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Volvo EX30 Ultra Twin Motor divulgação/Volvo A Volvo fará um recall de mais de 40 mil unidades do SUV elétrico EX30, seu carro-chefe, após identificar risco de superaquecimento nos pacotes de bateria, informou a Reuters na segunda-feira. A iniciativa pode afetar a reputação de segurança construída pela montadora ao longo de décadas e gerar custos de milhões de dólares. O recall prevê a substituição de módulos dos pacotes de baterias de alta tensão do SUV compacto, peça central da estratégia da Volvo para enfrentar marcas chinesas de menor preço. A segurança das baterias é um tema sensível tanto para fabricantes de veículos elétricos quanto para os consumidores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ao todo, 40.323 unidades do EX30 nas versões Single-Motor Extended Range e Twin-Motor Performance, equipadas com essas células de alta tensão, são afetadas, informou a montadora sueca — controlada majoritariamente pela chinesa Geely — em resposta a questionamentos da Reuters. “Estamos entrando em contato com os proprietários de todos os carros afetados para orientá-los sobre os próximos passos”, afirmou a Volvo. As ações da Volvo recuaram 4% após a reportagem da Reuters sobre o recall. Na corrida pelo desenvolvimento de veículos elétricos, algumas montadoras já enfrentaram problemas relacionados às baterias. Em 2020, um risco de incêndio levou a General Motors a convocar um recall de 140 mil unidades do Chevrolet Bolt, equipadas com baterias fornecidas pela LG, a um custo estimado de US$ 2 bilhões. Os problemas nas baterias da Volvo surgem em um momento em que a montadora busca economizar US$ 1,9 bilhão e ampliar a integração com sua controladora, a chinesa Geely. As baterias foram produzidas por uma joint venture apoiada pelo grupo, a Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co.. Segundo a Volvo, o fornecedor já corrigiu a falha e será responsável pelo fornecimento das novas células. “ELES PRECISAM ACERTAR” A Volvo informou que fará a substituição gratuita das unidades afetadas e recomendou que, até a conclusão do reparo, os proprietários limitem a recarga a 70% para reduzir o risco de incêndio. “O EX30, em especial, é muito importante para a Volvo, então eles precisam acertar”, disse Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global de veículos da empresa de pesquisa AutoForecast Solutions. Desde dezembro, a Volvo orientou proprietários do EX30 em mais de uma dúzia de países — incluindo Estados Unidos, Austrália e Brasil — a estacionar os veículos longe de edifícios e limitar a recarga a 70%, segundo registros regulatórios e a própria empresa. Andy Palmer, veterano da indústria automotiva, afirmou que a Volvo tem menos margem para erros do que suas rivais, já que a reputação de segurança é um elemento central da identidade da marca. “A Volvo não pode se dar ao luxo de um problema de segurança, porque isso atinge o coração da marca”, disse ele. Custo potencialmente elevado para corrigir o problema da bateria Os novos módulos de bateria de reposição podem custar até US$ 195 milhões, sem considerar despesas de logística e reparo, segundo uma análise da Reuters baseada em estimativas do que um fabricante chinês de baterias poderia cobrar. A Volvo afirmou que esses cálculos são “de natureza especulativa” e que segue em negociações com o fornecedor. Antes da divulgação do recall, a Reuters ouviu dois proprietários do EX30 que manifestaram interesse em devolver seus veículos, o que reforça o impacto potencial do problema. O corretor de seguros britânico Matthew Owen disse que escolheu o EX30 pela autonomia e pela reputação de segurança da Volvo, acrescentando que a montadora deveria assumir a responsabilidade por estar “produzindo um carro que é perigoso”. Tony Lu, proprietário de um EX30 na Nova Zelândia, afirmou que teve custos adicionais, já que a limitação da recarga reduziu a autonomia do veículo. “Eu ficaria absolutamente encantado se eles recomprassem o carro”, disse Lu.

Donald Trump aumenta tarifa global de importação para 15% A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu realizou nesta segunda-feira (23) uma reunião extraordinária para avaliar a derrubada do tarifaço de Trump pela Suprema Corte na relação entre a Europa e os Estados Unidos. Os eurodeputados decidiram suspender o processo de implementação do acordo comercial entre o bloco e os EUA. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Zeljana Zovko, do partido de direita PPE, explicou que a suspensão ocorrerá “enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias” anunciadas pelo presidente americano. A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento deveria deliberar na terça-feira sobre a implementação do acordo, antes de uma votação em sessão plenária prevista para o próximo mês. 🔎 O acordo, concluído em julho após intensas negociações entre Bruxelas e Washington, permitiu limitar a 15% as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos europeus, uma porcentagem abaixo dos 30% que o presidente americano havia ameaçado aplicar. Em troca, a UE se comprometeu a eliminar suas próprias tarifas sobre importações americanas, o que exige aprovação do Parlamento Europeu. A Comissão Europeia, que espera que os Estados Unidos respeitem esse acordo comercial, pediu no domingo (22) “esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar” após a decisão da Suprema Corte. A China também avalia as consequências das medidas e pressiona Washington a suspender as taxas “unilaterais”. Em comunicado, o ministro do Comércio chinês afirmou nesta segunda-feira que o país "defenderá com firmeza seus interesses". "Revés" e "derrota contundente" A reação do presidente americano à decisão da Suprema Corte dos EUA, que considerou ilegal e, consequentemente, anulou o tarifaço imposto em abril de 2025 a vários países, está estampada na primeira página dos jornais franceses. Libération fala em "revés significativo". Inicialmente, Trump reagiu anunciando uma sobretaxa global de 10%, mas 24 horas depois aumentou a tarifa para 15%. Nessa manobra para driblar a decisão da Suprema Corte americana, o republicano se baseou em uma lei de 1974. O problema é que o texto limita a duração da nova sobretaxa, que entrará em vigor na terça-feira, a 150 dias, informa o Libération. Ela só pode ser prorrogada com aprovação do Congresso. A derrota de Trump foi "contundente", salienta o jornal Les Echos. O diário econômico explica que o presidente americano tenta, com o anúncio, "tapar as rachaduras provocadas pela decisão da Suprema Corte". A reportagem afirma que as tarifas comerciais são a “outra arma” de Trump. Segundo Les Echos, talvez esta seja a ocasião para renegociar a relação transatlântica entre os Estados Unidos e a Europa e revisar o acordo desigual assinado em julho entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. "Confusão sobre o comércio mundial" Para o Le Figaro, “a confusão reina novamente sobre o comércio mundial”. As novas tarifas alfandegárias globais de 15% podem potencialmente cancelar os acordos assinados com diversas potências, incluindo a Europa. Elas também abrem caminho para o reembolso de cerca de uma centena de bilhões de dólares das sobretaxas já recolhidas. O La Croix avalia, em seu editorial, que a decisão da Suprema Corte faz vacilar o programa econômico e diplomático do presidente americano, que “está de volta à realidade”. Ao considerar que Trump não tinha o direito de impor o tarifaço sem passar pelo Congresso, os magistrados reafirmaram sobretudo os limites de seu poder político. Já era tempo, segundo o jornal católico. Desde a reeleição em 2024, o republicano, deslumbrado com seu poder, vem multiplicando decisões autoritárias, como no caso das tarifas alfandegárias, da prisão de Nicolás Maduro na Venezuela ou do envio da Guarda Nacional a cidades democratas. A derrota jurídica, decidida por seis dos nove juízes da corte — três deles conservadores — reforça a primazia da Constituição sobre o poder presidencial e a existência de contrapesos na democracia americana. Ela também enfraquece o republicano antes das importantes eleições de meio de mandato, em novembro. A expectativa é grande para o discurso sobre o Estado da União de Donald Trump, na terça-feira (24), indica La Croix Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França Antoine Schibler/Unsplash

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (23) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade. Tema da campanha eleitoral deste ano e destaque nas redes sociais, o debate do fim da escala 6x1 pode ser pautado ainda em 2026 no Congresso Nacional. "Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A projeção da CNI considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores. Proporcionalmente, diz a entidade, o impacto para o setor industrial pode ser de até 11,1% da folha de salários, o que resultaria em aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões (horas extras para os atuais empregados) e de R$ 58,5 bilhões anuais (considerando a contratação de novos trabalhadores). Segundo a projeção da CNI, de um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção. Exemplos de impactos por setores econômicos: Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6% Indústria da construção: de 8,8% a 13,2% Comércio: entre 8,8% e 12,7% Agropecuária: 7,7% e 13,5% Supermercado de Araraquara adota a escala 5x2 e funcionários aprovam Reprodução/EPTV Micro e pequenas empresas A entidade avaliou, ainda, que as empresas industriais de menor porte seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho, uma vez que a proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais é maior nessas empresas. "A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho", diz Ricardo Alban, da CNI. Para o presidente da CNI, a discussão sobre a redução da jornada e mudança da escala de trabalho exige cautela e, se não for feita com o devido debate e análise criteriosa dos impactos, corre o risco de comprometer não apenas a competitividade da indústria, mas toda a economia e o desenvolvimento do país. "Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes, além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui.

Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta segunda-feira (23) que qualquer país que quisesse "brincar" após a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço enfrentaria taxas "muito mais altas". "Qualquer país que queira 'brincar' com a ridícula decisão da Suprema Corte, especialmente aqueles que 'exploraram' os EUA por anos, ou mesmo décadas, enfrentarão tarifas muito mais altas e piores do que aquelas que acabaram de aceitar. CUIDADO, COMPRADOR!!!", escreveu Trump em uma publicação no Truth Social. Na última semana, o tribunal decidiu que as tarifas impostas por Trump no ano passado, com base em uma lei de emergência nacional, eram ilegais. De acordo com a Suprema Corte, o republicano teria extrapolado sua autoridade ao impor as taxas, indicando que o presidente precisaria contar com uma "autorização clara do Congresso" para justificar a imposição do tarifaço — o que não aconteceu. A decisão reacendeu a incerteza em outros países sobre acordos comerciais já assinados ou pendentes com os Estados Unidos. Mais cedo, por exemplo, parlamentares da União Europeia decidiram adiar a votação do acordo comercial com os americanos devido à imposição de uma taxa de importação geral de 15% por parte de Trump. (Entenda mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que aconteceu? A decisão da Suprema Corte dos EUA foi anunciada na última sexta-feira (20). Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo. Em resposta à decisão da Suprema Corte, Trump anunciou no último sábado (21) que elevará as tarifas globais de importação para 15%. O anúncio foi feito em uma postagem em seu perfil na rede social Truth Social. Segundo Trump, a medida tem o objetivo de corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que, na sua avaliação, prejudicaram a economia americana. LEIA MAIS Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil Países reagem à derrubada das tarifas de Trump pela Suprema Corte dos EUA União Europeia decide adiar votação de acordo com os EUA Diante das incertezas sobre o tarifaço e da nova taxa de importação geral de 15% imposta por Trump, o Parlamento Europeu decidiu nesta segunda-feira adiar a votação do acordo comercial da União Europeia com os EUA. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters. A assembleia da UE tem debatido propostas legislativas para eliminar taxas de importação da UE sobre produtos norte-americanos, uma parte fundamental do acordo firmado em Turnberry, na Escócia, no final de julho do ano passado. O objetivo também é tentar manter a isenção de tarifas sobre lagostas dos EUA, inicialmente acordada com Trump em 2020. As propostas exigem a aprovação do Parlamento e dos governos da UE. A comissão de comércio do Parlamento deveria votar na terça-feira, mas a votação foi adiada, sendo esta a segunda suspensão por parte dos parlamentares da UE. Anteriormente, eles suspenderam seus trabalhos sobre o acordo em protesto contra as exigências de Trump de adquirir a Groenlândia e as ameaças de tarifas extras sobre os aliados europeus que se opunham ao seu plano. Muitos parlamentares reclamaram que o acordo comercial em si é desigual, com a UE obrigada a reduzir a maioria das taxas de importação, enquanto os EUA mantêm uma taxa ampla de 15%. No entanto, eles pareciam anteriormente dispostos a aceitá-lo, embora com condições, como uma cláusula de caducidade de 18 meses e medidas para responder a possíveis aumentos nas importações dos EUA. *Com informações da agência de notícias Reuters.

O mercado imobiliário brasileiro fechou 2025 com resultados históricos, mesmo em um ambiente de crédito mais caro. Ao longo do ano, foram lançadas 453.005 unidades residenciais, um crescimento de 10,6% em relação a 2024, enquanto as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4%. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (23) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também apontam que o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) teve papel central no desempenho do ano passado. O programa respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no quarto trimestre, consolidando-se como o principal motor do setor. (Entenda mais abaixo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 📈 Em valores, o setor imobiliário registrou um Valor Geral de Lançamentos (VGL) de R$ 292,3 bilhões — indicador que soma o valor potencial dos imóveis lançados — e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, que mede o volume financeiro efetivamente comercializado no período. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), mesmo com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o incorporador continuou percebendo demanda e manteve o ritmo de lançamentos ao longo do período. “As vendas também atingiram recordes, com a curva apontando para cima, o que mostra a resiliência do mercado imobiliário e a sua saúde do ponto de vista dos negócios”, afirmou. Junto ao avanço nos lançamentos e nas vendas, a oferta de imóveis — isto é, o estoque disponível para comercialização — cresceu 8% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, encerrando o ano com 347.013 unidades. Além disso, o último trimestre de 2025 consolidou a tendência de crescimento ao também registrar recordes trimestrais. Entre outubro e dezembro, os principais indicadores atingiram os seguintes patamares: 📦 Lançamentos: 133.811 unidades, alta de 18,6% em relação ao trimestre anterior; 🏠 Vendas: 109.439 unidades comercializadas no período; 💰 Valor Geral de Vendas (VGV): R$ 67,2 bilhões no trimestre. “Se fizermos a média diária, chegamos ao número de 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas em São Paulo”, aponta Petrucci. Minha Casa Minha Vida como pilar do setor De acordo com a CBIC, foram lançadas 224.842 unidades no MCMV ao longo do ano, alta de 13,5% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas somaram 196.876 unidades, avanço de 15,9% no período. Segundo ele, o orçamento e os desembolsos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) atingiram o maior patamar histórico em 2025, somando R$ 142,3 bilhões, abaixo apenas da dotação prevista para 2026, de R$ 160,5 bilhões. “O programa Minha Casa, Minha Vida vai indo muito bem, obrigado”, afirmou, ao avaliar que a disponibilidade de recursos permitiu a expansão dos lançamentos e das vendas ao longo do ano. O impacto foi mais forte nas regiões Sudeste e Norte, onde o programa representou, respectivamente, 55% e 56% das vendas no último trimestre do ano. A oferta do MCMV também cresceu ao longo de 2025, e, no ritmo atual de vendas, o estoque seria consumido em cerca de 7,9 meses, caso não houvesse novos lançamentos. Perspectivas para 2026 A pesquisa também apontou que 50% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses. Entre os potenciais compradores, 37% ainda não iniciaram a busca, 8% já pesquisam online e 5% visitam imóveis. 🔎 O tipo mais desejado é apartamento (48%), seguido por casa em rua (34%), casa em condomínio (15%) e terreno (3%). Os principais motivos da compra são sair do aluguel, buscar mais espaço ou deixar a casa dos pais. Para a CBIC, a intenção de compra elevada reforça a sustentação da demanda. “A projeção da demanda potencial permanece elevada e cita fatores como o elevado grau de intenção de compra, a expectativa de queda na taxa básica de juros e a melhora nas condições de crédito”, reforça Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC. Para 2026, o cenário tende a ser mais favorável. Apesar dos juros estarem no maior nível em duas décadas, a expectativa é de início do ciclo de cortes a partir de março, o que pode reduzir o custo do crédito imobiliário. Além disso, a meta do governo de contratar 3 milhões de unidades no Minha Casa, Minha Vida até o fim do ano sinaliza a manutenção de um ritmo elevado de contratações no segmento. Minha Casa, Minha Vida Tomaz Silva/Agência Brasil

Azul recebe aviões e prevê novas rotas internacionais a partir de 2027 A Azul afirmou que deve retomar o crescimento de rotas internacionais a partir de 2027, após concluir a transição de frota prevista para este ano. A informação foi dada pelo CEO John Rodgerson durante coletiva nesta segunda-feira (23). O executivo reforçou que 2026 será um período de reorganização operacional, com a chegada de novas aeronaves e devolução de modelos mais antigos, após a saída da empresa do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos - mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil. Rodgerson também descartou a possibilidade de retomar as negociações de fusão entre Azul e Gol por não haver necessidade de combinação das empresas após o processo de recuperação judicial nos EUA - entenda abaixo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Ainda na coletiva, o CEO confirmou que as companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da companhia com os aportes de 100 milhões de dólares anunciados no dia 19 de fevereiro. No caso da American, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Renovação da frota Segundo Rodgerson, a Azul vai receber dois A330neo novos de fábrica nos próximos meses, ao mesmo tempo em que devolverá aviões mais antigos que tinham custo mais alto de arrendamento. A troca deve ocorrer ao longo de cerca de seis meses. O CEO destacou que os novos modelos têm custo operacional menor do que os que estão sendo retirados. Além dos jatos de longo curso, a companhia continuará recebendo aeronaves da Embraer — entre cinco e seis por ano — e reativará três aviões que estavam parados por problemas técnicos. A empresa opera hoje uma frota de 175 aeronaves ativas. Crescimento internacional após transição Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha Ana Clara Marinho/g1 De acordo com o CEO, a expansão de voos para o exterior só deve ocorrer depois que a companhia concluir a renovação da frota. A Azul já opera rotas para Estados Unidos e Europa, além de destinos como Montevidéu e, sazonalmente, Bariloche. “Vamos continuar crescendo internacionalmente, mas isso será mais a partir de 2027, não em 2026”, afirmou Rodgerson. Ele explicou que o foco deste ano é substituir aeronaves, reorganizar a malha e preparar a companhia para voltar a expandir com segurança financeira. Azul descarta fusão com a Gol Questionado sobre a possibilidade de retomar negociações com o Grupo Abra, controlador da Gol e da Avianca, Rodgerson afirmou que a fusão não está nos planos da companhia. O CEO explicou que, antes de entrar no Chapter 11, uma fusão poderia ter sido considerada como solução para enfrentar o alto endividamento. No entanto, com o novo balanço e o nível atual de alavancagem, a Azul não vê necessidade de combinação de negócios. “Não está na mesa. Saímos do processo com dívida menor e uma empresa mais saudável”, afirmou. Saída do Chapter 11 Azul diz recuperação judicial reduziu dívida de empréstimos e financiamentos em US$ 1,1 bi O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas significou, segundo o comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos. Somada à queda nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves, que foi de cerca de 40%, a redução nos dividendos chega a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares. Além disso, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações. Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação judicial, a empresa estimava a eliminação de mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 11,28 bilhões) e o aporte financeiro de 950 milhões de dólares. Os outros resultados indicados pela companhia são: redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11; redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves; captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors e 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

American e United ficam com 8% da Azul após aporte de US$ 100 milhões A Azul Linhas Aéreas informou, nesta segunda-feira (23), que as companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines terão, cada uma, 8% das ações da companhia com os aportes de 100 milhões de dólares anunciados no dia 19 de fevereiro. No caso da American, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O CEO da Azul, John Rodgerson, conversou com jornalistas nesta segunda para detalhar a saída do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos - mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil. Segundo Rodgerson, a United já era parceira da companhia brasileira há cerca de 12 anos e participou do conselho da empresa nesse período. Agora, com a nova estrutura societária, American e United passarão a ser “acionistas de referência”, embora nenhuma das duas tenha direito automático a indicar membros ao conselho — condição prevista dentro do plano aprovado na Justiça dos Estados Unidos. Azul prevê novas rotas internacionais a partir de 2027 e descarta fusão com a Gol Novo 'codeshare' Além do aporte financeiro, o acordo também envolve ampliação de parcerias comerciais. A Azul mantém um acordo de compartilhamento de voos (codeshare) com a United, e agora deverá adotar um modelo semelhante com a American. "Já temos um codeshare há mais de 12 anos já com o United, e sim, nós temos um acordo para ter isso também com o American Airlines como um novo parceiro nosso. Então, isso é natural, eles vão fazer parte da nossa base acionária e também é um acordo comercial", explicou o CEO. Apesar do anúncio, Rodgerson não detalhou o acordo e explicou que ele ainda deve passar pela aprovação do Cade. "Eu acho que a ideia pode ser similar ao que nós já temos com o United. E se tem que passar pela aprovação do Cade, vai passar e faz parte. É um acordo comercial como qualquer outro", completou. A saída do Chapter 11 foi anunciada na noite de sexta-feira (20) pela companhia aérea brasileira. No comunicado, a companhia destacou que o processo foi concluído em nove meses. Antes mesmo de anunciar o fim da recuperação judicial, a Azul havia anunciado três acordos para investimentos de 300 milhões de dólares, feitos pelas duas empresas aéreas norte-americanas, além de outros credores, como parte do processo de recuperação judicial. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Resultados apresentados Azul diz recuperação judicial reduziu dívida de empréstimos e financiamentos em US$ 1,1 bi O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas significou, segundo o comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos. Somada à queda nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves, que foi de cerca de 40%, a redução nos dividendos chega a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares. Além disso, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações. Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação judicial, a empresa estimava a eliminação de mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 11,28 bilhões) e o aporte financeiro de 950 milhões de dólares. Os outros resultados indicados pela companhia são: redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11; redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves; captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors e 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity. Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha Ana Clara Marinho/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Trump sobe de 10% para 15% tarifa global sobre importações O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a Suprema Corte nesta segunda-feira (23), após a decisão que derrubou as tarifas comerciais aplicadas a outros países e limitou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o tribunal, apesar de restringir sua atuação, acabou lhe dando “muito mais poder e força” para agir contra parceiros comerciais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça “A Suprema Corte dos Estados Unidos, por um completo desrespeito, me deu acidentalmente e sem querer muito mais poder e força do que eu tinha antes de sua ridícula, estúpida e extremamente divisiva internacionalmente decisão”, escreveu. Segundo Trump, a decisão do tribunal de barrar as tarifas permitiria o uso de outros instrumentos legais para pressionar países estrangeiros. “Posso usar autorizações comerciais para fazer coisas absolutamente ‘terríveis’ com países estrangeiros, especialmente aqueles que vêm nos explorando há décadas”, declarou. Trump também criticou o fato de, segundo ele, a decisão impedir a cobrança direta de taxas por meio dessas autorizações comerciais. “Todas as licenças [autorizações comerciais] cobram taxas. Por que os Estados Unidos não podem fazer isso? Você faz uma licença para receber uma taxa”, afirmou, acrescentando que a Corte “não explica isso, mas eu sei a resposta.” Em tom duro, o presidente disse que os ministros erraram ao favorecer, em sua visão, outros países. “Nossa Suprema Corte incompetente fez um grande trabalho para as pessoas erradas, e por isso deveria se envergonhar”, escreveu, fazendo uma exceção a três ministros que votaram contra a derrubada de tarifas, que chamou de “os grandes três”. Poucas horas após a publicação, Trump ainda afirmou que não precisa de autorização do Congresso para impor tarifas comerciais, pois, segundo ele, essa prerrogativa já teria sido concedida anteriormente. “Como presidente, não preciso voltar ao Congresso para obter aprovação para tarifas. Isso já foi concedido há muito tempo, de várias formas”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. O republicano acrescentou que esse entendimento teria sido reforçado pela decisão da Suprema Corte, que ele voltou a classificar como “ridícula” e “mal elaborada”. “Elas também foram reafirmadas pela decisão da Suprema Corte”, declarou. EUA encerram parte do tarifaço Na noite da última sexta-feira (20), a Casa Branca confirmou o fim de parte do tarifaço do governo Donald Trump e, ao mesmo tempo, anunciou a criação de uma nova tar ifa global de 10% sobre importações, posteriormente elevada para 15%, com início previsto para esta terça-feira (24). A mudança ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir, por 6 votos a 3, que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente a impor tarifas de forma ampla e unilateral. Com isso, foram invalidadas as chamadas tarifas “recíprocas”, que estavam no centro da política comercial do governo. Em resposta ao revés judicial, Trump recorreu a outros instrumentos da legislação comercial americana, como a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a adoção de tarifas temporárias por até 150 dias, e à Seção 301, usada para investigar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. A nova tarifa de 15% será aplicada de forma geral, mas terá exceções, como produtos do Canadá e do México dentro do acordo USMCA (Acordo EUA-México-Canadá), além de alguns alimentos, medicamentos, minerais críticos, energia e certos eletrônicos. As tarifas já existentes sobre aço e alumínio não foram afetadas pela decisão da Suprema Corte e continuam em vigor. Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar inverteu o sinal positivo visto no início da sessão e fechou em queda de 0,14% nesta segunda-feira (23), cotado a R$ 5,1685. Esse é o menor patamar da moeda desde 28 de maio de 2024, quando fechou em R$ 5,1534. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também tinha desvalorização na última hora do pregão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Nos Estados Unidos, a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, na última sexta-feira (20), continuou no centro das atenções. Após a medida, Trump anunciou que uma nova alíquota global de 15%, reforçando o tom mais agressivo na estratégia comercial e aumentando a incerteza nos mercados financeiros. Para o Brasil, apesar de a decisão ter anulado todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), a taxa de 15% anunciada pelo republicano no sábado também deve valer para os produtos brasileiros. ▶️ No Brasil, os economistas reduziram pela sétima vez consecutiva a previsão de inflação para 2026. A estimativa passou de 3,95% para 3,91%, segundo o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. A projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026 também recuou, de 12,25% para 12,13% ao ano. ▶️A agenda econômica da semana ainda conta com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, e novos dados de emprego. No exterior, o foco fica com o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA e decisões de juros pelo banco central da China. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,14%; Acumulado do mês: -1,51%; Acumulado do ano: -5,83%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,18%; Acumulado do mês: +5,06%; Acumulado do ano: +18,25%. Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, na última sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço". Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo. Resposta de Trump A política tarifária do republicano ganhou novos contornos no sábado (21), quando ele anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas por até 150 dias antes da avaliação do Congresso. As novas taxas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA. Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos. Ao g1, o especialista em comércio exterior Jackson Campos explicou que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirmou. Campos lembrou ainda que a entrada de aço e alumínio brasileiros nos EUA continua com alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado. LEIA MAIS ENTENDA: Mudanças no tarifaço e como ficam as cobranças para o Brasil Brasil e China são os mais beneficiados com nova alíquota global de Trump, diz estudo Veja a cronologia e como ficam as tarifas para o Brasil Agenda econômica Boletim Focus O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central, mostra que os economistas reduziram a previsão de inflação para 2026 de 3,95% para 3,91%. Esse foi o sétimo corte seguido na estimativa. Se o cenário se confirmar, a inflação medida pelo IPCA ficará abaixo do resultado de 2025, quando atingiu 4,26%. Para 2027, a projeção de inflação foi mantida em 3,80%. O mercado também continua esperando queda dos juros: a estimativa para a taxa básica ao fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13% ao ano, enquanto a previsão para 2027 permaneceu em 10,50%. Em relação à atividade econômica, os analistas elevaram levemente a expectativa de crescimento do PIB em 2026, de 1,80% para 1,82%. Já para o dólar, a projeção é de recuo em 2026, mesmo em ano eleitoral, passando de R$ 5,50 para R$ 5,45. Para 2027, a estimativa seguiu estável em R$ 5,50. Mercados globais Nos Estados Unidos, a semana começou sob um ambiente de incerteza após novas mudanças na política tarifária anunciadas pelo presidente Donald Trump e os três principais índices de Wall Street operavam em queda. Na Europa, o tom foi de pressão sobre os mercados. Sem grandes notícias internas, o humor dos investidores refletiu principalmente as preocupações vindas do exterior, em especial dos EUA. No fechamento, o índice STOXX 600 recuou 0,45%, para 627,70 pontos. O DAX, da Alemanha, caiu 1,06%, a 24.991,97 pontos, enquanto o CAC 40, em Paris, recuou 0,22%, para 8.497,17 pontos. Já o FTSE 100, no Reino Unido, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, a 10.684,74 pontos. Na Ásia, parte das principais bolsas, como Japão e China continental, permaneceu fechada por feriados, reduzindo o volume de negociações na região. O Hang Seng, em Hong Kong, subiu 2,5%, aos 27.081,91 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,7%, para 5.846,09 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve alta de 0,5%, enquanto o Sensex, na Índia, subiu 0,6%. Já o SET, da Tailândia, encerrou o dia praticamente estável. Dólar freepik

Loja Natura Divulgação A Natura Cosméticos fechou um acordo para encerrar definitivamente um processo judicial nos Estados Unidos envolvendo a antiga subsidiária Avon, relacionado a acusações de contaminação por amianto em produtos de talco. O pagamento será de US$ 67 milhões (R$ 346 milhões) e ocorrerá em 6 de março de 2026, informou a companhia em comunicado divulgado nesta segunda-feira (23). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A decisão foi tomada após a Corte de Apelação da Califórnia manter a condenação de primeira instância contra a Avon Products Inc. (API) no caso conhecido como Chapman. O valor atualizado da sentença é estimado em cerca de US$ 68,8 milhões (R$ 356 milhões). Diante desse cenário, a Natura decidiu firmar um acordo para encerrar o litígio, valor que já estava provisionado em seu balanço de 31 de dezembro de 2025, na linha de operações descontinuadas. Segundo a empresa, durante o processo de recuperação judicial da API (Chapter 11), uma subsidiária do grupo assumiu a responsabilidade por eventual condenação ao contratar um seguro vinculado ao recurso apresentado pela antiga controlada. O impacto financeiro do desembolso será, em grande parte, compensado por recursos provenientes da venda de ativos da Avon. A companhia espera receber US$ 22 milhões com a venda da operação na América Central e na República Dominicana e € 26,9 milhões com a alienação da Avon na Rússia, operações anunciadas em setembro de 2025 e fevereiro de 2026, respectivamente. A Natura ressaltou que o acordo não representa reconhecimento de culpa ou de irregularidades por parte da companhia ou de suas controladas. A empresa acrescentou ainda que o caso Chapman era o último processo judicial ligado à API sobre o qual tinha qualquer tipo de responsabilidade financeira. Com o encerramento do litígio, a companhia informa que conclui sua participação nas disputas envolvendo a antiga controlada e reforça o foco no crescimento das operações na América Latina. Relembre o caso Em 2022, a Avon foi condenada nos Estados Unidos a pagar US$ 46,3 milhões após uma mulher afirmar que produtos à base de talco da empresa contribuíram para o desenvolvimento de mesotelioma, um tipo raro de câncer associado ao amianto. A Natura&Co, controladora da Avon na época, recorreu da decisão, alegando falhas no julgamento e defendendo que nunca utilizou amianto em suas fórmulas. O júri determinou o pagamento de US$ 36 milhões por danos compensatórios e US$ 10,3 milhões por danos punitivos. O caso foi movido por Rita-Ann Chapman e seu marido, que afirmam que os produtos vendidos desde a década de 1950 estavam contaminados durante a extração do talco.

Os economistas do mercado financeiro reduziram de 3,95% para 3,91% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. Esse foi o sétimo recuo seguido do indicador. A estimativa faz parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 3,80%; ➡️ Para 2028, a previsão foi mantida em 3,50%; ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Taxa de juros Após a taxa básica da economia ter sido mantida 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase 20 anos —, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano. Para o fim de 2026, a projeção recuou de 12,25% para 12,13% ao ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Desaceleração da atividade Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento avançou de 1,80% para 1,82% na semana passada. O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE. ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Taxa de câmbio em queda O mercado financeiro projetou queda na taxa de câmbio neste ano, apesar do período eleitoral — que costuma pressionar o dólar para cima. Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% no ano passado, resultado também dos juros altos no Brasil, e fechado 2025 em R$ 5,4887, os economistas dos bancos reduziram a expectativa. Passaram a acreditar que a taxa terminará 2026 em R$ 5,45, ao invés de R$ 5,50. Para o fim de 2027, a estimativa do mercado para o dólar permaneceu em R$ 5,50. ▶️ O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década. A trajetória reflete apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.

Enel Reuters/via BBC A Enel tem mantido negociações para apresentar uma solução definitiva para os apagões na rede de distribuição de energia em São Paulo, afirmou nesta segunda-feira (23) o presidente-executivo do grupo, Flavio Cattaneo. “Temos uma base de diálogo que nos permite propor uma solução final para evitar esse tipo de problema”, disse o executivo durante a apresentação ao mercado do novo plano estratégico da companhia para os próximos anos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ele destacou as dificuldades da rede elétrica aérea na região metropolitana de São Paulo, principalmente por causa da queda de árvores, que danificam os cabos e tornam mais lento o restabelecimento do fornecimento. “Na nossa avaliação, não se trata apenas de um problema da Enel. Se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver — e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”, afirmou. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Os cabos estão dentro das árvores, não perto ou ao lado. Em caso de tempestade ou situação excepcional, é impossível impedir a interrupção do serviço.” Segundo Cattaneo, o departamento jurídico da empresa e a subsidiária brasileira apresentaram às autoridades locais os resultados da companhia, que teria melhorado em 50% a qualidade do serviço em São Paulo no último ano. O executivo acrescentou que, no Ceará e no Rio de Janeiro — os outros dois estados onde a empresa atua na distribuição de energia e busca a renovação de contratos —, as negociações para a prorrogação das concessões estão praticamente concluídas. Os serviços da Enel estão sob forte escrutínio público no Brasil desde o fim de 2024, quando concessionárias do grupo levaram dias para restabelecer o fornecimento após eventos climáticos extremos. Os problemas são mais evidentes na região metropolitana de São Paulo, onde uma série de apagões após tempestades nos últimos anos expôs dificuldades da empresa em responder rapidamente a situações de emergência, segundo fiscalizações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O governo e a Aneel discutem uma eventual caducidade do contrato da Enel em São Paulo. O processo começou a ser analisado pela agência reguladora em novembro do ano passado, mas foi suspenso após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira. Diante da pressão pública, o escopo da análise foi ampliado para incluir o grande apagão ocorrido em dezembro do ano passado, que afetou 4,4 milhões de consumidores. Retorno à pauta A Aneel deve avaliar nesta terça-feira um pedido de Gentil Nogueira por mais 60 dias para elaborar seu voto e recolocar em pauta o processo de eventual caducidade da Enel São Paulo na reunião da diretoria da agência. Segundo o diretor, o prazo adicional é necessário para garantir à empresa o direito à ampla defesa, após a última fiscalização da Aneel apontar desempenho insatisfatório da concessionária no apagão de dezembro. O pedido já recebeu manifestação contrária do diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, que reforçou, em ofício enviado na sexta-feira, a necessidade de deliberação “em caráter de urgência”. A Enel tem se defendido com pareceres jurídicos de especialistas como Marçal Justen Filho e Gustavo Binenbojm. Segundo essas análises, seria ilegal e inconstitucional que a Aneel avalie a eventual caducidade da concessão incluindo o apagão de dezembro. A abrangência da análise já era uma dúvida quando o processo começou a ser discutido, em novembro do ano passado. À época, diretores da Aneel cogitavam estender a avaliação até março deste ano para incluir o período de chuvas, que costuma trazer mais desafios às distribuidoras. Novos investimentos globais A Enel anunciou nesta segunda-feira um plano de investimentos de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com maior foco em energias renováveis, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. A empresa não detalhou o volume destinado ao Brasil, mas informou que cerca de 6,2 bilhões de euros serão direcionados às operações na América Latina — Brasil, Chile, Colômbia e Argentina —, “sujeitos à existência de um ambiente regulatório previsível e a uma visão clara do futuro”. Enel produz laudo sobre podas Um projeto-piloto da Enel São Paulo mapeou 770 mil árvores na área de concessão da empresa na Grande São Paulo de forma colaborativa com as respectivas prefeituras. O levantamento apontou que 9 das 145 árvores que efetivamente caíram durante o apagão de dezembro de 2025 na região tinham risco. A informação foi encaminhada pela Enel à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entre os dias 10 e 11 de dezembro, mais de 4 milhões de imóveis ficaram no escuro depois de uma ventania histórica atingir a região. A perícia contratada pela Enel começou em outubro de 2024 apontou que a principal causa da queda das árvores foi a força do vento. De acordo com o laudo, problemas secundários, como a presença de fungos, também contribuíram para o tombamento. Veja detalhes na reportagem abaixo. Laudo da Enel apontou risco em 9 de 145 árvores que caíram no apagão de dezembro em SP

