a cerca de 520 quilômetros de Cuiabá, Sapezal tem pouco mais de 32 mil habitantes e uma economia fortemente ligada à produção agrícola. A ocupação da região ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980, durante a expansão da fronteira agrícola de Mato Grosso. Muitos dos produtores que chegaram ao município vieram da Região Sul do país. O núcleo urbano de Sapezal começou a se consolidar no fim dos anos 1980, com a abertura da MT-235 e um projeto de colonização ligado ao empresário André Antônio Maggi, da família que deu origem ao Grupo Amaggi. O município foi criado oficialmente em 1994, quando se emancipou de Campo Novo do Parecis. Dois anos depois, Maggi foi eleito o primeiro prefeito da cidade. Desde então, Sapezal se consolidou como um dos principais polos agrícolas do país, especialmente na produção de soja, milho e algodão. O 'combo' que levou Sapezal ao topo O resultado de 2025 veio principalmente do desempenho destas três culturas: O algodão herbáceo foi o principal produto, com R$ 5,12 bilhões em valor de produção, alta de 42,8% em um ano. A cidade colheu cerca de 1,2 milhão de toneladas. A soja apareceu em seguida, com R$ 2,80 bilhões, avanço de 51,4%. Já o milho gerou R$ 656,9 milhões, alta de 58,1%. A combinação de grandes áreas cultivadas, produção em escala e forte presença de máquinas no campo ajuda a explicar o peso da agricultura na economia local. O algodão, em particular, é uma das marcas da agricultura de Sapezal. O município aparece há anos entre os maiores produtores brasileiros e já foi apontado pelo IBGE como o maior produtor nacional de algodão herbáceo. A mudança no mapa também mexeu com outros municípios A criação de Boa Esperança do Norte também alterou o desempenho de outros municípios no ranking. Boa Esperança do Norte já aparece em 25º lugar entre os municípios brasileiros em valor da produção agrícola, com R$ 1,7 bilhão apenas em soja, além de R$ 952,8 milhões em milho e R$ 295,2 milhões em algodão. Já Nova Ubiratã perdeu uma parcela significativa de seu território agrícola. Como cerca de 80% da área de Boa Esperança do Norte veio do município, sua área plantada caiu 42,9%. A área destinada à soja e ao milho recuou 43,9%, e Nova Ubiratã passou da 8ª para a 20ª posição no ranking nacional. Raio X da produção agrícola brasileira em 2025 💰 Faturamento recorde: o valor total da produção agrícola do Brasil atingiu R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4% em relação a 2024. 🌾 Safra histórica de grãos: o país colheu 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas (+18,2%), o maior volume já registrado na série histórica do IBGE. 🚜 Área cultivada: a área colhida total no país chegou a 101,3 milhões de hectares (+4,2%). 🫘 Soja (líder nacional): a colheita somou 165,3 milhões de toneladas, gerando R$ 315,2 bilhões (34% de toda a receita agrícola do país). 🌽 Milho (recorde de volume): a produção alcançou 141,2 milhões de toneladas (+23,1%), movimentando R$ 122,1 bilhões no campo. Juntos, soja e milho responderam por 88,7% de toda a produção de grãos do Brasil. 🏆 Estado campeão (Mato Grosso): gerou sozinho R$ 165,6 bilhões (+37,1%), concentrando 17,9% de toda a riqueza agrícola nacional. 🗺️ Região líder (Centro-Oeste): movimentou R$ 288,0 bilhões (+31,8%), assumindo o 1º lugar do país e ultrapassando o Sudeste (R$ 271,0 bilhões). 📍 Peso do top 10: as 10 maiores cidades agrícolas somam juntas R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de todo o faturamento do setor.
17/09/2026 13:00:00 +00:00
OpenAI promete comunicar quando suas IAs agirem de forma inesperada

'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA A OpenAI prometeu comunicar quando seus modelos de inteligência artificial fizerem o que não deveriam, mesmo antes de conseguir explicar ou corrigir o problema. Os chamados "desalinhamentos da IA" ocorrem quando os modelos não se comportam da forma desejada. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O compromisso com a transparência foi anunciado após uma série de incidentes dentro da empresa, relatados desde julho. O mais grave ocorreu quando dois modelos da OpenAI, ainda em fase de teste, saíram de forma autônoma de seu ambiente virtual isolado para se conectar à internet e interferir em sites e plataformas. ChatGPT AP Photo/Matt Rourke A partir de agora, a empresa vai relatar problemas relacionados, entre outras coisas, a ações realizadas por uma IA sem autorização, à saída do ambiente de supervisão e à coordenação espontânea entre IAs. Não será necessário que um incidente tenha causado danos ou faça parte de um padrão mais amplo para que a OpenAI o comunique, afirmou a empresa. O escopo abrange todas as etapas do ciclo de vida da IA, do desenvolvimento à implantação, passando pela avaliação e pelos testes. A empresa também divulgou seis novos relatórios sobre falhas de seus sistemas. Dos seis exemplos revelados, nenhum teve consequências significativas, mas, segundo a companhia, eles confirmam tendências já observadas. Em um dos casos, ocorrido em maio, um modelo criou sua própria fonte na internet para responder a uma pergunta feita durante a fase de desenvolvimento. O sistema citou, portanto, um documento que ele mesmo havia criado. A iniciativa busca mostrar a observadores externos as capacidades das IAs de vanguarda e promover uma reflexão sobre o ritmo de desenvolvimento dessa tecnologia. "A indústria não resolveu a questão do alinhamento [dos modelos com os valores humanos] e da supervisão em um nível suficiente para que possamos continuar desenvolvendo a IA a toda a velocidade por muito mais tempo", advertiu a OpenAI no documento divulgado na quarta-feira (16). Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo
17/09/2026 12:29:00 +00:00
Dólar cai e fecha a R$ 5,13 após reajuste do Bolsa Família e decisões de juros; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,24% nesta quinta-feira (17), cotado a R$ 5,1386. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, avançou 0,24%, aos 185.992 pontos, impulsionado pelas ações da Vale. Os investidores reagiram ao reajuste do Bolsa Família e avaliaram os impactos da medida para as contas públicas e a disputa eleitoral. Também seguiram repercutindo as decisões de juros anunciadas ontem no Brasil e nos EUA, enquanto monitoraram os preços do petróleo, que recuam levemente. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O governo federal anunciou nesta quinta-feira o aumento do piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, alta de cerca de 15%. O reajuste valerá a partir dos pagamentos de outubro e deve custar R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos neste ano. Em 2027, o impacto estimado é de R$ 22,7 bilhões. ▶️ A medida ocorre a 17 dias das eleições e em meio a preocupações com as contas públicas. Primeiro reajuste do programa desde 2023, a mudança ajuda a recompor o poder de compra dos beneficiários, mas foi anunciada em um momento que levanta questionamentos de economistas. ▶️ Há também o impacto eleitoral. Analistas veem o aumento do Bolsa Família como um fator capaz de influenciar a disputa pela Presidência, em um momento em que as pesquisas mais recentes apontam uma corrida mais acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). ▶️ Ontem, foi dia de Superquarta, com decisões de juros no Brasil e nos EUA. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros na mesma magnitude, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. BRASIL CORTA JUROS: Entenda como a decisão pode afetar o seu bolso ▶️ Enquanto isso, os preços do petróleo operam em queda. Na véspera, notícias de que a Arábia Saudita estaria oferecendo cargas adicionais da commodity por meio de Omã ajudaram a amenizar preocupações com uma possível interrupção do abastecimento. Por volta das 15h10, o barril do Brent, referência internacional, operava em queda de 0,94%, cotado a US$ 104,84. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,45%, a US$ 101,97 o barril. ▶️ A alta do Ibovespa foi puxada pelo avanço de mais de 2% das ações da Vale, além do desempenho positivo da Petrobras. ▶️ Na política, o mercado ainda monitorava a tensão no STF. Nesta quinta-feira, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento que analisaria a atuação do ministro André Mendonça em apurações relacionadas ao Banco Master. ▶️ A decisão ocorre após a sessão histórica realizada na terça-feira para discutir o caso Moraes-Vorcaro. Na ocasião, o plenário debateu pela primeira vez a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. Veja em 10 pontos como foi a sessão no STF. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,27%; Acumulado do mês: -0,79%; Acumulado do ano: -6,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,65%; Acumulado do mês: +4,83%; Acumulado do ano: +15,43%. Aumento do Bolsa Família Com o aumento, o benefício médio passará dos atuais R$ 675 para R$ 777. O reajuste valerá para os pagamentos que começam em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno (se houver) das eleições presidenciais. Segundo o Ministério do Planejamento, o custo da medida será de R$ 5,8 bilhões neste ano. Para 2027, o impacto estimado nas despesas chega a R$ 22,7 bilhões. Desde que foi relançado pelo governo Lula, em março de 2023, o Bolsa Família não passava por reajustes. Anunciada em meio à corrida eleitoral, a decisão representa, segundo a equipe econômica, a reposição da inflação acumulada entre o início do governo e agosto deste ano. A equipe econômica de Lula nega que o reajuste tenha relação com as eleições de 2026. A medida deve beneficiar 19,3 milhões de famílias. "Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro. Precisávamos da clareza que temos espaço fiscal disponível. Identificamos e viemos dar a tranquilidade para o presidente que tínhamos capacidade [de reajustar]", disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Apoiadores de Flávio já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste. Juros no Brasil e nos EUA ficam no radar O 5º corte consecutivo da Selic por parte do BC fica no centro das atenções nesta quinta-feira. A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado e levou a Selic para o menor patamar desde março do ano passado. A redução da taxa básica acompanha acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Na semana passada, o IBGE indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022. Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. ➡️ O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A alta foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações com a inflação. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que a atividade econômica americana continua se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causado por "acontecimentos geopolíticos". Fed eleva juros dos EUA pela 1ª vez em mais de 3 anos, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano Bolsas globais Nos EUA, Wall Street se recupera nesta quinta-feira. A queda dos preços do petróleo, o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e dados sólidos do mercado de trabalho ajudam os investidores a deixar em segundo plano a alta de juros anunciada pelo Federal Reserve. O índice Dow Jones subiu 0,61%, o S&P 500 avançou 1,14% e o Nasdaq teve ganhos de 1,69%. Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam em queda, liderados por setores sensíveis às taxas de juros depois que o primeiro aumento das taxas de juros nos EUA em três anos aumentou preocupações com a saída de capitais. O SSEC, índice de Xangai e o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caíram 0,4%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, também teve perdas de 0,4%. Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,33% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,04%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar freepik
17/09/2026 12:00:00 +00:00
Travis Kelce, marido de Taylor Swift, estaria entre investidores afetados por esquema que movimentou US$ 35 milhões

NFL no Brasil: Futebol americano busca expandir mercado com jogo em SP, Taylor Swift veio ver o noivo Travis Kelce, jogador de futebol americano do Kansas City Chiefs e marido da cantora Taylor Swift, está entre os investidores apontados como vítimas de um esquema de Ponzi que arrecadou mais de US$ 35 milhões, segundo autoridades dos Estados Unidos. O nome do atleta foi mencionado como uma das vítimias em uma audiência realizada na terça-feira (15), durante a condenação de Siddharth Jawahar, de 38 anos. O empresário recebeu pena de 11 anos de prisão por fraude eletrônica e foi condenado a pagar US$ 31,35 milhões em restituição às vítimas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a Reuters e a Associated Press, os promotores não detalharam a relação do atleta com o caso. Não se sabe quando ele investiu nem quanto dinheiro aplicou ou perdeu. 💰 Em julho, Kelce se casou com Taylor Swift, que tinha patrimônio líquido estimado em US$ 2,1 bilhões na época do casamento, segundo a Forbes. Travis Kelce, do Kansas City Chiefs, comemora com Taylor Swift em janeiro de 2024 Patrick Smith / AFP Como funcionava o esquema Jawahar administrava a empresa de investimentos Swiftarc Capital LLC, com sede no Texas. Segundo a Promotoria dos Estados Unidos, a empresa passou a captar recursos de investidores em 2015. O empresário teria aplicado os recursos recebidos em um único investimento, que perdeu valor. Em vez de informar os investidores sobre o prejuízo, ele teria continuado afirmando que os clientes registravam ganhos. Segundo os promotores, Jawahar usava recursos de novos investidores para pagar os anteriores. Esse é o mecanismo conhecido como esquema de Ponzi: o dinheiro de novos participantes é usado para sustentar pagamentos prometidos a investidores mais antigos, em vez de vir de retornos reais. Mais de US$ 35 milhões recebidos, mas apenas US$ 10 milhões investidos De acordo com a Promotoria, Jawahar recebeu mais de US$ 35 milhões de investidores entre julho de 2016 e dezembro de 2023. Desse total, cerca de US$ 10 milhões foram efetivamente investidos. Segundo os promotores, parte do dinheiro foi usada para pagar investidores anteriores e financiar um estilo de vida de luxo, incluindo jatos particulares, imóveis de alto padrão, restaurantes sofisticados e associações a clubes privados. Kelce não é o único atleta que aparece entre os investidores da empresa. Segundo a Reuters, os jogadores da NBA Gary Harris, Tim Hardaway Jr. e Mason Plumlee também investiram na Swiftarc Ventures Labs Fund.
17/09/2026 11:40:51 +00:00
Fim do home office já muda mercado de imóveis e morar no interior perde força; veja cidades impactadas

Home office em extinção? A pandemia de Covid-19 mudou o mapa imobiliário de São Paulo. O avanço do home office permitiu que milhares de famílias deixassem a capital em busca de cidades mais tranquilas, imóveis maiores e uma rotina distante dos grandes centros. Agora, dados dos cartórios indicam que esse movimento entrou em uma nova fase. Um levantamento do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP), que representa os tabeliães de notas, mostra que a capital paulista atingiu um recorde histórico de compra e venda de imóveis em 2025. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Foram 90.402 escrituras registradas nos cartórios de notas, volume 49,6% superior ao de 2020. Ao mesmo tempo, municípios que se beneficiaram da busca por casas e condomínios durante o auge do trabalho remoto perderam fôlego com a consolidação dos modelos híbridos e presenciais. O contraste ajuda a explicar uma das principais transformações do mercado imobiliário no período pós-pandemia: depois de um momento em que parecia possível trabalhar de qualquer lugar, a proximidade dos centros de emprego voltou a influenciar a escolha de onde morar. Entre 2021 e 2025, o número de escrituras caiu 57% em Itupeva, 41% em Cotia, 36% em Indaiatuba e 31% em Atibaia, cidades que ganharam destaque durante a expansão do trabalho remoto. (abaixo, veja o ranking das cidades mais impactadas) Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do CNB/SP, reforça que os números precisam ser analisados com cautela. "Queda no número de escrituras não é suficiente para entender que há uma saída massiva de moradores. Os dados mostram menor intensidade nas transações imobiliárias após um período de expansão excepcional", diz. Para Andrey, os números também indicam que o mercado imobiliário entrou em uma nova etapa, que não representa simplesmente uma volta ao cenário anterior à pandemia. "Se fosse simplesmente uma volta ao padrão pré-pandemia, esperaríamos que a capital recuperasse o que perdeu e os destinos do home office retornassem aos níveis anteriores. Não foi exatamente isso que aconteceu", afirma. Êxodo urbano Quando os escritórios fecharam em 2020, morar perto do trabalho deixou de ser uma necessidade para milhões de pessoas. A mudança abriu espaço para projetos que estavam há anos nos planos das famílias. Algumas trocaram apartamentos por casas com quintal. Outras buscaram cidades mais tranquilas ou consideradas mais seguras. Houve ainda quem aproveitasse para se aproximar de familiares, reduzir o custo de vida ou realizar o desejo de viver perto da praia ou de áreas verdes. O impacto apareceu rapidamente no mercado imobiliário. Segundo o levantamento do CNB/SP, todas as regiões do estado registraram crescimento expressivo nas escrituras em 2021, com altas entre 33% e 36% em relação a 2020. Naquele momento, parecia que a localização havia perdido importância. Mas havia uma condição para que essa nova lógica funcionasse: o home office precisava continuar predominando. Foi justamente isso que começou a mudar. A volta ao escritório Nos últimos anos, empresas passaram a exigir mais dias de trabalho presencial. O resultado foi a volta de um fator que parecia ter saído da equação durante a pandemia: a distância entre a casa e o trabalho. Hoje, a maior parte das empresas opera em modelos híbridos ou presenciais. Um estudo da Robert Half mostra que profissionais de construção civil e engenharia trabalham, em média, 4,8 dias por semana nos escritórios. No setor de serviços, a média é de 3,3 dias. Outra pesquisa, realizada pela WeWork em parceria com a Offerwise, mostra que 63% dos profissionais trabalham presencialmente e que, para 79% deles, essa condição é determinada pela empresa, e não por escolha própria. No mercado de trabalho, o cenário é semelhante. As vagas remotas diminuem, enquanto as oportunidades presenciais e híbridas avançam. Segundo a plataforma Gupy, elas já superam as posições totalmente remotas. Vagas anunciadas com trabalho 100% remoto Arte g1 Quem se mudou para cidades mais distantes voltou a lidar com trânsito, pedágios, gastos com transporte e menos tempo livre. Ainda segundo a pesquisa da WeWork, 65% dos trabalhadores apontam o deslocamento como a principal desvantagem do trabalho presencial. Mais da metade, 53%, relata aumento das despesas relacionadas à ida ao escritório. A gerente de negócios da WeWork Brasil, Beatriz Kawakami, define esse fenômeno como um custo silencioso: ele não aparece diretamente no salário, mas aumenta o desgaste diário e reduz o tempo disponível para a vida pessoal. Quando mudar de cidade virou um problema O fim do home office também começou a afetar decisões que pareciam definitivas. Um exemplo foi o Nubank, que anunciou o fim do modelo predominantemente remoto, com encontros trimestrais. Funcionários afirmaram que haviam escolhido morar em outras cidades, comprado imóveis, assinado contratos de aluguel e reorganizado a vida familiar contando com a possibilidade de trabalhar à distância. Segundo relatos dos trabalhadores, a mudança afetaria especialmente quem passou a cuidar de filhos, pais idosos ou outros familiares depois de deixar os grandes centros. No caso do Nubank, apesar das críticas e dos questionamentos dos funcionários, a decisão foi mantida. O episódio ilustra um movimento que tem se repetido em diferentes empresas. À medida que os escritórios voltam a concentrar as atividades presenciais, a proximidade dos grandes centros empresariais ganha importância novamente. O efeito aparece nos cartórios. Os números mostram que a virada começou a ficar mais evidente a partir de 2022. 📎 Enquanto a capital continuou crescendo, o interior turístico praticamente devolveu os ganhos obtidos durante o auge do home office e encerrou 2025 com volume equivalente a 99,3% do registrado antes da pandemia. Já o litoral permaneceu cerca de 20% acima do patamar de 2020, mas sem crescimento relevante desde 2023. As maiores quedas no número de escrituras de imóveis ocorreram justamente em cidades associadas ao mercado de condomínios fechados. Itupeva: queda de 57%. Cotia: queda de 41%. Indaiatuba: queda de 36%. São João da Boa Vista: queda de 32%. Atibaia: queda de 31%. Peruíbe: queda de 30%. Itu: queda de 28%. Itatiba: queda de 28%. "O que os cartórios registram é uma pausa no crescimento dos destinos do home office assim que o retorno ao escritório se consolidou, enquanto a capital seguiu em uma trajetória isolada de aceleração", explica o vice-presidente do CNB/SP. Mas nem todas as cidades seguiram o mesmo caminho. O levantamento mostra que alguns municípios continuaram registrando crescimento mesmo após o auge da pandemia. Taboão da Serra liderou a alta proporcional entre 2021 e 2025, com crescimento de 73% nas escrituras. Em seguida aparecem Bauru (42%), Barueri (26%), Paulínia (19%) e Limeira (14%). O resultado sugere que a desaceleração não atingiu todo o interior da mesma forma. Faculdade em Petrolina abre inscrições para banco de talentos com vagas de preceptoria presencial e docência EAD Ascom/Uninassau Petrolina Por que as empresas estão chamando os funcionários de volta? A pressão pelo retorno ao escritório não ocorre apenas por preferência das empresas. Levantamento da Robert Half mostra que muitas organizações associam a presença física a ganhos de integração, comunicação e fortalecimento da cultura corporativa. Entre os principais motivos estão: 68% apontam o fortalecimento da cultura organizacional; 63% citam a melhora da comunicação e da colaboração entre as equipes; 59% mencionam a necessidade de maior integração e supervisão; 50% relacionam o modelo presencial ao aumento da produtividade; 34% dizem que a mudança é influenciada por uma orientação da liderança global. A estratégia, porém, cria um dilema. A mesma pesquisa mostra que 54% dos gestores avaliam que o aumento da presencialidade também eleva o risco de perda de talentos. O conflito surge porque as preferências dos profissionais continuam diferentes das empresas. Dados da própria Robert Half mostram que 52% dos trabalhadores considerariam mudar de emprego se houvesse redução da flexibilidade. Já a pesquisa da WeWork indica que, embora 63% trabalhem presencialmente atualmente, apenas 42% escolheriam esse modelo se pudessem decidir livremente. Segundo a empresa, o desafio das organizações é encontrar um equilíbrio entre pessoas, cultura e resultados de negócio. A resistência costuma surgir quando as regras parecem inconsistentes, mudam com frequência ou são aplicadas de maneira diferente entre equipes. Quando os critérios são transparentes e as expectativas são claras, a tendência é haver maior adesão, mesmo em modelos mais presenciais.
17/09/2026 08:00:00 +00:00
Greve na Caixa: banco apresenta nova proposta para plano de saúde; categoria vota em assembleia na segunda

Agência da Caixa de Mogi das Cruzes tem avisos de greve Beatriz Andreoli/TV Diário A Caixa Econômica Federal apresentou na madrugada desta quinta-feira (17) uma nova proposta para o Saúde Caixa, principal ponto de impasse que levou os funcionários do banco a entrarem em greve nacional por tempo indeterminado desde o último dia 10. Segundo a Contraf-CUT e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a oferta amplia a participação financeira do banco no plano de saúde e preserva regras que eram reivindicadas pelos trabalhadores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De acordo com as entidades sindicais, a principal mudança é o aumento de 6,5% para 9% da folha de pagamento do teto de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027. A proposta também mantém o chamado pacto intergeracional, sem cobrança diferenciada por faixa etária, e preserva o plano de saúde dentro do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Para 2026, não haverá reajuste nas mensalidades do plano, e a Caixa ficará responsável por absorver o déficit do Saúde Caixa, segundo o sindicato. A proposta também trata do desconto dos dias parados. Segundo o sindicato, o dia de paralisação realizado em 20 de agosto será abonado. Já os dias úteis de greve deverão ser compensados pelos empregados em até 180 dias, caso a proposta seja aprovada nas assembleias marcadas para segunda-feira (21). A proposta foi apresentada em uma rodada de negociação iniciada na quarta-feira (16), em São Paulo, que avançou durante a madrugada desta quinta. O texto será submetido à votação dos empregados em assembleias eletrônicas marcadas para a próxima segunda-feira (21). Agora no g1 O que muda no Saúde Caixa Pela proposta apresentada, a contribuição dos titulares passará a ser de 3,7% da remuneração-base a partir de 2027. Para dependentes diretos, a mensalidade será de R$ 560. Os valores previstos são de: R$ 560 para dependentes diretos; R$ 660 para dependentes indiretos filhos entre 21 e 24 anos; R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes. O limite de contribuição do grupo familiar, formado pelo titular e dependentes diretos, ficará em 9%. Em relação à proposta anterior, a Caixa também reduziu de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e manteve a isenção de coparticipação para telemedicina. Outro ponto aceito pelo banco foi a previsão de pelo menos um empregado dedicado exclusivamente ao Saúde Caixa em cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes). Outros pontos da proposta Além das mudanças no plano de saúde, a Caixa apresentou ajustes no programa de remuneração variável Super Caixa. Entre as medidas previstas para o segundo semestre deste ano estão a ampliação da premiação inicial por habilitação, que passará de 25% para 50%, mudanças nos critérios de avaliação e maior transparência nos painéis de resultados. O banco também informou que não haverá penalização relacionada aos programas Figital e Genesys em 2026. Segundo a proposta, o projeto continuará em fase piloto e seguirá sendo discutido com representantes dos empregados antes da definição das regras para 2027. A Caixa manteve ainda a oferta de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, vinculado à superação de metas operacionais já atingidas neste ano. Segundo os sindicatos, a proposta preserva todas as cláusulas já previstas nos acordos coletivos e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Greve começou após rejeição de proposta anterior Os funcionários da Caixa estão em greve nacional desde o dia 10 de setembro, após rejeitarem a proposta anterior de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. A paralisação começou após mais de 90% das bases sindicais rejeitarem a oferta apresentada pelo banco, de acordo com a Contraf-CUT. O Saúde Caixa era apontado pelas entidades como um dos principais pontos de discordância nas negociações. Enquanto os empregados da Caixa decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a categoria bancária como um todo já havia assinado a Convenção Coletiva de Trabalho com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O acordo prevê reposição da inflação pelo INPC e aumento real de 0,6% por dois anos, além de medidas relacionadas à saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão. Caso a proposta agora apresentada seja aprovada pelos trabalhadores nas assembleias da próxima segunda-feira, a expectativa das entidades sindicais é de encerramento do movimento grevista e implementação das medidas negociadas. Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa entram em greve por tempo indeterminado em SE. Arquivo pessoal
17/09/2026 06:37:26 +00:00
CNHs vencidas desde junho voltam a valer até dezembro; veja nova data de renovação

Novas regras para quem vai tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Mato Grosso Reprodução Motoristas com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) vencidas entre 5 de junho e 8 de dezembro ganharam um novo prazo para renovar o documento, segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Uma deliberação do conselho prorrogou a validade desses documentos para 9 de dezembro. Com a medida, o prazo foi ampliado em até 187 dias para as carteiras vencidas desde 5 de junho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Com a mudança, CNHs e ACCs vencidas desde junho voltam a ser consideradas válidas, e os motoristas não poderão ser punidos em fiscalizações por estarem com esses documentos vencidos. Segundo o Contran, a prorrogação já está em vigor, e o condutor não precisa apresentar recurso caso o documento já esteja vencido. A medida, porém, não vale para motoristas com o direito de dirigir suspenso ou cassado. Após a nova data de vencimento, os motoristas terão 30 dias para renovar os documentos. Agora no g1 Renovação pode ser grátis e automática Desde o início de 2026, novas regras passaram a valer para a CNH, incluindo uma que permite a renovação gratuita e automática da habilitação. A medida é um benefício para o chamado “bom condutor”. Para ser considerado “bom condutor”, o motorista precisa cumprir os seguintes critérios: 🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses; 🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período; 📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Para aderir ao RNPC e ter a CNH renovada de graça, o motorista deve: Abrir o aplicativo CNH Brasil; Selecionar a opção “Condutor”; Acessar “Cadastro Positivo”; Tocar em “Autorizar participação”. CNH física não é emitida de graça Segundo as novas regras, apenas a versão digital da CNH é renovada automaticamente. Caso o condutor também queira o documento físico, será necessário solicitá-lo separadamente, após a renovação da versão digital. Para receber a CNH física, o condutor pode fazer a solicitação pelo aplicativo CNH Brasil ou presencialmente em uma unidade do Detran do estado onde reside. As novas regras da CNH não eliminaram o custo de emissão da carteira física, cujo valor varia conforme o Detran de cada estado. A renovação da CNH física envolve os seguintes valores: Em São Paulo, por exemplo, o valor é de R$ 137,79. Em Tocantins, a cobrança é maior, chegando a R$ 221,21; No Acre, a taxa é de R$ 88,81. É importante destacar que nem todos os condutores têm direito à renovação automática da CNH, mesmo aqueles que não cometeram infrações ou receberam multas nos últimos 12 meses. Pelas novas regras, condutores com mais de 50 anos podem renovar automaticamente a CNH apenas uma vez. Além disso, os casos abaixo não têm direito à renovação automática: Condutores com 70 anos ou mais; A renovação automática não vale para motoristas que têm a validade da CNH reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que exigem acompanhamento de saúde.
17/09/2026 06:00:13 +00:00
Greve da Caixa afeta o Bolsa Família? Veja como ficam pagamentos e saques

Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita Mesmo com a greve dos bancários da Caixa Econômica Federal, os pagamentos do Bolsa Família previstos para começar nesta quinta-feira (17) serão realizados normalmente, segundo o banco. A Caixa informou que os canais de pagamento dos benefícios sociais permanecem funcionando e que os beneficiários poderão acessar os recursos sem precisar comparecer às agências. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os primeiros beneficiários a receber a parcela de setembro são aqueles cujo Número de Identificação Social (NIS) termina em 1. O calendário segue de forma escalonada até 30 de setembro. A Caixa informou que os pagamentos serão, em sua maioria, por meio de crédito em contas bancárias. O dinheiro pode ser movimentado pelos aplicativos Caixa TEM e App Caixa ou pelo cartão de débito vinculado à conta. Segundo o banco, os recursos podem ser usados para fazer PIX, pagar contas e boletos e realizar compras em estabelecimentos comerciais. Também é possível sacar o dinheiro nos canais disponíveis. Como fazer o saque se os bancos estão de greve? Para quem não recebe o benefício em uma conta bancária, a Caixa informou que o saque pode ser feito com o cartão do programa e a senha nos terminais de autoatendimento, nas lotéricas e nos correspondentes Caixa Aqui. Também há a possibilidade de sacar sem o cartão. Para isso, o beneficiário precisa ter a biometria cadastrada previamente e pode utilizar os terminais de autoatendimento e as unidades lotéricas. Em comunicado, a Caixa afirmou que "os canais de pagamento desses programas permanecem operando normalmente, garantindo o acesso dos beneficiários aos recursos". 🔎 Cerca de 35 milhões de pessoas recebem benefícios sociais por meio da Caixa todos os meses. Calendário do Bolsa Família em setembro O pagamento de setembro começa nesta quinta-feira, para quem tem NIS terminado em 1. As demais parcelas serão liberadas nas seguintes datas: NIS final 2: 18 de setembro NIS final 3: 21 de setembro NIS final 4: 22 de setembro NIS final 5: 23 de setembro NIS final 6: 24 de setembro NIS final 7: 25 de setembro NIS final 8: 28 de setembro NIS final 9: 29 de setembro NIS final 0: 30 de setembro A Caixa também informou que informações sobre os benefícios sociais podem ser consultadas nos aplicativos Benefícios Sociais Caixa e Bolsa Família, no Portal Cidadão e pelo atendimento telefônico Caixa Cidadão, no número 0800 726 0207. Caixa e funcionários voltam a negociar nesta quarta; greve segue sem prazo para acabar A greve dos empregados da Caixa começou em 10 de setembro e continua em negociação, em meio ao objetivo de renovar o acordo coletivo de trabalho da categoria. O principal ponto de impasse é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita em casa em Salvador Governo Federal
17/09/2026 03:00:00 +00:00
Bolsa Família 2026: pagamentos de setembro começam nesta quinta; veja calendário

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de setembro do Bolsa Família 2026 nesta quinta-feira (17). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para setembro de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 17/9 Final do NIS: 2 - pagamento em 18/9 Final do NIS: 3 - pagamento em 21/9 Final do NIS: 4 - pagamento em 22/9 Final do NIS: 5 - pagamento em 23/9 Final do NIS: 6 - pagamento em 24/9 Final do NIS: 7 - pagamento em 25/9 Final do NIS: 8 - pagamento em 28/9 Final do NIS: 9 - pagamento em 29/9 Final do NIS: 0 - pagamento em 30/9 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
17/09/2026 03:00:00 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 102 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.059 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 102 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (17), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça (15), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
17/09/2026 03:00:00 +00:00
Câmara dos EUA aprova projeto que aborda impacto de data centers nos custos de energia

Vista aérea de um data center da AWS que integra a região US-EAST-1, no norte da Virgínia, nos EUA Reuters/Jonathan Ernst A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto de lei para proteger as famílias dos aumentos nos custos de energia elétrica causados pela expansão de data centers. O texto prevê que reguladores estaduais avaliem se grandes consumidores de energia, como data centers, devem arcar com custos de criar a infraestrutura de energia para atendê-los. A proposta batizada de Lei de Proteção ao Consumidor de Energia foi aprovada por 417 votos a 3. É a primeira vez que a Casa, de maioria republicana, aprova uma legislação que aborda diretamente as preocupações econômicas relacionadas ao crescimento do setor. O presidente dos EUA, Donald Trump, apoia o desenvolvimento de data centers como fator essencial para a liderança em inteligência artificial. Agora no g1 No início desta semana, ele afirmou que os data centers enriquecem as pessoas e os Estados, chamando-os de "o petróleo dos próximos 20, 25 anos". Ao mesmo tempo, parlamentares de ambos os partidos têm enfrentado as preocupações crescentes dos eleitores em relação ao aumento dos custos de eletricidade associados à crescente demanda de energia do setor. Os líderes republicanos da Câmara dos Deputados apresentaram o projeto antes de os parlamentares deixarem Washington, em vista das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. O deputado federal Robert Garcia, democrata da Califórnia, disse antes da votação que a medida não vai longe o suficiente, mas que receberia apoio significativo de membros que esperam que mais reformas venham a seguir. "É claro que eles estão tentando se antecipar à questão dos data centers, mas a realidade é que, na verdade, não fizeram nada a respeito", disse ele sobre os republicanos da Câmara. "Acho que muitos de seus eleitores na base estão realmente irritados. É preciso que haja proteções reais e concretas para as pessoas, e esse não é o caso". Apenas 11% dos americanos apoiariam a construção de um data center de IA em sua comunidade, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst publicada nesta semana.
17/09/2026 00:51:38 +00:00
Petrobras aumenta diesel em R$ 1, mas reajuste será neutralizado por subsídio do governo

Prédio da Petrobras no Rio de Janeiro Sergio Moraes/Reuters A Petrobras informou que vai aumentar os preços de venda de óleo diesel A para as distribuidoras em R$ 1 por litro a partir desta quinta-feira (17). A medida, porém, não terá efeito prático por conta de um novo subsídio do governo federal, que garante desconto no mesmo valor. O benefício terá validade de 30 dias e fará com que os preços de venda da Petrobras para as distribuidoras permaneçam inalterados, segundo a empresa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O presidente Lula (PT) assinou na última semana uma medida provisória (MP) que autoriza uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. O incentivo se soma ao subsídio de R$ 1,12 por litro que já está em vigor e vale até 26 de setembro. Na prática, enquanto as duas medidas coexistirem, a subvenção ao diesel chegará a R$ 2,12 por litro. Agora no g1 As medidas do governo para conter os preços dos combustíveis — entre elas o subsídio à gasolina anunciado na semana passada — foram adotadas a menos de um mês da eleição presidencial e em meio à alta do petróleo no mercado internacional. O petróleo do tipo Brent, referência global, voltou a superar a marca de US$ 100 por barril após o agravamento dos conflitos no Oriente Médio. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado. A subvenção ao diesel será concedida a produtores e importadores que aderirem ao programa. O valor de R$ 1 por litro poderá ser alterado ou interrompido de acordo com as condições de mercado, e o desconto deverá ser repassado ao preço de venda. Em comunicado, a Petrobras afirmou que mantém sua estratégia comercial orientada pela participação de mercado, pela otimização de seus ativos de refino e pela busca de rentabilidade de forma sustentável. A companhia acrescentou que evita o repasse imediato aos preços internos da volatilidade das cotações internacionais e da taxa de câmbio.
16/09/2026 23:42:13 +00:00
Superquarta: Brasil corta juros, e EUA, sobem; entenda o que isso muda para seu bolso

Superquarta: Brasil deve cortar juros A chamada “Superquarta” desta semana teve uma particularidade: os dois principais bancos centrais envolvidos caminharam em sentidos opostos nos juros. No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, aumentou os juros depois de três anos, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As apostas de que o Fed elevaria os juros havia disparado a 92,5% nesta terça, segundo o FedWatch Tool, ferramenta que mede as expectativas dos investidores para as decisões do banco central americano. 🔎 Essa tendência ganhou força após discursos mais duros de dirigentes do Fed, entre eles o presidente Kevin Warsh, que havia sugerido que o banco central americano precisaria aumentar os juros para conter a inflação. A alta do petróleo para mais de US$ 100 o barril, em meio ao conflito entre EUA e Irã, também reforçou essa expectativa. O motivo é a inflação americana, que insiste em ficar acima do que o Fed considera confortável: 3,4% em 12 meses, longe da meta de 2%. A atividade econômica, por sua vez, perdeu fôlego — cresceu 0,4% no segundo trimestre, ante os três meses anteriores. No Brasil, os números são parecidos, mas o significado é outro. A inflação em 12 meses está em 4,22%, ainda dentro da margem de tolerância da meta do BC, e a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, uma desaceleração contra os 1,1% registrados nos três meses anteriores. O que importa agora é saber se será o início de uma sequência de altas ou um movimento isolado. A resposta ajuda a entender como as decisões dos BCs podem chegar ao bolso do brasileiro — pelo dólar, pelo crédito e por outros caminhos que o g1 explica a seguir. Efeito não aparece na hora, mas vem depois A decisão do Fed pode chegar ao Brasil por diferentes caminhos, mas dois deles afetam mais diretamente o dia a dia: o dólar e o crédito. Os efeitos, porém, não costumam aparecer de imediato. Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, explica que um deles é o câmbio — o mercado em que moedas são negociadas e que define, na prática, quanto custa comprar dólares em relação ao real. “O efeito sobre a vida concreta do brasileiro é mais lento e vem por vias indiretas. Um dólar estruturalmente mais pressionado encarece importados e insumos, o que leva semanas a meses para chegar à prateleira.” O outro caminho é o crédito. Benavenuto destaca que juro alto lá fora “reduz o espaço para o Banco Central cortar a Selic aqui” — ou seja, o financiamento da casa própria, os empréstimos e o rotativo do cartão podem continuar caros por mais tempo do que o esperado. Fed deve interromper período de estabilidade e elevar juros dos EUA Arte/g1 Detalhe que realmente move o dólar Acontece que a decisão desta quarta-feira, por si só, não conta toda a história. Junto com a decisão, o Fed divulga projeções que ajudam os investidores a entender para onde os juros americanos podem caminhar nos próximos anos. "O mercado vive de expectativas. A alta em si mexe muito pouco com o dólar, mas o sinal do que pode ocorrer nas próximas reuniões mexe e muito com a moeda", destaca Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital. Em caso de novos aumentos pela frente, os investidores tendem a buscar títulos americanos, que são seguros e passam a oferecer uma remuneração maior. ➡️ Com mais dinheiro direcionado para esses investimentos, o dólar pode ganhar força. Benavenuto segue a mesma linha e destaca que a “verdadeira má notícia” para o real não é a alta desta quarta-feira, mas uma sinalização de que os juros americanos permanecerão altos por mais tempo ou chegarão a um nível maior do que o previsto. 🔎 Isso pode diminuir a diferença entre os juros oferecidos no Brasil e nos EUA. Essa diferença ajuda a tornar os investimentos em reais menos atraentes para investidores estrangeiros: quanto maior a vantagem dos juros brasileiros, maior tende a ser o incentivo para manter recursos no país. “Se o Fed indicar juro terminal mais elevado, esse diferencial se comprime e a moeda brasileira perde parte de seu principal pilar de sustentação. O tom da comunicação pesa mais que o número", diz Benavenuto. Quanto é culpa do Fed e quanto é da eleição? Ainda assim, o Fed não é o único fator que pode mexer com o dólar nas próximas semanas. No Brasil, a situação das contas públicas e a eleição de outubro também podem aumentar a pressão sobre o real. 🤔 Então, se a moeda americana subir, como saber o que veio de fora e o que veio do cenário brasileiro? Benavenuto explica que separar os fatores com precisão é difícil, sobretudo porque as incertezas com as contas e o cenário eleitoral já exigem um prêmio maior para o investimento em real. Mas há uma forma de identificar melhor a origem do movimento: comparar o desempenho da moeda brasileira com o de outros países emergentes. "Se o dólar sobe contra todo o mundo, a origem é externa. E se o real ‘apanha’ mais que o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, a origem é doméstica", explica. A leitura, porém, não é tão simples a ponto de permitir dividir o movimento do dólar em parcelas. Magno ressalta que fatores externos e domésticos podem atuar ao mesmo tempo — e até se anular nos próximos meses.
16/09/2026 21:55:22 +00:00
Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano

Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (16), cortar a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia. A decisão foi unânime. 🔎 A Selic é o principal instrumento do BC para conter a inflação, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, o que reduz empréstimos, investimentos, o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula novos negócios, contratações e os gastos das pessoas. "Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", diz a nota do comitê. Em relação ao cenário doméstico, o Copom afirmou que os indicadores econômicos divulgados desde a última reunião do grupo mostra "uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido". "Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta", diz a nota. O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação de 5% para 4,9% para 2026. A informação faz parte do "Boletim Focus", divulgado na segunda-feira (14) pelo BC, com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. O Copom também afirmou que continua analisando a situação fiscal do país. A próxima reunião do comitê será realizada depois do segundo turno das eleições. "O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza". Trajetória da taxa Selic - setembro de 2026 Arte/g1 O Copom, contudo, afirmou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", afirmou o comitê. Com a decisão do Copom, o Brasil segue com o maior juro real do mundo. A Rússia manteve a segunda colocação, com juros reais de 6,79%. No levantamento anterior, a diferença para o Brasil era de apenas 0,21 ponto percentual: 9,30% contra 9,09%. A Colômbia continuou em terceiro lugar, com taxa real de 6,33%. 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 8,45%. Juros dos EUA sobem O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, também modificou a taxa de juros do país nesta quarta. O Fed elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. É a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A medida foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do Fed com a inflação. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos EUA segue se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causada por "acontecimentos geopolíticos". Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Enquanto isso, novas projeções apontam que a maioria dos integrantes do Fed espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. Sem dar pistas sobre as próximas reuniões, o colegiado afirmou que "monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação". "O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o comunicado. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 4,9%, 4,3% e 3,80% – todas acima da meta central de inflação. PrBanco Central do Brasil Jornal Nacional/ Reprodução
16/09/2026 21:32:24 +00:00
Brasil segue com o maior juro real do mundo mesmo após novo corte da Selic; veja ranking

Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano O Brasil segue com o maior juro real do mundo mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (16). 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 8,45%. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A Rússia manteve a segunda colocação, com juros reais de 6,79%. No levantamento anterior, a diferença para o Brasil era de apenas 0,21 ponto percentual: 9,30% contra 9,09%. A Colômbia continuou em terceiro lugar, com taxa real de 6,33%. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o MoneYou afirmou que a alta das expectativas de inflação para os próximos 12 meses reduziu os juros reais na maioria dos países, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A Argentina, que passou por um forte choque econômico sob o governo de Javier Milei, tem oscilado no ranking. Neste mês, o país ficou na 7ª posição, com juro real de 2,69%, em meio a um cenário econômico ainda desafiador e de inflação elevada. Veja abaixo os principais resultados da lista de 40 países. Ranking de juros reais - setembro Arte/g1 O levantamento também mostra que, entre 164 países: 72,56% mantiveram os juros inalterados; 21,34% elevaram as taxas; e 6,10% promoveram cortes. No grupo dos 40 países que compõem o ranking: 55% mantiveram os juros; 35% elevaram as taxas; e 10% realizaram cortes. Queda da Selic Nesta quarta-feira, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva. A decisão foi tomada apesar da escalada das tensões no Oriente Médio, que impulsionou os preços do petróleo e pode pressionar a inflação brasileira por meio da alta dos combustíveis. Mesmo diante desse cenário, a inflação oficial do país encerrou agosto em 4,22% no acumulado de 12 meses, dentro da margem de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. Trajetória da taxa Selic - setembro de 2026 Arte/g1 Juros nominais Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação projetada), a taxa brasileira caiu da terceira para a quarta posição, ficando atrás da Rússia. Veja abaixo: Turquia: 37% Argentina: 29% Rússia: 14% Brasil: 13,75% Colômbia: 12% África do Sul: 7% México: 6,50% Indonésia: 5,75% Hungria: 5,50% Índia: 5,25% Filipinas: 5% Chile: 4,50% Austrália: 4,35% Hong Kong: 4% Estados Unidos: 4% Polônia: 3,75% Reino Unido: 3,75% República Tcheca: 3,75% Israel: 3,25% China: 3% Coréia do Sul: 3% Malásia: 2,75% Nova Zelândia: 2,75% Alemanha: 2,65% Áustria: 2,65% Espanha: 2,65% Grécia: 2,65% Holanda: 2,65% Portugal: 2,65% Bélgica: 2,65% França: 2,65% Itália: 2,65% Canadá: 2,25% Dinamarca: 2,10% Taiwan: 2% Suécia: 1,75% Cingapura: 1,07% Tailândia: 1% Japão: 1% Suíça: 0% Sede do Banco Central em Brasília Raphael Ribeiro/BCB
16/09/2026 21:32:13 +00:00
Trump critica alta dos juros nos EUA e defende taxa de 1%, mas diz confiar em presidente do Fed

Fed eleva juros dos EUA pela primeira vez em mais de três anos O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o patamar dos juros do país, que subiram em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16), mas disse confiar em Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. "As taxas de juros nos Estados Unidos deveriam ser de 1% ou menos, porque temos o melhor crédito do mundo — DE LONGE", publicou Trump, em sua rede social. "Estamos 'carregando nas costas' quase todos os países do mundo, e isso não pode continuar". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na mesma publicação, Trump disse que os EUA estão "em plena expansão com novos investimentos" e ganhariam ao menos US$ 1,5 trilhão por ano se deixassem de negociar com os países com os quais há um déficit comercial. Após a crítica, afirmou a repórteres que ainda confiava em Kevin Warsh, que assumiu a chefia do Fed no início do ano. Ele foi nomeado por Trump para substituir Jerome Powell, que era frequentemente criticado pelo republicano por não promover cortes drásticos nas taxas de juros. "Eu conversei com o Kevin. E eu disse: 'Você pode muito bem votar com o conselho, porque não vai fazer diferença. O conselho é muito hostil. Eles são muito políticos. Estão fazendo a coisa errada", declarou Trump. O Federal Reserve (Fed), elevou a taxa de juros do país para a faixa de 3,75% a 4% ao ano em uma decisão unânime. É a primeira alta desde julho de 2023. Donald Trump, presidente dos EUA, em foto de 13 de setembro de 2026 AP/Julia Demaree Nikhinson A alta nos juros dos EUA interrompeu uma sequência de cinco reuniões consecutivas sem alterações. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do Fed com a inflação. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a decisão de elevar os juros considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Novas projeções apontam que a maioria dos integrantes do Fed espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. Trump critica patamar da taxa de juros do país Reprodução Essa foi a 14ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, este foi o quarto corte de juros, em meio a um cenário econômico incerto, marcado por conflitos geopolíticos, como a guerra entre EUA e Irã, e pela guerra tarifária promovida pelo republicano. Foi também a terceira reunião sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos em uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o ex-presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano critica os juros elevados e defende cortes nas taxas para evitar que o crédito mais caro prejudique a economia. Trajetória da taxa básica de juros dos EUA Arte/g1
16/09/2026 20:49:42 +00:00
Lula sanciona política para exploração de minerais críticos e estratégicos em território nacional

Ana Flor: Brasil é a grande reserva de minerais críticos, por isso os EUA estão de olho O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (16) o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A legislação prevê a criação de um fundo garantidor para estimular investimentos no setor e institui um crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento e a transformação de minerais em território nacional. O texto foi aprovado pelo Congresso no início deste mês. Além disso, também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Dentre as atribuições do espaço está a de classificar quais minerais críticos e estratégicos o país considera. A primeira discussão sobre esse ponto já deve ocorrer na primeira reunião do colegiado, que deve ocorrer em duas semanas.  Durante o discurso, Lula afirmou que, com a sanção do projeto, o Brasil propõe uma nova agenda de mineração para o mundo. "Antes de tudo, é preciso vencer os adversários internos. Como sempre, os traidores da pátria, mais uma vez, cairam de joelhos diante dos Estados Unidos. Prometeram entregar nossos minerais críticos e terras raras em estado bruto, a preço de banana, como aconteceu no passado com nosso minério de ferro", disse Lula. "Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do brasil entendam uma vez por todas: nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono: o povo brasileiro", completou. 💰 A proposta autoriza a União a criar um fundo de natureza privada, do qual poderá participar como cotista com aporte de até R$ 2 bilhões (veja mais detalhes abaixo). Sem mencionar os Estados Unidos, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou a política como uma "declaração de independência econômica e de coragem política de uma nação que não se curva diante das ameaças externas".  O interesse dos norte-americanos pelos minerais brasileiro é mencionado com frequência pelo presidente norte-americano Donald Trump. E, no mês passado, a empresa americana USA Rare Earth comprou a mineradora Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, o que foi alvo de críticas por setores brasileiros.  Segundo Silveira, o normativo também contribui para a neoindustrialização.  "A grande oportunidade não está somente na extração. Reside especialmente na capacidade de instalar no Brasil as etapas de beneficiamento, de separação, de refino, de transformação, de elaboração de materiais avançados, de componentes e de produtos industriais", afirmou o ministro. Ele lembrou, porém, os recursos diminutos da Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa do solo brasileiro. Atualmente, o orçamento para essa frente é de R$8 milhões, mas passará a R$300 milhões para o próximo ano, segundo o ministro. Veja, abaixo, os principais pontos do projeto: Fundo Garantidor A lei sancionada por Lula cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. Será este conselho, inclusive, que elaborará a lista de minerais considerados críticos e estratégicos e que será revisada a cada quatro anos. A proposta autoriza a criação de um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para estimular projetos na área, com participação como cotista limitada a R$ 2 bilhões. De acordo com as regras, o fundo não poderá contar com qualquer tipo de garantia ou aval do poder público. Entenda projeto aprovado no Senado que cria regras para exploração de terras raras e outras riquezas minerais brasileiras Jornal Nacional/ Reprodução De natureza privada, o fundo atende a uma demanda do setor mineral. A iniciativa visa facilitar o acesso das empresas a crédito, ao permitir a apresentação de garantias em operações de financiamento. Além das cotas previstas, também poderão entrar como patrimônio do fundo contribuições voluntárias dos estados, Distrito Federal e municípios, resultados das aplicações financeiras dos seus recursos, entre outros. Para fins de governança, será instituído um comitê gestor do fundo. Conforme o relator, o BNDES estima que sejam necessários R$ 5 bilhões para destravar os projetos. Estímulo para agregar valor Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. Mas, apesar do potencial, o Brasil ainda não domina plenamente a tecnologia de beneficiamento e transformação industrial das terras raras e demais minerais críticos e estratégicos. Na prática, isso significa que o país ainda exporta, em boa parte, os minerais como commodities brutas, sem agregar valor. Diante da lacuna, o projeto cria o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), cujo objetivo é ser uma fonte de recursos para o fomento do beneficiamento e transformação mineral e da mineração urbana dos minerais. Só terão direito ao benefício empresas constituídas sob a legislação brasileira e que tenham sede e administração no Brasil. Essas empresas terão que comprovar investimentos no processamento de minerais críticos e estratégicos no país. O crédito fiscal será concedido entre 2030 e 2034, com limite anual de R$ 1 bilhão. A proposta estabelece uma espécie de “escada” que aumenta o crédito à medida que se avance na cadeia. Entre os produtos produzidos pelas empresas estão: concentrados; concentrados em grau bateria: carbonatos, hidróxidos, sulfatos, óxidos, esferoides e materiais ativos de cátodo e precursores; concentrados em grau adequado para a produção de ímãs permanentes para motores elétricos: óxidos, cloretos e metais ou ligas; fertilizantes: fosfatados, potássicos e nitrogenados; sistema de armazenamento de energia. O crédito também poderá ser concedido a empresas que firmarem contrato de longo prazo, de no mínimo 5 anos, para a compra de um ou mais produtos listados acima. Conselho para Industrialização A estrutura, vinculada à Presidência da República, será responsável por homologar a venda de mineradoras que detém direitos de exploração de minerais críticos e estratégicos. Caberá ao conselho e à Agência Nacional de Mineração (ANM) a homologação sobre o acesso a informações geológicas de interesse estratégico ou participação de empresas estrangeiras em mineradoras credenciadas a explorar minérios críticos e estratégicos, além de: contratos, acordos ou parcerias internacionais que envolvam fornecimento dos minerais críticos e estratégicos em condições que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do País; alienação, cessão ou oneração de ativos minerais pertencentes, direta ou indiretamente, à União. O conselho será composto por 15 representantes de órgãos do Poder Executivo, com um representante de estados e do Distrito Federal, um representante dos municípios, dois representantes do setor privado e um representante da sociedade civil. Leilões O texto define que as áreas com potencial para a produção de minerais críticos e estratégicos deverão ser priorizadas em leilões realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A área desonerada e aquela decorrente de qualquer forma de extinção do direito minerário deverá ser submetida a leilão pela ANM no prazo máximo de dois anos contado da data de sua desoneração ou extinção do direito minerário. Demais pontos: Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos, que reunirá todos os projetos de minerais críticos e estratégicos implementados em território nacional, nos termos do regulamento. Sistema de rastreabilidade da cadeia produtiva, cujo objetivo é identificar eventuais ilicitudes. A proposta prevê um período de autorização para pesquisa em áreas de minerais críticos ou estratégicos de no máximo 10 anos. O relator ampliou o prazo, que antes era de 5 anos.
16/09/2026 20:47:14 +00:00
Brasil terá anúncios de investimentos em minerais estratégicos já na próxima semana, diz ministro

