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g1 > Economia

Praga mortal ressurge em gado nos EUA após 60 anos

Imagem de uma mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax). Departamento de Agricultura dos EUA. A mosca-da-bicheira, praga erradicada há 60 anos nos Estados Unidos, voltou a atingir o gado norte-americano, após o Departamento de Agricultura dos EUA confirmar dois casos nesta semana. A primeira ocorrência foi registrada na quarta-feira (3), em um bezerro de três semanas no condado de Zavala, no Texas. Dois dias depois, o governo americano confirmou um segundo caso, localizado a cerca de 9 quilômetros do primeiro foco, em um bezerro de um mês. A mosca-da-bicheira do Novo Mundo é considerada uma das pragas mais destrutivas da pecuária. As fêmeas depositam seus ovos em feridas abertas de animais de sangue quente, e as larvas que emergem passam a se alimentar do tecido vivo do hospedeiro. Diferentemente da maioria das moscas, cujas larvas consomem matéria em decomposição, a mosca-da-bicheira ataca carne saudável, ampliando as lesões e podendo causar infecções graves.
06/06/2026 17:00:58 +00:00
Brasil prepara primeira emissão de títulos públicos em yuan na China, diz agência

China moeda local iuan AP O governo brasileiro planeja anunciar ainda neste mês uma captação de recursos no mercado financeiro da China por meio da emissão de títulos públicos em yuan, a moeda chinesa. A informação foi divulgada pela agência Reuters com base em duas fontes que acompanham o assunto. Com isso, o Brasil pretende vender a investidores chineses os chamados Panda Bonds, títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado financeiro da China e negociados em yuan. 🔎 Ao comprar esses títulos, os investidores emprestam dinheiro ao governo brasileiro, que se compromete a devolver os recursos no futuro com o pagamento de juros. Se a operação for confirmada, será a primeira vez que o Brasil buscará financiamento por meio desse instrumento no mercado chinês. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 A iniciativa ocorre poucos meses após o país realizar sua primeira emissão de títulos em euros desde 2014. Em abril, o governo captou 5 bilhões de euros (cerca de R$ 29 bilhões) junto a investidores internacionais. Segundo a Reuters, a emissão dos Panda Bonds faz parte da estratégia do Ministério da Fazenda de diversificar as fontes de financiamento do país e ampliar sua presença nos mercados internacionais. A ideia é reduzir a dependência do dólar e acessar investidores de outras regiões do mundo, especialmente da China. O anúncio deve ocorrer durante uma viagem de autoridades brasileiras a Xangai e Pequim, entre os dias 24 e 26 de junho. A agenda será liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Procurado pela Reuters, o ministério não comentou o assunto. China amplia presença na economia brasileira O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, cumprimentam-se cerimônia no Palácio do Povo, em Pequim, no dia 13 de maio de 2025 Ricardo Stuckert/Presidência da República A visita acontece em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China, principal parceiro comercial brasileiro. No ano passado, o Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses no mundo recebendo US$ 6,1 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) em novos projetos e negócios, segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O valor representa 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no exterior no período, colocando o Brasil à frente de países como Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão. Além disso, o país foi o único a permanecer entre os cinco principais destinos do capital chinês nos últimos cinco anos. O movimento também ocorre em meio a tensões com os EUA, após o governo do presidente Donald Trump propor novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificar facções criminosas do país como organizações terroristas. Antes da viagem, representantes dos dois países participarão de uma reunião de um subcomitê financeiro bilateral. De acordo com a Reuters, o governo brasileiro também pretende apresentar iniciativas ligadas à agenda de sustentabilidade, como o programa Eco Invest Brasil, o projeto Tropical Forest Forever Facility (TFFF), voltado à preservação de florestas tropicais, e os avanços na criação de um mercado regulado de carbono. A expectativa é que essas medidas ajudem a atrair mais investimentos chineses para setores estratégicos da economia brasileira.
06/06/2026 15:52:21 +00:00
Dona dos postos Shell no Brasil tenta reorganizar dívida de R$ 64,7 bilhões e ganha apoio de credores

Preços dos combustíveis exibidos em um posto de gasolina Shell em Copenhague, Dinamarca Reuters Abastecer o carro em um posto Shell, comprar etanol ou consumir açúcar produzido pela Raízen são situações comuns para milhões de brasileiros. Agora, a empresa, uma das maiores do setor de energia do país, tenta virar a página de uma dívida bilionária. A Raízen anunciou nesta sexta-feira (5) que conseguiu o apoio da maior parte de seus credores para avançar em um plano de reestruturação financeira que envolve cerca de R$ 64,7 bilhões em dívidas. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo A proposta prevê novos aportes dos acionistas, mudanças nos prazos de pagamento e até a conversão de parte das dívidas em participação acionária. O objetivo é aliviar a pressão sobre o caixa da companhia e criar condições para que a empresa volte a crescer nos próximos anos sem comprometer suas operações. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Pelo plano, a Shell fará um aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia. Além disso, 45% das dívidas incluídas na recuperação extrajudicial serão convertidas em ações da empresa, enquanto o restante terá os prazos de pagamento renegociados. A estratégia também prevê uma transformação estrutural. Até o fim de 2027, a Raízen pretende separar seus negócios em duas empresas independentes: uma focada na produção de açúcar, etanol e bioenergia e outra dedicada à distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. Segundo a companhia, a recuperação extrajudicial tem caráter exclusivamente financeiro e não afeta compromissos com clientes, fornecedores, revendedores ou consumidores. Como a Raízen chegou a uma dívida bilionária A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março deste ano para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. 🔎 A recuperação extrajudicial é um acordo em que a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, sem a mediação da Justiça. O objetivo é conseguir mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência. A empresa, que atua nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, vinha enfrentando forte pressão no caixa após anos de investimentos elevados, juros altos, safras afetadas por condições climáticas adversas e queda no desempenho de parte dos negócios. No fim de 2025, a dívida líquida da companhia havia alcançado R$ 55,3 bilhões. No mesmo período, a empresa registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, impactado por perdas contábeis relacionadas à reavaliação de ativos. ⛽ A Raízen foi criada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan e a Shell, combinando as operações de produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil. Logo da Raízen Divulgação
06/06/2026 13:36:19 +00:00
Sem a União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões ao ano em carnes; entenda

UE veta carne do Brasil a partir de 3 de Setembro A União Europeia (UE) oficializou na sexta-feira (4) a decisão que retira o Brasil da lista de países considerados adequados às suas normas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida ameaça as exportações brasileiras de carnes, que somam quase US$ 2 bilhões ao ano ao bloco. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia ➡️ Com a formalização, o Brasil fica proibido de exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano. Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos. A União Europeia responde por 5,7% do valor exportado pelo Brasil de carnes geral, o que a coloca como o segundo maior mercado do país, atrás apenas da China, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão. ➡️ Considerando apenas a carne bovina, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com o bloco, com um total de 128 mil toneladas exportadas. O produto é o mais relevante da categoria nas vendas aos europeus em valor e representa o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos. ➡️ A comercialização de carne de frango para a União Europeia, em 2025, atingiu US$ 762 milhões e 230 mil toneladas. ➡️ Outros produtos também devem ser impactados. O mel somou US$ 6 milhões em exportações, com volume de mil toneladas. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar para a UE. Por que o Brasil ficou de fora? Leonardo Munhoz, doutor em Direito Agroambiental e advogado do VBSO, explica que a decisão da UE não está ligada a um antimicrobiano específico, mas a exigências mais rigorosas de controle sobre o uso dessas substâncias. "O ponto central parece ser a capacidade do Brasil de comprovar fiscalização, rastreabilidade e conformidade sanitária das cadeias exportadoras perante às autoridades europeias", afirma. Ele explica que a UE não proíbe todos os antimicrobianos usados para tratar infecções, mas que restringiu fortemente, nos últimos anos, seu uso para fins não terapêuticos, especialmente como promotores de crescimento. Munhoz diz que os antimicrobianos proibidos pela UE para estimular crescimento dos animais são hoje: virginiamicina; avoparcina; bacitracina; tilosina; espiramicina; avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina. Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias. A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz. Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro. Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019. "Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador. Carne bovina de MT Assessoria
06/06/2026 11:56:59 +00:00
UE oficializa veto à carne do Brasil a partir de setembro

UE veta carne do Brasil a partir de 3 de Setembro A União Europeia (UE) publicou, na sexta-feira (5), um documento oficializando a sua decisão de excluir o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o Brasil fica proibido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro deste ano. ➡️ Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Na lista de 2024, o Brasil aparecia como autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Agora, o país aparece excluído da lista de todos esses produtos. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados para exportar para a UE. Segundo o documento publicado na sexta, o país não apresentou informações exigidas pela Comissão Europeia que garantem que a carne do Brasil cumprem os requisitos da UE sobre antimicrobianos. Entenda a polêmica sobre o uso de antibióticos na produção de carnes Quando o bloco anunciou a sua decisão, no início de maio, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil pode voltar à lista assim que comprovar os requisitos exigidos. O governo brasileiro, por sua vez, disse, na época, que estava surpreso com a decisão e que iria negociar. O g1 busca contato com o Itamaraty e com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento para saber como foram as negociações e se há expectativa de que o Brasil volte à lista. Outros três países foram removidos da lista da UE, mas por não terem mais interesse em exportar produtos para o bloco. É o caso da Austrália, para ovos; da Ucrânia, para coelhos; e das Ilhas Malvinas, para produtos de aquicultura. O Brasil foi o único país que saiu da lista por não apresentar informações exigidas pela UE. Por outro lado, a UE inclui 21 países e territórios na lista. São eles: Armênia, Burkina Faso, Benin, Brunei, Belize, Guernsey, Índia, Indonésia, Irã, Quênia, República do Quirguistão, Sri Lanka, Ilhas Maurício, Nigéria, Sérvia, Essuatíni, Tunísia, Tanzânia, Uganda, Uzbequistão e Wallis e Futuna. Sem a União Europeia, Brasil pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões ao ano em carnes; entenda Proibição de antimicrobianos Leonardo Munhoz, doutor em Direito Agroambiental e advogado do VBSO, explica que a decisão da UE não está ligada a um antimicrobiano específico, mas a exigências mais rigorosas de controle sobre o uso dessas substâncias. "O ponto central parece ser a capacidade do Brasil de comprovar fiscalização, rastreabilidade e conformidade sanitária das cadeias exportadoras perante às autoridades europeias", afirma. Ele explica que a UE não proíbe todos os antimicrobianos usados para tratar infecções, mas que restringiu fortemente, nos últimos anos, seu uso para fins não terapêuticos, especialmente como promotores de crescimento. Munhoz diz que os antimicrobianos proibidos pela UE usados para estimular crescimento dos animais são hoje: virginiamicina; avoparcina; bacitracina; tilosina; espiramicina; avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina. Para voltar à lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso dos demais medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias. A segunda opção não é fácil de aplicar, pois depende da rastreabilidade do produto, é mais demorada e custosa, aponta Munhoz. Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não usa esses antimicrobianos, o país poderá voltar a exportar, mesmo que isso ocorra após setembro. Segundo o pesquisador, já se sabia que a União Europeia planejava essas restrições desde 2019. "Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador. A União Europeia responde por 5,8% do valor que o Brasil exporta em carne bovina, o que coloca o bloco como o terceiro maior destino do produto, depois de China (49,3%) e Estados Unidos (9%), segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Para carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado (5,7%), atrás da China (30,8%). O que disse o setor O g1 procurou as associações empresariais neste sábado para comentar a oficialização do veto. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que "é importante esclarecer que a medida não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira." "O tema em discussão refere-se aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes", reforçou. A entidade disse ainda que o Brasil possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário e de produção animal do mundo, com atuação integrada empresas e governos (veja nota completa). No início de maio, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil que "o eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida", ou seja, 3 de setembro. "A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo", destacou a entidade. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse na época que, com o apoio do governo, "prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia" "É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias." "O setor brasileiro reforça que o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo robustas, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos", destacou a ABPA. Já o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou ao g1 que a medida "é algo político, visto que há uma grande pressão dos europeus para barrar produtos brasileiros depois do acordo do Mercosul". "Para o mel, é totalmente descabido falar em risco de uso excessivo de antibióticos, considerando que o Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo", destacou Azevedo. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abepesca), por sua vez, disse que não exporta para UE desde 2016. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) afirmou, no início de maio, que a medida é preocupante, principalmente "considerando que o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início deste mês". Já a Frente Parlamentar da Agropecuária disse que, considerando o acordo comercial entre os dois blocos, "vê com preocupação qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais contra a competitividade da produção brasileira". Acordo Mercosul e União Europeia O anúncio da UE acontece após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França. Para Munhoz, porém, a medida não tem relação com o acordo. A lista é uma regulamentação sanitária, ou seja, uma exigência que qualquer país pode adotar para garantir a segurança dos alimentos consumidos pela população. O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade. "Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen. Nota da ABPA "A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acompanha com atenção a formalização da decisão da União Europeia (UE) referente à lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, no âmbito das exigências europeias relacionadas ao monitoramento e à fiscalização do uso de antimicrobianos. É importante esclarecer que a medida não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira. O tema em discussão refere-se aos procedimentos de comprovação e reconhecimento, pela União Europeia, dos mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil, conduzidos pelas autoridades competentes. A ABPA reconhece a legitimidade de iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos. Ao mesmo tempo, entende que requisitos sanitários e regulatórios aplicados ao comércio internacional devem estar fundamentados em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio. O Brasil possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário e de produção animal do mundo, com atuação integrada entre o setor produtivo e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), garantindo elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos. Desde o início das discussões sobre o tema, a ABPA tem atuado em conjunto com o Governo Brasileiro, apoiando os esforços técnicos conduzidos pelo MAPA e demais órgãos competentes para prestar os esclarecimentos solicitados pelas autoridades europeias e demonstrar a efetividade dos sistemas brasileiros de fiscalização e controle. A entidade seguirá colaborando com as autoridades nacionais e acompanhando as tratativas em curso, confiante de que o diálogo técnico e a apresentação das informações necessárias contribuirão para o adequado reconhecimento dos mecanismos brasileiros de fiscalização, sempre em linha com os mais elevados padrões internacionais de produção e segurança alimentar." Carne bovina de MT Assessoria
06/06/2026 11:13:22 +00:00
Como serão as viagens no avião criado para fazer a rota mais longa do mundo

Como foi 1º voo teste de avião que fará rota mais longa do mundo O avião que fará o voo sem paradas mais longo do mundo permitirá aos passageiros ver o nascer do Sol duas vezes e terá primeira classe com quarto privativo, cama e TV de 32 polegadas. Essa é a promessa da companhia aérea australiana Qantas, que encomendou 12 unidades do avião para começar a fazer voos sem escalas de Sidney, na Austrália, a destinos como Londres, no Reino Unido, e Nova York, nos Estados Unidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O modelo A350-1000ULR é fabricado pela europeia Airbus e concluiu seu primeiro voo de teste na última terça-feira (2), em um voo de quase 4 horas em Toulouse, na França. A aeronave foi projetada para voar até 22 horas seguidas e superar o recorde de voo comercial direto mais longo do mundo, hoje pertencente à Singapore Airlines com um voo de 18 horas entre Singapura e Nova York. Primeiro voo de teste do A350-1000ULR, da Airbus Divulgação/Airbus Qual é o segredo dos aviões que conseguem ficar mais de 18 horas no ar? O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000 e poderá reduzir o tempo total das viagens em até quatro horas, segundo a Qantas. A aeronave consegue fazer voos mais longos por conta de um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a sua autonomia em mais de 1.800 km, de acordo com a Airbus. Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo A encomenda dos aviões faz parte do investimento chamado pela Qantas de Projeto Sunrise ("nascer do Sol"). A entrega sofreu atrasos, mas a companhia deve receber a primeira unidade em abril de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026. A empresa encomendou ainda outras 12 unidades do A350-1000, destinados a voos de longa distância, mas com percursos um pouco mais curtos. Como será o voo mais longo do mundo A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave. O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo. O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas: Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer; Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine; Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal; Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3". A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados. Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas Divulgação/Qantas Primeira classe do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe executiva do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe econômica do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas
06/06/2026 07:01:48 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 32 milhões neste sábado; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.014 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 32 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (6), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça-feira (2), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
06/06/2026 03:01:07 +00:00
Preços dos ingressos da Copa estão em queda — a Fifa está tentando se livrar deles para evitar fiasco?

Fifa é investigada por preços abusivos em jogos de Copa do Mundo Preços em queda, disponibilidade instável e falta de clareza. A uma semana do início da Copa do Mundo de 2026, muitas perguntas permanecem sem resposta sobre os ingressos para as partidas. A Fifa prometeu que o evento teria ingressos esgotados, mas há milhares de entradas disponíveis para venda em diversas plataformas. A BBC Sport descobriu que ingressos para partidas envolvendo seleções menos tradicionais estão agora disponíveis por preços bem abaixo do valor original – tanto no site de revenda da própria Fifa quanto em mercados secundários. A Fifa prometeu uma Copa do Mundo com ingressos esgotados, mas ainda há entradas disponíveis para mais da metade dos jogos Getty Images A própria entidade máxima do futebol mundial foi acusada de despejar ingressos que agora não consegue vender no site de revenda SeatGeek. Mas afinal, quão "esgotados" estão os jogos? Será que veremos uma repetição do Mundial de Clubes do ano passado, quando os ingressos foram vendidos a preços baixíssimos para lotar os estádios? Será que a maior Copa do Mundo de todos os tempos terá arquibancadas vazias? Ingressos para a Copa do Mundo: o que se sabe Quando se trata da Fifa e dos ingressos para a Copa do Mundo, talvez seja mais fácil dizer o que não sabemos. Houve tanto sigilo que parece impossível ter certeza de qual seria um preço justo e razoável para um ingresso da Copa do Mundo. Na semana passada, os procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey iniciaram oficialmente uma investigação sobre as práticas da Fifa em relação aos ingressos. A entidade máxima do futebol foi intimada a responder a acusações de "inflação artificial de preços" e "dano aos torcedores". O processo de compra de ingressos tem sido como uma gincana. Alguns torcedores que tiveram sucesso e pagaram por ingressos em uma categoria de preço acabaram recebendo ingressos de valor inferior, mais distantes do campo. Mesmo aqueles que ganharam no sorteio o fizeram às cegas – em nenhum momento a tabela de preços foi divulgada. O preço astronômico dos ingressos só ficou claro quando os torcedores foram solicitados a pagar. A Fifa adotou precificação variável, em vez da precificação dinâmica, que altera os preços em cada ponto de venda com base na demanda anterior. A janela final de vendas ao público da Fifa começou em abril. À época, foi dito que mais ingressos poderiam ser liberados até o início das partidas. Mas para quais jogos? Quando? E a que preços? Os mapas dos estádios foram alterados e categorias mais caras foram adicionadas, sem que os torcedores soubessem. Essas categorias geralmente ficavam nas primeiras fileiras e custavam cerca de 50% a mais do que os assentos logo atrás delas. Elas não foram disponibilizadas aos torcedores durante o período do sorteio. Os procuradores-gerais alegaram que tudo fazia parte de uma tentativa deliberada de omitir informações e deixar os torcedores sem saber como comprar ingressos. A variação regular e gradual de preços, fileira por fileira, em um mercado secundário pode indicar uma política deliberada e estruturada, anunciada pela mesma empresa ou indivíduo BBC Quantos ingressos já foram vendidos? "Todos os jogos já estão esgotados", disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em fevereiro. "Reservamos alguns ingressos para vendas de última hora, é claro, mas todos os jogos estão esgotados." Como acontece com a maioria das coisas nesta Copa do Mundo, a realidade parece ser diferente. A Fifa não deveria ter problemas para esgotar os ingressos para os jogos com as seleções principais – Argentina, Brasil, Inglaterra, Alemanha e Espanha, para citar algumas. Deveríamos poder dizer o mesmo sobre os países anfitriões, mas a Fifa precificou esses jogos tão alto que apenas duas das nove partidas envolvendo Canadá, México ou Estados Unidos estão oficialmente esgotadas. Mesmo a partida de abertura, entre México e África do Sul, ainda tem mais de 500 lugares disponíveis no site da Fifa, com preços a partir de US$ 2.273 (R$ 11.740) cada. O problema da Fifa são os jogos com seleções que não têm grande apelo – partidas como Bósnia-Herzegovina x Catar, Cabo Verde x Arábia Saudita e República Democrática do Congo x Uzbequistão. Então, quantos jogos estão realmente esgotados? O TicketData, um site independente que monitora os principais eventos esportivos nos Estados Unidos, apresentou um panorama intrigante. O site indica que, no sábado, havia cerca de 74 mil ingressos disponíveis para 86 das 104 partidas. Isso é apenas parte da história. Existem milhares de ingressos a mais no próprio site de venda da Fifa, com disponibilidade real, mas a um preço ainda mais alto – muitos provavelmente foram comprados para revenda, sem intenção de comparecer ao jogo. Então, algo estranho aconteceu. Em poucas horas, a TicketData relatou que o número de ingressos no site da Fifa, com preço original, caiu para menos da metade, para cerca de 32 mil. Na terça-feira (2/6), esse número havia caído para 22 mil, com 66 jogos à venda. Será que realmente houve um aumento repentino na demanda por esses jogos? A Fifa está tentando se livrar dos ingressos em sites secundários? A Fifa tem se esforçado para incentivar os torcedores a usarem seu próprio site para revender ingressos que não pretendam usar. O site oficial cobra uma taxa de 15% tanto do comprador quanto do vendedor. Em sua página de perguntas frequentes, a entidade máxima do futebol mundial afirma que "incentiva fortemente a compra de todos os tipos de ingressos" por meio de suas plataformas oficiais. A Fifa também alerta que ingressos comprados por outros meios "podem ser inválidos e estar sujeitos a cancelamento sem aviso prévio". Mas na terça-feira, logo após a queda no estoque no próprio site da Fifa, a disponibilidade no SeatGeek pareceu aumentar consideravelmente. Não se tratava apenas de assentos individuais aleatórios, mas de lotes de assentos em fileiras de blocos específicos. Isso foi destacado nas redes sociais e, em 24 horas, a disponibilidade no SeatGeek pareceu diminuir novamente. A TicketData afirma que, na quarta-feira, o número de ingressos no próprio site da Fifa voltou a subir para 37 mil. É impossível verificar quem listou os ingressos e por quê. Ou por que os números mudaram no site da Fifa. Além do SeatGeek, existem milhares de anúncios em sites como StubHub e VividSeats. Qualquer pessoa pode anunciar ingressos nesses sites externos, e os ingressos em si podem nem existir. O SeatGeek negou qualquer envolvimento direto, mas isso não significa que a Fifa, ou um de seus parceiros, não possa estar operando e anunciando ingressos de forma independente. Em um comunicado, a empresa afirmou: "O SeatGeek é um mercado confiável que oferece aos torcedores acesso seguro a ingressos para dezenas de milhares de eventos ao vivo, incluindo a Copa do Mundo. Não temos parceria ou acordo de distribuição com a Fifa." O StubHub North America, pertencente à Viagogo, também se distanciou do caso. "A Viagogo é um mercado seguro e regulamentado. Não possui qualquer relação com a Fifa", diz o comunicado. A Fifa foi contatada para comentar o assunto, mas, como tem acontecido durante todo o processo de venda de ingressos, não houve resposta. Há também outros indícios no SeatGeek. Em vez de o preço dos ingressos ser aleatório, parece que eles são definidos com preços regulares e que aumentam de fileira em fileira, ficando mais caros quanto mais perto da frente do campo. Observando dois setores atrás do gol para o jogo República Democrática do Congo x Uzbequistão, há 60 anúncios de ingressos múltiplos com preços entre US$ 250 (R$ 1.291) e US$ 296 (R$ 1.529) nos setores 102 e 103. Quando a Fifa lançou seus ingressos "frontais" mais caros em abril, deixou claro que considerava que quanto mais perto do campo, mais valioso o ingresso. O preço aumenta alguns dólares, fileira por fileira. Todos os preços estão bem abaixo do valor nominal de US$ 380 (R$ 1.963). Portanto, ou muita gente está perdendo muito dinheiro, ou é um plano para se livrar do estoque. Então, por que a Fifa estaria supostamente tentando vender ingressos nesses sites? A Fifa é como qualquer outra promotora. A última coisa que ela quer é um monte de assentos vazios – não apenas pela imagem, mas também porque qualquer assento vazio significa valor zero. Os números mostram que os torcedores não estão dispostos a pagar os altos preços dos ingressos para os jogos menos atrativos. A BBC Sport selecionou cinco partidas que normalmente teriam uma demanda menor e descobriu que os ingressos para os assentos mais desejáveis da arquibancada inferior estão agora bem abaixo do preço original. O jogo Jordânia x Argélia, em Santa Clara, na Califórnia, apresenta a maior queda. Dois ingressos comparáveis no bloco 121, com valor nominal de US$ 620 (R$ 3.202), podiam ser comprados por R$ 1.179 no próprio site de revenda da Fifa – 64% mais barato. No SeatGeek, os ingressos estavam listados por R$ 1.323 e, no StubHub, por 172 libras R$ 1.185. Para o jogo República Tcheca x África do Sul, os ingressos do bloco 122, com valor nominal de R$ 2.356, estavam abaixo de R$ 1.310 no SeatGeek e no StubHub. Isso indica que a Fifa não consegue manter o alto valor nominal em seu próprio site, o que leva à especulação de que esteja tentando vender os ingressos em outros lugares – sem reduzir os preços por conta própria. E, depois que os ingressos para o jogo das quartas-de-final do Mundial de Clubes do Chelsea contra o Palmeiras caíram para apenas R$ 56,32, os preços ainda podem estar longe de atingir o fundo do poço.
05/06/2026 22:02:18 +00:00
Estados americanos preparam ação para bloquear compra da Warner Bros pela Paramount

Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters Um grupo de estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, está preparando uma ação judicial para bloquear a aquisição da Warner Bros. pela Paramount Skydance ( PSKY.O ) por US$ 110 bilhões (R$563 bilhões, na cotação atual), disseram fontes informadas sobre o assunto à Reuters nesta sexta-feira (5). A ação judicial deverá ser protocolada nas próximas semanas, disseram as fontes. O caso representaria a medida mais ousada até o momento por parte dos estados em seus esforços para estarem na vanguarda da aplicação das leis antitruste nos EUA, visto que suas contrapartes, com mais recursos no governo Trump, adotam uma postura mais favorável aos negócios em relação à fiscalização. Analistas também consideram que a Paramount terá um caminho mais fácil para obter a aprovação dos órgãos reguladores antitruste federais nos EUA, em parte devido às suas conexões políticas. O pai do CEO da Paramount, David Ellison, o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle, tem conexões com o presidente Donald Trump. Agora no g1 As ações da Warner Bros caíram após a Reuters divulgar a notícia, e registravam queda de 3,6% na tarde de sexta-feira. As ações da Paramount ampliaram as perdas, com queda de 6,7%. Um porta-voz da Paramount disse que o acordo traria maior concorrência e que se opor a ele "significa dar a empresas consolidadas como a Netflix uma vantagem que elas não merecem". "Continuaremos a lutar contra qualquer tentativa de sabotar um acordo que beneficia claramente os consumidores, os criadores e a indústria como um todo", disse o porta-voz. Não ficou claro quais outros estados se juntariam ao processo. Um porta-voz do gabinete do Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, disse que a investigação estadual continua em andamento, mas se recusou a comentar mais. A transação proposta enfrentou resistência de atores, roteiristas e outros profissionais de Hollywood devido ao seu potencial para eliminar empregos. Hollywood e Wall Street têm acompanhado de perto o acordo de alto risco, que reuniria algumas das franquias mais duradouras da indústria do entretenimento. LEIA TAMBÉM: Paramount assina acordo de US$ 110 bilhões para comprar a Warner Estrelas de Hollywood assinam carta aberta contra fusão de Paramount e Warner Bros. Acionistas da Warner aprovam venda para a Paramount; veja os números A disputa pela Warner A disputa começou em dezembro de 2025, quando a Netflix firmou um acordo para comprar parte dos ativos da Warner, com foco nos negócios de estúdio e streaming. Em seguida, a Paramount entrou na negociação com uma proposta concorrente para adquirir a empresa inteira, incluindo os canais tradicionais. A proposta da Paramount prevê o pagamento de US$ 31 por ação e inclui a dívida da Warner. A empresa também se comprometeu a pagar uma multa maior caso o negócio seja barrado por autoridades regulatórias, numa tentativa de tornar a oferta mais atrativa para os acionistas. A oferta da Paramount avalia a Warner em cerca de US$ 110 bilhões, incluindo a dívida, enquanto a proposta da Netflix somava US$ 83 bilhões e excluía ativos como CNN e Discovery. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1 O que está em jogo O impacto da operação vai além do valor bilionário. A Warner concentra algumas das marcas mais valiosas da indústria do entretenimento, enquanto a Paramount busca ganhar escala para competir com gigantes como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming. 💰 Ao contrário da Netflix, a proposta da Paramount envolve todo o grupo Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, a HBO e outras redes de TV a cabo. 🗞️ Caso a operação seja aprovada, a família Ellison passará a controlar algumas das principais marcas do jornalismo nos EUA, como a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN. Com a incorporação dos ativos da Warner, a Paramount também ampliaria sua base de assinantes e fortaleceria sua presença em cinema, TV e plataformas digitais. Analistas avaliam que o movimento pode criar um grupo com catálogo mais robusto, maior poder de negociação e mais recursos para produção de conteúdo.
05/06/2026 19:00:09 +00:00
Lula sanciona lei que permite renovação automática da CNH de bons condutores

Congresso aprova renovação automática da CNH de bons condutores, mas com exame médico O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, sem vetos, a lei que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de motoristas sem infrações de trânsito sujeitas a pontuação. O motorista que não tiver cometido nenhuma infração de trânsito nos 12 meses anteriores ao vencimento da sua carteira de habilitação é considerado um bom condutor (veja mais detalhes abaixo). A lei, que altera o Código de Trânsito Brasileiro, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (5). A proposta, de autoria do governo federal, já estava em vigor desde a publicação de uma medida provisória em dezembro de 2025. Pelo texto original, os condutores estavam dispensados de todos os procedimentos previstos no Código de Trânsito Brasileiro, incluindo o exame médico. O Congresso Nacional, no entanto, retomou a obrigatoriedade do exame de aptidão física e mental para a renovação da habilitação, mesmo para os bons condutores. Com a sanção da lei, o exame de aptidão física e mental volta a ser exigido. Renovação automática da CNH é usada como isca em golpe digital. Redes sociais/ Reprodução Agora de forma permanente com a publicação da lei, a emissão do documento em meio físico passa a ser uma escolha do condutor, e não mais uma obrigação. Quem quiser a CNH física deve ir a uma unidade do Detran. Nesse caso, o serviço será pago. Além disso, haverá um preço público nacional para os exames de aptidão física, mental e psicológica, fixado pelo órgão máximo executivo de trânsito da União, em substituição às tabelas estaduais. Os condutores com multa nos 12 meses anteriores ao vencimento da carteira ainda precisam agendar exames e pagar taxas para renovar o documento. Primeira habilitação A lei também confirma as mudanças propostas pelo governo para tirar a primeira habilitação nas categorias A (motocicletas) e B (veículos de passeio). O curso teórico deixa de ser uma exclusividade das autoescolas. De acordo com as novas regras, os futuros motoristas vão poder escolher como se preparar para tirar a CNH, se por meio do conteúdo teórico gratuito disponível na plataforma digital, se em uma autoescola tradicional, ou combinando as duas opções. O aluno não será mais obrigado a cumprir 45 horas de aula teórica. No caso das aulas práticas, o novo condutor pode optar por uma autoescola ou contratar um instrutor autônomo credenciado pelo Detran. Se essa for a opção, o veículo utilizado nas aulas poderá ser disponibilizado pelo instrutor de trânsito ou pelo próprio candidato. A carga horária mínima de 20 horas-aula não será mais exigida. Bom condutor O motorista precisa, segundo a lei, cumprir alguns critérios para ser considerado um “bom condutor”. São eles: 🪪 Não ter pontos registrados na CNH nos últimos 12 meses; 🚨 Não ter infrações de trânsito registradas no documento no mesmo período; 📝 Estar cadastrado no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). De acordo com Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), desde a publicação da medida provisória, agora transformada em lei, as novas regras de renovação já beneficiaram 2 milhões de motoristas, que tiveram suas CNHs renovadas automaticamente. Como aderir Para aderir ao Cadastro do Bom Condutor e ter a CNH renovada de graça, o motorista deve: Abrir o aplicativo CNH Brasil; Selecionar a opção “Condutor”; Acessar “Cadastro Positivo”; Tocar em “Autorizar participação”.
05/06/2026 17:16:18 +00:00
Bitcoin cai abaixo de US$ 60 mil, a primeira vez desde outubro de 2024

Ilustração mostra representação de bitcoin. Dado Ruvic/ Reuters A cotação do bitcoin caiu para um valor abaixo de US$ 60 mil, o menor desde outubro de 2024, nesta sexta-feira (5). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A criptomoeda caiu cerca de 6% por volta das 13h15 do horário de Brasília, para US$ 59,7709. Desde a confirmação da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2024, o bitcoin e outras criptomoedas dispararam. Um mês após a vitória do empresário republicano nas urnas, visto como um grande incentivador do setor, o bitcoin — a criptomoeda de maior valor de mercado — chegou a superar pela primeira vez a marca de US$ 100 mil (R$ 526 mil), um recorde celebrado publicamente por Trump. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Fiel à reputação de forte oscilação, o bitcoin voltou a subir e alcançou a cotação recorde de US$ 126.251,31 (R$ 665 mil), antes de passar por uma queda. Desde o começo deste ano, no entanto, o bitcoin vem sendo afetado por um clima mais pessimista em vários mercados, especialmente pelas ações do setor de tecnologia e também do mercado de metais preciosos. Além disso, a criptomoeda enfrenta incertezas sobre regras do setor, diante da análise de um projeto sobre moedas digitais nos Estados Unidos, a chamada Lei CLARITY, que está travada no Senado. “Os avanços esperados em relação à lei não vieram”, afirma James Butterfill, analista da CoinShares.
05/06/2026 16:27:39 +00:00
Erro no site da Fifa libera ingressos grátis para a Copa, torcedores resgatam e entidade exige pagamento

Golpistas clonam site da FIFA para enganar brasileiros em busca de ingressos pra Copa Um problema no site da Fifa fez com que ao menos 60 pessoas resgatassem ingressos para jogos da Copa do Mundo de 2026 por R$ 0, segundo informações da emissora britânica Sky News. A Fifa confirmou que as entradas foram emitidas sem custo devido a um erro no processo da compra. A entidade afirmou ainda que os torcedores foram avisados de que precisarão concluir a compra pelo valor correto, que não foi divulgado. Golpistas clonam site da FIFA para enganar brasileiros em busca de ingressos "A FIFA pode confirmar que aproximadamente 60 torcedores da Copa do Mundo FIFA 2026 receberam uma comunicação na quarta-feira, 3 de junho, sobre ingressos que haviam sido disponibilizados gratuitamente (0 USD) devido a um problema de pagamento anterior durante o processo de checkout", disse em comunicado. "Os ingressos solicitados por esses fãs continuam reservados, e os torcedores afetados foram convidados a concluir o pagamento do valor correto", completou. Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, na Flórida, uma das sedes da Copa do Mundo de 2026 e palco do terceiro jogo do Brasil na competição Nathan Ray Seebeck-USA TODAY Sports/Reuters/Arquivo Segundo a BBC, a Fifa deu sete dias para que esses torcedores concluam a compra. Caso contrário, os ingressos serão cancelados e disponibilizados novamente para venda. A BBC lembra que a Fifa vem sofrendo vários críticas após implementar, pela primeira nesta, a política de "preços dinâmicos" para ajustar os valores dos ingressos com base na demanda. Os valores de vários jogos explodiram ao longo dos últimos meses. Espanha x Uruguai, por exemplo, o ingresso mais barato passou do equivalente a R$ 600 para R$ 1.575. O mais caro da final agora está custando cerca de R$ 55 mil. LEIA TAMBÉM: Site rastreia jatos de super-ricos para 'prever o apocalipse' Dona do Claude sugere pausa no desenvolvimento da IA Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil; veja preço e recursos exclusivos Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos
05/06/2026 14:25:26 +00:00
Dólar sobe e fecha a R$ 5,15, no maior nível em dois meses; Ibovespa cai aos 169 mil pontos

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (5) em alta de 1,78%, cotado a R$ 5,1566 — maior patamar desde 2 de abril, quando fechou em R$ 5,1594 . Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,77% e fechou aos 169.019 pontos, abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os novos dados de emprego dos Estados Unidos ficaram no centro das atenções nesta sexta-feira. Segundo informações do Departamento de Trabalho americano, o país registrou uma forte criação de empregos em maio, com 172 mil novas vagas no mês, bem acima do esperado pelo mercado, de 85 mil novos postos. 🔎 O dado é importante porque reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (banco central americano) deve manter os juros nos EUA em níveis elevados para controlar a inflação. Entenda mais. ➡️ A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país. ▶️ As tensões no Oriente Médio também influenciaram os mercados financeiros. Nesta sexta-feira, o Líbano acusou o Irã de usar o país como "moeda de troca" nas negociações com os EUA. O país voltou a sofrer ataques aéreos de Israel e, há quatro dias, o porta-voz da diplomacia de Teerã condicionou qualquer tipo de acordo com o governo americano à interrupção dos bombardeios israelenses no território libanês. Mesmo assim, os preços do petróleo caíam no mercado internacional. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 2,16%, cotado a US$ 92,98. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 2,96%, a US$ 90,29 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,26%; Acumulado do mês: +2,26%; Acumulado do ano: -6,05%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -2,74%; Acumulado do mês: -2,74%; Acumulado do ano: +4,90%. Emprego e juros nos EUA A economia americana registrou mais um mês de alta do emprego em maio, confirmando que o mercado de trabalho segue forte. Segundo dados do Departamento de Trabalho dos EUA, o país registrou um aumento de 172 mil vagas não agrícolas no mês passado. O resultado representa uma desaceleração em comparação a abril, quando o país registrou 179 mil novos postos (número revisado), mas ainda marca um resultado bem acima do esperado pelo mercado, que projetava a criação de 85 mil vagas. Por que o número é importante? Dados fortes de emprego nos EUA indicam que o mercado de trabalho está aquecido e podem pressionar a inflação americana para cima. Com isso, a tendência é que o Fed, banco central do país, mantenha os juros elevados por mais tempo, para tentar conter os preços. O cenário de juros altos nos EUA, por sua vez, tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança. Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair. Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia. Impasse no Oriente Médio continua Mais de três meses depois que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, o conflito está em um impasse. (acompanhe os principais acontecimentos) Nesta semana, o conselheiro militar do líder supremo do Irã também alertou para a possibilidade de mais ataques com mísseis e drones caso os Estados Unidos renovem seus ataques contra o Irã. "Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones", publicou Mohsen Rezaei no X, acrescentando que "o agressor será punido rapidamente". A ameaça veio na sequência de ataques dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios contra o Kuwait e o Bahrein. O ataque causou estragos no aeroporto do Kuwait, deixando 1 morto e mais de 60 feridos. Já o presidente Trump, por sua vez, se mostrou otimista em relação às negociações — mesmo em meio às violações do cessar-fogo. Segundo o presidente americano, o Irã teria concordado em não ter armas nucleares. Trump ainda destacou que o líder supremo iraniano, Motjaba Khamenei, está envolvido nas negociações e disse querer conhecê-lo em algum momento. Além disso, os ataques entre Líbano e Israel também ficaram no centro do debate geopolítico. Nesta semana, o Irã condicionou qualquer acordo com os EUA a um cessar-fogo na região. O presidente Trump chegou a afirmar, na última quarta-feira, que os dois países haviam acordado com uma trégua. Poucas horas depois do anúncio, no entanto, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas em território libanês. Mercados globais Os novos dados de emprego dos EUA e as tensões no Oriente Médio também se refletiam nos mercados globais. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em forte queda nesta sexta-feira. O Dow Jones caiu 1,35%, enquanto o S&P 500 recuou 2,43% e o Nasdaq Composite teve perdas de 4,18%. Já na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,3% na sessão, para 622,66 pontos, e acumula queda de 0,5% na semana. Entre os principais índices da região, o alemão DAX caiu 0,75%, enquanto o francês CAC-40 recuou 0,32% e o britânico FTSE 100 ganhou 0,07%. Na Ásia, as bolsas da China fecharam a semana em queda, conforme investidores realizavam lucros em ações de inteligência artificial. O índice de Shanghai Composite recuou 0,7%, enquanto o CSI 300 perdeu 1,8%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,5%. O Nikkei, do Japão, recuou 1,6% e o Kospi, da Coreia do Sul, com forte presença de ações do setor de tecnologia, despencou 7%. Notas de dólar. Rick Wilking/Reuters
05/06/2026 13:51:30 +00:00
Dona do Claude sugere pausa no desenvolvimento da IA por risco de sistemas saírem do controle humano

Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT A empresa de IA Anthropic propôs uma pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes, diante de sinais de que os modelos mais recentes poderiam escapar do controle humano. Desenvolvedora dos modelos de IA do Claude, a empresa, sediada em San Francisco (EUA), destacou em um relatório que a desaceleração mundial no desenvolvimento da IA de ponta poderia ser "uma boa ideia", mas alertou que, se apenas uma empresa diminuir o ritmo, ela pode simplesmente ser ultrapassada pela concorrência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Acreditamos que seria bom para o mundo ter a opção de reduzir ou pausar temporariamente o desenvolvimento da IA, para permitir que as estruturas sociais e a pesquisa de alinhamento sigam o ritmo do avanço da tecnologia", manifestou a Anthropic. Uma pausa real significaria grandes empresas de IA em vários países, principalmente China e Estados Unidos, concordando em parar ao mesmo tempo, sob regras que todos pudessem verificar, ressaltou a Anthropic. IA Claude Unsplash/Aerps "Sem um mecanismo de coordenação global, empresas e governos terão que tomar decisões difíceis sobre segurança enquanto enfrentam pressões competitivas e geopolíticas." A proposta enfrenta uma batalha difícil em Washington e no Vale do Silício. Funcionários americanos e executivos de grandes empresas de tecnologia argumentam que desacelerar o desenvolvimento da IA poderia dar à China uma vantagem significativa. O presidente Donald Trump, no entanto, assinou nesta semana um decreto que permitirá ao governo fazer avaliações preliminares dos modelos de IA mais poderosos de empresas americanas antes do seu lançamento. A Anthropic indicou que espera reunir nos próximos meses funcionários do governo, cientistas, grupos de defesa e empresas concorrentes para definir como esse sistema funcionaria. O chamado à coordenação surge no momento em que dados internos mostram que a IA acelera de forma dramática seu próprio desenvolvimento, destacou a Anthropic. A empresa alertou que essa aceleração criaria um ciclo de retroalimentação que poderia levar ao que pesquisadores chamam de "melhora recursiva de si mesma", o que se refere à ideia de que um sistema de IA poderia ser capaz de ensinar a si próprio a se tornar mais inteligente. A Anthropic negou que esse ponto seja inevitável, mas ressaltou que "as evidências sugerem que o papel humano está diminuindo em cada etapa do processo de desenvolvimento da IA". LEIA TAMBÉM: Site rastreia jatos de super-ricos para 'prever o apocalipse' Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil; veja preço e recursos exclusivos WhatsApp lança filtros e figurinhas para a Copa do Mundo; veja como usar Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios Instants:como funciona o novo recurso do Instagram
05/06/2026 13:31:52 +00:00
Portaria do INSS autoriza adequação de servidores para reforçar setor que avalia pedidos de BPC

Uma portaria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) autorizou a adequação funcional de 80 assistentes e analistas para reforçar o setor da autarquia que avalia pedidos de benefícios sociais e previdenciários de pessoas com deficiência, caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Conforme a portaria, assinada no dia 27 de maio, servidores formados em Serviço Social que atualmente atuam na área que treina e prepara pessoas com incapacidade temporária para voltar a trabalhar (Serviço de Reabilitação Profissional) poderão ser remanejados para a realização de Avaliações Sociais. A portaria tem prazo de 90 dias, que poderá ser renovado por mais 45 dias. O documento estabelece que serão reforçadas as seguintes superintendências regionais: Nordeste: 30 servidores Norte/Centro-Oeste: 13 Sudeste I: 12 Sudeste II: 13 Sudeste III: 7 Sul: 5 Governo bloqueia R$ 22,1 bilhões do orçamento após projetar gasto maior com BPC Conforme a portaria, a adesão dos dos servidores à adequação funcional será voluntária, com prioridade para aqueles: com perfil para a realização de atendimento remoto; que já participem do Programa de Gerenciamento de Benefícios; que não exerçam atuação híbrida entre o Serviço de Reabilitação Profissional e o Serviço Social. Associação critica A Associação Nacional dos Analistas do Seguro Social (Anaseg) criticou a portaria, afirmando que a medida prejudica e deixa descoberta a área que treina e prepara pessoas com incapacidade temporária para o retorno ao trabalho. A Anaseg afirma que o caminho para enfrentar as filas do INSS não é o deslocamento de servidores de uma área para outra, mas "ampliar" a força de trabalho e fortalecer os serviços. A entidade afirma que a portaria do INSS fragiliza a o serviço de reabilitação profissional e que cobrará do governo "uma solução estrutural para a recomposição dos quadros" de servidores. “Não se combate uma fila criando outra fila invisível. A Reabilitação Profissional precisa ser fortalecida, não desmontada”, conclui a entidade. Manutenção do Bolsa Família durante análise do BPC Na última terça-feira (2) começou a valer uma outra regra, que permite a manutenção de beneficiários no Bolsa Família até que seja concluída a análise pelo governo de pedidos de BPC. A medida criou uma espécie de "período de transição" entre os dois benefícios e permite que o pedido do BPC siga para análise mesmo se a renda da família superar o valor permitido em função do Bolsa Família. Veja as regras básicas para a concessão do BPC: ter renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo; ter idade igual ou superior a 65 anos ou alguma deficiência verificada por meio de avaliação biopsicossocial; estar inscrito no Cadastro Único, com CPF de todos os integrantes da família e demais informações atualizadas; possuir registro biométrico na Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou, transitoriamente, no Título de Eleitor ou na Base da Polícia Federal; e morar no Brasil. Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
05/06/2026 12:54:19 +00:00
Como cultivar morango?

