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Pedágio 'free flow' na Rodovia Carlos Tonani, em Jaboticabal (SP) Divulgação/EcoNoroeste O Ministério dos Transportes afirmou, nesta quinta-feira (5), que pretende suspender as multas por evasão de pedágio aplicadas a motoristas que passaram pelo sistema “free flow” e não pagaram a tarifa. A medida também incluiria a suspensão dos pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aplicados por causa da infração. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O pedágio eletrônico, ou “free flow”, é um sistema de cobrança que dispensa cabines de atendimento e não exige o uso de tag pelo motorista. No entanto, as concessionárias utilizam sistemas diferentes de cobrança, e motoristas têm relatado dificuldade para realizar os pagamentos. Segundo o Ministério dos Transportes, a suspensão serviria para que fossem feitos os ajustes necessários e para que as concessionárias pudessem adotar uma comunicação integrada com o sistema do governo federal. Para emitir a multa, o governo federal recebe a comunicação da concessionária da rodovia e registra a infração no aplicativo CNH do Brasil. A evasão de pedágio, seja em praças tradicionais ou no free flow, gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. "Está em elaboração uma deliberação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para prorrogar o prazo de homologação até dezembro de 2026. A proposta ainda está em tramitação interna e aguarda manifestação da Consultoria Jurídica", disse a pasta em nota. Assim, o motorista que passar pelo pórtico do “free flow” e não fizer o pagamento terá uma segunda chance de quitar a dívida sem a cobrança de multa. Não se trata de perdão: a penalidade continuará valendo caso o pagamento não seja feito até dezembro. O que é o pedágio eletrônico (free flow)? Nesse sistema, o motorista não precisa reduzir a velocidade para que os dados do veículo sejam lidos. Outra vantagem é a cobrança proporcional ao trecho percorrido, já que o sistema identifica onde o carro entrou e saiu da rodovia. O pedágio eletrônico já é adotado em mais de 20 países, como Noruega, Portugal, Estados Unidos, Itália, China e Chile — um dos pioneiros na América Latina a implementar o sistema em suas rodovias. No Brasil, o sistema já funciona em rodovias federais, como a BR-101 (Rodovia Rio-Santos), e foi autorizado para uso em vias urbanas e rurais, abrangendo estradas e rodovias federais, estaduais, distritais e municipais em todo o país. Pórtico free flow divulgação/Concessionária Novo Litoral O pedágio free flow aplica multa? Não. A função do pedágio eletrônico é apenas identificar corretamente o veículo para realizar a cobrança. As câmeras e sensores instalados nos pórticos são usados exclusivamente para esse propósito. A multa por evasão de pedágio é aplicada apenas quando o pagamento não é efetuado. Trata-se de uma infração grave, com penalidade de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Como acontece a cobrança do pedágio? O sistema de cobrança do free flow utiliza a mesma tecnologia das tags já comuns no Brasil, com avanços importantes para identificar corretamente cada tipo de veículo. Diversas câmeras e sensores são instalados nos pórticos fixos nas rodovias. Eles identificam os veículos com tag ou fazem a leitura das placas para determinar quem será cobrado. Algumas câmeras possuem lentes duplas para capturar imagens em 3D, permitindo identificar o tipo de veículo, o número de eixos e quais estão suspensos. Isso garante a cobrança correta de acordo com o porte do veículo, como no caso dos caminhões. Luzes infravermelhas são utilizadas para garantir a identificação dos veículos mesmo em condições adversas, como neblina ou fumaça.

Supervisor da multinacional do setor alimentício BRF tinha histórico de assédio moral Reprodução A MBRF firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para remanejar trabalhadoras grávidas que atuam em áreas com ruído elevado na unidade de Lucas do Rio Verde (MT), após investigação do órgão apontar intercorrências na gestação de funcionárias expostas a ambientes barulhentos. Segundo a procuradora do Trabalho Priscila Dibi Schvarcz, responsável pelo processo, os efeitos chamados “extrauditivos” podem atingir o sistema cardiovascular e metabólico das gestantes. O MPT registrou 77 abortos confirmados e 113 partos prematuros entre 2019 e 2025. A MBRF é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, formada pela fusão entre Marfrig e BRF. Dona de marcas como Sadia e Perdigão, a companhia tem receita anual combinada de cerca de R$ 150 bilhões e presença em mais de 100 países. O acordo foi homologado pela Justiça e passa a valer enquanto a ação civil pública movida pelo MPT estiver em andamento. A empresa deve transferir as gestantes para setores com níveis de ruído abaixo de 80 decibéis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O remanejamento não significa afastamento do trabalho. As funcionárias continuarão exercendo atividades, mas em áreas consideradas adequadas para a gestação. A empresa também se comprometeu a reforçar medidas de prevenção e garantir atendimento imediato em casos de urgência médica dentro da unidade. A investigação começou após um caso registrado em abril de 2024. Uma funcionária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, sofreu aborto espontâneo na portaria da empresa. Segundo o MPT, ela passou mal durante o expediente, foi levada a uma sala de descanso e não houve acionamento imediato de atendimento médico. Após o episódio, a trabalhadora processou a empresa e foi indenizada. A partir desse caso, o Ministério Público ampliou a apuração para verificar se havia problemas estruturais nas condições oferecidas às gestantes. Foram avaliados documentos de saúde ocupacional e segurança do trabalho apresentados pela própria empresa. Com base nesse material, o MPT identificou 144 registros de aborto ou ameaça de aborto, dos quais 77 foram confirmados. Também foram registrados 113 casos de parto prematuro. Além disso, o levantamento apontou 71 atestados médicos com diagnósticos como hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal. Para o MPT, essas condições podem ser agravadas pela exposição a níveis elevados de ruído. De acordo com o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho, existem 23 setores na unidade com níveis abaixo de 80 decibéis. Para o MPT, isso demonstra que é possível transferir as gestantes sem prejuízo à operação. Mesmo assim, a investigação apontou que trabalhadoras grávidas atuavam em áreas com ruído que pode chegar a 93 decibéis. Quando a ação foi apresentada, apenas três gestantes estavam em setores considerados adequados. Procurada, a MBRF afirmou que cumpre a legislação de saúde e segurança do trabalho e fornece equipamentos de proteção auditiva certificados. A empresa informou ainda que mantém um programa de acompanhamento às gestantes, que já atendeu mais de 13 mil colaboradoras desde 2017. De acordo com o MPT, porém, o protetor auricular protege a trabalhadora, mas não elimina possíveis impactos ao feto. A unidade de Lucas do Rio Verde emprega cerca de 4.800 pessoas. Desse total, 74 são gestantes, o equivalente a aproximadamente 1,5% do quadro. Para o MPT, esse percentual não compromete a organização do trabalho em caso de remanejamento. Antes de ingressar com a ação, o MPT realizou duas audiências com a empresa, mas não houve acordo naquele momento. Com a homologação judicial, o remanejamento passa a ser obrigatório. Além das medidas já definidas, o MPT pede o pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos. O pedido ainda será analisado pela Justiça. O que diz a MBRF A MBRF informa que segue rigorosamente a legislação vigente e reitera seu compromisso com a saúde e segurança dos seus profissionais. Sobre exposição a ruídos, fornece e garante o uso de EPIs certificados pelo Ministério do Trabalho. De acordo com avaliação médica e com os atestados apresentados, não foi identificada correlação entre os casos citados no processo e as atividades desempenhadas. A empresa ainda irá apresentar a sua defesa na referida ação e, à exceção do número atual de gestantes, não reconhece os dados apresentados pelo MPT à reportagem. A companhia reforça que possui um programa estruturado de acompanhamento às gestantes com suporte médico, adequações de função de acordo com a etapa gestacional e monitoramento contínuo. Desde 2017, a iniciativa já acompanhou mais de 13 mil colaboradoras.

As instituições financeiras que fazem parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anteciparão cinco anos de pagamentos ao fundo neste mês, em uma contribuição que totalizará R$ 32,5 bilhões. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (5) pelo fundo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/Redes Sociais *Esta reportagem está em atualização

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Geraldo Alckmin, informou nesta quinta-feira (5) que deixará o comando do ministério no dia 4 de abril. Apesar da lei não exigir que o vice-presidente da República deixe o cargo de vice-presidente caso vá disputar a reeleição, Alckmin precisa deixar a pasta ministerial para poder participar da disputa. A informação foi dada no começo da entrevista coletiva de divulgação dos dados da balança comercial de fevereiro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Situação da disputa em São Paulo O futuro político do vice-presidente é parte das negociações envolvendo palanques eleitorais em São Paulo, que também incluem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na última semana, Lula recebeu Haddad para um jantar no Palácio da Alvorada. No encontro, segundo relato de um assessor do presidente ao blog da Ana Flor, o ministro ouviu de Lula que precisa dele para ajudar a consolidar sua reeleição. Lula e Alckmin em cerimônia Ricardo Stuckert/PR Haddad, muito resistente a concorrer a qualquer cargo em 2026, vem cedendo diante da insistência de Lula. Segundo uma pessoa próxima ao presidente, Lula conseguiu convencer o ministro a avaliar a possibilidade de concorrer em São Paulo. Segundo um assessor do presidente, a chapa ideal de Lula teria ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de SP. Pesquisas eleitorais nas últimas semanas mostrando uma consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e um afunilamento no segundo turno da disputa com Lula ligaram o alerta dos estrategistas de campanha e são parte do argumento para levar Haddad a concorrer. Mesmo com o favoritismo do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), integrantes do núcleo próximo do presidente veem Haddad como o nome que pode diminuir a diferença e trazer votos essenciais para Lula no estado.

Balança comercial tem melhora no mês de fevereiro Divulgação/Portos RS A balança comercial registrou superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (5). 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O valor representa melhora em relação ao ano passado, quando o saldo foi deficitário em US$ 467 milhões. Esse também foi o maior superávit para meses de fevereiro desde 2024 (+US$ 5,13 bilhões). O destaque de fevereiro foi o forte crescimento nas exportações de petróleo, principalmente por conta do valor exportado, o preço recuou no mês passado. Já em março, o preço do produto está em alta por conta da guerra no Oriente Médio. 💵 Segundo o governo, em fevereiro: As exportações somaram US$ 26,3 bilhões, com alta de 28,5% pela média diária; As importações somaram US$ 22,1 bilhões, com aumento de 5,7% pela média diária; Destaques das exportações em fevereiro Óleos brutos de petróleo: US$ 3,7 bilhões, com alta de 76,5% Soja: US$ 2,93 bilhões, com aumento de 15,5% Minério de ferro: US$ 2,09 bilhões, com alta de 20,9% Carne bovina: US$ 1,33 bilhão, com crescimento de 41,8% Café não torrado: US$ 1,02 bilhão, com queda de 1,1% Carnes de aves e suas miudezas: US$ 856 milhões, com alta de 9,8% Acumulado do ano Nos dois primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 8,02 bilhões, informou o governo. Com isso, houve melhora na comparação com o primeiro bimestre de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 1,87 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 50,92 bilhões (alta 13,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária). Já as importações somaram US$ 42,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026, com queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária. Relação com os EUA Ainda sob impacto do tarifaço dos EUA na maior parte do mês passado, as exportações brasileiras para os EUA recuaram para US$ 2,52 bilhões em fevereiro deste ano, contra US$ 3,17 bilhões no mesmo mês do ano passado. Um recuo de 20,3%. Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram no mês passado, para US$ 2,79 bilhões. O recuo foi de 16,5% frente ao mesmo período de 2025 (US$ 3,33 bilhões). ➡️Com estes resultados, a balança comercial com os EUA registrou um déficit de US$ 265 milhões no segundo mês de 2026. O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio. Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte da pauta continuou tarifada. Em 20 de fevereiro, porém, a Justiça dos EUA decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor o chamado "tarifaço" a outros países sem autorização do Congresso Nacional. Por isso, revogou as sobretaxas específicas impostas a várias nações, mantendo apenas a tarifa geral de 10%. A situação da balança comercial brasileira em janeiro só não foi pior porque o país conseguiu ampliar as exportações para outros mercados, como China, México, União Europeia e Oriente Médio. Esse movimento ajudou a compensar os efeitos do tarifaço dos EUA, ainda vigente em boa parte do mês de fevereiro. Para o Mercosul, porém, foi registrada queda. Exportações para outros blocos e regiões em fevereiro: China: alta de 38,7%, para US$ 7,22 bilhões; Mercosul: queda de 19,5%, para US$ 1,56 bilhão; União Europeia: alta de 34,7%, para US$ 4,23 bilhões; México: crescimento de 24,3%, para US$ 634 milhões; Oriente Médio: alta de 10,8%, para US$ 1,23 bilhão.

Renault lança Koleos no Brasil e quer clientes de SUVs chineses A Renault quer se reposicionar aos olhos dos brasileiros. Deixar de ser vista como a marca dos carros populares para ser reconhecida pelo requinte nos segmentos mais caros. O capítulo mais recente dessa estratégia, que já incluiu Kardian e Boreal, é o Koleos. O SUV tem proporções generosas, maiores que as do Jeep Commander, e aposta em uma cabine chamativa e em um conjunto híbrido de 245 cv para fisgar clientes que hoje compram BYD Song Plus e GWM Haval H6. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Renault ainda não divulga o preço, mas o g1 apurou e já consegue fazer uma estimativa: algo na casa dos R$ 260 mil. O Koleos segue o padrão global de design da Renault. As linhas vincadas da carroceria ganham destaque com a pintura cinza acetinada. Detalhes azulados e apliques pretos completam o visual futurista. Será o suficiente para conquistar o cliente brasileiro? A resposta talvez esteja no interior do Koleos. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Painel com três telas No interior, a Renault priorizou a experiência de motorista e passageiros. São três telas alinhadas no painel, cada uma com 12,3 polegadas. Uma está logo atrás do volante e funciona como cluster de instrumentos. No meio, alinhada com o console central, está a tradicional tela do multimídia. A novidade é a terceira tela, logo a frente do carona. Nela é possível ajustar o ar-condicionado, escolher músicas no sistema de som Bose com 10 alto-falantes e até assistir à série favorita em serviços de streaming. Painel com 3 telas do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Essa tela do passageiro tem um efeito de discrição semelhante ao de películas de privacidade usadas em celulares. Quem observa de lado não consegue ver o conteúdo, que aparece escuro. Assim, o passageiro pode assistir a vídeos sem distrair o motorista. A má notícia é que a legislação brasileira não permite a reprodução de vídeos com o carro em movimento, mesmo com esse recurso na tela. Portanto, filmes e séries só podem ser assistidos com o Koleos parado. A qualidade dos materiais e do acabamento é superior. Por outro lado, a combinação de telas e revestimentos em preto brilhante acumula muitas marcas de dedo. A iluminação ambiente colore os painéis das portas e harmoniza com as costuras azuis e vermelhas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Comparado ao interior do Song Plus 2027, por exemplo, o Koleos integra melhor os elementos ao painel. A gigante tela flutuante do BYD rouba o protagonismo. A Renault transmite sensação de tecnologia sem recorrer a telas giratórias ou botões chamativos. O teto panorâmico reforça o ambiente sofisticado. Resta saber se o cliente brasileiro prefere a ousadia de alguns modelos ou a proposta mais discreta do Koleos. Banco traseiro generoso É de se imaginar que quem busca um veículo desse porte não quer passar aperto no banco traseiro. A plataforma CMA, também usada por Volvo e Geely, garante 2,82 m de entre-eixos e posiciona a bateria de forma compacta no centro do carro. O resultado é um assoalho praticamente plano e bom espaço para joelhos, ombros e cabeça. Além do espaço generoso, os ocupantes do banco traseiro contam com saídas de ar-condicionado com ajuste próprio de temperatura e bancos aquecidos, algo raro na segunda fileira. Também é possível reclinar o encosto, o que torna a viagem mais confortável. Bancos traseiros do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Equipamentos e preço para brigar O Koleos será vendido no Brasil em versão única, sem opcionais. A lista inclui rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado, pacote visual Esprit Alpine, bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, carregador de celular por indução, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, head-up display e outros itens de conforto. No lançamento, a Renault afirmou que o Koleos poderá ser comprado em qualquer um dos mais de 250 pontos de venda da marca. A empresa não confirmou preço, prazo de garantia, planos de manutenção nem expectativa de vendas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação O g1 apurou que a Renault considera como principais concorrentes do Koleos o BYD Song Plus e, nas versões mais completas, o GWM Haval H6. A lista também inclui Volkswagen Tiguan, Chevrolet Equinox e Jeep Commander. Com esses concorrentes na mira e o pacote de equipamentos oferecido, é possível estimar um preço próximo de R$ 260 mil. A confirmação dos valores e de informações como a garantia será feita no dia 1º de abril. “Não vamos brigar por volume de vendas, mas para ser referência no segmento”, explica Guilherme Ruibal, gerente de produto da Renault. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação São 29 sistemas de assistência ao motorista O Renault Koleos consegue fazer manobras de estacionamento de forma autônoma; o motorista não precisa nem acelerar. Há também condução semiautônoma de nível 2. Em vias rápidas, o SUV mantém velocidade e distância do veículo à frente de forma adaptativa. Ele identifica a faixa de rolamento e mantém o carro centralizado. O SUV conta com frenagem automática e assistente de manobras evasivas. Nesse caso, o sistema identifica quando a força aplicada pelo motorista pode não ser suficiente para evitar uma colisão e adiciona mais assistência à direção. Há câmera 360 graus, farol alto automático, limitador de velocidade, assistente de partida em rampa, alerta de distância segura do veículo à frente, alerta de colisão com frenagem automática inclusive em curvas, alerta de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta e frenagem para tráfego cruzado traseiro e frontal, aviso para saída segura dos ocupantes, alerta de colisão traseira, entre outros recursos. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Concorrentes plugáveis O motor 1.5 turbo com injeção direta do Koleos é movido apenas a gasolina e gera 144 cv, com torque de 23,4 kgfm. Os dois motores elétricos, acoplados à transmissão de três marchas, entregam juntos 136 cv e 32,6 kgfm de torque. A potência combinada chega a 245 cv. Os dados oficiais da Renault indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. Segundo o Inmetro, o consumo é de 13,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada — números que não impressionam para um híbrido. O g1 já experimentou o Koleos pelas ruas de São Paulo, mas as impressões de como o modelo se comporta ao volante só podem ser compartilhadas mais para frente. Motor 1.5 turbo do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Já é possível comparar o Renault com alguns dos modelos apontados como concorrentes. O BYD Song Plus acaba de ser atualizado, custa R$ 249.990 e entrega 239 cv. Além disso, a bateria de 26,3 kWh do modelo chinês permite rodar até 99 km no modo elétrico, sem acionar o motor a combustão. O GWM Haval H6 PHEV19 é vendido por R$ 249 mil e tem mais força. A potência combinada do motor 1.5 turbo com o elétrico chega a 326 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,6 segundos, mais rápida que a do Koleos. Já deu para perceber que a concorrência é pesada, tanto em preço quanto em números de desempenho. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Motor a combustão: 1.5 turbo, quatro cilindros em linha, gasolina Potência: 144 cavalos Torque: 23,4 kgfm Motores elétricos: 2 Potência: 136 cavalos Torque: 32,6 kgfm Bateria: Íon de lítio Capacidade da bateria: 1,64 kWh Tanque de combustível: 55 litros Câmbio: 3 marchas Tração: Dianteira Suspensão: McPherson (dianteira), multibraços (traseira) Direção: Elétrica Freios: Discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira) Consumo gasolina: 13,1 km/l (cidade) e 12,1 km/l (estrada) 0 a 100 km/h: 8,3 segundos Velocidade máxima: 180 km/h Comprimento: 4,78 m Largura: 1,88 m Altura: 1,68 m (com as barras do teto) Entre-eixos: 2,82 m Peso: 1.804 kg

Movimentação de candidatos antes da abertura dos portões para a realização das provas do Concurso Nacional Unificado (CNU) 2025. WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) prorrogou por mais um ano a validade da primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), conhecido como “Enem dos Concursos”. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (5) em edital no Diário Oficial da União e amplia o prazo para a convocação de candidatos aprovados para o serviço público federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com a prorrogação, o governo federal passa a ter mais 12 meses para fazer novas convocações dentro do cadastro de aprovados. Nos cargos que não exigem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, a validade do concurso foi estendida até 6 de março de 2027. Já para as carreiras que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade depende da homologação do resultado final de cada cargo. Nesses casos, os prazos passam a variar entre abril e setembro de 2027. A prorrogação abrange praticamente todos os cargos da primeira edição do CNU. A exceção é o cargo de Analista em Tecnologia da Informação (ATI), para o qual todos os candidatos aprovados no cadastro de reserva já foram convocados, segundo o ministério. Na prática, a medida dá mais tempo para que órgãos federais convoquem candidatos aprovados, tanto para preencher vagas imediatas quanto para reposições ou novas autorizações de nomeação durante o período de validade do concurso. O edital publicado pelo Ministério da Gestão também traz tabelas com todas as carreiras incluídas na prorrogação, organizadas por blocos temáticos. Para cada cargo, são informados: o órgão responsável pela vaga; o cargo; a especialidade ou a área de formação exigida; o código do cargo no edital; e, nos casos com curso de formação, a nova data final de validade do concurso. Confira, nas tabelas a seguir, as novas datas de vigência para cada cargo: A primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado foi realizada em 2024 e ofertou cerca de 6.640 vagas em 21 órgãos públicos, distribuídas em oito editais — um para cada bloco temático (área de atuação). O concurso reuniu cargos organizados em oito blocos temáticos da administração pública federal: sete destinados a cargos de nível superior (blocos 1 a 7) e um voltado a cargos de nível médio (bloco 8). A distruição funcionou da seguinte forma: Bloco 1: Infraestrutura, Exatas e Engenharias Bloco 2: Tecnologia, Dados e Informação Bloco 3: Ambiental, Agrário e Biológicas Bloco 4: Trabalho e Saúde do Servidor Bloco 5: Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Bloco 6: Setores Econômicos e Regulação Bloco 7: Gestão Governamental e Administração Pública Bloco 8: Nível Intermediário Em 2025, a segunda edição reuniu 3.652 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, com salários iniciais que variam entre R$ 4 mil e R$ 16 mil. As listas de classificação para vagas imediatas e as listas de espera foram divulgados em fevereiro. CNU 2025: como será formato, pesos, critérios e regras da prova discursiva

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair As preocupações com o conflito no Oriente Médio voltaram a guiar os mercados nesta quinta-feira (5) e trouxeram mais um dia de alta para o dólar, que fechou cotado a R$ 5,2865, no maior patamar desde 23 de janeiro (R$ 5,2867). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em queda na última hora do pregão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ No 6º dia de conflito no Oriente Médio, o chefe militar de Israel afirmou que a ofensiva contra o Irã entrou em sua próxima etapa, com operações destinadas a desmantelar ainda mais as capacidades militares da república islâmica. Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que "precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder supremo" do país. A escalada das tensões e a incerteza sobre quanto a guerra ainda pode durar continuam a trazer cautela para os mercados financeiros. A principal preocupação diz respeito ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Com temores sobre eventuais impactos no mercado, a commodity registrava mais um dia de alta nesta quinta-feira (5). O petróleo tipo Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. O avanço dos preços acontece mesmo depois de Trump ter afirmado que garantiria o tráfego de petroleiros pelo canal. ▶️ No noticiário local, investidores seguiram atentos aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias. A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma "milícia privada" chamada "A Turma". O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos. ▶️ Na agenda de indicadores, o destaque ficou com a taxa de desemprego do Brasil, que ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. O resultado representa uma estabilidade em comparação aos três meses anteriores. Também no radar, a balança comercial do país registrou um superávit (quando as exportações superam as importações) de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, puxado pelo forte crescimento das vendas de petróleo ao exterior. ▶️ Já no exterior, as atenções ficaram voltadas para os novos números de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. As solicitações somaram 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, ligeiramente abaixo da expectativa de economistas, de 215 mil. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,81%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: +15,04%. Oriente Médio e petróleo A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e em meio às incertezas sobre a duração da guerra voltou a se refletir nos preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42. Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo informações da agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Agenda econômica Desemprego no Brasil A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados. "Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou. Veja os destaques da pesquisa: Taxa de desocupação: 5,4% Taxa de subutilização: 13,8% População desocupada: 5,9 milhões População ocupada: 102,7 milhões População fora da força de trabalho: 66,3 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões Trabalhadores informais: 38,5 milhões Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou. Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número ligeiramente maior, de 215 mil solicitações. O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período de incerteza vivido no ano passado. Na época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump — com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional — geraram insegurança econômica e afetaram as contratações. Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações e afirmou que a alíquota deverá subir para 15%. Apesar disso, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda. Outro levantamento divulgado nesta quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro. O número representa uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação com fevereiro do ano passado. Os planos de contratação, por sua vez, aumentaram 140% frente a janeiro, mas ainda ficaram 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025. Mercados globais Em Wall Street, a escalada das tensões no Irã voltaram a pressionar os mercados americanos. O clima de cautela ganhou força depois que o Irã lançou mísseis contra Israel e após senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos conduzidos pelos EUA. Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%. As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,61%, para 23.815,75 pontos; o FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,45%, a 10.413,94 pontos; e o CAC 40, da França, teve baixa de 1,49%, encerrando aos 8.045,80 pontos. Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação. Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong. No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%. Outros mercados asiáticos também tiveram fortes ganhos: o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,9%, chegando a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, avançou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, teve alta de 2,57%, alcançando 33.672 pontos. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Desemprego fica em 5,4% no trimestre terminado em janeiro, diz IBGE A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a taxa é o menor nível da série para trimestres encerrados em janeiro e indica estabilidade em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro. A especialista explica que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba por conta do fim das vagas temporárias. “Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou. Ela também destacou que, na comparação anual, a melhora foi mais evidente. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou. Veja os destaques da pesquisa: Taxa de desocupação: 5,4% Taxa de subutilização: 13,8% População desocupada: 5,9 milhões População ocupada: 102,7 milhões População fora da força de trabalho: 66,3 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões Trabalhadores informais: 38,5 milhões A população desocupada somava 5,9 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, número estável em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2025. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, houve queda de 17,1% — o equivalente a 1,2 milhão de pessoas a menos sem trabalho. Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões. O total ficou praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,7% em relação a um ano antes, com a entrada de mais 1,7 milhão de pessoas no mercado de trabalho. Com isso, o nível de ocupação — que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,7%, estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do registrado um ano antes. A população subocupada por insuficiência de horas — pessoas que trabalham menos do que gostariam — somava 4,5 milhões no trimestre encerrado em janeiro e permaneceu estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado. Já a população fora da força de trabalho chegou a 66,3 milhões de pessoas. O contingente ficou estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,3% na comparação anual, o que representa mais 846 mil pessoas. Entre os que desistiram de procurar emprego, a chamada população desalentada somava 2,7 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas caiu 15,2% em relação a um ano antes, o equivalente a 476 mil pessoas a menos nessa condição. 🔎 Desalentados são pessoas que estão fora da força de trabalho no momento da pesquisa, mas gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga. Mesmo assim, não procuraram emprego naquele período — geralmente por acharem que não conseguiriam uma oportunidade. Com isso, a taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e 0,4 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Formalidade x informalidade No mercado de trabalho formal e informal, os principais tipos de vínculo apresentaram os seguintes resultados no trimestre: 💼 Empregados no setor privado com carteira assinada (exceto domésticos): 39,4 milhões. O total ficou estável no trimestre e cresceu 2,1% em relação a um ano antes, com cerca de 800 mil vagas a mais. 📄 Empregados sem carteira no setor privado: 13,4 milhões, com estabilidade tanto no trimestre quanto na comparação anual. 🧑💻 Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas aumentou 3,7% em um ano — alta de 927 mil pessoas. 🏠 Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões. O contingente ficou estável no trimestre, mas caiu 4,5% na comparação anual, com redução de 257 mil pessoas. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre encerrado em outubro, esse percentual era de 37,8% (38,8 milhões), enquanto no mesmo período do ano anterior era de 38,4% (cerca de 38,8 milhões). 💰 Já o rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.652, com alta de 2,8% no trimestre e de 5,4% na comparação anual. 💵 A massa de rendimento real habitual — que representa a soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 370,3 bilhões, crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e de 7,3% em um ano (mais R$ 25,1 bilhões). Força de trabalho fica estável e emprego cresce em alguns setores A força de trabalho no país — que reúne pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando emprego — somou 108,5 milhões no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. O total ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro, mas aumentou 0,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa mais 472 mil pessoas. Ao analisar a ocupação por setores da economia, a pesquisa mostra que, na comparação com o trimestre anterior, os principais movimentos foram: 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 2,8% (mais 365 mil pessoas) 🧰 Outros serviços: crescimento de 3,5% (mais 185 mil trabalhadores) 🏭 Indústria geral: queda de 2,3% (menos 305 mil pessoas) Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o levantamento mostra: 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 4,4% (mais 561 mil pessoas) 🏛️ Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: crescimento de 6,2% (mais 1,1 milhão de pessoas) 🏠 Serviços domésticos: queda de 4,2% (menos 243 mil trabalhadores) Mercado de trabalho resiliente, mas com atenção à inflação Para analistas, os dados da PNAD de janeiro reforçam que o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e renda em alta. Ao mesmo tempo, o cenário ainda pede cautela na política monetária, já que a combinação de emprego forte e salários em alta pode pressionar a inflação. O economista Maykon Douglas avalia que o resultado foi positivo principalmente porque a taxa mínima de desemprego veio acompanhada de mais pessoas trabalhando e de aumento da renda. Na avaliação dele, diferentemente de alguns momentos do fim do ano passado, esta divulgação não trouxe sinais contraditórios. “A taxa de desemprego sustentou a mínima histórica devido ao aumento no número de empregados, mesmo com a alta na taxa de participação. Além disso, a massa salarial renovou a máxima histórica e voltou a acelerar na comparação anual, registrando o maior crescimento desde meados do ano passado”, afirma. Na avaliação do economista, trata-se de “uma leitura mensal sólida”, que confirma o dinamismo do mercado de trabalho no país. Ele acrescenta que esse cenário tende a reforçar uma postura mais cautelosa do Banco Central, já que o aumento do emprego e dos salários pode pressionar a inflação mais ligada ao consumo. Douglas também projeta leve alta da taxa de desemprego nos próximos meses — movimento que considera comum no início de cada ano. “A taxa de desemprego deve subir 0,1 ou 0,2 ponto percentual nos próximos meses”, diz. Ainda assim, a expectativa dele é que o indicador feche 2026 com média anual de 5,2%, abaixo do nível observado em 2025. Avaliação semelhante é feita por Rafael Perez, economista da Suno Research, que vê o resultado como sinal de resiliência do mercado de trabalho. Segundo ele, a taxa de 5,4% ficou em linha com as projeções e reflete, em parte, o padrão típico do início do ano, quando o fim das vagas temporárias criadas no período de festas costuma elevar o desemprego. Mesmo assim, Perez ressalta que vários indicadores continuam em níveis recordes, como o número de pessoas ocupadas, o total de empregos formais e a massa de rendimentos. “O país atravessa um quadro de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e elevado grau de formalização”, afirma. De acordo com o economista, esse ambiente tende a impulsionar a renda e o consumo das famílias, mas também pode tornar mais difícil a volta da inflação para a meta. Por isso, ele avalia que o Banco Central deve manter um ritmo cauteloso e gradual no processo de cortes de juros ao longo do ano. Carteira de trabalho Divulgação

Preço do petróleo pode disparar durante a guerra O petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (5), refletindo a preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte da commodity no mundo. A alta passava de 3% por volta das 14h, próximo dos US$ 85. Mesmo assim, parte dos mercados mostrou recuperação após as fortes quedas registradas nos últimos dias por causa da guerra no Oriente Médio. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na Ásia, as bolsas reagiram de forma positiva. Em Seul, o índice Kospi disparou 9,63%, recuperando parte das perdas após ter despencado mais de 12% na quarta-feira, em meio ao pânico provocado pela alta dos preços de energia. Em resposta à volatilidade, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciou a ativação de um fundo de estabilização de US$ 68 bilhões (cerca de R$ 356 bilhões) para apoiar o mercado financeiro. Segundo ele, a medida busca evitar novas turbulências. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 1,9%, após cair 3,61% na sessão anterior. Já na China, os principais mercados também avançaram: a bolsa de Hong Kong ganhou 0,3% e a de Xangai, 0,6%. O movimento veio após o governo chinês anunciar a meta de crescimento econômico para este ano, entre 4,5% e 5%, a mais baixa em cerca de três décadas. A melhora no humor dos investidores também foi influenciada pelo desempenho de Wall Street na quarta-feira (4), quando os principais índices americanos subiram após a divulgação de indicadores econômicos melhores do que o esperado. Por volta das 14h, no entanto, as bolsas inverteram o sinal: Dow Jones passou a cair 1,47%, S&P 500 recuava 0,59% e Nasdaq registrava baixa de 0,20%. Na Europa, os principais mercados encerraram o dia no vermelho: Londres caiu 1,45%, Frankfurt recuou 1,78%, Milão perdeu 1,61% e Paris registrou baixa de 1,49%. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa, recuava 1,88% por volta das 14h12, aos 181.742 pontos. Segundo Jonas Goltermann, economista da Capital Economics, muitos investidores ainda acreditam que o conflito pode ter impacto limitado na economia global, como ocorreu em 2025, quando ataques pontuais dos Estados Unidos contra instalações iranianas aumentaram a tensão, mas não provocaram efeitos duradouros. Ele alerta, porém, que esse cenário pode ser otimista demais. “Esta perspectiva é otimista, levando em consideração que o conflito já se propagou por toda a região e o Estreito de Ormuz está fechado. Os mercados podem enfrentar uma grande decepção em caso de agravamento da situação”, disse o analista em entrevista à France Presse. Ataques a petroleiros continuam Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo a agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu poucas horas depois de fracassarem tentativas em Washington de interromper os ataques americanos. Na quarta-feira, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos. No mesmo dia, sistemas de defesa aérea da Otan interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia. Analistas do J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Se o bloqueio continuar, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters

Bandeira da China. Maxim Shemetov/Reuters A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano — a mais baixa em décadas —, vista como peça central da estratégia para enfrentar a fraqueza do consumo interno e a crise no mercado imobiliário. Pequim também aproveitou a tradicional reunião política anual, conhecida como “Duas Sessões”, para anunciar um aumento de 7% no orçamento de defesa, o segundo maior do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida busca contrabalançar a influência militar dos Estados Unidos e reforçar as reivindicações territoriais da China sobre Taiwan e o Mar do Sul da China. Com isso, o país deve destinar 1,9 trilhão de yuans (US$ 276,8 bilhões, ou cerca de R$ 1,4 trilhão) às forças armadas. Ainda assim, o valor equivale a aproximadamente um terço do orçamento militar dos EUA. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 A China é a segunda maior economia do mundo e responde por cerca de um terço do crescimento global. Apesar das exportações fortes, o país enfrenta problemas estruturais e pressões comerciais dos EUA. “As conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar”, afirmou o primeiro-ministro Li Qiang ao abrir, na manhã de quinta-feira (5), a sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), o parlamento chinês. “Raramente enfrentamos um cenário tão complexo, em que desafios externos se somaram a dificuldades internas e exigiram decisões políticas difíceis”, acrescentou. Segundo análise da AFP, a meta de crescimento anunciada é a mais baixa desde 1991. A única exceção foi 2020, quando Pequim deixou de fixar um objetivo oficial por causa do impacto da pandemia de Covid-19 na economia. Metas para o desenvolvimento Milhares de parlamentares e líderes de todo o país se reuniram no Grande Salão do Povo, em Pequim, para o encontro, organizado com rigor e acompanhado de perto pelo presidente Xi Jinping. Durante a reunião, serão aprovados projetos de lei e reformas que, em grande parte, já foram definidos pela liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Para analistas, o evento funciona sobretudo como a formalização de decisões políticas já tomadas. O governo chinês defende que o modelo de crescimento do país precisa se afastar dos motores tradicionais, como exportações e indústria, e passar a depender mais do consumo interno. Entre as metas econômicas para 2026 estão uma inflação ao consumidor em torno de 2% e o aumento da renda da população em ritmo semelhante ao do crescimento da economia, segundo relatório apresentado por Li. A economia chinesa vem desacelerando gradualmente nos últimos anos, à medida que o país se consolida como uma das principais potências econômicas. Mesmo assim, o forte desempenho das exportações ajudou o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 5% em 2025. O país também registrou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 6,2 trilhões), apesar de meses de tensões com os EUA. Durante as “Duas Sessões”, Pequim também deve apresentar o 15º Plano Quinquenal, que vai definir as diretrizes de desenvolvimento até 2030. O plano deve priorizar avanços tecnológicos em áreas como inteligência artificial, setores de alta tecnologia e segurança energética e de recursos naturais.

Caso Master: perícia em celulares de Vorcaro revelam engrenagem criminosa movida por corrupção Na quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias ao sistema financeiro nacional praticadas por ele por meio do Banco Master. Além dele, outras três pessoas, investigadas também por fazerem parte de uma suposta organização para monitorar e ameaçar adversários do banqueiro também foram presas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A operação de quarta-feira também atingiu dois servidores do Banco Central suspeitos de atuarem em favor de Vorcaro. Este foi o mais recente episódio de uma crise que se acentuou em novembro de 2025 e que, desde novembro de 2025, já fez com que o Banco Central liquidasse três bancos — Master, Will Bank e Pleno — além da gestora de fundos de investimento Reag, todos vinculados direta ou indiretamente a Vorcaro. A quebra do Master, Will Bank e Pleno deverá gerar um rombo de R$ 51 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação privada mantida por contribuições dos bancos e que funciona como uma espécie de seguro para os investidores. A quebra do Master e dos outros bancos que vieram na sequência geraram o maior desembolso do fundo desde que ele foi criado, em 1995. Na prática, pessoas físicas e empresas que aplicaram até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em títulos como CDBs (certificados de depósito bancário) deverão receber integralmente seus recursos, evitando perdas sobretudo entre pequenos investidores. Mas se por um lado, especialistas afirmam que o FGC evitou uma corrida desenfreada por resgates e um clima de desconfiança generalizada no sistema financeiro, por outro, a onda de liquidações ligada ao Master levantou uma outra questão: em que medida toda essa garantia não seria, também, parte do problema? É precisamente esta a tese defendida pelo professor de finanças e consultor financeiro Michael Viriato, que já deu aulas no Insper, na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e na USP e que atua há 27 anos no mercado financeiro. Segundo ele, o FGC, principal mecanismo de proteção do sistema financeiro, cria incentivos para que crises como a atual se repitam. "O sistema de segurança do Sistema Financeiro Nacional incentiva, sim, o surgimento de novos banqueiros como Daniel Vorcaro, que têm uma disposição maior ao risco e que, eventualmente, pode deixar um problema para o sistema financeiro", afirmou Viriato em entrevista à BBC News Brasil. Segundo o especialista, o FGC cumpre uma função essencial ao proteger investidores e preservar a confiança no sistema bancário. O problema, afirma, não estaria na existência do mecanismo, mas nos incentivos gerados pelo seu desenho atual. De um lado, ele explica, como o FGC garante o ressarcimento de até R$ 250 mil, muitos investidores deixam de avaliar a solidez dos bancos nos quais eles pretendem aplicar e priorizam apenas taxa de retorno. Com isso, ele diz, produtos financeiros com remuneração mais elevada tendem a atrair mais recursos, ainda que estejam associados a instituições que precisam pagar mais caro justamente por apresentarem maior risco. O segundo efeito aparece do lado das instituições financeiras. Segundo Viriato, banqueiros dispostos a assumir estratégias mais agressivas podem utilizar a garantia do FGC como argumento para captar recursos oferecendo taxas acima da média do mercado. O problema é que, para sustentar essas promessas de alta rentabilidade, afirma Viriato, os banqueiros precisam fazer aplicações ou investimentos cada vez mais arriscados. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro confirmou essa tese. "O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo", disse Vorcaro, que nega as acusações contra ele, à PF. Viriato defende mudanças no mecanismo de funcionamento do FGC para evitar novas crises como a do Master. Na avaliação do economista, possíveis mudanças poderiam envolver uma redução do percentual ao qual os investidores teriam direito em caso de quebra do banco. Viriato também comentou sobre o suposto envolvimento de funcionários de carreira do BC com Daniel Vorcaro. Segundo o especialista, a reputação do BC não fica afetada por isso e que é preciso separar a atuação dessas pessoas do restante da instituição. A maior parte da entrevista foi feita antes da deflagração da fase mais recente da operação, mas na quarta-feira, Viriato respondeu a questionamentos relacionados às revelações mais recentes divulgadas sobre o caso. Confira abaixo os principais trechos da entrevista: Banqueiro Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal, nega irregularidades na condução dos negócios do Banco Master Reprodução/Polícia Federal BBC News Brasil - Nos últimos meses, o Brasil teve três bancos e uma gestora de fundos de investimento liquidados e mais um banco entrando em recuperação judicial. Tem alguma coisa errada no sistema financeiro nacional? Michael Viriato – Do jeito que está estruturado, o sistema de segurança do sistema financeiro nacional incentiva, sim, o surgimento de novos banqueiros como o Daniel Vorcaro, que têm uma disposição maior ao risco e que, eventualmente, pode deixar um problema para o sistema financeiro. BBC News Brasil - Mas em grande parte, os investidores desses bancos estão sendo ressarcidos pelo FGC. Por que, na sua avaliação, esse sistema que está protegendo uma boa parte dos investidores estaria errado? Viriato – A existência do FGC é essencial para a estabilização do sistema financeiro. Ele permite que novos bancos surjam e evita que todo o mercado fique concentrado apenas nos grandes bancos. Nesse sentido, ele cumpre um papel importante. O problema não está na existência do FGC, mas no incentivo econômico que o seu desenho acaba gerando para o pequeno investidor. Como aplicações dentro do limite de cobertura estão protegidas (hoje até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF ou CNPJ) o investidor deixa de se preocupar com a qualidade do banco emissor do ativo no qual ele investiu. Ele passa a olhar quase exclusivamente para a taxa de retorno. E, no sistema bancário, taxas mais altas normalmente são oferecidas justamente pelas instituições mais frágeis, que precisam pagar mais caro para captar recursos. O investidor percebe que, se o banco der certo, ele ganha uma taxa maior, mas se o banco quebrar, o FGC devolve o dinheiro. Isso cria um incentivo claro para escolher sempre a maior taxa disponível, independentemente do risco da instituição. É daí que surge a lógica do "quanto pior, melhor". O FGC é fundamental para evitar corridas bancárias e proteger o sistema, mas, da forma como está estruturado, ele acaba estimulando o investidor a aplicar justamente nos bancos mais arriscados, sem avaliar a saúde financeira dessas instituições. BBC News Brasil - Como é que esse sistema fez com que, na sua avaliação, Daniel Vorcaro assumisse mais riscos? Viriato – Precisamos entender a evolução do sistema para entender como chegamos aqui. No passado, os bancos médios não tinham um sistema de distribuição dos seus CDBs e dos seus outros produtos da forma ampla como se tem agora, por meio das distribuidoras como XP, Genial, BTG, etc. Hoje, vivemos um momento em que basta um banqueiro ser um pouco mais agressivo e oferecer taxas mais altas aos investidores para ele conseguir captar recursos para o seu banco. BBC News Brasil - Mas ele captar mais recursos para o seu banco não é necessariamente ruim. Qual é o problema em oferecer taxas acima da média como aconteceu com o Banco Master? Viriato – A matéria-prima do banco é dinheiro. O banco capta dinheiro prometendo uma taxa ao investidor e depois empresta ou aplica esse dinheiro em outros ativos que ele acredita que vão se valorizar mais do que o crédito que ele tem que pagar a quem investiu nele. Na medida em que eu ofereço taxas mais altas, eu tenho que investir em ativos mais arriscados. Isso traz mais risco. Quando dá errado, todo o sistema paga a conta, que é o que a gente está vendo acontecer agora. Não é que o sistema como um todo esteja errado, mas quando ele permite você captar mais simplesmente porque, do outro lado, tem alguém investindo sem fazer avaliação de risco porque o investimento está seguro pelo FGC, então, isso, sim, está errado. Itaú, Banco do Brasil e Bradesco estão entre os maiores bancos do país e são os principais contribuintes do FGC Getty Images/Agência Brasil BBC News Brasil - No depoimento que Vorcaro deu à Polícia Federal, ele disse que o modelo seu modelo de negócio estava baseado 100% no FGC. O que é um modelo 100% baseado no FGC? Isso é bom ou ruim? Viriato - Eu diria que não é nem bom nem ruim. Ele é apenas muito mais arriscado. Os investidores que colocaram dinheiro no Banco Master não precisavam fazer qualquer avaliação se o Banco Master ia ser bem-sucedido ou não. Por quê? Porque ele tinha 100% dos seus recursos protegidos. Por um lado, o Daniel não precisava prestar contas aos investidores dele. E o investidor dele também não estava interessado em saber se ele estava investindo em um crédito arriscado ou não, porque ele tinha 100% do seguro baseado no FGC. Nem Vorcaro tinha que prestar contas sobre o risco que ele estava correndo e nem o investidor estava interessado em ouvir se ele corria risco ou não porque, na prática, ele não corria risco pois tinha a garantia do FGC. BBC News Brasil – Mas isso não é uma estratégia economicamente suicida? Viriato - O sistema permite que todo mundo faça isso. Nenhum banco precisa prestar contas ao pequeno investidor porque ele está 100% seguro pelo FGC. Existem outros bancos médios que também não prestam contas aos seus pequenos investidores. Mas a maior parte dos banqueiros é conservadora em relação a captar e aplicar os recursos. Não é que eles não façam investimentos de risco, mas são mais diligentes para não correr o risco de quebrar. Mas o sistema permite que novos aventureiros cheguem porque eles podem chegar e captar um monte de recursos distribuídos em plataformas de investimento praticando taxas mais altas e, se der errado, paciência, deu errado. Eventualmente, o cara vai correr risco sobre o seu patrimônio. Se ele não tinha patrimônio grande, vai começar do zero e terminar no zero. Mas se der certo, ele vai terminar bilionário. BBC News Brasil - Já que o sistema, na sua avaliação, cria esses incentivos moralmente equivocados, o que é que, do ponto de vista prático, precisa mudar para evitar o surgimento de novos casos como esse? Viriato - Para evitar casos como esse, o investidor precisa ser corresponsável pelo seu investimento sobre o seu investimento. Ele não pode ter 100% da garantia envolvida. Outra alternativa seria o banqueiro que está pegando esses recursos pagar uma fatia maior pelo seguro, de forma que o custo aumente e para ele. Hoje, do jeito que está, o FGC cria um cenário parecido com o de um jovem que compra um carro, mas quem paga o seguro é um terceiro. O jovem não tem incentivos para ser prudente. BBC News Brasil - Mas o Master não contribuía para o FGC? Viriato – Sim, mas muito pouco. Quem paga realmente o FGC são os cinco maiores bancos do Brasil. Entre 70% e 80% dos recursos do FGC vem dos cinco maiores bancos. São eles que pagam a conta no final do dia. Michael Viriato trabalha no mercado financeiro há 27 anos. Para ele, regras atuais como a que regula o FGC precisam mudar para diminuir os riscos de novas crises como a do Banco Master Acervo pessoal BBC News Brasil - Da forma que está, você vê janela para mudanças no sistema? Viriato – Desde que o FGC foi criado, todos os anos a gente via um banco ou outro quebrando. Mas eles eram pequenos e essas quebras não incomodavam os grandes bancos. Agora, a quebra do Master acordou os grandes bancos para o fato de que se outros banqueiros aventureiros fizerem a mesma coisa, quem vai pagar a conta são eles. Já se está discutindo, por exemplo, como vai ser feita a capitalização do FGC. Quando você é chamado para pagar a conta, você vai pedir para mudar o sistema. Os grandes bancos já estão se mexendo para mudar isso. BBC News Brasil - Não é um contrassenso defender que os investidores, especialmente os pequenos, arquem com o prejuízo causado por práticas não necessariamente regulares dos bancos? Viriato - Você está 100% certo, mas no final do dia, o pequeno investidor já está pagando, de uma forma ou de outra. Na hora em que o FGC teve que pagar esses R$ 50 bilhões por conta da quebra do Master, por mais que os investidores do Master não tenham perdido dinheiro, isso significa que todo o sistema financeiro vai ficar mais caro no futuro. Se os grandes bancos vão pagar a maior parte da conta do FGC, esse custo vai ser repassado para os clientes. Isso pode acontecer com um custo maior para tomar crédito ou com uma remuneração menor pelos investimentos. BBC News Brasil – Falamos aqui sobre aumentar a responsabilização dos investidores e dos bancos, mas e os órgãos reguladores? Eles não têm responsabilidade alguma sobre o que aconteceu com o Banco Master? Viriato – O Banco Central agiu de forma correta, mas o problema não é no regulador. O problema está na regulação. Não adianta você ter um bom juiz com uma lei ruim. E nem adianta ter uma lei boa com um juiz ruim. O que temos hoje é uma regulação ultrapassada para o momento atual. O Banco Central não tem como dizer: "Não pode entrar um cara novo". Na verdade, os bancos centrais querem, sim, a chegada de novos atores para aumentar a competição e melhorar o sistema financeiro. O que não se quer é que se corra mais riscos que o adequado, que foi o que aconteceu. O regulador agiu da forma certa. Mas o FGC, da forma como existe, está ultrapassado porque vivemos um momento de muita disponibilidade de ativos. Não podemos ter toda a população pagando a conta de um ou de outro. Cada um tem que ser responsável pela sua conta. Temos que ter algum pedaço de responsabilidade, nem que seja pequeno. BBC News Brasil – O sistema tem como se prevenir contra o surgimento de um novo banco Master? Viriato – Acho que a única forma de se prevenir é que as pessoas fossem um pouco mais conscientes e pensassem: "Não vou comprar um CDB com rentabilidade mais alta porque isso pode dar problema no futuro". Mas ninguém vai fazer isso. Da forma como está hoje, é muito difícil prevenir que surja um novo entrante agressivo no mercado. O sistema não previne. Ele incentiva que surja. Só não tem surgido mais banqueiros como Daniel porque, na maioria das vezes as pessoas não são tão agressivas como ele. BBC News Brasil - A operação de hoje aponta para a possível infiltração de Vorcaro junto a funcionários do Banco Central que deveriam cuidar da fiscalização do seu banco. Isso de alguma forma mancha a atuação do Banco Central em relação ao caso? Viriato - É importante separarmos as pessoas das instituições. Uma pessoa ou duas, dentro de uma instituição como o Banco Central, não mandam nela. Pelo que eu li, essas pessoas teriam orientado o Vorcaro, mas as outras pessoas dentro do BC acompanharam o processo e tomaram outras decisões. Na minha avaliação, o Banco Central continua sólido, conta com excelentes profissionais e tomou excelentes decisões. Mas, como em qualquer outra instituição, sempre vai haver alguém que não segue os princípios da instituição que é o de servir ao país. Não podemos dizer que toda a instituição é ruim por conta de uma ou duas pessoas. Sede do Banco Master na Faria Lima, em SP Reuters/Amanda Perobelli

Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 Reuters/Carlos Barria/File Photo Um juiz do tribunal comercial dos Estados Unidos determinou, na quarta-feira (4), que o governo comece a pagar bilhões de dólares em reembolsos a importadores que tiveram de pagar tarifas consideradas ilegais pela Suprema Corte no mês passado. Richard Eaton, do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, em Manhattan, determinou que o governo conclua o cálculo dos valores de milhões de remessas que entraram no país sem a cobrança das tarifas, segundo documentos do processo. Ele também decidiu que os valores devolvidos incluam juros. 🔎 Quando uma mercadoria chega aos EUA, o importador paga inicialmente um valor estimado de impostos. O cálculo final costuma ser concluído cerca de 314 dias depois, em um processo chamado de liquidação. Eaton determinou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras conclua esse processo sem considerar as tarifas, o que deve resultar na devolução dos valores pagos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 “A Alfândega sabe como fazer isso”, afirmou o juiz durante uma audiência na quarta-feira, segundo gravação disponível no site do tribunal. Segundo ele, a agência tem capacidade de ajustar o sistema para emitir os reembolsos — algo que já ocorre quando um importador paga impostos acima do valor devido. “Eles fazem isso todos os dias. Finalizam registros e realizam reembolsos”, disse. Eaton também marcou uma nova audiência para sexta-feira (6) e pediu atualizações sobre o plano da Alfândega para efetuar os pagamentos. Na decisão, o magistrado afirmou ainda que o juiz-chefe do tribunal indicou que ele será responsável por conduzir os casos relacionados aos reembolsos das tarifas. Em documentos apresentados à Justiça, a Alfândega e Proteção de Fronteiras afirmou que recalcular os valores das remessas sem aplicar as tarifas é uma tarefa “sem precedentes” pelo volume envolvido e pode exigir a revisão manual de mais de 70 milhões de registros. Em manifestações anteriores, a agência havia solicitado até quatro meses para avaliar alternativas para realizar os pagamentos. Procurada, a Alfândega não respondeu ao pedido de comentário. “A redação da decisão sugere com clareza uma interpretação ampla, indicando que os importadores têm direito ao reembolso das tarifas impostas com base na IEEPA”, afirmou Ryan Majerus, ex-alto funcionário do Departamento de Comércio dos EUA e atualmente sócio do escritório King & Spalding. “O governo pode contestar o alcance da decisão ou, ao menos, pedir mais tempo para que a Alfândega execute o que certamente será uma tarefa de grande porte.” US$ 130 bilhões em tarifas O governo dos EUA arrecadou mais de US$ 130 bilhões com tarifas consideradas ilegais, que foram centrais na política comercial do ex-presidente Donald Trump. A Suprema Corte, no entanto, não definiu regras claras sobre como os reembolsos devem ser feitos, o que gerou incertezas sobre o processo. A decisão de Eaton foi tomada em um processo movido pela Atmus Filtration, que afirmou em documentos judiciais ter pago cerca de US$ 11 milhões em tarifas consideradas ilegais. Os advogados da Atmus não responderam ao pedido de comentário.

Guerra entre Estados Unidos e Israel contra Irã entra no 5º dia O conflito entre o Irã e os Estados Unidos, que atinge todo o Oriente Médio, pode encarecer os alimentos para os consumidores brasileiros nos próximos meses, apontam economistas. Isso porque alguns custos da produção agrícola já subiram em menos de uma semana de guerra. Veja abaixo os principais motivos. ➡️Fertilizantes: a agricultura brasileira é dependente de adubos importados e uma parte importante da matéria-prima vem do Oriente Médio. Nesta semana, as cotações dos fertilizantes já subiram. ➡️Transporte marítimo: o Irã fechou o estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo. Sem ela, navios com compras e vendas brasileiras precisaram ser redirecionados, aumentando o custo de frete. ➡️Diesel mais caro: a região também é importante fornecedora de petróleo. Com isso, o combustível pode subir e encarecer o uso de máquinas no campo e o transporte de alimentos. O aumento dos custos causados pelo conflito chega em um momento em que o produtor já lida com outras pressões, como juros altos e dificuldades em conseguir crédito, afirma Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global. “A questão é o quanto o conflito vai impactar na produção e o quanto essa guerra vai perdurar. Provavelmente não vai ser uma coisa rápida de ser resolvida”, afirma. Para ele, o impacto ao produtor é imediato, mas pode levar alguns meses para chegar ao consumidor. Já Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Agro, afirma que ainda é cedo para saber qual será o tamanho desse impacto. Segundo ele, há outros fatores que podem ajudar o consumidor e controlar os preços. É o caso da queda do dólar, que acontece desde o início do ano, e o clima favorável à produção. O Oriente Médio e o preço dos fertilizantes O Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), de 2025. A liderança é da Europa, seguida por Ásia e África. Analisando os países individualmente, a Rússia lidera o ranking, com China e Canadá logo atrás. As nações do Oriente Médio aparecem mais abaixo na lista, como Arábia Saudita (6º), Israel (8º), Omã (9º), Catar (11º) e Irã (22º). Apesar disso, o Oriente Médio tem um papel central no mercado de fertilizantes. A região responde, por exemplo, por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, destaca Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil. Portanto, tudo o que acontece na região impacta diretamente os preços globais. Tanto é que as cotações dos fertilizantes saltaram rapidamente após o início do conflito. “O impacto nos preços foi instantâneo e severo, com altas de cerca de 10% a 12% em apenas um dia, em mercados como o do Brasil e do Oriente Médio”, diz Pernías. O contrato futuro para março da ureia no Brasil, por exemplo, subiu US$ 39 entre os dias 2 e 3 deste mês. O analista diz que os preços já estavam pressionados antes do conflito devido aos preparos do plantio de grãos dos EUA e da China e à forte demanda da Índia. “Além disso, o Irã já enfrentava paralisação de fábricas por falta de gás natural." “Com a eclosão do conflito, os vendedores de fertilizantes do Médio Oriente e de outras regiões suspenderam as suas vendas para tentarem entender qual é o real valor do produto que eles têm na mão”, destaca Pernías. “Além disso, produtores na região estão diminuindo a produção pelo receio de não conseguirem escoar a mercadoria”, acrescenta. Em que momento da safra o Brasil está Para os produtores brasileiros, esse encarecimento deve afetar apenas as safras que são plantadas a partir do segundo semestre, aponta Paulo Pavinato, professor associado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Isso ocorre porque o fertilizante usado agora já foi comprado. Nos Estados Unidos, a situação é diferente: os produtores ainda estão adquirindo o produto e podem sentir o impacto de forma imediata. No Brasil, os produtores costumam comprar adubos fosfatados e potássicos para o plantio de soja entre maio, junho e julho, detalha Pernías, da StoneX Brasil. Já a procura por adubos nitrogenados, como a ureia, ganha tração mais tarde, em novembro, dezembro e janeiro, visando a recomposição de estoques para a safra de milho. O Brasil é dependente das importações de fertilizantes. Uma alternativa ao Oriente Médio pode ser o Canadá, diz Serigati, pesquisador da FGV Agro. Mesmo que os produtores procurem outros países para o fornecimento, os preços devem se manter altos, aponta Gilio. “Essa elevação de custo é bastante preocupante, porque a gente está vivendo um momento no agro, justamente, em que os produtores já estão pressionados por esses valores”, explica. Produtos que o Brasil mais compra do Irã. Arte/g1 Cálculo de rota O Irã controla uma das rotas comerciais mais importantes do mundo: o Estreito de Ormuz, que foi fechado pelo Irã. A rota conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. A passagem também é usada para transportar fertilizantes e outros produtos da região. Isso não significa que as exportações serão paralisadas, mas há o aumento de custos, até mesmo para fazer o desvio de rotas, pontua Gilio, da Insper. O conflito eleva o custo do frete, do seguro do transporte, o preço do carregamento do contêiner e o valor do diesel, explica Serigati, da FGV Agro. E esse encarecimento não é apenas para os produtos que vão para o Oriente Médio. “Isso faz com que o preço, a cotação dessas commodities, aumente praticamente para todo mundo, independentemente de onde esteja”, afirma o professor. Serigati explica que o mercado internacional está completamente conectado. Dessa forma, mesmo que um fornecedor não consiga entregar o produto, a demanda continua, o que faz o preço subir. Diesel mais caro Com a elevação do custo do diesel causado pelo conflito, o preço para os produtores operarem maquinários na lavoura também vai crescer, pressionando ainda mais o custo de produção, aponta o professor da FGV, Serigati. Do mesmo modo, fica mais caro o processo de escoar a safra por meio de caminhões. A colheita da soja, por exemplo, acontece desde janeiro e está em fase de transporte para os portos, podendo ser afetada. Ainda assim, Serigati pontua que a situação é diferente de quando começou a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Na época, os preços do petróleo também dispararam. “Naquele momento, a gente vivia no mundo com uma escassez de petróleo.[...] Agora, o mercado não está trabalhando com escassez. Muito pelo contrário, o que você tem é um excesso de oferta. Então, ainda tem algum espaço para acomodar a turbulência ali junto ao Irã”, explica. Exportações do Brasil também são impactadas Além do impacto nos preços internos, as exportações brasileiras também devem ser afetadas. Países do Oriente Médio podem enfrentar dificuldades para receber produtos como frango, carne bovina e açúcar, avalia Gilio. No caso das exportações de frango, isso já está acontecendo desde o início do conflito, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. "Tem muita carne que está na água. Somente os Emirados Árabes compraram, em janeiro, 44 mil toneladas. A Arábia [Saudita] comprou 33 mil. Então, tem contêineres na água e eles são redirecionados", diz Santin. "As novas rotas são mais demoradas e caras. Os armadores, que são as empresas de navios, já implementaram uma 'taxa de guerra' para cobrir seguros e custos extras de armazenamento e refrigeração, já que a carne precisa ser mantida entre -16ºC e -18ºC", acrescenta. "Além disso, novas reservas de navios estão temporariamente suspensas", informa. Produtos que o Brasil mais vende para o Irã. Arte/g1 Os Emirados Árabes são os maiores compradores de frango do Brasil, seguidos pelo Japão e Arábia Saudita. "Outros compradores relevantes [no Oriente Médio] incluem Kuwait, Catar, Omã e Iêmen", diz Santin Especificamente sobre o Irã, o país ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura. No milho, por exemplo, o país foi o maior cliente do Brasil. Contudo, os embarques para o país acontecem apenas a partir de junho, afirma Luiz Fernando Roque, especialista de grãos da consultoria Hedgepoint. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que exportadores estão preocupados com um possível prolongamento do conflito no Oriente Médio. A região é destino de cerca de 10% dos embarques do produto do Brasil, disse Roberto Perosa, presidente da Abiec, em entrevista à Reuters nesta terça-feira (3). Perosa afirmou que as empresas da Abiec estimam que de 30% a 40% dos embarques também passem pelo Oriente Médio antes de chegar aos mercados do Sudeste Asiático e da China, tornando a situação extremamente preocupante. "Não há nada que possamos fazer. Está fora do nosso controle."

Kristalina Georgieva, diretora do FMI Sergei Karpukhin/Reuters A economia global está “sendo testada mais uma vez” pela guerra no Oriente Médio, afirmou nesta quinta-feira, em Bangkok, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. “Vivemos em um mundo em que os choques são mais frequentes e mais inesperados, e temos alertado nossos membros há algum tempo de que a incerteza agora é a nova normalidade”, disse ela em uma conferência sobre a Ásia em 2050. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O conflito começou após bombardeios dos EUA e de Israel em Teerã, que mataram o líder supremo Ali Khamenei e autoridades iranianas de alto escalão, no sábado (28). Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e contra países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas. 6º dia de guerra no Oriente Médio começa com troca de fogo entre Irã e Israel A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5). Nesta quarta (4), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu a autoria de um ataque de submarino contra um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka. A ação deixou 87 mortos e 32 feridos e é considerada histórica: foi uma das poucas ocasiões em que um submarino afundou um navio desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth também disse, em coletiva de imprensa, que os EUA estão “vencendo a guerra” e que as forças americanas detêm o controle absoluto neste quinto dia de conflito. O Pentágono prometeu novas ondas de bombardeios. “A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. Eles estão acabados e sabem disso”, afirmou o secretário. Impactos na economia A escalada das tensões e o início da guerra no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a expansão do conflito para países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Neste início de semana, o petróleo ultrapassou US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, analistas projetam aumento significativo nos preços nos próximos meses — o que deve pressionar os combustíveis no Brasil. Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava em alta nesta terça-feira. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio — o que também pode limitar o ritmo de crescimento da economia brasileira. Segundo economistas, essa variação nos preços do petróleo e do dólar pode afetar não apenas os preços atuais, mas também as projeções do mercado e do Banco Central para a inflação neste ano e nos próximos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável por buscar o cumprimento das metas de inflação, toma decisões com base nas projeções futuras, já que os efeitos demoram de seis a 18 meses para aparecer plenamente na economia. Neste momento, por exemplo, o Banco Central busca atingir, por meio da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% no acumulado de 12 meses até setembro de 2027.

Por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul Meses de protestos e presidentes de nações importantes da União Europeia se posicionando contra o acordo com o Mercosul não vão impedir que o tratado de livre-comércio entre em vigor provisoriamente. O acordo pode passar a valer no Brasil nos próximos 2 meses. Isso porque o Senado brasileiro aprovou nesta quarta-feira (4) decreto que viabiliza o acordo comercial. Essa é a última etapa de análise no Brasil para a entrada em vigor do tratado. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o acordo começa a ser aplicado 60 dias após a assinatura do presidente Lula. Em fevereiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen disse que o tratado teria validade provisoriamente após as ratificações dos países do Mercosul. A Argentina e Uruguai também já concluíram seus processos legais internos. Imagem da assinatura do acordo do Mercosul-UE Reprodução/YouTube O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o anúncio da aplicação provisória do acordo foi uma "surpresa ruim". O país é um dos maiores opositores do acordo. O presidente tenta agradar os agricultores do país, que já colocaram até mesmo esterco em sua casa de praia. Para os economistas ouvidos pelo g1, porém, o tratado é apenas parte de um problema maior na relação entre os agricultores e os governos europeus. Os agricultores europeus já vinham reclamando de políticas ambientais adotadas pelos governos do bloco. Essas regras exigiram mudanças na produção e elevaram os custos, acreditam Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank. Na visão desses produtores, o acordo agrava a situação, pois eles passariam a enfrentar a concorrência de países com alta produtividade e o custos mais baixos, caso do Brasil. Apesar de ser verdadeiro que o Brasil é mais competitivo, o acordo prevê mecanismos para proteger os europeus. Entre eles, estão as salvaguardas e as cotas de importação. Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar A agricultura tem forte peso político na União Europeia e é vista como parte do patrimônio cultural do bloco. Por isso, o setor historicamente recebe mais proteção, o que ajuda a explicar os protestos, segundo Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre. Saiba quais são os principais produtores agrícolas da UE Arte g1 Competição Hoje Brasil e União Europeia já disputam mercados importantes, como o asiático. Atualmente, o mercado europeu de commodities agrícolas (produtos primários, como soja, milho, café, açúcar e carne) é dominado pelos próprios países do bloco. Na comparação com o Brasil, além de os europeus terem custos de produção maiores, possuem uma produtividade mais baixa, afirma Valls. Tudo isso estimula o sentimento de ameaça. Para impedir que os agricultores locais fiquem em desvantagem, os parlamentares europeus aprovaram em dezembro as chamadas salvaguardas. Elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local. Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de três anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios. Os integrantes da Comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis. A Comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia. Além disso, alimentos considerados sensíveis, como as carnes bovina e de frango, terão cota. Esses limites definem volumes menores para o uso de tarifas reduzidas. Para Une, tanto as salvaguardas quanto as cotas são rígidas o suficiente para evitar uma entrada excessiva de produtos brasileiros no mercado europeu. Ele acredita também que os produtos europeus possuem uma demanda alta e resiliente. Um exemplo é o presunto de Parma, que só pode ser produzido na região italiana de Parma por causa da indicação geográfica prevista no acordo. Essa regra determina que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome de alguns alimentos que são considerados tradicionais das nações. Saiba também: O que a UE fez para tentar agradar o agro europeu e conseguir a aprovação do acordo com o Mercosul No Brasil, as salvaguardas europeias não foram bem recebidas pelo setor, que sentiram que o acordo ficou menos vantajoso. Por isso, nesta quarta-feira (4), o presidente Lula assinou o decreto que regulamente a aplicação de salvaguardas brasileiras. Não é tudo sobre o acordo Para Une, do Rabobank, o acordo é apenas o estopim de uma insatisfação que já vinha crescendo entre os agricultores europeus. Segundo ele, outras decisões da União Europeia contribuíram para esse descontentamento. Desde 2023, a UE passou a adotar regras ambientais mais rígidas para a agricultura, explica o pesquisador. Essas medidas deixaram os produtores mais organizados e ativos em protestos. Para Une, a principal queixa é que “está ficando difícil ganhar dinheiro”. Um exemplo é a lei de restauração ambiental, que entrou em vigor em agosto de 2024. Ela determina a recuperação de até 20% dos ecossistemas dos países-membros. A norma foi vista como dura para os agricultores. Em geral, eles têm propriedades menores que as do Brasil e acreditam que teriam de reduzir suas áreas produtivas. Há ainda outras medidas, como a diminuição do uso dos agrotóxicos, da emissão de carbono e a preocupação com a transição energética. Tudo isso aumenta os custos para os agricultores, afirma Lia Valls, da FGV Ibre. Em contrapartida, o Parlamento Europeu adiou a lei que proíbe a importação de produtos ligados ao desmatamento para o fim de 2026. Além disso, questões geopolíticas internacionais, como a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, aumentaram os preços dos insumos, como fertilizantes, também gerando insatisfação. Assim como no Brasil, o setor agrícola europeu, principalmente o francês, tem grande força política. Por isso, o país foi o grande porta-voz da insatisfação com o tratado entre os dois blocos. Ainda assim, o presidente da França está com baixa popularidade entre seus eleitores, explica Valls. "Toda vez que os agricultores franceses se sentem ameaçados, eles levam os tratores para Paris", relata. Saiba mais: Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil 'Patrimônio cultural' Para muitos europeus, especialmente os franceses, proteger a agricultura é proteger um patrimônio cultural, afirma Valls. "A agricultura é relacionada às vilas, às tradições, é importante preservar pela paisagem", explica. Por isso, os países europeus oferecem diversos subsídios ao setor. Entre eles está a política de preço mínimo, em que o governo define um valor mínimo a ser pago ao produtor. Segundo Valls, essa preocupação acompanha a União Europeia desde a sua formação. "Um dos pedidos da França era estender a política de proteção que os franceses já faziam em relação aos seus produtos agrícolas para o restante da comunidade", explica. Do mesmo modo, a União Europeia também tem uma Política Agrícola Comum (PAC), que define um orçamento para os agricultores. Este ano, para acalmar os agricultores, a Comissão Europeia modificou sua proposta orçamentária para 2028-2034, para permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões). O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul

Trump trava campanha de pressão econômica contra Cuba e impede venda de petróleo Dois terços de Cuba, incluindo a capital Havana, ficaram sem energia elétrica nesta quarta-feira (4), devido a uma falha na rede nacional. A ilha passa por aguda crise econômica, agravada pelo bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A rede elétrica cubana sofre cortes de abastecimento regulares devido ao envelhecimento de sua infraestrutura e à escassez de combustível. Desde o fim de 2024, a ilha de 9,6 milhões de habitantes passou por cinco apagões generalizados. A União Nacional Elétrica (UNE) informou que a "desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN)" ocorreu às 12h41 locais (14h41 no horário de Brasília) no oeste e no centro do país. Segundo a UNE, uma caldeira da usina Antonio Guiteras, a cerca de 100 km da capital, sofreu avarias que causaram o apagão. Dez das 15 províncias do país foram afetadas. "Todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já estão ativados", assegurou o Ministério de Energia e Minas no X. Semáforos estão apagados em Havana nesta quarta-feira Yamil Lage/AFP Além dos apagões generalizados, os cubanos enfrentam longos cortes programados diariamente. A capital tem registrado desligamentos de mais de 10 horas. Nas províncias, os cortes podem se prolongar por mais de um dia. Bloqueio energético dos EUA As interrupções de energia se agravaram desde que o governo do presidente americano Donald Trump impôs um bloqueio energético após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana. As pressões de Washington para interrupção dos envios de petróleo de Caracas também impactam a ilha. Desde 9 de janeiro, nenhum petroleiro chegou a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, assim como a redução de alguns serviços de atendimento hospitalar. Para justificar essa política, Washington cita a "ameaça excepcional" que Cuba, uma ilha caribenha situada a 150 km da costa da Flórida, representa para a segurança nacional dos Estados Unidos. Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, a disponibilidade de energia elétrica no país foi reduzida em 20% em comparação com 2025, ano em que Cuba mal conseguiu cobrir metade de suas necessidades, segundo dados oficiais coletados e analisados pela AFP. As oito usinas termelétricas do país, quase todas inauguradas nas décadas de 1980 e 1990, sofrem avarias com regularidade ou precisam permanecer fechadas por longos períodos de manutenção. Em fevereiro, toda a região oriental da ilha, onde fica Santiago de Cuba, a segunda cidade do país, ficou no escuro devido a outra falha na rede. O governo cubano afirma que as sanções dos Estados Unidos o impedem de reparar sua rede elétrica, mas economistas apontam uma falta crônica de investimento do Estado nesse setor. 'Isso já não é vida' O apagão desta quarta-feira caiu como um balde de água fria sobre os cubanos, que diariamente lidam com limitações de transporte e uma inflação galopante. "É imprevisível quando será restabelecida [a eletricidade] e é bem trabalhoso só de pensar nessa situação", disse Beatriz Barrios, de 47 anos, trabalhadora do setor de turismo. Alfredo Menéndez já não sabe mais como pedir a Deus "que aconteça algo que [...] melhore a vida" dos cubanos, porque "isso já não é vida". "Estamos vivendo assim, na incerteza", afirmou o aposentado de 67 anos. Como consequência da crise energética, o transporte público na ilha foi substancialmente reduzido. O preço da passagem dos poucos táxis privados que ainda circulam em Havana e dos triciclos elétricos que servem de transporte coletivo, assim como o de alguns alimentos, dobrou.

Imagem da assinatura do acordo do Mercosul-UE Reprodução/YouTube O Senado aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que pode criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O Senado é a última etapa de análise no Brasil para a entrada em vigor do acordo entre os blocos. 🌍O tratado, assinado em 17 de janeiro no Paraguai, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. Negociado há mais de 25 anos, o tratado prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No Senado, a relatoria ficou a cargo da líder do PP, Tereza Cristina (PP-MS), que chamou o acordo de "incomensurável" em função das possibilidades que ele abre em relação a redução de tarifas e desenvolvimento econômico das regiões envolvidas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “O alcance do Acordo ultrapassa, de forma incomensurável, a redução de tarifas ou o estabelecimento de quotas. Seu potencial realmente transformador reside nas disciplinas voltadas a temas emergentes que estruturam as bases da competitividade contemporânea: investimentos, fluxos financeiros, serviços, meios de pagamento, transferência de tecnologia, acesso a compras governamentais e regras de concorrência, entre outros”, disse Cristina. 700 milhões de pessoas O acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro Apesar da investida de legisladores da União Europeia, que impuseram um revés ao acordo comercial ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia — movimento que pode atrasar a implementação em até dois anos —, a expectativa de diplomatas é que o documento passe a ser aplicado de forma provisória já em março. União Europeia vai aplicar provisoriamente acordo com o Mercosul "O mundo atual é mais fragmentado, mais cético e mais protecionista. Isso torna o acordo com nossos parceiros europeus ainda mais atual — e ainda mais necessário", afirmou a relatora. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enalteceu o compromisso e a celeridade do Congresso Brasileiro para aprovação da proposta que está em discussão há três décadas. "O parlamento brasileiro demonstra mais uma vez uma maturidade institucional que nós temos e que a cada movimento como este é a constatação de que o parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interessa da sociedade". Salvaguardas bilaterais Ainda na tarde desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de "salvaguardas bilaterais" , ou seja, são mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária. A medida pode ser aplicada, por exemplo, ao acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda. As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira. Na prática, é como um “freio” previsto em acordos comerciais, assim o país pode, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma "fôlego" aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa. Procedimento é repetido nos países Além da tramitação no Brasil, o acordo Mercosul-União Europeia precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, de acordo com seus próprios ritos legislativos. Somente após a ratificação por todos é que o tratado estará plenamente em vigor. Até lá, o acordo pode entrar em funcionamento em momentos distintos em cada país, a depender do avanço dos processos internos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (4) um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de "salvaguardas bilaterais", ou seja, mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária. A salvaguarda pode ser aplicada, por exemplo, no âmbito do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda. 🔎As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira. Na prática, elas servirão como um “freio” previsto em acordos comerciais, permitindo ao país, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma "fôlego" aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A norma estabelece que essas medidas só poderão ser aplicadas após uma investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior. A decisão final caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex), com base em parecer técnico. Entre as atribuições da Camex estão: aplicação de medidas provisórias ou definitivas, prorrogação dessas medidas, a eventual alteração das recomendações técnicas decisão sobre aplicar ou não as salvaguardas. O decreto também determina que a Secretaria de Comércio Exterior será responsável por iniciar e encerrar investigações. Já o Departamento de Defesa Comercial será a "autoridade investigadora" para avaliar a existência de prejuízo ou ameaça à indústria brasileira. Assinatura do tratado do acordo entre Mercosul e União Europeia Reprodução/TV Globo Acordo Mercosul e UE O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia que será votado no Senado nesta quarta-feira reacendeu o debate sobre mecanismos de proteção comercial as chamadas salvaguardas. Enquanto a União Europeia aprovou regras específicas para proteger seus produtores agrícolas, o Brasil editou um decreto para organizar a aplicação de seus próprios instrumentos de defesa comercial de maneira mais genérica, mirando não só o acordo do Mercosul com a UE. Embora tratem do mesmo tema, os modelos adotados pelos dois lados são diferentes. O que a União Europeia aprovou A União Europeia regulamentou a aplicação das salvaguardas previstas no acordo com o Mercosul com foco especial em produtos agrícolas considerados sensíveis para os produtores locais, como carne bovina e aves. Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia 21 de janeiro de 2026 Yves Herman/Reuters Os dispositivos estabeleceram gatilhos objetivos para iniciar uma investigação. Os mecanismos poderão ser acionados quando: as importações dos produtos forem cerca de 5% acima da média dos últimos 3 anos; as importações estiverem pelo menos 5% abaixo do preço relevante no mercado interno da UE. Esses critérios funcionam como um “sinal de alerta” e, caso sejam atingidos, permitem à Comissão Europeia abrir investigação e, se for constatado prejuízo, suspender temporariamente preferências tarifárias concedidas ao Mercosul. Os gatilhos estabelecidos pela União Europeia geraram preocupação, principalmente no setor de agronegócio brasileiro. A avaliação é que produtos brasileiros, como a carne vermelha e o frango, já superam os gatilhos mesmo sem o acordo entre os blocos.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em coletiva de imprensa de fim de ano em Moscou em 19 de dezembro de 2025. Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS A Rússia pode interromper o fornecimento de gás para a Europa, em meio a uma alta nos preços da energia desencadeada pela crise com o Irã, alertou o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (4). Ele ainda vinculou a possibilidade ao desejo da União Europeia de proibir a compra de gás russo e gás natural liquefeito. Os preços do petróleo e do gás dispararam após o ataque dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques de Teerã contra países árabes vizinhos do Golfo. O conflito paralisou a navegação no Estreito de Ormuz e forçou a interrupção da produção de GNL do Catar e da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Putin afirmou que os preços do petróleo estavam subindo devido à "agressão contra o Irã" e às restrições ocidentais ao petróleo russo, enquanto os preços do gás na Europa estavam subindo porque os consumidores estavam dispostos a comprar volumes de gás a preços mais altos devido aos eventos no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Questionado por Pavel Zarubin, principal correspondente do Kremlin na televisão estatal russa, sobre os planos europeus de impor uma proibição total às importações russas de gás natural por gasoduto até o final de 2027 e de proibir novos contratos de curto prazo de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que poderia ser mais benéfico para a Rússia parar de vender gás agora. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Agora outros mercados estão se abrindo. E talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento. Para entrarmos nesses mercados que estão se abrindo e nos estabelecermos neles", disse Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin. "Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que se chama de reflexão em voz alta. Vou certamente instruir o governo a trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas", disse o presidente russo. A Rússia detém as maiores reservas de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador de petróleo. Moscou perdeu grande parte de seu lucrativo mercado europeu depois que a Europa buscou reduzir sua dependência da energia russa devido à invasão da Ucrânia em 2022. O lugar da Rússia no mercado europeu foi ocupado pela Noruega, pelos Estados Unidos e pela Argélia. O mercado de gás perdido da Rússia A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás natural que chegava aos gasodutos da União Europeia. No ano passado, esse percentual caiu para apenas 6%, segundo a própria UE. Em 2007, a Gazprom, gigante russa do gás controlada pelo Estado, era a terceira maior empresa do mundo, com um valor de mercado superior a US$ 330 bilhões. Hoje, seu valor é de apenas US$ 40 bilhões. Putin afirmou que a Rússia era um fornecedor confiável, mas que o caos energético desencadeado pela crise com o Irã havia levado os compradores a estarem dispostos a pagar preços altíssimos por grandes volumes de gás. "Surgiram clientes dispostos a comprar o mesmo gás natural a preços mais altos, neste caso devido aos acontecimentos no Oriente Médio, ao fechamento do Estreito de Ormuz e assim por diante", disse Putin. "Isso é natural; não há nada aqui, não há agenda política – são apenas negócios." "Se surgirem compradores desse nível de qualidade, então eu acho, e até tenho certeza, que alguns fornecedores tradicionais, como os americanos e as empresas americanas, certamente deixarão o mercado europeu em busca de mercados que paguem mais", disse Putin. Com a Europa se afastando do gás russo, Moscou tem se voltado cada vez mais para a China, o maior consumidor e importador de energia do mundo, para a venda de petróleo, gás natural canalizado e GNL. "A Rússia sempre foi e continua sendo uma fornecedora de energia confiável para todos os nossos parceiros, incluindo, aliás, os europeus", disse Putin. "E continuaremos a trabalhar dessa maneira com aqueles parceiros que também são parceiros confiáveis — por exemplo, aqueles da Europa Oriental, como a Eslováquia e a Hungria."

A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), em que o banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser preso, também afastou dois servidores que ocuparam cargos importantes nos últimos anos no Banco Central (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Os dois, que já eram alvo de investigação interna do Banco Central, comandaram, respectivamente, a Diretoria de Fiscalização (Difis) e o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Eles foram afastados pelo BC em janeiro. 🔎O BC possui oito diretorias. Elas estão diretamente ligadas à presidência da instituição (veja mais abaixo). Os diretores são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Nas funções, os dois servidores afastados nesta quarta-feira (4) chegaram a assinar uma série de documentos hoje sob foco da PF por terem dado sobrevida a negócios suspeitos do Master. A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro conseguiu autorização para comprar o Banco Máxima. Entenda quais as atribuições dessas áreas chave do Banco Central. Diretoria de Fiscalização Como diz o nome do cargo, a Diretoria de Fiscalização (Difis) do Banco Central é a principal responsável pela supervisão das instituições autorizadas a operar no Brasil. Essa diretoria precisa estar sempre atenta ao risco que cada instituição apresenta e à saúde do sistema financeiro como um todo. No monitoramento feito das instituições, a chamada Difis acompanha o modelo de negócio e a solvência financeira dos bancos, ou seja, se eles têm condições de honrar obrigações, especialmente, as de longo prazo, e se estão cumprindo as normas e os regulamentos vigentes. No desempenho dessas atribuições, cabe ao chefe da Difis, por exemplo, representar o Banco Central no Comitê de Supervisão Bancária da Basileia em assuntos relacionados à área de fiscalização. Esse comitê é o fórum internacional para discussão e formulação de recomendações para o gerenciamento de riscos e de crises do sistema financeiro. Departamento de Supervisão O Departamento de Supervisão Bancária (Desup) está no guarda-chuva da Diretoria de Fiscalização do Banco Central. O Desup monitora o capital e a liquidez dos bancos e acompanha as práticas de gestão e de controle interno das instituições. Esse é o departamento que sinaliza sobre a necessidade de medidas preventivas e o que cuida da classificação de risco das instituições. Os integrantes do Desup também supervisionam conglomerados financeiros liderados por bancos, como é o caso do Master e das instituições ligadas a ele. INFOGRÁFICO - Organograma do Banco Central Arte/g1 Posicionamento do BC Em nota, o Banco Central declarou que a instituição está convicta no trabalho desenvolvido pela Polícia Federal (PF). O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal. O Banco Central afirmou ainda "que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei."

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou. A defesa disse que "em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades". As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado. 🔎 Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. Veja as principais informações da operação ponto a ponto: Por que Daniel Vorcaro foi preso de novo? Daniel Vorcaro foi preso novamente após pedido da PF. O ministro André Mendonça concordou com o pedido da polícia e fundamentou a prisão na necessidade de garantir a ordem pública e econômica, evitar destruição de provas e coação de testemunhas e para assegurar a aplicação da lei penal. As principais justificativas do ministro para decretar a nova prisão foram: Ocultação patrimonial: segundo o pedido de prisão, após ser solto liberdade, Vorcaro continuou ocultando recursos. A PF afirmou que, em janeiro de 2026, foram bloquados mais de R$ 2,2 bilhões de uma conta vinculada ao pai de Vorcaro. A defesa do pai de Vorcaro afirmou que desconhece a conta e o dinheiro. (veja mais detalhes) Ataques ao BC: De acordo com a investigação, logo após a soltura de Vorcaro em 2025, a organização criminosa que seria liderada por ele teria iniciado o "Projeto DV", contratando influenciadores para atacar a reputação do Banco Central. Periculosidade e uso de violência: A investigação da PF revelou diálogos em que Vorcaro emite ordens diretas para que sua "milícia privada", que tinha a alcunha de "A Turma", praticasse atos violentos. Entre os episódios citados, destaca-se o plano de forjar um assalto para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, do jornal "O Globo". Vorcaro explicitou a intenção de mandar "quebrar todos os dentes" do profissional. Obstrução de justiça e monitoramento ilegal: Vorcaro utilizava um grupo liderado Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", para acessar ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Interpol. Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre diligências investigativas, o que coloca em risco a integridade dos servidores públicos envolvidos na apuração. Risco de fuga e dilapidação patrimonial: No pedido de prisão, a PF relatou que Vorcaro possui jatos privados e extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais, além de evidências de que estaria dilapidando esses bens para evitar a aplicação da lei penal. PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Reprodução INFOGRÁFICO - Entenda nova fase da operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro Arte/g1 Quem mais foi preso? Além de Daniel Bueno Vorcaro, Mendonça decretou a prisão preventiva de outros três investigados, apontadas como necessárias para neutralizar o braço armado e financeiro da organização visando garantir a integridade física de autoridades, jornalistas e testemunhas. Fabiano Campos Zettel: Identificado como o operador financeiro e cunhado de Vorcaro. Ele era responsável por intermediar pagamentos, estruturar contratos simulados para lavar dinheiro e custear as atividades da "Turma". Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão: Preso em Belo Horizonte (MG), atuava como o líder operacional de "A Turma", a milícia privada do grupo. Era o responsável por coordenar o monitoramento de adversários, obter dados sigilosos ilegalmente, e executar atos de intimidação e coação. Marilson Roseno Da Silva: Policial federal aposentado que integrava a estrutura de monitoramento e intimidação e também foi preso em Belo Horizonte (MG). Utilizava sua experiência e contatos na carreira policial para coletar dados sensíveis e realizar vigilância de indivíduos considerados críticos aos interesses do Banco Master. Outros alvos da operação Além dos presos, outros investigados foram alvos da operação e vão ter que cumprir medidas cautelares. São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, Belline Santana, Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva. As restrições incluem: uso de tornozeleira eletrônica; proibição de manter contato com qualquer testemunha ou investigado da operação; proibição de ausentar-se da comarca de residência e do país, com entrega obrigatória do passaporte em 48 horas; suspensão do exercício de função pública e proibição de acesso às dependências do Banco Central (BC), especificamente para Paulo Sérgio e Belline. A dupla já havia sido afastada pelo BC. Paulo Sérgio e Belline ocupavam cargos de chefia no Banco Central. Em nota, o BC afirmou que já havia identificado indícios de 'vantagens indevidas' recebidas pelos dois e que afastou os servidores, do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas. Além disso, informou a PF sobre o caso. 'Puxão de orelha' na PGR Em um dos trechos da decisão, Mendonça deu "puxão de orelha" na Procuradoria-Geral da República (PGR). Em 27 de fevereiro, a PF pediu ao STF a prisão preventiva dos investigados, ao afirmar que o grupo mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação de pessoas ligadas às investigações. Ao receber o pedido, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. O órgão afirmou que não havia, no pedido, “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”. Na decisão, o ministro rebate essa avaliação. Segundo ele, a representação da Polícia Federal “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”. Mendonça afirma ainda que a urgência do caso é clara. “É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, destacou. O relator afirma que a avaliação da PGR ignorou indícios relevantes apresentados pela investigação. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de "robusto quadro fático-probatório" e que a demora revela-se "extremamente perigosa para a sociedade". Como funciona "A Turma"? "A Turma" é descrita nas fontes como um núcleo de intimidação e obstrução de justiça, funcionando como uma estrutura de vigilância e coerção privada, definida como uma "milícia privada", a serviço dos interesses de Daniel Bueno Vorcaro e do Banco Master. Liderança e composição Comando estratégico: Daniel Vorcaro emitia ordens diretas para atos de intimidação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas; Coordenação operacional: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (o "Sicário") era o responsável por organizar as diligências, coordenar as equipes e executar as ordens de monitoramento e pressão; e Operador técnico: Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, utilizava sua experiência e contatos para realizar vigilância, localizar alvos e coletar dados sensíveis. Modus operandi Obtenção ilegal de dados: O grupo acessava sistemas restritos de órgãos como a **Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até organismos internacionais como FBI e Interpol**, utilizando credenciais de terceiros para obter informações sigilosas. Monitoramento e vigilância: Realizavam o acompanhamento presencial e telemático de alvos, incluindo autoridades e profissionais da imprensa. Violência e coação: Há registros de ordens para "moer" funcionários e planos detalhados para forjar assaltos com o intuito de agredir fisicamente jornalistas. Atuação digital: O grupo simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para remover perfis e conteúdos críticos em plataformas digitais. Estrutura financeira Remuneração: Mensagens indicam que Luiz Phillipi recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para dividir entre "a turma" e "os meninos". Operacionalização: Os pagamentos eram viabilizados por Fabiano Zettel e Ana Claudia Queiroz de Paiva, utilizando empresas como a Super Empreendimentos e a King Participações como contas de passagem para ocultar a origem do dinheiro. Ameaças a jornalista e empregados As ameaças e ações de coerção visavam silenciar críticos e garantir os interesses do Banco Master. Entre os alvos, o jornalista Lauro Jardim. Vorcaro demonstrou descontentamento com notícias publicadas pelo profissional e ordenou monitoramento constante. "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", escreveu o banqueiro. Luiz Phillipi Mourão confirmou que colocaria pessoas seguindo o jornalista para "pegar tudo dele". Vorcaro também utilizava "A Turma" para exercer controle e intimidar colaboradores que considerava uma ameaça. Ao se sentir ameaçado por uma funcionária, Vorcaro ordenou: "Tem que moer essa vagabunda", solicitando em seguida que seu endereço fosse levantado para futuras ações. Para intimidar um funcionário que teria feito uma gravação indesejada, Vorcaro sugeriu agressões a um chefe de cozinha ligado ao funcionário. "O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", escreveu. Luiz Phillipi Mourão realizava o acompanhamento presencial e telemático de ex-colaboradores, chegando a questionar Vorcaro se havia telefones específicos para monitorar. Espionagem e acesso ilegal a dados O grupo utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas sigilosos para obter informações sensíveis sobre alvos de interesse. Luiz Phillipi Mourão também fraudava solicitações oficiais de órgãos públicos, para remover perfis e links negativos em plataformas digitais. O grupo obtinha informações sigilosas mediante o acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos. Para isso, utilizavam credenciais funcionais pertencentes a terceiros, o que permitia a extração de dados protegidos por sigilo institucional. De acordo com a PF, o grupo acessou ilegalmente bases de dados da: Polícia Federal (PF); Ministério Público Federal (MPF); Organismos internacionais, especificamente o FBI e a Interpol. As atividades incluíam a obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas, concorrentes empresariais e ex-empregados. Marilson Roseno da Silva realizava vigilância presencial, localizava alvos e realizava diligências informais para levantamento de informações estratégicas. O grupo monitorava até mesmo telefones de indivíduos de interesse para acompanhar seus passos. Viagem à Disney; propina para servidores A atuação de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores do BC é descrita como uma cooptação institucional para servir aos interesses privados do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro. Ambos os servidores atuavam como uma espécie de "consultores informais" e Vorcaro e do Banco Master. Paulo Sérgio dava sugestões a Vorcaro sobre como se comportar e quais argumentos utilizar em reuniões com o próprio presidente do Banco Central. Os servidores também revisavam documentos como minutas de ofícios e comunicações que o Banco Master pretendia enviar ao Departamento de Supervisão Bancária, onde trabalhavam, antes da formalização dos documentos, sugerindo alterações e ajustes estratégicos. Também utilizavam seus cargos para antecipar informações sensíveis da autarquia. Paulo Sérgio chegou a alertar Vorcaro antecipadamente sobre movimentações financeiras que haviam sido detectadas pelos sistemas de monitoramento do BC, permitindo que o banco tomasse medidas para evitar questionamentos regulatórios. Existia um grupo de mensagens específico entre Vorcaro, Paulo Sérgio e Belline para a discussão direta de estratégias e compartilhamento de documentos de interesse do Banco Master. Recebimento de vantagens indevidas A "assessoria" prestada pelos servidores era remunerada por meio de mecanismos ilícitos. Belline Santana recebeu propostas de contratação simulada por meio da empresa Varajo Consultoria para justificar o repasse de propinas. Segundo a PF, há fortes indícios de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio custeando despesas pessoais, como a contratação de guias para uma viagem do servidor e sua família aos parques da Disney e Universal, em Orlando (EUA). As investigações identificaram uma estrutura de lavagem de dinheiro para que os pagamentos não saíssem diretamente de Vorcaro para os servidores, utilizando "contas de passagem" e empresas interpostas. R$ 2 bilhões 'ocultados' na conta do pai Segundo a PF, Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto no fim de 2025. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do caso do Master. Vorcaro foi preso. 🛫 Segundo o documento, a PF sustenta que o risco de fuga de Vorcaro permanece elevado, citando a existência de “jatos privados” à disposição do investigado e um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”. 💵 Os investigadores também afirmam que começam a aparecer sinais de dilapidação desse patrimônio, o que reforçaria a necessidade da prisão. Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, afirmou que "são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade". "A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas", disseram os advogados. As autoridades relatam que as descobertas só foram possíveis após a Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026. 💰 Na ocasião, medidas de bloqueio financeiro revelaram um montante de R$ 2.245.235.850,24, registrado na conta do pai do banqueiro e mantido junto à CBSF DTVM, mais conhecida no mercado como REAG. Ocultação ocorria enquanto FGC sangrava No mesmo trecho, a PF faz uma comparação direta entre a ocultação dos recursos e o prejuízo causado pelo Banco Master, que teria deixado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro — valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). "Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade", afirmou a PF. Os investigadores afirmam ainda que a conduta delitiva “se perpetuou mesmo após” a soltura do banqueiro, reforçando a tese de reiteração criminosa.

