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A descoberta de petróleo em um poço na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é uma notícia "animadora" e que tem potencial de alavancar o papel global do Brasil, mas ainda está cercada de incertezas técnicas e de dúvidas sobre quem se beneficiará da riqueza que pode ser gerada, afirma Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras.
Em entrevista à BBC News Brasil, Sauer questionou a ideia defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o achado na Margem Equatorial é um "passaporte para o futuro do Brasil".
Segundo o engenheiro, essa mesma expressão foi usada antes do início da exploração comercial do pré-sal brasileiro em 2006, mas o modelo de exploração adotado nos últimos 20 anos impediu que a previsão se concretizasse.
"Não foi um passaporte para o futuro", diz. "Os recursos do pré-sal foram queimados até agora."
Sauer defende há anos o maior controle estatal, por meio da Petrobras, da exploração do petróleo no Brasil, com uso dos lucros para o desenvolvimento nacional.
"A minha defesa sempre foi de usar os recursos do petróleo para financiar um plano nacional de desenvolvimento econômico e social", disse à BBC.
"Investir na educação pública, na saúde pública, resgatar previdência, fazer a reforma urbana, fazer a reforma agrária, investir decisivamente em tecnologias e sistemas que possam propiciar uma transição lenta e gradual que é necessária para não mais dependermos dos fósseis no futuro. Nada disso está sendo feito."
Sauer foi diretor da Petrobras entre janeiro de 2003 e setembro de 2007, durante o primeiro mandato e o início do segundo mandato do presidente Lula.
Anos após ele deixar o comando da estatal, a Operação Lava Jato revelou a existência, durante os anos 2000 e início dos anos 2010, de um amplo esquema de corrupção envolvendo dirigentes da empresa.
Quando foi ouvido pela CPI da Petrobras em 2014, Sauer afirmou que sua saída não teve relação com esses esquemas posteriormente revelados pela Lava Jato, mas sim com divergências políticas e administrativas sobre os rumos da política energética e da gestão da estatal.
'Notícia animadora, mas que precisa de cautela'
A Petrobras afirmou ter encontrado petróleo na bacia da Foz do Rio Amazonas, em águas "ultraprofundas" na costa do Amapá. O achado ocorreu no poço Morpho, a cerca de 175 km da costa.
Ildo Sauer classificou a notícia como "muito animadora", mas afirmou que é preciso cautela.
O especialista avalia que, a princípio, os primeiros resultados da perfuração parecem positivos, com indícios de presença de óleo leve, considerado mais valioso comercialmente.
Ainda assim, ressalta que é cedo para estimar o tamanho das reservas e afirma que são necessárias muitas etapas técnicas para desenvolver a exploração na região.
Os próximos passos passam pela perfuração de um segundo poço exploratório para confirmar a descoberta e obter uma estimativa preliminar do volume de óleo existente no local.
Depois disso, é preciso comunicar a descoberta à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para que o órgão regulador autorize a elaboração de um plano de avaliação.
Também são necessários estudos geológicos, geofísicos e de avaliação econômica para determinar a quantidade exata de petróleo, os mecanismos necessários para desenvolver o recurso e a viabilidade econômica do projeto.
Só depois que a viabilidade comercial da área é declarada formalmente, é que um plano de desenvolvimento é elaborado e aprovado.
"Tipicamente, leva no mínimo 4 anos até chegar ao início do desenvolvimento", diz Sauer. "Estamos falando de um horizonte de 5 a 7 anos para de fato começar a colocar esse petróleo no mercado."
Crítica ao modelo de exploração
O principal ponto da crítica do ex-diretor da Petrobras não é a exploração em si, mas a forma como a renda do petróleo é distribuída no país.
Ele defende que os recursos do subsolo pertencem a toda a população brasileira e argumenta que os ganhos obtidos com o pré-sal não se converteram em melhorias proporcionais em áreas como educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico.
Segundo Sauer, esse cenário pode se repetir com a descoberta na bacia da Foz do Amazonas se não forem implementadas grandes mudanças no modelo.
"Não adianta nada a gente desenvolver e descobrir o pré-sal, autorizar o pré-sal e seguir o mesmo paradigma com a Margem Equatorial", diz.
Para o engenheiro, o principal problema do modelo atual é que uma parcela relativamente pequena da riqueza gerada pelo petróleo acaba se convertendo em investimentos capazes de transformar o país.
Segundo ele, os recursos são distribuídos entre custos de produção, royalties, tributos e lucros das empresas petrolíferas, mas não há um mecanismo eficaz que garanta que essa renda seja direcionada prioritariamente para áreas como educação, saúde, infraestrutura, ciência e tecnologia.
Em sua avaliação, a promessa de que o pré-sal financiaria o desenvolvimento nacional não se concretizou porque a maior parte dos ganhos foi apropriada por governos locais, pelo sistema financeiro e por acionistas, inclusive estrangeiros.
Outra crítica central é ao próprio desenho regulatório do setor. Sauer afirma que, tanto no regime de concessão quanto no de partilha, o Estado brasileiro captura uma parcela menor da renda petroleira do que poderia.
Para que o Estado capture a totalidade do excedente econômico, ele defende que o Brasil utilize um dispositivo da Lei nº 12.351/2010, que criou o regime de partilha para o pré-sal e áreas estratégicas, para a contratação direta da Petrobras pela União em um regime que, segundo o engenheiro, seria semelhante ao de prestação de serviços.
Nesse formato, diz, a Petrobras receberia apenas uma retribuição pelo custo de produção, e todo o restante do excedente econômico ficaria diretamente com o Tesouro Nacional para financiar o desenvolvimento social.
Potencial de protagonismo na geopolítica do petróleo
O ex-diretor da Petrobras também avalia que a descoberta na bacia da Foz do Amazonas reforça a relevância estratégica do Brasil no mercado global de petróleo.
Segundo ele, o pré-sal já transformou o país em um ator relevante na geopolítica energética, e a eventual confirmação de grandes reservas na Margem Equatorial pode ampliar esse papel.
"O Brasil, que há 20 anos atrás era considerado inexistente na geopolítica do petróleo, assume, com o pré-sal, um papel de protagonista, não hegemônico, mas um protagonista relevante", diz Sauer.
"E com a sinalização [sobre a descoberta] na Margem Equatorial, essa sinalização permanece, mas é mera contingência possível no cenário que ainda vai evoluir."
Ainda assim, ele pondera que o Brasil ainda exerce um papel limitado na definição dos preços internacionais da commodity.
Ele argumenta que o país atua principalmente como um "tomador de preços", se beneficiando dos valores sustentados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e seus aliados sem participar efetivamente dos mecanismos de controle da oferta que influenciam o mercado global.
É nesse contexto que Sauer menciona o que considera uma cultura de "subalternidade" na formulação das políticas nacionais, argumentando que o país abriu mão de exercer a liderança compatível com seu potencial energético, tanto na área do petróleo quanto em outros setores estratégicos.
Segundo ele, com uma produção de cerca de 4,5 milhões de barris por dia e a perspectiva de expansão por meio da Margem Equatorial, o Brasil teria condições de assumir um papel mais estratégico na governança do mercado de petróleo.
"Está para ser visto quando de fato haverá independência e autonomia brasileira de garantir a sua inserção internacional autônoma soberana em relação à riqueza do petróleo, de não se subordinar às pressões financeiras e de atuar de forma conjunta com a Opep e a Opep+ para ser um dos que carregam o ônus de beneficiar, de um lado, do preço elevado [do petróleo] e do outro lado de sustentar [esse preço]", argumenta o professor da USP.
Sauer pondera ainda que o potencial das descobertas no litoral do Amapá exploratória não terá impacto imediato sobre crises internacionais, como eventuais tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.
"A Margem Equatorial ainda é um pássaro voando", afirmou, em referência ao fato de que a descoberta ainda precisará ser confirmada e desenvolvida antes de produzir petróleo em escala comercial.
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Crise das Casas Bahia pode limitar crédito Os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e da Marabraz, anunciados no último domingo (16), são novos capítulos da crise enfrentada por parte do varejo brasileiro. As dificuldades atingem principalmente as empresas que atendem consumidores de renda média e baixa. Pagar dívidas e gerar caixa se tornaram desafios em um cenário de juros elevados, crédito restrito, endividamento das famílias e consumo enfraquecido. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para especialistas do mercado financeiro, a situação força o setor a passar por uma transformação estrutural, que inclui a revisão das operações, o fechamento de lojas e a definição de novas prioridades estratégicas para manter a competitividade. Por outro lado, também há espaço para quem fez a lição de casa aproveitar a vulnerabilidade de gigantes do setor para ocupar mais espaço no mercado. Há uma crise sistêmica no varejo nacional? De acordo com Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, seria um erro falar em uma crise generalizada do varejo, apesar do elevado número de recuperações judiciais e de empresas com dificuldades financeiras. A especialista vê uma espécie de "seleção empresarial", já que algumas companhias atravessam o atual cenário econômico com estruturas financeiras e operacionais mais sólidas do que outras. “O problema está concentrado principalmente nas companhias que combinaram endividamento elevado, margens de lucro mais estreitas, necessidade intensa de capital de giro e modelos operacionais custosos”, explica. Na prática, varejistas são naturalmente mais dependentes de crédito. Além de financiar estoques, operações e planos de expansão, muitas empresas do setor dependem do poder de compra dos consumidores, do acesso ao crédito e ao parcelamento. Os casos da Casas Bahia, da Marabraz e do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly) são exemplos dos impactos do crédito mais caro e da redução do consumo das famílias. É o mesmo fenômeno que atingiu outros grandes nomes, como Ricardo Eletro, Americanas, Casa & Video, Le Biscuit, MMartan, Artex, Saraiva e Livraria Cultura. São empresas que também passaram por processos de recuperação judicial, falência ou outras formas de reestruturação financeira. “Há uma dicotomia entre o avanço das grandes plataformas digitais — como Mercado Livre, Amazon e Shopee — que continuam ganhando participação, com eficiência logística e tecnológica, e parte do varejo tradicional, que sofre com lojas físicas custosas e vendas mais fracas”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Para a especialista, esse movimento também reflete a maior variedade de produtos oferecidos pelas plataformas digitais e o menor valor médio gasto em cada compra. “Como o consumidor continua comprando itens essenciais, segmentos ligados a bens básicos e grandes plataformas digitais seguem operando com margens saudáveis e em expansão”, acrescenta Nossig. Reestruturação do varejo Parte dessa readequação já começa a aparecer entre as grandes varejistas. Como o g1 já mostrou, várias dessas empresas começaram a rever seus modelos de crescimento, fechando lojas ou desacelerando a expansão física para reduzir custos. Ainda assim, o mercado não espera uma recuperação rápida dos resultados nem das ações das grandes varejistas tradicionais, principalmente enquanto os juros permanecerem elevados. “Ainda há preocupação com a saúde financeira e a sobrevivência de algumas empresas do setor. Claro que não deixarão de existir lojas, mas é um mercado bastante instável”, diz o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano. Para Brás, da Magno Investimentos, no entanto, a queda dos juros não funcionará como um “botão de reset”. “O consumidor ainda precisa recuperar renda disponível, a inadimplência precisa ceder e o crédito precisa chegar à ponta em condições melhores”, explica. “Também existe uma defasagem: uma redução da Selic não aparece instantaneamente no carnê, no financiamento ou no capital de giro. Para companhias já fragilizadas, alguns meses podem representar uma eternidade financeira.” Segundo os especialistas, esse cenário pode fazer com que empresas mais fragilizadas se tornem alvos de fusões, aquisições ou parcerias estratégicas. Ao mesmo tempo, o e-commerce tende a ganhar ainda mais espaço e consolidar sua participação no mercado. “O futuro do médio prazo do setor pertencerá às operações verdadeiramente integradas, em que a loja física deixa de ser apenas uma grande vitrine e passa a funcionar de forma inteligente como um centro de distribuição rápido e ponto de apoio para o comércio eletrônico”, diz Nossig, da Nomad. Como fica a carteira de investimentos? A crise do varejo também afeta quem investiu nas empresas do setor. Como mostrou o g1, as ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da bolsa brasileira dos últimos anos, passando de mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, para centavos. Assim, os especialistas esperam uma redução da presença do varejo nas carteiras de investimentos, já que os sinais de desaceleração da economia tendem a aumentar a incerteza sobre o setor. “Empresas com caixa robusto, baixa alavancagem, geração consistente de fluxo de caixa, marcas fortes e capacidade de ganhar participação podem até sair fortalecidas desse processo”, diz Brás. Nossig, da Nomad, afirma que o mercado tende a ser mais rigoroso na seleção das empresas em que investir. “Essa abordagem permite que empresas com fundamentos mais sólidos continuem ocupando posições relevantes nas carteiras”, explica, destacando o varejo alimentar e as redes de farmácias. “Os próximos vencedores provavelmente serão definidos menos pela velocidade de abertura de lojas e mais pela capacidade de gerar caixa, girar estoques, controlar o endividamento, integrar canais de venda e fidelizar consumidores sem depender continuamente de incentivos para sustentar essa relação”, completa Brás. Varejo. Steve Buissinne para Pixabay
Como as canetas emagrecedoras impactam a economia global As canetas emagrecedoras já provocam efeitos que vão além da saúde. Um estudo com famílias americanas mostrou que, após seis meses de tratamento, os gastos com supermercado caíram 5,3%, em média, enquanto as despesas em fast-foods, cafeterias e restaurantes de serviço rápido recuaram cerca de 8%. Na Dinamarca, o setor farmacêutico, impulsionado pelas vendas das canetas, respondeu por cerca de metade do crescimento real do PIB em 2023. Segundo o Banco Central dinamarquês, sem esse avanço, a economia teria ficado praticamente estagnada. Há ainda possíveis impactos em estudo: uma projeção estima que passageiros 10% mais leves poderiam reduzir em até 1,5% o consumo de combustível dos aviões. O fenômeno que começou mudando o apetite já afeta os hábitos de consumo e diferentes setores da economia. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz que suspendeu por três dias tarifas de importação sobre REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira (18) que estava suspendendo por três dias as novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses que entrariam em vigor à meia-noite, afirmando que os dois países haviam chegado a um acordo. Uma hora depois, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou em comunicado que "progressos substanciais foram feitos, embora ainda haja trabalho importante a ser realizado". Trump afirmou em sua postagem no Truth Social que suspendeu as tarifas "com base no fato de que o Canadá e os EUA, sujeitos à finalização dos documentos, têm um ACORDO". Trump e Carney conversaram na tarde de terça-feira, em sua segunda conversa esta semana, e seus negociadores estiveram envolvidos em semanas de intensas e opacas negociações. Donald Trump anunciou na rede social Truth Social a suspensão das tarifas de importação sobre produtos canadenses Reprodução/Truth Social "Enquanto prosseguimos com esse trabalho, o Canadá permanece focado em construir uma economia mais forte, mais independente e mais competitiva em âmbito nacional", disse Carney em seu comunicado. O gabinete do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o acordo incluirá "acesso abrangente ao mercado para todos os produtos americanos, compromissos de segurança econômica, alinhamento do comércio digital" e outras disposições. Em um comunicado publicado no site da Casa Branca, Trump afirmou ter recebido o compromisso do Canadá de abordar as preocupações dos EUA relacionadas às tarifas sobre laticínios, bebidas alcoólicas e veículos automotores. As autoridades americanas não forneceram mais detalhes e o governo canadense não confirmou o conteúdo de nenhum acordo. As tarifas americanas sobre automóveis eram um ponto de discórdia, disseram anteriormente duas fontes do setor familiarizadas com as negociações. As novas tarifas americanas teriam abrangido cerca de 20 bilhões de dólares em importações e seriam aplicadas independentemente de os produtos canadenses se qualificarem para tratamento preferencial sob o acordo comercial EUA-México-Canadá, que protegeu grande parte da indústria canadense das tarifas americanas anteriores. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participa de uma coletiva de imprensa para discutir uma resposta às novas tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, em Ottawa, Ontário, Canadá. Blair Gable/ Reuters Trump acrescentou em sua postagem nas redes sociais que o oleoduto Keystone XL - um projeto cancelado pelo ex-presidente Joe Biden em 2021 após anos de oposição de povos indígenas e ambientalistas - "pode ressurgir das cinzas", mas não forneceu detalhes. Trump fez das tarifas um pilar central de suas políticas externa e comercial, apesar dos reveses legais e das críticas de alguns analistas. As tarifas poderiam ter levado à perda de empregos e ao fechamento de empresas. Especialistas em comércio e representantes da indústria disseram anteriormente que as novas tarifas poderiam levar à perda de empregos e ao fechamento de empresas em setores vulneráveis no Canadá, incluindo madeira, vinho e laticínios. Eles também alertaram que a disputa poderia complicar as negociações mais amplas do USMCA. O ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, e a principal negociadora comercial, Janice Charette, estão em Washington desde a semana passada para negociações. Agora no g1 Na segunda-feira, as autoridades canadenses se reuniram por quase duas horas com Greer e o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Greer citou repetidamente as tarifas canadenses que se seguiram às tarifas iniciais dos EUA, o sistema canadense de gestão da oferta de laticínios e a recusa de algumas províncias em estocar bebidas alcoólicas americanas, entre outras queixas dos EUA. Em um comunicado divulgado na noite de terça-feira, o Conselho de Bebidas Destiladas dos EUA aplaudiu o anúncio de Trump e pediu "uma solução negociada que permita o retorno das bebidas destiladas americanas às prateleiras dos varejistas em todas as províncias canadenses e restabeleça o setor de bebidas destiladas a um regime tarifário de zero por zero". As partes também discutiram a redução das tarifas americanas da Seção 232 sobre veículos canadenses de 25% para 15%, com reduções adicionais baseadas na quantidade de conteúdo americano em cada veículo, disseram as fontes. Contabilização das deduções tarifárias Um dos principais pontos de discórdia era como as deduções tarifárias baseadas no conteúdo deveriam ser calculadas, com Washington exigindo que apenas o conteúdo produzido nos EUA fosse contabilizado. O Canadá, por sua vez, pressionava para que todo o conteúdo norte-americano, incluindo as peças canadenses e mexicanas, fosse contabilizado, segundo fontes anteriores. Na terça-feira, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou novas regras para que as montadoras que exportam do Canadá e do México certifiquem seus níveis atuais de conteúdo americano para fins de dedução de tarifas, reduzindo o complexo processo de duas vezes para uma vez por ano. Mas o aviso do Registro Federal afirmou que as montadoras devem recertificar o conteúdo americano dos veículos até 30 de setembro para poderem reivindicar deduções no novo ciclo anual que começa em 1º de dezembro. Uma fonte do governo canadense afirmou na semana passada que todas as opções continuam em aberto caso as novas tarifas entrem em vigor, incluindo o apoio governamental às indústrias nacionais afetadas e uma possível suspensão das negociações comerciais bilaterais, mas a fonte expressou esperança de que os EUA estejam interessados em chegar a um acordo.

No último sábado (15), a Petrobras anunciou a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado a 175 quilômetros da costa do Amapá e a cerca de 2.800 metros de profundidade. A confirmação de que há petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial, gerou empolgação imediata – o presidente Lula chegou a chamar a descoberta de "passaporte para o futuro" do país. Mas ainda falta uma longa jornada até que seja confirmada a viabilidade econômica da exploração do petróleo na região. A presidente da estatal, Magda Chambriard, fala em até 7 anos para que o primeiro barril de petróleo seja extraído de águas submarinas. Há perspectivas econômicas otimistas, mas também há riscos ambientais e climáticos: a região é considerada de extrema sensibilidade ambiental e o investimento em combustível fóssil vai na contramão do compromisso do país com a transição energética. Neste episódio, Natuza Nery entrevista Felipe Maciel, jornalista que acompanha há duas décadas os setores de petróleo, gás e energia. Ele explica como irá se dar a possível exploração, analisa os riscos para a questão ambiental e compara o caso brasileiro com o da Guiana. Participa também do episódio Shigueo Watanabe Jr., especialista em energia do Observatório do Clima e pesquisador do Climainfo. Convidado: Felipe Maciel, sócio-fundador e diretor executivo da agência eixos, especializada nos setores de petróleo, gás e energia. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Marco Antônio Martins. Colaborou neste episódio Thomé Granemann. Na apresentação: Natuza Nery. Por que tanto otimismo com a descoberta na Bacia da Foz do Amazonas? O que você precisa saber: Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá; Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços; Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas; JORNAL DO AMAPÁ: Lula visita navio-sonda no Amapá e defende petróleo na Foz do Rio Amazonas; MPF cobra explicações do Ibama sobre pedido da Petrobras para explorar mais 3 poços na Foz do Amazonas; Petrobras encontra indícios de petróleo em poço no Amapá, na Foz do Amazonas; 'Nova fronteira exploratória', diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo no AP, na Foz do Amazonas; O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Reprodução

Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou na última segunda-feira (17) novas regras para a fiscalização da Lei Seca. Lei Seca é o nome popular da Lei 11.705, que entrou em vigor em 2008 com o objetivo de endurecer a fiscalização e as punições para motoristas que dirigem “sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ao longo de 18 anos, a lei passou por uma série de atualizações. Entre as principais estão: Em 2012, a tolerância para a concentração de álcool no sangue passou a ser zero; Em 2016, a recusa ao teste do etilômetro, conhecido como bafômetro, passou a ser considerada infração gravíssima, e a multa foi atualizada, podendo chegar a R$ 2.934,70; Em 2018, o motorista bêbado que causa um acidente passou a poder ser preso por até 8 anos. Além disso, tem a CNH suspensa por 12 meses e pode ter o documento cassado se for flagrado dirigindo durante esse período. Agora no g1 Mesmo com a tolerância zero em vigor, existe um limite técnico de 0,04 mg/L para a medição de álcool. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), valores abaixo desse limite não geram penalidades. Segundo o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando o resultado configura infração, a penalidade também inclui a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses e a retenção do veículo, até que outro motorista possa assumir a direção. Se cometer a mesma infração novamente em até 12 meses, o motorista terá a multa em dobro, no valor de R$ 5.869,40. Desde a entrada em vigor da Lei Seca até maio de 2026, foram registradas 1,26 milhão de infrações por condução de veículos sob a influência de álcool ou de outras substâncias psicoativas. Fiscalização e regras mudam em 2026 Uma nova resolução atualiza os procedimentos usados pelos agentes de trânsito e regulamenta também a possibilidade de testes para identificar outras substâncias psicoativas. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. O texto também estabelece regras para o uso de equipamentos destinados à identificação de outras substâncias psicoativas. A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução passa a valer após sua publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Outras substâncias A nova regulamentação permite que os órgãos de trânsito utilizem equipamentos certificados para detectar substâncias psicoativas. O procedimento deverá ser combinado com a análise dos sinais apresentados pelo motorista. 🔎Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. A resolução não determina um modelo específico de equipamento. Também não estabelece que apenas a identificação de vestígios de uma substância seja suficiente para caracterizar a infração. A possibilidade está prevista no próprio CTB, que permite o uso de testes toxicológicos e de outros meios técnicos ou científicos para verificar se o motorista está sob influência de substâncias que podem comprometer a capacidade de condução. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Operação Lei Seca em Santarém Pablo Vastei/TV Tapajós Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.046 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (18), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 42.8 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 50 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Lotrias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 16 - 23 - 24 - 33 - 36 - 52 5 acertos: 38 apostas ganhadoras, R$ 50.460,11 4 acertos: 3.041 apostas ganhadoras, R$ 1.039,35 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3046 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

O secretário de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte do Ministério da Fazenda, Giovanni Rocco, afirmou nesta terça-feira (18) que o governo federal deverá criar até o final do ano uma sala de situação para acompanhar o setor e evitar a manipulação esportiva. O plano é ter uma central que lembra as mesas de operação do mercado financeiro em técnicos do governo vão acompanhar, em tempo real, as oscilações das "odds", cotações das apostas esportivas, para identificar movimentações suspeitas. 🔎 As odds, ou seja, cotações que refletem as probabilidades atribuídas pelas casas de apostas aos diferentes resultados de uma partida, estão no centro do monitoramento. A ideia é identificar movimentações fora do padrão, principalmente antes do início dos jogos, quando grandes volumes de apostas concentrados em um determinado resultado podem indicar uma possível manipulação. Agora no g1 “São vários monitores. No fim do dia, as apostas são cotação de odds. O que é uma odd? É uma estatística e probabilidade. Então você tem o cruzamento dessas estatísticas e probabilidades. Quando existe a possibilidade de o time A ganhar do time B, a casa vai pagar menos nas apostas no time A e mais nas apostas no time B”, explicou Rocco. Segundo o secretário, a estrutura funcionará de maneira semelhante a uma central de monitoramento financeiro, com atenção especial a comportamentos considerados anômalos. “É como se fosse uma sala do Banco Central olhando as bolsas do mundo e os comportamentos anômalos, principalmente antes da partida, porque o risco é maior. Quando começa o jogo e a atividade esportiva, isso se inverte”, afirmou. O secretário explicou que uma movimentação atípica pode gerar um alerta para as autoridades e para as próprias casas de apostas. Apostas esportivas; bet Joédson Alves/Agência Brasil “Então se eu pego ali uma situação que não é usual e eu verifico que tem uma descarga de apostas muito grande, vai ter um alerta e já tem casas de apostas que identificam e fecham o mercado", disse Rocco, durante um evento sobre o setor. Com isso, o trabalho da sala de situação será o de cruzar a observação com sistemas fornecidos por entidades de integridade do mercado de apostas, permitindo comparar dados e identificar padrões suspeitos. Segundo o secretário, essas organizações, financiadas pelas próprias empresas do setor, reúnem e compartilham informações de diversas casas de apostas ao redor do mundo com o objetivo de monitorar a integridade das operações e detectar possíveis irregularidades.

Ibovespa tem pior queda desde março e dólar sobe O Ibovespa acumula queda de 8,54% em agosto e tem o segundo pior desempenho entre 21 bolsas acompanhadas pela consultoria Elos Ayta. O levantamento considera os resultados em dólares até o dia 17. O resultado fica atrás apenas do registrado pelo Merval, principal índice da Bolsa da Argentina, que recua 10,47% no mesmo período. 🔍A comparação considera os resultados em dólares porque cada país tem sua própria moeda. Ao transformar os números para uma mesma moeda, é possível comparar de forma mais direta o desempenho das diferentes bolsas. No Brasil, por exemplo, o Ibovespa acumula queda de 6,30% em reais em agosto. Mas o dólar subiu 2,44% frente ao real no período. Isso faz com que a perda seja maior quando o resultado é calculado na moeda americana: 8,54%. O Ibovespa foi influenciado pelo tombo de diversas ações - os papéis da Magazine Luiza, do Grupo Soma e da construtora MRV chegaram a cair mais de 5% ao longo do dia adobe stock Na prática, isso significa que um investidor estrangeiro que aplicou na Bolsa brasileira não sofreu apenas com a queda das ações. Ele também foi afetado pela valorização do dólar (quando a moeda americana fica mais cara em relação ao real). Brasil fica entre os piores resultados Entre os quatro mercados com pior desempenho no levantamento, dois são da América Latina. A Argentina aparece na última colocação, com queda de 10,47% do Merval. O Brasil vem logo depois, com recuo de 8,54% do Ibovespa. Na sequência estão o FTSE China 50, índice que reúne grandes empresas chinesas, com queda de 2,55%, e o IPC México, principal índice acionário mexicano, que recua 2,29%. O desempenho mostra que, até o dia 17, as bolsas brasileira e argentina tiveram uma queda bem mais forte do que a registrada em outros grandes mercados. Ibov Einar rivero Bolsas da Europa e da Ásia sobem Na outra ponta do levantamento, os melhores resultados estão principalmente na Europa e na Ásia. O Euro Stoxx 50, índice que reúne 50 das principais empresas da zona do euro, lidera a lista, com alta de 7,02% em agosto. O Nikkei 225, principal índice da Bolsa do Japão, aparece em seguida, com avanço de 6,77%. Já o Nasdaq, dos Estados Unidos, que concentra muitas empresas de tecnologia, sobe 5,01%. Entre os mercados latino-americanos, Colômbia e Peru também apresentam desempenho positivo. Os índices desses países avançam 2,68% e 2,65%, respectivamente, no período. Assim, enquanto algumas das principais bolsas europeias e asiáticas acumulam ganhos em agosto, os mercados acionários do Brasil e da Argentina estão entre os que mais perderam valor no mês.

[bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images A OpenAI anunciou nesta terça-feira (18) que está desacelerando o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial enquanto reformula seus sistemas de pesquisa e treinamento. A decisão foi tomada após funcionários da empresa serem surpreendidos, no mês passado, quando um agente de inteligência artificial da companhia, ainda em fase de testes, invadiu sistemas de outra empresa do setor. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a OpenAI, as medidas incluem a suspensão dos testes de modelos por duas semanas e o aumento dos investimentos em outros sistemas de inteligência artificial para monitorar as atividades dos agentes que ainda estão em fase de testes. A OpenAI informou que algumas das maiores etapas de treinamento planejadas pela empresa continuam suspensas. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI A empresa não respondeu às perguntas sobre quando essa desaceleração teve início. Como foi o ataque O ataque aconteceu durante testes da OpenAI em que modelos de inteligência artificial são colocados para buscar falhas em outros sistemas, com o objetivo de melhorar suas capacidades de segurança. Nesse caso, os modelos usaram a infraestrutura de um cliente da empresa Model Labs para chegar até a Hugging Face, uma plataforma de compartilhamento de modelos de inteligência artificial. A Model Labs afirmou que um cliente havia publicado um ponto de acesso sem autenticação, que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código. A empresa disse que sua plataforma principal não foi comprometida. Segundo a Hugging Face, um ambiente de teste controlado, hospedado na infraestrutura de um provedor terceirizado, foi transformado em uma plataforma de lançamento de ataques. A invasão durou dois dias e meio. A OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e outro modelo ainda não divulgado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa e na infraestrutura da Hugging Face. A empresa disse que os modelos conseguiram invadir o sistema da Hugging Face. A plataforma afirmou que executou dois códigos enviados por um agente de IA, que conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura e obter credenciais para atacar outros sistemas internos. A Hugging Face havia informado anteriormente que a invasão permitiu acesso indevido a dados e credenciais. O ataque foi considerado pela OpenAI um incidente cibernético "sem precedentes", envolvendo recursos de última geração. Para a Hugging Face, o episódio foi diferente de tudo o que a empresa havia enfrentado antes. Reportagem com informações da agência Reuters.

Líderes do setor dizem que IA significa menos horas de trabalho — mas seus funcionários afirmam trabalhar até 90 horas semanais. Divulgação/BBC Brasil Há anos, executivos de empresas que investem centenas de bilhões de dólares por ano no desenvolvimento de diversas ferramentas de inteligência artificial insistem que essa tecnologia, em última análise, fará com que as pessoas passem menos tempo trabalhando. Um diretor de engenharia do Google afirmou, há quatro anos, que a inteligência artificial possibilitaria uma semana de trabalho de quatro dias até 2025. No início deste ano, a OpenAI encarou esse desafio. Ela incentivou formalmente as empresas a começarem a testar a semana de trabalho de quatro dias (sem alteração salarial), alegando que a IA em breve será capaz de acelerar tanto o trabalho humano que o mundo corporativo deveria se preparar. No entanto, um ex-funcionário que deixou a OpenAI no ano passado disse à BBC que a empresa nunca chegou a testar a semana de trabalho de quatro dias que sugeriu que outros experimentassem enquanto ele estava lá. Em vez disso, a pessoa descreveu o que muitas vezes era uma cultura de trabalho exaustiva, marcada por frequentes "reuniões de crise", trabalho aos fins de semana e avaliações de desempenho "extremamente rigorosas" que resultavam na demissão repentina de colegas. "Você vai lá no sábado ou no domingo só para colocar o trabalho em dia ou para garantir que nada esteja quebrado", disse a pessoa. Outras empresas também têm defendido a ideia de que a IA irá efetivamente reduzir o número de horas que as pessoas precisam trabalhar, para o bem ou para o mal. A Anthropic se vangloria de que sua popular ferramenta de programação e chatbot Claude é capaz de trabalhar sozinha por sete horas sem interrupção, o que equivale a um dia inteiro de trabalho corporativo. Mark Zuckerberg, da Meta, afirmou que a inteligência artificial está começando a mudar de forma fundamental a maneira como as pessoas trabalham e que as ferramentas de IA podem tornar os funcionários tão mais produtivos que uma força de trabalho menor consegue realizar o que antes exigia um número muito maior de pessoas. Mark Zuckerberg presta depoimento em julgamento histórico sobre redes sociais Embora a Meta tenha demitido um em cada dez funcionários, o diretor executivo da Anthropic, Dario Amodei, alertou que, à medida que as ferramentas de IA inevitavelmente se tornarem mais produtivas, isso poderá significar perdas de empregos ainda maiores. Apesar dessas alegações, os trabalhadores dessas mesmas empresas de tecnologia — que não só desenvolvem como também utilizam as ferramentas de IA que supostamente irão realizar pelo menos parte do trabalho das pessoas — afirmam estar trabalhando muito mais do que a típica semana de trabalho de cinco dias, com 40 horas. 'Sprints' Os profissionais de tecnologia nos EUA geralmente são bem remunerados e, embora outros setores — como mercado financeiro, direito e medicina — também frequentemente exijam longas jornadas de trabalho, uma jornada de 14 horas nem sempre foi a norma na área de tecnologia. Durante anos, era um trabalho de escritório mais típico, das 9h às 17h. Mas o ex-funcionário da OpenAI disse que trabalhava pelo menos 70 horas por semana, muito mais do que em seus empregos anteriores na área de tecnologia. Essa pessoa agora trabalha em uma startup também focada em IA e afirmou que seu equilíbrio entre vida profissional e pessoal melhorou, trabalhando cerca de 50 a 60 horas por semana, "fora dos períodos de sprints". Sprint é um termo usado para descrever um período comum em empresas de tecnologia, no qual as pessoas trabalham longas horas nas semanas que antecedem o lançamento de um novo recurso ou produto. No entanto, dentro de empresas de IA e grandes empresas de tecnologia que trabalham intensamente em projetos de IA, esses sprints podem ser extremos. Na OpenAI e na Anthropic, por exemplo, os sprints podem se estender por várias semanas e ultrapassar 90 horas de trabalho em um período de sete dias, disseram profissionais de tecnologia com quem a BBC conversou para esta reportagem. Nenhuma das empresas respondeu aos pedidos de comentários da BBC. Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas Inteligência Artificial 'Recrutamento' Na Meta, os funcionários disseram que foram abruptamente alocados em equipes este ano para realizar trabalhos de IA tratados como urgentes. Eles descreveram isso como "recrutamento", segundo um funcionário atual e um ex-funcionário, porque as pessoas não têm escolha. "Eles simplesmente te transferem", disse o ex-funcionário. "Você não pode dizer não — ou, se disser, tem que pedir demissão." Eles disseram que, embora a Meta tenha começado recentemente a repensar essa abordagem rígida de "aceitem ou nos deixem", a essa altura muitos trabalhadores já haviam sido forçados a realizar esse tipo de trabalho. As jornadas de trabalho nessas equipes da Meta costumam ser longas, com funcionários trabalhando até tarde da noite, nos fins de semana e sentindo-se "de plantão" durante o período em que não estão trabalhando, de acordo com relatos de funcionários atuais e antigos. Nos EUA, não há limite para o número de horas que uma pessoa com mais de 16 anos pode trabalhar. No Reino Unido e na Europa, por exemplo, as leis limitam a semana de trabalho a 48 horas, incluindo horas extras. Os projetos atuais de IA da Meta incluem a criação de uma ferramenta de IA que pode ser usada para engenharia de software e outros tipos de trabalho — além da construção de uma infraestrutura de modelos de IA capaz de medir o sucesso de um modelo de IA na replicação de diversas tarefas, acrescentaram os funcionários. "Você está literalmente trabalhando em equipes de pessoas tentando replicar humanos realizando tarefas", disse o ex-funcionário. Esse trabalho, acrescentou a pessoa, parece "interminável". Um porta-voz da Meta não quis comentar o assunto. Ilustração mostra um logotipo da Meta impresso em 3D ao lado da sigla "AI", em imagem produzida em 20 de julho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo Até mesmo os profissionais de tecnologia que não estão diretamente envolvidos no desenvolvimento de ferramentas de IA estão enfrentando jornadas de trabalho mais longas devido à tecnologia. Um ex-funcionário do Google, Amin Shali, deixou a empresa em maio devido aos impactos negativos que a IA, segundo ele, estava causando em seu trabalho. Entre os problemas, estava a necessidade de trabalhar até altas horas da noite por conta de falhas em funções internas de engenharia. Essa situação se tornava cada vez mais frequente à medida que o Google realocava recursos cruciais, como unidades de processamento e armazenamento de memória, para projetos de IA. Um porta-voz do Google não quis responder a perguntas da BBC. Desde que deixou o Google, Shali contou à BBC que seu sono e sua saúde em geral melhoraram. Ele afirmou ter percebido que a forte dependência de ferramentas de IA em grandes empresas de tecnologia "cria uma cultura ruim com pressão excessiva sobre os engenheiros". Economia de tempo 'absorvida' Novas pesquisas sugerem que as ferramentas de IA estão tornando a carga de trabalho das pessoas ainda mais pesada. Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley acompanhou centenas de funcionários de uma empresa de tecnologia americana durante oito meses enquanto utilizavam inteligência artificial. O estudo constatou que os funcionários "trabalharam em um ritmo mais acelerado, assumiram uma gama mais ampla de tarefas e estenderam sua jornada de trabalho por mais horas do dia". Neil Thompson, um especialista em inovação do MIT, afirmou que mesmo em empresas de tecnologia líderes no desenvolvimento de IA, é improvável que os funcionários sejam instruídos a simplesmente implantar as ferramentas que devem realizar parte do seu trabalho e seguir em frente. "Isso leva a uma situação em que, mesmo que houvesse economia de tempo real, ela seria consumida pelas mudanças, pela implementação delas e pela garantia de que funcionassem", disse Thompson. A pesquisa da UC Berkeley descobriu que a carga de trabalho dos funcionários de tecnologia aumentou em parte devido à necessidade de verificar constantemente os resultados das ferramentas de IA. Em situações em que um funcionário otimizou os processos para ferramentas de IA, as pessoas também tendem a preencher o tempo economizado com mais trabalho, acrescentou Thompson, seja porque querem ou porque sentem que devem fazê-lo para provar seu valor ao empregador. "As pessoas presumem que 20% menos trabalho significa semanas de quatro dias", disse Thompson. "Mas novos trabalhos surgem." Como observou Shali: "A IA deveria estar fazendo tanto por nós agora, que muito mais pessoas deveriam ter pelo menos melhor saúde e melhor qualidade de sono." Pelo contrário, parece ser exatamente o oposto.

O Ministério da Fazenda suspendeu na última sexta-feira (14) a empresa de apostas online ZeroumBet, criada pela advogada, influenciadora digital e empresária Deolane Bezerra, por não encaminhar as informações exigidas para o monitoramento e fiscalização conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas da pasta. A informação consta em uma medida cautelar publicada no site do Ministério da Fazenda, isto é, uma decisão provisória e preventiva adotada por um órgão público antes da conclusão de um O governo informa que cautelares são "instrumentos essenciais para o exercício da atividade fiscalizatória, pois permitem salvaguardar os interesses da sociedade e podem ser aplicadas quando estiverem presentes os requisitos de verossimilhança e do perigo de demora". A ZeroumBet é detentora dos direitos dos domínios “zeroum.bet.br”, " sportvip.bet.br" e “energia.bet.br”. Agora no g1 ➡️Atualmente, a empresa é administrada por José Daniel Carvalho Saturnino, que passou a figurar como sócio-administrador em dezembro de 2024. De acordo com o governo, eventuais apostas em curso deverão ser canceladas, sendo o valor apostado pelos apostadores devolvido imediatamente. O não cumprimento das medidas cautelares sujeita o agente operador de apostas ao pagamento de multa diária no valor de R$ 200 mil. Deolane Bezerra foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro para a cúpula do PCC Reprodução/TV Globo Outras empresas Também na semana passada, a Secretaria de Prêmios e Apostas suspendeu a operação das marcas Pixbet (pix.bet.br), Ganheibet (ganhei.bet.br) e Betdasorte (betdasorte.bet.br), em razão do "alto risco de dano a apostadores e ao mercado regulado". Está sendo permitido apenas o acesso às plataformas para retirada dos valores de posse dos apostadores, até que exista a comprovação à área técnica da implementação, pela empresa, das ferramentas analíticas de controle e acompanhamento dos apostadores. Outra empresa suspensa por não encaminhar as informações exigidas para o monitoramento e fiscalização conduzido pelo governo foi a Enseada Serviços e Tecnologia, detentora do domínio "kbet.bet.br", assim como a Select Operations, que opera os domínios “mma.bet.br”, " betvip.bet.br" e “papigames.bet.br”. A Nexus International, dona do domínio "megaposta.bet.br", também foi suspensa por não enviar as informações no prazo exigido, e a RR Participações e Intermediações, responsável pelos domínios “multi.bet.br", "brx.bet.br" e "rico.bet.br", sofreu suspensão para assegurar a segurança dos apostadores e do mercado de apostas regulado até que o referido processo administrativo sancionador seja concluído pelo governo. O que diz a Fazenda Em nota, o Ministério da Fazenda confirmou a suspensão cautelar atingiu 14 marcas de apostas de quota fixa ligadas a seis operadoras. Segundo a pasta, a medida determina a interrupção imediata da oferta de novas apostas, mas mantém o acesso dos usuários às plataformas para que possam sacar os valores disponíveis em suas contas. Ainda segundo a Fazenda, as operadoras terão 30 dias para apresentar defesa em processo administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa.