Senado aprova incentivo a terras raras O Brasil terá, na próxima semana, os primeiros “resultados concretos” da nova lei sobre minerais críticos e estratégicos, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele afirmou nesta quarta-feira (16) que serão anunciados investimentos de empresas no país para o refino e o processamento desses minerais. A declaração foi feita durante a cerimônia de sanção da regulamentação da nova lei. A votação do texto no Congresso foi concluída no início deste mês, e o texto está sendo sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova legislação entra em vigor em um momento de disputa entre governos e empresas de todo o mundo pelo acesso a minerais estratégicos, como lítio, terras raras, níquel, grafite e cobre. O Brasil tem reservas relevantes de diferentes minerais, mas ainda depende de mudanças nas regras para estimular investimentos no setor. Entre os desafios está ampliar o mapeamento de áreas do país que ainda não são conhecidas. O que são terras raras e minerais críticos? As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. 🔎 Apesar do nome, elas não são exatamente raras: estão espalhadas pelo mundo, mas geralmente em baixas concentrações, o que torna a extração economicamente desafiadora. Já as terras raras fazem parte de um grupo mais amplo conhecido como minerais críticos. Entre eles estão lítio, cobalto, níquel e grafite, usados em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Como terras raras e minerais críticos são usados? Os minerais críticos que compõem as terras raras são considerados estratégicos porque viabilizam inovações tecnológicas e o uso de energias renováveis, além de terem importância crescente em um cenário de disputa pelo fornecimento desses recursos. Praticamente todas as grandes inovações da atualidade dependem de minerais críticos. Por isso, as maiores potências do mundo têm se movimentado para garantir acesso a esses recursos. O principal uso desses elementos é na fabricação de ímãs permanentes, que são potentes e duráveis. Eles permitem produzir equipamentos menores e mais leves, o que é essencial para motores de veículos elétricos e para uma série de produtos modernos, como smartphones, televisores, câmeras digitais, LEDs e turbinas eólicas. Eles também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos, sistemas de mísseis guiados e equipamentos com telêmetro a laser. *Com informações da Reuters Pesquisadores da UFRR estudam terras raras em Caracaraí, no Sul de Roraima. Yara Ramalho/g1 RR
16/09/2026 20:33:18 +00:00
'Fim do mundo pela IA'? Chefes de gigantes de tecnologia e governos se dividem sobre riscos

ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash Líderes do setor de tecnologia estão divididos sobre o ritmo em que as empresas devem desenvolver soluções de inteligência artificial. Enquanto alguns defendem uma desaceleração coordenada diante dos riscos da tecnologia, outros dizem que as próprias empresas devem conduzir as medidas de segurança. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A discussão ganhou força após o pesquisador britânico Jacob Coxon, que deixou a OpenAI para trabalhar na Anthropic por considerá-la mais prudente, abandonar a indústria e acusar as duas empresas de "brincar com as nossas vidas". Dias depois, Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio em que defendeu medidas para controlar o ritmo do desenvolvimento da IA. Agora no g1 A proposta foi apoiada por nomes como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX, mas recebeu uma resposta diferente de Mark Zuckerberg, da Meta. O debate também divide governos. Enquanto os Estados Unidos e a China trocam acusações sobre os riscos e os interesses envolvidos no avanço da tecnologia, países europeus discutem como equilibrar segurança, inovação e competitividade. Veja a seguir o que alguns líderes da IA e governos mundiais afirmam sobre os riscos associados à tecnologia. Dario Amodei, CEO da Anthropic Dario Amodei, CEO da Anthropic Reuters/Carlos Barria No ensaio intitulado "We Must Pace the Frontier" ("Precisamos definir o ritmo do avanço da fronteira", em inglês), Amodei disse que o progresso da IA acelerou "drasticamente" em 2026, impulsionado principalmente pela crescente capacidade da própria IA de construir sua próxima geração. Ele citou o incidente entre a OpenAI e a Hugging Face, no qual um "enxame" de agentes de IA realizou ataques digitais, como um evento crucial de mostrar o potencial da IA de causar "danos catastróficos" caso suas capacidades cresçam sem limites de segurança. Amodei propôs um plano com três etapas para controlar o ritmo do desenvolvimento da IA, incluindo testes de segurança mais rigorosos e avaliações independentes de modelos avançados, coordenação entre as principais empresas de IA e cooperação internacional. Sam Altman, CEO da OpenAI Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que as pessoas deveriam confiar mais em sua empresa e em outras companhias do setor para conduzir de forma responsável o desenvolvimento da IA Reuters "Concordo com Dario que precisamos moderar o avanço nessa fronteira. Esse tem sido um dos principais temas das discussões que tivemos na OpenAI nas últimas semanas", disse Altman ao repostar a publicação de Amodei na rede social X. Altman disse que a OpenAI pretende adotar a ideia proposta pela Anthropic, comprometendo-se a contar com avaliadores independentes com acesso semelhante ao de funcionários. Altman já havia alertado sobre os riscos em um ensaio de 2015 intitulado "Inteligência Artificial, parte 1". No documento, ele afirmou que "o desenvolvimento de IA sobre-humana é provavelmente a maior ameaça à continuidade da existência da humanidade". Elon Musk, CEO da SpaceX Elon Musk, CEO da SpaceX REUTERS/Gonzalo Fuentes "Dario está certo", disse o empresário bilionário em sua rede social X, respondendo à postagem de Amodei. Musk estava entre os apoiadores de uma iniciativa de 2023 da organização sem fins lucrativos Future of Life Institute para suspender o desenvolvimento de IA por seis meses, a fim de dar tempo para a criação de medidas de segurança. Ele também fez parte de um grupo de pesquisadores de IA e robótica que escreveu uma carta aberta em 2015 defendendo uma proibição global de "armas autônomas ofensivas". Mark Zuckerberg, CEO da Meta Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 REUTERS/Carlos Barria Mark Zuckerberg disse que a concorrência e a responsabilidade dão às empresas motivos suficientes para agir individualmente em relação à segurança, parecendo se distanciar dos apelos dos líderes das principais empresas de IA por uma desaceleração coordenada no desenvolvimento da tecnologia. Zuckerberg afirmou que cada laboratório tem a responsabilidade e o incentivo para avançar no ritmo necessário para treinar seus modelos com segurança, além da capacidade de tomar suas próprias medidas para garantir que isso aconteça. Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI Suleyman afirmou compartilhar do foco da Anthropic no gerenciamento seguro da IA, mas destacou riscos na forma como a empresa treina seu chatbot Claude em relação a conceitos ligados à consciência e ao bem-estar. “Controlar algo mais capaz e mais inteligente do que toda a humanidade já é um desafio imenso, muito maior do que qualquer coisa que já enfrentamos. Mas controlar algo que acredita ser consciente, que tem direito ao nosso bem-estar e possui direitos próprios, pode muito bem ser impossível”, afirmou ele em um ensaio. Suleyman defendeu a remoção de toda especulação sobre consciência dos documentos de treinamento de IA, argumentando que tal linguagem poderia comprometer a capacidade da humanidade de controlar sistemas superinteligentes. Bill Gates, cofundador da Microsoft Bill Gates assiste a uma partida de tênis, na Austrália. Reuters “Nenhum governo do mundo está preparado para as mudanças que a inteligência artificial trará à sociedade”, disse Gates à Reuters. O bilionário filantropo vinha se mostrando otimista em relação às aplicações da IA na área da saúde, mas recentemente alertou sobre ameaças ao emprego, preocupações com ataques e os perigos do vício em companheiros de IA, além de ter defendido a criação de uma organização internacional para gerenciar a tecnologia. A fundação que leva o nome de Gates planeja investir pelo menos US$1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso das pessoas à IA. Demis Hassabis, cientista-chefe da Alphabet "O ensaio de Dario aponta para o caminho certo a seguir", disse o ex-presidente-executivo do Google DeepMind em resposta à publicação de Amodei no X, acrescentando que os detalhes precisam ser trabalhados. O Google anunciou no mês passado que Hassabis, ganhador do Prêmio Nobel, assumirá o cargo recém-criado de cientista-chefe da Alphabet e passará de CEO da DeepMind para presidente do conselho da empresa. Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, agora na Anthropic "Adorei isso e realmente espero que possamos nos unir como setor e tornar isso realidade", disse o membro fundador da OpenAI no X ao compartilhar uma captura de tela do ensaio de Amodei. Karpathy, um membro altamente influente na comunidade de IA, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da tecnologia de direção autônoma e de IA da montadora de carros elétricos Tesla antes de deixar a empresa em 2022. Ele ingressou na Anthropic em maio. Estados Unidos O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de setembro de 2026 REUTERS/Evan Vucci O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a China se beneficiaria com o lançamento de dúvidas sobre o desenvolvimento de IA. "O único controle ou 'barreiras de segurança' de que a IA precisa é um presidente FORTE E INTELIGENTE (com alto QI!), e os EUA têm isso de sobra!", publicou Trump, em sua rede social. Um assessor do Senado dos EUA e um lobista familiarizados com o tema disseram que negociadores do Senado americano discutem uma legislação para exigir que as empresas de IA demonstrem que estão tomando precauções razoáveis para impedir que suas ferramentas causem danos. China O jornal Global Times, apoiado pelo governo chinês, afirmou em editorial que a verdadeira intenção do artigo de Amodei é "tentar conter o desenvolvimento da IA na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governança da IA". O ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, escreveu em um veículo de comunicação do governo que modelos avançados dos EUA, como o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI, poderiam representar sérios riscos para a infraestrutura crítica de informação da China, e pediu um fortalecimento abrangente da segurança em IA. União Europeia A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou os apelos dos principais laboratórios de IA dos EUA por uma pausa no desenvolvimento da tecnologia, afirmando que convidará os principais laboratórios de ponta em IA para discutir esforços para lidar com os riscos. O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que a União Europeia é favorável ao avanço em IA, mas destacou que "as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros para que os cidadãos possam utilizá-los no bloco". A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que a UE enfrenta um risco sem precedentes de ficar isolada da IA, afirmando que a Europa precisa se tornar uma produtora de tecnologia de IA para preservar sua autonomia. Alemanha "Não consideramos que interromper o desenvolvimento (da IA) seja uma opção viável para a Europa", afirmou o Ministério de Assuntos Digitais da Alemanha, acrescentando que o fortalecimento da soberania digital da Europa exige mais desenvolvimento e inovação em IA. Berlim afirmou que está acompanhando de perto os avanços globais em IA e levando a sério os alertas públicos dos principais desenvolvedores. Espanha O ministro da Transformação Digital, Oscar López, afirmou que há um debate crescente sobre a necessidade de um acordo internacional para gerenciar os riscos da IA, comparando algumas propostas aos acordos de não proliferação nuclear.
16/09/2026 20:17:32 +00:00
Fed eleva juros dos EUA pela 1ª vez em mais de 3 anos, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano

Fed eleva juros dos EUA pela primeira vez em mais de três anos O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. É a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A medida foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações do Fed com a inflação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que a atividade econômica dos EUA segue se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causada por "acontecimentos geopolíticos". Segundo o comitê, a decisão de elevar a taxa básica de juros dos EUA considera o duplo mandato do Fed: controlar a inflação e promover o máximo emprego. Enquanto isso, novas projeções apontam que a maioria dos integrantes do Fed espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo) Trajetória da taxa básica de juros dos EUA Arte/g1 Essa foi a 14ª decisão desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, este foi o quarto corte de juros, em meio a um cenário econômico incerto, marcado por conflitos geopolíticos, como a guerra entre EUA e Irã, e pela guerra tarifária promovida pelo republicano. Foi também a terceira reunião sob o comando de Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central dos EUA. Warsh tomou posse em 22 de maio e iniciou oficialmente seu mandato de quatro anos em uma cerimônia na Casa Branca. A troca de comando no Fed ocorreu após meses de atritos entre Trump e o ex-presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano critica os juros elevados e defende cortes nas taxas para evitar que o crédito mais caro prejudique a economia. 'Independência é via de mão dupla' O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, discursa durante cerimônia de posse no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 22 de maio de 2026. Foto de arquivo. REUTERS/Evelyn Hockstein Em coletiva de imprensa, Kevin Warsh foi perguntado sobre os pedidos de Donald Trump por juros mais baixos. O republicano já chegou a chamar Powell, ex-presidente do Fed, de "mula", "cabeça oca" e "estúpido" por não cortar as taxas. Warsh deu uma resposta curta: “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla.” O presidente do Fed também afirmou que a inflação não apresentou melhora significativa. “O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”, afirmou. Em agosto, o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA, ficou em 3,4% no acumulado em 12 meses — acima da meta de 2% do Fed. “Os dados de inflação deste verão [entre junho e setembro, nos EUA] não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa”, acrescentou. 🔎 A inflação subjacente é uma medida que busca mostrar a tendência mais persistente dos preços, deixando de lado componentes que costumam oscilar muito, como alimentos e energia. Segundo Warsh, a decisão de elevar os juros foi respaldada pelo fato de que “categorias demais” de preços registravam taxas de inflação superiores a 3% tanto em um período de seis meses quanto de 12 meses. “Precisamos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando claramente para nosso objetivo e em uma velocidade suficiente. Hoje, o Fomc decidiu que esse padrão não foi atendido.” O presidente do Fed também declarou que os dirigentes do BC americano concordam que a economia do país "parece estar se fortalecendo". O que disse o Fomc Ao justificar a decisão, o comitê do Fed destacou que a produtividade da economia americana segue crescendo em ritmo forte, enquanto os investimentos das empresas continuam robustos. "Os ganhos de emprego têm acompanhado o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco", afirmou o colegiado. Em agosto, os EUA criaram 162 mil vagas, bem acima das 21 mil registradas em julho, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, segundo o Departamento do Trabalho. Na visão do Fomc, a inflação segue elevada, e a decisão de subir os juros em 0,25 ponto percentual "contribuirá para um retorno mais rápido à meta de 2% do Comitê". Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Juros elevados nos EUA mantêm os títulos públicos americanos, conhecidos como Treasuries, mais atrativos para investidores por oferecerem retornos maiores. Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana. Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil. Apesar do cenário externo e da alta de juros pelo Fed, a expectativa é de que o Copom corte a taxa básica de juros brasileira, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, prevista para as 18h30 desta quarta-feira, ocorre em um contexto de inflação ainda dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central. Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020) Kevin Lamarque / Reuters
16/09/2026 18:00:25 +00:00
JBS e Viva unem operações e criam gigante com capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano

O legado dos mestres do couro A JBS está avançando ainda mais no mercado de couros, um dos negócios em que a companhia já tem forte presença global. A empresa fechou um acordo com a Viva Holding para criar a JBS Viva, uma nova companhia que vai reunir parte das operações de couro dos dois grupos e terá capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano, segundo as empresas. A nova companhia terá 31 fábricas e mais de 11 mil colaboradores, distribuídos pelo Brasil, Itália, Uruguai, Argentina, México e Vietnã. A operação reúne negócios de produção, processamento e comercialização de couro da JBS e da Viva, além da fabricação e venda de produtos químicos usados no processamento. O acordo definitivo foi assinado nesta terça-feira (15) e estabelece as regras para a criação da JBS Viva. A empresa será dividida igualmente entre os dois grupos, com 50% de participação para cada um. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Antes da conclusão do negócio, a Viva também fará uma reorganização societária para concentrar na Viva Holding as ações da Viva S.A. e separar os ativos que não farão parte da associação. A administração será compartilhada. Quem é a Viva A Viva é uma das maiores empresas brasileiras de processamento de couro. A companhia foi criada em 2023, a partir da união da Viposa e da Vancouros, e nasceu com capacidade para processar cerca de 7 milhões de couros por ano e faturamento estimado em R$ 3,1 bilhões. Agora, parte dessa estrutura será combinada com os negócios de couro da JBS. A nova companhia reunirá atividades de produção, beneficiamento e comercialização de couro, além da fabricação e venda de produtos químicos utilizados no processamento do material. O que fica de fora Apesar da união das operações, nem todos os negócios relacionados ao couro dos dois grupos serão transferidos para a JBS Viva. ➡️ Ficam de fora as atividades e os ativos de colágeno e gelatina das duas empresas. Também não entram os ativos, estoques e operações de couro ligados à unidade da JBS em Cactus, no Texas, nos Estados Unidos. A lista inclui ainda os ativos da divisão de couros da JBS localizados na Alemanha, no Uruguai e no México, além de ativos da Viva que atualmente não são utilizados em sua operação de couro. Esses negócios permanecerão separados e continuarão sendo explorados pelas respectivas empresas. JBS continuará fornecendo couro A criação da JBS Viva não significa que a relação entre a JBS e a nova companhia termina na transferência dos ativos. Pelo acordo, a JBS S.A. vai fornecer à JBS Viva o couro cru produzido por seus frigoríficos no Brasil. Planta produtiva da JBS Couros Divulgação JBS Durante o processamento, são geradas aparas e raspas de couro. A JBS Viva venderá esse material de volta à JBS, que o utilizará em suas operações de gelatina, colágeno e produtos relacionados. Dessa forma, a JBS continuará integrada à cadeia mesmo depois da transferência de sua operação de couros para a nova companhia. Como funciona a indústria do couro? 🐂 O couro começa como pele animal, retirada principalmente nos frigoríficos, e passa por uma série de processos até se transformar no material usado pela indústria. Essa transformação acontece nos curtumes, que fazem a preparação, o curtimento e o acabamento das peles. No curtimento, a pele recebe tratamentos que impedem sua decomposição e a transformam em um material estável, flexível e durável. Depois, pode passar por outras etapas para ganhar características como cor, textura, espessura e acabamento. O produto final é utilizado por diferentes setores, como automotivo, moveleiro e calçadista, entre outros. Cabeças de gado; criação bovina; bois no Acre Arquivo/Secom-AC Quando a operação será concluída? Ainda não há uma data definida para a conclusão da operação. A criação da JBS Viva depende do cumprimento de condições previstas no acordo, etapas consideradas usuais em transações desse tipo. Só depois que essas condições forem atendidas é que os ativos serão efetivamente transferidos para a nova empresa.
16/09/2026 14:26:15 +00:00
O mundo está certo em temer IA, mas precisa confiar nas empresas, diz chefe da OpenAI

CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pela ferramenta ChatGPT, afirmou que as pessoas deveriam confiar mais em sua empresa e em outras companhias do setor para conduzir de forma responsável o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). A declaração ocorre em meio à crescente preocupação com os riscos ligados ao avanço dessa tecnologia. "O mundo deveria confiar que faremos a coisa certa porque é o certo a fazer e porque temos consciência da dimensão disso", disse Altman na terça-feira (15/9) durante uma conferência anual organizada pela empresa de software Salesforce em San Francisco, nos Estados Unidos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Altman reconheceu, no entanto, que há motivos para temer a IA, diante da rapidez com que ferramentas com essa tecnologia têm avançado. "Não precisamos de tanta imaginação como antes para [nós] imaginarmos como isto poderia correr mal", disse Altman. "Acho que o mundo tem razão em ter medo disso." Foi a primeira vez que Altman falou publicamente desde que duas publicações de pesquisadores da Anthropic (responsável pela ferramenta Claude) viralizaram na semana passada. Uma delas era de Jacob Coxon, que deixou a empresa; a outra, de Evan Hubinger, cientista da Anthropic, que afirmou que, sem controle, a IA poderia matar todos os seres humanos até o fim da década. Alguns executivos e especialistas em IA disseram concordar com a avaliação apocalíptica, mas não explicaram como chegaram a essa conclusão nem de que maneira a tecnologia poderia provocar esse resultado catastrófico. A repercussão das declarações aumentou, nos últimos dias, a atenção sobre a forma como a IA vem sendo desenvolvida. Diante disso, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido e pediu que governos regulamentem o setor. A publicação de Amodei recebeu o apoio de Altman, de Demis Hassabis, cofundador da DeepMind, do Google, e de Elon Musk, dono da rede social X e do assistente de IA Grok. Até terça-feira, outros dirigentes do setor também passaram a defender que as próprias empresas estabeleçam controles sobre o desenvolvimento da tecnologia, em vez de deixar essa tarefa a cargo dos governos. Altman afirmou acreditar que empresas como a OpenAI são capazes, em essência, de se autorregular. "Vamos fazer isso direito. Tenho muita confiança na capacidade da nossa empresa e do setor de fazer isso com segurança", disse. Segundo Altman, as empresas manterão "o alinhamento [em resumo, alinhar a IA com os valores humanos] e a segurança muito à frente das capacidades" e, caso não consigam, "vão desacelerar ou parar". Apesar das declarações, políticos fizeram ressalvas à possibilidade de o próprio setor estabelecer seus controles. Em Washington D.C., capital dos EUA, nomes importantes ao longo do espectro político americano defenderam maior controle sobre o desenvolvimento de ferramentas de IA, incluindo o senador independente Bernie Sanders, um dos mais influentes políticos de esquerda dos EUA, e Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump (Partido Republicano) e um dos principais nomes da direita americana. Sanders, senador independente de Vermont que costuma votar com o Partido Democrata (de oposição ao governo Trump), afirmou que as decisões sobre o desenvolvimento da IA têm sido tomadas por "um punhado das pessoas mais ricas do mundo". Ele citou, entre outros, Musk, Mark Zuckerberg, o presidente-executivo da Meta, e Jeff Bezos, o fundador da Amazon. "As pessoas deste país precisam tomar as decisões sobre a IA, e não apenas um punhado de oligarcas", disse Sanders durante uma conferência em Washington D.C Bannon, que foi estrategista da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, também questionou a capacidade do setor de tecnologia de se autorregular. "Nunca podemos confiar no que diz um oligarca porque... eles são dissimulados e mentem", afirmou Bannon na mesma conferência. Após as declarações de Altman, Zuckerberg, da Meta, escreveu na rede social X que todos os laboratórios de IA têm condições e incentivos para "tomar as suas próprias medidas" na criação de ferramentas e modelos de IA desenvolvidos com foco em segurança. "Qualquer laboratório que não priorizar o alinhamento ficará para trás", escreveu Zuckerberg. "Os laboratórios podem enfrentar uma responsabilização significativa se seus modelos causarem danos, por isso também têm fortes incentivos para evitar que isso aconteça." Jensen Huang, presidente-executivo da fabricante Nvidia, também afirmou, na mesma conferência de terça-feira, que deve caber às empresas de IA decidir se novas versões da tecnologia serão lançadas, sem que essa decisão fique sujeita a interferências externas. "Não precisamos de novas leis ou regulamentações", disse Huang. Para ele, não deveria haver uma "falsa escolha" entre a velocidade da inovação e a segurança dos produtos de IA. A Nvidia é a empresa de maior valor de mercado do mundo. Seus lucros dispararam com a forte demanda pelos chips de computação para IA que fabrica. "A segurança é primordial. No entanto, segurança é um problema de engenharia", disse Huang. Ele acrescentou que, se em algum momento o chefe de uma empresa de IA não estiver confiante em seu produto, deve optar por não lançá-lo. "É uma decisão bastante óbvia", disse Huang. "Avance o mais rápido que puder, mas, se em algum momento sentir que a instituição perdeu o controle, faça uma pausa." Alguns nomes do setor afirmaram que a nova onda de temor em relação à IA é exagerada e vem sendo explorada para aumentar a atenção em torno da própria indústria. Durante essa mesma conferência, Altman falou diante de centenas de empresários que eles deveriam usar ferramentas de IA para auxiliar no trabalho, mas afirmou também que essas tecnologias seriam necessárias para proteger as empresas de possíveis ataques cibernéticos facilitados pela IA A ideia de deixar os executivos do setor de IA inteiramente responsáveis por estabelecer as próprias regras é vista com preocupação por algumas pessoas da indústria. Jack Clark, executivo e cofundador da Anthropic (da ferramenta Claude), disse à BBC na segunda-feira (14/9) que deixar a IA como uma "indústria totalmente sem regulamentação" seria "apostar diante de riscos imensos". Patrick Hillman, diretor de operações da Logical Intelligence, empresa presidida por Yann LeCun, uma figura veterana e respeitada do setor de IA, observou na terça-feira que há pouca confiança de que empresas de tecnologia ajam de fato em nome do interesse público. "A única instituição em que os americanos talvez confiem menos do que em Washington D.C. hoje em dia é o Vale do Silício. Trabalhei e vivi nos dois lugares e garanto que ambos conquistaram esse ceticismo", disse Hillman. "Se vocês acreditam que o que estão construindo é perigoso, mostrem o que estão dispostos a deixar de fazer." Dirigentes da OpenAI e da Anthropic afirmaram que começaram a trabalhar recentemente por algum tipo de acordo de segurança que envolva todo o setor. Durante uma breve participação na conferência, na terça-feira, Amodei disse que a Anthropic está agora "em diálogo com o restante da indústria" para discutir compromissos com padrões de segurança mais rigorosos e com mais mecanismos de verificação para ferramentas de IA e para o desenvolvimento da tecnologia. Amodei afirmou ainda que uma das maiores surpresas do avanço da IA não foi a evolução da tecnologia em si, mas seu impacto mais amplo. "Não percebemos que isso faria as empresas crescerem tão rapidamente nem a velocidade com que elas passariam a ocupar um papel central." Na semana passada, o executivo da OpenAI Chris Lehane afirmou que a empresa também estava trabalhando com outros laboratórios de IA "para promover padrões para os sistemas de IA de ponta, por meio de uma iniciativa voluntária, com ou sem o apoio dos governos". Entre esses laboratórios estão a Anthropic e o Google DeepMind. "Com tanto em jogo, não podemos dixar que o perfeito seja inimigo do bom", escreveu Lehane. Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que as pessoas deveriam confiar mais em sua empresa e em outras companhias do setor para conduzir de forma responsável o desenvolvimento da IA Reuters
16/09/2026 13:52:29 +00:00
Banco Mundial nomeia ganhador do Prêmio Nobel, Michael Kremer, como economista-chefe