Donald Trump, presidente dos EUA, e Pedro Sanchez, primeiro-ministro da Espanha Yves Herman/Reuters Após Trump ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha na terça-feira (3), a Casa Branca disse nesta quarta-feira (4) que o país aceitou cooperar com o exército dos EUA. Minutos depois, o ministro das Relações Exteriores espanhol negou "de forma categórica" que o país vá cooperar, em entrevista à rádio Cadena SER. Karoline Leavitt, porta-voz da Casa-Branca, disse em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira: "Sobre a Espanha, acho que eles ouviram a mensagem de Trump ontem de forma alta e clara. E entendo que nas últimas horas eles concordaram em cooperar com os militares dos EUA. Sei que as Forças Armadas dos EUA estão coordenando com seus correspondentes na Espanha". Vinte minutos depois, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, desmentiu “de forma categórica” a informação e disse que "não tinha a mínima ideia” do que Leavitt estava dizendo. “A posição do Governo da Espanha sobre a guerra no Oriente Médio, os bombardeios no Irã e o uso das nossas bases não mudou uma vírgula sequer”, afirmou Albares. “Nossa posição de ‘não à guerra’ continua sendo clara e contundente (...) Há um acordo bilateral, e fora do marco desse acordo não haverá nenhum uso das bases sob soberania espanhola. Qualquer operação precisa estar dentro do marco da ONU.” Mais cedo, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez disse que Trump está "brincando de roleta russa" com o destino de milhões de pessoas com a guerra contra o Irã e que ele não seria cúmplice das ações norte-americanas apenas pelo medo de retaliação. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: ACOMPANHE as últimas notícias sobre a guerra no Oriente Médio A fala de Sánchez ocorreu após Trump ter ameaçado cortar as relações comerciais com a Espanha devido à posição do país sobre o conflito. O líder norte-americano reclamou que os espanhóis não deixaram os EUA utilizarem suas bases para lançar ataques contra o Irã (leia mais abaixo). “É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, disse Sánchez a Trump em pronunciamento nacional televisionado. As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram após Sánchez ter classificado os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã como imprudentes e ilegais e, posteriormente, proibir o uso de aeronaves americanas nas bases que os EUA têm no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã. Veja no mapa abaixo onde elas estão: Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã. Dhara Pereira/Arte g1 A Comissão Europeia também saiu em defesa da Espanha nesta quarta-feira ao afirmar que está “pronta” para defender os interesses da União Europeia. Sánchez também afirmou que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas, e que o governo espanhol é totalmente contra essa guerra. “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, afirmou Sánchez, em aparente referência às ameaças comerciais de Trump. Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da Guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a disparada nos preços da energia, para argumentar que as consequências deste ataque ao Irã são igualmente incertas e que ele não levará a uma ordem internacional mais justa. Trump ameaçou cortar relações comerciais com a Espanha Trump fala na Casa Branca em 03 de março de 2026 Mark Schiefelbein/AP Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que os EUA iriam Pocortar todas as relações comerciais com a Espanha depois que o governo espanhol não autorizou o uso de suas bases pelos militares norte-americanos no ataque ao Irã. "A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott [Bessnet, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la", disse Trump. Após a fala de Trump, o governo espanhol disse que os EUA devem seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia. A declaração de Trump foi dada durante entrevista na Casa Branca. Ele falou sobre a ofensiva americana ao Irã enquanto recebia o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz. Seguindo com sua postura otimista, Trump falou sobre o ataque feito ao prédio da Assembleia dos Peritos, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, e afirmou: "Tudo foi destruído no Irã. Estamos muito bem. Hoje houve outro ataque à nova liderança. O pior cenário é que alguém tão ruim quanto o anterior assuma o poder. Gostaríamos de ver alguém lá que seja melhor". O presidente norte-americano também aproveitou para condenar o governo iraniano e acusou Teerã de atacar civis. "O Irã está atacando países que não têm nada a ver com o que está acontecendo. Está atingindo apenas instalações civis", afirmou. Também nesta terça, um general da Guarda Revolucionária iraniana advertiu que se os bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã continuarem, "todos os centros econômicos" do Oriente Médio serão alvo de represálias. "Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região", afirmou o general Ebrahim Jabari. "Fechamos o estreito de Ormuz. Atualmente, o preço do petróleo passa dos 80 dólares e em breve atingirá os 200 dólares", acrescentou, citado pela agência de notícias Isna. O barril do Brent superou, nesta terça-feira, os 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024.

EUA afirmam ter atacado mais de 20 navios do Irã Diante do temor de que a guerra se prolongue, os super-ricos de Dubai começaram a deixar o opulento centro de negócios por todos os meios possíveis, às vezes pagando centenas de milhares de dólares. A cidade dos Emirados Árabes Unidos recebe há décadas pessoas ricas atraídas pelos baixos impostos, pela segurança, pelo luxo e por um governo favorável aos negócios. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No entanto, nos últimos dias, com drones e mísseis cruzando os céus, alguns estão pagando grandes quantias para garantir uma rota de fuga segura. A tarefa é difícil porque o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos está parcialmente fechado. "Quando vimos o fogo, dissemos: 'OK, é hora de ir embora'", contou Evrim, uma mulher turca, mãe de dois filhos, referindo-se à explosão causada por destroços de um míssil que atingiram um hotel de luxo perto de sua casa, em Palm Jumeirah, o arquipélago artificial que se tornou símbolo da ostentação da cidade. Ela, o marido e os dois filhos pagaram US$ 200 mil (R$ 1,03 milhão) para voar do vizinho sultanato de Omã até Genebra, na Suíça, onde pretendem esperar o fim da guerra. Para chegar à capital omani, Mascate, tiveram de dirigir seis horas pelo deserto. "Estamos muito nervosos (...), principalmente por causa das crianças. Quando ouviram o som da explosão, ficaram assustadas", disse à AFP, referindo-se às interceptações de mísseis. Evrim temia que sair se tornasse ainda mais difícil se o conflito se agravasse, sobretudo caso a Arábia Saudita, que controla grande parte do espaço aéreo regional, entrasse na guerra. Com grandes parques temáticos e hotéis de luxo, o prédio mais alto do mundo e até um enorme shopping com pista de esqui coberta, Dubai se tornou destino popular entre ricos e celebridades. Mas seu status de refúgio seguro em uma região volátil agora está em risco. Desde o último sábado, os Emirados foram alvo de mais de 800 drones e 200 mísseis, que deixaram três mortos, no que representa a parte mais intensa da campanha de represálias do Irã contra países do Golfo após a ofensiva de Estados Unidos e Israel que matou seu líder supremo, Ali Hosseini Khamenei. Entre os locais atingidos estão aeroportos e infraestruturas petrolíferas. "Nosso lar" Mulher caminha por rua após ataque, em meio ao conflito das duas nações com o Irã, em Teerã Majid Asgaripour/WANA via Reuters Vários governos estrangeiros, incluindo os do Reino Unido e da Alemanha, estão enviando aviões a Omã para evacuar seus cidadãos, já que poucos voos operam a partir dos Emirados. Mesmo assim, muitos super-ricos estão encontrando maneiras de fugir. Segundo Glenn Phillips, encarregado de relações públicas da Air Charter Service, empresa que organiza voos em jatos privados, "a demanda está aumentando claramente". "Já organizamos vários voos de evacuação e há mais programados para hoje e amanhã, principalmente a partir de Mascate, em Omã, para pessoas que querem sair de Dubai", explicou. Os preços estão disparando devido à escassez de aeronaves, já que muitas estão em aeroportos fechados. Além disso, operadores de jatos privados hesitam em voar por motivos de segurança. A rota por Omã é a mais popular, acrescentou Phillips, mas o congestionamento na fronteira com os Emirados é tão grande que alguns chegam a esperar três ou quatro horas para atravessá-la. Se a guerra se prolongar, haverá cada vez menos aviões disponíveis, advertiu. Também aumentou a demanda por carros particulares para sair dos Emirados, especialmente entre ricos de países ocidentais, disse Mike D'Souza, coordenador de operações da empresa Indus Chauffeur, em Dubai. Muitos estão deixando o país pela Arábia Saudita, cujos aeroportos continuam operando. No entanto, conseguir visto para entrar no reino tem sido um desafio para alguns evacuados. LEIA TAMBÉM Gasolina, indústria e agro: veja como a guerra no Irã pode pesar no bolso do brasileiro Entre os que ficaram retidos, os que têm renda mais modesta enfrentam ainda mais dificuldades para sair. Um britânico que preferiu não revelar o nome disse à AFP que conseguir lugar em um voo comercial a partir de Mascate foi extremamente difícil para ele, sua esposa grávida e seu filho de três anos. "Os preços são extremamente altos e os assentos desaparecem rapidamente quando tentamos reservar", afirmou. No fim, conseguiram passagens para um voo até Hyderabad, na Índia, de onde pretendem seguir para a Tailândia. "Embora meu filho não entenda o que está acontecendo, ele está claramente confuso, e minha esposa também tem estado nervosa", contou. "Dito isso, claro que amamos Dubai e a consideramos nosso lar. Pretendemos voltar assim que nosso filho nascer e as coisas se acalmarem", acrescentou. Uma vista geral do luxuoso Hotel Burj al-Arab na área de Jumeirah, em Dubai, Emirados Árabes Unidos Karim Sahib/Reuters

Miriam: celulares de Daniel Vorcaro tinham ameaças a adversários, inclusive jornalistas A crise envolvendo o Banco Master teve novo desdobramento nesta quarta-feira (4), com a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição. A detenção, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre em meio a investigações da Polícia Federal (PF) sobre uma rede que envolve fraudes, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma "milícia privada" para intimidar opositores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O banqueiro era controlador do Master, cujo encerramento das atividades no ano passado por decisão do Banco Central (BC) também resultou na liquidação de outras empresas do grupo, afetando milhões de clientes e exigiu o ressarcimento de bilhões de reais pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Veja abaixo os principais pontos para entender o colapso do conglomerado e a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? O que diz a decisão de André Mendonça que levou à nova prisão de Vorcaro? Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? O papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) 1. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Foto de 28 de fevereiro de 2026 mostra o prédio que abrigava o Banco Master, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, cercado por tapumes Felipe Cordeiro/g1 O Banco Master teve origem em 1974, como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, passou por expansões e mudanças societárias até se transformar em um conglomerado financeiro com atuação em crédito, investimentos e gestão de recursos. Sob o controle do banqueiro Daniel Vorcaro, a instituição ganhou visibilidade ao oferecer produtos de renda fixa, como CDBs, com rendimentos muito acima da média do mercado — estratégia que acabou encobrindo uma grave crise de liquidez e insolvência. O Banco Central classificava o Master como um conglomerado de pequeno porte (segmento S3), com cerca de 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em 18 de novembro de 2025, o grupo sofreu liquidação extrajudicial devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira e ao descumprimento de normas do sistema bancário. As principais empresas do Conglomerado Master ou ligadas ao grupo eram: Banco Master S/A – instituição líder do conglomerado. Banco Master de Investimento S/A – braço voltado a operações de investimento. Banco Letsbank S/A – anteriormente ligado ao Banco Master e liquidada pelo BC Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – corretora do conglomerado. Banco Master Múltiplo S/A – entidade submetida a regime especial para tentar preservar as controladas. Will Bank (Will Financeira S.A.) – banco digital voltado a clientes de baixa renda, adquirido em 2024 e liquidado em janeiro. Banco Pleno – outra instituição do grupo que também entrou em processo de liquidação. Reag Investimentos – embora apresentada como gestora independente, investigações indicam que era ligada ao Banco Master e teria participado da estruturação de fundos usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição. Em janeiro, o BC decretou aliquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Trata-se da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. Volte ao índice. 2. Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, foi motivada por uma combinação de deterioração financeira acelerada, indícios de fraude e descumprimento de normas regulatórias. Segundo os documentos oficiais, os principais fatores foram: Crise de liquidez e risco de insolvência: o BC apontou “comprometimento da situação econômico-financeira” e “deterioração da liquidez”, indicando que o banco já enfrentava risco concreto de quebra. Captação a custos elevados: para cobrir rombos operacionais, a instituição passou a oferecer CDBs com taxas muito acima do mercado — até 40% superiores à média ou entre 130% e 180% do CDI. Especialistas interpretam essa estratégia como um sinal de emergência financeira, após a perda de acesso a crédito mais barato. Exposição a ativos de alto risco: o banco concentrou recursos em investimentos considerados arriscados, como precatórios de recebimento incerto e empresas em dificuldades. Fraudes e emissão de títulos sem lastro: a Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, apurou a criação de carteiras de crédito fictícias. O Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar capacidade de pagamento, usando ativos inexistentes adquiridos da empresa Tirreno para inflar artificialmente o patrimônio. Descumprimento de regras do sistema financeiro: o BC citou violação às normas bancárias e desobediência a determinações da própria autoridade monetária. Fracasso nas tentativas de venda: negociações para evitar a quebra, como a proposta envolvendo o Banco de Brasília (BRB), não avançaram por falta de transparência, questionamentos de órgãos de controle e vínculos com investigações criminais. A liquidação foi decretada após o anúncio de uma nova tentativa de venda para a Fictor Holding, considerada inviável pelo BC diante da insolvência do grupo. Além da liquidação, houve bloqueio de bens dos controladores e a primeira prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. À época, ele foi preso em flagrante, mas deixou a prisão após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que também determinou a soltura dos outros quatro executivos do banco. Volte ao índice. 3. Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Agentes da Polícia Federal entram no BRB, Banco de Brasília, durante uma operação contra a emissão fraudulenta de títulos de crédito por instituições financeiras, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, em Brasília, Brasil, 18 de novembro de 2025. Reuters/Mateus Bonomi A tentativa de compra de 58% do capital do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada em março de 2025 por cerca de R$ 2 bilhões, teve como principais motivações a expansão estratégica da instituição e o respaldo político do governo do Distrito Federal. Segundo as fontes, os objetivos da operação incluíam: Formação de um grande conglomerado: a meta era criar uma instituição financeira de maior porte, com aproximadamente R$ 100 bilhões em ativos totais. Ampliação da atuação nacional: o BRB buscava reforçar sua presença fora do Distrito Federal, onde já mantinha agências em diversos estados. Fortalecimento patrimonial e estratégico: o plano previa que o BRB assumisse o controle do Master, com a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total. Apoio do Governo do DF: o governador Ibaneis Rocha foi um dos principais defensores da transação e sancionou em tempo recorde a lei aprovada pela Câmara Legislativa que autorizava a compra. “Socorro” financeiro sob investigação: embora apresentada publicamente como uma estratégia de expansão, investigações da Polícia Federal indicam que a operação teria funcionado como um alívio financeiro para o Banco Master, que enfrentava custos elevados de captação. A PF passou a apurar ainda se houve uso de créditos falsos para reforçar o caixa da instituição no mesmo período em que o BRB tentava viabilizar a compra e convencer os órgãos de controle sobre a solidez do negócio. A negociação foi barrada pela diretoria colegiada do Banco Central em setembro, sob o argumento de que não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a viabilidade econômico-financeira da operação. Posteriormente, o fracasso dessa transação e de outras iniciativas malsucedidas contribuiu para desgastar o patrimônio e a credibilidade do BRB no mercado. Volte ao índice. 4. Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? A tentativa frustrada de compra e a aquisição de ativos suspeitos entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master geraram impactos financeiros, jurídicos e políticos, com reflexos sobre o patrimônio público do Distrito Federal. Entre as principais consequências estão: Deterioração do patrimônio e da credibilidade do BRB, que precisou apresentar um plano preventivo de capitalização ao Banco Central; Afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa e investigações da Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta; Prejuízo de R$ 12,2 bilhões na compra de créditos considerados inexistentes da empresa Tirreno, vista como possível socorro irregular ao Master. Diante do rombo, o governador Ibaneis Rocha propôs transferir imóveis públicos ao BRB para viabilizar captação de recursos. O BC exigiu que o banco reservasse R$ 3 bilhões adicionais. O caso também provocou desgaste político e questionamentos de órgãos de controle, como o Ministério Público do DF e o Ministério Público de Contas. Volte ao índice. 5. Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Banco Master Daniel Vorcaro é o controlador do Banco Master e começou sua trajetória quando a instituição ainda era a Máxima Corretora, que transformou em conglomerado financeiro até a liquidação do banco. Ele foi preso duas vezes na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A primeira, em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ocorreu durante tentativa de deixar o país e envolveu suspeitas de emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro, por meio de créditos inexistentes da empresa Tirreno. As acusações incluem gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A segunda prisão aconteceu nesta quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após análise de mensagens no celular do empresário, com indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro. Volte ao índice. 6. O que diz a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro? A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), foi baseada na existência de uma organização criminosa com atuação violenta, interferência em órgãos reguladores e risco à apuração dos fatos. Foi a primeira medida de grande impacto de Mendonça após assumir a relatoria do caso, no lugar de Dias Toffoli. Os principais fundamentos da decisão foram: “Milícia privada”: as investigações apontam a existência de um grupo chamado “A Turma”, usado para monitorar e intimidar ilegalmente opositores, autoridades e jornalistas. Ameaças de violência: mensagens indicam ordens para agredir um jornalista e “quebrar todos os dentes” em um assalto forjado, além de menções à simulação de sequestros. Cooptação de servidores do BC: a decisão descreve o suborno de chefias da supervisão bancária do Banco Central, que atuariam como “consultores informais” do banqueiro, revisando documentos e antecipando fiscalizações em troca de pagamentos mensais de até R$ 1 milhão. Espionagem e invasão de sistemas: o grupo é acusado de acessar ilegalmente bases sigilosas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI. Risco à ordem pública e à investigação: segundo Mendonça, a liberdade dos investigados poderia gerar novas intimidações, destruição de provas e continuidade da lavagem de dinheiro. Danos bilionários: o esquema envolve a fabricação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovação de liquidez. Além da prisão de Vorcaro, a decisão determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens e valores do grupo, o afastamento de servidores do Banco Central (com uso de tornozeleira eletrônica) e a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao banqueiro. Volte ao índice. 7. Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Ministro Dias Toffoli, durante a sessão plenária do STF. Gustavo Moreno/STF O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, teve papel central no caso do Banco Master: foi relator do inquérito, concentrou decisões no STF, decretou sigilo e autorizou buscas e bloqueios de valores. Sua atuação passou a ser questionada após a confirmação de que é sócio da Maridt Participações, empresa familiar que realizou negócios com fundo ligado à Reag Investimentos, grupo relacionado ao Master, incluindo a venda de participação no resort Tayayá. Também surgiram controvérsias sobre um voo em avião particular com advogado ligado à defesa e menções a seu nome em mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou a relatoria por “interesse institucional”. O caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que passou a conduzir o inquérito e autorizou nova prisão de Vorcaro. Volte ao índice . 8. Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda Divulgação A crise do grupo Master levou o Banco Central a decretar a liquidação de sete instituições do conglomerado desde novembro de 2025, entre elas o o Banco Letsbank (BlueBank), Banco Pleno, Will Bank e corretoras vinculadas. A medida suspendeu imediatamente as operações dos bancos, deixando milhões de clientes com saldos bloqueados, que dependem do ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e dos procedimentos dos liquidantes. A situação varia conforme o tipo de produto e a instituição: 1. Clientes com investimentos (CDB, LCI, LCA e poupança) Esses investidores estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Limite: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo principal e rendimentos até a data da liquidação. Banco Master: o processo está avançado; cerca de 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, somando R$ 37,2 bilhões. Os casos pendentes envolvem situações mais complexas, como inventários e contas de menores. Will Bank e Banco Pleno: as listas de credores ainda não foram concluídas pelo liquidante, e o FGC não iniciou o pagamento geral. Houve apenas uma antecipação para clientes do Will Bank com até R$ 1 mil a receber. 2. Clientes do Will Bank (contas de pagamento) Este é o caso mais crítico, pois o banco digital tinha cerca de 12 milhões de clientes, em sua maioria de baixa renda. Sem cobertura do FGC: por ser instituição de pagamento, os saldos das contas digitais não são garantidos pelo FGC. Devolução integral via BC: por lei, esses recursos devem ficar segregados e custodiados no Banco Central, devendo ser devolvidos aos clientes. Bloqueio: a liberação depende da conclusão do levantamento contábil do liquidante; enquanto isso, há relatos de dificuldades para pagar despesas básicas. 3. Valores acima do teto do FGC Quem tinha mais de R$ 250 mil investidos tornou-se credor da massa liquidanda. O recebimento do excedente não é garantido e depende da venda dos ativos das instituições ao longo do processo. Investidores institucionais, como fundos de pensão de servidores públicos, que aplicaram quase R$ 2 bilhões no grupo, também estão nessa fila, sem proteção do FGC. 4. Empréstimos e cartões Dívidas: a liquidação não extingue obrigações. Parcelas de empréstimos, financiamentos e faturas devem continuar sendo pagas para evitar juros e negativação. Cartões: os cartões do Will Bank tiveram a aceitação suspensa pela Mastercard por inadimplência da financeira. Aplicativos: permanecem acessíveis apenas para consulta de saldo e extratos; transferências, saques e PIX estão desativados. Volte ao índice . 9. O papel do FGC no caso Master Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve papel central no caso do Banco Master, atuando desde o socorro financeiro inicial até o ressarcimento em larga escala de investidores após a quebra das instituições do grupo. As principais funções e impactos do FGC, segundo as fontes, foram: Socorro financeiro pré-liquidação Antes da decretação da liquidação extrajudicial, o FGC tentou evitar o colapso do Banco Master. Em maio de 2025, concedeu uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões à instituição, renovada duas vezes enquanto o banco buscava compradores. Após a liquidação, o FGC passou a ser responsável por devolver recursos à maioria dos clientes, dentro dos limites legais. Limite de cobertura: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para investimentos em CDB, LCI, LCA, poupança e depósitos à vista. Volume de pagamentos: estima-se um desembolso de cerca de R$ 51 bilhões para cobrir as quebras de Master, Will Bank e Banco Pleno. Status do Master: aproximadamente 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, totalizando R$ 37,2 bilhões. Antecipação no Will Bank: devido ao perfil mais vulnerável dos clientes do banco digital, o FGC antecipou pagamentos para cerca de 6 milhões de pessoas com até R$ 1 mil a receber. O volume elevado de saques drenou significativamente os recursos do FGC, que perdeu quase um terço do seu caixa, antes estimado em cerca de R$ 140 bilhões. Para recompor o patrimônio e preservar a estabilidade do sistema financeiro, o fundo estuda medidas como: antecipação das contribuições dos bancos associados; criação de cobranças extras e aumento das taxas para instituições de maior risco (de 0,01% para 0,02% ao mês sobre os depósitos); uso de parte do depósito compulsório junto ao Banco Central. Volte ao índice.

Presidente do BRB fala à TV Globo sobre crise vivida pela instituição A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (3) o projeto de lei que autoriza o repasse de nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Foram 14 votos a favor e 10 contra nos dois turnos. O texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em entrevista exclusiva à TV Globo nesta quarta-feira (4), o presidente da instituição Nelson Antônio de Souza disse que, agora, a melhor opção é criar um fundo de investimento imobiliário (FII) e vender as cotas dos imóveis para investidores qualificados. "Não geraria uma PNT ou uma prestação nem iria mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal do governo do Distrito Federal. Assim, esses imóveis seriam teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", afirmou. 🔎 O FII foi criado pela Lei Federal 8.668/93 e é regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). São carteiras compostas por imóveis selecionados e administrados por uma instituição financeira, previamente autorizada pela Comissão a operar. Os lucros dos FIIs devem ser distribuídos periodicamente aos cotistas. Segundo Nelson de Souza, o BRB é responsável, atualmente, por 64% dos financiamentos imobiliários do DF e injeta R$ 215 milhões na economia local. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Plano de recuperação O presidente da instituição garantiu que o plano de recuperação vai ser apresentado ao Banco Central dentro do prazo, no fim deste mês. Ele também defendeu a responsabilização dos responsáveis pelo prejuízo bilionário. "Nós vimos que faltou um pouco, faltou um pouco de governança e alguns fluxo no processo não foi observado e aquela tentativa talvez de salvar uma liquidez de outro banco ou do próprio capital levou a fragilidades", diz Nelson de Souza. Ainda segundo estimativas do próprio banco, uma eventual liquidação do BRB causaria um impacto de R$ 20 a R$ 25 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que faz o ressarcimento dos credores. 🔎 O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Nelson de Souza nega a possibilidade de liquidação ou federalização do banco. "O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou o presidente da instituição. Banco Central determina que BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança Reprodução/TV Globo Quais são os imóveis? O g1 teve acesso aos imóveis e valores especificados pela Terracap: SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão; Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões; "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão: R$ 2,2 bilhões; Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Irã afirma que tomou controle do estreito de Ormuz e mercados asiáticos despencam A guerra entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou nesta quarta-feira (4), depois que um ataque norte-americano atingiu um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio. O ataque do submarino norte-americano ao navio iraniano ocorreu no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu fornecer segurança e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços da energia. LEIA TAMBÉM: EUA reivindicam ataque de submarino a navio de guerra do Irã; 80 morreram, e há desaparecidos Trump desafia Irã e diz que EUA vão escoltar navios no Estreito de Ormuz 'se necessário' Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, bem como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo, incluindo Iraque, Arábia Saudita e Catar, de acordo com estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic. Por que o Estreito de Ormuz é tão importante? Centenas de outras embarcações permaneceram fora de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos, segundo dados de transporte marítimo. A hidrovia é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL. O navio porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, também foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do Estreito de Ormuz, levando a tripulação a abandonar o navio, segundo fontes do setor de transporte marítimo. O Catar suspendeu sua produção de gás e o Iraque reduziu sua produção de petróleo, pois ambos ficaram sem espaço para armazenamento. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuweit também estavam com dificuldades para carregar petróleo, mas ainda não estava claro se eles reduziram a produção. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1 Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters

BYD Song Plus ganha turbo e mantém preço da versão anterior, de R$ 249.990 A BYD renovou o Song Plus, segundo híbrido mais vendido do Brasil em 2025. Por fora, quase nada muda, mas o modelo evoluiu em eficiência e reforça a disputa com seu principal rival, o GWM Haval H6 PHEV. A principal novidade está no conjunto mecânico: o motor 1.5 aspirado, usado desde o lançamento do Song Plus no Brasil, em 2022, foi substituído por um propulsor turbo. Ele trabalha em conjunto com o motor elétrico, ampliando desempenho e eficiência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A bateria também aumentou, passando de 18,3 kWh para 26,3 kWh. Com essa nova capacidade, o SUV médio consegue andar 99 km com uma carga e reduz a diferença em autonomia quando comparado aos modelos que mais rodam no modo 100% elétrico, segundo o Inmetro: GWM Wey: 128 km com uma carga; GWM Haval H6 GT e PHEV35: 119 km com uma carga. BYD Song Plus divulgação/BYD Com a nova bateria, a BYD promete alcance combinado de até 1.150 km, somando energia elétrica e combustível. O valor chama atenção, mas fica abaixo dos 1.200 km declarados para o BYD Song Plus sem motor turbo. Para facilitar a recarga da bateria, o BYD Song Plus passou a contar com carregador rápido, que permite carga completa em 55 minutos — antes, o processo levava cerca de três horas na tomada. Com isso, fica claro que a BYD teve como principal alvo o GWM Haval H6 ao decidir atualizar o Song Plus no Brasil. O Wey 07 foca em um público mais abastado ao custar consideravelmente mais: R$ 429 mil. Song Plus será produzido no Brasil Além das novidades técnicas do SUV médio, a BYD já havia confirmado que o Song Plus está entre os modelos que serão montados na fábrica de Camaçari (BA), onde antes operava a planta da Ford responsável por veículos como o EcoSport. Com isso, o Song Plus será o quarto modelo produzido no Brasil. Os anteriores foram: Dolphin Mini King Song Pro A meta da BYD é alcançar uma produção anual de 600 mil veículos, volume superior ao registrado por concorrentes com grandes fábricas no Brasil, como o grupo Stellantis na unidade de Betim (MG), que produziu 525 mil unidades em 2025. As demais fábricas do grupo, responsável por marcas como Fiat, Peugeot e Jeep, colocaram 317 mil veículos no mercado: 250 mil produzidos em Goiana (PE) e outros 67 mil em Porto Real (RJ). Concorrência cresceu para o Song Plus Quando chegou ao Brasil, em 2022, o BYD Song Plus encontrou um mercado praticamente sem concorrentes com sistema híbrido plug-in. A GWM ainda não atuava no país, e as marcas já presentes demonstravam pouco interesse nesse tipo de tecnologia. Estes foram os 10 carros híbridos plug-in mais vendidos em 2022, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): Caoa Chery Tiggo 8: 1.941 emplacamentos; Volvo XC60: 1.879 emplacamentos; BMW X5: 1.003 emplacamentos; Land Rover Discovery: 935 emplacamentos; Volvo XC90: 879 emplacamentos; Porsche Cayenne: 787 emplacamentos; BMW X3: 759 emplacamentos; BMW 330e: 609 emplacamentos; Land Rover Range Rover: 537 emplacamentos; Audi Q5: 437 emplacamentos. Esse cenário favorável levou o modelo à segunda colocação no ranking dos veículos eletrificados mais vendidos do Brasil já no ano seguinte. O Song Plus ficou atrás apenas do Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, que somou 10.283 emplacamentos, contra 7.669 unidades vendidas da versão GS do SUV da BYD. Na comparação com o líder de 2022 no segmento de híbridos plug-in, o Song Plus registrou um volume de vendas quase quatro vezes maior. Em 2024, o Song Plus superou o Corolla Cross no ranking geral de eletrificados e manteve essa posição em 2025. No entanto, perdeu a liderança para outros modelos da própria BYD, como o Dolphin Mini GS e o Song Pro GS. Hoje, o Song Plus enfrenta concorrentes diretos que vão além do Haval H6, com preço circulando na mesma faixa de preço. Um deles é o Jaecoo 7, que adota visual mais aventureiro e aposta em uma autonomia combinada de até 1.200 km, com bateria carregada e tanque cheio. O preço sugerido do Jaecoo 7 parte de R$ 234.990 e chega a R$ 256.990, a depender da versão escolhida. Outro concorrente recente é o Leapmotor C10, que aposta em um visual mais arredondado. Ele não promete a mesma autonomia total dos rivais, mas se destaca por ser o primeiro híbrido do tipo REEV vendido no Brasil. Nesse tipo de veículo, o motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para as baterias. Elas alimentam os motores elétricos, que são os únicos responsáveis pela tração do SUV. No Brasil, o C10 híbrido custa R$ 219.990. Nomenclatura da BYD é confusa Apesar de compartilharem o mesmo nome, diferenciados apenas pelo sufixo, Song Plus e Song Pro são modelos distintos e com preços em patamares diferentes: BYD Song Plus (2025): R$ 249.900; BYD Song Pro: entre R$ 189.990 e R$ 199.990. BYD Song Pro será um dos modelos produzidos no Brasil Divulgação Enquanto no iPhone a versão Pro é mais completa e cara que a Plus, nos Song Plus essa lógica é invertida. De forma resumida: o BYD Song Pro é uma versão mais comprida, só que com menos espaço no porta-malas, acabamento com menor quantidade de áreas com toque macio e menos equipada que o Plus. Ambos compartilham o mesmo sistema híbrido DM-i com motor 1.5 a gasolina, mudando a capacidade da bateria — menor no Pro. Há ainda uma segunda variação do Song Plus, chamada Song Plus Premium. Entre os diferenciais estão a tração integral, mais alto-falantes distribuídos pela cabine e um carregador adicional de celular por indução. Essa versão também estreou o motor 1.5 turbo, agora adotado no Song Plus sem sufixo. Com esse pacote mais completo, o BYD Song Plus Premium tem preço de R$ 299.800. *Essa reportagem está em atualização.

'O Globo' repudia iniciativas criminosas contra Lauro Jardim A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) repudiaram as ameaças feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal "O Globo". Veja a nota das associações na íntegra ao final desta reportagem. Nesta quarta-feira (4) a Polícia Federal voltou a prender o empresário, que é dono do Banco Master, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo a PF, Vorcaro comandava uma milícia privada para intimidar e atacar opositores. As investigações revelaram trocas de mensagens pelo WhatsApp entre o banqueiro e seus colaboradores, com planos de atacar o jornalista. Em nota, a ANJ afirmou que trata-se de um episódio grave que atinge não apenas o profissional, mas a própria liberdade de imprensa. "A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira." Já a AIR reiterou a Declaração de Princípios sobre a Liberdade Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, destacando que “o assassinato, sequestro, intimidação ou ameaça aos comunicadores sociais [...] viola os direitos fundamentais das pessoas e restringe severamente a liberdade de expressão". "A AIR valoriza as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras para investigar esses fatos e proteger o exercício da atividade jornalística, manifesta sua solidariedade ao jornalista Lauro Jardim e a todos os profissionais da comunicação no Brasil, e reafirma seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão e de imprensa nas Américas", disse em nota. Por fim, a Abert afirmou que as ameaças de Vorcaro que visavam intimidar um profissional de imprensa não são compatíveis com uma democracia e "violam frontalmente o Estado de Direito". "A Abert cumprimenta as autoridades pela adoção de medidas que protegem a liberdade de expressão e atividade jornalística em nosso país". LEIA TAMBÉM Decisão de Mendonça que levou a prisão de Vorcaro cita organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações 'A Turma': quem é quem no grupo investigado por ameaças que levou à nova prisão de Vorcaro Defesa de Vorcaro nega acusações; advogado diz que Zettel está à 'disposição' Planos de Vorcaro A manifestação faz referência à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou a existência de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para simular um assalto com o objetivo de “prejudicar violentamente” o jornalista. De acordo com as investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, mensagens trocadas por WhatsApp indicam que Vorcaro teria ordenado um ataque contra Lauro Jardim após a publicação de reportagens contrárias a seus interesses. "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, diz Vorcaro em uma das mensagens. A investigação também aponta a existência de uma estrutura chamada “A Turma”, voltada à intimidação e ao monitoramento ilegal de opositores. Na nota, a ANJ classifica a tentativa de intimidar um jornalista por meio de violência como um “ataque inaceitável à liberdade de expressão”. A entidade acrescenta que “métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira”. Além de prestar solidariedade ao veículo e ao colunista, a associação também destacou o trabalho das autoridades. A ANJ cumprimentou a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça “pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística”. O próprio jornal "O Globo" também divulgou nota repudiando as ameaças e afirmando que seus profissionais “não se intimidarão” e seguirão acompanhando o caso. A reportagem está em atualização. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Banco Master Veja as notas de repúdio das associações Associação Nacional de Jornais (ANJ) A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista. A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira. A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística. Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) condena energicamente as graves ameaças dirigidas contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo no Brasil. As ameaças teriam sido proferidas no contexto das investigações relacionadas ao caso do Banco Master, incluindo expressões de violência destinadas a intimidar o jornalista pelo exercício de sua atividade jornalística. Como estabelece o Princípio nº 9 da Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, “O assassinato, sequestro, intimidação ou ameaça aos comunicadores sociais, bem como a destruição material dos meios de comunicação, viola os direitos fundamentais das pessoas e restringe severamente a liberdade de expressão. É dever dos Estados prevenir e investigar esses fatos, punir seus autores e assegurar às vítimas uma reparação adequada.” A AIR valoriza as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras para investigar esses fatos e proteger o exercício da atividade jornalística, manifesta sua solidariedade ao jornalista Lauro Jardim e a todos os profissionais da comunicação no Brasil, e reafirma seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão e de imprensa nas Américas. Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) repudia com veemência as violentas ameaças dirigidas ao colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, e planejadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dentro das investigações sobre o caso do Banco Master. As iniciativas criminosas que visavam intimidar um profissional de imprensa são incompatíveis com uma democracia e violam frontalmente o Estado de Direito. A ABERT cumprimenta as autoridades pela adoção de medidas que protegem a liberdade de expressão e atividade jornalística em nosso país.

Irã afirma que tomou controle do estreito de Ormuz e mercados asiáticos despencam Os preços do petróleo passaram a cair nesta quarta-feira (4), após terem sido pressionados nos últimos dias pelo temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por ataques a instalações de energia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Pela manhã, o Brent — referência internacional — chegou a subir 0,98%, a US$ 83,07 por barril, diante do receio de interrupções no fornecimento. Com o avanço do dia, porém, o movimento perdeu força: por volta das 11h, a cotação recuava 0,22%, a US$ 81,22. No mesmo horário, o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caía 1,02%, com o barril sendo negociado a US$ 73,78. A virada ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera, de que a Marinha americana poderia escoltar petroleiros na região, se necessário. A sinalização reduziu parte das preocupações sobre o transporte da commodity. O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para a exportação de petróleo, o, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu fechamento ameaça interromper um quinto do fluxo global do produto e elevar drasticamente os preços do petróleo bruto. Produção de petróleo e gás Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP O fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevou o risco para o abastecimento global de petróleo e acendeu o alerta nos mercados. A passagem, localizada entre Omã e o Irã, é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e é considerada vital para a economia global. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, o que provocou forte alta nos preços da energia. No domingo, dia seguinte ao conflito, o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado. O Catar suspendeu a produção após ataques a instalações, a Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria, e campos de gás em Israel foram paralisados. No Irã, explosões atingiram áreas próximas ao principal terminal de exportação do país.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou a sessão desta quarta-feira (4) em queda de 0,89%, cotado a R$ 5,2175, em um movimento de correção após a forte alta da véspera. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em alta de 1,24%, aos 185.366 pontos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O conflito no Oriente Médio continuou no centro das atenções. A guerra se intensificou nesta quarta-feira (4), depois que um ataque americano atingiu um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. 🔎 O canal é uma das principais rotas marítimas do mercado de petróleo e gás no Oriente Médio, e a preocupação no mercado é que seu fechamento por um período prolongado possa afetar a oferta e encarecer a commodity ainda mais. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, desafiou o Irã e afirmou que os EUA estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. O republicano reiterou que a Marinha americana escoltará as embarcações se necessário. "Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO", afirmou Trump em uma publicação em seu perfil no Truth Social. Já nesta quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, sem dar mais detalhes, que o Pentágono e o Departamento de Energia dos EUA trabalham em um plano para garantir a segurança da navegação no Estreito. ▶️ No noticiário local, o foco ficou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que voltou a ser preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. Segundo a PF, o esquema envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou na Superintendência da PF. Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF ▶️ Ainda no Brasil, o Banco Central (BC) autorizou que instituições financeiras direcionem para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios — recursos que os bancos são obrigados a manter no BC como garantia. ▶️ Na agenda econômica, o destaque ficou com o relatório de emprego ADP nos EUA. Segundo o documento, o país criou 63 mil vagas de trabalho no setor privado em fevereiro, acima do esperado pelo mercado, de 50 mil novos postos. O Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também ficou no radar. Segundo o documento, a atividade econômica dos EUA cresceu um pouco e os preços aumentaram no país. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,63%; Acumulado do mês: +1,63%; Acumulado do ano: -4,94%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,81%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: +15,04%. De olho no Oriente Médio Apesar de o pregão desta quarta-feira (4) ser marcado por um movimento de correção nos principais mercados acionários, cambiais e de commodities, os investidores seguem atentos aos desdobramentos da guerra no Irã, em busca de sinais sobre a duração do conflito. As tensões continuaram altas nesta quarta, após os EUA assumirem o ataque a um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka. O ataque aconteceu no momento em que o presidente americano, Donald Trump, prometeu fornecer segurança e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços da energia após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, na véspera. Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, bem como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo, incluindo Iraque, Arábia Saudita e Catar, de acordo com estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic. Apesar das preocupações com o transporte de petróleo pelo Estreito, os preços da commodity caíam nesta quarta-feira (4), em ajuste após as fortes altas dos últimos dias. Perto das 16h45, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, tinha leve alta de 0,02%, cotado a US$ 81,40. Mercados globais O movimento de ajuste também era visto em Wall Street, onde os principais índices americanos registravam alta nesta quarta-feira, ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Perto das 17h, o Dow Jones subia 0,64%, o S&P 500, tinha alta de 0,98% e o Nasdaq Composite avançava 1,55%. Na Europa, as bolsas da região também mostravam recuperação e fecharam em alta, após terem atingido níveis mais baixos no dia anterior, ainda sob a influência das tensões no Oriente Médio. O índice europeu Stoxx 600 avançava 1,37%. Entre os principais mercados, o DAX de Frankfurt subiu 1,79%; o FTSE 100 de Londres avançou 0,80%; e o CAC 40 de Paris avançou 0,79%. O movimento de queda também foi visto na Ásia. As bolsas da China e de Hong Kong encerraram o pregão em baixa, puxadas por empresas do setor de petróleo e transporte marítimo. No fechamento: o SSEC de Xangai caiu 1%; o CSI300, 1,1%; e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2%, chegando ao menor nível em seis meses. Outros mercados também tiveram baixas: em Xangai, o SSEC fechou em –0,98%, a 4.082 pontos; em Tóquio, o Nikkei caiu 3,61%, a 54.245 pontos; em Seul, o KOSPI desvalorizou 12,06%, a 5.093 pontos; e em Taiwan, o TAIEX caiu 4,35%, para 32.828 pontos. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP

Imposto de Renda 2026 Marcello Casal Jr./Agência Brasil A Receita Federal está fechando os últimos detalhes da declaração anual de ajuste do Imposto de Renda das Pessoas Físicas de 2026, em que os contribuintes informam os dados de 2025. Assim como no ano passado, prazo terá início em meados de março, mas a data exata ainda não foi definida, e terminará em 29 de maio. Serão cerca de dois meses e meio para o contribuinte acertar as contas com o Leão. A Receita Federal deve definir, na próxima semana, a data de abertura do prazo. A ideia é que a declaração pré-preenchida, modelo em que as informações são inseridas automaticamente no sistema, sem a necessidade de digitação pelo contribuinte, já esteja disponível logo no início do prazo de entrega. Os detalhes da declaração de ajuste do IR serão divulgados na segunda-feira (16) pela Receita Federal, com a publicação das regras no "Diário Oficial da União". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os últimos dados da Receita mostram que 45,64 milhões de pessoas físicas enviaram as declarações do IR em 2025, 41% da população economicamente ativa (PEA), que somou, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 110,7 milhões de pessoas em fevereiro do ano passado. Quem é obrigado a declarar De acordo com cálculos do diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, deverá ser obrigado a declarar, em 2026, quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025. Esse valor ainda é uma estimativa, a ser confirmada posteriormente pela Receita Federal. Em 2025, foi obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888,00 em 2024. ➡️ Veja outras regras de obrigatoriedade que valeram em 2025, mas que também precisam ser confirmadas pela Receira 2026: contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2024, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2024, receita bruta em valor superior a R$ 169.440,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2024, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2024; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; Possui trust no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2024 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior. Contribuinte deve se preparar Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, recomendou que os contribuintes se antecipem e comece a separar os documentos antecipadamente. Quem entrega mais cedo, sem erros ou omissões, também recebe a restituição do Imposto de Renda nos primeiros lotes (após os grupos prioritários). "Nos dias que antecedem a abertura do prazo é importante mobilizar-se para reunir documentos e solicitar segundas vias do que estiver faltando. Também é fundamental cobrar os informes de rendimentos das fontes pagadoras, instituições financeiras e demais comprovantes necessários", informou Richard Domingos, da Confirp. De acordo com a consultoria, a organização antecipada reduz riscos de inconsistências, facilita a análise de possíveis deduções legais e permite planejamento tributário mais eficiente. ➡️Parte das informações buscadas pelo Fisco podem ser importadas da declaração do IR de 2025, ano-calendário 2024, caso o contribuinte tenha enviado o documento. Veja os documentos necessários Informes de rendimentos Bancos e instituições financeiras, inclusive corretoras de valores Salários Pró-labore Distribuição de lucros Pensão Aposentadoria Aluguéis de bens móveis e imóveis recebidos Programas fiscais como Nota Fiscal Paulista e similares Juros sobre Capital Próprio Previdência privada Comprovantes e controles de recebimentos Doações Heranças Livro Caixa e DARFs de Carnê-Leão Resgate de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Seguro de vida Indenizações Acordos com redução de dívidas Informes de pagamentos Assistência médica Assistência odontológica Seguro saúde (médico e odontológico) Reembolsos realizados por seguro saúde e/ou odontológico Despesas com educação (creche, pré-escola, ensino fundamental, médio, superior, pós-graduação, mestrado, doutorado etc.) Previdência privada Na ausência dos informes, será necessário reunir todos os comprovantes de pagamento, como notas fiscais, recibos e boletos. Comprovantes de Pagamentos e Deduções Efetuadas Comprovante de pagamento de previdência social Recibos de doações efetuadas Recibos de pagamentos realizados a prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas Comprovantes de gastos com profissionais da área da saúde: médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos Exames laboratoriais e radiológicos Aparelhos e próteses ortopédicas Próteses dentárias Cadeiras de rodas e andadores ortopédicos Despesas com internações e cirurgias, inclusive estéticas Comprovantes de bens e direitos Notas fiscais ou recibos de venda, compra e permuta de bens como automóveis, motocicletas, aeronaves, embarcações e imóveis Documentos que comprovem construção, reforma ou ampliação de bens Contratos de empréstimos concedidos a terceiros com saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Demonstrativo de saldo de ações por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de criptoativos por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de ETFs por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de moedas estrangeiras por moeda em 31/12/2025 apurados a custo médio Dívidas e ônus Documentos comprobatórios da aquisição de dívidas e ônus com indicação do saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Apuração de ganho de capital e renda variável Operações comuns em mercado à vista, opções e derivativos Operações day trade Memória de cálculo do Imposto de Renda sobre renda variável Operações com fundos imobiliários Memória de cálculo do imposto referente a fundos imobiliários Informações gerais Nome, CPF, grau de parentesco e data de nascimento dos dependentes Endereço atualizado Cópia completa da última Declaração de Imposto de Renda entregue Dados bancários para restituição ou débito das cotas do imposto Atividade profissional exercida atualmente
Ana Flor: Mendonça vê elo entre servidor do Banco Central e Vorcaro
Na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que levou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), o ministro vê um servidor do Banco Central como "funcionário" de Vorcaro.
A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal também levou ao afastamento de dois servidores do BC, que já era investigados internamente pela autarquia. A PF trabalhou com dados que a sindicância interna do BC havia reunido.
Segundo fontes que acompanham as investigações, a PF recebeu do Banco Central uma série de informações levantadas em uma sindicância interna iniciada no fim do ano passado — que levou ao afastamento desses servidores pelo próprio banco, um deles visto como funcionário de Vorcaro.
Os dois servidores afastados ocuparam cargos importantes na cadeia técnica do BC.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), que respondia pela estabilidade do mercado financeiro. Souza já ocupou a diretoria de Fiscalização do BC.
A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro conseguiu autorização para comprar o banco Máxima. A partir daí, ele muda o nome para banco Master.
Os dois servidores assinaram uma série de documentos hoje sob foco da PF por terem dado sobrevida a negócios suspeitos do Master.
- Esta reportagem está em atualização