Bill Rasmussen, fundador da ESPN, morre aos 93 anos. Divulgação/ESPN Bill Rasmussen, fundador da ESPN e responsável pela criação da primeira rede de televisão esportiva 24 horas do mundo, morreu nesta terça-feira (18), aos 93 anos. Segundo a ESPN, ele faleceu em sua casa, na Flórida, em decorrência dos efeitos da doença de Parkinson. Rasmussen criou a ESPN ao lado do filho, Scott Rasmussen. Inicialmente pensada como uma iniciativa em Connecticut, a proposta se transformou em uma rede esportiva nacional com programação 24 horas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a ESPN, no fim dos anos 1970, a ideia de criar um canal de esportes com programação ininterrupta era considerada arriscada. Rasmussen havia acabado de ser demitido do cargo de diretor de comunicação do New England Whalers quando decidiu apostar no projeto. Ele estourou o limite do cartão de crédito e usou um adiantamento de US$ 9 mil (R$ 46 mil) para adquirir espaço em um satélite de comunicação. "Bill foi um homem extraordinário — um visionário e inovador que teve a ideia de criar uma rede inteiramente dedicada aos esportes", afirmou o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, em comunicado. "De forma simples, nenhum de nós estaria aqui hoje se não fosse pela paixão de Bill, por todo o trabalho árduo e pelo espírito empreendedor que ele dedicou à construção da ESPN no fim dos anos 1970 — aspectos fundamentais da nossa cultura empresarial que permanecem até hoje." Estúdio B da ESPN: George Grande, à esquerda, e Bill Rasmussen durante uma chamada promocional para a 50.000ª edição do SportsCenter. Rich Arden/ESPN Rasmussen buscou apoio para o projeto e conversou com as principais ligas esportivas, operadoras de TV a cabo e investidores. Em 7 de setembro de 1979, nasceu a Entertainment and Sports Programming Network, posteriormente conhecida como ESPN. Bill e Scott Rasmussen foram cofundadores da emissora, e Bill se tornou seu primeiro presidente e CEO. Embora tenha deixado a ESPN alguns anos depois, Rasmussen ajudou a estabelecer as bases para o crescimento da rede. Uma reunião com a NFL não trouxe resultados imediatos, mas abriu caminho para uma parceria que mais tarde levaria à transmissão do "Monday Night Football" pela ESPN. "Bill foi o nosso George Washington e um grande amigo", afirmou o experiente apresentador Chris Berman, que se juntou à ESPN três semanas após o lançamento da emissora, em 1979. "Ele era uma pessoa muito grata, e todo fã de esportes pode ser grato a Bill. Ele não era do tipo que via o copo meio cheio. Seu copo estava sempre transbordando de otimismo. Ele recebia todos com um sorriso, e todos nós podemos sorrir sabendo do legado de Bill." Bill Rasmussen, à esquerda, e o prefeito de Bristol (EUA), Michael Werner, na cerimônia de lançamento em 1980. Divulgação/ESPN A vida de Bill depois da ESPN Depois de deixar a ESPN, Rasmussen participou de outros empreendimentos de mídia e passou a compartilhar sua experiência em palestras. Ele também escreveu o livro "Sports Junkies Rejoice: The Birth of ESPN", sobre a criação da emissora. Em entrevista à Forbes em 2012, Rasmussen afirmou: "Acredito que quanto mais você trabalha, mais sorte você tem". Segundo ele, essa era sua filosofia de vida. Rasmussen também contou que costumava incentivar estudantes universitários a perseguirem suas ideias, mesmo quando ainda não conheciam todos os detalhes necessários para colocá-las em prática. Rasmussen ficou viúvo de Lois, com quem foi casado por 56 anos e que morreu em 2011. Ele deixa os filhos Scott Rasmussen e sua mulher, Laura, e Glenn Rasmussen; a filha Lynn Van Hollebeke e seu marido, Louie; sete netos — Andy, P.J., Wil, MaryAnn, Donna, Jessica e Sarah — e dois bisnetos, Otto e Adelaide. Bill Rasmussen, à esquerda, e Jimmy Pitaro antes de um jogo do sunday Night Baseball. Joe Faraoni/ESPN

Vorcaro e Master vão a julgamento na CVM em processo sobre fraudes no mercado de capitais A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) marcou para 8 de setembro o julgamento do processo administrativo que apura supostas fraudes relacionadas ao mercado de capitais. Entre os acusados no processo estão o Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros integrantes da família Vorcaro (leia mais abaixo). De acordo com pauta publicada pela CVM, a sessão está marcada para as 15h do dia 8 de setembro, será realizada de forma presencial no Rio de Janeiro e terá como relator o diretor João Accioly. Segundo a autarquia, o processo tem como objeto "apurar irregularidades atreladas à 3ª emissão de cotas do Brazil Realty FII, sob a alegação de operação fraudulenta no mercado de capitais, cumulada com violação de deveres fiduciários e informacionais e prática de embaraço à fiscalização". Além do Banco Master e de Daniel Vorcaro, a lista de acusados inclui, entre outros, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, além de empresas ligadas ao grupo e participantes da operação investigada. Na pauta divulgada pela autarquia, os acusados e seus advogados foram informados de que poderão participar da sessão e realizar sustentação oral, presencialmente ou por videoconferência, conforme as regras previstas pela CVM. 🔎Segundo a acusação da CVM, algumas empresas receberam cotas do fundo imobiliário Brazil Realty FII em troca de terrenos, ações e participações em empresas que teriam sido avaliados acima de seu valor real. RELEMBRE: Caso Master: PF investiga quem pagou por ataque de influenciadores ao Banco Central Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução O que será julgado O colegiado da CVM analisará as acusações relacionadas à terceira emissão de cotas do Brazil Realty FII. Segundo a descrição oficial do processo, estão sob análise suspeitas de: operação fraudulenta no mercado de capitais; violação de deveres fiduciários; violação de deveres de prestação de informações; embaraço à atividade de fiscalização da CVM. O que é a CVM? A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o órgão que fiscaliza o mercado de capitais brasileiro. Ela supervisiona fundos de investimento, companhias abertas, ofertas de valores mobiliários e a atuação de agentes do mercado. Quando identifica indícios de irregularidades, a CVM pode abrir um Processo Administrativo Sancionador (PAS) para apurar responsabilidades e eventualmente aplicar punições, como multas, inabilitação para exercer cargos no mercado financeiro ou outras sanções administrativas. Caso Master O caso Master começou a ganhar dimensão em 2025, quando o Banco Central liquidou o Banco Master e Daniel Vorcaro passou a ser alvo de investigações sobre suspeitas de fraude financeira. Em janeiro de 2026, a Polícia Federal abriu uma frente para apurar uma campanha de ataques ao Banco Central nas redes sociais. Em março, a PF deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, prendeu novamente Vorcaro e apontou suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de mercado. Em maio, as investigações avançaram sobre supostas operações utilizadas para inflar artificialmente o patrimônio do banco e o valor de ativos ligados ao grupo.

Crise das Casas Bahia pode limitar crédito Os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia e Marabraz nesta semana reacenderam uma preocupação no mercado financeiro: a ameaça de um novo aperto generalizado nas linhas de financiamento para empresas do varejo. O cenário remete a janeiro de 2023, quando a fraude contábil da Americanas veio a público. O sistema financeiro reagiu rapidamente e, em um movimento de aversão ao risco, bancos e fundos fecharam as torneiras e reduziram o acesso ao crédito da Americanas, de sua cadeia de fornecedores e dos principais concorrentes. O receio de que a crise se espalhasse pelo setor restringiu a oferta de crédito ao varejo. O temor dos bancos era de que outras empresas também enfrentassem dificuldades e novos empréstimos acabassem se transformando em calotes. Embora as crises tenham origens diferentes, o mesmo temor voltou ao mercado. Se a Americanas entrou em crise após a descoberta de inconsistências contábeis e operações de risco sacado não registradas, as dificuldades da Casas Bahia têm raízes macroeconômicas: o impacto dos juros altos sobre um modelo de negócios dependente do consumo a prazo. Os números apresentados pela Casas Bahia à Justiça mostram que as instituições financeiras estão entre os principais credores da empresa. O Banco Digio (instituição digital do Bradesco) é o principal nome da lista de credores, com R$ 2,6 bilhões a receber. Em seguida, estão Banco do Brasil (R$ 2,4 bilhões), Bradesco (R$ 1,5 bilhão), Riza Gestora de Recursos (R$ 803 milhões) e Redasset Gestão (R$ 585 milhões). Em 2023, o setor financeiro reagiu à crise com restrição ao crédito. Dados do Banco Central mostram que, nos seis meses seguintes ao anúncio do rombo da Americanas, o total de crédito bancário concedido às empresas do varejo caiu R$ 12 bilhões. No período, a exposição dos bancos ao setor recuou 5%. O movimento contrastou com o observado em outros setores da economia. No mesmo período, o total de empréstimos à construção civil cresceu 8,4%, um aumento de R$ 8,7 bilhões. Nos serviços voltados às famílias, houve ligeiro aumento de 0,4% no crédito no mesmo período. Já no setor de transportes, a carteira permaneceu estável, segundo os dados do BC. SAIBA MAIS SOBRE A CRISE DAS CASAS BAHIA: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
MPES se manifesta sobre caso Apex no processo Os bens de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, ex-presidente afastado do grupo Apex, foram bloqueados nesta segunda-feira (17) pela Justiça do Espírito Santo. A decisão partiu da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória e determinou também a quebra do sigilo bancário do réu. Segundo o juiz Marcos Pereira Sanches, o processo apontou a "existência de um rombo bilionário na contabilidade", embora o alcance das chamadas "inconsistências financeiras" ainda não tenha sido definido e revelado oficialmente. A empresa de investimentos possui dívidas de quase R$ 1 bilhão. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Também foram identificadas transferências em alto valor das contas da empresa ABM Partnership Investimentos e Participações S.A. para a conta pessoal de Cinelli, totalizando cerca de R$ 5 milhões, sem justificativa. Além disso, a ata afirmou que, em mais de uma ocasião, Cinelli movimentou ou retirou bens que poderiam ser usados para pagar os credores. Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta MAIS SOBRE O CASO: CRISE NA APEX: Posso perder dinheiro? Entenda o que se sabe sobre dívida de quase R$ 1 bi e o impacto para clientes INCONSISTÊNCIAS: Entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça sobre crise na Apex Segundo o juiz, o fato de o ex-presidente movimentar dinheiro poderia prejudicar as pessoas e outras empresas que têm valores a receber, além de dificultar o resultado do processo. Por fim, o documento ressaltou que "a conduta retratada em mais de uma oportunidade indica a dissipação dos bens em prejuízo de toda a coletividade de credores". A assessoria do empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade. Entenda a crise na Apex Plataforma de investimentos do Espírito Santo, a Apex Partners conta com cerca de 8 mil clientes e administra mais de R$ 17 bilhões de pessoas físicas e jurídicas. A empresa entrou em crise após uma investigação interna apontar inconsistências financeiras e uma dívida de R$ 985,6 milhões. O fundador e então presidente, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados dos cargos após a descoberta da crise. Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta A plataforma pediu à Justiça uma blindagem temporária de 60 dias, enquanto uma auditoria externa apura a origem e a dimensão do problema. Um fundo ligado à Apex teve os saques suspensos pelo BTG Pactual. Os sócios acusam os ex-executivos de possível "gestão temerária" e "má-fé", mas o caso ainda é investigado. Já o governo do Espírito Santo informou que não há dinheiro público do Tesouro Estadual ou do Funses investido na Apex. *Com informações de Vilmara Fernandes. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Robôs humanoides chineses superam humanos em meia-maratona em Pequim A Unitree, uma das maiores fabricantes de robôs humanoides do mundo em volume de vendas, estreia nesta quarta-feira (19) na bolsa de Xangai, na China, com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que já se tornou recorde no mercado local voltado para empresas de tecnologia. A empresa levantou 6,1 bilhões de yuans, cerca de US$ 905 milhões, na operação. A demanda pelas ações superou em mais de 8.000 vezes a quantidade oferecida por investidores de varejo. Com a estreia, a Unitree se torna a primeira fabricante de robôs humanoides a ser listada na bolsa continental da China. ➡️O movimento ocorre em meio à corrida do país para desenvolver robôs capazes de executar tarefas cada vez mais complexas, uma tecnologia vista por Pequim como estratégica para a indústria do futuro. Mas, enquanto o interesse dos investidores cresce, o setor começa a enfrentar uma cobrança diferente. China domina mercado de robôs humanoides; entenda por que os EUA decidiram barrá-los Depois de conquistar o público com robôs capazes de dançar, lutar e fazer acrobacias, as empresas precisam provar que as máquinas conseguem executar tarefas úteis de forma confiável e, principalmente, que podem se pagar. Robôs dançantes viraram vitrine da empresa Fundada em 2016 em Hangzhou, polo tecnológico no leste da China, a Unitree ganhou projeção internacional com vídeos de seus robôs humanoides dançando, lutando e realizando movimentos acrobáticos. No ano passado, os robôs da empresa apareceram no tradicional programa de Ano Novo Lunar da China, um dos eventos televisivos de maior audiência do país. China quer levar cães-robôs à Lua para construir base com astronautas até 2035 Mais recentemente, a companhia apresentou um novo modelo, chamado Superman. Segundo a Unitree, o robô consegue saltar até dois metros e atingir uma velocidade de 12,66 metros por segundo. A empresa também fabrica robôs quadrúpedes, conhecidos como cães-robôs. Eles representaram cerca de 42% da receita da Unitree no ano passado. Pessoas assistem robôs humanoides dançando no estande da Unitree durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC) em Xangai, China, 17 de julho de 2026. REUTERS/Go Nakamura/Foto de arquivo O desafio agora é sair do espetáculo O momento de euforia em torno dos humanoides acontece justamente quando o setor começa a mudar de foco. Em vez de avaliar os robôs apenas pela capacidade de fazer movimentos impressionantes, investidores e potenciais clientes passaram a observar quanto trabalho eles conseguem realizar, quanto precisam de supervisão humana e se o ganho de produtividade compensa o custo da máquina. 🤖 Na China, alguns robôs já começaram a ser usados em aplicações específicas, como entregas de alimentos em hotéis e determinadas linhas de montagem. A adoção em larga escala, porém, ainda não aconteceu. A Unitree também enfrenta esse desafio. Segundo seu prospecto, instituições de pesquisa e universidades responderam pela maior parte das vendas, enquanto as aplicações industriais representaram menos de 10% das vendas nos três primeiros trimestres de 2025. Robô precisa competir com o custo do trabalhador O preço é um dos principais obstáculos para transformar os humanoides em uma ferramenta comum nas empresas. A corretora chinesa Guotai Securities estima que um robô humanoide industrial precisaria custar cerca de 160 mil yuans, incluindo manutenção, para se pagar em dois anos, considerando um trabalhador que recebe 80 mil yuans por ano. Na prática, os robôs humanoides normalmente custam entre 300 mil e 500 mil yuans, segundo o instituto de pesquisa alemão MERICS. Isso significa que, para ganhar espaço nas fábricas, as máquinas precisam não apenas realizar tarefas, mas fazê-las com produtividade suficiente para justificar o investimento. Receita dispara e empresa já dá lucro O crescimento da Unitree aparece nos resultados financeiros. Segundo o prospecto do IPO, a receita da empresa chegou a quase 1,7 bilhão de yuans, aproximadamente US$ 252 milhões, em 2025. O valor representa mais de dez vezes a receita registrada apenas dois anos antes. A companhia também registrou lucro líquido de 278 milhões de yuans, cerca de US$ 41 milhões, no ano passado. Uma placa Unitree em uma loja Unitree em Pequim, China, 1º de agosto de 2026 REARQUIVO REUTERS/Tingshu Wang Em 2025, a Unitree entregou mais de 5.500 robôs humanoides no mundo e se tornou a empresa que mais vendeu esse tipo de máquina globalmente. Apesar do avanço, os robôs ainda estão longe de uma adoção em massa. Analistas apontam que a indústria ainda precisa resolver problemas de confiabilidade, custo e demanda. China aposta nos humanoides para disputar corrida tecnológica O avanço da Unitree acontece dentro de uma estratégia mais ampla da China. Com o crescimento econômico desacelerando e a população em idade de trabalhar diminuindo, o governo chinês vem direcionando investimentos para robôs humanoides como uma possível nova frente de crescimento industrial. Pequim considera a tecnologia estratégica também na disputa com os Estados Unidos por liderança em inteligência artificial e tecnologias avançadas. A China já responde por cerca de 82% dos envios globais de robôs humanoides, segundo estimativa da empresa de pesquisa IDC. Outras empresas chinesas também avançam no setor. A UBTECH e a Dobot já são negociadas em Hong Kong, enquanto a Agibot busca realizar uma oferta pública inicial na cidade. Jogos vão testar robôs em tarefas do mundo real A corrida pelos humanoides também ganhará um teste prático nos próximos dias em Pequim. Os Jogos Mundiais dos Robôs Humanoides, que acontecem de 22 a 26 de agosto, terão provas que vão além de corridas, futebol e lutas. Os robôs também serão avaliados em tarefas inspiradas no trabalho cotidiano. O cronograma inclui embalagem e armazenamento, montagem industrial, alimentação de materiais, atendimento no varejo, tarefas de escritório, carregamento de veículos elétricos e atividades que exigem maior precisão, como conectar cabos e utilizar ferramentas. A diferença em relação a uma apresentação de dança é importante: nessas tarefas, os robôs precisam identificar objetos, manipulá-los repetidamente, corrigir erros e continuar trabalhando sem que um engenheiro precise intervir a todo momento. Mais de 300 empresas são esperadas na Conferência Mundial de Robôs, que acontece em Pequim na mesma semana da estreia da Unitree. O evento terá mais de 2.000 exposições e o lançamento de mais de 150 produtos, segundo autoridades locais. Unitree cresce, mas enfrenta barreiras nos EUA A expansão internacional da Unitree, porém, enfrenta obstáculos geopolíticos. Em junho, a empresa foi incluída pelo governo dos Estados Unidos em uma lista de companhias consideradas ligadas ao Exército chinês, o que restringe seus negócios com o Pentágono. Em julho, Washington também restringiu novas autorizações para equipamentos de robótica avançada fabricados no exterior, afetando empresas como a Unitree. Modelos que já haviam recebido autorização podem continuar sendo vendidos. Mais de 40% da receita da Unitree vem do exterior. No prospecto, a companhia reconheceu que novas restrições americanas podem dificultar a expansão internacional e até provocar uma queda no desempenho. Segundo a IDC, em um cenário de maiores restrições nos Estados Unidos, as vendas de robôs humanoides no país poderiam ficar 58% abaixo da previsão inicial para 2030. Os recursos obtidos com o IPO serão usados principalmente em pesquisa e desenvolvimento de hardware e inteligência artificial para robôs, além da expansão da capacidade de produção. A Unitree também anunciou em junho uma parceria com a Nvidia para pesquisa e desenvolvimento. Agora, o desafio da empresa é transformar o sucesso dos vídeos virais e o entusiasmo dos investidores em uma tecnologia capaz de realizar tarefas de forma confiável, em escala e a um custo que faça sentido para empresas. *Com informações da Reuters

Disney corta empregos em meio à crise REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo A Disney e sua unidade ABC processaram a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos nesta terça-feira (18) para impedir a revisão antecipada das licenças de oito emissoras da ABC. A empresa argumenta que o governo de Donald Trump tenta punir a rede por seu conteúdo de transmissão. Segundo a Reuters, o presidente Trump tem pressionado repetidamente as emissoras a retirar do ar programas de comédia e jornalísticos dos quais não gosta ou que foram críticos a ele. Em diversas ocasiões, também pressionou a FCC a revogar as licenças da ABC. Em ação apresentada no Tribunal Distrital dos EUA, em Washington, a Disney afirmou que a FCC tenta coagir e retaliar contra "uma rede que se recusa a ceder às exigências do governo". A Disney e a ABC pediram ao tribunal a emissão urgente de uma liminar para suspender o processo de renovação das licenças e impedir que a FCC marque uma audiência. Segundo a empresa, o período de consulta pública terminou no início deste mês, e a comissão pode agir a qualquer momento. Trump ganha estátua na Disney O processo afirma que o governo viola o direito da empresa à liberdade de expressão, garantido pela Primeira Emenda. "Repetidamente, o governo atacou a liberdade de expressão da ABC — as reportagens de seus jornalistas e os pontos de vista veiculados em seus programas", diz o processo. A Casa Branca não se pronunciou imediatamente, escreveu a Reuters. FCC antecipa em dois anos revisão das licenças das emissoras O presidente da FCC, Brendan Carr, que não comentou o caso, ordenou as revisões em abril, embora a renovação das licenças das emissoras estivesse prevista apenas para outubro de 2028. Antes disso, a FCC não determinava uma revisão antecipada havia mais de 50 anos. As revisões foram determinadas um dia depois de Trump pedir que a ABC demitisse o apresentador do talk show noturno Jimmy Kimmel. Por que o FCC pode interferir? Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso em 14 de agosto de 2026 Ken Cedeno/Reuters Emissoras de rádio e televisão precisam de licenças da FCC para utilizar as ondas públicas de radiodifusão. Embora a revogação dessas licenças seja extremamente rara, críticos afirmam que a ameaça pode pressionar as emissoras e gerar preocupações sobre a interferência do governo em decisões editoriais e de programação. As redes de televisão têm ampla proteção da Primeira Emenda para definir sua programação. Em novembro, Trump pediu à FCC que revogasse as licenças da ABC após criticar um correspondente da ABC News por questionar o príncipe herdeiro da Arábia Saudita sobre o assassinato de um colunista do Washington Post em 2018. Trump classificou a pergunta como "insubordinada". A FCC também investiga o programa de entrevistas diurno da ABC "The View", que debate política norte-americana, por entender que ele pode estar sujeito às normas federais que exigem das emissoras oportunidades iguais para candidatos políticos.

'Operação Lei Seca' Divulgação/Detran-AM O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nesta segunda-feira (17) novas regras para a fiscalização da Lei Seca. A resolução atualiza os procedimentos usados pelos agentes de trânsito e regulamenta também a possibilidade de testes para identificar outras substâncias psicoativas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Uma das principais mudanças é a criação de uma etapa inicial de triagem. Nela, os agentes poderão usar equipamentos de pré-teste ou teste passivo de alcoolemia (quantidade de álcool etílico presente no sangue) para verificar possíveis sinais da presença de álcool. Se houver indicação positiva, será necessário seguir para os procedimentos previstos na regulamentação para confirmar a situação. Agora no g1 Esse primeiro resultado não poderá, sozinho, gerar uma multa nem comprovar que o motorista dirigia sob influência de álcool. O texto também estabelece regras para o uso de equipamentos destinados à identificação de outras substâncias psicoativas. A fiscalização pelas autoridades de trânsito com os novos testes só vai acontecer após a certificação dos aparelhos e procedimentos. Portanto, o motorista que sair hoje e for fiscalizado não vai encontrar essas novas fiscalizações. A medida não cria uma nova infração nem muda as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A resolução passa a valer após sua publicação no Diário Oficial da União (DOU). As mudanças que envolvem fichas de fiscalização e códigos de enquadramento das infrações terão prazo de 60 dias para entrar em vigor. Durante esse período, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito deverão adaptar seus sistemas informatizados. Até a mudança, continuam sendo usados os códigos atualmente vigentes. A reportagem do g1 entrou em contato com o Detran-SP; a assessoria do órgão diz que ainda aguarda a publicação no DOU e as seguintes orientações do Contran para saber como realizar as fiscalizações. Leia nesta reportagem: O que muda na fiscalização Como ficam os casos de álcool residual na boca Testes para outras substâncias psicoativas Fiscalização de motoristas envolvidos em acidentes O que acontece com quem recusa o teste O que muda na fiscalização Triagem inicial: agentes poderão utilizar pré-teste ou teste passivo para identificar indícios de álcool. Resultado da triagem: terá caráter orientativo e não será suficiente, por si só, para autuar o motorista. Confirmação: casos com indicação positiva deverão passar pelas etapas de comprovação previstas na norma. Outras substâncias: poderão ser utilizados equipamentos específicos para identificar substâncias psicoativas. Sinais de alteração: a avaliação da capacidade psicomotora continua válida como meio de fiscalização. Registro: o agente deverá apontar pelo menos dois sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora. Equipamentos: aparelhos usados para detectar substâncias psicoativas precisarão ser certificados dentro do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), por organismo acreditado pelo Inmetro. Resultado dos testes: a detecção de substâncias psicoativas será qualitativa, indicando a presença, e não a concentração. Bafômetro: o etilômetro continua sendo utilizado normalmente nas fiscalizações de álcool. Voltar ao índice. Restos de álcool na boca A resolução também define procedimentos para situações que possam interferir no resultado dos testes. Entre elas está a presença temporária de álcool na boca, que pode ocorrer após o consumo de produtos como bombons com licor, enxaguantes bucais e pão de forma. Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Reprodução Repórter come pão de forma ao vivo, faz teste do bafômetro e é 'autuado' no Piauí Se o teste passivo indicar a presença de álcool nessas circunstâncias, deverá ser feita uma avaliação posterior antes de qualquer conclusão sobre a condução sob influência de álcool. O reteste também será realizado quando fatores técnicos ou operacionais impedirem a obtenção de um resultado considerado válido. Voltar ao índice. Outras substâncias A nova regulamentação permite que os órgãos de trânsito utilizem equipamentos certificados para detectar substâncias psicoativas. O procedimento deverá ser combinado com a análise dos sinais apresentados pelo motorista. 🔎Substâncias psicoativas são aquelas que podem alterar o funcionamento do sistema nervoso central e prejudicar a capacidade de dirigir. A resolução não determina um modelo específico de equipamento. Também não estabelece que apenas a identificação de vestígios de uma substância seja suficiente para caracterizar a infração. A possibilidade está prevista no próprio CTB, que permite o uso de testes toxicológicos e de outros meios técnicos ou científicos para verificar se o motorista está sob influência de substâncias que podem comprometer a capacidade de condução. Voltar ao índice. Fiscalização após acidentes A resolução determina que, sempre que possível, os motoristas envolvidos em sinistros de trânsito sejam submetidos à fiscalização. Quando houver morte, deverá ser realizado exame para verificar a presença de álcool ou outras substâncias psicoativas. As informações obtidas deverão ser utilizadas no planejamento e na avaliação de políticas públicas de segurança viária. Em agosto, a Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. Voltar ao índice. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ Recusa do teste O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT) será atualizado para padronizar os procedimentos em situações de recusa. O texto também estabelece como a recusa deve ser registrada e diferencia os procedimentos aplicáveis a cada situação. A regulamentação mantém as consequências previstas no CTB. Hoje, recusar o teste do bafômetro em uma blitz da Lei Seca é uma infração gravíssima, mesmo que o motorista não apresente sinais de embriaguez. O que acontece com quem se recusa: Multa: R$ 2.934,70, equivalente a dez vezes o valor da multa de uma infração gravíssima. Suspensão da CNH: 12 meses. Recolhimento da CNH: o documento pode ser recolhido durante a fiscalização. Retenção do veículo: o carro fica retido até que um condutor habilitado possa assumir a direção, conforme as regras do CTB. Reincidência: se o motorista cometer novamente a mesma infração dentro de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a R$ 5.869,40. Em uma mesma abordagem, não deverão ser registrados simultaneamente autos de infração por dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e por recusar o exame comprobatório destinado a verificar essa condição. Não foram criadas novas multas com essa resolução. As infrações e penalidades previstas no CTB permanecem as mesmas. A resolução estabelece como a fiscalização deverá ser realizada e como a infração deve ser comprovada. Voltar ao índice.

Na plataforma do Reclame Aqui, usuários relatam que a Betano ofereceu bônus em troca de avaliações positivas. Órgãos de defesa do consumidor alegam que suposta prática pode violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) BBC Clientes da Betano, uma das principais casas de apostas do Brasil, relataram que a empresa oferece bônus a apostadores em troca de avaliações positivas na principal plataforma privada de avaliação e reputação de empresas do país, o site Reclame Aqui. A BBC News Brasil coletou 35 depoimentos de clientes postados entre 2023 e agosto deste ano relatando esta prática no perfil da Betano hospedado no Reclame Aqui. A suposta oferta só veio a público porque os próprios usuários a denunciaram afirmando que a empresa, supostamente, não teria pago os bônus prometidos. Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo Órgãos de defesa do consumidor, especialistas no mercado de bets e entidades avaliam que a suposta prática configuraria uma tentativa de manipular artificialmente a reputação da companhia, viola o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e poderia criar incentivos indevidos para que jogadores continuem apostando. ➡️ Procurada pela BBC News Brasil, a Betano enviou uma nota afirmando que "atua em estrita conformidade com a legislação brasileira" e negou que tenha oferecido bônus a seus apostadores em troca de avaliações positivas. Bet é multada em R$ 850 mil por permitir aposta "A empresa ressalta que a oferta de qualquer benefício está sujeita a critérios internos de elegibilidade e não tem como finalidade condicionar ou obrigar o consumidor a alterar sua opinião ou avaliação sobre o atendimento recebido em plataformas públicas", disse. Leia a íntegra da nota da Betano no final da reportagem. A BBC News Brasil, no entanto, identificou postagens realizadas por funcionários a serviço da Betano se referindo ao pagamento dos bônus mencionados pelos clientes. Em nota enviada à BBC News Brasil, o Reclame Aqui disse que, após ser informada pela reportagem sobre as postagens, a empresa "instaurou procedimento interno para apurar detalhadamente a conduta". Ainda segundo a plataforma, a "apuração será concluída nos próximos dias". Após a publicação original desta reportagem, o Reclame Aqui comunicou a decisão de atribuir o status "Em Análise" à reputação da Betano na plataforma. "A partir das informações enviadas pela reportagem, iniciamos uma ampla investigação sobre a conduta da empresa. A análise identificou indícios que justificaram asuspensão preventiva da reputação da marca enquanto o procedimento é concluído." "Reforçamos que o principal objetivo do Reclame AQUI é assegurar que a reputação exibida reflita com fidelidade e transparência a real experiência de atendimento dos consumidores. Para isso, estamos em constante evolução de nossos sistemas, algoritmos e rotinas de monitoramento para identificar e combater ativamente qualquer prática que descumpra as regras do site ou tente manipular os indicadores da plataforma", concluiu a empresa. Em nota, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda disse que a lei que regulamenta o funcionamento das bets no Brasil estabelece "deveres de transparência, proteção ao consumidor-apostador e promoção do jogo responsável". A secretaria disse ainda que, caso identifique indícios de irregularidades, o governo adotará "as medidas cabíveis". Procurado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) disse que está monitorando as informações reveladas pela BBC News Brasil. "A partir dos elementos disponíveis, será avaliada a necessidade de eventual atuação ou instauração de procedimento para apuração dos fatos. A Secretaria ainda prevê o monitoramento de empresas envolvidas, a fim de solicitar esclarecimentos sobre a prática", disse a pasta em nota. Bônus por avaliações Os relatos sobre a oferta de bônus em troca de avaliações positivas no Reclame Aqui foram publicados no site da plataforma. Os nomes dos clientes não foram divulgados porque o Reclame Aqui não fornece a identidade dos usuários. No dia 25 de junho deste ano, por exemplo, uma usuária da Betano em Salvador relatou uma suposta oferta. "Após publicar uma reclamação no Reclame Aqui e concluir o processo de atendimento, recebi um e-mail e também uma mensagem dentro da própria plataforma informando que, ao realizar uma avaliação da reclamação no Reclame Aqui, eu receberia uma bonificação", disse a usuária. Em abril deste ano, um cliente da cidade de São Carlos, em São Paulo, foi ainda mais explícito. "Eles mandaram msg [mensagem] para mim falando que ganharia bônus caso eu avaliasse no reclame aqui como positivo e desce uma variação boa, eu voltei avaliei e nada de ganhar nada!", diz o comentário do usuário, publicado no dia 30 de abril. No mesmo dia, um funcionário da Betano respondeu à reclamação. O texto começa informando que a Betano teria tentado entrar em contato com o cliente sem sucesso, cita que o mercado de apostas passou pela regulamentação do governo federal e confirma o pagamento do bônus. "Informamos que o incentivo mencionado foi corretamente creditado em sua conta Betano no dia 30/04, dentro do prazo estipulado pela campanha elegível, conforme informamos via mensagem privada", diz a mensagem. Uma reclamação semelhante foi registrada no dia 25 de abril deste ano, alegadamente registrada por um usuário no município de Morro do Chapéu, na Bahia. "Experiência horrorosa com a Betano. Recebi uma proposta para avaliar positivamente no Reclame Aqui em troca de rodadas e apostas grátis, mas não recebi nada", diz um trecho do comentário. Três dias depois, um funcionário da Betano respondeu confirmando o pagamento dos bônus. "Verificamos que os incentivos mencionados foram corretamente creditados na sua conta Betano em 23/04, conforme informamos via ligação e mensagem privada, seguindo os critérios específicos da campanha elegível", disse a mensagem. Operação específica Duas pessoas que trabalharam na Betano relataram que a estratégia para melhorar a reputação da empresa no Reclame Aqui teria sido elaborada pela cúpula da companhia no Brasil. Segundo essas duas fontes, que falaram à BBC News Brasil de forma anônima, a estratégia era melhorar os índices de aprovação da companhia junto ao Reclame Aqui e obter uma melhor reputação junto à opinião pública em meio a reações negativas contra os impactos da popularização das bets no Brasil. Nos últimos anos, a atuação das bets no Brasil gerou protestos, fez com que o Congresso Nacional instaurasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e levou o governo federal a adotar medidas restringindo o mercado. O temor de uma explosão no volume de endividamento e de casos de transtorno do jogo compulsivo levou o governo bloquear o acesso de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de acessarem plataformas legalizadas de bets. Estima-se que o Brasil tenha hoje 25 milhões de pessoas cadastradas em casas de apostas, mais de 10% da população do país. O Brasil é, segundo levantamento da consultoria internacional Regulus Partners, o quinto maior mercado de bets em todo o mundo. Ainda de acordo com essas fontes, a operação junto ao Reclame Aqui seria realizada por equipes específicas dentro de uma operadora de telemarketing terceirizada contratada pela companhia. A Betano é uma marca comandada pela empresa Kaizen Gaming, que tem sede na Grécia. No Brasil, sua sede é em São Paulo. Segundo levantamento das consultorias Blask da brmkt.co, a Betano é a maior casa de apostas em operação no Brasil em faturamento e uma das principais patrocinadoras de eventos esportivos no país. Entre os eventos patrocinados pela empresa no Brasil está a Série A do Campeonato Brasileiro de futebol masculino. O que diz a lei? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o Código de Direito do Consumidor (CDC) e as leis e portarias que regulamentaram o mercado de bets no Brasil permitem o pagamento de bônus a clientes. No entanto, eles afirmam que esses bônus não podem ser oferecidos em troca de depósitos feitos pelos clientes ou para induzir os clientes a algum erro. "É importante distinguir iniciativas destinadas a incentivar a participação dos usuários em avaliações, independentemente de seu conteúdo, de situações em que a recompensa esteja atrelada à emissão de manifestações favoráveis. É justamente nesse segundo cenário que podem surgir questionamentos jurídicos mais sensíveis", disse o advogado Udo Seckelmann, que atua no escritório Bichara e Motta Advogados, e que é especializado em regulação do mercado de bets. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), entidade que atua na defesa dos direitos do consumidor e que monitora o funcionamento do mercado de bets no Brasil, levantou preocupações sobre a suposta prática revelada pela BBC News Brasil. O principal argumento é de que a oferta de bônus por avaliações positivas poderia violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ao supostamente criar uma imagem falsa sobre a empresa. "Consideramos que esse tipo de avaliação positiva ou alterar avaliação negativa para recebimento de bônus gera uma falsa percepção do consumidor sobre o serviço (...) considera-se que a prática tem finalidade de trazer informação falsa não passando, portanto, pelo crivo dos critérios de transparência e boa-fé que devem permear as relações de consumo.", diz o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) em nota enviada à BBC News Brasil. O Idec é uma organização não-governamental que atua promovendo a fiscalização de empresas e práticas comerciais. Segundo a entidade, a oferta supostamente feita pela Betano a seus clientes violaria o artigo 4º do CDC, segundo o qual as empresas deveriam atuar com "base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores". A entidade disse ainda que, no caso de uma casa de apostas, a oferta de bônus em troca de avaliações positivas poderia ter outros impactos negativos. "No caso das empresas de apostas isso se torna ainda mais grave, pois o suposto bônus concedido para o consumidor certamente será rapidamente exaurido no uso dos jogos aumentando a probabilidade de vício, podendo gerar a ruína financeira do próprio beneficiado com o bônus", critica o Idec. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP), vinculado ao governo do Estado de São Paulo, Estado onde a Betano está sediada no Brasil, disse que a oferta da Betano pode ser considerada "abusiva". "Isso compromete a liberdade de escolha do consumidor e prejudica a transparência que deve orientar as relações de consumo", disse o órgão à BBC News Brasil. Na avaliação do órgão, a prática pode criar uma imagem falsa sobre a marca. "Quando um comentário aparentemente espontâneo é, na realidade, estimulado por uma recompensa, cria-se uma percepção artificial da reputação da empresa. O consumidor que consulta essas avaliações pode ser induzido a erro quanto à real qualidade dos serviços oferecidos e reputação da plataforma". O órgão disse ainda que o caso da Betano poderia ter implicações ainda mais graves. "Há um elemento adicional de estímulo ao consumo do próprio produto ou serviço ofertado pela plataforma. E isso é especialmente sensível porque os sites de apostas envolvem riscos econômicos e podem afetar consumidores em situação de maior vulnerabilidade", afirmou o órgão. Reclame Aqui diz que investigará o caso; Betano nega irregularidades Em nota enviada à BBC News Brasil, o Reclame Aqui afirma que a empresa não faz a moderação direta entre os clientes e as empresas citadas em sua plataforma. Segundo ela, a plataforma tem mais de 30 milhões de usuários cadastrados e classifica a reputação de mais de 900 mil empresas. Além de anunciar a investigação, o Reclame Aqui criticou a suposta oferta de bônus em troca de avaliações positivas. "Reforçamos um preceito fundamental: o Reclame Aqui proíbe expressamente e considera infração grave qualquer tentativa de condicionar a concessão de bônus, brindes ou vantagens à obtenção de avaliações positivas ou à remoção de reclamações", diz a empresa. Ela continua afirmando que a suposta prática "configura indução do consumidor em erro, manipulação de indicadores e afronta à transparência do sistema". Em outro trecho da nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que se o pagamento de bônus ocorrer antes da avaliação final de um produto ou serviço sem estar condicionado a uma avaliação positiva, em tese, não haveria irregularidade. Por outro lado, caso a oferta de bônus esteja condicionada à realização ou alteração de uma avaliação positiva, o cenário é diferente. "A prática tem potencial para distorcer artificialmente os indicadores de reputação da empresa, fazendo com que eles deixem de refletir a experiência espontânea dos consumidores", disse. Ainda em nota, a pasta disse que "a manipulação deliberada desses indicadores mediante a concessão de vantagens condicionadas a avaliações positivas pode caracterizar publicidade enganosa, especialmente quando a nota ou o índice obtido dessa forma é apresentado ou utilizado para transmitir aos consumidores uma percepção de reputação ou confiabilidade que não corresponde à realidade". Em sua nota, a Betano negou supostas irregularidades e diz que cumpre a legislação brasileira. Veja a nota da empresa na íntegra: "A Betano esclarece que atua em estrita conformidade com a legislação brasileira e as regulamentações do setor de apostas de quota fixa, pautando todas as suas operações pela transparência, integridade e respeito ao consumidor. A concessão de incentivos é uma prática amplamente difundida e consolidada em diversos segmentos do mercado como estratégia legítima de fidelização e aprimoramento da experiência do cliente. A empresa ressalta que a oferta de qualquer benefício está sujeita a critérios internos de elegibilidade e não tem como finalidade condicionar ou obrigar o consumidor a alterar sua opinião ou avaliação sobre o atendimento recebido em plataformas públicas. A decisão sobre a avaliação e seu conteúdo cabe exclusivamente ao consumidor e todas as interações têm como objetivo único assegurar a satisfação do usuário e a efetiva solução de suas solicitações. Além disso, alinhada ao seu compromisso inegociável com o Jogo Responsável, a Betano reforça que a concessão de incentivos de qualquer natureza segue critérios rigorosos de análise de perfil, histórico de jogo e ferramentas de proteção ao usuário, garantindo que qualquer oferta seja atribuída de maneira consciente e segura."

