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'Nós estamos trabalhando': novas tarifas de Trump sobre o Brasil gera reações Duas pequenas empresas dos Estados Unidos entraram com uma ação na Justiça nesta sexta-feira (24) para contestar a nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente Donald Trump sobre produtos de 60 parceiros comerciais. Segundo elas, assim como ocorreu com a maior parte das tarifas impostas anteriormente pelo presidente, a nova política excede a autoridade legal do Executivo para taxar importações. A ação foi protocolada no Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Nova York, e argumenta que as novas tarifas exigiriam conclusões mais detalhadas e específicas para cada país sobre a existência de trabalho forçado para terem respaldo legal. Jovem faz caretas atrás de Trump Casa Branca / Divulgação As duas empresas, representadas por uma organização jurídica sem fins lucrativos que já obteve vitória em ações contra rodadas anteriores de tarifas, afirmam que Trump tenta restabelecer medidas tarifárias que já foram consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

A equipe econômica anunciou nesta sexta-feira (25) a liberação de R$ 5,7 bilhões para gastos dos ministérios no orçamento deste ano. A informação consta no relatório de receitas e despesas do terceiro bimestre, divulgado pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento. 🔎 A autorização foi concedida porque o governo revisou a estimativa para baixo das despesas previstas para 2026 e concluiu que havia espaço dentro do limite existente no chamado arcabouço fiscal – a norma para as contas públicas aprovada em 2023. 🔎 Pelas regras, o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior. E o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação. Agora no g1 Apesar da autorização para novas despesas, R$17,9 bilhões ainda seguem bloqueados em 2026, visto que, em maio, o governo informou que o valor total da contenção era de R$ 23,7 bilhões. O governo também reduziu projeções de despesas primárias, como o gasto com pessoal e encargos sociais (R$4,2 bilhões), benefícios previdenciários (R$3,2 bilhões), além do Benefício de Prestação Continuada (R$3,2 bilhões). Sobre as despesas previdenciárias, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a variação foi na "margem" e que está relacionada à concessão de benefícios e que, apesar de contribuir para a redução das despesas. Por outro lado, o governo prevê mais gastos com o abono e o seguro desemprego (R$1,6 bilhões) e gastos com saúde (R$3,4 bilhões). Gastos livres A liberação de despesas será feita nos gastos livres dos ministérios, ou seja, aqueles que não são obrigatórios. O detalhamento de quais pastas serão contempladas será feito por meio do decreto de programação orçamentária e financeira, que será publicado no dia 30 de julho Entre os gastos livres, estão: despesas administrativas, investimentos, verbas para universidades federais, agências reguladoras, defesa agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes e fiscalização ambiental e do trabalho escravo, entre outros. 💰 Já os gastos obrigatórios, que não podem ser alvo de bloqueio de recursos, envolvem, por exemplo, despesas com benefícios previdenciários, pensões, salário dos servidores públicos, abono e seguro-desemprego, entre outros. Foto aérea mostra a Esplanada dos Ministérios com o Congresso ao fundo Ana Volpe/Agência Senado Meta fiscal em 2026 Além do limite para gastos da regra fiscal, o governo também tem de atingir a meta para as suas contas aprovada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. ➡️Com isso, o déficit estimado de R$ 52 bilhões em 2026 está bem próximo do limite fixado pela regra fiscal (com abatimento de precatórios). O governo também reduziu projeções de despesas primárias, como: pessoas e encargos sociais em R$ 4,2 bilhões; benefícios previdenciários em R$ 3,2 bilhões; Benefício de Prestação Continuada (BPC) em R$ 3,2 bilhões. Por outro lado, o Executivo prevê mais gastos com: abono e seguro desemprego em R$ 1,6 bilhão; e saúde em R$ 3,4 bilhões. Palácio do Planalto e Congresso Nacional. Ueslei Marcelino/Reuters

EUA justificam novas tarifas ao Brasil com suposto trabalho forçado; entenda O anúncio da nova tarifa de 12,5% pelos Estados Unidos aumentou a pressão sobre a indústria brasileira. Enquanto o agronegócio ficou quase de fora dos impactos do tarifaço, a indústria foi a mais afetada e, por isso, cobra agilidade do governo federal. O pedido do setor é negociar diretamente com os americanos, descartando qualquer tentativa de responder na mesma moeda por meio da Lei da Reciprocidade. Com o novo anúncio, o imposto total cobrado sobre determinados produtos brasileiros exportados pode chegar a 37,5%. A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é de que cerca de 3,9 mil produtos brasileiros serão afetados pelas duas tarifas impostas pelo governo norte-americano ao país, o que causaria um impacto de US$ 12,4 bilhões nas exportações brasileiras, segundo documento divulgado nesta sexta-feira. Outros 13% das exportações, correspondentes a 75 produtos, ou US$1,6 bilhão em exportações, estarão sujeitos apenas à nova alíquota de 12,5%. Veja os principais itens isentos da nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado Mas o Palácio do Planalto afirmou nesta sexta-feira (24) que a medida tem "caráter completamente arbitrário e injustificado". Por isso, o governo iniciará "imediatamente" os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levará o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC). A nova cobrança foi anunciada pelo órgão de comércio dos EUA. O governo americano alegou que o Brasil não tem leis rigorosas o suficiente para proibir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado e aplicou taxa adicional de 12,5% ao país. (entenda a situação na reportagem abaixo) Amcham: De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), que reúne representantes de empresas americanas no país, 85,3% das exportações brasileiras para os EUA passarão a ser atingidas pela sobretaxa máxima de 37,5% — resultado da soma dos 25% anunciados no dia 15 com os 12,5% apresentados agora —, "fragilizando cadeias produtivas e encarecendo custos". Na avaliação da entidade, o novo cenário compromete ainda mais a competitividade das exportações brasileiras, tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, fragiliza cadeias produtivas integradas entre os dois países e pode elevar os custos para empresas e consumidores norte-americanos. "A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados", afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto. A Amcham afirmou ainda que medidas de reciprocidade, cogitadas pelo governo federal como resposta ao tarifaço, apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial e agravar os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros. Abimaq Complexo Industrial e Portuário do Pecém Divulgação/CNI A indústria de máquinas e equipamentos, uma das mais vulneráveis ao tarifaço, prevê impacto imediato sobre suas operações. Segundo a Abimaq, associação que representa as empresas do setor, a soma das alíquotas elimina a competitividade dos fabricantes brasileiros frente aos concorrentes dos EUA, ameaçando contratos e a previsibilidade dos negócios. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos somaram US$ 13,8 bilhões. Os EUA foram o principal destino individual, com compras de cerca de US$ 3,2 bilhões, o equivalente a 23% das vendas externas do setor. O presidente executivo da entidade, José Velloso, avaliou que a justificativa apresentada pelo governo americano tem motivação política e foi uma resposta à exigência da Suprema Corte dos EUA para que o Executivo apresentasse uma fundamentação para a adoção de novas tarifas. Ele ressaltou ainda que, para o setor, a situação deve se agravar. "Estamos imaginando que devemos ter uma queda entre 10% e 11% nas nossas exportações para os EUA." "Entendemos que a motivação do governo norte-americano em tarifar produtos importados alegando trabalho forçado é uma decisão que tem um cunho político. Foi uma resposta à Suprema Corte norte-americana, que em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação, que é o trabalho forçado." Segundo Velloso, a soma das duas tarifas coloca a indústria brasileira em desvantagem frente aos fabricantes americanos. "No caso do Brasil, isso é ruim porque nós já tínhamos uma tarifa de 25% e agora passamos a ter uma tarifa de 37,5% com a soma dos 12,5%. Isso tira a nossa competitividade frente às máquinas e aos equipamentos fabricados nos EUA." A associação também defende a regulamentação do Plano Brasil Soberano 3, o diferimento de tributos federais, a ampliação do Reintegra para 5% e o fortalecimento da promoção comercial voltada para a diversificação de mercados. A Abimaq também se posiciona contra a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas americanas. Na avaliação da entidade, uma escalada de barreiras comerciais tende a ampliar custos para empresas e consumidores, reduzir a previsibilidade dos negócios e prejudicar cadeias produtivas altamente integradas entre Brasil e Estados Unidos. CNI A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que representa as federações industriais de todos os estados, também defendeu a continuidade das negociações diplomáticas para evitar novos prejuízos ao comércio bilateral. Após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo continuará apoiando a estratégia adotada pelo governo brasileiro. (veja as medidas do governo) "Saímos daqui muito satisfeitos com a afirmação categórica do ministro de que o Brasil vai continuar negociando. Essa é a opção número um que existe neste momento: continuar negociando." Segundo Alban, a CNI trabalha em conjunto com o governo na criação de uma nova missão da política Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao apoio das empresas atingidas pelas tarifas e à internacionalização das cadeias produtivas brasileiras. "Conversamos sobre como podemos ser efetivos de forma emergencial e de forma planejada. Estamos trazendo o apoio imediato do SESI, do SENAI e da CNI para apoiar as empresas afetadas." O presidente da entidade afirmou ainda que o impacto tende a ser maior sobre os produtos manufaturados. Diferentemente de matérias-primas como café e petróleo, isentas da rodada de tarifas, os bens industriais enfrentam concorrência acirrada e têm margens de lucro mais apertadas, o que impede a absorção de um imposto tão elevado. Sem conseguir repassar a sobretaxa de 37,5% ao preço final, os fabricantes brasileiros correm o risco de perder clientes para concorrentes locais ou de outros países.A entidade endossa a posição da CNI e da Abimaq ao afirmar que o cenário pode resultar em perda de contratos, redução das margens de lucro, queda da produção, adiamento de investimentos e impactos sobre o emprego. Fiemg cobra atuação do governo A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entidade que representa o segundo maior estado exportador para o mercado norte-americano, também defendeu a negociação diplomática. A entidade destacou que o governo brasileiro deve atuar de forma firme, técnica e coordenada para ampliar a lista de exceções e garantir maior previsibilidade às empresas exportadoras. "O Brasil precisa agir com firmeza, rapidez e capacidade técnica para evitar que essa nova tarifa comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional. A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos", afirmou a coordenadora de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter. Na avaliação da federação, a combinação das tarifas pode aumentar o custo de acesso ao mercado norte-americano e colocar os exportadores nacionais em desvantagem frente a concorrentes submetidos a alíquotas menores. A entidade endossa a posição da CNI e Abimaq ao afirmar que o cenário pode resultar em perda de contratos, redução das margens de lucro, queda da produção, adiamento de investimentos e impactos sobre o emprego. Por fim, a CNI propõe a criação de uma missão específica dentro da política Nova Indústria Brasil, voltada ao apoio das empresas afetadas pelas tarifas e ao fortalecimento da internacionalização da indústria brasileira.

Ilustração mostra um logotipo da Meta impresso em 3D ao lado da sigla "AI", em imagem produzida em 20 de julho de 2026. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo A Meta anunciou, nesta sexta-feira (24), a implementação de novos recursos para o Meta AI em mercados selecionados. As novidades permitem que o assistente de inteligência artificial execute determinadas tarefas de forma autônoma, reduzindo a necessidade de comandos constantes dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A versão atualizada do Meta AI, baseada no novo modelo Muse Spark 1.1, foi desenvolvida para compreender o contexto de cada usuário e realizar atividades de maneira mais independente. Entre os novos recursos, a empresa destaca a geração de resumos diários com compromissos da agenda e a possibilidade de programar tarefas recorrentes, como sugestões semanais de refeições e atualizações sobre tendências de interesse. Inicialmente, as funcionalidades estarão disponíveis em mercados selecionados por meio do aplicativo Meta AI e do site meta.ai. A empresa informou que pretende ampliar o acesso gradualmente para outras regiões e plataformas, incluindo o WhatsApp. Agora no g1 A controladora do Facebook afirmou que os usuários continuarão tendo controle sobre a forma como utilizam a inteligência artificial e que conversas anônimas permanecerão disponíveis para quem desejar mais privacidade. "Este é o nosso próximo passo rumo à superinteligência pessoal: uma IA que conhece o seu contexto e está disponível sempre que você precisar", afirmou a Meta em publicação em seu blog. Em outra frente, a companhia lançou nesta sexta-feira (24) o aplicativo Seller, voltado a comerciantes que utilizam o Facebook Marketplace. A ferramenta reúne recursos específicos para apoiar a gestão e as vendas na plataforma. A Meta divulgará os resultados financeiros do segundo trimestre após o fechamento do mercado, em 29 de julho.

Funcionário do Google é acusado de usar dados internos para lucrar US$ 1 milhão O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (24) que vai abrir uma investigação comercial contra a União Europeia sob a Seção 301 da Lei de Comércio, acusando o bloco de aplicar multas "ilegais e discriminatórias" contra empresas americanas de tecnologia. Em publicação na Truth Social, sua rede social, Trump disse que a UE "rouba" companhias dos EUA, prometeu reverter as penalidades e afirmou que o bloco poderá enfrentar novas tarifas "o mais rápido possível". O presidente cita as multas contra Apple, de US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões), Meta, de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), e Amazon, de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões). A nova multa contra a empresa Google teria sido a gota d'água para o norte-americano, que escreveu que a UE "pagará um preço muito alto por esse conduto ilegal e altamente antiético, sobre a qual" vem alertando constantemente. O que o Google fez? Com as duas sanções anunciadas nesta quinta-feira (23), o Google acumula seis multas aplicadas pela União Europeia por práticas anticompetitivas. As três primeiras foram impostas entre 2017 e 2019, em processos relacionados ao Google Shopping, ao sistema operacional Android e ao serviço de publicidade AdSense. Donald Trump desembarca do novo Air Force One na Base Aérea Andrews Julia Demaree Nikhinson/AP Photo Agora, a empresa recebeu mais duas penalidades com base na Lei dos Mercados Digitais (DMA): uma de € 460 milhões (R$ 2.658,8 bilhões), por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca, e outra de € 430 milhões (R$ 2.485,4 bilhões), por restringir desenvolvedores no Google Play. Leia mais: Google é multado em US$ 1 bilhão pela União Europeia e tenta evitar novas sanções Ao todo, as multas somam € 10,38 bilhões (cerca de R$ 65,3 bilhões) ao longo de quase duas décadas de investigações conduzidas pela Comissão Europeia. O histórico de multas: Google Shopping (2017) - € 2,42 bilhões: favorecimento do próprio serviço de comparação de preços nos resultados de busca; Android (2018) - € 4,34 bilhões: práticas relacionadas ao sistema Android para fortalecer o domínio do Google nas buscas. AdSense (2019) - € 1,49 bilhão: cláusulas restritivas em contratos de publicidade online; Google Search (2026 - DMA) - € 460 milhões: favorecimento de serviços próprios (compras, hotéis, voos, esportes etc.) nos resultados de busca; Google Play (2026 - DMA) - € 430 milhões: restrições que impediam desenvolvedores de direcionar usuários para ofertas mais baratas fora da loja de aplicativos. Embora as duas multas desse ano tenham sido anunciadas no mesmo dia, a Comissão Europeia as trata como duas decisões distintas, razão pela qual o total chega a seis multas. *Reportagem em atualização

Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) a lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil, uma medida celebrada por organizações de proteção animal, mas que volta a provocar atritos com produtores franceses poucos meses após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A França é a principal produtora mundial da iguaria. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A nova legislação veta produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, seja por técnicas mecânicas ou manuais, destinadas a levá-los a consumir alimento “além do limite de satisfação natural”. No caso do foie gras, a prática consiste em introduzir um tubo na garganta de patos e gansos para acelerar o crescimento do fígado, considerado uma iguaria da gastronomia francesa. A lei entrará em vigor em seis meses. Quem descumpri-la poderá ser condenado a penas de três meses a um ano de prisão, além de multas e sanções administrativas. O projeto havia sido apresentado em 2020 e foi aprovado pelo Congresso em abril deste ano, após uma primeira tentativa fracassada. Método para produção de foie gras, com tubo enfiado na garganta da ave, é considerado cruel Bebeto Matthews/Arquivo/AP Photo O deputado Fred Costa (PRD-MG), relator da proposta, argumentou durante a tramitação que a técnica de engorda forçada pode multiplicar em até 25 vezes a mortalidade dos animais em comparação com outros métodos de criação. Organizações de defesa dos animais pressionaram pela aprovação da medida por meio de abaixo-assinados e cartas abertas ao presidente Lula, com apoio de parlamentares ligados às pautas ambiental e animalista. Embora o mercado brasileiro de foie gras seja pequeno, a decisão repercutiu imediatamente na França, maior produtora mundial da iguaria. Segundo o Comitê Interprofissional de Aves Aquáticas para Foie Gras (Cifog), o Brasil representa um mercado anual de aproximadamente € 1 milhão, concentrado em restaurantes de alto padrão e importadores de grandes cidades. “Violação” do acordo UE-Mercosul Antes mesmo da sanção presidencial, a entidade francesa havia pedido uma intervenção diplomática da União Europeia para tentar barrar a medida. Em maio, o Cifog classificou a futura proibição como uma “primeira violação” do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em dezembro após 25 anos de negociações. Mais do que o impacto econômico imediato, os produtores franceses temem o precedente que a decisão pode criar para outros produtos agrícolas europeus. O setor argumenta que o foie gras integra uma lista de indicações geográficas protegidas reconhecidas pelo acordo entre os dois blocos. A controvérsia se torna ainda mais sensível porque toca em um tema frequentemente defendido pelos próprios agricultores europeus: as chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem que produtos importados respeitem padrões ambientais, sanitários ou de bem-estar animal semelhantes aos adotados pela União Europeia. Em entrevista anterior à RFI, o especialista em comércio internacional Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, observou que a situação coloca os produtores franceses diante de uma contradição: “Seria um contrassenso, porque os agricultores franceses pedem para a União Europeia aplicar as famosas cláusulas-espelho. Se a lei brasileira passar como está, estará fazendo exatamente isso”, avaliou. Segundo ele, a proibição não se dirige ao produto em si, mas ao método de produção. “Se houvesse uma forma de engordar a ave sem alimentação forçada, o foie gras por si só não seria proibido. É uma distinção importante”, destacou. Leia tambémPossível proibição do foie gras no Brasil enfurece produtores franceses, que exigem ‘intervenção’ da UE Com a nova lei, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de países que proíbem simultaneamente a produção e a venda de foie gras. A medida é considerada mais rigorosa do que a adotada em diversos países europeus, em que a alimentação forçada é restringida ou proibida, mas a comercialização da iguaria continua autorizada. Para os defensores da iniciativa, o país dá um passo importante na proteção do bem-estar animal. Para os produtores franceses, porém, a decisão pode se transformar no primeiro teste concreto das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia após a assinatura histórica do acordo entre os dois blocos.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante sessão no Congresso. Saulo Cruz/Agência Senado O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparou nesta sexta-feira (24), o sistema brasileiro de cartão de crédito a uma jabuticaba, ou seja, algo único no mundo. Galípolo também defendeu que, com o passar do tempo, o país caminhe para um arranjo de pagamentos mais parecido com o que acontece em outras economias — indicando assim que poderiam ser adotados prazos menores de quitação para evitar maior endividamento. Durante participação na "XP Expert", em São Paulo, Galípolo lembrou que o juro do cartão de crédito rotativo está atualmente, em 15% ao mês (acima de 400% ao ano), enquanto a taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, está em 14,25% ao ano. Ele concluiu que a taxa de juros do cartão de crédito é "pouco sensível" à fixação do juro básico pela autoridade monetária, e avaliou que isso pode estar relacionado com a evolução e história da economia brasileira — marcada pela hiperinflação. "Estrutura acontece dessa maneira por atavismos [característica comportamental de um ancestral remoto] de quando a gente tinha inflação mais alta, o [cheque] 'pré-datado, o cheque que é 'bom para quando'. Quando você tenta explicar a um estrangeiro a expressão 'passa à vista no crédito'. Para pra pensar nessa expressão. Quando você olha pro resto do mundo, isso não existe. Se passa no cartão, vai quitar em dois dias [no resto do mundo], na Argentina em 15. A gente [no Brasil] vai quitar em 30 [dias]", disse Galípolo. Agora no g1 Segundo ele, esse modelo gera uma cadeia de crédito envolvendo 100 milhões de pessoas, na qual 60 milhões usaram o cartão de crédito à vista, para pagar no mês seguinte, ou parcelaram a operação — quitando mês a mês —, sem a incidência de taxa de juros. Ao mesmo tempo, porém, outras 40 milhões de pessoas não quitam integralmente o crédito contratado — pagando juros de 15% ao mês, "sustentando" assim aqueles que parcelam as compras. "Me parece que há um tema de ordem estrutural, que se potencializou, que demanda fazer uma normalização. Quando surge um problema, parto do pressuposto que não somos os primeiros e nem os únicos. Existem sistemas e arranjos de pagamento no mundo como um todo. Olha como as coisas funcionam lá fora. Tem coisa que é legal ter especificamente no Brasil, a jabuticaba é uma fruta legal, mas tem coisa que você não quer ser o único a ter", acrescentou o presidente do BC. Ele concluiu dizendo que vale a pena olhar o resto do mundo e ver como é possível fazer uma migração para algo mais parecido com o que são os arranjos em outros países, mas "dentro do tempo, sem causar prejuízo". "Na linha da estabilidade, a gente se move mais como transatlântico do que como jet ski", declarou.

Após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar que prepara o uso da chamada Lei de Reciprocidade em razão do novo tarifaço dos Estados Unidos, entidades empresariais defenderam que o Brasil insista nas negociações em vez de uma retaliação, para não “escalar” a tensão com o governo de Donald Trump. Este é o segundo tarifaço contra produtos brasileiros anunciado pelos Estados Unidos nos últimos dias. O primeiro, de 25%, tem relação com o entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos. O mais recente, de 12,5%, foi tomado com base na conclusão dos Estados Unidos de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas em locais onde há trabalho forçado. Em resposta, o Palácio do Planalto disse que a medida tem “caráter completamente arbitrário e injustificado” e, por isso, o governo iniciará “imediatamente” os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levará o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC). Governo diz que tarifaço é injusto e prepara Lei de Reciprocidade Diante desse comunicado do governo brasileiro, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgou uma nota na qual afirmou que vê a decisão americana com “preocupação”, mas que confia na capacidade da diplomacia brasileira para “construir soluções”. “A entidade ressalta que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade como resposta às iniciativas adotadas pelos Estados Unidos”, afirmou a Abimaq. “O momento exige a retomada do diálogo e o fortalecimento dos canais diplomáticos e institucionais entre Brasil e Estados Unidos, de modo a evitar a escalada de medida que possam agravar o ambiente”, completou a entidade. Na mesma linha, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgou um comunicado afirmando que a decisão dos EUA “agrava” as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, mas que não concorda com a reciprocidade. "A AmCham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, afirmou a entidade. Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu que o Brasil continue negociando com os Estados Unidos. “Essa é a opção número um que existe neste momento: continuar negociando”, reiterou o presidente da entidade, Ricardo Alban. No Ministério das Relações Exteriores, entretanto, a avaliação de diplomatas é que os Estados Unidos não demonstraram intenção real de negociar, desconsideraram todos os argumentos apresentados e fizeram reuniões somente para "cumprir tabela", de maneira protocolar. Rito da lei Ainda que o governo decida implementar a Lei de Reciprocidade, o próprio instrumento legal prevê um rito a ser seguido para que a reciprocidade possa ser aplicada, por exemplo: realização de consultas públicas para a manifestação das partes interessadas; determinação de prazos para a análise dos pleitos específicos; somente depois, a sugestão das contramedidas. Mesmo assim, diplomatas vêm dizendo que, se o Brasil optar por esse caminho, precisa “calibrar muito bem” a reação para não “piorar” a situação e gerar consequências ainda mais danosas ao setor produtivo. Entidades que representam empresas afetadas por novas tarifas de 12,5% avaliam que retaliação pode impactar empregos e preços ao consumidor brasileiro Jornal Nacional/ Reprodução

Jetour T2 4x4 tenta repetir boas vendas do GWM Haval H9 A Jetour lançou, nesta sexta-feira (24), a versão 4x4 do T2. O SUV híbrido tem quatro motores e dispensa o cardã para enfrentar trechos de terra e lama. Ele tem dois alvos no Brasil: os GWM Tank 300 e Haval H6. O primeiro chegou por R$ 342.000, com a proposta de unir conforto e potência, mas os 2.869 emplacamentos ficaram bem abaixo do líder desse segmento entre janeiro e junho de 2026, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave): Toyota Hilux SW4: 6.780 emplacamentos. Já o GWM Haval H9 (R$ 335.000) chegou depois do Tank 300 com uma proposta ainda mais voltada ao uso fora de estrada. Maior e equipado com um motor movido apenas a diesel, ele foge da ideia de que todo carro chinês é elétrico ou híbrido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A estratégia funcionou: o modelo emplacou 5.942 unidades no mesmo período, quase o dobro do Tank 300. Agora, o Jetour T2, lançado em março apenas com tração dianteira, ganhou uma versão com tração 4x4 por R$ 349.990, para tentar colocar os híbridos em destaque também nesse segmento. Jetour T2 4x4 divulgação/Jetour Mesma guerra, munição diferente Assim como o Tank 300 e o Haval H9, O Jetour T2 aposta em linhas retas e traz um carro que não esconde robustez e brutalidade mesmo quando vai ao shopping, mirando em um público que olha para Toyota SW4, mas não encontra tecnologia suficiente que só os chineses entregam. Essa propriedade de robustez do T2 aparece também nas caixas de roda salientes, revestidas de plástico rígido, e em dois detalhes inspirados nos jipões: as alças dianteiras para reboque e os dois pontos de ancoragem no capô. Esse segundo detalhe tem origem em ponto de apoio para cordas, cintas, acessórios e outros itens comuns em carros aventureiros. Jetour T2 4x4 divulgação/Jetour No T2, tanto as alças no capô quanto os ganchos dianteiros de reboque têm apenas função estética. Feitas de plástico, elas servem apenas para reforçar o visual robusto do SUV. Outro elemento voltado ao uso fora de estrada é o estepe preso à tampa do porta-malas. Este com a função que aparenta ter, guardando uma roda igual às demais do T2, e não de um estepe temporário, indicado apenas para rodar até um reparo — é possível continuar a trilha depois de um furo. Se por fora o T2 4x4 se inspira claramente em jipões, por dentro ele tem DNA próprio. Enquanto o Tank 300 aposta em um acabamento mais sofisticado, com direito a relógio analógico no centro do painel e saídas de ar inspiradas nas do Mercedes Classe G (que custa a partir de R$ 2 milhões), o T2 4x4 mantém o visual robusto visto por fora. Isso aparece em detalhes como: Existem alças no console central e na coluna ao lado do para-brisa; Há uma alça extra na porta do motorista e duas em cada porta dos passageiros, para oferecer mais apoio aos ocupantes durante trechos fora de estrada; Há parafusos aparentes no console central e nas portas; O acabamento interno evita formas arredondadas — até os alto-falantes e o volante fogem do formato circular; Abaixo dos tapetes há um piso removível de borracha rígida, que facilita a limpeza de terra e barro. Em compensação, a central multimídia tem tela grande (15,6 polegadas) e os bancos são mais confortáveis que os do Tank 300 e do H9. Eles "abraçam" mais o motorista e passageiros, o que ajuda a manter todos mais firmes enquanto a suspensão traseira independente absorve as irregularidades da trilha. Jetour T2 4x4 O teto com acabamento em suede tem toque tão macio quanto um cobertor em noite fria e outro destaque do T2 4x4, frente aos concorrentes, é o porta-malas. São 580 litros de capacidade, contra 380 litros do Tank 300. Já a comparação com o Haval H9 exige uma pitada de sal. Isso acontece porque o H9 tem sete lugares. Com a terceira fileira de bancos em uso, o porta-malas tem 88 litros. Já com estes assentos abaixados para oferecer apenas cinco lugares, como no T2 4x4, a capacidade sobe para 791 litros. T2 enfrenta o off-road, mas Tank 300 e H9 fazem melhor O g1 levou o T2 4x4 no ambiente em que sua proposta mais faz sentido: um terreno acidentado, com grama, terra solta, barrancos e até um trecho com água suficiente para cobrir metade das rodas. Porém, a reportagem começou o teste na área urbana de São Paulo (SP), enquanto o percurso fora de estrada ficava em Bragança Paulista (SP). O primeiro trecho foi feito entre ruas e rodovias que ligam as duas cidades. Este percurso está totalmente pavimentado, com asfalto tão bom que até um superesportivo baixo aproveitaria ao máximo. Diferentemente da maioria das fabricantes que atuam no Brasil, a Jetour não divulga a potência combinada do conjunto híbrido. Estes são os motores e suas respectivas potências: Motor 1.5 turbo a combustão: 135 cv e 20,4 kgfm; Primeiro motor elétrico dianteiro: 102 cv e 17,3 kgfm; Segundo motor elétrico dianteiro: 122 cv e 22,4 kgfm; Motor elétrico traseiro: 238 cv e 32,6 kgfm. O número divulgado pela marca é chamado de "potência total instalada" e corresponde à soma da potência e do torque de todos os motores. Com isso, o T2 chega a 591 cv e 91,7 kgfm. Na prática, esses números o colocariam muito acima dos 394 cv do Tank 300 e até do Mercedes-AMG Classe G, equipado com 585 cv e 86,6 kgfm. Porém, como os motores têm potências e torques diferentes, eles não podem trabalhar ao mesmo tempo com a potência máxima. Isso evita que as rodas recebam forças diferentes e cada uma em uma velocidade distinta. A experiência na estrada, onde esse desempenho deveria aparecer, foi diferente. Com dois adultos no carro, sem bagagem no porta-malas, a bateria do sistema híbrido totalmente carregada e o modo de condução esportivo, a sensação ao acelerar nas arrancadas era mais próxima da de um conjunto com cerca de 400 cv. Ainda assim, o desempenho impressiona para um carro de 2.362 kg, mas fica longe da sensação esperada para um veículo com quase 600 cv. Outro ponto negativo está na suspensão. Ela faz a carroceria balançar mais do que o esperado. Basta acelerar, mesmo sem pisar fundo, para a dianteira do T2 levantar. Ao frear, ela mergulha. A sensação lembra a de um Volkswagen Santana dos anos 1990. Jetour T2 4x4 divulgação/Jetour Já no terreno longe do asfalto, em um teste conhecido como "caixa de ovo", formado por uma sequência de pequenas irregularidades, o T2 praticamente não balançou. A suspensão absorveu os movimentos das rodas com eficiência, deixando a cabine estável a ponto de os ocupantes poderem até estar dormindo, sem serem surpreendidos pelos impactos. O sistema de tração nas quatro rodas se mostrou eficaz ao enfrentar trechos com lama de um lado e piso seco do outro, além de uma subida em barranco com um buraco em uma das laterais, criada de propósito para que uma roda perdesse tração enquanto as demais compensavam essa perda. Porém, nem tudo são flores. O T2 se saiu muito bem fora de estrada, mas o H9 e o Tank 300 oferecem mais recursos e estão preparados para enfrentar um número maior de situações. Embora o T2 ofereça oito modos de condução para diferentes tipos de terreno, ele não permite bloquear o diferencial dianteiro nem o traseiro, recurso disponível no Tank 300 e no Haval H9. Jetour T2 4x4 divulgação/Jetour Até um modo que melhora o giro do carro, ao reduzir a tração da roda traseira interna, é melhor executado nestes carros da GWM - eles fazem o giro mais fechado que o T2. Nesses aspectos, para quem já sabe como enfrentar diferentes obstáculos fora de estrada, os modelos da GWM oferecem mais possibilidades. Initial plugin text Além disso, eles têm uma interface mais intuitiva na central multimídia para o off-road, que reúne em uma única tela informações que o T2 4x4 não exibe, como: Ângulo de inclinação lateral e longitudinal; Informações sobre o bloqueio dos diferenciais; Pressão e temperatura dos pneus; Direção indicada pela bússola digital, em graus; Pressão atmosférica. O principal diferencial do T2 4x4 na interface é mostrar a profundidade da água durante a travessia. Além da indicação na tela, o sistema emite um alerta sonoro para avisar quando o veículo está se aproximando do limite de 70 cm de profundidade informado pela fabricante. A conclusão é que o T2 4x4 está bem preparado para o uso fora de estrada, mas Tank 300 e Haval H9 conseguem enfrentar uma variedade maior de situações. Por outro lado, para quem busca um carro com visual de jipão, mas prioriza o conforto a bordo e um desempenho mais forte, o modelo da Jetour entrega um conjunto mais equilibrado por um preço muito próximo ao dos concorrentes. Há ainda um ponto extra a favor do T2 4x4: a bateria oferece autonomia de 106 km no modo elétrico, bem acima dos 74 km do Tank 300. Com isso, é possível percorrer os 94 km que separam São Paulo (SP) de Campinas (SP) sem consumir uma gota de combustível.