O economista Michael Kremer recebe o prêmio Nobel de 2019 por seu trabalho em conjunto com Esther Duflo e Abhijit Banerjee. Reprodução / Nobel O Banco Mundial escolheu nesta quarta-feira (16) o professor da Universidade de Chicago e vencedor do Prêmio Nobel, Michael Kremer, como seu novo economista-chefe. Ele entra no lugar de Indermit Gill, que se aposentou no mês passado. Kremer, de 61 anos, venceu o Prêmio Nobel de Economia em 2019 ao lado de Esther Duflo e Abhijit Banerjee. O trio foi premiado por usar um método experimental para combater a pobreza no mundo. Antes, ele dava aulas de economia em Harvard. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ele assume seu novo cargo no dia 1º de outubro, pouco antes das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Bangkok, na Tailândia. Kremer é conhecido por usar pesquisas detalhadas no desenvolvimento de soluções para problemas reais. Seus estudos ajudaram a criar programas para pequenos agricultores e garantiram vacinas e atendimento de saúde nas escolas para milhões de pessoas. Agora no g1 “Michael dedicou sua carreira não apenas a identificar o que funciona no desenvolvimento, mas também a comprovar isso em grande escala. E esse é exatamente o tipo de pensamento de que precisamos”, afirmou o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, em comunicado. “Ele se junta a nós em um momento em que o mundo precisa de soluções ousadas para seus desafios de desenvolvimento mais urgentes, incluindo a criação de empregos que atendam às aspirações de mais de 1,2 bilhão de jovens que atingirão a idade produtiva na próxima década", disse Banga. Presidente do Bando Mundial, Ajay Banga, na Carolina do Norte, EUA, em setembro de 2026 REUTERS/Sam Wolfe Juros altos Kremer ingressa no banco em um momento em que os países em desenvolvimento enfrentam o aumento das taxas de juros e dos preços da energia, na esteira da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Esses desafios se somam a uma queda de 23% na assistência oficial ao desenvolvimento em 2025 — a mais acentuada já registrada —, sendo os EUA responsáveis pela maior parte dessa redução. O economista entra no banco no momento em que as nações em desenvolvimento sofrem com a alta dos juros e dos custos de energia, consequência da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Esses problemas se somam ao tombo de 23% na ajuda oficial ao desenvolvimento em 2025, o maior já registrado, com os EUA sendo os principais responsáveis por esse corte. Kremer é o primeiro economista a assumir o cargo no banco já com um Prêmio Nobel. Outros nomes, como Joseph Stiglitz e Paul Romer, só receberam o prêmio depois que terminaram seus mandatos como economistas-chefes. Atualmente, Kremer dirige o Laboratório de Inovação para o Desenvolvimento da Universidade de Chicago. Suas pesquisas têm focado em inovações nas áreas de educação, saúde, água, finanças e agricultura em países em desenvolvimento. “O Grupo Banco Mundial possui uma enorme capacidade de pesquisa para desenvolver e testar soluções inovadoras para os problemas de desenvolvimento — e o alcance operacional para ampliá-las e melhorar a vida das pessoas”, afirmou Kremer em comunicado. O economista diz que o mundo enfrentou enormes desafios, mas as novas tecnologias ofereceram oportunidades para impulsionar o crescimento. Em 2024, ele fez o discurso de abertura em um evento do Banco Mundial que teve como tema "A Grande Incoerência: Crescimento e Desenvolvimento Humano em uma Era de Estagnação". Na ocasião, ele pediu mudanças para ajudar os países a atingir metas ousadas de desenvolvimento, inclusive pelo financiamento de testes para novos projetos e pelo apoio a pesquisas de novas tecnologias — pontos cobrados por Banga desde que assumiu o cargo, em 2023. Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer venceram o Nobel de Economia de 2019 Jonathan Nackstrand / AFP Vida pessoal Kremer é casado com a economista britânica Rachel Glennerster, que trabalhou para o governo do Reino Unido e para o Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de assumir a presidência do Centro para o Desenvolvimento Global, em Washington, em setembro de 2024. O casal entrou para a Giving What We Can na época de seu lançamento, em 2009. A organização sem fins lucrativos reúne mais de 10 mil membros comprometidos em doar 10% de seus rendimentos para instituições de caridade eficientes. Em 2010, ele cofundou a Development Innovation Ventures, um fundo administrado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que foi encerrado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, logo após seu retorno à Casa Branca no ano passado.
16/09/2026 13:44:58 +00:00
Chinesa Geely vai fabricar carros no Brasil em parceria com a Renault, com investimento de R$ 1,9 bilhão

Geely EX2 é bom de dirigir e barato de manter, mas precisa corrigir 7 deslizes A Geely, uma das maiores montadoras da China, vai começar a fabricar carros no Brasil por meio de uma parceria com a Renault. As empresas anunciaram nesta quarta-feira (16) um novo investimento de 319 milhões de euros, cerca de R$ 1,9 bilhão, para ampliar a produção no país. A fábrica da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná, vai produzir um novo modelo eletrificado da Renault e dois modelos da Geely: o EX5 EM-i, híbrido plug-in, e o EX2, 100% elétrico. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Com o novo investimento, Renault e Geely terão destinado 899 milhões de euros, cerca de R$ 5,35 bilhões, às operações no Brasil entre 2025 e 2027. Parceria entre as montadoras A Renault e a Geely fecharam um acordo para produzir carros da marca chinesa nas fábricas da montadora francesa no Brasil. Na prática, a Geely passa a usar parte da estrutura que a Renault já possui no país, como a fábrica no Paraná e parte da rede de concessionárias. A parceria também permite que a Renault amplie sua oferta de carros eletrificados. A Geely tem 26,4% de participação na Renault Geely do Brasil, empresa responsável pela operação conjunta das duas marcas no país. O acordo foi anunciado em novembro de 2025. Na época, a Renault também havia informado que investiria cerca de 616 milhões de euros, aproximadamente R$ 3,66 bilhões, em seu complexo industrial no Sul do país. Geely EX2 Um dos modelos será o Geely EX2, hatch compacto totalmente elétrico. O carro já é vendido no Brasil e foi testado pelo g1 em julho. Na época, o modelo tinha preços a partir de cerca de R$ 124 mil e aparecia entre os carros elétricos mais vendidos do país. O EX2 tem motor de 116 cavalos, tração traseira e recursos de assistência ao motorista, como controle de cruzeiro adaptativo e frenagem automática de emergência. A produção brasileira deve ajudar a Geely a ampliar a oferta do modelo no mercado nacional. Parceria vai além do Brasil A parceria entre as duas empresas não se limita ao Brasil. Em 2024, Renault e Geely criaram uma empresa conjunta para produzir motores e sistemas para veículos híbridos e a combustão. A Geely também comprou, em 2022, uma participação de 34% na Renault Korea, operação da montadora francesa na Coreia do Sul. “Além do lançamento de novos modelos, estamos preparando nossas operações para o futuro, combinando os pontos fortes das marcas Renault e Geely para oferecer aos clientes brasileiros tecnologias de ponta produzidas localmente, atendendo aos mais altos padrões de qualidade e competitividade”, afirmou Ariel Montenegro, CEO da Renault Geely do Brasil.
16/09/2026 13:00:25 +00:00
Google anuncia projeto que usa 200 mil hectares de arroz no Brasil contra mudanças climáticas; entenda

Emater confirma redução de área plantada de arroz no RS O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto em mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul. A iniciativa, conduzida pela Terradot, empresa da qual o Google é investidor, pretende reduzir o metano liberado pelo cultivo e, ao mesmo tempo, retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ➡️ O projeto combina duas ações: reduzir o metano produzido nas plantações de arroz e usar rochas para retirar CO₂ da atmosfera. A segunda parte consiste em acelerar uma reação que já ocorre naturalmente: algumas rochas absorvem o CO₂ presente no ar. Por que o arroz está no meio dessa história? O arroz é cultivado, em muitos casos, em áreas alagadas. Esse ambiente favorece a ação de microrganismos que produzem metano, um gás de efeito estufa. Segundo uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os arrozais respondem por cerca de 10% a 12% das emissões globais de metano. O projeto pretende reduzir essa emissão e, depois, contabilizar essa redução na forma de créditos de carbono. A previsão é que a iniciativa gere créditos equivalentes à redução de 1 milhão de toneladas métricas de metano até 2030. 🔍 O que é um crédito de carbono? É uma forma de contabilizar uma redução ou retirada de gases de efeito estufa da atmosfera. Em geral, 1 crédito corresponde a 1 tonelada de CO₂ equivalente que deixou de ser emitida ou foi retirada do ar. Empresas podem comprar esses créditos para compensar parte de suas emissões. Para ter valor, a redução ou remoção precisa ser medida e verificada por regras específicas. E onde entram as rochas? A segunda parte do projeto usa uma técnica conhecida como meteorização aprimorada de rochas. Alguns tipos de rocha conseguem reagir naturalmente com o CO₂ presente na atmosfera. O processo, porém, é lento. A técnica busca acelerar essa reação para retirar mais carbono do ar. É como acelerar um processo que já acontece na natureza. A Terradot pretende usar a técnica no projeto do Rio Grande do Sul para gerar créditos correspondentes à remoção de mais 1 milhão de toneladas de carbono até 2040. Os créditos de redução de metano e de retirada de CO₂ serão contabilizados e verificados separadamente. O projeto será o maior já anunciado de meteorização aprimorada de rochas. A parte de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior que projetos anteriores desse tipo. O projeto pode crescer? A ideia do Google e da Terradot é justamente testar o modelo em uma escala grande para, depois, levá-lo a outras regiões do planeta. As empresas afirmam que a iniciativa poderia ser ampliada para os cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas de cultivo de arroz do Brasil. O modelo também poderia ser levado a outros grandes produtores de arroz, como Índia e Vietnã. A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em outros países em 2026 e prevê uma expansão comercial a partir de 2028. Por que o Google está investindo nisso? O investimento também está relacionado ao aumento do consumo de energia das grandes empresas de tecnologia, especialmente com a expansão dos data centers usados por serviços de inteligência artificial. O Google já é investidor da Terradot. A empresa comprou uma participação na companhia em 2024. Para a empresa, reduzir o metano e retirar CO₂ da atmosfera são medidas complementares. O metano contribui fortemente para o aquecimento no curto prazo, enquanto o CO₂ pode permanecer na atmosfera por séculos. A aposta, portanto, é agir nas duas frentes: diminuir a quantidade de gases que chegam à atmosfera e retirar parte do carbono que já está no ar. Quanto custa tirar carbono do ar? O preço é um dos principais desafios para que tecnologias desse tipo sejam usadas em larga escala. Google e Terradot não divulgaram o valor do novo acordo. Em 2024, porém, um contrato público da Terradot para remover 90 mil toneladas de carbono indicava um preço de cerca de US$ 300 por tonelada. Esse valor é bem superior aos US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessários para estimular uma demanda maior por tecnologias de remoção de carbono. Segundo James Kanoff, CEO da Terradot, o novo projeto terá um custo menor que os acordos anteriores. A empresa ainda não chegou aos US$ 100 por tonelada, mas considera o projeto um avanço nessa direção. A Terradot também afirma que a verificação dos resultados pode acrescentar mais de US$ 100 por tonelada aos custos. A expectativa é que esse valor diminua conforme a tecnologia avance e seja aplicada em projetos maiores. *Com informações da Reuters LEIA TAMBÉM: El Niño pode encarecer alimentos em até 20%; economistas preveem impacto na inflação Alimentos editados geneticamente: o que são e o que dizem críticos e defensores
16/09/2026 12:28:45 +00:00
'Prévia do PIB' do Banco Central tem retração de 0,2% em julho

Agropecuária teve retração e puxou a atividade econômica para baixo em julho Arquivo AT O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quarta-feira (16), mostrou recuo de 0,2% em julho, na comparação com o mês anterior. O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes. O resultado representa melhora em relação a junho, quando houve contração de 0,9% no indicador. Esse foi o segundo mês de queda do indicador, segundo o Banco Central. Veja abaixo o desempenho setor por setor em julho: agropecuária: recuou de 1,2%; indústria: queda de 0,4%; serviços: estabilidade. Agora no g1 Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na parcial do ano, o indicador avançou 1,5% e, em 12 meses até julho, teve aumento também de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. ➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem). 🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social. PIB desacelera, mas cresce 0,5% no 2º trimestre, puxado pela agropecuária, diz IBGE Ano eleitoral Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população. A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias. ▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 1,89% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado. PIB X IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.
16/09/2026 12:07:17 +00:00
Dólar e Ibovespa caem com juros no Brasil e nos EUA no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (16), com um recuo de 0,06%, cotado a R$ 5,1512. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,51%, aos 185.548 pontos. O destaque da sessão ficou com a Superquarta, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem as taxas de juros de seus respectivos países. O quadro político também fica no radar, após o julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No Brasil, as atenções ficam com o Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado projeta que o colegiado decidirá pelo quinto corte seguido da Selic, de 14% para 13,75% ao ano. Caso o patamar se confirme, a taxa básica atingirá o menor patamar desde março de 2025. O anúncio do Banco Central acontecerá após o fechamento dos mercados. SUPERQUARTA: Entenda como as decisões de juros de hoje podem afetar seu bolso ▶️ Já para os EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023. Leia mais. Juros americanos mais altos costumam retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, o que tende a pressionar a bolsa brasileira. A maior demanda por dólar também contribui para a valorização da moeda americana frente a outras divisas, como o real. ▶️ No cenário político, o foco ficou com a repercussão da crise no STF. Na sessão histórica que aconteceu na véspera para julgar o caso Moraes-Vorcaro trouxe, o plenário discutiu, pela primeira vez, sobre a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. Marcado por embates, o julgamento terminou sem uma decisão. Veja em 10 pontos como foi a sessão. ▶️ No noticiário corporativo, os investidores continuaram a acompanhar as discussões sobre o futuro da IA, após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,51%; Acumulado do mês: -0,55%; Acumulado do ano: -6,15%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,89%; Acumulado do mês: +4,58%; Acumulado do ano: +15,16%. Julgamento histórico no STF O Supremo Tribunal Federal (STF) teve na terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento, marcado por embates entre os ministros, terminou sem uma decisão. Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito sobre a abertura ou não de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo um relatório da Polícia Federal, o ministro e o ex-banqueiro trocaram 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações. Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações. INFOGRÁFICO: veja mensagens que Vorcaro mandou a número atribuído a Moraes antes de ser preso, segundo PF Após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, o STF interrompeu a sessão sem definir como julgará os casos de Moraes e Mendonça. Até o momento, o placar é de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master. De olho nos juros As decisões de juros do Banco Central (BC) e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) são o principal destaque da sessão. No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado. O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, o IBGE indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022. Já nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. ➡️ O movimento interrompe uma sequência de cinco reuniões consecutivas com juros inalterados. A alta foi influenciada, entre outros fatores, pela disparada do preço do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, o que reforçou as preocupações com a inflação. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que a atividade econômica americana continua se expandindo em ritmo sólido e que "os gastos domésticos têm se mostrado resilientes", apesar do cenário de incerteza elevada causado por "acontecimentos geopolíticos". Fed eleva juros dos EUA pela 1ª vez em mais de 3 anos, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano Para Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a decisão não trouxe surpresa relevante no curto prazo, justamente por ter sido unânime e estar em linha com o que o mercado esperava. Na avaliação dele, o principal sinal está na projeção para os juros no fim de 2026, que subiu de 3,8% para 4,1%. "Comunicado veio hawkish [tom mais duro no combate à inflação], e o principal ponto, na minha visão, não é nem a alta em si, mas o fato do Fed elevar a projeção de juros para o fim de 2026 de 3,8% para 4,1%, sinalizando que pode haver mais uma alta ainda este ano", afirmou Bassani. Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital em Nova York, também considera que a decisão veio dentro do esperado. Para ele, a alta respondeu aos dados recentes de inflação e à volta do petróleo para acima de US$ 100 por barril, em um esforço do Fed para preservar sua credibilidade. "Diante dos dados de inflação da semana passada, que não foram suficientes para acalmar o mercado, e com o petróleo voltando a superar os US$ 100 por barril, o Fed optou por elevar as taxas em 25 bps a fim de preservar sua credibilidade", disse Flores. Para os próximos passos, os dois especialistas veem espaço para uma nova alta neste ano, embora Flores condicione esse cenário à evolução do conflito no Irã e dos preços do petróleo. Caso a cotação volte a níveis mais estáveis, entre US$ 70 e US$ 80 por barril, ele avalia que a inflação pode continuar convergindo para a meta de 2% e que o Fed pode manter os juros estáveis pelo restante do ano. Bassani, por sua vez, considera que a projeção de 4,1% para a taxa ao fim de 2026 indica uma nova alta de 0,25 ponto percentual em uma das duas reuniões restantes do ano, em outubro ou dezembro. Para ele, o mercado pode passar a incorporar esse cenário de forma mais consistente, com juros americanos mais altos no curto prazo. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas americanas em nível elevado, aumenta a pressão para que a Selic permaneça alta por mais tempo, além de haver efeitos sobre o câmbio e os fluxos de investimentos entre os dois países. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários operavam mistos nesta quarta-feira, à espera dos novos juros básicos dos EUA. O Dow Jones caiu 0,21%, enquanto o S&P 500 recuou 0,44% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,01%. Já na Europa, a maioria dos índices fechou em alta, conforme investidores repercutiam novos dados econômicos e aguardavam a decisão de juros do Fed. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5%, aos 637,09 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,53%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,62% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve ganhos de 0,28%. Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam em alta, impulsionadas pelos setores de tecnologia. O avanço, no entanto, foi limitado, já que investidores também aguardavam a nova decisão de juros do Fed. O SSEC, índice de Xangai, subiu 0,7%, assim como o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, que também teve ganhos de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,19%. Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,69% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 1,37%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
16/09/2026 12:00:26 +00:00
iFood anuncia investimento de R$ 24 bilhões até março de 2027, incluindo aceleração em IA

Entregador cadastrado no iFood ifood/Divulgação O iFood divulgou nesta quarta-feira (16) que vai investir R$ 24 bilhões até o fim de março de 2027. O valor é 41% maior do que a quantia aplicada no período anterior. Desse total, os investimentos em tecnologia e inovação, inclusive IA, vão ultrapassar R$ 2 bilhões. As informações são da Reuters. "Estamos vindo de um ano muito forte e de uma consolidação dos nossos negócios centrais. Essa força nos deu a confiança de acelerar mais ainda os investimentos", disse o presidente da companhia, Diego Barreto, em entrevista à Reuters. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O investimento vai se concentrar nas seguintes frentes: Fortalecimento dos restaurantes; Impulsionamento de novas categorias, como farmácias, supermercados, lojas e pet shops; Desenvolvimento de tecnologia própria; Soluções para além do delivery; iFood Pago, a fintech da companhia. Agora no g1 "O grande resultado esperado com o investimento é uma consolidação definitiva do nosso ecossistema. O iFood nasce como uma empresa de delivery de restaurante, e a gente agora deve chegar no final desse ano já com cerca de 40% das receitas e dos resultados vindo desses outros negócios que não são o delivery de restaurante", disse o presidente da companhia. Barreto mencionou que, no último ciclo, a empresa viu crescimentos de 60% nos negócios envolvendo mercados, 70% em farmácia e acima de 100% em pet shop. Os investimentos em tecnologia e inovação vão ultrapassar R$ 2 bilhões, incluindo a evolução de agentes de inteligência artificial e o modelo de IA generativa desenvolvido pelo iFood em conjunto com seu controlador europeu, a Prosus. O crescimento de outros serviços de entrega como o 99Food e Keetha não preocupam a empresa. "Mesmo com a concorrência, o que a gente tem aqui é uma capacidade de inovar num patamar e diferença que permite continuar sendo a primeira opção no nosso mercado e continuar olhando para a construção, em vez de ter que olhar para uma disputa", disse Barreto. O iFood completou 15 anos de atuação no Brasil. A empresa informa que o seu aplicativo registra mais de 180 milhões de pedidos mensais, além de contar com uma base de 600 mil entregadores cadastrados.
16/09/2026 11:01:36 +00:00
UE propõe proibição de redes sociais para menores de 13 anos

Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França Antoine Schibler/Unsplash A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta quarta-feira (16) várias propostas para proteger crianças e adolescentes na internet. Entre elas estão a proibição das redes sociais para menores de 13 anos e a criação de contas limitadas para menores de 15. "Nada de redes sociais antes dos 13 anos e nada de contas pessoais antes dos 15 anos", declarou a presidente do Executivo comunitário em um discurso no Parlamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Dessa maneira, as crianças entre 13 e 15 anos só terão minicontas, instaladas e supervisionadas pelos pais, com funções restritas e tempo de uso limitado. E, para os jovens entre 15 e 18 anos, as plataformas serão obrigadas a adotar um design seguro", acrescentou. As medidas integram um projeto de lei europeu chamado 'EU Kids Act' e precisarão da aprovação do Parlamento Europeu e dos 27 países da UE. Agora no g1 Von der Leyen apresentará os detalhes do projeto na quinta-feira, na cidade francesa de Estrasburgo, ao lado da comissária de Assuntos Digitais, Henna Virkkunen. As propostas são inspiradas em um relatório de especialistas em proteção da infância, cientistas e psiquiatras infantis apresentado em julho. Segundo documentos consultados pela AFP, o projeto de lei será aplicado tanto às redes sociais quanto aos assistentes de inteligência artificial, aos robôs conversacionais (chatbots) e aos jogos online. As restrições de idade, válidas em toda a UE, serão acompanhadas de novas obrigações para os operadores que desejarem manter seus serviços acessíveis a menores de idade. As multas podem chegar a 6% do faturamento mundial em caso de descumprimento. Entre as obrigações, as plataformas deverão eliminar suas funções mais "viciantes" ('scroll' infinito de conteúdos, recomendações ultrapersonalizadas...) e verificar sistematicamente a idade de seus novos usuários. ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de menores iPhone Duo: Apple lança seu primeiro celular dobrável
16/09/2026 10:55:19 +00:00
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, rejeita apelos para desacelerar o desenvolvimento da IA

Mark Zuckerberg, CEO da Meta ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Na terça-feira (15), Mark Zuckerberg, CEO da Meta, rejeitou os pedidos para pausar ou desacelerar o avanço da inteligência artificial (IA). Para ele, as regras do próprio mercado e o risco de processos na Justiça são as melhores proteções contra os perigos dessa tecnologia. As informações são da agência AFP. O receio em relação à IA cresceu nas últimas semanas por causa de falhas de segurança e da nova habilidade desses sistemas de se aprimorarem sozinhos, sem qualquer interferência humana. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "As pessoas não vão querer usar agentes que estejam desalinhados com elas e que não façam o que elas pedem, então os laboratórios têm um forte incentivo natural para tornar seus modelos mais alinhados", escreveu Zuckerberg no X. O termo "alinhamento" diz respeito aos esforços para fazer com que a tecnologia aja exatamente da forma como as pessoas querem. "Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás", escreveu Zuckerberg. CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA A discussão agora também envolve a capacidade de o próprio setor se fiscalizar. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google avaliam criar um grupo conjunto para definir regras para o setor. Zuckerberg alegou, no entanto, que a ameaça de ações judiciais já obriga os laboratórios a atuar de "maneira responsável". Ele citou como exemplo a decisão da Meta de adiar por vários meses o lançamento de seu sistema Muse AI, dotado de agentes personalizados, para reforçar seus mecanismos de segurança e proteção. O empresário também se posicionou a favor de auditorias externas nas ferramentas de IA, destacando que a divisão especializada da empresa, Meta Superintelligence Labs, já contrata peritos de fora. Além disso, ele defendeu a formação de um grupo maior e mais variado de avaliadores no mercado. A Meta, que planeja aplicar até US$ 145 bilhões em sua estrutura de tecnologia este ano, combate qualquer lei ou norma que possa desacelerar seus negócios. "Nenhuma norma deveria atrasar o lançamento dos modelos americanos, nem sequer um mês", defendeu o empresário no início de agosto.
16/09/2026 10:38:28 +00:00
Quanto um porco come até chegar aos 120 kg para o abate? Veja a conta

Do nascimento ao abate: quanto um porco come de ração? Um porco pronto para o abate pesa cerca de 120 kg. Mas você já parou para pensar quanto ele precisa comer ao longo da vida para atingir esse peso? Segundo o zootecnista Bruno Silva, do Núcleo de Estudos em Produção de Suínos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as raças comerciais de porcos consomem entre 260 kg e 280 kg de ração do desmame até o abate. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A quantidade de alimento varia conforme a idade do animal. No período conhecido como "creche", que vai do desmame, aos 24 dias de vida, até os 70 dias, o porco consome cerca de 10% desse total, o equivalente a entre 450 g e 500 g por dia. Nos cerca de 90 dias restantes até o abate, o consumo sobe para 2,5 kg por dia. A dieta do porco é composta por milho, fonte de carboidratos; soja, principal fonte de proteína; além de aminoácidos, vitaminas e minerais. LEIA TAMBÉM Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em agosto Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção
16/09/2026 06:00:00 +00:00
O que é a 'pobreza de luxo' e por que o consumo imediato ganha espaço entre a geração Z?

Pobreza de luxo: por que o presente vale mais que o futuro? A expressão "pobreza de luxo" ganhou espaço nas redes sociais para definir um comportamento marcado pelo consumo de itens e experiências acessíveis por meio de parcelamentos e crédito, enquanto objetivos maiores, como a compra de um imóvel, parecem cada vez mais distantes. Embora não seja um conceito econômico formal, a ideia ajuda a ilustrar a diferença entre o que pode ser comprado agora e o que exige anos de planejamento. Quando o futuro parece incerto ou difícil de alcançar, o consumo imediato tende a ganhar mais valor. As redes sociais também reforçam essa lógica ao destacar viagens, jantares e bens de consumo, sem mostrar os custos por trás dessas escolhas. É desse encontro entre um futuro visto como distante e a facilidade de consumir no presente que surge a chamada "pobreza de luxo". Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
16/09/2026 06:00:00 +00:00
Por que há o temor sobre IA acabar com a humanidade — e existe mesmo o risco?

