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g1 > Economia

O 'xadrez do petróleo' com que Trump pressiona a China — e os limites dessa estratégia
Pressão sobre a Venezuela, bloqueio do petróleo iraniano no estreito de Ormuz , movimentações no entorno do estreito de Malaca. Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram sua atuação em pontos estratégicos das rotas globais de energia e comércio, ampliando sua presença em diferentes frentes da disputa geopolítica atual. Mas o que parecem ser, à primeira vista, crises distintas, com dinâmicas próprias, pode indicar um padrão observado em conjunto: o uso crescente do controle sobre gargalos marítimos, fornecedores de petróleo e corredores comerciais como instrumento de pressão na disputa estratégica com a China. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em 1º de maio que sua viagem a Pequim nesta semana, entre 13 e 15 de maio, será "incrível". Será a primeira viagem de um presidente americano à China em quase uma década. Em sua bagagem, porém, Trump levará mais do que uma agenda diplomática: a visita de Estado será, inevitavelmente, marcada por um cenário de tensões ampliadas que se estende do Oriente Médio à América Latina e ao Sudeste Asiático. Após um primeiro ano de governo marcado por uma escalada da guerra comercial com Pequim, a primeira viagem de Trump à China desde seu retorno à Casa Branca tende a funcionar como um teste para a capacidade dos dois países de administrar tensões crescentes sem romper canais de diálogo. Na véspera das declarações de Trump, autoridades dos dois países já haviam sinalizado essa preocupação. Em 30 de abril, o chanceler chinês conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos sobre os preparativos da visita, além de discutir temas sensíveis como Taiwan e o Oriente Médio. O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter a comunicação aberta em um momento de incerteza crescente e de evitar que crises paralelas contaminem diretamente a relação bilateral. O que conecta Venezuela, Ormuz e Malaca Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, esse contexto ajuda a entender por que os movimentos recentes dos Estados Unidos vão além de episódios isolados e incidem diretamente sobre um dos pontos mais sensíveis da economia chinesa: o abastecimento de energia. Antes da crise mais recente no Golfo Pérsico, cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã tinham como destino a China. Ao interferir nesse fluxo, os Estados Unidos não apenas pressionam Teerã, mas também ampliam a volatilidade em um mercado cujos efeitos são sentidos muito além da Ásia, com impacto sobre preços globais de energia, cadeias de abastecimento e inflação em diferentes regiões do mundo. A pressão sobre a Venezuela, em uma ofensiva que culminou na captura de Nicolás Maduro, segue lógica semelhante ao atingir outro fornecedor relevante de petróleo para Pequim, enquanto as movimentações no Sudeste Asiático ampliam a atenção sobre rotas marítimas críticas para o abastecimento chinês. A questão central é até que ponto essas ações refletem uma estratégia deliberada de pressão sobre a China ou se são, sobretudo, respostas a crises regionais que acabam produzindo efeitos colaterais globais. Para o cientista político Mauricio Santoro, as duas interpretações não são excludentes. Segundo ele, os Estados Unidos vivem há pelo menos uma década um período marcado por instabilidade política interna, polarização e decisões frequentemente erráticas. Ainda assim, há um elemento que atravessa governos e partidos: a percepção de que a ascensão da China representa uma ameaça estratégica. "Existe realmente um tema de política pública que une o Partido Democrata e o Partido Republicano: a preocupação com a China", afirma. "A ascensão chinesa é vista como uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos, e isso tem levado a uma série de iniciativas para criar obstáculos ao desenvolvimento econômico da China." Nesse contexto, ações militares indiretas, sanções econômicas e pressões diplomáticas passam a ser mobilizadas de forma combinada. Ainda que não tenham a China como alvo imediato, acabam afetando diretamente seus interesses, afirma Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha. "Eu não diria que a China é a motivação essencial dessas ações, mas ela é parte desse cálculo", diz Quando a disputa sai do comércio e vai para as rotas de energia Para o analista Lucas Leite, o cenário atual não corresponde exatamente a um plano único e coordenado. O que emerge, segundo ele, é um conjunto de decisões que convergem sobre as mesmas vulnerabilidades. Professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Leite descreve esse movimento como uma forma de "pressão por fricção". "Essas ações, juntas, servem para pressionar a China em seu ponto de maior vulnerabilidade estrutural, que é o abastecimento de energia. Mas não está claro se isso é um plano deliberado, integrado ou é uma convergência de coisas distintas", afirma. Segundo ele, o ponto central não está na intenção declarada de Washington, mas no efeito acumulado dessas decisões, que, na prática, encarecem o acesso da China à energia e aumentam a incerteza sobre suas rotas de abastecimento. Esse deslocamento da disputa — do campo das tarifas e sanções econômicas para o controle de rotas marítimas, cadeias de abastecimento e pontos estratégicos do comércio global — reflete um desequilíbrio crescente entre as duas potências. De um lado, a China avança rapidamente em setores como comércio internacional, indústria e tecnologia de ponta. De outro, os Estados Unidos ainda mantêm uma vantagem significativa no campo militar, especialmente na capacidade de projetar poder global por meio de sua Marinha. "É muito nítido o quanto os Estados Unidos estão perdendo terreno para a China em áreas como comércio e tecnologia", afirma Santoro. "Fica muito grande essa tentação de usar o poder militar, de usar essa coerção, para tentar obter resultados econômicos." O 'dilema de Malaca' e a vulnerabilidade chinesa É nesse ponto que entram os chamados "chokepoints" — gargalos marítimos por onde passa uma parte significativa do comércio global de energia. Entre eles, os estreitos de Ormuz e Malaca ocupam posições centrais. Ormuz conecta os produtores de petróleo do Golfo aos mercados globais e responde por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo transportado por via marítima. Já Malaca, localizado entre Malásia, Indonésia e Singapura, liga o Oceano Índico ao Mar do Sul da China e funciona como uma artéria vital para a economia chinesa: mais de 80% das importações de petróleo do país passam por esse corredor marítimo. Essa dependência ficou conhecida como o "Dilema de Malaca", expressão popularizada em 2003 pelo então presidente chinês, Hu Jintao, para descrever o temor de Pequim de que uma potência rival possa interromper o fluxo de energia nessa rota crítica. "A China sabe que há uma vulnerabilidade histórica no seu acesso ao mar", explica Santoro. "Embora tenha um litoral muito extenso, esse acesso depende de pontos de estrangulamento que podem ser explorados em um cenário de conflito." Esse temor voltou ao centro do debate estratégico nos últimos meses. Em abril, os Estados Unidos firmaram com a Indonésia uma parceria de cooperação de defesa e passaram a negociar maior acesso ao espaço aéreo do país, ampliando sua capacidade de vigilância sobre o estreito. Para analistas, o movimento não implica controle direto da rota, mas reforça a capacidade americana de monitorar e, em um cenário extremo, influenciar o fluxo marítimo. A aproximação entre Washington e Jacarta, porém, também expôs resistências internas na Indonésia, que historicamente adota uma política externa de neutralidade e evita se alinhar de forma explícita às disputas entre grandes potências. "O ponto não é fechar o estreito, mas mostrar que ele pode ser pressionado. Isso já é suficiente para gerar custo e incerteza", diz Leite. Pressão por fricção, não por estrangulamento A geografia reforça essa lógica. Em seu trecho mais estreito, o estreito de Malaca tem pouco mais de 2 km de largura, o que o torna particularmente sensível a interrupções. No entanto, essa vulnerabilidade não significa que a China esteja à beira de um colapso em caso de crise. Segundo Leite, a China desenvolveu mecanismos de resiliência que reduzem o impacto de crises externas. "A China tem reservas estratégicas muito grandes, uma frota de petroleiros paralela e vem acelerando a transição energética", afirma. Hoje, veículos elétricos e híbridos já representam mais da metade das vendas no país, reduzindo gradualmente a dependência de combustíveis fósseis. Na prática, isso significa que a pressão americana tende a gerar impacto, mas não necessariamente um colapso. "O que acontece é uma fricção. O petróleo fica mais caro, a logística mais complicada, mas não há um estrangulamento sistêmico." Os efeitos já são visíveis: aumento de preços, ajustes nas cadeias de importação e pressão sobre refinarias independentes, especialmente aquelas que dependem de petróleo sancionado. Mas, até agora, esses efeitos têm sido administrados. O contra-ataque chinês dos minerais críticos Ao mesmo tempo, a China dispõe de instrumentos próprios de pressão. Pequim domina cerca de 70% da extração e 90% do processamento global de minerais críticos, insumos essenciais para setores como tecnologia, defesa e energia limpa. Essa posição dominante oferece uma poderosa alavanca de negociação. "Essa dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais chineses é, no curto prazo, mais difícil de contornar do que a dependência da China em relação ao petróleo", avalia Leite. Além disso, a China tem buscado reduzir sua exposição ao sistema financeiro internacional dominado pelos EUA, ampliando o uso do yuan em transações energéticas e mantendo relações comerciais com países sob sanção. Diante disso, cresce o risco de que a estratégia americana produza efeitos adversos. Para Santoro, o uso da força militar como instrumento econômico tende a aumentar a instabilidade global, ainda que não garanta ganhos estratégicos claros. "Será que isso vai dar resultado ou só vai criar um mundo mais instável, mais violento e mais imprevisível? Por enquanto, está criando simplesmente uma situação de caos." Entre pressão e negociação Nesse contexto, a visita de Trump a Pequim se torna um teste importante. De um lado, os Estados Unidos ampliam seus instrumentos de pressão. De outro, Pequim demonstra capacidade de absorver custos e se adaptar a um ambiente mais adverso. O encontro pode indicar até que ponto essa estratégia de pressão sobre as rotas energéticas será usada como ferramenta de negociação ou se tende a se consolidar como um fator permanente de tensão. No fim, a disputa entre Estados Unidos e China já não se limita a tarifas ou tecnologia. Ela passa também pelas rotas do petróleo, pelos gargalos marítimos e pela capacidade de transformar fluxos comerciais e energéticos em instrumentos de pressão. Mas, como mostram os eventos recentes, pressionar nem sempre significa controlar — e o custo dessa estratégia pode acabar sendo compartilhado por todos. Qual o papel da China na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã As guerras na Ucrânia e no Irã são parte de uma mesma guerra mundial, diz professor americano Como impasse sobre Estreito de Ormuz amplia risco de volta da guerra total
12/05/2026 10:16:18 +00:00
Embraer negocia avião militar C-390 para a Colômbia e o Chile, afirma CEO

Embraer busca ampliar mercado do cargueiro C-390 A fabricante de aviões Embraer está em negociações com a Colômbia e o Chile para possíveis encomendas de suas aeronaves de transporte militar C-390, enquanto aumenta a produção para atender ao crescente interesse internacional, disse o presidente-executivo da empresa, Francisco Gomes Neto. O Brasil é o único país da América Latina que opera a aeronave, e novos acordos na região ajudariam a Embraer em seu objetivo de impulsionar as vendas externas do C-390, um importante concorrente do C-130 Hércules da Lockheed Martin . ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp As campanhas de vendas na América Latina podem demorar mais para serem concluídas do que em outras regiões devido às aprovações orçamentárias e aos processos de aquisição, disse Gomes Neto em entrevista na última sexta-feira (8), acrescentando que a Embraer vê o C-390 como uma boa opção para ambos os países. "São campanhas que na América Latina às vezes demoram até um pouco mais do que o normal. Mas eles têm necessidade, gostam do avião, têm uma relação muito próxima com a Força Aérea Brasileira de colaboração, então é uma oportunidade", disse ele. A Embraer pode conseguir fechar um acordo com a Colômbia mais rapidamente do que com o Chile. O presidente colombiano, Gustavo Petro, que está tentando modernizar a frota militar do país, criticou os entraves burocráticos que atrasaram seus planos após a queda de um C-130 em março, que matou 70 pessoas. "A Colômbia pode ser uma campanha de curto prazo por causa desses eventos", disse Gomes Neto. "Acho que a campanha no Chile é de médio prazo." A Embraer apresentou o C-390 ao presidente chileno José Antonio Kast na feira aeronáutica FIDAE do país, no mês passado. Embraer tem melhor 1º trimestre da história com receita recorde de R$ 7,6 bilhões C-390 Millennium Reprodução/Embraer Aumento da produção Na semana passada, a Embraer anunciou uma encomenda de até 20 aeronaves C-390 dos Emirados Árabes Unidos, sua primeira venda desse modelo no Oriente Médio. Segundo Gomes Neto, a encomenda ocorreu um pouco antes do previsto, em meio à guerra envolvendo os EUA e Israel contra o Irã. O presidente-executivo afirmou que existe uma percepção positiva em relação à aeronave em nível global, com uma dúzia de países que já a selecionaram e a produção aumentando à medida que as cadeias de suprimentos se recuperam das restrições pós-pandemia. "Até 2030, chegaremos a 10 aeronaves, o que sustenta todas as campanhas de vendas em que temos trabalhado", disse Gomes Neto, observando que a produção deste ano deverá totalizar seis jatos. "A cadeia de suprimentos está reagindo, engrenando. Estamos azeitando mais a cadeia de suprimentos." (Edição de Paulo Simão) Cargueiro C-390, da Embraer, foi vendido aos Emirados Árabes na última semana. Embraer/Divulgação Aeronave multimissão O C-390 Millennium é um cargueiro militar multimissão, capaz de atuar tanto em operações militares quanto em missões humanitárias, como transporte de cargas, evacuação médica e combate a incêndios. A aeronave também pode ser utilizada para reabastecimento em voo, funcionando tanto como tanque quanto como receptora de combustível. Segundo a Embraer, o modelo foi desenvolvido no século XXI e se diferencia pela versatilidade. Com a instalação de kits específicos, a mesma aeronave pode alternar entre diferentes tipos de operação. O C-390 tem capacidade para transportar até 26 toneladas e já foi selecionado por 12 países. A fabricante afirma que a frota em operação apresenta taxa de conclusão de missão superior a 99%.
12/05/2026 08:58:09 +00:00
Crise financeira, dívida e juros altos: o que a situação da Cosan tem a ver com o IPO da Compass

Cosan Divulgação A Compass, empresa de gás e energia que tem participação na Comgás, estreou nesta segunda-feira (11) na bolsa brasileira. A operação marca mais uma tentativa da Cosan, sua controladora, de enfrentar a crise financeira que prejudica seus resultados há mais de dois anos. O início da crise na Cosan, holding brasileira de infraestrutura e energia, foi silencioso e começou com uma série de decisões estratégicas tomadas pela antiga gestão entre o fim de 2022 e o início de 2023. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Naquele momento, a empresa já enfrentava alto endividamento para financiar investimentos em expansão e aquisições. E rapidamente o modelo de negócio não se mostrou sustentável. Em 2024, as dívidas começaram a pesar, e a empresa passou a enfrentar problemas financeiros, estratégicos e operacionais. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Um tiro no pé A estratégia de usar dívida como ferramenta de investimento explica parte dos problemas atuais da Cosan. Um dos episódios mais marcantes ocorreu no quarto trimestre de 2022, quando a empresa decidiu comprar uma participação relevante na Vale. A ideia era investir em empresas consolidadas que atuam em setores nos quais o Brasil tem vantagem competitiva. Para isso, a dívida bruta da companhia subiu 30%, para R$ 70,7 bilhões. A expectativa era ganhar com a valorização das ações e o recebimento de dividendos da Vale, além de conquistar alguma influência estratégica nas decisões da mineradora. Mas o desempenho da Vale foi fraco em 2024. As ações da empresa caíram 23,2% no ano, por conta do recuo de 15% no preço do minério de ferro no mercado internacional. Além disso, a alta da taxa básica de juros no país também prejudicou a Cosan. A dívida contraída para comprar a participação na Vale ficou mais cara, e o investimento passou a gerar mais custos do que retorno. Com isso, a Cosan não demorou a anunciar uma “adequação” na participação na Vale. Em abril de 2024, a companhia vendeu mais de 33 milhões de ações da mineradora, levantando cerca de R$ 2 bilhões. Isso ocorreu ao mesmo tempo dos primeiros sinais de deterioração financeira da Raízen, empresa fundada em 2011 em parceria entre Cosan e Shell. (entenda mais abaixo) A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024 e encerrou o ano sinalizando a venda total de sua participação na Vale para reduzir o endividamento. Na ocasião, o então vice-presidente financeiro, Rodrigo Araújo, afirmou que a empresa havia registrado ganhos contábeis de R$ 5 bilhões com a participação. As ações, porém, foram vendidas por valor inferior ao registrado em balanço. Enquanto isso, na Raízen.... A Raízen estreou na bolsa em 2021 com uma estratégia semelhante, baseada em um ritmo acelerado de investimentos para expansão. Nos anos seguintes, porém, também teve dificuldade para manter esse modelo. Além dos efeitos da alta dos juros, a companhia passou a registrar piora nos resultados financeiros e operacionais a partir de 2024 — em parte por causa de eventos climáticos que afetaram a produtividade agrícola. No ano-safra 2023/24 — entre abril de 2023 e março de 2024 —, a Raízen reportou lucro líquido de R$ 614,2 milhões, queda de 75,5% em relação ao ciclo anterior. No ano-safra 2024/25, a Raízen registrou prejuízo de R$ 4,2 bilhões. Dados mais recentes apontam prejuízo de R$ 19,8 bilhões nos nove primeiros meses do ano-safra 2025/26. Diante do agravamento do cenário, a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano, com mais de R$ 65 bilhões em dívidas. A deterioração da Raízen impactou diretamente os resultados da Cosan. E o IPO da Compass? Uma das saídas para a crise financeira da Cosan foi o IPO da Compass. Diferentemente de outras estreias na bolsa, a operação não buscou expansão, mas reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding. Com a operação, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para cerca de 75%.
12/05/2026 07:00:40 +00:00
Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Veja simulações

Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia O Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em títulos públicos, lançou nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo tipo de aplicação voltado a quem busca uma alternativa simples, com possibilidade de resgate a qualquer momento e rendimento previsível. Criado como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos, o Tesouro Reserva permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rendimento ligado à Selic, a taxa básica de juros da economia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Por enquanto, o título está disponível apenas para clientes do Banco do Brasil (BB). A oferta nas demais instituições financeiras dependerá da adesão e da implementação do produto por cada banco. (veja detalhes mais abaixo) Mas qual investimento rende mais? Thaísa Durso, educadora financeira da Rico, elaborou a pedido do g1 um levantamento comparando os rendimentos do Tesouro Reserva, dos CDBs que pagam 100% do CDI, do Tesouro Selic e da poupança. 🔎 Os cálculos consideram a Selic em 14,50% ao ano e a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR) aplicada aos produtos tributáveis (Tesouro e CDBs). Nesse cenário, o Tesouro Reserva e o Tesouro Selic aparecem empatados na liderança, enquanto a poupança rende bem menos. Veja: Tesouro Reserva, Selic, CDB ou poupança: qual rende mais? Veja simulações Arte/g1 O levantamento mostra pouca diferença entre os rendimentos do Tesouro Reserva, do Tesouro Selic e de um CDB que paga 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) — taxa de referência dos empréstimos entre bancos, estimada em 14,4% ao ano. 📈 No caso dos CDBs, a rentabilidade pode variar conforme o percentual do CDI oferecido pela instituição financeira. Alguns papéis pagam, por exemplo, 110% do CDI, o que aumenta os ganhos do investidor. Quanto maior, contudo, maior o risco. Thaísa Durso explica que Tesouro Reserva e Tesouro Selic têm a mesma rentabilidade quando o investidor aplica e resgata o dinheiro ao fim do período, mas a principal diferença está na experiência do investidor. “O Tesouro Selic sofre marcação a mercado, o que pode gerar pequenas oscilações no valor antes do resgate. Já o Tesouro Reserva elimina esse efeito, oferecendo previsibilidade total — um ponto importante para quem precisa de liquidez sem surpresas”, diz. Em todos os cenários simulados, a poupança, com retorno de pouco mais de 8% ao ano, aparece na última posição. Em 10 anos, a diferença em relação aos títulos do Tesouro chega a R$ 1.255,04, segundo o levantamento. A educadora financeira destaca que Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs acompanham de perto a taxa básica de juros, enquanto a poupança tende a render menos, mesmo com a isenção de Imposto de Renda. Os títulos do Tesouro e os CDBs seguem tabela regressiva de IR. 🔎 A alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Também há cobrança de IOF em resgates feitos nos primeiros 30 dias. Após esse prazo, o imposto deixa de ser aplicado. Thaísa Durso, da Rico, destaca que a principal diferença entre os produtos está no emissor e na estrutura: os títulos do Tesouro têm risco soberano, por serem garantidos pelo governo federal, enquanto os CDBs têm risco bancário, mitigado pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “O Tesouro Reserva se destaca por oferecer liquidez 24 horas por dia, inclusive em fins de semana, com liquidação via PIX e sem marcação a mercado, garantindo previsibilidade total. O Tesouro Selic, por sua vez, tem liquidez diária em dias úteis, com oscilações mínimas por ser pós-fixado”, diz. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo Tesouro Reserva. O que é o Tesouro Reserva? Quais as condições de aplicação e resgate? Qual a rentabilidade e o risco? Onde e como investir? Por que concorre com CDBs? Quais são as taxas e impostos? Novo título do Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 1 Jornal Nacional/ Reprodução O que é o Tesouro Reserva? É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”. Quais as condições de aplicação e resgate? O Tesouro Reserva tem investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes. O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX. A única exceção é o intervalo entre 0h e 1h, todos os dias. "Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. O vencimento do papel é de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos. Qual a rentabilidade e o risco? O novo título tem rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. A rentabilidade é equivalente a 100% da taxa. Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”. 🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação. Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor. Onde e como investir? O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco. A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação. Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título. Por que concorre com CDBs? Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas. “O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos. Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais: 💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros. 🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. 🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio. 🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos. Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade. "Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador", conclui. Quais são as taxas e impostos? Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa. Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Até 180 dias de investimento, 22,5%; De 181 a 360 dias de investimento, 20%; De 361 a 720 dias de investimento, 17,5%; Acima de 720 dias, 15%. 🔎 O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos do investimento, e não sobre o valor total aplicado. Por exemplo: se uma pessoa investir R$ 1.000 e, após um período, o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho. Além do IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado. Além disso, o investimento tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.
12/05/2026 07:00:35 +00:00
Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor a criar queijos premiados em Goiás

Produtor goiano matura queijos em caverna O produtor rural de Guapó (GO) João Vicente Borges vem chamando a atenção no mercado gastronômico ao utilizar uma caverna subterrânea para maturar queijos artesanais. O método, que usa diferentes tipos de fungos naturais para aprimorar o sabor e a aparência dos produtos, já rendeu diversos prêmios nacionais e internacionais à fazenda. Há quase 20 anos, Borges administra a propriedade que pertenceu aos avós dele. A família sempre trabalhou com pecuária leiteira, mas em 2017 ele decidiu investir na produção de queijos finos. Hoje, com um rebanho de 50 vacas das raças pardo suíço e holandesa, a queijaria processa cerca de 600 litros de leite por dia. 🧀 O grande diferencial dos queijos está na etapa final de maturação. Depois de passarem por câmaras frias, onde ocorre a formação da casca e o desenvolvimento inicial dos fungos, as peças são levadas para uma caverna construída a 5 metros de profundidade. O ambiente tem paredes de pedra e chão coberto por pedriscos, o que ajuda a manter a umidade do ar em torno de 80% e a temperatura entre 14°C e 16°C. Segundo o produtor, essas são as condições ideais para que pelo menos seis tipos de fungos naturais e benéficos se desenvolvam nos queijos. Entre eles está o penicillium roqueforti, responsável pelo sabor característico do gorgonzola, além do fungo conhecido popularmente como “pelo de gato”. Queijos diferentes e sabores inusitados A fazenda produz atualmente nove tipos de queijos, com períodos de maturação que variam de alguns dias a vários meses — ou até anos. Além do tempo e das condições naturais da caverna, Borges aposta em receitas diferentes para criar sabores exclusivos. Entre os destaques da produção está o queijo na cerveja, que fica imerso em cerveja preta por 48 horas e ganha uma tonalidade caramelizada. Outro exemplo é o Foguinho, queijo flambado no whisky e maturado por 60 dias. A linha também inclui o Do Cerrado, receita inspirada no sabor do pequi, mesmo sem utilizar o fruto na composição. Já o Bálsamo é uma das peças mais valorizadas da produção e chega a pesar cerca de 2,5 kg. Atualmente, a caverna armazena até 8 mil peças de queijo. Com o Selo Arte — certificação que permite a comercialização interestadual de produtos artesanais de origem animal —, a fazenda vende cerca de 2 mil queijos por mês para diferentes estados do país. “Todos os nossos queijos já foram premiados, muitos deles mais de uma vez. Isso mostra que conseguimos manter a qualidade da produção”, afirma João Vicente, que já planeja expandir o negócio. Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor goiano a criar queijos exclusivos Reprodução/Globo Rural
12/05/2026 06:00:42 +00:00
Cade analisa se houve irregularidades na venda de mina de terras raras para empresa dos EUA

Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos Divulgação/Serra Verde A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) instaurou um procedimento administrativo para apuração de ato de concentração (APAC) envolvendo a Serra Verde Pesquisa e Mineração S.A. (Serra Verde), em Goiás, e a USA Rare Earth, Inc. (USAR). 🔎 O procedimento de Apuração de Ato de Concentração (APAC) no Cade investiga fusões, aquisições ou associações de empresas consumadas sem a devida aprovação prévia do órgão. ➡️ A empresa americana USA Rare Earth firmou um acordo para adquirir participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina de terras raras em Minaçu, no norte de Goiás, em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. ➡️O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção — da extração à fabricação de ímãs — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado. Conforme o Cade, o processo busca entender se a combinação de negócios da Serra Verde e da USAR e o acordo de fornecimento informados configurariam ato de concentração. Caso o Conselho entenda que sim, será realizada uma avaliação se seria caso de notificação obrigatória ou, se as empresas deveriam ter submetido a operação a verificação de possível impactos concorrenciais. Após o acordo com a empresa USA Rare Earth pela venda da mina por US$ 2,8 bilhões, a mineradora foi alvo de críticas por parte de autoridades, que questionaram a negociação com "recursos do subsolo brasileiro que pertencem à União". "A abertura do APAC não significa necessariamente que os atos deverão ser notificados ou que haja problemas concorrenciais. Ao final de sua apuração, a Superintendência-Geral poderá decidir pelo seu arquivamento, pela consumação da operação, ou pela abertura de processo administrativo", divulgou o Conselho. Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás: o que muda na prática? O acordo entre a mineradora goiana e a empresa dos EUA cria uma empresa multinacional com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido, ressaltou o Cade. Dessa forma, a empresa passa a ter operações ativas em toda a cadeia de suprimento de terras leves e pesadas. Além disso, a Serra Verde assinou um contrato de 15 anos para destinar 100% da produção de sua Fase I a uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). A empresa é financiada por agências governamentais dos Estados Unidos e capital privado, garantindo preços mínimos para suas terras raras magnéticas. Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás Mineradora se defende de críticas Segundo a empresa, o material exportado é rico em elementos estratégicos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias de energia limpa. "Ao longo dos últimos 16 anos, a empresa investiu mais de US$ 1 bilhão para construir uma operação integrada de mineração e processamento que transforma o minério em um produto intermediário de maior valor agregado: o Carbonato Misto de Terras Raras de alta pureza", disse a Serra Verde ao g1. "Ainda não dispomos da tecnologia necessária para separar terras raras em escala industrial. No entanto, a combinação com a USA Rare Earth nos dá acesso a essa tecnologia, e definiremos o local para a separação após a realização de uma análise técnica e econômica completa. A separação no Brasil está sendo avaliada", afirmou a mineradora. 🔎 As "terras raras" são um grupo de 17 elementos químicos conhecidos por suas propriedades magnéticas e condutoras únicas. Apesar do nome, eles não são necessariamente "raros" na crosta terrestre, mas são extremamente difíceis de serem encontrados em concentrações puras e de difícil extração mineral. A Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos magnéticos essenciais. O depósito de argila iônica em Minaçu, onde os minerais são extraídos, é um dos maiores do mundo, e possui um diferencial devido aos impactos ambientais relativamente baixos. Em entrevista ao g1, Ricardo Grossi, presidente e diretor de operações da Serra Verde, informou que a negociação não irá promover mudanças imediatas na operação no Brasil e que a gestão local segue inalterada. “A mina e a planta em Minaçu seguem operando normalmente, sob a liderança da equipe atual, com continuidade da estratégia já em curso. A operação permanece focada no ramp-up e na expansão previstos, e a gestão local segue inalterada. Ao mesmo tempo, o acordo fortalece a empresa ao dar acesso à tecnologia ao longo de toda a cadeia produtiva e maior integração global, sem alterar o dia a dia da operação”, explicou. Após a negociação, o foco da mineradora continua sendo a execução do projeto de otimização e expansão para elevar a produção para 6,4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2027. “Depois disso, a empresa combinada estará em uma posição mais forte para crescer e investir, potencialmente criando novas funções e promovendo um desenvolvimento econômico significativo em torno de Minaçu”, destacou Grossi. Exportações já realizadas A mineradora iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em 2025, foram exportadas quase 678 toneladas de terras raras para a China. No entanto, em 2026, Goiás exportou apenas 2 toneladas para os Estados Unidos, com valor de US$ 67 mil. No ano passado, foram exportados 51 kg para os norte-americanos. LEIA TAMBÉM: TERRAS RARAS: Rede entra com ação no STF para suspender acordo com empresa dos EUA sobre mina de Goiás NEGOCIAÇÃO: Empresa americana compra mina em Goiás por US$ 2,8 bilhões ENTENDA: Mina de terras raras vendida a empresa dos EUA por US$ 2,8 bilhões em Goiás: o que muda na prática? Negociação com a empresa norte-americana Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras Divulgação/Serra Verde A negociação foi anunciada pela USA Rare Earth no dia 20 de abril e prevê a combinação das operações das duas companhias para liderar toda a cadeia produtiva, desde a extração das terras raras, às etapas de separação, processamento dos elementos, até a fabricação de ímãs permanentes. Do montante de US$ 2,8 bilhões, US$ 300 milhões serão pagos em dinheiro e o restante em ações. Além da aquisição, o acordo inclui um contrato de fornecimento de 15 anos. Também serão estabelecidos preços mínimos para os minerais, o que garante previsibilidade de receita e reduz riscos para a operação. Impasses Na sexta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o subsolo do território brasileiro pertence à União e que cabe a ela regulamentar a exploração de terras raras e minerais críticos. Em entrevista à emissora governamental Canal Gov, ele ressaltou que o memorando de entendimento entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para a exploração de terras raras no estado tem um vício de inconstitucionalidade e "não se sustenta". O acordo também é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). O partido Rede Sustentabilidade solicitou à Corte que avalie se a operação fere a Constituição Federal e, caso se confirme, a suspenda. No final da tarde desta sexta-feira (24), o partido, em conjunto com a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), ingressou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). O grupo argumenta que a estruturação da nova empresa precisa ser avaliada porque recursos minerais estratégicos são bens estes pertencentes à União. Além disso, deputados do PSOL chegaram a protocolar, na última quarta-feira (22), uma representação na Procuradoria-Ge'ral da União (PGR) questionando a legalidade da aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth. Mineradora Serra Verde explora quatro elementos de terras raras em Minaçu. Arte/g1 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
12/05/2026 04:11:48 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 52 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.006 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 52 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (12), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último sábado (9), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
12/05/2026 03:01:44 +00:00
Desenrola 2.0: bancos têm até terça para enviar 'dinheiro esquecido' de clientes ao governo, que fará 'chamamento público'

As instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir a um fundo público os recursos esquecidos pelos correntistas em suas contas. Balanço do Banco Central aponta R$ 10,55 bilhões esquecidos em bancos Jornal Nacional/ Reprodução A determinação consta em portaria publicada na última semana pelo governo para regulamentar o Desenrola 2.0. Balanço divulgado no mês passado pelo Banco Central mostra que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 10,55 bilhões em "recursos esquecidos" por 47 milhões de clientes. Deste total: R$ 8,15 bilhões são recursos de 47 milhões de pessoas físicas; R$ 2,4 bilhões são valores de 5,06 milhões de empresas. Vídeos em alta no g1 No começo deste mês, o governo informou que vai usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. Esse dinheiro irá para um fundo público, o FGO, para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo. ➡️O Ministério da Fazenda argumenta que esses recursos, que hoje estão nas tesourarias das instituições financeiras, "passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas". Desenrola Brasil Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda Prazos para reaver o dinheiro ➡️De acordo com portaria publicada na última terça-feira (5), a transferência de recursos ao fundo público (FGO) será realizada pelas instituições financeiras em um prazo de cinco dias úteis, ou seja, até esta terça-feira (12). ➡️O governo também informou que será lançado um edital de chamamento público para os correntistas. Assim que publicado, o edital irá prever um prazo de 30 dias corridos para que clientes dos bancos possam contestar a transferência realizada. Eles deverão apresentar documentação necessária. "Uma vez realizada a transferência, o Ministério da Fazenda, com apoio do FGO, publicará edital de chamamento público no Diário Oficial da União, que trará link para acesso a sistema de informações, em ambiente restrito e com acesso individualizado, no qual será possível consultar, dentre outros, sobre os montantes transferidos, a instituição responsável, a agência e número da conta", diz a portaria publicada pelo Ministério da Fazenda. Uma vez apresentada a contestação dos correntistas, os valores serão revertidos pelo fundo aos bancos, que farão a devolução dos recursos aos seus correntistas, em até 15 dias úteis. Esse valor será corrigido pelo IPCA-15. "Decorrido o prazo [de 30 dias úteis a partir da abertura do chamamento público], os valores transferidos não contestados ficarão incorporados de forma definitiva ao patrimônio do FGO [o fundo público que vai funcionar como garantia dentro do Desenrola 2.0]", informou o governo, por meio da portaria publicada no Diário Oficial da União.
12/05/2026 03:01:40 +00:00
Escala 6x1: Após unificação de propostas, ministros serão ouvidos pela comissão que analisa o assunto

A comissão especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho entra na segunda semana de atividades na Câmara com a presença de ministros do governo Lula e a intensificação do engajamento do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Trabalhadores pedem fim da escala 6x1 em ato realizado em Belo Horizonte TV Globo/ Reprodução Motta chegou a convocar sessões de segunda a sexta e publicou vídeo citando o tema no Dia das Mães. Na última quarta (6), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, compareceu a uma audiência na comissão. Nesta semana, são esperados o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Durigan vai discutir aspectos econômicos sobre a redução da jornada de trabalho nesta terça-feira (12). Já Boulos participará de audiência na quarta-feira (13) sobre os aspectos sociais e diálogo social para redução da jornada de trabalho. Vídeos em alta no g1 Tema prioritário para o governo O comparecimento dos ministros mostra a articulação do governo para aprovar o tema, apontado como uma das prioridades de Lula para este ano de eleições. A ideia é votar o texto no colegiado dia 26 de maio e, no plenário, dia 27. O Palácio do Planalto conta ainda com a boa vontade de Motta. O presidente da Câmara fez questão de realizar a primeira reunião externa da comissão na Assembleia Legislativa da Paraíba, seu estado. Presidente da Câmara, Hugo Motta realizou evento sobre proposta de redução da escala 6x1 em João Pessoa Josemar Gonçalves / Câmara dos Deputados Na oportunidade, Motta reforçou que o ambiente para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara é favorável e que as particularidades de cada setor serão consideradas. Sessões todos os dias Outra estratégia adotada pelo presidente da Câmara para acelerar a aprovação da proposta é convocar sessões de votações todos os dias. 🔎O prazo para apresentar emendas ao texto na comissão especial é contado em sessões do plenário. Segundo o regimento, os parlamentares têm dez sessões para sugerir acréscimos ou retiradas de trechos ao texto. Depois dessas dez sessões, a proposta já pode ser votada na comissão especial e seguir para o plenário. Por isso, a estratégia de convocar sessões todos os dias permite que a PEC seja votada com mais celeridade na comissão. Motta convocou sessões para segunda e sexta-feira nesta semana, o que não é muito usual, já que os parlamentares costumam estar fora de Brasília. Audiência da comissão especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho realizada em 6 de maio Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados Além disso, para facilitar o atingimento de quórum, o presidente da Câmara permitiu os trabalhos remotos – quando os parlamentares podem registrar presença e votar por aplicativo. Com a sessão realizada nesta segunda (11), já se passaram seis encontros desde que a comissão foi instalada. As dez sessões poderão ser alcançadas já na sexta-feira (15). Dia das Mães Motta também aproveitou o Dia das Mães para pressionar pela aprovação do texto. Em tom que antecipa o clima eleitoral, o presidente da Câmara ligou a aprovação da PEC a uma maior convivência das mães com seus filhos. Nas redes sociais, Motta afirmou que a pauta não é apenas econômica, mas “sobre a defesa da família brasileira”. “O trabalho é digno, mas a ausência nos momento que não voltam mais dói na alma das famílias”, afirmou. “Não é apenas uma pauta econômica, é uma pauta humana”. Cronograma O relator na comissão especial, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), planejou o trabalho da comissão em 11 reuniões, com encontros às terças e quartas em Brasília e audiências nos estados às quintas. Relator na comissão especial, deputado Leo Prates (Republicanos-BA) Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados O cronograma prevê a realização de cinco audiências públicas com os temas: diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho; aspectos econômicos sobre a redução da jornada de trabalho; aspectos sociais e a importância do diálogo social para a redução da jornada de trabalho no Brasil; limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho – perspectiva dos empregadores; limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho – perspectiva da classe trabalhadora. A apresentação e a leitura do relatório está prevista para o dia 20 de maio. Também está no cronograma a realização de seminários em Belo Horizonte e São Paulo. Propostas em debate A comissão especial está discutindo duas PECs: uma proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra; a segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor. 🔎 Paralelamente, o governo Lula apresentou um projeto de lei — instrumento diferente de uma PEC e que não altera a Constituição – que prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. Economistas e empresários têm citado a baixa produtividade da economia brasileira como um dos argumentos contrários ao fim da escala 6x1 Tomaz Silva/Agência Brasil Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas. Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
12/05/2026 03:01:30 +00:00
Copa do Mundo 2026: golpistas clonam site da FIFA para enganar brasileiros em busca de ingressos

FOTO DE ARQUIVO: O logotipo da Copa do Mundo da FIFA de 2026 de Nova York/Nova Jersey é revelado durante o evento de lançamento na Times Square, em Nova York, nos Estados Unidos, em 18 de maio de 2023. Reuters/Brendan McDermid/Foto de arquivo Faltam menos de 30 dias para a Copa do Mundo de 2026, e criminosos já aproveitam o interesse pelo campeonato para aplicar golpes com sites falsos da FIFA, incluindo versões em português. Ao menos cinco páginas fraudulentas foram criadas nas últimas semanas, segundo a empresa de segurança digital ESET. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os sites têm versões em português e incluem até opções de ingressos para a partida entre Brasil e Marrocos, marcada para 13 de junho. De acordo com a ESET, os sites falsos são divulgados por meio de anúncios no Google, redes sociais, WhatsApp, SMS e e-mail. Vídeos em alta no g1 As páginas, às quais o g1 teve acesso, reproduzem com alto nível de fidelidade o design do site oficial da FIFA, incluindo logotipo, identidade visual e até o fluxo de compra de ingressos. Também oferecem hospedagem e itens relacionados à Copa do Mundo, como camisetas. O g1 procurou a FIFA, que afirmou que sempre incentiva os torcedores a comprarem ingressos apenas pelo FIFA.com/tickets, a fonte oficial e preferencial de ingressos para a Copa do Mundo. “Os torcedores são fortemente aconselhados a permanecer atentos, evitar plataformas não oficiais e recorrer exclusivamente aos canais oficiais da FIFA para a compra de ingressos e pacotes de hospitalidade”, diz a organização, em nota. Como funciona Na página original, a FIFA solicita que o usuário faça login antes de acessar a compra de ingressos. No site falso visto pelo g1, o mesmo procedimento é reproduzido em uma página praticamente idêntica. A principal diferença é que a plataforma original permite acesso com contas do Google ou da Apple, enquanto a versão fraudulenta aceita apenas dados preenchidos manualmente em um formulário — um detalhe que pode indicar tentativa de golpe. Comparação site fake e site original da FIFA. Reprodução O g1 também notou que o site falso oferece a opção "português" no campo "Linguagem de Comunicação Preferida". Já a página oficial da FIFA disponibiliza apenas inglês, alemão, francês e espanhol. Outro ponto que chama atenção é que o jogo entre Brasil e Marrocos aparece no site falso com ingressos supostamente em promoção, de US$ 2.205 por US$ 1.696. No site oficial da FIFA, porém, não há mais bilhetes disponíveis para essa partida. (veja a comparação na imagem acima). Como se proteger Site falso tenta imitar o original da FIFA para a copa do mundo Reprodução Esse tipo de golpe é conhecido como typosquatting. Criminosos criam endereços muito parecidos com os de sites verdadeiros e clonam o visual das páginas originais. A vítima pode cair no golpe ao cometer um erro de digitação ou não perceber pequenas alterações no endereço, que costuma ser quase idêntico ao verdadeiro. A estratégia inclui trocar letras e símbolos por caracteres semelhantes, como "l" (L minúsculo) por "I" (i maiúsculo) ou substituir "m" por "rn". Em alguns casos, ataques de typosquatting são potencializados com anúncios online. A semelhança no endereço confunde a vítima, que clica no anúncio sem perceber que está indo para um site falso. O primeiro ponto a observar é o endereço do site (URL). Páginas de grandes empresas costumam usar domínios conhecidos, sem variações suspeitas. O site oficial da FIFA, por exemplo, termina em ".com", enquanto um dos fraudulentos identificados usa a extensão ".shop" e ".store". Só que outro site falso identificado pela ESET também termina em ".com", assim como o original, mas começa com "www.wc26", o que pode indicar golpe. O endereço oficial da FIFA para venda de ingressos é "www.fifa.com". Site falso imitando o da FIFA tem problema de design com ícones muito pequenos. Reprodução Também vale analisar a estrutura da página. Golpistas podem copiar o visual de sites oficiais, mas pequenas inconsistências podem denunciar a fraude. Em um dos links fakes visto pelo g1, o chat de ajuda ao usuário exibia mensagens em um idioma que parecia japonês ou chinês. Outro alerta é o senso de urgência criado pelos criminosos. Páginas fraudulentas costumam exibir mensagens como "últimas unidades" ou cronômetros de contagem regressiva para pressionar a vítima a concluir a compra rapidamente. Também é importante desconfiar de preços muito abaixo do mercado. Criminosos costumam anunciar ingressos e produtos com descontos exagerados para atrair vítimas. "A combinação entre paixão pelo futebol, ansiedade por ingressos e aparência legítima dos sites cria um ambiente extremamente favorável para golpes. Além do prejuízo financeiro, existe também o risco de roubo de identidade e comprometimento de contas pessoais caso o usuário reutilize senhas em outros serviços", explica Thales Santos, especialista em segurança da informação da ESET Brasil. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil
12/05/2026 03:01:12 +00:00
Chocolate ou ‘sabor chocolate’?: nova lei fixa regras e define categorias; veja quais são

Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate Uma lei que aumenta a quantidade de cacau na receita do chocolate foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira (11). O texto também especifica as definições dos diferentes tipos do produto, o que não era previsto na legislação anterior. Mas isso pode não impactar de fato a indústria. Com o aumento do preço do cacau nos últimas anos, os fabricantes têm popularizado os produtos "sabor chocolate", que têm uma quantidade inferior do ingrediente. (saiba mais abaixo.) Nem esse termo, no entanto, é definido por lei. A nova regra determina apenas que o produto vendido não pode enganar o consumidor, ou seja, dizer que é de fato chocolate quando não for. As regras passam a valer daqui um ano. Confira como ficou: 🍫 Chocolate: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. O texto que havia sido aprovado no Senado mencionava "chocolate amargo ou meio amargo", mas a definição foi alterada na Câmara. Na legislação anterior, que era de 2022, poderia ser considerado chocolate quando o produto tivesse a partir de 25% de sólidos totais de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes. 🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite. Esse tipo do doce era a única variação que tinha definição na lei anterior. Ela já determinava 20% de sólidos totais de manteiga de cacau, mas não determinava a porcentagem sólidos totais de leite. 🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados; 🍫 Chocolate doce: produto composto de sólidos de cacau e de outros ingredientes, que contém, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau, sendo que pelo menos 18% tem que ser de manteiga de cacau e 12% isentos de gordura. 🍫 Achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: deve ser preparado com mistura de cacau, adicionado ou não de leite e de outros ingredientes. Deve ter, no mínimo, 15% de sólidos de cacau ou de manteiga de cacau. Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom, mas não estabelece quantidade mínima de cacau para esses itens. Ovo de Páscoa: como a tradição começou com galinhas e virou chocolate? De onde vem o que eu como: chocolate O que é o 'sabor chocolate'? Nos últimos anos, o preço do cacau tem subido por problemas climáticos nas lavouras dos maiores produtores do fruto do mundo, localizados na África. Para controlar o preço por aqui, a indústria de chocolates mais populares, passou a usar os teores mínimos de cacau nos produtos, de acordo com o levantamento da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino. Além disso, os preços fizeram com que fossem lançados doces com o nome "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta o presidente da associação, Bruno Lasevicius. "Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma. O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate. Já na indústria de chocolates mais caros, a produção já se enquadra na nova legislação, diz Lasevicius. São eles: 🍫 chocolates finos: como os da associação Bean to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo. 🍫 chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%. LEIA TAMBÉM Cacau é afrodisíaco e ajuda a prevenir doenças: veja curiosidades sobre a fruta do chocolate Bacalhau ou 'tipo bacalhau': o que saber para não errar na compra Saiba como funciona uma fábrica de chocolates finos na Amazônia
12/05/2026 03:01:08 +00:00
CEO da Microsoft diz estar 'muito orgulhoso' de investimento na OpenAI em julgamento de Elon Musk

Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 27 de fevereiro de 2019 Tobias SCHWARZ/AFP O diretor‑executivo da Microsoft, Satya Nadella, disse que estava "muito orgulhoso" do investimento inicial lucrativo de sua empresa na gigante de IA por trás do ChatGPT. A fala ocorreu durante o depoimento do CEO no julgamento movido por Elon Musk contra a OpenAI. Nadella declarou que o investimento da Microsoft, que hoje detém cerca de um quarto da OpenAI Group PBC, contribuiu para criar "uma das maiores e melhor financiadas organizações sem fins lucrativos do mundo". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A defesa de Musk alega que documentos internos da Microsoft demonstravam que a companhia na realidade tinha o foco nos lucros, e não em ajudar a fomentar um serviço de IA filantrópico. Isso depois de ver seu investimento inicial de US$ 13 bilhões (R$ 63,53 bilhões, na cotação atual) disparar para US$ 92 bilhões (R$ 449,59 bilhões) quatro anos mais tarde. A participação do grupo agora é avaliada em US$ 135 bilhões (R$ 659,72 bilhões). "Se o bolo ficasse maior, obviamente a organização sem fins lucrativos também se beneficiaria em sua missão, e foi exatamente isso que se comprovou", afirmou Nadella. Vídeos em alta no g1 Os advogados de Musk sugerem que a Microsoft foi fundamental na guinada da OpenAI rumo a uma empresa comercial, citando uma frase de Nadella em 2023: "Temos as pessoas, temos poder de computação, temos os dados, temos tudo." Naquele ano, quando o fundador da OpenAI, Sam Altman, foi demitido, Nadella interveio para apoiá‑lo. "Eu também tentaria garantir que Sam e Greg [Brockman, seu cofundador] não criassem uma empresa concorrente e que se juntassem à Microsoft", disse Nadella. No dia seguinte à saída de Altman, a Microsoft já havia criado uma subsidiária para recebê‑los e adquirir as ações dos funcionários que decidissem segui‑los, uma medida que um dos cofundadores calculou que teria custado aproximadamente US$ 25 bilhões (R$ 122,17 bilhões). Dias depois, Altman voltou a seu cargo na OpenAI. Segundo o site The Information, a OpenAI fechou um novo acordo com a Microsoft para limitar a participação desta nos lucros da IA. De acordo com a reportagem, a Microsfot agora estaria limitada a receber US$ 38 bilhões e isso permitiria uma economia de até US$ 97 bilhões até 2030 para a OpenAI. Musk processa OpenAI Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e de desviar suas doações, de 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), para construir um império avaliado em mais de 850 bilhões de dólares (R$ 4,23 trilhões). O processo expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício nos anos anteriores ao lançamento do ChatGPT, em 2022. O fundador da Tesla e da SpaceX exige que a OpenAI retorne a seu status original de organização sem fins lucrativos. Se isso acontecer, a medida afetaria sua posição na corrida global de inteligência artificial contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek. A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário da empresa. Depois, ele se tornou concorrente direto da companhia por meio da xAI, com a qual desenvolveu a IA Grok. A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre a responsabilidade e eventuais indenizações, após o veredicto de um júri "consultivo". Se ela decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida. Atrair investimentos No julgamento desta segunda, os advogados de Musk tentaram convencer o júri de que a Microsoft, ao investir na OpenAI em 2019, sabia que contribuía para desviar uma fundação sem fins lucrativos de seu propósito original. Para isso, eles usarão e-mails da Microsoft de 2018, revelados recentemente, para demonstrar que a gigante de tecnologia só investiu quando vislumbrou a possibilidade de obter retornos. Nos e-mails, Nadella consultou seus executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar a potência computacional do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft. "Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar", escreveu Nadella. Sam Altman, então CEO da OpenAI, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência OpenAI DevDay, em 6 de novembro de 2023 AP Photo/Barbara Ortutay Naquele momento predominava o ceticismo, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse "ir irritada para a Amazon". Em 2019, um ano e meio depois de ter virado as costas para a startup, a Microsoft finalmente investiu 1 bilhão de dólares (R$ 4,97 bilhões). No fim, injetaria um total de 13 bilhões de dólares (R$ 64,62 bilhões), uma participação agora avaliada em 228 bilhões de dólares (R$ 1,13 trilhão). *Com informações da France Press, Associated Press e Reuters.
12/05/2026 01:45:23 +00:00
Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no 1° trimestre, queda de 7,2%

Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio Marcos Serra Lima/g1 A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre, queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11). Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, o lucro mais que dobrou, com alta de 110% sobre os R$ 15,6 bilhões registrados no período anterior. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Ebitda ajustado — indicador que mostra quanto a empresa gera com suas operações — somou R$ 59,6 bilhões entre janeiro e março, recuo de 2,4% na comparação anual. Por considerar os primeiros três meses do ano, o resultado reflete apenas em parte os impactos da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, que elevou os preços do petróleo tipo Brent no mercado internacional. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 Em relação ao quarto trimestre de 2025, a valorização de 27% do petróleo e a apreciação do real frente ao dólar contribuíram positivamente para os resultados, informou a Petrobras. 🛢️ O barril do tipo Brent passou de US$ 63,69 no fim do ano passado para US$ 80,61 no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período de 2025, a commodity era cotada em US$ 75,66. A Petrobras informou que manteve forte geração de caixa, com fluxo de caixa operacional de R$ 44 bilhões (US$ 8,4 bilhões). Segundo a estatal, houve aumento da produção própria, que cresceu 16% na comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, a companhia registrou avanço na produção e nas vendas de derivados do petróleo — como diesel e gasolina. Dividendos O conselho de administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 9,03 bilhões em remuneração aos acionistas, equivalente a R$ 0,70 por ação ordinária e preferencial. A aprovação, com base no resultado do primeiro trimestre, é uma antecipação da remuneração de 2026, informou a companhia em fato relevante nesta segunda-feira. Os proventos serão pagos em duas parcelas, em agosto e setembro de 2026, informou a empresa. * Com informações da agência de notícias Reuters
11/05/2026 23:28:17 +00:00
Nova CNH: Brasil tem 4,8 milhões de pedidos de primeira carteira até abril, quatro vezes mais que 2025

Detran-CE deixa de exigir prova de baliza em exames práticos. Divulgação/Detran-CE Entre janeiro e abril de 2026, mais de 4,8 milhões de pessoas fizeram requerimento para ter a primeira habilitação. Este número é quatro vezes maior do que os primeiros quatro meses de 2025. Número recorde de cadastros para o período. Ano passado foram registrados 1.119.321 pedidos de primeira CNH nesse período. Todos os dados são do Ministério dos Transportes. A quantidade de cursos teóricos também cresceu no primeiro quadrimestre. Foram realizados em 2026, até o fim de abril, mais de 2,5 milhões de cursos. Um aumento de 170% se comparado aos pouco mais de 942 mil de cursos registrados em 2025. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A quantidade de exames teóricos aumentou 28% em 2026 se comparado a 2025. Foram mais de 1,1 milhão de testes aplicados entre janeiro e abril deste ano. Os cursos práticos bateram a melhor marca para o período. Foram mais de 1,8 milhão de cursos em 2026, 28% a mais do que o registrado em 2025. Exames práticos também registraram subida. Este ano foram mais de 1,7 milhão de provas, um salto de 21% em relação a 2025. A emissão de CNHs alcançou o segundo melhor resultado desde 1997, ano em que o Código Brasileiro de Trânsito foi adotado. Foram emitidas mais de 858 mil carteiras em 2026. Entre janeiro e abril de 2025, foram emitidas 824 mil CNHs. O recorde é do ano de 2014, quando foram registradas mais de 873 mil carteiras no primeiro quadrimestre. Vídeos em alta no g1 Os exames médicos e psicológicos, exigidos por lei, acompanharam o aumento da demanda. Nos primeiros quatro meses de 2026, foram mais de 2,3 milhões de exames, ante mais de 2,2 milhões em 2025. O programa CNH do Brasil estabeleceu um teto de R$ 180 nos preços pelos exames. CNH do Brasil Dados entre janeiro e abril de 2026 Requerimentos para primeira habilitação: 4.834.308 Exames médicos e psicológicos: 2.353.329 Cursos teóricos: 2.546.124 Exames teóricos: 1.116.302 Cursos práticos: 1.860.129 Exames práticos: 1.763.747 Emissão de CNH: 858.896 Aplicativo da CNH do Brasil Divulgação / Serpro CNH mais barata Em dezembro de 2025, tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ficou menos burocrático e mais barato. Uma das principais mudanças foi o fim da exigência do curso teórico obrigatório em autoescolas. Segundo o Ministério dos Transportes, a economia gerada pela medida foi de R$ 1.840.397.022,58. Em Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, o candidato precisava pagar cerca de R$ 1 mil apenas para cobrir o custo do curso teórico em uma autoescola. De acordo com o Ministério dos Transportes, as aulas teóricas e práticas custavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Dados do ministério indicam que 55% da economia total do país está concentrada em seis das 27 unidades da federação — os 26 estados e o Distrito Federal: Instrutores e autoescolas no app O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou no começo de maio novas funcionalidades da CNH do Brasil. O aplicativo passa a mostrar ao aluno instrutores habilitados e autoescolas, que podem ser filtrados por geolocalização, CEP ou endereço. No aplicativo agora também é possível dar avaliação de zero até cinco estrelas para o instrutor e autoescola. Os instrutores passam a ter dentro do aplicativo uma Credencial do Instrutor de Trânsito. Segundo o ministro, essa credencial facilita a identificação do instrutor por parte das autoridades de fiscalização. A habilitação dos instrutores continua sob responsabilidade de cada Detran estadual. As aulas são cadastradas no aplicativo e geram um certificado para o aluno. Os instrutores podem registrar essas aulas como autônomos ou quando estão a serviço de uma autoescola. Todas as atualizações feitas no aplicativo serão inscritas de maneira imediata no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach) com comunicação automática com os Detrans. Segundo dados do ministério, hoje existem 170 mil instrutores habilitados no Brasil. Ainda segundo o órgão, apenas 7% das aulas práticas são ministradas por profissionais autônomos. O restante das aulas é feito por instrutores a serviço de autoescolas.
11/05/2026 19:53:19 +00:00
Trump assinará medidas para ampliar importações de carne bovina, diz agência

Lula e Trump discutiram sobre tarifas durante encontro O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta segunda-feira (11) decretos para ampliar as importações de carne bovina e incentivar a recomposição do rebanho no país. A medida busca conter a alta dos preços da carne, disse um funcionário da Casa Branca à agência Reuters. O funcionário não detalhou as medidas. O anúncio deverá ocorrer em um momento em que o rebanho bovino dos EUA atingiu o menor nível em 75 anos e os preços da carne continuam em alta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O jornal norte-americano The Wall Street Journal informou anteriormente que Trump deve suspender por tempo determinado as cotas tarifárias para a carne bovina, permitindo a entrada de um volume maior do produto no país com tarifas reduzidas. Segundo o jornal, o presidente deve orientar a Administração de Pequenas Empresas, agência do governo voltada ao apoio de pequenos negócios, a ampliar o crédito para pecuaristas. Além disso, a medida deve reduzir as proteções previstas na Lei de Espécies Ameaçadas para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos. Embora os preços de ovos, leite e outros itens básicos de supermercado tenham caído desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, a carne bovina continuou ficando mais cara nos EUA. O item subiu 12,1% em abril na comparação anual, segundo o índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA. Desde que Trump retornou ao cargo, acumula alta de mais de 16%. Com isso, a carne se tornou um símbolo da inflação persistente para os consumidores americanos às vésperas da temporada de churrascos de verão no país. Reunião Lula-Trump mexeu com os mercados As expectativas de aumento das importações de carne bovina do Brasil movimentaram o mercado de gado nos EUA após Trump se reunir com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada. A avaliação é que uma maior entrada de carne brasileira pode ampliar a oferta nos EUA e ajudar a conter os preços ao consumidor, ao mesmo tempo em que beneficia exportadores brasileiros. Nesta segunda-feira, os contratos futuros de gado vivo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago fecharam em leve alta, enquanto os contratos para agosto caíram 0,5%. Em outubro de 2025, Trump já havia ampliado em quatro vezes as importações de carne bovina da Argentina e, um mês depois, retirado a tarifa extra de 40% sobre a carne bovina e o café do Brasil. Vaivém do tarifaço O tarifaço imposto por Donald Trump em abril de 2025 elevou a preocupação em relação à alta dos preços nos EUA. Com o aumento dos custos para importar produtos — somado às tensões no Oriente Médio —, os americanos passaram a pagar mais caro por itens do dia a dia, como a carne. A base legal usada para aplicar as tarifas também passou a ser questionada. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço, que previa taxas de até 50%. Em resposta, Trump anunciou novas tarifas globais de 10%, desta vez com base em outro instrumento legal. Com a medida, o republicano divulgou uma extensa lista de exceções, incluindo a carne bovina, um dos principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA. No caso da carne, a tarifa zero passou a valer para cortes frescos, refrigerados ou congelados, desde carcaças até cortes considerados nobres. Falta boi O cenário interno dos EUA ajuda a explicar as novas medidas. O rebanho bovino do país caiu ao menor nível em 75 anos após uma seca prolongada elevar os custos dos pecuaristas e reduzir as áreas de pastagem. O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, há um ano, a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado. Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para suprir a demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços. A baixa oferta obrigou frigoríficos a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes e algumas empresas começaram a fechar unidades no país, como a JBS e o Tyson Foods. Diante disso, o Departamento de Agricultura dos EUA projeta importações recordes de carne bovina em 2026, com alta de cerca de 6% em relação a 2025 e de 25% na comparação com 2024. Devido os altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods. Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu "por meio de conluio ilícito". Insatisfação dos eleitores Os decretos que devem ser assinados nesta segunda-feira vêm em meio ao descontentamento dos eleitores americanos a menos de seis meses das eleições de meio de mandato nos EUA. Pesquisa Washington Post-ABC News-Ipsos divulgada no início deste mês aponta insatisfação ampla com a atuação de Trump na guerra com o Irã e em outras questões-chave, a seis meses das eleições de meio de mandato. De acordo com a pesquisa, a desaprovação de Trump chegou a 62%, o maior nível já registrado em seus dois mandatos. A aprovação está em 37%, próxima dos 39% observados em fevereiro. O levantamento mostra que a avaliação do presidente em relação à economia, tema central de sua retomada política em 2024, piorou desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro. Nesse contexto, a maioria dos americanos desaprova a condução de Trump na crise com o Irã, por 66% contra 33%. Na economia, a avaliação do republicano caiu sete pontos, para 34%, em meio à alta dos preços da gasolina. Já em relação à inflação, a aprovação recuou cinco pontos no período, para 27%. Veja a cronologia do tarifaço de Trump: Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%. A declaração foi feita nas redes sociais, mas a alíquota não entrou em vigor, já que não houve formalização por meio de ato oficial do governo dos EUA. * Com informações da agência de notícias Reuters Preço da carne bovina em um supermercado dos EUA. AP Photo/Nam Y. Huh
11/05/2026 18:30:59 +00:00
OpenAI é processada após ChatGPT ser acusado de orientar ataque nos EUA

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo A viúva de um homem morto em um tiroteio em massa ocorrido no ano passado na Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, está processando a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o chatbot de inteligência artificial de ter contribuído para a tragédia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo os promotores, o ChatGPT teria aconselhado Phoenix Ikner sobre qual local e horário do dia permitiriam fazer o maior número possível de vítimas, além de indicar qual tipo de arma e munição usar e se uma arma seria eficaz em curta distância. “A OpenAI sabia que isso aconteceria. Já aconteceu antes e era apenas uma questão de tempo até acontecer de novo”, afirmou Vandana Joshi em comunicado divulgado nesta segunda-feira (11). O marido dela, Tiru Chabba, foi uma das duas pessoas mortas no ataque, que também deixou outras seis feridas. Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, negou qualquer responsabilidade da empresa “nesse crime terrível”. Vídeos em alta no g1 “Neste caso, o ChatGPT forneceu respostas factuais a perguntas com informações amplamente disponíveis em fontes públicas na internet e não incentivou nem promoveu atividade ilegal ou prejudicial”, disse Pusateri em um e-mail enviado à Associated Press nesta segunda-feira (11). O processo foi apresentado no domingo (10) em um tribunal federal. Phoenix Ikner responde por duas acusações de homicídio em primeiro grau e várias acusações de tentativa de homicídio pelo ataque ocorrido em abril de 2025 no campus da universidade, em Tallahassee, capital da Flórida. Os promotores pretendem pedir a pena de morte. Phoenix Ikner se declarou inocente. Separadamente, em abril, a procuradora-geral da Flórida informou que havia uma rara investigação criminal envolvendo o ChatGPT para apurar se o aplicativo ofereceu orientações a Ikner. Em comunicado divulgado por seu advogado, Joshi afirmou que a OpenAI “colocou seus lucros acima da nossa segurança, e isso matou meu marido. Eles precisam ser responsabilizados antes que outra família passe por isso”. Diversos processos civis já pediram indenizações contra empresas de tecnologia e inteligência artificial pelo impacto de chatbots e redes sociais na saúde mental de usuários. Em março, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis por danos causados a crianças que utilizavam seus serviços. Já no Novo México, um júri concluiu que a Meta prejudicou conscientemente a saúde mental de crianças e ocultou o que sabia sobre exploração sexual infantil em suas plataformas. Adolescente é preso por pergunta sobre assassinato ao ChatGPT
11/05/2026 17:19:05 +00:00
Ministro da Fazenda diz que reavaliar constantemente os preços de combustíveis é tarefa da Petrobras, não do governo

Governo quer royalties para compensar isenção sobre combustíveis O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta segunda-feira (11) que, diante da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, há uma necessidade da Petrobras reavaliar continuamente os preços dos combustíveis no Brasil. A declaração foi dada após encontro em Brasília com a presidente da empresa, Magda Chambriard. O governo é o controlador da Petrobras, que também tem ações negociadas na Bolsa de Valores. Questionado se seria possível a estatal segurar por mais tempo a defasagem de 30% no diesel e de 65% na gasolina em relação aos preços internacionais dos produtos, conforme cálculo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Durigan afirmou que esse é um "tema da Petrobras". "Eu não discuto isso com a Petrobras. O que eu tenho sentido é que há uma necessidade da Petrobras ir reavaliando esses preços. E do lado do Estado, a gente ter esses mecanismos adicionais. Então, para além de cumprir dentro da gestão da Petrobras a política de preço, o que o Estado tem que fazer é, na medida em que a gente vê a guerra aumentando o custo no país, aumentando os preços, tem que se preparar, porque o Brasil não quer ser sócio da guerra", declarou o ministro da Fazenda. O ministro pediu que o Congresso Nacional vote ainda nesta semana o projeto de lei complementar que abre a possibilidade de converter aumento de receita extraordinária de petróleo em redução de tributos sobre combustíveis. Com esse projeto, o governo pode baixar impostos sobre combustíveis sem ter a necessidade de elevar outros tributos para compensar a queda de arrecadação. "O meu pedido, a expectativa do governo é que a gente vote o quanto antes. Então, se for possível sim: que vote essa semana na Câmara e no Senado, tanto melhor para o governo", afirmou Durigan. Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil Receita com petróleo O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que abre a possibilidade de converter aumento de receita extraordinária de petróleo em redução de tributos sobre combustíveis. A proposta é uma autorização para reduzir tributos sobre combustíveis (diesel, gasolina, etanol e biodiesel) toda vez que for apurado aumento extraordinário da receita decorrente das cotações do preço do petróleo. Assim, quando houver aumento de receita, o montante seria utilizado para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins e Cide-gasolina. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a tese do governo é de que, como o Brasil é produtor e exportador de petróleo, as receitas públicas aumentam quando o preço sobe em função de receitas com royalties, por exemplo. Segundo o projeto enviado pelo governo federal, os recursos decorrentes de aumento de receita extraordinário que poderão ser utilizados terão como fonte: royalties e participação especial da União da exploração de petróleo ou gás natural; dinheiro oriundo da venda do petróleo, o gás natural e outros hidrocarbonetos destinados à União; montante oriunda de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos ao setor de óleo e gás; dividendos da União recebidos de empresas do setor de óleo e gás; recursos oriundos do Imposto de Exportação de 12% extraordinário das exportações de petróleo.
11/05/2026 17:14:31 +00:00
Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate; veja o que muda

Lula sanciona lei que endurece regras para a fabricação de chocolate O presidente Lula sancionou a lei que endurece as regras para a fabricação de chocolate. O texto altera a quantidade de cacau e define porcentagens mínimas para cada variação do produto, por exemplo, o ao leite e o branco, segundo publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira (11). Na legislação anterior, os diferentes tipos do doce não eram definidos e apenas dois eram mencionados: "chocolate" e "chocolate branco". Apesar das mudanças, a nova lei não deve trazer impactos para a indústria, afirmaram especialistas ao g1 em abril, após o projeto de lei ter sido aprovado na Câmara dos Deputados. Isso por duas razões: muitas fabricantes já usam mais cacau do que o mínimo exigido, para atender consumidores mais exigentes; tem se popularizado no país um novo tipo de produto, o "sabor chocolate", que usa teores mais baixos de cacau. Mesmo assim, parte do setor criticou a proposta na ocasião. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) disse em nota que os conceitos "restringem pesquisa e inovação, bem como novas categorias para parâmetros já previstos em normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)". Ovo de Páscoa: como a tradição começou com galinhas e virou chocolate? O que muda com a nova lei Na legislação anterior, que era de 2022, apenas dois chocolates recebiam definição. Confira abaixo: 🍫 Chocolate: é obtido a partir da mistura de derivados de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Além disso, deve ter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate branco: é obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Deve ser constituído de, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau. A partir de agora, as regras ficam da forma abaixo. 🍫 Chocolate: produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. O texto que havia sido aprovado no Senado mencionava "chocolate amargo ou meio amargo", mas a definição foi alterada na Câmara. 🍫 Chocolate em pó: produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau. 🍫 Chocolate ao leite: produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados; 🍫 Chocolate branco: produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite. 🍫 Chocolate doce: produto composto de sólidos de cacau e de outros ingredientes, que contém, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau, sendo que pelo menos 18% tem que ser de manteiga de cacau e 12% isentos de gordura. 🍫 Achocolatado, chocolate fantasia, chocolate composto, cobertura sabor chocolate ou cobertura sabor chocolate branco: deve ser preparado com mistura de cacau, adicionado ou não de leite e de outros ingredientes. Deve ter, no mínimo, 15% de sólidos de cacau ou de manteiga de cacau. Além disso, o texto também define como deve ser a composição de outros subprodutos do cacau, como manteiga, licor, bombom, mas não estabelece quantidade mínima de cacau para esses itens. Quando o produto vendido não se enquadrar nas descrições da Lei, a embalagem não poderá conter imagens ou termos que induzam o consumidor ao erro. A lei entra em vigor após 360 dias da data de publicação oficial. De onde vem o que eu como: chocolate Qualidade vai aumentar? Para Bruno Lasevicius, presidente da Associação Bean to Bar Brasil, de fabricantes de chocolate fino, a aprovação da lei não vai causar, necessariamente, uma melhora no produto no mercado. Isso porque existem diferentes segmentos de chocolate, cada um voltado a um tipo de público. 🍫 Chocolates finos: como os da associação Bean to Bar, a amêndoa é selecionada diretamente de produtores. Entre os associados, o chocolate já usa de 70% a 80% de sólidos de cacau para fazer o amargo e pelo menos 50% para o ao leite, por exemplo. 🍫 Chocolates industriais premium: segundo Lasevicius, algumas marcas mais caras de chocolate industrializado também já usam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%. 🍫 Chocolates industriais populares: esse setor já usa os teores mínimos de chocolate, de acordo com o levantamento da associação. Além disso, os preços elevados do cacau nos últimos anos fizeram com que fossem lançados doces que são "sabor chocolate" (e não "chocolate"), para poder baixar ainda mais a quantidade do fruto, aponta Lasevicius. "Eu acho que está havendo uma aceitação por parte do público dos menores teores. Boa parte da população não tem poder aquisitivo para comprar um chocolate com um alto valor agregado", afirma. O presidente explica ainda que, em alguns casos, é usada apenas a casca da amêndoa, que possui um resquício do sabor do chocolate. Vai aumentar as vendas de cacau? Mais cacau no chocolate também pode não significar um aumento significativo das vendas da amêndoa, aponta Marcos Silveira Bernardes, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e produtor de cacau. Isto porque, segundo cálculos do pesquisador, o consumo das amêndoas deve aumentar em cerca de 5% pela indústria. Considerando que o Brasil representa cerca de 4% do mercado mundial, o crescimento das compras em nível global deve ser de 0,15%. Já para o presidente da Associação Bean To Bar, a nova lei não deve aumentar a demanda para os produtores brasileiros. A razão é que a indústria tem preferência pelas amêndoas importadas, que possuem o mecanismo de drawback, ou seja, são isentas de impostos, por se tratar de matéria-prima. Por outro lado, produtores dizem que o Brasil tem oferta suficiente para atender a uma possível nova demanda, diz Lasevicius. Leia também: Cacau é afrodisíaco e ajuda a prevenir doenças: veja curiosidades sobre a fruta do chocolate Bacalhau ou 'tipo bacalhau': o que saber para não errar na compra Saiba como funciona uma fábrica de chocolates finos na Amazônia
11/05/2026 17:04:40 +00:00
Desenrola 2.0 tem perto de R$ 1 bilhão em dívidas renegociadas, diz ministro da Fazenda

O "Desenrola 2.0", programa lançado na semana passada para renegociar a dívida da população com as instituições financeiras, já está próximo de R$ 1 bilhão em valores renegociados. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. "Desenrola, só para fazer uma atualização para vocês. A gente, em poucos dias, já tem perto de R$ 1 bilhão em dívidas renegociadas de 200 mil pedidos. Desses 200 mil, 100 mil praticamente fechados e em volume crescente. Cada dia a gente tem visto mais renegociações sendo feitas, o que é muito importante", disse Durigan a jornalistas. De acordo com o ministro, a renegociação relativa ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que vai conceder desconto de dezenas de bilhões de reais a estudantes com dívida vencida há mais de um ano, deve estar "totalmente operativo" nesta semana. Vídeos em alta no g1 "A gente não vai deixar de fazer também um estímulo para os adimplentes. Isso vai ser feito num segundo momento, daqui a alguns dias Para que a gente primeiro faça a comunicação para quem está inadimplente, que é uma situação muito diferente, para que depois a gente também honre e dê um estímulo, uma espécie de prêmio também, um merecimento para quem ficou adimplente", concluiu o ministro da Fazenda. Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda Desenrola 2.0 Lançado na semana passada, o Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários-mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Serão feitos novos empréstimos, pelos bancos, para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). A dívida renegociada terá: descontos entre 30% e 90%; taxa de juros máxima de 1,99% ao mês; até 48 meses de prazo; prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela; limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira; Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas.
11/05/2026 17:01:23 +00:00
Trump quer suspender imposto federal sobre gasolina nos EUA para conter preços

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca em 11 de maio de 2026. REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende suspender o imposto federal sobre a gasolina "por um período de tempo", em uma medida destinada a reduzir a alta dos preços da energia provocada pela guerra com o Irã. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Vamos retirar o imposto sobre a gasolina por um período e, quando o preço da gasolina cair, deixaremos que ele volte gradualmente", disse Trump à CBS News. A suspensão desse imposto depende do Congresso, onde o Partido Republicano tem uma maioria apertada nas duas câmaras. O senador Josh Hawley afirmou que apresentaria um projeto de lei nesta segunda-feira. Na Câmara dos Representantes, a republicana Anna Paulina Luna anunciou uma proposta semelhante para "esta semana". Vídeos em alta no g1 Os impostos federais americanos sobre a gasolina somam 18,4 centavos de dólar por galão de gasolina e 24,4 centavos por galão de diesel, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês). Os preços dos combustíveis nos Estados Unidos dispararam desde que Trump lançou a guerra contra o Irã, com a gasolina e o diesel acumulando alta de cerca de 50% desde o fim de fevereiro. Nesta segunda-feira (11), o preço médio de um galão de gasolina comum (3,8 litros) nos Estados Unidos era de 4,52 dólares (R$ 22,47), e o do diesel, de 5,64 dólares (R$ 28,04), segundo a federação de clubes automobilísticos AAA. A suspensão do imposto federal sobre combustíveis reduziria esses preços em cerca de 4%. O conflito no Oriente Médio bloqueia grande parte das exportações de hidrocarbonetos do Golfo, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural do mundo. Trump chama proposta do Irã de estúpida e diz que cessar-fogo está por um fio
11/05/2026 16:54:11 +00:00
OpenAI investe US$ 4 bilhões em nova empresa para impulsionar IA corporativa

O logotipo OpenAI é exibido em um telefone celular com uma imagem em um monitor de computador gerada pelo modelo de texto para imagem Dall-E do ChatGPT, 8 de dezembro de 2023, em Boston. AP/Michael Dwyer A OpenAI disse nesta segunda-feira (11) que está criando uma nova empresa com mais de US$4 bilhões de investimento inicial para ajudar empresas a criar e implantar sistemas de inteligência artificial. Para ampliar rapidamente a nova unidade, a OpenAI vai comprar uma empresa de consultoria em IA, a Tomoro. Depois que seus primeiros modelos tiveram forte ressonância entre os consumidores, a OpenAI tem trabalhado agressivamente para assinar contratos corporativos e estabelecer uma grande presença no mundo dos negócios. O empreendimento, que será de propriedade e controle majoritários da OpenAI, também ocorre no momento em que a rival Anthropic obtém grande sucesso em sua iniciativa de IA empresarial, com sua família de modelos Claude sendo rapidamente adotada. Vídeos em alta no g1 A nova empresa, chamada OpenAI Deployment Company, ajudará o fabricante do ChatGPT a incorporar engenheiros especializados na implantação de IA de fronteira onde trabalharão em estreita colaboração com várias equipes para identificar como a IA pode causar o maior impacto, disse a OpenAI. A aquisição da Tomoro trará cerca de 150 engenheiros de IA experientes e "especialistas em implantação" para a nova unidade desde o primeiro dia. A Tomoro foi formada em 2023 em aliança com a OpenAI e tem clientes como Mattel, Red Bull, Tesco e Virgin Atlantic, de acordo com seu site. Leia também: Elon Musk e Tim Cook devem se juntar a Trump na Cúpula com Xi, na China, diz agência CEO da Microsoft vai depor sobre seu papel na fundação da OpenAI Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas'
11/05/2026 16:09:50 +00:00
Elon Musk e Tim Cook devem se juntar a Trump na Cúpula com Xi, na China, diz agência

Musk e Tim Cook AFP A Casa Branca convidou Elon Musk, da Tesla, e Tim Cook, da Apple, para acompanharem o presidente Donald Trump em sua viagem à China esta semana, informou a Bloomberg News na segunda-feira (11), citando uma fonte oficial. O grupo de mais de uma dúzia de executivos de alto escalão acompanhará Trump em uma visita que o presidente americano espera que desbloqueie uma série de acordos comerciais e contratos de compra entre os dois países, informou a reportagem. Vídeos em alta no g1 Outros nomes também foram citados para compor a delegação de Trump durante o encontro com Xi Jinping. Segundo a Bloomberg, estarão lá: David Solomon, do Goldman Sachs Group; Stephen Schwarzman, da Blackstone; Larry Fink, da BlackRock; Jane Fraser, do Citigroup; Dina Powell McCormick, da Meta; Larry Culp, da General Electric Co; Brian Sikes, da Cargill; Chuck Robbins, da Cisco; Sanjay Mehrotra, da Micron Technology; Cristiano Amon, da Qualcomm; Ryan McInerney, da Visa; Michael Miebach, do Mastercard; Jacob Thaysen, da Illumina; Jim Anderson, da Coherent. De acordo com a reportagem, Jensen Huang, diretor executivo da Nvidia, ficou de fora da lista. A China informou que Trump fará uma visita de Estado de 13 a 15 de maio, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua. Leia também: CEO da Microsoft vai depor sobre seu papel na fundação da OpenAI ‘Dark patterns’: como big techs usam truques para manipular usuários e influenciar suas escolhas Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs
11/05/2026 15:31:19 +00:00
Vendas de carros na China caem pelo sétimo mês seguido; marcas chinesas buscam novos mercados

Da bicicleta ao carro voador: a revolução na China que atropela o Ocidente As vendas de automóveis na China caíram em abril pelo sétimo mês seguido, aumentando a pressão sobre as montadoras do país, que têm buscado expandir sua presença no exterior para compensar a forte concorrência no mercado interno. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters. Segundo dados da Associação de Carros de Passageiros da China, as vendas recuaram 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado, para 1,4 milhão de veículos no mês passado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O setor automotivo vive um momento de forte transformação global, puxado principalmente pelo avanço das montadoras chinesas de carros elétricos e híbridos. Na China, a concorrência ficou tão intensa que empresas como a BYD passaram a enfrentar queda nas vendas internas, redução de lucro e pressão sobre preços, mesmo liderando o mercado de veículos elétricos no mundo. 🔎Em abril, a BYD registrou sua maior queda de lucro trimestral em seis anos. O lucro líquido da montadora no primeiro trimestre despencou 55,4% em relação ao mesmo período do ano passado, para 4,1 bilhões de yuans (US$ 599,46 milhões), após já ter recuado 38,2% no trimestre anterior, segundo os dados divulgados pela empresa. Com o mercado chinês mais disputado e os consumidores comprando menos carros, as montadoras do país têm buscado crescer no exterior. A BYD, por exemplo, aposta na expansão internacional, em novas tecnologias de carregamento rápido e na produção fora da China para manter o ritmo de crescimento. Esse avanço das chinesas também tem pressionado fabricantes tradicionais da Europa e de outros países. A Renault, por exemplo, anunciou um plano para acelerar a eletrificação da sua linha e aumentar as vendas fora da Europa até 2030. A estratégia inclui mais carros híbridos e elétricos para competir diretamente com marcas chinesas além da BYD, como GWM e Chery, conhecidas pelos preços mais baixos e pela rápida expansão global. Fábrida da BYD em Szeged, Hungria Divulgação / BYD Carros chineses feitos na Europa Na primeira semana de maio, a Stellantis, dona da marca Fiat, e a chinesa Leapmotor anunciaram que planejam iniciar a produção conjunta de automóveis na Europa. A fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha, vai produzir um SUV elétrico inédito da Opel. Na mesma linha de produção será feito o Leapmotor B10 ainda em 2026. Segundo comunicado, as duas empresas pretendem aprofundar cooperação em três pontos: Produção do SUV Lepamotor B10 na fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha. A fábrica de Figueruelas já monta o Peugeot 208 e o Lancia Ypsilon, outras marcas do grupo. A parceria na fábrica vai dar vida a um novo SUV elétrico da marca Opel previsto para 2028. Compras em conjunto. Stellantis e Leapmotor pretendem fazer compras com fornecedores em parceria. A medida busca baixar custos e ganhar escala. A medida, segundo Stellantis, vai promover preços competitivos pelo ecossistema chinês para carros eletrificados. Além de aproveitar as capacidades da cadeia de fornecedores da Europa. Um novo modelo da Leapmotor deve passar a ser produzido na fábrica de Villaverde, em Madrid. A medida deve garantir o futuro da planta, que já sabe que vai deixar de produzir o Citroën C4. O novo carro da Leapmotor deve chegar em 2028. Existe a possibilidade da fábrica passar a ser controlada pela LPMI e não mais pela Stellantis.
11/05/2026 14:49:07 +00:00
Ex-marido de Shakira, Piqué é multado em 200 mil euros na Espanha por uso de informação privilegiada

O ex-zagueiro espanhol Gerard Piqué Reuters O órgão regulador do mercado financeiro da Espanha, a Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), multou o ex-jogador Gerard Piqué por uso de informações confidenciais para obter lucro na bolsa de valores. Segundo a investigação, Piqué recebeu com antecedência a informação de que a empresa espanhola de saúde e tecnologia médica Atrys Health planejava comprar a Aspy Global Services, que também atua no mesmo setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse tipo de dado costuma influenciar o preço das ações, mas ainda não havia sido divulgado ao mercado. De acordo com informações da Reuters, antes de a notícia se tornar pública, Piqué comprou mais de 100 mil ações da Aspy. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 Dois dias depois, quando a negociação foi anunciada oficialmente, as ações da empresa subiram. Com isso, ele vendeu os papéis e teria obtido um lucro estimado em cerca de 45,8 mil euros (aproximadamente R$ 264 mil). 🔎Para o regulador espanhol, isso configura uso de informação privilegiada — prática considerada ilegal por dar vantagem a quem negocia ações com base em informações que o restante do mercado ainda não conhece. O empresário Francisco José Elias, apontado como responsável por compartilhar a informação confidencial, também foi punido. Piqué recebeu multa de 200 mil euros, enquanto Elias foi multado em 100 mil euros. Apesar de a decisão administrativa ser definitiva, ambos ainda podem recorrer à Justiça espanhola.
11/05/2026 14:35:58 +00:00
Novo Tiguan: tudo que você precisa saber sobre a terceira geração do SUV mais vendido da VW no mundo

Novo Tiguan chega em maio ao Brasil. Volkswagen/Divulgação O que você faria se tivesse um SUV à sua altura? É essa a provocação que faz o novo Tiguan, que chega ao Brasil em maio de 2026, como uma das principais apostas da Volkswagen no segmento de SUVs premium. Com uma proposta que combina sofisticação, tecnologia e desempenho, o modelo foi desenvolvido para acompanhar diferentes momentos do dia a dia: da rotina nas cidades às viagens em estrada. E quando o assunto é performance, o modelo vai além. São 272 cv de potência e 35,7 kgfm de torque, aliados à tração integral 4Motion, que garantem uma condução estável, eficiente e adaptada a diferentes condições de uso. Além disso, o modelo se destaca pelo design renovado, e pelo pacote tecnológico voltado à assistência, à condução e às facilidades no dia a dia. O resultado é um SUV pensado para quem busca uma experiência mais completa ao dirigir, com soluções que tornam cada trajeto mais simples, confortável e intuitivo. Design elegante e funcional Volkswagen Divulgação O novo Tiguan traz um visual atualizado, com linhas mais marcantes e uma identidade luminosa que reforça sua presença nas ruas. As rodas aro 19”, os faróis full LED Matrix e a assinatura em LED na dianteira e na traseira contribuem não só para a estética, mas também para uma condução mais segura e eficiente em diferentes condições. Mais potência, torque e tração integral Equipado com o motor 350 TSI 2.0 Turbo, o Tiguan entrega 272 cv de potência e 35,7 kgfm de torque: números que reforçam sua posição como o modelo mais potente da história da linha no Brasil. A tração integral 4Motion e a suspensão Multilink completam o conjunto, oferecendo estabilidade, controle e desempenho tanto na cidade quanto na estrada. A tração, com sistema Haldex, trabalha de forma independente, reconhecendo o terreno e adaptando a entrega de potência de acordo com o escorregamento das rodas, sem a necessidade de ação do motorista. Isso permite que o Novo Tiguan também ofereça o Assistente de Descidas, que utiliza um sistema para descida de ladeiras íngremes de forma segura e controlada. Além disso, a forma como o carro se comporta pode ser configurada entre seis modos de condução disponíveis: Eco, Normal, Sport, Individual, Snow e Off-road. O modo Off-road recebe ainda uma visualização a mais na central multimídia com altitude, ângulo das rodas e inclinação para maior controle em trilhas ou situações fora de estrada mais severas. Tecnologia e segurança Volkswagen Divulgação Assim como toda a família de SUVs da Volkswagen, o Novo Tiguan é cinco estrelas nos testes do Latin NCAP e entrega mais de 12 sistemas ativos de ADAS. O modelo reúne sistemas avançados de assistência à condução que ampliam a segurança e facilitam o dia a dia ao volante. Entre os destaques estão o Park Assist Plus, que pode assumir direção, aceleração e frenagem em manobras, o Travel Assist e o ACC Stop & Go, além do detector de ponto cego e do Exit Warning System. A central multimídia de 15” e o painel digital de 10,25” criam um ambiente tecnológico e intuitivo, com informações acessíveis e personalizáveis. Recursos como o Kessy Advanced, que reconhece a aproximação da chave para destravar o veículo, reforçam a proposta de uma experiência fluida e sem fricções. Inédito em um Tiguan, a alavanca de câmbio agora cede espaço no console para o Seletor de Experiências, que permite o controle do volume, a troca dos modos de condução e as novas experiências da cabine. A troca de marchas passa a ser feita pela manopla atrás do volante, assim como nos modelos ID. da Volkswagen. Conforto Volkswagen Divulgação O interior do Tiguan foi projetado para oferecer bem-estar em todos os detalhes. Os bancos com ventilação e função de massagem, o ar-condicionado de três zonas e o acabamento refinado elevam o nível de conforto. Da cabine, também é possível controlar a abertura do teto solar panorâmico pelos controles sensíveis ao toque no plafon de teto e a abertura da tampa elétrica do porta-malas com função Easy Open & Close, passando o pé na parte interior do para-choque traseiro pelo botão posicionado na porta do motorista. Além dos sistemas de assistência, o modelo também contará com condições especiais para blindagem, ampliando as possibilidades para quem busca ainda mais proteção no dia a dia, sem abrir mão da experiência premium. O novo Tiguan chega ao mercado brasileiro como um modelo pensado para quem busca mais praticidade no dia a dia, sem abrir mão de uma experiência sofisticada ao dirigir. Conheça mais sobre o SUV à altura da sua história.
11/05/2026 14:30:10 +00:00
Tesouro Reserva: veja as vantagens do novo título e o que considerar antes de investir

Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia O lançamento do Tesouro Reserva reacende uma dúvida comum entre investidores conservadores: vale mais a pena investir em títulos públicos ou em produtos oferecidos por bancos e plataformas digitais? 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apresentado como uma alternativa à poupança, aos CDBs e às chamadas “caixinhas”, o novo título do Tesouro Direto chama a atenção não apenas pela rentabilidade, mas principalmente pela forma como combina segurança com praticidade — dois fatores decisivos para quem busca aplicações de curto prazo. Um dos principais diferenciais do Tesouro Reserva está na facilidade de uso. O investidor pode aplicar a partir de R$ 1, resgatar o dinheiro a qualquer momento e contar com transferências via PIX, todos os dias da semana. A ideia, segundo o governo, é tornar o acesso aos títulos públicos tão simples quanto o dos produtos mais populares dos aplicativos bancários. “Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. Segurança com dinheiro disponível rapidamente Do ponto de vista da segurança, o Tesouro Reserva segue a lógica dos demais títulos públicos. Ao investir nesse tipo de aplicação, o poupador “emprestará” dinheiro ao governo federal. 🔎 Por isso, o risco de não receber de volta o valor aplicado é considerado mais baixo do que em produtos emitidos por instituições financeiras privadas. Essa característica, somada à possibilidade de resgatar os recursos rapidamente, faz do novo título uma alternativa especialmente interessante para a reserva de emergência — o dinheiro guardado para cobrir despesas inesperadas, como problemas de saúde, consertos ou perda de renda. Para Marcos Praça, essa combinação é justamente o principal atrativo do produto. Segundo ele, o Tesouro Reserva tende a ser uma opção competitiva para esse tipo de objetivo, por reunir segurança, rapidez no saque e previsibilidade. “Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, afirma. Como o rendimento acompanha a taxa básica de juros, o investidor consegue ter uma referência mais clara de como o dinheiro tende a evoluir ao longo do tempo, sem precisar acompanhar oscilações mais complexas do mercado. Opções privadas podem render mais, com contrapartidas Apesar dessas vantagens, o Tesouro Reserva ele não necessariamente será a aplicação com maior rentabilidade disponível no mercado. Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, o Brasil vive um período de juros elevados, cenário em que as aplicações de renda fixa tendem a se tornar mais atrativas. Nesse contexto, bancos e corretoras costumam aumentar a remuneração de produtos como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) para atrair o dinheiro dos investidores. 🛡️ Esses investimentos privados contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF e por instituição em caso de problemas com o banco emissor. 🏛️ Diferentemente deles, os títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Reserva, não têm cobertura do FGC, pois não são produtos bancários. Nesse caso, a garantia vem do próprio governo federal. Na prática, isso significa que algumas aplicações privadas podem, sim, render mais do que os títulos do Tesouro. “O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, afirma Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos. Por outro lado, esse retorno maior dos títulos privados costuma vir acompanhado de exigências adicionais. Em muitos casos, o investidor precisa aceitar prazos mais longos para resgatar o dinheiro ou lidar com regras mais restritas, o que exige atenção antes de aplicar. Custos e pontos de atenção Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa. Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Junto ao IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado. Além disso, outro aspecto que merece atenção é a chamada marcação a mercado. Em termos simples, isso significa que o valor mostrado no extrato pode variar ao longo do tempo, mesmo que o investimento continue seguindo normalmente. Governo lança o Tesouro Reserva, novo investimento com aplicação a partir de R$ 1 Cacá Trovó/EPTV
11/05/2026 14:27:54 +00:00
Brasil atinge metade da cota de carne bovina para a China e deve enfrentar taxação maior em breve

Carne bovina Foto de David Foodphototasty na Unsplash O governo chinês informou no sábado (9) que o Brasil atingiu metade da cota de exportação de carne bovina que pode entrar no país asiático com tarifa reduzida, de 12%. Quando o volume embarcado ultrapassar 1,1 milhão de toneladas – o que deve acontecer em breve –, a carne brasileira será taxada em 55%. A decisão de limitar as exportações de carne do Brasil e de outros países foi anunciada pelo governo chinês no último dia de 2025, e entrou em vigor já em 1º de janeiro deste ano. O objetivo é proteger a pecuária local. ➡️ A China lidera as compras de carne bovina do Brasil, que é o maior fornecedor do produto aos chineses, além de ser o maior exportador mundial. O volume está perto de ser atingido porque as empresas brasileiras aceleraram os embarques para evitar a taxação maior. Vídeos em alta no g1 No último dia 5, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Roberto Perosa, disse que a decisão da China deve provocar uma queda de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026, na comparação com 2025. Ele disse ainda que a produção voltada ao mercado chinês deve ser interrompida por volta de junho, em razão da tarifa. Segundo ele, será necessário aumentar o consumo interno para compensar o volume que deixará de ser exportado ao país asiático. Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, das quais 1,7 milhão de toneladas tiveram a China como destino, segundo dados da Abiec. "Não há mercado que substitua a China", disse Perosa. No início do ano, a Abiec trabalhava com um cenário mais otimista, prevendo relativa estabilidade nas exportações, com base na possível abertura de novos mercados e no redirecionamento das vendas para outros destinos. Segundo Perosa, havia expectativa em relação à abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira, o que não deve mais ocorrer em 2026. Perosa disse ainda manter expectativa quanto à possível abertura do mercado japonês, que poderia ajudar a reduzir o impacto da queda nos embarques para a China.
11/05/2026 13:27:15 +00:00
Bloqueio de fertilizantes em Ormuz pode desencadear 'grande crise humanitária', diz funcionário da ONU

Navios parados no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, no Irã Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA Dezenas de milhões de pessoas podem enfrentar fome e inanição se os carregamentos de fertilizantes forem bloqueados na travessia do Estreito de Ormuz "dentro de algumas semanas", disse à AFP, nesta segunda-feira (11), o chefe de um grupo de trabalho da ONU. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Temos algumas semanas para evitar o que provavelmente será uma grande crise humanitária", disse Jorge Moreira da Silva, diretor executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) e líder do grupo de trabalho encarregado de evitar uma crise humanitária iminente, em entrevista à AFP. "Poderíamos presenciar uma crise que mergulharia mais 45 milhões de pessoas na fome e na inanição", acrescentou. Vídeos em alta no g1
11/05/2026 13:23:16 +00:00
EXCLUSIVO: g1 testou o Chevrolet Sonic; SUV custa R$ 129.990 e mostra força para brigar com Volkswagen Nivus

Repórter do g1 faz teste do Chevrolet Sonic em concessionária de São Paulo Carlos Cereijo / g1 O g1 já testou o novo Chevrolet Sonic na versão RS. O SUV é o lançamento mais importante da marca em 2026 e chega com preço promocional de R$ 129.990 pela versão Premier e R$ 135.990 pela RS. O motor é 1.0 turbo com injeção direta de combustível, com 115 cv de potência e torque de 18,9 kgfm. Disponível somente nas versões topo de linha Premier e RS, o Sonic vem de série com câmbio automático de seis marchas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O SUV usa a mesma plataforma do Onix, mas será que ele é só um hatch disfarçado de utilitário esportivo? O espaço interno é bom? Os novos equipamentos de segurança ajudam? E a correia banhada a óleo ainda é um problema? O g1 foi o primeiro a testar o Sonic e traz todas as respostas. O motor três cilindros em linha 1.0 tem a mesma calibração do Tracker. Porém, o Sonic é mais leve, com 1.139 kg, enquanto o SUV "irmão" tem 100 kg a mais. Portanto, a sensação nas retomadas é mais ágil. O Sonic dá uma sensação mais esportiva ao conjunto. E, mesmo assim, todos os números de consumo do Sonic são melhores se comparados ao Tracker 1.0 turbo. Claro, seria mais interessante a versão RS contar com o motor 1.2 turbo de 139 cv. Mas fica claro que a Chevrolet quer trabalhar o argumento do preço neste momento, e uma versão com este motor ficaria encavalada com outras configurações do Tracker. Chevrolet lança Sonic por R$ 129.990; veja os detalhes do novo SUV Correia mais forte Sim, a correia banhada a óleo continua. Desde 2025, no entanto, o componente recebeu atenção especial da General Motors. A correia passou a ser feita com materiais de maior resistência, segundo a montadora, para não sofrer tanto se tiver contato com óleos de baixa qualidade. O Sonic já vem com essa evolução da correia. Aliás, essa é uma das explicações que a montadora dá para a polêmica com a peça: carros com plano de manutenção falho e óleo fora das especificações. O próprio site da marca diz que 20% dos óleos ofertados no Brasil são falsos ou adulterados. O óleo indicado é o sintético 0W-20 com certificação Dexos, que tem aditivos específicos. Segundo a Chevrolet, seguindo o plano de revisões, a correia pode durar até 20 anos de uso. A fábrica dá garantia de 240 mil ao componente. Apresentação oficial do Chevrolet Sonic em São Paulo Carlos Cereijo / g1 Firme, mas nem tanto Dirigir o novo Sonic pelas ruas de São Paulo foi uma grata surpresa. Em um primeiro momento, as rodas de 17 polegadas poderiam sugerir um acerto firme, daqueles que transmitem vibrações em excesso para a cabine e comprometem o conforto no uso urbano. Mas, na prática, acontece justamente o contrário. Mesmo com rodas maiores, o Sonic consegue filtrar bem o asfalto castigado da capital paulista, absorvendo irregularidades com competência. O conjunto de suspensão revela um equilíbrio interessante entre conforto e estabilidade, mostrando um acerto muito mais próximo ao de um hatch grande do que ao de um SUV compacto. Nas curvas e acelerações, o carro transmite segurança sem abrir mão de suavidade. Chevrolet Sonic 2027 na versão RS Divulgação / GM Outro ponto positivo está no isolamento acústico. Em baixas rotações, o som do motor dentro da cabine é bastante discreto, enquanto em giros mais altos surge um ronco agradável, presente na medida certa, sem se tornar incômodo. O ruído de vento também parece bem controlado nesse primeiro contato, indicando que viagens mais longas não devem transformar o barulho do ar passando pela carroceria em fonte de cansaço. Durante a avaliação, também foi possível experimentar rapidamente o sistema de som, que surpreende de forma positiva. Para um veículo que não é do segmento premium, a qualidade sonora é bastante competente, com boa presença de médios e graves, entregando uma experiência acima da expectativa. Apesar deste contato inicial ter acontecido apenas em circuito urbano, já foi possível perceber que a direção elétrica não chega a ser anestesiada. Ainda existe alguma comunicação com o motorista, o que ajuda a reforçar a proposta mais dinâmica do Sonic. No fim das contas, o Sonic consegue entregar visual e sensação esportiva superiores aos de Onix e Tracker, mas sem sacrificar o conforto. É justamente esse equilíbrio entre desempenho e praticidade que torna o modelo uma proposta bastante interessante no segmento. Galerias Relacionadas Quase um Onix O Sonic é 5 cm mais comprido que o Onix, quase 2 cm mais largo e 6 cm mais alto. A única medida exatamente igual entre os modelos é o entre-eixos de 2,55 m. Com essa fórmula, o SUV consegue um porta-malas mais generoso de 392 litros (o Onix tem só 303 litros). O preço pelo mesmo entre-eixos aparece no espaço mais justo para as pernas no banco traseiro. A cabeça de quem tem mais de 1,80 m também roça no forro do teto. Então, se isso for um fator imprescindível, é melhor partir para um Tracker. O banco do motorista tem ajuste de altura. O volante pode ser reposicionado em profundidade e também para cima e para baixo. A posição do motorista pode ficar agradável para quem gosta de uma sensação mais alta. E, ao mesmo tempo, é possível acertar uma posição mais baixa. Ao volante, o Sonic agrada por não obrigar o motorista a “artificialmente” parecer alto com um banco elevado acima da média. Alguns compactos fazem isso para dar a sensação de carro altinho sem mexer realmente na altura. O resultado é que parece que se está dentro de uma empilhadeira, o que não ocorre no Sonic. Telas e conectividade O cluster de instrumentos é uma tela de 8 polegadas que está integrada numa mesma peça com o multimídia de 11 polegadas. A Chevrolet chama de Virtual Cockpit System e no teste do g1 o conceito se mostrou prático. É fácil identificar as informações no cluster, e o tema escuro do multimídia combina com o acabamento em preto brilhante. Há carregador por indução e conexão sem fio para Android Auto e Apple Car Play. O serviço OnStar no plano de entrada, chamado de Basics, vem de série por 8 anos. Com ele há diagnósticos remotos, comandos remotos via app no celular de ar-condicionado, portas, vidros e motor. Durante o teste, o g1 pode falar com um atendente do OnStar. Ele explicou os recursos do plano Protect, que é contratado à parte e adiciona serviços de segurança e emergência, além de um acesso de Wi-fi com pacote de dados próprio. A GM oferece uma cortesia de 3 meses grátis do serviço, a depender da ativação por parte do cliente. No OnStar Protect, a ligação com o atendente acontece com um toque de botão. A comunicação é clara. No teste, o funcionário da GM explica que o serviço oferece respostas automáticas em caso de acidentes e aciona as autoridades de emergência. Há ainda um localizador e rastreador em caso de furto do Sonic, que pode até descalerar o carro e facilitar sua recuperação. Interior do Chevrolet Sonic Divulgação / GM Interior brilhante Os materiais da cabine do Sonic seguem o padrão encontrado no Tracker. A iluminação com filetes de LED é opcional e dá mais requinte ao lançamento da Chevrolet. Na versão RS, testada pelo g1, os acabamentos em vermelho carmim quebram o ar sisudo do cinza e preto. Os cintos de segurança vermelhos, também da versão RS, ajudam a alegrar a cabine. Como divulgado no lançamento, a lista de itens das duas versões é próxima. Há poucos equipamentos que só estão disponíveis na versão RS. São o farol alto adaptativo, que detecta outros carros e baixa o farol para não ofuscar, e o sensor de estacionamento traseiro, lateral e dianteiro. O Sonic Premier só tem sensor traseiro. O restante dos itens que diferenciam Premier e RS são estéticos e, a depender do gosto de cada pessoa, podem não justificar os R$ 5 mil extras. Chevrolet Sonic RS vem de série com cintos vermelhos Divulgação / GM Mais segurança O Sonic estreia uma nova geração do Chevrolet Intelligent Driving. O sistema utiliza uma câmera frontal de alta definição que, segundo a General Motors, entrega 40% mais área de cobertura. Na prática, isso amplia significativamente a capacidade de monitoramento e resposta do veículo em diferentes situações. Com essa evolução, o sistema de frenagem automática de emergência atua em uma faixa mais ampla, entre 8 e 130 km/h. Além disso, a tecnologia consegue diferenciar o asfalto das áreas laterais da pista, como trechos de grama. Isso permite ao Sonic atuar de maneira mais precisa na manutenção ativa do carro dentro da faixa de rodagem. Durante o teste realizado pelo g1, essa tecnologia mostrou na prática como pode ser útil. Em determinado momento, o veículo à frente realizou uma frenagem mais brusca, e o Sonic imediatamente emitiu alertas sonoros e uma luz refletida no para-brisa para chamar a atenção do motorista. Antes mesmo de qualquer intervenção automática nos freios, o sistema já havia cumprido um papel importante de prevenção. Entre os demais recursos de segurança, o modelo oferece assistente de permanência em faixa com correção ativa, alerta de ponto cego e seis airbags de série. Nas manobras de estacionamento, ambas as versões contam com câmera de ré, garantindo praticidade. Já a versão RS amplia esse pacote com sensores adicionais e traz como diferencial exclusivo o sistema Easy Park. Esse recurso permite que o próprio veículo auxilie em manobras de estacionamento em vagas paralelas ou perpendiculares. Basta ao motorista acionar a função, identificar o espaço disponível e soltar o volante. A partir daí, o condutor controla apenas acelerador, freio e seleção de marchas, enquanto o Sonic assume automaticamente os movimentos de direção para estacionar. Preço agressivo A conclusão é que, em um primeiro momento, o Sonic poderia parecer ter poucos argumentos para brigar diretamente com o Volkswagen Nivus, apontado inicialmente como seu principal rival. Porém, o posicionamento de preço adotado pela GM muda esse cenário. Na prática, o Sonic acaba entrando em uma faixa de disputa mais próxima das versões do Tera. Com isso, o modelo da Chevrolet ganha força competitiva. Ele se posiciona como uma opção mais barata que o Nivus, ao mesmo tempo em que oferece atributos considerados atrativos quando comparado ao Tera. A questão é que esse cenário depende diretamente da manutenção do preço promocional de lançamento. Segundo a informação repassada pela concessionária durante o teste realizado pelo g1, essa condição especial deve valer apenas para os primeiros 3 mil Sonic vendidos. Depois disso, a versão RS passa para mais de R$ 140 mil. Nesse novo patamar, será fundamental avaliar se o pacote de equipamentos, proposta e atributos do Sonic continuarão fazendo sentido diante da concorrência. Também será necessário observar como Fiat e Volkswagen irão reagir. A resposta dessas marcas vai definir o real impacto do Sonic dentro dessa disputa.
11/05/2026 12:52:44 +00:00
Enjoei decide descontinuar plataforma Elo7