Morango Sul de Minas EPTV/Reprodução Precisa de orientações sobre como cultivar morango? A recomendação é a publicação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O material traz todos os detalhes sobre os tipos de canteiro que podem ser utilizados, as variedades para plantio, o espaçamento ideal e os cuidados necessários para evitar as pragas e doenças mais comuns da cultura. 📱Acesse aqui O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar
05/06/2026 10:19:05 +00:00
PIX x Zelle: veja as diferenças entre os sistemas de pagamento do Brasil e dos EUA

PIX x Zelle: entenda a diferença entre os dois sistemas de pagamentos O Zelle, sistema de pagamentos dos Estados Unidos, ficou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quinta-feira (4), após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro compará-lo ao PIX em entrevista à rádio TMC. A declaração ocorre em meio a críticas do governo Donald Trump ao modelo brasileiro, com acusações de que o país favorece a ferramenta em detrimento de empresas americanas. (entenda mais abaixo) Mas afinal, qual é a diferença entre os dois sistemas? Veja abaixo: PIX x Zelle Reprodução/GloboNews Público x privado O PIX é um sistema de pagamentos instantâneos público. A ferramenta foi desenvolvida e lançada pelo Banco Central do Brasil em 2020. O BC também é responsável pela regulação e pela infraestrutura tecnológica necessária para o funcionamento do sistema. Já o Zelle — cuja pronúncia é “Zell” — foi lançado em 2017 e é uma iniciativa privada do sistema bancário dos Estados Unidos. O sistema foi criado pela Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos dos Estados Unidos, como Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo. Integração limitada Embora o Banco Central estude permitir transferências diretas do PIX para contas no exterior, o sistema brasileiro — assim como o americano — ainda está limitado a operações entre contas nacionais. A principal diferença, portanto, está no grau de integração com o sistema financeiro. Enquanto o PIX funciona em qualquer banco, fintech ou instituição financeira autorizada pelo Banco Central, o Zelle é restrito às instituições participantes do sistema. Segundo dados oficiais, o Zelle está disponível em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito. De acordo com informações do Banco Central, o PIX é usado por cerca de 80% da população brasileira, o que representa mais de 170 milhões de pessoas físicas do país. O gráfico abaixo mostra a movimentação financeira em PIX nos últimos cinco anos. Uso no dia a dia Enquanto o Zelle é voltado principalmente para transferências entre pessoas e transações de pequenas empresas, o PIX pode ser usado em diversas situações do dia a dia. Segundo o Banco Central, além de transferências entre pessoas, o PIX também pode ser usado para: pagamentos em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços; pagamentos entre empresas; recolhimento de receitas públicas e contribuições; e pagamento de cobranças e faturas, como contas de serviços públicos. Além disso, o PIX é gratuito para pessoas físicas e costuma ter custo mais baixo para empresas. Já o Zelle pode ou não ser gratuito, a depender das tarifas cobradas pelo banco ou cooperativa de crédito. De acordo uma pesquisa realizada no terceiro trimestre do ano passado, no entanto, "quase todos" os bancos e cooperativas que disponibilizam o sistema não cobram taxas de consumidores. Por fim, enquanto o PIX é instantâneo, o Zelle pode levar alguns minutos para que o valor fique disponível ao destinatário. Dá pra cancelar um pagamento? Segundo o site oficial do Zelle, o usuário só pode cancelar um pagamento se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma. “Se o destinatário já estiver cadastrado no Zelle, o dinheiro será enviado diretamente para a conta bancária dele e não poderá ser cancelado”, alerta o site. Já o PIX conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), usado para ajudar vítimas de fraude. O Banco Central ressalta, no entanto, que a ferramenta não garante o ressarcimento. “A recuperação depende da análise do caso e da existência do saldo na conta do recebedor ou de demais envolvidos na fraude”, diz o BC. No caso de transferências feitas por engano, não há normas específicas do Banco Central ou do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre devolução. Ainda assim, o BC lembra que o Código Penal trata da apropriação indevida e orienta os consumidores a procurar o banco para tentar reaver o dinheiro. O PIX também conta com uma funcionalidade que permite ao recebedor devolver valores enviados por engano diretamente pelo aplicativo do banco. LEIA TAMBÉM BC favorece o PIX? Entenda por que o sistema de pagamento está na mira de Trump Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? EUA propõem sobretaxa a 60 países por falha no combate ao trabalho forçado; Brasil está na lista
05/06/2026 08:05:15 +00:00
Brasil, França ou Espanha? Seleção de R$ 9 bilhões é a mais valiosa da Copa; veja ranking

Ruas do Rio são enfeitadas para Copa do Mundo Os jogadores mais valorizados do planeta, distribuídos entre 48 seleções, começam em 11 de junho a disputa da Copa do Mundo de 2026. A França, dona de um elenco cheio de estrelas, lidera não só o ranking da FIFA — que classifica as seleções de acordo com o desempenho internacional —, mas também a lista das equipes mais valiosas do Mundial. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Juntos, os atletas franceses convocados para a competição somam 1,53 bilhão de euros em valor de mercado — o equivalente a R$ 9 bilhões pela cotação de 28 de maio. Em seguida aparece a Inglaterra, com 1,32 bilhão de euros, ou R$ 7,78 bilhões. O Brasil ocupa a sexta posição entre as seleções mais valiosas, com 912,2 milhões de euros em valor de mercado (R$ 5,37 bilhões). Além de França e Inglaterra, a seleção brasileira fica atrás de Espanha, Portugal e Alemanha. (veja o ranking completo abaixo) 🔎 Os valores têm como base dados do site Transfermarkt, especializado em estimativas de valor de mercado no futebol. A plataforma calcula os valores dos atletas com base na demanda do mercado e considera fatores como taxas de transferência, idade, desempenho, potencial futuro, salário e tempo de contrato dos jogadores. Veja os detalhes abaixo: Ranking de seleções mais valiosas da Copa Arte/g1 Os dados também mostram quais são os jogadores mais valiosos de cada seleção. Entre os destaques estão o francês Kylian Mbappé, o espanhol Lamine Yamal e o norueguês Erling Haaland. Cada um tem valor de mercado estimado em 200 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão). O brasileiro mais valorizado é o atacante Vini Jr., estimado em 150 milhões de euros (R$ 882,5 milhões). Juntos, todos os jogadores convocados das dez equipes somam mais de R$ 57 bilhões em valor de mercado. Veja os jogadores mais caros de cada uma delas: Kylian Mbappé (França) — R$ 1,17 bilhão Lamine Yamal (Espanha) — R$ 1,17 bilhão Erling Haaland (Noruega) — R$ 1,17 bilhão Vini Jr. (Brasil) — R$ 882,5 milhões Jude Bellingham (Inglaterra) — R$ 823,7 milhões João Neves (Portugal) — R$ 823,69 milhões Vitinha (Portugal) — R$ 823,69 milhões Florian Wirtz (Alemanha) — R$ 647,2 milhões Ryan Gravenberch (Holanda) — R$ 529,5 milhões Enzo Fernández (Argentina) — R$ 529,5 milhões Julián Álvarez (Argentina) — R$ 529,5 milhões Jérémy Doku (Bélgica) — R$ 382,4 milhões LEIA TAMBÉM: Convocação vale publi? Como Neymar e outros atletas da seleção podem lucrar após lista da Copa O troféu da Copa do Mundo da FIFA é exibido no Canadá. IMAGN IMAGES via Reuters
05/06/2026 07:01:11 +00:00
O que a SpaceX espera ao estrear na bolsa de valores — e como ela pode fazer de Elon Musk o primeiro trilionário

A SpaceX contrói e opera os foguetes e a infraestrutura de lançamento que dão suporte à sua subsidiária Starlink Getty Images A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, divulgou um preço sugerido por ação antes de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Caso saia pelo valor estimado, seria a maior IPO da história. Em um documento que detalha os planos para a operação, a SpaceX informou que cada ação deve sair por US$ 135 (cerca de R$ 686), elevando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,75 trilhão, ou aproximadamente R$ 8,9 trilhões. Anunciar um preço estimado com tanta antecedência é algo incomum, e o valor representa um aumento expressivo em relação à avaliação de mercado anterior da empresa, de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,4 trilhões), feita no início deste ano. China e SpaceX aceleram corrida espacial A divulgação não significa que as ações serão vendidas pelo preço proposto, já que isso será decidido pelos compradores. O valor pode subir ou cair. A SpaceX fabrica foguetes, oferece um serviço de internet via satélite chamado Starlink e também é dona da empresa de inteligência artificial xAI. Em geral, as empresas só divulgam o preço das ações no dia anterior ao início das negociações na bolsa de valores. A SpaceX deve começar a ser negociada na bolsa Nasdaq em 12 de junho, o que faz da sua estimativa de preço uma das mais antecipadas, se não a mais antecipada, da história do mercado de ações. A empresa pretende captar US$ 75 bilhões (R$ 381 bilhões), o que seria um recorde para um IPO. O atual recorde pertence à gigante do petróleo saudita Saudi Aramco, que captou US$ 25,6 bilhões em 2019. Se as ações da empresa forem vendidas pelo preço estimado de US$ 135 ou acima desse valor, a SpaceX se tornará imediatamente uma das empresas mais valiosas do mundo. Com isso, Elon Musk, que controla mais de 80% da SpaceX por meio de suas próprias ações na companhia, poderia se tornar trilionário. Mas esse resultado não é garantido. Segundo dados da Dealogic, empresa de pesquisa sobre mercados de capitais, em quase metade das companhias que abriram capital nos últimos 30 anos, o valor caiu em relação ao da estreia. "Não há dúvida de que a avaliação é incrivelmente alta", disse Samuel Kerr, diretor de pesquisa de mercados de capitais da Mergermarket. Elon Musk deve se tornar a pessoa mais rica do mundo com a estreia da SpaceX na bolsa de valores REUTERS Ele observou que a relação entre o preço da SpaceX e suas vendas é maior do que a de qualquer outra grande empresa do grupo que os investidores chamam de "Mag 7" — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Nvidia, Microsoft e Tesla, outra empresa de Musk. "Mas a SpaceX está sendo avaliada com base em receitas e lucros futuros, e não no presente, e alguns investidores podem estar dispostos a ignorar isso", acrescentou Kerr. Em 2025, a Space Exploration Technologies, nome oficial da SpaceX, teve receita de US$ 18,6 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. Nos três primeiros meses deste ano, as vendas somaram US$ 4,7 bilhões, mas a empresa teve prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões. Segundo o balanço da empresa, a SpaceX possui US$ 102 bilhões ativos, como foguetes e outros equipamentos, mas também US$ 60,5 bilhões em dívidas. Além da exploração espacial, a empresa investe pesado em inteligência artificial (IA), redes sociais, serviços de internet via satélite e centros de dados. No início deste ano, a SpaceX comprou a xAI, outra empresa de Musk, conhecida por seu chatbot Grok. A xAI começou como parte do X, antigo Twitter, e usava o acesso aos textos e informações em tempo real da plataforma para treinar sua inteligência artificial. Há anos, Musk defende que desenvolver infraestrutura no espaço é a melhor forma de garantir os recursos necessários para sustentar o funcionamento da IA, já que há escassez de terra disponível no planeta. Ele já apresentou planos para lançar satélites de IA e, no futuro, construir centros de dados em órbita. "A SpaceX já foi uma empresa simples. Era uma empresa de lançamentos, depois também provedora de internet por satélite, e agora é uma empresa de redes sociais e um laboratório de IA", disse Laurence Pevsner, sócio da empresa de capital de risco Lux Capital, à BBC. "O laboratório de IA é o que realmente está elevando a avaliação, e acho que essa é uma aposta arriscada para os acionistas", acrescentou. O movimento da SpaceX ocorre no momento em que outras gigantes da tecnologia buscam captar mais recursos para financiar seus investimentos em IA. No início desta semana, a empresa de IA Anthropic revelou seus planos para uma oferta pública de ações ainda neste ano, enquanto a Alphabet, dona do Google, anunciou que pretende captar US$ 80 bilhões para investir em IA. A OpenAI também avalia abrir capital ainda este ano, de acordo com a imprensa.
05/06/2026 07:01:00 +00:00
Pequenos insetos, grandes negócios: mulheres transformam hobby por abelhas em fonte de renda no ES

Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no ES A técnica de enfermagem Kátia dos Santos poderia ter desistido das abelhas após sofrer um choque anafilático causado por uma picada do inseto. O quadro foi tão grave que ela precisou passar por dois anos de tratamento. Mas abandonar a atividade nunca foi uma opção. "Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura". Cinco anos depois de deixar a área da saúde, Kátia trabalha com a criação de abelhas, produz cosméticos feitos com mel, própolis e outros produtos das colmeias, e também percorre diferentes estados capacitando produtores e pessoas interessadas em investir na atividade, como hobby ou fonte de renda. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp "Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Eu tomava o próprio veneno da abelha uma vez por semana em forma de injeção. Fui persistente. Tem que gostar. Porque depois que você entra nessa área, não quer mais sair", contou Kátia Abelha, como é conhecida em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo. Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo Ricardo Medeiros/Rede Gazeta A história dela é um dos exemplos de como mulheres de diferentes profissões transformaram a criação de abelhas em empreendedorismo e mudança de vida. A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel, a advogada Eva Pires Dutra, a fisioterapeuta Giovana Branco e a própria Kátia seguiram caminhos diferentes até chegar ao mesmo destino: encontraram nas abelhas uma nova possibilidade de negócio. Em comum, todas elas investiram em conhecimento antes de transformar a atividade em fonte de renda. A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o 1º contato com abelhas há mais de uma década Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Da programação para a meliponicultura A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o primeiro contato com abelhas há mais de uma década, após se mudar para uma casa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. O que começou como um interesse pessoal e uma válvula de escape para o dia a dia logo se transformou em uma atividade que hoje ocupa boa parte da sua rotina. "Sou da área de programação, não tem nada a ver com natureza. Mas fui me envolvendo e me apaixonando por esse mundo das abelhas", contou. Mulheres fazem sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta LEIA TAMBÉM: X-BOLO: Doce viraliza nas redes e promete aumentar vendas de confeiteiras no ES FÉ QUE SUSTENTA: Festa da Penha movimenta turismo e transforma rotina de empreendedores 'CPF CAPIXABA': quase 100 baleias-jubarte nasceram no litoral do ES em 2025, mostra pesquisa inédita Ao longo dos anos, ela buscou cursos de capacitação, porque não bastava apenas gostar da atividade. Ela também participou de treinamentos oferecidos por associações do setor e passou por programas de empreendedorismo. Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio e sonha em criar uma agroindústria familiar. Além da produção de mel, Luana investe em sabonetes, velas, bebidas artesanais e outros produtos derivados das abelhas. Também atua como educadora ambiental, levando conhecimento sobre as abelhas nativas sem ferrão para escolas. Segundo ela, a participação na Associação de Meliponicultores Capixabas foi fundamental para ampliar o conhecimento técnico e enxergar novas oportunidades de negócio. "As abelhas mudaram completamente a minha vida. Esses bichinhos tão pequenos fizeram coisas grandiosas e mudaram minha rota", afirmou. Luana destacou ainda que o mercado tem valorizado cada vez mais produtos artesanais e sustentáveis, o que foi incentivo a mais para empreender na área. "As pessoas querem saber a origem do que consomem. Quando você une conservação ambiental, produção artesanal e qualidade, o produto ganha valor", disse. Advogada Eva Pires Dutra começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo Ricardo Medeiros/Rede Gazeta O hobby que pode virar negócio A advogada Eva Pires Dutra, de 53 anos, representa outra etapa dessa jornada empreendedora. Há cerca de um ano e meio, começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do estado. A produção ainda é pequena e voltada ao consumo próprio, mas os planos já incluem a comercialização de mel e própolis. "Hoje, ainda é mais um hobby, mas o objetivo é ter uma produção comercial de mel e própolis", afirmou ela, já pensando lá na frente. Para se preparar, Eva buscou capacitações e passou a participar de grupos de criadores. Segundo a advogada, a troca de experiências com outros produtores tem sido tão importante quanto os cursos. "Aprendo muito com outros criadores. A troca de experiências é muito importante e nos faz crescer de forma consistente na atividade", disse. Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Ela explicou que a principal dificuldade está no tempo necessário para consolidar a produção. "A produção de abelha sem ferrão é pequena. É preciso formar várias colônias para alcançar uma quantidade que permita comercialização." Mesmo assim, acredita que a atividade tem potencial econômico e ambiental. "A meliponicultura é promissora não apenas pela venda de mel, própolis e outros produtos, mas também pelos serviços de polinização. Onde têm abelhas, a produção aumenta", destacou. Fisioterapeuta Giovana Branco superou o esgotamento profissional criando uma empresa de apicultura Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Uma nova carreira após o esgotamento profissional A fisioterapeuta Giovana Branco chegou à apicultura em um momento de mudança de vida. Após enfrentar um quadro de esgotamento profissional, ela começou a buscar alternativas ligadas à saúde, ao bem-estar e ao uso de produtos naturais. "Eu comecei a buscar algo mais natural para orientar meus pacientes. Foi assim que conheci o própolis verde e me interessei pelas abelhas", contou. O interesse inicial se transformou em negócio. Para estruturar a atividade, Giovana buscou mentorias, cursos técnicos e programas de capacitação voltados ao empreendedorismo. Ela criou a empresa, montou uma estrutura de produção e conquistou certificações para comercializar os produtos. O resultado veio rapidamente. Em um concurso realizado durante o Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores, em Florianópolis, o mel produzido pela empresa conquistou o terceiro lugar nacional. "Foi um orgulho enorme. A gente concorreu com produtores do Brasil inteiro. Isso mostrou que é possível crescer quando existe dedicação e capacitação", afirmou. Para Giovana, a busca por conhecimento é permanente. Ela acredita que a atividade pode representar uma oportunidade para outras mulheres que desejam empreender. "A apicultura e a meliponicultura são atividades sustentáveis e lucrativas. O mel é só o começo. Existem muitas possibilidades de trabalhar com os produtos das abelhas", afirmou. Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo Arquivo pessoal De aluna a instrutora Se para algumas dessas mulheres a criação de abelhas começou como hobby ou complemento de renda, para Kátia a atividade acabou se transformando em uma nova profissão em São Domingos do Norte, onde mora. Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos. Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha. "A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas", explicou a empreendedora. Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo Arquivo Pessoal Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como "Juliano Abelha", ela transformou a atividade em um negócio familiar. Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área. Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura. A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão. Rotina da 'Família Abelha' passou a girar em torno das abelhas no Espírito Santo Arquivo Pessoal Abelhas movimentam outras cadeias produtivas O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais. Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon. "As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon", explicou Gonçalves. Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores. "Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida", afirmou. O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas. Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal 'Abelha'. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade. "A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade", disse. Kátia e Juliano Abelha criam e dão aulas sobre abelhas no Espírito Santo Arquivo Pessoal Capacitação transforma interesse em negócio O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado. "A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via", explicou. Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino. "Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais", afirmou. O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores. "Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios", destacou. Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Conhecimento como ponto de partida Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo. Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio. Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira. Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas. Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
05/06/2026 07:00:40 +00:00
Site rastreia jatos de super-ricos para 'prever o apocalipse'

Site rastreia jatos de super-ricos para 'prever o apocalipse' Unsplash/Niklas Jonasson A ideia é simples, talvez óbvia. Se o fim do mundo estiver se aproximando – ou ao menos um ataque nuclear ou uma crise civilizatória –, os super-ricos provavelmente ficarão sabendo antes. Não por fazerem parte de uma conspiração, mas porque costumam estar mais próximos dos centros onde circula informação estratégica. Se eles souberem, subirão em seus jatos particulares. E, se todos subirem ao mesmo tempo, os dados vão mostrar isso. Essa foi a intuição de Kyle McDonald, programador e artista de Los Angeles, nos EUA, que levou a ideia para a era dos dados e da aviação privada. O resultado é seu Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, um rastreador de movimentos de jatos privados no mundo todo, que McDonald interpreta como um possível sinal de inquietação – ou até de pânico – entre as elites globais. "Se uma catástrofe global de verdade estivesse para acontecer, seus amigos provavelmente ficariam sabendo primeiro", escreveu McDonald ao portal de tecnologia Business Insider. Agora no g1 Como funciona o rastreador de jatos privados Segundo a revista Vice, o sistema monitora uma rede mundial de receptores de rádio que captam sinais ADS-B – os mesmos que transmitem em tempo real a posição, velocidade e altitude das aeronaves – e filtra esses dados para identificar cerca de 11 mil jatos privados e de fretamento. Em seguida, compara quantos desses aviões estão no ar a cada momento com uma linha de base histórica, que leva em conta padrões diários, semanais e até feriados. Dessa comparação surge uma escala de alerta de 1 a 5. O nível 1 corresponde a um dia normal, enquanto o nível 5 indica uma atividade aérea superior a qualquer outro momento registrado no ano anterior. Se o número dispara repentinamente – mais de cinco desvios padrão acima da média –, o sistema pode enviar alertas automáticos por Telegram, e-mail ou mensagem de texto. A origem: uma ameaça de Trump e a ansiedade nuclear A iniciativa, no entanto, não nasceu de uma curiosidade acadêmica, mas da ansiedade. McDonald conta que tudo começou a tomar forma depois de ler a recente ameaça contra o Irã por Donald Trump, na qual o presidente dos Estados Unidos advertia que uma "civilização inteira" poderia desaparecer caso não fosse alcançado um cessar-fogo. A declaração o levou a se perguntar quem teria acesso a informações críticas antes do restante da população. Afinal, pessoas próximas ao poder já se beneficiaram, em outras ocasiões, de informações privilegiadas em áreas como mercados de previsão, política ou criptomoedas. Se isso acontece em questões econômicas ou geopolíticas, por que não aconteceria também diante de uma ameaça verdadeiramente existencial? Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse. Reprodução Depois de concluir o modelo, ele decidiu testá-lo, analisando dados históricos em busca dos maiores picos de atividade. O resultado o surpreendeu. O aumento mais pronunciado registrado até agora ocorreu em 6 de abril, o mesmo dia em que o Irã lançou uma ofensiva em larga escala contra alvos americanos e israelenses. "Isso me perturbou", escreveu na Business Insider. "Lembro de ter pensado: 'Meu Deus, é real'." Ainda assim, McDonald insiste que seu rastreador está longe de ser um detector científico do apocalipse. Um nível 5 pode ser acionado por motivos perfeitamente banais, como as férias de Natal ou grandes eventos políticos que envolvem deslocamentos em massa de ricos. Mas ele sustenta que o simples fato de padrões reconhecíveis surgirem já levanta questões interessantes sobre como as elites reagem a situações de incerteza. Arte, vigilância e vibe coding McDonald tem 25 anos como programador. Mas, no último ano e meio, trabalha constantemente com inteligência artificial. O rastreador foi construído por meio do chamado vibe coding, uma técnica cada vez mais popular em que o desenvolvedor orienta a IA com instruções, e ela escreve grande parte do código. Metade da sua renda vem de consultoria para empresas de tecnologia e artistas. A outra metade, de exposições na Europa e no Leste Asiático. Ele se paga um salário anual de 60 mil dólares (cerca de R$ 305 mil) – modesto para a sua vida em Los Angeles, segundo ele – e reinveste o restante em seus projetos. O rastreador também gera alguma receita: cerca de 2,5 mil pessoas se inscreveram, a maioria gratuitamente via Telegram, e outras pagam cinco dólares por ano para receber alertas por SMS ou e-mail. "O que me fascina é que as pessoas basicamente me pagam cinco dólares por ano pela possibilidade de não receber uma mensagem de texto", escreveu. "Isso me parece uma intervenção conceitual, uma obra de arte e um serviço de software, tudo ao mesmo tempo." Este não é seu primeiro projeto na fronteira entre vigilância e ativismo. Antes, ele construiu aplicativos para rastrear helicópteros do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) – e descobriu, afirma, que a polícia frequentemente ocultava a identidade de suas aeronaves. Mais recentemente, desenvolveu ferramentas de reconhecimento facial para identificar agentes das forças de segurança, projetos que lhe renderam cobertura midiática, críticas e até ameaças de morte. O fio condutor, diz ele, é inverter a lógica da vigilância: usá-la para escrutinar o poder, e não o cidadão. Os movimentos das elites como sinal social De acordo com o The Washington Post, McDonald dialoga com as reflexões do escritor Douglas Rushkoff, que há anos estuda a obsessão de alguns bilionários em se preparar para o colapso social. No livro Survival of the Richest (A Sobrevivência dos Mais Ricos), Rushkoff documentou como muitos ultrarricos não apenas constroem bunkers, mas também transformam propriedades existentes em refúgios autossuficientes, preparados para cenários extremos. Sob a perspectiva do autor, o rastreador de McDonald seria menos um detector de catástrofes e mais um termômetro do medo das elites. E esse medo não surge no vácuo. A própria possibilidade de que alguns consigam escapar enquanto a maioria não tem essa opção remete a uma questão mais profunda: a crescente concentração de riqueza e poder. Apesar da gravidade do pano de fundo, McDonald prefere tratar o tema com humor, em vez de solenidade. Ele não pretende oferecer respostas grandiosas. Basta-lhe que as pessoas vejam o projeto, deem uma risada e reconheçam o absurdo da situação. Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros
05/06/2026 06:00:40 +00:00
Governo nomeia Otto Lobo para presidir órgão que regula fundos de investimento

O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários Geraldo Magela/Agência Senado O governo federal nomeou nesta quarta-feira (3) o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais no país. Ele ocupará a vaga deixada por João Pedro Barroso do Nascimento, que renunciou ao cargo, e cumprirá mandato até 18 de julho de 2027. A nomeação de Lobo e a de Igor Muniz para a diretoria da autarquia foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). 🔎 A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável por fiscalizar, normatizar e disciplinar o mercado de valores mobiliários, que incluem ações, debêntures, cotas em fundos de investimento, entre outros , garantindo transparência e segurança para os investidores. Antes de assumir oficialmente o cargo, Lobo se reuniu nesta semana com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o encontro teve como objetivo discutir temas relacionados à atuação da autarquia. Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidir a CVM Banco Master A CVM vem sendo alvo de questionamentos sobre a condução de processos relacionados ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No início de fevereiro, a própria CVM criou um grupo de trabalho para analisar todas as informações relacionadas ao conglomerado Master e à gestora de fundos Reag, suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela PF, e para propor "melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional". Questionado sobre a possibilidade de dar prioridade aos casos envolvendo o Banco Master, Lobo afirmou que a intenção é acelerar a tramitação de todos os processos em andamento na autarquia. "Todos esses processos vão ser tratados com muita celeridade. A CVM sempre vai dar respostas para esse e outros processos", afirmou Lovo, acrescentando que será feito um mutirão para julgar mais processos. O novo presidente também afirmou que não haverá distinção entre investigados e que os procedimentos seguirão os princípios legais e constitucionais. "Tudo será conduzido dentro da legalidade e do respeito à ampla defesa", complementou ele. Aprovação no Senado O nome de Otto Lobo foi aprovado pelo Senado em maio, por 31 votos a 3. Na mesma sessão, os senadores também aprovaram a indicação de Igor Muniz para a diretoria da CVM. A escolha de Lobo para comandar a autarquia foi atribuída nos bastidores a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega ter atuado como padrinho político da indicação. A indicação gerou divergências dentro do governo. Integrantes da equipe econômica manifestaram resistência ao nome de Lobo, posição que teria sido compartilhada tanto pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto pelo atual chefe da pasta, Dario Durigan. Apesar disso, segundo fontes envolvidas nas negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ao senador Eduardo Braga, relator da indicação, sua preferência pelo nome de Lobo. No mercado financeiro, a indicação também enfrentou resistência. Críticos apontam decisões consideradas favoráveis ao Banco Master tomadas por Lobo durante o período em que exerceu interinamente a presidência da CVM.
04/06/2026 18:54:53 +00:00
'Pix americano'? O que é o Zelle, sistema de pagamentos defendido por Eduardo Bolsonaro para negociação entre Brasil e EUA

Zelle foi criado por bancos nos EUA Getty Images Em meio às críticas do governo de Donald Trump ao Pix, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu na quarta-feira (3) que o Brasil pode "ir para a mesa de negociação" ao mencionar o uso do Zelle, que ele chamou "o Pix americano". Ao canal TMC News, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que os "EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle". "Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos", seguiu o ex-deputado cassado que vive nos EUA há mais de um ano fazendo articulações políticas que buscam favorecer o campo bolsonarista. Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas A declaração de Eduardo foi dada em meio à pressão americana sobre o Pix, que foi um dos alvos do documento em que governo Trump propõe uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento da investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O governo americano acusou o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". As críticas americanas seguem citando a exigência do uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e a de que o sistema de pagamentos seja exibido na tela principal do aplicativo dos bancos no Brasil. Em pré-campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem usando o argumento de que os Estados Unidos e a família Bolsonaro seriam contra o Pix. Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump Divulgação O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, tem citado que o Pix foi lançado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) — apesar de o projeto ter sido iniciado ainda no governo Michel Temer (MDB), em 2018. As declarações de Eduardo Bolsonaro já repercutiram no campo governista, com o deputados do PT acusando os filhos do ex-presidente de agir contra o Brasil. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) os chamou de "entreguistas": "Eduardo Bolsonaro confessa que quer entregar nosso Pix público e gratuito, operado pelo nosso Banco Central, aos americanos. Nós não vamos permitir". Já a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que Eduardo "quer trocar o nosso Pix pelo sistema americano chamado Zelle, como ponto de negociação pra retirar a taxação americana, que eles ajudaram articular". Pix foi lançado em 2020 e entrou na mira de uma investigação do governo americano Getty Images via BBC O que é o Zelle e como se compara ao Pix Diferentemente do Pix — um sistema de pagamentos público, criado e operado pelo Banco Central brasileiro —, o Zelle é um sistema privado de pagamentos e transferências, operado por bancos americanos. O serviço é operado desde 2017 pela Early Warning Services, empresa que é copropriedade de sete dos maiores bancos americanos: Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo. Segundo a empresa, o Zelle está disponível em mais de 2,4 mil aplicativos bancários no país. Ou seja, depende de cada banco a decisão de usar ou não. Já no Brasil, a participação no Pix é obrigatória para todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central com mais de 500 mil contas ativas. O serviço americano anunciou que alcançou 151 milhões de usuários cadastrados em 2024, entre consumidores e pequenos negócios, fazendo mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões) em transferências naquele ano. O Pix, por sua vez, é usado por mais de 170 milhões de pessoas físicas no Brasil, ou 80% da população do país, movimentando R$ 35,4 trilhões em transferências somente em 2025. A CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, classifica o Zelle como uma "resposta da indústria bancária ao crescente sucesso de serviços de pagamento entre pessoas, como PayPal", uma plataforma global de pagamentos online separada dos bancos. Uma limitação de serviços como PayPal, Venmo e Cash App é que os usuários precisam usar o mesmo serviço para transferir dinheiro. Já com o Zelle, qualquer pessoa com uma conta bancária em uma instituição financeira participante pode enviar dinheiro. Assim como o Pix, o serviço americano permite que um cliente bancário envie recursos rapidamente para outra pessoa usando apenas seu endereço de e-mail ou número de telefone. No Brasil, os clientes podem usar ainda o CPF ou uma "chave aleatória" para as transferências. De acordo com a Early Warning Services, o dinheiro é depositado diretamente na conta bancária "em poucos minutos". Já o Pix é um serviços instantâneo, que realizar pagamentos em segundos, estando disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive em fins de semana e feriados. O Bank of America ressalta também em seu site que, "em algumas situações, a instituição financeira do destinatário pode causar um atraso no processamento da transferência" via Zelle. Ainda segundo a Early Warning Services, "normalmente não há tarifas para consumidores enviarem ou receberem dinheiro por meio do Zelle", mas essa não é uma regra. É possível que bancos cobrem taxas para transações, por isso é preciso verificar com as instituições financeiras. No Brasil, o Pix é gratuito para pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEIs) e empresários individuais, e cobra taxas baixas de pessoas jurídicas, que variam de 0,89% a 1,45% por transação, dependendo do banco, do volume de recebimentos e do canal utilizado. Os limites de envio e recebimento de dinheiro pelo Zelle são definidos por cada banco ou cooperativa de crédito participante. No Pix, os limites para pessoas físicas são definido pelas instituições financeiras, com base no perfil de risco e de comportamento do usuário. Em um artigo publicado em 2025 em que elogiou o Pix, o economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel, disse que "o Pix é uma espécie de versão pública do Zelle". "Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E, embora o Zelle seja grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, sendo usado por 93% dos adultos brasileiros. Parece estar rapidamente substituindo dinheiro em espécie e cartões", escreveu Krugman. Após a citação do Pix no relatório produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) nesta semana, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o meio de pagamento e disse que a conclusão da investigação dos EUA decorre de "informações incompletas" acerca dos objetivos e funcionamento do sistema financeiro. "O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras", afirmou a entidade. A Febraban pontuou ainda que "não há qualquer restrição à entrada de novos participantes, de qualquer porte ou segmento da indústria financeira, desde que operem no mercado nacional". Post do governo federal de julho de 2025: gestão Lula tem procurado usar episódios para tentar melhorar imagem Governo Federal Por que PIX incomoda tanto o governo Trump? A menção ao Pix no relatório publicado pelo USTR nesta semana não foi o primeiro ataque dos EUA ao sistema de pagamentos. O Pix foi mencionado em outro relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas. Na ocasião, o governo brasileiro reagiu e o presidente Lula afirmou que "o Pix é do Brasil". No relatório de março do ano passado, no entanto, o sistema de pagamentos não foi mencionado diretamente, ao contrário do que aconteceu no deste ano. Uma fonte ouvida pela BBC News Brasil que tem proximidade com as negociações entre Brasil e EUA comenta que uma das hipóteses para o endurecimento no tom agora foi o desfecho de uma reunião recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que o Brasil bloqueou uma proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos. Há ainda a grande derrota que o tarifaço de Trump sofreu no judiciário americano em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte considerou que o instrumento que vinha sendo usado para embasar as medidas (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, ou IEEPA, na sigla em inglês), na verdade não autorizava o governo americano a instituir as tarifas. Em um artigo de março deste ano, duas analistas do centro de pesquisas americano Brookings Institute pontuaram que, diante desse revés, a Seção 301, usada na investigação contra o Brasil, poderia entrar no cardápio do governo americano como opção para voltar a taxar seus parceiros comerciais. Do lado do setor financeiro, a jurista Camila Villard Duran chama atenção para a expansão do Pix no Brasil, "que altera diretamente o equilíbrio competitivo para empresas americanas, como Visa e Mastercard", mas especialmente para o fenômeno mais amplo no qual ele está inserido, de transformação estrutural e reorganização da ordem monetária e financeira internacional. "O Pix já não é apenas um sistema de pagamentos eficiente. Ele representa um modelo de infraestrutura pública, que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras e concentra, no âmbito doméstico, o controle jurisdicional sobre dados e fluxos financeiros", destaca Duran. A professora aponta que, no relatório do USTR, os EUA fazem críticas semelhantes às feitas ao Brasil a países como Índia, Tailândia e Paquistão, "onde políticas públicas nacionais promovem sistemas domésticos de pagamento, impõem requisitos de localização de dados ou criam barreiras regulatórias à atuação de empresas estrangeiras". "Em todos esses casos, o argumento dos EUA é semelhante: tais medidas seriam discriminatórias e restringiriam o acesso de empresas americanas a mercados nacionais", completa. Da economia à política Diante desse panorama, Duran avalia que a pressão sobre o Pix e sobre sistemas de pagamentos de outros países também está ligada a uma questão ainda mais ampla, de soberania. O que está em jogo, diz ela, já não é apenas a concorrência entre empresas, "mas o controle sobre infraestruturas consideradas como críticas". "Nas minhas pesquisas, tanto sobre a criação do euro digital como sobre os projetos de plataformas alternativas para transações financeiras transfronteiriças, noto que a ideia de 'soberania monetária' está se deslocando muito rapidamente da autonomia da política monetária para o controle jurisdicional sobre as infraestruturas de pagamento e dos dados monetários que elas geram", afirma Duran. "A moeda, na economia digital, torna-se cada vez mais informação e, nesse contexto, o controle jurisdicional sobre esses dados passa a ser um elemento central do poder monetário estatal." Com informações de Vitor Tavares, Thais Carrança, Daniel Gallas e Camilla Veras Motta, da BBC News Brasil em São Paulo e em Londres.
04/06/2026 18:52:11 +00:00
Instagram Plus começa a ser liberado no Brasil; veja preço e recursos exclusivos

Instagram Plus é liberado no Brasil; veja preço e benefícios O Instagram Plus, versão paga da rede social, começou a ser liberado no Brasil nesta quinta-feira (4). O serviço oferecerá recursos exclusivos para usuários que pagarem R$ 10 por mês. A assinatura dá mais prioridade aos stories, aumentando as chances de eles serem vistos por mais seguidores. Também permite que as publicações fiquem no ar por 48 horas, em vez das 24 horas atuais. (veja todos os recursos abaixo) Ela oferece ainda a opção de criar listas de seguidores parecidas com a de melhores amigos. A ideia é permitir que os stories sejam compartilhados exatamente com o grupo que você quiser. A Meta, dona do Instagram, deve começar a liberar em breve as versões pagas do WhatsApp e do Facebook. No aplicativo de mensagens, por exemplo, a assinatura deve liberar novos recursos de personalização, figurinhas premium, toques personalizados, entre outras funções. Confira abaixo os recursos exclusivos do Instagram Plus: Prioridade na entrega de stories para seus seguidores; Opção para manter stories no ar por 48 horas, em vez de apenas 24 horas; Listas de audiência para compartilhar stories com grupos específicos; Curtidas animadas que ocupam toda a tela e podem ser enviadas para amigos; Prévia de visualização de stories sem a outra pessoa saber; Dados sobre quantas vezes os seus stories foram reassistidos; Busca na lista de visualizações de stories para encontrar rapidamente pessoas específicas; Ícone personalizado do Instagram a partir de uma seleção feita pela rede social; Fonte personalizada na bio; Opção para fixar até seis publicações no perfil, em vez de três; Opção para publicar algo direto no perfil ou nos destaques, sem aparecer no feed ou nos stories para seguidores. Instagram Plus Divulgação/Instagram A versão paga do Instagram tinha sido anunciada no final de maio pela diretora de produtos da Meta, Naomi Gleit. A executiva disse que, em breve, ela poderá ser administrada em uma central criada pela empresa. "Você poderá nos ver testando assinaturas sob o nome Meta One. Embora ainda estejamos em fase de testes e aprendizado, acreditamos que, eventualmente, o Meta One será o local centralizado que reunirá suas assinaturas em todos os nossos aplicativos", afirmou. Em 2023, a Meta lançou na Europa versões pagas e sem anúncios do Facebook e do Instagram para cumprir a legislação da União Europeia sobre proteção de dados. Agora, a decisão de liberar as assinaturas para mais países mostra o desejo da Meta de diversificar suas receitas para além da publicidade. A empresa enfrenta pressão de investidores por conta de seus gastos com inteligência artificial. A projeção da companhia é de que os investimentos nesse setor, especialmente com data centers, alcancem entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões (entre R$ 630 bilhões e R$ 730 bilhões). Ícone do Instagram. REUTERS/Thomas White
04/06/2026 16:00:36 +00:00
WhatsApp lança filtros e figurinhas para a Copa do Mundo; veja como usar

WhatsApp lança filtros e figurinhas para a Copa do Mundo; veja como usar Reprodução. O WhatsApp anunciou nesta quinta-feira (4) uma série de recursos para os usuários aproveitarem durante a Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho. Entre as novidades estão figurinhas temáticas, efeitos para videochamadas e atualizações em tempo real por meio da Meta AI. Até a final do torneio, os usuários poderão reagir às mensagens com a Trionda, a bola oficial da Copa do Mundo. Ela aparece como um emoji e, ao ser usada, ativa uma animação com várias bolas "pulando" na tela do celular. O aplicativo também ganhou um pacote especial de figurinhas da Copa do Mundo, com imagens de trave, chuteira, bola tensa, bola chorando e cartões vermelho e amarelo. Agora no g1 Além disso, a empresa disponibilizou efeitos temáticos para videochamadas, incluindo uma bola sobre a cabeça do usuário, uma trave como plano de fundo e um adesivo de bola aplicado ao rosto, entre outros. O Meta AI, inteligência artificial da empresa, também passará a exibir informações em tempo real sobre as partidas, incluindo as classificações mais recentes do torneio. Segundo o WhatsApp, a final da Copa do Mundo de 2022, no Catar, registrou um pico de 25 milhões de mensagens por segundo na plataforma. LEIA TAMBÉM: Android passa a detectar possíveis ligações falsas feitas com IA Uber demite 23% da equipe de RH e recrutamento iFood começa a usar drones para fazer entregas em São Paulo WhatsApp lança filtros e figurinhas para a Copa do Mundo; veja como usar Reprodução Instants:como funciona o novo recurso do Instagram Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs Governo eleva classificação indicativa do YouTube e cita 'Novela das frutas'
04/06/2026 15:05:36 +00:00
Quem criou o Pix? Como nasceu o sistema de pagamentos que está na mira do governo Trump

Por que o PIX está na mira de Trump? Os novos ataques do governo dos Estados Unidos contra o sistema de pagamentos Pix nesta semana reacendeu no Brasil um debate sobre quando e por quem foi criada a tecnologia. Na segunda-feira, o governo americano concluiu uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O relatório tinha o Pix como um de seus alvos. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu com um cartaz durante um evento em Goiás que dizia: "O Pix é do Brasil". "Viram que eu entrei aqui com essa faixa: 'O Pix é do Brasil'. É porque ontem, o presidente americano, numa atitude intempestiva — porque nós estávamos negociando depois da minha visita ao presidente [Donald] Trump — de forma intempestiva, anunciou um aumento de taxação das coisas brasileiras para 25%, com base numa mentira", disse Lula, que é pré-candidato na eleição presidencial de outubro. "Eu falei para ele: ô, Trump, ô cara, ao invés de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos EUA. Faz um Pix para nós." Celular mostra o PIX, ao lado do presidente Donald Trump ReproduçãO e Alex Brandon/AP Um dia depois, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibiu em um evento em Minas Gerais um cartaz que dizia: "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro". Em seu discurso, ele disse: "É mentira que o Pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo. O Pix é brasileiro, foi feito pelo [ex] presidente [Jair] Bolsonaro. O Pix não é taxado porque o presidente Bolsonaro assim determinou que não fosse, é algo que revolucionou na segurança, então isso não está em discussão." Afinal, como foi criado o Pix? Como nasceu o Pix? Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas O Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado por técnicos do Banco Central, que permite transferir dinheiro entre contas em segundos, a qualquer hora e dia. É conhecido por ser rápido e seguro e pode ser usado a partir de contas correntes, poupança ou pré-pagas. O sistema se popularizou no Brasil e possui números impressionantes. Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas — o que equivale a 80% da população brasileira — já fizeram uma transferência por Pix. Até outubro do ano passado, mais de R$ 3 trilhões haviam sido movimentados por Pix. Só em janeiro deste ano, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações. No dia 12 de dezembro de 2025 o sistema registrou seu recorde: foram 313 milhões de transações em um mesmo dia. O Pix foi lançado em novembro de 2020 — durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo um relatório de 2022 do Banco Central sobre o Pix, a primeira manifestação sobre "soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos" aconteceu em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, em um relatório Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro. Banco Central liquida mais uma instituição que pertencia ao Grupo Master Jornal Nacional/ Reprodução Mas o Pix só começou a ser desenvolvido pelos técnicos do Banco Central em maio de 2018 — ainda no governo de Michel Temer. Entre a criação de um grupo de trabalho específico e o lançamento do sistema, se passaram cerca de 31 meses. A portaria 97.909 de maio de 2018 do Banco Central instituiu um grupo de trabalho com objetivo de "contribuir para a construção de um ecossistema de pagamentos instantâneos competitivo, eficiente, seguro e inclusivo". O nome Pix ainda não era usado nessa ocasião. Mas algumas bases do sistema já estavam definidas nessa portaria. "A infraestrutura centralizada de liquidação será operada pelo Banco Central do Brasil e estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana e em todos os dias do ano. As transações serão liquidadas uma a uma, no momento em que a ordem de liquidação for aceita pela infraestrutura", afirma a portaria. O grupo de trabalho para pagamentos instantâneos (GT-PI) de maio de 2018 foi, segundo o Banco Central, "a primeira etapa para o desenvolvimento dos pagamentos instantâneos no Brasil". Esse grupo esteve aberto a qualquer parte interessada no tema, e recebeu contribuições de mais de 130 participantes. Em dezembro de 2018, o último mês do governo Temer, o Banco Central divulgou o comunicado 32.927 no qual estabeleceu requisitos fundamentais do Pix que foram aprovados pela diretoria colegiada da instituição. Nesse comunicado, o BC se posicionou oficialmente como líder do processo de desenvolvimento e implementação do Pix. A partir de outubro de 2019, já no governo Bolsonaro, a infraestrutura tecnológica começou a ser desenvolvida. A marca Pix foi lançada em fevereiro de 2020. Segundo o Banco Centrarl, a marca "é baseada em tecnologia, transação e pixel, e representa a transposição dos limites do sistema financeiro, a comunicação entre os agentes de mercado e a solidez do pixel". Um ano após o começo do desenvolvimento da infraestrutura tecnológica, em outubro de 2020, foi iniciado o cadastramento de chaves por usuários iniciais. Em 3 de novembro, o sistema começou a funcionar de forma restrita — e em 16 de novembro ele passou a operar de forma plena. Em outubro de 2020, um mês antes do lançamento oficial do sistema, o então presidente Jair Bolsonaro manifestou desconhecer o meio de pagamento quando foi parabenizado por um apoiador na saída do Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro se confundiu e achou que se tratava de algo relacionado à desburocratização na aviação civil. Ao ouvir a explicação do apoiador de que o Pix era um novo meio de pagamento criado pelo Banco Central, respondeu: "Não tomei conhecimento, vou conversar essa semana com o [então presidente do BC] Roberto Campos". Impacto Lojistas oferecem descontos para pagamentos no PIX, em dinheiro ou no débito, que saem mais baratos do que no crédito. Giaccomo Voccio/g1 No Brasil, a forma como o Pix foi estruturado beneficiou empresas nacionais, especialmente bancos digitais e fintechs. "Alavancando o modelo do Pix", elas desenvolveram inovação e cresceram, expandindo-se inclusive para outros mercados. Isso acabou fazendo do país uma referência internacional, inspirando outros países, como a Colômbia. "O Brasil é bem conhecido hoje por seus 'neobancos' [bancos digitais] e pelo seu ecossistema doméstico de inovação financeira", disse a pesquisadora Polina Kempinsky à BBC News Brasil. O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman elogiou o Pix por ser quase instantâneo e por ter custos de transação baixos e sugeriu que o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro com esse sistema. "Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital", escreveu Krugman. E disse que o sistema brasileiro de pagamentos está "conseguindo de fato o que os defensores de criptomoedas alegaram, falsamente, ser capaz de se alcançar por meio do blockchain — baixos custos de transação e inclusão financeira." "Compare os 93% de brasileiros que usam o Pix com os 2%, isso mesmo, 2% de americanos que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024", disse o economista em 2025. "Ah, e usar o Pix não cria incentivo para sequestrar pessoas e torturá-las até que entreguem suas chaves de criptografia. Então, teremos um sistema semelhante ao Pix nos Estados Unidos? Não. Ou pelo menos não por muito tempo." Especialistas também disseram à BBC News Brasil que o Pix incomodou algumas das big techs americanas. "Estamos falando aqui de uma competição tecnológica, onde os EUA visam tirar qualquer tipo de tecnologia que possa oferecer algum tipo de inovação e que não esteja sendo gerida dentro do próprio país ou que não esteja sob controle dos EUA", diz Bruna Martins dos Santos, gerente de políticas e advocacy da Witness, organização internacional sem fins lucrativos focada em tecnologia e direitos humanos, em entrevista em julho de 2025. O que os EUA dizem sobre o Pix O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres após assinar uma ordem executiva no Salão Oval da Casa Branca, em 3 de junho de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque Na conclusão apresentada esta semana da investigação com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos — o governo dos EUA acusa o Pix de prejudicar "injustamente as empresas americanas". A investigação diz que o Banco Central brasileiro exerce papel duplo — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". "O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix. Por exemplo, o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e requer que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque igual ou superior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência." Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o competidor brasileiro (Pix) sem compensações às instituições americanas. "Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas a seu campeão nacional do Brasil." Como resultado da investigação, que inclui outras críticas a práticas comerciais do Brasil, os EUA propõem tarifas de 25% a produtos brasileiros. Essas propostas ainda serão negociadas entre os governos até o dia 15 de julho. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o Pix das críticas do governo americano. Em nota, a entidade disse que as conclusões da investigação foram baseadas em "informações incompletas" sobre os objetivos e o funcionamento do sistema. "O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos", disse a Febraban. A entidade diz que o Pix contribui para a inclusão financeira ao reduzir custos e ampliar o acesso aos meios digitais de pagamento. Nova regra que limita uso do FGC para atrair investidores começa a valer; entenda o que mu Golpes com álbum de figurinhas da Copa 2026 disparam: saiba como não cair
04/06/2026 14:22:37 +00:00
Android passa a detectar possíveis ligações falsas feitas com IA

Homem com celular na mão na região central de São Paulo Celso Tavares/g1 O Google anunciou um recurso para Android capaz de identificar ligações falsas feitas por golpistas e alertar as possíveis vítimas. A novidade será disponibilizada neste mês globalmente, incluindo o Brasil, e funcionará por meio do aplicativo gratuito "Telefone", do Google Para usar a ferramenta, será necessário instalar o app "Telefone do Google" e defini-lo como app padrão para chamadas. Assim, em vez de utilizar o aplicativo de ligações que já vem no celular, o aparelho passará a fazer e receber chamadas pelo app do Google. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A novidade vai funcionar em celulares com Android 12 ou superior. Um dos exemplos apresentados pelo Google é o de uma ligação identificada como "Mãe". Ao atender, a voz soa exatamente como a dela. No entanto, a chamada foi feita por um criminoso que usa inteligência artificial para imitar sua voz e tentar convencer a vítima a enviar dinheiro. Agora no g1 Com a novidade, quando duas pessoas usam o aplicativo "Telefone do Google", os aparelhos trocam automaticamente um sinal silencioso de verificação durante a chamada. Se essa confirmação não acontecer, o aplicativo de quem recebe a ligação pode exibir um alerta para você recursar a chamada. O Google, porém, não explicou como o app se comporta em situações em que a outra pessoa utiliza o aplicativo de chamadas padrão do celular, outro app de telefone ou até mesmo um iPhone, que não é compatível com o "Telefone do Google". A empresa afirma que desenvolveu essa proteção com base em um padrão aberto, o que permitiria que outros fabricantes de dispositivos e desenvolvedores de aplicativos adotassem a mesma tecnologia em seus produtos. Android passa a detectar ligações falsas feitas com IA no Brasil Divulgação/Google Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular
04/06/2026 13:21:10 +00:00
Uber demite 23% da equipe de RH e recrutamento

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, em evento na cidade de São Paulo Divulgação/Uber A Uber está demitindo 23% dos funcionários das áreas de recursos humanos e recrutamento, segundo informações da agência Bloomberg. De acordo com a empresa, os desligamentos representam menos de 1% do quadro total de funcionários. Em um memorando enviado aos colaboradores, o CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, afirmou que as mudanças são necessárias para "maximizar a eficácia da equipe de Pessoas e o enorme potencial que temos pela frente", de acordo com a CNBC norte-americana. A companhia afirmou que os cortes não estão relacionados aos investimentos em inteligência artificial, disse um porta-voz à Bloomberg. Nos últimos meses, outras empresas de tecnologia, como a Meta (dona de Facebook e Instagram) e a Oracle, também realizaram demissões em massa enquanto ampliavam os investimentos em IA. Agora no g1 O g1 procurou a Uber para saber se funcionários da empresa no Brasil foram afetados e aguarda retorno. Em comunicado às equipes impactadas, Jill Hazelbaker, promovida no mês passado ao cargo de presidente e diretora de assuntos corporativos, afirmou que as demissões têm como objetivo construir uma "organização mais conectada, moderna e operacionalmente excelente". A Bloomberg informou ainda que alguns funcionários de RH que haviam recebido autorização para trabalhar remotamente foram avisados de que precisarão retornar ao modelo híbrido, com presença no escritório três dias por semana. Dados de 1,2 milhão de usuários do iFood são vazados Instants:como funciona o novo recurso do Instagram
04/06/2026 12:16:49 +00:00
Número de ricos e suas fortunas atingiram novo recorde em 2025, diz estudo

Número de ricos e suas fortunas atingiram novo recorde em 2025, diz estudo Adobe Stock O número de milionários em todo o mundo e sua fortuna continuaram crescendo em 2025 e atingiram novos recordes, graças ao forte desempenho do mercado de ações e à queda da inflação, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4) pela Capgemini. Essa consultoria define os ricos como aqueles que possuem mais de um milhão de dólares (5 milhões de reais) disponíveis para investimento. Isso exclui, em grande parte, o valor de sua residência principal. Esse número aumentou 7,9%, chegando a 25,3 milhões de pessoas no ano passado, quase 2 milhões a mais do que em 2024, calculou a Capgemini em seu estudo internacional intitulado "World Wealth Report" (Relatório Mundial da Riqueza, em tradução livre). Seu patrimônio total cresceu 8,7%, atingindo 98,3 trilhões de dólares (495,5 trilhões de reais), um valor recorde e o maior aumento anual desde 2018. Agora no g1 "Os mercados de ações, impulsionados por ganhos relacionados à inteligência artificial, foram o principal motor da criação de riqueza para indivíduos ricos em cinco das seis principais regiões geográficas" analisadas, afirmou a Capgemini. E "a riqueza dos indivíduos ricos permanece altamente concentrada: 1% deles detém 34,8% dessa riqueza", acrescentou. O maior aumento no número de milionários (9,4%) é observado na região Ásia-Pacífico, impulsionado pelo setor de semicondutores, com o Japão e a China na liderança. Na América do Norte, o número de milionários aumentou 9,1%, graças aos Estados Unidos, onde mais de 736 mil novos milionários foram registrados, elevando o total para 8,7 milhões no país. O número também cresceu na Europa (6,5%), África (4,1%) e América Latina (0,3%). A única região analisada com queda no número de milionários foi o Oriente Médio (-1,4%), impactado pela queda nos preços do petróleo no ano anterior. A população de indivíduos super-ricos, definidos como aqueles com patrimônio líquido de pelo menos 30 milhões de dólares (151 milhões de reais), também aumentou 9,4%, chegando a aproximadamente 250 mil pessoas em todo o mundo. O estudo da Capgemini foi baseado em entrevistas com 6.510 indivíduos ricos nas Américas, Europa, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. EUA propõem sobretaxa a 60 países por falha no combate ao trabalho forçado; Brasil está na lista Trump 'rompe trégua com Lula' e causa 'tempestade' no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas
04/06/2026 11:38:11 +00:00
Do campo à geladeira: por que há tanto desperdício de alimentos, enquanto milhões passam fome no Brasil