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, GPA, Dia, St Marche. A lista de grandes redes que, nos últimos anos, recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial, fecharam lojas ou frearam a expansão física só cresce e já atinge diferentes segmentos do varejo brasileiro, dos supermercados às redes de móveis e eletrodomésticos. Em comum, elas têm um modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de lojas que perdeu força diante dos juros altos, do crédito mais caro e de um consumidor mais cauteloso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os casos mais recentes são os da Marabraz e do Grupo Casas Bahia. Nos últimos dias, as duas recorreram à Justiça para reestruturar suas dívidas. A Marabraz pediu recuperação judicial com um passivo de R$ 140 milhões. Já a Casas Bahia fez o mesmo, com dívidas de R$ 17,3 bilhões — a segunda reestruturação em dois anos, após uma recuperação extrajudicial em 2024 que não foi suficiente para estabilizar as finanças da companhia. No varejo alimentar, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) seguiu outro caminho: optou por uma recuperação extrajudicial e por uma ampla reestruturação, que levou ao fechamento e à conversão de dezenas de lojas Extra. Dono das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Extra Mercado, o GPA vive uma das maiores reestruturações de sua história. Em março deste ano, a empresa botou em prática um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Um dos gargalos foi a expansão desordenada de lojas físicas. Em 2020, o GPA chegou a ter cerca de 800 lojas, mas reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper para o Assaí, em 2021. A operação marcou uma mudança de estratégia do grupo, que passou a concentrar esforços em formatos menores e considerados mais rentáveis, como supermercados de bairro e lojas de proximidade. Ao fim de 2025, a companhia tinha cerca de 700 lojas no país. Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP Outras redes também passaram a rever o modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de unidades. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus encontraram dificuldades para sustentar operações maiores. As redes passaram a priorizar a rentabilidade das unidades existentes, reduzir custos e tornar a operação mais eficiente. O faturamento não é o problema: segundo o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores empresas do varejo alimentar brasileiro movimentaram mais de R$ 361 bilhões em 2025. O líder foi o Carrefour, com faturamento de R$ 123,6 bilhões, seguido pelo Assaí Atacadista (R$ 84,7 bilhões) e Grupo Mateus (R$ 31 bilhões). O GPA continua entre os maiores, e chegou aos R$ 20,6 bilhões. Mas especialistas afirmam que o desafio para todos está no custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país, especialmente quando o ambiente econômico muda. (saiba mais abaixo) Mais lojas, mais custos Durante anos, a expansão física foi vista como um dos principais caminhos para ganhar mercado no varejo alimentar. 🏪 A lógica era simples: redes maiores tinham mais capacidade de negociar com fornecedores, ampliar a presença regional e conquistar consumidores. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que esse modelo ficou mais difícil de sustentar porque cada nova unidade também aumenta a estrutura necessária para operar. Uma loja física exige gastos com aluguel, funcionários, logística, estoque, manutenção e tecnologia. Em um setor marcado por margens de lucro apertadas, qualquer aumento relevante de custos pode prejudicar o resultado das empresas. “Em tese, aumenta o faturamento, mas também aumenta a estrutura necessária para manter esse crescimento”, explica Ulysses Reis, especialista em varejo da Strong Business School. Segundo ele, a estratégia da loja física só funciona quando a operação também tem ganho de eficiência. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Além dos custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor reduziu a vantagem de simplesmente estar mais perto do cliente. Com mais acesso a informações de preço, comparação de produtos e compras digitais, o consumidor passou a escolher menos pela localização e mais pela combinação entre preço, conveniência e experiência. (saiba mais abaixo) Juros altos mudaram a conta da expansão O ambiente econômico do país também não ajudou, principalmente com o fim de um período de juros mais baixos, quando as companhias conseguiam empréstimos mais baratos para financiar as novas unidades, aumento de estoques e de operações. Em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic, a taxa básica de juros, chegou a 2%, menor nível da história. Mas, com a inflação mais alta após a reabertura econômica, o Banco Central (BC) precisou subir novamente os juros. Em julho de 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas — patamar que segue pesando sobre companhias endividadas, caso da própria Casas Bahia, cujo passivo bilionário reflete justamente essa combinação de juros elevados e crédito mais restrito. “O custo do dinheiro é muito alto. Quando o endividamento fica caro, isso ‘espreme’ a operação”, explica o advogado especializado em reestruturação empresarial e sócio fundador do Felsberg Advogados, Thomas Felsberg. Segundo ele, o risco aumenta quando a expansão da rede é financiada por empréstimos. Nesses casos, o crescimento das vendas, por si só, não garante que a empresa esteja em uma situação financeira melhor, já que os custos e as dívidas também aumentam. 💰 Uma empresa pode vender mais e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se a estrutura criada para sustentar esse crescimento consumir uma parcela cada vez maior do resultado. Diante desse cenário, muitas redes de supermercados precisaram mudar de estratégia. Algumas reduziram o ritmo de abertura de novas lojas. Outras fecharam unidades que davam pouco retorno, renegociaram dívidas ou passaram a investir em formatos menores e mais eficientes, movimento que, em graus diferentes, também aparece agora nos planos anunciados por Casas Bahia e Marabraz. Consumidor mais cauteloso Um dos principais fatores por trás da transformação do setor está no comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado, os brasileiros passaram a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas. A proximidade da loja deixou de ser o único fator decisivo, uma vez que preço e conveniência ganharam ainda mais peso. Essa mudança aparece em pesquisas de mercado. Segundo levantamento da NielsenIQ (NIQ) publicado em junho deste ano, diante da pressão sobre o orçamento: 66% dos consumidores afirmam buscar opções de menor preço; 45% dizem escolher produtos mais baratos independentemente da marca; 80% afirmam planejar as compras com antecedência. Além disso, 47% dos consumidores brasileiros pretendiam comprar mais produtos de marca própria — itens vendidos com a marca da própria rede de supermercados, que costumam ter preços mais baixos do que os de fabricantes tradicionais. Essa nova postura do consumidor favoreceu formatos como os atacarejos, que oferecem preços menores para compras em maior volume, e aumentou a importância das marcas próprias. Segundo dados da Abras, o varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão no ano passado. Desse total, os atacarejos responderam por 29% das vendas, com R$ 327,7 bilhões, ficando atrás apenas do autosserviço, que concentrou quase metade do faturamento do setor, com R$ 563,6 bilhões (49%). 🔎 O autosserviço representa o varejo alimentar tradicional, que inclui principalmente supermercados, hipermercados e outros formatos de lojas em que o cliente entra, pega os produtos nas gôndolas e passa pelo checkout. Também acelerou a busca por canais digitais, que permitem comparar preços e pesquisar avaliações sem depender exclusivamente da loja física. Em 2025, o marketplace movimentou R$ 7,3 bilhões o equivalente a cerca de 1% do faturamento total do varejo alimentar. Mesmo com uma participação ainda pequena, o canal já aparece como o quinto maior formato de vendas do setor, segundo a Abras. Essa mudança aumentou a concorrência pelo consumidor. Além dos supermercados tradicionais, empresas como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99 passaram a disputar esse espaço, oferecendo a compra de alimentos e bebidas por meio de aplicativos, lojas online e serviços de entrega rápida. A estratégia ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado, orçamento mais apertado e maior preocupação das famílias com os gastos. Com menos espaço no bolso, consumidores passaram a buscar alternativas que permitam comparar preços, encontrar promoções e economizar nas compras do dia a dia. GPA busca reorganizar dívidas após anos de pressão financeira O caso do Grupo Pão de Açúcar representa um dos exemplos mais conhecidos dos desafios enfrentados por redes que construíram uma grande presença física ao longo dos anos. A companhia apresentou em março deste ano um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. 🔎 A recuperação extrajudicial permite que a empresa renegocie dívidas diretamente com os credores, sem recorrer ao processo tradicional. Nesse modelo, as negociações ocorrem fora da Justiça, diferentemente da recuperação judicial adotada por Casas Bahia e Marabraz. A crise do GPA foi resultado de uma combinação de fatores. A empresa acumula prejuízos desde 2022, pressionada pela queda no consumo, pelo aumento dos juros — que encareceu suas dívidas —, pelos custos de reestruturação e pela saída de lojas com baixo desempenho. No fim de 2025, o grupo informou ao mercado que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, diante de um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão relacionado principalmente ao vencimento de dívidas previstas para 2026. O cenário financeiro também aparece nos resultados. No ano passado, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e bruta de R$ 4 bilhões. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, a companhia teve prejuízo de R$ 204 milhões. Apesar disso, a operação do supermercado melhorou, mas o resultado final foi prejudicado principalmente pelos altos gastos com juros da dívida. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças na gestão e na estrutura societária. O Grupo Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino, antigo controlador, manteve participação de 22,5%. Segundo o GPA, o plano de recuperação busca melhorar o perfil da dívida, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para a sustentabilidade financeira da companhia. Enquanto isso, as lojas seguem funcionando normalmente e que os pagamentos a fornecedores e parceiros estão em dia. St Marche e Dia apostam em reestruturação Unidade da St Marche em São Paulo Reprodução/Facebook O St Marche, rede de supermercados voltada principalmente ao público de alta renda, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A empresa também anunciou a venda da operação para o grupo chileno Cencosud, dono do Giga Atacado no Brasil. A companhia atribuiu parte das dificuldades ao aumento do endividamento, aos juros elevados e à redução das linhas de crédito. Outro caso é o da rede Dia, que entrou em recuperação judicial em março de 2024 após acumular mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Na época, a empresa anunciou o fechamento de 343 lojas e três centros de distribuição no país. A estratégia foi concentrar a operação em São Paulo, onde estavam as unidades consideradas mais rentáveis. A rede anunciou a saída da recuperação judicial em junho. Para Ulysses Reis, esses movimentos indicam uma mudança estrutural no setor. Segundo ele, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e expansão acelerada e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. Redes como o Oxxo seguem essa estratégia, com lojas compactas voltadas para compras rápidas e de conveniência. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma. Segundo o especialista, as unidades físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico, enquanto estoques menores e maior eficiência ganham importância. Casas Bahia e Marabraz apostam em reestruturação para reduzir dívidas Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos (SP) Sarah Brito/g1 A recuperação judicial é a principal aposta de Casas Bahia e Marabraz para reorganizar as finanças e garantir a continuidade das operações. 🔎 O mecanismo permite que empresas em dificuldades renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, enquanto mantêm as atividades e apresentam um plano de recuperação aos credores. No caso da Casas Bahia, a empresa afirma que pretende reduzir despesas, otimizar a operação e concluir a reestruturação iniciada em 2024, quando renegociou parte de suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial. Segundo a varejista, o objetivo agora é preservar o caixa, adequar o perfil da dívida e criar condições para retomar o crescimento. Segundo o presidente da empresa, Renato Franklin, os fechamentos de lojas foram concentrados em uma única etapa para eliminar unidades menos rentáveis e evitar novos ajustes. A estratégia também prevê priorizar vendas com maior margem de lucro, inclusive no comércio eletrônico. Franklin afirmou ainda que a empresa trabalha com um cenário econômico mais difícil em 2027 do que em 2026. Segundo ele, o elevado endividamento das famílias deve continuar pressionando o consumo e as condições de crédito. Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com marketplaces, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis. No ano passado, a Casas Bahia firmou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line. Já a Marabraz informou que a recuperação judicial faz parte de uma estratégia para reequilibrar as contas, renegociar dívidas com credores, preservar empregos e manter o atendimento aos clientes durante o processo. Fechar lojas ajuda, mas não resolve imediatamente Uma das medidas adotadas por empresas em dificuldade é o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis. No entanto, a estratégia não gera alívio imediato no caixa. Segundo o próprio pedido apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1, a Casas Bahia atribui suas dificuldades principalmente aos juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência, às pressões do setor nos últimos anos e aos impactos da transformação digital no comércio. As primeiras medidas de reestruturação teriam sido adotadas já em 2023, diante da piora do cenário econômico, com redução de estoques, corte de investimentos e ajustes nos centros de distribuição. Só em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. Somadas as duas etapas de reestruturação citadas no processo, a companhia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas — mas afirma que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Segundo Thomas Felsberg, a redução da estrutura envolve custos, principalmente relacionados a contratos e funcionários. “Você fechar uma loja tem um custo muito grande por causa dos direitos trabalhistas. O alívio no caixa não é imediato; ele aparece no médio prazo, quando a empresa reduz despesas”, afirma. Para o advogado, reconhecer o problema rapidamente é fundamental em processos de reestruturação. “Quanto mais demora para reconhecer que a situação é ruim, mais difícil fica a recuperação. O ideal é agir enquanto ainda existe caixa e possibilidade de negociação”, diz. Para os especialistas, a crise atual não representa o fim das lojas físicas, mas uma mudança no modelo de crescimento. A expansão baseada apenas na abertura de novas unidades perdeu força. O varejo passa a buscar formatos menores, mais digitais e com maior eficiência operacional. “O futuro não é simplesmente ter mais lojas. É integrar canais, reduzir custos e oferecer conveniência ao consumidor”, afirma Reis. O g1 procurou o GPA e o St Marche, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Em nota, o Grupo Dia afirmou que o varejo alimentar continua enfrentando um “cenário desafiador”. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor "cada vez mais criterioso" exige das companhias "gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante". A cautela também aparece nos indicadores de confiança. Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou praticamente estável em 88,7 pontos. Segundo a instituição, apesar de as famílias avaliarem melhor sua situação financeira atual, elas seguem mais pessimistas em relação aos próximos meses, principalmente sobre a própria condição financeira e a intenção de comprar bens duráveis. “Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação”, afirmou o grupo Dia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta segunda-feira (177), por unanimidade, que municípios não podem fixar alíquotas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) com base apenas na área do imóvel, isto é, na metragem. A Corte entendeu que a Constituição autoriza a progressividade do imposto conforme o valor da propriedade, além da adoção de alíquotas diferentes segundo a localização e o uso do imóvel, mas não em razão do seu tamanho. A decisão foi tomada no julgamento de um recurso com repercussão geral reconhecida, mecanismo que faz com que o entendimento sirva de orientação para casos semelhantes em todo o país. O caso analisado pelos ministros envolvia uma lei do município de Chapecó, em Santa Catarina, que previa alíquota de 1% de IPTU para imóveis com área construída igual ou superior a 400 metros quadrados. Agora no g1 A norma havia sido considerada inconstitucional pela Justiça catarinense, decisão contra a qual o município recorreu ao STF. Ao defender a regra, a prefeitura argumentou que uma área construída maior representaria utilização mais intensa do solo urbano e, por isso, justificaria uma tributação mais elevada. Relator do caso, o ministro Dias Toffoli rejeitou esse entendimento. Segundo ele, após a Emenda Constitucional 29, de 2000, a Constituição passou a permitir a progressividade fiscal do IPTU em razão do valor do imóvel e a fixação de alíquotas distintas conforme a localização e o uso da propriedade. No voto, Toffoli afirmou que a área do imóvel não está entre os critérios autorizados pela Constituição para a cobrança diferenciada do imposto. O ministro também destacou que o Supremo já consolidou o entendimento de que a fixação de alíquotas com base na área do imóvel configura progressividade do tributo e não seletividade. Ainda de acordo com o relator, a área do imóvel não se confunde com seu valor, sua localização ou seu uso, e os municípios não podem criar novos critérios de progressividade além daqueles previstos na Constituição Federal. Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, com estátua da Justiça em destaque. Divulgação/STF Tese fixada Ao final do julgamento, o plenário aprovou a seguinte tese de repercussão geral: "É inconstitucional a fixação, por lei municipal posterior à EC nº 29/2000, de alíquota do IPTU em razão da área do imóvel". 🔎O que muda? A decisão não impede que cidades cobrem IPTU mais alto de imóveis mais valiosos. O que o STF proibiu foi o uso do tamanho do imóvel, por si só, como critério para aumentar a alíquota do tributo. Segundo a Corte, a Constituição só autoriza a progressividade do imposto com base no valor venal da propriedade e diferenciações relacionadas à localização ou ao uso do imóvel. Como o IPTU é calculado? O IPTU é calculado com base no valor venal do imóvel, que é uma estimativa feita pela prefeitura sobre quanto a propriedade vale para fins tributários. Quanto maior esse valor, maior tende a ser o imposto. Segundo o STF, a Constituição permite que as alíquotas variem conforme o valor, a localização e o uso do imóvel, mas não em razão da área da propriedade. Exemplo prático Imagine dois imóveis residenciais localizados no mesmo bairro e sujeitos à mesma alíquota de IPTU, de 1%. Imóvel A: valor venal de R$ 300 mil Imóvel B: valor venal de R$ 600 mi Nesse caso: Imóvel A: 1% de R$ 300 mil = R$ 3 mil de IPTU por ano Imóvel B: 1% de R$ 600 mil = R$ 6 mil de IPTU por ano Pela regra considerada correta pelo STF, o imposto aumenta porque o valor do imóvel é maior, e não porque ele tem mais metros quadrados.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,40% nesta terça-feira (18), cotado a R$ 5,2216. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,27%, aos 166.335 pontos. Com o resultado, o Ibovespa chegou à 11ª sessão consecutiva de queda, na maior sequência de baixas desde 2023, segundo levantamento da Elos Ayta. A última vez que o índice havia registrado uma sequência tão longa foi em agosto daquele ano, quando acumulou 13 sessões seguidas de perdas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltaram a colocar o petróleo no centro das atenções. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório. As exigências incluem o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação de ativos congelados. Em meio às tensões, os preços do petróleo ficaram no radar. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 0,17%, cotado a US$ 91,02, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 0,52%, a US$ 84,94. ▶️ Na agenda de indicadores, investidores avaliaram uma série de novos dados da economia americana. Entre os destaques, estão a variação semanal de empregos do relatório ADP e indicadores de indústria, construção e preços de exportação. ▶️ No Brasil, o mercado seguiu atento ao varejo brasileiro. No domingo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, aumentando a atenção dos investidores sobre a situação financeira das empresas do setor. Ao mesmo tempo, a saída de recursos estrangeiros da bolsa brasileira tem pressionado os preços das ações. ▶️ O cenário político também entrou no radar nesta terça-feira. Os ativos brasileiros pioraram após a notícia de que a proposta que acaba com a escala 6x1 pode avançar no Senado. Para parte dos investidores, a possibilidade de tramitação pode favorecer a campanha de Lula e aumentar as preocupações sobre os gastos públicos em um eventual novo mandato. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,04%; Acumulado do mês: +3,00%; Acumulado do ano: --4,87%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,36%; Acumulado do mês: -6,55%; Acumulado do ano: +3,79%. De olho no ambiente corporativo O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia. Ormuz continua fechado A nova escalada das tensões entre EUA e Irã também volta a ficar no foco. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano, Mahammmad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio global antes da guerra, continuará fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório. Entre as exigências, estão o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação dos ativos iranianos congelados. Já na véspera, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News. "Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total", disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV. ➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda, pressionadas pelos papéis do setor de tecnologia, enquanto expectativas cada vez menores de um acordo de paz no Oriente Médio sustentavam os preços do petróleo. O Dow Jones teve queda de 0,22%, enquanto o S&P 500 caiu 0,67% e o Nasdaq Composite perdeu 1,31%. Na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em queda, à medida que investidores lidavam com rendimentos mais altos de títulos e novas preocupações com a inflação. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,69%, aos 651,90 pontos. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, recuou 0,60% e o CAC-40, da França, perdia 0,60%. Já o FTSE 100, do Reino Unido, subia 0,39%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam praticamente estáveis, com a queda nos papéis do setor de inteligência artificial e de tecnologia sendo compensada pelos ganhos das ações de energia, em meio às tensões no Oriente Médio. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,3%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,2%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,07% e o Nikkei,, do Japão, teve perdas de 2,54%. O Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,55%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters

Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais A OpenAI anunciou uma versão do ChatGPT desenvolvida especificamente para adolescentes. A experiência, chamada de ChatGPT para Adolescentes, foi criada para usuários de 13 a 17 anos e combina ferramentas de inteligência artificial para estudos com proteções adicionais de segurança. Segundo a empresa, adolescentes que declararem ter entre 13 e 17 anos ou que forem identificados pelo sistema como menores de 18 anos serão direcionados automaticamente para a experiência voltada ao público adolescente. Primeiro a OpenAI, depois a Meta: por que robôs de IA continuam fazendo ataques hackers A proposta é permitir que jovens usem inteligência artificial para aprender e criar, mas com limites mais rígidos para conteúdos considerados inadequados para a idade. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images ChatGPT ganha recursos voltados para os estudos Uma das principais mudanças está na forma como a ferramenta deve ajudar os adolescentes com tarefas escolares. Em vez de simplesmente entregar uma resposta pronta, o sistema pode orientar o estudante por meio de perguntas e etapas para que ele chegue à solução. A experiência inclui o Modo Estudo, que utiliza perguntas orientadoras e explicações passo a passo. Também foram anunciados lembretes para tarefas de casa, que podem identificar quando o estudante parece estar tentando apenas obter uma resposta e direcioná-lo para uma resolução colaborativa. A OpenAI também incluiu quizzes e recursos de visualização para ajudar os estudantes a praticar o conteúdo e testar o que aprenderam. ➡️Outra novidade são as Horas de Estudo, que permitem definir períodos em que o Modo Estudo será ativado por padrão. A empresa afirma que o desenho do Modo Estudo foi desenvolvido com participação de professores, cientistas e especialistas em pedagogia e utiliza técnicas como perguntas orientadoras, testes de conhecimento e estímulos para que o estudante explique seu próprio raciocínio. Proteções contra conteúdos sensíveis A versão para adolescentes também terá salvaguardas ativadas por padrão. A OpenAI diz que elas foram desenvolvidas para reduzir a exposição de menores a conteúdos potencialmente prejudiciais ou inadequados para seu estágio de desenvolvimento. Entre os temas que terão proteções específicas estão automutilação, violência, transtornos alimentares, atividades perigosas e conteúdo sexual ou gráfico explícito. A empresa também pretende ampliar os mecanismos de controle disponíveis para os pais. Contas de adolescentes vinculadas a contas dos responsáveis poderão ter Horas de Silêncio e determinadas configurações administradas pelos pais, além de notificações de segurança em situações consideradas de alto risco. IA não deve substituir relações humanas, diz empresa Outro foco da nova experiência é reduzir o risco de dependência emocional da inteligência artificial. A OpenAI afirma que o ChatGPT para adolescentes terá lembretes para que os usuários façam pausas durante o uso prolongado e elementos que deixem claro que a interação ocorre com uma inteligência artificial. Para menores de 18 anos, o modelo também não deve utilizar linguagem romântica, incentivar dependência emocional ou sugerir que possui sentimentos ou consciência. A intenção, segundo a empresa, é reforçar a importância das relações no mundo real. A plataforma também passará a alertar adolescentes antes do envio de imagens privadas ou sensíveis e poderá apresentar lembretes mais frequentes para que eles interrompam o uso após períodos prolongados. OpenAI quer ensinar adolescentes a usar IA Além de modificar o próprio ChatGPT, a OpenAI anunciou uma parceria com a CodeAI para ampliar o acesso de estudantes e educadores a ferramentas e recursos de educação sobre inteligência artificial. A proposta é ensinar adolescentes não apenas a utilizar sistemas de IA, mas também a entender como eles funcionam, questionar suas respostas e reconhecer seus erros. A empresa também apresentou exemplos de adolescentes que já utilizam o ChatGPT para desenvolver projetos. Entre eles estão estudantes da Virgínia que criaram um sistema que utiliza sinais de Wi-Fi para ajudar na localização de pessoas presas sob escombros e uma jovem do Texas que utilizou a ferramenta para desenvolver uma plataforma de jogos educativos em áudio voltada a estudantes cegos. Proteções ainda estão em desenvolvimento A OpenAI afirma que continuará realizando pesquisas sobre o uso de inteligência artificial por adolescentes e testando suas salvaguardas em situações consideradas de maior risco. A empresa diz que pretende publicar mais avaliações sobre o comportamento dos modelos diante de situações envolvendo menores de 18 anos, incluindo casos relacionados a automutilação, transtornos alimentares, violência, conteúdos com restrição de idade e material sexual. A companhia afirma que o objetivo é permitir que adolescentes usem inteligência artificial para aprender, criar e explorar novas ideias, mas com mecanismos de proteção compatíveis com a idade e que incentivem hábitos saudáveis e relações fora da plataforma.

Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026 REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo Uma coalizão de 29 estados dos EUA começa a apresentar nesta terça-feira (18), em um tribunal federal da Califórnia, suas acusações contra a Meta Platforms. Os estados afirmam que Facebook e Instagram foram projetados de forma prejudicial à saúde mental de crianças e adolescentes, em um julgamento que poderá levar a mudanças nas plataformas. Os advogados do Colorado, Califórnia, Nova Jersey e Kentucky, que lideram uma coalizão bipartidária de 29 estados, farão suas declarações iniciais perante um júri de oito integrantes em Oakland. O grupo atua apenas como órgão consultivo da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, responsável pela decisão final do caso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O julgamento analisará as acusações dos quatro estados de que a Meta desenvolveu Facebook e Instagram para estimular o uso compulsivo por crianças e adolescentes e enganou consumidores ao apresentar as plataformas como seguras para usuários mais jovens. O julgamento também abordará as acusações dos 29 estados de que a Meta coletou e utilizou indevidamente dados pessoais de crianças durante o uso das plataformas, em violação à legislação federal. Agora no g1 Os advogados da Meta deverão argumentar que a empresa investiu fortemente em medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. A empresa afirma que não fez declarações enganosas sobre segurança e que os estados não apresentaram provas de danos concretos causados a seus residentes. O fundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deverá depor no julgamento, que deve durar várias semanas. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, também deverá prestar depoimento. Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram Desafio judicial Pelos possíveis impactos financeiros e regulatórios para a Meta, especialistas consideram este o caso mais relevante já enfrentado pela empresa em disputas judiciais relacionadas a jovens usuários de redes sociais. O julgamento ocorre em meio ao debate global sobre os efeitos dessas plataformas na saúde mental de crianças e adolescentes. A Meta afirmou que as multas em discussão no processo podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 trilhões), valor próximo ao valor de mercado da empresa, estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,8 trilhões). Os procuradores-gerais, porém, ainda não detalharam o montante que pretendem solicitar à Justiça. Em uma audiência realizada na semana passada, eles disseram que o valor pode se aproximar de US$ 200 bilhões (R$ 1,040 bilhão). A estimativa da Meta considera um cenário de aplicação máxima das penalidades previstas, enquanto os estados indicaram um valor bem inferior durante as discussões preliminares do caso. Os procuradores-gerais do Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey também pedem que a Justiça obrigue a Meta a adotar mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, eliminar recursos como a rolagem infinita e promover outras mudanças em suas plataformas em todo o país. Em comunicado divulgado antes da abertura dos argumentos, um porta-voz da Meta afirmou que as acusações dos estados não têm fundamento e que a empresa mantém um histórico de medidas voltadas à proteção de adolescentes. "Os procuradores-gerais não apresentam provas de que alguém em seus estados tenha sido enganado. Eles alegam que recursos inofensivos, como a possibilidade de manter uma conta adicional no Instagram, de alguma forma prejudicaram seus residentes e tentam responsabilizar a Meta por desafios comuns a todo o setor, como a verificação de idade", disse o porta-voz. "Em vez de se ater aos fatos e à legislação, os estados decidiram buscar uma indenização exorbitante." Como o caso contra a Meta começou O processo movido pelos estados, em 2023, decorre de uma investigação conjunta sobre os impactos do Instagram e do Facebook em crianças e adolescentes. A investigação foi anunciada após as revelações de Frances Haugen, ex-funcionária e denunciante da Meta, que prestou depoimento a uma comissão do Senado dos EUA em 2021. Ela afirmou que a empresa sabia que seus produtos poderiam prejudicar crianças e adolescentes e conhecia formas de reduzir esses riscos, mas optou por não implementar mudanças mais amplas por considerar seus impactos sobre os resultados financeiros da companhia. Os estados deverão apresentar documentos internos e estudos produzidos pela Meta, além de depoimentos de ex-funcionários e especialistas ligados à empresa. A Meta e outras empresas de redes sociais, como a Snap Inc, a ByteDance, controladora do TikTok, e a Alphabet, controladora do YouTube, enfrentam pressão crescente de legisladores e dos tribunais. O processo está entre os milhares de casos movidos contra empresas de redes sociais por estados, municípios, distritos escolares e indivíduos, sob a acusação de que seus produtos causam danos a crianças e adolescentes. A Meta afirmou que a crescente onda de processos judiciais pode afetar significativamente seus negócios e seus resultados financeiros. Por que 29 estados estão juntos contra a Meta Os 29 estados americanos defendem que suas acusações sejam analisadas em conjunto porque, segundo os procuradores-gerais, o caso envolve decisões da Meta que afetaram jovens usuários em todo o país. Eles argumentam que uma ação conjunta permite apresentar uma visão mais ampla sobre as práticas do Instagram e do Facebook e buscar mudanças nas plataformas que tenham alcance nacional. A Meta, por outro lado, defendeu que os processos fossem divididos em julgamentos menores. A empresa afirma que as leis estaduais são diferentes e que um julgamento único poderia dificultar a análise das particularidades de cada acusação. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers adotou uma solução intermediária. As acusações baseadas nas leis estaduais de proteção ao consumidor de Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey serão julgadas juntas. Ao mesmo tempo, as acusações baseadas na legislação federal de privacidade infantil apresentadas pelos estados também fazem parte do julgamento. A estratégia dos procuradores-gerais segue um modelo já usado em grandes disputas contra empresas de outros setores. Especialistas ouvidos pela Reuters citam os processos contra as indústrias do tabaco e dos opioides, nos quais estados se uniram para concentrar recursos, compartilhar conhecimento e aumentar seu poder de negociação. O resultado do julgamento pode influenciar como os processos dos outros estados serão conduzidos e, caso a Meta seja responsabilizada, levar a mudanças no funcionamento do Facebook e do Instagram e a multas que podem chegar a bilhões de dólares.

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região. Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto. Lula diz que petróleo do Amapá é 'soberania nacional' e que Brasil não aceitará interferências Petrobras amplia ofensiva e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas O que sabemos 1. Onde está o petróleo O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico. Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação. 2. Serão necessários novos poços A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias. A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. "É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou a presidente da estatal. Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais Petrobras/Divulgação 3. Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas — e o que ela tem a ver com o pré-sal A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma "nova fronteira energética do Brasil", nas palavras do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian. A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico. Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035. O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras. Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve Divulgação/Petrobras 4. A descoberta não é, por enquanto, comercial Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial. Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial. 5. Há controvérsias A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro. O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis. 6. Expectativa já mudou a região Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável. A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque. Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária. O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água. O que ainda não sabemos 1. Quanto petróleo existe no Morpho Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume. Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área. A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes. 2. Se a descoberta será economicamente viável Também não há resposta para essa pergunta. A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial. 3. Quando — ou se — haverá produção de petróleo Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área. Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo — ou mesmo se isso acontecerá. 4. Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos. Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas. Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração. Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças. Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental.

Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Pressão para compartilhar propaganda política no WhatsApp, exigência de "santinhos" em perfis pessoais, vigilância das redes sociais e ameaças relacionadas ao emprego. Essas são algumas das situações mais frequentes em processos de assédio eleitoral que chegaram à Justiça do Trabalho nos últimos anos e foram analisadas em uma pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgada com exclusividade ao g1. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O estudo mostra como a pressão política ocorre dentro das empresas e quais estratégias são mais frequentemente utilizadas contra trabalhadores durante períodos eleitorais. (saiba mais abaixo) Muitos desses processos foram ajuizados após o trabalhador deixar o emprego, fazendo com que casos de uma eleição apareçam no ano seguinte. Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos de assédio eleitoral no país. Os dados estão no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a instituição de mecanismos específicos para identificação desses casos. ➡️ O número de denúncias é muito maior que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até agora, foram 74 — mas a campanha eleitoral acabou de começar. É nesse conjunto de casos que o TST buscou entender como o assédio eleitoral acontece na prática. O tribunal fez uma pesquisa qualitativa com 138 processos de todas as regiões do país, selecionados em uma amostra estatisticamente válida. Terror psicológico é a forma mais comum A modalidade mais recorrente identificada nos processos foi o chamado terror psicológico, presente em 81,9% dos casos analisados. 🔎 Trata-se da disseminação de narrativas alarmistas sobre possíveis resultados eleitorais. Entre os exemplos estão mensagens associando a vitória de determinado candidato ao fechamento de empresas, perda de empregos, redução salarial, crise econômica ou colapso social. O ambiente digital também é um dos principais meios de execução do assédio eleitoral. Ferramentas virtuais estiveram presentes em 67,4% dos processos analisados. A pesquisa identificou práticas como: criação de grupos de WhatsApp para propaganda política; envio obrigatório de conteúdos eleitorais; exigência para compartilhar mensagens políticas; obrigação de colocar "santinhos" em status pessoais; monitoramento das redes sociais dos trabalhadores; fiscalização do posicionamento político dos empregados. Segundo o TST, o WhatsApp aparece como a principal ferramenta tecnológica utilizada nas práticas de assédio eleitoral. Ameaças econômicas Outro mecanismo recorrente identificado pela pesquisa foi a pressão econômica. Ela esteve presente em 61,6% dos processos analisados e inclui situações como: ameaças de demissão; ameaças ligadas ao salário; perda de função ou benefícios; promessas de vantagens financeiras; oferta de prêmios e recompensas associadas a posicionamentos políticos. O estudo aponta ainda que o assédio eleitoral raramente se restringe à conduta isolada de um chefe. Em 92% dos processos analisados, foram encontradas características de assédio institucional, quando a pressão política está associada à própria estrutura ou cultura organizacional da empresa. Nesses casos, a pesquisa identificou o envolvimento da alta administração nas práticas de assédio, além do uso de canais corporativos para propaganda político-partidária. Também foram relatadas reuniões internas com conteúdo eleitoral, orientações de como se manifestar e convocações de funcionários para atividades de campanha, como carreatas e panfletagens. Em parte dos casos, houve ainda a utilização da jornada de trabalho para atividades relacionadas às eleições. Segundo o TST, a maior parte das ações está concentrada em cinco estados. São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina respondem juntos por cerca de 56,3% dos processos registrados. A maioria absoluta dos processos foi apresentada pelos próprios trabalhadores. Dos 738 casos registrados, 644 foram ajuizados por pessoas físicas. Justiça reforçou monitoramento O assédio eleitoral passou a ter identificação própria no sistema da Justiça do Trabalho em 2023, após a edição da Resolução CSJT nº 355. Hoje, o tema conta com: classificação específica no Processo Judicial Eletrônico (PJe); monitoramento nacional permanente; painel estatístico atualizado periodicamente; identificação territorial dos casos; acompanhamento por atividade econômica; monitoramento em tempo real em primeiro, segundo e terceiro graus. Em julho deste ano, a regra foi atualizada. Juízes que identificarem indícios de assédio eleitoral devem comunicar imediatamente o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho. Desde 1º de agosto, a Justiça do Trabalho também mantém plantão para analisar medidas urgentes relacionadas a denúncias de assédio eleitoral, como ameaças. O que a Justiça pode determinar Além de indenizações, a Justiça do Trabalho pode determinar medidas para interromper o assédio eleitoral, como retirar conteúdos irregulares, divulgar comunicados, promover campanhas e treinamentos, criar canais de denúncia e programas de prevenção. Também pode proibir o monitoramento de posicionamentos políticos dos trabalhadores ou o uso da estrutura da empresa para propaganda eleitoral. O descumprimento pode resultar em multas diárias e indenizações por danos morais individuais e coletivos. Urna eletrônica para votação nas eleições brasileiras Marcelo Camargo/Agência Brasil

Empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Reprodução/Unsplash Os empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo em ritmo mais acelerado fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil, embora o mercado continue fortemente concentrado em São Paulo. É o que mostra um levantamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), antecipado ao g1 com exclusividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o estudo, o Brasil tem cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações de TIC. Desse total, cerca de 252 mil postos de trabalho estão concentrados na função de analista de desenvolvimento de sistemas, com salário médio de R$ 8,3 mil. Já entre as ocupações mais bem remuneradas, diretor de serviços de informática lidera o ranking, com média salarial de R$ 40,5 mil por mês. (veja os rankings abaixo) Agora no g1 Entre 2023 e 2025, o número de empregos na área cresceu 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. As taxas ficaram acima das registradas no Sul (3,1%) e no Sudeste (2%). Apesar do avanço de outras regiões, o Sudeste ainda reúne 62,5% dos empregos formais de TIC do país, com 588,9 mil trabalhadores e salário médio de R$ 6.802. O Sul aparece em segundo lugar, com 17,5% dos postos. Segundo a Brasscom, o avanço de polos de tecnologia em outras partes do país está relacionado à transformação digital e à maior demanda por profissionais da área. “Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da Brasscom. São Paulo concentra quase metade dos empregos Mesmo com o movimento de expansão regional, São Paulo sozinho concentra 44,7% dos empregos formais em TIC do Brasil. São 420.996 trabalhadores, com salário médio de R$ 7.321. Minas Gerais aparece na segunda colocação, com 83.854 empregos (8,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná completam a lista dos seis estados com maior número de profissionais. Veja o ranking: Ranking regional dos empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) Estados com mais empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) No recorte regional, o Nordeste soma 89.643 empregos formais, com salário médio de R$ 3.950. Já o Centro-Oeste tem 62.782 trabalhadores e remuneração média de R$ 4.855. No Distrito Federal, a média chega a R$ 6.622. O Norte, apesar de ter registrado o maior crescimento percentual entre 2023 e 2025, ainda possui o menor contingente e a menor remuneração entre as cinco regiões: são 36.079 empregos e salário médio de R$ 2.715. Analista de desenvolvimento de sistemas lidera em empregos Entre as ocupações analisadas pelo levantamento, analista de desenvolvimento de sistemas é a que reúne mais trabalhadores. Segundo a tabela de dezembro de 2025, são 252.346 empregos formais, com salário médio de R$ 8.335,81. Na outra ponta, entre as dez ocupações com mais empregos, operador de computador (inclusive microcomputador) apresenta a menor remuneração média, de R$ 2.120,21. Já o técnico de apoio ao usuário de informática, conhecido como profissional de helpdesk, recebe em média R$ 2.333,70. Apesar da remuneração mais baixa, o helpdesk foi a ocupação que apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos, segundo a Brasscom. Veja as 10 ocupações de TIC com mais empregos formais: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com mais empregos formais no Brasil Salários chegam a R$ 40,5 mil No recorte por remuneração, os maiores salários estão concentrados principalmente em cargos de liderança e funções de alta especialização. Diretor de serviços de informática lidera o ranking, com salário médio de R$ 40.543,46 por mês, praticamente o dobro dos R$ 20.986,82 pagos, em média, aos gerentes de segurança de tecnologia da informação, que aparecem na segunda posição. A lista também inclui gerentes, arquitetos, pesquisadores e engenheiros. Entre as dez ocupações mais bem remuneradas, todas têm salários médios acima de R$ 13,7 mil. Confira as 10 ocupações de TIC com os maiores salários médios: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com os maiores salários médios O levantamento considera apenas trabalhadores com vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em ocupações típicas de TIC, como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura e cientistas de dados. Por isso, os cerca de 943 mil trabalhadores contabilizados não representam todos os funcionários de empresas do setor de tecnologia. Profissionais de áreas como vendas, logística, jurídico e administração, mesmo quando contratados por essas empresas, não entram nesse recorte. Um levantamento setorial mais amplo da Brasscom, que inclui essas funções, contabiliza cerca de 2,1 milhões de empregos. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia

Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados Pexels O chefe grita, expõe funcionários, faz cobranças excessivas e cria um clima de medo na equipe. Mesmo assim, continua sendo elogiado pela empresa porque entrega resultados. Essa é uma percepção compartilhada por muitos trabalhadores brasileiros. Uma pesquisa da consultoria CLA Brasil, divulgada com exclusividade ao g1, mostra que 72,7% dos profissionais acreditam que lideranças adotam comportamentos inadequados sob a justificativa da alta performance. Outros 71,8% afirmam que abusos são tratados como algo normal diante da pressão por resultados. Os números sugerem que, para muitos trabalhadores, o desempenho ainda pesa mais do que a forma como as pessoas são tratadas. O estudo ouviu 303 profissionais por meio de participação espontânea. "Existe um problema cultural quando a organização começa a enxergar o resultado como uma espécie de salvo-conduto para o comportamento. É a lógica de que 'ele pode ser difícil, mas entrega'. O problema é que resultado não neutraliza conduta inadequada", afirma Mariana Rodrigues, especialista em investigações corporativas comportamentais. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho Segundo ela, em algumas empresas, gestores que batem metas acabam ganhando influência e passam a ser vistos como profissionais difíceis de substituir. "Para algumas pessoas, a regra fica mais flexível. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, os funcionários percebem essa diferença de tratamento", diz. Quando o abuso vira parte da cultura Gritos, humilhações públicas, ironias frequentes, exposição de erros diante da equipe e cobranças exageradas estão entre os comportamentos que podem acabar sendo tolerados quando o gestor é visto como um profissional de sucesso. Para Mariana, o problema nem sempre está apenas em um chefe específico. Ela explica que, em algumas empresas, a pressão excessiva vem dos níveis mais altos e acaba sendo reproduzida por toda a cadeia de liderança. "Quem não se adapta a esse modelo muitas vezes sai. Quem fica acaba entendendo que é assim que se lidera e repassa esse comportamento para a própria equipe", afirma. O preço da alta performance Apesar dos resultados aparecerem no curto prazo, o custo costuma chegar depois. A pesquisa mostra que 87,8% dos entrevistados acreditam que pessoas pedem demissão ou deixam equipes porque não suportam a forma como são tratadas pelos gestores. Segundo Mariana, uma liderança abusiva pode até gerar bons números inicialmente, mas cobra uma conta alta mais adiante. "Uma liderança abusiva pode até produzir resultados no curto prazo, mas tende a gerar custos no médio e longo prazo, como perda de engajamento, aumento do turnover, afastamentos e queda de produtividade", afirma. Ela destaca ainda um efeito menos visível. "Existe ainda um custo menos visível: a perda de confiança. Quando funcionários deixam de se sentir seguros para discordar, pedir ajuda ou apontar problemas, a empresa perde informações importantes. Por isso, uma liderança que entrega resultado destruindo o ambiente ao redor pode estar criando uma falsa eficiência." O estudo também mostra um outro fenômeno: 94,5% dos entrevistados acreditam que existe medo de retaliação ao reportar situações de assédio. Para quase metade, esse receio é relevante. O levantamento mostra que 71,8% sabem como denunciar um caso, mas isso não significa que se sintam seguros para fazê-lo. Apenas 52,9% afirmam que confiariam em fazer uma denúncia atualmente. Outros 29,4% responderam "talvez" e 17,6% disseram que não confiariam. Para Mariana, a pergunta que passa pela cabeça de quem pensa em denunciar é simples: o que vai acontecer comigo depois? "O funcionário quer saber, antes de falar: 'O que vai acontecer comigo depois?'. Se ele acredita que pode perder oportunidades, ser isolado, prejudicado na carreira ou passar a ser visto como uma pessoa problemática, a existência do canal não será suficiente para gerar confiança". Essa percepção pode ser ainda mais forte quando a denúncia envolve alguém considerado importante para o negócio. "Quando profissionais observam que uma liderança poderosa é denunciada e nada acontece, ou que a consequência para quem reporta é maior do que para quem é acusado, a organização ensina, na prática, que denunciar pode representar um risco." Por isso, a CLA indica que a principal diferença não está na existência de um canal de denúncias, mas na confiança de que a empresa fará alguma coisa. Entre os profissionais que acreditam que a empresa trata adequadamente os relatos, 87,5% afirmam que denunciariam uma situação de assédio. Entre aqueles que não confiam na resposta da organização, esse percentual cai para 12,9%. Para a especialista, é justamente nesses momentos que os funcionários descobrem se as regras realmente valem para todos. "A maior mensagem que uma empresa passa não está no treinamento nem no cartaz da parede. Está na forma como ela reage quando a denúncia envolve alguém importante para o negócio", afirma. A pesquisa mostra que a maioria das empresas já possui ferramentas para lidar com o problema. Segundo os entrevistados, 81,4% trabalham em locais que têm políticas sobre assédio e conduta, e 74,6% afirmam conhecer bem essas regras. Também houve avanço nos treinamentos: 67,5% dizem que suas empresas promovem capacitações sobre o tema. Ainda assim, o levantamento aponta que o principal desafio não é criar novas regras, mas fazer com que os funcionários acreditem que elas realmente serão aplicadas, inclusive quando envolvem os chefes que mais entregam resultados.

Emaranhados de fio dos fones de ouvido são vistos por alguns como um símbolo cultural Moritz Scholz/Getty Images via BBC É sábado à tarde e quase tropecei no primeiro obstáculo: deixei a bateria da minha câmera digital carregando em casa. A última vez que usei esta câmera foi há 15 anos, em uma viagem de férias em família para as Ilhas Canárias. Agora, com a bateria carregada em mãos, vou usar minha câmera digital em um show como um experimento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As tecnologias antigas estão em alta — as redes sociais estão cheias de pessoas falando sobre por que estão voltando a itens básicos, como câmeras digitais, fones de ouvido com fio e tocadores de MP3. As vendas de iPods e Walkman no Reino Unido, através do eBay, aumentaram quase 50% em 2025, segundo informações da plataforma. As buscas por iPod mini na mesma plataforma cresceram 48% no último ano. 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Câmeras digitais - fotos mais nítidas do que as tiradas com celular? Por sorte, estou acompanhada da minha melhor amiga, que adora fotografia. Ela me ajuda a ajustar as configurações da câmera e tira fotos enquanto eu estou ocupada na pista de dança. O simples fato de nos verem sacando a câmera e olhando através do seu minúsculo visor chama a atenção — "Não vejo uma dessas há anos", comenta um homem. Ele tem razão — as câmeras digitais tiveram seu auge no final da década de 1990 e início dos anos 2000, pouco antes dos smartphones decolarem. Atualmente, existem 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo, sendo que mais de um terço deles tem entre 18 e 30 anos e é amplamente influenciado pelas tendências das mídias sociais, de acordo com um relatório de pesquisa de mercado do ano passado. A mesma foto foi tirada com uma câmera digital (esquerda) e com um smartphone (direita) — qual você prefere? BBC Então, por que, quando estamos cercados por tecnologias mais avançadas em 2026, elas parecem estar ressurgindo? Para Lily Redman, uma criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, as câmeras digitais "capturam uma qualidade que meu celular simplesmente não consegue reproduzir". Ela tem usado o celular em saídas noturnas e shows e acha que o flash da câmera "é granulado e tem definição muito alta" em comparação com o resultado final "mais suave" de uma câmera digital. "Acho que as pessoas estão buscando um pouco de autenticidade ou algo que pareça um pouco mais real", diz ela. Lily Redman gosta de sair com sua câmera digital Lily Redman Isso também pode explicar por que fotos com baixa exposição tiradas com iPhones e Androids – onde as pessoas evitam filtros prontos para reduzir artificialmente a exposição e produzir uma imagem mais escura – também estão populares nas redes sociais atualmente. Com as câmeras digitais, que oferecem um elemento surpresa ao conectar o leitor de cartão de memória ao computador em casa, elas capturam um momento no tempo. "Se eu olhar para fotos que minha mãe tirou quando eu tinha dois anos, elas parecem tão antigas, mas quando olho para fotos que tirei há cinco anos, elas parecem ter sido tiradas ontem", diz Redman. "As fotos tiradas com celular distorceram nossa percepção do tempo." MP3 e a lembrança de 'tempos mais simples' Não são apenas as câmeras digitais que estão voltando dos arquivos (ou de um armário empoeirado), mas também os primeiros dispositivos de MP3, como os iPods. Segundo o site de eletrônicos recondicionados Backmarket, os iPods estão "impulsionando a tendência" nas vendas de dispositivos MP3 mais antigos, com um aumento de 48% nas vendas entre 2024 e 2025, e a demanda por tocadores de MP3 e MP4 "deve acelerar ainda mais em 2026". Cheri Sanih, de 30 anos, administra uma conta no Tumblr sobre tecnologia antiga, que, segundo ela, ganhou milhares de seguidores recentemente. Enquanto percorre a biblioteca de músicas em seu iPod verde-menta, repleto de capas de álbuns de 15 a 20 anos atrás, as lembranças da infância de ter recebido um como presente de Natal voltam à tona. O iPod verde-menta de Cheri Sanih é uma relíquia do passado Cheri Sanih via BBC Para ela, tudo se resume à nostalgia de "querer se lembrar de tempos mais simples" e de poder "mergulhar no escapismo". Sanih destaca como seu "celular está sempre recebendo notificações e às vezes eu só quero ouvir música tranquilamente". Ela acha que os iPods voltaram a ser populares por causa do seu "design bonito" e do fato de o reprodutor de música ser "o primeiro dispositivo tecnológico realmente pensado para os humanos, com uma interface de usuário menos confusa". Conectados por cabo — não por Bluetooth E por falar em voltar ao básico, os fones de ouvido com fio seguem fazendo sucesso online. Esses fones de ouvido se tornaram um item essencial no dia a dia de Monique Wellman-Mason, de 23 anos, de Bristol, que se cansou de perder seus fones de ouvido sem fio. "Toda vez que tiro os fones da bolsa, passo dois minutos tentando desembaraçá-los, o que é um pouco chato", brinca ela, "mas ao mesmo tempo adoro que eles tenham microfone e que eu esteja [sempre] conectada ao meu celular". Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio? Ela contou à BBC que o microfone de alta qualidade é útil para o seu trabalho como gestora de redes sociais e que gosta de poder "despertar essa nostalgia". Outro ponto positivo é que os fones de ouvido com fio são "muito baratos", custando cerca de 20 libras (R$ 140). Monique trocou os fones de ouvido sem fio Bluetooth pelos fones de ouvido com fio há alguns meses. "A tecnologia só evolui e estamos sempre buscando a solução mais rápida, mas isso é um passo atrás, de certa forma – e eu adorei", diz ela. Monique Wellman-Mason prefere fones de ouvido com fio aos modelos sem fio mais sofisticados Monique Wellman-Mason via BBC Sejam câmeras digitais, iPods ou fones de ouvido com fio, será que o recente interesse de alguns jovens por aparelhos eletrônicos antigos revela algo mais? Essa questão tem estado na mente de Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano na Universidade de Oxford. Segundo ele, a predileção por tecnologias mais básicas se fundamenta no "desejo profundo das pessoas de controlar suas experiências". Ele afirma que o mundo digital moderno muitas vezes nos deixa paralisados pela indecisão – a incapacidade de escolher devido à grande quantidade de opções. Quando uma nova série é lançada, ele explica, "maratoná-la automaticamente" muitas vezes parece uma decisão imediata. Em contrapartida, quando você decide ligar uma câmera digital e explorar suas configurações ou adicionar um álbum à biblioteca do seu iPod, "você se move em direção a algo que deseja, em vez de ser abordado por algo que vem até você". Andrew diz que "as pessoas querem mais do que simplesmente alugar as coisas [e experiências] pelas quais são apaixonadas" e que comprar sua própria música ou tirar suas próprias fotos cria uma sensação de conexão. Ele menciona a falha nos servidores do Xbox no final de julho, na qual os usuários não conseguiam jogar mesmo que possuíssem os jogos em discos físicos. "Imagine se um livro funcionasse dessa maneira", acrescenta ele. Reportagem adicional de Amy Walker. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Limão nasce deformado, parecendo 'alienígena'; entenda o que causa Os limões da produtora Viviane Marques chamaram a atenção pelo formato incomum: alguns nasceram deformados, parecendo até "alienígenas". Intrigada, ela procurou o Globo Rural para descobrir o que causou o problema. Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o limoeiro foi atacado por ácaros do tipo "ácaro-das-gemas". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nos galhos afetados surgem brotações, e os frutos ficam deformados. Apesar disso, os limões podem ser consumidos. No entanto, podem ter pouco suco. Para combater os ácaros no limoeiro, é possível usar óleo de nim. LEIA TAMBÉM China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção

Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos. Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção. O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida. Secas e enchentes podem gerar prejuízos Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução. Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras. Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção. Pressão sobre a inflação A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia. Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas. Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial. O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução. Um fenômeno global O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta. No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global. As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027. Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados. Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global. Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados Reprodução/TV Globo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.046 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 45 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (18), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (16), ninguém acertou as seis dezenas e o prêmio acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Bolsa Família: veja as regras e dias de pagamentos em agosto de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de agosto do Bolsa Família 2026 nesta terça-feira (18). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para agosto de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/8 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/8 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/8 Final do NIS: 4 - pagamento em 21/8 Final do NIS: 5 - pagamento em 24/8 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/8 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/8 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/8 Final do NIS: 9 - pagamento em 28/8 Final do NIS: 0 - pagamento em 31/8 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

Fachada de unidade do Itaú em São Paulo Reuters/Amanda Perobelli O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (17) que recebeu autorização preliminar para criar um banco com licença nacional nos Estados Unidos, a ser chamado de Itaú Bank. Em comunicado ao mercado, o banco afirmou que a licença foi emitida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão responsável pela supervisão de bancos nos EUA. A empresa destacou que a aprovação é uma etapa importante para o estabelecimento do Itaú Bank, mas "não representa autorização final para o início das suas atividades". "A abertura do Itaú Bank permanecerá sujeita ao cumprimento das condições regulatórias e operacionais aplicáveis, bem como à obtenção das aprovações necessárias junto às demais autoridades competentes", disse o banco. Agora no g1 Entre as autoridades que analisarão o pedido do Itaú, estão o Federal Reserve Board, conselho do órgão americano equivalente ao Banco Central, e a Federal Deposit Insurance Corporation, agência independente responsável por proteger titulares de contas bancárias. Maior banco privado do Brasil, o Itaú opera nos EUA desde 1979 e diz que a criação do Itaú Bank está alinhada à estratégia de "ampliar sua capacidade de atender clientes nos Estados Unidos" e de oferecer "uma oferta mais abrangente de produtos e serviços financeiros naquele mercado".

Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft A rede social X anunciou que, durante o período de campanha eleitoral, deixará de recomendar perfis e postagens de candidatos na aba "Para Você", voltada a conteúdos sugeridos com base nos interesses dos usuários. A plataforma afirmou que a medida passou a valer no último domingo (16), com o início do período oficial de campanha. A Justiça Eleitoral proíbe serviços online de promover contas e publicações de candidatos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Os candidatos oficiais não estão suspensos e seu conteúdo vai permanecer disponível em seus perfis. Essa medida deverá afetar a visibilidade e alcance dos perfis e de seus conteúdos", informou o X na última sexta-feira (14). Em seu comunicado, o X apresentou uma versão atualizada do código do algoritmo que recomenda conteúdo aos usuários. O arquivo agora conta com um filtro para as eleições brasileiras que remove cerca de 600 contas de políticos da aba de sugestões. Agora no g1 A relação do X com as autoridades brasileiras já passou por um de seus momentos mais delicados em 2024, quando a rede chegou a ser suspensa temporariamente no país. Em agosto daquele ano, a empresa anunciou o fechamento de seu escritório no Brasil e alegou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia ameaçado prender sua representante legal no país caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse um novo representante legal. Como a ordem não foi cumprida, o ministro determinou a suspensão do X em todo o território nacional. A medida só foi revertida cerca de 40 dias depois.

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, conduz visita de Lula e Alexandre Silveira à sonda NS-42, na Margem Equatorial Divulgação/Ricardo Stuckert A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A informação foi dada pela presidente da empresa, Magda Chambriard, durante uma coletiva de imprensa em Oiapoque (AP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades do governo. Na última sexta-feira (14), a estatal havia anunciado a identificação de "hidrocarbonetos" no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros. Na ocasião, a Petrobras dizia apenas que esse era um primeiro indício da presença de petróleo ou gás natural na costa amapaense, mas que ainda não era possível confirmar a descoberta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto. Nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer, mas nós aqui desse macacão cor de abóbora estamos extremamente otimistas com o que a gente está encontrando por aqui", disse Chambriard. De acordo com a presidente da Petrobras, a perfuração do poço ainda levará de 15 a 20 dias. Só então será possível estimar o tamanho da reserva de petróleo na região. "Nós temos que delimitar essa descoberta, ou seja, a gente tem que saber quanto é que de petróleo tem de fato nessa área, né?", afirmou. Para dar continuidade à exploração de mais regiões, a Petrobras protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) um pedido de licença ambiental para perfurar três novos poços na Margem Equatorial. A estatal também prevê outras perfurações na região. Em nota, o Ibama informou que o processo de licenciamento ambiental para a perfuração no bloco FZA-M-59 prevê quatro poços: um principal e três contingentes. Segundo o órgão, a Licença de Operação emitida em outubro de 2025 contempla apenas o poço Morpho. A autorização para os demais poços segue em análise das informações complementares apresentadas pela Petrobras em 14 de agosto, consideradas necessárias para a conclusão das avaliações técnicas. (Leia a nota completa mais abaixo) "Nós temos outros cinco [poços para perfurar] e esse esforço exploratório, que é gigantesco, né? É que vai dizer para a gente quanto é de petróleo que a Margem Equatorial, no offshore do Amapá, tem para nos oferecer, né?", disse Chambriard. "Tudo indica que vai ser bom, né? Nós estamos extremamente otimistas", afirmou. Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação Mesma 'emoção' do pré-sal Antes do anúncio, o presidente Lula visitou o navio-sonda responsável pela perfuração em águas profundas. Em seguida, fez um discurso em que contou como recebeu a notícia de que a Petrobras havia encontrado petróleo na Margem Equatorial. "Eu dizia para Magda que, quando ela me comunicou que tinha encontrado óleo, eu senti a mesma sensação e a mesma emoção que eu senti no dia que o Sérgio Gabrielli, em 2007, e o meu querido amigo [Guilherme] Estrella entraram no meu gabinete para anunciar que a Petrobras tinha descoberto o pré-sal", disse Lula. O presidente relembrou que houve resistência dentro do governo à decisão de anunciar a obtenção da licença ambiental para a exploração de petróleo na região. Lula, porém, classificou a descoberta da estatal como uma "conquista do bom senso". "É uma conquista de um governo que acha que a empresa tem que pesquisar e é uma conquista de uma empresa que tem uma diretoria que acha que ela existe porque ela é uma empresa não só de petróleo, mas que tem como ciência a questão do petróleo." "E, quando eu falo o passaporte para o futuro desse país, eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil, porque o país vai continuar sendo o país rei da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável", disse Lula. O presidente também parabenizou Magda Chambriard e disse que valeu a pena "brigar tanto" nas reuniões. "Valeu a pena vocês voltarem a levantar a cabeça da Petrobras", disse. "Porque vocês sabem que, há pouco tempo, na Lava Jato, o objetivo era tentar destruir duas coisas: a Petrobras e as empresas da construção civil nesse país. E tentar também acabar com a possibilidade de eu ser presidente da República." "Cá estou eu, cá está a Petrobras e cá está o povo brasileiro, firme e forte. Porque isso aqui vai ser enriquecido pelo povo brasileiro, vai ser enriquecido para o Amapá." Os próximos passos A fase atual é de avaliação exploratória e busca responder, principalmente, a duas perguntas: Qual é o volume de petróleo existente no reservatório; Se a quantidade encontrada é economicamente viável para produção. Neste momento, a área de engenharia está concentrada em concluir a perfuração do poço — ainda restam 1 mil metros. Segundo a empresa, a operação custa, em média, US$ 1 milhão por dia e já consumiu US$ 300 milhões em investimentos. "Esperamos muitos reservatórios ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor", celebrou a presidente da empresa. Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Ibama aplica multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras por vazamento de fluido na Foz do Amazonas Petrobras recebe aval do Ibama para perfurar poço exploratório na região da Foz do Amazonas Licenças ambientais Em fevereiro desse ano, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após a descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no mar. O incidente ocorreu em 4 de janeiro, apenas 75 dias após a liberação do Ibama para explorar a região. O problema aconteceu na instalação Navio Sonda 42 (NS-42), que operava no mesmo local que agora encontrou petróleo. Na época, a Petrobras informou que interrompeu a perfuração após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho — para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas, e que o vazamento foi contido imediatamente. A substância vazada continha componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático. Com base nesse histórico recente, a diretoria executiva confirmou que as determinações do Ibama estão sendo incorporadas ao novo projeto como parte do processo de licenciamento ambiental. “Estamos fazendo isso com muito respeito ao meio ambiente. [...] Nunca tivemos um único acidente perfurando petróleo na nossa fase exploratória”, afirmou a presidente da Petrobras. Como parte da operação, a estatal utiliza o BOP (blowout preventer, ou preventor de explosão), equipamento instalado no assoalho marinho que funciona como uma barreira de segurança durante a perfuração. O sistema reúne válvulas e sensores capazes de interromper a operação e, se necessário, cortar a coluna de perfuração para isolar o poço. “Isso foi mostrado ao presidente Lula, e ele ficou impressionado com o nível de segurança de um poço que utiliza o BOP”, disse Magda. Além do BOP, a Petrobras destacou o desenvolvimento do Plano de Emergência Individual (PEI), semelhante ao adotado na Bacia de Santos. O plano reúne medidas de resposta para proteger a fauna e a flora da Margem Equatorial em caso de incidente. “Eu gosto de dizer que andamos sempre pelo lado seguro. Assim como fazemos seguro do carro ou da casa, é isso que estamos fazendo aqui. [...] O Plano de Emergência Individual é como um seguro: esperamos que ele nunca precise ser acionado”, afirmou. Leia a nota do Ibama: "O processo de licenciamento ambiental para a perfuração marítima no bloco FZA-M-59 prevê quatro poços, sendo um principal e três contingentes. A Licença de Operação para a perfuração do poço principal, denominado Morpho, foi emitida em outubro de 2025, uma vez que ainda eram necessárias informações específicas para a avaliação dos demais poços. O processo encontra-se em análise das informações complementares solicitadas pelo Instituto, protocoladas pelo empreendedor em 14 de agosto de 2026 (sexta-feira) e que são necessárias para a conclusão das avaliações técnicas."

Agora no g1 A Paramount Skydance pediu nesta segunda-feira (17) a um juiz dos Estados Unidos que obrigue 12 estados que tentam impedir sua compra da Warner Bros. Discovery a depositar uma garantia de US$ 1,88 bilhão (R$ 9,78 bilhões). O valor serviria para cobrir os custos provocados pelo atraso na conclusão do negócio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A empresa terá de pagar US$ 7 milhões (R$ 36,41 milhões) por dia caso a operação, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 572,11 bilhões), não seja concluída até 30 de setembro. A Paramount afirmou que o julgamento do processo movido pelos estados está previsto para março. Até que o julgamento termine e as partes apresentem seus últimos argumentos à Justiça, a empresa estima que terá pago US$ 1,3 bilhão (R$ 6,76 bilhões) aos acionistas da Warner Bros. Discovery em valores relacionados ao atraso — quantia que não poderá ser recuperada. Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia A Casas Bahia trabalha com a expectativa de um cenário econômico mais difícil em 2027 do que neste ano. Segundo o presidente-executivo da varejista, Renato Franklin, o plano de fechamento de quase 300 lojas foi elaborado considerando uma possível piora nas condições de crédito para os consumidores. “Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse o executivo durante uma conferência com analistas, um dia após a companhia se tornar mais uma empresa do setor a pedir recuperação judicial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “O endividamento vai continuar e algumas alavancas que deram fôlego para o consumo este ano vão criar um passivo no futuro, o que pode gerar uma deterioração do cenário de crédito”, acrescentou Franklin. Segundo ele, a Casas Bahia está adotando critérios cada vez mais restritivos para conceder financiamentos aos consumidores. A companhia anunciou, no fim de semana, o pedido de recuperação judicial e o fechamento de cerca de 30% de suas lojas, o equivalente a 298 unidades. Segundo Franklin, os fechamentos foram feitos em uma “onda única”, já considerando uma possível deterioração do mercado no próximo ano e para “não gerar ansiedade por mais ajustes”. O executivo afirmou que, com as medidas, a rede eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”. Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com marketplaces, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis. Durante a conferência, ele disse que os marketplaces são “viabilizadores desse ajuste que estamos fazendo no mercado digital”. No ano passado, a Casas Bahia firmou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line. Analistas do Citi afirmaram, em relatório enviado a clientes, que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia tem impacto marginalmente negativo para o Mercado Livre. Segundo eles, uma alternativa para suprir essa demanda no segmento de eletroeletrônicos poderia ser uma “futura parceria com o Magazine Luiza, que atualmente mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon”. Apesar disso, os analistas avaliam que o Mercado Livre poderá se beneficiar de melhores condições de negociação com fornecedores. Além da Casas Bahia, as Lojas Marabraz anunciaram nesta segunda-feira (17) que também entraram com pedido de recuperação judicial no fim de semana, na Justiça de São Paulo, em meio a dívidas de R$ 140 milhões. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões * Com informações da agência de notícias Reuters. LEIA MAIS EM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Na noite de domingo (16), o grupo Casas Bahia anunciou um pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo. Mas o que isso significa para clientes e trabalhadores? A princípio, o pedido não permite que clientes deixem de pagar parcelas nem retira direitos dos trabalhadores. A empresa afirma que continuará operando normalmente enquanto tenta renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A recuperação judicial é um processo supervisionado pela Justiça que permite à empresa reorganizar suas dívidas para evitar a falência. O processo altera a relação da companhia com os credores, mas não cancela automaticamente contratos de compra nem obrigações trabalhistas. Preciso continuar pagando o carnê? Sim, desde que o produto tenha sido entregue. Segundo Fernando Moreira, especialista em direito do consumidor e professor da FGV, a recuperação judicial não autoriza o consumidor a interromper o pagamento do carnê ou das parcelas. "A recuperação judicial reorganiza as dívidas da empresa; ela não cancela automaticamente os contratos com os consumidores", afirma. Letícia Málaga, especialista em direito empresarial e sócia do Urbano Vitalino Advogados, reforça que deixar de pagar por conta própria pode gerar juros, cobranças e até a negativação do nome. Ou seja, quem recebeu a mercadoria deve continuar pagando nas condições previstas no contrato. E se eu paguei, mas o produto não foi entregue? Nesse caso, o consumidor continua protegido pelo Código de Defesa do Consumidor. Se o prazo de entrega ainda não venceu, a orientação é aguardar a data combinada. O pedido de recuperação judicial, por si só, não significa que as entregas serão interrompidas. A própria Casas Bahia informou que pretende manter suas operações. Se o prazo expirou e a mercadoria não foi entregue, há descumprimento da oferta. Pela lei, o cliente pode escolher entre: Exigir a entrega do produto; Aceitar um item equivalente; Cancelar a compra e pedir a devolução do dinheiro, com correção monetária e, quando cabível, indenização por prejuízos. Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Vou receber meu dinheiro de volta imediatamente? Não necessariamente. Os especialistas fazem uma distinção importante: ter direito ao reembolso não significa receber o dinheiro imediatamente. Segundo Moreira, quando o crédito do consumidor surge antes do pedido de recuperação judicial, ele pode passar a integrar o processo e seguir as regras do plano que será aprovado pela Justiça e pelos credores. Málaga explica que o consumidor mantém o direito de pedir a restituição, mas o prazo e a forma de pagamento podem depender das regras da recuperação judicial. E quem financiou a compra? Alguns consumidores que contrataram um financiamento vinculado à compra do produto têm proteção adicional. De acordo com Fernando Moreira, em determinadas situações o Código de Defesa do Consumidor permite que o cliente também peça a rescisão do financiamento quando a loja não entrega o produto. Por isso, a recomendação não é simplesmente deixar de pagar as parcelas, mas formalizar a contestação e buscar a resolução do contrato, evitando cobranças e eventual negativação indevida. O que acontece com os funcionários da Casas Bahia? Para quem continua empregado, a recuperação judicial não autoriza a empresa a deixar de pagar salários, recolher o FGTS ou cumprir outros direitos trabalhistas. Segundo Jorge Soares, advogado especialista em direito do trabalho e sócio da IW Melcheds Advogados, todas as obrigações trabalhistas que surgirem durante a recuperação judicial devem continuar sendo cumpridas normalmente. Ele também destaca que a empresa não pode reduzir salários nem alterar contratos apenas por ter entrado em recuperação judicial. Qualquer mudança precisa respeitar a legislação e, quando necessário, ser negociada coletivamente. E quem foi demitido? Os trabalhadores demitidos continuam tendo direito às verbas rescisórias, ao FGTS e às indenizações devidas. Se esses valores tiverem origem antes do pedido de recuperação judicial, passam a integrar o processo como créditos trabalhistas — nome dado às dívidas que a empresa tem com seus empregados. Soares orienta que o ex-funcionário verifique se seu nome e o valor devido constam corretamente na relação de credores. Se houver erro ou ausência, poderá ser necessário pedir a inclusão ou a correção ao administrador judicial. Quando o valor ainda está sendo discutido em uma ação trabalhista, o processo continua na Justiça do Trabalho até que a dívida seja reconhecida e calculada. Depois disso, o crédito passa a integrar a recuperação judicial. Os trabalhadores têm prioridade para receber? Sim. Os créditos trabalhistas têm prioridade no pagamento. Isso, porém, não significa que os trabalhadores receberão imediatamente. Em regra, o plano de recuperação judicial não pode prever prazo superior a um ano para quitar esses créditos, contado a partir da decisão que concede a recuperação. Além disso, os salários atrasados dos três meses anteriores ao pedido têm proteção especial: até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador, devem ser pagos em até 30 dias. Mesmo assim, Soares ressalta que ainda é cedo para dizer quando cada funcionário receberá. "Neste início do processo, ainda não é possível afirmar exatamente quando cada trabalhador receberá. Isso dependerá do andamento da recuperação e das condições do plano que vier a ser aprovado", afirma.

'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense Getty Images via BBC "É muito fácil vender histórias assustadoras para os pais. Nós somos um grupo ansioso", diz a psicóloga canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre e adolescentes. Os possíveis efeitos nocivos dessas tecnologias são fonte de preocupação não apenas para pais e mães, mas também para governos ao redor do mundo, muitos dos quais vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovens. No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do Discord. A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma. Agora no g1 A plataforma tem até esta segunda-feira (17/8) para cumprir a determinação. A suspensão vale até que a empresa comprove que adotou medidas eficazes para proteger crianças e adolescentes. Mas Odgers, que é professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos se dedica a estudar a saúde mental de crianças e adolescentes, argumenta que essas reações não são baseadas em evidências científicas. "Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje", diz Odgers à BBC News Brasil. Odgers enfatiza que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por garantir a segurança das plataformas e que é preciso mais regulamentação. No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes sociais e a saúde mental dos jovens, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação. Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras soluções e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Candice Odgers é especialista em psicologia do desenvolvimento e professora da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA Cortesia/Steve Zylius/UC Irvine Odgers não é a única a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes sociais e saúde mental mostram "efeitos pequenos" e "associações fracas", que podem ser "influenciados por uma combinação de experiências boas e ruins". "Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes sociais são universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade é mais complexa", disseram os autores. Mas propostas para restringir o acesso de jovens às redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os possíveis impactos de um ambiente online onde muitas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outras ameaças. Segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos Estados Unidos são a favor de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibição de celulares em sala de aula. No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras. Desde então, diversos países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição. No Brasil, entrou em vigor em março o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que não impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma série de restrições de conteúdo e controles. Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescentes em seus smartphones, ela ressalta que eles são resilientes e destaca os avanços nos últimos 20 anos, como queda nas taxas de violência, consumo de álcool e gravidez na adolescência. "Os adolescentes de hoje são incríveis", diz Odgers no TED Talk, intitulado What we're getting wrong about kids and tech ("O que estamos entendendo errado sobre as crianças e a tecnologia", em tradução livre). Para a psicóloga, que é mãe de dois adolescentes, a maneira de ajudar os jovens é estabelecer expectativas altas e apoiá-los para que consigam alcançá-las. Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista à BBC News Brasil. BBC News Brasil — Nos últimos anos, smartphones e redes sociais vêm sendo citados entre as principais causas para a crise de saúde mental entre crianças e adolescentes. Mas a senhora estuda o tema há 25 anos e diz que não há evidências disso. O que exatamente mostram os estudos? Candice Odgers — Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje. Existem correlações entre o uso mais intenso e problemas de saúde mental, mas não sabemos em qual direção elas vão. Muitas vezes observamos que jovens que [já] enfrentam problemas de saúde mental tendem a passar mais tempo online. Então, encontramos associações mínimas e em direções variadas. Às vezes, as pessoas encontram associações positivas com o tempo passado nas redes sociais, por estarem mais conectadas. Outras vezes, negativas. Mas o ponto principal é que essas associações são muito pequenas. Não é o que você pensaria de início ao acompanhar as manchetes da imprensa ou as discussões sobre o assunto. Se estivermos falando apenas sobre saúde mental de adolescentes e analisarmos todos os principais fatores que comprovadamente preveem sintomas de problemas de saúde mental, as redes sociais frequentemente sequer entram nessa lista. E isso é realmente surpreendente para as pessoas, porque as redes sociais são algo de que todos falam quando o assunto é a saúde mental dos adolescentes. E há uma forte crença de que são o motivo pelo qual os jovens estão enfrentando dificuldades. Mas existem muitos motivos pelos quais os jovens nos dizem [nos estudos que ela conduz] que estão enfrentando problemas de saúde mental. E as redes sociais não estão nessa lista. BBC News Brasil — Quantos estudos a senhora analisou? Todos chegaram à mesma conclusão? Candice Odgers — Esse campo mudou rapidamente, porque as redes evoluíram rapidamente. Os estudos iniciais eram sobre quanto tempo os jovens passavam em frente a qualquer tela, centenas e centenas de estudos e metanálises que examinaram esse material. E o que se constata é que a associação entre tempo de uso de telas e bem-estar explica menos de 1% da variação. Ou seja, 99% das razões pelas quais estão deprimidos se devem a outros fatores nesses modelos. Então isso é minúsculo. Além disso, nesses modelos, não se sabe a direção da causalidade. No caso das redes sociais, [também há] algumas centenas de estudos. E esses estudos algumas vezes encontram uma correlação mínima, como mencionei. Mas assim que se controlam outros fatores, como traumas no início da vida, histórico familiar, saúde mental dos pais, essas associações diminuem e, frequentemente, desaparecem. Não estou dizendo que as redes sociais não têm impactos negativos para algumas pessoas. Existem populações vulneráveis para as quais as redes sociais podem piorar uma situação que já é ruim, assim como estar em qualquer ambiente que as exponha à comparação social ou a conteúdos negativos. E existem, sem dúvida, riscos no ambiente online que precisam ser reduzidos e eliminados para todos nós. É por isso, aliás, que gosto da abordagem do Brasil para essa questão, que foca em aprimorar o design para todos, visando à segurança, em vez de simplesmente excluir os jovens das plataformas e fingir que eles não estão lá. Em resumo, não estou dizendo que não existe associação ou danos, mas o sinal que vemos é muito pequeno, e essa é uma mensagem muito diferente da que estão nos passando. Isso provavelmente significa que simplesmente proibir não será a solução mágica que todos imaginamos. Além de todos os outros problemas que surgiriam ao tentar banir os jovens da internet. BBC News Brasil — Mas defensores de restrições, como o psicólogo Jonathan Haidt, afirmam que muitos estudos misturam todas as plataformas, meninos e meninas, diferentes tipos de problemas de saúde mental. Segundo eles, se o foco for em um recorte mais específico como, por exemplo, a relação entre redes sociais e ansiedade ou depressão em meninas, o sinal é mais forte. Candice Odgers — Uma metanálise especificamente sobre meninas, redes sociais e depressão encontrou uma correlação relativamente pequena. Associações pequenas ainda assim devem receber a nossa atenção. Mas esses estudos não controlam outros fatores que sabemos que influenciam tanto a probabilidade de passar mais tempo online quanto a suscetibilidade à depressão. Portanto, precisamos ter muito cuidado ao avaliar essas pesquisas. Porque, quando investigamos a fundo e fazemos isso de forma rigorosamente controlada, descobrimos que esses efeitos caem para zero ou muito perto de zero. Acho intrigante toda essa ênfase que tem sido colocada nas redes sociais, quando sabemos que os jovens estão crescendo em um mundo cada vez mais instável economicamente, expostos a violência nas escolas, conflitos, pais que enfrentam problemas de saúde mental, incerteza financeira. Ou seja, todos esses fatores complexos com os quais precisam conviver e superar enquanto amadurecem. Tudo isso acaba sendo deixado de lado em favor dessa narrativa simples de que "a culpa é do tempo passado no TikTok". Crise de saúde mental não é só entre os jovens, mas também na população adulta Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora concorda que há uma crise de saúde mental entre os jovens? Se não é causada pelas redes sociais, quais seriam as outras possíveis explicações? Candice Odgers — Eu concordo que há uma crise de saúde mental entre a população adulta nos Estados Unidos, já há algumas décadas. A dimensão é verdadeiramente sem precedentes. E a saúde mental dos responsáveis impacta a saúde mental dos jovens de maneiras extremamente importantes. Estamos vendo cenários bastante diversos ao redor do mundo. A taxa de suicídios entre jovens, por exemplo, não está aumentando na maioria dos países, não é um aumento universal. Quando vemos um aumento, como estamos observando, em termos de sintomas de problemas de saúde mental, há a tendência de procurar uma única explicação e de concentrar toda a nossa atenção nisso. E isso é bastante perigoso quando pensamos em algo tão complexo e influenciado por múltiplos fatores. As causas vão ser muito diferentes para cada grupo de pessoas. Além disso, a população de jovens também está mudando, por meio da imigração, variações geracionais e outros fatores. Então, essa ideia de buscar uma única explicação nunca vai corresponder à realidade. Sempre vai ser uma combinação de vários fatores. Cada país precisa examinar os fatores que estão moldando a saúde mental da sua comunidade e entender qual é o perfil dessa população. Nos Estados Unidos, suicídios entre jovens começaram a crescer depois da Grande Recessão de 2008, e suicídios entre adultos já estavam aumentando antes disso. Os jovens têm relatado preocupação crescente com a segurança na escola. Tivemos um crescimento, por exemplo, nos casos de ataques a tiros em escolas. Tivemos aumento de instabilidade política. Muitos jovens se identificam com grupos marginalizados. Vimos sentimento anti-imigração, o movimento Black Lives Matter, uma sensibilidade à injustiça, tanto nas comunidades locais quanto em nível global. Há muita coisa impactando os jovens. E, obviamente, parte disso eles estão descobrindo por meio das redes sociais, e estão se mobilizando pelas redes e se conectando para buscar mais informações. Então existe também esse aspecto de conscientização, que acho interessante. BBC News Brasil — A senhora costuma dizer que o foco nas redes sociais está sufocando o resto do debate. Que efeitos negativos esse foco pode ter? Candice Odgers — As pessoas me perguntam qual é o mal em simplesmente expulsar os jovens das redes, banir tudo, em colocar a segurança em primeiro lugar, por cautela, já que não sabemos ao certo quais são os impactos. E eu acho que optar pela segurança em primeiro lugar seria válido, desde que isso fosse comunicado como tal. Mas o discurso atual é de que descobrimos a causa central por trás da depressão e da ansiedade [entre os jovens]. Esses são problemas graves de saúde mental, e estamos afirmando que identificamos uma causa principal e que basta desativar [as redes] para que tudo melhore. E isso canaliza muita energia e dinheiro para criar e aplicar essas medidas, desviando o foco de outras necessidades fundamentais para os jovens. Outro ponto é que ao afirmar que vamos proibir o uso, estamos nos iludindo. Estamos vendo na Austrália que 85% dos jovens continuam nas plataformas mesmo após a proibição [segundo pesquisa publicada em junho na revista científica BMJ]. Vimos isso logo no primeiro dia [da proibição na Austrália], quando encerraram todas as contas no YouTube, por exemplo. Isso não tirou os jovens do YouTube, o que fez foi desativar suas contas, que tinham configurações de privacidade, controles parentais, filtros de conteúdos. Os jovens continuaram conseguindo entrar no YouTube, só que na versão para adultos. Então piorou a situação, a experiência acabou piorando para muitas dessas crianças. E também acho que estamos enviando uma mensagem para os jovens sobre seu comportamento, de que são viciados [em redes sociais], que seus cérebros estão destruídos, quando na verdade seu comportamento é absolutamente comum. Eles estão online para consumir cultura jovem e se conectar com os amigos. E sabemos isso porque vemos [nas nossas pesquisas] os dados de seus celulares e recebemos relatórios diários deles sobre o que estão fazendo. E são coisas bem normais de qualquer adolescente. Agora, o que não é normal é ter uma empresa de tecnologia controlando esse ecossistema, com feeds e conteúdos tóxicos, sem ser responsabilizada por garantir a segurança desde a concepção [das plataformas]. Esses são os pontos nos quais precisamos focar. Mas precisamos melhorar isso para todo mundo. Porque se simplesmente dissermos que as crianças não estão nessas plataformas, estaremos mentindo para nós mesmos. E estaremos permitindo que as empresas de tecnologia mintam para nós e digam que os jovens não estão lá. Precisamos corrigir isso e construir um mundo online melhor. Mas precisamos fazer isso para todos nós, incluindo os jovens, que sempre serão os primeiros a adotar com entusiasmo as novas tecnologias, e simplesmente estarão à nossa frente na ocupação desses espaços ou na criação de seus próprios novos ambientes. BBC News Brasil — Se não há evidências de que as redes sociais estão por trás da crise de saúde mental entre os jovens, como essa ideia se tornou tão prevalente? E por que não é rejeitada publicamente por mais especialistas? Candice Odgers — Essa narrativa se tornou tão poderosa. Fizemos uma pesquisa com pais e mães e eleitores na Califórnia e cerca de 80%, fossem democratas, republicanos ou independentes, eram a favor de restringir redes sociais [para jovens]. Portanto, para os políticos, se estão procurando um tema que será vitorioso, é este. Crianças não votam, então não haverá muita oposição. E muitos adultos bem-intencionados acreditam que isso vai melhorar a situação. Existe um argumento perfeitamente razoável de uma abordagem que prioriza a segurança, como mencionei antes, que é o fato de não termos o retrato completo de quais são os efeitos da tecnologia sobre todos esses aspectos do desenvolvimento. Trata-se de uma área da ciência ainda cercada de muitas incertezas, e as histórias que estão nos contando sobre isso são muito diferentes do que vemos na prática. E as grandes empresas de tecnologia não são populares e, por vários bons motivos, acabam se tornando um vilão fácil neste momento. Mas muitas pessoas sabem que essas proibições provavelmente não vão funcionar. O que precisamos considerar é o que vem depois da proibição. O que vamos fazer quando essas proibições não produzirem os ganhos milagrosos que prometem em termos de aprendizagem, saúde mental, redução do tempo passado online? O que vamos fazer, além das proibições, para realmente oferecer apoio aos jovens, tanto fora quanto dentro da internet? Porque esse é um caso em que políticos e outros adultos podem facilmente declarar vitória sem realmente gerar impacto. Acho que é politicamente impopular dizer publicamente que as redes sociais não são responsáveis por toda a crise de saúde mental entre os jovens como tem sido retratado. Porque esse tem sido um enquadramento político muito útil dessa questão, para impulsionar esse tipo de política pública. E a maioria das pessoas não quer se envolver nisso. Você recebe muitos e-mails interessantes, pode sofrer assédio. BBC News Brasil — A senhora sofreu algum tipo de assédio? Já foi alvo de alegações de que estaria trabalhando secretamente para empresas de tecnologia, não é mesmo? Candice Odgers — Um jornalista específico estava convencido de que minha pesquisa era financiada pela Meta, o que não é verdade. Eu estava dizendo que, nos Estados Unidos, as armas de fogo são a principal causa de morte entre as crianças, não as redes sociais. E, de alguma forma, ele achou que, para dizer isso, eu deveria estar na mão das grandes empresas de tecnologia. A Meta não financia minha pesquisa. O governo federal financia, assim como o Canadian Institute for Advanced Research [Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas, ou Cifar, na sigla em inglês] e outras fundações. É um tipo de reação preguiçosa, mas é a resposta imediata que se recebe quando alguém vem a público e diz "espere um pouco, isso realmente não fecha, esse não é o efeito enorme que pensamos que é". E então as pessoas não querem lidar com esse nível de assédio. Outro ponto é que algumas pessoas estão questionando, de maneira compreensível, qual é o problema em colocar essas políticas em prática e ver o que acontece. E eu adoto uma abordagem diferente nesse ponto, porque acho que há um custo enorme em ignorar as causas reais, em enviar aos jovens a mensagem de que seu comportamento é de certa forma viciante e vergonhoso. E acho que essas políticas podem ter o efeito contrário e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Já é bem difícil fazer com que os jovens contem que algo negativo aconteceu online e permitam que você os ajude a lidar com isso, porque têm medo de que você tire o acesso deles à tecnologia. E agora proibimos e tornamos ilegal estar nesses espaços, então nenhum desses jovens vai relatar danos [que tenham sofrido online]. Mas eles vão estar nesses espaços, não vão abandonar o ecossistema digital. E vão surgir novos espaços diferentes. A inteligência artificial está mudando completamente o cenário, as redes sociais vão ser muito diferentes daqui a 18 meses. Então precisamos ser ágeis e trabalhar com os jovens para resolver isso. Quando você ouve as pessoas que estão criando essas leis, fica claro que elas não têm ideia de como as crianças usam a tecnologia ou de como a tecnologia funciona. Idade 'certa' para ter dispositivos varia em cada caso, avalia Odgers Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora diz que, além de riscos, as redes sociais também trazem benefícios para os jovens. Em suas pesquisas, o que eles relatam sobre suas experiências nas redes? Candice Odgers — Muitas pessoas que pertencem a comunidades vulneráveis encontram online uma conexão que não encontrariam fora da internet. Eles buscam apoio social, conectam-se com os amigos, fazem planos, se divertem, criam. Não estou dizendo que tudo é bom, mas certamente não é tudo ruim. Depende de como é usado. Grande parte da questão é como ajudamos nossos jovens e a nós mesmos a ter um envolvimento saudável com as redes sociais e as ferramentas online. Aprender a usar essas ferramentas para o nosso trabalho, nosso lazer, para tudo o que precisamos fazer para alcançar nossos próprios objetivos, em vez de vê-las como essa substância tóxica que está destruindo uma parcela da população. Temos que construir isso juntos. Pais e mães não conseguem resolver isso sozinhos, os jovens não conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas de tecnologia não querem resolver. Então, a pressão sobre as empresas de tecnologia é boa. Eu argumentaria que o Brasil está fazendo a coisa certa ao não expulsar um grupo específico [das redes]. Estão exercendo pressão por meio de políticas cuidadosamente elaboradas para melhorar a experiência online para todos. BBC News Brasil — A senhora costuma observar que muitas crianças que sofrem bullying ou abusos online também enfrentam isso fora da internet. Como é essa relação? Candice Odgers — Trabalho há muito tempo com jovens em situações de bastante vulnerabilidade. E o que as pessoas frequentemente esquecem é que a vasta maioria dos jovens que sofrem abusos são vitimados por alguém que conhecem, em locais onde deveriam estar seguros. Em suas casas, escolas, comunidades, locais onde os adultos estão, e geralmente são adultos que eles conhecem. O perigo vindo de estranhos é algo raro. O outro ponto é que jovens que sofrem abusos ou estão vulneráveis fora da internet têm mais chances de passar por experiências negativas online. E parte disso vem da ausência de adultos de confiança para apoiá-los. Parte pode ser o fato de pesquisarem conteúdos mais perigosos na internet ou compartilharem informações sensíveis. Há uma grande sobreposição. E quando se trata de prever futuros problemas de saúde mental, a vitimização fora da rede é o indicador de maior peso. Quero ressaltar que há casos horríveis de abuso e exploração online. Mas se o nosso objetivo é prevenir que crianças sofram abusos, precisamos focar no que ocorre em seus lares, escolas, famílias, com pessoas de seu convívio, inclusive no contato virtual com quem elas já conhecem. Outro aspecto é que, no caso de jovens vulneráveis no ambiente presencial, é preciso compreender como os recursos online chegam até eles. Canais de apoio via texto, por exemplo, têm extrema importância ao proporcionar uma forma de buscar ajuda. Devemos falar sobre de que maneiras o mundo virtual aumenta os riscos, talvez expondo [as crianças] a contatos indesejados, ou normalizando conteúdos inapropriados para a idade. E também sobre de que maneiras pode proteger ou ajudar, por meio de canais de ajuda via texto, com a integração de serviços de apoio. É esse equilíbrio que precisamos alcançar se quisermos de fato ajudar os jovens, em vez de apenas criar a impressão de que estamos agindo ao proibir as tecnologias. BBC News Brasil — A senhora é mãe de dois adolescentes, e costuma dizer que decisões sobre uso de smartphones e redes sociais devem ser tomadas pela família. Quais são as regras na sua casa? Candice Odgers — Quando os filhos entram na adolescência, fica muito mais difícil manter aquele controle absoluto que os pais querem. É aí que surge grande parte da questão das redes sociais, bem no momento em que os jovens estão começando a explorar o mundo com mais independência e os pais estão ficando muito mais ansiosos em abrir mão desse controle. Vejo muitos paralelos entre ensinar e apoiar as crianças a navegar em espaços online e prepará-las para sair pelo mundo e explorar espaços [físicos], onde também vão se deparar com riscos e complicações e precisar pedir o seu apoio ou desenvolver habilidades para serem bem-sucedidas. Na nossa casa, a questão era se nossos filhos eram responsáveis o suficiente para ter um dispositivo, um celular, e tomamos a decisão de permitir quando estavam no sexto ano. Eles iam a pé para a escola, nós conhecíamos todos os seus amigos. Eles podiam ir para a casa dos amigos após as aulas e nós podíamos nos comunicar com eles. Eles podiam aprender a usá-lo com responsabilidade antes de fazerem a próxima transição, no sétimo ano, para uma escola maior, com pessoas novas, horários novos e pressões novas. Mas essa foi simplesmente a decisão na nossa família. Não é que eu, como psicóloga do desenvolvimento, esteja dizendo que todas as crianças estão prontas para ter um celular aos 11 anos de idade. A questão é se seus filhos estão prontos, se isso se encaixa com a escola, o ambiente, a rotina deles. A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'

Agência eleva nota de crédito da cidade do Rio para o grau AAA, o mais alto nível, e deixa o Rio à frente de São Paulo O Rio de Janeiro recebeu a nota máxima na escala nacional de crédito da Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo. O RJ1 ouviu especialistas para entender o que, na prática, a nota mudar de AA+ para AAA traz de benefícios para a cidade. A classificação funciona como uma espécie de selo sobre a capacidade do município de honrar suas dívidas e outros compromissos financeiros. Quanto melhor a avaliação, menor é a percepção de risco para quem pretende emprestar dinheiro ou investir em projetos relacionados à cidade. O que significa receber AAA? As agências de risco analisam governos e empresas para estimar a possibilidade de eles cumprirem suas obrigações financeiras. As notas funcionam de maneira semelhante a uma escala: quanto mais alta, menor é considerado o risco de crédito. Na escala nacional da Fitch, AAA é o nível mais elevado. Isso não significa, porém, que o Rio tenha recebido a melhor avaliação possível em uma comparação mundial. A classificação AAA anunciada pela Fitch é nacional, ou seja, compara o risco de crédito do município com o de outros emissores brasileiros. Por que isso pode atrair investimentos? Uma classificação melhor pode aumentar a confiança de bancos, fundos e outros investidores na capacidade de pagamento do município. Segundo o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, isso é especialmente importante para investidores institucionais e estrangeiros que seguem regras sobre o nível de risco dos locais em que podem aplicar recursos. Com uma percepção menor de risco, o município pode encontrar condições mais favoráveis para obter financiamento e se tornar mais atraente para determinados investimentos. E o que muda para o carioca? Não há uma mudança automática ou imediata. Receber AAA não significa que dinheiro novo entrará imediatamente no caixa da prefeitura, nem garante a instalação de empresas ou a criação de empregos. O efeito é indireto: uma situação fiscal considerada mais sólida pode facilitar investimentos e financiamentos e contribuir para um ambiente mais favorável à realização de novos projetos. Se isso se transformar em novos empreendimentos, o resultado pode aparecer na geração de empregos e no aumento da arrecadação municipal. Mais receita também pode ampliar a capacidade de investimento da prefeitura — mas a forma como esses recursos são aplicados depende das decisões do governo municipal. Por que a Fitch melhorou a nota? No relatório, a Fitch afirma que o Rio apresentou nos últimos anos "melhoras consistentes na gestão fiscal", que se traduziram em margens operacionais sólidas e bons indicadores de liquidez. A agência também prevê uma redução gradual da dívida, com os pagamentos tendendo a superar a contratação de novos empréstimos. Ressalvas da agência A Fitch apontou, porém, fragilidades. Entre elas estão a dependência de um número reduzido de contribuintes, a pouca capacidade de aumentar receitas por meio de impostos e a dificuldade de cortar despesas diante de uma eventual queda de arrecadação. Ou seja: o AAA é uma avaliação positiva sobre o risco de crédito do município, mas não significa que as contas da cidade estejam livres de vulnerabilidades. Mais sobre a análise da Fitch A Fitch também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local. Praias de Ipanema e Leblon vistas do Parque Penhasco Dois Irmãos José Raphael Berrêdo / G1

Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Casas Bahia, Marabraz, Americanas, GPA e Marisa estão entre as grandes empresas do varejo brasileiro que enfrentaram crises financeiras nos últimos anos, com impactos que vão de reestruturações e fechamento de lojas a processos de recuperação. (veja mais abaixo) De móveis e eletrodomésticos a alimentos e roupas, os casos são diferentes, mas ajudam a mostrar uma pressão que atravessa o setor: o dinheiro ficou mais caro justamente quando a forma de vender e competir também mudou. 🔎 Juros elevados e crédito caro reduzem o espaço das famílias para parcelar compras e, ao mesmo tempo, encarecem as dívidas e o funcionamento das empresas. 💸 Enquanto isso, marketplaces, comércio eletrônico e concorrência internacional aumentam a disputa por preços e pressionam as margens das empresas, além de exigir investimentos em tecnologia e logística. Nesse cenário, ficam mais vulneráveis as empresas que geram pouco caixa com a própria operação, acumulam estoques, mantêm estruturas físicas caras ou têm dívidas difíceis de pagar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Como a crise atingiu grandes varejistas brasileiras Arte/g1 O primeiro choque: o crédito caro chega ao consumidor Quando a taxa básica de juros está alta, o custo do dinheiro também tende a subir. A Selic, que serve de referência para as demais taxas da economia, está em 14% ao ano. Isso contribui para encarecer o crédito para consumidores e empresas. 🔎 Na prática, os juros tornam as compras parceladas mais caras e podem levar o consumidor a adiar a aquisição de produtos de maior valor. Quanto maior o preço e mais longo o prazo de pagamento, maior tende a ser o custo final. Por isso, categorias como móveis e eletrodomésticos são especialmente sensíveis ao crédito. O Relatório de Economia Bancária (REB), do Banco Central, mostra que as taxas de crédito no Brasil dificultam o parcelamento de compras por períodos mais longos. O impacto é maior entre as famílias de menor renda, que enfrentam juros mais altos e, por isso, têm menos espaço para financiar bens de maior valor. Quando o consumidor adia uma compra, o efeito também chega ao varejista. 📉 A loja vende menos e, se precisar oferecer condições de pagamento mais vantajosas para manter as vendas, pode demorar mais para receber ou ter custos para antecipar esse dinheiro. 📈 Enquanto isso, despesas como salários, aluguel, fornecedores, impostos e juros continuam correndo. Em outras palavras, o problema não é apenas a queda nas vendas. A situação se agrava quando as vendas deixam de gerar caixa suficiente para bancar as despesas do dia a dia. Segundo Bruno Medeiros Durão, especialista em Direito Bancário e Tributário, a diferença está justamente aí. “Muitas empresas olham apenas para o faturamento e esquecem que existe uma diferença enorme entre vender muito e gerar caixa.” Comércio varejo loja Natal RN Inter TV Cabugi/Reprodução Juros altos não atingem todos da mesma forma Ainda assim, os efeitos não são iguais em todo o varejo. Os segmentos que dependem mais de crédito tendem a sentir primeiro a perda de ritmo da economia, enquanto aqueles menos dependentes de financiamento podem ser afetados de outras formas. Essa diferença também é apontada pela Genial Investimentos, que relaciona a desaceleração da economia a uma taxa de juros “significativamente contracionista” e identifica perda de fôlego justamente nos segmentos mais ligados ao crédito. Isso ajuda a explicar por que o mesmo cenário econômico pode ter efeitos tão diferentes sobre as empresas. Uma varejista que depende de vendas parceladas, mantém estoques elevados e tem uma grande rede de lojas, por exemplo, pode enfrentar uma combinação particularmente difícil: consumidores comprando menos, dívidas mais caras e despesas que continuam mesmo quando as vendas caem. 🚨 Nesse cenário, a dívida deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a afetar o funcionamento da própria empresa. O segundo choque: mudou a forma de vender e competir Ao mesmo tempo em que enfrenta o crédito caro, o varejo passa por outra transformação: o consumidor ganhou mais opções para comparar preços e fazer compras. Marketplaces e plataformas digitais aumentaram a concorrência entre vendedores e ampliaram o acesso dos consumidores a produtos nacionais e estrangeiros. ❗ Para competir nesse ambiente, porém, não basta colocar produtos em uma loja virtual. É preciso investir em tecnologia, sistemas de gestão de estoques e estruturas logísticas capazes de fazer os produtos chegarem rapidamente ao consumidor. Segundo o geógrafo Igor Venceslau, no artigo "Digitalização do território brasileiro e comércio eletrônico: os serviços informacionais na divisão territorial do trabalho", o comércio eletrônico exige justamente essa combinação de sistemas de informação, gestão de estoques e estruturas logísticas. Em relatório, analistas do BTG Pactual também destacam a importância de integrar lojas físicas e canais digitais e fortalecer a presença das empresas no ambiente online. Nas Casas Bahia, o canal online, em parceria com o Mercado Livre, foi apontado como uma das principais “alavancas” para o crescimento do negócio. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou o fechamento de 298 unidades, cerca de 29% da rede, como parte da tentativa de reduzir custos e redimensionar a operação. Já o pesquisador Paulo Nassar, em "Cotidiano e memória coletiva no varejo", apresenta um contraponto: durante a crise de confiança da Americanas provocada pela fraude contábil, as vendas digitais caíram muito mais do que as das lojas físicas. Isso sugere que a presença física pode funcionar como um elemento de confiança e resiliência em determinados momentos. A questão, portanto, não é simplesmente ter ou não ter lojas. É manter uma estrutura — física e digital — compatível com o volume de vendas e com a capacidade de gerar caixa para sustentar a operação. Quando a crise exige mudanças na operação A combinação desses fatores ajuda a explicar por que algumas empresas conseguem atravessar períodos de pressão, enquanto outras precisam cortar custos, reduzir operações, renegociar dívidas ou, em casos mais graves, buscar proteção judicial. A recuperação judicial, porém, não acontece de uma hora para outra. “Quando uma empresa chega a uma recuperação judicial, normalmente estamos falando de uma dificuldade que foi se acumulando”, afirma Letícia Rocha Carneiro, advogada tributarista. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Nas Casas Bahia, por exemplo, a crise é associada a juros altos, crédito restrito e aumento dos custos financeiros. O fechamento de lojas faz parte das medidas adotadas pela empresa para reduzir custos e redimensionar a operação. Mas a recuperação judicial, por si só, não torna uma empresa saudável. O processo pode reorganizar as dívidas e dar tempo para a companhia se reestruturar, mas o negócio precisa voltar a gerar caixa suficiente para sustentar a operação. “Recuperação judicial apenas ‘compra tempo’”, afirma Marcos Pelozato, advogado especialista em recuperação judicial. Para ele, o sucesso depende da capacidade de a empresa voltar a gerar caixa de forma sustentável e operar com margens saudáveis. A mesma lógica aparece em outras reestruturações do varejo. O BTG cita Azzas/Hering, Grupo SBF, CVC e Casas Bahia entre as empresas que adotaram medidas como redução de custos, controle de estoques e busca por maior geração de caixa. No fim, as empresas mais vulneráveis são aquelas que precisam fazer essa adaptação enquanto lidam com baixa geração de caixa, estoques elevados, estruturas físicas caras ou dívidas difíceis de administrar. “O pedido de recuperação judicial representa um momento crítico, mas não é uma sentença de morte para a empresa”, resume Letícia. Segundo ela, o que vem depois é a parte mais difícil: mostrar que, com menos dívida e uma operação reorganizada, a empresa ainda tem um negócio capaz de gerar caixa.