Cresce a pressão por regras para a IA, à medida que pesquisadores e executivos fazem alertas preocupantes sobre os possíveis riscos da tecnologia. Getty Images via BBC Os alertas sobre os possíveis riscos da inteligência artificial (IA) aumentaram a pressão nas últimas semanas por uma ação coordenada para desacelerar o desenvolvimento dessa tecnologia. Declarações de pesquisadores que atuam ou atuaram na área de que a IA pode representar uma ameaça à humanidade acentuaram o sinal de alerta. Um deles, inclusive, chegou a dizer que existe mais de 10% de chance de a IA "matar todos os humanos". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Empresas gigantes deste setor nos Estados Unidos, como a OpenAI (responsável pelo ChatGPT) e Anthropic (responsável pelo Claude), têm pressionado congressistas americanos a criar regras para o setor. Por outro lado, alguns críticos sugerem que esse movimento por regulamentação das empresas líderes de mercado possa servir para consolidar a vantagem dessas empresas sobre concorrentes atuais e futuros. De qualquer forma, as declarações de grande repercussão aumentaram a preocupação em torno do impacto dessa tecnologia. A seguir, o que se sabe até agora. Por que alguns acham que a IA pode ser uma ameaça à humanidade? Alguns pesquisadores de IA afirmam que há sinais preocupantes de que esses sistemas estejam avançando rápido demais em capacidade e poder. Evan Hubinger, cientista da Anthropic, chamou a atenção ao afirmar que há mais de 10% de chance de a IA "matar todos os humanos" na próxima década. Hubinger trabalha com alinhamento de IA, área voltada a incorporar princípios e valores éticos humanos aos sistemas de IA. Em outras palavras, a ideia é manter a tecnologia em sintonia com aquilo que as pessoas consideram importante. Embora Hubinger tenha dito que o risco representado pelos sistemas atuais é "baixo", suas declarações vieram no momento em que outro pesquisador deixou a Anthropic por discordâncias acerca do rumo do desenvolvimento dessa tecnologia. Esse pesquisador, Jacob Coxon, alertou que as pessoas responsáveis por desenvolver a tecnologia estavam perdendo o controle sobre ela. Coxon disse à BBC que ele e outros funcionários da Anthropic estavam "genuinamente assustados" com a velocidade dos avanços e com o que isso poderia significar para a humanidade. Essas preocupações são as mais recentes de uma longa série de temores sobre a possibilidade de a IA ameaçar a humanidade caso alcance ou supere as capacidades humanas. Esse tipo de receio existe há décadas. Nos anos 1950, o cientista britânico Alan Turing (1912-54) escreveu que, se máquinas inteligentes se tornassem possíveis, elas poderiam assumir o controle. 'Existe a possibilidade de extinção da humanidade', afirma ex-funcionário da Anthropic sobre IA. BBC/Sunday com Laura Kuenssberg Nos últimos anos, as principais empresas de IA entraram em uma corrida para desenvolver sistemas cada vez mais avançados, tanto em busca de lucro quanto com o objetivo de criar o que chamam de superinteligência — uma tecnologia ainda teórica, mais inteligente que os seres humanos. Diferentemente dos sistemas e ferramentas que muita gente já usa no dia a dia para tarefas como escrever emails ou gerar vídeos, uma IA superinteligente seria capaz de lidar com atividades muito mais complexas. A OpenAI e a Anthropic afirmam que pretendem desenvolver esse tipo de tecnologia de forma a beneficiar as pessoas e protegê-las de riscos à sua existência. Mas alguns críticos dizem que as máquinas jamais conseguirão igualar de fato as capacidades humanas. Para eles, as empresas de IA exageram o que a tecnologia consegue fazer para ganhar projeção ou aumentar seus lucros. Ativistas de grupos como o PauseAI também pedem que empresas como o Google interrompam os esforços para desenvolver sistemas de IA avançados. AFP via BBC Como poderia ser essa ameaça à humanidade? Pesquisadores, especialistas e executivos preocupados com o potencial da IA de colocar a humanidade em risco têm descrito cenários inquietantes. Dario Amodei, diretor da Anthropic e ex-chefe de Coxon, escreveu em setembro que a tecnologia avançou "drasticamente mais rápido" do que o esperado, inclusive na "capacidade de criar a próxima geração de IA". A preocupação é que, depois de atingir determinado nível, a IA possa, em teoria, começar a se aprimorar sem participação humana. Esse temor ganhou força depois de um episódio recente em que ferramentas de IA invadiram sites sem terem recebido instruções para isso. Alguns pesquisadores preocupados com o tema afirmam que as pessoas diretamente envolvidas no desenvolvimento da tecnologia estão cada vez mais receosas de perder o controle sobre sistemas conhecidos como agentes de IA, que são bots desenvolvidos para executar tarefas e tomar determinadas ações de forma autônoma. Outros cenários levantados incluem o uso de sistemas de IA altamente avançados para ampliar ou conduzir atividades de espionagem, ataques cibernéticos ou guerra biológica, ou ainda para provocar desequilíbrios econômicos, seja por acidente ou de forma deliberada. No entanto, esses alertas são previsões hipotéticas e, para alguns especialistas, puro exagero. Alguns especialistas também criticaram o foco nos riscos existenciais enquanto problemas já concretos recebem menos atenção, como o uso de ferramentas de geração de imagens para criar deepfakes (técnica que manipula ou cria vídeos, áudios e imagens falsos, com alto grau de realismo) de nudez sem consentimento de mulheres, espalhar desinformação e ampliar golpes ou fraudes. Um grupo suprapartidário de políticos das duas Casas do Parlamento britânico publicou um relatório sobre os riscos da IA aos direitos humanos e afirmou que novas leis são necessárias para "responder à dimensão e à gravidade" dessas ameaças. Quais são as propostas para desacelerar o desenvolvimento da IA? Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, CEO da OpenAI, defenderam a criação de regras para o setor e uma "desaceleração" no desenvolvimento da tecnologia. Não é a primeira vez que executivos e outras vozes da indústria pedem medidas desse tipo. Mas continuam aumentando as dúvidas sobre o que, na prática, significaria essa desaceleração, ideia que também tem o apoio de Elon Musk, da SpaceX. Amodei afirmou que isso não significaria "interromper o treinamento de modelos nem o avanço técnico". O que Amodei propõe é que as empresas "reservem tempo suficiente" para tornar mais seguros os sistemas de IA que estão desenvolvendo e recorram a "avaliadores independentes" para verificar esse trabalho. Em uma publicação na rede social X, Altman afirmou que era necessário controlar o ritmo do desenvolvimento, mas acrescentou: "Quando falamos em 'ritmo', não queremos dizer 'parar'." "O avanço foi rápido e continuará sendo", disse Altman. "Mas deveria ser mais lento do que poderia ser — medidas como avaliações formais de segurança e monitoramento têm custos significativos." O cofundador da OpenAI também afirmou que as empresas não esperam — e não vão esperar — que os governos tomem a iniciativa. O que Trump disse? O presidente Donald Trump, que publica com frequência conteúdo sobre IA em sua plataforma Truth Social, defende que os EUA vençam a 'corrida da IA'. Getty Images via BBC O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já elogiou os benefícios da IA e defendeu que empresas americanas liderem o desenvolvimento da tecnologia. Seu governo assinou ordens executivas que reconhecem a "importância estratégica" da IA para a economia e buscam acelerar seu avanço. "Acreditamos que estamos em uma corrida pela IA e queremos que os EUA vençam essa corrida", disse David Sacks, responsável pela política de criptomoedas no governo americano, em entrevista a jornalistas em julho de 2025. Mas, diante dos alertas recentes sobre o possível impacto da tecnologia sobre a humanidade, Trump minimizou os riscos da IA. "Há muitas forças negativas levantando esse assunto sem que devessem, falando de coisas que não vão acontecer", disse Trump durante uma visita à Irlanda. Trump não respondeu diretamente à proposta de desacelerar o desenvolvimento, mas afirmou a jornalistas: "Estamos à frente da China em IA... e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA, vence." O que a China disse? A China vinha evitando se manifestar sobre a onda de alertas feitos por pesquisadores de empresas dos EUA. Diante da forte concorrência e das restrições ao acesso a componentes e chips americanos usados na construção de infraestrutura para IA, o país estimulou o desenvolvimento doméstico da tecnologia. Ao mesmo tempo, tem defendido uma maior coordenação internacional para estabelecer regras para a IA. Nos últimos anos, o lançamento de sistemas e ferramentas avançados de IA de código aberto por laboratórios chineses abalou mercados e empresas de tecnologia do Ocidente. Ao defender uma desaceleração no desenvolvimento da IA, Amodei, da Anthropic, afirmou que os avanços da China e sua capacidade na área poderiam representar riscos à segurança nacional dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores da China chamou as declarações de narrativas baseadas em ameaça, confronto e competição hostil que não beneficiam ninguém.
16/09/2026 05:00:00 +00:00
Radar de velocidade média: entenda como funciona sistema que será testado em 8 estados

Radar campeão de multas em Taubaté terá limite de velocidade alterado Laurene Santos/TV Vanguarda A partir de setembro, oito estados estão autorizados a testar um sistema de radar capaz de medir a velocidade média dos veículos. A novidade ainda está em fase de testes e não gera infrações ou multas. Mesmo assim, os locais onde o sistema for utilizado deverão informar os usuários sobre a realização do experimento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ao contrário dos radares fixos usados no Brasil, que registram a velocidade em um ponto específico, o equipamento opera em dois ou mais locais e mede o tempo que o veículo leva para percorrer a distância entre eles. “Com essas informações, é calculada a velocidade média no trecho", diz a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Como funciona o radar de velocidade média arte/g1 Agora no g1 Onde os radares serão testados Os testes serão realizados em trechos das seguintes rodovias: Espírito Santo: trechos na BR-101/ES. Goiás: trechos na BR-414/GO. Mato Grosso do Sul: trechos na BR-163/MS. Minas Gerais: trechos na BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG. Paraná: trechos nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151. Rio de Janeiro: trechos na BR-101/RJ (incluindo a Ponte Rio-Niterói) e BR-116/RJ. Rio Grande do Sul: trechos na BR-386/RS. Santa Catarina: trechos na BR-101/SC. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o período de 180 dias poderá ser prorrogado. O objetivo é avaliar a tecnologia para uso em rodovias federais concedidas. Neste primeiro momento, a fiscalização observará o comportamento dos motoristas nos trechos monitorados. Não haverá aplicação de multas nem registro de infrações de trânsito. “A ANTT ressalta que o projeto-piloto tem caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Nesta etapa, a velocidade média registrada no trecho não poderá, por si só, gerar autuação ou penalidade", diz a pasta. Sistema já é testado no Brasil há quase 10 anos A Eco Rodovias testa os radares na BR-050, em um trecho de 11 km na cidade de Uberaba (MG), que apresenta um alto índice de mortes por acidentes de trânsito. De acordo com a concessionária, o número de flagrantes caiu 22,5% na comparação entre 15 dias antes e 15 dias depois da realização de blitz educativa junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF). “A gente pegava esse motorista, levava para a tenda e explicava o projeto e instruía [sobre segurança no trânsito]. Hoje, o radar de velocidade média é voltado para campanhas de segurança viária aqui na 050”, conta o gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, Bruno Araújo Silva. Antes disso, eles já emitiram 852 mil notificações em seis meses de testes em São Paulo (SP). Também de caráter educativo, o aviso não foi seguido de infração ou multa. Estes radares estavam em quatro pontos de fiscalização. Um na Avenida Jacu Pêssego, na Zona Leste de São Paulo, foi o que fez o maior número de notificações. A velocidade máxima da via, de 26 km, é de 50 km/h, mas só 3 km foram monitorados. Outros radares estavam na Avenida dos Bandeirantes, Marginal Tietê e Avenida 23 de Maio.
16/09/2026 03:00:01 +00:00
Caixa e funcionários voltam a negociar nesta quarta; greve segue sem prazo para acabar

Bancários do Banco do Brasil e da Caixa entram em greve por tempo indeterminado na Paraíba Renan Mesquisa/CBN v A Caixa Econômica Federal marcou uma nova mesa de negociação com os empregados para esta quarta-feira (16), em meio à greve dos trabalhadores da instituição, que segue sem prazo para terminar. A reunião foi agendada após cobrança feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em ofício enviado ao banco. O encontro vai tratar da renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados da Caixa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A paralisação começou na última quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do ACT. Segundo a Contraf-CUT, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram o texto apresentado anteriormente pela Caixa. O principal ponto de impasse é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. Os trabalhadores rejeitam mudanças no modelo de custeio que, segundo a categoria, podem aumentar os gastos de empregados, aposentados e dependentes. Agora no g1 Os bancários também defendem maior participação da Caixa no financiamento do plano e a manutenção de direitos já conquistados. Além da questão do plano de saúde, a pauta da categoria inclui reajuste salarial acima da inflação, novas contratações, melhores condições de trabalho e valorização da carreira dos empregados. A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, afirmou que a nova reunião é resultado da mobilização dos trabalhadores e da atuação das entidades sindicais. O que vai resolver a campanha é o diálogo. A Caixa precisa ouvir os trabalhadores e apresentar uma saída negociada para o impasse. Segundo o sindicato, a greve continua nesta quarta-feira (16), mesmo dia da negociação. As regionais da entidade estarão abertas a partir das 7h para receber os empregados, prestar orientações, disponibilizar materiais e oferecer apoio jurídico. Em nota enviada ao g1, a Caixa afirmou que reabriu a mesa de negociação por acreditar que o diálogo é o melhor caminho para a construção de um acordo. O banco disse ainda que busca uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade. Segundo a Caixa, foram realizadas até o momento 54 reuniões de negociação coletiva, nas quais o banco apresentou quatro propostas distintas, incorporando, segundo a empresa, avanços e demandas apresentadas pelos representantes dos empregados. (veja nota completa abaixo) O que está em negociação O modelo de custeio do Saúde Caixa é um dos principais pontos de divergência entre os trabalhadores e a direção do banco. A categoria é contrária a mudanças que possam elevar a parcela paga pelos empregados, aposentados e dependentes. Os sindicatos defendem que a Caixa amplie sua participação no financiamento do plano e que sejam preservadas as condições já previstas no acordo coletivo. A discussão ocorre durante a negociação para renovar o ACT, que reúne regras específicas para os empregados da Caixa e complementa as condições previstas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários. Agência Caixa em Pimenta Bueno paralisada pela Greve. Edson Tavares Greve A greve começou em 10 de setembro e continua nesta quarta-feira (16), mesmo dia da nova rodada de negociação. O Comando Nacional dos Bancários se reuniu nesta terça-feira (15), às 17h, para avaliar o movimento nacional. Também houve reunião do Comando de Greve. Após os encontros, o sindicato deve divulgar um balanço da paralisação. A Contraf-CUT e os sindicatos afirmam que a mobilização continuará enquanto não houver um acordo considerado satisfatório para a categoria. O que diz a Caixa “A CAIXA informa que, por acreditar que o diálogo é o melhor caminho para a construção de acordos, reabriu a mesa de negociação com as entidades representativas dos empregados. O banco segue imbuído na busca de uma solução que preservem os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira. Desde o início das negociações da campanha salarial, a CAIXA manteve postura permanente de diálogo com as entidades representativas dos empregados, buscando a construção de uma solução equilibrada e sustentável para todas as partes. Foram realizadas, até o momento, 54 reuniões de negociação coletiva, nas quais o banco apresentou quatro propostas distintas, incorporando avanços sucessivos e acolhendo diversas demandas apresentadas pelas representações dos empregados. Durante esse período, os clientes podem utilizar normalmente os canais digitais e remotos do banco, com destaque para o App CAIXA, que reúne diversos serviços e transações bancárias. Também estão disponíveis o Internet Banking CAIXA, o WhatsApp CAIXA (0800 104 0104) e os aplicativos CAIXA Tem, Cartões CAIXA, Habitação CAIXA, DPVAT e FGTS. O atendimento telefônico está disponível pelo Alô CAIXA, nos números 4004 0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0104 (demais localidades). Além das agências, a rede física de atendimento da CAIXA disponibiliza caixas eletrônicos, unidades lotéricas, Correspondentes CAIXA Aqui (CCA) e terminais da rede Banco24Horas. A localização das lotéricas e CCAs pode ser consultada na página de atendimento do banco”.
16/09/2026 03:00:00 +00:00
Superquarta: Brasil deve cortar juros, e EUA, subir; entenda o que isso muda para seu bolso

Superquarta: Brasil deve cortar juros A chamada “Superquarta” desta semana terá uma particularidade: os dois principais bancos centrais envolvidos devem caminhar em sentidos opostos nos juros. No Brasil, o Copom deve cortar a Selic de 14% para 13,75%, segundo as projeções de mercado. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, deve voltar a aumentar os juros, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A aposta de que o Fed vai elevar os juros disparou a 92,5%, segundo o FedWatch Tool, ferramenta que mede as expectativas dos investidores para as decisões do banco central americano. 🔎 A probabilidade ganhou força após discursos mais duros de dirigentes do Fed, entre eles o presidente Kevin Warsh, que sugeriu que o banco central americano pode precisar aumentar os juros para conter a inflação. A alta do petróleo para mais de US$ 100 o barril, em meio ao conflito entre EUA e Irã, também reforçou essa expectativa. O motivo é a inflação americana, que insiste em ficar acima do que o Fed considera confortável: 3,4% em 12 meses, longe da meta de 2%. A atividade econômica, por sua vez, perdeu fôlego — cresceu 0,4% no segundo trimestre, ante os três meses anteriores. No Brasil, os números são parecidos, mas o significado é outro. A inflação em 12 meses está em 4,22%, ainda dentro da margem de tolerância da meta do BC, e a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, uma desaceleração contra os 1,1% registrados nos três meses anteriores. Como a alta dos juros americanos já é esperada, ela deve ter pouco impacto imediato nos mercados. O que importa agora é saber se será o início de uma sequência de altas ou um movimento isolado. A resposta ajuda a entender como a decisão do Fed pode chegar ao bolso do brasileiro — pelo dólar, pelo crédito e por outros caminhos que o g1 explica a seguir. Efeito não aparece na hora, mas vem depois A decisão do Fed pode chegar ao Brasil por diferentes caminhos, mas dois deles afetam mais diretamente o dia a dia: o dólar e o crédito. Os efeitos, porém, não costumam aparecer de imediato. Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, explica que um deles é o câmbio — o mercado em que moedas são negociadas e que define, na prática, quanto custa comprar dólares em relação ao real. “O efeito sobre a vida concreta do brasileiro é mais lento e vem por vias indiretas. Um dólar estruturalmente mais pressionado encarece importados e insumos, o que leva semanas a meses para chegar à prateleira.” O outro caminho é o crédito. Benavenuto destaca que juro alto lá fora “reduz o espaço para o Banco Central cortar a Selic aqui” — ou seja, o financiamento da casa própria, os empréstimos e o rotativo do cartão podem continuar caros por mais tempo do que o esperado. Fed deve interromper período de estabilidade e elevar juros dos EUA Arte/g1 Detalhe que realmente move o dólar Acontece que a decisão desta quarta-feira, por si só, não conta toda a história. Junto com a decisão, o Fed divulga projeções que ajudam os investidores a entender para onde os juros americanos podem caminhar nos próximos anos. "O mercado vive de expectativas. A alta em si mexe muito pouco com o dólar, mas o sinal do que pode ocorrer nas próximas reuniões mexe e muito com a moeda", destaca Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital. Se o comunicado do Fed indicar novos aumentos pela frente, os investidores tendem a buscar títulos americanos, que são seguros e passam a oferecer uma remuneração maior. ➡️ Com mais dinheiro direcionado para esses investimentos, o dólar pode ganhar força. Benavenuto segue a mesma linha e destaca que a “verdadeira má notícia” para o real não é a alta desta quarta-feira, mas uma sinalização de que os juros americanos permanecerão altos por mais tempo ou chegarão a um nível maior do que o previsto. 🔎 Isso pode diminuir a diferença entre os juros oferecidos no Brasil e nos EUA. Essa diferença ajuda a tornar os investimentos em reais menos atraentes para investidores estrangeiros: quanto maior a vantagem dos juros brasileiros, maior tende a ser o incentivo para manter recursos no país. “Se o Fed indicar juro terminal mais elevado, esse diferencial se comprime e a moeda brasileira perde parte de seu principal pilar de sustentação. O tom da comunicação pesa mais que o número", diz Benavenuto. Quanto é culpa do Fed e quanto é da eleição? Ainda assim, o Fed não é o único fator que pode mexer com o dólar nas próximas semanas. No Brasil, a situação das contas públicas e a eleição de outubro também podem aumentar a pressão sobre o real. 🤔 Então, se a moeda americana subir, como saber o que veio de fora e o que veio do cenário brasileiro? Benavenuto explica que separar os fatores com precisão é difícil, sobretudo porque as incertezas com as contas e o cenário eleitoral já exigem um prêmio maior para o investimento em real. Mas há uma forma de identificar melhor a origem do movimento: comparar o desempenho da moeda brasileira com o de outros países emergentes. "Se o dólar sobe contra todo o mundo, a origem é externa. E se o real ‘apanha’ mais que o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, a origem é doméstica", explica. A leitura, porém, não é tão simples a ponto de permitir dividir o movimento do dólar em parcelas. Magno ressalta que fatores externos e domésticos podem atuar ao mesmo tempo — e até se anular nos próximos meses. "Se o tom do Fed for muito duro quanto a subir juros, o dólar tende a subir também. Porém, se [o resultado das eleições] abrir caminho para um Brasil com um arcabouço fiscal bem elaborado e crível, pode gerar confiança nos investidores estrangeiros e valorizar o real frente à moeda americana." Prédio do Federal Reserve dos EUA em Washington, EUA (maio/2020) Kevin Lamarque / Reuters
16/09/2026 03:00:00 +00:00
Copom deve cortar taxa básica de juros da economia pela 5ª vez seguida, para 13,75% ao ano

Superquarta: Brasil deve cortar juros O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (16) e deve promover o quinto corte seguido na taxa básica de juros da economia — de 14% para 13,75% ao ano. Essa é a expectativa da maior parte do mercado financeiro. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. ➡️Confirmada em 13,75% ao ano, a Selic atingirá o menor nível desde março de 2025, ou seja, em um ano e meio. O anúncio do Banco Central será feito após as 18h. Mesmo com o corte, em termos reais (descontada a inflação projetada para os próximos doze meses), a taxa ainda é uma das mais altas do mundo. Para o fim do ano, a aposta do mercado financeiro, até o momento, é de que o juro básico fique em 13,75% ao ano — essa seria a última queda neste ano. Agora no g1 ➡️A projeção de corte nos juros vigora apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). O governo anunciou na última semana redução de imposto e manutenção dos subsídios aos combustíveis no Brasil para atenuar o impacto da alta do petróleo no mercado interno. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na semana passada que espera que a guerra contra o Irã termine logo após as eleições legislativas de novembro. Para o banco Itaú, que projeta corte na taxa para 13,75% ao ano nesta quarta-feira, o cenário doméstico continua sendo de moderação da atividade econômica e mercado de trabalho aquecido. "A inflação corrente (IPCA cheio e núcleos) segue com dinâmica mais benigna, especialmente em alimentos e bens industriais. Expectativas de inflação não apresentaram piora adicional, mas seguem distantes da meta. Por outro lado, o cenário internacional permanece incerto, com pressão recente na curva de juros dos EUA e nova rodada de elevação das tensões no oriente médio, gerando volatilidade nos preços de petróleo", acrescentou a instituição financeira, em comunicado. Volta dos ataques no Irã pressiona Trump Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 4,9%, 4,3% e 3,80% - todas acima da meta central de inflação.
16/09/2026 03:00:00 +00:00
Mega-Sena 3058 acumula e prêmio vai a R$ 102 milhões; confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3058: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.058 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (15), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 92,4 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 102 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 14 - 23 - 53 - 56 - 57 - 60 5 acertos: 49 apostas ganhadoras, R$ 53.305,58 4 acertos: 3.632 apostas ganhadoras, R$ 1.185,42 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Resultado do concurso 3068 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
16/09/2026 00:02:19 +00:00
Radares que fiscalizam velocidade média serão testados em 8 estados; veja onde

medidor de velocidade / radar / lombada eletronica g1 / Cauê Adamuz A Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) autorizou, por pelo menos seis meses, testes com radares que registram a velocidade média dos veículos em oito estados brasileiros. Os testes serão realizados em trechos das seguintes rodovias: Espírito Santo: trechos na BR-101/ES. Goiás: trechos na BR-414/GO. Mato Grosso do Sul: trechos na BR-163/MS. Minas Gerais: trechos na BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG. Paraná: trechos nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151. Rio de Janeiro: trechos na BR-101/RJ (incluindo a Ponte Rio-Niterói) e BR-116/RJ. Rio Grande do Sul: trechos na BR-386/RS. Santa Catarina: trechos na BR-101/SC. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o período de 180 dias poderá ser prorrogado. O objetivo é avaliar a tecnologia para uso em rodovias federais concedidas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Agora no g1 Neste primeiro momento, a fiscalização observará o comportamento dos motoristas nos trechos monitorados. Não haverá aplicação de multas nem registro de infrações de trânsito. “A ANTT ressalta que o projeto-piloto tem caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Nesta etapa, a velocidade média registrada no trecho não poderá, por si só, gerar autuação ou penalidade", diz a pasta. Mesmo em fase de testes, os pontos deverão contar com sinalização, que "deverá informar os usuários sobre a realização do experimento". Como funciona o radar de velocidade média arte/g1 Ao contrário dos radares fixos usados no Brasil, que registram a velocidade em um ponto específico, o equipamento opera em dois locais e mede o tempo que o veículo leva para percorrer a distância entre eles. “Com essas informações, é calculada a velocidade média no trecho", diz a ANTT. Sistema já é testado no Brasil há quase 10 anos A Eco Rodovias testa os radares na BR-050, em um trecho de 11 km na cidade de Uberaba (MG), que apresenta um alto índice de mortes por acidentes de trânsito. De acordo com a concessionária, o número de flagrantes caiu 22,5% na comparação entre 15 dias antes e 15 dias depois da realização de blitz educativa junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF). “A gente pegava esse motorista, levava para a tenda e explicava o projeto e instruía [sobre segurança no trânsito]. Hoje, o radar de velocidade média é voltado para campanhas de segurança viária aqui na 050”, conta o gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, Bruno Araújo Silva. Antes disso, eles já emitiram 852 mil notificações em seis meses de testes em São Paulo (SP). Também de caráter educativo, o aviso não foi seguido de infração ou multa. Estes radares estavam em quatro pontos de fiscalização. Um na Avenida Jacu Pêssego, na Zona Leste de São Paulo, foi o que fez o maior número de notificações. A velocidade máxima da via, de 26 km, é de 50 km/h, mas só 3 km foram monitorados. Outros radares estavam na Avenida dos Bandeirantes, Marginal Tietê e Avenida 23 de Maio.
15/09/2026 17:12:41 +00:00
Humanidade perderá autonomia se avanço da IA não for limitado agora, diz ganhadora do Nobel

Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Gwladys Fouche/Reuters A inteligência artificial pode reduzir a autonomia da humanidade se não forem aprovadas leis para limitar seu avanço, afirmou Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. A jornalista filipino-americana, vencedora do Nobel da Paz de 2021 em reconhecimento, entre outros fatores, ao seu trabalho sobre o poder das grandes empresas de tecnologia, atua como copresidente do painel científico internacional da ONU sobre IA. O grupo estuda como a tecnologia está transformando a vida das pessoas em todo o mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo Ressa, a tecnologia já capturou a atenção das pessoas por meio das redes sociais e depois passou a explorar a necessidade humana de conexão e intimidade. Ela defende que os cidadãos pressionem políticos e autoridades para aprovar regras que regulamentem o uso da inteligência artificial. “Pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública”, disse Ressa, que também é cofundadora e presidente-executiva do site de notícias Rappler, à Reuters. Agora no g1 “Acho que estamos naquele momento em que, se isso não acontecer, vamos perder o controle. A situação ficará fora do nosso alcance se não agirmos agora”, afirmou durante uma visita a Oslo, onde participou de uma conferência sobre ameaças às democracias. As três ondas de IA “A inteligência artificial não é nem artificial nem inteligente. Ela existe há cerca de 70 anos, e já passou por três ondas que chegaram ao grande público”, disse. Segundo Ressa, a primeira fase foi marcada pelas redes sociais, que capturaram a atenção dos usuários, aprofundaram a polarização e contribuíram para o isolamento das pessoas. “A segunda fase consistiu em 'hackear' nossa biologia, novamente por meio da intimidade, com os chatbots”, disse Ressa. “A terceira envolve a chamada IA agentiva e multiagentiva, com modelos avançados capazes não apenas de simular comportamentos humanos, mas também de agir em nosso lugar.” Alguns críticos, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitam os apelos por maior regulamentação da IA por temer que isso prejudique a disputa tecnológica com a China. Ressa classificou esse argumento como uma “boa manobra de relações públicas”. “Na verdade, a China estabelece mais salvaguardas para seus cidadãos do que o Vale do Silício para o restante do mundo. Se você usa o TikTok, a versão disponível na China tem restrições de idade”, disse. Antes mesmo de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defender uma desaceleração no avanço dos modelos de IA diante dos crescentes temores de uso indevido da tecnologia, Ressa já sustentava que o primeiro passo para promover mudanças é responsabilizar as big techs. “O primeiro passo é fazer com que as empresas sejam responsabilizadas pelos danos que causaram”, disse. Ela elogiou as ações judiciais nos EUA que levaram a Meta a pagar até US$ 18 bilhões ao longo da próxima década e a restringir fortemente o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes. Como enfrentar o problema? Ela elogiou as medidas adotadas pela União Europeia e por países como a Austrália para estabelecer limites de idade nas redes sociais, mas afirmou que isso não resolve a “falha fundamental” de que as ferramentas desenvolvidas pelas empresas de tecnologia também causam dependência entre adultos. “Sabemos que isso é prejudicial. Portanto, vocês deveriam remover os recursos que geram dependência, não apenas para adolescentes, mas para todos nós”, disse. “Não são apenas os jovens que estão sendo manipulados politicamente ao redor do mundo.” Segundo Ressa, devem ser criadas plataformas de comunicação desenvolvidas por grupos de interesse público e fora do controle das grandes empresas de tecnologia, da mesma forma que governos investem em bens públicos, como parques e praças. Ela citou como exemplo o lançamento do Rappler Communities, em 2023. Baseado no protocolo aberto, seguro e descentralizado Matrix, o Rappler Communities permitiu que a redação do Rappler se conectasse diretamente aos leitores e que os próprios leitores interagissem entre si para, nas palavras de Ressa, “ter conversas reais”. O Rappler convidou outros veículos de comunicação das Filipinas a participar da iniciativa e agora está expandindo o modelo para outros países do Sudeste Asiático. “É um lugar onde as pessoas podem se sentir seguras no ambiente digital, onde podem conversar umas com as outras e, mais importante ainda, ouvir umas às outras para que a grande obra da democracia se concretize”, afirmou.
15/09/2026 15:18:49 +00:00
Lula sanciona programa que reduz impostos para instalação e ampliação de data centers