O que explica o desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo desperdiça cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos ao ano. Em cada etapa da cadeia, há fatores que ajudam a explicar o problema. No campo, o desperdício pode ocorrer por falta de planejamento e de técnica. No varejo, por excesso de oferta. Já nas casas, por hábitos culturais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil. Ao mesmo tempo, quase 7 milhões de pessoas passam fome no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, quanto mais comida é desperdiçada, mais difícil pode ser o acesso aos alimentos. “Existe dentro do varejo um cálculo de perda já especificado no valor dos produtos. Então a gente paga por essa perda”, explica Daniela Teston, diretora de relações corporativas do WWF-Brasil. A especialista acredita que a redução do desperdício poderia tornar mais baratos os itens básicos de alimentação, o que favoreceria a população em situação de vulnerabilidade. “Apesar de ter saído da linha da pobreza, a gente ainda tem muita gente que não tem acesso à nutrição adequada todos os dias”, afirma. Também segundo o IBGE, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar no país. Não bastasse a questão social, o desperdício também causa prejuízos ao meio ambiente. Ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Também produz chorume, que contamina o lençol freático. E não se pode ignorar a consequência mais óbvia: a perda financeira. Dados de 2020 do Banco Mundial mostram que US$ 1 trilhão em alimentos é desperdiçado anualmente. Leia também: Como a chegada da internet mudou a vida de agricultores em 4 anos Perdas no campo Não existem dados oficiais que mostrem o quanto é perdido nas lavouras, mas este é um problema real, aponta Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios. Ele também colabora com iniciativas da ONU. Segundo o pesquisador, existem vários fatores que causam essas perdas. ➡️ Falta de acesso dos agricultores a mercados: o Brasil tem cultivos de alimentos extremamente perecíveis, como alface, morango e banana. “No dia que o alimento está pronto para ser colhido, o produtor já tem que saber para onde ele vai comercializar, se não vai se perder muito rapidamente”, explica. ➡️ Mudanças climáticas: causam altas temperaturas, seca e excesso de chuva em períodos que são altamente prejudiciais para os cultivos. ➡️ Pragas e doenças: podem dizimar lavouras quando não são combatidas com o manejo adequado. ➡️ Falta de tecnologia: as inovações podem ajudar a conservar os alimentos por mais tempo, tornar a colheita mais eficiente e diminuir as perdas no campo. ➡️ Padrão estético: o mercado consumidor exige que os alimentos tenham determinados tamanhos e não apresentem manchas. Desse modo, quando o produto nasce fora desse padrão, o produtor dificilmente consegue vender para os mercados. ➡️ Picos de produção: quando a safra é muito boa, o alimento pode acabar sobrando na lavoura. Isso porque o produtor pode não ter conseguido clientes para toda a oferta ou porque o preço ficou muito baixo e não compensa os custos da colheita. ➡️ Logística: pode causar perdas quando feita de forma ineficiente, como no transporte de hortaliças fora de caminhões refrigerados. Além disso, as caixas e embalagens em que os produtos são transportados precisam ser adequadas. Por exemplo, caixas de madeira podem causar danos às frutas; o ideal são as plásticas. A maioria desses problemas pode ser resolvida com investimentos e técnicas de produção. O g1 foi até Santa Maria da Serra e Engenheiro Coelho, no interior de São Paulo, para ver como funciona uma citricultura com desperdício zero. (veja no vídeo abaixo) Da lavoura ao suco: como diminuir perdas no campo Sobra nas prateleiras O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que o varejo e os restaurantes são responsáveis pelo desperdício de 427 milhões de toneladas de alimentos. Porpino, pesquisador da Embrapa, explica que isso pode acontecer nos supermercados por causa da exigência estética dos consumidores, mas também da prática de venda consignada com os agricultores. 🔎 No esquema de consignação, o varejista compra as frutas, mas só remunera o agricultor se esses itens forem vendidos. “O varejista recebeu 500 caixinhas de morango, vendeu 300. Ele vai remunerar o produtor pelas 300. As outras 200 se estragaram na loja. Isso não vai significar prejuízo para o varejista, mas para o produtor”, explica. Assim, o mercado pode acabar comprando grandes volumes sem considerar o que será desperdiçado. Por isso, existem iniciativas voltadas à doação de alimentos que sobraram nos pontos de venda para instituições que os redistribuem a quem precisa. Essas instituições fazem uma triagem e coletam o que estiver em boas condições. O g1 foi até Campinas (SP) e São Paulo para ver como funcionam duas dessas instituições: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil. (veja no vídeo abaixo) Como combater o desperdício de alimentos pode ajudar a reduzir fome O que te faz jogar comida fora A maior parte do desperdício ocorre dentro de casa. Em 2022, foram 631 milhões de toneladas, segundo o Pnuma. A culpa não é exclusiva do consumidor. Isso porque, após passar pela colheita e pelo transporte, o alimento pode chegar às prateleiras sem estar em suas melhores condições e estragar rapidamente em casa. “O consumidor de classe média mais baixa não vai comprar frutas e hortaliças nos supermercados mais caros, que vendem frutas e verduras de melhor qualidade. Ele vai comprar em um local mais barato”, explica Porpino. “Essas frutas e verduras, às vezes, já têm um tempo de vida muito curto, porque foram transportadas por longas distâncias ou porque são de segunda linha”, completa. Contudo, também existem fatores culturais que provocam o descarte de alimentos. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois: ➡️ o brasileiro gosta de fartura: isso significa que nem sempre há um planejamento das compras baseado no que realmente é consumido pela família, mas na expectativa do volume que deve ser servido. Dessa forma, sobra comida. ➡️ o hábito do estoque: devido ao histórico de inflação elevada e oscilação de preços no Brasil, muitas pessoas mantêm estoques em casa como forma de prevenção. “No fim das contas, você não precisava daquela comida. Ela foi uma comida de estoque e foi esquecida no fundo da geladeira, porque a demanda real não existia”, afirma. Usina verde transforma alimentos desperdiçados em adubo Saiba também: Pecuária que preserva, cacau que refloresta: como o dinheiro do clima chega ao campo Créditos deste episódio da série 'PF: prato do futuro' Coordenação editorial: Raphael Martins Edição e finalização de vídeos: Cadu Lando Narração: Vivian Souza Reportagem: Vivian Souza Produção: Vivian Souza Roteiro: Vivian Souza Coordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana Mendicelli Coordenação de arte: Julio Dubiella Ilustração e infografia: Bruna Azevedo Fotografia: Cadu Lando e Kaique Mattos Motion Design: Thalita Ferraz Mais vídeos da série "PF: prato do futuro" Como indígenas usam financiamento do governo para montar agroflorestas Sem técnicos, aplicativos servem de conselheiros para produtores rurais
04/06/2026 08:00:54 +00:00
O que acontece com a comida que sobra? Conheça projetos que reduzem desperdício, fome, poluição e prejuízos no agro

Como combater o desperdício de alimentos pode ajudar a reduzir fome Poluição, fome, aumento dos preços e prejuízos financeiros: o enorme desperdício de alimentos mundo afora causa impactos sobre a economia, o meio ambiente e a população. Cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são jogadas fora por ano, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na lavoura, falhas de planejamento e manejo podem fazer plantações se perderem e gerar excesso de oferta. Nos supermercados e feiras, muitos produtos acabam descartados porque não atendem ao padrão estético exigido pelos consumidores. Um pimentão muito pequeno, grande demais ou com manchas, por exemplo, pode ficar encalhado na prateleira até apodrecer. Para mitigar a questão, surgem iniciativas que buscam reduzir parte dessas perdas. Algumas apostam na doação de alimentos que sobrariam para pessoas em situação de vulnerabilidade. Outras difundem técnicas de manejo para ajudar produtores a aumentar a durabilidade e a qualidade das plantações. Até mesmo os resíduos orgânicos podem ganhar um novo destino. Projetos de compostagem permitem que alimentos estragados retornem à terra de forma sustentável, fechando um ciclo de reaproveitamento sem causar impactos ao meio ambiente. O g1 visitou quatro cidades de São Paulo para mostrar como essas soluções ajudam a combater o desperdício. ️➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil. Combate ao desperdício e à fome Em meio aos altos índices de desperdício de alimentos, o Brasil tem quase 7 milhões de pessoas passando fome e 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São famílias que até conseguem acessar comida, mas muitas vezes não conseguem comprar alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras. Uma das soluções para mitigar os dois problemas são os bancos de alimentos. Neles, excedentes da produção e sobras do varejo são distribuídos a pessoas em situação de vulnerabilidade. Desde 2023, o governo investiu R$ 25 milhões na modernização desses bancos, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Esses bancos podem ser criados por empresas privadas, pela sociedade civil organizada ou por governos estaduais. Já o governo federal fica responsável por regulamentar o funcionamento deles, explica Patrícia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do ministério. Os bancos podem dar suporte a projetos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e a entidades sociais, como cozinhas solidárias. Segundo o Pacto Contra a Fome, apenas 1% das pessoas em situação de insegurança alimentar recebem alimentos redistribuídos. “Isso não resolve a fome, mas é uma ferramenta muito importante de alívio emergencial de uma crise que nós vivemos todos os dias, de as pessoas não terem o que comer”, afirma Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome. O g1 visitou dois bancos de alimentos e acompanhou o dia a dia de trabalho deles: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), de Campinas (SP), e o Sesc Mesa Brasil, que atua em todo o país e é o maior banco de alimentos privado da América Latina. (confira no vídeo no início da reportagem). Tanto o ISA quanto o Sesc Mesa Brasil fazem parcerias com comerciantes. O primeiro funciona dentro da Ceasa de Campinas e é mantido pelos permissionários. Já o segundo faz também coleta em supermercados e até mesmo em lavouras. Em ambos os casos, os produtos passam por uma triagem antes da redistribuição, para garantir que apenas produtos de qualidade cheguem às ONGs. Além de distribuir alimentos, as instituições também oferecem cursos profissionalizantes em parceria com outras organizações. No caso do ISA, os alimentos que não servem para consumo humano, mas ainda não estão estragados, são doados para pequenas propriedades rurais alimentarem seus animais. Os alimentos estragados são enviados para a Usina Verde de Campinas, onde passam por compostagem. (saiba mais abaixo). Veja também: 'Não conhecia rúcula, salsa, couve': como a agricultura mudou vidas em um deserto alimentar do Brasil Como minimizar perdas Da lavoura ao suco: como diminuir perdas no campo Tudo aquilo que é descartado ao longo da produção, da lavoura ao comércio, é chamado de perda. Além do desperdício de alimentos, isso também gera prejuízo financeiro para os produtores. As perdas podem ser evitadas com técnicas adequadas. É o caso do produtor Emílio Cesar Favero, sócio e diretor da Alfacitrus, que cultiva cítricos como laranja, limão e tangerina. O g1 visitou a fazenda dele em Santa Maria da Serra (SP) e a indústria em Engenheiro Coelho (SP). (Veja no vídeo acima). Uma das técnicas usadas é a colheita manual com monitoramento para identificar o momento certo da retirada das frutas. Assim, é possível evitar que elas estraguem no pé. A colheita manual também previne danos às frutas e ajuda a aumentar sua durabilidade. Além disso, os produtos são transportados em caixas plásticas, que oferecem menos risco de contaminação do que as de madeira. Na indústria, a estratégia é aproveitar o máximo possível das frutas. As que atendem ao padrão para venda in natura são higienizadas e recebem uma camada de cera para aumentar a durabilidade. Já as que não têm o tamanho ideal ou apresentam manchas, mas estão em perfeitas condições de consumo, são enviadas para o preparo de suco. As frutas estragadas vão para a compostagem e depois retornam à lavoura como adubo. Essa triagem é feita em diversas etapas, com análise humana e também por inteligência artificial. O sistema tira cerca de 30 fotos de cada fruta para avaliar suas condições e definir seu destino.. Segundo Favero, os principais fatores que ainda causam perdas são pragas, doenças e problemas climáticos, como geadas e secas. Ele afirma que as pragas exigem manejo constante e que o clima pode surpreender os produtores. Saiba também: Como a chegada da internet mudou a vida de agricultores em 4 anos Reciclando os alimentos Usina verde transforma alimentos desperdiçados em adubo O desperdício causa prejuízos ao meio ambiente. Isso porque, ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Ele também produz chorume, que contamina o lençol freático. Estima-se que os alimentos descartados em aterros gerem entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo o Pnuma. Por isso, a compostagem pode ser uma solução ao transformar esses alimentos em adubo. O g1 visitou a Usina Verde de Campinas, que recebe todos os alimentos que estragam na Ceasa da cidade, diminuindo a necessidade de lixões. (veja no vídeo acima) O fertilizante produzido é usado em hortas urbanas, canteiros e parques da cidade, ajudando a reduzir esse tipo de custo de manutenção. Além dessas iniciativas, em 2025, foi lançada a Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, instituída por meio de Resolução da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). A iniciativa conta com parceria com instituições científicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e ainda está em fase de formulação. Leia também: Como calor e seca afetam alimentos e já deixam o café mais caro O que explica o desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome Créditos deste episódio da série 'PF: prato do futuro' Coordenação editorial: Raphael Martins Edição e finalização de vídeos: Cadu Lando Narração: Vivian Souza Reportagem: Vivian Souza Produção: Vivian Souza Roteiro: Vivian Souza Coordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana Mendicelli Coordenação de arte: Julio Dubiella Ilustração e infografia: Bruna Azevedo Fotografia: Cadu Lando e Kaique Mattos Motion Design: Thalita Ferraz Mais vídeos da série "PF: prato do futuro" Cafezinho em risco: como sombra de árvores pode ser solução para aumento da temperatura Prato do Futuro: como o acesso à internet melhora a vida no campo
04/06/2026 08:00:47 +00:00
Pressionadas por sanções dos EUA, empresas estrangeiras começam a deixar Cuba

Muitos exilados cubanos nos EUA Carl Juste/Miami Herald/ZUMA/picture alliance A poucos dias do fim do prazo dado pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras rompam seus vínculos com o conglomerado econômico-militar Gaesa, alvo de sanções de Washington, várias companhias já encerraram ou reduziram substancialmente suas atividades em Cuba. Em 1º de maio, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que endurece as sanções contra Cuba, reiterando que a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida, representa "uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos Estados Unidos. A administração Trump, que impõe desde janeiro um bloqueio petrolífero à ilha, também voltou sua atenção para o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), vinculado às Forças Armadas cubanas e uma das primeiras entidades sancionadas sob a nova ordem executiva. Em consequência, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro estabeleceu a próxima sexta-feira (5) como prazo final para que empresas estrangeiras com negócios ligados ao Gaesa reajustem suas operações ou enfrentem sanções dos Estados Unidos. Em Cuba, milhares de manifestantes protestam contra ameaças dos EUA Essas medidas podem implicar dificuldades de acesso ao sistema financeiro internacional e à realização de transações, proibição de que bancos trabalhem com essas empresas ou congelamento de ativos. Nesse contexto, várias redes hoteleiras já anunciaram sua retirada ou a redução de suas operações na ilha. Contexto geopolítico A rede espanhola Meliá anunciou nesta quarta-feira (3) que encerrará suas operações em 15 hotéis administrados em Cuba em parceria com o Gaesa, embora não tenha mencionado os outros 19 estabelecimentos que opera com o Ministério do Turismo cubano. "Diante dos acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba", a Meliá informa que "adotou a decisão de concluir imediatamente a prestação dos serviços de gestão e comercialização" desses hotéis na ilha, afirmou a empresa em comunicado. A Meliá se junta à rede espanhola Iberostar e à canadense Blue Diamond, que anunciaram nos últimos dias o encerramento parcial ou total de suas operações turísticas em Cuba. A Iberostar deixou de administrar 12 hotéis operados em Cuba em associação com o Gaesa, embora continue trabalhando com outras seis unidades pertencentes ao Ministério do Turismo, informaram à AFP várias fontes próximas ao assunto. Iberostar e Meliá foram as primeiras redes hoteleiras espanholas a chegar a Cuba, depois que a ilha se abriu ao turismo internacional para tentar superar a crise provocada pela queda do bloco soviético em 1991. Na segunda-feira, a rede canadense Blue Diamond informou à AFP que encerrava suas operações em Cuba devido à situação atual do setor, em um momento em que a ilha enfrenta crescente pressão dos Estados Unidos. EUA voltam atrás e autorizam petroleiro russo a atracar em Cuba O grupo asiático Archipelago International também estuda limitar sua presença ou abandonar a ilha, segundo fontes próximas ao setor ouvidas pela AFP. Ativa no setor de mineração, também na mira de Washington, a canadense Sherritt tornou-se, em 7 de maio, a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída de Cuba, onde extraía níquel e cobalto desde a década de 1990 por meio da empresa mista General Nickel Company S.A. "O impacto para a economia cubana da saída de todas essas companhias internacionais no curto prazo é devastador", declarou à AFP o economista e consultor cubano Daniel Torralbas. Isso "transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos", acrescentou. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, firme opositor do governo de Havana, acusou há duas semanas os líderes cubanos de roubo e corrupção por meio do Gaesa. Rubio lembrou que o ex-presidente Raúl Castro, atualmente denunciado pela Justiça americana, foi o fundador do Gaesa, que, segundo o Departamento de Estado dos EUA, possui ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (R$ 90,3 bilhões) e controla até 70% da economia cubana. Na terça-feira, o governo cubano defendeu o papel do conglomerado, criado na década de 1990 para contornar o embargo americano em vigor desde 1962 e gerar divisas para impulsionar a economia do país.
04/06/2026 07:01:10 +00:00
GAC Aion UT traz a dúvida: vale abrir mão de equipamentos por mais potência? g1 testou

GAC Aion UT traz a dúvida: vale abrir mão de equipamentos por mais potência? g1 testou O GAC Aion UT é um dos poucos lançamentos da marca chinesa no Brasil em 2026, depois da chegada de cinco modelos de uma só vez no ano passado. Trata-se do elétrico mais barato da GAC com rivais que já estão no pódio dos mais vendidos do Brasil: BYD Dolphin Mini, Dolphin e o Geely EX2. Para ter chances contra o trio, o Aion UT traz uma proposta incomum entre os chineses: abre mão de uma longa lista de equipamentos para apostar mais em potência e espaço interno. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O modelo parte de R$ 139.990. O valor fica acima dos R$ 118.990 do Dolphin Mini, o carro elétrico mais vendido do Brasil em 2026, e abaixo dos R$ 149.990 do segundo colocado, o Dolphin. O g1 testou o carro em um trajeto totalmente urbano em São Paulo (SP), para avaliar se a redução de itens e conforto vale a pena em um mercado que se acostumou a acabamentos mais macios, em vez de plástico rígido. Começando pelo visual externo, o Aion UT segue um estilo mais padronizado visto em carros chineses. A dianteira fechada e levemente pontuda, as linhas suaves e a quase ausência de ângulos retos na carroceria reforçam essa impressão. As maçanetas ficam alinhadas à carroceria, embora apenas pareçam retráteis. Elas lembram o modelo usado no Chevrolet Corsa, aquele que fica “embutido” na porta. GAC Aion UT O visual não chega a ser feio, mas também não se destaca nem mostra muita personalidade. Ele lembra modelos de outras marcas chinesas, como Leapmotor C10 e Geely EX2 — este segundo é o mais parecido, mas é menor e tem quase metade da potência. Por dentro GAC, o padrão segue o mesmo. A central multimídia de 14,6 polegadas concentra muitas funções e aposta em um visual mais limpo. Além dos controles do ar-condicionado, a tela reúne também os ajustes dos retrovisores e até a abertura do teto solar. É justamente aqui que está a principal aposta da GAC. Diferente de modelos chineses recentes, como o Geely EX2 e até o Chevrolet Spark EUV — o segundo desenvolvido e produzido pela chinesa SAIC —, o Aion UT usa principalmente plástico rígido no acabamento. Esse acabamento não é tão monótono quanto o visto em muitos carros da Volkswagen. A proposta se aproxima mais da Fiat, com o uso de diferentes texturas e tons do mesmo material para dar mais “movimento” ao interior. GAC Aion UT é quase todo de plástico, inclusive na costura preta divulgação/GAC Há até uma costura falsa nas portas, que tenta imitar o acabamento em couro. As únicas áreas macias de verdade ficam onde os braços se apoiam: no apoio lateral das portas e na extensão do console central elevado. Esse nível de simplicidade é incomum entre os carros chineses lançados desde 2023. Outra mudança em relação ao que o público brasileiro se acostumou está no teto solar: em vez de abrir para ventilação, ele funciona apenas como uma superfície de vidro para entrada de luz, sem abertura. A terceira diferença aparece na lista de equipamentos mais enxuta da versão de entrada. No GAC Aion UT não há sequer piloto automático simples, item presente até mesmo no Chevrolet Onix de 2017. Carregador de celular por indução e bancos com ajustes elétricos? Só na versão topo de linha. Até os auxílios ao motorista, como o freio automático de emergência, ficam restritos à opção mais cara. GAC Aion UT GAC Aion UT Com tantas limitações, o modelo de entrada poderia parecer sem graça. Ainda assim, a escolha da GAC foi oferecer, mesmo na versão mais simples, bom espaço interno e desempenho. Esse espaço não aparece no porta-malas, que tem apenas 340 litros, mas se destaca na área para as pernas dos ocupantes. Mesmo com os bancos dianteiros ajustados para pessoas de 1,80 metro, quem vai atrás e tem a mesma altura não chega a encostar os joelhos nos bancos. GAC Aion UT divulgação/GAC Isso se explica por dois fatores: apesar de ser um hatch, o Aion UT tem 4,27 metros de comprimento, seis centímetros a mais que um Volkswagen T-Cross, por exemplo. Já a distância entre-eixos é cinco centímetros maior que os 2,70 metros do sedã Toyota Corolla, conhecido pelo bom espaço para as pernas. Na largura, o carro acomoda bem quatro pessoas, com duas no banco traseiro. Até três adultos conseguem viajar ali, embora com os braços mais apertados. Em compensação, o assoalho plano ajuda a evitar disputa por espaço para as pernas. A potência é outro ponto bastante positivo. São 204 cv e 21,5 kgfm de torque, que se mostraram mais ariscos do que os números quase idênticos do motor elétrico do BYD Dolphin Plus. Carro é esperto GAC Aion UT divulgação/GAC Passada a lista de acabamento, mãos ao volante e, mesmo com subidas longas de São Paulo (SP) e dois adultos a bordo, as retomadas e acelerações aconteceram sem dificuldade. Ultrapassar outro carro, mesmo em subida e com o ar-condicionado ligado, não foi difícil para o Aion UT. Em nenhum momento o motor pareceu no limite, mesmo com o acelerador pressionado até o fim. Nos semáforos, ele chegou a arrancar à frente de todas as motos. O Aion UT é ágil, mais do que outros carros com potência semelhante, mesmo sendo pesado e com aerodinâmica pouco voltada à esportividade. Pelo visual, inclusive, ele não sugere esse comportamento mais dinâmico. A resposta ao acelerador, bastante sensível, aparece tanto no modo esportivo quanto no modo normal. Ela fica mais suave apenas no modo econômico, em que a entrega de potência acontece de forma mais gradual. Essa característica levou à inclusão de dois ajustes extras: um chamado “estacionamento confortável” e outro que promete reduzir o enjoo dos ocupantes. A ideia é simples: aumentar o tempo de resposta do acelerador, fazendo com que a potência seja entregue de forma ainda mais gradual. Com qualquer uma delas ativada, o carro balança menos nas acelerações e frenagens. Isso tende a reduz a sensação de enjoo e garante mais controle em manobras de estacionamento. Como o trajeto foi feito em ruas bem asfaltadas, não foi possível avaliar a suspensão com precisão. Ainda assim, a reportagem percebeu que os poucos solavancos causados por irregularidades no piso foram bem absorvidos. Isso pode passar a impressão de uma suspensão mais macia e confortável, porém menos voltada à estabilidade em velocidades acima de 100 km/h. GAC Aion UT: vale a pena? GAC Aion UT divulgação/GAC A troca de uma lista mais completa de itens de série por mais espaço faria mais sentido se o porta-malas também fosse maior. Ainda assim, o desempenho mais ágil em um carro de entrada chamou atenção. Esse comportamento não aparece da mesma forma em concorrentes como o BYD Dolphin ou o Chevrolet Spark EUV, que são mais comedidos em potência, mas entregam mais conforto e itens de série em um preço praticamente idêntico: BYD Dolphin GS: a partir de R$ 149.990; Chevrolet Spark EUV: a partir de R$ 144.990. A dose extra de desempenho passa a sensação de que o Aion UT pode encarar a estrada com mais segurança do que concorrentes próximos.
04/06/2026 07:01:08 +00:00
Enam, exame para quem quer entrar na magistratura, deve reunir mais de 30 mil pessoas neste domingo

Mais de 30 mil bacharéis em Direito vão fazer a 5ª edição do ENAM Mais de 31 mil bacharéis em Direito devem participar, neste domingo (7), da 5ª edição do Exame Nacional da Magistratura (Enam), realizado em todas as capitais brasileiras. O exame é uma etapa obrigatória para quem deseja concorrer a cargos de juiz no país. Segundo a organização, 31.538 candidatos tiveram a inscrição confirmada nesta edição. São Paulo lidera o número de participantes, com 5.787 inscritos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A prova será aplicada no período da tarde, das 13h às 18h (horário de Brasília). Os portões serão fechados às 12h30, e a recomendação é que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora e meia de antecedência. ⏰ A organização também reforça que não haverá tolerância para atrasos, e que o acesso ao local de prova será permitido apenas com documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul. Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Exame Nacional da Magistratura é uma etapa obrigatória para quem deseja participar de concursos para juiz em tribunais estaduais, federais, trabalhistas e militares. 📎 Na prática, o Enam não oferece vagas diretamente. Ele funciona como uma etapa de habilitação: apenas os aprovados podem se inscrever nos concursos da magistratura. O certificado tem validade de dois anos e pode ser prorrogado uma única vez por igual período. A proposta do exame é estabelecer um padrão nacional de seleção e reduzir as diferenças entre os concursos realizados pelos tribunais em cada estado. Inscritos para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM) se encaminham para local de prova, no DF TV Globo/Reprodução Estrutura da prova e regras A prova será composta por 80 questões objetivas de múltipla escolha, que abordam os seguintes conteúdos: Direito Constitucional; Direito Administrativo; Direito Civil; Direito Penal; Empresarial; Processual Civil; Direitos Humanos; Formação Humanística. Para ser habilitado, o candidato da ampla concorrência precisa atingir pelo menos 70% de acertos. Já os participantes de ações afirmativas têm exigência mínima de 50%. Ainda conforme as regras do edital, é obrigatório apresentar documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul para realizar a prova. A organização recomenda ainda que os participantes verifiquem previamente o local de prova, que já está disponível para consulta no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora. Os locais de prova estão distribuídos em todas as capitais brasileiras e podem ser consultados pelos candidatos nos canais oficiais da organização do exame. 'Acho que nós vamos conseguir selecionar uma quantidade relevante de pessoas muito qualificadas para se tornarem juízes', disse Barroso 'Exame valoriza o raciocínio' Em entrevista ao g1, o diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, afirmou que o Enam foi criado para mudar o foco dos concursos para juiz. "Nós temos que fugir daquele candidato que vira uma máquina de fazer prova (...) Não se trata de decorar artigos de lei ou da Constituição. O exame valoriza o raciocínio, a resolução de problemas e a capacidade de lidar com situações concretas", disse. Para o ministro, o exame também contribui para alterar o perfil dos futuros magistrados. "O concurso de juiz não é democrático, não é acessível (...) a dificuldade objetiva acaba criando uma barreira para muitas pessoas (...) o Enam veio olhar para uma outra camada da sociedade". Segundo dados da Enfam, nesta quinta edição, as mulheres são maioria entre os inscritos, representando 55,14% do total, enquanto homens somam 44,83%. O levantamento também aponta a participação de 5.187 pessoas negras, 1.709 pessoas com deficiência, além de indígenas e quilombolas. Os dados, segundo o ministro, apontam um sutil avanço. Após quatro edições da prova, a Enfam afirma que o Enam já reúne cerca de 17 mil candidatos habilitados em todo o país. Na avaliação do ministro, o exame já começa a impactar a formação dos candidatos que participam dos concursos da magistratura. "Eu considero um sucesso, especialmente pela qualidade dos candidatos que chegam aos concursos e aos cursos de formação", disse. O banco de habilitados passou a ser utilizado como etapa prévia obrigatória para concursos da magistratura em diferentes ramos do Judiciário, o que, segundo a Enfam, contribui para maior uniformidade no perfil dos candidatos em nível nacional. Questionado sobre o esquema de segurança do exame, o ministro afirmou ainda que o processo segue padrões rígidos de segurança e sigilo. Segundo ele, nas edições anteriores não houve registro de ocorrências relevantes. "Em segurança, predomina o sigilo. Mas posso afirmar que, nas quatro edições do Enam, não tivemos nenhum caso grave", completou o ministro.
04/06/2026 06:00:43 +00:00
Trump 'rompe trégua com Lula' e causa 'tempestade' no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas

Lula diz que foi pego de 'surpresa' com novas propostas de tarifas dos EUA As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de "terroristas" romperam uma "trégua" entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma "tempestade política" pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump", diz a reportagem assinada por repórteres em Brasília e Londres. O "FT" associou as medidas a "um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro", referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil. A tentativa de Flávio, segue o FT, é de "se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina". Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país. Já na terça-feira (2) o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro "irrazoáveis" que "oneram ou restringem o comércio dos EUA". O jornal britânico escreve que "Trump desencadeou uma tempestade política", levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como "TariFlávio". Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço "o tornou mais popular", assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos. O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi "colocado na defensiva pela proposta de tarifas", citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas. A reportagem também avalia que Trump "não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro", mas que uma série de sinais "foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro". Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de "um jovem inteligente que ama seu país". Segundo Traumann disse ao jornal, o conjunto de declarações e medidas também mostram que os EUA "querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula". LEIA TAMBÉM Com elogios a Flávio Bolsonaro, Trump aterrissa na campanha eleitoral brasileira Trump declara apoio a 'sósia' de Bukele nas eleições presidenciais da Colômbia FOTOS: Búfalo batizado de Donald Trump atrai multidões ao zoológico de Bangladesh O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026. AFP VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
04/06/2026 03:01:02 +00:00
Entidades vão contestar no STF decisão do Congresso Nacional que dificulta aborto legal em crianças

Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em crianças vítimas de estupro Entidades e organizações da sociedade civil que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) questionarão, no Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão de uma resolução que orientava o procedimento de aborto legal por crianças vítimas de estupro, direito garantido por lei. O PDL foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados (veja como cada deputado votou), depois, em menos de dois minutos, no Senado Federal em votação simbólica – modalidade em que não fica registrado quais senadores votaram a favor ou contra. A ação terá o PSOL como autor e será apresentada à Corte após a promulgação do projeto de decreto legislativo (PDL) pelo Congresso. 🔎 A decisão dos deputados e senadores suspende integralmente os efeitos de Resolução 258 do Conanda. A norma trazia orientações para o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora da proposta que derrubou a resolução, diz que o Conanda extrapolou suas competências e tentou legislar no lugar do Congresso. Este argumento deve ser contestado na ação judicial. "Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias", afirma a presidente do órgão, Delia Martins, à GloboNews. A ação no STF deve ser endossada apenas por entidades da sociedade civil, embora o governo federal também tenha representantes no Conanda. A estátua 'A Justiça', em frente ao prédio do STF e ao fundo Prédio do Congresso Nacional. TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Votação relâmpago Diferentemente de quando passou pela Câmara dos Deputados e motivou discussões acaloradas, em novembro de 2025, a votação no Senado Federal foi aprovada em 1 minuto e 42 segundos, sem falas ou intervenções de parlamentares. O silêncio no plenário é reflexo direto da influência do período eleitoral. Os ministérios dos Direitos Humanos e das Mulheres estavam em alerta desde que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que pautaria o PDL nesta semana. Dias antes, já tinham destacado interlocutores para visitar gabinetes do Senado e defender a manutenção da resolução. Mas foram pegos de surpresa com a votação sendo apresentada fora da pauta. Defensores da resolução afirmam que ela não inova nem cria novas regras, mas organiza o atendimento de crianças vítimas de violência sexual que engravidam. "Nós não estamos obrigando a fazer o aborto, mas dizendo que a criança tem o direito de não carregar o fruto de uma violência sexual", diz um integrante do Executivo. Aliados de Damares Alves, por outro lado, admitem que a votação foi facilitada pelo fato de o governo não ter "colocado o time em campo" e enfrentado o tema. A avaliação entre eles é a de que o Planalto não quis se desgastar com um tema espinhoso na véspera das eleições. A resolução, que entrou em vigor em janeiro de 2025, destaca que a gestação em crianças e adolescentes é um processo que “representa risco à saúde física, psicológica e mental que pode resultar em impactos sociais no seu pleno desenvolvimento, aumento de adoecimento, incapacidade e mortes”.
03/06/2026 23:13:51 +00:00
Governo publica regra que permite manter o Bolsa Família durante análise do BPC

Bolsa Família; cartão bolsa família Setas/Divulgação Brasileiros inscritos no Bolsa Família e que desejarem solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vão poder continuar no programa até que a análise pelo governo federal seja concluída. O desligamento do Bolsa Família ocorrerá somente no final do processo e se o BPC for concedido. A nova regra começou a valer na terça-feira (2). A alteração decorre de um acordo entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública da União, firmado após a aprovação da lei que mudou o cálculo da renda familiar para a concessão do BPC, passando a incluir na conta valores antes desconsiderados, como os do Bolsa Família. A mudança cria agora uma espécie de "período de transição" entre os dois benefícios e permite que o pedido do BPC siga para análise mesmo se a renda da família superar o valor permitido em função do Bolsa Família (ver detalhes abaixo). Critérios de acesso ao BPC O novo cálculo para a concessão do BPC teve como objetivo, segundo o governo informou à época, evitar o acúmulo de benefícios. Veja as regras básicas para a concessão do benefício: ter renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo; ter idade igual ou superior a 65 anos ou alguma deficiência verificada por meio de avaliação biopsicossocial; estar inscrito no Cadastro Único, com CPF de todos os integrantes da família e demais informações atualizadas; possuir registro biométrico na Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou, transitoriamente, no Título de Eleitor ou na Base da Polícia Federal; e morar no Brasil. Todos os rendimentos passaram, portanto, a ser considerados para o cálculo da renda familiar, com algumas exceções. São elas: bolsas de estágio supervisionado; rendimentos de contrato de aprendizagem; valores de auxílio financeiro temporário ou indenização por rompimento/colapso de barragem; BPC recebido por outra pessoa idosa ou com deficiência da família; benefício previdenciário de até um salário mínimo concedido a pessoa idosa (com mais de 65 anos) ou com deficiência, limitado a um por membro; e auxílio-inclusão e a respectiva remuneração, quando utilizados apenas para manter o BPC de outro integrante do mesmo grupo familiar. Como vai funcionar O formulário de requerimento do BPC passou a incluir uma declaração em que o solicitante informa ser responsável familiar do Bolsa Família e autoriza o desligamento voluntário do programa caso o benefício seja o único motivo para a negativa do pedido. Na análise, o INSS identifica, entre os pedidos que ultrapassam o limite de renda, aqueles em que existe o recebimento do Bolsa Família. Se o requerente for o responsável familiar e tiver preenchido a declaração, o órgão faz uma segunda avaliação desconsiderando os valores do programa. Se, nesse novo cálculo, a renda ficar dentro do limite, o pedido segue normalmente para análise dos demais critérios do BPC. Em caso de aprovação, o INSS envia a declaração ao Ministério do Desenvolvimento Social, que interrompe o pagamento do Bolsa Família.
03/06/2026 21:43:32 +00:00
SpaceX define preço de US$ 135 por ação para estreia na bolsa americana

Nave Starship, da SpaceX, durante seu 12º voo Reuters/Steve Nesius A SpaceX anunciou publicamente, nesta quarta-feira (3), o preço de US$ 135 por ação para sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Nova York, rompendo com o modelo tradicional de definição de preços de Wall Street e destacando a intenção de Elon Musk de captar valores recordes do seu próprio modo. 🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado. A decisão da empresa de divulgar o preço uma semana antes da oferta, algo raro entre grandes IPOs nos Estados Unidos, reforça a imagem de Musk no mercado financeiro como um empreendedor ousado e bem-sucedido. A empresa pretende captar US$ 75 bilhões, o maior valor já obtido em um IPO, o que a avaliaria em US$ 1,75 trilhão e a colocaria imediatamente entre as dez empresas mais valiosas dos Estados Unidos. A empresa começará na quinta-feira da próxima semana (10) a apresentação a investidores, com a definição final do preço prevista para 11 de junho; a negociação das ações na Nasdaq deve começar no dia seguinte. Agora no g1 Musk também vem mudando práticas comuns em IPOs da SpaceX de várias maneiras, como ao propor maior participação de investidores individuais na distribuição das ações, defender uma inclusão mais rápida em índices e organizar a governança para manter forte controle do fundador. “Nada neste IPO é normal em qualquer aspecto, mas, por outro lado, este é o maior IPO da história, então talvez isso não seja surpreendente”, disse um investidor que planeja comprar ações na oferta. Levando à estrada O roadshow é a etapa em que empresas e bancos consultam investidores para definir uma faixa de preço para a venda de ações. Esse processo valoriza tanto o relacionamento dos bancos com potenciais investidores quanto sua leitura do mercado para a oferta. Após uma série de reuniões preliminares com investidores antes do roadshow, a SpaceX indicou buscar uma avaliação de cerca de US$ 1,75 trilhão, enquanto parte do mercado apontava para US$ 1,5 trilhão ou menos. Os planos da empresa, incluindo o valor a ser captado, podem mudar à medida que uma nova rodada de conversas com investidores se inicia, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Em Wall Street, houve uma corrida para garantir participação na operação, impulsionada pela reputação de Musk e pelo potencial de geração de milhões de dólares em taxas. Um investidor afirmou que há a percepção de que grandes instituições estão “se posicionando antecipadamente” ao dizer que investiram cedo — o que reflete e reforça o poder de influência de Musk sobre o mercado. Outros aspectos da oferta da SpaceX também chamam atenção. Grandes bancos internacionais, como Mizuho, Deutsche Bank, UBS e Barclays, foram incentivados a focar na atração de investidores pessoas físicas de alta renda em seus países. No passado, esse público recebia menos atenção, já que os bancos priorizavam o retorno de grandes gestoras de ativos, como a Fidelity Investments, e de fundos hedge, como a Citadel.
03/06/2026 21:03:39 +00:00
Planalto conta com encontro entre Lula e Trump durante o G7, na França

Planalto aposta em encontro entre Lula e Trump no G7 Integrantes do Palácio do Planalto contam com um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula do G7, na França. Lula confirmou nesta quarta-feira (3) sua ida à cúpula. O encontro de líderes vai acontecer entre os dias 15 e 17 de junho em Evian, na França. Segundo afirmaram fontes do Planalto ao blog, não há agenda entre os presidentes marcada, mas como o grupo de líderes presentes é menor, um encontro será “inevitável”. Lula tentará falar de tarifas e reforçar parcerias com o presidente dos EUA. 🔎 O G7 é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Lula foi convidado a participar do encontro este ano pelo anfitrião — o presidente da França, Emmanuel Macron. O Brasil não faz parte do grupo, no entanto, desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023, Lula tem sido chamado a participar das reuniões. Uma investigação do escritório norte-americano concluiu, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar à taxa proposta em outro relatório dos EUA, divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. ➡️ O primeiro texto previa a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo, um adicional de 12,5%. Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximos aos 40% impostos no ano passado — caso entre em vigor. Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026 Presidência da República O presidente afirmou nesta quarta que não foi comunicado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos sobre as propostas de novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, e que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump. Ele disse que foi surpreendido pelo anúncio e que o país "não pode aceitar" o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil. Lula deu a declaração durante reunião ministerial no Palácio do Planalto. Durante a fala inicial, o petista reforçou discursos anteriores, em que criticou o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, e o chamou de "latinoamericano frustrado".
03/06/2026 19:34:08 +00:00
'O Pix não sofre nenhuma ameaça', diz ex-diretor da OMC sobre relatório dos EUA

Roberto Azevêdo comandou a Organização Mundial do Comércio (OMC) entre 2013 e 2020 AFP O anúncio de que o governo dos Estados Unidos pode retomar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, ocorrido nos últimos dois dias, detonou uma disputa política entre os dois principais pré-candidatos à Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula acusa Flávio de ter pedido a imposição de tarifas ao Brasil durante visita a Donald Trump, nos Estados Unidos, na semana passada. Do outro lado, Flávio Bolsonaro acusa o governo brasileiro de não ter conseguido negociar com os Estados Unidos de forma satisfatória. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Agora no g1 Mas embora a medida, caso implementada, possa afetar pelo menos 20% de todos os produtos exportados aos Estados Unidos, parte dos embates políticos tem se dado em torno de um ponto: o Pix. Lula vem usando o argumento de que os Estados Unidos seriam contra o Pix, mecanismo criado pelo Banco Central que permite transações financeiras instantâneas e gratuitas. Flávio, por outro lado, usa como argumento o fato de que o Pix foi lançado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro. O documento divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na segunda-feira como resultado de uma investigação comercial fez diversas menções ao Pix, classifica o mecanismo como um "campeão nacional" e diz que ele representaria uma ameaça à atuação de empresas norte-americanas que atuam no segmento de meios de pagamento. Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5). REPRODUÇÃO/INSTAGRAM/@FLAVIOBOLSONARO via BBC Em meio a debate político, o diplomata brasileiro, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) e consultor Roberto Azevêdo, minimiza as supostas ameaças sofridas pelo Pix. "O Pix em si não sofre nenhuma ameaça", diz Azevêdo em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ele, o único questionamento significativo dos norte-americanos sobre o Pix está no fato de ele ser operado pelo Banco Central, que é, ao mesmo tempo, o órgão regulador das empresas de meios de pagamento que concorrem com o Pix. "No Brasil, está se fazendo muito alarde em torno do Pix, mas não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil", completa Azevêdo. Com mais de 30 anos de diplomacia, Azevêdo é apontado por colegas brasileiros e estrangeiros como um especialista em negociações internacionais. No Ministério das Relações Exteriores (MRE), ele comandou o Departamento Econômico da pasta, entre 2005 e 2006. Depois, foi indicado como embaixador do Brasil na OMC. Em 2013, assumiu a presidência do órgão, por indicação do governo brasileiro. Em 2017, foi reeleito para o cargo, mas renunciou em 2020 para assumir a vice-presidência da PepsiCo. Em 2023, ele deixou o cargo e hoje atua como consultor e membro de conselhos em órgãos como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na entrevista, Azevêdo diz que o Brasil deve continuar tentando negociar para reduzir os impactos das tarifas que o governo dos EUA pode querer impor sobre o Brasil. Em tom cauteloso, Azevêdo diz acreditar que os governos de Brasil e dos Estados Unidos não teriam se empenhado efetivamente nas negociações sobre o assunto, mas evitou explicar o que teria levado o governo brasileiro a fazê-lo. Ele diz, no entanto, que é preciso que o clima de embate eleitoral não afete o processo negocial. "O importante é ter a cabeça fria, negociar e procurar reduzir o impacto econômico, comercial e social no Brasil da melhor maneira possível e não criar animosidade e um clima de polêmica ou de guerra com fins estritamente eleitorais", diz. Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre a possibilidade de imposição de tarifas a produtos brasileiros exportados aos EUA Getty Images Confira os principais trechos da entrevista: BBC News Brasil - Qual é o impacto imediato desse anúncio em relação às tarifas para a economia brasileira? Roberto Azevêdo - Voltamos à situação que vivíamos antes de a Suprema Corte norte-americana derrubar as tarifas em janeiro deste ano. O que está acontecendo agora é que aquelas tarifas estão sendo reintroduzidas em um patamar mais baixo. Até janeiro, as tarifas estavam num patamar de 40%. Agora, estão sendo reintroduzidas a 25%. Antes, era exorbitante, mas ainda é muito alto. BBC News Brasil - Quão prejudiciais essas tarifas podem ser para a economia brasileira? Azevêdo - Já eram bastante prejudiciais e continuarão sendo por vários motivos. Não apenas por fechar o mercado americano, mas por impedir a integração de determinados segmentos da cadeia produtiva brasileira nas cadeias de valor globais que passam pelos Estados Unidos. Os Estados Unidos são um mercado no qual o Brasil consegue vender produtos de alto valor agregado, ao contrário das nossas exportações para a China, para onde nós vendemos muitas commodities. Nos Estados Unidos, vendemos máquinas, equipamentos, produtos acabados e semimanufaturados. É um mercado muito especial e esse mercado vai se fechando progressivamente. BBC News Brasil - O governo alega que havia uma negociação em curso, com um prazo de 30 dias que ainda não havia esgotado. Houve uma quebra de confiança na negociação? Azevêdo - Essa negociação vinha acontecendo de maneira muito incipiente. Todas as informações que eu tenho são de que houve um ou dois contatos muito superficiais. Foram contatos em alto nível, entre o Jamiesson Greer (secretário de Comércio dos EUA) e nosso ministro da Indústria e Comércio (Márcio Elias Rosa). Mas é muito difícil chegar a resultados que alterem o contexto da decisão que foi proposta com negociações nesse estágio de tratativa. Precisaríamos ter algo mais avançado, uma coisa mais palpável e isso não estava presente. A proposta de adoção de medidas da forma que foi formulada não surpreende. BBC News Brasil - O que resta ao governo brasileiro fazer para evitar que essas sanções sejam de fato impostas? Azevêdo - Sobretudo, negociar, que é o que todos os outros países estão fazendo. Eu vejo algumas pessoas no Brasil falando em retaliação, em usar a lei de reciprocidade. Até podemos fazer, mas, francamente, nenhum outro país fez isso até hoje. Só a China. Mas a gente não pode comparar o poder de fogo da China com o brasileiro. A China fez isso e conseguiu fazer com que os Estados Unidos repensassem muito do que eles vinham fazendo. Mas a China é um mercado que é fundamental para os Estados Unidos. O Brasil não é. O Brasil não terá nenhuma capacidade de fazer os Estados Unidos reverem as suas estratégias por meio de retaliações ou medidas de reciprocidade. A gente tem que tomar cuidado para não deixar o discurso eleitoral ganhar o jogo e prevalecer sobre os interesses concretos e os interesses comerciais da economia brasileira [...] O importante é ter a cabeça fria, negociar e procurar reduzir o impacto econômico, comercial e social no Brasil da melhor maneira possível e não criar animosidade e um clima de polêmica ou de guerra com fins estritamente eleitorais. BBC News Brasil - Na sua avaliação, é isso que o presidente Lula tem feito? Azevêdo - Não sou eu que vou julgar qual é o impacto. Estou apenas dizendo que é necessário que nós tenhamos muito presente o fato de que quem vai pagar a conta desse atrito e dessa não convergência serão as empresas brasileiras, os trabalhadores brasileiros que estão empregados e que vão, possivelmente, perder o emprego ou ter seus salários afetados por essa situação de embate com os Estados Unidos. BBC News Brasil - O presidente Lula tem atribuído esse anúncio à atuação política do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Qual é a sua avaliação em relação a isso? Qual é a responsabilidade que ele teve nisso? Azevêdo - Acho que na parte política os políticos que se entendam. Haverá acusações de parte a parte. Um lado vai dizer que o outro não quer negociar. O outro vai dizer que o outro lado foi quem provocou isso. Essas acusações, para mim, não resolvem o problema e não vão levar adiante medidas e ações que possam reduzir o impacto contra a nossa economia. BBC News Brasil - O Brasil tem negociado bem com o governo dos Estados Unidos ou o anúncio dessas tarifas mostra que não e que o governo falhou em tentar uma negociação? Azevêdo - A negociação depende de dois lados. É preciso que os dois lados queiram negociar e eu não tenho muita certeza de que os dois lados tenham feito o necessário para engatar, efetivamente, uma negociação que levasse a um desfecho positivo ou mutuamente satisfatório. As negociações poderiam ter sido encaminhadas de uma maneira mais assertiva, mais construtiva, mais inovadora, mais criativa. Não acho que isso tenha acontecido e não vai ser agora, na reta final, que nós vamos conseguir mudar esse quadro de uma maneira muito significativa. Eu, particularmente, não acredito que isso vá acontecer. BBC News Brasil - Mas, embaixador, objetivamente, houve falha do governo brasileiro nesse processo? E se sim, qual? Azevêdo - Acho que os dois governos não demonstraram o empenho necessário para resolver esse problema de forma negociada. BBC News Brasil - E por que motivo o governo brasileiro faria isso? Azevêdo - Aí você deve perguntar para o governo brasileiro, não para mim. BBC News Brasil - Há uma disputa de narrativas para saber quem foi o responsável por isso. Na sua avaliação, o senador Flávio Bolsonaro tem responsabilidade sobre isso ou quem tem responsabilidade sobre isso é o presidente Lula? Azevêdo - Quem tem mais responsabilidade sobre isso é o presidente Trump. Foi ele quem tomou a decisão de adotar essas medidas para reindustrializar os Estados Unidos, para trazer investimentos para dentro dos Estados Unidos, para arrecadar recursos e arrecadar fundos para viabilizar programas de incentive fiscal que ele vem adotando em outras áreas. É uma decisão que não afetou apenas o Brasil, mas também outros vários países. BBC News Brasil - O relatório que foi divulgado pelo escritório comercial dos Estados Unidos faz muitas menções ao Pix. Por que é que há essa ênfase tão grande na ferramenta Pix? Azevêdo - Não tem uma ênfase diferente das demais. São seis temas que eles levantam. No relatório tem corrupção, desmatamento, etanol, tem propriedade intelectual, plataformas digitais. O Pix é uma delas. Não vejo nada de excepcional no tratamento que eles dão ao Pix. Pelo contrário, eles alegam que o problema do Pix não é o Pix em si, mas a forma como o Pix é administrado, porque ele é administrado pelo próprio órgão regulador que é o Banco Central. O questionamento é sobre o fato de que é o órgão central que impõe as regras sobre os concorrentes do Pix, que vêm a ser, por exemplo, Visa, Mastercard, etc. No Brasil, está se fazendo muito alarde em torno do Pix, mas não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil. BBC News Brasil - Na sua avaliação, o Pix sofre algum tipo de ameaças? Azevêdo - Não, a meu ver, não. O Pix em si não sofre nenhuma ameaça. BBC News Brasil - Mas qual é o interesse dessas grandes empresas em relação ao Pix? Azevêdo - O Pix aumentou a capacidade do consumidor brasileiro participar nas plataformas digitais nacionais. Nós, no comércio eletrônico e várias outras formas de engajamento econômico. Eles próprios reconhecem isso. O que eu ouço com frequência é o fato de que o Pix é operado pelo Banco Central e o Banco Central é o agente regulador. Portanto, seria desleal com os competidores do Pix o fato de que o Pix é operado pelo próprio agente regulador. Essa é a queixa que eu ouço e é isso que eu entendo que está sobre a mesa. BBC News Brasil - A questão do Pix vem sendo utilizada de forma política? Azevêdo - Eu acho que tudo está sendo explorado de forma política, por um lado ou pelo outro lado. É inevitável. Estamos em um ano eleitoral. É claro que essas coisas vão ser exploradas do ponto de vista eleitoral. Seria absolutamente impensável que não fossem exploradas. O que nós não podemos é perder a perspectiva do impacto real sobre a economia. BBC News Brasil - Há possibilidade de o governo recorrer à OMC, ser contra essas tarifas e qual a capacidade da OMC de resolver uma disputa como essa hoje? Azevêdo - Tanto o Brasil quanto outros países já recorreram à OMC, mas como todos nós sabemos, o órgão de solução de controvérsias da OMC está inoperante e, portanto, não vai levar a nenhuma consequência prática. Levar o tema à OMC tem sempre o poder de elevar a visibilidade do assunto e questionar a legitimidade dessas medidas. Mas não podemos esperar um resultado juridicamente efetivo na OMC. Isso seguramente não irá acontecer. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO Ricardo Stuckert / PR
03/06/2026 19:19:09 +00:00
Indicação dos EUA de novo embaixador no Brasil sem aval prévio do governo brasileiro incomoda Itamaraty