Pessoas caminham em frente à B3, a bolsa de valores de São Paulo, em 2023. REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo Os investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da B3 em agosto, considerando os pregões até a última quinta-feira (13), segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria com base em dados da Bolsa. 🔎O cálculo desconsidera os recursos destinados a ofertas iniciais de ações (IPOs), quando uma empresa estreia na Bolsa, e a follow-ons, que são novas ofertas de ações realizadas por companhias já listadas no mercado. O volume já configura a maior saída mensal da série histórica acompanhada pela consultoria desde janeiro de 2022. O resultado supera o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões registrado em maio deste ano, que até então ocupava a primeira posição. Com isso, 2026 passa a reunir as duas maiores retiradas mensais de recursos estrangeiros da série. RJ1 alerta para calendário de pagamento do Bolsa Família em agosto O dado chama atenção porque agosto ainda é um mês parcial. Em apenas nove pregões, a saída já ultrapassou todo o volume registrado em maio, que teve 21 pregões, evidenciando uma aceleração do fluxo de retirada de capital. Dólar sobe e Ibovespa cai com investidores estrangeiros retirando dinheiro do Brasil Entrada líquida mensal de rescursos de investidores estrangeiros na B3 em R$ bilhões, sem aportes em IPOs e Folloe Ons. Estudo exclusivo do Elos Ayta Tudo mudou em apenas alguns meses No primeiro trimestre, os investidores estrangeiros aportaram R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março. Em julho, o saldo também foi positivo, com entrada de R$ 2,56 bilhões. A partir do segundo trimestre, porém, o fluxo mudou de direção. Depois da saída de R$ 13,28 bilhões em maio, junho registrou retirada de R$ 7,79 bilhões, e agosto já acumula um volume ainda maior antes da metade do mês. Segundo a Elos Ayta, o principal ponto de atenção é justamente a velocidade da saída. Como o mês ainda não terminou, não é possível antecipar o saldo definitivo, mas o ritmo observado até agora coloca agosto como o período de maior retirada de capital estrangeiro da B3 desde o início da série histórica da consultoria.

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Um funcionário da Casas Bahia usou as redes sociais para desabafar após ser informado sobre o fechamento da unidade da rede em Ponta Porã (MS). Em um vídeo, Edson Silva relata a emoção de encerrar uma trajetória de 21 anos na empresa e agradece a colegas, gestores e clientes que fizeram parte de sua carreira. No vídeo, Edson afirma que recebeu a notícia durante uma reunião. Segundo ele, o fechamento da loja representa um dos momentos mais difíceis de sua vida profissional. "Hoje o coração tá partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido", disse. No depoimento, o funcionário relembra sua trajetória na empresa e destaca a importância que o emprego teve em sua vida pessoal. Segundo ele, foi com o trabalho nas Casas Bahia que conseguiu sustentar a família e criar os filhos ao longo de mais de duas décadas. "Foi daqui que eu tirei meu sustento, foi daqui que eu criei meus filhos, foi daqui que eu formei minha família", afirmou. Também no Instagram, a ex-funcionária Caroline Lacowictz relembrou sua trajetória de 10 anos na empresa. "Foram 10 anos de história, duas filiais, de 2014 a 2025, de Analista de Crédito a Consultora Administrativa. Uma História construída, onde cresci, amadureci, errei, aceitei, conquistei, e onde conheci pessoas maravilhosas, que levo em meu coração até hoje", diz. Já o paulistano Rodrigo Santana usou um carrossel com fotos dele e de colegas para marcar a despedida da loja. "Hoje encerro um ciclo muito importante na minha trajetória. A Casas Bahia de Osvaldo Cruz encerra suas atividades, e junto com ela ficam muitas histórias, aprendizados, desafios e, principalmente, amizades que levarei comigo", escreveu. "Cada conversa, cada venda, cada desafio e cada momento compartilhado deixou sua marca", completou. LEIA TAMBÉM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, e a Motion Picture Association (MPA), entidade que representa grandes estúdios de Hollywood, assinaram nesta segunda-feira (17) um acordo para reforçar a proteção de direitos autorais em ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram vídeos e imagens. O acordo envolve o Seedance, ferramenta de geração de vídeos, e o Seedream, voltado à criação de imagens. A parceria ocorre meses depois de a MPA questionar a forma como a ByteDance lidava com conteúdos protegidos por direitos autorais nessas ferramentas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em fevereiro, a associação enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance após estúdios de Hollywood demonstrarem preocupação com a possibilidade de as ferramentas produzirem vídeos e imagens com personagens protegidos por direitos autorais e reproduzirem a aparência de celebridades sem autorização. A ByteDance afirmou que as versões mais recentes dos modelos contam com medidas mais rígidas para proteger conteúdos e personagens sujeitos a direitos autorais. As ferramentas são oferecidas em serviços da empresa, como TikTok, CapCut e Dreamina. Segundo a MPA e a ByteDance, as duas partes continuarão trabalhando juntas para desenvolver novas medidas de proteção de conteúdos sujeitos a direitos autorais à medida que a tecnologia de IA avança. Agora no g1

Logo da Nestlé na sede da empresa em Vevey, na Suíça, em 25 de novembro de 2024. REUTERS/Denis Balibouse A Nestlé busca transformar a crescente popularidade dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 de uma ameaça em uma oportunidade de negócio. Para isso, a empresa usa inteligência artificial e ciência nutricional para desenvolver produtos voltados a milhões de consumidores que usam medicamentos como Ozempic e Wegovy. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A rápida adoção dos medicamentos fabricados pela Novo Nordisk e pela Eli Lilly aumentou a preocupação dos investidores de que os remédios, que reduzem o apetite, possam diminuir de forma permanente a demanda por alimentos industrializados, lanches e bebidas. A Nestlé, no entanto, acredita que esses medicamentos também estão criando um novo mercado para produtos voltados a alguns dos efeitos da perda rápida de peso. Agora no g1 O diretor de tecnologia da empresa, Stefan Palzer, disse à Reuters que a Nestlé usa inteligência artificial e outras tecnologias para analisar pesquisas clínicas, identificar combinações de nutrientes e desenvolver produtos específicos para pessoas que utilizam medicamentos à base de GLP-1. "Estamos bem posicionados com o portfólio. É uma grande oportunidade para nossa empresa", disse ele. Materiais de apresentação mostrados à Reuters detalham efeitos associados à perda rápida de peso, como a redução da massa muscular e da gordura facial, frequentemente chamada de "rosto de Ozempic". Os documentos também apontam áreas em que a Nestlé acredita que seus produtos podem ajudar. O mercado de medicamentos à base de GLP-1 é dominado por Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, e por Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk. De acordo com o Boston Consulting Group, cerca de 16 milhões de americanos usam medicamentos dessa classe, número que deve crescer consideravelmente até o fim da década. A estratégia da Nestlé tem sido desenvolver produtos adaptados às necessidades de quem utiliza esses remédios. Para isso, a empresa usa inteligência artificial para acelerar pesquisas, desenvolver alimentos e bebidas e analisar o comportamento dos consumidores. Combate aos efeitos da perda de peso Palzer afirmou que os cientistas da Nestlé estudam as consequências da perda rápida de peso e desenvolvem produtos para ajudar os consumidores a lidar com esses efeitos. A empresa usa ferramentas de inteligência artificial para processar grandes volumes de pesquisas clínicas e identificar combinações de nutrientes que possam contribuir para a manutenção da massa muscular, a hidratação e uma alimentação adequada. A Nestlé também começou a adicionar proteína de colágeno aos produtos da marca Vital Proteins, com o objetivo de atender a preocupações com a saúde da pele, dos cabelos e das unhas durante a perda rápida de peso. "Uma grande parte da perda de peso se deve à perda de massa muscular magra", disse Palzer. "Descobrimos uma combinação de dois micronutrientes que industrializamos e que estimulam o crescimento do tecido muscular. Por um lado, fornecemos proteína; por outro, estimulamos o tecido muscular a se regenerar mais rapidamente." Palzer afirmou ainda que a Nestlé patenteou combinações de ingredientes desenvolvidas para reduzir o apetite de consumidores que apresentam aumento da fome após interromper o tratamento com medicamentos à base de GLP-1. A empresa já lançou produtos específicos para esse público. A divisão americana da Nestlé criou o Boost Advanced Nutrition Shake, que oferece 35 gramas de proteína e promete auxiliar na manutenção da massa muscular durante o emagrecimento. Na Ásia e na Austrália, a empresa lançou uma versão com maior teor de proteína de sua bebida maltada Milo, chamada Milo PRO High Protein. Fabricantes de sorvetes também enfrentam desafios semelhantes e têm apostado em produtos com mais proteína, porções menores e listas de ingredientes mais simples. IA ajuda a criar e testar receitas A inteligência artificial tem um papel cada vez mais importante nesse processo. A Nestlé desenvolveu sistemas internos para analisar pesquisas científicas, simular o comportamento dos consumidores, identificar tendências e ajudar no desenvolvimento de produtos a partir de um banco de dados de aproximadamente 120 mil receitas. Entre essas ferramentas está uma plataforma interna chamada Food Genie. Segundo Palzer, ela ajuda cientistas e desenvolvedores a prever o desempenho das receitas e identificar oportunidades de reformulação dos produtos. "Imagine uma pequena empresa com apenas mil receitas. É muito difícil modelar e prever receitas usando IA", disse ele. "A IA precisa de dados", completa. A Nestlé também testa simulações baseadas em inteligência artificial para prever como os consumidores reagiriam a novos produtos e a alegações relacionadas à saúde antes que eles cheguem às prateleiras. A empresa também usa a tecnologia para monitorar as redes sociais e identificar novas tendências de consumo. "Você percebe a repercussão em torno de certos tópicos e então pode concluir se essa é uma tendência duradoura ou não", disse Palzer. "A inteligência artificial estará cada vez mais presente nesse campo." Nem todos estão convencidos Alguns especialistas em nutrição questionam se produtos desenvolvidos especificamente para usuários de medicamentos para perda de peso oferecem vantagens significativas em relação aos alimentos convencionais. "É muito triste que estejamos sempre recorrendo a novos produtos que são mais caros do que alimentos frescos e integrais que também contêm as mesmas proteínas e nutrientes", disse Amanda Avery, professora associada de nutrição e dietética da Universidade de Nottingham, no centro da Inglaterra. Ela destacou que carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, nozes e outras leguminosas continuam sendo fontes relativamente acessíveis de proteínas e nutrientes. Ainda assim, Avery afirmou que produtos voltados especificamente para usuários de medicamentos à base de GLP-1 provavelmente encontrarão compradores. "Infelizmente, somos bastante influenciados pelo marketing", disse ela. "A Nestlé certamente fez sua pesquisa."

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou nesta segunda-feira (17) que os problemas do Brasil com os Estados Unidos são pontuais, localizados, e afirmou esperar que, depois das eleições de outubro, o fluxo de comércio e o diálogo institucional possam ser normalizados. Durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, ele declarou que o Brasil está sendo punido com sobretaxas a seus produtos enquanto apresenta déficit comercial (mais importa do que exporta) com os norte-americanos. "Não faz nenhum sentido, nenhum sentido", disse. "O que o presidente Lula sempre coloca é o seguinte: o Brasil não se dobra à América do Norte, à Europa ou à Ásia. O Brasil, ele se vê como liderança global que merece respeito que vai fazer o debate sabendo das suas fraquezas e das suas fortalezas", acrescentou Durigan. Brasil aciona Lei da Reciprocidade para responder a tarifas dos EUA Em meados do mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. No processo, o governo Trump afirmou que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram outra sobretaxa sobre 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas variando entre 10% e 12,5%. A decisão, informou os EUA, foi resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Sem 'alinhamento automático' Segundo o ministro Durigan, não há opção de o governo brasileiro fazer um "alinhamento automático" com qualquer país que seja pois o Brasil não quer ter uma "dependência maior a um só país". "Seja porque a gente não vai ficar dizendo que nós vamos fazer tudo que um país da América do Norte quer, não vamos fazer nenhuma coisa nenhuma que vamos achar o nosso caminho em termos de potencialidades", concluiu o ministro. Ele lembrou, também, da parceria existente com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado na América Latina. "É natural que essa parceria aconteça de maneira mais amigável com os Estados Unidos. nos outros países da região, a gente tem uma série de coisas institucionais feitas pela Polícia Federal, pela Receita, que não fazem sentido a gente meter política nessa história e atrapalhar fluxos de informação, de inteligência que já acontecem muito bem", acrescentou. Dario Durigan Washington Costa/MF Juros altos e ajuste fiscal O ministro da Fazenda voltou a afirmar que é preciso realizar ajuste das contas púbicas para permitir uma queda da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, são os juros mais altos do mundo, em ranking da MoneYou. "Isso precisa ser tratado bastante rapidamente para que a gente volte a ter projeto de desenvolvimento, projeto de país em breve. Então eu diria que um controle de gasto obrigatório, de rediscutir a questão das emendas rediscutir, privilégios que existem, seja do ponto de vista de aposentadoria, que eu falo no servidor público, de militar, em especial, penduricalho e super salário", declarou ele. Apesar do aumento de gastos públicos e da disparada de 10 pontos percentuais do PIB na dívida pública na parcial da atual gestão, Durigan afirmou que, em um eventual novo mandato de Lula, o governo "precisa seguir buscando o equilíbrio fiscal" e "resultados positivos" para fiar mais forte em contexto de incertezas globais.

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial A rede de móveis Marabraz protocolou, no último domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa busca reorganizar suas finanças e renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas, segundo confirmação da companhia ao g1. O pedido envolve cinco empresas do grupo: Comercial de Móveis Jordanésia; S.V.C. Jaraguá Comercial; Comercial Móveis das Nações; Comercial Zena Móveis; Monta Móveis Prestadora de Serviços. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e manter as atividades em funcionamento. (entenda mais aqui) Em nota enviada ao g1, a Marabraz afirmou que a decisão foi motivada pela combinação de fatores que afetaram a empresa nos últimos anos. "Diante dos desafios enfrentados pelo setor varejista e com objetivo de preservar a continuidade de suas atividades, a Marabraz ajuizou pedido de recuperação judicial. A medida representa uma decisão responsável para promover a reestruturação da operação, organizar compromissos e criar condições para a continuidade dos negócios", afirmou o diretor da Marabraz, Nasser Fares. Segundo a assessoria da companhia, os principais fatores que levaram ao pedido foram o atual cenário desafiador do varejo brasileiro, a ruptura na estrutura familiar que dava suporte às operações do grupo e a dificuldade de acesso ao crédito. A empresa informou que as lojas continuarão funcionando normalmente durante o processo de recuperação judicial. "A empresa permanece em operação, com lojas abertas, e reafirma seu compromisso com a transparência e com o cumprimento das etapas previstas na legislação", disse a companhia. "O processo terá como prioridades a preservação de empregos e a manutenção das relações construídas ao longo de sua história com clientes, fornecedores e parceiros." Fundada por uma família de origem libanesa que iniciou suas atividades comerciais na década de 1950, a Marabraz tornou-se uma das principais redes de móveis e eletrodomésticos do estado de São Paulo. No comunicado, a empresa afirmou que pretende utilizar a recuperação judicial para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições para retomar o crescimento. "A Marabraz está empenhada em atravessar este período com responsabilidade para preservar sua operação e se fortalecer para um novo ciclo de crescimento, reforçando o valor de sua marca para honrar o legado construído com ética, respeito e confiança", concluiu a companhia. Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões Divulgação

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo, e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Nesta reportagem você vai entender: O que é a recuperação judicial? Quem pode pedir recuperação judicial? Como é feito o pedido de recuperação judicial? Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? Por que uma empresa pede recuperação judicial? O que é a recuperação judicial? A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias e a operação é mantida. A recuperação judicial foi instituída no Brasil em 2005 pela lei 11.101, que substituiu a antiga Lei das Concordatas, de 1945. A diferença entre as duas é que, na recuperação judicial, é exigido que a empresa apresente um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores. Na concordata, era concedido alongamento de prazo ou perdão das dívidas sem a participação dos credores. Voltar ao início. Quem pode pedir recuperação judicial? Empresas privadas de qualquer porte e com mais de dois anos de operação podem recorrer à recuperação judicial. Porém, a lei não vale para estatais e empresas de capital misto, bem como para cooperativas de crédito e planos de saúde. Também não podem pedir recuperação judicial as empresas que já tenham feito outro pedido há menos de cinco anos e as comandadas por empresários que já foram condenados por crime falimentar (relacionados a processos de falência). Voltar ao início. Como é feito o pedido de recuperação judicial? O pedido é feito à Justiça por meio de uma petição inicial que contém, entre outras informações, o balanço financeiro dos últimos três anos, as razões pelas quais entrou em crise financeira, e a lista de credores. Depois que o pedido é aceito, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação, e as execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias. A lei determina que a assembleia de credores aconteça em até 150 dias após o deferimento do processo pela Justiça, mas, na prática, esse prazo costuma ser ultrapassado. Voltar ao início. Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? A recuperação judicial serve para tentar evitar a falência e recuperar a empresa, o que nem sempre acontece. Na falência, a companhia encerra completamente as atividades. Todos os seus ativos são recolhidos pela Justiça e vendidos para o pagamento das dívidas, enquanto na recuperação judicial há uma negociação. Voltar ao início. Por que uma empresa pede recuperação judicial? Em geral, as empresas pedem recuperação judicial quando já estão com dívidas atrasadas e começam a ser cobradas pelos credores. Os motivos que levam uma empresa à crise financeira são diversos. "Pode acontecer de [a companhia] pedir antes de ficar inadimplente, mas usualmente é quando ela vê que não está conseguindo pagar e quer ganhar tempo para conseguir conversar com os credores sem execuções", diz a advogada Clara Azzoni, especialista em recuperação judicial do escritório Felsberg. Voltar ao início. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos Sarah Brito/g1 VÍDEOS: notícias de Economia

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08. Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,49 — queda de 25,76%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%. O que explica a queda? A desvalorização ocorreu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles: aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico; impacto da pandemia sobre as lojas físicas; forte alta dos juros a partir de 2021; aumento do custo das dívidas; queda do consumo das famílias e maior inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras. Plano de reestruturação não foi suficiente Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques. No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa. Mesmo assim, a empresa afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial ao qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas. Empresa virou uma 'penny stock' Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como "penny stocks". 🔎 O termo "penny stock" é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis apresentam forte volatilidade e podem estar associados a empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira. O preço baixo, porém, não significa, por si só, que uma ação esteja "barata". Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam queda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30. A empresa abriu capital na bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, quando passou a adotar o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia na bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira. Recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa. A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, nos EUA e na Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram. Prejuízo bilionário no 2º trimestre Ainda no domingo, a empresa divulgou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar disso, alguns indicadores melhoraram. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas online avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões, de acordo com o balanço da companhia. A empresa também comunicou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que será substituído por Sírley Lima, além das saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração. Calderón permanecerá à frente de comitês internos da companhia. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia informou no último domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Segundo a empresa, o pedido se tornou necessário diante da piora de sua situação financeira, em meio ao cenário de juros elevados no país — que encareceu o crédito e aumentou os custos financeiros — e ao consumo mais fraco, que reduziu sua capacidade de gerar caixa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Essa, no entanto, não foi a primeira tentativa do grupo de reestruturar as finanças e preservar suas operações. Os primeiros sinais da crise surgiram em 2022, quando a empresa começou a registrar sucessivos prejuízos trimestrais, em um cenário que se agravou nos últimos anos. Entenda como começou a crise e o que é o Grupo Casas Bahia Casas Bahia Divulgação/Casas Bahia O que é e como funciona a recuperação judicial? Entenda a crise da Casas Bahia Os primeiros sinais da crise do Grupo Casas Bahia apareceram no terceiro trimestre de 2022, quando a empresa registrou o primeiro de uma série de prejuízos trimestrais. Naquela época, a companhia já havia começado a fechar lojas com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda enfraquecida pelos efeitos da pandemia de Covid-19. No fim daquele ano, em meio ao cenário de alta dos juros iniciado em 2021, a empresa já buscava aumentar a rentabilidade e alcançar um crescimento mais sustentável, com foco na geração de caixa. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação, baseado nesses dois pilares e com previsão de crescimento após 2025. Plano de transformação e recuperação extrajudicial À época, o presidente da Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto (antigo Ponto Frio), Renato Horta Franflin, afirmou que a companhia já havia adotado uma estratégia de crescimento focada nas vendas digitais, além da abertura de novos canais, da expansão de lojas e da aposta em fintechs. "Nós entendemos que isso tudo foi feito. Construímos uma super plataforma, e ela já é grande. Então, entre investir para crescer mais essa plataforma ou pegar e rentabilizar o que tenho aqui, preferimos ganhar dinheiro com o que tem aqui", diz. Ao longo daquele ano, no entanto, mesmo com o fechamento de dezenas de lojas e milhares de postos de trabalho, o cenário continuou desafiador para o varejo brasileiro, diante dos juros elevados, do crédito mais caro e do maior endividamento dos consumidores. Com o Grupo Casas Bahia não foi diferente. Assim, apenas oito meses após o anúncio do plano, o Grupo Casas Bahia deu um novo passo na reestruturação financeira e pediu recuperação extrajudicial para alongar e renegociar dívidas estimadas em R$ 4,1 bilhões. Dívidas alongadas e nova reestruturação financeira A homologação do pedido de recuperação extrajudicial do grupo ocorreu em abril de 2024 e suspendeu, por 180 dias, as execuções movidas por credores contra a empresa. 🔎 O processo é diferente da recuperação judicial, em que a companhia em crise financeira recorre à Justiça para negociar com seus credores. Na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores e, depois, submetida à homologação da Justiça. Em 2025, como parte da transformação de sua estrutura de capital, o grupo conseguiu reduzir a alavancagem — o quanto uma empresa depende de dinheiro emprestado para operar e crescer — e cortar em 75% sua dívida líquida. Situação volta a piorar No primeiro semestre deste ano, no entanto, a situação da empresa voltou a piorar, em meio a uma nova pressão sobre o caixa. Apesar de ter reduzido a dívida líquida em R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, o grupo logo sinalizou a necessidade de reorganizar suas obrigações financeiras. No último domingo (16), a companhia reportou prejuízo líquido de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre deste ano. Também informou que fechou mais de 200 lojas em uma nova etapa do plano de transformação anunciado em 2023, na tentativa de enfrentar o cenário mais desafiador para o varejo brasileiro. Segundo o grupo, essa nova etapa incluiria mudanças na estratégia dos canais digitais, redução de estoques, cortes de custos e despesas, menor necessidade de capital para manter o negócio funcionando e busca por alternativas para reforçar o caixa e reduzir o peso das dívidas. No balanço, a Casas Bahia também afirmou que tentou levantar recursos no Brasil e no exterior para reforçar o caixa, mas parte das negociações não avançou. A desistência de um investidor e a dificuldade para obter novos financiamentos, em um cenário de juros altos, crédito mais restrito e maior incerteza nos mercados, também contribuíram para o pedido de recuperação judicial. Quem faz parte do Grupo? O Grupo Casas Bahia é uma das maiores varejistas do Brasil e controla marcas como Casas Bahia, Ponto, Extra.com.br e a fabricante de móveis Bartira. O grupo também atua nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, como o Casas Bahia Pay. A atual estrutura do grupo começou a ser formada em 2009, quando a rede Casas Bahia foi incorporada à Globex, controladora do Ponto (antigo Pontofrio). Em 2010, a empresa adotou o nome Via Varejo, que passou a ser apenas Via em 2021 e, em 2023, mudou para o nome atual, Grupo Casas Bahia. Nos últimos anos, o grupo também expandiu os canais digitais e investiu em comércio eletrônico, logística, meios de pagamento e serviços financeiros, além de adquirir empresas de tecnologia e ligadas ao ecossistema digital. No segundo trimestre deste ano, a empresa reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões e anunciou novos planos para reduzir o tamanho da operação, concentrar esforços nos negócios mais rentáveis e cortar gastos para gerar mais caixa e equilibrar as contas.

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Indústria se destacou no segundo trimestre deste ano Arquivo-Fiems O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre deste ano. O resultado pelo BC foi calculado após ajuste sazonal — uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes. A comparação foi feita com o primeiro trimestre de 2026. O dado divulgado pelo Banco Central mostra forte desaceleração da economia. Isso porque, no primeiro trimestre de 2026, o IBC-BR teve uma expansão bem maior: de 1,3%. O crescimento do IBC-Br no 2º trimestre deste ano foi o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025 — quando foi registrada uma retração de 0,5%. Por setores, foi registrada expansão em agropecuária e indústria no segundo trimestre, e retração em serviços. Agropecuária: + 0,3% Indústria: + 0,5% Serviços: - 0,1% Agora no g1 O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Já o IBC-Br tem um cálculo diferente, com um conjunto mais restrito de informações (veja mais abaixo nessa reportagem). O resultado oficial do PIB no segundo semestre deste ano, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 1º de setembro. 🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. 🔎Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social. Ano eleitoral Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população. A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias. ▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 2% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado. No cálculo do PIB, construção civil é um dos segmentos levados em consideração. Jornal Nacional/ Reprodução Mês de junho De acordo com o Banco Central, em junho deste ano, na comparação com o mês anterior, o IBC-Br registrou uma queda de 0,6%. Com isso, houve piora na comparação com fevereiro, quando o indicador apresentou estabilidade. Essa também foi a primeira queda em três meses. Na comparação com junho de 2025, a chamada prévia do PIB do BC teve alta de 2% (sem ajuste sazonal). Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,5% na comparação com os três primeiros meses de 2025. E, em 12 meses até junho, a expansão também foi de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. PIB X IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (17), com um recuo de 0,36%, cotado a R$ 5,2006. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,09%, aos 166.784 pontos, na décima queda consecutiva. O mercado segue em um ambiente de cautela diante das incertezas eleitorais e do cenário fiscal. A nova pesquisa Quaest reforçou a liderança de Lula, enquanto o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia colocou o varejo brasileiro no radar dos investidores. No exterior, as tensões no Oriente Médio também pressionam os mercados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova pesquisa eleitoral da Quaest, divulgada na última sexta-feira (14), está entre os destaques da sessão. As sondagens apontaram novamente para uma liderança do presidente Lula (PT), elevando as as preocupações com o rumo das contas públicas. Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que os planos dos candidatos para os gastos do governo e para a condução da economia ganhem cada vez mais espaço nas decisões de investimento. ▶️ Já no ambiente corporativo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira, fazendo com que investidores olhem com cuidado para o varejo brasileiro. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Esse ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos. ▶️Na agenda de indicadores, investidores avaliaram novos dados de inflação no Brasil e a nova edição do Boletim Focus, do Banco Central. O IGP-10 registrou queda de 0,51% neste mês, após recuar 1,13% em julho. Já no Focus, o mercado manteve as projeções pra inflação, PIB, câmbio e Selic para este ano. ▶️ No exterior, as tensões no Oriente Médio seguiram no radar. Nesta segunda-feira (17), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o país "se intrometa" no Estreito de Ormuz. Já no final de semana, o Irã anunciou uma recompensa de US$ 30 mil (R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares americanos e entregá-los às autoridades iranianas. Em meio às tensões, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 2,65%, cotado a US$ 90,87 , enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 2,55%, a US$ 84,50. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,36%; Acumulado do mês: +2,58%; Acumulado do ano: --5,25%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. Pesquisa eleitoral: Lula segue na liderança A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na sexta-feira (14), apontou, mais uma vez, para a liderança do presidente Lula na corrida presidencial. Segundo o levantamento, enquanto o petista aparece com 38% das intenções de voto no 1º turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%. A terceira posição fica com Renan Santos (Missão), com 4%. O cenário eleitoral volta a levantar preocupações no mercado financeiro sobre a situação da dívida pública, tema frequentemente comentado como ponto de atenção para o futuro da economia e dos juros. Atenção para o varejo brasileiro O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Essa não foi a primeira vez que a Casas Bahia busca reorganizar sua situação financeira. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. A Casas Bahia também não foi a primeira varejista brasileira a demonstrar problemas. O grupo Toky, por exemplo, dona da Tok&Stok e da Mobly, que registrou um prejuízo de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre deste ano, já havia entrado com pedido de recuperação judicial em maio deste ano. Entre outras empresas com dificuldade nas contas, enquanto a Magazine Luiza apresentou um prejuízo de mais de R$ 50 milhões no segundo trimestre deste ano, a Americanas quase triplicou as perdas no período, para R$ 274 milhões. As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia. Com a notícia de recuperação judicial da Casas Bahia, os papéis da companhia caíam mais de 30% no Ibovespa, contaminando outros papéis de varejo do índice. Perto das 15h45, a Lojas Renner recuava 1,07%, Raia Drogasil perdia 1,31% e C&A tinha queda de 1,88%. Magazine Luiza, umas das principais rivais do grupo, ia na contramão e figurava entre os destaques da sessão, com alta de mais de 7% no mesmo horário. Tensões no Oriente Médio seguem no radar As tensões no Oriente Médio também seguem na mira dos mercados financeiros, conforme investidores avaliam eventuais riscos à oferta global de petróleo. Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News. "Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total", disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV. ➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita. Na entrevista, ainda de acordo com a Fox, Trump revelou ter um "canal secreto" de negociações para o fim da guerra com a Guarda Revolucionária do Irã. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Já o Irã, por sua vez, anunciou uma recompensa equivalente a US$ 30 mil dólares (cerca de R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares dos Estados Unidos e entregá-los às autoridades iranianas. Segundo relatos da imprensa iraniana, o valor será dobrado no caso de mulheres que participem da ação. As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices americanos caíram, conforme investidores avaliavam o cenário de tensões no Oriente Médio. O S&P 500 perdeu 0,51%, fechando em 7.746,21 pontos, enquanto o Nasdaq Composite caiu 0,31%, para 26.652,29 pontos. O Dow Jones recuou 0,49%, para 53.469,20 pontos. Na Europa, a maioria das bolsas locais fechou em queda, conforme o rali impulsionado por balanços corporativos perdeu força e o impasse contínuo entre os EUA e o Irã reduziu o apetite por risco. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,22%, aos 656,41 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 0,38%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,66% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,28%. Na Ásia, as ações chinesas registraram alta nesta segunda-feira (17), impulsionadas pelos setores de tecnologia, com as fabricantes de chips apresentando forte avanço graças aos sólidos resultados financeiros. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 1,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 1,4%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,34% e o Nikkei,, do Japão, teve ganhos de 0,74%. O Kospi, da Coreia do Sul, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Rick Wilking/Reuters

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou na madrugada de sábado (15) prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, a perda havia sido de R$ 88,9 milhões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o balanço da companhia, que está em recuperação judicial, a receita líquida caiu 37,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 207,1 milhões. O resultado operacional também piorou. O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de despesas financeiras e tributos, ficou negativo em R$ 156,2 milhões. Um ano antes, o resultado havia sido positivo em R$ 19,4 milhões. As vendas brutas, medidas pelo chamado GMV (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias vendidas), somaram R$ 295,2 milhões, queda de quase 32% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Em maio, o Grupo Toky anunciou que havia entrado com pedido de recuperação judicial, citando dívidas superiores a R$ 1 bilhão. 🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente. Segundo a empresa, a decisão foi tomada diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito. De acordo com o grupo, esse cenário reduziu as vendas e pressionou o caixa da companhia. O Grupo Toky também afirmou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou aumentando. "Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a empresa, o pedido busca preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as dívidas. O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e corre sob segredo de justiça. Ainda em maio, um dia após anunciar o pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky promoveu mudanças em sua diretoria executiva. Victor Pereira Noda deixou a presidência, que passou a ser ocupada por André Ferreira Peixoto. Também houve alterações nas diretorias financeira e de operações. Os três executivos substituídos, que estão entre os fundadores da companhia, permaneceram no conselho de administração. Segundo o grupo, as mudanças não alteram a estratégia de longo prazo nem os compromissos assumidos pela empresa. "A transição ora comunicada não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado, ou na condução dos negócios da companhia", afirmou o grupo. O que é o Grupo Toky e como ele surgiu Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP Reprodução/Tok&Stok O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas das marcas mais conhecidas do setor de móveis e decoração do país. A fusão deu origem a um dos maiores grupos de casa e decoração da América Latina, reunindo operações físicas e digitais. A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco na venda online de móveis e itens de decoração. A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu suas operações para o varejo físico. Atualmente, conta com 11 lojas entre megastores, outlets e unidades compactas. Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos e acessíveis, acompanhando a expansão da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país. O grupo também controla a Guldi, marca especializada na venda de colchões. *Com informações da agência de notícias Reuters

Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram Getty Images via BBC Nos últimos anos, a Meta vem sofrendo sucessivas derrotas nos tribunais devido à forma como suas plataformas — Facebook e Instagram — afetam usuários jovens. Mas um julgamento marcado para começar na terça-feira (18/08) pode representar a maior ameaça até agora às suas operações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O julgamento decorre de um processo judicial instaurado em 2023 por 30 Estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, com acusações de inúmeras violações das leis federais e estaduais de privacidade infantil. Os Estados não só estão buscando mais de US$ 1 trilhão da Meta, como também exigem que ela faça mudanças no Instagram e no Facebook, incluindo o fim da contagem de "curtidas" e da rolagem infinita. Caso a Meta seja derrotada em um processo dessa magnitude, isso poderá forçar mudanças fundamentais na forma como os jovens interagem com as redes sociais. Agora no g1 Os Estados que processam a Meta estão pedindo diversas mudanças na forma como o Instagram e o Facebook funcionam para os jovens. Eles querem que a Meta: implemente um processo de verificação parental para usuários adolescentes; altere seus "algoritmos de recomendação que manipulam a dopamina"; remova diversos filtros de imagem que alteram a aparência nas fotos; encerre a reprodução automática do conteúdo de vídeo; proíba a criação de múltiplas contas; acabe com as publicações rápidas ou que desaparecem, como os Stories do Instagram. Todas essas funcionalidades são essenciais para a experiência atual do usuário nas plataformas da Meta. Esses recursos também são projetados para manter os usuários, incluindo adolescentes e crianças, nas plataformas com a maior frequência e pelo maior tempo possível, argumentam os Estados. Eles alegam que a Meta chega a dificultar que os jovens usem menos a plataforma, por meio de recursos como notificações frequentes criadas para incentivá-los a voltar aos aplicativos. Ao supostamente visar usuários menores de idade, o processo afirma que a Meta "optou por explorar" jovens para aumentar sua base de usuários e expandir seus negócios. Hoje, o valor da Meta na bolsa de valores é de cerca de US$ 1,5 trilhão. A Meta tem negado consistentemente todas essas alegações. "Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as evidências demonstrarão nosso compromisso de longa data com o apoio aos jovens", disse uma porta-voz da Meta em comunicado. O processo será conduzido por Yvonne Gonzalez Rogers, juíza federal chefe na Califórnia. Ela foi a juíza no julgamento de grande repercussão entre Elon Musk e Sam Altman e construiu uma reputação, ao longo de quase 20 anos de carreira, por ser incisiva e direta. 'Incômodo público' Em uma decisão recente contra a Meta, um juiz do Estado do Novo México multou a empresa em um total de US$ 942 milhões e ordenou que ela fizesse mudanças semelhantes às que outros Estados agora exigem. As mudanças determinadas pelo juiz Bryan Biedscheid incluem a eliminação da contagem de curtidas para usuários menores de 18 anos no Instagram e no Facebook, a proibição de adolescentes enviarem ou receberem nudez pelas plataformas e a limitação das notificações push dos aplicativos a determinados horários do dia. O juiz também declarou a Meta uma "perturbação pública" semelhante a uma fábrica que polui o ar que as pessoas respiram, causando "efeitos nocivos" que afetam toda uma população. A Meta afirmou que recorrerá da decisão. Embora a ordem do juiz Biedscheid exija que a Meta faça alterações apenas no Novo México, caso os 30 Estados vençam o processo contra a Meta, a empresa quase certamente precisará implementar mudanças na plataforma em todos os EUA. Os Estados envolvidos no processo representam quase dois terços da população do país. Uma decisão recente de um tribunal federal concluiu que as redes sociais são um fator que contribui para a deterioração da saúde mental entre os jovens Reuters via BBC A contagem de "curtidas", por exemplo, faz parte do Meta desde os seus primórdios, quando ainda se chamava Facebook. Hoje em dia, as curtidas são onipresentes nas plataformas de mídia social. É a principal forma pela qual as pessoas interagem com textos, fotos e vídeos que veem online. No entanto, as curtidas são cada vez mais vistas como uma forma de fomentar sentimentos negativos, principalmente entre os jovens. Kaley, uma jovem que venceu o processo contra a Meta no início deste ano, descreveu em depoimento judicial como criou dezenas de contas no YouTube e no Instagram. Ela usava o sistema de contas para gerar curtidas em suas próprias publicações, na esperança de aumentar o engajamento com outros usuários e, ao mesmo tempo, aumentar seus sentimentos de validação e autoestima. Kaley tinha apenas nove anos na época. Ela disse que se lembrava de se sentir deprimida, algo que lhe foi diagnosticado posteriormente, aos 10 anos. Pesquisas realizadas nos últimos anos têm demonstrado que métricas de engajamento, como o número de curtidas, podem gerar sentimentos de rejeição e depressão em adolescentes. No processo movido pelos Estados contra a Meta, no qual a empresa afirma ter entregado mais de 2 milhões de documentos, os advogados apontaram para a própria pesquisa da Meta, que demonstrava que contagens semelhantes impulsionavam a "comparação social", ou seja, o ato mental de avaliar a própria autoestima em relação às imagens de outra pessoa. Essa comparação social impulsionada pelo Instagram foi associada a "aumento da solidão, piora da imagem corporal e humor ou afeto negativo", de acordo com uma pesquisa interna da Meta. Conforme afirmou o juiz Biedscheid, a forma como as plataformas da Meta operaram por mais de uma década fez parte de uma crescente "crise de saúde mental entre jovens" no Novo México e em outros lugares. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite deste domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções significativas para os consumidores. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial marca o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação voltado à redução de custos, ao aumento da eficiência operacional e ao fortalecimento da geração de caixa. Na primeira etapa, a empresa fechou 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano e reduziu aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, por meio da qual renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa avaliava que a renegociação, aliada à expectativa de queda dos juros e de retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto deste ano, já durante a segunda fase do plano de transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. O que levou ao pedido Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que o pedido foi motivado pelo agravamento do cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa. Além disso, a empresa informou que não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas essenciais para reforçar o dinheiro em caixa. No balanço divulgado antes do pedido de recuperação judicial, a companhia revelou que, entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, realizou reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em busca de novas fontes de financiamento, incluindo uma possível oferta de ações. Também negociava uma operação de grande porte com investidores internacionais, considerada estratégica para seu planejamento financeiro. Segundo a empresa, a operação acabou não sendo concluída após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas de liquidez, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não avançaram. "Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações", afirmou a empresa. Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda. ASAP Log Ltda. CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda. Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. Globex Administração e Serviços Ltda. Cnova Comércio Eletrônico S.A. Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. Casas Bahia Tecnologia Ltda. Indústria de Móveis Bartira Ltda. Prejuízo bilionário antecedeu o pedido Também no domingo, a Casas Bahia divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Segundo a empresa, R$ 9,1 bilhões desse total são referentes a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação, sem impacto imediato no caixa. 🔎 Entre esses ajustes estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar no futuro, a constituição de provisões para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação de ativos, como lojas e outros bens, além de despesas relacionadas ao processo de reestruturação da companhia. Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões. A companhia também informou que aumentou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e ampliou o prazo de vencimento da maior parte de seus financiamentos. Mudanças na direção No mesmo dia em que anunciou o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia também comunicou mudanças na alta administração. O vice-presidente jurídico e tributário, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando serviços de consultoria durante o processo de reestruturação. Para substituí-lo, a empresa nomeou Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY. A empresa também informou a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com as mudanças, Cláudia Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças. Mesmo deixando o Conselho de Administração, Jackson Schneider permanecerá à frente dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1

Psicólogo explica os danos à saúde mental de quem cai em golpe Um levantamento da Kaspersky identificou uma nova campanha de golpes que usa o Desenrola Brasil como isca para atrair pessoas interessadas em renegociar dívidas. A fraude é disseminada principalmente pelas redes sociais e direciona as vítimas para páginas falsas que simulam o processo de negociação do programa. Até o momento, foram identificados mais de 60 domínios registrados com o termo “desenrola”. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os criminosos prometem descontos de até 99% para quitar dívidas, retirar o nome de cadastros de inadimplentes e aumentar o score de crédito. Para concluir a suposta renegociação, porém, a vítima é induzida a pagar uma taxa por PIX. O dinheiro não é destinado ao pagamento da dívida e, segundo a Kaspersky, é transferido para contas de laranjas usadas pelos golpistas. A fraude chama atenção pelo nível de personalização empregado para conferir aparência de legitimidade às páginas. Os sites reproduzem elementos visuais de páginas oficiais do governo e exibem imagens de autoridades e de integrantes ligados ao programa de renegociação de dívidas. Ao acessar uma das páginas falsas, a vítima é direcionada para um chat em que aparecem dados pessoais, como nome completo, CPF e data de nascimento. A exibição dessas informações dá a impressão de que o site tem acesso a uma base oficial. Na sequência, a página apresenta uma suposta análise da situação financeira do usuário, com informações sobre score de crédito e valores de dívidas. O atendimento continua em um chat integrado ao site, no qual uma suposta atendente envia mensagens, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa individualizada. Depois, a vítima recebe uma proposta de renegociação com desconto de até 99% sobre o valor da dívida. Os criminosos afirmam ainda que o procedimento permitiria retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e elevar o score de crédito. Para finalizar o suposto acordo, no entanto, é cobrada uma taxa por PIX. O pagamento é apresentado como uma etapa necessária para concluir a negociação, mas não resulta em qualquer renegociação real da dívida. Chat de atendimento com a confirmação de dados e análise de score. Divulgação/Kaspersky “Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros”, explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky. Segundo ele, a apresentação de informações corretas não comprova que um site seja legítimo. A orientação é verificar o endereço eletrônico antes de fornecer dados ou realizar pagamentos e desconfiar de ofertas que prometam benefícios extraordinários ou exijam cobranças inesperadas. Como evitar o golpe Confira o endereço do site: antes de fornecer informações pessoais ou realizar qualquer pagamento, verifique se o endereço pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira envolvida. Desconfie de cobranças antecipadas: não faça pagamentos por Pix para liberar descontos, concluir uma renegociação ou obter algum benefício do programa. Procure os canais oficiais: em caso de dúvida, acesse diretamente os sites do governo ou do banco credor, em vez de clicar em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais. Não confie apenas na exibição de dados pessoais: informações como nome, CPF, data de nascimento ou score podem ser obtidas por criminosos e não comprovam que a página seja oficial. Denuncie a fraude: sites falsos e contas utilizadas para receber os pagamentos podem ser denunciados às autoridades e às instituições financeiras envolvidas. Layout do site fraudulento. Divulgação/Kaspersky