Cidade de São Paulo vive boom de lançamentos de apartamentos classificados como moradias populares, mas quantos estão realmente chegando ao público-alvo? Caroline Souza/BBC Brasil News Por muito tempo associado à construção de moradias em bairros periféricos, o programa federal de habitação Minha Casa, Minha Vida passou a alcançar também bairros centrais de São Paulo nos últimos anos. Mas uma investigação da BBC News Brasil aponta que, nessas regiões, muitas residências financiadas pelo programa e construídas com incentivos fiscais da prefeitura para moradias populares não estão servindo como habitação, e sim como hospedagem para turistas e visitantes temporários. A apuração revelou ainda formas de burlar programas de moradia e brechas legais que permitem a imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida serem anunciados em plataformas de aluguel de curta temporada, como o Airbnb. Veja como ficam as regras do programa Minha Casa Minha Vida com a nova faixa Restrições ao Airbnb Líder global no mercado de locação temporária, o Airbnb tem sofrido restrições em várias metrópoles globais, como Berlim, Nova York e Barcelona, onde seu uso por donos de imóveis é acusado de reduzir a oferta de moradias e pressionar os preços de aluguéis — algo que a plataforma nega. Há poucos estudos sobre o impacto do Airbnb em São Paulo, mas a investigação da BBC detectou a forte presença de apartamentos anunciados na plataforma em prédios construídos na cidade com incentivos de programas de habitação. Apresentando-se como um investidor interessado em comprar imóveis para colocá-los para alugar no Airbnb, um repórter da BBC News Brasil visitou edifícios erguidos com incentivos fiscais que a prefeitura concede a moradias populares e oferecem possibilidade de financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida para famílias enquadradas nas faixas de renda do programa. As visitas foram gravadas com uma câmera escondida. Em uma visita, um corretor da construtora Magik estimou que, em alguns edifícios erguidos por sua empregadora, até metade dos apartamentos hoje estejam anunciados no Airbnb e não sejam usados como moradia, e sim como hospedagem temporária. "Esses apartamentos foram feitos justamente para isso", disse o corretor, sem saber que estava sendo gravado, quando questionado se seria possível anunciar no Airbnb as unidades apresentadas na visita. Microapartamentos representam 22% dos lançamentos em SP Naquele dia, foram visitados três apartamentos classificados como Habitações de Interesse Social (HIS), um termo legal para moradias populares. Porém, desde maio de 2025, um decreto da prefeitura de São Paulo proíbe que unidades HIS sejam destinadas ao aluguel de curta temporada. A grande maioria dos apartamentos financiados pelo Minha Casa Minha Vida em São Paulo é classificada como HIS ou HMP (habitação de mercado popular), outra modalidade que teve locações temporárias proibidas pelo decreto municipal. Questionada pela BBC sobre esta reportagem, a prefeitura disse, por meio da Secretaria de Habitação, que está fiscalizando a venda de quase 90 mil moradias de interesse social na cidade — e que já aplicou 704 notificações e 38 multas por irregularidades, em um total de R$ 39 milhões. Questionada sobre o conteúdo da gravação, a construtora Magik disse que, embora "possam ocorrer falhas pontuais de comunicação em interações comerciais, os procedimentos internos de validação impedem a conclusão de qualquer operação em desacordo com a legislação". A empresa afirmou ainda que atua há mais de 50 anos no setor, "tem pleno conhecimento das restrições legais" a respeito de moradias populares e considera "relevante o debate público sobre a correta aplicação das políticas de habitação social". Boom de estúdios Corretor de imóveis viraliza ao mostrar apartamento de apenas 10m² em São Paulo O Minha Casa, Minha Vida é hoje um dos grandes motores do mercado imobiliário no Brasil. Segundo o governo federal, na cidade de São Paulo, 70 mil apartamentos foram comercializados pelo programa entre agosto de 2024 e julho de 2025 — o que corresponde a 60% de todas as vendas de imóveis no município no período. Quem tem renda de até R$ 2.850 reais se enquadra na Faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida e pode financiar um imóvel pelo programa com um desconto de até 95% no preço. Nas demais vertentes do programa, que hoje contempla famílias com renda mensal de até R$ 12 mil (faixa 4), os beneficiários financiam os imóveis pagando juros menores que os de bancos privados — algo só possível porque a gestora do programa é a Caixa, um banco estatal. Na prática, os juros mais baixos permitem um desconto que pode chegar a quase R$ 200 mil no preço final do imóvel. A arquiteta Paula Victória de Souza, que realizou pesquisas sobre programas de moradia em São Paulo para o Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (LabCidade), da Faculdade de Arquitetura da USP, diz que nos últimos anos essas políticas produziram no município um "boom de unidades de até 35 metros quadrados". Também chamadas de estúdios ou microapartamentos, essas unidades são especialmente comuns entre os lançamentos imobiliários em bairros centrais, segundo a arquiteta. Porém, segundo Souza, essas características dificultam o uso das unidades por famílias que necessitam de moradia e acabam incentivando outros tipos de ocupação, como o aluguel de curta duração. Segundo o Censo de 2022, uma família no Brasil tem, em média, 2,8 pessoas. "Que qualidade de vida uma família de três pessoas pode ter em uma residência desse tamanho?", questiona Souza. "Muitos desses imóveis não têm paredes nem divisões, todo mundo vai ter que dividir o mesmo quarto", prossegue a arquiteta, que critica a concessão de subsídios e incentivos públicos para esse tipo de construção. Problemas com HIS Anunciado em maio de 2025, o veto da prefeitura à locação temporária de apartamentos classificados como HIS ocorreu após reportagens, pesquisadores e o Ministério Público de São Paulo apontarem que muitas dessas unidades estavam sendo adquiridas por pessoas de alta renda. Em um caso, um comprador chegou a adquirir 25 unidades HIS como investimento, segundo o Ministério Público informou à BBC. Em estudo em 2025 sobre o impacto do Airbnb em São Paulo, a geógrafa da USP Letícia Tsukada de Araújo detectou "um aparente processo em curso de conversão de imóveis [de residência para unidade de locação], aumento de aluguel e deslocamento de moradores, o que reforça a segregação socioespacial e a periferização". Araújo afirma ainda que grande parte dos novos apartamentos e estúdios construídos estão sendo comprados por "quem tem perfil de investidor, fazendo do aluguel do imóvel um negócio". O tema diz respeito à prefeitura porque, desde 2014, a gestão municipal concede uma série de incentivos para que construtoras produzam unidades HIS e ajudem a reduzir o déficit habitacional no município. Entre as vantagens oferecidas às construtoras, estão isenções fiscais e a possibilidade de construir acima do limite legal sem pagar uma taxa adicional chamada de outorga onerosa. Ao mesmo tempo, quando constroem unidades HIS, muitas construtoras seguem os parâmetros de imóveis do Minha Casa, Minha Vida para que as unidades possam ser financiadas pelo programa, facilitando sua comercialização. Na prática, há uma sobreposição de programas de habitação nesses empreendimentos: o Minha Casa, Minha Vida, na esfera federal, e os incentivos da prefeitura às HIS, na esfera municipal. Logo do Minha Casa, Minha Vida em anúncio em coreano de lançamento imobiliário no bairro do Bom Retiro, em São Paulo Vitor Serrano/BBC Por que prefeitura proibiu? O veto da prefeitura à locação temporária de apartamentos HIS se deve ao fato de que, quando ofertados em plataformas como o Airbnb, é impossível garantir que as residências sejam ocupadas por pessoas que necessitam de moradia, já que não há como controlar o valor do aluguel nesses anúncios. Além disso, muitas dessas unidades deixam de servir como moradia, abrigando turistas ou visitantes temporários, dois grandes públicos do Airbnb. O Ministério Público de São Paulo disse à BBC News Brasil que está investigando 8.300 possíveis fraudes em compras de habitações de interesse social ocorridas entre março e outubro de 2025. A prefeitura, por sua vez, afirmou que está fiscalizando a venda de quase 90 mil moradias de interesse social na cidade, além de ter realizado 704 notificações e aplicado 38 multas por irregularidades, totalizando R$ 39 milhões. Já o Airbnb afirmou que está alinhado com as políticas de moradia social de São Paulo, mas "busca atuar com prudência e cautela para não cercear indevidamente a liberdade e as garantias constitucionais dos usuários da plataforma". A empresa disse ainda que não tem "expediente legal" para fiscalizar os imóveis anunciados em seu site. Registrar imóvel em nome de terceiros A reportagem também detectou outros possíveis caminhos para burlar o Minha Casa, Minha Vida. Ao contatar por WhatsApp uma corretora a serviço da construtora Cury, o repórter foi informado que não conseguiria um financiamento do Minha Casa, Minha Vida porque sua renda estava acima dos limites do programa. Ele perguntou, então, se poderia fazer um financiamento pelo programa no nome de sua esposa, transferindo o imóvel para si após quitar o financiamento. A corretora pediu informações sobre o casal e a renda da esposa e, com base nas respostas, afirmou: "Então de repente a gente consegue fazer somente no nome dela. Que você acha da gente marcar uma visita, fazer uma análise?" Ela disse ainda ao repórter que, após quitar o financiamento, ele conseguiria transferir o imóvel para seu nome. Segundo o Ministério Público de São Paulo, no entanto, registrar um imóvel em nome de terceiros para driblar as regras de um programa habitacional pode ser considerado crime de falsidade ideológica e estelionato. Questionada sobre o diálogo com a corretora, a construtora Cury afirmou que divulga em todos seus materiais e estandes as regras para aquisição de moradias populares — e que "em março de 2025, anunciou como medida de aprimoramento de sua política comercial que direciona integralmente suas unidades HIS às pessoas efetivamente enquadradas nas faixas salariais do programa". A Cury afirmou ainda que se a negociação tivesse avançado, a checagem de documentos impediria a concretização da venda. 'Estão subvertendo o programa' Em suas pesquisas sobre programas de moradia em São Paulo, a arquiteta Paula Victória de Souza diz ter visitado estandes de várias construtoras nos últimos anos. "É comum escutar nessas visitas que você pode encontrar alguém, pegar o CPF de alguém que se enquadre nas faixas de renda estabelecidas e depois, no momento da entrega das chaves, você troca a propriedade para o investidor", disse a arquiteta. Para Souza, "estão subvertendo o objetivo dos programas [de habitação]". "[Nossa intenção] não é acabar com Minha Casa, Minha Vida nem com as políticas de habitação de interesse social, muito pelo contrário, é garantir que essas políticas de fato cheguem às famílias para quem esses programas foram desenhados", afirma. A BBC News Brasil também detectou brechas no regulamento do Minha Casa, Minha Vida que, segundo especialistas, permitem que ele seja desviado de sua finalidade. Para isso, foram mapeados edifícios em bairros centrais de São Paulo que tiveram apartamentos financiados pelo Minha Casa, Minha Vida nos últimos anos. Depois, foram procurados apartamentos nesses edifícios em anúncios de aluguel de curta temporada no Airbnb. Foram localizadas várias dezenas de imóveis — muitos deles recém-inaugurados. Em alguns, o aluguel mensal chegava a R$ 8 mil, quase R$ 6 mil a mais do que a parcela mensal de um financiamento de um imóvel equivalente pelo Minha Casa, Minha Vida. A diferença mostra como pode ser lucrativo financiar um imóvel pelo programa e colocá-lo para alugar para curta temporada. A BBC questionou vários desses anunciantes se eles tinham financiado os imóveis pelo Minha Casa, Minha Vida. Um deles confirmou, mas não quis dar entrevista. Outros negaram ser beneficiários do programa, e houve ainda alguns que tiraram os anúncios do ar após serem contatados. A BBC perguntou ao Ministério das Cidades, responsável pela formulação do Minha Casa, Minha Vida, se é permitido que imóveis financiados pelo programa sejam colocados para alugar para curta temporada. Em resposta, o órgão afirmou que somente os beneficiários na faixa 1 do programa têm a obrigação legal de morar nas casas financiadas, conforme a Lei 14.620, que regulamenta esta vertente do Minha Casa, Minha Vida. Nesses casos, diz o órgão, são "vedados o empréstimo, a locação, a venda ou qualquer outra negociação que descaracterize o objeto social da concessão", sob pena de multa ou perda do imóvel. No entanto, segundo o Ministério das Cidades, essas restrições não se aplicam às demais faixas do programa, que hoje contemplam famílias com renda mensal de até R$ 12 mil (faixa 4). A BBC News Brasil questionou, então, se nessas faixas os beneficiários são livres para colocar apartamentos financiados pelo Minha Casa, Minha Vida em plataformas de aluguel de curta temporada, não precisando morar neles nem por um dia sequer. O ministério não respondeu diretamente à pergunta, reiterando apenas que as restrições à venda, locação ou empréstimo das residências não se aplicam às linhas do programa acima da faixa 1. 'Omissão no regulamento' Para Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e ex-relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada, "há uma omissão" no regulamento do Minha Casa, Minha Vida nas categorias acima da faixa 1. "É um problema, porque não deveria se usar financiamento federal subsidiado para produzir unidades para locação em Airbnb", ela diz. Para Rolnik, nos moldes atuais do programa, "não existe um compromisso de vincular esse crédito exclusivamente às necessidades habitacionais". A professora associa as falhas em políticas de habitação na cidade a um aparente paradoxo: "Tivemos um montão de unidades residenciais produzidas com incentivos públicos na cidade, algo que se nota em tudo quanto é lugar, mas ao mesmo tempo nossa situação habitacional é hoje pior do que antes dessa produção toda", afirma. Segundo a Fundação João Pinheiro, que realiza estudos sobre o déficit de habitação no país, o número de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo sem moradia adequada passou de 570 mil, em 2016, para 605 mil em 2023, o último ano com dados disponíveis. Os dados indicam que apenas construir habitações classificadas como populares não equivale a abrigar quem precisa de moradia.

Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump — seguida pelo anúncio de uma nova tarifa global de 10% — gerou dúvidas sobre como ficam as cobranças sobre produtos brasileiros exportados ao país. A política tarifária do presidente ganhou novos contornos no sábado (21), quando ele anunciou que a alíquota subiria de 10% para 15%, dentro do limite previsto na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de avaliação pelo Congresso. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As novas tarifas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA. Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos. Mas como ficam as tarifas para o Brasil? Na prática, a decisão da Suprema Corte, na última sexta-feira (20), anulou todas as tarifas aplicadas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Inclui também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio feito por Trump no sábado, o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirma. Campos lembra ainda que as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA continuam sujeitas a alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado. LEIA MAIS Veja a cronologia do tarifaço de Trump: Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%, com o objetivo de corrigir, segundo ele, “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana. Brasil e China são os mais beneficiados Brasil e China são os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas anunciadas por Trump, segundo a Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional. Relatório da entidade aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias — incluindo as já vigentes —, com queda de 13,6 pontos percentuais. Em seguida vêm China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos. Com a reconfiguração das tarifas, aliados importantes dos EUA, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), passarão a enfrentar encargos mais altos com a nova alíquota, segundo a Global Trade Alert. Veja abaixo: Brasil e China são os mais beneficiados com derrubada de tarifaço pela Suprema Corte e nova alíquota global de Trump, diz estudo. Arte/g1 Governo brasileiro comemora a decisão O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comemorou na sexta-feira a decisão da Suprema Corte. Para ele, a derrubada do tarifaço coloca o Brasil em condições de competitividade equivalentes às de seus concorrentes. Neste domingo, após Trump anunciar o aumento da taxa global de 10% para 15%, Alckmin afirmou que a mudança não provoca perda de competitividade para as empresas brasileiras. Segundo ele, isso ocorre porque a alíquota é aplicada de forma uniforme a todos os países. Além disso, o governo americano deixou isentos produtos importantes para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, tomates e laranjas, minerais críticos e de energia. "Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranjas, aeronaves", disse Alckmin. "Foi positivo. Acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula agora em março aos EUA para a gente conseguir abordar ainda questões não tarifárias", acrescentou. O ministro também explicou que, antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. De acordo com cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC), a decisão do tribunal americano de derrubar o tarifaço afeta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras ao país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro na Casa Branca em 9 de janeiro de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque

Tela do site 'Contrata+Brasil', lançado pelo governo federal PR/Reprodução O governo federal divulgou um balanço oficial do primeiro ano do programa de contratação de microempreendedores individuais (MEIs). Chamado "Contrata+Brasil", a plataforma conecta pequenos empreendedores a órgãos públicos. Segundo o governo, cerca de R$ 13,7 milhões foram gerados em renda direta em um ano de operação, por meio de 2.462 contratações por órgãos federais, estaduais e municipais desde fevereiro passado. Cerca de 8 mil MEIs estão cadastrados. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A seguir, o g1 explica como funciona a plataforma, como se dá a contratação e como os microempreendedores podem se cadastrar. Como funciona a plataforma? Como funciona a contratação? Sou MEI, como posso me cadastrar? Serviços para escolas públicas Avaliação e controle Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como funciona a plataforma? O "Contrata+Brasil" funciona como um "marketplace" de pequenas contratações públicas. A plataforma permite que os órgãos públicos divulguem demandas pontuais e recebam propostas de profissionais cadastrados no município. A ferramenta foi criada para serviços de manutenção e pequenos reparos, respeitando o limite de R$ 13.098,41, valor máximo permitido para contratações de pronto pagamento, sem licitação. Atualmente, são contempladas 47 atividades, como reparação de imóveis e conserto de equipamentos. Abaixo, veja os 10 serviços mais contratados no primeiro ano. Como funciona a contratação? Publicação da demanda: quando precisa de um serviço, o órgão público publica a demanda na plataforma. Aviso aos prestadores: o sistema envia automaticamente a oferta aos MEIs habilitados na região, por aplicativo de mensagem. Envio de propostas: os interessados informam valor e prazo para execução do serviço. Escolha do contratado: o órgão seleciona a proposta com base principalmente em preço e prazo. Prazos: o prazo para contratação é de até cinco dias e o pagamento ocorre em até cinco dias após a execução do serviço. O modelo dispensa etapas do formato tradicional, como editais, estudos técnicos preliminares (ETP) e termos de referência (TR), que já são padronizados previamente pelo governo federal. Segundo o governo, hoje uma contratação direta pode levar cerca de dois meses e uma licitação, até seis meses. Apesar de serviços como pintura, elétrica, hidráulica e pequenos reparos já serem comuns na administração pública, a participação de MEIs ainda é baixa: dos cerca de 16 milhões de microempreendedores em atividade no país, apenas 70 mil estão cadastrados como fornecedores do governo federal. Sou MEI, como posso me cadastrar? Para MEIs que prestam serviços como pintura, elétrica, gesso ou reformas, a plataforma é uma oportunidade de trabalhar diretamente com órgãos públicos. Veja o passo a passo: Acesse a plataforma: Entre no site gov.br/contratamaisbrasil e clique em “Entrar com GOV.BR”. Complete o cadastro: Informe seus dados pessoais e os serviços que você pode oferecer. Adicione sua empresa: Vá em “Minhas Empresas”, clique no símbolo de “+” e informe o CNPJ do MEI. Preencha os dados e atividades: Complete as informações da empresa — o número de WhatsApp é essencial — e selecione as atividades exercidas. Acesse as oportunidades: Consulte as demandas publicadas pelos órgãos públicos e, se necessário, envie perguntas pelo sistema. Envie sua proposta: Escolha o serviço desejado e informe o valor cobrado. A proposta pode ser ajustada enquanto a oportunidade estiver aberta. Acompanhe o resultado: Após o encerramento do prazo, o órgão público seleciona a melhor proposta. Sempre que surgir uma nova oportunidade compatível com os serviços e a região do empreendedor, o MEI recebe um alerta por WhatsApp. Todos os profissionais também precisam estar registrados no Sistema de Cadastro Unificado de Fornecedores (Sicaf). Para simplificar esse processo, desde 13 de fevereiro, basta informar o número do CNPJ na plataforma "Contrata+Brasil" para concluir automaticamente o registro, com integração direta ao sistema. A mudança elimina a necessidade de preencher dados em dois cadastros, já que a plataforma busca as informações nas bases do governo e realiza o credenciamento obrigatório de forma automática. Para auxiliar os microempreendedores, o Sebrae lançou um curso online e uma cartilha com orientações sobre a plataforma. Serviços para escolas públicas Uma das ampliações da plataforma foi a integração com o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação. Desde dezembro de 2025, diretores de escolas públicas estaduais e municipais podem contratar, de forma simplificada, serviços de reparo e manutenção de MEIs da própria região por meio da plataforma. Todas as unidades executoras do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) podem aderir e publicar oportunidades para serviços de manutenção e pequenos reparos. O processo ocorre em duas etapas: 1️⃣ Adesão à plataforma O primeiro acesso deve ser feito pelo Presidente da Unidade Executora (geralmente o diretor da escola ou o responsável legal pela gestão dos recursos): Acessa o site do Contrata+Brasil e faz login com CPF e senha do Gov.br; Aceita o termo de adesão; Após a confirmação, a unidade passa a ter acesso à plataforma. O presidente também pode autorizar outros membros da unidade, que atuam como Demandantes, responsáveis por cadastrar oportunidades. Todas as ações desses usuários precisam de validação do presidente. 2️⃣ Publicação de uma oportunidade Com a adesão concluída, os usuários autorizados podem publicar demandas: Acesse a plataforma com login Gov.br; No menu “Gestor”, selecionam “Criar oportunidade”; Escolhem o serviço desejado a partir do Catálogo de Serviços (Catser) — atualmente restrito a manutenção e pequenos reparos realizados por MEIs; Preenchem o formulário, informando se o pagamento será feito com recursos do PDDE; Incluem anexos e uma descrição detalhada do serviço (entre 300 e 3.000 caracteres), com local de execução, materiais e condições; Salve a demanda, que segue para aprovação do presidente. Após a aprovação, a oportunidade é publicada e fica visível para os fornecedores. Durante o período de propostas, a unidade executora deve acompanhar a plataforma para responder eventuais dúvidas dos interessados. Ao todo, mais de 125 mil escolas em todo o país recebem recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), enquanto cerca de 1,8 milhão de microempreendedores individuais (MEIs) estão aptos a prestar serviços de manutenção e pequenos reparos por meio da plataforma. Para auxiliar diretores e equipes escolares, o Ministério da Gestão disponibilizou um passo a passo detalhado, que pode ser acessado diretamente no site do governo federal. Avaliação e controle Após a execução do serviço, contratantes e contratados avaliam a experiência na plataforma. Empresas mal avaliadas ou que não cumprirem o contrato podem sofrer sanções, incluindo a exclusão do sistema. MEI vira atalho para sonegação: as fraudes mais comuns e como a Receita identificou milhares de casos Segundo o Ministério do Empreendedorismo, não há limitações legais que impeçam alguém com o nome sujo de se cadastrar como MEI Unsplash/Reprodução
Alfândega dos EUA suspenderá cobrança de tarifas barradas pela Suprema Corte a partir de terça-feira

Contêineres de carga chineses empilhados no Porto de Los Angeles , em Los Angeles , Califórnia, EUA REUTERS/Mike Blake/Foto de Arquivo A agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) informou que suspenderá, a partir de terça-feira (24), a cobrança de tarifas impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. A medida foi anunciada dias após a Suprema Corte dos EUA declarar essas taxas ilegais. Segundo a agência de notícias Reuters, a agência enviou um comunicado aos embarcadores por meio de seu sistema Cargo Systems Messaging Service sobre a interrupção da cobrança. A medida não deve afetar as tarifas de 15% anunciadas pelo presidente Donald Trump após a suspensão da Justiça dos EUA. Isso porque Trump usou uma outra lei para justificar as cobranças. Trump aumenta tarifa global de importação para 15% LEIA MAIS China pede que Trump revogue tarifas de importação após decisão da Suprema Corte Tarifaço: Brasil e China são os mais beneficiados com nova alíquota global de Trump, diz estudo Entenda a decisão da Suprema Corte O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977. Em reunião com governadores estaduais, Trump classificou a decisão como "uma vergonha" e disse que já tinha um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters.

Brasil e Coreia do Sul assinam acordos sobre cooperação em minerais críticos e comércio O Brasil e a Coreia do Sul assinaram 10 acordos sobre cooperação em diferentes áreas do comércio e em minerais críticos. A medida foi anunciada pelo presidente do país asiático, Lee Jae Myung, nesta segunda-feira (23). Além disso, Lee Jae Myung afirmou que os países traçaram um plano de quatro anos que estabelece relações bilaterais em áreas como política, economia e intercâmbios. O líder asiático reforçou ainda a troca cultural entre as nações e afirmou que o turismo brasileiro na Coreia do Sul cresceu 25% nos últimos anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou depois de Lee e afirmou que também firmaram acordos sobre saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência e tecnologia e combate ao crime organizado transnacional. Segundo Lula, a relação entre os países tem potencial para parcerias em diferentes áreas. "Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial", afirmou. "Setores que vão da indústria de beleza ao audiovisual podem ser potencializados por novas parcerias". Lula também afirmou que os dois conversaram sobre o comércio de carnes. "Expus ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores coreanos", disse. O presidente brasileiro afirmou ainda que pretende trabalhar para a retomada das relações entre a Coreia e o Mercosul. Visita de Lula Presidente Lula se encontrou com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, durante cúpula do G20 em novembro de 2025. Ricardo Stuckert/PR Esta é a terceira viagem de Lula ao país asiático. Ele esteve na Coreia do Sul em 2005 e 2010, mas esta é a primeira vez com o peso de visita de Estado, o que indica maior peso político, econômico e diplomático para os dois países. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, acompanhou Lula até a Índia, mas não ficou para os compromissos oficiais e seguiu antes para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda própria com a primeira-dama sul-coreana. No último ano, Lula se reuniu duas vezes com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung: em junho, no Canadá, durante a cúpula do G7; em novembro, na reunião do G20, realizada na África do Sul. Segundo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores, nos dois encontros a afinidade entre os presidentes ficou “clara e evidente”. A visita é tratada como uma confirmação do bom momento nas relações entre Brasil e Coreia do Sul. Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1959, há mais de seis décadas. Nesse contexto, a expectativa é que os líderes assinem um "Plano de Ação 2026-2029". O documento deve formalizar um nível mais estratégico de cooperação entre os dois países. Além disso, os líderes devem discutir áreas consideradas prioritárias e trocar avaliações sobre o cenário geopolítico internacional. A viagem também se insere em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar a presença do país na Ásia e abrir novos mercados na região. A ideia é diversificar parceiros comerciais, aumentar exportações e atrair investimentos, reduzindo a dependência de parceiros grandes e tradicionais. A aproximação com países do continente é vista pelo governo como parte central da política externa econômica do Brasil nos próximos anos. Comércio Hoje, a Coreia do Sul é um parceiro econômico relevante para o Brasil. Desde 2024, o país asiático já anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no território brasileiro. Quase 80% desse total está concentrado na chamada indústria de transformação. No comércio bilateral, o fluxo entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões no ano passado, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro. Entre os países da Ásia, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. No ranking global, ocupa a 13ª posição. Cultura, beleza e cosméticos Nos últimos anos, a presença da cultura coreana no Brasil cresceu de forma expressiva, impulsionada principalmente pelo sucesso global do k-pop, das séries de TV e do cinema da Coreia do Sul. Fantástico vai a Seul entender por que o k-pop conquistou o Brasil e o mundo Grupos musicais, produções exibidas em plataformas de streaming e a popularização da culinária, da moda e dos ritos de beleza ampliaram o interesse do público brasileiro, fortalecendo os laços culturais e aproximando as sociedades dos dois países. Outro fenômeno recente é a popularização do skincare coreano. Produtos e rotinas de cuidados com a pele inspirados na chamada "K-beauty" ganharam espaço nas redes sociais, no varejo e entre influenciadores, impulsionando a demanda por itens como séruns e outros produtos de beleza. A aparência uniforme e luminosa virou uma vitrine para a indústria de cosméticos. Esse padrão estético, reforçado por celebridades, atores de doramas e ídolos do K-pop, estimula o interesse por produtos e rotinas inspiradas na "K-beauty". A primeira-dama Janja prova doce que virou febre na Coreia do Sul Reprodução/Instagram O aumento da demanda por produtos da Coreia do Sul também despertou o interesse do setor de cosméticos do Brasil. Empresas brasileiras passaram a acompanhar mais de perto as inovações coreanas em tecnologia de cuidados com a pele e no desenvolvimento de fórmulas.

Bandeiras dos EUA e da China Keystone/EDA/Martial Trezzini/Handout via REUTERS A China solicitou aos Estados Unidos a suspensão das tarifas de importações que sofreram um aumento a mando do presidente Donald Trump neste sábado (21). Em nota, o Ministério do Comércio chinês acrescentou que as taxas "violam as regras do comércio internacional e a legislação interna dos EUA, e não são do interesse de nenhuma das partes". O presidente norte-americano anunciou o aumento das taxas após a Suprema Corte decidir que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA. Sobre o posicionamento da Justiça dos EUA, a China acrescentou que realiza uma avaliação completa do caso. O ministério afirmou ainda ter notado que os EUA planejam manter as tarifas sobre parceiros comerciais por meios alternativos, incluindo investigações comerciais. "A China continuará acompanhando de perto essa situação e defenderá firmemente seus interesses", declarou o ministério. Tarifas de Trump Trump aumenta tarifa global de importação para 15% O anúncio do aumento das taxas foi feito em uma postagem em sua rede social Truth Social, menos de 24h após informar que usaria um novo instrumento legal para aplicar a tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual aumentou. Segundo Trump, a medida tem o objetivo de corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que, na sua avaliação, prejudicaram a economia americana. Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters No comunicado, Trump afirma que, após “uma análise completa e detalhada” de uma decisão recente da Suprema Corte dos EUA contrária a parte de sua política tarifária, decidiu elevar imediatamente a tarifa mundial de 10% para 15%. Na mensagem publicada por volta das 13h, o presidente disse que a elevação é legal e permitida pelos instrumentos jurídicos existentes, e que nas próximas semanas a administração Trump definirá “as novas tarifas legais e permissíveis” que serão aplicadas globalmente. Ele também reforçou que a medida faz parte da estratégia para continuar o processo de “Making America Great Again — GREATER THAN EVER BEFORE!!!” (tornando a América grande novamente — ainda maior do que antes). “...como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, imediatamente, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (...) para o nível legalmente permitido de 15%.” Entenda a decisão da Suprema Corte O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977. Em reunião com governadores estaduais, Trump classificou a decisão como "uma vergonha" e disse que já tinha um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters.

Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados Os aposentados, pensionistas e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber os pagamentos referentes ao mês de fevereiro a partir desta segunda-feira (23). O calendário é organizado de acordo com o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número que aparece depois do traço). Recebem primeiro os segurados que ganham até um salário mínimo. Quem recebe acima do piso nacional terá o pagamento liberado na sequência. Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo: Final 1: 23/2 Final 2: 24/2 Final 3: 25/2 Final 4: 26/2 Final 5: 27/2 Final 6: 2/3 Final 7: 3/3 Final 8: 4/3 Final 9: 5/3 Final 0: 6/3 Veja as datas de pagamento para quem ganha acima de um salário mínimo: Finais 1 e 6: 2/3 Finais 2 e 7: 3/3 Finais 3 e 8: 4/3 Finais 4 e 9: 5/3 Finais 5 e 0: 6/3 Como conferir o dígito verificador O calendário leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço. Para quem ganha até o mínimo, o calendário começa com benefício com final 1. Para os que recebem acima desse valor, o calendário inicia com os cartões de final 1 e 6. No dia seguinte, são pagos os finais 2 e 7, e assim por diante. LEIA TAMBÉM: Aposentadoria 2026: entenda as regras de transição que valem a partir deste ano Como consultar o benefício Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar o valor a receber do seu benefício pelo aplicativo "Meu INSS" ou no site meu.inss.gov.br. Também é possível obter informações pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Para acessar, é necessário informar CPF e senha cadastrados no portal Gov.br. Pedido de adesão é feito pelo aplicativo do INSS INSS/Divulgação

OAB pede encerramento do inquérito das fake news ao STF A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai enviar nesta segunda-feira (23) uma manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedindo o encerramento do inquérito das fake news, que tramita na Corte há quase sete anos. No documento, assinado pela Diretoria Nacional e por todos os presidentes das seccionais nos estados, a OAB "externa extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração", em especial o inquérito das fake news. Esse inquérito voltou ao noticiário nos últimos dias por causa de uma operação de busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que teve como alvos quatro servidores que atuam na Receita e são suspeitos de terem acessado e vazado dados sigilosos de parentes de ministros do STF. Ministro Edson Fachin (ao centro) preside sessão do Supremo Tribunal Federal Jornal Nacional/ Reprodução A OAB afirma que "é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e à segurança de Ministros da Suprema Corte" — que "desempenhou papel central na defesa da ordem constitucional e na preservação da estabilidade democrática". No entanto, segundo a Ordem, "superada a conjuntura mais aguda" que originou o inquérito das fake news, "impõe-se redobrada atenção aos parâmetros constitucionais que regem a persecução estatal". "Justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal", sustenta a OAB. O inquérito das fake news foi aberto pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, em março de 2019. Na ocasião, ele escolheu Moraes para ser o relator, a partir da interpretação de trechos do Regimento Interno do STF que tratavam de crimes cometidos contra a Corte. O objetivo era investigar "notícias fraudulentas", ofensas e ameaças que "atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares". Ao longo do tempo, fatos distintos foram investigados dentro do inquérito das fake news, até chegar recentemente aos servidores que atuam na Receita Federal — o que a OAB chamou de "elasticidade excessiva do objeto investigativo". "A lógica constitucional e processual do inquérito, no sistema brasileiro, é a de instrumento voltado à investigação de fatos determinados [...], e não a de procedimento aberto à absorção sucessiva de condutas distintas, conforme novas conexões sejam afirmadas ao longo do tempo", diz a Ordem. "Essa preocupação se acentua diante de relatos recentes sobre a inclusão, no âmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais próprios, não se apresentam de forma imediatamente aderente ao núcleo originário que justificou a instauração do inquérito." A Ordem afirma que "a defesa da democracia [...] não se esgota na repressão a ataques institucionais; ela se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão". "Nessa linha, a OAB reputa indispensável reafirmar a proteção ao livre exercício profissional e às garantias constitucionais de todos aqueles que exercem funções essenciais à vida democrática, com menção à atividade jornalística e, com especial ênfase, às prerrogativas de advogados e advogadas", diz a entidade. A OAB conclui o ofício solicitando uma audiência com Fachin para expor seus argumentos sobre o tema, pede que "sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua" e que "não haja a instauração de novos procedimentos com essa mesma conformação expansiva e indefinida".
Ministro André Mendonça devolve à CPI do INSS acesso a informações do Caso Master
Os dados sigilosos da investigação sobre o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, já estão em posse da CPMI do INSS, a comissão formada por deputados e senadores para apurar fraudes e desvios em aposentadorias e pensões.
Ainda na noite da sexta-feira (20), horas depois da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes da Polícia Federal foram ao Senado, recolheram o material que estava sob a custódia da Presidência da Casa e o levaram para a CPMI do INSS.
Em algumas horas, os arquivos — estimados em dezenas de terabytes — foram transferidos para a CPMI. O material ficará na sala cofre da comissão mista. O material é basicamente eletrônico.
Na decisão, André Mendonça determinou que nenhuma cópia ficasse com a presidência do Senado — local onde o antigo relator, Dias Toffoli, havia definido para os documentos ficarem custodiados.
O novo relator do caso Master no Supremo também determinou que o sigilo sobre o material seja mantido pela CPMI, que terá que criar um acesso controlado às informações.
No material apreendido estão documentos e informações que estavam em computadores e celulares, como o do próprio Vorcaro.

Trump sobe de 10% para 15% tarifa global sobre importações Brasil e China são os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre sexta-feira e sábado (21). A avaliação é da Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional. Segundo relatório da entidade, o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, com queda de 13,6 pontos percentuais. Na sequência, aparecem China, com recuo de 7,1 pontos, e Índia, com diminuição de 5,6 pontos. (veja lista completa abaixo) A informação foi publicada inicialmente pelo jornal britânico Financial Times. O g1 teve acesso à íntegra do documento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O cálculo considera a nova tarifa global anunciada por Trump, que foi ampliada em menos de 24 horas. Após anunciar uma alíquota de 10% — em resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA que cancelou o tarifaço —, o republicano elevou o percentual para 15% neste sábado. 💡 O Brasil chegou a enfrentar sobretaxas de 50% impostas pelos EUA. Por isso, a redução em relação a essas cobranças atuais beneficia diretamente os produtos brasileiros (veja a cronologia do tarifaço abaixo). As novas taxas, previstas para entrar em vigor às 00h01 (horário de Washington) da próxima terça-feira (24), atingem todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA. Há, no entanto, exceções para determinados produtos, como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos. 🔎 Após a Suprema Corte invalidar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para sustentar o tarifaço, Trump passou a se apoiar na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite a imposição de tarifas de até 15%. Com a reconfiguração das tarifas, aliados importantes dos EUA, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), estão entre os que passarão a enfrentar tarifas mais altas com a nova alíquota, segundo a Global Trade Alert. Veja abaixo: Brasil e China são os mais beneficiados com derrubada de tarifaço pela Suprema Corte e nova alíquota global de Trump, diz estudo. Arte/g1 Em entrevista ao Financial Times, o economista Johannes Fritz, responsável pela análise, afirmou que as mudanças beneficiaram sobretudo os países mais duramente criticados pela Casa Branca e alvo de tarifas impostas com base na IEEPA, como Brasil, China, México e Canadá. “Este regime tem uma duração potencial de apenas 150 dias. A administração sinalizou que agora se concentrará nas leis que permitem a imposição de tarifas. Portanto, na prática, o jogo recomeça do zero”, acrescentou, ressaltando que o cenário é incerto. Governo brasileiro comemora a decisão O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comemorou na sexta-feira a decisão da Suprema Corte. Para ele, a derrubada do tarifaço coloca o Brasil em condições de competitividade equivalentes às de seus concorrentes. Neste domingo, após Trump anunciar o aumento da taxa global de 10% para 15%, Alckmin afirmou que a mudança não provoca perda de competitividade para as empresas brasileiras. Segundo ele, isso ocorre porque a alíquota é aplicada de forma uniforme a todos os países. "Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves", declarou o vice-presidente. "Foi positivo. Acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula agora em março aos EUA para a gente conseguir abordar ainda questões não tarifárias", acrescentou. O ministro também explicou que, antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. De acordo com cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), a decisão do tribunal americano de derrubar o tarifaço afeta US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras ao país. O presidente Donald Trump durante evento com jornalistas em 20 de janeiro de 2026 REUTERS/Jessica Koscielniak Veja a cronologia do tarifaço de Trump: Produtos brasileiros chegaram a acumular sobretaxa de 50% ao entrar nos EUA, com exceções para alguns itens. Veja abaixo a cronologia. Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%, com o objetivo de corrigir, segundo ele, “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana.

Pesquisadores da Embrapa criam cerveja a partir de dejetos de suínos em Concórdia Um sistema de tratamento de dejetos consegue transformar fezes e urina de porcos em água potável. Já foi feito até mesmo um experimento usando a bebida na produção de cerveja artesanal. Mas calma, você não vai encontrar cerveja feita com isso no mercado. O objetivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolveu o sistema, é evitar que esses dejetos poluam os rios e diminuir o uso de novas águas na produção. O Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates) já é adotada por alguns criadores de suínos. Nas fazendas, a água tratada não é destinada ao consumo humano. Ela é reaproveitada na faxina das instalações ou devolvida aos rios dentro dos padrões ambientais. A ideia de tornar o líquido em potável foi uma forma de demonstrar o potencial do sistema. O resultado foi positivo. No lote experimental de cerveja artesanal foram produzidos 40 litros. A bebida foi degustada em eventos científicos em 2024 e 2025. Para o mestre cervejeiro Fernando Cavassin, que provou a bebida, não há diferença no sabor causada pela água. Leia também: Os destinos do pênis bovino: do prato afrodisíaco na China a petiscos para pets no Brasil Alternativa em meio à crise hídrica O mundo entrou em um estágio de "falência hídrica", segundo o Instituto da Universidade das Nações Unidas (ONU) para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde. Isso significa que já foi ultrapassado o ponto das crises hídricas temporárias. Muitos sistemas não são mais capazes de retornar às suas condições naturais históricas. Em paralelo, a agricultura é responsável por cerca de 70% da captação de água doce de todo o planeta, de acordo com o Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água da ONU. Preocupados com esse cenário, os pesquisadores da Embrapa decidiram desenvolver o Sistrates. "É uma lógica de nós diminuirmos a demanda por esses recursos hídricos de boa qualidade", explica o pesquisador Airton Kunz. Com o uso do sistema, é possível reduzir de 40% a 50% o uso de água nova na produção. Além da água para reúso, o processo também gera fertilizantes e energia elétrica. Em contrapartida, quando o tratamento não é feito e os dejetos chegam aos rios, ocorre poluição. Por exemplo, pode haver proliferação de algas e bactérias, deixando a água esverdeada. O volume de excrementos varia de acordo com o porte do animal e o sistema de produção. Em granjas de engorda, cada suíno produz cerca de 7 litros por dia. Já nas de reprodução, o volume chega a 20 litros por fêmea. Saiba mais: irrigação usa quase metade de toda a água do Brasil para produzir alimentos Como cocô e xixi de porco viram água para reúso Arte/g1 Após essas etapas, a água ainda tem coloração amarelada e não pode ser consumida. Para se tornar potável, o líquido passa por um processo químico de clarificação. A água também passa por uma remoção de patógenos, mesmo quando é apenas para reúso. Isso é importante para evitar que os animais fiquem doentes. Para a instalação dos módulos somente até a etapa de reúso, o gasto pode representar de 8% a 10% do investimento na granja, afirma Kunz. Mas, segundo o pesquisador, os custos de manutenção são baixos. Água da louça também é reaproveitada Outra tecnologia que pode ajudar a economizar água é o uso da bioágua ou águas cinzas, que são aquelas geradas pela lavagem de louça e de roupa, por exemplo, para regar a plantação. No projeto desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido, o produtor precisa montar um sistema em casa que joga essa água em um filtro, que irá tratá-la e depois bombear a água novamente para a plantação. Veja como é montado filtro para reúso das águas cinzas Daniel Ivanaskas / G1 O tratamento desta água impede a contaminação do lençol freático, além de resultar em uma solução nutritiva para a planta. Contudo, existe a limitação do quantos litros a família usa. Portanto, atende apenas uma área pequena de plantação. Sistema de reuso das águas cinzas montado pela Embrapa Semiárido. Divulgação / Roseli Freire De Melo Saiba também: De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil Tomate e pão francês pesaram no custo da cesta básica nas capitais em janeiro, diz Conab Pênis do boi vira petisco para pets e é prato afrodisíaco na Ásia

Alckmin e esposa durante missa em Aparecida (SP). Reprodução/TV Vanguarda O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou neste domingo (22) que o aumento tarifas globais de importação dos Estados Unidos de 10% para 15% não gera perda de competividade para empresas brasileiras. Isso ocorre, segundo ele, porque a tarifa é igual para todos países. Ele deu as declarações em Aparecida (SP), onde participa da Missa de Lançamento Celebrativo da Campanha da Fraternidade de 2026. "Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranjas, aeronaves. Foi positivo. Acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula agora e março aos EUA para a gente conseguir abordar, ainda, questões não tarifárias", disse Alckmin. O aumento da tarifa dos EUA para 15% foi anunciado neste sábado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, após a Suprema Corte do país ter derrubado o tarifaço imposto no ano passado. Ele disse que a elevação é legal e permitida pelos instrumentos jurídicos existentes. De acordo com cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feito com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), a decisão da Suprema Corte dos EUA impacta o correspondente a US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras ao país. Em Aparecida, Alckmin também destacou que está otimista pela aprovação do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia no mês de março pelo Congresso Nacional. Ele citou a preocupação de alguns setores, como de vinho, por exemplo, com a concorrência. Mas ponderou que o acordo fechado prevê salvaguardas ao Brasil. "Se tiver um pico [de importações], suspende [as compras do exterior]", explicou. Trump sobe de 10% para 15% tarifa global sobre importações

Pitayas vermelhas e brancas se destacam nas propriedades do interior paulista, onde produtores ampliaram o cultivo nesta safra TV TEM/Reprodução Exótica, colorida e cada vez mais presente nas prateleiras, a pitaya tem ganhado espaço entre produtores do interior paulista. A fruta, conhecida pela casca vibrante e polpa adocicada, registra um aumento de produção nesta safra, mas também enfrenta queda nos preços por causa da maior oferta. Na propriedade de Roberto Ferrari, em Itatiba (SP), a diversidade chama a atenção. Além das variedades mais comuns, ele cultiva outras 30 tipos da fruta. Ao todo, são 500 pés, com predominância das pitayas vermelhas e brancas. O início da colheita atrasou cerca de 20 dias, mas segundo o produtor, isso não comprometeu a safra. A expectativa é colher dez toneladas, três a mais do que no ano anterior. Cada pé da pitaya branca pode produzir, em média, até 20 quilos da fruta, mesma produtividade das variedades vermelhas. Apesar do bom desempenho na produção, o aumento da oferta impactou o mercado. O quilo é vendido entre R$ 8 e R$ 10, valor dois reais acima do registrado no mesmo período do ano passado. Em Jundiaí (SP), a expansão do cultivo também chama atenção. Há sete anos, a família Rosemberger tinha mil pés de pitaya. Hoje, são cerca de 3,5 mil. Na propriedade, as variedades vermelha e branca se destacam. Mesmo com o atraso da florada por causa do clima, o produtor Caíque Armagner Rosemberger está otimista e deve colher cerca de 40 toneladas, cinco a mais do que na safra passada. Assim como em Itatiba, o aumento da oferta influenciou os preços. Se na safra anterior o quilo era vendido por R$ 5, atualmente é comercializado por R$ 3,50. A produção é enviada para a capital paulista e para o Rio de Janeiro. Veja a reportagem exibida no programa em 22/02/2026: A aposta na pitaya para gerar renda na pequena propriedade rural VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