Café robusta Globo Rural/Tv Globo As estimativas de safra com colheita recorde impactaram nas cotações domésticas do café arábica, o mais consumido no Brasil, em fevereiro de 2026. Depois de reação positiva em janeiro, o preço médio do grão registrou o menor patamar desde julho do ano passado em São Paulo, com recuo de mais de 14% nas cotações em São Paulo, segundo análise do Centro de Estudos em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea-Esalq), o campus da USP em Piracicaba (SP), divulgada nesta quarta-feira (4). 📉Preços: em fevereiro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica no posto na capital paulista teve média de R$ 1.864,51 saca de 60 quilos, com queda de R$ 311,31 por saca. A marca representa queda de 14,3% em relação a de janeiro. "A pressão veio, sobretudo, de projeções indicando possibilidade de colheita recorde no Brasil na safra 2026/27, fato que não ocorre desde 2021. O patamar de fevereiro ficou 66,32 reais acima do preço da saca do registrado em julho de 2025, em termos reais com os valores deflacionados pelo IGP-DI, período em que o Brasil passava pelo pico da colheita da safra 2025/26", detalhou o boletim do Cepea. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 📲 Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no início de fevereiro, a primeira estimativa para a produção de café em 2026 aponta para uma produção de 66,2 milhões de sacas. O volume equivale a aumento de 17,1% em relação ao registrado no ciclo do ano anterior. "Em ano de bienalidade positiva, o crescimento previsto é influenciado pelo incremento de 4,1% na área em produção em relação a 2025, estimada em 1,9 milhão de hectares na atual temporada, algo esperado para o ciclo", detalha a Conab. Em São Paulo, outro importante produtor de arábica, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior. Produção de café arábica Crédito: Divulgação O Centro de Estudos da Esalq-USP analisa que, apesar das recentes desvalorizações da variedade, o atual patamar de negociação do arábica ainda é relativamente elevado. A média de fevereiro do arábica, por exemplo, é a terceira maior para o mês, em termos reais, atrás apenas da registrada há um ano e no mesmo mês de 1997, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em setembro de 1996. Reação positiva em janeiro após negociações restritas Após um período de negociações restritas, com ausências de vendedores e compradores ativos no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026, conforme análise do Cepea. Agentes consultados pelo Cepea indicam que, com a virada do ano, alguns agricultores tinham necessidade de fazer caixa, o que colaborou para o aumento da liquidez no período. As cotações dos cafés robusta e arábica, o mais consumido no Brasil, fecharam a R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil a saca, respectivamente. Os valores são considerados positivos e atendem os patamares desejáveis pelos produtores, segundo o Cepea. Café fica 34,9% mais caro em Campinas, aponta levantamento Segundo o centro, o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros (de março de 2026) registraram aumento de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). O movimento na bolsa de valores aumentou o volume comercializado no mercado brasileiro. Embora o mercado tenha esteja em viés de retomada, o cenário de pouca chuva em importantes regiões produtoras do Brasil preocupa agentes do setor cafeeiro em relação à safra 2026/2027, segundo o boletim divulgado pelo Cepea. "Dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos, resultando em cafés chochos", analisa o Cepea. Compra de fertilizantes O poder de compra de fertilizantes pelos produtores de café de São Paulo aumentou nos últimos meses de 2025. Os preços da saca de 60 kg do café arábica operou em cerca de R$ 2,2 mil em outubro. Os valores do café robusta fecharam em torno dos R$ 1.350 a saca. Com as cotações nesse patamar, os produtores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica do tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo em 2025. 💰Em outubro de 2024, era preciso 1,44 saca de café para compra de fertilizante. Desde o início dos levantamentos feitos pelo Cepea, em 2011, a média histórica indica a necessidade de 2,6 sacas de café para pagar uma tonelada de fertilizante. "O poder de compra dos agricultores frente a importantes fertilizantes é considerado bom neste ano. Pesquisadores ressaltam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras de café tende a viabilizar a realização de adubações nas lavouras, visando um bom desenvolvimento da safra 2025/26", detalham. Colheita do café arábica Ari Melo Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

Daniel Vorcaro é preso pela PF em SP A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo. Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, pela Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações. O g1 explica a polêmica envolvendo o banco e os fatores que levaram à sua liquidação, além das prisões de investigados por fraude ao sistema financeiro. LEIA MAIS Banco Central determina a liquidação extrajudicial do Banco Master SAIBA MAIS: Como ficam correntistas e investidores após a liquidação pelo BC? ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master? PASSO A PASSO: Tem investimento no Master? Saiba como reaver seu dinheiro Breve história do Banco Master O Banco Master surgiu em 1974, inicialmente como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, a empresa passou por expansões e alterações societárias até se tornar o conglomerado financeiro conhecido atualmente como Banco Master. Nos anos 2000 e 2010, o grupo expandiu sua atuação para áreas como crédito, investimentos, gestão de recursos e outras operações. Nos anos mais recentes, ganhou destaque ao oferecer produtos com rendimentos muito acima do mercado, atraindo milhares de investidores. A partir de 2022, começaram a surgir dúvidas sobre a saúde financeira do banco, diante da captação cara, da exposição a ativos de risco e das negociações de venda que não avançavam. Tentativas frustradas de venda e deterioração financeira O Banco Master voltou ao centro das atenções em março do ano passado, quando avançou nas negociações para vender 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões. A operação, que formaria um conglomerado com cerca de R$ 100 bilhões em ativos, passou a ser monitorada por órgãos de controle, como o Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas, que pediram esclarecimentos sobre as condições da compra. O processo se arrastou enquanto o Master enfrentava dificuldades de caixa. Em maio, o banco obteve uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), renovada duas vezes. Ao mesmo tempo, buscava compradores para o Will Bank, seu braço digital. Na véspera da liquidação, a instituição recebeu outra oferta: a holding Fictor e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos propuseram um aporte imediato de R$ 3 bilhões e a compra das ações do fundador Daniel Vorcaro, excluindo o Will Bank e o Master Investimentos. Com a liquidação decretada pelo Banco Central, a proposta perdeu validade. Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC CDBs a juros impossíveis O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição. 🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI). Segundo o planejador financeiro e especialista em investimentos Jeff Patzlaff, o problema não era o CDB em si, mas o que justificava taxas tão elevadas. “No mercado financeiro, bancos saudáveis conseguem captar dinheiro barato, pagando algo entre 100% e 105% do CDI. Quando você via o Banco Master oferecendo 130%, 150% ou até 180% do CDI, isso não era generosidade — era um pedido de socorro”, diz o planejador. Segundo o especialista, esse movimento foi uma tentativa de captar dinheiro rapidamente após o banco perder acesso a crédito barato de grandes instituições financeiras. Esses investidores já haviam interrompido os repasses porque os números do Master não fechavam havia algum tempo. Sem acesso a crédito barato, o banco recorreu ao investidor pessoa física, oferecendo taxas "irresistíveis" para captar recursos rapidamente e tentar cobrir rombos operacionais. O risco também estava na qualidade dos ativos utilizados pelo banco: “Para pagar 150% do CDI, o banco precisaria emprestar a 200% ou 300% para ter lucro. Isso só é possível quando você empresta para quem ninguém mais quer, como projetos duvidosos ou precatórios judiciais incertos.” “As investigações indicam que o banco mantinha ativos ruins registrados como se fossem de boa qualidade e utilizava o dinheiro de novos investidores — captado por meio de CDBs com juros elevados — para pagar investidores antigos e manter a operação funcionando. Era uma dinâmica insustentável a longo prazo sem uma injeção real de capital, que nunca veio”, afirma Patzlaff. Após o Banco Central vetar a compra do Banco Master pelo BRB, o mercado passou a desconfiar (ainda mais) da situação do banco. Isso levou muitos investidores a tentar vender, no mercado secundário, seus CDBs do Master para evitar ficar “presos” ao título até o vencimento. Com a corrida por vendas, quase não havia compradores. Para atrair interessados, as taxas dos CDBs precisaram subir muito — chegando a 177% do CDI, ante os cerca de 120% praticados antes da crise. O banco já vinha pagando taxas muito altas para captar recursos, e decisões ruins sobre o uso desse dinheiro deixaram a instituição perto do calote e da falência. Quando os clientes tentaram se desfazer dos títulos, muitos não conseguiram vendê-los ou tiveram de aceitar descontos para encontrar compradores. Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master Arte/g1 Na mira das investigações Segundo a Polícia Federal, as investigações sobre o Banco Master começaram em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal, para apurar a suposta fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira. 🔎 Esses títulos teriam sido repassados a outro banco e, após fiscalização do Banco Central do Brasil, substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica. Nesta quarta-feira (4), o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e há ainda outros mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. No ano passado, durante audiência na CPI do Crime Organizado, no Senado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões para impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo investigado. Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, quando tentava deixar o país em um voo particular. Na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, a Polícia Federal investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. Desde o ano passado, a investigação também apura: O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro. Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno. O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master. Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF. Liquidação expôs limites do FGC Após a liquidação do Banco Master, a maioria dos clientes ficou protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Aplicações como CDB, RDB, LCI, LCA, poupança, depósitos à vista e letras de câmbio são garantidas até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo os rendimentos acumulados até a data da decretação da liquidação. A maior parte dos pagamentos já foi realizada, sobretudo para pessoas físicas. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes de Master, Will Bank e Banco Pleno, que entraram em liquidação desde novembro. Até agora, já foram pagos R$ 37,2 bilhões, beneficiando 653 mil credores do Master (84% do total). Com a forte redução do caixa — que antes superava R$ 140 bilhões —, o FGC estuda medidas para recompor recursos, como antecipar contribuições dos bancos, criar cobranças extras e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório. 🔎 O g1 preparou uma série especial de reportagens que investiga as repercussões do caso do Banco Master e seus desdobramentos. A apuração analisa as causas da liquidação, o funcionamento e limites do FGC, bem como os efeitos que vão além das perdas imediatas. LEIA A SÉRIE ESPECIAL ‘O dinheiro está todo sequestrado’: o drama de clientes do Will Bank após a liquidação pelo BC ‘Prejuízo Master’: o que o colapso do banco mostrou sobre os limites da garantia do FGC Os casos ainda pendentes envolvem situações que exigem análise mais detalhada, como empresas, menores de idade e inventários, o que torna o processo mais lento. Já quem tinha valores acima do teto do FGC passou a integrar a lista de credores da massa falida e só poderá receber conforme a venda dos ativos do banco. Com a liquidação extrajudicial, todas as operações foram interrompidas imediatamente, a diretoria foi afastada e o Banco Central nomeou um liquidante para assumir o controle da instituição, organizar ativos e credores e apurar as causas da quebra. Saques, transferências e pagamentos originados no banco ficaram suspensos, enquanto parcelas de empréstimos e financiamentos devem continuar sendo pagas normalmente. Fundos de investimento não dependem do FGC, pois o patrimônio é separado do banco e apenas ocorre a troca de administrador. Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo em 18 de novembro de 2025. Werther Santana/Estadão Conteúdo

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF Dono e principal controlador do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central (BC), Daniel Vorcaro, de 42 anos, voltou a ser alvo da Polícia Federal em uma investigação que apura um esquema de fraudes financeiras. Ele foi preso nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Além da prisão de Vorcaro, a Polícia Federal cumpre outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração conta com apoio técnico do Banco Central do Brasil. A Justiça também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente associados às irregularidades. Nascido em 6 de outubro de 1983, em Belo Horizonte, Vorcaro integra uma geração de empresários que expandiu seus negócios para os setores financeiro, tecnológico e corporativo. Formado em Economia, com MBA em Business/Managerial Economics pelo Ibmec, ele ganhou projeção nacional após o Banco Master firmar operações de grande porte com o governo do Distrito Federal por meio do Banco de Brasília (BRB). O BRB adquiriu títulos de crédito emitidos pelo Banco Master — operações que estão no centro das investigações da Polícia Federal. Vorcaro também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG. Ele detém 20,2% da SAF do clube por meio do fundo Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP). A origem dos recursos usados na operação é apurada por possível ligação com o PCC. A liquidação do Banco Master A crise do Banco Master culminou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado e na nova prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. 💰Desde 2024, a instituição e o executivo vinham sendo investigados por um esquema que envolvia a emissão de CDBs com juros muito acima do mercado para captar recursos e a criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira. Parte dos valores teria sido aplicada em ativos inexistentes ou de baixa qualidade, registrados como se fossem créditos sólidos, enquanto novos recursos serviam para pagar investidores antigos, em uma dinâmica considerada insustentável. As tentativas de venda do banco fracassaram e agravaram a crise. Uma negociação avançada com o Banco de Brasília (BRB) foi barrada por órgãos de controle e pelo BC, diante de questionamentos sobre transparência e riscos ao sistema financeiro. Na véspera da liquidação do Banco Master, surgiu ainda uma proposta da holding Fictor e de investidores dos Emirados Árabes Unidos para injetar capital e comprar as ações de Vorcaro, mas a operação perdeu validade com a decretação da liquidação. Com a liquidação, as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maior parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite legal, mas o caso expôs os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos. Nesta terça-feira (3), o Banco Central (BC) publicou resolução que permite que os bancos direcionem para o FGC os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. O recolhimento do depósito compulsório é um mecanismo que o BC pode utilizar para garantir a estabilidade do sistema financeiro. PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Reprodução

Plataforma de extração de petróleo da Petrobras em Angra dos Reis EDSON PASSARINHO/AFP via Getty Images Distante mais de 10 mil quilômetros de Teerã, a capital do Irã, o Brasil pode se transformar em um dos potenciais "beneficiários" do conflito iniciado no Oriente Médio depois que os Estados Unidos e Israel realizaram ataques ao Irã, no sábado (28/2). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, isso aconteceria porque, na segunda-feira (2), o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde estima-se que passe aproximadamente 20% da produção global de petróleo. Neste cenário, países da Europa e da Ásia, entre eles a China, Índia e Japão, teriam que buscar novas fontes de petróleo bruto para suprir a queda no fluxo do produto represado no Golfo Pérsico e isso poderia alavancar as exportações de petróleo do Brasil, que desde 2024 se tornou o principal item da pauta de exportação do Brasil, superando a soja e o minério de ferro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o Brasil estaria bem posicionado para atender uma eventual demanda resultante do agravamento da crise no Oriente Médio, uma vez que o Brasil já tem uma rede estruturada de portos e oleodutos voltados para a exportação de petróleo e porque a rota entre o país e esses mercados não passa por pontos sensíveis como o Estreito de Ormuz. Eles avaliam, no entanto, que o Brasil só deverá se beneficiar desse cenário se a situação se prolongar pelas próximas quatro semanas ou mais e se o Brasil conseguir ampliar sua produção para além dos patamares atuais. A crise e a oportunidade Mapa regional destaca o Irã em branco, com seu nome em preto. Os países que sofreram ataques do Irã estão marcados em vermelho: Israel, Kuwait, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Chipre, Líbano e Arábia Saudita. Os países vizinhos estão em cinza. BBC A atual crise no Oriente Médio começou no sábado (28/2), depois que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques a alvos iranianos. Os ataques atingiram prédios oficiais e alvos civis e mataram o então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Além dele, pelo menos outros três oficiais do alto comando do governo iraniano também teriam sido mortos. O presidente norte-americano, Donald Trump, alegou que os ataques tinham o objetivo de eliminar "ameaças iminentes do regime iraniano", que o Irã teria tentado reconstruir o seu programa nuclear e continuaria a desenvolver um programa de mísseis de longo alcance capaz de ameaçar países europeus e, futuramente, os Estados Unidos. O regime iraniano rebate essas acusações e afirma que seu programa nuclear tinha fins pacíficos. Em resposta aos ataques dos Estados Unidos e Israel, o Irã disparou uma série de mísseis em direção a Israel e a instalações norte-americanas localizadas em países do Golfo Pérsico como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Kuwait. Na tarde de segunda-feira, um porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã anunciou que o país fecharia o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. Essa passagem tem cerca de 33 quilômetros de largura e recebe um fluxo intenso de navios petroleiros que transportam o óleo produzido por diversos países árabes, além do Iraque e do Irã. Matt Smith é consultor da empresa Kpler, uma das maiores firmas de análise de dados de navegação do mundo. Ele diz à BBC News Brasil que os maiores compradores do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz são os países asiáticos como China, Índia e Japão. "A China, sozinha, consome metade de todo o petróleo produzido no Oriente Médio e uma parte significativa disso é escoada pelo Estreito de Ormuz. Se a situação se prolongar, a China, por mais que tenha estoques, vai ter que procurar alternativas de suprimento. E o Brasil está bem posicionado para atender essa nova demanda e pode se tornar uma opção viável", explica. Estreito de Ormuz Reuters via BBC Dados do governo brasileiro apontam que a China já é o principal destino do petróleo exportado pelo Brasil. Em 2025, o Brasil exportou US$ 44 bilhões em petróleo bruto para o mundo todo. Desse total, US$ 20 bilhões (45%) foram para a China. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, diz à BBC News Brasil que ainda é cedo para estimar se a crise no Irã vai beneficiar a indústria do petróleo brasileira. Ele afirma, porém, que se o cenário se agravar ou se mantiver nos níveis atuais, a tendência é de que o Brasil, possa, sim, ser um dos potenciais beneficiados. "Nós não sabemos quanto tempo durarão os estoques estratégicos dos principais países. Calculamos algo em torno de três ou quatro meses. Se as coisas continuarem assim, com a queda dos estoques, países como o Brasil, Argentina, Nigéria e Guiné Equatorial vão despontar como fornecedores alternativos para o petróleo represado do Golfo Pérsico", diz Ardenghy. Smith afirma que outros países também poderiam procurar o Brasil buscando substituir, ao menos temporariamente, o petróleo que passa por Ormuz. "Quanto mais a crise se prolongar, mais preocupados os consumidores da Ásia e da Europa vão ficar e eles terão que procurar novas alternativas. O Brasil, portanto, não se beneficiaria apenas vendendo para a China, mas também para a Europa". Ardenghy alerta para um outro fator que pode limitar o quanto o Brasil pode se beneficiar ou não de uma mudança, ainda que temporária, da cadeia global de petróleo: a capacidade de produção brasileira. Segundo ele, o Brasil produz, em média, 3,6 milhões de barris de petróleo por dia e exporta 1,6 milhão. O restante, é consumido pelo próprio mercado interno. Ele estima que, até 2029, o Brasil conseguiria aumentar sua produção para 4,2 milhões de barris apenas com base nos projetos em andamento, o que poderia levar o Brasil a chegar ao posto de sexto maior produtor mundial de petróleo. Ardenghy pondera, no entanto, que na atual conjuntura, o Brasil teria dificuldades para suprir demandas adicionais de petróleo imediatamente. "Não tem como aumentar a exportação no curto prazo. A curva de crescimento da produção é gradual, podendo levar alguns meses ou anos para que tenhamos mais produção e um impacto positivo sobre a exportação", diz. Efeito misto sobre a economia O potencial aumento do preço e da procura por petróleo brasileiro já se refletiu nos valores das ações da Petrobras e de outras petroleiras brasileiras. As ações preferenciais da Petrobras, por exemplo, subiram 3,57% entre sexta-feira e terça-feira, acompanhando movimentos similares de petroleiras ao redor do mundo. A expectativa entre os investidores é de que o aumento do preço do petróleo no mercado internacional eleve as margens de lucro dessas companhias. Os analistas e o governo brasileiro avaliam que a crise no Irã e o seu impacto sobre a indústria do petróleo podem gerar efeitos mistos sobre o Brasil. Para o governo, por um lado, o aumento no preço do petróleo pode aumentar a quantidade de dividendos que ele recebe da Petrobras, já que o governo federal é o principal acionista da companhia. Em 2024 (último ano cujos dados estão disponíveis), o governo recebeu R$ 28,8 bilhões em dividendos pagos pela companhia, um valor que ajudou a fechar as contas públicas. Além disso, o aumento no preço ou nas exportações de petróleo pode aumentar, também, a arrecadação de tributos. "O governo vai passar a arrecadar mais dinheiro por conta do pagamento de royalties do petróleo, participações especiais e com a própria arrecadação de tributos", explica Ardenghy. Ao portal UOL, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que a crise no Irã pode ter esse efeito positivo sobre a economia brasileira. Ele porém, avalia que esse aumento no preço do petróleo pode ter efeitos negativos como pressão inflacionária. Roberto Ardenghy, do IBP, explica como o prolongamento da crise pode afetar o Brasil negativamente. "O Brasil exporta petróleo, mas importa gasolina e diesel. Quando você tem uma mudança no patamar do preço do petróleo, isso afeta a cadeia petroquímica. Isso vai fazer com que a refinaria aumente o preço dos seus produtos e isso pode ter um impacto sobre outros setores da economia", afirma. Tanto Smith quanto Ardenghy ponderam que o aumento da procura pelo petróleo brasileiro só deverá se concretizar se a crise no Oriente Médio demorar a ser solucionada. "É preciso que a instabilidade se mantenha por pelo menos quatro semanas para que a gente veja uma mudança no fluxo de compra do petróleo. Se o Estreito de Ormuz, por exemplo, for reaberto logo, talvez a gente não veja essa busca por parceiros alternativos neste momento", diz Smith. O analista diz, ainda, que o fechamento de Ormuz pode ser visto como um movimento de desespero do governo iraniano, mas que, no longo prazo, tende a prejudicar o próprio país. "A maior parte das exportações de petróleo do Irã também passa por lá. Fechar o Estreito de Ormuz acaba prejudicando a economia do Irã, cuja principal fonte de renda é, justamente, o petróleo". Ele destaca que mesmo em meio à instabilidade da região, do ponto de vista logístico, o petróleo do Oriente Médio é mais competitivo que o brasileiro por conta da distância. Em média, um petroleiro pode levar um mês e meio para chegar à China, enquanto um navio leva em torno de 20 dias para sair do Golfo Pérsico e chegar ao país asiático. Ardenghy diz, também, que um fechamento do Estreito de Ormuz por muito tempo é uma situação sem precedentes e que não ocorrerá sem reações ou pressões geopolíticas. "Há um interesse estratégico das superpotências para manter a navegabilidade do Estreito de Ormuz e um dos principais interessados é a China que vai exercer algum tipo de pressão para que a situação se resolva", diz.

PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O Brasil fechou 2025 com o PIB em alta de 2,3%, desemprego no menor nível da história e renda média recorde. Ainda assim, o endividamento segue elevado — e o cartão de crédito continua concentrando uma boa parte das dívidas no país. Dados da Recovery, obtidos pelo g1 em primeira mão, mostram que ao menos 19 milhões de brasileiros tinham dívidas no cartão de crédito no ano passado. Isso porque o levantamento considera a base da empresa, que tem 34 milhões de brasileiros com dívidas administradas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar de um leve recuo de 2% em relação a 2024, a modalidade continua, com ampla vantagem, no topo da lista das que mais concentram inadimplência no país. A dimensão do endividamento sob gestão da empresa ajuda a entender o cenário: ⏰ São mais de 80 milhões de débitos em atraso em 2025; 🤝 6 milhões de dívidas renegociadas e transformadas em acordos; 👤 Apenas 193 mil registros têm origem em empresas — a maior parte é de pessoas físicas. Além disso, a distribuição regional das dívidas também chama atenção: São Paulo: cerca de 4,4 milhões de endividados no cartão; Rio de Janeiro: aproximadamente 2,4 milhões; Bahia: cerca de 1,4 milhão. Outras modalidades de crédito também ficaram mais pressionadas. As dívidas ligadas a empréstimos e cheque especial cresceram cerca de 7% no ano passado, passando de 12,7 milhões para 13,5 milhões de registros. Nesse grupo, os maiores volumes estão no Sudeste: São Paulo: aproximadamente 3,8 milhões; Rio de Janeiro: 1,6 milhão; Minas Gerais: 1,2 milhão. Mulher checando informações do cartão de crédito Reprodução Freepik Inflação, juros e inadimplência O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de crédito mais caro. Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais, levando-a a 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas. Isso significa que tomar dinheiro emprestado ficou mais caro. O rotativo do cartão, os parcelamentos e os empréstimos passaram a pesar mais no orçamento, dificultando a reorganização das finanças de quem já estava com contas em atraso. 📈 A inflação oficial, medida pelo IPCA, fechou o ano em 4,26%, o melhor resultado desde 2018. Ainda assim, isso não significa queda de preços, mas apenas um ritmo menor de reajustes. Para muitas famílias, o orçamento continuou apertado. Como o g1 mostrou, o consumo das famílias cresceu apenas 1,3% em 2025, bem abaixo do avanço de 5,1% registrado em 2024. Mesmo com desemprego em mínima histórica e rendimento médio recorde, as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho, sem estímulos extras. LEIA TAMBÉM: 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia? PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE Nesse cenário, o cartão de crédito acaba funcionando como uma solução imediata para fechar as contas do mês — mas pode se transformar rapidamente em uma dívida de longo prazo, especialmente quando há atraso e incidência de juros elevados. Helena Passos, head de Dados e Planejamento na Recovery, ressalta que o momento exige cautela. “Para milhões de brasileiros endividados, 2026 será crucial para a reconstrução financeira", afirma. Segundo ela, o cenário demanda maior foco em educação financeira, uma abordagem consciente na renegociação de dívidas e a implementação de políticas que incentivem a retomada responsável do crédito, evitando, assim, a repetição do ciclo do superendividamento. A especialista também aponta uma mudança no perfil das renegociações, cada vez mais concentradas nos canais digitais. “Atualmente, 77% das negociações feitas na Recovery acontecem nesses canais, o que reforça o avanço da transformação digital no mercado de cobrança.”

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se concentra numa área estratégica para o abastecimento global de energia. O Oriente Médio reúne algumas das maiores reservas de petróleo do planeta – o Irã tem a terceira maior, e a Arábia Saudita, a segunda – e concentra importantes instalações de produção e refino. Toda essa produção precisa atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, para abastecer os setores produtivos dos quatro cantos do mundo. Cerca de 20% do volume total de petróleo comercializado passa por esse corredor, que foi fechado pelo governo iraniano. Um cenário que pode se agravar caso a ameaça do general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, se concretize: caso os bombardeios de Estados Unidos e Israel continuem, irá atacar “todos os centros econômicos” do Oriente Médio. Para explicar como o fechamento do Estreito de Ormuz abre um efeito cascata na economia global, Natuza Nery conversa com José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados. Ele, que foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, comenta também os impactos da guerra na produção e distribuição de gás natural e fertilizantes, e como isso repercute nas economias de Brasil e Estados Unidos, inclusive com possível alta no preço dos alimentos. Convidado: José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados, foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998. O que você precisa saber: Irã lança drones contra a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita Fechamento da principal rota marítima de escoamento do petróleo do Oriente Médio acende alerta nos mercados internacionais PONTO A PONTO: Por que a guerra começou? O que deve acontecer agora? MAPA: Veja como o conflito se espalha no Oriente Médio SANDRA COHEN: Arrastados para o conflito, países calibram resposta ao Irã O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sarah Resende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Apresentação: Natuza Nery. O impacto da guerra no preço dos alimentos O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. MoradoreS ao lado de prédios residenciais danificados em Teerã Moradores observam de uma rua ao lado de prédios residenciais danificados perto da praça Niloufar, em Teerã, durante a campanha militar conjunta EUA-Israel no Irã, em 2 de março de 2026.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2979 O sorteio do concurso 2.979 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (3), em São Paulo. Uma aposta de Eusébio, no Ceará, acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 158.039.482,14. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 18 - 27 - 37 - 43 - 47 - 53. 6 acertos: 1 aposta ganhadora, que vai receber R$ 158.039.482,14; 5 acertos: 128 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 38.728,95; 4 acertos: 7.902 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 1.034,09. Números da Mega-Sena, concurso 2979 g1 O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (5). O prêmio previsto para o concurso 2.980 é de R$ 45 milhões. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

Navio passa pelo estreito de Ormuz REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo O Exército dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (3) que afundou 17 barcos do Irã desde o início da guerra no sábado (28). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O exército afirmou ainda que "não há nenhuma embarcação iraniana em operação no Golfo Arábico, no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Omã". Ainda segundo as forças norte-americanas, mais de 2 mil alvos foram atingidos no Irã. A informação foi divulgada por um comandante do Comando Central dos EUA em um vídeo publicado no X. "Os EUA degradaram severamente as defesas aéreas do Irã e destruíram centenas de mísseis balísticos, lançadores e drones", disse. O comandante afirmou ainda que o Irã já lançou mais de 500 mísseis balísticos e mais de 2 mil drones em ataques retaliatórios. Mais cedo, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' Em publicação na rede Truth Social, o republicano declarou que, se necessário, a Marinha norte-americana poderá escoltar embarcações que transportam petróleo pela região. “Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu. A manifestação ocorre após declarações da Guarda Revolucionária do Irã de que a passagem não seria segura. Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do estreito e afirmou que poderá atacar embarcações que tentem atravessar a rota. O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca, em Washington REUTERS/Jonathan Ernst Rota não oficialmente bloqueada Apesar da ameaça, autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que a via marítima não está oficialmente bloqueada. O impasse elevou a tensão em uma das áreas mais sensíveis para o abastecimento global de energia. No texto publicado, Trump também informou que determinou, “com efeito imediato”, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, especialmente o transporte de energia. Segundo ele, as medidas estarão disponíveis a todas as companhias de navegação e terão custo “muito razoável”. A escalada de declarações teve impacto imediato nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3), refletindo o temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, que o estreito seja efetivamente fechado e que ataques atinjam instalações do setor de energia. Durante a manhã, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. Mais tarde, às 15h, a alta desacelerava para 7,04%, com o preço em US$ 83,21. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançava 8,79%, negociado a US$ 77,49. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa faixa estreita de mar. Qualquer interrupção no tráfego na região pode reduzir a oferta global e pressionar ainda mais os preços da commodity, com reflexos sobre combustíveis, transporte e inflação em diversos países. Por isso, as declarações de autoridades iranianas e americanas foram acompanhadas de perto por investidores e governos, em meio ao receio de que o conflito ganhe novas dimensões e afete diretamente o mercado internacional de energia. *Com informações da AFP Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC O Banco Central (BC) publicou nesta terça-feira (3) resolução que permite que os bancos direcionem para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. O recolhimento do depósito compulsório é um mecanismo que o BC pode utilizar para garantir a estabilidade do sistema financeiro. Reforço no caixa Quando uma pessoa vai a um banco e realiza um depósito, parte desse dinheiro é recolhida pela instituição financeira no BC na forma de um depósito compulsório. O depósito compulsório é, portanto, uma parcela do dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados, pelas regras do sistema financeiro, a manter no BC. Segundo estimativas do BC, a medida, negociada com mercado, poderá liberar cerca R$ 30 bilhões em 2026, contribuindo para recompor o FGC. 🔎O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Proteção correntistas Com a liquidação do Banco Master e das instituições financeiras ligadas a ele, parte dos recursos do fundo teve que ser utilizada para ressarcir os correntistas. Polícia Federal abre inquérito para investigar grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master Jornal Nacional/ Reprodução As liquidações do conglomerado, incluindo a do próprio Master, do Will Bank e do Pleno, devem consumir R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados. O valor tem como base estimativas feitas pelo próprio fundo. Antes do caso vir à tona, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, para o exercício de sua atividade. Sistema financeiro Em fevereiro, o BC passou a exigir uma antecipação obrigatória de contribuições mensais ordinárias para sua recomposição patrimonial. “A recomposição de sua capacidade de atuação atende ao interesse público associado à manutenção da confiança no sistema financeiro e insere-se no exercício regular de suas atribuições institucionais”, acrescentou a autoridade monetária. Em nota, o BC afirmou que a medida "confere às instituições financeiras discricionariedade para alocar a dedução entre os recolhimentos compulsórios incidentes sobre recursos à vista ou a prazo. Essa flexibilidade amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance".

Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (3) que os Estados Unidos estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em publicação na rede Truth Social, o republicano declarou que, se necessário, a Marinha norte-americana poderá escoltar embarcações que transportam petróleo pela região. “Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu. O presidente também destacou que o poder econômico e militar americano é “o maior da Terra” e afirmou que novas ações poderão ser anunciadas. A manifestação ocorre após declarações da Guarda Revolucionária do Irã de que a passagem não seria segura. Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do estreito e afirmou que poderá atacar embarcações que tentem atravessar a rota. O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca, em Washington REUTERS/Jonathan Ernst Rota não oficialmente bloqueada Apesar da ameaça, autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que a via marítima não está oficialmente bloqueada. O impasse elevou a tensão em uma das áreas mais sensíveis para o abastecimento global de energia. No texto publicado, Trump também informou que determinou, “com efeito imediato”, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, especialmente o transporte de energia. Segundo ele, as medidas estarão disponíveis a todas as companhias de navegação e terão custo “muito razoável”. A escalada de declarações teve impacto imediato nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3), refletindo o temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, que o estreito seja efetivamente fechado e que ataques atinjam instalações do setor de energia. Durante a manhã, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. Mais tarde, às 15h, a alta desacelerava para 7,04%, com o preço em US$ 83,21. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançava 8,79%, negociado a US$ 77,49. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa faixa estreita de mar. Qualquer interrupção no tráfego na região pode reduzir a oferta global e pressionar ainda mais os preços da commodity, com reflexos sobre combustíveis, transporte e inflação em diversos países. Por isso, as declarações de autoridades iranianas e americanas foram acompanhadas de perto por investidores e governos, em meio ao receio de que o conflito ganhe novas dimensões e afete diretamente o mercado internacional de energia. *Com informações da AFP Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial vai depender de quanto tempo o conflito durar e do tamanho dos danos à infraestrutura e às indústrias da região, especialmente se a alta nos preços da energia for passageira ou mais prolongada. A avaliação é do vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dan Katz. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo ele, se a incerteza persistir e os preços da energia continuarem elevados por mais tempo, os bancos centrais devem agir com cautela e avaliar os desdobramentos antes de tomar decisões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Katz afirmou que o conflito pode afetar a inflação, o crescimento e outros indicadores, mas que ainda é cedo para medir o tamanho desse impacto. Antes da escalada recente, o FMI projetava crescimento global de 3,3% em 2026, apoiado, entre outros fatores, pelos investimentos em inteligência artificial e pela expectativa de ganhos de produtividade. Impactos imediatos Agora, a instituição monitora possíveis efeitos sobre o comércio, a atividade econômica, os preços da energia e a volatilidade dos mercados financeiros. O FMI também avalia os impactos diretos na região, como danos à infraestrutura e interrupções em setores importantes, como turismo, transporte aéreo e, principalmente, energia. Ataques ao Irã ATTA KENARE / AFP Nesta terça-feira, o petróleo voltou a subir, após o Irã ameaçar atacar navios no Estreito de Ormuz. O barril do Brent chegou a US$ 83, cerca de 15% acima do nível da sexta-feira. Katz afirmou que, se a alta da energia for temporária, os bancos centrais tendem a não reagir de imediato, já que costumam dar mais peso à inflação que exclui itens mais voláteis. No entanto, se o choque for duradouro e começar a afetar as expectativas de inflação, pode haver resposta na política de juros. Ele lembrou que, após a pandemia, o avanço da inflação em 2022 foi influenciado pelo aumento dos preços de energia ligado à guerra na Ucrânia, o que acabou pressionando outros preços na economia. Infográfico: Mapa dos ataques no Oriente Médio; Irã, Israel e EUA travam guerra na região Editoria de Arte/g1

Gif home - troca de ataques entre EUA, Israel e Irã Arte g1 A escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Neste início de semana, o petróleo ultrapassou o patamar de US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã , analistas projetam aumento substancial nos preços nos próximos meses — pressionando o preços dos combustíveis no Brasil. Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar no país, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava subindo nesta terça. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio - limitando, também, o ritmo de crescimento da atividade doméstica. Segundo economistas, essa "mudança de preços relativos" de ativos (petróleo e dólar), no jargão da economia, pode contaminar não somente os preços correntes, mas também as projeções do mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões olhando para a frente, pois elas demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, o Banco Central está buscando atingir, por meio da fixação da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% em doze meses até setembro de 2027. EUA emitem alerta para 14 países do Oriente Médio ➡️A lógica é que se a guerra não acabar no curto prazo, seu impacto na inflação (via aumento do petróleo e do dólar) pode ser mais duradouro, contaminando as projeções de inflação dos próximos anos e limitando intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país. ➡️O Copom, do Banco Central, diz que apenas reage ao cenário da economia na fixação dos juros. Se há uma piora com impacto inflacionário, tem de adequar seu panorama esperado para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom avaliava que o cenário externo seguia incerto. "Elevações das tensões geopolíticas e seus desdobramentos seguem sendo monitorados, porém no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis", dizia o Copom, antes da eclosão da guerra no Oriente Médio. ➡️Até a semana passada, antes do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro projetava que a taxa Selic começaria a ser reduzida neste mês, passando de 15% para 14,5% ao ano — com base em sinalização do próprio BC. E que a taxa continuaria caindo no futuro, fechando 2026 e 2027 em 12% e 10,5% ao ano, respectivamente. Alta do petróleo pode chegar aos combustíveis no Brasil O que dizem analistas Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, avalia que o aumento recente do preço do petróleo não gera uma necessidade imediata de aumento dos combustíveis pela Petrobras — o que acontecerá somente se o preço permanecer elevado por um período mais prolongado. Além disso, com o atual patamar do petróleo, ela argumenta que um eventual reajuste, próximo de 10%, teria um impacto limitado na inflação. Avalia, também, que o dólar abaixo de R$ 5,50 não traz uma "preocupação maior" para as expectativas de inflação deste ano. Outro ponto, segundo Rafaela Vitória, é que a economia vive um momento demanda mais fraca, com desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB). Ela diz que, por isso, um possível aumento da gasolina não teria um impacto estrutural no rumo da taxa de juros no Brasil. E segue prevendo corte da taxa Selic para 14,5% ao ano pelo BC, em meados de março. "Mas, dependendo da magnitude desse impacto [da alta do preço do petróleo], você pode ter uma cautela um pouco maior pelo Copom de, ou postergar esse início de corte de juros, ou começar com um ritmo um pouco mais fraco, de 25 pontos [neste mês]", afirmou Rafaela Vitoria, do banco Inter. Leonardo Costa, economista do ASA, observou que a escalada de tensões no Oriente Médio eleva de forma relevante os riscos para energia, mas que o impacto final dependerá essencialmente da duração e da intensidade do conflito. "No Brasil, a política de suavização de preços da Petrobras tende a retardar o repasse da alta internacional para combustíveis, com o diesel devendo subir antes da gasolina, dado o maior peso das importações e a defasagem acumulada", disse Leonardo Costa, do ASA. Terceiro dia de confrontos no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução Em termos inflacionários, disse ele, um aumento de 10% na gasolina adiciona cerca de 0,20% a 0,25% ao IPCA anual, enquanto o diesel impacta majoritariamente de forma indireta, via custos e cadeia produtiva. "A persistência de um preço do petróleo mais elevado pode elevar a projeção de inflação doméstica", concluiu. Já Fabiano Zimmermann, head de fundos de renda fixa do ASA, afirmou que o conflito não deve alterar, neste momento, o plano do Banco Central de iniciar o ciclo de cortes de juros na reunião de março. "No entanto, caso a crise se prolongue, seus desdobramentos podem interromper a sequência de valorização do real [queda do dólar] e provocar uma mudança no patamar dos preços do petróleo, fatores que tenderiam a limitar a magnitude do ciclo de flexibilização monetária [corte dos juros]. Esse cenário já começa a se refletir na curva de juros, com a elevação do prêmio na parte intermediária", acrescentou Fabiano Zimmermann, do ASA. INFOGRÁFICO - Entenda a escalada do conflito entre EUA e Israel contra o Irã. Arte/g1

Consumo das famílias ficou estagnado no 4º trimestre de 2025, segundo o IBGE Getty Images via BBC A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, abaixo da alta de 3,4% registrada em 2024, informou informou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o mais baixo crescimento registrado pela economia brasileira desde a queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) ocorrida em 2020, sob impacto da pandemia de covid-19. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado, no entanto, veio em linha com a expectativa do mercado, que já previa uma desaceleração da economia no ano passado, diante dos efeitos dos juros elevados. Com a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) em 15% desde junho de 2025, fica mais caro para empresas e famílias emprestarem dinheiro, o que funciona como um "freio" para a atividade econômica – por isso a taxa de juros é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Para 2026, os analistas preveem uma nova desaceleração da atividade econômica, projetando uma alta de apenas 1,8% para o PIB em pleno ano de eleições presidenciais, segundo a mediana de projeções colhidas pelo jornal Valor Econômico. A guerra no Irã adiciona incerteza neste cenário, com a alta nos preços do petróleo podendo impactar a inflação e manter os juros altos por aqui durante mais tempo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como a guerra no Irã pode impactar o PIB em 2026 "O conflito entre Estados Unidos e Irã representa um risco adicional ao crescimento econômico, principalmente se a guerra se estender por um período muito prolongado", avalia Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike. Se isso acontecer, a principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação, diz o analista. Navio ancorado na costa dos Emirados Árabes Unidos devido a interrupções na navegação no Estreito de Ormuz, em Dubai, em 2 de março Getty Images via BBC Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. "Juros elevados reduzem o acesso ao crédito, afetando negativamente o consumo das famílias. Além disso, a maior incerteza internacional tende a desestimular investimentos produtivos", diz Rizzo. "Assim, embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo." Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, tem avaliação similar. "A escalada do conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, sobretudo se provocar alta persistente do petróleo e pressionar a inflação, o que tende a manter os juros elevados por mais tempo", diz Lima. "Assim, embora o dado do PIB mostre resiliência, o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026." PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto Consumo das famílias estagnado no 4º tri No quarto trimestre, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, também em linha com a expectativa do mercado. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta foi de 1,8%. O crescimento modesto na margem foi puxado pelo setor de serviços (0,8%) e pela agropecuária (0,5%), enquanto a indústria registrou queda de 0,7%, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Na ponta da demanda, o consumo do governo teve alta de 1% e o das famílias se manteve estável (0%), enquanto o investimento registrou uma forte queda de 3,5%. Na área externa, as exportações cresceram 3,7%, enquanto as importações caíram 1,8%. Exportações cresceram 3,7% e importações caíram 1,8% no 4º tri, em relação ao trimestre anterior, o que contribuiu positivamente para o PIB do período Bloomberg via Getty Images Matheus Pizzani, economista da PicPay, avalia que o elevado endividamento de famílias e empresas explica a forte queda do investimento e a estagnação do consumo das famílias no fim do ano passado. Isso inibiu os efeitos positivos do mercado de trabalho dinâmico e da renda em expansão, beneficiada ainda pela queda da inflação ao longo do ano, avalia. Segundo Pazzini, o resultado só foi ligeiramente positivo no trimestre graças à contribuição do setor externo, com a balança comercial favorável (isto é, com exportações superando importações) contribuindo para o crescimento no período. Em 2025, safra recorde e consumo contido No ano de 2025 como um todo, a desaceleração do PIB foi puxada tanto pela indústria (alta de 1,4%, ante 3,1% em 2024) quanto pelos serviços (alta de 1,8%, ante 3,8% em 2024). Já na agropecuária, houve crescimento de 11,7% em 2025 (ante queda de 3,7% em 2024), reflexo da safra recorde no ano passado. Na ponta da demanda, o consumo das famílias desacelerou para alta de 1,3% (ante 5,1% em 2024), enquanto o investimento cresceu 2,9%, após recuar 6,9% no ano anterior e o consumo do governo avançou 2,1% (quase igual à alta de 2% de 2024). Já o setor externo teve contribuição positiva no ano, com exportações em alta de 6,2%, superando o avanço das importações (4,5%), apesar das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil a partir de julho. Em 2024, as importações haviam crescido fortes 15,6%, superando em muito a alta das vendas externas (2,8%), o que é negativo para o crescimento, pois nesse cenário parte maior da demanda interna é atendida por produtos importados.

O ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, informou nesta terça-feira (3) que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional, sobre o fim da jornada 6 por 1, se julgar que o tema não está caminhando com a "velocidade desejada" nos textos em análise pelo Legislativo. 🔎Projetos com urgência de autoria do presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja analisado em até 45 dias pela a Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado. "Motta [presidente da Câmara dos Deputados] se comprometeu a tocar as PECs que estavam lá, mas que trabalharia também os projetos de lei vigentes. PL pode ter uma velocidade maior do que as PECs. Mas o governo não descarta, a depender da conversa com o Hugo Motta e Alcolumbre [presidente do Senado], mandar um projeto de lei com urgência se perceber que as coisas não irão caminhar na velocidade desejada", disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Principal bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia em sua busca por uma nova reeleição no fim deste ano, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sofre resistência do setor produtivo. O principal argumento é que haverá aumento de custos, o que tende a ser repassado ao consumidor. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade. De acordo com o ministro Luiz Marinho, o debate sobre a redução da jornada de trabalho é uma necessidade cobrada pela sociedade brasileira. Ele afirmou, porém, que já há empresas que vem antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores. Segundo ele, há necessidade de enquadramento das empresas que não desejam. "Aí é lei, não haverá um acordo coletivo que leve à redução da jornada máxima. A partir da jornada máxima, empresas podem fazer adequações para menos, mas não podem para mais", explicou. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Geraldo Magela/Agência Senado

Micro e pequenas empresas impulsionam emprego formal no Brasil A economia brasileira gerou 112,3 mil empregos formais em janeiro deste ano, informou nesta terça-feira (3) o Ministério do Trabalho e do Emprego. Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas em janeiro: ➡️2,2 milhões de contratações; ➡️2,09 milhões de demissões. 📈 O resultado representa recuo de 27,2% em relação a janeiro de 2025 — quando foram criados cerca de 154,4 mil empregos com carteira assinada. 👉🏽 Esse também foi o pior resultado para meses de janeiro desde 2023. Veja os resultados para os meses de janeiro: 2020: 112,1 mil vagas fechadas; 2021: 254,5 mil empregos criados; 2022: 167,4 mil vagas abertas; 2023: 90,09 mil vagas abertas; 2024: 173,1 mil empregos criados. A comparação dos números com anos anteriores a 2020, segundo analistas, não é mais adequada porque o governo mudou a metodologia. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o Brasil pode conseguir empatar, ou até mesmo superar, em 2026, a geração de empregos registrada no ano passado (1,27 milhão de vagas abertas) se a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, for reduzida — conforme indicação do próprio Banco Central. "A não ser que azede o cenário internacional, e o Banco Central segure ou suba os juros. Acredito que o juro vai baixar, permitindo o crescimento da economia (...) Não faz sentido pensar em crescimento de juros", disse o ministro Luiz Marinho, do Trabalho. Ao fim de janeiro de 2026, ainda conforme os dados oficiais, o Brasil tinha saldo de 48,57 milhões de empregos com carteira assinada. O resultado representa aumento na comparação com dezembro do ano passado (48,46 milhões) e com relação a janeiro de 2025 (47,35 milhões). Fila de pessoas em busca de emprego em mutirão de Taubaté-SP Laurene Santos/TV Vanguarda Empregos por setor Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro de 2026 mostram que foram criados empregos formais em quatro dos cinco setores da economia. A indústria teve a maior alta, enquanto o comércio apresentou queda. Regiões do país Os dados também revelam que foram abertas vagas nas cinco regiões do país no mês passado. Salário médio de admissão O governo também informou que o salário médio de admissão foi de R$ 2.389,50 em janeiro deste ano, o que representa alta real (descontada a inflação) em relação a dezembro de 2025 (R$ 2.312,76). Na comparação com janeiro do ano passado, houve também aumento no salário médio de admissão. Naquele mês, o valor foi de R$ 2.348,20. Caged x Pnad Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados consideram os trabalhadores com carteira assinada, ou seja, não incluem os informais. Com isso, os resultados não são comparáveis com os números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad). Segundo dados oficiais, a taxa de desocupação do Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. O índice recuou 1 ponto percentual em relação a 2024, quando estava em 6,6%.

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, inicialmente prevista para março, deve ser adiada em algumas semanas. Segundo interlocutores do Planalto e auxiliares do presidente, o encontro entre Lula e Donald Trump tende a ficar para abril, em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio e às dificuldades para fechar a pauta bilateral. Na semana passada, Lula chegou a citar o dia 16 de março como uma data possível para a viagem. Trump, na última sexta, voltou a afirmar, segundo agências internacionais, que quer receber a visita de Lula na Casa Branca. Tudo mudou com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no sábado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Nesta segunda, o blog chegou a trazer a visão de auxiliares do presidente brasileiro de que a guerra deveria atrasar o encontro, em uma provável visita oficial de Estado. Além do conflito, há ainda dificuldades em fechar uma agenda que agrade ambos os lados. De sua parte, os Estados Unidos querem chegar à reunião com um plano estruturado para a exploração de minerais críticos no Brasil, área considerada estratégica por Washington. Fontes da diplomacia norte‑americana afirmam que é prioridade definir parâmetros, salvaguardas e projetos com potencial de financiamento antes do encontro entre os presidentes. Pelo lado brasileiro, o foco é avançar na agenda de segurança e no combate ao crime organizado — tema considerado prioritário também na conjuntura eleitoral do Brasil. Essa diferença de prioridades tem prolongado as negociações. Além disso, o governo quer mais tempo para negociar o capítulo dos minerais críticos, e diplomatas afirmam que não faz sentido ir a Washington sem algum tipo de acordo fechado. Enquanto isso, uma etapa importante ocorrerá antes da viagem. No dia 18 de março, a Embaixada dos EUA, em parceria com o setor privado, organiza em São Paulo um fórum sobre minerais críticos. A ideia é apresentar projetos brasileiros, discutir financiamento e destravar negociações. Integrantes do governo dos Estados Unidos devem vir ao país para participar das reuniões ligadas ao evento, reforçando a centralidade do tema para Washington. Em novembro, Trump já havia retirado tarifas de 40% sobre diversos produtos brasileiros, após negociação direta com Lula. Getty Images

Raio-X do Irã: entenda o país O governo iraniano anunciou nesta terça-feira (3) a proibição da exportação de alimentos e produtos agrícolas devido ao conflito com Israel e os Estados Unidos. Acompanhe o conflito em tempo real "A exportação de todos os alimentos e produtos agrícolas está proibida até segunda ordem", informou a agência de notícias Tasnim, citando um comunicado do governo. "O governo está priorizando o fornecimento de bens essenciais à população", acrescentou. O Brasil não importa alimentos essenciais do Irã. As maiores compras agrícolas são de pistaches e uva passa, segundo dados do Ministério da Agricultura. O Irã acionou um plano de emergência no sábado, dia em que os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra a República Islâmica, que resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, e de vários oficiais militares de alta patente. Pistache Gelateria Borelli/Divulgação LEIA TAMBÉM Brasileiros no Oriente Médio relatam explosões e voos cancelados Trump admite falta de 'armamento de ponta' e fala em 'guerra para sempre' Petróleo dispara mais de 7% após Irã anunciar fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçar incendiar navios

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avaliou, nesta terça-feira (3), que a desaceleração do ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 indica que a "política monetária contracionista", ou seja, taxa de juros elevada, exerceu 'impacto relevante sobre a atividade". O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. O resultado representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%, e é o menor número em cinco anos. Atualmente, a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. A Selic é o instrumento que o Banco Central tem para conter a inflação, e tentar atingir a meta central de 3% — fixada para 2026 e para os próximos anos. "A perda de fôlego [da economia] tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro. Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025", diz o Ministério da Fazenda, em comunicado. Banco Central liquida mais uma instituição que pertencia ao Grupo Master Jornal Nacional/ Reprodução Expectativa para 2026 Para 2026, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3%. O mercado financeiro, entretanto, estima um crescimento, menor, de 1,8%, neste ano. "Pela ótica da oferta, a expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços. Pela demanda, a expectativa é de maior contribuição da absorção doméstica comparativamente a 2025, contrabalanceada por menor contribuição do setor externo", avaliou o governo. Para o primeiro trimestre deste ano, a expectativa do Ministério da Fazenda é de "aceleração acentuada do PIB", em ritmo próximo a 1%, refletindo, principalmente, o aumento da renda disponível para a população com a isenção do imposto de renda retido na fonte para quem ganha até R$ 5 mil. "Em seguida, deverá haver desaceleração gradual do ritmo de expansão da atividade, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada pela redução do custo no crédito [com a queda esperada na taxa básica de juros, a Selic]", diz o governo.

Imagem de colheita de soja no Tocantins. Grupo Wink A agropecuária teve expansão de 11,7% no ano passado em relação a 2024 e puxou o crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3). Foi o melhor desempenho entre os setores da economia: no mesmo período, a indústria avançou 1,4% e os serviços, 1,8%. Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o agro, as indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços contribuíram com 72% do PIB no ano passado. "Se olharmos só a agropecuária, ela responde por 33% de todo o crescimento da economia do ano passado. Foi a que contribuiu mais para o crescimento do PIB olhando as atividades", diz Pallis. Desempenho da agropecuária e do Produto Interno Bruto (PIB). Reprodução O forte crescimento do agro foi puxado por uma combinação de colheitas recordes, especialmente de soja e milho, além de um bom desempenho da pecuária, que também bateu marcas históricas. Em 2025, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos, pela primeira vez. Apesar de ter tido o maior crescimento na comparação com outros setores, a agropecuária tem um peso de 7,1% no PIB, bem menor que os serviços (69,5%) e a indústria (23,4%). Isso acontece porque o PIB do IBGE calcula somente as atividades primárias do agro, como os plantios e as criações de animais. Mas, quando se coloca nessa conta, os serviços, os comércios e as indústrias do setor, esse peso sobe para 23%, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). Por que o brasileiro não sente a melhora da economia? PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O que favoreceu a agropecuária O forte crescimento do agro em 2025 representou uma recuperação em relação a 2024, quando o PIB do setor recuou após secas extremas e enchentes terem derrubado diversas produções agrícolas, como as de soja, milho, cana-de-açúcar e laranja. "A gente sabe que a agropecuária é uma atividade muito vulnerável à questão climática. Mas, em 2025, não tivemos nenhum problema climático relevante a ponto de gerar uma quebra de safra", diz Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre. "Também tivemos custos de produção menores e ganhos de produtividade", acrescenta. Esses fatores fizeram o Brasil colher a maior safra de grãos da história no ano passado. No total, foram 350,2 milhões de toneladas, puxadas por soja e por um volume de milho jamais registrado na série histórica. No ano, a colheita de milho cresceu 23,6%, enquanto a de soja teve alta de 14,6%, segundo o IBGE. Com a maior produção dos grãos, a exportação do setor também cresceu. A soja, por exemplo, bateu recorde com o embarque de 108,2 milhões de toneladas, um aumento de 9,5% na comparação com o ano anterior. Uma das motivações para isso foi a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Com os chineses comprando menos dos norte-americanos, a demanda foi redirecionada para o Brasil, explica Luiz Fernando Roque, especialista de grãos da consultoria Hedgepoint. A pecuária brasileira também conseguiu superar os seus próprios recordes em um ano marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos, segundo maior comprador de carne bovina do Brasil. As exportações bateram recorde puxadas pela demanda chinesa. No ano, foram vendidas 3,50 milhões de toneladas, alta de 20,9% em relação a 2024. Além disso, o abate de gado chegou a 42,3 milhões de cabeças, outra marca histórica do setor. Como fica em 2026 Após um ano de recordes, a expectativa do Ibre é de que o setor desacelere em relação a 2025. "O Ibre está projetando uma leve queda de 0,2%, o que é considerado um cenário de estabilidade. Diferente de 2025, a agropecuária não deve ser o motor que impulsionará o PIB este ano", diz Trece. A pecuária, por exemplo, está entrando em um momento de redução do número de abates. A tendência é de que, neste ano, os produtores retenham mais fêmeas nas fazendas para produzir bezerros em vez de direcioná-las para a produção de carne. É um movimento diferente do que aconteceu em 2025, quando um volume recorde de fêmeas foi enviado para o abate. As colheitas de grãos também devem desacelerar em relação ao ano passado, diz Trece. "A produção de soja, que cresceu 14,6% em 2025, deve crescer apenas 3,9% em 2026. Já o milho tem uma previsão de queda de 5,6% na produção para este ano", afirma. Roque, da Hedgepoint, discorda. Para ele, em 2026, o agro aumentará ainda mais a sua participação no PIB brasileiro. Isso porque a estimativa é que as exportações de soja e milho continuem crescendo em 2026, gerando mais espaço no mercado internacional e batendo novos recordes. Na produção, a Hedgepoint prevê novo recorde para a soja, com safra estimada em 179,5 milhões de toneladas no Brasil. O volume da safra anterior foi de 172 milhões de toneladas. Já no caso do milho, a maior oferta vem também de estoques iniciais maiores. PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar disparou nesta terça-feira (3), conforme investidores seguiam atentos à escalada da guerra no Oriente Médio. A moeda fechou com alta de 1,91% na sessão, cotada a R$ 5,2645. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3428. As preocupações com o cenário geopolítico também se refletiam no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. O índice, que chegou a cair quase 5% no início da tarde, mas reduziu as perdas e fechou com queda de 3,46%, aos 182.763 pontos, acompanhando a queda generalizada dos mercados globais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Pela manhã, Israel e Irã trocaram novos bombardeios, e explosões foram ouvidas em diversos países do Oriente Médio. O número de mortos no Irã subiu para 787. Já durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que "praticamente tudo" foi destruído no Irã e anunciou que uma nova onda de ataques ocorrerá "em breve". ▶️ Além disso, na véspera, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tente atravessar a rota. A notícia fez disparar os preços do petróleo e aumentou o receio de investidores com aplicações mais arriscadas. Nesta terça, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta. O barril Brent 4,71% cotado a US$ 81,40. No início de 2026, custava US$ 60. Os investidores temem que a guerra cause prejuízos na economia e elevação dos preços da energia, causando inflação e segurando os juros mais altos ao longo do ano. O movimento adotado é de vender ações e buscar proteção em ativos mais seguros, como o dólar. "Nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado", afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. "O pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados." ▶️Em meio à tensão no Oriente Médio, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também ficaram no radar, conforme investidores seguem atentos a sinais da instituição sobre quais os próximos passos na condução dos juros, em meio aos eventuais impactos da alta do petróleo nos preços. ▶️ No Brasil, o destaque fica por conta da divulgação do PIB de 2025, divulgado pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menor alta em cinco anos. O dado também representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%. ▶️ Também nesta terça foram divulgados os dados de criação de empregos formais no Brasil em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com o ministério do Trabalho e Emprego, o país abriu 112.334 vagas formais de trabalho no início do ano. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,62%; Acumulado do mês: +0,62%; Acumulado do ano: -5,88%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,28%; Acumulado do mês: +0,28%; Acumulado do ano: +17,49%. Petróleo em disparada Os preços do petróleo continuam em forte alta nos mercados internacionais depois que o Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. No meio da tarde, o barril do petróleo tipo Brent subia mais de 5%, cotado acima de US$ 82. A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que aumentou o temor de desabastecimento e disparou os preços da commodity. A alta já vinha sendo impulsionada pela intensificação da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que também atingiram instalações do setor de energia. Com isso, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global. Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços da energia. O avanço do conflito elevou a percepção de risco nos mercados financeiros, que passaram a monitorar possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial. 🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa. Nem mesmo a disparada do petróleo tem conseguido sustentar as ações do setor. Apesar da forte alta da commodity, os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, figurando entre as poucas altas da bolsa brasileira. “É um momento de grande cautela. O cenário internacional concentra muitos riscos e, sobretudo, falta clareza sobre os próximos passos do conflito. O investidor prefere ambientes mais previsíveis, e hoje o mercado opera sob forte incerteza”, afirma Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. PIB brasileiro O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, desacelerando frente aos 3,4% de 2024 e registrando o menor avanço em cinco anos. Ainda assim, foi o quinto ano seguido de crescimento da economia. No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. O principal motor do crescimento foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por safras recordes de milho e soja. O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo com juros elevados, enquanto a indústria teve alta modesta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás). Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em relação a 2024 por causa dos juros altos e do endividamento. Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2%, e importações, 4,5%. 💰 Embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. Entenda por que o brasileiro não percebe a melhora da economia. Mercados globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam no vermelho nesta terça-feira, conforme investidores seguem preocupados com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais efeitos na economia global. No fechamento, o S&P 500 perdeu 0,94%, para 6.816,59 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 1,00%, para 22.521,24 pontos. O Dow Jones caiu 0,82%, para 48.505,21 pontos. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 3,08%, aos 604,44 pontos, no nível mais baixo em um mês. O movimento de queda foi generalizado entre as principais bolsas da região e também refletiu os temores do mercado acerca da guerra no Irã. A preocupação é que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia. Entre os destaques, o índice FTSE 100, de Londres, caiu 2,75%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 3,44% e o CAC-40, de Paris, teve queda de 3,46%. As bolsas da Ásia também fecharam em queda nesta terça-feira. Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos. No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos. A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos. Painel eletrônico mostra as recentes flutuações de ações na B3 em 28 de outubro de 2021 REUTERS/Amanda Perobelli

PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil fechou 2025 em alta de 2,3%, no quinto ano consecutivo de crescimento. Ainda assim, para muitos brasileiros, a sensação foi de que o dinheiro continuou curto no final do mês. A diretora de escola Cibelle conta que, embora a renda familiar tenha permanecido estável no ano passado, foi preciso controlar cada gasto para não comprometer o orçamento. “As contas ficaram mais pesadas, principalmente no supermercado.” 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para equilibrar as contas, ela reduziu as idas a restaurantes e os gastos com lazer, diminuiu o uso do cartão de crédito e recorreu a reservas antigas. “Eu usei o que tinha guardado, um dinheiro que juntei em 2020. Acabei usando grande parte para o consumo do dia a dia”, conta. A aposentada Maria Madalena diz que também precisou fazer escolhas. Trocou a carne bovina por frango, passou a comprar queijos e laticínios mais baratos e usou parcelamento no cartão para fazer a renda durar até o fim do mês. Sua descrição não poderia ser mais direta: a sensação constante é de perda de poder de compra. “A questão é a desvalorização. O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada.” Especialistas ouvidos pelo g1 contam que, embora a economia brasileira tenha começado o ano em ritmo mais forte, acabou perdendo fôlego ao longo dos meses e terminou o quarto trimestre praticamente estagnada. Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 Arte/g1 Os números divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE mostram que o principal sinal dessa desaceleração se mostra no consumo das famílias. Esse é o componente que mais pesa no PIB e representa mais de 60% da atividade econômica pelo lado da demanda. O consumo das famílias não chegou a cair, teve alta de 1,3%, mas cresceu em ritmo bem menor do que no ano anterior, quando havia avançado 5,1%. Na comparação com o trimestre anterior, ficou zerado. Para a economista Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre, o dado mostra um descompasso entre renda e gastos. Além da atividade econômica ainda em crescimento, o país registrou a menor taxa de desemprego da história em 2025, de apenas 5,6% na média anual. O rendimento real também foi recorde, de R$ 3.560. O diagnóstico é que a economia continuou avançando, mas em ritmo mais lento. E as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho. “Em anos anteriores, houve liberações de recursos extraordinários, como saques do FGTS,, que ajudaram a estimular as compras. Quase não tivemos esse tipo de impulso em 2025.” Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 Arte/g1 Nesse cenário, a inflação se tornou um desafio ainda maior para os brasileiros. Para a economista Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro do FGV Ibre, a alta de preços foi menor no ano passado, mas continuou a corroer o poder de compra e limitou o consumo, especialmente entre as famílias de menor renda. “Depois de um crescimento acima da nossa capacidade em 2024, já era esperado um período de desaceleração. Foram resultados muito favoráveis, mas também enfrentamos efeitos colaterais, como a inflação”, explica. 📊 Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação oficial do país — fechou em 4,26%. Foi o melhor resultado desde 2018, mas isso significa apenas que os preços subiram mais lentamente, e não que tenham caído. 📈 Para manter a alta de preços sob controle, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais ao longo do ano. Com isso, ela chegou a 15% no fim de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. Segundo Silvia, esses dois fatores funcionaram como um “freio” na economia, afetando principalmente a compra de bens duráveis — como carros e eletrodomésticos — e outros setores que dependem de crédito para financiar suas atividades. Itens essenciais continuam caros Enquanto o desemprego caía e a renda aumentava, a inflação apertou o orçamento, atingindo com mais força os mais pobres. Para essas famílias, o aumento de preços de itens básicos — como alimentos no supermercado, conta de luz e gastos com saúde — pesa de forma mais intensa do que para quem tem mais recursos. A auxiliar de limpeza Edivânia sente a pressão nas despesas mais básicas. As contas de luz e água ficaram mais difíceis de pagar, exigindo cortes constantes no orçamento familiar. Sem margem para imprevistos, ela evita correr o risco de se endividar. “Não tenho cartão no momento e nem tenho como ter agora.” Entre os aposentados, a sensação foi de estagnação. Sebastiana diz que o dinheiro simplesmente não rendeu. “Recebo a aposentadoria, pago o que devo e fico esperando a próxima.” Supermercado e farmácia foram os gastos que mais complicaram seu orçamento — especialmente os remédios, que, segundo ela, pesam cada vez mais. Em outras faixas de renda, o aperto aparece de forma menos imediata, mas igualmente persistente — e também envolve gastos com saúde. O psicólogo Mauro consegiu manter a renda estável, mas viu crescerem as despesas com plano de saúde e procedimentos não cobertos pelas operadoras. O ajuste veio por meio de cortes. “Reduzi o consumo de itens não prioritários e deixei de viajar. Passei a controlar mais os gastos.” Peso dos juros e do endividamento O aumento do endividamento também contribuiu para limitar o consumo das famílias em 2025. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) indicam que, em dezembro, 73,5 milhões de consumidores estavam negativados, o equivalente a quase 45% da população adulta do país. O cartão de crédito continua sendo um dos principais vilões do endividamento. O procurador do Estado Jayme Asfora classifica as taxas como “escorchantes” e abusivas. Para se proteger, ele chegou a quebrar os cartões e abriu mão de viagens com as filhas diante dos altos custos. “Os juros já estão altos, mas os do cartão de crédito são ainda maiores. É absurdo não haver uma intervenção estatal mais efetiva sobre isso.” Mesmo quem teve aumento de renda manteve cautela. O assistente de e-commerce David passou a planejar cada compra antes de gastar. “Você precisa viver de forma controlada, sem excessos, mantendo uma vida estável, porque senão não dá. A gente passou a planejar mais”, afirma. Ele diz que deixou de viajar e passou a usar o cartão com mais cuidado para evitar novas dívidas. A médica Lara Lobo descreve impacto semelhante. Com aumentos no aluguel, na energia e no supermercado, precisou apertar o orçamento e priorizar a poupança. “Eu sinto que o poder de compra diminuiu. Não deixei de comprar porque tenho as finanças organizadas, mas percebo que muitos brasileiros continuam consumindo e enfrentam mais dificuldade até para coisas básicas.” Crescimento para quem? Lojistas oferecem descontos para pagamentos no Pix, em dinheiro ou no débito, que costumam sair mais baratos do que no crédito. Giaccomo Voccio/g1 O crescimento da economia não tem sido homogêneo entre setores e grupos sociais. Parte do baixo desemprego, segundo Silvia Matos, está ligada ao envelhecimento da população, que reduz a oferta de mão de obra. Além disso, a expansão do trabalho por aplicativos ajudou a manter a ocupação elevada. “O resultado é um mercado de trabalho que parece aquecido nas estatísticas, mas com realidades muito diferentes na prática”, aponta a economista. Setores como tecnologia e finanças contrataram mais, enquanto áreas mais dependentes de crédito, como a construção civil e parte da indústria, enfrentaram maiores dificuldades. Esse é mais um descompasso que ajuda a explicar o “enigma” apontado pelos economistas: indicadores macroeconômicos positivos convivendo com sensação de aperto no cotidiano. Embora o consumo tenha esfriado, a economia encontrou apoio em outros setores. A agropecuária, por exemplo, avançou mais de 10% em 2025. Apesar de ter peso menor no PIB, o setor contribuiu para o crescimento quase tanto quanto os serviços. “Foi um crescimento muito voltado para exportações”, explica Juliana Trece. Segundo a economista, a força do campo compensou parte da perda de dinamismo em áreas mais dependentes do mercado interno. “As exportações avançaram mais de 5%, impulsionadas principalmente por produtos agropecuários e petróleo”, ressalta. 🔎 Esses segmentos são menos sensíveis aos juros elevados. “O efeito da política monetária não é igual para todos os setores. A indústria e a construção sofrem mais porque dependem de crédito. Já a agropecuária depende mais do clima e da demanda externa”, explica Silvia Matos. Apesar do resultado positivo, o crescimento da economia brasileira teve bases frágeis. Os investimentos, por exemplo, avançaram no ano, mas boa parte desse aumento foi impulsionada pela importação de plataformas de petróleo — uma compra pontual que eleva as estatísticas de momento. “Isso não significa que as empresas, de forma geral, estejam ampliando fábricas, comprando máquinas ou aumentando sua capacidade de produção”, acrescenta Silvia. Além disso, a economia ficou “menos eficiente”. A produtividade — que mede quanto o país produz com os recursos disponíveis — caiu em relação ao ano anterior e segue abaixo do nível recorde registrado em 2013. Menos impulso e mais incertezas no horizonte Depois de um ano impulsionado principalmente pelas exportações e por um mercado de trabalho ainda resistente, 2026 deve marcar desaceleração. A expectativa é de crescimento semelhante ao de 2025 — ou até um pouco menor. Para Juliana Trece, a principal mudança está no campo. A agropecuária, que teve desempenho excepcional e ajudou a sustentar o PIB no ano passado, não deve repetir o mesmo ritmo. “Em 2025, o campo teve peso relevante no crescimento. Em 2026, essa contribuição tende a ser menor”, afirma. Se isso se confirmar, o avanço das exportações também deve perder fôlego. Por outro lado, Juliana vê algum estímulo vindo do mercado interno. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode aumentar a renda disponível de parte das famílias. Além disso, anos eleitorais costumam trazer mais gastos públicos, o que ajuda a movimentar a economia no curto prazo. Silvia Matos, no entanto, adota tom mais cauteloso. Para ela, o ambiente eleitoral amplia as incertezas sobre o rumo das contas públicas e pode levar empresários a adiar investimentos. “O ano de eleição traz dúvidas, e isso costuma adiar decisões”, resume. Além disso, mesmo que o Banco Central comece a reduzir os juros, o efeito não é imediato. “Leva tempo até que a queda dos juros chegue ao crédito, reduza o custo dos financiamentos e estimule novos projetos”, destaca Silvia. Consumidores e pedestres circulam pelo Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Giaccomo Voccio/g1

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3). Em valores correntes, a economia brasileira totalizou R$ 12,7 trilhões no ano. O resultado representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%, e é o menor número em cinco anos. Ainda assim, o número marca o quinto ano seguido de crescimento da economia brasileira. No quarto trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,1% em relação aos três meses anteriores, mantendo-se praticamente estável. O principal destaque ficou com a agropecuária, que registrou um crescimento de 11,7% em 2025 — resultado dos aumentos na produção e dos ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes no ano. "Só a agropecuária responde por 33% de todo o crescimento da economia do ano passado. Tivemos um recorde nas safra de soja e milho, que pesam 45% da lavoura e também vimos uma safra muito alta de laranja", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE. Evolução do PIB brasileiro ano a ano, até 2025 Arte/g1 O setor de serviços, por sua vez, apresentou um avanço de 1,8% no ano e registrou um crescimento de todas as atividades em 2025 — mesmo com o alto nível de juros. Entre os destaques, estavam informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%) e transporte, armazenagem e correio (2,1%). A indústria teve um crescimento de 1,4% no ano, apoiada pelas Indústrias Extrativas, que registraram um avanço de 8,6% no período com o impulso da extração de óleo e gás. O segmento de construção (0,5%) também contribuiu para o avanço do setor, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) tiveram variações negativas. "A indústria extrativa veio em segundo lugar na contribuição para o valor adicionado do PIB, respondendo por 15,3% do crescimento. Apesar de todas as atividades serem influenciadas pela política monetária restritiva, essas duas atividades sofrem menos com isso e são mais exportadoras", diz Palis. 🔎 Valor adicionado é a riqueza efetivamente gerada na economia. É calculado pela diferença entre o valor do que foi produzido no país e o custo dos insumos utilizados na produção. Míriam Leitão analisa os números do PIB de 2025 Principais destaques do PIB em 2025: Serviços: 1,8% Indústria: 1,4% Agropecuária: 11,7% Consumo das famílias: 1,3% Consumo do governo: 2,1% Investimentos: 2,9% Exportações: 6,2% Importação: 4,5% Brasil prevê produção recorde de grãos, mas 40% da colheita não têm onde ser estocados A Companhia Nacional de Abastecimento aumentou a previsão da safra de soja, milho e arroz deste ano para 345 milhões de toneladas. Se isso se confirmar, vai ser a maior produção brasileira de grãos na história. LEIA MAIS Agropecuária cresce 11,7% e puxa crescimento da economia em 2025 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia? Consumo das famílias desacelera no ano Pela ótica da demanda, o consumo das famílias registrou um crescimento de 1,3%. O resultado positivo, segundo o IBGE, foi reflexo da melhora do mercado de trabalho no ano — com crescimento da massa salarial real —, do aumento do crédito e dos programas de transferência de renda do governo. Mesmo assim, o número ainda representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando cresceu 5,1%. Essa desaceleração era esperada pelo mercado por conta dos altos níveis da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, e pelo alto endividamento das famílias. "A política monetária restritiva e o alto endividamento das famílias, que bateu recorde no ano passado, têm puxado um pouco o consumo para baixo", afirmou Palis, destacando que o alto patamar dos juros foi o "vilão" do PIB no ano passado. Já o volume de investimentos feitos no país — chamados pelo IBGE de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — cresceu 2,9% em 2025, impulsionado pelo aumento na importação de bens de capital, pelo desempenho de software e pelo bom desempenho na indústria de construção. "Essas contribuições positivas compensaram a queda na produção interna de bens de capital", informou o IBGE em nota. A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8%, em uma leve desaceleração em comparação ao ano anterior (16,9%). Já a taxa de poupança acelerou de 14,1% para 14,4% na mesma relação. PIB cresce 0,1% no quarto trimestre Nos últimos três meses de 2025, a atividade econômica brasileira registrou um crescimento de 0,1% em comparação ao terceiro trimestre, mantendo-se praticamente estável. Variação trimestral do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2025 Arte/g1 Nessa relação, as atividades de serviços e agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria apresentou um recuo de 0,7%. Entre as variações positivas no setor de serviços, o destaque ficou com atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com um avanço de 3,3%. Informação e comunicação (1,5%), outras atividades de serviços (0,7%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) também tiveram resultados positivos. Já entre as atividades industriais, o resultado negativo foi puxado principalmente pela queda na construção (2,3%) e nas indústrias de transformação (-0,6%). Pela ótica da despesa, o consumo do governo cresceu 1% e o consumo das famílias ficou estável. Os investimentos, por sua vez, caíram 3,5% no período. Análise do PIB sob a ótica da oferta no 4º trimestre de 2025 Arte/g1 Análise do PIB sob a ótica da demanda no 4º trimestre de 2025 Arte/g1

Irã: Estreito de Ormuz está fechado e qualquer navio que tentar passar será incendiado Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3), impulsionados pelo temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz e pelos ataques a instalações do setor de energia. Por volta das 11h12, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. No fechamento das negociações, a alta desacelerou para 4,71%, com o preço em US$ 81,40. O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançou 4,67%, negociado a US$ 74,56. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na segunda-feira (2), o Irã anunciou que o Estreito de Ormuz está fechado e que irá incendiar qualquer navio que tentar atravessar a rota, segundo a mídia estatal iraniana. O comunicado, feito em nome do comandante da Guarda Revolucionária, foi o alerta mais direto do país desde que informou às embarcações, no sábado (28), sobre o bloqueio da passagem. A decisão é uma retaliação à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. “O estreito de Ormuz está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, afirmou Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante. Apesar das declarações, segundo a TV americana Fox News, o Comando Central dos EUA garante que o estreito não está fechado. O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para a exportação de petróleo, o, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu fechamento ameaça interromper um quinto do fluxo global do produto e elevar drasticamente os preços do petróleo bruto. Produção de petróleo e gás Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP O fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevou o risco para o abastecimento global de petróleo e acendeu o alerta nos mercados. A passagem, localizada entre Omã e o Irã, é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e é considerada vital para a economia global. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, o que provocou forte alta nos preços da energia. No domingo, dia seguinte ao conflito, o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado. O Catar suspendeu a produção após ataques a instalações, a Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria, e campos de gás em Israel foram paralisados. No Irã, explosões atingiram áreas próximas ao principal terminal de exportação do país.

Jornal Nacional/ Reprodução Os medicamentos emagrecedores baseados em incretinas — hormônios intestinais que regulam a liberação de insulina e o apetite — transformaram o tratamento da obesidade. Entre eles estão os agonistas de GLP-1, caso da semaglutida, e os duplos agonistas de GLP-1 e GIP, como a tirzepatida, hoje responsáveis por um dos mercados mais dinâmicos da indústria farmacêutica. O crescimento surpreendeu até analistas experientes: em 2023, projetava-se que as vendas globais atingiriam US$ 100 bilhões no início da próxima década. Um ano depois, a estimativa foi revisada para US$ 150 bilhões, refletindo a demanda muito acima do previsto. Esse momento de expansão acelerada, porém, coincide com uma inflexão importante para a indústria. Entre 2025 e 2029, o setor enfrenta o vencimento simultâneo de patentes em diversas áreas terapêuticas — o chamado Abismo de Patentes 2.0. A perda da exclusividade de produção pode gerar perdas líquidas globais estimadas em US$ 90 bilhões ao abrir espaço para genéricos e biossimilares. A nova geração de medicamentos emagrecedores ocupa um papel central nessa disputa por patentes, mercados e cadeias produtivas que redefine o setor farmacêutico global. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Ozempic, um dos medicamentos mais conhecidos, tem como princípio ativo a semaglutida. A patente da substância, que expira em março de 2026 na China, Índia, Turquia, Canadá e Brasil, pertence ao laboratório dinamarquês Novo Nordisk. Juntos, esses países concentram cerca de 40% da população mundial e aproximadamente 33% das pessoas com obesidade no planeta. A coincidência das datas de expiração nesses mercados estratégicos representa um desafio para a empresa. Neste cenário altamente competitivo, não há espaço para desempenho abaixo do esperado como ocorreu com o mais recente medicamento emagrecedor desenvolvido pela Novo Nordisk, o CagriSema. A situação se agravou ainda mais para esse laboratório com o sucesso do novo fármaco do concorrente, o Zepbound da Eli Lilly. Assim, as ações da Novo Nordisk despencaram e o valor de mercado do laboratório Eli Lilly, fabricante do Zepbound (tirzepatida, indicado para emagrecimento), superou a barreira de US$ 1 trilhão. As novas parcerias No fim de 2025, o laboratório Lupin, com sede em Mumbai, na Índia, fechou um acordo com a empresa Gan & Lee Pharmaceuticals, com sede em Pequim, na China, que dá ao Lupin direitos exclusivos de venda e distribuição na Índia de uma substância ainda em fase de teste, a bofanglutida, mais um análogo de GLP-1. O fármaco é indicado para diabetes do tipo 2, e mostrou resultados de perda de peso comparáveis ou superiores à semaglutida, com a vantagem de reduzir o número de injeções necessárias aos concorrentes, exigindo apenas uma injeção a cada 14 dias. A Lupin é a quinta maior empresa de genéricos nos Estados Unidos e oitava no mundo, presente em mais de 200 países, entre eles, Rússia, Japão, Estados Unidos, México e Brasil, com lucro de mais de US$ 80 milhões no segundo trimestre de 2025. A parceria indo-chinesa reforça a estratégia da Lupin, inclusive no Brasil, por meio da MedQuímica (Juiz de Fora - Minas Gerais). Um dos 30 maiores laboratórios farmacêuticos nacionais, a MedQuímica tornou-se parte do Grupo Lupin em 2015. Por sua vez, a chinesa Gan & Lee já está há algum tempo negociando diretamente com o governo brasileiro projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), bem como futuras colaborações com relação a drogas emagrecedoras inovadoras como o GZR4 e a bofanglutida. A Lupin e outro laboratório indiano, o Biocon, trabalham em parceria em alguns mercados e substâncias, e também em projetos diferentes com a Viatris/Mylan Pharmaceuticals. A Biocon é a maior farmacêutica da Índia, responsável pela movimentação de mais de US$ 1 bilhão em 2025. Isso alavanca o alcance global dos indianos na comercialização de biossimilares. No Brasil, a Lupin fez uma parceria com o laboratório Biomm (Nova Lima, Minas Gerais), controlado pela empresa Biocon, para a comercialização de um medicamento oncológico. Mas isso não impede que esses laboratórios operem como concorrentes no país. No caso dos GLP-1, a Lupin juntamente com a MedQuímica deve oferecer bofanglutida, enquanto o Biocon, em associação com o Biomm, deve oferecer semaglutida genérica. Imagem de uma dose inicial de 1,5 mg de Wegovy® pill Divulgação Medo de agulhas e versões orais De acordo com uma pesquisa da revista científica PLOS One de 2022, 63,2% dos adultos sentem algum grau de medo de agulhas, com mais da metade evitando coleta de sangue e um terço evitando vacinas. Por isso, as marcas investem em pesquisas para versões orais. Partindo daí, é possível dimensionar o impulso recebido pelo dinamarquês Novo Nordisk para lançar, em janeiro de 2026, o Wegovy em comprimido. A Eli Lilly não conseguiu, até o momento, a aprovação da agência reguladora americana, o FDA, para um fármaco equivalente. Na melhor das hipóteses, sua medicação oral – o orforglipron, ainda sem nome comercial – será aprovada em março de 2026. Uma diferença decisiva entre os comprimidos dos dois laboratórios – de acordo com as respectivas bulas – parece estar na conveniência. O medicamento da Lilly pode ser tomado a qualquer hora, com ou sem comida; mas semaglutidas orais da Novo Nordisk (Wegovy, indicado para obesidade, e Rybelsus, para diabetes tipo 2 e frequentemente utilizado off-label para obesidade) requerem estômago vazio e um intervalo de 30 minutos antes comer e beber. Em paralelo, estudos de custo-eficiência sublinham a dificuldade de comparar as apresentações orais contra os injetáveis em função da diferença das bases utilizadas. Quanto ao preço, pode variar muito, de acordo com os descontos obtidos pelos meios tradicionais (cobertura por seguros públicos e privados) e por inovações como a venda direta e as plataformas eletrônicas. A estimativa é de que o mercado global de medicamentos emagrecedores atinja US$ 95 bilhões em 2030, dos quais 24% (cerca de US$ 23 bilhões) devem ser capturados pelas versões orais. Dentro deste segmento, a previsão do banco de investimentos Goldman Sachs é de que o comprimido da Eli Lilly deve abocanhar 60% desse segmento contra 21% do produto da Novo Nordisk. A inovação na venda direta Em 2024-2025, a Big Pharma passou a privilegiar os programas de venda direta ao paciente (DTP) que combinam preços transparentes em dinheiro com telessaúde e entrega em domicílio, caso da NovoCare Pharmacy (Novo Nordisk), LillyDirect (Eli Lilly), Eliquis 360 Support (Bristol Myers Squibb) e o Cosentyx DTP (Novartis) e PfizerForAll, AstraZeneca Direct, AmgenNow. É uma transformação radical em relação ao modelo de negócio dominante. Mas não só, pois promove uma mudança clara no relacionamento com o paciente, buscando escapar de controles como o gerenciamento do preço dos medicamentos pelos planos e sistemas nacionais de saúde. O marketing do Wegovy está voltado para consumidores que pagam do próprio bolso e não têm cobertura de seguro público ou privado. O atual CEO da Novo Nordisk, Maziar Mike Doustdar, afirmou na recente J.P. Morgan Healthcare Conference – ponto de encontro estratégico de interesses financeiros e farmacêuticos – que medicamentos para obesidade respondem melhor ao modelo de venda direta do que outros fármacos. Por isso, uma de suas metas é dominar os canais diretos ao paciente e de pagamento em dinheiro. Mais avanços científicos e tecnológicos estão prometidos, como um spray nasal à base de semaglutida em fase de teste, a ser lançado em breve pela Shanghai Shiling Pharmaceutical, que, provavelmente será vendido por plataformas eletrônicas. Talvez até mesmo pela nacionalista Trump Rx, que, negando críticas internas e externas, promete baixar preços e promover o retorno de investimentos para os Estados Unidos. Em meio a este contexto complexo, os medicamentos emagrecedores e seus mercados parecem depender menos da ciência e cada vez mais das relações internacionais. Carlos Roberto Oliveira não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Bomba de gasolina em posto de combustíveis de Macapá Jorge Júnior/Rede Amazônica O Inmetro atualizou nesta segunda-feira (2) o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), que reúne informações sobre todos os carros zero km vendidos no Brasil. A planilha traz informações como tipo de transmissão, motorização e tipo de combustível, além de um dado essencial para muitos brasileiros na escolha de um carro novo: o consumo na cidade e na estrada. Para os carros elétricos, é informada a autonomia com uma carga completa da bateria. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ao todo, o Inmetro lista 794 modelos de 39 marcas, todos disponíveis para venda oficial no Brasil. Os modelos estão divididos nas seguintes categorias: 100% elétricos: 146 modelos; Híbridos plug-in: 94 modelos; Híbridos (leves ou plenos): 94 modelos; Flex: 246 modelos; Gasolina: 273 modelos; Diesel: 121 modelos. O g1 preparou uma tabela para facilitar a busca pelo seu carro — ou por aquele que você pretende comprar. Nela, é possível visualizar todos os modelos ou procurar um específico ao digitar o nome ou a versão no campo de busca. Veja a tabela abaixo.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3) um projeto que proíbe que produtos lácteos sejam comercializados com a palavra “leite” em suas embalagens. O projeto segue agora para análise do Senado.
Entenda a diferença entre leite e compostos lácteos.
Segundo o projeto, a palavra "leite" só poderá ser utilizada em "produto da secreção mamária das fêmeas mamíferas, proveniente de uma ou mais ordenhas, sem qualquer adição ou extração".
Veja os vídeos que estão em alta no g1
“Os estabelecimentos do ramo de alimentação que comercializem produtos similares aos lácteos ou os utilizem no preparo de alimentos deverão exibir, em publicidade, balcões, gôndolas e cardápios, informação clara, ostensiva e em língua portuguesa sobre a natureza desses produtos, vedada a apresentação de vocábulos, sinais, denominações, símbolos, emblemas, ilustrações ou outras representações gráficas que possam tornar a informação enganosa”, determina o projeto.
Lista de palavras
Os compostos lácteos são misturas de leite com outros elementos, como soro de leite, aromatizantes e compostos derivados de amido de milho. Eles também possuem valores nutricionais diferentes do leite.
Leite x Composto Lácteo: composição nutricional é a grande diferença entre esses produtos
O projeto também determina as palavras que podem estar em embalagens de produtos lácteos, sendo elas:
queijos e seus derivados;
manteiga;
leite condensado;
requeijão;
creme de leite;
bebida láctea;
doce de leite;
leites fermentados;
iogurte;
coalhada e
cream cheese.
O mesmo é feito para embalagens de carnes, como bife, steak, hambúrguer, filé, nuggets, presunto, presuntado, salsicha, linguiça, bacon, torresmo – expressões que designam cortes específicos.

Fumaça sobe após uma explosão, depois que Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, em Teerã, Irã, em 1º de março de 2026. Majid Asgaripour/Wana via Reuters O ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a agressividade da reação iraniana balançaram o mercado petrolífero, com muitos especialistas prevendo um aumento substancial nos preços da commodity. Embora o Irã só responda por entre 3 e 4% da produção global de petróleo, sua proximidade com o Estreito de Ormuz, via marítima que é considerada o gargalo mais crítico do mundo, está levando analistas do setor a preverem um aumento nos preços futuros do barril. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Uma interrupção prolongada do tráfego no estreito, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo, pode fazer com que os preços da commodity ultrapassem o limite de 100 dólares por barril. Esse cenário seria prejudicial para a economia global, porque acirraria a inflação em um momento onde os preços já estão difíceis de serem controlados. Só nesta segunda-feira (02/03), primeiro dia de negociação após os ataques de EUA e Israel, o petróleo Brent registrou alta de até 13%. Após isso, parte dos ganhos foram revertidos, e o barril passou a ser negociado a cerca de 77 dólares, à medida em que os traders concentravam a atenção no Estreito de Ormuz, onde o tráfego comercial praticamente parou. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços do petróleo já haviam atingido os níveis mais altos meses antes do atual conflito na região, com os operadores preocupados com as consequências de possíveis ataques ao Irã. No domingo (01/03), a Opep+, entidade que reúne os países produtores de petróleo, concordou em aumentar a produção a partir de abril, em um esforço para acalmar os mercados. "Se o conflito se prolongar e, principalmente, se afetar o abastecimento de petróleo – por causa de interrupções no abastecimento iraniano ou tentativas do Irã de bloquear o Estreito de Ormuz –, isso poderá causar um aumento nos preços do petróleo, talvez para cerca de 100 dólares por barril", afirmou William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, em um comunicado a investidores. Quanto petróleo é produzido pelo Irã? O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que faz dele o quarto maior produtor de petróleo da Opep. É também um dos maiores produtores de gás natural do mundo. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, representando cerca de um quarto das reservas do Oriente Médio e 12% das mundiais, de acordo com a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês). No entanto, a produção iraniana se manteve limitada devido a anos de investimentos baixos e sanções internacionais. Mas o Irã encontrou maneiras de contornar as sanções ocidentais e, atualmente, exporta 90% do seu petróleo para a China. Na realidade, foi a demanda da China que levou o Irã a aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 1 milhão de barris por dia entre 2020 e 2023. A economia iraniana é relativamente diversificada em comparação com outras do Oriente Médio dependentes do petróleo, mas as exportações de energia constituem uma fonte significativa de receita para o governo em Teerã. Em 2023, as empresas petrolíferas do país registraram cerca de 53 bilhões de dólares (R$ 275 bilhões) em receitas líquidas com a exportação do combustível fóssil, de acordo com estimativas da EIA. Por que o foco está no Estreito de Ormuz? Situado entre Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é uma importante rota de transporte de petróleo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Por ali passam grandes volumes de petróleo bruto produzidos na região por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. O Irã tem feito ameaças reiteradas sobre fechar o estreito. Mas Teerã nunca levou adiante a interdição de Ormuz, pois isso poderia provocar uma resposta internacional rápida que impediria o país de exportar seu próprio petróleo. Em meio à guerra em curso, o tráfego pelo estreito ficou praticamente paralisado. Várias transportadoras e comerciantes suspenderam os embarques pela hidrovia devido a preocupações com segurança e alertas das autoridades. Isso pode impedir que 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto – cerca de 30% do volume global da commodity que é transportado pelo mar – cheguem aos destinos. Mesmo que uma infraestrutura alternativa seja usada para contornar os fluxos do estreito, o impacto seria uma perda de 8 a 10 milhões de barris por dia, segundo a Rystad Energy. "Se o estreito for fechado à força ou se tornar inacessível por motivos de segurança, o impacto sobre os fluxos será praticamente o mesmo", escreveu Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, em um comunicado aos clientes. "A menos que surjam sinais de distensão rapidamente, esperamos um aumento significativo no preço do petróleo no início da semana." Como a Opep+ respondeu? A Opep+ – uma aliança entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e outros produtores de petróleo, incluindo a Rússia – anunciou no domingo um aumento maior do que o esperado nas cotas de produção. "O grupo acabou ampliando a produção além do previsto inicialmente, mas evitou um aumento mais contundente, o que é um sinal claro do delicado equilíbrio que tenta manter entre reagir aos riscos geopolíticos imediatos e não provocar um excesso de oferta mais adiante neste ano", afirmou Leon, da Rystad. "Se o fluxo pelo Golfo ficar restrito, mais produção vai gerar apenas um alívio momentâneo. Nessas circunstâncias, o acesso às rotas de exportação passa a ser muito mais decisivo do que qualquer meta de produção anunciada", complementou o vice-presidente da empresa norueguesa. A Arábia Saudita aumentou suas próprias exportações de petróleo bruto nas últimas semanas, o que os analistas interpretaram como um esforço para criar uma reserva de curto prazo antes dos ataques de EUA e Israel. O reino saudita embarcou cerca de 7,3 milhões de bpd nos primeiros 24 dias de fevereiro, o maior volume desde abril de 2023, de acordo com dados de rastreamento compilados pela agência de notícias Bloomberg. A Arábia Saudita também já havia aumentado as exportações do combustível fóssil em junho do ano passado, logo após os EUA atacarem instalações nucleares iranianas. Segundo a Bloomberg, o Irã também aumentou suas exportações de petróleo na véspera das negociações com os EUA. "Mesmo assim, essas reservas são, por natureza, limitadas e servem mais para suavizar choques de curto prazo do que para compensar interrupções estruturais prolongadas", disse o especialista da Rystad Energy. Como o aumento nos preços de petróleo pode afetar a economia global? O impacto na economia global depende em grande parte da elevação no valor da commodity a partir de agora. O petróleo bruto é uma importante unidade econômica, portanto, um aumento nos preços causa um efeito dominó, gerando alta nos preços de outros bens. "Como regra geral, um aumento de 5% nos preços do petróleo em relação ao ano anterior costuma adicionar cerca de 0,1 ponto percentual à inflação média nas principais economias", explicou Jackson, da Capital Economics. "Portanto, um aumento no Brent [principal referência global para os preços do petróleo] para 100 dólares por barril poderia adicionar entre 0,6 e 0,7 pontos percentuais à inflação global." Uma inflação mais elevada pode pesar sobre a confiança geral dos consumidores e os gastos. Os bancos centrais também podem aumentar as taxas de juros para controlar a alta nos preços, desacelerando ainda mais o crescimento econômico.