Homem pede conselho médico ao ChatGPT e IA manda ele 'entregar para Deus' Os seres humanos têm criado ferramentas para resolver problemas desde tempos imemoriais. Mas o ritmo dos avanços está se tornando cada vez mais vertiginoso. Em menos de 100 anos passamos da calculadora eletrônica portátil à inteligência artificial generativa. Usamos tanto essas ferramentas que elas quase se tornaram uma extensão de nós. Pensemos nisso: seríamos capazes de calcular a raiz quadrada de 2.209 ou improvisar uma história infantil? Se o primeiro impulso é perguntar à IA, é porque nossa mente tenta aliviar sua carga, externalizando recursos. Na verdade, esse fenômeno já foi descrito pela literatura científica dos últimos 30 anos como delegação cognitiva, memória externa ou mente estendida. Muitos cientistas, especialistas da área clínica e educadores, no entanto, estão cada vez mais preocupados com o impacto que a IA terá a longo prazo na mente humana. LEIA TAMBÉM: Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo O estudo do MIT Para descobrir de que maneira o uso de ferramentas como a inteligência artificial nos afeta cognitivamente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estudaram o que acontece no cérebro ao usar a IA para escrever textos. Durante três sessões, eles mediram a atividade cerebral de 54 jovens e avaliaram a qualidade de seus textos. Um terço deles utilizou o ChatGPT, outro terço o Google, e o restante contou apenas com seu próprio cérebro para compor o texto. ➡️ Os resultados mostraram que aqueles que utilizaram o ChatGPT tiveram um desempenho inferior ao dos demais em termos neuronais, linguísticos e na qualidade de seus textos. Além disso, apresentaram pior memória com relação ao que escreveram e se sentiram menos conectados às ideias escritas. Assim, os pesquisadores do MIT argumentaram que depender repetidamente do ChatGPT substitui o esforço cognitivo necessário para o pensamento independente. Isso poderia gerar um acúmulo do que chamaram de “déficit cognitivo” ou “dívida cognitiva”, com custos cerebrais a longo prazo. Limitações e viralização dos resultados Embora algumas vozes tenham apontado as limitações do estudo, vários meios de comunicação sugeriram com base em esses resultados que o uso da IA gera inevitavelmente uma dívida cognitiva. Ou seja, uma perda progressiva de capacidades mentais que não é visível no curto prazo. Mas essa repercussão não se refletiu em trabalhos empíricos: as evidências brilham pela ausência. A maioria dos artigos científicos publicados continua sendo teórica, ou até mesmo normativa, oferecendo orientações sobre como prevenir os efeitos cerebrais do uso contínuo da IA. Os resultados nesse campo ainda são limitados e preliminares. Por que recorremos à IA? Por outro lado, podemos analisar o impacto da IA na saúde cerebral sob outra perspectiva. Há uma década, os pesquisadores Evan Risko e Sam Gilbert desenvolveram um modelo cognitivo para explicar por que usamos sistemas externos em vez de nosso próprio cérebro. Em outras palavras, eles ajudaram a explicar quais processos mentais seguimos quando, por exemplo, decidimos pesquisar algo no Google ou perguntar à inteligência artificial. 🔍Esses especialistas afirmaram que o impacto cognitivo depende dos objetivos que buscamos ao utilizar esses sistemas. Assim, podemos recorrer a eles para evitar esforço cognitivo ou porque acreditamos que melhorarão nosso desempenho. Podemos, por exemplo, pedir ao ChatGPT que escreva uma redação porque não nos sentimos capazes. Ou porque queremos comparar ideias e buscar novas perspectivas que aprimorem nosso texto. Portanto, para compreender as consequências cerebrais da delegação cognitiva será essencial perguntar primeiro por que delegamos. Esse é um aspecto que o estudo do MIT não explorou de forma alguma. Open AI é a dona do ChatGPT Getty Images via BBC Recursos cognitivos economizados Além do motivo pelo qual usamos o ChatGPT, é importante saber o que fazemos com os recursos “economizados”. Ou seja, se nos custou menos tempo ou esforço concluir uma tarefa cognitiva (um resumo, uma redação, um esboço, uma ideia). o que fazemos com o tempo e a energia que economizamos? Simplesmente nos dedicamos à divagação mental? Ou os destinamos a novos aprendizados? 'Eu me candidatei a papa': como usar o ChatGPT fez usuários perderem o contato com a realidade Estudos sobre o uso do Google indicam que, quando o utilizamos para potencializar outros aprendizados — como saber onde localizar informações úteis —, nossa habilidade na tarefa pode melhorar. O mesmo ocorre com a inteligência artificial: usá-la de forma deliberada para potencializar o treinamento cognitivo, ou para dialogar sobre conceitos, em vez de simplesmente pedir a resposta para uma tarefa, pode aprimorar nossa aprendizagem estratégica. O próprio estudo do MIT que mencionamos oferece evidências a esse respeito: os autores convidaram os participantes para uma quarta sessão, na qual aqueles que haviam usado o ChatGPT não poderiam mais fazê-lo. Em contrapartida, aqueles que usaram o Google ou seu próprio cérebro passaram a ter acesso à IA. Os primeiros continuaram apresentando menor atividade cerebral e pior desempenho, enquanto os segundos apresentaram melhorias em ambos os resultados. Isso indica que o uso da IA pode trazer benefícios em certos cenários (por exemplo, quando integramos nossas ideias às sugestões do ChatGPT), potencializando processos mentais como a atenção e a memória. Por essa razão é tão importante, especialmente no contexto educacional, definir cuidadosamente quais tarefas poderiam ser automatizadas com a ajuda da IA e quais outras, mais significativas, poderiam ser reforçadas com o tempo e o esforço poupados. Nem tudo é dívida cognitiva Em resumo, a dívida cognitiva que o uso contínuo da IA pode gerar é uma realidade possível, mas ainda incerta. O estudo do MIT é promissor e abre as portas para um mundo ainda desconhecido. Mas ainda estamos longe de saber como a IA afeta as capacidades mentais a longo prazo. Chat GPT Getty Images via BBC O estudo citado deu início a uma onda de conclusões catastróficas sobre a dívida cognitiva, mas não definiu quais formas de uso podem ser prejudiciais e quais, ao contrário, podem até ser benéficas. Observar como e para que usamos essas ferramentas de IA (como pode ser visto na árvore de autorreflexão que acompanha este artigo) ajuda a analisar esses fatores antes de cair em interpretações apocalípticas. Madalin Marian Deliu Dumitru: docente da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Católica de Ávila; Universidade de Salamanca Patricia Alzola Bordón: pesquisadora de doutorado em formação (especialização em Neuropsicologia), Universidade de Salamanca

Correios devem ter prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026 Dados prévios do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026. Para o segundo trimestre, o prejuízo acumulado é de cerca de R$ 2,2 bilhões. 🔎Um balancete contábil é um demonstrativo provisório que traz a fotografia de como estão as contas contábeis de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês, trimestre ou semestre. O prejuízo do semestre é menor do que o obtido pela empresa nos últimos dois trimestres o 1º deste ano e o 4º trimestre de 2025, apontando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira dos Correios, que teve um prejuízo recorde no 1º trimestre de 2026. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão da estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento". Em nota, os Correios afirmaram que a empresa não se manifesta sobre demonstrações financeiras antes de sua divulgação oficial. "As demonstrações financeiras encontram-se em fase de consolidação e serão divulgadas após a aprovação pelas instâncias competentes, em conformidade com os procedimentos de governança da empresa". As receitas obtidas até 30 de junho deste ano ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2025, reduzindo cerca de R$ 28,2 milhões. As despesas diminuíram R$ 1,1 bilhão. Receitas: R$ 8,18 bilhões em 2025 e R$ 8,16 bilhões em 2026; Despesas: R$ 13,5 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026. Apesar do aumento expressivo nas despesas, a estatal previa um desempenho ainda pior para o período com os gastos alcançando R$ 14,8 bilhões, desempenho de R$ 1,2 bilhão melhor do que o esperado. Desempenho das receitas Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente. O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador. A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. Desempenho das receitas Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre. O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais. O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou. Desempenho das despesas Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos. Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos. Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica As despesas financeiras tiveram um aumento de 179%, passando de R$ 590 milhões em 2025 para R$ 1,6 bilhão em 2026. Aumento de mais de R$ 700 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre. Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência. Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,4 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,6 bilhão. O montante também representa uma alta de 44,5% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 1,1 bilhão.

Rio ganha nota máximo de grau de investimento A Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para “AAA”, que é o grau de investimento de mais alta qualidade. A agência indica perspectiva de estabilidade e destaca que o Rio de Janeiro, nos últimos anos, apresentou “melhoras consistentes na gestão fiscal”. No comentário que justifica a elevação da nota de "AA+" para "AAA", a Fitch diz que os resultados do município trouxeram “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez” e afirma acreditar que "dívida do Rio diminuirá gradualmente ao longo do horizonte do rating". A agência também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Cristo Redentor, Pão de Açúcar e o bairro de Botafogo Fernando Maia/Riotur Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local.

Mega-Sena, concurso 3045: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3045 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (16), em São Paulo. O prêmio acumulou para o próximo concurso, que acontece nesta terça-feira (18), e pode chegar a R$ 45 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Lotrias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 23 - 29 - 33 - 42 - 43 - 57 Mega-sena, concurso 3045 Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP Nosso Campo O período de inverno, caracterizado pela colheita de cana-de-açúcar, agora é marcado pela constante aparição de moscas-de-estábulo. Os insetos, atraídos pela concentração de vinhaça e umidade, se fixam no gado e interferem na rotina dos bovinos. Em vez de utilizar o tempo para alimentação e descanso, as vacas permanecem de pé, com espasmos e desconforto. Elas priorizam gastar energia para se proteger das moscas, o que as mantém fracas e debilitadas. Isso afeta seu ganho de peso, a produção de leite e a qualidade de vida, podendo causar a morte dos bovinos. Em Avanhandava (SP), no centro-oeste paulista, o pecuarista Alexander von Büldring perdeu oito cabeças de gado e teve uma redução de 60% na produção de leite. Alexander relata o diagnóstico de complexo de tristeza parasitária após os animais demonstrarem fadiga, desconforto e presença de sangue na urina e nas fezes. Dos 36 animais da propriedade, 16 estão em ordenha, cada um produzindo seis litros de leite. Nas proximidades da propriedade, uma usina de açúcar e etanol propicia a presença das moscas, devido à alta quantidade de vinhaça e matéria orgânica. Em nota, a usina Diana Bioenergia compartilhou medidas tomadas para combater as moscas-de-estábulo, como prevenção de vazamentos, monitoramento da população de moscas, consultoria especializada em manejo de pragas e ajustes no manejo da palha, na aplicação de compostos orgânicos e na distribuição da vinhaça. Outra propriedade que enfrenta o mesmo problema recorreu ao uso de ventilação mecânica para reduzir o impacto das moscas sobre as 110 cabeças de gado. O pecuarista João Heck Junior observa a constante perda de peso dos animais e relata a perda de algumas vacas. O veterinário Luís Felipe Cruiol informa que os insetos se adaptaram aos períodos de inverno. Com a chegada do setor de cana e o favorecimento da reprodução das moscas, o gado fica vulnerável. De acordo com o médico-veterinário, reforçar a higiene dos estábulos, rastelar as fezes e evitar a umidade são medidas que podem ajudar na qualidade de vida dos bovinos nesse período. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Pedro Henrique Biondo, o Berranteiro das Américas Reprodução / TV TEM O engenheiro civil Pedro Henrique Biondo, de Orindiúva (SP), deixou o trabalho em 2023 para viajar pelo mundo e divulgar a cultura caipira. Ao lado do cão Bastião, um border collie, percorreu 10 mil quilômetros em três anos e passou por 16 países. O objetivo da viagem, segundo Pedro, foi mostrar que a cultura brasileira vai além do samba e do futebol. Ele leva o berrante e as roupas típicas como símbolos da identidade caipira. O primeiro berrante foi presente da avó, para ajudar em problemas respiratórios. O instrumento despertou nele a paixão pela cultura boiadeira. Hoje, Pedro é tetracampeão do Concurso de Berrante da Festa do Peão de Barretos. Pedro compartilhou a rotina nas redes sociais, onde reúne 1 milhão de seguidores. Entre os momentos marcantes, lembra da apresentação na Times Square, em Nova York, e do desafio de domar duas mulas ariscas — Heida e Oklahoma — presenteadas por uma família norte-americana. Depois de percorrer até 30 quilômetros por dia em uma rotina incerta, Pedro voltou para casa com a sensação de dever cumprido. Agora, planeja seguir viagem rumo ao Alasca. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Peão de Orindiúva viaja 10 mil km para divulgar cultura caipira VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC O Brasil ganhou um reforço importante no seu enfrentamento ao tarifaço dos Estados Unidos nesta semana — depois que a China pediu para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação brasileira contra o tarifaço imposto por Donald Trump. A avaliação é de dois especialistas consultados pela BBC News Brasil. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Para o Brasil, isso é importante porque o país ganha não apenas um aliado, mas 'o' aliado. A China é hoje a principal potência mundial em termos de comércio, investimentos e também em termos geopolíticos", afirma Ana Garcia, professora de Relações Internacionais e coordenadora do Centro de Estudos Avançados (CEA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). "É um apoio indireto, de uma espécie de amigo que não precisa necessariamente agir imediatamente contra os EUA, mas que pode fazê-lo mais adiante, caso seja diretamente afetado. E a China possui muito mais espaço de barganha e poder de contestação contra os EUA do que o Brasil. Eles têm meios de retaliação aos EUA onde o Brasil é mais frágil." Para Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ, o pedido chinês pode ser entendido como um apoio ao argumento do Brasil contra os EUA. "Isso reforça o peso político do caso brasileiro e fortalece o argumento central contra a Seção 301 dos EUA, que tem vários elementos considerados muito frágeis do ponto de vista da defesa da tarifa em si." No final do mês passado, o Brasil apresentou um pedido de consultas aos EUA no sistema de solução de controvérsias da OMC contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil disse que as tarifas americanas são "injustificadas e incompatíveis" com obrigações assumidas pelos EUA no âmbito de regras internacionais de comércio. Uma das medidas questionadas é sobre a investigação americana contra o Brasil, na qual o governo Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros. O pedido de consultas é a primeira etapa de um sistema de solução de controvérsias da OMC. Nesta semana, os EUA responderam que estão "à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas". Aproximação com a China Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA? Getty Images via BBC China e Brasil são os dois países que mais viram suas tarifas médias de importação subirem no segundo mandato de Trump. Ibañez acredita que a China não age por altruísmo ao pedir para participar das consultas do Brasil na OMC. "A China, ao fazer esse movimento, não está simplesmente sendo 'boazinha' e defendendo um país prejudicado. Ela também possui interesses próprios", afirma o professor. Um desses interesses seria combater os EUA em foros internacionais. "De um lado, há um país que tem reduzido a importância dos mecanismos multilaterais. Do outro, há um país que busca se apresentar como porta-voz do multilateralismo no mundo contemporâneo. É uma queda de braço entre gigantes, e o Brasil está no meio dela." Ele também ressalta que o fato de o Brasil estar recebendo esse apoio chinês não significa que exista um alinhamento entre os dois países. "O meu temor é que essa situação seja interpretada como um alinhamento direto do Brasil à China. O Brasil não é um país alinhado diretamente a nenhum desses dois grandes centros de poder. Ele tem estabelecido relações com ambos os lados. Lula não se furtou a ir aos EUA quando convidado por Trump. Vai à China e também mantém relações com os americanos", afirma. Para analista, Brasil está no meio de uma queda de braço entre gigantes Getty Images via BBC Ele acredita que o Brasil não pode abrir mão das suas relações com os EUA. "Já estamos observando os efeitos problemáticos de ter atritos com eles. Além disso, os EUA têm demonstrado uma doutrina muito clara de ampliar sua área de influência na América Latina", diz. Nesta semana, o governo de Donald Trump exaltou novamente a Doutrina Monroe como uma diretriz para sua política externa no continente americano. Um vídeo de mais de cinco minutos publicado na terça-feira (11/08) nas redes sociais do Departamento de Estado dos EUA afirma que a "doutrina encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump". Por outro lado, o Brasil tenta se equilibrar entre China e EUA, defendendo uma boa relação com as duas potências. "O Brasil construiu com a China, ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, uma relação comercial extremamente forte", afirma Ibañez. "A China é um grande parceiro e também um ator ao qual precisamos estar atentos. Ela vem investindo em áreas estratégicas no Brasil, como energia, infraestrutura, portos, empresas nacionais e agronegócio. São diversos setores nos quais a presença chinesa é muito significativa, com crescente influência sobre o mercado brasileiro e sobre os mecanismos de cooperação tecnológica. OMC fragilizada Ambos os analistas destacam que a consulta brasileira sobre os EUA acontece em um momento em que a OMC parece ter pouca capacidade de agir. "Considero fundamental destacar que os mecanismos multilaterais de resolução de contenciosos estão muito enfraquecidos", afirma Ibañez. "Trump tem atuado como uma espécie de xerife internacional de forma muito intensa e sem seguir plenamente as regras do sistema internacional. Por isso, acredito que, mesmo que o Brasil obtenha uma decisão favorável na OMC, dificilmente isso resultará, por si só, em uma reviravolta prática." "Não se pode deixar de pontuar que a OMC é hoje uma instituição fragilizada. É um espaço multilateral que teve muita importância desde sua criação, em 1994. As negociações multilaterais de comércio, que no pós-guerra aconteciam sob o GATT [órgão que antecedeu a OMC], sempre constituíram um espaço relativamente forte, apesar das crises econômicas e disputas geopolíticas", diz Ana Garcia. "Mas, como várias outras instituições multilaterais, a OMC foi perdendo força à medida que os grandes Estados passaram a privilegiar ações bilaterais. Esse é claramente o caso dos EUA." Ela afirma que a OMC já enfrentava dificuldades antes mesmo do tarifaço de Trump. "Os acordos multilaterais já encontravam obstáculos por falta de entendimento entre europeus, países emergentes relevantes, como Índia e Brasil, e outros atores importantes." Multilateralismo Para Pablo Ibañez, a disputa comercial está envolvida também em uma briga dos EUA contra instituições multilaterais, como a OMC. "No caso da OMS, por exemplo, tivemos uma situação grave, com os Estados Unidos saindo da Organização Mundial da Saúde. Os Estados Unidos têm atuado de maneira muito assertiva para diminuir a importância, a relevância e a atuação dos mecanismos multilaterais de resolução, sejam eles voltados para conflitos, guerras, saúde ou comércio", afirma Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ. Já a China atuaria no sentido contrário neste momento, tentando aumentar sua influência nessas instituições multilaterais. "Há também, nos EUA, o entendimento de que a China tem tido cada vez mais proeminência dentro dessas organizações multilaterais e que, por isso, elas estariam perdendo credibilidade. Esse é o panorama mais amplo do que está acontecendo agora." Essa preferência por órgãos multilaterais da China neste momento é algo que, segundo Garcia, coincide com um princípio defendido tradicionalmente pela diplomacia brasileira. "A aposta do governo brasileiro é no multilateralismo. Ao acionar os EUA no sistema de arbitragem da OMC, o Brasil também sinaliza sua preferência por mecanismos multilaterais em vez de ações unilaterais, algo que historicamente marca a política externa brasileira." Analistas apontam que OMC está fragilizada neste momento Getty Images via BBC Poucos efeitos práticos Os analistas acreditam que, embora haja um componente político importante na ação do Brasil na OMC, qualquer decisão da entidade não deve ter grande impacto real no tarifaço americano. "Não devemos esperar grandes resultados. O processo na OMC tende a ser demorado. Mesmo que haja uma decisão favorável ao Brasil, ela pode ter pouco efeito prático sobre as ações americanas, dada a capacidade dos EUA de agir unilateralmente. Por isso, acredito que os efeitos dessa iniciativa sejam limitados", diz Garcia. Para Garcia, o fato de China e Brasil estarem se aproximando no combate ao tarifaço americano não significa necessariamente que haverá aumento do comércio entre os dois países. "Já existe um volume muito elevado de comércio entre os dois países. O Brasil tem a China como principal parceiro comercial, e a China vê o Brasil como um fornecedor fundamental de produtos ligados à sua segurança alimentar", diz Garcia. "Os produtos afetados pelas tarifas americanas não são, em sua maioria, produtos cuja demanda seria naturalmente absorvida pelo mercado chinês. Na minha leitura, eles tendem a ser redirecionados gradualmente para outros mercados, como Europa, outros países asiáticos ou mesmo por meio de uma integração maior na América Latina. É nesses mercados que existe mais espaço para manufaturados brasileiros."

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026. REUTERS/Jeenah Moon Dizem que foguete não dá ré, mas o da SpaceX dá — e a fortuna de Elon Musk também. O empresário, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se o primeiro trilionário da história graças, em grande parte, à valorização da empresa espacial. Só que a marca durou pouco: em apenas dois meses, sua fortuna encolheu US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões), em meio à queda no valor da companhia. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Agora no g1 As ações da empresa recuaram 31% desde a máxima de US$ 201,8 (R$ 1.053,27), alcançada em junho, e Musk é dono de 42% da SpaceX. Por isso, quando o valor da companhia cai, a participação do empresário também passa a valer menos — e sua fortuna encolhe. Ação da SpaceX recua 31% desde a máxima de junho Arte/g1 SpaceX cresce em ritmos diferentes O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital mostra uma empresa em forte expansão, mas que é formada por negócios com características diferentes entre si. A receita quase dobrou em um ano, mas a expansão também exigiu investimentos pesados: foram US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) em apenas três meses, mais de seis vezes o valor registrado no mesmo período de 2025. As três principais áreas da companhia crescem em ritmos distintos. A internet via satélite já é lucrativa, enquanto inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos. (veja mais no infográfico abaixo) É essa diferença que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera central para entender as contas da SpaceX. Em relatório, o especialista destaca que, em 2025, o segmento de conectividade gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional. Já a área de IA acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões). Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, o resultado mostra uma empresa que está crescendo enquanto faz uma aposta pesada no futuro. “A maior gama de resultados potenciais do valor futuro da SpaceX reside em seus empreendimentos de inteligência artificial”, afirma Owens. Segundo ele, o mercado precisa decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda terão de provar seu potencial nos próximos anos. Onde a SpaceX está colocando seus bilhões Arte/g1 IA e Starship: as apostas bilionárias A maior parte dos investimentos da SpaceX no segundo trimestre foi direcionada à inteligência artificial. Entre os movimentos estão: 🖥️ Ampliação da infraestrutura de computação em nuvem e de projetos como o Colossus II, os planos de usar chips da Nvidia em satélites voltados à inteligência artificial. 🤝 Acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando a oferta de ferramentas de IA para empresas. É esse movimento que Menzies resume como uma fase de “reinvestimento agressivo”. “A companhia está canalizando capital para o desenvolvimento do Starship, para a fabricação de satélites e infraestrutura de IA", diz o diretor da Openbook Analytics. O desafio, segundo Owens, é fazer com que toda essa infraestrutura comece a gerar receita e justifique o dinheiro investido. “Mesmo com sua volatilidade acentuada desde o IPO, acreditamos que os investidores ainda estão considerando cenários mais otimistas para a reusabilidade do Starship e para a vantagem comercial de datacenters orbitais do que o que é mais provável neste momento.” Mas a inteligência artificial não é a única aposta de longo prazo da SpaceX. O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões. 🚀 Em 2025, a empresa investiu mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,66 bilhões) no projeto, além de outros US$ 930 milhões (R$ 4,85 bilhões) no primeiro trimestre deste ano. Para o mercado, portanto, não basta que a SpaceX cresça. É preciso saber se os investimentos feitos agora serão capazes de criar negócios grandes o suficiente para justificar o dinheiro gasto. A SpaceX desenvolveu um sistema que permite ao Starship voltar à base após o lançamento e ser recuperado na própria plataforma de onde partiu. Reprodução Starlink paga a conta — mas também enfrenta pressão É nesse ponto que a importância do Starlink ganha mais destaque. O serviço de internet via satélite é hoje um dos principais negócios da SpaceX e ajuda a financiar a expansão das outras áreas. A base de clientes dobrou em um ano, para 12 milhões, mas a receita média por usuário caiu de US$ 85 (R$ 443,65) para US$ 66 (R$ 344,48) entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano. Segundo Menzies, a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda e ofereça preços mais competitivos. Por enquanto, o crescimento do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas, se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão importante para o mercado. "Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada pelo crescimento do volume, comprimiria as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo." Para os especialistas, a empresa ainda tem dinheiro para continuar investindo e expandindo seus negócios. O que mudou é a percepção do mercado sobre essas apostas: quanto elas vão valer — e quanto tempo vão levar para dar retorno? A resposta pode determinar não apenas o valor da SpaceX, mas também o rumo da fortuna de Musk.

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será Viajar no avião Z4, projeto da americana JetZero, será bem diferente de voar em um avião comum. Em vez das janelas ao lado dos passageiros, a aeronave terá telas que mostrarão imagens do lado de fora captadas por câmeras de alta definição. O projeto tem um formato que lembra uma arraia, com a área central integrada às asas. A JetZero diz que o desenho melhora a aerodinâmica e poderá reduzir entre 30% e 50% o consumo de combustível em comparação com modelos como o Boeing 787. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A iluminação natural da cabine virá de duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras. O avião deverá transportar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções, e terá um compartimento de bagagem para cada assento. Críticos ouvidos pelo Wall Street Journal apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto nas curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Outra mudança do projeto está nas portas: elas serão posicionadas em locais distintos dos usados em aviões convencionais, o que pode dificultar a adaptação do Z4 na maioria dos aeroportos, já que eles estão mais preparados para receber modelos tradicionais. A JetZero planeja fazer o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027. A empresa pretende iniciar o uso comercial da aeronave no começo da década de 2030. O Z4 foi projetado para voos de até 5.000 milhas náuticas (cerca de 9.200 km). A autonomia seria suficiente, por exemplo, para uma viagem entre São Paulo e Madri, na Espanha, uma distância de aproximadamente 8.400 km. A empresa já tem o apoio de companhias aéreas americanas. A United Airlines planeja comprar 200 unidades do Z4, enquanto Delta e Alaska Airlines também apoiam o projeto. Para acelerar o desenvolvimento, a JetZero pretende usar componentes presentes em outros aviões e que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), órgão que regula o setor no país. A empresa também tem um acordo de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com o governo americano para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A estrutura será usada para acelerar a produção da aeronave. Se o projeto avançar como planejado, o avião-arraia poderá unir uma cabine diferente da convencional com uma promessa de redução significativa no consumo de combustível. Mas, antes de chegar aos passageiros, ele terá que passar por uma série de testes. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero
Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES Em um curral eclético, ouvindo de forró a música clássica, cerca de 30 vacas de uma fazenda no Espírito Santo estão produzindo mais leite desde passaram a ouvir músicas durante o manejo e a ordenha. A cena parece ter saído de um filme, mas é uma realidade que transformou a produção de leite nas terras do agricultor Edson Michael Rohr. Uma das estrelas desse curral é a vaca Luana, da raça girolanda, que produz cerca de 200 litros de leite por semana. Os animais são cuidados pelo produtor rural Edson Michael Rohr, na propriedade Sítio Rô, que fica em Rio Novo do Sul, na Região Sul do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O hábito de ligar o rádio para que os animais também pudessem ouvir uma trilha sonora diversificada não é de agora. Segundo o produtor, ligar o som durante o trabalho surgiu há cerca de 15 anos. As vacas do produtor são realmente ecléticas, tanto que o estilo musical mais ouvido no local passeia pelo sertanejo, música clássica e até pop rock. Para ele, o diferencial não é apenas a quantidade de leite produzida, mas ouvir música também ajuda no manejo dos animais no dia a dia. "As vacas ficam mais calmas, a música ajuda bastante. Quando chega alguém diferente ou tem algum barulho, permanecem tranquilas. Parece que ficam concentradas no som", disse. A prática começou de forma despretenciosa. Mas também não foi difícil de ser implementada, afinal, como Edson mesmo diz: "Todo produtor tem um radinho na roça". Além da música, o contato e o carinho com os animais são outras estratégias que ajudam a amansar as vacas e proporcionam um diferencial durante as competições de produção leiteira, outro hobby que o produtor gosta de praticar. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr A ciência explica E acredite se quiser: outras vacas ao redor do mundo também têm gosto musical refinado e motivaram pesquisas científicas que garantem que a música influencia nos resultados observados nas produções leiteiras. Gercílio Alves de Almeida, zootecnista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que uma boa trilha sonora contribui na liberação de leite durante a ordenha por melhorar o bem-estar e a sensação de conforto dos animais. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Gêmea nasce empelicada e fazendo 'pose' com as mãos em Vitória ARACRUZ: Baleias-jubarte cercam lancha durante pescaria de amigos e são flagradas até debaixo d'água SUL DO ES: Nail designer cria unhas 3D inspiradas em símbolos capixabas para competição nacional Essa prática integra o chamado enriquecimento ambiental, um conjunto de estratégias voltadas para melhorar o bem-estar dos animais de diversas espécies, com efeitos cientificamente comprovados. "O efeito é positivo porque promove o relaxamento da vaca e estimula a liberação do hormônio ocitocina, que depende de estímulos positivos do ambiente e é responsável pela 'descida' do leite", afirmou. Outros estímulos positivos, como carinho, a presença do bezerro e até uma massagem também favorecem a produção desse hormônio. No entanto, assim como a música incentiva, outros tipos de barulhos podem causar uma influência negativa. "Ruídos como motores, cães latindo, objetos caindo ou pessoas gritando assustam o animal e provocam a liberação de adrenalina, hormônio que tem efeito contrário ao da ocitocina. Ele inibe a descida do leite, porque a vaca está sob estresse ou medo", alertou o professor. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Portanto, quanto mais agradável o ambiente, melhor para os animais e a produção. E tem mais um detalhe: a música só traz benefícios quando faz parte da rotina dos animais. Gercílio afirmou que as vacas são animais que gostam de rotina e mudanças no manejo e ambiente podem afetar a produção de leite. Por isso, se a música é utilizada durante a ordenha, o ideal é que ela seja mantida de forma constante. O estilo musical também pode influenciar a resposta das vacas, já que elas tendem a reagir melhor a músicas mais suaves, como as clássicas. No entanto, o zootecnista ressaltou que o mais importante é a familiaridade. "Se o produtor costuma deixar o rádio ligado com sertanejo, por exemplo, os animais acabam se acostumando com aquele som, que passa a fazer parte da rotina e transmite sensação de segurança". Na prática, muitos produtores já mantêm o rádio ligado durante o trabalho por hábito próprio e, sem perceber, acabam proporcionando um ambiente mais familiar e tranquilo, do qual as vacas também se beneficiam. Vacas criadas ao som de música produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Edson é produtor rural e cria cerca de 30 vacas ao som de música no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Feira da Indústria tem exposição de robôs humanóides A fabricante chinesa de robôs humanoides e quadrúpedes Unitree Robotics abriu na segunda-feira (10) as inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. É a primeira empresa do setor a dar esse passo na China, em uma operação que pode elevar seu valor de mercado a mais de 50 bilhões de yuans (R$ 37,7 bilhões). A empresa ganhou destaque internacional pela capacidade de fabricar robôs sofisticados a preços competitivos, ajudando a impulsionar a liderança chinesa no mercado global. Agora, deve ganhar ainda mais projeção com a entrada de capital privado. A movimentação ocorre em paralelo à decisão dos Estados Unidos, anunciada no fim de julho, de proibir a entrada no país de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. A medida, justificada por "riscos inaceitáveis" à segurança nacional, foi interpretada por analistas como um sinal de que os EUA temem que sua liderança tecnológica seja ameaçada por Pequim. O gigante asiático respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025, segundo o banco britânico Barclays. O argumento da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA é que os robôs "coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs". Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias acusadas de manter vínculos com as Forças Armadas chinesas. Robôs da empresa já foram utilizados em exercícios militares. China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas Imaginechina/Sipa USA/picture alliance Quão séria é a ameaça dos robôs chineses à segurança dos EUA? Autoridades americanas alertam que robôs humanoides e quadrúpedes chineses podem coletar dados detalhados de localização e informações pessoais, ser controlados remotamente e representar riscos para infraestruturas críticas dos EUA. As preocupações se concentram principalmente no potencial uso duplo dos robôs, tanto para fins civis quanto militares. Pesquisadores já demonstraram que robôs da Unitree apresentam falhas de segurança que permitem a invasores assumir o controle por meio de um comando de voz e, em seguida, utilizar um robô para controlar outros. Washington também teme que uma grande quantidade de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados do mundo real a sistemas chineses de inteligência artificial, que vêm se aproximando rapidamente de seus concorrentes americanos. A ameaça, porém, ainda é em grande parte teórica, já que a maioria dos robôs humanoides comerciais está em estágios iniciais de desenvolvimento. A China rejeitou as acusações e afirmou que os EUA estão usando a segurança nacional como pretexto para o protecionismo e para restringir a tecnologia chinesa. Dias depois do anúncio da Casa Branca, a China respondeu com a imposição de controles sobre as exportações de drones aos EUA e a proibição de negócios com seis entidades americanas. Ação de Trump vai impulsionar a indústria americana de robôs? O governo de Donald Trump nunca escondeu seu objetivo de apoiar a indústria doméstica de robótica dos EUA, que, por sua vez, sustenta a expansão da infraestrutura de IA do país, avaliada em quase US$ 1 trilhão. Segundo observadores do setor, Trump quer proteger empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics da concorrência de fabricantes chineses de grande escala, cujos robôs frequentemente custam metade do preço, ou menos, dos modelos americanos. Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento VCG/IMAGO Washington já impôs restrições semelhantes a drones e painéis solares chineses e atualmente aplica uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses. A medida é vista como uma tentativa de Trump de ganhar tempo diante da rapidez com que a China expandiu sua produção de robôs. Segundo a empresa de pesquisa tecnológica Omdia, a China tem seis empresas entre as dez maiores do setor de robótica. Essas companhias venderam quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de unidades vendidas por empresas americanas. Em março, o Bank of America projetou cerca de 90 mil unidades embarcadas até o fim deste ano. Os EUA são considerados mais fortes no desenvolvimento do "cérebro" dos robôs, por meio de IA avançada, enquanto a China lidera na produção em massa de robôs mais baratos, com movimentos aprimorados por atuadores de alto desempenho, uma espécie de músculo robótico. Elon Musk tem grandes planos para o robô Optimus, da Tesla. Reprodução/DW Rush Doshi, do think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), descreveu o veto da Casa Branca como "uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA". Evan Beard, CEO da fabricante de braços robóticos Standard Bots, diz que o governo Trump está enviando uma mensagem "inequívoca" à China. "A robótica é uma tecnologia que os Estados Unidos precisam liderar e dominar, e robôs subsidiados por governos estrangeiros não terão permissão para dominar injustamente a robótica americana...", escreveu Beard na rede X. Críticos, porém, avaliam que a proibição pode desacelerar a inovação em IA nos EUA, já que pesquisadores utilizam robôs chineses de baixo custo para realizar testes. "Restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo", disse Georg Stieler, consultor da indústria de robótica, via X. Há também quem avalie que a proibição pode levar Pequim a "restringir ainda mais as vendas de terras raras para empresas americanas e [...] o acesso de companhias americanas, como Tesla e Nvidia, ao mercado chinês", como argumentou Marc Einstein, diretor de pesquisas da Counterpoint Research, ao canal americano de TV CNBC. Robôs humanoides em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa Reprodução/CCTV Mercado de robôs humanoides é promissor O Barclays estima que o mercado, atualmente avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (R$ 10,2 bilhões a R$ 15,3 bilhões), poderá chegar a US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) até 2035, no cenário mais otimista, caso haja avanços no cérebro, na força física e nas baterias dos robôs. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é ainda mais otimista. Ele aposta que o Optimus, da Tesla, pode se tornar "o maior produto de todos os tempos", com vendas que, no longo prazo, poderiam chegar a US$ 10 trilhões (R$ 51 trilhões). Em larga escala, ele acredita que os robôs, atualmente vendidos por cerca de US$ 100 mil, poderão custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, tornando-se acessíveis para fábricas, armazéns e, posteriormente, residências. Combinando a projeção do Barclays com a meta de preços de Musk, o mercado poderia chegar à venda de aproximadamente 7 milhões a 10 milhões de robôs humanoides por ano até 2035. No curto prazo, a expectativa é que os humanoides assumam tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em armazéns e fábricas. Mais adiante, poderão atuar também em áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.045 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 38 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (12), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou neste sábado (15) em entrevista à Globonews que o Amapá estará produzindo petróleo em águas ultraprofundas em até sete anos. A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. "Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender. Então, imagino que o Amapá possa ter petróleo sendo produzido em águas ultraprofundas de hoje a uns seis, sete anos", afirmou, A exploração na região faz parte da estratégia da Petrobras para repor suas reservas de combustível e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas. A Petrobras é a única dona da área e opera o local de forma exclusiva. O direito de exploração foi comprado em 2013, em um leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Magda afirmou que a descoberta é "absolutamente relevante", porque o Brasil poderia a voltar a importar petróleo nos próximos anos se as reservas não fossem repostas. "Essa descoberta no Amapá representa tudo isso. Representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década como um todo", disse. Poço Morfo O poço Morfo está localizado a 175 km do litoral do estado do Amapá, e abaixo de uma lâmina d'água de quase 3 mil metros de profundidade, a 500 km da foz do Rio Amazonas. Segundo especialistas, a presença de hidrocarbonetos significa, na prática, que a Petrobras descobriu petróleo na região. A Petrobras afirmou que a atuação na região é feita de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas. A nota da estatal disse também que a atuação faz parte da estratégia para recompor as reservas da companhia e garantir o atendimento da demanda nacional durante a transição energética justa. Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo disse que a descoberta é muito importante porque confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás em outras regiões, o que reforça a segurança energética nacional no médio e longo prazo '
China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro

Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China "A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa." A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que vem orientando a política de segurança alimentar da China: produzir mais alimentos internamente e depender menos das importações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse objetivo aparece nas metas estabelecidas pelo governo chinês em seu 15º Plano Quinquenal, publicado no início do ano para o período de 2026 a 2030. 🔎 O Plano Quinquenal reúne as principais metas estratégicas da China para períodos de cinco anos, com objetivos de desenvolvimento econômico e social. Nesta edição, o documento prevê ampliar a produção interna de produtos dos quais o Brasil é hoje um dos principais fornecedores, como soja, milho e carne. (saiba mais abaixo) As cotas de importação de carne bovina impostas pela China neste ano a diversos países, incluindo o Brasil, já fazem parte desse movimento. O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%. Mas como fica o Brasil diante dessa nova estratégia? Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras. “O jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada. Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca. E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só”, afirma Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, que facilita negócios com o país asiático. “Continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água”, acrescenta. Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura. Boa parte do país é formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas. Além disso, concentra menos de 5% da água doce disponível no planeta. Por isso, os planos da China devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade — ou seja, produzir mais na mesma área com o apoio de tecnologias, como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado. Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, afirma que, embora a China esteja longe de se tornar 100% autossuficiente, não se deve subestimar sua capacidade de cumprir as metas que estabelece. “Acompanho a política pública chinesa há anos e vejo que, quando a China se compromete a fazer algo e coloca seus esforços de tecnologia, educação e recurso financeiro em prol disso, ela consegue ter resultado consistente", diz. LEIA TAMBÉM Subsídios, planejamento, estoques e drones: como China mantém comida barata e garante abastecimento Por que a China tem comida barata, enquanto os EUA enfrentam alta de preços? O que prevê o plano chinês de segurança alimentar Dentre as diversas frentes do plano chinês, alguns pontos destacados pelos especialistas são: mais grãos: elevar a capacidade de produção anual para 725 milhões de toneladas até 2030. No ano passado, a China colheu um pouco menos que 715 milhões de toneladas. mais tecnologia no campo: aumentar de 64% para 67% a contribuição da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento agrícola; menos dependência da soja importada: reduzir a participação do farelo de soja na ração animal de cerca de 14% para menos de 10% até 2030; mais autossuficiência: produzir ao menos 95% dos grãos básicos, como arroz e trigo, dentro da China; alcançar 85% de autossuficiência em carne bovina e ovina e de 70% em leite. Theo Santana afirma que a China já atingiu a meta de autossuficiência em grãos básicos, como arroz e trigo, e que a produção desses alimentos já supera em mais de 100% a demanda interna, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística do governo chinês, levantados por ele. No entanto, o país ainda está abaixo das metas para outros alimentos. No caso das carnes bovina e ovina, o país consegue suprir 70% da demanda interna. Já na produção de leite, esse percentual é de 62%. Pessoas são vistas andando em meio a uma plantação de arroz em Yuanyang, na China. AP/Liang Zhiqiang/Xinhua Como a estratégia chinesa atinge o Brasil O consultor Theo Paul Santana destaca que o foco da estratégia chinesa está, principalmente, nos grãos destinados à alimentação da população, produtos que o Brasil praticamente não exporta para o país. "O que o Brasil vende é justamente aquilo em que a China não consegue ser autossuficiente: soja e carne", diz. No ano passado, a China importou um volume recorde de quase 112 milhões de toneladas de soja, e mais de 70% desse total teve origem no Brasil. A produção chinesa responde por apenas cerca de 20% da demanda do país. A China, no entanto, se sente “desconfortável” com essa dependência, afirma Larissa Wachholz. Por isso, o país vem intensificando os investimentos em tecnologia e melhoramento genético, inclusive em sementes transgênicas, tema que, até pouco tempo atrás, era tratado como “tabu” no país. O objetivo é aumentar a produção sem ampliar a área plantada nem o consumo de água. No mercado de grãos, o Brasil já sentiu o impacto nas exportações de milho. No ano passado, a China teve uma safra recorde e reduziu as importações do cereal de 8,4 milhões de toneladas em 2024 para menos de 4 milhões em 2025. Como resultado, o valor das exportações brasileiras de milho para a China caiu 20,8% no ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura. Outro reflexo desse movimento já apareceu no mercado de carne bovina, com a adoção de cotas para o Brasil e outros países exportadores. Em janeiro, a China estabeleceu uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne brasileira que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas. Em julho, esse limite que já foi batido, segundo levantamento do consultor Fernando Enrique Iglesias, do Safras & Mercado. "A cota nasceu de uma investigação de salvaguarda, e o próprio Ministério do Comércio chinês foi explícito ao justificá-la: a carne importada estava prejudicando a indústria doméstica, e a medida serviria para estabilizar o rebanho e dar tempo aos produtores chineses de se reorganizar", afirma Santana. Mas, para o especialista, essa política vai encontrar um teto. "A China produz cerca de 7,8 milhões de toneladas de carne bovina e consome perto de 11 ou 12 milhões. Esse buraco é estrutural, e a OCDE projeta que ele chegue perto de 4 milhões de toneladas por ano até 2032", diz Santana. "Ou seja, a cota administra o ritmo da importação e protege o pecuarista local, mas não elimina a dependência. É um escudo temporário, não uma porta que fecha". O que o Brasil deve fazer? Uma das saídas é diversificar destinos de exportação. "Só em 2025, o Brasil abriu mais de 200 novos mercados, sendo quase 20 deles para carne bovina", diz Santana. Contudo, não vai ser fácil substituir parte do mercado chinês, que compra metade de tudo o que o Brasil exporta de carne bovina. Valor exportado de carne bovina em 2025; total e para os 5 maiores destinos. Arte/g1 Outra frente é ampliar a presença das empresas brasileiras na China para acompanhar mais de perto as mudanças regulatórias, tecnológicas e comerciais. Segundo Larissa Wachholz, a presença do setor privado brasileiro no país ainda está aquém da importância que esse mercado tem para o agronegócio nacional. A especialista diz que o Brasil pode ainda criar novas oportunidades, como na área de produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para o transporte marítimo, setores que devem ampliar a demanda por matérias-primas agrícolas nos próximos anos. Nesse cenário, soja e milho podem ganhar novos mercados de maior valor agregado, reduzindo a dependência da exportação de grãos. Por fim, os especialistas reforçam que a nova estratégia da China está longe de provocar uma ruptura entre os dois países. "Tem um sinal que vale mais que discurso: os chineses estão investindo no Brasil para garantir abastecimento de alimentos. A COFCO ampliou terminal no Porto de Santos, comprou locomotivas e vagões, e há um memorando para estudar a ferrovia bioceânica ligando o Centro-Oeste ao Pacífico", diz Santana. "Ninguém investe em logística de longo prazo num fornecedor que pretende abandonar. O comércio agrícola entre os dois países já bate a casa dos US$ 100 bilhões por ano. O que muda é a exigência, não a importância", conclui.
Câmera de segurança flagrou abandono de cachorro em São Leopoldo (RS) Reprodução/Câmera de segurança Foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de lei que endurece as punições para quem usar veículo para abandonar animais. A proposta agora segue para o Senado para ser votada. O texto prevê multa, suspensão do direito de dirigir e cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em caso de reincidência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O projeto reúne propostas que tramitavam em conjunto na Câmara e estabelece também punições para o abandono de animais com embarcações. O parecer do relator, deputado Fred Costa (PRD-MG), recomenda a aprovação da matéria na forma de um substitutivo. Ou seja, altera o texto original e junta outras propostas. Agora no g1 O que prevê o projeto A proposta cria uma nova infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para quem utilizar veículo para abandonar ou ajudar no abandono de um animal em via. A punição básica é multa equivalente a 10 vezes o valor previsto para a infração e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o animal abandonado for cão ou gato, a suspensão sobe para 18 meses. O texto também prevê regras específicas para abandono de animais com embarcações em rios, lagos, baías, represas e outras águas interiores. Nesse caso, a punição inclui multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Para cães e gatos, o período também sobe para 18 meses. Veja as punições previstas Abandono com veículo: infração gravíssima. Multa: 10 vezes o valor da multa correspondente à infração. Suspensão da habilitação: 12 meses. Se for cão ou gato: suspensão por 18 meses. Se o abandono provocar morte, atropelamento ou lesão: a multa é aplicada em dobro. Reincidência em até 24 meses: cassação da CNH. Abandono com embarcação: multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Cão ou gato abandonado por embarcação: suspensão por 18 meses. Morte, afogamento ou lesão em abandono por embarcação: multa em dobro. Reincidência em até 24 meses com embarcação: cancelamento do certificado de habilitação. O que diz o relator No parecer, Fred Costa afirma que o abandono de animais deve ser tratado como uma conduta de maior gravidade. “Todos [os projetos apensados ao texto final] partem de uma premissa correta: o abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa”, diz o deputado no voto. Segundo o relator, o uso de veículos agrava a situação porque pode levar o animal para locais onde fica mais difícil seu retorno, resgate ou identificação do responsável. O parecer cita ainda riscos como atropelamento, fome, sede, doenças e ataques de outros animais. Em outro trecho, Costa defende que a prática não seja tratada apenas como uma irregularidade administrativa. “O abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa.”