O Caruru Gigante é uma planta invasora e pode causar perdas consideráveis Reprodução/TV TEM A identificação da praga Amaranthus palmeri, conhecida como caruru-gigante, pela primeira vez no estado de São Paulo, colocou autoridades e agricultores em alerta máximo. Os primeiros focos da planta invasora, com pendões que ultrapassaram um metro de altura, foram encontrados em uma lavoura de soja na região de São José do Rio Preto, levando à interdição imediata da área e a uma operação de emergência para erradicar a infestação. A situação foi classificada como emergência fitossanitária devido ao alto poder de destruição da planta. Estudos da Embrapa indicam que o caruru-gigante pode provocar perdas superiores a 70% na produção de soja e de até 91% nas plantações de milho. Além de ser extremamente prejudicial, com crescimento de até 7 centímetros por dia e produção de até um milhão de sementes por planta, a espécie é notoriamente resistente à maioria dos herbicidas disponíveis no mercado. A principal hipótese das autoridades é que a praga tenha chegado ao local de forma acidental. A suspeita é de que as sementes tenham caído de um veículo, germinado e formado um banco no solo. Não nativa do Brasil, a Amaranthus palmeri foi identificada pela primeira vez no país em 2015, no Mato Grosso, e até então estava restrita a esse estado e ao Mato Grosso do Sul. Sua má fama é internacional: nos Estados Unidos, é considerada a principal planta daninha e chegou a ser eleita a “planta do ano” em 2014 por seu impacto devastador. A única forma de controle eficaz é a erradicação manual, com a retirada das plantas, o ensacamento e a incineração para destruir as sementes. Desde a confirmação, equipes de defesa agropecuária do estado percorrem propriedades em um raio de 10 quilômetros do foco inicial para garantir que a praga não tenha se espalhado. A notícia já gera preocupação entre os produtores. “Do ponto de vista operacional, é orientar nossa equipe a tomar os devidos cuidados para que, ao identificar a praga, primeiro de tudo, comunicar e fazer a erradicação, além de evitar a transferência [de sementes] para outras áreas por meio dos implementos”, relata Luiz Forest, produtor de soja há 11 anos. A orientação oficial para todos os agricultores paulistas é clara: em caso de qualquer suspeita, a defesa agropecuária deve ser informada imediatamente. As autoridades também recomendam a restrição do trânsito de pessoas e máquinas dentro das propriedades e a limpeza rigorosa de equipamentos, ferramentas, pneus e calçados, já que as sementes minúsculas podem ser facilmente transportadas. A colaboração dos produtores é considerada fundamental para conter a propagação e proteger o agronegócio paulista de um prejuízo potencial. Veja a reportagem exibida no programa em 22/02/2026: Caruru Gigante preocupa produtores do Noroeste de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Produtores de macadâmia esperam um aumento de 50% na safra atual, após uma queda de 80% no ano anterior Reprodução/TV TEM A macadâmia, noz originária da Austrália, é conhecida por ter uma das cascas mais difíceis de quebrar. No Brasil, as primeiras plantações comerciais surgiram na década de 1970, em São Paulo, e hoje a região de Dois Córregos se destaca no cultivo. O processo de amadurecimento da noz ocorre de dentro para fora: mesmo com a casca externa ainda verde, o fruto já está maduro por dentro. Com o tempo, essa casca seca, escurece e se abre, revelando a casca dura da noz. O ciclo leva cerca de 15 dias para que o fruto maduro caia do pé e mais sete dias para que a primeira casca comece a se abrir. A colheita, feita manualmente em propriedades como uma das visitadas, com 400 hectares, enfrenta os desafios do clima. Enquanto o ano passado registrou uma safra bem abaixo do esperado, a expectativa para a produção atual é mais positiva. O produtor Thomas Augusto Magro explica a quebra anterior. “Começou no inverno de 2024, período da florada da macadâmia. Tivemos altas temperaturas e baixo índice de chuva. Já vínhamos de um cenário de pouca precipitação desde o início do ano. Quando chegou o inverno com temperaturas elevadas, a flor acabou queimando com a intensidade do sol, e tivemos uma quebra de praticamente 80% na safra”, afirma. Versátil, a macadâmia é rica em fibras, proteínas e vitaminas, sendo utilizada tanto na culinária quanto na fabricação de cosméticos. A colheita se estende de fevereiro a setembro. Historicamente, 60% da produção brasileira era destinada ao mercado externo, mas as empresas têm buscado atender também à crescente demanda nacional. Esse crescimento impacta diretamente famílias como a de Luciana Maria da Silva, que encontrou na colheita sua principal fonte de renda. “É daqui que sai a minha renda. Meu primeiro trabalho foi na colheita da macadâmia. Sou de Pernambuco, vim de lá e consegui emprego aqui”, conta. Em outra fazenda, na cidade de Bocaina, a abordagem é diferente. A colheita é semimanual e, há cinco anos, o produtor Edwin Montenegro investiu na transição para a macadâmia orgânica. O mato alto na propriedade é um indicativo visual de que a área não recebe defensivos químicos. A decisão pela produção orgânica, iniciada em 2022 após 20 anos de cultivo convencional, foi estratégica. "A gente percebeu que tinha alguns benefícios, não só do ponto de vista de meio ambiente e de tratos culturais, mas também porque, com essa sintonia com a natureza, percebemos uma valorização do produto", explica Edwin. Após sair do campo, a macadâmia segue para a indústria, onde passa por diversas etapas. O processo inclui a quebra e a separação da casca, seleção, limpeza, torra, pesagem e embalagem, garantindo qualidade e sabor até o produto final, pronto para o consumo. "Ela entra na indústria e começa a quebrar a macadâmia, separa a casca da noz, passa pelo processo de seleção, depois tem o processo de limpeza, torragem, pesagem e embalagem", explica Edwin, que anda otimista com a safra, mas espera que o clima colabore. "A safra desse ano, graças à chuva, está bem melhor. A gente estima que a gente vai aumentar em torno de 50%", conclui o produtor. Veja a reportagem exibida no programa em 22/02/2026: É tempo de colher macadâmia VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

'Nos fazia chorar quase todos dias': como lidar com chefes tóxicos Getty Images via BBC O emprego em uma pequena agência de relações públicas no Reino Unido parecia ideal: equipe unida, clientes importantes e a chance de construir uma carreira promissora. O que Maya (nome fictício) não tinha previsto era que tudo isso vinha acompanhado de uma "chefe tóxica" que estabelecia "padrões impossivelmente altos" e repreendia publicamente os funcionários que não os atingiam. "Ela costumava chamar a atenção das pessoas na frente de toda a equipe, lançando insultos como 'você é burro?' e 'este trabalho é uma porcaria'", conta ela à BBC. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Maya diz que o comportamento de sua gerente frequentemente ultrapassava os limites da gestão de desempenho e se transformava em ataques pessoais. Ela cita o exemplo de uma colega que comentou que havia contratado um personal trainer para se preparar para o casamento e foi surpreendida com a foto de uma "noiva gorda" deixada pela chefe na mesa dela. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Alguns meses depois de começar no emprego, Maya percebeu que "todos os meus colegas choravam quase diariamente". A equipe adoecia com frequência "devido a problemas de saúde mental", diz ela. Maya acabou saindo do emprego. Tóxico ou um conflito de personalidades? O caso dela não é isolado — pesquisas apontam que uma em cada três pessoas já pediu demissão por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um chefe ruim. Mas nem todo mau chefe é tóxico, e entender a diferença é importante, afirma Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute. Muitos líderes se enquadram em uma categoria que o instituto chama de "chefe acidental", em que as pessoas são promovidas por suas habilidades técnicas em vez de sua capacidade de liderança. Nesses casos, o mau comportamento geralmente é resultado de inexperiência ou de incerteza, e não motivado pela intenção. Um chefe tóxico, diz ela, é diferente, pois "deliberadamente não demonstra empatia e, muitas vezes, também não tem autoconhecimento". "Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais", explica Francke. O impacto vai além de conflitos de personalidade, criando ansiedade que pode prejudicar tanto a saúde mental quanto o desempenho dos funcionários. "Se você sente um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade", afirma ela. Rachel McAdams estrela Socorro!, que aborda o conflito entre um chefe tóxico e uma funcionária Getty Images via BBC Josie (nome fictício) conta que passou anos trabalhando para uma chefe que a mantinha sob constante vigilância. "Ela me ligava, mandava mensagens e áudios sem parar o dia todo, das 7h da manhã às 22h", disse Josie à BBC. "Mesmo nos dias em que não estava trabalhando, ela queria saber onde eu estava o tempo todo." Ela também tirava projetos de Josie e os dava para outras pessoas, além de excluir membros da equipe dos almoços em grupo. Hannah (nome fictício) contou à BBC que era humilhada regularmente por sua chefe enquanto trabalhava para uma grande rede de supermercados. Certa vez, ela chegou a um evento corporativo usando o mesmo suéter que um dos convidados. "Minha chefe me obrigou a tirar o suéter e trabalhar no evento de regata em novembro (quando faz frio na Inglaterra)", disse ela à BBC. "Me senti uma idiota, Foi humilhante." A tensão entre chefe tóxico e funcionário é explorada no recente filme Socorro!. No thriller com humor sarcástico os dois são forçados a confrontar questões não resolvidas no ambiente de trabalho depois de ficarem presos juntos em uma ilha deserta após um acidente de avião. Em entrevista no lançamento do filme, a atriz Rachel McAdams, que interpreta a funcionária, disse que já passou por ambientes de trabalho difíceis e se lembra de um chefe particularmente ruim em um trabalho temporário durante um verão. "Eu simplesmente pedi demissão", ela afirmou. "E meu conselho seria tentar uma demissão silenciosa, se possível, e, caso contrário, tentar praticar um pouco de meditação." Como lidar com um chefe tóxico Muitas vezes, contudo, pedir demissão não é uma opção até que apareça outra vaga. Nesses casos, ou para quem quer tentar lidar com a situação antes de tomar uma decisão definitiva, Francke compartilha recomendações que podem ser úteis: Conte para alguém: Encontre um mentor fora da sua linha hierárquica direta que entenda a organização e possa oferecer conselhos de forma honesta e independente. Confronte o chefe sobre o comportamento dele: Não faça isso de surpresa, mas marque uma reunião e exponha suas preocupações com calma, de maneira formal, apresentando exemplos específicos. Se seus colegas também forem afetados, considerem abordar o assunto de forma conjunta para mostrar o impacto mais amplo. Seu chefe pode não perceber o dano que está causando com seu comportamento. Proteja-se: Estabeleça limites, priorize seu bem-estar e crie um espaço fora do trabalho. Pode ser difícil, mas aprender a se distanciar da situação ajudará você a recuperar a perspectiva e planejar os próximos passos. Use o RH com cautela: Se sua organização tem um bom Recursos Humanos (RH), você certamente pode confiar nele, mas vale a pena verificar se o departamento tem um histórico de lidar com comportamentos inadequados em vez de ignorá-los. Saiba quando recorrer a medidas mais drásticas: Se o comportamento for abusivo ou representar um risco reputacional para a empresa, pode ser necessário abrir um processo formal de denúncia, mas esse pode ser um passo difícil, por conta do temor de represálias. Os profissionais que se orgulham de fazer o mínimo possível no trabalho Por que funcionários estão ficando egoístas e menos leais a empresas Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde

Trump diz que tarifas globais vão passar de 10% para 15% A decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas abrangentes impostas pelo presidente Donald Trump adicionou um novo elemento a uma já complicada relação entre Estados Unidos e China. Com ambos os países navegando em terreno instável para evitar uma guerra comercial total que poderia desestabilizar a economia global, ao mesmo tempo em que disputam uma posição de força nas negociações. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A decisão judicial de sexta-feira aparentemente fortalece a posição da China, mas analistas preveem que Pequim será cautelosa ao explorar essa vantagem, sabendo que Trump tem outros meios para impor taxas. Os dois lados também querem manter uma frágil trégua comercial e estabilizar as relações antes da aguardada viagem de Trump a Pequim. “Isso dará à China um impulso moral em suas negociações com a equipe de Trump antes da cúpula, mas eles estão preparados para o cenário de que nada realmente mude na prática”, disse Sun Yun, diretora do programa da China no Stimson Center, um centro de estudos com sede em Washington. Furioso com a derrota, Trump afirmou inicialmente que imporia uma tarifa global temporária de 10% antes de elevá-la para 15%, além de buscar caminhos alternativos para cobrar tarifas de importação. Ele defendeu as tarifas apontando para a China, que representa o maior desafio à predominância econômica, tecnológica e militar dos EUA. “A China tinha centenas de bilhões de dólares em superávits com os Estados Unidos. Eles reconstruíram a China. Eles reconstruíram o Exército. Nós construímos o Exército da China ao permitir que isso acontecesse”, disse Trump a repórteres na sexta-feira. “Tenho um ótimo relacionamento com o presidente Xi, mas ele agora respeita nosso país.” A Casa Branca confirmou que Trump viajará à China de 31 de março a 2 de abril para se reunir com o presidente Xi Jinping. LEIA MAIS Tarifaço derrubado: quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas de Trump, aponta instituto China olha além das tarifas É improvável que Xi “ostente ou brandisse” de forma contundente a decisão da Suprema Corte ao se reunir com Trump, devendo optar por tentar fortalecer sua relação com o presidente americano, disse Ali Wyne, assessor sênior de pesquisa e advocacy focado na política dos EUA para a China no International Crisis Group. Quanto mais Xi conseguir fazer isso, “mais provável será que a frágil trégua comercial entre Estados Unidos e China se consolide de fato e que Trump esteja disposto a concessões na área de segurança que deem à China maior liberdade de manobra na Ásia”, afirmou Wyne. Questionado sobre as implicações da decisão judicial, o porta-voz da Embaixada da China, Liu Pengyu, disse apenas que guerras tarifárias e comerciais não servem ao interesse de nenhum dos dois países. Ele pediu que Pequim e Washington trabalhem juntos para “proporcionar maior previsibilidade e estabilidade à cooperação econômica e comercial China-EUA e à economia global”. A decisão da Corte também cria nova incerteza para outros parceiros comerciais dos EUA, na Ásia e em outras regiões, especialmente aqueles que firmaram acordos comerciais para amenizar a turbulência inicial provocada pelas tarifas de Trump. “Eu esperaria que a maioria dos parceiros asiáticos agisse com cautela, com os acordos existentes sendo amplamente mantidos enquanto ambos os lados analisam as implicações nas próximas semanas”, disse Dan Kritenbrink, sócio do The Asia Group e ex-secretário assistente de Estado para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico no governo Biden. Ele afirmou que observará o impacto sobre o Japão antes da visita planejada da primeira-ministra Sanae Takaichi a Washington em março. O Japão, aliado firme dos EUA, viu suas relações com Pequim se deteriorarem nos últimos meses. Trump tem opções Pouco depois de retornar à Casa Branca no início do ano passado, Trump invocou uma lei de poderes emergenciais e impôs tarifas de 20% sobre produtos chineses, alegando que Pequim não conseguiu conter o fluxo de substâncias químicas que podem ser usadas para produzir fentanil. Posteriormente, Trump utilizou a mesma autoridade emergencial para impor tarifas recíprocas amplas a diversos países, incluindo 34% sobre a China. Pequim retaliou, e as tarifas chegaram temporariamente a ultrapassar 100% antes de ambos os lados recuarem. Após várias rodadas de negociações comerciais e uma cúpula entre Trump e Xi na Coreia do Sul, em outubro, os dois países concordaram com uma trégua de um ano com uma tarifa-base de 10%. Trump também reduziu a chamada tarifa do fentanil para 10%, enquanto Pequim retomou a cooperação para restringir a exportação de mais substâncias que poderiam ser usadas para fabricar o opioide. Wendy Cutler, vice-presidente do Asia Society Policy Institute, disse suspeitar que o governo Trump possa apresentar rapidamente um “Plano B”. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA conduz atualmente uma investigação sobre o cumprimento, por parte da China, de um acordo comercial anterior — o que poderia servir como plano alternativo da administração, afirmou. Caso a China seja considerada em descumprimento de suas obrigações, o governo dos EUA pode impor tarifas com base na legislação comercial. O deputado Ro Khanna, principal democrata no Comitê Especial da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês, instou o governo a formular uma nova estratégia mais rigorosa que “responsabilize a China por suas práticas comerciais desleais e aproveite o poder coletivo de nossos aliados e parceiros”. Gabriel Wildau, diretor-gerente focado em análise de risco político na China na consultoria Teneo, afirmou que Trump já demonstrou disposição para usar outras bases legais para impor tarifas à China, como fez em seu primeiro mandato, e que Pequim provavelmente parte do princípio de que as tarifas podem ser mantidas ou recriadas “com apenas dificuldade moderada”. “Mas Pequim também mantém a esperança de convencer Trump a reduzir essa tarifa em troca de garantias de compras ou outras concessões”, disse Wildau. O presidente Donald Trump, à esquerda, e o presidente chinês Xi Jinping posam antes da reunião de cúpula no Aeroporto Internacional de Gimhae, em Busan, Coreia do Su Foto AP/Mark Schiefelbein

O sorteio do concurso 2975 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (21). Reprodução/Caixa O sorteio do concurso 2975 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (21), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio acumulou para R$ 116 milhões no próximo sorteio. Veja as dezenas sorteadas: 07 - 10 - 17 - 35 - 44 - 46. 5 acertos — 106 apostas ganhadoras, R$ 36.398,76. 4 acertos — 7.501 apostas ganhadoras, R$ 847,85. O próximo sorteio da Mega-Sena será na terça-feira (24). Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 19h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Como funciona a Mega-sena Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Millena Sartori/g1

Não é apenas a oposição, comandada por PT e PSOL, que dá dor de cabeça ao governador Ibaneis Rocha, do MDB, para aprovar o socorro ao Banco de Brasília (BRB) num dos momentos mais delicados da história do banco estatal, que tem no governo do Distrito Federal (GDF) seu controlador. Agora, será preciso convencer também os deputados aliados, que formam uma ampla base de apoio. É uma situação inédita para o governador Ibaneis, que nunca enfrentou qualquer dificuldade para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o GDF, em 2019. "Não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar", diz um importante nome da base aliada de Ibaneis, na condição de anonimato. Por isso, as conversas nos bastidores se intensificaram nos últimos dias e devem seguir até a próxima terça-feira (24), quando o GDF pretende ver aprovado o projeto de lei que autoriza o uso de 12 terrenos públicos como garantia na operação de socorro ao BRB. Ibaneis Rocha, MDB, admitiu que esteve com Vorcaro, mas negou ter tratado da venda do Master para o BRB A preocupação dos deputados distritais é maior neste ano eleitoral. "Eles não querem repetir o desgaste do ano passado, estão insatisfeitos", diz o aliado de primeira hora de Ibaneis. Em 2025, a bancada governista aprovou, em tempo recorde, outro texto enviado pelo governador, autorizando os negócios com o Banco Master. Depois da explosão do escândalo BRB/Master, esses deputados distritais têm sido cobrados pelos eleitores. O Banco Central determinou que o BRB faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master. As perdas se deram pela compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do banco de Daniel Vorcaro, que foi liquidado em novembro. Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 TV Globo Aliados de Ibaneis lembram também que, em momentos assim, costumam se multiplicar os pedidos dos parlamentares, como cargos para cabos eleitorais, em troca do apoio político. "Vai ser preciso atender pedidos", dizem os aliados. A prática de cobrar um preço pelo apoio político é conhecida na Câmara Legislativa. Também há um entendimento entre os aliados ao Buriti que o ideal seria encerrar o tema o mais breve possível, numa tentativa de estancar o desgaste o quanto antes. Apoio certo Pelo menos um nome não deve dar trabalho a Ibaneis Rocha no começo da próxima semana. O presidente da CLDF, Wellington Luiz, também do MDB, tem dado demonstrações seguidas de apoio irrestrito ao chefe do Palácio do Buriti. Nos últimos dias, Wellington Luiz arquivou quatro pedidos de impeachment. Agora, deve ajudar a acalmar os ânimos entre os aliados. O resultado de todas essas conversas será conhecido na próxima semana, quando sair o resultado da votação no plenário da Câmara Legislativa.

Trump aumenta tarifa global de importação para 15% O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou na tarde deste sábado (21) que elevará as tarifas globais de importação para 15%. Na sexta-feira, a Suprema Corte do país derrubou o tarifaço imposto no ano passado. O anúncio foi feito em uma postagem em sua rede social Truth Social, menos de 24h depois de informar que usaria um novo instrumento legal para aplicar a tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual aumentou. Segundo Trump, a medida tem o objetivo de corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que, na sua avaliação, prejudicaram a economia americana. Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters No comunicado, Trump afirma que, após “uma análise completa e detalhada” de uma decisão recente da Suprema Corte dos EUA contrária a parte de sua política tarifária, decidiu elevar imediatamente a tarifa mundial de 10% para 15%. Na mensagem publicada por volta das 13h, o presidente disse que a elevação é legal e permitida pelos instrumentos jurídicos existentes, e que nas próximas semanas a administração Trump definirá “as novas tarifas legais e permissíveis” que serão aplicadas globalmente. Ele também reforçou que a medida faz parte da estratégia para continuar o processo de “Making America Great Again — GREATER THAN EVER BEFORE!!!” (tornando a América grande novamente — ainda maior do que antes). “...como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (...) para o nível legalmente permitido de 15%.” Entenda a decisão da Suprema Corte O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977. Em reunião com governadores estaduais, Trump classificou a decisão como "uma vergonha" e disse que j tinha um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters.

Donald Trump classificou a decisão da Suprema Corte como "uma vergonha" Getty Images A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de barrar o chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a importações de alguns países impacta o correspondente a US$ 21,6 bilhões em vendas externas brasileiras ao país. O cálculo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC). Sobre alguns produtos brasileiros, o presidente Donald Trump havia imposto uma sobretaxa que variava de 10% a 40% - derrubada pela Justiça dos EUA. A decisão do tribunal atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço e alumínio, não foram afetadas. “Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Ele destacou que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil. Após a decisão da Suprema Corte, Trump classificou a definição como "uma vergonha" e informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. O republicano afirmou ainda que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. “Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”. Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump Efeitos em 2025 Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram, passando de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano passado — uma queda de 6,6%, ou US$ 2,65 bilhões. Com isso, o déficit comercial do Brasil com os americanos cresceu de forma expressiva, somando US$ 7,53 bilhões no ano passado. O avanço foi de quase 2.900% na comparação com 2024, quando o déficit foi de US$ 253 milhões. Dados da série histórica do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009, há 17 anos. O resultado negativo de 2025 foi o pior desde 2022, em um intervalo de três anos. Linha do tempo O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio. Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Nesta sexta-feira, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas adicionais de 10% a 40% que ainda vigoravam para alguns produtos brasileiros.

Na Argentina, existe um amplo consenso de que uma reforma trabalhista é necessária AFP/Getty Images A Argentina está discutindo uma reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei, que pretende redefinir as condições de trabalho no país. Mas o assunto vem causando polêmica e polarização. O governo descreve a iniciativa como uma "modernização" das relações trabalhistas, enquanto críticos dizem que se trata de um grande retrocesso. Na quinta-feira (19), a Câmara dos Deputados aprovou preliminarmente o projeto de lei, que já havia passado no Senado uma semana antes. No entanto, um artigo polêmico sobre licença médica foi retirado pelo partido governista durante a votação na Câmara dos Deputados, o que significa que o projeto terá que retornar ao Senado para poder virar lei. O debate de quinta-feira no Congresso ocorreu em meio a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) — a principal central sindical do país — e manifestações na Praça dos Congressos, onde os deputados estavam reunidos. Entre as propostas mais polêmicas estão a extensão da jornada de trabalho para um máximo de 12 horas, o cálculo da indenização por demissão e restrições na licença médica. Para muitos setores da sociedade, a proposta de Milei representa um debate há muito esperado na Argentina, um país com longa tradição sindical e amplos direitos trabalhistas que muitos consideram antiquados. "Nossa legislação trabalhista foi consolidada na década de 1970 e reflete um mundo diferente, um modelo trabalhista baseado em funcionários de escritório e operários de fábrica", disse Miguel Ángel Maza, professor de Direito do Trabalho, à BBC Mundo. Hoje, o país enfrenta um nível recorde de informalidade, com quase metade dos trabalhadores sem direitos trabalhistas garantidos. Esse número representa quase 6 milhões de pessoas que não têm direito a seguro saúde, licença médica, indenização por demissão ou contribuições para a previdência. Entre os menores de 29 anos, a taxa de emprego informal chega a quase 6 em cada 10, e esse número é ainda maior entre as mulheres jovens, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos. A insegurança no trabalho vem aumentando nos últimos 13 anos, com mais trabalhadores em empregos informais, de acordo com dados do Sistema Integrado de Pensões da Argentina e da Pesquisa Permanente de Domicílios. Essas são as principais questões no centro do debate na Argentina. Entenda o motivo da greve geral na Argentina 1. O que Milei propõe Em meio ao debate parlamentar sobre a reforma trabalhista, a principal fabricante de pneus da Argentina anunciou seu fechamento Getty Images/via BBC Entre os principais pilares da reforma, o governo propõe permitir a extensão da jornada de trabalho diária de 8 para 12 horas sem a necessidade de pagamento de horas extras, desde que o período de descanso de 12 horas seja respeitado e o limite legal semanal de 48 horas não seja ultrapassado. Para tanto, será criado um banco de horas extras para cada funcionário, que a empresa poderá compensar com folgas ou dias de folga em vez de dinheiro. "Não é o ideal, mas a realidade é que muitas pessoas trabalham mais de 8 horas, muitíssima gente, e nem sempre recebem horas extras", diz Maza. O governo defende que os trabalhadores poderão negociar, por exemplo, trabalhar mais horas todos os dias de segunda a quinta-feira e ter folga às sextas-feiras. O projeto de lei permite o pagamento de salários em moeda nacional ou estrangeira, em uma economia onde o dólar tem grande importância, e também uma parte em "benefícios em espécie, moradia ou alimentação". Também está previsto o conceito de "negociação salarial dinâmica". Este ponto implica que o empregador tem maior liberdade para negociar novas condições após a assinatura do contrato. A fórmula para o cálculo da indenização por demissão está sendo redefinida, restringindo o que constitui remuneração do empregado. Caso a medida seja aprovada, férias, bônus e outros itens não incluídos no salário mensal serão excluídos do cálculo. O partido governista argumenta que se desenvolveu na Argentina uma "indústria de litígios trabalhistas" porque, devido a regulamentações vagas, juízes estavam concedendo indenizações que multiplicavam os salários por dezenas de vezes, incentivando os empregados a recorrerem à justiça. Em relação às demissões, o governo propôs a criação de um fundo com contribuições patronais, que poderia ser usado para o pagamento das indenizações. Essa porcentagem viria das contribuições patronais já existentes, portanto sem custos adicionais aos empregadores. Já o Estado receberia menos dinheiro. O projeto ainda amplia a lista de "serviços essenciais" que têm fortes restrições ao direito de greve, incluindo o setor da educação e serviços alfandegários, entre outros. A reforma estabelece alterações na lei sobre sindicatos. As assembleias sindicais não poderão interromper o funcionamento normal da empresa, precisarão da autorização do empregador e o trabalhador não será remunerado durante esse período. A proposta inclui benefícios fiscais para incentivar as empresas a contratarem novos funcionários. As empresas que contratarem desempregados, trabalhadores autônomos ou ex-funcionários públicos receberão descontos nas contribuições previdenciárias patronais durante os primeiros quatro anos. O artigo 44 do projeto de lei, que foi retirado pelo próprio governo após a primeira votação no Senado, estipulava que, em casos de licença médica ou acidentes não relacionados ao trabalho, os trabalhadores receberiam 50% ou 75% do seu salário, dependendo do caso. Hoje, o valor é de 100%. 2. Os motivos de Milei Quase metade dos trabalhadores na Argentina atua no setor informal Getty Images/BBC A reforma de Milei surge em um momento de fechamento de vagas qualificadas na Argentina. O setor industrial acumulou uma perda de quase 65 mil empregos nos últimos dois anos, segundo a União Industrial Argentina (UIA). Milei pôs fim às políticas protecionistas anteriores, que descreveu como as de empresários que "caçavam dentro de um zoológico" e que elevavam o custo dos produtos para os argentinos. Para o partido governista, o problema tem origem em governos anteriores, com uma legislação atual contraproducente. O governo acredita que o novo marco regulatório gerará mais empregos formais devido aos menores custos para as empresas. "Esta lei representa um ponto de virada na história trabalhista argentina", afirmou a Presidência da República em um comunicado à imprensa após a aprovação do projeto pelo Senado. "Após anos de litígios trabalhistas que beneficiaram apenas alguns, burocracia excessiva e regulamentações obsoletas diante de profundas mudanças econômicas e tecnológicas, estamos agora diante de uma profunda transformação que restaura a previsibilidade, o dinamismo e a liberdade do mercado de trabalho." O documento enfatiza que a iniciativa é "uma reforma estrutural destinada a atualizar um sistema que, durante décadas, excluiu milhões de argentinos do emprego formal e dificultou a criação de empregos registrados". Milei já havia insistido em diversas ocasiões sobre a necessidade de atualizar as normas trabalhistas na Argentina. Antes da sessão na Câmara dos Deputados, um debate acalorado aconteceu na quarta-feira em uma comissão parlamentar, onde Gabriel Buenos, diretor de assuntos corporativos da Rappi, aplicativo de entrega em domicílio, defendeu a proposta. "Apoiamos esse tipo de discussão. Precisamos de regras claras que permitam o desenvolvimento da economia de plataformas", afirmou Buenos, segundo a imprensa argentina. 3. As críticas à reforma de Milei O principal sindicato da Argentina colou cartazes em espaços públicos falando em perda de direitos trabalhistas Getty Images/via BBC Uma das principais críticas às mudanças é que elas equiparam o poder de negociação das empresas ao dos trabalhadores. "A reforma tem uma falha fundamental muito grave e perigosa. Ela mascara a crença ideológica de que as relações de trabalho são relações comuns, de que o direito do trabalho não é necessário. É uma descrença na inferioridade do trabalhador em relação ao empregador", diz Maza. "O direito do trabalho não é uma invenção peronista; ele surge do reconhecimento de que o trabalhador, individualmente, não pode negociar em igualdade de condições com o empregador", acrescentou. Segundo o especialista em direito do trabalho, a nova lei incentivará a demissão de trabalhadores, pois os empregadores não hesitarão em usar o fundo criado especificamente para esse fim. "Minha experiência me diz que o emprego provavelmente não aumentará após a medida, porque a contribuição para a previdência social não é o fator mais importante. O que os empregadores levarão em consideração ao contratar é se terão clientes e se a margem de lucro permitirá a sustentabilidade do negócio", afirmou. Uma formalização maior do emprego, diz ele, é alcançada por meio de inspeções. O líder do bloco de oposição peronista, União pela Pátria, Germán Martínez, declarou antes da votação de quinta-feira que "a lei é horrível e absolutamente inconstitucional". "Longe de ser uma lei que moderniza, é uma lei que nos faz retroceder e não acrescenta nenhum novo direito aos trabalhadores. Pelo contrário, o que ela faz é gerar um processo regressivo em termos de direitos, sem precedentes na Argentina", acrescentou à Rádio 10. "Atacam os direitos dos trabalhadores, atacam a indústria nacional e o futuro do país. Direitos não são negociáveis", declarou a CGT (Confederação Geral do Trabalho) após convocar uma greve. Os governadores das províncias de Buenos Aires, Terra do Fogo, Formosa, Santiago del Estero, La Rioja e La Pampa manifestaram sua rejeição à reforma. "Estamos convencidos da necessidade de empreender reformas e transformações nos marcos regulatórios que governam o mundo do trabalho", disse o governador peronista Axel Kicillof nas redes sociais. "No entanto, nenhuma reforma pode ter como objetivo desmantelar direitos arduamente conquistados ou reduzir proteções, mas sim, pelo contrário, reconhecer novas garantias em um mercado de trabalho instável", acrescentou o governador. Em meio a acusações cruzadas e opiniões divergentes sobre o assunto, os mais céticos acreditam que a reforma pode simplesmente manter o status quo. Câmara dos Deputados argentina aprova reforma trabalhista de Milei

Azul diz recuperação judicial reduziu dívida de empréstimos e financiamentos em US$ 1,1 bi O processo de recuperação judicial finalizado pela Azul Linhas Aéreas significou, segundo o comunicado da companhia, redução de cerca de 1,1 bilhão de dólares nas dívidas de empréstimos e financiamentos. Somada a queda nas obrigações de arrendamento (aluguel) de aeronaves, que foi de cerca de 40%, a redução nos dividendos chega a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares. Além da redução das dívidas, a companhia afirmou que saiu do processo com 850 milhões de dólares em novos investimentos em ações. Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação judicial, a empresa estimava a eliminação de mais de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 11,28 bilhões) e o aporte financeiro de 950 milhões de dólares. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça A saída do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos - mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil - foi anunciado na noite de sexta-feira (20) pela companhia aérea brasileira. Outros resultados apresentados pela Azul Além da redução dos valores de empréstimos e financiamentos e da queda de cerca de 40% na dívida por arrendamento de aeronaves, os outros resultados indicados pela companhia são: redução dos pagamentos anuais de juros em mais de 50% em comparação aos níveis anteriores ao Capítulo 11; redução em cerca de um terço dos custos recorrentes com arrendamento de aeronaves; captação de aproximadamente 1,375 bilhão de dólares da emissão de Notas Seniors e 950 milhões de dólares por meio de compromissos em equity. "Em menos de nove meses, concluímos uma reestruturação abrangente que fortaleceu significativamente nosso balanço e posicionou a Azul para a estabilidade de longo prazo. Estamos saindo do Chapter 11 com o apoio de alguns dos mais respeitados parceiros financeiros e estratégicos da aviação global", destacou John Rodgerson, CEO da Azul, em comunicado. Investimentos de companhias dos EUA Na quinta, a Azul havia anunciado três acordos para investimentos de 300 milhões de dólares que serão feitos por duas companhias aéreas norte-americanas, além de outros credores como parte do processo de recuperação judicial. Os aportes serão feitos pela American Airlines e pela United Airlines, que vão investir 100 milhões de dólares cada. Nos dois casos, a expectativa é que as companhias recebam ações da Azul. O comunicado da Azul, feito para o mercado na quarta-feira (18), indica que a companhia firmou acordo de investimento adicional com "determinados credores existentes", sem detalhar quais são, na ordem de mais 100 milhões de dólares. O plano de converter parte das dívidas em ações chegou a gerar uma queda de até 70% na Bolsa de Valores em 8 de janeiro deste ano. A estratégia é fazer com que os credores deixem de receber juros e passam a se tornar acionistas. Desempenho operacional Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha Ana Clara Marinho/g1 No comunicado em que informa a saída do Chapter 11, nesta sexta, a Azul destaca que o processo foi concluído em menos de nove meses. Segundo a companhia, a operação com cerca de 800 voos diários, com pontualidade de 85,1% e 32 milhões de clientes atendidos em 2025. Além disso, apresenta uma frota de 175 aeronaves, com atendimento de 130 cidades. Voo da Azul no Amapá é cancelado após problemas em pneu de avião Jorge Júnior/Rede Amazônica VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Jornal Nacional/ Reprodução O governo brasileiro elevou, no início deste mês, o imposto incidente sobre mais de mil produtos importados do exterior. Entre os itens afetados, estão os telefones inteligentes (smartphones). Veja outros exemplos no fim desta reportagem. A decisão, que afeta bens de capital, ou seja, máquinas e equipamentos para produção, além de bens de informática e telecomunicação, elevou a taxação dessas compras do exterior em até 7,2 pontos percentuais — impactando setores e consumidores que buscam esses produtos em outros países. A medida foi criticada por importadores, que veem impacto na competitividade e na inflação, e defendida pelo governo brasileiro — que busca preservar a indústria nacional. Nesta sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço". E derrubou parte do aumento de impostos. Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump; presidente reage com nova taxa O que diz o governo O Ministério da Fazenda informou, em nota técnica, que a escalada das importações dos bens de capital e de informática mostrou crescimento acumulado, desde 2022, de 33,4%. Argumentou, também, que sua penetração no consumo nacional ficou acima de 45% (posição de dezembro do ano passado), ou seja, em "níveis que ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão". ➡️O Ministério da Fazenda avaliou, ainda, que a medida é "moderada e focalizada, necessária para reequilibrar preços relativos, mitigar a concorrência assimétrica, conter a tendência de aumento da penetração de importados e reduzir a vulnerabilidade externa estrutural associada ao déficit setorial". O governo também informou que a medida se alinha internacionalmente, pois diz que vários países elevaram proteção setorial ou por remédios comerciais em subgrupos de máquinas, "sinalizando que instrumentos tarifários continuam sendo usados para corrigir choques externos e dumping [prática ilegal de comércio]". ➡️O Ministério da Fazenda esclareceu que, no ano passado, as principais origens de importações foram Estados Unidos, com US$ 10,18 bilhões e 34,7% de participação; China, com US$ 6,18 bilhões e 21,1%; Singapura, com US$ 2,58 bilhões e 8,8%; e França, com US$ 2,52 bilhões e 8,6%. Apesar do aumento das tarifas, o governo também abriu uma porta para pedidos de redução temporária da alíquota para zero poderão até 31 de março para produtos anteriormente beneficiados, com concessão provisória por até 120 dias. Protecionismo 🌐Desde que o tarifaço foi imposto por Trump, o governo brasileiro vinha criticando a medida e tentando revertê-la. Nesta sexta (20), a Suprema Corte dos EUA decidiu derrubar a medida. Em abril do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula disse que responderia a qualquer iniciativa dos EUA de impor protecionismo que, segundo ele avaliou na ocasião, "não cabe mais' Estudo do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) divulgado no ano passado mostra que o grau de abertura comercial da economia brasileira aumentou nos últimos anos. Entretanto, também conclui que o Brasil ainda é uma nação com uma economia mais fechada que outros países em desenvolvimento com os quais poderia ser comparado. Impacto para as empresas Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group, que atua na importação de matérias-primas, produção, logística e entrega final, afirmou que o Brasil enfrenta um cenário em que boa parte do parque industrial opera com equipamentos com mais de 20 anos de uso, muitas vezes submetidos a modernizações improvisadas. E que, ao mesmo tempo, a indústria nacional de bens de capital não consegue atender plenamente à demanda interna nem acompanhar o ritmo da modernização global. Por isso, estimou que o aumento das tarifas de importação pode gerar efeitos em cadeia na economia brasileira. "O aumento das alíquotas impacta diretamente a capacidade de investimento das empresas. Estamos falando de máquinas, peças e tecnologia que são essenciais para modernização e ganho de produtividade. Quando o custo sobe de forma abrupta, muitos projetos ficam comprometidos e a competitividade do Brasil no cenário internacional é afetada”, avaliou Mauro Lourenço Dias, do Fiorde Group. Efeito inflacionário O Fiorde Grup estimou que, na prática, o aumento de tarifas pode se refletir: No preço de motores de portão em condomínios; No custo de televisores e eletrodomésticos; Na manutenção de equipamentos hospitalares; No valor de exames médicos; Em obras de infraestrutura, como metrôs e projetos de mineração. Já o Ministério da Fazenda diz esperar que o efeito do aumento de tarifas no IPCA "deve ter efeito indireto baixo e defasado, pois bens de capital e de informática são bens de produção, com exceções e regimes atenuando a cobertura efetiva". "Na cadeia produtiva, a alteração tarifária tem o potencial de reequilibrar preços relativos em favor do produto nacional, com ganhos de encadeamento e potencial de substituição competitiva nos elos mecânicos e de integração, com saldo que tende a ser positivo para a competitividade sistêmica", disse o Ministério da Fazenda. Segundo o governo, o efeito na inflação é parcialmente compensado por renegociação de preços e substituição de de compras. "Por fim, com a redução do vazamento de demanda via importações de bens de investimento, espera-se melhora do saldo em transações correntes por menor importação e maior conteúdo local em projetos", concluiu. Produtos afetados Parte dos aumentos anunciados pelo governo já entrou em vigor, o restante começa em março. Entre os produtos que tiveram as tarifas elevadas, estão: Telefones inteligentes (smartphones) Torres e pórticos Reatores nucleares Caldeiras Geradores de gás de ar Turbinas para embarcações Motores para aviação Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes Fornos industriais Congeladores (freezers) Centrifugadores para laboratórios de análises, ensaios ou pesquisas científicas Máquinas e aparelhos para encher, fechar, arrolhar, capsular ou rotular garrafas Empilhadeiras Robôs industriais Máquinas de comprimir ou de compactar Distribuidores de adubos (fertilizantes) Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, açúcar e cervejeira Máquinas para fabricação de sacos ou de envelopes Máquinas e aparelhos de impressão Cartuchos de tinta Descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão Máquinas para fiação de matérias têxteis Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado Martelos Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados Máquinas de cortar o cabelo Painéis indicadores com LCD ou LED Controladores de edição Tratores Transatlânticos, barcos de excursão e embarcações semelhantes Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis Navios de guerra Câmeras fotográficas para fotografia submarina ou aérea, para exame médico de órgãos internos ou para laboratórios de medicina legal ou de investigação judicial Aparelhos de diagnóstico de imagem por ressonância magnética Aparelhos dentários Aparelhos de tomografia computadorizada

Brasil e Índia assinam acordo sobre minerais críticos O presidente Luiz Inácio Lula (PT) afirmou neste sábado (21) que o Brasil está comprometido com a manutenção da América do Sul como zona de paz. Lula discursou ao lado do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante sua visita à Índia. Lula também destacou que Brasil e Índia são países com muitas similaridades e defendeu fortalecer a relação do Mercosul com o Sul Global para que nunca mais aconteça "uma guerra fria entre duas potências". " Nós temos na Índia um país com muitas similaridades. Apesar da diferença de quantidade de habitantes, vários dos nossos problemas são similares, nossos conhecimentos científicos e tecnológicos estão próximos e, se nós trabalharmos juntos, a gente vai fortalecer a relação bilateral Brasil-Índia A gente vai fortalecer o Sul Global, para que a gente não entre nunca mais numa guerra fria entre duas potências". O presidente Lula ao lado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em 21 de fevereiro de 2026 REUTERS/Adnan Abidi Acordo sobre minerais críticos Brasil e Índia assinaram neste sábado (21) um acordo sobre minerais críticos e terras raras, anunciou Narendra Modi, ao lado de Lula. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O acordo amplia a cooperação em minerais estratégicos para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de jatos e mísseis guiados. Em discurso, Lula afirmou que o entendimento marca um avanço na parceria estratégica entre os dois países e reforça a cooperação nas áreas de energia renovável e transição energética. “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula. “No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global”, continuou. Segundo Modi, o entendimento “é um passo importante para construir cadeias de suprimento resilientes”. O Brasil detém as segundas maiores reservas globais desses recursos. A Índia, que busca reduzir a dependência da China, tem investido na expansão da produção interna, na reciclagem e na diversificação de fornecedores. Lula chegou a Nova Délhi na quarta-feira (18) para participar de uma cúpula global sobre inteligência artificial. Neste sábado, foi recebido com cerimônia oficial, prestou homenagens a Mahatma Gandhi e se reuniu com Modi para discutir a ampliação da cooperação bilateral. Os dois líderes também trataram da expansão das trocas comerciais, que superaram US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina, e os dois países têm a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030. Após a agenda na Índia, Lula segue para a Coreia do Sul, onde terá reuniões com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Brasil e Índia assinam acordo sobre minerais críticos Brasil e Índia assinaram neste sábado (21) um acordo sobre minerais críticos e terras raras, anunciou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O acordo amplia a cooperação em minerais estratégicos para tecnologias como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de jatos e mísseis guiados. Em discurso, Lula afirmou que o entendimento marca um avanço na parceria estratégica entre os dois países e reforça a cooperação nas áreas de energia renovável e transição energética. “Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje”, afirmou Lula. “No marco da Aliança Global para Biocombustíveis, nossos países estão assegurando o devido espaço para essa tecnologia na agenda climática e energética global”, continuou. Segundo Modi, o entendimento “é um passo importante para construir cadeias de suprimento resilientes”. O Brasil detém as segundas maiores reservas globais desses recursos. A Índia, que busca reduzir a dependência da China, tem investido na expansão da produção interna, na reciclagem e na diversificação de fornecedores. Lula chegou a Nova Délhi na quarta-feira (18) para participar de uma cúpula global sobre inteligência artificial. Neste sábado, foi recebido com cerimônia oficial, prestou homenagens a Mahatma Gandhi e se reuniu com Modi para discutir a ampliação da cooperação bilateral. Os dois líderes também trataram da expansão das trocas comerciais, que superaram US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina, e os dois países têm a meta de elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030. Após a agenda na Índia, Lula segue para a Coreia do Sul, onde terá reuniões com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial. O presidente Lula ao lado do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em 21 de fevereiro de 2026 REUTERS/Adnan Abidi VÍDEOS: mais assistidos do g1

Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Divulgação/Detran-AM Este ano passou a vigorar uma nova regra para o acúmulo de pontos na CNH. Agora, o limite para suspensão da carteira depende de quantas infrações gravíssimas o condutor cometeu nos últimos 12 meses. O teto é de 40 pontos, mas apenas para quem não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 365 dias. Dependendo das infrações registradas, o limite para suspensão da CNH pode cair para 20 pontos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A exceção são os condutores que exercem atividade remunerada, o que inclui motoristas de aplicativo. Nesse caso, o limite de pontos acumulados em 365 dias é sempre de 40. Ao alcançar 30 pontos, o motorista profissional pode fazer um curso de reciclagem para reduzir a chance de ter a CNH suspensa. Essa regra vale apenas para o acúmulo de pontos e não se aplica a infrações que, sozinhas, já geram suspensão imediata da carteira. Já os outros motoristas precisam ficar atentos para não ultrapassar os novos limites. Na dúvida, a orientação é consultar o aplicativo da CNH no celular ou o Detran do seu estado. Veja abaixo os novos limites Limite de 40 pontos : vale para o motorista que não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 12 meses. Portanto, ele pode acumular pontos por infrações graves, médias e leves até esse teto. Limite de 30 pontos: se o motorista tiver uma infração gravíssima nos últimos 12 meses, o teto cai para 30 pontos. Nesse caso, a regra fica mais rígida e o motorista precisa redobrar a atenção. Limite de 20 pontos: com duas ou mais infrações gravíssimas no período, o total permitido cai para 20 pontos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 É preciso ficar atento ao prazo de validade desses pontos, pois eles só deixam de contar após 12 meses da data da infração. 🔎 Por exemplo: um motorista cometeu infrações leves e médias e tem 27 pontos acumulados na CNH nos últimos 12 meses. Se ele cometer uma infração gravíssima, o limite cai para 30 pontos e o teto pode ser ultrapassado. Nesse caso, há risco de suspensão da carteira. Tipos de infrações Além de acumular pontos, as infrações também geram multas. Os valores podem ser multiplicados por agravantes e reajustados pelos órgãos competentes. Veja alguns exemplos: Infrações leves: exemplos incluem parar o carro na calçada, estacionar no acostamento e buzinar em local proibido. Essas infrações somam 3 pontos à CNH e geram multa de R$ 88,38. Infrações médias: incluem circular com velocidade até 20% acima da permitida, transitar com velocidade inferior a 50% da máxima da via e parar sobre a faixa de pedestres. São 4 pontos na CNH e multa de R$ 130,16. Infrações graves: exemplos incluem estacionar em ciclofaixa, não usar cinto de segurança e ultrapassar em mais de 20% o limite de velocidade. Nesses casos, são 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23. Infrações gravíssimas: incluem dirigir sob efeito de álcool ou de substância psicoativa, deixar de prestar socorro à vítima de acidente em que o condutor esteja envolvido e estacionar em vaga para idosos ou pessoas com deficiência. A multa é de R$ 293,47 e são 7 pontos na CNH. No caso de dirigir embriagado, a multa pode chegar a quase R$ 3 mil se o teor alcoólico aferido for superior a 0,04 mg/L. Esse tipo de conduta também leva à suspensão imediata da CNH, mas não é a única infração com essa consequência. Infrações autossuspensiva Se o motorista cometer uma infração gravíssima autossuspensiva, a CNH fica suspensa imediatamente, independentemente da quantidade de pontos acumulados. Alguns exemplos são transitar em velocidade 50% acima do limite da via, dirigir ameaçando pedestres, conduzir de forma a intimidar outros veículos, participar de rachas e fazer manobras perigosas. Como recorrer O motorista sempre tem a oportunidade de recorrer das infrações, e o processo depende do órgão que aplicou a multa, como Detran, Polícia Rodoviária Federal, DER, entre outros. Veja abaixo um passo a passo. Em geral, o processo começa com a apresentação da defesa de autuação. O motorista tem prazo de 30 dias para apontar eventuais erros antes mesmo de a multa ser aplicada. É nesse momento que o motorista pode indicar que havia outro condutor ao volante e, assim, evitar o acúmulo de pontos. Essa primeira defesa deve ser analisada pelas autoridades em até 30 dias. Se o recurso for indeferido, há prazo de 30 dias para recorrer em primeira instância à Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari). O órgão tem mais um mês para emitir o parecer. Se essa etapa for rejeitada, é possível recorrer ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) em segunda instância. Multas aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal têm um processo próprio de recurso, com formulários específicos. CNH foi suspensa. E agora? Dependendo do tipo de infração ou de reincidência, a suspensão da CNH pode chegar a dois anos. A recomendação é acompanhar quantos pontos constam na CNH para não ultrapassar o limite, considerando o novo critério. Os sites dos Detrans oferecem consulta a essa informação. Em caso de suspensão, o processo de recurso é semelhante ao das infrações, começando pela Jari e, depois, seguindo para o Cetran de cada estado. Veja também as mudanças na prova prática para tirar a CNH. Nova CNH: como funciona o novo sistema de pontos da prova prática, que não tem falta eliminatória

O número de petroleiros abandonados e de outras embarcações comerciais disparou AFP via BBC Ao longo do último ano, houve um grande aumento no número de petroleiros e outras embarcações comerciais que vêm sendo abandonados por seus proprietários ao redor do mundo. O que está por trás desse aumento repentino? E qual é o impacto humano sobre os marinheiros mercantes afetados? 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ivan (nome fictício) falou com a BBC no mês passado a partir de um petroleiro que permanece abandonado fora das águas territoriais da China. Ele é um funcionário sênior de convés. "Houve falta de carne, grãos, peixe — coisas simples para a sobrevivência", disse o fncionário russo. "Isso afetou nossa saúde e o clima operacional a bordo. A tripulação estava com fome, a tripulação estava com raiva, e tentávamos sobreviver apenas dia após dia." Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O navio — que não será identificado para proteger Ivan — transporta cerca de 750 mil barris de petróleo bruto russo, com valor nominal de aproximadamente US$ 50 milhões (R$ 260 milhões). Ele havia zarpado do Extremo Oriente da Rússia em direção à China no início de novembro. A embarcação foi dada como abandonada em dezembro pela federação sindical internacional International Transport Workers' Federation (ITF), após a tripulação relatar que não recebia salários havia meses. O navio permanece em águas internacionais. O nível de escrutínio em torno do caso é tal que a China, ao que tudo indica, não está disposta a permitir sua entrada em um porto. No entanto, a ITF interveio para garantir o pagamento dos salários de Ivan e de seus colegas até dezembro, além de organizar o envio de alimentos, água potável e outros itens essenciais para o navio. Embora alguns tripulantes tenham sido repatriados, a maioria, como Ivan, continua a bordo. Às vezes, os navios são abandonados em portos; em outros casos, ficam à deriva no mar ITF via BBC Segundo a ITF, 20 navios foram abandonados ao redor do mundo em 2016. Em 2025, esse número saltou para 410, com 6.223 marinheiros mercantes afetados. Ambos os números do ano passado representaram um aumento de quase um terço em relação a 2024. A instabilidade geopolítica é apontada como um dos principais fatores por trás do crescimento recente. Conflitos generalizados em várias partes do mundo e a pandemia de covid-19 provocaram interrupções nas cadeias de suprimento e grandes variações nos custos de frete, fazendo com que algumas empresas tenham dificuldade para se manter operando. Mas a ITF afirma que a crescente presença das chamadas "frotas fantasmas" pode ter contribuído para o forte aumento registrado no ano passado. Esses navios — geralmente petroleiros, como aquele em que Ivan está preso — costumam ser embarcações antigas, de propriedade obscura, muitas vezes sem condições adequadas de navegação, provavelmente sem seguro e com operações perigosas. Em geral, eles navegam sob bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês), ou seja, são registrados em países com fiscalização regulatória muito limitada. As embarcações dessas frotas fantasmas tentam operar fora do radar para ajudar países como Rússia, Irã e Venezuela a exportar petróleo bruto em violação às sanções ocidentais. O caso da Rússia é um exemplo. Após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, o país passou a enfrentar sanções que limitaram o preço que poderia cobrar por seu petróleo. Ainda assim, a Rússia encontrou compradores dispostos a pagar valores mais altos, como China e Índia — embora esta última tenha agora se comprometido a interromper as compras, conforme os termos de um recente acordo comercial com os Estados Unidos. As bandeiras de conveniência (FOCs, na sigla em inglês) são usadas por navios mercantes há mais de um século como forma de os proprietários contornarem leis e regulações em seus países de origem. Nos anos 1920, por exemplo, era comum que navios de passageiros de propriedade americana fossem registrados no Panamá para driblar as normas da Lei Seca nos EUA e vender álcool a bordo. Panamá, Libéria e Ilhas Marshall são hoje os Estados mais comuns de bandeira de conveniência, respondendo por 46,5% de todos os navios mercantes em termos de tonelagem. Mas a Gâmbia se tornou um novo ator nesse cenário nos últimos anos. Em 2023, não havia nenhum petroleiro registrado na Gâmbia. Já em março do ano passado, o país havia se tornado, no papel, o Estado anfitrião de 35 dessas embarcações. Os países que oferecem esse tipo de registro recebem taxas consideráveis. Navios com bandeira de conveniência aparecem com destaque nos casos de abandono. Em 2025, eles representaram 337 embarcações — ou 82% do total. O número exato de navios de "frotas fantasmas" dentro desse grupo não é claro, mas, dado o estado precário dessas embarcações e as estruturas de propriedade obscuras por trás delas, tudo indica que isso expõe tanto os navios quanto suas tripulações a riscos maiores. De acordo com as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO), um marinheiro é considerado abandonado quando o armador deixa de arcar com os custos de sua repatriação, ou o deixa sem a cobertura de custos e o apoio necessários, ou ainda rompe unilateralmente o vínculo com ele. Este último caso inclui a falta de pagamento dos salários contratuais por um período mínimo de dois meses. O secretário-geral da ITF, Stephen Cotton, disse à BBC que "o abandono não é um acidente". E acrescentou: "Os marinheiros, na verdade, não sabem exatamente para onde estão indo. Eles assinam um contrato, vão para alguma outra parte do mundo e se deparam com muitos desafios diferentes." Tripulações de navios abandonados correm o risco de ficar sem água potável ITF via BBC No ano passado, tripulações da marinha mercante abandonadas ao redor do mundo tinham, juntas, US$ 25,8 milhões em salários atrasados, segundo dados de duas agências da ONU, a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ITF afirma ter recuperado e devolvido quase dois terços desse valor, o equivalente a US$ 16,5 milhões. No navio em que Ivan está, os salários atrasados somavam cerca de US$ 175 mil no momento da primeira intervenção da ITF. A nacionalidade mais afetada pelo abandono marítimo em 2025 foi a indiana, com 1.125 marinheiros — 18% do total. Filipinos (539) e sírios (309) aparecem em segundo e terceiro lugar. Em setembro do ano passado, para proteger sua importante comunidade de trabalhadores do mar, o governo da Índia colocou na lista negra 86 embarcações estrangeiras por casos de abandono de marinheiros e violações de direitos. As investigações constataram que muitas delas tinham proprietários impossíveis de rastrear ou não recebiam qualquer resposta dos Estados de bandeira. Tripulações abandonadas podem passar meses presas em seus navios ITF via BBC Mark Dickinson é secretário-geral do Nautilus International, um sindicato que representa profissionais do setor marítimo. Ele responsabiliza os Estados que oferecem bandeiras de conveniência (FOCs) por uma "completa abdicação de responsabilidade" em relação às suas frotas mercantes e às tripulações que navegam sob essas bandeiras. Segundo ele, é preciso haver "um vínculo genuíno entre os proprietários dos navios e as bandeiras sob as quais eles navegam". Esse vínculo já é exigido pelo direito marítimo internacional, mas não existe uma definição universalmente aceita do que ele significa na prática. O navio de Ivan navegava sob uma bandeira gambiana falsa, sem registro e desconhecida pelas autoridades da Gâmbia. Desde então, ele foi aceito provisoriamente sob a bandeira de outro país africano, que, segundo informações, abriu uma investigação formal sobre a embarcação. O inspetor da ITF Nathan Smith disse que espera que o destino do petroleiro só seja resolvido quando o petróleo for transferido para outro navio por meio de uma operação de navio a navio em alto-mar. Ivan afirma que, no futuro, será muito mais cuidadoso ao escolher em que navio vai trabalhar. "Com certeza vou ter uma conversa adequada sobre as condições da embarcação, sobre pagamento e provisões. E vou recorrer à internet, onde podemos ver quais navios são proibidos, quais estão sob sanções." Marinheiros como Ivan muitas vezes ficam à mercê dos contratos disponíveis. Com as viagens das chamadas frotas fantasmas sendo uma peça-chave da cadeia de suprimento do petróleo russo, será necessária uma cooperação internacional maior para proteger os trabalhadores do mar dos riscos inerentes ao serviço marítimo.

Trump assina decreto com nova tarifa global de 10% depois que a Suprema Corte considerou o tarifaço do ano passado ilegal O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Na sexta-feira (20), a Corte decidiu que Trump extrapolou os poderes da Presidência ao aplicar tarifas com base em uma lei de 1977. Com a decisão, deixam de valer as sobretaxas de 40% que atingiam 22% das exportações brasileiras. Após o revés no tribunal, Trump anunciou uma tarifa global de 10%, que deve passar a valer também para produtos brasileiros. Segundo Haddad, a competitividade do Brasil não será afetada. Em entrevista na Índia, o ministro afirmou que o país está construindo uma “ponte robusta” para restabelecer a relação com os Estados Unidos e disse acreditar que o processo deve se acelerar. “Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, afirmou. “O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja. Nós temos que ser parceiros do mundo todo.” Mais cedo, Haddad afirmou que o Brasil agiu “de forma impecável” enquanto as tarifas estavam em vigor e disse que a decisão da Suprema Corte dos EUA favorece os países afetados pela medida. LEIA TAMBÉM Alckmin diz que decisão da Suprema Corte dos EUA é 'importante' para o Brasil e que tarifa global de 10% preserva competitividade Decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas é uma vergonha, diz Trump Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as tarifas para o Brasil O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante evento na Índia Ricardo Reichhardt/TV Globo Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, ele aplicou uma sobretaxa de 40%, levando o total a 50%. A medida veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Ficaram fora da sobretaxa itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto. Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de outros produtos, como café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, Trump afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. Com a decisão da Suprema Corte e o novo anúncio feito nesta sexta-feira, o resultado final é uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos brasileiros, segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma. Ele ressalta que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Microaposentadorias e mini-sabáticos estão crescendo entre profissionais que buscam descanso e reinvenção da carreira Freepik Se você sonha acordado com uma pausa no trabalho, pode imaginar duas semanas de férias ou um fim de semana prolongado. Mas algumas pessoas ousam imaginar algo maior e encontram maneiras de dar um respiro substancial ao estresse ou à rotina diária. Mini-sabáticos. Anos sabáticos para adultos. Microaposentadoria. Pausas prolongadas na carreira recebem muitos nomes e assumem diversas formas — desde usar o tempo entre empregos para explorar novos caminhos ou tirar uma licença aprovada pelo empregador até se tornar um nômade digital ou economizar para uma aventura de meses. Criar espaço para uma reinicialização, seja mental, física ou espiritual, é o fio condutor. Custos, responsabilidades pessoais e o medo de serem julgados por colegas, amigos e familiares estão entre os obstáculos que impedem as pessoas de dar uma pausa na vida profissional e partir em busca de novas perspectivas, de acordo com especialistas em períodos sabáticos e pessoas que já passaram por essa experiência. 'Workation': conheça a tendência que une viagem de lazer ao trabalho Não é mais apenas para acadêmicos A visão dos americanos sobre tirar férias é diferente da de grande parte da Europa, onde o tempo livre e o descanso são priorizados, disse Kira Schrabram, professora assistente de gestão na escola de negócios da Universidade de Washington, que estuda trabalho significativo e sustentável. Na União Europeia, os trabalhadores têm direito, por lei, a pelo menos 20 dias de férias remuneradas por ano. Mas, de acordo com Schrabram, cada vez mais empresas estão permitindo semanas ou meses de licença remunerada ou não remunerada como forma de reter funcionários valiosos. Há sete anos, ela levou sua experiência em pesquisa sobre burnout para o Sabbatical Project, uma iniciativa fundada por DJ DiDonna, professora sênior da Harvard Business School, que promove o período sabático como “um ritual humano sagrado” ao qual mais pessoas deveriam ter acesso. Schrabram, DiDonna e o professor emérito da Universidade de Notre Dame, Matt Bloom, entrevistaram 50 profissionais americanos que fizeram uma pausa prolongada em atividades não acadêmicas. A partir das respostas, identificaram três tipos de sabáticos: férias de trabalho, que envolvem a busca de um projeto pessoal; “mergulhos livres”, que combinam aventuras emocionantes com períodos de descanso; e jornadas empreendidas por pessoas esgotadas, que se engajam em explorações transformadoras após se recuperarem o suficiente. Mais da metade dos entrevistados financiou os próprios períodos sabáticos. Em um artigo para a Harvard Business Review, os pesquisadores defenderam o uso dessas pausas como ferramenta para recrutar, reter e desenvolver talentos. Mas, como licenças remuneradas prolongadas não são comuns, “estamos realmente questionando a ideia de que um período sabático precisa ser patrocinado por um empregador”, disse Schrabram sobre o projeto, que criou uma rede de consultores e mentores para incentivar quem tem interesse em tirar um período sabático. Cada vez mais pessoas estão optando por pausas prolongadas no trabalh Ilustração da AP / Peter Hamlin Liderar pelo exemplo Roshida Dowe tinha 39 anos e trabalhava como advogada corporativa na Califórnia quando foi demitida, em 2018. Em vez de procurar um novo emprego imediatamente, decidiu passar um ano viajando. Surpresa com a quantidade de pessoas que perguntavam como havia conseguido, resolveu trabalhar como coach online para quem deseja fazer uma pausa na carreira. Ela e Stephanie Perry, ex-técnica de farmácia que também tirou um ano sabático para viajar e descobriu sua vocação como coach, cofundaram a ExodUS Summit, uma conferência virtual para mulheres negras discutirem a possibilidade de tirar um ano sabático ou morar no exterior. As palestrantes abordam tanto questões práticas, como finanças, segurança e saúde, quanto temas mais filosóficos, como o valor do descanso e a superação de traumas intergeracionais. Dar destaque a mulheres que partiram para conhecer o mundo é algo poderoso porque “muitas de nós não estamos abertas a possibilidades que não nos foram apresentadas antes”, disse Dowe, que se mudou para a Cidde do México como parte de sua própria reinvenção. “Quando dou consultoria para mulheres que querem tirar um período sabático, a principal coisa que elas procuram é permissão”, afirmou. Para Perry, as férias no Brasil, em 2014, serviram de catalisador quando conheceu pessoas hospedadas no mesmo hostel que viajavam por meses, e não apenas por dias. Ela pesquisou sobre viagens econômicas e descobriu que era possível se manter com US$ 40 por dia. Antes disso, “eu tinha certeza de que todas as pessoas que viajavam por longos períodos eram herdeiras de grandes fortunas”, disse. O principal desafio é financeiro e social: muitos precisam planejar e enfrentar o medo de julgamento Freepik Financiando o sonho O custo é um obstáculo comum para quem considera fazer uma pausa na carreira. Existem maneiras criativas de contornar isso, afirmou Perry, que tem residência legal no México e um apartamento em Bogotá, na Colômbia. “Cuidar de casas é o motivo pelo qual posso trabalhar muito pouco e viajar bastante”, disse. Perry, que mantém um canal no YouTube onde publica vídeos sobre viagens e sobre como se tornar expatriada sendo uma mulher negra americana, arrecada dinheiro por meio dos inscritos para patrocinar mulheres negras em períodos sabáticos. Quando Ashley Graham fez uma pausa no trabalho em uma organização sem fins lucrativos em Washington, DC, planejou uma viagem de carro que incluía visitar amigos com quem poderia se hospedar gratuitamente. “Foi uma ótima maneira de me conectar com minha vida passada”, disse Graham, que posteriormente se mudou para Nova Orleans depois de se apaixonar pela cidade durante o período sabático. Taylor Anderson, planejadora financeira certificada baseada em Vancouver, Washington, é especializada em ajudar clientes a planejar períodos sabáticos. Ela afirma que muitos dos mesmos princípios aplicados à poupança para um período sabático valem para a aposentadoria. Ambos exigem disciplina financeira, além da capacidade de reconhecer quando é seguro gastar. “Falamos sobre o dinheiro respirando. Às vezes é inspirando, às vezes expirando”, disse Anderson, que também experimentou os benefícios de um período sabático para se reinventar. “Muitas vezes descobrimos que as pessoas têm dinheiro guardado, mas têm medo de gastá-lo.” “A questão de ‘o que é suficiente?’ é realmente difícil”, acrescentou. Será que todos podem se dar ao luxo de ficar um mês ou mais sem salário? Claro que não. Mas, para aqueles que conseguiram juntar uma reserva financeira, “o custo é, na verdade, menor do que se imagina”, afirmou. Nesta foto fornecida por Micaela Sling Media, Roshida Dowe, em primeiro plano, monta um camelo acompanhada por várias participantes do ExodUS Summit Micaela Peters/Micaela Sling Media via AP Riscos e recompensas Em 2018, os artistas Eric Rewitzer e Annie Galvin deixaram dois funcionários responsáveis por sua galeria em São Francisco para passar o verão na França e na Irlanda. “Foi aterrador”, disse Rewitzer, que se descreve como viciado em trabalho e controlador compulsivo. “Foi um enorme exercício de confiança.” Ao retornar a São Francisco, passou a ver a cidade de forma diferente. Sentia que sua vida estava desequilibrada — muito trabalho e pouco tempo em contato com a natureza. Essa mudança de perspectiva levou o casal a comprar o que imaginavam ser uma casa de fim de semana na Serra Nevada. O imóvel se tornou residência permanente quando fecharam a galeria durante a pandemia de Covid-19. “Tudo se resume à mesma coisa: estar disposto a correr riscos”, disse Rewitzer. Um estilo de vida Ao interromper os estudos para curtir a vida de esquiador em Vail, no Colorado, Gregory Du Bois adotou o hábito de tirar mini-sabáticos ao longo da carreira corporativa na área de TI. A cada novo emprego, negociava períodos prolongados de férias, explicando aos gerentes que, para ter o melhor desempenho, precisava de pausas para recarregar as energias. “É um estilo de vida tão arraigado que quase não o considero um período sabático”, disse Du Bois, que se aposentou da área de tecnologia e passou a trabalhar como coach de vida em Sedona, no Arizona. “Para mim, é uma regeneração espiritual.” Short friday: sair mais cedo do trabalho às sextas já é realidade em algumas empresas

'O Testamento: O Segredo de Anita Harley' Divulgação/Globoplay Estreia nesta segunda-feira (23) a nova série documental Original Globoplay "O Testamento: O Segredo de Anita Harley", que investiga a disputa judicial em torno da curatela e da herança de Anita Harley, principal acionista das Casas Pernambucanas. Com cinco episódios lançados de uma só vez — o primeiro aberto também para não assinantes —, a produção acompanha um dos casos mais complexos e prolongados do Judiciário brasileiro recente. Desde 2016, quando Anita sofreu um acidente vascular cerebral e entrou em coma, familiares, funcionários e advogados travam uma batalha na Justiça pelo controle de seus cuidados e de um patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Produzida pelo Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, a série se debruça sobre versões conflitantes que se acumulam há quase uma década. A curatela — instrumento legal que designa um responsável para representar civilmente uma pessoa incapaz de gerir a própria vida e bens — tornou-se o centro de um embate que mistura relações pessoais, poder empresarial e interesses financeiros. De um lado está Cristine Rodrigues, secretária de confiança da empresária e indicada em testamento vital como responsável por seus cuidados. De outro, Sônia Soares, conhecida como Suzuki, funcionária que vivia na mansão de Anita e que se apresenta como companheira da herdeira. O cenário se amplia com o pedido de Arthur, filho de Suzuki, que obteve o reconhecimento de maternidade socioafetiva com Anita. Advogados, amigos e familiares também aparecem ao longo dos episódios, defendendo interpretações distintas sobre os fatos. A narrativa combina perfis individuais e uma cronologia não linear para organizar a sucessão de decisões judiciais e reviravoltas. Cada episódio apresenta um dos personagens centrais: começa com a trajetória de Anita e de sua secretária; avança para a versão de Suzuki; depois aborda Arthur; passa por Daniel Silvestri, advogado de Suzuki que chegou à presidência das Pernambucanas; e, por fim, atualiza a situação atual do caso e os possíveis herdeiros. Segundo o roteirista Ricardo Calil, a estrutura foi pensada para acrescentar novas camadas a cada capítulo, ampliando a complexidade da disputa. Como o processo segue em andamento, o roteiro precisou ser ajustado até os momentos finais de produção para incorporar os desdobramentos mais recentes. Com direção de Camila Appel, codireção de Dudu Levy e direção artística de Monica Almeida, a série aposta na humanização dos envolvidos para além do embate jurídico. A proposta é expor como relações afetivas e disputas por poder se entrelaçam em torno de um império centenário do varejo brasileiro — e de uma herança que permanece indefinida.

Trump anuncia tarifa global A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço de Donald Trump — seguida pelo anúncio de uma nova tarifa global de 10% — levantou dúvidas sobre como ficam as cobranças sobre produtos brasileiros exportados ao país. Nesta sexta-feira (20), a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), utilizada por Trump, não autoriza o presidente a instituir tarifas por conta própria. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida passa a valer na próxima terça-feira (24) e terá validade de 150 dias. Mas como ficam as tarifas para o Brasil? Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump nesta sexta-feira, o resultado final é um tarifaço de 10% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma. Ele lembra ainda que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados. LEIA MAIS: Veja a cronologia do tarifaço de Trump: Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Governo brasileiro comemora a decisão Alckmin fala sobre queda do tarifaço Reprodução O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o Ministério da Indústria e Comércio, comemorou a decisão nesta sexta-feira. Para ele, a derrubada do tarifaço coloca o Brasil em condições de competitividade equivalentes às de seus concorrentes. "Os 10% global é para todos. Nós não perdemos competitividade, se é 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de 40% que ninguém mais tinha", afirmou Alckmin. O ministro explicou que, antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. Na prática, a mudança beneficia produtos como armamentos, máquinas de linha amarela (equipamentos pesados usados na construção civil), máquinas agrícolas, motores, madeira e café solúvel. Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters

Trump anuncia tarifa global A Casa Branca publicou, na noite desta sexta-feira (20), uma ordem executiva que confirma o fim de parte do tarifaço do governo Donald Trump. Ao mesmo tempo, formalizou a medida que cria uma nova tarifa global de 10%, com início previsto para a próxima terça-feira (24). “À luz dos acontecimentos recentes, os direitos impostos com fundamento na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, estabelecidos por decretos executivos anteriores, deixarão de vigorar e, assim que possível, deixarão de ser cobrados”, diz o documento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A decisão acontece após a Suprema Corte dos EUA derrubar o tarifaço (leia mais abaixo), e Trump anunciar que recorreria a uma nova base legal para aplicar a tarifa global de 10% sobre produtos importados. Em outro documento, o governo detalhou que as novas tarifas entrarão em vigor na próxima terça-feira, a partir de 00h01 (horário de Washington). Alguns produtos, porém, ficarão isentos, incluindo: bens do Canadá e do México que estejam em conformidade com o USMCA (Acordo EUA-México-Canadá); produtos agrícolas específicos, como carne bovina, tomates e laranjas; produtos farmacêuticos e seus ingredientes; minerais críticos, energia e certos eletrônicos; têxteis e vestuário de países do tratado CAFTA-DR (como Costa Rica e República Dominicana) com isenção de impostos. Segundo a Casa Branca, as novas tarifas de 10% foram adotadas para corrigir desequilíbrios nos pagamentos internacionais, reduzir o déficit comercial e incentivar a produção americana. O texto também estabelece que mesmo os envios de baixo valor, que normalmente estariam isentos de tarifas (os chamados “de minimis”), passarão a ser cobrados sob a nova taxa temporária de 10%. O que motivou as medidas? Mais cedo, por 6 votos a 3, a maioria dos juízes da Suprema Corte concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. A conclusão do tribunal representou o maior revés para o presidente desde seu retorno ao cargo, em janeiro de 2025. Em declaração a jornalistas na tarde desta sexta, Trump disparou contra os juízes do tribunal e classificou a decisão da Corte como “vergonhosa” e “terrível”. “Tenho vergonha de certos membros da Corte, que não tiveram coragem de fazer o que é certo para o nosso país. Para mim, eles foram influenciados por interesses estrangeiros", declarou. O republicano afirmou ainda que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. “Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”. Trump anunciou, então, a ativação da Seção 122 da legislação comercial dos EUA — que autoriza o presidente a impor tarifas temporárias — para criar uma nova tarifa global de 10%, válida por 150 dias. O governo também recorrerá à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais. (entenda os dispositivos abaixo) A decisão do tribunal atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, não foram afetadas. LEIA MAIS Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço Donald Trump AP/Evan Vucci Entenda a decisão da Suprema Corte O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977. Mais cedo, em reunião com governadores estaduais, o republicano já havia classificado a decisão como "uma vergonha" e afirmado ter um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters. As alternativas legais para Trump O governo Trump já indicou que poderia buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Confira os caminhos legais que o presidente dos EUA pode usar para manter ou reintroduzir tarifas, segundo análises do Goldman Sachs, do Deutsche Bank e da Panmure Liberum. Algumas dessas alternativas também foram mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Seção 122 da Lei de Comércio Essa é uma das opções mais rápidas para o governo. A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas. Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses. Trump já utilizou esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar importações chinesas, o que levou a uma disputa comercial prolongada entre os dois países. Seção 338 da Lei de 1930 Essa lei autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem o comércio dos EUA. Ela nunca foi usada na prática e não exige investigação formal, o que pode torná-la uma via mais rápida do que a Seção 301, embora com limite máximo para as tarifas. Seção 232 da Lei de Comércio de 1962 Outra possibilidade é recorrer à lei que permite impor tarifas por motivos de segurança nacional, já aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que continuam taxados. Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país. A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais. Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que excluiu da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto. Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de mais itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, o presidente afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. As tarifas restantes sobre alguns produtos também foram eliminadas. O especialista em comércio exterior Jackson Campos explica que, após a decisão do tribunal e o novo anúncio de Trump nesta sexta-feira, o resultado final é um tarifaço de 10% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço], acrescida do novo adicional temporário global de 10%”, afirma. Ele lembra ainda que aço e alumínio continuam com alíquotas de 50%, que se somam aos 10% recém-anunciados. * Colaboraram Janize Colaço e Micaela Santos

Avião da Azul decola do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ricardo Moraes/ Reuters A Azul Linhas Aéreas anunciou, na noite desta sexta-feira (20), que concluiu o processo de reestruturação financeira voluntária e saída do Chapter 11, o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos - mecanismo semelhante à recuperação judicial no Brasil. Segundo a Azul, o Plano de Reorganização da Companhia, confirmado pela Justiça dos EUA, está em vigor. Em seu comunicado, a empresa destaca que sai do processo com US$ 850 milhões em novos investimentos em ações, redução da dívida e obrigações de arrendamento em aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Redução nas dívidas de empréstimos e financiamentos foi de 1 bilhão de dólares; veja outros resultados “Em menos de nove meses, concluímos uma reestruturação abrangente que fortaleceu significativamente nosso balanço e posicionou a Azul para a estabilidade de longo prazo. Estamos saindo do Chapter 11 com o apoio de alguns dos mais respeitados parceiros financeiros e estratégicos da aviação global", destacou John Rodgerson, CEO da Azul, em comunicado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Na quinta, a Azul havia anunciado três acordos para investimentos de 300 milhões de dólares que serão feitos por duas companhias aéreas norte-americanas, além de outros credores como parte do processo de recuperação judicial. Os aportes serão feitos pela American Airlines e pela United Airlines, que vão investir 100 milhões de dólares cada. Nos dois casos, a expectativa é que as companhias recebam ações da Azul. Azul anuncia acordo para aporte de 300 milhões de dólares de companhias e credores O comunicado da Azul, feito para o mercado na quarta-feira (18), indica que a companhia firmou acordo de investimento adicional com "determinados credores existentes", sem detalhar quais são, na ordem de mais 100 milhões de dólares. O plano de converter parte das dívidas em ações chegou a gerar uma queda de até 70% na Bolsa de Valores em 8 de janeiro deste ano. A estratégia é fazer com que os credores deixem de receber juros e passam a se tornar acionistas. Desempenho operacional No comunicado em que informa a saída do Chapter 11, nesta sexta, a Azul destaca que o processo foi concluído em menos de nove meses. Segundo a companhia, a operação com cerca de 800 voos diários, com pontualidade de 85,1% e 32 milhões de clientes atendidos em 2025. Além disso, apresenta uma frota de 175 aeronaves, com atendimento de 130 cidades. Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha Ana Clara Marinho/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro da Indústria e Comércio, comemorou nesta sexta-feira (20) a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço imposto por Donald Trump no ano passado. Alckmin classificou a decisão judicial como "muito importante para o Brasil". Após a decisão do tribunal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa global de 10%, com efeito imediato. Geraldo Alckmin destacou que a nova tarifa valerá para todos os países, o que coloca o Brasil em iguais condições de competitividade com seus concorrentes. "Os 10% global é para todos. Nós não perdemos competitividade, se é 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de 40% que ninguém mais tinha", afirmou Alckmin. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Antes da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, 22% das exportações brasileiras pagavam a sobretaxa de 40%. Caso também fossem cobrados os 10% anunciados por Trump sobre os produtos, isso poderia levar a tarifa para 50% Com a derrubada do tarifaço, essa sobretaxa de 40% é zerada. A medida alcança produtos como armamentos, máquinas de linha amarela (equipamentos pesados para construção civil), máquinas agrícolas, motores, madeira e café solúvel. Além disso, alimentos como pescado, cereais, mel, açúcar e tabaco também deixarão de pagar a tarifa. A decisão desta sexta-feira não afeta os produtos taxados pela secção 232, como aço e alumínio. Assim, as tarifas de 40% seguem em vigor para esses itens. Negociação com EUA continua, diz Alckmin O vice-presidente Geraldo Alckmin Reprodução/GloboNews O vice-presidente disse, ainda, que "a negociação continua, o diálogo continua e abriu avenida para comércio exterior mais forte". Em março, os presidentes Lula e Trump vão se reunir em Washington. Sobre o encontro, Alckmin afirmou que, além das questões tarifárias, outros temas como minerais críticos devem pautar a conversa.
Alckmin comemora a queda do tarifaço e diz que nova taxa global de Trump não tira a competitividade do Brasil Mais cedo, o presidente americano criticou a decisão da Justiça e anunciou, sem dar detalhes, tarifa de 10% O vice-presidente Geraldo Alckmin fala pela primeira vez sobre reflexo da queda do tarifaço para o Brasil. Haddad diz que Brasil agiu ‘de forma impecável’ após tarifaço e que decisão da Justiça americana favorece países afetados. Pouco depois da decisão da Suprema Corte, Trump anunciou 'tarifa global' de 10%. Presidente americano criticou juízes da Suprema Corte e falou em medidas drásticas como plano B
Trump critica derrubada do tarifaço pela Suprema Corte dos EUA e anuncia nova taxa global de 10% Juízes decidiram que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA. A Suprema Corte dos EUA derrubou, nesta sexta-feira (20), o tarifaço imposto por Trump a mais de 180 países.. O presidente dos EUA afirmou que a decisão é “uma vergonha” e que já tem um plano B.. A decisão pode influenciar medidas aplicadas aos parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.. Segundo um estudo, mais de US$ 175 bilhões podem ter de ser devolvidos após a decisão.. Líderes de países parceiros e empresas afetadas pelas tarifas já reagiram à decisão.

Trump anuncia tarifa global O presidente Donald Trump anunciou novas tarifas globais de 10% aos produtos importados pelos Estados Unidos após a Suprema Corte derrubar, nesta sexta-feira (20), o tarifaço imposto por ele em abril. O anúncio foi feito na rede Truth Social, paralelamente à coletiva de imprensa do presidente sobre a decisão do tribunal. LEIA MAIS Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço Leia abaixo o texto postado por Trump: "Para mostrar o quão ridícula é a decisão, a Corte disse que eu não posso cobrar nem US$ 1 de qualquer país com base na IEEPA — imagino que para proteger outros países, não os Estados Unidos, que é quem eles deveriam querer proteger. Mas eu posso cortar todo e qualquer comércio ou negócio com esse mesmo país, até impor um embargo devastador, e fazer qualquer outra coisa que eu queira contra eles. Que falta de lógica é essa? Eles estão dizendo que eu tenho o direito absoluto de conceder uma licença, mas não o direito de cobrar uma taxa por essa licença. Que licença já foi concedida sem o direito de cobrar uma taxa? Mas agora a Corte me deu o direito incontestável de proibir a entrada de todo tipo de coisa em nosso país, um poder muito maior do que muitos achavam que nós tínhamos. Nosso país é o “MAIS AQUECIDO” do mundo, mas agora estou seguindo por um caminho diferente, que é ainda mais forte do que a nossa escolha original. Como escreveu o juiz Kavanaugh em seu voto divergente: “Embora eu discorde firmemente da decisão da Corte hoje, ela pode não limitar de forma substancial a capacidade de um presidente de impor tarifas no futuro. Isso porque diversas outras leis federais autorizam o presidente a impor tarifas e podem justificar a maioria (se não todas) das tarifas emitidas neste caso. (...) Essas leis incluem, por exemplo, a Lei de Expansão Comercial de 1962 (Seção 232); a Lei de Comércio de 1974 (Seções 122, 201 e 301); e a Lei Tarifária de 1930 (Seção 338).” Obrigado, juiz Kavanaugh! Na realidade, embora eu tenha certeza de que não era essa a intenção, a decisão da Suprema Corte hoje tornou o poder de um presidente de regular o comércio e impor TARIFAS ainda mais forte e totalmente claro, em vez de mais fraco. Não haverá mais nenhuma dúvida, e a arrecadação que está entrando, assim como a proteção das nossas empresas e do nosso país, vai, na verdade, aumentar por causa dessa decisão. Com base em uma longa tradição jurídica e em centenas de decisões favoráveis ao contrário, a Suprema Corte não derrubou as TARIFAS; ela apenas anulou um uso específico das tarifas com base na IEEPA. A capacidade de bloquear, embargar, restringir, conceder licença ou impor qualquer outra condição à capacidade de um país estrangeiro de fazer comércio com os Estados Unidos sob a IEEPA foi plenamente confirmada por essa decisão. Para proteger nosso país, um presidente pode, na verdade, cobrar mais TARIFAS do que eu vinha cobrando no passado com base nas várias outras autoridades tarifárias, que também foram confirmadas e plenamente autorizadas. Portanto, com efeito imediato, todas as TARIFAS de Segurança Nacional, da Seção 232, e as tarifas existentes da Seção 301 permanecem em vigor e com plena validade. Hoje assinarei uma ordem para impor uma TARIFA GLOBAL de 10%, com base na Seção 122, além das tarifas normais já cobradas, e também estamos iniciando várias investigações com base na Seção 301 e outras, para proteger nosso país de práticas comerciais injustas. Obrigado pela atenção a este assunto. TORNAR A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE! PRESIDENTE DONALD J. TRUMP" Trump fala sobre o tarifaço Kevin Lamarque/Reuters

Trump anuncia tarifa global Após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar, nesta sexta-feira (20), o tarifaço imposto por Donald Trump em abril do ano passado, o presidente informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. O anúncio foi feito na rede Truth Social, ao mesmo tempo em que ele concedia entrevista coletiva na Casa Branca para comentar a decisão do tribunal. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes da Corte concluiu mais cedo que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. (leia mais abaixo) A decisão representou o maior revés para o presidente desde seu retorno ao cargo, em janeiro de 2025. Em declaração a jornalistas, Trump disparou contra os juízes do tribunal e classificou a decisão da Corte como “vergonhosa” e “terrível”. “Tenho vergonha de certos membros da Corte, que não tiveram coragem de fazer o que é certo para o nosso país. Para mim, eles cederam a interesses estrangeiros." O republicano afirmou ainda que há “métodos ainda mais fortes” à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. “Outras saídas serão usadas”, disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar “ainda mais dinheiro”. Trump disse que ativará a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que permite ao presidente impor tarifas temporárias, para estabelecer uma nova tarifa global de 10% com validade de 150 dias. O governo também recorrerá à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais. (entenda os dispositivos abaixo) A decisão do tribunal atingiu principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço e alumínio, não foram afetadas. LEIA MAIS Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein Entenda a decisão da Suprema Corte O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. Na prática, os juízes confirmaram a decisão de instância inferior que concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar a IEEPA, de 1977. Mais cedo, em reunião com governadores estaduais, o republicano já havia classificado a decisão como "uma vergonha" e afirmado ter um "plano B" para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters. Entenda as alternativas legais para Trump O governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Confira os caminhos legais que o presidente dos EUA pode usar para manter ou reintroduzir tarifas, segundo análises do Goldman Sachs, do Deutsche Bank e da Panmure Liberum. Algumas dessas alternativas também foram mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Seção 122 da Lei de Comércio Essa é uma das opções mais rápidas para o governo. A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas. Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses. Trump já utilizou esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar importações chinesas, o que levou a uma disputa comercial prolongada entre os dois países. Seção 338 da Lei de 1930 Essa lei autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem o comércio dos EUA. Ela nunca foi usada na prática e não exige investigação formal, o que pode torná-la uma via mais rápida do que a Seção 301, embora com limite máximo para as tarifas. Seção 232 da Lei de Comércio de 1962 Outra possibilidade é recorrer à lei que permite impor tarifas por motivos de segurança nacional, já aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que continuam taxados. Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país. A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais. O que acontece agora? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. Com a decisão, a estratégia comercial de Donald Trump pode sofrer mudanças significativas. As medidas aplicadas com base nessa lei foram invalidadas, mas ainda há outras formas legais de impor tarifas. As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional. Por fim, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com tarifas de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões). Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que excluiu da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto. Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de mais itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, o presidente afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. * Colaboraram Janize Colaço e Micaela Santos

