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g1 > Economia

Novo modelo de IA de baixo custo da chinesa DeepSeek acirra disputa tecnológica com os EUA

O DeepSeek mostrou que a China também pode desenvolver os "cérebros" da IA Reuters A startup chinesa DeepSeek lançou nesta sexta‑feira (24) um novo modelo de inteligência artificial com custos "drasticamente reduzidos", mais de um ano após surpreender o mundo com um modelo de raciocínio de baixo custo que igualava as capacidades de rivais americanos. A corrida pela IA intensificou a rivalidade entre a China e os Estados Unidos, e a Casa Branca acusou, nesta quinta‑feira, entidades chinesas de realizarem um esforço em larga escala para roubar tecnologia de inteligência artificial. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com sede em Hangzhou, a DeepSeek ganhou projeção em janeiro do ano passado com um chatbot de IA generativa, alimentado por seu modelo de raciocínio R1, que abalou as suposições sobre a dominância dos EUA nesse setor estratégico. O DeepSeek‑V4 "apresenta um contexto ultralongo", informou a empresa em um comunicado na plataforma de mídia social WeChat, descrevendo‑o como "líder mundial, com custos drasticamente reduzidos de computação e memória" em um anúncio separado no X. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O V4 suporta um comprimento de contexto de um milhão de "tokens" — pequenos componentes de texto, incluindo palavras ou pontuação —, colocando‑o no mesmo nível do Gemini, do Google. O comprimento de contexto determina quanto de entrada um modelo é capaz de absorver para ajudar na execução de tarefas. O novo V4 foi lançado em duas versões, DeepSeek‑V4‑Pro e DeepSeek‑V4‑Flash, sendo esta última "uma opção mais eficiente e econômica" por contar com parâmetros menores. Em termos de "conhecimento de mundo", um benchmark de raciocínio, o V4‑Pro fica atrás apenas do modelo mais recente do Gemini, segundo a DeepSeek. Uma versão prévia do modelo de código aberto já está disponível, informou a empresa, sem indicar quando uma versão final será lançada. No começo do ano passado, logo apos ser lançado, o modelo da DeepSeek chegava a custar 18 vezes menos que o ChatGPT. Ponto de inflexão Especialistas afirmam que a chegada do V4 marca um "ponto de inflexão” em termos de hardware e custo. "Isso resolve problemas antigos de desempenho mais lento e custos mais altos associados a comprimentos de contexto longos, marcando um verdadeiro ponto de inflexão para a indústria", disse Zhang Yi, fundador da empresa de pesquisa tecnológica iiMedia. "Para os usuários finais, isso trará benefícios amplos e acessíveis. Por exemplo, se o suporte a contextos ultralongos se tornar um recurso padrão, o processamento de textos extensos deverá sair dos laboratórios de pesquisa de ponta e entrar em aplicações comerciais convencionais", acrescentou. O V4‑Pro possui 1,6 trilhão de parâmetros, enquanto o V4‑Flash tem 284 bilhões de parâmetros, que refinam a capacidade de tomada de decisão dos modelos. O modelo também foi "otimizado" para produtos populares de agentes de IA, como Claude Code, OpenClaw, OpenCode e CodeBuddy, segundo o comunicado da DeepSeek. O lançamento mais recente da DeepSeek é um "marco" para as empresas chinesas, afirmou o veterano analista da indústria de IA Max Liu. "Isso é algo positivo para toda a indústria doméstica de IA. Pode oferecer modelos melhores para os usuários locais, e agora podemos esperar muitas outras coisas — mais produtos e um mercado mais competitivo", disse. Momento Sputnik e questionamentos O chamado "choque DeepSeek" do ano passado provocou uma queda nas ações relacionadas à IA e uma reavaliação das estratégias de negócios, sendo também descrito como um "momento Sputnik", ou seja, um choque estratégico repentino para o setor. O chatbot apresentou desempenho em nível semelhante ao do ChatGPT e de outras ofertas líderes dos Estados Unidos, mas a empresa afirmou que utilizou significativamente menos poder computacional para desenvolvê‑lo. No entanto, sua popularidade repentina levantou questionamentos sobre privacidade de dados e censura, já que o chatbot frequentemente se recusava a responder a perguntas sobre temas sensíveis, como o massacre da Praça da Paz Celestial em 1989. No país, as ferramentas de IA da DeepSeek vêm sendo amplamente adotadas por governos municipais chineses, instituições de saúde, pelo setor financeiro e por outras empresas. Isso foi impulsionado em parte pela decisão da DeepSeek de tornar seus sistemas de código aberto, com seus funcionamentos internos públicos — em contraste com os modelos proprietários vendidos pela OpenAI e outros concorrentes ocidentais. Acusação dos EUA Mas a Casa Branca acusou empresas chinesas de tentarem "roubar” tecnologia americana, antes de uma cúpula prevista entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim no próximo mês. "Os EUA têm evidências de que entidades estrangeiras, principalmente na China, estão conduzindo campanhas de destilação em escala industrial para roubar IA americana", disse Michael Kratsios, principal assessor de ciência e tecnologia de Trump, em uma publicação no X. A destilação é uma prática comum no desenvolvimento de IA, frequentemente utilizada por empresas para criar versões mais baratas e menores de seus próprios modelos. O anúncio da DeepSeek nesta sexta‑feira também ocorre em um momento em que a Meta afirma que planeja cortar um décimo de sua força de trabalho em busca de ganhos de produtividade, ao mesmo tempo em que investe pesadamente em inteligência artificial. Relatos indicam que a Microsoft também estaria planejando reduzir seu quadro de funcionários.
24/04/2026 11:01:25 +00:00
O que o consumo de carne de burro na Patagônia revela sobre a atualidade da Argentina

Carne de burro na churrasqueira - carnes e linguiças Diário El Chubut A carne bovina argentina, famosa mundialmente pela qualidade e maciez, sempre ocupou um lugar central na mesa do país. Resultado de uma combinação de genética, alimentação e da criação do gado nas extensas planícies dos pampas — onde o relevo plano reduz o esforço físico dos animais —, os cortes são conhecidos por serem tão tenros que, como dizem locais e turistas, podem ser "cortados até com colher". Mas em meio à alta dos preços da carne bovina, que subiu 6,9% em março, acima da inflação mensal de 3,4% — o maior índice dos últimos 12 meses — um tipo de carne pouco tradicional começa a ganhar espaço na Argentina: a de burro. Em Trelew, na Patagônia, a degustação e a venda desse tipo de carne ganharam os noticiários do país na última semana. A experiência — que incluiu um açougue e um restaurante tradicional da cidade — faz parte de um projeto piloto chamado "Burros Patagônicos". A iniciativa foi criada pelo produtor rural Julio Cittadini, que vinha desenvolvendo a ideia há cerca de dois anos, enquanto aguardava autorização das autoridades sanitárias locais e nacionais. Após a aprovação, ele levou a proposta a um açougue e a um restaurante tradicional da cidade, onde a novidade rapidamente atraiu público. Em entrevista à BBC News Brasil, a proprietária do restaurante Don Pedro, Carla Gutiérrez, disse que foram servidos pratos como empanadas, churrasco e linguiça feitos com carne de burro, que agradaram aos clientes. "Foi um sucesso. Veio muita gente e todos gostaram. Eu também provei e gostei. A carne é parecida com a bovina, só um pouco mais escura e com menos gordura", afirmou, acrescentando que a carne se esgotou rapidamente no açougue. "Vi gente perguntando e o açougueiro dizendo que já tinha terminado" disse. Novidade fez restaurante tradicional lotar Diário El Chubut Guerra no Irã derruba em mais de 30% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico Apesar da repercussão, Victor Tonelli, especialista em carnes na Argentina, afirma que o consumo de carne de burro ainda é pontual: "Não há nenhum impacto (no consumo e na produção local)" por ser algo muito especifico, diz. Ainda assim, os chamados "bifes de jumento" chamaram atenção por refletirem um comportamento mais amplo dos consumidores: a busca por alternativas diante da perda de poder de compra. Para Carla, não há dúvidas que parte do interesse está ligada ao preço. Ela contou que em Trelew, o quilo da carne de burro é vendido por cerca de 7.500 pesos (cerca de R$ 27), enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69) — quase três vezes mais. "Estamos em recessão, não só na gastronomia", afirmou. Inflação alta e queda no consumo A procura por opções mais baratas ocorre em um momento de pressão sobre o consumo na Argentina, impulsionada pela inflação, que acumula um aumento de 9,4% no ano. Segundo o último relatório do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) da Argentina, carnes e derivados estiveram entre os itens que mais subiram na categoria de alimentos, um dos principais fatores na composição da inflação. Na Grande Buenos Aires, por exemplo, a carne registrou aumento anual de 55%, chegando a 61,5% na região Noroeste, sendo o item com a maior alta no período. Isso tem impactado diretamente o consumo da população, sobretudo no caso da carne bovina. Carla Gutierrez (de cabelo preto amarrado) e sua mãe ao lado de funcionários no restaurante Don Pedro Arquivo Pessoal Dados recentes mostram que o consumo da carne bovina caiu cerca de 10% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo o menor nível em duas décadas. Segundo Tonelli, essa queda acompanha uma mudança nos hábitos alimentares. Atualmente, o consumo total de carnes na Argentina gira em torno de 115 a 116 quilos por pessoa ao ano, incluindo cerca de 51 quilos de frango, 45 quilos de carne bovina e entre 19 e 20 quilos de carne suína. Mas esse consumo de carne bovina já é menor que o ano passado e está e distante dos níveis históricos do país. "No ano passado, nesta época, era de cerca de 50 quilos por pessoa. E, há 60 anos, para termos uma ideia, eram 82 quilos de carne bovina por habitante, contra apenas 12 quilos somados de frango e suína", afirmou. Na época, como costumam lembrar os próprios argentinos, o país passou a ser visto como "carnívoro", diante da predominância da carne bovina na dieta e da menor diversidade alimentar. Projeto surgiu antes da crise Trabalhando há 60 anos como produtor rural, Cittadini afirma que o projeto não foi concebida como resposta à atual situação econômica. Segundo ele, a iniciativa surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pela pecuária e criação de ovelhas na região da Patagônia, devido ao clima rigoroso e o relevo irregular, além da presença de predadores. "Foi por tudo isso que pensei no burro como alternativa. Ele é mais resistente ao meio ambiente daqui. E se adapta perfeitamente ao clima patagônico." O que o consumo de carne de burro na Patagônia revela sobre a atualidade da Argentina Diário El Chubut Atualmente, Cittadini mantém cerca de 150 burros e planeja ampliar o rebanho em breve, com foco no mercado local da província de Chubut. "É verdade que a carne de burro é mais barata que a bovina, mas o projeto não está ligado a situação econômica do momento. Já vivemos muitas crises e essa é uma mais. Estamos acostumados e sempre nos erguemos, sempre enfrentamos e superamos", disse à reportagem. Procurado, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) informou que não há registro de exportação de carne de burro no país e que o consumo "não é habitual, mas também não é proibido". Situação econômica na Argentina A situação econômica da Argentina tem afetado principalmente o consumo e os setores de comércio e indústria. Segundo o economista Ricardo Arriazu, o país está diante de uma profunda mudança estrutural. "Eu nunca tinha visto o que está acontecendo, com uma nova dinâmica nos setores de energia, mineração e do agro, que geram forte aumento de divisas para o país, mas não absorvem mão de obra. A indústria, a construção e o comércio, por sua vez, têm retrocesso", afirmou. De acordo com a União Industrial Argentina (UIA), o setor industrial tem registrado perdas de entre 1.000 e 1.500 postos de trabalho por mês desde março do ano passado. Dados oficiais indicam ainda que a indústria argentina caiu 8,7% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, acumulando oito meses seguidos de retração. Nesse cenário, a inflação de março (3,4%) foi o principal fator de preocupação do governo, segundo a imprensa local. O combate à inflação foi uma das principais bandeiras da campanha de Javier Milei à Casa Rosada. No entanto, com a pressão sobre os preços — em um país com histórico de inflação elevada —, o desafio de conter a alta se tornou ainda maior. Em discurso na semana passada, Milei pediu paciência aos argentinos e voltou a afirmar que a situação vai melhorar. "Normalmente, os políticos fingem demência ou falam de outra coisa quando recebem um dado negativo. Mas como eu sou Milei e detesto a maneira como fazem política tradicional, e como odeio a inflação, e como este dado me gerou repulsa, vou falar sobre a inflação", disse em um evento com empresários. O Banco Mundial prevê que a economia argentina crescerá 3,6% em 2026 e 3,7% em 2027, com uma das maiores expansões da região. Porém, como observou o economista Arriazu, trata-se de um crescimento desigual. Enquanto isso, experiências como a de Trelew seguem despertando curiosidade — seja como alternativa econômica ou como novidade gastronômica em um país onde a carne bovina sempre foi dominante. Ainda que restrito, o consumo de carne de burro revela como mudanças no cenário econômico podem influenciar até mesmo hábitos profundamente enraizados na cultura alimentar argentina.
24/04/2026 10:37:48 +00:00
Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?

O CEO (diretor-executivo) da Palantir, Alex Karp, levou a empresa a ser líder em análise de dados Getty Images via BBC Sempre que você se conecta à internet, alguém está coletando as informações que você vai deixando, seja o seu provedor, o servidor da página que você está visitando ou o navegador usado durante o acesso. Todas estas informações ajudam as empresas a compreender melhor o comportamento dos seus clientes e projetar estratégias e produtos que atendam melhor às necessidades dos consumidores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Da mesma forma, os dados podem ser empregados para localizar indivíduos considerados como ameaça. Foi o que fizeram os Estados Unidos para encontrar o bunker de Osama Bin Laden (1957-2011) no Paquistão. E também servem para identificar e definir alvos militares, como faz atualmente o exército israelense no Irã. Mas, para que as informações sejam úteis, a sua coleta pura e simples não é suficiente. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A quantidade cada vez maior de dados produzidos na Web todos os dias (estimados em cerca de 400 milhões de terabytes) faz com que as organizações precisem usar programas especializados, alimentados por inteligência artificial, para poder coletá-los, organizá-los e, por fim, interpretar o que eles podem revelar. Atualmente, a maioria dos especialistas em cibersegurança concorda que não existe no mundo um software de análise de dados que possa ser comparado, em termos de complexidade e alcance, com o da companhia americana Palantir, especialmente em relação à segurança e à inteligência militar. No final do ano passado, o colunista do jornal The New York Times Michael Steinberger publicou o livro The Philosopher in the Valley: Alex Karp, Palantir, and the Rise of the Surveillance State ("O filósofo no Vale: Alex Karp, a Palantir e a ascensão do estado de vigilância", em tradução livre). Ele defende que parte do sucesso da empresa se deve ao fato de ter desenvolvido sua tecnologia lado a lado com os serviços de inteligência dos Estados Unidos. O poder das ferramentas da Palantir gerou protestos nos Estados Unidos Getty Images via BBC "A reviravolta para a Palantir foi o recebimento de fundos da In-Q-Tel, que foi o braço de investimento de capital da CIA", a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, explica Steinberger à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Além do investimento, que foi imenso, os engenheiros da Palantir tiveram acesso aos analistas da CIA e, por isso, conseguiram desenvolver o software lado a lado com eles." Tudo isso faz com que as ferramentas da Palantir sejam largamente utilizadas por diversas agências do governo americano. E não apenas pelos órgãos de inteligência, como a CIA, o FBI (Escritório Federal de Investigações) e a NSA (Agência Nacional de Segurança). Entidades de saúde dos Estados Unidos, como os Centros de Controle de Doenças (CDC), e agências migratórias, como o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), também fazem uso dos programas da Palantir. O ICE emprega atualmente essas ferramentas para identificar e localizar imigrantes procurados para detenção e deportação. "O trabalho do ICE ao lado da Palantir começou em um momento de crise, algo típico em relação à Palantir", explica Steinberger. "Eles cobram bastante pelos seus serviços e muitas organizações acreditam que podem economizar, se desenvolverem um software in-house. Mas, quando chega a crise, eles decidem experimentar." "Foi o que aconteceu com o ICE em 2014", relembra ele. "Quando um agente da DEA [a Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos] foi morto no México e o governo precisava encontrar os assassinos, eles recorreram à Palantir, que reuniu uma grande quantidade de dados em poucos dias e permitiu que eles encontrassem o assassino com muita facilidade." Para podermos entender o papel desempenhado atualmente pela Palantir no setor militar americano, é preciso retornar à criação da empresa e ao momento histórico que forneceu diretamente sua razão de ser: os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Do PayPal ao governo dos Estados Unidos Max Levchin e Peter Thiel são os fundadores da empresa que se transformaria no PayPal Getty Images via BBC No final dos anos 1990, a internet passava por um seus períodos de maior e mais rápida expansão. No que viria a ser conhecido como o "boom das ponto com", milhares de empreendedores se aventuraram a lançar negócios na rede. Muitas empresas que, hoje, são imensos conglomerados digitais começaram naquela época. Uma delas foi o PayPal, talvez a plataforma de pagamentos digitais mais conhecida do mundo. Ela surgiu da fusão de duas empresas distintas. Uma delas era a Confinity, do então jovem investidor Peter Thiel. A outra foi a X.com, de Elon Musk, hoje principal acionista da Tesla e do X (antigo Twitter). Naquela época, a segurança das transações online estava começando a ser desenvolvida. E o PayPal passou a ser o site preferido dos golpistas, graças ao anonimato que ele proporcionava. Em resposta, o sócio de Thiel e um dos fundadores da Confinity (depois, PayPal), Max Levchin, se concentrou no desenvolvimento de um software que, por meio de algoritmos, pudesse garantir a segurança das transações ocorridas dentro da plataforma, para poder liberar todo o potencial das compras via internet. O software recebeu o nome de Igor, o mesmo do golpista russo que se tornaria o primeiro a cair com a nova ferramenta. O sucesso foi tanto que o software conseguiu reduzir as fraudes nas transações para menos de 0,5%, colocando o PayPal na vanguarda do comércio online. Como era de se esperar, o sucesso da ferramenta também chamou a atenção das autoridades americanas. O FBI se interessou e começou a trabalhar com a equipe de segurança do PayPal em investigações de fraude. Até que veio o dia 11 de setembro de 2001, quando tudo mudou. Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 inspiraram Thiel a desenvolver a tecnologia da Palantir Getty Images via BBC "Uma forma de ver os atentados de 11 de setembro é que eles constituíram uma falha de integração de dados", segundo Steinberger. "E, de fato, o relatório da Comissão do 11 de Setembro afirmou exatamente isso." "Houve uma falha na hora de conectar os pontos, que conduziu àquela tragédia. A CIA dispunha de informações, o FBI dispunha de informações, mas eles não se comunicavam entre si. A informação não era compartilhada." Para Peter Thiel, ficou claro que, frente a este problema de organização de dados, o Igor poderia ser muito útil para os diferentes serviços de inteligência americanos. Por isso, ele começou a buscar uma forma de entrar em contato com a CIA. 'CEO filósofo' Karp acredita que a tecnologia da Palantir é fundamental para 'proteger o modo de vida ocidental' Getty Images via BBC Quando Thiel começou a buscar o capital necessário para desenvolver o projeto que tinha em mente, ele se encontrou novamente com Alex Karp. Ambos eram bons amigos na Faculdade de Direito da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, mesmo estando em polos opostos do debate ideológico. Thiel é um conservador devoto e Karp, um progressista convicto, filho de um casal inter-racial. Sua amizade se baseou principalmente no descontentamento gerado pela educação que recebiam em uma das melhores universidades do país, pela paixão comum pelo xadrez e pelas discussões acaloradas sobre temas profundos. Karp é doutor em filosofia alemã e foi aluno do filósofo Jürgen Habermas (1929-2026). Quando se reencontraram após os atentados de 2001, Thiel o recrutou para ajudar a conseguir investidores para o empreendimento. E ficou surpreso com a sua paixão pelo projeto. O nome Palantir é uma homenagem às pedras mágicas da saga de livros O Senhor dos Anéis. Elas davam a quem as possuísse o poder de ver o mesmo que seus inimigos. A associação com a obra de J. R. R. Tolkien (1892-1973) é tão forte que os funcionários da empresa se denominam palantirianos e alguns dos seus escritórios são adornados com runas élficas. Apesar da sua falta de experiência no campo militar, os diretores da empresa decidiram fazer de Karp seu CEO (diretor-executivo), por ter visão mais clara do que eles desejavam fazer com a Palantir. Parte do sucesso da Palantir se deve ao acesso da empresa às agências de segurança dos Estados Unidos Getty Images via BBC Mesmo tendo sido criado em um lar progressista, no Estado americano da Califórnia, e estudado filosofia na Alemanha, as ideias de Karp "evoluíram" com o passar do tempo, segundo Steinberger. "Elas se aproximaram da forma como Peter Thiel observa o mundo." "Karp fala cada vez menos da defesa da democracia liberal e mais da defesa do Ocidente como entidade cultural. Esta sempre foi a controversa postura de Thiel, que afirma não acreditar que a liberdade (em referência à liberdade econômica) e a democracia sejam compatíveis." Karp também defende a superioridade militar e tecnológica dos Estados Unidos como "o fator de dissuasão mais importante" do mundo atual. "As guerras são travadas com tecnologia", declarou Karp durante um fórum recente em Washington, sobre o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. "Se observamos a operação 'Martelo da Meia-Noite' [o ataque americano à infraestrutura nuclear iraniana em 2025], a operação na Venezuela [que capturou Nicolás Maduro] ou a operação que estamos vendo no Irã, veremos uma sociedade totalmente dominadora", prosseguiu ele, "e esta sociedade é a nossa." "Sempre discuto com meus amigos intelectuais quando me perguntam 'mas não seria melhor um sistema de normas em que todos sejam iguais?' e eu respondo: 'Sim, claro. Na teoria. Mas, neste mundo, somos nós ou é a China ou a Rússia.'" Alex Karp afirma que os Estados Unidos 'dominam' outras sociedades Getty Images via BBC Recentemente, a Palantir publicou nas redes um resumo de 22 pontos das ideias apresentadas por Karp no seu livro A República Tecnológica: Tecnologia, Política e o Futuro do Ocidente (Ed. Intrínseca, 2025), que muitos descreveram como o manifesto da empresa. Os pontos refletem algumas das ideias mais polêmicas do pensamento libertário americano, como a declaração de que, embora "algumas culturas tenham produzido avanços fundamentais, outras continuam sendo disfuncionais e regressivas", ou que os países ocidentais "devem resistir à tentação superficial de um pluralismo vazio e oco". Para Karp, "uma era de dissuasão — a era atômica — está terminando e uma nova era de dissuasão, baseada na inteligência artificial, está a ponto de começar" e "se um soldado da marinha americana pedir um fuzil melhor, devemos construí-lo e o mesmo se aplica ao software". A publicação do manifesto gerou grandes polêmicas nas redes sociais. Muitos comentários expressaram repúdio e preocupação. A parlamentar britânica Victoria Collins declarou que a lista parecia fruto dos "desvarios de um supervilão". "É preciso entender um ponto sobre a Palantir", destaca Steinberger. "Ela foi política desde o princípio." "Ela foi fundada para ajudar o governo de Washington a combater a guerra contra o terrorismo. Isso gerou a ideia de que 'estamos ajudando o governo dos Estados Unidos e seus aliados a defender seu modo de vida'." Desde o princípio, a empresa se comprometeu a não vender sua tecnologia para países como a China ou a Rússia, considerados adversários geopolíticos dos Estados Unidos. "Atualmente, não há dúvida sobre essa concorrência, mas, em 2007 ou 2008, era um tanto atrevido sair dizendo que você não iria oferecer seus produtos no mercado que mais crescia no mundo." Por outro lado, a empresa oferece seus serviços a países alinhados às políticas americanas, como Israel. "Eles sempre se consideraram os guardiões do Ocidente", segundo Steinberger. "Esta é uma ideia básica da empresa desde a fundação." "No livro, falo sobre a relação da Palantir com o Mossad [o serviço de inteligência de Israel], que entrou em contato com eles em meados dos anos 2000 e é cliente da empresa desde então. E, depois [do ataque do Hamas] de 7 de outubro de 2023, as IDF [Forças Armadas de Israel] basicamente disseram 'precisamos do seu produto'." Outros países que empregam as ferramentas da Palantir incluem o Reino Unido (dos serviços de saúde até o Ministério da Defesa), Ucrânia, França, Canadá, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Estado de vigilância? A Palantir é uma das empresas de IA mais bem sucedidas da atualidade Getty Images via BBC Mais de duas décadas se passaram desde a fundação da Palantir e seus produtos se transformaram em uma poderosa arma para os Estados Unidos e seus aliados. A Palantir desenvolveu as ferramentas que levaram à morte de Osama Bin Laden em 2011 e foram um componente fundamental para a retirada das tropas americanas do Afeganistão em 2021. Além disso, seu sistema de integração de dados Maven é empregado atualmente para identificar alvos militares no Irã e operar os drones deslocados pelos Estados Unidos para a região. A Palantir também é a empresa encarregada de desenvolver o software do "Domo de Ouro", um dos projetos mais emblemáticos do segundo mandato de Donald Trump: um sistema de mísseis antiaéreos similar ao "Domo de Ferro" de Israel, capaz de proteger o país contra qualquer tipo de ameaça, incluindo mísseis nucleares. Paralelamente, a Palantir oferece serviços a empresas civis, como a Airbus, Panasonic, Merck e até para a equipe de Fórmula 1 da Ferrari, para gestão e análise dos seus dados. O preço das ações da Palantir registra crescimento constante, desde o início da guerra no Irã Getty Images via BBC Devido exatamente a esta versatilidade das suas ferramentas, a Palantir defende que os organismos reguladores do governo, não a própria empresa, devem ser responsáveis por impor limites aos usos da sua tecnologia. Em entrevista à BBC, o diretor da Palantir no Reino Unido e no continente europeu, Louis Mosley, explicou que o software da empresa foi projetado para sempre exigir um ser humano para tomar decisões. "É assim que ele está programado atualmente", garante Mosley. Mas muitos críticos destacaram que a velocidade de análise e previsões dessas ferramentas pode levar a erros de confirmação por parte dos usuários. "Esta priorização da velocidade e da escala, além do uso da força, deixa muito pouco tempo para a verificação significativa dos seus objetivos, a fim de assegurar que não sejam incluídos acidentalmente alvos civis", declarou à BBC a professora Elke Schwarz, da Universidade Queen Mary de Londres. A tecnologia da Palantir tem todo tipo de uso, civil ou militar Getty Images via BBC Mas, para Mosley, "na verdade, esta é uma questão para nossos clientes militares. São eles que decidem o marco normativo que determina quem pode tomar qual decisão." Mesmo com todas as críticas e preocupações geradas pela sua tecnologia, a Palantir está avaliada em mais de US$ 380 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão) e continua aumentando. "Aqui, surge a questão do grau de responsabilidade que recai sobre a Palantir em relação ao uso que é feito do seu produto", destaca Michael Steinberger. "E esta é uma questão muito real neste momento, por exemplo, em referência às suas relações com o ICE." "A Palantir tem alguma responsabilidade pelos abusos que estão sendo cometidos? Eles têm conhecimento disso? Se forem perpetrados crimes de guerra com essa tecnologia, a Palantir tem alguma responsabilidade?", questiona o colunista do The New York Times. "Estas são algumas das questões que a empresa está enfrentando. E são perguntas que atingem diretamente o centro das controvérsias que rodeiam a Palantir", conclui Steinberger. Com informações do repórter de IA da BBC News, Marc Cieslak, e de Matt Murphy, da BBC Verify (o serviço de verificação de dados e imagens da BBC).
24/04/2026 10:19:21 +00:00
Supercarro brasileiro de R$ 1,5 milhão ganha configurador virtual aberto ao público

Configurador do Super Veloce Unico, supercarro brasileiro Divulgação / Super Veloce Quem cresceu jogando videogame, com títulos como Gran Turismo, Forza ou Need for Speed, conhece a diversão de um configurador de carros. É ali que o jogador escolhe a pintura, define o interior, testa diferentes rodas e observa o resultado final. Agora, essa experiência chega ao primeiro supercarro brasileiro. O Unico, da marca Super Veloce, oferece nove opções de tons em fibra de carbono, 11 cores brilhantes e quatro alternativas foscas. O site permite montar o modelo e visualizar o resultado na tela. O usuário pode selecionar faixas distribuídas pela carroceria e escolher entre 13 cores para pintá-las. O interior, que acomoda apenas o motorista, também pode ser personalizado. Há 11 opções de cores para os acabamentos. Configurador do Super Veloce Unico, supercarro brasileiro Divulgação / Super Veloce O configurador traz ainda quatro modelos de rodas, com quatro opções de cores. Também é possível escolher uma das nove cores disponíveis para as pinças de freio. Ao final da configuração, o interessado pode solicitar uma cotação à equipe de vendas da Super Veloce. Nesse ponto, a experiência deixa de ser apenas virtual. É preciso ter conta bancária farta. A estimativa é que cada unidade custe cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo a empresa, três Unicos já foram encomendados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Sem passageiros O Super Veloce Unico foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025. A marca foi criada pelo empresário Rafael Espíndola, conhecido pelo Batmóvel adquirido pelo jogador Neymar Jr. O Unico foi desenvolvido no Brasil ao longo de dois anos. O desenho é assinado por Adhemar Cabral, e a fabricação ocorre na zona sul de São Paulo. Por enquanto, o modelo só pode rodar em pistas fechadas, mas a empresa trabalha para viabilizar a homologação para uso em vias públicas. Super Veloce Unico, supercarro brasileiro com preço estimado em R$ 1,5 milhão Divulgação / Super Veloce O carro é um monoposto, ou seja, transporta apenas o piloto. A ideia não é novidade; modelos como BAC Mono, McLaren Solus e Caparo T1 são exemplos de carros para só uma pessoa. A estrutura é tubular, feita de aço carbono, com a opção de uso de cromo-molibdênio, material que deixa o conjunto mais rígido. A carroceria é de fibra de carbono e pesa apenas 40 kg. Em comunicado, a marca afirma que cada detalhe do desenho tem uma função específica, como melhorar a passagem do ar, ajudar no resfriamento do motor ou aumentar a aderência ao solo. Modelo tem motor 2.0 turbo de 360 cv e chega a 270 km/h Divulgação / Super Veloce O motor é um quatro cilindros 2.0 turbo da Ford, com 360 cv e torque de 42 kgfm. Embora os números não impressionem à primeira vista, o peso total do Unico é de apenas 700 kg. Um carro popular 1.0, por comparação, pesa cerca de 1.100 kg. Com esse conjunto, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos e atinge velocidade máxima de 270 km/h. O comprador pode optar por câmbio automático sequencial de seis marchas, com trocas feitas por aletas atrás do volante. O projeto prioriza a facilidade de condução e a estabilidade em curvas rápidas. A suspensão dianteira e traseira segue o padrão usado em carros de corrida. Os freios são da Brembo, as rodas de 18 polegadas levam a marca americana Apex e os pneus semislick da Yokohama são voltados para uso em autódromos.
24/04/2026 09:00:45 +00:00
Após proibição pela Anvisa, marca relança café em sachê sem extrato de cogumelo na fórmula

Café em sachê Fellow Criativo, da Cafellow Divulgação A marca Cafellow relançou neste mês o café em sachê Fellow Criativo, que havia sido proibido em outubro do ano passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na época, a agência vetou o produto devido à presença de um extrato de cogumelo em sua composição, além de outras irregularidades. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a legislação brasileira, para ser considerado café, o produto precisa conter somente o grão, sem os chamados “elementos estranhos” — que são grãos ou sementes de outros gêneros (como milho, trigo, cevada), corantes, açúcar, caramelo e borra de café solúvel ou de infusão. Para se adequar à lei, a Cafellow relançou o Fellow Criativo usando apenas café arábica e aromatizantes autorizados em sua fórmula. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “A decisão está diretamente relacionada ao enquadramento regulatório do produto como café, que não permite a adição de outros ingredientes além de aromas", diz a empresa. Segundo a Cafellow, a nova versão do Fellow Criativo traz 14g de café arábica torrado e moído, com aroma natural de caramelo e baunilha. O produto original, por sua vez, tinha extrato de cogumelo Agaricus Bisporus, um ingrediente que, segundo análise da Anvisa em outubro, não foi avaliado quanto à segurança para consumo. Quando proibiu o produto, a agência também destacou outro ponto: a embalagem e a publicidade afirmavam que ele ajudava no controle da insulina e na redução do colesterol, mas essas informações não tinham comprovação da Anvisa. Pó de café pode ter impurezas, mas há restrições; saiba mais Reportagem do Fantástico de 2002 mostra como eram testes de fraude de café
24/04/2026 08:03:46 +00:00
Salão de Pequim: GWM lança o Ora 5, que promete rodar até 1 mil km com um tanque; VÍDEO

GWM Ora 5 promete 1 mil km com tanque cheio A GWM lançou nesta sexta-feira (24) o Ora 5, primeiro híbrido da linha, no Salão do Automóvel de Pequim. O modelo foi flagrado em testes no Brasil, e chega para concorrer em uma faixa de SUVs híbridos como o Toyota Corolla Cross e abaixo do Haval H6. A fabricante não detalhou boa parte das especificações técnicas do modelo. A potência total do sistema híbrido não foi revelada, mas a marca confirmou o uso de um motor elétrico combinado a um motor a combustão 1.5 turbo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Uma configuração parecida já é utilizada no Haval H6, em que esse conjunto híbrido entrega 243 cv de potência e 55 kgfm de torque, utilizando exclusivamente gasolina. No Ora 5, a autonomia divulgada é de até 1.100 km, enquanto o consumo urbano informado é de 22,2 km/l, segundo o sistema de medição chinês. O próprio carro gerencia automaticamente o uso do motor elétrico ou do motor a combustão, além de controlar a recarga da bateria. GWM Ora 5 divulgação/GWM (O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.) Em termos de tamanho, o Ora 5 segue proporções de SUV. O modelo tem 4,47 metros de comprimento e 2,72 metros de entre-eixos. Para efeito de comparação, ele é cerca de 7 centímetros mais curto que um Jeep Compass e tem um entre-eixos 8 centímetros maior que o do Toyota Corolla Cross. Ora 5 quer enfrentar Toyota e a própria GWM Em 2026, o híbrido mais vendido do Brasil é o Toyota Corolla Cross, com 5.950 unidades emplacadas entre janeiro e março, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O SUV da Toyota registra consumo urbano de até 16,6 km/l com gasolina. Pelos números divulgados pela GWM, o Ora 5 é 33% mais econômico, mas a medida de contagem do sistema chinês costuma ser mais "generoso" do que o apurado no Brasil. Ainda assim, o modelo também promete gastar menos combustível que o segundo híbrido mais vendido do período, o Haval H6 (4.478 unidades emplacadas). De acordo com o Inmetro, o Haval H6 tem consumo urbano de 14,7 km/l com gasolina.
24/04/2026 07:12:05 +00:00
Orçamento 2027: estatal que controla usinas nucleares em Angra pode precisar de aporte do governo

A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), controladora da Eletronuclear – responsável pela operação pelas operações das usinas nucleares Angra 1 e 2 e pela construção de Angra 3 –, pode precisar de um aporte por parte do Tesouro Nacional em 2027. 💰 A pressão nas finanças da ENBPar decorre da situação econômico-financeira da Eletronuclear, que demanda investimentos para a extensão da vida útil da Usina Angra 1, além das incertezas que ainda cercam a conclusão das obras na Usina de Angra 3. 📝 A informação consta no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado na semana passada pelo governo ao Congresso Nacional. "A incerteza quanto à decisão definitiva acerca da conclusão do empreendimento de Angra 3 e aos eventuais custos decorrentes, bem como o descasamento temporal entre os investimentos requeridos e a geração de receitas (prevista para o longo prazo), mantém o risco fiscal no horizonte analisado", diz trecho do projeto do governo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 A ENBPar, estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), também controla a participação brasileira em Itaipu Binacional, que opera a usina que pertence ao Brasil e ao Paraguai. "Ressalta‑se que a eventual materialização desse risco dependerá da evolução das decisões de política pública setorial, da definição quanto à modelagem do empreendimento de Angra 3 e da capacidade de equacionamento das fontes de financiamento, não configurando, no presente momento, obrigação fiscal certa ou determinada", complementa o documento. A Eletronuclear gasta com a manutenção de Angra 3 mais de R$ 1 bilhão por ano. No momento, a empresa espera ganhar algum fôlego financeiro com debêntures, mas, mesmo assim, a situação "estrutural" da estatal precisa ser resolvida, segundo o presidente interino, Alexandre Caporal. "Não tem sentido fazer a Eletronuclear sangrar até potencialmente ter um colapso, porque R$ 1 bilhão de reais nenhuma empresa no mundo segura sem ter fonte de recurso para isso, por uma indefinição do governo [falta de definição do CNPE]. Ou vai vir a definição, ou vai vir o 'stand still'. [suspensão da dívida] Porque chegou-se num patamar que não tem como suportar mais", disse ele, ao g1, em dezembro de 2025. Em fevereiro deste ano, ele voltou a dizer que o caixa da empresa estava esgotando. “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, disse Caporal, em referência à crise econômico-financeira dos Correios. Quem é dono da Eletronuclear? Apesar do controle estatal, a Eletronuclear tem uma estrutura acionária moldada pela privatização da antiga Eletrobras e pela legislação que impõe controle estatal sobre a geração nuclear de energia no Brasil. A companhia é uma sociedade de economia mista controlada pela ENBPar. Após a reorganização societária concluída entre 2022 e 2025, a ENBPar passou a deter 64,7% do capital votante da Eletronuclear, o que garante à União o comando estratégico da empresa. O capital restante passou a ser detido pela Âmbar Energia, braço do grupo J&F, que adquiriu a participação que ainda estava com a Eletrobras, que passou a se chamar Axia após a privatização. 💵Realizada em outubro de 2025, a operação de venda da participação da Axis para a Âmbar foi estimada em aproximadamente R$ 535 milhões. Com o negócio, a Âmbar ficou com cerca de 36% do capital votante e 68% do capital total, assumindo também obrigações financeiras relevantes, como debêntures associadas ao projeto de Angra 3. Usina Nuclear Angra 1 é uma das duas em operação no complexo localizado em Angra dos Reis (RJ) Divulgação/Eletronuclear Rombo das estatais 📨 Puxado pela situação dos Correios, as estatais federais registraram, em 2025, um déficit de R$ 5,1 bilhões, o segundo pior resultado da história. A situação continuou ruim no primeiro bimestre deste ano, quando o resultado negativo somou R$ 4,1 bilhões. 🔎 O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano. ⛽ Os números foram divulgados pelo Banco Central. A série não considera a Petrobras e nem as empresas do setor financeiro como bancos públicos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste. O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras, privatizada em 2022, foram excluídas do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante. Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea. O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida). No documento enviado ao Congresso Nacional, o governo também aborda a situação da Infraero. Embora não aponte necessidade de aporte neste momento, o governo destacou que a redução da receita líquida de caixa pode comprometer a sustentabilidade da empresa no longo prazo. "A perspectiva de venda da participação da empresa no aeroporto do Galeão e o saldo de caixa e equivalentes de caixa da ordem de R$ 1,97 bilhão no encerramento de 2025 mitiga, no curto prazo, os riscos de eventual necessidade de aporte no curto prazo, no entanto, a continuidade de sucessivas reduções de saldo de caixa a cada exercício podem comprometer a sustentabilidade da empresa no longo prazo", diz o PLDO. Nos últimos dois exercícios, a empresa vem registrando redução líquida de caixa e equivalentes nos últimos dois exercícios. Nos últimos anos, a empresa perdeu a administração de dezenas de aeroportos em todo o Brasil para empresas concessionárias, o que diminuiu a receita.
24/04/2026 07:01:29 +00:00
Bloqueio em Ormuz faz empresas gastarem até US$ 4 milhões no Canal do Panamá

Trump ordena que Marinha dos EUA ataque barcos que estejam colocando minas em Ormuz Empresas chegaram a desembolsar até US$ 4 milhões para fazer navios atravessarem o Canal do Panamá, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, segundo a Autoridade do Canal do Panamá, em um movimento que provocou uma mudança sísmica nos fluxos globais de comércio. Embora a passagem pela hidrovia normalmente ocorra por meio de uma tarifa fixa via reservas, empresas sem reserva podem cruzar pagando uma taxa adicional em leilões por vagas, que são concedidas ao maior lance, em vez de esperar dias na costa da Cidade do Panamá. Esse valor disparou nas últimas semanas, à medida que Irã e Estados Unidos criaram um gargalo na principal rota marítima do Estreito de Ormuz e a demanda por essas vagas aumentou fortemente. Os navios passaram a utilizar com mais frequência o Canal do Panamá à medida que cargas foram redirecionadas e compradores passaram a buscar fornecedores em outros países para evitar o comércio pela agora arriscada rota do Oriente Médio. “Com todos os bombardeios, os mísseis, os drones... as empresas estão dizendo que é mais seguro e mais barato cruzar pelo Canal do Panamá”, afirmou Rodrigo Noriega, advogado e analista na Cidade do Panamá. “Tudo isso está afetando as cadeias globais de suprimentos.” Vista aérea de navio passando pelo Canal do Panamá. REUTERS/Enea Lebrun Ao mesmo tempo, segundo Noriega, o governo panamenho está “maximizando o quanto pode ganhar com o Canal do Panamá”. O preço médio para atravessar o canal varia entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, dependendo da embarcação. Antes, para conseguir uma travessia antecipada, empresas pagavam entre US$ 250 mil e US$ 300 mil adicionais. Nas últimas semanas, esse custo extra médio subiu para cerca de US$ 425 mil. Ricaurte Vásquez, administrador do canal, afirmou que outra empresa, cujo nome não revelou, pagou US$ 4 milhões extras quando seu navio de combustível precisou mudar de destino por causa das tensões geopolíticas em andamento. Era um navio transportando combustível para a Europa, e ele foi redirecionado para Singapura, porque Singapura está ficando sem combustível”, disse. Outras petroleiras pagaram mais de US$ 3 milhões além da taxa de travessia para acelerar a passagem diante da disparada dos preços do petróleo. Irã divulga vídeo do que diz ser apreensão de navios no Estreito de Ormuz em 22 de abril de 2026 Reprodução Vásquez disse que não houve acúmulo de navios no canal, mas que os custos refletem mudanças de última hora e maior urgência de embarcações que precisam chegar mais rapidamente ao destino em meio ao caos comercial global. Ele ressaltou que esses custos não representam uma tarifa geral de mercado, mas sim um pedágio temporário assumido pelas empresas. “Elas decidem até onde estão dispostas a pagar”, disse Vásquez. Ao mesmo tempo em que lucra mais com o novo movimento comercial, o governo do Panamá também foi atingido pela crise geopolítica. Na quarta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores do país acusou o Irã de apreender ilegalmente uma embarcação com bandeira panamenha da empresa italiana MSC Francesca no Estreito de Ormuz. O Panamá, que possui um dos maiores registros navais do mundo, afirmou que o navio foi “tomado à força” pelo Irã. Ainda não estava claro se a embarcação permanecia sob custódia iraniana. “Isso representa um grave ataque à segurança marítima e constitui uma escalada desnecessária em um momento em que a comunidade internacional defende que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação internacional, sem ameaças ou coerção de qualquer tipo”, afirmou o governo. Noriega disse que o valor pago pelas empresas para cruzar o Canal do Panamá pode aumentar ainda mais caso o conflito continue, já que os preços do petróleo seguem em forte alta. O barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar brevemente US$ 107 nesta semana, ante cerca de US$ 66 há um ano. “Ninguém realmente previu os efeitos potenciais que essa guerra teria sobre o comércio global”, afirmou.
24/04/2026 06:52:23 +00:00
Robô supera jogadores humanos profissionais em partidas de tênis de mesa

Robô usa IA e vence partida de tênis de mesa contra atletas profissionais Um robô autônomo que joga tênis de mesa, batizado de Ace, alcançou um marco para a inteligência artificial e a robótica ao enfrentar e derrotar atletas de alto nível, incluindo profissionais. Criado pela divisão de pesquisa de IA da Sony, o Ace é o primeiro robô a alcançar desempenho de especialista em um esporte físico, que exige decisões rápidas e precisão, segundo o responsável pelo projeto. A tecnologia, que é um braço mecânico, conseguiu o feito usando sensores de alta velocidade, controle por inteligência artificial e sistema de última geração. Desde 1983 existem robôs que jogam tênis de mesa, mas nenhum deles havia conseguido competir com jogadores humanos experientes. O Ace, por sua vez, enfrentou jogadores profissionais e de elite. As partidas seguiram as regras da Federação Internacional de Tênis de Mesa e foram arbitradas por juízes licenciados. Robô vence meia-maratona em Pequim e bate recorde mundial humano 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Robô Ace, da Sony AI, durante partida de tênis de mesa com atleta de alto nível Sony AI/Divulgação "Ao contrário dos jogos de computador, em que os sistemas de IA anteriores superaram os especialistas humanos, os esportes físicos e em tempo real, como o tênis de mesa, continuam sendo um grande desafio", diz Peter Dürr, líder do projeto Ace da Sony AI. “Eles exigem interações rápidas, precisas e adversárias perto de obstáculos e no limite do tempo de reação humana.” Dürr é o autor principal de um estudo, publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature, que detalha os feitos do Ace. Segundo Dürr, o objetivo do projeto não era apenas competir no tênis de mesa, mas entender como robôs podem perceber, planejar e agir com rapidez e precisão em situações que mudam o tempo todo. O responsável pelo projeto diz que as técnicas usadas no Ace podem ser aproveitadas em outras áreas que precisam de respostas rápidas e interação com pessoas. Ele cita como exemplos o uso em fábricas, serviços, esportes, entretenimento e áreas que exigem segurança. Duelo contra jogadores reais A arquitetura do Ace integra nove câmeras sincronizadas e três sistemas de visão para rastrear uma bola giratória com precisão e processamento rápido, o suficiente para “capturar movimentos que seriam um borrão para o olho humano", afirma Dürr. Os pesquisadores desenvolveram uma plataforma de robô com oito articulações. Segundo Dürr, esse era o mínimo necessário para executar jogadas competitivas: três articulações para a posição da raquete, duas para sua orientação e outras três para a velocidade e força da tacada. O estudo detalha que, em abril de 2025, o Ace venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite e perdeu duas partidas contra profissionais, o nível mais alto de habilidade no esporte. A Sony AI informou que, depois disso, Ace venceu jogadores profissionais em dezembro de 2025 e novamente no mês passado. Empresas de vários países estão avançando no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. No domingo (19), por exemplo, robôs superaram atletas em uma meia-maratona em Pequim. Os sistemas de IA já se destacaram nos domínios digitais em jogos de estratégia, como xadrez e Go, além de videogames complexos. Mas enquanto os videogames são realizados em ambientes simulados, o tênis de mesa exige decisões rápidas, movimentos precisos e adaptação constante a um adversário imprevisível, afirma Dürr. Ele explica que a bola se move muito rápido e com trajetórias difíceis, exigindo máxima atenção e controle tanto de pessoas quanto dos robôs. Robô Ace, da Sony AI, durante partida de tênis de mesa com atleta de alto nível Sony AI/Divulgação Jogador sem emoções Mayuka Taira, profissional de tênis de mesa que perdeu uma partida para o Ace em dezembro, afirmou, em comentários divulgados pela Sony AI, que o ponto forte do robô é que ele “é muito difícil de prever e não demonstra nenhuma emoção". "Como não é possível ler suas reações, é impossível perceber que tipo de golpes ele não gosta ou tem dificuldades, o que torna ainda mais difícil jogar contra ele", afirma. Rui Takenaka, jogador de elite que ganhou e perdeu partidas contra o Ace, diz que, caso efetuasse um saque com giro complexo, o robô devolvia a bola do mesmo jeito, aumentando a dificuldade. “Mas quando eu usava um saque simples, o que chamamos de saque de mão, o Ace devolvia uma bola mais simples. Isso facilitou meu ataque na terceira tacada, e acho que esse foi o principal motivo de eu ter conseguido vencer", conta. Dürr afirma que o Ace tem uma capacidade de ler o giro das bolas e um tempo de reação que são “sobre-humanos”. "Como ele aprende a jogar não observando os humanos, mas treinado por si em uma simulação, ele também reage de forma diferente dos jogadores humanos e cria situações surpreendentes", diz o líder do projeto. "Ao mesmo tempo, os atletas humanos profissionais são ótimos em se adaptar ao adversário e encontrar pontos fracos, que é uma área em que estamos trabalhando."
24/04/2026 06:01:13 +00:00
Trump ameaça Reino Unido com 'grande tarifa' por imposto sobre big techs americanas, diz jornal