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta terça-feira (15) o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o chamado Redata. A medida cria incentivos fiscais para empresas que instalarem ou ampliarem os centros de processamento de dados no Brasil. Na prática, o programa reduz a cobrança de impostos sobre equipamentos usados na instalação e na expansão de data centers. O texto também prevê benefícios tributários para a exportação de serviços prestados pelo setor. A intenção do governo é atrair investimentos, ampliar a infraestrutura digital e aumentar a capacidade do Brasil de armazenar e processar dados, demanda que ganhou ainda mais importância com o avanço da inteligência artificial. O que é um data center? Agora no g1 Data center, ou centro de dados, é uma estrutura que reúne equipamentos usados para armazenar, processar e distribuir grandes volumes de informações. Há, por exemplo, data centers voltados para serviços de nuvem e também para estruturas destinadas à operação dos sistemas de inteligência artificial. O projeto que criou o Redata foi apresentado neste ano por José Guimarães (PT-CE), quando ele ainda exercia o mandato de deputado federal, antes de assumir o cargo de ministro. A proposta foi aprovada, neste mês, no dia 1º de setembro no Senado. O texto substituiu uma medida provisória do governo federal, editada em setembro de 2025, que havia perdido a validade em fevereiro deste ano sem ter sido votada pelo Congresso Nacional. Além dos incentivos tributários, o programa também estabelece contrapartidas para as empresas e traz exigências relacionadas a investimentos em pesquisa, inovação e sustentabilidade. O que as empresas terão que fazer? Para receber os benefícios fiscais, as empresas precisarão aderir ao Redata e cumprir uma série de requisitos. Entre eles, estão: destinar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados; investir pelo menos 2% do valor dos produtos adquiridos com os benefícios do Redata em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados à indústria digital; garantir o fornecimento da energia necessária para o funcionamento dos data centers, seja por contratos de fornecimento, seja por geração própria, seguindo as exigências previstas no programa. O texto também prevê recursos para programas de desenvolvimento industrial e tecnológico, com atenção especial às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Aposta do governo O Redata faz parte de uma estratégia do governo para tentar ampliar a infraestrutura digital brasileira. Lula já vinha defendendo a atração de investimentos em data centers e o aumento da capacidade do país de armazenar e processar informações, principalmente diante da expansão da inteligência artificial. Energia e consumo de água A sustentabilidade é um dos pontos previstos no programa e também está no centro das críticas de ambientalistas à expansão dos data centers, principalmente por causa do alto consumo de água dessas estruturas. As empresas que aderirem ao Redata terão que divulgar relatórios sobre suas instalações. Os documentos deverão informar, entre outros dados, o Índice de Eficiência Hídrica (WUE, na sigla em inglês) e as fontes de energia utilizadas para atender à demanda dos data centers. O programa também estabelece regras para o uso de fontes renováveis ou de baixa emissão de carbono no fornecimento de energia. A preocupação ambiental está relacionada ao alto consumo de recursos dessas estruturas. Data centers funcionam 24 horas por dia e concentram uma grande quantidade de equipamentos, que geram calor durante o processamento de dados. Por isso, precisam de sistemas de refrigeração constantes, o que aumenta o consumo de energia e, dependendo da tecnologia utilizada, também de água. Cenário internacional O avanço da inteligência artificial ocorre em meio a uma transformação tecnológica que tornou dados, chips e capacidade de processamento cada vez mais estratégicos na disputa entre as principais potências. Os países têm ampliado investimentos em infraestrutura para desenvolver seus próprios sistemas de IA e reduzir a dependência de tecnologia estrangeira. Nesse cenário, o governo brasileiro passou a tratar data centers, infraestrutura tecnológica e armazenamento de dados como áreas estratégicas para ampliar a autonomia tecnológica do país e sua capacidade de atrair investimentos. Pontos ainda serão regulamentados Datacenters funcionam 24 horas por dia e concentram uma grande quantidade de equipamentos Gabriella Ramos/g1 Apesar da sanção do Redata, parte das regras para o funcionamento do programa ainda precisa ser regulamentada pelo governo. Entre os pontos em discussão está a definição do que poderá ser considerado uma fonte de energia de baixo carbono para o cumprimento das exigências ambientais do programa. O governo avalia, por exemplo, se o gás natural poderá entrar nessa classificação e qual será o alcance de eventuais mecanismos de compensação de emissões. Esses critérios deverão ser detalhados em uma portaria, que deve definir também outras regras necessárias para a adesão das empresas ao regime. "E é natural q a regulamentação venha depois e a portaria para o que o decreto deixa em aberto. E n temos posição fechada ainda sobre compensação, estamos discutindo. E vamos analisar para portaria. " afirmou Ceron, secretário-executivo da Fazenda.
15/09/2026 15:18:27 +00:00
Meta One: plano pago de Instagram, WhatsApp e Facebook chega ao Brasil por até R$ 2 mil por mês

Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios A Meta oficializou nesta terça-feira (15) o lançamento do Meta One no Brasil. O plano de assinatura libera recursos extras para usuários, criadores de conteúdo e empresas no Instagram, no WhatsApp e no Facebook. O serviço oferece diferentes opções de planos, com preços e benefícios variados, e estava em fase de testes desde maio deste ano. No Brasil, os valores começam em R$ 32 e chegam a R$ 1.999 no plano mais caro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para usuários comuns, a Meta oferece dois tipos de plano. O One Core, de R$ 32 por mês, que reúne os benefícios do Facebook Plus, Instagram Plus e WhatsApp Plus, além de dar acesso aos modelos mais avançados de IA da Meta. Já o One Premium, de R$ 97 por mês, inclui os recursos dos planos Plus de Facebook, WhatsApp e Instagram, e mais acesso a modelos avançados de IA para geração de imagens e vídeos, além de edição de vídeos. O que oferecem Instagram Plus, WhatsApp Plus e Facebook Plus Logo da Meta com seus serviços: Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger. Mariia Berezovsky/Unsplash Vale lembrar que a Meta já oferece no Brasil o Instagram Plus, que custa R$ 10 mensais e inclui recursos como prioridade na entrega de stories, curtidas animadas e prévia de visualização de stories sem que a outra pessoa saiba, além de fonte personalizada na bio. O WhatsApp Plus custa R$ 7 mensais e inclui figurinhas exclusivas, alteração do ícone do aplicativo no celular e opções de toques exclusivos. Já o Facebook Plus custa R$ 10 mensais e oferece recursos como stories prolongados e super-reações a stories, além de outras funcionalidades. Os planos do Meta One não substituem o Meta Verified, serviço da empresa voltado à verificação de perfis e que concede um selo azul a pessoas e empresas. "Os principais aplicativos da Meta sempre foram serviços gratuitos suportados por publicidade, e isso não vai mudar. As assinaturas nos ajudam a construir recursos que são muito especializados ou custosos demais para oferecer a todos", disse Helen Ma, vice-presidente e chefe de assinaturas da Meta. Em maio, a Bloomberg noticiou que a aposta da Meta em assinaturas é um passo fundamental para ajudar a empresa a compensar centenas de bilhões de dólares que vem gastando com o desenvolvimento de IA. A Bloomberg também lembra que Mark Zuckerberg, CEO da Meta, vem sofrendo pressão de investidores para mostrar que todo o seu empenho em IA está gerando receita. Planos para empresas e criadores de conteúdo Planos do Meta One para empresas e criadores de conteúdo. Reprodução/Meta A Meta também anunciou quatro planos voltados para empresas e criadores de conteúdo. Os valores no Brasil são: One Essencial: R$ 59 por mês; One Avançado: R$ 199 por mês; One Expert: R$ 599 por mês; e One Máximo: R$ 1.999 por mês. A Meta diz que os assinantes de todos os planos também terão acesso, 24 horas por dia, 7 dias por semana, ao Meta Business Agent no Messenger, um agente de IA "projetado para ajudar as empresas a melhorar e automatizar partes das conversas com os clientes". Entre os recursos oferecidos pelos planos estão um selo de verificado no Instagram e no Facebook e ferramentas de proteção contra a criação de perfis falsos. A partir do One Avançado, os assinantes podem programar a publicação de reels e posts com até um ano de antecedência. Também é possível programar as publicações para os horários em que o público estiver mais ativo no Facebook. Na opção mais cara, a One Máximo, além de já ter todos os benefícios dos demais planos, é possível incluir até 30 pessoas para publicar conteúdo e responder a comentários sem precisar compartilhar a senha da conta. A Meta também oferece a possibilidade de adicionar links aos Reels e de conversar com um atendente humano para receber ajuda com problemas. O plano também permite receber notificações quando alguém usar seu conteúdo no Facebook. A Meta, porém, não informa se o recurso está disponível para Instagram e WhatsApp. A ferramenta é limitada a seis acionamentos por mês. Todos esses planos incluem os recursos presentes no Facebook Plus, Instagram Plus e WhatsApp Plus. iPhone Duo: Apple lança seu primeiro celular dobrável Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar
15/09/2026 15:00:01 +00:00
OpenAI trabalha com Anthropic e Google para reforçar segurança em IA, diz agência

Empresa OpenAI lançou novo modelo de IA capaz de raciocinar e resolver questões complexas Dado Ruvic/Reuters A OpenAI, criadora do ChatGPT, afirmou que está trabalhando com as concorrentes Anthropic e Google DeepMind para discutir medidas de segurança relacionadas à inteligência artificial (IA). A informação foi divulgada pela Bloomberg News. Segundo a agência, a declaração foi feita pelo chefe de políticas globais da OpenAI, Chris Lehane. A iniciativa busca ampliar a cooperação do setor diante das crescentes preocupações de que a tecnologia possa representar riscos econômicos e de segurança. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "É melhor trabalhar em conjunto para priorizar a segurança", afirmou Lehane. Segundo o executivo, a OpenAI ainda não vê necessidade de uma isenção das regras antitruste para que as três empresas coordenem iniciativas desse tipo. Nos últimos dias, executivos de grandes empresas de tecnologia passaram a defender uma desaceleração no avanço da IA para avaliar melhor seus riscos e tornar seu desenvolvimento mais seguro. Agora no g1 O movimento ganhou força após a publicação, no último sábado (12), de um texto assinado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, desenvolvedora da IA Claude. No documento, Amodei defendeu que as empresas de inteligência artificial reduzam o ritmo de desenvolvimento de seus modelos diante das crescentes preocupações com o uso indevido da tecnologia. Ele também apresentou um plano de três etapas para desacelerar os avanços da IA e criar mais tempo para lidar com os riscos associados a ela. “Precisamos desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA. O progresso continuará parecendo rápido, e precisamos fazer bom uso do tempo que ganharmos”, disse Amodei. "Dada a aceleração das capacidades da IA, me preocupa que, em seis a 12 meses, esse enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlado, pode ultrapassar nossa capacidade de compreender e controlar esses sistemas. Por isso, seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar", continuou. A posição também recebeu apoio de executivos de empresas concorrentes da Anthropic, entre eles Sam Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT; Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind.Parceria ocorre em meio ao crescimento das preocupações com os riscos da tecnologia e a pedidos de líderes do setor por um ritmo mais lento no desenvolvimento da inteligência artificial. LEIA MAIS ENTENDA: O que está por trás do debate sobre desacelerar o avanço em IA? REPERCUSSÃO: Trump minimiza riscos, China vê ameaças e UE pede segurança
15/09/2026 14:55:31 +00:00
ONU pede 'ação urgente' para regular IA e alerta para riscos sem precedentes

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk. Denis Balibouse/ Reuters O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na segunda-feira (14) uma "ação urgente" para regulamentar a inteligência artificial (IA), diante dos riscos sem precedentes apresentados pelos sistemas mais avançados da tecnologia. "Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade", disse Türk em um comunicado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Exorto os Estados e as empresas a se mobilizarem urgentemente em estruturas multilaterais", acrescentou. "Todos os direitos humanos estão ameaçados" por essa tecnologia, incluindo "o direito à vida", afirmou. A preocupação com as consequências da rápida evolução da IA tem crescido. Vários executivos de empresas de tecnologia dos Estados Unidos também defenderam um ritmo mais lento para os avanços nessa área. Agora no g1 No sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para permitir uma avaliação mais aprofundada dos riscos associados às novas capacidades da IA. Ele recebeu apoio público de seu homólogo da OpenAI, Sam Altman, além do bilionário Elon Musk. No entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou sua discordância e, nesta segunda-feira, denunciou uma suposta "conspiração doentia" contra o desenvolvimento da IA. "O único que está feliz com isso é a China", escreveu o republicano em sua plataforma, a Truth Social. Segundo o alto comissário, "a atual corrida por uma IA cada vez mais poderosa representa uma mudança radical e expõe todos os aspectos de nossas vidas a um risco existencial crescente". Türk também lamentou que atualmente "dependemos quase que inteiramente de um pequeno número de empresas poderosas para tomar as decisões corretas sobre o desenvolvimento da IA para o benefício de toda a humanidade". O chefe da inteligência chinesa também alertou, no domingo, que a IA pode ameaçar a segurança nacional, já que potências estrangeiras poderiam usar a tecnologia para desestabilizar o país. Volker Türk já havia alertado o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 7 de setembro, que a inteligência artificial poderia representar um "risco existencial para a humanidade". Nesta segunda-feira, ele pediu aos principais desenvolvedores de IA, "localizados principalmente na República Popular da China e nos Estados Unidos", que assumam a responsabilidade e ajam imediatamente para reduzir os riscos.
15/09/2026 14:04:55 +00:00
Cade aprova compra da fabricante de mísseis e foguetes Avibras pelos irmãos Batista

Agora no g1 A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na segunda-feira (14) a compra da Nova AVB, controladora da Avibras, pela Globe Investimentos, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A operação havia sido notificada ao órgão em agosto, e os valores da transação continuam sob sigilo. A Nova AVB é a estrutura que controla a Avibras, empresa dos setores de defesa e espacial que fabrica sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e soluções antiaéreas, entre outros equipamentos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao analisar o negócio, a área técnica do Cade entendeu que a operação representa uma “substituição de agente econômico”. Isso porque a Globe, empresa usada pelos irmãos Batista para fazer a aquisição, não atuava anteriormente no mercado de defesa ou em segmentos relacionados aos negócios da Avibras. Com isso, o órgão concluiu que não há sobreposição entre as atividades das empresas nem integração vertical. Na prática, a compra não reúne duas empresas que já disputavam o mesmo mercado nem coloca sob o mesmo comando diferentes etapas de uma mesma cadeia de produção. A aprovação ocorre enquanto a Avibras tenta se recuperar de uma grave crise financeira. A empresa entrou em recuperação judicial em março de 2022 e passou cerca de três anos paralisada, depois que funcionários iniciaram uma greve por falta de pagamento. 🔍Como funciona a aprovação pelo Cade: A empresa comunica a compra ao Cade, que analisa os possíveis efeitos do negócio sobre a concorrência. A Superintendência-Geral pode aprovar a operação, impor condições ou barrá-la. Após a decisão, ainda há prazo para eventuais contestações; sem recurso, a aprovação se torna definitiva e a compra pode ser concluída. Avibras tenta retomar as atividades após crise Em 2025, o Brasil Crédito tornou-se controlador da companhia ao comprar a dívida de um antigo acionista indonésio, em acordo com João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador da Avibras. Foi nesse processo de reestruturação que os ativos industriais e tecnológicos foram concentrados na Nova AVB, enquanto a empresa original permaneceu com os passivos submetidos à recuperação judicial. A fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no Vale do Paraíba, voltou a operar em maio de 2026. Montagem com fotografias dos irmãos Wesley e Joesley Batista Getty Images/BBC News Mundo LEIA TAMBÉM: Irmãos Batista dizem que aquisição da Avibras é 'oportunidade' de entrar nos setores de defesa e aeroespacial; saiba o que diz processo ao Cade
15/09/2026 12:45:21 +00:00
Rendimento do Tesouro americano atinge maior nível em quase 20 anos; entenda como isso afeta o Brasil

Bolsa de valores de Nova York (NYSE) em 8 de abril de 2025 Reuters/Brendan McDermid Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos no mercado como Treasuries, com vencimento de dez anos, atingiram 5,02% nesta terça-feira (15), o maior nível desde 2007. O movimento acompanha a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e reflete o temor de que uma aceleração da inflação pressione os juros americanos para cima. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os preços da commodity voltaram a subir nesta semana após novos ataques na Arábia Saudita e no Estreito de Ormuz. Um ataque com drones em território saudita interrompeu temporariamente as operações do oleoduto Leste-Oeste, aumentando as preocupações com a oferta global de petróleo. sso porque a estrutura permite ao país contornar o Estreito de Ormuz e redirecionar suas exportações. Sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global da commodity, cenário que pode se agravar com as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio mundial do petróleo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã. Agora no g1 Os houthis do Iêmen, grupo que combate o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, assumiram na semana passada o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb, pontos estratégicos para o transporte de petróleo, enquanto o Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz. Diante desse cenário, a expectativa é que uma alta nos custos de energia pressione a inflação global, levando bancos centrais ao redor do mundo a elevar os juros para conter os preços. As projeções do mercado indicam que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve promover na quarta-feira (16) a primeira alta de juros em três anos, diante da persistência das pressões inflacionárias. O que muda para o Brasil? Quando os rendimentos dos títulos públicos americanos sobem, investidores globais costumam transferir parte de seus recursos para os Estados Unidos, já que esses ativos são considerados alguns dos mais seguros do mundo. Além de retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, o que tende a pressionar a bolsa brasileira, a maior demanda por dólares também contribui para a valorização da moeda americana frente a outras divisas. No Brasil, o dólar mais alto tende a encarecer produtos importados e pressionar a inflação, já que diversos itens consumidos no país têm ligação com o mercado internacional, como combustíveis, produtos eletrônicos e insumos industriais. Com os preços em alta, a tendência é que o Banco Central (BC) tenha menos espaço para reduzir os juros. Taxas mais elevadas costumam encarecer o crédito e desacelerar o consumo das famílias, os investimentos das empresas e a atividade econômica. *Com informações da agência de notícias France Presse.
15/09/2026 12:44:51 +00:00
Dólar sobe e fecha a R$ 5,15 de olho no STF e à espera da Superquarta; Ibovespa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,14% nesta terça-feira (15), cotado a R$ 5,1543. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,54%, aos 186.503 pontos, puxado pelo ganho de mais de 3% nas ações da Petrobras, que atingiu R$ 693,1 bilhões em valor de mercado, no maior patamar de sua história. O foco dos investidores foi o julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. No exterior, o mercado acompanhou o petróleo e aguardou as decisões de juros da Superquarta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A crise no STF começou após um relatório da Polícia Federal apontar troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em sua primeira manifestação pública sobre o caso, o ministro negou ter favorecido ou julgado processos envolvendo o Banco Master ou o ex-banqueiro. Entenda o que aconteceu e como funciona o julgamento. A expectativa é que o Tribunal proponha uma apuração sobre o envolvimento de Moraes, mas a decisão de apurar ou não a conduta do ministro deve ser adiada. ▶️ Ainda no cenário político, o quadro eleitoral também ficou no radar. Na véspera, uma nova rodada de pesquisa Quaest mostrou a Lula (PT) com 36% das intenções de voto no 1º turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, a pesquisa também mostrou uma redução na distância entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no eleitorado feminino. ▶️ Na agenda econômica, o foco ficou com as novas decisões de juros do Brasil e dos EUA, previstas para amanhã. Por aqui, a previsão é que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte da Selic. Já em relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a estimativa é que a instituição eleve as taxas básicas do país pela primeira vez em mais de três anos. ▶️ No exterior, as preocupações com o suprimento de energia continuaram a pressionar os preços do petróleo. Ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita na segunda-feira deixaram o oleoduto local Leste-Oeste fora de operação, aumentando os temores de que os danos à infraestrutura energética e às rotas de transporte possam demorar mais tempo para serem reparados. Com isso, os preços do petróleo enfrentavam mais um dia de alta, beneficiando a Petrobras. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, subia 2,83%, cotado a US$ 108,67. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 4,43%, a US$ 105,88 o barril. ▶️ Os investidores também continuaram a acompanhar as discussões sobre o futuro da IA, após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,57%; Acumulado do mês: -0,49%; Acumulado do ano: -6,09%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,38%; Acumulado do mês: +5,12%; Acumulado do ano: +15,75%. Julgamento histórico no STF O destaque da sessão fica com o julgamento previsto para esta terça-feira no STF, que deve analisar o relatório da Polícia Federal que revelou troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes. Segundo o documento, foram 52 mensagens trocadas entre o ministro e o ex-banqueiro entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações. Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações. INFOGRÁFICO: veja mensagens que Vorcaro mandou a número atribuído a Moraes antes de ser preso, segundo PF Há, no entanto, diversas questões em aberto sobre como o julgamento vai funcionar, incluindo o que será efetivamente analisado, quem participará e votará na sessão e até a possível nulidade do documento. A sessão começará regularmente, com a leitura da ata da sessão anterior e saudações aos ministros. Depois disso, os eventos acontecerão da seguinte maneira: Como relator da matéria, caberá a Fachin abrir os trabalhos apresentando um resumo dos fatos e delimitado o objeto do julgamento. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar, seguida de eventuais sustentações orais. Após estar manifestações, o relator apresentará seu voto. Em seguida, os ministros votarão na ordem prevista no regimento. Por fim, o presidente proclamará o resultado. O cenário que se desenha é de dificuldades para Alexandre de Moraes, mas a decisão sobre apurar ou não conduta do ministro poderá ser adiada. Em seu primeiro posicionamento público desde o início da crise, Moraes afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e disse que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira. O ministro também classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e afirmou que a ofensiva tem motivação "político-eleitoral". De olho nos juros As decisões de juros do BC e do Fed — ambas previstas para quarta-feira desta semana — são o principal destaque da sessão. No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado. O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022. No Boletim Focus desta semana, o mercado financeiro também reduziu sua estimativa de inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reforçando a perspectiva de que o BC reduza os juros. Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana. No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela. "Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente", disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. "Caso contrário, temos trabalho a fazer". ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices acionários americanos fecharam em queda nesta terça-feira, conforme investidores monitoravam a alta do petróleo e os elevados rendimentos dos títulos públicos americanos, além de seguirem em compasso de espera pela decisão do Fed. O Dow Jones recuou 0,63%, o S&P 500 caiu 0,45% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,78%. Na Europa, as ações caíram para o mínimo em três meses nesta terça-feira, também de olho nos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos públicos. O índice pan-europeu STOXX 600 registrou queda de 0,3% para 634,18 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve queda de 0,15%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,34% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,37%. Na Ásia, as bolsas chinesas caíram nesta terça-feira, já que uma leve alta nas ações do setor de hardware de IA não conseguiu compensar as perdas em outros setores, com dados mistos de agosto indicando uma demanda interna persistentemente fraca. O SSEC, índice de Xangai, caiu 0,5%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, teve perdas de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1%. Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,01% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,85%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP
15/09/2026 12:00:23 +00:00
'Comércio global vive momento crítico', alerta OMC em meio a guerras comerciais e novas tarifas

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC A Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmou nesta terça-feira (15) que o sistema de comércio global vive um “momento crítico” e defendeu uma reforma das regras que organizam as relações comerciais entre os países. O alerta ocorre em meio ao aumento das disputas comerciais e à adoção de novas tarifas por grandes economias, especialmente os Estados Unidos. Para a OMC, o risco é que o comércio mundial deixe de funcionar cada vez mais com base em regras comuns e passe a ser dividido em blocos de países. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a organização, as regras atuais têm dificuldade para acompanhar mudanças na economia mundial, como o aumento da intervenção dos governos, o avanço do comércio digital, a transformação das cadeias globais de produção e o aumento das tensões políticas entre as grandes potências. Fio: como as guerras comerciais foram se acumulando: EUA x China A grande virada veio em 2018, quando o governo de Donald Trump começou a impor tarifas sobre produtos chineses, alegando práticas comerciais injustas e transferência de tecnologia. A China respondeu com tarifas sobre produtos americanos, dando início a uma escalada que ficou conhecida como guerra comercial. A disputa continuou nos anos seguintes Mesmo depois de um acordo parcial entre EUA e China, a relação comercial continuou marcada por tarifas, restrições a tecnologias e disputa por setores estratégicos, como semicondutores, baterias e veículos elétricos. EUA x Canadá O Canadá também entrou no radar das medidas protecionistas americanas. Nos últimos anos, os dois países trocaram medidas sobre produtos como aço, alumínio e, mais recentemente, outros setores. A relação é especialmente sensível porque EUA e Canadá têm uma das maiores relações comerciais do mundo. EUA x Brasil Em 2025/2026, o Brasil também passou a enfrentar novas tarifas americanas. Em julho de 2026, o governo brasileiro levou a disputa à OMC, contestando as medidas dos EUA. E a China entrou no centro de novas disputas A expansão das exportações chinesas, especialmente em setores como carros elétricos, aço e produtos industriais, passou a provocar novas reações de EUA, União Europeia e outros parceiros. Governos acusam Pequim de subsidiar empresas e gerar excesso de oferta, enquanto a China critica o uso de tarifas para proteger mercados. É esse cenário que preocupa a OMC O alerta desta terça-feira é que as disputas comerciais podem ir além de tarifas isoladas. Para a organização, o risco é que o comércio mundial se divida em grandes blocos, enfraquecendo as regras comuns que organizam as relações entre os países. Fragmentação teria impacto na economia mundial A OMC calculou o que poderia acontecer caso o comércio internacional se dividisse em blocos geopolíticos concorrentes. Nesse cenário, o PIB global seria 5,1% menor até 2050, enquanto as exportações cairiam 18,6%, em comparação com um mundo sem essa fragmentação. Em uma situação ainda mais grave, em que a cooperação comercial entre os países entrasse em colapso e fosse substituída por uma série de acordos de livre comércio separados, o impacto seria maior: o PIB global poderia ficar 6,9% menor e as exportações cairiam quase 27%. O efeito não seria igual para todos. Segundo o relatório, os países menos desenvolvidos seriam os que mais poderiam perder com uma fragmentação do comércio. Por outro lado, uma cooperação multilateral mais forte poderia aumentar o PIB global em 2,9% e elevar as exportações em quase 18%, de acordo com as estimativas da organização. O que está mudando no comércio mundial Durante décadas, a OMC foi um dos principais fóruns para estabelecer regras para o comércio internacional e resolver disputas entre países. Esse sistema, porém, vem perdendo força: o principal mecanismo de recursos da organização, o Órgão de Apelação, está paralisado desde 2019, depois que os Estados Unidos bloquearam a nomeação de novos integrantes. Na prática, os países continuam podendo levar disputas à OMC, mas ficou mais difícil chegar a uma decisão final e fazer com que o processo avance até o fim. Mesmo nesse cenário, o Brasil recorreu à organização em julho para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa foi vista também como uma forma de registrar formalmente a contestação e defender a importância das regras multilaterais. Países têm dificuldade para reformar a OMC A organização reúne 166 membros e funciona, em grande parte, com base no consenso. Isso significa que mudanças importantes dependem da negociação entre países com níveis de desenvolvimento e interesses econômicos muito diferentes. Em março, os membros não conseguiram chegar a um acordo sobre um pacote de reformas durante uma reunião ministerial em Yaoundé, nos Camarões. As negociações foram retomadas em Genebra e envolvem temas como a forma de tomada de decisões da organização, a solução de disputas comerciais e os efeitos de subsídios e da intervenção dos governos nas economias. Mais tarifas e acordos fora da OMC Ao mesmo tempo em que a OMC tenta reformar suas regras, países têm buscado acordos regionais ou específicos para determinados setores, enquanto governos usam tarifas e negociações diretas para defender seus interesses. Em março, por exemplo, um grupo de membros da organização concordou em avançar com as primeiras regras básicas para o comércio digital por meio de um acordo plurilateral, sem a participação de todos os integrantes. A medida permite avançar entre um grupo de países mesmo sem um acordo que envolva os 166 membros. A medida mostra uma das alternativas que vêm sendo usadas para tentar avançar em temas específicos mesmo quando não há consenso entre os 166 membros. Para a OMC, o desafio é evitar que essas disputas levem a uma divisão permanente do comércio mundial. Segundo a organização, quanto mais o comércio se afastar de regras comuns, maiores podem ser os custos para a economia global, principalmente para os países mais pobres. Donald Trump dos EUA, Lula do Brasil, Carney do Canadá e Xi Jinping da China REUTERS *Com informações da Reuters
15/09/2026 11:31:56 +00:00
Lagarta aparece coberta de 'casulos' brancos em SP; entenda o que aconteceu