Suprema Corte americana decide que tarifaço de Trump é ilegal Milhares de empresas americanas obtiveram uma vitória nesta sexta-feira (20) quando a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu derrubar as tarifas de emergência impostas pela Casa Branca. O processo de reembolso, no entanto, está apenas começando. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em uma decisão que pode ter efeitos na economia global por anos, a corte determinou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não podia usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 para aplicar tarifas amplas sobre importações. Nos últimos meses, o mundo corporativo precisou se ajustar à política comercial em constante mudança de Trump e ao uso centralizado de tarifas, que serviam tanto para lidar com questões comerciais quanto como instrumento político diante de outros governos. Agora, milhares de empresas — não apenas aquelas que processaram o governo — devem decidir se solicitarão reembolsos, o que pode envolver mais de US$ 175 bilhões em tarifas já arrecadadas, segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model. Os mercados de ações reagiram positivamente nos EUA e na Europa, com alta em empresas afetadas, incluindo marcas de luxo europeias como LVMH, Hermes e o grupo italiano Moncler. “Não temos todos os detalhes, mas estávamos esperando por essa decisão, assim como muitas outras empresas, então é um dia esperado”, disse Michael Wieder, cofundador da Lalo, empresa norte-americana de produtos infantis, que planeja solicitar cerca de US$ 2 milhões em reembolsos. O processo, porém, deve ser lento. LEIA TAMBÉM: Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil? Relembre a judicialização do caso que chegou à Suprema Corte dos EUA Milhares de ações judiciais Empresas dos setores de bens de consumo, automotivo, manufatura e vestuário foram particularmente afetadas, pois dependem da produção de baixo custo na China, Vietnã, Índia e outros centros de abastecimento. As tarifas de Trump aumentaram o custo de importação de produtos acabados e componentes, pressionando margens e desorganizando cadeias de abastecimento globais. Desde abril, mais de 1.800 ações judiciais relacionadas a tarifas foram movidas no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, responsável por questões alfandegárias, em comparação com menos de duas dúzias de casos em todo o ano de 2024. Entre os demandantes estão subsidiárias do Grupo Toyota, a varejista Costco, a fabricante de pneus Goodyear Tire & Rubber, a Alcoa, a Kawasaki Motors e a EssilorLuxottica. Muitos advogados esperam que outras empresas ao redor do mundo se juntem às ações, aguardando a decisão para não atrair atenção da Casa Branca. Empresas que aguardam o reembolso podem levar meses ou anos para recuperar os bilhões pagos em impostos de importação. “Reunir dados detalhados de importação para calcular as tarifas pagas sob diferentes regimes e períodos é um desafio, mesmo para multinacionais”, explicou Nabeel Yousef, do escritório Freshfields. A decisão da corte não significa que os cheques começarão a chegar imediatamente. As tarifas elevaram os custos para os consumidores, que já enfrentam inflação persistente. O Federal Reserve de Nova York informou que 90% das tarifas de Trump foram pagas por consumidores e empresas norte-americanas, contrariando a argumentação da Casa Branca de que seriam arcadas por estrangeiros. Em novembro, a alíquota efetiva das tarifas dos EUA era de 11,7%, ante uma média de 2,7% entre 2022 e 2024, segundo o Yale Budget Lab. Incerteza permanece A logística dos reembolsos ficará a cargo do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, o que deve tornar o processo administrativamente complexo, segundo John Denton, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional. A corte não detalhou como será essa operação. O governo Trump informou que poderá usar outras autorizações legais para impor tarifas, incluindo leis que permitem proteger os EUA contra práticas comerciais desleais ou setores estratégicos para a segurança nacional. Empresas e advogados alertam que isso manterá a incerteza nos próximos meses. “As chances de que as tarifas reapareçam de forma revisada continuam significativas. Somando isso aos reembolsos, surge uma confusão operacional e jurídica que aumenta a incerteza econômica”, disse Olu Sonola, da Fitch Ratings. A associação alemã VDMA, representando empresas de engenharia mecânica afetadas, afirmou que a decisão não elimina a insegurança, pois Trump ainda tem opções legais para impor tarifas. O setor automotivo seguirá sujeito a tarifas que não dependem da IEEPA, como a de 25% sobre veículos importados do México e Canadá, baseada em motivos de segurança nacional. Advogados apontam que milhares de peças automotivas enviadas aos EUA de países sujeitos às tarifas recíprocas ainda são afetadas, elevando custos para fornecedores e fabricantes. Algumas empresas norte-americanas decidiram vender seus direitos de reembolso a investidores externos, recebendo cerca de 25 a 30 centavos por dólar adiantado, abrindo mão do restante caso as tarifas sejam revogadas. A DHL disse que usará tecnologia para garantir precisão e eficiência no reembolso, se autorizado. Não está claro se os preços ao consumidor serão reduzidos para aliviar famílias de renda média e baixa, que já ajustaram gastos devido aos custos mais altos. “Solicitaríamos o reembolso, como outras empresas, mas duvido que os preços caiam. Isso raramente acontece”, disse Jason Cheung, CEO da fabricante de brinquedos Huntar Co, uma das demandantes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de janeiro de 2026 REUTERS/Kylie Cooper

Chevrolet Onix fica mais moderno e segura motor para desconto de IPI Verde A Chevrolet anunciou um recall do Onix e Onix Plus. Segundo a montadora, os sensores de airbag para impacto lateral foram "produzidos com a orientação interna incorreta". "Em caso de impacto lateral com intensidade suficiente para o acionamento dos airbags laterais e de cortina, existe a possibilidade dos airbags não serem acionados, comprometendo a proteção aos ocupantes do veículo, com possibilidade de lesões físicas graves e até mesmo fatais", diz a Chevrolet em nota. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Quais veículos estão na lista? Chevrolet Onix 2026 divulgação/GM O recall envolve apenas duas unidades do Onix e do Onix Plus, ambas fabricadas no mesmo dia na unidade da GM em Gravataí (RS), na região metropolitana de Porto Alegre. Ano/modelo: 2026; Fabricados: em 31 de julho de 2025; Chassis: 9BGEA48A0TG114740 e 9BGEY69H0TG113722. O reparo pode ser realizado em qualquer concessionária da Chevrolet e consiste na substituição do sensor lateral de impacto do airbag. O serviço é gratuito e tem duração estimada de 60 minutos. A fábrica de Gravataí (RS) produz o Onix desde o lançamento do modelo, em 2012. Essa é a linha de produção mais longeva da história da marca, superando a do Corsa, que também foi fabricado no local até 2016.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (20) que o Brasil agiu "de forma impecável" enquanto vigorou o aumento de tarifas sobre importações dos Estados Unidos, conhecido como "tarifaço". Haddad também destacou os benefícios da decisão da Suprema Corte dos EUA que entendeu pela ilegalidade da medida tomada pelo governo do presidente Donald Trump. O ministro usou as redes sociais para exaltar a diplomacia brasileira em meio ao tarifaço e reforçar o discurso sobre os benefícios da decisão da Corte americana (leia mais abaixo). “O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, acreditou na disputa pelos canais competentes. Na contestação pelos canais competentes. Tanto na OMC [Organização Mundial do Comércio] quanto no judiciário americano", disse. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Estabeleceu uma relação diplomática, uma conversa direta para falar de temas relevantes. Então, o Brasil, do ponto de vista da sua relação bilateral, ele agiu de uma forma impecável. Essa é a verdade. Dito isso, o efeito imediato, evidentemente, é favorável aos países que foram sancionados”, prosseguiu o ministro da Fazenda. Haddad está na Índia acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em agenda no país. O posicionamento do ministro foi dado após ficar sabendo da decisão da Justiça americana. Manifestação nas redes socias Haddad fez uma publicação em suas redes sociais no mesmo sentido de sua declaração pública. O texto é praticamente o mesmo da sua fala. "O Brasil, em todos os momentos se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, na disputa pelos canais competentes tanto na OMC quanto no Judiciário americano, estabelecendo uma conversa direta para falar de temas relevantes', escreveu. "O Brasil, do ponto de vista de sua relação bilateral, agiu de forma impecável. Dito isso, o efeito imediato é evidentemente favorável aos países", completou. Em maio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou em Los Angeles, nos EUA, uma política nacional de data centers que prevê a desoneração de investimentos no setor Getty Images Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, o presidente americano Donald Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. ➡️Paralelamente, nos bastidores, um grupo composto por autoridades brasileiras, incluindo Haddad, articulava para negociar as tarifas e diminuir o impacto delas ao Brasil. Vale destacar que as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei do Comércio dos EUA.

Uma juíza federal dos Estados Unidos rejeitou o pedido da Tesla para anular um veredicto de júri de US$ 243 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) relacionado a um acidente ocorrido na Flórida, em 2019, com um Model S equipado com Autopilot. O sistema é utilizado pela Tesla como modo de direção autônoma. A colisão matou uma mulher de 22 anos e deixou o namorado dela gravemente ferido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em decisão divulgada nesta sexta-feira (20), a juíza Beth Bloom afirmou que as provas apresentadas no julgamento “mais do que sustentaram” o veredicto de agosto de 2025. Segundo ela, a Tesla não apresentou novos argumentos capazes de derrubar a decisão. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Tesla, comandada por Elon Musk, deve recorrer da decisão. Procurados, seus advogados não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Como o acidente aconteceu O acidente aconteceu na cidade americana de Key Largo, Flórida, em 25 de abril de 2019, quando George McGee conduzia seu Model S a aproximadamente 100 km/h e atravessou um cruzamento, colidindo com um Chevrolet Tahoe estacionado no acostamento, onde estavam as vítimas. McGee teria se abaixado para pegar um celular que caiu no chão do veículo e, segundo relatos, não recebeu qualquer alerta antes de avançar um sinal de parada e um semáforo, colidindo com o SUV onde estavam as vítimas. Naibel Benavides Leon foi arremessada a cerca de 23 metros e morreu no local, enquanto Angulo teve ferimentos graves. “Temos um motorista que não agiu de forma ideal, e ainda assim o júri concluiu que a Tesla teve responsabilidade no acidente”, disse Philip Koopman, professor de engenharia da Universidade Carnegie Mellon e especialista em tecnologia autônoma. “A única maneira de o júri ter decidido contra a Tesla foi identificando uma falha no software do Autopilot”, acrescentou. “Isso é relevante.” Em comunicado, a Tesla declarou que McGee foi o único responsável pelo acidente. “Para deixar claro, nenhum carro em 2019 — e nenhum atualmente — teria evitado esse acidente”, afirmou a empresa. “Nunca se tratou do Autopilot; foi uma narrativa criada pelos advogados das vítimas, culpando o veículo quando o motorista — desde o início — admitiu e assumiu a responsabilidade.” Os jurados consideraram a Tesla 33% responsável pelo acidente. Foram concedidas indenizações compensatórias de US$ 19,5 milhões ao espólio de Benavides e de US$ 23,1 milhões a Angulo, além de US$ 200 milhões em danos punitivos, a serem divididos entre eles. McGee já havia firmado um acordo com os autores da ação. O veredicto foi o primeiro de um júri federal a tratar de um acidente fatal relacionado ao sistema Autopilot. Ao pedir a reversão da decisão, a Tesla argumentou que McGee deveria ser o único responsabilizado pelo acidente, que o Model S não apresentava defeitos e que o veredicto contrariava o bom senso. A Tesla afirmou que montadoras “não são responsáveis por todos os danos causados por motoristas imprudentes” e que os danos punitivos deveriam ser anulados, já que a empresa não teria demonstrado “desprezo temerário pela vida humana”, conforme a lei da Flórida. Os advogados dos autores da ação também não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Impactos em casos futuros A Tesla já foi alvo de vários processos semelhantes envolvendo a tecnologia de direção autônoma de seus veículos, mas a maioria foi encerrada ou arquivada antes de ir a julgamento. Em junho do ano passado, um juiz negou o pedido da Tesla para encerrar o processo na Flórida. Especialistas apontam que o veredicto desta semana pode estimular novas ações judiciais e aumentar o custo de acordos futuros. “É um marco relevante”, disse Alex Lemann, professor de Direito da Universidade Marquette. “Esta é a primeira vez que a Tesla é condenada em um dos inúmeros casos fatais relacionados à sua tecnologia de piloto automático.” O veredicto também pode dificultar os esforços de Elon Musk, atualmente o homem mais rico do mundo, para convencer investidores de que a Tesla pode liderar o mercado de direção autônoma — tanto em veículos particulares quanto em robotáxis, cuja produção está prevista para o próximo ano. Tesla Model S divulgação/Tesla

Montagem mostra o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e o presidente dos EUA, Donald Trump Reuters Após a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre o tarifaço de Trump, o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, possível candidato à presidência em 2028, comentou a derrubada das tarifas. "Chegou a hora de pagar a conta, Donald", escreveu o governador. "Essas tarifas não passaram de uma extorsão ilegal que aumentou os preços e prejudicou as famílias trabalhadoras, para que você pudesse destruir alianças de longa data e extorqui-las. Cada dólar obtido ilegalmente deve ser devolvido imediatamente — com juros. Pague" Segundo o governador, as cobranças funcionaram como uma arrecadação indevida que elevou preços e prejudicou trabalhadores. Newson defendeu que todos os valores recolhidos sejam devolvidos “imediatamente — com juros”. Suprema Corte americana decide que tarifaço de Trump é ilegal LEIA TAMBÉM: Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas de Trump, aponta instituto Tarifaço derrubado: quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Um levantamento feito pela agência de notícias Reuters prevê que mais de US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões) em arrecadação com tarifas podem ter de ser devolvidos após a decisão. Em uma nota publicada pelo governo da Califórnia, o governador diz que as tarifas — que, na prática, funcionavam como um imposto — arrecadaram mais de US$ 130 bilhões de importadores e que esses custos foram repassados aos consumidores na forma de preços mais altos em produtos do dia a dia. A Califórnia foi o primeiro estado a contestar judicialmente as tarifas, em abril de 2025, argumentando que "o uso de poderes emergenciais foi ilegal, economicamente imprudente e inconstitucional por ter sido adotado sem aprovação do Congresso". Gavin Newsom, governador da Califórnia e possível candidato democrata à presidência dos EUA. Mike Blake/Reuters/Arquivo

Tesla Cybertruck 2026 Divulgação A Tesla anunciou uma versão mais barata da Cybertruck por US$ 59.990. Antes, a versão mais acessível da picape nos Estados Unidos partia de US$ 79.990. A empresa também reduziu o preço da versão topo de linha, a Cyberbeast, de US$ 114.990 para US$ 99.990. No Brasil, a Tesla não tem operação oficial, mas o g1 mostrou que é possível importar a Cybertruck de forma independente por cerca de R$ 1 milhão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp g1 testou: a primeira Tesla Cybertruck que veio para o Brasil Mercado de elétricos esfria nos EUA e China Em janeiro, as vendas de veículos elétricos e híbridos recuaram 3% no mundo, na comparação com janeiro de 2025. Os dados são da consultoria BMI. A China registrou queda de 20% no período, e a América do Norte, de 33%. Os Estados Unidos tiveram o pior resultado de emplacamentos de veículos eletrificados em janeiro desde 2022. Por outro lado, a Europa e outros mercados registraram aumento nas vendas. A decisão dos Estados Unidos de retirar incentivos fiscais para carros eletrificados é uma das explicações para a queda. A China também cortou subsídios e, recentemente, criou uma taxa para a compra desses veículos. Já o Brasil registrou, em 2025, aumento de 26% nas vendas de carros elétricos e híbridos. Tesla perde liderança Com 1,64 milhão de unidades emplacadas em 2025, a Tesla teve uma queda de 9% e deixou de ser a maior fabricante de elétricos no mundo. A BYD assumiu o posto com 2,26 milhões de veículos eletrificados vendidos no ano passado. Mesmo assim, o bilionário Elon Musk não parece muito preocupado. Para o executivo o futuro da empresa depende mais do serviço de táxi autônomo, armazenamento de energia e robôs domésticos. Ele também anunciou que deve usar as fábricas que montam Model X e Model S para produzir robôs. A Tesla enfrenta uma crise desde que Musk mostrou apoio a eleição de Donald Trump e, em seguida, passou a fazer parte do gabinete do presidente. A situação ficou ainda mais complicada quando Trump e Musk entraram em conflito, culminando com saída do bilionário do governo. O antigo aliado do presidente passou então a atacar política econômica adotada pelos Estados Unidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 30 de maio de 2025. Reuters/Nathan Howard Em novembro de 2025, a assembleia de acionistas da Tesla aprovou o pagamento de US$ 878 bilhões a Musk. Isso mostra o apoio que o executivo tem para transformar a fábrica de carros em uma potência de inteligência artificial e robótica. Para receber esse valor, Musk precisa bater algumas metas nos próximos 10 anos como entregar 20 milhões de veículos, operar 1 milhão de robotáxis, vender 1 milhão de robôs e obter US$ 400 bilhão de lucro operacional.

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump Produtos brasileiros como o café solúvel, a uva, o mel e os pescados podem ser beneficiados pela decisão da Suprema Corte dos EUA desta sexta-feira (20) de suspender o tarifaço imposto por Trump. Isso porque esses itens ficaram de fora de duas decisões anteriores do governo americano que isentaram do tarifaço, no final do ano passado, diversos produtos exportados pelo agro brasileiro aos EUA. Na ocasião, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que a reversão parcial do tarifaço abrangeu 55% do valor que o Brasil exportou aos EUA, em 2024. Alguns dos beneficiados, na época, foram o café em grão e a carne bovina, que são, respectivamente, o segundo e o terceiro itens mais vendidos ao mercado americano, atrás apenas dos produtos florestais. Os 45% que ficaram fora da isenção incluem setores que, apesar de não liderarem as vendas aos EUA, têm forte dependência do mercado americano, caso justamente do café solúvel, mel, pescados e uva. Horas depois da decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas taxas globais de 10%, na rede social Truth Social. Ele não informou quais produtos serão atingidos, e afirmou que deve assinar uma ordem executiva ainda nesta sexta-feira. Decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas é uma vergonha, diz Trump Alckmin diz que decisão da Suprema Corte é 'importante' e que tarifa global de 10% preserva competitividade A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) disse que a medida da Suprema Corte reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais. A nota diz ainda que, medidas "unilaterais", como o tarifaço, geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva. Após o anúncio da Suprema Corte, o g1 procurou ainda a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Já a Associação Brasileira dos produtores e exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) disseram que ainda estão buscando mais informações para entender a medida. A CNA, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disseram que não vai se pronunciar no momento. Trump reverteu parte do tarifaço no final de 2025 A primeira medida de isenção do tarifaço aconteceu no dia 14 de novembro e retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países. A segunda, no dia 20 do mesmo mês, foi direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço. Café solúvel Em 2024, as vendas de solúvel para os EUA representaram 10% de toda a exportação da indústria brasileira de café. O restante da exportação é de café em grão que já foi isenta da tarifa. O café solúvel brasileiro sempre teve uma forte presença nos supermercados dos EUA, segundo o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima, em entrevista ao g1 em novembro. No ano passado, por exemplo, 38% do que os americanos importaram teve origem no Brasil, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA, citados por Lima. As exportações brasileiras para o país começaram nos anos de 1960 e, desde então, os americanos se mantiveram como o principal destino do solúvel nacional, o que mudou após o tarifaço. "A Rússia, que tradicionalmente sempre foi o segundo colocado, passou para primeiro. Algo inédito", diz Lima, detalhando que isso aconteceu a partir de julho, quando Trump impôs a taxa adicional de 40%. Desde então, o volume exportado para os EUA nos meses de agosto, setembro e outubro caiu cerca de 50%, quando comparado a igual período de 2024. Saiba também: Preços globais do café despencam após Trump retirar tarifas sobre Brasil Uva Em 2024, o país foi o destino de 12% todas as frutas frescas exportadas pelo Brasil. Nesse período, somente os exportadores de uva faturaram US$ 41,5 milhões, segundo a Abrafrutas. Segundo o AgroStat, plataforma de dados de exportação do Ministério da Agricultura, 23% do total de uvas vendidas para o exterior em 2024 foram para os EUA. Entre outubro e novembro, a comercialização de uvas para os EUA caiu 73% na comparação com o mesmo período de 2024, informou o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, em entrevista ao g1 em novembro. Apesar de ter uma categoria de “frutas frescas” na lista de exceções publicadas pela Casa Branca em novembro, a uva ficou de fora dela, segundo confirmou a Abrafrutas com a embaixada. Para o diretor-executivo, essa exclusão aconteceu porque os EUA são grandes produtores de uva e devem ter uma supersafra no próximo ano. Além disso, eles também importam muito do Chile e do Peru. Entretanto, Brandão afirma que os cachos que deixaram de ir para os EUA já foram realocados para países da Europa e da América do Sul. O maior prejuízo, portanto, foi que, com menos demanda, o poder de negociação para decidir o preço caiu, aponta o diretor. Mel Além do tarifaço de 50%, o mel brasileiro já estava sujeito à uma taxa de importação de 8,04% nos EUA, conta Renato Azevedo, presidente da Abemel, em entrevista ao g1 em novembro. Todos os contratos com os EUA estavam garantidos até dezembro de 2025, afirmou Sitônio Dantas, diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (Piauí). De acordo com o AgroStat, os EUA representaram quase 80% de todas as exportações de mel natural do Brasil. Pescados A exclusão dos pescados das isenções do tarifaço também frustrou o setor, disse o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, em entrevista ao g1 em novembro. Segundo a associação, as vendas de pescados para os Estados Unidos geram US$ 300 milhões por ano para o setor. Os norte-americanos representaram quase metade de todas as exportações do alimento em 2024, aponta o AgroStat. Segundo Lobo, a atividade tem um peso importante no sustento de comunidades costeiras e ribeirinhas, com forte impacto em pequenas e médias empresas, "justamente onde a sensibilidade às tarifas é maior" Ele afirma que é urgente recolocar o pescado brasileiro no radar das negociações bilaterais. “Precisamos de reciprocidade e de estratégia. A cada rodada de negociação em que o pescado é esquecido, perdemos espaço para concorrentes internacionais. O mercado americano é vital para o Brasil e a ausência de avanços é um sinal claro de que estamos ficando para trás.” Veja mais: Navio que vaga há meses tenta voltar ao Uruguai com vacas e bezerros à beira da morte Brasil sem tilápia? O que significa a inclusão do peixe em lista de espécies invasoras

O presidente Donald Trump visita uma montadora de veículos em 13 de janeiro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou as tarifas de importação impostas por ele é “uma vergonha”. Ele também teria destacado que já tem “um plano B” para manter as tarifas sobre produtos importados. Segundo informação da agência Reuters, as declarações foram feitas após o anúncio da decisão, durante uma reunião com governadores estaduais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta sexta-feira (20), a maioria da Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais do país, destacando que a lei usada como base para a medida “não autoriza o presidente a impor tarifas”. Em parecer divulgado após a decisão, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que Trump precisaria contar com uma “autorização clara do Congresso” para justificar a imposição das tarifas, o que não ocorreu. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. A decisão afeta a maior parte das tarifas recíprocas, mas outras tarifas impostas pelo presidente — como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil — continuam em vigor. A batalha judicial de Trump com os tribunais dos EUA ocorre desde o ano passado. Em agosto de 2025, o presidente criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegal a maior parte das tarifas impostas por ele. Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, as tarifas permaneceram em vigor. Trump afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter as tarifas. “Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social. O que acontece agora? Com a decisão, a estratégia comercial de Donald Trump pode sofrer mudanças significativas. As medidas aplicadas com base nessa lei foram invalidadas, mas ainda há outras formas legais de impor tarifas. (veja aqui) As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional. Por fim, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com tarifas de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões). LEIA MAIS Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Relembre a judicialização do caso que chegou à Suprema Corte Decisão pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões *Com informações da agência de notícias Reuters

Descubra com a Trivia como como estruturar um patrimônio fora do Brasil seguindo regras dos Estados Unidos Divulgação O cenário brasileiro atual é de juros elevados, instabilidade econômica e maior preocupação com sucessão familiar. Consequentemente, pesquisas mostram que cresceu o interesse por estratégias de proteção patrimonial internacional. Termos como trust, offshore e wealth planning ganharam destaque. Mas, para muitos, ainda geram dúvidas: qual é a diferença entre eles? O que é mais seguro e confiável? E como estruturar um patrimônio fora do Brasil seguindo regras dos Estados Unidos? Especialistas afirmam que não existe uma solução única para todos os perfis. Mas há modelos consolidados, cada um com objetivos distintos. A Triva é uma empresa especializada nesse tipo de estruturação que surge como aliada fundamental para quem busca segurança jurídica, eficiência tributária e planejamento sucessório profissional. A consultoria reúne serviços jurídicos, contábeis e estratégicos em um único lugar, oferecendo soluções completas de estruturação patrimonial internacional. Entendendo a solução completa À frente da Triva estão Gilda Almeida, Fabiana Ciobotaru e João Gomes, três profissionais que se tornaram referências internacionais em suas áreas. Os sócios da empresa explicam quais são os diferenciais que a empresa alcançou para ganhar destaque global. Advogada Gilda Almeida Divulgação “Quando o cliente chega até nós, ele traz dúvidas sobre tributação internacional que poderiam impactar toda a família no futuro. Nossa missão é mostrar o caminho seguro, com total conformidade nos Estados Unidos e no Brasil. A clareza jurídica é o primeiro passo para qualquer decisão patrimonial”, introduz a advogada Gilda Almeida, com mais de 38 anos de experiência, Juris Doctor com especialização em Direito Tributário, licenciada nos EUA, no Brasil e em Portugal. “Muitos brasileiros querem investir ou proteger parte do patrimônio fora do país, mas não sabem por onde começar. Nosso trabalho é desenhar a estrutura certa, que permita crescer com segurança, eficiência e alinhamento regulatório”, acrescentou a advogada Fabiana Ciobataru, que tem mestrado nos EUA com especialização na área de investimento internacional. Advogada Fabiana Ciobotaru Divulgação “O maior desafio do cliente é entender as diferenças entre o sistema tributário brasileiro e o americano. Nossa função é traduzir isso de forma simples, para que ele tome decisões seguras. Uma estrutura mal feita pode custar caro”, alertou João Gomes, contador licenciado nos EUA, mestre em tributação americana. João Gomes, especialista na área da contabilidade Divulgação O que é um trust? O trust é uma ferramenta jurídica amplamente utilizada em países de common law, como Estados Unidos e Reino Unido. Funciona como uma relação fiduciária na qual o instituidor transfere bens para um administrador (trustee), que os gerencia em benefício de terceiros. Na prática, o trust é usado para: Planejamento sucessório sem burocracia. Evitando-se inventário em diversas jurisdições; Maior proteção patrimonial; Privacidade e continuidade familiar por múltiplas gerações Possibilidade definição de critérios para transmissão para os herdeiros por múltiplas gerações. O que é uma offshore? A offshore é uma empresa registrada fora do país de residência. Em geral, em jurisdições com regras societárias mais competitivas. Não se trata de algo ilegal, desde que cumpridas as obrigações junto aos órgãos governamentais pertinentes. Offshores são usadas para: Otimização tributária internacional; Diversificação de investimentos; Planejamento para investidores globais; Holdings de ativos financeiros e imobiliários. Estruturação patrimonial internacional: por que cresce tanto? Segundo especialistas, três movimentos explicam essa tendência: Busca por segurança jurídica e previsibilidade regulatória; Planejamento sucessório eficiente e menos burocrático; Interesse crescente em investir ou morar nos EUA. A estruturação patrimonial no exterior pode ser feita por quem pretende imigrar, mas também por quem continuará vivendo no Brasil e quer apenas proteger seus bens ou diversificar investimentos. “Traduzimos soluções complexas em abordagens mais intuitivas e menos burocráticas. Nosso trabalho antecipa mudanças, posicionando nossos clientes na linha de frente de um mundo em constante transformação. A excelência é o que cultiva relações capazes de gerar valor duradouro”, destaca o comunicado oficial da Triva sobre estruturação patrimonial. A Triva e a proposta de solução para brasileiros A Triva se consolidou como referência entre brasileiros que querem organizar, proteger e internacionalizar seu patrimônio. A empresa oferece planejamento sucessório, jurídico, contábil, tributário e estrutural em um único ecossistema. A seguir, apresentamos os 5 principais diferenciais da empresa: Tudo em um só lugar - A Triva reúne planejamento sucessório, estruturação de investimentos internacionais e compliance global, com profissionais licenciados nos EUA. Visão estratégica e 360° - A empresa entrega uma leitura completa do patrimônio e das necessidades da família, conectando aspectos jurídicos, contábeis e financeiros. Expertise dos três sócios - Os sócios combinam formação internacional e experiência prática no mercado americano. Cada um contribui com uma especialidade técnica complementar. Transformar o complexo em simples - A consultoria traduz regras americanas, muitas vezes complexas, em soluções claras, práticas e acessíveis, antecipando riscos e reduzindo custos futuros. Visão global e domínio da legislação dos EUA - A equipe acompanha mudanças regulatórias nos Estados Unidos, garantindo estruturas adequadas ao país onde o cliente investe ou residirá. Além disso, o atendimento da Triva é completamente personalizado, adaptado ao momento de vida e aos objetivos de cada cliente. A missão da Triva O comunicado oficial da empresa destaca: “A vida floresce em encontros significativos. Acreditamos que os negócios e a vida são moldados pelas relações que cultivamos. Com a confiança como base sobre a qual a grandeza é construída. Unidos por habilidades complementares e por um portfólio de clientes de destaque, Fabiana Ciobataru, Gilda Almeida e João Gomes transformaram sua colaboração em uma parceria com visão global”. “Atuamos na interseção entre jurídico, finanças e contabilidade. Os clientes confiam em nossa perspectiva. Dos primeiros passos às transições mais complexas. Seja qual for o momento, desenhamos e implementamos a estratégia que melhor se adapta a você”, acrescenta o comunicado. Os serviços oferecidos em destaque Estruturação corporativa e de investimentos - Criação de veículos de propósito específico (SPV) para M&A, joint ventures ou fundos de private equity. Estabelecimento de holdings familiares e trusts em múltiplas jurisdições. Estruturação de fundos (private equity, venture capital, hedge funds) com alinhamento regulatório. Planejamento tributário e sucessório internacional - Planos de otimização da taxa efetiva global de impostos (ETR). Estruturação patrimonial e sucessória - Planejamento sucessório e de herança (testamentos internacionais, trusts, constituições familiares). Estruturas de proteção patrimonial por meio de fundações, trusts ou veículos offshore. Criação de veículos de filantropia (fundações beneficentes, fundos orientados por doadores). Estruturas de governança para a próxima geração. Compliance e gestão de risco - Estruturas globais de reporte fiscal (CRS, FATCA, DAC6). Manuais de conformidade AML/KYC para veículos de investimento e familiares. Mapeamento de compliance de residência e domicílio (regra dos 183 dias, exit tax, exposição a imposto sobre patrimônio). Relocação e mobilidade - Programas de mobilidade global para executivos e famílias. Consultoria em residência/cidadania por investimento. Estratégias de equalização tributária para expatriados em corporações. Planos de integração de estilo de vida e patrimônio (escolas, saúde, bancos etc.). Consultoria estratégica e transações - Estruturação de M&A transnacional (tributário, jurídico, fluxos de financiamento). Soluções de estruturação e refinanciamento de dívida com credores internacionais. Estruturação pré-IPO (cap table, governança, domicílio). Estruturação de parcerias estratégicas (joint ventures, licenciamento, acordos de distribuição). Para saber mais Para se aprofundar sobre este tema, clique aqui, acesse o site oficial da Triva e descubra como a equipe de atendimento online pode apresentar uma solução personalizada para você.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein Países e empresas começaram a reagir à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (20). A maioria da Suprema Corte americana decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao impor o amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, destacando que a lei usada como base para a medida "não autoriza o presidente a impor tarifas". ENTENDA: O que acontece agora? 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em parecer divulgado após a decisão, o presidente do tribunal americano, John Roberts, afirmou que Trump precisaria contar com uma "autorização clara do Congresso" para justificar a imposição do tarifaço — o que não aconteceu. Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso americano e pode afetar diretamente medidas adotadas contra o Brasil. O processo judicial se arrastava desde meados de 2025. A decisão afeta a maior parte das tarifas recíprocas, mas outras taxas impostas pelo presidente americano — como sobre aço e alumínio e tarifas sobre fentanil — ainda permanecem. Segundo a agência de notícias Reuters, mais de 1,8 mil ações judiciais relacionadas às tarifas foram registradas no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA desde abril do ano passado. O tribunal tem jurisdição sobre as tarifas e questões alfandegárias. Em todo o ano de 2024, menos de duas dúzias de casos semelhantes foram registrados. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja a reação de países e empresas ao redor do mundo à decisão da Suprema Corte americana: União Europeia Segundo um porta-voz da UE, o bloco está analisando "cuidadosamente" a decisão e vai continuar a defender tarifas mais baixas. "Mantemos contato próximo com o governo dos EUA, buscando esclarecimentos sobre as medidas que pretendem tomar em resposta a essa decisão", disse o porta-voz à Reuters. "Empresas de ambos os lados do Atlântico dependem da estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais. Por isso, continuamos a defender tarifas baixas e a trabalhar para reduzi-las", acrescentou. Reino Unido Já o governo do Reino Unido afirmou que espera que sua posição comercial privilegiada com os EUA continue, mesmo após a derrubada das tarifas. "O Reino Unido goza das tarifas recíprocas mais baixas a nível mundial e, em qualquer cenário, esperamos que a nossa posição comercial privilegiada se mantenha", disse um porta-voz do governo britânico em comunicado. O governo ainda destacou que continuará a trabalhar com os americanos para "entender como a decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o resto do mundo", e reiterou que apoiará as empresas britânicas quando mais detalhes forem anunciados. Suíça O governo da Suíça afirmou em comunicado que o Conselho Federal, órgão máximo do governo, analisará os desdobramentos e impactos específicos da decisão da Suprema Corte americana. Câmara de Comércio Britânica O chefe de comércio da Câmara de Comércio Britânica (BCC), William Bain, afirmou que a decisão "pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas para os negócios". "Para o Reino Unido, a prioridade continua sendo a redução das tarifas sempre que possível", disse ele à Reuters, citando um acordo para reduzir as tarifas sobre o aço no âmbito do acordo tarifário EUA-Reino Unido, que ainda não foi implementado. "Qualquer vantagem competitiva que conseguirmos garantir provavelmente ajudará a impulsionar nossas exportações para o único país, globalmente, com o qual realizamos mais comércio." DHL Logística O grupo de logística afirmou nesta sexta-feira que monitora de perto os desdobramentos legais relativos às tarifas americanas, reiterando que vai garantir que seus clientes estejam em posição de exercer plenamente seus direitos previstos em lei. Em comunicado, a empresa, de origem alemã, ainda acrescentou que vai desempenhar um papel técnico, utilizando tecnologia de despachantes aduaneiros, para rastrear os processos e garantir que os clientes recebam o dinheiro de volta caso os reembolsos sejam autorizados. Swissmem A Swissmem, associação líder da indústria tecnológica da Suíça, deu as boas-vindas à decisão da Suprema Corte, mas reforçou o pedido ao governo da Suíça para que conclua o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no final de 2025, a fim de garantir uma base jurídica sólida às empresas do país. "Isso porque é esperado que a administração Trump invoque outras leis para legitimar as tarifas", afirmou a associação à Reuters. A associação ainda afirmou que o comprador americano deveria ser o responsável pelo pagamento dos direitos alfandegários às autoridades, reiterando que o reembolso, portanto, deveria ser obtido por meio do importador. DIHK A associação empresarial alemã DIHK afirmou nesta sexta-feira (20) que a administração dos EUA dispõe de outros instrumentos para medidas restritivas ao comércio, reiterando que a economia da Alemanha precisa se preparar para uma possível ativação dessas ferramentas. "A União Europeia deve responder com calma à decisão e às possíveis novas tarifas americanas e trabalhar para garantir que o quadro da política comercial continue confiável para as empresas", afirmou em comunicado. VCI A associação alemã da indústria química (VCI) afirmou que novas tarifas podem ser impostas a qualquer momento. "A turbulência na política comercial não vai desaparecer – está apenas mudando de cenário", afirmou em comunicado. Scienceindustries A associação da indústria química farmacêutica suíça Scienceindustries afirmou que a decisão da Suprema Corte americana fortalece o Estado de Direito no comércio internacional. "A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos é um sinal importante para o Estado de Direito e a confiabilidade no comércio internacional. Condições estruturais estáveis e previsíveis são cruciais para nossa indústria globalmente interconectada", disse Stephan Mumenthaler, chefe do grupo Scienceindustries, à Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países é ilegal. Por maioria, os juízes decidiram que Trump não poderia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. Analistas veem a decisão como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e a economia brasileira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso criar impostos e tarifas. Trump, no entanto, argumentava que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. Embora a lei já tenha sido usada para embasar sanções e restrições comerciais, nunca havia servido de base para tarifas de alcance tão amplo. Esse é o ponto questionado por empresas e governos estaduais dos EUA. As tarifas acabam de vez? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. No entanto, isso não significa que o governo tenha perdido totalmente o poder de impor tarifas sobre importações. Segundo a Corte, as medidas aplicadas com base nessa lei foram invalidadas, mas ainda existem outras formas legais de impor tarifas. Trump, inclusive, já disse a interlocutores que tem um “plano B”. (veja mais abaixo) O voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh destacou que o presidente pode recorrer a outras leis federais em diferentes situações, como: Lei de Expansão Comercial de 1962 (Seção 232): Permite ajustes em importações que ameacem a segurança nacional. Lei de Comércio de 1974 (Seções 122, 201 e 301): Autoriza tarifas para lidar com déficits comerciais, proteger indústrias americanas ou responder a práticas comerciais desleais. Lei de Tarifas de 1930 (Seção 338): Dá poder para impor tarifas a países que discriminem o comércio dos EUA. 🔎 As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional. As exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA continuam sujeitas ao aumento de tarifas. A alíquota começou em 25% em março de 2025 e, posteriormente, foi elevada para 50% em diversos produtos de aço, alumínio e seus derivados. Em agosto do ano passado, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, anunciou um alívio nas tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras com conteúdo de aço e alumínio. A medida igualou a alíquota desses produtos à aplicada a outros países, aumentando a competitividade brasileira. LEIA MAIS Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço Reembolso bilionário Embora a Suprema Corte tenha considerado as tarifas ilegais e a cobrança deva ser suspensa, isso não garante a devolução automática do dinheiro já arrecadado, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Parte das tarifas já recolhidas pode ser reembolsada, mas isso depende de ações administrativas e judiciais individuais das empresas”, afirma. 🔎 Ou seja, as companhias que pagaram as tarifas terão de apresentar pedidos específicos para tentar recuperar os valores. Trump havia alertado para o impacto financeiro de uma derrota. Ele afirmou que uma decisão contrária poderia obrigar os EUA a devolver centenas de bilhões de dólares e gerar um cenário de “completo caos”. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões). Para o mercado financeiro, a derrota de Trump tende a enfraquecer o dólar. “Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, o que torna o dólar menos atrativo”, diz Campos. Nesse cenário, investidores ficam mais dispostos a assumir riscos e aplicar recursos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, afirma que a decisão desta sexta-feira limita o uso de tarifas como instrumento político permanente pelo presidente. Segundo ela, a medida tende a reduzir a incerteza no cenário econômico mundial e, em geral, é vista como positiva pelos mercados. "Os mercados estão reagindo positivamente, com uma menor incerteza jurídica e menores custos para as companhias listadas, especialmente as que têm cadeias globais de suprimentos e vendas. As tarifas não resultaram em choques inflacionários em um primeiro momento, mas podem pesar sobre o crescimento." Na prática, isso significa: O dólar perde força no mercado internacional; Aumenta a entrada de capital em países emergentes; O real tende a se valorizar frente ao dólar; As expectativas de juros no Brasil podem cair. Impactos nos setores Segundo especialistas ouvidos pelo g1, os principais setores beneficiados pela decisão, no âmbito da pauta exportadora, são o agronegócio e setores industriais brasileiros. "A derrubada das tarifas traz um alívio claro e devolve competitividade e previsibilidade para o comércio exterior brasileiro", avalia Campos. 🔎 A suspensão das tarifas permitirá que produtos como café solúvel, mel, pescados e frutas recuperem espaço e competitividade no mercado americano. Campos destaca que a mudança influencia positivamente o comportamento dos compradores, estimulando a reabertura de negociações e o fechamento de novos contratos em categorias nas quais o Brasil se destaca, especialmente alimentos e produtos agroindustriais. Já o professor de estratégia da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente, reforça que, com a suspensão das tarifas, a relação comercial entre os EUA e o Brasil deve melhorar. “Não há razão para cobrar uma tarifa que agora é ilegal”, afirma, ressaltando que a medida traz maior previsibilidade para as operações. Ele acrescenta que, embora as tarifas devam retornar aos patamares anteriores no momento da passagem pela alfândega, a decisão também tende a gerar efeitos positivos no mercado global. Próximos passos O governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais para impor tarifas, como regras de segurança nacional ou a alegação de práticas comerciais desleais. Isso significa que o julgamento não elimina totalmente a incerteza, mas reduz o poder do presidente de agir de forma unilateral e repentina. “O principal efeito no curto prazo não é financeiro, mas a redução da insegurança jurídica”, avalia Campos. "Para a economia dos EUA, a derrubada das tarifas tende a reduzir custos de importação, aliviar pressões inflacionárias e melhorar a competitividade da indústria. Por outro lado, há perda de arrecadação e impacto político interno", afirma Jackson Campos. Para o Brasil, a derrota do presidente americano abre espaço para a retomada das exportações, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio. Durante o tarifaço, as exportações do Brasil para os EUA se distribuíam, de forma geral, em dois grupos: produtos que entravam no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%. Em 2025, Donald Trump aplicou tarifas sobre produtos brasileiros em três momentos-chave: Começou com 10% em abril, de taxa ampla para todos os produtos; A tarifa subiu para até 50% em julho, com entrada em vigor em agosto e uma lista de 700 itens excluídos do tarifaço; Em novembro, a tarifa de 10% foi retirada, mantendo apenas a taxa maior sobre determinados produtos e foram retiradas as tarifas de 40% para uma nova lista de produtos, incluindo café, carnes e frutas. Suprema Corte dos Estados Unidos. AP Photo/J. Scott Applewhite, File

Logotipo da Nestlé em uma de suas fábricas em Konolfingen, na Suíça. Arnd Wiegmann/Reuters A Nestlé informou na última quinta-feira (19) que vai deixar o negócio de sorvetes para concentrar suas operações nos segmentos de Café, Nutrição e Cuidados com Animais de Estimação — que, juntos, somam mais de 70% das vendas da companhia. A empresa também pretende ampliar sua presença regional na área de Alimentos e Lanches. A medida faz parte dos esforços do presidente da Nestlé, Philipp Navratil, para melhorar o desempenho da companhia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "Estamos acelerando a nossa estratégia e concentrando nosso portfólio em quatro negócios, liderados por nossas marcas mais fortes, com recursos priorizados e uma organização mais simplificada", afirmou o executivo em nota. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa registrou lucro líquido de US$ 9 bilhões (R$ 47 bilhões) em 2025, uma queda de 17% em relação ao ano anterior, quando havia somado US$ 10,9 bilhões (R$ 56,9 bilhões). As vendas também recuaram no comparativo anual, passando de US$ 91,4 bilhões (R$ 477,6 bilhões) para US$ 89,5 bilhões (R$ 467,7 bilhões), uma redução de 2%. Segundo Navratil, a empresa iniciou, em janeiro, as conversas com a Froneri para a venda dos negócios remanescentes no setor de sorvetes. A Froneri foi criada em 2016 como uma joint venture entre a Nestlé e a PAI Partners. De acordo com o jornal britânico Financial Times, a Nestlé já vendeu a maior parte de suas operações de sorvetes para a Froneri. Os negócios que ainda não foram negociados estão no Canadá, Chile, Peru, China, Malásia e Tailândia. "Nosso negócio de sorvetes remanescente é forte, mas pequeno e nos distrai", afirmou Navratil na véspera, segundo a Reuters.

Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 Reuters/Carlos Barria/File Photo A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o presidente Donald Trump não tinha base legal para impor o amplo aumento de tarifas sobre importações, medida que atingia produtos de vários países, incluindo o Brasil. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A decisão, tomada por seis votos a três, confirma o entendimento de uma instância inferior de que o presidente excedeu sua autoridade ao recorrer a uma lei de 1977 para estabelecer tarifas de forma unilateral. ⚖️ O caso foi levado à Justiça por empresas impactadas pelas cobranças e por 12 estados americanos, em sua maioria administrados por governadores democratas. 💰 O pacote tarifário havia sido estruturado para arrecadar trilhões de dólares ao longo da próxima década, segundo estimativas, e fazia parte da estratégia econômica do governo Trump. Abaixo, entenda como a ofensiva judicial de empresas e estados americanos questionou o alcance dos poderes presidenciais e levou o caso à Suprema Corte. Relembre a briga judicial Suprema Corte aceita analisar o caso Ações judiciais de empresas e estados americanos Sustentações orais na Suprema Corte Debate divide a Corte Tarifaço derrubado Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou Suprema Corte aceita analisar o caso Em 9 de setembro de 2025, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu analisar a legalidade do tarifaço, após o governo recorrer da decisão do tribunal inferior. A Corte passou a avaliar os limites do poder do presidente para adotar medidas econômicas de forma unilateral. O caso envolvia trilhões de dólares em tarifas previstas para os próximos anos, e Trump afirmou que as taxas seriam um “remédio” para a economia americana. Ações judiciais de empresas e estados americanos As tarifas foram contestadas na Justiça por empresas afetadas pelas cobranças e por 12 estados americanos, a maioria administrada por governadores democratas. As ações sustentam que o presidente extrapolou suas atribuições ao impor as tarifas sem o aval do Congresso. Sustentações orais na Suprema Corte Em 5 de novembro, os juízes ouviram os argumentos das partes em uma sessão que durou mais de duas horas e meia. Durante o debate, magistrados levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas e discutiram se Trump ultrapassou as competências do Congresso ao recorrer à lei de 1977 para justificar as medidas. Debate divide a Corte Na última quinta-feira (19), alguns juízes conservadores afirmaram que o tribunal discutia o poder “inerente” dos presidentes para lidar com outros países. A manifestação indicou possível divisão sobre o resultado do caso, em uma Corte que tem maioria conservadora, com seis votos contra três. Tarifaço derrubado A Suprema Corte dos EUA decidiu nesta sexta-feira que o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países é ilegal. O julgamento decidiu que Trump não poderia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. A decisão é vista por analistas como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e também a economia brasileira. Críticas de Trump Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele. Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor. O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação. “Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social. Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros. O que acontece se as tarifas forem suspensas? Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025. Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações. Segundo apuração da BBC, poucas empresas, no entanto, esperam uma vitória na Suprema Corte. "Esperamos que isso seja considerado ilegal, mas também estamos nos preparando para o caso de se elas se consolidarem", disse Bill Harris, cofundador da Cooperative Coffees, cooperativa sediada na Geórgia (EUA), à BBC. A empresa, que importa café de mais de uma dezena de países, pagou cerca de US$ 1,3 milhão (R$ 7,4 milhões) em tarifas entre abril e novembro do ano passado. Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que incluiu itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. Enquanto as discussões sobre o tarifaço perderam espaço no noticiário diante da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por agentes americanos — e de outros fatores geopolíticos —, os rumos da política tarifária voltaram ao radar à espera da decisão da Suprema Corte dos EUA.

Suprema Corte americana decide que tarifaço de Trump é ilegal A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço". Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo. ⚖️ O caso entrou na Justiça em meados de 2025, com uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor tarifas de importação de forma unilateral. O processo chegou à Suprema Corte por meio de recursos apresentados pelo governo Trump. O que você vai encontrar nesta reportagem: O que acontece agora? Alternativas legais para Trump O que diz a Constituição americana Críticas de Trump Como estavam as tarifas sobre produtos brasileiros Trump anuncia tarifas recíprocas REUTERS/Carlos Barria LEIA MAIS Quais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil Suprema Corte pode obrigar EUA a devolver até US$ 175 bilhões em tarifas Trump anuncia tarifa global de 10% após Suprema Corte derrubar tarifaço O que acontece agora? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA. Com a decisão, a estratégia comercial de Donald Trump pode sofrer mudanças significativas. As medidas aplicadas com base nessa lei foram invalidadas, mas ainda há outras formas legais de impor tarifas. (veja abaixo) As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional. Por fim, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com tarifas de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões). Voltar ao índice. Alternativas legais para Trump O governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Confira os caminhos legais que o presidente dos EUA pode usar para manter ou reintroduzir tarifas, segundo análises do Goldman Sachs, do Deutsche Bank e da Panmure Liberum. Algumas dessas alternativas também foram mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Seção 122 da Lei de Comércio Essa é uma das opções mais rápidas para o governo. A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas. Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses. Trump já utilizou esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar importações chinesas, o que levou a uma disputa comercial prolongada entre os dois países. Seção 338 da Lei de 1930 Essa lei autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem o comércio dos EUA. Ela nunca foi usada na prática e não exige investigação formal, o que pode torná-la uma via mais rápida do que a Seção 301, embora com limite máximo para as tarifas. Seção 232 da Lei de Comércio de 1962 Outra possibilidade é recorrer à lei que permite impor tarifas por motivos de segurança nacional, já aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que continuam taxados. Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país. A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais. Voltar ao índice. O que diz a Constituição americana? A Constituição dos EUA estabelece que o poder de criar impostos e tarifas é exclusivo do Congresso, e não do presidente. Mesmo assim, Trump utilizou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) para impor tarifas a quase todos os parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, sem a aprovação do Legislativo. O presidente também aplicou tarifas adicionais com base em outras leis, que não foram objeto de análise da Suprema Corte neste caso. 🔎 A IEEPA (International Emergency Economic Powers Act, ou Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) permite ao presidente regular o comércio em situações de emergência nacional. Donald Trump foi o primeiro a usar essa lei para criar tarifas, ampliando de forma inédita os limites da autoridade presidencial em diversas áreas, como imigração, demissão de funcionários federais, envio de tropas e operações militares no exterior. Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” de alcance quase global e outras tarifas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA. No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”. O governo Trump argumentava que essa redação conferia ao presidente o poder de impor tarifas sobre produtos estrangeiros. A Corte reafirmou que, de acordo com o Artigo I, Seção 8 da Constituição, apenas o Congresso pode criar e cobrar impostos e tarifas alfandegárias. Os juízes concluíram que seria inconcebível delegar ao presidente, de forma ambígua, poderes com impacto econômico e político tão amplo. Embora a decisão limite o uso da IEEPA, os juízes dissidentes observaram que o presidente ainda pode tentar impor tarifas por meio de outras leis específicas, como a Lei de Expansão Comercial de 1962 ou a Lei de Comércio de 1974. A partir de agora, a IEEPA não poderá mais ser usada como uma “caixa de ferramentas” para criar tarifas de forma unilateral e imediata. Voltar ao índice. Críticas de Trump Segundo a agência Reuters, Trump classificou como “uma vergonha” a decisão da Suprema Corte dos EUA. O presidente também afirmou que já tem “um plano B” para manter as tarifas sobre produtos importados. Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegal a maior parte das tarifas impostas por ele. Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, as tarifas permaneceram em vigor. “Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social. Na prática, Trump transformou as tarifas em um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores para os EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros. Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou Voltar ao índice. Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que excluiu da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto. Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, o presidente afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Voltar ao índice.

Reforma trabalhista de Milei é analisada pela Câmara dos Deputados Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto de reforma trabalhista recebeu parecer favorável nas comissões do Senado nesta sexta-feira (20). A proposta deve ser analisada no plenário do Senado na próxima sexta-feira (27), etapa que pode garantir sua aprovação final. A reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei voltou ao Senado após sofrer apenas uma modificação na Câmara dos Deputados. Para viabilizar a aprovação, o texto passou por ajustes pontuais, entre eles a retirada do dispositivo que previa a redução da indenização em casos de acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho — ponto que havia provocado forte resistência ao longo da tramitação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A mudança foi feita durante a madrugada no texto que havia sido aprovado pelo Senado na semana passada. Embora ainda não haja convocação oficial, a intenção do governo é realizar a sessão de votação no dia 27 de fevereiro, dentro de um calendário considerado apertado pelo próprio Executivo. Vista como uma das reformas mais amplas na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta pretende atualizar regras consideradas rígidas e defasadas, reduzir custos trabalhistas e incentivar a criação de empregos formais, segundo o governo. Críticos dizem que as mudanças podem fragilizar as relações trabalhistas, aumentar a insegurança no emprego e enfraquecer os sindicatos, sobretudo entre trabalhadores menos qualificados. O momento é um dos mais decisivos do governo Milei desde a posse, em dezembro de 2023. A medida faz parte de um pacote de reformas voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao investimento. Entre as mudanças que permanecem, estão a flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas. A expectativa é aprovar o texto final até 1º de março. (veja abaixo as principais mudanças) Parlamentares da oposição discutem com o presidente da Câmara dos Deputados da Argentina REUTERS/Alessia Maccioni A reforma foi aprovada pelo Senado na madrugada da última quinta-feira (12), com 42 votos favoráveis e 30 contrários, após uma sessão marcada pela polarização. No dia anterior (11), milhares de manifestantes se reuniram nos arredores do Congresso, em Buenos Aires, para protestar contra a proposta. Os atos terminaram em confrontos com a polícia, e cerca de 30 pessoas foram detidas, segundo a agência de notícias France Presse. Nesta quinta-feira, o Ministério da Segurança anunciou medidas extraordinárias para a imprensa e alertou para possíveis situações de risco. A pasta recomendou que jornalistas evitem permanecer entre possíveis focos de confronto e as forças de segurança e informou que será criada uma “zona exclusiva” para a cobertura em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento. Argentina tem greve geral contra reforma trabalhista nesta quinta; Milei promete repressão Principais mudanças previstas Entre as mudanças estão a flexibilização das férias — que poderão ser divididas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do intervalo tradicional — e a possibilidade de ampliar a jornada diária de oito para até 12 horas, desde que respeitado o descanso mínimo. O governo negociou cerca de 30 alterações no texto original para garantir aprovação rápida na Câmara dos Deputados. Abaixo, os principais pontos da reforma preveem: Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril); Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais; Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias); Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência. No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos formalmente como autônomos, com regras próprias e um seguro de proteção. Já o teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais estabelecidas durante a pandemia. Além do quesito mais polêmico de redução de salários, o governo também retirou o artigo que permitia pagar salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais — como as do Mercado Pago — por não oferecerem as mesmas garantias dos bancos tradicionais, supervisionados pelo Banco Central. O mercado de trabalho argentino Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados — uma taxa de desocupação de 6,6%. A população economicamente ativa somava 15,4 milhões, o equivalente a 51,4% da população total. Entre os trabalhadores, 71,9% eram assalariados, mas apenas 63,3% tinham emprego formal com contribuição previdenciária. Somando os autônomos, a informalidade alcança cerca de 43% do mercado. O setor de serviços reúne aproximadamente 70% dos postos de trabalho, seguido por indústria e construção (22%) e agropecuária (8%). Além disso, mais de um quarto dos ocupados trabalha mais de 45 horas por semana, indicando jornadas prolongadas. Protestos contra o governo na Argentina

Lula participa de entrevista a emissora indiana. Reprodução/ Índia Today O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar nesta sexta-feira (20) que o dólar não precisa ser a moeda usada por países do Brics e defendeu o uso de moedas locais nas transações. Na ocasião, o petista também citou protagonismo do Brasil ao criticar tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre importações (entenda mais abaixo). 🔎Brics é o grupo que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo como Brasil, Índia, China e Rússia. "Eu respeito muito as decisões que são tomadas pelos países. Eu defendi que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia precise ser feito em dólares americanos. O que eu defendo é que podemos usar nossas próprias moedas", afirmou Lula. "É difícil, sim, é difícil, mas podemos tentar. Ninguém precisa depender do dólar, mas você também não pode desfazer esse sistema da noite para o dia. É preciso levar em conta as dificuldades de cada nação", prosseguiu. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente brasileiro também disse entender a razão de os americanos defenderem o uso do dólar para transações comerciais internacionais, contudo sugeriu que os países reflitam se realmente é algo necessário. "Este é um processo que precisamos discutir. O que é mais vantajoso para um país, para o Brasil? E o que é mais vantajoso para cada país que negocia com outros países?", questionou. Não é a primeira vez que Lula defende o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do Brics. O presidente brasileiro defende que reduzir a dependência do dólar pode baratear custos, ampliar o comércio dentro do bloco e dar mais autonomia financeira aos países emergentes. A proposta, no entanto, não é apenas uma bandeira brasileira: o tema vem sendo discutido internamente há anos, com diferentes graus de apoio entre os membros. Tarifas Durante sua fala, o presidente enfatizou a importância do multilateralismo. E lembrou de sua atuação junto Brics pós-tarifaço. 🔎A aplicação de tarifas recíprocas foi anunciada por Trump no início do ano passado, mas só começou a ser aplicada meses depois, após vários ajustes e revisões. Segundo Lula, foi a partir de iniciativa dele que o grupo emitiu declaração condenando a imposição das tarifas pelos Estados Unidos sobre importações. "Quando o presidente [Donald] Trump impôs tarifas universais a todos os países, realizei uma reunião do Brics por teleconferência para que pudéssemos emitir uma declaração de que o comportamento do presidente dos EUA, impondo tarifas unilaterais, não era correto", argumentou. LEIA TAMBÉM: Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump Banco do Brics Nesse contexto, Lula destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) do Brics que, segundo o petista, "precisa funcionar de maneira diferente de outras instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial". "Não precisamos continuar copiando tudo o que aconteceu no século XX. Podemos inovar por causa do século XXI, das necessidades da sociedade civil e dos avanços da sociedade. O Brics é essa esperança", ponderou. As declarações foram dadas durante uma entrevista à emissora indiana "Índia Today". A entrevista foi feita em inglês, com apoio de tradutores. Lula respondeu às perguntas em português. O grupo formado pelo Brics se juntou com o objetivo de coordenar as políticas econômicas e diplomáticas de seus membros, encontrar novas soluções para as instituições financeiras e reduzir a dependência do dólar americano. Mas com a emergência de grandes conflitos no contexto global e uma dominância cada vez maior da China e da Rússia dentro do grupo, o Brics está cada vez mais sendo enquadrado dessa forma. Ainda assim, seus integrantes sempre recusaram publicamente o título de “bloco anti-Ocidente” atribuído por alguns. Venezuela Na ocasião, Lula reforçou que a posição do governo brasileiro sobre conflitos internacionais permanece coerente e baseada no princípio da "não intervenção". Ao comentar a situação na Venezuela, Lula mencionou que o Brasil adotou a mesma postura ao condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ofensiva em Gaza. "Não podemos aceitar que um chefe de Estado de um país invada outro país e capture o presidente. Isso é inaceitável. Não há explicação para isso, e não é aceitável", criticou. Lula afirmou que, com Maduro preso, a prioridade agora deve ser “consolidar o processo democrático na Venezuela, restabelecer a democracia no país”. Para o presidente brasileiro, eventuais julgamentos deveriam ocorrer dentro da Venezuela e não fora, como ocorreu após a captura de Maduro. Essa não é a primeira vez que ele critica a intervenção norte-americana no país vizinho. “Não é aceitável a interferência de uma nação sobre outra”, disse, lembrando que, nos anos 1960, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil sofreram golpes militares em um contexto no qual embaixadas dos Estados Unidos exerciam forte influência política na região. Lula classificou a trajetória recente venezuelana como “uma experiência negativa”, mas reforçou que qualquer saída deve partir dos próprios venezuelanos: “eu espero que a questão venezuelana possa ser resolvida pelo próprio povo da Venezuela, e não por interferência estrangeira de qualquer outro país.”

Suprema Corte dos Estados Unidos. AP Photo/J. Scott Applewhite, File Mais de US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões) em arrecadação com tarifas podem ter de ser devolvidos após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que as medidas adotadas pelo presidente Donald Trump são ilegais, segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model. A estimativa, elaborada a pedido da Reuters, baseia-se em um modelo que cruza as alíquotas por produto e país com as tarifas específicas impostas por Trump. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O cálculo inclui tarifas aplicadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), explicou Lysle Boller, economista sênior do grupo de pesquisa fiscal da Universidade da Pensilvânia. Com as tarifas invalidadas, importadores poderão solicitar reembolsos à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA referentes às taxas pagas no ano passado. LEIA TAMBÉM: O tarifaço de Trump vai cair? Como a decisão da Suprema Corte pode afetar o dólar e o mercado global Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Trump tem destacado a arrecadação gerada por suas tarifas, estimada pelo Escritório de Orçamento do Congresso em cerca de US$ 300 bilhões por ano ao longo da próxima década. No entanto, os cálculos indicam que uma parcela significativa desse valor poderá ter de ser devolvida com a decisão desfavorável ao ex-presidente. O montante estimado de US$ 175 bilhões em reembolsos supera a soma dos gastos do Departamento de Transportes, de US$ 127,6 bilhões, e do Departamento de Justiça, de US$ 44,9 bilhões, no ano fiscal de 2025. Em janeiro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Reuters que o governo tem capacidade para arcar com eventuais reembolsos, embora tenha demonstrado confiança de que a Suprema Corte manterá as tarifas com base na IEEPA.

Lançada em dezembro de 2025, a ferramenta do Banco Central (BC) que permite ao cidadão bloquear a abertura de contas bancárias em seu nome, chamada de "BC Protege+", alcançou um milhão de adesões, informou a instituição nesta sexta-feira (20). "O número reflete a crescente adesão de cidadãos e empresas a mecanismos adicionais de segurança para blindar CPF e CNPJ contra tentativas indevidas de abertura de contas correntes, contas poupança e contas de pagamento em instituições financeiras", afirmou a autoridade monetária. Segundo o BC, a ferramenta aumenta a segurança dos cidadãos contra fraudes e golpes, permitindo bloquear a abertura de novas contas bancárias em seu nome. A iniciativa foi criada pela autoridade monetária para reduzir riscos de crimes financeiros e reforçar a confiança no sistema bancário. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Com a ampliação do uso do BC Protege+, a instituição reforça o compromisso de oferecer soluções acessíveis e eficazes para a proteção da população", acrescentou o BC. Além disso, o sistema oferece ao cidadão a possibilidade de consultar dois históricos: das ativações e desativações realizadas pelo próprio usuário das consultas feitas pelas instituições financeiras ao seu status no BC Protege+. Passo a passo Para fazer o bloqueio, é preciso: Acessar o site do BC; Entrar no "Meu BC"; Colocar o login e a senha do gov.br; e Ativar o BC Protege+. BC lança ferramenta para bloquear abertura de contas 🏦 A restrição para abertura de contas será comunicada de maneira automática pelo Banco Central a todas as instituições financeiras. 💳O bloqueio vale para abertura de conta-corrente e poupança. Só não funciona para conta salário, aquela aberta exclusivamente para o empregado receber o pagamento. 🔐 O serviço é grátis e poderá ser cancelado pelo próprio usuário, caso ele decida abrir uma nova conta. Sede do Banco Central em Brasília Reprodução/TV Globo

A taxa de desemprego recuou em seis estados brasileiros no quarto trimestre de 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, a desocupação ficou em 5,1% no período, abaixo dos 5,6% registrados no trimestre anterior e 1,1 ponto percentual menor do que no mesmo período de 2024, quando era de 6,2%. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Na comparação com o trimestre anterior, a taxa de desemprego caiu em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal, Paraíba e Ceará. Nas demais unidades da federação, o indicador permaneceu estável. Os maiores índices de desocupação foram registrados em Pernambuco (8,8%) e no Amapá (8,4%), seguidos por Alagoas, Bahia e Piauí, todos com 8%. Já as menores taxas apareceram em Santa Catarina (2,2%) e em Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (2,4%). 👉 Veja abaixo a variação trimestral em cada estado. Passe o mouse ou clique na unidade da federação para consultar o percentual, e use o zoom para ampliar a visualização: Os dados do IBGE também mostram diferenças de gênero no acesso ao mercado de trabalho, com taxas de desemprego mais altas entre elas nos três últimos meses do ano. Veja: 👨 Homens: 4,2% 👩 Mulheres: 6,2% Por cor ou raça, o indicador ficou abaixo da média nacional de 5,1% somente entre pessoas brancas (4%), e acima entre pessoas pretas (6,1%) e pardas (5,9%). O desemprego também apresentou diferenças relevantes conforme o nível de escolaridade do trabalhador. Veja abaixo: 🎓 Ensino superior completo: 2,7% 📚 Ensino superior incompleto: 5,6% 🏫 Ensino médio incompleto: 8,7% Ainda nos três último meses do ano, eram 1,1 milhão de pessoas que buscavam trabalho havia dois anos ou mais no país. O número recuou 19,6% em relação ao mesmo período de 2024, quando 1,3 milhão estavam nessa situação. Entre os que procuravam emprego havia menos de um mês, o contingente também foi de 1,1 milhão, uma queda de 23,1% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, quando 1,4 milhão estavam nessa condição. Desigualdades regionais Ainda no quarto trimestre, a taxa de subutilização da força de trabalho foi de 13,4% no país. O maior nível foi registrado no Piauí (27,8%), enquanto o menor apareceu em Santa Catarina (4,4%). O percentual de pessoas que desistiram de procurar trabalho ficou em 2,4%. O Maranhão teve a maior proporção (9,1%), e Santa Catarina, a menor (0,3%). Entre os trabalhadores do setor privado, 74,4% tinham carteira assinada. Santa Catarina liderou com 86,3%, enquanto o Maranhão apresentou o menor percentual, com 52,5%. A parcela de trabalhadores por conta própria foi de 25,3% no país. O Maranhão teve a maior proporção (34%), e o Distrito Federal, a menor (17%). Já a taxa de informalidade foi de 37,6% da população ocupada. O Maranhão registrou o maior nível (57,3%), e Santa Catarina, o menor (25,7%). Desemprego anual no menor nível em 20 unidades No resultado anual, a taxa de desemprego recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Em 20 estados, o indicador também registrou o menor nível de toda a série. Entre os estados, as maiores taxas anuais de desemprego foram registradas no Piauí (9,3%), na Bahia e em Pernambuco (ambos com 8,7%) e no Amazonas (8,4%). Já os menores índices foram observados em Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%). 👉 Veja abaixo a média anual em cada estado. Passe o mouse ou clique na unidade da federação para consultar o percentual, e use o zoom para ampliar a visualização: A taxa anual de subutilização do trabalho ficou em 14,5% no Brasil. O Piauí registrou o maior nível, com 31,0%, seguido por Bahia e Alagoas, ambos com 26,8%. As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%). Já a taxa anual de informalidade atingiu 38,1% da população ocupada. Os maiores percentuais foram registrados no Maranhão (58,7%), Pará (58,5%) e Bahia (52,8%). Os menores níveis apareceram em Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29,0%). O percentual anual de pessoas que desistiram de procurar trabalho ficou em 2,6% no país. O Maranhão teve a maior taxa, de 9,5%, seguido por Alagoas (8,5%) e Piauí (7,8%). As menores taxas foram registradas em Santa Catarina (0,3%), Mato Grosso do Sul (0,6%) e Rio Grande do Sul (0,9%). Rendimento médio de todos os trabalhos Em relação à renda, em 2025 o rendimento médio anual habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.560 no país. ▶️ Maiores rendimentos médios anuais: 🏛️ Distrito Federal: R$ 6.320 🌆 São Paulo: R$ 4.190 🌊 Rio de Janeiro: R$ 4.177 ▶️ Menores rendimentos médios anuais: 🌴 Maranhão: R$ 2.228 🌞 Bahia: R$ 2.284 🏖️ Ceará: R$ 2.394 Já em relação ao quarto trimestre, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.613. O valor cresceu em relação ao trimestre anterior, quando estava em R$ 3.527, e também frente ao mesmo período de 2024, quando era de R$ 3.440. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, as regiões Norte (R$ 2.846) e Sudeste (R$ 4.033) registraram aumento no rendimento, enquanto as demais regiões ficaram estáveis. Em relação ao quarto trimestre de 2024, todas as regiões tiveram alta. Já a soma de todos os rendimentos do trabalho no país chegou a R$ 367,6 bilhões no quarto trimestre de 2025. O total também aumentou em relação ao trimestre anterior, quando era de R$ 356,7 bilhões, e ao mesmo período de 2024, quando somava R$ 345,5 bilhões. Santa Catarina tem taxa de desemprego abaixo da média nacional. Foto: Roberto Zacarias/SECOM

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (20) em queda de 0,98%, cotado a R$ 5,1758, no menor patamar desde maio de 2024. O Ibovespa, por sua vez, teve alta de 1,06% e fechou aos 190.534 pontos, em um novo recorde de fechamento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O principal fator que mexeu com os mercados globais nesta sexta-feira (20) foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas de importação impostas pelo presidente americano, Donald Trump. O tribunal decidiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor o aumento das taxas e considerou o tarifaço ilegal. ▶️ Em resposta, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais, reforçando que "outras saídas são usadas". O republicano, então, recorreu à Seção 122 — dispositivo da legislação comercial dos EUA que permite ao presidente impor tarifas temporárias — para estabelecer uma nova tarifa global de 10%. ▶️ Outro fator que pressionou o dólar para baixo foi o fraco desempenho da economia americana no 4º trimestre de 2025. Segundo informações do Departamento de Comércio, o PIB dos EUA desacelerou para 1,4% no período — bem abaixo da projeção do mercado, de 3%. No trimestre anterior, a atividade do país tinha avançado 4,4%. ▶️ Na agenda econômica americana, o mercado também monitorou a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que é um dos preferidos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para acompanhar a inflação do país. O indicador registrou um avanço de 0,4% em dezembro, após um avanço revisado de 0,2% no mês anterior. Em 12 meses, a alta foi de 2,9%, contra 2,8% em novembro. ▶️ Ainda no cenário internacional, o petróleo continuou no centro das atenções após a recente alta de preços, em meio às tensões entre EUA e Irã. A preocupação é que o conflito se intensifique e afete o Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo. ▶️No Brasil, a agenda é mais enxuta, com destaque para a divulgação da taxa de desemprego do quarto trimestre pela Pnad Contínua. Segundo o IBGE, o desemprego recuou em seis estados no quarto trimestre de 2025. Nas demais unidades da federação, o indicador permaneceu estável. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,02%; Acumulado do mês: -1,37%; Acumulado do ano: -5,70%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,18%; Acumulado do mês: +5,06%; Acumulado do ano: +18,25%. Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como "tarifaço". Por 6 votos a 3, a maioria dos juízes concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos. Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo. Resposta de Trump Em resposta, o presidente americano criticou a decisão da Suprema Corte e anunciou uma nova taxa global de 10%. Em declaração a jornalistas, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. "Outras saídas serão usadas", disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar "ainda mais dinheiro". Para estabelecer a nova tarifa, Trump disse que vai ativar a Seção 122 — dispositivo da legislação comercial dos EUA que permite ao presidente impor tarifas temporárias. O republicano ainda reiterou que sua gestão também vai recorrer à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais. Além da nova ofensiva comercial, Trump usou a entrevista coletiva para disparar contra os juízes do tribunal e classificar a decisão da Corte como "vergonhosa" e "terrível". "Os juízes que votaram contra as tarifas são uma vergonha para a nossa nação. Nossa Suprema Corte está sendo pressionada por interesses estrangeiros", afirmou o republicano. LEIA MAIS ENTENDA: O que acontece agora? Países reagem à derrubada das tarifas de Trump pela Suprema Corte dos EUA Decisão da Suprema Corte de derrubar tarifas é uma vergonha, diz Trump Agenda econômica PIB dos EUA Segundo a estimativa preliminar divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre de 2025. A expectativa do mercado era de crescimento de 3%, mas a projeção foi feita antes de dados que mostraram um aumento do déficit comercial em dezembro. No trimestre anterior, a economia havia crescido a um ritmo de 4,4%. O Escritório Orçamentário do Congresso estimou que a paralisação do governo reduziu o crescimento do PIB em até 1,5 ponto percentual no último trimestre, ao limitar serviços públicos, gastos federais e benefícios sociais. Parte dessa perda tende a ser recuperada, mas entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões podem não retornar à economia. Antes da divulgação do relatório, o presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que a paralisação teria custado “pelo menos dois pontos do PIB” e defendeu juros mais baixos para estimular a economia. O relatório também apontou um crescimento sem forte geração de empregos e uma economia com desempenho desigual: famílias de renda mais alta continuam em situação confortável, enquanto consumidores de renda mais baixa enfrentam dificuldades com inflação elevada e salários estagnados. Economistas classificam esse cenário como uma “crise de acessibilidade”. PCE dos EUA O núcleo da inflação nos EUA acelerou em dezembro e pode ganhar ainda mais força em janeiro. O indicador de preços PCE, que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, subiu 0,4% em dezembro, após alta de 0,2% em novembro, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. O resultado veio em linha com as projeções de economistas. No acumulado de 12 meses, o índice avançou para 3%, acima dos 2,8% registrados no mês anterior. 🔎 O indicador é uma das principais métricas usadas pelo Fed para acompanhar sua meta de inflação de 2%. A aceleração dos preços reforça a avaliação de que o banco central americano deve adiar o início dos cortes de juros, possivelmente para depois de junho. Já o índice PCE geral, que inclui todos os itens, também subiu 0,4% em dezembro, após 0,2% em novembro. Em 12 meses, a alta foi de 2,9%, ante 2,8% no mês anterior. Brasil Desemprego A taxa de desemprego caiu para 5,1% no quarto trimestre de 2025, abaixo dos 5,6% do trimestre anterior e dos 6,2% registrados um ano antes, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. Na comparação trimestral, o indicador recuou em seis estados (SP, RJ, PE, DF, PB e CE) e ficou estável nos demais. As maiores taxas foram registradas em Pernambuco (8,8%) e Amapá (8,4%), enquanto as menores apareceram em Santa Catarina (2,2%) e Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (2,4%). No resultado anual, o desemprego caiu para 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com 20 estados atingindo seus menores patamares. Mercados globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta nesta sexta-feira (20), conforme investidores avaliavam a decisão da Suprema Corte americana de derrubar o tarifaço do presidente Donald Trump. Dados econômicos também ficavam no radar. O Dow Jones teve alta de 0,47%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite subiram 0,71% e 0,90%, respectivamente. A decisão da Suprema Corte americana também influenciou os mercados na Europa, que fecharam majoritariamente em alta. O índice pan-europeu STOXX 600 avançou 0,84%, aos 630,56 pontos. Entre os demais destaques, o CAC-40, da França, subiu 1,39%, enquanto o DAX, da Alemanha, avançou 0,87% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve alta de 0,56%. Já as bolsas da Ásia tiveram um dia misto nesta sexta-feira, influenciadas principalmente pelas tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que deixaram os investidores mais cautelosos. No Japão, Nikkei caiu -1,1%, fechando em 56.825 pontos, Topix também fechou em queda -1,1%, em 3.808 pontos. A queda foi puxada por ações de companhias aéreas e empresas financeiras, além do impacto negativo de problemas no setor de investimentos nos Estados Unidos. Em outros mercados da Ásia: Hong Kong (Hang Seng): caiu 1,10%, aos 26.413 pontos; Coreia do Sul (Kospi): subiu 2,31%, aos 5.808 pontos; Cingapura (Straits Times): alta de 0,15%, aos 5.009 pontos; Austrália (S&P/ASX 200): leve queda de 0,05%, aos 9.081 pontos Os investidores ficaram receosos com possíveis conflitos entre EUA e Irã durante o feriado prolongado no Japão, o que levou muitos a vender ações para garantir lucro antes do fim de semana. Cédulas de dólar Divulgação

Correios admitem ‘ciclo vicioso de prejuízos’ com perda de clientes e de receitas Em meio à crise econômico-financeira vivida pelos Correios nos últimos anos, um levantamento feito pela estatal aponta que nenhuma das unidades estaduais atingiu a meta de entregas dentro do prazo estabelecida para o período até setembro de 2025. Ao todo, a empresa conseguiu alcançar o índice de 90,18%, abaixo da meta de 95,54% que havia sido definida. Os dados fazem parte de documentos obtidos com exclusividade pelo g1, e que vêm sendo publicados ao longo dos últimos dias. "O acompanhamento dos registros no sistema SIAT e das ações direcionadas evidenciam carga represada nas origens e destinos", justificou a estatal. Tesouro aprovou empréstimo para Correios de R$ 12 bilhões com garantias da União Jornal Nacional/ Reprodução A avaliação leva em consideração o cumprimento dos prazos estabelecidos junto aos clientes finais dos principais serviços postais — Encomenda, Logística e Mensagens. O índice é calculado pela razão entre os objetos entregues no prazo e o total de objetos entregues (dentro e fora do prazo), além dos extraviados e roubados nas Superintendências Estaduais. Entre todas as unidades analisadas, a que teve o pior resultado foi a de Roraima (64,84%), com desempenho 30 pontos percentuais abaixo da meta estimada (94,84%). A Região Norte é responsável por seis dos sete piores índices de entrega no ano. Veja no gráfico abaixo: Mesmo abaixo do esperado, os Correios afirmam que o resultado ainda foi ligeiramente melhor — 0,71 ponto percentual acima — do que o registrado no mesmo período de 2024. "O cenário de backlog ao longo do tempo revela lacunas no processo de tratamento nos principais centralizadores exportadores de carga das Superintendências Estaduais (SE) do Grupo I e II, motivadas pela falta de mão de obra contratada por Execução Indireta de Serviços – EIS e necessidades de ajustes no processo produtivo, somadas as dificuldades iniciadas nas operações", ponderou a empresa. Para contornar a situação e reduzir os atrasos no processo de entrega das encomendas, a estatal informou que adotou as seguintes medidas: Reestruturação do fluxo de caixa, priorizando pagamentos a fornecedores logísticos; Negociação de parcelamentos com fornecedores para retomada dos serviços; Contratação emergencial de operadores logísticos regionais; Implementação de matriz de criticidade, priorizando encomendas urgentes e clientes estratégicos; Otimização da malha de transporte (superfície nacional/regional e aérea), com revisão do guia de transporte e planos de paletização; Contratação de viagens extras nas rotas de Linha de Transporte Nacional e da Rede Postal Noturna. Atrasos no pagamento Ao longo do último ano, a empresa deixou de pagar fornecedores de logística responsáveis pelo transporte de encomendas por aviões ou caminhões pelo país. Em função disso, até julho, as transportadoras estão cobrando na Justiça R$ 104 milhões em faturas atrasadas. Ao todo, eram 58 processos envolvendo 41 empresas. Parte dessas empresas assinou, em março, duas cartas públicas informando que, a partir de 1º de abril, paralisariam a prestação dos serviços de transporte de cargas para os Correios. Mesmo assim, os pagamentos não foram regularizados. E as paralisações ocorreram. Ao longo de 2025, a estatal deixou de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores; com o fundo de pensão, o Postalis; com o plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde; e em tributos federais. Ao todo, foram adiadas as seguintes obrigações: INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão; Fornecedores: R$ 732 milhões; Postal Saúde: R$ 545 milhões; Tributos PIS/COFINS: R$ 457 milhões Remessa Conforme: R$ 346 milhões; Postalis: R$ 135 milhões. Correios apontam que o programa Remessa Conforme expôs problemas de 'reposicionamento negocial da empresa' Cobrança do Congresso Diante desse cenário, na última semana, o deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) protocolou quatro requerimentos para que órgãos de controle fiscalizem os Correios. Os pedidos foram encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os documentos foram recebidos pela Câmara dos Deputados, mas ainda não começaram a tramitar na Casa. Por isso, ainda não têm força de requisição junto aos órgãos citados. Em um dos pedidos, Melo solicita informações sobre a regularidade do modelo de atuação de empresas intermediadoras na comercialização de serviços postais dos Correios. O parlamentar questiona a existência de auditorias, possíveis contratações sem licitação e se há análise do TCU sobre a situação econômico-financeira da estatal.

Doença ameaça cultivo da mandioca no Amapá "Perder a roça é perder uma vida." A fala é do coordenador do Conselho de Caciques do Oiapoque, Edmilson Oliveira. Desde 2020, o município do Amapá sofre com a vassoura-de-bruxa da mandioca, que devasta o sustento de comunidades indígenas. Dez dos dezesseis municípios do estado registram casos da doença. O Amapá está em situação de emergência desde 2024. A vassoura-de-bruxa é causada pelo fungo Ceratobasidium theobromae. A suspeita é que ele tenha chegado ao Amapá pela fronteira com a Guiana-Francesa. A doença bloqueia a circulação da seiva no caule. Com isso, a planta seca e morre. O agricultor perde a produção. O cacique Gilberto Iaparrá diz que, para sobreviver, alguns produtores passaram a depender do Bolsa Família, programa do governo federal. "Não tinha mais pra onde correr. [...] Era melhor trabalhar e plantar, porque quando tem o rendimento é melhor que o Bolsa Família [...]. A gente acostumava fazer 100 kg, já ganhava R$ 1.400. Hoje não tem", diz o indígena. Leia também: Tomate e pão francês pesaram no custo da cesta básica nas capitais em janeiro, diz Conab Sem tratamento O esforço da Ciência para combater vassoura-de-bruxa da mandioca Ainda não há tratamento eficaz contra a vassoura-de-bruxa da mandioca. Para o agrônomo Stephan Winter, é a doença mais preocupante que ele já acompanhou. Segundo ele, ainda há poucas informações sobre o comportamento do fungo na natureza. Além disso, o fungo se espalha rapidamente, explica a agrônoma Samar Winter. O governo do estado já investiu R$ 8 milhões em ações para conter o avanço da doença, afirma Beatriz Barros, secretária de Desenvolvimento Rural do Amapá. Segundo a secretária, há preocupação de que a doença chegue à região de Pacuí, maior produtora de farinha de mandioca do estado. Saiba também: Ovo de jacaré faz barulho e temperatura define sexo do animal; conheça produção Chapéu na roça não terá que ser trocado por capacete; veja o que diz a lei Entenda a regra que pode mudar nomes de alimentos no Brasil

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) vai consolidar as informações sobre a força-tarefa das estatais nas contas do governo, apurou o g1. As contas devem ser analisadas até junho, pelas regras do regimento da Corte. No fim do ano passado, a Corte de Contas instalou uma força-tarefa para fiscalizar nove estatais federais que apresentam riscos fiscais. Entre elas estão os Correios e a Casa da Moeda. A iniciativa foi motivada por um relatório do Tesouro Nacional que identificou fragilidades financeiras e possíveis riscos às contas públicas em nove das 27 empresas estatais analisadas. Além dos Correios e da Casa da Moeda, o documento cita as Companhias Docas (CDC, CDP, Codeba, CDRJ e Codern), a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e a Infraero. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os trabalhos estão sendo estruturados em cinco eixos temáticos: gestão e inovação, desempenho financeiro, gestão de pessoal, contratações e tecnologia da informação. O objetivo é ampliar o escopo da fiscalização para além do aspecto finnaceiro, incorporando dimensões de governança, eficiencia operacional e qualidade da gestão. “O objetivo é ampliar o escopo da fiscalização para além do aspecto financeiro, incorporando dimensões de governança, eficiência operacional e qualidade da gestão”, afirmou o presidente do TCU. “Esses são fatores que frequentemente estão na raiz das dificuldades fiscais enfrentadas por essas entidades”, completou. Papai Noel dos Correios - começa no Ceará a edição 2025 da maior ação de solidariedade natalina do país Divulgação

Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Divulgação/Detran-AM Em 2026, houve mudança nas regras para acúmulo de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O limite agora depende da quantidade de infrações gravíssimas cometidas nos últimos 12 meses. No início do sistema de pontuação, o Código Brasileiro de Trânsito permitia acumular até 20 pontos em um ano. Ultrapassar esse limite significava suspensão da CNH. Agora, o teto é de 40 pontos, mas apenas para quem não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 365 dias. A depender das infrações, o limite de suspensão da CNH cai para 20 pontos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Veja abaixo os novos limites Limite de 40 pontos : vale para o motorista que não cometeu nenhuma infração gravíssima nos últimos 12 meses. Portanto, ele pode acumular pontos por infrações graves, médias e leves até esse teto. Limite de 30 pontos: se o motorista tiver uma infração gravíssima nos últimos 12 meses, o teto cai para 30 pontos. Nesse caso, a regra fica mais rígida e o motorista precisa redobrar a atenção. Limite de 20 pontos: com duas ou mais infrações gravíssimas no período, o total permitido cai para 20 pontos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ⚠️ Há uma exceção para motoristas profissionais, que têm na CNH o registro de atividade remunerada. Nesse caso, o limite para suspensão da carteira é de 40 pontos em 12 meses, independentemente de infrações gravíssimas. Essa regra vale apenas para o acúmulo de pontos e não para infrações que geram suspensão imediata da CNH. É preciso ficar atento ao prazo de validade desses pontos, pois eles só deixam de contar após 12 meses da data da infração. 🔎 Por exemplo: um motorista cometeu infrações leves e médias e tem 27 pontos acumulados na CNH nos últimos 12 meses. Se ele cometer uma infração gravíssima, o limite cai para 30 pontos e o teto pode ser ultrapassado. Nesse caso, há risco de suspensão da carteira. Tipos de infrações Além de acumular pontos, as infrações também geram multas. Os valores podem ser multiplicados por agravantes e reajustados pelos órgãos competentes. Veja alguns exemplos: Infrações leves: exemplos incluem parar o carro na calçada, estacionar no acostamento e buzinar em local proibido. Essas infrações somam 3 pontos à CNH e geram multa de R$ 88,38. Infrações médias: incluem circular com velocidade até 20% acima da permitida, transitar com velocidade inferior a 50% da máxima da via e parar sobre a faixa de pedestres. São 4 pontos na CNH e multa de R$ 130,16. Infrações graves: exemplos incluem estacionar em ciclofaixa, não usar cinto de segurança e ultrapassar em mais de 20% o limite de velocidade. Nesses casos, são 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23. Infrações gravíssimas: incluem dirigir sob efeito de álcool ou de substância psicoativa, deixar de prestar socorro à vítima de acidente em que o condutor esteja envolvido e estacionar em vaga para idosos ou pessoas com deficiência. A multa é de R$ 293,47 e são 7 pontos na CNH. No caso de dirigir embriagado, a multa pode chegar a quase R$ 3 mil se o teor alcoólico aferido for superior a 0,04 mg/L. Esse tipo de conduta também leva à suspensão imediata da CNH, mas não é a única infração com essa consequência. Infrações autossuspensiva Se o motorista cometer uma infração gravíssima autossuspensiva, a CNH fica suspensa imediatamente, independentemente da quantidade de pontos acumulados. Alguns exemplos são transitar em velocidade 50% acima do limite da via, dirigir ameaçando pedestres, conduzir de forma a intimidar outros veículos, participar de rachas e fazer manobras perigosas. Como recorrer O motorista sempre tem a oportunidade de recorrer das infrações, e o processo depende do órgão que aplicou a multa, como Detran, Polícia Rodoviária Federal, DER, entre outros. Veja abaixo um passo a passo. Em geral, o processo começa com a apresentação da defesa de autuação. O motorista tem prazo de 30 dias para apontar eventuais erros antes mesmo de a multa ser aplicada. É nesse momento que o motorista pode indicar que havia outro condutor ao volante e, assim, evitar o acúmulo de pontos. Essa primeira defesa deve ser analisada pelas autoridades em até 30 dias. Se o recurso for indeferido, há prazo de 30 dias para recorrer em primeira instância à Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari). O órgão tem mais um mês para emitir o parecer. Se essa etapa for rejeitada, é possível recorrer ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) em segunda instância. Multas aplicadas pela Polícia Rodoviária Federal têm um processo próprio de recurso, com formulários específicos. CNH foi suspensa. E agora? Dependendo do tipo de infração ou de reincidência, a suspensão da CNH pode chegar a dois anos. A recomendação é acompanhar quantos pontos constam na CNH para não ultrapassar o limite, considerando o novo critério. Os sites dos Detrans oferecem consulta a essa informação. Em caso de suspensão, o processo de recurso é semelhante ao das infrações, começando pela Jari e, depois, seguindo para o Cetran de cada estado. Veja também as mudanças na prova prática para tirar a CNH. Nova CNH: como funciona o novo sistema de pontos da prova prática, que não tem falta eliminatória

O governo federal prepara um decreto que vai estabelecer regras de proteção à indústria e ao agronegócio no contexto de ampliação dos acordos comerciais assinados pelo Brasil com outros países. O texto está sendo elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e deve ser encaminhado à Casa Civil nas próximas semanas. "Desde 2023, foram concluídos acordos com Singapura, com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e, mais recentemente, com a União Europeia, ampliando em 2,5 vezes a parcela da corrente de comércio brasileira coberta por preferências tarifárias", afirmou o MDIC em nota. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎As chamadas salvaguardas são instrumentos de defesa comercial que protegem a produção nacional. Elas podem ser aplicadas em alguns cenários: quando forem estabelecidas cotas, que deixem de seguir as preferências do acordo; quando forem suspensas, ainda que de forma temporária, reduções do imposto de importação previstas no acordo; ou quando for restabelecido o nível tarifário original, anterior ao acordo. As regras de proteção valerão para os acordos comerciais atuais e os futuros. E, de acordo com o MDIC, dará mais transparência, previsibilidade e segurança jurídica ao setor produtivo. China Em dezembro de 2025, a China decidiu limitar a importação de carne bovina para proteger produtores locais. Governo brasileiro negocia uma solução para as proteções impostas pela China às importações de carne bovina Na ocasião, o país fixou cotas anuais para empresas comprarem o produto de países estrangeiros, incluindo o Brasil. No ano passado, o Brasil destinou 48% do volume total de carne bovina exportado para a China. Maior importador de carne bovina do mundo e segundo maior consumidor, atrás apenas dos EUA, a China começou a investigar os impactos das compras do alimento de países estrangeiros em 2024.