O premiê britânico, Keir Starmer, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em 27 de fevereiro de 2025 REUTERS/Kevin Lamarque O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor uma “tarifa pesada” ao Reino Unido caso o governo do primeiro-ministro Keir Starmer não revogue o Imposto sobre Serviços Digitais (DST, na sigla em inglês), segundo entrevista ao jornal britânico The Telegraph. Ao veículo, Trump afirmou que considera o tributo injusto por atingir principalmente gigantes americanas de tecnologia, como Apple, Google e Meta, ao aplicar uma taxa de 2% sobre receitas geradas por redes sociais, mecanismos de busca e marketplaces online. “Não gosto quando atacam empresas americanas”, disse Trump ao The Telegraph. Segundo ele, se o Reino Unido não reduzir o imposto, Washington poderá retaliar com tarifas comerciais ainda mais altas sobre produtos britânicos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O tema aumenta a tensão entre os dois países em meio a uma relação já desgastada por divergências sobre comércio, liberdade de expressão e imigração. A ameaça também ocorre às vésperas da visita oficial do rei Charles III e da rainha Camilla aos EUA. O imposto britânico sobre serviços digitais se tornou uma importante fonte de arrecadação para o Tesouro. De acordo com dados divulgados pela Receita e Alfândega do Reino Unido, o tributo somou 944 milhões de libras (cerca de R$ 6 bilhões) em 2025-26, alta de 17% em relação ao ano anterior. O governo britânico sustenta que o imposto é uma medida temporária até que haja um acordo tributário global para empresas digitais, mas autoridades americanas criticam a política por considerá-la direcionada contra empresas dos EUA.
24/04/2026 05:25:23 +00:00
Denúncia contra empresa de MrBeast: quais as diferenças na licença-maternidade nos EUA e Brasil

Brasileira processa empresa de MrBeast por assédio Um dos pontos mais críticos da denúncia da brasileira Lorrayne Mavromatis contra as empresas do youtuber MrBeast, um dos maiores criadores de conteúdo do mundo, foi a suposta violação da Lei de Licença Familiar e Médica (FMLA), legislação federal que garante afastamento temporário do trabalho em situações como o nascimento de filhos. Segundo o processo, a empresa teria: Deixado de orientar formalmente a funcionária sobre seus direitos ao solicitar a licença‑maternidade. Exigido que ela continuasse trabalhando durante o período de afastamento, incluindo: - Participação em chamadas de trabalho enquanto ainda estava na sala de parto; - Gestão de lançamentos de produtos; - Atuação em projetos que envolveram inclusive viagem internacional ao Brasil, poucas semanas após o nascimento do filho. Demitido a funcionária menos de três semanas após seu retorno integral ao trabalho, o que, segundo a autora, caracterizaria retaliação. A ação afirma ainda que Lorrayne foi posteriormente substituída por um homem. Nesta reportagem, o g1 explica as diferenças entre a licença-maternidade nos EUA e no Brasil. A reportagem também procurou as empresas citadas no processo, mas não recebeu resposta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 MrBeast e Lorrayne Mavromatis Richard Shotwell/Invision/AP e Instagram 🤔 Como funciona a licença‑maternidade nos Estados Unidos? Diferentemente do Brasil, os EUA não possuem licença-maternidade remunerada obrigatória em âmbito federal. Segundo a advogada trabalhista Renata Azi, a legislação norte-americana garante até 12 semanas de afastamento para o nascimento ou adoção de um filho, sem previsão de pagamento durante o período. Esse direito está previsto na Lei de Licença Familiar e Médica (Family and Medical Leave Act — FMLA) e só se aplica a trabalhadoras que cumpram alguns requisitos mínimos. Para ter acesso ao benefício, é necessário: Ter trabalhado no mínimo 12 meses para o mesmo empregador; Ter cumprido ao menos 1.250 horas de trabalho nos últimos 12 meses; Trabalhar em um local onde haja pelo menos 50 funcionários em um raio de 75 milhas (cerca de 120 quilômetros). O pagamento, quando existe, depende de leis estaduais — atualmente, apenas 13 estados e o Distrito de Columbia oferecem esse tipo de benefício." "Além disso, a norma federal não impede demissões por reestruturação durante o período de afastamento, desde que não sejam discriminatórias." A advogada ressalta que o modelo adotado nos Estados Unidos é bastante diferente do sistema brasileiro. Por aqui, a legislação garante estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Nos EUA, não há garantia equivalente. A lei americana proíbe demissões motivadas por discriminação em razão da gravidez, mas permite o desligamento por outros fatores, como baixa produtividade, dificuldades financeiras da empresa, reestruturações internas ou eliminação do cargo. “Nos EUA, há proteção, mas não estabilidade”, resume Renata Azi. No Brasil, esse entendimento foi ampliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Tema 542, que assegurou o direito à estabilidade e à licença‑maternidade também para trabalhadoras com contratos temporários ou em período de experiência. "Já nos EUA, o acesso à licença depende do cumprimento de requisitos mínimos, como ter pelo menos 12 meses de trabalho para o mesmo empregador, o que restringe significativamente o alcance do benefício", afirma a especialista. Na prática, o chamado salário-maternidade nos EUA pode existir, mas não é uma regra geral. Ele depende de leis estaduais, de benefícios oferecidos pelas empresas ou da possibilidade de uso de férias ou licenças remuneradas acumuladas. Alguns estados, como Califórnia, Nova York, Nova Jersey, Massachusetts e Washington, contam com programas próprios de Paid Family Leave (PFL) — em português, Licença Familiar Remunerada. Esses programas são financiados por contribuições dos trabalhadores ou dos empregadores, e garantem remuneração parcial durante o afastamento. O próprio Departamento do Trabalho dos EUA recomenda que os trabalhadores verifiquem a legislação estadual, já que ela pode assegurar direitos adicionais em relação à lei federal. ‘Foi um choque, fiquei sem chão’: mais de 380 mil mulheres foram demitidas após a licença-maternidade em cinco anos 🤔 Como funciona no Brasil? No Brasil, por outro lado, a legislação garante uma série de direitos às mulheres desde a confirmação da gravidez até o período posterior ao parto. Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez — independentemente de a trabalhadora ou a empresa já terem conhecimento da gestação. Isso significa que, até cinco meses após o parto, a trabalhadora não pode ser demitida sem justa causa. Durante esse período, também tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. Nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, esse prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, fazendo com que a licença chegue a 180 dias. Convenções ou acordos coletivos firmados com sindicatos também podem ampliar esse período. A advogada destaca ainda que mudanças recentes na legislação passaram a prever que o início da licença-maternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o que ocorrer por último —, garantindo maior proteção em casos de internação prolongada. Além disso, a CLT assegura outros direitos à gestante, como: Possibilidade de transferência de função, sem redução salarial, quando as atividades representarem risco à saúde da mãe ou do bebê; Liberação para pelo menos seis consultas médicas e exames durante a gravidez, sem prejuízo do salário. Apesar dessas garantias, a advogada ressalta que a estabilidade está vinculada à condição de gestante, e não ao período da licença-maternidade. Assim, após o fim do prazo legal de estabilidade, não há garantia automática de permanência no emprego, exceto quando houver previsão em acordos coletivos ou políticas internas da empresa. Ainda assim, demissões relacionadas à maternidade aqui no Brasil podem ser consideradas discriminatórias. Segundo Burlamaqui, situações como dispensa logo após o retorno ao trabalho, ausência de avaliações negativas anteriores ou alegações de baixo desempenho sem histórico documentado podem levantar suspeitas de discriminação. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a prática como discriminação de gênero. Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho, a trabalhadora pode optar entre: Ser reintegrada ao emprego, com pagamento dos salários do período afastado; Receber indenização em dobro, além de eventual indenização por danos morais. “A maternidade não altera, por si só, os parâmetros de desempenho esperados no trabalho. A proteção legal existe justamente para evitar que a maternidade seja tratada como obstáculo à trajetória profissional das mulheres”, afirma a advogada. Ela ressalta que o desafio, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais, é garantir que essa proteção se traduza em condições reais para que as mulheres possam conciliar maternidade e carreira sem sofrer discriminação ou perda de oportunidades. Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos
24/04/2026 05:01:23 +00:00
INSS inicia pagamento de benefícios de abril; veja calendário

Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados Aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber os pagamentos referentes ao mês de abril a partir desta sexta-feira (24). O calendário segue o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número após o traço). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os depósitos começam para quem recebe até um salário mínimo. Em seguida, passam a ser feitos os pagamentos para quem ganha acima do piso nacional. Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo: Final 1: 24/4 Final 2: 27/4 Final 3: 28/4 Final 4: 29/4 Final 5: 30/4 Final 6: 2/5 Final 7: 5/5 Final 8: 6/5 Final 9: 7/5 Final 0: 8/5 Para quem ganha acima de um salário mínimo, os pagamentos começam em 2 de maio. Veja as datas: Finais 1 e 6: 2/5 Finais 2 e 7: 5/5 Finais 3 e 8: 6/5 Finais 4 e 9: 7/5 Finais 5 e 0: 8/5 Como conferir o dígito verificador O calendário leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço. Para quem ganha até o mínimo, o calendário começa com benefício com final 1. Para os que recebem acima desse valor, o calendário inicia com os cartões de final 1 e 6. No dia seguinte, são pagos os finais 2 e 7, e assim por diante. LEIA TAMBÉM: Aposentadoria 2026: entenda as regras de transição que valem a partir deste ano Como consultar o benefício Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar o valor a receber do seu benefício pelo aplicativo "Meu INSS" ou no site meu.inss.gov.br. Também é possível obter informações pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Para acessar, é necessário informar CPF e senha cadastrados no portal Gov.br. Arquivo Pessoal
24/04/2026 03:01:14 +00:00
Petrobras abre mão de preferência e assina novo acordo de acionistas da Braskem

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (23) que assinou um novo acordo de acionistas da Braskem e decidiu não exercer direitos que lhe permitiriam aumentar sua participação na empresa após a saída da Novonor do controle da petroquímica. Na prática, a estatal abriu mão de comprar mais ações da Braskem neste momento e também de vender sua fatia nas mesmas condições da negociação da participação da Novonor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🔎 No mercado, esses mecanismos são conhecidos como “direito de preferência” (que permite comprar mais ações) e “tag along”, que dá ao acionista a opção de vender sua participação nas mesmas condições de uma grande negociação. Mesmo com as mudanças, a Petrobras seguirá como uma das principais acionistas da Braskem, com 36,1% do capital total e 47% das ações com direito a voto. A petroleira dividirá o controle da companhia com um fundo de investimentos. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Paralelamente, a petroleira fechou um novo acordo com o fundo Shine I Fundo de Investimento em Participações (FIP), sob gestão da Vórtex Capital e assessorado pela IG4 Capital. O objetivo é estabelecer controle compartilhado da Braskem entre as duas partes. Pelo novo modelo, a Petrobras e o FIP terão o mesmo número de representantes no conselho de administração e na diretoria da empresa. Além disso, decisões estratégicas só poderão ser tomadas com o aval de ambas as partes — o que, na prática, estabelece controle compartilhado. A mudança ocorre após a Novonor acertar a venda de sua participação na Braskem. Com isso, o novo acordo só passa a valer depois da conclusão dessa transferência de ações. *Com informações da agência de notícias Reuters
24/04/2026 00:48:28 +00:00
Mega-Sena, concurso 2.999: prêmio acumula e vai a R$ 100 milhões

G1 | Loterias - Mega-Sena 2999 O sorteio do concurso 2.999 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (23), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 100 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 09 - 24 - 26 - 38 - 45 - 58 5 acertos - 111 apostas ganhadoras: R$ 28.755,27 4 acertos - 5.741 apostas ganhadoras: R$ 916,43 O próximo sorteio da Mega será no sábado (25). Mega-Sena, concurso 2.999 Reprodução / Caixa Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
24/04/2026 00:02:16 +00:00
Meta vai demitir 8 mil funcionários em meio a gastos com IA, diz agência

Escritório da Meta em Menlo Park, Califórnia, Estados Unidos REUTERS/Nathan Frandino A Meta anunciou internamente nesta quinta-feira (23) que demitirá 8 mil funcionários — cerca de 10% de sua força de trabalho — e eliminará outras 6 mil vagas ainda não preenchidas. A informação é da agência France Presse (AFP), citando uma fonte próxima ao caso. Em nota interna, a diretora de recursos humanos, Janelle Gale, afirmou que a decisão faz parte dos esforços da Meta para "gerir a empresa de forma mais eficiente e compensar os investimentos" do grupo, que participa da corrida pelo desenvolvimento da inteligência artificial (IA). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No fim de dezembro, a Meta tinha 78.865 funcionários, segundo documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. Em 2022, a empresa-mãe do Facebook, Instagram e WhatsApp iniciou sua primeira rodada de demissões, que atingiu 11 mil postos de trabalho, seguida por uma segunda rodada, em março de 2023, com outros 10 mil cortes. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre o fim de 2023 e o fim de 2025, o quadro de funcionários da Meta cresceu em mais de 11 mil pessoas. Embora a inteligência artificial não tenha sido mencionada diretamente como motivo da redução de pessoal anunciada nesta quinta-feira, no fim de janeiro o diretor-executivo Mark Zuckerberg já havia associado essa tecnologia à redução de custos. "Projetos que antes exigiam grandes equipes agora são concluídos por uma única pessoa altamente qualificada", afirmou. Ao mesmo tempo, a Meta investe somas colossais no desenvolvimento e uso de IA. A empresa, com sede em Menlo Park, planeja investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões (R$ 570 bilhões a R$ 670 bilhões) em 2026, principalmente para garantir infraestrutura para IA — de chips a centros de dados. No fim de fevereiro, a Meta anunciou um acordo com a AMD para a compra de milhões de chips por ao menos 60 bilhões de dólares (R$ 297 bilhões).
23/04/2026 22:20:25 +00:00
Governo envia ao Congresso projeto que permite usar receita extra de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis

Governo quer royalties para compensar isenção sobre combustíveis O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que abre a possibilidade de converter aumento de receita extraordinária de petróleo em redução de tributos sobre combustíveis. A proposta, que já foi protocolada na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (23), visa mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio. No início do mês, o governo anunciou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio (veja mais abaixo). A proposta é uma autorização para reduzir tributos sobre combustíveis (diesel, gasolina, etanol e biodiesel) toda vez que for apurado aumento extraordinário da receita decorrente das cotações do preço do petróleo. Assim, quando houver aumento de receita, o montante seria utilizado para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins e Cide-gasolina.  Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a tese do governo é de que, como o Brasil é produtor e exportador de petróleo, as receitas públicas aumentam quando o preço sobe em função de receitas com royalties, por exemplo. "O ponto central nosso é converter esse aumento de receita em mecanismos que possam amortecer os efeitos para a população", explicou. Ou seja, se o projeto for aprovado e se houver necessidade, o Executivo poderia tomar novas medida sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel. "Toda vez que apuramos em demonstrativos realizados pelas equipes técnicas que há aumento extraordinário da receita decorrente dessas cotações do preço do petróleo, esse aumento servira de compensação para redação de tributos aplicáveis a esses combustíveis", explicou Moretti. Segundo ele, eventual nova rodada de retirada de tributos, incidiria sobre prorrogação da medida sobre o diesel, que tem duração de dois meses, e redução sobre gasolina e etanol, que ainda não sofreram ajustes de tributos. "O limite é a receita extraordinária apurada com o aumento petróleo, de maneira que a neutralidade fiscal dessas medidas estará sempre assegurada", explicou Moretti. A medida durará enquanto durar a guerra no Oriente Médio. "Para o caso da gasolina nós não temos proposta imediata de redução de tributos. A proposta é nos dar condições fiscais para redução do tributo", adicionou. "A cada 10 centavos retirados dos tributos, sobre a gasolina, teríamos o impacto de 800 milhões por dois meses. A retirada é efetivada por meio de um decreto presidencial e só serão propostos na medida em que houver autorização do Congresso", adicionou Moretti, que essa redução seria limitada à receita extraordinária. Segundo o projeto enviado pelo governo federal, os recursos decorrentes de aumento de receita extraordinário que poderão ser utilizados terão como fonte:  royalties e participação especial da União da exploração de petróleo ou gás natural; dinheiro oriundo da venda do petróleo, o gás natural e outros hidrocarbonetos destinados à União; montante oriunda de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos ao setor de óleo e gás; dividendos da União recebidos de empresas do setor de óleo e gás; recursos oriundos do Imposto de Exportação de 12% extraordinário das exportações de petróleo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas serão acompanhadas diariamente pela equipe econômica. "Vamos manter o compromisso de que a gente perceber de arrecadação adicional é o limite para reduzir a tributação. Aprovando o projeto, faremos uma redução parcial sobre gasolina e etanol. Trabalho pelo período de dois meses que vai ser avaliado", explicou. A membros da equipe econômica se reuniram com os presidentes do Senado e da Câmara. Segundo relatos do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), a conversa com os dois presidentes "fluiu bem". 'Há uma concordância com o enfrentamento do problema", destacou. Na próxima terça-feira (28), haverá uma reunião de líderes em que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tratará do assunto. A ideia, de acordo com Guimarães, é "construir uma unidade ampla para discutir a matéria no Congresso". Pacote de medidas No início do mês, o governo anunciou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio. Governo anuncia pacote de medidas para tentar frear alta nos combustiveis Segundo o ministro do Planejamento, o custo total das medidas anunciadas no início do mês será de R$ 30,5 bilhões. Mas, segundo ele não terá impacto fiscal, pois será compensado por receita advinda do óleo diesel e royalties, por exemplo. As ações contemplam subvenção (um apoio financeiro) ao diesel importado, ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e ao querosene da aviação. Entre as medidas anunciadas estão: subvenção ao diesel (importado e ao produzido no Brasil); isenção de impostos federais sobre o biodiesel; subvenção ao gás de cozinha; subvenção ao querosene da aviação; linhas de crédito para o setor aéreo. Medidas para o diesel A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel importado (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual). Somada ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52. ➡️ O objetivo central é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Foto de posto de gasolina. Marcello Casal Jr./Agência Brasil ⛽ O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando seu preço sobe, há um efeito em cadeia na economia. O custo maior do frete, por sua vez, tende a ser repassado para alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação. A divisão busca repartir o custo da medida e facilitar a adesão dos governos estaduais, reduzindo a pressão sobre apenas um nível de governo. Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio deste ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. Pelo lado dos estados, o subsídio será feito por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O fundo é usado pelo governo federal para repassar recursos mensalmente aos governos estaduais. Agora, parte desse dinheiro será retido, em valor equivalente a R$ 0,60 por litro, que cada estado vai contribuir. ➡️ O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O benefício será direcionado aos importadores de diesel, empresas responsáveis por trazer o combustível do exterior para complementar a oferta no país. A medida também cria uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, que se somará àquela de R$ 0,32/litro que já está em vigor. Essa subvenção será realizada apenas com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês. A medida durará por dois meses, podendo ser prorrogada por igual período. Os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor. Além disso, o governo vai publicar um decreto que zera o PIS/Cofins que incidem sobre o biodiesel. Segundo o Palácio do Planalto, a medida vai gerar uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível. O combustível renovável hoje é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, em uma proporção de 15%. Gás de cozinha O governo também subsidiará o gás de cozinha. Segundo o governo, haverá uma compensação relativa à diferença entre o preço nacional e o internacional, que será coberto por uma subvenção de até R$ 330 milhões. De acordo com o ministro da Fazenda, a isenção do PIS/Cofins, tanto para o biodiesel quanto para o querosene da aviação, será compensada pelo ajuste da alíquota dos cigarros. Com isso, a alíquota será elevada a 3,5%, e o preço mínimo aumentará de R$ 6,50 para R$ 7,50. Querosene da aviação Diante do risco de as passagens aéreas aumentarem em até 20%, o governo federal anunciou que vai zerar o PIS/Cofins até o final do ano sobre o querosene da aviação. O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciado pela Petrobras na última semana. Também serão lançadas duas linhas de crédito. Uma delas será ofertada pelo Fundo Nacional da Aviação (Fnac) e terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas. As tarifas de navegação também serão prorrogadas. As taxas referentes aos meses de abril, maio e junho serão pagas pelas empresas aéreas somente no mês de dezembro.
23/04/2026 20:29:45 +00:00
Cade abre investigação contra Google por uso de conteúdo produzido por IA

Sede do Cade, em Brasília Adriano Machado/Reuters O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu nesta quinta-feira (23), por unanimidade, abrir um processo para investigar o Google por suposto uso em excesso de notícias sem autorização dos veículos jornalísticos, com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial (IA). O caso teve origem no próprio Cade, que viu a necessidade de aprofundar as apurações das condições concorrenciais do mercado de busca e da utilização pelo Google de conteúdos produzidos por IA. O processo administrativo reaberto nesta quinta vai investigar a conduta da empresa e o impacto de sua atuação no mercado jornalístico. O julgamento pode resultar em sanções administrativas por infração econômica. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Histórico O tema começou a ser analisado pelo tribunal do Cade no ano passado. A Superintendência-Geral chegou a concluir pela "ausência de indícios suficientes de infração à ordem econômica e recomendou o arquivamento do feito". O caso foi avocado pelo Tribunal e posteriormente distribuído à relatoria do ex-conselheiro e presidente Gustavo Augusto, que chegou a votar pelo arquivamento do processo. O julgamento foi retomado em 8 de março com o voto do conselheiro Diogo Thomson, que defendeu a investigação por haver indícios robustos a respeito da atuação da empresa. Após o voto de Thomson, Augusto ajustou sua posição anterior e concordou com a apuração sobre o uso de notícias em IA. A conselheira Camila Cabral retomou a sessão com seu voto a favor da abertura do processo. Segundo a conselheira, o Google usa sem autorização prévia das empresas que produzem conteúdo jornalístico. "O tema enfrentado nestes autos recomenda cautela justamente porque envolve ambiente de rápida transformação tecnológica, forte assimetria informacional e baixa observabilidade externa sobre os mecanismos pelos quais a plataforma organiza a busca, distribui atenção, coleta dados, monetiza tráfego e reutiliza conteúdo produzido por terceiros. Em casos dessa natureza, a dificuldade não está apenas em medir efeitos já consumados", disse a conselheira em seu voto. Segundo a conselheira, o "problema, portanto, alcança também a forma pela qual a plataforma dominante administra a arquitetura da intermediação informacional e transforma conteúdo de terceiros em insumo para retenção de atenção, coleta de dados e reforço de seu próprio poder de coordenação". O que diz o Google: Acompanhamos a decisão do CADE de encaminhar este caso à Superintendência para uma análise detalhada, mas acreditamos que a decisão reflete uma compreensão equivocada sobre como nossos produtos funcionam e o valor que entregamos aos editores de notícias. Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o CADE para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto
23/04/2026 18:54:08 +00:00
Correios fecharam 2025 com um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões; série negativa vem desde 2022

Os Correios apresentaram nesta quinta-feira (23) os resultados financeiros de 2025. No ano passado, a empresa registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 6,4 bilhões só com despesas com precatórios, que são dívidas que precisam ser pagas por determinação da Justiça. O valor superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões. Foi o 14º trimestre consecutivo de prejuízo da empresa desde o 4º trimestre de 2022. O prejuízo acumulado no primeiro semestre de 2025 tinha sido de R$ 4,36 bilhões. Empréstimo de R$ 12 bilhões Nos últimos dias de 2025, os Correios conseguiram fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões. A maior parte dos recursos entrou ainda em dezembro daquele ano. A chegada do dinheiro, no entanto, pouco afetou o resultado financeiro da empresa, já que o crédito teve que ser usado para cobrir despesas emergenciais. A assinatura do contrato de empréstimo foi publicada no dia 27 de dezembro, no Diário Oficial da União (DOU), e envolveu um consórcio com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A operação contou com a garantia do Tesouro Nacional. De acordo com presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco aportaram individualmente R$ 3 bilhões. Já Itaú e Santander emprestaram outros R$ 1,5 bilhão, cada um. Em 26 de fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a abertura de mais espaço para que os Correios consigam captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, os Correios ficaram habilitados a um novo empréstimo no valor de R$ 8 bilhões. O martelo para a nova operação de crédito só deve ser batido, segundo pessoas que participam das discussões, no fim do primeiro semestre. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que explica o resultado de 2025? De acordo com as demonstrações financeiras da estatal, o principal fator por trás do aumento bilionário das despesas foi o pagamento de precatórios decorrentes de decisões judiciais já transitadas em julgado (leia mais abaixo). Sem aprofundar as causas desse crescimento — que atingiu R$ 6,4 bilhões em 2026, alta de 55,1% em relação a 2024 —, representantes da estatal afirmaram que parte do valor, equivalente a R$ 2,63 bilhões, está relacionada a dívidas herdadas de gestões anteriores. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica. Ainda segundo informações apresentadas pela empresa, a receita bruta no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, —11,35% menor que a registrada em 2024. A queda nas receitas foi provocada, principalmente, pela redução de encomendas internacionais transportadas, em 66%, em relação ao ano anterior. "O maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor que alteraram os fluxos do comércio global", diz o comunicado. Segundo esse mesmo documento, os Correios reservaram R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas que tratam do pagamento do adicional de atividade de distribuição e coleta externa (AADC) e do adicional de periculosidade. Esse tipo de reserva, chamada de provisão, é usada quando a empresa avalia que pode ter de pagar esses valores mais adiante. Estatal deixou de pagar compromissos de R$ 3,7 bilhões Correios admitem 'ciclo vicioso de prejuízos' com perda de clientes Programa Remessa Conforme expôs problemas da empresa Plano de Demissão Voluntária Segundo os Correios, entre 3 de fevereiro e 7 de abril deste ano, 3.181 funcionários aderiram ao programa, o que gerou uma expectativa de redução de gastos de cerca de 40%. O Plano de Demissão Voluntária (PDV) faz parte do conjunto de medidas adotadas pelos Correios para reduzir despesas com pessoal e equilibrar as contas da estatal. "Como vocês podem ver, o PDV [Plano de Demissão Voluntária] que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários", afirmou o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon. 🔎O PDV é um mecanismo pelo qual o trabalhador opta por deixar a empresa de forma voluntária, mediante o recebimento de indenizações e benefícios previstos em regulamento, prática recorrente em processos de reestruturação de estatais. Considerando os PDVs lançados em 2024 e 2025, o total de adesões chega a 3.756 empregados, com uma economia estimada em R$ 147,1 milhões neste ano e uma projeção de R$ 775,7 milhões em 2026, ainda de acordo com dados divulgados pela empresa. Sede dos Correios em Palmas, Tocantins Djavan Barbosa/TV Anhanguera
23/04/2026 17:22:39 +00:00
Plano de reestruturação dos Correios: resultado parcial está abaixo das expectativas, aponta estatal

Coletiva de imprensa dos Correios. Clerton Cruz/ TV Globo Após pouco mais de cinco meses da aprovação do plano de reestruturação dos Correios pelo Conselho de Administração da empresa, a estatal apresentou nesta quinta-feira (23) um balanço das ações tomadas no período. Saiba o que está por trás da crise dos Correios Além do balanço do plano, a empresa também informou que fechou o ano de 2025 com um prejuízo de mais de R$ 8 bilhões. O plano reúne três eixos principais: recuperação financeira; consolidação do modelo; e crescimento estratégico. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além disso, para atingir as metas definidas, os Correios esperam, até o final do ano, ter retornos positivos por meio de ações diretas como: Programa de Demissão Voluntária e redução de custos com planos de saúde. Reestruturação da rede de atendimento: a estatal poderá eliminar até mil pontos deficitários. Modernização da operação e da infraestrutura tecnológica. Monetização de ativos e venda de imóveis: há potencial identificado de R$ 1,5 bilhão nessa frente. Expansão de portfólio para comércio eletrônico e avaliação de fusões e aquisições para reconstruir a empresa a médio prazo. PDV Entretanto, o início da execução do plano não foi como o esperado. O plano de demissão voluntária (PDV) anunciado pela empresa no começo do ano, foi aderido por 3,2 mil funcionários. A projeção inicial era que 10 mil funcionários entrassem no PDV neste ano e mais 5 mil em 2027. Mesmo assim, o presidente da estatal, Emmanoel Schmidt Rondon, afirmou que o resultado acabou sendo positivo frente ao PDV anterior, que ficou aberto para cadastro entre 2024 e 2025 e teve uma adesão de 3,8 mil pessoas. "Como vocês podem ver, o PDV que abrimos este ano teve uma duração menor que o outro, que durou o ano todo e atingiu a mesma quantidade de funcionários", afirmou Rondón. Em um comunicado interno, que o g1 teve acesso com exclusividade, os Correios informaram que o impacto total das adesões aos PDVs que foram abertos deve gerar uma economia de R$ 923 milhões. Venda de imóveis Outra frente de ação é a venda de imóveis. No entanto, a estatal tem enfrentado dificuldades. Nos dois primeiros leilões, realizados em fevereiro, por exemplo, os Correios colocaram 21 unidades à venda, mas apenas 4 foram arrematadas. Nesta terça, a estatal informou que, até agora, garantiu uma arrecadação de cerca de R$ 11,3 milhões pela venda de 11 imóveis. E que prepara novos leilões nos dias 9 e 16 de abril, quando 42 propriedades estarão disponíveis para lances em todo o país. Fechamento de unidades A empresa também prevê o fechamento, até o fim deste ano, de mil unidades, incluindo agências, sem impactar a universalização –prestação do serviço em todo o país. Segundo os Correios, desde o início da reestruturação, foram fechadas 127 unidades. Apenas em 2026, foram 68 unidades encerradas e há uma expectativa que outras 700 podem ter sua funcionalidade modificada por parcerias com outros órgãos públicos. Outras medidas Como parte do plano de reestruturação, a estatal informou que o volume de encomendas em atraso caiu 43% após uma reformulação das rotas de entregas, que otimizou os trabalho em 40% e a renegociação de dívidas em atraso, que geraram uma economia de R$ 321 milhões. “A falta de liquidez estava afetando os nosso problemas de funcionamento. Após a chegada do empréstimo, tivemos um alcance de pontualidade de 99% dos contratos”, afirmou o presidente dos Correios, Rondón. A empresa ainda informou que, a partir de agora, pretende “diversificar” as receitas e na modernização tecnológica da malha logística para aumentar ainda mais a eficiência operacional. O presidente dos Correios não descartou a possibilidade de uma nova captação de empréstimo de R$ 8 bilhões, mas ponderou que o valor pode ser menor.
23/04/2026 17:21:00 +00:00
Rádio Eldorado vai encerrar atividades após quase 70 anos no ar

Assinantes do jornal O Estado de S. Paulo visitam a sede do grupo para conhecer as instalações da Rádio Eldorado, do Acervo Estadão, da Redação e da gráfica do veículo de comunicação, que completa 150 anos, na sede do Grupo Estado, no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo A Rádio Eldorado, tradicional emissora de São Paulo, fundada em 1958, vai encerrar sua operação no dia 15 de maio, após quase 70 anos no ar. A informação foi confirmada pelo Grupo Estado em comunicado divulgado nesta quinta-feira (23). A Eldorado era considerada uma referência em curadoria musical e jornalismo cultural, tendo marcado gerações de ouvintes na capital paulista. Ao anunciar o encerramento, a empresa agradeceu aos profissionais e ouvintes que fizeram parte da trajetória da rádio ao longo das décadas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A decisão ocorre após o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM. A mudança também faz parte de um reposicionamento estratégico, com o objetivo de priorizar a presença digital. Apesar do fim da transmissão em FM, a marca Eldorado não será descontinuada. Segundo o comunicado, projetos e programas da emissora serão adaptados a novos formatos, com foco em vídeo e plataformas online. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa cita como exemplo os programas Som a Pino e Clube do Livro, que passarão por reformulação. Nos últimos anos, o grupo tem investido em conteúdo digital e audiovisual, com ampliação da atuação em site, aplicativo, redes sociais e vídeo. A aquisição da NZN, em 2025, também reforçou essa estratégia, ampliando a capacidade de produção e distribuição. O Grupo Estado afirma que mudanças no consumo de áudio — especialmente o avanço das plataformas de streaming e a queda do consumo de rádio tradicional — impactaram o modelo de operação das emissoras FM.
23/04/2026 16:08:30 +00:00
Conta de luz: Aneel aprova reajustes que atingem mais de 22 milhões de unidades consumidoras

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários para oito distribuidoras de energia elétrica, em processo periódico previsto nos contratos de concessão. Os índices médios variam entre 5% e 15%, a depender da área de atuação de cada distribuidora, com impacto sobre mais de 22 milhões de unidades consumidoras em todo o país. De forma geral, os principais fatores que pressionaram os reajustes foram os custos com encargos setoriais, além das despesas com compra e transmissão de energia. Entre as distribuidoras, a CPFL Santa Cruz, com sede em Jaguariúna (SP), registrou o maior aumento, com efeito médio de 15,12% para o consumidor. Conta de luz terá aumento de mais de 9% para clientes da CPFL Paulista A CPFL Santa Cruz atende cerca de 527 mil unidades consumidoras em 45 municípios nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Já a Enel Ceará teve reajuste médio de 5,78% e atende mais de 4,11 milhões de unidades consumidoras. Na Bahia, a Coelba registrou alta média de 5,85%, impactando aproximadamente 6,92 milhões de unidades consumidoras. Conta de luz Neoenergia Elektro Diferimento tarifário Em alguns casos, os reajustes foram atenuados pelo diferimento tarifário, mecanismo que autoriza o repasse de parte dos custos apenas nos próximos ciclos tarifários. Com isso, o aumento na conta de luz fica menor no curto prazo, como previsto nos Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret). Foi o caso da Neoenergia Cosern, sediada em Natal (RN), que atende mais de 1,6 milhão de unidades consumidoras em 167 municípios. Com o diferimento, o efeito médio para o consumidor ficou em 5,40%. O mesmo mecanismo foi aplicado à Energisa Sergipe Distribuidora de Energia, que atende mais de 919 mil unidades consumidoras, resultando em um reajuste médio de 6,86%. Na CPFL Paulista, que atende mais de 5 milhões de unidades consumidoras em 234 municípios paulistas, o efeito médio foi de 12,13%. Já a Energisa Mato Grosso do Sul teve reajuste médio de 12,11%, atendendo cerca de 1,17 milhão de unidades consumidoras. Por fim, a Energisa Mato Grosso, que atende mais de 1,7 milhão de unidades consumidoras em 141 municípios, registrou efeito médio de 6,86% para o consumidor. Conta de luz  A conta de luz é um dos principais pontos de atenção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Projeções recentes da Aneel apontam uma alta média de 8% para este ano, ou seja, acima da inflação. O dado consta no boletim InfoTarifa, publicado trimestralmente pela agência. O Executivo chegou a vislumbrar uma proposta de empréstimo para conter o impacto dos reajustes, mas a medida já nasceu com divergências dentro do próprio governo e acabou submergindo. O g1 apurou que o custo do crédito seria, inevitavelmente, repassado aos consumidores com juros nos próximos anos e que, portanto, poderia trazer dor de cabeça futuramente.
23/04/2026 15:29:11 +00:00
Acionistas da Warner aprovam venda para a Paramount; veja os números

Paramount faz proposta para comprar Warner Eric Gaillard/Reuters e Reprodução A megafusão bilionária entre a Warner Bros. Discovery e Paramount está cada vez mais próxima de ser concluída. Nesta quinta-feira (23), o acordo recebeu a aprovação da maioria dos acionistas da Warner, favoráveis à venda integral da gigante do entretenimento. O aval ocorre após a assinatura da proposta, em fevereiro deste ano, ao fim de meses de disputa que também envolveu a Netflix ---- a empresa optou por não aumentar sua proposta e deixou a negociação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao todo, incluindo dívidas, a oferta da Paramount — comandada por David Ellison — chega a cerca de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 545 bilhões), com pagamento de US$ 31 por ação. A operação deve criar um dos maiores grupos de entretenimento do mundo, reunindo marcas como HBO, DC Comics, “Harry Potter” e “Game of Thrones”, além de uma base estimada de cerca de 200 milhões de assinantes e potencial para redesenhar o mercado global de entretenimento e streaming. O g1 preparou um infográfico que compara o tamanho das duas empresas e mostra como a operação pode alterar o equilíbrio de forças no setor. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1 A disputa pela Warner A disputa entre Warner Bros. Discovery, Netflix e Paramount foi marcada por idas e vindas desde o fim de 2025. Inicialmente, a Netflix avançou com uma proposta para adquirir parte dos ativos da Warner, focando em estúdios e streaming. Na sequência, a Paramount entrou na disputa com uma oferta mais ampla para comprar toda a empresa — incluindo canais de TV — e passou a liderar a negociação. Após meses de disputa, a Warner considerou a proposta da Paramount superior e deu prazo para que a Netflix cobrisse o valor, o que não aconteceu. A oferta prevê US$ 31 por ação, inclui a dívida da companhia e estabelece uma multa maior em caso de bloqueio regulatório, tornando o acordo mais atrativo aos acionistas. O que está em jogo O impacto da operação vai além do valor bilionário. A Warner concentra algumas das marcas mais valiosas da indústria do entretenimento, enquanto a Paramount busca ganhar escala para competir com gigantes como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming. 💰 Ao contrário da Netflix, a proposta da Paramount envolve todo o grupo Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, a HBO e outras redes de TV a cabo. 🗞️ Com a aprovação do acordo, a família Ellison passará a controlar algumas das principais marcas do jornalismo nos EUA, como a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN. Com a incorporação dos ativos da Warner, a Paramount também ampliaria sua base de assinantes e fortaleceria sua presença em cinema, TV e plataformas digitais. Analistas avaliam que o movimento pode criar um grupo com catálogo mais robusto, maior poder de negociação e mais recursos para produção de conteúdo. Após o aval dos acionistas da Warner, a megafusão ainda depende do aval dos órgãos reguladores dos Estados Unidos, que vão avaliar os impactos sobre concorrência e concentração no setor de mídia. Veja os vídeos que estão em alta no g1
23/04/2026 15:25:16 +00:00
Acionistas da Warner Bros aprovam a aquisição pela Paramount

Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters Uma megafusão entre Warner e Paramount recebeu o aval dos acionistas, aproximando da linha de chegada um acordo que pode remodelar profundamente Hollywood e o setor de mídia como um todo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo uma contagem preliminar de votos nesta quinta-feira, a esmagadora maioria dos acionistas da Warner Bros. Discovery votou a favor da venda de toda a empresa para a Paramount por US$ 31 por ação, o que totaliza US$ 81 bilhões -- aproximadamente R$ 402 biilhões. Incluindo dívidas, o negócio é avaliado em quase US$ 111 bilhões -- aproximadamente R$ 551 bilhões. A Paramount, controlada pela Skydance, quer comprar toda a Warner. Isso significa que HBO Max, títulos cult como “Harry Potter” e até a CNN podem em breve ficar sob o mesmo teto que a CBS, “Top Gun” e o serviço de streaming Paramount+. O aval dos acionistas aumenta a probabilidade de que isso se concretize. Mas o acordo ainda enfrenta análises regulatórias em andamento, incluindo pelo Departamento de Justiça dos EUA. A Warner disse esperar concluir a operação em algum momento do terceiro trimestre fiscal. Governo Trump aprova fusão da Paramount e nova empresa afirma que não terá iniciativas de diversidade A tentativa da Paramount de adquirir a Warner esteve longe de ser tranquila. E, embora o conselho da Warner agora apoie a fusão, nem sempre esteve disposto a esse casamento. No fim do ano passado, a Warner rejeitou as investidas da Paramount para fechar um acordo de US$ 72 bilhões com a Netflix envolvendo estúdios e streaming. A Paramount, por sua vez, foi diretamente aos acionistas com uma oferta hostil para assumir toda a empresa, incluindo o negócio de TV a cabo que a Netflix não queria. As três companhias passaram meses disputando publicamente quem tinha a melhor proposta. O conselho da Warner apoiou repetidamente a oferta da Netflix. Mas, no fim, a Paramount ofereceu mais dinheiro e a Netflix desistiu da disputa em vez de prolongar a briga. Esse drama corporativo pode ter chegado ao fim, mas as implicações permanecem. Milhares de atores, diretores, roteiristas e outros profissionais da indústria manifestaram “oposição inequívoca” ao acordo, em uma carta que argumenta que mais concentração levará à perda de empregos e a menos opções para cineastas e público. Alguns parlamentares também estão em alerta. “O que está em jogo claramente não é apenas um acordo corporativo, mas quem controla as notícias, quem controla o entretenimento, quem controla as narrativas”, disse o senador democrata Cory Booker em uma audiência realizada em Washington na semana passada. “Trata-se da concentração e consolidação do poder cultural.” A fusão reuniria dois dos cinco grandes estúdios tradicionais restantes de Hollywood. Também uniria duas grandes plataformas de streaming — Paramount+ e HBO Max — e dois nomes importantes do jornalismo televisivo nos EUA — CBS e CNN — além de uma série de outras marcas e redes de entretenimento. Executivos das empresas afirmam que isso será positivo para os consumidores, que teriam acesso a catálogos maiores, especialmente se HBO Max e Paramount+ se tornarem um único serviço. O CEO da Paramount, David Ellison, também tentou tranquilizar cineastas com a promessa de uma janela de exibição nos cinemas de 45 dias e a meta de lançar 30 filmes por ano entre Paramount e Warner, que, segundo ele, permanecerão como operações separadas dentro da empresa combinada. “Eu amo o cinema e amo o filme”, disse Ellison na CinemaCon na semana passada. “Podem contar com nosso total compromisso.” Mas o novo controlador também buscará cortar custos. Documentos regulatórios já indicam que isso incluiria demissões e redução de operações sobrepostas. Críticos também são céticos quanto aos benefícios ao consumidor, alertando para possíveis aumentos de preços no streaming e menor diversidade de conteúdo no futuro. Há ainda a questão do jornalismo. Desde que passou ao controle da Skydance há menos de um ano, a CBS, pertencente à Paramount, já passou por mudanças editoriais significativas, incluindo a nomeação da fundadora da Free Press, Bari Weiss, como editora-chefe da CBS News. Se a aquisição da Warner for concluída, muitos esperam mudanças semelhantes na CNN, que há tempos é alvo de críticas do presidente Donald Trump. Outras dúvidas sobre influência política também surgiram. O Departamento de Justiça e a liderança das empresas afirmam que a política não terá papel no processo regulatório — mas o próprio Trump já comentou publicamente o futuro da Warner em algumas ocasiões. Ele também mantém relação próxima com a família Ellison, especialmente com o bilionário fundador da Oracle, Larry Ellison, que está financiando com bilhões de dólares a proposta da empresa de seu filho. Enquanto isso, a Paramount garantiu recursos de diversos fundos soberanos — incluindo o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, além de fundos dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, segundo documentos regulatórios. Esses investidores, porém, não terão direito a voto na futura empresa combinada, segundo os registros. A Paramount não detalhou publicamente quanto cada um está investindo. Outros países, incluindo reguladores europeus, também estão analisando o acordo — e estados americanos podem tentar contestá-lo. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, tem sido especialmente crítico da operação e afirmou que o estado está investigando o caso.
23/04/2026 14:42:34 +00:00
SpaceX prepara IPO na bolsa, mas deve manter controle concentrado em Elon Musk

Musk na Base Estelar da SpaceX em Brownsville, Texas REUTERS/Adrees Latif/Foto de arquivo A SpaceX está dizendo aos investidores em potencial que seu conselho não precisará de uma maioria de diretores independentes da empresa, de acordo com um trecho de seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) analisado pela Reuters, ressaltando como o fundador Elon Musk está mantendo o controle da fabricante de foguetes e inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Diferentemente da grande maioria das empresas de capital aberto, a SpaceX disse que manteria o "status de empresa controlada" após seu IPO de US$1,75 trilhão, previsto para meados do ano. Isso significa que ela não precisará que a maioria de seu conselho seja independente, nem precisará de comitês independentes de remuneração e nomeação, segundo o trecho do registro da oferta. Ela só precisa ter um comitê de auditoria composto inteiramente por diretores independentes, segundo o documento. Um estudo realizado em 2024 pela National Association of Corporate Directors (Associação Nacional de Diretores Corporativos) constatou que apenas 3% a 4% do índice Russell 3000 era composto por empresas em que pessoas de dentro constituíam a maioria do conselho. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A SpaceX ainda pode optar por adicionar diretores independentes. Um precedente é a Meta, uma empresa de tecnologia cujo poder de voto majoritário do presidente-executivo lhe confere o status de "empresa controlada" de acordo com as regras da Nasdaq. Apesar disso, a Meta continuou a ter a maioria de seus diretores independentes. A SpaceX não retornou imediatamente uma solicitação da Reuters para comentar o registro. A notícia vem depois que a Reuters informou que Musk e um pequeno grupo de pessoas têm ações com direito a voto que superam os outros investidores. Ter uma diretoria com ideias semelhantes não é novidade para Musk. Embora sua montadora de carros elétricos Tesla indique que a maioria de seus nove diretores é independente, de acordo com os padrões da Nasdaq, muitos críticos levantaram a preocupação de que o conselho - que inclui o irmão de Musk, Kimbal, e o ex-diretor de tecnologia da Tesla, JB Straubel - continua muito próximo do presidente-executivo. Essas preocupações contribuíram para um longo ciclo de reclamações na Tesla, como a decisão de um juiz em 2024 de rescindir o pacote de pagamento de US$56 bilhões a Musk, alegando que o conselho não tinha independência quando concedeu o pagamento em 2018. Musk ganhou uma decisão que restabeleceu o pagamento em dezembro. Por outro lado, o fato de ter o status de empresa controlada poderia dar à SpaceX mais flexibilidade para fazer acordos salariais, disse David Larcker, professor da Universidade de Stanford que acompanha a governança corporativa. O status "parece aliviar algumas das coisas que têm sido legalmente dolorosas para a Tesla", disse Larcker. O conselho de administração da SpaceX supervisionará quantias potencialmente enormes de remuneração para Musk, de acordo com partes relacionadas do documento.
23/04/2026 14:41:39 +00:00
Guerra no Irã derruba em mais de 30% exportações brasileiras ao Golfo Pérsico