Elo7 Reprodução A Enjoei anunciou nesta segunda-feira (11) que seu conselho de administração aprovou a descontinuidade das operações da plataforma de marketplace de produtos artesanais Elo7. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A partir desta data, a plataforma Elo7 deixará de receber novos pedidos", afirmou a companhia em fato relevante ao mercado, destacando que assegura o cumprimento de todas as obrigações perante clientes e vendedores com transações já em curso. "A decisão fundamenta-se num rigoroso processo de revisão estratégica e alocação de capital", justificou. A plataforma era detida pela subsidiária integral da companhia Elo7 Serviços de Informática Ltda. "Desde a sua integração, o Elo7 enfrentou um cenário competitivo distinto, caracterizado pela forte expansão de grandes empresas multinacionais de e-commerce. Este novo contexto elevou substancialmente os custos de aquisição de clientes e impôs barreiras de escala que comprometeram a viabilidade econômica da unidade face ao atual custo de capital", acrescentou a Enjoei. Vídeos em alta no g1 A companhia disse que realizou diversos esforços para elevar a eficiência operacional e promover ajustes estruturais visando reduzir a dependência de mídias pagas para otimizar o negócio, mas que tais medidas não foram suficientes para reverter a perda de escala, evidenciada pela queda de 39,5% na receita líquida no quarto trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2024. De acordo com a Enjoei, os impactos contábeis e financeiros desta decisão serão detalhados nas divulgações trimestrais de resultado.
11/05/2026 12:43:52 +00:00
CEO da Microsoft vai depor sobre seu papel na fundação da OpenAI

Sam Altman, então CEO da OpenAI, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência OpenAI DevDay, em 6 de novembro de 2023 AP Photo/Barbara Ortutay O CEO da Microsoft, Satya Nadella, foi convocado a depor nesta segunda-feira (11) no julgamento nos Estados Unidos contra a OpenAI e a explicar se sua empresa financiou a transformação da desenvolvedora do ChatGPT em uma gigante da inteligência artificial com fins lucrativos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O depoimento de Nadella precederá o do CEO da OpenAI, Sam Altman, cujo interrogatório - provavelmente na terça-feira ou na quarta-feira - será uma das etapas finais de um julgamento diante de um júri federal na Califórnia. Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e de desviar suas doações, de 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), para construir um império avaliado em mais de 850 bilhões de dólares (R$ 4,23 trilhões). O processo expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício nos anos anteriores ao lançamento do ChatGPT, em 2022. Vídeos em alta no g1 O fundador da Tesla e da SpaceX exige que a OpenAI retorne a seu status original de organização sem fins lucrativos. Se isso acontecer, a medida afetaria sua posição na corrida global de inteligência artificial contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek. A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário da empresa. Depois, ele se tornou concorrente direto da companhia por meio da xAI, com a qual desenvolveu a IA Grok. A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre a responsabilidade e eventuais indenizações, após o veredicto de um júri "consultivo". Se ela decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida. Atrair investimentos Nesta segunda-feira, os advogados de Musk tentarão convencer o júri de que a Microsoft, ao investir na OpenAI em 2019, sabia que contribuía para desviar uma fundação sem fins lucrativos de seu propósito original. Para isso, eles usarão e-mails da Microsoft de 2018, revelados recentemente, para demonstrar que a gigante de tecnologia só investiu quando vislumbrou a possibilidade de obter retornos. Nos e-mails, Nadella consultou seus executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar a potência computacional do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft. "Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar", escreveu Nadella. Naquele momento predominava o ceticismo, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse "ir irritada para a Amazon". Em 2019, um ano e meio depois de ter virado as costas para a startup, a Microsoft finalmente investiu 1 bilhão de dólares (R$ 4,97 bilhões). No fim, injetaria um total de 13 bilhões de dólares (R$ 64,62 bilhões), uma participação agora avaliada em 228 bilhões de dólares (R$ 1,13 trilhão). Satya Nadella, CEO da Microsoft, em 27 de fevereiro de 2019 Tobias SCHWARZ/AFP
11/05/2026 12:38:51 +00:00
Shein acusa Temu de violar direitos autorais em 'escala industrial' no Reino Unido

Temu e Shein Reuters A plataforma online de fast-fashion Shein acusou a Temu de violação de direitos autorais “em escala industrial”, enquanto a Temu respondeu afirmando que a Shein está usando processos judiciais para sufocar a concorrência, no início de um julgamento no Tribunal Superior de Londres nesta segunda-feira (11). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O caso faz parte de uma batalha judicial global entre as rivais de rápido crescimento, com possíveis implicações para práticas das plataformas, relações com fornecedores e aplicação de direitos de propriedade intelectual no comércio eletrônico global. A Shein alega que a Temu utilizou milhares de suas fotos para anunciar cópias de roupas de marca própria da Shein em seu site, “pegando carona” em uma concorrente mais consolidada. “Esta foi uma tentativa de ganhar vantagem sobre um participante já existente no mercado, e a Temu buscou obter, segundo argumentamos, uma vantagem injusta”, afirmou Benet Brandreth, advogado da Shein. A Temu nega as acusações. Vídeos em alta no g1 Produtos Removidos Temu Brandreth afirmou ao tribunal que a Temu abandonou sua defesa contra as acusações de violação de direitos autorais da Shein relacionadas a quase 2.300 fotos tiradas por funcionários da Shein, comparando a situação a “o réu esperar para ver se as testemunhas aparecerão antes de se declarar culpado”. A Temu — pertencente à PDD Holdings — apresentou uma ação reconvencional, buscando indenização após ter sido obrigada a remover milhares de anúncios de produtos quando a Shein conseguiu uma liminar judicial. A empresa também acusa a Shein de violar leis de concorrência ao vincular fornecedores de moda rápida a acordos de exclusividade. Essa parte do caso deverá ir a julgamento no próximo ano. Os advogados da Temu argumentam que o processo da Shein não é uma tentativa legítima de impedir infrações de direitos autorais, mas sim uma estratégia para garantir vantagem competitiva. O julgamento de duas semanas em Londres é mais um capítulo da disputa judicial entre as rivais, que também processam uma à outra nos Estados Unidos, e ocorre em meio ao aumento do escrutínio regulatório. Shein e Temu expandiram rapidamente suas operações em mercados internacionais com roupas, acessórios e gadgets de baixo custo. No entanto, o fim da isenção alfandegária dos EUA para pequenos pacotes de comércio eletrônico no ano passado — medida que a União Europeia pretende seguir em julho — pode prejudicar o crescimento das empresas. Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025. Reuters
11/05/2026 12:28:01 +00:00
Taxa das blusinhas: arrecadação sobe 25% e bate recorde; governo discute acabar com imposto

O governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação nos quatro primeiros meses de 2026 com as encomendas internacionais, segundo a Secretaria da Receita Federal. Isso representa um crescimento de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,43 bilhão. Também representa novo recorde para janeiro a abril. Taxa das blusinhas: governo reacende debate sobre imposto ➡️Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas dentro do programa Remessa Conforme. Além do imposto de importação, dez estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade em abril do ano passado. 🔎A taxação foi uma resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. ➡️À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o texto aprovado pelo Legislativo, apesar de ter classificado a decisão como "irracional". A medida foi defendida pela indústria brasileira. ➡️Na última semana, entretanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da chamada "taxa das blusinhas" está em discussão dentro do governo. "Hoje oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]", declarou Durigan. ➡️Controversa, a "taxa das blusinhas" é reprovada por parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentam que turistas de viagens internacionais têm vantagem ao não recolher o tributo. Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda Setor produtivo defende o imposto ➡️ A manutenção da "taxa das blusinhas" foi defendida pelo vice-presidente da República, e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, para defender a indústria nacional de produtos de baixo valor. Em manifesto, representantes dos setores produtivos, do comércio e varejistas também defenderam sua permanência. Eles disseram que a medida não só gerou empregos, mas também benefícios ao consumidor. "O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional. No setor de têxteis, vestuário e calçados, por exemplo, a inflação é a menor entre os itens do IPCA desde julho de 1994, início do Plano Real", diz o manifesto. Ajuda para contas públicas A "taxa das blusinhas" também tem rendido recursos aos cofres públicos, ajudando a equipe econômica a buscar as metas para as contas públicas. Em 2025, por exemplo, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com esse imposto, novo recorde. Nos quatro primeiros meses deste ano, avançou para R$ 1,78 bilhão, superando o valor registrado no mesmo período do ano passado. A alta na arrecadação ajuda o governo a tentar atingir a meta fiscal deste ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
11/05/2026 12:20:53 +00:00
Dólar cai e renova menor patamar desde janeiro de 2024 com impasse entre EUA e Irã; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em leve queda de 0,06% nesta segunda-feira (11), cotado a R$ 4,8913 — renovando o menor patamar desde 15 de janeiro de 2024 (R$ 4,8657). Na mínima do dia chegou a R$ 4,8857. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um recuo de 1,19%, aos 181.909 pontos. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ No exterior, os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira (11), após indicações de que o presidente americano, Donald Trump, considera voltar a atacar o Irã. Segundo Trump, a resposta do país do Oriente Médio ao cessar-fogo é "totalmente inaceitável". 🔎 Perto das 17h (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 2,80%, cotado a US$ 104,13. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 2,71%, para US$ 98,01. ▶️ No Brasil, o destaque é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. O relatório mostrou que os economistas elevaram pela nona semana a projeção para a inflação de 2026, de 4,89% para 4,91%. ▶️Já no noticiário corporativo, a Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, faz hoje sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na B3. É a primeira companhia a estrear na bolsa brasileira desde 2021. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,06%; Acumulado do mês: -1,22%; Acumulado do ano: -10,88%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,19%; Acumulado do mês: -2,89%; Acumulado do ano: +12,90%. Novas projeções dos economistas O mercado financeiro voltou a aumentar a previsão para a inflação no Brasil em 2026. Essa já é a nona alta seguida nas estimativas feitas por bancos e instituições financeiras. A principal preocupação é a guerra no Oriente Médio, que fez o preço do petróleo subir bastante nos últimos dias. Quando o petróleo fica mais caro, os combustíveis também podem subir, pressionando a inflação no Brasil. Agora, a expectativa do mercado é que a inflação fique em 4,91% no ano que vem, acima da meta do Banco Central, que é de 3%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Mesmo assim, o mercado continua apostando em queda da taxa Selic nos próximos anos. Hoje, os juros básicos do país estão em 14,5% ao ano. Os economistas também mantiveram a previsão de crescimento moderado da economia brasileira em 2026 e reduziram um pouco a estimativa para o dólar no fim do ano. (veja todas as projeções aqui) Estreia na bolsa brasileira A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira na bolsa brasileira com o primeiro IPO da B3 desde 2021. 🔎 IPO é a sigla para oferta pública inicial de ações — ou seja, quando uma empresa passa a ter ações negociadas na bolsa e abre espaço para investidores comprarem participação no negócio. As ações da Compass são negociadas com o código “PASS3”. O preço foi definido em R$ 28 por ação, e a operação pode movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões. Após a estreia, o papel chegou a operar em alta no início do pregão, mas perdeu força ao longo da manhã. Por volta das 11h20, os papéis caíam 0,96%, cotados a R$ 27,73. A empresa atua no setor de gás natural e energia, controlando negócios como a Comgás e operações de distribuição e infraestrutura de gás no Brasil. Segundo analistas, a falta de IPOs nos últimos anos foi causada principalmente pelos juros altos no país, que tornaram investimentos em renda fixa mais atrativos e reduziram o interesse por ações. EUA rejeitam proposta de paz do Irã As negociações para encerrar a guerra entre EUA e Irã voltaram a travar depois que o presidente Donald Trump classificou como “totalmente inaceitáveis” as exigências apresentadas por Teerã. O Irã quer o fim da guerra em todas as frentes, garantias de que não sofrerá novos ataques, suspensão de sanções econômicas, liberação de ativos congelados e reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. Teerã também aceita interromper temporariamente o enriquecimento de urânio, mas rejeita desmontar suas instalações nucleares. Já os EUA querem limitar o programa nuclear iraniano, impedir que o país volte a ameaçar o Estreito de Ormuz e pressionam o Irã a interromper apoio a grupos armados da região, como Hezbollah e Hamas. O novo impasse aumenta o risco de continuidade da guerra e já pressiona o preço do petróleo, que voltou a subir com o temor de impactos na oferta global de energia. Mercados globais Em Wall Street, os principais índices americanos fecharam em alta, impulsionados pelos resultados corporativos de tecnologia. Enquanto o Nasdaq subiu 0,10% na sessão, o S&P 500 e o Dow Jones avançaram 0,19% cada. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 encerrou o pregão praticamente estável, com leve alta de 0,01%, aos 612,79 pontos. Entre as principais bolsas do velho continente, o índice FTSE 100, de Londres, avançou 0,36%, aos 10.269,43 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,05%, para 24.350,28 pontos. Já em Paris, o CAC 40 recuou 0,69%, aos 8.056,38 pontos. Na Ásia, as bolsas fecharam em alta nesta segunda, puxadas pelas ações de tecnologia em meio ao otimismo com inteligência artificial (IA) e ao avanço das exportações do país. O índice de Xangai subiu 1,08%, no maior nível em quase 11 anos, enquanto o CSI300 avançou 1,64%. Já o setor de semicondutores disparou 6,3%. Em outros mercados da Ásia, a bolsa da Coreia do Sul saltou 4,32%, enquanto o Japão caiu 0,47% e Hong Kong teve leve alta de 0,05%. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP
11/05/2026 12:00:18 +00:00
O barista é humano, mas um agente de IA comanda café experimental na Suécia

Hanna Petersson, membro da equipe técnica da Andon Labs, usa um telefone para falar com a agente de IA "Mona" do Andon Café em Estocolmo, Suécia. AP/James Brooks O café pode até ser servido por mãos humanas, mas, por trás do balcão, algo muito menos tradicional está no comando de um café experimental em Estocolmo, Suécia 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A startup americana Andon Labs, sediada em San Francisco, colocou um agente de inteligência artificial apelidado de “Mona” para administrar o Andon Café, na capital sueca. Enquanto os baristas humanos continuam preparando o café e atendendo os clientes, a IA — alimentada pelo Gemini, do Google — supervisiona praticamente todos os outros aspectos do negócio, desde a contratação de funcionários até o gerenciamento do estoque. Ainda não está claro quanto tempo o experimento vai durar, mas o agente de IA parece enfrentar dificuldades para obter lucro no competitivo mercado de cafeterias de Estocolmo. Vídeos em alta no g1 Desde a inauguração, em meados de abril, o café faturou mais de US$ 5,7 mil, mas restam menos de US$ 5 mil do orçamento inicial, superior a US$ 21 mil. Grande parte do dinheiro foi gasta em custos de instalação, e a expectativa é que a operação eventualmente se estabilize e passe a gerar lucro. Muitos clientes têm achado divertido visitar um estabelecimento administrado por inteligência artificial. Dentro da cafeteria, há um telefone pelo qual os consumidores podem fazer perguntas diretamente ao agente. “É interessante ver o que acontece quando se ultrapassam os limites”, disse a cliente Kajsa Norin. “A bebida estava boa.” Especialistas se preocupam com o papel da IA Vista geral da entrada do Andon Café no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia. AP/James Brooks Especialistas afirmam que existem diversas preocupações éticas, desde o papel da tecnologia no futuro da humanidade até o uso da IA em entrevistas de emprego e avaliações de desempenho. Emrah Karakaya, professor associado de economia industrial do Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, comparou o experimento a “abrir a caixa de Pandora” e disse que colocar a IA no comando pode causar vários problemas. O que aconteceria, questiona ele, se um cliente sofresse intoxicação alimentar? Quem seria responsabilizado? “Se você não tiver a infraestrutura organizacional necessária ao redor disso e ignorar esses erros, isso pode causar danos às pessoas, à sociedade, ao meio ambiente e aos negócios”, afirmou Karakaya. “A questão é: nós nos importamos com esse impacto negativo?” Fundada em 2023, a Andon Labs é uma startup de pesquisa e segurança em IA que afirma se concentrar em “testar os limites” dos agentes de inteligência artificial no mundo real, oferecendo a eles “ferramentas reais e dinheiro real”. A empresa já trabalhou com OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e xAI, de Elon Musk, e afirma estar se preparando para um futuro em que “organizações serão administradas autonomamente por IA”. A cafeteria na Suécia é apresentada como um “experimento controlado” para explorar como a inteligência artificial poderá ser utilizada no futuro. “A IA será uma grande parte da sociedade no futuro, e por isso queremos fazer este experimento para entender quais questões éticas surgem quando temos uma IA empregando pessoas e administrando um negócio”, disse Hanna Petersson, integrante da equipe técnica da Andon Labs. Antes disso, o laboratório já havia realizado testes colocando a IA Claude, da Anthropic, no comando de uma máquina de vendas automáticas e de uma loja de presentes em San Francisco. O experimento revelou comportamentos preocupantes: o agente prometia reembolsos aos clientes, mas não os realizava, além de mentir propositalmente para fornecedores sobre preços da concorrência para obter vantagens. O barista Kajetan Grzelczak prepara um café no Andon Café, no bairro de Vasastan, em Estocolmo, Suécia. AP/James Brooks IA enfrenta dificuldades com estoque Segundo Petersson, Mona começou a trabalhar após receber instruções básicas. A equipe pediu que ela tentasse administrar a cafeteria de forma lucrativa, mantendo um tom amigável e descontraído, além de resolver os detalhes operacionais sozinha e solicitar novas ferramentas quando necessário. A partir disso, a IA firmou contratos de energia elétrica e internet, obteve permissões para manipulação de alimentos e mesas ao ar livre, anunciou vagas de emprego no LinkedIn e no Indeed e criou contas comerciais com fornecedores de pão e produtos de padaria. Ela também se comunica com os baristas pelo Slack, frequentemente enviando mensagens fora do horário de expediente — algo malvisto na cultura de trabalho sueca. Outros problemas surgiram, especialmente relacionados ao estoque. O agente de IA fez pedidos de 6 mil guardanapos, quatro kits de primeiros socorros e 3 mil luvas de borracha para a pequena cafeteria — além de tomates enlatados que nem fazem parte do cardápio. E há também o problema do pão. Em alguns dias, a IA pede quantidade excessiva; em outros, perde o horário limite das padarias para encomendas, obrigando os funcionários a retirar sanduíches do menu. Petersson afirmou que os problemas nos pedidos provavelmente estão relacionados à “janela limitada de contexto” da IA. “Quando a memória antiga sobre os pedidos sai da janela de contexto, ela simplesmente esquece completamente o que já havia pedido antes”, explicou. O barista Kajetan Grzelczak disse não estar preocupado em ser substituído pela inteligência artificial tão cedo. “Todos os trabalhadores estão praticamente seguros”, afirmou. “Quem deveria se preocupar com o emprego são os chefes intermediários, as pessoas da gestão.” Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas'
11/05/2026 11:29:47 +00:00
Na 9ª alta seguida, mercado financeiro eleva estimativa de inflação para 4,91% em 2026

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa para a inflação em 2026. Esta é nona semana seguida de aumento. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, acima de US$ 100 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). ➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 4,89% para 4,91%; ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4%; ➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,64%. ➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Vídeos em alta no g1 Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano. Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 13% ao ano na última semana, embutindo uma redução no decorrer de 2026. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado subiu de 11% para 11,25% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Preço do barril de petróleo cai após declaração de Trump de que guerra no Oriente Médio está perto do fim Jornal Nacional/ Reprodução Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado continuou em 1,85%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB subiu de 1,75% para 1,76%. Taxa de câmbio O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,25 para R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,30 por dólar.
11/05/2026 11:29:12 +00:00
Pela primeira vez, Embraer fecha acordo com fornecedora da Índia e amplia atuação no país asiático

Vista da sede da Embraer, em São José dos Campos, interior de SP Luis Lima Jr./Futura Press/Estadão Conteúdo A Embraer, fabricante brasileira de aviões que tem sede em São José dos Campos (SP), anunciou nesta segunda-feira (11) um novo avanço na estratégia de expansão da empresa na Índia. A fabricante brasileira informou que assinou um contrato com a Bharat Forge Limited (BFL), multinacional indiana do setor industrial e aeroespacial, para o fornecimento de materiais brutos forjados utilizados na cadeia de produção da companhia. Segundo a Embraer, este é o primeiro contrato desse tipo firmado com um fornecedor indiano e representa um novo passo no fortalecimento da parceria da empresa com o país asiático. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O anúncio foi feito em Nova Déli. De acordo com a empresa brasileira, o acordo vai atender à cadeia global de suprimentos da empresa e faz parte da estratégia da Embraer de ampliar e diversificar sua base de fornecedores ao redor do mundo. Vídeos em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Novo acordo da Embraer prevê instalação de unidade na Índia para fabricação de aviões Embraer anuncia acordo para instalar linha de montagem final de jato na Índia Para fortalecer presença na Ásia, Embraer anuncia instalação de escritório na Índia A Bharat Forge tem sede na cidade de Pune e atua nos setores automotivo, energia, petróleo e gás, construção, mineração, ferroviário, marítimo, defesa e aeroespacial. Segundo a Embraer, o acordo também reforça o compromisso da empresa em fortalecer o ecossistema aeroespacial indiano e ampliar a presença da fabricante no país. Fábrica da Embraer. Divulgação Expansão da Embraer na Índia O novo contrato amplia uma sequência de investimentos e acordos recentes firmados pela Embraer na Índia. Em maio de 2025, a empresa anunciou a instalação de um escritório próprio em Nova Déli, como parte da estratégia para fortalecer a presença no país asiático. Na época, a Embraer informou que pretendia ampliar as operações nas áreas de defesa, aviação comercial, executiva, serviços e suporte, além do setor de mobilidade aérea urbana. Já em janeiro deste ano, a Embraer anunciou um acordo com a Adani Defence & Aerospace, considerada a maior empresa privada aeroespacial e de defesa da Índia, para cooperação na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos. Na ocasião, a companhia informou que o objetivo era atender à demanda da aviação regional indiana. Pouco depois, em fevereiro deste ano, a Embraer e a Adani ampliaram o acordo e anunciaram o fechamento de um memorando para viabilizar a instalação de uma linha de montagem final do jato regional E175 na Índia. A assinatura ocorreu na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal. Segundo a Embraer, a parceria faz parte de um plano de desenvolvimento do programa de Aeronaves de Transporte Regional da Índia. A fabricante afirmou ainda que o mercado indiano é considerado um dos mais promissores do mundo para a aviação regional. Estimativas do setor apontam que o país deverá demandar ao menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos. Atualmente, a Embraer já possui cerca de 50 aeronaves e 11 modelos em operação na Índia, distribuídos entre aviação comercial, defesa e aviação executiva. Entre os modelos utilizados no país estão os jatos E175 e ERJ145, operados pela companhia aérea regional Star Air, além das aeronaves Legacy 600 e o sistema aéreo de vigilância ‘Netra’, utilizado pela Força Aérea Indiana. Em janeiro, Embraer anunciou acordo para fabricar aviões na Índia Divulgação/Embraer Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
11/05/2026 11:06:05 +00:00
Petróleo sobe com impasse nas negociações entre EUA e Irã e tensão no Estreito de Ormuz

Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA A rápida rejeição do presidente Donald Trump à resposta do Irã a uma proposta de paz dos Estados Unidos provocou alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira (11), em meio a temores de que o conflito, que já dura dez semanas, se prolongue e mantenha comprometido o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. 🔎 Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 2,69%, cotado a US$ 103,52. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 2,19%, para US$ 97,51. Mais tarde, às 13h49, o Brent subia 1,60%, a US$ 102,91 por barril, enquanto o WTI avançava 4,32%, cotado a US$ 99,54. Dias depois de os EUA apresentarem uma proposta para tentar retomar as negociações, o Irã divulgou no domingo (10) uma resposta centrada no fim da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, combate militantes do Hezbollah apoiados por Teerã. O governo iraniano também exigiu compensações pelos danos causados pela guerra e reforçou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, segundo a TV estatal iraniana. Além disso, pediu aos EUA o fim do bloqueio naval, garantias de que não haverá novos ataques, a suspensão das sanções e a revogação da proibição imposta à venda de petróleo iraniano, informou a agência semioficial Tasnim. Poucas horas depois, Trump rejeitou a proposta iraniana em uma publicação nas redes sociais. “Não gosto disso — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu na plataforma Truth Social, sem dar mais detalhes. Os EUA defendem o fim dos combates antes do início de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano. Após a reação de Trump, Teerã afirmou nesta segunda-feira que considera sua proposta para encerrar a guerra “generosa e responsável”. “Nossa demanda é legítima: exigir o fim da guerra, suspender o bloqueio (dos EUA) e liberar os ativos iranianos congelados devido à pressão americana”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei. “A passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fortalecimento da segurança na região e no Líbano também fazem parte das exigências do Irã”, acrescentou. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a via marítima era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, tornando-se um dos principais pontos de pressão do conflito. Três navios-tanque cruzaram o Estreito nos últimos dias Embora o tráfego no Estreito de Ormuz siga reduzido em relação ao período anterior à guerra, dados das empresas Kpler e LSEG mostram que três navios-tanque carregados com petróleo bruto deixaram a região na semana passada com os rastreadores desligados, em uma tentativa de evitar ataques iranianos. Confrontos esporádicos ao redor do estreito nos últimos dias colocaram à prova o cessar-fogo que interrompeu a guerra em larga escala desde o início de abril. Pesquisas indicam que a guerra é impopular entre os eleitores americanos, que enfrentam preços mais altos dos combustíveis a menos de seis meses das eleições que definirão se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso dos EUA. Os EUA também têm encontrado pouca adesão internacional. Aliados da Otan recusaram pedidos para enviar navios ao Estreito de Ormuz sem um acordo de paz amplo e uma missão com mandato internacional. Ainda não está claro quais serão os próximos passos diplomáticos ou militares. Trump deve chegar a Pequim na quarta-feira (13). Diante da pressão crescente pelo fim da guerra e da crise energética global provocada pelo conflito, o Irã está entre os temas que devem ser discutidos pelo presidente americano e pelo presidente chinês, Xi Jinping. Trump tem buscado apoio da China para pressionar Teerã a chegar a um acordo com Washington. Ao comentar o fim das operações militares contra o Irã, Trump afirmou no domingo: “Eles foram derrotados, mas isso não significa que tenham acabado”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra ainda não terminou porque há “mais trabalho a ser feito” para eliminar o urânio enriquecido iraniano, desmontar instalações nucleares e enfrentar grupos aliados do Irã e seu arsenal de mísseis balísticos. Netanyahu disse, em entrevista exibida no domingo no programa 60 Minutes, da CBS News, que a melhor forma de remover o urânio enriquecido seria por meio da diplomacia, mas não descartou o uso da força. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em uma publicação nas redes sociais que o Irã “jamais se curvará ao inimigo” e que defenderá “os interesses nacionais com firmeza”. Apesar dos esforços diplomáticos para destravar as negociações, os riscos às rotas marítimas e às economias da região continuam elevados. No domingo, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque com drones que atingiu um navio de carga vindo de Abu Dhabi em suas águas territoriais. O Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis que entraram em seu espaço aéreo. Os confrontos também continuaram no sul do Líbano entre Israel e o Hezbollah, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA e anunciado em 16 de abril. Netanyahu afirmou ainda, na entrevista ao “60 Minutes”, que o fim das hostilidades com o Irã não significaria necessariamente o encerramento da guerra no Líbano. Segundo ele, autoridades israelenses subestimaram inicialmente a capacidade iraniana de afetar o tráfego no Estreito de Ormuz. “Demorou um pouco para que eles entendessem o tamanho do risco, mas agora entendem”, disse. Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026 Majid Asgaripour/Wana/Reuters
11/05/2026 10:39:35 +00:00
Sementes germinadas potencializam nutrientes e podem deixar até o arroz com feijão ainda mais saudáveis, aponta pesquisa

Pesquisa revela como germinar arroz e feijão melhora a alimentação E se a combinação mais tradicional da mesa brasileira — o arroz com feijão — pudesse ficar ainda melhor? É exatamente isso que o estudo desenvolvido na Unicamp comprovou. No momento em que os grãos germinam, eles se tornam nutricionalmente mais potentes. A dupla arroz e feijão é considerada perfeita pela ciência por causa da complementaridade dos aminoácidos presentes em cada grão. Quando germinados, esse equilíbrio nutricional se intensifica. “Quando você germina, você aumenta ainda mais a disponibilidade desses nutrientes”, explica o doutor em Ciência de Alimentos - Unicamp, Ruan de Castro. Dentro de pequenos potes de vidro, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um universo de possibilidades está guardado em forma de sementes. Mostarda, feijão, arroz, lentilha. Pequenos grãos que, aos poucos, se transformam nas grandes estrelas das pesquisas desenvolvidas ali. A ciência tem mostrado que essas sementes carregam muito mais do que a promessa de uma nova planta: elas podem ser aliadas poderosas da nossa saúde — especialmente quando passam pelo processo de germinação. O momento da germinação é decisivo. Enquanto estão armazenados, os grãos permanecem em um estado de dormência, como se estivessem “dormindo”. Ao entrar em contato com água e condições adequadas, o metabolismo é ativado. A semente passa a produzir compostos essenciais para gerar energia e dar origem a uma nova planta. “Ingerir o alimento nesse momento faz toda a diferença”, explica o doutor em Ciência de Alimentos - Unicamp, Ruan de Castro. Pesquisadores comprovaram que grãos germinados multiplicam valor nutricional dos alimentos Reprodução/TV Globo Estudos mostram que as propriedades antioxidantes dos grãos germinados podem aumentar em até dez vezes, dependendo da espécie e das condições de germinação. Vitaminas e minerais também se tornam mais disponíveis, chegando a concentrar duas ou três vezes mais do que nos grãos não germinados. “Isso aqui é saúde pura”, resume. Germinar grãos em casa não é complicado, mas exige atenção. O processo envolve lavar bem, deixar de molho de um dia para o outro e cuidar da higiene e da umidade até que os brotinhos apareçam. No laboratório, além da análise científica, esses grãos também vão parar na cozinha. Muito além do tradicional arroz com feijão, os brotos podem ser usados em saladas, sanduíches, sopas e até omeletes. A pesquisadora Letícia prepara uma versão especial do prato: depois de pronto, acrescenta brotos de alfafa. “Fica ainda mais nutritivo e saboroso”, garante. Na hora da prova, a aprovação é unânime. “Fica crocante, dá uma textura diferente”, comenta a repórter ao experimentar uma sopa com brotos. Além do sabor, o prato ganha em valor nutricional. As possibilidades são muitas. Os brotos podem ser incluídos em praticamente todas as refeições do dia a dia. Seja no prato, seja crescendo em quintais, praças ou florestas brasileiras, a força vital das sementes ajuda a alimentar pessoas, sustentar o planeta e fazer brotar a esperança de um mundo mais verde. Pesquisadores comprovaram que grãos germinados multiplicam valor nutricional dos alimentos Reprodução/TV Globo Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo: Globo Repórter: O poder das sementes - 08/05/2026 Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:
11/05/2026 10:29:48 +00:00
Como a guerra no Irã está enriquecendo o mais novo petroestado do mundo, vizinho do Brasil

O crescimento econômico na Guiana está resultando em um aumento na construção de moradias e infraestrutura Bloomberg/Getty Images/BBC Inflação, aumento dos preços da gasolina e ameaças ao abastecimento alimentar nos países mais vulneráveis. Essas são três das principais consequências geralmente mencionadas quando se discute o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. No entanto, para a Guiana — provavelmente o mais novo petroestado do mundo — o conflito que bloqueou o estreito de Ormuz significou um aumento significativo no rendimento. Esses recursos provêm da combinação de dois efeitos: o aumento planejado da produção e o efeito da alta dos preços do petróleo como consequência da guerra no Oriente Médio. Segundo Sidney Armstrong, professor do Departamento de Economia da Universidade da Guiana, a produção de petróleo bruto do país estava projetada para atingir em dezembro de 2025 em torno de 892.000 barris por dia, enquanto atualmente já ultrapassa 920.000 (e está em tendência de alta). Ao mesmo tempo, enquanto o preço do petróleo bruto Brent girava em torno de US$ 62 antes da guerra, a média diária desde o início do conflito tem sido de cerca de US$ 108, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Mas o que isso significa para a Guiana e qual será o impacto? Vídeos em alta no g1 Crescimento acelerado A história do petróleo na Guiana é muito recente. Sua produção de hidrocarbonetos começou há apenas seis anos, mas esse curto período já foi suficiente para torná-la uma das maiores produtoras de petróleo da América do Sul. "A Guiana é um caso interessante porque se tornou a economia de crescimento mais rápido do mundo. Em grande parte, isso se deve ao fato de ter partido de uma base muito pequena, mas ainda assim é a economia que mais cresce", afirma Roxanna Vigil, pesquisadora do Council on Foreign Relations, um think tank com sede em Washington. As receitas do petróleo se tornaram o motor do país, cuja economia cresceu a uma média de 40,9% ao ano desde 2020, segundo dados do Banco Mundial. Além disso, as receitas da exploração de hidrocarbonetos representaram 37% do orçamento do Estado em 2025, ano em que o país arrecadou aproximadamente US$ 2,5 bilhões dessa fonte. Estimativas do Ministério das Finanças — anteriores à guerra no Irã — apontavam para receitas petrolíferas de cerca de US$ 2,8 bilhões em 2026. Mas a guerra no Irã, e especialmente o fechamento do estreito de Ormuz, alteraram esses cálculos. Números publicados pela revista The Economist indicam que, desde o início da guerra, as receitas petrolíferas da Guiana aumentaram US$ 370 milhões por semana, chegando a US$ 623 milhões. "Devido aos preços globais mais altos do petróleo, esperamos que as receitas do governo aumentem em US$ 4 bilhões este ano, em comparação com as estimativas do início de 2026", disse Luiz Hayum, analista sênior de exploração e produção da consultoria Wood Mackenzie, em resposta a uma pergunta da BBC News Mundo. Ele acrescentou que esperam que a produção média de petróleo bruto do país atinja cerca de um milhão de barris por dia em 2026, após a expansão da produção planejada para este ano. No entanto, Sidney Armstrong alerta que a maior parte da receita gerada pela produção de petróleo na Guiana não vai para os cofres do país, devido à forma como os contratos de exploração são estruturados. Assim, 75% do dinheiro é usado pelas empresas petrolíferas para recuperar o investimento. A Guiana, por sua vez, recebe 12,5% de lucro e mais 2% em royalties, totalizando 14,5%. Uma vez que as empresas petrolíferas tenham recuperado o investimento inicial, a Guiana receberá 50% dos lucros mais os 2% de royalties. A boa notícia para o governo de Georgetown é que, graças ao aumento dos preços do petróleo bruto devido à situação no Irã, o tempo necessário para as empresas petrolíferas recuperarem o investimento está diminuindo. A Guiana possui a economia que cresce mais rapidamente no mundo Getty Images/BBC Fundo de recursos naturais Armstrong adverte, no entanto, que se essas empresas precisarem fazer novos investimentos, a fórmula atual de partilha de lucros permanecerá em vigor até que recuperem esses fundos. Além disso, o governo da Guiana não tem controle irrestrito sobre os recursos que recebe, visto que o país criou um Fundo de Recursos Naturais no qual as receitas do petróleo são depositadas, e uma lei foi aprovada regulamentando quando, como e para que finalidade esses fundos podem ser utilizados. De acordo com essa lei, a criação desse fundo visa garantir um crescimento estável e controlado (evitando gastos excessivos durante períodos de bonança) e assegurar que o dinheiro seja alocado às prioridades de desenvolvimento do país, preservando também os recursos para o benefício das gerações futuras. Em março deste ano, o fundo detinha aproximadamente US$ 3,8 bilhões. O boom do petróleo levou a um boom da construção civil na Guiana Getty Images/BBC Mas como esse boom do petróleo, impulsionado pela guerra no Irã, se traduziu em benefícios para o povo guianense? Sidney Armstrong destaca que o impacto dos preços do petróleo é evidente no aumento da receita, nas reservas do Fundo de Recursos Naturais e na aceleração de projetos de infraestrutura em andamento no país. "O que vem acontecendo em ritmo cada vez mais acelerado é a construção de infraestrutura. Os gastos com a construção de estradas, escolas e centros de saúde comunitários aumentaram", observa Armstrong. Roxanna Vigil destaca que esses tipos de projetos são muito importantes porque a Guiana precisa de muita infraestrutura básica como essa. "Eles precisam continuar crescendo significativamente. Até recentemente, mais da metade da população da Guiana vivia na pobreza e, de fato, grande parte da população ainda vive na pobreza, mas agora eles têm um plano e os recursos para mudar essa situação", afirma Vigil. Além disso, Armstrong indica que o governo concedeu recentemente um bônus equivalente a US$ 500 a todos os guianenses com mais de 18 anos. Ele explica que essa era uma promessa feita pelo governo no ano passado, mas que não havia sido cumprida até agora. O governo da Guiana, liderado pelo presidente Irfaan Ali, não pode dispor livremente dos recursos gerados pelo boom do petróleo Getty Images/BBC O outro lado do boom Apesar do boom do petróleo, a Guiana não está imune aos problemas que a crise do Oriente Médio causou em todo o mundo. "A realidade é que a inflação aumentou e, consequentemente, o poder de compra real diminuiu", afirma Armstrong. "As pessoas estão vendo preços mais altos nos postos de gasolina, o que — obviamente — afeta o transporte e as viagens. Portanto, como qualquer outro país integrado ao sistema global, estamos começando a sentir as repercussões negativas decorrentes da situação das cadeias de suprimentos." "Os preços dos alimentos aumentaram significativamente: cerca de 25% em um curto período. Isso ocorre claramente porque itens como fertilizantes e outros insumos agrícolas estão ficando mais caros. Os recursos necessários para a atividade agrícola estão se tornando mais dispendiosos, então essas repercussões negativas devem ser levadas em consideração", acrescenta. O economista também está preocupado com o fato de que, em certos casos, a gestão dos recursos gerados pelo boom do petróleo parece não ser transparente nem adequada. "O que acontece fora do setor petrolífero depende em grande parte da eficácia com que o governo administra os recursos. E, às vezes, parece haver má gestão." "Por exemplo, existe um projeto para transportar gás de plataformas marítimas para o continente para gerar eletricidade. Estamos falando de um projeto que realmente trará enormes benefícios. No entanto — e é aqui que surge a sensação de corrupção — o projeto está atrasado, por um lado; e, por outro, a empreiteira está exigindo centenas de milhões de dólares a mais para concluí-lo", destaca. Armstrong observa que a desigualdade está aumentando no país e que os salários reais da maioria dos guianenses não mudaram significativamente. "Ainda há muitas pessoas sem-teto. É um problema persistente, assim como a pobreza real. Portanto, quando falamos dessa economia em rápido crescimento, é essencial retornar à realidade de que, em termos do que poderíamos chamar de desenvolvimento humano, ainda temos um longo caminho a percorrer", conclui. A empresa americana ExxonMobil é a principal acionista do consórcio que opera o bloco petrolífero de Stabroek, o único atualmente em atividade na Guiana Getty Images/BBC
11/05/2026 09:56:14 +00:00
Sua dívida é impagável? Talvez não... Veja estratégias para reduzir juros e se recuperar
Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve Ter dívidas faz parte da vida financeira da maioria das pessoas. O problema começa quando elas deixam de ser pagas e viram inadimplência — sinal de que a dívida cresceu além da capacidade de pagamento, seja por juros altos, prazos curtos, imprevistos ou queda de renda. Esse desequilíbrio já afeta mais do que as famílias. Com muitos atrasos, a inadimplência tende a encarecer o crédito, desacelerar a economia e dificultar contratações. Sair desse ciclo exige estratégia, como priorizar dívidas caras, renegociar e evitar novos compromissos. ENTENDA NO VÍDEO ACIMA. Neste vídeo, você vai entender os riscos da inadimplência e como escapar da bola de neve. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
11/05/2026 07:02:07 +00:00
Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno

O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen Guy Ackermans/WUR Centenas de pés de tomate crescem protegidos por uma grande estrutura de vidro. Mas esta não é uma estufa comum. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde os níveis de gás até a cor da luz, cada variável é monitorada por sensores que enviam as informações para computadores que, por sua vez, rodam algoritmos refinados com inteligência artificial. O resultado é uma produção até cinco vezes maior do que a de uma estufa de baixa tecnologia na América Latina. As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, um centro de renome mundial para pesquisa em produção de alimentos. Vídeos em alta no g1 A universidade fica no coração do chamado Food Valley ("Vale da Alimentação", em tradução literal do inglês), um complexo de centros de pesquisa que permitiu que os Países Baixos se tornassem o terceiro maior exportador de alimentos do mundo (em valor monetário) com um território de pouco mais de 41.000 km², 70 vezes menor que a Argentina. Como isso foi possível? A BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com especialistas da Universidade de Wageningen, incluindo pesquisadores latino-americanos, sobre inovações na produção de alimentos no país, possíveis aplicações na América Latina e o grande desafio para os Países Baixos: reduzir o consumo de energia e aumentar a sustentabilidade. Condições favoráveis Tanto o clima quanto a localização geográfica favorecem os Países Baixos, afirma à reportagem o cientista Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen. "Temos um clima razoável e água em abundância. Temos um clima marítimo; os verões não são muito quentes e os invernos não são extremamente frios", aponta ele. O país também tem milhões de potenciais consumidores europeus nas proximidades, acrescenta Marcelis, e o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola, Roterdã. Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores. Os maiores mercados são Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido, entre outros. Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais Wageningen University & Research Grandes quantidades de matéria-prima também são importadas para processamento e exportação. Os Países Baixos são um dos principais exportadores mundiais de produtos de cacau, por exemplo, e o maior importador de grãos de cacau, que são processados ​​em produtos semiacabados, como pasta de cacau, manteiga e cacau em pó, para exportação. Marcelis enfatiza que, historicamente, a produção agrícola no país também tem sido caracterizada por uma tradição de abertura. "Há um aspecto muito importante que talvez nos diferencie de muitos outros países: a colaboração e a cooperação." A troca de experiências entre os agricultores é uma tradição secular, evidente nos leilões de hortaliças e flores e nas cooperativas de produtores. "Os agricultores costumam se encontrar semanalmente. Eles visitam as fazendas uns dos outros para ver as plantações e aprender uns com os outros." E essa troca é facilitada pelas curtas distâncias entre eles. "Nosso país é muito pequeno. Aqui na universidade, estamos mais ou menos no centro da rede. Em duas horas de carro, você pode chegar ao ponto mais ao sul ou ao extremo norte do país; para o oeste, não posso dirigir duas horas porque chegaria ao mar antes disso; e para o leste, em meia hora você está na Alemanha." Rotterdam é o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola Getty Images via BBC 'Todo um ecossistema' de inovação Para além das condições geográficas ou das tradições, o sistema de produção de alimentos nos Países Baixos é movido por uma inovação constante. "Aqui temos a universidade, mas também empresas derivadas da universidade, muitas vezes fundadas por pessoas que trabalham na universidade ou por alunos que criaram suas próprias empresas e querem manter-se conectados a Wageningen", explica Marcelis. "No campus, também temos os departamentos de pesquisa de grandes empresas como a Unilever ou a FrieslandCampina, que é uma das principais cooperativas de laticínios. Você se encontra, portanto, cercado por todo um ecossistema aqui." A universidade recebe financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa dos Países Baixos. Mas "muitas das verbas nacionais só conseguimos obter em cooperação com uma empresa, que, por sua vez, tem de arcar com parte dos custos da pesquisa". "Isso significa que, se pesquisamos algo, precisa estar relacionado ao que as empresas consideram relevante, o que nos obriga a colaborar com elas para facilitar a transferência dos resultados para os agricultores. Claro que também temos financiamento para pesquisa puramente fundamental." Os projetos, acrescenta Marcelis, exigem um acordo inicial com cada empresa. "São estabelecidas regras sobre o grau de transparência ou confidencialidade dos resultados e sobre quando eles podem ser publicados, algo que, para nós como universidade, é importante: fazer boa ciência. E, claro, também existem acordos sobre direitos de propriedade intelectual." Marcelis afirma que no campus da Wageningen também há departamentos de pesquisa de grandes empresas como Unilever ou FrieslandCampina Wageningen University & Research Estufas com sensores Esse ecossistema fomentou inúmeras inovações na produção agrícola do país, desde drones e escaneamento do solo para o uso inteligente de fertilizantes em cultivos a céu aberto até estufas de alta tecnologia. Em estufas, "em Wageningen, desenvolveram um sistema tão eficiente que permite rendimentos de até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano", afirma à BBC Mundo a cientista mexicana Cristina Zepeda, professora associada de fitotecnia em Wageningen. "Em uma estufa no México, sem muita tecnologia, talvez com alguma tela de sombreamento, a produção gira em torno de 20 kg por metro quadrado por ano." O cientista brasileiro Nilson Vieira Junior, professor associado em Wageningen especializado em fisiologia vegetal e modelagem computadorizada de culturas, disse à reportagem que, nas estufas dos Países Baixos, "o uso da terra praticamente desapareceu". "As plantas são cultivadas em substratos, o que permite maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase completa da água de irrigação, aumentando significativamente a eficiência do uso da água e reduzindo drasticamente o impacto ambiental e a poluição gerada na produção de alimentos", afirma. "Esses sistemas permitem o controle preciso das condições ambientais às quais as plantações são expostas, incluindo temperatura, níveis de CO2 (dióxido de carbono), umidade relativa e radiação." Cientista mexicana Cristina Zepeda é professora associada de ciências vegetais em Wageningen Cristina Zepeda/Arquivo pessoal Cada variável, como a cor da luz, é monitorada por sensores, diz Zepeda. "Temos luzes LED de diferentes cores que permitem que as plantas produzam mais. As plantas possuem certos pigmentos que percebem diferentes cores, como vermelho, infravermelho e azul, e esses pigmentos sinalizam certas moléculas para iniciar a produção de diferentes compostos", explica a cientista. "Com uma luz mais vermelha, por exemplo, a produção de pigmentos como antocianinas ou licopeno é ativada. Podemos moldar a planta para produzir os compostos que mais nos interessam." "Realizamos extensos experimentos com luzes de diferentes cores e medimos como os níveis de açúcar, licopeno e amido mudam com diferentes porcentagens de luz azul ou vermelha." Vieira Junior observa que uma das principais áreas de pesquisa atual é a criação de sistemas autônomos. "Esses sistemas combinam sensores que monitoram variáveis ​​climáticas e o estado fisiológico das plantas com modelos de simulação de crescimento de culturas", diz ele. "Com o auxílio da inteligência artificial, esses sistemas não apenas recomendam estratégias de manejo mais eficientes, mas também controlam automaticamente o clima e a operação da estufa. Cientista brasileiro Nilson Vieira Junior é professor associado em Wageningen e se especializou em fisiologia vegetal e modelos computadorizados de culturas agrícolas Nilson Vieira/Arquivo pessoal O principal gargalo: energia Marcelis afirma que o próximo passo no controle de variáveis ​​será abandonar as estufas e adotar fazendas verticais em ambientes fechados, completamente independentes das condições externas ou da luz solar. Esses sistemas se tornarão mais comuns no futuro, acrescenta ele, mas, assim como as estufas, exigem grandes quantidades de energia. "O consumo de energia é o principal gargalo, e é por isso que grande parte de nossa pesquisa se concentra nesse aspecto", destaca Marcelis. Para a professora Zepeda, "o maior desafio aqui nos Países Baixos é que uma enorme quantidade de energia é usada para aquecer estufas, porque temos um clima muito frio. Então, precisamos queimar gás natural e acender luzes adicionais." "A horticultura representa 10% do consumo nacional de gás do país. É muito caro, e o governo já declarou que não se poderá usar mais gás até 2050. Tudo terá que vir de fontes renováveis", ela acrescenta. Cada variável, como o nível de CO2 ou a cor da luz, é monitorada por câmeras e sensores Sara Vlekke/WUR Zepeda pesquisa atualmente como reduzir o consumo de energia fazendo com que as plantas funcionem como "baterias". A energia renovável flutua dependendo das condições do vento e da radiação solar, e o consumo de energia na estufa também pode flutuar, explica ela. "As plantas crescem na natureza com noites mais frias e dias mais quentes, e conseguem suportar mudanças de temperatura e luz sem perder muita produtividade. E se, por exemplo, houver excesso de produção de eletricidade e ela for mais barata, é aí que dizemos: 'Ok, vamos aquecer a estufa'." "Precisamos dar à planta a oportunidade de acumular suas reservas de açúcar se o dia estiver muito ensolarado, e se previrmos que amanhã estará um pouco mais frio, podemos forçar a planta a usar esses açúcares." Usar plantas como baterias exige medir constantemente com sensores quanta fotossíntese elas estão realizando, quanto açúcar estão produzindo e até mesmo modelos computacionais mais avançados. "É nisso que nosso grupo está concentrando grande parte da pesquisa atualmente." IA na pecuária Uma das inovações impulsionadas por Wageningen na pecuária é a redução das emissões de metano de animais ruminantes, como vacas e ovelhas. Esse metano, um potente gás de efeito estufa, é gerado durante a fermentação dos alimentos no trato digestivo dos animais e liberado principalmente por meio de arrotos ou fezes. "Alguns animais produzem mais metano do que outros, e isso se deve em parte a fatores genéticos", disse à BBC Mundo o professor Roel Veerkamp, ​​chefe do Departamento de Melhoramento Animal e Genômica da Universidade de Wageningen e líder da iniciativa Global Methane Genetics, um projeto com mais de 50 parceiros em 25 países, incluindo programas na África e na América Latina. "Selecionar animais com baixas emissões em programas de melhoramento genético para a próxima geração reduzirá significativamente as emissões ao longo do tempo." Veerkamp afirma que ​​uma redução de 25% nas emissões em 25 anos é uma meta realista. Pesquisador diz que redição em 25% de emissões de metano na pecuária em 25 anos é objetivo realista Getty Images via BBC Outra prioridade é melhorar o bem-estar animal. Veerkamp e seus colegas usam inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos de animais. "Gravamos vídeos de galinhas e vacas em grupos, ou de vacas individualmente caminhando em frente a uma câmera. A partir dos vídeos, usamos IA para monitorar seu comportamento: o quanto se movem, se se movem normalmente ou se têm problemas nas patas, se descansam o suficiente ou se movem muito pouco", explica. "Com base nesses dados, desenvolvemos medidas para monitorar ou melhorar o bem-estar animal." De Wageningen à América Latina Todos os anos, pessoas de todo o mundo frequentam os cursos da escola de verão de Wageningen, incluindo o curso de estufas de alta tecnologia, que começa em 31 de agosto. As estufas nos Países Baixos exigem um investimento significativo, mas Zepeda afirma que alguns elementos dessa tecnologia podem ser aplicados em regiões como a América Latina. Um deles é a hidroponia, ou irrigação por gotejamento. "Aqui a água não é o problema, mas é na América Latina", ela destaca. Luzes LED de diferentes cores permitem controlar quais compostos a planta produz Joris Aben/WUR Outra opção é o uso de luz adicional de diferentes cores para ajudar as plantas a produzirem mais. Mas tanto Zepeda quanto Vieira concordam que as soluções devem ser adaptadas a cada contexto específico. "É importante ressaltar que não se trata de um simples processo de 'copiar e colar'", afirma Vieira. "Um exemplo claro é o controle climático em estufas. Nos Países Baixos, o principal desafio é aquecer o ambiente e fornecer luz artificial para compensar a baixa radiação solar durante o inverno. Na América Latina, especialmente nas regiões tropicais, o desafio é praticamente o oposto: reduzir as temperaturas excessivas e melhorar o aproveitamento da alta disponibilidade de radiação solar. Uma possível tecnologia que poderia ser transferida, segundo Zepeda, é a parede úmida ou sistema de resfriamento ativo, no qual a ventilação é feita pela passagem de água fria através de mantas em uma extremidade da estufa e pela instalação de um exaustor na outra extremidade para recircular o ar frio. Para Vieira, "o principal valor das inovações desenvolvidas em Wageningen reside não na sua replicação direta, mas na sua adaptação inteligente, que contribui para sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e sustentáveis ​​na América Latina". 'As plantas são cultivadas em substratos, o que permite um maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase total da água de irrigação', destaca Vieira. Joris Aben/WUR Na América Latina, os maiores desafios são diferentes. "Com uma população crescente, teremos que aumentar a produção de alimentos, preservando os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", destaca Vieira. "Precisamos ser capazes de aumentar a produção de alimentos preservando simultaneamente os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", observa ele. "Um dos principais desafios será produzir de forma mais eficiente e rentável, sem a necessidade de expandir as fronteiras agrícolas para preservar a biodiversidade." "Além disso, há uma crescente necessidade de promover sistemas de agricultura regenerativa que não apenas minimizem os impactos ambientais, mas também contribuam para a recuperação de áreas degradadas." Zepeda destaca que, enquanto no passado o foco era produzir calorias suficientes, agora a questão é: como garantir que todos tenham os nutrientes necessários? Com as mudanças climáticas e as secas, acrescenta, é muito mais difícil produzir em campo aberto para fornecer esses nutrientes à população. "Estamos ficando sem água e solo, e há muitos eventos climáticos extremos." A produção intensiva nos Países Baixos pode indicar um caminho a seguir. "Vejo que a horticultura tem um valor imenso", diz Zepeda. "Porque com uma estufa você pode produzir mais em uma área menor e proteger suas plantações", ressalta ela. "O desafio, claro, é como adaptar a tecnologia à situação em cada parte do mundo." LEIA TAMBÉM: As doenças antes incuráveis que estão ganhando tratamentos graças à IA Como a mudança nos hábitos de consumo da China pode ajudar a proteger a floresta amazônica
11/05/2026 06:00:20 +00:00
Por que roupas estão tão caras na Argentina — e governo Milei estimula compras fora do país

Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região Getty Images via BBC Em uma loja de roupas baratas em Miami Beach, nos Estados Unidos, quatro argentinos vasculham as araras, escolhem peças sem entrar no provador e empilham roupas no carrinho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Viemos comprar roupas nos EUA porque os preços são muito mais baixos do que na Argentina", diz Macarena, de 29 anos, em seu primeiro dia na cidade. Para os argentinos que podem viajar ao exterior, comprar roupas em Miami — ou, mais perto, em Santiago, no Chile — virou um dos principais incentivos na hora de viajar. "Antes de viajar, me organizei financeiramente para levar dinheiro suficiente, já reservando espaço na mala para voltar com as roupas que compraria", acrescenta Macarena. Vídeos em alta no g1 Enquanto enchem carrinhos de compras em Miami, muitos argentinos tentam prolongar o uso de roupas gastas, recorrem a lojas de roupas de segunda mão e ao parcelamento com juros altos para renovar o guarda-roupa. Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região. O estudo concluiu que uma camiseta de uma marca internacional pode custar na Argentina até 95% mais do que no Brasil, antes da redução das tarifas de importação de produtos têxteis determinada pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei. Muitos argentinos levam malas para fazer compras em shoppings do Chile Getty Images via BBC Há vários anos, os preços das roupas na Argentina são tema de debate e dividem opiniões no país. No início deste ano, o ministro da Economia, Luis Caputo, gerou polêmica ao afirmar: "Nunca comprei roupas na Argentina porque era um roubo". Ele acrescentou que os altos preços das peças "prejudicam quem tem menos [dinheiro]". Segundo um relatório da consultoria Fundar, os preços das roupas na Argentina são, em média, mais altos do que no restante da região. Apesar disso, embora haja consenso de que as roupas "estão caras", não existe acordo sobre qual seria a solução. Enquanto o setor têxtil defende a redução de impostos e proteção por meio de um câmbio mais alto, o governo de Milei aposta na abertura da economia a produtos importados, incluindo mercadorias da China. O presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, Claudio Drescher, define o momento atual como uma "destruição da indústria têxtil na Argentina". Mas por que as roupas custam mais caro no país? Impostos sobre o setor "Mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida no país corresponde a impostos", afirma Drescher à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Segundo Drescher, representante do setor têxtil argentino, o preço de cada peça inclui uma série de tributos, começando pelos 21% do imposto sobre valor agregado (IVA), um tributo nacional indireto cobrado sobre o consumo de bens. O IVA é a principal fonte de arrecadação do Estado argentino. Além do IVA, há o imposto do cheque de 1,2% sobre movimentações bancárias, cobrado a cada transferência de dinheiro entre bancos. O tributo foi criado em 2001 como medida temporária, mas permanece em vigor há mais de 24 anos na Argentina (há similaridades com a extinta CPMF brasileira). "Esse é um imposto que a maior parte dos países não costuma ter", explica à BBC News Mundo, Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, nos EUA, e professor de economia internacional na Universidade de Buenos Aires, na Argentina. "É um imposto cumulativo. Isso significa que, se um parafuso é vendido e depois incorporado a uma peça, que por sua vez entra na fabricação de uma máquina, o tributo é cobrado em cada etapa do processo, nesse caso, três vezes", acrescenta Hallak, que dirigiu a subsecretaria de Inserção Internacional do governo do então presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019). Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, uma peça produzida na Argentina pode custar até 30% menos no Chile Getty Images via BBC A esses tributos se soma ainda uma taxa de 1,8% para pagamentos feitos com cartão. E, quando a compra é parcelada, como ocorre em quase 90% das compras de roupas no país, o parcelamento adiciona ainda quase 15% em custos financeiros ao valor final. "Uma peça produzida na Argentina e vendida no país custa entre 25% e 30% mais do que custaria se essa mesma peça fosse vendida no Chile", afirma Drescher, da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina. Segundo dados da entidade, as vendas de marcas argentinas caíram, em média, 38% nos últimos 18 meses, o que levou ao fechamento de mais de 1.600 lojas. Além disso, mais de 10 mil trabalhadores formais da indústria de confecção perderam o emprego. Especialistas estimam que o setor têxtil gere cerca de 300 mil postos de trabalho na Argentina. O governo argentino diz que "é falso que empregos estejam sendo perdidos". Na semana passada, Milei afirmou durante um fórum empresarial que o que ocorre é uma "realocação da força de trabalho" e que trabalhadores demitidos poderiam "migrar mais rapidamente" para setores mais competitivos da economia. Desde que Milei assumiu o governo, foram derrubados 24 impostos. As medidas, no entanto, não atingiram a indústria têxtil, mas outros setores da economia. "O governo reduziu impostos internos sobre produtos como carros de luxo. Na minha opinião, neste momento de transição vivido pela Argentina, teria sido preferível reduzir o imposto sobre movimentações bancárias", afirma Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires. Abertura para importações O preço alto das roupas não é explicado apenas pela elevada carga tributária e pelo chamado "atraso cambial", que torna produtos fabricados na Argentina caros tanto dentro quanto fora do país. Segundo especialistas, o problema também está ligado às barreiras à importação de roupas em vigor há anos na Argentina e que o atual governo vem reduzindo. Antes do governo de Milei, que assumiu o poder no fim de 2023, roupas produzidas no exterior pagavam tarifa de 35% para entrar na Argentina. "Em geral, os países cobram tarifas de importação, mas as taxas aplicadas pela Argentina ao setor têxtil eram bastante altas", explica Hallak sobre as medidas de proteção à indústria têxtil. O atual governo afirma que essa política de proteção transforma alguns empresários argentinos em "caçadores de zoológico", expressão usada para descrever produtores que, sem concorrência externa, conseguem definir preços com maior liberdade. Por isso, no ano passado, o governo anunciou a redução das tarifas de importação para roupas e calçados vindos do exterior, que passaram de 35% para 20%, "com o objetivo de reduzir os preços locais e aumentar a concorrência". "A Argentina continua sendo o país com as roupas mais caras da região e do mundo", afirmou Caputo, ao anunciar a medida. "Seguimos reduzindo impostos e tarifas para estimular a concorrência e continuar reduzindo a inflação", acrescentou. As tarifas de importação de roupas caíram de 35% para 20% Getty Images via BBC Além de reduzir tarifas de importação, o governo passou a permitir pequenas compras internacionais via courier, sistema que possibilita comprar produtos pela internet diretamente de lojas no exterior. Muitos argentinos comemoraram a possibilidade de fazer compras online em marcas como a Shein, que oferecem peças muito mais baratas do que as produzidas na Argentina, algo até então incomum no país. Vale lembrar que, em 2024, o Brasil seguiu um caminho diferente ao adotar uma lei que estabeleceu a taxação em 20% para compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A taxação foi uma resposta do governo ao pleito de varejistas, após o forte aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e aqueles importados através das plataformas online. A medida brasileira, criticada por parte dos consumidores por causa da elevação do custo, teve como efeito a redução das importações e um aumento da arrecadação fiscal. Macarena, a argentina citada no início desta reportagem que faz compras em Miami, ainda não se sente segura para comprar roupas pela internet diretamente da China, mas diz que pretende experimentar porque amigas já fizeram isso e "deu tudo certo". Além da redução das tarifas de importação e da liberação do comércio eletrônico, o governo argentino também extinguiu as chamadas "licenças não automáticas de importação", como parte da abertura comercial. A medida reverteu uma decisão do governo de Alberto Fernández (2019-2023), que exigia autorizações obrigatórias para importadores. A regra, uma barreira não tarifária, tinha como objetivo restringir a entrada de determinados produtos estrangeiros. Na prática, empresas estrangeiras precisavam obter autorização especial para importar roupas para a Argentina. "Isso levou a regulações discricionárias. Se você tem o poder de conceder permissões, decide para quem concede e para quem não concede", explica Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires. Efeitos sobre os preços As medidas recentes adotadas pelo governo argentino provocaram um forte impacto no setor têxtil argentino. Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, os preços das roupas subiram 15% no último ano, bem abaixo da inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, a produção local de roupas caiu 15% no período. Para os representantes do setor, a abertura às importações, somada aos altos impostos, à queda do consumo interno e ao chamado "dólar caro", reduziu a competitividade dos produtos argentinos. Ou, como dizem os argentinos, faz com que a indústria jogue "com o campo inclinado" — expressão usada para indicar uma competição em desvantagem diante de produtos importados, principalmente da China, como os vendidos pela Shein e pela Temu. Na semana passada, Milei voltou a defender sua política de abertura econômica. "Não vamos produzir de tudo. Vamos produzir algumas coisas, aquelas em que somos melhores. Naquilo em que somos ruins, não teremos chance", disse Milei no fim de abril diante de um grupo de empresários argentinos. Mais de 1.600 lojas de roupas fecharam recentemente na Argentina Getty Images via BBC Milei afirmou que a falta de competitividade da indústria têxtil argentina diante da China não está relacionada apenas aos custos, mas também à inovação. "A Itália tem salários mais altos do que os nossos e, ainda assim, possui uma indústria têxtil forte. Como isso é possível? Eles competem por meio do design. Precisam encontrar uma saída", disse o presidente argentino. "Culpar os estilistas e dizer que precisamos nos virar para competir com a China me parece uma perversidade como nunca vi na vida", respondeu o estilista argentino Benito Fernández. Para Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires, a abertura econômica é um sinal positivo para a economia argentina no longo prazo, mas a velocidade das mudanças preocupa. "É uma abertura às importações muito agressiva em um setor extremamente sensível. Colocar pressão demais sobre esse setor de uma vez, sem dar tempo para adaptação, pode ser um erro", afirma Hallak. Ele defende que a indústria têxtil tenha mais prazo para implementar mudanças e competir com produtos importados nos segmentos em que possa ser competitiva. "Tudo isso leva tempo. Se o processo for rápido e abrupto, empresas que poderiam sobreviver, se adaptar e apostar em competitividade acabarão desaparecendo", conclui Hallak. Enquanto isso, argentinos como Macarena seguem buscando maneiras de renovar o guarda-roupa. Reportagem adicional de Thais Carrança, da BBC News Brasil LEIA TAMBÉM: 'Estou em modo sobrevivência': por que ter trabalho na Argentina não é seguro contra pobreza O que o consumo de carne de burro na Argentina revela sobre situação do país
11/05/2026 04:00:38 +00:00
O Brasil e a nova estratégia chinesa - O Assunto #1716

A China passa por uma transformação que afeta diretamente o Brasil. Como explica Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a potência asiática busca reduzir sua dependência externa — especialmente de importações como soja e proteínas brasileiras. Pequim acelera uma estratégia de autossuficiência alimentar porque a fome, historicamente presente no país, é tratada hoje como uma "vulnerabilidade". Por isso, o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento do gigante asiático, projeta um crescimento mais moderado e maior foco no fortalecimento do mercado interno. Nesse contexto, segurança alimentar e segurança nacional passam a caminhar juntas. Esse movimento já aparece nos indicadores: na última década, a participação das importações no PIB chinês caiu de 22% para menos de 18%. Na área de alimentos, a estratégia combina tecnologia, subsídios, expansão da produção doméstica e estoques elevados — um cenário que tende a pressionar exportadores no longo prazo. Hoje, o Brasil responde por 25% de tudo o que a China importa do agronegócio global. Diante disso, analistas avaliam que a relação bilateral permanece sólida no curto prazo, mas impõe um desafio estratégico: como o Brasil deve se posicionar diante de uma China que continua investindo aqui, mas busca depender cada vez menos do mundo? Para Wachholz, o país também precisa ficar atento a possíveis acordos entre Estados Unidos e China e ampliar seu leque de parceiros comerciais. Convidado: Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) O que você precisa saber: O Brasil é dependente da China? E quais os riscos disso?; Como a trégua entre EUA e China impacta as exportações de soja do Brasil; O plano da China que pode mudar a economia global; JN: A cidade que simboliza o avanço tecnológico da China; Como a China venceu corrida global das baterias para veículos elétricos; Qual é o papel da China na crise climática?; FANTÁSTICO: Da bicicleta ao carro voador: a revolução na China que atropela o Ocidente. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti , Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Victor Boyadjian. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paulo. Por que o exportador brasileiro vai ter que se sofisticar O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. 'Efeito China': aproximação com o gigante asiático pode enfraquecer a indústria no Brasil? Getty Images via BBC Ouça também:
11/05/2026 03:30:33 +00:00
Aplicação a partir de R$ 1, rendimento atrelado à Selic: como funciona o novo Tesouro Reserva

Tesouro Reserva: Tesouro Nacional lança novo investimento que poderá ser negociado 24 horas por dia Um novo tipo de investimento do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para aplicação em títulos públicos, já está disponível para investidores que buscam alternativas mais simples e com previsibilidade de rendimento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Tesouro Reserva é lançado oficialmente nesta segunda-feira (11) como alternativa à poupança, aos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e às caixinhas digitais dos bancos. O novo título permite aplicações a partir de R$ 1 e tem rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, a Selic. 🔎 O investimento se diferencia do já conhecido Tesouro Selic pela simplificação: o Tesouro Reserva tem aplicação mínima menor, permite resgate a qualquer momento e não traz a mesma complexidade da chamada marcação a mercado — mecanismo que atualiza diariamente o preço dos títulos e que pode afetar o valor recebido pelo investidor em caso de resgate antecipado. (leia mais abaixo) Alguns clientes do Banco do Brasil (BB) já tiveram acesso ao investimento durante a fase de testes. A liberação integral para os correntistas começou na última quinta-feira (7). Hoje, ocorre o tradicional toque da campainha na B3, a bolsa de valores brasileira, dando início à oferta do título ao público geral. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o novo título. O que é o Tesouro Reserva? Quais as condições de aplicação e resgate? Qual a rentabilidade e o risco? Onde e como investir? Por que concorre com CDBs? Quais são as taxas e impostos? Governo lança o Tesouro Reserva, novo investimento com aplicação a partir de R$ 1 Divulgação O que é o Tesouro Reserva? É um novo título de dívida pública do Tesouro Direto, plataforma do governo federal para investimentos em papéis públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, o produto foi criado para formação de reserva financeira, “com foco em simplicidade e previsibilidade”. Quais as condições de aplicação e resgate? O Tesouro Reserva terá investimento mínimo de R$ 1. Segundo especialistas, isso democratiza e facilita o acesso por investidores iniciantes. O sistema permite investir e resgatar o dinheiro a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, inclusive com possibilidade de transferência via PIX. A única exceção é o intervalo entre 0h e 1h, todos os dias. "Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]", avalia Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. O vencimento do papel será de 3 anos, mas o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem descontos. Qual a rentabilidade e o risco? O novo título terá rendimento atrelado à Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,50% ao ano. A rentabilidade será equivalente a 100% da taxa. Em simulação divulgada pelo Tesouro Direto, um investimento de R$ 10 mil renderia R$ 11.006,88 após 12 meses, valor R$ 390,10 a mais do que na poupança. Por ser um título público de renda fixa emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o produto mira quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”. 🔎 O investimento não está sujeito à volatilidade diária típica da chamada marcação a mercado — mecanismo que faz o valor de títulos oscilar diariamente conforme mudam as expectativas do mercado para os juros e a inflação. Na prática, isso significa que o valor aplicado não sofrerá oscilações no momento da compra ou do resgate, trazendo mais previsibilidade ao investidor. Onde e como investir? O investimento já está disponível para clientes do Banco do Brasil, que desenvolveu o produto em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta do título em outras instituições financeiras dependerá da adesão e implementação por parte de cada banco. A pasta acrescenta que, para investir, o processo segue o fluxo tradicional do Tesouro Direto: o cliente do Banco do Brasil deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação. Nos demais bancos, a operação deverá funcionar de forma semelhante após a disponibilização do título. Por que concorre com CDBs? Por ser um investimento prático, com valor mínimo baixo, resgate a qualquer momento e rendimento atrelado à Selic, o Tesouro Reserva se torna uma alternativa interessante aos CDBs, às caixinhas digitais e à poupança, dizem especialistas. “O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos. Relembre os conceitos de CDBs, LCIs, LCAs e caixinhas digitais: 💰Os CDBs são investimentos de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de juros. 🏠 As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) são títulos de renda fixa usados pelos bancos para financiar o setor imobiliário, geralmente isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. 🌾 As LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) funcionam de forma semelhante às LCIs, mas os recursos são direcionados ao financiamento do agronegócio. 🐷 Já nas caixinhas digitais, o banco organiza e aplica automaticamente o dinheiro do cliente em investimentos de renda fixa voltados a objetivos específicos. Marcos Praça, da ZERO Markets, tem a mesma leitura. Ele avalia que o Tesouro Reserva tende a ser uma alternativa competitiva para a reserva de emergência, principalmente pela combinação entre segurança, rapidez no saque e previsibilidade. "Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador", conclui. Quais são as taxas e impostos? Como qualquer investimento do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva também está sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos investimentos de renda fixa. Nesse modelo, a alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e cai gradualmente até 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Até 180 dias de investimento, 22,5%; De 181 a 360 dias de investimento, 20%; De 361 a 720 dias de investimento, 17,5%; Acima de 720 dias, 15%. 🔎 O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos do investimento, e não sobre o valor total aplicado. Por exemplo: se uma pessoa investir R$ 1.000 e, após um período, o saldo subir para R$ 1.100, o IR será cobrado somente sobre os R$ 100 de ganho. Além do IR, também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em caso de resgate nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado. Além disso, o investimento tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil são isentas dessa cobrança.
11/05/2026 03:00:58 +00:00
O que faz a Compass, empresa que estreia na bolsa nesta segunda

Carreta criogênica da Edge, empresa da Compass, transporta GNL do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) para indústrias localizadas em regiões sem acesso a gasodutos. Divulgação A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira (11) na B3 com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que deve movimentar até cerca de R$ 3,2 bilhões. É a primeira companhia a abrir capital na bolsa brasileira desde 2021. (leia mais abaixo) 🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa de gás e energia controla diversos negócios e atua em diferentes etapas do mercado de gás natural no Brasil, incluindo distribuição, infraestrutura e comercialização. Entre seus principais ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com atuação em São Paulo. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 A empresa também tem participação em outras distribuidoras, como Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, além de operar o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos. O terminal é responsável por importar gás natural liquefeito (GNL) — combustível transportado em navios e convertido novamente em gás no Brasil para abastecer o mercado nacional. A Compass também investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, principalmente em regiões de forte atividade econômica. Com cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, a empresa opera uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, por onde são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões, segundo a companhia. De acordo com o documento apresentado aos investidores para o IPO, a companhia encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões. A capitalização total ajustada da empresa — indicador que reflete sua estrutura de capital e considera patrimônio líquido, empréstimos, financiamentos e debêntures — somava R$ 25,36 bilhões no fim de 2025. Entenda o IPO A Compass será listada na B3 sob o código “PASS3”. A companhia definiu o preço de suas ações em R$ 28 no IPO, no piso da faixa estimada para a oferta, que ia até R$ 35 por papel. Com isso, a operação irá movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões. Inicialmente, a oferta envolveu 89,3 milhões de ações, em uma operação de cerca de R$ 2,5 bilhões. Diante da demanda dos investidores, a oferta foi ampliada com lotes adicionais de ações, elevando o valor total em aproximadamente R$ 700 milhões. Com o IPO, a Compass faz sua estreia na bolsa avaliada em cerca de R$ 20 bilhões. 💵 A operação é totalmente secundária — ou seja, não envolve a emissão de novas ações. Na prática, os papéis ofertados já pertencem a acionistas atuais, que estão reduzindo suas participações. Com isso, os recursos da oferta não irão para o caixa da companhia, mas para os vendedores. Entre os investidores que estão vendendo ações estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. Com isso, a operação serve para reforçar o caixa da Cosan. Planta de biometano da OneBio, em Paulínia (SP), controlada pela Edge, empresa da Compass. Divulgação O BTG Pactual atua como coordenador líder da operação — ou seja, é o banco responsável por organizar a oferta e liderar a venda das ações ao mercado. A operação também conta com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. Em comunicado ao mercado, a controladora Cosan informou que irá reduzir sua participação de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso as ações adicionais também sejam negociadas no IPO. A oferta envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar que pode contemplar 13,4 milhões de papéis. Ainda segundo a Cosan, caso todas as ações suplementares sejam vendidas, a oferta pode chegar a R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia. O movimento ocorre em um processo em que o grupo busca reduzir o endividamento. Segundo o documento apresentado aos investidores para o IPO, a oferta é voltada apenas a investidores profissionais, como fundos de investimento, bancos e instituições financeiras. Por que a bolsa ficou sem IPOs? O Brasil ficou quase cinco anos anos sem IPOs. O último havia ocorrido em setembro de 2021, quando a empresa de insumos agrícolas Vittia estreou na bolsa de valores. Foi a 45ª abertura de capital daquele ano, segundo dados da B3. A retomada do mercado após o hiato começou neste ano, mas no exterior. Em janeiro, o banco digital PicPay realizou sua oferta pública inicial nos Estados Unidos e levantou cerca de US$ 434,3 milhões com a oferta de aproximadamente 22,9 milhões de ações na Nasdaq. Como mostrou o g1, a seca na bolsa brasileira ocorreu, em grande parte, devido à disparada dos juros no país nos últimos anos, movimento que levou a taxa Selic a 15% ao ano — o maior patamar em cerca de duas décadas. Atualmente, ela está em 14,50% ao ano, com perspectiva de queda. Veja abaixo: A lógica é simples: quanto maiores os juros, maior tende a ser o retorno de aplicações de renda fixa, que costumam oferecer menos risco. Dessa forma, muitos investidores preferem direcionar recursos para esses investimentos, reduzindo o interesse por IPOs. Além dos juros elevados, também pesou a preocupação com as contas públicas do país. Antes de lançar uma oferta inicial de ações, as empresas costumam levar em conta todo esse cenário econômico, além de fatores internos e das condições do mercado. Apesar das incertezas provocadas pelo tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio, a expectativa do mercado é de queda da taxa Selic para 13% ao ano, o que tende a melhorar o ambiente para esse tipo de operação. Para o fim de 2027, a projeção é de juros em 11% ao ano.
11/05/2026 03:00:52 +00:00
Compass estreia na bolsa nesta segunda, em primeiro IPO na B3 desde 2021

Planta de biometano da OneBio, em Paulínia (SP), controlada pela Edge, empresa da Compass. Divulgação A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, faz nesta segunda-feira (11) sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na B3. É a primeira companhia a estrear na bolsa brasileira desde 2021. (leia mais abaixo) 🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Compass será listada na B3 sob o código “PASS3”. A companhia definiu o preço de suas ações em R$ 28 no IPO, no piso da faixa estimada para a oferta, que ia até R$ 35 por papel. Com isso, a operação irá movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões. Inicialmente, a oferta envolveu 89,3 milhões de ações, em uma operação de cerca de R$ 2,5 bilhões. Diante da demanda dos investidores, a oferta foi ampliada com lotes adicionais de ações, elevando o valor total em aproximadamente R$ 700 milhões. Com o IPO, a Compass faz sua estreia na bolsa avaliada em cerca de R$ 20 bilhões. 💵 A operação é totalmente secundária — ou seja, não envolve a emissão de novas ações. Na prática, os papéis ofertados já pertencem a acionistas atuais, que estão reduzindo suas participações. Com isso, os recursos da oferta não irão para o caixa da companhia, mas para os vendedores. Entre os investidores que estão vendendo ações estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. Com isso, a operação serve para reforçar o caixa da Cosan. (leia mais abaixo) Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 O BTG Pactual atua como coordenador líder da operação — ou seja, é o banco responsável por organizar a oferta e liderar a venda das ações ao mercado. A operação também conta com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. Em comunicado ao mercado, a controladora Cosan informou que irá reduzir sua participação de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso as ações adicionais também sejam negociadas no IPO. A oferta envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar que pode contemplar 13,4 milhões de papéis. Ainda segundo a Cosan, caso todas as ações suplementares sejam vendidas, a oferta pode chegar a R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia. O movimento ocorre em um processo em que o grupo busca reduzir o endividamento. Segundo o documento apresentado aos investidores para o IPO, a oferta é voltada apenas a investidores profissionais, como fundos de investimento, bancos e instituições financeiras. Esse é o primeiro IPO na bolsa brasileira em quase cinco anos. O hiato ocorreu em meio a um cenário de juros elevados e preocupação com as contas públicas no país, o que dificultou esse tipo de operação. (entenda abaixo) O que faz a Compass? Carreta criogênica da Edge, empresa da Compass, transporta GNL do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP) para indústrias localizadas em regiões sem acesso a gasodutos. Divulgação A Compass, empresa de gás e energia da Cosan, controla diversos negócios e atua em diferentes etapas do mercado de gás natural no Brasil, incluindo distribuição, infraestrutura e comercialização. Entre seus principais ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com atuação em São Paulo, e a Edge, que atua em infraestrutura, logística e comercialização de gás natural e biometano no mercado livre — modelo em que empresas podem negociar diretamente contratos de compra de energia e gás, em vez de seguir tarifas reguladas. A Compass também tem participação em outras distribuidoras, como Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, além de operar, por meio da Edge, o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos. O terminal é responsável por importar gás natural liquefeito (GNL) — combustível transportado em navios e convertido novamente em gás no Brasil para abastecer o mercado nacional. A Compass também investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, principalmente em regiões de forte atividade econômica. Com cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, a empresa opera uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, por onde são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões, segundo a companhia. De acordo com o documento apresentado aos investidores para o IPO, a companhia encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões. A capitalização total ajustada da empresa — indicador que reflete sua estrutura de capital e considera patrimônio líquido, empréstimos, financiamentos e debêntures — somava R$ 25,36 bilhões no fim de 2025. O que explica o hiato dos IPOs? O Brasil ficou mais de quatro anos sem IPOs. O último havia ocorrido em setembro de 2021, quando a empresa de insumos agrícolas Vittia estreou na bolsa de valores. Foi a 45ª abertura de capital daquele ano, segundo dados da B3. A retomada do mercado após o hiato começou neste ano, mas no exterior. Em janeiro, o banco digital PicPay realizou sua oferta pública inicial nos Estados Unidos e levantou cerca de US$ 434,3 milhões com a oferta de aproximadamente 22,9 milhões de ações na Nasdaq. Como mostrou o g1, a seca na bolsa brasileira ocorreu, em grande parte, devido à disparada dos juros no país nos últimos anos, movimento que levou a taxa Selic a 15% ao ano — o maior patamar em cerca de duas décadas. Atualmente, ela está em 14,50% ao ano, com perspectiva de queda. Veja abaixo: A lógica é simples: quanto maiores os juros, maior tende a ser o retorno de aplicações de renda fixa, que costumam oferecer menos risco. Dessa forma, muitos investidores preferem direcionar recursos para esses investimentos, reduzindo o interesse por IPOs. Além dos juros elevados, também pesou a preocupação com as contas públicas do país. Antes de lançar uma oferta inicial de ações, as empresas costumam levar em conta todo esse cenário econômico, além de fatores internos e das condições do mercado. Apesar das incertezas provocadas pelo tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio, a expectativa do mercado é de queda da taxa Selic para 13% ao ano, o que tende a melhorar o ambiente para esse tipo de operação. Para o fim de 2027, a projeção é de juros em 11% ao ano.
11/05/2026 03:00:37 +00:00
Petróleo volta a subir com negociações sem sucesso entre EUA e Irã

Os preços do petróleo bruto Brent voltam a subir. Getty Images via BBC Os preços do petróleo abriram em alta no mercado asiático na manhã desta segunda-feira (11), no horário local, pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que rejeitava a resposta do Irã à proposta de paz de Washington e de o Irã renovar suas ameaças no Estreito de Ormuz. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O Brent, referência internacional para entrega em julho, subiu 2,69%, para 104,01 dólares por barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate, avançou 2,54%, para 97,84 dólares por barril. Vídeos em alta no g1
11/05/2026 00:17:32 +00:00
'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro

Estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de ferramentas como o ChatGPT podem enfrentar prejuízos em áreas como criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória Getty Images via BBC Anos atrás, eu passei a me obrigar a usar inteligência artificial (IA) o máximo possível. Se pretendia escrever sobre o tema, também precisava usar a tecnologia. Mas uma série de estudos publicados no último ano começaram a me preocupar: será que estou prejudicando o meu cérebro nesse processo? 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esses estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de ferramentas como o ChatGPT podem enfrentar prejuízos em áreas como criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória. Outros levantam a preocupação de que o uso da IA esteja reduzindo o esforço mental necessário para desenvolver pensamento crítico, e de que, como sociedade, possamos passar a produzir menos ideias originais. Ainda assim, essa linha de pesquisa é muito recente, e as respostas continuam incertas. Devemos nos preocupar? "De modo geral, sim", afirma Adam Greene, professor de neurociência e diretor do Laboratório de Cognição Relacional da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos. Vídeos em alta no g1 Segundo Greene, o tema envolve muitas nuances, mas a IA tende a assumir tarefas que antes exigiam esforço mental. "Há muitas evidências de que, se você deixa de exercitar determinados tipos de pensamento, sua capacidade de realizar esse tipo de raciocínio tende a se deteriorar." Mesmo para quem não procura usar ferramentas como ChatGPT ou Claude, respostas geradas por IA já aparecem no topo das buscas do Google, enquanto grandes empresas de tecnologia aceleram a integração desses sistemas nos celulares. A tecnologia está cada vez mais difícil de evitar, mas há medidas que podem reduzir os principais riscos. Para Jared Benge, professor e neuropsicólogo clínico da Escola de Medicina Dell, da Universidade do Texas, nos EUA, a questão é mais complexa do que parece. Usar IA não significa, automaticamente, que a tecnologia fará mal. Se a IA aliviar a carga mental e permitir foco em tarefas mais importantes, por exemplo, isso pode até trazer benefícios cognitivos. "Por que imaginar que a IA seria tão diferente de outras tecnologias às quais o cérebro humano já se adaptou?", questiona Benge. "A ferramenta, por si só, não é boa nem ruim." Como ocorre com qualquer tecnologia, os efeitos da IA dependem do modo como ela é usada. Ainda assim, as preocupações são sérias o suficiente para levar usuários a repensar a forma como utilizam essas ferramentas, antes que seja tarde. Com isso em mente, conversei com alguns dos principais especialistas da área para entender como a IA pode ser usada sem prejudicar nossas capacidades mentais. Com o que estamos preocupados? Há cerca de 20 anos, surgiu a ideia de que a dependência excessiva da tecnologia poderia provocar uma espécie de "demência digital", marcada pela deterioração da memória de curto prazo e de outros processos cognitivos. Recentemente, Benge, da Universidade do Texas, participou de uma meta-análise que analisou 57 estudos envolvendo mais de 411 mil adultos. Ao final, os pesquisadores não encontraram evidências de "demência digital". Pelo contrário: o uso de tecnologia parecia reduzir o risco de comprometimento cognitivo. Mas isso não significa que não exista motivo para preocupação. As pesquisas mostram que pessoas que dependem de sistemas de navegação por satélite, como GPS, deixam de formar mapas mentais do ambiente ao redor, e sua memória espacial tende a piorar com o tempo. Algo semelhante ocorreu com os mecanismos de busca, em um fenômeno que ficou conhecido como "efeito Google". Aparentemente, temos menos tendência a memorizar informações encontradas em buscadores porque acessá-las exige pouco esforço. Em outras palavras, o cérebro tende a perder habilidade em tarefas que delegamos a ferramentas externas. E a IA pode ser o instrumento de terceirização cognitiva mais poderoso já criado. A IA pode estar tornando as pessoas menos criativas, menos analíticas e prejudicando a memória, mas especialistas dizem que ainda é possível evitar esses efeitos Getty Images via BBC "O que a IA está fazendo é nos oferecer, pela primeira vez, uma maneira fácil de trocar o processo pelo resultado", afirma Greene, da Universidade de Georgetown. O texto pode ficar melhor escrito. A apresentação pode parecer mais sofisticada. A piada da festa de aposentadoria pode funcionar perfeitamente. Mas o esforço mental, a dificuldade, as tentativas frustradas e o momento em que algo finalmente faz sentido são justamente o que o cérebro precisa. "É como ir à academia e deixar um robô levantar os pesos por você", diz Greene. "Você não ganha nada com isso." Então, como usar IA sem deixar de exercitar o cérebro? Não aceite a resposta da IA sem questionar Um estudo recente mostrou que usuários mais frequentes de IA tiveram desempenho significativamente pior em um teste padrão de pensamento crítico. A explicação seria o hábito de transferir parte do raciocínio para sistemas automatizados, ou robôs. Os pesquisadores também observaram que muitas pessoas passam a confiar mais na IA do que no próprio julgamento, mesmo quando a ferramenta está errada. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, chamam esse fenômeno de "rendição cognitiva". O problema tende a ser maior quando o usuário conhece pouco o assunto. Um estudo da Microsoft Research concluiu que o risco aumenta justamente em áreas nas quais a pessoa tem menos familiaridade. "Se o usuário não tem conhecimento suficiente para avaliar se a resposta é boa ou não, aí está o perigo", afirma Hank Lee, doutorando da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, e coautor do estudo. Para Lee, a solução começa antes mesmo de abrir o aplicativo. Se você não confia automaticamente na resposta de um desconhecido, também não deveria confiar cegamente na IA. São justamente esses temas que exigem julgamento próprio. Uma alternativa é formular antes uma visão inicial sobre o assunto e usar a IA para testar ou confrontar esse raciocínio, em vez de simplesmente aceitar a resposta da ferramenta. Assim, a IA funciona como um instrumento para colocar o pensamento à prova, e não para substituí-lo. Introduza mais esforço no processo de pesquisa Ao recorrer à IA para buscar informações importantes, especialistas recomendam se envolver ativamente com o conteúdo. Fazer anotações, de preferência à mão, embora digitá-las também ajuda, pode contribuir para a retenção Getty Images via BBC "Quando algo está diante de você, é comum acreditar que a informação já foi armazenada na memória de longo prazo, quando isso nem sempre acontece", afirma Barbara Oakley, professora emérita de engenharia da Universidade de Oakland, nos EUA, que pesquisa o funcionamento do aprendizado no cérebro. Pesquisas iniciais indicam que a IA pode afetar a capacidade de retenção de informações. Um levantamento com 494 estudantes mostrou que usuários mais frequentes do ChatGPT relataram mais episódios de perda de memória. Avaliações feitas pelos próprios participantes não constituem prova científica definitiva, mas outros trabalhos apontam na mesma direção. Um estudo de 2024 ainda não publicado, por exemplo, sugere que resolver pequenos problemas antes de usar um chatbot de IA pode melhorar o aprendizado obtido com a ferramenta. Ao recorrer à IA para buscar informações importantes, especialistas recomendam desacelerar e se envolver mais ativamente com o conteúdo. Fazer anotações, de preferência à mão, embora digitá-las também ajuda, pode contribuir para a retenção. Também é possível pedir à IA que faça perguntas sobre o tema ou crie flashcards (cartões de revisão, em tradução livre). O esforço faz diferença. Pode parecer excessivamente trabalhoso, mas a ideia é justamente introduzir algum grau de dificuldade no processo. Deixe a página em branco por mais tempo A IA é extremamente eficiente para gerar ideias. E esse é justamente o problema. Pesquisas indicam que pessoas que usam IA em tarefas criativas tendem a produzir ideias mais previsíveis e menos originais do que aquelas que não recorrem à tecnologia. Isso pode enfraquecer a sua capacidade criativa. Segundo Greene, da Universidade Georgetown, a criatividade surge quando o cérebro estabelece conexões inesperadas. Quando essa tarefa é delegada à IA, parte desse exercício mental se perde. "Estamos preocupados com a perda desse 'músculo criativo'", afirma Greene. "A IA nos leva, de várias formas, a acreditar que está tornando as pessoas mais criativas." Uma forma de evitar isso é colocar primeiro as próprias ideias no papel, ainda que de maneira incompleta ou confusa. Vale passar mais tempo diante da página em branco e escrever o que vier à mente. A qualidade inicial importa menos do que o processo. O que importa, segundo pesquisadores, é que o cérebro faça suas próprias conexões, recorrendo a experiências, memórias e conhecimentos pessoais para produzir algo singular. É aí que acontece o exercício mental. Só depois disso a IA deveria entrar em cena, para desenvolver, questionar ou aprimorar as ideias já formuladas. Preste atenção Pesquisas sugerem que o excesso de estímulos tecnológicos também está tornando mais difícil manter o foco Getty Images via BBC Se você chegou até aqui no texto, parabéns. Mas se você já começou a perder a atenção, você não está sozinho. Pode ser apenas que este texto esteja entediante. Mas há pesquisas que sugerem que o excesso de estímulos tecnológicos também está tornando mais difícil manter o foco. A IA pode intensificar esse problema: as respostas estão disponíveis instantaneamente, e há inúmeras maneiras de escapar do esforço e do desconforto. No entanto, a lógica é semelhante à das outras recomendações: optar conscientemente pelo caminho mais lento. Não peça ao ChatGPT para resumir aquele artigo longo. Passe algum tempo tentando resolver um problema difícil antes de recorrer a um robô. Permita-se sentir tédio. O desconforto faz parte do processo. É assim que o cérebro aprende a lidar e, eventualmente, a apreciar o esforço mental necessário para um pensamento mais profundo. Cérebros humanos ainda importam Não estou dizendo que as pessoas devem deixar de usar chatbots de IA, como ChatGPT, Claude ou Gemini. Mas tenho tentado usar essas ferramentas de maneira mais consciente, para garantir que eu continue pensando por conta própria. E isso pode nos deixar mais preparados para o futuro. Segundo Greene, da Universidade Georgetown, o cérebro humano funciona de forma muito diferente da IA em aspectos fundamentais: somos capazes de criar conexões pessoais, inesperadas e genuinamente originais, algo que máquinas baseadas em probabilidade não conseguem reproduzir. "A singularidade e a diversidade das ideias humanas serão de grande valor nos próximos anos", afirma Greene. Para ele, a necessidade de "pensar além dos robôs" tende a se tornar uma forma de adaptação social. E, como lembra Benge, da Universidade do Texas, essa não é a primeira vez que a humanidade passa por uma transformação tecnológica desse tipo. "O cérebro humano sempre se adaptou à tecnologia. Nós nos adaptamos o tempo todo. Essa é uma das forças da nossa espécie", afirma. "Perdemos a capacidade de correr maratonas porque existem carros? Não. Isso apenas passou a ser uma atividade que as pessoas escolhem praticar." As ferramentas mudam. Mas, ao que tudo indica, o desejo humano de pensar, criar e compreender o mundo por conta própria é muito mais difícil de automatizar. LEIA TAMBÉM: 6 conselhos de especialistas sobre como falar com a IA para obter as melhores respostas O que está por trás da disputa entre os ex-amigos Elon Musk e Sam Altman, do ChatGPT, nos tribunais dos EUA Você deve confiar em conselhos de saúde de um chatbot de IA?
10/05/2026 16:00:51 +00:00
Cavalo atleta volta a treinar após cirurgia inédita na medula no interior de SP

Cavalo de quatro anos retoma treinos após cirurgia para tratar lesão na medula que comprometeu o desempenho esportivo TV TEM/Reprodução Um cavalo atleta de quatro anos voltou a treinar em Jundiaí (SP) após passar por uma cirurgia considerada um avanço no tratamento de lesões na medula. O animal, da raça Brasileiro de Hipismo (BH), havia sofrido uma queda que causou incoordenação motora e comprometeu sua carreira esportiva. A recuperação reacende a esperança de seu retorno às competições. A lesão na coluna cervical do cavalo foi tratada com uma técnica cirúrgica desenvolvida pelo médico veterinário Luiz Vasconcelos. Segundo o profissional, o procedimento é resultado de mais de 30 anos de estudos e representa um marco na medicina veterinária equina. De acordo com Vasconcelos, estima-se que até 40% dos cavalos no mundo possam ter esse tipo de lesão, muitas vezes não diagnosticada. O problema, com o tempo, afeta o desempenho do animal e pode colocar em risco a segurança do cavaleiro. O proprietário e domador do cavalo, Lucas Teixeira Lima, acompanha a recuperação de perto e comemora os resultados. Ele relata uma melhora significativa no comportamento e nos movimentos do animal, e a expectativa é que a carreira esportiva seja retomada em breve. O sucesso do procedimento representa não apenas a chance de retorno do animal às competições, mas também um avanço importante no tratamento de lesões que, até então, poderiam encerrar a carreira de cavalos atletas. Veja a reportagem exibida no programa em 10/05/2026: Cavalo atleta volta a treinar após cirurgia inédita na medula no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
10/05/2026 10:30:45 +00:00
Fim da piracema aquece mercado de iscas vivas no interior de SP

Fim da piracema impulsiona produção e venda de iscas vivas na região de Rio Preto Reprodução/TV TEM Com o fim da piracema, período de reprodução dos peixes, a volta da temporada de pesca em fevereiro aquece o mercado de iscas vivas e se torna uma alternativa de renda no interior de São Paulo. Em Mirassol (SP), um produtor chega a vender 700 litros por semana de minhocas gigantes. Já em José Bonifácio (SP), um casal vendeu um milhão de lambaris em apenas dois meses. Na região de Mirassol, Walter Roberto se especializou na criação da minhoca gigante africana, que pode atingir até 40 centímetros de comprimento. O que começou com um pequeno canteiro para seu antigo pesqueiro virou um negócio que hoje atende oito lojas e vende 700 litros de iscas por semana. A criação é feita em quatro galpões, onde as minhocas são alimentadas com um resíduo da cana-de-açúcar. Já na zona rural de José Bonifácio, o casal Gisele Rampasso e Renato Scarin se dedica à criação de lambaris desde 2021. A produção é alta: entre janeiro e fevereiro deste ano, eles venderam um milhão de iscas vivas. Segundo Gisele, a maior procura é pelo lambari "GG", de 15 centímetros, que leva nove meses para se desenvolver. Os peixes são criados em 60 tanques e vendidos por unidade para lojas de São Paulo e Minas Gerais, com preços que variam de R$ 0,30 a R$ 0,60. A alta produção dos criadores reflete a demanda do mercado. Uma loja de iscas em São José do Rio Preto (SP), por exemplo, precisa de reposição semanal, principalmente de minhocas e lambaris, que são considerados versáteis e eficientes para a pesca. Veja a reportagem exibida no programa em 10/05/2026: Fim da piracema aquece mercado de iscas vivas no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
10/05/2026 10:20:36 +00:00
Maioria dos eleitores dos EUA reprova gestão econômica de Trump, aponta pesquisa do Financial Times

O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington AP/Jacquelyn Martin A inflação elevada, o aumento do custo de vida e os impactos da guerra no Irã estão corroendo a confiança dos eleitores americanos na condução da economia pelo presidente Donald Trump. É o que mostra uma nova pesquisa divulgada neste domingo (10) pelo Financial Times, a seis meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, realizado pela empresa Focaldata entre os dias 1º e 5 de maio com 3.167 eleitores registrados, cerca de 58% dos entrevistados desaprovam a forma como Trump lida com a inflação e o custo de vida — hoje apontados como os principais problemas do país. O resultado representa um alerta para o Partido Republicano. Além da inflação, mais da metade dos entrevistados também desaprova a atuação do presidente em áreas como emprego, economia em geral e política externa, de acordo com a análise publicada pelo jornal britânico. Crise em Minesota expõe a instabilidade política de Trump? Tarifas e economia sob pressão As críticas se estendem à política comercial da Casa Branca. Segundo a pesquisa, 55% dos eleitores afirmam que as tarifas impostas pelo governo prejudicaram a economia dos Estados Unidos. Apenas cerca de um quarto avalia que as medidas trouxeram benefícios. A rejeição não se restringe a eleitores democratas. Independentes e até parte dos republicanos também demonstram insatisfação com a política tarifária, ainda que em menor grau, segundo o levantamento. A pesquisa foi realizada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, desencadearam uma escalada militar que já afeta o mercado global de petróleo. O reflexo mais imediato foi sentido nos combustíveis. O preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou a cerca de US$ 4,60 por galão. O valor é quase 50% acima do nível registrado antes da escalada do conflito, segundo o Financial Times. Apesar disso, Trump afirma publicamente que os preços seguem “muito baixos”. A percepção dos eleitores, no entanto, é diferente: 54% desaprovam a condução do presidente na guerra contra o Irã. Entre republicanos, cerca de 20% também demonstram insatisfação, indicando divisões dentro da própria base de apoio. Queda na aprovação geral O desgaste econômico e externo se reflete na avaliação geral do governo. De acordo com a pesquisa, 54% dos eleitores desaprovam o desempenho de Trump como presidente, enquanto 39% aprovam. Entre eleitores independentes — grupo considerado decisivo nas eleições legislativas — a rejeição é ainda maior: mais de 58% têm avaliação negativa do presidente. Cenário eleitoral A poucos meses das eleições de meio de mandato, o levantamento indica vantagem dos democratas na disputa pelo Congresso. Segundo o Financial Times, o partido aparece oito pontos à frente dos republicanos entre eleitores registrados, diferença que aumenta entre independentes. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado. O desgaste econômico e a queda na popularidade do presidente podem, segundo a análise, abrir espaço para uma possível virada democrata nas eleições de novembro. Procurada pela Financial Times, a Casa Branca minimizou os resultados da pesquisa. Em nota ao Financial Times, um porta-voz afirmou que medidas como cortes de impostos, desregulamentação e a política energética do governo mantêm a economia em uma “trajetória sólida”. Segundo o governo, a expectativa é de que a redução das tensões no setor energético contribua para queda nos preços da gasolina, aumento dos salários reais e desaceleração da inflação.
10/05/2026 08:13:45 +00:00
Guerra no Oriente Médio abala imagem de Dubai como centro financeiro seguro

Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW Dubai construiu uma reputação como oásis de estabilidade em uma região do Oriente Médio conhecida pelas tensões regionais. O segundo emirado mais rico dos Emirados Árabes Unidos se posicionou como um centro financeiro seguro, onde ricos de todo o mundo podiam alocar capital, conduzir negócios e planejar o futuro com confiança. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Essa imagem cuidadosamente construída foi abalada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Ataques iranianos com mísseis e drones contra alvos no Golfo Pérsico provocaram um forte choque econômico, com os mercados acionários de Dubai e do vizinho Abu Dhabi perdendo inicialmente 120 bilhões de dólares (R$ 598 bilhões) em valor. Vídeos em alta no g1 Ao mesmo tempo, o turismo despencou, a taxa de ocupação hoteleira caiu dos usuais 70% ou 80% para 20%, e os voos de e para o Aeroporto Internacional de Dubai recuaram cerca de dois terços, segundo a consultoria londrina Capital Economics. Embora o tráfego aéreo, o turismo e os negócios estivessem se recuperando em meio ao cessar-fogo provisório, um novo ataque de drones iranianos ao complexo petrolífero de Fujairah, nesta segunda-feira (04/05), trouxe um lembrete indesejado: quanto mais durar o impasse entre Washington e Teerã, maior será a ameaça à reputação de Dubai como polo global de negócios. Status de porto seguro em suspenso Algumas das pessoas de altíssimo patrimônio que adotaram Dubai como playground dos ricos e famosos passaram a questionar se o emirado é, de fato, orefúgio seguro que prometia ser. Muitas delas já recorrem a outros dois grandes centros financeiros, Singapura e Suíça, para alocar ao menos parte de seus ativos. Consultores de patrimônio nesses dois países relataram recentemente um aumento acentuado nas consultas de clientes baseados em Dubai, com banqueiros privados suíços esperando dezenas de bilhões de dólares em novos fluxos vindos do Golfo. Os dois centros não são concorrentes diretos e costumam atrair perfis distintos de riqueza, afirma Ryan Lin, advogado baseado em Singapura e diretor do escritório Bayfront Law. "A Suíça tende a atrair clientes europeus e globais, enquanto Singapura tem mais probabilidade de se beneficiar de riqueza de origem asiática", explica. O turismo contribui com cerca de 12% da renda anual de Dubai — uma receita que foi severamente impactada pela guerra. Fatima Shbair/AP Photo/picture alliance via DW Singapura foi pioneira no modelo que Dubai mais tarde emulou, ao construir um ecossistema sofisticado de family offices, como são chamadas as estruturas privadas criadas para gerir investimentos, planejamento tributário e sucessório. Essas soluções são especialmente atraentes para famílias de países como China, Índia e Indonésia. A Suíça, por sua vez, se apoia numa longa tradição de bancos privados e em sua reputação de neutralidade. Para quem busca retirar parte dos ativos de Dubai, a mudança costuma ser uma "escolha entre crescimento e preservação", segundo Till Christian Budelmann, diretor de investimentos do banco privado suíço Bergos. "Singapura é excelente para capturar o crescimento asiático, mas a Suíça continua sendo o principal porto de ancoragem do mundo para a preservação de capital", diz Budelmann. Ele acrescenta que o país alpino "oferece um nível de distância sistêmica de focos geopolíticos que Singapura nem sempre pode garantir". Boom imobiliário perde fôlego Além da retração imediata, o conflito ameaça o apelo de longo prazo de Dubai para expatriados e empresas. O estilo de vida cosmopolita da cidade ajudou a impulsionar um boom imobiliário que fez os preços de mansões de alto padrão quase dobrarem entre a pandemia e o fim de 2024. Agora, muitos estão preocupados com o setor. Em março, o valor total das transações residenciais caiu quase 20% na comparação mensal, para cerca de 10,1 bilhões de dólares (R$ 50 bilhões), informou a Bloomberg no mês passado. Projeções para o mercado imobiliário de Dubai feitas pelo Citi Research e pela consultoria Knight Frank agora apontam para uma possível correção de preços entre 7% e 15%. Apesar dos ataques iranianos, a maioria dos indivíduos de alto patrimônio não está deixando Dubai, mas diversificando. Budelmann descreve esse movimento como "hibridismo estratégico", no qual os clientes mantêm seus negócios operacionais e alguns ativos nos Emirados, mas transferem a riqueza de longo prazo e, em muitos casos, estabelecem uma residência secundária em Singapura ou na Suíça. Boom econômico em pausa Cerca de um quinto dos clientes de Lin baseados em Dubai planeja permanecer onde está e vê a instabilidade causada pela guerra como temporária. Para muitos outros, ter uma base em outro lugar passou a ser considerado uma apólice de seguro essencial. Antes da guerra, a economia de Dubai estava em plena expansão. Em 2025, o emirado registrou crescimento do PIB de cerca de 4,7% nos primeiros nove meses do ano. Shopping pouco baixo movimento em Dubai Reprodução/TV Globo Um recorde de 9.800 milionários se mudou para Dubai no ano passado, levando consigo cerca de 63 bilhões de dólares (R$ 314 bilhões) em nova riqueza, segundo a consultoria Henley and Partners. O emirado oferece imposto de renda zero para pessoa física, não cobra imposto sobre ganhos de capital nem sobre herança e aplica um imposto corporativo de apenas 9% sobre lucros acima de cerca de 100 mil dólares (R$ 498 mil). Empresas em zonas de livre comércio não pagam imposto algum sobre a renda qualificada. Popular por bons motivos Inicialmente um modesto assentamento no deserto, Dubai passou os últimos 50 anos expandindo os limites da inovação e da engenharia. Analistas acreditam que, se o cessar-fogo se mantiver e a confiança retornar rapidamente, Dubai pode se recuperar com rapidez. Eles também alertam contra descartar a cidade que abriga o prédio mais alto do mundo – o Burj Khalifa – e uma longa lista de outros projetos aparentemente impossíveis que se tornaram ícones globais. Antes da guerra, o governante de Dubai, o xeique Mohammed bin Rashid al-Maktoum, colocou em marcha planos para transformar o aeroporto de Dubai no maior hub de aviação do mundo e dobrar o tamanho da economia até 2033. Outros projetos audaciosos também estão previstos para o futuro da cidade, como planos para uma passarela climatizada de 93 quilômetros, conhecida como The Loop, o maior sistema de recifes artificiais do mundo, com mais de 1 bilhão de corais, e um chamativo hotel na forma da Lua, voltado para o turismo de luxo.
10/05/2026 08:01:15 +00:00
As colegas de trabalho que tinham a mesma tatuagem e descobriram que eram irmãs

Quando se conheceram, Cassandra Madison (à esquerda) e Julia Tinetti não faziam ideia de que eram irmãs Julia Tinetti Julia Tinetti e Cassandra Madison tinham muito em comum e, pouco depois de se conhecerem trabalhando no mesmo bar, viraram grandes amigas. Na época, nenhuma das duas imaginava o quanto eram próximas. Tinetti e Madison cresceram nos anos 1990 em Connecticut, nos Estados Unidos. Embora não se conhecessem na infância, moravam a cerca de 15 minutos uma da outra, e ambas eram adotadas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Quando criança, Madison sempre pensava sobre sua mãe biológica e sonhava em conhecê-la um dia. Ela se perguntava se tinha herdado dela o sorriso ou os olhos. Sabia que sua família biológica vinha da República Dominicana, no Caribe. "Eles decidiram me entregar para adoção porque eram muito, muito, muito, muito pobres e simplesmente não tinham condições de me criar", diz Madison. Vídeos em alta no g1 No começo da vida adulta, Madison tentou encontrar a família biológica, mas não tinha certidão de nascimento, e todas as tentativas fracassaram. Aos 19 anos, tatuou a bandeira da República Dominicana no braço para lembrar suas origens. "Ser dominicana é motivo de muito orgulho para mim", afirma. Cinco anos depois, Madison começou a trabalhar como garçonete em um bar. Foi lá que conheceu Tinetti, que reparou na tatuagem da bandeira dominicana em seu braço. Madison (à esquerda) e Tinetti (à direita) foram adotadas ainda bebês na República Dominicana Cassandra Madison and Julia Tinetti Por coincidência, Tinetti também tinha uma tatuagem da bandeira da República Dominicana, no caso dela, nas costas. Ela fez a tatuagem aos 22 anos, como uma lembrança do lugar onde também havia nascido. As duas logo descobriram que também eram adotadas. "Eu disse algo como: 'Sim, fui adotada de lá'", conta Tinetti. "E [ela] respondeu: 'Espera, porque eu também fui adotada de lá.' Aquilo me paralisou." As duas começaram então a perguntar a outras pessoas: "'Vocês acham que a gente se parece?' E elas respondiam: 'Sim, vocês se parecem'", lembra Tinetti. Pouco depois, já brincavam dizendo que eram irmãs. Madison chegou a sugerir que usassem roupas iguais para parecerem ainda mais parecidas. O reencontro no aeroporto foi muito emocionante, com toda a família reunida para receber as irmãs Julia Tinetti Tudo começou como brincadeira, mas em determinado momento elas passaram a cogitar a possibilidade de serem parentes. Decidiram comparar os documentos de adoção, mas nada indicava que fossem irmãs. Os papéis mostravam que haviam nascido em lugares distintos e que suas mães biológicas tinham sobrenomes diferentes. Com o passar do tempo, as duas mudaram de emprego e seguiram caminhos diferentes. Tinetti permaneceu em Connecticut, enquanto Madison se mudou para a Virgínia, também nos EUA. Elas continuaram em contato, mas a distância fez com que deixassem de ser tão próximas como antes. Anos depois, Madison ganhou de Natal um kit de teste genético. Por meio dele, encontrou uma prima, que lhe contou que sua mãe biológica havia morrido em 2015. A notícia foi devastadora, mas a prima a ajudou a localizar outros membros da família, incluindo o pai biológico. A prima contou a Madison que os pais haviam passado por muitas dificuldades quando ela era bebê. Madison então marcou uma ligação com o pai biológico, Adriano Luna Collado, que relatou parte do que aconteceu quando ela foi entregue para adoção. Segundo ele, a família era tão pobre que dormia em chão de terra batida. Quando a mãe de Madison estava grávida dela, o irmão mais velho também estava muito doente, e o pai concluiu que a única forma de a família sobreviver seria entregá-la para adoção. Pouco depois, Madison começou a planejar uma viagem para a República Dominicana. Toda a família biológica a esperava no aeroporto usando camisetas com fotos dela. Madison correu para os braços do pai, os dois se abraçaram e choraram juntos. A viagem foi maravilhosa, mas a volta para casa trouxe uma reviravolta inesperada. Uma mulher chamada Molly entrou em contato. Ela havia sido a melhor amiga de infância de Tinetti. Os pais das duas viajaram juntos dos EUA para a República Dominicana para adotar as filhas. Molly acreditava ser irmã biológica de Madison porque as duas tinham o mesmo nome de mãe nas certidões de nascimento. Mas testes de DNA revelaram que elas não eram irmãs — apenas primas distantes — e que o nome na certidão estava errado. Molly, no entanto, tinha uma foto da mãe biológica de Madison que, segundo ela, era idêntica a Tinetti. Por isso, insistiu que, na verdade, Madison e Tinetti eram irmãs. Madison e Tinetti, fotografadas com o pai biológico e a filha de Madison, descobriram uma família cuja existência desconheciam Julia Tinetti Madison ligou para o pai biológico por vídeo e perguntou se os pais haviam entregue outro bebê para adoção. "Parecia que ele tinha perdido o chão", diz Madison. "Então respondeu: 'Sim, entreguei.' E eu fiquei: 'Meu Deus. Você nunca me contou isso.'" Com a nova revelação, Madison sentiu que não havia tempo a perder. Assim que pôde, conseguiu outro kit de teste genético e dirigiu por oito horas, atravessando uma tempestade de neve, até a cidade onde Tinetti morava. Os resultados demoraram duas semanas e meia para sair. A espera foi angustiante para as duas. Nenhuma delas conseguia se concentrar no trabalho enquanto aguardava a notícia. Finalmente, quando o resultado chegou, Tinetti abriu a mensagem e viu: ela e Madison eram irmãs. "Sinceramente, isso é uma loucura", afirma Tinetti. "Esse tempo todo nós éramos irmãs e nem sabíamos." Madison chorou ao descobrir. Ela contou ao pai, que ficou radiante e quis conhecer Tinetti o quanto antes. Então, as irmãs começaram a planejar uma viagem juntas para a República Dominicana. Quando chegaram, toda a família mais uma vez as esperava no aeroporto, desta vez usando camisetas com fotos das duas. O pai caminhou até Tinetti, deu um abraço apertado nela e disse: "Mi hija" ("minha filha", em espanhol). Tinetti e Madison foram recebidas pela família com camisetas estampadas com a frase: "Bem-vindas à sua família" Julia Tinetti A primeira viagem das duas como irmãs foi cheia de alegria, música e dança. Collado afirma que reencontrar as filhas foi o maior presente que Deus já lhe deu. "Estou muito feliz, verdadeiramente feliz. Toda vez que elas vêm me visitar, meu coração se enche de alegria. Nós as recebemos com amor e carinho, como toda família deveria fazer", afirma. "É uma história bonita. Nem todo mundo tem uma história assim para contar." Baseado em um episódio do programa Outlook, do BBC World Service.
10/05/2026 07:01:46 +00:00
Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram demitidas após retorno

Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos O Brasil registrou uma queda no número de empresas que oferecem licença-maternidade estendida. É o que mostra um levantamento da Receita Federal, obtido pelo g1 com exclusividade. O número de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã caiu de 30.545, em 2024, para 8.862, em 2025 — uma redução de cerca de 71%. Em 2026, o total permaneceu praticamente estável, com 8.858 empresas cadastradas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a Receita Federal, a queda ocorreu após uma auditoria realizada em 2024, que resultou na exclusão de 22.207 empresas do programa. As organizações foram retiradas por irregularidades cadastrais ou incompatibilidade com o regime tributário exigido para acesso ao benefício fiscal. 🔎 Criado em 2008, o Programa Empresa Cidadã permite que empresas ampliem a licença-maternidade de 120 para 180 dias e a licença-paternidade de cinco para 20 dias. Em contrapartida, podem deduzir do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) o valor pago às funcionárias durante os dois meses adicionais. Série histórica das empresas participantes do Programa Empresa Cidadã Arte g1 Entre os setores econômicos, a maior presença de empresas cadastradas está na indústria de transformação, com 1.994 participantes. Em seguida aparecem o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas, com 1.966 empresas. Também se destacam os setores de informação e comunicação, com 1.065 organizações, e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com 1.026 empresas. Antes da auditoria, o programa vinha registrando crescimento ao longo da última década. A série histórica mostra que, em 2010, havia 10.947 empresas participantes. O número continuou aumentando nos anos seguintes até atingir o pico de 30.545 organizações em 2024. Os dados da Receita vão ao encontro de um levantamento da VR. Com base em cerca de 4 milhões de trabalhadores formais que utilizam os serviços de RH Digital da companhia, o estudo aponta queda na adesão às licenças ampliadas. Segundo o levantamento, os afastamentos superiores a 120 dias representaram 8% do total até o primeiro trimestre de 2026. O percentual era de 10% em 2025 e 2024, e de 11% em 2023. Em números absolutos, foram registrados cerca de 400 casos de licença estendida nos três primeiros meses de 2026, ante 1,6 mil em 2025 e 2024, e aproximadamente 1,5 mil em 2023. Já a licença-maternidade padrão, de 120 dias, concentrou a maior parte dos afastamentos no período analisado, representando 76% dos casos. Foram 3,9 mil registros até março de 2026, 12,6 mil em 2025, 11,5 mil em 2024 e 10,4 mil em 2023. Entre os pais, os dados mostram um leve aumento no número de afastamentos após o nascimento dos filhos, embora a adesão à licença-paternidade estendida também esteja em queda. As licenças superiores a 20 dias — permitidas pelo Programa Empresa Cidadã — recuaram de 9% dos pedidos em 2023 para 6% em 2025. No primeiro trimestre de 2026, o índice ficou em 5%. Os afastamentos intermediários, entre cinco e 19 dias, geralmente viabilizados pela combinação de férias, banco de horas e folgas, também diminuíram no período, passando de 18% para 14%. Em contrapartida, cerca de três em cada quatro trabalhadores utilizaram apenas os cinco dias de licença previstos na legislação. A proporção subiu de 73% em 2023 para 77% em 2025. Foram registrados 1,9 mil casos até março de 2026, 6,3 mil em 2025, 5,6 mil em 2024 e 5,1 mil em 2023. Senado aprova aumento gradual de duração da licença-paternidade, chegando a 20 dias em 2029 Mais de 380 mil desligamentos após a licença Dados do eSocial, obrigatórios desde janeiro de 2020 para o registro de demissões, mostram que mais de 380 mil mulheres foram desligadas do emprego nos últimos cinco anos após o retorno da licença-maternidade. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e considera demissões ocorridas em até dois anos após o término da licença. Entre 2020 e 2025, foram registrados: 383.737 dispensas sem justa causa; 265.515 pedidos de demissão; 13.544 distratos, modalidade de rescisão em comum acordo; 50.545 desligamentos em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã. Dispensas do trabalho entre 2020 a 2025 sem justa causa Arte g1 A Secretaria de Inspeção do Trabalho ressalta que não há um levantamento específico sobre demissões ocorridas durante o período de estabilidade, já que o eSocial não possui campo próprio para registrar gestação ou estabilidade provisória. Por isso, casos desse tipo chegam ao Ministério do Trabalho principalmente por meio de denúncias feitas pelas próprias trabalhadoras, o que dificulta a consolidação de estatísticas mais precisas. Esses desligamentos podem indicar dispensa discriminatória ou ausência de políticas de retenção da mão de obra feminina, especialmente diante da falta de ações que incentivem o compartilhamento das responsabilidades de cuidado. De acordo com Bemergui, coordenadora nacional de Combate à Discriminação, ao Assédio e à Violência e Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho (Conaigualdade), a permanência das mulheres no mercado de trabalho após a licença-maternidade ainda é um desafio estrutural. Ela afirma que muitos empregadores não adotam políticas efetivas de apoio ao compartilhamento das responsabilidades de cuidado. Dados do Relatório de Transparência Salarial do segundo semestre de 2025 indicam que menos da metade das empresas com mais de 100 empregados no Brasil possui políticas de flexibilização de jornada voltadas à parentalidade. Outro problema apontado é a falta de estruturas de apoio ao cuidado infantil. Fiscalizações realizadas pela SIT em 2024 e 2025 identificaram alto descumprimento da obrigação prevista na CLT de oferecer local para guarda dos filhos das trabalhadoras ou auxílio-creche. A auditora afirma ainda que a elevada concentração de demissões após o retorno da licença-maternidade pode indicar discriminação no ambiente de trabalho. A confirmação, no entanto, depende de fiscalização com análise documental e investigação conduzida pela auditoria fiscal do trabalho. Caso a prática discriminatória seja comprovada, a empresa pode receber auto de infração e multa administrativa. Trabalhadoras que se sentirem discriminadas podem registrar denúncia no canal do Ministério do Trabalho, procurar o sindicato da categoria ou acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo a Secretaria, os dados do eSocial também são utilizados para identificar padrões de desligamento após a licença-maternidade e orientar ações de fiscalização em empresas ou setores que concentrem esses casos. As informações, porém, funcionam apenas como indícios. A confirmação da discriminação ocorre durante investigação conduzida pela auditoria fiscal do trabalho. Licença-maternidade e estabilidade no emprego A legislação brasileira garante uma série de direitos às mulheres desde a confirmação da gravidez até o período posterior ao parto. Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez, independentemente de a trabalhadora ou a empresa já terem conhecimento da gestação. Isso significa que, até cinco meses após o parto, a trabalhadora não pode ser demitida sem justa causa. Durante esse período, também tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. Nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, esse prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, fazendo com que a licença chegue a 180 dias. Convenções ou acordos coletivos firmados com sindicatos também podem ampliar esse período. A advogada destaca ainda que mudanças recentes na legislação passaram a prever que o início da licença-maternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o que ocorrer por último —, garantindo maior proteção em casos de internação prolongada. Além disso, a CLT assegura outros direitos à gestante, como: Possibilidade de transferência de função, sem redução salarial, quando as atividades representarem risco à saúde da mãe ou do bebê; Liberação para pelo menos seis consultas médicas e exames durante a gravidez, sem prejuízo do salário. Apesar dessas garantias, a advogada ressalta que a estabilidade está vinculada à condição de gestante, e não ao período da licença-maternidade. Assim, após o fim do prazo legal de estabilidade, não há garantia automática de permanência no emprego, exceto quando houver previsão em acordos coletivos ou políticas internas da empresa. Ainda assim, demissões relacionadas à maternidade podem ser consideradas discriminatórias. Segundo Burlamaqui, situações como dispensa logo após o retorno ao trabalho, ausência de avaliações negativas anteriores ou alegações de baixo desempenho sem histórico documentado podem levantar suspeitas de discriminação. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a prática como discriminação de gênero. Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho, a trabalhadora pode optar entre: Ser reintegrada ao emprego, com pagamento dos salários do período afastado; Receber indenização em dobro, além de possíveis danos morais. “A maternidade não altera, por si só, os parâmetros de desempenho esperados no trabalho. A proteção legal existe justamente para evitar que a maternidade seja tratada como obstáculo à trajetória profissional das mulheres”, afirma a advogada. Ela ressalta que o desafio, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais, é garantir que essa proteção se traduza em condições reais para que as mulheres possam conciliar maternidade e carreira sem sofrer discriminação ou perda de oportunidades. Gestante possui estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez Reprodução / Tribunal Superior do Trabalho Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho
10/05/2026 07:01:45 +00:00
Como a indústria de autopeças da Argentina passou a sofrer com a 'terapia de choque' de Milei

Trabalhador na Suspenmec Irina Dambrauskas/Reuters Dentro de uma pequena fábrica familiar de autopeças nos arredores de Buenos Aires, na Argentina, as linhas de produção desaceleraram. A fábrica opera abaixo de sua capacidade, enquanto a empresa, a Suspenmec, tenta competir com a entrada maciça de peças importadas mais baratas, especialmente as vindas da China. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A mudança no mercado argentino aconteceu após afrouxar de forma significativa as regras do comércio exterior. As vendas da empresa caíram cerca de 30% neste ano. A Suspenmec produz aproximadamente 600 tipos de componentes para sistemas de suspensão. Vídeos em alta no g1 As reformas econômicas adotadas pelo presidente Javier Milei — como a redução das barreiras às importações e a política de um peso mais valorizado — ajudaram a estabilizar a economia. No entanto, para muitas pequenas e médias indústrias, que durante anos estiveram protegidas da concorrência externa, a mudança foi rápida e difícil. As importações de autopeças cresceram 11,6% em 2025 em relação ao ano anterior, alcançando cerca de US$ 10,32 bilhões, segundo dados da entidade do setor AFAC. As importações provenientes da China, por sua vez, cresceram 80,9% no mesmo período, atingindo US$ 1,46 bilhão — embora o Brasil continue sendo o principal fornecedor. “É preocupante. Sentimos o impacto das importações livres de tarifas de tantas marcas”, disse Lucas Panarotti, sócio da Suspenmec, ao lado de máquinas paradas na fábrica. Outros fabricantes de autopeças, como a sueca SKF e a norte-americana Dana, fecharam algumas de suas unidades na Argentina. Trabalhadores na Suspenmec Irina Dambrauskas/Reuters As dificuldades enfrentadas pelos produtores locais se refletem na queda da produção de autopeças, que recuou 22,5% nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o instituto oficial de estatísticas INDEC, que não informou os volumes produzidos. A produção de veículos, que chegou a 490 mil unidades em 2025, caiu 19% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. “É um ponto de inflexão. Entramos muito rapidamente em um novo ecossistema, no qual a abertura da economia e do comércio internacional passou a pressionar as empresas industriais argentinas”, afirmou Nicolas Ballestrero, CEO do Grupo Corven, que registrou queda na produção e nas exportações neste ano. Especialistas afirmam que, para se adaptar, a indústria automotiva argentina precisa se especializar mais e ampliar suas exportações. Andres Civetta, economista especializado no setor industrial da consultoria Abeceb, estima que, no futuro, o país poderia exportar cerca de 400 mil veículos comerciais leves por ano — acima dos aproximadamente 280 mil enviados no ano passado — principalmente para o Brasil e outros mercados da América Latina. O governo argentino não respondeu ao pedido de comentário. Equilíbrio delicado para Milei A situação no setor de autopeças reflete uma tendência mais ampla, que favorece grandes exportadores de commodities, enquanto boa parte da indústria argentina voltada ao mercado interno enfrenta dificuldades. Funcionário da Suspenmec Irina Dambrauskas/Reuters Embora o superávit comercial do país sul-americano tenha aumentado para US$ 2,5 bilhões em março, 24.180 empresas — cerca de 5% do total em operação — fecharam as portas entre novembro de 2023, pouco antes de Milei assumir com uma agenda libertária de direita, e janeiro deste ano, segundo a consultoria Fundar. Dados do INDEC indicam que a atividade econômica caiu 2,1% em fevereiro na comparação anual, enquanto setores como mineração, agropecuária e pesca registraram crescimento entre 8% e 15%. A indústria de transformação, no entanto, recuou 8,7%, e o comércio varejista teve queda de 7%. “Com um peso que se valorizou 10% em relação a dezembro passado, o que implica uma inflação em dólar de 10%, haverá muitas dificuldades para empresas que produzem e competem com importados conseguirem ter sucesso”, disse Ricardo Delgado, economista que dirige a consultoria Analytica. Delgado, que projeta um crescimento econômico de cerca de 2% na Argentina em 2026, afirmou que o principal problema é que os setores mais prejudicados pelo modelo econômico de Milei geram mais empregos e arrecadação de impostos do que outros, o que pode comprometer o superávit fiscal defendido pelo governo. Esse cenário representa um equilíbrio delicado para Milei às vésperas de sua tentativa de reeleição. Uma pesquisa da consultoria Giacobbe & Associates indica taxa de aprovação de 36%, quase seis pontos percentuais abaixo do registrado em março. O índice de confiança no governo, calculado pela Universidade Torcuato Di Tella, caiu para 2 pontos em abril, uma queda de 12% em relação ao mês anterior. O indicador é medido em uma escala de zero a 5. As fábricas também enfrentam pressão devido à demanda enfraquecida, depois que o programa de austeridade adotado por Milei para conter a inflação reduziu o poder de compra dos argentinos. Lucas Panarotti, parceiro da Suspenmec Irina Dambrauskas/Reuters A desaceleração também atingiu o mercado de trabalho. A taxa de desemprego subiu para 7,5% no quarto trimestre de 2025, frente a 6,4% um ano antes. Somente o setor de autopeças perdeu cerca de 5 mil postos de trabalho em 2025 — o equivalente a 10% de sua força de trabalho — segundo dados da AFAC. Analistas afirmam que o desemprego seria ainda maior se não fosse a migração de trabalhadores demitidos para a informalidade, como atividades ligadas a aplicativos de transporte.
10/05/2026 06:00:45 +00:00
Consumo sem freio: aplicativos e parcelamentos alimentam ciclo de endividamento

Mãos mulher telefone celular smartphone em mãos fazendo compras Freepik A crise do endividamento no Brasil levanta a questão sobre o papel das compras por impulso no comércio online, muitas vezes associadas a parcelamentos no cartão de crédito, o meio de pagamento que é a principal fonte de débitos no país. Os compradores compulsivos costumam ser influenciados por "gatilhos" que despertam neles a urgência em comprar, que é ainda facilitada pelo crédito oferecido dentro dos próprios aplicativos de compras. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a compulsão por compras atinja 8% dos consumidores em todo o mundo. Atualmente, 80% das compras virtuais no Brasil são feitas pelo celular, num mercado de R$ 258 bilhões por ano. Na televisão, marcas oferecem descontos constantes, enquanto lives com cupons se tornaram comuns usando influenciadores que estimulam a compra impulsiva. Vídeos em alta no g1 "Antigamente, nos espaços em que eu frequentava, o problema das compras compulsivas era só meu. Hoje, já vejo como algo geral", conta Camila Nunes, que alerta sobre o tema em suas redes sociais. Ela mesma sofre com a chamada oniomania, termo utilizado para descrever a compulsão por comprar. "Tinha um bom salário, o que acabou gerando crédito. Ultrapassava o limite do cartão, mas ele não parava de passar. Eu tinha também os cartões de todas as lojas de varejo e conseguia parcelar a fatura", relembra. Foi assim que Nunes chegou a contrair 21 empréstimos, o que, com os juros, gerou uma dívida de R$ 240 mil. Sempre existem juros embutidos "As parcelas dão a sensação de que o produto é mais barato porque o foco sai do valor total e vai para o valor mensal. Isso facilita a compra, mas pode levar ao acúmulo de dívidas, principalmente quando a pessoa não percebe o impacto dos juros ao longo do tempo", explica a educadora financeira e professora da FGV-IDE Ana Paula Hornos. "Sempre existem juros embutidos, aparentes ou não", pontua. O uso do cartão de crédito rotativo, a linha de crédito mais cara do mercado financeiro, somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano. É um aumento de 9,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em março, a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito somou 428,3% ao ano. Cartões de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%) representam os principais tipos de dívidas dos brasileiros, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). De acordo com a pesquisa, 80,4% das famílias se encontravam endividadas em março. Desenrola: confira as regras do novo programa de renegociação de dívidas Busca por tratamento em alta A psicóloga e especialista em transtornos do impulso Tatiana Filomensky, que realiza atendimentos na área, aponta que "nunca houve tantas pessoas buscando ambulatório" para lidar com a questão. Segundo ela, pacientes podem aguardar anos para conseguir uma consulta. "Tive relações muito desgastadas por dívidas. Via a vida dos outros passando e a minha parada enquanto estava endividada. É um vício silencioso e solitário", conta Nunes. O fato de ser menos conhecida que outras compulsões, como álcool, drogas e apostas, faz com que a busca por ajuda seja limitada, avalia. "Recebo muitas mensagens, em um nível que não consigo acompanhar", conta. "As pessoas se identificam com meu conteúdo e veem que há tratamento", pontua. Além dos tratamentos clínicos para lidar com a compulsão, no Brasil há hoje o grupo Devedores Anônimos. As reuniões ocorrem nos moldes de outros grupos, como os mais famosos para o álcool e os narcóticos. "Sites prejudicam muito os compulsivos" Na visão de Nunes, o cenário atual online prejudica muito os compulsivos. Ela conta que seu cérebro só a deixava em paz depois de comprar, e que muitos dos itens adquiridos serviam para lidar com a ansiedade. A influenciadora diz que o tema é banalizado por varejistas, que divulgam conteúdos sugerindo que comprar é uma terapia. "O meme 'me mimei', ou alguém com diversas sacolas e a descrição 'eu na vida'... São sempre comentários brincando", afirma. "É normalizado, até que a pessoa acaba indo para o buraco. Vi muitos seguindo o mesmo caminho que eu", comenta. "Promoções, notificações e recomendações constantes aumentam a vontade de consumir o tempo todo, diminuindo o tempo de pensar antes de comprar. Quanto menor o tempo de análise, maior a chance de a decisão sair do controle e ir para a impulsividade", pontua Hornos. "O ambiente online facilita muito a compra por impulso porque tudo é rápido e acessível. Com poucos cliques, a pessoa sai do desejo para a compra", explica. "Ocorreu uma inversão no processo de consumo. Hoje não se consome tanto pela necessidade ou desejo, e sim pelos descontos", pontua Filomensky. Entre as estratégias dos varejistas, ela aponta que "há estímulo contínuo por descontos, de forma a sugerir uma corrida contra o tempo". Um exemplo são campanhas que surgiram nos últimos anos, como aquelas que oferecem ofertas a cada mês com datas repetidas, como 03/03, 04/04, 05/05, e assim de forma sucessiva. Filomensky lembra que essas modalidades antes estavam mais restritas a certos períodos do ano, como a Black Friday, mas que hoje ocorrem quase a todo tempo. Varejistas vêm oferecendo padrões como 48 horas de promoção ao longo do ano em seus aplicativos, com descontos de até 70% e até 21 parcelas. "Essas campanhas criam senso de urgência e medo de perder a oportunidade. Isso leva a compras rápidas, muitas vezes sem planejamento. No longo prazo, pode virar um hábito de consumir por impulso e desorganizar a vida financeira", aponta Hornos. Outro fator destacado por Filomensky são os influenciadores. "Quando se segue alguém, perde-se muitas vezes a visão crítica", explica. Em casos de aplicativos de vídeos curtos, o scroll na tela, muitas vezes quase automático, acaba misturando publicidade a outros conteúdos de forte engajamento, o que acaba tornando o ambiente mais impulsivo, pontua. Parte da estratégia passa pelos chamados programas de afiliados, que redes sociais promovem para os seus criadores de conteúdo. Os influenciadores e as marcas podem se conectar pela própria plataforma, e as comissões também são pagas pelo sistema. Crédito na própria plataforma No final de março, a agência de notícias Reuters informou que o TikTok fez contato com o Banco Central para oferecer serviços como instituição financeira. A medida permitiria à empresa, que desde o ano passado opera o TikTok Shop no Brasil, oferecer seu próprio capital para empréstimos ou atuar como um intermediador entre tomadores e credores. De alguma maneira, o cenário é recorrente entre os varejistas online, e remete aos antigos crediários das lojas físicas. O Mercado Livre conta com seu próprio sistema de pagamentos, o Mercado Pago, enquanto a Shopee desde 2022 tem autorização para oferecer sistema de pagamentos no Brasil. A estratégia traz ainda mais preocupação para analistas. "Quando o crédito está disponível na própria plataforma, a compra fica ainda mais fácil. A pessoa vê o produto, se empolga e já consegue pagar ali mesmo, sem pausa para refletir. Isso aumenta o risco de decisões impulsivas e de endividamento", aponta Hornos. "É o dinheiro rápido e fácil encontrando o desejo imediato: o prazer vem na hora, e o custo fica para depois, muitas vezes sem tempo suficiente para avaliar o endividamento que está sendo assumido", completa. Na visão de Filomensky, a "ampliação de crédito dentro da própria empresa não permite conversas sobre o quanto se deve". Ela lembra ainda a necessidade de abrir o aplicativo do varejista para realizar o pagamento, o que pode reforçar novas compras. Numa analogia com as lojas físicas, é como a estratégia que certas empresas adotavam de posicionar os caixas onde os crediários são pagos ao fundo das unidades, criando a tentação de que o cliente adquira novos produtos no caminho até elas, compara.
10/05/2026 03:01:06 +00:00
Mega-Sena, concurso 3.006: nenhuma aposta acerta as seis dezenas e prêmio vai a R$ 52 milhões

Resultado do concurso 3006 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa O sorteio do concurso 3.005 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (9), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 43.6 milhões. No entanto, o valor acumulou. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 25 - 42 - 45 - 48 - 50 - 60 Ninguém acertou as seis dezenas e o prêmio acumulou para R$ 52 milhões. 5 acertos: 39 apostas ganhadoras, R$ 59.801,78 4 acertos: 2.904 apostas ganhadoras, R$ 1.323,82 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Como funciona a Mega-Sena? Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
10/05/2026 00:02:11 +00:00
Após esgotar em dias, Volkswagen Golf GTI ganha novo lote por R$ 430 mil; veja o teste do g1

Após esgotar em dias, Volkswagen Golf GTI ganha novo lote por R$ 430 mil; veja o teste A Volkswagen anunciou, neste sábado (9), um novo lote do Golf GTI para venda no Brasil. O modelo tem preço inicial de R$ 430 mil, e o comprador precisa cumprir algumas regras para conseguir adquirir uma unidade. O novo lote foi divulgado ao mesmo tempo em que começaram as entregas do primeiro pacote, composto por 350 unidades entregues a partir de maio. Apesar de ser o carro mais caro da Volkswagen à venda no Brasil, todas as unidades se esgotaram em apenas um fim de semana. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Golf GTI 2026 divulgação/Volkswagen Além do preço elevado, o novo Golf GTI é o modelo mais rápido da Volkswagen à venda no Brasil. Equipado com o motor 2.0 370 TSI, o hatch esportivo entrega 245 cavalos de potência e 37,7 kgfm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos. Em comparação com outros modelos da marca, ele perde em potência apenas para o novo Tiguan, que tem 272 cavalos. No entanto, o SUV é cerca de 150 quilos mais pesado, por ter mais equipamentos e uma carroceria maior, além trazer torque menor, de 35,7 kgfm. Por isso, sua aceleração é mais lenta, com 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. Vendas são limitadas e exclusivas Neste novo lote, a Volkswagen adota as mesmas regras aplicadas ao Golf GTI em 2025. Dessa forma, para comprar o hatch esportivo, o cliente precisa atender aos seguintes critérios: Já ter comprado algum modelo esportivo da marca, como Nivus GTS ou Jetta GLI; Também podem comprar clientes de outras marcas do grupo Volkswagen, como Audi e Porsche, desde que tenham adquirido versões esportivas desses modelos; Cada CPF ou CNPJ pode adquirir apenas uma unidade do Golf GTI. Além disso, o novo lote tem quantidade limitada de unidades. Procurada pelo g1, a Volkswagen não informou quantos carros foram importados para as vendas no Brasil. A marca informou, no entanto, que as primeiras unidades começam a ser entregues ainda neste ano. Como anda o Golf GTI O g1 teve acesso ao Golf GTI em um ambiente onde ele melhor mostra o que é capaz de entregar: um autódromo, localizado na cidade de Mogi Guaçu (SP). No primeiro contato, o hatch não revela que tem a aceleração mais forte da Volkswagen no Brasil, já que são poucos os detalhes visuais que o diferenciam de um "carro simples". Para olhos menos atentos, ele parece apenas mais um Golf, semelhante aos modelos vendidos no Brasil anos atrás. Golf GTI 2026 divulgação/Volkswagen Tudo muda ao entrar no carro. O primeiro impacto não é o acabamento em xadrez dos bancos, já visto em outros Golfs do passado, mas sim o banco em formato concha que, diferente do Nivus GTS, tem visual inspirado em carros de corrida. O banco envolve o motorista nas laterais do tronco e das coxas. Esse apoio é importante, pois transmite mais segurança logo ao engatar a primeira marcha e acelerar. Antes disso, vale destacar um ponto que pode agradar ou incomodar: o câmbio automático é eficiente, mas acionado por uma alavanca bastante pequena. Golf GTI 2026 divulgação/Volkswagen Para quem prefere trocas manuais, elas podem ser feitas por meio das aletas atrás do volante, semelhantes às usadas em carros da Fórmula 1. Elas poderiam ser maiores, mas cumprem bem a função. Com o modo esportivo ativado e pé fundo, o carro entrega toda a esportividade que não aparece no visual externo. Sabe aquele atraso entre pisar no acelerador e o carro responder, que no Tera chega a três segundos? Aqui isso não acontece. As respostas são imediatas, com retomadas rápidas, como se espera de um modelo que nasceu com proposta esportiva. O volante exige menos giros para virar as rodas. Segundo a Volkswagen, esse ajuste foi feito exclusivamente para o Golf GTI e significa que, em vez de 2,5 voltas completas até o fim do curso, são necessárias apenas 2,1. Em velocidades mais altas, isso garante maior controle do volante, com as mãos sempre na posição mais segura, sem a necessidade de soltar uma delas ou cruzar os braços para continuar a manobra. Isso ainda acontece? Sim, mas com bem menos frequência. Ao final do teste, fica a sensação de que o Golf GTI é um esportivo com a pimenta certa. Ele tem concorrentes com preço semelhante e até mais potentes? Sim, modelos como GR Corolla e Civic Type R são bons exemplos. Ainda assim, a reputação do Golf GTI fala mais alto do que qualquer comparação. A decisão de compra é fortemente emocional, a ponto de o preço elevado não ser um obstáculo para quem deseja esse modelo. Prova disso é que as unidades do primeiro lote se esgotaram em um único fim de semana, e já há fila de espera para o novo lote.
09/05/2026 18:00:33 +00:00
Como a mudança nos hábitos de consumo da China pode ajudar a proteger a floresta amazônica

Gado Nelore Divulgação/IRD Quando Xing Yanling publicou no WeChat sobre sua visita à Amazônia brasileira, em abril, descreveu aos amigos na China a sensação inesquecível de estar “envolvida por dezenas de milhares de tons de verde”. Xing não é uma turista comum. Ela lidera a Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, que representa importadores responsáveis por cerca de 40% das compras chinesas de carne bovina provenientes do Brasil. Sob sua liderança, os membros da associação de Tianjin se comprometeram a comprar 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o fim do ano. O movimento pode ser um sinal precoce de que a China — uma das forças mais poderosas do comércio global de commodities — está disposta a pagar mais por cadeias de suprimento mais sustentáveis. O volume equivale a cerca de 4,5% do total que os exportadores brasileiros de carne bovina devem vender ao mercado chinês neste ano. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O compromisso desafia uma crença antiga entre produtores brasileiros: a de que a China, maior importadora mundial de carne bovina e soja, se preocupa apenas com o preço. A iniciativa ocorre em um momento em que o governo chinês sinaliza a intenção de agir sobre o impacto ambiental do comércio, ao mesmo tempo em que busca proteger sua indústria nacional. Em 2019, a China alterou sua lei florestal para proibir o comércio de madeira ilegal. Em 2023, assinou um compromisso conjunto com o Brasil para acabar com o desmatamento ilegal impulsionado pelo comércio. Já a partir do ano passado, a COFCO, empresa estatal chinesa de comércio exterior, comprometeu-se a eliminar o desmatamento de sua cadeia de suprimentos. Carne bovina ligada ao desmatamento A cadeia de abastecimento da carne bovina está mais preparada para ações concretas, por não ser tão essencial à dieta chinesa quanto outras commodities, como a soja, afirmou Andre Vasconcelos, chefe de engajamento global da Trase, plataforma que monitora o impacto ambiental de diversas cadeias de suprimento. “Ao mesmo tempo, há uma consciência, respaldada pelas informações disponíveis, de que a carne bovina — especialmente a brasileira — é a mercadoria mais associada ao desmatamento entre os produtos agrícolas importados pela China”, afirmou. A floresta amazônica, a maior e mais biodiversa do mundo, perde centenas de milhares de hectares de árvores todos os anos. Cerca de 90% dessa área é transformada em pasto para gado logo após o desmatamento, segundo o MapBiomas, organização brasileira sem fins lucrativos que monitora o uso da terra. Segundo Xing, alguns consumidores chineses estão cientes desse impacto e se tornam mais exigentes à medida que aumentam sua renda. “Não se trata apenas de ‘o barato sai caro’”, disse. “Isso significa que a carne bovina livre de desmatamento, sustentável, segura e rastreável terá um mercado mais forte no futuro.” Escolher produtos alimentares com base em critérios ambientais, em vez do preço, é impraticável para a maioria dos consumidores chineses, que, assim como grande parte do mundo, enfrentam preços mais altos nos supermercados. Ainda assim, a rastreabilidade oferecida pelo projeto também ajuda a reduzir as preocupações com a segurança alimentar. A carne será comercializada com o selo “Beef on Track”, desenvolvido pela ONG brasileira Imaflora. O selo prevê quatro níveis de conformidade, definidos de acordo com o grau de rastreabilidade da carne na cadeia de suprimentos e com a comprovação de que as fazendas foram legalmente regularizadas. Os importadores de Tianjin estão dispostos a pagar um preço até 10% maior pela carne bovina proveniente de frigoríficos que comprovem que as fazendas fornecedoras não têm qualquer ligação com o desmatamento — legal ou ilegal — nem com o trabalho escravo. Se essa mudança ganhar escala, o impacto poderá ser significativo. A China compra mais de 10% da carne bovina exportada pelo Brasil, segundo dados do governo e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), cujos membros incluem empresas como JBS e Marfrig. No entanto, qualquer impacto positivo pode ser limitado pelo frágil sistema de rastreabilidade do Brasil. O modelo atual se baseia em documentos de transporte de gado que, segundo promotores, podem ser facilmente fraudados para ocultar irregularidades na cadeia de suprimentos — prática conhecida como “lavagem de gado”. Melhorias nesse sistema podem levar anos. Oportunidade ou obstáculo? Quando Xing e sua delegação chegaram à fazenda Carioca, em Castanhal, no norte da Amazônia, o fazendeiro Altair Burlamaqui não esperava mais do que uma conversa produtiva. Burlamaqui apresentou o gado e parte da vasta reserva de floresta tropical em suas terras. Ao final do almoço, a delegação estava tão entusiasmada que perguntou se ele sonhava em ver sua carne bovina vendida na China como um produto associado à proteção da floresta amazônica. A ideia, segundo ele, foi ao mesmo tempo emocionante e avassaladora. “O que entendi da conversa é que eles querem um produto com mais valor agregado para uma parcela da população disposta a pagar por isso”, disse. “E essa parcela pode ser maior do que toda a população brasileira.” No setor como um todo, o projeto de sustentabilidade de Tianjin teve uma recepção mais discreta. A ABIEC, entidade que reúne exportadores de carne bovina, está insatisfeita com a iniciativa liderada por Xing, segundo disseram à Reuters duas pessoas que falaram recentemente com a direção da associação. Uma das fontes afirmou à Reuters que a preocupação é que a demanda por carne bovina sustentável se transforme em um obstáculo adicional para um mercado já considerado restrito. Neste ano, a China impôs cotas à importação de carne bovina para proteger sua indústria nacional. A expectativa é que o Brasil atinja o limite estabelecido, de 1,1 milhão de toneladas, até o fim do próximo mês — justamente quando Tianjin planeja importar seu primeiro contêiner de carne bovina com certificação de sustentabilidade. Em comunicado, a ABIEC afirmou que “apoia iniciativas focadas em certificação, mas avalia que novos selos devem estar alinhados aos sistemas já existentes, evitando sobreposições e exigências que careçam de infraestrutura pública para implementação, o que poderia criar barreiras à produção”. A entidade não respondeu aos questionamentos enviados pela Reuters. A cota pode atrasar os planos de Tianjin, já que qualquer importação de carne bovina realizada após o limite estabelecido estará sujeita a um imposto chinês de 55%. Pequim introduziu as cotas em um período em que a produção global de carne bovina tende a diminuir, com pecuaristas reconstruindo rebanhos nos Estados Unidos e no Brasil — movimento que pressiona os preços em diversos países, incluindo a China. Valor agregado Os consumidores chineses já estão habituados a comprar produtos com algum nível de rastreabilidade. Durante a visita, a equipe de Xing mostrou a autoridades e empresários brasileiros como adiciona códigos QR aos ovos, permitindo que os consumidores rastreiem o produto até a fazenda de origem. A rastreabilidade facilita o trabalho dos órgãos reguladores na identificação da origem de surtos de doenças e permite que empresas deixem de operar com fornecedores envolvidos em crimes ambientais. Segundo Xing, os consumidores estão dispostos a pagar até o dobro por esses ovos. A certificação Beef on Track deve estar pronta para adoção por frigoríficos, supermercados e importadores até o fim do ano. O nível mais básico do padrão é comparável ao utilizado pelo Ministério Público Federal para verificar se as fazendas que fornecem diretamente à indústria da carne bovina cumprem a legislação ambiental e trabalhista. Esse programa abrange fornecedores responsáveis por cerca de 2,7 milhões de toneladas de carne bovina por ano — aproximadamente um quinto da produção brasileira, mas quase o dobro das importações chinesas registradas no ano passado. A carne bovina que Tianjin pretende importar neste ano fará parte desse volume certificado. Até o momento, nenhuma empresa frigorífica brasileira anunciou planos de adotar a certificação. A Imaflora argumenta que a certificação que desenvolveu pode criar oportunidades, em vez de se tornar um obstáculo para os produtores — como, segundo a organização, ocorreu nos setores de madeira e café. “O setor ainda está tentando entender como essa certificação pode reconhecer e valorizar os produtos brasileiros em um cenário de tensão geopolítica”, disse Marina Guyot, gerente de políticas da Imaflora. Ela acrescentou, no entanto, que a certificação busca reconhecer aquilo que as empresas já fazem para cumprir seus próprios compromissos de sustentabilidade e rastreabilidade. “É uma certificação que cria a possibilidade de valorizar esse esforço”, afirmou.
09/05/2026 10:29:20 +00:00
As empresas que estão ganhando bilhões com a guerra no Irã