Empresas se adaptam às mudanças previstas na reforma tributária A reforma tributária sobre o consumo, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou uma incerteza sobre como o preço dos produtos e serviços será informado ao consumidor: com ou sem imposto. 💰 A reforma brasileira não trata do formato de divulgação de preços. E, apesar de leis anteriores vigentes tratarem da eiquetagem dos produtos, não há clareza sobre qual dos modelos será adotado. Nos Estados Unidos, os preços ao consumidor costumam ser exibidos sem o chamado imposto sobre o consumo, que é acrescido no caixa e varia conforme a jurisdição local. Já os países da União Europeia geralmente já incluem o tributo nos preços ao comprador final. Um decreto que detalha as regras de oferta de afixação de preços determina que o preço "deverá ser informado discriminando-se o total à vista". O decreto prevê que as informações tenham: Legibilidade: que a informação que seja visível e indelével. Ostensividade: que a informação que seja de fácil percepção, dispensando qualquer esforço na sua assimilação; e Precisão: que a informação que seja exata, definida e que esteja física ou visualmente ligada ao produto a que se refere, sem nenhum embaraço físico ou visual interposto; Clareza: que a informação possa ser entendida de imediato e com facilidade pelo consumidor, sem abreviaturas que dificultem a sua compreensão, e sem a necessidade de qualquer interpretação ou cálculo; Correção: a informação deve ser verdadeira sem induzir o consumidor ao erro; ➡️ O sistema atual brasileiro impede a identificação exata de quanto é pago em tributos, pelo fato de impostos serem cobrados sobre impostos (saiba mais aqui). Por isso, a nota fiscal traz uma estimativa aproximada. Entretanto, essa imprecisão acabará com a reforma tributária, tornando possível informar exatamente quanto incide de tributos. Eletrodomésticos a venda em loja de Porto Alegre Reprodução/RBS TV O que dizem as empresas e o governo A ausência de uma regra clara na reforma tributária, apesar da existência de leis sobre a divulgação de preços, está gerando incerteza entre os setores da economia. A Secretaria da Receita Federal informou que "questões relacionadas à divulgação de preços e à proteção dos direitos do consumidor não integram o escopo de atuação da administração tributária e que, deste modo, não cabe à instituição manifestar-se sobre o tema". O Comitê Gestor do IBS, responsável pela gestão do tributo dos estados e municípios, afirmou que não cabe a ele "definir a estratégia empresarial e de precificação de cada empresa". "Isso está no âmbito da livre concorrência, cabendo a cada agente econômico definir a sua politica como entender melhor para o seu negócio, considerando o perfil dos seus clientes e do seu mercado específico", afirmou. O g1 também contactou a Secretaria Nacional do Consumidor Senacon do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas não obteve resposta até a última atualização dessa reportagem. Marcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) disse que ainda não há definição sobre o formato de exibição dos preços nas gôndolas dos supermercados a partir da vigência da reforma tributária. "A definição, porém, envolve aspectos regulatórios e de direito do consumidor que precisam ser avaliados. O Código de Defesa do Consumidor permanece vigente independentemente da reforma tributária e deve ser considerado em qualquer análise", informou o vice-presidente da Abras. O executivo avaliou, ainda, que "também é necessário considerar o aspecto cultural". "O consumidor brasileiro está habituado a encontrar nas gôndolas o preço cheio, que corresponde ao valor pago no caixa. Caso esse modelo seja alterado, será necessária uma transição", concluiu Marcio Milan. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que "discussões sobre essas questões mais práticas" não chegaram à associação. "Por enquanto, a Anfavea e suas associadas aguardam ansiosamente a definição das alíquotas, inclusive do Imposto Seletivo – o que mais nos preocupa", acrescentou. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), por sua vez, avaliou que a exibição de preços para o consumidor final nas lojas físicas no Brasil continuará sendo com impostos incluídos. "Destacar e detalhar os impostos diretamente no preço anunciado na gôndola geraria forte confusão e insatisfação, além de entrar em conflito direto com a legislação de proteção ao consumo. O consumidor brasileiro está habituado a saber o valor exato no momento em que pega o produto na prateleira. Alterar esse hábito, apresentando o preço líquido na gôndola, exigiria uma mudança cultural profunda e geraria atritos nos caixas (checkouts), onde eventuais divergências costumam desembocar", disse. Guilherme Henrique Martins Santos, conselheiro e diretor de Assuntos Tributários da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom) analisa que não há norma que imponha ao varejo online a adoção do modelo norte-americano ou europeu, tampouco vedação expressa a eles. Segundo ele, ainda não há recomendação formal de padronização, mas a discussão já está em curso no setor. "[Mudança na forma de divulgar o preço] Tende a gerar estranhamento e desconfiança: o consumidor pode interpretar a diferença como cobrança adicional, ainda que o valor final seja idêntico", afirmou a associação. ➡️Nas vendas pela internet, a Abiacom diz que o fato de os impostos estaduais e municipais passarem a ser cobrados no estado dos consumidores, a partir de 2029, impõe um desafio operacional, pois cada estado fixar sua alíquota. Mas que "isso não impede, do ponto de vista jurídico, a divulgação do preço cheio". "Em nosso entendimento, a solução mais adequada é manter a divulgação do preço com base na alíquota de referência, acompanhada de ressalva clara e de fácil identificação — posicionada junto ao preço, e não em cláusulas de difícil visualização — informando que a alíquota do IBS poderá variar conforme o local de destino do bem", argumenta a associação. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) não respondeu qual formato de divulgação dos preços deve ser adotado, em seu ponto de vista. "O novo modelo torna essa precificação mais complexa, especialmente no comércio eletrônico, já que o IBS será calculado considerando as alíquotas do Estado e do Município de destino da operação. Na prática, isso exigirá que os sistemas das empresas estejam preparados para identificar o destino da compra, aplicar as alíquotas correspondentes e calcular corretamente o valor da operação. Essa adaptação preocupa especialmente no caso das micro e pequenas empresas, que podem enfrentar maiores dificuldades para incorporar essa nova dinâmica aos seus sistemas de venda", avaliou a CNC. Impostos por 'dentro' e por 'fora' Atualmente, no Brasil, alguns tributos são cobrados "por dentro", ou seja, o valor de um imposto integra a base de cálculo de outros tributos. O ICMS, por exemplo, incide sobre ele próprio e também compõe a base de cálculo do PIS/Cofins. Esse formato é adotado atualmente apenas no Brasil e na Venezuela. Este modelo torna mais difícil identificar quanto de imposto está efetivamente embutido no preço de um produto ou serviço. Por isso, as notas fiscais trazem apenas uma estimativa "do valor aproximado de tributos", conforme prevê a legislação, sem indicar um valor exato. Com o início dos novos tributos fixados na reforma tributária, em 2027, a cobrança "por dentro" deixará de existir. Os tributos não farão mais parte da base de cálculo uns dos outros, o que tornará mais simples e transparente a identificação do valor efetivamente pago em impostos. O sistema seguirá o padrão do resto do mundo – o que dará transparência sobre o valor efetivo dos impostos no Brasil. Ao eliminar a cobrança de impostos "por dentro", a reforma tributária permitirá identificar com precisão o peso dos tributos sobre produtos e serviços.

Álcool, cigarro e home office: quais os limites da postura no trabalho remoto Nesta semana, um juiz de Minas Gerais apareceu fumando e aparentemente consumindo bebida alcoólica durante uma sessão virtual de julgamento. O episódio resultou no afastamento do magistrado e reacendeu um debate: quais são os limites do que pode ser feito durante o expediente remoto? Situações que antes pareciam impensáveis passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas que trabalham de casa. Trabalhar de pijama. Participar de reuniões sem camisa. Responder mensagens do salão de beleza, da academia ou da praia. Fazer uma pausa durante o expediente para colocar roupa na máquina. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mas quais dessas situações podem representar uma violação das regras de trabalho? Especialistas em recursos humanos e direito explicam até que ponto vai a flexibilidade do trabalho remoto e quais responsabilidades profissionais continuam valendo fora do escritório. Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual g1 O que muda quando o trabalho é feito de casa? A resposta dos especialistas é praticamente unânime: do ponto de vista profissional, muito pouco. Para trabalhadores contratados pela CLT, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, regras de conduta, políticas internas e expectativas da empresa continuam valendo normalmente. "A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto", afirma a advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho. No caso dos magistrados, há ainda normas específicas ligadas à função pública e ao dever de manter conduta compatível com o cargo, inclusive durante atividades realizadas por videoconferência. Posso trabalhar de pijama, sem camisa ou em outro ambiente fora de casa? Do ponto de vista legal, não existe uma regra geral na CLT que proíba trabalhar de pijama, sem camisa ou em outros locais. Segundo a consultora de RH e carreiras Karla Lemos, a questão central não está na roupa ou no local escolhido para trabalhar, mas na forma como o profissional desempenha suas atividades. "O que realmente importa é a entrega. Se a pessoa consegue realizar um trabalho relevante, dentro do prazo e de acordo com o que se espera dela, não há problema na roupa que está usando ou no ambiente em que está trabalhando", afirma. Ela ressalta, porém, que situações que afetam a imagem profissional ou prejudicam reuniões, atendimentos e entregas podem gerar avaliações negativas. "A principal pergunta não é: 'Posso trabalhar de pijama?'. A pergunta é: esse comportamento é adequado ao contexto em que a pessoa está naquele momento?" Quais são os 'limites invisíveis' do home office? Para Karla, o principal risco é confundir flexibilidade com falta de responsabilidade. Pequenas atividades domésticas durante o expediente, como colocar roupas na máquina ou resolver questões rápidas da rotina, fazem parte da realidade de quem trabalha remotamente e não são, por si só, sinais de falta de comprometimento. O problema surge quando a autonomia passa a afetar a disponibilidade e o desempenho do trabalhador. "Home office não significa férias com Wi-Fi. A casa é do profissional, mas os compromissos, as entregas e os prazos continuam sendo da empresa." Segundo ela, atrasar reuniões, desaparecer durante o expediente, deixar mensagens sem resposta por longos períodos ou participar de encontros sem conhecer a pauta continuam sendo comportamentos vistos de forma negativa, independentemente do local de trabalho. Home office trabalho remoto Pexels Beber álcool e fumar durante o expediente pode gerar punição? Dependendo das circunstâncias, sim. A advogada Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o consumo de álcool durante a jornada pode resultar em medidas disciplinares e, em alguns casos, até justificar uma demissão por justa causa. A análise leva em consideração fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados. 🔎 Há uma exceção importante: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui entendimento de que o alcoolismo pode ser reconhecido como doença, o que exige tratamento jurídico diferente de uma simples infração disciplinar. O cigarro costuma receber tratamento diferente. Embora possa contrariar normas internas da empresa ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, fumar durante uma videoconferência normalmente resulta em medidas mais brandas, como advertências. Isso ocorre porque o álcool pode comprometer diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar geralmente é analisado como eventual descumprimento de regras corporativas. Empresa pode criar próprias regras? Especialistas explicam que as empresas possuem autonomia para estabelecer políticas internas de conduta aplicáveis também aos trabalhadores em home office. 🔎 Essas normas podem abordar temas como participação em reuniões, uso da imagem corporativa, vestimenta em videoconferências, consumo de álcool durante a jornada e relacionamento com clientes e colegas. É diferente no caso de magistrados. Segundo a especialista em Direito da Magistratura Daniela Poli Vlavianos, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) determina que juízes mantenham "conduta irrepreensível na vida pública e particular". Além disso, o Código de Ética da Magistratura prevê deveres relacionados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional. Por isso, comportamentos praticados durante audiências e julgamentos remotos podem ser analisados de forma diferente daqueles realizados na vida privada. Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG

Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja datas de pagamento e novas regras O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá o último lote liberado neste segunda-feira (17). Nesta etapa, o benefício será pago aos trabalhadores nascidos em novembro e dezembro. (CORREÇÃO: na publicação desta reportagem, o g1 errou ao informar que o pagamento do último lote do PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, seria feito neste sábado (15). Como era fim de semana, o pagamento passou para segunda-feira,17. A informação foi atualizada às 10h desta segunda, 17.) Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026. Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93. ➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa. O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br. Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026: Abono salarial 2026 De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos. A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado. O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono. Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem: Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja regras e o calendário completo O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores. Marcello Casal Jr.

Mutirão do INSS em Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica A chamada fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando sistematicamente neste ano após determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerá-la ainda em 2026, mas os indeferimentos de pedidos também avançam com rapidez. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho – o menor patamar em 21 meses. No ano, a redução da fila foi de 74%. ➡️O número de benefícios negados também mostra forte elevação. Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão. ➡️No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o antigo auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente. "É importante ressaltar que os indeferimentos fazem parte do processo de análise de requerimentos de benefícios. O indeferimento é a medida correta quando não são cumpridos os requisitos necessários ou o segurado não atendeu às exigências – como prazos ou apresentação de documentos", informou o Ministério da Previdência. Matemática que 'não fecha' Para Jane Berwanger, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o declínio da fila acompanhada de alta dos indeferimentos é uma "matemática que não fecha". Na avaliação da especialista, a estratégia pode apenas transferir a demanda para outra etapa do processo. "É adiar o problema porque esses processos, em grande parte, vão voltar", afirma Jane, adicionando que os pedidos negados podem resultar em novos requerimentos, recursos administrativos ou ações judiciais, contribuindo para o aumento da judicialização de questões previdenciárias. "Tanto se fala do alto índice de judicialização no Brasil, principalmente em matéria previdenciária, e aqui nós temos um exemplo disso. Muitas pessoas que, se o processo fosse melhor analisado, poderiam ter o seu caso resolvido, vão ter que ir para a Justiça para ter o direito", diz. A diretora também apontou dificuldades enfrentadas pelos segurados para comprovar o direito ao benefício, especialmente nos casos que dependem da demonstração de incapacidade para o trabalho. Entre os fatores que podem contribuir para os indeferimentos, ela cita a falta de documentação médica e problemas na análise realizada durante a perícia. Segundo a especialista, a dificuldade de reunir documentos que comprovem a incapacidade, somada a uma avaliação considerada insuficiente, pode prejudicar o segurado no processo de concessão do benefício. Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília (DF) Wilton Junior/Estadão Conteúdo Bônus para servidores e limitação de requerimentos De acordo com o especialista em Previdência Social, Leonardo Rolim, que foi secretário de Previdência Social e presidente do INSS entre 2019 e 2022, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, porém, os dados oficiais disponíveis não indicam, em um primeiro momento, que haja algo errado no forte aumento de indeferimentos neste ano. Segundo ele, a principal medida adotada pelo governo para reduzir da fila do INSS neste ano tem sido o bônus para peritos e servidores do INSS, o que, em sua visão, é um expediente já utilizado anteriormente e que costuma apresentar resultados efetivos. Rolim observou que, por conta disso, a fila de perícias despencou nos últimos meses. Perícia médica é etapa obrigatória para concessão e continuidade de alguns benefícios do INSS. Fabiane de Paula/SVM "O mais importante é olhar o percentual de rejeições. Se aumenta o número de análises, é normal aumentar rejeições. Em junho, foi 54,2%. Em 2019 e em 2022 [quando também foi pago bônus aos servidores], o índice de rejeição foi de 44,7% e de 49,5%. É mais alto [neste ano], mas não é absurdamente mais alto", avaliou Leonardo Rolim. Outra mudança foi a que impede que o segurado apresente um novo requerimento enquanto houver um processo em curso referente ao mesmo tipo de benefício. Na prática, um novo pedido só pode ser apresentado após 30 dias da primeira decisão. Isso ocorre porque o processo é considerado pendente durante o prazo para apresentação de recurso administrativo. Para Bernardo Schettini, consultor legislativo do Senado Federal, a alteração normativa é válida diante do que ele classifica como um "flagrante excesso de demanda pelos serviços do INSS". Para ele, a apresentação de múltiplos requerimentos para o mesmo benefício gera uma externalidade negativa para os demais segurados, pois reduz a capacidade do órgão analisar novos pedidos. O especialista, porém, pondera que a medida também impõe custos aos segurados. Muitas vezes, afirma, novos requerimentos são apresentados para corrigir falhas documentais, complementar informações ou solucionar problemas na instrução do pedido anterior. "É evidente que esse tipo de medida impõe custos aos segurados. Muitas vezes, novos requerimentos são apresentados para suprir falhas documentais, complementar informações ou corrigir erros na instrução do pedido anterior", explicou Schettini. Ele acrescentou que, ao restringir a apresentação de novos requerimentos, a norma pode aumentar o tempo efetivo de acesso ao benefício, sobretudo para pessoas que enfrentam dificuldades para obter informações, reunir documentos ou utilizar os canais digitais do INSS. "Ao restringir a apresentação de requerimentos, a norma pode elevar o tempo efetivo de acesso ao benefício, especialmente para pessoas com dificuldade de acesso a informações, de obtenção de documentos ou de utilização dos canais digitais", complementou o consultor. Atestmed Rolim aponta que outro possível fator que pode ter contribuído para aumentar as rejeições foi a substituição do Atestmed, um procedimento do INSS que concedia auxílio-doença com base em análise de documentos enviados pelo segurado, pela perícia médica presencial. Alguns benefícios do INSS exigem perícia médica para obtenção e permanência do repasse financeiro. Natinho Rodrigues/SVM "O Atestmed garantia praticamente o benefício mesmo a quem não tivesse direito. O pessoal descobre que está fácil e entra com o pedido. Chegou a aumentar no número de requerimentos de 80% sem ter nenhuma epidemia no país. Claramente era fraude. Quando começa a haver perícia, essa fraude cai. É possível e justificável que esse aumento de indeferimentos seja por uma substituição do Atestmed por perícias, mas tem que se verificar isso", explicou Rolim. Jane Berwanger vai na mesma direção. "No ano passado, o Atestmed não podia indeferir. Então, a pessoa apresentava o Atestmed e, se o benefício não fosse concedido, ia para a perícia. Agora, não mais", contextualiza ela. Um dos reflexos disso seria a ampliação da possibilidade de o pedido ser negado já na análise documental. "E aí aconteceu esse problema de os médicos não olharem a documentação. Bastaria eles olharem a documentação e nem isso muitos deles estão fazendo. Então, a diferença é essa: agora o Atestmed indefere pedidos", explicou a diretora. Governo se posiciona Procurado pelo g1, o Ministério da Previdência Social informou que a aceleração no fluxo de trabalho e o crescimento no número de requerimentos elevaram o número de decisões tomadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. "Quanto mais requerimentos chegam e quanto mais rápido o INSS analisa os processos acumulados, maiores ficam todos os números absolutos, de decisões, concessões e indeferimentos", acrescentou o governo federal. Diz, ainda, que proporcionalmente a taxa de concessões no primeiro semestre de 2026 (49,5%) reflete a média histórica recente do INSS. Fila do INSS: Lula anuncia meta de zerar espera até setembro O Ministério da Previdência ponderou que o segurado tem direito a recorrer administrativamente, sem custo, junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em até 30 dias após a análise, se não concordar com a decisão. E afirmou que a possibilidade de recurso é uma "garantia de proteção dos direitos dos segurados e faz parte do funcionamento regular da Previdência Social". "Todo cidadão tem direito de buscar a revisão de uma decisão com a qual não concorde, inclusive por meio da Justiça, se considerar necessário. O recurso é um instrumento previsto no próprio sistema previdenciário para garantir que as decisões possam ser reavaliadas quando o cidadão apresentar novos elementos ou discordar da análise realizada", concluiu.

Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel O sistema da Vivo contra ligações indesejadas que foi alvo de reclamações da TIM foi autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que avalia adotar bloqueios parecidos nas demais redes de telefonia. (veja mais ao final) O chamado "Vivo Anti-spam" é tema de processos administrativos da Anatel desde o início de junho. A alegação de ao menos sete empresas, incluindo a TIM, é de que o serviço impede ligações legítimas e cria barreiras artificiais para concorrentes da Vivo. Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mas, na última quinta-feira (13), a Anatel concluiu que não há elementos suficientes para considerar o Vivo Anti-spam uma violação de regras do setor e determinou que a empresa pode continuar usando sua ferramenta. A agência esclareceu que a medida não dá às operadoras liberdade irrestrita para bloquear chamadas. E disse que sistemas contra ligações indesejadas deve considerar fatores como proporcionalidade, transparência e igualdade no tratamento entre empresas. Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico Por que recebemos tantas ligações indesejadas? E como evitar esse tipo de chamada? Um dos pontos questionados pela TIM foi a decisão da concorrente de ativar o anti-spam por padrão para todos os clientes – a ferramenta tinha sido lançada em novembro de 2024, mas só passou a ser ativada automaticamente em maio de 2026. A Vivo disse que a taxa de cancelamento do serviço por usuários é de apenas 0,007%, o que reforçaria sua aceitação pelo público. A Anatel concluiu que a ativação automática reduz a exposição de consumidores "hipervulneráveis" e com baixo letramento digital a golpes. Na avaliação da agência, eles teriam mais dificuldades para usar a ferramenta se tivessem que habilitá-la por conta própria. Mas o órgão determinou que a página sobre o anti-spam no site da Vivo deve ter "informações claras, ostensivas e de fácil compreensão sobre seu funcionamento, incluindo os critérios e parâmetros utilizados para definir o tráfego sujeito à filtragem". Entenda a disputa entre operadoras Além da TIM, outras empresas que questionaram o sistema relataram à Anatel casos de bloqueio de ligações consideradas legítimas, como aquelas feitas por serviços públicos de saúde, segurança e educação. As operadoras também questionaram a falta de clareza sobre como o sistema define quais ligações seriam bloqueadas. Em alguns casos, os números foram liberados após contato com a Vivo. A principal questão na disputa entre as empresas é o critério usado para bloquear as ligações, explicou Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, ao g1 no início de agosto. "O anti-spam do telefone funciona como o do e-mail: de vez em quando, caem coisas que não deveriam ter caído. Não existe um anti-spam perfeito que vai bloquear só o que deve", afirmou. "A Vivo não pode bloquear as chamadas legítimas. A Anatel vai ter que estabelecer algum mecanismo para evitar que isso aconteça", continuou. Anatel avalia ampliar bloqueios contra spam Ainda em sua decisão, a Anatel recomendou que outros departamentos da agência avaliem a possível adoção de critérios de bloqueio de ligações indesejadas do Vivo Anti-spam pelas demais redes de telefonia. Na avaliação da agência, o alto número de chamadas sem identificação e sem interação efetiva, como as ligações mudas, "configura prática abusiva, que deteriora a comunicação e promove crise de confiabilidade entre os usuários". O objetivo com a recomendação é estimular a criação de padrões para barrar robôs no recebimento de chamadas, protegendo usuários que não saberiam configurar bloqueios manualmente. Isso significa que o modelo da Vivo deixaria de ser uma iniciativa isolada para se tornar um padrão para todas as operadoras. O órgão afirmou ainda que a padronização no setor ajudaria a garantir igualdade de condições entre as empresas, evitando que regras de filtragem fiquem restritas a apenas uma operadora. Empresas afirmaram que sistema anti-spam da Vivo impediu ligações legítimas Priscilla Du Preez/Unsplash

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas Um vídeo divulgado nesta sexta-feira (14) mostra uma sonda da Petrobras na bacia do Foz Amazonas, no litoral do Amapá, após a empresa informar ter encontrado hidrocarbonetos no local. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas. "As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", diz a empresa, em nota. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Reprodução O que falta descobrir? A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área. Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a "descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país". Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a "segurança energética nacional no médio e longo prazo". Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação O que disse a Petrobras A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse. A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013. Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030 A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030. Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas. "As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", diz a empresa, em nota. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas Reprodução O que falta descobrir? A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área. Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a "descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país". Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a "segurança energética nacional no médio e longo prazo". Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação O que disse a Petrobras A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse. A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013. Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030 A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030. Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

Transpetro abre processo seletivo com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil Candidatos e participantes do concurso público da Transpetro devem estar atentos para a existência de sites falsos. Eles estão usando indevidamente o nome, a marca e elementos visuais da instituição com o objetivo de obter dados pessoais e realizar cobrança de inscrição. As páginas fraudulentas podem apresentar aparência semelhante à dos canais oficiais, incluindo logotipo, cores, imagens e estrutura visual, dificultando sua identificação. Segundo a Fundação Cesgranrio, a principal forma de verificar a autenticidade de uma página é conferir atentamente o endereço eletrônico acessado. Como verificar se o site é seguro Antes de informar dados pessoais, realizar qualquer pagamento ou efetuar uma inscrição, a Fundação recomenda que o candidato: Confira cuidadosamente o endereço eletrônico exibido no navegador; Verifique se a página utiliza HTTPS (um recurso que criptografa a conexão, deixando-a segura); Observe o ícone de cadeado de segurança exibido pelo navegador; Clique no cadeado e confira as informações do certificado de segurança, verificando se ele corresponde ao domínio oficial; Evite acessar páginas de inscrição por meio de links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou anúncios patrocinados. Em caso de dúvida sobre a autenticidade de uma página, a orientação é não fornecer dados pessoais, não informar senhas e não realizar pagamentos até que a legitimidade do site seja confirmada pelos canais oficiais da instituição. Como fucniona o processo seletivo da Transpetro? A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público. Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar. Transpetro publica editais de concurso com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil; veja como participar As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição. Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas. Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas.

Logo do Telegram. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo A SaferNet, ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet, anunciou nesta sexta-feira (14) que protocolou na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram que apresentam indícios de material de abuso sexual infantil. A denúncia faz parte de um levantamento realizado pela ONG entre 2017 e 2026, a partir de denúncias recebidas pela plataforma www.denuncie.org.br. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao todo, a SaferNet afirma ter enviado à ANPD 14.969 links do Telegram com conteúdos sobre drogas, armas, golpes, automutilação, entre outros temas. Segundo a SaferNet, dos quase 15 mil links levantados no período de 2017 a 2026, 8.160 já estavam inexistentes ou haviam sido removidos, e 4.851 eram convites revogados. Os mais 1 mil com material de abuso sexual infantil seguem no ar, segundo eles. O g1 procurou o Telegram para comentar o levantamento e aguarda retorno. Agora no g1 Conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Não é de hoje que o Telegram vem sendo usado como reduto de conteúdo de abuso sexual infantil, ponderou a ONG. Em 2024, a SaferNet denunciou que mais de 1 milhão de usuários da plataforma estavam em grupos que vendiam material do tipo. Dos 1.093 endereços ativos que apresentam indícios de material de violência sexual contra crianças ou adolescentes, 518 são perfis de usuários e robôs, 256 são convites ativos, 192 são canais e 127 são grupos, de acordo com a ONG. "O Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial", afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Segundo a SaferNet, o número de denúncias apresentou crescimento acentuado a partir de 2022 e atingiu o maior patamar da série histórica em julho de 2026, indicando que o fenômeno observado desde 2024 continua e se agrava. Pena mais dura O presidente Lula sancionou no início deste mês uma lei que amplia a punição para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes cometidos no ambiente digital, inclusive com uso de inteligência artificial. O projeto é de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho. Desde o mês passado aguardava a sanção do presidente da república. A produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil tem aumentado ano a ano no Brasil. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 4.063 registros em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram 3.280 casos. Entre as principais mudanças previstas na nova lei, estão os aumentos de pena de alguns crimes praticados contra crianças e adolescentes, incluindo: aumento da pena do crime de aliciamento de menores de 14 anos quando o agente usa inteligência artificial, deepfake ou perfil falso para se passar por outra pessoa; possibilidade de aumento de pena para quem usar recursos de mascaramento de IP (protocolo de internet) ou outros identificadores digitais para dificultar a identificação em crimes contra crianças e adolescentes; inclusão dos principais crimes de violência sexual infantil no rol de crimes hediondos e criação de nova hipótese de prisão preventiva para esses casos. Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes

Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook, comparece ao 7º Prêmio Anual de Mídia de Senso Comum em homenagem a Bill Clinton no Gotham Hall em 28 de abril de 2011 na cidade de Nova York. Jason Kempin/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo O empresário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, acaba de entrar para o grupo de proprietários do Liverpool. Ele integra, ao lado do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e outros investidores, o consórcio 1892 Holdings, que comprou uma participação minoritária no clube inglês. Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 173 bilhões). Ele ocupa a 66ª posição no ranking dos mais ricos do mundo em 2026. Ele é um dos cofundadores do Facebook, o que deu origem a parte de sua fortuna. Relação com o futebol não é de hoje: o interesse pelo Chelsea A relação de Eduardo Saverin com o futebol inglês começou antes de sua entrada no Liverpool. Em 2022, o brasileiro integrou o grupo liderado pelo empresário americano Steve Pagliuca que tentou comprar o Chelsea, então colocado à venda pelo russo Roman Abramovich. Saverin e sua mulher, Elaine, estavam entre os investidores que apoiavam a proposta de Pagliuca, co-presidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics. A oferta avaliava o Chelsea em cerca de US$ 4 bilhões. O grupo chegou a participar da disputa final pela aquisição do clube, mas não venceu. O Chelsea acabou sendo comprado por um consórcio liderado pelo empresário Todd Boehly e pela Clearlake Capital. Mas, afinal, quem é Saverin? Nascido em São Paulo, em 1982, Saverin se mudou ainda criança para os Estados Unidos. Foi lá que conheceu Mark Zuckerberg, durante a graduação em economia na Universidade Harvard, e se tornou um dos cofundadores do Facebook, em 2004. Hoje, aos 44 anos, ele vive em Singapura com a esposa e o filho. O brasileiro domina inglês e português de forma fluente, e conversa em espanhol no nível intermediário. No início da rede social, Saverin ficou responsável pela área de negócios e fez o investimento inicial que permitiu o funcionamento da empresa, segundo o livro Milionários Acidentais, de Ben Mezrich. Foi a participação no Facebook que deu origem à sua fortuna. Ele entrou pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital da empresa, que elevou o valor de sua fatia na companhia. Saiba quem é Eduardo Saverin, o brasileiro mais rico do mundo A participação de Saverin, porém, acabou sendo menor do que a dos demais fundadores. Ele e Zuckerberg romperam a parceria ainda nos primeiros anos da empresa, em meio a divergências sobre os rumos do negócio. A disputa foi parar na Justiça e inspirou parte da trama do filme "A Rede Social" (2010), em que o brasileiro é interpretado pelo ator Andrew Garfield. Mesmo assim, Saverin chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024, quando sua fortuna foi estimada em US$ 155,9 bilhões (R$ 796,64 bilhões) após a forte valorização das ações da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Como Saverin foi 'varrido' do Facebook Enquanto Saverin cuidava da área de negócios, Zuckerberg concentrava o desenvolvimento da plataforma, que crescia rapidamente. Com a expansão da empresa, surgiram divergências entre os dois sobre a condução do Facebook. Segundo uma reportagem publicada em 2012 pelo Business Insider, Zuckerberg pretendia transferir o registro da empresa para o estado americano de Delaware, conhecido por ter uma legislação mais favorável às empresas. Ele também demonstrava insatisfação com o afastamento de Saverin das atividades do dia a dia. Foto de Eduardo Saverin ao lado da esposa, Elaine Andriejanssen (à direita), e de Justin Trudeau (à esquerda), educador e ex-primeiro ministro do Canadá Divulgação/Linkedin Em uma mensagem enviada ao cofundador Dustin Moskovitz, Zuckerberg afirmou que Saverin havia falhado em suas principais responsabilidades: estruturar a empresa, captar recursos e desenvolver um modelo de negócios. Com a relação desgastada, Zuckerberg criou, em julho de 2004, uma nova empresa em Delaware para assumir o controle do Facebook. Em poucos meses, a participação de Saverin foi diluída de 65% para menos de 10%. O caso acabou nos tribunais. O Facebook questionou um documento que garantiria mais ações ao brasileiro, enquanto Saverin acusou a empresa de descumprir deveres legais de transparência e lealdade entre os sócios. Anos depois, as partes chegaram a um acordo, e Saverin ficou com cerca de 5% da empresa. Em 2012, pouco antes da abertura de capital do Facebook, o brasileiro renunciou à cidadania americana e passou a viver oficialmente em Singapura, onde mora até hoje. A carreira depois do Facebook Depois de deixar a gestão do Facebook, Saverin passou a investir em empresas de tecnologia em estágio inicial. Em 2015, fundou a gestora B Capital ao lado de Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e do Boston Consulting Group (BCG). Atualmente, Saverin é cofundador e copresidente da empresa, que investe em companhias de tecnologia, saúde e clima em diferentes países. Segundo a Forbes, a gestora administra mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,77 bilhões) e mantém escritórios em cidades como São Francisco, Nova York, Los Angeles, Austin, Singapura, Hong Kong e Doha. O cofundador do Facebook Eduardo Saverin (dir.) e Darius Cheung cofundador da BillPin e CEO cofundador da tenCube adquirida pela McAfee participam do segundo aniversário da 99.co e do lançamento da 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo Sob a liderança de Saverin, a B Capital ampliou sua atuação nos últimos anos. Em 2022, levantou US$ 250 milhões (R$ 1,27 bilhão) para investir em startups em estágio inicial. Em 2024, captou outros US$ 750 milhões (R$ 3,83 bilhões) para empresas mais consolidadas. Já em 2026, anunciou um novo fundo de US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) voltado ao financiamento de novos negócios de tecnologia, ampliando sua presença no mercado de investimentos em inovação.
Instagram impulsiona rede de golpes que promete ajudar migrantes a chegar à Ceuta por até R$ 2,8 mil

Imigrantes menores de idade fazem fila em frente a delegacia de Ceuta para serem registradas REUTERS/Violeta Santos Moura Neste fim de semana, Mohammed quer ir do Marrocos para o enclave espanhol vizinho de Ceuta, no extremo norte da África. Ele é um marroquino na casa dos vinte anos de idade que quer emigrar para a Europa, principalmente porque tem visto muitos vídeos no Instagram que fazem a travessia parecer fácil. Ele contatou várias contas do Instagram e uma delas respondeu, alegando ter ajudado "muitas pessoas" e oferecendo conselhos sobre como atravessar a fronteira por centenas de dólares. Só que Mohammed não existe de verdade – ele é uma conta falsa que eu criei para investigar uma rede de perfis no Instagram que estão impulsionando o fluxo de migrantes para Ceuta com conteúdo inspirador e oferecendo ajuda mediante pagamento. Isso ocorre depois que aproximadamente 78 mil imigrantes vindos do Marrocos chegaram por mar a Ceuta em questão de horas no mês passado, 100 dos quais morreram, segundo o prefeito de Ceuta. A crise se abrandou desde então, mas gerou tensões entre as nações da União Europeia que partilham fronteiras abertas, bem como críticas ao governo espanhol. A BBC identificou dezenas de perfis no Instagram que disseram que fazer a curta travessia a nado ao redor da cerca da fronteira entre Marrocos e Ceuta é algo seguro e fácil – mas, na realidade, pessoas se afogaram tentando fazer a travessia e optaram por rotas muito mais longas. As contas também mostram erroneamente Ceuta como uma rota viável para a Europa continental. Nossa pesquisa sugere que isso contribuiu para o fluxo migratório, juntamente com outros fatores, como desinformação sobre mudanças na legislação de imigração espanhola e alegações sobre controles fronteiriços frágeis. Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas 'Ajuda' Após interagir com os perfis e publicações das contas, a BBC foi adicionada a vários canais e grupos do WhatsApp. Quando perguntei a uma das contas anônimas se poderiam me ajudar a atravessar para Ceuta neste fim de semana, disseram que sim e pediram "5.000 dirhams adiantados" (R$ 2,8 mil) por "informações que me ajudarão a entrar em Ceuta". Eles disseram que já tinham ajudado "muitas pessoas" a atravessar antes e que me dariam informações sobre a tubulação de esgoto que eu poderia usar para chegar ao enclave em segurança. A conta confirmou que muitos outros perfis do Instagram ajudam pessoas a atravessar para Ceuta dessa forma e solicitaram pagamento "via conta bancária" com um serviço específico de transferência de dinheiro. Mas eles não responderam quando perguntei se eu receberia um reembolso caso a travessia não fosse bem-sucedida. Desde então, eles apagaram várias mensagens que enviaram para a conta. Diversas contas no Instagram fazem a travessia parecer fácil Reprodução/BBC Parte da troca de mensagens entre a conta fictícia da BBC e uma das contas, sob pseudônimo, que alega ajudar migrantes marroquinos a chegar a Ceuta. Reprodução/BBC O mesmo perfil que deu esse conselho já havia dito à minha conta real do Instagram, da BBC, que "isso não incentiva a imigração para Ceuta" — uma mensagem que vários outros perfis repetem. E a situação continua: publicações nas redes sociais, ativamente recomendadas pelo algoritmo do Instagram, anunciam mais uma tentativa de travessia neste fim de semana. Isso aumenta o risco de mortes e acirramento das tensões diplomáticas entre Marrocos e Espanha. Vários dos perfis foram removidos do Instagram depois que a BBC entrou em contato com a Meta, proprietária da plataforma. "Temos uma equipe monitorando a situação em Ceuta em tempo real e removendo conteúdo que viola nossas políticas, incluindo conteúdo que oferece, facilita ou busca serviços de tráfico de pessoas", declarou a empresa. Por que a rede é importante Migrantes nadando ao redor da cerca da fronteira Reprodução/BBC Percebi pela primeira vez a enxurrada de conteúdo sobre Ceuta quando vi um vídeo viral mostrando duas mulheres de roupa de mergulho caminhando pela cidade. Embora a publicação original em espanhol buscasse dissuadir migrantes com a legenda "Ceuta não aguenta mais", algumas versões compartilhadas por contas marroquinas e de língua árabe alteraram a legenda ou a cortaram, de modo que o vídeo mostrava apenas as mulheres caminhando livremente. Esta foi apenas uma das centenas de publicações que classificamos como conteúdo "miragem" — ou seja, que pintam um retrato enganoso de um lugar, distinto da realidade. Alguns vídeos mostram grupos de jovens, homens e mulheres, nadando alegremente no mar — embora muitos tenham se afogado ao tentar fazer o mesmo percurso nas últimas semanas. Outros relatos mostram histórias de pessoas que conseguiram chegar a Ceuta e afirmam ter ido para a Espanha ou para a Europa continental, apesar de cerca de 75 mil dos 78 mil recém-chegados terem sido devolvidos a Marrocos pelas autoridades. Havia muitas semelhanças nos perfis que compartilhavam esse tipo de conteúdo. Quase 40 deles tinham variações do termo "Haraga" e incluíam Ceuta em seu nome ou apelido, frequentemente com uma bandeira espanhola como foto de perfil e com os códigos de área de Marrocos e Espanha na descrição. Haraga, em árabe, pode ser traduzido como "aqueles que queimam" e é usado coloquialmente para se referir a migrantes que chegam a um novo local e queimam ou destroem documentos para que não possam ser identificados e deportados de volta para seus países de origem. O histórico dessas contas, juntamente com suas postagens e seguidores, indicava que a maioria era administrada de Marrocos, enquanto algumas possivelmente estavam baseadas na Espanha ou na Itália. Muitas delas já existiam há vários anos, mas o conteúdo sobre Ceuta ganhou mais visibilidade nas últimas semanas. As contas estão manipulando o algoritmo com vídeos que falam sobre como é viver em Ceuta Reproduação/BBC Essas contas conseguiram manipular os algoritmos das principais redes sociais compartilhando conteúdo emotivo e otimista para ganhar mais visibilidade. Fontes internas das maiores empresas de mídia social já me disseram que as postagens que provocam uma reação forte têm maior probabilidade de se tornarem virais. Ao tentar contatar alguns desses perfis usando minha própria conta, alguns deles me direcionaram para os mesmos números de WhatsApp ou endereços de e-mail. Minha conta falsa, Mohammed, era um perfil privado, criado para se parecer com as contas de jovens marroquinos que curtiam e comentavam as postagens que anunciavam travessias. Eu seguia conteúdo relevante, incluindo vários perfis de Haraga, e em pouco tempo meu feed ficou repleto de vídeos e conteúdo incentivando viagens para Ceuta. Parece haver uma tendência mais ampla, em que pessoas que tentam cobrar dinheiro de migrantes por conselhos conseguem facilmente criar perfis e manipular os algoritmos das redes sociais. Embora já existissem grupos no Facebook e contas em outras grandes redes sociais publicando sobre Ceuta, foi no Instagram que encontrei o grupo mais ativo e disseminado de contas interconectadas. O alcance recém-adquirido desses perfis, facilitado pelos algoritmos do Instagram, os expõe a uma gama maior de clientes pagantes. Este é mais um exemplo de como manipular um algoritmo pode gerar danos no mundo real.

Torcidas do Liverpool e do United aplaudem CR7 durante clássico O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que comprou cerca de 30% do Liverpool, um dos clubes mais tradicionais do futebol inglês. 💵 A participação foi adquirida pela 1892 Holdings, consórcio liderado pelo empresário Amit Bhatia e formado por investidores como os fundos da família Mittal, a K5 Sports, que tem Jeff Bezos como principal investidor, e a EE Capital, escritório de investimentos de Eduardo e Elaine Saverin. A Fenway Sports Group (FSG), atual proprietária do Liverpool, continuará com a maioria das ações e o controle operacional do clube. 💵 Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 173 bilhões). Ele ocupa a 66ª posição no ranking dos mais ricos do mundo em 2026. Ex-CEO da Disney e empresário compram Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões A entrada do novo grupo ainda está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores. Segundo informou a agência Reuters, o valor da operação supera US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) e coloca a avaliação do clube acima de US$ 6,76 bilhões (R$ 35,2 bilhões). Eduardo Saverin, cofundador do Facebook Roslan Rahman/AFP/Arquivo Como parte do acordo, Amit Bhatia será vice-presidente do Liverpool e integrará o conselho ampliado do clube. Elaine Saverin e Bryan Baum, da K5 Sports, também terão assentos no conselho. Bezos, por sua vez, não terá uma cadeira no órgão. O investimento marca a primeira entrada direta de Bezos em um clube de futebol. A participação também amplia a presença de Saverin no mercado esportivo, enquanto a FSG mantém o comando do Liverpool e afirma que a operação representa uma parceria estratégica de longo prazo. A FSG comprou o Liverpool em 2010 por 300 milhões de libras (cerca de R$ 2,12 bilhões). Desde então, o clube conquistou a Liga dos Campeões em 2019 e títulos da Premier League em 2020 e 2025.