Veja os vídeos que estão em alta no g1 As exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico caíram em março, em meio aos efeitos da guerra no Irã e às dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados na plataforma ComexStat, mostram que as vendas brasileiras para a região somaram US$ 537,1 milhões no mês. O valor representa uma queda de 31,47% em relação a março do ano passado. 🌊 O Golfo Pérsico reúne mercados importantes para o Brasil, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Bahrein. A maior parte do comércio com esses países é formada por produtos do agronegócio, que representam cerca de 75% das exportações brasileiras para a região. Isso porque a interrupção parcial do transporte marítimo afetou principalmente alimentos que dependem de embarques regulares em grande escala. O milho praticamente deixou de ser enviado no mês, enquanto as exportações de açúcar e melaços sofreram forte retração. Outros grãos também sentiram o impacto: no caso do trigo e do centeio, não houve embarques relevantes ao Golfo Pérsico em março (veja os detalhes na tabela abaixo). A principal explicação para a queda está na logística. Com o aumento do risco na região, companhias de navegação passaram a cobrar taxas adicionais e a adotar rotas mais longas, muitas vezes contornando o continente africano para evitar a passagem por Ormuz. O desvio amplia o tempo de viagem e encarece o transporte. Para analistas do mercado financeiro, episódios como o conflito no Irã mostram como fatores políticos passaram a influenciar diretamente o comércio de commodities. “A geopolítica voltou a ditar regras no fluxo global de mercadorias”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital. Segundo ele, tensões internacionais podem alterar rotas logísticas, pressionar custos de seguro e aumentar a volatilidade de preços, exigindo maior planejamento das empresas exportadoras. Carnes e commodities mantêm demanda Mesmo com a queda das exportações brasileiras ao Golfo Pérsico em março, alguns produtos mantiveram demanda e ajudaram a sustentar o fluxo comercial com a região. As carnes seguem como um dos principais pilares da pauta brasileira nesses mercados. O frango permanece como o principal item exportado pelo Brasil ao Golfo, liderando as vendas externas tanto em 2025 quanto no início deste ano. LEIA TAMBÉM: Conflito no Oriente Médio derruba exportações de carne bovina e de frango para a região A carne bovina também mostrou resiliência no período, com avanço no valor exportado — movimento associado sobretudo à alta dos preços internacionais, e não necessariamente ao aumento do volume embarcado. A relação comercial entre Brasil e Golfo, no entanto, não se limita às exportações brasileiras. O país também depende de produtos vindos da região — especialmente fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a produção agrícola. Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão entre os principais fornecedores desses produtos para o mercado brasileiro. Diante das incertezas sobre a duração do conflito e das dificuldades no transporte marítimo, empresas brasileiras passaram a antecipar compras para garantir estoques. Não por acaso, em março, as importações de fertilizantes nitrogenados vindos desses países cresceram mais de 265%, segundo dados do MDIC. Produção de soja e milho em Macapá – Exportação para a Guiana Francesa Arthur Alves/PMM
23/04/2026 14:10:05 +00:00
Petróleo volta a subir e se aproxima de US$ 105 após Irã apreender navios

Presidente do Irã divulga vídeo de ataque a hospital iraniano O preço do petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (23), impulsionado pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz e pelo agravamento do conflito com o Irã. 🔎 O barril do Brent avançou cerca de 2,5% ao longo da manhã, chegando a se aproximar de US$ 105. Por volta das 13h42 (horário de Brasília), era negociado a US$ 103,35, com alta de 1,41%. O movimento refletiu o aumento do risco geopolítico, que pressionou mercados globais. A alta ocorre após o Irã apreender dois navios que tentavam deixar o estreito — uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. O episódio aumentou as incertezas sobre a continuidade do cessar-fogo com os Estados Unidos e deixou os investidores mais cautelosos. O conflito segue em impasse. Mesmo sob bloqueio naval na região, o Irã continua exportando petróleo de forma discreta. O cessar-fogo foi prorrogado pelo presidente Donald Trump, mas Teerã ameaça abandonar a trégua e as negociações caso a restrição marítima não seja suspensa. A tensão aumentou ainda mais após novos ataques a embarcações. Em paralelo, o Hezbollah sinalizou que pretende manter a trégua com Israel, desde que o acordo seja respeitado — um indicativo de que o conflito permanece contido em algumas frentes, mas longe de uma solução ampla. Tensão nos mercados globais O cenário pressionou os mercados. Na Europa, as principais bolsas caíram entre 0,2% e 0,8%, em meio também a sinais de desaceleração econômica. Dados recentes apontaram contração inesperada da atividade empresarial na zona do euro, especialmente em Alemanha e França, segundo a agência Reuters. Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street operaram em queda, enquanto investidores aguardam novos desdobramentos da crise. Os rendimentos dos Treasuries subiram, acompanhando a alta do petróleo (veja mais detalhes do dia no mercado). Na Ásia, os mercados chegaram a renovar máximas históricas antes de recuar diante do avanço dos preços da energia. Japão, Coreia do Sul e Taiwan fecharam em baixa, refletindo o temor de impacto sobre o crescimento global. Analistas avaliam que o ambiente segue altamente instável. “Os mercados estão extremamente sensíveis. Mesmo um ruído não confirmado sobre escalada já é suficiente para impulsionar o petróleo e pressionar ativos de risco”, afirmou Charu Chanana, em entrevista à agência. Além da apreensão de navios, persistem preocupações com possíveis interrupções mais severas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — cenário que pode prolongar a alta dos preços e intensificar pressões inflacionárias globais. O mercado, segundo especialistas, segue em um ambiente de incerteza, no qual qualquer novo desdobramento pode provocar fortes oscilações. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters
23/04/2026 13:30:30 +00:00
Projeto de lei que proíbe radar de trânsito escondido é aprovado por comissão da Câmara

Agente de trânsito posiciona o radar atrás da mureta de proteção da rodovia Carlos Pradini Foi aprovado nesta quarta-feira (22) pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados um projeto de lei que cria regras mais rígidas para a visibilidade e a sinalização de radares de fiscalização de velocidade. O projeto agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se transformar em lei, o texto tem de ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A proposta aprovada na cimissão inclui normas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para padronizar a fiscalização em todo o país. Nada mais de um radar atrás do outro: fica proibido o uso de radares portáteis próximos a radares fixos. A distância mínima deverá ser de 2 quilômetros em rodovias e de 500 metros em áreas urbanas. Radar escondido nunca mais: não será permitida a instalação de radares fixos atrás de postes, árvores, construções ou passarelas. Agentes que utilizam radares móveis também não poderão ficar escondidos. Painel com velocidade: passa a ser obrigatória a instalação de painéis eletrônicos que informem ao motorista a velocidade registrada pelo radar. A exigência vale para radares fixos em vias com duas ou mais faixas no mesmo sentido. Radares listados na internet: o órgão de trânsito será obrigado a divulgar na internet a localização exata de todos os radares, além da data da última verificação do equipamento pelo Inmetro. Critério para instalação de radares: será necessário apresentar estudo técnico e justificativa para a instalação de qualquer radar. O Projeto de Lei 4751/24 recebeu alterações da deputada Rosana Valle (PL-SP), relatora da proposta na comissão. Segundo a deputada, a medida busca tornar a fiscalização mais transparente e com foco educativo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “A proposta dá mais segurança jurídica aos motoristas e reforça a educação para o trânsito, evitando práticas voltadas apenas à arrecadação, associadas ao que se convencionou chamar de ‘indústria da multa’”, afirmou a relatora. O autor do projeto é o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Ele defende que a melhor sinalização dos radares pode aumentar a conscientização dos motoristas. “O termo ‘indústria da multa’ é usado com frequência para descrever a ideia de que existe no Brasil um sistema arrecadatório que teria como principais alvos os condutores que cometem infrações de trânsito”, diz Silva.
23/04/2026 13:29:36 +00:00
Correios devem manter 'elevado prejuízo' neste ano; governo vê estatais federais no vermelho até 2030
Os Correios podem continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de restruturação em vigor. A informação está no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado na semana passada pelo governo ao Congresso Nacional. "Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026", diz o governo. No documento, o Executivo diz também que é provável que a empresa estatal tenha de receber aportes de capital da União até 2027, algo já admitido pela ministra da Gestão, Esther Dweck. O governo também projeta que as estatais federais seguirão no vermelho até 2030 (veja mais abaixo nessa reportagem). 🔎 Um aporte do governo nos Correios significa que o governo federal, por meio de transferência direta do Tesouro Nacional, vai repassar recursos para a empresa. Segundo a ministra informou em março, a medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025. De acordo com ela, mesmo com um novo empréstimo, o aporte pode ajudar no processo de recuperação financeira da estatal. "Por isso é parte da equação também", explicou a ministra. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu mais espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, os Correios poderão conseguir mais R$ 8 bilhões em empréstimo. Rombo das estatais Puxado pela situação dos Correios, as estatais federais registraram, em todo ano passado, um déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da história. A situação continuou ruim no primeiro bimestre deste ano, quando o resultado negativo somou R$ 4,1 bilhões. 🔎Os números foram divulgados pelo Banco Central. O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano. A série do Banco Central não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos). O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante. Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea. O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por "acima da linha" (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida). O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou nesta quarta-feira (22) que 95% do déficit das estatais não dependentes foi puxado por 4 empresas, dentre elas os Correios Para 2026, o governo estimou, no projeto de lei de diretrizes orçamentárias, um aumento do déficit das estatais para R$ 6,75 bilhões. Para 2027, a equipe econômica projetou que o rombo pode ser maior ainda: R$ 7,55 bilhões. Para 2028, 2029 e 2030, o déficit estimado para as estatais federais é de, respectivamente: R$ 6,1 bilhões; R$ 5,04 bilhões e de R$ 5,71 bilhões.
23/04/2026 13:14:47 +00:00
Bilionários russos batem recorde de riqueza mesmo sob sanções e guerra

Quem são os brasileiros mais ricos segundo nova lista de bilionários da Forbes Os bilionários russos aumentaram sua riqueza em 11%, alcançando um recorde de US$ 696,5 bilhões (cerca de R$ 3,4 trilhões) no ano passado, apesar da guerra na Ucrânia e das sanções ocidentais mais duras já impostas a uma grande economia, segundo a Forbes Russia. Os homens mais ricos da Rússia estão ligados às vastas reservas de recursos naturais que o país exporta há décadas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A riqueza deles cresceu à medida que as interrupções no comércio elevaram os preços das commodities. Ainda assim, a Forbes destacou que não houve novos nomes no topo da lista. A Forbes classificou Alexei Mordashov, diretor-geral da empresa de investimentos Severgroup, como o bilionário mais rico da Rússia, com uma fortuna de US$ 37 bilhões (R$ 184 bilhões) — um aumento de US$ 8,4 bilhões em relação ao ano anterior. Alexey Mordashov, presidente do Conselho de Administração da Severstal Maxim Shemetov/Reuters Vladimir Potanin, chefe da Interros e da produtora de metais Nornickel, aparece em segundo lugar, com uma fortuna de US$ 29,7 bilhões (R$ 147 bilhões), segundo a Forbes. Vagit Alekperov, ex-chefe da Lukoil, aparece em terceiro lugar, com US$ 29,5 bilhões. Já Leonid Mikhelson, presidente-executivo da Novatek, ocupa a quarta posição, junto com sua família, com uma fortuna de US$ 28,3 bilhões, segundo a Forbes. Antes entre os mais ricos do mundo, os bilionários russos — muitos dos quais construíram suas fortunas após o colapso da União Soviética — hoje têm patrimônios bem menores do que os dos principais magnatas de tecnologia dos Estados Unidos. Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, lidera a lista global de bilionários da Forbes, com uma fortuna de US$ 839 bilhões (cerca de R$ 4,1 trilhões). Larry Page, do Google, aparece em segundo lugar, com US$ 257 bilhões. Praça Vermelha em Moscou, em 20 de outubro de 2021 Alexander Nemenov/ AFP
23/04/2026 13:09:50 +00:00
Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio; veja as principais acusações

Brasileira processa empresa de MrBeast por assédio A brasileira Lorrayne Mavromatis afirmou, em publicação nas redes sociais na quarta-feira (22), que sofreu assédio sexual e moral enquanto trabalhava em empresas do youtuber MrBeast, um dos maiores criadores de conteúdo do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As alegações constam em uma ação judicial protocolada na Justiça dos Estados Unidos, à qual o g1 teve acesso. Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, é o maior youtuber do mundo, com mais de 470 milhões de inscritos na plataforma. Ele se tornou famoso por produzir vídeos com desafios que envolvem grandes quantias de dinheiro e por investir valores milionários em suas gravações. No processo, Lorrayne afirma que foi submetida a uma série de irregularidades trabalhistas durante o período em que esteve empregada pelas companhias. Entre os principais pontos da ação está a suposta violação da Lei de Licença Familiar e Médica (Family and Medical Leave Act – FMLA), que garante afastamento temporário do trabalho em situações como o nascimento de filhos. Segundo a denúncia, a empresa teria: Deixado de orientar formalmente a funcionária sobre seus direitos ao solicitar a licença‑maternidade. Exigido que ela continuasse trabalhando durante o período de afastamento, incluindo: Participação em chamadas de trabalho enquanto ainda estava na sala de parto; Gestão de lançamentos de produtos; Atuação em projetos que envolveram inclusive viagem internacional ao Brasil, poucas semanas após o nascimento do filho. Demitido a funcionária menos de três semanas após seu retorno integral ao trabalho, o que, segundo a autora, caracterizaria retaliação. A ação afirma ainda que Lorrayne foi posteriormente substituída por um homem. O g1 procurou as empresas citadas nesta reportagem, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O processo descreve o ambiente de trabalho como um “Clube do Bolinha”, marcado por tratamento desigual entre homens e mulheres. Segundo a ação, Lorrayne teria sido excluída de reuniões compostas apenas por homens, além de relatar episódios considerados humilhantes. Veja mais: Quem é MrBeast, considerado o maior youtuber do mundo Entre eles, estaria a ocasião em que teria sido obrigada a buscar uma cerveja para Jimmy Donaldson (nome de MrBeast) antes de uma gravação — uma tarefa que, segundo a denúncia, tinha caráter degradante, especialmente por ter ocorrido diante da equipe. A denúncia também cita condutas atribuídas ao então CEO da empresa, James Warren, que teria feito comentários considerados inapropriados sobre a aparência da funcionária e solicitado encontros privados fora do ambiente profissional. Em outro trecho do processo, Lorrayne afirma que Warren teria comentado sobre o suposto “efeito sexual” que ela causaria em MrBeast. Ainda segundo o relato, ao comunicar que um cliente teria feito avanços indesejados, ela teria ouvido como resposta que deveria se sentir “honrada”. Após formalizar uma queixa interna sobre o ambiente de trabalho, em novembro de 2023, Lorrayne afirma que passou a sofrer uma série de consequências profissionais, que descreve como retaliatórias. Entre elas, segundo o processo: Foi transferida de um cargo executivo para uma função de nível médio na divisão de mercadorias da empresa; Teve suas atribuições reduzidas e perdeu autonomia; Foi desligada de sua equipe; Passou a atuar em um setor descrito internamente como o local onde “as carreiras seguem para morrer”; Teria sido isolada profissionalmente, com redução de orçamento e responsabilidades. A ação judicial afirma ainda que as empresas ligadas a MrBeast não possuíam um manual tradicional de funcionários, adotando em seu lugar um documento intitulado “How to Succeed in MrBeast Production” (“Como ter sucesso na produção do MrBeast” ,em português). MrBeast e Lorrayne Mavromatis Richard Shotwell/Invision/AP e Instagram Segundo o processo, o guia continha diretrizes consideradas problemáticas, como: “É normal que os meninos sejam infantis”; “'Não' não quer dizer não” (no contexto de alcançar resultados para vídeos); “A quantidade de horas que você trabalha é irrelevante”. Para Lorrayne, essas orientações teriam contribuído para a normalização de comportamentos abusivos e para a violação de direitos trabalhistas básicos. A brasileira afirma que as experiências vividas durante e após a gravidez resultaram em impactos graves à sua saúde mental, incluindo diagnósticos de depressão severa, ansiedade e episódios de ideação suicida. A ação inclui pedidos de indenização por sofrimento emocional, além de alegações de violação das leis da Carolina do Norte, que proíbem discriminação de gênero e retaliação no ambiente de trabalho. Pedidos à Justiça No processo, a brasileira pede indenizações e outras medidas de reparação contra as empresas, incluindo o pagamento de salários e benefícios perdidos após a demissão e uma compensação adicional prevista na legislação americana. Ela também solicita a reintegração ao cargo — ou pagamento indenizatório —, além de danos por sofrimento emocional e danos punitivos, sob a alegação de conduta deliberada ou negligente. O pedido inclui ainda reembolso de custos processuais, pagamento de juros e o reconhecimento judicial de violação de leis trabalhistas da Carolina do Norte, além de outras medidas que a Justiça considerar cabíveis. A autora afirma, por fim, que pretende ampliar a ação com base na lei federal dos Estados Unidos que proíbe discriminação no trabalho, após autorização da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC). O processo foi protocolado na Justiça Federal dos EUA, no Tribunal Distrital do Distrito Leste da Carolina do Norte. A escolha do local ocorreu porque as empresas mantêm operações na região, especialmente em Greenville, e, segundo a ação, os fatos apontados como irregulares ocorreram dentro dessa jurisdição. Até o momento, as empresas citadas não se manifestaram publicamente sobre as acusações. O caso segue em tramitação na Justiça dos Estados Unidos. Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast Richard Shotwell/Invision/AP
23/04/2026 12:39:19 +00:00
Dólar sobe e fecha a R$ 5 com tensão no Oriente Médio; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar inverteu o sinal negativo visto na primeira metade do pregão e fechou em alta de 0,58% nesta quinta-feira (23), cotado a R$ 5,0028. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em queda de 0,78%, aos 191.378 pontos. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ As tensões no Oriente Médio voltaram a ganhar destaque nesta quinta-feira, após novos episódios envolvendo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. De um lado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que apreendeu dois navios de carga e realizou disparos contra uma terceira embarcação no canal, em mais um episódio de demonstração de poder na região. Ao mesmo tempo, a Marinha dos Estados Unidos afirmou ter forçado 27 navios a recuar após um bloqueio imposto aos portos iranianos. 🔎 O fechamento do canal, que completou dez dias em 22 de abril, continua a trazer preocupações sobre a oferta da commodity e seus eventuais impactos na inflação mundial. Perto das 17h (horário de Brasília), o Brent avançava 3,78%, negociado a US$ 105,76 por barril. ▶️ No campo dos indicadores econômicos, os EUA divulgaram nesta quinta-feira os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego, que subiram em 6 mil na semana encerrada em 18 de abril, chegando a 214 mil solicitações com ajuste sazonal. O resultado veio ligeiramente acima da previsão de economistas, que esperavam cerca de 210 mil pedidos. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,39%; Acumulado do mês: -3,40%; Acumulado do ano: -8,85%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -2,23%; Acumulado do mês: +2,08%; Acumulado do ano: +18,78%. Novas tensões no Oriente Médio O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que um eventual acordo com o Irã só será fechado quando considerar que os termos são “apropriados e benéficos” para os interesses americanos. Em mensagem publicada na rede Truth Social, ele rebateu reportagens que apontavam pressa por um desfecho rápido da guerra. “Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não — o relógio está correndo”, escreveu. O presidente já havia anunciado na terça-feira (21) a extensão do cessar-fogo com o Irã, mas a decisão não foi suficiente para reduzir as tensões no Estreito de Ormuz. 🔎 O bloqueio naval americano na região continua em vigor, e forças dos EUA apreenderam um petroleiro suspeito de transportar petróleo iraniano de forma irregular. Enquanto Washington afirma aguardar uma nova proposta de paz de Teerã, autoridades iranianas indicaram que não pretendem participar de negociações no curto prazo. Nesta quinta-feira, Trump afirmou ter ordenado que a Marinha dos EUA “atire e mate” qualquer embarcação que tente instalar minas na passagem marítima. Segundo o presidente, navios militares especializados já atuam na retirada de explosivos da área. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o jornal "The Washington Post" informou que o Pentágono avalia que a remoção completa das minas no estreito pode levar até seis meses. O Estreito de Ormuz segue no centro da disputa entre os dois países. Na semana passada, em um gesto ligado ao cessar-fogo, o Irã chegou a reabrir a passagem marítima. Dias depois, porém, o canal foi fechado novamente depois que os EUA recusaram um pedido iraniano para suspender o bloqueio naval mantido na entrada da rota. Mercados globais As bolsas internacionais fecharam a sessão desta quinta-feira sem direção única, em meio à cautela dos investidores diante da guerra no Oriente Médio e de resultados corporativos mistos no setor de tecnologia. Em Wall Street, também pesavam preocupações sobre os impactos da inteligência artificial nas empresas de software. Ao final da sessão, o Dow Jones fechou em queda de 0,32%, enquanto o S&P 500 caiu 0,57% e o Nasdaq teve perdas de 0,87%. Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em leve alta de 0,12%, aos 614,63 pontos. Entre as principais bolsas da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,19%, aos 10.457,01 pontos, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 0,16%, aos 24.155,45 pontos. Já o CAC 40, de Paris, avançou 0,87%, encerrando aos 8.227,32 pontos. Na Ásia, o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,95%, aos 25.915 pontos. Em Xangai o índice SSEC recuou 0,32%, aos 4.093 pontos. O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, cedeu 0,28%, aos 4.786 pontos. Já em Tóquio, o Nikkei registrou queda de 0,75%, aos 59.140 pontos, enquanto em Seul o Kospi avançou 0,90%, aos 6.475 pontos. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters
23/04/2026 12:00:07 +00:00
Quem é MrBeast, considerado o maior youtuber do mundo

Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio Uma brasileira afirma ter sofrido assédio sexual e moral durante o período em que trabalhou na empresa do youtuber Jimmy Donaldson, a MrBeast Industries. Lorrayne Mavromatis expôs o caso em um vídeo publicado em seu Instagram, na noite desta quarta-feira (22). "Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra, apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa noventa segundos depois e receber uma rodada de aplausos", relatou ela. Ela disse ainda que foi obrigada a comparecer, sozinha, em reuniões privadas na casa do CEO empresa. "Em uma sala no andar de cima, iluminada apenas por um abajur lateral e tive que escutar o quanto atrante e bonita eu era". Quem é MrBeast Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast Richard Shotwell/Invision/AP Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, é um influenciador digital e o maior youtuber do mundo, com mais de 470 milhões de inscritos na plataforma. Ele se tornou famoso por produzir vídeos com desafios que envolvem grandes quantias de dinheiro e por investir valores milionários em suas gravações, que frequentemente misturam entretenimento e ações de impacto social. MrBeast ganhou projeção ao reinvestir praticamente tudo o que ganha na produção de novos conteúdos. Entre seus vídeos mais populares está a recriação, na vida real, da série Round 6, com prêmio de US$ 456 mil. Ele também já gravou conteúdos com celebridades como Cristiano Ronaldo. Um de seus vídeos, ele chamou atenção por ter sido gravado na Ilha das Cobras, no litoral de São Paulo, considerada uma das áreas mais perigosas do mundo devido à grande concentração de serpentes venenosas. Durante a filmagem, MrBeast e sua equipe passaram uma noite no local e usaram equipamentos de proteção para evitar ataques das cobras. Além do YouTube, MrBeast expandiu seus negócios para outras áreas. No Brasil, lançou a hamburgueria MrBeast Burger, que opera apenas por delivery em algumas cidades, com preços populares. A marca surgiu nos EUA em 2020 e se espalhou para mais de 1.700 pontos de venda no mundo. O influenciador também criou o reality show Beast Games, exibido no Prime Video, que reuniu mil participantes disputando um prêmio de US$ 5 milhões. O programa, porém, é alvo de processos judiciais movidos por participantes, que alegam terem sido submetidos a condições inadequadas e a um ambiente marcado por misoginia e sexismo. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil EUA registram domínio 'alien.gov' após Trump mandar divulgar arquivos de supostos ETs
23/04/2026 11:46:51 +00:00
Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio moral e sexual

Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio A brasileira Lorrayne Mavromatis afirmou, em suas redes sociais, nesta quarta-feira (22), que sofreu assédio sexual e moral durante os anos em que trabalhou na empresa do youtuber MrBeast, a MrBeast Industries. Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, é o maior youtuber do mundo, com mais de 470 milhões de inscritos na plataforma. Ele ficou famoso por produzir vídeos com desafios que envolvem grandes quantias de dinheiro e por investir valores milionários em suas gravações. Além do relato, ela entrou com um processo contra a empresa em um Tribunal na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. O g1 entrou em contato com a MrBeast Industries e aguarda posicionamento. "Nos últimos três anos, eu trabalhei na MrBeast Industries. [...] Eu estava genuinamente, profundamente orgulhosa de ter a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns dos melhores do setor", diz Lorrayne, no início da postagem. "Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra — apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos", completou. "Me mandaram calar a boca na frente de toda a minha equipe", disse. Veja as principais acusações contra a empresa do MrBeast Quem é MrBeast, considerado o maior youtuber do mundo Lorrayne Mavromatis Reprodução/Instagram A brasileira conta ainda que foi obrigada a comparecer, sozinha, em reuniões privadas na casa do CEO da empresa, "em uma sala iluminada apenas por um abajur lateral". "Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era." No vídeo, Lorrayne não cita o nome do CEO que a teria assediado. No entanto, o processo menciona o ex-CEO da empresa, James Warren. Após três anos trabalhando nas empresas do MrBeast, Lorrayne contou que engravidou, mas disse que o que "deveria ser um momento mágico e feliz foi imediatamente substituído por medo". “Será que ainda terei um emprego? Ainda serei capaz de sustentar minha família?” "Eu tinha uma licença-maternidade aprovada e assinada pelo RH e concordei que trabalharia até o meu último dia de gravidez. Eu disse: enquanto eu estiver em trabalho de parto a caminho do hospital, eu ligarei para vocês. E é aí que quero que minha licença comece". "No papel, parecia lindo, mas na realidade, não significava nada. Eu estava no hospital em trabalho de parto em uma reunião de equipe; uma semana após o parto, ainda me recuperando, privada de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho." Lorrayne conta que foi demitida duas semanas depois de voltar da licença-maternidade. "E a razão foi: 'você tem um calibre muito alto para essa posição. Precisamos de alguém com um calibre menor'". "Minha filha acabou de completar um ano. E quando olho para trás, para aqueles primeiros meses, e percebo que perdi o tempo de vínculo com o meu bebê, perdi os primeiros momentos dela — seu primeiro sorriso, sua primeira risada — isso me machuca de formas que eu nem consigo expressar. Esses momentos não esperam por você. Eles acontecem e, depois, se vão" Lorrayne comentou ainda que não teve a chance de se recuperar, tanto física quanto mentalmente. "Tudo isso foi tirado de mim. Nunca poderei recuperar isso." "Hoje estou tomando medidas legais. Por todas as mulheres que enfrentaram medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos ou suas carreiras. Por cada mulher que foi silenciada. Tentaram me silenciar o suficiente — mas chega." O que diz o processo Entre os principais pontos da ação está a suposta violação da Lei de Licença Familiar e Médica (Family and Medical Leave Act – FMLA), que garante afastamento temporário do trabalho em situações como o nascimento de filhos. Segundo a denúncia, a empresa teria: Deixado de orientar formalmente a funcionária sobre seus direitos ao solicitar a licença‑maternidade. Exigido que ela continuasse trabalhando durante o período de afastamento, incluindo: Participação em chamadas de trabalho enquanto ainda estava na sala de parto; Gestão de lançamentos de produtos; Atuação em projetos que envolveram inclusive viagem internacional ao Brasil, poucas semanas após o nascimento do filho. Demitido a funcionária menos de três semanas após seu retorno integral ao trabalho, o que, segundo a autora, caracterizaria retaliação. A ação afirma ainda que Lorrayne foi posteriormente substituída por um homem. O processo descreve o ambiente de trabalho como um “Clube do Bolinha”, marcado por tratamento desigual entre homens e mulheres. Segundo a ação, Lorrayne teria sido excluída de reuniões compostas apenas por homens, além de relatar episódios considerados humilhantes. Entre eles, estaria a ocasião em que teria sido obrigada a buscar uma cerveja para Jimmy Donaldson (nome de MrBeast) antes de uma gravação — uma tarefa que, segundo a denúncia, tinha caráter degradante, especialmente por ter ocorrido diante da equipe. MrBeast e Lorrayne Mavromatis Richard Shotwell/Invision/AP e Instagram
23/04/2026 10:56:25 +00:00
Pentágono avalia que a retirada de minas do Estreito de Ormuz pode levar até 6 meses, diz jornal

Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. AP/Altaf Qadri, Arquivo Retirar as minas no Estreito de Ormuz poderia levar seis meses, o que teria um impacto no preço dos combustíveis em todo o planeta, considerou o Pentágono durante uma apresentação confidencial no Congresso dos Estados Unidos, informou o jornal Washington Post. O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início da guerra em 28 de fevereiro, com os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Quase 20% do petróleo e gás consumidos em todo o mundo transitavam por esta via crucial antes do conflito. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Washington Post cita três fontes anônimas, segundo as quais "os parlamentares foram informados de que o Irã pode ter instalado 20 minas ou mais no Estreito de Ormuz e em suas imediações". Segundo a apresentação de uma fonte do Departamento da Defesa, "algumas foram colocadas na água, à distância, graças à tecnologia GPS", o que dificulta a detecção. Outras teriam sido instaladas com "embarcações pequenas". "Um fechamento de seis meses do Estreito de Ormuz é uma impossibilidade e algo completamente inaceitável", afirmou um porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em um comunicado enviado à AFP no qual desmente a notícia. Parnell destacou que a notícia é baseada em uma "sessão confidencial de informações, a portas fechadas" e que vários pontos são "falsos". A Guarda Revolucionária do Irã, advertiu em meados de abril sobre uma "zona perigosa" de 1.400 quilômetros quadrados que poderia conter minas. Veja mais: Irã divulga vídeo do que diz ser apreensão de navios comerciais no Estreito de Ormuz Irã divulga vídeo do que diz ser apreensão de navios comerciais no Estreito de Ormuz
23/04/2026 10:42:29 +00:00
A histórica condenação da Lafarge, a grande empresa do setor de cimento, por fomentar o terrorismo internacional

Bruno Lafont, ex-diretor executivo do grupo Lafarge, no tribunal de Paris, na França, em 13 de abril de 2026 EPA via BBC A histórica condenação de uma das empresas mais importantes da França sacode o mundo das multinacionais e poderá mudar sua forma de operação em zonas de conflito. Na segunda-feira, 13 de abril, a empresa do setor de cimento Lafarge foi considerada culpada pelo pagamento de milhões de dólares em subornos a grupos jihadistas, incluindo o autodenominado grupo Estado Islâmico (EI), para manter seus negócios na Síria durante a guerra civil do país (2011-2024). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Oito ex-diretores da empresa também foram declarados culpados por financiar o terrorismo internacional. Entre eles, está o seu ex-diretor-executivo, Bruno Lafont, condenado a seis anos de prisão, com início imediato do cumprimento da pena. Atualmente, a empresa faz parte do conglomerado suíço Holcim. Ela efetuou pagamentos a três organizações jihadistas, incluindo o EI, por um montante de cerca de 5,6 milhões de euros (cerca de R$ 32,3 milhões) entre 2013 e 2014. O objetivo era manter em funcionamento uma fábrica no norte da Síria, segundo a sentença do Tribunal Penal de Paris. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O dinheiro teria permitido que o IE "organizasse atentados terroristas", como o ataque ao semanário francês Charlie Hebdo em janeiro de 2015, segundo o tribunal. A advogada do ex-diretor-executivo da Lafarge, Jacqueline Laffont, defendeu que a decisão contrária ao seu cliente não é "justa, nem razoável". "Esta não será a primeira, nem a última vez, em que uma decisão de juízes de primeira instância é revogada pelo Tribunal de Recursos", declarou ela em entrevista à rede de rádio pública francesa France Info. "Trata-se de uma sentença sem provas, sem demonstração. O tribunal presume a culpabilidade de Bruno Lafont e que ele tinha conhecimento dos pagamentos em questão, que ocorreram dentro da empresa Lafarge, pelo simples fato de que era seu presidente." Lafont dirigiu a empresa entre 2007 e 2015. Ele reiterou que é inocente e afirmou ter dito a verdade durante o julgamento. Seus representantes informaram que irão recorrer ao veredito, mas a sentença pode mudar o tabuleiro das multinacionais que operam em zonas de conflito. A Lafarge declarou à BBC que reconhece a sentença judicial e garantiu que as ações "que ocorreram há mais de uma década constituíram uma violação flagrante do código de conduta da Lafarge". A empresa descreveu a decisão como um "marco importante" nos seus esforços para "tratar de forma responsável deste tema herdado". Decisão histórica O professor de direito e ciências penais Didier Rebut, da Universidade Paris-Panthéon-Assas, na França, afirma que a decisão é "histórica" por vários motivos. "Em primeiro lugar, ela é histórica pela qualificação de terrorismo aplicada a fatos cometidos por uma empresa e seus dirigentes no âmbito da sua atividade econômica", declarou ele à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Vista da fábrica de cimento da Lafarge Cement Syria (LCS) em Jalabiya, no norte da Síria Getty Images via BBC Para ele, "o que se deduz é que uma empresa e seus diretores podem ser condenados por terrorismo, em razão das suas decisões econômicas e financeiras". "Trata-se, aparentemente, da primeira vez na França e no mundo que uma grande empresa internacional e seus dirigentes são condenados por terrorismo, mesmo que, é claro, não exista nenhuma adesão ideológica, nem conivência com os grupos terroristas em questão." Rebut destaca que a decisão também é histórica devido à gravidade das penas impostas. Ele explica que o veredito demonstra que a qualificação de terrorismo, uma vez mantida, implica sanções proporcionais à sua gravidade. "Com isso, o tribunal deixa claro que, quando o assunto é terrorismo, não há por que atenuar a pena pelo simples fato de que a conduta em questão consistia em uma decisão econômica ou financeira, não em um ato violento", explica ele. O professor também destaca que a decisão demonstra que as grandes empresas não estão isentas de sanções quando contribuem, "incluindo por meio de mecanismos econômicos, para o funcionamento de organizações terroristas". Pagamentos para garantir acesso e matéria-prima A Lafarge adquiriu a fábrica de cimento de Jalabiya, no norte da Síria, em 2008, por US$ 680 milhões (cerca de R$ 3,4 bilhões). Ela começou a operar em 2010, poucos meses antes do início da guerra civil no país, em 2011. Os promotores indicam que os funcionários da empresa residiam na localidade próxima de Manbij. Eles precisavam cruzar o rio Eufrates para ter acesso à fábrica, localizada em uma região que ficaria mergulhada no conflito pouco tempo depois. A Lafarge se declarou culpada e admitiu ter pago milhões de dólares ao EI para manter sua fábrica em funcionamento Getty Images via BBC A acusação afirma que os pagamentos foram realizados entre 2013 e setembro de 2014. Eles incluíram cerca de 800 mil euros (cerca de R$ 4,3 milhões), destinados a garantir a segurança dos trabalhadores, bem como 1,6 milhão de euros (cerca de R$ 13 milhões) para a compra de matérias-primas em pedreiras sob o controle do Estado Islâmico. A guerra civil da Síria começou em março de 2011, após violenta repressão dos protestos antigovernamentais do então presidente Bashar al-Assad, que governou o país entre 2000 e 2024. Em 2014, os jihadistas do Estado Islâmico se apoderaram de amplas zonas da Síria e do vizinho Iraque. Ali, eles proclamaram um autodenominado "califado" transfronteiriço, onde impuseram sua interpretação extremista da lei islâmica. 'Não é possível alegar que eles simplesmente se adaptaram' A juíza Isabelle Prévost-Desprez afirmou que os pagamentos foram "fundamentais" para que o EI pudesse controlar os recursos naturais da Síria. "Isso permitiu que eles financiassem atos terroristas, tanto na região quanto no exterior, especialmente na Europa", destacou ela. A Promotoria Nacional Antiterrorista da França (PNAT) qualificou o caso em dezembro como "um deslize, uma perversão que levou a Lafarge, uma referência da indústria francesa, a acabar financiando organizações terroristas com um único objetivo: o lucro". Didier Rebut destaca que a principal consequência desta sentença é o aumento do nível de exigência para as empresas multinacionais. "As empresas que operam em zonas de conflito não poderão mais alegar que simplesmente se adaptaram a um contexto local difícil, se seus pagamentos, intermediários, fornecedores ou circuitos logísticos beneficiarem grupos armados ou entidades que receberam sanções", explica ele. Este veredito provavelmente irá obrigar muitas empresas a reforçar seus sistemas de controle, logística e administração. "Essencialmente, quando uma empresa sabe que sua atividade depende de tratar com organizações terroristas, o risco deixa de ser sua reputação e passa a ser penal, tanto para a companhia quanto para seus diretores", prossegue Rebut. O professor afirma que o caso da Lafarge define um precedente importante. Ele demonstra que as empresas podem ser processadas por apoiar economicamente grupos armados em zonas de guerra. Mas ele esclarece que não haverá necessariamente muitos casos futuros por financiamento do terrorismo, já que esta acusação exige condições jurídicas muito específicas. Por outro lado, Rebut alerta que a decisão aumenta o risco de que as empresas sejam investigadas por cumplicidade em crimes de guerra ou de lesa-humanidade se continuarem operando, sabendo que suas atividades beneficiam grupos violentos.
23/04/2026 10:29:19 +00:00
Acordo Mercosul-UE pode aumentar exportações brasileiras em 13%, diz Alckmin

Geraldo Alckmin durante Reunião sobre o acordo Mercosul União Europeia em 25 de fevereiro Cadu Gomes/VPR O governo brasileiro espera ver um aumento de 13% nas exportações do país quando o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia estiver totalmente em prática em 2038, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin, às vésperas da entrada em vigor parcial do tratado.  "A degravação é gradual, mas você tem aí perto de 5 mil produtos que a partir do dia 1º de maio estão zerados o imposto, então você vai ter aí um impacto importante", disse Alckmin na quarta-feira (22) em entrevista com agências internacionais de notícias. Para o setor industrial brasileiro especificamente, o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, acrescentou o vice-presidente. A entrada em vigor em 1º de maio ainda é provisória, já que alguns países, como a França, questionaram o acordo no Tribunal de Justiça europeu. Ainda assim, a retirada gradual de tarifas entre os países da UE e do Mercosul começa imediatamente e deve se completar em até 12 anos.  Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o vice-presidente -- que participou das negociações como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio até deixar o cargo este mês -- setores como frutas, açúcar, carne bovina e de frango e alguns tipos de maquinário podem ter impactos imediatos.  Alckmin lembrou, no entanto, que também devem aumentar as importações brasileiras. Hoje, o comércio entre Brasil e UE – segundo maior parceiro comercial do país atrás da China -- chega a US$100 bilhões, com um ligeiro superávit europeu, de aproximadamente US$500 milhões. Uma conta feita pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) aponta para um incremento de até US$1 bilhão na balança comercial brasileira já no primeiro ano de vigência do acordo.  Além disso, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que as reduções de tarifas e as cotas de exportação podem trazer um aumento de 0,46% no Produto Interno Bruto brasileiro entre 2024 e 2040, o equivalente a mais US$9,3 bilhões.  Apesar do otimismo com o acordo, a adoção de salvaguardas rígidas pelos europeus, que preveem a suspensão das importações se houver um aumento de 5% acima da média dos últimos três anos, irritou o setor agrícola brasileiro e levou o Brasil a aprovar medidas semelhantes.  "A salvaguarda vale para os dois lados. Então, se tiver um pico de importação, tanto o Mercosul quanto os países da União Europeia podem pedir uma suspensão temporária. É um acordo equilibrado", afirmou Alckmin.      Desde 2013 sem assinar acordos comerciais, o Mercosul deu um salto nas negociações nos últimos anos, fechando acordos também com Cingapura e o bloco europeu Efta (Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia). Segundo o vice-presidente, ainda é possível que até o fim deste ano sejam assinados novos acordos com Emirados Árabes Unidos e Canadá.  Além disso, o próprio Mercosul pode crescer. Além da Bolívia, que está em processo de adesão às regras do bloco, a Colômbia demonstrou interesse em participar. E a Venezuela, que está suspensa atualmente, pode voltar, disse o vice-presidente.  "A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas à medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido", afirmou.  Estados Unidos Enquanto festeja o início do acordo com a UE, o governo brasileiro continua tentando negociar avanços com os Estados Unidos. Apesar da maior parte das tarifas norte-americanas terem caído com uma decisão da Suprema Corte norte-americana, os setores de aço e alumínio e cobre continuam com tarifas de 50%, aplicadas ao mundo todo, e de 25% no setor de automóveis e autopeças.  Além disso, o Brasil está sob duas investigações dentro da seção 301 da lei de comércio norte-americana. Uma delas, que envolve várias dezenas de países, trata de uso de trabalho escravo; a outra, apenas sobre o Brasil, inclui investigações sobre o Pix, desmatamento e ambiente digital de negócios. Ambas podem ser usadas pelos EUA para retomar com tarifas de 50%. Na semana passada, uma comitiva brasileira esteve nos EUA para negociações sobre as investigações.  "Nós prestamos todos os esclarecimentos. E, se precisar, faremos outros", disse Alckmin, sem entrar em detalhes sobre as reuniões em Washington.  "A boa química que foi estabelecida entre o presidente Lula e o presidente Trump nós defendemos que continue. A gente pode ter muita parceria na área tarifária, tem espaço na área tarifária e não tarifária", afirmou.
23/04/2026 10:18:59 +00:00
Caso Master: PF conclui que Sicário atentou contra a própria vida e apresenta a Mendonça conclusão de investigação

A Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais concluiu a investigação sobre a morte de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A conclusão da Polícia Federal (PF) é de que a morte se deu por suicídio e não foi provocada por outra pessoa ou pressão sofrida por Sicário. Uma equipe da superintendência irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (23) apresentar os resultados ao ministro relator do caso Master, André Mendonça. Até mesmo a possibilidade de Mourão ter agido sob efeito de substâncias psicotrópicas foi examinada. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além do vídeo que mostra toda a permanência de Sicário na cela da PF, os policiais ouviram testemunhas, pessoas próximas e analisaram conversas dele. Apesar da conclusão do inquérito, Sicário permanece com os bens bloqueados, o que não deve mudar. A leitura é que seus recursos eram fruto de ações criminosas. Ao receber o relatório da PF, a tendência é que Mendonça envie as conclusões para a PGR para analisar um possível arquivamento. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação em MG Reprodução A morte de Sicário Em março, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar a circunstância da custódia de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário" de Vorcaro, um dos presos na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta. Segundo a instituição, ele "atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais". "Sicário" foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Também foi preso na mesma operação Daniel Vorcaro, banqueiro apontado como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos. As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Os investigadores mencionam também uma "dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão", e indica que ele atuaria como 'longa manus' (expressão do contexto jurídico que indica um agente que atua em nome de outro) da prática das práticas violentas atribuídas à organização. O relatório fala, ainda, da existência de fortes indícios de que Mourão recebia a quantia de 1 milhão de reais por mês de Vorcaro como remuneração pelos "serviços ilícitos".
23/04/2026 08:03:23 +00:00
Como os anos após a aposentadoria podem se tornar a fase mais sociável de nossas vidas

Acabei de ler um artigo instigante do professor Carlo Ratti, diretor do MIT Senseable City Lab – cuja tradução vai além de Laboratório de Cidades Sensíveis do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Nesse caso, o termo “sensível” indica que a cidade é capaz de medir (e “sentir”) a atividade humana por meio de sensores e dados. No jornal “Financial Times”, Ratti detalha um estudo que será publicado na revista Nature Cities: como os anos após a aposentadoria podem se tornar a fase mais sociável de nossas vidas. Estudo transcontinental mostra que pessoas acima de 66 anos têm mais encontros com grupos diversificados da sociedade Mariza Tavares E como os pesquisadores chegaram a essa conclusão? Graças ao uso dos celulares, deixamos rastros de nossos deslocamentos e atividades. As informações mapeiam a rede de encontros entre seres humanos. “Imagine as pessoas como partículas se movimentando no tempo e espaço. Fizemos um levantamento dos padrões de mobilidade diária dos indivíduos, associando-os a dados socioeconômicos e à idade”, escreveu o professor. Trata-se do primeiro estudo transcontinental a cruzar dados de 200 mil pesquisas domiciliares de mobilidade (que contêm informações socioeconômicas detalhadas e autorrelatadas) com o rastreamento por GPS. Isso permitiu medir a “mistura social” – o encontro entre diferentes classes de renda – com maior precisão. O trabalho, realizado em Boston, Chicago, Hong Kong, Londres e São Paulo, revela que aposentados acima de 66 anos interagem com grupos mais diversificados da sociedade do que segmentos mais jovens em idade ativa. O padrão se repete nas cinco cidades do estudo. Essa “mistura social”, que é intensa entre adultos jovens, tende a declinar na meia-idade, quando as prioridades se concentram em família e trabalho. Com o passar do tempo, a rotina estreita não somente o número de lugares aonde vamos, como também a diversidade de pessoas que encontramos. A aposentadoria remove essa barreira, abrindo espaço para deslocamentos menos previsíveis e mais diversos. Para Ratti, as cidades poderiam usar tais informações para aumentar as oportunidades de interação social. Ele dá exemplos, como estimular espaços públicos a oferecer atividades intergeracionais. Em Londres, sugere que os pubs seriam uma ótima opção, já que tradicionalmente reúnem diferentes gerações. “Fundamentalmente, nossa pesquisa desafia a narrativa de que o envelhecimento populacional está relacionado a um quadro de declínio: força de trabalho encolhendo, custos crescentes, maior isolamento. A aposentadoria costuma ser vista como um retraimento, um afastamento. Ao contrário, pode ser uma retomada, uma reabertura”, defende. O estudo faz parte de uma mudança no formato e abordagem das pesquisas urbanas. Por décadas, análises quantitativas eram voltadas para os aspectos físicos da cidade: prédios, ruas, infraestrutura. Atualmente, há uma preocupação em ampliar tal visão, incluindo as interações que dão significado a esses espaços. O trabalho, uma parceria do MIT Senseable City Lab e da Universidade de Hong Kong, chama-se Latent patterns of urban mixing in mobility analysis across five global cities (Padrões latentes de mistura urbana na análise de mobilidade em cinco cidades globais). Há uma versão pré-publicação neste link. Veja os vídeos que estão em alta no g1
23/04/2026 07:02:10 +00:00
Fraude no INSS: um ano após operação revelar desvios, ressarcimento a segurados chega a quase R$ 3 bilhões

A Operação Sem Desconto, que revelou desvios em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), completa um ano nesta quinta-feira (23).  Até 27 de março, o órgão devolveu R$ 2,95 bilhões a 4,34 milhões de pessoas que identificaram como irregular o desconto em seu benefício. Segundo o INSS, cerca de 4 milhões de beneficiários ainda não se manifestaram. INSS prorroga prazo para contestar descontos indevidos ➡️De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles. Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 e podem chegar a R$ 6,3 bilhões, segundo as estimativas. Em maio de 2025, 9,5 milhões de aposentados e pensionistas receberam uma notificação do INSS sobre descontos associativos. A partir desse alerta, o órgão abriu um prazo — prorrogado duas vezes, por 90 dias cada uma — para que o segurado respondesse se o desconto havia sido autorizado, se gostaria de contestá-lo e solicitar o ressarcimento ou se o desconto foi legítimo. 🗓️Os aposentados e pensionistas tem até 20 de junho para contestar os descontos indevidos (veja abaixo como contestar). Proibição descontos Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que proíbe descontos por associações em benefícios pagos pelo INSS. A lei sancionada, que foi aprovada no fim do ano passado pelo Congresso Nacional, também determinava uma "busca ativa a beneficiários lesados em decorrência de descontos indevidos e prevê o seu ressarcimento", mas esse trecho foi vetado pelo presidente. INSS cria regras para devolver descontos indevidos a herdeiros de aposentados e pensionistas que já morreram Jornal Nacional/ Reprodução "Em que pese a boa intenção do legislador, o dispositivo contraria o interesse público, pois atribui ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS competências que não lhe são próprias, de modo a expor a autarquia a riscos jurídicos e operacionais, além de custos extraordinários, sem a apresentação da devida estimativa de impacto orçamentário e financeiro", informou o governo, ao explicar as razões do veto. Pelo texto sancionado, quando for constatado um desconto indevido, a entidade associativa, instituição financeira ou empresa responsável deverá devolver integralmente o valor ao beneficiário em até 30 dias, contados da notificação da irregularidade ou de decisão administrativa definitiva. Entenda o esquema de fraudes O caso foi revelado em 23 de abril, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles. 💰O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos. Segundo o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) Vinícius de Carvalho informou à época, as associações envolvidas no esquema diziam prestar serviços como assistência jurídica para aposentados e ofereciam descontos em mensalidades de academias e planos de saúde, por exemplo, mas não tinham estrutura. Ao todo, 11 entidades foram alvos de medidas judiciais. Os contratos de aposentados e pensionistas com essas entidades foram suspensos, segundo o ministro da CGU. O caso derrubou autoridades do governo, como o ministro da Previdência e o presidente do INSS. Além disso, foi aberta uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para apurar o caso. ⏱️O prazo da CPMI acabou no fim de março e o relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) recomendava o indiciamento de mais de 200 pessoas. Entre elas, parlamentares, ex‑ministros, dirigentes de estatais e entidades associativas, além do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. O parecer foi rejeitado pelos parlamentares e o colegiado chegou ao fim sem ter um documento formal. Prisões Foram presos, em diferentes fases da operação: ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto; ex-procurador do órgão Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho; Antônio Carlos Antunes Camilo, o "Careca do INSS", figura central no esquema de desvios; empresário Maurício Camisotti; André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão do INSS; Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS; Thaisa Hoffmann, empresária e esposa de Virgílio; Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT); Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), e irmão do presidente da entidade, Carlos Lopes; Cícero Marcelino de Souza Santos, empresário também ligado à Conafer; Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também ligado à Conafer; ex-presidente de associações de aposentados e pensionistas no Ceará Cecília Rodrigues Mota; empresário Natjo de Lima Pinheiro; entre outros. Quem pode aderir ao acordo de ressarcimento Podem ingressar no plano de devolução os aposentados e pensionistas que: Contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade responsável em até 15 dias úteis; Receberam resposta considerada irregular, como assinaturas falsas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos; Sofreram descontos entre março de 2020 e março de 2025; Têm processo judicial em andamento, desde que ainda não tenham recebido os valores — nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo, que é de natureza administrativa.
23/04/2026 07:00:54 +00:00
Inteligência Artificial já reduz emprego entre jovens no Brasil e ameaça formação profissional