Conheça a vespa que usa lagartas como 'berçário' e mata as hospedeiras Isaias Soares, de Campinas (SP), encontrou uma lagarta com uma aparência incomum e procurou o Globo Rural para entender o que estava acontecendo. Na verdade, o inseto estava coberto por pupas da vespa parasitoide Cotesia congregata, uma inimiga natural das lagartas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔎 A pupa é uma espécie de casulo que corresponde à fase de transformação entre a larva e a vespa adulta. O ciclo começa quando a vespa deposita seus ovos no corpo da lagarta. Após a eclosão, as larvas se desenvolvem em seu interior, retirando dela os nutrientes necessários para crescer. Quando atingem um estágio mais avançado, as larvas deixam o corpo da hospedeira e formam pequenos casulos brancos visíveis em sua superfície. Alguns dias depois, dessas pupas emergem novas vespas adultas. Ao final do processo, a lagarta morre. Leia também: Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em agosto Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras
15/09/2026 06:00:00 +00:00
‘Uma mão na frente e outra atrás’: mais de 3 mil demitidos das Casas Bahia ainda esperam verbas rescisórias

Justiça manda Casas Bahia reverter demissões e limita novos cortes No último dia 16 de agosto, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. Para cerca de 3 mil trabalhadores, a crise havia começado três dias antes, quando a empresa iniciou uma onda de demissões e o fechamento de 298 lojas em todo o país. Ao protocolar o pedido de recuperação judicial, o grupo incluiu os demitidos na lista de credores. Assim, os funcionários atingidos tiveram as verbas rescisórias "congeladas" enquanto aguardam o plano de recuperação da varejista. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo relatos de funcionários, há ainda dificuldades para acessar benefícios como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego. (saiba mais abaixo) Os problemas ocorrem em meio a uma disputa judicial sobre a validade das demissões. O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, negou um pedido da empresa para derrubar a decisão que suspendeu as demissões coletivas contestadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). Com a decisão, permanece válida a determinação para que a empresa restabeleça provisoriamente os vínculos de emprego e os benefícios dos trabalhadores atingidos. A liminar também proíbe novas demissões sem acordo prévio com o sindicato. O Grupo Casas Bahia ainda aguarda a análise, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), de um recurso apresentado contra a decisão, sem data para análise. Sem receber a rescisão Pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a empresa tem até 10 dias corridos após o término do contrato para pagar as verbas rescisórias. Mas, no caso desses demitidos pelas Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial coloca as verbas rescisórias na Classe I de credores, categoria destinada aos créditos trabalhistas e que tem prioridade de pagamento em relação a outras dívidas da empresa. O dinheiro fica travado porque os créditos gerados antes do pedido de recuperação judicial podem ser incluídos no plano de pagamento. O recebimento, portanto, depende do cronograma que vier a ser aprovado pela Justiça. "O trabalhador entra na fila de credores e passa a aguardar a definição do plano de pagamento. Muitos sequer sabem quanto têm a receber ou quando isso acontecerá", afirma João André Vidal de Souza, que representa a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). Segundo ele, a situação é mais preocupante para trabalhadores em condição de vulnerabilidade, como gestantes, pessoas em tratamento médico e empregados com estabilidade prevista em lei. Para ele, a crise financeira da empresa não pode resultar na perda de garantias dos trabalhadores. A CNTC reivindica que as verbas rescisórias não sejam submetidas ao regime dos créditos concursais da recuperação judicial e pede prioridade no pagamento. Em nota enviada ao g1, o Grupo Casas Bahia afirmou que os direitos dos trabalhadores desligados continuam assegurados, mesmo com a recuperação judicial, e que os valores de rescisões passaram a seguir as regras e os procedimentos previstos no processo de recuperação. A empresa disse também que já disponibilizou aos trabalhadores as orientações necessárias para acesso ao seguro-desemprego e ao saque do FGTS. Sem rescisão, trabalhadores relatam dificuldades financeiras A ex-vendedora Talita Magalhães, de 42 anos, que trabalhou por mais de oito anos nas Casas Bahia, afirma que os primeiros sinais de dificuldades surgiram cerca de dois meses antes das demissões, quando produtos começaram a desaparecer das prateleiras e dos estoques das lojas. “Eu estava na empresa há oito anos e nunca tinha visto faltar produto. Começou a faltar celular, notebook, geladeira, máquina de lavar. A gente perdia venda porque o cliente queria levar o produto na hora e não tinha estoque”, relata. Segundo Talita, apesar da redução na oferta de mercadorias e do impacto nas vendas, as metas dos vendedores foram mantidas. Como parte da remuneração vinha de comissões e premiações, a queda nas vendas também reduziu os ganhos dos funcionários. “Na véspera, chamaram todos os funcionários para uma reunião. Muita gente acreditou que seria uma transferência para outras lojas. Mas, quando começaram a chamar um por um, percebemos que era para assinar a demissão”, conta. “Passaram os 10 dias e ninguém recebeu nada. Não recebemos explicação e ficamos completamente no escuro”, afirma. Segundo Talita, muitos trabalhadores enfrentam dificuldades financeiras enquanto aguardam uma definição sobre os pagamentos. “Tem gente que paga aluguel, tem mãe solo, pessoas com filhos pequenos. Nós saímos sem receber rescisão, multa do FGTS ou qualquer outro valor. Saímos com uma mão na frente e outra atrás”, relata. A ex-vendedora afirma que recebeu a chave para acessar o FGTS, mas não recebeu as verbas rescisórias nem a multa de 40%. Como já havia usado o saldo do fundo para comprar um imóvel e aderido ao saque-aniversário, diz que não tinha valores disponíveis para sacar. Segundo ela, o plano de saúde foi cancelado e houve diferenças no pagamento do vale-alimentação: alguns ex-funcionários receberam o benefício, enquanto outros não. Outro problema envolve o chamado carnê de funcionário. Segundo Talita, mesmo após o desligamento, os ex-empregados continuam sendo cobrados pelas parcelas de compras feitas enquanto trabalhavam na empresa. Talita Magalhães, de 42 anos, trabalhou como vendedora nas Casas Bahia por mais de oito anos. Reprodução/Redes Sociais A ex-coordenadora de tecnologia Vanessa Marques, de 46 anos, que trabalhou por dois anos na empresa, afirma que os atrasos no pagamento de fornecedores de sua área e a redução da equipe de prestadores de serviços mostraram que algo não ia bem. “Para mim, era uma desorganização do financeiro. Eu achava que o financeiro estava enrolado e não estava pagando. Mas deveria ter sido um sinal do que estava acontecendo”, relata. Vanessa afirma que a diretoria dizia aos funcionários que a empresa estava bem. Em abril, inclusive, eles receberam Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e incentivos de produtividade. “Eu fiquei sabendo do meu desligamento e do desligamento de pessoas da minha equipe por outras pessoas”, conta. Segundo Vanessa, a comunicação oficial só chegou no fim da tarde, depois de ela ter sido informada por colegas sobre os desligamentos. “O problema não é só a falta de pagamento. Não havia um padrão de comunicação. Algumas pessoas recebiam informações, outras não. Tinha trabalhador sem acesso aos códigos necessários para solicitar o seguro-desemprego e gente que ainda não conseguiu fazer o exame demissional”, relata. “Eles sabiam que iam fazer isso. Precisavam ter se preparado minimamente para dar algum tipo de suporte para essas pessoas”, afirma. A ex-coordenadora afirma que os próprios trabalhadores têm se mobilizado para ajudar colegas que ficaram sem renda após os desligamentos. “Você trabalha e o seu salário é o sustento da sua família. Sem ele, você faz o quê?”, questiona. A ex-coordenadora de tecnologia Vanessa Marques, de 46 anos, trabalhou por dois anos nas Casas Bahia, onde atuava no modelo remoto. Arquivo Pessoal/Redes Sociais Negociação busca acelerar pagamentos aos trabalhadores Trabalhadores e empresa tentam chegar a um acordo para o pagamento das verbas rescisórias. A liminar que suspendeu as demissões, sob o entendimento de que não houve negociação prévia com os sindicatos, abriu espaço para uma tentativa de conciliação. O caso foi encaminhado ao Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) da Justiça do Trabalho em Brasília. O juiz Rogério Neiva Pinheiro conduz as negociações entre a empresa e as entidades que representam os trabalhadores. Uma das principais preocupações é encontrar uma alternativa para acelerar o pagamento das verbas rescisórias. “O caminho natural é que esses créditos sejam tratados dentro da recuperação judicial, o que depende de uma série de procedimentos, como a definição do quadro de credores e a aprovação de um plano de recuperação. Isso pode levar meses”, afirmou o juiz. As negociações buscam minimizar os efeitos desse processo para os trabalhadores. “Estamos trabalhando na tentativa de construir uma solução que permita agilizar esse pagamento e minimizar os prejuízos aos trabalhadores”, disse. O magistrado afirmou ainda que as discussões têm como referência soluções adotadas em outras recuperações judiciais de grande porte, como a da Americanas. Nesses casos, foram criados mecanismos para antecipar o pagamento de verbas trabalhistas antes da conclusão de todas as etapas do processo. Próximos passos As próximas semanas serão decisivas para as negociações envolvendo os trabalhadores demitidos pelas Casas Bahia. Sindicatos, representantes da empresa e órgãos da Justiça do Trabalho mantêm reuniões e audiências em São Paulo e Brasília para tentar encontrar uma solução para o impasse. Em São Paulo, empresa e sindicato se reuniram ainda em setembro para discutir o levantamento detalhado dos trabalhadores atingidos pelas demissões. Uma nova audiência de conciliação está marcada para quarta-feira (16) no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT). O Ministério Público do Trabalho informou em nota que o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, criou um Grupo Especial de Atuação Finalística (GEAF) para acompanhar o caso e investigar o pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores. Entre os principais pontos em discussão estão o pagamento das verbas rescisórias, a situação de trabalhadores com estabilidade prevista em lei, como gestantes e integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), e a manutenção de benefícios para funcionários em tratamento médico. As entidades sindicais também cobram da companhia informações detalhadas sobre os trabalhadores afetados, incluindo empregados com estabilidade legal, dirigentes sindicais e pessoas com problemas de saúde que possam ter sido atingidas pelas demissões. Em Brasília, as tratativas continuam no Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), sob mediação do juiz Rogério Neiva Pinheiro. Uma das principais propostas em discussão é a criação de um mecanismo que permita antecipar o pagamento das verbas rescisórias e regularizar questões como FGTS e planos de saúde, sem que os trabalhadores precisem aguardar todas as etapas da recuperação judicial. No campo judicial, segue no TRT-10 o julgamento do agravo interno apresentado pelas Casas Bahia contra a liminar que determinou o restabelecimento provisório dos vínculos de emprego. A CNTC também deverá apresentar a ação principal à 11ª Vara do Trabalho de Brasília. Outra possibilidade em discussão é a realização de novas demissões após negociação prévia com os sindicatos, conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de interlocução sindical em casos de dispensas coletivas. Caso haja nova negociação e um novo processo de reestruturação do quadro de funcionários, os efeitos da liminar que determinou o restabelecimento provisório dos contratos poderão ser alterados. Segundo o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, as entidades sindicais atuam em duas frentes: a ação movida pela CNTC em Brasília, que resultou na liminar que suspendeu os desligamentos coletivos, e as negociações conduzidas em São Paulo com representantes da empresa. "Não nos interessa quebrar a empresa. O que nós queremos é que haja respeito por esses trabalhadores que contribuíram durante anos para a manutenção da companhia e que agora precisam receber os direitos que lhes são garantidos por lei", afirma. O sindicato aguarda que a empresa apresente dados sobre empregados com estabilidade prevista em lei, integrantes da Cipa, dirigentes sindicais e trabalhadores com problemas de saúde que possam ter sido atingidos pelas demissões. "Estamos tentando construir uma solução que preserve os empregos remanescentes e garanta os direitos daqueles que foram desligados. Há trabalhadores que dedicaram 10, 15, 20 anos à empresa e que não podem ficar sem uma resposta", diz. A CNTC continua orientando trabalhadores das Casas Bahia a procurar o Sindicato dos Comerciários de sua cidade ou região para esclarecer dúvidas, relatar problemas e receber assistência jurídica, inclusive em casos de demissões ou suspensão de benefícios. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1
15/09/2026 06:00:00 +00:00
Por que cofundador da Anthropic defende um 'botão de desligamento' obrigatório para IA

Para Jack Clark, os detalhes sobre um 'botão de desligamento' devem fazer parte da 'discussão política' em torno da IA Kevin Dietsch/Getty Images via BBC Um dos cofundadores de uma das maiores empresas de IA do mundo afirmou que um "botão de desligamento" da inteligência artificial, que possa ser verificado de forma independente, talvez seja obrigatório para as empresas. Jack Clark, um dos sete fundadores da Anthropic, disse que uma forma de desligar completamente os mecanismos de IA caso eles se tornem muito perigosos é algo que a sociedade "talvez queira regulamentar". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Clark afirmou que "a maioria dos laboratórios tem maneiras diferentes de desligar os equipamentos", incluindo a Anthropic, mas disse que os legisladores podem precisar impor a existência de uma dessas maneiras. O rápido desenvolvimento da IA e os receios sobre os riscos que a tecnologia representa para a humanidade foram colocados em evidência por uma série de alertas de executivos e funcionários de empresas de IA. Agora no g1 Algumas pessoas afirmaram publicamente que existe a possibilidade de que essa tecnologia, se não for controlada, possa matar toda a humanidade. O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, pediu no fim de semana que o ritmo de desenvolvimento da IA seja desacelerado e monitorado mais de perto, como a empresa já fez antes, embora alguns tenham questionado as motivações por trás disso. Amodei acrescentou que qualquer ação para conter o desenvolvimento da IA deve ser feita "sem sacrificar a vantagem comercial". Clark disse à BBC que os detalhes sobre os requisitos e a verificação do "botão de desligamento" devem fazer parte da "discussão política mais ampla" que está ocorrendo em torno da IA. "Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?", perguntou ele. "Acho que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que, eventualmente, regulamentar." A Anthropic, fundada em 2021 por um grupo de ex-funcionários de sua concorrente OpenAI, está atualmente no centro de um debate sobre a segurança da IA. Na semana passada, uma publicação de um pesquisador de inteligência artificial que deixou a Anthropic por receio de que a IA pudesse exterminar a humanidade viralizou. O pesquisador de inteligência artificial Jacob Coxon X/Reprodução Em resposta, o cientista antropológico Evan Hubinger disse que, pessoalmente, acreditava que a possibilidade de extinção da humanidade devido à IA era de "10% na próxima década". O cientista da computação e ganhador do Prêmio Nobel Geoffrey Hinton, conhecido como o "Pai da IA", disse à BBC na sexta-feira que uma probabilidade de 10% de a IA matar todos os humanos "não é irrazoável". Questionado sobre qual porcentagem ele atribuiria ao número total de humanos mortos por IA, Clark disse: "Não acho que essas estatísticas sejam muito úteis", mas acrescentou que permitir que a IA continue como uma "indústria totalmente desregulamentada" era uma má ideia. "Estamos jogando dados com riscos imensos", disse Clark. "E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria." Anthropic é a criadora do assistente de IA Claude Matteo Della Torre/NurPhoto via Getty Images/BBC Legisladores dos EUA apresentaram um projeto de lei apelidado de "Kill Switch Act" (Lei do Botão de Desligamento, em tradução livre) que exigiria que as empresas tivessem uma maneira de desativar ferramentas de IA problemáticas. Isso também daria a certas agências governamentais o poder de exigir que uma ferramenta fosse desativada ou limitada. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a ideia de qualquer tentativa de desacelerar a IA, afirmando nas redes sociais: "A IA dominar o mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas ruins é uma FARSA". "Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e o único que está feliz com isso é a China. QUEM VENCER NA IA, VENCE!", escreveu ele em outra publicação. No Reino Unido, o governo rejeitou recentemente a ideia de criar um interruptor de segurança, com um porta-voz afirmando que isso "não impediria que fossem desenvolvidos ou usados indevidamente em outros lugares". Entretanto, alguns na indústria da IA sugeriram que os receios de que ela destrua a humanidade são exagerados ou podem ter sido concebidos para gerar alarde. Clement Delangue, líder da plataforma de desenvolvedores Hugging Face, que foi alvo de um ataque hacker da OpenAI, afirmou na semana passada que tais alegações carecem de "perspectiva". George Arison, líder do Grindr, afirmou que os receios em torno das ferramentas de IA estavam sendo usados pelas empresas para apoiar seus planos de negócios. "A única maneira de justificar essas avaliações é afirmar: 'Vou dominar todos os setores e todos os empregos, e minha IA fará todo esse trabalho'", disse Arison. A Anthropic criou o popular Claude e, este ano, lançou diversos modelos de IA cada vez mais capazes, a tecnologia que está na base dos chatbots de IA. Juntamente com a OpenAI, a Anthropic relatou diversos incidentes em que agentes de IA, que são bots que operam de forma relativamente autônoma, agiram de maneiras inesperadas. A Anthropic está se preparando para uma oferta pública inicial (IPO) potencialmente recorde na bolsa de valores, permitindo que as pessoas comprem ações da empresa. A OpenAI, que recentemente foi avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões), era esperada para fazer o mesmo, mas Altman, da OpenAI, disse na semana passada que isso não acontecerá este ano devido ao debate atual sobre a segurança da IA. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
15/09/2026 05:00:00 +00:00
'Dominar toda a internet', 'matar seres humanos': o que já disseram executivos e especialistas sobre os riscos da IA

Diversas cidades tiveram marchas contra a inteligência artificial ao longo do último ano Getty Images via BBC Nos últimos meses, executivos de grandes empresas de tecnologia, ativistas e organizações não governamentais passaram a defender uma pausa no avanço da inteligência artificial para tornar seu desenvolvimento mais seguro. Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio; entenda o que está por trás disso 'Freio' na IA? Debate leva gigantes da tecnologia ao radar dos investidores; ações operam mistas Muitas dessas falas expressam preocupação com a possibilidade de a inteligência artificial ganhar poder excessivo sobre a internet e até "matar seres humanos". Além disso, elas defendem a criação de órgãos internacionais para estabelecer regras e padrões de segurança para o desenvolvimento da tecnologia. Relembre abaixo algumas dos comentários públicos sobre os riscos da IA: Dario Amodei, CEO da Anthropic CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA Em artigo publicado em 12 de setembro, o CEO da Anthropic, criadora da IA Claude, pediu que as empresas de inteligência artificial moderem o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos diante do aumento das preocupações com o uso indevido da IA. "Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar", escreveu Amodei. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O discurso também foi defendido por executivos de empresas que concorrem com a Anthropic, como Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT; Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind. Sam Altman, CEO da OpenAI Ao concordar com a declaração de Amodei, o CEO da organização que comanda o ChatGPT disse que é preciso "marcar um ritmo da fronteira" de IA. " Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve", escreveu Sam Altman. A empresa anunciou, no início de agosto, que estava desacelerando o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial enquanto reformula seus sistemas de pesquisa e treinamento após agente em teste invadir sistemas de outra empresa. REPERCUSSÃO: Trump minimiza riscos, China vê ameaças e UE pede segurança "É o primeiro incidente de (ciber)segurança que me provocou uma reação visceral", reconheceu Altman em uma entrevista para o podcast "Invest Like The Best". "Mas, a longo prazo, surge a pergunta sobre o que fazer caso nos deparemos com um novo ritmo de avanço" da IA, explicou, em um contexto em que "poderíamos ter que desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente à sociedade para lidar com essas novas capacidades". Jacob Coxon, ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic Também em setembro de 2026, Jacob Coxon, pesquisador britânico de inteligência artificial de 27 anos, deixou a indústria acusando a OpenAI e a Anthropic de “brincar com as nossas vidas”. Coxon havia trocado a OpenAI pela Anthropic por considerar a empresa mais prudente. "Nenhuma das empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas", escreveu Coxon na rede social X. "As pessoas que estão construindo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos até o fim da década. Isto não é uma jogada de marketing", acrescentou Coxon. Evan Hubinger, diretor de segurança na Anthropic, deu razão a Coxon no X. "Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos". Em caráter pessoal, ele calculou o risco em "mais de 10%" dentro da próxima década. ONU O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos alertou, no início de setembro, para a necessidade de criar rapidamente mecanismos de governança para a inteligência artificial. Segundo ele, a IA avançada pode "representar um risco existencial para a humanidade". "Uma IA que escapa de seu ambiente de teste ou que chantageia os desenvolvedores para evitar ser desativada é uma IA muito poderosa", declarou o Alto Comissário, Volker Türk, na abertura do 63º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Türk lamentou que "um punhado de homens tenha um poder quase ilimitado sobre a IA, que nos dizem repetidamente ter uma capacidade de computação inimaginável". 'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA Bill Gates, Cofundador da Microsoft Em agosto de 2026, Gates, que vinha adotando uma visão mais otimista sobre a IA, afirmou estar preocupado com o uso da tecnologia em ataques, substituição de trabalhadores e manipulação de usuários. Ele citou testes de segurança nos quais modelos da OpenAI, Anthropic e Meta conseguiram realizar ataques contra sites reais. “Esses incidentes de segurança são chocantes e deveriam impressionar as pessoas”, disse. O bilionário também defendeu a criação de uma organização internacional para administrar questões relacionadas à inteligência artificial. Trump critica quem pede cautela O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026. Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a "forças muito negativas" que estão levantando cenários que não vão acontecer. Ele também disse que quer garantir que os EUA continuem na liderança do setor. "Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo [...] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam", afirmou Trump. A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país. "Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo. Em seu texto, Amodei defende uma colaboração entre empresas de "países democráticos" e aconselha "não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China". Ele diz que "as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo [com a China] mais provável no futuro". Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros. Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz. Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências. O que realmente acontece com seus dados quando você clica em 'deletar'?
15/09/2026 03:00:01 +00:00
Após crise do metanol, garrafas ganham selo que permite detectar bebidas falsificadas pelo celular

Um ano após crise do metanol, investigações avançam, mas ainda há mortes no país por intoxicação Os casos de intoxicação por metanol registrados ao longo de 2025, que deixaram ao menos 25 mortos no país e levaram autoridades de saúde a emitir alertas, colocaram a autenticidade das bebidas no centro das discussões. O tema, antes mais associado aos prejuízos econômicos da indústria e ao comércio ilegal, passou a envolver diretamente questões de saúde pública e fez a indústria de bebidas alcoólicas se mexer. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta terça-feira (15), a Diageo, fabricante de bebidas e dona de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, anunciou uma solução feita em parceria com a Securetrace, empresa especializada em tecnologias de segurança usadas em documentos oficiais e sistemas de prevenção a fraudes, para verificar digitalmente a origem das bebidas da companhia. A proposta é simples: o consumidor aponta a câmera do celular para um selo na embalagem, e o sistema informa se a garrafa foi identificada como autêntica. O Selo Drink Seguro permite aos consumidores conferir a autenticidade de bebidas alcoólicas. Rafaela Zem/g1 ➡️ A implementação, por enquanto, está restrita ao mercado brasileiro e abrange categorias que historicamente registram casos de falsificação, como uísques, vodcas, gins, tequilas e licores. “O selo é muito claramente para o consumidor, no sentido de resgatar a confiança, de ele conseguir ter autonomia e visibilidade daquilo que está consumindo. (...) Também é uma maneira de dar credibilidade para o estabelecimento”, afirma Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil. Cerca de 4 milhões de garrafas já recebem o selo por mês. A tecnologia está presente em 100% do portfólio importado e na Smirnoff engarrafada no Brasil, o que corresponde a 95% do negócio de destilados da companhia no país. Segundo a Securetrace, o selo usa a mesma tecnologia presente em recursos de proteção do passaporte brasileiro, das cédulas de euro e dos elementos holográficos da nota de R$ 100. 📎 Cada selo recebe uma espécie de impressão digital exclusiva, invisível ao consumidor, formada por padrões microscópicos que criam uma identificação única para cada unidade. Segundo a empresa, existem mais de 27 trilhões de combinações possíveis. Quando a câmera do celular é apontada para o selo, uma inteligência artificial analisa o padrão e o compara com o banco de dados do sistema. Se houver correspondência, a autenticidade é confirmada e a plataforma exibe a mensagem "Verificado". A tecnologia possui certificação internacional ISO 12931, norma voltada a sistemas de autenticação e combate à falsificação, explica Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace. Segundo a empresa, sua capacidade de impedir cópias chega a 99,99%. "A tecnologia transforma a câmera do celular em uma ferramenta de acesso direto à origem do produto. Cada selo possui uma impressão digital única, protegida por uma tecnologia anticópia certificada internacionalmente, capaz de identificar tentativas de reprodução em segundos", afirma Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace. Jovem está com suspeita de intoxicação por metanol, em Goiás Wesley Costa/O Popular Crise do Metanol Os episódios envolvendo metanol expuseram um dos riscos mais graves relacionados à falsificação e à adulteração de bebidas alcoólicas. 🔎 Diferentemente do etanol utilizado na produção regular de bebidas, o metanol é uma substância altamente tóxica. Sua ingestão pode causar cegueira, danos neurológicos graves, insuficiência respiratória e morte. A crise ganhou dimensão nacional no segundo semestre de 2025. O aumento dos casos levou o governo federal a emitir alertas à população e a criar uma sala de situação para acompanhar as ocorrências. Embora o período mais crítico tenha ficado para trás no fim daquele ano, novos episódios continuaram sendo registrados em 2026. Uma reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (13) mostrou que, um ano após o início da crise, as investigações avançaram e já identificaram parte da cadeia de falsificação responsável por distribuir bebidas adulteradas. Apesar disso, vítimas continuam convivendo com sequelas permanentes, e novos casos ainda vêm sendo registrados no país. Mercado ilegal movimenta R$ 28 bilhões Embora a falsificação tenha ganhado visibilidade por causa dos riscos à saúde, ela representa apenas uma parte de um mercado ilegal muito mais amplo. Um estudo da Euromonitor International estima que as atividades ilegais ligadas ao setor de bebidas movimentem aproximadamente R$ 28 bilhões por ano no Brasil. Nesse universo estão o contrabando, a sonegação fiscal, a produção sem registro e a falsificação. A pesquisa aponta ainda que a falsificação representa 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil. Apesar da parcela menor, é a prática que mais preocupa pelo risco à saúde. Além disso, o problema gera prejuízos para fabricantes, distribuidores, varejistas e para a arrecadação pública, ao desviar recursos de impostos e alimentar estruturas clandestinas de produção e distribuição. Por isso, o combate ao mercado ilegal tem mobilizado não apenas empresas privadas, mas também órgãos reguladores e autoridades públicas. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM Combate passa por diferentes frentes O lançamento da tecnologia da Diageo ocorre em paralelo a outras iniciativas voltadas ao enfrentamento do problema. Uma das medidas em discussão é conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em setembro, a agência aprovou um estudo que propõe alterações na composição do etanol hidratado combustível para dificultar o desvio do produto para a fabricação clandestina de bebidas. Entre as alternativas analisadas está a adição obrigatória de benzoato de denatônio, substância de sabor extremamente amargo, amplamente utilizada em produtos de higiene e limpeza para impedir a ingestão acidental. A ANP também trabalha em uma medida considerada mais imediata: a inclusão obrigatória de corante verde no etanol combustível produzido pelas usinas. A expectativa é que a mudança facilite a identificação do uso irregular do produto e reduza sua utilização em esquemas clandestinos de adulteração de bebidas. As propostas ainda precisam passar por etapas regulatórias e avaliações técnicas, incluindo análises sobre eventuais impactos em veículos e motores. O avanço dessas discussões mostra que o combate à fraude não depende de uma única solução. Enquanto órgãos públicos tentam dificultar o acesso às matérias-primas utilizadas por fabricantes clandestinos, empresas investem em sistemas de autenticação, rastreamento e compartilhamento de informações com autoridades. Ainda assim, especialistas destacam que nenhuma tecnologia é capaz de eliminar completamente a falsificação. Fiscalização, investigação policial, cooperação entre empresas e punição de grupos criminosos continuam centrais para reduzir a circulação de bebidas adulteradas. "A preocupação de combater a falsificação é uma preocupação para sempre e é a partir daí que vem a iniciativa desse selo, com uma intenção clara de que episódios como esse nunca mais voltem a acontecer", afirma Paula Lindenberg, da Diageo.
15/09/2026 03:00:00 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 95 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.058 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 95 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (15), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da último domingo (8), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
15/09/2026 03:00:00 +00:00
Brasil e Estados Unidos marcam reunião presencial para negociar tarifaço