Mauro Vieira publica artigo sobre tarifaço dos EUA O Brasil foi o país mais prejudicado pela nova reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo Financial Times nesta sexta-feira (24). De acordo com levantamento da organização independente Global Trade Alert, a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais dos EUA. Enquanto isso, países europeus passaram a enfrentar tarifas menores. França, Reino Unido, Alemanha e Espanha tiveram redução nas alíquotas efetivas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A mudança ocorre após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas por Trump em abril de 2025. Para manter a política tarifária em vigor, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por taxas específicas para cada país, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, em entrevista ao Financial Times, esse formato dificulta que uma decisão judicial derrube toda a política tarifária de uma só vez. Se um país conseguir reverter a medida na Justiça, a decisão tende a valer apenas para ele. Mesmo com a reformulação, a tarifa média efetiva cobrada pelos EUA sobre produtos importados permaneceu praticamente estável, em 10,8%, segundo a Global Trade Alert. Na quinta-feira (23), os EUA anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, sob a justificativa de que essas nações não combatem de forma eficaz a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A taxa entrou em vigor nesta sexta-feira e, como o Brasil já enfrenta uma tarifa adicional de 25%, parte das exportações brasileiras poderá ser taxada em até 37,5%. O governo americano prevê exceções para produtos considerados estratégicos. (veja a lista) Já o governo brasileiro negocia uma resposta à medida e ampliou o apoio às empresas afetadas por meio do Plano Brasil Soberano, que já liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para os setores atingidos. LEIA TAMBÉM Da isenção à taxa de 50%: novo tarifaço dos EUA coloca Brasil em 5 faixas de tributos Itamaraty ainda aguarda lista de produtos com dupla taxação Trabalho forçado é pretexto? O que está por trás da nova tarifa Europa ganha vantagem O estudo mostra que a Europa saiu relativamente beneficiada pela nova política. Bélgica, Espanha e Itália registraram as maiores reduções nas tarifas efetivas, entre 1 e 1,5 ponto percentual. Segundo Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, isso ocorreu porque parte das exportações europeias se enquadra em exceções criadas pelos EUA para produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa. Além disso, a tarifa básica de 10% aplicada à União Europeia deixou de ser acumulada com outras cobranças, reduzindo o peso total das taxas sobre diversos produtos europeus. "As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente", afirmou Fritz ao Financial Times. América Latina e Ásia também perderam Além do Brasil, países da América Latina e da Ásia também foram afetados. China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia registraram aumentos entre 0,5 e 1 ponto percentual nas tarifas efetivas. Embora a União Europeia tenha recebido positivamente as novas tarifas, o bloco teme novas investigações comerciais conduzidas pelos EUA que podem resultar em tarifas adicionais sobre setores industriais. Caso isso ocorra, a Comissão Europeia mantém preparado um pacote de retaliação sobre cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução

Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026 REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo A Meta lançou nesta sexta-feira (24) o Seller, um novo aplicativo voltado a comerciantes que utilizam o Facebook Marketplace para comprar e vender produtos. A ferramenta reúne recursos para facilitar a gestão das vendas e aprimorar a experiência dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a empresa, o crescimento das negociações realizadas em grupos do Facebook impulsionou a criação do Marketplace há dez anos. Atualmente, a plataforma registra cerca de 430 milhões de anúncios ativos por mês em todo o mundo. Com o novo aplicativo, a Meta busca fortalecer o Marketplace e ampliar sua competitividade frente a plataformas de comércio eletrônico, como o eBay. O Seller sincroniza automaticamente com a conta já existente no Marketplace, transferindo anúncios, mensagens e o histórico de vendas do usuário. Agora no g1 Entre os recursos disponíveis estão ferramentas de inteligência artificial para criação de anúncios, uma caixa de entrada unificada para conversar com compradores, funções de gerenciamento de estoque e indicadores de desempenho para acompanhar e melhorar as vendas. A Meta informou que o aplicativo já está disponível na App Store para usuários dos Estados Unidos com 18 anos ou mais. A empresa também testa uma versão para navegador, acessível aos usuários que fizerem o download do aplicativo. Além do lançamento do Seller, o Facebook começou a disponibilizar o Facebook Verificado, um selo gratuito que identifica perfis de pessoas reais. A verificação será feita por meio de selfies, em uma iniciativa para aumentar a autenticidade e a segurança na plataforma. Em maio, a Meta também lançou o Forum, um aplicativo voltado aos usuários dos Grupos do Facebook.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo brasileiro precisa continuar ampliando a regulamentação e a tributação das casas de apostas para desestimular o uso desses serviços pela população. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Temos que tratar bet igual tratamos cigarro. Temos que ir tratando com controle. As empresas que operam têm que pagar outorga e informar ao governo todas as apostas. De forma que a gente consiga chegar ao Ministério da Saúde e falar que temos apostadores contumazes no país. Vamos fazer um trabalho para essas pessoas pararem de apostar?", disse Durigan durante evento da XP Investimentos. 🔎 Apostadores contumazes são pessoas que fazem apostas de forma frequente e contínua, e não apenas de forma ocasional. "Estamos aumentando o tributo [sobre as bets] porque é justo, é devido e é um desincentivo a um mecanismo que atrapalha a vida das pessoas", completou. Agora no g1 O ministro também reiterou a importância de limitar o acesso às casas de apostas pela população que já se encontra em situação de fragilidade financeira. "Quem recebe benefício social, hoje, não pode apostar em bet. Quem recebe Bolsa Família, BPC, não pode apostar em bet. Quem se diz endividado e vai no Desenrola pra ter desconto e parcelar sua dívida, também não pode apostar em bet", disse Durigan, destacando que o governo também tem trabalhado para diminuir a publicidade de bets no país. Endividamento e crédito Ao falar sobre o alto nível de endividamento das famílias, Durigan também defendeu que o governo e o sistema financeiro criem mecanismos para incentivar ou desestimular a contratação de crédito, de acordo com a situação financeira de cada consumidor. "Se a gente já sabe que determinado consumidor tem cinco plásticos [cartões de crédito] e está com dívidas atrasadas, como podemos aprovar mais um cartão? Deveríamos pensar em como usar a nossa inteligência financeira para incentivar ou desestimular a tomada de crédito", disse. Segundo Durigan, grande parte das pessoas endividadas tomou crédito durante a pandemia e não conseguiu administrar essas dívidas. Além disso, os dados analisados pelo governo mostram que o cartão de crédito aparece com frequência entre as principais fontes de endividamento dos consumidores. "E quando a gente analisa esses dados, o cartão de crédito é o principal elemento que impacta a vida das pessoas", afirmou, reiterando que o governo tem incentivado, por meio do Desenrola, a substituição de dívidas com juros mais altos por outras com taxas menores. Quadro fiscal e dívida pública Durigan também afirmou que o governo segue comprometido com o equilíbrio das contas públicas e destacou a projeção do Tesouro de que a dívida pública deve se estabilizar entre 2029 e 2030. "A projeção é que tenhamos 0,5% de superávit [receitas maiores do que despesas] no ano que vem. Eu gostaria de fazer mais, talvez com o aumento nos preços do petróleo e eventualmente diminuindo as subvenções que temos feito", disse. 🔎 Apesar de a alta do petróleo pressionar os preços dos combustíveis e poder aumentar os custos para consumidores e empresas, ela também tende a elevar a arrecadação do governo. Isso ocorre porque a União recebe mais recursos com royalties, participações especiais e tributos pagos pelas empresas do setor quando a commodity está mais valorizada no mercado internacional. "É difícil? É difícil. Mas nós vamos seguir com o trabalho para alcançar as trajetórias que estipulamos. [...] Isso vai exigir disciplina fiscal, vai exigir a contenção dos gastos obrigatórios, vai exigir ajustes nas regras fiscais que temos hoje, e nós vamos seguir nesse processo", completou. Durigan ressaltou, porém, que o governo ainda enfrenta desafios relevantes, como a política de juros dos Estados Unidos e as incertezas da economia global provocadas por fatores como a guerra no Irã e as tarifas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump.

Logos do Instagram, TikTok, Snapchat, YouTube, Facebook, Twitch e Reddit aparecem na tela de um celular, nesta ilustração feita em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Hollie Adams/Ilustração/Foto de arquivo. O Vietnã planeja obrigar as plataformas de redes sociais a impedir que usuários menores de 16 anos publiquem conteúdo, comentem ou reajam a postagens. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A proposta consta em um projeto de decreto analisado pela Reuters e coloca o país entre os que têm adotado medidas para restringir o uso dessas plataformas por crianças e adolescentes. Pelas regras propostas, as contas de usuários menores de 16 anos deverão ser registradas com os dados de um dos pais ou responsável legal, que ficará encarregado de supervisionar o conteúdo acessado e o tempo de uso das plataformas. Agora no g1 A minuta também determina que as empresas adotem medidas técnicas para identificar usuários menores de idade e garantir que o conteúdo exibido seja adequado à faixa etária. "O objetivo principal não é proibir ou restringir excessivamente o acesso das crianças às redes sociais, mas garantir que, ao utilizarem esses serviços, elas estejam em um ambiente apropriado para sua idade e protegidas de riscos", afirmou o vice-ministro da Cultura, Phan Tam, na quinta-feira (23), durante uma reunião sobre a proposta. O texto também prevê que as plataformas ofereçam o nível máximo de proteção à privacidade das contas de crianças e adotem mecanismos para detectar, alertar e bloquear preventivamente o acesso a conteúdos relacionados à violência, pornografia, jogos de azar, drogas, suicídio e outros materiais considerados prejudiciais. A iniciativa reflete a preocupação crescente de governos em diferentes países com a segurança online e os impactos das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes. Na terça-feira (21), o Parlamento da França aprovou uma proibição do acesso às redes sociais para menores de 15 anos. A Austrália foi o primeiro país a adotar uma medida semelhante, e outras nações também discutem restrições ao uso dessas plataformas por menores. Além das redes sociais, o Vietnã também pretende endurecer as regras para jogos online. Pela proposta, as empresas do setor deverão verificar a idade dos usuários, registrar as contas de menores de 16 anos com os dados de um dos pais ou responsável e limitar o tempo de jogo a, no máximo, 60 minutos por dia em títulos oferecidos pela mesma empresa. O projeto de decreto ainda não foi finalizado e pode sofrer alterações antes de sua aprovação.

Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China. REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo A Volkswagen precisa aprofundar a redução de custos para permanecer competitiva diante do avanço das montadoras chinesas no mercado europeu, afirmou nesta sexta-feira (24) o presidente-executivo da empresa, Oliver Blume, após a divulgação de um balanço trimestral com resultados mistos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A segunda maior montadora do mundo tenta equilibrar a necessidade de tranquilizar os investidores com a defesa de um amplo plano de reestruturação. Ao mesmo tempo, enfrenta os impactos das tarifas, a fraqueza do mercado chinês e avalia o possível fechamento de algumas fábricas na Alemanha. "Quando olhamos para o futuro, vemos que os riscos aumentam cada vez mais", disse Blume, citando a existência de mais de 150 fabricantes de automóveis na China. "E todos estão chegando ao mercado", acrescentou, em referência à Europa. O executivo propôs dobrar o número de demissões já previstas, elevando o total de 50 mil para 100 mil postos de trabalho, e alertou que quatro fábricas na Alemanha correm o risco de ser fechadas após 2030. Segundo ele, todas as partes envolvidas estão cientes dos desafios enfrentados pela companhia. Agora no g1 Apesar disso, Blume não conseguiu aprovar integralmente seu plano de reestruturação durante uma reunião do conselho de supervisão realizada no início deste mês. A decisão abre caminho para uma nova rodada de negociações com os sindicatos, após um acordo firmado no fim de 2024 que previa os primeiros 50 mil cortes de empregos. Alguns analistas avaliam que os resultados do segundo trimestre indicam uma estabilização da empresa. A receita superou as expectativas do mercado e o grupo segue no caminho para elevar sua margem operacional neste ano para a faixa entre 4% e 5,5%. "Os resultados da Volkswagen sugerem que a empresa começa a se estabilizar, apesar de um cenário desafiador", afirmou Rella Suskin, analista da Morningstar, destacando a forte geração de caixa. Já analistas da Bernstein afirmaram que a diretoria da Volkswagen tenta "equilibrar a necessidade de tranquilizar os investidores enquanto alerta os funcionários de que a situação é grave", um desafio considerado quase impossível. Previsão de lucro é mantida O lucro operacional da Volkswagen caiu 9,5% entre abril e junho, para 3,5 bilhões de euros (US$ 3,98 bilhões). A receita somou 82,4 bilhões de euros, permitindo que a empresa mantivesse a margem operacional em 4,2% no trimestre, dentro da meta anual de 4% a 5,5%. A companhia manteve sua projeção de lucro para o ano, mas deixou de prever crescimento da receita. Agora, estima uma queda de até 3% nas vendas em 2026. As ações da Volkswagen, dona das marcas VW, Skoda, Audi, Porsche, Bentley e Lamborghini, chegaram a cair 3,2% após a divulgação dos resultados, mas reduziram parte das perdas ao longo do pregão. Concorrência chinesa avança na Europa Em meio à prolongada desaceleração do mercado interno chinês, montadoras do país têm ampliado sua presença na Europa com veículos elétricos de menor custo e alto conteúdo tecnológico, além de modelos híbridos plug-in. Esse movimento já reduziu a liderança histórica da Volkswagen no mercado chinês. Além de exportar veículos, empresas como a BYD e a Geely também estão instalando fábricas na Europa, priorizando países com custos menores de produção, como Hungria e Espanha. Enquanto isso, a Volkswagen busca alternativas para aproveitar a capacidade ociosa de suas fábricas na Alemanha. Entre as possibilidades avaliadas estão produzir no país modelos desenvolvidos para o mercado chinês e firmar parcerias com empresas do setor de defesa. O conselho de trabalhadores da Volkswagen afirmou que apenas reduzir custos não será suficiente para recuperar a competitividade da empresa e defendeu mais investimentos em tecnologia e desenvolvimento de novos produtos. Segundo um porta-voz do conselho, após o recesso de verão nas fábricas alemãs, os representantes dos trabalhadores retomarão as negociações com a diretoria para discutir as medidas necessárias para garantir a sustentabilidade da companhia no longo prazo. Blume afirmou que espera concluir essas decisões antes do fim do ano.

Fábrica da Volkswagen em Emden, na Alemanha Lars Penning/dpa/picture alliance via DW A Volkswagen deixou de projetar crescimento da receita neste ano. Nesta sexta-feira (24), a montadora alemã retirou a previsão anterior e passou a estimar uma queda nas vendas, em meio aos impactos das tarifas dos Estados Unidos e ao aumento da concorrência das fabricantes chinesas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O anúncio foi feito junto com os resultados do segundo trimestre, que mostraram uma queda de 9,5% no lucro. Diante desse cenário, o presidente-executivo da companhia, Oliver Blume, voltou a defender uma ampla reestruturação da segunda maior montadora do mundo, incluindo a proposta de cortar 100 mil empregos para reduzir custos e aumentar a competitividade. Agora, a Volkswagen prevê uma queda de até 3% na receita de vendas em 2026. Anteriormente, a expectativa era de crescimento de até 3%. A empresa manteve a projeção de margem operacional entre 4% e 5,5%, acima dos 2,8% registrados no ano passado. Após o anúncio, as ações da montadora caíram 3%. Agora no g1 Lucro trimestral abaixo das expectativas O grupo Volkswagen, que reúne marcas como Porsche e Audi, registrou lucro operacional de 3,5 bilhões de euros (US$ 3,98 bilhões) entre abril e junho. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela Visible Alpha esperavam uma leve alta em relação ao mesmo período do ano passado. Já a receita do segundo trimestre somou 82,4 bilhões de euros, superando as previsões dos analistas. A margem operacional ficou em 4,2%.

Um vendedor segura ovos frescos em uma feira de produtores nos Estados Unidos, em 8 de março de 2025. REUTERS/Carlos Barria/Foto de arquivo A agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos (FDA) informou na quarta-feira (24) que a Midwest Poultry Services está realizando o recall de quase 1,6 milhão de dúzias de ovos produzidos no Texas devido ao risco potencial de contaminação por Salmonella. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os ovos brancos e marrons, produzidos em sistema cage-free (galinhas criadas sem gaiolas), foram vendidos em lojas da rede Kroger no Texas e na Louisiana, além de supermercados da Brookshire Grocery em alguns estados, incluindo Oklahoma, Arkansas e Mississippi, informou o FDA. A Kroger não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters, feitos fora do horário comercial. A Brookshire Grocery afirmou à Reuters que começou a revisar seu estoque e a retirar os produtos potencialmente afetados assim que recebeu o aviso. Agora no g1 "Todos os ovos atualmente disponíveis para compra em nossas lojas foram fornecidos por uma unidade de produção diferente", informou a empresa por e-mail. Segundo o FDA, até o momento do anúncio não havia registro de casos de doença relacionados aos ovos da Midwest Poultry Services. A agência também informou que a empresa interrompeu a distribuição de ovos produzidos em suas granjas no Texas. Após identificar um possível problema de segurança alimentar, a Midwest Poultry redirecionou os ovos para uma unidade de processamento, onde passarão por pasteurização, e iniciou uma investigação interna, além de testes para identificar a origem da possível contaminação por Salmonella enteritidis. A Salmonella enteritidis é uma bactéria que pode estar presente tanto na casca quanto no interior dos ovos e causar doenças transmitidas por alimentos. Os sintomas costumam surgir entre 12 e 72 horas após o consumo e incluem cólicas, diarreia, náuseas, vômitos, calafrios, febre e dor de cabeça.

Em todo o território dos EUA, os moradores estão saindo das ruas para protestar contra os data centers Ghawam Kouchaki/ZUMA/aliança de imagens Quando obras para a construção de um grande data center da Amazon começaram no pequeno condado rural de Frederick, em Maryland, a ativista local Elizabeth Bauer não se preocupou muito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Porém, quando o projeto original foi expandido em cerca de mil acres além dos planos originais, invadindo áreas verdes e terras agrícolas sem levar em conta a comunidade, a situação mudou de figura. Junto de outros moradores, Bauer deu início a protestos contra a proximidade do canteiro de obras às áreas residenciais, o que, segundo ela, está causando poeira e poluição, o que agrava problemas de saúde como a asma na população local. "Não tenho nada contra os data centers, desde que estejam no local certo. O que não aceito é que eles ocupem terras agrícolas de primeira qualidade", disse Bauer. Agora no g1 Protestos contra data centers estão ganhando força A reação contra os data centers vem se intensificado nos Estados Unidos, com manifestações em todo o país exigindo que políticos democratas e republicanos tomem medidas. A região que abrange Maryland, Virginia e o distrito de Columbia tem sido um ponto nevrálgico. Só na Virginia, há hoje cerca de 640 data centers registrados. Esses conflitos ocorrem não apenas na fase de construção das instalações, mas também dizem respeito aos impactos a longo prazo. Data centers exigem enormes quantidades de energia para funcionar – o equivalente ao consumo de eletricidade de 100 mil residências, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Mas os que estão em construção poderiam consumir 20 vezes mais, em grande parte devido ao aumento da demanda por recursos de armazenamento e processamento de dados necessários para dar suporte ao desenvolvimento e ao uso da inteligência artificial. No geral, os data centers representam 4,4% do consumo de energia dos EUA, mas um estudo realizado pelo banco de investimentos Goldman Sachs projeta um aumento de até 8,5% até o final de 2027. Devorando água e eletricidade A disputa em Frederick reflete tensões em todo o território dos EUA. O país já abriga 4,6 mil centros de dados – cerca de mil a mais do que os dez países seguintes no ranking mundial dessa estatística juntos. Quase 40% dos americanos vivem em um raio de cinco milhas de pelo menos uma dessas instalações, e esse número provavelmente aumentará, já que mais de 1,5 mil outras instalações estão em construção. Em nenhum outro lugar do mundo a concentração é maior do que no norte da Virginia. Tudo isso está ocorrendo em um contexto de descontentamento. Uma pesquisa recente da Gallup indica, por exemplo, que 71% da população se opõe à implantação de data centers em suas comunidades. Os data centers podem consumir até 5 milhões de galões de água por dia (o equivalente ao consumo de uma cidade de 50 mil habitantes). No entanto, não é incomum que sejam construídos em áreas com escassez hídrica. De acordo com o monitor de secas dos EUA, o condado de Frederick está passando por uma severa escassez de chuvas. Segundo Francesca Dominici, professora de bioestatística da Escola de Saúde Pública de Harvard, as empresas de tecnologia costumam ignorar essa questão. "Eles não estão levando em conta as questões hídricas, de forma alguma", diz ela à DW. "Os donos priorizam os locais onde podem adquirir o terreno por um preço mais baixo e onde haja políticos que deem a aprovação o mais rápido possível." Poluição e alta nos combustíveis Preços da eletricidade nos estados americanos com alta concentração de data centers registraram um aumento de 267% nos últimos cinco anos. "Concessionárias de energia elétrica estão construindo um grande número de novas linhas de transmissão para atender essas instalações", conta Hannah Wiseman, professora de direito ambiental da Universidade da Pensilvânia. "Mas os custos dessas linhas de transmissão estão sendo repassados aos consumidores." Também há a preocupação de que os data centers possam sobrecarregar a rede elétrica, o que significaria que a necessidade de suprir a demanda extra com geradores a diesel. No caso da comunidade de Frederick, o centro planejado contaria com 99 desses equipamentos, que além disso acarretam riscos à saúde. "A exposição a partículas finas, mesmo em níveis baixos, [implica] um risco maior de malformações congênitas, doenças respiratórias, cardiovasculares e neurocognitivas, além de mortes prematuras", pontua Dominici, da Universidade de Harvard, acrescentando que também ameaçam a fauna local e prejudicam o crescimento e o rendimento das plantas. Como data centers são regulamentados? Apesar dos efeitos negativos sobre as comunidades, Wiseman diz que a localização dos data centers é, em grande parte, supervisionada no âmbito municipal e que muitos estados oferecem às empresas um ambiente regulatório que permite um desenvolvimento rápido, independentemente da proximidade com as pessoas ou com a natureza. "Muitas administrações locais optaram por não definir regras sobre o uso do solo; nesse caso, uma empresa desenvolvedora de data centers pode, basicamente, fazer o que bem entender", acrescenta a professora da Universidade da Pensilvânia. Em nível federal, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziu a burocracia para a criação de data centers como parte de um decreto de 2025 intitulado "Eliminando Barreiras à Liderança Americana em IA". Muitas empresas de tecnologia têm insistido para que as autoridades locais assinem acordos de confidencialidade, diminuindo a transparência e impedindo comunidades de compreender a magnitude dos projetos e as consequências do consumo generalizado de recursos. Assim, em vez de buscar a opinião dos moradores, eles estão trabalhando diretamente com as autoridades municipais para elaborar seus planos. Wiseman também observa que as empresas de tecnologia e desenvolvimento estão colaborando cada vez mais com os governos estaduais no estabelecimento de normas de zoneamento e de consumo de energia. "Elas têm participado de todos os processos regulatórios estaduais para criar tarifas especiais de energia elétrica para esses centros de dados", diz a especialista. "Parece que as empresas de tecnologia estão se envolvendo cada vez mais nas diversas propostas legislativas estaduais para restringir o poder de decisão das administrações municipais". Construção de data center no Arizona, nos Estados Unidos Eduardo Barraza/ZUMA/IMAGO Como as empresas estão reagindo? Embora as empresas de tecnologia argumentem que os data centers dinamizam as economias locais, um estudo da Universidade de Michigan constatou que essas estruturas geram empregos temporários na construção civil para as comunidades locais, mas não vagas de longo prazo na área de tecnologia. Porém, há sinais de que essas empresas estejam buscando construir uma relação de confiança com as comunidades. Em março, a Microsoft deixou de utilizar acordos de confidencialidade com governos locais para o desenvolvimento de data centers, afirmando que desejava construir uma relação de maior confiança com os vizinhos. E a Meta afirma que está testando e utilizando concreto de baixo carbono na construção de seus data centers. Dominici afirma enxergar "um caminho para o futuro em que todos saiam ganhando", que combina avanço tecnológico com benefícios para a população. "Eu adoraria ver uma avaliação científica apartidária de todo o impacto, e que o data center pudesse agir com o objetivo de minimizar esse impacto tanto quanto possível", diz ela. Protesto em Frederick, Maryland, contra a expansão de data centers Elizabeth Bauer Acionando os freios, ao menos temporariamente Os protestos locais parecem ter surtido efeito. Na semana passada, Nova York se tornou o primeiro estado dos EUA a suspender a construção de novos data centers de grande porte por até um ano. Também foram propostas moratórias em outros estados, e alguns condados e municípios promulgaram suas próprias proibições temporárias. Em Frederick, Bauer e outros ativistas continuam a se opor à construção da estrutura em sua vizinhança. Eles coletaram assinaturas suficientes para propor que a lei fosse submetida a um referendo nas eleições do condado, embora qualquer possibilidade de isso acontecer tenha sido rejeitada pela Suprema Corte de Maryland. O condado reagiu suspendendo temporariamente a construção de novos centros de dados, mas Bauer considera que o processo democrático falhou com os moradores de Frederick. "O cidadão comum não tem chance", diz ela. "Todo esse esforço não foi para lutar contra os data centers, mas para dar voz às pessoas". Apesar dos desafios, ela ainda vê esperança. Segundo a ativista, há candidatos ao conselho do condado nas próximas eleições que se opõem à expansão. "Se o novo conselho assumir o cargo, poderá revogar essas medidas", argumenta ela. "Estamos decepcionados, mas não vamos desistir."