Marc Mueller/Pexels Um estudo realizado no Brasil confirma que a inteligência artificial já afeta o emprego e a renda dos jovens. Universidades como a prestigiosa Stanford previam que os recém-ingressos no mercado de trabalho estariam entre os mais atingidos pelo desenvolvimento da IA generativa. A pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) verificou que os jovens de 18 a 29 anos que atuam nos setores mais vulneráveis aos impactos da chegada da tecnologia têm quase 5% menos chances de conseguir um emprego do que antes da IA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As áreas consideradas mais expostas são serviços de informação, comunicação e financeiros. “Eles estão, justamente, em trabalhos que trabalhadores mais seniores usam para tomar as suas decisões. Você precisa de um jovem para montar uma tabela, um gráfico, escrever um resumo”, aponta Daniel Duque, pesquisador-associado do Ibre. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “São trabalhos que podem até ser qualificados e exigir algum tipo de qualificação, mas são um tanto mais burocráticos e são os mais facilmente substituídos pela IA, que pode fazer as coisas mais rápido, mais barato e, muitas vezes, melhor.” Os profissionais com mais experiência e na etapa final da carreira parecem poupados – pelo menos por enquanto. A ánalise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostrou que as faixas de 30 a 44 anos e de 45 a 59 anos foram pouco ou nada afetadas. Os cargos “sêniores” envolvem mais responsabilidade, capacidade de análise e tomada de decisão que, mesmo nas áreas mais vulneráveis, estão menos suscetíveis à substituição pela IA, salienta Duque. Já para os jovens, os impactos começaram a ser sentidos no ano seguinte ao surgimento da inteligência artificial generativa de massa, com o chatGPT, no fim de 2022, e se aprofundaram em 2024 e 2025, com a aparição de outros robôs, como Claude e Gemini. “Provavelmente só vai piorar”, aposta. “Um dos aspectos dessa grande mudança que a gente está vendo é que a adoção da IA está sendo mais rápida do que a adoção de várias outras tecnologias no passado. Tanto o computador, quanto a internet foram sendo adotadas muito mais lentamente do que a IA está sendo, e é por isso que o efeito no mercado de trabalho está sendo muito rápido.” Impacto imediato nos países desenvolvidos Nos países desenvolvidos, onde a automatização do trabalho é mais acelerada, o recrutamento de jovens desenvolvedores já chegou a cair até 20%, constataram pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford, no Estados Unidos, em novembro de 2025. Em média, a queda da empregabilidade foi de 16% nos setores mais expostos. ]Na França, um estudo publicado em março pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) revelou números semelhantes, mostrando que as empresas europeias já delegam à IA uma parte do trabalho que costumava ser realizado pelos “júniores”, como tratamento de dados e redação. “O Brasil está um pouco menos exposto do que os países desenvolvidos, mas existem as questões da substituibilidade, que é o quanto a pessoa é altamente substituível pela IA, e da complementaridade, ou seja, o quanto o trabalho dela é complementar ao da IA. Nisso, o Brasil está um pouco pior, porque entre as ocupações expostas, há um maior grau de exposição por substituição”, aponta Daniel Duque. “É um problema que o país vai enfrentar.” Formação dos profissionais do futuro em risco  A razão é a baixa qualificação da mão de obra no país: para ser complementar à IA, é preciso ter o domínio da tecnologia. Na França, a Associação Nacional de Recursos Humanos (ANDRH) notou, ainda, que algumas empresas têm optado por diminuir o número de estagiários e, no lugar, incentivar os funcionários a aumentar o uso da inteligência artificial. O risco, nestes casos, é que a longo prazo os futuros empregados sêniores tenham menos competências. “É um problema grande, porque é muito bem documentado que essas primeiras experiências no mercado de trabalho vão determinar, em grande parte, a sua trajetória toda no mercado de trabalho. Se você tira os trabalhadores do mercado nesse momento mais cedo da carreira, eles não vão formar experiências, não vão ter uma liderança em quem se espelhar depois e, com isso, não vão aprender a tomar as decisões que os sêniores estão tomando”, explica o pesquisador. “No futuro, talvez a gente vá criar melhores modelos de IA que vão acabar podendo tomar decisões tão boas ou melhores que as dos humanos e, de fato, a gente não vai precisar de mais trabalhador nenhum.” É por isso que a democratização do acesso à IA e a distribuição dos seus benefícios para a produtividade em todas as camadas da sociedade estão entre os principais desafios para o futuro do mercado de trabalho, salienta o pesquisador brasileiro.
23/04/2026 06:00:33 +00:00
Calor extremo ameaça produção de alimentos no mundo, alertam agências da ONU

Cultivo de cenoura é novidade e está sendo testado em Boa Vista Andro Barros/Rede Amazônica O calor extremo está levando os sistemas agroalimentares globais ao limite, ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas, de acordo com um novo relatório das agências de alimentação e de meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU). A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmaram que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e prolongadas, prejudicando as colheitas, a pecuária, a pesca e as florestas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O calor extremo está reescrevendo o roteiro sobre o que os agricultores, pescadores e silvicultores podem cultivar e quando podem cultivar. Em alguns casos, está até mesmo determinando se eles ainda podem trabalhar", disse Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas da FAO. Conjuntos de dados climáticos recentes mostram que o aquecimento global está se acelerando, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, provocando extremos climáticos mais frequentes e severos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Atuando como um multiplicador de riscos, o calor extremo intensifica as secas, os incêndios florestais e os surtos de pragas e reduz drasticamente a produtividade das colheitas quando os limites críticos de temperatura são ultrapassados. O relatório afirma que as temperaturas mais altas estão diminuindo a margem de segurança da qual as plantas, os animais e os seres humanos dependem para funcionar, com queda na produtividade da maioria das principais culturas quando as temperaturas ultrapassam cerca de 30 graus Celsius. Zahedi citou o Marrocos, onde seis anos de seca foram seguidos por ondas de calor recordes. "Isso levou a uma queda na produção de cereais em mais de 40%. Isso dizimou a colheita de azeitonas e frutas cítricas. Basicamente, essas colheitas fracassaram", disse ele. As ondas de calor marinhas também estão se tornando mais frequentes, reduzindo os níveis de oxigênio na água e ameaçando os estoques de peixes. Em 2024, 91% dos oceanos do mundo sofreram pelo menos uma onda de calor marinha, segundo o relatório. Os riscos aumentam acentuadamente à medida que o aquecimento se acelera. Espera-se que a intensidade dos eventos extremos de calor dobre aproximadamente a 2 graus Celsius de aquecimento e quadruplique a 3 graus, em comparação com 1,5 grau, segundo o relatório. Zahedi disse que cada aumento de um grau na temperatura média global reduz a produção das quatro principais culturas do mundo - milho, arroz, soja e trigo - em cerca de 6%. A FAO e a OMM disseram que as respostas fragmentadas são inadequadas e pediram uma melhor governança dos riscos e sistemas meteorológicos de alerta antecipado para ajudar os agricultores e pescadores a tomar medidas preventivas. "Se você conseguir colocar os dados nas mãos dos agricultores, eles poderão ajustar quando plantam, o que plantam e quando colhem", disse Zahedi. Mas o relatório afirma que a adaptação por si só não é suficiente, argumentando que a única solução duradoura para a crescente ameaça do calor extremo é uma ação ambiciosa e coordenada para conter a mudança climática.
23/04/2026 03:01:24 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 70 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-sena O concurso 2.999 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 70 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (23), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último sábado, ninguém acertou as seis dezenas. O g1 passou a transmitir, desde segunda-feira (20), todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
23/04/2026 03:01:04 +00:00
BRB: acionistas e DF terão até o fim de maio para comprar novas ações e manter nível de participação

BRB aprova aumento de capital bilionário para reduzir rombo deixado pelo Master Investidores que têm ações do Banco de Brasília (BRB) terão até o fim de maio para decidir se vão exercer o direito de preferência – ou seja, se vão comprar as novas ações que o BRB pretende lançar na B3 nas próximas semanas e manter o nível de participação no capital do banco. A emissão de até R$ 8,8 bilhões em novos papéis foi autorizada nesta quarta-feira (22) pela assembleia de acionistas do banco. Entre os dias 29 de abril (próxima quarta) e 28 de maio, essas ações estarão disponíveis apenas para quem já estiver investindo no BRB até a próxima terça (28). As ações que não forem compradas pelos atuais investidores ficam, então, disponíveis para o restante do mercado. A regra vale, inclusive, para o próprio governo do Distrito Federal – que é acionista controlador do banco e detém, atualmente, 53,71% do total de ações. ➡️ Na prática, isso significa que o DF precisaria comprar 53,71% dos novos papéis emitidos para manter seu "nível de sociedade" no banco, sem reduzir esse percentual. ➡️A emissão de ações será de no mínimo R$ 536 milhões, e no máximo R$ 8,8 bilhões – os números foram aprovados em assembleia e inscritos em documento pelo BRB. ➡️Com isso, para manter o nível de participação atual no BRB, o DF terá que encontrar uma forma de comprar, até o fim de maio, algo entre R$ 287,8 milhões e R$ 4,72 bilhões. Prédios do BRB em Brasília Jornal Nacional ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O BRB tenta se recuperar financeiramente após operações malsucedidas com o Banco Master. "Isso [aumento do capital] é muito importante e já demonstra que o banco tem um cronograma para integralização do capital no prazo de 29 de maio. Grande passo", disse o presidente do BRB, Nelson Souza, nesta quarta (22). 🔎 O aumento de capital abre espaço para uma "injeção" de recursos no BRB. A medida permite, por exemplo, expandir operações, seja com ações, fundos ou empréstimos. 🔎 O aumento de capital também permite ao governo do DF executar medidas já anunciadas, como o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimos e o pedido de empréstimo ao FGC. Com 53% do controle do banco, o governo terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização. Anúncio de acordo BRB anuncia acordo de R$ 15 bi com Quadra Capital O BRB informou na segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição. Os ativos envolvidos na transação têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master. Segundo o banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos. A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o assunto nesta terça-feira (21). Para ela, o acordo mostra a "responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento". Operações com o Banco Master O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense. A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país. Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado. LEIA TAMBÉM: JULGAMENTO NO STF: Fux e Mendonça votam para manter prisões de ex-presidente do BRB e advogado investigados POLÍCIA FEDERAL: Vorcaro interrompeu propina paga a ex-presidente do BRB após descobrir inquérito sigiloso Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
23/04/2026 03:00:58 +00:00
Caso Master: Mendonça não conta com delações para avançar em investigações do esquema

Caso Master: Mendonça não conta com delações para avanço das investigações neste momento O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, tem hoje baixa expectativa de que delações premiadas possam trazer elementos novos às investigações e sequer conta com a possibilidade de que as colaborações sejam fechadas. A informação tem sido dada pelo próprio André Mendonça a advogados de nomes investigados que o procuram. Enquanto isso, Daniel Vorcaro, dono do banco, e outros nomes investigados tentam reunir elementos para propor as colaborações, uma estratégia de defesa que visa menor tempo de prisão e liberação de bens aos envolvidos. Os investigadores da PF e a própria equipe de Mendonça que trabalham no caso – hoje são três assessores do gabinete do relator que trabalham com exclusividade no caso Master – acreditam que as provas colhidas e em análise, além de novas frentes da investigação, são suficientes para fazer avançar o caso. Banco Master. Reprodução/TV Globo Além disso, há uma visão de que as delações são do interesse da defesa. Uma fonte a par do trabalho resume o pensamento do grupo ao dizer que “não é possível ficar esperando por uma delação”. Parte do material apreendido desde ano passado ainda está em análise – como o primeiro celular de Vorcaro, apreendido em outubro de 2025 e que ainda não teve seu conteúdo de quatro terabytes ainda analisada por completo. A equipe que trabalha no caso tem um foco especial hoje em um nome dentre todos os citados na investigação: o de Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro e considerado o arquiteto da estratégia de distribuição e ocultação de recursos do então chefe e dono do banco. A PF conseguiu entrar no celular de Monteiro recentemente e acredita que as informações ali contidas vão ajudar no avanço das investigações. Outra convicção da equipe que acompanha a investigação é de que o trabalho ainda levará muitos meses e tem grandes chances de avançar por 2027.
22/04/2026 23:52:58 +00:00
Tesla tem lucro de US$ 477 milhões no 1º trimestre, alta de 17%

Veículos da Tesla em uma estação de recarga. Mike Stewart/ AP Photo A fabricante de veículos elétricos Tesla, comandada pelo bilionário Elon Musk, informou nesta quarta-feira (22) que teve lucro de US$ 477 milhões no primeiro trimestre, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pela recuperação das vendas de carros, após uma forte queda em 2025. O lucro por ação foi de US$ 0,13. Ajustado por itens extraordinários, o indicador chegou a US$ 0,41, superando as estimativas de Wall Street, de US$ 0,36. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A receita da empresa, por sua vez, subiu para US$ 22,39 bilhões, puxada por um aumento de 16% no segmento automotivo. Ainda assim, tanto o lucro quanto a receita seguem bem abaixo do pico registrado, quando os carros da empresa ampliavam sua participação de mercado. Agora, esse movimento se inverte, à medida que concorrentes europeus e chineses avançam sobre sua base de clientes. No ano passado, a empresa perdeu o posto de maior fabricante de veículos elétricos do mundo para a chinesa BYD. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Musk tem minimizado os desafios no negócio de carros e reforçado que o futuro da Tesla depende menos da venda de veículos e mais do uso desses carros como táxis autônomos. A empresa informou que as milhas percorridas por robotáxis dobraram no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado. Atualmente, o serviço opera em São Francisco e em três cidades do Texas, incluindo Austin, onde fica a sede da Tesla. Musk também tem destacado a produção de robôs para uso doméstico e empresarial. Em uma teleconferência com investidores nesta quarta-feira, ele afirmou que a empresa iniciou a construção de uma nova fábrica no Texas para esses robôs, chamados Optimus, com capacidade potencial de até 10 milhões de unidades por ano. “Acho que o Optimus será nosso maior produto”, disse Musk, acrescentando: “não apenas o maior produto da Tesla, mas provavelmente o maior produto de todos”. A empresa também destacou que iniciou a produção dos chamados Cybercabs, sem pedais ou volante. Durante a teleconferência, Musk ainda sugeriu que a Tesla pode lançar um novo carro esportivo Roadster com condução manual dentro de cerca de um mês. A companhia vem intensificando os investimentos nessa transição, com US$ 2,5 bilhões em despesas de capital no último trimestre, alta de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior. Musk alertou ainda para “um aumento muito significativo” desses investimentos no futuro.
22/04/2026 23:48:25 +00:00
INSS: auxílio por incapacidade temporária para afastamento por até 90 dias não precisa de perícia presencial

O governo federal ampliou de 60 para até 90 dias o prazo máximo para que o auxílio por incapacidade temporária – o antigo auxílio doença – seja concedido sem a necessidade de comparecimento a uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília (DF) Wilton Junior/Estadão Conteúdo Segundo o Ministério da Previdência Social e o INSS, os atestados médicos que recomendam o afastamento por até 90 dias agora podem ser aprovados exclusivamente via análise documental, ou seja, sem perícia médica presencial. 🔎A mudança vale para pedidos feitos pela nova versão do Atestmed, sistema que permite a concessão do benefício com base apenas em documentos médicos, como atestados e exames. Os pedidos de auxílio por incapacidade temporária representam quase metade da fila do INSS. Eles representam 1,3 milhão dos requerimentos. Ao todo, a fila de solicitações de benefícios aguardando decisão em março chegou a 2,8 milhões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como funciona Com a mudança, o benefício poderá ser concedido ou negado com base apenas nos documentos médicos enviados pelo segurado, sem necessidade imediata de perícia presencial. Basta acessar o portal ou aplicativo Meu INSS, anexar os atestados e exames complementares e aguardar a análise remota pelos médicos peritos. Site do Inss Reprodução/TV Globo O governo lembra que não é preciso agendar nem ir até uma unidade física. Os peritos darão a resposta pelo aplicativo Meu INSS. O INSS reforçou ainda que o atestado médico deve ser legível, além de conter: nome completo do paciente data de emissão CID (Classificação Internacional de Doenças) ou diagnóstico por extenso assinatura e carimbo do médico com CRM, além do prazo estimado de repouso.
22/04/2026 23:21:55 +00:00
Empresas de Elon Musk compram 1,3 mil Cybertrucks e inflam vendas da Tesla nos EUA

Tesla Cybertruck 2026 Divulgação Um levantamento da S&P Global Mobility, revelados pela Bloomberg, mostra que empresas do bilionário Elon Musk compraram unidades da Tesla Cybertruck em 2025, inflando o número de vendas da picape nos Estados Unidos artificialmente. A SpaceX comprou 1.279 unidades da Cybertruck no último trimestre de 2025. Outras empresas ligadas a Musk adquiriram mais 60 picapes no mesmo período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Sem essas compras, a Cybertruck teria registrado uma queda de 51% nas vendas nos três últimos meses do ano passado. O levantamento estima que a operação tenha custado mais de US$ 100 milhões. Esse volume de compra representa cerca de 18% de todas as Cybertrucks vendidas nos Estados Unidos. A estratégia deve continuar em 2026. De acordo com a Bloomberg, empresas de Elon Musk seguem encomendando picapes, com vendas registradas em janeiro e fevereiro. Musk lançou o Tesla Cybertruck em 2019 Getty Images via BBC BYD ultrapassa Tesla Esse é apenas mais um episódio em uma sequência de resultados negativos da Tesla, especialmente no desempenho da Cybertruck. Em fevereiro, a montadora anunciou uma versão mais barata da picape, com preço de US$ 59.990. A meta era alavancar as vendas. Antes disso, a opção de entrada da Cybertruck nos Estados Unidos custava US$ 79.990. A empresa também reduziu, na mesma época, o valor da versão mais cara, a Cyberbeast, que passou de US$ 114.990 para US$ 99.990. Com 1,64 milhão de veículos emplacados em 2025, a Tesla registrou uma queda de 9% e perdeu o posto de maior fabricante de carros elétricos do mundo. A BYD assumiu a liderança, com 2,26 milhões de veículos eletrificados vendidos no ano passado. Tesla Cybertruck no Brasil No Brasil, a Tesla não tem operação oficial, mas o g1 mostrou que é possível importar a Cybertruck de forma independente por cerca de R$ 1 milhão. Esses veículos chegam ao país por meio da importação independente, que permite que pessoas e empresas tragam carros sem intermediação das montadoras. Mesmo assim, é necessário ficar atento às regras e às exigências previstas na legislação brasileira. g1 testou: a primeira Tesla Cybertruck que veio para o Brasil
22/04/2026 19:00:33 +00:00
Usar o celular enquanto carrega é perigoso? Veja em quais situações é preciso ter cuidado

Como um celular pode explodir mesmo sem estar carregando Quem nunca usou o celular enquanto ele estava na tomada, carregando? A prática é comum e traz poucos riscos, principalmente se for para responder uma mensagem ou checar algo rapidamente. Usar junto com um powerbank (carregador portátil) também é seguro, desde que ele seja certificado. Existem algumas situações em que é preciso ter mais de cuidado, como em momentos de chuva. Também uma boa ideia sempre optar por cabos e fontes originais para evitar risco à vida, por exemplo. Veja mais detalhes abaixo: Como se proteger ao usar o celular enquanto ele carrega Daniel Ivanaskas/Arte g1 1. Tire o celular da tomada durante chuvas fortes e de longa duração Durante tempestades, é possível que um raio atinja a rede elétrica da casa, gerando uma grande tensão que pode chegar até o celular. Há risco de choque se alguém estiver usando o telefone. Por isso, evite usar o aparelho conectado na tomada durante chuvas. 2. Use carregador e cabos originais Os carregadores originais dos smartphones e outros produtos eletrônicos passam pela certificação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e contam com um selo. Eles possuem componentes mantém uma tensão muito baixa para dar choque. É a opção mais segura para carregar o aparelho em qualquer circustância. Carregadores paralelos que não são certificados ou recomendados pelas próprias fabricantes podem não ter alguns itens de segurança, além de possivelmente passarem mais carga do que o recomendado. Evite ainda o uso de adaptadores e muito cuidado com tomadas com mau contato. LEIA MAIS: 10 coisas que você talvez não saiba sobre o Google Sua conta no WhatsApp está protegida? Faça o teste e descubra 3. Bateria também original É importante também que a bateria instalada no aparelho seja original. Versões paralelas não passam pelas certificações de segurança. Fique atento com a expansão da bateria – se reparar que o celular está "inchado" ou que alguma parte da tela levantou, deixe de usar o telefone e o leve até uma assistência técnica. Os componentes químicos da bateria podem vazar e causar até explosões. Fique de olho também na temperatura: se o aparelho estiver esquentando mais do que o normal, procure um especialista. 4. Não deixe o celular carregando debaixo de um travesseiro É muito importante nunca abafar o celular enquanto ele estiver carregamento. Por isso, não deixe o aparelho de baixo de um travesseiro, cobertor ou até mesmo do seu corpo enquanto ele estiver na tomada. Isso porque o aparelho naturalmente esquenta durante a carga e se não tiver ventilação adequada, pode superaquecer e causar problemas na bateria que geram risco à vida, como explosões. Quando for dormir, deixe o aparelho longe de você e de objetos inflamáveis. É importante que você não seja pego de surpresa ou que corra grandes riscos caso ocorra um incêndio, por exemplo. São casos raros, mas a precaução é chave. 5. Em caso de telefonema, desconecte o celular do carregador Caso aconteça algum acidente e o aparelho sofra uma descarga elétrica, ele não estará perto do seu rosto. Também é uma boa ideia não usar fones de ouvido com fio durante o carregamento. 6. Não carregue o celular em locais úmidos, como banheiro Para evitar choques, não coloque o telefone para carregar em locais úmidos, como próximo a uma pia, banheira ou chuveiro. Também é importante não conectar ou desconectar o carregador com as mãos molhadas. 7. Se o aparelho estiver na tomada, procure usar calçado de borracha A borracha é um material isolante e pode proteger de eventuais choques elétricos. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil EUA registram domínio 'alien.gov' após Trump mandar divulgar arquivos de supostos ETs Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia
22/04/2026 15:24:33 +00:00
Aumento de capital no BRB pressiona caixa do governo do DF, que terá de buscar ao menos R$ 4 bilhões

A aprovação de um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões no Banco de Brasília (BRB) impõe uma pressão direta sobre as contas do Governo do Distrito Federal (GDF), principal acionista da instituição. Com 53% do controle do banco, o governo local terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização e evitar a diluição de sua participação. A decisão sobre o aumento de capital foi tomada nesta quarta-feira (22) em assembleia de acionistas e faz parte de uma estratégia para recompor o balanço patrimonial do banco, fragilizado após operações malsucedidas com ativos herdados do Banco Master (entenda mais abaixo). Essa medida foi aprovada no mesmo dia em que os acionistas avaliaram temas ligados à governança do banco, como a homologação dos nomes do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira para o conselho de administração, formalização pendente desde o fim do ano passado. Miriam Leitão: Acordo anunciado pelo BRB não resolve situação de liquidez do banco Efeito do caso Master O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações comprometeram o capital mínimo prudencial do BRB, indicador exigido pelas regras de solidez do sistema financeiro. Diante desse cenário, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e passou a intensificar o acompanhamento da situação financeira e da governança do banco. Com o balanço pressionado, o BRB passou a buscar alternativas para reduzir o impacto dos ativos problemáticos e atender às exigências regulatórias. PF diz que Vorcaro usou empresas de fachada, laranjas e fundos de investimento para ocultar propina a ex-presidente do BRB Jornal Nacional/ Reprodução Acordo para transferência de ativos Na segunda (20), o BRB anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento destinado à transferência de ativos que têm origem em operações recebidas do Banco Master. Segundo o banco, o valor de referência da operação é de até R$ 15 bilhões. Entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar os ativos. Apesar do acordo, o banco avançou com o processo de aumento de capital, aprovado agora em assembleia, como parte do esforço para recompor sua base financeira. A governadora Celina Leão (PP) afirmou na terça (21) que o acordo demonstra responsabilidade na condução do momento enfrentado pelo banco.
22/04/2026 15:22:20 +00:00
Fundo da Robinhood investe US$ 75 mi na OpenAI para ampliar acesso de investidores

O fundo de investimentos da Robinhood anunciou nesta quarta-feira (22) um aporte de US$ 75 milhões na OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. A iniciativa busca ampliar o acesso de investidores de varejo — pessoas físicas que investem por conta própria — a companhias de tecnologia muito conhecidas, mas que ainda não abriram capital na bolsa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A OpenAI se tornou uma das empresas mais observadas do setor de inteligência artificial generativa após o sucesso viral do ChatGPT. O avanço da companhia ajudou a impulsionar uma corrida entre grandes empresas de tecnologia e startups para desenvolver e lançar ferramentas baseadas em IA, movimento que já atrai bilhões de dólares em investimentos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Robinhood amplia atuação e valor de mercado O aporte foi feito por meio do Robinhood Ventures Fund I, fundo que se tornou público em março. A proposta é permitir que investidores de varejo tenham acesso a oportunidades em empresas privadas — um tipo de investimento historicamente concentrado nas grandes gestoras de capital de risco do Vale do Silício. Conhecida inicialmente como um aplicativo de negociação voltado ao investidor pessoa física, a Robinhood passou nos últimos anos a ampliar sua atuação e hoje se apresenta como uma plataforma mais ampla de serviços financeiros. Esse movimento ajudou a empresa a alcançar uma capitalização de mercado próxima de US$ 78 bilhões. Com a notícia do investimento, as ações da companhia subiam 3,6% no pré-mercado. O aporte também sugere uma redução das tensões que haviam surgido entre as duas empresas no ano passado. Na ocasião, a Robinhood anunciou que distribuiria “tokens de ações” baseados em blockchain, no valor de 5 euros, ligados a empresas privadas como a OpenAI e a SpaceX. Esses tokens funcionam como representações digitais de ações e combinam características do mercado financeiro tradicional com a dinâmica de negociação das criptomoedas. A modalidade tem atraído investidores internacionais por oferecer acesso mais simples, horários de negociação mais flexíveis e custos menores. Depois do anúncio, porém, a OpenAI afirmou que não havia firmado parceria com a Robinhood, não apoiava a iniciativa e não participava da oferta desses tokens. Logo da OpenAI, dona do ChatGPT REUTERS/Dado Ruvic/
22/04/2026 14:56:11 +00:00
BRB aprova aumento do capital em até R$ 8,8 bilhões para recompor balanço afetado pelo caso Master

Prédios do BRB em Brasília Jornal Nacional O Banco de Brasília (BRB) aprovou, nesta quarta-feira (22), o aumento do capital social do banco em até R$ 8,8 bilhões. A decisão aconteceu durante uma assembleia com acionistas. O BRB, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, tenta se recuperar financeiramente após operações malsucedidas com o Banco Master. "Isso [aumento do capital] é muito importante e já demonstra que o banco tem um cronograma para integralização do capital no prazo de 29 de maio. Grande passo", disse o presidente do BRB, Nelson Souza, nesta quarta (22). 🔎 O aumento de capital abre espaço para uma "injeção" de recursos no BRB. A medida permite, por exemplo, expandir operações, seja com ações, fundos ou empréstimos. 🔎 O aumento de capital também permite ao governo do DF executar medidas já anunciadas, como o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimos e o pedido de empréstimo ao FGC. Com 53% do controle do banco, o governo terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização. A assembleia desta quarta também tem o objetivo de homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o fim do ano passado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Anúncio de acordo BRB anuncia acordo de R$ 15 bi com Quadra Capital O BRB informou nesta segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição. Os ativos envolvidos na transação têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master. Segundo o banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos. A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o assunto nesta terça-feira (21). Para ela, o acordo mostra a "responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento". Operações com o Banco Master O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense. A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país. Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado. LEIA TAMBÉM: JULGAMENTO NO STF: Fux e Mendonça votam para manter prisões de ex-presidente do BRB e advogado investigados POLÍCIA FEDERAL: Vorcaro interrompeu propina paga a ex-presidente do BRB após descobrir inquérito sigiloso Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
22/04/2026 14:53:09 +00:00
Toffoli se declara suspeito e não participa de julgamento sobre prisão de ex-presidente do BRB no STF

Dias Toffoli se declara suspeito. Jornal Nacional/ Reprodução O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso que discute a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro, nas manhã desta quarta-feria (22). ➡ A análise trata da manutenção da prisão preventiva dos dois, detidos desde 16 de abril durante a operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades em negócios do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os ministros Luiz Fux e André Mendonça votaram para manter as prisões. Ainda faltam os votos dos ministros Nunes Marques e Gilmar Mendes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A deliberação deve terminar às 23h59 da próxima sexta-feira (24), se não houver pedido de vista (mais tempo de análise) ou de destaque (leva o caso para julgamento presencial). A operação aconteceu após autorização de André Mendonça, relator do caso no STF. A partir desta quarta, os ministros analisam a decisão que determinou a prisão preventiva dos investigados. STF avalia prisão de ex-presidente do BRB Ministro se declarou suspeito durante prisão de Vorcaro Em março, Dias Toffoli também declarou-se suspeito para analisar a decisão que levou à prisão de Daniel Vorcaro e também para analisar pedido que cobrava instalação da CPI do Master na Câmara. "Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo. Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à Presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes", afirmou Toffoli no despacho em que se declara suspeito para analisar o pedido de intalação de uma CPI. O ministro Dias Toffoli era relator do caso Master antes de André Mendonça. Em nota, o STF informou que o ministro – "considerados os altos interesses institucionais" – pediu que o tema fosse redistribuído para outro ministro relatar o caso. Interlocutores do Supremo afirmavam que, apesar de Toffoli ter deixado a relatoria do caso, não ficou reconhecida pela Corte suspeição ou impedimento para que ele atuar no caso Master. 🔎 Suspeição é um instrumento jurídico que questiona a imparcialidade de um magistrado. Esse conceito pode ser aplicado quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a isenção do juiz em um determinado processo. LEIA TAMBÉM: DF-250: Acidente entre carro e moto deixa 2 mortos e 1 ferido DOG DO CANGACEIRO: Food truck é tomado pelas chamas em Ceilândia Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
22/04/2026 14:40:16 +00:00
Ucrânia retoma transporte de petróleo russo para a Europa

Oleoduto de Druzhba, que passa pela Ucrânia e leva petróleo russo para países da Europa. Foto de 2022. REUTERS/Bernadett Szabo/Foto de Arquivo A Ucrânia retomou nesta quarta-feira (22) o bombeamento de petróleo russo para a Europa, em troca da aprovação preliminar de um empréstimo de grande porte da União Europeia ao país. A informação foi confirmada pelas agências de notícias AFP e Reuters. A retomada do fluxo ocorreu pelo oleoduto de Druzhba, que corta o noroeste do território ucraniano. "O transporte de petróleo começou e o bombeamento foi iniciado", disse uma fonte do setor energético ucraniano à AFP e à Reuters. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A gigante energética húngara MOL afirmou nesta quarta em comunicado que espera que "os primeiros carregamentos de petróleo, após a retomada do trecho ucraniano do sistema de oleodutos, cheguem à Hungria e à Eslováquia até amanhã". A ministra da Economia da Eslováquia, Denisa Sakova, afirmou em uma publicação no Facebook que os primeiros fornecimentos devem chegar ao seu país nas primeiras horas de quinta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A retomada do transporte de petróleo russo abriu caminho para que a UE desse o primeiro sinal verde a um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 528 bilhões) que permitirá a Kiev reforçar suas defesas em meio à guerra contra a Rússia, que já dura mais de quatro anos. A ajuda europeia deve permitir que a Ucrânia financie sua defesa contra o exército russo e garanta os gastos públicos até 2027. A UE impôs um bloqueio à maior parte das importações de petróleo da Rússia em 2022, quando começou a guerra, mas excluiu o oleoduto Druzhba para dar aos países da Europa central sem litoral tempo para encontrar fontes alternativas de petróleo. O oleoduto Druzhba havia sido danificado em janeiro após um ataque russo, o que interrompeu o fornecimento de petróleo para Hungria e Eslováquia. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, derrotado nas eleições no início do mês, acusava a Ucrânia de adiar os reparos e bloqueava, em retaliação, o empréstimo europeu. A Eslováquia, país muito dependente do petróleo russo, também ameaçava impedir a aprovação do próximo pacote de sanções contra a Rússia. Na terça-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou o fim dos reparos no oleoduto. Em março, ele havia reclamado que a UE o pressionava para prosseguir com a obra, o que ele chamou de "chantagem". "Qual a diferença entre isso e levantar as sanções contra os russos?", questionou Zelensky em uma coletiva de imprensa.
22/04/2026 14:38:27 +00:00
Aneel aperta regras para geração solar distribuída e mira ampliações irregulares

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu nesta quarta-feira (22) uma consulta pública com propostas de novas regras para lidar com a crescente oferta de energia no país. Entre as medidas estão ações para combater ampliações irregulares em usinas solares distribuídas, instaladas em telhados de residências ou em pequenos terrenos. Segundo o regulador, alguns consumidores que possuem esses sistemas têm aumentado a potência das usinas sem comunicar as distribuidoras ou a própria agência. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Essas mudanças podem causar dificuldades tanto para as redes locais de distribuição quanto para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por coordenar as linhas de transmissão e as grandes usinas do país. Diante desse cenário, a Aneel decidiu que as distribuidoras deverão negar novos pedidos de conexão de geração distribuída quando o ONS identificar “inviabilidade” na rede local — ou seja, quando a entrada de mais geração puder comprometer a operação do sistema. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A geração distribuída inclui desde painéis solares instalados em telhados até pequenas usinas com potência de até 5 megawatts. O modelo cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado por benefícios tarifários. Hoje, essa modalidade soma cerca de 47 gigawatts de potência e se tornou a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira. Ao contrário de grandes hidrelétricas ou termelétricas, porém, a produção desse tipo de energia não pode ser controlada pelo operador do sistema, o que traz desafios para o equilíbrio da rede. Mudanças de características A Aneel afirma ter identificado casos em que usinas solares distribuídas alteraram suas características técnicas para aumentar a potência instalada sem informar o regulador ou as distribuidoras. Segundo o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, há inclusive “casos de polícia”, com fraudes que serão “duramente penalizadas”. "Se alguém burla alguma informação para levar vantagens, se está trazendo problema para outros, tem que ser responsabilizado", afirmou Feitosa, acrescentando que a Aneel buscará responsabilização "civil e criminalmente". Segundo a agência, ampliações irregulares costumam ocorrer para manter benefícios tarifários da geração distribuída sem arcar com custos adicionais. Esse tipo de prática pode provocar sobrecarga nas redes locais, aumentando o risco de interrupções no fornecimento de energia e dificultando a gestão do sistema elétrico nacional. A Aneel ainda não tem estimativas sobre a dimensão do problema, mas já encontrou casos de aumento de potência sem autorização na rede de uma distribuidora do grupo CPFL. Agora, todas as concessionárias do país terão que realizar uma auditoria completa nas conexões de geração distribuída. Pelas regras colocadas em consulta pública por 45 dias, se forem identificadas ampliações irregulares, as distribuidoras poderão cobrar dos consumidores o uso adicional da rede elétrica. Mecanismos regulatórios O diretor Gentil Nogueira, relator do processo, afirmou que já existem instrumentos regulatórios que permitem às distribuidoras lidar com essas situações, inclusive com a suspensão do fornecimento de energia e a recuperação de valores devidos. A Aneel também determinou que as distribuidoras deverão negar novas conexões de geração distribuída em regiões onde o ONS já identificou limitações na rede de transmissão para escoar mais energia. Um exemplo citado são localidades no Mato Grosso. "O ONS mesmo já está sinalizando que temos alguns pontos de restrição no sistema elétrico Mato Grosso, refletindo também nos sistemas de Rondônia e Acre. Isso certamente é o início de um processo crescente que vai atingir daqui a pouco no Mato Grosso do Sul e outros Estados", disse o diretor Willamy Frota. A HostDime opera com energia renovável proveniente de sua usina solar própria, localizada em Pilar-PB. Freepik
22/04/2026 14:33:35 +00:00
Chevrolet Sonic quer desbancar Volkswagen Nivus no Brasil; veja primeiras imagens do SUV

Chevrolet Sonic RS 2027 surge em primeiras imagens oficiais Divulgação / GM A Chevrolet revelou nesta terça-feira (21) as primeiras imagens do Sonic. O modelo resgata o nome do hatch que foi importado do México, mas agora se apresenta como um SUV compacto que será produzido em Gravataí (RS). A reportagem do g1 teve contato direto com o carro e visitou os laboratórios da General Motors, em São Caetano do Sul (SP), para mostrar os detalhes. O projeto recebeu investimento de R$ 900 milhões ao longo de três anos até o lançamento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo a marca, o Sonic chega para ocupar o espaço entre o Onix Activ, previsto para 2026 e até agora mostrado apenas em ilustrações, e o Tracker. Durante a apresentação técnica, fitas no chão comparavam as medidas do protótipo do Sonic às do Volkswagen Nivus. Protótipo do Chevrolet Sonic nos laboratórios da General Motors em São Caetano do Sul (SP) Carlos Cereijo / g1 A comunicação da Chevrolet também usou o modelo da VW como referência para o tamanho do porta-malas, sem divulgar os números do Sonic. A motorização ainda não foi confirmada oficialmente, mas o g1 apurou que não haverá opção com motor aspirado nem com o 1.2 turbo. No lançamento, será oferecido apenas o conjunto 1.0 turbo com câmbio automático de seis marchas. No Tracker, esse motor de três cilindros entrega 115 cv e torque de 18,9 kgfm. Funcionários da GM trabalham no 1.0 turbo de um protótipo do Chevrolet Sonic Carlos Cereijo / g1 A Chevrolet também não divulgou preços, mas é possível fazer uma estimativa a partir das pistas deixadas pela marca. O Onix Activ deve custar em torno de R$ 130 mil, já que sai de fábrica com câmbio automático e nível de equipamentos semelhante às versões LTZ e Premier do compacto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O Chevrolet Tracker com motor 1.0 turbo é vendido por valores que vão de R$ 120 mil a R$ 160 mil. Com isso, o Sonic deve se posicionar entre R$ 130 mil e R$ 160 mil, faixa muito próxima da do concorrente escolhido pela GM, o VW Nivus com motor 1.0 turbo. Chevrolet Sonic RS 2027 surge em primeiras imagens oficiais Divulgação / GM Ao vivo O g1 teve acesso antecipado ao Sonic em uma apresentação reservada, na qual não foi permitido fazer fotos. Nas imagens divulgadas pela marca, a dianteira do SUV parece discreta em comparação com a grande grade preta, especialmente na versão RS. Ao vivo, porém, o conjunto se mostra mais equilibrado. O design do Sonic teve como inspiração o Equinox EV. Chevrolet Sonic RS 2027 surge em primeiras imagens oficiais Divulgação / GM Visto de perfil, as molduras pretas nos para-lamas ajudam a reduzir o peso visual da carroceria. Com 1,53 metro de altura, o Sonic é 6 cm mais alto que o Onix. Essa diferença poderia sugerir um visual desproporcional, já que o SUV usa as mesmas portas do hatch, mas isso não acontece. O rack de teto vai além da aparência e suporta até 50 kg de carga. A traseira tem bom acabamento visual. A combinação do caimento do teto com o spoiler sobre o vidro traseiro contribui para o efeito de estilo cupê que a Chevrolet busca, sem comprometer, ao que tudo indica, o espaço para a cabeça dos ocupantes. O interior do Sonic não pôde ser visto pela reportagem. Telas e mais telas No espaço onde são montados os protótipos da General Motors, todos os componentes internos do Sonic estavam expostos. Motor, câmbio e sistemas eletrônicos apareciam montados em uma bancada. Com o toque de um botão, o motor entra em funcionamento e o sistema é ativado. A cena lembra uma mesa de cirurgia, com tudo à vista. Telas do Chevrolet Sonic no laboratório de protótipos da GM em São Caetano do Sul (SP) Carlos Cereijo / g1 Esse tipo de montagem permite aos engenheiros identificar eventuais problemas sem a necessidade de montar e desmontar o SUV. Nesse ambiente, foi possível observar as telas que serão usadas no Sonic. O painel de instrumentos do motorista fica em um display semelhante a um tablet, com gráficos simples, cores suaves e opções de personalização. A central multimídia é integrada a uma peça maior. Os ícones seguem o mesmo padrão visual, com linhas finas e brancas, que se destacam sobre o fundo escuro em tom azulado. O Sonic será lançado em maio e, segundo a Chevrolet, é o principal lançamento da marca na América do Sul em 2026. “O Sonic provou ser um carro estratégico para a Chevrolet, com potencial tanto para conquistar clientes fiéis em ascensão quanto para atrair um novo perfil de público para a marca, algo fundamental para o plano de crescimento da empresa”, afirma Gustavo Aguiar, diretor de Marketing da GM América do Sul.
22/04/2026 14:12:09 +00:00
Fux e Mendonça votam para manter prisões de ex-presidente do BRB e advogado investigados no caso do Banco Master

STF avalia prisão de ex-presidente do BRB Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux e André Mendonça votaram, na manhã desta quarta-feira (22), para manter as prisões do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso. Paulo Henrique e Daniel Monteiro foram presos em 16 de abril, em uma nova fase da operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo os negócios do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A operação aconteceu após autorização de André Mendonça, relator do caso no STF. A partir desta quarta, os ministros analisam a decisão que determinou a prisão preventiva dos investigados. Ainda faltam os votos dos ministros Nunes Marques e Gilmar Mendes. A deliberação deve terminar às 23h59 da próxima sexta-feira (24), se não houver pedido de vista (mais tempo de análise) ou de destaque (leva o caso para julgamento presencial). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Daniel Monteiro, advogado do Banco Master Divulgação e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília Decisão do relator Na decisão que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, o ministro Mendonça aponta que, as apurações "revelam, em tese, a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com expressivo impacto patrimonial e institucional". "Em seu bem lançado parecer, o Procurador-Geral da República assenta que os elementos colhidos pela Polícia Federal revelam quadro indiciário consistente de atuação de organização criminosa voltada à fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, em operação com participação de agentes do banco privado e de integrantes da alta administração do banco público", declarou Mendonça. Mendonça citou informações do Ministério Público de que Paulo Henrique Costa recebeu vantagem indevida em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos. "Quanto a Daniel Lopes Monteiro, aponta sua atuação como agente-chave da vertente jurídica da estrutura criminosa, especialmente na formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias, havendo indicação, em princípio, de proveito econômico próprio de ao menos R$ 86,1 milhões", completou. Quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso pela PF LEIA TAMBÉM: Quem é Paulo Henrique Costa Ex-presidente do BRB levava esposa para visitar apartamentos luxuosos oferecidos por Vorcaro Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
22/04/2026 14:09:15 +00:00
Obras de arte, joias e carros de luxo: o que dá para comprar com os R$ 5,7 milhões do BBB 26

De desclassificada a protagonista: a jornada da heroína de Ana Paula Renault no 'BBB 26' A edição do Big Brother Brasil 2026 terminou com o maior prêmio da história do reality. A vencedora, Ana Paula Renault, levou R$ 5,7 milhões após conquistar 75,94% dos votos do público na final, exibida na noite desta terça-feira (21). Além do valor em dinheiro, ela também ganhou um carro zero quilômetro e um apartamento. Com uma quantia desse tamanho, as possibilidades de investimento ou de consumo são diversas. Para quem sonha em entrar no BBB 27 e ainda não faz ideia do que faria com o prêmio, o g1 reuniu exemplos do que é possível comprar com R$ 5,7 milhões. Veja a seguir: Obras de arte A obra O Mágico (2001), de Beatriz Milhazes, foi vendida por cerca de R$ 5,2 milhões em leilão Divulgação Do luxo a mudanças no estilo de vida, há uma lista extensa do que dá para fazer com R$ 5,7 milhões. Para quem gosta de arte, por exemplo, o valor permitiria investir em obras como a pintura original de Beatriz Milhazes, com preços que variam entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões. O prêmio do BBB permitiria comprar cerca de 1 a 11 obras dentro desse intervalo de valor. Uma de suas telas mais conhecidas, O Mágico (2001), foi vendida por cerca de R$ 5,2 milhões em um leilão da Sotheby's, em Nova York — ou seja, quase todo o prêmio seria necessário para adquirir uma peça desse nível. Já gravuras, serigrafias e trabalhos menores da artista, com preços entre R$ 50 mil e R$ 500 mil, permitiriam a compra de 11 a 114 peças. Obras de Vik Muniz ou da dupla Os Gêmeos também aparecem na faixa de centenas de milhares de reais. Trabalhos de Muniz, por exemplo, podem ser encontrados a partir de cerca de R$ 100 mil — o que permitiria adquirir aproximadamente 57 obras com o valor total do prêmio. Joias e peças de grife O anel “Panthère de Cartier”, de aproximadamente R$ 210 mil, permitiria a compra de cerca de 27 peças Divulgação/Cartier No segmento de joias, peças de grifes tradicionais também entram na conta. Um anel com diamantes da Cartier pode ultrapassar R$ 100 mil — o que permitira a compra de mais de 50 unidades com o valor do prêmio. Avaliada em cerca de R$ 236 mil, a pulseira “LOVE”, com pavé de diamantes, poderia ser comprada aproximadamente 24 vezes. Já o anel “Panthère de Cartier”, que custa em torno de R$ 210 mil, permitiria a compra de cerca de 27 unidades. No universo da moda, o prêmio poderia comprar diferentes marcas de luxo. Com o total, seria possível adquirir de 11 a 57 bolsas Birkin, da Hermès — que custam entre R$ 100 mil e R$ 500 mil, ou montar cerca de 11 guarda-roupas repletos de roupas da Chanel e da Louis Vuitton, considerando um custo médio de R$ 500 mil cada. Carros BMW X6 Divulgação Entre os bens de luxo duráveis, o prêmio também permitiria a compra de diferentes carros premium. O BMW X6, na faixa de R$ 700 mil, poderia ser comprado cerca de oito vezes com o prêmio de R$ 5,7 milhões. Já o Range Rover Vogue, com valor acima de R$ 1 milhão, permitiria a compra de aproximadamente cinco unidades. Viagens e experiências Suíte Mansart, do The Ritz Paris, custa cerca de € 17.600 (cerca de R$ 95 mil) a diária. Divulgação/The Ritz Paris No campo das experiências, o valor seria suficiente para bancar uma volta ao mundo em alto padrão, passando por destinos como Maldivas, Paris, Dubai e Nova York. Hospedagens em hotéis icônicos, como o Burj Al Arab ou o The Ritz Paris, elevam o custo de uma viagem de luxo para algo entre R$ 200 mil e R$ 500 mil — o que permitiria realizar cerca de 11 a 28 viagens nesse padrão. Na suíte Mansart, do The Ritz Paris, por exemplo, é possível desfrutar de um espaço de 85 m², com terraço privativo, vista para a Torre Eiffel e para a Place Vendôme, além de sala de estar separada, closet e dois banheiros. Com diárias a partir de € 17.600 (cerca de R$ 95 mil), o prêmio de R$ 5,7 milhões permitiria custear cerca de 60 noites na suíte — o equivalente a aproximadamente dois meses em um dos hotéis mais exclusivos do mundo. Suíte Mansart, do The Ritz Paris, na França. Divulgação/The Ritz Paris Imóveis de alto padrão Roda-gigante e vista para Praia Central de Balneário Camboriú PMBC/Divulgação Já no mercado imobiliário, o valor permitiria adquirir um imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, cidade que tem um dos metros quadrados mais caros do país e é conhecida pelos arranha-céus de luxo. Com cerca de R$ 5 milhões, é possível comprar um apartamento de aproximadamente 204 m², com quatro suítes, duas a três vagas de garagem, próximo à praia e em um condomínio com piscina, academia, cinema, spa e tecnologias de automação residencial. Ana Paula Renault está no 'BBB 26' Globo/Manoella Mello
22/04/2026 13:57:38 +00:00
Como Tim Cook transformou a Apple em uma gigante trilionária e o que fica de legado; CEO deixará o cargo em setembro