Gasolina combustível etanol diesel posto de combustíveis bomba Marcelo Camargo/Agência Brasil A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz já mostraram os primeiros efeitos econômicos nesta segunda-feira (2). O dólar subiu e passou dos R$ 5,15, e os preços do petróleo dispararam, com o barril do Brent subindo mais de 7,5% e se aproximando de US$ 80. O que começa no mercado financeiro, logo pode se transferir para o bolso dos brasileiros. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo especialistas ouvidos pelo g1, essa pressão sobre a inflação brasileira pode começar a aparecer em cerca de um mês, a depender da intensidade do conflito e de quanto pode durar o fechamento do Estreito de Ormuz. Caso os preços se mantenham elevados, o Banco Central do Brasil (BC) pode desistir de reduzir os juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mantendo a Selic no maior patamar em 20 anos e desacelerando ainda mais o crescimento da economia brasileira. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Petróleo, indústria e agro Desde o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, o salto no preço do petróleo no mercado internacional foi o efeito mais marcante. Em relação ao fim de 2025, quando a commodity fechou cotada a US$ 60, a alta é de 27,5%. “Quanto mais o conflito se prolongar e comprometer o fluxo de petróleo pelo mundo, maior será a tendência de alta nos preços do barril”, afirma André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O petróleo é matéria-prima de combustíveis — como gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha — e de diversos insumos, como plásticos, borracha, fertilizantes e medicamentos. Isso gera um efeito em cadeia, pressionando os custos de produção e a logística da indústria e do agronegócio. Uma alta no preço do diesel, por exemplo, tende a elevar o custo do frete rodoviário, o que pode resultar em aumento nos preços de produtos transportados por estradas. “Além disso, a gasolina é um dos itens mais relevantes para a inflação, representando 5% do IPCA”, afirma o especialista. Além do transporte, o agronegócio sofre com o custo de funcionamento das máquinas agrícolas e com o encarecimento dos fertilizantes químicos — que também são parte relevante das importações brasileiras vindas do Irã. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que adubos e fertilizantes químicos responderam por 93,5% do total importado pelo Brasil do país do Oriente Médio em janeiro deste ano. Há impacto também na produção de energia elétrica, especialmente nas termelétricas. Elas geram energia a partir de combustíveis e costumam ser acionadas em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos. “A indústria brasileira está inserida em cadeias globais, e qualquer instabilidade em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz repercute nos fretes, nos seguros e na energia”, diz o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe. Por outro lado, o aumento nos preços do petróleo costuma favorecer a balança comercial do Brasil, já que o país é um grande exportador da commodity e seu valor influencia diretamente o resultado financeiro das petrolíferas. “Isso já pode pressionar por um ajuste no preço da gasolina. Se houver anúncio, é provável que o valor acompanhe a tendência do petróleo e permaneça elevado enquanto a commodity continuar em alta”, afirma André Braz. Por que o Estreito de Ormuz é tão importante? Pressão no dólar e nos juros Sempre que ocorre um evento geopolítico — como as rusgas entre grandes potências militares —, o dólar costuma ser uma opção de proteção para os investidores. 🔎 A moeda americana é uma das mais negociadas do mundo e pode ser comprada e vendida com facilidade, sem grandes distorções de preço. Por isso, em momentos como esse, investidores costumam vender aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa, e migrar para opções mais seguras, como o dólar. “O dólar normalmente se valoriza em momentos de incerteza e cautela internacional, o que pode aumentar a pressão inflacionária causada por insumos importados”, explica Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office. Embora o impacto do dólar dependa de um período mais prolongado de valorização da moeda, a especialista diz que esse é um fator ao qual o BC deve estar atento ao definir a política de juros no país. “A projeção para a inflação no médio prazo continua alinhada à meta, o que permite que o Banco Central conduza a política monetária nesse cenário de incerteza, com cautela e atenção a eventuais choques de oferta”, afirma. Linhares ressalta, no entanto, que uma postura mais rígida por parte do BC depende de como a guerra deve se desenrolar daqui para frente. “Caso o conflito se prolongue no médio e longo prazo, podemos ver ajustes na magnitude dos cortes de juros ou até na duração do ciclo de redução no Brasil. Mas isso ainda depende de quanto o choque nos preços do petróleo vai se traduzir em pressão inflacionária”, afirma. “Ainda é cedo para prever como isso vai evoluir, e o mercado continuará acompanhando os desdobramentos do conflito”, conclui a executiva.

Em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, a Petrobras informou que suas operações permanecem seguras e com custos competitivos, amparadas por rotas alternativas fora da área de conflito. Bloqueio de Ormuz pode levar barril de petróleo a US$ 100 "Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas", afirmou a companhia, em nota. Segundo a estatal, não há, neste momento, risco de interrupção nas importações ou exportações. Apesar da avaliação da empresa, agentes do setor de combustíveis veem espaço para pressão sobre os preços domésticos nos próximos dias. O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou que a Petrobras deve aguardar que a "poeira se assente" antes de tomar qualquer decisão, mas ponderou que já é esperado um movimento de alta por parte de refinarias privadas. Por que o Estreito de Ormuz é tão importante? Estreito de Ormuz Em resposta à morte do aiatolá Ali Khamenei, o governo do Irã anunciou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar lá. 🔎O estreito é uma das rotas mais estratégicas para a exportação global de petróleo, conectando grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Um eventual bloqueio ameaça interromper cerca de um quinto do fluxo mundial da commodity e pressionar ainda mais os preços do petróleo bruto. Estreito de Ormuz Arte/g1 Para Araújo, contudo, o risco já estava "precificado". "Acho que não é o fato da confirmação do fechamento da ameaça de bombardear navios que se atrevam a cruzar o Estreito de Ormuz, acho que isso não vai impactar em novo aumento de preço, acho que já está precificado", explica. Ele avalia que o conflito pode se arrastar por "algumas semanas", quiçá "meses". "Com isso, a minha expectativa é de que o preço do petróleo vai ficar flutuando entre 80 dólares o barril, talvez um pouco mais, mas que não deve retornar aos 60,65 como a gente via no passado", disse. Em meio à crise, os preços internacionais do petróleo chegaram a subir até 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. Em nota à imprensa, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) alertou que o conflito "pode trazer impactos ao mercado de óleo e gás, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz". "Um resultado esperado é a alteração do patamar de preços do petróleo e do gás natural", afirmou o instituto. "Eventuais bloqueios ou ataques à infraestrutura da região podem causar severas disrupções, afetando prioritariamente o abastecimento de grandes economias asiáticas como China, Índia e Japão", destacou o IBP. "Neste cenário, o Brasil se apresenta como um fornecedor seguro e confiável em um ambiente de negócios estável, além de oferecer um petróleo de excelente qualidade, com baixo teor de enxofre e baixa emissão de carbono. O IBP destaca que o país vem aumentando sua produção, é o 9º maior exportador mundial e já destina 67% de seu volume exportado de petróleo para a Ásia", complementa nota do instituto.

Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters A fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros Discovery criará uma empresa combinada com uma dívida de cerca de US$ 79 bilhões (R$ 410,8 bilhões), informou a Paramount nesta segunda-feira (2), descartando qualquer plano de venda ou separação de seus canais de TV por assinatura. As empresas irão unificar seus serviços de streaming — incluindo Paramount+ e HBO Max — em uma única plataforma, afirmou o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, em teleconferência com analistas. Juntas, as empresas atendem mais de 200 milhões de assinantes diretos ao consumidor em mais de 100 regiões, disse Ellison, o que lhes confere escala e poder de fogo para competir melhor em um mercado dominado pela Netflix. A Paramount assinou o acordo de US$ 110 bilhões (R$ 572 bilhões), ou US$ 31 (R$ 161,20) por ação, para adquirir a Warner Bros na manhã de sexta-feira (27), depois que a Netflix se recusou a aumentar sua oferta. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A aquisição deverá gerar uma economia de mais de US$ 6 bilhões (R$ 31,2 bilhões) em custos, com grande parte desse valor vindo de “fontes não relacionadas à mão de obra”, por meio da combinação das plataformas de tecnologia de streaming e dos provedores de nuvem das empresas, entre outros, afirmou Andy Gordon, chefe de estratégia da Paramount. A meta de economia é muito superior à de sinergia prometida pela Netflix, de até US$ 3 bilhões (R$ 15,6 bilhões), e gerou temores de demissões em massa e redução na produção de filmes e programas de TV pela empresa combinada. A fusão também unirá a CBS, a MTV, a Comedy Central e a BET, da Paramount, às redes da Warner, incluindo CNN, TNT e Food Network. "Ao combinarmos nossos negócios lineares, esperamos impulsionar o fluxo de caixa, aumentar a eficiência e ajudar a gerenciar as pressões do mercado", disse Ellison. A empresa resultante da fusão terá um dos maiores acervos de propriedade intelectual comercialmente comprovada do setor, reunindo franquias como “Game of Thrones”, “Missão Impossível”, “Harry Potter”, “Top Gun”, o Universo DC e “Bob Esponja”. "A HBO é uma joia da coroa neste setor... e continuará a ter os recursos e a independência para fazer o que faz de melhor", disse Ellison. O acordo com a Paramount é garantido por US$ 54 bilhões (R$ 280,8 bilhões) em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo. Isso inclui US$ 39 bilhões em novas dívidas e US$ 15 bilhões (R$ 78 bilhões) para refinanciar a linha de crédito‑ponte existente da Warner Bros, disse Gordon. A Warner Bros Discovery tinha dívida líquida de US$ 29 bilhões (R$ 150,8 bilhões), enquanto a Paramount registrava US$ 10,36 bilhões (R$ 53,9 bilhões) no final do ano passado. Disputa A disputa pelos estúdios e ativos de streaming da Warner Bros se intensificou ao longo de meses, com Paramount e Netflix trocando propostas rivais de aquisição. A Netflix saiu na frente, fechando um acordo no início de dezembro para comprar esses ativos — excluindo as redes de TV a cabo — por US$ 27,75 por ação, ou US$ 82,7 bilhões. Após o conselho da Warner considerar a proposta da Paramount superior, a Netflix desistiu da disputa pelos ativos, incluindo DC Comics, HBO e HBO Max. O acordo entre a Paramount e a Warner Bros também eliminaria as dúvidas sobre o valor e o risco da cisão das redes de TV a cabo que os acionistas da Warner manteriam sob a proposta da Netflix, reduzindo uma das principais variáveis que alimentavam as incertezas em torno da oferta da plataforma. A expectativa é que a empresa resultante da fusão produza pelo menos 30 filmes para cinema por ano, mantendo os estúdios Warner Bros e Paramount. Na sexta-feira, a Paramount pagou a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a Warner devia à Netflix. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre deste ano. A aquisição provavelmente obterá com facilidade a aprovação antitruste da União Europeia, e quaisquer desinvestimentos necessários deverão ser mínimos, informou a Reuters na sexta-feira, citando fontes. A Paramount, liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, tem fortes laços com o governo Trump — fator que, segundo analistas, pode ajudá-la a obter um tratamento regulatório mais favorável. *Com informações da agência de notícias Reuters

Petroleiro da Petrobras. Jorge Silva/Reuters A produção de petróleo do Brasil atingiu 3,953 milhões de barris por dia (bpd) em janeiro, uma alta de 14,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta segunda-feira (2). O aumento da produção reflete principalmente o desempenho do pré-sal, que respondeu por cerca de 80% do total produzido no país em janeiro, atingindo 3,167 milhões de bpd. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No ano passado, o Brasil produziu um volume recorde de petróleo, de 3,770 milhões de bpd — um aumento de 12,3% em relação ao ano anterior. Na comparação com dezembro, houve queda de 1,5%. O campo de Tupi, maior produtor do Brasil, registrou em janeiro 917,7 mil barris por dia (bpd) no pré-sal da Bacia de Santos, seguido por Búzios (875,7 mil bpd), Mero (669,4 mil bpd) e Itapu (152,9 mil bpd). Todos esses campos são operados pela Petrobras. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com isso, a Petrobras manteve sua liderança na produção de petróleo no Brasil, tendo produzido 2,41 milhões de barris por dia (bpd) como concessionária em janeiro, o que corresponde a 61% da produção nacional. O volume da estatal foi 14,8% maior em relação a janeiro de 2025. A Shell foi a segunda maior produtora, com 407,5 mil bpd no mês, enquanto a TotalEnergies produziu 166,2 mil bpd em janeiro de 2026. A produção nacional de gás natural também cresceu, alcançando 193,16 milhões de metros cúbicos por dia, um avanço de 20,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados. Segundo o boletim da ANP de janeiro de 2026, do total produzido de gás natural, apenas 61,92 milhões de m³/d ficaram disponíveis ao mercado, enquanto 107,77 milhões de metros cúbicos por dia foram reinjetados nos campos produtores. Considerando petróleo e gás natural, a produção total brasileira chegou a 5,168 milhões de barris de óleo equivalente por dia em janeiro.

Plataforma de petróleo em Sergipe Jeová Luiz/TV Sergipe Os Estados Unidos tomarão medidas para mitigar o aumento dos custos da energia devido ao aumento do preço do petróleo causado pelo conflito com o Irã, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta segunda-feira (2). Em declarações aos repórteres no Capitólio, Rubio disse que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Energia, Chris Wright, devem anunciar os planos na terça-feira (3). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “A partir de amanhã, vocês verão [o governo] lançando essas fases para tentar mitigar isso... Nós previmos que isso poderia ser um problema”, disse Rubio. Os preços do petróleo e do gás dispararam nesta segunda-feira, após os ataques de Israel e dos EUA ao Irã e a retaliação de Teerã, que forçou o fechamento de instalações de petróleo e gás em toda a região e interrompeu o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os departamentos de Energia e do Tesouro não responderam imediatamente a um pedido de comentário feito pela Reuters. Petróleo dispara Em meio ao conflito, os preços do petróleo já chegaram a subir 13%, ultrapassando os US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. De acordo com a Reuters, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos. A Arábia Saudita também fechou, por precaução, sua maior refinaria doméstica, em Ras Tanura, com capacidade para 550 mil barris por dia. No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram suas operações preventivamente, embora não tenham sido relatados danos diretos. Em fevereiro, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia por meio de um oleoduto até o porto turco de Ceyhan. Em Israel, o governo determinou que a Chevron suspendesse temporariamente as operações no campo de gás Leviatã, um dos maiores do país e estratégico para as exportações ao Egito. A empresa também opera o campo de Tamar. A Energean desligou sua plataforma que atendia campos menores, segundo a Reuters. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Bloqueio de Ormuz pode levar barril de petróleo a US$ 100 O Irã anunciou nesta segunda-feira (2) que o Estreito de Ormuz está fechado e que incendiará qualquer navio que tentar passar pelo local, informou a mídia iraniana. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: ACOMPANHE a cobertura sobre o conflito em tempo real O comunicado, feito em nome do comandante da Guarda Revolucionária do país na mídia estatal, foi o aviso mais explícito do Irã desde que comunicou aos navios, no sábado (28), o fechamento da rota. A medida é uma retaliação pela morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. "O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios", disse Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante. Apesar das declarações, segundo a TV americana Fox News, o Comando Central dos EUA garante que o estreito não está fechado. O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para a exportação de petróleo, o, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu fechamento ameaça interromper um quinto do fluxo global do produto e elevar drasticamente os preços do petróleo bruto. Estreito de Ormuz Arte/g1 Mais cedo, a Guarda Revolucionária iraniana fez um ataque com drones a um petroleiro que passava pelo estreito. Fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters confirmaram o anúncio feito pelos militares e informaram o nome da embarcação atingida: Athen Nova. Antes do fechamento do estreito, a força militar iraniana já havia feito ameaças. A unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária afirmou que os "inimigos que mataram" o antigo líder supremo do Irã Ali Khamenei não estarão seguros "nem mesmo em casa". A ameaça foi vinculada pela mídia estatal iraniana, pouco depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantir que está confiante na vitória do país em sua ofensiva contra Teerã em discurso em Washington. "Não descansaremos até que o inimigo seja derrotado. Não estarão mais a salvo em nenhum lugar do mundo, nem mesmo em seus próprios lares", afirma comunicado. Em um post no X, também nesta segunda, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu que os Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados por ataques realizados contra uma escola e um hospital iranianos. Os bombardeios citados por Pezeshkian foram contra uma escola de meninas no sul do país, que deixou 168 mortos no sábado (28), e contra um hospital de Teerã, a capital do país, no domingo (1º). Nem os EUA nem Israel, no entanto, confirmam ser responsáveis por ambos. "Um ataque a um hospital é um ataque à vida, e um ataque a uma escola é um ataque ao futuro de uma nação. Atacar pacientes e crianças é uma clara violação de todos os princípios humanitários e o mundo deve condená-lo. Manifesto minha solidariedade à nação enlutada; a República Islâmica do Irã não se calará nem se renderá diante de tais crimes", escreveu o presidente iraniano. Estreito de Ormuz: guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial; conheça Conflito ainda deve durar pelo menos 5 semanas Em seu discurso nesta segunda, Trump defendeu sua ofensiva no Irã. Disse que os ataques eram "a nossa última e melhor chance de eliminar a ameaça do regime iraniano" e que o conflito deve durar "quatro ou cinco semanas ou mais". Em sua primeira fala pública sobre o conflito, Trump afirmou ainda que seu objetivo é destruir mísseis, desmantelar a Marinha iraniana e interromper as "ambições nucleares" do país do Oriente Médio e o financiamento do governo do Irã a grupos terroristas. O norte-americano indicou ainda não estar disposto a voltar a dialogar com Teerã — EUA e Irã vinham travando negociações para assinar um acordo de não proliferação de armas nucleares. Conflito entre EUA, Israel e Irã escala após morte do aiatolá Ali Khamenei "Não dá lidar com essas pessoas", discursou Trump durante uma cerimônia para a concessão de medalhas a veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, na Casa Branca. A fala ocorreu em um evento de entrega de medalhas de honra a soldados mortos no conflito. Até o momento, quatro militares tiveram suas mortes confirmadas pelas Forças Armadas norte-americanas. Outros 18 soldados estão feridos em estado grave após ataques retaliatórios iranianos, segundo a rede CNN Internacional. Trump reiterou argumentos de que o Irã tentou reconstruir seu programa nuclear e afirmou que o país expandia "rapida e dramaticamente" seu programa de mísseis, que representavam uma ameaça colossal aos EUA, às bases militares dos EUA no Oriente Médio e à Europa. O presidente norte-americano reiterou estar "muito feliz de ter derrubado o horrível acordo nuclear" feito pelo ex-presidente Barack Obama com os iranianos. Trump disse que a guerra era "nossa última e melhor chance para atacar e eliminar a ameaça intolerável representada pelo Irã". "Eliminamos a liderança [iraniana] em 1 hora", completou. O presidente dos EUA, Donald Trump, durante cerimônia de entrega de medalhas a veteranos de guerra na Casa Branca, em 2 de março de 2026. Jonathan Ernst/ Reuters Segundo ele, os EUA estão destruindo as capacidades de mísseis do Irã, tanto os já feitos quanto a produção de novos mísseis, e afundaram pelo menos 10 navios iranianos. Trump afirmou que os objetivos da guerra são: "Garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear" "Garantir que o regime do Irã não consiga mais financiar os grupos terroristas do Oriente Médio" "Achamos que tínhamos um acordo, aí eles deram para trás. De novo, achamos que tínhamos fechado um acordo, e eles novamente deram para trás. Uma hora falamos chega", afirmou. Mais cedo, Trump disse à rede CNN Internacional que a "grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir". INFOGRÁFICO - Mapa mostra locais dos ataques no Irã e a retaliação. Arte/g1

Colunas de fumaça sobem após explosões registradas em Teerã, em 1º de março de 2026. Atta Kenare/AFP A revista britânica "The Economist" afirmou nesta segunda-feira (2) que a guerra no Irã — iniciada no último sábado (28), após uma série de ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel — pode causar o maior choque visto no mercado de petróleo em anos. De acordo com a reportagem, em 1º de março, um dia depois de o presidente Donald Trump mandar as forças americanas bombardearem as instalações nucleares iranianas, os preços do petróleo Brent — referência internacional da commodity — chegaram a ultrapassar os US$ 82 (R$ 426,41) por barril, um aumento de 13% desde 27 de fevereiro. Ao final da sessão, os preços da commodity se acomodaram perto de US$ 80 (R$ 416), marcando a maior alta de preço em quatro anos. E a depender de quanto o conflito se estenda, a percepção é que os preços podem subir muito mais. A revista destacou, ainda, o gosto particular de Trump por anunciar suas campanhas militares nos finais de semana — reiterando que uma teoria é que o republicano opta deliberadamente por iniciar conflitos quando os mercados de petróleo estão fechados, em uma tentativa de evitar que os preços disparem. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Nesse caso, no entanto, a suposta estratégia de Trump não funcionou. A revista destacou, inclusive, que os mercados de petróleo já estariam preocupados mesmo antes do fim de semana que marcou o início da guerra. Na semana passada, o petróleo chegou a fechar em US$ 72 (R$ 374,40) o barril, no maior valor desde julho do ano passado e cerca de US$ 10 (R$ 52) acima do que os fundamentos de oferta e demanda justificariam, segundo afirmou Tom Reed, da Argus Media, à revista britânica. Isso porque, no início do ano, a maior parte dos analistas do mercado financeiro previa uma abundância de petróleo nos mercados internacionais, em meio ao aumento da oferta por países produtores da commodity e à demanda fraca. A revista pondera, no entanto, que o aumento das tensões no Golfo e as sanções mais rigorosas de países ocidentais fizeram com que os preços do petróleo subissem cerca de 20% neste ano. Riscos à frente O conflito entre EUA, Israel e Irã, por sua vez, só aumenta a preocupação entre os mercados, uma vez que traz o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Segundo a "The Economist", todo esse cenário pode fazer com que os preços do barril cheguem aos US$ 100 (R$ 520). A reportagem destaca, ainda, que o tom mais duro de Trump para falar sobre a atual guerra com o Irã também tem preocupado os mercados, e que "o nível de pânico e a duração dele" dependerão de como a guerra vai evoluir. "Desta vez, diz Trump, 'o bombardeio pesado e preciso… continuará ininterrupto durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para atingirmos nosso objetivo'. E a retaliação do Irã é muito mais séria. Nas últimas 24 horas, o país lançou mísseis contra Israel, seus vizinhos árabes e bases americanas na região", diz a revista. Outro destaque da reportagem é a escalada nos ataques iranianos — que começaram atingindo apenas alvos militares americanos, mas já escalaram para várias infraestruturas de outros países da região. A percepção, segundo a revista, é que o envolvimento dos países vizinhos no conflito pode ser uma tentativa do Irã de forçar os EUA a voltarem para a mesa de negociações. Ainda assim, as preocupações a respeito de eventuais ataques a infraestruturas de petróleo e seus efeitos na logística de transporte da commodity para o resto do mundo devem continuar a trazer temores para os investidores. Segundo a reportagem, "o Irã parece determinado a dificultar a travessia" no Estreito de Ormuz. E por mais que uma eventual tentativa de bloqueio da passagem por parte dos aiatolás deva ser rapidamente desmantelada pelos EUA, "a região está se tornando rapidamente inavegável". Além de satélites terem interrompido os sinais dos navios — diminuindo a comunicação entre eles e aumentando o risco de colisões —, a revista conta que outros riscos também começam a ser avaliados, de maneira que seguradoras têm cobrado mais ou simplesmente têm cancelado as apólices dos navios que tentavam fazer a travessia. Outros relatos citados na reportagem incluem, ainda, o fato de que poucos foram os navios que conseguiram passar pelo Estreito desde o início dos ataques, e um grupo cada vez maior de petroleiros aguarda em ambos os lados da passagem. "Cerca de dez dias de carregamentos estão agora no Golfo. As taxas de frete, já elevadas, podem aumentar ainda mais", diz a revista. Por fim, o último fator que pode influenciar os preços do petróleo a longo prazo é o que acontecerá com a liderança iraniana — e se Trump conseguirá atingir seu objetivo de mudar o regime dos aiatolás. Caso o republicano consiga atingir seu propósito, destaca a reportagem, o Irã deixaria de ser uma "fonte de instabilidade regional" e poderia ver parte das sanções ocidentais caírem. Esse cenário reforçaria a perspectiva de uma maior oferta de petróleo no mundo e poderia pressionar os preços das commodities para baixo. Por outro lado, caso os aiatolás permaneçam no poder, o país não somente pode seguir como uma ameaça regional como também há o risco de o regime se sentir compelido a demonstrar força — o que, por sua vez, poderia se traduzir no fechamento do Estreito de Ormuz, na queda da produção de petróleo e até em mais sanções contra o país. A revista conclui, por fim, que apesar de a alta do petróleo possivelmente ter uma influência negativa nas eleições de meio de mandato dos EUA — ainda mais em um momento em que as medidas de Trump têm sido insuficientes para diminuir o custo de vida no país —, o republicano tem pouco espaço de manobra para tentar minimizar um possível aumento nos preços da gasolina. A alternativa, diz a reportagem, seria o presidente americano optar por usar a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA para conter os preços — estratégia usada por Joe Biden após a invasão da Ucrânia, em 2022. Atualmente, no entanto, a reserva conta com 155 milhões de barris a menos do que em 2022. "Com a taxa máxima de extração de 4,4 milhões de barris por dia, ela duraria três meses. A incerteza gerada pela guerra no Irã pode persistir por muito mais tempo. Os investidores devem se preparar para muitos fins de semana de ansiedade pela frente", completa a reportagem.

Navio da BYD no porto de Itajaí, Santa Catarina REUTERS/Anderson Cohelo/File Photo As vendas globais de carros da BYD caíram 41% em fevereiro deste ano, na comparação com os emplacamentos do mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados pela fabricante no último domingo (1º). Em fevereiro de 2025, a BYD comercializou 322.846 veículos no mundo. Já no mesmo mês de 2026, o volume caiu para 190.190 unidades - redução de 41,09%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp No acumulado do de 2026, porém, a retração foi menos acentuada: Vendas entre janeiro e fevereiro de 2025: 623.384 unidades; Vendas entre janeiro e fevereiro de 2026: 400.241 unidades. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com base nesses números, a queda registrada no período foi de 35,7%. A queda só não supera o resultado de fevereiro de 2020, quando todo o mercado foi impactado pela pandemia de Covid-19. Naquele mês, as vendas de veículos da BYD despencaram 80,5%, ao passar de 14.429 unidades em fevereiro de 2019 para 2.803 carros no mesmo mês de 2020. A BYD divide a venda de veículos em dois tipos de propulsão: totalmente elétricos e híbridos plug-in. Segundo o relatório, os híbridos plug-in foram os mais afetados: as vendas caíram de 193.331 unidades em 2025 para 108.243 neste ano, uma retração de 44%. Já os modelos totalmente elétricos passaram de 162.788 unidades no ano passado para 124.902 em 2026, o que representa queda de 36,3%. Especialistas avaliam que a queda não deve continuar neste patamar Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que, embora o relatório trate das vendas globais, a queda está ligada à redução dos emplacamentos no mercado chinês. “Fevereiro de 2026 foi impulsionado por uma desaceleração significativa da demanda no mercado doméstico chinês, onde consumidores estão menos estimulados a comprar veículos elétricos após anos de crescimento explosivo”, revela Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting. Ele e Milad Kalume Neto, consultor independente do setor automotivo, apontam ações do governo como um dos fatores para a queda nas vendas dentro da própria China, como a redução de incentivos para a compra de modelos eletrificados ou movidos a combustíveis alternativos ao petróleo. Outro movimento apontado pelos especialistas é a competitividade interna. Ela cria “uma guerra de preços no próprio país para controle dos estoques como um mecanismo de proteção das fabricantes que preferem vender logo com prejuízos menores do que amargaram prejuízos maiores em manterem os veículos por longo prazo em seus estoques”, diz Milad. Para conter a venda de veículos abaixo do preço de custo, o governo da China passou a impedir esse tipo de desconto. Com isso, Milad Kalume Neto prevê um cenário de consolidação, com fusões entre as cerca de 150 marcas de carros que existem no país asiático. “A tendência é que tenhamos uma reorganização nos próximos meses e não um encolhimento estrutural. Maior disciplina nos preços e ainda maior eficiência produtiva”, diz Kalume. Brasil vive cenário oposto e BYD aparece no topo Se nas vendas globais a BYD enfrenta dificuldades, no mercado de veículos do Brasil a marca chinesa segue em crescimento desde que passou a vender seus próprios carros. Considerando apenas os modelos elétricos e híbridos, a BYD lidera as vendas no Brasil. Em 2026, foram 9.801 unidades zero quilômetro emplacadas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Dolphin Mini Divulgação/BYD Com esse desempenho, a BYD concentra 41,3% das vendas de veículos eletrificados. Em segundo lugar aparece a Toyota, com 3.944 emplacamentos no ano, o equivalente a 16,6% do mercado. Considerando todos os tipos de veículos, a BYD ocupa a quinta colocação entre as marcas que mais venderam carros, segundo ranking divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Neste ano, a BYD emplacou 9.755 veículos novos e, com esse volume, superou marcas tradicionais como: Jeep: 8.893 emplacamentos; Honda: 6.722 emplacamentos; Renault: 5.489 emplacamentos; Toyota: 5.310 emplacamentos; Nissan: 4.460 emplacamentos. Na lista da Fenabrave entram todas as vendas de veículos zero quilômetro, que podem ocorrer no varejo ou de forma direta. No varejo, a concessionária atua como intermediária. Já na venda direta, o consumidor compra o carro da própria marca — como nas aquisições pelo site da fabricante ou nas vendas com desconto para PCD, taxistas e frotas de empresas. Considerando apenas as vendas no varejo, o BYD Dolphin Mini foi o veículo zero km mais vendido de fevereiro - levando em conta carros de passeio e comerciais leves, como picapes e furgões. No mês, estes foram os modelos mais vendidos nesse tipo de comercialização: BYD Dolphin Mini: 4.094 unidades; Volkswagen Tera: 3.856 unidades; Fiat Strada: 3.214 unidades; Hyundai Creta: 3.129 unidades; Chevrolet Tracker: 3.023 unidades.

Telão mostra voos cancelados para o Oriente Médio no aeroporto internacional de Hong Kong. Tyrone Siu/Reuters As ações do setor de viagens despencavam nesta segunda-feira (2), acumulando perdas de US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) segundo a Reuters. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afetou voos em todo o mundo, levou ao fechamento de importantes hubs no Oriente Médio e provocou a disparada nos preços do petróleo. Dados mostram que pelo menos 4 mil voos foram cancelados em todo o mundo nos últimos três dias. Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. O setor aéreo enfrenta seu maior desafio desde a pandemia de Covid-19. Nesta segunda-feira (2), a Jordânia se tornou o mais recente país da região a fechar parcialmente seu espaço aéreo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços do petróleo chegaram a saltar 13%, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, à medida que Irã e Israel intensificavam os ataques, aumentando a expectativa de custos mais altos de combustível para as companhias aéreas. LEIA MAIS Como o ataque dos EUA ao Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro Estreito de Ormuz: guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial; conheça As ações das companhias aéreas americanas caíram na abertura dos mercados nesta segunda-feira, com American Airlines e United Airlines recuando mais de 6%. Um grupo de 29 companhias aéreas, redes hoteleiras e agências de viagens líderes da Europa, Ásia e América do Norte perdeu um total de US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) em valor de mercado nesta segunda-feira, segundo cálculos da Reuters. A empresa de análise de aviação Cirium informou que pelo menos 1,5 mil voos foram cancelados nesta segunda-feira, totalizando mais de 4 mil cancelamentos desde sábado. As ações da TUI, a maior empresa de viagens da Europa, caíam 9,6%, enquanto a Lufthansa recuava 5,7% e a IAG, controladora da British Airways, perdia 5,4%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival também registravam quedas acentuadas. “Todas as companhias aéreas estão lotadas e todos os voos estão lotados porque as pessoas estão tendo que aceitar o que podem”, disse Paul Charles, chefe da consultoria de viagens PC Agency, que ficou preso no exterior à Reuters. Charles disse que as aeronaves e as tripulações estavam espalhadas pelo mundo nos lugares errados, em um “cenário de pesadelo”. Analistas destacam o aumento dos custos com combustível, os cancelamentos e as despesas com redirecionamentos como os principais pontos de pressão para as companhias aéreas. JPMorgan, Goodbody e Citi apontam a Wizz Air como a companhia aérea europeia mais exposta devido à sua grande presença em Israel. As ações da empresa caíam 7% nesta segunda-feira. A Etihad, de Abu Dhabi, retomou alguns voos, enquanto o Aeroporto Ben Gurion, em Israel, informou que reabrirá de forma limitada. A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país, informou a agência estatal WAM, como parte dos esforços para permitir que parte das dezenas de milhares de passageiros retidos no Oriente Médio deixe a região. Mesmo antes do conflito, o setor já estava sob pressão, já que viajantes preocupados com os custos vinham evitando viagens mais caras. A Norwegian Cruise Line Holdings previu, nesta segunda-feira, lucro em 2026 abaixo do esperado. Muitas companhias aéreas do Oriente Médio continuavam cancelando voos. A flydubai suspendeu todos os voos de e para Dubai até as 15h (8h, no horário de Brasília) de terça-feira. As ações das companhias aéreas asiáticas também foram afetadas: a japonesa ANA Holdings, a Air China, a China Eastern Airlines e a malaia AirAsia X caíram pelo menos 4%. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio — incluindo Dubai e Riad — e isentou as taxas de remarcação. A Singapore Airlines cancelou voos de e para Dubai até 7 de março, enquanto a Japan Airlines suspendeu os serviços entre Tóquio e Doha. O analista independente de aviação Brendan Sobie afirmou à Reuters que as companhias aéreas indianas estão particularmente expostas devido às frequências intensas de voos para o Oriente Médio — que atendem trabalhadores migrantes — e à proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão em voos de e para a Europa. A Air India cancelou voos entre a Índia e Zurique, Copenhague, Birmingham, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar, e informou que voos para Nova York e Newark farão reabastecimento em Roma. Passageiros correm para mudar de voo Os efeitos em cadeia afetaram viajantes em todo o mundo. Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado do mundo em 2024, com 92 milhões de passageiros, de acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos, à frente de Heathrow, em Londres, por 13 milhões. Doha ficou em 10º lugar. A Lufthansa cancelou voos de passageiros de e para os Emirados Árabes Unidos, mas tentou deslocar um jato Airbus de Dubai para Munique sem passageiros. Passageiros da Qatar Airways em Sydney disseram à Reuters que se apressaram para reorganizar suas viagens com pouca informação. Ascanio Giorgetti, 16, e sua mãe, Alessandra Giorgetti, italianos, descobriram que seu voo para Milão via Doha havia sido cancelado. Eles conseguiram uma rota alternativa para casa via Los Angeles, em outra companhia aérea. “Não temos nenhuma informação, nenhuma resposta no telefone da Catar (Airways)”, disse ela, acrescentando que as passagens custaram 4 mil euros. Jenni e Doug Stewart, ambos com 78 anos, estavam voando de Sydney para a Escócia via Doha quando seu voo voltou para Melbourne, antes de seguir para Sydney. “Fomos informados de que o espaço aéreo havia sido fechado”, disse Jenni. “Estava caótico em Melbourne, centenas de pessoas procurando até mesmo a mais vaga informação”, disse Doug à Reuters.

Barras de ouro Reuters Com a escalada da guerra no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o ouro voltou a disparar nos mercados internacionais nesta segunda-feira (2). Considerado um investimento de proteção em momentos de crise, o metal passou a ser mais procurado à medida que ações e outros ativos mais arriscados recuavam. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🥇 Movimentos semelhantes já foram vistos em outras grandes crises recentes, como a guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio, tensões entre EUA e Irã, a guerra comercial entre EUA e China, e também durante a pandemia. Nos últimos meses, no entanto, a cotação do metal precioso tem chegado a patamares históricos. Desde o início de 2026, o ouro já vinha em trajetória de alta, impulsionado por incertezas políticas, dúvidas sobre os juros americanos e aumento das compras por bancos centrais. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em janeiro, o ouro atingiu o recorde histórico de US$ 5.595 por onça, alcançando o maior valor de sua história logo após superar, pela primeira vez, a marca dos US$ 5 mil. Nos últimos 12 meses até fevereiro, o preço do ouro acumulou valorização de mais de 85%, desempenho muito superior ao da bolsa brasileira e de outros investimentos populares. No mesmo período, o Ibovespa subiu cerca de 54%, o índice de ações que pagam dividendos avançou quase 49% e as ações de empresas menores, as chamadas small caps, tiveram alta de aproximadamente 44%. O que explica a alta do ouro? Segundo analistas, a busca por segurança explica grande parte desse movimento. Para Thiago Azevedo, sócio-fundador da Guardian Capital, a disparada é resultado de uma combinação de fatores globais. “O ouro atingiu níveis recordes principalmente por causa da expectativa de queda dos juros nas principais economias, do aumento das tensões geopolíticas e da procura por proteção do patrimônio. Em cenários assim, os investidores costumam reduzir a exposição a aplicações mais arriscadas e aumentar a presença em investimentos considerados mais seguros”, afirma. A atuação dos bancos centrais também tem sustentado os preços. De acordo com o economista Mauriciano Cavalcante, da Ourominas, vários países vêm trocando parte de suas reservas em dólar por ouro. Isso porque o ouro não depende de nenhum país específico, ao contrário do dólar, que está ligado à economia dos EUA. Por isso, em períodos de guerra, sanções ou instabilidade financeira, o ouro tende a manter valor melhor que moedas. “O preço do ouro sobe por diversos motivos, mas hoje o fator mais relevante é a procura dos bancos centrais, que estão ampliando suas reservas em ouro e diminuindo a dependência do dólar”, diz. Além disso, a escalada de tensões entre EUA e Irã, que culminou nos ataques do último sábado, e as dúvidas sobre a política monetária americana contribuem para a valorização. Quando há expectativa de juros mais baixos, investimentos que pagam rendimento se tornam menos atrativos, e o ouro ganha espaço. Taxas menores tendem a enfraquecer o dólar, tornando o metal mais barato para investidores de outros países. Após atingir recordes, o preço passou por ajustes pontuais, considerados naturais por especialistas. “Vejo esse recuo como uma realização de lucros por parte de quem entrou antes da alta, além de ajustes provocados pelo fortalecimento do dólar e pela oscilação dos juros americanos. Esse tipo de comportamento é comum em ativos globais como o ouro”, explica Thiago Azevedo. Ramiro Gomes Ferreira, cofundador do Clube do Valor, destaca que o metal funciona como um “termômetro do medo”. “Quando os piores cenários não se confirmam ou muitos investidores decidem vender para garantir o lucro, o preço costuma cair um pouco. Como o ouro não gera renda, seu valor depende da oferta, da demanda e do grau de incerteza dos investidores”, afirma. Vale a pena investir em ouro agora? Uma vendedora exibe joias de ouro dentro de uma loja da Senco Gold & Diamonds em Calcutá, Índia Reuters O ouro continua sendo procurado como porto seguro em tempos de crise e instabilidade econômica. Investidores recorrem ao metal porque, ao contrário de ações ou títulos, ele tende a manter seu valor mesmo em momentos de turbulência nos mercados financeiros. Guerras, conflitos internacionais e altas nos preços de commodities, como petróleo e gás, aumentam a demanda pelo ouro, que funciona como uma “proteção” contra perdas em ativos mais arriscados. Além disso, o metal ajuda a diversificar investimentos: em carteiras com ações, fundos imobiliários e renda fixa, ele pode reduzir riscos, evitando perdas maiores quando outros ativos caem. Para Mauriciano Cavalcante, apesar das oscilações recentes, ainda há espaço para novas altas. “Vale a pena investir em ouro porque a tendência é que o preço continue subindo diante do cenário geopolítico e econômico. Além disso, o metal preserva seu valor ao longo do tempo”, diz. Segundo ele, o ouro pode atender a diferentes perfis, e a fatia do patrimônio destinada ao metal pode variar entre 15% e 30%, de acordo com a tolerância ao risco do investidor. Já Thiago Azevedo vê o ouro principalmente como um instrumento de proteção, e não como uma aposta de curto prazo. “A questão não é se o ouro está caro ou barato, mas qual é o papel dele na carteira. Ele serve para proteção e diversificação. Para quem quer começar, faz mais sentido comprar aos poucos, ao longo do tempo”, afirma. Ramiro Ferreira ressalta que o ouro não gera renda e não tem um valor justo fácil de calcular. Historicamente, fica atrás de ativos produtivos, como ações, no longo prazo. “Comprar no topo [na alta] é, na prática, comprar o medo do mercado”, diz. Por não render juros, o ganho ocorre apenas se o preço subir. Por isso, quem optar por ter ouro deve limitar a exposição. “O ideal é que não passe de 3% a 5% da carteira, para não comprometer o crescimento do patrimônio”, afirma. Como investir em ouro No Brasil, há diferentes formas de investir no metal precioso: Ouro físico: compra de barras ou lâminas em empresas autorizadas (a partir de cerca de 1 grama). ETFs, ou Exchange Traded Funds (fundos negociados em Bolsa), como o GOLD11, negociado na B3; Fundos de investimento: com aplicação em ouro ou em empresas do setor; Contratos futuros: indicados apenas para investidores experientes. Para Thiago Azevedo, o metal continua relevante no médio e longo prazo. “O mundo ainda convive com alto endividamento público, riscos fiscais e conflitos geopolíticos. Por isso, o ouro segue cumprindo um papel importante como proteção contra choques e perda do poder de compra das moedas”, afirma. A expectativa do mercado é de que o preço continue volátil no curto prazo, mas mantenha uma tendência de alta no médio e longo prazo, caso persistam as incertezas globais e a perspectiva de cortes de juros nos Estados Unidos.

