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g1 > Economia

Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região. Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto. Lula diz que petróleo do Amapá é 'soberania nacional' e que Brasil não aceitará interferências Petrobras amplia ofensiva e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas O que sabemos 1. Onde está o petróleo O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico. Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação. 2. Serão necessários novos poços A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias. A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. "É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou a presidente da estatal. Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais Petrobras/Divulgação 3. Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas — e o que ela tem a ver com o pré-sal A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma "nova fronteira energética do Brasil", nas palavras do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian. A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico. Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035. O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras. Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve Divulgação/Petrobras 4. A descoberta não é, por enquanto, comercial Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial. Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial. 5. Há controvérsias A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro. O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis. 6. Expectativa já mudou a região Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável. A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque. Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária. O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água. O que ainda não sabemos 1. Quanto petróleo existe no Morpho Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume. Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área. A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes. 2. Se a descoberta será economicamente viável Também não há resposta para essa pergunta. A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial. 3. Quando — ou se — haverá produção de petróleo Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área. Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo — ou mesmo se isso acontecerá. 4. Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos. Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas. Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração. Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças. Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental.
18/08/2026 09:52:48 +00:00
Crise econômica, 'santinho' nas redes e mais: casos na Justiça mostram formas mais comuns de assédio eleitoral no trabalho

Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho Pressão para compartilhar propaganda política no WhatsApp, exigência de "santinhos" em perfis pessoais, vigilância das redes sociais e ameaças relacionadas ao emprego. Essas são algumas das situações mais frequentes em processos de assédio eleitoral que chegaram à Justiça do Trabalho nos últimos anos e foram analisadas em uma pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgada com exclusividade ao g1. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O estudo mostra como a pressão política ocorre dentro das empresas e quais estratégias são mais frequentemente utilizadas contra trabalhadores durante períodos eleitorais. (saiba mais abaixo) Muitos desses processos foram ajuizados após o trabalhador deixar o emprego, fazendo com que casos de uma eleição apareçam no ano seguinte. Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos de assédio eleitoral no país. Os dados estão no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a instituição de mecanismos específicos para identificação desses casos. ➡️ O número de denúncias é muito maior que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até agora, foram 74 — mas a campanha eleitoral acabou de começar. É nesse conjunto de casos que o TST buscou entender como o assédio eleitoral acontece na prática. O tribunal fez uma pesquisa qualitativa com 138 processos de todas as regiões do país, selecionados em uma amostra estatisticamente válida. Terror psicológico é a forma mais comum A modalidade mais recorrente identificada nos processos foi o chamado terror psicológico, presente em 81,9% dos casos analisados. 🔎 Trata-se da disseminação de narrativas alarmistas sobre possíveis resultados eleitorais. Entre os exemplos estão mensagens associando a vitória de determinado candidato ao fechamento de empresas, perda de empregos, redução salarial, crise econômica ou colapso social. O ambiente digital também é um dos principais meios de execução do assédio eleitoral. Ferramentas virtuais estiveram presentes em 67,4% dos processos analisados. A pesquisa identificou práticas como: criação de grupos de WhatsApp para propaganda política; envio obrigatório de conteúdos eleitorais; exigência para compartilhar mensagens políticas; obrigação de colocar "santinhos" em status pessoais; monitoramento das redes sociais dos trabalhadores; fiscalização do posicionamento político dos empregados. Segundo o TST, o WhatsApp aparece como a principal ferramenta tecnológica utilizada nas práticas de assédio eleitoral. Ameaças econômicas Outro mecanismo recorrente identificado pela pesquisa foi a pressão econômica. Ela esteve presente em 61,6% dos processos analisados e inclui situações como: ameaças de demissão; ameaças ligadas ao salário; perda de função ou benefícios; promessas de vantagens financeiras; oferta de prêmios e recompensas associadas a posicionamentos políticos. O estudo aponta ainda que o assédio eleitoral raramente se restringe à conduta isolada de um chefe. Em 92% dos processos analisados, foram encontradas características de assédio institucional, quando a pressão política está associada à própria estrutura ou cultura organizacional da empresa. Nesses casos, a pesquisa identificou o envolvimento da alta administração nas práticas de assédio, além do uso de canais corporativos para propaganda político-partidária. Também foram relatadas reuniões internas com conteúdo eleitoral, orientações de como se manifestar e convocações de funcionários para atividades de campanha, como carreatas e panfletagens. Em parte dos casos, houve ainda a utilização da jornada de trabalho para atividades relacionadas às eleições. Segundo o TST, a maior parte das ações está concentrada em cinco estados. São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina respondem juntos por cerca de 56,3% dos processos registrados. A maioria absoluta dos processos foi apresentada pelos próprios trabalhadores. Dos 738 casos registrados, 644 foram ajuizados por pessoas físicas. Justiça reforçou monitoramento O assédio eleitoral passou a ter identificação própria no sistema da Justiça do Trabalho em 2023, após a edição da Resolução CSJT nº 355. Hoje, o tema conta com: classificação específica no Processo Judicial Eletrônico (PJe); monitoramento nacional permanente; painel estatístico atualizado periodicamente; identificação territorial dos casos; acompanhamento por atividade econômica; monitoramento em tempo real em primeiro, segundo e terceiro graus. Em julho deste ano, a regra foi atualizada. Juízes que identificarem indícios de assédio eleitoral devem comunicar imediatamente o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho. Desde 1º de agosto, a Justiça do Trabalho também mantém plantão para analisar medidas urgentes relacionadas a denúncias de assédio eleitoral, como ameaças. O que a Justiça pode determinar Além de indenizações, a Justiça do Trabalho pode determinar medidas para interromper o assédio eleitoral, como retirar conteúdos irregulares, divulgar comunicados, promover campanhas e treinamentos, criar canais de denúncia e programas de prevenção. Também pode proibir o monitoramento de posicionamentos políticos dos trabalhadores ou o uso da estrutura da empresa para propaganda eleitoral. O descumprimento pode resultar em multas diárias e indenizações por danos morais individuais e coletivos. Urna eletrônica para votação nas eleições brasileiras Marcelo Camargo/Agência Brasil
18/08/2026 08:03:06 +00:00
Empregos em tecnologia crescem mais fora do Sul e Sudeste; salários chegam a R$ 40,5 mil

Empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Reprodução/Unsplash Os empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo em ritmo mais acelerado fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil, embora o mercado continue fortemente concentrado em São Paulo. É o que mostra um levantamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), antecipado ao g1 com exclusividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o estudo, o Brasil tem cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações de TIC. Desse total, cerca de 252 mil postos de trabalho estão concentrados na função de analista de desenvolvimento de sistemas, com salário médio de R$ 8,3 mil. Já entre as ocupações mais bem remuneradas, diretor de serviços de informática lidera o ranking, com média salarial de R$ 40,5 mil por mês. (veja os rankings abaixo) Agora no g1 Entre 2023 e 2025, o número de empregos na área cresceu 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. As taxas ficaram acima das registradas no Sul (3,1%) e no Sudeste (2%). Apesar do avanço de outras regiões, o Sudeste ainda reúne 62,5% dos empregos formais de TIC do país, com 588,9 mil trabalhadores e salário médio de R$ 6.802. O Sul aparece em segundo lugar, com 17,5% dos postos. Segundo a Brasscom, o avanço de polos de tecnologia em outras partes do país está relacionado à transformação digital e à maior demanda por profissionais da área. “Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da Brasscom. São Paulo concentra quase metade dos empregos Mesmo com o movimento de expansão regional, São Paulo sozinho concentra 44,7% dos empregos formais em TIC do Brasil. São 420.996 trabalhadores, com salário médio de R$ 7.321. Minas Gerais aparece na segunda colocação, com 83.854 empregos (8,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná completam a lista dos seis estados com maior número de profissionais. Veja o ranking: Ranking regional dos empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) Estados com mais empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) No recorte regional, o Nordeste soma 89.643 empregos formais, com salário médio de R$ 3.950. Já o Centro-Oeste tem 62.782 trabalhadores e remuneração média de R$ 4.855. No Distrito Federal, a média chega a R$ 6.622. O Norte, apesar de ter registrado o maior crescimento percentual entre 2023 e 2025, ainda possui o menor contingente e a menor remuneração entre as cinco regiões: são 36.079 empregos e salário médio de R$ 2.715. Analista de desenvolvimento de sistemas lidera em empregos Entre as ocupações analisadas pelo levantamento, analista de desenvolvimento de sistemas é a que reúne mais trabalhadores. Segundo a tabela de dezembro de 2025, são 252.346 empregos formais, com salário médio de R$ 8.335,81. Na outra ponta, entre as dez ocupações com mais empregos, operador de computador (inclusive microcomputador) apresenta a menor remuneração média, de R$ 2.120,21. Já o técnico de apoio ao usuário de informática, conhecido como profissional de helpdesk, recebe em média R$ 2.333,70. Apesar da remuneração mais baixa, o helpdesk foi a ocupação que apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos, segundo a Brasscom. Veja as 10 ocupações de TIC com mais empregos formais: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com mais empregos formais no Brasil Salários chegam a R$ 40,5 mil No recorte por remuneração, os maiores salários estão concentrados principalmente em cargos de liderança e funções de alta especialização. Diretor de serviços de informática lidera o ranking, com salário médio de R$ 40.543,46 por mês, praticamente o dobro dos R$ 20.986,82 pagos, em média, aos gerentes de segurança de tecnologia da informação, que aparecem na segunda posição. A lista também inclui gerentes, arquitetos, pesquisadores e engenheiros. Entre as dez ocupações mais bem remuneradas, todas têm salários médios acima de R$ 13,7 mil. Confira as 10 ocupações de TIC com os maiores salários médios: Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com os maiores salários médios O levantamento considera apenas trabalhadores com vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em ocupações típicas de TIC, como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura e cientistas de dados. Por isso, os cerca de 943 mil trabalhadores contabilizados não representam todos os funcionários de empresas do setor de tecnologia. Profissionais de áreas como vendas, logística, jurídico e administração, mesmo quando contratados por essas empresas, não entram nesse recorte. Um levantamento setorial mais amplo da Brasscom, que inclui essas funções, contabiliza cerca de 2,1 milhões de empregos. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
18/08/2026 08:02:41 +00:00
Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados

Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados Pexels O chefe grita, expõe funcionários, faz cobranças excessivas e cria um clima de medo na equipe. Mesmo assim, continua sendo elogiado pela empresa porque entrega resultados. Essa é uma percepção compartilhada por muitos trabalhadores brasileiros. Uma pesquisa da consultoria CLA Brasil, divulgada com exclusividade ao g1, mostra que 72,7% dos profissionais acreditam que lideranças adotam comportamentos inadequados sob a justificativa da alta performance. Outros 71,8% afirmam que abusos são tratados como algo normal diante da pressão por resultados. Os números sugerem que, para muitos trabalhadores, o desempenho ainda pesa mais do que a forma como as pessoas são tratadas. O estudo ouviu 303 profissionais por meio de participação espontânea. "Existe um problema cultural quando a organização começa a enxergar o resultado como uma espécie de salvo-conduto para o comportamento. É a lógica de que 'ele pode ser difícil, mas entrega'. O problema é que resultado não neutraliza conduta inadequada", afirma Mariana Rodrigues, especialista em investigações corporativas comportamentais. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho Segundo ela, em algumas empresas, gestores que batem metas acabam ganhando influência e passam a ser vistos como profissionais difíceis de substituir. "Para algumas pessoas, a regra fica mais flexível. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, os funcionários percebem essa diferença de tratamento", diz. Quando o abuso vira parte da cultura Gritos, humilhações públicas, ironias frequentes, exposição de erros diante da equipe e cobranças exageradas estão entre os comportamentos que podem acabar sendo tolerados quando o gestor é visto como um profissional de sucesso. Para Mariana, o problema nem sempre está apenas em um chefe específico. Ela explica que, em algumas empresas, a pressão excessiva vem dos níveis mais altos e acaba sendo reproduzida por toda a cadeia de liderança. "Quem não se adapta a esse modelo muitas vezes sai. Quem fica acaba entendendo que é assim que se lidera e repassa esse comportamento para a própria equipe", afirma. O preço da alta performance Apesar dos resultados aparecerem no curto prazo, o custo costuma chegar depois. A pesquisa mostra que 87,8% dos entrevistados acreditam que pessoas pedem demissão ou deixam equipes porque não suportam a forma como são tratadas pelos gestores. Segundo Mariana, uma liderança abusiva pode até gerar bons números inicialmente, mas cobra uma conta alta mais adiante. "Uma liderança abusiva pode até produzir resultados no curto prazo, mas tende a gerar custos no médio e longo prazo, como perda de engajamento, aumento do turnover, afastamentos e queda de produtividade", afirma. Ela destaca ainda um efeito menos visível. "Existe ainda um custo menos visível: a perda de confiança. Quando funcionários deixam de se sentir seguros para discordar, pedir ajuda ou apontar problemas, a empresa perde informações importantes. Por isso, uma liderança que entrega resultado destruindo o ambiente ao redor pode estar criando uma falsa eficiência." O estudo também mostra um outro fenômeno: 94,5% dos entrevistados acreditam que existe medo de retaliação ao reportar situações de assédio. Para quase metade, esse receio é relevante. O levantamento mostra que 71,8% sabem como denunciar um caso, mas isso não significa que se sintam seguros para fazê-lo. Apenas 52,9% afirmam que confiariam em fazer uma denúncia atualmente. Outros 29,4% responderam "talvez" e 17,6% disseram que não confiariam. Para Mariana, a pergunta que passa pela cabeça de quem pensa em denunciar é simples: o que vai acontecer comigo depois? "O funcionário quer saber, antes de falar: 'O que vai acontecer comigo depois?'. Se ele acredita que pode perder oportunidades, ser isolado, prejudicado na carreira ou passar a ser visto como uma pessoa problemática, a existência do canal não será suficiente para gerar confiança". Essa percepção pode ser ainda mais forte quando a denúncia envolve alguém considerado importante para o negócio. "Quando profissionais observam que uma liderança poderosa é denunciada e nada acontece, ou que a consequência para quem reporta é maior do que para quem é acusado, a organização ensina, na prática, que denunciar pode representar um risco." Por isso, a CLA indica que a principal diferença não está na existência de um canal de denúncias, mas na confiança de que a empresa fará alguma coisa. Entre os profissionais que acreditam que a empresa trata adequadamente os relatos, 87,5% afirmam que denunciariam uma situação de assédio. Entre aqueles que não confiam na resposta da organização, esse percentual cai para 12,9%. Para a especialista, é justamente nesses momentos que os funcionários descobrem se as regras realmente valem para todos. "A maior mensagem que uma empresa passa não está no treinamento nem no cartaz da parede. Está na forma como ela reage quando a denúncia envolve alguém importante para o negócio", afirma. A pesquisa mostra que a maioria das empresas já possui ferramentas para lidar com o problema. Segundo os entrevistados, 81,4% trabalham em locais que têm políticas sobre assédio e conduta, e 74,6% afirmam conhecer bem essas regras. Também houve avanço nos treinamentos: 67,5% dizem que suas empresas promovem capacitações sobre o tema. Ainda assim, o levantamento aponta que o principal desafio não é criar novas regras, mas fazer com que os funcionários acreditem que elas realmente serão aplicadas, inclusive quando envolvem os chefes que mais entregam resultados.
18/08/2026 07:03:11 +00:00
Câmeras digitais e fones com fio estão de volta. Mas por quê?

Emaranhados de fio dos fones de ouvido são vistos por alguns como um símbolo cultural Moritz Scholz/Getty Images via BBC É sábado à tarde e quase tropecei no primeiro obstáculo: deixei a bateria da minha câmera digital carregando em casa. A última vez que usei esta câmera foi há 15 anos, em uma viagem de férias em família para as Ilhas Canárias. Agora, com a bateria carregada em mãos, vou usar minha câmera digital em um show como um experimento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As tecnologias antigas estão em alta — as redes sociais estão cheias de pessoas falando sobre por que estão voltando a itens básicos, como câmeras digitais, fones de ouvido com fio e tocadores de MP3. As vendas de iPods e Walkman no Reino Unido, através do eBay, aumentaram quase 50% em 2025, segundo informações da plataforma. As buscas por iPod mini na mesma plataforma cresceram 48% no último ano. 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Câmeras digitais - fotos mais nítidas do que as tiradas com celular? Por sorte, estou acompanhada da minha melhor amiga, que adora fotografia. Ela me ajuda a ajustar as configurações da câmera e tira fotos enquanto eu estou ocupada na pista de dança. O simples fato de nos verem sacando a câmera e olhando através do seu minúsculo visor chama a atenção — "Não vejo uma dessas há anos", comenta um homem. Ele tem razão — as câmeras digitais tiveram seu auge no final da década de 1990 e início dos anos 2000, pouco antes dos smartphones decolarem. Atualmente, existem 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo, sendo que mais de um terço deles tem entre 18 e 30 anos e é amplamente influenciado pelas tendências das mídias sociais, de acordo com um relatório de pesquisa de mercado do ano passado. A mesma foto foi tirada com uma câmera digital (esquerda) e com um smartphone (direita) — qual você prefere? BBC Então, por que, quando estamos cercados por tecnologias mais avançadas em 2026, elas parecem estar ressurgindo? Para Lily Redman, uma criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, as câmeras digitais "capturam uma qualidade que meu celular simplesmente não consegue reproduzir". Ela tem usado o celular em saídas noturnas e shows e acha que o flash da câmera "é granulado e tem definição muito alta" em comparação com o resultado final "mais suave" de uma câmera digital. "Acho que as pessoas estão buscando um pouco de autenticidade ou algo que pareça um pouco mais real", diz ela. Lily Redman gosta de sair com sua câmera digital Lily Redman Isso também pode explicar por que fotos com baixa exposição tiradas com iPhones e Androids – onde as pessoas evitam filtros prontos para reduzir artificialmente a exposição e produzir uma imagem mais escura – também estão populares nas redes sociais atualmente. Com as câmeras digitais, que oferecem um elemento surpresa ao conectar o leitor de cartão de memória ao computador em casa, elas capturam um momento no tempo. "Se eu olhar para fotos que minha mãe tirou quando eu tinha dois anos, elas parecem tão antigas, mas quando olho para fotos que tirei há cinco anos, elas parecem ter sido tiradas ontem", diz Redman. "As fotos tiradas com celular distorceram nossa percepção do tempo." MP3 e a lembrança de 'tempos mais simples' Não são apenas as câmeras digitais que estão voltando dos arquivos (ou de um armário empoeirado), mas também os primeiros dispositivos de MP3, como os iPods. Segundo o site de eletrônicos recondicionados Backmarket, os iPods estão "impulsionando a tendência" nas vendas de dispositivos MP3 mais antigos, com um aumento de 48% nas vendas entre 2024 e 2025, e a demanda por tocadores de MP3 e MP4 "deve acelerar ainda mais em 2026". Cheri Sanih, de 30 anos, administra uma conta no Tumblr sobre tecnologia antiga, que, segundo ela, ganhou milhares de seguidores recentemente. Enquanto percorre a biblioteca de músicas em seu iPod verde-menta, repleto de capas de álbuns de 15 a 20 anos atrás, as lembranças da infância de ter recebido um como presente de Natal voltam à tona. O iPod verde-menta de Cheri Sanih é uma relíquia do passado Cheri Sanih via BBC Para ela, tudo se resume à nostalgia de "querer se lembrar de tempos mais simples" e de poder "mergulhar no escapismo". Sanih destaca como seu "celular está sempre recebendo notificações e às vezes eu só quero ouvir música tranquilamente". Ela acha que os iPods voltaram a ser populares por causa do seu "design bonito" e do fato de o reprodutor de música ser "o primeiro dispositivo tecnológico realmente pensado para os humanos, com uma interface de usuário menos confusa". Conectados por cabo — não por Bluetooth E por falar em voltar ao básico, os fones de ouvido com fio seguem fazendo sucesso online. Esses fones de ouvido se tornaram um item essencial no dia a dia de Monique Wellman-Mason, de 23 anos, de Bristol, que se cansou de perder seus fones de ouvido sem fio. "Toda vez que tiro os fones da bolsa, passo dois minutos tentando desembaraçá-los, o que é um pouco chato", brinca ela, "mas ao mesmo tempo adoro que eles tenham microfone e que eu esteja [sempre] conectada ao meu celular". Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio? Ela contou à BBC que o microfone de alta qualidade é útil para o seu trabalho como gestora de redes sociais e que gosta de poder "despertar essa nostalgia". Outro ponto positivo é que os fones de ouvido com fio são "muito baratos", custando cerca de 20 libras (R$ 140). Monique trocou os fones de ouvido sem fio Bluetooth pelos fones de ouvido com fio há alguns meses. "A tecnologia só evolui e estamos sempre buscando a solução mais rápida, mas isso é um passo atrás, de certa forma – e eu adorei", diz ela. Monique Wellman-Mason prefere fones de ouvido com fio aos modelos sem fio mais sofisticados Monique Wellman-Mason via BBC Sejam câmeras digitais, iPods ou fones de ouvido com fio, será que o recente interesse de alguns jovens por aparelhos eletrônicos antigos revela algo mais? Essa questão tem estado na mente de Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano na Universidade de Oxford. Segundo ele, a predileção por tecnologias mais básicas se fundamenta no "desejo profundo das pessoas de controlar suas experiências". Ele afirma que o mundo digital moderno muitas vezes nos deixa paralisados pela indecisão – a incapacidade de escolher devido à grande quantidade de opções. Quando uma nova série é lançada, ele explica, "maratoná-la automaticamente" muitas vezes parece uma decisão imediata. Em contrapartida, quando você decide ligar uma câmera digital e explorar suas configurações ou adicionar um álbum à biblioteca do seu iPod, "você se move em direção a algo que deseja, em vez de ser abordado por algo que vem até você". Andrew diz que "as pessoas querem mais do que simplesmente alugar as coisas [e experiências] pelas quais são apaixonadas" e que comprar sua própria música ou tirar suas próprias fotos cria uma sensação de conexão. Ele menciona a falha nos servidores do Xbox no final de julho, na qual os usuários não conseguiam jogar mesmo que possuíssem os jogos em discos físicos. "Imagine se um livro funcionasse dessa maneira", acrescenta ele. Reportagem adicional de Amy Walker. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
18/08/2026 06:02:16 +00:00
Limões 'alienígenas' intrigam produtora; entenda o que causa a deformação

Limão nasce deformado, parecendo 'alienígena'; entenda o que causa Os limões da produtora Viviane Marques chamaram a atenção pelo formato incomum: alguns nasceram deformados, parecendo até "alienígenas". Intrigada, ela procurou o Globo Rural para descobrir o que causou o problema. Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o limoeiro foi atacado por ácaros do tipo "ácaro-das-gemas". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nos galhos afetados surgem brotações, e os frutos ficam deformados. Apesar disso, os limões podem ser consumidos. No entanto, podem ter pouco suco. Para combater os ácaros no limoeiro, é possível usar óleo de nim. LEIA TAMBÉM China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção
18/08/2026 06:00:18 +00:00
Como o 'Super El Niño' pode afetar economia global e fazer subir os preços de alimentos

Cientistas monitoram formação de 'Super El Niño' e alertam para impactos no Brasil O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos. Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção. O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida. Secas e enchentes podem gerar prejuízos Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução. Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras. Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção. Pressão sobre a inflação A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia. Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas. Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial. O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução. Um fenômeno global O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta. No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global. As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027. Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados. Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global. Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados Reprodução/TV Globo
18/08/2026 06:00:10 +00:00
Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 45 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.046 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 45 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (18), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (16), ninguém acertou as seis dezenas e o prêmio acumulou. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
18/08/2026 03:00:57 +00:00
Bolsa Família 2026: pagamentos de agosto começam nesta terça; veja calendário

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de agosto do Bolsa Família 2026 nesta terça-feira (18). Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para agosto de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 18/8 Final do NIS: 2 - pagamento em 19/8 Final do NIS: 3 - pagamento em 20/8 Final do NIS: 4 - pagamento em 21/8 Final do NIS: 5 - pagamento em 24/8 Final do NIS: 6 - pagamento em 25/8 Final do NIS: 7 - pagamento em 26/8 Final do NIS: 8 - pagamento em 27/8 Final do NIS: 9 - pagamento em 28/8 Final do NIS: 0 - pagamento em 31/8 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.
18/08/2026 03:00:37 +00:00
Itaú Unibanco recebe autorização preliminar para ter banco múltiplo nos EUA

Fachada de unidade do Itaú em São Paulo Reuters/Amanda Perobelli O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (17) que recebeu autorização preliminar para criar um banco com licença nacional nos Estados Unidos, a ser chamado de Itaú Bank. Em comunicado ao mercado, o banco afirmou que a licença foi emitida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), órgão responsável pela supervisão de bancos nos EUA. A empresa destacou que a aprovação é uma etapa importante para o estabelecimento do Itaú Bank, mas "não representa autorização final para o início das suas atividades". "A abertura do Itaú Bank permanecerá sujeita ao cumprimento das condições regulatórias e operacionais aplicáveis, bem como à obtenção das aprovações necessárias junto às demais autoridades competentes", disse o banco. Agora no g1 Entre as autoridades que analisarão o pedido do Itaú, estão o Federal Reserve Board, conselho do órgão americano equivalente ao Banco Central, e a Federal Deposit Insurance Corporation, agência independente responsável por proteger titulares de contas bancárias. Maior banco privado do Brasil, o Itaú opera nos EUA desde 1979 e diz que a criação do Itaú Bank está alinhada à estratégia de "ampliar sua capacidade de atender clientes nos Estados Unidos" e de oferecer "uma oferta mais abrangente de produtos e serviços financeiros naquele mercado".
18/08/2026 00:50:08 +00:00
Rede social X diz que deixou de sugerir postagens de candidatos para cumprir lei eleitoral

Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft A rede social X anunciou que, durante o período de campanha eleitoral, deixará de recomendar perfis e postagens de candidatos na aba "Para Você", voltada a conteúdos sugeridos com base nos interesses dos usuários. A plataforma afirmou que a medida passou a valer no último domingo (16), com o início do período oficial de campanha. A Justiça Eleitoral proíbe serviços online de promover contas e publicações de candidatos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Os candidatos oficiais não estão suspensos e seu conteúdo vai permanecer disponível em seus perfis. Essa medida deverá afetar a visibilidade e alcance dos perfis e de seus conteúdos", informou o X na última sexta-feira (14). Em seu comunicado, o X apresentou uma versão atualizada do código do algoritmo que recomenda conteúdo aos usuários. O arquivo agora conta com um filtro para as eleições brasileiras que remove cerca de 600 contas de políticos da aba de sugestões. Agora no g1 A relação do X com as autoridades brasileiras já passou por um de seus momentos mais delicados em 2024, quando a rede chegou a ser suspensa temporariamente no país. Em agosto daquele ano, a empresa anunciou o fechamento de seu escritório no Brasil e alegou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia ameaçado prender sua representante legal no país caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse um novo representante legal. Como a ordem não foi cumprida, o ministro determinou a suspensão do X em todo o território nacional. A medida só foi revertida cerca de 40 dias depois.
17/08/2026 22:33:54 +00:00
Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, conduz visita de Lula e Alexandre Silveira à sonda NS-42, na Margem Equatorial Divulgação/Ricardo Stuckert A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A informação foi dada pela presidente da empresa, Magda Chambriard, durante uma coletiva de imprensa em Oiapoque (AP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outras autoridades do governo. Na última sexta-feira (14), a estatal havia anunciado a identificação de "hidrocarbonetos" no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros. Na ocasião, a Petrobras dizia apenas que esse era um primeiro indício da presença de petróleo ou gás natural na costa amapaense, mas que ainda não era possível confirmar a descoberta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Tem petróleo, tem descoberta. A gente ainda não sabe quanto. Nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer, mas nós aqui desse macacão cor de abóbora estamos extremamente otimistas com o que a gente está encontrando por aqui", disse Chambriard. De acordo com a presidente da Petrobras, a perfuração do poço ainda levará de 15 a 20 dias. Só então será possível estimar o tamanho da reserva de petróleo na região. "Nós temos que delimitar essa descoberta, ou seja, a gente tem que saber quanto é que de petróleo tem de fato nessa área, né?", afirmou. Para dar continuidade à exploração de mais regiões, a Petrobras protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) um pedido de licença ambiental para perfurar três novos poços na Margem Equatorial. A estatal também prevê outras perfurações na região. "Nós temos outros cinco [poços para perfurar] e esse esforço exploratório, que é gigantesco, né? É que vai dizer para a gente quanto é de petróleo que a Margem Equatorial, no offshore do Amapá, tem para nos oferecer, né?", disse Chambriard. "Tudo indica que vai ser bom, né? Nós estamos extremamente otimistas", afirmou. Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação Mesma 'emoção' do pré-sal Antes do anúncio, o presidente Lula visitou o navio-sonda responsável pela perfuração em águas profundas. Em seguida, fez um discurso em que contou como recebeu a notícia de que a Petrobras havia encontrado petróleo na Margem Equatorial. "Eu dizia para Magda que, quando ela me comunicou que tinha encontrado óleo, eu senti a mesma sensação e a mesma emoção que eu senti no dia que o Sérgio Gabrielli, em 2007, e o meu querido amigo [Guilherme] Estrella entraram no meu gabinete para anunciar que a Petrobras tinha descoberto o pré-sal", disse Lula. O presidente relembrou que houve resistência dentro do governo à decisão de anunciar a obtenção da licença ambiental para a exploração de petróleo na região. Lula, porém, classificou a descoberta da estatal como uma "conquista do bom senso". "É uma conquista de um governo que acha que a empresa tem que pesquisar e é uma conquista de uma empresa que tem uma diretoria que acha que ela existe porque ela é uma empresa não só de petróleo, mas que tem como ciência a questão do petróleo." "E, quando eu falo o passaporte para o futuro desse país, eu não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil, porque o país vai continuar sendo o país rei da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável", disse Lula. O presidente também parabenizou Magda Chambriard e disse que valeu a pena "brigar tanto" nas reuniões. "Valeu a pena vocês voltarem a levantar a cabeça da Petrobras", disse. "Porque vocês sabem que, há pouco tempo, na Lava Jato, o objetivo era tentar destruir duas coisas: a Petrobras e as empresas da construção civil nesse país. E tentar também acabar com a possibilidade de eu ser presidente da República." "Cá estou eu, cá está a Petrobras e cá está o povo brasileiro, firme e forte. Porque isso aqui vai ser enriquecido pelo povo brasileiro, vai ser enriquecido para o Amapá." Os próximos passos A fase atual é de avaliação exploratória e busca responder, principalmente, a duas perguntas: Qual é o volume de petróleo existente no reservatório; Se a quantidade encontrada é economicamente viável para produção. Neste momento, a área de engenharia está concentrada em concluir a perfuração do poço — ainda restam 1 mil metros. Segundo a empresa, a operação custa, em média, US$ 1 milhão por dia e já consumiu US$ 300 milhões em investimentos. "Esperamos muitos reservatórios ao longo dessa jornada. Quanto mais, melhor", celebrou a presidente da empresa. Petrobras amplia ofensiva na Foz do Amazonas e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Ibama aplica multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras por vazamento de fluido na Foz do Amazonas Petrobras recebe aval do Ibama para perfurar poço exploratório na região da Foz do Amazonas Licenças ambientais Em fevereiro desse ano, o Ibama aplicou uma multa de R$ 2,5 milhões à Petrobras após a descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa no mar. O incidente ocorreu em 4 de janeiro, apenas 75 dias após a liberação do Ibama para explorar a região. O problema aconteceu na instalação Navio Sonda 42 (NS-42), que operava no mesmo local que agora encontrou petróleo. Na época, a Petrobras informou que interrompeu a perfuração após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho — para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas, e que o vazamento foi contido imediatamente. A substância vazada continha componentes classificados como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático. Com base nesse histórico recente, a diretoria executiva confirmou que as determinações do Ibama estão sendo incorporadas ao novo projeto como parte do processo de licenciamento ambiental. “Estamos fazendo isso com muito respeito ao meio ambiente. [...] Nunca tivemos um único acidente perfurando petróleo na nossa fase exploratória”, afirmou a presidente da Petrobras. Como parte da operação, a estatal utiliza o BOP (blowout preventer, ou preventor de explosão), equipamento instalado no assoalho marinho que funciona como uma barreira de segurança durante a perfuração. O sistema reúne válvulas e sensores capazes de interromper a operação e, se necessário, cortar a coluna de perfuração para isolar o poço. “Isso foi mostrado ao presidente Lula, e ele ficou impressionado com o nível de segurança de um poço que utiliza o BOP”, disse Magda. Além do BOP, a Petrobras destacou o desenvolvimento do Plano de Emergência Individual (PEI), semelhante ao adotado na Bacia de Santos. O plano reúne medidas de resposta para proteger a fauna e a flora da Margem Equatorial em caso de incidente. “Eu gosto de dizer que andamos sempre pelo lado seguro. Assim como fazemos seguro do carro ou da casa, é isso que estamos fazendo aqui. [...] O Plano de Emergência Individual é como um seguro: esperamos que ele nunca precise ser acionado”, afirmou.
17/08/2026 19:57:15 +00:00
Paramount pede garantia de US$ 1,88 bilhão a estados americanos que contestam fusão com Warner

Agora no g1 A Paramount Skydance pediu nesta segunda-feira (17) a um juiz dos Estados Unidos que obrigue 12 estados que tentam impedir sua compra da Warner Bros. Discovery a depositar uma garantia de US$ 1,88 bilhão (R$ 9,78 bilhões). O valor serviria para cobrir os custos provocados pelo atraso na conclusão do negócio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A empresa terá de pagar US$ 7 milhões (R$ 36,41 milhões) por dia caso a operação, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 572,11 bilhões), não seja concluída até 30 de setembro. A Paramount afirmou que o julgamento do processo movido pelos estados está previsto para março. Até que o julgamento termine e as partes apresentem seus últimos argumentos à Justiça, a empresa estima que terá pago US$ 1,3 bilhão (R$ 6,76 bilhões) aos acionistas da Warner Bros. Discovery em valores relacionados ao atraso — quantia que não poderá ser recuperada. Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters
17/08/2026 19:07:19 +00:00
Casas Bahia espera um 2027 pior que 2026, diz presidente da empresa

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia A Casas Bahia trabalha com a expectativa de um cenário econômico mais difícil em 2027 do que neste ano. Segundo o presidente-executivo da varejista, Renato Franklin, o plano de fechamento de quase 300 lojas foi elaborado considerando uma possível piora nas condições de crédito para os consumidores. “Não trabalhamos com melhora no cenário macro. Consideramos que 2027 será pior que 2026”, disse o executivo durante uma conferência com analistas, um dia após a companhia se tornar mais uma empresa do setor a pedir recuperação judicial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “O endividamento vai continuar e algumas alavancas que deram fôlego para o consumo este ano vão criar um passivo no futuro, o que pode gerar uma deterioração do cenário de crédito”, acrescentou Franklin. Segundo ele, a Casas Bahia está adotando critérios cada vez mais restritivos para conceder financiamentos aos consumidores. A companhia anunciou, no fim de semana, o pedido de recuperação judicial e o fechamento de cerca de 30% de suas lojas, o equivalente a 298 unidades. Segundo Franklin, os fechamentos foram feitos em uma “onda única”, já considerando uma possível deterioração do mercado no próximo ano e para “não gerar ansiedade por mais ajustes”. O executivo afirmou que, com as medidas, a rede eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”. Questionado sobre as parcerias da Casas Bahia com marketplaces, Franklin afirmou que a rede vai priorizar as margens de lucro nos canais on-line e reduzir o volume de vendas que não são rentáveis. Durante a conferência, ele disse que os marketplaces são “viabilizadores desse ajuste que estamos fazendo no mercado digital”. No ano passado, a Casas Bahia firmou uma parceria com o Mercado Livre para reforçar sua operação on-line. Analistas do Citi afirmaram, em relatório enviado a clientes, que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia tem impacto marginalmente negativo para o Mercado Livre. Segundo eles, uma alternativa para suprir essa demanda no segmento de eletroeletrônicos poderia ser uma “futura parceria com o Magazine Luiza, que atualmente mantém um acordo comercial semelhante com a Amazon”. Apesar disso, os analistas avaliam que o Mercado Livre poderá se beneficiar de melhores condições de negociação com fornecedores. Além da Casas Bahia, as Lojas Marabraz anunciaram nesta segunda-feira (17) que também entraram com pedido de recuperação judicial no fim de semana, na Justiça de São Paulo, em meio a dívidas de R$ 140 milhões. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões * Com informações da agência de notícias Reuters. LEIA MAIS EM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
17/08/2026 18:19:52 +00:00
Recuperação judicial da Casas Bahia: o que muda para quem comprou? E para os funcionários?

Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1 Na noite de domingo (16), o grupo Casas Bahia anunciou um pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo. Mas o que isso significa para clientes e trabalhadores? A princípio, o pedido não permite que clientes deixem de pagar parcelas nem retira direitos dos trabalhadores. A empresa afirma que continuará operando normalmente enquanto tenta renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A recuperação judicial é um processo supervisionado pela Justiça que permite à empresa reorganizar suas dívidas para evitar a falência. O processo altera a relação da companhia com os credores, mas não cancela automaticamente contratos de compra nem obrigações trabalhistas. Preciso continuar pagando o carnê? Sim, desde que o produto tenha sido entregue. Segundo Fernando Moreira, especialista em direito do consumidor e professor da FGV, a recuperação judicial não autoriza o consumidor a interromper o pagamento do carnê ou das parcelas. "A recuperação judicial reorganiza as dívidas da empresa; ela não cancela automaticamente os contratos com os consumidores", afirma. Letícia Málaga, especialista em direito empresarial e sócia do Urbano Vitalino Advogados, reforça que deixar de pagar por conta própria pode gerar juros, cobranças e até a negativação do nome. Ou seja, quem recebeu a mercadoria deve continuar pagando nas condições previstas no contrato. E se eu paguei, mas o produto não foi entregue? Nesse caso, o consumidor continua protegido pelo Código de Defesa do Consumidor. Se o prazo de entrega ainda não venceu, a orientação é aguardar a data combinada. O pedido de recuperação judicial, por si só, não significa que as entregas serão interrompidas. A própria Casas Bahia informou que pretende manter suas operações. Se o prazo expirou e a mercadoria não foi entregue, há descumprimento da oferta. Pela lei, o cliente pode escolher entre: Exigir a entrega do produto; Aceitar um item equivalente; Cancelar a compra e pedir a devolução do dinheiro, com correção monetária e, quando cabível, indenização por prejuízos. Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia Vou receber meu dinheiro de volta imediatamente? Não necessariamente. Os especialistas fazem uma distinção importante: ter direito ao reembolso não significa receber o dinheiro imediatamente. Segundo Moreira, quando o crédito do consumidor surge antes do pedido de recuperação judicial, ele pode passar a integrar o processo e seguir as regras do plano que será aprovado pela Justiça e pelos credores. Málaga explica que o consumidor mantém o direito de pedir a restituição, mas o prazo e a forma de pagamento podem depender das regras da recuperação judicial. E quem financiou a compra? Alguns consumidores que contrataram um financiamento vinculado à compra do produto têm proteção adicional. De acordo com Fernando Moreira, em determinadas situações o Código de Defesa do Consumidor permite que o cliente também peça a rescisão do financiamento quando a loja não entrega o produto. Por isso, a recomendação não é simplesmente deixar de pagar as parcelas, mas formalizar a contestação e buscar a resolução do contrato, evitando cobranças e eventual negativação indevida. O que acontece com os funcionários da Casas Bahia? Para quem continua empregado, a recuperação judicial não autoriza a empresa a deixar de pagar salários, recolher o FGTS ou cumprir outros direitos trabalhistas. Segundo Jorge Soares, advogado especialista em direito do trabalho e sócio da IW Melcheds Advogados, todas as obrigações trabalhistas que surgirem durante a recuperação judicial devem continuar sendo cumpridas normalmente. Ele também destaca que a empresa não pode reduzir salários nem alterar contratos apenas por ter entrado em recuperação judicial. Qualquer mudança precisa respeitar a legislação e, quando necessário, ser negociada coletivamente. E quem foi demitido? Os trabalhadores demitidos continuam tendo direito às verbas rescisórias, ao FGTS e às indenizações devidas. Se esses valores tiverem origem antes do pedido de recuperação judicial, passam a integrar o processo como créditos trabalhistas — nome dado às dívidas que a empresa tem com seus empregados. Soares orienta que o ex-funcionário verifique se seu nome e o valor devido constam corretamente na relação de credores. Se houver erro ou ausência, poderá ser necessário pedir a inclusão ou a correção ao administrador judicial. Quando o valor ainda está sendo discutido em uma ação trabalhista, o processo continua na Justiça do Trabalho até que a dívida seja reconhecida e calculada. Depois disso, o crédito passa a integrar a recuperação judicial. Os trabalhadores têm prioridade para receber? Sim. Os créditos trabalhistas têm prioridade no pagamento. Isso, porém, não significa que os trabalhadores receberão imediatamente. Em regra, o plano de recuperação judicial não pode prever prazo superior a um ano para quitar esses créditos, contado a partir da decisão que concede a recuperação. Além disso, os salários atrasados dos três meses anteriores ao pedido têm proteção especial: até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador, devem ser pagos em até 30 dias. Mesmo assim, Soares ressalta que ainda é cedo para dizer quando cada funcionário receberá. "Neste início do processo, ainda não é possível afirmar exatamente quando cada trabalhador receberá. Isso dependerá do andamento da recuperação e das condições do plano que vier a ser aprovado", afirma.
17/08/2026 18:10:54 +00:00
'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense

'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense Getty Images via BBC "É muito fácil vender histórias assustadoras para os pais. Nós somos um grupo ansioso", diz a psicóloga canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre e adolescentes. Os possíveis efeitos nocivos dessas tecnologias são fonte de preocupação não apenas para pais e mães, mas também para governos ao redor do mundo, muitos dos quais vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovens. No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do Discord. A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma. Agora no g1 A plataforma tem até esta segunda-feira (17/8) para cumprir a determinação. A suspensão vale até que a empresa comprove que adotou medidas eficazes para proteger crianças e adolescentes. Mas Odgers, que é professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos se dedica a estudar a saúde mental de crianças e adolescentes, argumenta que essas reações não são baseadas em evidências científicas. "Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje", diz Odgers à BBC News Brasil. Odgers enfatiza que as empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas por garantir a segurança das plataformas e que é preciso mais regulamentação. No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes sociais e a saúde mental dos jovens, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação. Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras soluções e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Candice Odgers é especialista em psicologia do desenvolvimento e professora da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA Cortesia/Steve Zylius/UC Irvine Odgers não é a única a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes sociais e saúde mental mostram "efeitos pequenos" e "associações fracas", que podem ser "influenciados por uma combinação de experiências boas e ruins". "Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes sociais são universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade é mais complexa", disseram os autores. Mas propostas para restringir o acesso de jovens às redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os possíveis impactos de um ambiente online onde muitas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outras ameaças. Segundo o Pew Research Center, 56% dos adultos nos Estados Unidos são a favor de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, e 77% apoiam a proibição de celulares em sala de aula. No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras. Desde então, diversos países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição. No Brasil, entrou em vigor em março o ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que não impede o uso das redes por menores, mas estabelece uma série de restrições de conteúdo e controles. Depois de anos estudando o dia a dia dos adolescentes em seus smartphones, ela ressalta que eles são resilientes e destaca os avanços nos últimos 20 anos, como queda nas taxas de violência, consumo de álcool e gravidez na adolescência. "Os adolescentes de hoje são incríveis", diz Odgers no TED Talk, intitulado What we're getting wrong about kids and tech ("O que estamos entendendo errado sobre as crianças e a tecnologia", em tradução livre). Para a psicóloga, que é mãe de dois adolescentes, a maneira de ajudar os jovens é estabelecer expectativas altas e apoiá-los para que consigam alcançá-las. Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista à BBC News Brasil. BBC News Brasil — Nos últimos anos, smartphones e redes sociais vêm sendo citados entre as principais causas para a crise de saúde mental entre crianças e adolescentes. Mas a senhora estuda o tema há 25 anos e diz que não há evidências disso. O que exatamente mostram os estudos? Candice Odgers — Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje. Existem correlações entre o uso mais intenso e problemas de saúde mental, mas não sabemos em qual direção elas vão. Muitas vezes observamos que jovens que [já] enfrentam problemas de saúde mental tendem a passar mais tempo online. Então, encontramos associações mínimas e em direções variadas. Às vezes, as pessoas encontram associações positivas com o tempo passado nas redes sociais, por estarem mais conectadas. Outras vezes, negativas. Mas o ponto principal é que essas associações são muito pequenas. Não é o que você pensaria de início ao acompanhar as manchetes da imprensa ou as discussões sobre o assunto. Se estivermos falando apenas sobre saúde mental de adolescentes e analisarmos todos os principais fatores que comprovadamente preveem sintomas de problemas de saúde mental, as redes sociais frequentemente sequer entram nessa lista. E isso é realmente surpreendente para as pessoas, porque as redes sociais são algo de que todos falam quando o assunto é a saúde mental dos adolescentes. E há uma forte crença de que são o motivo pelo qual os jovens estão enfrentando dificuldades. Mas existem muitos motivos pelos quais os jovens nos dizem [nos estudos que ela conduz] que estão enfrentando problemas de saúde mental. E as redes sociais não estão nessa lista. BBC News Brasil — Quantos estudos a senhora analisou? Todos chegaram à mesma conclusão? Candice Odgers — Esse campo mudou rapidamente, porque as redes evoluíram rapidamente. Os estudos iniciais eram sobre quanto tempo os jovens passavam em frente a qualquer tela, centenas e centenas de estudos e metanálises que examinaram esse material. E o que se constata é que a associação entre tempo de uso de telas e bem-estar explica menos de 1% da variação. Ou seja, 99% das razões pelas quais estão deprimidos se devem a outros fatores nesses modelos. Então isso é minúsculo. Além disso, nesses modelos, não se sabe a direção da causalidade. No caso das redes sociais, [também há] algumas centenas de estudos. E esses estudos algumas vezes encontram uma correlação mínima, como mencionei. Mas assim que se controlam outros fatores, como traumas no início da vida, histórico familiar, saúde mental dos pais, essas associações diminuem e, frequentemente, desaparecem. Não estou dizendo que as redes sociais não têm impactos negativos para algumas pessoas. Existem populações vulneráveis para as quais as redes sociais podem piorar uma situação que já é ruim, assim como estar em qualquer ambiente que as exponha à comparação social ou a conteúdos negativos. E existem, sem dúvida, riscos no ambiente online que precisam ser reduzidos e eliminados para todos nós. É por isso, aliás, que gosto da abordagem do Brasil para essa questão, que foca em aprimorar o design para todos, visando à segurança, em vez de simplesmente excluir os jovens das plataformas e fingir que eles não estão lá. Em resumo, não estou dizendo que não existe associação ou danos, mas o sinal que vemos é muito pequeno, e essa é uma mensagem muito diferente da que estão nos passando. Isso provavelmente significa que simplesmente proibir não será a solução mágica que todos imaginamos. Além de todos os outros problemas que surgiriam ao tentar banir os jovens da internet. BBC News Brasil — Mas defensores de restrições, como o psicólogo Jonathan Haidt, afirmam que muitos estudos misturam todas as plataformas, meninos e meninas, diferentes tipos de problemas de saúde mental. Segundo eles, se o foco for em um recorte mais específico como, por exemplo, a relação entre redes sociais e ansiedade ou depressão em meninas, o sinal é mais forte. Candice Odgers — Uma metanálise especificamente sobre meninas, redes sociais e depressão encontrou uma correlação relativamente pequena. Associações pequenas ainda assim devem receber a nossa atenção. Mas esses estudos não controlam outros fatores que sabemos que influenciam tanto a probabilidade de passar mais tempo online quanto a suscetibilidade à depressão. Portanto, precisamos ter muito cuidado ao avaliar essas pesquisas. Porque, quando investigamos a fundo e fazemos isso de forma rigorosamente controlada, descobrimos que esses efeitos caem para zero ou muito perto de zero. Acho intrigante toda essa ênfase que tem sido colocada nas redes sociais, quando sabemos que os jovens estão crescendo em um mundo cada vez mais instável economicamente, expostos a violência nas escolas, conflitos, pais que enfrentam problemas de saúde mental, incerteza financeira. Ou seja, todos esses fatores complexos com os quais precisam conviver e superar enquanto amadurecem. Tudo isso acaba sendo deixado de lado em favor dessa narrativa simples de que "a culpa é do tempo passado no TikTok". Crise de saúde mental não é só entre os jovens, mas também na população adulta Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora concorda que há uma crise de saúde mental entre os jovens? Se não é causada pelas redes sociais, quais seriam as outras possíveis explicações? Candice Odgers — Eu concordo que há uma crise de saúde mental entre a população adulta nos Estados Unidos, já há algumas décadas. A dimensão é verdadeiramente sem precedentes. E a saúde mental dos responsáveis impacta a saúde mental dos jovens de maneiras extremamente importantes. Estamos vendo cenários bastante diversos ao redor do mundo. A taxa de suicídios entre jovens, por exemplo, não está aumentando na maioria dos países, não é um aumento universal. Quando vemos um aumento, como estamos observando, em termos de sintomas de problemas de saúde mental, há a tendência de procurar uma única explicação e de concentrar toda a nossa atenção nisso. E isso é bastante perigoso quando pensamos em algo tão complexo e influenciado por múltiplos fatores. As causas vão ser muito diferentes para cada grupo de pessoas. Além disso, a população de jovens também está mudando, por meio da imigração, variações geracionais e outros fatores. Então, essa ideia de buscar uma única explicação nunca vai corresponder à realidade. Sempre vai ser uma combinação de vários fatores. Cada país precisa examinar os fatores que estão moldando a saúde mental da sua comunidade e entender qual é o perfil dessa população. Nos Estados Unidos, suicídios entre jovens começaram a crescer depois da Grande Recessão de 2008, e suicídios entre adultos já estavam aumentando antes disso. Os jovens têm relatado preocupação crescente com a segurança na escola. Tivemos um crescimento, por exemplo, nos casos de ataques a tiros em escolas. Tivemos aumento de instabilidade política. Muitos jovens se identificam com grupos marginalizados. Vimos sentimento anti-imigração, o movimento Black Lives Matter, uma sensibilidade à injustiça, tanto nas comunidades locais quanto em nível global. Há muita coisa impactando os jovens. E, obviamente, parte disso eles estão descobrindo por meio das redes sociais, e estão se mobilizando pelas redes e se conectando para buscar mais informações. Então existe também esse aspecto de conscientização, que acho interessante. BBC News Brasil — A senhora costuma dizer que o foco nas redes sociais está sufocando o resto do debate. Que efeitos negativos esse foco pode ter? Candice Odgers — As pessoas me perguntam qual é o mal em simplesmente expulsar os jovens das redes, banir tudo, em colocar a segurança em primeiro lugar, por cautela, já que não sabemos ao certo quais são os impactos. E eu acho que optar pela segurança em primeiro lugar seria válido, desde que isso fosse comunicado como tal. Mas o discurso atual é de que descobrimos a causa central por trás da depressão e da ansiedade [entre os jovens]. Esses são problemas graves de saúde mental, e estamos afirmando que identificamos uma causa principal e que basta desativar [as redes] para que tudo melhore. E isso canaliza muita energia e dinheiro para criar e aplicar essas medidas, desviando o foco de outras necessidades fundamentais para os jovens. Outro ponto é que ao afirmar que vamos proibir o uso, estamos nos iludindo. Estamos vendo na Austrália que 85% dos jovens continuam nas plataformas mesmo após a proibição [segundo pesquisa publicada em junho na revista científica BMJ]. Vimos isso logo no primeiro dia [da proibição na Austrália], quando encerraram todas as contas no YouTube, por exemplo. Isso não tirou os jovens do YouTube, o que fez foi desativar suas contas, que tinham configurações de privacidade, controles parentais, filtros de conteúdos. Os jovens continuaram conseguindo entrar no YouTube, só que na versão para adultos. Então piorou a situação, a experiência acabou piorando para muitas dessas crianças. E também acho que estamos enviando uma mensagem para os jovens sobre seu comportamento, de que são viciados [em redes sociais], que seus cérebros estão destruídos, quando na verdade seu comportamento é absolutamente comum. Eles estão online para consumir cultura jovem e se conectar com os amigos. E sabemos isso porque vemos [nas nossas pesquisas] os dados de seus celulares e recebemos relatórios diários deles sobre o que estão fazendo. E são coisas bem normais de qualquer adolescente. Agora, o que não é normal é ter uma empresa de tecnologia controlando esse ecossistema, com feeds e conteúdos tóxicos, sem ser responsabilizada por garantir a segurança desde a concepção [das plataformas]. Esses são os pontos nos quais precisamos focar. Mas precisamos melhorar isso para todo mundo. Porque se simplesmente dissermos que as crianças não estão nessas plataformas, estaremos mentindo para nós mesmos. E estaremos permitindo que as empresas de tecnologia mintam para nós e digam que os jovens não estão lá. Precisamos corrigir isso e construir um mundo online melhor. Mas precisamos fazer isso para todos nós, incluindo os jovens, que sempre serão os primeiros a adotar com entusiasmo as novas tecnologias, e simplesmente estarão à nossa frente na ocupação desses espaços ou na criação de seus próprios novos ambientes. BBC News Brasil — Se não há evidências de que as redes sociais estão por trás da crise de saúde mental entre os jovens, como essa ideia se tornou tão prevalente? E por que não é rejeitada publicamente por mais especialistas? Candice Odgers — Essa narrativa se tornou tão poderosa. Fizemos uma pesquisa com pais e mães e eleitores na Califórnia e cerca de 80%, fossem democratas, republicanos ou independentes, eram a favor de restringir redes sociais [para jovens]. Portanto, para os políticos, se estão procurando um tema que será vitorioso, é este. Crianças não votam, então não haverá muita oposição. E muitos adultos bem-intencionados acreditam que isso vai melhorar a situação. Existe um argumento perfeitamente razoável de uma abordagem que prioriza a segurança, como mencionei antes, que é o fato de não termos o retrato completo de quais são os efeitos da tecnologia sobre todos esses aspectos do desenvolvimento. Trata-se de uma área da ciência ainda cercada de muitas incertezas, e as histórias que estão nos contando sobre isso são muito diferentes do que vemos na prática. E as grandes empresas de tecnologia não são populares e, por vários bons motivos, acabam se tornando um vilão fácil neste momento. Mas muitas pessoas sabem que essas proibições provavelmente não vão funcionar. O que precisamos considerar é o que vem depois da proibição. O que vamos fazer quando essas proibições não produzirem os ganhos milagrosos que prometem em termos de aprendizagem, saúde mental, redução do tempo passado online? O que vamos fazer, além das proibições, para realmente oferecer apoio aos jovens, tanto fora quanto dentro da internet? Porque esse é um caso em que políticos e outros adultos podem facilmente declarar vitória sem realmente gerar impacto. Acho que é politicamente impopular dizer publicamente que as redes sociais não são responsáveis por toda a crise de saúde mental entre os jovens como tem sido retratado. Porque esse tem sido um enquadramento político muito útil dessa questão, para impulsionar esse tipo de política pública. E a maioria das pessoas não quer se envolver nisso. Você recebe muitos e-mails interessantes, pode sofrer assédio. BBC News Brasil — A senhora sofreu algum tipo de assédio? Já foi alvo de alegações de que estaria trabalhando secretamente para empresas de tecnologia, não é mesmo? Candice Odgers — Um jornalista específico estava convencido de que minha pesquisa era financiada pela Meta, o que não é verdade. Eu estava dizendo que, nos Estados Unidos, as armas de fogo são a principal causa de morte entre as crianças, não as redes sociais. E, de alguma forma, ele achou que, para dizer isso, eu deveria estar na mão das grandes empresas de tecnologia. A Meta não financia minha pesquisa. O governo federal financia, assim como o Canadian Institute for Advanced Research [Instituto Canadense de Pesquisas Avançadas, ou Cifar, na sigla em inglês] e outras fundações. É um tipo de reação preguiçosa, mas é a resposta imediata que se recebe quando alguém vem a público e diz "espere um pouco, isso realmente não fecha, esse não é o efeito enorme que pensamos que é". E então as pessoas não querem lidar com esse nível de assédio. Outro ponto é que algumas pessoas estão questionando, de maneira compreensível, qual é o problema em colocar essas políticas em prática e ver o que acontece. E eu adoto uma abordagem diferente nesse ponto, porque acho que há um custo enorme em ignorar as causas reais, em enviar aos jovens a mensagem de que seu comportamento é de certa forma viciante e vergonhoso. E acho que essas políticas podem ter o efeito contrário e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Já é bem difícil fazer com que os jovens contem que algo negativo aconteceu online e permitam que você os ajude a lidar com isso, porque têm medo de que você tire o acesso deles à tecnologia. E agora proibimos e tornamos ilegal estar nesses espaços, então nenhum desses jovens vai relatar danos [que tenham sofrido online]. Mas eles vão estar nesses espaços, não vão abandonar o ecossistema digital. E vão surgir novos espaços diferentes. A inteligência artificial está mudando completamente o cenário, as redes sociais vão ser muito diferentes daqui a 18 meses. Então precisamos ser ágeis e trabalhar com os jovens para resolver isso. Quando você ouve as pessoas que estão criando essas leis, fica claro que elas não têm ideia de como as crianças usam a tecnologia ou de como a tecnologia funciona. Idade 'certa' para ter dispositivos varia em cada caso, avalia Odgers Getty Images via BBC BBC News Brasil — A senhora diz que, além de riscos, as redes sociais também trazem benefícios para os jovens. Em suas pesquisas, o que eles relatam sobre suas experiências nas redes? Candice Odgers — Muitas pessoas que pertencem a comunidades vulneráveis encontram online uma conexão que não encontrariam fora da internet. Eles buscam apoio social, conectam-se com os amigos, fazem planos, se divertem, criam. Não estou dizendo que tudo é bom, mas certamente não é tudo ruim. Depende de como é usado. Grande parte da questão é como ajudamos nossos jovens e a nós mesmos a ter um envolvimento saudável com as redes sociais e as ferramentas online. Aprender a usar essas ferramentas para o nosso trabalho, nosso lazer, para tudo o que precisamos fazer para alcançar nossos próprios objetivos, em vez de vê-las como essa substância tóxica que está destruindo uma parcela da população. Temos que construir isso juntos. Pais e mães não conseguem resolver isso sozinhos, os jovens não conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas de tecnologia não querem resolver. Então, a pressão sobre as empresas de tecnologia é boa. Eu argumentaria que o Brasil está fazendo a coisa certa ao não expulsar um grupo específico [das redes]. Estão exercendo pressão por meio de políticas cuidadosamente elaboradas para melhorar a experiência online para todos. BBC News Brasil — A senhora costuma observar que muitas crianças que sofrem bullying ou abusos online também enfrentam isso fora da internet. Como é essa relação? Candice Odgers — Trabalho há muito tempo com jovens em situações de bastante vulnerabilidade. E o que as pessoas frequentemente esquecem é que a vasta maioria dos jovens que sofrem abusos são vitimados por alguém que conhecem, em locais onde deveriam estar seguros. Em suas casas, escolas, comunidades, locais onde os adultos estão, e geralmente são adultos que eles conhecem. O perigo vindo de estranhos é algo raro. O outro ponto é que jovens que sofrem abusos ou estão vulneráveis fora da internet têm mais chances de passar por experiências negativas online. E parte disso vem da ausência de adultos de confiança para apoiá-los. Parte pode ser o fato de pesquisarem conteúdos mais perigosos na internet ou compartilharem informações sensíveis. Há uma grande sobreposição. E quando se trata de prever futuros problemas de saúde mental, a vitimização fora da rede é o indicador de maior peso. Quero ressaltar que há casos horríveis de abuso e exploração online. Mas se o nosso objetivo é prevenir que crianças sofram abusos, precisamos focar no que ocorre em seus lares, escolas, famílias, com pessoas de seu convívio, inclusive no contato virtual com quem elas já conhecem. Outro aspecto é que, no caso de jovens vulneráveis no ambiente presencial, é preciso compreender como os recursos online chegam até eles. Canais de apoio via texto, por exemplo, têm extrema importância ao proporcionar uma forma de buscar ajuda. Devemos falar sobre de que maneiras o mundo virtual aumenta os riscos, talvez expondo [as crianças] a contatos indesejados, ou normalizando conteúdos inapropriados para a idade. E também sobre de que maneiras pode proteger ou ajudar, por meio de canais de ajuda via texto, com a integração de serviços de apoio. É esse equilíbrio que precisamos alcançar se quisermos de fato ajudar os jovens, em vez de apenas criar a impressão de que estamos agindo ao proibir as tecnologias. BBC News Brasil — A senhora é mãe de dois adolescentes, e costuma dizer que decisões sobre uso de smartphones e redes sociais devem ser tomadas pela família. Quais são as regras na sua casa? Candice Odgers — Quando os filhos entram na adolescência, fica muito mais difícil manter aquele controle absoluto que os pais querem. É aí que surge grande parte da questão das redes sociais, bem no momento em que os jovens estão começando a explorar o mundo com mais independência e os pais estão ficando muito mais ansiosos em abrir mão desse controle. Vejo muitos paralelos entre ensinar e apoiar as crianças a navegar em espaços online e prepará-las para sair pelo mundo e explorar espaços [físicos], onde também vão se deparar com riscos e complicações e precisar pedir o seu apoio ou desenvolver habilidades para serem bem-sucedidas. Na nossa casa, a questão era se nossos filhos eram responsáveis o suficiente para ter um dispositivo, um celular, e tomamos a decisão de permitir quando estavam no sexto ano. Eles iam a pé para a escola, nós conhecíamos todos os seus amigos. Eles podiam ir para a casa dos amigos após as aulas e nós podíamos nos comunicar com eles. Eles podiam aprender a usá-lo com responsabilidade antes de fazerem a próxima transição, no sétimo ano, para uma escola maior, com pessoas novas, horários novos e pressões novas. Mas essa foi simplesmente a decisão na nossa família. Não é que eu, como psicóloga do desenvolvimento, esteja dizendo que todas as crianças estão prontas para ter um celular aos 11 anos de idade. A questão é se seus filhos estão prontos, se isso se encaixa com a escola, o ambiente, a rotina deles. A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'
17/08/2026 17:58:56 +00:00
Rio ‘AAA’: o que a nota de crédito da Fitch significa para a cidade?

Agência eleva nota de crédito da cidade do Rio para o grau AAA, o mais alto nível, e deixa o Rio à frente de São Paulo O Rio de Janeiro recebeu a nota máxima na escala nacional de crédito da Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo. O RJ1 ouviu especialistas para entender o que, na prática, a nota mudar de AA+ para AAA traz de benefícios para a cidade. A classificação funciona como uma espécie de selo sobre a capacidade do município de honrar suas dívidas e outros compromissos financeiros. Quanto melhor a avaliação, menor é a percepção de risco para quem pretende emprestar dinheiro ou investir em projetos relacionados à cidade. O que significa receber AAA? As agências de risco analisam governos e empresas para estimar a possibilidade de eles cumprirem suas obrigações financeiras. As notas funcionam de maneira semelhante a uma escala: quanto mais alta, menor é considerado o risco de crédito. Na escala nacional da Fitch, AAA é o nível mais elevado. Isso não significa, porém, que o Rio tenha recebido a melhor avaliação possível em uma comparação mundial. A classificação AAA anunciada pela Fitch é nacional, ou seja, compara o risco de crédito do município com o de outros emissores brasileiros. Por que isso pode atrair investimentos? Uma classificação melhor pode aumentar a confiança de bancos, fundos e outros investidores na capacidade de pagamento do município. Segundo o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec, isso é especialmente importante para investidores institucionais e estrangeiros que seguem regras sobre o nível de risco dos locais em que podem aplicar recursos. Com uma percepção menor de risco, o município pode encontrar condições mais favoráveis para obter financiamento e se tornar mais atraente para determinados investimentos. E o que muda para o carioca? Não há uma mudança automática ou imediata. Receber AAA não significa que dinheiro novo entrará imediatamente no caixa da prefeitura, nem garante a instalação de empresas ou a criação de empregos. O efeito é indireto: uma situação fiscal considerada mais sólida pode facilitar investimentos e financiamentos e contribuir para um ambiente mais favorável à realização de novos projetos. Se isso se transformar em novos empreendimentos, o resultado pode aparecer na geração de empregos e no aumento da arrecadação municipal. Mais receita também pode ampliar a capacidade de investimento da prefeitura — mas a forma como esses recursos são aplicados depende das decisões do governo municipal. Por que a Fitch melhorou a nota? No relatório, a Fitch afirma que o Rio apresentou nos últimos anos "melhoras consistentes na gestão fiscal", que se traduziram em margens operacionais sólidas e bons indicadores de liquidez. A agência também prevê uma redução gradual da dívida, com os pagamentos tendendo a superar a contratação de novos empréstimos. Ressalvas da agência A Fitch apontou, porém, fragilidades. Entre elas estão a dependência de um número reduzido de contribuintes, a pouca capacidade de aumentar receitas por meio de impostos e a dificuldade de cortar despesas diante de uma eventual queda de arrecadação. Ou seja: o AAA é uma avaliação positiva sobre o risco de crédito do município, mas não significa que as contas da cidade estejam livres de vulnerabilidades. Mais sobre a análise da Fitch A Fitch também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local. Praias de Ipanema e Leblon vistas do Parque Penhasco Dois Irmãos José Raphael Berrêdo / G1
17/08/2026 16:45:07 +00:00
Juros altos, crédito caro e marketplaces: os choques que pressionam o varejo brasileiro

Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Casas Bahia, Marabraz, Americanas, GPA e Marisa estão entre as grandes empresas do varejo brasileiro que enfrentaram crises financeiras nos últimos anos, com impactos que vão de reestruturações e fechamento de lojas a processos de recuperação. (veja mais abaixo) De móveis e eletrodomésticos a alimentos e roupas, os casos são diferentes, mas ajudam a mostrar uma pressão que atravessa o setor: o dinheiro ficou mais caro justamente quando a forma de vender e competir também mudou. 🔎 Juros elevados e crédito caro reduzem o espaço das famílias para parcelar compras e, ao mesmo tempo, encarecem as dívidas e o funcionamento das empresas. 💸 Enquanto isso, marketplaces, comércio eletrônico e concorrência internacional aumentam a disputa por preços e pressionam as margens das empresas, além de exigir investimentos em tecnologia e logística. Nesse cenário, ficam mais vulneráveis as empresas que geram pouco caixa com a própria operação, acumulam estoques, mantêm estruturas físicas caras ou têm dívidas difíceis de pagar. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Como a crise atingiu grandes varejistas brasileiras Arte/g1 O primeiro choque: o crédito caro chega ao consumidor Quando a taxa básica de juros está alta, o custo do dinheiro também tende a subir. A Selic, que serve de referência para as demais taxas da economia, está em 14% ao ano. Isso contribui para encarecer o crédito para consumidores e empresas. 🔎 Na prática, os juros tornam as compras parceladas mais caras e podem levar o consumidor a adiar a aquisição de produtos de maior valor. Quanto maior o preço e mais longo o prazo de pagamento, maior tende a ser o custo final. Por isso, categorias como móveis e eletrodomésticos são especialmente sensíveis ao crédito. O Relatório de Economia Bancária (REB), do Banco Central, mostra que as taxas de crédito no Brasil dificultam o parcelamento de compras por períodos mais longos. O impacto é maior entre as famílias de menor renda, que enfrentam juros mais altos e, por isso, têm menos espaço para financiar bens de maior valor. Quando o consumidor adia uma compra, o efeito também chega ao varejista. 📉 A loja vende menos e, se precisar oferecer condições de pagamento mais vantajosas para manter as vendas, pode demorar mais para receber ou ter custos para antecipar esse dinheiro. 📈 Enquanto isso, despesas como salários, aluguel, fornecedores, impostos e juros continuam correndo. Em outras palavras, o problema não é apenas a queda nas vendas. A situação se agrava quando as vendas deixam de gerar caixa suficiente para bancar as despesas do dia a dia. Segundo Bruno Medeiros Durão, especialista em Direito Bancário e Tributário, a diferença está justamente aí. “Muitas empresas olham apenas para o faturamento e esquecem que existe uma diferença enorme entre vender muito e gerar caixa.” Comércio varejo loja Natal RN Inter TV Cabugi/Reprodução Juros altos não atingem todos da mesma forma Ainda assim, os efeitos não são iguais em todo o varejo. Os segmentos que dependem mais de crédito tendem a sentir primeiro a perda de ritmo da economia, enquanto aqueles menos dependentes de financiamento podem ser afetados de outras formas. Essa diferença também é apontada pela Genial Investimentos, que relaciona a desaceleração da economia a uma taxa de juros “significativamente contracionista” e identifica perda de fôlego justamente nos segmentos mais ligados ao crédito. Isso ajuda a explicar por que o mesmo cenário econômico pode ter efeitos tão diferentes sobre as empresas. Uma varejista que depende de vendas parceladas, mantém estoques elevados e tem uma grande rede de lojas, por exemplo, pode enfrentar uma combinação particularmente difícil: consumidores comprando menos, dívidas mais caras e despesas que continuam mesmo quando as vendas caem. 🚨 Nesse cenário, a dívida deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a afetar o funcionamento da própria empresa. O segundo choque: mudou a forma de vender e competir Ao mesmo tempo em que enfrenta o crédito caro, o varejo passa por outra transformação: o consumidor ganhou mais opções para comparar preços e fazer compras. Marketplaces e plataformas digitais aumentaram a concorrência entre vendedores e ampliaram o acesso dos consumidores a produtos nacionais e estrangeiros. ❗ Para competir nesse ambiente, porém, não basta colocar produtos em uma loja virtual. É preciso investir em tecnologia, sistemas de gestão de estoques e estruturas logísticas capazes de fazer os produtos chegarem rapidamente ao consumidor. Segundo o geógrafo Igor Venceslau, no artigo "Digitalização do território brasileiro e comércio eletrônico: os serviços informacionais na divisão territorial do trabalho", o comércio eletrônico exige justamente essa combinação de sistemas de informação, gestão de estoques e estruturas logísticas. Em relatório, analistas do BTG Pactual também destacam a importância de integrar lojas físicas e canais digitais e fortalecer a presença das empresas no ambiente online. Nas Casas Bahia, o canal online, em parceria com o Mercado Livre, foi apontado como uma das principais “alavancas” para o crescimento do negócio. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou o fechamento de 298 unidades, cerca de 29% da rede, como parte da tentativa de reduzir custos e redimensionar a operação. Já o pesquisador Paulo Nassar, em "Cotidiano e memória coletiva no varejo", apresenta um contraponto: durante a crise de confiança da Americanas provocada pela fraude contábil, as vendas digitais caíram muito mais do que as das lojas físicas. Isso sugere que a presença física pode funcionar como um elemento de confiança e resiliência em determinados momentos. A questão, portanto, não é simplesmente ter ou não ter lojas. É manter uma estrutura — física e digital — compatível com o volume de vendas e com a capacidade de gerar caixa para sustentar a operação. Quando a crise exige mudanças na operação A combinação desses fatores ajuda a explicar por que algumas empresas conseguem atravessar períodos de pressão, enquanto outras precisam cortar custos, reduzir operações, renegociar dívidas ou, em casos mais graves, buscar proteção judicial. A recuperação judicial, porém, não acontece de uma hora para outra. “Quando uma empresa chega a uma recuperação judicial, normalmente estamos falando de uma dificuldade que foi se acumulando”, afirma Letícia Rocha Carneiro, advogada tributarista. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Nas Casas Bahia, por exemplo, a crise é associada a juros altos, crédito restrito e aumento dos custos financeiros. O fechamento de lojas faz parte das medidas adotadas pela empresa para reduzir custos e redimensionar a operação. Mas a recuperação judicial, por si só, não torna uma empresa saudável. O processo pode reorganizar as dívidas e dar tempo para a companhia se reestruturar, mas o negócio precisa voltar a gerar caixa suficiente para sustentar a operação. “Recuperação judicial apenas ‘compra tempo’”, afirma Marcos Pelozato, advogado especialista em recuperação judicial. Para ele, o sucesso depende da capacidade de a empresa voltar a gerar caixa de forma sustentável e operar com margens saudáveis. A mesma lógica aparece em outras reestruturações do varejo. O BTG cita Azzas/Hering, Grupo SBF, CVC e Casas Bahia entre as empresas que adotaram medidas como redução de custos, controle de estoques e busca por maior geração de caixa. No fim, as empresas mais vulneráveis são aquelas que precisam fazer essa adaptação enquanto lidam com baixa geração de caixa, estoques elevados, estruturas físicas caras ou dívidas difíceis de administrar. “O pedido de recuperação judicial representa um momento crítico, mas não é uma sentença de morte para a empresa”, resume Letícia. Segundo ela, o que vem depois é a parte mais difícil: mostrar que, com menos dívida e uma operação reorganizada, a empresa ainda tem um negócio capaz de gerar caixa.
17/08/2026 16:31:34 +00:00
Estrangeiros retiram R$ 15,6 bilhões da Bolsa em agosto, maior saída desde 2022

Pessoas caminham em frente à B3, a bolsa de valores de São Paulo, em 2023. REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo Os investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da B3 em agosto, considerando os pregões até a última quinta-feira (13), segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria com base em dados da Bolsa. 🔎O cálculo desconsidera os recursos destinados a ofertas iniciais de ações (IPOs), quando uma empresa estreia na Bolsa, e a follow-ons, que são novas ofertas de ações realizadas por companhias já listadas no mercado. O volume já configura a maior saída mensal da série histórica acompanhada pela consultoria desde janeiro de 2022. O resultado supera o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões registrado em maio deste ano, que até então ocupava a primeira posição. Com isso, 2026 passa a reunir as duas maiores retiradas mensais de recursos estrangeiros da série. RJ1 alerta para calendário de pagamento do Bolsa Família em agosto O dado chama atenção porque agosto ainda é um mês parcial. Em apenas nove pregões, a saída já ultrapassou todo o volume registrado em maio, que teve 21 pregões, evidenciando uma aceleração do fluxo de retirada de capital. Dólar sobe e Ibovespa cai com investidores estrangeiros retirando dinheiro do Brasil Entrada líquida mensal de rescursos de investidores estrangeiros na B3 em R$ bilhões, sem aportes em IPOs e Folloe Ons. Estudo exclusivo do Elos Ayta Tudo mudou em apenas alguns meses No primeiro trimestre, os investidores estrangeiros aportaram R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março. Em julho, o saldo também foi positivo, com entrada de R$ 2,56 bilhões. A partir do segundo trimestre, porém, o fluxo mudou de direção. Depois da saída de R$ 13,28 bilhões em maio, junho registrou retirada de R$ 7,79 bilhões, e agosto já acumula um volume ainda maior antes da metade do mês. Segundo a Elos Ayta, o principal ponto de atenção é justamente a velocidade da saída. Como o mês ainda não terminou, não é possível antecipar o saldo definitivo, mas o ritmo observado até agora coloca agosto como o período de maior retirada de capital estrangeiro da B3 desde o início da série histórica da consultoria.
17/08/2026 16:14:13 +00:00
Ex-funcionários da Casas Bahia lamentam fechamento de lojas em meio a crise da varejista

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Um funcionário da Casas Bahia usou as redes sociais para desabafar após ser informado sobre o fechamento da unidade da rede em Ponta Porã (MS). Em um vídeo, Edson Silva relata a emoção de encerrar uma trajetória de 21 anos na empresa e agradece a colegas, gestores e clientes que fizeram parte de sua carreira. No vídeo, Edson afirma que recebeu a notícia durante uma reunião. Segundo ele, o fechamento da loja representa um dos momentos mais difíceis de sua vida profissional. "Hoje o coração tá partido mesmo, mas com sentimento de dever cumprido", disse. No depoimento, o funcionário relembra sua trajetória na empresa e destaca a importância que o emprego teve em sua vida pessoal. Segundo ele, foi com o trabalho nas Casas Bahia que conseguiu sustentar a família e criar os filhos ao longo de mais de duas décadas. "Foi daqui que eu tirei meu sustento, foi daqui que eu criei meus filhos, foi daqui que eu formei minha família", afirmou. Também no Instagram, a ex-funcionária Caroline Lacowictz relembrou sua trajetória de 10 anos na empresa. "Foram 10 anos de história, duas filiais, de 2014 a 2025, de Analista de Crédito a Consultora Administrativa. Uma História construída, onde cresci, amadureci, errei, aceitei, conquistei, e onde conheci pessoas maravilhosas, que levo em meu coração até hoje", diz. Já o paulistano Rodrigo Santana usou um carrossel com fotos dele e de colegas para marcar a despedida da loja. "Hoje encerro um ciclo muito importante na minha trajetória. A Casas Bahia de Osvaldo Cruz encerra suas atividades, e junto com ela ficam muitas histórias, aprendizados, desafios e, principalmente, amizades que levarei comigo", escreveu. "Cada conversa, cada venda, cada desafio e cada momento compartilhado deixou sua marca", completou. LEIA TAMBÉM: Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda Entenda a história O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
17/08/2026 15:49:27 +00:00
Dona do TikTok assina acordo sobre direitos autorais de IA com grupo de Hollywood

Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, e a Motion Picture Association (MPA), entidade que representa grandes estúdios de Hollywood, assinaram nesta segunda-feira (17) um acordo para reforçar a proteção de direitos autorais em ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram vídeos e imagens. O acordo envolve o Seedance, ferramenta de geração de vídeos, e o Seedream, voltado à criação de imagens. A parceria ocorre meses depois de a MPA questionar a forma como a ByteDance lidava com conteúdos protegidos por direitos autorais nessas ferramentas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em fevereiro, a associação enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance após estúdios de Hollywood demonstrarem preocupação com a possibilidade de as ferramentas produzirem vídeos e imagens com personagens protegidos por direitos autorais e reproduzirem a aparência de celebridades sem autorização. A ByteDance afirmou que as versões mais recentes dos modelos contam com medidas mais rígidas para proteger conteúdos e personagens sujeitos a direitos autorais. As ferramentas são oferecidas em serviços da empresa, como TikTok, CapCut e Dreamina. Segundo a MPA e a ByteDance, as duas partes continuarão trabalhando juntas para desenvolver novas medidas de proteção de conteúdos sujeitos a direitos autorais à medida que a tecnologia de IA avança. Agora no g1
17/08/2026 15:11:44 +00:00
De ameaça a oportunidade: como a Nestlé quer lucrar com a febre de Ozempic e Mounjaro

Logo da Nestlé na sede da empresa em Vevey, na Suíça, em 25 de novembro de 2024. REUTERS/Denis Balibouse A Nestlé busca transformar a crescente popularidade dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 de uma ameaça em uma oportunidade de negócio. Para isso, a empresa usa inteligência artificial e ciência nutricional para desenvolver produtos voltados a milhões de consumidores que usam medicamentos como Ozempic e Wegovy. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A rápida adoção dos medicamentos fabricados pela Novo Nordisk e pela Eli Lilly aumentou a preocupação dos investidores de que os remédios, que reduzem o apetite, possam diminuir de forma permanente a demanda por alimentos industrializados, lanches e bebidas. A Nestlé, no entanto, acredita que esses medicamentos também estão criando um novo mercado para produtos voltados a alguns dos efeitos da perda rápida de peso. Agora no g1 O diretor de tecnologia da empresa, Stefan Palzer, disse à Reuters que a Nestlé usa inteligência artificial e outras tecnologias para analisar pesquisas clínicas, identificar combinações de nutrientes e desenvolver produtos específicos para pessoas que utilizam medicamentos à base de GLP-1. "Estamos bem posicionados com o portfólio. É uma grande oportunidade para nossa empresa", disse ele. Materiais de apresentação mostrados à Reuters detalham efeitos associados à perda rápida de peso, como a redução da massa muscular e da gordura facial, frequentemente chamada de "rosto de Ozempic". Os documentos também apontam áreas em que a Nestlé acredita que seus produtos podem ajudar. O mercado de medicamentos à base de GLP-1 é dominado por Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, e por Wegovy e Ozempic, da Novo Nordisk. De acordo com o Boston Consulting Group, cerca de 16 milhões de americanos usam medicamentos dessa classe, número que deve crescer consideravelmente até o fim da década. A estratégia da Nestlé tem sido desenvolver produtos adaptados às necessidades de quem utiliza esses remédios. Para isso, a empresa usa inteligência artificial para acelerar pesquisas, desenvolver alimentos e bebidas e analisar o comportamento dos consumidores. Combate aos efeitos da perda de peso Palzer afirmou que os cientistas da Nestlé estudam as consequências da perda rápida de peso e desenvolvem produtos para ajudar os consumidores a lidar com esses efeitos. A empresa usa ferramentas de inteligência artificial para processar grandes volumes de pesquisas clínicas e identificar combinações de nutrientes que possam contribuir para a manutenção da massa muscular, a hidratação e uma alimentação adequada. A Nestlé também começou a adicionar proteína de colágeno aos produtos da marca Vital Proteins, com o objetivo de atender a preocupações com a saúde da pele, dos cabelos e das unhas durante a perda rápida de peso. "Uma grande parte da perda de peso se deve à perda de massa muscular magra", disse Palzer. "Descobrimos uma combinação de dois micronutrientes que industrializamos e que estimulam o crescimento do tecido muscular. Por um lado, fornecemos proteína; por outro, estimulamos o tecido muscular a se regenerar mais rapidamente." Palzer afirmou ainda que a Nestlé patenteou combinações de ingredientes desenvolvidas para reduzir o apetite de consumidores que apresentam aumento da fome após interromper o tratamento com medicamentos à base de GLP-1. A empresa já lançou produtos específicos para esse público. A divisão americana da Nestlé criou o Boost Advanced Nutrition Shake, que oferece 35 gramas de proteína e promete auxiliar na manutenção da massa muscular durante o emagrecimento. Na Ásia e na Austrália, a empresa lançou uma versão com maior teor de proteína de sua bebida maltada Milo, chamada Milo PRO High Protein. Fabricantes de sorvetes também enfrentam desafios semelhantes e têm apostado em produtos com mais proteína, porções menores e listas de ingredientes mais simples. IA ajuda a criar e testar receitas A inteligência artificial tem um papel cada vez mais importante nesse processo. A Nestlé desenvolveu sistemas internos para analisar pesquisas científicas, simular o comportamento dos consumidores, identificar tendências e ajudar no desenvolvimento de produtos a partir de um banco de dados de aproximadamente 120 mil receitas. Entre essas ferramentas está uma plataforma interna chamada Food Genie. Segundo Palzer, ela ajuda cientistas e desenvolvedores a prever o desempenho das receitas e identificar oportunidades de reformulação dos produtos. "Imagine uma pequena empresa com apenas mil receitas. É muito difícil modelar e prever receitas usando IA", disse ele. "A IA precisa de dados", completa. A Nestlé também testa simulações baseadas em inteligência artificial para prever como os consumidores reagiriam a novos produtos e a alegações relacionadas à saúde antes que eles cheguem às prateleiras. A empresa também usa a tecnologia para monitorar as redes sociais e identificar novas tendências de consumo. "Você percebe a repercussão em torno de certos tópicos e então pode concluir se essa é uma tendência duradoura ou não", disse Palzer. "A inteligência artificial estará cada vez mais presente nesse campo." Nem todos estão convencidos Alguns especialistas em nutrição questionam se produtos desenvolvidos especificamente para usuários de medicamentos para perda de peso oferecem vantagens significativas em relação aos alimentos convencionais. "É muito triste que estejamos sempre recorrendo a novos produtos que são mais caros do que alimentos frescos e integrais que também contêm as mesmas proteínas e nutrientes", disse Amanda Avery, professora associada de nutrição e dietética da Universidade de Nottingham, no centro da Inglaterra. Ela destacou que carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, nozes e outras leguminosas continuam sendo fontes relativamente acessíveis de proteínas e nutrientes. Ainda assim, Avery afirmou que produtos voltados especificamente para usuários de medicamentos à base de GLP-1 provavelmente encontrarão compradores. "Infelizmente, somos bastante influenciados pelo marketing", disse ela. "A Nestlé certamente fez sua pesquisa."
17/08/2026 14:58:33 +00:00
Ministro da Fazenda espera retomada da relação com os Estados Unidos após eleições e diz que Brasil não se dobra

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou nesta segunda-feira (17) que os problemas do Brasil com os Estados Unidos são pontuais, localizados, e afirmou esperar que, depois das eleições de outubro, o fluxo de comércio e o diálogo institucional possam ser normalizados. Durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, ele declarou que o Brasil está sendo punido com sobretaxas a seus produtos enquanto apresenta déficit comercial (mais importa do que exporta) com os norte-americanos. "Não faz nenhum sentido, nenhum sentido", disse. "O que o presidente Lula sempre coloca é o seguinte: o Brasil não se dobra à América do Norte, à Europa ou à Ásia. O Brasil, ele se vê como liderança global que merece respeito que vai fazer o debate sabendo das suas fraquezas e das suas fortalezas", acrescentou Durigan. Brasil aciona Lei da Reciprocidade para responder a tarifas dos EUA Em meados do mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. No processo, o governo Trump afirmou que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) No fim de julho, os Estados Unidos anunciaram outra sobretaxa sobre 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas variando entre 10% e 12,5%. A decisão, informou os EUA, foi resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Sem 'alinhamento automático' Segundo o ministro Durigan, não há opção de o governo brasileiro fazer um "alinhamento automático" com qualquer país que seja pois o Brasil não quer ter uma "dependência maior a um só país". "Seja porque a gente não vai ficar dizendo que nós vamos fazer tudo que um país da América do Norte quer, não vamos fazer nenhuma coisa nenhuma que vamos achar o nosso caminho em termos de potencialidades", concluiu o ministro. Ele lembrou, também, da parceria existente com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado na América Latina. "É natural que essa parceria aconteça de maneira mais amigável com os Estados Unidos. nos outros países da região, a gente tem uma série de coisas institucionais feitas pela Polícia Federal, pela Receita, que não fazem sentido a gente meter política nessa história e atrapalhar fluxos de informação, de inteligência que já acontecem muito bem", acrescentou. Dario Durigan Washington Costa/MF Juros altos e ajuste fiscal O ministro da Fazenda voltou a afirmar que é preciso realizar ajuste das contas púbicas para permitir uma queda da taxa de juros, atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, são os juros mais altos do mundo, em ranking da MoneYou. "Isso precisa ser tratado bastante rapidamente para que a gente volte a ter projeto de desenvolvimento, projeto de país em breve. Então eu diria que um controle de gasto obrigatório, de rediscutir a questão das emendas rediscutir, privilégios que existem, seja do ponto de vista de aposentadoria, que eu falo no servidor público, de militar, em especial, penduricalho e super salário", declarou ele. Apesar do aumento de gastos públicos e da disparada de 10 pontos percentuais do PIB na dívida pública na parcial da atual gestão, Durigan afirmou que, em um eventual novo mandato de Lula, o governo "precisa seguir buscando o equilíbrio fiscal" e "resultados positivos" para fiar mais forte em contexto de incertezas globais.
17/08/2026 14:49:07 +00:00
Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial A rede de móveis Marabraz protocolou, no último domingo (16), um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa busca reorganizar suas finanças e renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas, segundo confirmação da companhia ao g1. O pedido envolve cinco empresas do grupo: Comercial de Móveis Jordanésia; S.V.C. Jaraguá Comercial; Comercial Móveis das Nações; Comercial Zena Móveis; Monta Móveis Prestadora de Serviços. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência e manter as atividades em funcionamento. (entenda mais aqui) Em nota enviada ao g1, a Marabraz afirmou que a decisão foi motivada pela combinação de fatores que afetaram a empresa nos últimos anos. "Diante dos desafios enfrentados pelo setor varejista e com objetivo de preservar a continuidade de suas atividades, a Marabraz ajuizou pedido de recuperação judicial. A medida representa uma decisão responsável para promover a reestruturação da operação, organizar compromissos e criar condições para a continuidade dos negócios", afirmou o diretor da Marabraz, Nasser Fares. Segundo a assessoria da companhia, os principais fatores que levaram ao pedido foram o atual cenário desafiador do varejo brasileiro, a ruptura na estrutura familiar que dava suporte às operações do grupo e a dificuldade de acesso ao crédito. A empresa informou que as lojas continuarão funcionando normalmente durante o processo de recuperação judicial. "A empresa permanece em operação, com lojas abertas, e reafirma seu compromisso com a transparência e com o cumprimento das etapas previstas na legislação", disse a companhia. "O processo terá como prioridades a preservação de empregos e a manutenção das relações construídas ao longo de sua história com clientes, fornecedores e parceiros." Fundada por uma família de origem libanesa que iniciou suas atividades comerciais na década de 1950, a Marabraz tornou-se uma das principais redes de móveis e eletrodomésticos do estado de São Paulo. No comunicado, a empresa afirmou que pretende utilizar a recuperação judicial para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições para retomar o crescimento. "A Marabraz está empenhada em atravessar este período com responsabilidade para preservar sua operação e se fortalecer para um novo ciclo de crescimento, reforçando o valor de sua marca para honrar o legado construído com ética, respeito e confiança", concluiu a companhia. Marabraz entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 140 milhões Divulgação
17/08/2026 14:35:54 +00:00
Casas Bahia pede recuperação judicial; entenda o que significa e como funciona

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo, e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Nesta reportagem você vai entender: O que é a recuperação judicial? Quem pode pedir recuperação judicial? Como é feito o pedido de recuperação judicial? Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? Por que uma empresa pede recuperação judicial? O que é a recuperação judicial? A recuperação judicial serve para evitar que uma empresa em dificuldade financeira feche as portas. É um processo pelo qual a companhia endividada consegue um prazo para continuar operando enquanto negocia com seus credores, sob mediação da Justiça. As dívidas ficam congeladas por 180 dias e a operação é mantida. A recuperação judicial foi instituída no Brasil em 2005 pela lei 11.101, que substituiu a antiga Lei das Concordatas, de 1945. A diferença entre as duas é que, na recuperação judicial, é exigido que a empresa apresente um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores. Na concordata, era concedido alongamento de prazo ou perdão das dívidas sem a participação dos credores. Voltar ao início. Quem pode pedir recuperação judicial? Empresas privadas de qualquer porte e com mais de dois anos de operação podem recorrer à recuperação judicial. Porém, a lei não vale para estatais e empresas de capital misto, bem como para cooperativas de crédito e planos de saúde. Também não podem pedir recuperação judicial as empresas que já tenham feito outro pedido há menos de cinco anos e as comandadas por empresários que já foram condenados por crime falimentar (relacionados a processos de falência). Voltar ao início. Como é feito o pedido de recuperação judicial? O pedido é feito à Justiça por meio de uma petição inicial que contém, entre outras informações, o balanço financeiro dos últimos três anos, as razões pelas quais entrou em crise financeira, e a lista de credores. Depois que o pedido é aceito, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação, e as execuções (cobranças de dívida) contra ela são suspensas por 180 dias. A lei determina que a assembleia de credores aconteça em até 150 dias após o deferimento do processo pela Justiça, mas, na prática, esse prazo costuma ser ultrapassado. Voltar ao início. Qual a diferença entre recuperação judicial e falência? A recuperação judicial serve para tentar evitar a falência e recuperar a empresa, o que nem sempre acontece. Na falência, a companhia encerra completamente as atividades. Todos os seus ativos são recolhidos pela Justiça e vendidos para o pagamento das dívidas, enquanto na recuperação judicial há uma negociação. Voltar ao início. Por que uma empresa pede recuperação judicial? Em geral, as empresas pedem recuperação judicial quando já estão com dívidas atrasadas e começam a ser cobradas pelos credores. Os motivos que levam uma empresa à crise financeira são diversos. "Pode acontecer de [a companhia] pedir antes de ficar inadimplente, mas usualmente é quando ela vê que não está conseguindo pagar e quer ganhar tempo para conseguir conversar com os credores sem execuções", diz a advogada Clara Azzoni, especialista em recuperação judicial do escritório Felsberg. Voltar ao início. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos Sarah Brito/g1 VÍDEOS: notícias de Economia
17/08/2026 13:50:29 +00:00
Ações da Casas Bahia despencam na bolsa e passam de mais de R$ 400 para centavos em 5 anos

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos. Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. No pico histórico, em 2020, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08. Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos. Nesta segunda-feira (17), por volta das 13h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,49 — queda de 25,76%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%. O que explica a queda? A desvalorização ocorreu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi provocada por uma combinação de fatores, entre eles: aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico; impacto da pandemia sobre as lojas físicas; forte alta dos juros a partir de 2021; aumento do custo das dívidas; queda do consumo das famílias e maior inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras. Plano de reestruturação não foi suficiente Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, o corte de investimentos e a diminuição dos estoques. No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa. Mesmo assim, a empresa afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial ao qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas. Empresa virou uma 'penny stock' Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo de papéis conhecidos no mercado como "penny stocks". 🔎 O termo "penny stock" é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis apresentam forte volatilidade e podem estar associados a empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira. O preço baixo, porém, não significa, por si só, que uma ação esteja "barata". Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam queda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30. A empresa abriu capital na bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, quando passou a adotar o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia na bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira. Recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a companhia e outras nove empresas do grupo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, crédito mais restrito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa. A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, nos EUA e na Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação considerada mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram. Prejuízo bilionário no 2º trimestre Ainda no domingo, a empresa divulgou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar disso, alguns indicadores melhoraram. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas online avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões, de acordo com o balanço da companhia. A empresa também comunicou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, que será substituído por Sírley Lima, além das saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração. Calderón permanecerá à frente de comitês internos da companhia. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
17/08/2026 13:46:10 +00:00
Casas Bahia pede recuperação judicial: entenda a crise da varejista e quem faz parte do grupo