Apple anuncia sucessão: Tim Cook deixará comando e John Ternus será novo CEO Após 15 anos como presidente-executivo (CEO) da Apple, Tim Cook anunciou nesta semana que deixará o cargo. Sucessor de Steve Jobs, ele assumiu o posto de CEO em 2011 e liderou o período em que a companhia se tornou uma das mais valiosas do mundo. O atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, John Ternus, assumirá como novo CEO a partir de 1º de setembro de 2026, poucos dias antes de a empresa anunciar a possível nova geração do iPhone 18. Uma reportagem do The New York Times, publicada em janeiro de 2026, já apontava John Ternus como principal sucessor e revelava que Tim Cook havia dito a executivos da companhia que estava cansado e pretendia reduzir a carga de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Cook não deixará a companhia e vai ocupar o cargo de presidente do conselho de administração. Para especialistas ouvidos pelo g1, apesar das incertezas no início, Tim Cook deixa saldos positivos à frente da Apple, e os números indicam mais acertos do que erros (entenda mais abaixo). "A solidez financeira e operacional da Apple é, talvez, o maior presente que Cook deixa para Ternus", diz Filipe Espósito, especialista em Apple. Ceticismo no início Tim Cook ao lado de Steve Jobs durante conferência sobre problemas no iPhone 4, em julho de 2010. Cook é o sucessor de Jobs na Apple Kimberly White/Reuters Cook está na Apple desde 1998, após passagens pela IBM, onde trabalhou por 12 anos na área de operações, e pela Compaq, por cerca de um ano. Ele ingressou na Apple como vice-presidente de operações e, em 2005, assumiu o cargo de diretor de operações, com responsabilidades sobre cadeia de suprimentos, vendas e serviços. Cook se tornou CEO da Apple em 2011, cerca de dois meses antes da morte de Steve Jobs. "Steve Jobs foi talvez o primeiro CEO 'superstar', e Cook assumiu sob forte ceticismo. Ele era visto como um gestor focado em processos e custos, não como um líder visionário ligado ao design", diz Igreja. "Desde quando entrou na Apple em 1998, Cook trabalhou para reduzir estoques, otimizar a logística global e transformou a empresa em uma máquina de margens de lucro imbatíveis", completa Filipe Espósito. iPhone Pro 17 Pro e iPhone Air Godofredo A. Vásquez/AP À frente da empresa, supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles, novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. "Mas também houve produtos questionáveis, como o Apple Vision Pro, que praticamente ninguém fala desde que foi lançado. Além disso, houve polêmicas envolvendo relações governamentais, incluindo uma aproximação considerada controversa com o governo de Donald Trump", analisa Igreja. A estratégia de produção centralizada na China, embora eficiente, tornou-se um risco geopolítico, principalmente com Cook buscando se aproximar de Trump para evitar tarifas mais pesadas, afirma Espósito. "Ele também teve de lidar com várias acusações de monopólio ao redor do mundo, principalmente por conta do domínio da App Store no iPhone". Sucesso trilionário e dúvidas sobre investimento em IA Tim Cook, CEO da Apple, apresenta o novo iPhone 12 na Califórnia Brooks Kraft/Apple Inc./Handout via Reuters Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões, um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. Arthur Igreja destaca que, ao longo dos 15 anos de gestão de Tim Cook, a Apple ampliou sua presença global, reduzindo a dependência de mercados como EUA e Europa. A empresa também diversificou a produção, antes concentrada na China, com expansão para países como Vietnã e Índia. "A empresa ficou menos dependente do iPhone, que já representou quase metade da receita, e passou a crescer mais em serviços e acessórios", afirma Igreja. Ao mesmo tempo em que tornava a empresa ainda mais poderosa, Tim Cook enfrentou forte pressão e uma delas relacionada aos avanços mais tímidos da Apple em inteligência artificial, enquanto rivais investem bilhões na área. Após anos no topo, a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa para a Nvidia, diante de preocupações de investidores com inovação. O cenário deve desafiar a futura gestão de John Ternus, segundo a agência de notícias Reuters. "A gestão dele enfrentou diversas críticas e momentos conturbados. Para alguns, a Apple deixou de ousar e hoje segue um caminho mais conservador ao evitar o lançamento de produtos que sejam considerados disruptivos, focando em iterações com melhorias incrementais de produtos já existentes", conta Filipe Espósito. Quem é John Ternus John Ternus (à esquerda), novo CEO da Apple, e Tim Cook, que deixa o cargo para ser presidente executivo do conselho de administração da empresa Divulgação/Apple Atual vice-presidente sênior de engenharia de Hdrdware da Apple, John Ternus entrou para a empresa em 2001, integrando a equipe de design de produtos. Ao longo dos anos, passou a ocupar posições de liderança na área de engenharia de hardware e, em 2013, tornou-se vice-presidente da divisão. Desde 2021, faz parte da equipe executiva da empresa. Antes de ingressar na Apple, o executivo trabalhou como engenheiro mecânico na empresa Virtual Research Systems. Ele é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. "John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra. Ele é um visionário cujas contribuições para a Apple ao longo de 25 anos já são numerosas demais para serem contadas, e ele é, sem dúvida, a pessoa certa para liderar a Apple rumo ao futuro", disse Cook ao anunciar seu substituto. LEIA TAMBÉM: Prisão de MCs Ryan SP e Poze do Rodo: o que o iCloud pode revelar sobre rotina do usuário Quem é John Ternus, sucessor de Tim Cook no comando da Apple iPhone 17e x 16e: veja o que muda no celular 'econômico' da Apple Como um backup no iCloud levou à prisão de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo Pesquisa mostra que chatbots dão péssimos conselhos e bajulam usuário; saiba os riscos EUA registram domínio 'alien.gov' após Trump mandar divulgar arquivos de supostos ETs
22/04/2026 13:03:19 +00:00
Ibovespa cai aos 192 mil pontos e dólar fecha estável em R$ 4,97, após trégua entre EUA e Irã

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 1,65% nesta quarta-feira (22), aos 192.889 pontos. Já o dólar fechou estável nesta quarta-feira (22), volta do feriado do Dia de Tiradentes no Brasil. A moeda encerrou cotada em R$ 4,9740. Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 5,9549. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ As ações do setor financeiro estiveram entre as maiores baixas da sessão nesta quarta-feira. Parte do que explica esse movimento, segundo analistas, é o atual momento do Ibovespa, que vive um período de realização de lucros. De acordo com analistas do Itaú BBA, a projeção é que o índice siga em alta no curto prazo. ▶️ No noticiário, as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam no centro das atenções dos mercados internacionais. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, prorrogou o cessar-fogo com o Irã com o país do Oriente Médio por um prazo indefinido. Segundo Trump, a medida valerá "até que os representantes iranianos cheguem a uma proposta unificada para negociar a paz". ▶️ Apesar da extensão do acordo ser vista como positiva, investidores seguem cautelosos. Isso porque, além da falta de avanços concretos para encerrar o conflito, os EUA ainda mantiveram o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo. 🔎 O fechamento do canal, que completou dez dias nesta quarta-feira, continua a trazer preocupações sobre a oferta da commodity e seus eventuais impactos na inflação mundial. Com isso, o preço do petróleo tipo Brent (referência internacional), subiu mais de 3% na sessão, colocando o barril no patamar dos US$ 101. ▶️ No Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara pode votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da escala de trabalho 6×1, tema que ganhou repercussão recente. A discussão é acompanhada de perto por investidores, já que pode influenciar expectativas sobre o ambiente de negócios e o mercado de trabalho. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,19%; Acumulado do mês: -3,95%; Acumulado do ano: -9,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,45%; Acumulado do mês: +2,89%; Acumulado do ano: +19,71%. Cessar-fogo com Irã Em meio à guerra no Oriente Médio, os EUA decidiram estender por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irã. A medida, anunciada por Donald Trump, atende a um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que tenta mediar uma saída diplomática para o conflito. 🔎A trégua, que estava prestes a expirar, foi mantida até que o governo iraniano apresente uma proposta unificada para avançar nas negociações de paz. Apesar da suspensão dos ataques diretos, o cenário segue longe de uma desescalada. Washington manteve o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo — decisão vista por Teerã como provocação e continuidade das hostilidades. Autoridades iranianas reagiram com desconfiança, indicando que a prorrogação do cessar-fogo pode ser apenas uma manobra tática dos EUA. Como resposta, o Irã sinalizou que não pretende reabrir o estreito enquanto a restrição americana continuar em vigor. As negociações também enfrentam impasses. Uma nova rodada de conversas foi adiada diante da falta de resposta iraniana, ampliando a incerteza sobre um possível acordo. Ao mesmo tempo, Trump lida com desgaste interno, com sua taxa de aprovação girando em torno de 36%, pressionado pela condução da guerra. Nesse contexto de tensão, novos episódios agravaram o quadro. O Irã afirmou ter apreendido dois navios comerciais no Estreito de Ormuz, sob a justificativa de que navegavam sem autorização e comprometiam a segurança da região. Uma das embarcações foi associada a Israel. Além disso, ao menos três navios foram alvo de ataques nas proximidades, segundo autoridades marítimas internacionais. Apesar dos danos, não houve vítimas. Escala 6x1 A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados também pode votar nesta quarta-feira um parecer favorável ao avanço das propostas que preveem o fim da escala 6x1. Se aprovadas, as PECs seguem para uma Comissão Especial e depois para o plenário, antes de irem ao Senado. 👩‍🏭🧑‍🏭Atualmente, existem mais de uma proposta na Câmara que alteram a jornada de trabalho no Brasil, fixada na maioria dos casos em 44 horas semanais. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) determinou que as propostas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) passassem a tramitar juntas (veja mais detalhes abaixo). Paralelamente à tramitação das PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar um projeto de lei próprio sobre o mesmo assunto. A avaliação do governo é a de que a aprovação de um projeto de lei é mais fácil, já que demanda menos votos para ser aprovado e tem tramitação mais curta. 🔎Uma PEC precisa de aval de ao menos 308 deputados, enquanto um projeto de lei depende apenas da maioria dos presentes no momento da votação. Mercados globais Nos EUA, as bolsas em Wall Street fecharam em alta. Dow Jones avançou 0,68%, enquanto o S&P 500 subiu 1,03%. Já o Nasdaq teve ganho de 1,62%. Na Europa, o movimento foi mais contido. O índice STOXX 600 fechou em queda de 0,35%, aos 613,88 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,96%, enquanto o DAX, da Alemanha, recuou 0,25%. O FTSE 100, de Londres, fechou em queda de 0,21%. Na Ásia, o desempenho foi misto. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 1,22%, aos 26.163 pontos. Já na China continental, os índices fecharam em alta: o SSEC, de Xangai, subiu 0,52%, aos 4.106 pontos, e o CSI300 avançou 0,66%, aos 4.799 pontos. No Japão, o Nikkei ganhou 0,4%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,46%. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters
22/04/2026 12:00:16 +00:00
Lufthansa cortará 20 mil voos para economizar combustível por conta de guerra no Irã

Aviões da Lufthansa em aeroporto de Frankfurt, na Alemanha REUTERS/Heiko Becker O grupo de companhias aéreas Lufthansa cancelará 20 mil voos de curta distância até outubro para economizar combustível em meio à escassez e à alta dos preços após o início da guerra no Irã. A Lufthansa anunciou na noite desta terça-feira (21/04), em comunicado, que os 20 mil voos cancelados representam uma redução de 1% na capacidade de passageiros para o verão no Hemisfério Norte e uma economia de aproximadamente 40 mil toneladas de querosene, cujo preço dobrou desde o início da guerra no Irã. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A maioria dos voos é da subsidiária regional Cityline, cujo fim das operações foi anunciado na semana passada. Na ocasião, a Lufthansa anunciou um conjunto de medidas como não usar aeronaves ineficientes e remover permanentemente os 27 aviões operacionais da CityLine de sua agenda de voos de verão no Hemisfério Norte, no meio do ano. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A retirada das aeronaves da CityLine já estava planejada, mas a guerra e disputas trabalhistas, incluindo paralisações, forçaram o grupo a antecipar a medida. Rotas não lucrativas A Lufthansa afirmou que os voos cancelados são rotas não lucrativas dos aeroportos de Frankfurt e Munique. Ao mesmo tempo, o grupo, que inclui Lufthansa, Austrian Airlines, Swiss, Brussels Airlines, Eurowings e ITA Airways, expandirá as rotas em Zurique, Viena e Bruxelas. A Lufthansa afirmou que o fornecimento de combustível para o grupo está garantido para as próximas semanas e espera um fornecimento estável para operar seus voos programados para a temporada de férias de verão no Hemisfério Norte. O grupo de companhias aéreas pretende otimizar neste verão europeu sua oferta de voos nos aeroportos de Frankfurt, Munique, Zurique, Viena, Bruxelas e Roma. A Lufthansa cancelará 120 voos até o final de maio e já informou os passageiros afetados. Os voos de Frankfurt am Main para Bydgoszcz e Rzeszow, na Polônia, assim como para Stavanger, na Noruega, foram cancelados "pelo menos temporariamente". Rotas redirecionadas Dez rotas serão redirecionadas, passando a ser operadas a partir de outros aeroportos, afetando voos para Stuttgart (Alemanha), Heringsdorf (Alemanha), Cork (Irlanda), Wroclaw (Polônia), Gdansk (Polônia), Ljubljana (Eslovênia), Rijeka (Croácia), Sibiu (Romênia), Trondheim (Noruega), Tivat (Montenegro). A Lufthansa possui seis hubs – além de Frankfurt e Munique, estes incluem Viena, Zurique, Bruxelas e Roma. A companhia aérea garantiu aos passageiros que eles continuarão a ter "acesso à rede global de rotas". A Lufthansa revisará seu planejamento de rotas de voos a médio prazo para os próximos meses e divulgará um relatório no final de abril ou início de maio.
22/04/2026 10:51:26 +00:00
Maior produtor de camisinhas do mundo pode subir preços em até 30% por causa da guerra no Irã

Goh Miah Kiat, CEO da Karex Reuters O chefe da Karex, maior fabricante de preservativos do mundo, afirmou que a empresa elevará os preços em até 30% — ou mais — caso a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã continue a comprometer o fornecimento de matérias-primas usadas em seus produtos. Goh Miah Kiat, CEO da Karex, disse a veículos de imprensa que os custos de produção subiram acentuadamente desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. A empresa, com sede na Malásia, produz mais de 5 bilhões de preservativos por ano e abastece marcas globais como Durex e Trojan, além de sistemas públicos de saúde, como o NHS (Serviço Nacional de Saúde, na sigla em inglês), do Reino Unido. No Brasil, a marca Prudence tem preservativos fabricados pela Karex. Goh deu as declarações em entrevistas à agência de notícias Reuters e à Bloomberg. A BBC entrou em contato com a empresa, mas não obteve resposta até o momento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O fornecimento global de petróleo foi fortemente afetado desde que o Irã respondeu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel com ameaças de atingir embarcações no estreito de Ormuz. A medida praticamente interrompeu o tráfego na via marítima, causando grandes impactos nas cadeias de suprimentos globais. Cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, além de outros produtos petroquímicos, passa pela região do estreito de Ormuz. A Karex depende de materiais derivados do petróleo, incluindo amônia, usada na conservação do látex, e lubrificantes à base de silicone. Segundo Goh, a demanda por preservativos cresceu cerca de 30% neste ano, enquanto o aumento dos custos de frete e os atrasos no transporte agravaram a escassez. "Em tempos difíceis, a necessidade de usar preservativos é ainda maior, porque há incerteza sobre o futuro, como saber se você ainda terá um emprego no próximo ano", disse ele à Bloomberg. "Se você tiver um filho agora, será mais uma boca para alimentar." A Karex depende de materiais derivados do petróleo, incluindo amônia, usada na conservação do látex, e lubrificantes à base de silicone Bloomberg via Getty Images A alta nos preços dos preservativos ilustra como a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que já sacudiu os mercados globais de energia, também está elevando os preços de outros produtos para os consumidores. A guerra contribuiu para alta nas passagens aéreas, com tarifas mais baratas em classe econômica custando, em média, 24% a mais do que há um ano, segundo pesquisa recente. Ao mesmo tempo, a interrupção de embarques pelo golfo Pérsico levou à alta dos preços de fertilizantes, medicamentos e à escassez de hélio, usado na fabricação de chips de computador. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, como ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente passa pelo estreito de Ormuz. No início do mês, a ONU alertou que os preços de açúcar, laticínios e frutas devem subir, pressionados também pelo aumento dos custos de transporte. Além disso, passam pelo estreito um terço das matérias-primas essenciais para a produção global de medicamentos, incluindo analgésicos, antibióticos e vacinas. A indústria de água engarrafada também enfrenta pressão, à medida que fabricantes têm dificuldade para obter matérias-primas. Já as negociações de paz entre EUA e Irã permaneciam incertas na quarta-feira (22/4), após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que estenderia o cessar-fogo entre os dois países até que haja avanços nas conversas. Vale notar que, desta vez, Trump não especificou por quanto tempo o cessar-fogo poderá durar. No início deste mês, ele havia estipulado um prazo de duas semanas para o primeiro cessar-fogo. A medida ocorreu após declarações contraditórias em entrevistas à imprensa, nas quais afirmou que as negociações avançavam bem, mas também advertiu que consideraria retomar a guerra caso o Irã se recusasse a negociar.
22/04/2026 10:46:44 +00:00
'Meu nome está sujo em 5 bancos por causa de bets': a angústia de brasileiros em meio ao endividamento recorde

Mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas e quase 82 milhões de pessoas estão inadimplentes, um recorde histórico que atormenta o governo em ano de eleição Getty Images via BBC Brasil "Minha Santa Edwiges, agracia o pedido que venho fazer a vós, para que este final do mês de abril eu consiga pagar a conta toda no mercado, ou pelo menos consiga pagar uma parte da minha conta que eu estou devendo, para poder fazer outras compras e pagar no final do mês. Amém, amém, que assim seja e a Senhora abençoe e ilumine, amém." A oração foi publicada no início de abril por uma mãe cearense em uma comunidade virtual que reúne devotos da santa católica protetora dos aflitos e endividados. A aflição dessa mãe é hoje a de 80,4% das famílias brasileiras, que se encontravam endividadas em março, recorde na série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada desde janeiro de 2010 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a pesquisa, 29,6% das famílias tinham dívidas em atraso em março e 12,3% não tinham condição de pagar as contas atrasadas naquele mês, com o pagamento de dívidas comprometendo quase um terço da renda familiar (29,6%). Cartões de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%) representam hoje os principais tipos de dívidas das famílias, segundo o levantamento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Outra pesquisa, realizada pela Serasa, aponta que 81,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta, com valor médio da dívida por pessoa de R$ 6.598,13. Segundo especialistas, três fatores principais explicam o alto endividamento: a ampliação da oferta de crédito com o aumento do número de pessoas com contas em banco desde a pandemia, as altas taxas de juros e, mais recentemente, a disseminação no país das plataformas de apostas virtuais, conhecidas como bets. O endividamento elevado virou uma dor de cabeça para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano eleitoral. A avaliação do governo é de que o peso das dívidas mascara a alta da renda e o desemprego baixo, contribuindo para a avaliação negativa dos brasileiros da economia, mesmo com a inflação controlada e o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo. Em resposta ao problema, o governo planeja lançar uma segunda versão do programa de renegociação de dívidas Desenrola. Uma das medidas em estudo é a liberação de valores retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas, em um montante que pode chegar a R$ 7 bilhões, segundo informações preliminares. O governo também avalia mecanismos para conter o uso excessivo de plataformas de apostas para tentar reduzir o endividamento das famílias. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o novo programa deve contemplar tanto pessoas físicas quanto empresas. 'Que este final do mês de abril eu consiga pagar a conta toda no mercado, ou pelo menos consiga pagar uma parte da minha conta que eu estou devendo', pede em oração uma mãe cearense a Santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados Getty Images via BBC Brasil 'Recebo 20 ligações de cobrança por dia' "Que bom que você avisou que ia ligar, porque senão o DDD 11 eu não atenderia normalmente", diz a catarinense Bárbara Helena da Silva, de 31 anos, ao falar por telefone com a reportagem da BBC News Brasil. "Eu recebo por volta de 20 ligações de cobrança por dia. Descobri que estão ligando até para minha cunhada para cobrar dívida minha. Fiquei triste, porque esse é um problema meu, não queria que respingasse em outras pessoas." As dívidas de Bárbara são hoje as mais comuns entre os brasileiros: foram três cartões de crédito que levaram a moradora de Florianópolis a se tornar inadimplente. Ela estima suas dívidas em atraso hoje em mais de R$ 20 mil — originalmente, eram cerca de R$ 10 mil, que dobraram em seis meses, diz ela, por causa dos altos juros dos cartões. Segundo dados do Banco Central, o juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito era de 435,9% ao ano em fevereiro — o crédito rotativo é acionado quando a pessoa não paga o valor total da fatura até o vencimento. Mas, desde 2024, está em vigor uma norma que estabelece um teto para o aumento de uma dívida no cartão de crédito até o dobro do valor original. Segundo uma pesquisa Datafolha divulgada em 18 de abril, 27% dos entrevistados disseram usar o crédito rotativo com diferentes graus de frequência. Esta mesma pesquisa mostrou que 67% dos brasileiros dizem ter dívidas financeiras e que 21% têm parcelas em atraso. Juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito era de 435,9% ao ano em fevereiro, segundo dados do Banco Central Getty Images via BBC Brasil Bárbara conta que, como psicóloga autônoma, sente em primeira mão quando a renda das pessoas está apertada, porque, quando elas perdem poder de compra, o primeiro gasto que cortam é com a saúde mental. "Fui perdendo clientes, e minha renda foi diminuindo bastante. Aí, tive que optar por pagar o aluguel e as contas de casa ou pagar o cartão de crédito, que tinha várias compras parceladas. Foi meio que inevitável", diz a psicóloga. Entre as compras parceladas nos seus três cartões — dois de instituições financeiras digitais e um de banco tradicional —, ela cita o computador que usa para trabalhar, uma cadeira de escritório e um aparelho de ar-condicionado. "São coisas pequenas, mas que a gente não consegue comprar à vista. A gente vai parcelando, vai juntando parcela com parcela, e vira uma grande bola de neve." Uma sociedade que consome via crédito O geógrafo Kauê Lopes dos Santos estudou a cultura da compra parcelada nas periferias de São Paulo em seu livro recém-lançado Parcelado (Editora Fósforo). "Do ponto de vista estrutural, temos no Brasil uma sociedade que consome via crédito, via parcelamento", diz Santos, que é professor da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele observa que essa cultura de consumo se fortaleceu particularmente nas últimas três décadas, a partir dos anos 2000. "Isso vai desde produtos mais caros — e aí temos, sobretudo, os imóveis, já que praticamente todas as classes sociais precisam parcelar a compra de moradia —, mas chega até a situações de parcelamento de compra de alimentos. Então, o espectro do endividamento e do parcelamento é muito grande." A partir de entrevistas que conduziu com moradores de periferias paulistanas desde 2010, Santos observa que o parcelamento passou a fazer parte do modus operandi da organização do orçamento doméstico, assim como eventuais entradas em situação de inadimplência. "O que observei nas entrevistas é que a situação de endividamento é tratada com um certo humor, do tipo: 'Mas, também, quem não está parcelando?'", conta o pesquisador. "Ao mesmo tempo, isso é um dado de tensão dentro do orçamento doméstico, justamente porque as populações de baixa renda são aquelas que têm os menores rendimentos e que muitas vezes trabalham em condições de informalidade, ou seja, em situações de maior vulnerabilidade." Pagamento de parcelas compromete o orçamento futuro das famílias, no que o geógrafo Kauê Lopes dos Santos chama em seu livro de uma 'alienação do futuro' DIVULGAÇÃO/EDITORA FÓSFORO O professor da Unicamp destaca que o pagamento de parcelas compromete o orçamento das famílias a longo prazo, no que ele chama em seu livro de uma "alienação do futuro". "Se você tem um rendimento e você sabe que está trabalhando todo mês para pagar aquilo, a possibilidade de você sonhar, de se projetar no cenário no futuro em outro lugar, com outra experiência de vida, ou até mesmo ascender socialmente está comprometida", afirma Santos. "Porque todo esse parcelamento que você está pagando é um produto da sua renda e do seu trabalho. Aquilo não está sendo utilizado para um projeto pessoal, está sendo utilizado por instituições financeiras e para o pagamento de juros — os mais altos do mundo." A esse cenário se somaram recentemente as bets, observa o pesquisador. "Isso potencializa a questão do endividamento", afirma. "É um campo importante de pesquisa, porque o sujeito que está endividado e que vai buscar dinheiro fácil acredita na promessa das bets, se endivida mais ainda, e tem que recorrer ao cheque especial e a outras modalidades de crédito com taxas ainda mais altas." 'O jogo praticamente destruiu minha vida' Foi o que aconteceu com Nicole, de 21 anos, moradora de um município de pouco mais de 8 mil habitantes no interior da Bahia. A jovem dona de casa afirma que teve seu casamento e sua saúde mental destruídos pelo vício em apostas. Atualmente, não sabe dizer quanto tem em dívidas, mas estima que sejam mais de R$ 10 mil, em empréstimos bancários que tomou para continuar apostando em bets. Ela preferiu ter seu nome verdadeiro preservado para dar seu relato à BBC News Brasil. "Tudo começou em 2023. Foi assim: eu estava assistindo o vídeo de uma influenciadora muito famosa nos stories [do Instagram], aí me deparei com ela postando o link de um jogo e acabei clicando", lembra. "Joguei R$ 10 na época e ganhei R$ 100, aí fiquei eufórica. Daí por diante, o vício só foi crescendo, cada dia mais. Eu não conseguia mais sair." 'Meu nome hoje em dia é sujo em cinco bancos por conta das casas de apostas', conta baiana de 21 anos, que viu seu casamento acabar devido ao vício Joédson Alves/Agência Brasil "Meu nome hoje em dia é sujo em cinco bancos por conta das casas de apostas. Então, trouxe para mim muitos problemas, tanto financeiros, como físicos e psicológicos. Esse jogo praticamente destruiu minha vida, meu casamento desabou por conta do vício." Desempregada e com o Bolsa Família como única fonte de renda, ela diz que não tem perspectiva de pagar a dívida. "Como não trabalho e, na Bahia, atualmente, é difícil arrumar emprego, não estou pagando, porque são muitas dívidas, não tenho como pagar." Nicole afirma que ainda não tem candidato a presidente para as eleições de outubro, mas se diz pessimista com os rumos do país. "O Brasil só vem decepcionando a gente, por vários fatores, como as casas de apostas. Isso já era para ter sido resolvido pelo governo, porque ele está vendo que está destruindo milhares e milhares de pessoas", diz ela. Uma pesquisa Quaest divulgada em 17 de abril mostrou que 29% dos brasileiros dizem ter o costume de fazer apostas em bets. "Já era para o governo ter bloqueado as casas de apostas, mas, infelizmente, a gente vive em um país que é basicamente sem lei." 'Bancos são lenientes para conceder crédito' Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, observa que um dos fatores relevantes por trás do recorde de endividamento é a falta de critérios das instituições financeiras na concessão de crédito. O caso de Nicole é um exemplo disso: a dona de casa tem no Bolsa Família sua única fonte de renda, mas conseguiu empréstimos com cinco instituições financeiras. "Existe uma certa leniência dos bancos na concessão do crédito, especialmente modalidades altamente populares, como o rotativo do cartão de crédito, que é praticamente uma linha pré-aprovada de crédito com juros altíssimos", diz Bentes. Procurada pela BBC News Brasil, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) discorda da análise e afirma que "o objetivo principal do sistema bancário é promover acesso responsável ao crédito, com equilíbrio entre inclusão financeira, gestão de risco e proteção ao cliente". A entidade afirma que a concessão de crédito das instituições a ela associadas segue "critérios rigorosos de análise", a partir da regulamentação estabelecida pelo Banco Central e considerando o perfil de cada consumidor. No caso específico do rotativo do cartão de crédito, a Febraban aponta que essa é uma "linha emergencial e de curtíssimo prazo". "Seu custo mais elevado está diretamente associado ao maior risco da operação, à ausência de garantias e à maior probabilidade de inadimplência nesse tipo de crédito", diz a nota enviada à reportagem. Outro fator relevante foi o avanço da bancarização a partir da pandemia, com a multiplicação dos bancos digitais e o uso do Pix possibilitando a inclusão financeira e o acesso a crédito. Isso foi positivo para a economia como um todo e trouxe maior segurança para milhares de pessoas, que antes recorriam a agiotas quando necessitavam de empréstimos, explica o economista. No entanto, a combinação de mais pessoas com conta em banco, falta de educação financeira e uma taxa básica de juros que chegou a 15% ao ano (atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, ainda bastante elevada) foi explosiva para o endividamento. Neste cenário, tanto Bentes, como Kauê Lopes do Santos, da Unicamp, avaliam que uma nova edição do Desenrola deve apenas promover um alívio temporário, mas não resolver o problema crônico do endividamento. Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses Ministério da Fazenda Estudo recente da consultoria MB Associados mostra que a primeira versão do programa, encerrada em maio de 2024, "produziu uma redução estatisticamente significativa e economicamente relevante na inadimplência das famı́lias de baixa renda, da ordem de 2 a 3,5 pontos percentuais nas linhas sem garantia" — empréstimos concedidos sem a necessidade de um bem (imóvel ou veículo) para dar segurança ao banco. "Contudo, o efeito foi inteiramente temporário: dissipou-se em 18 meses após o lançamento, com a inadimplência retornando e, em muitos casos, superando os níveis pré-programa", observa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, em relatório que apresenta os resultados do estudo. "Isso sugere que o Desenrola funcionou como uma limpeza pontual de carteira, sem alterar os determinantes estruturais do endividamento." Para Bentes, da CNC, uma mudança estrutural exigiria promover a educação financeira da população, melhorar a transparência na comunicação dos custos da tomada de crédito, um maior controle por parte das instituições financeiras na concessão de crédito, aumento da competição bancária e, por fim, a redução dos juros básicos da economia. "O governo precisa dar o exemplo e equilibrar o orçamento dele, porque é o desequilíbrio das contas públicas que joga a Selic a 15%", diz o economista. O desequilíbrio das contas públicas — quando o governo gasta mais do que arrecada — tende a elevar os juros, porque aumenta a percepção de risco pelos investidores. Para financiar o déficit, o governo precisa emitir mais dívida, pressionando as taxas para cima. Além disso, há maior incerteza sobre inflação futura, o que leva o Banco Central a manter juros mais altos para controlar a inflação, encarecendo o crédito em toda a economia. O economista-chefe da CNC observa que é o próprio governo o mais afetado pelo mau humor dos endividados, o que deve ter impactos nas eleições deste ano. "As decisões relacionadas a eleições tendem a ser multifatoriais, mas é claro que um eleitor com uma dívida, com a corda no pescoço, tende a criticar a situação, (e dizer) 'esse governo que me levou a essa situação'", afirma Bentes. "Um eleitor menos endividado tende a ter uma decisão mais serena e menos extrema do que o eleitor que está com uma parcela alta da renda comprometida." Os endividados e as eleições de outubro O mineiro Otávio, de 39 anos, é um exemplo dessa insatisfação dos endividados com o governo. Morador de uma cidade de pouco mais de 6 mil habitantes no interior mineiro, onde é dono de uma loja de acessórios de informática e serviço de copiadora, ele também se endividou ao cair no vício das apostas, assim como a baiana Nicole. Primeiro, queimou toda sua poupança, depois, vendeu seu carro avaliado à época em R$ 35 mil para pagar dívidas, mas diz que acabou gastando 80% do valor da venda do veículo em apostas. "Aí começou a minha saga: peguei empréstimos, um por cima do outro, gastei com cartão de crédito, foi virando aquela bola de neve", diz Otávio, que teve seu nome real preservado nesta reportagem. Ele estima ter atualmente cerca de R$ 30 mil em dívidas, mas já ter pedido mais de R$ 100 mil no jogo. Quase 82 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta, segundo dados da Serasa Divulgação/Serasa Otávio avalia que o governo faz pouco para combater o problema do vício em apostas entre a população. "Se eles estivessem tão preocupados assim, podiam já ter acabado com isso faz tempo, porque faz mais de cinco anos que isso é um problema no Brasil, não é possível." As apostas foram autorizadas no Brasil em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), e regulamentadas em 2023 e 2024, durante o terceiro mandato de Lula. O pequeno empresário mineiro diz que ainda não escolheu seu candidato para outubro, mas que provavelmente será Flávio Bolsonaro (PL). "Acho que, para além desse endividamento, o país está todo desequilibrado, a economia, muitas coisas pioraram bastante." Já a catarinense Bárbara diz que o fato de ela estar inadimplente e de o endividamento no Brasil ser recorde não muda em nada sua intenção de voto em Lula em outubro. "Eu sei que tudo isso acontece por questões que vão além do que o poder público tem em conta de lidar. Então, tem a questão do sistema financeiro, a questão das crises internacionais que acabam afetando o Brasil", diz a psicóloga. "Acho que o governo está fazendo um trabalho bom para tentar evitar que isso chegue à população, mas eles não podem fazer tudo e dar conta de tudo." Apesar das perspectivas políticas distintas, Bárbara, Nicole e Otávio têm em comum não terem ficado sabendo das medidas em estudo pelo governo para reduzir o endividamento dos brasileiros. Informados pela reportagem da BBC News Brasil sobre elas, todos avaliaram que o relançamento do Desenrola pode ser positivo. Mas o desconhecimento por parte de pessoas de todo o Brasil, de classes sociais distintas, revela o desafio de comunicação que o governo enfrenta.
22/04/2026 08:38:20 +00:00
Imposto de Renda 2026: como declarar ganhos com imóveis e quando há isenção no reinvestimento

Imposto de Renda 2026: veja como obter o informe de rendimentos no banco, empresa e INSS Ganhos com a venda ou o aluguel de imóveis exigem atenção na hora de declarar o Imposto de Renda (IR) e costumam gerar dúvidas entre contribuintes, especialmente sobre tributação e possíveis isenções. Quando uma pessoa física vende um imóvel por um valor maior do que pagou, a diferença é considerada ganho de capital e, em regra, está sujeita à cobrança de imposto, com alíquotas que variam de 15% a 22,5%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Esse ganho é tributado pelo Imposto de Renda e precisa ser apurado logo após a venda. A seguir, veja como declarar. Como declarar o ganho O cálculo do imposto não é feito diretamente na declaração anual. Segundo Cristiano Roveda, advogado e sócio fundador do escritório Roveda & Marcelino, o contribuinte deve usar o Programa de Apuração de Ganhos de Capital (GCAP), disponível no site da Receita Federal. “O imposto, se houver, deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte à operação, e depois essas informações são importadas para a declaração anual”, afirma. Quando há isenção Apesar da tributação, há uma exceção prevista em lei. Se o valor da venda de um imóvel residencial for reinvestido na compra de outro imóvel residencial no Brasil, o contribuinte pode ter direito à isenção, desde que: o reinvestimento seja feito em até 180 dias após a venda; a isenção seja proporcional ao valor aplicado (total ou parcial); o benefício seja utilizado apenas uma vez a cada cinco anos. Rendimentos com aluguel Os valores recebidos com aluguel também são tributáveis e precisam ser declarados no Imposto de Renda, podendo chegar a uma alíquota de até 27,5%. A forma de pagamento varia: Pessoa física: imposto pago mensalmente via carnê-leão; Pessoa jurídica: imposto retido na fonte pela empresa. “Mesmo assim, os valores precisam ser informados na declaração anual”, diz o advogado. Ele também chama atenção para mudanças recentes na legislação, como a isenção para rendas mensais de até R$ 5 mil para pessoas físicas. No entanto, como o g1 mostrou, as mudanças na faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a redução do imposto para quem recebe até R$ 7,35 mil, aprovadas no ano passado, não estarão em vigor na declaração de ajuste anual de 2026. 🔎A explicação é que a declaração deste ano se refere a fatos geradores ocorridos em 2025, o chamado “ano-base”. A ampliação da faixa de isenção já está valendo neste ano — os contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil já deixaram de pagar IR —, mas só terá efeitos na declaração anual de ajuste em 2027. Para quem busca reduzir a carga tributária, estruturas como holdings patrimoniais podem ser uma alternativa. “A utilização de uma holding pode reduzir a tributação para cerca de 11,33%, além de ajudar na organização, na proteção e na sucessão do patrimônio”, afirma Roveda. LEIA MAIS Quando vou receber a restituição? Declaração online ou programa no computador? Veja diferenças Veja como obter o informe de rendimentos no banco, empresa e INSS Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda em 2026 quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado; contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior; quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Imposto de Renda 2026: como declarar ganhos com imóveis ou o reinvestimento Divulgação
22/04/2026 08:04:55 +00:00
Conteúdos virais prometem atalhos para reduzir dívidas, mas especialistas alertam para armadilhas

Promessas virais para quitar dívidas podem esconder armadilhas Promessas de reduzir dívidas drasticamente — especialmente as bancárias — têm ganhado força nas redes sociais. Em vídeos e publicações, influenciadores afirmam que consumidores podem diminuir o valor devido ou até quitar débitos elevados pagando quantias pequenas. Entre as orientações mais comuns estão pedir à instituição o chamado Descritivo Evolutivo da Dívida (DDE), registrar reclamações no Banco Central ou abrir queixas na plataforma consumidor.gov.br para contestar cobranças. Especialistas ouvidos pelo g1 alertam, no entanto, que esse tipo de orientação costuma simplificar um processo que, na prática, é mais complexo e segue critérios bem definidos. ⚖️ Um dos principais recursos citados nas redes é a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021). A norma foi criada para proteger consumidores que não conseguem pagar suas dívidas sem comprometer despesas básicas do dia a dia. A legislação, no entanto, tem limites. Segundo Gustavo Fonseca, sócio do escritório Fonseca Brasil Serrão Advogados, a legislação brasileira oferece mecanismos para lidar com o endividamento excessivo — mas eles não funcionam como um cancelamento automático das dívidas. A lei permite que o devedor apresente um plano de pagamento que preserve um valor mínimo para sua subsistência, organizando a quitação das dívidas em até cinco anos. Quem pode usar a Lei do Superendividamento? Apesar da possibilidade de renegociação judicial, a legislação estabelece limites para a aplicação do mecanismo. “A lei exige uma situação de colapso financeiro comprovado, não basta estar inadimplente ou considerar os juros altos”, afirma Fonseca. Além disso, alguns tipos de dívida ficam fora do alcance da norma. 🔒 É o caso de contratos que têm o próprio bem como garantia — como financiamentos de imóveis ou veículos, nos quais a casa ou o carro podem ser retomados pelo banco em caso de inadimplência. 🧾 Também não entram no processo créditos rurais nem débitos com o poder público, como impostos e outras obrigações fiscais. Outro requisito previsto na legislação é a boa-fé do consumidor. Isso significa que a medida não se aplica quando há indícios de fraude ou quando a pessoa assume dívidas já sabendo que não terá condições de pagá-las. O procedimento costuma envolver uma análise detalhada da situação financeira do devedor. Em muitos casos, a discussão ocorre na Justiça, com a apresentação de documentos que comprovem renda, despesas e o volume das dívidas. E contestar juros abusivos, pode? Nas redes sociais, também circulam orientações para contestar juros considerados abusivos. Alguns influenciadores sugerem que bastaria registrar reclamações em órgãos públicos para reduzir os valores cobrados pelos bancos. Especialistas, porém, afirmam que essas plataformas não têm poder para alterar contratos. 🏦 O Banco Central atua na fiscalização do sistema financeiro e pode apurar irregularidades cometidas pelas instituições; 🤝 O Consumidor.gov.br funciona como um canal de mediação entre empresas e consumidores. 🚫 Nenhum desses mecanismos, porém, pode obrigar um banco a reduzir ou cancelar uma dívida. Segundo Tiemy Kunimi, advogada do escritório Bruno Boris Advogados, a revisão de cobranças normalmente depende da identificação de alguma irregularidade no contrato ou na forma como os juros foram aplicados. “Não basta afirmar que o valor cobrado é elevado ou contestar o montante da dívida. É necessário indicar algum vício no contrato ou a falta de clareza das informações, o que pode ser demonstrado com apoio técnico.” Na prática, isso significa apontar exatamente onde está o problema — como cobranças indevidas, cláusulas abusivas ou falta de transparência — e não apenas alegar que a dívida ficou alta. Estratégias sugeridas nas redes podem trazer riscos? Para o planejador financeiro Jeff Patzlaff, parte das orientações que circulam nas redes sociais simplifica excessivamente esse processo. “A lei foi criada como um ‘colete salva-vidas’ para quem está se afogando, não como uma prancha de surfe para quem quer tirar vantagem das ondas.” Ele alerta que quem decide interromper os pagamentos deliberadamente para tentar recorrer à lei depois pode enfrentar consequências práticas. Enquanto um eventual processo tramita na Justiça — o que pode levar tempo —, os juros continuam sendo aplicados sobre a dívida. Além disso, orientações que recomendam simplesmente deixar o débito crescer ou evitar qualquer negociação podem aumentar o risco de ações de cobrança e de inclusão do consumidor em cadastros de inadimplentes. Patzlaff também alerta para o impacto que esse tipo de estratégia pode trazer para a vida financeira do devedor. Segundo ele, conteúdos nas redes sociais muitas vezes prometem soluções rápidas sem mencionar os efeitos de longo prazo: como dificuldade para alugar um imóvel, obter crédito ou lidar com eventuais bloqueios judiciais de contas bancárias. “Paz mental tem um valor incalculável para quem quer prosperar. Tratar a lei como se fosse um truque para enganar o sistema não é inteligente. Entrar na lei do superendividamento significa colocar um juiz para mandar no seu salário por meia década.” carteira dívida contas dinheiro pagamento e-commerce boleto Freepik
22/04/2026 07:02:16 +00:00
Você ganha bem ou mal? Entenda 3 formas de avaliar sua renda

Você ganha bem ou mal? Entenda 3 formas de avaliar sua renda Ganhar bem ou mal não é apenas uma questão de salário. Na economia, a renda é relativa e pode ser analisada por diferentes critérios — como a posição na distribuição de renda do país, o poder de compra e quanto sobra no fim do mês. O custo de vida ajuda a definir o valor real do rendimento. Outro fator é a estabilidade. Ganhos pontuais não sustentam padrão de vida ao longo do tempo. No fim, pesa o equilíbrio do orçamento: quem ganha mais e gasta mal pode viver apertado, enquanto uma renda menor, bem organizada, garante mais estabilidade e previsibilidade. Neste vídeo, você vai entender as três principais formas de saber se você ganha bem ou mal. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
22/04/2026 07:02:06 +00:00
Escala 6x1: CCJ da Câmara vota nesta quarta relatório que dá aval à tramitação de PECs

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (22) parecer do deputado Paulo Azi (União-BA) favorável ao avanço da tramitação das Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que preveem o fim da escala 6x1. Na semana passada, após a leitura do relatório de Azi, o deputado da oposição Lucas Redecker (PSD-RS), que é crítico ao fim da escala 6x1, apresentou um pedido de vista – mais tempo para análise do relatório. Deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator das PECs que preveem o fim da escala 6x1, na CCJ da Câmara Renato Araújo / Câmara dos Deputados 👩‍🏭🧑‍🏭Atualmente, existem mais de uma proposta na Câmara que alteram a jornada de trabalho no Brasil, fixada na maioria dos casos em 44 horas semanais. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) determinou que as propostas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) passassem a tramitar juntas (veja mais detalhes abaixo). Na CCJ, os deputados se limitarão a analisar a compatibilidade das propostas com a Constituição – a chamada admissibilidade. A partir da aprovação na CCJ, as PECs passarão a tramitar como um texto só. A proposta será então analisada por uma Comissão Especial e pelo plenário da Casa. Motta sinalizou que determinará a instalação da Comissão Especial logo após a validação da CCJ. Na Comissão Especial, o conteúdo poderá ser alterado. O Senado ainda terá que discutir o assunto. Proposta do governo Paralelamente à tramitação das PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar um projeto de lei próprio sobre o mesmo assunto. A avaliação do governo é a de que a aprovação de um projeto de lei é mais fácil, já que demanda menos votos para ser aprovado e tem tramitação mais curta. 🔎Uma PEC precisa de aval de ao menos 308 deputados, enquanto um projeto de lei depende apenas da maioria dos presentes no momento da votação. A decisão de Lula não agradou Motta, que disse que pretende seguir com a tramitação das PECs. Apesar disso, o presidente da Câmara afirmou que respeita a decisão do governo de enviar seu próprio texto após um almoço com o presidente Lula. Diferenças entre as propostas Entenda os projetos sobre o fim da escala 6x1 em discussão O objetivo central das PECs e do projeto enviado pelo Executivo é abolir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso, mas existem diferenças entre os textos. Veja as principais: a PEC proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apresentada no ano passado, prevê a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra; a PEC de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo, porém, de 10 anos para mudança entrar em vigor; o projeto de lei (PL) enviado pelo governo Lula nesta terça-feira (14), reduz a jornada de trabalho a 40 horas semanais. O texto do Executivo tramita sob urgência constitucional. A equipe econômica do governo não pretende discutir contrapartidas financeiras às empresas caso prospere alguma das proposições, mas aceita debater uma regra de transição para o novo modelo. O projeto enviado pelo Executivo não traz qualquer previsão de escalonamentos para a redução da jornada. O que dizem empresários e economistas Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas. Estudo da Fecomércio estima em R$ 158 bilhões o custo sobre a folha de pagamentos de empresas do país, caso a redução da jornada legal de trabalho seja aprovada. Na avaliação de economistas, o debate precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.
22/04/2026 07:01:32 +00:00
A crise do modelo econômico e a inteligência artificial - O Assunto #1704

Em março, o CEO da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta aos investidores com uma previsão: “o velho modelo do capitalismo está se fragmentando”. No comunicado, Larry Fink afirma que a riqueza está cada vez mais concentrada e aponta o risco de que a inteligência artificial amplie ainda mais a desigualdade. É uma ideia que está em linha com o relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em dezembro de 2025: o texto indica que a IA deve gerar ganhos de produtividade de até 5% em alguns setores da economia nos próximos dois anos, mas alerta que a tecnologia pode impactar até 40% dos empregos no mundo e ampliar a desigualdade entre países e dentro das próprias sociedades. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Eduardo Giannetti da Fonseca para analisar o impacto dessa nova revolução tecnológica no modelo econômico e na ampliação da desigualdade. O economista explica o momento histórico que vivemos, que chama de “fim do ciclo da globalização”, e projeta mais pressões por políticas públicas. Convidado: Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, professor e escritor. O que você precisa saber: Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais; Chatbots já influenciam eleitores e desafiam regulação no Brasil; DeepSeek, ChatGPT e Gemini: o que cada IA faz melhor no dia a dia e as principais diferenças; Dona do Snapchat vai demitir 1.000 funcionários e cita eficiência com IA. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti e Stéphanie Nascimento. Colaborou neste episódio Nayara Felizardo. Apresentação: Natuza Nery. Países buscam a inteligência artificial geral Nos EUA, uso de inteligência artificial na guerra no Oriente Médio vira disputa na Justiça Jornal Nacional/ Reprodução O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.
22/04/2026 03:30:35 +00:00
Novas regras do Minha Casa, Minha Vida passam a valer nesta quarta; veja o que muda