A Link Brazil, rede de mercados especializada em produtos brasileiros e latinos que conta com mais de 20 lojas na Europa, inaugurou, em dezembro de 2025, sua primeira unidade nos Estados Unidos, localizada na região norte de Miami. Com investimento em estrutura moderna e atendimento diferenciado, a empresa familiar aposta no mercado norte-americano e já planeja expandir as operações para Orlando. "Miami foi a escolha natural para nossa entrada nos EUA. É uma região com forte presença latina, onde identificamos uma demanda real por um mercado completo, que oferecesse produtos de qualidade com aquele atendimento brasileiro, carinhoso e personalizado", afirma Felipe Alves Camargo, um dos sócios da empresa ao lado de Cecília Alves Camargo e Sirlei Alves Camargo. À frente do marketing da Link Brazil Miami, Ariele Camargo lidera a estratégia de comunicação da marca com foco em inovação e proximidade com o público. A proposta é ir além das campanhas tradicionais, criando conteúdos interativos, ações nas redes sociais e experiências que conectem a comunidade ao dia a dia da loja, fortalecendo o relacionamento com os clientes e tornando a marca cada vez mais presente na rotina dos brasileiros e latinos da região. Link Brazil chega a Miami Divulgação Sobre a atuação na Europa, Gustavo Facipieri e a mulher, Mônica Martinazzo, foram os responsáveis pela criação do modelo e aplicação no continente. São, ao todo, 20 lojas. Três frentes de atuação A Link Brazil Miami opera com um modelo de negócio diversificado, atuando em três frentes: loja física para o consumidor final, atacado e distribuição B2B. "Queremos atender desde a família que vem fazer a compra do mês, o restaurante brasileiro que precisa de fornecedor confiável até a grande rede de Churrascaria com altas demandas", explica Ademir Mendes Jr., responsável pela operação da loja em Miami. “E quem quiser praticidade, a opção é o delivery através do site para comprar online”, acrescenta. O mix de produtos é pensado estrategicamente para unir o melhor dos dois mundos: itens que os latinos sentem falta de suas terras natais e produtos americanos de qualidade. "Temos chimarrão, tererê, churrasco, picanha brasileira, argentina e australiana. É um pedaço do Brasil misturado com o que a América tem de melhor", destaca Mendes. Parcerias estratégicas Entre os diferenciais da loja estão parcerias com marcas consolidadas como Goya Foods e Alimentos Zaeli. “Neste mês, fechamos uma importante parceria com um relevante distribuidor de carne para atendermos à região de Miami, do cliente final até as grandes redes. E não paramos por aí. Em breve, deveremos também contar com frutas típicas do Brasil e com nosso saboroso açaí da nossa marca” reforça Facipieri. "Não queríamos ser apenas mais um mercado, e sim criar um ambiente onde as pessoas se sentissem bem, acolhidas. Por isso investimos em limpeza, organização, preço justo e cumprimento rigoroso de todas as normas e legislações americanas", ressalta Cecilia. Mais registros da Link Brazil Miami Divulgação Programa de fidelidade do supermercado Para fidelizar os clientes, a Link Brazil criou um programa de pontos que oferece descontos progressivos. "Queremos que nossos clientes se sintam em casa e sejam recompensados pela confiança em nossa marca. O cadastro é super fácil e rápido e feito no caixa ou através do nosso site", explica Sirlei. A localização estratégica na região norte de Miami foi escolhida justamente por atender uma população latina ampla que estava carente de um mercado completo com essas características. "Identificamos que faltava aqui um lugar que combinasse variedade, qualidade e preço justo. E isso tem chamado atenção não só dos latinos, mas também dos americanos que querem conhecer novos sabores e produtos", completa Mendes Jr. Link Brazil Miami na prática O que tem na loja, afinal? Mercearia completa: Desde temperos específicos até massas, molhos, conservas, grãos e cereais. Tudo de que você precisa para preparar um almoço de domingo como se estivesse no Brasil ou em qualquer outro país da América do Sul. Bebidas autênticas: Refrigerantes brasileiros, sucos de marcas conhecidas, água de coco, mate, chás, guaraná e todas aquelas bebidas que fazem parte da rotina. Congelados: Pães congelados, do francês até a baguete cubana. A loja também com pão de queijo, coxinhas, kibes, taquitos, tostones croquettes e plátanos. Café e Queijos: Queijos brasileiros e o incomparável café brasileiro para dar aquela animada no dia da agitada Miami. Biscoitos e Doces: A loja conta com os produtos de toda lembrança dos brasileiros, desde o biscoito de coco até aquele recheado de chocolate. Churrasco: Cortes tradicionais e conhecidos pelo público latino, Picanhas, Maminhas, Costelas, T-bone Steak, Tomahawk e as melhores linguiças que não podem faltar no churrasco. Os clientes encontram também diversas marcas de farofas, sal grosso e utensílios para o seu churrasco perfeito. Higiene e limpeza: Produtos de marcas conhecidas para cuidados pessoais e limpeza doméstica, porque às vezes até o cheiro do sabão em pó faz diferença. Com uma grande atenção à nova linha de produtos eco-friendly para a limpeza pesada, que pode ir de casas até grandes estabelecimentos. Como chegar ao mercado em Miami? A loja de Miami está localizada na 20252 NE 15th Ct, Miami, FL 33179!, região de North Miami Beach, ao norte da cidade de Miami, em um bairro predominantemente residencial e comercial com fácil acesso às principais vias da área metropolitana. Fica próxima à fronteira com o Condado de Broward e o Condado de Miami-Dade. Equipe da Link Brazil Miami Divulgação A região tem boa conectividade viária, especialmente por meio de grandes corredores que facilitam deslocamentos para o centro de Miami, o norte do condado e outras cidades próximas: I-95. Uma das principais rodovias do leste dos Estados Unidos, passa a uma curta distância da área e é a principal ligação para o centro de Miami ao sul e Fort Lauderdale ao norte. NE 163rd Street / Miami Gardens Drive. Via importante que corta o bairro de East Little River e conecta bairros residenciais a áreas comerciais. Biscayne Boulevard (U.S. 1). A poucos minutos de carro, é uma das áreas urbanas mais tradicionais de Miami, ligando diversas comunidades. O entorno inclui bairros como North Miami Beach, Miami Gardens, Aventura e Sunny Isles. Há concentrações de estabelecimentos comerciais de bairros próximos, incluindo mercados, restaurantes e serviços locais. Além disso, a região está perto de vários shopping centers e pontos turísticos conhecidos pelo público Brasileiro, próxima ao Aventura Mall, Skylake Mall, Gulfstream Park Racing and Casino, Dania Pointe, Hollywood Beach Broadwalk e Sunny Isles Beach. O que vem por aí? Os próximos passos direcionam a Link Brazil para Orlando. “A Link Brazil Miami reafirma o compromisso de levar o modelo de negócio que deu certo na Europa com a Link Brazil para o mercado norte-americano, sempre mantendo o DNA familiar e o atendimento que faz a diferença”, comenta Felipe Camargo. Registro da inauguração da Link Brazil Miami Divulgação Assim como movimentou a economia de Miami, a expansão promoverá oportunidades de emprego em Orlando e a instalação da loja física em local estratégico. Mais sobre a Link Brasil O melhor do Brasil não precisa ficar só nas lembranças. Pode estar bem pertinho, ao alcance de uma visita ao mercado. O melhor do Brasil bem perto de você. Acesse o site oficial da Link Brazil e saiba mais.

Entenda o que levou Israel e EUA a atacarem o Irã Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio. A interrupção da navegação acendeu um alerta nos mercados internacionais, pois pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Localizada entre Omã e o Irã, a passagem é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. O agravamento do conflito no Oriente Médio levou países da região a interromper, por precaução, a produção de petróleo e gás, provocando forte alta nos preços da energia. Na abertura dos mercados internacionais, na noite de domingo (1), o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025 — diante do temor de bloqueios no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do comércio mundial de energia. Conheça o Estreito de Ormuz e entenda por que ele é crucial para o abastecimento global de petróleo. Rota comercial antiga Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters A história do Estreito de Ormuz é marcada por sua importância como corredor comercial e, mais recentemente, como ponto estratégico para a energia mundial. Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Nos séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas. No século XX, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou a relevância do estreito. Após a Segunda Guerra Mundial, ele se consolidou como via essencial para o transporte de petróleo do Oriente Médio para outros continentes. Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), navios petroleiros foram atacados, e os EUA passaram a escoltar embarcações na região. Estreito de Ormuz Arte/g1 Desde então, o estreito é um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por longos períodos. Atualmente, uma fatia expressiva do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz, além de grande parte do gás exportado pelo Catar, o que faz com que qualquer conflito na região impacte os preços da energia e os mercados globais. ‘Artéria’ do trânsito mundial de petróleo Entre o início de 2022 e maio deste ano, passaram diariamente pela região entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo bruto, condensado ou derivados, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa. Países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, escoam a maior parte de sua produção por essa rota, sobretudo para a Ásia. Para reduzir a dependência do estreito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita investem em rotas alternativas por terra. O Catar, um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito do mundo, envia quase toda a sua produção pelo Estreito de Ormuz. De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA, os oleodutos existentes nesses países tinham capacidade ociosa de cerca de 2,6 milhões de barris por dia, que poderia ser utilizada para contornar o estreito (dados de junho do ano passado). Os EUA são o principal responsável por garantir a segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz, mas atuam em conjunto com aliados. Desde os anos 1980, após ataques a petroleiros na guerra entre Irã e Iraque, os EUA mantêm forte presença militar no Golfo Pérsico por meio da Marinha. Guerra atinge produção de gás e petróleo em vários países O mercado financeiro iniciou a semana em clima de tensão diante do agravamento da guerra no Oriente Médio. O impacto mais imediato foi sobre os preços da energia. O petróleo disparou cerca de 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, o maior patamar desde janeiro de 2025. Por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, a US$ 78,92, e o WTI avançava 7,74%, a US$ 72,19. Após bombardeios e ataques com drones envolvendo Israel, EUA e Irã, diversos países da região interromperam preventivamente operações no setor de energia. O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito depois que uma instalação foi atingida por drones; A Arábia Saudita fechou temporariamente, por motivos de segurança, sua maior refinaria, em Ras Tanura; No Curdistão iraquiano, quase toda a produção de petróleo foi paralisada; Em Israel, o governo determinou a interrupção das atividades em grandes campos de gás no mar, como Leviatã e Tamar; No Irã, explosões foram registradas nas proximidades da ilha de Kharg, responsável pela maior parte das exportações de petróleo do país. Em momentos de crise, Teerã costuma ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz, mas historicamente evita manter a medida por longos períodos devido ao risco de retaliação internacional. Desta vez, porém, analistas consideram o cenário mais sensível devido à intensidade dos confrontos e ao envolvimento direto de grandes potências. Para os mercados, a principal incógnita é o tempo de duração da interrupção da navegação. Se o tráfego for normalizado rapidamente, os preços tendem a recuar, embora devam permanecer elevados. Caso contrário, cresce o risco de que o barril atinja novas máximas e de que o gás natural volte a níveis registrados em conflitos anteriores.

Palmito Lemos Divulgação / Redes Sociais A marca Palmito Lemos foi proibida de comercializar qualquer lote do produto. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e divulgada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (2). Segundo a Anvisa, a empresa não tinha licença sanitária para funcionar ou comprovações de boas práticas de produção. Também foi identificada a ausência de análise de riscos, controles de garantia e registros dos lotes e do nível de acidez no palmito em conserva, conforme os padrões de identidade e qualidade exigidos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além da comercialização, a empresa não pode fabricar, distribuir, usar ou realizar propagandas do produto. Ao g1, a marca negou que haja ilegalidade em sua produção, mas não forneceu mais detalhes. Veja também: Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda Veja os 26 vinhos sul-americanos entre os melhores do mundo em 2026 Exportação de gado vivo por navio dobra em 3 anos

BRB espera aprovação do projeto de socorro em até três semanas Um parecer interno do Banco de Brasília (BRB), assinado neste domingo (1º) pela Associação de Advogados do banco, aponta que a liquidez da instituição está "preservada", mas que há necessidade de incrementar o capital do BRB. O documento a qual o g1 teve acesso recomenda a aprovação pela Câmara Legislativa (CLDF) do projeto de lei que autoriza o uso de nove imóveis públicos do DF para ajudar a recapitalizar o banco. "Trata-se menos de “salvar” o BRB e mais de proteger e capitalizar um ativo público rentável e essencial ao DF — preservando empregos, empresas e programas sociais — contra um evento extraordinário, com salvaguardas robustas e fiscalização contínua", aponta a nota técnica. Ainda de acordo com o parecer, "o banco mantém liquidez para honrar compromissos de curto prazo e operar normalmente". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, está na CLDF para detalhar a situação patrimonial do banco. Os deputados devem voltar a se reunir no período da tarde para discutir o PL. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões para o Master. Desses, segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude. ➡️Ao longo de meses, o BRB tentou fechar um acordo para comprar o Banco Master. A operação tinha o apoio do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), mas foi barrada pelo Banco Central. ➡️O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master". ➡️ Nelson Antônio de Souza assumiu o BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mirar o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa. A atual gestão do BRB e uma auditoria independente seguem investigando a situação interna da instituição. Pior cenário Apesar de dizer que não é uma operação de salvamento, a associação não descarta o pior cenário: a liquidação do banco pelo Banco Central se os níveis prudenciais de capital não forem recompostos. Até o momento, o BC não emitiu qualquer posicionamento nesse sentido. O documento aponta ainda possibilidade de descontinuidade de linhas de crédito e serviços. GDF tem pressa para votar Banco Central determina que BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança Reprodução/TV Globo Se houver acordo, o projeto de lei de autoria do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre o uso dos imóveis para reforçar o capital do BRB pode ser pautado para votação nesta terça (3). Deputados de oposição e até aliados de Ibaneis, no entanto, vêm expressando resistência ao tema. Do ponto de vista dos parlamentares de oposição, o projeto é visto como uma manobra para "salvar o calendário eleitoral" dos agentes políticos — Ibaneis Rocha, Celina Leão e aliados —, e não para salvar o patrimônio do BRB. O governo Ibaneis esperava ter aprovado o projeto ainda em fevereiro. Quanto maior o "atraso", mais complicadas ficam as condições do BRB para captar dinheiro no mercado financeiro. 🔎 O governador Ibaneis nunca enfrentou dificuldades para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019. 🔎 O texto sobre os imóveis é visto como "teste" para saber o quanto o escândalo do Banco Master abalou o apoio de Ibaneis junto a seus aliados. Assembleia de acionistas Enquanto aguarda o aval da Câmara Legislativa para usar esses imóveis, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para "incorporar" esses valores ao patrimônio. A reunião virtual está marcada para 18 de março. A proposta que será levada aos investidores prevê emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição. 💰Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais. 💰Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual. ➡️ No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez do mercado financeiro brasileiro.️ O documento é mantido sob sigilo. Entenda o empréstimo O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano "preventivo" entregue ao Banco Central há duas semanas, segundo apurou o g1. Se o empréstimo for tomado, esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos – ou seja, reduzir o risco atrelado a seu patrimônio. O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB. ⬆️ Com essa garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco, abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master, nos últimos anos. ⬇️ Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Integrantes do governo brasileiro já dão como certo o adiamento da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, por conta do conflito entre Estados Unidos e Irã. Três assessores próximos de Lula confirmaram ao blog que agora o mais provável é que se aguarde "dias ou semanas". Segundo o blog apurou com auxiliares de Lula e com o próprio Itamaraty, não havia data definida, mas se trabalhava com o mês de março. Agora, eles já reconhecem que pode ficar para o fim do mês ou para abril, a depender do conflito no oriente médio. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os EUA também não haviam sugerido datas, apesar da menção de Trump, na última conversa com Lula, para que fosse uma visita de Estado a Washington. Neste sábado (28), logo após os primeiros ataques dos EUA e Israel, o governo brasileiro divulgou duas notas condenando a ação em meio a negociações e defendendo o respeito ao direito internacional. Apesar disso, as fontes do governo brasileiro afirmam que o diálogo com o governo Trump não foi afetado e os dois presidentes seguem com canal direto de conversações. LEIA TAMBÉM: 'Devemos nos preparar para o pior', diz Celso Amorim sobre conflito no Oriente Médio Lula e Trump se encontram na Malásia. Ricardo Stuckert/PR Começo do conflito Os Estados Unidos e Israel realizaram neste sábado (28) uma grande ofensiva aérea contra alvos militares e estratégicos no Irã, alegando ser necessário destruir o programa nuclear iraniano e responder a ameaças do regime. Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte‑americanas em diversos países do Oriente Médio. Os ataques atingiram o topo da liderança iraniana e resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, confirmada pelo próprio governo iraniano horas depois. Outras altas autoridades militares, incluindo o chefe do Estado‑Maior e o ministro da Defesa, também morreram. O conflito ampliou drasticamente as tensões regionais, fechou o Estreito de Ormuz, provocou centenas de mortes no Irã e desencadeou ondas de ataques em vários países do Oriente Médio.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,59% nesta segunda-feira (2), cotado a R$ 5,1642. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em alta de 0,28%, aos 189.307 pontos, com ajuda das ações no setor de óleo e gás. Investidores também aproveitaram as quedas no início do dia para comprar ações baratas, o que ajudou as bolsas no mundo todo. ▶️ No Oriente Médio, os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por uma resposta de Teerã, aumentaram o risco de ampliação do conflito. Na ofensiva, morreram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e outras autoridades do país. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita informaram que também foram atingidos. Em vídeo divulgado pela Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as ações continuam “com força total” e que só devem parar quando os objetivos forem alcançados. ▶️ Diante da escalada, os preços do petróleo e do gás dispararam, enquanto várias bolsas pelo mundo registraram queda. O barril do Brent avançou 7,56%, a US$ 78,38, e o WTI subiu 6,68%, a US$ 71,50. ▶️ Com o avanço nos preços do petróleo, as ações do setor de óleo e gás registravam forte alta. Os papéis da Petrobras subiram 4%. As ações da PetroRio e da Petroreconcavo também avançaram cerca de 5% e 3%, respectivamente. “A Petrobras acaba se beneficiando da alta do barril do petróleo Brent, o que favorece a geração de caixa. Mas há um ponto de atenção: a empresa é uma importadora relevante de derivados, como o diesel”, diz Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos. ▶️ No Brasil, a semana começa com a divulgação do relatório Focus, que reúne as projeções do mercado para a economia. Também está prevista, nesta terça-feira, a divulgação do PIB de 2025. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,62%; Acumulado do mês: +0,62%; Acumulado do ano: -5,88%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,28%; Acumulado do mês: +0,28%; Acumulado do ano: +17,49%. Petróleo em disparada Os preços do petróleo e do gás dispararam e as bolsas fecharam em queda nesta segunda-feira (2) por causa do conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã. O setor mais afetado foi o de aviação e turismo, cujas empresas registraram perdas expressivas. O preço do barril de Brent chegou a subir quase 14%, enquanto o do West Texas Intermediate (WTI) avançou 12% na abertura dos mercados, após o ataque que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros dirigentes do país. O conflito regional afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O preço do gás na Europa disparou mais de 20%, já que a guerra ameaça as exportações de gás natural liquefeito da região do Golfo, especialmente as vendas do Catar. O contrato futuro do TTF holandês, referência europeia, chegou a subir mais de 40%, a 45,105 euros. 🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa. No caso do Brasil, as ações da Petrobras subiram mais de 4%, ajudando a reduzir a baixa do Ibovespa, que acompanhava as quedas pela manhã antes de inverter o sinal. Mercados globais Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 0,54 ponto, ou 0,01%, e encerrou aos 6.879,42 pontos. O Nasdaq Composite subiu 72,40 pontos, ou 0,32%, para 22.740,61 pontos. Já o Dow Jones Industrial Average caiu 86,89 pontos, ou 0,18%, para 48.891,03 pontos. Investidores americanos voltaram às compras após a queda inicial, sinalizando expectativa de que os impactos do conflito sejam limitados. “Os participantes do mercado acreditam que isso é apenas temporário e que os problemas no setor de petróleo vão desaparecer”, disse Bill Smead, fundador e presidente da Smead Capital Management. Antes da correção global, as ações da Europa registraram nesta segunda-feira a maior queda diária em três meses, pressionadas por uma liquidação global de ativos de risco, à medida que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã se ampliava, sem perspectiva de término. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em baixa de 1,7%, no menor nível em mais de duas semanas, após ter encerrado a sexta-feira em máxima histórica. Na Ásia, o comportamento dos mercados foi variado nesta segunda-feira. Enquanto parte da região acompanhou a queda causada pelas tensões com o Irã, Xangai se destacou ao subir e atingir o maior nível dos últimos dez anos. No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,5%, a 4.182,6 pontos, o maior patamar desde junho de 2015. O CSI300 subiu 0,4%. Em Tóquio, o Nikkei caiu 1,3%, para 58.057 pontos. Em Seul, o KOSPI permaneceu fechado. Em Taiwan, o TAIEX recuou 0,90%, para 35.095 pontos. Em Cingapura, o Straits Times caiu 2,32%, ficando em 4.879 pontos. O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China. Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo
Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC
O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou o processo que pedia a suspensão da sabatina de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) no Senado Federal. O pedido foi feito junto ao Tribunal pelo Ministério Público.
A decisão do TCU foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (2). Na solicitação, além do pedido de suspensão da sabatina, o MP sugeriu também emitir um alerta ao Senado citando o que o órgão chamou de "supostas decisões polêmicas favoráveis ao Banco Master", envolvendo o representado/indicado".
Na decisão, o TCU argumentou não ter autoridade para interferir no processo de sabatina no Senado, uma vez que uma eventual interferência ou emissão de alerta "afrontaria o princípio constitucional dos Poderes, por se tratar de ato inerente à função parlamentar".
Esta não é a primeira vez que o MP solicita que o TCU decida sobre o processo de indicação ao CVM. No início de fevereiro, o ministro do TCU, Bruno Dantas, já havia indeferido uma solicitação do MP que questionava a indicação de Otto Lobo, também citando o caso Master como argumento.
Indicação de Otto Lobo
No início de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou Otto Lobo para o cargo, mesmo sem o respaldo da equipe econômica.
A decisão foi mal-recebida por especialistas do mercado financeiro, que defendiam a necessidade de preservar a CVM de qualquer tipo de influência política.
🔎A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, que tem como principal função regular fundos de investimento.
À época da indicação, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou que Otto Lobo possui currículo acadêmico e profissional compatível com as atribuições e as responsabilidades do cargo.
O nome do indicado ainda precisa passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o que ainda não tem uma data para ocorrer.
Caso Master
A atuação da CVM no caso Master é um dos focos do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado criado para acompanhar as investigações.
Segundo a Polícia Federal, fundos podem ter sido usados em esquemas fraudulentos que envolvem o banco e outras instituições, como a Reag Investimentos.

Foto de arquivo de navios no Estreito de Ormuz, que viu tráfego de navios parar Getty Images via BBC Os preços globais do petróleo subiram em meio aos ataques lançados pelo Irã no Oriente Médio em resposta ao bombardeio realizado pelos EUA e por Israel contra o país. O petróleo do tipo Brent, referência global para a cotação da commodity, saltou 10% quando os mercados asiáticos abriram no início da segunda-feira (2), chegando a mais de US$ 82 o barril. Os valores cederam no decorrer da manhã, mas analistas alertam que o cenário pode ser bem diferente no caso de um conflito prolongado. Os mercados reagiram inicialmente à notícia de que pelo menos três navios haviam sido atacados no fim de semana perto do Estreito de Ormuz, via marítima que fica ao sul do Irã e é parte do caminho por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás do mundo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Irã alertou as embarcações para que não atravessassem a região e o tráfego de navios foi praticamente paralisado na entrada do estreito. Estreito de Ormuz BBC O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês) informou que duas embarcações foram atingidas e que um "projétil desconhecido" teria "explodido muito perto" de uma terceira. Após a alta inicial, a cotação cedeu para US$ 79 o barril, enquanto o tipo negociado nos EUA, o WTI, registrava aumento de cerca de 7,6%, negociado a US$ 72,20. "O mercado não está em pânico", disse à BBC Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Marquee. "Há mais clareza de que, até o momento, a infraestrutura de transporte e produção de petróleo não tem sido um alvo principal de nenhum dos lados", acrescentou. "O mercado vai ficar atento a eventuais sinais de retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, o que faria com que os preços do petróleo voltassem a cair", completou Kavonic. "As cotações do petróleo neste momento não estão particularmente altas. Ainda estão abaixo do patamar de dois anos atrás, então ainda não estamos no modo crise do petróleo total ainda", avaliou Robin Mills, ex-executivo da multinacional petrolífera Shell e diretor executivo da consultoria Qamar Energy, com sede em Dubai. No domingo, o grupo Opep+, que reúne países produtores de petróleo, concordou em elevar sua produção em 206 mil barris por dia para ajudar a amortecer eventuais aumentos de preços. Alguns analistas alertam, contudo, que a medida pode ser insuficiente a depender da evolução dos acontecimentos e que o cenário de preços pode mudar substancialmente no caso de um conflito prolongado, que poderia levar a cotação do petróleo a ultrapassar US$ 100, com um possível efeito cascata global sobre a inflação e as taxas de juros. "A turbulência e os bombardeios no Oriente Médio certamente serão um catalisador para interromper a distribuição de petróleo globalmente, o que inevitavelmente levará a aumentos de preços de combustíveis", pontuou Edmund King, presidente da Associação de Automóveis britânica (AA, na sigla em inglês). "A magnitude e a duração dependem de quanto tempo o conflito durar." Subitha Subramaniam, economista-chefe e chefe de estratégia de investimento da Sarasin & Partners, lembra que, no cenário de aumento persistente do petróleo, o impacto pode ir além dos combustíveis e se refletir em outros preços, como o de alimentos, produtos agrícolas e commodities industriais, com impacto importante sobre a inflação. Em um quadro como esse, bancos centrais poderiam elevar as taxas de juros ou interromper ciclos de queda como o que acontece no Reino Unido, que tem visto a inflação ceder mais recentemente. "Eu diria que, sabendo hoje que é improvável que esse conflito se encerre nas próximas uma ou duas semanas, não temos muito como saber o impacto da duração nos mercados de energia e de transporte marítimo", pontuou Subramaniam. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que três petroleiros foram "atingidos por mísseis e estão em chamas". As embarcações seriam do Reino Unido e dos EUA, que não se manifestaram sobre o assunto. A Organização Marítima e de Transporte Marítimo do Reino Unido informou que "múltiplos incidentes de segurança" foram relatados no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã e aconselhou os navios a "navegarem com cautela". Pelo menos 150 petroleiros lançaram suas âncoras em águas abertas do Golfo e na área do Estreito de Ormuz, de acordo com a plataforma de rastreamento de navios Kpler, que também mostrou, por outro lado, que algumas embarcações iranianas e chinesas passaram pela área nesta segunda. "Devido às ameaças do Irã, o estreito está efetivamente fechado", disse Homayoun Falakshahi, da Kpler, à BBC News. "As embarcações tomaram a precaução de não entrar. Os riscos são muito altos e os custos de seguro dispararam." Falakshahi avalia que os EUA provavelmente tentariam proteger as rotas de navegação para permitir o tráfego de navios — o que, se eficaz, impediria uma disparada no preço do petróleo. Se o estreito permanecesse fechado por um longo período, entretanto, os preços poderiam subir "muito, muito mais". Sem dar detalhes, a UKMTO comunicou que duas embarcações foram atingidas por projéteis desconhecidos, causando incêndios, e que um projétil desconhecido "explodiu muito próximo" de uma terceira embarcação. Um quarto incidente na área também foi relatado à UKMTO, que informou que houve evacuação da tripulação e não deu detalhes sobre as causas. A empresa privada de segurança marítima Vanguard Tech divulgou que incidentes foram relatados — que coincidem com os detalhes fornecidos pela UKMTO — envolvendo navios com bandeira de Gibraltar, Palau, Ilhas Marshall e Libéria. O grupo dinamarquês de transporte marítimo de contêineres Maersk afirmou em comunicado no domingo (1) que suspenderá as viagens pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Canal de Suez e redirecionará os navios ao Cabo da Boa Esperança, ao sul do continente africano.

Trump recebe Milei pela primeira vez na Casa Branca Jonathan Ernst/Reuters O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou no domingo (1) que busca “uma aliança estratégica duradoura” com os Estados Unidos, que funcione como “política de Estado”. A declaração foi feita em discurso no Congresso que marcou o início da segunda metade de seu mandato, no qual prometeu 90 reformas para “redesenhar” o país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Alinhado geopoliticamente a Estados Unidos e Israel, o governo Milei celebrou no sábado a operação dos dois países contra o Irã e voltou a acusar Teerã de participação no atentado contra a associação judaica AMIA, em 1994. Como parte de sua aproximação com o presidente Donald Trump, Milei afirmou no Congresso que “o Atlântico Sul é o terreno de disputa estratégica das próximas décadas” e que a Argentina atuará em sintonia com os Estados Unidos. “Rotas comerciais, recursos naturais, soberania marítima e a presença crescente de atores que não compartilham nossos valores estão em jogo. Quem controlar essa região controlará uma parte-chave do comércio global. A Argentina tem de ser esse ator”, disse, ao apresentar seu plano de governo para 2026. “Temos os minerais críticos de que o Ocidente precisa. Temos energia, gás, petróleo, energia nuclear e fontes renováveis para abastecer cadeias de produção em larga escala. Além disso, estamos no extremo sul do continente, com saída para dois oceanos e presença na Antártida”, acrescentou. Milei anunciou que pretende promover “90 reformas estruturais” em 2026 para construir “a arquitetura do Estado argentino para os próximos 50 anos, com a moral ocidental como política de Estado”. Segundo o presidente, as propostas incluirão mudanças nas áreas de economia, impostos, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa, entre outras. Defesa da abertura comercial O discurso de quase duas horas marcou o início do novo ciclo legislativo, após um 2025 turbulento, com denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo e episódios de instabilidade cambial. Ainda assim, a vitória nas eleições legislativas de outubro ampliou a base governista no Parlamento e permitiu avançar com seu programa. Na sexta-feira, o Congresso aprovou a reforma trabalhista, apesar da oposição dos sindicatos. “Milei só pode ir para frente”, afirmou à AFP o cientista político Pablo Touzón. “Seu movimento é bastante disruptivo, e a agenda de reformas é necessária para sustentar seu modelo econômico. O presidente dedicou a primeira parte do discurso a criticar o “Estado falido” que disse ter herdado, ao assumir um país “preso a uma teia de regulações”. Ele defendeu a abertura comercial como um dos pilares de seu projeto. “Depois de décadas de proteção, o resultado foi uma indústria pequena, cara, dependente de subsídios e com salários em dólares muito baixos”, afirmou, antes de atacar empresários que o criticaram nas últimas semanas pela liberação das importações, que afeta a produção nacional. Em vários momentos, o discurso foi interrompido por protestos de parlamentares da oposição. Milei respondeu chamando-os de “ladrões” e “delinquentes” que “têm sua líder presa”, em referência à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar por acusações de corrupção. O resultado das eleições legislativas de outubro — nas quais o partido de Milei, A Liberdade Avança, obteve 40% dos votos — consolidou seu poder, após ter chegado à Presidência com uma base minoritária no Congresso. Milei é o político com maior índice de imagem positiva no país, com 41,5% de aprovação e 55,3% de rejeição, segundo a consultoria AtlasIntel. Inflação Desde que sucedeu o governo peronista de centro-esquerda de Alberto Fernández, Milei conseguiu uma forte desaceleração da inflação e promoveu um ajuste fiscal. A taxa anual caiu de 211,4% em 2023 — ano em que o peso foi desvalorizado pela metade — para 31,5% em 2025. Além disso, a Argentina registrou superávit fiscal por dois anos consecutivos pela primeira vez desde 2008. O ajuste, porém, teve custos elevados: queda no consumo, maior abertura às importações e o fechamento de mais de 21 mil empresas em dois anos, com perda estimada de 300 mil empregos, segundo sindicatos. A economia cresceu 4,4% em 2025, impulsionada pela agricultura e pelo setor financeiro, enquanto a indústria e o comércio — dois dos maiores empregadores — encolheram. “Milei faz as coisas bem para um setor, mas não se importa se isso prejudica outro”, afirmou Emanuel, de 29 anos, funcionário de uma empresa de energia. “O problema é quando a maioria acaba ficando em situação pior”, disse à AFP.

Petróleo já subiu 20% no ano e conflito no Irã tem poder de afetar a economia mundial Os preços do petróleo e do gás dispararam e as principais Bolsas do mundo operavam em queda nesta segunda-feira (2), após a escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã. Segundo a France Presse, o setor mais afetado nos mercados acionários foi o de aviação e turismo, com quedas expressivas nas ações das companhias. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em meio ao conflito, os preços do petróleo já chegaram a subir 13%, ultrapassando os US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. 🔎 Na abertura dos mercados, o barril do Brent subiu quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 12%. Por volta das 10h18 (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, cotado a US$ 78,92, e o WTI ganhava 7,74%, negociado a US$ 72,19. Antes mesmo da escalada do conflito, o petróleo já vinha subindo por causa das tensões políticas e terminou a semana em US$ 72. 🔥 A guerra também elevou fortemente os preços do gás na Europa. O contrato do TTF (Title Transfer Facility), principal referência para o preço do gás natural na Europa, subia mais de 41% por volta das 10h28 (horário de Brasília), cotado a 45,3 euros por megawatt-hora (MWh). O temor é de que o conflito afete as exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região do Golfo, especialmente do Catar. Na Ásia, a maioria dos mercados de ações caiu, refletindo a preocupação dos investidores com o conflito no Oriente Médio. Tóquio (1,4%) e Hong Kong (2,1%) tiveram quedas mais fortes, enquanto Xangai foi exceção e fechou em leve alta (veja mais detalhes do dia no mercado). Na Europa, as Bolsas também abriram em queda, com perdas generalizadas. Paris caía 1,96%, Frankfurt recuava 1,99%, Milão perdia 2,13%, Londres cedia 0,55% e Madri registrava queda de 2,58%, segundo a AFP. ✈️ As empresas aéreas foram as mais prejudicadas, uma vez que a alta do petróleo encarece o combustível dos aviões. Em contraste, companhias de energia se valorizaram, já que o aumento dos preços do petróleo e do gás tende a elevar seus lucros. Produção interrompida em vários países De acordo com a Reuters, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos. A Arábia Saudita também fechou, por precaução, sua maior refinaria doméstica, em Ras Tanura, com capacidade para 550 mil barris por dia. No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram suas operações preventivamente, embora não tenham sido relatados danos diretos. Em fevereiro, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia por meio de um oleoduto até o porto turco de Ceyhan. Em Israel, o governo determinou que a Chevron suspendesse temporariamente as operações no campo de gás Leviatã, um dos maiores do país e estratégico para as exportações ao Egito. A empresa também opera o campo de Tamar. A Energean desligou sua plataforma que atendia campos menores, segundo a Reuters. No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Ainda não há informações precisas sobre o impacto nas instalações, de acordo com a Reuters. O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. Sua produção é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos. Estreito de Ormuz e risco de disparada nos preços Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Com isso, os preços do petróleo subiram cerca de 13% e ultrapassaram US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito, informou a France Presse. Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são obrigados a ter reservas equivalentes a 90 dias de consumo —, analistas não descartam que o barril supere os US$ 100. “Se houver uma interrupção prolongada no fornecimento por Ormuz, o petróleo pode subir rapidamente para US$ 100 por barril, especialmente se ocorrerem ataques a instalações da região”, afirmou o Eurasia Group à AFP. A última vez que o petróleo ultrapassou esse patamar foi no início da guerra na Ucrânia, quando a alta da energia contribuiu para um ciclo prolongado de inflação. Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto, segundo a France Presse. Ouro e dólar em alta O encarecimento da energia pode pressionar ainda mais a inflação e prejudicar a atividade econômica. “A geopolítica e a situação envolvendo Irã, Estados Unidos e o Oriente Médio devem dominar os mercados financeiros nesta segunda-feira”, disse Kathleen Brooks, da corretora XTB, à AFP. O ouro, considerado um ativo de proteção em períodos de instabilidade, subiu 2%, enquanto o dólar também se valorizou. “Com o envio de tropas, aviões e navios de guerra dos Estados Unidos para a região nas últimas semanas, os metais preciosos já vinham se recuperando: o ouro subiu 3,3% e a prata, 10,8% na semana passada”, afirmou Brooks. “Eles continuam sendo vistos como reserva de valor.” Navio passa pelo estreito de Ormuz REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo

Conflito entre EUA, Israel e Irã escala após morte do aiatolá Ali Khamenei Duas fortes explosões voltaram a atingir Teerã na noite de domingo (1º), fazendo prédios tremerem a quilômetros de distância. Os episódios ocorreram no segundo dia de ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. A expectativa é que o conflito provoque alta nos preços do petróleo quando o mercado reabrir, na noite de domingo para segunda-feira (2). Se a crise continuar, os efeitos podem alcançar a economia mundial. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país mobiliza “toda a força de seu Exército” na ação conjunta com os Estados Unidos para garantir “existência e futuro” de Israel. Segundo ele, as forças israelenses estão atacando “o coração de Teerã com intensidade crescente”, e as ofensivas devem se ampliar nos próximos dias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que aceitou conversar com os novos líderes iranianos. No mesmo dia, ataques de Teerã mataram ao menos três soldados americanos e nove civis israelenses. Escalada do conflito A escalada ocorre após a confirmação da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras figuras centrais do governo iraniano. Mesmo assim, Estados Unidos e Israel indicam que não pretendem reduzir a pressão militar, enquanto o Irã responde em diferentes pontos do Oriente Médio. A tensão também afeta o mercado de energia. Segundo Amena Bakr, especialista da Kpler, o preço do barril pode subir para entre US$ 85 e US$ 90 já nesta segunda-feira. Na sexta-feira, estava em US$ 72; no início do ano, em US$ 61. O agravamento do conflito coloca em risco o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Embora a passagem não esteja oficialmente fechada, o custo dos seguros subiu e grandes empresas de navegação suspenderam viagens pela rota. De acordo com a Rystad Energy, mesmo com caminhos alternativos, a redução no fornecimento pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia, diminuindo a oferta disponível no mercado internacional. Trump minimiza Em entrevista à "Fox News", Trump minimizou o impacto da alta dos combustíveis e disse não estar preocupado. Ele afirmou que, sem os ataques, o Irã teria uma arma nuclear “em menos de duas semanas”. Analistas avaliam, porém, que o aumento do petróleo pode trazer desgaste político ao presidente, que prometeu combustíveis mais baratos antes das eleições legislativas. Michelle Brouhard, também da Kpler, afirma que o Irã pode tentar manter os preços elevados para pressionar Washington. O preço do gás natural também tende a subir, já que o Catar, um dos principais exportadores, pode ser afetado pela crise. A última vez que o petróleo superou US$ 100 foi no início da guerra na Ucrânia, quando o gás também aumentou e contribuiu para a alta da inflação global. Para Eric Dor, professor da IESEG School of Management, um período prolongado de preços elevados pode gerar “efeito recessivo”, com impacto sobre combustíveis, energia, transporte marítimo e companhias aéreas. Empresas do setor de defesa podem se beneficiar nas bolsas, enquanto áreas como transporte, turismo e logística tendem a registrar perdas. *Com AFP Restos de escombros após um ataque conjunto israelense-americano em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026 Amir Kholousi/AP

Oito países que fazem parte da OPEP+ anunciaram neste domingo (1º) que vão aumentar a produção de petróleo. A decisão foi divulgada no mesmo momento em que forças dos Estados Unidos e de Israel atacavam o Irã, que reagiu com ofensivas contra Israel e contra bases militares americanas no Golfo. O confronto afetou o transporte de petróleo na região. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Organização dos Países Exportadores de Petróleo informou, em reunião já prevista antes do início da guerra, que a produção será elevada em 206 mil barris por dia a partir de abril. O volume é maior do que o esperado por analistas. Vão ampliar a oferta Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã. LEIA TAMBÉM: Petróleo sobe 10% por conflito no Irã e pode atingir US$ 100 por barril Como o ataque dos EUA ao Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro Os ataques atingiram diferentes pontos da região, inclusive duas embarcações que atravessavam o Estreito de Ormuz, principal rota de saída do petróleo do Golfo Pérsico para outros países. Oferta global de petróleo Problemas nessa passagem podem dificultar as exportações e reduzir a oferta global, o que costuma pressionar os preços do petróleo e da gasolina. Cerca de 15 milhões de barris por dia — aproximadamente 20% de toda a produção mundial — passam pelo Estreito de Ormuz, segundo a Rystad Energy. Navios que cruzam o estreito, ao norte do qual fica o Irã, transportam petróleo e gás produzidos por Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e pelo próprio Irã. Em meados de fevereiro, o Irã fechou temporariamente partes do estreito, alegando a realização de exercícios militares. Novas interrupções nessa rota podem diminuir a oferta de petróleo no mercado internacional e elevar ainda mais os preços. “Cerca de um quinto da oferta global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o comércio mundial, o que significa que o mercado está mais preocupado com a circulação efetiva dos barris do que com a capacidade disponível no papel”, afirmou Jorge León, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad. “Se os fluxos pelo Golfo forem limitados, a produção adicional oferecerá alívio imediato limitado, tornando o acesso às rotas de exportação muito mais importante do que as metas formais de produção.” O Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris por dia, principalmente para a China. Se essas vendas forem afetadas, o país asiático poderá buscar outros fornecedores, o que também pode pressionar os preços da energia. Especialistas avaliam que os preços do petróleo podem subir com força quando as negociações forem retomadas no fim da noite de domingo. Analistas da Rystad estimam que o barril do tipo Brent, referência internacional, pode avançar US$ 20 na abertura do mercado. Na sexta-feira, o Brent fechou a US$ 72,87, o maior valor em sete meses. Exploração de Petróleo Arthuro Paganini

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de março do Bolsa Família 2026 no dia 18. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para março de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/3 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/3 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/3 Final do NIS: 4 - pagamento em 23/3 Final do NIS: 5 - pagamento em 24/3 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/3 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/3 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/3 Final do NIS: 9 - pagamento em 30/3 Final do NIS: 0 - pagamento em 31/3 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Abril: de 16/4 a 30/4; Maio: de 18/5 a 29/5; Junho: de 17/6 a 30/6; Julho: de 20/7 a 31/7; Agosto: de 18/8 a 31/8; Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

BRB espera aprovação do projeto de socorro em até três semanas O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, vai à Câmara Legislativa do Distrito Federal na manhã desta segunda-feira (2) para detalhar a situação patrimonial do banco. A reunião, marcada para as 9h, será a portas fechadas. Nela, o BRB deve detalhar aos deputados distritais a dimensão do rombo deixado no patrimônio do banco pela série de transações malsucedidas e sob suspeita com o Banco Master. Os deputados devem voltar a se reunir à tarde – desta vez, para discutir o projeto de lei enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) que autoriza o uso de nove imóveis públicos do DF para ajudar a recapitalizar o banco, seja vendendo os lotes ou usando-os como garantia em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões para o Master. Desses, segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude. ➡️Ao longo de meses, o BRB tentou fechar um acordo para comprar o Banco Master. A operação tinha o apoio do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), mas foi barrada pelo Banco Central. ➡️O Ministério Público Federal identificou "indícios de participação consciente dos dirigentes do BRB no suposto esquema fraudulento engendrado pelos gestores do Banco Master". ➡️ Nelson Antônio de Souza assumiu o BRB após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mirar o então presidente do banco, Paulo Henrique Costa. A atual gestão do BRB e uma auditoria independente seguem investigando a situação interna da instituição. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. LEIA TAMBÉM: Venda, incorporação ao patrimônio, garantia: saiba o que o BRB poderá fazer com os imóveis oferecidos por Ibaneis Celina Leão diz que imóveis no DF não serão vendidos para socorrer BRB TCU dá prazo para Fazenda e bancos públicos informarem se estudam 'federalizar' o banco GDF tem pressa para votar Se houver acordo, o projeto de lei sobre o uso dos imóveis para reforçar o capital do BRB pode ser pautado para votação nesta terça (3). Deputados de oposição e até aliados de Ibaneis, no entanto, vêm expressando resistência ao tema. Do ponto de vista dos parlamentares de oposição, o projeto é visto como uma manobra para "salvar o calendário eleitoral" dos agentes políticos — Ibaneis Rocha, Celina Leão e aliados —, e não para salvar o patrimônio do BRB. O governo Ibaneis esperava ter aprovado o projeto ainda em fevereiro. Quanto maior o "atraso", mais complicadas ficam as condições do BRB para captar dinheiro no mercado financeiro. 🔎 O governador Ibaneis nunca enfrentou dificuldades para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019. 🔎 O texto sobre os imóveis é visto como "teste" para saber o quanto o escândalo do Banco Master abalou o apoio de Ibaneis junto a seus aliados. Assembleia de acionistas Enquanto aguarda o aval da Câmara Legislativa para usar esses imóveis, o BRB já convocou uma assembleia de acionistas para "incorporar" esses valores ao patrimônio. A reunião virtual está marcada para 18 de março. A proposta que será levada aos investidores prevê emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição. 💰Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais. 💰Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual. ➡️No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar o descumprimento de regras de solidez do mercado financeiro brasileiro.️ O documento é mantido sob sigilo. Sede do Banco BRB Getty Images via BBC Quais imóveis o GDF quer entregar? Confira a nova lista: SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) SIA, Trecho Serviço Público, Lote G SIA, Trecho Serviço Público, Lote I SIA, Trecho Serviço Público, Lote H SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB; SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap; Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década; "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão. Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 TV Globo Entenda o empréstimo O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano "preventivo" entregue ao Banco Central há duas semanas, segundo apurou o g1. Se o empréstimo for tomado, esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos – ou seja, reduzir o risco atrelado a seu patrimônio. O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB. ⬆️ Com essa garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco, abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master, nos últimos anos. ⬇️ Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços do petróleo registraram forte alta no início das negociações após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. A ofensiva militar e os contra-ataques retaliatórios contra instalações americanas e israelenses provocaram interrupções imediatas na cadeia global de suprimento de energia. O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, alcançava na abertura asiática o valor de US$ 78,34 (cerca de 7,5% de alta). O WTI, produzido nos Estados Unidos, também avançava: aproximadamente 7,3%. Investidores temem que o fornecimento de petróleo do Oriente Médio sofra uma redução drástica, ou até seja interrompido, especialmente devido às tensões no Estreito de Ormuz. Ataques contra embarcações na região já limitam a capacidade de exportação de vários países. A área do golfo de Omã é vista como a principal preocupação do mercado, por concentrar cerca de 20% de toda a circulação de petróleo no mundo. Embora o canal não tenha sido oficialmente fechado, diversos petroleiros se acumulam na região devido ao risco elevado de ataques e ao encarecimento dos seguros. Uma tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã Raheb Homavandi/File Photo/Reuters Especialistas da Rystad Energy, ouvidos pela Associated Press, estimam que até 15 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado mundial caso o tráfego no Estreito permaneça paralisado. Segundo Jorge León, vice-presidente da consultoria, o acesso às rotas de exportação tornou-se um fator mais crítico que as metas nominais de produção. Na tentativa de conter a escalada da crise, oito países integrantes da OPEP+ anunciaram um aumento na oferta de petróleo bruto. O grupo pretende elevar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, incluindo contribuições de nações como Arábia Saudita, Rússia e Iraque. No campo político, Donald Trump afirmou que o conflito militar na região pode se prolongar até que todos os objetivos militares dos EUA sejam atingidos O Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris diários, principalmente para a China, que poderá precisar buscar fontes alternativas caso as vendas iranianas sejam interrompidas — o que pressionaria ainda mais os preços globais de energia. Analistas ouvidos pela Reuters comparam o cenário atual ao embargo do petróleo nos anos 1970, quando os preços dispararam 300%. Uma alta prolongada pode reacender pressões inflacionárias em escala global e prejudicar consumo e atividade econômica. O choque no setor de energia teve reflexos imediatos em bolsas internacionais. Os mercados de Nova York e Tóquio abriram em queda, enquanto o ouro subia impulsionado pela busca de proteção em ativos considerados mais seguros.