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia informou no último domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Segundo a empresa, o pedido se tornou necessário diante da piora de sua situação financeira, em meio ao cenário de juros elevados no país — que encareceu o crédito e aumentou os custos financeiros — e ao consumo mais fraco, que reduziu sua capacidade de gerar caixa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Essa, no entanto, não foi a primeira tentativa do grupo de reestruturar as finanças e preservar suas operações. Os primeiros sinais da crise surgiram em 2022, quando a empresa começou a registrar sucessivos prejuízos trimestrais, em um cenário que se agravou nos últimos anos. Entenda como começou a crise e o que é o Grupo Casas Bahia Casas Bahia Divulgação/Casas Bahia O que é e como funciona a recuperação judicial? Entenda a crise da Casas Bahia Os primeiros sinais da crise do Grupo Casas Bahia apareceram no terceiro trimestre de 2022, quando a empresa registrou o primeiro de uma série de prejuízos trimestrais. Naquela época, a companhia já havia começado a fechar lojas com desempenho abaixo do esperado e enfrentava vendas pressionadas por uma economia ainda enfraquecida pelos efeitos da pandemia de Covid-19. No fim daquele ano, em meio ao cenário de alta dos juros iniciado em 2021, a empresa já buscava aumentar a rentabilidade e alcançar um crescimento mais sustentável, com foco na geração de caixa. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação, baseado nesses dois pilares e com previsão de crescimento após 2025. Plano de transformação e recuperação extrajudicial À época, o presidente da Via, dona das marcas Casas Bahia e Ponto (antigo Ponto Frio), Renato Horta Franflin, afirmou que a companhia já havia adotado uma estratégia de crescimento focada nas vendas digitais, além da abertura de novos canais, da expansão de lojas e da aposta em fintechs. "Nós entendemos que isso tudo foi feito. Construímos uma super plataforma, e ela já é grande. Então, entre investir para crescer mais essa plataforma ou pegar e rentabilizar o que tenho aqui, preferimos ganhar dinheiro com o que tem aqui", diz. Ao longo daquele ano, no entanto, mesmo com o fechamento de dezenas de lojas e milhares de postos de trabalho, o cenário continuou desafiador para o varejo brasileiro, diante dos juros elevados, do crédito mais caro e do maior endividamento dos consumidores. Com o Grupo Casas Bahia não foi diferente. Assim, apenas oito meses após o anúncio do plano, o Grupo Casas Bahia deu um novo passo na reestruturação financeira e pediu recuperação extrajudicial para alongar e renegociar dívidas estimadas em R$ 4,1 bilhões. Dívidas alongadas e nova reestruturação financeira A homologação do pedido de recuperação extrajudicial do grupo ocorreu em abril de 2024 e suspendeu, por 180 dias, as execuções movidas por credores contra a empresa. 🔎 O processo é diferente da recuperação judicial, em que a companhia em crise financeira recorre à Justiça para negociar com seus credores. Na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores e, depois, submetida à homologação da Justiça. Em 2025, como parte da transformação de sua estrutura de capital, o grupo conseguiu reduzir a alavancagem — o quanto uma empresa depende de dinheiro emprestado para operar e crescer — e cortar em 75% sua dívida líquida. Situação volta a piorar No primeiro semestre deste ano, no entanto, a situação da empresa voltou a piorar, em meio a uma nova pressão sobre o caixa. Apesar de ter reduzido a dívida líquida em R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, o grupo logo sinalizou a necessidade de reorganizar suas obrigações financeiras. No último domingo (16), a companhia reportou prejuízo líquido de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre deste ano. Também informou que fechou mais de 200 lojas em uma nova etapa do plano de transformação anunciado em 2023, na tentativa de enfrentar o cenário mais desafiador para o varejo brasileiro. Segundo o grupo, essa nova etapa incluiria mudanças na estratégia dos canais digitais, redução de estoques, cortes de custos e despesas, menor necessidade de capital para manter o negócio funcionando e busca por alternativas para reforçar o caixa e reduzir o peso das dívidas. No balanço, a Casas Bahia também afirmou que tentou levantar recursos no Brasil e no exterior para reforçar o caixa, mas parte das negociações não avançou. A desistência de um investidor e a dificuldade para obter novos financiamentos, em um cenário de juros altos, crédito mais restrito e maior incerteza nos mercados, também contribuíram para o pedido de recuperação judicial. Quem faz parte do Grupo? O Grupo Casas Bahia é uma das maiores varejistas do Brasil e controla marcas como Casas Bahia, Ponto, Extra.com.br e a fabricante de móveis Bartira. O grupo também atua nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, como o Casas Bahia Pay. A atual estrutura do grupo começou a ser formada em 2009, quando a rede Casas Bahia foi incorporada à Globex, controladora do Ponto (antigo Pontofrio). Em 2010, a empresa adotou o nome Via Varejo, que passou a ser apenas Via em 2021 e, em 2023, mudou para o nome atual, Grupo Casas Bahia. Nos últimos anos, o grupo também expandiu os canais digitais e investiu em comércio eletrônico, logística, meios de pagamento e serviços financeiros, além de adquirir empresas de tecnologia e ligadas ao ecossistema digital. No segundo trimestre deste ano, a empresa reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões e anunciou novos planos para reduzir o tamanho da operação, concentrar esforços nos negócios mais rentáveis e cortar gastos para gerar mais caixa e equilibrar as contas.
17/08/2026 13:30:41 +00:00
Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas em agosto deste ano, segundo o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo e obtido pelo g1. As medidas fazem parte da estratégia da companhia para reduzir custos e enfrentar, segundo a própria empresa, a pior crise financeira de sua história. A varejista afirma que o plano busca reorganizar sua estrutura financeira. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho. Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio. Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026. Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024. RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO De acordo com a petição, apenas em agosto deste ano, o grupo demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. A empresa afirma que as medidas fazem parte de um esforço para reduzir despesas e recuperar o equilíbrio financeiro. Somadas as duas etapas da reestruturação mencionadas no processo, o Grupo Casas Bahia reduziu aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho e fechou cerca de 355 lojas. No pedido de recuperação judicial, a varejista argumenta que a crise é conjuntural e defende a viabilidade de suas operações. A empresa destaca que ainda mantém mais de 20 mil empregados e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento. Veja abaixo os números da reestruturação: 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários. Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas. Pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de garantir a continuidade das operações. 🔍 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa. Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa apostava que a renegociação, somada à expectativa de queda dos juros e da retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do Plano de Transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. Entenda a crise do Grupo Casas Bahia em perguntas e respostas nesta reportagem: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões
17/08/2026 13:28:46 +00:00
'Prévia' do PIB do Banco Central registra crescimento de 0,2% no 2º trimestre, com forte desaceleração

Indústria se destacou no segundo trimestre deste ano Arquivo-Fiems O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (17) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado a "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre deste ano. O resultado pelo BC foi calculado após ajuste sazonal — uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes. A comparação foi feita com o primeiro trimestre de 2026. O dado divulgado pelo Banco Central mostra forte desaceleração da economia. Isso porque, no primeiro trimestre de 2026, o IBC-BR teve uma expansão bem maior: de 1,3%. O crescimento do IBC-Br no 2º trimestre deste ano foi o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025 — quando foi registrada uma retração de 0,5%. Por setores, foi registrada expansão em agropecuária e indústria no segundo trimestre, e retração em serviços. Agropecuária: + 0,3% Indústria: + 0,5% Serviços: - 0,1% Agora no g1 O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Já o IBC-Br tem um cálculo diferente, com um conjunto mais restrito de informações (veja mais abaixo nessa reportagem). O resultado oficial do PIB no segundo semestre deste ano, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 1º de setembro. 🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. 🔎Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social. Ano eleitoral Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população. A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias. ▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 2% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado. No cálculo do PIB, construção civil é um dos segmentos levados em consideração. Jornal Nacional/ Reprodução Mês de junho De acordo com o Banco Central, em junho deste ano, na comparação com o mês anterior, o IBC-Br registrou uma queda de 0,6%. Com isso, houve piora na comparação com fevereiro, quando o indicador apresentou estabilidade. Essa também foi a primeira queda em três meses. Na comparação com junho de 2025, a chamada prévia do PIB do BC teve alta de 2% (sem ajuste sazonal). Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,5% na comparação com os três primeiros meses de 2025. E, em 12 meses até junho, a expansão também foi de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. PIB X IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.
17/08/2026 12:01:15 +00:00
Dólar fecha em queda, após pesquisa eleitoral e de olho no varejo brasileiro; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (17), com um recuo de 0,36%, cotado a R$ 5,2006. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,09%, aos 166.784 pontos, na décima queda consecutiva. O mercado segue em um ambiente de cautela diante das incertezas eleitorais e do cenário fiscal. A nova pesquisa Quaest reforçou a liderança de Lula, enquanto o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia colocou o varejo brasileiro no radar dos investidores. No exterior, as tensões no Oriente Médio também pressionam os mercados. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova pesquisa eleitoral da Quaest, divulgada na última sexta-feira (14), está entre os destaques da sessão. As sondagens apontaram novamente para uma liderança do presidente Lula (PT), elevando as as preocupações com o rumo das contas públicas. Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que os planos dos candidatos para os gastos do governo e para a condução da economia ganhem cada vez mais espaço nas decisões de investimento. ▶️ Já no ambiente corporativo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira, fazendo com que investidores olhem com cuidado para o varejo brasileiro. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Esse ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos. ▶️Na agenda de indicadores, investidores avaliaram novos dados de inflação no Brasil e a nova edição do Boletim Focus, do Banco Central. O IGP-10 registrou queda de 0,51% neste mês, após recuar 1,13% em julho. Já no Focus, o mercado manteve as projeções pra inflação, PIB, câmbio e Selic para este ano. ▶️ No exterior, as tensões no Oriente Médio seguiram no radar. Nesta segunda-feira (17), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o país "se intrometa" no Estreito de Ormuz. Já no final de semana, o Irã anunciou uma recompensa de US$ 30 mil (R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares americanos e entregá-los às autoridades iranianas. Em meio às tensões, os preços do petróleo voltaram a subir no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 2,65%, cotado a US$ 90,87 , enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 2,55%, a US$ 84,50. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,36%; Acumulado do mês: +2,58%; Acumulado do ano: --5,25%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. Pesquisa eleitoral: Lula segue na liderança A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na sexta-feira (14), apontou, mais uma vez, para a liderança do presidente Lula na corrida presidencial. Segundo o levantamento, enquanto o petista aparece com 38% das intenções de voto no 1º turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%. A terceira posição fica com Renan Santos (Missão), com 4%. O cenário eleitoral volta a levantar preocupações no mercado financeiro sobre a situação da dívida pública, tema frequentemente comentado como ponto de atenção para o futuro da economia e dos juros. Atenção para o varejo brasileiro O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas. Essa não foi a primeira vez que a Casas Bahia busca reorganizar sua situação financeira. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. A Casas Bahia também não foi a primeira varejista brasileira a demonstrar problemas. O grupo Toky, por exemplo, dona da Tok&Stok e da Mobly, que registrou um prejuízo de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre deste ano, já havia entrado com pedido de recuperação judicial em maio deste ano. Entre outras empresas com dificuldade nas contas, enquanto a Magazine Luiza apresentou um prejuízo de mais de R$ 50 milhões no segundo trimestre deste ano, a Americanas quase triplicou as perdas no período, para R$ 274 milhões. As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia. Com a notícia de recuperação judicial da Casas Bahia, os papéis da companhia caíam mais de 30% no Ibovespa, contaminando outros papéis de varejo do índice. Perto das 15h45, a Lojas Renner recuava 1,07%, Raia Drogasil perdia 1,31% e C&A tinha queda de 1,88%. Magazine Luiza, umas das principais rivais do grupo, ia na contramão e figurava entre os destaques da sessão, com alta de mais de 7% no mesmo horário. Tensões no Oriente Médio seguem no radar As tensões no Oriente Médio também seguem na mira dos mercados financeiros, conforme investidores avaliam eventuais riscos à oferta global de petróleo. Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News. "Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total", disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV. ➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita. Na entrevista, ainda de acordo com a Fox, Trump revelou ter um "canal secreto" de negociações para o fim da guerra com a Guarda Revolucionária do Irã. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Já o Irã, por sua vez, anunciou uma recompensa equivalente a US$ 30 mil dólares (cerca de R$ 156 mil) para quem capturar ou matar militares dos Estados Unidos e entregá-los às autoridades iranianas. Segundo relatos da imprensa iraniana, o valor será dobrado no caso de mulheres que participem da ação. As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo. Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices americanos caíram, conforme investidores avaliavam o cenário de tensões no Oriente Médio. O S&P 500 perdeu 0,51%, fechando em 7.746,21 pontos, enquanto o Nasdaq Composite caiu 0,31%, para 26.652,29 pontos. O Dow Jones recuou 0,49%, para 53.469,20 pontos. Na Europa, a maioria das bolsas locais fechou em queda, conforme o rali impulsionado por balanços corporativos perdeu força e o impasse contínuo entre os EUA e o Irã reduziu o apetite por risco. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,22%, aos 656,41 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, recuou 0,38%, enquanto o CAC-40, da França, perdeu 0,66% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,28%. Na Ásia, as ações chinesas registraram alta nesta segunda-feira (17), impulsionadas pelos setores de tecnologia, com as fabricantes de chips apresentando forte avanço graças aos sólidos resultados financeiros. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 1,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 1,4%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,34% e o Nikkei,, do Japão, teve ganhos de 0,74%. O Kospi, da Coreia do Sul, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Rick Wilking/Reuters
17/08/2026 12:00:22 +00:00
Dona da Tok&Stok e da Mobly tem prejuízo de R$ 232,7 milhões no 2º trimestre

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, anunciou na madrugada de sábado (15) prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, a perda havia sido de R$ 88,9 milhões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o balanço da companhia, que está em recuperação judicial, a receita líquida caiu 37,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 207,1 milhões. O resultado operacional também piorou. O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de despesas financeiras e tributos, ficou negativo em R$ 156,2 milhões. Um ano antes, o resultado havia sido positivo em R$ 19,4 milhões. As vendas brutas, medidas pelo chamado GMV (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias vendidas), somaram R$ 295,2 milhões, queda de quase 32% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Em maio, o Grupo Toky anunciou que havia entrado com pedido de recuperação judicial, citando dívidas superiores a R$ 1 bilhão. 🔎 Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente. Segundo a empresa, a decisão foi tomada diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito. De acordo com o grupo, esse cenário reduziu as vendas e pressionou o caixa da companhia. O Grupo Toky também afirmou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou aumentando. "Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a empresa, o pedido busca preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as dívidas. O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e corre sob segredo de justiça. Ainda em maio, um dia após anunciar o pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky promoveu mudanças em sua diretoria executiva. Victor Pereira Noda deixou a presidência, que passou a ser ocupada por André Ferreira Peixoto. Também houve alterações nas diretorias financeira e de operações. Os três executivos substituídos, que estão entre os fundadores da companhia, permaneceram no conselho de administração. Segundo o grupo, as mudanças não alteram a estratégia de longo prazo nem os compromissos assumidos pela empresa. "A transição ora comunicada não acarreta qualquer alteração significativa na estratégia de longo prazo, nos compromissos assumidos perante os acionistas e o mercado, ou na condução dos negócios da companhia", afirmou o grupo. O que é o Grupo Toky e como ele surgiu Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP Reprodução/Tok&Stok O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas das marcas mais conhecidas do setor de móveis e decoração do país. A fusão deu origem a um dos maiores grupos de casa e decoração da América Latina, reunindo operações físicas e digitais. A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco na venda online de móveis e itens de decoração. A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu suas operações para o varejo físico. Atualmente, conta com 11 lojas entre megastores, outlets e unidades compactas. Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos e acessíveis, acompanhando a expansão da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país. O grupo também controla a Guldi, marca especializada na venda de colchões. *Com informações da agência de notícias Reuters
17/08/2026 11:51:25 +00:00
Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram

Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram Getty Images via BBC Nos últimos anos, a Meta vem sofrendo sucessivas derrotas nos tribunais devido à forma como suas plataformas — Facebook e Instagram — afetam usuários jovens. Mas um julgamento marcado para começar na terça-feira (18/08) pode representar a maior ameaça até agora às suas operações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O julgamento decorre de um processo judicial instaurado em 2023 por 30 Estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, com acusações de inúmeras violações das leis federais e estaduais de privacidade infantil. Os Estados não só estão buscando mais de US$ 1 trilhão da Meta, como também exigem que ela faça mudanças no Instagram e no Facebook, incluindo o fim da contagem de "curtidas" e da rolagem infinita. Caso a Meta seja derrotada em um processo dessa magnitude, isso poderá forçar mudanças fundamentais na forma como os jovens interagem com as redes sociais. Agora no g1 Os Estados que processam a Meta estão pedindo diversas mudanças na forma como o Instagram e o Facebook funcionam para os jovens. Eles querem que a Meta: implemente um processo de verificação parental para usuários adolescentes; altere seus "algoritmos de recomendação que manipulam a dopamina"; remova diversos filtros de imagem que alteram a aparência nas fotos; encerre a reprodução automática do conteúdo de vídeo; proíba a criação de múltiplas contas; acabe com as publicações rápidas ou que desaparecem, como os Stories do Instagram. Todas essas funcionalidades são essenciais para a experiência atual do usuário nas plataformas da Meta. Esses recursos também são projetados para manter os usuários, incluindo adolescentes e crianças, nas plataformas com a maior frequência e pelo maior tempo possível, argumentam os Estados. Eles alegam que a Meta chega a dificultar que os jovens usem menos a plataforma, por meio de recursos como notificações frequentes criadas para incentivá-los a voltar aos aplicativos. Ao supostamente visar usuários menores de idade, o processo afirma que a Meta "optou por explorar" jovens para aumentar sua base de usuários e expandir seus negócios. Hoje, o valor da Meta na bolsa de valores é de cerca de US$ 1,5 trilhão. A Meta tem negado consistentemente todas essas alegações. "Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as evidências demonstrarão nosso compromisso de longa data com o apoio aos jovens", disse uma porta-voz da Meta em comunicado. O processo será conduzido por Yvonne Gonzalez Rogers, juíza federal chefe na Califórnia. Ela foi a juíza no julgamento de grande repercussão entre Elon Musk e Sam Altman e construiu uma reputação, ao longo de quase 20 anos de carreira, por ser incisiva e direta. 'Incômodo público' Em uma decisão recente contra a Meta, um juiz do Estado do Novo México multou a empresa em um total de US$ 942 milhões e ordenou que ela fizesse mudanças semelhantes às que outros Estados agora exigem. As mudanças determinadas pelo juiz Bryan Biedscheid incluem a eliminação da contagem de curtidas para usuários menores de 18 anos no Instagram e no Facebook, a proibição de adolescentes enviarem ou receberem nudez pelas plataformas e a limitação das notificações push dos aplicativos a determinados horários do dia. O juiz também declarou a Meta uma "perturbação pública" semelhante a uma fábrica que polui o ar que as pessoas respiram, causando "efeitos nocivos" que afetam toda uma população. A Meta afirmou que recorrerá da decisão. Embora a ordem do juiz Biedscheid exija que a Meta faça alterações apenas no Novo México, caso os 30 Estados vençam o processo contra a Meta, a empresa quase certamente precisará implementar mudanças na plataforma em todos os EUA. Os Estados envolvidos no processo representam quase dois terços da população do país. Uma decisão recente de um tribunal federal concluiu que as redes sociais são um fator que contribui para a deterioração da saúde mental entre os jovens Reuters via BBC A contagem de "curtidas", por exemplo, faz parte do Meta desde os seus primórdios, quando ainda se chamava Facebook. Hoje em dia, as curtidas são onipresentes nas plataformas de mídia social. É a principal forma pela qual as pessoas interagem com textos, fotos e vídeos que veem online. No entanto, as curtidas são cada vez mais vistas como uma forma de fomentar sentimentos negativos, principalmente entre os jovens. Kaley, uma jovem que venceu o processo contra a Meta no início deste ano, descreveu em depoimento judicial como criou dezenas de contas no YouTube e no Instagram. Ela usava o sistema de contas para gerar curtidas em suas próprias publicações, na esperança de aumentar o engajamento com outros usuários e, ao mesmo tempo, aumentar seus sentimentos de validação e autoestima. Kaley tinha apenas nove anos na época. Ela disse que se lembrava de se sentir deprimida, algo que lhe foi diagnosticado posteriormente, aos 10 anos. Pesquisas realizadas nos últimos anos têm demonstrado que métricas de engajamento, como o número de curtidas, podem gerar sentimentos de rejeição e depressão em adolescentes. No processo movido pelos Estados contra a Meta, no qual a empresa afirma ter entregado mais de 2 milhões de documentos, os advogados apontaram para a própria pesquisa da Meta, que demonstrava que contagens semelhantes impulsionavam a "comparação social", ou seja, o ato mental de avaliar a própria autoestima em relação às imagens de outra pessoa. Essa comparação social impulsionada pelo Instagram foi associada a "aumento da solidão, piora da imagem corporal e humor ou afeto negativo", de acordo com uma pesquisa interna da Meta. Conforme afirmou o juiz Biedscheid, a forma como as plataformas da Meta operaram por mais de uma década fez parte de uma crescente "crise de saúde mental entre jovens" no Novo México e em outros lugares. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
17/08/2026 11:45:56 +00:00
Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite deste domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a própria companhia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite às empresas com dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a companhia continue operando enquanto busca reequilibrar suas contas. (veja mais aqui sobre a recuperação judicial) Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial. A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções significativas para os consumidores. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. Reestruturação começou em 2023 O pedido de recuperação judicial marca o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos. Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação voltado à redução de custos, ao aumento da eficiência operacional e ao fortalecimento da geração de caixa. Na primeira etapa, a empresa fechou 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano e reduziu aproximadamente 8.600 postos de trabalho. Em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, por meio da qual renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. Na época, a empresa avaliava que a renegociação, aliada à expectativa de queda dos juros e de retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar as contas. No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável. Em agosto deste ano, já durante a segunda fase do plano de transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações. O que levou ao pedido Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que o pedido foi motivado pelo agravamento do cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa. Além disso, a empresa informou que não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas essenciais para reforçar o dinheiro em caixa. No balanço divulgado antes do pedido de recuperação judicial, a companhia revelou que, entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, realizou reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em busca de novas fontes de financiamento, incluindo uma possível oferta de ações. Também negociava uma operação de grande porte com investidores internacionais, considerada estratégica para seu planejamento financeiro. Segundo a empresa, a operação acabou não sendo concluída após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas de liquidez, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não avançaram. "Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações", afirmou a empresa. Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda. ASAP Log Ltda. CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda. Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. Globex Administração e Serviços Ltda. Cnova Comércio Eletrônico S.A. Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. Casas Bahia Tecnologia Ltda. Indústria de Móveis Bartira Ltda. Prejuízo bilionário antecedeu o pedido Também no domingo, a Casas Bahia divulgou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Segundo a empresa, R$ 9,1 bilhões desse total são referentes a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação, sem impacto imediato no caixa. 🔎 Entre esses ajustes estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar no futuro, a constituição de provisões para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação de ativos, como lojas e outros bens, além de despesas relacionadas ao processo de reestruturação da companhia. Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, para R$ 2,8 bilhões. A companhia também informou que aumentou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e ampliou o prazo de vencimento da maior parte de seus financiamentos. Mudanças na direção No mesmo dia em que anunciou o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia também comunicou mudanças na alta administração. O vice-presidente jurídico e tributário, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando serviços de consultoria durante o processo de reestruturação. Para substituí-lo, a empresa nomeou Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY. A empresa também informou a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com as mudanças, Cláudia Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças. Mesmo deixando o Conselho de Administração, Jackson Schneider permanecerá à frente dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia. Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1
17/08/2026 10:15:09 +00:00
Novo golpe do Desenrola exibe CPF e dados da vítima para cobrar acordo por PIX; saiba como se proteger

Psicólogo explica os danos à saúde mental de quem cai em golpe Um levantamento da Kaspersky identificou uma nova campanha de golpes que usa o Desenrola Brasil como isca para atrair pessoas interessadas em renegociar dívidas. A fraude é disseminada principalmente pelas redes sociais e direciona as vítimas para páginas falsas que simulam o processo de negociação do programa. Até o momento, foram identificados mais de 60 domínios registrados com o termo “desenrola”. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os criminosos prometem descontos de até 99% para quitar dívidas, retirar o nome de cadastros de inadimplentes e aumentar o score de crédito. Para concluir a suposta renegociação, porém, a vítima é induzida a pagar uma taxa por PIX. O dinheiro não é destinado ao pagamento da dívida e, segundo a Kaspersky, é transferido para contas de laranjas usadas pelos golpistas. A fraude chama atenção pelo nível de personalização empregado para conferir aparência de legitimidade às páginas. Os sites reproduzem elementos visuais de páginas oficiais do governo e exibem imagens de autoridades e de integrantes ligados ao programa de renegociação de dívidas. Ao acessar uma das páginas falsas, a vítima é direcionada para um chat em que aparecem dados pessoais, como nome completo, CPF e data de nascimento. A exibição dessas informações dá a impressão de que o site tem acesso a uma base oficial. Na sequência, a página apresenta uma suposta análise da situação financeira do usuário, com informações sobre score de crédito e valores de dívidas. O atendimento continua em um chat integrado ao site, no qual uma suposta atendente envia mensagens, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa individualizada. Depois, a vítima recebe uma proposta de renegociação com desconto de até 99% sobre o valor da dívida. Os criminosos afirmam ainda que o procedimento permitiria retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e elevar o score de crédito. Para finalizar o suposto acordo, no entanto, é cobrada uma taxa por PIX. O pagamento é apresentado como uma etapa necessária para concluir a negociação, mas não resulta em qualquer renegociação real da dívida. Chat de atendimento com a confirmação de dados e análise de score. Divulgação/Kaspersky “Essa campanha combina dois elementos comuns em golpes de engenharia social: a expectativa de resolver rapidamente um problema e a sensação de segurança criada pela exibição de dados pessoais verdadeiros”, explica Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky. Segundo ele, a apresentação de informações corretas não comprova que um site seja legítimo. A orientação é verificar o endereço eletrônico antes de fornecer dados ou realizar pagamentos e desconfiar de ofertas que prometam benefícios extraordinários ou exijam cobranças inesperadas. Como evitar o golpe Confira o endereço do site: antes de fornecer informações pessoais ou realizar qualquer pagamento, verifique se o endereço pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira envolvida. Desconfie de cobranças antecipadas: não faça pagamentos por Pix para liberar descontos, concluir uma renegociação ou obter algum benefício do programa. Procure os canais oficiais: em caso de dúvida, acesse diretamente os sites do governo ou do banco credor, em vez de clicar em links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais. Não confie apenas na exibição de dados pessoais: informações como nome, CPF, data de nascimento ou score podem ser obtidas por criminosos e não comprovam que a página seja oficial. Denuncie a fraude: sites falsos e contas utilizadas para receber os pagamentos podem ser denunciados às autoridades e às instituições financeiras envolvidas. Layout do site fraudulento. Divulgação/Kaspersky
17/08/2026 08:04:11 +00:00
Usar o ChatGPT prejudica o cérebro? O que sabemos, e o que não sabemos, sobre a 'dívida cognitiva'

Homem pede conselho médico ao ChatGPT e IA manda ele 'entregar para Deus' Os seres humanos têm criado ferramentas para resolver problemas desde tempos imemoriais. Mas o ritmo dos avanços está se tornando cada vez mais vertiginoso. Em menos de 100 anos passamos da calculadora eletrônica portátil à inteligência artificial generativa. Usamos tanto essas ferramentas que elas quase se tornaram uma extensão de nós. Pensemos nisso: seríamos capazes de calcular a raiz quadrada de 2.209 ou improvisar uma história infantil? Se o primeiro impulso é perguntar à IA, é porque nossa mente tenta aliviar sua carga, externalizando recursos. Na verdade, esse fenômeno já foi descrito pela literatura científica dos últimos 30 anos como delegação cognitiva, memória externa ou mente estendida. Muitos cientistas, especialistas da área clínica e educadores, no entanto, estão cada vez mais preocupados com o impacto que a IA terá a longo prazo na mente humana. LEIA TAMBÉM: Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo O estudo do MIT Para descobrir de que maneira o uso de ferramentas como a inteligência artificial nos afeta cognitivamente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estudaram o que acontece no cérebro ao usar a IA para escrever textos. Durante três sessões, eles mediram a atividade cerebral de 54 jovens e avaliaram a qualidade de seus textos. Um terço deles utilizou o ChatGPT, outro terço o Google, e o restante contou apenas com seu próprio cérebro para compor o texto. ➡️ Os resultados mostraram que aqueles que utilizaram o ChatGPT tiveram um desempenho inferior ao dos demais em termos neuronais, linguísticos e na qualidade de seus textos. Além disso, apresentaram pior memória com relação ao que escreveram e se sentiram menos conectados às ideias escritas. Assim, os pesquisadores do MIT argumentaram que depender repetidamente do ChatGPT substitui o esforço cognitivo necessário para o pensamento independente. Isso poderia gerar um acúmulo do que chamaram de “déficit cognitivo” ou “dívida cognitiva”, com custos cerebrais a longo prazo. Limitações e viralização dos resultados Embora algumas vozes tenham apontado as limitações do estudo, vários meios de comunicação sugeriram com base em esses resultados que o uso da IA gera inevitavelmente uma dívida cognitiva. Ou seja, uma perda progressiva de capacidades mentais que não é visível no curto prazo. Mas essa repercussão não se refletiu em trabalhos empíricos: as evidências brilham pela ausência. A maioria dos artigos científicos publicados continua sendo teórica, ou até mesmo normativa, oferecendo orientações sobre como prevenir os efeitos cerebrais do uso contínuo da IA. Os resultados nesse campo ainda são limitados e preliminares. Por que recorremos à IA? Por outro lado, podemos analisar o impacto da IA na saúde cerebral sob outra perspectiva. Há uma década, os pesquisadores Evan Risko e Sam Gilbert desenvolveram um modelo cognitivo para explicar por que usamos sistemas externos em vez de nosso próprio cérebro. Em outras palavras, eles ajudaram a explicar quais processos mentais seguimos quando, por exemplo, decidimos pesquisar algo no Google ou perguntar à inteligência artificial. 🔍Esses especialistas afirmaram que o impacto cognitivo depende dos objetivos que buscamos ao utilizar esses sistemas. Assim, podemos recorrer a eles para evitar esforço cognitivo ou porque acreditamos que melhorarão nosso desempenho. Podemos, por exemplo, pedir ao ChatGPT que escreva uma redação porque não nos sentimos capazes. Ou porque queremos comparar ideias e buscar novas perspectivas que aprimorem nosso texto. Portanto, para compreender as consequências cerebrais da delegação cognitiva será essencial perguntar primeiro por que delegamos. Esse é um aspecto que o estudo do MIT não explorou de forma alguma. Open AI é a dona do ChatGPT Getty Images via BBC Recursos cognitivos economizados Além do motivo pelo qual usamos o ChatGPT, é importante saber o que fazemos com os recursos “economizados”. Ou seja, se nos custou menos tempo ou esforço concluir uma tarefa cognitiva (um resumo, uma redação, um esboço, uma ideia). o que fazemos com o tempo e a energia que economizamos? Simplesmente nos dedicamos à divagação mental? Ou os destinamos a novos aprendizados? 'Eu me candidatei a papa': como usar o ChatGPT fez usuários perderem o contato com a realidade Estudos sobre o uso do Google indicam que, quando o utilizamos para potencializar outros aprendizados — como saber onde localizar informações úteis —, nossa habilidade na tarefa pode melhorar. O mesmo ocorre com a inteligência artificial: usá-la de forma deliberada para potencializar o treinamento cognitivo, ou para dialogar sobre conceitos, em vez de simplesmente pedir a resposta para uma tarefa, pode aprimorar nossa aprendizagem estratégica. O próprio estudo do MIT que mencionamos oferece evidências a esse respeito: os autores convidaram os participantes para uma quarta sessão, na qual aqueles que haviam usado o ChatGPT não poderiam mais fazê-lo. Em contrapartida, aqueles que usaram o Google ou seu próprio cérebro passaram a ter acesso à IA. Os primeiros continuaram apresentando menor atividade cerebral e pior desempenho, enquanto os segundos apresentaram melhorias em ambos os resultados. Isso indica que o uso da IA pode trazer benefícios em certos cenários (por exemplo, quando integramos nossas ideias às sugestões do ChatGPT), potencializando processos mentais como a atenção e a memória. Por essa razão é tão importante, especialmente no contexto educacional, definir cuidadosamente quais tarefas poderiam ser automatizadas com a ajuda da IA e quais outras, mais significativas, poderiam ser reforçadas com o tempo e o esforço poupados. Nem tudo é dívida cognitiva Em resumo, a dívida cognitiva que o uso contínuo da IA pode gerar é uma realidade possível, mas ainda incerta. O estudo do MIT é promissor e abre as portas para um mundo ainda desconhecido. Mas ainda estamos longe de saber como a IA afeta as capacidades mentais a longo prazo. Chat GPT Getty Images via BBC O estudo citado deu início a uma onda de conclusões catastróficas sobre a dívida cognitiva, mas não definiu quais formas de uso podem ser prejudiciais e quais, ao contrário, podem até ser benéficas. Observar como e para que usamos essas ferramentas de IA (como pode ser visto na árvore de autorreflexão que acompanha este artigo) ajuda a analisar esses fatores antes de cair em interpretações apocalípticas. Madalin Marian Deliu Dumitru: docente da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Católica de Ávila; Universidade de Salamanca Patricia Alzola Bordón: pesquisadora de doutorado em formação (especialização em Neuropsicologia), Universidade de Salamanca
17/08/2026 06:00:37 +00:00
Correios: balanço prévio aponta prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026

Correios devem ter prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026 Dados prévios do balancete contábil dos Correios, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no 1º semestre de 2026. Para o segundo trimestre, o prejuízo acumulado é de cerca de R$ 2,2 bilhões. 🔎Um balancete contábil é um demonstrativo provisório que traz a fotografia de como estão as contas contábeis de uma empresa até um determinado momento — normalmente ao fim de um mês, trimestre ou semestre. O prejuízo do semestre é menor do que o obtido pela empresa nos últimos dois trimestres o 1º deste ano e o 4º trimestre de 2025, apontando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira dos Correios, que teve um prejuízo recorde no 1º trimestre de 2026. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão da estatal divulgar oficialmente as informações contábeis. E, segundo os Correios, as demonstrações contábeis referentes ao 1º trimestre de 2026 "ainda estão em processo de fechamento". Em nota, os Correios afirmaram que a empresa não se manifesta sobre demonstrações financeiras antes de sua divulgação oficial. "As demonstrações financeiras encontram-se em fase de consolidação e serão divulgadas após a aprovação pelas instâncias competentes, em conformidade com os procedimentos de governança da empresa". As receitas obtidas até 30 de junho deste ano ficaram estáveis em relação ao mesmo período de 2025, reduzindo cerca de R$ 28,2 milhões. As despesas diminuíram R$ 1,1 bilhão. Receitas: R$ 8,18 bilhões em 2025 e R$ 8,16 bilhões em 2026; Despesas: R$ 13,5 bilhões em 2025 e R$ 12,4 bilhões em 2026. Apesar do aumento expressivo nas despesas, a estatal previa um desempenho ainda pior para o período com os gastos alcançando R$ 14,8 bilhões, desempenho de R$ 1,2 bilhão melhor do que o esperado. Desempenho das receitas Apesar das receitas dos Correios no semestre terem diminuído, alguns segmentos individuais tiveram melhora no desempenho quando analisados individualmente. O principal aumento se deu no campo da prestação de serviço de logística que a estatal oferece a empresas que envolvem o recebimento do pedido, como a preparação do pacote e envio de produtos ao comprador. A receita saiu de R$ 205 milhões em 2025 para R$ 423 milhões em 2026. Desempenho das receitas Por outro lado, as encomendas internacionais, que já representaram 22,2% de todas as receitas, agora representa apenas 4,3% do total ao atingir apenas R$ 355 milhões no semestre. O desempenho repete um movimento observado desde o lançamento do programa Remessa Conforme, em 2023, com a redução das receitas principalmente associada à queda na prestação de serviços de transporte de encomendas internacionais. O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que antes eram isentas. A medida ficou popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Porém, mesmo com o fim da taxa das blusinhas, a empresa não viu as receitas aumentarem já que o programa Remessa Conforme continuou. Desempenho das despesas Com relação às despesas, os gastos com salários — um dos maiores problemas enfrentados pelos Correios — teve uma pequena redução de R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, dando fim a uma sequência de altas com esses gastos. Ao todo, esse grupo de gastos atingiu R$ 5,2 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Valor 15% menor do que a previsão feita para esses gastos. Com a redução dos gastos com salários, os Correios ainda conseguiram economizar com despesas atreladas, como planos de saúde e previdência, que totalizaram R$ 260 milhões a menos do que o mesmo período do ano passado. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Já os grupos de despesas que justificaram o aumento dos gastos continuam sendo os mesmos do 1º trimestre, as financeiras e com provisões, em que se enquadram as possíveis perdas judiciais que, posteriormente, viram precatórios. 🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica As despesas financeiras tiveram um aumento de 179%, passando de R$ 590 milhões em 2025 para R$ 1,6 bilhão em 2026. Aumento de mais de R$ 700 milhões apenas no segundo trimestre deste ano e uma redução de quase R$ 225 milhões em relação ao primeiro trimestre. Nessa categoria estão incluídos gastos com juros e multas relacionados a boletos, contratos e empréstimos, como os R$ 12 bilhões contratados pela estatal no fim do ano passado. A operação tem previsão de gerar R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência. Já as despesas com provisões e perdas também ficaram acima do previsto, mantendo o aumento provocado no primeiro trimestre, que sozinho foi responsável por R$ 1,4 bilhão. Até junho a conta totalizou R$ 1,6 bilhão. O montante também representa uma alta de 44,5% em relação às despesas registradas em 2025, que somaram R$ 1,1 bilhão.
17/08/2026 05:00:10 +00:00
Agência de classificação de risco Fitch eleva nota de crédito do município do Rio de Janeiro para o grau mais alto

Rio ganha nota máximo de grau de investimento A Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para “AAA”, que é o grau de investimento de mais alta qualidade. A agência indica perspectiva de estabilidade e destaca que o Rio de Janeiro, nos últimos anos, apresentou “melhoras consistentes na gestão fiscal”. No comentário que justifica a elevação da nota de "AA+" para "AAA", a Fitch diz que os resultados do município trouxeram “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez” e afirma acreditar que "dívida do Rio diminuirá gradualmente ao longo do horizonte do rating". A agência também reviu a nota do Perfil de Crédito Individual (PCI), o indicador de saúde financeiro sem considerar apoios externos, que avançou de “BB” para “BB+”, o que significa risco "médio a baixo" – e indicou perspectiva estável para esta avaliação. A Fitch apresentou ainda os seguintes fundamentos para a decisão: Cristo Redentor, Pão de Açúcar e o bairro de Botafogo Fernando Maia/Riotur Perfil de Risco: ‘Médio a Baixo’ Perfil Financeiro: Categoria ‘A’. Robustez das Receitas: ‘Média’. Justificativa: "município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis"; Ajustabilidade das Receitas: ‘Fraca’. Justificativa: "dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais"; Sustentabilidade das Despesas: ‘Média’. Justificativa: "Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento". Ajustabilidade das Despesas: ‘Fraca’. Justificativa: "baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas"; Robustez de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: "Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo"; Flexibilidade de Passivos e Liquidez: ‘Média’. Justificativa: Fitch estabelece um limite de 100% para a média dos últimos três anos. Rio reportou índice médio de liquidez de 67,1%; Análise de pares no Brasil De acordo com a Fitch Rating, o par mais próximo do Rio é o Estado de São Paulo, que tem rating nacional de longo prazo de AAA e perspectiva estável. Ambos, de acordo com a agência, apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’. No entanto, acrescenta a agência, o índice de payback (o prazo para o retorno de um investimento inicial) do Rio, “que é menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’, explica por que seu PCI está um grau acima do de São Paulo”. Na escala global, a nota de estados e municípios precisam ser ancorada no teto soberano do Brasil, que permanece em "BB", com perspectiva estável. Nota de crédito: o que é, para que serve e o que acontece quando o Brasil perde a classificação Nota de crédito: o que é e para que serve Essa nota geralmente é representada por letras, números e sinais matemáticos e normalmente vão de D, que é a nota mais baixa a AAA - a nota mais alta e as notas são classificadas, pelos organismos, em dois grupos principais: grau especulativo e grau de investimento e é a partir dessa nota de risco que os investidores podem avaliar melhor se compensa investir capital naquele país, se existe chance de ganhos que compensem o risco de perder o capital investido - e se a economia desse país é estável ou instável. Outra pergunta que muita gente se faz é para que serve essa nota de crédito? Essa avaliação é o instrumento que vai emitir uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida desse país analisado. Alguns fundos de pensão internacionais, de países da Europa ou os Estados Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de países que estão classificados com grau de investimento por agências internacionais e é por isso que essa "nota" permite que o país receba recursos de investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local.
16/08/2026 15:44:40 +00:00
Mega-Sena, concurso 3045: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3045: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3045 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (16), em São Paulo. O prêmio acumulou para o próximo concurso, que acontece nesta terça-feira (18), e pode chegar a R$ 45 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Lotrias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 23 - 29 - 33 - 42 - 43 - 57 Mega-sena, concurso 3045 Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
16/08/2026 14:03:19 +00:00
Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP

Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP Nosso Campo O período de inverno, caracterizado pela colheita de cana-de-açúcar, agora é marcado pela constante aparição de moscas-de-estábulo. Os insetos, atraídos pela concentração de vinhaça e umidade, se fixam no gado e interferem na rotina dos bovinos. Em vez de utilizar o tempo para alimentação e descanso, as vacas permanecem de pé, com espasmos e desconforto. Elas priorizam gastar energia para se proteger das moscas, o que as mantém fracas e debilitadas. Isso afeta seu ganho de peso, a produção de leite e a qualidade de vida, podendo causar a morte dos bovinos. Em Avanhandava (SP), no centro-oeste paulista, o pecuarista Alexander von Büldring perdeu oito cabeças de gado e teve uma redução de 60% na produção de leite. Alexander relata o diagnóstico de complexo de tristeza parasitária após os animais demonstrarem fadiga, desconforto e presença de sangue na urina e nas fezes. Dos 36 animais da propriedade, 16 estão em ordenha, cada um produzindo seis litros de leite. Nas proximidades da propriedade, uma usina de açúcar e etanol propicia a presença das moscas, devido à alta quantidade de vinhaça e matéria orgânica. Em nota, a usina Diana Bioenergia compartilhou medidas tomadas para combater as moscas-de-estábulo, como prevenção de vazamentos, monitoramento da população de moscas, consultoria especializada em manejo de pragas e ajustes no manejo da palha, na aplicação de compostos orgânicos e na distribuição da vinhaça. Outra propriedade que enfrenta o mesmo problema recorreu ao uso de ventilação mecânica para reduzir o impacto das moscas sobre as 110 cabeças de gado. O pecuarista João Heck Junior observa a constante perda de peso dos animais e relata a perda de algumas vacas. O veterinário Luís Felipe Cruiol informa que os insetos se adaptaram aos períodos de inverno. Com a chegada do setor de cana e o favorecimento da reprodução das moscas, o gado fica vulnerável. De acordo com o médico-veterinário, reforçar a higiene dos estábulos, rastelar as fezes e evitar a umidade são medidas que podem ajudar na qualidade de vida dos bovinos nesse período. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Mosca-de-estábulo avança no inverno e causa prejuízo a pecuaristas no interior de SP VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
16/08/2026 10:30:13 +00:00
Peão de Orindiúva viaja 10 mil km para divulgar cultura caipira

Pedro Henrique Biondo, o Berranteiro das Américas Reprodução / TV TEM O engenheiro civil Pedro Henrique Biondo, de Orindiúva (SP), deixou o trabalho em 2023 para viajar pelo mundo e divulgar a cultura caipira. Ao lado do cão Bastião, um border collie, percorreu 10 mil quilômetros em três anos e passou por 16 países. O objetivo da viagem, segundo Pedro, foi mostrar que a cultura brasileira vai além do samba e do futebol. Ele leva o berrante e as roupas típicas como símbolos da identidade caipira. O primeiro berrante foi presente da avó, para ajudar em problemas respiratórios. O instrumento despertou nele a paixão pela cultura boiadeira. Hoje, Pedro é tetracampeão do Concurso de Berrante da Festa do Peão de Barretos. Pedro compartilhou a rotina nas redes sociais, onde reúne 1 milhão de seguidores. Entre os momentos marcantes, lembra da apresentação na Times Square, em Nova York, e do desafio de domar duas mulas ariscas — Heida e Oklahoma — presenteadas por uma família norte-americana. Depois de percorrer até 30 quilômetros por dia em uma rotina incerta, Pedro voltou para casa com a sensação de dever cumprido. Agora, planeja seguir viagem rumo ao Alasca. Veja a reportagem exibida no programa em 16/8/2026: Peão de Orindiúva viaja 10 mil km para divulgar cultura caipira VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo
16/08/2026 10:30:12 +00:00
Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA?