Governo prorroga subsídio à gasolina O Ministério da Fazenda esclareceu, na noite desta quinta-feira (24), que a chamada "subvenção" à gasolina, ou seja, um tipo de subsídio, foi prorrogada somente por mais 30 dias. Portaria assinada pelo titular da pasta, o ministro Dario Durigan, manteve em R$ 0,44 a subvenção para para manter o preço do combustível mais baixo, por mais um mês, a partir de 26 de julho. Inicialmente, o governo publicou um release nessa quinta-feira (24) informando que benefício seria prorrogado por mais dois meses, o que não aconteceu. Horas depois, atualizou a informação dizendo que ainda discutia um novo prazo de validade. No fim da noite, esclareceu que a medida foi prorrogada por mais um mês. Anunciado inicialmente em maio, o subsídio foi definido em R$ 0,44 por litro da gasolina para tentar conter os efeitos guerra na economia brasileira. Alguns dias após o anúncio do subsídio, em maio, a Petrobras anunciou um novo ajuste de R$ 0,48 nos preços da gasolina A para as distribuidoras. Por conta da subvenção concedida pelo governo, o aumento efetivo foi menor: de R$ 0,04 por litro. A explicação é que, com alta do petróleo, há pressão sobre os preços dos combustíveis, algo que se reverbera por toda economia. Sem o subsídio para conter o preço, haveria impacto inflacionário maior. Também para conter os efeitos da guerra na inflação, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na semana passada, a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período.

Lula faz 1ª visita à Avibras após retomada da produção da empresa, em Jacareí O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nesta sexta-feira (24) a fábrica da Avibras, indústria bélica sediada em Jacareí, no interior de São Paulo. A unidade recebe a visita do presidente pela primeira vez após a retomada das atividades, que aconteceu em maio deste ano. Esta é a segunda visita de Lula à região neste mês. A primeira delas ocorreu no dia 13 de julho, em um evento de lançamento de uma turbina movida a etanol, em São José dos Campos (SP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Lula durante visita a Avibras, em Jacareí Reprodução/TV Vanguarda Nesta sexta, o presidente desembarcou no Aeroporto de São José dos Campos por volta das 9h40. Às 10h, ele visita a fábrica da Avibras. Já às 11h30, a agenda de Lula cita "intervenções sobre o início das atividades da empresa". A visita de Lula à indústria bélica brasileira acontece em meio a tensões relacionadas aos Estados Unidos. Após o anúncio da aplicação de uma nova taxa de 12,5% a produtos brasileiros, o governo Lula decidiu que vai usar a Lei da Reciprocidade como forma de pressão ao governo Trump. A Avibras é responsável por desenvolver e comercializar sistemas de defesa e espaciais, como mísseis, foguetes, veículos espaciais e lançadores espaciais. Além das Forças Armadas do Brasil, a empresa também concentra clientes no exterior. Lula visita Avibras em Jacareí Em entrevista coletiva após a visita, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a Avibras como empresa 'estratégica' e disse que a tendência é ela retome o crescimento nos próximos anos. "A reabertura da empresa permitiu contratar 480 colaboradores e a tendência dela é de crescer e a Avibras, voltando a crescer, reabre uma outra fábrica em Lorena, onde fabrica os insumos para o combustível dos fogues, mísseis e lançadores. É uma indústria estratégica. O Brasil, em produtos de defesa em 2022, exportou US$ 600 milhões. No ano passado [foram] US$ 3,4 bilhões, aumentou cinco vezes a exportação brasileira. A Avibras tem tudo para retomar [o crescimento] e é muito importante para o Brasil ter uma defesa com tecnologia, capacidade de persuasão, isso é importantíssimo para o país, para o desenvolvimento do Brasil", disse. Retomada da Avibras A retomada das atividades na Avibras, em Jacareí, aconteceu após a assinatura de um acordo para pagamento das dívidas trabalhistas, estimadas em cerca de R$ 230 milhões, em março. O compromisso foi firmado entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, após aprovação dos trabalhadores. A Avibras enfrentava dificuldades financeiras desde 2022. Em março daquele ano, a empresa anunciou 420 demissões, que depois acabaram sendo revertidas, e entrou com pedido de recuperação judicial. Meses depois, em setembro de 2022, os trabalhadores iniciaram uma greve por falta de pagamento de salários. A paralisação se estendeu por mais de três anos, totalizando cerca de 1.280 dias, e foi considerada uma das mais longas do país. Durante esse período, a empresa acumulou dívidas com cerca de 1,4 mil funcionários. Presidente Lula e comitiva em agenda na Avibras, em Jacareí. João Mota/TV Vanguarda Avibras é credenciada como empresa estratégica de defesa Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Chey Tae-won, presidente do Grupo SK, participa da abertura do pregão da SK Hynix na Nasdaq, em Nova York, em 10 de julho de 2026. REUTERS/Angelina Katsanis/Foto de Arquivo Um tribunal da Coreia do Sul decidiu nesta sexta-feira (24) que o presidente do grupo SK, Chey Tae-won, deverá pagar 944 bilhões de wons — cerca de R$ 3,5 bilhões — à ex-esposa, Roh Soh-yeong, como parte do acordo de divórcio. Embora seja o maior valor já concedido em um divórcio no país, a quantia é menor do que a determinada por uma decisão anterior, que havia fixado o pagamento em 1,38 trilhão de wons (cerca de R$ 5,1 bilhões). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Especialistas afirmam que Chey pode precisar vender parte de suas ações ou usá-las como garantia para levantar o dinheiro, mas avaliam que isso não deve comprometer seu controle sobre o grupo SK, o segundo maior conglomerado da Coreia do Sul. O caso chamou atenção porque a fortuna da empresa cresceu com o avanço da inteligência artificial. Agora no g1 A fabricante de chips SK Hynix, que faz parte do grupo, tornou-se uma das principais fornecedoras de memórias usadas nos processadores de IA da Nvidia, beneficiando-se da alta demanda por semicondutores avançados. Após a decisão, as ações da holding SK fecharam em queda de 3,8%, enquanto os papéis da SK Hynix recuaram 8,3% na Bolsa de Seul. O Supremo Tribunal da Coreia do Sul já havia decidido que um suposto apoio financeiro dado ao grupo pelo pai de Roh, o ex-presidente Roh Tae-woo, não poderia ser considerado na divisão dos bens. 🔎 Segundo o tribunal, as ações de Chey na holding SK fazem parte do patrimônio do casal porque foram adquiridas durante o casamento e aumentaram de valor com a contribuição de ambos. Os juízes consideraram que Roh colaborou para esse patrimônio ao cuidar dos filhos, da casa e ao participar de atividades relacionadas ao grupo empresarial. Apesar disso, Chey continuará como dono das ações. Em vez de transferir parte dos papéis para a ex-esposa, ele fará o pagamento em dinheiro, preservando sua participação e o controle sobre o conglomerado. A decisão ainda pode ser alvo de recurso e voltar a ser analisada pelo Supremo Tribunal da Coreia do Sul. *Com informações da Reuters

Contêiners chegam ao porto de Oakland, na Califórnia. (18/04/2025) Getty Images via AFP - JUSTIN SULLIVAN As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 países, já a partir desta sexta-feira (24), geram reações dos parceiros comerciais dos americanos no mundo. A China declarou “ser contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais”, mas a União Europeia não escondeu o alívio pelo fato de a taxa aplicada aos produtos europeus não ser a mais alta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O anúncio de Washington ocorreu no mesmo dia em que a gigante americana Google foi alvo de uma pesada multa no continente europeu. "A UE saúda o fato de que esse desfecho é consistente com os compromissos dos EUA em relação às tarifas", estabelecidos no acordo comercial firmado no ano passado entre Bruxelas e Washington, disse Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia. A UE recebeu uma alíquota tarifária global de 10%, com isenções tarifárias adicionais para certos produtos, como cortiça e diamantes, que se somam a mercadorias já isentas, a exemplo de aeronaves e suas peças de reposição e medicamentos genéricos. Para Bruxelas, isso cria uma "dinâmica positiva" para as discussões transatlânticas sobre diversos temas, que vão desde matérias-primas estratégicas até inteligência artificial, salientou Olof Gill. Agora no g1 O anúncio de Washington ocorreu poucas horas depois de a UE decidir multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas no setor digital. A decisão contra a gigante de tecnologia americana havia suscitado temores de uma retaliação por parte de Washington, já que o governo de Donald Trump costuma acusar o bloco europeu de atingir injustamente empresas americanas por meio de suas regulamentações digitais. Novas tarifas substituem rodada temporária Cerca de 60 economias enfrentam novas tarifas a partir da meia-noite e um minuto desta sexta-feira (24), em substituição às taxas temporárias implementadas em fevereiro por Donald Trump. Essas tarifas temporárias haviam sido adotadas após uma decisão da Suprema Corte de anular a maioria das sobretaxas estabelecidas desde o retorno de Trump ao poder. Agora, uma série de produtos que entram nos Estados Unidos vindos de uma longa lista de países passa a estar sujeita a impostos de importação de 10% ou 12,5%. União Europeia, Reino Unido, México e Canadá, alguns dos parceiros comerciais mais importantes dos Estados Unidos, serão alvo de 10% de sobretaxa. O Brasil, já taxado em 25% na semana passada, recebeu uma nova rodada de 12,5%, resultado da investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre falhas no combate à importação de 3 mil itens acusados de serem feitos com o uso de trabalho forçado. "Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais", denuncia uma nota oficial do governo brasileiro sobre o assunto. O governo Lula decidiu que vai usar a Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas não vai deixar a mesa de negociações com o governo de Donald Trump. Países asiáticos protestam Na Ásia, a China declarou que as novas tarifas de 12,5% contra os produtos chineses “não atendem aos interesses de nenhuma das partes". "Somos contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Apesar da rivalidade, a China e os Estados Unidos haviam chegado a uma trégua comercial em outubro. No entanto, as disputas persistem: Pequim critica Washington por restrições a tecnologias que podem ser exportadas para empresas chinesas. As Filipinas, que, como os demais países, também são visadas com o argumento de uso de trabalho forçado, expressaram "profunda preocupação". "Estamos muito preocupados e surpresos com essa nova taxa de 12,5%, que é muito alta", disse George Barcelon, presidente da Câmara de Comércio e Indústria das Filipinas (PCCI), à AFP na sexta-feira. "Isso tornará as indústrias menos competitivas", alertou ele. A secretária de Comércio das Filipinas, Christina Roque, disse que o país possui uma "política firme contra o trabalho forçado, em conformidade com várias convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)". Mesmo antes da entrada em vigor da nova rodada tarifária de 12,5%, Austrália, Japão e Nova Zelândia, aliados dos EUA na Ásia, criticaram duramente as barreiras. Canberra as considera "injustificadas", Wellington as acha "extremamente decepcionantes" e Tóquio as "lamenta". O argumento do trabalho forçado Em meados de março, o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, iniciou uma investigação para determinar se os parceiros comerciais dos EUA haviam eliminado completamente de suas cadeias de suprimentos produtos fabricados com mão de obra forçada. "Buscamos acabar com o comércio desse tipo de produto", explicou Greer à CNN. "Se você permite a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, cria-se uma concorrência desleal para os seus próprios produtos. Queremos que todos os países tenham o mesmo tipo de proteção", acrescentou. Segundo Greta Peisch, advogada especializada em comércio internacional, o objetivo é "manter poder de negociação e continuar pressionando para que os países continuem a honrar os acordos comerciais que assinaram e, talvez, negociem outros no futuro". "Há um fio condutor, mesmo que as alíquotas tarifárias variem significativamente e as justificativas para elas mudem com o tempo", acrescentou ela. "O presidente reconheceu que o mercado dos EUA é um ativo importante que ele pode usar como alavanca junto a esses países para alcançar os objetivos desejados", admitiu uma autoridade americana à imprensa. A Casa Branca espera que essa nova sobretaxa não tenha o mesmo destino daquela implementada no ano passado. Para garantir a viabilidade jurídica, o USTR baseou-se na mesma legislação utilizada anteriormente para justificar tarifas setoriais específicas – como o aço, o alumínio, o cobre, a madeira e automóveis —, que não haviam sido anuladas pela Suprema Corte. Várias outras investigações também estão em andamento com base nesse mesmo texto, particularmente no que diz respeito a uma possível capacidade industrial excedente. Com AFP

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (24), com um recuo de 0,18% perto das 16h, cotado a R$ 5,0749, conforme investidores avaliavam o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 1,35% no mesmo horário, aos 174.330 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️O novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre o Brasil e outros 59 parceiros comerciais fica no centro das atenções. A alíquota, que ficou entre 10% e 12,5% foi anunciada na véspera, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. O cenário aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que mantém conversas com os setores afetados e avalia como reagir às tarifas. ▶️ As tensões no Oriente Médio também ficam no radar, principalmente após novos ataques a navios petroleiros no Mar Vermelho. A piora do cenário geopolítico na região reforçou preocupações sobre eventuais impactos nas cadeias logísticas e no mercado de petróleo. Após uma semana de tensões, os preços do petróleo operavam em queda nesta sexta-feira. Perto das 16h, o barril do Brent, referência internacional, caía 4,08%, cotado a US$ 96,58. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 3,16%, a US$ 89,28 o barril. ▶️ Por fim, a temporada de balanços corporativos segue na mira dos investidores. Na véspera, as ações da Alphabet caíram mais de 7% após a companhia elevar sua projeção de investimentos em inteligência artificial, reacendendo preocupações com o alto custo da expansão da infraestrutura necessária para o setor. Nesta sexta, destaque para os balanços de Dow, American Airlines, T-Mobile e Intel. Dados econômicos também ficam no radar. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,53%; Acumulado do mês: -1,53%; Acumulado do ano: -7,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,59%; Acumulado do mês: +2,59%; Acumulado do ano: +9,53%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Nova taxa dos EUA é anunciada Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entraram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. "Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo", disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. "A ação de hoje começará a corrigir o que é, ao mesmo tempo, um abuso dos direitos humanos e uma prática comercial distorcida, contribuindo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo." O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. O tema já foi amplamente refutado pelo governo brasileiro. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos são "absolutamente improcedentes" e "inverídicos", reiterando que o sistema de exportação brasileiro passa por um sistema rigoroso de fiscalização e controle ambiental. Na semana passada, os EUA já haviam confirmado uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. LEIA MAIS Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil Trabalho forçado é pretexto? O que está por trás da nova tarifa dos EUA Itamaraty vê tarifas cumulativas dos EUA e avalia que negociações foram para ‘cumprir tabela’ Tarifaço: ministro diz que tarifa de 12,5% é 'indevida' e baseada em fatos que não são reais Novas tensões no Oriente Médio As Forças Armadas dos EUA realizam na quinta-feira (23) ataques ao Irã pela 13ª noite seguida. "As forças dos EUA iniciaram outra noite de ataques contra alvos militares iranianos às 18h45 ET de hoje. Esta é a 13ª noite consecutiva de ataques destinados a responsabilizar o Irã e reduzir ameaças da Guarda Revolucionária Islâmica ao transporte marítimo comercial", diz uma postagem do Comando Central (Centcom) americano. A imprensa do Irã reportou explosões na cidade de Ahvaz, no sul do país, alé, de Bandar Abbas e Qeshm, alvos frequentes de bombardeios americanos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta que considera seriamente retomar as grandes operações de combate no Irã. "Eles ainda não sentiram dor suficiente. Estou considerando um ataque maciço. Maior do que qualquer outro antes. Estou perto de tomar uma decisão. Está tudo pronto", afirmou. Um porta-voz militar do Irã afirmou que os Estados Unidos vêm usando armas que nunca haviam utilizado antes contra o território iraniano. Em entrevista a uma rádio iraniana, o general Abolfazl Shekarchi afirmou que Washington está mobilizando "todas as capacidades, todas as armas e todas as previsões" que havia acumulado para a Terceira Guerra Mundial contra o país. "Todas as armas que foram testadas no mundo, mas nunca utilizadas em qualquer guerra, foram empregadas contra a República Islâmica. Cada capacidade, cada arma, cada plano de contingência que os americanos haviam planejado e estocado para a Terceira Guerra Mundial — para enfrentar as principais potências mundiais — tudo foi levado ao campo de batalha", afirmou. Para além do conflito entre EUA e Irã, no entanto, ataques no Mar Vermelho também ficam no radar. Os aliados houthis do irã no Iêmen também disseram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operam mistos nesta sexta-feira (24), enquanto investidores seguem avaliando resultados corporativos. Perto das 16h, o Dow Jones tinha alta de 0,30% e o S&P 500 subia 0,01%, enquanto o Nasdaq Composite caía 0,60% Na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em alta, com investidores também de olho na temporada de balanços e com o alívio nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou com um avanço de 0,6%, aos 644,67 pontos. Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 1,36%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,88% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve ganhos de 0,91%. Na Ásia, a maioria dos índices da região fechou em queda. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,67%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,98% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 5,72%. O Nikkei, do Japão, teve perdas de 2,73%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Criação de gado leiteiro no Distrito Federal CNA/Divulgação Quem está começando ou quer aprimorar a produção de leite pode consultar gratuitamente uma cartilha do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com orientações sobre o manejo de vacas em lactação e vacas secas. O material aborda diferentes aspectos da atividade, desde a alimentação do rebanho até os sistemas de produção mais utilizados. A publicação também traz recomendações sobre o manejo adequado durante a ordenha, etapa essencial para garantir a qualidade do leite e o bem-estar dos animais. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

A irmã Susan Francois faz parte da Congregação das Irmãs de São José da Paz, que reúne 88 freiras nos Estados Unidos e no Reino Unido e pratica o chamado ativismo acionário Congregação das Irmãs de São José da Paz via BBC A irmã Susan Francois talvez não corresponda à imagem que muita gente faz de uma freira católica. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ela não usa hábito, a veste tradicional composta por túnica e véu. E também é ativa na rede social TikTok. Seu perfil reúne vídeos gravados em frente a um centro de detenção de imigrantes em Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde defende migrantes e suas famílias. Mas a irmã Francois também vem chamando atenção por outro tipo de ativismo. Ela e outras freiras da Congregação das Irmãs de São José da Paz, que reúne 88 religiosas nos EUA e no Reino Unido, praticam o chamado ativismo acionário. Como acionistas, usam sua participação em empresas para pressionar grandes corporações a adotar medidas relacionadas a temas como mudanças climáticas, direitos territoriais dos povos indígenas e justiça racial. Agora no g1 "Como tesoureira da congregação, sou a responsável por representar nossos interesses [...] quando cobramos que essas empresas atuem em favor do bem comum", afirma Francois. Em um caso recente, elas tentaram convencer o conselho de administração da gigante de tecnologia Palantir (empresa de análise de dados que atua, por exemplo, como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA) a responder às suas preocupações. As freiras acreditavam que o software de inteligência artificial (IA) da empresa estava sendo usado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e por outros órgãos públicos para "rastrear e identificar imigrantes para detenção e deportação". A encíclica Magnifica Humanitas (ou, "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português), do papa Leão 14, trata dos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial AFP via Getty Images Segundo elas, isso poderia representar uma violação dos direitos humanos. Mais especificamente, as religiosas queriam que a Palantir realizasse uma Avaliação de Impacto sobre Direitos Humanos (HRIA, na sigla em inglês) para analisar como seus produtos e serviços são utilizados e reduzir possíveis impactos negativos. Para isso, recorreram ao chamado shareholder resolution (proposta apresentada por acionistas para deliberação em assembleia), um mecanismo que permite aos acionistas submeter propostas à votação na assembleia geral anual da empresa. A proposta recebeu apenas 13% dos votos, mas a irmã Francois considera o resultado uma vitória, argumentando que os fundadores da companhia controlam 49,9% das ações com direito a voto. "Do [total] de votos de acionistas que não fazem parte do grupo controlador, 56% votaram a favor da proposta das irmãs", afirma. "O fato de tantos acionistas terem concordado conosco diz muito." A BBC procurou a Palantir para comentar o caso, mas a empresa não respondeu. Mas em um comunicado anterior aos acionistas, a companhia afirmou que a iniciativa das freiras se baseava em "equívocos e informações incorretas sobre o trabalho da Palantir". A empresa também disse que não é uma companhia de dados, não vende dados pessoais nem oferece serviços de mineração de dados. Operações do ICE dividiram comunidades em diferentes partes do país. Na imagem, protesto no Estado do Maine após um homem ser baleado por agentes do órgão em julho Getty Images via BBC A votação ocorreu menos de duas semanas depois de o papa Leão 14 divulgar, em maio, sua primeira grande encíclica — Magnifica Humanitas ou "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português —, na qual alertou que a IA precisa ser "desarmada" para não "dominar a humanidade". O pontífice defendeu que a IA deve ser colocada a serviço do "bem comum" e que a dignidade humana precisa ser preservada. A coincidência de datas foi casual, mas serviu de estímulo para a irmã Francois. "Já li essa encíclica muitas e muitas vezes. Ela reforça tudo o que está por trás do [nosso] trabalho", afirma. A participação acionária das freiras na Palantir permitiu que elas apresentassem formalmente questionamentos sobre as práticas da empresa NurPhoto via Getty Images A Palantir não é a única empresa que recebeu — ou foi ameaçada de receber — propostas de acionistas apresentadas pelas freiras como forma de pressionar os conselhos de administração a enfrentar questões que elas consideram de natureza moral. As religiosas também confrontaram o Citigroup, uma das maiores instituições bancárias do mundo, por causa do financiamento a projetos de combustíveis fósseis na Amazônia. Preocupadas com os impactos sobre as comunidades indígenas da região, elas pediram que o banco publicasse um relatório sobre o tema. Em abril de 2024, o Citigroup atendeu ao pedido. Questionada sobre a eficácia desse tipo de iniciativa, já que muitas dessas propostas não conseguem apoio da maioria dos acionistas, a irmã Francois responde que isso depende da forma como se define o sucesso. "Nossa primeira proposta foi apresentada pela congregação em 1976 a uma empresa que talvez você conheça: a Colgate-Palmolive. O tema era o sexismo na publicidade e [a forma como as mulheres eram retratadas]." Os acionistas pediram que a empresa adotasse medidas para combater a discriminação de gênero. A Colgate-Palmolive se opôs à proposta, alegando que ela era desnecessária, e a medida acabou rejeitada. Ainda assim, quase meio século depois, a irmã Francois diz não se decepcionar com o resultado. "O sexismo desapareceu da publicidade? Não. A situação é diferente da que existia nos anos 1970? Sim." "Para as irmãs, e para a maioria dos investidores guiados por valores e princípios religiosos, o sucesso está em colocar essas questões em pauta e fazer com que elas cheguem ao conselho de administração para serem debatidas." A irmã Francois acredita que fazer questionamentos públicos sobre a conduta de grandes empresas pode ser suficiente para provocar mudanças Congregação das Irmãs de São José da Paz Então, como acionistas, as freiras lucram com as mesmas empresas cujas práticas criticam? Sim, responde a irmã Francois, reconhecendo a ironia da situação. No entanto, ela explica que os rendimentos obtidos com esses investimentos são destinados aos cuidados de saúde das religiosas mais idosas e ressalta que a congregação possui apenas uma pequena participação nessas empresas. A irmã Francois também afirma que há companhias nas quais elas jamais investiriam, como fabricantes de armas e empresas cuja principal atividade seja a produção de combustíveis fósseis. Ainda assim, Francois defende que é preciso dialogar com as grandes corporações e estar presente nos espaços onde as decisões são tomadas."Se nos afastarmos dos centros de poder (...), deixaremos de ter voz sobre a forma como [as decisões são] tomadas", afirma Francois. A irmã Francois acredita que ela e as demais freiras não defendem uma causa política, mas a criação de Deus Congregação das Irmãs de São José da Paz A Congregação das Irmãs de São José da Paz foi fundada em 1884, durante o pontificado do papa Leão 13, cuja atuação inspirou o papa atual a adotar o nome Leão 14. A irmã Francois afirma que Leão 13 foi o autor do primeiro documento da Igreja Católica sobre a doutrina social voltada ao mundo do trabalho e diz que ambos os papas se dedicaram a temas sociais que afetam diretamente a vida das pessoas. Por isso, quando alguns questionam se um grupo de freiras deveria tentar influenciar práticas empresariais de uma forma que pode ser vista como política — especialmente em um período de crescente polarização —, a irmã Francois tem uma resposta direta: "Não estamos defendendo partidos políticos. Estamos defendendo o valor da criação de Deus e o direito de todas as pessoas aos direitos humanos. Se isso é política, tudo bem." LEIA TAMBÉM: Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação? A Inteligência Artificial vai ser adorada como um deus?

Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A União Europeia acusou o TikTok nesta sexta-feira (24) de não proteger os menores, uma vez que as configurações de suas contas os expõem a riscos como cyberbullying e comportamentos predatórios. A UE afirmou que essas contas deveriam ser visíveis apenas para pessoas permitidas. Adolescentes acima de 13 anos podem usar o TikTok. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Um alto nível de proteção não deveria ser uma opção que precise ser ativada; deveria ser a configuração padrão", declarou a responsável pela área de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, em comunicado. A UE intensificou seus esforços para proteger os menores com novas normas previstas para o fim deste ano, que proibirão crianças menores de 13 anos de usar redes sociais. Agora no g1 Bruxelas abriu sua investigação sobre o TikTok, de propriedade do grupo chinês ByteDance, em 2024 com base na Lei de Serviços Digitais (DSA). De acordo com a DSA, as configurações das contas de menores contam, por padrão, com medidas de segurança e proteção mais rigorosas. "As configurações das contas do TikTok não cumprem essa norma", afirmou a UE em sua avaliação preliminar. Elas "continuam a expô-los a riscos, como contatos indesejados, cyberbullying ou comportamentos predatórios". A UE constatou durante a investigação que os menores podem tornar sua conta pública, o que significa que qualquer pessoa, tenha ou não uma conta no TikTok, pode ver seu conteúdo. Mesmo quando optam por tornar suas contas privadas, podem ser "facilmente encontradas". LEIA TAMBÉM TikTok diz que vai testar sistema para identificar contas que usam IA para criar spam na plataforma Um porta-voz do TikTok afirmou que as contas de adolescentes contam com mais de 50 recursos de privacidade e segurança pré-configurados, e destacou que as contas de menores de 18 anos são privadas por padrão. "Analisaremos essas conclusões preliminares enquanto seguimos colaborando de forma construtiva" com a UE, acrescentou. Se confirmadas as conclusões da UE sobre o TikTok, o bloco poderá impor uma multa de até 6% do faturamento anual total da empresa em nível mundial.

Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) um projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Entre eles, está o foie gras, produto da culinária francesa feito com fígado gordo de pato ou ganso. A norma, publicada no Diário Oficial da União, especifica que a proibição inclui a produção e a comercialização de foie gras, tanto in natura como enlatado. Quem descumprir a regra poderá ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais. ➡️ A técnica usada para produzir o foie gras é conhecida como gavage. Ela consiste em forçar o animal a comer mais do que consumiria naturalmente para aumentar o tamanho do fígado. Para isso, um tubo metálico é inserido pela garganta da ave até o esôfago, por onde a ração é fornecida. Técnica gavage para produção de foie gras Jerry ツ on Visualhunt O procedimento costuma ser realizado duas vezes por dia nas duas a quatro semanas que antecedem o abate. "Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal", explica George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals. Segundo Sturaro, o fígado pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que pode causar dor, alterações no metabolismo e estresse térmico nas aves. Além disso, há outro agravante: muitas vezes o processo não é feito corretamente, o que provoca ainda mais ferimentos nos animais. "Você vê que as aves já até fogem quando chega o funcionário, porque já vira um manejo violento, não toma cuidado na hora de fazer a sondagem", afirma Patrycia Sato, presidente e diretora técnica da Alianima. Gavage, técnica de alimentação forçada Mercy for Animals / divulgação Segundo o relator do projeto, o deputado Fred Costa (PRD-MG), a técnica pode aumentar em até 25 vezes a taxa de mortalidade dos animais. Sem esse método, ainda não existem alternativas comercialmente viáveis para produzir foie gras, afirma Sturaro. No entanto, algumas opções estão sendo estudadas, como o cultivo de células em laboratório e produtos à base de plantas. Leia também: Chocolate ou ‘sabor chocolate’?: nova lei fixa regras e define categorias; veja quais são Brasil na frente Agora que o texto foi sancionado, o Brasil será o segundo país a proibir a produção e a comercialização de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. O primeiro foi a Índia. No caso da produção, outros países já adotam restrições semelhantes, como Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina. "Realmente o Brasil sai na frente de muitos países, inclusive os que geralmente são pioneiros em práticas de bem-estar animal", afirma Sato. O projeto de lei foi apresentado há seis anos no Senado e tramitou em caráter conclusivo pelas comissões — ou seja, não precisou passar pelo plenário, explica Natália Figueiredo, gerente de políticas públicas da World Animal Protection Brasil. Segundo Figueiredo, a embaixada da França pediu apoio da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) para evitar que o projeto também proibisse a importação de produtos feitos com a técnica. O g1 entrou em contato com a FPA e com a embaixada da França, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Já internamente, o projeto passou sem obstáculos, uma vez que o Brasil só possui três produtores que usam a técnica de gavage. "E é uma iguaria, é um alimento muito caro, ela é elitizada. Então, também não tem esse fator de você estar tirando comida do brasileiro", afirma Sato. LEIA TAMBÉM Como a mudança nos hábitos de consumo da China pode ajudar a proteger a floresta amazônica Crise do alho: preço baixo dos importados faz agricultores brasileiros jogarem produção no lixo Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro

Um dos quatro centros de distribuição da Wildberries atingidos nos ataques. A unidade de Nevinnomyssk foi atacada na madrugada de quarta-feira (22/7) REUTERS Em poucos dias, drones ucranianos atingiram vários centros de distribuição da Wildberries, a maior varejista online da Rússia, causando prejuízos a um grande número de pequenas e médias empresas. Depois de meses atacando depósitos e refinarias de petróleo, a Ucrânia afirma que agora passou a mirar centros logísticos usados para comprar equipamentos militares, numa tentativa de interromper o abastecimento do Exército russo. Mas a ofensiva também afetou centenas de vendedores russos que dependem de mercados virtuais (como a Amazon ou o Mercado Livre) para vender e sobreviver, fazendo a guerra chegar mais perto da rotina de muitos deles pela primeira vez em quase quatro anos e meio. "Sou mãe de uma criança com deficiência e construí esse negócio sozinha", escreveu uma mulher em uma publicação repleta de palavrões nas redes sociais que acabou viralizando. "Perdi 1 milhão de rublos [cerca de R$ 65 mil]... Como se já não estivéssemos sendo ferrados de todos os lados." No primeiro ataque da Ucrânia contra a Wildberries, no fim de semana, dois centros de distribuição foram atingidos: um deles em Elektrostal, a leste de Moscou, e outro em Kotovsk, na região de Tambov, a cerca de 400 km da fronteira com a Ucrânia. Sete funcionários que trabalhavam no turno da noite morreram em Kotovsk, e outro morreu em Elektrostal. Dezenas de pessoas ficaram feridas, e o prejuízo com mercadorias destruídas foi avaliado em cerca de R$ 5,1 bilhões. Estima-se que entre 85% e 90% da população economicamente ativa da Rússia use a Wildberries ou sua concorrente, a Ozon. Em muitas regiões remotas, onde há poucas lojas físicas, essas plataformas são o principal meio de compras para produtos que vão de roupas a eletrodomésticos. A Ucrânia afirmou ter atingido "importantes centros logísticos" usados para "fornecer componentes sujeitos a sanções destinados à produção de drones e equipamentos de navegação". Outros centros logísticos foram atacados na madrugada de segunda-feira (20), entre eles mais um centro de distribuição da Wildberries em Koledino, ao sul de Moscou. Novos ataques, entre a noite de terça-feira (21) e a madrugada de quarta-feira (22), atingiram centros logísticos da empresa em Krasnodar e Nevinnomyssk, na região de Stavropol. Ataques registrados entre 18 e 22 de julho BBC A proprietária da empresa, Tatiana Kim, informou que houve esses ataque deixaram mais vítimas. "Estamos, com toda razão, levando a guerra de volta para dentro da Rússia", afirmou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a Rússia vem atacando cidades ucranianas com drones e mísseis. Nos últimos meses, ofensivas russas também atingiram armazéns e terminais de carga na Ucrânia. Centros de triagem da Nova Poshta, a maior empresa privada de entregas da Ucrânia, foram alvo de ataques, assim como depósitos da rede varejista ATB e do grupo de confeitaria Roshen. Com a linha de frente praticamente estagnada, a Ucrânia intensificou a sua campanha de ataques com drones de longo alcance contra rotas de abastecimento e instalações de energia. Na prática, a ofensiva isolou a Crimeia, anexada pela Rússia, e provocou escassez de combustível em diferentes regiões do país. As empresas já vinham sofrendo os efeitos da guerra antes dos ataques aos centros de distribuição, mas algumas perderam grande parte de seus estoques de um dia para o outro. A Rússia nega que plataformas de comércio eletrônico sejam usadas para abastecer o Exército. Ainda assim, nelas são vendidos diversos produtos de uso militar, como coletes balísticos, além de itens que podem ser usados tanto para fins civis quanto na fabricação de drones. Blogueiros pró-guerra da Rússia afirmam que voluntários recorrem regularmente a essas plataformas para comprar equipamentos que depois são enviados às tropas na linha de frente. Mas não há confirmação independente de que os centros de distribuição atingidos nos ataques armazenassem esse tipo de material. Diferentemente da gigante americana Amazon, que vende produtos diretamente aos consumidores além de operar um marketplace (mercado virtual em que operam outros comerciantes), a Wildberries e a Ozon funcionam quase exclusivamente como plataformas que conectam vendedores independentes a compradores em toda a Rússia. Elas armazenam, entregam as mercadorias e processam os pagamentos. Por isso, boa parte dos prejuízos provocados pelos ataques acabou recaindo sobre comerciantes. Para uma vendedora de artigos de papelaria, a Wildberries é o único canal de vendas. Um dia depois de enviar sua mercadoria ao centro de distribuição de Elektrostal, nos arredores de Moscou, na sexta-feira passada (17), ela recebeu a notícia de que todo o estoque havia sido destruído pelo incêndio. Imagem de satélite mostra a dimensão do incêndio que atingiu o centro de distribuição da Wildberries em Elektrostal, a leste de Moscou Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026 Ela ainda tem outros produtos armazenados, mas esta é uma época importante para o negócio, quando pais e estudantes fazem as compras para o início do novo ano letivo no hemisfério norte. Outra comerciante que atua na Wildberries, vendendo roupas para adolescentes, contou à BBC ter perdido um estoque avaliado em cerca de 1,4 milhão de rublos (aproximadamente R$ 91 mil). Ela decidiu suspender o envio de novos produtos por algumas semanas. "As perspectivas de continuar trabalhando com a Wildberries são muito incertas", afirmou. "No momento, ainda tenho uma reserva financeira suficiente para absorver essas perdas. Mas se houver novos ataques, provavelmente não vou conseguir." Nenhuma das duas espera receber indenização. No início deste mês, menos de duas semanas antes dos ataques, a Wildberries incluiu nos contratos uma cláusula que passou a considerar ataques com drones como casos de força maior, isentando a empresa de qualquer responsabilidade. A proprietária da Wildberries, Tatiana Kim, prometeu "não abandonar" os vendedores. Algumas pequenas empresas já receberam compensações, e a companhia também concedeu descontos temporários e isenção das taxas de envio. No entanto, as medidas fizeram pouco para reduzir o receio de novos ataques. Apoiar pequenas e médias empresas tem sido uma das prioridades declaradas de Vladimir Putin, presidente da Rússia, mesmo em tempos de guerra. O governo russo apresenta esse setor como um dos pilares da resistência do país às sanções impostas pelo Ocidente. Mas, na prática, o Estado não conseguiu proteger essas empresas dos efeitos do conflito, e o setor vem enfrentando uma série de dificuldades desde o início do ano. Em janeiro, o Imposto sobre Valor Agregado, o IVA, subiu de 20% para 22%, para ajudar a financiar os gastos com Defesa, e benefícios fiscais concedidos a parte das empresas foram extintos. Segundo a plataforma de inteligência de negócios Kontur.Fokus, 209 mil pequenas e médias empresas encerraram suas atividades no primeiro trimestre de 2026. O número é 9% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Apagões frequentes na internet e a repressão a aplicativos de mensagens populares agravaram ainda mais a situação. Segundo algumas estimativas, empresas de Moscou perderam dezenas de milhões de dólares em apenas uma semana de março. Depois veio a crise de combustíveis, desencadeada pelos ataques ucranianos a depósitos de petróleo, refinarias e rotas de abastecimento. "Já há muitos pregos, e continuam martelando outros mais. [O ataque aos centros de distribuição da Wildberries] é mais um prego no caixão? Sim, sem dúvida", disse Ruben Enikolopov, professor da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, em entrevista à BBC. As pequenas empresas russas já demonstraram capacidade de resistir a crises no passado. Mas a inflação continua elevada, o déficit orçamentário aumenta, e as receitas com petróleo e gás estão 23% abaixo das registradas nos seis primeiros meses do ano passado. A Rússia ainda dispõe de grandes reservas financeiras acumuladas em tempos de paz. No entanto, a guerra na Ucrânia consome cada vez mais recursos, reduzindo a capacidade de crescimento da economia civil. Reportagem adicional de Olga Shamina

Casca enrugada do ovo pode ser sinal de estresse nas galinhas; veja por que isso acontece Um ovo com a casca enrugada chamou a atenção de um produtor rurl de Vacaria (RS). Ao encontrar o alimento no galinheiro, ele ficou em dúvida sobre o que poderia ter causado a deformação. Segundo o zootecnista Marconi Ítalo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), esse tipo de alteração costuma estar relacionado a algum fator de estresse sofrido pela galinha durante a formação da casca. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A produção de um ovo leva, em média, 25 horas. O processo começa com a liberação da gema pelo ovário. Em seguida, ela percorre o oviduto, onde é formada a clara, até chegar ao útero, onde permanece por cerca de 18 horas para a formação da casca de cálcio. É justamente nessa etapa final que o problema pode ocorrer. "Quando há um fator de estresse, como uma chuva forte em galpões com telhado metálico, por exemplo, o útero da galinha se contrai. A casca acaba ficando enrugada e assume o formato dessas contrações", explica Marconi Ítalo. Além de barulhos intensos, outros fatores também podem provocar esse tipo de alteração, como: temperaturas elevadas, acima de 25 °C; deficiência de cálcio e fósforo na alimentação; excesso de aves no mesmo espaço; idade avançada ou problemas de saúde da galinha. Se os ovos deformados começarem a aparecer com frequência, a recomendação é procurar um médico-veterinário para avaliar a saúde das aves e identificar a causa do problema. LEIA TAMBÉM: Produtor colhe mamão de quase 8 kg no interior de São Paulo; veja vídeo Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa Como reduzir o estresse das galinhas Pequenas mudanças no ambiente podem ajudar a manter as aves mais tranquilas e estimular comportamentos naturais. Uma alternativa simples é pendurar CDs antigos no galinheiro. O reflexo da luz chama a atenção das galinhas, que passam mais tempo interagindo com o objeto. Outra recomendação é instalar poleiros, já que as aves têm o hábito natural de descansar em locais elevados. "Elas gostam de se empoleirar porque conseguem observar melhor o ambiente ao redor, o que aumenta a sensação de segurança", explica o especialista. Também é possível usar redes de frutas, como as de laranja, recheadas com feno ou capim seco. As galinhas costumam bicar o material por bastante tempo, o que ajuda a reduzir o estresse e o tédio. É seguro consumir um ovo enrugado? Sim. Segundo o especialista, o ovo com a casca enrugada pode ser consumido normalmente, desde que a casca esteja íntegra, sem rachaduras, e o alimento tenha sido armazenado adequadamente. O problema é apenas estético e, em geral, não compromete a qualidade interna do ovo. Gato-mourisco Reprodução/Globo Rural Pesquisadores registram pela 1ª vez gato-mourisco em reserva ambiental da Serra Gaúcha

O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião com o presidente libanês, Joseph Aoun (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Evelyn Hockstein / Reuters Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) que vão aplicar uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A taxa corresponde ao teto previsto nesta etapa da investigação comercial sobre trabalho forçado e entra em vigor à 0h01 desta sexta-feira (24). Para além do Brasil, outros 59 países também serão afetados pela nova medida de Donald Trump. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Nesta fase, os EUA estabeleceram duas alíquotas. Países que, na avaliação do governo americano, adotaram medidas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado pagarão 10%. Já aqueles considerados insuficientes nesse combate, caso do Brasil, estarão sujeitos à taxa de 12,5%. A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. LEIA TAMBÉM: Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciais Confira abaixo a lista completa dos países que serão atingidos pelas novas tarifas: Tarifa de 12,5% (40 economias) Argélia – 12,5% Angola – 12,5% Austrália – 12,5% Bahrein – 12,5% Chile – 12,5% China – 12,5% Colômbia – 12,5% Costa Rica – 12,5% República Dominicana – 12,5% Egito – 12,5% Guiana – 12,5% Hong Kong – 12,5% Iraque – 12,5% Israel – 12,5% Japão – 12,5% Cazaquistão – 12,5% Kuwait – 12,5% Líbia – 12,5% Marrocos – 12,5% Nova Zelândia – 12,5% Nicarágua – 12,5% Nigéria – 12,5% Noruega – 12,5% Omã – 12,5% Peru – 12,5% Filipinas – 12,5% Catar – 12,5% Rússia – 12,5% Coreia do Sul – 12,5% Arábia Saudita – 12,5% Singapura – 12,5% África do Sul – 12,5% Suíça – 12,5% Tailândia – 12,5% Bahamas – 12,5% Turquia – 12,5% Emirados Árabes Unidos – 12,5% Uruguai – 12,5% Venezuela – 12,5% Vietnã – 12,5% Tarifa de 10% (19 economias) Argentina – 10% Bangladesh – 10% Camboja – 10% Canadá – 10% Equador – 10% El Salvador – 10% Guatemala – 10% Honduras – 10% Índia – 10% Indonésia – 10% Jordânia – 10% Malásia – 10% México – 10% Paquistão – 10% Sri Lanka – 10% Trinidad e Tobago – 10% Reino Unido – 10% União Europeia (bloco) – 10% Taiwan – 10% As tarifas aplicadas sobre o Brasil No documento divulgado nesta quinta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou que o Brasil está entre os países que "falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". O órgão acrescentou que a decisão levou em conta as conclusões da investigação, as contribuições recebidas durante a consulta pública e as orientações do presidente Donald Trump. Conforme o documento, tanto a cobrança quanto as exceções previstas são "apropriadas para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas" identificados ao longo da apuração. Na prática, isso significa que alguns produtos permanecerão isentos da tarifa. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação. Entre as exceções estão: matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado americano; produtos que possam causar impactos econômicos amplos caso sejam tributados; itens que não possam ser produzidos ou cultivados em quantidade suficiente nos EUA nem obtidos de outros fornecedores; produtos cuja isenção possa incentivar outros países a adotar medidas para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado; e produtos para os quais a tarifa adicional não contribuiria de forma significativa para combater as práticas investigadas pelos Estados Unidos. Agora no g1 Prática "irracional" De acordo com um relatório divulgado no início de julho pelo USTR, a prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. "A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na época. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais." A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O que acontece agora? O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida. A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício para dar início à Great American State Fair (Grande Feira Estadual Americana) em celebração ao 250º aniversário da independência dos EUA, no National Mall, em Washington, D.C., EUA, 24 de junho de 2026. Reuters/Evan Vucci

A Receita Federal libera nesta sexta-feira (24), às 9h, a consulta ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda 2026. Serão pagos R$ 4,61 bilhões a 2,74 milhões de contribuintes. O valores serão depositados em 31 de julho. (veja aqui como consultar) Do total de restituições desse lote: 839.464 restituições para contribuintes prioridade em razão da utilização da declaração pré-preenchida e/ou da opção de recebimento via PIX; 507.262 restituições serão pagas a contribuintes enquadrados em diferentes critérios de prioridade; 1.396.474 restituições referem-se a contribuintes sem enquadramento em categorias prioritárias. Agora no g1 Veja o calendário da restituição do IR 2026 Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto Como fazer a consulta? Imposto de renda Marcos Serra/g1 O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição". A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações. A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF. Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino. "Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota. Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones: 4004-0001 (capitais) 0800-729-0001 (demais localidades) 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC. Malha fina Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina". Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. O Fisco informará: Se a declaração foi processada (situação regular); Se há pendências (malha fina). No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte. Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil O governo de Donald Trump confirmou nesta quinta-feira (23) que diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos enfrentarão uma nova tarifa de 12,5%. A medida passa a valer à 0h01 desta sexta (24), no horário de Washington. A decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que o Brasil e outros países adotam práticas comerciais desleais ao não fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. (leia mais) 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A medida veio poucos dias após outra tarifa, de 25%, entrar em vigor. Nesse caso, os EUA concluíram, com base na mesma lei, que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com o país. Entre os exemplos citados estão o PIX e a regulação de plataformas digitais. O Palácio do Planalto rechaçou as novas tarifas e afirmou que vai iniciar os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. O país também disse que levará os casos ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas, afinal, como ficam as tarifas para o Brasil? As duas novas taxas resultam em uma alíquota total de 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA. Milhares de itens, porém, ficam isentos das cobranças. Entre eles estão produtos importantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de calçados, máquinas, equipamentos e peças passam a enfrentar a tarifa máxima de 37,5%. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que, com a nova rodada do tarifaço de Trump, passam a existir ao menos cinco situações diferentes para produtos brasileiros importados pelos EUA: os que ficam isentos; os que passam a pagar tarifas de 12,5%; os que estão sujeitos à taxa de 25%; os que acumulam as duas cobranças, chegando a uma alíquota de 37,5%; os que já enfrentavam tarifas específicas, como aço e alumínio, com alíquota de 50% baseada em outra lei americana. (leia mais abaixo) Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova tarifa de 12,5% alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. "Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais". O especialista em comércio exterior Jackson Campos avalia que, com as mudanças, o cenário tarifário para os produtos brasileiros fica ainda mais complexo. "A partir de agora, será necessário analisar item por item. Além de vender o produto, o empresário brasileiro vai ter que entender de classificação fiscal nos EUA e ser bom em matemática", afirma. A nova tarifa de 12,5% entra em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro deste ano, perde a validade. Na prática, o governo americano substitui uma cobrança pela outra. Veja a cronologia do tarifaço de Trump: Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA de 1962. Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Em 22 de julho, entrou em vigor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação dos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Milhares de produtos importantes para a economia americana ficaram isentos. Nesta sexta (24), passa a valer a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A alíquota entra em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro, perde a validade. ENTENDA A NOVA TARIFA DE 12,5%: Tarifaço: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% contra 'trabalho forçado' para o Brasil e outros parceiros comerciais ENTENDA A TARIFA DE 25% APLICADA NA QUARTA-FEIRA (22): Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA Evan Vucci / Reuters

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Com a medida, a carga tarifária incidente sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode chegar a 37,5%, considerando também as tarifas anunciadas na semana passada. A justificativa para a nova cobrança envolve um dos temas mais sensíveis do comércio global: a escravidão moderna. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo os EUA, o Brasil não teria medidas suficientes para impedir a entrada desse tipo de produto em sua cadeia de importação. Outros 58 países e a União Europeia também foram taxados. ➡️ Mas será que a medida apresentada pelos americanos representa uma nova etapa do combate internacional ao trabalho forçado? Ou utiliza uma causa humanitária para justificar uma estratégia de política comercial e geopolítica? (Saiba o que está por trás) Essa dúvida surge porque, ao mesmo tempo em que o governo americano afirma querer impedir que produtos associados ao trabalho escravo circulem nas cadeias globais de abastecimento, diversos elementos da própria investigação apontam em outra direção. Especialistas em comércio internacional observam que a investigação americana foi concluída sem apresentar casos concretos de produtos brasileiros produzidos com trabalho forçado que tenham sido identificados no mercado dos EUA. Além disso, analistas chamam atenção para um detalhe relevante: setores historicamente associados a um maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, como a pecuária e a cafeicultura, ficaram fora das principais sobretaxas anunciadas pelos EUA. Veja os principais itens isentos da nova tarifa de até 12,5% A ofensiva comercial ocorre em um momento estratégico para Washington, segundo especialistas. A investigação foi aberta poucos meses depois de o governo americano enfrentar derrotas na Justiça relacionadas à política tarifária e faz parte de um movimento mais amplo: proteger a indústria dos EUA, reorganizar cadeias produtivas e ampliar a pressão sobre parceiros comerciais. Para alguns analistas, a medida também está ligada à disputa econômica com a China. Nesse contexto, a regra sobre trabalho forçado serviria ainda para expandir globalmente critérios que os americanos já utilizam para restringir mercadorias vinculadas a determinadas regiões chinesas. "Se o modelo americano virar padrão, os EUA obrigam terceiros a adotar mecanismos equivalentes ao Uyghur Act. Na prática, é forçar Brasil e outros a bloquear componente chinês. É extraterritorialidade regulatória. Trabalho forçado é o instrumento, contenção da China é o objetivo", afirma Thiago de Aragão, CEO da Arko International. Isso não significa que o problema apontado na investigação não exista. ⚠️ Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 28 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de trabalho forçado em todo o mundo. O debate, portanto, não está centrado na existência do problema, mas na forma escolhida para enfrentá-lo. Representantes da OIT, integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e autoridades brasileiras questionam a eficácia, a coerência e até mesmo os reais objetivos da medida. "A experiência internacional mostra que a efetividade dessas medidas não deve ser generalizada (...) Onde ela tem sido mais efetiva é quando ocorre de forma individualizada. Por exemplo, se uma empresa específica foi flagrada, ela deveria ser penalizada", afirma o diretor do escritório da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro. O presidente dos EUA, Donald Trump,no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Evelyn Hockstein / Reuters O que os EUA alegam? A nova tarifa está ligada a uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que avalia se os países possuem mecanismos para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado. A tese adotada é que o Brasil, a União Europeia e outros 58 países falharam em criar ou aplicar mecanismos capazes de barrar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em suas cadeias de importação. Segundo o USTR, essa lacuna regulatória cria um ambiente de concorrência considerado desleal para empresas americanas, especialmente em setores expostos à competição internacional. Dados da fundação Walk Free, no entanto, mostram que os próprios EUA não mantêm um controle rigoroso sobre o histórico dos produtos que recebem. O país lidera o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões por ano em mercadorias associadas a esse risco. O Brasil aparece muito abaixo, com cerca de US$ 5,6 bilhões. Os dados são de 2023. EUA lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, g1 Outro fator que leva a questionamentos sobre a real preocupação dos EUA com o trabalho forçado são as exceções concedidas a produtos específicos em tarifas anteriores, como carne, café e suco de laranja. Esses setores aparecem de forma recorrente nos registros do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo. Segundo Aragão, os setores mais relevantes da pauta exportadora brasileira para os EUA ficaram de fora das medidas. Para ele, se a preocupação fosse realmente combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção, o desenho da política seria diferente. "Uma política coerente trataria a questão como padrão horizontal e usaria critérios técnicos como due diligence [diligência prévia] de cadeia, rastreabilidade e certificação. O que se vê é uma medida que escolhe setores em função do impacto doméstico americano", afirma. As isenções, inclusive, foram mantidas neste novo tarifaço. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação. "Café mexe com a inflação de consumo nos EUA. Carne mexe com o preço do hambúrguer (...) Ou seja, ficaram de fora exatamente os setores cuja tarifação teria custo político imediato para o eleitor americano, e não aqueles selecionados por qualquer critério humanitário." O relatório elaborado pelo USTR, por outro lado, não aponta nenhum caso concreto de mercadoria que o Brasil tenha importado de um terceiro país e que tenha sido produzida com trabalho forçado. Para José Pimenta, diretor de comércio internacional da BMJ, a ausência de exemplos específicos enfraquece o argumento americano para justificar a aplicação das tarifas. "A lógica é estrutural, não factual: o fato de o país não ter uma proibição à importação (diferente da proibição ao trabalho forçado doméstico, que o Brasil já possui e de forma robusta) já seria, por si só, irrazoável e oneroso para o comércio americano. É um argumento de omissão regulatória, não de prática comprovada." Aragão aponta essa situação como o "calcanhar de Aquiles" do argumento americano em dois aspectos: A Seção 301 exige demonstrar que a prática do parceiro comercial prejudica ou restringe o comércio americano. Sem um caso concreto, a relação de causa e efeito fica fragilizada. O Brasil pode argumentar que possui um dos sistemas mais avançados no combate ao trabalho escravo. O USTR responderia que a discussão diz respeito aos produtos que entram nos EUA, e não às condições de trabalho dentro do Brasil. Para os críticos, porém, essa separação é difícil de sustentar e deixa a impressão de uma acusação sem provas. O diretor da OIT no Brasil confirma que o Brasil é frequentemente citado como referência global no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo. Para ele, um dos diferenciais brasileiros é justamente reconhecer a existência do problema e manter mecanismos permanentes de fiscalização, transparência e responsabilização. "Brasil é referência internacional em termos de combate ao trabalho escravo. Primeiro por reconhecer e dar transparência ao tema, porque a atitude de outros países, por exemplo, é negacionista. Eles dizem que não existe". O reconhecimento internacional, porém, não significa que não existam desafios. Segundo Luciano Aragão Santos, coordenador nacional de combate ao trabalho escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), há uma lacuna justamente na área utilizada pelos EUA para justificar a nova tarifa: o controle de produtos importados e o monitoramento de fornecedores estrangeiros. Hoje, o Brasil não possui uma legislação específica que obrigue empresas a verificar se fornecedores internacionais utilizaram trabalho forçado na produção das mercadorias que entram no país. Na avaliação do procurador, uma lei de devida diligência ajudaria a ampliar a rastreabilidade das cadeias produtivas, aumentar a transparência sobre a origem dos produtos e fortalecer a prevenção de violações trabalhistas. É justamente essa lacuna regulatória relacionada às importações — e não a capacidade do país de combater o trabalho escravo internamente — que está no centro da discussão levantada pelos EUA. Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China Jornal Nacional/ Reprodução Quais podem ser os interesses dos EUA por trás da medida? Se a existência dessa lacuna regulatória ajuda a explicar o argumento jurídico utilizado pelos EUA, ela não encerra o debate sobre os motivos da nova tarifa. Pimenta explica que a investigação surgiu em um contexto especialmente favorável para Washington buscar novas bases legais para sua política tarifária. Segundo ele, o processo foi aberto após dificuldades enfrentadas pelo governo americano para sustentar judicialmente outras medidas comerciais e acabou servindo como alternativa para manter instrumentos de pressão sobre parceiros econômicos. "Não vejo um núcleo genuíno de preocupação com trabalho forçado, especialmente com relação ao timing da investigação coincidir com a expiração das tarifas horizontais de 10% da Seção 122", lembra. Outro fator importante é o alcance da investigação. Além do Brasil, a decisão atingiu dezenas de economias, incluindo aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e Austrália, acrescenta Aragão. "É pouco crível que o USTR considere sinceramente todos esses países como violadores relevantes em matéria de trabalho forçado. O que eles têm em comum não é o problema, mas a concorrência econômica ou industrial com os Estados Unidos", afirma. Pimenta aponta que a própria estrutura adotada pelo USTR indica que a discussão não se limita aos direitos humanos. Isso porque países que já possuem acordos ou compromissos comerciais específicos com os EUA também foram alvo das medidas tarifárias. 📎 Ou seja, o tarifaço pode estar funcionando, ao mesmo tempo, como instrumento de pressão comercial, mecanismo de negociação diplomática e ferramenta para ampliar a influência americana sobre as regras que regem o comércio internacional. Há ainda uma dimensão geopolítica. Segundo Aragão, o mecanismo pode ajudar os EUA a expandir internacionalmente regras semelhantes às que já utilizam para restringir produtos associados a determinadas regiões da China. Na prática, isso aumentaria a pressão para que outros países adotem sistemas mais rigorosos de rastreamento e bloqueio de mercadorias ao longo das cadeias globais de fornecimento. "Direitos humanos são o enquadramento. O motor é outro: reconstruir a política tarifária após a derrota na Suprema Corte, ganhar alavancagem bilateral e cercar a China por interposta pessoa", afirma Aragão. O que o Brasil faz para combater o trabalho escravo? Embora especialistas reconheçam a ausência de uma legislação específica para monitorar fornecedores estrangeiros, o Brasil é frequentemente apontado pela OIT como referência internacional no combate ao trabalho escravo. Desde 1995, mais de 65 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país. Entre os mecanismos considerados referência estão os grupos móveis de fiscalização e a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, que divulga empregadores responsabilizados pela prática. Nos últimos anos, porém, o foco das autoridades também passou a se voltar para outro desafio: as cadeias produtivas. Foi nesse contexto que surgiu o projeto Reação em Cadeia, do Ministério Público do Trabalho. A iniciativa busca rastrear relações comerciais entre grandes empresas e fornecedores envolvidos em violações de direitos humanos, ampliando a responsabilização para além do empregador diretamente flagrado. Segundo o MPT, o programa já identificou mais de R$ 48 bilhões em negócios envolvendo fornecedores associados a casos de trabalho escravo em setores como pecuária, café, carvão vegetal, soja, etanol, construção civil e indústria têxtil. Para o coordenador da Conaete, a iniciativa alinha o Brasil ao movimento global que busca responsabilizar as empresas por toda a cadeia de produção dos bens que comercializam. "O foco do Ministério Público do Trabalho é garantir que empresas que adquirem produtos nos setores onde ocorre trabalho escravo adotem medidas para remediar a situação e prevenir novas violações de direitos humanos". Na prática, o projeto aproxima o país de modelos de rastreabilidade e devida diligência adotados em legislações mais recentes da Europa. A diferença é que, no Brasil, esse monitoramento ainda depende principalmente da atuação dos órgãos de fiscalização, e não de uma obrigação legal imposta a todas as empresas. Além disso, a OIT destaca que o combate ao trabalho forçado também tem sido incorporado aos acordos internacionais firmados pelo Brasil. "Inclusive, o acordo do Mercosul com a União Europeia tem um anexo sobre sustentabilidade que trata do respeito aos padrões internacionais e às convenções de direitos", conclui Pinheiro. Governo brasileiro vai acionar instrumentos da lei da reciprocidade O que diz o governo brasileiro? O governo brasileiro rejeita as conclusões da investigação americana e afirma que não existe base factual para a aplicação da nova tarifa. Em documento encaminhado ao USTR, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumenta que os EUA não conseguiram apontar um único caso em que uma ação ou omissão do Brasil tenha permitido a entrada de produtos feitos com trabalho forçado no mercado americano. A defesa também sustenta que a investigação ignorou parte das informações apresentadas pelo país sobre seu sistema de combate ao trabalho escravo, incluindo mecanismos de fiscalização, punição de empregadores e rastreamento de cadeias produtivas. Outro ponto destacado pelo governo é que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há anos, o que, na avaliação do Itamaraty, enfraquece a tese de que práticas brasileiras estariam causando prejuízos à economia americana. Para o governo brasileiro, medidas tarifárias também não representam uma solução eficaz para enfrentar o problema do trabalho forçado. Segundo a manifestação enviada aos EUA, tarifas não ampliam a fiscalização, não fortalecem a diligência das empresas nem atacam casos concretos de exploração laboral. Ao contrário, poderiam gerar custos para empresas e consumidores sem enfrentar as causas do problema. "Medidas tarifárias não aumentam a capacidade de fiscalização, não incentivam diligência adicional nem atacam casos reais de trabalho forçado. Pelo contrário, elas podem desviar fluxos comerciais e impor custos econômicos amplos (inclusive para indústrias e consumidores dos EUA) sem tratar das questões centrais de direitos trabalhistas. Tarifas unilaterais também podem desestimular a cooperação entre governos, que é justamente necessária para combater o trabalho forçado de forma eficaz", diz a carta divulgada. A posição brasileira é que o combate ao trabalho escravo exige cooperação internacional, troca de informações e fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade das cadeias produtivas, e não a adoção de barreiras comerciais unilaterais. Desde março de 2025, o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico, com autoridades americanas na tentativa de evitar a escalada tarifária e buscar uma solução negociada. Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a decisão anunciada por Washington extrapola a discussão sobre trabalho forçado e reflete divergências mais amplas nas negociações entre os dois países. "Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações", disse.