Novo limite de renda e imóveis de até R$ 600 mil: o que mudou no Minha Casa, Minha Vida A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil começam, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. Na prática, também elevam os limites de renda e de valor dos imóveis em todas as faixas do programa, facilitando a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros abaixo dos praticados no mercado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Especialistas consultadas pelo g1 afirmam que as novas regras devem favorecer principalmente a classe média, permitindo que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis. Até então, esse grupo enfrentava restrições maiores, diante de juros elevados e das limitações do MCMV. (leia mais abaixo) Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com taxas mais baixas. Entenda as mudanças — e como ampliam o acesso aos imóveis 💰 1. Novos limites de renda por faixa Faixa 1: passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200 Faixa 2: passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000 Faixa 3: passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600 Faixa 4: passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000 📌 Os juros cobrados nos financiamentos dentro do programa aumentam gradualmente conforme a faixa de renda. Dessa forma, a ampliação dos limites beneficiou diretamente famílias que estavam próximas das faixas de corte e que passam a ter acesso a juros menores. 🏠 EXEMPLO 1: Quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil e se enquadrava na faixa 3 passa agora para a faixa 2. Esse grupo tinha acesso a juros de 8,16% ao ano. Agora, passa a ter taxas de 7% ao ano, explica a advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário. 🏘️ EXEMPLO 2: Quem tinha renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 e se enquadrava na faixa 4 passa agora para a faixa 3. Esse grupo tinha acesso a juros de cerca de 10% ao ano. Agora, passa a ter taxas de até 8,16% ao ano. 🏢 2. Novos valores máximos dos imóveis Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade; Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil; Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil. 📌 O valor máximo dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida também aumentou, o que permite o acesso a unidades maiores ou melhor localizadas. 🏠 EXEMPLO 1: Quem se enquadra na faixa 3 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 400 mil dentro do programa, um aumento de R$ 50 mil em relação ao limite anterior. Na prática, isso amplia o leque de opções a uma nova prateleira de imóveis. 🏘️ EXEMPLO 2: Quem se enquadra na faixa 4 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 600 mil dentro do MCMV, um acréscimo de R$ 100 mil em comparação com o limite anterior. O efeito, nesse caso, é semelhante: amplia o acesso a imóveis de padrão mais elevado. Na prática, as novas regras ampliam a capacidade de compra das famílias, afirma a advogada Daniele Akamine. Antes da atualização, os limites não acompanhavam a alta dos preços dos imóveis. “Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas", diz. Veja as principais regras do programa: Regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) Arte/g1 Quais são os efeitos das mudanças? Segundo o governo, a atualização das faixas inclui cerca de 31,3 mil famílias na faixa 3 do programa e outras 8,2 mil na faixa 4. Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, afirma que o movimento ocorre em meio a um cenário desafiador para parte da classe média. 🔎 Sem acesso ao MCMV, essas famílias passaram a enfrentar juros elevados no financiamento imobiliário, diante de uma taxa básica (Selic) que permaneceu na casa dos 15% durante boa parte do ano passado. A taxa está agora em 14,75%. “Pessoas que estavam logo acima da faixa de corte do programa agora passam a ser incluídas, ampliando o acesso da classe média à casa própria”, afirma a especialista. Até abril de 2025, o MCMV alcançava, no máximo, famílias da faixa 3, com renda de até R$ 8 mil — limite ampliado para R$ 8,6 mil naquele mês. Em maio, foi criada a faixa 4, estendendo o programa a famílias com renda de até R$ 12 mil, com juros mais altos, mas ainda abaixo dos praticados no mercado. As mudanças de abril de 2026 ampliaram o alcance do MCMV para rendas de até R$ 13 mil. Na prática, o teto de acesso ao programa saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano. Ana Castelo, do FGV Ibre, lembra que o MCMV atingiu um novo recorde de contratações em 2025. "Quem realmente sustentou o setor de construção no ano passado foi o programa", diz. "Vivemos um contexto particularmente difícil para a classe média fora do programa. Foi um ano de bom desempenho nas pontas: no Minha Casa, Minha Vida e no nicho de imóveis de alto padrão — que não depende de financiamento", explica. "No entanto, a renda média fora do programa sofreu bastante, porque as taxas de financiamento ficaram mais altas." Dados do Ministério das Cidades, compilados por Ana Castelo, mostram que as contratações da faixa 3 dispararam nos últimos anos e ganharam mais relevância dentro do programa. Veja abaixo: Evolução do programa Minha Casa, Minha Vida Arte/g1 Imagem ilustrativa do Centro de São Paulo Diogo Moreira/MáquinaCW/Governo de SP
22/04/2026 03:01:06 +00:00
Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam sete)

Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam sete) Sérgio Telles/ TV Globo Depois do feriado de Tiradentes na última terça-feira (21), que garantiu a muitos trabalhadores um feriadão prolongado de quatro dias, já tem gente pensando no próximo período de descanso. Agora, restam sete feriados neste ano, sendo que seis deles podem ser emendados para prolongar os dias de descanso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O próximo feriado nacional será 1º de maio (Dia do Trabalhador), que cairá em uma sexta-feira e pode permitir a emenda para quem folga aos fins de semana. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar de ser um feriado nacional, nem todos são beneficiados. A legislação trabalhista permite o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais. ⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como remuneração em dobro ou folga compensatória. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. A próxima possibilidade de emenda será no Corpus Christi, em 4 de junho, considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, estados e municípios têm autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local. Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou à folga compensatória. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 1º de maio, Dia do Trabalhador (sexta-feira) 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada
22/04/2026 03:01:05 +00:00
Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes

Mais tempo de prateleira Pesquisares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Embrapa, desenvolveram um biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes. Que laranja aguentaria uma injeção de fungos - direto na casca? Depois de dez dias, olha como é que fica.... A não ser que a fruta receba este líquido contendo uma década de muita pesquisa científica. "Eu vou fazer um revestimento em todo o fruto", diz Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa. É um biodetergente, sem agrotóxico, capaz de impedir a ação dos fungos. De cada 12 laranjas testadas 11 ficaram intactas, em media. "Ele faz uma, como se fosse uma desarrumação na estrutura do fungo. Então ele não consegue se proliferar. A gente aumenta o tempo de prateleira desses produtos", afirma Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ). Agora, tão interessante quanto o efeito da formula é o caminho que os cientistas percorreram pra chegar até ela. Tudo começou com uma gota de petróleo, em um estudo encomendado pela Petrobras em 2009. "Com os avanços da tecnologia, a gente observou que existia um leque de possibilidades para a utilização do mesmo produto, produzido da mesma forma", conta Douglas Braga, engenheiro ambiental (LaBiM). A parceria com a Embrapa começou em 2014 quando o laboratório de química da UFRJ venceu um edital para pesquisar conservação de alimentos. "A gente viu nessa, nesse edital uma oportunidade da gente colaborar para desenvolver um produto biopesticida que não existe no mercado para aplicação em pós-colheita de frutas", relata Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa. O trabalho foi publicado recentemente em uma importante revista científica internacional. O laboratório vai testar agora aplicações em proporções maiores. "Um teste num número maior de frutas, aplicado não com pincel, mas aplicado em uma esteira, que é o que é o mecanismo industrial de aplicação, para a gente conseguir provar que o que funciona em laboratório também funciona em uma escala industrial", comenta Elisa Cavalcante, professora do Instituto de Química (UFRJ). O grande trunfo dessa pesquisa é o impacto que ela pode ter em grande escala, na cadeia mundial de produção de alimentos, que todos os anos tem centenas de bilhões de dólares de prejuízos com alimentos que estragam depois de serem colhidos. Os pesquisadores agora estão tentando descobrir se o biodetergente funciona em outras frutas como morango, mamão, goiaba e em grãos como feijão e soja. "Então você imagina o quanto não se economiza você tendo uma fruta que sai do pé e chega ao consumidor e fica lá na prateleira do consumidor por muito mais tempo. Eu estimo, com o investimento do governo ou de empresas, que esse produto chegue ao mercado em 5 anos", completa Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ). Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes Reprodução/TV Globo
22/04/2026 00:59:44 +00:00
'Irei lembrar das empresas que não pedirem', diz Trump sobre reembolso do tarifaço

O presidente Donald Trump ouve discursos antes de assinar uma ordem executiva no Salão Oval da Casa Branca, no sábado, 18 de abril de 2026, em Washington. AP/Julia Demaree Nikhinson O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que vai lembrar das empresas que não pedirem reembolso dos valores pagos durante o tarifaço. A declaração foi feita em entrevista à rede norte-americana CNBC. "Seria ótimo se as empresas não solicitassem reembolsos", disse ainda. Segundo Trump, as tarifas acabariam significando "números maiores" para os Estados Unidos em termos monetários, mas acrescentou que o sistema seria "um pouco mais difícil de gerir". O novo sistema para pedidos de reembolso das tarifas entrou em vigor na segunda-feira (20) para empresários americanos. A estimativa é que as devoluções alcancem até US$ 166 bilhões (R$ 824,9 bilhões). Veja os vídeos que estão em alta no g1 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em um processo judicial divulgado na última terça-feira (14), a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou que havia concluído o desenvolvimento da fase inicial do sistema de restituição, conhecido como CAPE. O sistema vai consolidar os reembolsos, de modo que os importadores recebam um único pagamento eletrônico — com juros, quando aplicável — em vez de pagamentos separados para cada importação. Até 9 de abril, cerca de 56.497 importadores haviam concluído as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, em um valor total de US$ 127 bilhões (R$ 631,1 bilhões), segundo as autoridades alfandegárias americanas. Esse montante corresponde a cerca de 76% do total elegível para reembolso. Mais de 330 mil importadores pagaram as tarifas em questão em 53 milhões de remessas de produtos, de acordo com registros do tribunal. O lançamento do sistema de reembolso é mais um capítulo de uma longa disputa em torno das tarifas comerciais cobradas no ano passado, parte do esforço do presidente americano para reestruturar as relações comerciais dos EUA com quase todos os países do mundo. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas de Trump, ao considerar que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor as taxas com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional. Leia também: Governo federal diz que continuará adotando medidas para aumentar arrecadação e cumprir metas fiscais Por que é tão difícil abandonar o petróleo? Erro de empresas no preenchimento leva trabalhadores à malha fina
21/04/2026 13:14:52 +00:00
Governo federal diz que continuará adotando medidas para aumentar arrecadação e cumprir metas fiscais

Governo apresenta o projeto que define metas e prioridades para o orçamento de 2027 A equipe econômica informou que medidas voltadas à "recuperação da base arrecadatória" continuarão sendo adotadas para atingir as metas para as contas públicas dos próximos anos. A informação consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado nesta quarta-feira (15) ao Congresso Nacional. 📈 No projeto, entre outras previsões, o governo federal estima que o salário mínimo suba para R$ 1.717 em janeiro de 2027, com pagamento a partir de fevereiro. O objetivo das medidas, segundo o governo, é garantir uma "contínua e gradual" recomposição do superávit das contas públicas que favoreça a estabilização da trajetória da dívida no médio prazo. Reprodução/Pixabay O governo informou que busca que as contas retornem ao azul em 2027, após projetar rombo em todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A meta proposta é de um resultado positivo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 73,2 bilhões. Com uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo - ou seja, o superávit pode variar entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões. Além disso, R$ 65,7 bilhões de gastos governo com precatórios (sentenças judiciais) e com projetos na área de defesa, saúde e educação podem ficar de fora da regra. Na prática, portanto, o governo vai poder ter um déficit primário de até R$ 29,1 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida. Mas a equipe econômica projeta um resultado positivo de R$ 8 bilhões em 2027 porque não prevê o abatimento integral dos precatórios na meta fiscal. "No intuito de conter a evolução do endividamento público em relação ao PIB, o governo federal continuará adotando ações voltadas à recomposição das receitas, reduzindo ou eliminando incentivos fiscais [benefícios para regiões e setores da economia] que não geram os resultados econômicos e sociais esperados e buscando uma maior progressividade tributária [impostos mais altos para quem ganha mais]", diz a equipe econômica. Nos três primeiros anos do mandato do presidente Lula, o governo elevou uma série de tributos para melhorar a arrecadação mas, mesmo assim, não conseguiu retomar o saldo positivo em suas contas. Carga tributária no Brasil atinge o nível mais alto em 15 anos Jornal Nacional/ Reprodução Lembre algumas medidas adotadas: Tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); Audanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; Aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então; Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas); Reoneração gradual da folha de pagamentos; Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse); Aumento do IOF sobre crédito e câmbio Imposto sobre bets; Alta no imposto de importação de mais de mil produtos. Por conta dos aumentos de tributos nos últimos anos, a Receita Federal informou que a carga tributária – ou seja, a proporção entre os impostos pagos e a riqueza total do país – cresceu em 2024 e bateu recorde, atingindo o maior nível em mais de duas décadas. Já o Tesouro Nacional estimou recentemente que a carga tributária voltou a subir no ano passado, atingindo 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse aumento está relacionado, quase em sua totalidade, com a elevação do peso dos tributos do governo federal.
21/04/2026 07:02:11 +00:00
Nem todo mel é igual: cor e sabor do produto mudam conforme a flor; entenda

Mel de cores e sabores diferentes: veja o que influencia a produção O mel é um produto que pode chegar à mesa com diferentes sabores, cores e densidades. A variação se dá devido à diferença entre as plantas de onde é colhido o néctar usado pelas abelhas. No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos. As plantas que dão origem aos produtos são a aroeira, o pé de café, pé de laranja, flores variadas - que resultam no "mel silvestre" - e a capuchinha. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Apesar de o consumidor brasileiro estar mais acostumado com o mel claro, que não cristaliza e é pouco denso, mais líquido, o apicultor de Domingos Martins, na Região Serrana do estado, Arno Wieringa, defende a riqueza das variedades. “A gente, hoje em dia, tenta desmistificar e desafiar o consumidor a conhecer esses paladares diferentes.” E ele explica: "a diferença começa na flor e continua no trabalho de quem acompanha cada etapa". Segundo o apicultor, geralmente o mel mais escuro contém mais sais minerais, é mais encorpado e de sabor marcante. Méis tem diferentes sabores e cores a depender da planta polinizada pelas abelhas no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta 🍯 Mel de capuchinha: mel suave, claro e pouco denso. 🌸 Mel silvestre: mel suave, claro e de florada variada. 🌱 Mel de café: mel com acidez, mais denso e de coloração média. 🍊 Mel de laranja: mel com acidez, denso e escuro. 🐝 Mel de aroeira: mel potente, escuro e denso. Para além da produção de méis com sabores e cores diferentes, o trabalho das abelhas desempenha um papel fundamental para a sobrevivência da flora. "O papel mais importante da abelha é a fecundação das flores, a polinização. Se a gente não tem esses insetos, grande parte dessa produção (de flores e frutos), a gente não teria mais", explicou Wieringa. No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
21/04/2026 07:01:47 +00:00
Segundo SUV mais vendido do país, Volkswagen Tera vai bem na cidade, mas não anima na estrada

Volkswagen Tera: erros e acertos Lançado em meados de 2025, o Volkswagen Tera já conseguiu ultrapassar rivais como Jeep Renegade, Fiat Pulse e Renault Kardian em vendas mensais, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Só no primeiro trimestre deste ano, o SUV compacto registrou mais de 18 mil unidades emplacadas, conquistando o segundo lugar entre os mais vendidos do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Em termos de equipamentos, o Tera não traz grandes novidades. Volante, câmbio, comandos do ar-condicionado e outros botões são muito semelhantes ou quase idêni em diversos modelos da Com preços a partir de R$ 107,2 mil, o Tera foi o primeiro modelo totalmente inédito da Volkswagen desde o lançamento do Nivus, em 2020. O g1 passou uma semana com o SUV, testando-o em uso urbano e durante uma viagem de 120 km, e descreve agora seus principais acertos e limitações. Visual e tecnologia Volkswagen Tera Rafael Peixoto/g1 O visual do Tera merece atenção especial. Nesse aspecto, a marca alemã corrige escolhas anteriores e aprimora soluções que já vinham funcionando bem. O interior do Tera não segue exatamente o padrão conhecido do chamado “plástico Volkswagen”, presente em modelos como Polo, T-Cross, Nivus e Taos. Ainda assim, o carro não deve ser visto como um SUV compacto capaz de rivalizar com os modelos chineses no quesito acabamento macio ao toque. A comparação mais direta é com a Fiat. Assim como a marca italiana faz em modelos como Argo e Pulse, a Volkswagen adotou plásticos com diferentes texturas e acabamentos em áreas distintas da cabine. A estratégia adiciona contraste ao interior e afasta o Tera da sensação de que, “do Polo ao Taos, por dentro tudo é sempre igual”. Em termos de equipamentos, o Tera não traz grandes novidades. Volante, câmbio, comandos do ar-condicionado e outros botões são muito semelhantes ou quase idênticos aos que existem em diversos modelos da Volkswagen, assim como o painel de instrumentos digital, que se destaca pela ampla possibilidade de personalização. Volkswagen Tera por dentro A central multimídia, no entanto, chama atenção por ficar destacada do console central, o que reforça ainda mais seu visual de “tablet”. Os ícones e aplicativos seguem o mesmo padrão gráfico, aproximando a experiência da de um iPad ou de um tablet Android dentro do carro. Essa proposta se estende aos aplicativos que podem ser instalados diretamente no sistema, sem a necessidade de parear com um celular. Entre eles estão Spotify, Waze, PlayKids, SemParar, Estapar e até o iFood. Além disso, o modelo conta com uma inteligência artificial embarcada chamada Otto. No dia a dia, o sistema ajuda a explicar trechos do manual do Tera, indica necessidades de manutenção, informa a previsão do tempo e até sugere rotas. É importante destacar que, ao contrário das inteligências artificiais disponíveis em celulares, o Otto não é gratuito. Para ter acesso ao assistente, é necessário pagar uma mensalidade de R$ 59,90. Volkswagen Tera tem freio de mão manual em todas as versões Rafael Peixoto/g1 Apesar do conjunto tecnológico ser positivo, dois pontos desagradaram na cabine. O primeiro está ligado à tecnologia e envolve o freio de mão manual. Ele ajuda a manter o preço mais baixo nas versões de entrada, mas perde o sentido no modelo mais completo, que foi o avaliado pelo g1. O segundo ponto negativo é o apoio de braço do motorista. Pequeno e fixado ao assento, ele indica a ausência de um compartimento para objetos entre os bancos. Com isso, o descanso fica restrito apenas ao condutor, algo que não ocorre, por exemplo, no Fiat Pulse. Por fora, o visual também foge do padrão seguido por outros modelos da Volkswagen, embora o Tera ainda transmita a sensação de ser “um Polo mais alto”. Essa possível falta de criatividade, no entanto, desaparece na dianteira, que traz um desenho exclusivo nas luzes diurnas em LED. Com isso, quem vê o carro de frente identifica rapidamente que não se trata de um Polo, de um Nivus ou de um T-Cross. Desempenho O Tera testado pelo g1 também herdou o motor 1.0 turbo do Polo. Como as dimensões dos dois modelos são muito próximas — incluindo o peso —, o conjunto mecânico transmite ao volante uma sensação bastante semelhante. Volkswagen Tera tem o mesmo motor turbo do Polo Rafael Peixoto/g1 Essa percepção é positiva graças ao bom acerto da suspensão, à direção bem calibrada e à posição de condução típica dos modelos da Volkswagen. Ela envolve a forma como o motorista se senta, a disposição dos comandos, a visibilidade da estrada e o conforto em viagens mais longas. No Tera, tudo isso funciona bem. No entanto, assim como ocorre no Polo, há um atraso perceptível entre o momento em que o motorista pisa no acelerador e a resposta do carro em ganho de velocidade. Em arrancadas no semáforo, esse comportamento é menos evidente, mas na estrada ele se torna incômodo. Na prática, foram cerca de três segundos entre o acelerador totalmente pressionado e a reação do Tera. Em uma ultrapassagem em velocidade mais alta, na estrada para Santos (SP), foi preciso antecipar a manobra para realizá-la com segurança. Galerias Relacionadas Esse atraso na resposta do motor não é exclusividade da Volkswagen, mas, entre todos os carros testados pelo g1, o Tera está entre os que apresentam maior intervalo entre o acelerador totalmente pressionado e a reação do veículo. O g1 apurou, junto a outras fabricantes, que esse atraso na resposta do motor está ligado à redução das emissões de gases. O comportamento é resultado direto do Proconve L8, fase atual do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, em vigor desde 1º de janeiro de 2025. Deixando de lado o atraso na resposta do acelerador, o Volkswagen Tera se saiu bem no trânsito urbano de São Paulo (SP), onde a velocidade máxima raramente ultrapassa os 60 km/h. Na experiência ao volante, ele está muito mais próximo do que o Polo oferece do que do T-Cross. Isso também se reflete no porta-malas, que oferece 350 litros de capacidade. O volume está dentro da média dos concorrentes diretos, com bom desempenho no segmento. Veja abaixo: Fiat Pulse: 370 litros; Renault Kardian: 358 litros; Citroën Basalt: 490 litros; Jeep Renegade: 320 litros. Vale a pena? Após uma semana com o carro, foi possível perceber que a Volkswagen finalmente começou a acertar no acabamento. Ainda assim, o modelo testado — a versão topo de linha — segue atrás de concorrentes chineses mais baratos nesse quesito. Pelo preço de R$ 146.190 do Volkswagen Tera Highline, você encontra: Chevrolet Spark: a partir de R$ 144.990; BYD Dolphin: a partir de R$ 149.990; Geely EX2: a partir de R$ 123.800; GAC GS3: a partir de R$ 129.990; Caoa Chery Tiggo 5X Sport: a partir de R$ 124.990. Todos os modelos listados oferecem acabamento mais confortável, melhor qualidade geral e uma lista de equipamentos mais completa. Com exceção do GAC GS3 e do Tiggo 5X Sport, todos são elétricos. Por outro lado, nenhum deles tem o mesmo tempo de mercado da Volkswagen no Brasil, nem a estrutura de pós-venda já consolidada. Também é mais fácil encontrar mecânicos familiarizados com o motor três cilindros do Tera. Se a ideia for buscar um SUV mais econômico e permanecer em uma marca já consagrada no Brasil, sem se aventurar muito fora do uso urbano, o Volkswagen Tera entrega exatamente a experiência que quem já dirigiu um modelo da marca espera. Já para quem está mais aberto a experimentar outras marcas, o GAC GS3 se destaca por oferecer mais espaço, melhor acabamento e um conjunto mecânico superior. O Tiggo 5X Sport segue a mesma linha, e ambos custam menos que o Tera topo de linha já nas versões de entrada.
21/04/2026 07:00:33 +00:00
Diploma na mão, mas trabalho fora da área: como a falta de vagas tem levado jovens ao subemprego nos EUA

Nos EUA, falta de vagas empurra jovens com diploma para trabalhos em lojas, bares e serviços Freepik Jovens americanos seguiram o roteiro esperado: entraram na universidade, assumiram dívidas, passaram anos entre provas e trabalhos e saíram com um diploma nas mãos. Ainda assim, para muitos, o início da vida profissional está longe do que imaginaram. Em vez de atuar na área de formação, muitos acabam atendendo clientes em lojas, preparando cafés ou aceitando trabalhos temporários para pagar as contas. Uma reportagem da Bloomberg mostra que esse cenário está longe de ser pontual. Em dezembro de 2025, quase 43% dos americanos entre 22 e 27 anos com ensino superior estavam subempregados, ou seja, em ocupações que não exigem diploma. O dado é da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de Nova York, e representa o nível mais alto desde o início da pandemia, além de um salto de mais de três pontos percentuais em apenas um ano. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Embora a taxa ainda esteja abaixo do pico registrado na Grande Recessão, o ritmo recente de crescimento acende um alerta, segundo a Bloomberg. Por trás desse movimento, há um desequilíbrio que vem se acumulando ao longo dos anos. Dados da Lightcast mostram que, entre 2004 e 2024, o número de pessoas que concluíram o ensino superior nos Estados Unidos cresceu 54%. No mesmo período, as vagas de nível inicial avançaram bem menos, cerca de 42%. Na prática, isso significa mais pessoas qualificadas disputando um número proporcionalmente menor de oportunidades compatíveis com a própria formação. O problema não se resume à quantidade de vagas. Em 22 das 35 áreas analisadas, a relação entre empregos de entrada e número de formados piorou nas últimas duas décadas. “Nunca vimos tantas mudanças simultâneas e nessa velocidade. Esta é a primeira vez que o caminho da educação para o emprego está, de certa forma, interrompido”, afirmou Elena Magrini, da Lightcast, em entrevista à Bloomberg. A inteligência artificial entra nessa equação, mas não explica tudo. Estudos de pesquisadores da Universidade Stanford e da Universidade Harvard indicam que setores como desenvolvimento de software, atendimento ao cliente e marketing já vinham reduzindo contratações de iniciantes à medida que ferramentas de IA se tornaram mais comuns. Ao mesmo tempo, outros fatores ajudam a compor esse cenário. Juros elevados, mudanças nas políticas comerciais e menor rotatividade nas empresas têm reduzido a abertura de vagas para quem está começando. “Em um mercado de trabalho competitivo, os empregadores conseguem encontrar profissionais mais experientes para preencher vagas de nível júnior”, disse Shawn VanDerziel, da Associação Nacional de Faculdades e Empregadores, à Bloomberg. “E a inteligência artificial fez com que muitos repensassem um pouco as contratações.” A reportagem também aponta um desalinhamento entre o que as universidades formam e o que o mercado demanda. Na área da saúde, por exemplo, havia cerca de 1,9 milhão de vagas de entrada em 2024, enquanto o número de formados cresceu apenas 5% na última década, segundo dados da Lightcast. Já em ciência da computação, o movimento foi o oposto. O número de graduados aumentou 110% no período, mas as vagas cresceram apenas cerca de 6%. Empresas como Amazon, Atlassian e Block chegaram a citar a inteligência artificial ao anunciar demissões recentes. Ainda assim, um relatório da Forrester indica que muitos desses cortes tiveram origem em questões financeiras, em um movimento que a consultoria descreve como uma espécie de “lavagem de imagem com IA”. No meio dessa transformação estão histórias como a de Cody Viscardis, de 29 anos. Formado em ciência da computação em 2023, ele enviou quase mil currículos e conseguiu apenas seis entrevistas, todas para vagas com salários iniciais em torno de US$ 60 mil por ano. Diante da dificuldade, acabou aceitando um trabalho como eletricista. Hoje, pode ganhar até US$ 63 por hora, mas continua tentando migrar para a área em que se formou. “A faculdade deveria, no mínimo, garantir um emprego decente”, afirmou à Bloomberg. “Eu esperava não continuar nesse ciclo de ser forçado a trabalhar na construção civil.” Mesmo com jornadas que chegam a 60 horas semanais, ele segue fazendo cursos online para tentar uma recolocação em tecnologia. A Bloomberg destaca que momentos como esse não são inéditos. Jovens costumam ser os mais afetados em períodos de transição econômica ou tecnológica, como ocorreu nos anos 1990 e após a crise financeira de 2008. Há, porém, algum alívio possível. Estudos citados pela reportagem indicam que muitos conseguem, com o tempo, migrar para funções compatíveis com a formação, geralmente em até cinco anos. “Não é incomum que recém-formados tenham dificuldade em encontrar um emprego que exija formação superior ao ingressarem no mercado de trabalho”, disse Jaison Abel, do Fed de Nova York, à Bloomberg. “Para muitos, trabalhar em um emprego que não exige diploma é apenas uma fase.” Ainda assim, o cenário atual reforça uma mudança importante. Ter um diploma, por si só, já não garante mais um lugar no mercado, especialmente no início da carreira.
21/04/2026 05:01:01 +00:00
Brasil tenta emplacar fim da escala 6x1 desde os anos 1980

Primeiros movimentos para maior descanso laboral para 40 horas surgiram nas fábricas, no movimento sindical dos anos 1980 VW do Brasil/dpa/picture alliance As demandas para a redução da jornada de trabalho no Brasil tiveram um novo capítulo nesta semana, com o anúncio de um envio, pelo governo federal, de um projeto de lei ao Congresso que busca reduzir a jornada de 44 horas e, consequentemente, acabar com a escala 6x1 dos empregados. Diferentemente da proposta anterior, da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que prevê reduzir a semana laboral de 44 para 36 horas, implementando uma escala de quatro dias de trabalho e três dias de folga, o texto do governo Lula busca um meio-termo – 40 horas de trabalho por semana, ou seja, uma escala 5x2. Isso, sem redução de salários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Contudo, a ideia de reservar dois dias na semana para a folga dos trabalhadores brasileiros não é nova. Na verdade, a proposta de reduzir a jornada para 40 horas na semana chegou a ser aprovada em uma comissão, no Congresso, em 1987, durante a elaboração da Constituição Federal de 1988. Ou seja, há quase 40 anos. À época, milhões de trabalhadores enfrentavam uma realidade ainda mais pesada que a atual, de 48 horas semanais, regulamentadas em 1943, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o primeiro governo Getulio Vargas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Jornada de 48 horas por semana? No cálculo atual, as 44 horas preveem cinco dias de oito horas de trabalho, um com quatro e outro de folga remunerada. Na maior parte das vezes, isso significa, para os empregados, apenas um dia e meio de folga no fim de semana. Até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição atual entrou em vigor, os trabalhadores submetidos ao regime geral da CLT tinham, na prática, apenas um dia de descanso remunerado, já que as 48 horas determinavam o trabalho integral de segunda a sábado – com uma hora de intervalo para o almoço. Em junho de 1987, um anteprojeto propondo a jornada de 40 horas foi aprovado pela Comissão de Ordem Social da Constituinte, colegiado que era responsável pela redação da legislação trabalhista. A proposta foi encampada principalmente pelos deputados dos partidos de esquerda (PT, PCB, PC do B, PTB, PDT) e rejeitada pelo PFL e pelo PDS, de direita. O PMDB se dividiu. Na verdade, a luta pela mudança na semana laboral vinha do movimento sindical do início dos anos 1980. Em 1985, os metalúrgicos do ABC Paulista, por exemplo, já tinham conquistado avanços nesse sentido, pressionando para a aprovação de convenções sindicais que já haviam imposto as 44 horas semanais nas fábricas. Na Constituinte, um dos principais defensores da redução para 40 horas foi o atual presidente da república e então deputado Lula. Na tribuna do Congresso, ele citava medidas similares em outros países e criticava aqueles que diziam que era preciso fazer o contrário – ou seja, aumentar a carga de trabalho. Cartaz de campanha sindical alemã no 1° de Maio de 1956: "No sábado, o papai pertence a mim" DGB via DW "Dizer que este país está precisando de uma jornada mais longa é, no mínimo, querer submeter a classe trabalhadora a uma jornada de escravidão. O que precisamos fazer, e outros países já o fizeram, é diminuir a jornada de trabalho, para que as empresas contratem mais trabalhadores, a fim de que haja um aumento da produção não pela escravidão, mas pela duplicação da mão de obra", declarou o ex-líder sindical, em citação reproduzida pela Agência Senado. Descanso maior, desemprego menor? Na Alemanha Ocidental, a implementação da semana 40 horas surgiu no pós-guerra. Em 1956, uma campanha sindical pleiteava que os pais tivessem todo o fim de semana para lazer e a família. Cartazes pelo país retratavam uma criança abaixo do slogan "Samstags gehört Vati mir" ("No sábado, o papai pertence a mim") e levaram à aprovação de convenções sindicais que levaram, na prática, à escala 5x2 em todo o país a partir dos anos 1960. No Brasil, contra o argumento patronal de que a medida geraria mais custos para as empresas e, assim, consequente inflação e desemprego, os deputados favoráveis defendiam um argumento econômico. Segundo eles, reduzir a escala abriria mais espaço para contratar outros funcionários que, com maior tempo de descanso, teriam melhor produtividade – levando a um menor desemprego. Um dos contrários a isso era José Serra, então deputado do PMDB de São Paulo. "Uma mudança mais violenta para baixo, em termos de horas trabalhadas, poderia trazer efeitos extraordinariamente pervertidos sobre essas empresas", alegava. Luís Roberto Ponte, também do PMDB, mas do Rio Grande do Sul, chegou a sugerir o aumento da jornada para até 52 horas semanais, "até que o último dos brasileiros tivesse o que comer, onde morar e onde tratar-se". Na opinião dele, só quando isso fosse alcançado seria possível reduzir a escala laboral. Mas nem todos os deputados da direita eram contra. Um deles era Geovani Borges, PFL do Amapá, que criticava a falta do direito ao lazer aos trabalhadores brasileiros e considerava justa a proposta de 40 horas. Durante a tramitação do anteprojeto da proposta pela Comissão de Sistematização, última etapa antes da redação da Constituição, os deputados acabaram encontrando um meio-termo: a jornada de 44 horas semanais. A demanda pelas 40 horas continuou, com novas emendas apresentadas, mas no fim o Plenário aprovou a Constituinte com a redação atual. No PFL, o senador Afonso Arinos, que tinha presidido a Comissão de Sistematização e apoiava a escala 5x2, resolveu nadar contra a corrente do seu partido, majoritariamente contrário, e proferiu: "Já estou muito velho para votar contra o povo". Lula defendia a redução para 40 horas durante a Constituinte picture alliance/dpa Fotografia Os efeitos da mudança Além da redução de 48 para 44 horas, a Constituição de 1988 determinou, entre outros, a ampliação da licença-maternidade de 90 para 120 dias, a imposição do adicional mínimo de 50% para horas extras e o aumento da multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do empregador de 10% para 40%. Em 2003, um artigo intitulado "Os Efeitos da Redução da Jornada de Trabalho de 48 para 44 Horas Semanais", assinado pelos pesquisadores Gustavo Gonzaga, Naércio Aquino Menezes Filho e José Márcio Camargo, foi publicado na Revista Brasileira de Economia. O estudo analisou os impactos da medida durante os trabalhadores que tiveram a jornada reduzida de acordo com a nova legislação. Embora os pesquisadores tenham afirmado que os encargos com medidas como a licença-maternidade tenham aumentado o custo do trabalho no Brasil, eles ressaltam que a semana de 48 horas era "excessivamente alta" e que, em 1988, "quase metade dos trabalhadores já trabalhava menos de 48 horas por semana". Além disso, os resultados indicaram que, entre 1988 e 1989, não houve mudanças negativas significativas – não aumentaram a probabilidade de o trabalhador ficar desempregado, diminuíram a probabilidade de eles saírem dos empregos e ainda implicaram em um aumento do salário real por hora. Segundo a pesquisa, 60% dos funcionários que tinham jornadas entre 40 e 48 semanais em 1988 continuaram empregados em 1989, mas tiveram redução nessas jornadas para a nova regra, de 40 a 44 horas. Relator na CCJ lê parecer favorável a PECs que acabam com escala 6x1; pedido de vista da oposição adia votação
21/04/2026 05:00:47 +00:00
Por que é tão difícil abandonar o petróleo?

O navio indiano 'Nanda Devi', carregado com gás liquefeito de petróleo (GLP), chegou ao porto de Vadinar, no distrito de Jamnagar, estado de Gujarat, em 17 de março de 2026, após o Irã permitir sua passagem pelo Estreito de Ormuz, um importante corredor energético que permanece interrompido devido à guerra no Oriente Médio. Os petroleiros de bandeira indiana 'Shivalik' e 'Nanda Devi', transportando cerca de 92.700 toneladas métricas de GLP, chegaram aos portos do estado de Gujarat, representando uma rara exceção na passagem comercial por esse ponto estratégico. AFP Quando, em 2023, a comunidade internacional se comprometeu a iniciar uma transição para abandonar os combustíveis fósseis no intuito de frear as mudanças climáticas, alguns celebraram isso como o começo do fim do petróleo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Três anos depois, a guerra no Oriente Médio evidencia que a dependência mundial do "ouro negro" não mudou, apesar de suas consequências irem muito além do impacto ambiental. A economia e a segurança energética globais estão em risco. Isso faz com que o conflito seja usado como mais uma razão para substituir definitivamente o principal responsável pelas emissões de CO? por energias renováveis, 167 anos depois da extração do primeiro barril comercial na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No entanto, apesar de alguns apelos, a tendência global indica que a promessa da COP28 está longe de ser cumprida. A política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um exemplo disso: depois de cunhar o slogan "drill, baby, drill" (perfura, querido, perfura), ele interveio em dois países ricos em reservas de petróleo: Venezuela e Irã. Por que é tão difícil deixar para trás o petróleo? A seguir, algumas pistas. É a economia Se os mercados financeiros respiram conforme as oscilações do preço do barril, é porque seus agentes estão profundamente ligados aos ativos associados aos hidrocarbonetos. "A gente não pode fazer a transição quebrando de um dia para o outro as empresas de combustíveis fósseis, porque isso seria um desastre econômico planetário sem precedentes. Gigantes bancários como o HSBC quebrariam", disse à AFP Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima do Brasil. A dependência econômica é total em países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, mas não apenas neles. No caso do Brasil, por exemplo, retirar a Petrobras da balança comercial desmontaria a economia, já que o petróleo é um dos principais produtos de exportação, acrescenta Angelo. Outros países, como a Colômbia, são tão dependentes dessas receitas que seu presidente, Gustavo Petro, pede alívio da dívida soberana para tornar viável sua promessa de não conceder novos contratos de exploração de petróleo. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters Vontade política Potências exportadoras de petróleo como os Estados Unidos, Canadá e Austrália têm, por outro lado, meios para assumir a transição energética, afirma Bill Hare, diretor do instituto Climate Analytics. "É uma questão de vontade política", acrescenta à AFP. Mas com o retorno de Trump ao poder, junto ao avanço global da extrema direita, os interesses econômicos voltam a ser priorizados em detrimento da luta contra o aquecimento global - quando o fenômeno não é diretamente negado. "Há toda uma visão no Ocidente, liderada pelos Estados Unidos, de voltar a um modelo que já existiu", de curto prazo, sustenta Leonardo Stanley, pesquisador associado do Centro de Estudos de Estado e Sociedade de Buenos Aires. O lobby mais poderoso Presentes nas conferências anuais da ONU sobre o clima, as petroleiras - da americana ExxonMobil à saudita Aramco - defendem seus interesses nos bastidores, às vezes por meio de grandes consultorias como a McKinsey, como mostrou uma investigação da AFP na COP28. "O setor de óleo e gás é o lobby mais poderoso da Terra", afirma Angelo. Há 30 anos ele "joga para adiar mudanças", acrescenta. Quem paga a conta? Para abandonar o petróleo, é necessário apoio financeiro aos países produtores dependentes dessas receitas e também aos mais pobres, para acompanhar a transição. "Tem que haver alguma disposição das grandes e médias potências econômicas de criar um sistema internacional que facilite isso", o que até agora não ocorreu, afirma Bill Hare. Sinais positivos Apesar de tudo, há avanços. As energias renováveis representaram um recorde de quase 50% da capacidade elétrica mundial em 2025, segundo a Irena, entidade intergovernamental que promove a transição energética. A China, maior emissora mundial de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, líder na produção de energias renováveis, ampliou de forma excepcional suas capacidades eólicas e solares no ano passado. No Paquistão, a energia solar, que era marginal em 2020, tornou-se uma das principais fontes de eletricidade. Em várias regiões da Austrália e dos Estados Unidos, o avanço das energias renováveis reduziu a conta de luz, segundo Hare. Setor produtivo alerta perda com royalties de petróleo
21/04/2026 03:01:09 +00:00
BRB anuncia acordo com gestora de fundos para vender R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master
BRB anuncia acordo para vender R$ 15 em ativos do Master O Banco de Brasília (BRB) informou nesta segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição. Os ativos envolvidos na transação têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master. Segundo o banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos. De acordo com o comunicado ao mercado, a iniciativa faz parte de um processo de reestruturação do banco. O objetivo é fortalecer a estrutura de capital, aumentar a liquidez e melhorar a gestão do portfólio de ativos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O BRB também afirmou que a operação deve contribuir para a racionalização patrimonial da instituição, com expectativa de impactos positivos na organização financeira. A conclusão do negócio, no entanto, ainda depende do cumprimento de condições previstas no memorando de entendimento. O banco destacou que seguirá informando o mercado sobre eventuais avanços relevantes, conforme exigem as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Acordos estavam em discussão Na sexta-feira (10), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou que um fundo de investimentos propôs pagar R$ 15 bilhões por parte dos ativos que eram vinculados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, e foram comprados pelo Banco de Brasília (BRB). O anúncio não dizia qual "parte" dos ativos é essa: se seriam papéis de menor ou maior risco, e quanto ainda sobraria de ativos do Master na carteira do BRB. Ainda não há informações se o acordo desta segunda é o mesmo que o citado pela governadora. O Ministério Público Federal identificou que, só entre 2024 e 2025, o BRB injetou pelo menos R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Desses, pelo menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações em que há fortes indícios de fraude. Na quinta (9), Celina e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, viajaram para São Paulo para se reunir com investidores, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Celina Leão não descarta pedir ajuda a Lula e diz que vai afastar dirigentes do BRB
21/04/2026 02:17:30 +00:00
Amazon anuncia investimento de até US$ 25 bilhões na empresa de IA Anthropic

Logo da Amazon, gigante da tecnologia. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo A Amazon afirmou nesta segunda-feira (20) que vai investir até US$ 25 bilhões na Anthropic, enquanto a startup de inteligência artificial se compromete a gastar mais de US$ 100 bilhões nos próximos 10 anos em tecnologias de nuvem da própria Amazon. O acordo aprofunda a relação entre as duas empresas em um momento em que a Anthropic busca ampliar sua capacidade para sustentar o desenvolvimento de seus modelos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Amazon, sediada em Seattle, vai investir US$ 5 bilhões imediatamente e outros US$ 20 bilhões no futuro, condicionados ao cumprimento de determinados marcos comerciais. O valor se soma aos US$ 8 bilhões já aplicados anteriormente pela companhia na startup. A Amazon tem enfrentado dificuldades para ganhar destaque com seus próprios modelos de IA, como o Nova, ao mesmo tempo em que mantém posição de liderança na oferta de infraestrutura essencial ao setor, como a computação em nuvem. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A empresa informou que prevê cerca de US$ 200 bilhões em despesas de capital neste ano, majoritariamente voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial. A companhia também tem ampliado apostas em grandes startups do setor. O novo investimento na Anthropic, criadora do Claude, ocorre após o anúncio, no início do ano, de que a Amazon planejava investir até US$ 50 bilhões na OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT. Em comunicado, a Anthropic afirmou esperar alcançar cerca de 1 gigawatt de capacidade até o fim do ano com o uso dos chips Trainium2 e Trainium3 e que pretende expandir essa capacidade para até 5 gigawatts no longo prazo. O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que o uso dos chips pela Anthropic “reflete o progresso que fizemos juntos em silício personalizado”. A Anthropic busca avançar na corrida da inteligência artificial com modelos voltados a programação e design, enquanto a Amazon tenta ampliar a adoção de seus próprios chips para treinamento e inferência de IA. As ações da Amazon subiram cerca de 2,7% no after-market.
21/04/2026 01:55:52 +00:00
GPA obtém decisão para impedir que grupo francês Casino venda suas ações na empresa

Loja do Pão de Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP O Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou nesta segunda-feira (20) que obteve decisão liminar no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para impedir que o grupo francês Casino Guichard-Perrachon venda as ações que possui na companhia. Em fato relevante, a varejista afirmou que a decisão reconhece “o risco de esvaziamento do patrimônio do acionista Casino por meio da alienação de suas ações”. O grupo detém 22,5% do capital do GPA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na prática, a decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo impede que o Casino se desfaça de sua participação na empresa em duas frentes: no caso de ações já vendidas, determina a suspensão da liquidação financeira antes da conclusão das operações; para ações ainda não vendidas, proíbe a realização de novas vendas. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A tutela cautelar foi concedida no âmbito de um processo de arbitragem entre as partes, iniciado pelo GPA em 6 de maio de 2025. 🔎 Processo de arbitragem é uma forma de resolver conflitos fora da Justiça comum, em que as partes escolhem árbitros independentes para decidir o caso. O Judiciário pode ser acionado para medidas urgentes ou para garantir o cumprimento das decisões. O Casino, ex-controlador do Grupo Pão de Açúcar, é acionista da varejista brasileira desde 1999. Recuperação extrajudicial Em 10 de março, o GPA informou que fechou um acordo com seus principais credores e apresentou um plano de recuperação extrajudicial. A recuperação extrajudicial é um acordo no qual a empresa renegocia parte das dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça. O objetivo é obter mais prazo ou melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como o risco de falência. Nesse tipo de recuperação, as operações continuam funcionando normalmente. O GPA renegociou R$ 4,5 bilhões em dívidas sem recorrer à recuperação judicial — processo que tramita na Justiça, envolve todos os credores e costuma ser mais longo e complexo. A recuperação extrajudicial tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias. Dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não entram no acordo. Além das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar e Pão de Açúcar Fresh, o GPA também controla as bandeiras Extra e Mini Extra. O grupo ainda possui marcas próprias vendidas em suas lojas, como Qualitá, Taeq, Pra Valer e Club des Sommeliers. ENTENDA A CRISE DO GPA: Pão de Açúcar vai fechar? De quanto é a dívida? Entenda a crise do GPA
21/04/2026 00:57:39 +00:00
Fachin diz que proposta de Dino para nova reforma no Judiciário 'vem somar'

Análise: os recados de Dino na proposta de reforma do Judiciário O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin comentou nesta segunda-feira (20) o artigo do colega, ministro Flávio Dino, propondo uma nova reforma do Poder Judiciário. Ao blog, Fachin afirmou que a proposta de Dino "vem somar" e é "muito boa". Entre as medidas propostas por Dino estão: revisão de competências do STF e de tribunais superiores; alterações na tramitação de processos eleitorais; e mudanças na lei penal para punir de forma mais rigorosa irregularidades envolvendo juízes, procuradores, advogados e outros integrantes do sistema de Justiça. (Veja todas as mudanças abaixo). "Manifesto a crença de que o Brasil precisa de uma Nova Reforma do Judiciário, abrangendo todos os segmentos que atuam nesse sistema, que tem como órgão máximo o Supremo Tribunal Federal", escreveu Dino. A proposta foi feita em artigo do magistrado foi publicado no portal "ICL Notícias". Ministro Edson Fachin, do STF Luiz Silveira/STF Mais cedo, Fachin disse em nota que a perspectiva trazida por Dino “merece aplauso e apoio” por indicar a necessidade de aperfeiçoamento do Poder Judiciário. As manifestações de Fachin nesta segunda são uma forma de reagir à ideia de que o artigo foi uma crítica à agenda ética e de autoconteção proposta pelo presidente. Na prática, apenas Fachin e Cármen Lúcia, relatora do Código de Conduta, citam a agenda ética em seus discursos. Dentro da corte, ela é vista como polêmica por motivos diferentes. Alguns ministros acreditam que a legislação já trata de desvios éticos inclusive do Judiciário. Outros pensam que o momento é delicado e o tema precisa ser debatido apenas depois das eleições. As citações a ministros em conversas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e as investigações da Polícia Federal, que respingam no STF, trouxeram desgaste à imagem da corte e em especial de alguns ministros, provocando reações de blindagem dos próprios ministros. Propostas de Dino No artigo, Dino aponta o que considera eixos para o "redesenho normativo do sistema de Justiça": requisitos processuais para acesso recursal aos tribunais superiores, especialmente o STJ, objetivando agilizar as ações judiciais; critérios para expedição de precatórios e para cessão de tais créditos a empresas e fundos, visando eliminar precatórios temerários ou fraudulentos; precatórios são títulos de dívidas reconhecidas pela Justiça, que o governo federal, estadual ou municipal deve a pessoas físicas ou jurídicas. Na prática, eles funcionam como um crédito contra o Estado. instâncias especializadas e ágeis, em todos os Tribunais, para julgamento de processos sobre crimes contra a pessoa, crimes contra a dignidade sexual, além de atos de improbidade administrativa; criação de rito próprio para exame judicial de decisões das agências reguladoras, para o rápido arbitramento dos conflitos de grande expressão econômica, possibilitando celeridade e segurança jurídica em obras e investimentos; revisão do capítulo do Código Penal sobre os crimes contra a Administração da Justiça, inclusive criando tipos penais mais rigorosos para corrupção, peculato e prevaricação envolvendo juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral; procedimentos para julgamentos disciplinares conexos. Por exemplo, quando houver participação em infrações administrativas de magistrados, promotores e advogados; tramitação adequada de processos na Justiça Eleitoral, evitando o indevido prolongamento atualmente verificado, causando insegurança jurídica e tumultos na esfera política; composição e competências dos Conselhos Nacionais de Justiça e do Ministério Público, para que sejam mais eficientes na fiscalização e punição de ilegalidades; direitos, deveres, remuneração, impedimentos, ética e disciplina das carreiras jurídicas, suprimindo institutos arcaicos como "aposentadoria compulsória punitiva" e a multiplicação de parcelas indenizatórias; critérios para sessões virtuais nos tribunais e varas judiciais; revisão das competências constitucionais do STF e dos Tribunais Superiores; garantia de presença dos membros do Sistema de Justiça nas comarcas e unidades de lotação; regras e limites para o uso de inteligência artificial na tramitação de processos judiciais; arrecadação, transparência e uso dos recursos que integram os Fundos de Modernização e os fundos de honorários advocatícios da Advocacia Pública; medidas que reduzam o número de processos no Sistema de Justiça, iniciando pelos procedimentos atualmente verificados em execuções fiscais, que devem ser intensamente desjudicializados.
20/04/2026 22:29:55 +00:00
Quem é John Ternus, sucessor de Tim Cook no comando da Apple