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC O Brasil ganhou um reforço importante no seu enfrentamento ao tarifaço dos Estados Unidos nesta semana — depois que a China pediu para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação brasileira contra o tarifaço imposto por Donald Trump. A avaliação é de dois especialistas consultados pela BBC News Brasil. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Para o Brasil, isso é importante porque o país ganha não apenas um aliado, mas 'o' aliado. A China é hoje a principal potência mundial em termos de comércio, investimentos e também em termos geopolíticos", afirma Ana Garcia, professora de Relações Internacionais e coordenadora do Centro de Estudos Avançados (CEA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). "É um apoio indireto, de uma espécie de amigo que não precisa necessariamente agir imediatamente contra os EUA, mas que pode fazê-lo mais adiante, caso seja diretamente afetado. E a China possui muito mais espaço de barganha e poder de contestação contra os EUA do que o Brasil. Eles têm meios de retaliação aos EUA onde o Brasil é mais frágil." Para Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ, o pedido chinês pode ser entendido como um apoio ao argumento do Brasil contra os EUA. "Isso reforça o peso político do caso brasileiro e fortalece o argumento central contra a Seção 301 dos EUA, que tem vários elementos considerados muito frágeis do ponto de vista da defesa da tarifa em si." No final do mês passado, o Brasil apresentou um pedido de consultas aos EUA no sistema de solução de controvérsias da OMC contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil disse que as tarifas americanas são "injustificadas e incompatíveis" com obrigações assumidas pelos EUA no âmbito de regras internacionais de comércio. Uma das medidas questionadas é sobre a investigação americana contra o Brasil, na qual o governo Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros. O pedido de consultas é a primeira etapa de um sistema de solução de controvérsias da OMC. Nesta semana, os EUA responderam que estão "à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas". Aproximação com a China Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA? Getty Images via BBC China e Brasil são os dois países que mais viram suas tarifas médias de importação subirem no segundo mandato de Trump. Ibañez acredita que a China não age por altruísmo ao pedir para participar das consultas do Brasil na OMC. "A China, ao fazer esse movimento, não está simplesmente sendo 'boazinha' e defendendo um país prejudicado. Ela também possui interesses próprios", afirma o professor. Um desses interesses seria combater os EUA em foros internacionais. "De um lado, há um país que tem reduzido a importância dos mecanismos multilaterais. Do outro, há um país que busca se apresentar como porta-voz do multilateralismo no mundo contemporâneo. É uma queda de braço entre gigantes, e o Brasil está no meio dela." Ele também ressalta que o fato de o Brasil estar recebendo esse apoio chinês não significa que exista um alinhamento entre os dois países. "O meu temor é que essa situação seja interpretada como um alinhamento direto do Brasil à China. O Brasil não é um país alinhado diretamente a nenhum desses dois grandes centros de poder. Ele tem estabelecido relações com ambos os lados. Lula não se furtou a ir aos EUA quando convidado por Trump. Vai à China e também mantém relações com os americanos", afirma. Para analista, Brasil está no meio de uma queda de braço entre gigantes Getty Images via BBC Ele acredita que o Brasil não pode abrir mão das suas relações com os EUA. "Já estamos observando os efeitos problemáticos de ter atritos com eles. Além disso, os EUA têm demonstrado uma doutrina muito clara de ampliar sua área de influência na América Latina", diz. Nesta semana, o governo de Donald Trump exaltou novamente a Doutrina Monroe como uma diretriz para sua política externa no continente americano. Um vídeo de mais de cinco minutos publicado na terça-feira (11/08) nas redes sociais do Departamento de Estado dos EUA afirma que a "doutrina encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump". Por outro lado, o Brasil tenta se equilibrar entre China e EUA, defendendo uma boa relação com as duas potências. "O Brasil construiu com a China, ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, uma relação comercial extremamente forte", afirma Ibañez. "A China é um grande parceiro e também um ator ao qual precisamos estar atentos. Ela vem investindo em áreas estratégicas no Brasil, como energia, infraestrutura, portos, empresas nacionais e agronegócio. São diversos setores nos quais a presença chinesa é muito significativa, com crescente influência sobre o mercado brasileiro e sobre os mecanismos de cooperação tecnológica. OMC fragilizada Ambos os analistas destacam que a consulta brasileira sobre os EUA acontece em um momento em que a OMC parece ter pouca capacidade de agir. "Considero fundamental destacar que os mecanismos multilaterais de resolução de contenciosos estão muito enfraquecidos", afirma Ibañez. "Trump tem atuado como uma espécie de xerife internacional de forma muito intensa e sem seguir plenamente as regras do sistema internacional. Por isso, acredito que, mesmo que o Brasil obtenha uma decisão favorável na OMC, dificilmente isso resultará, por si só, em uma reviravolta prática." "Não se pode deixar de pontuar que a OMC é hoje uma instituição fragilizada. É um espaço multilateral que teve muita importância desde sua criação, em 1994. As negociações multilaterais de comércio, que no pós-guerra aconteciam sob o GATT [órgão que antecedeu a OMC], sempre constituíram um espaço relativamente forte, apesar das crises econômicas e disputas geopolíticas", diz Ana Garcia. "Mas, como várias outras instituições multilaterais, a OMC foi perdendo força à medida que os grandes Estados passaram a privilegiar ações bilaterais. Esse é claramente o caso dos EUA." Ela afirma que a OMC já enfrentava dificuldades antes mesmo do tarifaço de Trump. "Os acordos multilaterais já encontravam obstáculos por falta de entendimento entre europeus, países emergentes relevantes, como Índia e Brasil, e outros atores importantes." Multilateralismo Para Pablo Ibañez, a disputa comercial está envolvida também em uma briga dos EUA contra instituições multilaterais, como a OMC. "No caso da OMS, por exemplo, tivemos uma situação grave, com os Estados Unidos saindo da Organização Mundial da Saúde. Os Estados Unidos têm atuado de maneira muito assertiva para diminuir a importância, a relevância e a atuação dos mecanismos multilaterais de resolução, sejam eles voltados para conflitos, guerras, saúde ou comércio", afirma Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ. Já a China atuaria no sentido contrário neste momento, tentando aumentar sua influência nessas instituições multilaterais. "Há também, nos EUA, o entendimento de que a China tem tido cada vez mais proeminência dentro dessas organizações multilaterais e que, por isso, elas estariam perdendo credibilidade. Esse é o panorama mais amplo do que está acontecendo agora." Essa preferência por órgãos multilaterais da China neste momento é algo que, segundo Garcia, coincide com um princípio defendido tradicionalmente pela diplomacia brasileira. "A aposta do governo brasileiro é no multilateralismo. Ao acionar os EUA no sistema de arbitragem da OMC, o Brasil também sinaliza sua preferência por mecanismos multilaterais em vez de ações unilaterais, algo que historicamente marca a política externa brasileira." Analistas apontam que OMC está fragilizada neste momento Getty Images via BBC Poucos efeitos práticos Os analistas acreditam que, embora haja um componente político importante na ação do Brasil na OMC, qualquer decisão da entidade não deve ter grande impacto real no tarifaço americano. "Não devemos esperar grandes resultados. O processo na OMC tende a ser demorado. Mesmo que haja uma decisão favorável ao Brasil, ela pode ter pouco efeito prático sobre as ações americanas, dada a capacidade dos EUA de agir unilateralmente. Por isso, acredito que os efeitos dessa iniciativa sejam limitados", diz Garcia. Para Garcia, o fato de China e Brasil estarem se aproximando no combate ao tarifaço americano não significa necessariamente que haverá aumento do comércio entre os dois países. "Já existe um volume muito elevado de comércio entre os dois países. O Brasil tem a China como principal parceiro comercial, e a China vê o Brasil como um fornecedor fundamental de produtos ligados à sua segurança alimentar", diz Garcia. "Os produtos afetados pelas tarifas americanas não são, em sua maioria, produtos cuja demanda seria naturalmente absorvida pelo mercado chinês. Na minha leitura, eles tendem a ser redirecionados gradualmente para outros mercados, como Europa, outros países asiáticos ou mesmo por meio de uma integração maior na América Latina. É nesses mercados que existe mais espaço para manufaturados brasileiros."
16/08/2026 08:00:34 +00:00
Trilionário por 2 meses: a ‘marcha à ré’ da SpaceX que fez Elon Musk perder bilhões de dólares

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026. REUTERS/Jeenah Moon Dizem que foguete não dá ré, mas o da SpaceX dá — e a fortuna de Elon Musk também. O empresário, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se o primeiro trilionário da história graças, em grande parte, à valorização da empresa espacial. Só que a marca durou pouco: em apenas dois meses, sua fortuna encolheu US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões), em meio à queda no valor da companhia. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Agora no g1 As ações da empresa recuaram 31% desde a máxima de US$ 201,8 (R$ 1.053,27), alcançada em junho, e Musk é dono de 42% da SpaceX. Por isso, quando o valor da companhia cai, a participação do empresário também passa a valer menos — e sua fortuna encolhe. Ação da SpaceX recua 31% desde a máxima de junho Arte/g1 SpaceX cresce em ritmos diferentes O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital mostra uma empresa em forte expansão, mas que é formada por negócios com características diferentes entre si. A receita quase dobrou em um ano, mas a expansão também exigiu investimentos pesados: foram US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) em apenas três meses, mais de seis vezes o valor registrado no mesmo período de 2025. As três principais áreas da companhia crescem em ritmos distintos. A internet via satélite já é lucrativa, enquanto inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos. (veja mais no infográfico abaixo) É essa diferença que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera central para entender as contas da SpaceX. Em relatório, o especialista destaca que, em 2025, o segmento de conectividade gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional. Já a área de IA acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões). Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, o resultado mostra uma empresa que está crescendo enquanto faz uma aposta pesada no futuro. “A maior gama de resultados potenciais do valor futuro da SpaceX reside em seus empreendimentos de inteligência artificial”, afirma Owens. Segundo ele, o mercado precisa decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda terão de provar seu potencial nos próximos anos. Onde a SpaceX está colocando seus bilhões Arte/g1 IA e Starship: as apostas bilionárias A maior parte dos investimentos da SpaceX no segundo trimestre foi direcionada à inteligência artificial. Entre os movimentos estão: 🖥️ Ampliação da infraestrutura de computação em nuvem e de projetos como o Colossus II, os planos de usar chips da Nvidia em satélites voltados à inteligência artificial. 🤝 Acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando a oferta de ferramentas de IA para empresas. É esse movimento que Menzies resume como uma fase de “reinvestimento agressivo”. “A companhia está canalizando capital para o desenvolvimento do Starship, para a fabricação de satélites e infraestrutura de IA", diz o diretor da Openbook Analytics. O desafio, segundo Owens, é fazer com que toda essa infraestrutura comece a gerar receita e justifique o dinheiro investido. “Mesmo com sua volatilidade acentuada desde o IPO, acreditamos que os investidores ainda estão considerando cenários mais otimistas para a reusabilidade do Starship e para a vantagem comercial de datacenters orbitais do que o que é mais provável neste momento.” Mas a inteligência artificial não é a única aposta de longo prazo da SpaceX. O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões. 🚀 Em 2025, a empresa investiu mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,66 bilhões) no projeto, além de outros US$ 930 milhões (R$ 4,85 bilhões) no primeiro trimestre deste ano. Para o mercado, portanto, não basta que a SpaceX cresça. É preciso saber se os investimentos feitos agora serão capazes de criar negócios grandes o suficiente para justificar o dinheiro gasto. A SpaceX desenvolveu um sistema que permite ao Starship voltar à base após o lançamento e ser recuperado na própria plataforma de onde partiu. Reprodução Starlink paga a conta — mas também enfrenta pressão É nesse ponto que a importância do Starlink ganha mais destaque. O serviço de internet via satélite é hoje um dos principais negócios da SpaceX e ajuda a financiar a expansão das outras áreas. A base de clientes dobrou em um ano, para 12 milhões, mas a receita média por usuário caiu de US$ 85 (R$ 443,65) para US$ 66 (R$ 344,48) entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano. Segundo Menzies, a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda e ofereça preços mais competitivos. Por enquanto, o crescimento do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas, se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão importante para o mercado. "Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada pelo crescimento do volume, comprimiria as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo." Para os especialistas, a empresa ainda tem dinheiro para continuar investindo e expandindo seus negócios. O que mudou é a percepção do mercado sobre essas apostas: quanto elas vão valer — e quanto tempo vão levar para dar retorno? A resposta pode determinar não apenas o valor da SpaceX, mas também o rumo da fortuna de Musk.
16/08/2026 08:00:32 +00:00
Sem janelas e mais econômico: como será voar no 'avião-arraia', aposta de aéreas americanas

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será Viajar no avião Z4, projeto da americana JetZero, será bem diferente de voar em um avião comum. Em vez das janelas ao lado dos passageiros, a aeronave terá telas que mostrarão imagens do lado de fora captadas por câmeras de alta definição. O projeto tem um formato que lembra uma arraia, com a área central integrada às asas. A JetZero diz que o desenho melhora a aerodinâmica e poderá reduzir entre 30% e 50% o consumo de combustível em comparação com modelos como o Boeing 787. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A iluminação natural da cabine virá de duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras. O avião deverá transportar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções, e terá um compartimento de bagagem para cada assento. Críticos ouvidos pelo Wall Street Journal apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto nas curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Outra mudança do projeto está nas portas: elas serão posicionadas em locais distintos dos usados em aviões convencionais, o que pode dificultar a adaptação do Z4 na maioria dos aeroportos, já que eles estão mais preparados para receber modelos tradicionais. A JetZero planeja fazer o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027. A empresa pretende iniciar o uso comercial da aeronave no começo da década de 2030. O Z4 foi projetado para voos de até 5.000 milhas náuticas (cerca de 9.200 km). A autonomia seria suficiente, por exemplo, para uma viagem entre São Paulo e Madri, na Espanha, uma distância de aproximadamente 8.400 km. A empresa já tem o apoio de companhias aéreas americanas. A United Airlines planeja comprar 200 unidades do Z4, enquanto Delta e Alaska Airlines também apoiam o projeto. Para acelerar o desenvolvimento, a JetZero pretende usar componentes presentes em outros aviões e que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), órgão que regula o setor no país. A empresa também tem um acordo de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com o governo americano para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A estrutura será usada para acelerar a produção da aeronave. Se o projeto avançar como planejado, o avião-arraia poderá unir uma cabine diferente da convencional com uma promessa de redução significativa no consumo de combustível. Mas, antes de chegar aos passageiros, ele terá que passar por uma série de testes. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero
16/08/2026 07:01:24 +00:00
Curral eclético: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES; veja VÍDEO

Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES Em um curral eclético, ouvindo de forró a música clássica, cerca de 30 vacas de uma fazenda no Espírito Santo estão produzindo mais leite desde passaram a ouvir músicas durante o manejo e a ordenha. A cena parece ter saído de um filme, mas é uma realidade que transformou a produção de leite nas terras do agricultor Edson Michael Rohr. Uma das estrelas desse curral é a vaca Luana, da raça girolanda, que produz cerca de 200 litros de leite por semana. Os animais são cuidados pelo produtor rural Edson Michael Rohr, na propriedade Sítio Rô, que fica em Rio Novo do Sul, na Região Sul do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O hábito de ligar o rádio para que os animais também pudessem ouvir uma trilha sonora diversificada não é de agora. Segundo o produtor, ligar o som durante o trabalho surgiu há cerca de 15 anos. As vacas do produtor são realmente ecléticas, tanto que o estilo musical mais ouvido no local passeia pelo sertanejo, música clássica e até pop rock. Para ele, o diferencial não é apenas a quantidade de leite produzida, mas ouvir música também ajuda no manejo dos animais no dia a dia. "As vacas ficam mais calmas, a música ajuda bastante. Quando chega alguém diferente ou tem algum barulho, permanecem tranquilas. Parece que ficam concentradas no som", disse. A prática começou de forma despretenciosa. Mas também não foi difícil de ser implementada, afinal, como Edson mesmo diz: "Todo produtor tem um radinho na roça". Além da música, o contato e o carinho com os animais são outras estratégias que ajudam a amansar as vacas e proporcionam um diferencial durante as competições de produção leiteira, outro hobby que o produtor gosta de praticar. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr A ciência explica E acredite se quiser: outras vacas ao redor do mundo também têm gosto musical refinado e motivaram pesquisas científicas que garantem que a música influencia nos resultados observados nas produções leiteiras. Gercílio Alves de Almeida, zootecnista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que uma boa trilha sonora contribui na liberação de leite durante a ordenha por melhorar o bem-estar e a sensação de conforto dos animais. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Gêmea nasce empelicada e fazendo 'pose' com as mãos em Vitória ARACRUZ: Baleias-jubarte cercam lancha durante pescaria de amigos e são flagradas até debaixo d'água SUL DO ES: Nail designer cria unhas 3D inspiradas em símbolos capixabas para competição nacional Essa prática integra o chamado enriquecimento ambiental, um conjunto de estratégias voltadas para melhorar o bem-estar dos animais de diversas espécies, com efeitos cientificamente comprovados. "O efeito é positivo porque promove o relaxamento da vaca e estimula a liberação do hormônio ocitocina, que depende de estímulos positivos do ambiente e é responsável pela 'descida' do leite", afirmou. Outros estímulos positivos, como carinho, a presença do bezerro e até uma massagem também favorecem a produção desse hormônio. No entanto, assim como a música incentiva, outros tipos de barulhos podem causar uma influência negativa. "Ruídos como motores, cães latindo, objetos caindo ou pessoas gritando assustam o animal e provocam a liberação de adrenalina, hormônio que tem efeito contrário ao da ocitocina. Ele inibe a descida do leite, porque a vaca está sob estresse ou medo", alertou o professor. Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Portanto, quanto mais agradável o ambiente, melhor para os animais e a produção. E tem mais um detalhe: a música só traz benefícios quando faz parte da rotina dos animais. Gercílio afirmou que as vacas são animais que gostam de rotina e mudanças no manejo e ambiente podem afetar a produção de leite. Por isso, se a música é utilizada durante a ordenha, o ideal é que ela seja mantida de forma constante. O estilo musical também pode influenciar a resposta das vacas, já que elas tendem a reagir melhor a músicas mais suaves, como as clássicas. No entanto, o zootecnista ressaltou que o mais importante é a familiaridade. "Se o produtor costuma deixar o rádio ligado com sertanejo, por exemplo, os animais acabam se acostumando com aquele som, que passa a fazer parte da rotina e transmite sensação de segurança". Na prática, muitos produtores já mantêm o rádio ligado durante o trabalho por hábito próprio e, sem perceber, acabam proporcionando um ambiente mais familiar e tranquilo, do qual as vacas também se beneficiam. Vacas criadas ao som de música produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo Edson Michael Rohr Edson é produtor rural e cria cerca de 30 vacas ao som de música no Sul do Espírito Santo Edson Michael Rohr Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
16/08/2026 07:01:18 +00:00
China domina mercado de robôs humanoides; entenda por que os EUA decidiram barrá-los

Feira da Indústria tem exposição de robôs humanóides A fabricante chinesa de robôs humanoides e quadrúpedes Unitree Robotics abriu na segunda-feira (10) as inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. É a primeira empresa do setor a dar esse passo na China, em uma operação que pode elevar seu valor de mercado a mais de 50 bilhões de yuans (R$ 37,7 bilhões). A empresa ganhou destaque internacional pela capacidade de fabricar robôs sofisticados a preços competitivos, ajudando a impulsionar a liderança chinesa no mercado global. Agora, deve ganhar ainda mais projeção com a entrada de capital privado. A movimentação ocorre em paralelo à decisão dos Estados Unidos, anunciada no fim de julho, de proibir a entrada no país de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. A medida, justificada por "riscos inaceitáveis" à segurança nacional, foi interpretada por analistas como um sinal de que os EUA temem que sua liderança tecnológica seja ameaçada por Pequim. O gigante asiático respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025, segundo o banco britânico Barclays. O argumento da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA é que os robôs "coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs". Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias acusadas de manter vínculos com as Forças Armadas chinesas. Robôs da empresa já foram utilizados em exercícios militares. China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas Imaginechina/Sipa USA/picture alliance Quão séria é a ameaça dos robôs chineses à segurança dos EUA? Autoridades americanas alertam que robôs humanoides e quadrúpedes chineses podem coletar dados detalhados de localização e informações pessoais, ser controlados remotamente e representar riscos para infraestruturas críticas dos EUA. As preocupações se concentram principalmente no potencial uso duplo dos robôs, tanto para fins civis quanto militares. Pesquisadores já demonstraram que robôs da Unitree apresentam falhas de segurança que permitem a invasores assumir o controle por meio de um comando de voz e, em seguida, utilizar um robô para controlar outros. Washington também teme que uma grande quantidade de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados do mundo real a sistemas chineses de inteligência artificial, que vêm se aproximando rapidamente de seus concorrentes americanos. A ameaça, porém, ainda é em grande parte teórica, já que a maioria dos robôs humanoides comerciais está em estágios iniciais de desenvolvimento. A China rejeitou as acusações e afirmou que os EUA estão usando a segurança nacional como pretexto para o protecionismo e para restringir a tecnologia chinesa. Dias depois do anúncio da Casa Branca, a China respondeu com a imposição de controles sobre as exportações de drones aos EUA e a proibição de negócios com seis entidades americanas. Ação de Trump vai impulsionar a indústria americana de robôs? O governo de Donald Trump nunca escondeu seu objetivo de apoiar a indústria doméstica de robótica dos EUA, que, por sua vez, sustenta a expansão da infraestrutura de IA do país, avaliada em quase US$ 1 trilhão. Segundo observadores do setor, Trump quer proteger empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics da concorrência de fabricantes chineses de grande escala, cujos robôs frequentemente custam metade do preço, ou menos, dos modelos americanos. Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento VCG/IMAGO Washington já impôs restrições semelhantes a drones e painéis solares chineses e atualmente aplica uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses. A medida é vista como uma tentativa de Trump de ganhar tempo diante da rapidez com que a China expandiu sua produção de robôs. Segundo a empresa de pesquisa tecnológica Omdia, a China tem seis empresas entre as dez maiores do setor de robótica. Essas companhias venderam quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de unidades vendidas por empresas americanas. Em março, o Bank of America projetou cerca de 90 mil unidades embarcadas até o fim deste ano. Os EUA são considerados mais fortes no desenvolvimento do "cérebro" dos robôs, por meio de IA avançada, enquanto a China lidera na produção em massa de robôs mais baratos, com movimentos aprimorados por atuadores de alto desempenho, uma espécie de músculo robótico. Elon Musk tem grandes planos para o robô Optimus, da Tesla. Reprodução/DW Rush Doshi, do think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), descreveu o veto da Casa Branca como "uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA". Evan Beard, CEO da fabricante de braços robóticos Standard Bots, diz que o governo Trump está enviando uma mensagem "inequívoca" à China. "A robótica é uma tecnologia que os Estados Unidos precisam liderar e dominar, e robôs subsidiados por governos estrangeiros não terão permissão para dominar injustamente a robótica americana...", escreveu Beard na rede X. Críticos, porém, avaliam que a proibição pode desacelerar a inovação em IA nos EUA, já que pesquisadores utilizam robôs chineses de baixo custo para realizar testes. "Restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo", disse Georg Stieler, consultor da indústria de robótica, via X. Há também quem avalie que a proibição pode levar Pequim a "restringir ainda mais as vendas de terras raras para empresas americanas e [...] o acesso de companhias americanas, como Tesla e Nvidia, ao mercado chinês", como argumentou Marc Einstein, diretor de pesquisas da Counterpoint Research, ao canal americano de TV CNBC. Robôs humanoides em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa Reprodução/CCTV Mercado de robôs humanoides é promissor O Barclays estima que o mercado, atualmente avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (R$ 10,2 bilhões a R$ 15,3 bilhões), poderá chegar a US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) até 2035, no cenário mais otimista, caso haja avanços no cérebro, na força física e nas baterias dos robôs. Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é ainda mais otimista. Ele aposta que o Optimus, da Tesla, pode se tornar "o maior produto de todos os tempos", com vendas que, no longo prazo, poderiam chegar a US$ 10 trilhões (R$ 51 trilhões). Em larga escala, ele acredita que os robôs, atualmente vendidos por cerca de US$ 100 mil, poderão custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, tornando-se acessíveis para fábricas, armazéns e, posteriormente, residências. Combinando a projeção do Barclays com a meta de preços de Musk, o mercado poderia chegar à venda de aproximadamente 7 milhões a 10 milhões de robôs humanoides por ano até 2035. No curto prazo, a expectativa é que os humanoides assumam tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em armazéns e fábricas. Mais adiante, poderão atuar também em áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos.
16/08/2026 06:00:35 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.045 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 38 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (12), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
16/08/2026 03:00:32 +00:00
Presidente da Petrobras diz que Amapá vai produzir petróleo em águas ‘ultraprofundas’ em até sete anos

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou neste sábado (15) em entrevista à Globonews que o Amapá estará produzindo petróleo em águas ultraprofundas em até sete anos. A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. "Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender. Então, imagino que o Amapá possa ter petróleo sendo produzido em águas ultraprofundas de hoje a uns seis, sete anos", afirmou, A exploração na região faz parte da estratégia da Petrobras para repor suas reservas de combustível e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas. A Petrobras é a única dona da área e opera o local de forma exclusiva. O direito de exploração foi comprado em 2013, em um leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Magda afirmou que a descoberta é "absolutamente relevante", porque o Brasil poderia a voltar a importar petróleo nos próximos anos se as reservas não fossem repostas. "Essa descoberta no Amapá representa tudo isso. Representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década como um todo", disse. Poço Morfo O poço Morfo está localizado a 175 km do litoral do estado do Amapá, e abaixo de uma lâmina d'água de quase 3 mil metros de profundidade, a 500 km da foz do Rio Amazonas. Segundo especialistas, a presença de hidrocarbonetos significa, na prática, que a Petrobras descobriu petróleo na região. A Petrobras afirmou que a atuação na região é feita de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas. A nota da estatal disse também que a atuação faz parte da estratégia para recompor as reservas da companhia e garantir o atendimento da demanda nacional durante a transição energética justa. Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo disse que a descoberta é muito importante porque confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás em outras regiões, o que reforça a segurança energética nacional no médio e longo prazo '
15/08/2026 16:34:47 +00:00
China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro

Segurança alimentar: um desafio de estratégia e sobrevivência entre EUA e China "A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa." A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que vem orientando a política de segurança alimentar da China: produzir mais alimentos internamente e depender menos das importações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse objetivo aparece nas metas estabelecidas pelo governo chinês em seu 15º Plano Quinquenal, publicado no início do ano para o período de 2026 a 2030. 🔎 O Plano Quinquenal reúne as principais metas estratégicas da China para períodos de cinco anos, com objetivos de desenvolvimento econômico e social. Nesta edição, o documento prevê ampliar a produção interna de produtos dos quais o Brasil é hoje um dos principais fornecedores, como soja, milho e carne. (saiba mais abaixo) As cotas de importação de carne bovina impostas pela China neste ano a diversos países, incluindo o Brasil, já fazem parte desse movimento. O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%. Mas como fica o Brasil diante dessa nova estratégia? Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras. “O jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada. Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca. E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só”, afirma Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, que facilita negócios com o país asiático. “Continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água”, acrescenta. Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura. Boa parte do país é formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas. Além disso, concentra menos de 5% da água doce disponível no planeta. Por isso, os planos da China devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade — ou seja, produzir mais na mesma área com o apoio de tecnologias, como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado. Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da Vallya Associados, afirma que, embora a China esteja longe de se tornar 100% autossuficiente, não se deve subestimar sua capacidade de cumprir as metas que estabelece. “Acompanho a política pública chinesa há anos e vejo que, quando a China se compromete a fazer algo e coloca seus esforços de tecnologia, educação e recurso financeiro em prol disso, ela consegue ter resultado consistente", diz. LEIA TAMBÉM Subsídios, planejamento, estoques e drones: como China mantém comida barata e garante abastecimento Por que a China tem comida barata, enquanto os EUA enfrentam alta de preços? O que prevê o plano chinês de segurança alimentar Dentre as diversas frentes do plano chinês, alguns pontos destacados pelos especialistas são: mais grãos: elevar a capacidade de produção anual para 725 milhões de toneladas até 2030. No ano passado, a China colheu um pouco menos que 715 milhões de toneladas. mais tecnologia no campo: aumentar de 64% para 67% a contribuição da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento agrícola; menos dependência da soja importada: reduzir a participação do farelo de soja na ração animal de cerca de 14% para menos de 10% até 2030; mais autossuficiência: produzir ao menos 95% dos grãos básicos, como arroz e trigo, dentro da China; alcançar 85% de autossuficiência em carne bovina e ovina e de 70% em leite. Theo Santana afirma que a China já atingiu a meta de autossuficiência em grãos básicos, como arroz e trigo, e que a produção desses alimentos já supera em mais de 100% a demanda interna, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística do governo chinês, levantados por ele. No entanto, o país ainda está abaixo das metas para outros alimentos. No caso das carnes bovina e ovina, o país consegue suprir 70% da demanda interna. Já na produção de leite, esse percentual é de 62%. Pessoas são vistas andando em meio a uma plantação de arroz em Yuanyang, na China. AP/Liang Zhiqiang/Xinhua Como a estratégia chinesa atinge o Brasil O consultor Theo Paul Santana destaca que o foco da estratégia chinesa está, principalmente, nos grãos destinados à alimentação da população, produtos que o Brasil praticamente não exporta para o país. "O que o Brasil vende é justamente aquilo em que a China não consegue ser autossuficiente: soja e carne", diz. No ano passado, a China importou um volume recorde de quase 112 milhões de toneladas de soja, e mais de 70% desse total teve origem no Brasil. A produção chinesa responde por apenas cerca de 20% da demanda do país. A China, no entanto, se sente “desconfortável” com essa dependência, afirma Larissa Wachholz. Por isso, o país vem intensificando os investimentos em tecnologia e melhoramento genético, inclusive em sementes transgênicas, tema que, até pouco tempo atrás, era tratado como “tabu” no país. O objetivo é aumentar a produção sem ampliar a área plantada nem o consumo de água. No mercado de grãos, o Brasil já sentiu o impacto nas exportações de milho. No ano passado, a China teve uma safra recorde e reduziu as importações do cereal de 8,4 milhões de toneladas em 2024 para menos de 4 milhões em 2025. Como resultado, o valor das exportações brasileiras de milho para a China caiu 20,8% no ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura. Outro reflexo desse movimento já apareceu no mercado de carne bovina, com a adoção de cotas para o Brasil e outros países exportadores. Em janeiro, a China estabeleceu uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne brasileira que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas. Em julho, esse limite que já foi batido, segundo levantamento do consultor Fernando Enrique Iglesias, do Safras & Mercado. "A cota nasceu de uma investigação de salvaguarda, e o próprio Ministério do Comércio chinês foi explícito ao justificá-la: a carne importada estava prejudicando a indústria doméstica, e a medida serviria para estabilizar o rebanho e dar tempo aos produtores chineses de se reorganizar", afirma Santana. Mas, para o especialista, essa política vai encontrar um teto. "A China produz cerca de 7,8 milhões de toneladas de carne bovina e consome perto de 11 ou 12 milhões. Esse buraco é estrutural, e a OCDE projeta que ele chegue perto de 4 milhões de toneladas por ano até 2032", diz Santana. "Ou seja, a cota administra o ritmo da importação e protege o pecuarista local, mas não elimina a dependência. É um escudo temporário, não uma porta que fecha". O que o Brasil deve fazer? Uma das saídas é diversificar destinos de exportação. "Só em 2025, o Brasil abriu mais de 200 novos mercados, sendo quase 20 deles para carne bovina", diz Santana. Contudo, não vai ser fácil substituir parte do mercado chinês, que compra metade de tudo o que o Brasil exporta de carne bovina. Valor exportado de carne bovina em 2025; total e para os 5 maiores destinos. Arte/g1 Outra frente é ampliar a presença das empresas brasileiras na China para acompanhar mais de perto as mudanças regulatórias, tecnológicas e comerciais. Segundo Larissa Wachholz, a presença do setor privado brasileiro no país ainda está aquém da importância que esse mercado tem para o agronegócio nacional. A especialista diz que o Brasil pode ainda criar novas oportunidades, como na área de produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF) e para o transporte marítimo, setores que devem ampliar a demanda por matérias-primas agrícolas nos próximos anos. Nesse cenário, soja e milho podem ganhar novos mercados de maior valor agregado, reduzindo a dependência da exportação de grãos. Por fim, os especialistas reforçam que a nova estratégia da China está longe de provocar uma ruptura entre os dois países. "Tem um sinal que vale mais que discurso: os chineses estão investindo no Brasil para garantir abastecimento de alimentos. A COFCO ampliou terminal no Porto de Santos, comprou locomotivas e vagões, e há um memorando para estudar a ferrovia bioceânica ligando o Centro-Oeste ao Pacífico", diz Santana. "Ninguém investe em logística de longo prazo num fornecedor que pretende abandonar. O comércio agrícola entre os dois países já bate a casa dos US$ 100 bilhões por ano. O que muda é a exigência, não a importância", conclui.
15/08/2026 08:00:13 +00:00
Abandono de animais com carro pode virar infração gravíssima e levar à perda da CNH por 18 meses

Câmera de segurança flagrou abandono de cachorro em São Leopoldo (RS) Reprodução/Câmera de segurança Foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de lei que endurece as punições para quem usar veículo para abandonar animais. A proposta agora segue para o Senado para ser votada. O texto prevê multa, suspensão do direito de dirigir e cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em caso de reincidência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O projeto reúne propostas que tramitavam em conjunto na Câmara e estabelece também punições para o abandono de animais com embarcações. O parecer do relator, deputado Fred Costa (PRD-MG), recomenda a aprovação da matéria na forma de um substitutivo. Ou seja, altera o texto original e junta outras propostas. Agora no g1 O que prevê o projeto A proposta cria uma nova infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para quem utilizar veículo para abandonar ou ajudar no abandono de um animal em via. A punição básica é multa equivalente a 10 vezes o valor previsto para a infração e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o animal abandonado for cão ou gato, a suspensão sobe para 18 meses. O texto também prevê regras específicas para abandono de animais com embarcações em rios, lagos, baías, represas e outras águas interiores. Nesse caso, a punição inclui multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Para cães e gatos, o período também sobe para 18 meses. Veja as punições previstas Abandono com veículo: infração gravíssima. Multa: 10 vezes o valor da multa correspondente à infração. Suspensão da habilitação: 12 meses. Se for cão ou gato: suspensão por 18 meses. Se o abandono provocar morte, atropelamento ou lesão: a multa é aplicada em dobro. Reincidência em até 24 meses: cassação da CNH. Abandono com embarcação: multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Cão ou gato abandonado por embarcação: suspensão por 18 meses. Morte, afogamento ou lesão em abandono por embarcação: multa em dobro. Reincidência em até 24 meses com embarcação: cancelamento do certificado de habilitação. O que diz o relator No parecer, Fred Costa afirma que o abandono de animais deve ser tratado como uma conduta de maior gravidade. “Todos [os projetos apensados ao texto final] partem de uma premissa correta: o abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa”, diz o deputado no voto. Segundo o relator, o uso de veículos agrava a situação porque pode levar o animal para locais onde fica mais difícil seu retorno, resgate ou identificação do responsável. O parecer cita ainda riscos como atropelamento, fome, sede, doenças e ataques de outros animais. Em outro trecho, Costa defende que a prática não seja tratada apenas como uma irregularidade administrativa. “O abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa.”
15/08/2026 07:01:18 +00:00
Preços com ou sem imposto: reforma tributária deixa dúvida sobre como anunciar valor de produtos

Empresas se adaptam às mudanças previstas na reforma tributária A reforma tributária sobre o consumo, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou uma incerteza sobre como o preço dos produtos e serviços será informado ao consumidor: com ou sem imposto. 💰 A reforma brasileira não trata do formato de divulgação de preços. E, apesar de leis anteriores vigentes tratarem da eiquetagem dos produtos, não há clareza sobre qual dos modelos será adotado. Nos Estados Unidos, os preços ao consumidor costumam ser exibidos sem o chamado imposto sobre o consumo, que é acrescido no caixa e varia conforme a jurisdição local. Já os países da União Europeia geralmente já incluem o tributo nos preços ao comprador final. Um decreto que detalha as regras de oferta de afixação de preços determina que o preço "deverá ser informado discriminando-se o total à vista". O decreto prevê que as informações tenham: Legibilidade: que a informação que seja visível e indelével. Ostensividade: que a informação que seja de fácil percepção, dispensando qualquer esforço na sua assimilação; e Precisão: que a informação que seja exata, definida e que esteja física ou visualmente ligada ao produto a que se refere, sem nenhum embaraço físico ou visual interposto; Clareza: que a informação possa ser entendida de imediato e com facilidade pelo consumidor, sem abreviaturas que dificultem a sua compreensão, e sem a necessidade de qualquer interpretação ou cálculo; Correção: a informação deve ser verdadeira sem induzir o consumidor ao erro; ➡️ O sistema atual brasileiro impede a identificação exata de quanto é pago em tributos, pelo fato de impostos serem cobrados sobre impostos (saiba mais aqui). Por isso, a nota fiscal traz uma estimativa aproximada. Entretanto, essa imprecisão acabará com a reforma tributária, tornando possível informar exatamente quanto incide de tributos. Eletrodomésticos a venda em loja de Porto Alegre Reprodução/RBS TV O que dizem as empresas e o governo A ausência de uma regra clara na reforma tributária, apesar da existência de leis sobre a divulgação de preços, está gerando incerteza entre os setores da economia. A Secretaria da Receita Federal informou que "questões relacionadas à divulgação de preços e à proteção dos direitos do consumidor não integram o escopo de atuação da administração tributária e que, deste modo, não cabe à instituição manifestar-se sobre o tema". O Comitê Gestor do IBS, responsável pela gestão do tributo dos estados e municípios, afirmou que não cabe a ele "definir a estratégia empresarial e de precificação de cada empresa". "Isso está no âmbito da livre concorrência, cabendo a cada agente econômico definir a sua politica como entender melhor para o seu negócio, considerando o perfil dos seus clientes e do seu mercado específico", afirmou. O g1 também contactou a Secretaria Nacional do Consumidor Senacon do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas não obteve resposta até a última atualização dessa reportagem. Marcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) disse que ainda não há definição sobre o formato de exibição dos preços nas gôndolas dos supermercados a partir da vigência da reforma tributária. "A definição, porém, envolve aspectos regulatórios e de direito do consumidor que precisam ser avaliados. O Código de Defesa do Consumidor permanece vigente independentemente da reforma tributária e deve ser considerado em qualquer análise", informou o vice-presidente da Abras. O executivo avaliou, ainda, que "também é necessário considerar o aspecto cultural". "O consumidor brasileiro está habituado a encontrar nas gôndolas o preço cheio, que corresponde ao valor pago no caixa. Caso esse modelo seja alterado, será necessária uma transição", concluiu Marcio Milan. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que "discussões sobre essas questões mais práticas" não chegaram à associação. "Por enquanto, a Anfavea e suas associadas aguardam ansiosamente a definição das alíquotas, inclusive do Imposto Seletivo – o que mais nos preocupa", acrescentou. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), por sua vez, avaliou que a exibição de preços para o consumidor final nas lojas físicas no Brasil continuará sendo com impostos incluídos. "Destacar e detalhar os impostos diretamente no preço anunciado na gôndola geraria forte confusão e insatisfação, além de entrar em conflito direto com a legislação de proteção ao consumo. O consumidor brasileiro está habituado a saber o valor exato no momento em que pega o produto na prateleira. Alterar esse hábito, apresentando o preço líquido na gôndola, exigiria uma mudança cultural profunda e geraria atritos nos caixas (checkouts), onde eventuais divergências costumam desembocar", disse. Guilherme Henrique Martins Santos, conselheiro e diretor de Assuntos Tributários da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom) analisa que não há norma que imponha ao varejo online a adoção do modelo norte-americano ou europeu, tampouco vedação expressa a eles. Segundo ele, ainda não há recomendação formal de padronização, mas a discussão já está em curso no setor. "[Mudança na forma de divulgar o preço] Tende a gerar estranhamento e desconfiança: o consumidor pode interpretar a diferença como cobrança adicional, ainda que o valor final seja idêntico", afirmou a associação. ➡️Nas vendas pela internet, a Abiacom diz que o fato de os impostos estaduais e municipais passarem a ser cobrados no estado dos consumidores, a partir de 2029, impõe um desafio operacional, pois cada estado fixar sua alíquota. Mas que "isso não impede, do ponto de vista jurídico, a divulgação do preço cheio". "Em nosso entendimento, a solução mais adequada é manter a divulgação do preço com base na alíquota de referência, acompanhada de ressalva clara e de fácil identificação — posicionada junto ao preço, e não em cláusulas de difícil visualização — informando que a alíquota do IBS poderá variar conforme o local de destino do bem", argumenta a associação. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) não respondeu qual formato de divulgação dos preços deve ser adotado, em seu ponto de vista. "O novo modelo torna essa precificação mais complexa, especialmente no comércio eletrônico, já que o IBS será calculado considerando as alíquotas do Estado e do Município de destino da operação. Na prática, isso exigirá que os sistemas das empresas estejam preparados para identificar o destino da compra, aplicar as alíquotas correspondentes e calcular corretamente o valor da operação. Essa adaptação preocupa especialmente no caso das micro e pequenas empresas, que podem enfrentar maiores dificuldades para incorporar essa nova dinâmica aos seus sistemas de venda", avaliou a CNC. Impostos por 'dentro' e por 'fora' Atualmente, no Brasil, alguns tributos são cobrados "por dentro", ou seja, o valor de um imposto integra a base de cálculo de outros tributos. O ICMS, por exemplo, incide sobre ele próprio e também compõe a base de cálculo do PIS/Cofins. Esse formato é adotado atualmente apenas no Brasil e na Venezuela. Este modelo torna mais difícil identificar quanto de imposto está efetivamente embutido no preço de um produto ou serviço. Por isso, as notas fiscais trazem apenas uma estimativa "do valor aproximado de tributos", conforme prevê a legislação, sem indicar um valor exato. Com o início dos novos tributos fixados na reforma tributária, em 2027, a cobrança "por dentro" deixará de existir. Os tributos não farão mais parte da base de cálculo uns dos outros, o que tornará mais simples e transparente a identificação do valor efetivamente pago em impostos. O sistema seguirá o padrão do resto do mundo – o que dará transparência sobre o valor efetivo dos impostos no Brasil. Ao eliminar a cobrança de impostos "por dentro", a reforma tributária permitirá identificar com precisão o peso dos tributos sobre produtos e serviços.
15/08/2026 07:01:16 +00:00
Beber, fumar, usar pijama, fazer tarefas domésticas e mais: o que pode dar problema no home office?

Álcool, cigarro e home office: quais os limites da postura no trabalho remoto Nesta semana, um juiz de Minas Gerais apareceu fumando e aparentemente consumindo bebida alcoólica durante uma sessão virtual de julgamento. O episódio resultou no afastamento do magistrado e reacendeu um debate: quais são os limites do que pode ser feito durante o expediente remoto? Situações que antes pareciam impensáveis passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas que trabalham de casa. Trabalhar de pijama. Participar de reuniões sem camisa. Responder mensagens do salão de beleza, da academia ou da praia. Fazer uma pausa durante o expediente para colocar roupa na máquina. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mas quais dessas situações podem representar uma violação das regras de trabalho? Especialistas em recursos humanos e direito explicam até que ponto vai a flexibilidade do trabalho remoto e quais responsabilidades profissionais continuam valendo fora do escritório. Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual g1 O que muda quando o trabalho é feito de casa? A resposta dos especialistas é praticamente unânime: do ponto de vista profissional, muito pouco. Para trabalhadores contratados pela CLT, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, regras de conduta, políticas internas e expectativas da empresa continuam valendo normalmente. "A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto", afirma a advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho. No caso dos magistrados, há ainda normas específicas ligadas à função pública e ao dever de manter conduta compatível com o cargo, inclusive durante atividades realizadas por videoconferência. Posso trabalhar de pijama, sem camisa ou em outro ambiente fora de casa? Do ponto de vista legal, não existe uma regra geral na CLT que proíba trabalhar de pijama, sem camisa ou em outros locais. Segundo a consultora de RH e carreiras Karla Lemos, a questão central não está na roupa ou no local escolhido para trabalhar, mas na forma como o profissional desempenha suas atividades. "O que realmente importa é a entrega. Se a pessoa consegue realizar um trabalho relevante, dentro do prazo e de acordo com o que se espera dela, não há problema na roupa que está usando ou no ambiente em que está trabalhando", afirma. Ela ressalta, porém, que situações que afetam a imagem profissional ou prejudicam reuniões, atendimentos e entregas podem gerar avaliações negativas. "A principal pergunta não é: 'Posso trabalhar de pijama?'. A pergunta é: esse comportamento é adequado ao contexto em que a pessoa está naquele momento?" Quais são os 'limites invisíveis' do home office? Para Karla, o principal risco é confundir flexibilidade com falta de responsabilidade. Pequenas atividades domésticas durante o expediente, como colocar roupas na máquina ou resolver questões rápidas da rotina, fazem parte da realidade de quem trabalha remotamente e não são, por si só, sinais de falta de comprometimento. O problema surge quando a autonomia passa a afetar a disponibilidade e o desempenho do trabalhador. "Home office não significa férias com Wi-Fi. A casa é do profissional, mas os compromissos, as entregas e os prazos continuam sendo da empresa." Segundo ela, atrasar reuniões, desaparecer durante o expediente, deixar mensagens sem resposta por longos períodos ou participar de encontros sem conhecer a pauta continuam sendo comportamentos vistos de forma negativa, independentemente do local de trabalho. Home office trabalho remoto Pexels Beber álcool e fumar durante o expediente pode gerar punição? Dependendo das circunstâncias, sim. A advogada Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o consumo de álcool durante a jornada pode resultar em medidas disciplinares e, em alguns casos, até justificar uma demissão por justa causa. A análise leva em consideração fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados. 🔎 Há uma exceção importante: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui entendimento de que o alcoolismo pode ser reconhecido como doença, o que exige tratamento jurídico diferente de uma simples infração disciplinar. O cigarro costuma receber tratamento diferente. Embora possa contrariar normas internas da empresa ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, fumar durante uma videoconferência normalmente resulta em medidas mais brandas, como advertências. Isso ocorre porque o álcool pode comprometer diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar geralmente é analisado como eventual descumprimento de regras corporativas. Empresa pode criar próprias regras? Especialistas explicam que as empresas possuem autonomia para estabelecer políticas internas de conduta aplicáveis também aos trabalhadores em home office. 🔎 Essas normas podem abordar temas como participação em reuniões, uso da imagem corporativa, vestimenta em videoconferências, consumo de álcool durante a jornada e relacionamento com clientes e colegas. É diferente no caso de magistrados. Segundo a especialista em Direito da Magistratura Daniela Poli Vlavianos, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) determina que juízes mantenham "conduta irrepreensível na vida pública e particular". Além disso, o Código de Ética da Magistratura prevê deveres relacionados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional. Por isso, comportamentos praticados durante audiências e julgamentos remotos podem ser analisados de forma diferente daqueles realizados na vida privada. Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG
15/08/2026 07:00:58 +00:00
Abono salarial PIS/Pasep 2026 paga último lote nesta segunda-feira; veja quem recebe

Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja datas de pagamento e novas regras O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá o último lote liberado neste segunda-feira (17). Nesta etapa, o benefício será pago aos trabalhadores nascidos em novembro e dezembro. (CORREÇÃO: na publicação desta reportagem, o g1 errou ao informar que o pagamento do último lote do PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, seria feito neste sábado (15). Como era fim de semana, o pagamento passou para segunda-feira,17. A informação foi atualizada às 10h desta segunda, 17.) Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026. Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93. ➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa. O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br. Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026: Abono salarial 2026 De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos. A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado. O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono. Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem: Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja regras e o calendário completo O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores. Marcello Casal Jr.
15/08/2026 03:00:41 +00:00
Queda da fila do INSS acelera nos últimos meses; benefícios negados sobem e chegam a quase 1 milhão em junho

Mutirão do INSS em Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica A chamada fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando sistematicamente neste ano após determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerá-la ainda em 2026, mas os indeferimentos de pedidos também avançam com rapidez. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho – o menor patamar em 21 meses. No ano, a redução da fila foi de 74%. ➡️O número de benefícios negados também mostra forte elevação. Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão. ➡️No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o antigo auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente. "É importante ressaltar que os indeferimentos fazem parte do processo de análise de requerimentos de benefícios. O indeferimento é a medida correta quando não são cumpridos os requisitos necessários ou o segurado não atendeu às exigências – como prazos ou apresentação de documentos", informou o Ministério da Previdência. Matemática que 'não fecha' Para Jane Berwanger, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o declínio da fila acompanhada de alta dos indeferimentos é uma "matemática que não fecha". Na avaliação da especialista, a estratégia pode apenas transferir a demanda para outra etapa do processo. "É adiar o problema porque esses processos, em grande parte, vão voltar", afirma Jane, adicionando que os pedidos negados podem resultar em novos requerimentos, recursos administrativos ou ações judiciais, contribuindo para o aumento da judicialização de questões previdenciárias. "Tanto se fala do alto índice de judicialização no Brasil, principalmente em matéria previdenciária, e aqui nós temos um exemplo disso. Muitas pessoas que, se o processo fosse melhor analisado, poderiam ter o seu caso resolvido, vão ter que ir para a Justiça para ter o direito", diz. A diretora também apontou dificuldades enfrentadas pelos segurados para comprovar o direito ao benefício, especialmente nos casos que dependem da demonstração de incapacidade para o trabalho. Entre os fatores que podem contribuir para os indeferimentos, ela cita a falta de documentação médica e problemas na análise realizada durante a perícia. Segundo a especialista, a dificuldade de reunir documentos que comprovem a incapacidade, somada a uma avaliação considerada insuficiente, pode prejudicar o segurado no processo de concessão do benefício. Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília (DF) Wilton Junior/Estadão Conteúdo Bônus para servidores e limitação de requerimentos De acordo com o especialista em Previdência Social, Leonardo Rolim, que foi secretário de Previdência Social e presidente do INSS entre 2019 e 2022, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, porém, os dados oficiais disponíveis não indicam, em um primeiro momento, que haja algo errado no forte aumento de indeferimentos neste ano. Segundo ele, a principal medida adotada pelo governo para reduzir da fila do INSS neste ano tem sido o bônus para peritos e servidores do INSS, o que, em sua visão, é um expediente já utilizado anteriormente e que costuma apresentar resultados efetivos. Rolim observou que, por conta disso, a fila de perícias despencou nos últimos meses. Perícia médica é etapa obrigatória para concessão e continuidade de alguns benefícios do INSS. Fabiane de Paula/SVM "O mais importante é olhar o percentual de rejeições. Se aumenta o número de análises, é normal aumentar rejeições. Em junho, foi 54,2%. Em 2019 e em 2022 [quando também foi pago bônus aos servidores], o índice de rejeição foi de 44,7% e de 49,5%. É mais alto [neste ano], mas não é absurdamente mais alto", avaliou Leonardo Rolim. Outra mudança foi a que impede que o segurado apresente um novo requerimento enquanto houver um processo em curso referente ao mesmo tipo de benefício. Na prática, um novo pedido só pode ser apresentado após 30 dias da primeira decisão. Isso ocorre porque o processo é considerado pendente durante o prazo para apresentação de recurso administrativo. Para Bernardo Schettini, consultor legislativo do Senado Federal, a alteração normativa é válida diante do que ele classifica como um "flagrante excesso de demanda pelos serviços do INSS". Para ele, a apresentação de múltiplos requerimentos para o mesmo benefício gera uma externalidade negativa para os demais segurados, pois reduz a capacidade do órgão analisar novos pedidos. O especialista, porém, pondera que a medida também impõe custos aos segurados. Muitas vezes, afirma, novos requerimentos são apresentados para corrigir falhas documentais, complementar informações ou solucionar problemas na instrução do pedido anterior. "É evidente que esse tipo de medida impõe custos aos segurados. Muitas vezes, novos requerimentos são apresentados para suprir falhas documentais, complementar informações ou corrigir erros na instrução do pedido anterior", explicou Schettini. Ele acrescentou que, ao restringir a apresentação de novos requerimentos, a norma pode aumentar o tempo efetivo de acesso ao benefício, sobretudo para pessoas que enfrentam dificuldades para obter informações, reunir documentos ou utilizar os canais digitais do INSS. "Ao restringir a apresentação de requerimentos, a norma pode elevar o tempo efetivo de acesso ao benefício, especialmente para pessoas com dificuldade de acesso a informações, de obtenção de documentos ou de utilização dos canais digitais", complementou o consultor. Atestmed Rolim aponta que outro possível fator que pode ter contribuído para aumentar as rejeições foi a substituição do Atestmed, um procedimento do INSS que concedia auxílio-doença com base em análise de documentos enviados pelo segurado, pela perícia médica presencial. Alguns benefícios do INSS exigem perícia médica para obtenção e permanência do repasse financeiro. Natinho Rodrigues/SVM "O Atestmed garantia praticamente o benefício mesmo a quem não tivesse direito. O pessoal descobre que está fácil e entra com o pedido. Chegou a aumentar no número de requerimentos de 80% sem ter nenhuma epidemia no país. Claramente era fraude. Quando começa a haver perícia, essa fraude cai. É possível e justificável que esse aumento de indeferimentos seja por uma substituição do Atestmed por perícias, mas tem que se verificar isso", explicou Rolim. Jane Berwanger vai na mesma direção. "No ano passado, o Atestmed não podia indeferir. Então, a pessoa apresentava o Atestmed e, se o benefício não fosse concedido, ia para a perícia. Agora, não mais", contextualiza ela. Um dos reflexos disso seria a ampliação da possibilidade de o pedido ser negado já na análise documental. "E aí aconteceu esse problema de os médicos não olharem a documentação. Bastaria eles olharem a documentação e nem isso muitos deles estão fazendo. Então, a diferença é essa: agora o Atestmed indefere pedidos", explicou a diretora. Governo se posiciona Procurado pelo g1, o Ministério da Previdência Social informou que a aceleração no fluxo de trabalho e o crescimento no número de requerimentos elevaram o número de decisões tomadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. "Quanto mais requerimentos chegam e quanto mais rápido o INSS analisa os processos acumulados, maiores ficam todos os números absolutos, de decisões, concessões e indeferimentos", acrescentou o governo federal. Diz, ainda, que proporcionalmente a taxa de concessões no primeiro semestre de 2026 (49,5%) reflete a média histórica recente do INSS. Fila do INSS: Lula anuncia meta de zerar espera até setembro O Ministério da Previdência ponderou que o segurado tem direito a recorrer administrativamente, sem custo, junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em até 30 dias após a análise, se não concordar com a decisão. E afirmou que a possibilidade de recurso é uma "garantia de proteção dos direitos dos segurados e faz parte do funcionamento regular da Previdência Social". "Todo cidadão tem direito de buscar a revisão de uma decisão com a qual não concorde, inclusive por meio da Justiça, se considerar necessário. O recurso é um instrumento previsto no próprio sistema previdenciário para garantir que as decisões possam ser reavaliadas quando o cidadão apresentar novos elementos ou discordar da análise realizada", concluiu.
15/08/2026 03:00:24 +00:00
Bloqueio de ligações indesejadas: Anatel autoriza anti-spam e estuda levar sistema a todos os clientes

Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel O sistema da Vivo contra ligações indesejadas que foi alvo de reclamações da TIM foi autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que avalia adotar bloqueios parecidos nas demais redes de telefonia. (veja mais ao final) O chamado "Vivo Anti-spam" é tema de processos administrativos da Anatel desde o início de junho. A alegação de ao menos sete empresas, incluindo a TIM, é de que o serviço impede ligações legítimas e cria barreiras artificiais para concorrentes da Vivo. Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mas, na última quinta-feira (13), a Anatel concluiu que não há elementos suficientes para considerar o Vivo Anti-spam uma violação de regras do setor e determinou que a empresa pode continuar usando sua ferramenta. A agência esclareceu que a medida não dá às operadoras liberdade irrestrita para bloquear chamadas. E disse que sistemas contra ligações indesejadas deve considerar fatores como proporcionalidade, transparência e igualdade no tratamento entre empresas. Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico Por que recebemos tantas ligações indesejadas? E como evitar esse tipo de chamada? Um dos pontos questionados pela TIM foi a decisão da concorrente de ativar o anti-spam por padrão para todos os clientes – a ferramenta tinha sido lançada em novembro de 2024, mas só passou a ser ativada automaticamente em maio de 2026. A Vivo disse que a taxa de cancelamento do serviço por usuários é de apenas 0,007%, o que reforçaria sua aceitação pelo público. A Anatel concluiu que a ativação automática reduz a exposição de consumidores "hipervulneráveis" e com baixo letramento digital a golpes. Na avaliação da agência, eles teriam mais dificuldades para usar a ferramenta se tivessem que habilitá-la por conta própria. Mas o órgão determinou que a página sobre o anti-spam no site da Vivo deve ter "informações claras, ostensivas e de fácil compreensão sobre seu funcionamento, incluindo os critérios e parâmetros utilizados para definir o tráfego sujeito à filtragem". Entenda a disputa entre operadoras Além da TIM, outras empresas que questionaram o sistema relataram à Anatel casos de bloqueio de ligações consideradas legítimas, como aquelas feitas por serviços públicos de saúde, segurança e educação. As operadoras também questionaram a falta de clareza sobre como o sistema define quais ligações seriam bloqueadas. Em alguns casos, os números foram liberados após contato com a Vivo. A principal questão na disputa entre as empresas é o critério usado para bloquear as ligações, explicou Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, ao g1 no início de agosto. "O anti-spam do telefone funciona como o do e-mail: de vez em quando, caem coisas que não deveriam ter caído. Não existe um anti-spam perfeito que vai bloquear só o que deve", afirmou. "A Vivo não pode bloquear as chamadas legítimas. A Anatel vai ter que estabelecer algum mecanismo para evitar que isso aconteça", continuou. Anatel avalia ampliar bloqueios contra spam Ainda em sua decisão, a Anatel recomendou que outros departamentos da agência avaliem a possível adoção de critérios de bloqueio de ligações indesejadas do Vivo Anti-spam pelas demais redes de telefonia. Na avaliação da agência, o alto número de chamadas sem identificação e sem interação efetiva, como as ligações mudas, "configura prática abusiva, que deteriora a comunicação e promove crise de confiabilidade entre os usuários". O objetivo com a recomendação é estimular a criação de padrões para barrar robôs no recebimento de chamadas, protegendo usuários que não saberiam configurar bloqueios manualmente. Isso significa que o modelo da Vivo deixaria de ser uma iniciativa isolada para se tornar um padrão para todas as operadoras. O órgão afirmou ainda que a padronização no setor ajudaria a garantir igualdade de condições entre as empresas, evitando que regras de filtragem fiquem restritas a apenas uma operadora. Empresas afirmaram que sistema anti-spam da Vivo impediu ligações legítimas Priscilla Du Preez/Unsplash
15/08/2026 03:00:11 +00:00
VÍDEO mostra sonda da Petrobras em área com sinais de petróleo e gás na Foz do Amazonas

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas Um vídeo divulgado nesta sexta-feira (14) mostra uma sonda da Petrobras na bacia do Foz Amazonas, no litoral do Amapá, após a empresa informar ter encontrado hidrocarbonetos no local. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas. "As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", diz a empresa, em nota. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Reprodução O que falta descobrir? A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área. Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a "descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país". Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a "segurança energética nacional no médio e longo prazo". Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação O que disse a Petrobras A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse. A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013. Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030 A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030. Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.
14/08/2026 23:48:40 +00:00
Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região. O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas. "As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", diz a empresa, em nota. Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas Reprodução O que falta descobrir? A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área. Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a "descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país". Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a "segurança energética nacional no médio e longo prazo". Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas Petrobras/divulgação O que disse a Petrobras A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira. “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse. A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013. Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP) Washington Alves/Reuters Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030 A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030. Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.
14/08/2026 21:56:18 +00:00
Golpe usa concurso da Transpetro para cobrar inscrição e roubar dados de candidatos

Transpetro abre processo seletivo com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil Candidatos e participantes do concurso público da Transpetro devem estar atentos para a existência de sites falsos. Eles estão usando indevidamente o nome, a marca e elementos visuais da instituição com o objetivo de obter dados pessoais e realizar cobrança de inscrição. As páginas fraudulentas podem apresentar aparência semelhante à dos canais oficiais, incluindo logotipo, cores, imagens e estrutura visual, dificultando sua identificação. Segundo a Fundação Cesgranrio, a principal forma de verificar a autenticidade de uma página é conferir atentamente o endereço eletrônico acessado. Como verificar se o site é seguro Antes de informar dados pessoais, realizar qualquer pagamento ou efetuar uma inscrição, a Fundação recomenda que o candidato: Confira cuidadosamente o endereço eletrônico exibido no navegador; Verifique se a página utiliza HTTPS (um recurso que criptografa a conexão, deixando-a segura); Observe o ícone de cadeado de segurança exibido pelo navegador; Clique no cadeado e confira as informações do certificado de segurança, verificando se ele corresponde ao domínio oficial; Evite acessar páginas de inscrição por meio de links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou anúncios patrocinados. Em caso de dúvida sobre a autenticidade de uma página, a orientação é não fornecer dados pessoais, não informar senhas e não realizar pagamentos até que a legitimidade do site seja confirmada pelos canais oficiais da instituição. Como fucniona o processo seletivo da Transpetro? A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público. Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar. Transpetro publica editais de concurso com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil; veja como participar As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição. Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas. Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas.
14/08/2026 19:48:21 +00:00
ONG brasileira denuncia à ANPD contas do Telegram com indícios de abuso sexual infantil

Logo do Telegram. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo A SaferNet, ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet, anunciou nesta sexta-feira (14) que protocolou na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram que apresentam indícios de material de abuso sexual infantil. A denúncia faz parte de um levantamento realizado pela ONG entre 2017 e 2026, a partir de denúncias recebidas pela plataforma www.denuncie.org.br. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ao todo, a SaferNet afirma ter enviado à ANPD 14.969 links do Telegram com conteúdos sobre drogas, armas, golpes, automutilação, entre outros temas. Segundo a SaferNet, dos quase 15 mil links levantados no período de 2017 a 2026, 8.160 já estavam inexistentes ou haviam sido removidos, e 4.851 eram convites revogados. Os mais 1 mil com material de abuso sexual infantil seguem no ar, segundo eles. O g1 procurou o Telegram para comentar o levantamento e aguarda retorno. Agora no g1 Conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Não é de hoje que o Telegram vem sendo usado como reduto de conteúdo de abuso sexual infantil, ponderou a ONG. Em 2024, a SaferNet denunciou que mais de 1 milhão de usuários da plataforma estavam em grupos que vendiam material do tipo. Dos 1.093 endereços ativos que apresentam indícios de material de violência sexual contra crianças ou adolescentes, 518 são perfis de usuários e robôs, 256 são convites ativos, 192 são canais e 127 são grupos, de acordo com a ONG. "O Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial", afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Segundo a SaferNet, o número de denúncias apresentou crescimento acentuado a partir de 2022 e atingiu o maior patamar da série histórica em julho de 2026, indicando que o fenômeno observado desde 2024 continua e se agrava. Pena mais dura O presidente Lula sancionou no início deste mês uma lei que amplia a punição para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes cometidos no ambiente digital, inclusive com uso de inteligência artificial. O projeto é de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho. Desde o mês passado aguardava a sanção do presidente da república. A produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil tem aumentado ano a ano no Brasil. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 4.063 registros em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram 3.280 casos. Entre as principais mudanças previstas na nova lei, estão os aumentos de pena de alguns crimes praticados contra crianças e adolescentes, incluindo: aumento da pena do crime de aliciamento de menores de 14 anos quando o agente usa inteligência artificial, deepfake ou perfil falso para se passar por outra pessoa; possibilidade de aumento de pena para quem usar recursos de mascaramento de IP (protocolo de internet) ou outros identificadores digitais para dificultar a identificação em crimes contra crianças e adolescentes; inclusão dos principais crimes de violência sexual infantil no rol de crimes hediondos e criação de nova hipótese de prisão preventiva para esses casos. Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes
14/08/2026 19:00:08 +00:00
Quem é Eduardo Saverin, bilionário brasileiro que comprou participação no Liverpool

Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook, comparece ao 7º Prêmio Anual de Mídia de Senso Comum em homenagem a Bill Clinton no Gotham Hall em 28 de abril de 2011 na cidade de Nova York. Jason Kempin/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo O empresário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, acaba de entrar para o grupo de proprietários do Liverpool. Ele integra, ao lado do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e outros investidores, o consórcio 1892 Holdings, que comprou uma participação minoritária no clube inglês. Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 173 bilhões). Ele ocupa a 66ª posição no ranking dos mais ricos do mundo em 2026. Ele é um dos cofundadores do Facebook, o que deu origem a parte de sua fortuna. Relação com o futebol não é de hoje: o interesse pelo Chelsea A relação de Eduardo Saverin com o futebol inglês começou antes de sua entrada no Liverpool. Em 2022, o brasileiro integrou o grupo liderado pelo empresário americano Steve Pagliuca que tentou comprar o Chelsea, então colocado à venda pelo russo Roman Abramovich. Saverin e sua mulher, Elaine, estavam entre os investidores que apoiavam a proposta de Pagliuca, co-presidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics. A oferta avaliava o Chelsea em cerca de US$ 4 bilhões. O grupo chegou a participar da disputa final pela aquisição do clube, mas não venceu. O Chelsea acabou sendo comprado por um consórcio liderado pelo empresário Todd Boehly e pela Clearlake Capital. Mas, afinal, quem é Saverin? Nascido em São Paulo, em 1982, Saverin se mudou ainda criança para os Estados Unidos. Foi lá que conheceu Mark Zuckerberg, durante a graduação em economia na Universidade Harvard, e se tornou um dos cofundadores do Facebook, em 2004. Hoje, aos 44 anos, ele vive em Singapura com a esposa e o filho. O brasileiro domina inglês e português de forma fluente, e conversa em espanhol no nível intermediário. No início da rede social, Saverin ficou responsável pela área de negócios e fez o investimento inicial que permitiu o funcionamento da empresa, segundo o livro Milionários Acidentais, de Ben Mezrich. Foi a participação no Facebook que deu origem à sua fortuna. Ele entrou pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital da empresa, que elevou o valor de sua fatia na companhia. Saiba quem é Eduardo Saverin, o brasileiro mais rico do mundo A participação de Saverin, porém, acabou sendo menor do que a dos demais fundadores. Ele e Zuckerberg romperam a parceria ainda nos primeiros anos da empresa, em meio a divergências sobre os rumos do negócio. A disputa foi parar na Justiça e inspirou parte da trama do filme "A Rede Social" (2010), em que o brasileiro é interpretado pelo ator Andrew Garfield. Mesmo assim, Saverin chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024, quando sua fortuna foi estimada em US$ 155,9 bilhões (R$ 796,64 bilhões) após a forte valorização das ações da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Como Saverin foi 'varrido' do Facebook Enquanto Saverin cuidava da área de negócios, Zuckerberg concentrava o desenvolvimento da plataforma, que crescia rapidamente. Com a expansão da empresa, surgiram divergências entre os dois sobre a condução do Facebook. Segundo uma reportagem publicada em 2012 pelo Business Insider, Zuckerberg pretendia transferir o registro da empresa para o estado americano de Delaware, conhecido por ter uma legislação mais favorável às empresas. Ele também demonstrava insatisfação com o afastamento de Saverin das atividades do dia a dia. Foto de Eduardo Saverin ao lado da esposa, Elaine Andriejanssen (à direita), e de Justin Trudeau (à esquerda), educador e ex-primeiro ministro do Canadá Divulgação/Linkedin Em uma mensagem enviada ao cofundador Dustin Moskovitz, Zuckerberg afirmou que Saverin havia falhado em suas principais responsabilidades: estruturar a empresa, captar recursos e desenvolver um modelo de negócios. Com a relação desgastada, Zuckerberg criou, em julho de 2004, uma nova empresa em Delaware para assumir o controle do Facebook. Em poucos meses, a participação de Saverin foi diluída de 65% para menos de 10%. O caso acabou nos tribunais. O Facebook questionou um documento que garantiria mais ações ao brasileiro, enquanto Saverin acusou a empresa de descumprir deveres legais de transparência e lealdade entre os sócios. Anos depois, as partes chegaram a um acordo, e Saverin ficou com cerca de 5% da empresa. Em 2012, pouco antes da abertura de capital do Facebook, o brasileiro renunciou à cidadania americana e passou a viver oficialmente em Singapura, onde mora até hoje. A carreira depois do Facebook Depois de deixar a gestão do Facebook, Saverin passou a investir em empresas de tecnologia em estágio inicial. Em 2015, fundou a gestora B Capital ao lado de Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e do Boston Consulting Group (BCG). Atualmente, Saverin é cofundador e copresidente da empresa, que investe em companhias de tecnologia, saúde e clima em diferentes países. Segundo a Forbes, a gestora administra mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,77 bilhões) e mantém escritórios em cidades como São Francisco, Nova York, Los Angeles, Austin, Singapura, Hong Kong e Doha. O cofundador do Facebook Eduardo Saverin (dir.) e Darius Cheung cofundador da BillPin e CEO cofundador da tenCube adquirida pela McAfee participam do segundo aniversário da 99.co e do lançamento da 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo Sob a liderança de Saverin, a B Capital ampliou sua atuação nos últimos anos. Em 2022, levantou US$ 250 milhões (R$ 1,27 bilhão) para investir em startups em estágio inicial. Em 2024, captou outros US$ 750 milhões (R$ 3,83 bilhões) para empresas mais consolidadas. Já em 2026, anunciou um novo fundo de US$ 500 milhões (R$ 2,55 bilhões) voltado ao financiamento de novos negócios de tecnologia, ampliando sua presença no mercado de investimentos em inovação.
14/08/2026 17:47:25 +00:00
Instagram impulsiona rede de golpes que promete ajudar migrantes a chegar à Ceuta por até R$ 2,8 mil

Imigrantes menores de idade fazem fila em frente a delegacia de Ceuta para serem registradas REUTERS/Violeta Santos Moura Neste fim de semana, Mohammed quer ir do Marrocos para o enclave espanhol vizinho de Ceuta, no extremo norte da África. Ele é um marroquino na casa dos vinte anos de idade que quer emigrar para a Europa, principalmente porque tem visto muitos vídeos no Instagram que fazem a travessia parecer fácil. Ele contatou várias contas do Instagram e uma delas respondeu, alegando ter ajudado "muitas pessoas" e oferecendo conselhos sobre como atravessar a fronteira por centenas de dólares. Só que Mohammed não existe de verdade – ele é uma conta falsa que eu criei para investigar uma rede de perfis no Instagram que estão impulsionando o fluxo de migrantes para Ceuta com conteúdo inspirador e oferecendo ajuda mediante pagamento. Isso ocorre depois que aproximadamente 78 mil imigrantes vindos do Marrocos chegaram por mar a Ceuta em questão de horas no mês passado, 100 dos quais morreram, segundo o prefeito de Ceuta. A crise se abrandou desde então, mas gerou tensões entre as nações da União Europeia que partilham fronteiras abertas, bem como críticas ao governo espanhol. A BBC identificou dezenas de perfis no Instagram que disseram que fazer a curta travessia a nado ao redor da cerca da fronteira entre Marrocos e Ceuta é algo seguro e fácil – mas, na realidade, pessoas se afogaram tentando fazer a travessia e optaram por rotas muito mais longas. As contas também mostram erroneamente Ceuta como uma rota viável para a Europa continental. Nossa pesquisa sugere que isso contribuiu para o fluxo migratório, juntamente com outros fatores, como desinformação sobre mudanças na legislação de imigração espanhola e alegações sobre controles fronteiriços frágeis. Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas 'Ajuda' Após interagir com os perfis e publicações das contas, a BBC foi adicionada a vários canais e grupos do WhatsApp. Quando perguntei a uma das contas anônimas se poderiam me ajudar a atravessar para Ceuta neste fim de semana, disseram que sim e pediram "5.000 dirhams adiantados" (R$ 2,8 mil) por "informações que me ajudarão a entrar em Ceuta". Eles disseram que já tinham ajudado "muitas pessoas" a atravessar antes e que me dariam informações sobre a tubulação de esgoto que eu poderia usar para chegar ao enclave em segurança. A conta confirmou que muitos outros perfis do Instagram ajudam pessoas a atravessar para Ceuta dessa forma e solicitaram pagamento "via conta bancária" com um serviço específico de transferência de dinheiro. Mas eles não responderam quando perguntei se eu receberia um reembolso caso a travessia não fosse bem-sucedida. Desde então, eles apagaram várias mensagens que enviaram para a conta. Diversas contas no Instagram fazem a travessia parecer fácil Reprodução/BBC Parte da troca de mensagens entre a conta fictícia da BBC e uma das contas, sob pseudônimo, que alega ajudar migrantes marroquinos a chegar a Ceuta. Reprodução/BBC O mesmo perfil que deu esse conselho já havia dito à minha conta real do Instagram, da BBC, que "isso não incentiva a imigração para Ceuta" — uma mensagem que vários outros perfis repetem. E a situação continua: publicações nas redes sociais, ativamente recomendadas pelo algoritmo do Instagram, anunciam mais uma tentativa de travessia neste fim de semana. Isso aumenta o risco de mortes e acirramento das tensões diplomáticas entre Marrocos e Espanha. Vários dos perfis foram removidos do Instagram depois que a BBC entrou em contato com a Meta, proprietária da plataforma. "Temos uma equipe monitorando a situação em Ceuta em tempo real e removendo conteúdo que viola nossas políticas, incluindo conteúdo que oferece, facilita ou busca serviços de tráfico de pessoas", declarou a empresa. Por que a rede é importante Migrantes nadando ao redor da cerca da fronteira Reprodução/BBC Percebi pela primeira vez a enxurrada de conteúdo sobre Ceuta quando vi um vídeo viral mostrando duas mulheres de roupa de mergulho caminhando pela cidade. Embora a publicação original em espanhol buscasse dissuadir migrantes com a legenda "Ceuta não aguenta mais", algumas versões compartilhadas por contas marroquinas e de língua árabe alteraram a legenda ou a cortaram, de modo que o vídeo mostrava apenas as mulheres caminhando livremente. Esta foi apenas uma das centenas de publicações que classificamos como conteúdo "miragem" — ou seja, que pintam um retrato enganoso de um lugar, distinto da realidade. Alguns vídeos mostram grupos de jovens, homens e mulheres, nadando alegremente no mar — embora muitos tenham se afogado ao tentar fazer o mesmo percurso nas últimas semanas. Outros relatos mostram histórias de pessoas que conseguiram chegar a Ceuta e afirmam ter ido para a Espanha ou para a Europa continental, apesar de cerca de 75 mil dos 78 mil recém-chegados terem sido devolvidos a Marrocos pelas autoridades. Havia muitas semelhanças nos perfis que compartilhavam esse tipo de conteúdo. Quase 40 deles tinham variações do termo "Haraga" e incluíam Ceuta em seu nome ou apelido, frequentemente com uma bandeira espanhola como foto de perfil e com os códigos de área de Marrocos e Espanha na descrição. Haraga, em árabe, pode ser traduzido como "aqueles que queimam" e é usado coloquialmente para se referir a migrantes que chegam a um novo local e queimam ou destroem documentos para que não possam ser identificados e deportados de volta para seus países de origem. O histórico dessas contas, juntamente com suas postagens e seguidores, indicava que a maioria era administrada de Marrocos, enquanto algumas possivelmente estavam baseadas na Espanha ou na Itália. Muitas delas já existiam há vários anos, mas o conteúdo sobre Ceuta ganhou mais visibilidade nas últimas semanas. As contas estão manipulando o algoritmo com vídeos que falam sobre como é viver em Ceuta Reproduação/BBC Essas contas conseguiram manipular os algoritmos das principais redes sociais compartilhando conteúdo emotivo e otimista para ganhar mais visibilidade. Fontes internas das maiores empresas de mídia social já me disseram que as postagens que provocam uma reação forte têm maior probabilidade de se tornarem virais. Ao tentar contatar alguns desses perfis usando minha própria conta, alguns deles me direcionaram para os mesmos números de WhatsApp ou endereços de e-mail. Minha conta falsa, Mohammed, era um perfil privado, criado para se parecer com as contas de jovens marroquinos que curtiam e comentavam as postagens que anunciavam travessias. Eu seguia conteúdo relevante, incluindo vários perfis de Haraga, e em pouco tempo meu feed ficou repleto de vídeos e conteúdo incentivando viagens para Ceuta. Parece haver uma tendência mais ampla, em que pessoas que tentam cobrar dinheiro de migrantes por conselhos conseguem facilmente criar perfis e manipular os algoritmos das redes sociais. Embora já existissem grupos no Facebook e contas em outras grandes redes sociais publicando sobre Ceuta, foi no Instagram que encontrei o grupo mais ativo e disseminado de contas interconectadas. O alcance recém-adquirido desses perfis, facilitado pelos algoritmos do Instagram, os expõe a uma gama maior de clientes pagantes. Este é mais um exemplo de como manipular um algoritmo pode gerar danos no mundo real.
14/08/2026 17:35:22 +00:00
Bilionário brasileiro Eduardo Saverin se junta a Jeff Bezos, da Amazon, e compra 30% do Liverpool da Inglaterra

Torcidas do Liverpool e do United aplaudem CR7 durante clássico O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que comprou cerca de 30% do Liverpool, um dos clubes mais tradicionais do futebol inglês. 💵 A participação foi adquirida pela 1892 Holdings, consórcio liderado pelo empresário Amit Bhatia e formado por investidores como os fundos da família Mittal, a K5 Sports, que tem Jeff Bezos como principal investidor, e a EE Capital, escritório de investimentos de Eduardo e Elaine Saverin. A Fenway Sports Group (FSG), atual proprietária do Liverpool, continuará com a maioria das ações e o controle operacional do clube. 💵 Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 173 bilhões). Ele ocupa a 66ª posição no ranking dos mais ricos do mundo em 2026. Ex-CEO da Disney e empresário compram Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões A entrada do novo grupo ainda está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores. Segundo informou a agência Reuters, o valor da operação supera US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) e coloca a avaliação do clube acima de US$ 6,76 bilhões (R$ 35,2 bilhões). Eduardo Saverin, cofundador do Facebook Roslan Rahman/AFP/Arquivo Como parte do acordo, Amit Bhatia será vice-presidente do Liverpool e integrará o conselho ampliado do clube. Elaine Saverin e Bryan Baum, da K5 Sports, também terão assentos no conselho. Bezos, por sua vez, não terá uma cadeira no órgão. O investimento marca a primeira entrada direta de Bezos em um clube de futebol. A participação também amplia a presença de Saverin no mercado esportivo, enquanto a FSG mantém o comando do Liverpool e afirma que a operação representa uma parceria estratégica de longo prazo. A FSG comprou o Liverpool em 2010 por 300 milhões de libras (cerca de R$ 2,12 bilhões). Desde então, o clube conquistou a Liga dos Campeões em 2019 e títulos da Premier League em 2020 e 2025.
14/08/2026 17:24:54 +00:00
Medo de perder o emprego cai ao menor nível desde 2025, mostra FGV

Amapá tem a maior taxa de desemprego do país no 1º trimestre de 2026. Crystofher Andrade/g1 A percepção de segurança no emprego atingiu o maior nível da série histórica iniciada em junho de 2025. Segundo a 14ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV IBRE, no trimestre encerrado em julho de 2026, 59,3% dos trabalhadores disseram ser improvável ou muito improvável perder o principal emprego ou fonte de renda nos seis meses seguintes. Já 12,1% consideraram provável ou muito provável que isso acontecesse. Os demais não souberam responder. A parcela dos trabalhadores que não veem risco de perder sua principal ocupação aumentou 4,9% em relação ao mesmo período de 2025 e alcançou o maior resultado desde o início da série. Na outra ponta, a proporção dos que consideram provável ou muito provável perder o emprego recuou 4,3% na comparação anual, para o menor nível observado nesse período. Segundo Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV IBRE, os dados reforçam a percepção de um mercado de trabalho aquecido. "A grande maioria dos respondentes da pesquisa continua indicando não ter medo do desemprego nos próximos seis meses", afirma. Míriam Leitão: Recuo do desemprego é um indicador bom da economia Desemprego permanece baixo Para Tobler, mesmo com uma possível desaceleração da economia, o desemprego permanece em níveis historicamente baixos e o número de pessoas ocupadas continua crescendo. Por isso, os resultados indicam que o cenário positivo do mercado de trabalho pode continuar nos próximos meses, ainda que em um ritmo menos intenso no segundo semestre. Desemprego cai em 13 estados brasileiros no 2º trimestre de 2026, diz IBGE O levantamento, no entanto, ressalta que a série ainda é curta e não possui ajuste para efeitos sazonais, ou seja, mudanças que podem ocorrer normalmente em determinados períodos do ano. Por isso, comparações entre meses próximos devem ser analisadas com cautela. Desemprego recua ao menos em 13 estados A taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Leia mais: Desemprego cai em 13 estados brasileiros no 2º trimestre de 2026, diz IBGE No país, o indicador ficou em 5,4% no período. O resultado representa uma queda em relação aos 6,1% registrados no primeiro trimestre de 2026 e aos 5,8% do segundo trimestre de 2025.
14/08/2026 17:08:20 +00:00
China quer levar cães-robôs à Lua para construir base com astronautas até 2035

Cão robô que será utilizado pela Prefeitura de SP no policiamento da Av. Paulista Reprodução/TV Globo A China planeja enviar cães-robôs à Lua para auxiliar astronautas na construção e operação da futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), segundo reportagem divulgada na semana passada pelo jornal South China Morning Post. Segundo cientistas da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial citados em um estudo publicado na revista Chinese Space Science and Technology, Pequim estaria "expandindo a fronteira dos voos espaciais tripulados da órbita terrestre para a Lua". O plano prevê três astronautas operando ao lado de robôs na superfície lunar. Um astronauta controlaria dois cães-robôs no solo, enquanto outro coletaria amostras de rochas e cumpriria outros objetivos científicos. Um terceiro astronauta permaneceria dentro de um veículo pressurizado do tamanho de uma van, coordenando a missão e controlando outros robôs conforme necessário. Os robôs também desempenhariam um papel fundamental na extração de recursos lunares: coleta de gelo de água, mineração, construções com materiais locais e conversão de tubos de lava em habitats. Os tubos de lava são túneis subterrâneos que se formaram após a lava vulcânica fluir, a superfície se solidificar e o interior se tornar oco. Cão-robô 'Luna' aprende e se adapta como humanos, diz startup sueca  Mais do que ferramentas, parceiros Uma rede colaborativa de robôs quadrúpedes, veículos com rodas e braços articulados deve assumir tarefas rotineiras, como patrulhas e inspeções diárias, regulação do ar e da temperatura, limpeza dos espaços habitáveis, cuidados com as plantas e preparação das refeições. "Humanos e cães viverão e trabalharão lado a lado. O cão robô até vigiará a estação de pesquisa lunar. Mas vigiará de quem?" brinca a publicação científica Interesting Engineering. Além disso, esses cães-robôs seriam capazes de conversar com os astronautas e fazer-lhes companhia, aliviando o fardo psicológico de viver em um ambiente isolado. Cães-robôs seriam capazes de conversar com astronautas e lhes fazer companhia. Klaus W. Schmidt/IMAGO/DW "O modelo de colaboração humano-robô proposto permite aproveitar os pontos fortes complementares de ambos, servindo como referência para a futura construção e operação eficiente da estação de pesquisa lunar da China", acrescentaram os cientistas. Construção da base e cronograma A China pretende enviar astronautas à Lua antes de 2030 e ter a ILRS totalmente operacional até 2035, em colaboração com a Rússia e outros parceiros internacionais, perto do polo sul lunar. Até 2045, Pequim planeja estabelecer uma estação orbital lunar para expandir o complexo. Cachorro-robô é enviado em missão por tubulações submersas e encara gases tóxicos no Porto de Santos Cada módulo lunar teria aproximadamente três metros de diâmetro, com volume interno de cerca de 16 metros cúbicos e massa de cerca de dez toneladas. Esses módulos seriam construídos com materiais resistentes à radiação, temperaturas extremas e poeira lunar, e seriam conectados por corredores de acoplamento. A China também está preparando a missão não tripulada Chang'e-7, com lançamento previsto para o final de agosto de 2026. Seu objetivo é procurar gelo de água no polo sul lunar, um recurso que pode ser vital para os futuros habitantes da base. Os desafios que ainda persistem Os pesquisadores reconhecem que operar robôs na Lua não será fácil. A maioria dos modelos de inteligência artificial (IA) foi treinada em ambientes terrestres que simulam a superfície lunar. Levará tempo para aprimorar os sistemas de IA em solo, em uma missão com margem de erro mínima. Soma-se a isso a falta de infraestrutura digital. A futura base terá que construir seus próprios sistemas de comunicação e navegação do zero antes que humanos e robôs possam se coordenar efetivamente a longas distâncias. A futura exploração lunar, concluem os autores, dependerá da "tomada de decisões liderada por astronautas e do trabalho realizado por robôs autônomos".
14/08/2026 16:48:58 +00:00
FGC orienta 21 mil credores da Simpala após liquidação pelo Banco Central; veja o que fazer

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/Redes Sociais Após a liquidação extrajudicial da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento pelo Banco Central nesta sexta-feira (14), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) divulgou as orientações para os clientes que têm dinheiro na instituição. Segundo o FGC, o pagamento da garantia ainda não começou. O processo será iniciado assim que o liquidante - responsável nomeado pelo Banco Central para administrar a liquidação - concluir o levantamento dos dados dos credores e repassar essas informações ao fundo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Simpala tem uma base estimada de 21 mil credores com depósitos cobertos pela garantia, que somam R$ 622 milhões. Quem tem direito à garantia? O FGC informou que os créditos enquadrados em seu regulamento poderão receber a garantia ordinária de até R$ 250 mil por pessoa, considerando os limites previstos para esse tipo de proteção. Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do grupo Simpala Isso significa que clientes com depósitos elegíveis poderão ser ressarcidos até esse valor. BC aprova regras mais rígidas para o FGC após crise com Master O que os clientes precisam fazer? A orientação do FGC é que os credores façam desde já um cadastro básico no aplicativo oficial da entidade, disponível para celulares Android e iPhone. Em uma segunda etapa, quando o fundo receber a lista oficial de credores, será liberada a solicitação do pagamento. Nesse momento, o beneficiário deverá confirmar sua identidade e informar uma conta bancária de sua própria titularidade para receber o depósito. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados. O que é o FGC? O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada para proteger depositantes e investidores quando uma instituição financeira associada sofre intervenção ou é liquidada. Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O fundo é mantido pelas contribuições mensais das instituições financeiras participantes e é responsável por pagar as garantias previstas em seu regulamento. Enquanto o processo de liquidação avança, o FGC orienta que os clientes acompanhem as atualizações exclusivamente por seus canais oficiais e pelo site da entidade.
14/08/2026 16:14:35 +00:00
IA nas eleições: 6 casos reais mostram como deepfakes já desafiaram democracias pelo mundo

'Deepfake': homem faz montagens pornográficas de jovem que ignorou cantadas dele O debate sobre desinformação eleitoral não é novo no Brasil. Mas a disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo altamente realista elevou as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais. Nos últimos anos, ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e vozes sintéticas, os chamados deepfakes, passaram do uso experimental para o cotidiano de milhões de pessoas. E faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral, ainda não existem respostas definitivas sobre como garantir o uso seguro e responsável da inteligência artificial generativa. Na quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para tentar entrar em consenso sobre a punição pelo uso de IA nas eleições. O TSE decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu alguma irregularidade ao utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária do PL que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto no final de julho. Ainda não foi divulgada uma nova data para a reunião. Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos em que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas durante campanhas eleitorais nos últimos anos. Na Irlanda, um deepfake divulgado poucos dias antes da eleição para presidente em 2025 mostrava a principal candidata desistindo da campanha. No mesmo ano, outros vídeos espalharam informações falsas sobre ameaças de segurança no dia das eleições parlamentares na Alemanha. Mas segundo ele, não é possível apontar uma ligação direta entre o uso de ferramentas de IA e o resultado de uma eleição, pois há sempre muitos fatores envolvidos em uma corrida. "Até o momento, não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição", diz. Para Stockwell, o verdadeiro perigo da IA não está na alteração direta de votos, mas sim no efeito sutil e contínuo de semear confusão sobre o que é real, corroer a confiança nas instituições e na informação, e inflamar divisões políticas e polarização. "A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou em entrevista à BBC News Brasil. E as experiências recentes de outros países ajudam a ilustrar os desafios que podem surgir durante a disputa eleitoral brasileira. Confira, a seguir, seis exemplos de como deepfakes foram usados para espalhar desinformação ao redor do mundo. Falsa desistência a 3 dias da eleição Um dos exemplos mais citados quando o tema são deepfakes em eleições é o que atingiu a hoje presidente da Irlanda, Catherine Connolly, no ano passado. Quando a montagem foi divulgada, em outubro de 2025, ela concorria à Presidência como candidata independente. As pesquisas eleitorais apontavam Connolly como uma das favoritas, mas três dias antes da votação, um vídeo em que ela parecia se retirar da corrida começou a circular nas redes sociais. O vídeo falso imitava uma transmissão da RTÉ News, maior e mais popular fonte de notícias da Irlanda. Nas imagens, uma versão de Connolly criada com IA anuncia a desistência da eleição, enquanto apoiadores vaiam e lamentam a decisão. Logo depois que o vídeo começou a circular, a campanha da candidata garantiu que ela ainda estava na corrida e alertou as plataformas de redes sociais para que ele fosse removido ou devidamente identificado como criado por IA. Connolly classificou o vídeo como uma "tentativa vergonhosa de enganar os eleitores e minar nossa democracia". Montagem indica que vídeo de candidata foi gerado por IA. BBC/Facebook Na época, Alan Smeaton, professor emérito de computação d Universidade Dublin City e membro do Conselho Consultivo de IA do governo irlandês, disse à BBC Verify que havia algumas "pistas minúsculas" que denunciavam que o vídeo era falso. Ele apontou detalhes como uma ligeira sobreposição de palavras, tanto na fala de Catherine Connolly quanto dos jornalistas retratados, além de falhas no fundo das imagens. Apesar do deepfake, Connoly venceu as eleições, com 63% dos votos. "Ainda que não tenha sido suficiente para mudar o resultado, esse é um exemplo bastante preocupante de deepfake, porque houve um sequestro de uma instituição nacional confiável e de sua credibilidade para tentar fazer com que esse conteúdo parecesse muito mais convincente ou persuasivo", diz Sam Stockwell, se referindo à emissora RTÉ News. Enxurrada de vídeos no Equador Deepfakes simulando canais de televisão também foram comuns no período que antecedeu as eleições presidenciais de fevereiro de 2025 no Equador. Com logotipos falsos, vídeos concebidos para imitar emissoras como CNN, France 24 e Deutsche Welle, implicavam de forma falsa candidatos em escândalos e espalhavam alegações de fraude eleitoral. Em um deles, um falso apresentador diz que um escândalo de corrupção "explodiu na cara" de Daniel Noboa, que concorria à reeleição naquele momento. Outro mostrava um apresentador dizendo que Noboa teria pago US$ 1 milhão para comparecer à posse de Donald Trump nos Estados Unidos. Outro vídeo mostrava uma versão criada com IA da candidata Luisa González, que concorria pelo movimento Revolução Cidadã, dizendo que se fosse eleita implementaria um aumento drástico de impostos. Os conteúdos foram desmentidos por sites de verificação de notícias e pela própria campanha. González também foi alvo de um outro video gerado por IA, em que aparecia elogiando o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Após análises de especialistas, o vídeo foi identificado como um deepfake. Daniel Noboa foi reeleito em 13 de abril do ano passado, com cerca de 56% dos votos. Apesar de terem sido desmentidos, os deepfakes se espalharam amplamente, segundo um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí (ULEAM). A pesquisa revelou impactos na percepção do público em relação aos candidatos, especialmente em contextos com baixo nível de alfabetização midiática, além da criação de uma desconfiança generalizada em torno dos canais de verificação de notícias. Disseminação de pânico na Alemanha Durante a campanha para as eleições que elegeram o Parlamento da Alemanha, também em fevereiro de 2025, circulou nas redes sociais uma forma bastante incomum de desinformação: conteúdos que alertavam para supostas ameaças terroristas na Alemanha, com informações falsas sobre ameaças de bomba, cédulas envenenadas e ataques iminentes a centros de votação na Alemanha. Vídeo manipulado alegava falsamente que o MI6, a agência de inteligência britânica, havia alertado contra viagens à Alemanha durante o período eleitoral Reprodução/X/FIMI-ISAC/BBC Os vídeos usavam imagens reais publicadas por instituições como forças policiais, universidades e veículos de comunicação, mas os manipulavam usando narração gerada por IA e outros recursos. Uma postagem, compartilhada principalmente no X, usava um vídeo real do serviço de inteligência britânico MI6, mas o editava para parecer um alerta sobre o perigo de viajar à Alemanha durante o período eleitoral. Outro vídeo utilizava imagens de um vídeo real publicado pela Polícia de West Midlands, no Reino Unido, no qual um agente apresentava seu trabalho. Uma voz, provavelmente gerada por IA, foi adicionada ao vídeo, dizendo: "Nossas informações indicam que uma série de grandes ataques terroristas estão sendo preparados na Alemanha durante o período eleitoral antecipado. Repassamos todas as informações aos nossos colegas alemães. Mesmo que essas informações não ajudem a prevenir ataques terroristas". Uma terceira postagem, que recebeu mais de 60 mil visualizações, trazia um vídeo que afirmava falsamente ainda que 68% dos alemães estavam com muito medo de sair de casa no dia da eleição. Segundo Stockwell, os conteúdos foram direcionados especificamente para regiões da Alemanha onde os eleitores estariam mais propensos a acreditar na narrativa, já que tendiam a reproduzir discursos sobre a ameaça de uma guerra ou de ataques organizados pela Rússia. Para o especialista, ao mesmo tempo em que podem desencorajar os eleitores a comparecer às urnas, vídeos como esses também colocam as instituições retratadas em uma situação difícil. "Por um lado, instituições como o MI6 obviamente não querem ser vistas como disseminadoras de informações falsas, principalmente se tratando das eleições de outro país", diz. "Mas, ao mesmo tempo, há o risco de que, se vierem a público desmentir a informação, possam inadvertidamente atrair mais atenção para o assunto. Isso poderia levar mais pessoas a visualizar o vídeo e talvez até compartilhá-lo." Posteriormente, os vídeos sobre ameaças de segurança na Alemanha foram rastreados por instituições europeias até uma rede de produção de desinformação russa. A primeira eleição manipulada por deepfakes? Um dos primeiros alertas sobre o impacto de deepfakes em eleições veio em 2023, depois que um áudio falso de um candidato à primeiro-ministro viralizou na Eslováquia. A gravação começou a ser compartilhada pelas redes sociais e por e-mails em cadeia dois dias antes da eleição para o Parlamento. Nela, uma voz idêntica à do candidato Michal Šimečka, líder do partido liberal e pró-europeu Eslováquia Progressista (PS), discutia uma possível fraude eleitoral com uma jornalista famosa no país. O áudio, de qualidade ruim, vinha acompanhado por uma foto de Šimečka e da jornalista, além de legendas. Nas falas, os dois falavam sobre formas de manipular a eleição em favor do PS e como encobrir os rastros. A divulgação da fake news ocorreu durante o chamado período de silêncio eleitoral da Eslováquia, quando há fortes restrições à campanha e à cobertura eleitoral imediatamente antes da votação, o que dificultou uma resposta rápida da mídia tradicional e dos verificadores de fatos. Naquele momento, as pesquisas mostravam uma disputa muito apertada entre Šimečka e seu principal oponente, Robert Fico, do partido Direção - Social-Democracia (SMER-SD), com o PS ligeiramente à frente, mas ainda dentro da margem de erro. Michal Šimečka em novembro de 2025 AFP via Getty Images/BBC Por fim, o partido de Šimečka terminou em segundo lugar, perdendo para o SMER-SD. O caso foi amplamente discutido nos anos e meses seguintes à eleição, não apenas porque foi um dos primeiros do tipo, mas também porque alimentou especulações de que a disputa teria sido "a primeira manipulada por deepfakes". Assim como Stockwell, especialistas que estudaram especificamente o caso da Eslováquia dizem que não é possível chegar a uma conclusão definitiva sobre o efeito dos deepfakes nos resultados. Um artigo publicado em uma revista acadêmica dedicada ao estudo da desinformação editada pela Universidade Harvard, por exemplo, argumenta que muitos outros fatores podem ter influenciado tanto quanto ou mais para a vitória de Fico, como seu aparente apoio à Russia na guerra contra a Ucrânia No texto, Lluis de Nadal, da Universidade de Glasgow, e Peter Jančárik, que trabalha para o Seznam, o principal portal de internet e buscador da República Checa, notaram que, naquele momento, os eslovacos estavam muito suscetíveis à desinformação pró-Rússia, com redes de sites e perfis nas redes sociais que vinham promovendo narrativas pró-Kremlin desde pelo menos 2010. Os pesquisadores notaram, ainda, que fatores como instabilidade política, conflitos entre partidos e baixa confiança no governo e nas instituições podem ter impulsionado o SMER-SD. O artigo afirma, porém, que embora Fico tenha permanecido em silêncio sobre o deepfake, outros políticos proeminentes o compartilharam, ampliando seu potencial de influência. Golpe financeiro durante a eleição Em 2025, na Romênia, deepfakes durantes as eleições presidenciais foram usados não para influenciar o resultado do pleito, mas para aplicar golpes na população. Golpistas usaram o Facebook para distribuir vídeos manipulados com IA que mostravam candidatos à Presidência promovendo uma oportunidade de investimento que era, na verdade, falsa. "Esta é a chance da Romênia alcançar a independência financeira. Investindo apenas 1.400 lei [R$ 1.500], cada cidadão pode receber uma renda passiva mensal de 9.000 lei [R$ 10 mil]", diziam os candidatos no vídeo. Os candidatos George Simion, do partido Aliança para a União dos Romenos, e Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foram alvos dos deepfakes. Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foi alvo dos deepfakes Reprodução/BBC Ao clicarem no link disponibilizado nos vídeos, os usuários eram redirecionados para sites falsos que imitam notícias oficiais e páginas do governo. Segundo Sam Stockwell, a reprodução realista da voz ou da imagem de um político confere uma aparência de autoridade e credibilidade aos golpes financeiros. E em momentos em que políticos divulgam um volume maior de conteúdo para conquistar eleitores, como durante a campanha, o risco de usuários clicarem em links maliciosos e se tornarem vítimas de fraudes aumenta. Declaração de vitória direto da prisão Mas os casos não se limitam a vídeos ou áudios gerados por gangues ou agentes externos tentando prejudicar as eleições. Em 2024, no Paquistão, o ex-primeiro-ministro Imran Khan usou vídeos e áudios gerados por IA criados por seu partido político para se comunicar com apoiadores e fazer campanha a partir da prisão. Em um dos momentos mais controversos da corrida para eleger o novo Parlamento, Khan divulgou nas redes sociais um vídeo alegando que os partidos independentes que estava apoiando no pleito teriam vencido e conquistado maioria no Parlamento. As imagens foram publicadas após seu rival, Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão – Nawaz (PML–N), ter declarado sua própria vitória. Khan, um ex-astro do críquete, foi eleito primeiro-ministro em 2018, mas foi deposto do cargo em abril de 2022, após uma moção de censura parlamentar. Ele foi preso em 2023, depois de ter sido considerado culpado de corrupção e condenado a três anos de prisão. Em 2024, ele recebeu uma sentença de 14 anos de prisão pela venda de presentes do Estado e outra de 10 anos por vazar segredos de Estado. Ambas as sentenças foram suspensas meses depois. Em 2025, ele foi condenado mais uma vez, dessa vez a 14 anos de prisão por um caso de corrupção. Khan, portanto, estava na cadeia durante a eleição para o Parlamento de 2024. O seu partido, o Movimento Paquistanês pela Justiça (PTI), foi impedido de concorrer oficialmente sob seu símbolo eleitoral tradicional e muitos dos seus candidatos disputaram a eleição como independentes. Ainda assim, eles eram amplamente reconhecidos como apoiados por Khan. No vídeo divulgado durante a contagem dos votos, o ex-primeiro-ministro diz aos candidatos independentes para comemorarem a vitória. "Vocês lançaram as bases para a sua verdadeira liberdade ao votarem ontem", diz ele. Sharif também é chamado de "homem desonroso" por reivindicar a vitória. Por fim, o governo acabou sendo formado por uma coalizão liderada pelo PML–N, mas os dias que seguiram o pleito foram cercados de controvérsias e tensão política, com atraso de mais de 60 horas na divulgação dos resultados finais, o PTI alegando fraude e apoiadores de Khan saindo às ruas para protestar. Segundo Sam Stockwell, o vídeo gerado por IA do ex-premiê contribuiu para o clima de instabilidade. "Na época, isso contribuiu para protestos e violência política contra o regime, com alegações de que as eleições foram fraudadas e que Imran Khan era o legítimo vencedor da corrida eleitoral, embora o vídeo tenha sido gerado por IA", diz.
14/08/2026 15:50:24 +00:00
FIEMG e Amcham alertam contra retaliação aos EUA e defendem negociação para evitar alta de custos