Indicação dos EUA de novo embaixador no Brasil sem aval prévio do governo brasileiro incomoda Itamaraty A indicação de um novo embaixador dos EUA sem consulta formal prévia ao governo brasileiro causou incômodo no Itamaraty e pode levar a um novo atrito entre Brasil e Estados Unidos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🔎 Na formalidade diplomática, os governos costumam fazem uma consulta formal e confidencial sobre o nome que desejam indicar para comandar a embaixada – o chamado "agrément" – para só depois anunciarem o escolhido para ocupar o cargo de embaixador. Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil é um parlamentar da Flórida. Ele é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos. Seu nome foi enviado ao Senado norte-americano para aprovação. Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO O blog apurou com integrantes do Itamaraty e do Planalto que a falta do "agrément" foi lida como um desrespeito por parte da diplomacia brasileira e acaba por reforçar a ideia de que o Departamento de Estado dos EUA é um núcleo do governo Trump que se movimenta contra o governo Lula. Apesar do incômodo com a falta de consulta prévia, interlocutores da área diplomática do governo brasileiro não acreditam que a indicação de Daniel Pérez como novo Embaixador será avaliada no Brasil por critérios ideológicos. Um assessor próximo do presidente defende que a falha diplomática dos EUA deve levar o Brasil a avaliar com cuidado autorizar que o diplomata assuma o posto em solo brasileiro. Em tese, caso não haja nada que desabone, as questões de diferença política ou ideológica não deve ser um critério levado em consideração para negar a autorização para o novo embaixador atuar no Brasil, dizem as fontes. Daniel Perez, apontado por Trump como embaixador dos EUA para o Brasil Câmara dos Deputados da Flórida Mesmo assim, há preocupação com o momento da indicação de um novo embaixador, às vésperas das eleições gerais no Brasil. No ano passado, o Brasil ignorou o "agrément" de Israel para um novo embaixador no país. Perguntadas sobre a preocupação do governo brasileiro de que o novo embaixador possa ter um papel na eleição de apoio a um candidato de oposição a Lula, em especial Flavio Bolsonaro, fontes que acompanham a indicação no governo dos EUA afirmam que o processo de sabatina no Senado pode ser lento e não há garantias de que Perez chegue ao Brasil antes das eleições. Apesar do mal-estar, a diplomacia brasileira entende que, do ponto de vista simbólico, é importante ter um embaixador no país. Diferentemente de um encarregado de negócios - cargo abaixo ao de um embaixador em uma representação do país - o embaixador por ter uma interlocução maior com o governo brasileiro.
03/06/2026 19:10:19 +00:00
Cuba vai suspender transações com Visa e Mastercard em meio a sanções dos EUA

Mastercard é acusada de cobrar tarifas excessivas. Reuters Cuba vai suspender as transações com cartões Visa e Mastercard a partir deste sábado (6), informou o Banco Central do país nesta quarta-feira (3), citando as sanções impostas pelos Estados Unidos. Segundo o Banco Central de Cuba, o banco estrangeiro que antes processava as transações com cartões de crédito decidiu restringir suas operações após um decreto dos EUA, publicado em 1º de maio, que ampliou significativamente as sanções ao comércio com o país. Agora no g1 "Como resultado dessa decisão, Cuba não poderá mais receber receitas da venda de bens e serviços por meio de cartões reconhecidos internacionalmente, como Visa e Mastercard", afirmou o Banco Central em comunicado. O decreto dos EUA provocou a saída de empresas de Cuba nas últimas semanas, incluindo redes hoteleiras, companhias aéreas e empresas globais de transporte marítimo, à medida que investidores estrangeiros buscam se afastar de instituições da ilha sancionadas pelo governo americano.
03/06/2026 18:28:30 +00:00
Exportações para os EUA recuam 14% em maio; balança tem saldo positivo de US$ 7,8 bilhões

O Brasil registrou déficit em suas transações comerciais com os Estados Unidos em maio, informou nesta quarta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 🔎O déficit comercial significa que o Brasil importou mais produtos americanos do que exportou para os Estados Unidos. Para a economia brasileira, esse fato representa um cenário desfavorável. De acordo com o governo, as exportações aos EUA somaram US$ 3,09 bilhões em maio, com queda de 14%, frente ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 3,21 bilhões da economia norte-americana, com recuo de 11% na comparação com maio de 2025. Com isso, o saldo ficou deficitário para o Brasil em US$ 121 milhões no mês passado. No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, os dados do governo mostram uma queda de vendas externas aos Estados Unidos de 16%, o equivalente a US$ 2,7 bilhões a menos. No período, as exportações brasileiras para lá totalizaram US$ 14 bilhões. Esse recuo ainda não contempla os efeitos da tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras anunciada nesta segunda-feira (1), sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos. E nem mesmo de um adicional sobre 60 países — entre eles o Brasil — que teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas sobretaxas, juntas, podem chegar a 37,5%. Agora no g1 Balança comercial como um todo ▶️ Apesar da queda nas vendas para os EUA, a balança comercial como um todo registrou um saldo positivo de US$ 7,82 bilhões em maio deste ano, segundo dados oficiais do governo brasileiro. 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O saldo positivo registrou alta de 10,8% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7,06 bilhões. Esse também foi o melhor resultado para meses de maio desde 2024, quando foi registrado um superávit de US$ 8,3 bilhões. 💵 Segundo o governo, em maio: As exportações somaram US$ 31,9 bilhões, com aumento de 12% pela média diária; As importações somaram US$ 24,1 bilhões, com aumento de 10,6% pela média diária. US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil Jornal Nacional/ Reprodução Acumulado do ano Nos cinco primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 32,66 bilhões, informou o governo. Com isso, houve aumento de 34,2% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 24,33 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 148,57 bilhões – alta 9,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária. Já as importações somaram US$ 115,9 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, com alta de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária. Exportações em maio Os destaques das vendas externas em maio seguem sendo produtos básicos, como a soja, petróleo e minérios: Soja: US$ 6,3 bilhões, com aumento de 14,6%; Óleos brutos de petróleo: US$ 3,81 bilhões, com queda de 9,3%; Minério de ferro: US$ 1,97 bilhão, com recuo de 15,2%; Carne bovina: US$ 1,7 bilhão, com crescimento de 50%; Óleos combustíveis: US$ 1,19 bilhão, com alta de 75%; Farelo de soja: US$ 1,03 bilhão, com aumento de 21,1%. Já os principais consumidores de produtos vendidos pelo Brasil para o exterior seguem sendo China e a União Europeia, com Estados Unidos na terceira posição: China: alta de 9,5%, para US$ 10,47 bilhões; União Europeia: aumento de 8,8%, para US$ 4,9 bilhões; Estados Unidos: queda de 14%, para US$ 3,09 bilhões Mercosul: queda de 15,6%, para US$ 1,89 bilhão; Asean: alta de 7,2%, para US$ 1,75 bilhões; África: alta de 10,2%, para US$ 1,17 bilhão; Oriente Médio: queda de 21,5%, para US$ 987 milhões; México: crescimento de 11,2%, para US$ 752 milhões.
03/06/2026 18:00:34 +00:00
Chevrolet apresenta o Onix Activ 2027; hatch tem suspensão mais alta e preço de R$ 114.990

Chevrolet apresentou o Onix Activ 2027 Divulgação / GM A Chevrolet reposicionou o Onix Activ dentro da linha 2027 e transformou a versão em um carro compacto com características mais próximas das encontradas em utilitários esportivos de entrada. O preço de tabela é de R$ 116.190, mas a GM divulgou preço promocional de R$ 114.990. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O Activ recebeu suspensão elevada e pneus específicos, alterações que elevaram a distância do solo para 201 milímetros na região entre os eixos. Os pneus são específicos para a versão. O conjunto também permitiu alcançar ângulos de ataque de 19,7 graus e de saída de 28,1 graus, favorecendo a passagem por lombadas, rampas e pisos irregulares. A marca diz que esta é a alteração mais profunda na geometria de uma versão do Onix. Agora no g1 Segundo a Chevrolet, o desenvolvimento da versão consumiu cerca de um ano de trabalho da engenharia brasileira da marca. O resultado foi um carro com 4,16 metros de comprimento e 1,53 metro de altura, aproximadamente 6 centímetros mais alto que as demais variantes do Onix. "Não se trata apenas de uma proposta visual inspirada no universo SUV, mas de um carro com conteúdo técnico real em altura, capacidade para transpor obstáculos e experiência ao volante. Isso permite à Chevrolet ofertar o modelo aventureiro de forma competitiva ante utilitários de entrada”, explica Paula Saiani, diretora de Marketing de Produto da GM América do Sul. Chevrolet Onix Activ 2027 Divulgação / GM Entre os equipamentos de série, o hatch traz transmissão automática, conexão Wi-Fi nativa, painel digital de 8 polegadas e central multimídia MyLink com tela de 11 polegadas. O acabamento também recebeu detalhes exclusivos, como bancos com identificação Activ, além de elementos escurecidos na grade, retrovisores, rodas e logotipos da marca. Na parte externa, o modelo ganhou ainda rack de teto funcional e lanternas com lentes cristalizadas. Com a reformulação, o Onix Activ assume o espaço anteriormente ocupado pelas versões LT e LTZ do hatch. A Chevrolet passa a posicioná-lo como a opção de entrada para clientes interessados na linha de SUVs e crossovers da fabricante, apostando na combinação entre o custo de um compacto e a posição de dirigir mais elevada típica dos utilitários. Interior do Chevrolet Onix Activ 2027 Divulgação / GM Onix ECO é 100% etanol Outra novidade da linha 2027 do Onix é a chegada da versão Eco, disponível tanto para o hatch quanto para o sedã. O modelo roda exclusivamente com etanol, é sempre equipado com câmbio automático e se enquadra no programa Carro Sustentável dentro do Mover. A versão hatch tem preço promocional de lançamento de R$ 99.990. O Onix Plus também tem preço especial: R$ 103.990 Segundo a GM, essa configuração foi pensada especialmente para empresas que buscam alternativas de descarbonização em escala, com previsibilidade de custos e contribuição direta para suas metas ESG. De acordo com a fabricante, o Onix Eco reduz em até 70% as emissões de carbono no critério poço à roda em comparação com um veículo movido a gasolina. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM A intenção da marca também é atender consumidores que vivem em regiões onde o etanol é a opção mais racional do ponto de vista econômico. A versão Eco foi desenvolvida para operar exclusivamente com o biocombustível e permite ao consumidor acessar benefícios dos incentivos fiscais previstos na legislação que entrou em vigor em julho de 2025. Segundo a GM, o modelo também possibilita trafegar com emissão zero de CO₂ fóssil, informação que consta na etiqueta do Inmetro. A fabricante afirma ainda que houve repasse integral desses incentivos, o que faria do Onix Eco o carro automático com melhor relação custo-benefício do país. Chevrolet Onix ECO tem incentivos fiscais e, segundo a marca, é menos poluente Divulgação / GM Para atender aos prazos de implementação do programa Carro Sustentável, a GM diz que adotou uma calibração específica do software do motor 1.0 turbo, sem realizar alterações em peças ou componentes. A potência foi mantida em 115 cv, limite estabelecido para obtenção do benefício. Além disso, houve ganhos de desempenho. O Onix Plus Eco acelera de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos, marca um décimo de segundo melhor que a da versão flex. O consumo também apresentou evolução no ciclo rodoviário do Inmetro. Enquanto o Onix Flex registra 10,9 km/l de etanol na estrada, a versão Eco alcança 11,1 km/l. Versão limitada Outra novidade da linha 2027 é a série especial limitada Onix Pro. Serão apenas 3.750 unidades. A GM decidiu lançar essa edição após a boa receptividade da série 100 anos. Ela é baseada na versão hatch 1.0 com câmbio manual e motor 1.0 aspirado. O preço é de R$ 104.390. O modelo tem rodas de liga leve de 16 polegadas, câmera de ré e bancos com combinação de tecido e revestimento sintético que imita couro. Esses são conteúdos típicos das versões mais caras, segundo a GM, com custo-benefício mais acessível. "É uma versão que entende esse desejo por mais presença, mais cuidado visual e mais percepção de valor, sem abrir mão da eficiência, conforto e da competitividade que sempre foram marcas do produto”, diz Victor Oyama, gerente de Marketing de Produto da GM América do Sul. Também são de série a chave com sensor de aproximação e a partida por botão, Wi-fi embarcado, o OnStar da GM e seis airbags. Esses equipamentos servem para mostrar, de acordo com a marca, que este não é um carro básico e que há pontos importantes para o cliente. Chevrolet Onix Log 2027 foi pensado para entragas em áreas urbanas Divulgação / GM Versão para entregas Outra série especial na linha 2027 é o Onix Log, desenvolvido para uso profissional e corporativo no transporte de cargas leves. O hatch tem capacidade para levar até 375 quilos. Segundo a GM, o modelo foi pensado para empresas que buscam baixo custo operacional. De acordo com a fabricante, uma das vantagens do Onix Log é ser um veículo discreto, capaz de passar despercebido em ambientes urbanos. O modelo também pode circular em áreas com restrição a veículos maiores e atender situações em que a carga transportada é pequena, mas possui alto valor agregado. Segundo a GM, esse tipo de entrega envolve um risco adicional, e a proposta do Onix Log dá discrição à operação. Chevrolet Onix Log 2027 não tem bancos traseiros e está pronto para receber cargas Divulgação / GM A fabricante também destaca a possibilidade de aplicar películas com blackout total nos vidros traseiros e na tampa do porta-malas, já que o veículo não é destinado ao transporte de passageiros. O Onix Log vem de série com o sistema OnStar e, de acordo com a GM, adiciona uma camada extra de segurança às operações de entrega de encomendas. Linha 2027 do Chevrolet Onix trouxe versões novas Divulgação / GM Atualizações em toda a linha Onix A linha Onix também recebeu atualizações em todas as versões. Os modelos passam a contar com lanternas com lentes do tipo cristal e, nas versões RS, Premier e Activ, elas são de LED. As versões 1.0 manual, Turbo manual e Turbo automática, tanto do Onix quanto do Onix Plus, passam a oferecer câmera de ré de série. A versão Premier ganha um interior com acabamento mais sóbrio, com saídas de ar na cor prata. Toda a linha também passa a oferecer oito anos gratuitos do plano básico do OnStar, chamado OnStar Basics, que inclui acesso pelo aplicativo, diagnóstico remoto e funções como localização do veículo e travamento e destravamento das portas. Nas versões equipadas, também é possível ligar remotamente o motor e pré-acionar o ar-condicionado. Veja a seguir todos os preços da linha 2027 Chevrolet Onix (hatch) 1.0 MT – R$ 102.890 1.0 MT LOG – R$ 105.990 1.0 MT PRO – R$ 104.390 Turbo AT ECO – R$ 103.190 (preço promocional de $ 99.990) Turbo MT – R$ 104.690 Turbo AT – R$ 111.990 Activ – R$ 116.190 (preço promocional de R$ 114.990) RS – R$ 121.190 Premier – R$ 121.190 Chevrolet Onix Plus (sedã) Turbo AT ECO – R$ 106.990 (preço promocional de R$ 103.990) 1.0 MT – R$ 110.090 Turbo MT – R$ 108.990 Turbo AT – R$ 114.190 LTZ – R$ 120.190 Premier – R$ 125.290
03/06/2026 17:17:02 +00:00
Google promete devolver mais água do que consome em data centers até 2030

Vista aérea de um data center de propriedade da multinacional americana e empresa de tecnologia Google em Santiago Getty Images O Google anunciou, nesta quarta-feira (3), um plano para reduzir o impacto sobre a água usada no resfriamento de seus data centers, incluindo os que operam com inteligência artificial. O plano é dividido em cinco etapas. A primeira é a mais ambiciosa e prevê repor mais água do que a consumida no resfriamento dos data centers até 2030, ao menos nos Estados Unidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para atingir essa meta, a empresa afirma que ampliará o número de projetos voltados à gestão da água nas regiões onde ficam seus data centers e nas bacias hidrográficas próximas. Segundo o Google, a expansão desses projetos envolve um investimento de US$ 17 milhões, cerca de R$ 86,1 milhões na conversão direta. Outras etapas incluem apoio à modernização dos sistemas de abastecimento e tratamento de água nessas cidades. “Isso inclui projetos que vão desde o reforço do abastecimento local até a detecção de vazamentos em tubulações”, disse o Google em nota. Agora no g1 Uma análise mais detalhada das bacias hidrográficas para novos data centers também está entre as propostas. No documento, o Google afirma que, se o uso de água representar risco ao meio ambiente ou ao abastecimento local, passará a adotar resfriamento a ar ou com água de reuso. Por que data centers usam tanta energia e água? Operar um data center exige uma estrutura complexa de energia para que todos os equipamentos funcionem e sejam refrigerados de forma adequada. Como podem ser usados por milhões de pessoas, esses espaços devem funcionar 24 horas por dia. Para garantir isso, as empresas adotam geradores e até suas próprias subestações de energia. O treinamento dos modelos de IA mais conhecidos envolve um enorme volume de dados e só pode ser feito com chips de processamento modernos, que exigem mais energia e, por isso, esquentam mais. Com equipamentos mais quentes, a única forma de controlar a temperatura é adotar um sistema de resfriamento líquido, por água ou óleo – data centers de nuvem podem ser refrigerados a ar porque consomem menos energia. Data centers refrigerados a água preocupam por conta do alto consumo. Fazer até 50 perguntas para o ChatGPT pode consumir meio litro de água, segundo um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside. O Brasil tem cerca de 180 data centers em funcionamento. Nenhum deles é voltado para inteligência artificial, mas quatro projetos desse tipo já foram anunciados no país. Eles poderão ter consumo de energia equivalente ao de 16,4 milhões de casas – saiba mais sobre os projetos. Como funciona um data center por dentro Dhara Assis e Gui Sousa/g1
03/06/2026 17:00:31 +00:00
iFood diz que dados de 1,2 milhão de usuários foram vazados; veja o que foi afetado

Dados de 1,2 milhão de usuários do iFood são vazados O iFood reconheceu nesta quarta-feira (3) um vazamento de dados envolvendo usuários da plataforma. Segundo a empresa, trata-se de um incidente isolado registrado em dezembro de 2025, que teria sido rapidamente contido por seus protocolos de segurança. A empresa informou que o alcance do vazamento ficou restrito a cerca de 2% de sua base de clientes, o equivalente a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Informações como nome e CPF de usuários foram expostas, mas não houve comprometimento de credenciais de acesso às contas. A companhia também informou que senhas, meios de pagamento e registros financeiros não foram afetados pelo incidente. Além disso, não há evidências de acesso a dados bancários ou informações relacionadas a transações realizadas na plataforma. Entregador da Ifood Divulgação Em nota, o iFood afirmou que segue adotando medidas de proteção e atuando em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A empresa também disse que o caso foi tratado de acordo com a legislação vigente e que não realizou comunicação formal sobre o incidente por entender que ele não representava risco ou dano relevante aos usuários. "O incidente foi tratado e avaliado em estrita conformidade com a legislação, que dispensa o reporte e comunicação quando o evento não acarreta risco ou dano relevante aos titulares, de acordo com os critérios regulatórios definidos pela ANPD", afirmou a companhia. O iFood acrescentou que reforça aos usuários que todas as comunicações são feitas exclusivamente por seus canais oficiais. Agora no g1
03/06/2026 16:45:30 +00:00
Trump assina ordem que dá ao governo acesso antecipado a modelos de inteligência artificial

Presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de gabinete na Casa Branca 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última terça-feira (2) um decreto sobre inteligência artificial (IA), que prevê a possibilidade de o governo supervisionar os modelos mais avançados em nome da segurança digital. O texto restabelece regras para a IA nos Estados Unidos e representa uma mudança de rumo no governo Trump, que até então reunia setores contrários a qualquer tipo de regulação em nome da competitividade com a China. Em nota, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que se manifestará contra a proposta durante sua visita a Washington nesta semana. A expectativa é que o executivo peça ao Congresso americano para que aumente o financiamento para teste de IA no Departamento de Comércio dos EUA. No início deste ano, o cenário mudou quando o Mythos, da Anthropic, gerou preocupação ao demonstrar capacidade de expor falhas em sistemas digitais, incluindo os de bancos, governos e hospitais. A empresa optou por não lançar o modelo ao público. Agora no g1 As novas regras foram acordadas com empresas líderes em IA nos Estados Unidos, como Google, OpenAI e Anthropic, para que elas submetam, de forma voluntária, seus modelos a uma avaliação do governo antes do lançamento. O texto esclarece que a medida não deve estabelecer um controle prévio obrigatório do governo sobre os novos modelos. A abordagem voluntária adotada por Trump é semelhante à de seu antecessor, Joe Biden. O decreto de 2023 previa que as empresas compartilhassem os resultados de testes de segurança. Trump revogou essa medida ao voltar à Casa Branca, por considerá-la restritiva demais. De acordo com a nova medida, o Departamento do Tesouro, a Agência de Segurança Nacional e a agência CISA devem criar um centro de coordenação para a segurança digital em IA. O grupo vai atuar em conjunto com o setor privado e operadores de infraestruturas críticas para identificar falhas em sistemas e priorizar correções. O responsável por assuntos públicos do Google, Kent Walker, definiu a medida como um “passo importante”, que "oferece aos defensores do ciberespaço mais ferramentas para deter atores maliciosos". Vantagem sobre a China Uma versão anterior do decreto estava prevista para ser assinada em 25 de maio, mas Trump a cancelou poucas horas antes, afirmando que não concordava com “alguns aspectos” e que não queria “comprometer” a vantagem dos Estados Unidos em relação à China. Analistas apontaram David Sacks, ex-assessor da Casa Branca para temas de IA, como uma voz influente que teria ligado para o presidente para convencê-lo a mudar de decisão. O episódio revelou tensões dentro do governo entre defensores da regulação e o grupo contrário a qualquer tipo de controle. O texto aprovado é quase idêntico à versão anterior. No entanto, o prazo para o exame voluntário dos novos modelos foi reduzido de 90 para 30 dias. “Na corrida pela IA, cada dia conta”, afirmou Sacks ao comentar a mudança.
03/06/2026 15:55:17 +00:00
Volvo acaba com recarga gratuita em eletropostos e passa a cobrar de clientes da marca

Carros elétricos carregamento carregador carregando carro elétrico natal rn Rio Grande do Norte Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi A Volvo anunciou que a recarga em seus eletropostos passará a ser cobrada de todos os usuários, inclusive dos proprietários de veículos da própria marca. A mudança entra em vigor no dia 15 de junho deste ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo comunicado enviado aos clientes, os valores da recarga nos eletropostos instalados e operados pela Volvo seguirão as regras abaixo: Recarga rápida (DC): R$ 2,90 por kWh; Recarga lenta (AC): R$ 2,00 por kWh. Caso o motorista não retire o veículo, impedindo o uso do carregador por outro usuário, será aplicada uma cobrança de R$ 5 por minuto. Essa regra vale apenas para carregadores rápidos e somente para os que estão instalados em rodovias. Agora no g1 A recarga rápida permite que o veículo recupere a maior parte da energia mais rapidamente. Como exemplo, o Dolphin Mini leva cerca de 30 minutos para ir de 30% a 80% de carga, enquanto o Volvo EX30 precisa do mesmo tempo para passar de 10% a 80% da bateria. Já a recarga lenta pode passar de sete horas, chegando até 12,5 horas para o caso do Volvo EX30 e cerca de seis horas para o Dolphin Mini. Com a mudança nos valores, proprietários de veículos de outras marcas passam a pagar menos. Atualmente, a tarifa é de R$ 4,00 por kWh, independentemente do tipo de carregador, mas esse valor não é cobrado dos veículos da Volvo. A partir de 15 de junho, motoristas de veículos de outras marcas passarão a pagar 27,5% menos pela recarga. Já os proprietários de Volvo deixarão de ter gratuidade e passarão a pagar pelo serviço. A principal vantagem para os veículos da Volvo deixa de ser a recarga gratuita e passa a ser a conveniência. Os motoristas poderão agendar um carregador com até 24 horas de antecedência e reservar o plugue até 20 minutos antes do horário desejado, além de contar com uma tecnologia que reconhece o veículo assim que ele é conectado ao carregador. Com isso, a cobrança e a identificação do veículo acontecem automaticamente, sem a necessidade de usar um aplicativo específico. Quanto custará a recarga completa em um carro? O valor da recarga varia conforme a capacidade da bateria de cada veículo. Pela regra anterior, o proprietário do carro elétrico mais vendido do Brasil, o Dolphin Mini, precisa de R$ 152 para carregar os 38 kWh da bateria. Com a nova regra, esse custo cai para R$ 110,20. Já o Volvo EX30 do exemplo anterior, que tem 69 kWh de bateria, passa a pagar R$ 200,1 pela recarga que antes seria gratuita. Atualmente, o Brasil conta com 21.061 carregadores públicos instalados, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Desse total, 6.479 são carregadores rápidos e 14.582 são lentos. A Volvo não informa quantos carregadores lentos possui, mas afirma que são “mais de mil”. Já no caso dos carregadores rápidos, a marca tem 76 unidades, o que representa 1,1% de toda a base instalada no Brasil.
03/06/2026 14:41:03 +00:00
Desenrola 2.0 renegociou R$ 20 bilhões em dívidas de famílias, diz governo

O "Desenrola 2.0", programa lançado no começo de maio que é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários-mínimos, renegociou R$ 20 bilhões, informou nesta quarta-feira (3) a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. De acordo com balanço divulgado durante reunião ministerial, foram feitas 1,4 milhão de renegociações, sendo que o desconto médio foi de 85% do valor original da dívida. 🔎Com isso, a dívida recuou de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões. No Desenrola das famílias, são feitos novos empréstimos, pelos bancos, para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Agora no g1 A dívida renegociada terá: descontos entre 30% e 90%; taxa de juros máxima de 1,99% ao mês; até 48 meses de prazo; prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela; limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira; Também é permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas. No Desenrola do Fies, por sua vez, voltado a estudantes, foram feitas 82 mil renegociações, e no Desenrola das empresas, outros R$ 11 bilhões foram renegociados em 85 mil operações. Desenrola Brasil Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda RELEMBRE: Desenrola 2.0: governo vai usar dinheiro esquecido em bancos para garantir renegociação de dívidas Próxima entrega O governo também prepara uma nova modalidade dentro do programa, que é voltado para pessoas que estão com as contas em dia, mas têm dificuldade de pagar as contas. “Temos a próxima entrega, que é o Desenrola Adimplentes. Vamos ajudar quem paga em dia, mas sua muito para isso, para entrar com essa proposta para ajudar quem paga em dia”, acrescentou a ministra da Casa Civil.
03/06/2026 14:31:05 +00:00
Entenda os principais pontos da reforma trabalhista que provoca greve geral em Portugal

Greve geral contra reforma trabalhista paralisa serviços públicos em Portugal Uma greve geral em Portugal interrompeu serviços de transporte, fechou escolas e afetou hospitais nesta quarta-feira (3), em protesto contra uma ampla reforma trabalhista proposta pelo governo de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro. A paralisação, convocada pela principal central sindical do país, a CGTP, é a segunda greve geral em seis meses e ocorre enquanto o governo tenta aprovar o pacote "Trabalho XXI", uma reforma que prevê mais de 50 alterações no Código do Trabalho português. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Segundo o governo, as mudanças buscam modernizar a legislação trabalhista, aumentar a produtividade e melhorar a competitividade da economia portuguesa. Já os sindicatos afirmam que a proposta reduz direitos dos trabalhadores, amplia a precarização do emprego e facilita demissões. Confira o que está em jogo e as principais mudanças prevista na lei trabalhista de Portugal. Contratos temporários mais longos Uma das principais mudanças propostas é a ampliação da duração máxima dos contratos de trabalho temporários. Contrato a termo certo: tem uma data de término definida desde o início. Atualmente, ele pode durar no máximo dois anos. Pela reforma, o limite passaria para três anos. Contrato a termo incerto: são os contratos de trabalho com prazo indeterminado, como na substituição de um funcionário afastado ou em projetos com duração indefinida. Hoje, esse contrato pode durar até quatro anos. A proposta amplia o prazo para cinco anos. Para os sindicatos, a medida aumenta a insegurança dos trabalhadores, especialmente dos jovens, ao prolongar períodos de contratação sem vínculo permanente. Flexibilização da terceirização A reforma também elimina as restrições atuais ao uso de terceirização (outsourcing) após demissões coletivas ou extinção de postos de trabalho. 👷Hoje, empresas portuguesas que realizam demissões desse tipo ficam impedidas de contratar serviços terceirizados para as mesmas funções durante um período determinado. A proposta revoga essa limitação. Segundo o governo, a mudança aumenta a flexibilidade das empresas. Já as centrais sindicais afirmam que a medida facilita a substituição de trabalhadores próprios por mão de obra terceirizada mais barata. Retorno do banco de horas individual Outro ponto que gerou forte reação dos sindicatos é a reintrodução do banco de horas individual, extinto em 2019. 🕐 Pela proposta, o trabalhador poderá realizar até duas horas extras por dia, elevando a jornada semanal para até 50 horas. O limite anual será de 150 horas adicionais, com compensação por meio de folgas posteriores. A reforma também muda as regras do banco de horas coletivo, mecanismo que permite às empresas compensar horas extras com folgas futuras. Atualmente, a adoção desse regime para um grupo de trabalhadores depende da aprovação em um referendo realizado entre os funcionários afetados. Com a nova proposta, essa consulta deixaria de ser necessária: se pelo menos 75% dos trabalhadores concordarem com o acordo, a empresa poderá aplicar o banco de horas a todo o grupo, inclusive aos que votaram contra ou não participaram da decisão. Os sindicatos argumentam que a mudança reduz o poder de decisão individual dos trabalhadores sobre a própria jornada de trabalho. Regras para demissões A proposta também altera as regras para casos em que a Justiça portuguesa considera uma demissão ilegal. Hoje, em Portugal, quando um tribunal conclui que um trabalhador foi dispensado de forma irregular, a regra geral é que ele tenha o direito de voltar ao emprego. Apenas microempresas podem substituir essa reintegração pelo pagamento de uma indenização. Com a reforma, empresas de qualquer porte poderão optar por indenizar o trabalhador em vez de readmiti-lo, mesmo após uma decisão judicial favorável ao funcionário. Segundo o governo, a mudança dá mais flexibilidade às empresas e reduz conflitos nas relações de trabalho. Como compensação, aumenta o valor mínimo das indenizações pagas nesses casos. 🔎 O pacote também simplifica os procedimentos disciplinares e de demissão para pequenas e médias empresas, reduzindo exigências burocráticas e etapas formais nos processos de desligamento de funcionários. Críticos da reforma afirmam que as mudanças enfraquecem a proteção contra demissões injustificadas, enquanto o governo argumenta que elas tornam o mercado de trabalho mais ágil e competitivo. Trabalho remoto e novas formas de trabalho O projeto do governo português também flexibiliza as regras do trabalho remoto (ou teletrabalho), permitindo maior adoção de modelos híbridos e reduzindo algumas exigências administrativas. Entre as principais propostas estão: A reforma também flexibiliza as regras do teletrabalho, que passa a ser denominado oficialmente de "trabalho remoto". Nos casos de regime híbrido, o contrato deverá especificar a proporção entre os dias de trabalho à distância e os presenciais. O trabalhador também poderá alterar temporariamente o local de onde exerce suas atividades apenas mediante comunicação ao empregador. A mudança passará a valer automaticamente caso a empresa não apresente objeção por escrito, substituindo a regra atual, que exige acordo entre as duas partes. Além disso, a proposta elimina a obrigatoriedade de exames médicos específicos antes da adoção do trabalho remoto. Segundo o governo, o objetivo é adaptar a legislação às novas formas de trabalho surgidas após a digitalização da economia e a expansão do home office. 📴 A proposta ainda prevê reforço do chamado "direito à desconexão", princípio que busca proteger os trabalhadores de contatos profissionais fora do horário de expediente. Inteligência artificial no ambiente de trabalho Uma das novidades da reforma trabalhista portuguesa é a inclusão de regras específicas para o uso de inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho. O governo afirma que a medida busca adaptar a legislação aos desafios da chamada Economia 4.0 e ampliar a adoção de novas tecnologias pelas empresas. Segundo o Executivo, Portugal ainda apresenta um nível de utilização de inteligência artificial inferior à média da União Europeia, o que justificaria a modernização das regras trabalhistas. A principal mudança prevista é a exigência de supervisão humana obrigatória em decisões tomadas com o auxílio de algoritmos ou sistemas de IA. 🤖 Pela proposta, empresas não poderão depender exclusivamente de ferramentas automatizadas para definir questões relacionadas à gestão de pessoal. A exigência vale especialmente para processos considerados sensíveis, como recrutamento e seleção de candidatos, avaliações de desempenho e demissões. Nesses casos, deverá haver sempre um responsável humano acompanhando e validando as decisões. A reforma também introduz mecanismos de regulação algorítmica, com o objetivo de aumentar a transparência sobre o uso de sistemas automatizados na gestão do trabalho e evitar que decisões importantes sejam tomadas sem supervisão ou critérios claros. Segundo o governo português, as mudanças buscam conciliar a adoção de novas tecnologias com a proteção dos direitos dos trabalhadores em um mercado de trabalho cada vez mais digitalizado. Licença parental e benefícios Entre as medidas estão o pagamento de 100% da licença parental compartilhada nos primeiros seis meses, a ampliação da licença obrigatória dos pais de 14 para 30 dias e a criação de licenças específicas em casos de interrupção da gravidez. Licença parental mais ampla: a reforma prevê que os pais que dividirem a licença para cuidar do bebê recebam 100% do salário durante os primeiros seis meses de afastamento. Além disso, a licença obrigatória dos pais após o nascimento do filho passará de 14 para 30 dias. Licença em caso de interrupção da gravidez: a proposta cria um período específico de afastamento do trabalho para mulheres que sofrerem interrupção da gravidez, garantindo proteção laboral durante esse momento. Pagamento parcelado dos benefícios: em Portugal, os trabalhadores recebem normalmente um subsídio de férias e um subsídio de Natal, equivalentes a pagamentos extras ao longo do ano. Pela reforma, o funcionário poderá escolher receber esses valores parcelados mensalmente, junto com o salário, em vez de receber quantias maiores em datas específicas. Dois dias extras ligados às férias: os trabalhadores poderão solicitar até dois dias adicionais de descanso por ano, associados ao período de férias. Esses dias podem ser usados para prolongar ou antecipar as férias. O que falta para a reforma entrar em vigor Entrada do metrô fechada em Lisboa, Portugal REUTERS/Pedro Nunes Após nove meses de negociações sem consenso com sindicatos e entidades patronais, o governo aprovou o pacote de reformas em maio e o enviou à Assembleia da República. O projeto ainda precisa ser analisado e votado pelos deputados para entrar em vigor. Montenegro espera obter a aprovação do Parlamento nas próximas semanas, contando com o apoio do partido de direita Chega. A greve geral em Portugal é a segunda mobilização nacional contra a reforma trabalhista em menos de seis meses. A primeira ocorreu em dezembro de 2025 e marcou a primeira greve geral em Portugal desde os protestos contra as medidas de austeridade registrados em 2013. No entanto, o primeiro-ministro Luís Montenegro defende a reforma e afirma que as mudanças são necessárias para aumentar a produtividade e a competitividade da economia portuguesa. Segundo ele, o país possui uma das legislações trabalhistas mais rígidas entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o que limita a capacidade das empresas de se adaptar às mudanças do mercado. A greve geral, iniciada nesta quarta-feira (3), provocou impactos em diversos setores de Portugal. Houve cancelamentos e atrasos de voos, interrupções no transporte ferroviário e no transporte público urbano, fechamento de escolas e redução do atendimento em hospitais e repartições públicas. Companhias aéreas que operam rotas entre Brasil e Portugal, como TAP, Azul e Latam, também registraram alterações em suas operações devido à paralisação. (veja mais sobre os impactos) *Com informações das RFI e agências internacionais
03/06/2026 14:21:19 +00:00
Nestlé compra yfood Labs, marca de refeições prontas para beber

Nestlé Reuters A Nestlé vai comprar a marca de alimentos inteligentes yfood Labs, informou a empresa em comunicado divulgado nesta quarta-feira (3). Essa será a primeira aquisição da companhia sob a liderança do novo CEO, Philipp Navratil, que assumiu o cargo em setembro. A yfood Labs é uma empresa sediada em Munique e que oferece refeições prontas para beber e barras alimentares. Segundo a empresa, seus produtos possuem um "perfil nutricional completo" e foram feitos para suprir uma dieta balanceada. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Nestlé já havia adquirido uma participação de 49% na yfood em 2023. A expectativa é que as ações restantes detidas pelos pelos fundadores da marca de alimentos inteligentes sejam transferidas para a Nestlé a partir de 3 de julho de 2026. Os termos financeiros da transação não serão divulgados. Agora no g1 Na Europa, as vendas da yfood totalizaram aproximadamente 150 milhões de euros (R$ 875,9 milhões) em 2025, representando um crescimento de dois dígitos em relação ao ano anterior. Mudanças na estratégia Desde quando assumiu o cargo na Nestlé, Navratil tem anunciado diversas mudanças na estratégia da companhia. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a companhia informou que estava deixando o negócio de sorvetes para concentrar suas operações nos segmentos de Café, Nutrição e Cuidados com Animais de Estimação. Juntas, essas categorias respondem por mais de 70% das vendas da empresa. A medida veio como uma tentativa de melhorar o desempenho da companhia, que registrou um lucro líquido de US$ 9 bilhões (R$ 45,1 bilhões) em 2025 — queda de 17% em relação ao ano anterior (US$ 10,9 bilhões, ou R$ 54,7 bilhões).
03/06/2026 14:13:59 +00:00
Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa

Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa Uma nova investigação comercial dos Estados Unidos concluiu, nesta terça-feira (2), que 60 países falharam em combater e fiscalizar o uso de trabalho forçado na produção de mercadorias. No caso do Brasil, o relatório aponta problemas na cadeia da pecuária e propõe tarifas de 12,5% sobre produtos do país. Junto com a sugestão de taxa, foi divulgada uma lista de produtos isentos que inclui a carne bovina brasileira. Também ficaram de fora da medida itens como aviões, suco de laranja, café, petróleo, terras raras e metais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A investigação também inclui a China, principal compradora da carne brasileira. (saiba mais abaixo) Procurada pelo g1, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que as carnes estão isentas da tarifa proposta e, por isso, não comentará o assunto. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) não havia respondido até a última atualização desta reportagem. Os Estados Unidos são o segundo principal destino no exterior da carne brasileira, atrás apenas da China. Além disso, grandes frigoríficos nacionais, como JBS e Marfrig — controladora da National Beef —, têm forte presença no mercado americano. A JBS é a maior produtora de carne dos EUA, enquanto a National Beef ocupa a quarta posição. As duas empresas, ao lado das americanas Cargill e Tyson Foods, são alvo de uma investigação que apura suspeitas de concentração de mercado e de aumento dos preços da carne no país. Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira pode baratear o peixe no Brasil? Entenda Veja as exportações de carne para a China e os EUA em 10 anos Arte g1 O que dizem os EUA sobre a pecuária brasileira O documento que embasa a proposta da nova tarifa dedica um capítulo à pecuária brasileira e à relação do setor com casos de trabalho forçado. Segundo o relatório, esse seria um dos fatores que contribuíram para a queda das exportações de carne bovina congelada dos EUA para a China nos últimos anos. "Caso existisse uma proibição efetiva à importação de produtos ligados ao trabalho forçado, os Estados Unidos provavelmente teriam registrado maiores vendas, receitas e exportações de carne bovina para a China", afirma o documento. O capítulo afirma que é "amplamente documentado" o uso de trabalho forçado na produção de gado no Brasil. Como evidências, o texto cita pesquisas independentes e a TVPRA List, lista do governo americano que identifica produtos associados ao trabalho infantil ou forçado. "A lista TVPRA afirma que há razões para acreditar que existe trabalho forçado na produção de gado no Brasil. Pesquisas independentes sugerem que pecuaristas brasileiros constam na chamada 'lista suja'", diz o relatório. Apesar disso, os EUA reconhecem que há dificuldades para rastrear casos de trabalho forçado no setor devido à chamada "lavagem de gado". A prática ocorre quando animais criados em fazendas com irregularidades ambientais ou trabalhistas são posteriormente vendidos para propriedades que cumprem a legislação. Em abril deste ano, o governo federal atualizou, a chamada “lista suja”, que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. A criação de bovinos para corte apareceu em segundo lugar entre os setores com mais empresas incluídas na relação, com 18 empregadores. O documento dos EUA também apresenta dados sobre as exportações de carne do Brasil e dos EUA para sustentar a avaliação de que o setor americano tem perdido espaço para o brasileiro. "Entre 2015 e 2025, o volume das exportações brasileiras de carne bovina congelada para as economias investigadas praticamente dobrou, enquanto as exportações americanas cresceram 21% em volume no mesmo período." "A participação do Brasil nas importações chinesas de carne bovina congelada também cresceu de forma significativa, passando de 38% em 2021 para 53% em 2025. Já a participação dos Estados Unidos caiu de 6% para 2% no mesmo período", acrescenta o documento. O relatório também aponta uma diferença de preços. Segundo o governo americano, em 2025 o valor médio das importações chinesas de carne bovina brasileira foi de US$ 2,40 por unidade, 41% inferior ao registrado para a carne americana, de US$ 4,20. Para o governo americano, a ocorrência de trabalho forçado na pecuária brasileira é um indício de que parte da carne bovina congelada exportada pelo Brasil para a China pode ter sido produzida, total ou parcialmente, com esse tipo de mão de obra. "A falha da China em impor e aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de carne bovina produzida com trabalho forçado do Brasil conferiu uma vantagem de custo à carne brasileira e distorceu a concorrência", afirma o documento. Apesar dessas críticas, o documento inclui diversos tipos de carne congelada na lista de produtos isentos da nova tarifa, caso ela entre em vigor. O Brasil é hoje o principal fornecedor desse produto para a indústria americana. Para Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B, a nova tarifa tem como objetivo restringir a exportação de roupas e acessórios têxteis, que afetam estados importantes para as eleições dos EUA. "No fundo, é uma lógica eleitoral que está guiando boa parte dessas medidas que estão sendo anunciadas e serão implementadas", declarou em entrevista à GloboNews. Crise nos EUA, avanço no Brasil Fernando Iglesias, analista do Safras & Mercados, comenta que a vantagem da pecuária brasileira em relação aos EUA não tem relação com trabalho forçado, e aponta que as acusações de Trump ocorrem em um momento em que os produtores rurais americanos estão desestimulados a investir na criação de gado. No ano passado, inclusive, o Brasil ultrapassou os EUA como maior produtor de carne bovina do mundo. "Questões envolvendo trabalho análogo à escravidão não são compatíveis com as melhores práticas que estão sendo adotadas na pecuária de alta performance no Brasil", diz Iglesias. "A pecuária norte-americana passa por uma crise estrutural, incluindo a elevação de custos ligados à dieta e nutrição animal. O governo americano estabeleceu diretrizes para estimular a produção de grãos, mas a pecuária ficou escanteada", acrescenta. Por outro lado, pecuaristas brasileiros vêm investindo fortemente em tecnologia, como no melhoramento genético, o que elevou o rendimento de carcaças dos bois e a possibilidade de abatê-los cada vez mais cedo. Segundo dados da CNA, entre 2018 e 2025, o rebanho bovino brasileiro cresceu 11,4%, enquanto a área de pastagens diminuiu 5,8%. No mesmo período, a produtividade – ou seja, a produção de carne por hectare – aumentou 16,3%. Outro dado mostra que, em 2004, cerca de 42% dos bovinos abatidos tinham mais de 36 meses de idade, percentual que caiu para 11% vinte anos depois. "O uso da inseminação artificial cresceu 84%, ampliando a adoção de genética superior e animais mais eficientes. O número de bovinos terminados em confinamento aumentou 75%, e hoje cerca de 20% dos animais abatidos no Brasil passam por esse sistema, que acelera o ganho de peso e melhora a eficiência produtiva", disse a CNA ao g1, no início do ano. Iglesias acrescenta que o fato de existir uma grande abundância de grãos nas áreas que concentram a maior parcela do rebanho brasileiro também contribuiu para reduzir os custos de produção do setor. "Então, tudo isso torna o Brasil capaz de participar ativamente do mercado global", afirma. Ofensiva contra a carne No início do mês, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que a presença de grandes empresas estrangeiras no país representa uma ameaça ao país. "Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita", disse a secretária na ocaisão, sem identificar a empresa mencionada. Nova taxação As medidas anunciadas nesta terça-feira acontecem um dia depois dos EUA proporem uma tarifa de 25% para as mercadorias brasileiras, após uma investigação que acusou o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram" o comércio com os norte-americanos. A decisão do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, e o texto é mesmo utilizado para fundamentar a proposta de aplicação de tarifas de 12,5%. Segundo o Itamaraty, a expectativa é que as tarifas, se adotadas, serão acumulativas. Segundo o relatório, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. 12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros. Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. De acordo com o relatório, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno. Portanto, a conduta do Brasil foi classificada como irracional e prejudicial ao comércio norte-americano. Carne bovina Cindie Hansen/Unplash
03/06/2026 13:24:01 +00:00
CBS News demite Scott Pelley, correspondente do '60 Minutes', por justa causa

Scott Pelley, então jornalista do programa '60 minutes' da CBS News, foi demitido por justa causa. Charles Sykes/AP Photo A CBS News demitiu na terça-feira (2) jornalista correspondente do programa “60 Minutes”, Scott Pelley, em meio a desentendimentos sobre o futuro da atração e a uma série de mudanças recentes na emissora. A saída de Pelley foi confirmada à Reuters por fontes da CBS por um e-mail enviado pelo produtor-executivo do programa, Nick Bilton, no qual ele afirma que a relação profissional foi encerrada “por justa causa, com efeito imediato”. Segundo Bilton, a resistência do jornalista às mudanças propostas foi determinante para a decisão. “Sua antipatia pelo futuro da série ficou bem clara. E eu a ouvi”, escreveu. Em outro trecho, Bilton acusou Pelley de ter dominado uma reunião de equipe para desacreditá-lo e questionar sua capacidade e intenções, em um episódio marcado, segundo ele, por “falta de civilidade e desprezo”. Agora no g1 Pelley, de 68 anos e integrante da CBS News desde 1989, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário feitos pela Reuters. Segundo veículos de imprensa americanos, no entanto, Pelley teria divulgado um comunicado em que afirmara que o novo proprietário da CBS está descartando a "lenda" do icônico programa de notícias "aparentemente para ganhar a simpatia do governo Trump". "No mês passado, o 60 Minutes perdeu sua essência quando toda a nossa diretoria e dois de nossos melhores correspondentes foram cruelmente demitidos sem justa causa", escreveu Pelley em um comunicado citado por veículos de imprensa americanos. Em declarações recentes reproduzidas pela imprensa americana, o jornalista já havia criticado a nova direção da emissora e afirmado que o icônico “60 Minutes” está sendo desfigurado. Segundo o jornalista, mudanças recentes — incluindo demissões de executivos e correspondentes — teriam feito o programa “perder sua essência”. Em uma reunião interna, Pelley também teria acusado a editora-chefe da CBS News, Bari Weiss, de “matar” o programa. Pelley se junta a mais de meia dúzia de pessoas que deixaram o programa jornalístico de domingo, de horário nobre nos EUA, nas últimas semanas. A CBS demitiu a produtora-executiva Tanya Simon e as correspondentes Sharyn Alfonsi e Cecilia Vega. Em comunicado interno, Bilton reconheceu “uma grande quantidade de mudanças em um período muito curto” no programa. A Skydance Media é liderada por David Ellison, filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison, e antigo apoiador do presidente americano Donald Trump. Segundo a empresa, a nova orientação busca refletir “diversas perspectivas ideológicas” do público dos Estados Unidos. Antes da fusão, a Paramount também chegou a pagar US$ 16 milhões (R$ 80,3 milhões) para encerrar um processo movido por Trump em 2024, relacionado a uma entrevista do “60 Minutes” com a então vice-presidente Kamala Harris, que, segundo ele, teria distorcido sua imagem durante a disputa eleitoral. O ambiente político também tem influenciado a relação entre a imprensa e o governo. Desde que voltou à Casa Branca, Trump intensificou críticas a veículos de comunicação, que frequentemente classifica como propagadores de “notícias falsas”. A CBS, tradicional emissora da televisão aberta americana, já teve em seu quadro nomes históricos do jornalismo, como Walter Cronkite e Edward R. Murrow. O “60 Minutes”, exibido aos domingos, é o programa de horário nobre mais antigo em funcionamento nos Estados Unidos. *Com informações das agências de notícias Reuters e AFP.
03/06/2026 13:08:50 +00:00
Dólar sobe e fecha a R$ 5,06 com novas tarifas de Trump e impasse entre EUA e Irã; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 1,15% nesta quarta-feira (3), cotado a R$ 5,0665. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,22%, aos 170.331 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os Estados Unidos propuseram mais uma sobretaxa para os produtos brasileiros na noite de terça-feira (2). A decisão de aplicar uma taxa de 12,5% se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio americana — a mesma usada para justificar a tarifa de 25% proposta ao Brasil na véspera. As medidas ainda não entraram em vigor. A nova investigação feita pelo governo americano concluiu que o Brasil e outros 53 países falharam em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado e que isso cria uma dinâmica de "competição desigual" para empresas e trabalhadores americanos. Segundo estimativas do governo brasileiro, a combinação de tarifas propostas pelos EUA pode elevar a carga total a 37,5% caso as medidas sejam, de fato, implementadas. O cenário aumenta as incertezas, prejudica a bolsa e pressiona o câmbio. ▶️ Para o mercado financeiro, também pesa a indefinição sobre o conflito no Oriente Médio, em meio às mensagens mistas vindas dos Estados Unidos e do Irã. Ontem, o presidente Donald Trump negou que as negociações haviam sido interrompidas, contradizendo o que autoridades do Teerã haviam afirmado no início da semana. Já nesta quarta-feira, o presidente americano afirmou que o Irã "concordou em não ter armas nucleares" e anunciou que gostaria de conhecer o líder supremo do país, o aiatolá Motjaba Khamenei em algum momento. Diante das incertezas sobre a continuidade das negociações, o petróleo enfrentava mais um dia de alta. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 2,03%, cotado a US$ 97,95. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 2,42%, a US$ 96,03 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,48%; Acumulado do mês: +0,48%; Acumulado do ano: -7,69%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,99%; Acumulado do mês: -1,99%; Acumulado do ano: +5,71%. Retaliação comercial Em mais uma retaliação comercial do governo Trump, os Estados Unidos informaram na noite de terça-feira (2) que realizaram mais uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americano e concluíram que o Brasil e outros 58 países falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Isso porque, segundo o relatório, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. 12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros. A taxa de 12,5% vem apenas um dia após o governo americano decidir impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o Itamaraty, a expectativa é que as duas taxas, se adotadas, serão acumulativas. LEIA TAMBÉM Governo brasileiro diz que já esperava sobretaxa e reforça ser decisão política dos EUA Tarifa de 25% dos EUA pode atingir aço, suco e máquinas; veja produtos EUA dizem que o BC favorece o PIX; por que o sistema está na mira de Trump? Seção 301: entenda o mecanismo usado pelos EUA contra o Brasil Próximos passos: decisão é definitiva? O que acontece agora? Impasse no Oriente Médio continua Mais de três meses depois que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, o conflito está em um impasse. (acompanhe os principais acontecimentos) O conselheiro militar do líder supremo do Irã também alertou para a possibilidade de mais ataques com mísseis e drones caso os Estados Unidos renovem seus ataques contra o Irã. "Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com uma enxurrada de mísseis e drones", publicou Mohsen Rezaei no X, acrescentando que "o agressor será punido rapidamente". A ameaça veio na sequência de ataques dos EUA a um petroleiro iraniano e à ilha iraniana de Qeshm, que desencadearam ataques retaliatórios contra o Kuwait e o Bahrein. O ataque causou estragos no aeroporto do Kuwait, deixando 1 morto e mais de 60 feridos. Já o presidente Trump, por sua vez, se mostrou otimista em relação às negociações — mesmo em meio às violações do cessar-fogo. Segundo o presidente americano, o Irã teria concordado em não ter armas nucleares. Trump ainda destacou que o líder supremo iraniano, Motjaba Khamenei, está envolvido nas negociações e disse querer conhecê-lo em algum momento. Diante dos sinais mistos e das incertezas sobre a continuidade das negociações, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional nesta quarta-feira. Mercados globais A escalada do conflito no Oriente Médio também ficou no radar nos mercados globais. Nos EUA, os índices de Wall Street fecharam em queda. O índice Dow Jones caiu 1,21%, aos 50.688,43 pontos, enquanto o S&P 500 teve baixa de 0,71%, aos 7.555,82 pontos, e o Nasdaq Composite recuou 0,89%, aos 26.853,98 pontos. Na Europa, a maioria dos índices fechou em queda. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,7%, aos 621,19 pontos. Já entre os principais índices da região, o alemão DAX recuou 1,31%, enquanto o francês CAC-40 perdeu 0,71% e o FTSE/Mib teve uma desvalorização de 1,07%. Na contramão, o índice britânico FTSE 100 ganhou 0,40%. Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta, impulsionadas por ações do setor óptico e de semicondutores. O índice de Shanghai Composite subiu 0,2%, enquanto o CSI 300 subiu 0,5%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,6%. O Nikkei, do Japão, avançou 2,5%. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
03/06/2026 12:00:19 +00:00
Pecuária brasileira na 'lista suja': o que EUA dizem sobre trabalho forçado no Brasil ao propor mais tarifas