Diante do novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (23), o Ministério das Relações Exteriores chegou ao entendimento de que as tarifas americanas serão cumulativas sobre os produtos brasileiros, ficando fora os itens das listas de exceção. O governo afirma, no entanto, que ainda não há uma lista completa dos produtos que sofrerão dupla tarifação. LEIA TAMBÉM: Veja os principais itens isentos da nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado EUA anuncia nova tarifa de 12.5% sobre produtos brasileiros Na semana passada, os EUA impuseram uma tarifa de 25% ao produtos brasileiros por entenderem que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos. Nesta quinta-feira (23), o governo norte-americano alega que o Brasil e outras dezenas de países falharam no combate à importação de produtos feitos com base no trabalho forçado e, com isso, impuseram tarifa de 12,5%. LEIA TAMBÉM: Brasil rechaça decisão dos EUA em impor tarifa sobre trabalho forçado e volta a falar em reciprocidade A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o processo concluiu que o Brasil e outros 59 países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperavam, desde os últimos dias, o anúncio desse novo tarifaço, confirmado pelo governo do presidente Donald Trump. Em relação às negociações para evitar esse tarifaço de 12,5%, o Itamaraty entende que as conversas serviram somente para “cumprir tabela”, ou seja, somente para deixar o registro de que aconteceram. A percepção é que não houve uma intenção real por parte dos americanos de entender o que o Brasil faz para fiscalizar o trabalho forçado, uma vez que o país é referência na Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesse tema. Nesse contexto, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota rechaçando a decisão dos EUA e disse ser um “absurdo” o governo americano relacionar a competitividade da economia brasileira à importação de mercadorias produzidas com base no trabalho forçado. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais. Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”, afirmou o governo. Além disso, reforçou que o Brasil buscará a Lei de Reciprocidade. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. O Ministério do Trabalho diz que, embora tenha se colocado publicamente à disposição para prestar esclarecimentos, não foi procurado por autoridades americanas, somente pelo próprio Itamaraty durante as negociações. Palácio do Itamaraty Reprodução/ Agência Brasília No entendimento de integrantes do Ministério de Relações Exteriores, a de 12,5% foi o “plano B” ao tarifaço original, anunciado no ano passado e que foi barrado pela Justiça americana (leia mais abaixo). Diplomatas entendem que há uma diferença deste tarifaço para o de 25%. Isso porque, embora a motivação do anterior fosse sabida — entendimento explicitado num pronunciamento do ministro Mauro Vieira —, neste caso não é somente para o Brasil, o que mostra a estratégia americana de usar as tarifas como instrumento político. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. - A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3035 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (23), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertarem as seis dezenas seria de R$ 61.587.911,42. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor estimado acumulou para R$ 70 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 07 - 56 - 17 - 59 - 51 - 05 5 acertos: 49 apostas ganhadoras, R$ 41.401,04. 4 acertos: 2.287 apostas ganhadoras, R$ 1.266,03. Números do concurso 3035 da Mega-Sena Reprodução/YouTube O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Tarifaço: ministro diz que tarifa de 12,5% é 'indevida' e baseada em fatos que não são reais O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (23) que a tarifa de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos, sob a justificativa de falhas na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, é indevida e se baseia em "fatos que não são reais". "O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno", disse Elias Rosa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O ministro afirmou ainda que cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil para os EUA não estarão sujeitos a nenhuma das duas tarifas — a de 25%, anunciada na semana passada, e a de 12,5%, anunciada nesta quinta-feira. "Mas nós temos, lamentavelmente, muitos setores que estarão sujeitos à dupla tributação, à dupla taxação, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5%." Elias Rosa disse ainda que o Brasil "não pode renunciar à possibilidade" de adotar medidas de reciprocidade, mas que o interesse "primário" é negociar com os EUA. "O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil [...] O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar e afastar essas tarifas, porque elas são extremamente injustas e muito danosas." LEIA TAMBÉM: Brasil rechaça decisão dos EUA em impor tarifa sobre trabalho forçado e volta a falar em reciprocidade Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC Nova taxação dos EUA Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. (veja aqui a lista de produtos isentos) Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Governo esperava nova tarifa Na semana passada, após os Estados Unidos anunciarem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal já reconhecia que a tarifa de 12,5% seria aplicada pelo governo norte-americano. A principal dúvida do governo brasileiro era se a nova tarifa seria cumulativa à sobretaxa de 25%. No mês passado, o governo brasileiro divulgou uma nota em que afirma discordar de maneira "profunda" das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre falhas na importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No comunicado, divulgado pelo Palácio do Planalto, o governo afirma que vai recorrer a instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para reagir a "situações de injustiça" contra o Brasil.

Governo brasileiro vai acionar instrumentos da lei da reciprocidade O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (23) que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros foi uma forma de o governo de Donald Trump retomar "na marra" as "tarifas recíprocas", derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Essa tarifa pega 99% das exportações para os EUA, o que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa. Nesse caso, para todas as grandes economias do mundo, inclusive o Brasil", disse o ministro em entrevista à BandNews TV. "O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os EUA e tem déficit em relação aos EUA", afirmou ele. Durigan classificou a tarifa como "injustificada e unilateral". Segundo o ministro, o Brasil manteve conversas com a administração Trump, sempre com "boa vontade". "A gente mesmo se pergunta (o porquê das tarifas). A gente teve várias conversas, na maior boa-fé, diferentemente do que se alegou, e, mais uma vez, a gente é punido", comentou. Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O ministro Dario Durigan em entrevista ao g1 Reprodução/TV Globo Nova taxação dos EUA Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. (veja aqui a lista de produtos isentos) Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo", disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. "A ação de hoje começará a corrigir o que é, ao mesmo tempo, um abuso dos direitos humanos e uma prática comercial distorcida, contribuindo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo." O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. Veja produtos que estão fora do tarifaço Produtos de origem animal e carnes Carne bovina: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada; carcaças e meias-carcaças; cortes com e sem osso; carne desossada; línguas, fígados e outras miudezas bovinas; carne bovina salgada, seca ou defumada; preparações de carne bovina, como corned beef. Outros produtos animais: corais; conchas; ossos de siba e materiais semelhantes, inclusive pós e resíduos; determinados produtos de origem animal utilizados como ingredientes em rações e alimentos para animais. Produtos vegetais e alimentos preparados Mudas e sementes: plantas vivas não enraizadas; batata-semente; sementes de leguminosas, cereais, oleaginosas, hortaliças, flores e outras espécies destinadas ao plantio. Hortaliças e legumes: tomates, conforme os períodos e classificações tarifárias previstos; jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d’água; alcaparras; cogumelos secos, como shiitake e orelha-de-pau. Raízes e tubérculos: mandioca; taro; inhame; yautia; dasheen; araruta e outros tubérculos tropicais. Frutas e nozes: cocos; castanha-do-pará; castanha de caju; castanhas; macadâmia; noz-de-cola; noz-de-areca; pinhões; bananas e plátanos; abacaxis; abacates; goiabas; mangas; mangostões; laranjas; limas; mamões; marmelos; duriões; etrogs; açaí; algumas frutas tropicais congeladas. Café, chá e erva-mate: café não torrado ou torrado, com ou sem cafeína; cascas e substitutos de café; café solúvel sem aromatização; chá verde; chá preto; erva-mate. Especiarias: pimentas; páprica; baunilha; canela; cravo; noz-moscada; macis; cardamomo; coentro; cominho; gengibre; açafrão; cúrcuma; louro; curry; endro e outras especiarias especificadas. Cereais e derivados: trigo, centeio, cevada, aveia, milho e sorgo destinados à semeadura; fonio; triticale; alpiste; algumas farinhas e amidos de raízes, tubérculos e frutas. Óleos e ceras vegetais: óleo de coco; ceras vegetais e produtos semelhantes especificados. Açúcar: determinados açúcares de cana e de beterraba e outros produtos açucarados, principalmente dentro das cotas tarifárias previstas. Cacau: cacau em grão; cascas e resíduos de cacau; pasta de cacau; manteiga, gordura e óleo de cacau; cacau em pó sem adição de açúcar. Alimentos preparados: tapioca e seus sucedâneos; determinados vegetais, frutas, nozes e outras partes de plantas preparados ou conservados; alguns produtos de panificação destinados exclusivamente a usos religiosos. Sucos e bebidas: suco de laranja; determinados sucos cítricos; alguns sucos de abacaxi; água de coco; suco de açaí; misturas de água de coco; preparações de açaí para fabricação de bebidas; algumas bebidas não alcoólicas à base de sucos. Minérios, combustíveis e matérias-primas Minerais não metálicos: enxofre; grafite natural; fosfatos; sulfato de bário; magnesita; amianto; fluorita; vermiculita; perlita e outros minerais especificados. Minérios e concentrados: minério de ferro; manganês; cobre; níquel; cobalto; alumínio; estanho; cromo; tungstênio; urânio; molibdênio; titânio; nióbio; tântalo; prata e outros minerais metálicos especificados. Carvão e coque: carvão mineral; linhito; turfa; coque; semicoque; gás de carvão e produtos relacionados. Petróleo e derivados: petróleo bruto; combustíveis minerais; óleos leves e pesados; querosene; óleos lubrificantes; resíduos de petróleo; gás natural e outros gases de petróleo; parafinas; coque de petróleo; betume; asfaltos; energia elétrica. Produtos químicos Produtos químicos básicos: iodo; enxofre; gases nobres; hidrogênio; silício; fósforo; arsênio; ácidos minerais; amônia; soda cáustica; óxidos, hidróxidos, fluoretos, cloretos, sulfatos, nitratos, carbonatos e outros compostos inorgânicos especificados. Alumina e compostos de alumínio: óxido de alumínio e hidróxido de alumínio. A isenção não abrange alumínio primário em formas brutas. Vanádio: óxidos e hidróxidos de vanádio. Terras raras e materiais críticos: determinados compostos de terras raras; urânio e outros materiais radioativos especificados; carbonetos e outros insumos minerais críticos. Fertilizantes: fertilizantes animais ou vegetais; ureia; sulfato de amônio; nitratos; fosfatos; cloreto de potássio; fertilizantes compostos e outros insumos fertilizantes. Insumos para defensivos agrícolas: princípios ativos e intermediários químicos específicos usados na fabricação de pesticidas. Produtos químicos com limitação de uso: determinadas substâncias químicas são isentas apenas quando destinadas a aplicações farmacêuticas. Borracha, couro, madeira e celulose Borracha natural: látex de borracha natural; borracha natural em folhas, blocos ou outras formas primárias; balata, guta-percha e produtos semelhantes. Couros exóticos: determinados couros de répteis, avestruz e outros animais, curtidos ou preparados. Madeira: toras e madeira serrada de determinadas espécies tropicais; eucalipto e produtos específicos de eucalipto; lâminas de madeira; chapas específicas de compensado de eucalipto. Celulose: determinados tipos de pasta química de madeira, incluindo celulose de coníferas e de não coníferas. Fibras vegetais para horticultura: produtos como fibra de coco, juta e sisal, quando abrangidos pelos códigos e limitações de escopo da lista. Tecnologia e indústria Computadores e armazenamento: computadores portáteis e outras máquinas automáticas para processamento de dados; unidades de entrada e saída; unidades de armazenamento; peças e acessórios específicos. Equipamentos para semicondutores: máquinas para fabricação de boules ou wafers; equipamentos para fabricação de dispositivos semicondutores e circuitos integrados; máquinas para fabricação de telas planas; peças e acessórios desses equipamentos. Semicondutores: diodos; transistores; tiristores; dispositivos fotossensíveis; diodos emissores de luz; circuitos integrados, como processadores, controladores, memórias e amplificadores; peças específicas. Outros eletrônicos: determinados smartphones; aparelhos de comunicação de dados; dispositivos de armazenamento em estado sólido; alguns módulos de tela e monitores; ímãs permanentes específicos; instrumentos para medição e teste de semicondutores. Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova tarifa alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. "Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais". Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Como fica o Brasil? Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Nesta quinta-feira, o governo brasileiro afirmou que rechaça as novas tarifas e que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. "Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC." 🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que recebeu. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais consideradas "injustas", o Brasil pode usar a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Em nota, o governo brasileiro afirmou que "na ausência de base interna legal para sustentar sua política comercial protecionista o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tarifaço foi uma forma de o governo de Donald Trump retomar "na marra" as "tarifas recíprocas", derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. "Essa tarifa pega 99% das exportações para os EUA, o que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa", disse o ministro em entrevista à BandNews TV. "O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os EUA e tem déficit em relação aos EUA", afirmou ele. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a tarifa é indevida e se baseia em "fatos que não são reais". "O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da OIT. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno", disse. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O que acontece agora? O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida. A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA Evan Vucci / Reuters

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) divulgaram uma nota nesta quinta-feira (23) afirmando que a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos, sob a justificativa de falhas na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, "agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano". Segundo a Amcham, a medida atingirá cerca de 3 mil produtos brasileiros, que somam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os EUA. "Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais". A entidade afirma ainda que o cenário compromete a competitividade das exportações brasileiras para os EUA e poderá elevar os custos para empresas e consumidores norte-americanos, além de "fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais". "A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Nova taxação dos EUA Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. (veja aqui a lista de produtos isentos) Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Brasil deve ser o país mais beneficiado pelas mudanças nas tarifas americanas Jornal Nacional/ Reprodução

Governo brasileiro vai acionar instrumentos da lei da reciprocidade O governo brasileiro diz que rechaça as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (23) por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado e afirmou que vai iniciar, imediatamente, os trâmites previstos para acionar a Lei da Reciprocidade (leia a íntegra abaixo). "Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC." 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor nesta sexta-feira (24). Em nota, o governo brasileiro afirmou que "na ausência de base interna legal para sustentar sua política comercial protecionista o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais". A percepção, segundo fontes na diplomacia, é que não houve uma intenção real por parte dos americanos de entender o que o Brasil faz para fiscalizar o trabalho forçado, uma vez que o país é referência na Organização Internacional do Trabalho no tema. A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz De acordo com um relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. Na nota divulgada nesta quinta, o governo brasileiro disse ainda que, ao longo da investigação nos EUA, o Ministério do Trabalho prestou explicações e apresentou documentos sobre a legislação brasileira e da atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. "Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de 'Lista Suja' de empregadores", diz a nota. Governo esperava nova tarifa Na semana passada, após os Estados Unidos anunciarem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal já reconhecia que a tarifa de 12,5% seria aplicada pelo governo norte-americano. A principal dúvida do governo brasileiro era se a nova tarifa seria cumulativa à sobretaxa de 25%. No mês passado, o governo brasileiro divulgou uma nota em que afirma discordar de maneira "profunda" das conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre falhas na importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No comunicado, divulgado pelo Palácio do Planalto, o governo afirma que vai recorrer a instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade para reagir a "situações de injustiça" contra o Brasil. Leia a íntegra da nota do governo brasileiro NOTA À IMPRENSA SOBRE A IMPOSIÇÃO DE NOVAS TARIFAS UNILATERAIS DOS EUA CONTRA O BRASIL O Governo brasileiro rechaça a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação da Seção 301 relativa à proibição de importação relacionadas ao trabalho forçado. Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais. Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Vale ressaltar, ainda, que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado. Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções. O Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado: a Convenções 29 de 1930; a Convenção 105 de 1957; a Recomendação 203 e o Protocolo à Convenção 29, ambos de 2014. Os EUA só ratificaram um desses instrumentos. Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo MERCOSUL, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições. Esse compromisso de combate ao comércio internacional de bens relacionados ao trabalho forçado é intensificado pela abordagem multidimensional de nossas políticas domésticas de fiscalização, prevenção, acolhimento pós-resgate das vítimas e combate ao trabalho escravo contemporâneo. Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de “Lista Suja” de empregadores. Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente. Já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo", disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. "A ação de hoje começará a corrigir o que é, ao mesmo tempo, um abuso dos direitos humanos e uma prática comercial distorcida, contribuindo para melhorar o bem-estar dos trabalhadores em todo o mundo." O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. (veja aqui a lista de produtos isentos) Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova tarifa alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA. "Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais". Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Como fica o Brasil? Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Nesta quinta-feira, o governo brasileiro afirmou que rechaça as novas tarifas e que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. "Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC." 🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que recebeu. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais consideradas "injustas", o Brasil pode usar a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Em nota, o governo brasileiro afirmou que "na ausência de base interna legal para sustentar sua política comercial protecionista o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o tarifaço foi uma forma de o governo de Donald Trump retomar "na marra" as "tarifas recíprocas", derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. "Essa tarifa pega 99% das exportações para os EUA, o que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa", disse o ministro em entrevista à BandNews TV. "O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os EUA e tem déficit em relação aos EUA", afirmou ele. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a tarifa é indevida e se baseia em "fatos que não são reais". "O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da OIT. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno", disse. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O que acontece agora? O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida. A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício para dar início à Great American State Fair (Grande Feira Estadual Americana) em celebração ao 250º aniversário da independência dos EUA, no National Mall, em Washington, D.C., EUA, 24 de junho de 2026. Reuters/Evan Vucci

Diante da retomada da guerra no Oriente Médio nas últimas semanas, o Ministério da Fazenda anunciou nesta quinta-feira (23) a prorrogação, por mais um mês, da chamada "subvenção", um tipo de subsídio, para manter o preço da gasolina mais baixo. ATUALIZAÇÃO ÀS 19h35: Inicialmente, o ministério informou que a prorrogação seria para o diesel e estudava a prorrogação do subsídio para a gasolina, por mais 60 dias. Posteriormente, o Ministério da Fazenda informou que a prorrogação se dará para a gasolina, por trinta dias, e que o diesel não demanda prorrogação neste momento. Em relação ao diesel, o subsídio é de R$ 1,12 por litro. Com alta do petróleo, há pressão sobre os preços dos combustíveis, algo que se reverbera por toda economia (leia mais abaixo). O governo também deve prorrogar por mais dois meses o subsídio ao querosene da aviação (QAV), apurou o g1. A leitura é de que o cenário geopolítico ainda tem forte impacto sobre o custo da operação dos serviços aéreos. Com a guerra no Oriente Médio, o insumo passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas. Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Alguns dias após o anúncio do subsídio, em maio, a Petrobras anunciou um novo ajuste de R$ 0,48 nos preços da gasolina A para as distribuidoras. Por conta da subvenção concedida pelo governo, o aumento efetivo foi menor: de R$ 0,04 por litro. O subsídio é pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Também para conter os efeitos da guerra na inflação, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na semana passada, a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. Jornal Nacional/ Reprodução Cronologia da guerra A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, travou o fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — corredor marítimo no Golfo Pérsico por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Com isso, o barril do petróleo, principal matéria-prima dos combustíveis, superou os US$ 100. LEIA MAIS: Dólar opera em alta, após novos ataques entre EUA e Irã e com alta do petróleo no radar; Ibovespa cai Após negociações, os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz preliminar na guerra do Oriente Médio em 17 de junho, o que contribuiu para a queda do preço do barril de petróleo para menos de US$ 80 por algumas semanas. Menos de mês depois, em 8 de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o acordo de paz firmado com o Irã teria acabado, e que não buscaria mais diálogo com Teerã, o que voltou a pressionar novamente os preços dos combustíveis. O petróleo opera novamente acima de US$ 100 por barril nesta semana. "Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", afirmou Trump, na ocasião, quando perguntado se o acordo teria "morrido".

A Controladoria-Geral da União (CGU) prorrogou por mais 60 dias a investigação que pode resultar na demissão de dois funcionários do Banco Central (BC), que, segundo a Polícia Federal, teriam atuado como consultores do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação foi aberta no dia 23 de março. Mas a CGU, segundo pessoas que participam da apuração, ainda aguarda que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), compartilhe provas colhidas contra os servidores. Por enquanto, integrantes da CGU preferem adotar cautela em relação ao processo, até que as informações do STF sejam enviadas ao órgão. Paulo Sérgio Neves de Souza foi diretor de fiscalização da instituição e Belline Santana é ex-chefe de supervisão bancária. Agora no g1 A suspeita é que eles, no período de 2019 a 2023, tenham mantido contatos e possam ter orientado o banqueiro sobre como agir em relação ao Master dentro do BC. Sindicância interna O processo na CGU foi aberto após uma investigação interna do Banco Central, que encontrou indícios de que dois servidores simularam prestação de serviços, como consultoria, e venda de imóvel para ocultar o recebimento de recursos ilícitos ligados ao banco Master. A apuração foi feita com base na evolução patrimonial e foi identificado que os bens dos dois servidores cresceram bem mais do que a renda obtida no serviço público. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, afastados do BC Divulgação Ambos os servidores afirmaram ao BC que não sabiam que as empresas envolvidas nos negócios deles tinham relação com Vorcaro e o banco Master. Desde janeiro, Paulo Sérgio e Belline estão afastados dos cargos e sem acesso ao prédio e ao sistema do BC. Defesa dos servidores Em nota, os advogados de Paulo Sérgio disseram que “a defesa compreende a prorrogação do prazo do procedimento administrativo como medida indispensável a sua completa instrução, de forma a permitir a ampla defesa e contraditório a que Paulo Sérgio, como cidadão, possui direito”. “No procedimento junto a CGU tem sido possível produzir provas que contradizem as conclusões da sindicância conduzida pelo BC”, concluiu a nota. Em relação à sindicância do BC, a defesa de Belline afirmou que ele, “como servidor de carreira, sempre exerceu suas atividades no Banco Central do Brasil de forma técnica e, principalmente, lícita, dentro dos limites legais”. Banco Central liquida mais uma instituição que pertencia ao Grupo Master Jornal Nacional/ Reprodução

Paramount faz proposta para comprar Warner Eric Gaillard/Reuters e Reprodução Nesta quinta-feira (23), a Justiça dos Estados Unidos ampliou o prazo de suspensão de compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, em um negócio avaliado em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 562 bilhões). O acordo já havia sido interrompido antes e a promessa era que retomasse no dia 3 de agosto. Agora, porém, será adiado por mais 14 dias, sendo discutido somente em 17 de agosto. A decisão foi tomada pela pela juíza americana Araceli Martínez-Olguín de Oakland, na Califórnia. A medida atende a uma ação movida por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia, que alega que a fusão pode reduzir a concorrência e prejudicar os consumidores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os estados argumentam que a união das duas empresas criaria um grupo de mídia com poder suficiente para elevar os preços de filmes e programas de TV, além de enfraquecer a concorrência no setor. Segundo a ação, se a compra for concluída antes da decisão final da Justiça, a Paramount poderá iniciar demissões e compartilhar informações estratégicas com a Warner Bros. Discovery. Caso a fusão seja posteriormente considerada ilegal, essas mudanças poderão ser difíceis de reverter. Agora no g1 O processo judicial pode atrasar os planos da Paramount de ampliar sua presença no mercado de entretenimento e competir de forma mais direta com gigantes do streaming, como Netflix e Disney. A Paramount, por sua vez, afirma que a ação dos estados interpreta de forma equivocada as leis antitruste dos EUA. A empresa também afirma que um atraso na conclusão do negócio prejudicaria os trabalhadores do setor de entretenimento, que já enfrentam dificuldades há vários anos. "Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais", afirmou um porta-voz da Paramount à agência Reuters. Fusão enfrenta obstáculos regulatórios Desde que foi anunciada, em fevereiro, a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount enfrenta uma série de obstáculos regulatórios e judiciais. Embora o Departamento de Justiça dos EUA tenha aprovado a operação, autoridades de outros países passaram a analisar os possíveis impactos da fusão sobre a concorrência. A Comissão Europeia adiou sua decisão para avaliar as concessões propostas pela Paramount, enquanto o Reino Unido afirmou que pode intervir na operação por preocupações relacionadas à concorrência, ao streaming e ao setor de mídia. Nos EUA, procuradores-gerais de estados como Califórnia, Nova York e Oregon iniciaram uma ofensiva para tentar barrar a fusão. Eles alegam que a união das empresas pode reduzir a concorrência nos mercados de cinema e TV por assinatura, concentrar poder no setor e resultar em perda de empregos. Além da resistência das autoridades, o acordo também enfrenta críticas de atores, roteiristas, donos de cinemas e outros profissionais da indústria do entretenimento, que temem cortes de postos de trabalho e uma redução no número de filmes produzidos e distribuídos. A decisão desta segunda-feira (20), que suspende temporariamente a conclusão da compra, representa o revés mais recente para a operação bilionária. Entenda a fusão A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount é considerada uma das maiores transações da história da indústria do entretenimento. Se concluída, a operação criará um grupo com cerca de 200 milhões de assinantes de streaming e um catálogo que reúne marcas como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon. O impacto do negócio vai além do valor bilionário. Enquanto a Warner reúne algumas das marcas mais valiosas do setor, a Paramount busca ganhar escala para competir com gigantes como Netflix e Disney em um mercado cada vez mais concentrado no streaming. Diferentemente da proposta apresentada pela Netflix durante a disputa pela Warner, a oferta da Paramount inclui todo o grupo Warner Bros. Discovery, incluindo a CNN, a HBO e outras redes de TV por assinatura. Se a operação for aprovada, a família Ellison — que controla a Paramount — também passará a comandar algumas das principais marcas do jornalismo americano, como a CBS News, o programa 60 Minutes e a CNN. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, apresenta os desenhos finalistas das futuras cédulas de euro na sede do BCE, em Frankfurt. REUTERS/Heiko Becker/File Photo O Banco Central Europeu (BCE) apresentou nesta quinta-feira uma lista com 10 propostas de novos desenhos para as notas de euro. A instituição espera escolher o modelo vencedor até o fim do ano, como parte de um projeto para lançar cédulas mais seguras. As 10 opções finalistas, divididas entre os temas "Cultura europeia" e "Rios e aves", serão submetidas a uma consulta pública. Os europeus poderão enviar suas opiniões até 21 de setembro, informou a presidente do BCE, Christine Lagarde. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entre as personalidades retratadas nas propostas estão Marie Skłodowska Curie, única cientista a receber o Prêmio Nobel de Física e o de Química, o compositor Ludwig van Beethoven e o artista Leonardo da Vinci. O segundo conjunto de propostas destaca aves como o martim-pescador e a cegonha-branca, informou o BCE. Esta será a primeira reformulação completa das notas de euro desde o lançamento da moeda, em 2002. O verso das novas cédulas trará cenas da natureza ou da vida pública ligadas a temas como arte, ciência e lazer. O BCE afirmou que serão necessários vários anos entre a escolha do desenho definitivo e a entrada das novas notas em circulação, devido às etapas de desenvolvimento e testes. As cédulas atuais continuarão válidas e circularão normalmente junto com a nova série. Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, apresenta os desenhos finalistas das futuras cédulas de euro na sede do BCE, em Frankfurt. REUTERS/Heiko Becker Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, apresenta os desenhos finalistas das futuras cédulas de euro na sede do BCE, em Frankfurt. REUTERS/Heiko Becker Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, apresenta os desenhos finalistas das futuras cédulas de euro na sede do BCE, em Frankfurt. REUTERS/Heiko Becker/File Photo
Ministério nega ter pedido flexibilização à UE para carne brasileira e aguarda análise de documentos