Brasil abre processo de reciprocidade contra tarifaço dos EUA A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou nesta sexta-feira (14) que uma escalada de retaliações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode aumentar os custos de produção, afetar investimentos e pressionar empregos no país. A entidade se manifestou após o novo acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. 🔍 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Para a federação, o Brasil deve defender seus interesses, mas evitar uma escalada da disputa comercial. Além disso, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), reitera seu entendimento de que "o caminho prioritário deve ser a intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os dois governos, com o objetivo de reduzir as sobretaxas atualmente em vigor, evitar novas restrições e construir um entendimento que preserve e amplie o comércio e os investimentos bilaterais". Segundo a Câmara, essa posição reflete a visão predominante do setor empresarial. "Em pesquisa recente, 90,5% das empresas defenderam a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a adoção de medidas de reciprocidade como estratégia preferencial", escreveu a entidade. Retaliação não é automática Segundo a FIEMG, o acionamento da Lei da Reciprocidade não significa que o Brasil vá aplicar imediatamente tarifas ou outras medidas contra produtos americanos. A legislação já havia sido acionada em 2025. Naquele momento, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) analisou o caso, e o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) reconheceu formalmente o enquadramento na lei. A Amcham considera "fundamental que esse procedimento seja conduzido com equilíbrio, moderação e avaliação criteriosa de seus potenciais impactos, assegurando ampla participação do setor empresarial". EUA aceitam discutir na OMC o tarifaço imposto ao Brasil Jornal Nacional/ Reprodução Com o avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, porém, o governo optou por priorizar as consultas diplomáticas antes de definir possíveis contramedidas. Nenhuma tarifa retaliatória, restrição comercial ou medida relacionada à propriedade intelectual chegou a ser aplicada. A FIEMG defende que a negociação continue sendo a prioridade para ampliar as exceções às tarifas americanas, reduzir barreiras e preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos. Indústria teme aumento de custos A federação afirma que eventuais medidas de retaliação precisam ser cuidadosamente avaliadas. "A aplicação de tarifas sobre produtos americanos usados pela própria indústria brasileira, como insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias, poderia elevar os custos de produção e reduzir a competitividade das empresas", diz em comunicado. Na avaliação da entidade, o Brasil poderia acabar sendo prejudicado duas vezes: primeiro, pela dificuldade de acesso ao mercado americano e, depois, pelo aumento dos custos de produtos importados utilizados na produção nacional. A federação afirma ainda que uma guerra comercial não interessa nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. Estudo estima perda de R$ 259 bilhões no PIB A entidade também cita um estudo realizado em 2025 para dimensionar os possíveis efeitos de uma escalada tarifária. Em um cenário hipotético de sobretaxa recíproca de 50% sobre as importações dos Estados Unidos, a FIEMG estimou que a perda para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia chegar a R$ 259 bilhões, o equivalente a 2,21% da economia. Segundo a federação, os efeitos de uma disputa comercial não ficariam restritos às exportações e importações. A entidade prevê possíveis impactos sobre fornecedores, trabalhadores, investimentos, produção e arrecadação. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Por isso, a FIEMG defende que o Brasil utilize seus instrumentos de defesa comercial de maneira estratégica e mantenha as negociações com os Estados Unidos como prioridade. A entidade afirma que o objetivo deve ser buscar a reversão ou redução das barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que sejam preservados contratos, investimentos, produção e empregos.
14/08/2026 15:10:08 +00:00
Chef premiado retorna a restaurante após denúncias de agressões e humilhações

Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional. Noma/ Divulgação Menos de cinco meses depois de anunciar sua saída do Noma, um dos restaurantes mais bem avaliados do mundo, o chef René Redzepi está de volta ao estabelecimento que ajudou a fundar em Copenhague, na Dinamarca. O retorno ocorre após sua liderança ser alvo de denúncias de agressões, humilhações e abusos no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários em março, em uma reportagem do jornal norte-americano New York Times. Ele pediu demissão do restaurante logo após as denúncias. Naquele momento, em seu perfil no Instagram, Redzepi publicou uma nota em que afirmou assumir a responsabilidade por suas ações e pediu desculpas. Agora no g1 Redzepi, de 48 anos, retorna agora em uma função diferente. Depois de mais de duas décadas à frente do restaurante, ele deixa o comando da cozinha e assume o cargo de diretor criativo, segundo o The Wall Street Journal. Em uma postagem no Instagram, René Redzepi disse que agora estará focado em "projetos de longo prazo". Segundo o New York Times, no novo cargo, o chef ficará à frente de projetos de tecnologia e inovação envolvendo, por exemplo, algas, leguminosas e fungos. Histórico de agressões A reportagem do New York Times mostrou que dezenas de ex-funcionários acusaram Redzepi de criar uma cultura abusiva e um ambiente tóxico. Havia relatos de ameaças verbais e maus-tratos físicos contra trabalhadores. “Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador. Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante. Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas. As denúncias tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares, conhecidos como "pop-ups", quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade, que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles. A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas. As duas empresas afirmaram que iriam reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.
14/08/2026 13:09:13 +00:00
Vendas de carros chineses estão em alta, exceto na própria China

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e pressionando montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen. Mas a situação é diferente no mercado interno. As vendas de carros vêm caindo desde o fim do ano passado, em meio à fraca demanda dos consumidores e a anos de intensa concorrência de preços, que deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado e com excesso de capacidade. 'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028 🚗 Embora grandes montadoras chinesas como BYD, Geely e Chery há muito busquem se tornar grandes players globais, a rápida expansão internacional agora é impulsionada tanto pela ambição quanto pela necessidade econômica, segundo analistas e especialistas do setor. Vendas na China caem pelo 10º mês seguido ➡️ As vendas de carros na China caíram 20% em julho, para 1,47 milhão de veículos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi o décimo mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros. Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Embora os dados incluam marcas estrangeiras que produzem na China, a tendência de queda de dois dígitos no mercado doméstico e crescimento de dois dígitos nas exportações também aparece entre as montadoras chinesas. FOTO DE ARQUIVO: Carros destinados à exportação são vistos em um porto em Lianyungang, na província de Jiangsu, na China, em 2 de abril de 2020. China Daily via Reuters Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, além da persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos. Excesso de produção aumenta pressão por exportações Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez maior para acelerar a expansão no exterior, que já estava em andamento. “As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”, disse Bill Russo, presidente-executivo da consultoria Automobility, com sede em Xangai. Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas. A situação do setor automotivo reflete uma dinâmica mais ampla da economia chinesa. Fábricas em expansão e exportações impulsionam o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e o baixo consumo restringem a demanda interna. Os formuladores de políticas chineses enfrentam o desafio de uma economia que produz mais do que consegue vender no mercado doméstico. Para as montadoras, os mercados externos representam um canal de escoamento cada vez mais importante. Mercado doméstico encolhe enquanto exportações avançam No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda de 20%. O volume equivale ao total de registros de carros novos no Japão, quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período. Enquanto isso, as exportações chinesas de automóveis aumentaram 71% no primeiro semestre. Segundo a analista do HSBC Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar entre o fim de agosto e setembro, com o lançamento de novos modelos. Ainda assim, uma recuperação rápida em formato de V parece improvável, afirmou. Brasil como "solução" para o problema A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. BYD compensa queda na China com vendas no exterior A BYD é um exemplo dessa mudança de estratégia. A montadora registrou queda de 35% nas vendas no mercado doméstico nos primeiros sete meses do ano, mas compensou parte da retração com um aumento de 79% nas vendas no exterior na comparação com o mesmo período do ano anterior. Brasil e Reino Unido emergiram como os maiores mercados individuais da BYD fora da China em 2026. China ameaça liderança de montadoras japonesas A crescente presença chinesa no exterior representa um desafio particularmente forte para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, posição que durante muito tempo pertenceu ao rival asiático. “A ascensão do Japão como exportador automotivo baseou-se na eficiência de fabricação, na qualidade e na economia de combustível”, disse Russo. A vantagem chinesa atualmente é mais ampla, segundo o executivo, e inclui eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos. “Essa combinação pode tornar a globalização da China consideravelmente mais disruptiva.”
14/08/2026 12:44:17 +00:00
Dólar vai a R$ 5,21 e Ibovespa tem 9ª queda seguida à espera de pesquisa eleitoral

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,52% nesta sexta-feira (14), a R$ 5,2194, após chegar a R$ 5,2489 na máxima do pregão. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,10%, aos 166.934 pontos, e amargou a nona queda consecutiva. É o período mais longo de perdas desde agosto de 2023, quando o índice acumulou oito pregões seguidos de queda. O movimento ocorre em um ambiente de maior cautela com o Brasil. No início da semana, o JPMorgan reduziu sua recomendação para os investimentos no país de “compra” para “neutra”, citando, entre outros fatores, as incertezas eleitorais. Nesta sexta, os investidores também aguardam a divulgação de uma nova pesquisa Quaest. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ As sondagens anteriores apontam liderança de Lula, cenário que mantém entre investidores a preocupação com os rumos das contas públicas. Com a aproximação das eleições, a expectativa é de que os planos dos candidatos para os gastos do governo e para a condução da economia ganhem cada vez mais espaço nas decisões de investimento. Esse ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos. ▶️ Além disso, o governo brasileiro deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil. A medida, que ainda está em processo de análise, permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. ▶️Na agenda de indicadores, o destaque ficou com a Pnad Contínua Trimestral. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre deste ano. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no período. Já nos EUA, as vendas no varejo tiveram uma queda inesperada em julho. ▶️ No Oriente Médio, a escalada das tensões continua a pressionar os mercados. Nesta sexta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra na região. Em meio às tensões, os preços do petróleo subiram no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 1,49%, cotado a US$ 88,37, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 1,28%, a US$ 82,29. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. EUA endurecem postura em relação ao Irã O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra no Oriente Médio. A nova escalada verbal acontece enquanto a guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, está perto de completar seis meses sem perspectiva de ser finalizada. A fala também marca uma mudança de tom, já que no início de agosto o governo Trump falava em um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz. "Será uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu", disse Bessent na quinta-feira ao canal de televisão conservador Newsmax, sem revelar mais detalhes. Ele acrescentou que "o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos". O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, continua sendo o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã. Teerã exige que os navios recebam uma autorização para utilizar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Agora, com uma mudança de abordagem, as armas nucleares, o principal motivo que Trump apresentou para iniciar a guerra ao lado de Israel, parecem ter ficado em segundo plano. "O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país", disse na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News. "E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear", acrescentou. Bessent, por sua vez, apresentou na quinta-feira a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela. "A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio", afirmou. No início da semana, Trump afirmou que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira, conforme investidores avaliavam novos dados no varejo dos EUA. O Dow Jones teve queda de 0,13%, enquanto o S&P 500 caiu 0,20% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,45%. Na Europa, a maioria dos mercados encerrou em baixa nesta sexta, em meio às tensões geopolíticas e ao aumento nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 teve queda de 0,2%, aos 657,86 pontos. Entre os demais índices, o DAX, da Alemanha, foi na contramão e subiu 0,53%, enquanto o CAC-40, da França, caiu 0,16% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,21%. Na Ásia, as ações chinesas encerraram a sessão desta sexta-feira (14) praticamente estáveis, conforme investidores seguiam cautelosos durante a temporada de balanços do segundo trimestre. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,04%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,01%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,1%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,42%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,59%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
14/08/2026 12:16:49 +00:00
Desemprego cai em 13 estados brasileiros no 2º trimestre de 2026, diz IBGE

Carteira de Trabalho Digital Gil Leonardi/ImprensaMG A taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o indicador ficou em 5,4% no período. O resultado representa uma queda em relação aos 6,1% registrados no primeiro trimestre de 2026 e aos 5,8% do segundo trimestre de 2025. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As maiores taxas de desocupação no segundo trimestre foram registradas no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco (8,3%), Piauí (8,3%) e Sergipe (7,9%). Já as menores foram em Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). 📈 As quedas mais expressivas foram registradas no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), na Paraíba (-1,6 p.p.) e no Acre (-1,6 p.p.). Nos demais estados, as taxas permaneceram estáveis. Taxa de desocupação por estados - segundo trimestre 2026 Arte g1 Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, as diferenças entre os estados ajudam a explicar a disparidade nas taxas de desocupação. Santa Catarina, por exemplo, registrou uma taxa de apenas 2,1%, enquanto Amapá teve a maior taxa de desocupação do país, com 9,8%. “Esse resultado pode estar relacionado a fatores como o nível de industrialização, a escolaridade da população, o desenvolvimento econômico e o dinamismo da atividade econômica. Em estados com essas características, como Santa Catarina, a taxa de desocupação tende a ser menor do que em parte do Nordeste”, afirma. 👉 Unidades da federação com maior grau de industrialização e população mais escolarizada tendem a ter mercados de trabalho mais estruturados e, consequentemente, taxas de desocupação mais baixas. Desigualdades de gênero, raça e escolaridade De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação continua maior entre as mulheres (6,4%) do que entre os homens (4,6%), embora tenha recuado para ambos os sexos em relação ao primeiro trimestre. Na comparação por cor ou raça, o indicador ficou abaixo da média nacional (5,4%) entre os brancos (4,2%) e acima dela entre os pretos (6,9%) e os pardos (6,1%). Em relação ao nível de escolaridade, a maior taxa de desemprego foi registrada entre as pessoas com ensino médio incompleto, com (9,0%). Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 5,6%, quase o dobro da verificada para o nível superior completo (3,0%). Já a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne pessoas desempregadas, subocupadas por insuficiência de horas e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estavam procurando emprego, alcançou 12,9% no segundo trimestre deste ano. Piauí (26,6%) teve a maior taxa, seguido por Bahia (24,4%) e Alagoas (23,4%). As menores taxas foram em Santa Catarina (4,1%), Rondônia (6,0%) e Mato Grosso (6,1%). Enquanto isso, o percentual de desalentados — pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego — foi de 2,1% da força de trabalho ampliada. Os maiores índices foram registrados no Maranhão (9,4%), em Alagoas (8,1%) e no Piauí (7,0%). Formalidade x informalidade Evolução da taxa de desemprego no Brasil Arte/g1 No segundo trimestre, 74,4% dos empregados do setor privado no Brasil tinham carteira assinada. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (86,7%), São Paulo (82,0%) e Mato Grosso do Sul (81,0%), enquanto os menores foram no Maranhão (53,6%), Piauí (54,2%) e Acre (55,1%). No mesmo período, 25,3% da população ocupada trabalhava por conta própria. Essa participação foi mais elevada no Maranhão (33,8%), no Amapá (31,0%) e no Pará (30,3%). As menores proporções foram observadas no Acre (17,5%), Distrito Federal (18,0%) e Tocantins (18,9%). A taxa de informalidade do país foi de 37,4% da população ocupada. Assim como no trimestre anterior, Maranhão liderou com 56,9%, seguido pelo Pará (55,9%) e pelo Amazonas (51,7%). Na outra ponta, as menores taxas foram registradas em Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%). No segundo trimestre de 2026, o país tinha 1,1 milhão de pessoas que buscavam por trabalho há dois anos ou mais. Esse contingente recuou 15,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando 1,3 milhão de pessoas estavam nessa condição. Já 1,1 milhão de pessoas buscavam por trabalho há menos de um mês. Esse contingente caiu 2,4% ante o mesmo trimestre de 2025, quando 1,2 milhão de pessoas buscavam uma ocupação há menos de um mês. Vídeos em alta no g1
14/08/2026 12:00:34 +00:00
Trabalhadora é demitida após obter medida protetiva contra ex; empresa é condenada

Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026. Freepik A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou de R$ 10 mil para R$ 30 mil a indenização devida a uma copeira que foi demitida após informar à empresa que havia obtido uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que trabalhava no mesmo local. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A trabalhadora foi dispensada por WhatsApp em agosto de 2024. Para o TST, a demissão teve caráter discriminatório, com "nítido viés de gênero", e agravou a situação de vulnerabilidade da empregada, que era vítima de violência doméstica. Segundo o processo, a copeira havia sido contratada em maio de 2024 e sofria ameaças de morte do ex-companheiro. Em agosto daquele ano, ela conseguiu uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, que determinava que o homem mantivesse uma distância mínima de 100 metros dela. Agora no g1 Como os dois trabalhavam na mesma empresa, porém em horários diferentes, havia o risco de se encontrarem durante a troca de turnos. O ex-companheiro trabalhava das 14h às 22h, enquanto a copeira cumpria jornada das 22h às 6h. Diante da situação, ela pediu à empresa uma mudança de horário para evitar o contato com o ex-companheiro e cumprir a determinação judicial. Segundo o relato da trabalhadora no processo, o pedido foi recusado por um dos sócios, que teria afirmado que "problemas pessoais deveriam ser resolvidos em casa". Pouco depois, em 23 de agosto de 2024, ela foi dispensada por WhatsApp. O nome da empresa e as identidades da trabalhadora e do ex-companheiro não foram divulgados pelo TST, para preservar a segurança da vítima. Justiça considerou demissão discriminatória Na primeira instância, a Justiça do Trabalho considerou que a dispensa foi discriminatória e condenou a empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais. A sentença entendeu que a conduta demonstrou descaso com a saúde e a segurança da empregada e violou a Lei 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em São Paulo, manteve a decisão. Segundo o tribunal, mesmo sabendo das ameaças e da existência da medida protetiva, a empresa não adotou providências para garantir a segurança da trabalhadora e decidiu dispensá-la. O caso chegou ao TST para discutir, entre outros pontos, o valor da indenização. TST aumenta indenização Na Terceira Turma, o relator, ministro Mauricio Godinho Delgado, considerou que a gravidade da conduta justificava elevar a indenização de R$ 10 mil para R$ 30 mil. Segundo o ministro, a demissão agravou a vulnerabilidade da trabalhadora e configurou discriminação em razão do gênero. Para o relator, situações de violência de gênero também precisam ser enfrentadas dentro das relações de trabalho. Na análise do caso, o ministro destacou que devem ser consideradas, além da Constituição Federal e da Lei Maria da Penha, normas nacionais e internacionais de proteção às mulheres, como as Convenções 111 e 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Convenção de Belém do Pará e o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para definir o novo valor, o relator também considerou a situação de vulnerabilidade da trabalhadora, o caráter discriminatório da dispensa e a diferença de poder econômico entre a empregada e a empresa. Segundo Godinho Delgado, indenizações muito baixas em casos desse tipo podem contribuir para a naturalização de práticas discriminatórias e de violência contra as mulheres no ambiente de trabalho. Ex-marido de Maria da Penha é preso após dar entrevista sobre tentativa de matar ativista
14/08/2026 11:59:44 +00:00
Processo de reciprocidade é político e decisão ficará para o próximo governo

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, vê um longo processo, que pode chegar a 9 meses, antes de o governo brasileiro definir tarifas de reciprocidade aos EUA pelo tarifaço imposto nas últimas semanas. Na prática, a decisão ficará para o próximo governo e tem, agora, um sinal político. O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. ➡️ A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT) em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. A sinalização dada pelo governo é de que o Brasil usa os canais diplomáticos e os organismos formais e multilaterais, enquanto o governo Trump tomas decisões unilaterais e baseadas no desejo do presidente. Governo Brasileiro anuncia abertura do processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano Ao blog, o ministro Marcio Elias Rosa disse na manhã desta sexta-feira (14) que há uma primeira fase de análise de 60 dias, mas o processo todo é longo e deve adentrar 2027. “A lei não estabelece prazos peremptórios e a deliberação pode levar cerca de 9 meses. Mas a qualquer tempo, iniciado o processo, o Brasil pode tomar alguma medida em caráter de urgência", afirma ele, deixando a porta aberta para decisões em resposta ao tarifaço. O principal sinal enviado ao governo Trump é de que o Brasil quer avançar na negociação para redução das tarifas. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC O que é a Lei da Reciprocidade? Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril do ano passado. Antes da lei, não havia um arcabouço que permitia ao governo retaliar outro país por medidas dessa natureza — somente recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre as contramedidas previstas estão a possibilidade da imposição de direito de natureza comercial incidente sobre importações de bens ou de serviços de país ou bloco econômico e a suspensão de concessões ou outras obrigações do Brasil em relação a direitos de propriedade intelectual firmados em acordos comerciais.
14/08/2026 11:59:07 +00:00
Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do grupo Simpala

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central do Brasil (BC) decretou mais uma liquidação extrajudicial nesta sexta-feira (14). Dessa vez, as instituições afetadas foram a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, ambas com sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS). A liquidação extrajudicial normalmente é adotada quando a instituição não tem condições de continuar operando e é encerrada, sob supervisão do BC, sem passar por um processo de recuperação tradicional. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o Banco Central, a decisão foi tomada porque a situação financeira das empresas se deteriorou e porque foram identificadas infrações graves às regras que regulam suas atividades. O BC, no entanto, não deu mais detalhes sobre quais violações seriam essas. Agora no g1 O órgão afirmou ainda que havia risco para credores sem garantias específicas, conhecidos no mercado como credores quirografários. Apesar da intervenção, o BC destacou que as duas empresas têm participação pequena em seus respectivos mercados. A administradora de consórcios responde por cerca de 0,1% dos consorciados ativos do país, enquanto a financeira detinha 0,004% dos ativos do sistema financeiro nacional em junho deste ano. No caso da financeira, os depósitos e investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) continuam protegidos dentro dos limites previstos pelo fundo. Entenda o que é o FGC O BC informou, ainda, que continuará a investigar quem foram as pessoas responsáveis pelos problemas que levaram à liquidação das empresas, apurando se houve descumprimento de leis ou normas regulatórias. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes", afirmou o BC em nota divulgada nesta sexta-feira (14). Pela legislação, os bens dos controladores e ex-administradores das instituições ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados. Em nota, o grupo se diz surpreso com a decisão do BC e considera a medida "desproporcional" diante da "trajetória e integridade das empresas, uma delas com mais de 50 anos". Leia abaixo o posicionamento da empresa: Os controladores da Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios LTDA e da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento manifestam surpresa com a liquidação realizada nesta sexta-feira (14/08) e consideram a medida desproporcional, especialmente diante da trajetória de integridade das empresas, uma delas com mais de 50 anos. Reforçam que sempre atuaram com rigorosa observância da legislação e postura de plena colaboração com órgãos reguladores e que seguirão contribuindo com as autoridades no fornecimento das informações necessárias. Os controladores ressaltam, ainda, preocupação com as consequências da medida para os seus mais de 140 funcionários.
14/08/2026 11:36:08 +00:00
Balde Cheio: programa da Embrapa ajuda pequenas propriedades a melhorar produção de leite

Imagem ilustrativa de um produtor enchendo um balde de leite. Shutterstock Pequenos produtores de leite de todo o país podem participar do Balde Cheio, programa da Embrapa que busca melhorar a eficiência e a rentabilidade da atividade leiteira por meio da capacitação de técnicos de extensão rural. Na prática, as propriedades participantes se transformam em uma espécie de sala de aula a céu aberto. Nelas, técnicos e produtores acompanham a aplicação de mudanças pensadas de acordo com a realidade de cada fazenda. A proposta é identificar o que pode ser aprimorado na propriedade e adotar técnicas que contribuam para tornar a produção de leite mais eficiente e rentável, considerando as condições e os recursos disponíveis em cada local. A Embrapa disponibiliza gratuitamente uma publicação sobre o Balde Cheio, com informações sobre o funcionamento do programa e orientações para quem deseja participar. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos
14/08/2026 10:48:19 +00:00
Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita

Abacaxi BRS Sol Bahia Embrapa O produtor Fábio Roberto, de Seringueiras (RO), plantou um pé de abacaxi e agora tem uma dúvida: qual é o momento certo de colher o fruto para comercialização? Um dos principais sinais está na coloração da casca. A mudança de cor indica o avanço da maturação e ajuda o produtor a definir quando retirar o fruto da planta, levando em consideração também o tempo necessário para transporte e comercialização. Além do ponto de colheita, outro desafio é fazer com que o abacaxi mantenha a qualidade por mais tempo depois de sair da lavoura. Uma das alternativas desenvolvidas pela Embrapa é a BRS Sol Bahia, variedade mais nova que apresenta maior resistência após a colheita, inclusive quando o fruto já está mais amarelado. A BRS Sol Bahia foi lançada inicialmente para cultivo no semiárido de Minas Gerais e da Bahia, mas já existem estudos para avaliar o desempenho da variedade em outras regiões do Brasil. Onde encontrar mudas e orientações Produtores interessados na BRS Sol Bahia devem procurar a Embrapa para obter informações sobre pontos de comercialização de mudas próximos à sua região. A instituição também disponibiliza publicações técnicas com orientações sobre o plantio, manejo e colheita do abacaxi, que podem ajudar o produtor desde a implantação da lavoura até a comercialização dos frutos. 📱 Acesse aqui todas as informações De onde vem a manga
14/08/2026 10:42:14 +00:00
Ele contou ao ChatGPT que queria matar o filho e foi preso — conversas com IA podem ser prova de crime no Brasil?

Getty Images/BBC AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL: esta reportagem contém menções a violência e suicídio. Durante cerca de dois meses, João (nome fictício), 36 anos, manteve conversas com o ChatGPT que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, indicavam um possível plano para matar o próprio filho, de 8 anos, cometer ataques e tirar a própria vida. Nas mensagens trocadas com a ferramenta de inteligência artificial, o agricultor pesquisou sobre os efeitos de determinadas substâncias tóxicas no corpo, confessou ter oferecido dinheiro para que uma pessoa matasse a criança e disse que se sentia bem ao ver pessoas sofrerem. "Ofereci 50 mil para ele me matar e matar meu filho, mas ele não quis por se tratar de uma criança", diz uma das mensagens ao ChatGPT às quais a BBC News Brasil teve acesso. "Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto da sensação de ver outra pessoa sofrer", relatou o agricultor em outra mensagem. As conversas acenderam um alerta no sistema de segurança da IA, levando a OpenAI — criadora do ChatGPT — a comunicar a interação ao FBI, que entrou em contato com as autoridades brasileiras. O caso chegou até a Polícia Civil do Espírito Santo no dia 16 de junho, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, braço tecnológico do Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate a crimes cibernéticos. Três dias depois — e um dia antes da data em que, segundo a polícia, o plano seria colocado em prática — o agricultor foi preso quando saía de casa na zona rural de São Gabriel da Palha, um município de pouco mais de 30 mil habitantes localizado a 200 km da capital, Vitória. "Priorizamos esse caso em função da gravidade e por supostamente o pai planejar a execução do filho até o dia 20", disse à BBC News Brasil o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos e responsável pela investigação. João* foi preso preventivamente no dia 19 de junho. Na quinta-feira (13/8), ele foi solto após a Justiça conceder um habeas corpus apresentado pela defesa, ao entender que houve demora excessiva na conclusão da investigação policial. O agricultor ficou detido por 54 dias. A prisão preventiva não tem prazo fixo previsto em lei. Quando o investigado está preso, porém, a investigação deve ser concluída em prazo razoável. No caso do agricultor, a Justiça considerou que, após mais de 50 dias de prisão, o inquérito ainda não havia sido concluído pela polícia nem havia denúncia apresentada pelo Ministério Público. Mantê-lo preso poderia caracterizar constrangimento ilegal. A Justiça também impôs medidas cautelares ao agricultor, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar ou manter contato com o filho e com a mãe da criança. Segundo o delegado Brenno Andrade, o suspeito não tinha relação de afeto e nem contato com a criança. Ele apenas pagava uma pensão, e esse teria sido um dos motivos para planejar o crime. "Ele não queria mais pagar a pensão [...] Em uma das conversas, ele fala em tirar a própria vida. Mas ele não queria, digamos assim, essa 'encheção de saco' da mãe dele, avó da criança, ser cobrada pela pensão. Então, ele pensou em também matar o próprio filho." A Polícia Civil do Espírito Santo informou que aguarda o resultado de laudos periciais — de objetos apreendidos na casa do agricultor — para concluir o inquérito. Na casa do suspeito foram encontrados quatro frascos com uma substância desconhecida, além de uma corda amarrada, que, segundo a polícia, seria indicativo de uma intenção suicida. "Tudo aquilo que a plataforma trouxe pra gente foi corroborado com a chegada da polícia ao local. Ele confirmou algumas coisas que pesquisou em relação ao filho, mas negou essa intenção de matá-lo", disse o delegado. Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo Além dos frascos, o celular do suspeito foi recolhido para ser periciado. O objetivo é saber se o agricultor realmente entrou em contato com um pistoleiro para matar o filho, conforme contou ao ChatGPT. "Vamos supor que no telefone dele, ele já tinha iniciado essa conversa, já tivesse até pagado o pistoleiro. A polícia entende que, nesse caso, havendo esse tipo de situação, ele já passa da fase de cogitação e já está ali, executando o crime que não foi consumado por motivos alheios à sua vontade, que foi a polícia chegar previamente e efetuar a prisão", declarou o delegado. Já a defesa do agricultor sustenta que ele não praticou nenhum crime. "Se conversar com IA e falar bobagens for crime, todo mundo vai preso", disse à BBC o advogado Pedro Pessi, que faz parte da defesa do agricultor. O caso levanta uma questão que ainda não tem uma resposta simples no direito brasileiro: até que ponto uma conversa com uma ferramenta de inteligência artificial pode ser usada como prova de um crime? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, embora as mensagens tenham sido suficientes para justificar uma prisão preventiva — diante do risco iminente à vida de uma criança — , elas não bastam, por si só, para acusar o pai de um crime. E isso envolve duas questões principais: a forma como essas mensagens foram encaminhadas às autoridades brasileiras e até onde o pai foi no suposto plano de matar o filho. Pesquisa sobre ataques e tentativa de burlar a IA Além de externar o plano de matar o próprio filho e depois se matar, o agricultor fez pesquisas no ChatGPT relacionadas a ataques a escolas, igrejas e policiais, segundo o delegado. As buscas eram feitas de forma genérica, sem mencionar nome de autoridades ou locais específicos. "Se eu for num ponto de drogas e matar uns 4 bandidos, eu ficaria famoso na cidade. Depois era só matar um ou dois policiais e poderia morrer tranquilamente", disse em uma das mensagens. "Estou pensando em comprar uma arma de fogo e atirar contra a polícia para eles reagirem e me matar. Isso vai ser legal e bom pra mim", afirmou em outra conversa. Para o delegado, as interações indicam que o agricultor cogitava cometer outros ataques. "Pela nossa experiência, a pessoa trabalha em escalas, digamos assim, ela vai gerando esse sentimento, essa vontade, e começa a pesquisar sobre. Depois, começa a pesquisar sobre como é um tipo de material para praticar esse tipo de situação. E, em certo ponto, ela vai praticar o ato", explicou. Em algumas dessas interações, o pai da criança também tentou contornar as restrições impostas pelo próprio ChatGPT ao reformular perguntas que possivelmente violavam os termos de uso, segundo o delegado. Em uma das conversas, por exemplo, escreveu: "Efeitos da ricina no corpo humano". Em seguida, perguntou: "Como retirar a ricina da semente da mamona? Curiosidade científica". O que o ChatGPT respondeu? Um fato, contudo, chama atenção: a polícia não sabe o que a ferramenta respondeu ao agricultor. Apesar de ter enviado às autoridades brasileiras as perguntas feitas pelo suspeito, a Open IA não enviou as conversas na íntegra. "A gente não recebeu as respostas que eram dadas. Recebemos o usuário que estava utilizando aquele chat específico, aquela conta", afirmou Andrade. Segundo a advogada criminalista e professora da FGV-Rio Maíra Fernandes, a ausência das respostas compromete a compreensão do contexto da interação e não preserva seu conteúdo original. Ela explica que, assim como em um caso de assassinato, em que a área é isolada para preservar o local e evitar alterações, uma conversa com uma inteligência artificial também deveria chegar às autoridades com garantias de autenticidade e integridade. "Então não pode ser um trechinho, não pode ser uma edição. Não pode ser o que eles [a Open IA] acharam que era perigoso. Tem que ser a íntegra daquela conversa. Porque às vezes, no meio da conversa, pode vir algo que seja equivalente a um desabafo, a um pensamento aleatório, uma fantasia que se explica ao longo da conversa, mas que, se pega um trecho isolado, parece uma conduta criminosa", afirma Fernandes. Para ela, o fato de o caso envolver uma criança e trazer uma situação ainda nova para o direito — em que uma inteligência artificial identificou uma conversa como potencialmente perigosa e comunicou à polícia — faz com que a atuação da ferramenta seja vista de forma positiva. Mas isso deveria ser tratado com muita cautela para não correr risco de banalização. "E aí qualquer pessoa pode ser investigada porque a inteligência artificial assim entendeu. A gente precisa saber que inúmeras questões estão envolvidas no uso dessa inteligência artificial, de todas as naturezas, inclusive políticas ideológicas", pontua. Procurada pela BBC News Brasil, a Open IA não respondeu aos questionamentos sobre por que apenas parte das conversas foi enviada às autoridades brasileiras. Em nota, a empresa informou, por meio de um porta-voz: "Quando detectamos conversas que indicam um risco iminente e crível de danos a terceiros, podemos notificar as autoridades policiais. Relatos recentes no Brasil ilustram a importância dessas medidas de segurança." Ainda segundo a Open IA, o ChatGPT combina mecanismos automáticos de detecção, revisão especializada e supervisão humana para identificar riscos e violações de políticas. A empresa diz que pode tomar medidas quando há riscos críveis e iminentes de danos a terceiros, mas que o encaminhamento às autoridades é reservado a casos excepcionais e de alto risco. Fernandes também chama atenção para outro ponto nesse caso: o papel exercido pela plataforma durante a interação. Segundo ela, as respostas são importantes não apenas para entender a conduta do usuário, mas também para avaliar se a própria ferramenta forneceu algum tipo de orientação que incentivasse o suposto planejamento do crime. "Será que a resposta foi positiva no sentido: 'Como você prefere matar? Você prefere matar com veneno? Você prefere matar com arma?' Isso tem uma responsabilidade gigantesca da ferramenta de inteligência artificial, o que não exclui, óbvio, a responsabilidade daquele que pergunta. Mas isso precisa estar nos autos", afirma. Perguntas feitas pelo pai da criança ao ChatGPT; respostas da ferramentas não foram encaminhadas às autoridades policiais Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo Essa discussão sobre o papel da inteligência artificial em planejamento de crimes apareceu recentemente em um caso nos Estados Unidos. Em abril deste ano, o procurador-geral da Flórida abriu uma investigação criminal sobre a OpenAI para apurar se o ChatGPT contribuiu para o planejamento de um ataque que matou duas pessoas e feriu outras seis na Florida State University, em 2025. Segundo as autoridades, o autor do ataque teria usado a ferramenta para obter informações sobre armas, munições e aspectos do planejamento da ação. O procurador-geral afirmou que, se uma pessoa tivesse fornecido aquelas orientações, ela poderia ser responsabilizada criminalmente. A OpenAI contesta essa interpretação e afirma que o ChatGPT apenas forneceu informações disponíveis publicamente e não incentivou atividade ilegal. Para André Glitz, mestre em Direito pela Columbia University e pesquisador na área de investigação criminal, o caso brasileiro passa por dois pontos: a validade das conversas como prova e o peso que elas podem ter para uma eventual acusação. "É preciso saber em que contexto essas conversas aconteceram e o que o ChatGPT respondeu. Uma conversa precisa ter começo, meio e fim. Se você extrai apenas um pedaço dessas conversas, o sentido do que foi dito pode mudar completamente. A prova pode até ser válida, mas é importante ver o peso", afirma. Glitz destaca que essa análise é especialmente importante em conversas com ferramentas de inteligência artificial, que podem "alucinar", produzir respostas equivocadas ou interpretar de maneira inadequada o contexto de uma pergunta. Segundo ele, como a OpenAI é uma empresa americana, ter acesso a todas as conversas exigirá uma decisão judicial e mecanismos de cooperação jurídica internacional. Por meio de nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que "em situações excepcionais que envolvam risco concreto e iminente à vida ou à integridade física de terceiros, empresas de tecnologia podem compartilhar informações com as autoridades brasileiras. Quando essas comunicações chegam ao Ciberlab, é realizada uma análise preliminar e, identificada a necessidade de atuação imediata, as informações são encaminhadas, com a maior brevidade possível, às autoridades policiais com atribuição sobre o caso para adoção das medidas cabíveis". Uma pessoa pode ser presa por cogitar um crime? O caso no Espírito Santo lembra a premissa de Minority Report, filme de 2002 em que a polícia prende pessoas antes que elas cometam crimes, com base na previsão de que irão cometê-los. Não, por acaso, a comparação com a obra foi feita tanto pelo delegado quanto por Glitz durante as entrevistas. Há, porém, uma diferença fundamental. A inteligência artificial não previu que o agricultor cometeria um crime. Ela identificou uma conversa como potencialmente perigosa, e a plataforma comunicou o alerta às autoridades. A defesa do agricultor sustenta que o caso não passou da fase de cogitação. À BBC, o advogado Pedro Paulo Pessi afirmou que o pai da criança não teria tomado nenhuma medida concreta para executar os crimes mencionados nas conversas, muito menos a ameaçado. "Ele não teve nenhuma atitude nesse sentido de execução, não preparou nada, não fez ameaças, apenas conversou com a IA e falou várias bobagens. A defesa entende que não houve crime", declarou. Glitz explica que essa discussão, no direito penal, passa pelo chamado iter criminis — o caminho percorrido até a prática de um crime — e é divido em três fases: cogitação, preparação e execução. Na avaliação dele, o agricultor estaria, a princípio, apenas cogitando o crime nas conversas com o ChatGPT. "A preparação envolve atos materiais, como comprar uma arma ou adquirir veneno. Já a execução começa quando esse plano passa efetivamente a ser colocado em prática", explica. Em regra, afirma o especialista, nem a cogitação nem os atos meramente preparatórios são puníveis. Há exceções, porém, quando um ato preparatório configura um crime autônomo. É o caso, por exemplo, da posse ilegal de arma de fogo: ainda que nenhum homicídio seja praticado, a pessoa pode responder pelo crime relacionado à arma. Em Minority Report, tecnologia aliada à mente dos precogs (pessoas capazes de sonhar prevendo o futuro), era capaz de prever crimes, possibilitando que eles fossem antecipados Getty Images/BBC Glitz ressalta, contudo, que a distinção entre preparação e execução nem sempre é simples e que há discussões na doutrina e na jurisprudência sobre o momento em que se considera iniciado o ato de execução, especialmente em situações em que esperar pelo "último ato" poderia expor a vítima a um risco elevado. Segundo ele, no caso do agricultor, essa distinção depende do que a investigação conseguir comprovar além das conversas. "Será preciso analisar o caso concreto, o que as conversas anteriores indicavam, se existiam outros elementos, como materiais apreendidos, compra de substâncias ou outros atos que indiquem que ele avançava para uma execução. Isso será objeto de discussão jurídica." Um novo caminho para a polícia O caso é inédito para a própria polícia. Andrade, que atua na Delegacia de Crimes Cibernéticos desde 2018, afirma que já está acostumado a investigar crimes envolvendo ambientes digitais, como abuso e exploração sexual infantil online, ameaças no ambiente escolar e crimes praticados por meio de redes sociais. Mas, até então, não havia recebido um alerta de uma ferramenta de inteligência artificial que pudesse levar à identificação de um possível crime. "A gente descobriu que era o primeiro caso do Espírito Santo e o terceiro do país. E, nas palavras do próprio Ministério da Justiça, 'de longe, o caso mais grave'", afirmou. Para ele, comunicação feita pela plataforma abre uma nova possibilidade para a investigação policial: identificar situações de risco antes que uma conduta criminosa seja efetivamente praticada. "É mais um caminho para a polícia para tentar saber se pessoas pesquisaram crimes na inteligência artificial. Acredito que, pelo menos no caso que envolve violência ou grave ameaça, risco de integridade à vida, as plataformas vão fazer essa comunicação, o que já facilita muito o trabalho da polícia", afirmou, ressaltando, porém, que isso não substitui o trabalho de investigação. Para Luiz D'Urso, advogado especialista em direito digital, o episódio chama atenção justamente por mostrar uma nova forma de interação entre plataformas de inteligência artificial e autoridades policiais. Segundo ele, sistemas automatizados podem identificar conteúdos potencialmente perigosos, mas a decisão de comunicar um caso às autoridades deve ser submetida a uma avaliação humana e feita com muita cautela. "Não é possível permitirmos que a IA faça uma denúncia diretamente à autoridade policial para essa tomar providências, porque alguém precisa ver se aquele conteúdo é verdadeiro. Caso contrário, nós podemos ter uma avalanche de denúncias falsas chegando à polícia por alucinações, interpretações erradas", destaca. No caso do agricultor, D'Urso considera que havia elementos suficientes para justificar a preocupação da plataforma. Mas afirma que situações como essa também mostram a necessidade de uma legislação brasileira que consiga contemplar essas mudanças provocadas pela inteligência artificial. Para Patricia Peck, professora da ESPM e especialista em Direito Digital, o episódio também mostra uma mudança no papel das ferramentas de inteligência artificial, que deixaram de ser apenas instrumentos de geração de conteúdo e passaram a funcionar como ambientes de interação capazes de identificar padrões associados a situações de risco. "Quando uma conversa deixa de representar uma mera intenção abstrata e passa a indicar uma ameaça concreta, com vítima identificável, meios disponíveis e risco iminente, surge um dever ético e, em determinadas circunstâncias, jurídico de atuação", afirma. Segundo Peck, o critério deve ser proporcional ao risco: quanto maior a probabilidade de dano imediato a terceiros, maior a legitimidade para acionar mecanismos de segurança. "A ética aplicada à IA não deve partir da lógica de 'monitorar tudo', mas sim da lógica de 'intervir apenas quando o risco justificar'. O desafio é evitar tanto a omissão quanto o excesso de vigilância", afirma. *O nome do suspeito foi alterado para preservar a identidade da criança envolvida no caso. Agora no g1
14/08/2026 09:06:26 +00:00
'Workslop': os trabalhos malfeitos por IA que geram retrabalho, roubam tempo e custam milhões às empresas

Workslop pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado". Pexels A pressa das empresas em incorporar ferramentas de inteligência artificial ao dia a dia dos trabalhadores criou um novo problema: o relatório chega com tópicos organizados, linguagem técnica e aparência profissional, mas basta uma leitura mais atenta para perceber que ali não há nada de útil. As conclusões são genéricas, faltam informações importantes sobre o negócio e uma nova rodada de análises, correções e ajustes se faz necessária. Em vez de aumentar a produtividade, a IA gera retrabalho e atrasa o desenvolvimento dos profissionais — em especial, os mais novos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O fenômeno já tem nome: workslop. 📎 O termo vem da junção das palavras "work" (trabalho) e "slop" (malfeito), e pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado". Ele passou a ser usado para descrever tarefas geradas por IA que — na ânsia de economizar esforço ou acelerar processos — são superficiais e oferecem pouco valor prático para quem precisa utilizá-las. Agora no g1 Um levantamento da BetterUp Labs, em parceria com a Stanford Social Media Lab, mostrou que 40% dos trabalhadores afirmam ter recebido algum conteúdo que se enquadra no conceito de workslop. Esse grupo estima que 15,4% de todo o material recebido se encaixe nessa categoria. Quando esse tipo de conteúdo entra no fluxo de trabalho, cria-se um efeito em cadeia. Alguém precisa conferir informações, corrigir erros ou simplesmente refazer parte da tarefa. 💸 Esse custo já foi medido. Os trabalhadores gastam, em média, 1 hora e 56 minutos lidando com cada ocorrência de workslop, segundo a BetterUp Labs. Isso representa uma perda estimada em US$ 186 por mês para cada funcionário afetado. Em uma organização com 10 mil trabalhadores, o prejuízo anual pode ultrapassar US$ 9 milhões em produtividade desperdiçada. Para Miguel Nicolelis, considerado um dos principais neurocientistas do mundo, há uma crença generalizada de que ferramentas de IA seriam capazes de substituir etapas importantes do pensamento humano — do trabalho ao estudo. O resultado, afirma, é uma espécie de "atalho intelectual": tarefas que antes exigiam construção de conhecimento passam a ser delegadas a sistemas que produzem respostas nem sempre confiáveis. Na vida profissional, receber esse tipo de conteúdo também provoca irritação, confusão e desgaste entre os colegas. Aos poucos, o problema compromete relações de confiança e colaboração, fundamentais para o funcionamento das organizações. Mas evitar o assunto também não é a solução. A discussão envolve como a IA está transformando a rotina de trabalho, a qualidade do que é produzido, a pressão sobre os profissionais e os riscos de uma dependência crescente dessas ferramentas. Nesta reportagem, o g1 discute esses pontos e mostra por que a promessa de produtividade nem sempre se concretiza, quais estratégias as empresas têm adotado para reduzir riscos e por que temas como governança e pensamento crítico são importantes nesse debate. Saiba mais sobre: Como a IA criou o ambiente perfeito para o workslop O preço do workslop O que acontece quando a IA começa a pensar por nós Como usar a IA sem cair no workslop O que as empresas estão aprendendo na era da IA Como a IA criou o ambiente perfeito para o workslop Há pouco tempo, construir uma apresentação demandava horas de organização de informações e estruturação de argumentos. Hoje, pode levar apenas alguns minutos. Essa facilidade ajuda a explicar como a inteligência artificial se espalhou tão rapidamente entre os profissionais. João Quessada, desenvolvedor de software, recorre diariamente à IA para analisar códigos, resumir documentos e acelerar tarefas que antes consumiam horas de trabalho. "Sem sombra de dúvidas a IA agiliza muito o meu trabalho. Algo que eu faria em três ou quatro dias eu faço em um dia utilizando IA", conta o desenvolvedor. Mas a velocidade não garante um bom resultado. "Às vezes, ela não é 100% certeira. Em vez de ligar o ponto A ao ponto B, liga o ponto A ao ponto C e depois volta para o B", resume. Diogo Ferreira, profissional da área de tecnologia em uma empresa do agronegócio, também diz que a IA ajuda a organizar ideias, estruturar documentos e acelerar etapas operacionais, mas que a validação e as decisões continuam sob sua responsabilidade. Diogo Ferreira g1 "Quando você aprofunda, percebe que pode faltar contexto ou que a solução proposta está genérica demais. Para identificar isso, é preciso conhecer o assunto sobre o qual se está falando", afirma. A rápida adoção também foi impulsionada pela expectativa de ganhos de produtividade em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência e resultados. Mas, à medida que a IA deixou de ser novidade, o debate começou a mudar. A discussão passou a envolver os efeitos que essas ferramentas estão produzindo no dia a dia de quem trabalha com elas. Um estudo global do Upwork Research Institute, feito com 2,5 mil profissionais, mostra uma diferença de expectativas. Enquanto 96% dos executivos acreditam que a IA vai aumentar a produtividade, 77% dos profissionais afirmam que a carga de trabalho aumentou. O levantamento também revela que 81% dos líderes aumentaram as expectativas sobre suas equipes após a adoção da IA, enquanto 71% dos trabalhadores relatam sinais de burnout. Para Nicolelis, esse fenômeno está relacionado a uma antiga ambição do mundo corporativo. "A IA nada mais é do que a combinação de um pensamento que começa lá na Idade Média. Da tentativa da automação completa do trabalho humano." Luciana Morilas, especialista em trabalho da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), afirma que, apesar do entusiasmo em torno dessas novas ferramentas, grande parte das organizações ainda tenta entender como incorporá-las às rotinas profissionais. Nesse processo, muitas pessoas passaram a utilizar sistemas de IA sem treinamento adequado e sem compreender claramente quais ferramentas são mais apropriadas para cada tipo de atividade. "Quando uma apresentação pode ser criada em poucos minutos e um relatório gerado em segundos, surge a tentação de transformar a IA em um atalho permanente. O problema é que a velocidade da entrega nem sempre acompanha a qualidade." Luciana argumenta que, embora esses sistemas tenham acesso a volumes gigantescos de dados e sejam capazes de organizar conteúdos, isso não significa que compreendam contexto, prioridades ou as particularidades de um negócio. Nicolelis concorda e ressalta que a situação se torna ainda mais delicada porque grande parte das empresas ainda está aprendendo a estabelecer regras e diretrizes para esse novo ambiente de trabalho. Um relatório da IBM indica que 87% das organizações brasileiras não possuem práticas formais de governança em inteligência artificial. Na prática, isso significa que a adoção da tecnologia tem avançado mais rapidamente do que a criação de políticas, treinamentos e mecanismos de supervisão capazes de orientar seu uso. O preço do workslop Quando um conteúdo superficial entra no fluxo de trabalho, alguém precisa assumir o conserto: preencher lacunas, corrigir interpretações equivocadas ou até reescrever trechos inteiros. O trabalho, portanto, não desaparece. Apenas muda de mãos. A situação pode ser ainda mais preocupante: quanto mais sofisticado um conteúdo parece, mais difícil pode ser identificar suas falhas. E, quanto mais esses problemas passam despercebidos, maior é o risco de que os erros se espalhem pela organização. Segundo a BetterUp Labs, receber esse tipo de conteúdo também gera desgaste entre os colegas. Mais da metade dos trabalhadores (53%) afirma sentir irritação diante de episódios de workslop; 38% relatam confusão e até sensação de desrespeito ao perceber que precisam gastar tempo corrigindo algo que deveria ter chegado pronto. As consequências também chegam à reputação profissional. Nas empresas, a qualidade das entregas influencia diretamente a confiança entre colegas, gestores e equipes. Ainda de acordo com o estudo da BetterUp Labs, quem envia workslop tende a ser visto como menos criativo, competente, confiável e até menos inteligente. Em muitos casos, isso reduz a disposição dos colegas para voltar a trabalhar com essa pessoa em projetos futuros. Para Luciana, a inteligência artificial não elimina a necessidade de conhecimento especializado. Um levantamento da Forrester Research mostrou, por exemplo, que 55% dos empregadores se arrependeram de ter demitido funcionários em função da inteligência artificial. Uma projeção da Gartner também aponta que metade das empresas que substituíram trabalhadores de áreas como atendimento ao cliente ou operações por IA precisará recriar essas funções até 2027. Nicolelis afirma que esse movimento evidencia uma promessa de substituição que não tem se sustentado na prática. "Várias empresas e várias indústrias estão tendo que não só recontratar as pessoas que elas demitiram achando que iam substituí-las por essas ferramentas, como estão tendo que ter pessoas extras para tentar corrigir os erros causados por essas ferramentas". O que acontece quando a IA começa a pensar por nós? Durante décadas, a tecnologia assumiu principalmente tarefas operacionais ou repetitivas. Mas a inteligência artificial generativa passou a ser usada em atividades tradicionalmente associadas ao pensamento humano. Quessada admite que dificilmente envia um e-mail sem antes pedir que a inteligência artificial revise o texto. "Hoje eu não mando nenhum e-mail sem antes passar pela IA para refinar a escrita, a acentuação e as boas práticas", afirma. O mesmo acontece com Diogo. "Uso muito! Acho que principalmente para estruturar e-mail, revisar uma mensagem, uma comunicação que você vai fazer". Para Nicolelis, a preocupação com a substituição do pensamento vai além do ambiente corporativo. Segundo ele, a dependência crescente de tecnologias digitais já alterou a forma como as pessoas memorizam informações, se orientam no espaço e resolvem problemas cotidianos. Na avaliação do neurocientista, a conveniência proporcionada pela tecnologia pode vir acompanhada de uma redução gradual da chamada agência humana — a capacidade de agir, decidir e refletir de forma autônoma. "Quanto mais tarefas cognitivas são delegadas a sistemas externos, menor tende a ser o estímulo para exercitar essas capacidades. A conveniência está matando a agência humana", afirma. Para ele, o problema não está no uso da ferramenta, mas em transformar a exceção em regra: substituir de forma sistemática processos que antes exigiam reflexão, aprendizado e construção de conhecimento. Embora Quessada considere a IA indispensável no trabalho, ele demonstra uma preocupação parecida. "Às vezes, um desenvolvedor estagiário já vai utilizar IA nos primeiros trabalhos dele de estágio. Ele não vai refinar a lógica nem tentar praticá-la", afirma. 🤔 Mas quais habilidades podem deixar de ser desenvolvidas? E quais passam a ser ainda mais importantes? Luciana avalia que algumas competências tendem a perder espaço, enquanto outras se tornarão ainda mais valiosas. "Interpretação, pensamento crítico, contextualização e capacidade de julgamento ganham importância justamente porque a informação nunca esteve tão disponível. O desafio deixa de ser encontrar respostas e passa a ser avaliar quais delas fazem sentido." Como usar a IA sem cair no workslop Surge, então, a questão: como aproveitar os ganhos de produtividade sem abrir mão da qualidade, do senso crítico e da responsabilidade sobre aquilo que é produzido? Especialistas afirmam que as ferramentas de IA funcionam melhor quando são tratadas como ponto de partida. Quanto mais contexto a ferramenta recebe, maior a chance de produzir um resultado útil. "Quando você já tem clareza do problema, consegue economizar tempo porque ela tende a trazer um resultado melhor. Mas, se a pergunta não está bem direcionada, isso pode gerar retrabalho", explica Diogo. Sem informações sobre contexto, objetivos ou público-alvo, a ferramenta tende a produzir respostas amplas, superficiais e genéricas. Mas elaborar um bom prompt é apenas parte do processo. Outro erro frequente é considerar que a primeira resposta da IA já está pronta para uso. Na rotina de desenvolvimento de software, Quessada afirma que isso raramente acontece. O processo normalmente envolve novas perguntas, ajustes e sucessivas revisões. João Quessada g1 "A IA realmente não é algo para o qual você pode simplesmente dar um prompt inicial e esperar um resultado 100% pronto", afirma. Entre os principais riscos estão as chamadas "alucinações", situações em que a ferramenta inventa informações, apresenta dados incorretos ou chega a conclusões sem respaldo nos fatos. Outro ponto de atenção é a segurança da informação. À medida que essas ferramentas ganham espaço nas empresas, cresce também o risco de compartilhamento indevido de dados estratégicos, financeiros ou pessoais. Diogo afirma que essa é uma das principais preocupações em sua rotina. "O maior cuidado que a gente tem que ter quando fala de IA é a questão de inserir dados sensíveis, tanto pessoais quanto corporativos", afirma. Essa preocupação levou muitas organizações a estabelecer regras específicas para o uso dessas plataformas, restringindo o compartilhamento de determinadas informações e priorizando ferramentas que atendam a requisitos de segurança e conformidade. Segundo Luciana, para evitar o workslop, é preciso orientar os trabalhadores sobre quais ferramentas utilizar, em quais situações elas fazem sentido e quais são suas limitações. Essa diferença também aparece nas conclusões da BetterUp Labs. Os pesquisadores identificaram dois perfis de usuários: os "pilotos", que utilizam a IA para ampliar suas capacidades, e os "passageiros", que delegam à tecnologia tarefas que antes exigiam esforço cognitivo próprio. 💡 Ou seja: os profissionais que extraem mais valor da inteligência artificial não são necessariamente os que a utilizam com mais frequência. São aqueles que fazem perguntas melhores, questionam as respostas recebidas, conferem informações e mantêm o julgamento humano no centro das decisões. O que as empresas estão aprendendo na era da IA Em poucos anos, a conversa sobre IA nas empresas mudou de tom. O foco passou a ser como incorporá-la ao trabalho sem comprometer a qualidade das entregas ou criar novos riscos para profissionais e empresas. Segundo Daniel Marques, diretor de dados e analytics da companhia, a inovação só faz sentido quando vem acompanhada de critérios para avaliar riscos, definir prioridades e identificar onde a IA realmente gera valor para a empresa. "Não dá para sair fazendo e investindo em IA sem foco e governança", resume. A empresa criou um comitê multidisciplinar para acompanhar projetos de IA, estabeleceu critérios de risco e definiu diretrizes sobre ética, segurança da informação e uso responsável da tecnologia. Antes de automatizar uma atividade, a orientação é avaliar se a inteligência artificial realmente melhora o trabalho. No Itaú, a experiência levou a uma conclusão semelhante. Com mais de 56 mil funcionários utilizando ferramentas corporativas de IA generativa, o banco percebeu que ampliar o acesso à tecnologia exige mecanismos de controle tão robustos quanto os investimentos feitos nela. Por isso, as soluções passam por avaliações de segurança, conformidade, ética e viabilidade tecnológica antes de serem liberadas para uso. A orientação é que a inteligência artificial não seja adotada apenas porque está disponível. "A lógica é avaliar continuamente se a tecnologia gera benefícios concretos para clientes, funcionários e para o negócio. Em alguns casos, ferramentas tradicionais continuam sendo a melhor escolha", afirma Valéria Marretto, diretora de recursos humanos do Itaú. O Magazine Luiza chegou a uma conclusão parecida. Além de investir em equipes especializadas e desenvolver soluções próprias, a empresa criou políticas internas para orientar o uso da IA e definiu quais plataformas podem ser utilizadas pelos funcionários. Para Patricia Pugas, diretora-executiva de gestão de pessoas, a tecnologia deve ampliar as capacidades das pessoas — e não substituí-las. "A mensagem que passamos internamente é que a IA é uma aliada, e não uma solução final", afirma. "Sem treinamento, orientação e processos bem definidos, aumenta o risco de uso inadequado, retrabalho e produção de conteúdos superficiais (...) a tecnologia amplia capacidades, mas não elimina a necessidade de supervisão humana", conclui a pesquisadora Luciana Morilas.
14/08/2026 08:04:08 +00:00
Peixes têm 'impressão digital' que revela de onde vieram, mostra estudo; entenda