As empresas que estão ganhando bilhões com a guerra no Irã Getty Images Enquanto as famílias de todo o mundo contam os prejuízos gerados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, algumas empresas vêm contabilizando altos lucros. As incertezas ocasionadas pelo conflito e o fechamento do estreito de Ormuz pelos iranianos estão aumentando o custo de vida e prejudicando o orçamento das empresas, famílias e governos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, enquanto alguns enfrentam dificuldades, outros vêm registrando altos ganhos, com negócios que são mais lucrativos em tempos de guerra ou se beneficiando da instabilidade dos preços da energia. Aqui estão algumas das empresas e setores da economia que estão ganhando bilhões com a continuidade do conflito no Oriente Médio. Vídeos em alta no g1 1. Petróleo e gás O principal impacto da guerra à economia mundial, até aqui, foi o forte aumento dos preços da energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás do mundo são transportados através do estreito de Ormuz. Mas este tráfego foi efetivamente interrompido no final de fevereiro. O resultado foi uma montanha-russa de oscilações de preços nos mercados de energia. E algumas das maiores empresas do setor de petróleo e gás do mundo lucraram com essas oscilações. Os principais beneficiários foram as gigantes petrolíferas europeias. Elas têm setores especializados na compra e venda de ativos (trading), que as permitiram ganhar com as fortes oscilações de preços, impulsionando seus ganhos. Os lucros da BP (British Petroleum), por exemplo, mais do que dobraram nos primeiros três meses do ano, atingindo US$ 3,2 bilhões (cerca de R$ 15,7 bilhões). Este resultado foi possível graças ao desempenho da sua divisão de trading, que a empresa considerou "excepcional". A Shell também superou as expectativas dos analistas, relatando um aumento dos lucros no primeiro trimestre do ano, atingindo US$ 6,92 bilhões (cerca de R$ 33,9 bilhões). Outra gigante internacional, a TotalEnergies, viu seus lucros saltarem em quase um terço, atingindo US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 26,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026. O aumento foi causado pela volatilidade dos mercados de petróleo e energia. Já as gigantes americanas ExxonMobil e Chevron tiveram queda dos ganhos, em comparação com o mesmo período do ano passado, devido à interrupção do fornecimento do Oriente Médio. Mas as duas empresas superaram as previsões dos analistas e esperam que seus lucros cresçam ao longo do ano, com os preços do petróleo ainda significativamente superiores aos níveis praticados no início da guerra. 2. Grandes bancos Alguns dos maiores bancos do planeta também viram seus lucros dispararem após o início da guerra no Irã. A receita de trading do JP Morgan atingiu o nível recorde de US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 56,8 bilhões), o que ajudou o banco a atingir o segundo maior lucro trimestral da sua história. Entre todos os demais bancos do grupo dos "Seis Grandes" (Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo, além do JP Morgan), os lucros aumentaram substancialmente no primeiro trimestre do ano. Ao todo, os bancos relataram lucros de US$ 47,7 bilhões (cerca de R$ 233,4 bilhões) nos três primeiros meses de 2026. "Os altos volumes de trading beneficiaram os bancos de investimentos, particularmente o Morgan Stanley e o Goldman Sachs", afirma a estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, Susannah Streeter. O forte aumento da demanda de trading favoreceu os principais credores de Wall Street. Investidores correram para se desfazer de ações e títulos de maior risco e depositar seu dinheiro em ativos considerados mais seguros. Os volumes de trading também aumentaram devido aos investidores que buscaram se capitalizar em função da volatilidade dos mercados financeiros. Para Streeter, "a volatilidade desencadeada pela guerra gerou um pico de trading, pois alguns investidores venderam ações com medo da escalada do conflito, enquanto outros compraram em baixa, ajudando a alimentar a corrida pela recuperação". 3. Defesa O setor de defesa é um dos beneficiários mais imediatos de qualquer conflito, segundo a analista sênior da consultoria RMS UK, Emily Sawicz. "O conflito reforçou as lacunas da capacidade de defesa aérea, acelerando investimentos em defesas contra mísseis, sistemas de combate a drones e equipamento militar em toda a Europa e nos Estados Unidos, declarou ela à BBC. Além de destacar a importância das empresas do setor de defesa, a guerra cria entre os governos a necessidade de reabastecer seus estoques de armas, o que aumenta a demanda. A empresa BAE Systems, fabricante de produtos como os componentes dos jatos de combate F35, declarou em uma atualização comercial na quinta-feira (7/5) que espera forte crescimento das vendas e lucros em 2026. Ela mencionou o aumento das "ameaças de segurança" em todo o mundo, o que impulsiona os gastos governamentais com a defesa e, por sua vez, cria um "cenário de apoio" para a companhia. Três dos maiores fornecedores do setor de defesa do mundo, a Lockheed Martin, a Boeing e a Northrop Grumman, relataram atrasos recordes dos pedidos no final do primeiro trimestre de 2026. Mas as ações das empresas do setor, que tiveram fortes altas nos últimos anos, vêm caindo desde meados de março, em meio aos temores de que o setor possa estar supervalorizado. 4. Energia renovável O conflito também destacou a necessidade de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, segundo Streeter. Este fator "potencializou o interesse no setor de energia renovável", segundo ela — mesmo nos Estados Unidos, onde o governo Trump incentivou o uso de combustíveis fósseis, popularizando o slogan "perfurar, baby, perfurar". Streeter afirma que a guerra fez com que os investimentos em energias renováveis fossem considerados cada vez mais importantes para a estabilidade e a resiliência aos choques. Uma empresa que recebeu forte impulso foi a NextEra Energy, com sede no Estado americano da Flórida. Suas ações se valorizaram em 17% este ano, com os investidores se unindo à sua missão. As gigantes dinamarquesas da energia eólica Vestas e Orsted também relataram aumento dos lucros, destacando como as consequências da guerra no Irã também estão impulsionando as empresas de energia renovável. No Reino Unido, a empresa Octopus Energy declarou recentemente à BBC que a guerra trouxe "enorme impulso" para a venda de placas solares e bombas de calor. As vendas de painéis solares aumentaram em 50% desde o final de fevereiro. A alta dos preços da gasolina também aumentou a demanda por veículos elétricos. E os fabricantes chineses, particularmente, vêm aproveitando melhor esta oportunidade.
09/05/2026 07:02:44 +00:00
A JBS de Joesley Batista é alvo de megainvestigação do governo Trump: 'Devemos nos preocupar com a influência de estrangeiros'

O conselheiro de Comércio e Manufatura do governo norte-americano, Peter Navarro, enfatizou o fato de duas das quatro maiores indústrias de carne do país são brasileiras Getty Images A reunião dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington nesta quinta-feira (7) coincide com uma nova rodada de ameaças do governo dos Estados Unidos contra gigantes brasileiras da carne que operam no país. Embora o tema não tenha feito parte da agenda dos presidentes na Casa Branca, múltiplas movimentações à margem da agenda diplomática indicam que a pauta está no radar das autoridades federais norte-americanas. Em entrevista coletiva após a reunião, na embaixada do Brasil em Washington, Lula brincou a respeito do menu do almoço oferecido por Trump na Casa Branca, que incluiu filé bovino grelhado: "Fiquei curioso para saber se era carne brasileira, mas não quis perguntar porque poderia não ser". Horas depois de a notícia da viagem-relâmpago de Lula aos EUA vir à tona na segunda-feira (4), o governo norte-americano anunciou detalhes de uma megainvestigação sobre a indústria de carne no país por suspeita de "práticas anticompetitivas", seguindo uma postagem presidencial feita em novembro de 2025. Vídeos em alta no g1 No alvo das apurações estão as chamadas Quatro Grandes (Big Four) do setor, responsáveis por cerca de 85% da atividade nos Estados Unidos. E duas dessas gigantes são brasileiras ou controladas por capital brasileiro: a JBS Foods USA e a National Food. Maior processadora de carne do mundo, a JBS é líder do setor em solo americano por meio da marca JBS Foods USA. Já a National Food é controlada pela brasileira MBRF, resultante da fusão entre a BRF e a Marfrig. Na lista de quatro gigantes estão também a Cargill e a Tyson Foods, de capital norte-americano. O empresário Joesley Batista, do Conselho de Administração da J&F, holding que abriga a JBS Foods USA, teria sido um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump, segundo a agência Reuters. A processadora de carne de frango Pilgrim's Pride, uma das subsidiárias da JBS Foods USA, esteve entre as maiores doadoras de campanha de Trump em 2024, com um aporte de US$ 5 milhões (R$ 24,6 milhões). Batista esteve em Washington na quinta-feira (7) ao mesmo tempo em que ocorria a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, segundo informações do jornal "O Globo". A investigação contra a megaindústria da carne havia sido antecipada em novembro de 2025 em postagem de Trump na sua rede social Truth Social, sem especificar os nomes das companhias. O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Todd Blanche, participou do anúncio de investigações sobre o setor da carne. GETTY IMAGES Companhias brasileiras no alvo Na segunda-feira (4), além de citar nominalmente as Quatro Grandes, representantes do governo dos Estados Unidos responsáveis pelas investigações fizeram declarações duras sobre o peso brasileiro no setor. O tom do anúncio contrastou com o clima ameno e otimista do encontro entre Trump e Lula. "[...] Metade das Quatro [Grandes] são brasileiras. E no meu mundo das tarifas eu me lembro vividamente de que recentemente, quando o presidente [Trump] impôs tarifas sobre o Brasil em razões de ações prejudiciais para o povo americano", afirmou Peter Navarro, conselheiro especial para Comércio e Manufatura do governo dos Estados Unidos, que participou do anúncio da investigação no Departamento de Justiça. "O que aconteceu? O lobby da carne, representado por brasileiros, silenciosamente ameaçou a Casa Branca de que nós veríamos a carne vendida nos supermercados americanos indo para onde? China", prosseguiu. E concluiu: "Não é apenas com abuso de preços e cartel que devemos nos preocupar. É também com a influência de estrangeiros em nossa cadeia de abastecimento". Economista com formação em Harvard, Navarro acompanha Trump desde o primeiro mandato (2017-2020) e é considerado o principal inspirador das políticas protecionistas do presidente norte-americano. "Essa investigação da JBS e da National Beef denota que a relação Brasil-Estados Unidos mergulhou em um enredo pautado em [política] antitruste, inflação alimentar e nacionalismo econômico", afirma Priscila Caneparo, doutora em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e professora do Curso de Relações Internacionais da Unicuritiba. O resultado, na opinião da professora, é uma "contaminação da agenda bilateral" por meio de acusações de concentração de mercado e segurança alimentar. Ao mesmo tempo, diz Priscila, ocorre um fortalecimento do discurso protecionista. Joesley Batista, da JBS, teria sido um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump Getty Images Impopularidade e alta de preço da carne preocupam Trump O efeito político da medida, segundo a pesquisadora, é colocar as grandes empresas brasileiras sob suspeita em setores considerados estratégicos pelos Estados Unidos. As apurações anunciadas por Washington não são somente técnicas, sustenta Priscila. "[Por meio da investigação das Quatro Grandes] o governo dos Estados Unidos tenta responder a uma pressão doméstica, que é o preço dos alimentos, que gera inflação e foi uma bandeira de campanha de Trump", afirma a professora. O governo dos Estados Unidos anunciou também que vai recompensar financeiramente quem der informações sobre práticas ilícitas cometidas pela indústria da carne. "Há uma politização e uma tentativa de securitização muito tênue dessa discussão [sobre as práticas comerciais das empresas], tentando trazê-la para o campo da segurança nacional", define Natali Hoff, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professora do Curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Às voltas com queda nos índices de aprovação e uma decisiva campanha para as eleições legislativas de meio de mandato — marcadas para novembro de 2026 —, Trump tenta enfrentar uma das questões mais candentes para o eleitorado: o custo de vida. O preço da carne é um componente importante da inflação no país. Para Natali, a investigação sobre empresas estrangeiras permite ao governo Trump "terceirizar" a culpa pelo aumento do preço da carne. "Trump está muito enfraquecido, principalmente depois da Guerra do Irã, e com isso [a investigação das gigantes da carne], consegue tentar emplacar algum tipo de discurso diante do eleitorado, sejam consumidores ou pecuaristas, que se irritaram com a ampliação das importações de carne para lidar com a alta dos preços." Em nota, a MBRF afirmou que atua em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência e mantém políticas robustas de governança e compliance. "[...] Nos Estados Unidos as operações da National Beef [subsidiária da MBRF] têm uma característica especial, já que elas são baseadas em sociedade de longa data com cerca de 700 produtores locais, que juntos detêm aproximadamente 18% do capital da empresa", diz a nota. A BBC News Brasil procurou a JBS e a J&F para tratar da investigação anunciada pelos Estados Unidos, mas não havia obtido resposta até o fechamento desta reportagem. A BBC News Brasil também questionou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e os Departamentos de Agricultura e Justiça dos Estados Unidos sobre a investigação norte-americana, mas não havia recebido retorno até a finalização desta reportagem. Assim que houver manifestação, o texto será atualizado
09/05/2026 07:01:50 +00:00
Você já experimentou carrapito? Conheça doce artesanal centenário feito no ES

Carrapito: conheça doce artesanal de mais de um século feito com cana, mamão e gengibre Feito com cana-de-açúcar, mamão verde e gengibre, o carrapito é uma receita centenária que resiste ao tempo no interior de Alfredo Chaves, na Região Serrana do Espírito Santo. Produzido de forma artesanal pela família Bravim, o doce desperta memórias afetivas e mantém viva uma tradição que já dura mais de um século. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp "Às vezes, tem pessoas assim: 'Nossa, eu comi o seu doce, eu lembrei do meu avô, lembrei do meu bisavô'. Antigamente, todo mundo fazia carrapito, mas foi se perdendo. Toda casa tinha alguém que fazia", conta a produtora rural Rosana Javarini Bravim. Produção artesanal mantém tradição viva A produção acontece uma vez por semana, na propriedade que fica em Vila Nova do Ribeirão. A receita atravessou gerações da família de Adevaldo Valentin Bravim, mas só em 2018 passou a ser produzida de forma estruturada, após adequações exigidas pela Vigilância Sanitária. "Fui visitar outro produtor e vi a estrutura. Aí falei: 'Vou ter que construir uma igual'. E hoje está aqui preparadinha", contou Adevaldo. Mesmo com a profissionalização, o processo continua totalmente manual e envolve apenas três pessoas da família. Doce carrapito feito no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta LEIA TAMBÉM: De 'mato de comer' à alta gastronomia: plantas comestíveis viram aposta para produtor ganhar mais Você conhece a gabiroba gigante? Fruta rara da Mata Atlântica ficou famosa ao vencer concurso de sorvete Queijos do ES estão entre os melhores do Brasil; veja quais são e onde são produzidos Produção exige paciência A produção começa ainda no dia anterior, com a colheita dos ingredientes. "Colhe na segunda para já começar cedo na terça, senão não dá conta fazer tudo num dia só", explicou Adevaldo. O preparo é longo. O caldo de cana fica cerca de três horas fervendo antes de receber o mamão ralado e prensado. Depois, é preciso mexer a mistura por mais quatro horas no fogo até atingir o ponto ideal. "Tem que aguentar, né? A gente cansa, mas tem que mexer. Pode parar não", disse Luciana Bravim, que ajuda na produção. O toque final vem com o gengibre triturado, que dá sabor e aroma ao doce. Produção limitada e alta procura Atualmente, a família produz cerca de cinco tachos por semana, com aproximadamente 25 quilos cada, totalizando cerca de 300 bandejas. A demanda, no entanto, é maior do que a capacidade de produção. Segundo a Prefeitura de Alfredo Chaves, a família Bravim é a única que ainda produz o carrapito na região. E o doce já ultrapassou fronteiras. “Já teve gente levando para a Austrália. Também já teve encomenda para Santa Catarina”, contou Rosana. Doce carrapito feito no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta Tradição que resiste ao tempo Apesar das dificuldades, como a falta de mão de obra e o trabalho intenso, a família faz questão de manter a tradição. "Faz pena deixar essa tradição perder. A gente já está ficando velho e é difícil outra pessoa começar, porque é muito trabalhoso", afirmou Adevaldo. Rosana, por outro lado, não guarda segredo da receita. Pelo contrário, incentiva que outras pessoas aprendam. "Gosto de ensinar para ver se desperta em alguém o desejo de fazer também”, disse. Mesmo assim, ela reconhece que há algo difícil de reproduzir. "Quando a gente faz algo com amor, com carinho, tudo fica melhor". Doce carrapito feito no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
09/05/2026 06:01:06 +00:00
‘Dark patterns’: como big techs usam truques para manipular usuários e influenciar suas escolhas

Ícones do Facebook, Messenger, Instagram, WhatsApp e X Julian Christ/Unsplash Enquanto usuários, ainda temos controle sobre quais conteúdos nos são apresentados no Facebook ou no Instagram? Ou somos direcionados deliberadamente a algoritmos personalizados para que eles coletem mais dados sobre nós e aumentem o tempo que passamos nessas plataformas? Essas são as questões centrais das investigações mais recentes da autoridade irlandesa de fiscalização de mídia contra a Meta, empresa‑mãe de ambas as redes sociais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A autoridade está examinando se os sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram violam o Artigo 27 da Lei dos Serviços Digitais da UE (DSA, na sigla em inglês), criada para proteger cidadãos do bloco contra práticas desleais na internet. Segundo a DSA, os usuários devem ter, a qualquer momento, a possibilidade de compreender e modificar os algoritmos de suas redes sociais. Vídeos em alta no g1 Agora, no entanto, o foco é investigar se Meta usa interfaces manipulativas, conhecidas como "dark patterns" (padrões obscuros), para dificultar desnecessariamente essas opções de escolha. Caso seja confirmada uma violação do DSA, podem ser aplicadas multas de até 6% do faturamento anual global. No caso da Meta, isso poderia chegar a 20 bilhões de euros (R$ 116 bilhões). Como funcionam os dark patterns? Dark patterns são truques específicos de design na internet que têm como objetivo levar os usuários a fazer algo que, na verdade, não querem ou que não é de seu interesse. Eles exploram, por exemplo, a comodidade das pessoas, a falta de tempo ou o medo de perder algo. Assim, os usuários são induzidos a realizar compras, contratar assinaturas ou divulgar dados pessoais. No caso atual, a autoridade irlandesa de mídia investiga, por exemplo, se a Meta esconde deliberadamente, em vários submenus, a opção de alternar entre um feed personalizado e um feed puramente cronológico. Também se analisa se a empresa simplesmente redefine essa configuração após o fechamento do aplicativo, para que os usuários, frustrados, acabem concordando com o feed personalizado apenas para não serem mais incomodados. Outros exemplos similares Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos REUTERS/Nathan Frandino A Meta está longe de ser a única empresa de internet suspeita de usar esse tipo de prática. Interfaces do gênero existem tanto em redes sociais quanto em lojas virtuais, jogos para celular ou outros aplicativos. E praticamente todos nós já devemos ter nos deparado com um ou outro desses exemplos. Entre os dark patterns mais comuns estão: Confirmshaming: em uma solicitação ao usuário, por exemplo, para autorizar o rastreamento de dados para publicidade personalizada, há duas opções. O botão de consentimento é grande e colorido; o de recusa, pequeno e cinza. Muitas vezes, este último também traz uma rotulagem manipuladora, como "Não, prefiro continuar vendo anúncios irrelevantes", como se a escolha fosse vergonhosa ou inferior. Botões de "não" escondidos: frequentemente existe um botão "sim", enquanto a alternativa leva a "mais opções", obrigando o usuário a se clicar por vários submenus para finalmente selecionar "não". Em alguns casos, opções já vêm previamente marcadas (pre‑ticked boxes), e o usuário precisa desmarcá‑las ativamente. Pressão artificial de tempo: comum em lojas online, com a exibição de cronômetros piscando ou avisos como "Só resta 1 item em estoque!" ou "X pessoas estão vendo este produto agora". Isso cria estresse e incentiva compras rápidas e pouco refletidas. "Nagging" (importunação constante): o usuário é repetidamente incitado a realizar determinada ação, até que concorde apenas para se livrar do aviso irritante. Isso ocorre, por exemplo, em reservas de viagem feitas em várias etapas, nas quais a cada página reaparece a oferta de contratar um seguro adicional ou reservar assento mediante custo extra. Modelo "pague ou aceite" (pay or okay): obriga o usuário a escolher entre pagar para usar um site sem anúncios ou concordar com o processamento de dados para publicidade personalizada. Organizações de defesa do consumidor criticam esse modelo por não oferecer uma escolha realmente equivalente, pressionando os usuários a liberar seus dados, já que a alternativa é paga. "Hotel de baratas": é muito fácil se cadastrar ou assinar um serviço com poucos cliques, mas extremamente difícil cancelá‑lo. As opções de cancelamento ficam escondidas em submenus ou exigem carta escrita ou ligação telefônica. O termo vem de uma armadilha para baratas, na qual os insetos entram facilmente, mas não conseguem sair. Períodos de teste gratuitos que se convertem automaticamente em assinaturas pagas se não forem cancelados com antecedência. Os custos posteriores costumam ser exibidos de forma muito discreta. Como se proteger de dark patterns Com o Digital Services Act, a UE teoricamente proibiu operadores de plataformas online de usar tais práticas. Usuários não podem ser enganados, manipulados ou impedidos de tomar decisões livres por meio do design de um site. No entanto, os dark patterns frequentemente se movem em uma zona cinzenta jurídica. Não existe uma definição legal única e totalmente clara sobre a partir de quando um design é considerado "manipulativo". Por isso, a conscientização continua sendo a melhor proteção contra esses truques. Existem inúmeros dark patterns na internet – tantos que organizações de defesa do consumidor e projetos científicos já catalogaram diversos exemplos e tornaram públicos os mecanismos por trás deles. De modo geral, a Central Alemã de Defesa do Consumidor recomenda agir sempre com cautela na internet, não clicar rapidamente em botões pré‑definidos e verificar cuidadosamente caixas de seleção e carrinhos de compra. Além disso, usuários não devem se deixar pressionar a tomar decisões de compra apressadas nem permitir que sites provoquem sentimentos de culpa. Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas'
09/05/2026 06:00:44 +00:00
Soterrados por juros: como 30% das famílias no Brasil já não conseguem pagar suas dívidas?
Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve Ter dívidas faz parte da vida financeira da maioria das pessoas. O problema começa quando elas deixam de ser pagas e viram inadimplência — sinal de que a dívida cresceu além da capacidade de pagamento, seja por juros altos, prazos curtos, imprevistos ou queda de renda. Esse desequilíbrio já afeta mais do que as famílias. Com muitos atrasos, a inadimplência tende a encarecer o crédito, desacelerar a economia e dificultar contratações. No VÍDEO ACIMA, Renata Ribeiro conta como esse processo já leva 3 de 10 famílias brasileiras a não conseguir pagar as parcelas de suas dívidas. Sair desse ciclo exige estratégia, como priorizar dívidas caras, renegociar e evitar novos compromissos. Neste vídeo, você vai entender os riscos da inadimplência e como escapar da bola de neve. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
09/05/2026 05:00:39 +00:00
Vaca superfértil no MT produz 12 vezes mais células reprodutivas que uma fêmea comum

Recorde de fertilidade: vaca no Mato Grosso produz cerca de 12 vezes mais células reprodut Uma vaca bateu recorde de fertilidade no Mato Grosso, ao atingir cerca de 12 vezes mais células reprodutivas do que normalmente acontece entre fêmeas da espécie. O animal produziu 724 oócitos viáveis em uma única coleta. Normalmente, uma vaca produz entre 10 e 60 oócitos. 🔎 Os oócitos são as células reprodutivas das fêmeas bovinas. Eles são usados para formar embriões no processo de fertilização in vitro. Na prática, isso permite produzir mais embriões de alto padrão genético em laboratório. Com isso, o melhoramento do rebanho pode acontecer mais rapidamente. LEIA MAIS Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec Como sementes usam o som da chuva para decidir quando germinar Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
09/05/2026 05:00:36 +00:00
Chefes padrão 'Diabo Veste Prada' estão de volta? Empresas endurecem regras e sinalizam nova era de controle

Meryl Streep volta como Miranda Priestly em 'O Diabo Veste Prada 2' Divulgação Estar disponível a qualquer hora do dia. Buscar cafés, carregar casacos, resolver problemas pessoais da chefe. Aceitar broncas públicas, cumprir ordens impossíveis e até correr atrás de um manuscrito inédito do novo livro de Harry Potter em menos de 24 horas. 👠 Em 2006, tudo isso apareceu nas telas em O Diabo Veste Prada, filme que retrata os bastidores de uma revista de moda nos Estados Unidos. No centro da história está Miranda Priestly, a (nem tão) fictícia editora-chefe, conhecida por comandar a equipe com exigências extremas, frieza e humilhações públicas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na época, muitas dessas cenas foram recebidas com fascínio. Em vez de provocar indignação coletiva, ajudaram a transformar Miranda em um símbolo aspiracional de liderança corporativa. Para muita gente, ela representava um ideal de sucesso. Era inacessível e exigente. Características admiradas justamente por sua capacidade de liderar pelo medo. "Ser 'workaholic' era romantizado (...) Durante muito tempo existiu a crença de que a pressão extrema gerava excelência, mas hoje as empresas entenderam que performance depende de uma cultura saudável", explica Tatiana Marzullo, fundadora do 'Salto Alto', programa focado em liderança feminina. ⚠️ Antes de continuar a leitura, vale o aviso: esta reportagem contém spoilers de O Diabo Veste Prada 2, sequência lançada em abril. O principal deles é que o mundo corporativo que transformou Miranda Priestly em ícone do sucesso profissional já não existe da mesma forma. Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Na continuação do filme, Miranda continua respeitada, mas deixa de ser intocável. Pela primeira vez, a personagem enfrenta denúncias internas feitas por funcionários à diretoria. Seu comportamento deixa de ser tratado como "parte do jogo' e passa a ser questionado. Mudanças sutis ganham força simbólica. O gesto clássico de jogar o casaco sobre a mesa da assistente desaparece. Agora, é a própria Miranda quem o pendura. Essa nova versão da personagem surge em um mundo do trabalho atravessado por debates que eram bem menos visíveis há duas décadas: saúde mental, burnout, assédio moral, riscos psicossociais, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, programas de conformidade e canais formais de denúncia. Hoje, comportamentos antes vistos como prova de comprometimento passaram a ser interpretados como possíveis violações das leis trabalhistas. “Com o tempo, o burnout deixou de ser tratado como fragilidade individual e passou a ser entendido como reflexo de culturas organizacionais adoecidas”, diz Tatiana. Não por acaso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) usou Miranda Priestly em uma publicação nas redes sociais para exemplificar situações que podem configurar abusos no ambiente profissional. A publicação alcançou mais de 50 mil curtidas no Instagram. Initial plugin text Mas, se o cinema e parte das empresas parecem rever os excessos do passado, o cenário corporativo real está longe de seguir uma trajetória linear. 🚩 Enquanto a ficção revisita Miranda sob o filtro da responsabilização, grandes empresas dão sinais de endurecimento nas relações de trabalho. Uma reportagem recente da Bloomberg aponta uma retomada da lógica de "comando e controle" dentro das empresas, com menos flexibilidade, mais supervisão e regras internas mais rígidas. Esse movimento aparece em diferentes frentes: retorno obrigatório ao trabalho presencial, intensificação do monitoramento da produtividade, redução de políticas flexíveis e até códigos de vestimenta mais restritivos. Empresas como Target e Starbucks, por exemplo, passaram a limitar estampas, cores e elementos visuais usados por funcionários nas lojas. ➡️ Diante desse cenário, a pergunta que fica é: o estilo de liderança de Miranda Priestly saiu de moda ou o mundo corporativo apenas encontrou novas formas de exercer controle? O que mudou no trabalho desde os anos 2000? A transformação do ambiente corporativo nas últimas duas décadas não aconteceu por acaso. Ela foi impulsionada por mudanças culturais, geracionais, tecnológicas e econômicas que alteraram a forma como os trabalhadores enxergam carreira, sucesso e qualidade de vida. Segundo as especialistas ouvidas pelo g1, o modelo de liderança representado por Miranda começou a perder força quando profissionais passaram a questionar padrões que, por muito tempo, foram tratados como normais dentro das empresas. Nos anos 2000, jornadas exaustivas, disponibilidade constante e chefes agressivos eram frequentemente vistos como parte inevitável do crescimento profissional. Em muitos setores, sofrer no trabalho funcionava quase como uma prova de comprometimento. Mariana Laselva, especialista em lideranças, avalia que esse comportamento estava ligado a um contexto em que a estabilidade profissional era prioridade absoluta. “Independentemente do que você enfrentasse no ambiente de trabalho, a lógica era: você não pode perder seu emprego”, afirma. “O padrão de abuso ficava muito naturalizado.” O Diabo veste Prada divulgação Ao longo dos anos, porém, essa lógica começou a mudar. O avanço das discussões sobre saúde mental teve papel importante nesse processo. Temas como burnout, ansiedade, depressão e assédio moral deixaram de ser tratados como fragilidade individual ou falta de dedicação e passaram a ser reconhecidos como questões legítimas de saúde e gestão, pontua Tatiana. "Quanto mais eu me conheço, menos eu tolero determinadas situações", diz a especialista. A pandemia acelerou ainda mais essa transformação. A imposição do trabalho remoto, o isolamento social e a sobreposição entre vida pessoal e profissional levaram muitas pessoas a repensar limites, prioridades e relações de trabalho. 📢 As mudanças vieram acompanhadas de uma pressão crescente sobre as empresas. Se antes comportamentos abusivos podiam ficar restritos aos bastidores corporativos, hoje funcionários contam com redes sociais, plataformas de avaliação e canais públicos para expor experiências negativas. Segundo as duas especialistas, foi essa combinação entre maior conscientização dos trabalhadores e medo de danos à reputação que levou empresas a fortalecer áreas de compliance, criar canais de denúncia e revisar políticas internas relacionadas a assédio, ética corporativa e saúde mental. Ou seja, não se trata apenas de altruísmo empresarial. Além do risco jurídico e de imagem, as organizações passaram a perceber impactos financeiros concretos provocados por ambientes tóxicos, como afastamentos por burnout, aumento da rotatividade, perda de talentos e queda de produtividade. Na avaliação de Mariana, a relação entre bem-estar e resultado se tornou impossível de ignorar. “Pessoas felizes trabalham melhor”, resume. Esse movimento também mudou a própria ideia do que significa liderar. Se há 20 anos competência técnica e cobrança extrema bastavam para legitimar um chefe, hoje as empresas passaram a exigir habilidades ligadas à inteligência emocional, capacidade de escuta, desenvolvimento de equipes e construção de confiança. "A régua da liderança atual ficou mais alta porque ela inclui humanidade (...) A pressão sobre o líder hoje não é apenas por resultados. É também por coerência”, afirma Tatiana. Para Mariana, essa mudança alterou inclusive a percepção sobre hierarquia dentro das empresas. "Você não é melhor do que ninguém por estar em uma posição de liderança (...) Somos todos adultos. Não é preciso maltratar ninguém', diz. O retorno da chefia linha-dura? 🤔 Mas, se o mundo corporativo mudou tanto nos últimos 20 anos, por que tantas empresas parecem voltar a endurecer regras e retomar estruturas mais rígidas de comando? Depois de anos defendendo flexibilidade, autonomia e ambientes mais horizontais, grandes companhias passaram a reforçar hierarquias, ampliar mecanismos de supervisão e reduzir liberdades concedidas aos funcionários no pós-pandemia. De acordo com uma reportagem recente da Bloomberg, lideranças estariam vivendo uma era de retomada do modelo de “comando e controle”. Os exemplos aparecem até em detalhes aparentemente simples. A Target, segunda maior rede de lojas de departamento dos Estados Unidos, endureceu regras sobre aparência e vestimenta dos funcionários. Agora, eles não podem mais usar bermudas e, se um cliente estiver a até três metros, a orientação é sorrir. Já a Starbucks passou a reforçar padrões visuais mais rígidos para atendentes, limitando estampas, logotipos e cores fora do padrão definido pela empresa. Segundo a análise publicada pela Bloomberg, as mudanças vão além da roupa. Elas refletem uma tentativa das empresas de reafirmar autoridade em um momento de pressão econômica, insegurança corporativa e perda do poder de barganha dos trabalhadores. Esse movimento também aparece no retorno obrigatório ao trabalho presencial, na intensificação do monitoramento da produtividade e no aumento da vigilância sobre funcionários. Uma pesquisa da WeWork, feita com quase 2 mil trabalhadores brasileiros, mostrou que 63% dos entrevistados atuam de forma presencial — e, para a maioria (79%), isso não é uma escolha, mas uma exigência. Para Mariana Laselva, porém, é importante evitar análises simplistas. Na avaliação dela, o controle sempre existiu dentro das empresas. O que muda são as ferramentas e a forma como ele se manifesta. “O controle não necessariamente tem uma única forma”, afirma. “Você passa de uma relação baseada na confiança para uma relação baseada no controle.” Ela avalia que parte desse endurecimento está ligada à insegurança de lideranças que acreditam ter perdido a capacidade de supervisão durante os anos de maior flexibilização do trabalho remoto. Ao mesmo tempo, Mariana ressalta que nem toda retomada do presencial representa automaticamente uma volta ao modelo “Miranda Priestly”. Em alguns setores, a convivência física continua tendo valor estratégico para troca de conhecimento, formação de equipes e construção de vínculos profissionais. Tatiana Marzullo faz uma leitura semelhante. Para ela, muitas empresas perceberam queda de produtividade, enfraquecimento da cultura organizacional e dificuldades de gestão após as mudanças aceleradas impostas pela pandemia. "Vejo esse movimento mais como um ajuste do que como uma regressão", afirma. Ainda assim, ela alerta para uma diferença importante entre reorganizar processos e retomar culturas baseadas no medo. Segundo Tatiana, empresas que ignorarem completamente os aprendizados dos últimos anos correm o risco de repetir modelos que já demonstraram impactos negativos na saúde mental, na retenção de talentos e na produtividade. "As empresas mais inteligentes serão aquelas capazes de equilibrar alta performance com autonomia, confiança e bem-estar”" diz. Na prática, o que especialistas observam é que o mundo corporativo atual vive uma espécie de disputa entre dois modelos de liderança. De um lado, empresas pressionadas por produtividade, resultados financeiros e eficiência operacional. De outro, trabalhadores que passaram a valorizar mais equilíbrio, flexibilidade, saúde emocional e relações menos hierárquicas. Ou seja, para Tatiana e Mariana, as lideranças que tendem a prevalecer no mercado são aquelas capazes de conciliar essas duas dimensões.
09/05/2026 05:00:34 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 45 milhões neste sábado; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.005 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 45 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (9), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira, ninguém acertou as seis dezenas. O g1 trasmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
09/05/2026 03:01:24 +00:00
Mais crédito, renegociação de dívidas e prazo ampliado: como funciona o Desenrola 2.0 para empresas

Lançamento do novo Desenrola Brasil O Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal nesta semana, cria novas formas de renegociação de dívidas, amplia prazos de pagamento e facilita o acesso ao crédito para pequenos negócios. Nesta nova fase, o programa passa a atender também empresas. Segundo o governo, o endividamento elevado afeta o consumo e compromete a atividade produtiva quando atinge pequenos negócios. Esse grupo concentra a maior parte dos empregos no país e costuma enfrentar mais dificuldades para acessar crédito em momentos de aperto financeiro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Veja abaixo como vai funcionar o segmento que atende os empresários. Categorias de negócios O Desenrola Empresas opera a partir de mudanças em políticas já existentes, principalmente no Pronampe e no Procred, que passam a ter regras mais flexíveis, prazos maiores e maior tolerância a atrasos. A mudança inclui negócios negativados ou com pequenos atrasos, possibilitando a troca de dívidas de curto prazo e juros elevados por financiamentos mais fáceis de administrar. 📎 O público-alvo inclui microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais, dentro dos limites de faturamento estabelecidos em lei. As condições de acesso variam de acordo com o porte do negócio. Microempresas Para negócios com faturamento anual de até R$ 360 mil, atendidas principalmente pelo Procred, o novo Desenrola prevê mudanças na estrutura dos financiamentos. Uma das principais alterações é a ampliação do prazo de carência, período em que a empresa ainda não começa a pagar as parcelas. Esse intervalo passa de até 12 para até 24 meses, criando uma margem maior para que o empreendedor reorganize as finanças. O prazo total do financiamento também foi ampliado. Antes limitado a 72 meses, agora pode chegar a 96 meses. Com isso, o valor das parcelas é diluído ao longo do tempo, reduzindo a pressão mensal sobre o caixa do negócio. Outro ponto é o aumento da tolerância a atrasos. Pelas regras anteriores, empresas com mais de 14 dias de atraso já encontravam obstáculos para contratar novas operações. Com o novo Desenrola, o limite passa a ser de 90 dias, levando em conta que oscilações temporárias de caixa são comuns entre pequenos negócios. O limite de crédito disponível também foi ampliado. O teto deixa de ser 30% do faturamento anual e passa para 50%, com valor máximo de R$ 180 mil por empresa. 👩🏻‍💼 No caso de microempresas comandadas por mulheres, esse percentual pode chegar a 60% do faturamento, como forma de incentivo ao empreendedorismo feminino. Micro e pequenas empresas Para micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, as mudanças se concentram no Pronampe, linha criada durante a pandemia e que se consolidou como uma das principais fontes de crédito para esse segmento. O prazo de carência foi ampliado para até 24 meses, e o prazo máximo de pagamento passou de 72 para 96 meses. A proposta é dar fôlego para que empresas endividadas consigam se reorganizar antes de retomar os desembolsos. A tolerância a atrasos também foi ampliada, passando de 14 para 90 dias. A medida evita o bloqueio automático do acesso ao crédito em situações de dificuldade financeira temporária. Outra mudança é o aumento do limite máximo de crédito, que sobe de R$ 250 mil para R$ 500 mil. Segundo o governo, a intenção é ampliar o acesso a recursos para capital de giro e criar condições para que empresas substituam dívidas mais caras, como cheque especial empresarial ou empréstimos de curto prazo, por financiamentos com juros menores e prazos mais longos. Como funcionam as garantias Um dos principais elementos do Desenrola Empresas é o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O fundo funciona como uma proteção para os bancos, ao assumir parte das perdas em caso de inadimplência. Com isso, o risco das operações diminui. Com menor risco, as instituições financeiras conseguem oferecer juros mais baixos e prazos mais longos, mesmo para empresas com histórico recente de atrasos ou com restrições no nome. Esse modelo diferencia o novo Desenrola de uma renegociação comum entre banco e cliente. Ao assumir parte do risco, o governo tenta ampliar o acesso ao crédito para quem enfrenta mais barreiras no mercado. Como participar? As empresas interessadas não precisam acessar um site do governo nem se cadastrar em uma plataforma centralizada. O acesso ocorre diretamente nas instituições financeiras participantes, pelos canais habituais de crédito. Cabe ao banco verificar se a empresa se enquadra nos critérios, como faturamento, programa aplicável e tipo de operação, e apresentar as condições previstas nas novas regras. O governo não renegocia as dívidas diretamente, mas estabelece os parâmetros para que esse redesenho do crédito seja feito. No caso dos microempreendedores individuais, a situação pode variar. Dependendo do tipo de dívida, o MEI pode acessar tanto as condições destinadas a pessoas físicas quanto as linhas voltadas a empresas, desde que cumpra os critérios de cada frente. Além da linha empresarial, o programa mantém frentes voltadas às famílias, com renegociação de dívidas de consumo e descontos que podem chegar a 90%, aos estudantes com débitos do Fies, com abatimentos que podem alcançar 99% para inscritos no CadÚnico, e aos agricultores familiares, com a prorrogação do Desenrola Rural até 2026. Essas frentes seguem regras próprias e funcionam de forma paralela à linha voltada às empresas. SAIBA MAIS SOBRE O DESENROLA 2.0 Desenrola Brasi Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
09/05/2026 03:01:13 +00:00
Ministro diz que grupo de trabalho com os Estados Unidos para evitar novas tarifas já iniciou tratativas

Ministro diz que grupo de trabalho com os EUA para evitar novas tarifas já iniciou tratativas O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta sexta-feira (8) que o grupo de trabalho criado entre Brasil e Estados Unidos para discutir tarifas comerciais começou oficialmente os trabalhos. "O grupo de trabalho começou hoje, hoje eu mandei uma mensagem de WhatsApp para o Greer, dizendo 'ontem a conversa foi boa e vai ser melhor ainda no futuro', porque quando nós saímos da reunião, tanto ele quanto o próprio presidente Trump, ele me deu o cartão com o WhatsApp para o presidente Trump, falou, baixe as tarifas, estava brincando comigo", afirmou o ministro. Em entrevista à GloboNews, o ministro disse que convidou o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para uma videoconferência na próxima semana, possivelmente na terça-feira (12). "Eu mandei a mensagem convidando para uma conversa já na terça-feira (12) por videoconferência, se for possível, terça ou quarta-feira (13). Na segunda-feira (11), eu tenho uma reunião no Palácio Planalto com o presidente Lula, alinhamento de alguns detalhes que eu estou levantando", disse. Márcio Elias Rosa integrou a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada nesta quinta-feira (7), em Washington. “É óbvio que nós vamos ter que, no próximo capítulo, discutir concretamente o que eles querem de redução [de tarifas] e ali vamos precisar entender se é possível ou não”, afirmou. Segundo o ministro, o governo brasileiro pretende manter o diálogo para compreender quais são os pontos que levam os norte-americanos a avaliarem que o Brasil pratica tarifas elevadas sobre produtos importados. “Agora, óbvio que se nos for apresentado argumento factível de necessidade de revisão, de realinhamento, nós temos que ter boa vontade”, disse. O ministro também destacou que, atualmente, 74% da pauta de importações brasileiras vindas dos Estados Unidos não pagam imposto de importação. “Tanto que o Brasil é deficitário na relação comercial com os Estados Unidos”, afirmou. Apesar disso, Márcio Elias Rosa avaliou que o déficit comercial não representa um problema, já que existe complementaridade entre os investimentos e as economias dos dois países. Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026. Márcio Elias Rosa logo atrás (gravata cinza) Presidência da República Lula e Trump Lula se reuniu na quinta-feira (7) com Trump, em Washington, em uma conversa descrita por ambos como positiva. O encontro durou cerca de três horas e teve como foco a retomada e o fortalecimento da relação entre os dois países, especialmente nas áreas comercial e de investimentos. A questão das tarifas também entrou na pauta. Embora Lula tenha evitado detalhar negociações específicas, ele indicou que houve disposição para tratar de barreiras comerciais e de medidas que afetam exportações brasileiras. A leitura do governo é que o diálogo abre caminho para reduzir tensões e dar mais previsibilidade ao comércio bilateral. Ao final do encontro, Lula avaliou que a conversa representou um “passo importante” para consolidar a relação entre Brasil e Estados Unidos. Trump, por sua vez, afirmou em rede social que a reunião foi “muito boa” e elogiou o presidente brasileiro, sinalizando que novos encontros devem ocorrer em breve.
08/05/2026 22:23:55 +00:00
Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF

Fintech é acusada de desaparecer com ao menos R$ 335 milhões e omitir informações; polícia registra ocorrências no DF Reprodução A fintech Naskar Gestão de Ativos passou a ser investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após clientes relatarem dificuldade para acessar valores investidos, problemas no aplicativo da empresa e falta de respostas da companhia. Segundo a PCDF, foram registradas quatro ocorrências policiais contra a Naskar, entre esta quinta-feira (7) e sexta-feira (8). O g1 apurou que duas empresas, somadas, estimam um prejuízo de pelo menos R$ 335 milhões (entenda abaixo). Os registros foram feitos em delegacias diferentes, e cada unidade ficará responsável pela apuração de forma independente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Considerando toda a operação da Naskar, a estimativa é de aproximadamente R$ 850 milhões em contratos e impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas, segundo informou o Grupo Nexco, uma das empresas contratantes. A Naskar informou, em nota (veja íntegra abaixo), que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. Vídeos em alta no g1 Segundo a empresa, equipes técnicas trabalham na revisão e validação das informações para garantir a segurança e a precisão no tratamento dos dados. A companhia afirmou ainda que os clientes serão atualizados “o mais breve possível”. Os sócios-administradores da Naskar são Jose Mauricio Volpato — ex-jogador de vôlei, conhecido como Maurício Jahu —, Marcelo Liranco Arantes e Rogerio Vieira. Prejuízo de R$ 47 milhões Uma das ocorrências foi registrada pelo empresário do Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília. De acordo com o registro policial, Wesley afirma que sua empresa atuava na indicação de clientes para produtos financeiros da Naskar e que, ao longo da parceria, cerca de 135 clientes fizeram aportes que somam aproximadamente R$ 47 milhões. Segundo o empresário, os problemas começaram nesta semana, quando pagamentos previstos para segunda-feira (4) deixaram de ser feitos, e o aplicativo utilizado pelos clientes para consultar saldos e solicitar resgates saiu do ar. “Meu dinheiro da vida está dentro dessa instituição. Minha mãe vendeu uma casa que ela tinha e colocou o dinheiro lá para viver da renda”, afirmou Wesley ao g1. Segundo Wesley, clientes e parceiros passaram anos confiando na empresa e nunca haviam enfrentado atrasos semelhantes. Wesley afirma ainda que representantes da empresa deixaram de responder mensagens, ligações e notificações formais, sem apresentar esclarecimentos sobre os valores investidos ou previsão de regularização. Segundo ele, após orientação jurídica, decidiu registrar boletim de ocorrência e entrar com medida cautelar na Justiça. “O medo é que essas pessoas estejam fugindo com o nosso dinheiro. A gente quer que o dinheiro seja bloqueado para ressarcir os clientes”, afirmou. Ação Judicial A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação. Reprodução A crise envolvendo a empresa também motivou uma ação judicial do Grupo Nexco contra a Naskar Holding, após atrasos considerados inéditos em pagamentos e dificuldades de acesso à operação. Segundo a Nexco, os repasses previstos em contratos de mútuo — espécie de empréstimo entre as partes — deveriam ter sido feitos no primeiro dia útil do mês, mas não foram honrados. A empresa afirma que clientes e agentes também relataram impossibilidade de acessar o aplicativo, movimentar contas e obter respostas da Naskar. Para o grupo, a situação deixou de ser um atraso pontual e passou a representar uma “crise de confiança e de informação”. “O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial”, afirma o advogado Kauê Machado, que representa a Nexco e clientes. A empresa diz que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base podem ter sido afetados, com prejuízo estimado em R$ 288 milhões. A Nexco também afirma que não havia identificado, até então, qualquer sinal de irregularidade na operação da Naskar que justificasse a interrupção ou inviabilizasse a comercialização dos contratos. A companhia diz ainda que seus próprios diretores e colaboradores estão entre os prejudicados e que passou a organizar ações judiciais para reunir os clientes afetados e buscar reparação. Reclamações Clientes da Naskar passaram a relatar problemas na plataforma e dificuldades para acessar valores em publicações no site Reclame Aqui. As queixas mencionam indisponibilidade do aplicativo e falta de comunicação por parte da empresa. “Estou sem acesso ao banco Naskar há vários dias. Aparece uma mensagem de problemas no sistema. Quero resgatar meu dinheiro”, escreveu um usuário de Brasília. Outro cliente, do Paraná, afirma que o aplicativo saiu do ar sem aviso prévio e relata prejuízo financeiro. "Desde segunda-feira, sem nenhum comunicado por parte da instituição. O aplicativo sumiu do ar e todo o meu dinheiro investido simplesmente desapareceu do dia para a noite. Foram anos trabalhando”, disse. Há ainda relatos de ausência de posicionamento oficial da empresa diante da situação. “Até o presente momento, não houve qualquer comunicado oficial por parte da Naskar que justificasse o bloqueio dos valores ou que apresentasse um cronograma de devolução”, diz outra reclamação. As manifestações reforçam o aumento da insatisfação entre clientes e a pressão por esclarecimentos sobre a situação da empresa. O que diz a Naskar Gestão de Ativos “A Naskar informa que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. As equipes técnicas seguem atuando na revisão e validação das informações para garantir segurança e precisão no tratamento dos dados. Os clientes serão atualizados o mais breve possível", O que diz o Grupo Nexco "Nexco entra com processo contra Naskar após atraso inédito e falta de informações sobre contratos de mútuo Grupo ajuizou ação com pedido cautelar para resguardar seus direitos e os de clientes afetados; empresa afirma que também foi surpreendida pela interrupção operacional e pela ausência de respostas. O Grupo Nexco ajuizou ação contra a Naskar Holding após uma sequência de fatos que causaram forte insegurança sobre o que ocorreu com a operação. Conforme a sistemática contratual, os pagamentos que deveriam ocorrer sempre no primeiro dia útil de cada mês, não foram honrados, e a medida judicial foi adotada após a confirmação da impossibilidade de acesso ao aplicativo, movimentação das contas e a ausência de resposta às tentativas de contato por clientes e agentes. Na avaliação da companhia, o ponto que transformou a situação em crise foi justamente o fato de que esse atraso nunca havia ocorrido, somado à falta de transparência dos sócios da Naskar sobre a origem do problema e os desdobramentos da operação. A Nexco afirma que, até o momento, também não recebeu esclarecimentos consistentes sobre o que de fato aconteceu, o que levou à adoção das medidas judiciais cabíveis. “O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial para resguardar direitos e buscar esclarecimentos”, afirma Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o grupo e alguns clientes. A empresa destaca que os instrumentos firmados com a Naskar são contratos de mútuo, isto é, contratos de empréstimo com amparo no Código Civil, com previsão de prazos, condições de devolução e remuneração pactuadas entre as partes. Segundo a Nexco, trata-se de uma relação civil contratual, e não de produto financeiro ou investimento regulado pelo mercado de capitais. A companhia também ressalta que sua atuação comercial sempre envolveu diferentes soluções e modalidades contratuais, como seguros, consórcios e outros produtos que igualmente não se enquadram como investimentos financeiros. No caso da Naskar, a Nexco afirma que a comercialização ocorreu porque acreditava na regularidade da operação e na transparência apresentada pela empresa, posicionando-se também como cliente. De acordo com a companhia, a própria Nexco foi diretamente atingida pela situação, uma vez que Diretores e diversos colaboradores do grupo aderiram à solução e hoje figuram entre os prejudicados, ao lado da própria empresa. “Tão logo a gravidade da situação foi verificada, a Nexco acionou seu corpo jurídico para dar suporte aos parceiros e clientes. A partir daí, foi estruturado o procedimento para adesão dos prejudicados, com o objetivo de permitir que essas pessoas integrem os processos de forma conjunta e tenham seus direitos resguardados de forma organizada”, afirma o advogado. A estimativa apresentada pela companhia é de que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à base da Nexco tenham sido afetados, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 288 milhões. Considerando toda a operação da Naskar, mensura-se que a empresa possui cerca de R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas. A Nexco afirma ainda que, até o surgimento do problema, não havia identificado em registros públicos ou em suas verificações qualquer sinal que indicasse irregularidade capaz de inviabilizar a continuidade da comercialização do produto. Segundo a companhia, não houve alerta prévio de órgãos como Procon ou Ministério Público que apontassem, até então, qualquer impedimento conhecido em relação à atuação da Naskar. Para o grupo, a ação judicial tem dupla finalidade: buscar proteção patrimonial e documental para os afetados e, ao mesmo tempo, forçar o esclarecimento institucional sobre a dimensão do problema. A companhia diz que seguirá concentrando sua comunicação por meio da assessoria jurídica e de imprensa, e que manterá os afetados informados dentro dos limites processuais. “O Grupo Nexco lamenta profundamente o ocorrido. A companhia acreditou na operação apresentada pela Naskar, assim como seus clientes, colaboradores e diretores. Diante do atraso inédito, da frustração das expectativas de pagamento e da falta de transparência dos sócios da empresa, a via judicial foi a medida necessária para buscar esclarecimento, responsabilização e resguardo de direitos”, afirma a banca. A Nexco diz que continuará acompanhando o caso e reforça que sua postura seguirá pautada pela escuta dos afetados e pela transparência possível dentro dos limites do processo judicial. A empresa afirma ainda que a divulgação do episódio também busca alertar o mercado para evitar que outras pessoas sejam expostas à mesma situação." LEIA TAMBÉM: PROGRAME-SE: Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Matogrosso & Mathias e Roupa Nova agitam fim de semana no DF LATAM: 'Me senti agredida e desrespeitada', relata passageira escoltada para fora de voo por conta de carrinho de bebê Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
08/05/2026 21:12:09 +00:00
Governo Trump recorre após Justiça dos EUA considerar ilegal tarifa global de 10%