John Ternus será novo CEO da Apple Divulgação/Apple A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook deixará o comando da empresa e passará a atuar como presidente executivo do conselho de administração. O atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, John Ternus, de 50 anos, assumirá como novo diretor-executivo (CEO) da companhia a partir de 1º de setembro de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ternus ingressou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos. Em 2013, tornou-se vice-presidente de Engenharia de Hardware e, em 2021, passou a integrar o time executivo como vice-presidente sênior da área. Ao longo de sua trajetória na empresa, liderou o desenvolvimento de hardware em diversas categorias e teve papel central no lançamento de novas linhas de produtos, como iPad e AirPods, além de sucessivas gerações de iPhone, Mac e Apple Watch. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a companhia, seu trabalho com a linha Mac contribuiu para tornar a categoria mais poderosa e popular globalmente em seus 40 anos de história. Entre os projetos recentes, está o lançamento do MacBook Neo, voltado a ampliar o acesso à experiência Mac. Mais recentemente, sua equipe liderou a reformulação da linha iPhone, com destaque para os modelos iPhone 17 Pro e Pro Max, o iPhone Air, de design mais fino e resistente, e o iPhone 17. Sob sua liderança, a empresa também avançou nos AirPods, com melhorias em cancelamento de ruído e recursos voltados à saúde auditiva, informou a Apple. Ternus também liderou iniciativas voltadas à durabilidade e confiabilidade dos produtos, além de avanços em materiais e design de hardware que reduziram a pegada de carbono. Entre as medidas estão o uso de alumínio reciclado em diferentes linhas, titânio impresso em 3D no Apple Watch Ultra 3 e melhorias na reparabilidade dos dispositivos. Antes de ingressar na Apple, trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems. Ternus é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. LEIA MAIS: Apple anuncia sucessão: Tim Cook deixará comando e John Ternus será novo CEO Cook ocupava o cargo desde 2011 Em comunicado, a fabricante informou que a mudança foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e faz parte de um processo de planejamento de sucessão conduzido ao longo de vários anos. “Amo a Apple com todo o meu ser e sou profundamente grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe tão engenhosa, inovadora, criativa e profundamente dedicada, que tem demonstrado um compromisso inabalável em enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços do mundo”, disse Cook. O executivo entrou para a Apple em 1998 e assumiu como CEO em 2011, quando Steve Jobs deixou a função. Com cerca de 15 anos no comando da companhia, Cook acabou permanecendo mais tempo no cargo do que o próprio Jobs. À frente da empresa, Cook supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles estão novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. CEO da Apple, Tim Cook, mostra novo iPhone 16 JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP 50 anos de história Neste ano, a Apple completou 50 anos em um momento em que a indústria de tecnologia passa por uma nova onda de transformações impulsionadas pela inteligência artificial (IA). O avanço dessa tecnologia coloca pressão sobre a empresa para demonstrar que ainda é capaz de lançar produtos ou serviços com potencial de provocar mudanças culturais semelhantes às que marcou ao longo de sua história. A companhia foi fundada em 1º de abril de 1976, na garagem de Steve Jobs, em Cupertino, na Califórnia. Ao lado de Steve Wozniak, Jobs ajudou a popularizar o uso de computadores pessoais e iniciou uma trajetória que transformaria a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo, hoje avaliada em mais de US$ 3,6 trilhões. Ao longo das décadas, a empresa lançou produtos que redefiniram a forma como as pessoas usam tecnologia no dia a dia. 🖥️ O Macintosh, apresentado em 1984, ajudou a tornar os computadores mais acessíveis ao público ao introduzir uma interface baseada em ícones e o uso do mouse. 📱Anos depois, o iPhone mudaria novamente o mercado ao consolidar o smartphone como centro da vida digital. Desde seu lançamento, em 2007, mais de 3,1 bilhões de iPhones foram vendidos, gerando cerca de US$ 2,3 trilhões em receita, segundo dados da Counterpoint Research. Outros produtos, como o Mac, o iPad e o Apple Watch, também ajudaram a consolidar uma base fiel de usuários ao redor do mundo.
20/04/2026 21:30:21 +00:00
Apple anuncia sucessão: Tim Cook deixará comando e John Ternus será novo CEO

A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que Tim Cook deixará o comando da empresa e passará a atuar como presidente executivo do conselho de administração. O atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, John Ternus, assumirá como novo diretor-executivo (CEO) da companhia a partir de 1º de setembro de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em comunicado, a fabricante informou que a mudança foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração e faz parte de um processo de planejamento de sucessão conduzido ao longo de vários anos. “Amo a Apple com todo o meu ser e sou profundamente grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma equipe tão engenhosa, inovadora, criativa e profundamente dedicada, que tem demonstrado um compromisso inabalável em enriquecer a vida de nossos clientes e criar os melhores produtos e serviços do mundo”, disse Cook. O executivo entrou para a Apple em 1998 e assumiu o cargo de CEO em 2011, quando Steve Jobs deixou a função. Com cerca de 15 anos no comando da companhia, Cook acabou permanecendo mais tempo à frente da Apple do que o próprio Jobs. Veja os vídeos que estão em alta no g1 À frente da empresa, o executivo supervisionou o lançamento de diversos produtos e serviços. Entre eles estão novas categorias, como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. Durante sua gestão, o valor de mercado da Apple saltou de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou no período, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. John Ternus (à esquerda), novo CEO da Apple, e Tim Cook, que deixa o cargo para ser presidente executivo do conselho de administração da empresa Divulgação/Apple Quem será o novo CEO da Apple? John Ternus será o sucessor de Cook no comando da Apple. Atual vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, ele entrou para a Apple em 2001, integrando a equipe de design de produtos. Ao longo dos anos, passou a ocupar posições de liderança na área de engenharia de hardware e, em 2013, tornou-se vice-presidente da divisão. Desde 2021, faz parte da equipe executiva da empresa. Antes de ingressar na Apple, o executivo trabalhou como engenheiro mecânico na empresa Virtual Research Systems. Ele é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. 50 anos de história Neste ano, a Apple completou 50 anos em um momento em que a indústria de tecnologia passa por uma nova onda de transformações impulsionadas pela inteligência artificial (IA). O avanço dessa tecnologia coloca pressão sobre a empresa para demonstrar que ainda é capaz de lançar produtos ou serviços com potencial de provocar mudanças culturais semelhantes às que marcou ao longo de sua história. A companhia foi fundada em 1º de abril de 1976, na garagem de Steve Jobs, em Cupertino, na Califórnia. Ao lado de Steve Wozniak, Jobs ajudou a popularizar o uso de computadores pessoais e iniciou uma trajetória que transformaria a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo, hoje avaliada em mais de US$ 3,6 trilhões. Ao longo das décadas, a empresa lançou produtos que redefiniram a forma como as pessoas usam tecnologia no dia a dia. 🖥️ O Macintosh, apresentado em 1984, ajudou a tornar os computadores mais acessíveis ao público ao introduzir uma interface baseada em ícones e o uso do mouse. 📱Anos depois, o iPhone mudaria novamente o mercado ao consolidar o smartphone como centro da vida digital. Desde seu lançamento, em 2007, mais de 3,1 bilhões de iPhones foram vendidos, gerando cerca de US$ 2,3 trilhões em receita, segundo dados da Counterpoint Research. Outros produtos, como o Mac, o iPad e o Apple Watch, também ajudaram a consolidar uma base fiel de usuários ao redor do mundo. CEO da Apple, Tim Cook, mostra novo iPhone 16 JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
20/04/2026 20:45:47 +00:00
Ipsos-Ipec: 90% dos brasileiros acreditam que conflito entre EUA, Israel e Irã terá impacto na economia do país

A ação militar dos EUA e de Israel causou destruição no Irã desde o início da guerra, em fevereiro GETTY IMAGES Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira (20) mostra que 90% dos brasileiros acreditam que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã trará impactos na economia do país. Segundo o levantamento, 65% avaliam que a economia será "muito afetada", enquanto 25%, "um pouco". Aqueles que consideram que "não afetará "a economia brasileira são 6% e os que não sabem ou não responderam, 5%. O levantamento aponta para um consenso sobre o a possibilidade do aumento de preços. Para nove em cada dez brasileiros, a guerra vai afetar diretamente os preços dos combustíveis (92%), dos alimentos (91%), do gás de cozinha (89%) e a inflação (89%). Além da economia, 76% consideram que as relações diplomáticas do Brasil com outros países sofrerão reflexos. Preço do combustível Vai afetar muito: 76%; Vai afetar um pouco: 16%; Não vai afetar: 4%; Não sabe/não respondeu: 4%. Preço dos alimentos Vai afetar muito: 68%; Vai afetar um pouco: 23%; Não vai afetar: 6%; Não sabe/não respondeu: 4%. Inflação Vai afetar muito: 68%; Vai afetar um pouco: 21%; Não vai afetar: 5%; Não sabe/não respondeu: 5%. Preço do gás Vai afetar muito: 67%; Vai afetar um pouco: 22%; Não vai afetar: 7%; Não sabe/não respondeu: 5%. Economia brasileira de modo geral Vai afetar muito: 65%; Vai afetar um pouco: 25%; Não vai afetar: 6%; Não sabe/não respondeu: 5%. Relação do Brasil com outros países Vai afetar muito: 47%; Vai afetar um pouco: 29%; Não vai afetar: 16%; Não sabe/não respondeu: 8%. Segundo Márcia Cavallari, diretora-geral da Ipsos-Ipec, a percepção de impacto econômico demonstra que a população está receosa com os reflexos no bolso e atenta às consequências globais do conflito. O brasileiro também mostra que tem uma visão crítica sobre a necessidade do ataque que desencadeou a guerra e, nesse cenário, deixa claro que o governo brasileiro deve adotar uma postura de neutralidade, uma política externa que não se alinhe a nenhum dos dois lados. A pesquisa Ipsos-Ipec foi realizada entre os dias 8 e 12 de abril e entrevistou 2 mil pessoas em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Neutralidade brasileira Quanto ao posicionamento diplomático, o levantamento mostra que 83% da população defende que o Brasil adote uma postura neutra no conflito. O apoio explícito ao bloco liderado por Estados Unidos e Israel soma 10%, enquanto a adesão à posição do Irã é de 2%. Não sabem ou não responderam foram 5%. A percepção de neutralidade é acompanhada por uma visão crítica sobre o início das hostilidades, segundo a Ipsos-Ipec: 64% dos entrevistados consideram que o ataque conjunto de EUA e Israel em 28 de fevereiro — que resultou na morte do líder supremo iraniano — foi "totalmente desnecessário" ou "desnecessário". Segurança e preocupação humanitária O levantamento também mediu o nível de receio da população com a segurança nacional do país. Para 67% dos brasileiros, o conflito representa um risco à segurança do Brasil. No campo humanitário, 75% demonstram preocupação com a segurança de suas próprias famílias e 70% com a vida de brasileiros que residem no Oriente Médio. O temor se estende aos civis da região: 57% se dizem preocupados com israelenses e 55% com iranianos.
20/04/2026 19:49:15 +00:00
Indicado ao Fed, Warsh promete respeitar independência do BC, mas com limites

O indicado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comandar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve afirmar aos parlamentares, em audiência de confirmação marcada para terça-feira (21), que está "comprometido em garantir que a condução da política monetária permaneça estritamente independente". As declarações constam em comentários preparados vistos pela Reuters nesta segunda-feira. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O financista Kevin Warsh, de 56 anos e ex-diretor do Fed, também dirá aos integrantes do Comitê Bancário do Senado que pretende colaborar com o governo e com o Congresso em temas que não dizem respeito diretamente à política monetária. "Estou igualmente comprometido em trabalhar com o governo e com o Congresso em questões não monetárias que fazem parte das atribuições do Fed", afirmará. Nas falas preparadas, Warsh diz que a independência do banco central deve ser preservada especialmente nas decisões sobre política monetária. "Esse grau de independência não se estende a toda a gama de suas funções mandatadas pelo Congresso", afirmou. Segundo ele, os responsáveis pelas decisões do Fed não têm direito à mesma "deferência especial" em temas como gestão de recursos públicos, regulamentação e supervisão bancária ou questões ligadas às finanças internacionais. Mudanças no Fed Indicado para substituir o atual chair do Fed, Jerome Powell, Warsh também promete promover mudanças na instituição. Segundo ele, a tendência de organizações grandes e complexas de manter o status quo pode ser "prejudicial" em um cenário de rápidas transformações. "Em uma época que estará entre as mais importantes da história de nossa nação, acredito que um Federal Reserve voltado para a reforma pode fazer uma diferença real para o povo norte-americano", disse. Warsh foi diretor do Fed entre 2006 e 2011. Em seu discurso, ele retoma críticas que vem fazendo ao banco central desde que deixou o cargo. Segundo ele, o Fed deve "permanecer em sua faixa" e evitar avançar sobre temas que considera ligados à política fiscal ou social. No passado, Warsh usou essa expressão para criticar iniciativas do banco central, como estudos sobre os efeitos econômicos das mudanças climáticas e a meta de pleno emprego "inclusivo". Nos últimos anos, o Fed reduziu significativamente o foco na questão climática. Warsh também afirma que a independência do banco central pode ficar fragilizada se a instituição não cumprir seu mandato de garantir a estabilidade dos preços, definido pelo Congresso. "A inflação baixa é a armadura do Fed, sua proteção vital contra as investidas e flechas [...] Portanto, quando a inflação aumenta -- como aconteceu nos últimos anos -- os cidadãos sofrem graves danos ... (que) também podem perder a fé em nosso sistema de governança econômica, levantando dúvidas se a independência da política monetária é tudo o que se espera". A audiência de confirmação de Warsh no Senado está prevista para começar às 10h no horário local (11h em Brasília), na terça-feira. Kevin Warsh REUTERS/Brendan McDermid/Foto de Arquivo
20/04/2026 17:55:24 +00:00
Musk ignora convocação da França para depor sobre o X

Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber O bilionário Elon Musk não compareceu nesta segunda-feira (20) a uma oitiva voluntária convocada pela Justiça francesa no âmbito de uma investigação contra sua rede social X. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A promotoria de Paris informou à agência de notícias AFP que "tomou nota da ausência das primeiras pessoas convocadas", sem citar Musk nominalmente. A convocação havia sido emitida em fevereiro, após autoridades realizarem buscas nos escritórios do X em Paris. A operação compõe um inquérito iniciado em janeiro de 2025, que apura alegações de que o algoritmo do X teria sido usado para interferir na política francesa. Na ocasião, a ex-diretora-geral da empresa Linda Yaccarino também foi convocada para depoimento voluntário. Outros funcionários do X foram chamados na condição de testemunhas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O processo posteriormente se estendeu também a outros supostos crimes, como a cumplicidade na divulgação de pornografia infantil. O Grok, assistente de IA incorporado à rede social, foi repetidamente usado para gerar e divulgar conteúdos negacionistas e imagens falsas de caráter sexual. A plataforma nega qualquer irregularidade e vem classificando a ação como "abusiva". Semanas antes, Musk usou a plataforma para insultar as autoridades francesas. A ausência do empresário e de Yaccarino "não constitui um obstáculo para a continuidade das investigações", afirmou o Ministério Público. Os promotores não têm autoridade para usar a força a fim de obrigar a pessoa a comparecer à oitiva. Investigações contra o Grok A investigação sobre o X na França compõe uma reação internacional mais ampla contra o Grok, após o agente de IA ser usado sem filtro para sexualizar imagens de mulheres e crianças por meio de simples instruções escritas. Cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram geradas na plataforma em apenas 11 dias, apontou no final de janeiro o Centro de Combate ao Ódio Online, uma ONG de combate à desinformação. No final de janeiro, a União Europeia também abriu uma investigação contra o X devido ao conteúdo gerado pelo Grok. Telegram apoia Musk Musk recebeu nesta segunda-feira o apoio do cofundador do Telegram, Pavel Durov, que também está sendo investigado pela Justiça francesa por atividades em sua plataforma. "A França de [Emmanuel] Macron está perdendo legitimidade ao utilizar investigações criminais como arma para reprimir a liberdade de expressão e a privacidade", escreveu Durov nas redes sociais. Ele foi preso em 2024 pela unidade francesa de crimes cibernéticos, sob acusações que incluíam cumplicidade com o crime organizado.
20/04/2026 16:18:04 +00:00
Empresa dos EUA anuncia compra de mineradora brasileira de terras raras

Lula diz que quer negociar terras raras com Trump A companhia norte-americana USA Rare Earth anunciou, nesta segunda-feira (20), um acordo para adquirir a mineradora brasileira Serra Verde Group. O negócio está avaliado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. As informações constam em comunicado oficial divulgado pela própria empresa nesta segunda (20). A transação ocorre em meio ao esforço dos Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência da China no mercado de 'terras raras'. A Serra Verde é proprietária da mina de Pela Ema, localizada no estado de Goiás. A unidade é a única produtora em larga escala, fora da Ásia, dos quatro elementos de terras raras magnéticas essenciais para produção de imãs em tecnologias avançadas. Esses minerais são fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa, por exemplo. O pagamento será realizado por meio de uma combinação de recursos. A USA Rare Earth pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de novas ações ordinárias para os acionistas da Serra Verde – o que totalizaria o valor bilionário. Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras Divulgação/Serra Verde A transação visa criar uma líder global no setor de terras raras. A empresa combinada terá operações integradas que abrangem desde a mineração e processamento até a fabricação de metais e ímãs. Em janeiro, a USA Rare Earth concordou com um pacote de financiamento de US$1,6 bilhão junto ao governo dos EUA, enquanto a Serra Verde, uma empresa privada, fechou um acordo de financiamento no valor de US$565 milhões com Washington em fevereiro. A operação ganha ainda mais relevância porque, segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027. "A mina Pela Ema, da Serra Verde, é um ativo único e a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos de terras raras magnéticos em grande escala", disse Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth. Saiba mais: Terras raras: Brasil dá passo inédito para produzir ímãs com minério nacional; 'Terras raras' são ponto-chave na geopolítica mundial, e Brasil tem potencial na área; entenda; UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente da Comissão Europeia. Próximos passos O acordo já foi formalizado como “definitivo” entre as partes. No entanto, a aquisição ainda não foi finalizada operacionalmente. A previsão é que o fechamento do negócio ocorra no terceiro trimestre de 2026. A conclusão da compra está sujeita a aprovações regulatórias e condições habituais de fechamento. Até lá, as empresas seguem cronogramas de integração. Com a união, segundo o comunicado, executivos da mineradora brasileira assumirão papéis estratégicos na companhia norte-americana. Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde, assumirá a presidência e uma cadeira no conselho de administração. Mick Davis, atual presidente do conselho da Serra Verde, também passará a integrar o conselho da empresa compradora.
20/04/2026 14:09:43 +00:00
Com guerra no Oriente Médio, mercado prevê inflação de 4,80% e juros mais altos

Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, analistas do mercado financeiro elevaram novamente a projeção para a inflação em 2026 e passaram a prever juros mais altos. De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 4,80% neste ano, contra a projeção anterior de 4,71%. As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Inflação em alta Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. Em 4,80% para este ano, a projeção do mercado financeiro supera o teto do sistema de metas — que é de 4,5%. O boletim anterior foi o primeiro, desde maio do ano passado, que o mercado estimou o estouro da meta de inflação em 2026. Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%; ➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,60%. ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Pepino se tornou símbolo de inflação na Rússia REUTERS/Alexey Malgavko Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Contudo, comparativamente à semana passada, a queda projetada foi menor. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC). Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic passou de 12,50 para 13% ao ano na última semana. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado passou para 11% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,85% para 1,86% O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do IBGE. ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Taxa de câmbio O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,37 para R$ 5,30 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,40 para R$ 5,35.
20/04/2026 12:57:11 +00:00
Braskem diz que Novonor assinou contrato para venda do controle da companhia

Braskem vai investir em Triunfo, Montenegro, Nova Santa Rita e Rio Grande. Braskem/Divulgação A Braskem informou nesta segunda‑feira (20) que a Novonor (ex-Odebrecht) e a NSP Investimentos assinaram um contrato para vender o controle da petroquímica ao fundo Shine I, um fundo de investimento que compra participações em empresas. O fundo é assessorado pela gestora IG4 Capital. Em nota, a Novonor afirmou que o contrato marca o fim de um "ciclo de décadas de investimentos" na construção da Braskem e avaliou que a nova estrutura de controle, com a Petrobras como co-controladora, garante a continuidade necessária para que a companhia siga avançando de forma sólida, com foco em inovação e sustentabilidade (leia a íntegra do comunicado abaixo). O contrato define as regras da venda judicial das ações da Braskem que hoje estão com a NSP Investimentos. Essas ações serão vendidas ao fundo Shine I por meio de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) — um tipo de fundo que investe diretamente em empresas ao adquirir ações com ou sem direito a voto. No caso da Braskem, a operação envolve ações que representam cerca de 50,1% das ações com direito a voto e aproximadamente 34,3% de todo o capital da empresa. Com isso, o fundo passa a ter o controle da companhia. A NSP, por sua vez, continuará com uma fatia menor, equivalente a 4% do capital total, mas sem poder de influência na gestão da empresa além do que a lei garante. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O contrato também prevê que o fundo Shine I solicite à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado financeiro no Brasil, a autorização para fazer uma oferta pública de compra das demais ações da Braskem que hoje estão em circulação no mercado. Na prática, isso abre a possibilidade de o novo controlador ampliar ainda mais sua participação. Ações da Braskem sobem A notícia repercutiu no mercado financeiro. As ações da Braskem chegaram a subir mais de 5% no início do pregão desta segunda‑feira. Por volta das 10h15, os papéis avançavam 3,39%, cotados a R$ 9,15, enquanto o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, subia 0,18%. Após a conclusão da operação, um novo acordo entre os acionistas entrará em vigor. A gestão da empresa passará a ser dividida entre o fundo Shine I e a Petrobras, que atualmente detém cerca de 47% das ações com direito a voto da Braskem e 36,1% do capital total da companhia. "O comprador pretende conduzir, em conjunto com a Petrobras, a reestruturação financeira e operacional da companhia, com a intenção de que a Braskem volte a gerar valor para seus acionistas e para o Brasil", afirmou o Shine I em correspondência enviada à Braskem e divulgada pela petroquímica. Carta Pokémon de milhões de libras: valorização gera onda de crimes com roubos e furtos Novo controlador O movimento já vinha sendo preparado. Em dezembro, a Braskem informou que a Novonor assinou um acordo de exclusividade com a gestora de investimentos IG4 Capital para a venda de sua participação na empresa petroquímica. Segundo os termos divulgados à época, a participação da Novonor seria transferida para um fundo administrado pela IG4, que passaria a deter pouco mais de 50% das ações com direito a voto e cerca de 34% do capital total da Braskem. Na época, a a Novonor se comprometeu a transferir sua participação para um fundo administrado pela IG4, que passará a deter 50,111% do capital votante — ou seja, das ações que dão direito a voto nas decisões da empresa — e 34,323% do capital total da petroquímica. A entrada de um novo acionista controlador é vista como um fator que pode ajudar a melhorar as perspectivas da Braskem, que enfrenta margens de lucro reduzidas no setor petroquímico e carrega dívidas relacionadas aos danos causados por antigas operações de mineração de sal em Maceió, no Nordeste. Em outro comunicado, a IG4 afirmou que a operação envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívidas, que estão garantidas por ações da própria Braskem — mecanismo conhecido como dívida com garantia em ações. O acordo também pode ajudar a reduzir o alto endividamento da Novonor, que aumentou após o escândalo da Operação Lava Jato, há cerca de dez anos. Na época, o grupo — então chamado de Odebrecht — usou suas ações da Braskem como garantia para empréstimos bilionários. O que diz a Novonor "Foi celebrado o contrato de compra e venda para transferência de sua participação acionária na Braskem à IG4 Capital, o que levará ao encerramento de um ciclo de décadas de investimento pela Novonor dedicado à construção de uma das petroquímicas mais relevantes do mundo, em parceria com a Petrobras. A empresa reafirma o orgulho em ter contribuído para que milhares de profissionais de altíssima qualidade desenvolvessem ao longo dos anos um ativo de tamanha importância estratégica para o país, essencial para o fortalecimento da indústria nacional. Importante ressaltar que a conclusão da transação está condicionada a condições precedentes e que a atuação da Novonor, enquanto acionista, seguirá sendo pautada pela observância e promoção do interesse social da Braskem até a sua consumação. A nova estrutura de controle, que terá a Petrobras como co-controladora , assegurará a continuidade necessária para que a Braskem siga avançando com solidez, focada em inovação e na construção de um futuro cada vez mais forte e sustentável para o setor petroquímico." Leia também: Após a morte do fundador, OnlyFans busca novo investidor em acordo bilionário MBRF avança em parceria com fundo saudita na Sadia Halal em preparação para oferta de ações *Com informações da agência de notícias Reuters Erro de empresas no preenchimento leva trabalhadores à malha fina
20/04/2026 12:33:39 +00:00
Dólar cai e fecha a R$ 4,97 em meio a incertezas sobre acordo entre EUA e Irã; Ibovespa avança

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,17% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 4,9746 — menor valor em mais de dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,20%, aos 196.132 pontos. O movimento ocorre em meio a sinais contraditórios sobre os rumos da guerra no Oriente Médio. De um lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã deve acontecer “relativamente rápido”. De outro, o país disse ver dificuldades nas negociações diplomáticas. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ A dois dias do fim do frágil cessar-fogo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que “contínuas violações”, além de “comportamentos ilegais e posições contraditórias” dos EUA, representam um “grande obstáculo” à continuidade do processo diplomático. ▶️ No domingo, os EUA interceptaram e atacaram um navio cargueiro iraniano. Segundo Donald Trump, a embarcação tentou furar um bloqueio naval americano no Golfo de Omã. ▶️ Em meio à escalada das tensões, Teerã prometeu retaliar e colocou em dúvida a participação na nova rodada de negociações de paz, prevista para começar nesta segunda-feira. Poucas horas depois, o Paquistão disse à Reuters que recebeu sinal positivo do Irã sobre participação nas tratativas. ▶️ Trump negou estar sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou avanço nas negociações. “Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido”, escreveu em rede social. ▶️ Segundo fontes do canal Al Jazeera, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve desembarcar no Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de negociações relacionadas ao conflito. Diante de sinais contraditórios sobre a guerra — especialmente em relação aos bloqueios no Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo —, o preço do tipo Brent, referência internacional, avançava 5,32% por volta das 16h, cotado a US$ 95,19 o barril. ▶️ No Brasil, agentes do mercado financeiro elevaram as projeções de inflação e de juros para 2026, em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,17%; Acumulado do mês: -3,94%; Acumulado do ano: -9,37%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,20%; Acumulado do mês: +4,63%; Acumulado do ano: +21,73%. De olho nas negociações O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que não está sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou que as negociações devem avançar em breve. "Li na imprensa fake news que estou sob “pressão” para fazer um acordo. ISSO NÃO É VERDADE! Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido", afirmou em uma publicação na rede social Truth Social. Segundo ele, “o tempo não é meu adversário” e é preciso corrigir “a bagunça” deixada por governos anteriores na condução das relações com o Irã. O republicano também afirmou que o acordo que pretende firmar será “muito melhor” do que o JCPOA, conhecido como acordo nuclear iraniano, fechado durante os governos de Barack Obama e Joe Biden. Do lado do Irã, o Paquistão afirmou estar confiante de que conseguirá fazer com que o país participe de negociações com os EUA, disse à Reuters nesta segunda-feira (20) uma autoridade sênior do governo paquistanês. “Recebemos um sinal positivo do Irã. A situação é dinâmica, mas estamos trabalhando para que eles estejam aqui quando iniciarmos as conversas amanhã ou no dia seguinte”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato. Impactos na inflação Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, analistas do mercado financeiro elevaram novamente a projeção para a inflação em 2026 e passaram a prever juros mais altos. De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 4,80% neste ano, contra a projeção anterior de 4,71%. As expectativas fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. Em 4,80% para este ano, a projeção do mercado financeiro supera o teto do sistema de metas — que é de 4,5%. O boletim anterior foi o primeiro, desde maio do ano passado, que o mercado estimou o estouro da meta de inflação em 2026. Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,91% para 3,99%; ➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,60%. ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Contudo, comparativamente à semana passada, a queda projetada foi menor. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC). Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic passou de 12,50% para 13% ao ano na última semana. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado passou para 11% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Mercados globais Os mercados globais tiveram desempenho misto nesta segunda-feira. Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,01%, aos 49.442,69 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,22%, aos 7.110,22 pontos, e o Nasdaq teve perda de 0,26%, aos 24.404,39 pontos. Na Europa, as bolsas também fecharam no vermelho. O índice pan-europeu STOXX 600 terminou o dia com queda de 0,8%. Entre os principais mercados da região, as perdas foram mais fortes na França e na Alemanha, onde os índices CAC e DAX recuaram cerca de 1,1%. Em Londres, o FTSE registrou baixa de 0,55%. Na Ásia o cenário foi diferente, com a maioria dos mercados encerrando o pregão em alta. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,77%, enquanto em Xangai o SSEC avançou 0,76%. O Nikkei, em Tóquio, ganhou 0,6%, e o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 0,44%. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters
20/04/2026 12:00:33 +00:00
O império empresarial bilionário da elite secreta de Cuba

Especialistas indicam o ex-presidente cubano Raúl Castro e seu entorno como proprietários e operadores da holding multimilionária Gaesa Getty Images via BBC Enquanto Cuba enfrenta a escassez e os apagões, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares. A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) não tem website, nem endereço de correio eletrônico institucional conhecido, nem canais oficiais de contato. Ela não publica balanços, nem aparece no orçamento estatal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Assembleia Nacional do Poder Popular e a Controladoria Geral da República de Cuba não podem auditar suas contas — mesmo com a empresa embolsando praticamente cada dólar recebido pelos negócios mais rentáveis do regime cubano: turismo, remessas financeiras, comércio exterior e missões médicas no estrangeiro. A holding pertence às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), mas também não está sob seu controle. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em 2024, ela possuía bens no valor de pelo menos US$ 17,9 bilhões (cerca de R$ 89,4 bilhões), incluindo mais de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 71,9 bilhões) em contas bancárias, segundo documentos vazados para o jornal americano Miami Herald. A BBC não conseguiu verificar estes dados de forma independente. Esta fortuna é maior que as reservas internacionais de países como o Equador, o Paraguai ou a República Dominicana. Ela ilustra a magnitude do império econômico representado pela Gaesa. Tudo isso contrasta com a situação econômica de Cuba, um país praticamente falido, com queda acumulada de 15% do PIB nos últimos cinco anos e insolvente frente aos seus diversos credores internacionais. Quase nove a cada 10 cubanos vivem em condições de extrema pobreza ou "sobrevivência", segundo estimou em 2025 o Observatório Cubano dos Direitos Humanos. E, neste ano, a crise no país se intensificou com apagões de várias horas por dia e com a escassez ainda maior de alimentos, combustíveis e medicamentos. A miséria nas ruas de Havana contrasta com os modernos hotéis financiados pelas corporações da Gaesa, como a Torre K — Iberostar Selection Havana (esq.), inaugurada em 2025 Getty Images via BBC Nos últimos meses, o governo do presidente americano Donald Trump intensificou as sanções contra a ilha, com um bloqueio de facto do fornecimento de petróleo, que agravou os problemas de energia e abastecimento. O contraste entre um Estado em bancarrota e a existência de uma entidade obscura que suga as principais fontes de receita sob o guarda-chuva militar levanta questões importantes que tentaremos responder a seguir. Como opera a Gaesa? Quem está por trás dela? Onde ela guarda e investe o dinheiro? Até que ponto esta economia paralela é responsável pela miséria que assola Cuba? A BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) tentou entrar em contato com o governo cubano por diversas vias, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Qual é a sua origem e como ela opera "A Gaesa funciona como uma grande holding, um polvo de vários braços que se apropriou da economia cubana em quase todos os seus setores rentáveis ao longo dos últimos 15 anos", explica Emilio Morales, presidente da consultoria Havana Consulting Group, que estuda a economia cubana. Mas a Gaesa nasceu muito antes, na década de 1990. Ela era um mecanismo criado dentro das FAR para administrar empresas que operavam com divisas em plena crise econômica (o chamado Período Especial), após a queda da União Soviética (1922-1991). Seu objetivo inicial era relativamente limitado: gerar recursos para as próprias Forças Armadas por meio de negócios vinculados ao turismo, comércio exterior e outros setores que captavam dólares. Mas, com o passar do tempo, essa estrutura se transformou em um império financeiro. A deterioração da saúde de Fidel Castro (1926-2016), até então líder hegemônico de Cuba, levou à ascensão ao poder do seu irmão Raúl, interinamente em 2006 e formalmente em 2008. Desde então, o conglomerado começou a se expandir rapidamente e absorver empresas estatais estratégicas, entre elas a maior de todas: a Cimex. "Ao se apropriar da Cimex, a Gaesa adquiriu toda a sua rede de empresas, dentro e fora de Cuba: corporações localizadas em paraísos fiscais como o Panamá, comércios varejistas em moeda local e em dólares, postos de gasolina, negócios imobiliários, exportação, importação, atacadistas...", explica Morales. Durante anos, as remessas de dinheiro enviadas do exterior para Cuba através da americana Western Union foram canalizadas pela empresa Fincimex, controlada pela Gaesa (na foto, a sucursal da Western Union em Havana) Getty Images via BBC A holding foi englobando outras empresas rentáveis, como as especializadas no setor turístico Gaviota e Habaguanex, parte da operadora de internet Etecsa e a gestão do porto comercial de Mariel, o maior do país. A Gaesa assumiu também o controle do Banco Financeiro Internacional (BFI), que opera as transações de Cuba com o exterior. Na prática, a holding monopolizou quase todos os negócios que atraem dólares: o turismo, comércio, telecomunicações, bancos, remessas financeiras, logística e construção. No papel, Cuba funciona em um sistema socialista, no qual a economia é monopólio do Estado. Mas a Gaesa não presta contas à Assembleia Nacional e mantém seus balanços em sigilo. "Seus balanços são secretos, a imprensa cubana não a menciona e ela trabalha em total obscuridade", explica à BBC o economista Pavel Vidal, um dos maiores especialistas nas finanças de Cuba. "E, na verdade, também não paga impostos e não aparece nos orçamentos do Estado, já que tem um orçamento independente. É uma economia dentro de outra", define ele. O sigilo em torno deste império na sombra é enorme. Em julho de 2024, a então controladora-geral de Cuba, Gladys Bejerano, foi exonerada após 14 anos no cargo. Ela havia admitido, em um aparente descuido durante uma entrevista à agência de notícias EFE, que o Estado não teria jurisdição para auditar a Gaesa. Três anos antes, em 2021, o então ministro das Forças Armadas de Cuba, Leopoldo Cintra Frías, foi suspenso, segundo fontes, pouco depois de tentar promover uma investigação interna sobre a holding multimilionária ligada à sua pasta. Não se sabe ao certo, em nenhum dos dois casos, se as destituições foram relacionadas às suas incursões nos assuntos da Gaesa ou se foram meras coincidências. Bejerano e Cintra Frías eram septuagenários quando foram afastados dos seus respectivos cargos. O general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro de Raúl Castro, era considerado o cérebro e promotor da Gaesa até sua morte, em 2022 Getty Images via BBC O grupo empresarial foi presidido por anos pelo general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja (1960-2022), ex-genro de Raúl Castro e considerado um dos homens mais poderosos do país. Foi sob seu comando que a Gaesa assumiu o controle das principais empresas estatais, até se tornar a gigante que é hoje em dia. Após a morte de Rodríguez López-Calleja, em 2022, a presidência do grupo passou para a sua vice, a generala-de-brigada Ania Guillermina Lastres. Estes são os dois únicos nomes conhecidos deste conglomerado empresarial multimilionário. Mas quem forma a elite que controla a Gaesa e seus bens? Quem são seus donos Identificar os proprietários e diretores da Gaesa não é uma tarefa fácil. Sua estrutura empresarial é extremamente obscura. Não se sabe quem lidera seus órgãos de decisão, não há um organograma oficial e boa parte das suas empresas operam por meio de redes societárias de difícil rastreamento. Mas investigações jornalísticas, documentos vazados e relatórios de acadêmicos que passaram anos estudando o grupo oferecem importantes indícios sobre a elite deste poderoso conglomerado. Segundo Emilio Morales, o poder é concentrado em um grupo seleto e reduzido. "Não ultrapassa 15 pessoas", revela ele. "Não são nomes públicos, são muito herméticos. Eles têm designado a cada empresa um profissional de informática, um contador e um oficial da contrainteligência, para supervisionar toda a parte contábil", prossegue Morales, mencionando o testemunho anônimo de um ex-funcionário da Gaesa. Ele afirma que a holding usa o aparato militar para garantir que o controle das suas empresas e operações permaneça sem ser questionado, mas quem realmente manda não são os generais das Forças Armadas. "Na Venezuela, havia muitos arquipélagos de poder", compara ele. "Diosdado [Cabello, ex-presidente da Assembleia Nacional] tinha o dele, [Vladimir] Padrino [ex-ministro da Defesa] o seu, [Nicolás] Maduro, Delcy [Rodríguez, atual presidente] etc." "Mas o caso de Cuba é diferente. Raúl Castro nunca quis que os generais tivessem poder financeiro. Os generais existem para controle político." Neste sentido, o presidente da plataforma acadêmica Cuba Século 21, Juan Antonio Blanco, explica à BBC News Mundo que Raúl Castro sempre tentou "evitar que os generais se corrompessem, tendo acesso a grandes valores em dinheiro". Por isso, "a Gaesa foi reservada para um grupinho de elite da família Castro e os mais próximos", garante ele. "Existe um ou outro general, sim, mas não porque sejam generais, mas porque eram incondicionais, historicamente próximos da família de Raúl Castro." Assim, a elite do colosso empresarial (ou parte dela) seria o entorno familiar e militar do general Raúl Castro, hoje com 94 anos. Oficialmente aposentado, ele continua sendo o homem mais poderoso de Cuba, segundo os analistas. O ex-presidente cubano Raúl Castro, com seu neto e guarda-costas Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como o 'Caranguejo', que alguns especialistas relacionam à Gaesa Getty Images via BBC Raúl Castro tem quatro filhos: Déborah, Mariela, Nilsa e Alejandro Castro Espín. E também vários genros, netos e parentes próximos, que são vinculados a negócios e instituições importantes do poder. Entre eles, estão seu influente ex-genro Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, morto em 2022, e o seu neto e guarda-costas Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como o "Caranguejo". Rodríguez López-Calleja foi o artífice da grande transformação da Gaesa, antes uma limitada rede de empresas militares, em um gigantesco conglomerado que controla praticamente todas as atividades rentáveis do país. Já em relação ao "Caranguejo", suas frequentes viagens ao Panamá na última década (foram mais de 20 entre 2024 e 2025, segundo fontes, muitas delas em aviões particulares) levaram muitas pessoas a associá-lo diretamente aos negócios milionários da holding. Os especialistas também acreditam que o papel da atual presidente-executiva da Gaesa, Ania Guillermina Lastres, é principalmente operacional: ela representa e supervisiona a empresa, mas não faz parte do seu núcleo de proprietários, com poder de decisão e acesso aos seus fundos multimilionários. O nome de Lastres é o único que se dá a conhecer neste emaranhado, já que não existe um organograma oficial. A generala-de-brigada Ania Guillermina Lastres é a atual presidente da Gaesa, mas os especialistas colocam em dúvida seu real poder sobre a holding Partido Comunista de Cuba (PCC) Perguntar sobre o lado interno da Gaesa é como encontrar um muro pela frente. Muitas das suas empresas são estruturadas em redes de companhias e filiais, que ocultam os verdadeiros donos dos negócios. "Os acionistas de uma empresa podem ser outra empresa; e, desta, uma outra empresa — uma cadeia de companhias, para que não se consiga realmente chegar ao verdadeiro dono", segundo Morales. "E, no fim, você encontra um nome que é colocado ali como testa de ferro." Este tipo de estrutura é frequente em paraísos fiscais ou jurisdições com baixa transparência corporativa. Ela também dificulta seguir o rastro do dinheiro. Daqui, surge outra pergunta importante: onde está e qual é o destino do dinheiro da Gaesa? Onde está o dinheiro O conglomerado passou mais de duas décadas ampliando sua presença em setores fundamentais do país, sem que ninguém conseguisse avaliar a magnitude do seu império econômico. A Gaesa mantém suas contas em segredo e opera fora do escrutínio público. Mas o vazamento de documentos internos publicado no ano passado pelo Miami Herald trouxe um facho de luz, ao fornecer números específicos pela primeira vez. O império empresarial bilionário da elite secreta de Cuba Miami Herald / Reprodução Os documentos revelados pelo jornal americano Miami Herald mostram números multimilionários, em ativos, vendas e receita Miami Herald / Reprodução Os documentos publicados pelo Miami Herald são compostos por 22 balanços financeiros internos, correspondentes a diferentes empresas do grupo. Segundo eles, em março de 2024 o conglomerado controlava ativos avaliados em pelo menos US$ 17,894 bilhões (cerca de R$ 89,3 bilhões), incluindo US$ 14,467 bilhões (cerca de R$ 72,2 bilhões) líquidos em contas bancárias. Estes números não incluem a Cimex, que é a maior empresa da holding. Por isso, acredita-se que a fortuna da Gaesa, pelo menos naquele momento, fosse ainda maior. Os documentos também revelaram uma rentabilidade surpreendente. Foram mais de US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 10,5 bilhões) de lucros em agosto de 2024 em US$ 5,563 bilhões (cerca de R$ 27,8 bilhões) de receita, o que representa uma margem de cerca de 38%. Em termos de comparação, as grandes empresas internacionais costumam registrar margens de lucro de 5% a 15%. Nem mesmo em setores muito lucrativos, é frequente que elas superem 20%. Especialistas indicam que isso se deve a vários fatores. Em primeiro lugar, a Gaesa explora todos os setores rentáveis da economia cubana que geram dólares, como o turismo e o comércio, mas não os deficitários, como a agricultura, educação e saúde pública, exceto pelas missões médicas. Em segundo lugar, como Cuba restringe a entrada de outras corporações nesses setores, ela trabalha sem enfrentar concorrência. Por fim, outro ponto importante é que a empresa se beneficia da dualidade de taxas de câmbio e de moedas. "Sua receita é principalmente em dólares, em divisas, e ela paga salários em pesos cubanos", explica Vidal. Praticamente todas as empresas de transporte e serviços turísticos pertencem, em última análise, à Gaesa, como a Transtur (da companhia Cubasol) e a Transgaviota (grupo Gaviota) Getty Images via BBC O acadêmico José Antonio Blanco destaca ainda a vantagem de contar com o guarda-chuva das Forças Armadas Revolucionárias. "Se a Gaesa construir um hotel, por exemplo, como empresa das FAR, ela adquire mão de obra e materiais do Ministério da Construção em pesos cubanos, mas o dinheiro gerado pelo hotel entra em dólares", explica ele. A diferença entre as duas moedas é enorme. Seis anos atrás, um dólar valia 24 pesos cubanos, mas a moeda local se desvalorizou drasticamente desde então. Hoje, no mercado informal, a cotação do dólar já supera largamente os 500 pesos, segundo dados do portal de referência El Toque. Outra grande incógnita é onde está o patrimônio da Gaesa. Os documentos vazados indicam que o conglomerado mantém parte dos seus lucros multimilionários no próprio sistema financeiro, o que dificulta o rastreio até o seu destino. Segundo Pavel Vidal, o grupo também gerencia recursos que, na prática, funcionam como reservas internacionais paralelas do país, embora não estejam sob o controle do Banco Central de Cuba. "Trabalhei no Banco Central e sei que a instituição não gerencia diretamente as reservas internacionais de Cuba, mas sim o Banco Financeiro Internacional (BFI), que pertence à Gaesa." "Por isso, é preciso entender que essas reservas estão nesses US$ 14,5 bilhões [cerca de R$ 72,4 bilhões]", explica ele. "Chamo de reservas internacionais para dar um nome, mas, na verdade, não deveriam ser chamadas assim. Elas não estão sob o controle da autoridade monetária, que é quem deveria respaldar a moeda, o sistema bancário e a dívida", destaca Vidal. O aluguel de veículos para turistas está concentrado em empresas estatais, como a Cubacar e a Havanautos, também vinculadas ao conglomerado militar Gaesa Getty Images Sobre o paradeiro dessas reservas, Vidal calcula que "provavelmente elas estejam diversificadas: uma parte no BFI, mas também em bancos internacionais (russos, chineses,...) e, provavelmente, em paraísos fiscais". "Não há informações precisas a respeito, mas, considerando que parte da lógica da Gaesa é evitar sanções, é razoável imaginar que essas reservas sejam bastante diversificadas e que uma parte esteja estruturada de forma a não ficar exposta a sanções", conclui ele. É preciso destacar que os únicos relatórios financeiros da holding que foram publicados datam de 2024. Por isso, não se sabe que valores atingem seus ativos atualmente. Por fim, a última pergunta: qual a possível responsabilidade da Gaesa pela desastrosa situação atual da economia cubana? A influência na crise cubana O peso do conglomerado na economia cubana é enorme. Cálculos de Pavel Vidal e outros especialistas indicam que suas transações podem representar o astronômico nível de 40% do PIB do país. Este poder financeiro permitiu à Gaesa manter uma estratégia de investimentos que, segundo seus críticos, seria totalmente desconectada das necessidades mais urgentes da população da ilha. Enquanto a economia cubana atravessa décadas de crises, com setores produtivos disfuncionais e infraestruturas deterioradas, a Gaesa concentrou grande parte dos seus recursos em atividades destinadas a captar divisas, em vez de, por exemplo, revitalizar a produção agrícola e industrial do país. O hotel Grand Aston Havana, inaugurado em 2022, com cerca de 600 apartamentos, no bairro do Vedado, no centro da capital. Ele pertence ao grupo Gaviota, que faz parte da Gaesa Getty Images via BBC Nos últimos anos, o conglomerado promoveu uma ambiciosa expansão dos negócios turísticos, especialmente na capital, Havana, onde foram construídos novos e imponentes hotéis. Os edifícios contrastam com a deterioração cada vez maior das ruas e das construções ao seu redor. Enquanto isso, cada vez menos turistas visitam a ilha. O número de visitantes desabou de um pico de 4,7 milhões, em 2018, para 1,8 milhão no ano passado, quando a escassez e os apagões já se encaminhavam para os níveis extremos vividos hoje em dia. Para Vidal, concentrar os recursos no setor turístico faz com que outras áreas estratégicas recebam menos investimentos, o que limita a capacidade do país de reativar setores produtivos que reduzam a escassez crônica de alimentos e modernizar a indústria de geração de eletricidade, que é cada vez mais disfuncional. "O investimento no turismo foi fortemente desproporcional e se descuidou dos investimentos na agricultura, na rede elétrica e na manutenção das instalações geradoras", segundo o economista. "Isso explica, em parte, o que está acontecendo agora. Outro exemplo do controle da Gaesa sobre as principais fontes de receita do país são as missões médicas internacionais. Elas são o negócio mais lucrativo de Cuba nos últimos anos, mais até do que o turismo. Parte desta receita, segundo os especialistas consultados pela BBC, é canalizada para empresas do conglomerado empresarial militar. E, com base neste sistema peculiar, a Gaesa absorve boa parte das divisas que entram no país. Some-se a isso o fato de que a Gaesa possui ativos (ou pelo menos detinha, em 2024) em volume que permitiria modernizar o setor agropecuário (que hoje produz apenas 20% do consumo nacional de alimentos) e restaurar o setor de geração de eletricidade da ilha. As pressões recentes do governo americano sobre Cuba, que enfrenta uma situação limite, levaram muitos a pensar que o regime comunista vigente desde 1959 poderá cair ou protagonizar uma mudança drástica e forçada. Se isso acontecer, é difícil prever o que ocorreria com o obscuro conglomerado econômico das Forças Armadas, construído durante as últimas três décadas em paralelo ao Estado cubano. "Se houver uma transição, imagino que uma das primeiras medidas será encontrar o dinheiro da Gaesa, pois ele será muito necessário para uma fase de estabilização, de reconstrução", prevê Emilio Morales. LEIA TAMBÉM: Quem é o 'Caranguejo', neto de Raúl Castro que surge como interlocutor de Cuba junto aos EUA 'O que tem não mata minha fome': as grávidas cubanas que sofrem com país à beira do colapso
20/04/2026 10:35:02 +00:00
Escala 6x1: propostas no Congresso avançam para pôr fim à jornada; veja qual está mais perto de passar