Amapá tem a maior taxa de desemprego do país no 1º trimestre de 2026. Crystofher Andrade/g1 A percepção de segurança no emprego atingiu o maior nível da série histórica iniciada em junho de 2025. Segundo a 14ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV IBRE, no trimestre encerrado em julho de 2026, 59,3% dos trabalhadores disseram ser improvável ou muito improvável perder o principal emprego ou fonte de renda nos seis meses seguintes. Já 12,1% consideraram provável ou muito provável que isso acontecesse. Os demais não souberam responder. A parcela dos trabalhadores que não veem risco de perder sua principal ocupação aumentou 4,9% em relação ao mesmo período de 2025 e alcançou o maior resultado desde o início da série. Na outra ponta, a proporção dos que consideram provável ou muito provável perder o emprego recuou 4,3% na comparação anual, para o menor nível observado nesse período. Segundo Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV IBRE, os dados reforçam a percepção de um mercado de trabalho aquecido. "A grande maioria dos respondentes da pesquisa continua indicando não ter medo do desemprego nos próximos seis meses", afirma. Míriam Leitão: Recuo do desemprego é um indicador bom da economia Desemprego permanece baixo Para Tobler, mesmo com uma possível desaceleração da economia, o desemprego permanece em níveis historicamente baixos e o número de pessoas ocupadas continua crescendo. Por isso, os resultados indicam que o cenário positivo do mercado de trabalho pode continuar nos próximos meses, ainda que em um ritmo menos intenso no segundo semestre. Desemprego cai em 13 estados brasileiros no 2º trimestre de 2026, diz IBGE O levantamento, no entanto, ressalta que a série ainda é curta e não possui ajuste para efeitos sazonais, ou seja, mudanças que podem ocorrer normalmente em determinados períodos do ano. Por isso, comparações entre meses próximos devem ser analisadas com cautela. Desemprego recua ao menos em 13 estados A taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Leia mais: Desemprego cai em 13 estados brasileiros no 2º trimestre de 2026, diz IBGE No país, o indicador ficou em 5,4% no período. O resultado representa uma queda em relação aos 6,1% registrados no primeiro trimestre de 2026 e aos 5,8% do segundo trimestre de 2025.

Cão robô que será utilizado pela Prefeitura de SP no policiamento da Av. Paulista Reprodução/TV Globo A China planeja enviar cães-robôs à Lua para auxiliar astronautas na construção e operação da futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), segundo reportagem divulgada na semana passada pelo jornal South China Morning Post. Segundo cientistas da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial citados em um estudo publicado na revista Chinese Space Science and Technology, Pequim estaria "expandindo a fronteira dos voos espaciais tripulados da órbita terrestre para a Lua". O plano prevê três astronautas operando ao lado de robôs na superfície lunar. Um astronauta controlaria dois cães-robôs no solo, enquanto outro coletaria amostras de rochas e cumpriria outros objetivos científicos. Um terceiro astronauta permaneceria dentro de um veículo pressurizado do tamanho de uma van, coordenando a missão e controlando outros robôs conforme necessário. Os robôs também desempenhariam um papel fundamental na extração de recursos lunares: coleta de gelo de água, mineração, construções com materiais locais e conversão de tubos de lava em habitats. Os tubos de lava são túneis subterrâneos que se formaram após a lava vulcânica fluir, a superfície se solidificar e o interior se tornar oco. Cão-robô 'Luna' aprende e se adapta como humanos, diz startup sueca Mais do que ferramentas, parceiros Uma rede colaborativa de robôs quadrúpedes, veículos com rodas e braços articulados deve assumir tarefas rotineiras, como patrulhas e inspeções diárias, regulação do ar e da temperatura, limpeza dos espaços habitáveis, cuidados com as plantas e preparação das refeições. "Humanos e cães viverão e trabalharão lado a lado. O cão robô até vigiará a estação de pesquisa lunar. Mas vigiará de quem?" brinca a publicação científica Interesting Engineering. Além disso, esses cães-robôs seriam capazes de conversar com os astronautas e fazer-lhes companhia, aliviando o fardo psicológico de viver em um ambiente isolado. Cães-robôs seriam capazes de conversar com astronautas e lhes fazer companhia. Klaus W. Schmidt/IMAGO/DW "O modelo de colaboração humano-robô proposto permite aproveitar os pontos fortes complementares de ambos, servindo como referência para a futura construção e operação eficiente da estação de pesquisa lunar da China", acrescentaram os cientistas. Construção da base e cronograma A China pretende enviar astronautas à Lua antes de 2030 e ter a ILRS totalmente operacional até 2035, em colaboração com a Rússia e outros parceiros internacionais, perto do polo sul lunar. Até 2045, Pequim planeja estabelecer uma estação orbital lunar para expandir o complexo. Cachorro-robô é enviado em missão por tubulações submersas e encara gases tóxicos no Porto de Santos Cada módulo lunar teria aproximadamente três metros de diâmetro, com volume interno de cerca de 16 metros cúbicos e massa de cerca de dez toneladas. Esses módulos seriam construídos com materiais resistentes à radiação, temperaturas extremas e poeira lunar, e seriam conectados por corredores de acoplamento. A China também está preparando a missão não tripulada Chang'e-7, com lançamento previsto para o final de agosto de 2026. Seu objetivo é procurar gelo de água no polo sul lunar, um recurso que pode ser vital para os futuros habitantes da base. Os desafios que ainda persistem Os pesquisadores reconhecem que operar robôs na Lua não será fácil. A maioria dos modelos de inteligência artificial (IA) foi treinada em ambientes terrestres que simulam a superfície lunar. Levará tempo para aprimorar os sistemas de IA em solo, em uma missão com margem de erro mínima. Soma-se a isso a falta de infraestrutura digital. A futura base terá que construir seus próprios sistemas de comunicação e navegação do zero antes que humanos e robôs possam se coordenar efetivamente a longas distâncias. A futura exploração lunar, concluem os autores, dependerá da "tomada de decisões liderada por astronautas e do trabalho realizado por robôs autônomos".

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/Redes Sociais Após a liquidação extrajudicial da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento pelo Banco Central nesta sexta-feira (14), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) divulgou as orientações para os clientes que têm dinheiro na instituição. Segundo o FGC, o pagamento da garantia ainda não começou. O processo será iniciado assim que o liquidante - responsável nomeado pelo Banco Central para administrar a liquidação - concluir o levantamento dos dados dos credores e repassar essas informações ao fundo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Simpala tem uma base estimada de 21 mil credores com depósitos cobertos pela garantia, que somam R$ 622 milhões. Quem tem direito à garantia? O FGC informou que os créditos enquadrados em seu regulamento poderão receber a garantia ordinária de até R$ 250 mil por pessoa, considerando os limites previstos para esse tipo de proteção. Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do grupo Simpala Isso significa que clientes com depósitos elegíveis poderão ser ressarcidos até esse valor. BC aprova regras mais rígidas para o FGC após crise com Master O que os clientes precisam fazer? A orientação do FGC é que os credores façam desde já um cadastro básico no aplicativo oficial da entidade, disponível para celulares Android e iPhone. Em uma segunda etapa, quando o fundo receber a lista oficial de credores, será liberada a solicitação do pagamento. Nesse momento, o beneficiário deverá confirmar sua identidade e informar uma conta bancária de sua própria titularidade para receber o depósito. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados. O que é o FGC? O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada para proteger depositantes e investidores quando uma instituição financeira associada sofre intervenção ou é liquidada. Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O fundo é mantido pelas contribuições mensais das instituições financeiras participantes e é responsável por pagar as garantias previstas em seu regulamento. Enquanto o processo de liquidação avança, o FGC orienta que os clientes acompanhem as atualizações exclusivamente por seus canais oficiais e pelo site da entidade.

'Deepfake': homem faz montagens pornográficas de jovem que ignorou cantadas dele O debate sobre desinformação eleitoral não é novo no Brasil. Mas a disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo altamente realista elevou as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais. Nos últimos anos, ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e vozes sintéticas, os chamados deepfakes, passaram do uso experimental para o cotidiano de milhões de pessoas. E faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral, ainda não existem respostas definitivas sobre como garantir o uso seguro e responsável da inteligência artificial generativa. Na quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para tentar entrar em consenso sobre a punição pelo uso de IA nas eleições. O TSE decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu alguma irregularidade ao utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária do PL que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto no final de julho. Ainda não foi divulgada uma nova data para a reunião. Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos em que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas durante campanhas eleitorais nos últimos anos. Na Irlanda, um deepfake divulgado poucos dias antes da eleição para presidente em 2025 mostrava a principal candidata desistindo da campanha. No mesmo ano, outros vídeos espalharam informações falsas sobre ameaças de segurança no dia das eleições parlamentares na Alemanha. Mas segundo ele, não é possível apontar uma ligação direta entre o uso de ferramentas de IA e o resultado de uma eleição, pois há sempre muitos fatores envolvidos em uma corrida. "Até o momento, não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição", diz. Para Stockwell, o verdadeiro perigo da IA não está na alteração direta de votos, mas sim no efeito sutil e contínuo de semear confusão sobre o que é real, corroer a confiança nas instituições e na informação, e inflamar divisões políticas e polarização. "A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou em entrevista à BBC News Brasil. E as experiências recentes de outros países ajudam a ilustrar os desafios que podem surgir durante a disputa eleitoral brasileira. Confira, a seguir, seis exemplos de como deepfakes foram usados para espalhar desinformação ao redor do mundo. Falsa desistência a 3 dias da eleição Um dos exemplos mais citados quando o tema são deepfakes em eleições é o que atingiu a hoje presidente da Irlanda, Catherine Connolly, no ano passado. Quando a montagem foi divulgada, em outubro de 2025, ela concorria à Presidência como candidata independente. As pesquisas eleitorais apontavam Connolly como uma das favoritas, mas três dias antes da votação, um vídeo em que ela parecia se retirar da corrida começou a circular nas redes sociais. O vídeo falso imitava uma transmissão da RTÉ News, maior e mais popular fonte de notícias da Irlanda. Nas imagens, uma versão de Connolly criada com IA anuncia a desistência da eleição, enquanto apoiadores vaiam e lamentam a decisão. Logo depois que o vídeo começou a circular, a campanha da candidata garantiu que ela ainda estava na corrida e alertou as plataformas de redes sociais para que ele fosse removido ou devidamente identificado como criado por IA. Connolly classificou o vídeo como uma "tentativa vergonhosa de enganar os eleitores e minar nossa democracia". Montagem indica que vídeo de candidata foi gerado por IA. BBC/Facebook Na época, Alan Smeaton, professor emérito de computação d Universidade Dublin City e membro do Conselho Consultivo de IA do governo irlandês, disse à BBC Verify que havia algumas "pistas minúsculas" que denunciavam que o vídeo era falso. Ele apontou detalhes como uma ligeira sobreposição de palavras, tanto na fala de Catherine Connolly quanto dos jornalistas retratados, além de falhas no fundo das imagens. Apesar do deepfake, Connoly venceu as eleições, com 63% dos votos. "Ainda que não tenha sido suficiente para mudar o resultado, esse é um exemplo bastante preocupante de deepfake, porque houve um sequestro de uma instituição nacional confiável e de sua credibilidade para tentar fazer com que esse conteúdo parecesse muito mais convincente ou persuasivo", diz Sam Stockwell, se referindo à emissora RTÉ News. Enxurrada de vídeos no Equador Deepfakes simulando canais de televisão também foram comuns no período que antecedeu as eleições presidenciais de fevereiro de 2025 no Equador. Com logotipos falsos, vídeos concebidos para imitar emissoras como CNN, France 24 e Deutsche Welle, implicavam de forma falsa candidatos em escândalos e espalhavam alegações de fraude eleitoral. Em um deles, um falso apresentador diz que um escândalo de corrupção "explodiu na cara" de Daniel Noboa, que concorria à reeleição naquele momento. Outro mostrava um apresentador dizendo que Noboa teria pago US$ 1 milhão para comparecer à posse de Donald Trump nos Estados Unidos. Outro vídeo mostrava uma versão criada com IA da candidata Luisa González, que concorria pelo movimento Revolução Cidadã, dizendo que se fosse eleita implementaria um aumento drástico de impostos. Os conteúdos foram desmentidos por sites de verificação de notícias e pela própria campanha. González também foi alvo de um outro video gerado por IA, em que aparecia elogiando o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Após análises de especialistas, o vídeo foi identificado como um deepfake. Daniel Noboa foi reeleito em 13 de abril do ano passado, com cerca de 56% dos votos. Apesar de terem sido desmentidos, os deepfakes se espalharam amplamente, segundo um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí (ULEAM). A pesquisa revelou impactos na percepção do público em relação aos candidatos, especialmente em contextos com baixo nível de alfabetização midiática, além da criação de uma desconfiança generalizada em torno dos canais de verificação de notícias. Disseminação de pânico na Alemanha Durante a campanha para as eleições que elegeram o Parlamento da Alemanha, também em fevereiro de 2025, circulou nas redes sociais uma forma bastante incomum de desinformação: conteúdos que alertavam para supostas ameaças terroristas na Alemanha, com informações falsas sobre ameaças de bomba, cédulas envenenadas e ataques iminentes a centros de votação na Alemanha. Vídeo manipulado alegava falsamente que o MI6, a agência de inteligência britânica, havia alertado contra viagens à Alemanha durante o período eleitoral Reprodução/X/FIMI-ISAC/BBC Os vídeos usavam imagens reais publicadas por instituições como forças policiais, universidades e veículos de comunicação, mas os manipulavam usando narração gerada por IA e outros recursos. Uma postagem, compartilhada principalmente no X, usava um vídeo real do serviço de inteligência britânico MI6, mas o editava para parecer um alerta sobre o perigo de viajar à Alemanha durante o período eleitoral. Outro vídeo utilizava imagens de um vídeo real publicado pela Polícia de West Midlands, no Reino Unido, no qual um agente apresentava seu trabalho. Uma voz, provavelmente gerada por IA, foi adicionada ao vídeo, dizendo: "Nossas informações indicam que uma série de grandes ataques terroristas estão sendo preparados na Alemanha durante o período eleitoral antecipado. Repassamos todas as informações aos nossos colegas alemães. Mesmo que essas informações não ajudem a prevenir ataques terroristas". Uma terceira postagem, que recebeu mais de 60 mil visualizações, trazia um vídeo que afirmava falsamente ainda que 68% dos alemães estavam com muito medo de sair de casa no dia da eleição. Segundo Stockwell, os conteúdos foram direcionados especificamente para regiões da Alemanha onde os eleitores estariam mais propensos a acreditar na narrativa, já que tendiam a reproduzir discursos sobre a ameaça de uma guerra ou de ataques organizados pela Rússia. Para o especialista, ao mesmo tempo em que podem desencorajar os eleitores a comparecer às urnas, vídeos como esses também colocam as instituições retratadas em uma situação difícil. "Por um lado, instituições como o MI6 obviamente não querem ser vistas como disseminadoras de informações falsas, principalmente se tratando das eleições de outro país", diz. "Mas, ao mesmo tempo, há o risco de que, se vierem a público desmentir a informação, possam inadvertidamente atrair mais atenção para o assunto. Isso poderia levar mais pessoas a visualizar o vídeo e talvez até compartilhá-lo." Posteriormente, os vídeos sobre ameaças de segurança na Alemanha foram rastreados por instituições europeias até uma rede de produção de desinformação russa. A primeira eleição manipulada por deepfakes? Um dos primeiros alertas sobre o impacto de deepfakes em eleições veio em 2023, depois que um áudio falso de um candidato à primeiro-ministro viralizou na Eslováquia. A gravação começou a ser compartilhada pelas redes sociais e por e-mails em cadeia dois dias antes da eleição para o Parlamento. Nela, uma voz idêntica à do candidato Michal Šimečka, líder do partido liberal e pró-europeu Eslováquia Progressista (PS), discutia uma possível fraude eleitoral com uma jornalista famosa no país. O áudio, de qualidade ruim, vinha acompanhado por uma foto de Šimečka e da jornalista, além de legendas. Nas falas, os dois falavam sobre formas de manipular a eleição em favor do PS e como encobrir os rastros. A divulgação da fake news ocorreu durante o chamado período de silêncio eleitoral da Eslováquia, quando há fortes restrições à campanha e à cobertura eleitoral imediatamente antes da votação, o que dificultou uma resposta rápida da mídia tradicional e dos verificadores de fatos. Naquele momento, as pesquisas mostravam uma disputa muito apertada entre Šimečka e seu principal oponente, Robert Fico, do partido Direção - Social-Democracia (SMER-SD), com o PS ligeiramente à frente, mas ainda dentro da margem de erro. Michal Šimečka em novembro de 2025 AFP via Getty Images/BBC Por fim, o partido de Šimečka terminou em segundo lugar, perdendo para o SMER-SD. O caso foi amplamente discutido nos anos e meses seguintes à eleição, não apenas porque foi um dos primeiros do tipo, mas também porque alimentou especulações de que a disputa teria sido "a primeira manipulada por deepfakes". Assim como Stockwell, especialistas que estudaram especificamente o caso da Eslováquia dizem que não é possível chegar a uma conclusão definitiva sobre o efeito dos deepfakes nos resultados. Um artigo publicado em uma revista acadêmica dedicada ao estudo da desinformação editada pela Universidade Harvard, por exemplo, argumenta que muitos outros fatores podem ter influenciado tanto quanto ou mais para a vitória de Fico, como seu aparente apoio à Russia na guerra contra a Ucrânia No texto, Lluis de Nadal, da Universidade de Glasgow, e Peter Jančárik, que trabalha para o Seznam, o principal portal de internet e buscador da República Checa, notaram que, naquele momento, os eslovacos estavam muito suscetíveis à desinformação pró-Rússia, com redes de sites e perfis nas redes sociais que vinham promovendo narrativas pró-Kremlin desde pelo menos 2010. Os pesquisadores notaram, ainda, que fatores como instabilidade política, conflitos entre partidos e baixa confiança no governo e nas instituições podem ter impulsionado o SMER-SD. O artigo afirma, porém, que embora Fico tenha permanecido em silêncio sobre o deepfake, outros políticos proeminentes o compartilharam, ampliando seu potencial de influência. Golpe financeiro durante a eleição Em 2025, na Romênia, deepfakes durantes as eleições presidenciais foram usados não para influenciar o resultado do pleito, mas para aplicar golpes na população. Golpistas usaram o Facebook para distribuir vídeos manipulados com IA que mostravam candidatos à Presidência promovendo uma oportunidade de investimento que era, na verdade, falsa. "Esta é a chance da Romênia alcançar a independência financeira. Investindo apenas 1.400 lei [R$ 1.500], cada cidadão pode receber uma renda passiva mensal de 9.000 lei [R$ 10 mil]", diziam os candidatos no vídeo. Os candidatos George Simion, do partido Aliança para a União dos Romenos, e Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foram alvos dos deepfakes. Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foi alvo dos deepfakes Reprodução/BBC Ao clicarem no link disponibilizado nos vídeos, os usuários eram redirecionados para sites falsos que imitam notícias oficiais e páginas do governo. Segundo Sam Stockwell, a reprodução realista da voz ou da imagem de um político confere uma aparência de autoridade e credibilidade aos golpes financeiros. E em momentos em que políticos divulgam um volume maior de conteúdo para conquistar eleitores, como durante a campanha, o risco de usuários clicarem em links maliciosos e se tornarem vítimas de fraudes aumenta. Declaração de vitória direto da prisão Mas os casos não se limitam a vídeos ou áudios gerados por gangues ou agentes externos tentando prejudicar as eleições. Em 2024, no Paquistão, o ex-primeiro-ministro Imran Khan usou vídeos e áudios gerados por IA criados por seu partido político para se comunicar com apoiadores e fazer campanha a partir da prisão. Em um dos momentos mais controversos da corrida para eleger o novo Parlamento, Khan divulgou nas redes sociais um vídeo alegando que os partidos independentes que estava apoiando no pleito teriam vencido e conquistado maioria no Parlamento. As imagens foram publicadas após seu rival, Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão – Nawaz (PML–N), ter declarado sua própria vitória. Khan, um ex-astro do críquete, foi eleito primeiro-ministro em 2018, mas foi deposto do cargo em abril de 2022, após uma moção de censura parlamentar. Ele foi preso em 2023, depois de ter sido considerado culpado de corrupção e condenado a três anos de prisão. Em 2024, ele recebeu uma sentença de 14 anos de prisão pela venda de presentes do Estado e outra de 10 anos por vazar segredos de Estado. Ambas as sentenças foram suspensas meses depois. Em 2025, ele foi condenado mais uma vez, dessa vez a 14 anos de prisão por um caso de corrupção. Khan, portanto, estava na cadeia durante a eleição para o Parlamento de 2024. O seu partido, o Movimento Paquistanês pela Justiça (PTI), foi impedido de concorrer oficialmente sob seu símbolo eleitoral tradicional e muitos dos seus candidatos disputaram a eleição como independentes. Ainda assim, eles eram amplamente reconhecidos como apoiados por Khan. No vídeo divulgado durante a contagem dos votos, o ex-primeiro-ministro diz aos candidatos independentes para comemorarem a vitória. "Vocês lançaram as bases para a sua verdadeira liberdade ao votarem ontem", diz ele. Sharif também é chamado de "homem desonroso" por reivindicar a vitória. Por fim, o governo acabou sendo formado por uma coalizão liderada pelo PML–N, mas os dias que seguiram o pleito foram cercados de controvérsias e tensão política, com atraso de mais de 60 horas na divulgação dos resultados finais, o PTI alegando fraude e apoiadores de Khan saindo às ruas para protestar. Segundo Sam Stockwell, o vídeo gerado por IA do ex-premiê contribuiu para o clima de instabilidade. "Na época, isso contribuiu para protestos e violência política contra o regime, com alegações de que as eleições foram fraudadas e que Imran Khan era o legítimo vencedor da corrida eleitoral, embora o vídeo tenha sido gerado por IA", diz.

Brasil abre processo de reciprocidade contra tarifaço dos EUA A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou nesta sexta-feira (14) que uma escalada de retaliações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode aumentar os custos de produção, afetar investimentos e pressionar empregos no país. A entidade se manifestou após o novo acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. 🔍 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Para a federação, o Brasil deve defender seus interesses, mas evitar uma escalada da disputa comercial. Além disso, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), reitera seu entendimento de que "o caminho prioritário deve ser a intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os dois governos, com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos bilaterais". Segundo a Câmara, essa posição reflete a visão predominante do setor empresarial. "Em pesquisa recente, 90,5% das empresas defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a adoção de medidas de reciprocidade como estratégia preferencial", escreveu a entidade. Retaliação não é automática Segundo a FIEMG, o acionamento da Lei da Reciprocidade não significa que o Brasil vá aplicar imediatamente tarifas ou outras medidas contra produtos americanos. A legislação já havia sido acionada em 2025. Naquele momento, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) analisou o caso, e o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) reconheceu formalmente o enquadramento na lei. A Amcham considera "fundamental que esse procedimento seja conduzido com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos, assegurando ampla participação do setor empresarial". EUA aceitam discutir na OMC o tarifaço imposto ao Brasil Jornal Nacional/ Reprodução Com o avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, porém, o governo optou por priorizar as consultas diplomáticas antes de definir possíveis contramedidas. Nenhuma tarifa retaliatória, restrição comercial ou medida relacionada à propriedade intelectual chegou a ser aplicada. A FIEMG defende que a negociação continue sendo a prioridade para ampliar as exceções às tarifas americanas, reduzir barreiras e preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos. Indústria teme aumento de custos A federação afirma que eventuais medidas de retaliação precisam ser cuidadosamente avaliadas. "A aplicação de tarifas sobre produtos americanos usados pela própria indústria brasileira, como insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias, poderia elevar os custos de produção e reduzir a competitividade das empresas", diz em comunicado. Na avaliação da entidade, o Brasil poderia acabar sendo prejudicado duas vezes: primeiro, pela dificuldade de acesso ao mercado americano e, depois, pelo aumento dos custos de produtos importados utilizados na produção nacional. A federação afirma ainda que uma guerra comercial não interessa nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. Estudo estima perda de R$ 259 bilhões no PIB A entidade também cita um estudo realizado em 2025 para dimensionar os possíveis efeitos de uma escalada tarifária. Em um cenário hipotético de sobretaxa recíproca de 50% sobre as importações dos Estados Unidos, a FIEMG estimou que a perda para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia chegar a R$ 259 bilhões, o equivalente a 2,21% da economia. Segundo a federação, os efeitos de uma disputa comercial não ficariam restritos às exportações e importações. A entidade prevê possíveis impactos sobre fornecedores, trabalhadores, investimentos, produção e arrecadação. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Por isso, a FIEMG defende que o Brasil utilize seus instrumentos de defesa comercial de maneira estratégica e mantenha as negociações com os Estados Unidos como prioridade. A entidade afirma que o objetivo deve ser buscar a reversão ou redução das barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que sejam preservados contratos, investimentos, produção e empregos.

Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional. Noma/ Divulgação Menos de cinco meses depois de anunciar sua saída do Noma, um dos restaurantes mais bem avaliados do mundo, o chef René Redzepi está de volta ao estabelecimento que ajudou a fundar em Copenhague, na Dinamarca. O retorno ocorre após sua liderança ser alvo de denúncias de agressões, humilhações e abusos no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários em março, em uma reportagem do jornal norte-americano New York Times. Ele pediu demissão do restaurante logo após as denúncias. Naquele momento, em seu perfil no Instagram, Redzepi publicou uma nota em que afirmou assumir a responsabilidade por suas ações e pediu desculpas. Agora no g1 Redzepi, de 48 anos, retorna agora em uma função diferente. Depois de mais de duas décadas à frente do restaurante, ele deixa o comando da cozinha e assume o cargo de diretor criativo, segundo o The Wall Street Journal. Em uma postagem no Instagram, René Redzepi disse que agora estará focado em "projetos de longo prazo". Segundo o New York Times, no novo cargo, o chef ficará à frente de projetos de tecnologia e inovação envolvendo, por exemplo, algas, leguminosas e fungos. Histórico de agressões A reportagem do New York Times mostrou que dezenas de ex-funcionários acusaram Redzepi de criar uma cultura abusiva e um ambiente tóxico. Havia relatos de ameaças verbais e maus-tratos físicos contra trabalhadores. “Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador. Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante. Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas. As denúncias tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares, conhecidos como "pop-ups", quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade, que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles. A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas. As duas empresas afirmaram que iriam reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e pressionando montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen. Mas a situação é diferente no mercado interno. As vendas de carros vêm caindo desde o fim do ano passado, em meio à fraca demanda dos consumidores e a anos de intensa concorrência de preços, que deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado e com excesso de capacidade. 'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028 🚗 Embora grandes montadoras chinesas como BYD, Geely e Chery há muito busquem se tornar grandes players globais, a rápida expansão internacional agora é impulsionada tanto pela ambição quanto pela necessidade econômica, segundo analistas e especialistas do setor. Vendas na China caem pelo 10º mês seguido ➡️ As vendas de carros na China caíram 20% em julho, para 1,47 milhão de veículos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi o décimo mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros. Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Embora os dados incluam marcas estrangeiras que produzem na China, a tendência de queda de dois dígitos no mercado doméstico e crescimento de dois dígitos nas exportações também aparece entre as montadoras chinesas. FOTO DE ARQUIVO: Carros destinados à exportação são vistos em um porto em Lianyungang, na província de Jiangsu, na China, em 2 de abril de 2020. China Daily via Reuters Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, além da persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos. Excesso de produção aumenta pressão por exportações Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez maior para acelerar a expansão no exterior, que já estava em andamento. “As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”, disse Bill Russo, presidente-executivo da consultoria Automobility, com sede em Xangai. Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas. A situação do setor automotivo reflete uma dinâmica mais ampla da economia chinesa. Fábricas em expansão e exportações impulsionam o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e o baixo consumo restringem a demanda interna. Os formuladores de políticas chineses enfrentam o desafio de uma economia que produz mais do que consegue vender no mercado doméstico. Para as montadoras, os mercados externos representam um canal de escoamento cada vez mais importante. Mercado doméstico encolhe enquanto exportações avançam No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda de 20%. O volume equivale ao total de registros de carros novos no Japão, quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período. Enquanto isso, as exportações chinesas de automóveis aumentaram 71% no primeiro semestre. Segundo a analista do HSBC Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar entre o fim de agosto e setembro, com o lançamento de novos modelos. Ainda assim, uma recuperação rápida em formato de V parece improvável, afirmou. Brasil como "solução" para o problema A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. BYD compensa queda na China com vendas no exterior A BYD é um exemplo dessa mudança de estratégia. A montadora registrou queda de 35% nas vendas no mercado doméstico nos primeiros sete meses do ano, mas compensou parte da retração com um aumento de 79% nas vendas no exterior na comparação com o mesmo período do ano anterior. Brasil e Reino Unido emergiram como os maiores mercados individuais da BYD fora da China em 2026. China ameaça liderança de montadoras japonesas A crescente presença chinesa no exterior representa um desafio particularmente forte para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, posição que durante muito tempo pertenceu ao rival asiático. “A ascensão do Japão como exportador automotivo baseou-se na eficiência de fabricação, na qualidade e na economia de combustível”, disse Russo. A vantagem chinesa atualmente é mais ampla, segundo o executivo, e inclui eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos. “Essa combinação pode tornar a globalização da China consideravelmente mais disruptiva.”

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,52% nesta sexta-feira (14), a R$ 5,2194, após chegar a R$ 5,2489 na máxima do pregão. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,10%, aos 166.934 pontos, e amargou a nona queda consecutiva. É o período mais longo de perdas desde agosto de 2023, quando o índice acumulou oito pregões seguidos de queda. O movimento ocorre em um ambiente de maior cautela com o Brasil. No início da semana, o JPMorgan reduziu sua recomendação para os investimentos no país de “compra” para “neutra”, citando, entre outros fatores, as incertezas eleitorais. Nesta sexta, os investidores também aguardam a divulgação de uma nova pesquisa Quaest. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As sondagens anteriores apontam liderança de Lula, cenário que mantém entre investidores a preocupação com os rumos das contas públicas. Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que os planos dos candidatos para os gastos do governo e para a condução da economia ganhem cada vez mais espaço nas decisões de investimento. Esse ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos. ▶️ Além disso, o governo brasileiro deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil. A medida, que ainda está em processo de análise, permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. ▶️Na agenda de indicadores, o destaque ficou com a Pnad Contínua Trimestral. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre deste ano. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no período. Já nos EUA, as vendas no varejo tiveram uma queda inesperada em julho. ▶️ No Oriente Médio, a escalada das tensões continua a pressionar os mercados. Nesta sexta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra na região. Em meio às tensões, os preços do petróleo subiram no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 1,49%, cotado a US$ 88,37, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 1,28%, a US$ 82,29. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. EUA endurecem postura em relação ao Irã O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra no Oriente Médio. A nova escalada verbal acontece enquanto a guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, está perto de completar seis meses sem perspectiva de ser finalizada. A fala também marca uma mudança de tom, já que no início de agosto o governo Trump falava em um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz. "Será uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu", disse Bessent na quinta-feira ao canal de televisão conservador Newsmax, sem revelar mais detalhes. Ele acrescentou que "o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos". O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, continua sendo o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã. Teerã exige que os navios recebam uma autorização para utilizar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Agora, com uma mudança de abordagem, as armas nucleares, o principal motivo que Trump apresentou para iniciar a guerra ao lado de Israel, parecem ter ficado em segundo plano. "O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país", disse na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News. "E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear", acrescentou. Bessent, por sua vez, apresentou na quinta-feira a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela. "A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio", afirmou. No início da semana, Trump afirmou que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira, conforme investidores avaliavam novos dados no varejo dos EUA. O Dow Jones teve queda de 0,13%, enquanto o S&P 500 caiu 0,20% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,45%. Na Europa, a maioria dos mercados encerrou em baixa nesta sexta, em meio às tensões geopolíticas e ao aumento nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 teve queda de 0,2%, aos 657,86 pontos. Entre os demais índices, o DAX, da Alemanha, foi na contramão e subiu 0,53%, enquanto o CAC-40, da França, caiu 0,16% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,21%. Na Ásia, as ações chinesas encerraram a sessão desta sexta-feira (14) praticamente estáveis, conforme investidores seguiam cautelosos durante a temporada de balanços do segundo trimestre. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,04%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,01%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,1%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,42%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,59%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Carteira de Trabalho Digital Gil Leonardi/ImprensaMG A taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o indicador ficou em 5,4% no período. O resultado representa uma queda em relação aos 6,1% registrados no primeiro trimestre de 2026 e aos 5,8% do segundo trimestre de 2025. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As maiores taxas de desocupação no segundo trimestre foram registradas no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco (8,3%), Piauí (8,3%) e Sergipe (7,9%). Já as menores foram em Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). 📈 As quedas mais expressivas foram registradas no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), na Paraíba (-1,6 p.p.) e no Acre (-1,6 p.p.). Nos demais estados, as taxas permaneceram estáveis. Taxa de desocupação por estados - segundo trimestre 2026 Arte g1 Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, as diferenças entre os estados ajudam a explicar a disparidade nas taxas de desocupação. Santa Catarina, por exemplo, registrou uma taxa de apenas 2,1%, enquanto Amapá teve a maior taxa de desocupação do país, com 9,8%. “Esse resultado pode estar relacionado a fatores como o nível de industrialização, a escolaridade da população, o desenvolvimento econômico e o dinamismo da atividade econômica. Em estados com essas características, como Santa Catarina, a taxa de desocupação tende a ser menor do que em parte do Nordeste”, afirma. 👉 Unidades da federação com maior grau de industrialização e população mais escolarizada tendem a ter mercados de trabalho mais estruturados e, consequentemente, taxas de desocupação mais baixas. Desigualdades de gênero, raça e escolaridade De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação continua maior entre as mulheres (6,4%) do que entre os homens (4,6%), embora tenha recuado para ambos os sexos em relação ao primeiro trimestre. Na comparação por cor ou raça, o indicador ficou abaixo da média nacional (5,4%) entre os brancos (4,2%) e acima dela entre os pretos (6,9%) e os pardos (6,1%). Em relação ao nível de escolaridade, a maior taxa de desemprego foi registrada entre as pessoas com ensino médio incompleto, com (9,0%). Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 5,6%, quase o dobro da verificada para o nível superior completo (3,0%). Já a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne pessoas desempregadas, subocupadas por insuficiência de horas e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estavam procurando emprego, alcançou 12,9% no segundo trimestre deste ano. Piauí (26,6%) teve a maior taxa, seguido por Bahia (24,4%) e Alagoas (23,4%). As menores taxas foram em Santa Catarina (4,1%), Rondônia (6,0%) e Mato Grosso (6,1%). Enquanto isso, o percentual de desalentados — pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego — foi de 2,1% da força de trabalho ampliada. Os maiores índices foram registrados no Maranhão (9,4%), em Alagoas (8,1%) e no Piauí (7,0%). Formalidade x informalidade Evolução da taxa de desemprego no Brasil Arte/g1 No segundo trimestre, 74,4% dos empregados do setor privado no Brasil tinham carteira assinada. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (86,7%), São Paulo (82,0%) e Mato Grosso do Sul (81,0%), enquanto os menores foram no Maranhão (53,6%), Piauí (54,2%) e Acre (55,1%). No mesmo período, 25,3% da população ocupada trabalhava por conta própria. Essa participação foi mais elevada no Maranhão (33,8%), no Amapá (31,0%) e no Pará (30,3%). As menores proporções foram observadas no Acre (17,5%), Distrito Federal (18,0%) e Tocantins (18,9%). A taxa de informalidade do país foi de 37,4% da população ocupada. Assim como no trimestre anterior, Maranhão liderou com 56,9%, seguido pelo Pará (55,9%) e pelo Amazonas (51,7%). Na outra ponta, as menores taxas foram registradas em Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%). No segundo trimestre de 2026, o país tinha 1,1 milhão de pessoas que buscavam por trabalho há dois anos ou mais. Esse contingente recuou 15,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando 1,3 milhão de pessoas estavam nessa condição. Já 1,1 milhão de pessoas buscavam por trabalho há menos de um mês. Esse contingente caiu 2,4% ante o mesmo trimestre de 2025, quando 1,2 milhão de pessoas buscavam uma ocupação há menos de um mês. Vídeos em alta no g1

Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026. Freepik A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou de R$ 10 mil para R$ 30 mil a indenização devida a uma copeira que foi demitida após informar à empresa que havia obtido uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que trabalhava no mesmo local. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A trabalhadora foi dispensada por WhatsApp em agosto de 2024. Para o TST, a demissão teve caráter discriminatório, com "nítido viés de gênero", e agravou a situação de vulnerabilidade da empregada, que era vítima de violência doméstica. Segundo o processo, a copeira havia sido contratada em maio de 2024 e sofria ameaças de morte do ex-companheiro. Em agosto daquele ano, ela conseguiu uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, que determinava que o homem mantivesse uma distância mínima de 100 metros dela. Agora no g1 Como os dois trabalhavam na mesma empresa, porém em horários diferentes, havia o risco de se encontrarem durante a troca de turnos. O ex-companheiro trabalhava das 14h às 22h, enquanto a copeira cumpria jornada das 22h às 6h. Diante da situação, ela pediu à empresa uma mudança de horário para evitar o contato com o ex-companheiro e cumprir a determinação judicial. Segundo o relato da trabalhadora no processo, o pedido foi recusado por um dos sócios, que teria afirmado que "problemas pessoais deveriam ser resolvidos em casa". Pouco depois, em 23 de agosto de 2024, ela foi dispensada por WhatsApp. O nome da empresa e as identidades da trabalhadora e do ex-companheiro não foram divulgados pelo TST, para preservar a segurança da vítima. Justiça considerou demissão discriminatória Na primeira instância, a Justiça do Trabalho considerou que a dispensa foi discriminatória e condenou a empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais. A sentença entendeu que a conduta demonstrou descaso com a saúde e a segurança da empregada e violou a Lei 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em São Paulo, manteve a decisão. Segundo o tribunal, mesmo sabendo das ameaças e da existência da medida protetiva, a empresa não adotou providências para garantir a segurança da trabalhadora e decidiu dispensá-la. O caso chegou ao TST para discutir, entre outros pontos, o valor da indenização. TST aumenta indenização Na Terceira Turma, o relator, ministro Mauricio Godinho Delgado, considerou que a gravidade da conduta justificava elevar a indenização de R$ 10 mil para R$ 30 mil. Segundo o ministro, a demissão agravou a vulnerabilidade da trabalhadora e configurou discriminação em razão do gênero. Para o relator, situações de violência de gênero também precisam ser enfrentadas dentro das relações de trabalho. Na análise do caso, o ministro destacou que devem ser consideradas, além da Constituição Federal e da Lei Maria da Penha, normas nacionais e internacionais de proteção às mulheres, como as Convenções 111 e 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Convenção de Belém do Pará e o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para definir o novo valor, o relator também considerou a situação de vulnerabilidade da trabalhadora, o caráter discriminatório da dispensa e a diferença de poder econômico entre a empregada e a empresa. Segundo Godinho Delgado, indenizações muito baixas em casos desse tipo podem contribuir para a naturalização de práticas discriminatórias e de violência contra as mulheres no ambiente de trabalho. Ex-marido de Maria da Penha é preso após dar entrevista sobre tentativa de matar ativista

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, vê um longo processo, que pode chegar a 9 meses, antes de o governo brasileiro definir tarifas de reciprocidade aos EUA pelo tarifaço imposto nas últimas semanas. Na prática, a decisão ficará para o próximo governo e tem, agora, um sinal político. O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. ➡️ A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT) em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. A sinalização dada pelo governo é de que o Brasil usa os canais diplomáticos e os organismos formais e multilaterais, enquanto o governo Trump tomas decisões unilaterais e baseadas no desejo do presidente. Governo Brasileiro anuncia abertura do processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano Ao blog, o ministro Marcio Elias Rosa disse na manhã desta sexta-feira (14) que há uma primeira fase de análise de 60 dias, mas o processo todo é longo e deve adentrar 2027. “A lei não estabelece prazos peremptórios e a deliberação pode levar cerca de 9 meses. Mas a qualquer tempo, iniciado o processo, o Brasil pode tomar alguma medida em caráter de urgência", afirma ele, deixando a porta aberta para decisões em resposta ao tarifaço. O principal sinal enviado ao governo Trump é de que o Brasil quer avançar na negociação para redução das tarifas. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC O que é a Lei da Reciprocidade? Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril do ano passado. Antes da lei, não havia um arcabouço que permitia ao governo retaliar outro país por medidas dessa natureza — somente recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre as contramedidas previstas estão a possibilidade da imposição de direito de natureza comercial incidente sobre importações de bens ou de serviços de país ou bloco econômico e a suspensão de concessões ou outras obrigações do Brasil em relação a direitos de propriedade intelectual firmados em acordos comerciais.

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central do Brasil (BC) decretou mais uma liquidação extrajudicial nesta sexta-feira (14). Dessa vez, as instituições afetadas foram a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, ambas com sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS). A liquidação extrajudicial normalmente é adotada quando a instituição não tem condições de continuar operando e é encerrada, sob supervisão do BC, sem passar por um processo de recuperação tradicional. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o Banco Central, a decisão foi tomada porque a situação financeira das empresas se deteriorou e porque foram identificadas infrações graves às regras que regulam suas atividades. O BC, no entanto, não deu mais detalhes sobre quais violações seriam essas. Agora no g1 O órgão afirmou ainda que havia risco para credores sem garantias específicas, conhecidos no mercado como credores quirografários. Apesar da intervenção, o BC destacou que as duas empresas têm participação pequena em seus respectivos mercados. A administradora de consórcios responde por cerca de 0,1% dos consorciados ativos do país, enquanto a financeira detinha 0,004% dos ativos do sistema financeiro nacional em junho deste ano. No caso da financeira, os depósitos e investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) continuam protegidos dentro dos limites previstos pelo fundo. Entenda o que é o FGC O BC informou, ainda, que continuará a investigar quem foram as pessoas responsáveis pelos problemas que levaram à liquidação das empresas, apurando se houve descumprimento de leis ou normas regulatórias. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes", afirmou o BC em nota divulgada nesta sexta-feira (14). Pela legislação, os bens dos controladores e ex-administradores das instituições ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados. Em nota, o grupo se diz surpreso com a decisão do BC e considera a medida "desproporcional" diante da "trajetória e integridade das empresas, uma delas com mais de 50 anos". Leia abaixo o posicionamento da empresa: Os controladores da Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios LTDA e da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento manifestam surpresa com a liquidação realizada nesta sexta-feira (14/08) e consideram a medida desproporcional, especialmente diante da trajetória de integridade das empresas, uma delas com mais de 50 anos. Reforçam que sempre atuaram com rigorosa observância da legislação e postura de plena colaboração com órgãos reguladores e que seguirão contribuindo com as autoridades no fornecimento das informações necessárias. Os controladores ressaltam, ainda, preocupação com as consequências da medida para os seus mais de 140 funcionários.

Imagem ilustrativa de um produtor enchendo um balde de leite. Shutterstock Pequenos produtores de leite de todo o país podem participar do Balde Cheio, programa da Embrapa que busca melhorar a eficiência e a rentabilidade da atividade leiteira por meio da capacitação de técnicos de extensão rural. Na prática, as propriedades participantes se transformam em uma espécie de sala de aula a céu aberto. Nelas, técnicos e produtores acompanham a aplicação de mudanças pensadas de acordo com a realidade de cada fazenda. A proposta é identificar o que pode ser aprimorado na propriedade e adotar técnicas que contribuam para tornar a produção de leite mais eficiente e rentável, considerando as condições e os recursos disponíveis em cada local. A Embrapa disponibiliza gratuitamente uma publicação sobre o Balde Cheio, com informações sobre o funcionamento do programa e orientações para quem deseja participar. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

Abacaxi BRS Sol Bahia Embrapa O produtor Fábio Roberto, de Seringueiras (RO), plantou um pé de abacaxi e agora tem uma dúvida: qual é o momento certo de colher o fruto para comercialização? Um dos principais sinais está na coloração da casca. A mudança de cor indica o avanço da maturação e ajuda o produtor a definir quando retirar o fruto da planta, levando em consideração também o tempo necessário para transporte e comercialização. Além do ponto de colheita, outro desafio é fazer com que o abacaxi mantenha a qualidade por mais tempo depois de sair da lavoura. Uma das alternativas desenvolvidas pela Embrapa é a BRS Sol Bahia, variedade mais nova que apresenta maior resistência após a colheita, inclusive quando o fruto já está mais amarelado. A BRS Sol Bahia foi lançada inicialmente para cultivo no semiárido de Minas Gerais e da Bahia, mas já existem estudos para avaliar o desempenho da variedade em outras regiões do Brasil. Onde encontrar mudas e orientações Produtores interessados na BRS Sol Bahia devem procurar a Embrapa para obter informações sobre pontos de comercialização de mudas próximos à sua região. A instituição também disponibiliza publicações técnicas com orientações sobre o plantio, manejo e colheita do abacaxi, que podem ajudar o produtor desde a implantação da lavoura até a comercialização dos frutos. 📱 Acesse aqui todas as informações De onde vem a manga