Agora no g1 O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirmou nesta quinta-feira (23) que o Brasil não pediu à União Europeia a flexibilização das regras sanitárias para exportação de carnes e outros produtos de origem animal ao bloco. Segundo a pasta, o governo brasileiro segue negociando tecnicamente com as autoridades europeias e aguarda uma resposta definitiva sobre a documentação apresentada. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 No início de junho, o bloco retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir essas regras. Com isso, as exportações brasileiras de carne e outros produtos de origem animal para a UE poderão ser suspensas a partir de 3 de setembro, caso o impasse não seja resolvido. Ainda de acordo com o ministério, as autoridades europeias "ainda não apresentaram manifestação conclusiva" sobre os documentos técnicos encaminhados pelo governo brasileiro. Governo diz que já apresentou garantias No comunicado, o Mapa afirma que encaminhou à Comissão Europeia informações sobre os mecanismos de fiscalização adotados no Brasil e as garantias oferecidas pelo sistema oficial de controle sanitário para cadeias como carne bovina, carne de frango, ovos, mel e produtos da pesca. Segundo a pasta, a documentação demonstra "como o sistema brasileiro assegura a verificação, a fiscalização, a rastreabilidade, o monitoramento e a certificação" dos produtos destinados ao mercado europeu. O ministério também ressaltou que o Brasil exporta produtos de origem animal para mais de 150 países e afirmou que o reconhecimento internacional do sistema sanitário brasileiro é resultado da capacidade do país de fiscalizar a produção e certificar apenas mercadorias que atendem às exigências dos mercados importadores. No entanto, o principal ponto de discordância entre o governo brasileiro e a União Europeia está na forma de demonstrar o cumprimento das regras sanitárias. Segundo o Mapa, é "inaceitável" exigir a comprovação antecipada da implementação integral de medidas que, por natureza, são cumpridas ao longo do ciclo de produção dos animais. Para o ministério, cabe ao sistema oficial de fiscalização verificar esse cumprimento e impedir que produtos fora dos padrões sejam certificados para exportação. A pasta também afirmou que permanecer na lista de países autorizados a vender para a União Europeia não significa que todos os produtos estejam automaticamente aptos à exportação. Segundo o governo, o reconhecimento se refere à confiabilidade do sistema de fiscalização, enquanto a disponibilidade de produtos aptos depende do cumprimento das exigências sanitárias em cada ciclo produtivo. Exportação de carne bovina Ministério da Agricultura/Divulgação

Agora no g1 O principal assessor de tecnologia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está acompanhando a situação após a OpenAI revelar que um de seus sistemas de inteligência artificial saiu do controle durante testes de segurança. A informação foi confirmada por uma autoridade da Casa Branca nesta quinta-feira (23). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Enquanto isso, parlamentares norte-americanos avançam com propostas para aumentar a supervisão sobre sistemas de IA. Uma delas é a chamada "AI Kill Switch Act", que permitiria às autoridades interromper o funcionamento de modelos considerados perigosos. Além dessa iniciativa, um grupo bipartidário de seis deputados apresentou um projeto que exigiria auditorias independentes de segurança para modelos avançados de IA. Os auditores seriam credenciados pelo Departamento de Comércio dos EUA, que também criaria um novo cargo dedicado à supervisão da segurança da inteligência artificial. As propostas foram apresentadas poucos dias depois de a OpenAI informar que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente isolado usado em testes de segurança. Segundo a empresa, o sistema lançou um ataque que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma onde desenvolvedores armazenam, compartilham e desenvolvem códigos relacionados à inteligência artificial. Riscos da IA O episódio reforçou preocupações que especialistas vêm levantando há anos sobre os riscos associados ao avanço da IA. Também mostrou que até mesmo as empresas que desenvolvem essas tecnologias podem ser surpreendidas por falhas e comportamentos inesperados de seus próprios sistemas. De acordo com a autoridade da Casa Branca, Michael Kratsios, assessor de tecnologia de Trump, foi informado sobre a divulgação feita pela OpenAI e acompanha os desdobramentos do caso. Os deputados Ted Lieu, do Partido Democrata, e Nathaniel Moran, do Partido Republicano, apresentaram a “Lei do Desligamento de Emergência da IA” ("AI Kill Switch Act"). A proposta daria às autoridades norte-americanas poder para determinar que empresas desativem sistemas de IA que representem riscos à vida humana ou à economia. Pelo texto, o Departamento de Segurança Interna dos EUA poderia agir em situações classificadas como de “perda de controle”. Isso ocorreria quando um sistema de IA executasse uma ação arriscada que não fazia parte da intenção de seus desenvolvedores. “Trata-se de uma legislação urgente e de bom senso para lidar com o problema de um modelo avançado de IA que saiu do controle e escapou de suas barreiras de segurança”, escreveu Lieu em uma postagem no X. O senador Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência da Câmara, afirmou em comunicado que conversou com representantes da OpenAI após a divulgação do incidente. Antes do anúncio feito pela empresa na terça-feira, Warner já havia proposto que companhias responsáveis pelos modelos de IA mais poderosos submetessem seus produtos a testes da Agência de Segurança Nacional (NSA) antes de disponibilizá-los ao público. “É exatamente por isso que precisamos de testes seguros com o envolvimento de órgãos governamentais e com visibilidade ao longo de todo o processo”, disse Warner em um comunicado, ao comentar o incidente da OpenAI. Foto ilustrativa mostra o logo do ChatGPT, da OpenAI, na França. Relatos de usuários levantam alertas sobre possíveis delírios ligados ao uso intenso de chatbots de IA. SEBASTIEN BOZON / AFP

A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep pode fazer o petróleo ficar mais barato? A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deve aprovar um novo aumento nas metas de produção de petróleo para setembro durante a reunião marcada para 2 de agosto, segundo três fontes ouvidas pela Reuters nesta quarta-feira (23). A decisão, porém, ocorre em meio a um cenário de tensão geopolítica, já que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã voltou a dificultar o aumento da produção por alguns integrantes do grupo. De acordo com as fontes, sete dos principais membros da Opep+ - Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã - devem elevar a meta conjunta de produção em cerca de 188 mil barris por dia a partir de setembro. O volume é o mesmo aprovado para os meses de junho, julho e agosto. A expectativa é que a decisão seja tomada na reunião de 2 de agosto. Preço do petróleo dispara após Opep anunciar corte de mais de 1 milhão de barris por dia JN A Opep e as autoridades russas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. As fontes falaram sob condição de anonimato e ressaltaram que nenhuma decisão final foi tomada até o momento.

A Receita Federal libera, a partir das 9h desta sexta-feira (24), as consultas ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia. Serão pagos R$ 4,61 bilhões a 2,74 milhões de contribuintes. O valores serão depositados em 31 de julho. (veja aqui como consultar). Agora no g1 Do total de restituições desse lote: 839.464 restituições para contribuintes prioridade em razão da utilização da declaração pré-preenchida e/ou da opção de recebimento via PIX; 507.262 restituições serão pagas a contribuintes enquadrados em diferentes critérios de prioridade; 1.396.474 restituições referem-se a contribuintes sem enquadramento em categorias prioritárias. Veja o calendário da restituição do IR 2026 Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto Como fazer a consulta? Imposto de renda Marcos Serra/g1 O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição". A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações. A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF. Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino. "Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota. Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones: 4004-0001 (capitais) 0800-729-0001 (demais localidades) 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC. Malha fina Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina". Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. O Fisco informará: Se a declaração foi processada (situação regular); Se há pendências (malha fina). No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte. Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.

Biquíni, 80 anos: como traje batizado por causa de bomba nuclear se tornou símbolo de brasilidade Getty Images Como uma boa história de impacto global, a do biquíni tem ingredientes de várias partes do mundo. Pensando apenas na sua criação e na sua consolidação inicial podemos citar a França, onde nasceu; as Ilhas Marshall, de onde pegou emprestado o nome; os Estados Unidos, cuja cultura pop o disseminou; o Brasil — país que acabou virando o habitat natural para a peça, principalmente graças às praias e à imagem do Rio de Janeiro e a Alemanha, onde nasceu a mulher pioneira na introdução da peça de vestuário no Brasil. A sacada foi de um engenheiro mecânico francês de 50 anos que acabava de fazer uma inusitada mudança de carreira — deixava o ramo automobilístico para assumir a empresa de lingeries da mãe. Trata-se de Louis Réard (1896-1984). Em julho de 1946, ele lançou um item que seria revolucionário para a moda mundial: uma roupa de praia feminina em duas peças, mais parecido com uma calcinha e um sutiã do que com os recatados maiôs que se usavam na época. "No lançamento, ele foi apresentado como o menor maiô do mundo", conta a designer de moda e historiadora Simone Ferreira de Albuquerque, professora na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Embora trajes de banho de duas peças já existissem, Réard reduziu ainda mais a quantidade de tecido, deixando o umbigo à mostra pela primeira vez. Catorze anos antes do lançamento, o estilista francês Jacques Heim (1899-1967) havia tentado emplacar um maiô de duas peças semelhante, que ele chamou de átomo, em alusão às dimensões diminutas, mas não teve aderência nas clientes, resistentes a exibir as barriguinhas e os umbigos em público. Autora do livro Marketing de Luxo Contemporâneo e professora de moda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a consultora Maya Mattiazzo também conta que existem registros semelhantes desde a Antiguidade, com mulheres "usando peças semelhantes a um top e uma calcinha", só que diferentes dos biquínis modernos. Mas foi mesmo o modelo de Réard que conseguiu "romper com os padrões morais da época", explica a jornalista especializada em moda Andreia Meneguete, professora e coordenadora acadêmica do hub de moda da ESPM. Louis Réard era um engenheiro mecânico francês que deixou o ramo automobilístico para assumir a empresa de lingeries da mãe Getty Images E, se as notícias da época eram sobre testes nucleares que os Estados Unidos faziam no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall — em pleno Oceano Pacífico —, Réard decidiu que a invenção, bombástica que era, assumiria o mesmo nome. Nenhuma modelo profissional topou trajar a novidade e aparecer seminua em público. Réard contratou então a dançarina Micheline Bernardini, que fazia shows eróticos no Casino de Paris, na França, e tinha de 18 para 19 anos. Ela entraria para a história após se exibir vestindo o biquíni criado por Réard na piscina pública parisiense Molitor. Mas essa história não é simples assim nem termina aí. Micheline Bernardini entrou para a história ao se exibir vestindo o biquíni criado por Réard Getty Images Uma bomba na sociedade "O biquíni já nasceu carregando um discurso de ruptura", comenta a professora Meneguete, da ESPM. "Não era apenas um novo traje de banho. Era uma provocação aos costumes, aos códigos de moralidade e à forma como o corpo feminino era regulado socialmente." A nova peça foi logo considerada escandalosa por setores religiosos, autoridades públicas e parte da imprensa. "Em diversos países europeus, seu uso foi restringido ou proibido em praias públicas, e durante vários anos ele permaneceu associado à ousadia e à transgressão", explica Nadja Pimentel, educadora e técnica do ateliê do núcleo de moda da Universidade Anhembi Morumbi. Até o papa se incomodou. Em 1951, a modelo sueca Kerstin Håkansson (1929-2024) venceu o concurso Miss Mundo, em sua primeira edição. Ela foi coroada trajando o minúsculo traje de banho. O sumo pontífice da época, Pio 12 (1876-1958), condenou: chamou o biquíni de "pecaminoso" e contrário aos padrões cristãos de modéstia. Há também registros de policiais multando moças que trajavam biquínis em praias italianas até o fim dos anos 1950. Apesar da resistência, Réard conseguiu causar um estrondo na moda, impulsionado pelo marketing e por um contexto revolucionário favorável no pós-Segunda Guerra. Se chocou conservadores, o biquíni foi caindo aos poucos nas graças de celebridades. Nos anos 1950, atrizes como Brigitte Bardot (1935-2025) passaram a ser vistas e fotografadas de biquíni em praias da Riviera Francesa. A atriz marcou a história do cinema ao aparecer de biquíni no filme E Deus Criou a Mulher, produção de 1956 que sofreu com a censura em diversos países. A atriz suíça Ursula Andress, com seu biquíni branco no filme 007 Contra o Satânico Dr. No, de 1962, é outro ponto importante dessa história "Na década de 1960, com a revolução sexual, o cinema e a cultura pop, o biquíni deixou de ser visto apenas como escândalo para se tornar símbolo de liberdade", diz Meneguete. Pio 12 chamou biquíni usado pela modelo sueca Kerstin Håkansson — a primeira Miss Mundo — de "pecaminoso" Getty Images A chegada ao Brasil Quando chegou ao Brasil, o biquíni encontrou nas praias locais o terreno mais adequado para fincar raízes e logo tornou-se símbolo nacional. A partir das décadas de 1950 e 1960, atrizes, vedetes dos teatros de revista, modelos e musas das praias cariocas ajudaram a popularizar a peça, explica o historiador Marcos Valer. Entre elas, estavam atrizes como Carmem Verônica e Angelita Martinez (1931-1980), que causavam furor e disputavam as atenções nas areias de Copacabana ao aparecerem de biquíni. "Frequentemente fotografadas nas praias de Copacabana, elas deram grande visibilidade ao biquíni e contribuíram para sua popularização entre as brasileiras. A partir daí o traje deixou de ser uma curiosidade isolada para se tornar um elemento cada vez mais presente na cultura de praia do país", afirma a designer de moda Nadja Pimentel. Outra que popularizou a peça foi a modelo Marta Rocha (1932-2020), que usou um traje em duas peças durante o certame que a elegeria Miss Brasil em 1954. Também não podemos não mencionar pioneiras famosas como a atriz Leila Diniz (1945-1972), que desafiou o moralismo ao aparecer grávida na praia de biquíni, e a ex-modelo e empresária Helô Pinheiro, eternizada como a "garota de Ipanema". Antes delas, porém, uma mulher já havia sido registrada usando biquíni no Brasil. Alemã que se estabeleceu no Rio de Janeiro nos anos 1930 fugindo do nazismo, a estilista e pintora Erna Miriam Etz Kaufmann (1914-2010) costumava trajar um maiô em duas peças, maior que os biquínis, confeccionado por ela própria em seus banhos de mar no Arpoador antes mesmo da criação moderna de Réard. A professora Simone de Albuquerque conta que ela adotou o traje porque sua mãe dizia que grávidas precisavam tomar sol no umbigo. No livro O Biquíni Made In Brazil, a jornalista Lilian Pacce situa Kaufmann usando a peça concebida na França pela primeira vez no Rio em 1948. Mas por que o biquíni encontrou terreno tão fértil a ponto de virar símbolo no Brasil? "Essa associação foi construída por uma combinação de fatores: o clima tropical, o estilo de vida praiano, a projeção internacional da moda de praia brasileira e a ampla difusão dessa imagem pelo turismo, pelo cinema, pela televisão e pela publicidade", explica Pimentel. Agora no g1 A professora Meneguete explica que o biquíni também ressaltou a ideia brasileira de corpo menos rígida do que em outras culturas. Mas a chegada no país também não veio sem polêmicas. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros (1917-1992) também engrossou o cerco moralista à peça na esteira de suas políticas conservadoras. Ele chegou a proibir o biquíni em espaços públicos e vetou seu uso em concursos de beleza. "A proibição revela um paradoxo da época: enquanto o biquíni se popularizava nas praias e se tornava símbolo de modernidade e liberdade feminina, o Estado ainda tentava controlar a exposição do corpo e impor determinados padrões morais à sociedade", comenta o historiador Marcos Valer. A historiadora Maíra Rosin, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que esse impacto inicial é decorrente também da transformação das praias enquanto espaço público. Até o início do século passado, banhar-se no mar não era visto como lazer, mas como atividade terapêutica. "Quando se começou a ir a praia [como diversão] as pessoas vão de forma mais contida. Até os trajes masculinos eram mais fechados", lembra Rosin, que pesquisa o relação de mulheres com o espaço urbano . "E aí essas duas peças do biquíni, lembrando uma roupa de baixo, uma lingerie, isso causou um furor enorme." Até a chegada do biquíni, os maiôs dominavam as praias do Rio de Janeiro (a foto foi tirada em 1946) Acervo Rafael Cosme Liberdade ou sexualização do corpo feminino? Mas se significou um afronta das mulheres contra conservadores, o biquíni também trava, desde o início, uma batalha entre liberdade e sexualização do corpo feminino, segundo especialistas. Do lado da autonomia, Pimentel ressalta que, para muitas mulheres, "vestir um biquíni representa a liberdade de ocupar espaços públicos, exercer escolhas sobre o próprio corpo e expressar sua identidade sem que isso seja interpretado como um julgamento moral". Por outro lado, "essa mesma imagem foi apropriada internacionalmente para construir um estereótipo da mulher brasileira excessivamente sensualizada. Em muitos momentos, o corpo feminino passou a representar uma espécie de cartão-postal do país, reduzindo a diversidade das mulheres brasileiras a uma única narrativa", completa Meneguete. Maíra Rosin também vê o item, desde o início, no centro de uma narrativa entre autonomia e controle dos corpos femininos. "O biquíni pode ser ao mesmo tempo libertador e problemático. Dá a ideia de que a mulher pode vestir o que ela quiser, claro. Mas também carrega em si o controle do corpo feminino", argumenta. A especialista Andreia Meneguete diz que o Brasil não só adotou o biquíni como o reinventou Getty Images Mas a historiadora ressalta que o discurso contemporâneo permite hoje uma análise mais adequada sobre o papel da peça. "O biquíni pode ser lido de várias formas, dependendo do contexto social e político. Hoje há muitas campanhas enfatizando que o seu corpo de praia é o seu próprio corpo. Podemos pensar dessa forma e não como o biquíni enquanto símbolo de mulher brasileira gostosa", explica. Biquíni se tornou um ícone de brasilidade — tanto no país como no resto do mundo Getty Images O biquíni na moda, década a década Nesses 80 anos, o biquíni passou por muitas mudanças, e muito por conta do Brasil. A especialista Meneguete diz que o país não só adotou o biquíni como o reinventou. Sobretudo após os anos 1970, "com modelagens próprias, cortes menores e uma estética que influenciou o mundo". Para Mattiazzo, essa primazia mundial se explica pela relação que o brasileiro tem com a praia. "Em muitos países, é um espaço sazonal. Aqui, faz parte do cotidiano", define. O biquíni, neste cenário, reina inconteste. "E, no mundo da moda, poucas peças conseguiram se manter relevantes por 80 anos", celebra a professora Mattiazzo. A partir de um questionamento da BBC News Brasil, a professora definiu as principais fases que marcam a evolução do biquíni ao longo dessas oito décadas. Da criação até a virada dos anos 1950 A época do "escândalo, principalmente por expor o umbigo feminino", e "um marco simbólico muito importante, já que o umbigo estava associado ao erótico". A criação do biquíni foi "um escândalo, principalmente por expor o umbigo feminino", diz a professora Maya Mattiazzo Getty Images Anos 1950 Era o biquíni das pin-ups, as estrelas de Hollywood com estética sensual que ajudaram a popularizar o item. "As modelagens eram grandes e cobriam boa parte dos quadris, valorizando uma silhueta bem feminina", contextualiza. Anos 1960 Década marcada pela revolução sexual e a liberalização dos costumes. O biquíni evoluiu para representar melhor a mentalidade daquele tempo. É quando, lembra Mattiazzo, surgiram ideias mais ousadas ainda, como o monoquíni, idealizado pelo estilista austríaco Rudi Gernreich (1922-1985), que eliminava a parte de cima, deixando os seios à mostra. Também são desse período os modelos extremamente cavados conhecidos como "fio-dental". Anos 1970 Mattiazzo conta que a década ficou marcada pela "expressão por meio do corpo", com o Brasil se posicionando como um influenciador efetivo da moda-praia. "As laterais [do biquíni] diminuem, o bronzeado se torna parte da estética da praia e o Rio de Janeiro se consolida como palco dessa narrativa", diz. Anos 1980 Nesta década, inventaram o estilo chamado de "asa-delta". "Com as laterais super altas e modelagem bem cavada, o modelo cria um efeito visual de alongar a silhueta", explica. "Se espalhou pelo mundo e, algumas décadas depois, é visto nas passarelas internacionais." Fim do século 20 Uma nova maneira de culto ao corpo. "Foi um período com estética mais minimalista dominando a moda, se contrapondo aos exageros da década anterior. Os biquínis ficaram mais simples. O corpo começava a ser visto como um projeto pessoal", esclarece a professora. Os anos 2000 Começaram com o chamado "biquíni brasileiro" sendo encarado como uma categoria, o suprassumo do segmento, a referência global. E, pontua Mattiazzo, essas modelagens menores, com amarrações laterais e cortes mais cavados se tornaram item de exportação, valorizado em países europeus e nos Estados Unidos. Anos 2010 Temos a diversidade dos corpos [sendo destacada]", diz a especialista. "A sociedade debate temas como: inclusão, representatividade, diversidade de corpos e perfis de mulheres. O mercado começa a reconhecer que não existe apenas um corpo para usar biquíni. E entram em pauta assuntos como conforto", ressalta. E agora? Para Mattiazzo, vivemos a era da liberdade e da consciência, com múltiplos cenários. "O resort, o esportivo, a valorização do artesanal, a variedade de tecidos… Fica mais difícil apontar uma estética que o defina", comenta.

Diante da retomada da guerra no Oriente Médio nas últimas semanas, a equipe econômica deve anunciar a prorrogação, por mais dois meses, da chamada "subvenção", um tipo de subsídio, para manter o preço da gasolina mais baixo. De acordo com interlocutores da pasta, a decisão deve ser anunciada até o fim de semana — quando termina o prazo atual fixado para o benefício. Anunciado em maio, o subsídio foi definido em R$ 0,44 por litro da gasolina para tentar conter os efeitos guerra na economia brasileira. Com alta do petróleo, há pressão sobre os preços dos combustíveis, algo que se reverbera por toda economia (leia mais abaixo). O governo também deve prorrogar por mais dois meses o subsídio ao querosene da aviação (QAV), apurou o g1. A leitura é de que o cenário geopolítico ainda tem forte impacto sobre o custo da operação dos serviços aéreos. Com a guerra no Oriente Médio, o insumo passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas. Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Alguns dias após o anúncio do subsídio, em maio, a Petrobras anunciou um novo ajuste de R$ 0,48 nos preços da gasolina A para as distribuidoras. Por conta da subvenção concedida pelo governo, o aumento efetivo foi menor: de R$ 0,04 por litro. O subsídio é pago diretamente aos produtores e importadores de gasolina, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Também para conter os efeitos da guerra na inflação, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na semana passada, a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. Jornal Nacional/ Reprodução Cronologia da guerra A guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, travou o fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — corredor marítimo no Golfo Pérsico por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Com isso, o barril do petróleo, principal matéria-prima dos combustíveis, superou os US$ 100. LEIA MAIS: Dólar opera em alta, após novos ataques entre EUA e Irã e com alta do petróleo no radar; Ibovespa cai Após negociações, os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo de paz preliminar na guerra do Oriente Médio em 17 de junho, o que contribuiu para a queda do preço do barril de petróleo para menos de US$ 80 por algumas semanas. Menos de mês depois, em 8 de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o acordo de paz firmado com o Irã teria acabado, e que não buscaria mais diálogo com Teerã, o que voltou a pressionar novamente os preços dos combustíveis. O petróleo opera novamente acima de US$ 100 por barril nesta semana. "Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", afirmou Trump, na ocasião, quando perguntado se o acordo teria "morrido".