Justiça americana considera ilegal o tarifaço de Donald Trump O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump recorreu nesta sexta-feira (8) da decisão da Corte de Comércio Internacional dos EUA que considerou ilegal a tarifa global de 10% aplicada sobre importações, segundo a agência Reuters. A medida havia sido adotada por Trump em fevereiro como alternativa após uma derrota anterior na Suprema Corte. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova decisão judicial, divulgada na quinta-feira (7), concluiu que Trump não tinha autoridade legal para aplicar o aumento generalizado das tarifas usando uma lei comercial da década de 1970. O placar foi de 2 votos a 1. O tribunal, porém, limitou os efeitos da decisão apenas aos autores da ação: duas pequenas empresas americanas e o estado de Washington. A disputa é mais um capítulo da batalha judicial em torno da política comercial de Trump. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA já havia decidido que o presidente extrapolou seus poderes ao impor o chamado “tarifaço” global usando uma lei de emergência nacional de 1977. Na ocasião, a Corte entendeu que apenas o Congresso americano pode criar tarifas amplas sobre produtos importados e que o presidente não poderia usar poderes emergenciais para fazer isso sozinho. A decisão afetou as chamadas tarifas recíprocas, aplicadas a diversos países, incluindo o Brasil. Depois dessa derrota, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações, desta vez baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O governo argumentou que a medida era necessária para combater desequilíbrios comerciais dos EUA. Agora, a Corte de Comércio Internacional também colocou em dúvida essa nova estratégia. Segundo os juízes, a lei usada pelo governo não foi criada para permitir tarifas amplas desse tipo. As tarifas atuais tinham caráter temporário e devem expirar em 24 de julho, caso não sejam prorrogadas pelo Congresso americano. Ao comentar a decisão, Trump criticou os magistrados responsáveis pelo julgamento e afirmou que a decisão partiu de “dois juízes radicais de esquerda”. O caso acontece em meio às tensões comerciais entre os EUA e a China e poucos dias antes de uma reunião prevista entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. Tarifaço pode custar US$ 159 bilhões aos EUA Como o g1 mostrou, mais de 330 mil empresas foram afetadas pelas tarifas em cerca de 53 milhões de remessas importadas. Após a decisão da Suprema Corte, empresas passaram a ter direito de pedir reembolso das taxas pagas. Estimativas da Universidade da Pensilvânia apontam que os reembolsos podem chegar a US$ 175 bilhões (cerca de R$ 859 bilhões), além de juros. (veja mais aqui) Recentemente, Trump afirmou que a decisão da Justiça americana foi “ridícula” e criticou os juízes por não incluírem uma cláusula impedindo a devolução do dinheiro já arrecadado. No mês passado, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou que havia concluído o desenvolvimento da fase inicial do sistema de restituição, conhecido como CAPE. O sistema vai consolidar os reembolsos, de modo que os importadores recebam um único pagamento eletrônico — com juros, quando aplicável — em vez de pagamentos separados para cada importação. Até 9 de abril, cerca de 56.497 importadores haviam concluído as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, em um valor total de US$ 127 bilhões (R$ 631,1 bilhões). Esse montante corresponde a cerca de 76% do total elegível para reembolso. Segundo informações da Reuters, parlamentares democratas têm pressionado grandes empresas para que eventuais reembolsos sejam revertidos em preços menores aos consumidores, e não usados para recompra de ações ou bônus a executivos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciando tarifas recíprocas globais REUTERS/Carlos Barria
08/05/2026 17:58:19 +00:00
Ministro do TCU libera novos consignados do INSS até análise final de recurso do governo

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Marcos Bemquerer acolheu nesta sexta-feira (8) recurso apresentado pelo governo e autorizou a retomada da concessão de novos empréstimos pessoais consignados, que estavam suspensos desde a semana passada. As modalidades “cartão de crédito consignado” e “cartão consignado de benefício”, no entanto, continuam interrompidas. Bemquerer é o relator do recurso e do caso no TCU. As medidas suspensivas do tribunal foram tomadas após suspeitas de fraudes (entenda mais abaixo). No recurso encaminhado à Corte, o governo pedia a autorização para voltar a conceder empréstimo consignado pessoal até o julgamento do mérito da ação envolvendo os novos empréstimos consignados. No documento, o Executivo argumentou que a suspensão do empréstimo pessoal consignado com desconto em folha teria “relevantes impactos sociais e econômicos”, ao empurrar segurados para modalidades de crédito mais caras, para a informalidade ou até para situações de superendividamento. Vídeos em alta no g1 Segundo o governo, a medida também reduziria a circulação de recursos em setores sensíveis da economia. Em despacho nesta sexta, o ministro disse que "notadamente as novas informações trazidas pelo agravante acerca do estágio avançado do andamento da implementação das demandas estruturantes da segurança dos empréstimos pessoais consignados, justificam, excepcionalmente, a atribuição do efeito suspensivo à medida acautelatória em exame". 🔎A liberação tem validade imediata porque foi tomada de forma individual (monocrática) pelo ministro relator, que possui autonomia legal para decidir sobre a urgência e os efeitos de um recurso antes mesmo de levá-lo para a votação de todos os ministros no Plenário Segundo interlocutores do governo, integrantes do Executivo se reuniram com o ministro na manhã de quarta-feira (6) para apresentar os argumentos do recurso. Em um novo encontro realizado nesta sexta (8), ficou definido o desbloqueio da modalidade. O g1 procurou o INSS para saber se a retomada será automática, mas até a última atualização desta reportagem ainda não tinha recebido retorno. Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília (DF) Wilton Junior/Estadão Conteúdo Entenda o caso Em 29 de abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o INSS suspendesse imediatamente concessão de novos empréstimos pessoais consignados até que as travas de segurança e controles internos fossem adequadas no sistema "eConsignado". A Corte de Contas também mandou suspender novas concessões de crédito consignado nas modalidades “cartão de crédito consignado” e “cartão consignado de benefício” até que o tribunal volte a decidir sobre o tema. Marcos Bemquerer afirmou, na ocasião, que as medidas eram necessárias diante do risco iminente de danos ao erário e aos segurados do INSS. Ele sustentou que a ausência desses controles permite a ocorrência de fraudes críticas, como consignações em nome de pessoas falecidas, contratações sem suporte contratual ou com identificação biométrica prejudicada, entre outros. 🔎A decisão foi dada no contexto de uma representação que apontou indícios de práticas abusivas e fraudulentas em empréstimos consignados, impulsionadas pelo vazamento de dados sigilosos de aposentados e pensionistas do INSS.
08/05/2026 15:44:20 +00:00
Influenciadora em ética de IA tem redes sociais derrubadas

Catharina Doria viralizou com vídeos em que fala sobre cuidados com a inteligência artificial Arquivo Pessoal via BBC Catharina Doria construiu uma audiência de quase 600 mil seguidores no Instagram e em outras redes sociais ao explicar, em vídeos curtos, como diferenciar uma imagem real de uma criada por inteligência artificial. Ensinou também por que pais devem evitar postar fotos dos filhos em redes sociais e alertou sobre outras questões envolvendo a tecnologia (leia aqui entrevista da BBC News Brasil com a influenciadora). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 E pode ter sido justamente o tema central de seu trabalho — os limites da decisão automatizada — que a levou a perder duas de suas contas na rede social nas últimas semanas, sob a justificativa de violar diretrizes da Meta, empresa responsável pela rede social. "E parece tragicômico que eu sou especialista em IA ética e uma IA possa destruir a minha vida. Influencer de IA ética é banida por IA", disse à BBC News Brasil. No fim de março, Catharina adotou Miss Petunia, uma cadela resgatada de maus-tratos, e, a pedido dos seguidores, criou um perfil dedicado ao animal: @misspetuniathechi. Segundo ela, a conta foi suspensa no mesmo instante em que foi criada, antes de qualquer publicação, foto de perfil ou biografia. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 "No momento em que eu cliquei para criar a conta, eu recebi uma notificação de que a minha conta tinha sido banida por ir contra as diretrizes da comunidade", relata. "Mas não deu nem tempo de postar uma foto, nem nada. É como se a conta tivesse nascido morta." Ela encaminhou à reportagem da BBC Brasil a cópia de um e-mail que contou ter recebido do Instagram, que diz que a conta foi suspensa por violar as "Community Standards on account integrity" ("Diretrizes da comunidade sobre integridade de conta"). Catharina diz ter aberto recurso e enviado um documento de identidade, como solicitado pela plataforma. Mas conta que recebeu nova mensagem do Instagram dizendo que o documento havia sido recusado, sem detalhar o motivo, e pedindo o reenvio. Em seguida, a conta foi desativada. Em maio, o Instagram informou a ela que uma segunda conta sua havia sido suspensa: a do @theaisurvivalclub, comunidade que ela mantém para discutir letramento crítico em inteligência artificial. A justificativa seria a de que a conta estaria associada a outra que infringiu regras da empresa. "Trabalho com isso, é minha fonte de renda, é minha fonte de credibilidade. Saber que uma inteligência artificial pode acabar com o meu salário, acabar com o meu ganha-pão, acabar com tudo, é assustador." A conta principal, @cahdoria, segue ativa, mas ela teme que também seja derrubada pelas regras que contou ter recebido na resposta da Meta. Procurada, a Meta disse que não iria se manifestar. A empresa não respondeu se houve revisão humana da decisão. 'O algoritmo erra em escala' "A nossa expectativa é que, ao menos, a gente saiba o motivo (da suspensão) e que, sabendo, a gente tenha o direito de questionar", diz o advogado e pesquisador de Harvard Caio Vieira Machado. Para ele, o problema central é a opacidade das decisões. "O algoritmo deles pode ter detectado algo estranho e, a partir disso, ter sinalizado que a conta, de repente, está espalhando um conteúdo de nudez, espalhando desinformação, espalhando alguma informação política que não interessa à plataforma, alguma visão mais delicada ou polarizada, por exemplo", afirma. "Ou o contrário: às vezes alguma coisa que esteja gerando polêmica pode ser amplificada pelo algoritmo." Segundo o pesquisador, o primeiro problema é que o usuário "está recebendo um serviço que é inconstante" e "não é informado de como isso funciona com relação à transparência dos algoritmos. A gente sequer tem uma condição boa da qualidade do algoritmo". Como esses sistemas operam em escala global, diz, eventuais erros se multiplicam: "Sabendo que essas tecnologias erram, e erram em escala — pensa quantos bilhões de publicações acontecem todos os dias —, 1% se for o erro, é uma escala de milhões." Por isso, afirma, a saída esperada é a revisão humana. "Em muitos casos pode ser que o modelo simplesmente tenha interpretado errado. Falsos positivos." Ele cita um artigo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que prevê que qualquer cidadão pode pedir que decisões automatizadas que afetem seus interesses sejam revistas por uma pessoa. Na prática, porém, esses revisores são "exércitos de pessoas contratadas por essas empresas, pagas um valor irrisório, com publicações aos milhares por dia para avaliar", afirma o advogado. "Eles têm poucos segundos para avaliar o que está lá."
08/05/2026 15:05:12 +00:00
Produção de veículos no Brasil cai 9,5% em abril; exportações ainda sentem efeitos da Argentina

Linha de montagem da Stellantis na cidade de Betim (MG) Divulgação / Stellantis O Brasil produziu 225,8 mil veículos em abril, o que significa uma queda de 9,5% em relação a março, que teve 249,4 mil veículos feitos no país. Os números são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Apesar do resultado negativo, os números do mês de abril são 2,4% maiores do que no mesmo período de 2025. Os primeiros quatro meses de 2026 acumulam 872,6 mil veículos feitos no Brasil, um aumento de 4,9% se comparado ao mesmo período de 2025. Vídeos em alta no g1 Efeitos da Argentina As exportações em abril cresceram 8,2% em relação a março. Foram 43,2 mil veículos embarcados no mês passado. No entanto, a queda em relação a abril de 2025 foi de 11,7%. O acumulado de exportações entre janeiro e abril de 2026 foi de 142,4 mil unidades. Um resultado 16,9% menor que os mesmos quatro meses de 2025. Segundo a Anfavea, o resultado ainda é reflexo do esfriamento do mercado argentino em 2026. Nos primeiros quatro meses de 2025, a Argentina comprou 101,5 mil veículos feitos no Brasil. Este ano esse volume caiu para 71,1 mil unidades entre janeiro e abril. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o mercado argentino recuou, mas houve uma queda também de participação dos veículos brasileiros. Ou seja, veículos de outros países estão ganhando mercado na Argentina. Em abril, entidades de Brasil e Argentina firmaram acordo para fortalecer o setor automotivo e reagir à concorrência chinesa. A ‘Declaração de Buenos Aires' foi assinada durante o evento Automechanika, realizado na capital argentina. O texto estabelece uma agenda integrada, com foco em competitividade, atração de investimentos e fortalecimento da integração produtiva e, segundo as entidades que participaram do evento, é uma resposta ao aumento da competição global e às transformações tecnológicas do setor.
08/05/2026 15:04:23 +00:00
Governo renova concessões de distribuição de energia em 13 estados; Enel fica de fora

O Ministério de Minas e Energia (MME) assinou, nesta sexta-feira (8), a renovação antecipada dos contratos de concessão de 14 distribuidoras de energia elétrica. Duas delas já haviam firmado acordos semelhantes no ano passado. A cerimônia de assinatura dos contratos contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo estimativas do ministério, os novos contratos devem viabilizar cerca de R$ 130 bilhões em investimentos até 2030, voltados à modernização e à expansão da rede elétrica. Vídeos em alta no g1 Os recursos devem alcançar 13 estados e beneficiar aproximadamente 41,8 milhões de residências. A medida, no entanto, não contempla a Enel, apurou o g1. A concessionária enfrenta um processo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão em São Paulo, diante das sucessivas reclamações sobre a prestação de serviços, especialmente durante eventos climáticos extremos, desde 2023. Entenda mais no vídeo: Aneel abre processo que pode encerrar contrato da Enel em São Paulo após apagões Novas exigências Segundo técnicos ouvidos pela reportagem, a proximidade do vencimento dos contratos antigos poderia reduzir os incentivos para novos aportes das distribuidoras. A renovação antecipada busca justamente garantir a continuidade dos investimentos e ampliar a segurança operacional das redes. 💡Os novos contratos também endurecem as exigências para as concessionárias. Entre as mudanças estão: mecanismos mais objetivos para eventual cassação de concessões regras para comprovação anual da saúde econômico-financeira das empresas ampliação e modernização dos canais de atendimento ao consumidor e criação de canais específicos para atendimento de gestores públicos. Imagem de arquivo - luz elétrica Reprodução/TV Gazeta Os contratos ainda preveem medidas para regularizar o compartilhamento de postes entre distribuidoras e empresas de telecomunicações, um dos principais gargalos de infraestrutura elétrica no país. ➡️No litoral baiano, por exemplo, estão previstas a implantação de 18 novas subestações e a modernização e ampliação de outras dez unidades, com incorporação de tecnologias de automação. ➡️Na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, o plano prevê a construção de 27 quilômetros de linhas de distribuição e três novas subestações. ➡️Já no agreste sergipano, uma nova subestação deve beneficiar mais de 40 mil consumidores.
08/05/2026 15:02:33 +00:00
Mega-Sena 30 anos: concurso especial pode pagar R$ 150 milhões e prêmio não irá acumular; g1 transmite ao vivo

Volantes da Mega-Sena Rafa Neddermeyer / Agência Brasil A Caixa Econômica Federal anunciou um sorteio especial da Mega-Sena para celebrar os 30 anos da modalidade. O concurso, de número 3.010, terá prêmio estimado em R$ 150 milhões e será realizado no domingo, 24 de maio. Segundo a Caixa, o concurso seguirá as regras dos sorteios especiais e não acumula. Caso ninguém acerte as seis dezenas, o prêmio será dividido entre os acertadores da quina e, se necessário, das demais faixas. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp As apostas podem ser feitas até às 22h (horário de Brasília) do dia 23 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube Como jogar na Mega 30 anos: Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6. Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante. Pela primeira vez, os bolões online poderão ser comprados até uma hora antes do sorteio. Como funciona a Mega-Sena? Três décadas da Mega-sena Criada em 11 de março de 1996, a Mega-Sena movimentou R$ 115,2 bilhões desde o primeiro sorteio. Ao longo das últimas três décadas, a modalidade distribuiu R$ 43,8 bilhões em prêmios e repassou cerca de R$ 46 bilhões para áreas como saúde, educação, cultura, esporte e segurança pública. Segundo a CAIXA, os repasses sociais representam mais de 56% da arrecadação total das loterias. De acordo com a instituição, 980 apostas já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria. O maior prêmio pago em um concurso regular da Mega-Sena — sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em outubro de 2022.
08/05/2026 14:29:13 +00:00
Como criar galinhas poedeiras

Galinhas em granja em Taquari (RS). Reuters Quer dicas de como começar uma criação de galinhas poedeiras? O Globo Rural disponibiliza um material gratuito do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com orientações sobre a atividade. A publicação ensina como construir o galinheiro e os ninhos, além de trazer informações sobre a aquisição das galinhas. O conteúdo também orienta sobre os cuidados com a saúde dos animais e a coleta dos ovos. O material pode ser acessado gratuitamente no site do Globo Rural, no endereço g1.com.br/globo-rural. 📱Acesse aqui Que fruta é essa?
08/05/2026 14:09:45 +00:00
Privacidade do Instagram desligada: o que isso significa para as suas DMs

Você é viciado no Instagram? Estudo revela que provavelmente não é. A rede social Instagram desativou o recurso que permitia aos usuários enviar mensagens com alto nível de privacidade. A partir desta sexta-feira (8), o Instagram poderá acessar todo o conteúdo das mensagens diretas, incluindo imagens, vídeos e mensagens de voz. A remoção da chamada criptografia de ponta a ponta (E2EE, na sigla em inglês), em que somente o remetente e o destinatário podem ver o conteúdo, representa uma grande guinada da Meta, empresa responsável pelo Instagram. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A criptografia de ponta a ponta é considerada por especialistas a forma mais segura de troca de mensagens na internet. Mas esse tipo de criptografia enfrenta há muito tempo a oposição de grupos que afirmam que ela facilita a disseminação de conteúdo considerado extremo (incluindo crimes) sem que autoridades consigam agir. Por isso, a decisão da Meta de remover esse tipo de criptografia de ponta a ponta do Instagram foi comemorada por grupos como organizações de proteção à infância, mas condenada por defensores da privacidade. A Sociedade Nacional de Proteção de Crianças Contra Crueldade (NSPCC, na sigla em inglês), uma das principais organizações sem fins lucrativos do Reino Unido, alerta há anos que a criptografia de ponta a ponta poderia expor crianças a riscos. "Estamos realmente satisfeitos", disse Rani Govender, do NSPCC, acrescentando que a criptografia de ponta a ponta "pode permitir que autores de crimes deixem de ser detectados, o que faz com que o aliciamento e o abuso infantil passem despercebidos". Por outro lado, defensores da privacidade afirmam que a medida representa um retrocesso. Maya Thomas, da Big Brother Watch, ONG britânica de defesa da privacidade e dos direitos civis, disse estar "decepcionada" com a decisão e afirmou que a criptografia de ponta a ponta era "uma das principais formas de crianças protegerem seus dados na internet". Thomas acrescenta haver preocupação de que a Meta esteja cedendo à pressão de governos. Antes, a Meta defendia a criptografia de ponta a ponta como o modelo mais seguro de privacidade para os usuários. Em 2019, a Meta prometeu implementar a tecnologia nas plataformas de mensagens do Facebook e do Instagram, afirmando que "o futuro é privado". A empresa concluiu a implementação dessa criptografia no Facebook Messenger em 2023 e depois tornou o recurso opcional no Instagram, com planos de torná-lo padrão. Mas, após sete anos, a Meta desistiu de ampliar o recurso no Instagram, que agora oferece apenas criptografia padrão. Na criptografia padrão, que substituiu a criptografia de ponta a ponta, um provedor de serviços de internet pode acessar conteúdo privado, se necessário. Esse é o sistema mais comum nos principais serviços online, como o Gmail, do Google. Por que a Meta desativou a criptografia de ponta a ponta? A partir desta sexta-feira (8), o Instagram poderá acessar todo o conteúdo das mensagens diretas, incluindo imagens, vídeos e mensagens de voz Getty Images via BBC Desde 2019, a Meta defendia seus planos de ampliar a criptografia de ponta a ponta, enquanto tentava superar os desafios técnicos para levar a tecnologia ao Facebook e ao Instagram. A empresa não anunciou publicamente a decisão de abandonar a implementação da ferramenta no Instagram. Em vez disso, atualizou discretamente os termos e condições do aplicativo em março. "As mensagens com criptografia de ponta a ponta no Instagram deixarão de ser compatíveis após 8 de maio de 2026. Se você tiver conversas afetadas por essa mudança, verá instruções sobre como baixar mídias ou mensagens que deseje guardar", informou a empresa. A Meta disse a jornalistas que a decisão foi tomada porque poucos usuários aderiram ao recurso. Mas especialistas afirmam que as ferramentas opcionais costumam ter baixa adesão, já que exigir que usuários ativem um recurso manualmente cria etapas extras no uso da plataforma. Alguns analistas, entre eles a especialista em cibersegurança Victoria Baines, acreditam que a decisão reflete uma mudança na postura da Meta em relação à privacidade. "As plataformas de redes sociais monetizam nossas comunicações, publicações, curtidas e mensagens, para direcionar publicidade segmentada", afirmou. "E, cada vez mais, empresas como a Meta estão se concentrando no treinamento de modelos de inteligência artificial [IA], para os quais os dados de mensagens podem ser extremamente valiosos. Acho que a decisão é mais complexa." O Instagram já afirmou anteriormente que mensagens diretas não são usadas para treinar sistemas de IA. A empresa se recusou a comentar mais detalhadamente a decisão de recuar na política de privacidade, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, recusou pedidos de entrevista. No mês passado, a Meta informou aos funcionários que cliques e atividades em dispositivos de trabalho passariam a ser coletados como dados de treinamento para os modelos de IA da empresa. Grupos como a ONG Big Brother Watch afirmam que a decisão da Meta pode influenciar toda a indústria de redes sociais. Até recentemente, a expansão da criptografia de ponta a ponta era vista como a direção natural do setor. Esse tipo de criptografia é padrão no Signal, no WhatsApp, no Facebook Messenger, no iMessage, da Apple, e no Google Messages O Telegram oferece o recurso como opcional, mas não de forma padrão O X, antigo Twitter, oferece um sistema semelhante para mensagens diretas, embora críticos afirmam que ele não atende aos padrões de segurança da indústria O Snapchat usa a tecnologia para fotos e vídeos enviados por mensagens diretas e já afirmou que pretende expandi-la para mensagens de texto. O Discord planeja tornar chamadas de voz e vídeo protegidas por criptografia de ponta a ponta de forma padrão. O TikTok disse à BBC em março que não tinha planos de implementar a tecnologia em mensagens diretas. Analistas, entre eles a especialista em cibersegurança Baines, acreditam que essas decisões podem desacelerar a disseminação da criptografia de ponta a ponta, fazendo com que ela fique restrita, no futuro, principalmente a aplicativos dedicados a mensagens.
08/05/2026 14:04:40 +00:00
Preço global dealimentos dispara e chega ao maior valor em 3 anos com guerra no Irã; veja o que mais subiu

Preço global dos alimentos dispara com guerra no Oriente Médio O preço dos alimentos voltou a subir no mundo e acendeu um alerta da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a FAO, agência da ONU para Alimentação e Agricultura, a alta está ligada à escalada da guerra no Oriente Médio e já afeta o sistema alimentar global. O índice de preços da FAO atingiu o maior nível em três anos. O diretor-geral da entidade destacou que a crise já ultrapassou o campo geopolítico e começou a impactar diretamente o abastecimento mundial de alimentos. Leia as notícias e assista aos vídeos do Bom Dia Brasil Entre os produtos que mais subiram estão os óleos vegetais. A alta é atribuída, principalmente, ao aumento da demanda por biocombustíveis e à disparada do preço do petróleo. No caso do trigo, a principal preocupação é a escassez de fertilizantes. Antes da guerra, cerca de um terço dos fertilizantes comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz, região estratégica que enfrenta bloqueios e forte tensão militar. Preço global dos alimentos dispara com guerra no Oriente Médio Reprodução/TV Globo Nesta semana, novos confrontos agravaram a situação. O Irã acusou os Estados Unidos de violarem o acordo de cessar-fogo após ataques contra dois navios. O governo iraniano afirmou que, “sempre que uma solução diplomática está sobre a mesa, os Estados Unidos optam por uma aventura militar irreversível”. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo segue mantido, apesar dos ataques, que classificou como um “tapinha de amor” durante entrevista. Com as incertezas sobre a trégua e o aumento das tensões na região, o preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril.
08/05/2026 13:56:37 +00:00
Governo quer aprovar aumento da mistura do biodiesel no diesel até o fim do ano; testes começam neste mês

O governo quer aprovar até o fim do ano o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel, o chamado B16, apurou o g1. Atualmente, o percentual da mistura está em 15%. Nesse contexto, o Executivo prevê para este mês o início dos testes para avaliar se o aumento da mistura pode ser implementado sem causar impactos negativos aos veículos em circulação no país. Os ensaios vão contar com cerca de R$ 30 milhões em recursos do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia (FNDCT), além de aportes privados. A comprovação da viabilidade técnica da mistura é condição para que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) possa deliberar sobre a elevação do teor de biodiesel no diesel. Vídeos em alta no g1 Hoje, a estrutura disponível para os testes conta com 11 laboratórios mecânicos, cinco laboratórios fisioquímicos e seis bancadas de ensaio, equipamentos usados para avaliar desempenho e identificar possíveis falhas em componentes hidráulicos e mecânicos. Técnicos envolvidos na discussão ressaltam que, caso a capacidade operacional seja ampliada, os testes poderão ser concluídos antes do prazo inicialmente previsto. Usina de Biodiesel de Quixadá, no Ceará, pode ser reativada, conforme presidente da Petrobras Cid Barbosa Endosso de Lula A discussão sobre o aumento da mistura ganhou força após defesa pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mês passado. “De um por cento em um por cento, a gente vai convencer o mundo de que, se alguém quiser inventar combustível renovável, não precisa gastar em pesquisa. Venha ao Brasil, que nós faremos transferência de tecnologia”, afirmou. Pelo cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro, a elevação gradual da mistura já deveria ter avançado, o que acabou sendo concretizado, ainda que haja pressão do setor produtivo. A legislação prevê aumento anual de um ponto percentual na mistura de biodiesel ao diesel, com possibilidade de atingir 20% até 2030. Já a elevação do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, o E32, já conta com testes de viabilidade e só aguarda decisão do CNPE. Não há, no entanto, data para que o colegiado trate do tema, embora o cenário macroeconômico favoreça o aumento, destacam técnicos.
08/05/2026 13:50:56 +00:00
Dona da Fiat e marca chinesa Leapmotor vão produzir carros juntos na Europa

Leapmotor deve produzir SUV elétrico B10 na Europa em fábrica da Stellantis Divulgação / Leapmotor Nesta sexta-feira (8), a Stellantis, dona da marca Fiat, e a chinesa Leapmotor anunciaram que planejam iniciar a produção conjunta de automóveis na Europa. A fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha, vai produzir um SUV elétrico inédito da Opel. Na mesma linha de produção será feito o Leapmotor B10 ainda em 2026. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo comunicado, as duas empresas pretendem aprofundar cooperação em três pontos: Produção do SUV Lepamotor B10 na fábrica da Stellantis em Zaragoza, Espanha. A fábrica de Figueruelas já monta o Peugeot 208 e o Lancia Ypsilon, outras marcas do grupo. A parceria na fábrica vai dar vida a um novo SUV elétrico da marca Opel previsto para 2028. Compras em conjunto. Stellantis e Leapmotor pretendem fazer compras com fornecedores em parceria. A medida busca baixar custos e ganhar escala. A medida, segundo Stellantis, vai promover preços competitivos pelo ecossistema chinês para carros eletrificados. Além de aproveitar as capacidades da cadeia de fornecedores da Europa. Um novo modelo da Leapmotor deve passar a ser produzido na fábrica de Villaverde, em Madrid. A medida deve garantir o futuro da planta, que já sabe que vai deixar de produzir o Citroën C4. O novo carro da Leapmotor deve chegar em 2028. Existe a possibilidade da fábrica passar a ser controlada pela LPMI e não mais pela Stellantis. Vídeos em alta no g1 Segundo Antonio Filosa, CEO da Stellantis, o anúncio reflete a intenção de aprofundar a parceria e maior colaboração entre as empresas. “Este plano deve dar suporte à produção e avançar na montagem na Europa de veículos elétricos com preços competitivos e que atendam às reais demandas dos nossos clientes”, disse Filosa em comunicado. Antonio Filosa, CEO da Stellantis Divulgação / Stellantis Em outubro de 2023, o grupo Stellantis virou o maior acionista da Leapmotor após adquirir cerca de 21% das ações na empresa chinesa. No mesmo momento foi criada a Leapmotor International (LPMI), que tem 49% das ações com a Leapmotor e 51% com a Stellantis. A joint venture tem os direitos exclusivos de produção e venda de produtos da Leapmotor fora da China. Nos últimos 18 meses, a LMPI tem conseguido bons números na Europa. Lançou os modelos T03 e C10 no fim de 2024 e já conta com 850 pontos de vendas e serviço na região. Em 2025, foram vendidos mais de 40 mil veículos na Europa.
08/05/2026 13:41:46 +00:00
Bolsa Família, BPC e mais: famílias que recebem de programas sociais têm renda per capita até 70% menor, mostra IBGE

Bolsa Família veja as regras e dias de pagamentos em abril de 2026 Os programas sociais do governo seguem sendo importantes para compor o orçamento de milhões de famílias brasileiras, especialmente entre as de menor renda. Em 2025, o rendimento domiciliar per capita médio entre os lares que recebiam algum benefício social, como Bolsa Família, BPC-LOAS ou outros auxílios sociais, foi de apenas R$ 886. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e mostram que ano passado, 22,7% dos domicílios brasileiros (18 milhões de lares) tinham ao menos um morador recebendo de algum programa social. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar da leve queda em relação a 2024, quando o percentual era de 23,6%, o alcance dos benefícios segue acima do registrado antes da pandemia, quando atingia 17,9%. O Bolsa Família continua sendo o principal programa de transferência de renda do país e estava presente em 17,2% dos domicílios brasileiros em 2025. Entre as famílias beneficiadas pelo programa, o rendimento domiciliar per capita médio foi de R$ 774 no ano passado, acima dos R$ 488 registrados em 2019. Já o BPC-LOAS — benefício voltado principalmente a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda — alcançou 5,3% dos lares, o maior percentual da série histórica. Entre os domicílios que recebiam o benefício, a renda domiciliar per capita média foi de R$ 1.218 em 2025. Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, embora representem uma parcela menor da renda média do país, os benefícios seguem essenciais para garantir uma renda mínima às famílias mais vulneráveis. “No caso do Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita das famílias beneficiadas foi de R$ 774 em 2025, enquanto entre os domicílios que não recebiam o programa a média chegou a R$ 2.682. A renda dos beneficiários correspondia a menos de 30% da registrada entre os não beneficiados." Como vivem as famílias que recebem programas sociais Os dados do IBGE também ajudam a traçar o perfil das famílias atendidas pelos programas sociais. Em geral, os domicílios beneficiados são maiores e concentram mais moradores do que aqueles sem esse tipo de renda complementar. Em 2025, os lares que não recebiam programas sociais tinham, em média, 2,5 moradores. Já entre os domicílios com algum benefício, a média subia para 3,2 pessoas. Nos lares atendidos pelo Bolsa Família, chegava a 3,4 moradores. Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, essa diferença ajuda a explicar o peso desses recursos no orçamento familiar. “Mesmo quando os valores individuais parecem limitados, eles acabam sendo fundamentais para sustentar casas com mais moradores e menor renda por pessoa.” Os dados indicam que os programas sociais ajudam a reduzir situações de vulnerabilidade, embora não sejam suficientes para eliminar as desigualdades de renda no país. Em 2025, os benefícios sociais responderam por 3,5% do rendimento domiciliar per capita nacional, percentual ligeiramente abaixo do registrado em 2024, quando foi de 3,8%. 🔎 A redução, porém, não está ligada a uma queda brusca dos benefícios. O movimento ocorreu porque outras fontes de renda, especialmente o trabalho, cresceram em ritmo mais forte no último ano, em um contexto de mercado de trabalho aquecido. Em 2025, a taxa média anual de desocupação caiu para 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012. A população ocupada atingiu 103 milhões de pessoas, recorde da série, enquanto o número de desocupados recuou para 6,2 milhões, cerca de 1 milhão a menos do que em 2024. Peso dos benefícios varia entre as regiões do país A participação dos programas sociais no orçamento das famílias muda significativamente de uma região para outra. No Nordeste, os benefícios responderam por 8,8% da renda domiciliar per capita em 2025. No Norte, essa fatia foi de 7,5%. Em ambas as regiões, os programas sociais tiveram peso maior do que aposentadorias e pensões na composição da renda das famílias. No Sul, por outro lado, os benefícios tiveram participação menor: apenas 1,6% da renda domiciliar per capita da região vinha de programas sociais, enquanto 4,5% da população recebia algum auxílio desse tipo. Veja abaixo os principais números que ajudam a entender quem são e como vivem as famílias beneficiadas. Retrato de quem é atendido por programas sociais Arte/g1 Bolsa Família Lyon Santos/MDS
08/05/2026 13:00:27 +00:00
Você está entre os mais ricos do Brasil? Veja quanto é preciso ganhar para entrar no topo da renda

Você ganha bem ou mal? Entenda 3 formas de avaliar sua renda Ganhar cerca de R$ 5 mil por mês pode ser suficiente para colocar um brasileiro entre os 10% mais ricos do país. A ideia pode soar improvável diante do custo de vida das grandes cidades e da percepção que muitas pessoas têm sobre riqueza no Brasil. Mas dados mais recentes sobre a renda mostram justamente isso: o topo da pirâmide começa muito antes do que parte da população imagina (veja mais abaixo). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento ajuda a entender não apenas quanto os brasileiros ganham, mas também como essa renda está distribuída — e concentrada — entre diferentes grupos da população. Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros foi de R$ 2.264. O cálculo considera toda a renda recebida pela casa dividida pelo número de moradores. Ainda assim, esse valor médio esconde uma distância significativa entre quem está na base e quem ocupa o topo da renda no país. Renda recorde e desemprego baixo: por que o brasileiro segue endividado, mesmo ganhando mais? Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, embora o Brasil tenha registrado recordes de rendimento individual — considerando todas as fontes, chegou a R$ 3.367 em 2025, o maior valor da série histórica —, houve um avanço da concentração de renda nas faixas mais altas em relação ao ano anterior. De acordo com ele, os 10% mais ricos tiveram crescimento de renda acima da média nacional em 2025, movimento que influenciou os indicadores de desigualdade. “O crescimento do topo acabou contribuindo para a percepção de uma leve oscilação positiva da desigualdade.” Base da pirâmide vive com menos de R$ 600 por pessoa Na faixa mais baixa da distribuição estão os 5% mais pobres da população, com rendimento médio de R$ 166 por pessoa em 2025. Na camada que concentra os 10% de mais pobres, a renda média sobe para R$ 268. Quando o olhas se concentra nos 20% da população com menores rendimentos no país, a renda domiciliar per capita permanece abaixo de R$ 600 por mês. Em termos práticos, isso significa que cerca de um quinto dos brasileiros vivia com esse valor mensal por pessoa no ano passado. 📊 Para fazer essa análise, o IBGE organiza a população da menor para a maior renda e a divide em grupos de mesmo tamanho, conhecidos como percentis. Com esse método, é possível comparar quanto recebe cada parcela dos brasileiros e identificar como a renda está distribuída e concentrada no país. Outro indicador ajuda a dimensionar esse cenário: a chamada mediana da renda, que representa o ponto exato que divide a população em duas metades. Em 2025, ela ficou em R$ 1.311 por pessoa. Em outras palavras, metade dos brasileiros vivia com menos do que esse valor mensal. O dado chama atenção porque está bem abaixo da média nacional de R$ 2.264. E isso acontece porque os rendimentos mais altos puxam a média para cima e ampliam a distância entre os diferentes grupos de renda. Mesmo assim, os dados mostram uma melhora mais intensa entre as faixas de menor renda nos últimos anos. Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% com menores rendimentos cresceu 78,7%, enquanto a faixa seguinte — formada pelos brasileiros entre os 10% e 20% de menor renda — registrou alta de 42,4%. 📈 Mas como esses grupos partem de níveis de renda muito baixos, aumentos relativamente pequenos em valores absolutos tendem a produzir variações percentuais mais expressivas. Assim, embora o avanço proporcional tenha sido significativo, a renda dessas famílias ainda permanece em patamares reduzidos. Segundo Fontes, esse avanço ajuda a explicar por que os indicadores de desigualdade ainda permanecem abaixo do nível observado antes da pandemia, apesar da alta recente da renda entre os mais ricos — que cresceu 8,7% entre 2024 e 2025, acima da média nacional de 6,9%. Topo da renda começa antes do que muita gente imagina É nesse contexto que aparece um dos dados que mais costumam surpreender: os 10% mais ricos do Brasil tiveram rendimento médio R$ 3.590 por pessoa em 2025. Isso significa que um trabalhador assalariado com renda em torno de R$ 5 mil por mês — principalmente em domicílios menores — já pode fazer parte desse grupo. Os dados do mercado de trabalho reforçam essa percepção: 💼 Em 2025, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados foi de R$ 3.560, valor muito próximo da renda média registrada entre os 10% mais ricos da população. Isso revela que uma parcela desse grupo é formada por trabalhadores assalariados com salários mais altos, e não apenas por pessoas que vivem de patrimônio, investimentos ou grandes empresas. Ainda assim, o topo da distribuição de renda está longe de ser uniforme. Mesmo entre os brasileiros de maior rendimento, as diferenças permanecem expressivas. 💼 Entre os 5% mais ricos do país, o rendimento médio mensal foi de R$ 5.519 por pessoa. 🧑‍💼 Entre os brasileiros situados entre os 96% e 99% no topo da distribuição de renda, o rendimento médio mensal foi de R$ 9.648 por pessoa. 👑 No extremo superior aparece o 1% mais rico do país, com rendimento médio mensal de R$ 24.973 por pessoa em 2025. Onde está a renda mais alta do país A pesquisa também ajuda a mostrar onde a renda mais elevada está concentrada. O Centro-Oeste apareceu entre as regiões com maior rendimento por pessoa em 2025 e registrou o crescimento mais forte no último ano. Segundo o IBGE, parte desse avanço foi impulsionada pelo Distrito Federal, com aumento do rendimento médio do trabalho, especialmente entre empregadores e trabalhadores do setor público. 👉 Os mapas mostram as diferenças de renda entre os grupos mais pobres e mais ricos nos estados brasileiros. Dê zoom, passe o mouse ou clique para ver os valores e use a seta para comparar os dois cenários. De acordo com Fontes, o mercado de trabalho mais qualificado ajudou a elevar os rendimentos das faixas superiores. "Também houve aumento da rentabilidade de aplicações financeiras e a alta de 11,8% nos rendimentos com aluguel e arrendamento como fatores que favoreceram as classes de maior renda." Isso ajuda a explicar por que o topo cresceu acima da média nacional em 2025, mesmo em um cenário de melhora mais ampla do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a desigualdade de renda continua elevada no país. Em 2025, a soma de todos os rendimentos mensais das famílias brasileiras chegou a R$ 481,4 bilhões, mas essa quantia permaneceu concentrada entre as camadas de maior renda. 💰 Os 10% mais ricos do país ficaram com 40,3% de toda a renda gerada no Brasil, o equivalente a R$ 194 bilhões por mês. 👥 Já os 70% da população com menores rendimentos dividiram, juntos, 32,8% desse total, o que corresponde a R$ 157,9 bilhões mensais. 📉 Na base da distribuição, os 10% com menores rendimentos concentraram apenas 1,2% de toda a renda nacional, o equivalente a R$ 5,8 bilhões por mês. Outro indicador divulgado pelo IBGE mostra que os 10% mais ricos do país tiveram, em 2025, uma renda média 13,8 vezes superior à dos 40% com menores rendimentos. Em 2024, essa diferença era de 13,2 vezes, o que indica uma ampliação da distância entre esses dois grupos no último ano. Ainda assim, o patamar observado em 2025 permanece abaixo do registrado em todos os anos anteriores a 2024 na série histórica do instituto. 📉 Isso sugere que, embora a desigualdade tenha voltado a crescer recentemente, a concentração de renda no país continua menor do que a observada antes da pandemia 🗓️ Em 2019, por exemplo, os 10% mais ricos recebiam, em média, 16,9 vezes mais do que os 40% mais pobres. Estar entre os 10% mais ricos não significa ser milionário no Brasil Arte/g1 UM® é sinônimo de economia de tempo e dinheiro Pexels/Divulgação
08/05/2026 13:00:16 +00:00
Trabalho eleva renda do brasileiro e rendimento bate recorde de R$ 3.367 em 2025

Você ganha bem ou mal? Entenda 3 formas de avaliar sua renda A renda média dos brasileiros, considerando todas as fontes, chegou a R$ 3.367 em 2025, o maior valor da série histórica, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao ano anterior, quando a média foi de R$ 3.195, houve alta real de 5,4%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e mostram também que mais brasileiros passaram a ter alguma fonte de rendimento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No ano passado, 67,2% da população residente no país (143 milhões de pessoas) receberam dinheiro vindo de trabalho, aposentadoria, programas sociais ou outras fontes. E o trabalho segue como a principal fonte de renda da população brasileira. Sozinha, a soma dos salários recebidos pelos trabalhadores alcançou R$ 361,7 bilhões por mês em 2025. Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, esse movimento reflete um avanço contínuo da renda do trabalho nos últimos anos. “São quatro anos consecutivos de crescimento da massa de rendimento do trabalho a taxas anuais superiores a 6%.” De acordo com ele, o crescimento ganhou força principalmente a partir de 2022 e chegou ao pico de 11,6% em 2023, na comparação com o ano anterior. Já o rendimento médio mensal do trabalho chegou a R$ 3.560, com alta real de 5,7% em relação a 2024 e de 11,1% na comparação com 2019, período anterior à pandemia de Covid-19. Ainda assim, a pesquisa mostra que o orçamento das famílias brasileiras também depende de outras fontes de renda. Os rendimentos considerados pelo IBGE incluem: 💼 Trabalho: recebido por 47,8% da população; 👵🏽 Aposentadoria e pensão: 13,8%; 🏠 Aluguel e arrendamento: 1,9%; 👨‍👩‍👧‍👦 Pensão alimentícia, doação e mesada de não morador: 2,3%; 🤝 Programas sociais do governo federal, como Bolsa Família e BPC-LOAS: 9,1%; 💰 Outros rendimentos: 1,9%, categoria que inclui seguro-desemprego, seguro defeso, rendimento de aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais e ganhos com patentes. Trabalho sustenta crescimento da renda média do brasileiro Arte/g1 Como a renda se distribui pelo país Em 2025, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos brasileiros — considerando o total de moradores nos domicílios, tenham renda ou não — atingiu o maior valor da série histórica, após crescer 6,9% em relação ao ano anterior. 📈 O resultado consolida uma sequência de altas iniciada em 2022, quando o indicador avançou no mesmo ritmo, seguida por uma forte expansão em 2023 (11,6%) e nova elevação em 2024 (5%). 📊 Considerando horizontes mais longos, a renda domiciliar per capita registrou aumento de 18,9% entre 2019 e 2025 e de 27% frente a 2012, primeiro ano da pesquisa. Apesar do avanço nacional, as diferenças regionais seguem marcantes. A Região Sul registrou o maior rendimento domiciliar per capita do país, com R$ 2.734, embora tenha apresentado a menor alta anual entre 2024 e 2025, de 4,9%. Na sequência aparece o Centro-Oeste, com rendimento de R$ 2.712. A região teve o maior crescimento no último ano, de 11,3%, movimento influenciado pelo desempenho do Distrito Federal, que teve maior dinamismo em 2025, ajudando a impulsionar a renda regional. “Houve aumento importante do rendimento médio do trabalho entre empregadores e também crescimento da população ocupada no setor público, com novos concursos”, explicou Fontes. O Sudeste registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.669, acima da média nacional. Já Norte (R$ 1.558) e Nordeste (R$ 1.470) continuam com os menores níveis de renda do país, embora tenham acumulado as maiores altas desde 2019: 33,6% e 23,8%, respectivamente. A composição da renda também varia entre as regiões. Em nível nacional, os rendimentos do trabalho responderam por cerca de três quartos da renda domiciliar per capita em 2025. No Centro-Oeste, essa participação chegou a 78,9%, enquanto no Nordeste ficou em 67,4%, indicando maior peso de aposentadorias, programas sociais e outras fontes de renda na composição do orçamento das famílias. (veja mais abaixo) Quem ganha mais — e quem ganha menos Embora o rendimento médio do trabalho tenha atingido o maior valor da série histórica em 2025, os dados mostram que esse avanço não ocorreu de forma igual para toda a população. No recorte por cor ou raça, pessoas brancas seguem recebendo, em média, valores bem acima dos registrados entre pretos e pardos. A distância entre brancos e pretos supera R$ 1.900 e permanece elevada ao longo de toda a série histórica, mesmo em períodos de crescimento da renda. ⚪ Pessoas brancas tiveram rendimento médio de R$ 4.577 em 2025; ⚫ Pessoas pretas receberam, em média, R$ 2.657; 🟤 Pessoas pardas tiveram rendimento médio de R$ 2.755. As desigualdades também aparecem na divisão por sexo. Apesar do avanço da renda feminina nos últimos anos, as mulheres continuam recebendo menos do que os homens. 👨 Homens receberam, em média, R$ 3.921 por mês em 2025; 👩 Mulheres tiveram rendimento médio de R$ 3.085. O nível de instrução continua sendo o fator que mais influencia a renda do trabalho. Os dados mostram que, quanto maior a escolaridade, maior tende a ser o rendimento médio recebido. 📚 Trabalhadores sem instrução receberam, em média, R$ 1.518 em 2025; 🎓 Entre pessoas com ensino superior completo, o rendimento chegou a R$ 6.947 — mais de quatro vezes maior. Servidores do Ceará terão o pagamento da 2ª parcela do 13º salário antecipado para o dia 17 de dezembro. Marcello Casal Jr.
08/05/2026 13:00:11 +00:00
Purê de feijão-preto servido a Lula e Trump intriga brasileiros, mas é tradicional na América Central – e tem um primo mineiro

Frijoles negros refritos, prato servido no almoço de Lula com o presidente americano Donald Trump durante reunião na Casa Branca. Reprodução/YouTube/Vegoralia en Español O purê de feijão-preto servido no almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump, na Casa Branca nesta quinta-feira (7), gerou reação nas redes sociais brasileiras. Para muitos, a estranheza foi ver o feijão (ingrediente cotidiano no Brasil) apresentado em um formato pouco comum no país: cremoso, denso, quase como uma pasta. O cardápio do almoço diplomático incluía, como entrada, salada de alface-romana com jicama (raiz crocante típica da culinária mexicana), laranja, abacate e molho cítrico. No prato principal, filé bovino grelhado acompanhado do purê de feijão-preto, minipimentões doces e relish agridoce de rabanete com abacaxi. LEIA TAMBÉM: EUA vão oferecer recompensa por informações contra frigoríficos investigados por práticas abusivas, incluindo JBS e Marfrig Formato incomum no Brasil, mas tradicional na América Central No Brasil, o feijão é quase sempre servido caldoso, como acompanhamento do arroz ou na forma da tradicional feijoada. O formato purê, cremoso e espesso, não faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros, o que explica a surpresa. Mas a receita tem história. Na culinária mexicana e centro-americana, o prato é conhecido como 'frijoles negros refritos' e é presença diária na mesa de países como México, Guatemala, El Salvador e Honduras. A origem remonta às civilizações maia e asteca, que já amassavam feijões cozidos há milênios, segundo registros arqueológicos da civilização mesoamericana. Abrucio: Tanto Lula quanto Trump ganharam com encontro na Casa Branca O feijão, junto com o milho e a abóbora, formava a chamada "tríade sagrada" da alimentação mesoamericana. O nome "refritos" causa confusão até entre falantes de espanhol. Não significa frito duas vezes: o prefixo "re-" é usado no espanhol mexicano para indicar intensidade. O prato é, simplesmente, feijão cozido, amassado e então refogado em gordura (tradicionalmente banha de porco). Menu com referência mesoamericana A presença da jicama na entrada do almoço reforça a leitura de que o menu teve inspiração na culinária mexicana e centro-americana. A jicama é uma raiz crocante típica dessa tradição gastronômica e raramente aparece em cardápios de outras regiões. A combinação de jicama e purê de feijão-preto na mesma refeição sugere, ao menos, uma inspiração deliberada na culinária mesoamericana. Tutu de feijão, o primo mineiro do 'frijoles'. Reprodução/TV TEM O Brasil tem o seu equivalente Quem conhece a culinária mineira pode ter reparado uma semelhança na técnica: o tutu à mineira segue o mesmo conceito. Feijão cozido amassado, refogado com bacon, alho e cebola, e engrossado com farinha de mandioca ou milho. A diferença é que o tutu é feito tradicionalmente com feijão carioca, não com feijão preto. A textura é mais rústica, mas a ideia é a mesma: feijão transformado em pasta cremosa.
08/05/2026 12:54:09 +00:00
Economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 80 anos no Rio

Economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 80 anos no Rio Morreu aos 80 anos, no Rio de Janeiro, o economista e ex-presidente do Banco Central Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes. Ele estava internado havia cerca de um mês, após passar por uma cirurgia no intestino. Segundo nota do Hospital Pró-Cardíaco, morte foi na quinta-feira (7). A causa não foi informada. Mineiro e economista influente, Chico Lopes participou da formulação de importantes planos econômicos brasileiros. Ele integrou a equipe responsável pelo Plano Cruzado, colaborou na criação do Plano Bresser e também atuou como consultor informal da equipe do Plano Real. O ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes durante seu depoimento na CPI dos Bancos, no Congresso, em Brasília (DF). Dida Sampaio/Estadão Conteúdo 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Chico Lopes entrou para o Banco Central em 1995, como diretor da instituição. Em janeiro de 1999, assumiu a presidência do órgão no lugar do economista Gustavo Franco. Durante a curta passagem pelo comando do Banco Central, que durou apenas 20 dias, ele se envolveu nas polêmicas de socorro financeiro a bancos e desvalorização do real. Chico Lopes deixa esposa e três filhos. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Morre Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central
08/05/2026 12:37:57 +00:00
Com endividamento em alta, retirada de recursos da poupança soma R$ 41,7 bilhões até abril