Reforma trabalhista de Milei é analisada pela Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, com mudanças, a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. O texto precisará voltar ao Senado, onde havia sido aprovado na última quinta-feira, pois o governo precisou retirou um trecho que previa redução na indenização em casos de acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho. Vista como uma das reformas mais amplas na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta pretende atualizar regras consideradas rígidas e defasadas, reduzir custos trabalhistas e incentivar a criação de empregos formais, segundo o governo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Críticos dizem que as mudanças podem fragilizar as relações trabalhistas, aumentar a insegurança no emprego e enfraquecer os sindicatos, sobretudo entre trabalhadores menos qualificados. O momento é um dos mais decisivos do governo Milei desde a posse, em dezembro de 2023. A medida faz parte de um pacote de reformas voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao investimento. Entre as mudanças que permanecem, estão a flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas. A expectativa é aprovar o texto final até 1º de março. (veja abaixo as principais mudanças) Parlamentares da oposição discutem com o presidente da Câmara dos Deputados da Argentina REUTERS/Alessia Maccioni Debates acalorados A sessão começou às 14h (horário local), após solicitação enviada ao presidente da Casa, Martín Menem. A sessão foi marcada por confusão e troca de provocações no plenário. O chefe do bloco União pela Pátria, Germán Martínez, criticou a condução dos trabalhos e chegou a provocar o presidente da Casa com a frase “Cresça, Sr. Presidente”, além de afirmar que os parlamentares “vão se arrepender” da decisão. Mais para o fim da noite, por volta das 21h30, a deputada Marcela Mango, do partido União pela Pátria, solicitou uma questão de ordem, que foi negada, para que o projeto de reforma trabalhista retornasse à comissão. Em contra ataque, a Silvana Myriam Giudici pediu uma questão de ordem para que a proposta fosse votada em meia hora. A moção foi aceita, mas depois a deputada retirou o pedido. Manifestantes participam de um protesto em frente ao Congresso Nacional da Argentina no dia em que legisladores discutem as reformas trabalhistas propostas pelo governo libertário do presidente Javier Mile REUTERS/Agustin Marcarian A reforma foi aprovada pelo Senado na madrugada da última quinta-feira (12), com 42 votos favoráveis e 30 contrários, após uma sessão marcada pela polarização. No dia anterior (11), milhares de manifestantes se reuniram nos arredores do Congresso, em Buenos Aires, para protestar contra a proposta. Os atos terminaram em confrontos com a polícia, e cerca de 30 pessoas foram detidas, segundo a agência de notícias France Presse. Nesta quinta-feira, o Ministério da Segurança anunciou medidas extraordinárias para a imprensa e alertou para possíveis situações de risco. A pasta recomendou que jornalistas evitem permanecer entre possíveis focos de confronto e as forças de segurança e informou que será criada uma “zona exclusiva” para a cobertura em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento. Argentina tem greve geral contra reforma trabalhista nesta quinta; Milei promete repressão Principais mudanças previstas Entre as mudanças estão a flexibilização das férias — que poderão ser divididas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do intervalo tradicional — e a possibilidade de ampliar a jornada diária de oito para até 12 horas, desde que respeitado o descanso mínimo. O governo negociou cerca de 30 alterações no texto original para garantir aprovação rápida na Câmara dos Deputados. Abaixo, os principais pontos da reforma preveem: Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril); Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais; Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias); Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência. No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos formalmente como autônomos, com regras próprias e um seguro de proteção. Já o teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais estabelecidas durante a pandemia. Além do quesito mais polêmico de redução de salários, o governo também retirou o artigo que permitia pagar salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais — como as do Mercado Pago — por não oferecerem as mesmas garantias dos bancos tradicionais, supervisionados pelo Banco Central. O mercado de trabalho argentino Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados — uma taxa de desocupação de 6,6%. A população economicamente ativa somava 15,4 milhões, o equivalente a 51,4% da população total. Entre os trabalhadores, 71,9% eram assalariados, mas apenas 63,3% tinham emprego formal com contribuição previdenciária. Somando os autônomos, a informalidade alcança cerca de 43% do mercado. O setor de serviços reúne aproximadamente 70% dos postos de trabalho, seguido por indústria e construção (22%) e agropecuária (8%). Além disso, mais de um quarto dos ocupados trabalha mais de 45 horas por semana, indicando jornadas prolongadas. Protestos contra o governo na Argentina

Cédulas de dinheiro no bolso Arquivo/Agência Brasil O brasileiro começou 2026 sentindo uma melhora no bolso hoje, mas pisando no freio em relação aos próximos meses. É o que revela pesquisa Ipsos divulgada nesta quinta-feira (19) com Índice de Confiança do Consumidor, que mediu como a população de 30 países percebe o momento econômico atual e as expectativas para o futuro. De acordo com o levantamento, o Índice de Confiança do Consumidor atingiu o maior patamar dos últimos 18 meses, com 55,1 pontos em janeiro de 2026 (1,9 ponto a mais que o mês anterior e 3,9 pontos em relação a janeiro de 2025). 🌡️A pesquisa usa "termômetros" para medir a confiança na economia. A melhora entre os brasileiros é puxada principalmente pelos indicadores do presente (que avalia a percepção sobre as finanças pessoais e o emprego hoje), do bolso (que mede a coragem de gastar) e da estabilidade (confiança na segurança do emprego). Os três índices tiveram alta em relação ao período anterior. ⏲️Por outro lado, o "barômetro do futuro", que mede projeções para os próximos seis meses, foi o único indicador a registrar queda. Em janeiro de 2026, o Índice de Expectativas marcou 64,1 pontos (1,8 ponto a menos que no mês anterior e 0,2 ponto abaixo do registrado em janeiro de 2025). Pesquisa Ipsos mostra aumento no Índice de Confiança do Consumidor Kayan Albertin - Arte/g1 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O resultado revela um comportamento que especialistas descrevem como um “carpe diem” econômico: aproveitar o momento, sem apostar muito no amanhã. Segundo Rafael Lindemeyer, diretor sênior da Ipsos, o momento reflete uma sensação de oportunidade. "O brasileiro se sente mais seguro no emprego hoje e crê que sobrou um pouco mais de dinheiro no bolso agora. Por isso, a 'coragem de gastar' aumentou. É como se o consumidor dissesse: 'vou aproveitar para realizar meus planos agora, porque não sei como estará o cenário daqui a seis meses'", aponta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A pesquisa mostra ainda que a geração Z (nascidos entre 1996 e 2010) é a mais disposta a gastar. Já entre os brasileiros de até 35 anos, 61% estão otimistas quanto à possibilidade de economizar e investir no futuro. Entre os maiores de 50 anos, o percentual cai para 47,1%, o menor índice entre as faixas etárias. Embora menos otimista, a geração X (nascidos entre 1965 e 1980) registrou avanço na percepção de que a situação econômica é boa: alta de 14 pontos em relação ao ano anterior. O levantamento também indica que, em janeiro de 2026, cerca de 55% dos brasileiros se sentiam mais seguros no emprego na comparação com os seis meses anteriores, enquanto 45% relataram queda na confiança. Entre a geração Z, 62% disseram estar mais confiantes. Quando o assunto é o emprego nos próximos seis meses, 73% afirmam não acreditar que perderão o trabalho por causa das condições econômicas, enquanto 27% veem essa possibilidade. Veja os resultados da pesquisa: Indicadores avaliados pela pesquisa Ipsos Kayan Albertin - Arte/g1 🔎A pesquisa Índice de Confiança do Consumidor é realizada mensalmente pela Ipsos em 30 países e mede como a população percebe o momento econômico atual e as expectativas para o futuro, além de investigar a situação financeira individual, a disposição para poupar e a segurança para realizar compras ou investimentos de maior valor. As informações de janeiro foram coletadas entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026.

CNU 2025: tudo sobre o concurso As listas de classificação para vagas imediatas e as listas de espera da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) foram divulgados nesta sexta-feira (20). ➡️ VEJA AS LISTAS DE CLASSIFICAÇÃO Além disso, também será publicado o edital da primeira convocação para confirmação de interesse — etapa obrigatória para garantir a continuidade no processo. A publicação ocorre primeiro no Diário Oficial da União (DOU). Em seguida, as listas ficam disponíveis no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca responsável pela execução do concurso. É a partir desse resultado que cada participante descobre se está dentro do número de vagas ofertadas nesta etapa ou se permanece no cadastro de reserva, aguardando possíveis chamadas futuras. 🚨Na manhã desta sexta-feira, o site da FGV apresentou instabilidade e ficou temporariamente fora do ar por causa de problemas técnicos. O problema foi solucionado no final da tarde, e o site já pode ser acessado normalmente pelos candidatos, tanto para consulta às listas quanto para verificar o edital de convocação. O g1 também procurou o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) para comentar as dificuldades de acesso ao sistema. Em nota, a pasta afirmou que, sobre as instabilidades no site da Fundação Getulio Vargas (FGV) relatadas por candidatos, a orientação é que os usuários entrem em contato diretamente com a banca organizadora. ➡️ A confirmação de interesse é um passo decisivo. Todas as pessoas aprovadas nas vagas imediatas — incluindo cargos que exigem curso de formação e as 1.000 vagas de Analista Técnico Administrativo — devem se manifestar até as 23h59 de segunda (23), exclusivamente pela área do candidato no site da FGV. ⚠️ Quem não se manifestar dentro do período será considerado desistente do cargo e daqueles abaixo dele, mas continua na disputa pelos cargos de maior preferência. Caso haja desistências, novas convocações serão feitas nas semanas seguintes, o que pode alterar a ordem de classificação. Os candidatos também poderão consultar, a partir das 16h, o resultado individual no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A plataforma disponibiliza o desempenho consolidado em todos os cargos para os quais o candidato se inscreveu, com notas finais, classificações e a situação em cada um deles. Já no Diário Oficial da União (DOU), os resultados são divulgados por meio de listas gerais, organizadas por bloco temático e por cargo ou especialidade. As publicações não apresentam o nome dos candidatos, apenas o número de inscrição. Para cada cargo ou especialidade, constam o número de inscrição, a nota final ponderada, a ordem de classificação na ampla concorrência, além das classificações nas modalidades de reserva de vagas, quando aplicável — como para pessoas com deficiência, pessoas negras, indígenas e quilombolas. Também é informada a situação do candidato, que pode ser aprovado em vaga imediata, aprovado em vaga imediata por conversão, aprovado em cadastro de reserva (no caso do cargo de Analista Técnico Administrativo) ou aprovado em lista de espera. As vagas imediatas incluem aquelas que exigem curso de formação, restritas aos cargos da Ancine e da ANP, além das 1.000 vagas de Analista Técnico Administrativo, consideradas cadastro de reserva. Todos os candidatos aprovados em vagas imediatas deverão confirmar interesse para prosseguir no processo. A etapa desta sexta-feira ocorre dois dias após a divulgação dos resultados individuais definitivos. Na quarta-feira (18), os candidatos tiveram acesso ao resultado final da prova discursiva após a análise de recursos, à avaliação de títulos, aos procedimentos de cotas e às respostas aos pedidos de revisão. O calendário foi reforçado previamente pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), que orientou atenção especial ao período entre 20 e 23 de fevereiro. CNU 2025 O CNU 2025 foi coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), em parceria com a Escola Nacional de Administração Publica (Enap), e executado pela FGV. A seleção reuniu 3.652 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, com salários iniciais que variam entre R$ 4 mil e R$ 16 mil. As provas foram aplicadas em 228 cidades no país. Ao todo, mais de 760 mil pessoas se inscreveram, reforçando o CNU como o maior concurso público do país. A primeira etapa do CNU 2025, foi realizada no dia 5 de outubro. Já a etapa discursiva foi aplicada em 7 de dezembro e reuniu cerca de 42 mil candidatos em todo o país. 📆 Confira o cronograma oficial 20 de fevereiro – Divulgação das listas de classificação (vagas imediatas e lista de espera) e 1ª convocação para confirmação de interesse Até 23 de fevereiro – Prazo para confirmação na 1ª rodada 27 de fevereiro – Divulgação da 2ª convocação De 28 de fevereiro a 2 de março – Prazo para confirmação na 2ª rodada 6 de março – Divulgação da 3ª convocação De 7 a 9 de março – Prazo para confirmação na 3ª rodada 16 de março – Divulgação da classificação final Segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU Ministério da Gestão e Inovação
O tarifaço de Trump vai cair? Como a decisão da Suprema Corte pode afetar o dólar e o mercado global

Suprema Corte dos Estados Unidos. AP Photo/J. Scott Applewhite, File A Suprema Corte dos Estados Unidos deve se manifestar nesta sexta-feira (20) sobre a legalidade do chamado tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump a diversos países. O julgamento vai decidir se Trump podia impor tarifas de forma unilateral, sem aval do Congresso. A decisão é vista por analistas como um divisor de águas, com potencial para afetar o dólar, os juros, o comércio global e também a economia brasileira. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Pela Constituição dos EUA, cabe ao Congresso criar impostos e tarifas. Trump, no entanto, sustenta que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. Embora a lei já tenha sido usada para embasar sanções e restrições comerciais, nunca havia servido de base para tarifas de alcance tão amplo. Esse é justamente o ponto questionado por empresas e governos estaduais americanos. Até agora, três instâncias inferiores da Justiça rejeitaram os argumentos da defesa do governo dos EUA. A palavra final ficará com a Suprema Corte. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que acontece se Trump ganhar? Se a Corte decidir a favor de Trump, as tarifas impostas desde abril de 2025 — que variam de 10% a 50% — continuam em vigor e passam a ser consideradas legais. Na avaliação de Jackson Campos, especialista em comércio exterior, uma decisão favorável consolida as tarifas como instrumento legítimo de política econômica. “Isso reforça o uso de medidas unilaterais e aumenta o risco de novos aumentos tarifários, mantendo o ambiente comercial instável”, afirma. Do ponto de vista financeiro, o cenário tende a fortalecer o dólar. “Tarifas geram inflação, que exige juros altos, que fortalecem o dólar”, explica Sérgio Brotto, CEO da Dascam Corretora de Câmbio. Tarifas mais altas também tornam os produtos importados mais caros, o que aumenta os preços dentro do país e faz a inflação subir. Para controlar isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) costuma manter os juros altos por mais tempo. ▶️ Juros altos tornam os investimentos nos EUA mais atraentes, atraindo capital estrangeiro e aumentando a demanda por dólares e dando mais força à moeda americana. “Isso transforma os EUA em um verdadeiro ‘aspirador de capital’, atraindo investimentos globais para a renda fixa americana”, diz Brotto. Os preços ao consumidor nos EUA subiram 0,2% em janeiro. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 2,4%, acima da meta de 2%. Esse cenário aumenta a expectativa de que o Fed mantenha os juros altos por mais tempo. Na última reunião, nos dias 27 e 28 de janeiro, a decisão foi de interromper o ciclo de quedas e manter os juros inalterados, contrariando mais uma vez a pressão de Trump para reduzir as taxas. O que acontece se Trump perder? Se a Suprema Corte considerar as tarifas ilegais, a cobrança tende a ser suspensa, mas isso não significa devolução automática do dinheiro já arrecadado, segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior. “Parte das tarifas já recolhidas pode ser reembolsada, mas isso depende de ações administrativas e judiciais individuais das empresas”, afirma. 🔎 Ou seja, companhias que pagaram as tarifas terão de entrar com pedidos específicos para tentar recuperar os valores. Trump já alertou para o impacto financeiro de uma eventual derrota. Em postagem na rede Truth Social na segunda-feira, ele afirmou que uma decisão contrária poderia obrigar os EUA a devolver centenas de bilhões de dólares e gerar um cenário de “completo caos”. Para o mercado financeiro, a derrota de Trump tende a enfraquecer o dólar. “Sem a pressão inflacionária das tarifas, o Fed ganha espaço para cortar juros, o que torna o dólar menos atrativo”, diz Campos. Nesse cenário, os investidores ficam mais dispostos a correr riscos e aplicar recursos em mercados emergentes, incluindo o Brasil. Na prática, isso significa: O dólar perde força no mercado internacional; Aumenta a entrada de capital em países emergentes; O real tende a se valorizar frente ao dólar; As expectativas de juros no Brasil podem cair. As tarifas acabam de vez? Mesmo em caso de derrota, o governo Trump já sinalizou que pode buscar outras bases legais para impor tarifas, como regras de segurança nacional ou alegar práticas comerciais desleais. Isso significa que o julgamento não elimina totalmente a incerteza, mas reduz o poder do presidente de agir de forma repentina e unilateral. “O principal efeito no curto prazo não é financeiro, mas a redução da insegurança jurídica”, avalia Campos. Independentemente do desfecho, a decisão deve afetar pelo menos US$ 90 bilhões (R$ 483 bilhões) em tributos de importação já recolhidos. Isso é o equivalente a aproximadamente metade da receita tarifária arrecadada pelos EUA em 2025 até setembro, segundo analistas do banco Wells Fargo. "Para a economia dos EUA, a derrubada das tarifas tende a reduzir custos de importação, aliviar pressões inflacionárias e melhorar a competitividade da indústria. Por outro lado, há perda de arrecadação e impacto político interno", afirma Jackson Campos. No Brasil, os efeitos para o Brasil variam conforme o desfecho do julgamento, de acordo com o especialista. Se Trump vencer, exportadores brasileiros tendem a continuar enfrentando custos elevados, perda de competitividade, e um ambiente comercial marcado por instabilidade e mudanças frequentes nas regras. Já em caso de derrota do presidente americano, abre-se espaço para a retomada das exportações, com preços mais previsíveis e menor pressão sobre o câmbio. Atualmente, as exportações do Brasil para os EUA se distribuem, de forma geral, em dois grupos: produtos que entram no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%. Em 2025, Donald Trump aplicou tarifas sobre produtos brasileiros em três momentos-chave: Começou com 10% em abril, de taxa ampla para todos os produtos; A tarifa subiu para até 50% em julho, com entrada em vigor em agosto e uma lista de 700 itens excluídos do tarifaço; Em novembro, a tarifa de 10% foi retirada, mantendo apenas a taxa maior sobre determinados produtos e foram retiradas as tarifas de 40% para uma nova lista de produtos, incluindo café, carnes e frutas.

Trump anuncia tarifas recíprocas REUTERS/Carlos Barria A Suprema Corte dos Estados Unidos pode anunciar nesta sexta-feira (20) sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil. A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo) Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além disso, a Suprema Corte pode estabelecer parâmetros para outros casos relevantes, definindo o alcance da autoridade de Trump. O republicano tem testado os poderes do poder Executivo ao adotar políticas de forma unilateral e interferir na dinâmica do comércio global. A briga judicial A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal. As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas. Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um "remédio" necessário para a economia americana. Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30. O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional. Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder "inerente" dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3. Críticas de Trump Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegais a maior parte das tarifas impostas por ele. Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, o tarifaço permaneceu em vigor. O republicano afirmou que o tribunal de apelações — que classificou como “altamente partidário” — errou ao determinar a suspensão das tarifas. Ele acrescentou que, “com a ajuda da Suprema Corte dos EUA”, pretende manter a taxação. “Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (...) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social. Na prática, Trump fez das tarifas um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores aos EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros. Balanço 2025: efeitos do tarifaço foram menores do que o esperado na economia; bolsa subiu e dólar recuou O que acontece se as tarifas forem suspensas? Se a Suprema Corte declarar as tarifas ilegais, a estratégia comercial de Trump pode ser completamente alterada, incluindo o tarifaço anunciado em abril de 2025. Além de derrubar as taxas, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões de dólares arrecadados com as tarifas, que funcionam como impostos sobre importações. Segundo apuração da BBC, poucas empresas, no entanto, esperam uma vitória na Suprema Corte. "Esperamos que isso seja considerado ilegal, mas também estamos nos preparando para o caso de se elas se consolidarem", disse Bill Harris, cofundador da Cooperative Coffees, cooperativa sediada na Geórgia (EUA), à BBC. A empresa, que importa café de mais de uma dezena de países, pagou cerca de US$ 1,3 milhão (R$ 7,4 milhões) em tarifas entre abril e novembro do ano passado. Tarifas sobre produtos brasileiros Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que deixou de fora da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A taxação entrou em vigor em 6 de agosto. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes da decisão, em discurso na ONU, o republicano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. Enquanto as discussões sobre o tarifaço perderam espaço no noticiário diante da prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por agentes americanos — e de outros fatores geopolíticos —, os rumos da política tarifária voltaram ao radar à espera da decisão da Suprema Corte dos EUA.

Companhia aérea azul voos Araxá e Patos de Minas Azul/Divulgação As ações da Azul despencaram 36,27% nesta quinta-feira (19), após a companhia aérea anunciar uma captação de R$ 4,98 bilhões por meio de uma nova oferta de papéis. A medida ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da empresa nos Estados Unidos. Após o tombo, as ações encerraram o dia a R$ 162,50. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🔎 Diferentemente do que costuma ocorrer em quedas acentuadas na bolsa, o movimento não reflete uma crise operacional ou escândalo envolvendo a companhia. A desvalorização está ligada ao plano de reestruturação: parte das dívidas está sendo convertida em ações, o que reduz juros, mas dilui a participação dos atuais acionistas e pressiona os preços dos papéis. As ações emitidas passam a ser negociadas na bolsa na próxima segunda-feira (23), conforme fato relevante divulgado pela companhia. A oferta envolve 45,48 trilhões de papéis ordinários, ao preço de R$ 0,0001096566 cada. A emissão levou o capital social da Azul a R$ 21,76 bilhões, dividido em 54,7 trilhões de ações. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Recuperação judicial A Justiça americana aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro do ano passado, marcando a conclusão de mais uma etapa do processo de recuperação judicial da companhia. “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, disse a empresa em comunicado divulgado em 12 dezembro. A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, também conhecido como “Chapter 11”, em maio do ano passado. O mecanismo é semelhante ao processo de recuperação judicial adotado no Brasil. O processo de reestruturação previsto no Chapter 11 estabelece os termos para a reorganização das obrigações financeiras e operacionais da companhia. Segundo a empresa, a entrada no mecanismo de proteção ocorreu após a Azul enfrentar “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais" que elevaram significativamente seu endividamento. “Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, disse a empresa.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2974 O sorteio do concurso 2.974 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (19), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 105 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 03 - 10 - 12 - 19 - 37 - 40 5 acertos - 108 apostas ganhadoras: R$ 27.143,02 4 acertos - 7.587 apostas ganhadoras: R$ 636,88 O próximo sorteio da Mega será no sábado (21). Mega-Sena, concurso 2.974 Reprodução/Caixa Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

Manifestantes empurram uma cerca enquanto um canhão de água tenta dispersá-los durante um protesto em frente ao prédio do Congresso em Buenos Aires, durante discussões da reforma trabalhista no país TOMAS CUESTA / AFP Policiais e manifestantes entraram em confronto em Buenos Aires nesta quinta-feira (19) em frente ao Congresso da Argentina em meio à discussão de um projeto de reforma trabalhista no país. A Câmara dos Deputados da Argentina começou a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso. O Senado já aprovou o texto na semana passada (veja os principais pontos). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Milei viaja aos EUA e oferece tropas ao Conselho da Paz de Trump em meio a greve geral Segundo a imprensa local, os policiais contiveram os manifestantes com gás lacrimogêneo e canhões d'água depois que eles tentaram furar os bloqueios que isolavam o prédio do Congresso, na região central da capital. A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo. A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), realizou uma greve geral que afetou o transporte público no país. As ruas de Buenos Aires amanheceram vazias, e nem todos os comércios abriram. Diversos voos foram afetados, inclusive no Brasil. Entenda o motivo da greve geral na Argentina Drone mostra o entorno da estação de trem Retiro, em Buenos Aires, vazia em 19 de fevereiro de 2026, dia de paralisação geral na Argentina em protesto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei Agustin Marcarian/Reuters Estação de trem Constitución, em Buenos Aires, vazia em 19 de fevereiro de 2026, dia de paralisação geral na Argentina em protesto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei Alessia Maccioni/Reuters O governo Milei havia determinado que a imprensa seguisse "medidas de segurança", o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de "risco" nos protestos esperados para os próximos dias. Greve geral na Argentina: quais os direitos dos passageiros em caso de voo cancelado ou atrasado "Diante de atos de violência, nossas forças agirão", diz o texto, que informa que os meios de comunicação terão uma "zona exclusiva" em ruas laterais da praça em frente ao Parlamento. Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos. Protesto na Argentina tem confronto entre policiais e manifestantes Reforma trabalhista O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara, mas já é considerado uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, ao revisar regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a reforma é ampla, reúne dezenas de artigos e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento na Argentina. Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças de última hora, Milei retirou o artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais, como as do Mercado Pago. O projeto flexibiliza contratos de trabalho, modifica regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade. Na prática, os principais pontos da reforma preveem: Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril); Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais; Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias); Licenças médicas e acidentes de trabalho, hoje cobertos pelo sistema de seguros Aseguradora de Riesgos del Trabajo (ART), que passam a ter limite de pagamento em casos de lesões ocorridas fora do ambiente de trabalho; Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No mercado digital, trabalhadores de plataformas passam a ser formalmente reconhecidos como independentes, com regras específicas e seguro de proteção, e o teletrabalho (home office) deixa de ter obrigações adicionais impostas durante a pandemia. A reforma não se aplica aos servidores públicos nacionais, estaduais ou municipais, com exceção das regras sobre greve em serviços essenciais, que também alcançam áreas como saúde, transporte e segurança. Segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o que corresponde a uma taxa de desocupação de 6,6%.

Taça de vinho wavebreakmedia_micro/freepik Os vinhos brasileiros devem receber proteções contra a concorrência no acordo entre o Mercosul e a União Europeia por meio de salvaguardas, afirmou o presidente em exercício e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), nesta quinta-feira (19). "No próprio acordo Mercosul-UE, tem um capítulo voltado a salvaguardas. E o presidente Lula vai regulamentar a salvaguarda por decreto. Então, nós teremos a salvaguarda regulamentada", disse Alckmin durante a Festa do Vinho, que ocorre no Rio Grande do Sul. 🔎As salvaguardas são regras que determinam quando os governos poderão suspender temporariamente as vantagens tarifárias concedidas no acordo. "Qualquer problema, você pode suspender aquele item. Se tiver um aumento grande de imposto de exportação, a salvaguarda você pode imediatamente acioná-la", explicou o vice-presidente. Acordo UE-Mercosul pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil O g1 apurou que o texto está sendo elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento e Itamaraty e a minuta deve seguir nos próximos dias para análise da Casa Civil. Como acordo Mercosul-UE pode trazer mais chocolates e baratear vinhos europeus no Brasil A União Europeia já aprovou a regulamentação de salvaguardas para a comercialização no bloco em dezembro. No caso da Europa, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios. Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%. Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis. Como vai ficar a venda de vinho europeu no Brasil? O acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode baratear o preço dos vinhos europeus e ampliar a variedade de rótulos disponíveis no Brasil no longo prazo, avaliam especialistas. Diferentemente do Brasil, onde a produção de vinho é pequena, a Europa concentra os maiores produtores globais, como Itália, França, Espanha, respectivamente, segundo a International Organisation of Vine and Wine (OIV). É por isso que, no continente, é possível encontrar "vinhos muito bons por dois, três, quatro euros", diz Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV. No entanto, o que desestimula a compra pelo Brasil atualmente é justamente a alta taxa de importação. "Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele", diz Kanter. Ele afirma, no entanto, que a redução gradual da taxa vai estimular as empresas brasileiras a diversificarem as suas compras e a apostar em vinhos europeus de menor preço. "Eu acredito que o consumidor brasileiro vai ser beneficiado. Ele vai passar a ter acesso a uma oferta muito maior de vinhos de qualidade média, a preços extremamente competitivos, muito mais do que você encontra hoje no mercado", ressalta. O professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, concorda com a avaliação de Kanter e aposta que o brasileiro "vai tomar vinho mais barato", principalmente pelo aumento da concorrência entre mais países pelo mercado nacional. Os dois especialistas destacam que essa diminuição de preço não será imediata e deve acontecer gradualmente, após o acordo entrar em vigor. O economista Marcos Troyjo, que liderou as negociações do acordo entre 2019 e 2020, afirma que, como a tarifa levará anos para ser zerada, os produtores de vinho do Brasil — hoje concentrados no Rio Grande do Sul — terão tempo para se adaptar. Saiba mais: Acordo UE-Mercosul: o que está em jogo para o agro brasileiro O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul

Milei canta 'Burning Love' e ri com Orban e Infantino nos EUA em meio a greve na Argentina Em um dia de tensão e greve geral na Argentina, o presidente Javier Milei apareceu em um vídeo que mostra clima descontraído, cantando a música "Burning love", hit de Elvis Presley, aos risos com Viktor Orbán, premiê húngaro, e Gianni Infantino, presidente da Fifa. A cena ocorreu nos Estados Unidos, onde Milei participa da primeira reunião do Conselho da Paz criado por Donald Trump, nesta quinta-feira (19), em meio a protestos contra o projeto de reforma trabalhista na Argentina. A música estava tocando no sistema de som do evento organizado por Trump. Milei, que estava ao lado de Orban, pegou o microfone para imitar Elvis abraçado ao premiê húngaro, com gestos de aprovação de Infantino. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Alvo de protestos no próprio país devido à proposta de reforma trabalhista que tenta aprovar no Congresso, Milei foi um dos líderes que se reuniu com o presidente dos EUA em Washington e foi elogiado por ele em seu discurso. De acordo com a agência de notícias AFP, Milei ofereceu tropas argentinas para irem à Faixa de Gaza, ajudar no processo de paz, caso necessário. Milei canta 'Burning Love' e ri com Orban e Infantino nos EUA em meio a greve geral na Argentina Reprodução / Redes Sociais Greve geral na Argentina A Câmara dos Deputados da Argentina começa a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso. O Senado já aprovou o texto na semana passada (veja os principais pontos). A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), convocou a paralisação e, nesta quinta, um de seus líderes, Jorge Sola, comemorou o que classificou como um nível de participação "muito significativo". A greve tem "níveis de participação nunca antes vistos sob este governo. Haverá muitos que discordarão, mas o apoio é impressionante, muito significativo", disse o líder sindical à Rádio con Vos. Parlamentares argentinos debatem reforma trabalhista em meio a protestos, em Buenos Aires Agustin Marcarian/Reuters Em resposta à paralisação, o governo Milei determinou que a imprensa siga "medidas de segurança", o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de "risco" nos protestos esperados para os próximos dias. "Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação. Diante de atos de violência, nossas forças agirão, disse o Ministério da Segurança da Argentina, em um comunicado. Protesto na Argentina tem confronto entre policiais e manifestantes Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos. A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo.

O presidente em exercício e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (19) que estudos apontam que a carga tributária sobre vinhos e espumantes deve ficar em torno de 33% com a reforma tributária. O percentual seria inferior ao atual, de cerca de 40,5%. No começo de janeiro, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, disse que a pasta poderia enviar o projeto de lei do imposto seletivo ao Congresso na volta do recesso legislativo, mas isso ainda não aconteceu. 🔎O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária. O tributo é aplicado sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Na prática, essa categoria terá uma tributação maior do que a alíquota padrão. Segundo Alckmin, o governo acompanhará de perto a regulamentação do imposto seletivo sobre o setor. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Feira da Uva Alckmin fez a fala durante a Festa do Vinho, que ocorre no Rio Grande do Sul. Antes do evento, ele conversou com o setor de produção de uvas e vinhos, que apresentou dúvidas também em relação ao acordo Mercosul União Europeia. Sobre isso, o presidente em exercício disse que a desgravação tarifária para os vinhos se dará em oito anos, enquanto que para os espumantes, em 12 anos. Presidente em exercício Geraldo Alckmin participa de Feira da Uva em Caxias do Sul (RS) Cadu Gomes/VPR Ele afirmou, ainda, que Lula vai regulamentar as salvaguardas por decreto. "No próprio acordo Mercosul-União Europeia, tem um capítulo voltado a salvaguardas. E o presidente Lula vai regulamentar a salvaguarda por decreto. Então, nós teremos a salvaguarda regulamentada", disse Alckmin. 🔎As salvaguardas definem em que situações o Brasil poderá suspender temporariamente as vantagens tarifárias concedidas no acordo. "Qualquer problema, você pode suspender aquele item. Se tiver um aumento grande de imposto de exportação, a salvaguarda você pode imediatamente acioná-la", explicou o vice-presidente. O g1 apurou que o texto está sendo elaborado pelo MDIC e Itamaraty e a minuta deve seguir nos próximos dias para análise da Casa Civil.

Entenda o motivo da greve geral na Argentina Uma greve geral paralisou nesta quinta-feira (19) diversas fábricas de automóveis na Argentina. O movimento é uma resposta à reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, que prevê aumento da jornada de trabalho e regras mais duras para férias, indenizações, licenças médicas e negociações coletivas. O país é um importante fornecedor do mercado automotivo brasileiro. Em 2025, o Brasil importou cerca de 200 mil veículos do país vizinho, o equivalente a aproximadamente 40% do total importado no ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Entre as montadoras impactadas estão as plantas argentinas da Ford, Volkswagen, Toyota, Stellantis e Mercedes-Benz. Ainda não há previsão de efeitos sobre o abastecimento em razão da paralisação. Toyota Hiace sendo montado em Zárate, Argentina Divulgação A Ford produz em Pacheco a Ranger, que no ano passado vendeu mais de 34 mil unidades no Brasil. Ali perto, a Volkswagen monta a Amarok e, em Córdoba, a empresa alemã produz veículos pesados e transmissões que equipam alguns modelos do grupo. Em Zárate, cidade a 90 km de Buenos Aires, a Toyota monta a Hilux e a SW4. A dupla faz sucesso no Brasil e, juntas, acumularam mais de 66 mil unidades vendidas em 2025. Na mesma fábrica, a Toyota também monta a Hiace, van lançada no Brasil no ano passado. A Mercedes monta, em Virrey del Pino, na região de Buenos Aires, a van comercial Sprinter. A Stellantis interrompeu a produção dos Fiat Cronos e Titano e da picape RAM Dakota em Córdoba por causa da greve. A fábrica de Palomar, que produz os Peugeot 208, 2008 e Partner, além do Citroën Berlingo, já tinha programado uma pausa para atualização da linha de montagem. Segundo a empresa, nessa fábrica a produção será retomada integralmente em 2 de março. A fábrica da Renault em Santa Isabel também parou, mas a pausa técnica já estava agendada. Fiat Titano saindo da linha de produção em Córdoba, Argentina Divulgação O que dizem as marcas Segundo a Volkswagen, a fábrica ficará paralisada apenas nesta quinta-feira. A empresa informou que a produção deve ser retomada nesta sexta-feira e que a paralisação não deverá causar atrasos nas entregas ao cliente final. A VW afirma que não haverá impacto no estoque de veículos no Brasil. A Stellantis Argentina diz que a greve geral é um fato que excede o âmbito da companhia e que a paralisação se encerra hoje. A Ford confirma que a produção está parada, mas a previsão é que a produção retorne normalmente amanhã. A marca diz que há plena disponibilidade da Ranger nos estoques da rede e não há impactos previstos para o cliente final. Toyota e Mercedes foram consultadas pelo g1 e ainda não se manifestaram. Saiba mais sobre a reforma trabalhista da Argentina. Reforma trabalhista de Milei começa a ser votada pela Câmara; veja o que está em jogo
Imagem do glifosato sendo vendido sob o nome comercial Roundup. AFP A incerteza sobre um acordo bilionário para encerrar processos envolvendo o agrotóxico Roundup, à base de glifosato, pressionou as ações da Bayer na quarta-feira (18). Os papéis chegaram a cair 12%, apagando os ganhos do dia anterior. Na noite de terça-feira (17), a empresa alemã comunicou que sua subsidiária Monsanto havia chegado a um acordo de até 7,25 bilhões de dólares (R$ 37,91 bilhões) nos EUA para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais, atuais e futuros, que alegam que o herbicida causa câncer. A medida representa um passo importante para a empresa alemã, que passou anos lidando com os riscos legais relacionados ao Roundup, adquirido como parte da compra da agroquímica Monsanto por 63 bilhões de dólares em 2018. "A incerteza causada por litígios tem atormentado a empresa por anos, e esse acordo oferece à empresa um caminho para a resolução do problema", disse o CEO da Bayer, Bill Anderson. O Roundup está entre os herbicidas mais utilizados nos Estados Unidos. Liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos bateu novo recorde no Brasil em 2025 Entenda como é a aprovação de agrotóxicos no Brasil Passo na direção certa Analistas do banco JPMorgan disseram que o acordo foi um passo na direção certa, mas observaram que a Bayer não divulgou quantos demandantes precisam aderir para que ele prossiga. Também não estava claro se eles estavam dispostos a aceitá-lo. "Ainda existem considerações a serem feitas, como a necessidade de aprovação judicial e a possibilidade de uma alta taxa de desistências", disseram. Os analistas afirmam que muito ainda depende de uma decisão pendente da Suprema Corte dos EUA sobre o mérito geral dos processos. A Suprema Corte se prepara para ouvir, em abril, os argumentos da Bayer sobre a alegação de que a aprovação do Roundup pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) sem um alerta sobre o risco de câncer deveria invalidar as ações judiciais movidas em tribunais estaduais. Com denúncias de animais em meio a fezes e com pouco espaço, exportação de gado vivo dobra em 3 anos no Brasil A Bayer argumenta que os consumidores não deveriam poder processá-la sob lei estadual por não alertar que o Roundup aumenta o risco de câncer, visto que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não encontrou tal risco e não exige tal advertência. A Bayer argumentou que a lei federal não permite que ela adicione qualquer advertência ao produto além da já aprovada pela EPA. Um porta-voz da Bayer destacou um parecer jurídico do procurador-geral dos EUA em dezembro, que mostrou que o governo do presidente Donald Trump concorda com a interpretação da lei feita pela Bayer. Esse caso não seria afetado pelo acordo apresentado nesta terça-feira, mas o acordo eliminaria parte dos riscos da decisão da Suprema Corte. Os pacientes teriam a garantia de receber a indenização mesmo que a Suprema Corte decida a favor da Bayer, e a Bayer estaria protegida de custos potencialmente maiores caso a Suprema Corte decida contra ela. O acordo apresentado pela Bayer A empresa enfrenta ações judiciais relacionadas ao Roundup em tribunais estaduais e federais dos EUA. Os autores das ações alegam ter desenvolvido linfoma não Hodgkin e outros tipos de câncer após o uso do herbicida, em casa ou no trabalho. A Bayer contesta a alegação de que o principal ingrediente do Roundup, o glifosato, cause linfoma não Hodgkin. O acordo não exige que a Bayer admita culpa ou irregularidades. A empresa alemã afirmou que a proposta de acordo nacional, apresentada nesta terça-feira num tribunal estadual em St. Louis, no Missouri, estabeleceria um programa de indenização financiado por pagamentos anuais para um fundo especial por até 21 anos, totalizando até 7,25 bilhões de dólares. O valor pago aos indivíduos variaria dependendo de como eles usaram o Roundup, da idade em que foram diagnosticados e da gravidade do linfoma não Hodgkin. Os demandantes podem receber até 198 mil dólares ou mais, de acordo com um advogado que participou das negociações. Pelos termos do acordo proposto, um trabalhador agrícola, industrial ou de gramados exposto por longo período ao Roundup receberia em média 165 mil dólares se tiver sido diagnosticado com uma forma agressiva da doença antes dos 60 anos. Já um usuário residencial do Roundup diagnosticado entre 60 e 77 anos com uma forma menos agressiva da doença receberia em média 20 mil dólares. E aqueles diagnosticados com 78 anos ou mais receberiam em média 10 mil dólares. O advogado Matt Clement, que representa cerca de 280 demandantes do caso Roundup, disse estar surpreso com o acordo proposto e esperar que muitos de seus clientes optem por não participar. Os pagamentos propostos "são extremamente baixos”, disse. O acordo requer a participação de um número mínimo de demandantes. Se muitos optarem por não participar, a Bayer disse que se reserva o direito de cancelá-lo, mas não especificou quantas desistências teriam que ocorrer. Histórico de litígios Cerca de 200 mil ações judiciais relacionadas ao Roundup foram movidas contra a Bayer nos Estados Unidos. Isso inclui mais de 125 mil demandantes que entraram com processos desde 2015, de acordo com os documentos do acordo. A empresa já pagou cerca de 10 bilhões de dólares para encerrar a maioria dos processos judiciais relacionados ao Roundup que estavam pendentes em 2020, mas não conseguiu, na época, um acordo que cobrisse casos futuros. Seu histórico com os poucos casos que foram a julgamento é misto, com 13 vereditos a favor da Bayer e 11 a favor dos demandantes, incluindo uma indenização de 2,1 bilhões de dólares concedida por um júri da Geórgia em março de 2025. Outros casos já foram resolvidos por meio de acordos separados, incluindo dois recentes que contemplariam cerca de 77 mil ações, segundo os documentos judiciais. Os vereditos abalaram a confiança dos investidores e as esperanças da empresa de que o pior já havia passado, e pressionaram a Bayer a encontrar uma solução abrangente para os processos judiciais ainda pendentes relacionados ao Roundup, movidos por cerca de 65 mil pessoas em tribunais estaduais e federais dos EUA. O novo acordo nacional visa abordar a maioria desses processos restantes, bem como quaisquer casos adicionais apresentados em até 21 anos por pessoas que foram expostas ao Roundup antes do dia 17 de fevereiro de 2026.

O presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán REUTERS/Kevin Lamarque O presidente argentino, Javier Milei, viajou aos Estados Unidos para participar da primeira reunião do Conselho da Paz criado por Donald Trump, nesta quinta-feira (19), em meio à greve geral na Argentina. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Alvo de protestos no próprio país devido à proposta de reforma trabalhista que tenta aprovar no Congresso, Milei foi um dos líderes que se reuniu com o presidente dos EUA em Washington e foi elogiado por ele em seu discurso. De acordo com a agência de notícias AFP, Milei ofereceu tropas argentinas para irem à Faixa de Gaza, ajudar no processo de paz, caso necessário. "Colocamos à disposição a colaboração de nossos capacetes brancos. Nossa trajetória em operações de paz é um capital comprovado que colocamos a serviço da força de estabilização. A paz duradoura não se constrói sobre consensos que cedem no fundamental. Constrói-se sobre a determinação de defendê-la. Acreditamos em uma diplomacia que assume riscos para alcançar a paz, acreditamos na liderança (...) como a do presidente Trump", afirmou. A Argentina já participou no passado de operações sob bandeira da ONU, como na guerra na ex-Iugoslávia nos anos 1990, e no Haiti. Entenda o motivo da greve geral na Argentina Greve geral na Argentina A Câmara dos Deputados da Argentina começa a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso. O Senado já aprovou o texto na semana passada (veja os principais pontos). A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), convocou a paralisação e, nesta quinta, um de seus líderes, Jorge Sola, comemorou o que classificou como um nível de participação "muito significativo". A greve tem "níveis de participação nunca antes vistos sob este governo. Haverá muitos que discordarão, mas o apoio é impressionante, muito significativo", disse o líder sindical à Rádio con Vos. As ruas da capital Buenos Aires amanheceram vazias por conta da greve. Veja abaixo. Drone mostra o entorno da estação de trem Retiro, em Buenos Aires, vazia em 19 de fevereiro de 2026, dia de paralisação geral na Argentina em protesto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei Agustin Marcarian/Reuters Em resposta à paralisação, o governo Milei determinou que a imprensa siga "medidas de segurança", o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de "risco" nos protestos esperados para os próximos dias. "Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação. Diante de atos de violência, nossas forças agirão, disse o Ministério da Segurança da Argentina, em um comunicado. Protesto na Argentina tem confronto entre policiais e manifestantes Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de 30 detidos. A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo. Mulheres correm em meio a gás lacrimogêneo durante um protesto em frente ao Senado argentino, em 11 de fevereiro de 2026 REUTERS/Cristina Sille Reforma trabalhista O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara, mas já é considerado uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, ao revisar regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a reforma é ampla, reúne dezenas de artigos e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento na Argentina. Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças de última hora, Milei retirou o artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais, como as do Mercado Pago. O projeto flexibiliza contratos de trabalho, modifica regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade. Na prática, os principais pontos da reforma preveem: Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril); Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais; Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias); Licenças médicas e acidentes de trabalho, hoje cobertos pelo sistema de seguros Aseguradora de Riesgos del Trabajo (ART), que passam a ter limite de pagamento em casos de lesões ocorridas fora do ambiente de trabalho; Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Azul anuncia acordo para aporte de 300 milhões de dólares de companhias e credores A Azul Linhas Aéreas anunciou três acordos para investimentos de 300 milhões de dólares que serão feitos por duas companhias aéreas norte-americanas, além de outros credores. Segundo o comunicado da empresa, os investimentos ocorrem no processo de recuperação judicial iniciado nos Estados Unidos em maio de 2025. Os aportes serão feitos pela American Airlines e pela United Airlines, que vão investir 100 milhões de dólares cada. Nos dois casos, a expectativa é que as companhias recebam ações da Azul. O comunicado da Azul, feito para o mercado na quarta-feira (18), indica que a companhia firmou acordo de investimento adicional com "determinados credores existentes", sem detalhar quais são, na ordem de mais 100 milhões de dólares. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça O plano de converter parte das dívidas em ações chegou a gerar uma queda de até 70% na Bolsa de Valores em 8 de janeiro deste ano. A estratégia é fazer com que os credores deixem de receber juros e passam a se tornar acionistas. Para fazer a conversão, a empresa lançou uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto). Com o aumento do número de papéis em circulação, houve uma forte queda no preço unitário de cada ação. "A Azul manterá seus acionistas, clientes, tripulantes e o mercado informados sobre todos os desdobramentos relevantes do processo de reestruturação, na medida e nos momentos que entender necessários, em total conformidade com as leis e regulamentações aplicáveis", comunicou a empresa. Questionada pelo g1 se os investimentos serão suficientes para a saída do processo de recuperação judicial, a companhia aérea não detalhou. "Sobre o assunto, a companhia está se manifestando por meio do Fato Relevante [comunicado aos investidores]", indicou a Azul. Quando a recuperação judicial vai acabar? Avião da Azul decola do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ricardo Moraes/ Reuters Em dezembro de 2025, a companhia divulgou que o Tribunal nos Estados Unidos havia aprovado o plano de reorganização — com mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores elegíveis, diz a empresa. Na avaliação da Azul, isso abriu caminho para a conclusão do processo já no início de 2026, após a finalização das transações determinadas no plano — o que inclui a redução de mais de US$ 3 bilhões em dívidas, em obrigações com arrendamentos, em juros anuais e em custos recorrentes com frota. Quando a recuperação judicial foi iniciada, a companhia informou que o processo nos Estados Unidos "permite às empresas operar e atender seus públicos de interesse normalmente, enquanto trabalham nos bastidores para ajustar sua estrutura financeira". A empresa também destacou, em maio de 2025, que a medida conta com o apoio de seus principais stakeholders, incluindo detentores de títulos, sua maior arrendadora, a AerCap, e os parceiros estratégicos United Airlines e American Airlines. Imagem de arquivo mostra avião da Azul no aeroporto de Fernando de Noronha Ana Clara Marinho/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

O fundador da Amazon, Jeff Bezos Mike Segar / Arquivo / Reuters A Amazon superou o Walmart como a maior empresa do mundo em receitas. Só em 2025, a companhia registrou um aumento de 12,4% nas vendas líquidas em relação ao ano anterior, atingindo o patamar de US$ 716,9 bilhões (aproximadamente R$ 3,8 trilhões) no ano. Já o Walmart registrou ganhos de US$ 713,2 bilhões (cerca de R$ 3,7 trilhões) na mesma base de comparação. Segundo a Bloomberg, o Walmart ocupava o posto de maior empresa em faturamento por mais de dez anos. A agência ainda indica que o resultado da Amazon veio após o dono da companhia, Jeff Bezos, ter adotado muitas das estratégias que o fundador da rede varejista, Sam Walton, usou para o crescimento de sua empresa. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda de acordo com a Bloomberg, a receita da Amazon cresceu 10 vezes mais rápido do que a do Walmart na última década, impulsionada por uma mudança nos gastos do consumidor — que passaram a consumir online com mais frequência — e pelo avanço dos negócios de computação em nuvem da empresa, a Amazon Web Services (AWS). Segundo a Amazon, apesar de as vendas para a América do Norte ainda serem a principal fonte de receitas para a companhia — o segmento cresceu 10% em 2025, para US$ 426,3 bilhões (R$ 2,2 trilhões) —, foi a AWS que registrou o maior avanço no período, de 20%, para US$ 128,7 bilhões (R$ 673,7 bilhões). O lucro líquido da companhia no ano passado foi de US$ 77,7 bilhões (R$ 406,8 bilhões), um aumento de 31,3% em comparação a 2024, quando registrou um lucro de US$ 59,2 bilhões (R$ 309,9 bilhões) no acumulado do ano.

Em abril, Donald Trump anunciou aumento de tarifas para o mundo todo. No caso do Brasil, de 10%. Jornal Nacional O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu um novo recorde em 2025, segundo dados do governo divulgados nesta quinta-feira (19), apesar das tarifas generalizadas impostas pelo presidente Donald Trump. O déficit de bens dos Estados Unidos situou-se em 1,24 bilhão de dólares (6,82 bilhões de reais na cotação da época) no ano passado, o que representa um ligeiro aumento em relação ao nível de 2024, informou o Departamento de Comércio. No entanto, o déficit comercial de bens com a China diminuiu no conjunto do ano, de acordo com os dados. Ao considerar tanto bens como serviços, o déficit comercial total dos Estados Unidos em 2025 reduziu para 901,5 bilhões de dólares (R $4,95 trilhões na época), face aos 903,5 bilhões (R$ 5,59 trilhões)em 2024. Trump mostra tabela do tarifaço por país Brendan Mialowski/AFP No mês de dezembro, o déficit total aumentou mais do que o esperado, 32,6%, para 70,3 bilhões de dólares (R$386 bilhões), devido à queda das exportações e ao aumento das importações. As exportações de suprimentos industriais, incluindo o ouro não monetário, diminuíram, enquanto as importações na mesma categoria aumentaram no mês. As importações americanas de bens de capital, como acessórios informáticos e equipamentos de telecomunicações, recuperaram em dezembro. Os fluxos comerciais da maior economia do mundo foram fortemente afetados em 2025, quando Trump impôs novas tarifas sobre bens de praticamente todos seus parceiros em seu esforço para reduzir o déficit. Suas medidas elevaram a tarifa média efetiva ao seu nível mais alto desde a década de 1930. A redução do déficit com a China também ocorreu após Trump entrar em uma escalada tarifária de retaliações com Pequim no ano passado, embora desde então ambos tenham atenuado as tensões.

Mensagem de erro aparece no aplicativo do Itaú quando o usuário tenta fazer um PIX Felipe Cordeiro/g1 O sistema de pagamentos PIX do Itaú Unibanco apresentou problemas nesta quinta-feira (19). Nas redes sociais, clientes reclamaram sobre não conseguirem acessar a ferramenta no aplicativo. De acordo com o site DownDetector, que monitora interrupções em serviços online, mais de 400 reclamações foram registradas pela manhã. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Procurado pelo g1, o Itaú informou que identificou uma "instabilidade pontual" na manhã desta quinta-feira (19) que impactou uma parcela de clientes para transações via PIX, mas reiterou que as operações já foram normalizadas. "O banco [...] pede desculpas aos clientes pelo inconveniente", disse o banco em nota. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja relatos de clientes nas redes sociais Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text

'Prévia do PIB' do BC mostra perda de fôlego da economia, apesar de crescimento de 2,5% em 2025 O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do Banco Central, considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou expansão de 2,5% em 2025 na comparação com o ano anterior, informou a instituição nesta quinta-feira (19). Com o crescimento registrado no último ano, o indicador do BC mostra desaceleração da economia em relação a 2024, quando houve uma expansão maior: de 3,7%. Essa também foi o pior desempenho do indicador desde 2020, ou seja, em cinco anos. Naquele momento, a economia sentia os efeitos do isolamento social — decorrente da fase mais aguda da pandemia da Covid-19. Veja abaixo o desempenho setor por setor em 2025: Agropecuária: 13,1%; Indústria: 1,5%; Serviços: 2,1%. Agropecuária impulsionou a economia no ano passado, segundo o BC Sebrae/divulgação "No caso do agro, a forte expansão da produção de grãos da safra 2024/25 foi favorecida pelas condições climáticas e pelo aumento das exportações. Já o setor de serviços exibiu crescimento robusto, puxado sobretudo por serviços empresariais, transportes e comércio. Esse desempenho refletiu o avanço da renda das famílias — em grande medida devido ao mercado de trabalho aquecido — e a maior digitalização da economia", avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. O IBC-Br, indicador do BC, tem um cálculo diferente (veja mais abaixo nessa reportagem). ➡️Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Ou seja, o consumo e o investimento total é menor. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social. O resultado oficial do PIB de 2025 será divulgado somente em 3 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o PIB registrou um crescimento de 3,4%. O Ministério da Fazenda estimou, neste mês, uma expansão de 2,3% para o PIB de 2025, que é a mesma projeção do BC para o crescimento da economia no último ano. Dados mensais também mostram queda do indicador no fim do ano passado. Em dezembro, houve uma retração de 0,2% na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal). Desaceleração esperada da atividade A desaceleração da atividade econômica neste ano já era esperada tanto pelo mercado financeiro quanto pelo Banco Central, diante do elevado nível da taxa de juros. Fixada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, a taxa Selic está, atualmente, em 15% ao ano — o maior patamar em quase 20 anos. A instituição sinalizou que deve começar a cortar os juros em março deste ano, e o mercado estima uma redução de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano. ▶️O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. Avalia que isso é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta [de inflação, de 3%]". ▶️No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em dezembro, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. Arnaldo Lima, economista e líder da área de relações institucionais da gestora Polo Capital, observou que a evidência de desaceleração da atividade ocorre em um contexto em que o Banco Central tem enfatizado postura dependente de dados na condução da política monetária (definição de juros) acompanhando de perto o processo de moderação do crescimento e de convergência gradual da inflação à meta. PIB x IBC-Br Criado em 2010, o IBC-BR funciona como um termômetro da atividade econômica ao reunir informações de diversos setores. O índice é acompanhado pelo mercado por oferecer sinais sobre o desempenho econômico ao longo do ano. Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o número do Banco Central é diferente do cálculo do IBGE. O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, pode haver mais pressão inflacionária, o que contribuiria para conter a queda dos juro.

Habilidades como inteligência artificial, análise de dados e negociação estratégica serão diferenciais no mercado. Freepik/ Reprodução Diversas entidades da indústria criativa brasileira se manifestaram em defesa de um diálogo aberto e construtivo com empresas de inteligência artificial (IA) sobre o uso de conteúdos protegidos. Em nota conjunta, representantes do setor reconheceram a IA como uma inovação importante, mas reforçaram que seu avanço deve respeitar os direitos autorais e a propriedade intelectual dos conteúdos produzidos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "O uso não autorizado de tais conteúdos pode comprometer o ecossistema de produção jornalística e artística, além de desestimular a criação intelectual e, principalmente, violar direitos", diz o documento, citando a Constituição Federal e a Lei dos Direitos Autorais. O comunicado é assinado pelas associações de emissoras de rádio e televisão (ABERT), de jornais (ANJ), de editores de revistas (ANER) e outras instituições, como o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), responsável pela gestão e distribuição de direitos autorais. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo as entidades, o objetivo é aproximar a tecnologia dos detentores de direitos autorais, “garantindo que o avanço da IA no Brasil ocorra em harmonia com a sustentabilidade de quem produz informação de qualidade e cultura”. As instituições afirmam ainda que a proposta se estende a todas as plataformas e desenvolvedores de IA que utilizem ou tenham interesse em utilizar conteúdos protegidos produzidos por seus associados. "Caso haja interesse em utilizar conteúdos de nossos associados para fins de (mas não se limitando) mineração de dados, treinamento ou desenvolvimento de sistemas de IA, estamos à disposição para discutir formas de autorização, remuneração e parcerias que beneficiem todas as partes envolvidas e que assegurem a proteção dos direitos autorais sobre tais conteúdos", diz o texto. As entidades também sugerem que empresas de IA entrem em contato com as associações ou diretamente com os veículos caso a utilização de conteúdos já esteja ocorrendo. O objetivo, diz o comunicado, é negociar uma solução amigável, “a fim de evitar litígios futuros”. “Reforçamos que nosso objetivo é promover o diálogo e buscar soluções inovadoras, respeitando os direitos autorais e a legislação vigente. Estamos abertos a reuniões que possam resultar em acordos benéficos para todos”, conclui o texto. A nota é assinada pelas seguintes entidades: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO – ABERT ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS – ANJ ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDITORES DE REVISTAS – ANER ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MÚSICA E ARTES – ABRAMUS ASSOCIAÇÃO DE MÚSICOS ARRANJADORES E REGENTES – SOCIEDADE MUSICAL BRASILEIRA – AMAR/SOMBRÁS ASSOCIAÇÃO DE INTÉRPRETES E MÚSICOS – ASSIM SOCIEDADE BRASILEIRA DE AUTORES, COMPOSITORES E ESCRITORES DE MÚSICA – SBACEM SOCIEDADE INDEPENDENTE DE COMPOSITORES E AUTORES MUSICAIS – SICAM SOCIEDADE BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO E PROTEÇÃO DE DIREITOS INTELECTUAIS - SOCINPRO UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES - UBC UNIÃO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MÚSICA - UBEM ESCRITÓRIO CENTRAL DE ARRECADAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO – ECAD Veja a íntegra do documento: A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT, Associação Nacional de Jornais – ANJ, Associação Nacional de Editores de Revistas – ANER, Associação Brasileira de Música e Artes – ABRAMUS, Associação de Músicos Arranjadores e Regentes –Sociedade Musical Brasileira – AMAR/SOMBRÁS, Associação de Intérpretes e Músicos – ASSIM, Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música – SBACEM, Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais – SICAM, Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelectuais – SOCINPRO, União Brasileira de Compositores – UBC, União Brasileira de Editoras de Música - UBEM e Escritório Central de Arrecadação e Distribuição – ECAD atuam há décadas na promoção da cultura nacional e na produção de informação de qualidade, investindo continuamente em profissionais e tecnologias para fortalecer o setor jornalístico, artístico e audiovisual brasileiros. Reconhecemos que a Inteligência Artificial (IA) representa uma inovação relevante, já incorporada em nossas atividades e com potencial para impulsionar ainda mais a criatividade, produtividade e inovação em diversos segmentos. Nosso compromisso é com o desenvolvimento responsável e sustentável dessas tecnologias. No entanto, entendemos que o avanço da IA deve respeitar os direitos autorais e a propriedade intelectual dos conteúdos produzidos por nossos associados, conforme previsto na Constituição Federal do Brasil e na Lei nº 9.610/98. O uso não autorizado de tais conteúdos pode comprometer o ecossistema de produção jornalística e artística, além de desestimular a criação intelectual e, principalmente, violar direitos. Portanto, caso haja interesse em utilizar conteúdos de nossos associados para fins de (mas não se limitando) mineração de dados, treinamento ou desenvolvimento de sistemas de IA, estamos à disposição para discutir formas de autorização, remuneração e parcerias que beneficiem todas as partes envolvidas e que assegurem a proteção dos direitos autorais sobre tais conteúdos. Na hipótese dessa utilização já estar sendo realizada, solicitamos que V. Sas. façam contato com as Associações e/ou com o veículo associado1 que teve seu conteúdo utilizado, para que seja negociada uma solução amigável, a fim de evitar futuro litígio. Reforçamos que nosso objetivo é promover o diálogo e buscar soluções inovadoras, respeitando sempre os direitos autorais e a legislação vigente. Estamos abertos para reuniões que possam resultar em acordos benéficos para todos. Aguardamos seu retorno e nos colocamos à disposição para avançar nesta conversa.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (19) em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,2271. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um avanço de 1,35%, aos 188.534 pontos, impulsionado pelo avanço nos papéis da Petrobras. (Entenda mais abaixo)
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▶️ Nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho indicou que os pedidos de auxílio-desemprego caíram mais do que o esperado na semana passada. Além disso, os contratos para compra de moradias usadas no país tiveram uma queda inesperada em janeiro, com corretoras imobiliárias atribuindo a culpa ao baixo estoque de imóveis.
Os dois dados são relevantes para o mercado porque dão pistas sobre a atividade econômica americana e ajudam economistas a ajustarem suas projeções sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros.
▶️ Ainda no exterior, investidores também seguem atentos às tensões entre os EUA e o Irã. Nesta quinta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo tem “vários argumentos” para atacar o Irã, caso decida agir. Os dois países negociam na Suíça, com mediação de Omã, mas também trocam ameaças nas redes sociais.
▶️ Com o aumento das tensões, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta. Nesta quinta-feira, o Brent (referência internacional) avançou mais de 2%, após ter subido de mais de 4% na véspera. O aumento dos preços da commodity no exterior também impulsionavam os papéis da Petrobras no mercado nacional, que encerraram com um avanço de 2,49%.
A preocupação é que o atrito entre os dois países cresça e aumente o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do comércio marítimo de petróleo. Caso se concretize, o cenário pode afetar a oferta da commodity no mundo. A falta de avanço nas negociações entre Ucrânia e Rússia em Genebra também seguia no radar.
▶️ No Brasil, o Banco Central divulgou o IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB, que apontou crescimento de 2,5% da atividade econômica em 2025. Em dezembro, o índice recuou 0,2% na comparação com novembro, mas a queda foi menor que a esperada pelo mercado, e o quarto trimestre terminou com alta de 0,4% sobre o trimestre anterior. (Veja mais abaixo)
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,04%;
Acumulado do mês: -0,39%;
Acumulado do ano: -4,77%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +1,11%;
Acumulado do mês: +3,95%;
Acumulado do ano: +17,01%.
Tensões EUA-Irã
Os EUA estão prontos para um possível ataque contra o Irã no próximo sábado (21), informou a rede americana CBS News na quarta-feira (18). A operação ainda depende de decisão final do presidente Donald Trump.
🔎 Atualmente, EUA e Irã negociam um acordo para limitar o programa nuclear iraniano. Teerã afirma que o programa tem fins pacíficos, mas o governo americano teme que o país tente desenvolver uma arma nuclear.
Os encontros recentes entre delegações dos dois países terminaram com pequenos avanços, mas ainda longe de um acordo. Trump afirmou que atacará o Irã caso não haja acerto.
Nos próximos dias, o Pentágono começará a transferir funcionários americanos no Oriente Médio para outras regiões, como Europa ou EUA, de acordo com a emissora. Movimentos desse tipo são comuns em situações de conflito iminente.
O Irã afirmou que atacará bases americanas no Oriente Médio caso seja bombardeado. O país anunciou exercícios militares navais com forças russas no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico nesta quinta-feira (19).
Também nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os EUA têm “vários argumentos” para justificar um ataque.
“Esse é um tema que o presidente leva a sério. Ele está sempre pensando no que é do interesse dos EUA, das Forças Armadas e do povo americano.”
Petróleo sobe com tensões geopolíticas
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira, em meio aos temores de que os conflitos possam afetar a oferta global. Na véspera, a commodity já havia registrado uma alta de mais de 4%.
Além das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, investidores também seguem atentos à falta de avanço nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.
Com isso, os preços do petróleo tipo Brent (referência internacional) subiram 2,26%, a US$ 71,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, avançou 2,46%, cotado a US$ 66,65.
Agenda econômica
IBC-Br (prévia do PIB)
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador usado como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou crescimento de 2,5% em 2025. O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central.
Em dezembro, o índice recuou 0,2% em relação a novembro, já considerando ajustes sazonais — ou seja, descontando variações típicas da época do ano.
A queda foi menor do que a esperada pelo mercado, que projetava retração de 0,5%. Com isso, o indicador fechou o quarto trimestre com alta de 0,4% em relação ao terceiro trimestre.
Na comparação com dezembro do ano anterior, o IBC-Br registrou aumento de 3,1%, sem ajustes sazonais.
Com o crescimento registrado no último ano, o indicador do BC mostra desaceleração da economia em relação a 2024, quando houve uma expansão maior: de 3,7%.
Essa também foi o pior desempenho do indicador desde 2020, ou seja, em cinco anos. Naquele momento, a economia sentia os efeitos do isolamento social — decorrente da fase mais aguda da pandemia da Covid-19.
Na avaliação de Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, a atividade econômica mostrou uma desaceleração em dezembro, em linha com os dados antecedentes de indústria, comércio e serviços, que também vieram fracos.
"A perda de ritmo era esperada diante da política monetária contracionista, que segue como um fator importante para a calibragem do ciclo de cortes prestes a começar", afirma.
Compras de moradias usadas nos EUA
Os contratos para compra de moradias usadas nos EUA tiveram uma queda inesperada em janeiro, com os corretores imobiliários atribuindo a culpa ao baixo estoque de imóveis no país.
O indicador registrou uma queda de 0,8% em janeiro, para 70,9. Os dados são da Associação Nacional de Corretores. Os dados vieram abaixo do esperado pelo mercado, que esperava um avanço de 1,3%, segundo a Reuters. Na comparação anual, a queda foi de 0,4%
“Com as taxas de hipoteca se aproximando de 6%, mais 5,5 milhões de famílias que não se qualificavam para uma hipoteca há um ano se qualificariam com as taxas mais baixas de hoje”, disse Lawrence Yun, economista-chefe associação de corretores à Reuters.
“A menos que a oferta de imóveis aumente, esses potenciais compradores adicionais que estão se tornando ativos no mercado podem simplesmente elevar os preços dos imóveis.”
Pedidos de auxílio-desemprego dos EUA
O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu mais do que o esperado na semana passada, reforçando a perspectiva de que o mercado de trabalho americano está a caminho de uma estabilização.
As solicitações recuaram em 23 mil, para 206 mil, segundo informou o Departamento de Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters previam 225 mil pedidos no período.
Os dados voltam a trazer a atenção do mercado para os próximos passos do Fed na condução dos juros do país. Na ata da última reunião, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) indicou que "a grande maioria dos participantes considerou que as condições do mercado de trabalho vinham mostrando alguns sinais de estabilização".
Ainda assim, os dirigentes seguem preocupados com os riscos de desaceleração do mercado de trabalho.
Mercados globais
Os mercados em Wall Street tiveram um dia em queda. O clima ficou mais cauteloso diante das preocupações com empresas de tecnologia. A tensão aumentou ainda mais após relatos de reforço militar dos EUA perto do Irã, elevando o temor de conflito.
O Dow Jones recuou 0,65%, o S&P 500 caiu 0,28% e o Nasdaq teve baixa de 0,31%.
Na Europa, o clima foi de cautela, com as bolsas reagindo negativamente aos resultados fracos de grandes empresas, como a Airbus e a mineradora Rio Tinto.
Ambos os balanços ficaram abaixo das expectativas e pesaram sobre o sentimento dos investidores, contribuindo para um dia mais fraco no continente.
Entre os principais destaques, o DAX da Alemanha caiu 0,93%, o FTSE 100 do Reino Unido registrou queda de 0,55% e o CAC 40 da França recuou 0,36%.
Já os mercados asiáticos tiveram um desempenho misto nesta quinta-feira. As bolsas da China, Hong Kong e Taiwan permaneceram fechadas por causa dos feriados do Ano Novo Lunar.
Já no Japão, o humor foi mais positivo: o mercado reagiu à alta das ações de tecnologia nos EUA e ao novo otimismo em torno do plano de estímulo da primeira ministra Sanae Takaichi.
No fechamento, o Nikkei avançou 0,57%, chegando a 57.467,83 pontos, enquanto o índice mais amplo Topix subiu 1,18%, para 3.852,09 pontos.
Em outras regiões da Ásia, o KOSPI da Coreia do Sul teve alta de 3,09%, alcançando 5.677 pontos, e o Straits Times de Cingapura subiu 1,28%, chegando a 5.001 pontos.

Loja Natura Divulgação A Natura informou nesta quinta-feira (19) que concluiu a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. A transação foi realizada por meio de sua subsidiária indireta integral, a Avon Netherlands Holdings II B.V.. O negócio foi fechado por cerca de 26,9 milhões de euros (aproximadamente R$ 166,2 milhões). Os recursos foram recebidos pela companhia em 17 de fevereiro de 2026. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo a Natura, a operação encerra a estratégia de simplificação corporativa e reforça o foco no crescimento dos negócios na América Latina. Em setembro do ano passado, a empresa já havia anunciado a venda das operações da marca Avon em seis países da América Central — Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana — por US$ 22 milhões. O acordo foi firmado com o Grupo PDC, que atua na região e no Peru. Na ocasião, a Natura afirmou que a iniciativa também visava simplificar a estrutura do grupo e concentrar esforços na integração das marcas Natura e Avon na América Latina. Mesmo após a operação, a companhia manteve o fornecimento de produtos à Avon Card e o licenciamento da marca na região, com conclusão prevista para outubro de 2025. A empresa informou ainda que segue avaliando alternativas estratégicas para os ativos da chamada Avon Internacional, que reúne operações fora da América Latina. Da expansão global ao recuo A Natura iniciou, em 2012, um ambicioso projeto de expansão internacional com a compra da marca australiana Aesop, seguido pela aquisição da britânica The Body Shop e, em 2019, pela fusão com a americana Avon, que a transformou em um dos maiores grupos globais de beleza. A estratégia buscava ampliar escala, diversificar mercados e consolidar a companhia entre as líderes mundiais do setor. Com a criação da holding Natura&Co, o grupo passou a reunir quatro marcas presentes em mais de 100 países e com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões. Apesar do crescimento, a expansão trouxe desafios relevantes. As aquisições foram feitas em um período de ativos valorizados, elevando o endividamento da empresa, enquanto a integração de culturas, modelos de negócio e operações em diferentes regiões se mostrou complexa. A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, afetando o consumo de cosméticos, pressionando receitas e dificultando a geração de sinergias entre as marcas. Diante desse quadro, a Natura iniciou um processo de simplificação e redução de riscos. Em 2023, vendeu a Aesop por US$ 2,5 bilhões e, no mesmo ano, a The Body Shop por um valor bem inferior ao pago na aquisição. Restava a operação internacional da Avon, considerada deficitária e onerosa. Em 2025, a companhia anunciou a venda da Avon International por valor simbólico, encerrando o projeto de se tornar uma gigante global da beleza. Segundo analistas, a decisão representou uma mudança estratégica: a empresa optou por concentrar esforços na América Latina, onde suas marcas têm maior participação de mercado e vantagem competitiva. A saída das operações internacionais permitiu reduzir custos, diminuir a queima de caixa e oferecer uma trajetória mais previsível aos investidores, marcando o fim do ciclo de expansão global e o início de uma fase focada em rentabilidade e simplificação operacional. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Presidente Lula e Emmanuel Macron, da França, durante bilateral na Índia em fevereiro de 2026 Reprodução/Redes Sociais O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante viagem à Índia, nesta quinta-feira (19). O encontro ocorre em meio a tratativas internas para ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Na ocasião, Macron convidou Lula para participar da reunião do G7, que ocorre em junho, na França (leia mais abaixo). A França é um dos países mais críticos à aplicação do tratado Mercosul-União Europeia, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo. O acordo foi oficialmente assinado em janeiro, mas ainda precisa passar por processos de ratificação dentro dos Estados-membros para entrar em vigor (entenda mais abaixo). Apesar das divergências sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, Brasil e França mantêm posições alinhadas em temas globais, especialmente na agenda ambiental. Lula e Macron também cultivam uma relação considerada muito próxima e cordial no campo diplomático. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Após o encontro, o líder francês publicou uma mensagem nas redes sociais, no idioma do país e em português. Ele não citou o acordo Mercosul-UE, mas falou sobre inteligência artificial e redes sociais. "Feliz em reencontrar um grande amigo em Nova Délhi, o presidente Lula. Estamos unindo forças por uma inteligência artificial responsável e por redes sociais que não coloquem nossas crianças em risco. Vamos conseguir. Não vamos recuar!", publicou Macron. Convite para reunião do G7 Nesta tarde, o Planalto divulgou nota confirmando o encontro entre os dois líderes. Segundo o governo, Lula e Macron também conversaram sobre cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia, e comércio. Temas como agenda global e paz também estiveram na pauta. "Também conversaram sobre integração transfronteiriça e os esforços conjuntos para combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras formas de crime transnacional na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa", diz o comunicado. Ainda segundo o Planalto, os presidentes destacaram o intercâmbio comercial recorde de 10,3 bilhões de dólares em 2025, "reconhecendo que o resultado ainda permanece aquém do potencial das duas economias". O governo informou também que Macron convidou o presidente Lula a participar da Cúpula do G7 em Evian, na França, nos dias 15 e 16 de junho. O Brasil não integra o grupo, que reúne as maiores economias do mundo. 🔎 O G7 é um bloco informal de democracias industrializadas que se reúne anualmente para discutir questões e preocupações compartilhadas. Fazem parte do G7 Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Viagem à Índia O presidente Lula está em visita oficial a Nova Dheli, na Índia, onde participou nesta manhã da Cúpula sobre Inteligência Artificial (IA). O petista tem aproveitado a agenda em fóruns internacionais para ampliar a articulação com líderes políticos e empresariais. Depois da plenária, Lula também conversou com o CEO do Google, Sundar Pichai, e com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković. LEIA TAMBÉM: Em discurso na cúpula sobre o impacto da IA, Lula destaca a dualidade da tecnologia e defende a regulamentação das big techs Croácia é a favor do acordo À margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, Lula também se reuniu nesta quarta (19) com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic. Segundo nota divulgada pelo Planalto, durante o encontro, os dois líderes destacaram a importância da assinatura do acordo Mercosul -UE, tanto para o comércio como para o fortalecimento do multilateralismo em um contexto de conflitos globais. Diferente de Macron que é contrário ao acordo, o primeiro-ministro, assim como Lula, deseja que o acordo entre em vigor o mais rápido possível. Ainda conforme o Planalto, Lula e Plenković também discutiram temas relacionados à paz e à segurança internacional. Acordo ainda precisa de aval interno O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações. Mas, só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos. Apesar de a maioria dos integrantes da UE ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola. É o caso de nações como Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia. Apesar da possibilidade de judicialização na Europa após a aprovação do acordo, uma vez concluída a ratificação interna pelos países do Mercosul, o tratado poderá entrar em vigor provisoriamente. No Brasil, a expectativa de implementação é a partir do segundo semestre de 2026. No campo comercial, o acordo entre Mercosul e União Europeia segue sendo um dos principais pontos de divergência entre os dois presidentes, já que o governo francês mantém resistências e uma postura protecionista, sobretudo por pressões do setor agrícola e por exigências ambientais. Próximos passos ➡️No caso da União Europeia, o texto ainda precisado aval do Parlamento Europeu. Os termos foram encaminhados para o Tribunal de Justiça da UE, que ainda vai analisar a legalidade das medidas. 🔎Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros. ➡️Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A previsão é que a Câmara dos Deputados avalie o acordo a partir da próxima segunda-feira (23), período de retorno das atividades parlamentares após o recesso de Carnaval. Lula e Macron são próximos Durante o terceiro mandato do presidente Lula, Macron visitou o Brasil em 2024, quando esteve no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e na Amazônia. Em nova passagem pelo país, durante a COP30, o presidente francês participou da conferência em Belém e também cumpriu agenda em Salvador, onde visitou projetos ligados à embaixada francesa e esteve no Pelourinho.

Greve geral na Argentina causa cancelamento de voos em SP Uma greve geral de trabalhadores anunciada na Argentina contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei causou o cancelamento de voos no Brasil nesta quinta-feira (19). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em São Paulo, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na Grande São Paulo, pelo menos dois voos da companhia aérea Latam, que estavam previstos para o início desta manhã, não seguiram para a cidade de Buenos Aires. A Gol também confirmou que precisou cancelar voos. Em uma nota, o Grupo LATAM disse que precisou alterar sua operação devido à greve geral convocada no país. "Alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados. Por isso, recomendamos que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto", diz nota publicada no site da companhia. A Gol também confirmou "que, devido à greve geral que impossibilitará todas operações aeroportuárias nas cidades de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário nesta quinta-feira (19/02), alguns voos de/para a Argentina que estavam programados para esta data foram cancelados". Greve geral na Argentina: quais os direitos dos passageiros em caso de voo cancelado ou atrasado Boeing 737-887, da companhia Aerolíneas Argentinas, decola no aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, na Argentina. Reuters Em Brasília, no Aeroporto Internacional de Brasília, apenas um voo da companhia que estava marcado para 9h foi cancelado. No Rio de Janeiro, o RIOgaleão registrou o cancelamento de 16 voos de chegada e 15 de partida com origem ou destino na Argentina. No entanto, assegurou que a operação do aeroporto segue normal. No Rio Grande do Sul, dois voos foram cancelados, um que sairia do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, às 18:30, e um que sairia do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, às 21:05. Em Santa Catarina, a greve provocou o cancelamento diversos voos para o país vizinho no aeroporto Internacional de Florianópolis. Ao menos 32 voos na rota entre a Capital e o país vizinho foram cancelados desde quarta (18). No Rio Grande do Norte, quatro voos foram cancelados no Aeroporto de Natal: dois que chegariam de Buenos Aires e outros dois que partiriam para a capital argentina. No Paraná, não foi verificado impacto da greve no Aeroporto de Curitiba em relação à Argentina. O estado não tem voo agendado para esta quinta-feira e o que está previsto para sexta-feira (20) está mantido. Em Minas Gerais, tanto a BHAirport quanto a Gol confirmaram que neste mês de fevereiro não há voos para Argentina, portanto sem impacto nas chegadas e partidas. Em Salvador, no Aeroporto Internacional de Salvador Luís Eduardo Magalhães, foi registrado o cancelamento do voo da Aerolíneas Argentinas que chegaria às 23h30 e sairia às 00h25. Greve geral Protesto na Argentina tem confronto entre policiais e manifestantes A Câmara dos Deputados da Argentina começa a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso. O Senado já aprovou o texto na semana passada, e a maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), afirmou que uma greve geral para o início das discussões do projeto entre os deputados teve início às 00h nesta quinta (19), segundo a agência Associated Press. A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo. Além da greve geral, também é esperada uma onda de protestos, embora eles não sejam oficialmente chancelados pela CTG. Em resposta, o governo Milei determinou que a imprensa siga "medidas de segurança", o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de "risco" nos protestos esperados para os próximos dias. "Com o objetivo de reduzir situações de risco, recomenda-se (à imprensa) evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação", disse o Ministério da Segurança da Argentina, em um comunicado. "Diante de atos de violência, nossas forças agirão", diz o texto, que informa que os meios de comunicação terão uma "zona exclusiva" em ruas laterais da praça em frente ao Parlamento. Mulheres correm em meio a gás lacrimogêneo durante um protesto em frente ao Senado argentino, em 11 de fevereiro de 2026 REUTERS/Cristina Sille Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos. Reforma trabalhista O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara, mas já é considerado uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, ao revisar regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a reforma é ampla, reúne dezenas de artigos e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento na Argentina. Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças de última hora, Milei retirou o artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais, como as do Mercado Pago. O projeto flexibiliza contratos de trabalho, modifica regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade. Na prática, os principais pontos da reforma preveem: Férias mais flexíveis, que poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional (normalmente de 1º de outubro a 30 de abril); Restrições a greves em setores considerados essenciais: a reforma exige um mínimo de prestação de serviço entre 50% e 75%, o que limita o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência para até seis meses — podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos —, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada, com ampliação de 8 para até 12 horas diárias, desde que respeitado o descanso mínimo, permitindo compensação conforme períodos de maior ou menor demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva, com permissão para acordos diretos entre empresas e sindicatos locais, em detrimento de convenções nacionais; Alterações em indenizações e demissões, com redução no cálculo das indenizações e possibilidade de pagamento parcelado (em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para pequenas e médias); Licenças médicas e acidentes de trabalho, hoje cobertos pelo sistema de seguros Aseguradora de Riesgos del Trabajo (ART), que passam a ter limite de pagamento em casos de lesões ocorridas fora do ambiente de trabalho; Combate à informalidade: a proposta elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de “regularização” dos vínculos, mas proíbe a contratação de monotributistas (regime para autônomos) em funções que deveriam ser de trabalho formal, com relação de dependência. No mercado digital, trabalhadores de plataformas passam a ser formalmente reconhecidos como independentes, com regras específicas e seguro de proteção, e o teletrabalho (home office) deixa de ter obrigações adicionais impostas durante a pandemia. A reforma não se aplica aos servidores públicos nacionais, estaduais ou municipais, com exceção das regras sobre greve em serviços essenciais, que também alcançam áreas como saúde, transporte e segurança. Segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o que corresponde a uma taxa de desocupação de 6,6%. * Este texto está em atualização.