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, realiza uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quinta-feira (23) que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, fará um anúncio sobre novas tarifas antes do fim da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24). A expectativa é de que a medida estabeleça uma sobretaxa entre 10% e 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 economias, incluindo o Brasil. Para os produtos brasileiros, a alíquota prevista é de 12,5%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A nova tarifa está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração trata de supostas falhas de parceiros comerciais no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. LEIA TAMBÉM Tarifaço de Trump pressiona setores, mas Brasil chega menos dependente dos EUA, dizem especialistas Tarifaço: setores atingidos e governo divergem sobre possibilidade de aplicar reciprocidade aos EUA O governo brasileiro já espera a aplicação da nova tarifa e acompanha as negociações com representantes dos setores afetados. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil passam a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Tarifaço de Trump: veja as medidas do governo para tentar conter impacto das tarifas Entenda o que é essa investigação e a justificativa do governo Trump Em março deste ano, o escritório do Representante Comercial dos EUA anunciou o inicio de investigações contra 60 países, dentre eles, o Brasil. Em junho, a apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além do Brasil, a lista inclui alguns dos principais parceiros comerciais e aliados dos EUA, como Austrália, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Israel, Índia, Catar e Arábia Saudita. China e Rússia também aparecem na relação. O governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. O USTR alega que a condução dos países neste assunto não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Brasil classifica decisão como "arbitraria" No início de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao USTR para contestar a proposta de aplicar a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Na carta, o Itamaraty rejeitou a avaliação e afirmou que as conclusões da investigação são "errôneas", "arbitrárias" e não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo. O documento enviado pelo governo brasileiro ao USTR sustenta que o país já atua de forma ativa no combate ao trabalho análogo à escravidão, principal motivo apontado pelos EUA para justificar a proposta de aplicar uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. No texto, Vieira afirma que o país mantém um conjunto abrangente de mecanismos legais e institucionais para prevenir, identificar e punir casos. Entre eles estão: responsabilização criminal; fiscalização trabalhista; mecanismos de transparência; cooperação entre diferentes órgãos públicos; e medidas para impedir que produtos ligados ao trabalho escravo entrem nas cadeias produtivas. O governo brasileiro também argumenta que o USTR utilizou exemplos de outros países para justificar sua decisão, sem demonstrar relação com a realidade brasileira. "O USTR optou por invocar uma afirmação conclusiva", afirma o documento. Para reforçar esse argumento, Mauro Vieira recorre à própria legislação americana. Segundo ele, a Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências que contradigam suas conclusões — mas foi exatamente isso que aconteceu neste caso. "A Section 301 não permite que o USTR ignore evidências incontestadas (...) Infelizmente, foi precisamente isso que o USTR propôs", escreve Vieira. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra na sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O plano do governo para conter danos do tarifaço A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 REUTERS/Ken Cedeno

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, avaliou nesta quinta-feira (23) que indicadores financeiros confirmam uma "deterioração perceptível" da saúde financeira de "parte relevante" das empresas estatais federais, tanto dependentes quanto não dependentes, o que eleva o risco para o Tesouro Nacional. "Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal", acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho. ➡️O órgão explicou que essa piora é evidenciada por patrimônio líquido negativo, fluxo de caixa operacional deficitário e margens operacionais negativas em algumas empresas, como Codevasf, Correios, Emgepron e a Infraero. ➡️Por conta disso, a IFI avalia que há um aumento de risco fiscal para o Tesouro, seja pela possibilidade de aportes e suplementações orçamentárias às estatais dependentes, seja pela fragilização da capacidade de distribuição de dividendos pelas empresas não dependentes. Agora no g1 No documento, a IFI explica que não pretende levantar elementos sobre a possibilidade de privatização das empresas, pois classifica esse debate como complexo, visto que envolve a análise não apenas de custos e benefícios de se manter uma determinada empresa sob controle do Estado, como também os retornos sociais que se esperam obter. ➡️No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030. O termo "déficit" significa que o gasto somado dessas estatais foi maior que a receita que elas conseguiram gerar no ano. Entenda As estatais são consideradas "dependentes" quando necessitam de recursos da União para realizar despesas de pessoal, custeio e capital, excluindo -se, neste caso, recursos provenientes de participação acionária. Ou seja, precisa de recursos do Tesouro para manter sua operação, disponibilizados em dotações no Orçamento Fiscal e da Seguridade Social. Entre as estatais dependentes, estão a Codevasf, a Conab, a EBC e a Embrapa. As estatais "não dependentes", públicas ou sociedades de economia mista, por sua vez, são aquelas que, em tese, não necessitam de recursos do governo para financiar despesas de pessoal, custeio e investimentos, com exceção de aportes que aumentem participação acionária. São entidades que operam com receitas próprias geradas por suas atividades operacionais. Suas despesas de investimento integram o orçamento de investimentos da União. Entre elas, estão os Correios, a Infraero, a Emgepron, a Emgea e a Dataprev. Segundo a IFI, do Senado Federal, entre as estatais dependentes, a análise do patrimônio líquido, do fluxo de caixa operacional e do indicador de suficiência de caixa revela um grupo de empresas – notadamente Codevasf, CBTU, Embrapa, HCPA e EBSERH – cuja trajetória financeira se distancia do padrão observado nos exercícios anteriores a 2018. "Para essas empresas, cabe reforçar que o problema não é de solvência no sentido tradicional, já que sua existência depende de subvenções do Tesouro e não de geração própria de caixa. O risco relevante reside no descompasso entre despesas e repasses, quando persistente, tende a se converter em pressão por suplementações orçamentárias ou aportes extraordinários, disputando espaço fiscal com outras políticas públicas sujeitas aos limites do RFS", avaliou a Instituição Fiscal Independente. Sede dos Correios em Palmas, Tocantins Djavan Barbosa/TV Anhanguera No grupo das estatais não dependentes, o órgão avalia que os indicadores de margem operacional, de exposição a receitas financeiras e de qualidade do lucro apontam para "fragilidades distintas", mas "igualmente relevantes". "Casos como os da ECT [Correios], da Emgepron e da Infraero mostram que, mesmo sem onerar diretamente o orçamento fiscal e de seguridade social, essas empresas podem comprometer sua capacidade de distribuição de dividendos à União ou, em situações mais extremas, demandar aportes de capital, como o que a União fará na ECT em 2027, conforme previsto no contrato do empréstimo contratado pela empresa em 2025", acrescentou a IFI. Situação dos Correios No caso dos Correios, cujo rombo triplicou em 2025 e atingiu R$ 8,5 bilhões, o próprio governo federal admite que a estatal pode continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de restruturação em vigor. "Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026", diz o governo, no projeto da LDO de 2027. A estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025, com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, os Correios poderão buscar mais R$ 8 bilhões em empréstimo. Para enfrentar rombo financeiro, o governo autorizou, em maio deste ano, a estatal a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia. A ideia é que a empresa faça convênios com instituições financeiras para ofertar os serviços. Para a Instituição Fiscal Independente, a piora na situação dos Correios está relacionada com: As receitas de encomendas subiram muito no período da pandemia, tendo se acomodado a partir de 2023. As receitas de mensagem e de postagem internacional sofreram quedas importantes nos últimos quatro anos, especialmente as de postagem. Alterações regulatórias nas compras de produtos importados (criação do programa Remessa Conforme) provocaram uma retração significativa no volume de postagens internacionais, reduzindo as receitas desse setor, que também enfrenta concorrência crescente. Ao mesmo tempo em que registrou queda em receitas, os Correios indicaram algumas pressões de custos com pessoal e benefícios no período de 2022 a 2025. Acordos coletivos elevaram as despesas com pessoal. Além disso, o reconhecimento de obrigações com o Postalis (fundo de pensão). pressionou as despesas financeiras em razão do pagamento de juros e atualizações monetárias do déficit equacionado. Crescimento expressivo da despesa de precatórios e de requisições de pequeno valor (RPVs) nos últimos anos. Outros elementos de pressão sobre as despesas da ECT nos últimos quatro anos foram: provisionamento de novas obrigações de benefício pós -emprego após a identificação da existência de subsídio cruzado entre beneficiários ativos e aposentados no Plano Correios Saúde II, além da elevação de gastos com o plano de saúde; reajustes em valores de contratos de transporte aéreo e terrestre em função de aumentos nos preços dos combustíveis; aumento no saldo de provisões devido a novas ações judiciais e revisões de risco em processos trabalhistas e cíveis; e geração de elevadas despesas com juros e multa em razão de atraso em recolhimentos de tributos e contribuições, devido à falta de liquidez.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um pedido liminar nesta quarta-feira (22) para suspender a decisão do governo que aumenta a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A ação civil pública tem como objetivo impedir a adoção do E32, nome dado à gasolina com 32% de etanol, até que estudos técnicos comprovem que a nova mistura é segura para os veículos. O MPF também pede que a União seja condenada a pagar R$ 500 milhões por danos coletivos. (entenda mais abaixo) 🔎 O E32 foi aprovado pelo CNPE em junho e faz parte da política do governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência da gasolina importada. Segundo o MPF, a alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) "sem a devida análise de impacto e sem demonstrar cientificamente a viabilidade da medida para a frota nacional". O documento argumenta que a União utilizou estudos realizados com a mistura anterior, de 30% de etanol, para justificar o aumento, considerando a margem de tolerância de até dois pontos percentuais prevista nos testes. Para o MPF, esses ensaios tinham como objetivo "avaliar o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, considerando a margem de tolerância da especificação daquele combustível" e, portanto, não foram realizados para validar a adoção permanente da mistura de 32% de etanol na gasolina. A ação também sustenta que os ensaios utilizados pelo governo federal não apresentaram conclusões sobre: Durabilidade; Emissões; Autonomia; Compatibilidade com as diversas tecnologias na frota; Comportamento da nova mistura em uso contínuo. A especificação da gasolina E32 permite que o combustível vendido nos postos contenha até 34% de etanol. Segundo o MPF, essa possibilidade não passou por validação técnica específica. O MPF ainda diz que "há evidências de que o aumento do etanol na gasolina pode provocar corrosão em peças metálicas, desgaste prematuro de bombas e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados". Indenização de R$ 500 milhões O MPF também argumenta que a decisão não considerou adequadamente os possíveis impactos ambientais da medida e pede uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos. Segundo o órgão, faltam estudos que avaliem os efeitos do desgaste acelerado de componentes dos veículos. O argumento é que, embora o etanol emita menos poluentes, a substituição mais frequente de peças poderia aumentar o descarte de borracha, metal e plástico. Além da suspensão do aumento da mistura de etanol, o MPF pede que a Justiça determine a realização de uma perícia técnica independente para avaliar os riscos aos motores e ao meio ambiente. A ação também solicita a adoção de protocolos mais rigorosos para futuras alterações na composição dos combustíveis. "O Estado brasileiro não pode impor à coletividade a utilização de combustível com composição diversa sem demonstrar, de forma clara, objetiva e tecnicamente consistente, que a medida foi precedida de estudos suficientemente abrangentes", diz o procurador da República Cleber Eustáquio Neves, autor da ação. Entenda a decisão do governo O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu no dia 14 de julho aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota Os preços do petróleo subiram e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores. Medida vinha sendo estudada A medida de aumentar o volume de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo) Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também diz que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo) Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol Marcello Casal Jr./Agência Brasil O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. A lista engloba: tanque; boia; bomba de combustível; linhas de combustível metálicas ou plásticas; bico injetor; câmara de combustão; pistões; vedações. Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência. "As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor Arte / g1 Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor. O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina. 🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal. Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia. Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano. Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado. Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina Divulgação Revisões podem ficar caras No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos. "Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center. O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã. O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape. Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro Divulgação / Bosch Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor. Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade. Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo. "Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden. Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações. Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque. Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina. Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível. Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições. Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil. Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido. Bolso pode sentir E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação. As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI. Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina. “Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica. Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são: Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível; desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação; ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos; oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação; travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível; baixa vida útil de velas de ignição. Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019 Reprodução Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra. A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900. Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam. “Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica. Anfavea pede cautela A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves. Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes. "Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet. Igor Calvet, presidente da Anfavea Divulgação | Anfavea O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação. A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet. Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país. Indústria do etanol defende medida A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório. Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.” A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.” A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira. Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável. Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira. Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos. A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível. A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar. Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil. “Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,65% nesta quinta-feira (23), cotado a R$ 5,0839. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,46%, aos 176.724 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O avanço do petróleo em meio à escalada do conflito no Oriente Médio ficou no centro das atenções. Com a continuidade dos ataques, a commodity voltou a se aproximar do patamar de US$ 100 o barril, mesmo após a informação de que Omã mediava negociações entre a Arábia Saudita, partidos iemenitas e um enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU). O tráfego reduzido no Estreito de Ormuz continua alimentando temores de uma interrupção na oferta global de petróleo. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, subia 6,13%, cotado a US$ 99,84. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 5,37%, a US$ 91,49 o barril. ▶️ O novo tarifaço do presidente americano, Donald Trump, também ficou no radar. Na véspera, entrou em vigor a taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, e a expectativa é que outra alíquota, entre 10% e 12,5%, seja anunciada em breve para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. O cenário aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que mantém conversas com os setores afetados e avalia como reagir às tarifas. ▶️ A temporada de balanços corporativos também movimentou as bolsas globais nesta quinta-feira. As ações da Alphabet, por exemplo, recuaram 7,13% após a companhia elevar sua projeção de investimentos em inteligência artificial, reacendendo preocupações com o alto custo da expansão da infraestrutura necessária para o setor. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,53%; Acumulado do mês: -1,53%; Acumulado do ano: -7,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,59%; Acumulado do mês: +2,59%; Acumulado do ano: +9,53%. Nova taxa dos EUA deve ser anunciada em breve A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entrou em vigor ontem. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A expectativa, agora, é que uma nova taxa — que deve ficar entre 10% e 12,5% — seja anunciada nos próximos dias para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, a justificativa gira em torno de outra investigação dos EUA, que concluiu que essas nações adotaram práticas comerciais desleais ao não impedirem o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. Na véspera, o representante do comércio americano, Jamieson Greer, voltou a afirmar que práticas de desmatamento no Brasil colocam agricultores americanos em desvantagem competitiva, justificando que os baixos padrões ambientais que existe em outros países "justificam tarifas mais altas". O tema já foi amplamente refutado pelo governo brasileiro. Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos são "absolutamente improcedentes" e "inverídicos", reiterando que o sistema de exportação brasileiro passa por um sistema rigoroso de fiscalização e controle ambiental. LEIA MAIS Veja perguntas e respostas do novo tarifaço de Trump Governo ainda estuda como reagir à taxação Quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda por que o Brasil evita uma retaliação imediata Petróleo volta a se aproximar de US$ 100 Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos militares iranianos, marcando a 12ª noite consecutiva de operações. Segundo o comando, foram atingidas instalações de armazenamento de mísseis e drones, sistemas de defesa aérea, capacidades marítimas e locais de vigilância costeira. Em comunicado, o Centcom afirmou que as ações visam reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais e marinheiros civis. Os EUA também disseram ter retomado um bloqueio marítimo contra o país e que mais de 50 mil militares americanos permanecem mobilizados no Oriente Médio. Já nesta quinta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã, braço ideológico das forças armadas do país, disse ter atacado e destruído diversos equipamentos militares americanos na Jordânia, além de ter atacado bases dos EUA no Kuwait, incluindo Arifjan e Doha. Os aliados houthis do irã no Iêmen também disseram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do fechamento iminente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse em um encontro diplomático no Sudeste Asiático que o preço que o Irã paga "ficará mais alto a cada noite" até que Teerã esteja pronta para um acordo de paz que aceite cumprir. " O Irã está implorando por um acordo todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fecham um acordo... ou o quebram ou querem mudá-lo", disse ele. "Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, conforme continuam a sofrer grandes perdas." Bolsas globais Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em queda, após resultados corporativos recentes reacenderem as preocupações com inteligência artificial. O Dow Jones caiu 0,97%, enquanto o S&P 500 recuou 1,22% e o Nasdaq Composite teve perdas de 2,15%. O dia também foi negativo na Europa, em meio às preocupações com a inflação global diante das novas altas do petróleo. O índice DAX, da Alemanha, fechou em queda de 1,56% , enquanto o CAC-40, da França, recuou 1,64% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,73%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, à medida que o ânimo do mercado com o setor de tecnologia e inteligência artificial se recuperava. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,23%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,28%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul teve uma valorização de 4,40% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,46%. *Com informações da agência de notícias Reuters. China reduz investimento no Tesouro dos EUA e derruba o dólar nos mercados globais Jornal Nacional/ Reprodução

Reprodução/TV Globo O Google, da Alphabet, foi multado nesta quinta-feira (23) em 890 milhões de euros (cerca de US$ 1 bilhão, ou R$ 5,6 bilhões) por violar regras da União Europeia criadas para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, informou a Comissão Europeia. Apesar da punição, a gigante americana deve evitar novas sanções. Reguladores europeus elogiaram o progresso da empresa na adaptação à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As multas reforçam a estratégia da União Europeia de combater práticas anticompetitivas das big techs, mesmo diante das críticas do governo dos EUA e das ameaças de impor tarifas retaliatórias. A Comissão Europeia aplicou uma multa de 460 milhões de euros ao Google por favorecer seus próprios serviços nos resultados de busca relacionados a compras, hotéis, transporte e esportes. Agora no g1 Uma segunda multa, de 430 milhões de euros, foi aplicada pelas restrições impostas na loja de aplicativos Google Play, que impedem desenvolvedores de direcionar gratuitamente os usuários para ofertas mais baratas em lojas de aplicativos ou sites concorrentes. A Reuters antecipou as duas penalidades. Elas são as primeiras aplicadas ao Google com base na DMA, mas correspondem à quinta e à sexta multas recebidas pela empresa na União Europeia por práticas anticompetitivas. Com isso, o valor total das sanções impostas ao Google no bloco chega a 10,38 bilhões de euros (cerca de R$ 65,3 bilhões) ao longo de quase duas décadas. "Nosso dever e obrigação é cumprir as leis e garantir que elas sejam plenamente respeitadas", afirmou a chefe da área antitruste da União Europeia, Teresa Ribera, ao ser questionada sobre a reação dos EUA. "O objetivo da DMA é garantir condições de concorrência justas e equitativas. Com essas decisões, queremos assegurar que haja competição", disse a comissária europeia para Tecnologia, Henna Virkkunen. O Google tem 60 dias para cumprir as determinações da Comissão Europeia, que exigem tratamento justo e não discriminatório aos concorrentes e permitem que desenvolvedores direcionem usuários para ofertas fora do Google Play. A empresa criticou as conclusões da União Europeia e afirmou que poderá recorrer à Justiça. "Para cumprir essas exigências, estamos tendo que remover recursos de busca em tempo real que os europeus apreciam, como preços instantâneos e disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, além de desmontar proteções de segurança no Google Play", afirmou Kent Walker, presidente de Assuntos Globais do Google, em comunicado. "Isso não é concorrência justa; é uma degradação do produto impulsionada por um pequeno grupo de reclamantes que busca apenas benefícios próprios, enquanto empresas e consumidores europeus sofrem as consequências. A regulamentação deveria melhorar os produtos, não piorá-los", acrescentou. Diálogo com reguladores A Comissão Europeia indicou que novas multas são improváveis e destacou o "diálogo construtivo" mantido com o Google, além do progresso significativo da empresa para cumprir a DMA. Segundo o órgão, o Google propôs e começou a testar mudanças na forma como exibe seus próprios serviços na Busca para categorias como compras, hotéis e voos. A Comissão classificou essas alterações como um avanço substancial. A empresa também iniciou testes para modificar a apresentação de anúncios relacionados a compras e a conteúdos, como esportes. A Comissão informou que continuará avaliando essas mudanças e mantendo negociações com a companhia. Os reguladores europeus acrescentaram que o Google poderá aplicar os princípios da decisão desta quinta-feira também aos seus resumos gerados por inteligência artificial, conhecidos como AI Overviews e AI Mode. As discussões sobre essas ferramentas devem continuar. Já as mudanças nas regras de direcionamento do Google Play receberam uma aprovação preliminar da Comissão. "Esses avanços representam um bom progresso rumo ao cumprimento das normas e também serão avaliados à luz da ordem emitida na decisão de hoje", afirmou o órgão. A atuação da União Europeia contra as grandes empresas de tecnologia tem provocado atritos com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou retaliar com tarifas por considerar que as medidas atingem empresas americanas. Parlamentares americanos também aumentaram a pressão sobre o bloco. As sanções desta quinta-feira são a terceira aplicação de multas com base na DMA, após as penalidades impostas à Apple e à Meta em abril do ano passado.

Cerca de 84% do consumo doméstico de soja na China depende de importações e mais da metade desse abastecimento vem do Brasil Bloomberg via Getty Images/BBC Em pouco mais de duas décadas, a China passou de parceiro secundário a principal destino das exportações brasileiras, impulsionando uma sucessão de recordes de vendas do agronegócio nacional. Apenas em 2025, o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês — mais do que com qualquer outro país do mundo. O ritmo segue forte em 2026. De janeiro a junho, as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,322 bilhões, um crescimento de 21,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo intervalo, as exportações para os Estados Unidos recuaram 13%, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após o governo de Donald Trump impor tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025. Na quarta-feira (22/7), entrou em vigor uma nova tarifa adicional de 25%, ampliando a pressão para que o Brasil encontre outros destinos para os produtos afetados. Mas as barreiras comerciais que vem sendo impostas por Trump também podem acelerar uma mudança mais ampla no comércio agrícola global. Uma reportagem publicada na terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dois principais jornais de finanças do mundo, afirma que os EUA correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo. Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões. Analistas ouvidos pelo jornal apontam que um dos principais fatores por trás desse avanço foi a guerra comercial iniciada por Donald Trump, principalmente contra a China. Desde seu primeiro mandato, quando tarifas foram impostas ao país asiático em 2018, Pequim reduziu significativamente as compras de produtos agrícolas americanos e ampliou suas importações de países como o Brasil. Esse cenário reforça, no curto prazo, a importância do mercado chinês para compensar perdas em outros parceiros comerciais. Mas, enquanto o Brasil se volta para a China como parte de sua estratégia de diversificação, Pequim trabalha para reduzir justamente a dependência externa que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola. "A China identificou que estar muito exposta a importações é um elemento de vulnerabilidade para um país com uma população tão grande e por isso está promovendo uma mudança estrutural", afirma Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e ex-assessora especial do Ministério da Agricultura. Essa mudança aparece de forma explícita no recém-lançado 15º Plano Quinquenal Nacional (2026-2030) da China. O documento elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica de grãos, aumentar a autossuficiência em sementes agrícolas, acelerar o uso de inteligência artificial no campo e desenvolver novas fontes de proteína. "Obviamente, a China não vai renunciar às exportações brasileiras de soja num prazo visível, mas ela vai começar a depender num grau cada vez menor dessas importações, porque está investindo seriamente em tecnologias de substituição dessas proteínas vegetais por aminoácidos industriais e outras formas de produção de proteína para consumo animal", afirma o professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay. O alerta encontra respaldo em projeções do relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, segundo o qual as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — uma redução equivalente a aproximadamente 23,5 milhões de toneladas. Entre os fatores apontados estão melhorias na alimentação animal, ganhos de produtividade e o avanço de proteínas produzidas por novos processos industriais. O estudo destaca tecnologias como fermentação de precisão, biomanufatura e carne cultivada em laboratório, métodos que podem reduzir a necessidade de soja destinada à produção convencional de proteína animal. "Essa ideia de que a produção brasileira de soja é importantíssima para alimentar o mundo é uma ficção. Nós não alimentamos pessoas, nós alimentamos animais", afirma Abramovay. Questão de segurança nacional A transformação da China em potência econômica foi acompanhada por uma mudança igualmente profunda na forma como sua população se alimenta. Desde o início das reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping no fim dos anos 1970, centenas de milhões de chineses deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Com mais renda disponível, a dieta do país passou por uma rápida diversificação: o consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados cresceu de forma acelerada. Essa mudança teve efeitos diretos sobre o comércio global de alimentos. Para produzir mais fontes de proteína, a China precisou ampliar fortemente a oferta de ração animal — que tem como um dos insumos principais a soja. Foi essa demanda crescente que ajudou a transformar o Brasil em um dos principais fornecedores agrícolas do país asiático. Isso porque o território chinês enfrenta limitações estruturais para expandir sua produção agrícola: o país abriga cerca de um quinto da população mundial, mas dispõe de menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e de cerca de 6% dos recursos hídricos globais. Assim, durante décadas, a solução encontrada por Pequim foi combinar produção doméstica com importações crescentes de alimentos e insumos agrícolas. Esse modelo permitiu sustentar a expansão do consumo sem exigir que o país produzisse internamente tudo aquilo que sua população demandava. Agora, porém, a mesma dependência externa que ajudou a impulsionar seu crescimento passou a ser vista internamente com apreensão, especialmente em um contexto marcado por guerras, disputas comerciais, sanções econômicas e interrupções nas cadeias globais de suprimento. Lula e Xi Jinping em Pequim Getty Images/BBC A preocupação não é teórica. Segundo o relatório China's Food Future, da consultoria Systemiq, a China é hoje o maior importador de alimentos do mundo e acumula um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões. No caso da soja, cerca de 84% do consumo doméstico depende de importações. Mais da metade desse abastecimento vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão. Na carne bovina, a dependência externa é menor, mas ainda relevante: aproximadamente 32% do consumo é importado, e o Brasil responde por 54% dessas compras. Modelo industrial O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, enxerga paralelos entre a atual estratégia de soberania alimentar chinesa e a política industrial que permitiu ao país assumir posições de liderança global em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos. Em artigo recente publicado no jornal britânico Financial Times, ele aponta o caminho percorrido por Pequim em ambos os casos: planejamento estatal, financiamento direcionado, coordenação entre universidades, empresas e centros de pesquisa e forte aposta em inovação tecnológica. "Se o desacoplamento alimentar for perseguido com a mesma energia da política industrial da China, ele irá subverter a economia agrícola global do último quarto de século", alerta Tooze. O historiador argumenta que a dependência de importações ajudou a sustentar a rápida melhora do padrão de vida da população chinesa, mas também criou vulnerabilidades que passaram a preocupar a liderança do país. "É para os atuais líderes de mercado que a formidável guinada da China em direção à segurança tecnoindustrial traz uma incerteza radical", conclui. Para Wachholz, a lógica por trás dessa transformação vai além da produção agrícola. Segundo ela, Pequim passou a tratar a segurança alimentar como uma questão estratégica porque precisa garantir o abastecimento de uma população cada vez mais urbana, rica e exigente. "A China não depende de importações para assegurar o mínimo de calorias para a sua população. Ela depende delas para garantir uma alimentação mais diversa", afirma. Essa mudança ajuda a explicar por que o governo chinês tem direcionado investimentos para áreas como biotecnologia, agricultura de precisão e novas formas de produção de proteína. Ela também reflete transformações no comportamento do consumidor chinês, cada vez mais atento à relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade. "É muito comum usar o termo 'verde' na China. E esse termo está associado não apenas a algo que seja benéfico para o meio ambiente, mas também para a saúde. Os chineses tendem a compreender esses dois conceitos de forma associada", diz Wachholz. Sinal amarelo ligado A preocupação com os possíveis impactos dessas mudanças já chegou ao agronegócio brasileiro. Uma das principais lideranças políticas do setor no país, a senadora pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministra da Agricultura (2019-2022) Tereza Cristina (PP) tem conversado com representantes do setor sobre o assunto. "O Brasil tem que estar com o sinal amarelo ligado", afirma. "Não vai acontecer da noite para o dia [a redução das importações], mas o Brasil tem que estar de olho e se preparar para novos mercados ou para a diminuição da área plantada de soja", afirma. Para ela, um dos pontos de atenção é a possível expansão do uso de sementes geneticamente modificadas pelos produtores chineses. Embora a China importe há décadas grandes volumes de soja transgênica produzida em países como Brasil e EUA, o cultivo doméstico dessas variedades avançou mais lentamente por razões regulatórias e políticas. Nos últimos anos, porém, Pequim passou a flexibilizar gradualmente essas restrições e a investir pesadamente em melhoramento genético, biotecnologia e desenvolvimento de sementes próprias. O 15º Plano Quinquenal estabelece como meta elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%. "A hora que eles passarem para os transgênicos e aumentarem essa produção própria para diminuir a dependência, o Brasil será o primeiro país impactado, já que nós somos os maiores exportadores de soja", diz Tereza Cristina. Na visão de Abramovay, há também um fator geopolítico em jogo: uma eventual acomodação das tensões comerciais entre Washington e Pequim poderia levar a China a ampliar compras de produtos agrícolas americanos como parte de acordos mais amplos entre as duas potências. "É um horizonte que nem de longe pode ser tomado como seguro para o Brasil", afirma. China elevou a segurança alimentar à condição de prioridade estratégica nacional e estabeleceu metas para ampliar a produção doméstica Future Publishing via Getty Images/BBC Resposta brasileira Para Tereza Cristina, o alerta não significa que o Brasil esteja condenado a perder espaço, mas que precisa começar a se adaptar a um cenário diferente daquele que predominou nas últimas duas décadas. "O Brasil tem que pensar no que fazer estrategicamente, se terá que diminuir a produção de soja ou passar para outros produtos", avalia. "Não existem outros países para onde a gente possa exportar esse volume que podemos vir a perder se a China diminuir a demanda". Segundo ela, a experiência recente mostra que metas anunciadas por Pequim costumam ser perseguidas de forma consistente: "Quando a China fala, ela cumpre. Então isso é um alerta para a produção brasileira." A ex-ministra defende a agregação de valor à produção agrícola brasileira como alternativa para a potencial redução das importações da China. "A soja não é só um produto, um grão. Ela tem muita tecnologia dentro", afirma. "O Brasil hoje é o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo. Isso é agregação de valor, é transformar soja e milho em proteína". Ela também vê oportunidades na transição energética: "Se a gente investir em SAF, que é o combustível sustentável de aviação, e em combustíveis para navegação, podemos direcionar boa parte dessa produção para esses mercados, aí quem terá que ficar de olho aberto é a China". O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Laudemir Müller, acredita que a instabilidade internacional pode favorecer as exportações brasileiras para a China, mesmo diante da nova estratégia de Pequim: "A gente vê um reposicionamento de todos os países, mas em um mundo mais instável, uma reação natural é olhar para quem realmente é um bom parceiro", respondeu, ao ser questionado pela reportagem durante entrevista coletiva na sede da Apex, em Brasília, na sexta-feira (17/7). "Nesse mundo de instabilidade e de redução de dependência, o Brasil aparece com destaque como um país amigo e um fornecedor estável." Para Tereza Cristina, o governo deveria manter estruturas permanentes de inteligência estratégica para monitorar tendências globais e antecipar mudanças de mercado. Wachholz, que estabeleceu o "Programa China" na gestão da ministra, também vê falhas na resposta brasileira, mas direciona suas críticas principalmente ao setor privado. "Ele deveria estar mais presente na China, fazendo mais ações de monitoramento e de acompanhamento e promoção dos nossos produtos", afirma. "O governo brasileiro trabalha para abrir o mercado, mas mesmo depois de aberto, os fluxos de negócio demoram a acontecer. Não é como se o Estado brasileiro fosse o exportador". Apesar dos alertas, nenhum dos entrevistados prevê um colapso da relação comercial entre Brasil e China. O consenso é que Pequim continuará importando grandes volumes de alimentos brasileiros por muitos anos. O risco, segundo Wachholz, está em continuar tomando decisões de investimento de longo prazo como se a demanda chinesa fosse crescer indefinidamente. Desde que a China se tornou o principal destino das exportações brasileiras, em 2009, a ascensão do país asiático ajudou a transformar o Brasil em uma potência agrícola. Em um momento em que as tarifas dos Estados Unidos aumentam a importância da diversificação de mercados, o próximo desafio, afirmam os especialistas, será entender como responder a um parceiro que continua sendo o maior comprador do mundo, mas que investe cada vez mais para precisar comprar menos.