Fim da escala 6x1? O que está em jogo  O fim da escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — saiu do campo das discussões pontuais e passou a ocupar o centro da agenda trabalhista do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O tema ganhou força no Congresso Nacional e hoje avança por quatro frentes simultâneas, com propostas que seguem caminhos distintos. No pano de fundo, o debate coloca em lados opostos a pressão por mais tempo livre e as preocupações com os efeitos econômicos das mudanças. Na prática, nunca antes o fim da escala 6x1 foi discutido de forma tão ampla e conjunta no Brasil. Na Câmara dos Deputados, dois textos avançaram um passo importante na última quarta-feira (15). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) emitiu parecer favorável à tramitação da PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e da proposta apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A votação, no entanto, foi adiada após um pedido de vista da oposição, o que empurrou a decisão final da comissão para os próximos dias. Ao mesmo tempo, o governo federal decidiu seguir por outro caminho. Na terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso um projeto de lei, com urgência constitucional, que também prevê o fim da escala 6x1. A estratégia do Planalto é testar a viabilidade política da mudança por meio de um trâmite mais rápido. No Senado Federal, a discussão está mais avançada. A PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela CCJ da Casa em dezembro do ano passado e aguarda análise do plenário. Trata-se do texto mais adiantado do ponto de vista legislativo. O Congresso, portanto, analisa simultaneamente quatro propostas, cada uma com trajetória própria e diferentes níveis de avanço. Embora o objetivo central seja semelhante, os formatos, os prazos e os impactos previstos são distintos. Abaixo, veja o percurso de cada uma delas: A corrida para acabar com a escala 6x1 g1 O que cada texto propõe? A proposta mais avançada até o momento é a PEC 148/2015. "É a [PEC] mais antiga em tramitação sobre o tema e prevê a redução gradual da jornada até o limite de 36 horas semanais", afirma Paulo Renato Paim, autor da proposta, ao g1. O texto prevê uma redução gradual da jornada de trabalho. No primeiro ano após a promulgação, a carga semanal cairia de 44 horas para 40 horas. A partir daí, haveria reduções anuais de uma hora até o limite de 36 horas semanais. A proposta formaliza a escala 5x2, com dois dias de descanso, e estabelece a proibição de redução salarial durante toda a transição. Aprovada na CCJ do Senado, a PEC segue agora para o plenário, onde será votada em dois turnos e precisará de 49 votos favoráveis em cada um. Se aprovada, o texto seguirá para a Câmara, onde também passará por dois turnos. Só então poderá ser promulgada. "O texto já está pronto para análise no plenário do Senado, embora ainda não haja data definida para votação", diz Paim. Ad PECs e o PL que propõe o fim da escala 6x1 g1 Já na Câmara, a proposta mais abrangente é a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton. O texto propõe a adoção da escala 4x3, com jornada máxima de 36 horas semanais. A implementação ocorreria em até 360 dias. A medida se aproxima de experiências internacionais recentes, mas enfrenta maior resistência política. A PEC do deputado Reginaldo Lopes segue na mesma direção quanto à carga horária final, mas prevê uma transição mais longa. A redução poderia ocorrer ao longo de até 10 anos, com o objetivo de diminuir eventuais impactos sobre empresas, especialmente em setores mais intensivos em mão de obra. As PECs de Erika Hilton e Reginaldo Lopes permanecem na fase de admissibilidade, que avalia apenas se os textos respeitam a Constituição. A discussão de mérito ocorrerá em uma comissão especial, etapa seguinte do processo. Além disso, outro projeto em discussão é o PL 67/2025, da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), que propõe reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e ampliar o descanso semanal remunerado de um para dois dias, sem corte de salário. A proposta altera a CLT e a legislação do comércio para instituir a escala 5x2 e garantir ao menos um domingo de folga a cada três semanas, valendo para todas as categorias, inclusive as com regras específicas. O texto está em tramitação na Câmara dos Deputados e aguarda análise na Comissão de Trabalho. Por fim, o projeto de lei do governo federal adota uma alternativa intermediária. O texto fixa a jornada em 40 horas semanais, com escala 5x2, e garante a manutenção dos salários. Como altera a CLT, o projeto exige apenas maioria simples para aprovação. Além disso, foi enviado com urgência constitucional, o que limita a até 45 dias o prazo máximo de tramitação em cada Casa Legislativa. O prazo pode ser estendido por mais 10 dias caso o texto seja alterado. Um dos destaques é a inclusão dos trabalhadores domésticos, grupo frequentemente excluído de reformas trabalhistas. “Do ponto de vista da tramitação do processo legislativo, a proposta que deve caminhar mais rapidamente é a enviada pela Presidência da República, porque ela não só reúne grande parte dos elementos das outras, como vem acompanhada de dois fatores: o regime de urgência (…) e a vontade política”, avalia o professor de Direito Constitucional da USP, Rubens Beçak. Por onde cada texto tramita — e por que isso importa As diferenças entre uma PEC e um projeto de lei ajudam a explicar a existência de várias frentes ao mesmo tempo. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) altera a norma máxima do país. Por isso, precisa ser aprovada em dois turnos em cada Casa e contar com o apoio de três quintos dos parlamentares. Não depende de sanção presidencial. Se aprovada, é promulgada pelo Congresso. Já o Projeto de Lei (PL) altera normas infraconstitucionais, como a CLT. O processo é mais simples, exige menos votos e depende de sanção presidencial. Justamente por alterarem o texto da Constituição Federal, as PECs têm um rito mais rigoroso e precisam, obrigatoriamente, tramitar pelas duas Casas do Congresso Nacional, explica Marcos Jorge, mestre em Direito Público e coordenador jurídico do escritório Wilton Gomes Advogados. Nesse contexto, Marcos ressalta que, no caso específico da jornada de trabalho, o PL não seria o instrumento legislativo adequado, já que a carga horária atual está prevista na Constituição Federal. Assim, a alteração dessa regra só poderia ser feita por meio de uma PEC. Mudança da escala 6x1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso Tomaz Silva/Agência Brasil Propostas avançam em meio a divergências O avanço das propostas ocorre em meio a um debate que também se intensificou fora do Congresso. Mesmo entre apoiadores do fim da escala 6x1, há quem defenda mudanças graduais, negociação coletiva e medidas de compensação, principalmente para micro e pequenas empresas. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) resume essa posição ao defender uma redução inicial mais moderada. "Se reduzirmos de forma paulatina de 44 para 40 horas semanais, já estaríamos extinguindo a escala 6 por 1", afirmou. Para sindicatos e movimentos sociais, o fim da escala 6x1 é uma reivindicação antiga. A avaliação é de que jornadas extensas afetam a saúde física e mental, aumentam o risco de acidentes e reduzem o tempo de descanso, sobretudo entre mulheres e trabalhadores de baixa renda. O relator da CCJ da Câmara, Paulo Azi, também abordou esse ponto em seu parecer. Segundo ele, no regime 6x1, o único dia de descanso costuma ser consumido por tarefas domésticas e demandas acumuladas. Para Azi, a redução da jornada poderia contribuir para um maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. “Elas [PECs e PL que propõem o fim da 6x1] estão em estágios diferentes, mas todas partem de um ponto de vista semelhante. O que é preciso entender é se vai prevalecer a vontade política, sobretudo em um ano eleitoral, em que o governo tem interesse na aprovação de medidas com alto potencial de apoio popular”, completa Beçak. Impactos econômicos: PIB, emprego e informalidade Por outro lado, representantes do setor produtivo reforçam as preocupações com os impactos econômicos das propostas. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Tendências Consultoria, indica que a redução da jornada de 44 para 36 horas, sem aumento proporcional de produtividade, pode levar a uma queda de até 3,7% do PIB no primeiro ano. Em cinco anos, a retração acumulada poderia chegar a 4,9%. Mesmo em um cenário com ganho de produtividade de 2%, os resultados permaneceriam negativos. As simulações também apontam que cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais poderiam enfrentar risco de demissão ou migração para a informalidade. “O custo com pessoal representa um dos principais componentes da estrutura de custos das empresas”, afirma Guilherme Hakme, diretor da Fiep. “Elevações nesse tipo de custo podem afetar decisões operacionais, como redução do horário de funcionamento e demissões.” No comércio, um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que a adaptação a jornadas menores pode elevar a folha salarial em cerca de 21%. Parte desse custo tende a ser repassada aos preços. Segundo o levantamento, cada aumento de 1% no custo do trabalho pode elevar a informalidade em 0,34%. No turismo, setor que depende da escala 6x1 para operar aos fins de semana, o impacto esperado recai sobre preços e demanda. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que ciclos naturais de produção nem sempre se adaptam a jornadas rígidas, especialmente em atividades sazonais e operações contínuas, como a pecuária leiteira. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução para 40 horas pode gerar aumento de custos de até R$ 267 bilhões para o setor industrial. Para uma jornada de 36 horas, o impacto seria maior. Para economistas, o ponto central da discussão é a produtividade. Segundo André Portela, da FGV, a redução da jornada de 44 para 36 horas, com manutenção dos salários, elevaria o custo da hora trabalhada em cerca de 22%. Diante desse cenário, empresas tendem a adotar diferentes estratégias, como repassar custos, investir em automação ou reorganizar equipes. Pequenas empresas, com menor capacidade de adaptação, aparecem como as mais expostas. A avaliação de especialistas é que mudanças desse porte exigem planejamento. Sem isso, há risco de efeitos como aumento da informalidade, acúmulo de empregos e maior instabilidade econômica, especialmente em caso de implementação rápida. Entenda os projetos sobre o fim da escala 6x1 em discussão
20/04/2026 09:00:58 +00:00
Por que um financiamento pode sair muito mais caro do que parece?

Vídeos de negociações em vendas de veículos viralizam nas redes Divulgação Vídeos de negociações de carros financiados que viralizaram nas redes sociais reacenderam uma dúvida comum entre consumidores: afinal, quanto um financiamento realmente custa? Nos comentários dessas publicações, internautas questionam valores que vão muito além das parcelas anunciadas. Isso acontece porque, além dos juros, as operações de crédito têm o chamado Custo Efetivo Total (CET), que reúne tarifas, seguros e outros encargos e está presente em todas as modalidades de crédito — do financiamento de veículos e imóveis ao crédito consignado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entenda nesta reportagem o que é o CET, quais são os seus direitos como consumidor e como avaliar se um empréstimo vale a pena. O que é o Custo Efetivo Total (CET) O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que mostra o custo real de um empréstimo ou financiamento. Além dos juros, ele reúne todas as despesas envolvidas na operação, o que permite uma comparação mais precisa entre diferentes ofertas de crédito. Custo Efetivo Total (CET) Arte/g1 Veja o que entra no cálculo do CET: Juros: valor cobrado pelo banco para conceder o empréstimo — funciona como o “aluguel” do dinheiro ao longo do tempo. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): tributo obrigatório cobrado pelo governo em operações de crédito, que aumenta o custo final da dívida. Tarifas: incluem cobranças como taxa de cadastro e outros serviços administrativos definidos pela instituição financeira. Seguros: como o seguro prestamista, que quita a dívida em caso de morte ou invalidez. Nem sempre são obrigatórios e devem ser autorizados pelo consumidor. Outros encargos: despesas adicionais da operação, que podem variar conforme o banco e o tipo de crédito. 🔎OOs juros são o principal componente do CET e, ao longo do tempo, concentram a maior parte do valor pago. Por isso, pequenas variações na taxa podem elevar significativamente o custo final da dívida. No crédito em geral, eles ficam entre 30% e 60% ao ano, mas no cartão — especialmente no rotativo — podem superar 400% ao ano, o que o torna uma das modalidades mais caras do mercado. Por determinação do Banco Central do Brasil (BC), bancos e instituições financeiras são obrigados a informar o CET antes da contratação, junto com uma planilha que detalha cada custo e seu peso no valor final da dívida. Esse demonstrativo também deve constar de forma clara no contrato. Como comparar o CET Na prática, o CET ajuda a revelar quanto o crédito realmente custa. Em um financiamento de R$ 1.000, por exemplo, com juros de 12% ao ano, a inclusão de taxas como cadastro e IOF pode elevar o custo total para cerca de 43,9% ao ano. Isso mostra que olhar apenas para a taxa de juros ou para o valor da parcela pode dar uma falsa impressão de que o empréstimo é barato, segundo especialistas consultados pelo g1. “Mesmo sem dominar matemática financeira, dá para usar uma regra simples: quanto eu pego hoje e quanto vou devolver no total”, afirma Marcos Crivelaro, professor de finanças da Fundação Vanzolini, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, encargos como seguros e serviços adicionais muitas vezes passam despercebidos. “A pessoa acha que está pagando só juros, mas há vários custos embutidos que elevam o valor final”, diz. Relação com o endividamento O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado. Em março, 80,4% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o maior nível da série histórica. Já a inadimplência — quando há contas em atraso — ficou em 29,6%, estável em relação a fevereiro, mas acima dos 28,6% registrados um ano antes. Mesmo com o início da queda da taxa Selic, os juros seguem altos, o que mantém o crédito caro e pressiona o orçamento das famílias. A alta dos combustíveis também encarece o custo de vida e tende a estimular o uso do crédito. Para Crivelaro, decisões tomadas sem pleno entendimento dos custos podem agravar a situação financeira. “No fim, o que importa é o total pago. Às vezes a parcela cabe no bolso, mas o valor final assusta”, afirma. Diante desse cenário, a recomendação é cautela. “Não é o momento de assumir novas dívidas, a não ser para substituir uma mais cara por outra mais barata — e, ainda assim, com análise cuidadosa”, diz. Quando os juros podem ser abusivos? Não existe um percentual fixo na lei que defina juros abusivos. Na prática, eles são considerados abusivos quando ficam muito acima da média de mercado ou quando há irregularidades no contrato. A legislação brasileira obriga a divulgação clara do CET em todas as etapas da contratação. Segundo Stefano Ribeiro Ferri, especialista em direito do consumidor, a transparência é essencial para evitar prejuízos. “O CET deve refletir o custo total da operação e aparecer de forma destacada tanto no contrato quanto na publicidade. O consumidor precisa saber exatamente quanto vai pagar”, afirma. De acordo com ele, a omissão de informações, a inclusão de serviços sem consentimento ou a chamada venda casada podem configurar práticas abusivas. “Se houver falta de transparência ou cobrança indevida, o consumidor pode buscar a revisão do contrato na Justiça. Em alguns casos, ele pode até ser anulado ou ajustado”, conclui.
20/04/2026 07:01:37 +00:00
Carro de R$ 20 mil, dívida de R$ 64 mil: como evitar um mau negócio ao financiar um veículo

Direitos do consumidor no financiamento de carros Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram sempre o mesmo roteiro: um vendedor de carros usados risca o papel com uma caneta. Do outro lado da mesa, o cliente ouve valores de entrada, prestações e prazos do financiamento. A negociação segue com ajustes de taxas, parcelas e descontos, até ser fechada com um aperto de mãos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Nos comentários dessas publicações, diversos internautas questionam a quantia paga pelos consumidores, que muitas vezes ultrapassa o valor do próprio veículo. “O carro ele paga os R$ 50 mil, mas esqueceu de avisar que os R$ 35 mil financiados viram mais de R$ 70 mil”, diz um comentário. “Cai quem quer, mas em nenhum momento ele fala que vai ficar 60 vezes de R$ 1.200, o que dá R$ 72 mil”, comenta outro. O formato dos vídeos chama atenção e, embora não necessariamente envolva irregularidades, especialistas alertam que esse tipo de negociação pode dificultar a compreensão dos clientes sobre o custo total do financiamento. Nesta reportagem, o g1 explica quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um carro usado. O g1 também ouviu Daniel Ribeiro, vendedor que aparece nos vídeos que viralizaram, para apresentar sua versão sobre as negociações. Navegue no menu abaixo: O que diz a lei Me senti enganado, posso recorrer? Cuidados na hora de financiar De olho nas parcelas — e nos juros também O que diz o vendedor Veja o checklist do carro usado O consumidor tem de ficar de olho para garantir seus direitos ao financiar um veículo Divulgação O que diz a lei “O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados. 🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação. (Entenda mais abaixo) Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação. “Quando o vendedor destaca apenas as parcelas mensais ou vantagens aparentes, sem explicar o custo total do financiamento, há risco de violação do dever de transparência”, explica o advogado. Especialistas alertam que o vendedor também tem a obrigação de fornecer todas as informações sobre o veículo que está sendo vendido. “Caso o vendedor omita informações sobre o estado do veículo, as formas de pagamento, não cumpra o que foi ofertado ou descumpra os termos de garantia, isso fere as regras de proteção ao consumidor, que pode exigir o cumprimento da oferta ou o cancelamento da compra”, explica Joana D’Arc Pereira, assessora técnica do Procon-SP. A assessora também alerta para outra prática comum que fere o direito do consumidor: a venda casada. “É uma prática abusiva, por exemplo, a imposição de um seguro específico da loja”, alerta. Voltar ao início. É preciso somar todos os custos da prestação de um financiamento Cacá Trovó/EPTV Me senti enganado, posso recorrer? Sim. Segundo Arystóbulo Freitas, sócio da Arystóbulo Freitas Advogados, o consumidor pode entrar na Justiça para pedir a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo do contrato. Também é possível solicitar a ampliação do prazo de pagamento previsto no contrato original. “Em casos de abuso na venda do veículo — inclusive quando o financiamento apresenta valores diferentes dos acordados —, o consumidor pode pedir a revisão do contrato para adequá-lo à proposta apresentada pelo vendedor”, explica. O advogado alerta que o comprador deve guardar toda e qualquer anotação feita pelo vendedor durante a negociação — inclusive solicitando que o profissional entregue essas anotações. “O comprador também deve ler com atenção todas as condições da venda e do financiamento”, diz. A rescisão do contrato, com a restituição integral dos valores pagos, e a possibilidade de indenização por perdas e danos também podem ser reivindicadas, a depender do caso. “Não se pode descartar, ainda, a ocorrência de dano moral, sobretudo quando a prática envolve engano relevante ou comprometimento financeiro significativo do consumidor”, diz Leão, da Poliszezuk Advogados. De acordo com o especialista, o direito do consumidor “não exige prova de intenção dolosa” — ou seja, o cliente não precisa comprovar que o vendedor agiu de propósito para enganá-lo: se a forma como o negócio for apresentado puder confundir o consumidor, já pode ser considerada irregular. Segundo Leão, embora o direito brasileiro não proíba a persuasão comercial — estratégias usadas pelos vendedores para convencer o consumidor a comprar um produto ou serviço —, a lei exige que ela seja exercida com transparência, lealdade e boa-fé. “Sempre que esses limites são ultrapassados, especialmente em operações financeiramente complexas, pode haver responsabilização civil, revisão do contrato e indenização ao consumidor”, alerta Leão. Volte ao início. Descuidos na hora de financiar o carro podem virar dor de cabeça Divulgação Cuidados na hora de financiar Os especialistas consultados pelo g1 também alertam para os cuidados necessários para evitar financiamentos que possam comprometer o orçamento. Segundo Wanessa Guimarães, planejadora financeira CFP pela Planejar, a regra tradicional do mercado financeiro é comprometer, no máximo, 30% da renda líquida mensal com todas as dívidas. Isso significa considerar não apenas as prestações do financiamento do veículo, mas também outros parcelamentos, como cartão de crédito e empréstimos. “Para o financiamento do carro, isoladamente, o recomendável é não ultrapassar 15% da renda, já que o veículo traz custos adicionais inevitáveis, como seguro, IPVA, manutenção e combustível, que juntos podem representar outros 10% a 15% da renda”, explica. Veja algumas simulações: A planejadora também alerta que, embora uma entrada maior reduza o valor financiado e possa diminuir o total de juros pagos, gastar todas as economias ainda representa um risco. “Quem zera o colchão financeiro para dar uma entrada grande fica vulnerável. Qualquer imprevisto — como uma doença ou uma demissão — pode levar ao atraso das parcelas, gerando multa, juros de mora e até nome negativado”, alerta. Veja abaixo como o tamanho do pagamento inicial pode influenciar o financiamento. As simulações foram feitas por Guimarães e consideram dois diferentes valores de entrada para o financiamento de um carro de R$ 50 mil. infográfico com simulações de financiamento de veículo Arte / g1 Nesse cenário, o consumidor que consegue pagar R$ 25 mil (50%) de entrada, pode pagar R$ 11,3 mil a menos em juros e ter uma parcela 44% menos do que quem paga um valor inicial de R$ 5 mil (10%). Ou seja, o mesmo carro pode ter um custo total de R$ 75,4 mil ou de R$ 64,1 mil, a depender do valor pago na entrada. Voltar ao início. De olho nas parcelas — e nos juros também Outro ponto de atenção, alerta Guimarães, é o chamado Custo Efetivo Total (CET). Ele representa o valor real de um financiamento e é composto por: Taxa efetiva mensal de juros Taxa dos juros por atrasos Total de encargos previstos para o atraso no pagamento Montante das prestações Segundo Guimarães, uma diferença de apenas 0,6 ponto percentual na taxa de juros mensal pode representar mais de R$ 7,6 mil de impacto no bolso do consumidor. "Por isso, a pergunta certa ao banco não é ‘qual é a taxa?’, mas sim ‘qual é o CET?’”, aconselha. O documento também precisa trazer o prazo de validade da oferta — que deve ser, no mínimo, de dois dias —, e os dados do fornecedor, incluindo o nome, endereço físico e endereço eletrônico. ⚠️ Vale lembrar que o CET deve ser apresentado em toda operação de crédito, e não apenas no financiamento de veículos. Além disso, alerta a planejadora financeira CFP da Planejar Paula Bazzo, também é preciso atenção ao prazo de financiamento — que também influencia diretamente no montante de juros pago em um financiamento. Na prática, quanto maior é o prazo e o número de parcelas, maior tende a ser o valor pago em juros. “O prazo do financiamento costuma ser subestimado. Apesar de um período mais longo resultar em parcelas menores, a vantagem não é tão significativa”, diz Bazzo. Abaixo, veja simulações feitas por Guimarães e Bazzo, respectivamente, que mostram a diferença do valor pago ao ser considerada a taxa anunciada pelo vendedor e o CET e como a quantidade de parcelas pode impactar o montante pago em juros. infográfico com simulações de financiamento de veículo Arte / g1 infográfico com simulações de financiamento de veículo Arte / g1 Voltar ao início. O que diz o vendedor O g1 entrou em contato com o vendedor Daniel Ribeiro, que aparece com clientes nos vídeos que viralizaram, para apresentar sua versão sobre as negociações. O empresário tem uma loja em Curitiba e costuma produzir vídeos para as redes sociais. Questionado se informa o custo efetivo total (CET) aos compradores — um dos pontos levantados por internautas nos comentários de seus vídeos —, Ribeiro afirma que seus clientes recebem o documento do banco. "Eu não vendo dinheiro, eu vendo o carro. O banco imprime a CET, que lá tem todos os encargos: IOF, taxa, seguro prestamista, inclusão de gravame [registro de que o veículo foi dado como garantia em caso de não pagamento], alienação fiduciária [que garante que o banco é proprietário do carro até que a dívida seja quitada], mais a taxa aplicada, a quantidade de vezes. E o cliente assina essa CET de forma digital", diz. Ribeiro destaca ainda que o contrato é enviado junto ao carnê, de forma que os clientes podem "esmiuçar toda e qualquer dúvida" no documento. "Eu também costumo deixar claro qual é a taxa de juros que meu cliente está pagando, qual é a quantidade de vezes, e eu faço sempre a conta do valor final em todas as minhas negociações", acrescenta o vendedor. Questionado sobre as informações do CET não aparecerem nos vídeos, Ribeiro afirma que cada negociação é única. "Eu vendo uma média de 150 carros no mês. Tem cliente que tem essa dor, que quer saber esse questionamento; tem cliente que só quer saber se foi aprovado o financiamento; tem cliente que só quer saber se a parcela cabe no orçamento dele", diz. O vendedor reforça ainda que seu trabalho é “facilitar a jornada de compra” dos clientes e trazer clareza para a transação. "Ele [o cliente] tem que saber o valor que está financiando, o valor da taxa de juros, o valor da parcela, a quantidade de vezes. E isso é esmiuçado na negociação. Eu viro a tela do computador para todos os meus clientes. Esse é o meu formato de negociação há mais de cinco anos", acrescenta. Por fim, ao ser questionado se acredita que os consumidores concluem a negociação com pleno entendimento do CET e cientes de que os custos vão além das taxas bancárias, Ribeiro afirma que a compreensão final cabe ao consumidor. "Eu sou responsável por fazer a minha parte. A minha parte é esmiuçar isso, é trazer clareza para o cliente. Agora, se o cliente compreende, cabe a ele. Eu não sou professor deles, eu sou empresário, e cabe a mim trazer clareza e eu faço isso com toda certeza", conclui. Voltar ao início. Vai comprar um carro usado? Veja o checklist Além do valor pago no veículo, o consumidor também deve ter atenção a diversos outros fatores na hora de comprar um carro seminovo. Existem cuidados importantes que ajudam a reduzir as chances de levar um problema para casa. Veja, abaixo 15 orientações essenciais para quem está pensando em fechar negócio: Solicite o laudo cautelar: ao comprar o carro em lojas, peça um laudo cautelar. Esse documento serve para verificar a origem do veículo e identificar se há multas ou pendências que impeçam a venda. Avalie o estado dos pneus e do interior: observe se o desgaste dos pneus, bancos e volante é compatível com a quilometragem informada. Sinais de desgaste excessivo podem indicar adulteração. Confira a originalidade dos componentes: verifique se as numerações dos vidros, faróis, lanternas e demais peças são compatíveis entre si. Diferenças podem indicar substituições, que devem ser esclarecidas com o vendedor. Veja o funcionamento do ar-condicionado e de todos os vidros elétricos. Faça um teste de condução: sempre que possível, peça para dirigir o carro e avalie se o funcionamento está adequado. Peça o histórico de revisões: solicite informações sobre a última revisão, o que foi trocado e onde o serviço foi realizado, além do histórico completo de manutenções. Verifique a bateria: confira se a bateria é nova. Caso seja, pergunte o motivo da troca, pois pode haver algum problema elétrico sendo mascarado. Observe a carroceria: analise as bordas em busca de ferrugem ou sinais de pintura mascarando imperfeições. Avalie a pintura à luz do dia: observe o carro na luz do sol para identificar diferenças de tonalidade ou partes foscas, o que pode indicar repintura. Cheque os itens obrigatórios: verifique a presença de estepe, macaco e chave de roda. Se estiverem novos, questione o vendedor sobre o motivo. Inspecione os cintos de segurança: observe a integridade dos cintos, já que em alguns casos eles precisam ser substituídos após colisões. Leve a um mecânico de confiança: se possível, peça para um mecânico avaliar o carro ou leve o veículo até um profissional antes de fechar o negócio. Atenção à garantia legal: ao comprar em uma loja de seminovos, há garantia para vícios ou defeitos ocultos que apareçam no prazo de três meses. Confira o óleo do motor: Ele precisa estar límpido e dentro do nível especificado pelo fabricante Verifique borrachas de portas e vedações: Umidade que invade a cabine pode danificar estofamento.
20/04/2026 05:00:26 +00:00
Petróleo sobe 5% com impasse entre EUA e Irã

Trump diz que Irã viola cessar-fogo e envia delegação Os preços do petróleo subiram mais de 5% nesta segunda-feira (20), em meio a dúvidas sobre as negociações por um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos e a preocupações com o fluxo da commodity no Estreito de Ormuz. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A principal rota do Golfo Pérsico voltou a ser fechada após o Irã reverter a decisão de reabrir a passagem, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que as restrições da Marinha dos EUA a portos iranianos permanecem em vigor. O petróleo tipo Brent, referência internacional, avançou 5,6%, a US$ 95,48 o barril, enquanto o WTI, referência dos EUA, subiu 6,9%, a US$ 89,61 o barril. Escalada das tensões O movimento ocorre em meio a sinais contraditórios e temores sobre os rumos da guerra no Oriente Médio. De um lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã deve acontecer “relativamente rápido”. De outro, os iranianos disseram ver dificuldades nas negociações diplomáticas. A dois dias do fim do frágil cessar-fogo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que “contínuas violações”, além de “comportamentos ilegais e posições contraditórias” dos EUA, representam um “grande obstáculo” à continuidade do processo diplomático. No domingo, os EUA interceptaram e atacaram um navio cargueiro iraniano. Segundo Donald Trump, a embarcação tentou furar um bloqueio naval americano no Golfo de Omã. Trump afirmou que o navio, conhecido como Touska, foi atingido após desobedecer a uma ordem de parada das forças norte-americanas. De acordo com o presidente, um "buraco" foi aberto na casa de máquinas da embarcação. "Neste momento, fuzileiros navais dos EUA estão com a custódia da embarcação. O TOUSKA está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido a um histórico anterior de atividades ilegais. Temos controle total do navio e estamos verificando o que há a bordo", disse. Em meio à escalada das tensões, Teerã prometeu retaliar e colocou em dúvida a participação na nova rodada de negociações de paz, prevista para começar nesta segunda-feira. Poucas horas depois, o Paquistão disse à Reuters que recebeu sinal positivo do Irã sobre participação nas tratativas. Trump negou estar sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou avanço nas negociações. “Não estou sob pressão alguma, embora tudo vá acontecer relativamente rápido”, escreveu em uma rede social. Segundo fontes do canal Al Jazeera, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve desembarcar no Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de negociações relacionadas ao conflito. Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. AP/Altaf Qadri, Arquivo
20/04/2026 04:01:18 +00:00
Sistema de reembolso das tarifas de Trump entra em vigor nos EUA; importadores temem falhas

Trump finge mirar arma de precisão enquanto fala com repórteres na Sala de Imprensa na Casa Branca, em 6 de abril de 2026 AP Photo/Julia Demaree Nikhinson O novo sistema para pedidos de reembolso das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump entra em vigor nesta segunda-feira (20) para empresários americanos. A estimativa é que as devoluções alcancem até US$ 166 bilhões (R$ 824,9 bilhões). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em um processo judicial divulgado na última terça-feira (14), a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou que havia concluído o desenvolvimento da fase inicial do sistema de restituição, conhecido como CAPE. O sistema vai consolidar os reembolsos, de modo que os importadores recebam um único pagamento eletrônico — com juros, quando aplicável — em vez de pagamentos separados para cada importação. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Até 9 de abril, cerca de 56.497 importadores haviam concluído as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, em um valor total de US$ 127 bilhões (R$ 631,1 bilhões), segundo as autoridades alfandegárias americanas. Esse montante corresponde a cerca de 76% do total elegível para reembolso. Mais de 330 mil importadores pagaram as tarifas em questão em 53 milhões de remessas de produtos, de acordo com registros do tribunal. O lançamento do sistema de reembolso é mais um capítulo de uma longa disputa em torno das tarifas comerciais cobradas no ano passado, parte do esforço do presidente americano para reestruturar as relações comerciais dos EUA com quase todos os países do mundo. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas de Trump, ao considerar que o presidente extrapolou sua autoridade ao impor as taxas com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional. Receio de novos entraves O presidente-executivo da fabricante de brinquedos Basic Fun, Jay Foreman, disse à Reuters na última sexta-feira (17) que está “preparado” para o lançamento do novo sistema de reembolsos, mas alertou que ele e outros importadores sabem que ainda há muitos riscos no processo. "É preciso se preocupar com o que eles podem fazer para atrapalhar as coisas", afirmou o executivo da fabricante, que vende caminhões Tonka, Ursinhos Carinhosos e brinquedos de construção K'Nex. Matt Field, diretor financeiro da fabricante de caminhões pesados Oshkosh, está entre os mais de 330 mil importadores que pagaram as tarifas de Trump. Ele não divulga o valor pago em taxas, mas afirma que o impacto foi significativo. “Sou diretor financeiro, portanto persigo cada dólar”, disse. Field afirmou que está pronto para solicitar o reembolso assim que o portal da alfândega for aberto, mas pode optar por esperar até que o “sistema se estabeleça”. Vários importadores ouvidos pela Reuters disseram estar preocupados com a estabilidade do novo sistema, ao menos na fase inicial, já que milhares de empresas devem tentar enviar seus pedidos ao mesmo tempo. "Não é como se os ingressos da Taylor Swift fossem colocados à venda", disse Foreman, que busca cerca de US$ 7 milhões (R$ 34,8 milhões) em reembolsos. Ainda assim, com tantas empresas acessando o sistema ao mesmo tempo, “não há como dizer se o portal vai travar”. A avaliação desses importadores é que ainda existem diversas falhas logísticas em potencial. "Será bom receber o dinheiro de volta, [mas] parece que o governo está tentando dificultar as coisas", disse Jason Cheung, presidente-executivo da Huntar Co., uma fabricante de brinquedos com sede nos EUA e fábrica na China. Cheung apontou que o registro exige a inserção de dados bancários, embora o governo já possua essas informações, usadas nos pagamentos alfandegários. Além disso, os nomes das empresas precisam ser inseridos exatamente como constam nos registros oficiais. “Levei cinco tentativas para concluir o cadastro por causa de pequenas diferenças, como ‘company’ ou ‘co’”, afirmou. Ainda assim, disse estar acostumado a preencher formulários e não ter “nenhuma preocupação” em obter o reembolso. Esse sentimento foi compartilhado por Rick Woldenberg, presidente-executivo da fabricante de brinquedos educativos Learning Resources, um dos principais autores da ação judicial que levou ao fim das tarifas. "É claro que há dificuldades, mas estou satisfeito em ver o governo fazer a coisa certa", disse Woldenberg, cuja empresa está buscando mais de US$ 10 milhões (R$ 49,7 milhões) em reembolsos. Qualquer empresa que tenha pago as tarifas impostas por Trump pode solicitar o reembolso — por isso, a questão vai além das fronteiras dos EUA. A fabricante alemã de ventiladores ebm-papst informou à Reuters que já está cadastrada no portal. No entanto, como o sistema “é uma nova funcionalidade criada pela Alfândega dos EUA, resta saber o quão bem ele lidará com o processamento em massa de pedidos de reembolso”, disse um porta-voz da empresa, sediada em Mulfingen, na Alemanha. Empresas que estão preparando as solicitações também disseram temer uma possível manobra de última hora do governo Trump, que poderia atrasar ainda mais o processo. A Alfândega dos EUA tem até o início de maio para recorrer da decisão do Tribunal de Comércio Internacional que determinou a criação do portal de reembolso das tarifas. Dúvidas sobre repasses Outra dúvida levantada por importadores é sobre o possível repasse desses reembolsos aos seus clientes. "A verdadeira complexidade aqui é como lidar com meus clientes, supondo que consigamos recuperar as tarifas", disse Austin Ramirez, CEO da Husco International, uma fabricante de componentes hidráulicos usados ​​em equipamentos automotivos e fora de estrada, como tratores de esteira. "A questão é o que fazemos com isso, guardamos ou repassamos para eles?" É uma situação única para cada cliente, observou ele. A discussão sobre quem deve receber os reembolsos tornou-se um tema político depois que consumidores americanos passaram um ano enfrentando preços mais altos devido às tarifas. O sistema foi concebido para reembolsar o importador oficial, e não os consumidores finais que arcaram com o aumento dos preços. Em uma audiência orçamentária no Congresso na última quinta-feira (16), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer — um dos principais arquitetos das tarifas derrubadas pela Suprema Corte e das novas taxas de importação que o governo tenta implementar em seu lugar — foi questionado sobre a existência de algum plano de reembolso para as famílias. Os procuradores-gerais de estados governados por democratas, que entraram com uma das ações analisadas pela Suprema Corte, “pediram que o dinheiro fosse devolvido às empresas”, disse Greer. “Eles pediram isso e estão recebendo o que pediram.” *Com informações da agência de notícias Reuters Trump volta a criticar Suprema Corte por derrubar tarifaço
20/04/2026 03:01:01 +00:00
Preços do petróleo voltam a subir após novas tensões entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz

Trump diz que Irã viola cessar-fogo e envia delegação Os preços do petróleo subiram na abertura do mercado neste domingo (19), depois que um impasse entre Irã e Estados Unidos impediu a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota essencial para o abastecimento global de energia. Às 20h35, o barril do petróleo WTI (referência nos EUA) avançava 7,2%, a US$ 88,57, após a retomada das negociações na Bolsa de Chicago. Já o Brent, referência internacional, subia 6,8%, para US$ 96,58. A reação do mercado veio após mais de dois dias de idas e vindas envolvendo o estreito. Na sexta-feira (17), o Irã, que controla a passagem, anunciou que reabriria totalmente a rota para o tráfego comercial. Com isso, os preços do petróleo chegaram a cair mais de 9%. No sábado (18), Teerã voltou atrás. A decisão veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o bloqueio naval americano aos portos iranianos continuaria em vigor. Ao longo do fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra embarcações. Já neste domingo, Trump também informou que forças americanas apreenderam um cargueiro com bandeira iraniana que tentou furar o bloqueio. O Comando Militar do Irã classificou a ação americana como “pirataria” e prometeu retaliar. Além disso, a agência estatal iraniana Irna informou que o Irã não participará de uma nova rodada de negociações com os EUA, prevista para segunda-feira (20). A suspensão do diálogo aumenta o risco de retomada da guerra, já que o cessar-fogo entre os dois países termina na quarta-feira (22). Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os preços do petróleo têm oscilado com força. Antes da guerra, o barril era negociado perto de US$ 70. Em alguns momentos, passou de US$ 119. Na sexta-feira, fechou a US$ 82,59 (WTI) e US$ 90,38 (Brent). Analistas do setor alertam que, quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer fechado, maior pode ser a pressão sobre os preços. Mesmo que um acordo seja fechado para reabrir o estreito, especialistas dizem que pode levar meses até que o fluxo de petróleo volte ao normal e os preços dos combustíveis recuem. O acúmulo de navios, o receio de novas escaladas e danos à infraestrutura energética durante o conflito podem atrasar a normalização. Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos. AP/Altaf Qadri, Arquivo VÍDEOS: mais assistidos do g1
19/04/2026 23:24:56 +00:00
Quase 70% dos brasileiros têm dívidas; 41% não pagaram familiares e amigos após empréstimo, diz Datafolha

Brasileiros têm dívidas não só com bancos, mas também com amigos e familiares g1 De cada três brasileiros, dois têm dívidas financeiras, mostra uma pesquisa do Datafolha publicada neste sábado (18). E não é só em relação a bancos: 41% dos que pegaram empréstimo com conhecidos, como amigos e familiares, não devolveram o dinheiro. Foram ouvidas 2.002 pessoas, distribuídas proporcionalmente entre todas as regiões do Brasil, entre 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. Considerando só os endividados, 29% estão inadimplentes nos parcelamentos de cartão de crédito , 26% não quitaram os empréstimos no banco, e 25% têm pendências em carnês de lojas. Cearense contrai dívida de R$ 50 mil e perde casas por vício em apostas online Crédito rotativo: o 'vilão' Entre os entrevistados, 27% utilizam o crédito rotativo, ainda que com frequências distintas. Desse total, apenas 5% recorrem à modalidade habitualmente, enquanto 22% o fazem de forma ocasional ou rara. Vale lembrar que o rotativo é ativado automaticamente quando o cliente paga apenas o mínimo da fatura, incidindo juros altos sobre o valor restante. Dívidas com contas de serviço O levantamento também mapeou a inadimplência em contas de consumo e serviços, revelando que 28% dos entrevistados têm débitos em atraso. Entre as contas mais citadas pelos inadimplentes, destacam-se: Telefonia e internet: 12% Tributos (IPTU, IPVA e carnê-leão): 12% Energia elétrica: 11% Água: 9% Sensação de 'aperto financeiro' A sensação de "aperto financeiro" é uma realidade para grande parte dos brasileiros, segundo o levantamento do Datafolha. A partir de um índice que mensura oito tipos de restrições orçamentárias — como cortes de consumo e inadimplência —, a pesquisa revelou que 45% da população vive sob forte pressão econômica: 27% em situação "apertada" e 18% em condição "severa". Outros 36% enfrentam uma situação moderada, enquanto apenas 19% são considerados isentos ou com restrições leves. Para equilibrar as contas, as estratégias de sobrevivência são variadas. O lazer foi o primeiro item sacrificado (64%), seguido pela redução das refeições fora de casa (60%) e a troca de marcas por opções mais baratas (60%). Há claro impacto no consumo básico: 52% reduziram a compra de alimentos, e metade dos entrevistados (50%) cortou gastos com água, luz e gás. No campo das obrigações, 40% deixaram contas vencerem, e 38% suspenderam o pagamento de dívidas ou a compra de remédios. Esse sufoco reflete-se nas preocupações imediatas: ao serem questionados espontaneamente sobre seu maior problema pessoal, 37% dos brasileiros apontaram fatores financeiros, citando a baixa renda, o endividamento e o alto custo de vida.
19/04/2026 15:08:20 +00:00
Alívio de sanções ao petróleo russo é 'dinheiro para a guerra', diz Zelensky

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (19) que "cada dólar" pago pelo petróleo da Rússia é "dinheiro para a guerra". Os Estados Unidos prorrogaram a suspensão de sanções sobre a matéria-prima na sexta-feira (17). "Com o alívio das sanções, o petróleo russo transportado em petroleiros pode voltar a ser vendido sem consequências. Isso representa US$ 10 bilhões, um recurso que se transforma diretamente em novos ataques contra a Ucrânia", afirmou o líder ucraniano na rede social X. "Apenas nesta semana, a Rússia lançou mais de 2.360 ataques de drones, mais de 1.320 bombas aéreas guiadas e quase 60 mísseis" contra a Ucrânia, acrescentou Zelensky. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a administração militar da cidade de Chernihiv, norte da Ucrânia, um bombardeio nesta noite matou um adolescente de 16 anos e deixou quatro feridos. O ataque atingiu várias casas, além de prédios administrativos e centros de ensino. Alívio a sanções A decisão de prorrogar o alívio às sanções ao petróleo russo foi publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA e vale para cargas embarcadas até 16 de maio. A renovação faz parte da estratégia dos EUA para conter a alta dos preços globais de energia, pressionados pela guerra no Oriente Médio. 🚢 Desde fevereiro, EUA, Israel e Irã travam uma guerra na região. Como resposta, o governo de Teerã fechou o Estreito de Ormuz, uma importante rota para o comércio mundial de petróleo. Com isso, os preços da commodity dispararam em todo o mundo. O texto exclui transações que envolvam Irã, Cuba e Coreia do Norte. 🛢️ A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e responde por cerca de 10% da oferta global. O país produz aproximadamente 9 a 10 milhões de barris por dia, e as exportações do produto representam uma das principais fontes de receita do governo russo. Moscou se tornou alvo de uma ampla rodada de sanções ocidentais desde fevereiro de 2022, quando invadiu a Ucrânia. Estados Unidos, União Europeia e aliados impuseram restrições ao comércio de petróleo russo, incluindo proibições de importação, limites de preço e obstáculos ao financiamento e seguro de embarques. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em foto de 16 de abril de 2026 Piroschka van de Wouw/Reuters
19/04/2026 12:18:07 +00:00
De espiga à pamonha: Capela do Alto mantém tradição e renda com cultivo de milho

O milho verde movimenta a tradição e a economia em Capela do Alto (SP), conhecida como a capital do milho Reprodução/TV TEM Ele está presente na mesa dos brasileiros há muito tempo e também garante o sustento de muitas famílias. Seja ainda como milho verde ou já seco, ele movimenta tradições, gera renda e impulsiona a economia em Capela do Alto (SP), conhecida como a capital do milho. Depois da colheita, o trabalho continua. Antes de chegar ao consumidor, o milho passa por um processo cuidadoso de seleção e preparo. É nesse momento que a qualidade do produto começa a ser definida. Na propriedade do produtor rural Valdir Marcos Leonor, o cuidado é manual e envolve toda a família. Toneladas de milho são limpas e organizadas para a venda, principalmente para a região de Sorocaba (SP). O controle de qualidade é rigoroso. Apenas as espigas consideradas ideais seguem para comercialização. Além do trabalho no campo, o milho também reúne a família. Aos 71 anos, a aposentada Geni Becca mantém a tradição de preparar refeições à base do alimento sempre que todos se encontram. Pratos como sopa, pamonha e cural fazem parte da rotina e reforçam a relação afetiva com a produção. Valdir é um dos mais de 70 produtores da cidade. Juntos, eles cultivam cerca de mil hectares de milho, com uma produção anual que chega a aproximadamente 15 mil toneladas. A atividade movimenta cerca de R$ 13 milhões por ano na economia local. Mas o milho vai além da produção agrícola, ele também é símbolo cultural. Há quase 40 anos, a cidade realiza a tradicional Festa do Milho Verde, evento que reúne milhares de visitantes e valoriza o trabalho dos produtores. Durante a festa, o alimento ganha diferentes formas. Desde o milho cozido com manteiga até receitas como bolo, cural e pamonha com leite condensado. Para muitos produtores, o evento representa uma importante fonte de renda extra. É o caso da produtora Sandriele Karine Simões, que trabalha há cerca de dez anos com o milho e vê na festa uma oportunidade de ampliar os ganhos. Já a empresária Ana Paula Santos apostou na criatividade e desenvolveu um cardápio artesanal com o ingrediente como base, incluindo pães e lanches. O milho verde movimenta a tradição e a economia em Capela do Alto (SP) Reprodução/TV TEM Veja a reportagem exibida no programa em 19/04/2026: De espiga à pamonha: Capela do Alto mantém tradição e renda com cultivo de milho VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais
19/04/2026 10:30:35 +00:00
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