Veja os vídeos que estão em alta no g1 O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo no mercado de balcão, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor. Analistas passaram a projetar que a cotação pode chegar a US$ 100 após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que ampliaram o conflito no Oriente Médio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho. A alta vinha sendo impulsionada pela preocupação com a possibilidade de ataques, que se confirmaram no dia seguinte. 👉 O mercado futuro, onde são negociados contratos com liquidação em datas posteriores, permanece fechado durante o fim de semana. "Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz", disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS. Segundo fontes do mercado, após Teerã alertar embarcações sobre a travessia, a maioria dos armadores de petroleiros, grandes companhias de petróleo e empresas comerciais interrompeu o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz. Mais de 20% do petróleo consumido globalmente passa por essa rota. "Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito", disse Parmar. A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100. Já o Rabobank tem uma projeção menos intensa, mas ainda prevê preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo, descrevendo sua visão como menos "altista". Produção em alta No domingo, a Opep+ — grupo que reúne países produtores de petróleo e aliados — decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia (bpd) a partir de abril. Esse acréscimo representa menos de 0,2% da demanda global. De acordo com Jorge Leon, economista de energia da Rystad, mesmo que parte do fluxo seja redirecionada por rotas alternativas, como o oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita e o oleoduto de Abu Dhabi, um eventual fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global. A Rystad estima que, na reabertura do mercado, os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril. A crise também levou governos e refinarias da Ásia a revisar estoques e buscar rotas e fontes alternativas de abastecimento. Em um webinar no domingo, analistas da Kpler disseram que a Índia pode recorrer ao petróleo russo para compensar uma eventual redução de fornecimento do Oriente Médio. Uma tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã Raheb Homavandi/File Photo/Reuters

Chuva antecipada desafia produtores de figo na região de Itapetininga (SP) Reprodução/TV TEM Um fruto pequeno e muito versátil para vários cardápios, que vão desde doces até mesmo combinações salgadas. O figo tem uma boa produção na região de Itapetininga (SP). A safra começou em dezembro e segue até abril e início de maio. Porém, a chuva que veio cedo em 2026 tem afetado um pouco a hora de colher os frutos e tem exigido estratégias para não ter prejuízo. José Ronaldo Serigioli, que há quatro anos cultiva figo em sua propriedade, acorda às 5h da manhã para fazer a colheita, que é feita duas vezes na semana, de maneira manual. É uma das fontes de renda da família, que vende frutas na feira livre da cidade. São 200 pés em uma área de 2 mil metros. Uma das maneiras que José Ronaldo encontrou foi colocar cal nas figueiras para fortalecer a plantação. Mesmo com as dificuldades que o clima vem causando, ele tem expectativa de colher aproximadamente duas toneladas até o início de maio. A preocupação é manter uma produção uniforme, apesar das condições climáticas desfavoráveis. Em Alambari (SP), a realidade é idêntica. Nos quatro mil metros quadrados do produtor Daniel Nache, ele produz 500 pés de figo e espera colher 7,5 toneladas até maio. O produtor sabe que terá que lidar com o volume maior de chuva. Uma maneira que ele também encontrou para não perder o fruto é realizar uma colheita diária e adubação. Dados da Produção Agrícola Municipal apontam que, em 2024, o município registrou produtividade de 17 toneladas por hectare. Ainda assim, produtores afirmam que o principal desafio é enfrentar a concorrência de outras regiões e do mercado externo, apostando na qualidade para fidelizar o consumidor. Veja a reportagem exibida no programa em 01/03/2026: Plantio de figo atrai produtores do Sudoeste de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Produtores de Tabatinga e Pirajuí (SP) preveem uma safra de tomate mais vigorosa, apesar do calor intenso nas estufas, que pode abortar flores. Reprodução/TV TEM A safra de tomates anima o produtor Luciano Donizete Capana, de Tabatinga (SP), que observa um desenvolvimento promissor em sua lavoura. "A gente já tem uma expectativa positiva. As plantas este ano parecem estar mais vigorosas, então arriscamos dizer que teremos uma produção melhor do que a da safra passada", diz. Luciano cultiva 20 mil pés de variedades como salada, italiano e grape, todos em estufas para garantir mais qualidade e proteção contra clima e pragas. Contudo, o sistema enfrenta um grande desafio no verão, o calor excessivo. "Dentro da estufa, a temperatura chega a 48, 50 graus no pico do dia. Com isso, as flores abortam, o que reduz a produção das plantas", explica. Na safra passada, a produtividade foi afetada por um verme, mas o problema foi solucionado com um controle biológico rigoroso. Essa abordagem se alinha à sua produção orgânica, sem defensivos químicos, que agrega valor e permite vender o quilo do tomate por até R$ 7 para o mercado da capital paulista. Seguindo a mesma tendência, o produtor Bruno Henrique Marcato, de Pirajuí (SP), também está investindo no tomate. Com experiência em pepino e pimentão, ele agora cultiva 6 mil pés do tipo italiano em estufa, atraído pela rusticidade da cultura. "O tomate é mais resistente a viroses que o pepino, e o trato cultural é um pouco mais simples que o do pimentão. Acredito que possa gerar uma renda razoável", avalia. Os resultados já são visíveis. Os pés estão bonitos e carregados, prontos para a colheita. Uma técnica crucial para garantir a longevidade do fruto é colhê-lo quando ainda apresenta uma coloração mais verde. Isso assegura que ele resista ao transporte e chegue com a qualidade exigida pelos compradores. Com parceiros já estabelecidos, Bruno visa um preço mínimo de R$ 50 por caixa. Veja a reportagem exibida no programa em 01/03/2026: Produtores colhem a safra do tomate VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Mudanças climáticas preocupam e afetam a produção de alface no interior de SP Reprodução/TV TEM Suas folhas são finas, sensíveis e se desenvolvem melhor em temperaturas amenas. A alface, uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros, enfrenta cada vez mais dificuldades para crescer em meio ao aumento das temperaturas. Em Guapiaçu (SP), o agricultor Damião dos Reis Freitas vem sentindo na produção essa mudança climática. Ele começou a plantar no início da década de 1990 e afirma que, de lá para cá, a elevação das temperaturas tem causado impactos. Com os verões mais longos e intensos, está tendo que adaptar a rotina da lavoura para evitar prejuízos. De acordo com um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas representa uma ameaça significativa ao cultivo de alface no Brasil, principalmente nas produções a céu aberto. O estudo mostra que, entre 2071 e 2100, ainda em um cenário considerado otimista, 97% do território nacional poderá apresentar risco climático alto ou muito alto para o plantio da hortaliça durante o verão. Segundo o engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da instituição, a alface é uma cultura sensível ao estresse térmico, e temperaturas elevadas comprometem tanto a qualidade quanto a produtividade. No campo, os efeitos já são sentidos. No verão, a chamada “queima de borda” se torna mais frequente. Com excesso de calor e umidade, as folhas crescem rapidamente, mas o transporte de cálcio na planta é prejudicado, provocando manchas escuras nas extremidades e perda de qualidade comercial. Na busca por amenizar esse cenário, os produtores procuram alternativas para reduzir os impactos. O produtor Damião, por exemplo, passou a cobrir os canteiros com uma lona específica durante o verão para manter a umidade do solo e diminuir a intensidade direta do sol. Também aumentou a frequência das regas ao longo do dia para amenizar o estresse das plantas. Outro agricultor da região, Luiz Herculano Zampollo, decidiu investir em uma estrutura de sombreamento após registrar perdas de até 45% da produção nos meses mais quentes. Atualmente, ele cultiva alface em bandejas no sistema hidropônico, dentro de estufas, mas afirma que o calor intenso ainda representa um desafio e que pretende aprimorar o ambiente para garantir maior estabilidade na produção. Veja a reportagem exibida no programa em 01/03/2026: Calor pode comprometer produção de alface em muitas regiões VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

De onde vem o que eu como: chocolate O brasileiro vai enfrentar mais um ano de preços altos na hora de comprar chocolate para a Páscoa. Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. No campo, as cotações do cacau já estão em queda, mas as amêndoas usadas pela indústria na produção dos ovos foram compradas quando os preços ainda batiam recordes de alta no mercado internacional, explica o analista da StoneX, Lucca Bezzon. Nesta semana, o governo brasileiro decidiu suspender a importação de cacau da Costa do Marfim, principal fornecedor do Brasil e maior produtor mundial. Mas, segundo Bezzon, a medida não deve provocar falta de amêndoas nem pressionar os preços no Brasil, principalmente porque a demanda da indústria por cacau está enfraquecida. Além disso, o mercado brasileiro é abastecido majoritariamente pela produção nacional, recorrendo à importação de amêndoas de forma sazonal, sobretudo no início do ano, durante a entressafra, diz o analista. "E, no caso de o Brasil precisar de cacau, pode recorrer ao Equador, que está com uma grande safra", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo. A seguir entenda: por que o chocolate está caro e quando vai baixar; o que motivou a disparada de preço; por que o preço do cacau caiu no campo. Fávaro diz que compras de Cacau da Costa do Marfim foram suspensas para evitar doenças Por que o chocolate ainda está caro? Vai baixar? O preço do cacau pago ao agricultor começou a cair no campo no ano passado, mas a queda ainda não chegou ao consumidor. Segundo Bezzon, isso ocorre porque a indústria trabalha com compras antecipadas da matéria-prima. "As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras com uma antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista. “Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor já caiu para cerca de US$ 3 mil.” Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar os seus lucros. "A indústria de chocolate passou por anos de margens apertadas devido ao déficit global de cacau e, agora, está priorizando a recuperação de suas margens de lucro antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo. Segundo ele, a queda de preço no supermercado deve acontecer a partir do segundo semestre deste ano. Bezzon, da StoneX Brasil, tem uma visão semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz. Antes de virar chocolate, semente do cacau sangra e morre; entenda De resto de açougue a iguaria valorizada, pé de galinha virou 'negócio da China' para o Brasil Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. Unsplash/ Tetiana Bykovets O motivou a disparada de preços? O preço alto do chocolate na prateleira ainda é resultado de uma forte diminuição da colheita de cacau que aconteceu no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Os países produtores sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças. A indústria brasileira conta, principalmente, com as amêndoas nacionais para produzir chocolate, mas recorre aos países africanos para suprir parte da sua demanda. "Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram até mais rápido do que os preços internacionais em 2024", diz Bezzon. "As regiões de maior poder aquisitivo, como a Europa e os Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados", destaca. Em janeiro de 2025, o preço do cacau chegou a US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, considerando a média mensal. Um ano antes, a cotação girava em torno de US$ 4 mil por tonelada. Por que o preço do cacau caiu no campo Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente depois de julho, puxados por uma recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo. "Além disso, o volume de importação começou a crescer com a queda do dólar", acrescenta. O analista da StoneX Brasil tem uma visão diferente. Para ele, "a queda de preços no Brasil é muito mais por falta de demanda do que realmente por uma recuperação da produção". "A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança estrutural nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma. "Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras (processadoras) também reduziram as compras de amêndoas, fazendo os preços no Brasil despencarem", destaca. Na Bahia, por exemplo, os agricultores estão recebendo R$ 200, em média, pela arroba do cacau, valor 70% abaixo do que há um ano, segundo reportagem do Globo Rural (veja vídeo no final da reportagem). A situação tem gerado protestos. No dia 18 de fevereiro produtores rurais interditaram, mais uma vez, a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os preços baixos do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países. A resposta veio dias depois. Nesta semana, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças. Segundo o governo, esse risco existe porque há uma "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné – que não têm autorização para exportação para o Brasil – estariam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional. "Se de fato isto está acontecendo, começamos a correr risco sanitário da amêndoa que entra no Brasil. [...] Tem que ter certeza do que está entrando, para não ter risco de trazer doença para a nossa cultura cacaueira", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à GloboNews na sexta-feira (27). Carlos Cogo diz que a decisão do governo é "soberana" e que "deve ser respeitada", mas interpreta a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços domésticos. Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que, atualmente, há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção. “Hoje, não existe incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta. Em 2025, a produção brasileira de cacau alcançou 186.137 toneladas, enquanto as importações chegaram a 42.199 toneladas, segundo dados da StoneX Brasil. Do total do volume importado, 81% teve origem na Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau. Produtores de cacau protestam contra baixos preços na BA
O Brasil não vai conseguir escapar de uma nova reforma da Previdência Social. Mudanças nas regras deveriam estar sendo pensadas para "ontem", segundo especialistas ouvidos pelo g1.
Embora a última reforma tenha ocorrido há menos de dez anos, em 2019, três fatores combinados pressionam as contas públicas e reacendem a discussão sobre novas alterações.
São eles:
alta informalidade, acompanhada de transformações no mercado de trabalho, com ocupações que não contribuem para a Previdência;
benefícios indexados ao salário mínimo, com ganhos reais nos últimos;
envelhecimento da população, somado à queda da natalidade.
A última reforma conseguiu conter o rombo, sobretudo em 2024 e 2025, mas projeções do próprio governo federal indicam que o déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pode mais que quadruplicar ao longo dos próximos 75 anos.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
🔎O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é um sistema administrado pelo INSS ao qual estão vinculados trabalhadores com carteira assinada e servidores não concursados, aqueles que atuam em cargos comissionados. Já o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) é destinado a funcionários públicos efetivos.
A necessidade de novas mudanças também é reconhecida pelo governo. No ano passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que o tema precisará ser discutido.
Recolhimento em queda; despesas em alta
Em 2025, a diferença entre o que foi arrecadado e o que o governo federal teve que colocar a mais para para pagar benefícios, aposentadorias e pensões foi de R$ 436 bilhões.
A maior parte desse dinheiro foi para cobrir o déficit do RGPS: mais de R$ 320 bilhões – R$ 17 bilhões a mais do que em 2024.
O cenário pode ser explicado pela alta informalidade do mercado de trabalho brasileiro e pelo surgimento de novas formas de ocupações que não recolhem para a previdência, como é o caso dos trabalhadores de aplicativo.
Bernardo Schettini, consultor do Senado, destaca que a retração da arrecadação contrasta com o avanço das despesas. A política de valorização do salário mínimo, explica, eleva as despesas em ritmo superior ao da inflação, uma vez que mais de 60% dos benefícios são indexados ao piso nacional.
"É um desafio bem complicado. Nesse modelo que a gente tem hoje, não vejo sustentabilidade. Acho que a gente tem que fazer uma mudança no modelo de custeio da previdência", disse.
Envelhecimento da População
O consultor da Câmara dos Deputados, Leonardo Rolim, aponta que os dados demográficos também pressionam as despesas da Previdência Social.
"Se a gente olhar para 2070, quando quem está entrando no mercado de trabalho agora provavelmente vai estar se aposentando, nós vamos mais do que dobrar novamente o número de idosos. Nós vamos ter em 2070 mais ou menos seis vezes o número de idosos que tínhamos em 2000", disse.
Há, segundo ele, um descompasso entre contribuintes e beneficiários. “Nos últimos 25 anos, o número de pessoas em idade ativa, potenciais contribuintes da Previdência, cresceu cerca de 30%, enquanto o total de potenciais beneficiários mais do que dobrou”, afirmou.
Rolim alerta que, no futuro, haverá proporcionalmente menos contribuintes para sustentar um contingente cada vez maior de aposentados.
🔎 No sistema de repartição, usado no Brasil, as contribuições dos trabalhadores ativos são utilizadas para pagar os benefícios dos aposentados e pensionistas, sem a formação de um fundo individual para cada segurado.
Por isso, o quadro deve se agravar no futuro, com menos trabalhadores na ativa para financiar um contingente maior de aposentados — gerando um rombo crescente ao longo dos anos.
"Enquanto você tem um país jovem, esse modelo funciona muito bem. Enquanto você tem com essa que eu te falei das próximas décadas, essa conta não fecha, porque você vai ter contribuições muito altas ou então aposentadorias em valores muito baixos para ser viável', explicou.
Crescimento no número de benefícios
Pedro Souza, analista da Instituição Fiscal Independente (IFI), observa que nos últimos anos um aumento do volume de benefícios emitidos.
"O total, há 10 anos, em 2015, era de 28,3 milhões de beneficiários. Atualmente, em 2025, totalizou 35,2 milhões. Quando se olha o crescimento, anualmente, o volume de benefícios emitidos é de 2,21% a.a., em média. Isso por si só já seria uma pressão importante", disse o analista da IFI, que relembra que, de 2017 a 2023, ainda vigorava o teto de gastos e isso influenciava diretamente o total de pessoas.
"Isso fica mais claro quando se observa o déficit da previdência. Em termos reais, valores de janeiro de 2026, o déficit da previdência saiu de R$ 147,5 bilhões em 2015 para R$ 323,1 bilhões em 2025. Esse descompasso decorre muito mais do crescimento das despesas, que atingiram um valor total de R$ 1,04 trilhão em 2025", destacou.
Segundo ele, em termos de crescimento médio, a receita do RGPS cresceu 1,82% a.a., em termos reais, nos últimos 10 anos. A despesa cresceu perto do dobro, um aumento médio de 3,37% a.a.
"Quando se fala em reforma, é mais por esse aspecto. O volume de benefícios não para de crescer e isso tem impacto direto no financiamento insuficiente para o modelo de previdência", afirmou.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2978 O sorteio do concurso 2.978 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (28), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 160 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 06 - 09 - 13 - 20 - 42 - 50. Quina (5 acertos): 129 apostas ganhadoras, R$ 38.181,97 Quadra (4 acertos): 9.449 apostas ganhadoras, R$ 859,23 O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (3). Mega-Sena, concurso 2.978: resultado Reprodução Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

EUA aumentam pressão sobre o Irã com porta-aviões e caças Os agentes do mercado financeiro analisam os impactos do ataque dos Estados Unidos ao Irã. Segundo especialistas consultados pelo g1 nos últimos dias, o conflito pode fortalecer o dólar, elevar os preços do petróleo e provocar perdas nas bolsas de valores. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja a seguir quais podem ser os efeitos de um conflito sobre o dólar, o petróleo e os mercados globais. Fortalecimento do dólar Sempre que ocorre um evento geopolítico — como as rusgas entre grandes potências militares —, o dólar costuma ser uma opção de proteção para os investidores. 🔎 A moeda americana é uma das mais negociadas do mundo e pode ser comprada e vendida com facilidade, sem grandes distorções de preço. Por isso, em momentos como esse, investidores costumam vender aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa, e migrar para opções mais seguras, como o dólar. “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, diz o estrategista-chefe da Avenue, William Alves. A possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, é outro fator que pode valorizar a moeda americana, porque desestabilizaria o funcionamento do mercado. “É pouco provável que isso ocorra, já que os EUA mantêm forças militares para proteger a região. Mas o risco sempre existe”, afirma Alves. “O Irã não é a Venezuela. O país tem maior relevância militar e poderia tentar algum tipo de reação contra os EUA. Talvez não em um primeiro momento, mas até mesmo por meio de ataques ou outras ações após uma eventual atuação dos EUA na região”, completa. Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters Alta nos preços do petróleo Um ataque ou bloqueio do Estreito de Ormuz pode afetar os preços do petróleo. O Irã é um dos maiores produtores do mundo e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Sempre que há tensão entre países produtores de petróleo, o mercado começa a considerar o risco de danos às estruturas de produção”, explica o analista da Genial Investimentos, Vitor Souza. 🔎 Se parte das instalações de produção de petróleo no Irã for destruída, a oferta pode cair a ponto de gerar desequilíbrio entre produção e consumo no mercado global, pressionando os preços. 🔎 O mesmo vale para o risco de bloqueios no Estreito de Ormuz. Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, uma interrupção na passagem de navios cargueiros pela região pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70. Gabriel Mollo afirma ainda que o conflito e um eventual bloqueio também podem ter efeitos indiretos na economia, como aumento da inflação global e das taxas de juros. “Tudo depende da intensidade do conflito, de sua duração e de como ele afetará as cadeias de produção”, acrescenta. Os especialistas destacam, porém, que o mercado não espera uma guerra prolongada e de grande escala entre os países. O atual excesso de oferta de petróleo e as restrições às vendas do próprio Irã são fatores que podem conter os preços no curto prazo. “Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”, diz o analista da Suno Research, Malek Zein. Risco de queda nas bolsas Como a disposição dos investidores para apostar em ativos arriscados diminui em momentos de tensão geopolítica, as bolsas de valores mundo a fora também podem sofrer com quedas. William Alves, da Avenue, diz que os ativos de risco — como ações e investimentos em países emergentes — tendem a reagir mal a eventos como uma guerra, especialmente diante da possível alta do petróleo e dos aumentos de dólar e juros. “No médio e longo prazo, será preciso avaliar o quão limitado e rápido seria o conflito e se poderia haver retaliações na região, como ataques a instalações de energia, refinarias ou estruturas semelhantes”, completa o estrategista. A depender da duração do conflito, podem surgir oscilações mais intensas nos mercados e mudanças nas projeções de lucros de alguns setores, especialmente o de petróleo e gás.

Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC Morando em Nova York há quatro anos, onde trabalha como au pair, Marina*, de 27 anos, decidiu investir os R$ 10 mil que havia economizado para voltar ao Brasil. Sem experiência no mercado financeiro, recorreu ao ChatGPT em busca de orientações para iniciantes. Atraída pela promessa de retorno elevado e pelo prazo curto de resgate, optou por um Certificado de Depósito Bancário (CDB) do Banco Master. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição, Marina descobriu que praticamente todo o valor que tinha guardado estava comprometido. Apesar do susto, conseguiu reaver o montante por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo ela, o processo foi rápido e levou menos de 24 horas. Mas milhares de outros clientes ainda aguardam ressarcimento. “Quando vi o valor creditado, fiquei muito aliviada”, disse Marina. “Quero continuar investindo, mas preciso entender melhor. Estou começando a assistir a aulas e a procurar informações sobre os melhores tipos de investimento.” Para especialistas ouvidos pelo g1, a quebra do Banco Master expõe fragilidades de um modelo de expansão amplamente adotado por bancos, corretoras e fintechs, que se apoiaram na garantia do FGC para vender CDBs e outros títulos supostamente seguros a investidores com pouco conhecimento sobre o mercado. O episódio gerou abalo na confiança e levou investidores a adotar uma postura mais conservadora. Já os bancos precisarão destinar mais recursos para recompor o fundo, o que pode afetar até a concessão de crédito aos clientes. 🔎 Este texto faz parte de uma série especial do g1 que investiga as repercussões do caso do Banco Master e seus desdobramentos. A apuração analisa as causas da liquidação, o funcionamento e limites do FGC, bem como os efeitos que vão além das perdas imediatas. Promessa de segurança O FGC foi criado em 1995 e funciona como um seguro. É ele quem garante que o dinheiro depositado ou aplicado em um banco esteja protegido caso a instituição enfrente crise ou quebre, como ocorreu com o Banco Master. O fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro. Também há um limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos, somando o valor aplicado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação ou falência. Mas a economista Ione Amorim, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), afirma que o fundo passou a ser usado como “argumento de venda” por corretoras e bancos para diminuir a percepção de risco dos CDBs e de outros investimentos de renda fixa. Além do selo de “protegido pelo FGC”, esses títulos ganhavam ainda mais credibilidade ao serem oferecidos por grandes plataformas de investimento. “O FGC foi apresentado como garantia absoluta para atrair investidores menos experientes. Todo investimento envolve risco, mesmo com a proteção do fundo, e isso, pelo visto, nem sempre foi explicado de forma clara pelas corretoras”, afirma. Nesse mercado, também há incentivos comerciais que influenciavam a oferta desses produtos por gerentes e assessores de investimento, que recebem comissões pela indicação de determinados títulos. Para clientes que não utilizavam serviços de recomendação, as corretoras davam destaque aos papéis do Master, posicionando os CDBs do banco “na altura dos olhos” entre as opções disponíveis. Alexandre Gonçalves, de 29 anos, já investia em fundos multimercado e imobiliários. Decidiu diversificar com a aplicação de parte do dinheiro em títulos de renda fixa, uma modalidade geralmente associada a investidores mais conservadores. Ele investiu R$ 15 mil em CDBs do Banco Master. Segundo ele, o que o convenceu a aplicar dinheiro no Master foi a combinação de “segurança e rentabilidade” de uma campanha de marketing de sua corretora, enviada por e-mail. Enquanto bancos saudáveis pagam em torno de 100% a 110% do CDI, o Master chegou a oferecer até 140% — um demonstrativo de que havia mais risco atrelado. Com a quebra do banco, ele passou a depender do FGC para recuperar o valor. “Demorou, mas deu certo. Depois que liberaram o pedido de ressarcimento, o dinheiro caiu na conta em quatro dias. Mas, desde a liquidação do banco, foram meses de espera”, afirmou Alexandre. “Foi um alerta para entender melhor a origem dos investimentos e as instituições com as quais estou lidando.” Segundo o advogado Adilson Bolico, sócio do Mortari Bolico Advogados, essa dinâmica pode ter gerado uma “quebra do dever fiduciário” — isto é, da obrigação dos bancos e corretoras de agir no melhor interesse do cliente. “As corretoras, como intermediárias e distribuidoras de investimentos, têm obrigações regulatórias e de controle interno”, diz. Já para o advogado Roberto Panucci, especialista em direito bancário, o fato de os valores garantidos terem sido devolvidos não é suficiente para medir o impacto econômico real do episódio. Segundo ele, recuperar o dinheiro não significa que o investimento tenha sido vantajoso. “Um título que, no papel, prometia rendimento acima do CDI pode, após meses de espera, render muito pouco ou até gerar perda real, quando se considera a inflação e o tempo em que o dinheiro ficou parado”, afirma. Entre a decretação da liquidação e o pagamento, o investidor não tem acesso aos recursos, o que elimina a vantagem de ter aceitado taxas mais altas. Revisão do FGC Marina e Alexandre estão longe de ser casos isolados. Eles fazem parte dos cerca de 800 mil investidores com direito à garantia do FGC apenas por causa do Banco Master. Somando Master, Will Bank e Banco Pleno, que fazem parte do mesmo grupo e entraram em liquidação desde novembro, o FGC deverá pagar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes e investidores afetados. O fundo informou que já desembolsou R$ 37,2 bilhões. Ao todo, 653 mil credores do Master receberam os valores, o que representa 84% dos beneficiários. O FGC afirma que os casos pendentes envolvem empresas e situações específicas, como menores de idade e inventários. Esses pagamentos costumam demorar mais porque exigem documentos adicionais para comprovar o direito ao ressarcimento. As listas de credores do Will e do Pleno ainda não foram finalizadas, uma condição necessária para que o fundo inicie os pagamentos. Como mostrou o g1 na primeira reportagem desta série, o caso mais dramático é o do Will Bank, pois os clientes, de renda média e baixa, precisam do dinheiro para o pagamento de despesas básicas. Os recursos do FGC vêm dos próprios bancos associados, que fazem contribuições mensais. Antes do caso Master, o fundo tinha mais de R$ 140 bilhões em caixa para cobrir emergências e preservar a estabilidade do sistema financeiro. Agora, será preciso recompor esse valor. Como pode precisar levantar quase um terço do que tinha em caixa, o FGC discute medidas como: 💰 Antecipar contribuições dos bancos que seriam pagas nos próximos anos — o plano prevê adiantar o equivalente a 60 meses de contribuições ainda em 2026, além de mais 12 meses em 2027 e outros 12 meses em 2028. 📈 Criar uma cobrança extra, sem prazo definido, a ser paga pelas instituições financeiras associadas. 🏦 Negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório para reforçar os recursos do FGC, reduzindo a pressão direta sobre o caixa das instituições. Especialistas ouvidos pelo g1 defendem uma revisão ainda mais profunda do modelo de financiamento do FGC, para que instituições mais arriscadas contribuam com valores maiores. “A contribuição deveria refletir o risco da instituição”, afirma o economista Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Segundo ele, a cobrança igual para todos buscava estimular a entrada de bancos menores, mas essa fase de incentivo à concorrência já foi superada. Hoje, os bancos pagam uma taxa mensal de 0,01% sobre o saldo dos depósitos cobertos pelo fundo — caso de CDBs, poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), por exemplo. Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou uma cobrança adicional para instituições mais expostas a riscos, elevando a taxa para 0,02%, e determinou que mantenham uma parcela maior de recursos aplicada em títulos públicos. Para o advogado Roberto Panucci, as medidas aumentam o custo para bancos que assumem riscos excessivos, mas não resolvem o problema central. “Ao encarecer o uso da cobertura do FGC, o regulador reconhece que o modelo atual gera incentivos distorcidos. A reforma é, na prática, uma admissão de que a garantia estimula comportamentos de risco.” Segundo ele, a lógica permanece a mesma, sem mecanismos que levem o cliente a dividir parte do risco ou avaliar melhor a instituição que quer investir. Para o advogado, não há medidas que façam o investidor refletir sobre o risco de o banco não ter dinheiro para honrar os compromissos. “A consequência é que situações como a do Banco Master continuam, em tese, possíveis.” A grande consequência é que parte desse custo tende a ser repassada aos demais consumidores, por meio de tarifas mais altas, juros maiores nos empréstimos ou menor rendimento nas aplicações financeiras. Ou seja, até quem não investiu nos bancos em dificuldade pode sentir os efeitos indiretos da crise. Além disso, a necessidade de destinar recursos ao fundo pode levar bancos e fintechs a adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito. Para Ione Amorim, do Idec, com menos capital disponível, as instituições devem “apertar os critérios”, reduzindo a oferta ou encarecendo financiamentos para pessoas físicas e empresas. “Enquanto os controladores não sentem o impacto da quebra, os prejuízos recaem sobre os mais vulneráveis”, diz. * Nome fictício a fim de preservar a identidade da fonte. Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025. Werther Santana/Estadão Conteúdo

Os principais benefícios sociais do país, juntos, vão custar cerca de R$ 550 bilhões em 2026, o equivalente a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB). É o que aponta o estudo "Renda Básica: Um Debate de Longa Data", dos economistas Gabriel Barros, da ARX Investimentos, ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Cléo Olimpio e Matheus Caliano. No início do mês, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu uma nova arquitetura para essas despesas, com a unificação de programas. Segundo Haddad, análises técnicas estão sendo conduzidas para “repensar” esses gastos de forma “mais moderna”. "Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]", afirmou o ministro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o estudo dos economistas, a estrutura de gastos sociais do país é extensa, com múltiplas portas de entrada, critérios diversos de elegibilidade e diferentes mecanismos de pagamento ou entrega de produto ou serviço sem a requerida integração. Os economistas mostram, ainda, que a rede de proteção social é "ampla, onerosa e umbilicalmente relevante para as contas públicas, que se apresentam como o principal desafio macroeconômico do Brasil". Benefícios sociais Levantamento da ARX com base em fontes oficiais "Em suma, adicional ao notável montante de recurso alocado em políticas sociais, suas limitações em termos de desenho como política pública e articulação dentro de uma rede holística de políticas sociais produz, dentre vários efeitos colaterais, baixa eficiência e elevado volume de fraudes ou concessão irregular de benefícios", acrescentaram os economistas. 💰Gabriel Barros estimou que é possível economizar cerca de R$ 50 bilhões por ano somente combatendo fraudes e retirando beneficiários que não têm direito aos benefícios (pelos critérios atuais). Com mudança nos critérios de acesso, ou seja, nas regras dos programas, segundo ele, seria possível economizar, ao menos, mais R$ 50 bilhões — elevando a economia anual para mais de R$ 100 bilhões. Em dez anos, o impacto seria superior a R$ 1 trilhão em recursos. A redução de gastos públicos ineficientes é algo pedido por analistas e economistas desde o começo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é reequilibrar as contas públicas, que estão no vermelho, e conter o crescimento da dívida brasileira - que já está distante de países da América Latina e próxima de nações europeias. Em termos práticos, com uma dívida mais alta há uma pressão maior sobre a taxa Selic, fixada pelo BC para conter a inflação. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país. Os gastos sociais são obrigatórios, ou seja, é necessário que sejam alteradas leis para que possam ser reformulados. Para isso, terão de ser encaminhadas propostas, seguidas de debates no Congresso Nacional. Sem a contenção de gastos obrigatórios, faltarão nos próximos anos recursos para algumas ações do governo, como: gastos da máquina pública, investimentos, bolsas de estudo, universidades federais e agências reguladoras, entre outros. Problemas detectados No estudo, os economistas observam que há sobreposição de benefícios, ou seja, a duplicidade no recebimentos recursos de programas de assistência social (como no caso do BPC e do Bolsa Família), o que, embora não seja ilegal, "evidencia fragilidades no desenho e na coordenação das políticas públicas". Eles lembram o caso citado na imprensa em que três cidades brasileiras possuíam mais cadastrados no programa Pé-de-Meia do que alunos matriculados na rede pública. "Ainda que a ocorrência de tais episódios não signifique necessariamente uma defesa pela extinção dos programas, registram uma fragilidade evidente: o sistema cresce em volume e complexidade antes de amadurecer plenamente em controle, auditoria e integração de dados", disseram. Para eles, outra importante política social também merece destaque: a aposentadoria rural, representando o segundo maior custo fiscal dentre os benefícios com gasto anual de R$ 126 bilhões. Nesse sistema, o beneficiário não precisa contribuir para ter direito à aposentadoria, sendo que a exigência para concessão já apresentou brechas para fraudes. Assim como a aposentadoria rural, o BPC, benefício destinado a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de baixa renda, enfrenta número crescente de beneficiados, sem a devida avaliação de quem passa a receber o benefício e de quem já recebe. O abono salarial é outro programa que também é criticado por analistas. O próprio ministro Haddad já disse que o benefício, "num certo sentido, perdeu a sua razão de ser". O autor do estudo, Gabriel Barros, lembra abono foi criado no regime militar quando o salário mínimo era muito baixo. "Com a política de valorização do salário mínimo, perdeu o sentido. É um exemplo clássico e política velha, mal desenhada e é muito caro", opinou. Renda básica Os economistas autores do estudo lembram que a discussão de reformulação e eventual consolidação dos programas de assistência social, conforme sugeriu o ministro Fernando Haddad, não é nova, pois foi sancionada há mais de 22 anos a lei 10.835/2004 — que instituiu a Renda Básica de Cidadania —, embora sem real implementação nas últimas décadas. Para levar adiante a proposta de renda básica, que poderia consolidar os programas sociais, eliminar sobreposições indevidas e fraudes, porém, os economistas observam que seria necessário atacar obstáculos, inconsistências e fragmentações das bases de dados e cadastros oficiais. Segundo os autores do estudo, a ausência de uma base unificada de beneficiários é talvez o ponto mais crítico do debate, não obstante o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) e mudanças feitas no ano passado no Cadastro Único (CadÚnico). "O excesso de judicialização da política social (fiscal) e de fraudes são claros sintomas dessa limitação sistêmica na gestão das políticas públicas e que deve, naturalmente, ser atacada e endereçada antes que qualquer nova política ou benefício sejam pensados ou concedidos", acrescentaram.
INFOGRÁFICO: Warner e Paramount formam gigante da TV e do streaming com HBO, CNN e CBS; veja números

Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters A Warner Bros. Discovery firmou nesta sexta-feira (27) um acordo para ser adquirida pela Paramount Skydance. A decisão foi tomada após a Netflix anunciar que não elevaria sua proposta e que deixaria a disputa pelo estúdio. A oferta da Paramount, comandada por David Ellison, foi de US$ 110 bilhões. Segundo as empresas, o negócio deve ser concluído no terceiro trimestre deste ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A possível compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount cria um dos maiores grupos de entretenimento do mundo, com um catálogo que reúne marcas como HBO, DC Comics, “Harry Potter” e “Game of Thrones” e uma base estimada em cerca de 200 milhões de assinantes. O negócio, que ainda precisa ser aprovado pelo conselho da Warner e por órgãos reguladores nos Estados Unidos, tem potencial para redesenhar o mercado global do entretenimento e do streaming. O g1 preparou um infográfico que compara o tamanho das duas empresas e mostra como a operação pode alterar o equilíbrio de forças no setor. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1 A disputa pela Warner Antes, a Warner havia informado que a nova oferta da Paramount, de US$ 31 por ação, era superior ao acordo em vigor com a Netflix. Com isso, a plataforma de streaming teria quatro dias úteis para apresentar uma contraproposta ou abandonar a disputa — o que acabou ocorrendo após o anúncio da Warner. “A transação que negociamos criaria valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, com o preço necessário para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o acordo deixou de ser financeiramente atraente”, afirmaram os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, em comunicado. A oferta da Paramount avalia a Warner em cerca de US$ 110 bilhões, incluindo a dívida, enquanto a proposta da Netflix somava US$ 83 bilhões e excluía ativos como CNN e Discovery. A disputa começou em dezembro de 2025, quando a Netflix firmou um acordo para comprar parte dos ativos da Warner, com foco nos negócios de estúdio e streaming. Em seguida, a Paramount entrou na negociação com uma proposta concorrente para adquirir a empresa inteira, incluindo os canais tradicionais. Nesta quinta, a Warner classificou a nova oferta da Paramount como “superior” e deu prazo para que a Netflix cobrisse o valor — o que não aconteceu. A proposta da Paramount prevê o pagamento de US$ 31 por ação e inclui a dívida da Warner. A empresa também se comprometeu a pagar uma multa maior caso o negócio seja barrado por autoridades regulatórias, numa tentativa de tornar a oferta mais atrativa para os acionistas. O que está em jogo O impacto da operação vai além do valor bilionário. A Warner concentra algumas das marcas mais valiosas da indústria do entretenimento, enquanto a Paramount busca ganhar escala para competir com gigantes como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming. 💰 Ao contrário da Netflix, a proposta da Paramount envolve todo o grupo Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, a HBO e outras redes de TV a cabo. 🗞️ Caso a operação seja aprovada, a família Ellison passará a controlar algumas das principais marcas do jornalismo nos EUA, como a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN. Com a incorporação dos ativos da Warner, a Paramount também ampliaria sua base de assinantes e fortaleceria sua presença em cinema, TV e plataformas digitais. Analistas avaliam que o movimento pode criar um grupo com catálogo mais robusto, maior poder de negociação e mais recursos para produção de conteúdo. Embora a Warner tenha classificado a oferta da Paramount como superior à da Netflix, a operação depende de etapas formais, como a aprovação do conselho de administração, a assinatura dos contratos definitivos e o aval dos órgãos reguladores dos Estados Unidos, que vão avaliar os impactos sobre concorrência e concentração no setor de mídia.

Airbus lança ACH145 Mercedes-Benz, helicóptero de US$ 15 milhões Para alguns, um Mercedes-Benz AMG G 63 de R$ 2,5 milhões é suficiente. Para outros, é preciso ir além. Nesta semana, a marca alemã lançou, em parceria com a Airbus, o helicóptero ACH145, pela bagatela de US$ 15 milhões. Sim, para se ter uma aeronave exclusivíssima e que carrega a estrela de três pontas é preciso desembolsar cerca de R$ 77 milhões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Enquanto a Airbus cuida dos aspectos técnicos da aeronave, cabe à Mercedes dar os toques de luxo e conforto aos passageiros. A cabine busca reproduzir um ambiente conhecido dos fãs da marca, mas, para atender a um cliente mais que VIP, é possível mexer em quase tudo. O modelo abusa do uso de madeira, couro, costuras aparentes e iluminação ambiente personalizável. A principal referência estética é o Classe G, o modelo mais caro e icônico da Mercedes no Brasil. Esse grau de personalização faz com que o ACH145 leve até dois anos para ser entregue ao cliente. Com a ordem de compra em mãos, materiais definidos e fornecedores escolhidos, são necessários ao menos três meses de fabricação na Alemanha. Não à toa, a expectativa de vendas é baixíssima: entre três e cinco unidades por ano, no mundo. Ainda assim, quase todas já têm dono para 2026. E um deles está no Brasil, um empresário que a Airbus obviamente não revelou quem é. ACH145 Mercedes-Benz Edition De onde surgiu essa ideia? O ACH145 é resultado de uma parceria entre as empresas iniciada em 2010. Pode parecer inusitado, mas a explicação chega a ser intuitiva. Para a Mercedes, é uma forma de se mostrar a um público extremamente abastado, que facilmente poderia comprar um carro da marca, mas pode estar de olho em outras opções. O acabamento luxuoso funciona como uma ponte para atrair esse consumidor. Para a Airbus, o helicóptero deixa de ser visto como uma “simples” aeronave e passa a ser apresentado como objeto de luxo. Essa estratégia é fundamental para conquistar clientes que não buscam apenas especificações técnicas, mas uma experiência extra-classe. ACH145 Mercedes-Benz Edition divulgação/Mercedes No evento de lançamento em São Paulo, as marcas exibiram lado a lado a aeronave e o SUV. Segundo a Airbus, a robustez de um 4x4 raiz se assemelha à capacidade do ACH145 de lidar com diferentes situações. A marca afirma que ele é capaz de pousar não só em terrenos acidentados, como também é compacto o suficiente para utilizar o heliponto de um iate de grande porte. Uma versatilidade importante para clientes exigentes. Também se aproximam pela exclusividade. Como modelo mais caro da Mercedes no Brasil, um dos principais diferenciais do Classe G é a ampla possibilidade de personalização. A Airbus afirma que há poucas restrições de materiais utilizados na aeronave, e que uma equipe de engenheiros está a postos para buscar soluções na mesma pegada que o cliente espera. ACH145 Mercedes-Benz Edition divulgação/Mercedes ACH145 Mercedes-Benz Edition divulgação/Mercedes ACH145 Mercedes-Benz Edition divulgação/Mercedes

Como funciona a Mega-sena O concurso 2.978 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 145 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (28), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Reforma trabalhista de Milei A reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei foi aprovada pelo Senado argentino na noite desta sexta-feira (27), após uma sessão que se estendeu por horas sob forte tensão. Foram 42 votos a favor, 28 contrários e duas abstenções. Com a decisão dos senadores, o texto agora segue para sanção presidencial. A votação, considerada um dos momentos mais decisivos do governo até agora, consolida uma das principais bandeiras da agenda econômica oficial. Com a aprovação, a proposta entra na etapa final do processo legislativo. Após a sanção, a nova lei passará a valer conforme os prazos estabelecidos no próprio texto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para o governo, a aprovação representa a consolidação de uma das reformas estruturais prometidas durante a campanha. Para os sindicatos, marca o início de uma nova etapa de disputa jurídica, que já indicaram que pretendem recorrer à Justiça contra trechos que consideram inconstitucionais. O presidente Javier Milei comemorou o avanço em sua conta na rede social X: "HISTÓRICO. Temos modernização trabalhista". Ele também parabenizou seu partido La Libertad Avanza (LLA) e aliados. A sessão ocorreu em meio a uma nova onda de mobilizações convocadas por sindicatos contrários às mudanças. Senadores reagem após aprovarem a lei de reforma trabalhista proposta pelo governo Milei Matias Baglietto/Reuters Do lado de fora do Congresso, manifestantes se concentraram na região central de Buenos Aires em protesto contra a reforma. A mobilização foi organizada pela Frente Sindical Unida (FreSU), com marcha até o Parlamento. Houve bloqueios de ruas e presença policial no entorno do prédio. O projeto chegou ao Senado após ter sido aprovado com modificações na Câmara dos Deputados por 135 votos a 115, em outra sessão marcada por provocações e confrontos do lado de fora. A aprovação na Câmara foi possível após o governo negociar cerca de 30 mudanças no texto original, retirando pontos que enfrentavam maior resistência. Como o Senado manteve a versão aprovada pelos deputados, dessa vez, o texto segue diretamente para sanção presidencial. O governo argumenta que a reforma moderniza regras consideradas rígidas e desatualizadas, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas, aumentar a segurança jurídica e incentivar a criação de empregos formaais. Já sindicatos e movimentos sociais afirmam que as mudanças reduzem direitos históricos e enfraquecem a negociação coletiva. O que muda com a reforma Senadores comemoram a aprovação da reforma trabalhista na Argentina Matias Baglietto/Reuters Entre os principais pontos aprovados estão: Férias mais flexíveis: poderão ser fracionadas em períodos mínimos de sete dias e negociadas fora do período tradicional, normalmente entre 1º de outubro e 30 de abril; Restrições a greves em setores essenciais: a reforma exige a manutenção de um nível mínimo de funcionamento entre 50% e 75%, o que reduz o poder de paralisação dos sindicatos; Ampliação do período de experiência: poderá chegar a seis meses e, em alguns casos, a oito ou 12 meses, com indenizações reduzidas; Flexibilização da jornada: a carga diária pode subir de 8 para até 12 horas, com possibilidade de compensação conforme a demanda, sem pagamento de horas extras; Mudanças na negociação coletiva: empresas poderão firmar acordos diretos com sindicatos locais, com menos peso das convenções nacionais; Alterações em demissões e indenizações: o cálculo das indenizações será reduzido e o pagamento poderá ser parcelado em até seis vezes para grandes empresas e até 12 para micro, pequenas e médias; Combate à informalidade: o texto elimina multas por falta de registro trabalhista e cria mecanismos de regularização. Ao mesmo tempo, proíbe a contratação de monotributistas — regime voltado a autônomos — em funções que caracterizam vínculo formal de emprego. No setor digital, trabalhadores de aplicativos passam a ser reconhecidos como autônomos, com regras próprias e acesso a um seguro de proteção. Já o teletrabalho deixa de seguir obrigações adicionais criadas durante a pandemia. O que ficou de fora? A versão aprovada pelo Senado é diferente da proposta original apresentada pelo deputado Lisandro Almirón, do partido La Libertad Avanza. Para construir maioria, o governo retirou pontos que enfrentavam maior resistência. Veja abaixo os principais pontos retirados do projeto original: Um deles autorizava o pagamento de parte do salário em bens ou serviços, como moradia e alimentação. A proposta foi retirada. O texto aprovado determina que o salário seja pago exclusivamente em dinheiro, em moeda nacional ou estrangeira. Benefícios podem existir, mas apenas como complemento. Outro ponto previa o pagamento de salários por carteiras digitais e plataformas, mas a Câmara excluiu essa possibilidade. O pagamento deverá ser feito por bancos ou instituições oficiais de poupança. Também foi retirada a regra que permitia reduzir em até 50% a indenização de trabalhadores que tivessem a capacidade de trabalho afetada por acidente fora do ambiente profissional e não pudessem ser realocados na empresa. Agora, a indenização deve ser paga integralmente. Parlamentares da oposição discutem com o presidente da Câmara dos Deputados da Argentina REUTERS/Alessia Maccioni

Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio Marcos Serra Lima/g1 A Petrobras elevará o preço médio de venda de Querosene de Aviação (QAV) a distribuidoras em 9,4% a partir deste domingo (1º), informou a companhia em nota nesta sexta-feira (27). A decisão vem após uma recuperação dos preços do barril do petróleo no mercado internacional neste ano. O aumento da Petrobras é de R$ 0,31 por litro de QAV em relação ao preço do mês anterior. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde o início de janeiro, os preços do petróleo Brent, referência internacional, aumentaram mais de US$ 10 por barril, principalmente devido a temores com riscos de interrupção de oferta diante de tensões entre Estados Unidos e Irã. Nesta sexta-feira (27), o Brent fechou com alta de 2,45%, a US$ 72,48 o barril. Os ajustes do QAV da Petrobras ocorrem todo começo de mês, conforme previsto em contratos. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1