Tainha Conservação Internacional/Átila Ximenes Peixes também têm impressão digital. É o que mostrou uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), feita com a tainha brasileira. Os pesquisadores analisaram pequenas moléculas presentes no músculo da tainha para identificar de onde o peixe veio. A combinação dessas substâncias funciona como uma "impressão digital química". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O estudo conseguiu diferenciar tainhas capturadas em três locais do Brasil. Os pesquisadores encontraram diferenças na composição dos músculos relacionadas ao ambiente em que os peixes vivem, à quantidade de sal na água, à alimentação e ao funcionamento do organismo. Os cientistas também identificaram 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas. Essas substâncias ajudam a mostrar como o organismo dos peixes funciona, incluindo informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente. Agora no g1 Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica semelhante a um "raio-X químico": a Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio. O método permite mapear a posição dos átomos de hidrogênio presentes nas moléculas. A técnica foi associada à metabolômica, que permite analisar pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia. O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP). Fabíola Fogaça inserindo a tainha no "raio x químico" Divulgação/ Embrapa Leia também: Onda de calor na Espanha pode levar ao aumento do preço do azeite? Uso na prática A descoberta pode ajudar o setor pesqueiro e a criação de mecanismos para certificar a origem dos pescados. Segundo os cientistas, a tecnologia pode auxiliar a combater fraudes no mercado de pescados, como a substituição de uma espécie por outra e a falsificação da origem do produto. Além disso, a impressão digital química pode ser usada de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama. A Lagoa de Araruama fica no Rio de Janeiro e é considerada a maior lagoa com concentração de sais permanente do mundo. A água tem salinidade média de 52%, mais alta que a do mar. Essa característica influencia diretamente o metabolismo das tainhas que vivem na região. Saiba também: Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Depois do foie gras, quais práticas de criação e abate de animais podem ser proibidas? De onde vem o que eu como: tilápia
14/08/2026 06:00:47 +00:00
Como o super El Niño pode afetar a América Latina, principal região exportadora de alimentos do mundo

Plantação de soja pronta para colheita em Roraima Raquel Maia/Amazônia Agro A América Latina se prepara para o que especialistas avaliam poder ser o El Niño mais forte já registrado, o que levanta dúvidas sobre os impactos do fenômeno na maior região exportadora de alimentos do mundo. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical central e oriental, altera os padrões climáticos em todo o mundo. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar chuvas mais intensas no sul e elevar o risco de seca em áreas mais ao norte, afetando a agricultura, a produção de energia, as rotas comerciais e o meio ambiente. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e episódios de seca já afetam partes do Caribe e da Amazônia. Pesquisadores esperam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade do El Niño de 2015-2016, o mais forte já registrado. Agora no g1 Veja alguns dos impactos esperados: Irrigação de culturas Nas férteis regiões dos Pampas argentinos, além de áreas do Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma trazer chuvas acima da média. Apesar das preocupações com um evento particularmente intenso, analistas afirmam que o aumento da disponibilidade de água tende a beneficiar as lavouras. Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, afirmou que, assim como em ciclos anteriores, o El Niño pode favorecer as colheitas de soja, milho e trigo ao aumentar a umidade do solo para o plantio e ampliar a disponibilidade de água durante o verão, entre dezembro e fevereiro. O excesso de umidade, no entanto, pode favorecer doenças causadas por fungos e reduzir nutrientes do solo em áreas fertilizadas. Infraestrutura vulnerável Um El Niño mais intenso também pode provocar enchentes em áreas rurais já naturalmente suscetíveis a esse tipo de evento, acrescentou Heinzenknecht. Estradas tomadas pela lama ou por alagamentos podem dificultar o acesso dos agricultores às lavouras, atrapalhando a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas, disse ele. Muitas das estradas rurais que atravessam importantes áreas agrícolas do sul da América do Sul já apresentam condições precárias. As fortes chuvas previstas para setembro também podem provocar inundações em cidades e nas rotas de acesso aos portos. Diante desse risco, o governo do Paraguai colocou unidades militares em alerta e mobilizou equipes de engenharia civil ainda em julho. A costa norte do Peru enfrenta inundações, enquanto regiões mais elevadas sofrem com a escassez de água. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), esse padrão também pode se repetir no Chile e em outras áreas da costa do Pacífico. O aumento da temperatura do mar também está levando espécies de interesse comercial a migrar para águas mais profundas, reduzindo o volume pescado. Essa mudança já afeta a indústria pesqueira do Peru, que registrou queda de 31% na atividade nos primeiros cinco meses do ano. Oportunidades energéticas A distribuição desigual das chuvas pode acabar beneficiando o crescente setor de exportação de energia da Argentina. Segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE), a previsão de tempo mais quente e seco no norte e no oeste do Brasil pode aumentar a demanda por gás natural da Argentina para abastecer usinas termelétricas. Por outro lado, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas, elevando o nível do rio Paraná e ampliando o potencial de geração das hidrelétricas ao longo de seu curso. Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas do sul do Brasil atingiram 256% da média histórica, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). “Cada El Niño conta uma história diferente”, disse Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, acrescentando que o equivalente a um mês de chuva pode cair em apenas uma semana em algumas áreas do centro-oeste e sudeste do Brasil. Secas ameaçam navegação e logística A previsão de tempo mais seco no norte do Brasil ameaça a vasta rede fluvial da Amazônia, um corredor de transporte fundamental para o escoamento da produção do maior exportador mundial de soja. A previsão de tempo mais seco no norte do Brasil ameaça a vasta rede fluvial da Amazônia, um corredor de transporte fundamental para o escoamento da produção do maior exportador mundial de soja. Mais ao norte, a Autoridade do Canal do Panamá está endurecendo as restrições à carga transportada pelos navios para preservar a água doce necessária ao funcionamento da via, já que as previsões apontam para uma seca que pode ser tão severa quanto a registrada durante o El Niño de 2023-2024. A autoridade marítima vem reduzindo gradualmente o calado máximo das embarcações, já que um novo reservatório planejado para garantir o abastecimento de água do canal e da população do país não ficará pronto a tempo. 🔎 Calado é a profundidade da parte submersa de uma embarcação. Quanto menor o calado permitido, menor é a quantidade de carga que cada embarcação pode transportar, o que encarece o frete e reduz a eficiência logística. Com limites menores de calado, os navios precisam transportar menos carga, o que eleva os custos de transporte e aumenta o risco de interrupções no comércio. O Panamá está entre os países mais chuvosos do mundo, o que torna qualquer redução significativa das chuvas um importante sinal de seca na região. A autoridade responsável afirmou que não pretende reduzir o número diário de travessias pelo canal, a menos que isso se torne estritamente necessário. A disputa por espaço no canal já está aumentando, com leilões de última hora alcançando milhões de dólares, enquanto parte das embarcações também busca rotas alternativas diante das tensões de segurança no Oriente Médio, na região do Canal de Suez.
14/08/2026 06:00:13 +00:00
O que é a Lei da Reciprocidade Econômica, que Brasil aciona contra os EUA

Brasil inicia processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que iniciou o processo para adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas aplicadas pelo governo norte-americano sobre produtos do Brasil. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia "O governo brasileiro informa que deu início a análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país", informou o governo em nota. O que é a Lei da Reciprocidade Econômica? Aprovada em 2025, a Lei da Reciprocidade Econômica é um mecanismo que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações de outros países que prejudiquem a competitividade brasileira. ➡️Naquele ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O texto define as situações em que o governo pode recorrer ao instrumento e quais medidas podem ser adotadas. Entre elas estão a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil O início do processo O governo afirmou que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) "está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas". "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", diz a nota. O governo brasileiro afirma que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. "[O governo brasileiro] apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil. As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz a nota do governo. Representantes do setor de máquinas e equipamentos chegaram a se manifestar contrariamente à aplicação da Lei de Reciprocidade. No mês passado, após a tarifa de 25% entrar em vigor, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil seguisse negociando com os EUA pela via diplomática e empresarial. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Pouco antes da nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para tratar do assunto. OMC No início desta semana, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images
14/08/2026 03:00:16 +00:00
Mega-Sena, concurso 3044: confira os números sorteados

Mega-Sena, concurso 3044: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.044 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (13), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 3.010.600,82. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 15 - 17 - 40 - 55 - 58 Nenhum aposta acertou as seis dezenas. Segundo a Caixa, 16 apostas acertaram a quina e levaram R$ 61.152,83. Já outras 1.252 apostas tiveram quatro acertos e levaram R$ 1.288,19. O próximo prêmio, do sorteio do dia 15 de agosto, está estimado em R$ 38 milhões. Mega-Sena concurso 3044 Reprodução O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
14/08/2026 00:02:53 +00:00
Tarifaço: Governo dá início a processo de reciprocidade contra os Estados Unidos

Brasil inicia processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. ➡️A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. "O governo brasileiro informa que deu início a análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país", informou o governo em nota. O governo afirmou que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) "está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas". A previsão no Itamaraty é que a Embaixada do Brasil em Washington notifique os EUA sobre o início do processo de reciprocidade contra o tarifaço do governo de Trump nesta sexta-feira (14). Todas as áreas envolvidas no assunto são notificadas, entre elas o Departamento de Estado norte-americano, USTR. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", diz a nota. O governo brasileiro afirma que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. "[O governo brasileiro] apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil. As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz a nota do governo. Representantes do setor de máquinas e equipamentos chegaram a se manifestar contrariamente à aplicação da Lei de Reciprocidade. No mês passado, após a tarifa de 25% entrar em vigor, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil seguisse negociando com os EUA pela via diplomática e empresarial. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Pouco antes da nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para tratar do assunto. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz OMC No início desta semana, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas aunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Veja a cronologia do tarifaço de Trump: ➡️Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). ➡️Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA de 1962. ➡️Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. ➡️Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. ➡️Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. ➡️No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. ➡️Em 22 de julho, entrou em vigor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação dos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Milhares de produtos importantes para a economia americana ficaram isentos. ➡️No dia 24 de julho, começou a valer a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A alíquota entrou em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro, perdeu a validade.
13/08/2026 22:36:50 +00:00
Nubank tem lucro líquido acima de US$ 1 bilhão pela primeira vez

Logo do Nubank na Bolsa de Valores de Nova York. Brendan McDermid/ Reuters O Nubank informou nesta quinta-feira (13) que, pela primeira vez em sua história, registrou lucro líquido bilionário em um trimestre. Segundo o banco, a quantia cresceu 17% e chegou a US$ 1,061 bilhão no período entre abril e junho de 2026. No segundo trimestre, o banco teve receita bruta de US$ 5,9 bilhões, o que representou alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025. A carteira de crédito cresceu 37% e chegou a US$ 39,4 bilhões, e o total de depósitos cresceu 18%, chegando a US$ 45,3 bilhões. A empresa chegou a 139 milhões de clientes, 4 milhões a mais do que no trimestre anterior. Do total, quase 118 milhões estão no Brasil, 15,8 milhões estão no México e 5 milhões estão na Colômbia. Agora no g1 Ao mesmo tempo, o índice de inadimplência para dívidas com mais de 90 dias sem pagamento aumentou, chegando a 6,9%. A alta é explicada pela migração sazonal dos atrasos iniciais registrados no primeiro trimestre, disse o banco. O índice de inadimplência medido entre 15 e 90 dias, no entanto, caiu levemente, de 5% para 4,8%. Em seu comunicado, o Nubank afirmou que lidera como banco principal de consumidores brasileiros e que a taxa de atividade mensal de seus clientes superou os 86% pela primeira vez. A empresa também destacou que tem avançado entre clientes de maior renda e entre pequenas empresas.
13/08/2026 22:29:22 +00:00
IFI do Senado estima perda de R$ 4,7 bi para saúde em 2027 com gatilho em projeto de lei; ministro da Fazenda nega que haja 'prejuízo'
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estimou nesta quinta-feira (13) que um "gatilho" incluído em um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional vai gerar uma perda de R$ 4,7 bilhões para a área de saúde em 2027. O texto, aprovado pelo Senado Federal nesta quarta-feira (12), seguiu para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois já havia passado pelo crivo da Câmara dos Deputados. O projeto permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis, além de conceder concede subsídios, na forma de diminuição de tributos, para a indústria de fertilizantes e o setor de minerais críticos e estratégicos. Mas também foram incluídos dois "gatilhos" — regras automática que impõe a contenção de gastos públicos obrigatórios, um tipo de "jabuti", ou seja, material estranho ao contexto original da proposta. ➡️Um dos gatilhos determina que, no caso de déficit primário neste ano (como está projetado pelo governo e analistas) as receitas da União com a comercialização do petróleo e gás natural não sejam incluídas no cálculo da chamada "receita corrente líquida" do governo. ➡️Com isso, a receita corrente líquida crescerá menos no próximo ano. O problema é que o piso constitucional de aplicação da União em Ações e Serviços Públicos de Saúde é justamente 15% da receita corrente líquida, que terá alta menor em 2027 com a imposição do gatilho aprovado pelo Congresso Nacional - impondo perda de recursos para essa área. "A IFI estima que isto implicará na criação de um espaço orçamentário em 2027, só com o piso da saúde de R$ 4,7 bilhões (15%), utilizando o cenário de referência da PPSA que projeta uma arrecadação, no próximo ano, de R$ 31 bilhões com a comercialização de óleo e gás", informou o órgão do Senado, em nota à imprensa. Além da área de saúde, outro gatilho aprovado no projeto de lei também retirará recursos de outras áreas, ao limitar o crescimento dessas despesas ao teto do chamado "arcabouço fiscal", a regra para as contas públicas aprovada em 2023. Por essa regra, as despesas gerais não podem crescer mais do que 2,5% em termos reais (acima da inflação). ➡️Pelo gatilho, em caso de projeção de déficit primário no exercício 2026, o crescimento de despesas primárias atreladas a vinculações estabelecidas por legislação infraconstitucional também não poderá crescer acima disso. ➡️Isso que criará uma "limitação extra" de R$ 5 bilhões, que, segundo a IFI, impactará "despesas vinculadas sobretudo de rubricas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (Lei no. 11.540/2007) e o Fundo Constitucional do Distrito Federal (Lei no. 10.633/2002)". Espaço para outras despesas ➡️Os dois gatilhos juntos, portanto, tem um impacto de abrir no orçamento um espaço de cerca de R$ 10 bilhões, algo já confirmado pela área econômica do governo federal. ➡️Em um orçamento quase totalmente engessado, esses recursos serão destinados para outros gastos livres do governo (não obrigatórios), podendo até mesmo "melhorar trajetória dos resultados fiscais", disse ontem o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A IFI do Senado Federal observou que a preocupação do governo reafirma uma realidade que o órgão tem realçado nos últimos anos: "a crescente e insustentável rigidez orçamentária, com o crescimento exponencial das despesas obrigatórias e rígidas e a compressão quase absoluta da margem de liberdade do governo federal para sustentar o custeio e os investimentos que materializam as políticas públicas". "Esta realidade impõe inexoravelmente a revisão profunda do regime fiscal brasileiro em 2027", opinou o diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana. A insustentabilidade do arcabouço fiscal, diante do crescimento dos gastos obrigatórios e a redução do espaço para despesas livres, é uma avaliação compartilhada por outros economistas. Ministro da Fazenda nega 'prejuízo' Questionado mais cedo nesta quinta-feira por jornalistas sobre perdas para saúde e educação por conta de gatilhos incluídos no projeto de lei que permite usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que haveria "prejuízo" para essas áreas. "Não afeta, não tem prejuízo, as medidas de saúde educação que foram ampliadas e fortalecidas nesse governo. Não há nenhum prejuízo a esses setores", disse o ministro da Fazenda. Segundo ele, o governo reforçou essas áreas com R$ 100 bilhões por ano nos últimos anos ao retomar a vinculação dos pisos de saúde e educação à variação da arrecadação do governo em 2023. As verbas para essas áreas haviam sido limitadas pelo teto de gastos do governo Jair Bolsonaro, que chegou a impor perdas de mais de R$ 50 bilhões em seis anos. "O crescimento é sustentável, controlado, e com garantia de crescimento para honrar com nossos compromissos sociais. É estranho porque, muitos dos compromissos que me pedem, com controle fiscal, com seriedade. O que a gente consegue entregar é esse equilíbrio de crescimento, manutenção dos compromissos, com controle do gasto obrigatório", acrescentou o ministro, sobre o projeto de lei aprovado pelo Legislativo.
13/08/2026 22:28:47 +00:00
H&M acelera expansão no Brasil e abre 4 lojas, incluindo estreia no Nordeste

Logotipo da H&M é exibido na fachada de uma loja em Estocolmo, na Suécia. REUTERS/Tom Little A varejista sueca H&M anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura de quatro novas lojas no Brasil, incluindo duas no Nordeste, inaugurando sua presença na região, um ano após o início das operações no país. As novas unidades no Nordeste serão em shoppings de Recife e Fortaleza e as inaugurações acontecerão ao longo do segundo semestre. "O Nordeste é um mercado importante para nós. O nível de produtividade dos shoppings é acima da média nacional, então é um mercado interessante", disse Joaquim Pereira, presidente-executivo da H&M Brasil, em entrevista à Reuters. "Sabemos também, pelos dados estatísticos dos nossos clientes do nosso canal online, que temos uma forte base de consumidores na região", acrescentou Pereira. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As outras duas novas lojas serão abertas em shoppings da cidade do Rio de Janeiro, onde a empresa já possui um ponto de vendas. Ao fim das inaugurações, a empresa contará com um total de 13 lojas no Brasil, distribuídas por três - Sudeste, Sul e Nordeste - das cinco regiões do país. Brechós ganham espaço com a alta da moda circular Um ano de operação no Brasil A rede europeia abriu sua primeira loja no Brasil há um ano, no Shopping Iguatemi, na cidade de São Paulo. Desde então, a varejista abriu mais cinco lojas no estado, uma no Rio de Janeiro e duas no Rio Grande do Sul. A H&M conta, atualmente, com um centro de distribuição em Extrema, Minas Gerais, com cerca de 24 mil metros quadrados. Como é trabalhar na H&M? Desde a estreia no Brasil, a varejista implementou um cronograma de trabalho de cinco dias com dois dias de descanso para seus funcionários. "Isso é parte do modelo de negócio, assegurar as melhores condições possíveis e os melhores benefícios, para que os colaboradores permaneçam", disse o executivo.
13/08/2026 22:16:22 +00:00
Grupo de hackers diz ter roubado dados de quase 50 empresas, incluindo Philips e Shell

Cybercrime; hacker; crimes digitais; crimes virtuais Kevin Horvart/Unplash Um grupo de hackers conhecido por explorar falhas de segurança em softwares para atacar várias empresas ao mesmo tempo afirmou ter roubado grandes volumes de dados de quase 50 companhias em todo o mundo, incluindo Philips, Shell, Fiserv e General Eletric. A alegação foi publicada no site do próprio grupo. A Philips confirmou que foi alvo do grupo Cl0p e informou que identificou e conteve uma tentativa de invasão a um servidor corporativo ligado a dados internos. Segundo a empresa, o incidente não afetou os ambientes de clientes. A Shell disse que está ciente de um "possível incidente" recente e que trabalha com suas equipes de segurança e especialistas externos para investigar o caso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ataque hacker tira sites de prefeituras do ar Invasão atinge Já a Fiserv afirmou que conhece as alegações dos hackers, mas que, após uma análise completa realizada até o momento, não encontrou evidências de comprometimento de dados de clientes, informações bancárias, transações ou dados pessoais, nem de impacto em seus sistemas. A General Eletric não respondeu aos pedidos de comentário. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente se os hackers realmente roubaram os dados, nem qual seria o volume ou o tipo de informação obtida. O grupo Cl0p também não respondeu aos pedidos de entrevista. Ainda não está claro como os invasores acessaram as empresas Apesar da icnerteza de como as empresas foram hackeadas, a Ransom-ISAC, organização que compartilha informações sobre ameaças cibernéticas, alertou em 22 de julho que o Cl0p estava explorando falhas de segurança nos programas PTC Windchill e FlexPLM, softwares usados por empresas para gerenciar projetos de engenharia e processos de fabricação. A PTC, empresa responsável pelos programas, não comentou o caso. Desde 18 de junho, ela publicou diversos alertas de segurança orientando seus clientes a instalar uma atualização que corrige a vulnerabilidade e informando sobre ataques contra seus produtos. Hacker DC Studio/Freepik Segundo Brandon Parsons, gerente de inteligência de ameaças da Ascent Solutions e autor do alerta da Ransom-ISAC, algumas empresas começaram a receber notificações do Cl0p entre 19 e 20 de julho. Ele afirma que o grupo não costuma escolher vítimas específicas, mas sim explorar uma mesma falha em softwares amplamente utilizados. “Eles não atacam uma empresa específica. Eles encontram uma vulnerabilidade de dia zero e exploram essa falha”, disse Parsons. Uma vulnerabilidade de dia zero é uma falha de segurança desconhecida pelo fabricante do software e que ainda não possui correção disponível, tornando milhares de usuários potenciais alvos de ataques simultâneos.
13/08/2026 22:09:46 +00:00
Emprego formal teve 2,2 milhões de vagas abertas no primeiro semestre de 2026, diz governo

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou, nesta quinta-feira (13), que o emprego formal somou 2,2 milhões de vagas abertas na parcial do primeiro semestre deste ano. O número é 3,6% maior em relação ao valor registrado no fim de 2025 e consta na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Evolução do total de vínculos formais de emprego: 60.691.770 em 31 de dezembro de 2025. 62.891.209 em 30 de junho de 2026. O setor de serviços é o que responde pelo maior número de empregos e também pelo maior salário. A remuneração média dos trabalhadores do setor foi de R$4.999. Na sequência aparacem os setores do comércio, indústria, construção e agropecuária. Os jovens com até 24 anos são os que mais aumentaram a participação nos números. Segundo o MTE, em dezembro de 2026 o grupo representava 12,7% e, em junho deste ano, 13,8%. Agora no g1 Disparidades de gênero e raça A disparidade de gênero se reflete na medida em que mulheres recebem, na médica, 87,9% do salário médio dos homens. Já em relação à raça, trabalhadores pardos e pretos recebem, aproximadamente, 68% da remuneração de trabalhadores brancos. Horas trabalhadas Segundo a RAIS Mensal, 70% dos vínculos com jornada informada têm contratos de 41 a 44 horas semanais, o equivalente a 35,7 milhões de vínculos. O dado não permite identificar quantos estão especificamente na escala 6x1, mas mostra o peso das jornadas mais longas no mercado formal. Durante a apresentação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a defender a discussão sobre o fim da escala 6x1 e cobrou do Senado a votação da proposta. “Está aí a escala 6x1, que o Senado está sentado em cima, que nós fizemos, de fato, que os senadores e senadoras, o presidente Davi Alcolumbre, libere essa pauta para os senadores e senadoras votarem contra ou a favor, conforme a sua consciência, mas vote. Deixa o debate ocorrer”, afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou a apresentação dos dados no Ministério do Trabalho acompanhado dos ministros Luiz Marinho; Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Dario Durigan, da Fazenda. Para participar é necessário documento de identificação, carteira de trabalho e cópias do currículo. FUNTRAB
13/08/2026 20:51:43 +00:00
EUA acusam Brasil de ajudar China a driblar tarifas e colocam país em lista de alto risco comercial

Tarifaço: exportações brasileiras para Estados Unidos registram menor patamar em três anos O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que acusa de ajudarem a China a burlar tarifas de importação. Pequim estaria fazendo isso ao enviar seus produtos para outros países para embalagem e montagem, uma prática conhecida como transbordo comercial (transshipping, em inglês), segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13). A tática teria surtido o efeito de maquiar as importações americanas provenientes da China, que apesar de terem diminuído à primeira vista, seguiriam ameaçando fábricas e empregos nos EUA e gerando perdas anuais bilionárias de arrecadação tributária. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações", declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas. Navarro, contudo, destacou que os problemas apontados dizem respeito principalmente a outras nações que facilitam a evasão das tarifas. O presidente Donald Trump conversa com repórteres após chegar a bordo do Air Force One na terça-feira, 11 de agosto de 2026, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland Mark Schiefelbein O relatório classifica os países em três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no "nível 2", classificado como "integração econômica significativa", ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Segundo a Casa Branca, esses países combinam volumes significativos de transbordo comercial com integração mais profunda com cadeias de abastecimento ligadas à China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos ou canais regionais de redirecionamento das mercadorias. O Brasil, na qualidade de "importante plataforma regional de produção e logística", atuaria para simular a transformação de produtos para alterar sua origem declarada. UE também foi enquadrada pela Casa Branca Já o "nível 1", que reúne Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, faria o transbordo comercial dos "maiores volumes absolutos", com "risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos". Especialistas observam há anos desvios nas cadeias de suprimentos envolvendo a China desde o primeiro governo Trump, quando Washington e Pequim travaram uma guerra tarifária em 2018. O governo chinês tem classificado sua relação com os Estados Unidos como uma de "estabilidade estratégica". Ainda assim, suas políticas de apoio às exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automotivo, metalúrgico e eletrônico nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e em outras regiões. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Navarro afirmou que outros países, como a Índia, também podem recorrer ao transbordo comercial para evitar novas tarifas. Segundo ele, os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump incluirão cláusulas para punir parceiros que adotarem essa prática. Balança comercial americana ainda em déficit apesar de tarifas O governo Trump impôs tarifas elevadas a grande parte do mundo na tentativa de proteger os fabricantes americanos, atingindo aliados e rivais com impostos de importação. Ao mesmo tempo, essas tarifas criaram novas pressões inflacionárias dentro dos Estados Unidos. O relatório apresenta uma série de estimativas sobre a dimensão do transbordo comercial destinado a evitar tarifas. Com base em dados governamentais e do setor privado, calcula-se que entre US$ 34,2 bilhões (R$ 177,5 bilhões) e US$ 303 bilhões (R$ 1,572 trilhões) em mercadorias sejam redirecionados anualmente. Para enfrentar o problema, Navarro afirmou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) começou a utilizar inteligência artificial em um programa piloto para impedir o transbordo comercial. Segundo ele, quando se comprova que um importador falsificou a origem de um produto, as tarifas podem ser aplicadas retroativamente, abrangendo aproximadamente o ano anterior. As tarifas impostas por Trump durante seu segundo mandato enfrentaram uma série de contestações judiciais. Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou algumas delas. Os Estados Unidos continuam importando mais do que exportam para o restante do mundo. No entanto, o déficit comercial acumulado até agora neste ano, de US$ 371 bilhões (R$ 1,925 trilhão), está cerca de US$ 189 bilhões (R$ 980,9 bilhões) abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
13/08/2026 20:39:30 +00:00
Empréstimo do BRB: após reunião tensa no STF, governo do DF e órgãos federais decidem manter negociação de R$ 6,6 bilhões

Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF Terminou sem avanços concretos a nova reunião de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), mediada pelo ministro Luiz Fux nesta quinta-feira (13), para tentar destravar um empréstimo bilionário e salvar o balanço patrimonial do Banco de Brasília (BRB). No encontro, representantes do governo do DF, do BRB e de órgãos federais concordaram em manter a mesa de conciliação e seguir negociando o crédito. Não houve mudanças efetivas no status do acordo, que segue travado há três meses. Durante a reunião, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltaram a trocar declarações fortes sobre o não cumprimento do acordo homologado em maio. Ao pedir o novo encontro, Celina Leão acusou os órgãos federais de "inércia" no tratamento do tema – o que gerou reclamações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Governadora do DF, Celina Leão fala após reunião de conciliação no STF sobre BRB Nesta quinta, Celina foi a primeira a falar na reunião. E voltou a cobrar os órgãos federais. "Eu não estou vindo pedir uma decisão judicial, eu tenho uma decisão judicial. Venho pedir o cumprimento das partes. O que a gente tem é uma série de exigências, até sobre Centrad, ministro, que não tem nada a ver com a história do BRB", declarou Celina. ➡️O Centrad citado por Celina Leão é o Centro Administrativo do DF – complexo construído para receber órgãos públicos e pivô de uma polêmica entre o governo distrital e a Caixa. Em seguida, Dario Durigan assumiu o microfone – e repetiu a posição de que o governo federal não criou o problema e está empenhada em ajudar. "A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis. A União foi trazida para esse debate e, com muita boa vontade, apresentamos soluções para além de ficar criando dificuldade", rebateu. "Não cabe a ninguém sugerir, muito menos ao FGC, a qualquer banco, que a solução é o aval da União, porque o aval da União todo mundo quer. Os agricultores querem aval da União para negociar sua dívida. Então, é o aval da União que resolve tudo no país? Essa é a concepção errada. Achar que nós temos que socializar os problemas, socializar a responsabilidade com a sociedade brasileira como um todo, isso não é correto", seguiu Durigan. O governo do DF tem pressa em conseguir o dinheiro. Entre outros motivos, porque o BRB não divulga seus balanços periódicos há um ano e vem sendo multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF 'Nunca questionei boa vontade', diz Celina Ao fim da reunião, já com a conciliação mantida, Celina Leão afirmou que nunca questionou a "boa vontade" das partes envolvidas no acordo. "[...] Nunca questionando se as pessoas estavam com boa vontade. Nunca foi questionado isso. Eu acho que é esse aqui o ambiente adequado. Eu judicializei para ter a decisão judicial. Nós temos uma primeira decisão judicial que foi conciliada, e que há algumas dificuldades do cumprimento da decisão", afirmou. "Foi para isso que fizemos a audiência, para ele [Fux] entender quais são as dificuldades. E eu acho que todos os entes, tanto o governo do Distrito Federal como o governo federal, estão prontos para cumprir, 100%, o acordo que foi feito no primeiro momento. Então assim, é com muita tranquilidade", seguiu. "Ninguém quer aqui sair derrotado ou derrotar ninguém. Eu acho que a população de Brasília merece todo aqui o nosso empenho. [...] Nós vamos finalizar o acordo, eu acho que há um entendimento, não há uma vontade diferente. Eu acho que a vontade nossa é a mesma vontade do mundo", completou. Embate BRB x FGC A reunião também gerou embates entre o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e o presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Daniel Lima. O representante do BRB fez críticas após o FGC afirmar que precisaria de "complementos jurídicos" para a viabilização do empréstimo. Na reunião, Lima voltou a exigir o balanço patrimonial de 2025 e de parte de 2026. "O FGC não faz operação de crédito, o que o FGC faz é operação de assistência. E, para fazer uma operação de assistência, é fundamental conhecer muito bem o banco. E a equipe do BRB sabia disso", declarou. Lima afirmou ainda que o Fundo está preocupado que "o problema aumente". "Aqui a gente não consegue descartar a possibilidade que ,ao invés de resolver o problema, a gente estaria participando de um aumento [do problema]", concluiu. Souza rebateu as acusações e mostoru um aparelho de HD externo portátil para alegar que os documentos necessários foram enviados. "Causou estranheza o desconhecimento do presidente do FGC, quando nós temos um HD que nós subimos mais de 20 mil páginas para o FGC dia 24 de março, onde nós levamos toda a documentação", declarou o presidente do BRB. A fala foi interrompida pelo ministro Luiz Fux, que pediu calma ao representante do banco. "Nós estamos aqui para trazer mensagens positivas, então vamos evitar qualquer tipo de confronto, porque isto é uma audiência de mediação, não é? Não há espaço senão para ouvi-los sobre a solução. Porque, se não chegar a uma solução, evidentemente que a resposta será judicial e tudo será levado em conta", disse o magistrado. O que gerou a crise do BRB? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel O que prevê o acordo em vigor? O acordo chancelado pelo STF e pela Câmara Legislativa do DF autoriza o governo Celina Leão (PP) a pegar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Pelo acordo, os maiores bancos públicos e privados do país entrariam na operação como avalistas. O governo federal não dá garantia à operação, já que o DF não tem boa nota em Capacidade de Pagamento (Capag) – ou seja, está sem o "selo de bom pagador" necessário. Se houver calote, o "consórcio" de bancos pode receber parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que o governo federal repassaria ao Distrito Federal. O governo do DF se comprometeu, no acordo, a adotar medidas de ajuste fiscal para evitar que o empréstimo deteriorasse ainda mais a capacidade de pagamento de dívidas da capital. Maio: União e governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB A modelagem do empréstimo não ficou descrita no acordo homologado pelo STF. Algumas informações sobre a proposta foram divulgadas pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em audiência no Senado. Segundo ele, a proposta na mesa prevê: valor: R$ 6,6 bilhões em parcela única carência: 18 meses (ou seja, primeira parcela da quitação ficaria para 2028) juros: IPCA + 4,5% ao ano quitação: 180 parcelas mensais (15 anos) "Nessas condições, a primeira prestação seria para pagar a partir de 2028, na faixa de R$ 95,6 milhões por mês", estimou Nelson Souza no Senado. Deputados de oposição ao governo Celina Leão estimam que, nessa modelagem, os juros do empréstimo podem gerar um custo adicional de mais de R$ 1 bilhão ao ano aos cofres da capital. Por que o acordo não avançou? Desde a última reunião da mesa de conciliação, quando o acordo foi anunciado, pouco avançou na concessão dos R$ 6,6 bilhões. As negociações são mantidas em sigilo, como é praxe no mercado financeiro. O que se sabe, até aqui, é que o grupo de bancos tem resistido à ideia de se colocar como "avalista" de um banco como o BRB – que não divulga seu balanço há mais de um ano. Há o temor, por exemplo, de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes para tirar o banco das condições adversas. Se isso acontecer, o empréstimo seria infrutífero, e o Banco de Brasília e o governo do DF seguiriam com dificuldades para resolver a crise. Nesse cenário, o BRB não conseguiria sequer ajudar o governo do DF a saldar a dívida, nos próximos anos. Como acionista majoritário, o DF recebe a maior parte da distribuição dos dividendos do banco. Há ainda um outro "medo": de que o uso do FPE e do FPM como "contragarantias" para os bancos seja contestado na Justiça. Isso, porque os fundos são usados para custear serviços públicos essenciais no Distrito Federal – e um eventual "confisco" pode prejudicar a assistência à população. Nesta semana, após ser convocado para a nova rodada de conciliação, o Fundo Garantidor de Créditos disse ao STF que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar o empréstimo. O FGC cobra os balanços de 2025 e 2026 do BRB – justamente, para saber se os R$ 6,6 bilhões seriam capazes de sanear o patrimônio do banco distrital. Em entrevista à TV Globo no dia seguinte, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou esse pedido. Segundo ele, o empréstimo será tomado pelo governo e, por isso, o FGC não precisaria medir a saúde financeira do BRB. GDF deve apresentar novas propostas para tentar destravar empréstimo de R$ 6,6 bi para BRB O que acontece com o BRB sem o empréstimo? Até o momento, todas as partes envolvidas no acordo evitam dar uma resposta taxativa sobre o futuro do BRB sem o acordo. No último domingo, ao ser cobrada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços do BRB, a governadora Celina Leão deu uma resposta taxativa (e reveladora) sobre a situação do banco. "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado", disparou Celina. 'Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo', diz Celina sobre BRB A frase explicita o que já era dado como certo pelo mercado financeiro: o BRB vem operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central para o sistema bancário brasileiro. ➡️Essas normas, conhecidas no setor como "Acordos de Basileia", definem que os bancos comerciais devem ter um patrimônio minimamente sólido para funcionar como um "colchão" contra choques econômicos. ➡️Isso significa, por exemplo, que os bancos não podem multiplicar seus empréstimos indefinidamente, colocar todo o capital de acionistas no altíssimo risco ou transformar todo o dinheiro depositado em capital de giro. ➡️Se o BRB admitir nos relatórios que está desrespeitando esses limites, pode ser obrigado a interromper as operações. ➡️A ideia do BRB e do governo do DF é injetar os R$ 6,6 bilhões no banco e, só então, divulgar todos os relatórios. Na prática: dizer que o banco vinha operando fora das regras, mas já terá voltado à normalidade graças ao empréstimo. DF e União fecham acordo para viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar BRB Jornal Nacional/ Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
13/08/2026 20:08:46 +00:00
Instagram ganha nova identidade visual após 10 anos; veja o que mudou

Instagram muda sua identidade visual pela primeira vez em 10 anos Divulgação/Instagram O Instagram anunciou nesta quinta-feira (13) uma renovação de sua identidade visual, que inclui uma nova tipografia, ajustes nas cores, movimentos e outros elementos gráficos. A mudança foi anunciada por Adam Mosseri, diretor do Instagram. Essa é a primeira grande atualização da identidade visual da plataforma em 10 anos. A última grande mudança ocorreu em 2016, quando o aplicativo abandonou o visual retrô e adotou a identidade colorida e minimalista. A nova fonte moderniza a caligrafia do Instagram. Divulgação/Instagram Em publicação oficial, o Instagram afirmou que está “escrevendo um novo capítulo” da plataforma, com uma logotipia renovada e um sistema de marca inspirado no “espírito artesanal” de suas raízes criativas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Ele [o novo sistema de arte] foi criado para inspirar ações corajosas e dar às pessoas a confiança para criar e se expressar como realmente são, de forma livre e plena”, disse May Hartono, diretora de design de marca da Meta. Initial plugin text "Estamos escrevendo um novo capítulo no Instagram com uma logotipia renovada e um sistema de marca que reflete o espírito artesanal das nossas raízes criativas. Esse trabalho se estendeu a todo o sistema da marca — abrangendo tipografia, movimento, cores e muito mais —, tudo concebido para destacar a criatividade infinita da nossa comunidade", explicou a empresa no post oficial da mudança. O que mudou? Logotipo e ícone: o tradicional símbolo de câmera continua como principal referência, mas ganhou uma construção visual atualizada; Tipografia: a marca passou a utilizar uma nova linguagem tipográfica própria; Cores: a paleta foi ajustada para mudar a identidade; Movimento e animações: a nova identidade incorpora uma linguagem própria para elementos animados; Elementos gráficos: o sistema visual foi desenvolvido para se adaptar a diferentes formatos e experiências dentro da plataforma. Instagram completa 10 anos: conheça a história do aplicativo em 10 fatos Na prática, a nova proposta deixa de lado parte dos elementos mais ornamentados da identidade anterior e aposta em uma linguagem mais contemporânea e limpa. Segundo a plataforma, a renovação busca recuperar o caráter criativo e artesanal de suas origens e, ao mesmo tempo, criar uma identidade capaz de acompanhar a evolução do aplicativo. Initial plugin text O Instagram já mudou de 'cara' Desde o lançamento, em 6 de outubro de 2010, o Instagram passou por diferentes transformações visuais. A plataforma foi criada pelo norte-americano Kevin Systrom e pelo engenheiro de software brasileiro Mike Krieger. No início, o aplicativo tinha uma estética inspirada em câmeras fotográficas antigas, com o famoso ícone de câmera retrô. A mudança mais marcante aconteceu em 2016, quando o Instagram adotou o gradiente colorido e o desenho minimalista que se tornaram sua identidade durante a última década. Última mudança na logo do Instagram. Divulgação/Instagram
13/08/2026 19:25:18 +00:00
Durigan diz que cerca de 800 mil pessoas foram excluídas de bets por terem aderido ao Desenrola 2.0

Governo prorroga Desenrola até 31 de agosto O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (13) que cerca de 800 mil pessoas foram excluídas de bets por terem aderido ao Desenrola 2.0. Pelas regra do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas, os devedores, e até mesmo adimplentes, que buscarem a revisão de seus débitos com as instituições financeiras não podem realizar apostas online por, pelo menos, seis meses. "Em razão dos números do novo Desenrola, que alcançam mais de 800 mil pessoas com conta ativa nas bets, que aderiram e, com isso, ficam impedidas de apostarem nessas casas de apostas", disse o ministro a jornalistas. Ao todo, segundo ele, ao todo, cinco milhões de pessoas já foram excluídas das apostas online. Veja abaixo: 1,2 milhão de pessoas haviam optado por se autoexcluírem; cerca de 800 mil pessoas saíram por estarem no Desenrola 2.0; 3 milhões de pessoas foram excluídas por estarem em programas sociais, como BCP e Bolsa Família. A exclusão de beneficiários de programas sociais cumpre determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que recursos de programas assistenciais sejam usados em apostas. Autoexclusão voluntária Pelo serviço de autoexclusão, lançado em dezembro do ano passado, qualquer pessoa pode bloquear seu CPF dos sites de apostas online. A autoexclusão centralizada é "reconhecida cientificamente como uma estratégia essencial para reduzir os danos à saúde mental da população com relação às apostas", diz o governo. A autoexclusão pode acessada por meio de cadastro no portal "gov.br" e ser viabilizada por um, três, seis, doze meses, ou por um período indeterminado, no qual o apostador deixará seu CPF indisponível para novos cadastros e recebimento de publicidades. "Uma vez selecionado o prazo, não é possível reverter a escolha durante o período indicado. Há a opção de se autoexcluir do ambiente de apostas por tempo indeterminado (sem prazo). Somente nesse caso, o usuário terá até doze meses para invalidar a decisão", informou o governo. As pessoas também serão convidadas as responder sobre os motivos que as levaram a se autoexcluir: decisão voluntária; dificuldades financeiras; recomendação de profissional de saúde; perda de controle sobre o jogo (saúde mental); ou prevenção de uso dos seus dados em plataformas de apostas Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
13/08/2026 18:20:41 +00:00
Jeep Avenger: 6 motivos para comprar e 6 motivos para não comprar o novo SUV de R$ 114.990

Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis A Jeep apresentou o Avenger, novo SUV da marca, que começa a ser vendido com preço promocional de R$ 114.990. Com isso, o lançamento é o híbrido mais barato do Brasil. O valor é válido para a versão de entrada Altitude e está limitado às primeiras mil unidades. É possível ainda adicionar um pacote de opcionais com câmera de ré, barras de teto e teto preto. Com esses equipamentos, o Avenger Altitude tem preço especial de R$ 124.990 para as primeiras 2 mil unidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp As demais versões são Longitude por R$ 135.990 e Limited por R$ 145.990. O g1 já testou a novidade e mostra algumas razões para comprar e outras razões para não comprar a novidade da Jeep. Agora no g1 A primeira razão para comprar o Jeep Avenger está no preço. O modelo, na versão Altitude do primeiro lote de mil unidades, é o híbrido mais barato do Brasil, por R$ 114.990. Se analisarmos o restante das versões e os pacotes de equipamentos até a mais cara, a Limited, o Avenger consegue entregar conteúdos com preços competitivos em relação a concorrentes. Durante a apresentação, a reportagem do g1 perguntou se a executivos da Stellantis se a Jeep teria vendas do Avenger também para grandes empresas, como locadoras. Os executivos da marca disseram que essa estratégia não acontecerá agora, mas não está descartada. O segundo motivo são justamente os pacotes de equipamentos. Desde a versão de entrada, veja mais abaixo, o Avenger oferece um bom pacote de tecnologia comparado com Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse. Mesmo na versão Altitude Pack, o modelo consegue entregar equipamentos interessantes. Há, porém, algumas pegadinhas. Desde a versão de entrada, o carro tem ar-condicionado, mas ele não é automático. Há apenas um mostrador digital. Também, desde a versão de entrada, o cluster de instrumentos é digital, mas a tela é menor e só cresce nas versões mais caras. Cluster de instrumentos do Jeep Avenger na versão Altitude Divulgação / Stellantis O terceiro ponto, e talvez aquele em que a Stellantis mais se apoie para vender o carro, é o design. O modelo tem uma presença forte e usa vários elementos de outros carros da Jeep e tradicionais da marca para transmitir a história da montadora focada no off-road. A grade tem as tradicionais sete fendas. Na versão Limited, ela pode ser iluminada. Os para-lamas têm um recorte marcado para valorizar as rodas de 18 polegadas na versão mais cara. Os apliques pretos marcam a silhueta. A coluna C tem uma assinatura que lembra outros carros da marca, como o Compass. Por dentro, o design é bem sóbrio e funcional. Por isso, o design pode ser um dos quesitos que vai fazer o público comprar o carro. Aliado a isso, o quarto motivo também tem relação com o design: é justamente a personalização que a Jeep vai permitir com o Avenger. Já neste primeiro momento, existe uma parceria com a marca californiana, Deus Ex Machina, e também com a divisão Mopar, que pertence a Stellantis. É esperado, portanto, que o Avenger tenha uma linha de acessórios ampla e que o cliente consiga deixar o carro cada vez mais personalizado, como é comum nos produtos da Jeep. Jeep Avenger na versão Longitude Divulgação / Stellantis O quinto motivo é algo inesperado para um modelo da Jeep, que está sempre ligado ao off-road e à aventura: a tocada, ou seja, o jeito que o Avenger anda. O carro é muito suave, em boa parte por conta da plataforma CMP, que é de carros menores. O DNA do Avenger é ser um carro fácil de conduzir, com direção elétrica leve e suspensão bem acertada, mas bastante focada no uso urbano. Quem entra no Avenger sem saber que é um Jeep pode achar que está conduzindo um hatch grande. Até a posição do banco é feita para não ser muito alta e não transmitir aquela impressão de carro altinho artificial. Para quem gosta de uma tocada suave, portanto, o Avenger é uma boa opção. O sexto motivo para comprar o Avenger é a tecnologia. O carro tem faróis com sistema Matrix, que se adaptam para não ofuscar outros veículos quando o farol alto está acionado. Com isso, ele consegue permanecer com o farol alto sem ofuscar quem vem com outros veículos na mesma mão ou na contramão. O modelo também tem uma assinatura do ChatGPT durante um ano para utilização na cabine, controle automático de velocidade de cruzeiro e controle adaptativo, além de frenagem autônoma. Há ainda um recurso mais comum em carros mais caros: o centralizador de faixa. Nas versões mais baratas, o Avenger tem sistema de alerta de faixa. Na versão mais cara, há também o centralizador, que mantém o carro no centro. Motivos para não comprar O primeiro motivo para não comprar o Jeep Avenger está justamente no desempenho. Desde o começo, toda a comunicação da Stellantis em relação ao modelo foi muito focada no MHEV, a tecnologia de híbrido leve já conhecida na marca e utilizada, por exemplo, no Fiat Pulse. O destaque desde o lançamento dessa tecnologia foi a leve economia de consumo e também alguns privilégios, como a possibilidade de não participar do rodízio na cidade de São Paulo. Mas, olhando a ficha técnica, não dá para negar que os 116 cavalos não são muito empolgantes. Portanto, se você olhar para o Jeep Avenger e enxergar toda essa aparência esportiva, é preciso entender que isso não se reflete no desempenho do carro. Conjunto mecânico do Jeep Avenger MHEV tem motor 1.0 Turbo e gera 116 cv Divulgação / Stellantis O segundo motivo tem muito a ver com o próprio DNA da Jeep. O Avenger, por enquanto no Brasil, não tem nenhuma opção 4x4. O modelo tem uma opção de bloqueio do diferencial. Nesse sistema, um dos freios no eixo dianteiro é usado para frear uma das rodas e transmitir a maior parte da força do motor para outra roda. Isso ajuda a sair de uma situação em que uma roda não está em contato com o chão ou quando uma das partes do piso está mais escorregadia. Porém, durante o lançamento, a reportagem do g1 sentiu claramente que a vocação do modelo é para a cidade. Além disso, os pneus não são off-road nem de uso misto. Portanto, o DNA da Jeep no Avenger é visual. Ele não está no sistema 4x4 nem no desempenho. O terceiro motivo que pode decepcionar os clientes é ouvir sempre a palavra "híbrido" quando se fala do Avenger. A questão é que esse híbrido leve não é parecido com o que alguns clientes já estão vendo em marcas chinesas, com baterias um pouco maiores, possibilidade de condução em modo elétrico e números de consumo mais interessantes. Aqui, segundo a Stellantis, a tecnologia proporciona economia de até 7% em relação ao carro convencional. E, olhando os números de consumo, eles não são tão impressionantes quando se considera que o motor é um 1.0 turbo. Espaço traseiro do Jeep Avenger Divulgação / Stellantis O quarto motivo, e esse talvez pegue muita gente de surpresa, é entender que o Avenger é um carro de dimensões pequenas. Na apresentação, a Stellantis destacou que o público do carro seriam pessoas que compram o primeiro veículo, casais sem filhos, famílias pequenas, com apenas uma criança, e os chamados casais de "ninho vazio", que já não têm filhos em casa porque eles cresceram. Quando se entra no carro e se colocam os bancos na posição correta, o espaço traseiro é acanhado e lembra o de um hatch. O espaço dianteiro é interessante, com a posição de dirigir, como já foi comentado, mais próxima à de um hatch do que à de um SUV. O porta-malas tem 320 litros, capacidade que também se aproxima do que é encontrado em hatches. Portanto, não é de se esperar que o Avenger seja um carro grande. As medidas podem ser algo que não encante algumas pessoas quando elas virem o carro ao vivo. Outro motivo, o quinto, para não comprar o Jeep Avenger é justamente a relação entre a lista de tecnologias e as versões disponíveis. O modelo tem uma lista extensa de tecnologias e itens exclusivos na categoria, mas, do jeito que o carro está posicionado no configurador, muitas dessas tecnologias estão disponíveis apenas na versão topo de linha, a Limited. Faróis com tecnologia Matrix do Jeep Avenger Divulgação / Stellantis Assim, ao ver o preço de menos de R$ 120 mil, alguns clientes podem se frustrar ao perceber que muitas das novidades estão somente na versão que custa mais de R$ 140 mil. O carro entra, nesse caso, em outra faixa de concorrência com outros modelos. Isso, combinado com o motor pequeno e as medidas menores da cabine, pode tornar a decisão mais difícil. O último quesito que pode fazer algumas pessoas não comprarem o Jeep Avenger está nas versões mais baratas. O cluster de instrumentos é pequeno e, embora a central multimídia tenha 10 polegadas, a tela é um retângulo comprido. A escolha de grafismos feita pela Jeep para o cluster e para a central multimídia poderia ser mais refinada. Durante o test drive, a central multimídia se mostrou intuitiva, mas a tela parece pequena em comparação com o que outros concorrentes oferecem atualmente, especialmente em relação a formatos mais retangulares. O cluster tem um grafismo diferente dos outros carros, o que é interessante, mas, na hora de ser funcional, pareceu um pouco confuso e não foi intuitivo de primeira. É um ponto que a Jeep e a Stellantis podem melhorar no futuro. Vendas já começaram O modelo já entra em pré-venda e começa a ser entregue aos clientes ainda em agosto. Veja abaixo os equipamentos de série e preços dos opcionais. O Jeep Avenger utiliza a plataforma CMP, arquitetura da Stellantis empregada em modelos de outras marcas do grupo, como Peugeot. O modelo havia sido confirmado pela Jeep no ano passado, durante o Salão do Automóvel. Uma das principais estratégias da Jeep é oferecer uma boa lista de equipamentos para disputar espaço com modelos chineses e outros SUVs do segmento. O Avenger é equipado com motor 1.0 turbo associado a um sistema híbrido leve, o MHEV 12V, a potência é de 116 cv com etanol ou gasolina. O conjunto é ligado a uma transmissão automática CVT com sete marchas simuladas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina. A velocidade máxima é de 185 km/h. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Ficha técnica - Jeep Avenger Limited Assentos: 5 Comprimento: 4,08 m Largura: 1,77 m (sem retrovisor) Altura: 1,58 m Entre-eixos: 2,55 m. Porta-malas: 320 litros (VDA) Peso: 1.280 kg Rodas: 18 polegadas Pneus: 215/55 R18 Suspensão dianteira: Independente, McPherson com barra estabilizadora Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Disco ventilado Freios traseiros: Disco sólido Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 3 cilindros em linha 1.0 Turbo MHEV Combustível: Gasolina / Etanol Potência (E/G): 116 cv (Etanol) / 116 cv (Gasolina) Torque (E/G): 20,4 kgfm (Etanol) / 20,4 kgfm (Gasolina) Câmbio: Automático, CVT Marchas: 7 marchas simuladas Tração: Dianteira Consumo urbano gasolina: 12,7 km/l Consumo rodoviário gasolina: 13,5 km/l Consumo urbano etanol: 8,8 km/l Consumo rodoviário etanol: 9,4 km/l Tanque de combustível: 47 litros Capacidade de carga: 400 kg Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Design forte Apesar do design com para-lamas marcantes e cara robusta, o Avenger tem medidas que lembram bastante as do Fiat Pulse. A Jeep destaca que, mesmo sem opção de tração 4x4, o SUV tem bons ângulos de entrada e saída e boa altura livre do solo. Segundo a marca, essas características tornam o modelo mais adequado para deslocamentos leves fora de estrada. O visual traz elementos que remetem à história da Jeep. A dianteira tem a tradicional grade com sete elementos. Os vincos nos para-lamas fazem referência aos primeiros modelos da marca. As lanternas traseiras têm formato de X, em uma referência aos tonéis retangulares usados para transportar combustível na parte traseira dos jipes durante os combates. Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis Na cabine, o Avenger aposta em linhas mais sóbrias e horizontais para criar sensação de maior amplitude. O quadro de instrumentos tem tela de 7 polegadas de série e 10,25 polegadas nas versão mais caras. A central multimídia também é de série e tem 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Durante a apresentação, a Jeep destacou o DNA da marca, apesar de o Avenger não ter tração 4x4 e utilizar plataforma e conjunto mecânico compartilhados com modelos de Fiat, Peugeot e Citroën. Maçanetas e retrovisores, por exemplo, são componentes usados em modelos da Peugeot. Segundo Breno Kamei, vice-presidente de marcas e marketing da Stellantis América do Sul, a Jeep considera que a história e o DNA da marca continuam sendo fatores importantes na decisão de compra dos consumidores. A estratégia é usar essa identidade para disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e SUVs chineses de preços próximos. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Durante a apresentação, Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, afirmou que a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, já deve operar com 2 turnos na produção do Avenger e poderia abrir um terceiro. O modelo já tem exportação confirmada para Uruguai, Argentina e Paraguai. Segundo ele, o objetivo é disputar a liderança do segmento, que tem o Volkswagen T-Cross entre os principais modelos Veja abaixo o que cada versão do Jeep Avenger oferece e os respectivos preços. Jeep Avenger Altitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Altitude — R$ 114.990 (preço promocional limitado às primeiras 1.000 unidades) Design Rodas de liga leve 6,5 x 16" + pneus 215/65 R16; Bancos revestidos em tecido; Console central com apoio de braço, porta-copos removível, porta-celular e porta-objetos; Lanternas escurecidas em LED; Maçanetas e retrovisores externos na cor preta. Tecnologia e conforto Faróis em LED + Automatic High Beam; Ar-condicionado; Cluster de 7" full digital Multimídia 10"; 1 entrada USB e 1 USB-C; Freio de estacionamento elétrico; Partida do motor sem chave; Seletor de terrenos (Selec-Terrain); Sensor de chuva; Sensor de estacionamento traseiro; Volante multifuncional; Hill Descent Control (assistente de descida de rampa). Segurança 6 airbags: 2 laterais, 2 de cortina e 2 frontais; Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - câmera; Aviso de saída de faixa e assistente de permanência de faixa (LDW/LKA); Controle de estabilidade (ESC); Detector de fadiga do motorista; Controle automático de velocidade de cruzeiro; Reconhecimento de placas de trânsito (TSR). Opcional Pacote High Altitude com (preço do carro sobe para R$ 124.990): Barras de teto Câmera de ré Jeep Avenger Longitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Longitude — R$ 135.990 Tudo da versão Altitude + Design Rodas de liga leve 6,5 x 17" + pneus 215/60 R17; Bancos revestidos em tecido e vinil; Barras longitudinais no teto; Maçanetas na cor do veículo; Retrovisores em black piano; Volante multifuncional em couro e acabamento black piano. Tecnologia e conforto Ar-condicionado digital automático; Faróis de neblina com função de iluminação em curva; Walk away lock (veículo trava quando a chave se afasta); Keyless + Entry N'go (veículo destrava com aproximação da chave); Câmera de ré; Carregador de celular sem fio; Aletas para trocas de marcha atrás do volante. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC); Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - radar + câmera. Opcionais Pacote Convenience Pack com: Entradas USB e USB-C traseiras; Retrovisor Frameless (sem moldura) Espelhos rebatíveis; Detector de ponto cego (Blind Spot Detection); Sensores de estacionamento frontais, traseiros e laterais. Pacote com Teto solar + Jeep Adventure Intelligence Teto solar; Cluster Full Digital 10,25"; Jeep Connect + ChatGPT embarcada. Jeep Avenger Limited Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Limited — R$ 145.990 Tudo da versão Longitude + Design Grade de sete fendas iluminada; Rodas de liga leve 18" + pneus 215/55 R18; Bancos revestidos em vinil; Teto preto; Espelho retrovisor Frameless + eletrocrômico; Ambient Light - 8 cores; Iluminação interna em LED; Retrovisores em Black Piano. Tecnologia e conforto Farol LED Matrix; Jeep Connect + ChatGPT embarcada; Câmera 360°; Retrovisores externos com rebatimento automático; Cluster full digital 10,25"; Sensor de estacionamento frontal; Navegação embarcada; Porta USB para passageiros traseiros. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC) + centralizador de faixa; Sistema de monitoramento de ponto cego. Opcional Teto solar
13/08/2026 17:40:45 +00:00
Canetas emagrecedoras viram febre: 1,3 milhão de pedidos movimentam R$ 2,3 bilhões em 6 meses

Canetas emagrecedoras exigem mudança de hábitos e acompanhamento O número de pedidos online de medicamentos associados ao GLP-1, as famosas "canetas emagrecedoras" utilizadas no tratamento do diabetes e sobrepeso, cresceu 149,3% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O aumento representa um salto de 2,5 vezes. Foram 1.364.354 solicitações entre janeiro e junho, ante 547.249 nos seis primeiros meses do ano passado. Os dados são de um levantamento da Serasa Experian e o valor total desses pedidos alcançou R$ 2,348 bilhões. O estudo contempla medicamentos injetáveis e outras formas farmacêuticas do princípio ativo. O crescimento reforça a expansão desse mercado no ambiente digital, mas também chama a atenção para a necessidade de proteção das transações. Em 2026, foram identificadas 3.966 tentativas de fraude, que envolveram R$ 7,86 milhões. Número de pedidos de canetas emagrecedoras no 1º semestre de 2026. Serasa Experian “O pico de novembro coincidiu com a Black Friday, período marcado pela intensificação das campanhas promocionais no comércio eletrônico, e ainda com a antecipação das festas de fim de ano e férias de verão, que ocorrem entre dezembro e janeiro”, analisa Rodrigo Sanchez, diretor de autenticação e prevenção à fraude na Serasa. Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô Adobe Stock Millenials e Geração X concentram demanda Os Millennials (Geração Y) foram responsáveis pelo maior número de pedidos do semestre (436.589 solicitações), seguidos da Geração X, que apareceu muito próxima, com 424.673. Juntas, as duas gerações concentraram 63,1% de todos os pedidos do período. Na comparação anual, os Baby Boomers apresentaram o crescimento mais acelerado de pedidos, com alta de 273,7% em comparação ao primeiro semestre de 2025, chegando a 164.687 solicitações. A Geração Alpha, por sua vez, esteve associada a mais de 20,5 mil pedidos e uma movimentação de R$ 36 milhões no primeiro semestre. Esse recorte indica pedidos vinculados a CPFs classificados nessa geração e não significa, necessariamente, que crianças ou adolescentes tenham realizado diretamente as compras. Assim como os millenials, eles geralmente têm escolhido postergar o casamento - mas por razões diferentes Getty Images Em uma análise por faixa etária, a menor variação ocorreu entre pessoas de até 25 anos, ainda assim expressiva, com alta de 84,14%. Com o crescimento da faixa etária, cresce também a variação dos pedidos, chegando ao aumento de quase 300% da população de 71 a 90 anos, em relação ao primeiro semestre de 2025. Entre os brasileiros com mais de 90 anos, faixa etária mais velha analisada, o aumento também foi relevante, de 134,45%. Confira abaixo o gráfico e a tabela com os dados detalhados por geração e faixa etária: A compra de canetas emagrecedoras por geração Cuidados para consumidores: Realizar compras somente em sites, aplicativos e estabelecimentos oficiais, conferindo o endereço eletrônico antes de inserir dados pessoais ou de pagamento; Evitar links recebidos por redes sociais, anúncios ou aplicativos de mensagem, especialmente quando direcionarem para páginas desconhecidas; Desconfiar de ofertas com preços muito inferiores aos praticados no mercado; Comprar medicamentos associados ao GLP-1 apenas mediante prescrição médica, com retenção da receita pela farmácia ou drogaria; Utilizar esses medicamentos somente de acordo com as indicações aprovadas e sob acompanhamento de um profissional habilitado; Nunca compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados completos de cartão fora dos ambientes oficiais; Desconfiar de páginas que se passam por órgãos públicos ou empresas conhecidas. Em maio de 2025, a Anvisa alertou sobre anúncios falsos que utilizavam indevidamente o nome da Agência para oferecer Mounjaro.
13/08/2026 17:11:01 +00:00
Internacional oferece trator à Justiça como garantia por dívida com empresário; entenda

Vitória e Internacional avançam às quartas da Copa do Brasil Um trator agrícola avaliado em R$ 80.488 foi oferecido pelo Internacional, time de futebol do Rio Grande do Sul, como garantia em uma disputa judicial por uma dívida de R$ 30.621,56. O equipamento, fabricado pela John Deere, foi apresentado pelo clube à Justiça do RS em um processo movido pelo empresário Tiago Silva dos Santos. O g1 teve acesso ao processo. Como o trator entrou no processo O Internacional apresentou o trator como garantia processual depois de ser cobrado judicialmente pelo pagamento de uma comissão ao empresário. Em 25 de maio de 2026, o juiz Walter José Girotto, da 17ª Vara Cível de Porto Alegre, deu três dias para o clube efetuar o pagamento da dívida. Em 13 de julho, o Internacional apresentou embargos à execução. Na defesa, o clube argumentou que o pagamento da parcela em aberto dependia da emissão de uma nota fiscal pela empresa de Tiago Silva, o que, segundo o clube, não teria ocorrido. Imagem ilustrativa de um trator John Deere Divulgação Como garantia para evitar bloqueios bancários e penhoras, o Internacional ofereceu o trator agrícola da John Deere, avaliado em R$ 80.488, e pediu efeito suspensivo ao processo O pedido foi negado pelo magistrado em 21 de julho. A decisão sobre a garantia ficou para depois da manifestação do credor. Empresário recusou a máquina Na última terça-feira, Tiago Silva dos Santos recusou o trator e pediu a continuidade da execução. O empresário argumentou que o dinheiro tem prioridade na ordem de penhora, conforme o artigo 835 do Código de Processo Civil. Ele também afirmou ter enviado ao Internacional a nota fiscal que, segundo o clube, seria necessária para o pagamento da parcela. O empresário pediu ainda que o clube fosse punido por litigância de má-fé. De onde vem a dívida A cobrança tem origem em um termo de pagamento de comissão firmado entre o empresário e o Internacional em 1º de abril de 2019, no valor de R$ 125 mil, dividido em dez parcelas de R$ 12,5 mil. O pagamento estava condicionado ao cumprimento de metas esportivas pelo jogador Zé Gabriel. Segundo o empresário, as metas foram atingidas em 25 de julho de 2020, ativando a cláusula de pagamento. O agente afirma que o clube quitou apenas as quatro primeiras parcelas. Em 30 de junho de 2025, as partes firmaram um termo de renegociação, assinado pelo presidente Alessandro Barcellos. O acordo deixou a dívida remanescente em R$ 85 mil, divididos em três parcelas de aproximadamente R$ 28,3 mil. Segundo o empresário, o Internacional pagou as duas primeiras e deixou em aberto a última, vencida em 30 de novembro de 2025. Após duas tentativas de cobrança por e-mail, o empresário acionou a Justiça. O valor da parcela, corrigido pelo IGP-M e com juros de 12% ao ano até 20 de maio de 2026, chegou a R$ 30.621,56. O que diz o Internacional Na defesa, o clube afirmou que o pagamento da terceira parcela dependia da emissão de nota fiscal pela empresa de Tiago Silva. Segundo o Internacional, a nota não teria sido emitida para essa parcela, o que teria descumprido uma obrigação prevista no acordo. O clube apresentou os embargos à execução e ofereceu o trator agrícola como garantia no processo. A disputa segue na Justiça do Rio Grande do Sul. *Procurado pelo g1, o Internacional ainda não se pronunciou.
13/08/2026 16:50:29 +00:00
Câmara aprova projeto para converter milhas em dinheiro

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13), em votação simbólica, um projeto para regulamentar programas de fidelidade, milhas e pontos. Um dos principais objetivos da proposta é criar regras para a conversão de milhas em dinheiro, além de sua comercialização. O texto foi apresentado em junho e foi analisado diretamente no plenário após aprovação de requerimento de urgência. Agora, segue para a análise do Senado. O autor do projeto, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), afirmou que a exigência de mecanismos que garantem liquidez efetiva das milhas pelas companhias e estabelecem regras sobre sua comercialização dão maior clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade. Agora no g1 “Entendemos que, com a definição desses parâmetros, a iniciativa busca conferir maior segurança jurídica às relações econômicas desenvolvidas em um setor já consolidado nas atividades de comércio e serviços”, afirmou Ayres. O texto aprovado pela Câmara institui dois tipos de programas de fidelidade no país: os com liquidez oficial, ou seja, com a possibilidade de conversão de pontos ou milhas em dinheiro; e os sem liquidez, que deverão permitir que os clientes comercializem seus pontos fora do programa de fidelidade sem restrições. Ainda segundo o projeto, programas de fidelidade que vendem pontos para seus clientes, seja de forma direta ou por meio de parceiros, serão obrigados a oferecer a conversão em dinheiro. Para esses programas, as empresas poderão criar regras internas próprias para a conversão em dinheiro e para a transferência ou comercialização. RELEMBRE: Milhas podem ser usadas para pagamentos de dívidas, define Justiça do Paraná; entenda como funciona O governo orientou voto contrário à proposta. O vice-líder do governo, Airton Faleiro (PT-PA), afirmou que o Executivo tem preocupações com a liquidez de empresas do setor. “É bom que se diga que o governo não construiu até então um parecer favorável a esse projeto com uma profunda preocupação com a liquidez das empresas e inclusive tem sido procurado por esse setor”, afirmou. Avião A350-900 Divulgação/Airbus Comercialização de milhas A venda de pontos ou milhas passaria a ser legal e regulamentada por lei. Com isso, as empresas ficariam proibidas de suspender ou encerrar contas pela venda de milhas. As empresas também não poderiam limitar benefícios ou resgates para os clientes que comercializem seus pontos. Medidas de combate à fraude, no entanto, poderão ser adotadas pelas empresas de forma independente nos casos em que a administradora permite a conversão dos pontos e milhas em dinheiro.
13/08/2026 16:46:18 +00:00
OpenAI, do ChatGPT, diz que IA pode adicionar R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil em três anos

Inteligência artificial impulsiona produtividade nas empresas A adoção de inteligência artificial (IA) pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo do Reglab comissionado pela OpenAI, a dona do ChatGPT. O valor, calculado em termos presentes com desconto pela taxa Selic de 13% ao ano, equivale a cerca de 7,6% do PIB estimado para 2026, de R$ 12,9 trilhões. O levantamento estima que a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com uma expansão média de 0,69 ponto porcentual ao ano na economia decorrente da tecnologia. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images O estudo ressalta, porém, que os ganhos não devem aparecer de uma só vez, mas gradualmente, conforme empresas, trabalhadores e governos adotem as novas ferramentas. O estudo foi encomendado pela OpenAI e estima o impacto da IA em 12 grandes setores da economia brasileira e separa os efeitos da tecnologia em dois canais: O aumento da produtividade dos trabalhadores; e A maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. Qual área irá se beneficiar primeiro? As indústrias de transformação, aquelas que convertem matérias-primas e insumos em novos produtos, concentram o maior impacto, com R$ 264,2 bilhões estimados entre 2027 e 2030. Na sequência aparecem outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões. Segundo o estudo, 65% do impacto total da IA viria do aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto os 35% restantes seriam resultado da maior eficiência do capital. A proporção, porém, muda significativamente entre os setores. "Na agropecuária, 92% do impacto total é capturado via capital", aponta o estudo. O setor pode acumular R$ 48,2 bilhões em impacto, principalmente pela incorporação de IA a máquinas, equipamentos e infraestrutura produtiva. Novidades tecnológicas, robôs que impressionam o público na maior feira de inteligência artificial do mundo, em Xangai. Reprodução/TV Globo O efeito do trabalho, por outro lado, é predominante em setores com maior concentração de atividades cognitivas. Nas atividades financeiras, por exemplo, 87% do impacto estimado decorre do aumento da produtividade dos trabalhadores, o maior percentual entre os 12 setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos podem utilizar IA para revisar documentos, avaliar riscos, classificar sinistros e atender clientes. No setor de informação e comunicação, que inclui desenvolvedores de software, data centers e operadoras de telecomunicações, o impacto estimado é de R$ 49,3 bilhões, sendo 97% relacionado ao fator trabalho. Impacto econômico da IA na produção setorial O que importa é como o setor aplica a IA O estudo destaca que a diferença entre os setores está relacionada à maneira como a IA pode ser incorporada às atividades produtivas. Na agropecuária, por exemplo, apenas 8% do impacto é atribuído ao efeito-trabalhador, porque grande parte das atividades rurais é manual e apresenta menor exposição cognitiva à tecnologia. A pesquisa também diferencia exposição à IA e substituição de trabalhadores. Uma ocupação pode ter muitas tarefas expostas à tecnologia sem que isso signifique que a função inteira será automatizada. No cenário central adotado pelo estudo, de cada 100 tarefas cognitivamente expostas à IA, 23 poderiam passar pelo teste de custo-benefício para automação plena, enquanto as outras 77 entrariam no cálculo como complemento à produtividade humana. "Na prática, as ocupações raramente desaparecem por completo: o que a IA reorganiza é o conjunto de tarefas dentro de cada função", afirma o estudo. A maior parte do trabalho, portanto, continuaria sendo realizada por pessoas, mas com apoio da tecnologia. O levantamento cita como exemplo um assistente administrativo, cujas atividades repetitivas e codificáveis - como classificação de documentos, conciliação de agendas e lançamento de dados — podem ser mais suscetíveis à automação. Já um engenheiro de software pode ter tarefas aceleradas pela IA, como correção de códigos e produção de documentação, enquanto atividades de julgamento, coordenação e definição de projetos continuam dependendo do profissional. O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance O Brasil está em um bom caminho? A incorporação da tecnologia, entretanto, deve ocorrer de maneira gradual. O estudo considera que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta que em economias avançadas devido à heterogeneidade entre empresas, ao custo elevado do crédito, às lacunas de qualificação profissional e às limitações de infraestrutura. Pelas projeções, até 2030 já terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais associados ao aumento da produtividade dos trabalhadores e 62,4% dos ganhos relacionados a máquinas, equipamentos e estruturas mais produtivas. O estudo ressalta que os R$ 986,7 bilhões representam um potencial estimado, e não uma previsão garantida. A materialização dos ganhos dependerá da velocidade de adoção da tecnologia e das condições institucionais, regulatórias e educacionais do país. As medidas apontadas pelos autores que podem ser adotas por empresas são: Requalificação profissional para trabalhadores de atividades com maior potencial de substituição; Expansão da infraestrutura digital no campo; Incentivos à adoção de IA por empresas de menor produtividade; Implementação de um marco regulatório previsível; Políticas de governança e dados abertos; e A utilização da tecnologia nos serviços públicos. "Assim, a materialização desses ganhos dependerá não apenas do avanço tecnológico em si, mas também da capacidade de criar condições institucionais, regulatórias e educacionais que favoreçam sua difusão ampla e produtiva", conclui o estudo.
13/08/2026 16:12:24 +00:00
Onda de calor na Espanha pode levar ao aumento do preço do azeite?

Azeite Freepik Os incêndios que atingem o sul da Europa neste verão reacenderam o alerta sobre a crise climática na região e voltaram os olhares para a Espanha, maior produtora mundial de azeite de oliva e um dos países afetados. A preocupação é com uma nova crise no preço do produto, o que, até agora, é uma hipótese afastada por associações do setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Isso porque, apesar de o fogo ter atingido oliveiras em regiões pontuais, as áreas responsáveis pela maior parte do cultivo seguem longe dos focos e a expectativa é de uma safra recorde, o que deve manter os preços do produto estáveis globalmente. Onda de calor agrava incêndios e provoca crise energética na Europa Incêndios preocupam, mas não atingem áreas-chave A Espanha responde por 70% do azeite produzido na União Europeia e 45% do azeite consumido no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do país. Por essa razão, há uma preocupação sobre os impactos da crise climática nas plantações, incluindo de oliveiras. Na província de Castellón, por exemplo, um incêndio recente provocou entre 35 milhões e 40 milhões de euros em prejuízos à agricultura local, segundo a associação agrícola Asaja. Para o Conselho Oleícola Internacional (COI), há uma preocupação com os recentes incêndios que atingiram o país. Estrada na Espanha cercada pelas chamas de um incêndio florestal, em 9 de julho de 2026 EMA Infoca No entanto, neste momento, a entidade considera que "ainda é cedo para avaliar o impacto potencial na produção de azeite e de azeitonas" e que "uma avaliação confiável exigirá informações detalhadas das áreas afetadas e só poderá ser realizada quando a extensão dos danos tiver sido verificada pelas autoridades nacionais competentes". O Ministério da Agricultura da Espanha informou que está levantando dados sobre o impacto dos incêndios mais recentes em áreas agrícolas e pecuárias. A pasta ressaltou que as regiões mais atingidas pelos incêndios não são, em geral, grandes produtoras de azeite – com exceção de parte da Sierra de Espadán, também em Castellón, cujo impacto nas exportações é considerado pequeno. Para especialistas, a preocupação central não é o fogo em si nas áreas atingidas, mas os efeitos secundários do clima extremo. A Espanha enfrenta restrições hídricas prolongadas, o que reduz a umidade do solo e pode provocar a queda prematura das azeitonas antes da colheita. Além disso, ondas de calor sucessivas podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar os custos de produção, que podem ser repassados ao consumidor final. O COI pondera que a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos "são motivo de preocupação cada vez maior para o setor olivícola". "As mudanças climáticas representam desafios significativos para o cultivo de oliveiras em toda a Bacia do Mediterrâneo, afetando a produção, a disponibilidade de água, a biodiversidade e a resiliência de longo prazo dos sistemas de cultivo de oliveiras", diz a associação internacional em nota à DW. Quase todo o azeite consumido no Brasil vem de outros países. Espanha e Itália são os principais produtores Alessandra Tarantino/AP Uma safra para segurar os preços Ainda assim, o cenário para a próxima colheita é considerado positivo. Segundo sites especializados do setor, as projeções apontam para uma safra histórica para o país. Para o azeitólogo Marcelo Scofano, um dos autores do livro Azeite de oliva: ancestralidade e novo alimento, a expectativa favorável se deve às chuvas abundantes registradas no último inverno europeu, que devolveram aos reservatórios espanhóis um volume de água satisfatório. "No entanto, estamos aguardando esse período porque as ondas de calor, com a frequência que estão vindo, não necessariamente com a intensidade, evaporam aquela água do solo. Mas os reservatórios ainda estão cheios, o que não acontecia já há bastante tempo. Então, a expectativa até o momento é de uma excelente safra, mas é também um momento de espera, observando o clima nas próximas três semanas", explica. O especialista lembra ainda que o setor de olivicultura vem passando por uma transição: sistemas tradicionais de cultivo cedem espaço ao modelo "superintensivo", que usa outra variedade de oliveira e depende de colheita mecanizada. A mudança busca enfrentar a escassez de mão de obra e tornar o uso da água mais eficiente diante dos desafios climáticos. Mecanismo contra queda de preços Diante da perspectiva de excesso de oferta, o Ministério da Agricultura da Espanha abriu uma consulta pública sobre as normas de comercialização do azeite para a safra 2026/2027, que começa em outubro. O período de contribuições vai de 23 de julho a 13 de agosto. Segundo a pasta espanhola, o objetivo das normas é garantir estabilidade no mercado. Entre os mecanismos previstos pela legislação da União Europeia está a possibilidade de retirada de parte da produção do mercado até a próxima campanha em caso de superprodução – uma medida pensada, sobretudo, para evitar quedas bruscas de preço que prejudiquem os produtores. "O mecanismo é mais focado na direção oposta, para evitar uma queda acentuada nos preços, que poderia comprometer a lucratividade dos agricultores no caso de uma colheita extraordinariamente grande", explica a pasta. O ministério destaca, porém, que a existência da regra não significa que ela será aplicada: na safra anterior, mesmo classificada como "muito boa" pela pasta, a produção não ultrapassou o limite de 120% da média das seis temporadas anteriores – patamar que aciona o mecanismo de retirada. Produção de azeite no Brasil representa apenas 1% do consumo total do país. Reprodução/RBS TV O que isso significa para o Brasil O comportamento do mercado espanhol afeta diretamente o Brasil, um dos maiores importadores de azeite do mundo. Entre 2023 e 2024, os consumidores brasileiros sentiram o impacto da seca na Península Ibérica, quando a garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar os R$ 50 nas prateleiras. Segundo Scofano, no período, o país teve uma queda recorde na safra. "A Europa e, particularmente, a Península Ibérica, têm sido as regiões do mundo que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas, calores extremos, frios extremos e, sobretudo, a ausência de chuva. A Andaluzia vive um processo de desertificação. O que chove no Brasil em um único dia, em regiões como a Mata Atlântica ou até mesmo o pampa gaúcho, chove em um ano na Andaluzia. Há três anos nós tivemos uma grande crise de preços porque foi o auge de uma seca que vinha sendo prolongada já há quase 10 anos." Hoje, o Brasil já conta com produção nacional de azeite, mas ela ainda é pequena: representa apenas 1% do consumo total do país, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Para a entidade, os preços dos produtos nacionais devem se manter estáveis. Para Scofano, ainda não há sinais de prejuízo para a próxima safra nem de alta nos preços. Pelo contrário, a perspectiva é de maior oferta. Mas ele pondera que o setor segue em alerta: mesmo com um inverno chuvoso, os frutos ainda podem ser afetados até a colheita, caso o calor persista ou incêndios atinjam as principais regiões produtoras. "De 2025 para 2026 tivemos invernos muito generosos, onde as chuvas voltaram e retornaram a níveis de mais de 10 anos. Isso fez com que o preço baixasse, e agora estamos na expectativa de que a próxima safra seja ainda mais generosa", resume o azeitólogo. "O que estamos vivendo agora é uma expectativa entre o que está acontecendo no verão e o que aconteceu no inverno passado. A contar com o que está acontecendo até agora, teremos uma excelente safra", finaliza.
13/08/2026 14:49:10 +00:00
Empresas americanas começam a receber bilhões de dólares de volta após tarifas de Trump serem derrubadas

Tribunal dos EUA considera ilegais diversas tarifas impostas por Donald Trump O governo dos Estados Unidos começou a devolver bilhões de dólares cobrados em tarifas comerciais a grandes empresas depois que as tarifas impostas por Donald Trump foram consideradas ilegais pela suprema corte americana em fevereiro deste ano. Um levantamento publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal mostra que mais de 40 multinacionais que integram o índice S&P 500 já reportaram cerca de US$ 9,6 bilhões em restituições. * O S&P 500 é um dos principais índices da bolsa de valores dos Estados Unidos e reúne as 500 maiores empresas de capital aberto do país. Ele serve como o termômetro mais importante da saúde econômica do mercado americano. Do montante total já informado pelas companhias, pelo menos US$ 2,1 bilhões já entraram efetivamente no caixa das empresas. O restante inclui reembolsos que foram aceitos pelo governo e registrados nos balanços como valores a receber. 💵 Os US$ 9,6 bilhões informados por multinacionais do S&P 500 representam apenas uma parcela do volume total em jogo no governo americano. Do montante global de US$ 166 bilhões cobrados em tarifas que foram anuladas, cerca de US$ 100 bilhões já foram encaminhados ao Tesouro dos Estados Unidos para a liberação dos pagamentos. Ao todo, a alfândega do país já aceitou mais de 252 mil solicitações de devolução de diversas companhias, o que indica que milhares de outras empresas, para além das gigantes listadas em bolsa, também estão na fila para reaver quantias milionárias (Veja mais detalhes abaixo). Uma das justificativas utilizadas pelo governo dos EUA na primeira rodada de tarifas foi utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional ((IEEPA, na sigla em inglês) para impor taxas a quase todos seus parceiros globais. Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” de alcance quase global e outras tarifas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA. No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”. Relembre os detalhes da suspensão aqui. ➡️ Vale lembrar que o governo de Donald Trump voltou a aplicar taxas de importação contra uma série de países, incluindo novamente o Brasil. A nova ofensiva comercial do governo americano inclui cobranças na Seção 232, além de uma alíquota adicional de 12,5% sob a alegação de uso de trabalho forçado no ecossistema de exportação brasileira. (Mais detalhes sobre as novas tarifas) Entenda o caminho desde a criação da taxa até a devolução do dinheiro: A engrenagem até a chegada desse dinheiro de volta às empresas funcionou em uma reação em cadeia. Tudo começou quando a administração americana passou a cobrar sobretaxas na alfândega sobre produtos vindos de diversos mercados globais, afetando diretamente a cadeia de exportação brasileira. Na prática, multinacionais dos EUA precisaram pagar esse imposto extra do próprio bolso no momento em que as mercadorias desembarcavam nos Estados Unidos. Na época, para amenizar esse prejuízo e não arcar com a conta sozinhas, as companhias repassaram parte da taxa para os preços cobrados dos consumidores ou pressionaram os custos dos fornecedores na origem. Como essas taxas foram invalidadas pela Justiça, conforme mencionado anteriormente, todo o valor arrecadado pela alfândega se tornou uma cobrança indevida do governo americano. É por isso que as empresas puderam acionar a União para reaver as quantias pagas a mais, dando início ao ciclo de reembolsos bilionários que agora entram no caixa corporativo. Apple e Nike lideram devoluções Entre as companhias com os maiores valores cobrados de volta da alfândega americana, a Apple aparece na liderança isolada, com quase US$ 2,2 bilhões em restituições. Na sequência das maiores devoluções estão a Nike, com US$ 986 milhões; a FedEx, com US$ 800 milhões; a Amazon, com US$ 640 milhões; e a General Motors, com US$ 500 milhões. No caso da Nike, a maior parte do dinheiro já foi recuperada. A empresa informou ter recebido US$ 302 milhões até o fim de maio e praticamente todo o restante do valor de US$ 986 milhões até meados de julho. Governo americano aceitou US$ 128,7 bilhões em pedidos Os US$ 9,6 bilhões informados pelas empresas representam apenas uma fração do volume total que o governo dos Estados Unidos terá de devolver. A U.S. Customs and Border Protection, agência responsável pela alfândega americana, já recebeu mais de 252 mil solicitações de reembolso. Ao todo, o órgão aceitou para processamento US$ 128,7 bilhões em pedidos de restituição de tarifas invalidadas. Apesar do volume bilionário a ser devolvido, o ressarcimento não significa o fim das taxas de importação para as empresas. A fabricante de máquinas Caterpillar, por exemplo, informou ter US$ 392 milhões a receber em restituições, mas prevê pagar US$ 2,2 bilhões em novas tarifas ao longo do ano. Algumas empresas pretendem devolver dinheiro a consumidores Com o retorno dos valores cobrados indevidamente, parte das empresas estuda repassar a devolução aos clientes que arcaram com preços mais altos na época da cobrança das taxas. A FedEx informou que pretende distribuir os US$ 800 milhões recuperados a clientes e transportadoras. A Costco e a IDEX, fabricante de equipamentos industriais, também confirmaram a intenção de repassar parte dos reembolsos aos seus consumidores. Navios porta-contêineres são vistos no porto de Santos. Alexandre Meneghini/ AP Photos Já a Amazon identificou casos em que é possível rastrear o custo das tarifas repassado diretamente aos compradores e planeja contatar esses clientes para devolver o dinheiro assim que receber os reembolsos. Nos demais casos, a empresa afirma que usará os recursos para continuar investindo em preços baixos.
13/08/2026 13:25:11 +00:00
Congresso adia para 1º de setembro instalação da comissão para analisar MP da 'taxa das blusinhas'

O Congresso Nacional adiou mais uma vez a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Esse é o segundo adiamento. A previsão inicial era que a instalação ocorresse nesta quarta-feira (12), mas acabou adiada para esta quinta (13). E, agora, foi novamente desmarcada. No sistema do Senado, a previsão da nova de instalação é 1º de setembro, às 14h30. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP (leia mais abaixo). 'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Peças de roupa loja vestuário Uberaba 19-03-2021 Reprodução/TV Integração A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. Taxa das blusinhas A decisão do governo pela criação chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico Os críticos da “taxa das blusinhas” também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Em outra frente, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro.
13/08/2026 13:24:20 +00:00
Anthropic negocia compra de startup de IA por US$ 6 bilhões, diz agência

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo A Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, negocia a compra da startup de inteligência artificial Decart AI em um negócio que poderia chegar a aproximadamente de US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões), as informações são da agência Bloomberg. A Decart é uma startup de inteligência artificial fundada em Israel que desenvolve tecnologias de infraestrutura para tornar os modelos de IA mais rápidos e eficientes. A empresa também cria seus próprios sistemas de inteligência artificial e tem a gigante Nvidia entre seus investidores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em maio, a Decart levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Radical Ventures. A Nvidia participou da captação como nova investidora, ao lado de empresas como Adobe, Amazon e Toyota Ventures. Com a rodada, a startup passou a ser avaliada em cerca de US$ 4 bilhões. A possível aquisição ocorre enquanto a Anthropic busca ampliar sua capacidade de processamento para atender ao aumento da demanda pelo Claude e se prepara para uma possível abertura de capital. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Segundo as informações divulgadas pela agência, as negociações ainda estão em estágio inicial. Se o negócio for concluído, a equipe da Decart deverá ser incorporada à área da Anthropic responsável por melhorar o desempenho e a eficiência dos modelos de inteligência artificial. O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini Reuters via BBC Entre os produtos da Decart está o Lucy, modelo capaz de editar vídeos em tempo real. A startup também desenvolveu o Oasis, que cria ambientes virtuais para treinar e testar robôs e sistemas de direção autônoma. Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar A Anthropic vem aumentando os investimentos em infraestrutura para acompanhar a expansão de seus serviços. Na semana passada, a empresa anunciou que está contratando engenheiros especializados em hardware e software para ajudar no desenvolvimento de chips personalizados e de modelos de IA mais rápidos e eficientes. Conheça a Anthropic A Anthropic, criadora do Claude, foi fundada em 2021 por Dario Amodei (atual CEO da companhia) e outros executivos que deixaram a OpenAI defendendo uma abordagem mais cautelosa para o desenvolvimento da IA. O Claude só chegou ao público em março de 2023, cerca de cinco meses após o lançamento do ChatGPT. Mesmo tendo entrado na disputa mais tarde e ainda sendo menos conhecido do grande público, o chatbot ajudou a impulsionar uma virada impressionante da Anthropic. Hoje, ela é a startup de IA mais valiosa do mundo. Avaliada em cerca de US$ 965 bilhões (R$ 4,87 trilhões), a companhia já supera a OpenAI em valor de mercado. No início de junho, a Anthropic protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. Com um valuation próximo de US$ 1 trilhão, a companhia poderá passar a integrar o grupo mais seleto das empresas listadas no mercado americano. Empresa tem modelo de IA mais perigoso do mundo Os modelos do Claude têm se mostrado cada vez mais potentes. "Eles costumam acertar muito nos lançamentos. Dá para perceber um grande cuidado no desenvolvimento dos produtos, que geralmente chegam ao mercado com um desempenho muito competitivo", diz Izabela Anholett. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que os sistemas mais avançados da Anthropic também ampliam os riscos associados à inteligência artificial. No início de 2026, a empresa anunciou o Claude Mythos, considerado por especialistas o modelo de IA mais perigoso do mundo atualmente. O sistema é descrito como extremamente rápido e capaz de encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por humanos. "Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia", afirma Izabela. Segundo ela, o risco está na capacidade do modelo de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas digitais. "O Mythos Preview [versão de teste] já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web", afirmou a Anthropic. "Devido ao seu alto poder e aos riscos que representa para a segurança nacional e geral, ele não foi liberado para o público comum. Em vez disso, a Anthropic criou um consórcio de empresas e agências governamentais com acesso à ferramenta", explica Diogo Cortiz. Entre os integrantes do grupo estão Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla. Cortiz lembra que um exemplo da eficácia do modelo veio de um relatório da Mozilla. Ao utilizar o Mythos para analisar o navegador Firefox, a organização identificou uma grande quantidade de vulnerabilidades e falhas até então desconhecidas. "Como parte de nossa colaboração contínua com a Anthropic, tivemos a oportunidade de usar uma versão inicial do Claude Mythos Preview no Firefox. A versão 150 do navegador, lançada nesta semana, traz correções para 271 vulnerabilidades identificadas durante essa avaliação inicial", disse a Mozilla em um relatório sobre o tema publicado em abril. Para Cortiz, embora o marketing das empresas de IA às vezes possa exagerar as capacidades de seus produtos, casos como esse mostram que a habilidade do Mythos para encontrar brechas de segurança é real — e ajudam a explicar por que seu acesso é tão restrito.
13/08/2026 12:11:03 +00:00
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