Relatório americano sobre trabalho forçado tem um estudo de caso criticando a pecuária brasileira. Getty Images via BBC O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de 59 países, além da União Europeia, que "não conseguiram" proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado — e que, segundo as autoridades americanas, devem ser sujeitos a mais tarifas retaliatórias por causa disso. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propõe que o Brasil e outros 53 países citados no relatório recebam tarifas adicionais de 12,5%. Outras seis economias devem receber taxação de 10%. Não está claro se essas tarifas se adicionam a outras já em vigor — e como elas se aplicariam em relação a listas de exceções. No caso do Brasil, o relatório destaca o fato de "pesquisas independentes" sugerirem que "pecuaristas brasileiros constam na chamada 'Lista Suja'" (leia abaixo na reportagem). A BBC News Brasil entrou em contato com o governo brasileiro e com associações que representam a pecuária brasileira, mas ainda não houve manifestação sobre o novo relatório. Os EUA ainda estão em fase de consulta sobre essas medidas. O USTR realizará uma audiência pública sobre sua proposta em 7 de julho. Agora no g1 "O fracasso dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais", disse o representante-geral de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. "Não toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado [...]. No entanto, cada um dos nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho forçado em nível global." A investigação foi feita em praticamente todos os parceiros comerciais dos EUA. As 60 economias sob investigação representam mais de 99% da pauta de importações dos EUA. Todas elas foram condenadas pela investigação — e receberam recomendação de imposição de tarifas retaliatórias. Entre os países, estão economias avançadas e aliados tradicionais dos americanos, como União Europeia, Reino Unido, Japão e Israel. Para seis economias — Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia — a taxação proposta é de 10%, porque no entendimento americano elas possuem mecanismos, mas não realizam a fiscalização contra o trabalho forçado. O anúncio do governo americano ocorre poucas semanas antes da expiração de uma tarifa de 10% que a Casa Branca havia imposto a dezenas de países após uma derrota na Suprema Corte em fevereiro, que derrubou o tarifaço inicial proposto pelo presidente americano Donald Trump. Essa tarifa fixa se baseava na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, mas tinha validade de apenas 150 dias. Algumas autoridades e especialistas acusam os EUA de buscar novas formas de manter o tarifaço de Trump, usando outros pretextos. "Como o tribunal considerou o regime tarifário [de Trump] ilegal, acho que está claro que os EUA estão buscando outras maneiras de restabelecer essa barreira tarifária, esse regime", disse o ministro do Comércio da Nova Zelândia, Todd McClay, ao jornal Financial Times. "Não estamos envolvidos em nenhuma forma de trabalho forçado". O anúncio foi feito um dia depois que o mesmo USTR concluiu uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado — e disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Na segunda-feira (01/06), o governo americano propôs tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros — mas essas medidas ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas até o dia 15 de julho. O que o relatório fala sobre o Brasil? O Brasil é um dos 59 países (além da União Europeia) com uma seção específica no relatório. O país é mencionado 19 vezes no relatório de 98 páginas. "O USTR constatou que o Brasil não impôs nem aplicou efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado", diz o texto, cujas conclusões sobre o Brasil estão resumidas em três parágrafos. O relatório diz que a falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de produtos com trabalho forçado é "irrazoável" e "onera ou restringe o comércio dos EUA" — os mesmos termos usados na conclusão da investigação do dia anterior que condenou práticas comerciais usadas pelo Brasil e propôs tarifas de 25% aos produtos brasileiros. "Embora o Brasil alegue proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da implementação de seus compromissos em acordos de investimento e acordos de livre comércio, essas disposições não proíbem legalmente a importação de bens produzidos total ou parcialmente por trabalho forçado de outra economia para o mercado interno para venda", diz o texto. Essas conclusões sobre o Brasil são semelhantes às de outros países — com algumas variações no texto para cada um. O Brasil aparece em outro trecho do relatório em um estudo de caso específico, sobre sua produção de carne bovina — ao lado de outros dois exemplos, sobre importação de arroz de Mianmar e de tabaco do Malauí. "Está bem documentado que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil", diz o relatório. "A lista TVPRA [uma lista do governo americano de produtos fabricados por meio de trabalho infantil ou trabalho forçado] afirma que há razões para acreditar que existe trabalho forçado na produção de gado no Brasil. Pesquisas independentes sugerem que pecuaristas brasileiros constam na chamada 'Lista Suja'." A "Lista Suja" é um documento público divulgado pelo Ministério do Trabalho para dar visibilidade a fiscalizações do governo de combate ao trabalho escravo. Segundo o relatório americano, as exportações agrícolas americanas são afetadas por isso, já que tanto Brasil como EUA exportam carne bovina congelada para a China — com o Brasil se distanciando dos americanos na preferência dos chineses. "Durante o período de 2015 a 2025, o volume de exportações de carne bovina congelada do Brasil para as economias investigadas quase dobrou, em comparação com um aumento de 21% no volume exportado pelos EUA", diz o texto. "Como demonstram as importações de carne bovina congelada pela China, os efeitos negativos da concorrência com produtos provenientes de trabalho forçado sobre as exportações dos EUA não se limitam a bens manufaturados, podendo também afetar negativamente as exportações agrícolas americanas." "Embora nem todas as importações chinesas de carne bovina congelada do Brasil sejam necessariamente produzidas com trabalho forçado, a prevalência dessa prática na produção pecuária brasileira sugere fortemente que ao menos parte dessas importações foi produzida total ou parcialmente com trabalho forçado." Quais países estão na lista junto com o Brasil? Segundo as conclusões da investigação americana, "todas as economias investigadas falharam tanto em impor uma proibição legal à importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado quanto em fazer cumprir efetivamente essa proibição". As economias listadas pelos EUA são: África do Sul Angola Arábia Saudita Argélia Argentina Austrália Bahamas Bahrein Bangladesh Brasil Camboja Canadá Catar Cazaquistão Chile China Colômbia Coreia do Sul Costa Rica Egito El Salvador Emirados Árabes Unidos Equador Filipinas Guatemala Guiana Honduras Hong Kong Índia Indonésia Iraque Israel Japão Jordânia Kuwait Líbia Malásia Marrocos México Nova Zelândia Nicarágua Nigéria Noruega Omã Paquistão Peru Reino Unido República Dominicana Rússia Singapura Sri Lanka Suíça Taiwan Tailândia Trinidad e Tobago Turquia União Europeia Uruguai Venezuela Vietnã Tensões entre Brasil e EUA O anúncio da conclusão americana sobre trabalho forçado aconteceu um dia após outra grande investigação sobre o Brasil, na qual o USTR propôs tarifas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros. As supostas práticas brasileiras condenadas pelo governo americano são relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas. No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública. Brasil e EUA vivem tensões com classificação de facções criminosas como organizações terroristas e acusações comerciais AFP via Getty Images/BBC O representante-geral de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que teve "reuniões construtivas" que "se intensificaram nas últimas semanas" com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump — e que espera dar continuidade a esse diálogo com o governo brasileiro até 15 de julho, antes de adotar qualquer medida de resposta. "No entanto, continuamos enfrentando divergências significativas na resolução das questões identificadas nesta investigação", disse Greer em nota. No mesmo dia em que anunciou a medida, Trump fez uma publicação com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das fotos, também aparece seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. "Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu Trump na sua rede social Truth Social. Antes da publicação do presidente americano, Flávio afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que é contra a imposição de novas tarifas para compra de produtos importados que os EUA planejam adotar contra o Brasil. "Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução", disse Flávio na terça-feira. "Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz Lula." Lula, por sua vez, atribuiu a conclusão das investigações americanas à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA. O petista chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de "vendilhões e traidores da pátria" ao reagir à nova ameaça do governo americano. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer alto e bom som: são traidores", disse Lula. O presidente brasileiro comentou que a reunião que ele teve com Trump no início do mês havia sido um "sucesso", mas que as negociações foram atrapalhadas. O presidente argumentou ainda que mostrou a Trump que os EUA não têm déficit comercial com o Brasil e mencionou a celebração da família Bolsonaro no primeiro tarifaço contra o Brasil. Em seguida, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta destinada ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em que ele pede que Washington não imponha novas sanções comerciais ao Brasil. No ofício, escrito em inglês, o senador diz que o país vive "um grave processo de deterioração fiscal e econômica" e que a imposição de novas tarifas causaria "sérios danos ao povo brasileiro". "Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", escreveu. Outro ponto de desavença entre os governos dos EUA e Brasil aconteceu na semana passada, após o governo americano anunciar que passará a classificar as facções criminosas brasileiras PCC e CV como organizações terroristas. A medida foi anunciada por Trump dois dias após um encontro no Salão Oval com Flávio Bolsonaro. "Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", disse Lula, sobre a decisão americana.
03/06/2026 11:31:18 +00:00
China rejeita acusações de trabalho forçado e critica novas tarifas propostas pelos EUA

EUA incluem Brasil em lista de 60 países que falham no combate ao trabalho forçado A China afirmou nesta quarta-feira (3) que se opõe a tarifas “unilaterais” e negou acusações de uso de trabalho forçado, após os Estados Unidos proporem novas tarifas sobre importações de cerca de 60 economias. Nesta terça-feira (2), uma investigação dos EUA concluiu que esses países, entre eles China e Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Em resposta, o governo chinês rejeitou as alegações e afirmou que não há base para as acusações feitas por Washington. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em coletiva de imprensa. A medida dos EUA inclui a China entre as economias potencialmente afetadas e faz parte de uma estratégia mais ampla de endurecimento comercial com base em critérios ligados a direitos trabalhistas e práticas de cadeia de suprimentos. Além da China, outros países também reagiram. O governo do Reino Unido afirmou estar em diálogo constante com Washington e tem adotado medidas para combater o trabalho forçado em cadeias de produção domésticas e globais, destacando que mantém negociação com os EUA sobre o tema. Os mercados asiáticos reagiram de forma mista ao cenário de maior tensão comercial. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,6%, enquanto bolsas da China continental fecharam em leve alta, com o CSI300 avançando 0,5% e o Xangai subindo 0,2%. Já o setor de semicondutores liderou ganhos, apoiado por expectativas positivas relacionadas à demanda por inteligência artificial. Em meio às preocupações comerciais, dados econômicos mostraram que a atividade do setor de serviços chinês cresceu no ritmo mais forte em três meses em maio, impulsionada por novos negócios e melhora na demanda externa. Analistas do Goldman Sachs mantiveram visão positiva sobre ações chinesas A-share, citando melhora nas perspectivas de crescimento e exposição ao setor de tecnologia. Entenda a nova proposta de sobretaxa Uma investigação dos EUA concluiu, nesta terça-feira que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a mesma usada para justificar a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros. Ainda não está claro se as tarifas serão cumulativas. O Brasil foi incluído no grupo que poderá enfrentar a sobretaxa de 12,5%, ao lado de China, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul. Segundo o relatório, o país não possui mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países. Os EUA argumentam que essa falha cria concorrência desleal para empresas e trabalhadores americanos e contribui para a manutenção do trabalho escravo moderno nas cadeias globais de produção. A proposta ainda não entrou em vigor. O governo americano receberá contribuições públicas até 6 de julho, e realizará audiências sobre o tema em 7 de julho antes de decidir sobre a implementação das tarifas. Veja a reação de outros países Alemanha Um porta-voz do governo alemão afirmou nesta quarta-feira (3) que a decisão dos EUA não se aplica ao país, reiterando que a Alemanha manterá o acordo vigente entre os americanos e a União Europeia. Segundo o tratado, firmado no ano passado, a UE removeria as tarifas sobre produtos americanos, enquanto Washington se comprometeria a impor uma tarifa máxima de 15% sobre a maioria dos produtos da região. "Saudamos o acordo político alcançado no trílogo sobre a implementação do acordo pela UE e apoiamos a rápida entrada em vigor dos regulamentos relevantes da UE como uma contribuição para a estabilização das relações comerciais transatlânticas", disse o ministério da economia alemão em comunicado. França O ministro do comércio francês, Nicolas Forissier, afirmou que a tarifa imposta por Trump não se aplica ao país. "Se entendi corretamente, refere-se a investigações ligadas a potenciais suspeitas de trabalho forçado. Como sabe, este não é o caso da França ou da União Europeia, que sempre esteve na vanguarda desta questão. Portanto, não me sinto, e nós não nos sentimos, preocupados", afirmou à Reuters. União Europeia A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira que as tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos são injustificadas e reiterou seu compromisso com o acordo comercial firmado com Washington no ano passado. "A UE considera injustificadas as tarifas impostas por esses motivos", disse um porta-voz. "Do lado da UE, estamos no caminho certo para garantir a implementação dos compromissos tarifários de nossa Declaração Conjunta até o final de junho." No começo da tarde, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que os EUA também estão comprometidos em cumprir com sua parte do acordo junto à UE. "Acreditamos que há bastante espaço para cumprimento por ambas as partes", disse. México O Ministério da Economia do México afirmou que o comércio em conformidade com o acordo Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) estará isento da tarifa proposta por Trump, destacando que a proposta também isenta automóveis, aço e alumínio. A Pasta mexicana também informou que pretende realizar conversas com o representante comercial americano nos próximos 45 dias a respeito das remessas que não estejam dentro do USMCA. *Com informações da Reuters Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026 REUTERS/Tingshu Wang
03/06/2026 11:10:29 +00:00
Copa do Mundo de 2026 deve atrair onda recorde de apostas; gols, passes e até pé usado para marcar entram nos palpites

Copa do Mundo de 2026. Divulgação/Fifa As apostas esportivas devem movimentar mais de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 251 bilhões) durante a Copa do Mundo de 2026, segundo estimativas de especialistas do setor. O valor representa um salto em relação ao torneio disputado no Catar, em 2022, impulsionado principalmente pela ampliação da competição de 32 para 48 seleções. Para David Stevens, diretor de relações públicas da casa de apostas Coral, o alcance global e o tamanho do torneio devem transformá-lo no maior evento de apostas da história. Além do aumento no número de jogos, especialistas apontam uma mudança no comportamento dos apostadores. Segundo Darren Small, vice-presidente da empresa de tecnologia esportiva Sportradar, o interesse deixou de se concentrar apenas nos resultados das partidas e passou a incluir o desempenho individual dos jogadores. A expectativa é de crescimento das chamadas apostas especiais e personalizadas, conhecidas como "bet builders", que permitem combinar diferentes previsões em um único bilhete. Entre as opções mais procuradas estão número de gols, assistências, passes, desarmes, escanteios e até o pé utilizado para marcar. "Os clientes criam suas próprias narrativas para os jogos, combinando diversos acontecimentos em uma única aposta", explicou Small. De acordo com os especialistas, esse tipo de mercado tem atraído principalmente apostadores mais jovens, em busca de experiências mais dinâmicas. Agora no g1 Favoritos ao título Segundo Small, Argentina e França lideram as preferências dos apostadores ao redor do mundo. A Inglaterra também aparece entre as seleções mais apostadas, alimentando a expectativa de encerrar um jejum de seis décadas sem conquistar a Copa do Mundo. Entre os jogadores, os atacantes Kylian Mbappé, da França, e Erling Haaland, da Noruega, estão entre os principais candidatos ao posto de artilheiro do torneio. Um caso que chamou a atenção dos especialistas envolve o neozelandês Ben Waine. Apesar de não ser a principal estrela de sua seleção, o atacante aparece entre os dez nomes mais apostados para terminar a competição como goleador, em um movimento considerado incomum pelo mercado. Messi ergue a taça da Copa Odd Andersen/AFP Desafios e curiosidades Os especialistas também apontam desafios relacionados aos horários das partidas, que serão disputadas nos Estados Unidos, Canadá e México. Jogos realizados na Costa Oeste americana devem ocorrer em horários menos favoráveis para o público europeu, embora a expectativa seja compensada pelo forte interesse de apostadores da América do Sul. Até o momento, o mercado demonstra pouco otimismo com uma conquista dos Estados Unidos, um dos países-sede. Ainda assim, Small brincou que, caso a seleção americana surpreenda e levante a taça, as apostas sobre a presença do presidente Donald Trump nas comemorações provavelmente ganhariam destaque. FOTO DE ARQUIVO: O logotipo da Copa do Mundo da FIFA de 2026 de Nova York/Nova Jersey é revelado durante o evento de lançamento na Times Square, em Nova York, nos Estados Unidos, em 18 de maio de 2023. Reuters/Brendan McDermid/Foto de arquivo LEIA TAMBÉM: Copa do Mundo de 2026: veja quando começa e quando termina o torneio
03/06/2026 11:02:04 +00:00
Governo brasileiro já esperava sobretaxa relacionada a trabalho forçado e segue dizendo ser decisão política dos EUA

Investigação dos Estados Unidos propõe nova tarifa ao Brasil Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro já esperavam que os Estados Unidos propusessem sobretaxa na importação de itens produzidos com trabalho forçado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça No entendimento de interlocutores do governo, a nova taxa será somada aos 25% anunciados na segunda-feira (1°). Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximo aos 40% impostos no ano passado. A defesa contra essa nova taxação deve seguir o mesmo caminho da adotada em relação aos 25%: diálogo com os Estados Unidos até o prazo final da investigação. Em abril, o Brasil apresentou uma defesa que a diplomacia classificou como técnica, ressaltando os números do combate ao trabalho escravo, como a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e a criação da “Lista Suja”, pela qual empregadores flagrados explorando mão de obra escrava perdem financiamentos em bancos públicos. Nesta quarta (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, irá a um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, onde também estará o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Fontes que acompanham o ministro afirmam que ainda não há nada marcado entre os dois, mas que Vieira deve tentar se reunir com Greer. Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 REUTERS/Ken Cedeno
03/06/2026 09:12:32 +00:00
O que os jovens buscam em um emprego? Crescimento pesa mais que salário, diz pesquisa

Jovem faz curso de informática em Santa Catarina; jovens têm ficado fora do mercado de trabalho por opção das empresas Reprodução/Jornal Hoje A oportunidade de crescimento profissional, a boa remuneração e um ambiente de trabalho saudável estão entre os principais fatores levados em consideração pelos jovens brasileiros na hora de escolher onde trabalhar. É o que aponta uma pesquisa inédita do Instituto Locomotiva, encomendada pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), com mais de 8,8 mil jovens de 14 a 24 anos em todo o país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados afirmaram que a oportunidade de crescimento é o principal motivo para escolher uma empresa. Em seguida aparecem boa remuneração e benefícios (43%) e ambiente de trabalho agradável (31%). A pesquisa indica que a nova geração busca mais do que salário. Para 79% dos jovens, remuneração e benefícios são importantes, mas não representam o principal critério na escolha do emprego ideal. O resultado reforça uma visão mais ampla sobre o trabalho, que inclui bem-estar, desenvolvimento e propósito. Agora no g1 Outro dado que chama atenção é a importância dada à saúde mental: 98% consideram muito importante trabalhar em empresas que valorizem o tema, e 93% afirmam concordar totalmente com essa necessidade. O levantamento também mostra que os jovens querem trabalhar em empresas onde se sintam valorizados. Quase todos os entrevistados (98%) consideram importante que as organizações valorizem os jovens profissionais, e sete em cada dez afirmam que não trabalhariam em empresas que não compartilham dos mesmos valores. Apesar do avanço do debate sobre home office e modelos híbridos, a flexibilidade no trabalho apareceu apenas na quinta posição entre os fatores mais relevantes na escolha de uma empresa, empatada com a localização próxima de casa, também com 20% das respostas. A preferência ficou atrás até mesmo da reputação da empresa, citada por 24% dos participantes. A pesquisa também revela uma forte percepção sobre o papel social das empresas: 98% dos entrevistados acreditam que organizações que empregam jovens contribuem para o desenvolvimento do país, enquanto 96% dizem que elas têm papel fundamental para garantir a empregabilidade da juventude brasileira. Veja os principais dados da pesquisa: 54% priorizam oportunidade de crescimento profissional; 43% apontam boa remuneração e benefícios; 31% valorizam ambiente de trabalho agradável; 24% preferem empresas tradicionais ou renomadas; 20% consideram flexibilidade no trabalho um diferencial; 98% querem trabalhar em empresas que valorizem saúde mental; 98% dizem ser importante que empresas valorizem os jovens; 7 em cada 10 não trabalhariam em empresas com valores diferentes dos seus. Para o superintendente institucional do CIEE, Rodrigo Dib, os dados mostram uma mudança nas expectativas da nova geração. “Questões como saúde mental, ambiente saudável e identificação com valores corporativos deixaram de ser diferenciais e passaram a ser expectativas básicas para os jovens. Esta geração está mais atenta não apenas ao propósito da empresa, mas também à compatibilidade com seus próprios objetivos de vida”, afirma. O levantamento ouviu 8.881 jovens de 14 a 24 anos em todas as regiões do país e tem margem de erro de um ponto percentual. As 5 mentiras mais comuns nos currículos — e como elas são descobertas por recrutadores
03/06/2026 07:01:23 +00:00
Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira pode baratear o peixe no Brasil? Entenda

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' A tilápia ficou de fora da lista de exceções da tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para produtos brasileiros. A medida foi anunciada na segunda-feira (1º) e pode entrar em vigor em 15 de julho. ➡️ Mas, afinal, o consumidor brasileiro pode ser afetado? Não diretamente. A tarifa será paga pelas empresas dos EUA que comprarem produtos brasileiros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A tilápia é o peixe brasileiro mais exportado, e os EUA são o destino de 90% do volume vendido ao exterior. A dependência do mercado americano é muito maior do que a observada em setores como carne e café, que contam com outros compradores relevantes. Apesar dessa dependência, as exportações representam apenas cerca de 2,1% de toda a produção brasileira de tilápia, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior. Por isso, mesmo que as exportações recuem e mais peixe fique disponível no mercado interno, o volume não seria suficiente para provocar uma queda significativa nos preços, afirma Matheus Do Ville Liasch, analista de mercado de tilápia do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). Segundo o pesquisador, as exportações brasileiras vinham crescendo e ganhando relevância. Ainda assim, continuam pequenas em relação ao mercado interno e não têm força para alterar os preços de forma significativa. Para Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), pode haver alguma queda de preços em mercados regionais, mas não em escala nacional. A nova tarifa foi proposta após a conclusão de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o documento, a medida se justifica porque uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro seria "irrazoável" e "oneraria ou restringiria" o comércio dos EUA. Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA De onde vem o que eu como: tilápia Por que a tilápia não foi isenta? Ao contrário de produtos como carne e café, dos quais os EUA dependem em maior medida, a tilápia conta com outros fornecedores relevantes para o mercado americano, afirma Liasch. Segundo dados do Cepea, o Brasil ocupa a quarta posição entre os exportadores para os EUA, atrás de China, Colômbia e Indonésia. Além disso, cerca de 80% do mercado americano de tilápia é composto por filé congelado, enquanto o Brasil exporta principalmente filé fresco, segundo Medeiros. No ano passado, Trump já havia imposto duas tarifas que foram anuladas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro de 2026. as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Segundo o presidente da PeixeBR, essas tarifas reduziram a rentabilidade dos produtores de tilápia, que absorveram parte do custo para evitar uma queda nas vendas. Mesmo assim, as exportações brasileiras para os EUA caíram 43,7% no segundo semestre de 2025. No mesmo período, o Brasil ampliou as exportações de tilápia para o Canadá. Mas Liasch afirma que a abertura de novos mercados é uma estratégia de longo prazo e o Brasil deve continuar dependente dos EUA para exportar o peixe. Para Medeiros, ainda é cedo para medir os impactos da medida. Segundo ele, será preciso avaliar se concorrentes do Brasil, como a Colômbia, também serão alvo de tarifas. Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), destaca que a tilápia não está entre os produtos diretamente citados na investigação conduzida com base na Seção 301. "Por isso, esperamos que haja sensibilidade durante o processo de consulta pública e que prevaleça uma análise técnica", afirma. Veja a lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25% 🥩 Produtos alimentícios e agrícolas Carne bovina: cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossado, incluindo carcaças e cortes de alta qualidade, além de miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada; Frutos do mar e derivados: corais, conchas e materiais similares. Hortaliças e fungos: chuchu, brotos de bambu, castanhas-d'água, orelha-de-pau (wood ears) e cogumelos shiitake secos. Raízes e tubérculos: mandioca (fresca, congelada ou seca), taro, mangarás (yautia), jicama, araruta. Frutas: Tomates (frescos ou refrigerados), cocos (desidratados, frescos, com ou sem casca), fruta-pão, bananas, plátanos, abacaxis, abacates, goiabas, durians, mangas, laranjas, limões, papaias, kiwis, etrogs. Nozes: cocos, castanhas-do-pará, castanhas-de-caju, macadâmias. Café e outros estimulantes: café torrado, não torrado, descafeinado ou não, chá verde, chá preto, erva-mate. Bebidas e estimulantes: café (grão, torrado, cascas e substitutos), chás (verde e preto), erva-mate e cacau (grãos, pasta, manteiga e pó). Cacau e derivados: grãos, cascas, pasta, manteiga e pó de cacau sem açúcar. Especiarias: Pimenta, baunilha, canela, cravo, noz-moscada, gengibre, açafrão e cúrcuma. Produtos processados: Amido de mandioca, tapioca, sucos de frutas (laranja, limão, abacaxi e açaí) e preparações de açaí. 🛢️ Recursos naturais, minerais e combustíveis Minérios: minério de ferro, manganês, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio, titânio e prata. Minerais: grafite natural, caulim, fosfatos de cálcio, sulfato de bário (barita), magnésita e amianto. Energia e combustíveis: carvão (antracito e betuminoso), coque, gás de carvão, óleos de petróleo (crus e refinados), querosene, lubrificantes, gás natural liquefeito, propano, butano e energia elétrica. 🧪 Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos Químicos industriais: iodo, silício, arsênio, selênio, óxidos de zinco e titânio, e diversos compostos orgânicos e inorgânicos. Fertilizantes: ureia, sulfato de amônio, nitrato de sódio, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados. Saúde e Farmacêuticos: vacinas (humanas e veterinárias), sangue humano, antissoros, toxinas, antibióticos (penicilinas, estreptomicinas, tetraciclinas, etc.), hormônios (insulina, cortisona, estrogênios), vitaminas, contraceptivos químicos e kits de ensaios clínicos. ✈️ Setor Aeroespacial e outros itens industriais Motores e peças: motores de pistão, turbojatos, turbopropulsores e suas partes. Componentes de voo: hélices, rotores, trens de pouso e fuselagens. Equipamentos internos: assentos de aeronaves, aparelhos de respiração, caixas-pretas (flight data recorders) e instrumentos de navegação aérea (pilotos automáticos e bússolas). Materiais diversos: tubos de plástico, pneus de borracha, juntas de vedação e vidros de segurança laminados, desde que destinados ao uso em aeronaves. Madeira: teca, mogno, balsa e virola (em toras ou serradas). Papel e celulose: polpa de madeira química e diversos produtos de papel. Metais preciosos: ouro, prata e platina (em formas brutas ou manufaturadas). Tecnologia: Máquinas para fabricação de semicondutores, circuitos integrados eletrônicos e processadores.
03/06/2026 07:01:19 +00:00
Bloqueio de 18% do orçamento pode comprometer fiscalização, investimentos e serviços das agências reguladoras

Corte no Orçamento afeta trabalho de agências reguladoras O bloqueio de 18% no orçamento das agências reguladoras federais pode comprometer atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população. Os valores são parte de um bloqueio de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026 feito pelo governo federal no final de maio. O alerta é do presidente do Comitê das Agências Reguladoras Federais (Coarf), Guilherme Sampaio, que avalia que os sucessivos cortes de recursos vêm reduzindo a capacidade operacional desses órgãos. 🔎 Um bloqueio no orçamento é como um "freio de emergência" temporário nas finanças do governo e acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido. Segundo Sampaio, as agências acumulam perdas orçamentárias ao longo dos últimos anos. Ele afirma que, em um horizonte de cinco a dez anos, o orçamento do setor encolheu cerca de 40%. "Quando você pega um recorte de cinco ou dez anos, as agências tiveram uma redução em torno de 40% do seu orçamento. Só corrigido pela inflação, esse valor já deveria ser significativamente maior", afirmou. Para ele, o novo bloqueio agrava um cenário que já era considerado crítico. "Estamos falando de um contingenciamento de 18% sobre um orçamento que já é menor do que o dos anos anteriores. Se isso não for revertido, vai comprometer as atividades das agências", disse. 💵 Entre os órgãos afetados, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) acumula o maior bloqueio do ano, da ordem de R$ 57 milhões. Sampaio, que também preside a agência, afirma que a medida coloca em risco ações estratégicas previstas para os próximos meses. Segundo ele, podem ser afetados: cronogramas de leilões de concessões; atividades de fiscalização do transporte de passageiros e de cargas; e projetos voltados à modernização tecnológica da agência. "Os leilões previstos para o segundo semestre, a fiscalização do transporte de passageiros, o acompanhamento do piso mínimo do frete e, no curto e médio prazo, a própria execução das obrigações assumidas nos contratos de concessão, podem ser impactadas", afirmou. 🚛 Diante do cenário, a ANTT busca alternativas para reduzir os efeitos do bloqueio. Uma das possibilidades é o apoio do Ministério dos Transportes, ao qual a agência é vinculada administrativamente. De acordo com Sampaio, as conversas com a pasta já estão em andamento para avaliar medidas de mitigação. Em ocasiões anteriores, o ministério transferiu recursos para reforçar o orçamento da agência e evitar a interrupção de atividades consideradas essenciais. Desta vez, porém, a solução pode ser mais complexa, já que a própria pasta também foi atingida pelo bloqueio. Linhas de transmissão de energia na região de Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino Outras agências 💰 A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que teve R$ 24 milhões bloqueados de seu orçamento, afirmou que será obrigada a reduzir imediatamente cerca de 40% de suas ações de fiscalização sobre empresas reguladas, como companhias aéreas, aeroclubes e oficinas de manutenção aeronáutica. ✈️ A Anac relata que também serão suspensas as provas para certificação de pilotos e comissários de voo. Além disso, os processos de certificação de novas aeronaves serão interrompidos, o que pode impedir a entrada de novas aeronaves em operação. A agência informou ainda que precisará reduzir contratos terceirizados e adiar investimentos em tecnologia da informação. "Foram cancelados eventos institucionais, muitos deles voltados ao aprimoramento da segurança operacional do setor aéreo, bem como a participação de servidores em fóruns e eventos internacionais nos quais a Anac representa o Brasil", afirmou a agência em nota. Anac dimuirá em 40% atividades de fiscalização Jornal Nacional/ Reprodução 💰 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que teve R$ 34,2 milhões bloqueados, disse que acompanha a situação com preocupação e ainda avalia os impactos da medida. "Nesse momento, o que se pode afirmar é que eventuais restrições orçamentárias tendem a demandar a reavaliação de despesas discricionárias, podendo repercutir sobre iniciativas de modernização administrativa, transformação digital, evolução tecnológica e projetos de desenvolvimento institucional", informou a agência. 📞 Já a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que está analisando os efeitos do bloqueio sobre suas atividades. "O processo em curso envolve a revisão das programações internas e das atividades em andamento, com o objetivo de identificar possíveis ajustes e priorizar ações essenciais", disse a autarquia. 💰 A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por sua vez, afirmou que o bloqueio de R$ 34,3 milhões poderá reduzir as ações de fiscalização realizadas por equipes próprias, devido à limitação de recursos para deslocamentos e diárias. Também poderão ser afetadas as fiscalizações descentralizadas realizadas em parceria com 16 agências reguladoras estaduais conveniadas. De acordo com a agência, projetos de transformação digital e modernização tecnológica também poderão ser adiados. A Aneel alerta que restrições em infraestrutura e tecnologia da informação afetam processos considerados críticos, comprometem a produtividade da autarquia e podem provocar atrasos com reflexos para todo o setor elétrico. O g1 pediu posicionamento para as demais agências reguladoras, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Sindicato repudia bloqueio O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) repudiou o novo bloqueio de gastos imposto às agências reguladoras federais e alertou que a medida "aprofunda um processo contínuo de perda da capacidade do país de fiscalizar setores essenciais e proteger a população brasileira". "Não se trata apenas de um corte em uma planilha. Cada recurso retirado significa uma fiscalização que pode deixar de acontecer, uma análise que pode atrasar e menos capacidade do país de prevenir riscos. O bloqueio atinge instituições que já operam no limite após anos de restrições orçamentárias, perda de servidores e acúmulo de novas responsabilidades", avaliou o Sinagências, em nota. De acordo com o Sindicato, as agências receberam novas atribuições, passaram a acompanhar mercados cada vez mais complexos, "mas são cobradas por resultados enquanto perdem os instrumentos necessários para entregar esses resultados". "O desmonte da capacidade regulatória não acontece de uma vez. Ele ocorre quando uma fiscalização deixa de ser realizada, quando uma equipe deixa de ir a campo, quando um sistema deixa de ser modernizado, quando uma análise fica parada ou quando servidores precisam escolher quais atividades serão priorizadas diante da falta de estrutura", acrescentou. O Sinagências diz que: Na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a restrição pode reduzir ações relacionadas ao controle de qualidade dos combustíveis, área que já sofreu impactos anteriores com a suspensão do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC). Na saúde, o enfraquecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) compromete a capacidade de resposta de uma agência que atua diretamente na segurança sanitária da população. Em 2025, o Sinagências já alertava que cerca de R$ 20 bilhões em investimentos do setor farmacêutico estavam represados pela falta de estrutura para análise de processos e concessão de licenças. Posição do governo Procurado, o Ministério do Planejamento informou que o bloqueio, detalhado na última sexta-feira (29), atingiu ministérios e órgãos do governo de maneira generalizada. "Sempre que possível, foi observada a proporcionalidade entre bloqueios e volume de despesa de discricionária em cada um desses Ministérios e Órgãos", afirmou.
03/06/2026 07:00:46 +00:00
Live shopping: como transmissões ao vivo viraram estratégia para vender milhões

Live shopping: como transmissões ao vivo viraram estratégia para vender milhões As chamadas “live shop” ou “live shopping” — também conhecidas como live commerce — são transmissões ao vivo voltadas à venda nas redes sociais que vêm se consolidando como uma nova estratégia de negócios no ambiente digital. O formato combina entretenimento, interação em tempo real e ofertas com senso de urgência para estimular compras online. Durante as transmissões, os vendedores apresentam produtos, tiram dúvidas dos consumidores e oferecem descontos ou estoques limitados para incentivar decisões rápidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo especialistas, o diferencial está na proximidade com o público e na possibilidade de interação instantânea, o que aumenta as chances de conversão em vendas. A estratégia também tem sido adotada por pequenos empreendedores, muitas vezes com o uso apenas do celular. Especialistas apontam que simplificar o processo de compra é um dos principais fatores para o sucesso das vendas ao vivo. Neste vídeo, o g1 mostra como funciona o modelo de live shop e por que ele tem atraído desde pequenos negócios até operações que já faturam milhões nas redes sociais. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Vender ao vivo virou febre: como funciona o modelo que já fatura milhões nas redes Reprodução/Magnific
03/06/2026 06:00:56 +00:00
Por que investidores seguem a multidão? Entenda o comportamento de manada

Efeito manada: o perigo de investir como todo mundo Seguir as decisões da maioria é um comportamento comum e, na economia, recebe o nome de comportamento de manada. A tendência faz com que muitas pessoas invistam em determinado ativo apenas porque ele está atraindo cada vez mais investidores. Esse movimento costuma ganhar força em momentos de alta dos mercados. Com mais compradores, os preços sobem, reforçando a percepção de que o investimento é uma aposta segura, mesmo quando a valorização não reflete o valor real do ativo. Episódios como a bolha das tulipas na Holanda, a crise das empresas de tecnologia e a crise financeira de 2008 mostram os riscos desse comportamento. Especialistas alertam que consenso não é garantia de acerto e que o entusiasmo coletivo pode aumentar a exposição a perdas. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
03/06/2026 06:00:54 +00:00
Avião que fará rota mais longa do mundo completa primeiro voo de teste; veja como foi a viagem

Como foi 1º voo teste de avião que fará rota mais longa do mundo A fabricante aeronáutica europeia Airbus concluiu na terça-feira (2) o primeiro voo de teste do avião A350-1000ULR. O avião foi projetado para voar até 22 horas seguidas e superar o recorde de voo comercial direto mais longo do mundo. O modelo MSN 707 voou por 3 horas e 43 minutos em um trajeto com origem e destino em Toulouse, na França, e alcançou altitude levemente superior a 41.000 pés ou 12.500 metros, informou a Airbus. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A aeronave foi pilotada por uma equipe dedicada aos testes da empresa e estava equipada com instrumentos específicos para o experimento. Pela primeira vez, será possível voar sem paradas entre Sidney, na Austrália, e destinos como Londres, no Reino Unido, e Nova York, nos Estados Unidos. Na prática, essa mudança pode reduzir em até quatro horas o tempo total das viagens. Primeiro voo de teste do A350-1000ULR, da Airbus Divulgação/Airbus Qual é o segredo dos aviões que conseguem ficar mais de 18 horas no ar? O voo comercial mais longo em operação neste momento é o da Singapore Airlines, entre Singapura e Nova York, com aproximadamente 15.350 km e duração de mais de 18 horas. O voo entre Sidney e Londres, por exemplo, alcançaria 18.500 km. O A350-1000ULR (ULR é a sigla em inglês para "alcance ultralongo") é uma variação do A350-1000. Uma das diferenças para a versão padrão é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível, o que aumenta a autonomia em mais de 1.800 km, segundo a Airbus. "Durante o primeiro voo, a tripulação realizou verificações gerais de desempenho da aeronave e testou a nova arquitetura do sistema de combustível. Isso marca o início de uma campanha de testes de voo por dois meses para certificar a modificações", disse a Airbus. A fabricante disse ainda que fará certificações sobre a ventilação e o controle de temperatura dentro da cabine, além de um novo sistema de refrigeração na cozinha de bordo, criada para ser mais leve e eficiente para voos de longa duração. O modelo teve suas 12 primeiras unidades encomendadas pela companhia aérea australiana Qantas. A entrega sofreu atrasos, mas a companhia aérea deve receber a primeira unidade em abril de 2027 – o prazo inicial para inaugurar a rota era 2025 e já tinha sido adiado para o final de 2026. Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do Sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vezes nos voos mais longos. A companhia aérea também encomendou outras 12 unidades do A350-1000, destinados a voos de longa distância, mas com percursos um pouco mais curtos. Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas Divulgação/Qantas Como será o voo mais longo do mundo A Qantas informou em 2025 que, para oferecer mais conforto, levará até 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave. O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo. O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas: Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer; Classe executiva com poltrona larga de 2 metros de comprimento (que pode virar cama), TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar a cabine; Classe econômica premium com apoios para pernas e cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal; Classe econômica com apoio para cabeça, espaço extra para pernas, tela de 13,3". A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag com a adoção de iluminação e horários de refeição mais adequados. Primeira classe do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe executiva do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas Classe econômica do avião do projeto Sunrise Divulgação/Qantas
03/06/2026 06:00:37 +00:00
Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP

Copa do Mundo: bar aposta em drinks com nomes de jogadores e sobremesas inspiradas em bandeiras Com grafites de jogadores nas paredes, telões espalhados pelo salão e pratos inspirados em craques do futebol mundial, um gastrobar na Zona Leste de São Paulo encontrou no esporte mais popular do país a fórmula para atrair clientes e crescer. À frente do negócio estão as sócias Stefany Marques e Fernanda Tardochi, que transformaram a paixão pelo futebol em um empreendimento que hoje fatura cerca de R$ 1,5 milhão por ano. O bar, localizado no Itaim Paulista, nasceu da vontade de Stefany de empreender em um segmento com o qual já tinha familiaridade. Filha de donos de restaurante, ela cresceu acompanhando a rotina da família no setor alimentício, mas decidiu apostar em um modelo próprio de negócio. A primeira tentativa foi uma balada temática de futebol. Apesar do bom início, o formato perdeu força com o passar do tempo. “Balada tem uma durabilidade. Você abre, tem um ‘start’ de dois anos e depois acaba tendo uma caída”, afirma Stefany. Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP Reprodução/PEGN Foi nesse período que Fernanda entrou para a sociedade. O que começou como apoio durante a reforma do novo espaço virou parceria definitiva. Hoje, as duas dividem a gestão do negócio: Stefany cuida da área financeira e das compras, enquanto Fernanda lidera o marketing e a gestão da equipe. A proposta do gastrobar foi unir o clima descontraído dos bares esportivos com pratos mais elaborados. Para isso, elas contrataram um chef que já havia trabalhado em restaurantes renomados da capital paulista. A ideia era levar uma experiência gastronômica diferenciada para a região, evitando que moradores precisassem se deslocar até áreas centrais da cidade. Hoje, o negócio conta com 25 funcionários e ticket médio de R$ 80. No cardápio, pratos e drinques levam nomes ligados ao universo do futebol, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP Reprodução/PEGN Para a Copa do Mundo, as empresárias criaram ainda uma sobremesa inspirada nas cores da seleção brasileira. A expectativa é que o torneio impulsione ainda mais o movimento da casa. As sócias planejam ampliar a capacidade do espaço de 120 para 200 clientes, investir em decoração temática, telões e apresentações musicais durante os jogos. Além da movimentação esperada com a Copa, as empresárias já pensam nos próximos passos. O plano é abrir uma nova unidade na região central de São Paulo para atingir um público ainda maior. “A nossa chance é conquistar os clientes enquanto eles estão aqui. Se tiverem um bom atendimento, boa comida e bons drinks, as chances de eles voltarem são altas”, diz Fernanda. Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP Reprodução/PEGN Campinho Gastrobar 📍 Endereço: Rua Rafael Monteiro Valeiro 178 - Itaim Paulista São Paulo /SP – CEP: 08140-020 📞 Telefone: (11) 94600-4577 🌐 Site: https://livemenu.app/menu/65de1f76da37e20071ba67ee 📧 E-mail: campinhogastrobar@gmail.com 📸 Instagram: https://www.instagram.com/campinhogastrobar/?hl=pt-br
03/06/2026 05:00:54 +00:00
EUA propõem sobretaxa a 60 países por falha no combate ao trabalho forçado; Brasil está na lista

Investigação dos Estados Unidos propõe nova tarifa ao Brasil Uma investigação dos Estados Unidos concluiu, nesta terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. A decisão do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação iniciada em março deste ano. Esse é o mesmo texto utilizado para fundamentar a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo o Itamaraty, a expectativa é que as tarifas, se adotadas, serão acumulativas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o relatório, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 REUTERS/Ken Cedeno O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. 12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros. "A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o embaixador Jamieson Greer. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais." Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. De acordo com o relatório, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno. EUA incluem Brasil em lista de 60 países que falham no combate ao trabalho forçado Portanto, a conduta do Brasil foi classificada como irracional e prejudicial ao comércio norte-americano. O relatório menciona, inclusive, que o Brasil possui uma "Lista Suja", mas o foco da investigação americana é a falha do país em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado de outras economias. O relatório também detalha estudos de caso setoriais, apontando o risco de trabalho forçado na produção de arroz em Mianmar e de tabaco no Maláui. Além disso, países europeus como Polônia e Espanha são citados como mercados de destino para exportações que concorrem diretamente com os produtos americanos. O representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa após negociações comerciais com a China em Genebra Martial Trezzini/Handout via Reuters Próximos passos A medida ainda passará por um período de consulta pública antes de ser implementada. O governo americano receberá comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. No dia seguinte, 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para discutir as ações propostas. A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir que mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos circulem livremente. As 60 economias mencionadas como foco da investigação são: África do Sul Argélia Angola Argentina Austrália Bahamas Bahrein Bangladesh Brasil Camboja Canadá Catar Cazaquistão Chile China Colômbia Coreia do Sul Costa Rica Egito El Salvador Emirados Árabes Unidos Equador Filipinas Guatemala Guiana Honduras Hong Kong (Região Administrativa Especial da China) Índia Indonésia Iraque Israel Japão Jordânia Kuwait Líbia Malásia Marrocos México Nicarágua Nigéria Noruega Nova Zelândia Omã Paquistão Peru Reino Unido República Dominicana Rússia Arábia Saudita Singapura Sri Lanka Suíça Taiwan Tailândia Trinidad e Tobago Turquia União Europeia Uruguai Venezuela Vietnã Lista de isenções A investigação também traz uma lista de produtos que ficariam isentos da nova tarifa. Além dos itens incluídos no anexo, a medida não se aplicaria a materiais informativos (livros, jornais, filmes, etc.), bagagens, doações, produtos já sujeitos às tarifas da Seção 232 e mercadorias beneficiadas por acordos comerciais dos EUA com Canadá, México e países da América Central. Entre os exemplos de produtos isentos estão: café; chá; cacau; bananas; mangas; petróleo bruto; gás natural liquefeito (GNL); ouro; prata; fertilizantes; vitaminas; medicamentos; semicondutores e diversos componentes eletrônicos. A lista é praticamente idêntica à relação de exceções divulgada na investigação comercial contra o Brasil, mas há algumas diferenças. (veja a lista de produtos isentos no caso do Brasil) Produtos como minérios de ferro, alguns tipos de celulose, máquinas de embalagem e determinadas pedras preciosas aparecem entre as exceções da investigação sobre o Brasil, mas não constam na lista relacionada ao trabalho forçado. Até o momento, o governo americano não explicou as divergências entre as duas listas nem esclareceu quais critérios foram utilizados para definir as exceções em cada investigação.
03/06/2026 03:27:11 +00:00
Vai trabalhar no Corpus Christi? Veja quando dá para emendar e quais são seus direitos

Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga Muitos trabalhadores já estão de olho no tão esperado “feriadão” de Corpus Christi, celebrado na próxima quinta-feira (4). A data é considerada ponto facultativo nacional, ou seja, estados e municípios podem decretá-la como feriado religioso, desde que haja regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso. (veja em quais capitais a data garante folga) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Como a celebração cai em uma quinta-feira, o descanso pode chegar a quatro dias seguidos para quem conseguir folga na sexta-feira (5) e não trabalhar aos fins de semana. Veja como fica o calendário: 4 de junho: Corpus Christi (ponto facultativo); 5 de junho: ponto facultativo; 6 de junho (sábado): folga para quem não trabalha aos fins de semana; 7 de junho (domingo): folga para quem não trabalha aos fins de semana. Nas cidades onde Corpus Christi é considerado feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Ainda assim, a legislação permite o funcionamento de atividades consideradas essenciais. (confira quais abaixo) ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como remuneração em dobro ou um dia de folga compensatória. O g1 conversou com advogados especialistas em direito trabalhista para ajudar a entender as regras. Abaixo, você vai descobrir: 🤔 Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? ⚖️ Quais são os meus direitos? 💰 Remuneração em dobro ou folga? Quem define? ❌ Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? ➡️ Quem pode emendar o feriado? ⚠️ As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? ✍🏼 Como funciona no caso do trabalhador intermitente? 📆 Quais são os próximos feriados de 2026? Corpus Christi: ruas do país ganham tapetes coloridos confeccionados por fiéis Reprodução/TV Globo 1. Meu chefe pode me obrigar a trabalhar durante o feriado? Sim. Apesar de o artigo 70 da CLT proibir atividades profissionais durante feriados nacionais, a legislação abre exceções para serviços considerados essenciais, como setores da indústria, comércio, transportes, comunicações, serviços funerários e atividades ligadas à segurança, entre outros. Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma Convenção Coletiva de Trabalho — acordo previamente firmado entre empregadores e sindicatos. 2. Quais são os meus direitos? Para quem trabalha no feriado, a legislação garante o pagamento em dobro ou a compensação com folga em outro dia. "Se houver banco de horas, também é possível lançar essas horas trabalhadas, nos termos do acordo individual ou coletivo", explica Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista e sócia do AC Burlamaqui Consultores. 3. Remuneração em dobro ou folga? Quem define? A definição do tipo de compensação — pagamento em dobro ou concessão de folga compensatória — geralmente é determinada em acordo firmado entre empregador e sindicato. Na ausência da Convenção Coletiva de Trabalho, a decisão pode ser negociada entre empregador e funcionário. No entanto, é importante que as duas partes estejam de acordo e que a compensação escolhida esteja em conformidade com a legislação. "O empregador não pode decidir de forma unilateral. Se houver um acordo ou convenção coletiva prevendo a compensação por folga, essa regra prevalece; caso não exista, o pagamento em dobro pelo trabalho no feriado é obrigatório", afirma Elisa Alonso, advogada trabalhista e sócia do RCA Advogados. 4. Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa? Depende. A ausência pode ser caracterizada como insubordinação — ou seja, desobediência a um superior hierárquico. "Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista. Assim, a demissão por justa causa geralmente resulta de um processo que inclui advertências formais e tentativas de correção de comportamento. Em caso de expediente normal, o empregado poderá sofrer outras penalidades administrativas como o desconto do dia não trabalhado, que será considerado falta injustificada. ""A falta injustificada deve ser repreendida. No entanto, para a caracterização de justa causa, outros fatores precisam ser analisados, como a recorrência da conduta, o impacto causado à empresa e a função exercida pelo empregado", completa a advogada trabalhista Elisa Alonso. 5. Quem pode emendar o feriado? Por cair em uma quinta-feira (4), o Corpus Christi abre a possibilidade de muitos trabalhadores “emendarem” a folga com o fim de semana, chegando a quatro dias seguidos de descanso. Apesar disso, é importante destacar que a sexta-feira (5) não é feriado nacional, mas um dia normal de trabalho. Assim, a possibilidade de emenda depende das regras de cada empresa, no caso do setor privado, e de decisões dos governos municipais, estaduais e federal, no caso dos servidores públicos. Veja abaixo: 🏢 EMPRESAS PRIVADAS Segundo a advogada trabalhista Vanessa Carvalho, a legislação não obriga o empregador a conceder a chamada “emenda de feriado” aos funcionários. "No entanto, é possível — e bastante comum — que o tema seja objeto de negociação entre as partes, empregadores e empregados", completa a especialista. Uma alternativa é a compensação das horas não trabalhadas por meio de banco de horas, trabalho em um sábado ou acréscimo de até duas horas na jornada diária ao longo da semana. Também há empresas que concedem a folga espontaneamente. Nesses casos, o empregador não pode descontar o dia nem exigir compensação posterior. 🏛️ FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Para os servidores federais, a sexta-feira (05) será ponto facultativo, conforme o calendário divulgado pelo governo no fim do ano passado. Já para servidores estaduais e municipais, a adoção do ponto facultativo depende de decisão de cada administração local. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura determinou a suspensão do expediente, com compensação posterior das horas não trabalhadas. Nesses casos, servidores, estagiários e residentes deverão repor as horas entre janeiro e setembro de 2026. A administração municipal também poderá instituir plantões, se necessário. ➡️ Vale lembrar que os serviços considerados essenciais continuam funcionando normalmente, sem alteração na jornada de trabalho. 6. As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória. No entanto, trabalhadores contratados em regime temporário podem ter condições específicas previstas em contrato. 7. Como funciona no caso do trabalhador intermitente? Para o trabalhador contratado em regime de trabalho intermitente — previsão legal incluída na CLT pela Reforma Trabalhista de 2017 —, o pagamento pelos dias trabalhados em feriados deve ser acordado no momento da contratação. O contrato deve especificar o valor da hora trabalhada, que já precisa considerar os adicionais devidos por trabalho em feriados ou por horas extras. Dessa forma, o trabalhador intermitente recebe exatamente o valor previamente combinado para os dias efetivamente trabalhados, incluindo feriados, explica o advogado Luís Nicoli. 8. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida). Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana. O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada
03/06/2026 03:01:11 +00:00
Tarifa de 25% dos EUA pode atingir aço, suco e máquinas; veja produtos fora da lista de isenção

Míriam Leitão: Taxa de 25% é mais perigosa do que tarifaço de 2025 Apesar da lista de exceções divulgada pelos Estados Unidos, diversos produtos brasileiros ainda poderão ser atingidos pela tarifa de 25% proposta pelo país após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A medida foi anunciada na segunda-feira (1º) e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. (entenda aqui como funciona) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o governo americano, a tarifa é uma resposta a práticas e políticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação dos EUA, seriam "irrazoáveis" e prejudicariam o comércio norte-americano. Apesar da sobretaxa, uma lista de exceções divulgada pelo USTR preserva alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ao mercado americano, como petróleo bruto, aeronaves, café e celulose. Outros itens relevantes da pauta exportadora brasileira, porém, ficaram de fora das isenções e podem enfrentar a cobrança adicional. Aço lidera lista de produtos mais expostos Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os produtos semiacabados de ferro e aço foram o segundo item mais exportado pelo Brasil para os EUA em 2025, com vendas de US$ 3,36 bilhões, o equivalente a 8,92% do total embarcado. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das tarifas impostas por Trump, as taxas aplicadas ao aço e ao alumínio permaneceram em vigor, inclusive para o Brasil. Isso porque elas foram adotadas com base na Seção 232, que não foi afetada pela decisão judicial. 🔎 O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse nesta terça-feira (2) que a nova proposta do governo de Donald Trump pode impactar 21% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. De acordo com ele, cerca de 25% das mercadorias brasileiras já estão sujeitas a sobretaxas previstas na Seção 232, que inclui itens como aço, alumínio e autopeças. Outros 54% das exportações não são afetadas por tarifas. Embora a lista de exceções contemple algumas categorias específicas ligadas ao setor siderúrgico, como ferroligas, produtos de redução direta e determinados tubos de aço utilizados na aviação, os produtos semiacabados, lingotes e formas primárias de aço não aparecem entre os itens isentos. Outro segmento relevante é o de ferro-gusa, spiegel e ferro-esponja, que movimentou US$ 1,74 bilhão em exportações no ano passado, representando 4,63% da pauta brasileira para os EUA. Parte dessa categoria pode ser beneficiada pelas exceções concedidas às ferroligas, mas outros produtos do grupo não foram mencionados na lista de isenções. Suco de frutas e equipamentos de construção Entre os produtos agroindustriais, os sucos de frutas e vegetais aparecem entre os mais vulneráveis à nova tarifa. As exportações do setor somaram US$ 1,61 bilhão em 2025, correspondendo a 4,28% das vendas brasileiras para os Estados Unidos. A lista de exceções inclui frutas frescas, secas, congeladas e até polpas, mas não contempla os sucos industrializados. Também podem ser impactados os equipamentos e instalações utilizados em obras e projetos de engenharia civil. O segmento exportou US$ 1,38 bilhão para os EUA em 2025, o equivalente a 3,67% do total. Embora algumas máquinas e equipamentos industriais tenham sido incluídos nas isenções, o benefício está restrito a produtos destinados ao setor aeronáutico, deixando de fora boa parte do maquinário empregado na construção civil e em projetos de infraestrutura. Outros setores sob risco Além dos principais produtos da pauta exportadora, outros itens com participação relevante também não aparecem entre as exceções anunciadas pelos EUA. Entre eles estão: 🧱 Cal, cimento e materiais de construção: US$ 794 milhões (2,11%). Não aparecem na lista de isenções. ⚡ Máquinas de energia elétrica: US$ 660 milhões (1,75%). Isenções focam no setor aeroespacial, sem incluir máquinas de uso geral. 🛞 Pneus de borracha: US$ 536 milhões (1,42%). Isenção restrita apenas a pneus para aeronaves. 🧪 Alumina (óxido de alumínio): US$ 463 milhões (1,23%). O minério (bauxita) é isento, mas o produto processado não. 🐄 Óleos e gorduras animais: US$ 450 milhões (1,19%). Não estão na lista de isenções. ✈️ Motores de pistão e partes: US$ 435 milhões (1,15%). Isenção válida apenas quando destinados a aeronaves. 🌳 Madeira (folheados, compensados e aglomerados): cerca de US$ 360 milhões (0,95%). Sem previsão de isenção. No caso dos pneus, a isenção prevista pelos EUA se aplica apenas aos modelos destinados à aviação. Já para a madeira, as exceções contemplam apenas algumas espécies específicas, como teca, mogno, virola e balsa. Os 10 produtos mais vendidos Arte/g1 Principais exportações preservadas Por outro lado, alguns dos produtos mais importantes da pauta brasileira ficaram protegidos pela lista de isenções divulgada pelo USTR. O petróleo bruto, principal item exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, com vendas de US$ 4,7 bilhões e participação de 12,48%, está entre os produtos preservados. (veja aqui a lista completa) Veja a lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25% 🛢️ Petróleo bruto e derivados (óleos de petróleo crus e refinados, combustíveis e gás natural) ✈️ Aeronaves, motores, peças e componentes aeronáuticos ☕ Café (torrado, não torrado e descafeinado) 🥩 Carne bovina (fresca, refrigerada, congelada, enlatada e processada) 📄 Celulose e produtos de papel 🧪 Produtos químicos industriais 🌱 Fertilizantes (ureia, cloreto de potássio, nitrato de sódio e outros) 💊 Medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos ⛏️ Minério de ferro e outros minerais (manganês, cobre, níquel, alumínio, zinco, estanho, titânio, entre outros) 🥭 Frutas e produtos agrícolas (laranja, manga, banana, abacaxi, coco, abacate, limão e outras) 🥜 Castanhas (castanha-do-pará, castanha de caju e macadâmia) 🍫 Cacau e derivados 🌶️ Especiarias (pimenta, canela, gengibre, cúrcuma, baunilha e outras) 🧉 Chás e erva-mate 💻 Semicondutores, processadores e máquinas para fabricação de chips 🪙 Ouro, prata e platina Entenda a investigação Segundo documento divulgado pelo USTR, a investigação aberta pelo governo americano concluiu que o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, já tinha afirmado que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. Com base nessas conclusões, os EUA propuseram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, embora tenham incluído uma lista de exceções para diversos produtos. O processo ainda não é definitivo: haverá consultas públicas e audiência marcada para 6 de julho de 2026, e a decisão final deve ser tomada até 15 de julho de 2026. Mudanças no tarifaço Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente impor tarifas de forma unilateral. Com isso, foram anuladas todas as tarifas baseadas nesse instrumento, incluindo as tarifas “recíprocas” de 10% e uma sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros anunciada anteriormente. Após a decisão, Trump passou a usar outro mecanismo legal para aplicar uma tarifa global de 10% para os produtos importados de todas as origens, com exceção daqueles já sujeitos às tarifas da Seção 232. Diversos produtos passaram a ser atingidos pela alíquota adicional de 10%, incluindo máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, produtos químicos, madeira e derivados, rochas ornamentais, café solúvel, pescados e mel. Já sob a Seção 232, continuam em vigor tarifas mais elevadas, de 25%, aplicadas principalmente sobre aço e alumínio, independentemente do país de origem. Porto de Santos Santos Port Authority
03/06/2026 03:01:09 +00:00
Mega-Sena, concurso 3014: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3014: confira os números sorteados Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 3014 da Mega-Sena, sorteado na noite desta terça-feira (2), em São Paulo. Com isso, o prêmio principal, estimado em R$ 14,6 milhões, acumulou e está previsto em R$ 32 milhões para o próximo sorteio. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 27 - 30 - 35 - 40 - 44 - 58 5 acertos: 24 apostas ganhadoras, R$ 57.298,00 4 acertos: 1.782 apostas ganhadoras, R$ 1.272,01 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Resultado do concurso 3014 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
03/06/2026 00:01:53 +00:00
Bancos defendem PIX e dizem que governo dos EUA tem informações incompletas sobre sistema

Por que o PIX entrou na mira de Donald Trump? Entenda A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do PIX nesta terça-feira (2) após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos que pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na visão dos EUA, o PIX pode representar uma vantagem “injusta” que pode restringir o comércio americano. A decisão final sobre a nova taxa pode sair até 15 de julho. Em nota, a entidade afirmou que o PIX não é um produto comercial, mas uma infraestrutura de pagamentos criada pelo BC para ampliar a concorrência e facilitar transações financeiras. Segundo a federação, as avaliações do governo americano sobre o sistema carecem de esclarecimentos adicionais sobre seu funcionamento. "O PIX é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica", afirmou a Febraban. A nota foi divulgada após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgar as conclusões de uma investigação aberta em julho de 2025, por determinação do presidente Donald Trump. Segundo a Febraban, o sistema brasileiro opera sob um modelo aberto e não discriminatório, permitindo a participação de bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras. A entidade ressaltou que não há restrições à entrada de novos participantes, independentemente do porte ou da origem da instituição. Como o PIX é um meio de pagamento local e opera em reais, a única exigência é que as empresas atuem no Brasil e sigam as regras estabelecidas pelo Banco Central. A federação também afirmou que espera que as contribuições apresentadas pelo Banco Central e por integrantes do sistema financeiro brasileiro durante o processo de consulta pública conduzido pelo USTR ajudem a esclarecer o funcionamento da ferramenta. LEIA TAMBÉM: ANA FLOR: Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral Gerson Camarotti: EUA fazem movimento explícito de interferência nas eleições brasileiras Rubio diz que a América é cheia de amigos e aliados dos EUA, mas deixa Brasil de fora "Temos boa expectativa de que as contribuições do Banco Central do Brasil e dos integrantes do sistema bancário brasileiro, incluindo os bancos americanos, vão ajudar no esclarecimento das conclusões do órgão americano de comércio", disse a entidade. A Febraban destacou ainda que o PIX foi desenvolvido com participação dos bancos e demais instituições financeiras do país e funciona como uma plataforma acessível a brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil, tanto pessoas físicas quanto empresas. A entidade acrescentou que o serviço é gratuito para pessoas físicas, mas pode ser cobrado de empresas, sem diferenciação entre companhias nacionais e estrangeiras. Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil Entenda a investigação dos EUA A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país. A proposta é sobretaxar os produtos brasileiros em 25%. Alguns produtos ficariam de fora da nova taxação, como carne, frutas, café, aeronaves, medicamentos, fertilizantes etc. 👉 Importante: A tarifa ainda não entrou em vigor Antes disso, há consultas públicas e etapas formais A decisão final pode sair até 15 de julho de 2026 Ao concluir a análise, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês) afirmou que algumas políticas brasileiras poderiam representar barreiras ao comércio americano. Entre os pontos citados está o PIX, que, na avaliação do órgão, teria recebido tratamento que favoreceria sua expansão em detrimento de empresas privadas do setor de pagamentos. As conclusões da investigação podem servir de base para a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano, ampliando a pressão comercial entre os dois países.
02/06/2026 23:21:02 +00:00
João Fonseca em Roland Garros: veja quanto o brasileiro faturou mesmo após eliminação

João Fonseca é eliminado nas quartas de finais em Roland Garros. REUTERS/Guglielmo Mangiapane O brasileiro João Fonseca foi derrotado nesta terça-feira (2) pelo tcheco Jakub Mensik nas quartas de final de Roland Garros. Apesar da eliminação, o tenista encerra sua participação no torneio com uma premiação de 470 mil euros (cerca de R$ 2,77 milhão na cotação atual). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia João perdeu para Mensik por 3 sets a 0 na quadra Philippe-Chatrier, em Paris, na França. Mesmo com a derrota, o brasileiro alcançou sua melhor campanha em um torneio de Grand Slam com direito a vitória sobre o sérvio Novak Djokovic nas oitavas. Caso tivesse avançado às semifinais, o brasileiro receberia 750 mil euros (cerca de R$ 4,43 milhões). Entre os quatro torneios de Grand Slam, Roland Garros tem a terceira maior premiação ao campeão. Veja o ranking: US Open — 4,3 milhões de euros (R$ 25,9 milhões) Wimbledon — 3,5 milhões de euros (R$ 20,6 milhões) Roland Garros — 2,8 milhões de euros (R$ 16,5 milhões) Aberto da Austrália — 2,55 milhões de euros (R$ 15 milhões) Agora no g1 Veja a premiação de Roland Garros Chaves simples Campeão: 2,8 milhões de euros (R$ 16,52 milhões) Finalista: 1,4 milhão de euros (R$ 8,26 milhões) Semifinal: 750 mil euros (R$ 4,43 milhões) Quartas de final: 470 mil euros (R$ 2,77 milhões) Oitavas de final: 285 mil euros (R$ 1,68 milhão) Terceira rodada: 187 mil euros (cerca de R$ 1,1 milhão) Segunda rodada: 130 mil euros (cerca de R$ 767 mil) Primeira rodada: 87 mil euros (cerca de R$ 513 mil)
02/06/2026 21:17:59 +00:00
Ford do Brasil faz recall de Maverick, Mustang, Bronco Sport e F-150 por falha em sensor

Ford Maverick Divulgação / Ford A Ford do Brasil anunciou nesta terça-feira (2) um recall para as picapes Maverick e F-150, além do utilitário esportivo Bronco Sport e do esportivo Mustang. O motivo, segundo a empresa, estaria no sensor de temperatura do ar de admissão do motor. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Se esse componente não estiver funcionando de maneira correta, o sistema de diagnóstico dos veículos poderá não identificar a temperatura correta do ar de admissão. A consequência desse defeito, segundo a Ford, é que a luz de advertência do painel não vai se acender. Isso vai impedir a identificação sobre variações nos níveis de emissões de gases dos veículos. A solução é a atualização do módulo de controle do motor. O serviço é gratuito e, de acordo com a Ford, são necessários 30 minutos para a conclusão do reparo. Agora no g1 Os proprietários dos veículos listados devem procurar um representante Ford para confirmar se estão envolvidos na campanha. O atendimento nas oficinas começa dia 11 de junho. Veículos Ford Bronco Sport 2025: chassis de SRE31742 até SRE34899 Data de produção: de 7 de fevereiro de 2025 até 13 de fevereiro de 2025 Ford Maverick 2025: chassis de SRA19045 até SRA40265 Data de produção: de 22 de janeiro de 2025 até 10 de fevereiro de 2025 Ford F-150 2024: chassis de RFA00319 até RFC18688 Data de produção: de 29 de novembro de 2023 até 2 de novembro de 2024 Ford F-150 2025: chassi 1FTFW4L53SFA48597 Data de produção: 6 de fevereiro de 2025 Ford Mustang 2024: chassis de R5412950 até R5434492 Data de produção: de 22 de dezembro de 2023 até 4 de setembro de 2024 Ford Mustang 2025: chassi 1FATP8CF9S5405308 Data de produção: 19 de fevereiro de 2025
02/06/2026 20:28:14 +00:00
BRB: governo do DF pede novo aval de distritais ao empréstimo bilionário para salvar o banco

Banco Master Reprodução/TV Globo A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), enviou nesta terça-feira (2) à Câmara Legislativa um projeto de lei para ratificar o acordo com a União para destravar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar o Banco de Brasília (BRB). O banco, que tem o governo do DF como acionista majoritário, vive a maior crise de sua história após operações malsucedidas com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. O BRB tenta, há meses, recompor seu patrimônio e conter a crise de confiança na instituição. O projeto de lei prevê: que seja ratificado na íntegra o acordo firmado entre DF e governo federal na última quinta-feira (28), após duas reuniões mediadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux; que o DF seja autorizado a contratar bancos públicos ou privados, ou associações de bancos, como fiadores desse empréstimo; que, em caso de inadimplência, esses fiadores possam ser ressarcidos com repasses destinados ao DF do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE). ➡ As negociações ocorreram após o DF receber nota baixa na Capacidade de Pagamento (Capag), classificação fiscal usada pela União para autorizar operações de crédito com garantia federal (veja detalhes abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp GDF e União fecham acordo no STF para viabilizar socorro bilionário ao BRB O que prevê o acordo? Segundo termo de acordo obtido pela TV Globo, o STF deve autorizar o DF a contratar uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal. De acordo com o advogado-geral da União substituto, Flávio Roman, não haverá transferência de recursos federais nem garantia da União. A medida cria apenas condições para que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) faça uma operação de capitalização do BRB dentro dos limites previstos pela resolução do Senado Federal. "Dá em torno de R$ 6,5 bilhões para a capitalização e isso vai depender de outros aportes do Distrito Federal”, explicou. O BRB informou, em nota, que o acordo prevê uma operação com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com participação de instituições financeiras e uso de recursos do próprio sistema bancário, respeitando os limites de endividamento do DF. Bancos privados darão garantia Presidente do BRB, Nelson Souza, advogado-geral da União, Flávio Roman, e governadora do DF, Celina Leão; GDF e União fecham acordo para viabilizar socorro bilionário ao BRB TV Globo Pelo acordo, o empréstimo ao GDF será feito pelo FGC e terá garantia de um sindicato de bancos. Como contragarantia, o Distrito Federal oferecerá recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O texto também prevê dispensa de limites e exigências fiscais normalmente aplicáveis a esse tipo de operação de crédito. Segundo Roman, os recursos usados na operação não são públicos, mas pertencem às instituições financeiras que abastecem o FGC. Entenda O Distrito Federal acionou o STF para tentar suspender os efeitos da nota “C” recebida pelo DF na Capacidade de Pagamento (Capag). ➡️ Como mostrou o g1, essa classificação impede que a União atue como garantidora em novas operações de crédito — prerrogativa restrita a entes com notas A ou B. Em 2025, a nota do DF caiu para C na avaliação. Na prática, a classificação impede que o Distrito Federal avance na operação de crédito para fazer um aporte no BRB. O DF argumenta que a nota foi definida por uma diferença de 0,27 ponto percentual no indicador de “poupança corrente” e sustenta que a metodologia usada pelo Tesouro Nacional desconsidera medidas recentes de ajuste fiscal adotadas pelo DF. Empréstimo de R$ 6,6 bilhões Celina Leão diz que acordo no STF tira BRB de “momento grave” e prevê solução nesta semana O pedido de socorro ao BRB foi formalizado pelo Governo do DF junto ao governo federal em abril. Em ofício enviado ao Ministério da Fazenda, Celina Leão solicitou garantia da União para contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o governo do DF, o objetivo da operação é reforçar o capital do banco público. A movimentação ocorre em meio à crise enfrentada pela instituição após prejuízos relacionados às operações com o Banco Master e à Operação Compliance Zero. Segundo a ação, o BRB: opera 25 programas sociais do DF; movimenta cerca de R$ 3 bilhões em benefícios; faz o pagamento de aproximadamente 210 mil servidores públicos; atende quase 440 mil beneficiários de programas distritais; já concedeu mais de R$ 32 bilhões em crédito. O texto afirma ainda que o banco guarda “valores bilionários” de correntistas e depósitos judiciais. “A inviabilização de suas atividades resultaria em graves consequências para todo o País”, diz a peça enviada ao Supremo. Capag O Capag se baseia em critérios de endividamento, poupança e liquidez que, juntos, definem a "saúde fiscal" de cada ente. Na prática, os indicadores medem o risco de inadimplência em operações de crédito. ➡️ A União só entra como avalista em empréstimos de Estados e municípios que tenham nota alta (A ou B). ➡️ O DF tinha nota B em 2023 e 2024, mas caiu para C na avaliação feita em 2025 e divulgada no início deste mês. Com isso, o DF perdeu a garantia da União para novas operações de crédito. O que diz o BRB "O BRB informa que foi firmado acordo entre a União e o Distrito Federal, com homologação no Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de viabilizar condições para o fortalecimento de capital do Banco, dentro das regras do sistema financeiro e dos limites legais aplicáveis. O acordo não envolve transferência de recursos, garantia ou aval da União. A solução construída permite a realização de uma operação no âmbito do Fundo Garantidor de Créditos, com participação de instituições financeiras, para apoiar a capitalização do BRB. Essa estrutura considera limites de endividamento do Distrito Federal e será conduzida conforme a governança do fundo, com utilização de recursos do próprio sistema bancário. O modelo prevê a organização de um conjunto de bancos que poderão atuar como garantidores da operação, com contragarantias vinculadas ao fluxo dos fundos FPM e FPE do Distrito Federal. A eventual operação ainda dependerá da análise do plano de negócios e das condições técnicas exigidas pelo Fundo Garantidor de Créditos. A instituição destaca o papel do ministro Luiz Fux na condução do processo, ao promover as audiências de conciliação e articular o entendimento entre as partes, permitindo a construção de uma solução consensual para a operação. Por fim, o Banco esclarece que segue operando normalmente, com pleno atendimento a clientes e parceiros, e manterá o mercado informado sobre os desdobramentos das etapas previstas no acordo, em linha com as exigências regulatórias." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
02/06/2026 18:34:37 +00:00
Inteligência artificial, jornalismo e o futuro incerto da esfera pública

Publisher do NYT, A.G. Sulzberger Damon Winter/The New York Times via AP A era da inteligência artificial anunciou sua chegada há menos de quatro anos, com o lançamento público do ChatGPT. Em poucos meses, o chatbot da OpenAI acumulou 100 milhões de usuários, tornando-se o produto de consumo de crescimento mais rápido da história. Hoje, ele é apenas um entre vários sistemas de IA cada vez mais poderosos, ao lado dos desenvolvidos por Anthropic, Google, Meta, Microsoft e X. Há poucas dúvidas de que a inteligência artificial generativa representa a próxima grande revolução tecnológica — e ela traz consigo uma série vertiginosa de questões importantes. A IA vai impulsionar um salto de produtividade? Vai eliminar categorias inteiras de empregos? Vai desbloquear avanços médicos extraordinários? Ou facilitar ataques biológicos? É possível compreender plenamente as ações dos modelos e agentes de IA? É possível controlá-los? Estou aqui hoje para falar de questões que são, reconheço, um pouco mais restritas. Mas elas importam muito para mim, para vocês e para a sociedade. Como a IA vai mudar o jornalismo? Como essas mudanças vão afetar o ecossistema de informação que funciona como a esfera pública dos cidadãos engajados ao redor do mundo? E o que as pessoas presentes nesta sala podem fazer para garantir o futuro do jornalismo baseado em fatos e reportagens em primeira mão — essencial para a saúde das nossas democracias? Os primeiros sinais nos dão razão para preocupação As empresas que lideram a IA, já entre as mais ricas e poderosas da história humana, estão consolidando um controle desproporcional sobre nossos dados e nossa atenção. Ao mesmo tempo, deixam de assumir uma responsabilidade fundamental que acompanha esse poder: garantir que o público tenha acesso a notícias e informações confiáveis. Esse sequestro da esfera pública é viabilizado pelo pecado original que move seus produtos de IA — um roubo descarado de propriedade intelectual em uma escala sem precedentes. Os gigantes da tecnologia vasculham sites de notícias sem permissão e sem compensação. Reempacotam o material roubado como se fosse seu, desviando o público e a receita que deveriam ir para as organizações jornalísticas que criaram esse trabalho. E isso não acontece apenas uma vez, durante o processo de treinamento, mas incontáveis vezes, todos os dias. Por isso, temo que estejamos caminhando rapidamente para um futuro com cada vez menos jornalistas capazes de fazer o trabalho caro e difícil da reportagem original — ir a lugares, conversar com pessoas, buscar informações, cobrir temas e eventos relevantes, oferecer contexto e análise, investigar os poderosos. Um futuro em que uma fonte essencial de uma sociedade saudável e de uma democracia estável — a verdade, a compreensão e a responsabilização proporcionadas pelo jornalismo original — continue a se esgotar. Esse dano potencial vai muito além do jornalismo. As empresas de IA saquearam todo o conjunto de obras originais da civilização — um ato que também ameaça o futuro de livros, filmes, músicas, pesquisas científicas e uma série de outros campos. Nos Estados Unidos, essas indústrias representam não apenas o coração da vida cultural e intelectual do país, mas também um pilar de sua economia e uma de suas exportações mais influentes. Globalmente, as profissões criativas empregam mais de 50 milhões de pessoas e geram cerca de US$ 12 trilhões em valor econômico por ano. As pessoas reunidas aqui hoje lideram organizações de notícias de mais de 60 países. Isso significa que já passaram por uma série de pressões que assolaram o jornalismo em todo o mundo — da queda de receitas à intermediação tecnológica e aos ataques crescentes à liberdade de imprensa. Mas diante da IA, precisamos fazer mais. Nossa profissão tem sido silenciosa demais, passiva demais e fragmentada demais diante dos abusos das empresas que lideram essa revolução. Não podemos permitir que os entusiastas da IA dominem a conversa pública sem que nos posicionemos em defesa de um futuro sustentável para o jornalismo original. Não podemos assistir enquanto empresas de IA tentam desmantelar permanentemente os direitos que nos dão controle sobre o trabalho que criamos. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto esse trabalho é usado para construir produtos substitutos que minam nossa capacidade de conquistar o público e a receita necessários para continuar fazendo jornalismo. Alguns líderes do setor tecnológico vão retratar meus comentários de hoje como sendo contra a IA. Como uma defesa do status quo. Como mais uma instituição engessada reagindo com raiva aos inovadores que impulsionam o progresso. E, para ser justo com nossos colegas do Vale do Silício, existe uma tradição de incumbentes estabelecidos — digamos, um jornal de 175 anos — reclamando de novas tecnologias e dos disruptores por trás delas. Por isso, vale dizer claramente: a organização que lidero, o "The New York Times", tem um longo histórico de abraçar a tecnologia para avançar a missão do jornalismo independente. Temos uma história de parcerias respeitosas com empresas de tecnologia para levar esse jornalismo a novos leitores, de novas formas. Enfrentar as disrupções com curiosidade, abertura e capacidade de adaptação nos ajudou a atravessar o colapso do nosso negócio impresso e sairmos mais fortes do outro lado. Hoje, meus colegas usam tecnologia de IA — de forma responsável, ética e com humanos tomando as decisões — para melhorar a forma como reportamos, editamos, distribuímos e monetizamos nosso jornalismo. Manter uma tecnologia nova e poderosa à distância é uma receita para o fracasso. E acredito plenamente que a IA tem o poder de fazer muito bem no mundo. Não estou chamando a IA — nem os gigantes tecnológicos que controlam essa tecnologia — de inerentemente ruins ou malignos. Estou alertando que as empresas de IA estão fazendo escolhas que violam leis já consolidadas, ameaçam a viabilidade do trabalho criativo e parecem destinadas a causar danos desnecessários e graves. As organizações de notícias deveriam querer os benefícios que a IA pode trazer. Mas as empresas de tecnologia deveriam também querer apoiar o fluxo saudável e sustentável de informações, ideias e criatividade que alimenta a própria IA — para garantir que suas ações não nos levem a uma tragédia dos bens comuns cívicos. Os quatro ingredientes da IA Os modelos de IA são feitos com quatro ingredientes básicos. O primeiro é o talento — as pessoas que desenvolvem os algoritmos. O segundo é o que as empresas de tecnologia chamam de "computação": a infraestrutura por trás da IA, como chips e data centers. O terceiro é a energia — a eletricidade necessária para alimentar esses produtos tão consumidores de recursos. O quarto é o que as empresas de tecnologia chamam de "dados". A própria palavra parece quase projetada para fazer o trabalho criativo e expressivo soar trivial, como uma commodity abundante. Mas "dados" é frequentemente usado, entre outras coisas, como sinônimo de livros, filmes, músicas e jornalismo — o que poderia ser descrito com mais precisão como "conteúdo protegido por direitos autorais". Talento, computação, energia e dados são todos essenciais para o sucesso da IA e, portanto, para o sucesso dos gigantes tecnológicos. Os três primeiros são pagos — porque é claro que são. Nenhum CEO de tecnologia ousaria sugerir que os engenheiros mais talentosos trabalhem de graça. Pelo contrário, eles regularmente oferecem pacotes de remuneração que chegam a dezenas ou até centenas de milhões de dólares. Tampouco considerariam roubar chips de uma fábrica da Nvidia ou fazer uma ligação ilegal em uma linha de energia. Os investidores consideram que as recompensas financeiras potenciais da IA são tão grandes que estão aceitando prejuízos na casa dos centenas de bilhões de dólares para construir data centers e usinas de energia. Em contraste, as empresas de IA tomam os "dados" sem consentimento nem compensação. As justificativas para o roubo mudam o tempo todo. Dizem que a inovação exige isso. Insistem que estão apenas usando fatos, que ninguém pode possuir. Reclamam que os acordos demoram demais e custam caro demais. Alegam que a doutrina do "uso justo" permite que tomem conteúdo de graça de qualquer jeito. Às vezes chegam até a invocar a segurança nacional — alertam que, se as empresas de IA forem obrigadas a pagar, os Estados Unidos perderão a corrida tecnológica para a China. Nenhum desses argumentos resiste ao escrutínio. Um chatbot só consegue reproduzir "fatos" porque copiou ilegalmente artigos jornalísticos inteiros, o que lhe permite tomar emprestado com a mesma liberdade a linguagem protegida e o estilo da escrita. Construir data centers e usinas de energia é muito mais caro e demorado do que contratar advogados para redigir acordos de licenciamento com organizações de notícias. O uso justo não permite esse tipo de cópia, retenção e regurgitação prejudicial e substitutiva de uma obra — quanto menos de tudo o que a humanidade já produziu. Na competição com a China, os Estados Unidos se enfraquecem ao abandonar as proteções de propriedade intelectual que alimentam a inovação e sustentam as empresas criativas americanas. A avaliação combinada das seis principais empresas de IA é de US$ 11 trilhões — mais de três vezes o PIB da França. O investimento privado em IA nos Estados Unidos chegou a quase US$ 350 bilhões em 2025 e está acelerando em 2026. Portanto, o roubo de propriedade intelectual certamente não ocorre por falta de dinheiro para pagá-la. Embora os acordos de licenciamento com editores não sejam públicos, com base no tamanho dos poucos acordos que foram divulgados, estima-se que menos de meio por cento desse investimento esteja indo para compensar as pessoas e empresas que criam os dados que alimentam a IA. Embora existam muitas fontes de dados, os próprios executivos de IA reconheceram que conteúdo original e de alta qualidade é particularmente valioso para a eficácia e confiabilidade da tecnologia. Cinco dos dez principais sites usados para treinar alguns dos modelos de linguagem mais populares pertencem a editoras de notícias. A OpenAI confessou que seria "impossível treinar os modelos de IA líderes de hoje sem usar materiais protegidos por direitos autorais". Um engenheiro da empresa escreveu que o sucesso dos modelos "não é determinado pela arquitetura, hiperparâmetros ou escolhas de otimização. É determinado pelo seu conjunto de dados, nada mais". Em outras palavras: você é o que você come. O caso do 'The New York Times' Vamos olhar de perto a experiência do "The New York Times" para entender como isso funciona. Se você quer respostas abrangentes e precisas no seu chatbot de IA, é difícil imaginar uma fonte de dados melhor do que uma organização jornalística que, por 175 anos, empregou jornalistas profissionais experientes e bem remunerados para descobrir novas informações, narrar eventos em andamento e avaliar desenvolvimentos em política, negócios, cultura, esportes, ciência e assuntos globais. Esse trabalho original é valioso para as empresas de tecnologia em grande parte porque foi cuidadosamente escrito e editado, verificado de forma independente, submetido aos mais altos padrões de justiça e precisão, e apresentado de forma distintiva e envolvente. Só no ano passado, o "The New York Times" publicou quase meio milhão dessas obras — de artigos a fotos, vídeos e podcasts —, a um custo de mais de US$ 2 bilhões. Temos jornalistas em todos os 50 estados americanos e em 155 países, e esses profissionais não raramente enfrentam situações de risco de vida. Na Ucrânia, por exemplo, tivemos mais de 70 jornalistas e equipe de apoio em campo. Tudo isso apenas em 2025. Some essas contribuições ao longo de 175 anos e 20 milhões de obras originais, e você terá uma ideia mais clara do que nossa redação contribuiu para a compreensão pública do mundo. O valor distintivo do jornalismo do "Times" — assim como o de outras fontes de jornalismo de qualidade — foi repetidamente reafirmado pela preferência que as empresas de IA demonstram por ele. Embora a maioria das empresas de IA oculte suas fontes de treinamento, o "Times" foi a maior fonte individual de dados proprietários em um conjunto de dados importante usado para treinar vários modelos diferentes, seguido por outras organizações jornalísticas, como "The Guardian" e "Los Angeles Times". As empresas de IA consideram a extração de informações de organizações jornalísticas de qualidade como um dos sinais mais confiáveis de que seus produtos estão funcionando corretamente. Como disse um vice-presidente da Microsoft: "Conteúdo premium melhora significativamente a qualidade das respostas". No entanto, os gigantes tecnológicos argumentaram de forma consistente que não deveriam ser obrigados a pedir permissão para usar — muito menos pagar por — esse tipo de propriedade intelectual. Seu argumento, como mostram suas ações, é que têm direito a ela. A Meta treinou seu modelo em um banco de dados notório de livros pirateados ilegalmente. A Perplexity desafiou abertamente a norma consolidada de que sites não podem ser rastreados às escondidas, contrariando suas objeções explícitas. A OpenAI fez lobby junto ao governo americano para obter imunidade legal pelo confisco de obras alheias. Até mesmo a Anthropic, frequentemente citada por seu compromisso com o desenvolvimento ético da IA, se recusou a pagar pelo jornalismo de alta qualidade que usa em seus produtos. Ações como essas levaram o "Times" a processar a OpenAI, sua parceira, a Microsoft e, posteriormente, a Perplexity, por violações flagrantes de nossos direitos de propriedade intelectual protegidos pela lei de direitos autorais dos Estados Unidos — tanto no treinamento de seus modelos quanto no uso contínuo de nosso trabalho em seus produtos. Assim como outras organizações jornalísticas que entraram com ações semelhantes, acreditamos que essas violações ameaçam a capacidade de longo prazo das organizações de notícias de continuar produzindo jornalismo original e confiável, do qual o público — e, como se vê, os próprios modelos de IA — depende. Mas processos judiciais são lentos e caros — o nosso já se estende por dois anos e meio e custou mais de US$ 20 milhões. Como as empresas de IA certamente sabem, a maioria das organizações jornalísticas não tem recursos para ir a tribunal defender seus direitos. Um setor já fragilizado Mesmo antes da chegada da IA, o setor global de notícias lutava para sobreviver às ondas de mudança desencadeadas pela internet, pelo smartphone e pelas redes sociais. Nas últimas duas décadas, os Estados Unidos perderam, segundo algumas estimativas, 75% de seus jornalistas e mais de 3.000 jornais. Um novo jornal fecha a cada três dias. Os veículos digitais não preencheram nem uma fração desse vazio. Grandes regiões dos Estados Unidos já não têm um único repórter fazendo perguntas na câmara municipal, cobrindo as escolas locais ou conectando sua comunidade com um conjunto comum de fatos. E quando se olha para as formas mais caras e desafiadoras de jornalismo — investigar irregularidades ou ir às linhas de frente de conflitos — percebe-se que o número de jornalistas fazendo esse trabalho caiu de forma ainda mais dramática. A disrupção provocada pela IA promete ser ainda mais devastadora. Antes da IA, havia uma troca de valor real — ainda que desequilibrada — entre as plataformas de tecnologia e os criadores de conteúdo digital, como as organizações de notícias. Esse era o pacto da chamada web aberta. As empresas de tecnologia — principalmente as plataformas de busca e redes sociais — ficavam com uma fatia crescente das receitas publicitárias que antes iam para as organizações de notícias, mas, em contrapartida, entregavam um público muito maior. Na próxima fase da disrupção, as empresas de tecnologia, ao se apropriar do próprio jornalismo, também estão tomando uma parcela crescente do público que ele conquista. Veja o caso do Google. O objetivo dos mecanismos de busca sempre foi identificar os sites mais úteis e enviar as pessoas para eles. As pessoas iam ao Google, pesquisavam um assunto e clicavam em um link para sites como o "Financial Times", "Le Monde" ou "El País" para ler a matéria. O Google ficava com a grande maioria das receitas publicitárias. Mas também enviava tráfego significativo para as organizações de notícias por meio de links, permitindo que os editores ganhassem dinheiro exibindo anúncios ou vendendo assinaturas. Na era da IA, o Google usa cada vez mais o conteúdo das organizações de notícias e de outros sites para responder às perguntas diretamente. Como resultado, fazer com que um usuário do Google clique em um link é, segundo pesquisas do setor, dez vezes mais difícil hoje do que era uma década atrás. Ainda assim, o Google mantém o padrão mais elevado em termos de envio de leitores para os editores, e só podemos esperar que esse compromisso continue. Os modelos de IA concorrentes enviam tráfego de referência a uma taxa 96% menor do que a busca do Google, segundo um estudo. Os gigantes tecnológicos têm plena consciência das implicações dessa mudança sobre os modelos de negócios já frágeis das organizações de notícias. Como escreveu o chefe de monetização de IA da Microsoft: "A web aberta foi construída sobre uma troca de valor implícita, em que os editores tornavam o conteúdo acessível e os canais de distribuição — como a busca — ajudavam as pessoas a encontrá-lo. Esse modelo não se traduz de forma limpa para um mundo orientado pela IA." Ele acrescentou: "Os editores precisam de formas sustentáveis e transparentes de controlar como seu conteúdo premium é usado." Um sentimento digno. Mas basta olhar para uma página de lançamento recente do próprio mecanismo de busca com IA da Microsoft para encontrar uma postura bem diferente: "Olá do Bing! Em vez de clicar em links, podemos conversar sobre tudo o que você quiser saber." Essa dinâmica fez, evidentemente, o tráfego para os sites de notícias despencar. Os maiores jornais acompanhados pelo Comscore registraram quedas de mais de 45%, em média, à medida que a corrida pela IA se intensificou nos últimos quatro anos. Editores de notícias globais consultados pelo "Reuters Institute" se preparam para que as quedas de tráfego significativas continuem nos próximos anos. Menos tráfego para os editores provavelmente significa menos oportunidades de publicidade, que continua sendo uma importante fonte de receita para a maioria das organizações de notícias. Nas últimas duas décadas, a receita combinada de publicidade dos jornais já caiu 80%. A Meta sozinha fatura oito vezes mais em receita publicitária do que todos os jornais do mundo juntos. Para compensar a queda da publicidade, muitas organizações de notícias recorreram a modelos de assinatura. Mas na medida em que as pessoas percebem que podem acessar trabalhos roubados gratuitamente por meio de produtos de IA, será cada vez mais difícil para as organizações de notícias desenvolver e aprofundar relações com potenciais assinantes. Esse roubo não acontece apenas porque os editores "deixam seus brinquedos no quintal"; acontece mesmo quando eles estão "trancados com segurança dentro de casa". Um estudo descobriu que cerca de 30% das varreduras por bots de IA violam restrições explícitas de acesso ao conteúdo dos sites, incluindo conteúdo protegido por paywalls. A fonte de receita com a qual alguns esperam compensar essas perdas é o dinheiro das próprias empresas de IA, por meio de licenciamento de conteúdo ou micropagamentos. Algumas organizações de notícias maiores, incluindo o "Times", assinaram acordos de licenciamento. Outras adotaram micropagamentos das empresas de IA para cada uso individual do jornalismo. Mas há boas razões para questionar se qualquer um desses modelos será suficiente para compensar a receita e os leitores perdidos para produtos de IA concorrentes. Enquanto isso, muitas organizações de notícias menores, cujo trabalho também foi tomado e usado por modelos de IA, não receberam nenhuma compensação, e a grande maioria dos editores diz não esperar receitas significativas das plataformas de IA. De forma preocupante, mesmo enquanto essas empresas de tecnologia tentam divulgar acordos e outras ações que sinalizam que valorizam o jornalismo, simultaneamente argumentam em tribunal, junto a legisladores e agências federais, que não têm nenhuma obrigação com os criadores da propriedade intelectual que usam para alimentar seus produtos. Não é concorrência — é parasitismo Para ser claro: não estou levantando essas preocupações porque as organizações de notícias deveriam temer a concorrência. Se as empresas de tecnologia estivessem destinando recursos reais para colocar seus próprios repórteres em campo para produzir jornalismo original, eu daria boas-vindas a isso. Mas não é isso que está acontecendo. As plataformas tecnológicas nunca fizeram tentativas sérias de criar o trabalho original e de base — como reportagem local, jornalismo investigativo ou testes rigorosos de produtos — do qual seus usuários, plataformas e produtos de IA dependem. E agora vão um passo além, simplesmente tomando as reportagens e coberturas de outros, muitas vezes até apresentando-as como suas. Um estudo descobriu que a OpenAI creditou as organizações de notícias que desenterraram as informações citadas em apenas 1% de suas respostas. Os líderes das transições tecnológicas anteriores pelo menos tentavam argumentar que suas plataformas seriam simbióticas com os criadores. O Spotify, por exemplo — que tem seus críticos na indústria musical — destaca os pagamentos que envia aos artistas. As empresas de IA, em contraste, adotaram uma postura mais abertamente parasitária, mais próxima à do Napster, a antiga plataforma de música pirata. Um pesquisador sênior da Microsoft escreveu que uma das "promessas centrais dos LLMs" é sua capacidade de usar "seus dados de treinamento para substituir o trabalho pago daqueles que criaram esses dados". De forma mais evocativa, a escritora de ficção científica Margaret Atwood comparou essa dinâmica a ser "assassinada pela minha réplica". É uma aposta segura que tais ações dos gigantes tecnológicos vão alimentar tendências destrutivas que já estão tensionando a sociedade. Uma queda contínua no jornalismo original. Uma onda crescente de desinformação, propaganda, teorias conspiratórias, deepfakes e lixo gerado por computador. Um público que continua a ser radicalizado por algoritmos que amplificam o medo, a raiva e a divisão. Os repórteres são os responsáveis por enriquecer o registro público com informações até então desconhecidas. Aquele fato surpreendente. Aquele detalhe revelador. Aquela citação da testemunha ocular. Aquele documento secreto. Aquela análise do especialista. Aquela foto, vídeo, gravação de áudio. Em termos simples, o jornalismo original é muitas vezes a forma como você sabe o que sabe. Os produtos de IA não conseguem fazer esse tipo de reportagem original. Eles extraem o registro público, mas têm dificuldade de acrescentar algo a ele. Mesmo a extração tem sido problemática. Uma pesquisa da "European Broadcasting Union" descobriu que os principais assistentes de IA distorceram significativamente as notícias em quase metade de todas as respostas. Tanto o Google quanto a Apple, por exemplo, cometeram erros graves ao usar ferramentas de IA para reescrever manchetes e alertas de notícias de organizações jornalísticas que aparecem em seus produtos. Como a IA tende a ser ruim em expressar incerteza, ela frequentemente não está apenas errada — está errada com confiança. E, ao contrário das organizações de notícias das quais roubam, as empresas de IA não rastreiam nem corrigem esses erros, deixando seus usuários sem qualquer forma de saber quando foram induzidos a erro. Isso importa em parte porque os produtos de IA provavelmente não vão apenas suplementar, mas substituir as relações diretas com organizações de notícias para muitas pessoas. Pesquisas sugerem que essa mudança está acontecendo muito mais rapidamente do que a maioria imagina. A Amazon Web Services, que trabalha com muitas empresas de IA, estima que a maioria do conteúdo online já é gerado por IA — um número que alguns especialistas esperam que chegue a mais de 90% nos próximos anos. Já hoje, o número de sites de notícias locais falsos é maior do que o de sites reais, pois a IA dificulta a sobrevivência dos sites verdadeiros e facilita a criação de sites falsos a baixo custo. De forma reveladora, as empresas de IA não querem dizer que os resultados de seus produtos são confiáveis. Não querem dizer que são justos ou precisos. Isso se deve em parte ao fato de não serem. Quando o ativista político americano Charlie Kirk foi assassinado no ano passado, por exemplo, o bot da Perplexity sugeriu que a declaração da Casa Branca sobre a morte de Kirk havia sido fabricada, e o Grok, do X, insistia que ele estava vivo e bem. Mas tão importante quanto isso, as empresas de IA se recusam a ser responsáveis pelo que seus chatbots dizem aos usuários numa tentativa de escapar da responsabilidade legal. A Microsoft alertou ao lançar o Copilot: "Apenas para fins de entretenimento. Pode cometer erros e pode não funcionar como pretendido. Não confie no Copilot para aconselhamento importante. Use o Copilot por sua conta e risco." Em algum nível, o público entende que isso não será bom para ele. Dois terços dos americanos estão muito preocupados com a disseminação de informações imprecisas pela IA, segundo o Pew Research Center. Mas uma porcentagem crescente de pessoas recorre à IA para notícias, informações e orientações — e algumas a consideram mais confiável do que as organizações de notícias das quais ela depende para suas respostas. Tudo isso vai agravar o alarmante declínio da saúde social e cívica. Evidências mostram que, quando uma organização de notícias local desaparece, as pessoas de uma comunidade começam a confiar menos umas nas outras e a se odiar mais. Tornam-se mais isoladas e menos tolerantes. O engajamento cívico diminui e a corrupção pública aumenta. E imagine o que acontece quando a abordagem das empresas de tecnologia em relação ao setor jornalístico chega à sua conclusão lógica. Apesar da importância do jornalismo para a tecnologia mais valiosa do mundo, as ações das empresas de tecnologia estão comprometendo sua mais importante fonte de novas notícias, novas informações, novas análises. Isso tornaria os próprios produtos de IA menos úteis e menos confiáveis — mais uma vítima desnecessária de escolhas desnecessárias e prejudiciais. O que podemos fazer Um setor jornalístico em declínio pode parecer impotente diante de algumas das empresas mais ricas que o mundo já viu. E o caminho à frente não é facilitado pela realidade de que precisamos continuar operando em um ecossistema de informação controlado de forma desproporcional por esses gigantes tecnológicos. Mas ainda há ações que podemos tomar — tanto para nos posicionar contra os abusos das empresas de IA quanto para preparar nossas próprias organizações para ter sucesso nessa nova era. Compartilharei algumas ideias para cada uma dessas frentes, com a convicção de que ideias melhores e mais numerosas surgirão das pessoas presentes nesta sala. No que diz respeito a defender seu trabalho das empresas de tecnologia, tenho quatro reflexões centrais: Defenda seus direitos. Os direitos de propriedade intelectual precisam ser mantidos se nossa profissão quiser ter um caminho à frente. No meu país, esses direitos estão ancorados na Constituição e sustentados por séculos de precedentes. Eles também são compatíveis com um entendimento ético básico de que roubar é errado. Mas seus direitos só serão mantidos se você insistir em que sejam respeitados e resistir quando não forem. Isso exigirá coragem — e às vezes recursos, que escasseiam — mas o caminho alternativo de tolerar silenciosamente o roubo sistemático do seu trabalho acabará por minar sua capacidade de continuar fazendo jornalismo. Negocie com cuidado. Organizações de notícias que assinam acordos para licenciar conteúdo para empresas de IA estão fazendo algo razoável. Mas aconselho a avaliar a viabilidade de longo prazo de cada acordo. Os gigantes tecnológicos têm uma posição de força extraordinária: já tomaram seu conteúdo e pretendem usá-lo de qualquer forma. Ainda assim, antes de aceitar uma oferta, vale perguntar se o pagamento reflete algo próximo ao valor justo — e se você está retendo algum controle significativo sobre como seu trabalho será usado. Pressione seus legisladores. A IA é cada vez mais impopular entre o público. À medida que os legisladores consideram como reagir, nossa indústria precisa se unir em torno de um conjunto pequeno e claro de pedidos. Algumas ideias iniciais: garantir que as proteções já robustas de propriedade intelectual sejam reforçadas — e não enfraquecidas — para a era da IA. Exigir que bots se identifiquem e limitar sua capacidade de vasculhar sites sem permissão. Exigir transparência para que as organizações de notícias saibam quando e como seu trabalho é usado pela IA. Garantir que as empresas de IA sejam legalmente responsáveis pelo conteúdo difamatório que geram. Una-se aos outros. Enfrentamos empresas de IA que gastam quantias inimagináveis em marketing, lobby e doações políticas para persuadir o público e cooptar políticos. A firma de capital de risco por trás de muitos investimentos em IA é hoje o maior doador político dos Estados Unidos. O único caminho da indústria jornalística para contrabalançar essa influência é trabalhar em conjunto e, igualmente importante, com outras indústrias criativas. Participe de briefs de amicus curiae e seja ativo em suas associações profissionais. Estude como nossos colegas da música e de outras profissões atravessaram seus momentos "Napster". Há também coisas que podemos fazer para tornar nossas próprias organizações de notícias mais resilientes enquanto enfrentamos esse desafio. Mais quatro ideias: Use a IA do jeito certo. As redações devem criar padrões cuidadosos para o uso responsável da IA. E então devem ser agressivas e criativas para colocar a tecnologia a serviço da melhoria do seu jornalismo e do fortalecimento de seus negócios. A IA pode trazer valor real às organizações que encontrarem as formas certas de adotá-la, e uma mudança dessa magnitude vai destruir qualquer organização que se recuse a evoluir. Não há nada de inerentemente ruim na tecnologia de IA — são as ações das empresas por trás dela que precisam ser reformadas. Seja um destino, antes de tudo. Um mundo cada vez mais intermediado por plataformas de IA deixaria as organizações de notícias ainda mais à mercê dos gigantes tecnológicos para compartilhar tráfego, crédito e dinheiro. O caminho mais claro para sustentar um jornalismo de qualidade será por meio de relações diretas com o público. Ser um destino não significa ignorar a internet mais ampla. Você ainda precisa criar novas relações onde as pessoas estão, que geralmente é uma plataforma tecnológica. Mas para aprofundar essas relações — torná-las leais, habituais e valiosas — seu público precisa aprender que é melhor se engajar diretamente com você do que por meio de um intermediário. Foque no jornalismo original. Muitas organizações de notícias se enfraqueceram e se tornaram commodities ao tentar alimentar as preferências em constante mudança dos algoritmos de busca e redes sociais com clickbait, agregação e opiniões fáceis. A economia dessa abordagem vai piorar ainda mais. Para ser um destino em um mundo intermediado pela IA, você vai precisar de um jornalismo tão diferenciado que tenha sua própria gravidade. O coração disso é o jornalismo original. O público não tem outra fonte para esse trabalho. E a IA tampouco. Explique por que o jornalismo importa. As empresas de IA têm megafones gigantescos e têm comunicado com muito cuidado — e de forma seletiva — os benefícios de seu trabalho, ao mesmo tempo em que minimizam os danos. A indústria jornalística precisa, por sua vez, mostrar que o jornalismo original é um ingrediente essencial nas sociedades saudáveis, nas nações seguras e nas democracias fortes — e demonstrar como as ações dos gigantes tecnológicos estão colocando tudo isso em risco. Informação é valiosa. Jornalismo é valioso Na última transição digital, as organizações de notícias — incluindo o "Times", por um bom tempo — compraram a afirmação repetida do Vale do Silício de que "a informação quer ser livre". Muitos nem sabiam que a citação original, do filósofo da tecnologia Stewart Brand, tinha outra parte: "A informação quer ser cara, porque é muito valiosa — a informação certa no lugar certo simplesmente transforma sua vida." Não podemos ser tão ingênuos desta vez. As organizações de notícias são coletivamente menores e mais fracas do que há duas décadas. Os gigantes tecnológicos são maiores e mais fortes — e muito mais dispostos a usar seu tamanho e poder. Enquanto isso, a própria onda da IA pode ser maior e mais veloz, à medida que a tecnologia continua a melhorar. Mesmo que as coisas pareçam estar bem por enquanto, lembre-se: essas primeiras ondas anunciam um tsunami que se aproxima. Enquanto nos preparamos, precisamos nos lembrar: a informação é valiosa. O jornalismo é valioso. A internet já está sobrecarregada de bots e lixo digital. Está cada vez mais difícil saber de onde as coisas vieram e se são verdadeiras. Isso criou uma sensação crescente de que nada pode ser confiado, exigindo de todos uma vigilância quase paranoica sobre tudo — ou, pior, um mergulho no niilismo. O efeito não é apenas que as pessoas acreditam em coisas falsas: é que deixam de acreditar em coisas verdadeiras. Essa combinação tóxica já está levando mais pessoas a se desengajarem completamente. As empresas de tecnologia acenam para essas tendências e dizem "não é culpa nossa" e, de forma ainda mais reveladora, "não é nosso problema". As organizações de notícias deveriam se posicionar como a alternativa confiável nesse caos. Notícias e informações em que se pode confiar são mais raras e mais necessárias do que nunca. O tipo produzido por equipes de profissionais experientes, apoiados por processos e padrões rigorosos. Segundo pesquisas, quando alguém quer verificar algo que encontrou e que acha que pode ser falso, a opção preferida é "uma fonte de notícias em que confio". Em último lugar na lista? Um chatbot de IA. Continuo convicto do valor criado por organizações de notícias de qualidade dedicadas ao trabalho difícil e caro do jornalismo original — para os leitores, para as comunidades, para a sociedade como um todo. E, sim, até para os modelos de IA. Quem mais irá aos lugares onde os eventos estão se desdobrando? Quem nos trará relatos em primeira mão das linhas de frente de uma guerra? Quem nos equipará com informações confiáveis em uma crise de saúde pública? Quem vai expor a empresa de sucesso ou a carreira política construídas sobre uma mentira? Quem vai garantir que os debates sobre políticas econômicas sejam informados por seus impactos sobre pessoas reais? Quem mais pode enriquecer todo esse trabalho com conhecimento especializado duramente conquistado, que acrescenta perspectiva e contexto, e com compromissos profissionais profundamente enraizados de tornar cada matéria tão justa e precisa quanto possível? A questão é se esse valor será sugado pelos gigantes tecnológicos — ou se voltará para as organizações de notícias, permitindo que continuem esse trabalho essencial. Espero que todos vocês levem essa questão a sério. Acredito que o futuro das nossas organizações de notícias e a saúde da esfera pública dependem de como responderemos. Obrigado. *A.G. Sulzberger é publisher do "The New York Times" e chairman da New York Times Company, o grupo que controla o jornal, cargos que correspondem, respectivamente, ao responsável pela direção estratégica do veículo e ao presidente do conselho de administração da empresa. (c) 2026 The New York Times Company. Texto original disponível em: https://www.nytco.com/press/a-i-journalism-and-the-uncertain-future-of-the-public-square/
02/06/2026 16:49:24 +00:00
Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação, diz ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil

Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação Anadolu via Getty Images A publicação do resultado da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e a ameaça da implementação de uma tarifa retaliatória adicional de 25% a determinados produtos pode ter um efeito imediato entre os exportadores brasileiros, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o especialista em comércio exterior, a recomendação publicada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na segunda-feira (1) ainda não é uma ação definitiva e deve ser submetida a um período de consulta pública e negociações. Ainda assim, a simples ameaça de aplicação de novas tarifas já afeta o mercado de exportações. Isso porque produtores brasileiros podem preferir esperar uma definição para evitar perdas quando as tarifas entrarem em vigor. "Vários exportadores temem que cheguem lá com a tarifa mais alta e vão restringir até que se tenha uma definição", disse Barral à BBC News Brasil. Agora no g1 Em seu relatório, o USTR recomenda a aplicação de tarifas de 25% sobre alguns produtos brasileiros, mas lista uma série de exceções. Ainda assim, aponta Welber Barral, se a taxação for eventualmente adotada, alguns bens exportados pelo Brasil poderiam passar a enfrentar uma tarifa de 35%, tornando-os muito mais caros do que os de outros concorrentes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO A visão sobre um possível impacto impediato do anúncio foi reforçada pelo economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em entrevista à BBC Brasil. Segundo Martins, o fato da divulgação das conclusões da investigação comercial coincidir com a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas aumenta a incerteza para investidores multinacionais. "O momento da declaração que classifica grupos como organizações terroristas coincide com essas tensões, o que pode levar empresas a segurarem investimentos no curto prazo enquanto aguardam desdobramentos", afirmou. 'Conclusões superficiais' A investigação comercial foi aberta pelos EUA em julho do ano passado, com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. No documento publicado pelo USTR, o governo americano disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e, por isso, tarifas retaliatórias de 25% deveriam ser instauradas contra produtos brasileiros. Um dos alvos da investigação americana é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o relatório. Segundo Welber Barral, a investigação americana dedicou atenção limitada aos argumentos brasileiros, apresentados após a abertura da sindicância. O especialista menciona, em especial, os pontos destacados pelo governo americano sobre o desmatamento, o combate à corrupção e a aplicação de tarifas preferenciais a países como México e Índia. "As conclusões são muito superficiais e não levam em conta, por exemplo, que não só o desmatamento caiu muito no Brasil, como não tem produto exportado para os Estados Unidos que seja objeto de desmatamento em geral", aponta o ex-secretário de Comércio Exterior do governo brasileiro entre 2007 e 2011. "Da mesma forma, quando se fala dos acordos que o Brasil tem com a Índia ou com o México, esses acordos são sancionados e aprovados pela OMC, justamente pela chamada cláusula de habilitação." Ainda segundo o ex-secretário, não se considerou a importância do Brasil como fornecedor de insumos estratégicos para a indústria norte-americana ou foram mencionados os potenciais impactos negativos das medidas propostas sobre consumidores, cadeias produtivas e empresas dos próprios Estados Unidos. Para Barral, essa assimetria na avaliação dos elementos do processo poderá ser explorada tanto durante a fase de consulta pública quanto em eventuais discussões diplomáticas e litígios futuros. Reciprocidade brasileira? Se não houver negociação nos próximos 30 dias, há risco de o Brasil aplicar a Lei de Reciprocidade contra empresas, propriedade intelectual e exportações dos EUA, avalia ainda o ex-secretário de Comércio Exterior. "O Brasil já tem aberto um processo pela lei de reciprocidade que está na Camex [Câmara de Comércio Exterior]. Isso poderia levar o Brasil a aplicar também tarifas contra os Estados Unidos e até outro tipo de retaliação, como é o caso de suspensão de propriedade intelectual ou de tributação sobre big techs, por exemplo", diz Barral. O governo brasileiro acionou a Camex visando a aplicação da Lei de Reciprocidade em agosto do ano passado, após Donald Trump anunciar a aplicação de tarifas de até 50% para produtos brasileiros. A aplicação da lei - aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em abril de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — possibilita ao Brasil uma resposta a eventuais medidas unilaterais adotadas por outros países contra produtos brasileiros.
02/06/2026 16:31:59 +00:00
Ministro da Fazenda diz que família Bolsonaro fez 'movimento' contra o PIX e que governo vai proteger ferramenta
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que a família Bolsonaro fez um "movimento contrário ao PIX" e que a ferramenta de transferências financeiras em tempo real será protegida e resguardada. Durigan declarou que o mecanismo não está "em debate", ou seja, que o governo brasileiro não se dispõe a negociar os termos do PIX. A ferramenta tem sido contestada pelos Estados Unidos, que acusam o Banco Central do Brasil de favorecer o sistema de pagamentos em desfavor de empresas americanas que atuam no setor. "Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao PIX, e sobre a 301, e mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país, do nosso povo. De fato, inovamos, geramos tecnologia cobiçada pelas regiões que querem um PIX. As pessoas usam com facilidade e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de meio de pagamento democrático", declarou o ministro da Fazenda. Agora no g1 De acordo com o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favorece o PIX e limita a atuação de concorrentes. As críticas fazem parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra práticas abusivas. Segundo o órgão, o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o PIX não era citado diretamente. O documento fazia referência a "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico", incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade. Defesa do PIX Outras autoridades também saíram em defesa do PIX, como o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. "O governo com muita transparência e não vai permitir jamais qualquer tema caro à soberania nacional como é o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação e não está na negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre possível demonstrar não atendo pro governo norte-americano orçamento do povo brasileiro qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil", disse Marcio Elias Rosa. Já Alckmin declarou que o Brasil recebe com indignação as críticas dos Estados Unidos, e que é injusta a proposta no que se refere ao PIX. "O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo, tecnologia a serviço da sociedade, economia, sem custos para população", disse ele. Recorde em 2025 Dados do Banco Central mostram que o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em transferências no ano passado, novo recorde. Houve uma alta de 33,6% na comparação com 2024 — quando as movimentações totalizaram R$ 26,46 trilhões. A quantidade de transações também superou a registrada no ano anterior. Em 2025, foram 79,8 bilhões de operações. Em 2024, o Banco Central contabilizou 63,5 bilhões de transferências. Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. "É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião. Ele também afirmou que a velocidade da adoção massiva do PIX pelo povo brasileiro surpreendeu, e que a ferramenta foi responsável por incluir milhares de pessoas no sistema financeiro. "O governo com muita transparência e não vai permitir jamais qualquer tema caro à soberania nacional como é o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação e não está na negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre possível demonstrar não atendo pro governo norte-americano orçamento do povo brasileiro qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil", disse Marcio Elias Rosa. Novidades em estudo O Banco Central também prevê novidades para o PIX neste ano. São elas: Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários. Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico. ➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central: PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. O objetivo é interligar sistemas de pagamento instantâneos. PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. ➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido.
02/06/2026 16:24:57 +00:00
Veja nota do governo brasileiro que rebate proposta dos EUA de aplicar novo tarifaço contra o Brasil

O governo brasileiro emitiu uma nota nesta terça-feira (2) em que rebate a proposta dos Estados Unidos de um novo tarifaço contra o Brasil. O texto manifesta indignação com a conclusão de uma investigação preliminar que sugere práticas comerciais desleais por parte do país. A nota também cita articulações da família Bolsonaro contra interesses nacionais e lamenta que o trabalho de articulação entre o Executivo e o governo norte-americano tenham sido "sabotados" — mote usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um evento nesta terça, em Goiás. No comunicado, antecipado pelo blog do Valdo Cruz, o governo brasileiro classifica como injustificável as medidas; apresenta dados do superávit americano em bens e serviços; e, também, menciona que o Brasil "se reserva ao direito" de adotar medidas recíprocas (leia texto completo abaixo). PIX é uma conquista do povo brasileiro, diz Alckmin ao comentar novo tarifaço dos EUA Paralelamente, a equipe do governo concedeu coletiva de imprensa para detalhar o posicionamento do governo brasileiro. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como "injusta" a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar exportações do Brasil. Leia nota do governo brasileiro na íntegra "O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares. Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%. O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%. Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo. O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional. O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro. ANEXO Resumo dos argumentos apresentados pelo Brasil sobre os itens investigados no contexto da Seção 301: Nas sucessivas reuniões realizadas com os técnicos do USTR, as autoridades brasileiras forneceram farta documentação que comprova que a política comercial brasileira não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e nem viola normas internacionais vigentes. 1. Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico: A lei brasileira confere tratamento equitativo a empresas nacionais e estrangeiras. Não há, no Brasil, qualquer restrição contra as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O país é um grande mercado para as “big techs” americanas. O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA. 2. Tarifas preferenciais: Os acordos comerciais celebrados pelo MERCOSUL com terceiros países (México e Índia) não restringem o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro. Insumos e componentes de origem norte-americana incorporados a produtos brasileiros beneficiam-se de Acordos do MERCOSUL com outros mercados. 3. Aplicação de leis anticorrupção: O Brasil é parte dos principais instrumentos internacionais de combate à corrupção e dispõe de arcabouço legal e institucional consistente para sua aplicação, regularmente avaliado pelos mecanismos multilaterais pertinentes. Desde 2017, foram celebrados mais de trinta acordos de leniência. Em abril de 2026, por iniciativa do Governo brasileiro, foi apresentada proposta para enfrentamento ao crime organizado e de combate à corrupção ao Departamento de Estado. 4. Proteção de direitos de propriedade intelectual: Os Estados Unidos são o principal beneficiário do sistema brasileiro de propriedade intelectual. Respondem por cerca de 30% dos pedidos de patente e lideram os contratos de licenciamento e cessão de ativos. Os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano somaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do registrado em 2020. 5. Etanol: O Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não-discriminatórias, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis tem desenvolvido diretrizes técnicas específicas para a participação de produtores norte-americanos no Programa. Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena para os 18% aplicados pelo Brasil. Por outro lado, o açúcar brasileiro conta com cota ínfima de cerca de 150 mil toneladas e, acima da cota, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a uma alíquota de 80%. 6. Desmatamento: Desde 2023, o Governo estabeleceu e está cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em cerca de cinquenta por cento na comparação com 2022. A área queimada no País como um todo recuou cerca de quarenta por cento em 2025 frente à média do período 2017-2024. Além disso, dados divulgados semana passada pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus seis biomas, atingiu seu menor nível em 7 anos. Governo do Brasil" Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação Anadolu via Getty Images
02/06/2026 16:19:51 +00:00
Alckmin classifica como 'injusta' proposta de departamento dos EUA de taxar exportações do Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro classifica como "injusta" a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Ele também afirmou que o Brasil recebeu "com indignação" o resultado de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre essas práticas citadas pelo departamento dos EUA, estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. "O Brasil recebe com indignação e é injusta a proposta, entende que ela é injusta", afirmou Alckmin. Alckmin deu as declarações após uma reunião com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em que as conclusões do USTR foram debatidas. Agora no g1 O vice-presidente rebateu as críticas ao PIX, destacando que o sistema é uma conquista tecnológica que impulsiona a economia sem custos para os cidadãos. "O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro. É tecnologia a serviço da sociedade e da economia, garantindo agilidade sem custos para a população", afirmou o vice-presidente. Sobre a relação com o setor de tecnologia, o ministro ressaltou que o governo mantém as portas abertas. "O Brasil é aberto às big techs. Empresas nacionais e estrangeiras recebem o mesmo tratamento no país", pontuou. Desequilíbrio comercial e tarifas Alckmin destacou que a balança comercial entre os dois países é amplamente favorável aos americanos. Segundo ele, os EUA registram um superávit de US$ 40 bilhões na relação com o Brasil. O vice-presidente citou exemplos de desequilíbrio no setor de commodities, como etanol e açúcar. "Dos dez produtos que o Brasil mais importa dos EUA, oito entram aqui com tarifa zero. Entendemos que essa proposta [de taxação] é total descabível", defendeu. Meio ambiente e corrupção O ministro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento para reforçar o compromisso ambiental do governo. Ele destacou que a Amazônia registrou uma queda de mais de 50% nos índices. Alckmin lembrou que o país aprovou dispositivos recentes para fortalecer o combate à corrupção e respeita as normas de propriedade intelectual — área onde, segundo ele, os EUA são os maiores beneficiários. Diálogo e críticas a 'sabotadores' Apesar da indignação com a proposta, o vice-presidente afirmou que o caminho para evitar que as recomendações se convertam em sanções reais é a diplomacia. "O caminho é o diálogo que já vem ocorrendo. Não existe tema proibido", disse Alckmin, que também aproveitou para criticar opositores internos", declarou Alckmin. Falsos patriotas e sabotadores colocam interesses pessoais e eleitorais acima do país. Vamos trabalhar e dialogar para que essas medidas não se concretizem". Ao lado de Alckmin, também participaram da entrevista coletiva em Brasília o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Durante a coletiva, Durigan também saiu em defesa do PIX, afirmando que o mecanismo financeiro é um "símbolo da nossa soberania financeira" e "não está em debate". Durigan também criticou a atuação da família Bolsonaro. "Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix. E, sobre a Seção 301, mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país e do nosso povo. De fato, inovamos, geramos uma tecnologia cobiçada por regiões que querem ter um Pix. As pessoas usam com facilidade, e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de um meio de pagamento democrático. O Pix será protegido, resguardado e não está em debate", afirmou. Durigan também disse que a taxação imposta pelos Estados Unidos prejudica empresários e trabalhadores brasileiros. Mas que o governo tem como contestar os pontos apresentados pelos americanos. "O desmatamento é combatido, o trabalho e a renda das famílias melhoraram, propriedade intelectual é uma área em que eles são os maiores beneficiados, e as big techs têm um grande mercado no Brasil. Cumprindo as leis brasileiras, podem operar normalmente no país", declarou. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo pretende manter as articulações mesmo durante o feriado de Corpus Christi para tentar "desarmar a possibilidade de um novo tarifaço" dos Estados Unidos. De acordo com esses auxiliares, novas reuniões entre representantes dos dois governos podem ocorrer ainda nesta semana. Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo Fabio Rodrigues/g1
02/06/2026 16:04:14 +00:00
'Obstáculos ao comércio e a investimentos': Câmara Americana de Comércio para o Brasil cita aumento de custos após governo Trump ameaçar novas tarifas

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos EPA/Shutterstock via BBC Se tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros forem implementadas pelos Estados Unidos, o Brasil pode enfrentar aumento de custos, redução de competitividade e obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Essa é a visão compartilhada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) após a publicação das conclusões de uma longa investigação realizada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em um documento publicado na segunda-feira (1), o governo americano disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e, por isso, tarifas retaliatórias de 25% devem ser instauradas contra produtos brasileiros. Apesar de se tratar apenas de uma recomendação do USTR – as tarifas ainda serão discutidas ao longo das próximas semanas –, a Amcham afirma que são necessários esforços diplomáticos das duas nações para "evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países". Agora no g1 "O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países", afirmou Abrão Neto, presidente da organização, em nota. Ainda segundo a Amcham, deve ser publicado nas próprias semanas o relatório de uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderia resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Por isso, diz a organização, uma solução negociada é ainda mais importante. LEIA TAMBÉM: Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA? EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% Tarifa de Trump: veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA As conclusões da investigação Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O relatório de conclusão divulgado nesta segunda tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas. Entre outras coisas, o documento sustenta que determinadas políticas e práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso a mercado e outras matérias afetam negativamente interesses comerciais dos Estados Unidos. Um dos alvos da investigação americana é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o relatório. Como respostas às conclusões, o USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo. Essas exceções incluem produtos que poderiam afetar negativamente a economia americana se fossem submetidos a aumento de tarifas, produtos que não podem ser cultivados e produzidos nos EUA e artigos cuja tributação "não contribuiria" para encerrar as práticas brasileiras condenadas na investigação. Incerteza pode deter investimentos Para o economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, a lista de exceções às tarifas que podem ser implementadas protege setores cruciais para as economias brasileira e americana e, portanto, o impacto imediato da taxação deve ser limitado. "Exemplos incluem o setor de café e a indústria aeronáutica, cuja exclusão visa evitar a inflação e problemas na cadeia de suprimentos nos Estados Unidos. No entanto, setores de manufatura de média complexidade, que ainda exportam para os EUA, podem ser mais afetados por não estarem contemplados nessas exceções", avalia o professor. O economista ressalta, porém, que a discussão sobre o Pix tem um potencial efeito negativo maior para o Brasil. "Embora não vislumbre efeitos imediatos, o simples fato de o tema estar em pauta e poder se tornar motivo de disputa é um fator complicado. Contudo, não parece provável que o governo altere sua postura por causa disso no curto prazo", diz. Guilherme Klein Martins chama atenção ainda para o aumento da incerteza para investidores multinacionais. O especialista ressalta que a decisão vem dias depois dade os Estados Unidos classificarem as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Esse momento de tensão em diferentes áreas, diz, pode levar empresas a segurarem investimentos no curto prazo enquanto aguardam desdobramentos. "Vale ressaltar que o relatório ainda passará por consulta popular e não foi implementado. Portanto, a permanência dessas medidas dependerá do que for efetivamente aplicado e de como o cenário político brasileiro evoluirá após as eleições, momento em que tudo pode ser revisto", opina.
02/06/2026 14:54:36 +00:00
Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria'

Lula associa 'filhos de Bolsonaro' a novo tarifaço proposto pelos EUA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou, nesta terça-feira (2), a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo relatório dos Estados Unidos que propõe uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas restritivas ao comércio americano. "São traidores da pátria", afirmou o presidente. As práticas citadas pelo governo americano incluem PIX, desmatamento ilegal, falhas na aplicação de leis anticorrupção, entre outros. Alguns produtos ficariam de fora da nova taxação, como carne, frutas, café, aeronaves, medicamentos, fertilizantes etc. (entenda mais abaixo). A nova taxa ainda não está valendo, a decisão final pode sair até 15 de julho. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O petista também defendeu que os filhos do ex-presidente são "piores que ele". "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores que traem interesses coletivos para se beneficiarem] da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", disse Lula. "É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. [...]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?", prosseguiu o presidente. Em nota, o governo brasileiro afirmou ter recebido o relatório dos EUA "com indignação". E disse que o documento foi feito após "provocação da família Bolsonaro". Para o governo, o documento é uma tentativa de ingerência em temas internos (leia a íntegra aqui). Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve em Washington e se reuniu com Trump e auxiliares do presidente americano. Nesta terça (2), o pré-candidato afirmou em entrevista que pediu ao americano para não taxar o Brasil. Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas Ricardo Stuckert / PR Lula relembrou o anúncio feito pelos Estados Unidos em julho do ano passado de uma taxação sobre produtos brasileiros durante discurso em um evento em Catalão (GO), no fim da manhã. À época, o governo americano afirmou que a medida ajudaria a restabelecer o equilíbrio da balança comercial entre os dois países. Dados de comércio exterior, porém, mostram superávit dos Estados Unidos na relação comercial com o Brasil. 🔎 Na ocasião, o governo Trump anunciou uma sobretarifa de 40%, somada aos 10% já aplicados anteriormente, sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. ➡️A medida afetou setores da indústria e do comércio e levou os dois países a abrir negociações para tentar reverter as taxas. Em novembro, parte das sobretarifas foi revogada. Segundo Lula, as sanções impostas pelo governo americano são uma reação à atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio e Eduardo Bolsonaro, junto a integrantes da Casa Branca. O presidente citou, em especial, o grupo ligado ao secretário de Estado, Marco Rubio. "No dia em que ele [Trump] taxou, os 'meninos do Bolsonaro', um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo'. Queremos o Magnitsky' , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes", disse Lula. 🔎O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi incluído em julho do ano passado na lista de autoridades estrangeiras punidas pela Lei Magnitsky, que prevê sanções econômicas. Em novembro, ele foi retirado. Ele prosseguiu: "Então, o filho dele [Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer 'Obrigado, Trump'. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação". Lula associa filhos de Bolsonaro a novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil Lula, então, disse que está falando isso para que as pessoas saibam que estão "lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu". "Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022", disse. O petista, então, repetiu a negativa de Flávio: "Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: 'porr*, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros". "Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. Para um homem cristão como eu, obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump foi que a China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês", disse Lula. "Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade", ressaltou o presidente. LEIA TAMBÉM: China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e suspende restrições Ainda no discurso com críticas a Flávio Bolsonaro, Lula destacou a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Recentemente, a imprensa revelou que o político do PL teve encontro e trocou mensagens com o banqueiro em busca de financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro. Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro e outros políticos "encontraram um jeito de ficar rico", que é sendo "amigo de Daniel Vorcaro". "Aí é fácil, mas é complicado roubar. Você pode ser preso", emendou o petista. Relatório dos EUA Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros. A sugestão do Departamento de Comércio, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Íntegra da nota do governo do Brasil Lula durante evento em Goiás Ricardo Stuckert/ Presidência da República Leia a íntegra da nota divulgada pelo governo brasileiro sobre o relatório do Escritório de Comércio dos EUA: CONCLUSÃO PRELIMINAR DA INVESTIGAÇÃO DA SEÇÃO 301 O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares. Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%. O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%. Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo. O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional. O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.
02/06/2026 14:51:10 +00:00
Planalto vê situação adversa e prevê cenário similar ao de 2025 em caso de novas tarifas dos EUA

O Palácio do Planalto já avalia que será forte o impacto político interno diante da proposta do Escritório do Representante de Comércio americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. A ordem no Poder Executivo é manter negociações, mas há o reconhecimento de que a situação é adversa. Caso essa nova tarifa seja confirmada no próximo mês pelo governo Donald Trump, a percepção é que isso irá recriar internamente ambiente semelhante ao do tarifaço anunciado em julho do ano passado. Até porque a investigação de práticas comerciais desleais começou dentro do mesmo contexto das sanções políticas ao Brasil, em julho de 2025, com o cenário de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. De outro lado, temendo consequências negativas eleitorais, o senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), fez uma declaração preventiva na manhã desta terça-feira (2), afirmando que pediu a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que não taxasse as empresas brasileiras. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial "Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Entre os aliados de Flávio, também há a preocupação com o desgaste eleitoral com um eventual novo tarifaço, já que a família Bolsonaro articulou e defendeu a medida do governo Trump no ano passado. Na ocasião, houve uma pressão política do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em favor das retaliações para tentar reverter o julgamento contra o pai, Jair Bolsonaro. Na ocasião, o tarifaço de 50% foi uma decisão política do governo americano, mesmo o Brasil sendo deficitário no comércio com os Estados Unidos. Houve forte reação por aqui, especialmente do setor produtivo, num ato de unidade do país contra a ação americana. Reação técnica e diplomática, defende Planalto Sobre as acusações de práticas comerciais desleais, os argumentos americanos foram todos rebatidos pelo governo Lula, inclusive em temas como PIX, preservação ambiental, pirataria e em relação as multas aplicadas às grandes plataformas. A ordem no Palácio do Planalto é negociar até julho e fazer uma reação técnica e diplomática. Vai repetir o roteiro que deu certo no ano passado. O cuidado é para evitar um discurso mais bélico por parte do próprio presidente Lula, para evitar uma resposta fora do tom diplomático. “As empresas brasileiras e os empregos ficam ameaçados com novas tarifas. Por isso, a resposta tem que ser técnica, mostrando a injustiça de uma eventual decisão americana”, observou um auxiliar direto do presidente Lula. O presidente Lula em imagem de maio de 2026 Ricardo Stuckert / PR
02/06/2026 14:11:30 +00:00
PIX, etanol e STF: entenda as críticas dos EUA para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes. Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site. Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Veja abaixo o que é preciso saber sobre a decisão dos EUA. Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? O que é a investigação comercial dos EUA? Quais produtos que podem ficar isentos? Quais os próximos passos e prazos? Esse é um novo tarifaço? Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Na época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (saiba mais abaixo) Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. O que é a investigação comercial dos EUA? A investigação contra o Brasil foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos. A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. O mecanismo já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação. Parte dessas tarifas continua em vigor, e chegou a ser ampliada durante o governo de Joe Biden. Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert Quais produtos que podem ficar isentos? Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções. Entre os produtos isentos estão determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos. Veja abaixo a lista dos principais produtos excluídos da taxação. Quais são os próximos passos e prazos? Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual. O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o USTR chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA definiu um cronograma de audiências e consultas públicas para receber manifestações de interessados: Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas. 15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil. Esse é um novo tarifaço? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump, não autoriza o presidente a impor tarifas por conta própria. Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida entrou em vigor na semana seguinte e permanece válida até 24 de julho. Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas impostas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Na época, o governo Trump já havia indicado que poderia recorrer a outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos relacionados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh, da Suprema Corte. Entre elas estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo impor tarifas sem limite de valor ou duração, desde que haja uma investigação formal e a realização de consultas públicas.
02/06/2026 14:06:46 +00:00
Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora?

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil O governo dos Estados Unidos voltou a atacar o sistema de pagamentos Pix nesta terça-feira (02/06) ao concluir uma grande investigação sobre práticas comerciais do Brasil. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Uma investigação comercial com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos — concluiu que práticas comerciais do Brasil são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano — produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) — é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". "O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix. Por exemplo, o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e requer que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque igual ou superior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência." Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o competidor brasileiro (Pix) sem compensações às instituições americanas. "Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas a seu campeão nacional do Brasil." Por ora, ainda não há definição sobre as consequências da conclusão das investigações americanas sobre as práticas comerciais e sobre o Pix. O documento americano propõe tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros — mas essas medidas ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas. Algumas datas já foram definidas: O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas. No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública nos EUA. O governo americano disse que estará em diálogo com o brasileiro até o dia 15 de julho, antes de anunciar qualquer decisão. Este não foi o primeiro ataque dos EUA ao Pix. O Pix foi mencionado em outro relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas. Na ocasião, o governo brasileiro reagiu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o "o Pix é do Brasil". "Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix", ele declarou em entrevista na semana passada. Até o presidente da Colômbia saiu em defesa do sistema de pagamentos brasileiro. Gustavo Petro elogiou o modelo e, em uma longa publicação nas redes sociais, pediu que o sistema fosse estendido a seu país. Com a conclusão das investigações sobre o Pix, surge agora uma pergunta: o que os EUA podem fazer de concreto contra o sistema de pagamentos brasileiro? Especialistas apontam que o pix contraria interesses de big techs e de empresas de cartão Getty Images via BBC As armas dos EUA Os especialistas em comércio exterior e regulação econômica ouvidos pela reportagem frisaram que os EUA não têm jurisdição para agir diretamente contra o Pix. As ferramentas à disposição dos americanos se concentram no âmbito comercial e estão descritas na própria legislação que foi usada para abrir a investigação contra o Brasil, a seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Vão desde a suspensão de benefícios e acordos comerciais à restrição de importações de produtos e serviços ou imposição de tarifas sobre esses bens e serviços. Ou seja, os EUA poderiam, por exemplo, dar início a um novo tarifaço sobre as exportações brasileiras com destino aos portos americanos ou retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), um programa de benefícios tarifários instituído nos anos 1970 para países em desenvolvimento. "Trata-se, portanto, mais de um mecanismo de pressão externa e econômica sobre o Estado brasileiro do que um poder regulatório sobre a infraestrutura de pagamentos em si", disse Camila Villard Duran, especialista em direito econômico e regulação do mercado monetário. Duran destaca que no relatório de março do USTR a linguagem usada no capítulo do Brasil é semelhante à que descreve supostas "práticas desleais" no setor de pagamentos em diversos outros países que também são criticados pelos EUA. "O caso brasileiro, nesse sentido, não é isolado, mas integrado a uma estratégia política mais ampla de contestação de práticas nacionais em serviços financeiros digitais", diz ela, que é professora associada de direito da ESSCA School of Management, na França, e cofundadora do Instituto Mulheres na Regulação. "Assim, a consequência mais plausível não é uma medida direcionada tecnicamente ao Pix, mas sim alguma forma de retaliação comercial mais ampla", avalia Duran. Nesse sentido, uma fonte brasileira próxima às negociações diz ser difícil arriscar dizer o que exatamente virá após a investigação. Historicamente, pondera a fonte, os EUA pouco usaram o instrumento da seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e, no caso específico da investigação contra o Brasil, o escopo de temas analisados pelo USTR é amplo e vai bem além do Pix. Também inclui, por exemplo, as tarifas a que os produtores de etanol americanos estão submetidos para acessar o mercado brasileiro e até o desmatamento ilegal, acusado de dar vantagem competitiva injusta às exportações agrícolas brasileiras. Renê Medrado, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados, faz avaliação semelhante e exemplifica: ainda que os EUA por ventura optassem por uma retaliação comercial ampla, é difícil estimar se as eventuais tarifas seriam colocadas para uma lista ampla de produtos ou se seriam seletivas. "E tem isso de que o governo americano às vezes fala que vai [fazer alguma coisa], depois volta atrás…", ele acrescenta, ao comentar sobre o desafio de se traçar possíveis cenários. "O alcance dessas medidas dependerá muito mais da dinâmica da política bilateral e da eficácia da diplomacia brasileira", comenta a professora Camila Villard Duran. O que está em jogo Por que então os EUA estão atacando o Pix este ano? No relatório do USTR de março do ano passado, o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro não havia nem sido mencionado diretamente, ao contrário do que aconteceu no deste ano. Mesmo no documento em que formalizou a investigação contra o Brasil, a agência não citou o Pix nominalmente, apesar de ter feito referência indireta a ele ("O Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", diz o texto). A fonte ouvida pela BBC News Brasil que tem proximidade com as negociações comenta que uma das hipóteses para o endurecimento no tom agora foi o desfecho de uma reunião recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que o Brasil bloqueou uma proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos. E há ainda a grande derrota que o tarifaço de Trump sofreu no judiciário americano em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte considerou que o instrumento que vinha sendo usado para embasar as medidas (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, ou IEEPA, na sigla em inglês), na verdade não autorizava o governo americano a instituir as tarifas. Em um artigo de março deste ano, duas analistas do centro de pesquisas americano Brookings Institute pontuaram que, diante desse revés, a Seção 301, usada na investigação contra o Brasil, pode entrar no cardápio do governo americano como opção para voltar a taxar seus parceiros comerciais. Do lado do setor financeiro, a jurista Camila Villard Duran chama atenção para a expansão do Pix no Brasil, "que altera diretamente o equilíbrio competitivo para empresas americanas, como Visa e Mastercard", mas especialmente para o fenômeno mais amplo no qual ele está inserido, de transformação estrutural e reorganização da ordem monetária e financeira internacional. "O Pix já não é apenas um sistema de pagamentos eficiente. Ele representa um modelo de infraestrutura pública, que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras e concentra, no âmbito doméstico, o controle jurisdicional sobre dados e fluxos financeiros", destaca Duran. A professora aponta que, no relatório do USTR, os EUA fazem críticas semelhantes às feitas ao Brasil a países como Índia, Tailândia e Paquistão, "onde políticas públicas nacionais promovem sistemas domésticos de pagamento, impõem requisitos de localização de dados ou criam barreiras regulatórias à atuação de empresas estrangeiras". "Em todos esses casos, o argumento dos EUA é semelhante: tais medidas seriam discriminatórias e restringiriam o acesso de empresas americanas a mercados nacionais", completa. Post do governo federal de julho de 2025: gestão Lula tem procurado usar episódios para tentar melhorar imagem Reprodução/X/Governo Federal Da economia à política Diante desse panorama, Duran avalia que a pressão sobre o Pix e sobre sistemas de pagamentos de outros países também está ligada a uma questão ainda mais ampla, de soberania. O que está em jogo, diz ela, já não é apenas a concorrência entre empresas, "mas o controle sobre infraestruturas consideradas como críticas". "Nas minhas pesquisas, tanto sobre a criação do euro digital como sobre os projetos de plataformas alternativas para transações financeiras transfronteiriças, noto que a ideia de 'soberania monetária' está se deslocando muito rapidamente da autonomia da política monetária para o controle jurisdicional sobre as infraestruturas de pagamento e dos dados monetários que elas geram", afirma Duran. "A moeda, na economia digital, torna-se cada vez mais informação e, nesse contexto, o controle jurisdicional sobre esses dados passa a ser um elemento central do poder monetário estatal." LEIA TAMBÉM: PIX ameaçado? O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais no Brasil Por que governo Trump voltou a atacar o Pix (e o que EUA podem fazer contra ele)?
02/06/2026 13:44:52 +00:00
Tarifas propostas ao Brasil são 'diferenciadas', diz representante do comércio dos EUA

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de várias investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas. As informações são da agência Reuters. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ele acrescentou que as tarifas de 25% propostas para o Brasil são "bastante diferenciadas" devido às exclusões de carne bovina, café, metais, energia e outros produtos. Veja a lista completa de produtos isentos no fim da reportagem. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial Greer, falando no programa Squawk Box da CNBC, disse que o governo tem obtido resultados muito bons com seu programa de tarifas para aumentar as exportações dos EUA. Ele disse que tarifas substanciais são necessárias para corrigir práticas comerciais injustas persistentes em todo o mundo e um déficit comercial "gigantesco" dos EUA. O que é a Seção 301 🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA. A declaração vem logo após os Estados Unidos divulgarem o relatório de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. Tarifa ainda sem efeito A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Na época, Jamieson Greer afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou Greer. Produtos isentos das tarifas Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções. Entre os produtos isentos estão: determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos.
02/06/2026 13:38:39 +00:00
Petrobras ajusta preços do diesel de uso rodoviário em R$ 1,12; distribuidoras não terão impacto

Guerra no Oriente Médio faz governo brasileiro zerar impostos sobre diesel e taxar exportações de petróleo Jornal Nacional/ Reprodução A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) um novo ajuste de R$ 1,12 por litro nos preços do diesel A, de uso rodoviário, a partir de amanhã. A empresa também informou que oferecerá um desconto no mesmo valor — o que mantém os preços de venda para as distribuidoras. O desconto ocorre pela adesão da Petrobras à subvenção para refinarias nacionais e importadoras, prorrogada pelo governo federal no último sábado (30). A medida estabeleceu um subsídio de R$ 1,12 por litro. Na prática, isso significa que o governo bancará parte do preço do combustível. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 No caso do diesel vendido nas bombas, o governo criou uma subvenção de R$ 0,35 por litro. As duas medidas substituem os subsídios anteriores do governo, que venceram no último domingo (31). Segundo a petroleira, o ajuste permite que a companhia use da subvenção econômica, mas sem alterar os preços para distribuidoras. Agora no g1 A iniciativa faz parte do pacote de ações do governo para reduzir os efeitos da escalada dos preços internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico, em meio às tensões no Oriente Médio. (entenda mais abaixo) Em nota, a Petrobras disse que define seus preços com base em sua posição no mercado e na busca por manter suas operações rentáveis. A empresa ainda afirmou que evita repassar diretamente para os consumidores as oscilações do dólar e das cotações internacionais de petróleo. Efeitos da guerra no Oriente Médio A alta nos preços do petróleo no mercado internacional é reflexo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Isso ocorre porque, com o conflito, a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz foi bloqueada — canal por onde passam mais de 20% do comércio global de petróleo. Com a restrição da oferta, os preços da commodity dispararam desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Desde então, o petróleo Brent (referência internacional) passou de US$ 72,48 por barril para US$ 94,98 no fechamento da última segunda-feira (1º) — um aumento de 31%. Os preços chegaram a subir ainda mais em abril, mas arrefeceram diante de sinais de que Washington e Teerã caminham para um acordo de paz.
02/06/2026 13:25:50 +00:00
Governo Trump corta parte das tarifas sobre produtos feitos de aço e alumínio

Míriam Leitão analisa motivação de novo tarifaço do governo Trump sobre o Brasil O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (1º) uma medida que reduz de 25% para 15% as tarifas aplicadas sobre alguns produtos derivados de aço e alumínio importados, informou a Casa Branca. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Diferentemente da investigação comercial contra o Brasil, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, as tarifas sobre aço e alumínio têm como fundamento a Seção 232, dispositivo que autoriza os EUA a restringirem importações consideradas estratégicas para a segurança nacional. A regra é usada quando os EUA entendem que depender demais de produtos estrangeiros, como aço, alumínio ou outros insumos importantes, pode enfraquecer sua indústria e sua capacidade de produção. A redução anunciada ontem vale para itens como determinados equipamentos agrícolas e sistemas de aquecimento, ar-condicionado e ventilação usados em residências. Equipamentos industriais móveis, como escavadeiras e empilhadeiras, também passarão a pagar uma tarifa de 15% quando forem importados de países que possuem acordos comerciais com os EUA e atenderem às condições estabelecidas pelo governo americano. Além disso, fabricantes estrangeiros poderão obter uma tarifa menor, de 10%, caso seus equipamentos sejam produzidos com pelo menos 85% de aço ou alumínio fabricados nos EUA. A medida também incluiu dois novos produtos na lista de itens sujeitos à tarifa de 25%: estruturas metálicas de armazenamento (racks de aço) e chapas de alumínio usadas na indústria gráfica. As novas regras entram em vigor em 8 de junho e permanecerão válidas até 31 de dezembro de 2027. Segundo a Casa Branca, o objetivo é incentivar investimentos na indústria americana e aumentar a produção dentro do país. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das tarifas generalizadas impostas por Trump, as taxas aplicadas ao aço e ao alumínio permaneceram em vigor, inclusive para produtos brasileiros. Isso porque elas foram adotadas com base na Seção 232, que não foi afetada pela decisão judicial. 🔎 Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que os produtos enquadrados nessa regra responderam por cerca de 27% das exportações brasileiras para os EUA até o fim de 2025, totalizando aproximadamente US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões). EUA concluem investigação contra o Brasil Presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de gabinete na Casa Branca 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci A mudança nas tarifas sobre aço e alumínio foi anunciada no mesmo dia em que os EUA concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. No caso dessa medida, os EUA utilizaram como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano adotar medidas de retaliação contra países cujas práticas sejam consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. A tarifa ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA. Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. 🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção. Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, carne, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos. O governo americano prevê concluir as consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho de 2026.
02/06/2026 13:21:21 +00:00
Imposto de Renda 2026: Receita Federal estima que 2,2 milhões de declarações caíram na malha fina

A Secretaria da Receita Federal informou nesta terça-feira (2) que 5% das declarações do Imposto de Renda de 2026, ano-base de 2025, caíram na chamada malha fina do Leão. São cerca de 2,2 milhões de documentos com pendências. O percentual de declarações em malha fina, divulgado pelo supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, se assemelha ao registrado nos últimos anos. 🔎Quando a declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco por conta de pendências relativas a discrepância de dados (veja o que fazer mais abaixo nessa reportagem). Neste ano, o prazo de entrega do IR começou em 23 de março e se estendeu até 29 de maio. Foram entregues 44.393.571 declarações dentro do prazo legal. Imposto de Renda 2026: saiba o que fazer se você perdeu o prazo para enviar a declaração "A gente começou o período de declarações com quase 10% de diferença nas retenções em malha em relação aos anos anteriores. A gente tinha um volume bem alto, no final de março, quase 11% retidas em malha, quando o normal era 8%, 9%", disse José Carlos da Fonseca ao g1. "No final do prazo, esse número se equilibrou. O percentual de declarações em malha neste ano ficou muito semelhante ao do ano passado. Ele veio se ajustando por conta das retificações feitas pelas empresas", prosseguiu. Declarações em malha fina Receita Federal Mudanças em 2026 O supervisor do IR classificou 2026 como sendo um "ano de superação", pelo fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), que era usada há décadas na declaração do IR. Nesse documento, as empresas informavam ao Fisco e aos trabalhadores as informações sobre rendimentos. Com o fim do uso da Dirf em 2026, a Receita passou a buscar as informações em outras bases de dados: o e-Social, que concentra informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias ligadas ao empregado; e EFD-Reinf. Essa mudança ocasionou erro de informações prestadas pelas empresas e milhares de contribuintes caíram na malha fina. "Isso acabou fazendo com que muitas declarações ficassem em malha, e a declaração pré-preenchida apresentasse informações divergentes. Mas porque as informações que haviam sido enviadas pelas empresas para a Receita Federal continham classificações erradas. Não podemos generalizar que todas empresas tivessem problemas, mas um bom número de empresas teve de retificar informações", disse o supervisor do IR. Imposto de renda pode virar doação reprodução/TV Globo O que fazer se caiu na malha fina De acordo com a Receita Federal, o procedimento, para quem caiu na malha fina, é o mesmo dos últimos anos: o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta "gov.br", nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. ➡️Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. Nesse caso, segundo o supervisor do IR, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação. Porém, se a empresa não corrigir a informação enviada, o contribuinte não sai da malha e poderá enviar seus comprovantes a partir de janeiro de 2027 por meio do e-CAC. Antes disso, não é possível enviar os documentos pois as empresas ainda estarão corrigindo as informações, caso no qual o trabalhador pode sair da malha. "Normalmente, 80% dos casos de malha são resolvidos até o fim do ano. De agora, até o fim do ano, 80% desses 2,2 milhões que vão ficar em malha ou por retificação de empresa ou por ajustes do próprio contribuinte. Se o contribuinte acha que não errou e a empresa não corrigiu, a partir de janeiro de 2027 ele pode anexar todos documentos, comprovantes, pelo e-CAC de tudo o que ele declarou", explicou José Carlos Martins, da Receita Federal.
02/06/2026 13:13:35 +00:00
GAC Aion UT chega por R$ 139.990 e aposta em potência para tentar roubar mercado do BYD Dolphin