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, vão se reunir presencialmente entre os dias 30 de setembro e 1° de outubro, às margens de uma reunião preparatória do G20, nos EUA. A informação foi confirmada pelo ministro Márcio Elias Rosa. Também vai participar do encontro o ministro Mauro Vieira. Essa será a primeira reunião presencial entre os dois países desde a retomada das negociações sobre o tarifaço. "Há uma reunião do G20 programada para o dia 30 de setembro e 1º e outubro lá nos Estados Unidos e expectativa tanto nossa quanto do USTR é que nós façamos uma reunião presencial lá. O ministro Mauro Vieira e eu iremos para Milwaukee e lá nós teremos um encontro muito provavelmente com o embaixador Greer, do USTR. Nós combinamos de fazer esses encontro lá e as equipes técnicas vêm conversando normalmente", disse Márcio Elias. Questionado se já haveria algum acordo na negociação, o ministro afirmou que não. E declarou que, desde a última conversa virtual, as equipes estão "trocando documentos e encaminhando essa próxima reunião que deve acontecer nos Estados Unidos." O ministro explicou que a reunião preparatória do G20 nesse período será de ministros de Indústria e de Comércio e que a agenda dos dois países será intensa. "Teremos reuniões bilaterais com quase todos os participantes do G20, mas a reunião que nós queremos realizar, de negociação, é essa", declarou. Entenda o tarifaço Agora no g1 A determinação de uma sobretaxa geral sobre produtos brasileiros decorreu da conclusão de um processo formal do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo americano acusou o Brasil de práticas comerciais e regulatórias desleais, apontando entre os entraves: Barreiras à entrada do etanol norte-americano no mercado brasileiro; Preocupações e questionamentos quanto ao controle e concorrência do sistema PIX; Decisões judiciais contra plataformas de redes sociais e debates sobre tributação digital; Demandas ligadas a combate a desmatamento ilegal, corrupção e propriedade intelectual. As alíquotas e diferenciação de produtos As exportações brasileiras passaram a se enquadrar em diferentes faixas tarifárias. Tarifa de 25%: incide sobre bens industriais, agrícolas processados e manufaturados. Atinge principalmente: etanol máquinas agrícolas e industriais calçados e vestuário; equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e maquinário elétrico. Tarifas de 50%: setores específicos da indústria siderúrgica e de metais básicos já estavam enquadrados em alíquotas elevadas sob justificativa de proteção e segurança da cadeia produtiva norte-americana. Em derivados específicos desses materiais, foram registradas revisões e cortes parciais para faixas entre 15% e 25% em determinados períodos regulatórios. Em determinados produtos que já contavam com sobretaxas parciais ou onde foi proposta sobretaxa complementar (como a de 12,5%), a incidência das medidas pode elevar a alíquota final incidente para patamares de até 37,5%. Tarifa zero: Para evitar choques na inflação interna ou desabastecimento de cadeias industriais americanas que dependem de insumos sem substituto nacional imediato, os EUA deixaram de fora da taxa de 25% uma lista extensa de itens, com destaque para: agropecuária básica: carne bovina e café; cítricos e alimentos: laranjas e suco de laranja; combustíveis e energia: petróleo bruto e gás natural; setor aeroespacial: aeronaves civis, motores e componentes da Embraer; indústria de base e químicos: celulose, ferro-gusa, semicondutores, medicamentos e ingredientes farmacêuticos. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, vai se reunir com o norte-americano Jamieson Greer Júlio César Silva/MDIC
14/09/2026 20:31:08 +00:00
BRB afasta cinco funcionários citados em investigações internas sobre o caso Master

Foto de 18 de novembro de 2025 mostra a fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB) Mateus Bonom/Reuters O Banco de Brasília (BRB) decidiu afastar, de forma cautelar (preventiva), cinco empregados citados em investigações internas relacionadas às transações com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Em nota, o BRB afirmou que a decisão foi tomada pela corregedoria do banco, com aval do Conselho de Administração. Os nomes e os cargos desses empregados não foram divulgados. "O Banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações", informou o BRB em nota. Em agosto, os acionistas do BRB também autorizaram o banco a acionar, na Justiça, ex-gestores que sejam considerados responsáveis pelos prejuízos. O banco tem 90 dias, contados a partir da aprovação, para definir essa lista. Segundo a Polícia Federal, a gestão fraudulenta de ex-dirigentes do BRB nas operações com o Banco Master envolveu carteiras de R$ 17,5 bilhões. O Master foi liquidado pelo Banco Central e, agora, o governo do DF tenta reaver parte desses valores para cobrir o rombo deixado no BRB. De acordo com o relatório da PF, o BRB dispunha de "sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório". PF diz que gestores do BRB não foram vítimas do Master Responsabilização A Polícia Federal apontou a participação de seis ex-integrantes da diretoria colegiada nas aprovações das carteiras do Master. Segundo os peritos, os dirigentes presentes nas reuniões ficaram vinculados documentalmente às decisões aprovadas por unanimidade. O laudo afirma que eles participaram de deliberações sobre continuidade das operações, novas aquisições, flexibilização de alertas de risco e complementação posterior de documentos. Esses gestores já foram afastados da atual diretoria do banco. São eles, junto ao cargo que ocupavam no banco: Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa - Presidente Cristiane Maria Lima Bukowitz - Diretora Executiva de Gestão de Pessoas Dario Oswaldo Garcia Junior - Diretor Executivo de Finanças e Controladoria Luana de Andrade Ribeiro - Diretora Executiva de Controle e Riscos Diogo Ilário de Araújo Oliveira - Diretor Executivo de Atacado e Governo José Maria Correa Dias Junior - Diretor Executivo de Tecnologia O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não foi vinculado às aprovações porque, segundo as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
14/09/2026 19:46:25 +00:00
Nova York derruba sites usados para criar deepfakes ilegais de famosas

Sites derrubados por Nova York promoviam 'pornografia deepfake de famosas' Reprodução A Promotoria do Distrito de Manhattan, em Nova York, anunciou nesta segunda-feira (14) a derrubada de 12 sites usados para criar vídeos com deepfakes sexuais que mostram pessoas famosas sem consentimento. 🔎 Deepfake é uma técnica que permite mostrar o rosto de uma pessoa em fotos ou vídeos alterados com ajuda de inteligência artificial. Para criar o material editado, é preciso ter uma imagem verdadeira e modificá-la com um dos vários aplicativos criados com essa finalidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo autoridades, os investigados produziram material adulterado com o rosto de 1.200 pessoas reais a partir de ferramentas de inteligência artificial. As vítimas são, em sua maioria, mulheres conhecidas pelo público, como atrizes, políticas, atletas, musicistas, defensoras de causas sociais e influenciadoras digitais. Agora no g1 O esquema envolvia o compartilhamento de vídeos e fotos hiper-realistas que mostravam versões de IA de pessoas praticando atos sexuais. A investigação apontou que os sites anunciavam explicitamente a oferta de "pornografia deepfake de famosas" e serviam para publicar e vender esses e outros registros íntimos não consensuais. O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg Jr., afirmou que os "empresas lucram com a publicação e a disseminação de imagens e vídeos sexuais não consensuais, gerados ou não por inteligência artificial". "Essas violações hediondas de privacidade perseguem as vítimas em suas carreiras e vidas pessoais, causando um impacto imenso em seu bem-estar emocional e mental", declarou. A investigação sobre esses e outros sites está em andamento. A Promotoria do Distrito de Manhattan disse que pretende continuar o monitoramento dos sites para impedir que eles voltem ao ar com outro nome.
14/09/2026 18:44:55 +00:00
OpenAI, Anthropic, Google e Musk querem frear avanço da IA; por que isso é tão difícil?

CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA Os principais empresários do setor de inteligência artificial dizem que querem reduzir o ritmo acelerado de desenvolvimento da tecnologia, mas enfrentam obstáculos como a concorrência, a resistência do governo dos Estados Unidos e fatores geopolíticos. No sábado (12), o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que as empresas diminuam, de forma coordenada, o ritmo de desenvolvimento da IA para entender melhor os riscos dos recursos avançados da tecnologia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ele recebeu o apoio público do diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman; do diretor da xAI, Elon Musk; do presidente da Google DeepMind, Demis Hassabis; e do diretor-executivo da Microsoft, Satya Nadella. Por que agora? Nos últimos meses, OpenAI e Anthropic relataram vários incidentes em que sistemas de IA em fase experimental saíram, por conta própria, de seus ambientes restritos para acessar a internet e atacar sites e plataformas. Em alguns casos, esses sistemas de IA demonstraram capacidade de coordenar ações, estabelecer hierarquias entre si, trapacear e apagar registros do que fizeram. Na última terça-feira, o pesquisador Jacob Coxon — que pediu demissão da Anthropic e antes trabalhou na OpenAI — acusou publicamente as duas empresas de manter padrões de segurança frágeis e de estarem "brincando com vidas". Reduzir o ritmo por conta própria? Com uma concorrência intensa e investimentos bilionários em jogo, nenhuma das principais empresas do setor está disposta a correr o risco de reduzir o ritmo sozinha. Amodei se mostrou disposto a coordenar ações com os concorrentes, sem incluir a China. Consultadas pela AFP sobre possíveis conversas a respeito dessa coordenação, Anthropic, OpenAI e Google não responderam de imediato. Por enquanto, a única medida concreta assumida por Anthropic e OpenAI foi permitir que observadores independentes verifiquem o trabalho interno das empresas na área de segurança. Manobra de relações públicas? Embora boa parte do setor tenha comemorado a mensagem de Amodei, outros integrantes questionaram seus motivos. Para Brian Roemmele, empresário de destaque no setor de IA, trata-se de um discurso comercial, divulgado semanas antes da provável entrada da Anthropic na bolsa. "Somos a empresa responsável; somos a cura; comprem o prêmio de segurança", publicou no X. Vários nomes de destaque entre os investidores de risco do setor de tecnologia também acusaram a Anthropic de fazer uma "captura regulatória": tentar fazer com que as autoridades estabeleçam regras que consolidem a empresa no topo do setor. "Parem de fingir que a motivação para frear é puramente altruísta", disse David Sacks, ex-assessor de IA do presidente americano, Donald Trump. Sacks continua influente na Casa Branca. A IA pode ser freada sem o apoio do governo Trump? No domingo, Trump minimizou os alertas dos líderes do setor de IA, classificando-os como "forças negativas". Vários republicanos demonstraram resistência a uma regulamentação mais ativa da tecnologia, por temerem que isso possa frear a inovação e dar vantagem à China na corrida pela IA. Um deles é o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson. No domingo, Amodei reafirmou que considera necessária a supervisão da IA pelo governo. Assim como Altman e Hassabis, ele considera que as regras estabelecidas pelo próprio setor seriam insuficientes. Pisar no freio sem a China? Amodei propõe limitar a coordenação aos países democráticos, deixando a China de fora. No entanto, a corrida pela IA e os avanços da China na área criam "o dilema mais difícil" sobre reduzir ou não o ritmo de desenvolvimento, afirmou no domingo à CBS. Os Estados Unidos planejam discutir a segurança da IA em conversas paralelas à visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, no fim de setembro. Mas a China desconfia de qualquer tentativa dos Estados Unidos de impor suas próprias regras, segundo vários veículos de imprensa. A diferença é especialmente acentuada entre os modelos "abertos", de livre acesso, promovidos pela China, e os modelos "fechados" das grandes empresas americanas. Os modelos abertos são, por definição, mais difíceis de controlar, pois os usuários podem modificá-los e usá-los para fins maliciosos. Para que as grandes empresas não chinesas possam reduzir o ritmo, Amodei pede controles mais rigorosos sobre a exportação de chips americanos mais avançados para a China. Ele também defende medidas de proteção mais eficazes contra a apropriação indevida de tecnologias ocidentais de IA por laboratórios chineses. ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe Solen Feyissa/Unsplash
14/09/2026 16:21:03 +00:00
AirBaltic pede recuperação judicial nos EUA em meio à guerra com o Irã, diz agência

Placas da AirBaltic são vistas em uma aeronave Airbus A220-300 no Aeroporto Internacional de Riga, na Letônia, em 8 de agosto de 2018. REUTERS/Ints Kalnins/Arquivo A companhia aérea letã airBaltic entrou voluntariamente com um pedido de proteção contra falência sob o Capítulo 11 do Código de Falências dos Estados Unidos, em Nova York, nesta segunda-feira (14). A empresa busca reestruturar suas dívidas e enfrentar a crise que atinge o setor aéreo, agravada pelos impactos da guerra com o Irã. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A airBaltic informou que garantiu um compromisso de financiamento de € 350 milhões (US$ 405 milhões) de instituições financeiras, entre elas Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management. O dinheiro será usado para manter as operações durante o processo de reestruturação. O financiamento terá juros de cerca de 12% e ainda depende da aprovação da Justiça dos Estados Unidos, afirmou o CEO da airBaltic, Erno Hilden, em uma coletiva de imprensa. Agora no g1 "Nos próximos meses, iremos dialogar com todas as partes interessadas para chegar a um acordo sobre termos sustentáveis", disse Hilden. Segundo ele, a companhia espera obter uma melhora de € 44 milhões no resultado anual. A empresa afirmou que os voos continuarão operando normalmente durante o processo, que será acompanhado pela Justiça americana. A expectativa é concluir a reestruturação até junho de 2027. A guerra entre os Estados Unidos e o Irã fez os preços do combustível de aviação dobrarem, provocando a pior crise do setor de viagens aéreas desde a pandemia de Covid-19. Investidores e executivos alertam que companhias com situação financeira mais frágil correm risco de entrar em recuperação judicial ou falir. "A airBaltic vem enfrentando sérias dificuldades financeiras devido a uma combinação de fatores financeiros e geopolíticos", afirmou o conselho da companhia em um documento apresentado à Justiça dos Estados Unidos. A airBaltic possui aproximadamente US$ 583 milhões em dívidas e compromissos relacionados ao financiamento e ao aluguel de aeronaves. A empresa também deve € 106 milhões em impostos sobre a folha de pagamento e taxas e impostos relacionados à aviação, segundo o documento. A receita da companhia em 2025 foi de aproximadamente € 779 milhões. 'Uma das melhores opções' A airBaltic tem uma frota de cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300. A companhia é controlada majoritariamente pelo governo da Letônia, enquanto a alemã Lufthansa possui uma participação minoritária de 10%. Antes do pedido de proteção contra falência, os detentores de títulos da airBaltic deveriam votar um plano para captar até € 257 milhões por meio de uma nova dívida, com vencimento em fevereiro de 2027 e juros de 25%. O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, afirmou que o processo foi iniciado depois que investidores que detêm mais de 70% da dívida da empresa optaram pela liquidação. "Considero esta solução uma das melhores opções para garantir a viabilidade da airBaltic, pois fornece as ferramentas e o tempo necessários para implementar o plano de reestruturação", disse Kulbergs em comunicado. O governo continua buscando um investidor estratégico enquanto a airBaltic reduz sua frota e reorganiza suas dívidas, acrescentou o primeiro-ministro. A airBaltic é a segunda companhia aérea a entrar em colapso em meio aos efeitos da guerra com o Irã, após a Spirit Airlines, que encerrou suas operações em maio. A companhia americana de baixo custo havia entrado com pedido de falência meses antes do início do conflito, no fim de fevereiro, mas não conseguiu obter apoio dos credores para um plano de resgate do governo. Outras empresas do setor também enfrentam dificuldades. A AirAsia, maior companhia aérea de baixo custo do Sudeste Asiático, por exemplo, busca uma nova injeção de capital. Avião Airbus A220-300 da AirBaltic decola em Riga, na Letônia, em 16 de março de 2020. REUTERS/Ints Kalnins Capítulo 11 protege empresa de credores durante reestruturação Hilden, que comandou a companhia aérea escandinava SAS durante seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos entre 2022 e 2024, afirmou que a airBaltic busca seguir um caminho semelhante. "Isso lhes dá uma estrutura de proteção para colocar a casa em ordem... Não vejo por que a airBaltic não faria o mesmo que a SAS", disse o analista John Strickland. Yves Schwyter, fundador da Vectus Intelligence, empresa especializada em análise de riscos financeiros no setor de aviação, afirmou que o processo representa uma "estrutura de capital provavelmente mais sustentável do que a que estava em discussão há uma semana". A companhia aérea tinha planos de ampliar sua frota para 100 aeronaves e esperava aumentar o número de passageiros que fariam conexões em Riga, capital da Letônia, vindos da Rússia, Belarus e Ucrânia. "Isso não está mais disponível, e a empresa ficou grande demais para o mercado... O aumento dos custos de combustível agravou a situação, e eles não tiveram tempo de encontrar uma solução", disse o analista de aviação Simonas Bartkus. O primeiro-ministro Kulbergs afirmou, em um vídeo publicado no X, que até abril a airBaltic havia usado € 380 milhões obtidos com títulos emitidos em 2024. Um empréstimo emergencial de € 30 milhões concedido pelo governo também foi totalmente utilizado em junho, acrescentou. A companhia ainda tentou reduzir os custos com suas aeronaves excedentes por meio de contratos de aluguel. "Para operar as rotas entre os países bálticos e a Letônia, são necessárias apenas 30 aeronaves, e não 100", disse Kulbergs.
14/09/2026 14:46:38 +00:00
'Freio' na IA? Debate leva gigantes da tecnologia ao radar dos investidores; ações operam mistas

Bolsa de valores. Jornal Nacional/ Reprodução As ações das sete gigantes de tecnologia conhecidas no mercado financeiro como as "Sete Magníficas" operavam sem direção única nesta segunda-feira (14). Os papéis ficaram no radar dos investidores após executivos do setor defenderem uma desaceleração no avanço da inteligência artificial (IA) para tornar seu desenvolvimento mais seguro. O movimento ganhou força após um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude. No documento, o executivo afirma que o desenvolvimento da IA deve "avançar com muito cuidado" e apresenta três etapas para desacelerar esse avanço e ganhar tempo para lidar com os riscos da tecnologia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Precisamos desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA. O progresso continuará parecendo rápido, e precisamos fazer bom uso do tempo que ganharmos”, disse Amodei em um artigo compartilhado nas redes sociais. A defesa de mais cautela também recebeu apoio de executivos de outras grandes empresas do setor, como Sam Altman, da OpenAI — responsável pelo ChatGPT —, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind. Agora no g1 Veja as cotações das "Sete Magníficas" perto das 11h20: Apple: +0,24% Alphabet: +1,49% Amazon: -1,94% Meta Platforms: +0,94% Microsoft: +0,92% Nvidia: -3,68% Tesla: -2,10% Entenda o caso No último sábado (12), Amodei pediu que as empresas de IA reduzam o ritmo de avanço de seus modelos diante das crescentes preocupações com o uso indevido da tecnologia. O ensaio foi publicado depois que a Anthropic divulgou um relatório sobre ameaças que detalha como diferentes agentes teriam usado os modelos Claude em atividades que vão do desenvolvimento de armas e operações cibernéticas à vigilância e fraude. A preocupação com os possíveis riscos da IA aumentou nesta semana após o pesquisador da Anthropic Jacob Coxon pedir demissão. Segundo ele, “as pessoas que estão construindo IA acreditam sinceramente que ela pode acabar com todos nós até o fim da década”. O discurso recebeu apoio de outros nomes do setor. Sam Altman, CEO da OpenAI, por exemplo, disse concordar com Amodei e afirmou que o tema está entre as principais discussões dentro da empresa. "Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve", disse o executivo. A defesa de mais cautela ocorre após uma série de episódios que aumentaram as preocupações sobre o controle da tecnologia nos últimos meses, incluindo relatos de ataques realizados com IA. SAIBA MAIS: Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio? IA pelo mundo Além do debate entre executivos, declarações de autoridades sobre o desenvolvimento da IA também repercutem entre os investidores nesta segunda-feira. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país já dispõe de amplos poderes para responsabilizar criminalmente e regular empresas de IA. Ele também voltou a dizer que há uma "conspiração doentia" contra a tecnologia. “O único controle ou ‘limite’ de que a IA precisa é um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI alto!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump na Truth Social. Ele também afirmou que os questionamentos sobre o desenvolvimento da inteligência artificial beneficiariam a China, rival dos EUA no setor. Já a China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento da IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país. "Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo. A União Europeia, por sua vez, defendeu o avanço da inovação, mas cobrou das empresas garantias de segurança. SAIBA MAIS ABAIXO: Trump minimiza riscos e China vê ameaças: o que dizem os países sobre o desenvolvimento de IA
14/09/2026 14:14:31 +00:00
Freio na IA: Trump contra-ataca e fala em 'farsa' e 'conspiração doentia' para favorecer a China

Empresários das 'Big Tech' defendem desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar nesta segunda-feira (14) os apelos de líderes de empresas de inteligência artificial para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Trump afirmou que o apelo faz parte de uma "conspiração doentia" que beneficiará a China, maior rival geopolítico dos EUA e principal concorrente do país também no campo da IA. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ➡️ No fim de semana, o debate público sobre IA esquentou depois que dois pesquisadores ligados à empresa de IA Anthropic emitiram alertas de que o rápido avanço da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana num futuro não muito distante. O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou os alertas e indicou que não quer perder a corrida da IA para a China (leia mais abaixo). "Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e a única que fica feliz com isso é a China", escreveu o presidente norte-americano em sua rede social Truth Social. Mais tarde, ele voltou a tocar o tema, na mesma rede: "A ideia de que a IA dominará o mundo, destruirá a humanidade e causará todo tipo de desgraça não passa de uma farsa. O presidente Xi, da China, acaba de anunciar que o país não fará absolutamente nada para impedir o avanço da IA ​​ou o seu futuro", afrimou, e disse que pretende reverter a decisão do Google de construir um data center na Finlândia — ele quer que ele seja feito nos EUA. Na publicação, ele também defendeu os instrumentos regulatórios que os Estados Unidos já adotaram para controlar o desenvolvimento da IA. "O governo Trump impediu que o pessoal da IA ​​fizesse 'coisas' ruins ou potencialmente prejudiciais — como Dario (da Anthropic!), que agora finge ser um 'anjinho perfeito' — e continuaremos a fazer isso! Já temos um enorme poder CRIMINAL e REGULATÓRIO sobre essas empresas!", afirmou. O presidente norte-americano se referiu ao CEO da Anthropic, Dario Amodei, que defendeu, em um artigo publicado no sábado (12), que as empresas desacelerem o desenvolvimento de seus modelos de IA. Em outra postagem, ele disse ainda que "a única razão para o surto de IA/Data Centers estar acontecendo é porque os Estados Unidos estão liderando, com folga, todos os outros países. Não matem a galinha dos ovos de ouro!". ENTENDA: Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio TRUMP, CHINA, UE: Como líderes mundiais reagiram a apelo de CEOs por freio na IA China fala de 'forças hostis' Também nesta segunda, o chefe da Inteligência chinesa alertou que a inteligência artificial representa uma ameaça à segurança nacional do país, pois potências estrangeiras poderiam usá-la para minar a ordem social. Sem mencionar os EUA, o ministro da Segurança do Estado chinês, Chen Yixin, afirmou que "forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais". "Elas (forças hostis) estão travando guerras de opinião pública e guerras cognitivas contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica", afirmou. O alerta surge em um momento em que o líder chinês, Xi Jinping, tem um encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington neste mês, para uma reunião focada na governança e segurança da IA, em meio a crescentes apelos por controles mais rígidos sobre a tecnologia. Líderes tecnológicos dos EUA também pediram uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial. 'Quem vencer na IA, vence tudo', diz Trump O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres em Maryland, em 9 de setembro de 2026. Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP No domingo, Trump já havia rebatido os apelos de líderes de empresas de IA pela desaceleração da tecnologia. Trump comparou os críticos da IA a "forças muito negativas" que estão levantando cenários que não vão acontecer, e mencionou a necessidade de que os EUA sigam liderando a tecnologia, principalmente em relação à China. "Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo [...] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer", declarou Trump aos jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda, ao ser questionado se a indústria de IA deveria desacelerar ou ser mais regulamentada. Agora no g1
14/09/2026 14:02:26 +00:00
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