As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 41,7 bilhões de janeiro a abril, informou nesta sexta-feira (8) o Banco Central (BC). A evasão de recursos da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento de alta no endividamento e, também, de baixa atratividade da poupança frente a outros investimentos (veja mais abaixo nesta reportagem). Desenrola 2.0: Bancos dizem que vão iniciar após ajustar operações Na parcial desse ano, de acordo com o Banco Central: os depósitos somaram R$ 1,39 trilhão; as retiradas totalizaram R$ 1,43 trilhão. A saída de recursos da poupança não é novidade. Nos quatro primeiros meses de 2025, a modalidade registrou uma evasão maior ainda de valores: R$ 52,1 bilhões. Somente em abril deste ano, a retirada de valores da poupança somou R$ 476 milhões. Com a saída de recursos no acumulado deste ano, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda. Em dezembro de 2025, estava em R$ 1,02 trilhão, recuando para R$ 1 trilhão no fim de abril. Foto/Sicoob Alta no endividamento Dados divulgados nos últimos dias pela Serasa Experian apontam que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população brasileira. Diante desse cenário, o governo se movimentou e lançou um novo programa para reduzir as dívidas da população — iniciativa adotada em um ano eleitoral. O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas. Segundo a Serasa, 47% dos débitos dos brasileiros em março, que somaram R$ 557,7 bilhões em março, estão concentrados justamente em instituições financeiras — foco do Desenrola 2.0. Baixa atratividade da poupança Ao mesmo tempo, a caderneta de poupança também tem mostrado pouca competitividade na comparação com outras aplicações financeiras. ➡️Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados). Em um cenário de juros básicos ainda elevados (14,5% ao ano), investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papeis de empresas e aplicações financeiras em CDI, por exemplo, têm performado melhor. Investimentos mais arriscados, como a renda variável, por exemplo, também mostraram recuperação em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34% — o maior avanço anual desde 2016. Neste ano, o Ibovespa continua performando bem, com alta acumulada de 13,7% (com o Brasil se destacando em meio à guerra no Oriente Médio). O dólar, por sua vez, registrou queda de 10,3% na parcial de 2026.
08/05/2026 12:14:40 +00:00
Dólar fecha abaixo de R$ 4,90 pela 1ª vez em mais de dois anos, de olho em dados dos EUA e Oriente Médio

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou a sessão desta sexta-feira (8) em queda de 0,59%, cotado a R$ 4,8942. Essa foi a primeira vez que a moeda fechou abaixo de R$ 4,90 desde 15 de janeiro de 2024 (R$ 4,8657). Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,49%, aos 184.108 pontos. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O mercado de petróleo voltou a ficar no radar dos investidores, após uma nova troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã levantar preocupações com a oferta global da commodity. Nesta sexta-feira, agências de notícias internacionais reportaram novos confrontos entre as forças armadas iranianas e embarcações americanas no Estreito de Ormuz e, mais cedo, o presidente Donald Trump afirmou que segue sem diálogo com o país do Oriente Médio. Com a nova escalada das tensões, os preços do petróleo voltaram a subir no exterior. Por volta das 17h no horário de Brasília, o Brent (referência internacional) subia 0,53%, a US$ 100,59 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha alta de 0,12%, a US$ 94,92. 🔎 A alta do petróleo tende a beneficiar países produtores e exportadores da commodities — como o Brasil, por exemplo. Com expectativa de maior entrada de dólares via exportações, o real ganha força frente à moeda americana, o ajuda a pressionar o dólar para baixo. ▶️ Na agenda de indicadores, o destaque ficou com o payroll — principal relatório de emprego dos EUA. O país gerou 115 mil vagas de trabalho em abril, acima do esperado pelos analistas do mercado financeiro. Já a taxa de desemprego americana ficou estável em 4,3%, contrariando previsões de alta. Os dados reforçaram a percepção de que a economia americana segue aquecida, cenário que pode levar o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), a manter os juros elevados por mais tempo. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,16%; Acumulado do mês: -1,16%; Acumulado do ano: -10,83%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,71%; Acumulado do mês: -1,71%; Acumulado do ano: +14,26%. Tensão no Oriente Médio A escalada das tensões entre EUA e Irã voltou a pressionar o mercado de petróleo nesta sexta-feira (8), após novos ataques registrados na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo e combustíveis. As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado petroleiros vazios que tentavam atravessar o bloqueio naval mantido por navios americanos na entrada do estreito. De acordo com os militares, os disparos atingiram as chaminés das embarcações para impedir que os navios seguissem em direção ao Irã. Até a última atualização, Teerã não havia comentado oficialmente o episódio, embora a imprensa estatal iraniana tenha relatado explosões próximas ao estreito. O novo episódio ocorre em meio a um cessar-fogo frágil entre os dois países e amplia as preocupações do mercado financeiro sobre possíveis impactos na oferta global de energia. ➡️ O Estreito de Ormuz é considerado estratégico porque concentra parte relevante do fluxo mundial de petróleo exportado por países do Oriente Médio. ➡️ Qualquer risco de interrupção na região costuma elevar os preços do petróleo, já que investidores temem dificuldades no transporte da commodity. ➡️ Com isso, aumentam também as preocupações com inflação e custos de energia em diferentes países. Os reflexos já apareceram no mercado internacional. Por volta das 17h no horário de Brasília, o Brent (referência internacional) subia 0,53%, a US$ 100,59 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha alta de 0,12%, a US$ 94,92. Mercados globais As bolsas em Wall Street fecharam em alta nesta sexta-feira, com investidores atentos a dados mais fortes do mercado de trabalho americano. O índice Dow Jones avançou 0,02%, enquanto o S&P 500 subiu 0,83% e o Nasdaq Composite — referência para empresas de tecnologia — teve alta de 1,71%. Na Europa, o movimento foi oposto. As principais bolsas fecharam em queda, pressionadas pelas preocupações com juros elevados por mais tempo nos EUA e pelas tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de vários países europeus, recuou 0,7%, aos 612 pontos. Entre os principais mercados da região, a bolsa de Londres caiu 0,43%, enquanto Frankfurt recuou 1,32%. Em Paris, as perdas chegaram a 1,09%. Na Ásia, os mercados encerraram o pregão em alta. Em Xangai, o principal índice da bolsa chinesa avançou 0,48%, aos 4.180 pontos. O CSI300, que reúne grandes empresas negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, também subiu 0,48%, aos 4.900 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve alta de 1,57%, aos 26.626 pontos. Já no Japão, a bolsa de Tóquio registrou forte avanço, com o índice Nikkei saltando 5,58%, aos 62.833 pontos. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
08/05/2026 12:00:16 +00:00
Google Chrome pode adicionar uma IA no seu computador de forma discreta; saiba como impedir

Google Chrome Unsplash/Zulfugar Karimov Uma ação pouco conhecida do Google Chrome tem repercutido na internet nos últimos dias: o navegador pode baixar e instalar uma IA no computador do usuário sem pedir autorização explícita para isso. O recurso pode ocupar cerca de 4 GB de armazenamento (saiba como desativar). A descoberta foi feita pelo cientista da computação e advogado sueco conhecido como That Privacy Guy. Em uma publicação em seu blog, ele detalhou como o Google estaria realizando a instalação automática, segundo o site especializado em tecnologia CNET. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ➡️ Procurado pelo g1, o Google afirmou que a IA instalada, chamada Gemini Nano, é usada em recursos de segurança do Chrome, como a detecção de golpes. A empresa também disse que a ferramenta é desinstalada automaticamente caso o computador apresente "escassez de recursos". Vídeos em alta no g1 Segundo That Privacy Guy, o download do Gemini Nano acontece quando os recursos de IA do Google Chrome estão ativados. De acordo com ele, essas funções já vêm ligadas por padrão nas versões mais recentes do navegador. Assim, computadores compatíveis com a tecnologia podem receber a IA automaticamente. Ainda de acordo com That Privacy Guy, o Gemini Nano é baixado em computadores com a versão 147 do Google Chrome. Para verificar se essa é a versão instalada no seu dispositivo, basta acessar as configurações do navegador e clicar em "Sobre o Chrome". Como desativar Em nota enviada ao g1, o Google indicou uma página da sua central de ajuda com orientações para desativar o Gemini Nano no computador. "Uma vez desabilitado, o modelo não realizará novos downloads ou atualizações", disse. Veja o passo a passo: Abra o Google Chrome no computador; No canto superior direito, clique no ícone de três pontos e vá em "Configurações"; Depois, acesse a opção "Sistema"; Por fim, desative a função "IA do dispositivo" ("On-device AI"). Por que o Google diz que isso é necessário? Em sua central de ajuda, o Google afirma que os modelos de IA generativa são usados em recursos do Chrome, como ajuda para escrever ou reformular textos, alertas de golpes, resumos de páginas da web e organização de abas. Segundo a empresa, para que essas funções funcionem diretamente no computador do usuário, os modelos de IA precisam ser baixados e armazenados no dispositivo. O que diz o Google "Oferecemos o Gemini Nano para o Chrome desde 2024 como um modelo leve de processamento no dispositivo (on-device). Ele viabiliza recursos de segurança essenciais, como detecção de golpes e APIs para desenvolvedores, sem o envio de dados para a nuvem. Embora o funcionamento exija espaço de armazenamento local no desktop, o modelo será desinstalado automaticamente caso o dispositivo apresente escassez de recursos. Em fevereiro, iniciamos o rollout da funcionalidade que permite aos usuários desativar e remover o modelo com facilidade diretamente nas configurações do Chrome. Uma vez desabilitado, o modelo não realizará novos downloads ou atualizações. Mais detalhes podem ser encontrados em nosso artigo na central de ajuda.” LEIA TAMBÉM: Instagram confirma remoção de contas após usuários relatarem perda de seguidores O que acontece com seus dados na internet quando você morre? Anthropic lança recurso para que IA Claude se aperfeiçoe 'sonhando' Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas' Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT
08/05/2026 11:50:50 +00:00
Embraer tem melhor 1º trimestre da história com receita recorde de R$ 7,6 bilhões

Embraer tem melhor 1º trimestre da história com receita recorde de R$ 7,6 bilhões A Embraer registrou a maior receita da história para um primeiro trimestre em 2026. Segundo um balanço divulgado nesta sexta-feira (8), a fabricante de aeronaves, com sede em São José dos Campos (SP), faturou R$ 7,6 bilhões entre janeiro e março deste ano, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025. Em dólares, a receita chegou a US$ 1,4 bilhão no trimestre, avanço de 31% na comparação anual - (a comparação em reais e em dólares sofre impacto da variação do câmbio). De acordo com a Embraer, o resultado foi impulsionado principalmente pelas áreas de Defesa & Segurança e Aviação Comercial. O lucro líquido da Embraer nos três primeiros meses de 2026 foi de R$ 145,4 milhões. No mesmo período do ano passado, a empresa havia registrado lucro de R$ 299,9 milhões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp A Embraer afirmou ainda que as tarifas de importação dos Estados Unidos geraram impacto de US$ 13 milhões durante o trimestre. A empresa reportou investimentos de US$ 98,8 milhões entre janeiro e março deste ano. Somando os aportes realizados na Eve, subsidiária voltada à mobilidade aérea urbana que desenvolve o carro voador, o total investido chegou a US$ 148,6 milhões. Jato comercial E175-E2 em São José dos Campos Embraer/Divulgação Ainda segundo o levantamento, a Embraer entregou 44 aeronaves no primeiro trimestre de 2026, 14 a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foram entregues 30 aeronaves. O crescimento é de 47%. Do total entregue neste ano, foram: 10 jatos comerciais; 29 jatos executivos; 5 aeronaves de defesa, sendo um KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano. A carteira de pedidos consolidada da Embraer cresceu 21,6% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o volume de pedidos atingiu US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde histórico consecutivo da fabricante. Segundo a Embraer, o segmento de Aviação Comercial teve destaque, com crescimento de 50% na carteira de encomendas em relação ao ano anterior. Para 2026, a empresa manteve as projeções divulgadas anteriormente. A expectativa é entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos ao longo do ano. Cargueiro C-390, da Embraer Embraer/Divulgação Avião Embraer Divulgação/Embraer Jato E2 da Embraer Divulgação/Embraer Fábrica da Embraer em São José dos Campos Divulgação/ Enplan Unidade da Embraer no aeroporto em São José dos Campos Divulgação/Embraer Vista da sede da Embraer, em São José dos Campos, interior de SP Luis Lima Jr./Futura Press/Estadão Conteúdo Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
08/05/2026 11:14:47 +00:00
Fim da escala 6x1 colocaria Brasil 'em linha com grande parte do mundo ocidental', diz jornal financeiro mais influente do mundo

Reportagem do Financial Times fala sobre as discussões do fim da escala 6x1 no Brasil Reuters via BBC O jornal britânico Financial Times publicou na quinta-feira (7) uma reportagem na qual afirma que o fim da escala 6x1 — em que se trabalha seis dias por semana, com um dia de folga — colocaria o Brasil "em linha com grande parte do mundo ocidental". A proposta é defendida pelo governo brasileiro e está sendo discutida no Congresso. "Enquanto alguns no Ocidente defendem uma semana de trabalho de quatro dias na era da inteligência artificial, o Brasil só agora busca reduzir a jornada de milhões de seus trabalhadores de seis para cinco dias", diz a reportagem do jornal intitulada "Lula propõe o fim da semana de trabalho de seis dias no Brasil". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A medida do Brasil colocaria o país em linha com grande parte do mundo ocidental, onde a semana de trabalho foi encurtada à medida que a maior produtividade e os salários mais altos possibilitaram mais tempo livre", diz o jornal, citando que, segundo o governo brasileiro, a medida afetaria 15 milhões de brasileiros com empregos formais que trabalham na escala 6x1. Outros 37 milhões se beneficiariam com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, pelos cálculos do governo. Veja os vídeos em alta no g1 Vídeos em alta no g1 O Financial Times diz que este mês "marca o centenário da Ford, que se tornou a primeira grande empregadora dos EUA a conceder aos seus funcionários um fim de semana de dois dias." "Os brasileiros trabalharam, em média, pouco menos de 2 mil horas no total em 2023, cerca de 50% a mais do que os alemães, que trabalharam 1.335 horas, segundo o [site científico] Our World in Data." Mas, segundo o jornal, a proposta "está longe de ter sua aprovação garantida em um legislativo cada vez mais hostil e dominado por conservadores que impuseram derrotas dolorosas a Lula recentemente" — uma menção à reprovação no Senado da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. "Os opositores afirmam que o plano pode prejudicar a economia, aumentando os custos para as empresas", diz o jornal. O Financial Times também fala que os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam que, mesmo que não seja aprovada antes das eleições, essa pauta daria a ele "uma vantagem sobre seu principal rival no pleito de outubro, o senador Flávio Bolsonaro". Além disso, "o ex-sindicalista Lula" estaria buscando "se reconectar com sua base trabalhadora", segundo o jornal. "Durante seu primeiro mandato, de 2003 a 2010, Lula recebeu elogios internacionais por reduzir significativamente a pobreza. Desde que retornou ao poder, há três anos, ele isentou do imposto de renda os trabalhadores de baixa renda, aumentou o salário mínimo e reforçou os benefícios sociais", diz o Financial Times. "Contudo, apesar do forte crescimento do PIB e do desemprego relativamente baixo, seus índices de aprovação nas pesquisas de opinião pública têm caído. Esses números, frequentemente atribuídos à inflação persistente e ao endividamento das famílias, ajudam a explicar o foco de Lula no plano [para acabar com a escala] 6x1." O jornal destaca que entidades do setor privado afirmam que as propostas podem prejudicar a criação de empregos ou até mesmo levar a demissões, citando dados da Fecomércio-SP, que estimam que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia aumentar os custos por hora em 10%. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma em estudo que os custos seriam suportáveis, e sem provas concretas de perda de postos de emprego. "Mas mesmo que uma semana de trabalho mais curta force empresas e trabalhadores a serem mais produtivos, haverá contrapartidas: a cultura de longas jornadas de trabalho nos EUA é um dos principais motivos pelos quais os trabalhadores americanos ganham mais do que seus homólogos europeus", diz a reportagem do Financial Times. "Pesquisadores do FMI argumentam que a solução não é forçar as pessoas a trabalharem mais do que desejam, mas sim inserir mais pessoas no mercado de trabalho por meio de políticas como licença parental mais abrangente — e ajudá-las a continuar trabalhando até idades mais avançadas." No fim do mês passado, duas propostas para acabar com a escala 6x1 avançaram em comissões no Congresso brasileiro. As medidas passam agora a ser analisadas por uma nova comissão especial e, se aprovadas, podem seguir para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
08/05/2026 10:51:25 +00:00
'Tensão' sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca

5 pontos sobre a reunião de Lula e Trump A reunião entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu, na avaliação do governo brasileiro, ao menos um dos seus objetivos principais: ganhar tempo e evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos do país a pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais. Essa crença foi expressada por assessores do presidente Lula após o encontro. Apesar de boa parte das tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros a partir de julho do ano passado ter sido retirada ao longo dos últimos meses, o Brasil é alvo de duas investigações com base na chamada seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que investiga supostas práticas comerciais irregulares do país. Uma delas tem prazo para terminar em julho e, em tese, poderia servir de base para mais tarifas norte-americanas até mesmo antes desse tempo. Mas, segundo o governo brasileiro, os dois presidentes determinaram a criação de um grupo de trabalho para discutir a questão tarifária com um primeiro prazo de conclusão em 30 dias. Com isso, o governo brasileiro entende que ganhou pelo menos um mês com a garantia de que novas tarifas não serão aplicadas. Interlocutores do presidente familiarizados com o teor da reunião afirmam que a questão tarifária foi, de fato, o único ponto em que houve alguma discordância entre as duas equipe técnicas que acompanharam os dois presidentes. De acordo com eles, o representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teria sido o responsável por "tensionar" parte da reunião, defendendo que a tarifa média brasileira sobre produtos importados dos Estados Unidos ainda estaria em níveis elevados, o que justificaria a aplicação de tarifas a exportações brasileiras. Após o encontro, líder brasileiro falou à imprensa na embaixada do Brasil em Washington Reuters via BBC Segundo um assessor do presidente Lula ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado, Greer teria atuado como o "policial mau", responsável por colocar pressão nas negociações. Segundo ele, esse comportamento de Greer já era esperado pela equipe brasileira uma vez que o oficial norte-americano é um notório defensor da política de tarifas. Sua atuação, no entanto, segundo a delegação brasileira, teria sido parcialmente contornada pela postura de Trump ao longo do encontro, que acatou a proposta brasileira de criar o grupo de trabalho para debater o tema. A equipe econômica brasileira, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, intervieram pontuando que o Brasil teria um deficit de pelo menos US$ 20 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos nos últimos anos. Nos cálculos dos próprios norte-americanos, segundo Rosa, esse déficit seria ainda maior: US$ 30 bilhões. De acordo com o governo, os dados mostrariam que não haveria razões para os EUA sancionar um país com quem eles têm saldo positivo na sua balança comercial. Viagem de Lula aos EUA foi marcada de forma 'relâmpago' Reuters via BBC O que é a Seção 301 O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras. A investigação envolve um amplo conjunto de temas. Entre eles estão políticas brasileiras ligadas ao comércio digital, ao sistema Pix, regras de proteção de dados, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, às tarifas preferenciais concedidas a outros parceiros comerciais, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal. Na avaliação do governo americano, essas práticas podem criar barreiras ou distorções que prejudicam a competitividade de empresas dos EUA no Brasil. A Seção 301 autoriza o governo americano a investigar, de forma unilateral, atos, políticas ou práticas de outros países que "onerem ou restrinjam" o comércio dos Estados Unidos. Se o USTR concluir que houve prejuízo e que as medidas estrangeiras são "injustificáveis" ou "irracionais", a lei permite a adoção de medidas de retaliação, como tarifas, restrições comerciais ou a suspensão de benefícios. O instrumento ganhou notoriedade nos últimos anos por ter embasado o "tarifaço" imposto pelos EUA à China durante o primeiro mandato de Donald Trump. No caso brasileiro, a abertura do processo ocorre em um contexto de maior tensão política e comercial entre os dois países. Além das críticas de setores empresariais americanos, a iniciativa também reflete uma estratégia do governo dos EUA de buscar bases legais mais robustas para ações comerciais, após decisões judiciais internas terem limitado o uso de outros mecanismos tarifários. O governo brasileiro contesta a investigação e afirma que suas políticas são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty argumenta ainda que a Seção 301 é um instrumento unilateral, incompatível com o sistema multilateral de solução de controvérsias, e lembra que os EUA mantêm superávit comercial na relação bilateral. A apuração segue um rito formal, com consultas entre os governos, audiências públicas e coleta de contribuições de empresas e entidades interessadas. O processo pode se estender por cerca de um ano. Até sua conclusão, o principal impacto tende a ser a incerteza para exportadores e investidores, diante do risco de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Surpresa: terras raras Um dos pontos que mais chamou atenção da equipe brasileira foi a postura de Trump e sua equipe em relação a minerais críticos. Segundo integrantes da comitiva do presidente, Trump demonstrou um interesse mediano pelo assunto, o que contrastou com a expectativa de que este fosse um assunto que dominaria, pela lado norte-americano, parte do debate. Nos últimos meses, técnicos brasileiros e norte-americanos vinham mantendo reuniões sobre o assunto e uma proposta chegou a ser enviada pelos EUA a respeito do assunto. Desde o início do governo Trump, o governo dos EUA vem tentando diminuir a dependência do país em relação à China no acesso a minerais críticos como as terras raras, usadas na produção de equipamentos para a transição energética e de produtos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e armamentos. Neste contexto, o Brasil é visto como um potencial parceiro, pois o país detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Em março, o governo dos EUA promoveu um fórum sobre minerais críticos envolvendo empresários brasileiros e norte-americanos, além de ter firmado um protocolo de intenções com o governo de Goiás relacionado à pesquisa e exploração desses minerais. Por tudo isso, a equipe brasileira preparou documentos para atualizar os norte-americanos sobre o andamento do marco legal para a exploração desse material no Brasil. Nesta semana, por exemplo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que estabelece os primeiros parâmetros legais do Brasil sobre o tema. Para o Brasil, a criação da política, que deve ser chancelada pelo Senado nos próximos dias, é vendido como um trunfo aos norte-americanos. Em entrevista coletiva, o presidente Lula disse que o Brasil está aberto a investimentos dos EUA no setor desde que não se limitem a explorar os minerais e a exportá-los apenas como matéria-prima. O governo quer que os investimentos priorizem o beneficiamento deles em território nacional. Apesar disso, nenhum acordo sobre o assunto foi assinado pelas duas delegações. A avaliação da equipe brasileira é de que a postura de Trump sobre o assunto durante a reunião possa ser resultado do fato de que, na prática, os norte-americanos já estejam avançando com seus projetos de extração de minerais críticos no Brasil a exemplo da compra de uma mineradora de terras raras em Goiás por uma empresa dos EUA, divulgada em abril. Crime organizado Um dos pontos que era tido como prioridade do governo brasileiro foi a pauta do combate ao crime organizado e a tentativa de evitar que os EUA classificassem as facções criminosas brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Segundo Lula e um interlocutor familiarizado com o teor da reunião, a possível designação das facções brasileiras não foi debatida na reunião. "Não discutimos isso. O que eu queria dizer eu entreguei por escrito. Cada assunto que eu discuti com o presidente Trump, além dos ministros falarem, eu entreguei a ele cada proposta nossa escrita em inglês. Pra que ele não ter dúvida sobre o que nós queremos, porque estamos levando muito a sério essa questão do crime organizado", disse Lula. A intenção de designar as facções brasileiras como organizações terroristas havia sido expressa pelos EUA no início do ano, fazendo com que o governo brasileiro mobilizasse sua diplomacia para convencer os governo norte-americano a recuar pelo menos de forma temporária. O governo alega que é contra essa ideia porque ela abriria brechas para ações militares, policiais e de inteligência norte-americanas em território nacional a exemplo do que acontece em outras regiões do mundo como na costa do Caribe, no Oriente Médio e na costa do Oceano Pacífico. Durante o almoço entre as duas delegações nesta quinta-feira, o Brasil entregou uma nova proposta de cooperação internacional para o combate ao crime organizado focado em dois eixos: o combate à lavagem de dinheiro que financia organizações criminosas; e o tráfico de armas. A proposta, segundo interlocutores brasileiros, vai ser analisada pelo governo norte-americano, mas ainda não há prazo para que uma resposta seja dada. Lula chegou a dizer que na entrevista coletiva que uma das ações previstas seria a criação uma espécie de grupo internacional com países da América do Latina e de outras regiões para atuação em conjunto contra carteis e outras organizações criminosas. Ele citou o exemplo de um centro montado em Manaus que reúne representantes de polícias e forças de seguranças de todos os países da região amazônica. "Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado", disse Lula. Trump recebeu Lula na Casa Branca, mas não houve declaração conjunta Ricardo Stuckert/PR via BBC
08/05/2026 10:23:31 +00:00
Renda recorde e desemprego baixo: por que o brasileiro segue endividado, mesmo ganhando mais?

Desenrola: confira as regras do novo programa de renegociação de dívidas Nesta semana, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, segunda edição de seu programa de renegociação de dívidas, voltado a aliviar a pressão financeira das famílias. A iniciativa prevê impactar até cerca de 20 milhões de pessoas, com a expectativa de renegociar até R$ 58 bilhões em dívidas, entre débitos antigos e novos. O endividamento das famílias brasileiras — como financiamentos, cartões de crédito e empréstimos — segue em trajetória de alta e atingiu 80,9% em abril, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A inadimplência (que são as dívidas em atraso) também permanece elevada, em 29,6% das famílias. O cenário de alto endividamento contrasta com indicadores econômicos que, à primeira vista, sugerem um quadro favorável: desemprego em mínima histórica, renda média em alta e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pelo quinto ano consecutivo. No trimestre encerrado em março, o mercado de trabalho chegou a uma taxa de desemprego de 6,1% — o menor patamar para o período — e o rendimento médio mensal para acima de R$ 3.722, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🤔 Diante desse contraste, surge a pergunta: por que, mesmo com mais emprego e renda, o brasileiro continua no vermelho? A resposta vai além do salário, da oferta de emprego ou de uma economia aquecida. Fatores como o custo de vida elevado, o crédito caro e a dependência de financiamentos para sustentar o consumo ajudam a explicar o fenômeno. Aperto financeiro Após o impacto da pandemia na economia, o Brasil adotou juros historicamente baixos para estimular a economia. Em outubro de 2020, a taxa Selic chegou a 2% ao ano, o que facilitou o acesso ao crédito e ajudou a reaquecer a economia durante a crise. Mas, com a reabertura nos anos seguintes, entre 2021 e 2022, a inflação disparou. O Banco Central foi obrigado a mudar bruscamente de direção e subir os juros. A forma de conter os preços é encarecer novamente o crédito e reduzir o ímpeto de consumo do brasileiro. O ciclo de altas de juros foi agressivo, o que levou a Selic para 13,75% ao ano em agosto de 2022. Uma das heranças do incentivo ao consumo foi um maior endividamento das famílias Em maio de 2023, o governo federal lançou o primeiro Desenrola. O programa conseguiu reduzir temporariamente a inadimplência, com a renegociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de brasileiros. A aposta era que, com a queda dos juros iniciada naquele momento (de 13,75% para cerca de 10,50% ao ano até meados de 2024), as famílias conseguiriam reorganizar as finanças. Mas esse alívio não se sustentou. Ao longo de 2024 e, principalmente, em 2025, as incertezas na economia global — como a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos — fizeram os preços subirem novamente. Resultado: o BC voltou a agir e a taxa básica de juros do país chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o maior patamar desde 2006. Segundo o economista Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, mesmo a melhora recente no mercado de trabalho não foi suficiente para aliviar o orçamento das famílias. Embora o desemprego tenha caído e a renda tenha crescido, o custo de vida continua maior que anos atrás e há o peso das dívidas. “É perfeitamente possível ter um mercado de trabalho aquecido e, ao mesmo tempo, famílias mais endividadas”, afirma. Muitas famílias ainda carregam dívidas acumuladas desde a pandemia. Dados do Banco Central indicam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas, especialmente bancárias, chegou a 29,3% em janeiro deste ano, o maior nível da série histórica. Com mais dívidas a pagar, o orçamento continua apertado. Na prática, qualquer renda extra acaba sendo direcionada para despesas básicas, como alimentação, moradia, transporte e pagamento de dívidas acumuladas, sem gerar alívio financeiro. “Quando a família tem renda adicional, ela reforça o orçamento com alimentação, moradia e transporte e, quando possível, paga dívidas antigas. Isso não gera folga financeira”, explica o economista. Dados de uma pesquisa Quaest apontam que 71% dos brasileiros dizem conseguir comprar menos do que há um ano, enquanto 11% afirmam comprar mais e 17% não veem diferença. “As famílias sentem a economia principalmente pelos itens mais frequentes do orçamento, sobretudo os alimentos”, afirma. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, mostram esse cenário: 🥗 No início do Desenrola, em maio de 2023, a alta nos preços dos alimentos, considerando os 12 meses anteriores, acumulava 5,54%. Depois, o índice seguiu em trajetória de aceleração com algumas quedas pontuais e chegou a 7,81% em abril de 2025. No mesmo período, a inflação (a alta de preços em toda a economia) alcançou 5,53%, maior nível desde janeiro de 2023 (5,77%). Os dados do instituto também revelam forte volatilidade nos preços de vários alimentos básicos nos últimos anos, com alguns itens registrando picos de inflação muito acima da inflação geral. O arroz teve a maior alta, chegando a 74,14% no acumulado em 12 meses em janeiro de 2021, enquanto feijão, leite, frutas e hortaliças também registraram aumentos expressivos acima de 20% em diferentes períodos. Mais recentemente, as carnes passaram a liderar a inflação entre os alimentos básicos, com alta acumulada de 21,17% em janeiro de 2025. Além disso, os brasileiros estão com menos renda disponível após pagar pelas despesas básicas. Em março deste ano, os gastos com itens essenciais consumiam 41,8% do orçamento das famílias, pressionados principalmente por habitação, transportes, saúde, educação e alimentação, segundo dados do IBGE compilados pela Tendências Consultoria. Isso significa que uma parcela maior da renda das famílias está sendo usada para cobrir gastos básicos do dia a dia, sobrando menos dinheiro para consumo, lazer, poupança ou pagamento de dívidas. Com o orçamento mais pressionado, o poder de compra diminui e cresce a dificuldade para sair do endividamento. “Mesmo quando a inflação geral desacelera, isso não significa alívio no dia a dia. Se itens básicos sobem, a sensação é imediata de perda de poder de compra”, diz Flávio Ataliba. “E quem já tem parte da renda comprometida com dívidas sente esse impacto de forma mais intensa”, acrescenta. O papel da educação financeira Além do cenário econômico, o comportamento financeiro também ajuda a explicar por que o endividamento segue alto no país, mesmo com sinais recentes de melhora no emprego e na renda. Para a economista Olívia Resende, especialista em finanças e economia comportamental, o chamado viés do presente ajuda a explicar por que o consumo segue forte mesmo diante de juros elevados. “As pessoas não olham a taxa de juros nem o custo total da dívida, apenas se a prestação cabe no bolso naquele mês”, afirma. “Elas também dividem os gastos em ‘caixinhas’ e perdem a visão do todo. Pequenas parcelas parecem inofensivas isoladamente, mas, somadas, comprometem o orçamento.” Nesse contexto, ela afirma que o problema não está apenas no custo do crédito, mas na forma como ele é usado no dia a dia. “Mesmo com juros altos, muitas pessoas não ajustam o consumo, não reduzem despesas ou não buscam outras formas de renda. Elas seguem usando crédito porque olham mais para a parcela do que para o custo total da dívida.” Segundo Olívia, esse padrão se repete porque as decisões financeiras nem sempre são totalmente racionais e sofrem influência de estímulos externos. “As famílias acabam sendo impactadas por marketing, redes sociais e pela facilidade de acesso ao crédito digital”, afirma. Uma pesquisa recente realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box revela que 59% dos brasileiros começaram o ano sob pressão financeira, sendo 34% preocupados, 14% em recuperação e 11% sob forte pressão, enquanto apenas 39% afirmam ter iniciado o ano com sensação de controle sobre as finanças. 🔎A imprevisibilidade (32%), a falta de disciplina financeira (27%) e a limitação de renda (25%) aparecem entre os principais obstáculos para um planejamento financeiro eficiente no Brasil. Outros dados ajudam a explicar por que o endividamento não está ligado apenas à falta de renda. Segundo a CNC, em março, o cartão de crédito era a principal modalidade de dívida para 84,9% dos consumidores endividados com o uso recorrente do crédito no dia a dia, especialmente via parcelamento. Segundo Resende, a falta de educação financeira também ajuda a manter um ciclo de dependência do crédito. “Quando há entendimento de limites, a necessidade de recorrer ao crédito diminui”, afirma. “Sem isso, qualquer renegociação ou redução de juros tem efeito temporário, porque o padrão de consumo continua o mesmo.” “Se não houver educação financeira na escola e na formação das famílias, o problema tende a se repetir”, diz. “É uma mudança de mentalidade. A ideia é transformar a forma como as pessoas lidam com o dinheiro no dia a dia.” Normalização do endividamento A economista também chama atenção para o que define como “normalização do endividamento”. Como mostrou o g1, conteúdos que prometem atalhos para reduzir dívidas — especialmente as bancárias — têm ganhado força nas redes sociais, como a orientação de interromper pagamentos deliberadamente para recorrer à Lei do Superendividamento. Especialistas alertam, porém, que essas estratégias não funcionam como um cancelamento automático das dívidas. (veja aqui quem pode usar a Lei do Superendividamento) “Quando todo mundo está endividado, isso gera um certo conforto. A pessoa passa a achar que é normal e perde o senso de urgência para resolver o problema”, diz Olívia. Além disso, decisões financeiras muitas vezes são tomadas com base em emoções ou informações incompletas. “Os produtos bancários são complexos, e muita gente não entende exatamente o que está contratando. Às vezes, a decisão vem de um impulso ou de uma necessidade emocional, como ajudar um familiar”, afirma. Diante desse cenário, a economista defende que a educação financeira também é essencial para enfrentar o problema de forma estrutural. “Renegociar dívidas ajuda no curto prazo, mas, sem mudança de comportamento, o problema volta”, afirma. “Organizar o orçamento evita recorrer a crédito caro. Finanças não é só planilha, é entender hábitos e controlar gastos do dia a dia.” Na avaliação de Resende, a educação financeira deve começar cedo e envolver toda a sociedade, mas combinando alívio imediato com mudança de comportamento no longo prazo. “Sem isso, a gente só empurra o problema para frente”, diz. Com colaboração de Nayara Felizardo* Endividamento das famílias segue em trajetória recorde e alcançou 80,4% em março, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Joédson Alves/Agência Brasil
08/05/2026 08:04:06 +00:00
Crise do alho: preço baixo dos importados faz agricultores brasileiros jogarem produção no lixo

Cai a área cultivada com alho Produtores de alho estão com dificuldade para vender a safra por causa do preço baixo do produto importado. Sem conseguir vender a produção, o agricultor Everson Tagliari, do Rio Grande do Sul, cogita jogar 50 toneladas de alho no lixo. Outros produtores preferem não vender a safra quando o valor pago não cobre os custos de cultivo. O Brasil consome cerca de 320 mil toneladas de alho por ano, mas colhe apenas 170 mil toneladas, segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa). A maior parte da produção fica nas regiões Centro-Oeste e Sul. Para suprir a demanda interna, o Brasil tem que importar. Cerca de 60% do alho consumido no Brasil vem da Argentina. O restante vem principalmente da China, o maior produtor do mundo. Desde a década de 90, o Brasil aplica uma tarifa extra pelo alho chinês que entra no país. Ainda assim, o alimento é vendido por R$ 10 o quilo. O valor é menor do que o custo de produção do alho brasileiro, que gira em torno de R$ 13 por quilo. Além disso, no ano passado, o governo brasileiro firmou um acordo com três exportadores chineses e definiu um preço mínimo para o produto. "No caso do alho chinês, já é comprovado um mercado desleal em função de práticas adotadas no país. Subsídios em armazenagem, em estrutura de comercialização, estruturas produtivas fazem com que o alho chinês chegue ao Brasil e cause um dano à indústria nacional", afirma Letícia Barony, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). No Rio Grande do Sul, produtores dizem enfrentar dificuldades por causa do alho argentino. Segundo a presidente da Associação dos Produtores de Alho do estado, Franchielle Motter, o prejuízo chega a R$ 5 por quilo vendido. A Anapa afirma que já enviou 35 ofícios a órgãos do governo federal denunciando concorrência desleal, mas ainda não recebeu resposta. Leia também: Como sementes usam o som da chuva para decidir quando germinar Acordo UE-Mercosul: veja os produtos protegidos contra imitação — e que podem deixar de ser feitos no Brasil Sem banheiro e água: caminhoneiros relatam dias em fila em porto no Pará
08/05/2026 06:00:38 +00:00
MEI: prazo para enviar declaração anual termina no fim de maio; veja como fazer

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Os Microempreendedores Individuais (MEIs) devem declarar o faturamento de 2025 por meio da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI). O envio é obrigatório e deve ser feito até 31 de maio no Portal do Empreendedor. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) reúne informações sobre o faturamento do MEI ao longo de 2025 e indica se houve contratação de empregado no período. O envio é obrigatório, mesmo para quem não teve faturamento. O documento deve ser apresentado anualmente à Receita Federal para manter o CNPJ regular e comprovar que a empresa atua dentro das regras do regime, cujo limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano. O não envio pode gerar multas e até o cancelamento do CNPJ. O registro também pode ser cancelado definitivamente caso o MEI fique dois anos sem pagar as contribuições mensais obrigatórias. Vídeos em alta no g1 Para facilitar o preenchimento, o MEI pode utilizar o Relatório Mensal de Receitas Brutas, onde registra os valores obtidos a cada mês. O controle também é uma obrigação prevista em lei, segundo o governo federal. Abaixo, veja como fazer a declaração e tire dúvidas. 🧮 Como fazer a declaração anual de MEI 💻 Quem deve declarar? 📅 E se eu perder o prazo. O que acontece? 💵 Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? 🤔 Errei alguma informação, e agora? Como fazer a declaração anual de MEI? Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado. Para isso, o MEI precisa: Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI"; Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração; O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas; Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos. Quem deve declarar? A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025. E se eu perder o prazo. O que acontece? A entrega fora do prazo da DASN-SIMEI gera uma multa de 2% a cada mês de atraso, limitada a 20% sobre o valor total dos tributos devidos, ou mínimo de R$ 50. O MEI também pode ter o CNPJ cancelado definitivamente, caso não tenha pagado nenhuma contribuição mensal durante os últimos dois anos. Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? O limite de faturamento anual do MEI em 2025 foi de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 ao mês (ou um valor proporcional de acordo com o mês de abertura). 🔎 EXEMPLO: Se você formalizou a sua empresa em maio de 2025, o seu limite de faturamento até o final do ano a ser declarado é de R$ 54 mil. Caso tenha ultrapassado esse valor, o empreendedor deverá pagar tributos sobre o excedente. Segundo Gabriel Santana Vieira, advogado especialista em direito tributário, existem duas possibilidades: O MEI que fatura até 20% acima do limite (até R$ 97.200) será desenquadrado automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte e deverá migrar para o regime de Microempresa (ME) no Simples Nacional. Já o empreendedor que faturar acima de 20% do limite (acima de R$ 97.200), o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado, gerando possíveis custos adicionais, como tributos, multas e juros. "O empreendedor deve solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional e ajustar seu enquadramento como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), iniciando o pagamento dos tributos de acordo com o novo regime", afirma Vieira. Vale lembrar que no regime de ME, os tributos são calculados com base no faturamento anual e nas tabelas do Simples Nacional, exigindo maior controle financeiro e, geralmente, o auxílio de um contador. Ainda segundo o especialista, essas mudanças são importantes para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar problemas com a Receita Federal. Errei uma informação, e agora? Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'. O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão. Veja mais em: Imposto de Renda 2026: MEI precisa declarar? Veja quem é obrigado MEI: confira valores de contribuição, prazos para quitar dívidas e obrigações em 2026
08/05/2026 03:01:08 +00:00
Mega-Sena, concurso 3.005: nenhuma aposta acerta as seis dezenas e prêmio vai a R$ 45 milhões

Concurso 3.005 da Mega-Sena - veja sorteio O sorteio do concurso 3.005 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (7), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas e o prêmio acumulou em R$ 45 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 17 - 23 - 29 - 30 - 48 - 50 Segundo a Caixa, ninguém acertou os seis números. 5 acertos - 25 apostas ganhadoras: R$ 70.003,53 4 acertos - 2.594 apostas ganhadoras: R$ 1.112,08 Loterias Caixa sorteiam Mega-Sena Reprodução O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
08/05/2026 00:04:06 +00:00
Corte de Comércio dos EUA diz que tarifas globais de 10% de Trump são ilegais

O presidente Donald Trump durante evento na Flórida em 1º de maio de 2026 REUTERS/Nathan Howard A Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos decidiu, nesta quinta-feira (7), contra as tarifas globais de 10% impostas por Donald Trump. Segundo o tribunal, o presidente não tinha autoridade legal para aplicar esse aumento generalizado de impostos sobre importações. Apesar da decisão, as taxas seguem em vigor para os importadores. A corte bloqueou a medida apenas para algumas pequenas empresas americanas e para o estado de Washington. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão afirma que as tarifas globais de 10% não estão em conformidade com a Lei de Comércio de 1974, usada pelo governo como base para impor as medidas. O tribunal analisou ações movidas por pequenas empresas que contestaram as tarifas. O placar do tribunal foi de 2 a 1, com um dos juízes divergindo por considerar prematuro conceder vitória às companhias. Veja os vídeos em alta no g1: Vídeos em alta no g1 As duas empresas que conseguiram derrubar as tarifas argumentaram que as cobranças eram uma tentativa de contornar uma decisão histórica da Suprema Corte dos EUA. Em 2025, a Corte suspendeu os efeitos do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Depois disso, o republicano passou a aplicar tarifas globais de 10% com base em outro instrumento legal, a Seção 122. (leia mais abaixo) A decisão desta quinta-feira se refere a essas tarifas de 10%. No julgamento, o tribunal rejeitou emitir uma liminar que barrasse as taxas para todos os importadores. Esse pedido havia sido feito por um grupo de 24 estados, em sua maioria governados por democratas, mas a corte entendeu que eles não tinham legitimidade para solicitar esse tipo de medida. O tribunal decidiu que a maior parte dos estados que entrou com a ação — com exceção de Washington — não era formada por importadores que pagaram ou poderiam vir a pagar as tarifas da Seção 122. Já o estado de Washington apresentou provas de que recolheu as taxas por meio da Universidade de Washington, uma instituição pública de pesquisa. Com isso, as tarifas continuarão em vigor para os demais importadores enquanto o governo recorre da decisão. Tarifas globais de 10% Depois de ver o tarifaço derrubado, o governo anunciou, em fevereiro, o uso de um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato, duração de 150 dias e validade para todos os países. À época, Trump disse que ativaria a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que permite ao presidente impor tarifas temporárias. O governo também afirmou que iria recorrer à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais. O que é a Seção 122 da Lei de Comércio A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal. Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas. E a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974? O regimento permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração. O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses. Trump já utilizou esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar importações chinesas, o que levou a uma disputa comercial prolongada entre os dois países. * Com informações da agência de notícias Reuters
07/05/2026 21:49:51 +00:00
Líder do governo diz que Senado deve votar ainda em maio projeto das terras raras, assunto entre Lula e Trump

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que o Senado deve avançar rápido com a tramitação do projeto de lei que cria um marco legal dos minerais críticos e das terras raras. Segundo o parlamentar, a proposta deve ser votada ainda em maio. "Vamos avançar rápido com ela", disse Randolfe. Terras raras (que não são terras nem raras) colocam Brasil no meio de 'guerra fria' entre EUA e China; veja 10 perguntas e respostas O texto, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e medidas de estímulo ao setor no Brasil, foi aprovado na noite desta quarta-feira (6) na Câmara dos Deputados. O presidente Lula disse que falou sobre a proposta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em encontro nesta quinta-feira (7). Lula: 'Tratamos minerais críticos como questão de soberania nacional' "Disse ao presidente [Donald] Trump que não só fizemos uma coisa extraordinária aprovando na Câmara ontem a lei sobre a questão dos minerais críticos, como a aprovação de um Conselho sob a coordenação da Presidência da República, tratando a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional", afirmou Lula em entrevista coletiva após o encontro com Trump. Agradecimento a Motta O governo chegou a pedir ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que o projeto fosse aprovado antes do encontro entre o presidente brasileiro e o presidente dos Estados Unidos. Após a aprovação na Câmara, Lula ligou para Motta e, na sequência, para o relator da matéria na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), para agradecer pela votação e elogiar o texto aprovado. Lula tinha acabado de chegar nos Estados Unidos quando fez a ligação. Câmara aprovou projeto em sessão nesta quarta-feira (6) Bruno Spada/Câmara dos Deputados Pouco antes da votação, durante um evento de comemoração aos 200 anos da Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se comprometeu a dar prioridade ao assunto na outra Casa. Senadores ouvidos pela GloboNews avaliam que o assunto deve, sim, ter tramitação acelerada no Senado, já que existe um entendimento de que o assunto está "acima de governo" e "é interesse de todos". Setor quer mudanças O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, elogiou a aprovação e disse que a proposta traz importantes medidas de apoio à industrialização – como crédito ao setor e a criação de um fundo de garantia para incentivar o processamento de minérios no país. "[As medidas de apoio] Estão aquém do que o mundo está fazendo, mas antes não tínhamos nada", disse à GloboNews. "Governo e oposição concordando num tema ultra complexo, isso é coisa de país maduro." Terras raras: tipos e usos Arte/g1 Contudo, Cesário diz que o setor deve trabalhar para fazer algumas modificações no Senado – em especial, mudanças no Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. 🔎Pelo texto, o órgão será composto por 15 integrantes do Poder Executivo, além de representantes dos estados, municípios, do setor privado e de instituições de ensino superior. A proposta aprovada estabelece que o conselho será responsável por homologar a venda de mineradoras em áreas de minerais críticos e estratégicos, além de acordos e contratos internacionais. Na Câmara, o relator já havia feito uma concessão ao setor de mineração e trocou a exigência de análise prévia das negociações por uma homologação posterior. A chancela do órgão é considerada uma medida importante, tanto para o governo quanto para o relator, para garantir os princípios de soberania nacional. Já o presidente do Ibram avalia que a medida traz uma intervenção do estado no mercado de mineração. Segundo ele, é preciso estabelecer critérios para uma eventual negativa do conselho. "Não pode ser à vontade de quem está lá [no conselho]", disse. "Os governos duram quatro anos, projeto de mineração nunca levam menos de 10 anos." Outro ponto que o setor acredita que precisa ser modificado no Senado é o período de caducidade – ou seja, o prazo de autorização de pesquisa em áreas de minerais críticos a partir da licença de alvará. A primeira versão do relatório falava em um período de cinco anos, mas após pressão do setor Arnaldo Jardim ampliou para 10 anos. O presidente do Ibram defende que não haja prazo e argumenta que, muitas vezes, os projetos de mineração demoram por razões que não estão no controle do minerador – por exemplo, autorizações ambientais. Ainda segundo ele, o Código de Mineração já tem mecanismos para evitar a procrastinação deliberada na exploração das áreas.
07/05/2026 20:59:03 +00:00
STF suspende julgamento sobre regras para royalties do petróleo após pedido de Dino para mais tempo de análise

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu vista – ou seja, mais tempo para análise – , levando à suspensão do julgamento das seis ações que tratam das regras de distribuição, entre os estados e municípios, dos recursos resultantes da produção do petróleo. O julgamento, iniciado na quarta-feira (6), voltou à pauta do tribunal nesta quinta-feira (7). O pedido de Dino suspendeu o julgamento logo após a ministra relatora das ações, Cármen Lúcia, apresentar seu voto. (veja mais abaixo) A relatora votou para invalidar trechos da lei que alterou a distribuição dos royalties do petróleo, aprovada em 2012 pelo Congresso mas suspensa por decisão liminar da ministra desde 2013. 🔎Royalties são uma compensação financeira paga pelas empresas petroleiras ao Estado brasileiro pelo direito de extrair petróleo e gás natural no território brasileiro. 🔎Já as participações especiais são uma compensação adicional, cobrada apenas de campos de petróleo e gás com grande volume de produção ou alta rentabilidade. Vídeos em alta no g1 Voto da relatora Primeira a votar no caso, a ministra Cármen Lúcia pontuou que a questão não envolve os aspectos políticos da decisão legislativa do Congresso. E que também "não se está a questionar absolutamente a necessidade de se dotar todas as entidades da federação brasileira com todos os recursos". Declarou que, embora eventuais danos ambientais tenham que ser suportados por estados e municípios, os prejuízos maiores e constantes se concentram principalmente nas regiões de exploração. "Nota-se que o recebimento dos valores pela União, estados e municípios contemplados pelas regras legislativas questionadas gera perda financeira juridicamente tutelada pela Constituição Federal àqueles que se põem como titulares do direito previsto na norma constitucional", afirmou Para a magistrada, as "normas impugnadas desestabilizam sistemática do equilíbrio federativo". A relatora do caso, ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Rosinei Coutinho/STF Pedido de vista Na sequência, o ministro Flávio Dino pontuou a necessidade de analisar os pontos colocados pela relatora. Por isso pediu vista, o que levou ao adiamento do caso. Ainda não há data para a retomada do julgamento. Processos A Corte analisa as ações que discutem a validade da lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2012 que estabeleceu as regras para a partilha de recursos obtidos com a exploração do petróleo — royalties e participações especiais. O texto estabelecia distribuição mais igualitária das receitas arrecadadas entre produtores e não produtores de petróleo tanto de blocos em operação quanto para futuras áreas de produção. A proposta foi vetada pela então presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, os parlamentares derrubaram o veto e restabeleceram a lei. Ação do RJ O estado do Rio de Janeiro entrou com uma ação no STF alegando que a lei é inconstitucional e, no início de 2013, a ministra Cármen Lúcia concedeu uma liminar que suspendeu os efeitos da lei e manteve as regras que estão em vigor até hoje. O tribunal também recebeu ações de outros estados produtores, como Espírito Santo e São Paulo. A questão envolve saber se a norma em debate está de acordo com a Constituição. Os estados não-produtores de petróleo defendem que a lei é constitucional, já que reordena os critérios de distribuição de receitas de forma alinhada com os objetivos constitucionais de redução das desigualdades regionais. Royalties do petróleo: procurador do RJ afirma que mudança na lei seria fatal para finanças do estado Jornal Nacional/ Reprodução Já os estados produtores consideram que os recursos são uma forma de compensação pelos impactos causados pela exploração do petróleo. Portanto, seriam um direito dos locais onde acontecem as atividades. Impactos Uma eventual mudança na legislação teria impacto principalmente para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, principais estados produtores de petróleo. 💰Um estudo da Federação das Indústrias do Rio mostra que o estado e seus municípios perderiam R$ 21 bilhões por ano em royalties e participações especiais. Redistribuição Segundo a regra atual, a União recebe em torno de 30% do total de royalties. Se a lei de 2012 entrar em vigor, esse percentual cairá para 20%. A parte destinada a estados e municípios produtores de petróleo cairia de 61% para 26%, depois de um período de transição de sete anos. Já o Fundo Especial, destinado a estados e municípios não produtores, subirá de 8,75% para 54%. As parcelas das participações especiais também mudariam: ▶️União passaria de 50% para 46%; ▶️Estados e municípios produtores de 50% para 24%; ▶️Estados e municípios não produtores, que hoje não recebem nada, passariam a receber 30%.
07/05/2026 19:17:02 +00:00
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