GAC Aion UT divulgação/GAC A GAC lançou o Aion UT no Brasil, um hatch elétrico a partir de R$ 139.990, que chega com o objetivo de melhorar as vendas da marca e competir com BYD Dolphin e Chevrolet Spark EUV. Enquanto as rivais apostam em carros mais equipados, o modelo de entrada do Aion UT é mais potente e espaçoso. Essas características são essenciais para que o novo hatch consiga superar não apenas um dos elétricos mais conhecidos do Brasil, mas também o modelo que ocupa a quinta posição no ranking de vendas no país entre janeiro e abril, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): BYD Dolphin Mini: 21.647 emplacamentos; BYD Dolphin: 7.579 emplacamentos; Geely EX2: 6.076 emplacamentos; BYD Yuan Pro: 2.389 emplacamentos; Chevrolet Spark: 2.031 emplacamentos. Para isso, o GAC Aion UT chega ao Brasil em duas versões: a de entrada, chamada de Premium, voltada para competir com o Dolphin e o Chevrolet Spark EUV, e outra mais completa e com nome de Elite, pensada para enfrentar o Dolphin SE. GAC Aion UT Em comum entre as versões, o modelo tem 4,27 metros de comprimento e 2,75 metros de distância entre eixos. Com isso, o Aion UT é um hatch, mas, em dimensões, é seis centímetros mais comprido que o Volkswagen T-Cross (4,21 metros) e tem entre-eixos cinco centímetros maior que o do Toyota Corolla (2,70 metros). O espaço entre os eixos entraga outro número mais próximo dos SUVs que dos hatches: o porta-malas tem 340 litros de capacidade. Outro ponto que é igual em ambas as versões do Aion UT é o motor elétrico, que entrega 204 cv de potência e 21,4 kgfm de torque. As diferenças entre os modelos começam na bateria: enquanto a versão de entrada tem 44,1 kWh, a mais completa oferece 60 kWh, o que garante autonomia de 253 e 310 km respectivamente. GAC Aion UT por dentro A versão mais simples custa R$ 139.990 e oferece itens como: Câmera 360 graus Rodas de liga leve de 17 polegadas Central multimídia de 14,6 polegadas. Já a opção mais completa tem preço de R$ 159.990 e adiciona: Carregador de celular por indução; Teto solar panorâmico; Rebatimento automático dos retrovisores; Sistemas de assistência ao motorista (ADAS); Ajustes elétricos e ventilação para os bancos dianteiros; Abertura elétrica do porta-malas. GAC precisa de mais tração O lançamento do Aion UT precisa resultar em um aumento nos emplacamentos da GAC no Brasil. Isso porque, mesmo após um ano de atuação no país, com cinco modelos elétricos e híbridos disponíveis desde o primeiro mês, a marca ainda não avançou no ranking de vendas. Na lista da ABVE de 2026, a GAC ocupa a oitava posição no ranking, à frente da Leapmotor, mas atrás de nomes como Volvo e Chevrolet. A marca responde por 2% dos emplacamentos de carros zero-quilômetro entre janeiro e abril, enquanto a líder do mercado é a BYD, com 45,8% das vendas. Veja as marcas que mais vendem carros elétricos e híbridos em 2026: BYD: 56.118 emplacamentos; Toyota: 17.317 emplacamentos; GWM: 15.666 emplacamentos; Omoda & Jaecoo: 8.796 emplacamentos; Geely: 7.137 emplacamentos; Chevrolet: 3.068 emplacamentos; Volvo: 2.688 emplacamentos; GAC: 2.555 emplacamentos; Leapmotor: 1.956 emplacamentos; Jetour: 1.291 emplacamentos.
02/06/2026 12:36:34 +00:00
Dólar fecha em queda com foco nas negociações entre EUA e Irã; Ibovespa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou com queda de 0,27% nesta terça-feira (2), cotado a R$ 5,0088. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,16%, aos 174.198 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova tarifa de 25% imposta pelo governo americano sobre produtos brasileiros fica no centro das atenções dos investidores nesta segunda-feira. A taxa, determinada com base na Seção 301 da lei de comércio americana, veio após os Estados Unidos concluírem uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que prejudicam empresas americanas. (entenda mais abaixo) A taxa, porém, ainda não entrou em vigor. A expectativa é que a definição sobre a adoção das sanções ocorra até meados do próximo mês. 🔎 Alguns produtos importantes para as exportações brasileiras, como café, frutas, carnes, aeronaves, fertilizantes, produtos farmacêuticos e terras raras, ficariam isentos da tarifa. Veja a lista completa. ▶️ Ainda no exterior, as negociações entre os EUA e o Irã também seguem no radar dos investidores. Os dois países trocaram uma série de ataques na segunda-feira, em mais um revés para os esforços de cessar-fogo e em meio ao impasse nas negociações por uma solução diplomática para o conflito. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,67%; Acumulado do mês: -0,67%; Acumulado do ano: -8,74%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,24%; Acumulado do mês: +0,24%; Acumulado do ano: +8,11%. Retaliação comercial Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial aberta contra o Brasil em julho de 2025 e concluíram que algumas políticas brasileiras prejudicam empresas e exportadores americanos. Com base nessa conclusão, o governo dos EUA propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, embora diversos itens estratégicos tenham sido excluídos da medida. Os principais pontos levantados pelos americanos foram: PIX e plataformas digitais: os EUA afirmam que o Banco Central favorece o Pix em relação a empresas americanas de pagamentos eletrônicos e criticam decisões da Justiça brasileira que obrigaram redes sociais dos EUA a remover conteúdos e suspender contas. Acordos comerciais: o governo americano diz que o Brasil concede tarifas mais baixas para produtos do México e da Índia, o que colocaria empresas dos EUA em desvantagem. Etanol: os EUA alegam que o Brasil não oferece tratamento tarifário equivalente ao concedido aos produtores brasileiros. Propriedade intelectual: o relatório aponta lentidão na concessão de patentes, especialmente no setor farmacêutico, além de falhas no combate à pirataria e à falsificação. Combate à corrupção: os americanos afirmam que o Brasil não adota medidas suficientes contra suborno e corrupção. Desmatamento ilegal: segundo o USTR, o país possui leis ambientais, mas não as aplicaria de forma eficaz. Apesar da proposta de tarifa, produtos como café, algumas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças de aeronaves estão entre os itens que podem ficar isentos. (veja mais aqui) A decisão não é definitiva. O governo americano abriu uma fase de consultas públicas e audiências, com prazo até 15 de julho de 2026 para decidir se aplicará ou não as medidas contra o Brasil. LEIA TAMBÉM ANA FLOR: novo tarifaço é mais sério e tem potencial eleitoral MIRIAM LEITÃO: por que a tarifa de agora é 'mais perigosa' EUA dizem que o BC favorece o PIX; por que o sistema está na mira de Trump? Seção 301: entenda o mecanismo usado pelos EUA contra o Brasil Próximos passos: decisão é definitiva? O que acontece agora? Impasse no Oriente Médio continua Nos últimos dias, o conflito envolvendo EUA, Irã e Israel voltou a se intensificar, colocando em risco a já frágil trégua em vigor. (acompanhe ao vivo os principais acontecimentos da guerra no Oriente Médio) Na segunda-feira (1º), os dois países trocaram novos ataques, enquanto o governo iraniano suspendeu as negociações de paz com Washington após bombardeios israelenses no Líbano. 🔎 As conversas para um acordo também perderam força depois que os EUA apresentaram novas exigências a Teerã no fim de semana. Paralelamente, Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano, atingindo áreas próximas a um hospital na cidade de Tiro, em um ataque que deixou mortos e mais de uma centena de feridos, além de emitir alertas de evacuação para moradores da região. Agências de notícias iranianas chegaram a informar que as negociações entre EUA e Irã estavam paralisadas. Nesta terça-feira, no entanto, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as conversas têm sido contínuas e que os relatos de que as tratativas haviam sido interrompidas seriam "falsos e errôneos". Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA concederão alívio das sanções ao Irã se o país concordar em desistir de suas atividades nucleares. "O Irã está sendo sancionado porque tem urânio altamente enriquecido. O Irã está sendo sancionado por causa de suas atividades nucleares. Se o Irã concordar em desistir dessas coisas, haverá alívio das sanções associada ao seu compromisso e cumprimento desses acordos", disse Rubio, no primeiro depoimento público feito no Congresso americano desde o início da guerra. Mercados globais Em Wall Street, os principais índices fecharam o dia com poucas variações. O otimismo dos investidores com os avanços da inteligência artificial ajudou a sustentar o mercado, mas os ganhos foram limitados pelas incertezas em torno das negociações entre EUA e Irã. O Dow Jones subiu 0,46%, para 51.316,01 pontos, e o S&P 500 avançou 0,13%, para 7.610,03 pontos. O Nasdaq Composite, por sua vez, recuou 0,03%, para 27.095,59 pontos. Na Europa, a maioria dos índices fechou em alta, impulsionados pelo setor de tecnologia e conforme investidores avaliavam novos dados de inflação da zona do euro. Entre os principais índices da região, o alemão DAX subiu 0,48%, enquanto o londrino Financial Times avançou 0,33% e o francês CAC-40 teve ganhos de 0,77%. Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta nesta terça-feira (2), impulsionadas por ações de tecnologia e inteligência artificial. O índice de Xangai avançou 0,4%, enquanto o CSI 300 subiu 1,5%. Em Hong Kong, o Hang Seng saltou 2,5%, puxado pela Tencent, que disparou 10,5% após notícias sobre o desenvolvimento de uma nova ferramenta de IA para usuários do WeChat. Os investidores também acompanharam com cautela as tensões no Oriente Médio, em meio à troca de ataques entre EUA e Irã. Dólar freepik
02/06/2026 12:00:33 +00:00
Novo tarifaço dos EUA reduz competitividade de produtos, mas há 'janela' para negociar, diz Amcham Brasil
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) avaliou nesta terça-feira (2) que a investigação dos Estados Unidos concluída nesta semana, e que acusa o governo brasileiro de cometer práticas irregulares e propõe uma sobretaxa a produtos brasileiros, pode aumentar custos, reduzir a competitividade e criar obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais — se confirmada. A medida, anunciada na noite dessa segunda-feira (1º), representa a fase mais avançada de um processo que pode levar à imposição de sanções comerciais diretas e reforça o uso de um dos principais instrumentos de pressão da política comercial dos Estados Unidos. A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após uma determinação do presidente Donald Trump. O processo é respaldado pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA. Apesar do cenário, a Amcham destaca que o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos dos dois países, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em 7 de maio. A Amcham também pontua que o texto sinaliza interesse do governo Trump na continuidade das negociações até a decisão final sobre o caso, prevista para 15 de julho. "Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas", acrescenta a entidade. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destaca que o relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. Segundo ele, o setor empresarial espera que os dois governos "intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países". Nova investigação preocupa exportadores Além da investigação em andamento sobre o Brasil, a Amcham acompanha a expectativa pela divulgação de um segundo relatório dos Estados Unidos, também baseado na Seção 301. Nesse caso, a apuração trata de importações de produtos elaborados com trabalho forçado. Segundo a entidade, essa investigação poderá resultar na aplicação de tarifas adicionais a cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Na avaliação da Amcham, esse cenário aumenta a importância de uma solução negociada para o processo atualmente em curso, evitando que produtos brasileiros enfrentem condições tarifárias mais desfavoráveis do que as de concorrentes de outros mercados. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos EUA e Brasil para tratar de temas comerciais e evitar aplicação de novas tarifas.
02/06/2026 11:53:59 +00:00
Quais os próximos passos e prazos da investigação comercial dos EUA contra o Brasil?

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Veja abaixo o cronograma estipulado pelo governo americano: Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas. 15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil. A investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho de 2025, passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos. A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual. O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o Escritório de Comércio dos EUA chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorreu dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas. Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes. Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site. Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Diálogo entre EUA e Brasil De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. LEIA TAMBÉM: Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. O governo brasileiro, por sua vez, disse que já esperava uma recomendação de aumento de tarifa de importação pelos Estados Unidos por alegadas práticas desleais, mas que acredita haver espaço para negociação. A lista de exceções foi recebida com alívio, segundo informações do blog do Valdo Cruz.
02/06/2026 11:42:53 +00:00
China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e suspende restrições

João Barreto A agência alfandegária da China informou que suspendeu as proibições relacionadas à febre aftosa no norte do Brasil e reconhece todo o território brasileiro como livre da doença, de acordo com um comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (2).  O Brasil, o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo, destinou mais da metade de suas exportações de carne bovina à China no ano passado. A China, maior importadora mundial de carne bovina, comprou quase US$3 bilhões em carne do Brasil no primeiro trimestre deste ano, segundo dados comerciais do país. Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmaram que a medida deverá ampliar as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso, para o mercado chinês. “A decisão, anunciada hoje, ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países”, afirmou o governo brasileiro, observando que o anúncio ocorreu após a viagem do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim para o que a China chamou de “diálogo estratégico”. No mês passado, o Brasil solicitou à China que permitisse o envio de mais carne bovina para o país. Durante uma visita a Pequim no final de maio, o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, pediu à China que reatribuísse ao Brasil as cotas de exportação não utilizadas por outros países, mas a China rejeitou o pedido, segundo noticiou a Reuters no mês passado.  A China enfrentou um surto de febre aftosa na região noroeste do país no final de março. O país asiático confirmou a febre aftosa em 219 bovinos de dois rebanhos que totalizavam 6.229 bovinos na província de Gansu e na região de Xinjiang. A China reforçou os controles nas fronteiras, acelerou as aprovações de vacinas e implementou medidas de abate e desinfecção após os surtos.
02/06/2026 11:41:10 +00:00
Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral

EUA alegam práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) sugerindo tarifas gerais de 25% a produtos brasileiros é mais grave que o tarifaço anunciado no ano passado e deve ser alvo dos discursos eleitorais das principais campanhas à Presidência no Brasil. Desta vez, as novas tarifas chegam com a roupagem de uma investigação, que começou em 2025, antes do estreitamento das relações entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Brasil teve tempo de apresentar suas alegações. Os ministérios brasileiros e escritórios profissionais contratados por empresas e setores atuaram com argumentos e explicações para as autoridades americanas, que parecem não ter ouvido as explicações. No caso do PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) —, alvo da investigação, o Brasil é acusado de prática desleal. O governo, no entanto, levou números mostrando como o mecanismo ampliou a bancarização de brasileiros e, como isso, no médio e longo prazo, são bons também para empresas de cartão de crédito de bandeiras americanas (leia mais abaixo). Lula e Trump se encontram na Casa Branca Ricardo Stuckert/Presidência da República Outras explicações Dados científicos sobre a queda no desmatamento, com comprovação por satélite, também foram apresentados. Uma reclamação antiga sobre o tempo que o Brasil leva para registrar patentes foi ainda respondida detalhadamente na réplica de empresas brasileiras, que mostrou queda nesta espera. Já a tarifa para entrada de etanol dos EUA no Brasil, que chegou a ser citada publicamente por Trump, é um entrave de longa data que o Brasil queria discutir, mas não levou proposta concreta. Pontos da decisão do Escritório de Comércio dos EUA dão pistas do conteúdo ideológico da decisão: a cotação das medidas judiciais contra empresas de tecnologia, e até a retirada do ar do X. Medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos próximos dias, o Brasil terá pouco espaço para discutir o mérito do novo tarifaço. Exportadores poderão pedir modulação de tarifas. Esses mesmos exportadores poderão também, em conjunto com o governo, apelar à justiça dos EUA ou mesmo ampliar sua queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC). Podem, também, escalar o embate e aprovar medidas de reciprocidade na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Retrocesso na relação Na prática, a decisão do USTR parece mostrar um retrocesso nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Desde que mergulhou nos problemas trazidos pela guerra com o Irã, Trump parece ter se desligado da América Latina e, por consequência, da sua química com Lula. Quem toca as decisões do USTR e do Departamento de Estado é um grupo com base ideológica, basicamente os mesmos que encontraram Flávio Bolsonaro na semana passada. Se o novo tarifaço tem a ver com relações de parte ideológica do governo Trump com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda não se sabe ao certo. É algo que vai aparecer em breve. A medida é ruim para parte do setor produtivo brasileiro. O que já é certo é que a nova decisão invadirá os argumentos eleitorais de direita e esquerda daqui até agosto. Transformado em discurso eleitoral, o novo tarifaço tem ainda menos chance de ser resolvido de forma rápida e com menor prejuízo à economia.
02/06/2026 11:35:26 +00:00
Governo vê espaço para negociar após tarifa dos EUA, mas vai culpar Flávio Bolsonaro se ela falhar por motivos políticos

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperava uma recomendação de aumento de tarifa de importação pelos Estados Unidos por alegadas práticas desleais da parte do Brasil, como anunciado na madrugada desta terça-feira (2), no horário de Brasília. Mas acredita haver espaço para negociação, e recebeu com alívio a lista de exceções. Nela, estão incluídos café e carne, além de aeronaves e peças. Por outro lado, se as negociações falharem, o presidente Lula vai responsabilizar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela medida, e usar o PIX para defender a posição brasileira. Na avaliação da equipe presidencial, incluir o PIX ajuda o discurso do Brasil de perseguição política por parte de uma ala do governo Trump. Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana Ricardo Stuckert/Divulgação Segundo assessores de Lula, além do PIX, incluir acordos comerciais do Brasil com México e Índia não faz sentido. Como também não faz alegar falhas no combate à corrupção no momento em que a Polícia Federal faz várias investigações sobre fraudes bancárias e roubo de aposentados. Integrantes do governo brasileiro afirmaram ao blog que já havia a expectativa de alguma medida por parte dos Estados Unidos no âmbito da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O que ainda não era conhecido pelas autoridades brasileiras era o percentual da tarifa que seria anunciado por Washington. Negociações foram positivas Nesta terça-feira, o governo americano informou a recomendação de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no contexto da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que as negociações recentes foram positivas e ressaltam que representantes dos Estados Unidos fizeram referências aos contatos realizados nos últimos dias, incluindo reuniões envolvendo o presidente Lula. Segundo fontes do governo, as tratativas mantidas nas últimas semanas com autoridades americanas indicavam que alguma recomendação poderia surgir no início da semana. Apesar disso, em reservado, a avaliação interna é que o resultado poderia ter sido mais duro para o Brasil. A leitura dentro do governo é que a decisão é política, mas preserva espaço para a continuidade do diálogo entre os dois países. Por isso, a orientação é seguir apostando na negociação para tentar reduzir os impactos da medida e buscar alternativas para reverter ou amenizar as tarifas. Nos bastidores, integrantes do governo também criticam parte dos argumentos apresentados durante a investigação americana. Segundo esses interlocutores, referências ao PIX e a supostos acordos preferenciais foram recebidas com estranheza e consideradas desconectadas da discussão comercial que levou à abertura da investigação. A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos e intensificar as conversas com a administração americana nas próximas semanas.
02/06/2026 11:30:26 +00:00
BC favorece o PIX? Entenda por que o sistema de pagamento está na mira de Trump

Por que o PIX está na mira de Trump? Os Estados Unidos voltaram a criticar o PIX e acusaram o Banco Central do Brasil (BC) de favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor. Segundo o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX e limitaria a atuação de concorrentes. As críticas fazem parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra práticas abusivas. Segundo o órgão, o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o PIX não era citado diretamente. O documento fazia referência a "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico", incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o USTR. LEIA TAMBÉM: Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta por EUA Em abril deste ano, um relatório divulgado pela Casa Branca voltou a citar o PIX como um sistema que, na avaliação do governo americano, prejudica empresas de cartões de crédito como Visa e Mastercard. Até o momento, o Banco Central não respondeu publicamente às alegações do governo americano. O governo federal, por sua vez, já saiu em defesa do PIX nas redes sociais. Para especialistas ouvidos pelo g1, aspectos como o embate com as big techs e a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas ajudariam a explicar a ofensiva dos EUA contra o PIX. Eles dizem que não há, porém, razões consistentes para questionar o serviço de pagamento. Na verdade, o sucesso do PIX e seu papel como vitrine para o Brasil estariam sendo vistos como uma “ameaça” ao setor nos EUA. Os receios de Trump, afirmam, também estariam ligados ao avanço do PIX Internacional e às discussões do Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio. 🔎 Veja, nos tópicos abaixo, os possíveis motivos apontados por especialistas para Trump questionar o PIX. Concorrência com empresas dos EUA PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs Concorrência com empresas dos EUA O PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, representando forte concorrência para grandes operadoras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard, afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor da ESPM. "O sistema também compete com fintechs americanas. Enquanto nos EUA a regulação permite a cobrança por transferências instantâneas, no Brasil essas empresas são obrigadas a integrar o PIX para operar", diz. Segundo o professor, as regras forçam as companhias a ajustarem seus modelos de negócio diante da possível perda de receita, já que empresas de alta tecnologia lucram com taxas sobre transações. O cenário também afeta big techs que oferecem serviços de pagamento, como o Google. Para Ralf Germer, CEO da PagBrasil, o PIX é um sistema tecnologicamente avançado que promove uma concorrência saudável no mercado. Ele não acredita, porém, que o sistema conflite diretamente com os interesses dos EUA, nem que isso justifique a investigação do governo americano. "O PIX não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo", afirma. "Além disso, houve tempo suficiente para que se adaptassem e desenvolvessem soluções capazes de competir com as vantagens do PIX, seja em custo, experiência do usuário ou do comércio", acrescenta. Voltar ao índice. PIX é investigado nos EUA a pedido de Trump por configurar possível 'prática desleal' PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar Entre as novidades do PIX, o Banco Central do Brasil segue trabalhando para adotar, no futuro, o PIX Internacional, que já é aceito de forma limitada em alguns países, como Argentina, EUA (Miami e Orlando), Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o uso atual do PIX em outros países é "parcial", restrito a estabelecimentos específicos. A expectativa é que, no futuro, os pagamentos transfronteiriços sejam realizados de forma definitiva, interligando sistemas de pagamento instantâneo. Nesse sentido, especialistas acreditam que a possibilidade de uso do PIX Internacional como meio de pagamento entre países do Brics, por exemplo, pode ter incomodado os EUA por ameaçar a paridade do dólar nas negociações, comprometendo a hegemonia da moeda no sistema financeiro global. 🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. "Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. Durante o tarifaço, o presidente Donald Trump ameaçou, em mais de uma ocasião, aplicar taxas de 10% às nações integrantes do grupo. Ele é contra a criação de uma nova moeda ou meios de pagamento que substituam o dólar — uma das prioridades do Brasil dentro do grupo. Segundo o professor Jorge Ferreira, da ESPM, o PIX Internacional pode enfrentar resistência dos EUA, já que concorreria diretamente com o sistema SWIFT — rede global de transferências financeiras adaptada, inclusive, para cumprir sanções internacionais, especialmente dos EUA e da União Europeia. Voltar ao índice. Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, afirma que a principal queixa dos EUA parece ser a percepção de que o governo brasileiro teria favorecido seu próprio sistema de pagamento eletrônico — prejudicando, assim, empresas privadas norte-americanas. Ele avalia que, quando o regulador também atua como operador bem-sucedido — como o Banco Central do Brasil com o PIX —, é natural que surja uma “pressão internacional” nesse cenário de competição. "De uma forma ou de outra, o PIX se tornou um modelo de inovação estatal eficiente, que pode ser replicado por outros países — o que representa uma possível ameaça ao domínio de empresas americanas no mercado global de meios de pagamento", explica. Para o especialista, o sucesso massivo do PIX também virou uma vitrine e confere ao Brasil peso geopolítico para influenciar padrões e negociar aberturas no mercado internacional. “É um grande modelo a ser seguido em termos de infraestrutura pública digital de pagamentos.” Diversos países buscam entender os mecanismos de funcionamento do sistema. Voltar ao índice. Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos Pedro Henrique Ramos, do RegLab, lembra que os EUA têm um histórico de contestar políticas que favorecem infraestruturas domésticas, citando os casos da Indonésia, Índia e China (com a UnionPay). Ao anunciar tarifas de 32% sobre produtos importados da Indonésia, no ano passado, os EUA também alegaram "prática comercial injusta", citando impacto em empresas americanas como Visa, Mastercard e Amex. Segundo Ramos, esse tipo de infraestrutura pública de baixo custo, criado por países emergentes, é adotado como instrumentos de inclusão social e financeira, e de redução da dependência de redes atreladas ao dólar. "Então, você tem um atrito geopolítico claro entre interesses comerciais e também com os discursos políticos que são usados para fundamentar e fomentar essas infraestruturas digitais soberanas dos países", afirma. Ralf Germer, da PagBrasil, destaca que os EUA têm sistemas semelhantes, como o Zelle — criado por grandes bancos, com possíveis taxas conforme a instituição — e o FedNow, do Federal Reserve, que permite cobrança de taxas pelos bancos, mas geralmente não repassadas ao consumidor final. Os sistemas norte-americanos, no entanto, não chegaram nem perto do sucesso do PIX, afirma Pedro Henrique Ramos, do RegLab. "A adesão ao FedNow, por exemplo, foi opcional. Nenhum dos grandes bancos americanos aderiu. Então, de uma forma ou de outra, o PIX virou um modelo, uma vitrine", diz. Voltar ao índice. Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs Os questionamentos dos EUA sobre os pagamentos eletrônicos fazem parte de uma discussão mais ampla que envolve big techs americanas, como Google e Meta (WhatsApp ), que operam seus próprios sistemas de pagamento e podem ver o PIX como concorrente. "Empresas americanas do setor frequentemente resistem a determinadas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente sobre exigências legais como a proibição de veicular certos conteúdos", diz Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da UERJ. Segundo a especialista, apesar de não ter relação direta, o conflito com as big techs também contribui para as alegações de Donald Trump, que em diversas ocasiões tentou pressionar a Suprema Corte brasileira. Também no ano passado, por exemplo, a maioria dos ministros do STF votou a favor de responsabilizar as redes sociais pelo conteúdo publicado por seus usuários — como discursos de ódio, fake news ou prejudiciais a terceiros. No mesmo dia, o Google, dono do YouTube, afirmou que "abolir regras que separam a responsabilidade civil das plataformas e dos usuários não contribuirá para o fim da circulação de conteúdos indesejados na internet [como fake news]". Já a Meta, proprietária do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, manifestou preocupação com "as implicações da decisão do STF sobre a liberdade de expressão e as milhões de empresas que usam nossos aplicativos para crescer seus negócios e gerar empregos no Brasil". Além disso, há o caso específico do WhatsApp. Em junho de 2020, antes mesmo do lançamento do PIX, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam a função de pagamentos e transferências por meio do aplicativo no Brasil. Na época, o BC determinou que as bandeiras Visa e Mastercard, que viabilizavam as transações, suspendessem a função de pagamentos para que o órgão avaliasse riscos e garantisse o bom funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Já o Cade apontava possíveis riscos à concorrência. Em 2023, com o PIX já em funcionamento, o BC autorizou o WhatsApp a oferecer pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pago. Em dezembro, porém, a empresa descontinuou no Brasil a função de pagamento entre pessoas com cartão de débito no aplicativo. Em nota enviada ao g1 em novembro de 2024, a empresa informou que a decisão de suspender a função com cartão de débito no país teve como objetivo priorizar as transações via PIX. Voltar ao índice. Aplicativo bancário para pagamento financeiro em PIX. Bruno Peres/Agência Brasil
02/06/2026 10:55:57 +00:00
Tarifa de Trump: veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Uma série de produtos brasileiros deve ficar de fora da tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A medida foi anunciada no fim da noite de segunda-feira (1º). O anúncio ocorre após a conclusão de uma investigação aberta em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump e com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o documento, as tarifas são justificadas porque uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro seria “irrazoável” e “oneraria ou restringiria” o comércio norte-americano. (entenda mais abaixo) Alguns itens devem ser poupados da tarifa, como materiais informativos, doações e uma lista específica de produtos. Entre eles estão certas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças do setor aeronáutico, terras raras, produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes também estariam isentos da medida. Veja a lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25% 🥩 Produtos alimentícios e agrícolas Carne bovina: cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossado, incluindo carcaças e cortes de alta qualidade, além de miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada; Frutos do mar e derivados: corais, conchas e materiais similares. Hortaliças e fungos: chuchu, brotos de bambu, castanhas-d'água, orelha-de-pau (wood ears) e cogumelos shiitake secos. Raízes e tubérculos: mandioca (fresca, congelada ou seca), taro, mangarás (yautia), jicama, araruta. Frutas: Tomates (frescos ou refrigerados), cocos (desidratados, frescos, com ou sem casca), fruta-pão, bananas, plátanos, abacaxis, abacates, goiabas, durians, mangas, laranjas, limões, papaias, kiwis, etrogs. Nozes: cocos, castanhas-do-pará, castanhas-de-caju, macadâmias. Café e outros estimulantes: café torrado, não torrado, descafeinado ou não, chá verde, chá preto, erva-mate. Bebidas e estimulantes: café (grão, torrado, cascas e substitutos), chás (verde e preto), erva-mate e cacau (grãos, pasta, manteiga e pó). Cacau e derivados: grãos, cascas, pasta, manteiga e pó de cacau sem açúcar. Especiarias: Pimenta, baunilha, canela, cravo, noz-moscada, gengibre, açafrão e cúrcuma. Produtos processados: Amido de mandioca, tapioca, sucos de frutas (laranja, limão, abacaxi e açaí) e preparações de açaí. 🛢️ Recursos naturais, minerais e combustíveis Minérios: minério de ferro, manganês, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio, titânio e prata. Minerais: grafite natural, caulim, fosfatos de cálcio, sulfato de bário (barita), magnésita e amianto. Energia e combustíveis: carvão (antracito e betuminoso), coque, gás de carvão, óleos de petróleo (crus e refinados), querosene, lubrificantes, gás natural liquefeito, propano, butano e energia elétrica. 🧪 Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos Químicos industriais: iodo, silício, arsênio, selênio, óxidos de zinco e titânio, e diversos compostos orgânicos e inorgânicos. Fertilizantes: ureia, sulfato de amônio, nitrato de sódio, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados. Saúde e Farmacêuticos: vacinas (humanas e veterinárias), sangue humano, antissoros, toxinas, antibióticos (penicilinas, estreptomicinas, tetraciclinas, etc.), hormônios (insulina, cortisona, estrogênios), vitaminas, contraceptivos químicos e kits de ensaios clínicos. ✈️ Setor Aeroespacial e outros itens industriais Motores e peças: motores de pistão, turbojatos, turbopropulsores e suas partes. Componentes de voo: hélices, rotores, trens de pouso e fuselagens. Equipamentos internos: assentos de aeronaves, aparelhos de respiração, caixas-pretas (flight data recorders) e instrumentos de navegação aérea (pilotos automáticos e bússolas). Materiais diversos: tubos de plástico, pneus de borracha, juntas de vedação e vidros de segurança laminados, desde que destinados ao uso em aeronaves. Madeira: teca, mogno, balsa e virola (em toras ou serradas). Papel e celulose: polpa de madeira química e diversos produtos de papel. Metais preciosos: ouro, prata e platina (em formas brutas ou manufaturadas). Tecnologia: Máquinas para fabricação de semicondutores, circuitos integrados eletrônicos e processadores. Os 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA Ranking dos 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA Por que novas tarifas foram anunciadas? Segundo documento divulgado pelo USTR, a investigação aberta pelo governo americano concluiu que o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, já tinha afirmado que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (clique aqui para saber mais) Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. Embora as negociações devessem terminar na sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert Os pontos criticados pelos EUA Segundo o relatório final do USTR, algumas das práticas do governo brasileiro que "oneram ou restringem" o comércio norte-americanos são: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto aponta aponta que o Banco Central do Brasil favorece o sistema PIX, de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos, agindo simultaneamente como regulador e proprietário do sistema, impondo o uso do PIX e limitando taxas de concorrentes Regulação de redes sociais: o USTR cita que tribunais brasileiros emitiram ordens secretas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, globalmente —, proibindo a divulgação das ordens. O órgão também critica a imposição de multas severas, restrições a ativos e contas bancárias e, em ao menos um caso, o fechamento completo de um site; Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com o México e a Índia. Segundo o USTR, o Brasil concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses países em setores nos quais ambos são produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil possua um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país historicamente falhou em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a persistência do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu abruptamente, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado que aplicava ao etanol e, desde então, não oferece tratamento recíproco às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falta de aplicação suficiente de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, lentidão excessiva no exame de patentes e falta de medidas antipirataria contínuas. Os EUA criticam a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para analisar patentes especialmente biofarmacêuticas, que levam até 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita especificamente a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Próximos passos e prazos Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já havia colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer atual. O grupo de trabalho foi instituído após a visita do presidente brasileiro ao americano em 7 de maio na Casa Branca. Nas redes sociais, a USTR chegou a celebrar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava com expectativa a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos EUA e Brasil para tratar de temas comerciais e evitar aplicação de novas tarifas. Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos de interessados. Veja abaixo: Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, acompanhadas de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas. 15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil. Esse é um novo tarifaço? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), utilizada por Trump, não autoriza o presidente a instituir tarifas por conta própria. Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida passou a valer na semana seguinte e tem validade até 24 de julho. Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Na época, o governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Entre elas, estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permitem ao governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração, mas exigem a investigação formal e a realização das consultas públicas.
02/06/2026 10:46:05 +00:00
Seção 301: entenda o mecanismo que pode abrir caminho para tarifas de 25% contra o Brasil

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável por negociações de comércio exterior, concluiu nesta segunda-feira (1º) uma investigação sobre o Brasil e afirmou que algumas práticas do país prejudicariam o comércio dos EUA. Com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e abriu o caso para consulta pública antes de uma decisão final. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo A medida representa a fase mais avançada de um processo que pode levar à imposição de sanções comerciais diretas e reforça o uso de um dos principais instrumentos de pressão da política comercial dos Estados Unidos. A seguir, o g1 explica o que é a Seção 301 e como o mecanismo pode resultar na taxação de produtos brasileiros. O que é a Seção 301 🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA. A regra dá ao USTR o poder de apurar possíveis barreiras comerciais e, se concluir que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. Ou seja, a Seção 301 funciona como um dos principais instrumentos de pressão comercial dos EUA e já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação. Parte dessas tarifas permanece em vigor e foi mantida e ampliada posteriormente pelo governo de Joe Biden. Segundo o site do USTR, há pelo menos oito casos recentes ou em andamento, envolvendo países como Brasil, China e Nicarágua, além de apurações sobre trabalho forçado e excesso de capacidade industrial. O mecanismo também já foi usado em disputas comerciais anteriores com a União Europeia, Vietnã e outros parceiros comerciais. A investigação brasileira foi uma das quatro abertas pelo segundo governo Trump desde 2025, ao lado de casos envolvendo a China e temas globais como trabalho forçado e excesso de capacidade industrial. Como o processo funciona O uso da Seção 301 segue etapas definidas: Primeiro, o USTR abre uma investigação, geralmente motivada por reclamações de empresas, setores econômicos ou determinação política do Executivo. Em seguida, ocorre uma fase de análise técnica e diálogo com o país investigado. Concluída essa etapa, o órgão publica um relatório com suas conclusões e abre consulta pública, em que empresas, governos e entidades podem apresentar argumentos. Só depois disso o governo americano decide se aplica ou não as medidas de retaliação — e quais serão elas. O que está em jogo no caso brasileiro No caso do Brasil, o relatório do USTR aponta supostas distorções em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, políticas tributárias e práticas regulatórias. (entenda as críticas dos EUA) Com base nessas conclusões, o órgão propôs tarifas de 25% sobre importações brasileiras, mas incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. (veja os produtos isentos) A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Diferença para outras ferramentas tarifárias A Seção 301 não é a única base legal usada pelos EUA para impor tarifas. Ela se diferencia de outros mecanismos, como a Seção 232, que se baseia em argumentos de segurança nacional e já foi aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que permanecem taxados. Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país. A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais. Já a Seção 301 tem foco em práticas comerciais consideradas desleais e funciona como instrumento de retaliação após investigação formal. Em 2025, o governo de Donald Trump tentou usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas contra o Brasil. A medida previa uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros, que se somou a uma tarifa global de 10%, elevando a alíquota total para 50% em muitos casos. O governo americano justificou a ação alegando que políticas e decisões do governo brasileiro representavam uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. No entanto, em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas de importação, derrubando as tarifas baseadas nessa lei. Por causa dessa derrota judicial, o governo americano passou a buscar outros instrumentos legais para pressionar o Brasil, como a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entenda a investigação contra o Brasil Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA. Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. 🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção. Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, carne, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos. (veja mais aqui) O governo americano prevê concluir as consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho de 2026. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci
02/06/2026 10:29:11 +00:00
Crime organizado na Faria Lima: por que fintechs viraram meio 'fácil' de lavar dinheiro?

Seis fintechs alvo da Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos Receita Federal O crime organizado continuou lavando dinheiro e ocultando patrimônio no coração financeiro de São Paulo mesmo depois da deflagração da Carbono Oculto, a operação que chamou atenção para a entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Nove meses depois, a segunda fase da operação, batizada de Fluxo Oculto, cumpriu parte dos 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5) em seis fintechs, empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros, e quatro fundos de investimentos. Eles eram a ponta final de um esquema de desvio de nafta, um solvente químico, importado por empresas de fachada e repassado para distribuidoras e postos de gasolina para adulteração de combustíveis. O papel crescente da Faria Lima nos negócios do crime organizado chama atenção. Nos últimos anos, organizações criminosas se aproveitaram de exigências regulatórias e de transparência mais brandas às quais as fintechs eram sujeitas para movimentarem bilhões de reais com contas e operações de difícil rastreamento, segundo apontam as investigações. As práticas acenderam um alerta entre as autoridades, que têm tentado fechar essas brechas e o fluxo de dinheiro. E também podem mobilizar o próprio mercado financeiro, especialmente depois que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, para alguns analistas, pode trazer consequências para empresas de diversos segmentos. As engrenagens do esquema Fluxograma mostra caminho do dinheiro no esquema mirado pelo Fluxo Oculto Receita Federal De acordo com porta-vozes do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as fintechs alvo da Fluxo Oculto funcionavam como "bancos paralelos", responsáveis por introduzir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro. Por elas, passaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. "Nesse caminho do dinheiro sujo — tanto das atividades da organização criminosa quanto aquele ganho com a própria venda do combustível adulterado —, ele entra no sistema financeiro via fintech", afirmou o secretário da Receita Federal Robinson Barreirinhas em coletiva de imprensa logo após a deflagração da operação. "A fintech é a porta de entrada." Os fundos de investimentos eram o elo da etapa seguinte, para ocultar o patrimônio dos criminosos. "O valor é investido em um fundo de investimento, que investe em outro, que investe outro, buscando nessa cadeia dificultar o rastreamento", explicou o secretário. "E, na ponta final, o próprio fundo faz os investimentos, e pode investir em empresas, adquirir bens ou inclusive remeter recursos ao exterior, que depois voltam e beneficiam o próprio criminoso", afirmou Barreirinhas. Provas colhidas nos últimos meses, inclusive os celulares de contadores do PCC, apontaram que essas seis fintechs haviam substituído as três que foram alvo da Carbono Oculto em agosto de 2025 e foram usadas para que o crime continuasse lavando dinheiro mesmo depois da primeira operação. "Identificamos toda uma movimentação dos principais líderes do esquema redirecionando todo o dinheiro pra essas novas fintechs", afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP João Paulo Gabriel. Outro ponto que chamou atenção foi o fato de que a estrutura não era usada apenas por uma organização criminosa — no caso, o PCC. "O eixo que talvez seja o mais preocupante é o fenômeno que a gente vem identificando das convergências criminosas", destacou Gabriel. "Essas fintechs estão sendo exploradas não apenas por essa organização criminosa, como também por outros grupos criminosos. [São] diversas organizações criminosas compartilhando os mesmos espaços de fluxo financeiro." Operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão Receita Federal Como fintechs viraram 'duto' para dinheiro ilícito Ainda que atuem no setor financeiro, as fintechs não são bancos, de acordo com a classificação do Banco Central — e essa é uma diferença relevante. Ao contrário dos bancos, instituições de pagamentos não podem usar o dinheiro depositado pelos clientes para oferecer empréstimos, por exemplo. Também é exigida das fintechs uma reserva financeira de segurança bem menor para poderem operar do que as regras estipulam para bancos tradicionais. Nos últimos anos, as organizações criminosas se aproveitaram de uma série de particularidades da regulamentação das fintechs para lavar bilhões de reais em dinheiro ilícito, de acordo com as investigações. Entre elas, exigências mais brandas de transparência e a possibilidade de criação de contas de difícil rastreamento. Desde a Carbono Oculto, as autoridades têm tentado bloquear algumas dessas vias. Em agosto de 2025, a Receita Federal equiparou o tratamento de fintechs ao de bancos, obrigando-as a apresentarem informações detalhadas sobre suas movimentações por meio da e-Financeira, um conjunto de arquivos digitais que bancos, corretoras, seguradoras e administradoras de consórcios enviam para a Receita. "A Receita passou a exigir a identificação de cada pessoa que fazia uma movimentação bancária, isso antes não era necessário", diz a professora do Insper Juliana Facklmann. A norma deveria ter começado a valer em janeiro do ano passado, mas foi alvo de uma onda de desinformação, que ficou conhecida como a "fake news do Pix", e acabou sendo temporariamente suspensa. "Fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita", afirmou o secretário da Receita durante a coleta. 'Fluxo Oculto': operação faz buscas na Faria Lima, em SP "Mentiras dizendo que a Receita iria monitorar ou tributar o Pix, que volta e meia tentam emplacar novamente. Vimos quem era o interessado nisso: as organizações criminosas que se valiam e valem ainda dessas fintechs para lavagem de dinheiro." Um dia depois da deflagração da Carbono Oculto, quando as investigações revelaram o uso das fintechs como braços financeiros do crime organizado, a norma passou a valer. Três meses depois, a Receita institui também a DeCripto, uma declaração que as prestadoras de serviços de ativos financeiros virtuais passaram a ter que enviar todos os meses, informando sobre as transações realizadas em criptomoedas. Esse tipo de ativo também é popular entre criminosos, porque é fácil de ser movimentado internacionalmente, e seus donos são mantidos em relativo anonimato. A Fluxo Oculto identificou a movimentação de R$ 365 milhões em criptoativos nas instituições alvo da operação. O Banco Central também divulgou medidas no mesmo sentido. Em setembro do ano passado, determinou que todas as novas instituições de pagamento peçam autorização formal do BC para começar a operar. Dois meses depois, fechou o cerco contra as chamadas contas-bolsão, modalidade que reúne recursos de várias pessoas em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares. Fluxo Oculto envolveu a cooperação de diferentes órgãos, que detalharam as investigações em coletiva de imprensa na última quinta Receita Federal Juliana Facklmann ressalta que essa modalidade foi bastante explorada por grupos criminosos. Eles se aproveitavam do fato de que muitas fintechs não têm acesso direto ao sistema de liquidação do Banco Central e precisam de um terceiro (um banco tradicional, por exemplo) para acessar essa infraestrutura, onde a transferência de fato dos recursos entre bancos e instituições de pagamentos é realizada todos os dias. A conta-bolsão entrava aí. Era a modalidade que a fintech usava para movimentar recursos com a instituição que tinha acesso ao sistema de liquidação do Banco Central. Como as operações não eram detalhadas por titular, mas um bolo só, o BC não conseguia fiscalizá-las. "Era quase como se tudo o que estivesse ali fosse da fintech em si", ilustra a professora. "Da parte dela, [para evitar que o dinheiro que circulava por ela tivesse origem ilícita], a fintech deveria ter todos os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo e seguir o princípio do 'conheça o seu cliente' para saber quem está movimentando o que ali dentro", acrescenta Facklmann. "Então, foi esse mecanismo que esses grupos criminosos utilizaram para conseguir infiltrar dinheiro dentro da Faria Lima: essa questão de não identificação das contas-bolsões, mais o ponto de que fintechs — mais especificamente instituições de pagamento — não tinham bons controles de prevenção à lavagem de dinheiro." Ela considera "importantes" as medidas tomadas pelo Banco Central e pela Receita nos últimos meses e avalia que elas devem evitar muitas situações parecidas com as reveladas pela Carbono Oculto e pela Fluxo Oculto. "Agora, o Banco Central consegue fazer os cruzamentos que ele precisa, as verificações e as análises que ele precisa para entender que a 'padaria do seu Francisco' está movimentando muito mais do que deveria e ir atrás para questionar", ilustra ela. Fintechs e fundos eram elo final de esquema de desvio de nafta para adulteração de combustíveis Receita Federal Repressão e fiscalização O superintendente-adjunto da Receita Federal em São Paulo, Claudio Ferrer de Souza, ressaltou que, das seis fintechs alvo da Fluxo Oculto, três cumpriam as obrigações com a e-Financeira. Ou seja, submetiam dados detalhados ao Fisco. As outras três não enviavam as informações, chamando atenção para outro ponto importante no problema da infiltração do crime na Faria Lima: a fiscalização. À reportagem da BBC News Brasil, Souza comentou após a coletiva de imprensa que a fiscalização é fundamental e que o problema não vai ser resolvido apenas com repressão. No início de abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado que a autarquia não tem recursos suficientes para supervisionar de forma satisfatória as empresas do setor financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, responsável pela regulação do mercado de capitais, sobre quem recai a responsabilidade sobre os fundos de investimentos, tem se visto no centro de diversas polêmicas e é acusada por críticos de falhar em sua missão. Questiona-se, por exemplo, por que ela não foi capaz de identificar as diversas irregularidades cometidas pelo Banco Master no que se desenha como a maior fraude bancária do país. O delegado-chefe de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal (PF), Guilherme Siqueira, disse em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) no início de maio que a CVM opera com déficit de capacidade humana e tecnológica e não consegue acompanhar a expansão do mercado. Essas fragilidades, segundo ele, são exploradas pelo crime organizado. Além da repressão, é preciso focar também em fiscalização, diz superintendente-adjunto da Receita Receita Federal Efeito Trump A pressão para melhorar a fiscalização e fechar as brechas regulatórias ganhou novo impulso quando os Estados Unidos anunciaram que passariam a classificar PCC e CV como organizações terroristas. De um lado, especialistas alertam que a medida pode abrir possibilidade para que o governo Trump promova intervenções militares em território brasileiro. De outro, para que imponha, por meio do Departamento do Tesouro, sanções a organizações financeiras que mantenham relação com as facções. Para alguns analistas, é aí que o mercado financeiro brasileiro e empresas de outros segmentos poderiam ser impactados. Pedro Henrique Rezende, sócio especialista em compliance (mecanismo para garantir que a operação esteja de acordo com as normas legais) e investigações do Aroeira Salles Advogados, avalia que a medida "tem potencial para ampliar significativamente o risco regulatório para empresas brasileiras com exposição ao sistema financeiro internacional ou com relações comerciais com os Estados Unidos". Ele recomenda a empresas que tenham negócios com vínculos com os EUA que façam uma análise minuciosa das organizações com as quais trabalham para conhecer de fato seus beneficiários finais e garantir que estes não tenham qualquer relação com o crime organizado para que não estejam sujeitas a punições como bloqueio de recursos aplicados no sistema bancário americano. A professora do Insper Juliana Facklmann, por sua vez, avalia que "quem já está trabalhando da forma correta não vai ter maiores impactos". "Não vejo como algo que vai aumentar as regras de compliance", ela opina. "Acho que seria somente sobre o aumento da eficácia das regras de compliance, ou seja, ter certeza, por exemplo, que uma fintech conhece o cliente que está entrando, que tem um monitoramento eficiente, que percebe a movimentação de grandes fluxos e se pergunta: 'Mas por que esse cliente está movimentando grandes fluxos?' E vai atrás do cliente para entender."
02/06/2026 08:38:46 +00:00
Para que serve o carimbo na carne? Preciso tirar antes de comer? Saiba o que ele significa

Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos Você já reparou, ao comprar uma peça inteira de carne suína, que ela vem com um carimbo? O Geraldo da Rosa perguntou ao Globo Rural se é preciso descartar a parte marcada antes do consumo. Esse carimbo é feito pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura e Pecuária. Ele indica que o alimento é considerado seguro, explica Enrico Ortolani, consultor do Globo Rural. A tinta utilizada no carimbo não é tóxica. Ela é geralmente feita a partir de corantes vegetais, álcool de cereais e glicerina. Portanto, é possível consumir sem risco à saúde. Leia também: O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor a criar queijos premiados em Goiás Carimbo da SIF na carne de porco Reprodução / Globo Rural Carimbo do SIF na carne Reprodução / Globo Rural Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro
02/06/2026 08:03:40 +00:00
Jovem e desempregado? Estudo mostra que home office pode ser mais problema que a IA

Connor Scott, 24, e Zoe Lloyd, 21, estudam em uma cafeteria e restaurante local em 20 de abril de 2026, em Flagstaff, no Arizona. AP/Cheyanne Mumphrey O aumento do trabalho remoto desde a pandemia fez com que empresas se tornassem mais relutantes em contratar jovens sem experiência, e esse é o principal fator por trás das maiores taxas de desemprego entre recém-formados, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (1). A pesquisa, realizada pelo Federal Reserve Bank de Nova York, comparou profissões que podem ser exercidas remotamente — como desenvolvimento de software — com ocupações presenciais, como enfermagem. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa concluiu que a taxa de desemprego entre jovens recém-formados em empregos “remotáveis” subiu cerca de 1 ponto percentual entre os períodos de 2017-2019 e 2022-2024. Já entre trabalhadores mais velhos dessas áreas — com 29 anos ou mais — a taxa de desemprego caiu levemente, ampliando a diferença entre jovens e profissionais mais experientes em ocupações remotas. Agora no g1 Em profissões que não permitem trabalho remoto, porém, houve pouca diferença nas taxas de desemprego entre graduados mais jovens e mais velhos, segundo o estudo. Um padrão semelhante também foi observado entre trabalhadores sem diploma universitário. A pesquisa, liderada pela economista Natalia Emanuel, do Fed de Nova York, conclui que empresas evitam contratar recém-formados para vagas remotas porque é mais difícil treiná-los e orientá-los fora do ambiente presencial. “O trabalho remoto enfraqueceu os incentivos para contratar jovens trabalhadores ao dificultar o treinamento no próprio emprego”, afirma o estudo. “Empregadores podem não querer contratar recém-formados para equipes distribuídas porque é mais difícil ensiná-los as habilidades necessárias à distância.” O estudo é divulgado em meio à crescente preocupação com as perspectivas de emprego para jovens graduados, enquanto a inteligência artificial avança sobre diversas profissões de escritório, incluindo finanças, direito, entretenimento e mídia. Neste semestre, formandos chegaram a vaiar referências à IA durante discursos de formatura. Mas o levantamento ressalta que a piora no mercado de trabalho para jovens graduados começou antes da popularização de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT. E, ao analisar o grau de exposição das diferentes profissões à IA, os pesquisadores concluíram que a tecnologia teve pouco impacto sobre o desemprego juvenil. A taxa de desemprego entre graduados universitários com menos de 29 anos subiu 20% em relação ao período pré-pandemia, chegando a uma média de 3,7% entre 2022 e 2025, segundo o Fed de Nova York. Entre graduados de 22 a 27 anos, o desemprego alcançou 5,8% no ano passado — o maior nível fora do período da pandemia desde 2012. As conclusões do estudo reforçam o cenário atual do mercado de trabalho, marcado por poucas contratações e poucas demissões: embora as dispensas permaneçam baixas e o desemprego relativamente estável, quem perde o emprego tem encontrado mais dificuldade para conseguir uma nova vaga. O estudo também analisou dados detalhados de uma empresa de tecnologia da Fortune 500, não identificada, e constatou que seus padrões de contratação refletiam a tendência observada nos dados gerais. Quando os escritórios estavam fechados e os funcionários trabalhavam remotamente, “a empresa contratava menos trabalhadores inexperientes e mais profissionais experientes, que provavelmente precisavam de menos orientação para desempenhar bem suas funções”, afirma o estudo. “Assim que os escritórios reabriram, a empresa voltou a contratar mais jovens trabalhadores”, diz a pesquisa. Ainda assim, mesmo após a reabertura, a companhia continuou favorecendo profissionais mais experientes para equipes que mantinham algum nível de trabalho remoto. Mesas vazias em um prédio de escritórios no bairro de Manhattan, em Nova York, em 2 de agosto de 2024. AP/Ted Shaffrey
02/06/2026 06:01:07 +00:00
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