Um navio-tanque atracado no cais marítimo de Keiyo, em Sodegaura, província de Chiba, no Japão. Yuichi Yamazaki / AFP A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar o preço do petróleo nesta quinta-feira (23). O barril do tipo Brent, referência no mercado internacional, bateu os US$ 100 (R$ 506,38), atingindo o maior patamar desde o fim de maio, quando chegou a US$ 99,58 (aproximadamente R$ 503). A alta acontece porque investidores temem que o conflito atrapalhe a oferta de petróleo para o mundo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O principal motivo é a dificuldade de navegação no Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente. 🔍 Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência internacional, avançava 6,41%, cotado a US$ 100,10 por barril, enquanto o WTI, referência nos EUA, subia 4,50%, para US$ 90,74. No início do mês, antes da intensificação da guerra entre EUA e Irã, o Brent era negociado abaixo de US$ 72 por barril. Agora no g1 Com a continuidade dos ataques, navios petroleiros enfrentam mais dificuldades para atravessar o Estreito de Ormuz, o que aumenta o risco de interrupções no abastecimento mundial. Na quarta-feira (22), os EUA realizaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto os dois países ampliaram as ofensivas contra infraestruturas civis. 💰 A alta do petróleo também aumenta o risco de inflação. Isso acontece porque o petróleo é usado na produção de combustíveis e influencia o custo do transporte e de diversos produtos. Quando o preço sobe, empresas tendem a gastar mais e parte desse custo pode ser repassada aos consumidores. Se a inflação voltar a acelerar, bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), podem manter os juros elevados por mais tempo ou até voltar a aumentá-los para conter a alta dos preços. Apesar da preocupação com o petróleo, as bolsas da Ásia fecharam, em sua maioria, em alta. O índice Kospi, da Coreia do Sul, avançou 3,7%, impulsionado por empresas de inteligência artificial, enquanto o Nikkei, do Japão, subiu 0,5%. *Com informações da agência Associated Press.

NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias a aplicação de multas e outras sanções previstas na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho levantou dúvidas entre trabalhadores sobre possíveis mudanças na proteção à saúde mental. A atualização da norma, que entrou em vigor em maio deste ano, ampliou a responsabilidade das empresas na prevenção de fatores como assédio moral, estresse ocupacional, excesso de jornada e sobrecarga de trabalho, que podem comprometer a saúde mental dos empregados.(veja o que muda) Apesar da decisão, os direitos dos trabalhadores permanecem os mesmos. O STF suspendeu apenas a aplicação das penalidades administrativas previstas na atualização da NR-1, mantendo a obrigação das empresas de identificar, avaliar e prevenir fatores de risco psicossocial. A medida é provisória, vale para empresas de todo o país e foi tomada para permitir uma tentativa de conciliação entre representantes do governo, empregadores e demais envolvidos sobre a forma de aplicação da norma. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com isso, durante os próximos 90 dias, os auditores-fiscais do trabalho não poderão aplicar multas ou outras sanções pelo descumprimento das regras da NR-1 relacionadas aos riscos psicossociais. Ainda assim, as empresas continuam obrigadas a identificar, avaliar e prevenir situações como excesso de carga de trabalho, pressão constante, assédio e falhas na organização do trabalho. A suspensão das multas também não altera direitos garantidos pela Constituição Federal, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nem por outras normas de proteção ao trabalhador. Isso significa que o empregado continua tendo direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável e pode denunciar situações de assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas ou outras práticas que coloquem sua saúde mental em risco. Suspensão das multas não muda dever das empresas Embora as penalidades administrativas tenham sido suspensas temporariamente, a obrigação de prevenção continua em vigor. Em nota, o Ministério Público do Trabalho (MPT) afirmou que a decisão tem caráter temporário e não afasta o dever das empresas de identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais. Segundo o órgão, a proteção à saúde mental continua garantida pela Constituição, pela CLT e por normas internacionais. A advogada e mediadora Renata Porto Adri, pesquisadora da UNIFESP/CNPq, afirma que a suspensão das multas não representa uma pausa na responsabilidade das empresas. Segundo ela, a decisão do STF deve ser encarada como uma oportunidade para aperfeiçoar a aplicação da norma, e não como autorização para interromper medidas de prevenção. A especialista afirma que as empresas devem aproveitar esse período para revisar processos internos, estruturar diagnósticos, elaborar planos de ação e fortalecer iniciativas voltadas à saúde mental. Ela avalia ainda que a conciliação proposta pelo STF pode tornar a aplicação da NR-1 mais clara e previsível, sem comprometer a proteção aos trabalhadores. Na mesma linha, a Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST) afirmou que a suspensão das multas não altera a realidade do adoecimento mental no país. Segundo a entidade, a decisão impede apenas a aplicação de sanções administrativas durante 90 dias, mas não elimina a obrigação das empresas de prevenir riscos psicossociais nem reduz os impactos do assédio, da sobrecarga de trabalho e de outros fatores relacionados ao trabalho. A associação defende que as empresas mantenham o mapeamento e a gestão desses riscos, argumentando que o objetivo da NR-1 é prevenir o adoecimento dos trabalhadores, e não apenas evitar multas. O que continua valendo? Mesmo com a decisão do STF, permanecem em vigor as seguintes obrigações: As empresas continuam obrigadas a identificar e prevenir riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Trabalhadores continuam protegidos pela Constituição, pela CLT e pela legislação trabalhista. Casos de assédio moral, excesso de jornada e outras práticas ilegais continuam sujeitos à responsabilização judicial. Trabalhadores podem denunciar irregularidades ao Ministério Público do Trabalho, à Inspeção do Trabalho, aos sindicatos e à Justiça do Trabalho. Empresas ainda podem responder por indenizações em caso de danos decorrentes das condições de trabalho. O que fica suspenso? ficam suspensas multas, autuações e outras sanções administrativas relacionadas aos dispositivos da NR-1 questionados no STF; também ficam suspensos os efeitos das penalidades já aplicadas com base nesses dispositivos. Ao final desse prazo, o Supremo deverá reavaliar a questão após a tentativa de conciliação entre governo, empregadores e trabalhadores. Capa - afastamentos por saúde mental Otávio Camargo | Arte g1 Pressão e adiamento A decisão do STF ocorre após quase dois anos de discussões sobre a atualização da NR-1. As mudanças na norma foram anunciadas pelo Ministério do Trabalho em agosto de 2024 para incluir os riscos psicossociais entre os fatores que devem ser identificados e gerenciados pelas empresas. Inicialmente, elas entrariam em vigor em maio de 2025, mas, após pressão de entidades empresariais e sindicatos patronais, o governo adiou a implementação por um ano. A atualização passou a valer em maio deste ano. A atualização da NR-1 ocorre em meio ao agravamento dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho. Especialistas ouvidos pelo g1 consideram a medida urgente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos no mundo por problemas de saúde ligados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, assédio e insegurança no emprego. No Brasil, o cenário também preocupa. No ano passado, o g1 revelou com exclusividade, com base em dados do Ministério da Previdência Social, que o Brasil já vivia uma crise de saúde mental, com o maior número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos. Uma análise da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) mostra que mais de duas mil profissões estão entre aquelas em que os trabalhadores precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais no Brasil. ⚠️ Como denunciar? Trabalhadores que enfrentam situações relacionadas a riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio moral, sobrecarga, metas abusivas e jornadas excessivas, podem recorrer a diferentes canais para denunciar irregularidades. Entre eles estão: Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas; Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União; Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas; Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados; Canal do Ministério Público do Trabalho: O MPT tem um canal de denúncias e atua para combater o assédio moral nas relações de trabalho; Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho. O denunciante não precisa se identificar. Quanto mais informações forem fornecidas, maiores as chances de os órgãos apurarem se houve irregularidade e adotarem as medidas cabíveis. Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde

Quando vender demais vira problema: os desafios de uma loja de cookies que viralizou Para muitos empreendedores, o maior desafio é conquistar clientes. Para Pedro Palma, dono de uma loja de cookies, o problema começou justamente quando eles apareceram — e em grande quantidade. Antes mesmo da inauguração, o negócio já chamava atenção nas redes sociais. O empreendedor decidiu transformar a reforma do ponto comercial em uma espécie de reality, compartilhando os bastidores da obra, os imprevistos e até momentos inusitados. A estratégia despertou a curiosidade do público e criou uma comunidade de seguidores antes da abertura das portas. O resultado foi imediato: em apenas dois dias, todo o estoque preparado para durar duas semanas havia acabado. Loja de cookies viraliza e mostra os desafios em crescer rápido demais Reprodução/PEGN O sucesso, porém, trouxe um desafio que muitos pequenos empresários enfrentam quando crescem mais rápido do que conseguem se estruturar. Sem conseguir acompanhar a demanda, Pedro acumulou funções. Produzia os cookies, limpava a cozinha, fazia compras, respondia clientes e administrava a operação. A rotina chegava a 16 horas de trabalho por dia, enquanto centenas de mensagens de consumidores permaneciam sem resposta. A estrutura física também passou a limitar o crescimento. A produção acontece em três andares, exigindo deslocamentos constantes de ingredientes, bandejas e embalagens, reduzindo a produtividade da equipe. Loja de cookies viraliza e mostra os desafios em crescer rápido demais Reprodução/PEGN Além disso, processos pouco organizados aumentavam o tempo gasto em tarefas simples, como lavar equipamentos diversas vezes ao longo do dia. Outro ponto crítico estava na gestão financeira. O empreendedor ainda misturava despesas pessoais com as da empresa e, apesar de ter faturado R$ 110 mil no primeiro mês, admitia não saber exatamente qual havia sido o lucro do negócio — um erro comum em empresas que crescem sem controles financeiros consolidados. Agora, o desafio deixa de ser vender cookies e passa a ser construir uma empresa. Isso inclui padronizar processos, treinar funcionários, organizar a produção e criar mecanismos para que o negócio funcione sem depender exclusivamente do fundador. Pedro já começou essa transformação, com investimentos em novos equipamentos e na capacitação da equipe. A expectativa é que, com processos mais estruturados, a operação consiga acompanhar o crescimento sem comprometer a experiência dos clientes. "Meu sonho é continuar, é ter força para continuar, independentemente de onde a loja de cookie for me levar", afirma o empreendedor. Loja de cookies viraliza e mostra os desafios de crescer rápido demais Reprodução/PEGN Cuki 📍 Endereço: Rua Sete de Abril 154, Loja 21 - República, São Paulo/SP - CEP: 01043-000 📞Telefone: 11 910374167 📧 E-mail: querocuki@gmail.com 📸 Instagram: https://www.instagram.com/querocuki 🤳🏽Tik tok: https://www.tiktok.com/@querocuki Villa San Pietro 📍 Endereço: Rua Augusta, 2542 - Jardim Paulista, São Paulo/SP - CEP: 01413-100 📸 Instagram: https://www.instagram.com/popular/villa-san-pietro/
O 'plano Trump': como empresas brasileiras tentam driblar o tarifaço e reduzir a dependência dos EUA

Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio Jornal Nacional/ Reprodução As tarifas de 25% recentemente anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil têm levado empresas brasileiras a buscar alternativas ao mercado americano. Uma estimativa recente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicou que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA devem ser afetadas pelo novo tarifaço, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para representantes de diferentes setores da economia ouvidos pelo g1, porém, diversificar mercados leva tempo, exige investimentos e não evita os impactos imediatos sobre exportações, empregos e faturamento. Além disso, empresários defendem uma redução da carga tributária e medidas para conter o avanço das importações, ampliando o espaço da indústria nacional no mercado interno como forma de amenizar os efeitos do tarifaço. Agora no g1 Busca por novos mercados esbarra em custos e concorrência global O vaivém das tarifas americanas tem provocado uma enorme instabilidade para os setores exportadores desde o ano passado. Veja a cronologia das tarifas. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, muitas empresas que ainda tinham fôlego financeiro no ano passado conseguiram negociar com seus importadores e dividir o custo da tarifa adicional. “Mas essa estratégia começou a ficar mais difícil neste ano com a nova rodada de tarifas”, afirma. Setores afetados pelas novas tarifas estão se reunindo com representantes do governo para apresentar as principais demandas de cada segmento e discutir medidas de apoio. Ainda assim, alguns demonstram preocupação com os efeitos financeiros das novas tarifas e defendem que a negociação diplomática para reduzir ou retirar a alíquota continua sendo a melhor alternativa. É o caso, por exemplo, do setor moveleiro. Segundo Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), cerca de 30% das exportações do segmento têm como destino os EUA. “Já enfrentamos um impacto muito grande em polos industriais de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que registraram uma forte onda de demissões”, afirma a executiva, reiterando a estimativa de cerca de 10 mil desligamentos desde o ano passado. Cervieri ressalta que, embora as empresas estejam buscando novos mercados, essa estratégia leva tempo para produzir resultados. “Existe todo um processo de construção de confiança entre parceiros comerciais, e cada mercado tem características próprias. Além disso, o mundo inteiro está lidando com as tarifas impostas por Trump e buscando novos mercados, o que aumenta a concorrência global”, completa. Sapatos em uma linha de produção na fabricante brasileira de calçados Kissol, em meio à imposição de novas tarifas americanas sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a indústria calçadista, que tem os EUA como seu principal mercado externo. Joel Silva/Reuters O que a indústria pede ao governo para enfrentar o tarifaço Representantes da indústria destacam a importância de manter o diálogo diplomático com o governo americano e com interlocutores brasileiros que atuam nos EUA. Essa discussão também envolve a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo brasileiro adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. “Precisamos manter as portas abertas para o diálogo e seguir negociando. É preciso reconhecer que a política comercial dos EUA é injusta, mas é o cenário atual. Precisamos encontrar pontos de convergência para buscar uma solução favorável para os dois lados”, afirma o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. Além das negociações, diversos setores da economia já apresentaram propostas ao governo para fortalecer a indústria brasileira diante das novas tarifas. Na terça-feira, por exemplo, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, reuniu-se com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir medidas emergenciais voltadas à preservação da competitividade das exportações brasileiras. Entre outros pontos, o setor propôs: o fortalecimento do Reintegra, programa que devolve às exportadoras parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva; um crédito-prêmio à exportação, que geraria créditos tributários para compensar impostos; e a adoção de um regime especial de diferimento de tributos federais, permitindo que empresas tenham mais prazo para pagar impostos. “Outro desafio que discutimos com o governo é a adoção de medidas complementares que utilizem os instrumentos já previstos na legislação para conter o avanço das importações”, diz Ferreira, da Abicalçados. Segundo os executivos, o mercado interno, visto como uma alternativa para compensar parte das perdas nas exportações, enfrenta forte concorrência de produtos importados. De acordo com Pimentel, da Abit, as importações cresceram neste ano, tanto no comércio tradicional, realizado por contêineres, quanto nas compras feitas por plataformas internacionais de comércio eletrônico, as chamadas pequenas encomendas. “Temos de buscar uma internacionalização cada vez maior, mas também precisamos enfrentar o custo Brasil e outros fatores que ainda dificultam o crescimento das empresas nacionais. Precisamos encontrar um equilíbrio nesse processo”, conclui. Entenda as novas tarifas anunciadas pelos EUA Na semana passada, o governo americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A medida, porém, conta com uma extensa lista de exceções. O governo brasileiro reagiu afirmando que a decisão não tem justificativa econômica e teria sido motivada por razões políticas. A tarifa entra em vigor nesta quarta-feira (22). Além disso, na terça-feira (21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou, em entrevista à CNBC, que o governo americano deve anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias. Nesse caso, a alíquota adicional deve variar entre 10% e 12,5% e seria aplicada a países que, segundo o governo americano, falharam em proibir ou fiscalizar adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

g1 em 1 minuto: CNPJ com letras e números entra em vigor em julho A Receita Federal anunciou uma parada programada nos sistemas do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para concluir a implantação do CNPJ Alfanumérico, novo padrão de identificação das pessoas jurídicas no Brasil que passará a combinar letras e números. A interrupção está prevista para ocorrer entre as 21h desta quinta-feira (23) e as 7h da próxima segunda-feira (27). Durante esse período, diversos serviços relacionados ao CNPJ terão funcionamento limitado ou ficarão temporariamente indisponíveis. 🔎 A mudança faz parte do processo de modernização dos cadastros da Receita e busca ampliar a quantidade de combinações disponíveis para novos registros, diante do crescimento contínuo de inscrições no país. Segundo a Receita Federal, a paralisação ocorrerá em duas etapas: Fase de consulta exclusiva Das 21h do dia 23 de julho até as 7h do dia 25 de julho; A base do CNPJ funcionará apenas para consultas; Não será possível realizar inscrições, baixas, alterações ou atualizações cadastrais. Indisponibilidade total A partir das 7h do dia 25 de julho; O sistema ficará totalmente indisponível para conclusão da migração tecnológica; Serviços integrados, como o Portal Único Siscomex, também serão afetados. A previsão é que todos os sistemas sejam restabelecidos às 7h de segunda-feira (27), já adaptados para operar com o novo modelo alfanumérico. O primeiro CNPJ no novo formato está previsto para ser emitido em 31 de julho. Apesar da novidade, a Receita esclarece que a adoção será gradual e que nem todos os cadastros realizados após essa data receberão automaticamente números com letras. Para evitar transtornos, o Sebrae orienta que empreendedores antecipem procedimentos cadastrais, atualizações de registros e operações que dependam da consulta à base do CNPJ antes do início da paralisação. Com essa mudança, o novo número de identificação do CNPJ terá 14 posições. As oito primeiras identificarão a raiz do novo número, compostas por letras e números; As quatro seguintes representarão a ordem do estabelecimento, também alfanuméricas; As duas últimas posições, que correspondem aos dígitos verificadores, continuarão a ser numéricas. No caso dos dígitos verificadores, para manter os algarismos nos futuros CNPJs, os valores numéricos e alfanuméricos serão substituídos pelo valor decimal correspondente ao código da tabela ASCII (Código Padrão Americano para Intercâmbio de Informações), usada pela maior parte da indústria de computadores. Do código da tabela ASCII, será subtraído o valor 48. Dessa forma, a letra A equivalerá a 17, B a 18, C a 19 e assim por diante. Veja abaixo oito perguntas e respostas sobre a mudança: O que é o CNPJ alfanumérico? Quem vai receber CNPJ com letras? O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar? O que as empresas precisam fazer? Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo? O que muda no cálculo do Dígito Verificador? Qual a ligação com a reforma tributária? Haverá algum custo para as empresas com essa mudança? 1. O que é o CNPJ alfanumérico? É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres. A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo) Sistema atual vs. nova tipologia Receita Federal 2. Quem vai receber CNPJ com letras? Apenas novas inscrições a partir da data de início — como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais — receberão o CNPJ com letras. O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais. 3. O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar? Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras. Segundo a Receita, após atualização, todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM). 4. O que as empresas precisam fazer? Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas. Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. 5. Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo? Não. Nenhuma ação será necessária junto a órgãos federais, estaduais ou municipais. Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas. 6. O que muda no cálculo do Dígito Verificador? O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo. Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48. Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48). A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica. 7. Qual a ligação com a reforma tributária? O novo CNPJ faz parte do processo de modernização do sistema tributário. A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que visam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor. Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários. 8. Haverá algum custo para as empresas com essa mudança? Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador. Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados. Fachada da Receita Federal, em Brasília. Marcelo Camargo/Agência Brasil Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo

Tarifas dos EUA expõem relação comercial que beneficia os dois países As tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entraram em vigor nesta quarta-feira (22), com impacto concentrado nos setores mais dependentes do mercado americano. Economistas ouvidos pelo g1 avaliam que a medida não deve provocar uma crise na economia brasileira como um todo, mas pode pressionar parte das empresas, que terão dificuldade para encontrar novos compradores no curto prazo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O efeito, porém, ocorre em um cenário diferente do de duas décadas atrás. Os EUA perderam participação no comércio exterior brasileiro. Em 2005, o mercado americano absorvia cerca de um quinto das exportações do país, o equivalente a aproximadamente 19% do total embarcado. Em 2025, essa participação havia recuado para cerca de 12%. No primeiro semestre de 2026, a fatia caiu para 9,4%. Os dados são do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo período, a China consolidou sua posição como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por mais de 30% das vendas ao exterior. Infrográfico g1 Para o Brasil, o principal desafio do tarifaço não está apenas na perda de vendas para o mercado americano, mas na capacidade de encontrar novos destinos para essas exportações sem trocar uma dependência por outra e, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade da indústria brasileira. Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, a perda de protagonismo dos EUA era inevitável com a ascensão da China como principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Segundo ele, o Brasil aproveitou principalmente o crescimento econômico da China e a demanda por commodities agrícolas e minerais brasileiras. Na mesma linha, Marcos Crivelaro, economista da Fundação Vanzolini, afirma que as tarifas representam "um choque para alguns segmentos da economia, mas não uma crise estrutural". Para Crivelaro, o Brasil chega a esse momento com uma pauta exportadora mais diversificada e presença crescente em mercados asiáticos e outras economias emergentes. O presidente dos EUA, Donald Trump, durante um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em Washington SAUL LOEB/Pool via REUTERS O que muda na prática para as empresas A capacidade de substituir o mercado americano varia conforme o tipo de produto. Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 57% das exportações brasileiras para os EUA permaneceram sem incidência das novas tarifas. Ao todo, 2,4 mil empresas foram diretamente afetadas, e 74% delas já exportam para outros países. Os especialistas ressaltam, porém, que a diversificação, por si só, não compensa toda a perda no mercado americano. Roberto Dumas, professor do Insper especializado em economia chinesa, explica que as commodities têm maior facilidade de redirecionamento porque são produtos padronizados e negociados globalmente. Já os bens industrializados enfrentam obstáculos maiores. "Calçados, por exemplo, são muito mais difíceis de redirecionar", afirma. Segundo ele, produtos manufaturados costumam ser desenvolvidos para atender características específicas de cada mercado, o que dificulta encontrar novos compradores rapidamente. Cerca de 18% das exportações brasileiras devem ser efetivamente atingidas pelas tarifas, e a abertura de novos mercados não acontece de forma imediata. "O Brasil consegue abrir novos mercados? Sim. É o que ele está fazendo. Mas isso exige tempo", afirma Crivelaro. Segundo o economista, esse processo envolve negociações sanitárias, homologações técnicas, adaptação logística, construção de cadeias de fornecedores e contratos internacionais. Em média, a entrada em um mercado completamente novo pode levar de 12 a 36 meses. Entre os destinos com maior potencial, ele cita a Índia, países do Sudeste Asiático — como Indonésia, Vietnã, Tailândia, Filipinas, Malásia e Singapura —, além do Oriente Médio. Na África, vê oportunidades mais pulverizadas em economias como Angola, África do Sul, Nigéria e Egito. Em 2025, mesmo com o tarifaço, as exportações brasileiras bateram recorde de US$ 348,7 bilhões (R$ 1,774 trilhão), e mais de 40 mercados registraram o maior volume de compras da série histórica. É o caso de Índia, Canadá, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega. Os embarques para a China cresceram 6%, para a União Europeia, 3,2%, e para a Argentina, 31,4%, impulsionados principalmente pelo setor automotivo, segundo o MDIC. Apesar do potencial, Dumas ressalta que diversificar não significa substituir uma dependência por outra. "É sempre importante que os países diversifiquem suas exportações. Isso não significa que o Brasil deva ficar completamente dependente da China apenas porque a participação desse mercado nas nossas exportações passou de 28% para 32%, enquanto a dos Estados Unidos caiu de 12% para 9%", explica. Segundo ele, o ideal seria manter os EUA como um parceiro relevante, enquanto o Brasil amplia sua presença em outros mercados. Nem todos, porém, acreditam que a diversificação geográfica seja suficiente para compensar as perdas. Fabrizio Panzini, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Amcham Brasil, afirma que a principal diferença está no perfil dos produtos vendidos aos americanos. Enquanto cerca de 80% das exportações brasileiras para os EUA são compostas por produtos industriais, a pauta destinada aos demais mercados é mais concentrada em commodities. Por isso, o Brasil não consegue simplesmente compensar uma eventual perda no mercado americano com mais vendas de soja para a China. São produtos diferentes, produzidos por setores distintos da economia. Enquanto exportadores de commodities, como carne e café, buscam ampliar as vendas para outros mercados, indústrias de máquinas, equipamentos, madeira, móveis, cerâmica e calçados afirmam que o redirecionamento é mais complexo, porque seus produtos atendem a cadeias produtivas específicas e exigem novos processos de homologação, certificação e negociação com compradores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, avaliou que a sobretaxa agrava um cenário que já pressionava as vendas brasileiras para os EUA e aumenta a insegurança para empresas dos dois países. (leia mais nesta reportagem) "Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. EUA devem anunciar em breve novas tarifas sobre trabalho forçado para 60 países Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução O papel do Brasil nisso tudo Para os especialistas, aproveitar novos mercados depende menos das tarifas e mais da capacidade de o país resolver problemas internos de competitividade. Leonardo Paz defende uma política industrial baseada em inovação, produtividade e contrapartidas para empresas beneficiadas por incentivos públicos, como metas de exportação, investimentos em tecnologia e manutenção de empregos. Ele também cita a necessidade de simplificar o sistema tributário, reduzir a burocracia no comércio exterior, melhorar a infraestrutura logística e ampliar os investimentos em educação e tecnologia. "Na minha opinião, tornar o Brasil mais competitivo depende muito mais das mudanças internas do que do cenário externo", explica Paz. A avaliação é compartilhada por José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Para ele, o principal obstáculo continua sendo o Custo Brasil. "O tarifaço apenas agravou uma situação que já não vinha evoluindo. O custo de produzir no Brasil vem aumentando ao longo dos últimos anos e, com as tarifas, houve um salto repentino." Segundo Castro, o país é competitivo em commodities, mas enfrenta dificuldades para exportar produtos manufaturados. Por isso, defende reduzir custos estruturais antes de ampliar acordos comerciais. Uma estimativa do Movimento Brasil Competitivo (MBC), em parceria com a FGV, mostra que empresas brasileiras têm maior dificuldade para competir internacionalmente em produtos de maior valor agregado devido ao Custo Brasil: cerca de R$ 1,7 trilhão por ano — o equivalente a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — é gasto com sistema tributário, burocracia, infraestrutura e insegurança jurídica. Para Constanza Negri Biasutti, diretora de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, as tarifas americanas aceleraram uma agenda que já era necessária: ampliar e qualificar os parceiros comerciais. "O que estamos vivenciando neste momento é uma pressão maior para que esse movimento aconteça porque, de alguma maneira, era uma tarefa pendente do Brasil." O desafio também é reconhecido pelo governo federal. No Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, um dos indicadores estratégicos da política industrial é elevar as exportações brasileiras de produtos manufaturados de média-alta e alta intensidade tecnológica, que passaram de US$ 31,2 bilhões (R$ 158,8 bilhões) em 2020 para US$ 49,2 bilhões (R$ 250,42 bilhões) em 2022. A meta é alcançar cerca de US$ 54,3 bilhões (R$ 276,38 bilhões) até 2027, refletindo a necessidade de ampliar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional. Donald Trump, presidente dos EUA, durante evento da Fifa em Nova York, em 17 de julho de 2026 Reuters/Evan Vucci Ela ressalta, porém, que diversificar não significa fechar acordos indiscriminadamente. O objetivo, segundo ela, é buscar parceiros estratégicos e aproveitar acordos recentes, como o firmado entre Mercosul e União Europeia. "A indústria apoia essa agenda de diversificação, mas com uma premissa: exportar mais e exportar melhor", diz. Segundo Constanza, setores industriais mais sofisticados terão maior dificuldade para substituir o mercado americano, porque dependem de exigências regulatórias específicas de cada país. Ela cita como exemplo o setor de madeira: cerca de 45% das exportações têm os EUA como destino, e aproximadamente 80% dos embarques deverão enfrentar as novas tarifas. Vender para os EUA não é apenas sobre receita Mesmo com o avanço da diversificação, os especialistas afirmam que isso não reduz a importância estratégica do mercado americano para parte da indústria brasileira. "Uma empresa que vende para os EUA abre portas no Canadá, no México, na Alemanha ou na Espanha porque demonstra que atende às exigências técnicas de um dos mercados mais rigorosos do mundo", explica o economista da Fundação Vanzolini. Por isso, mesmo que reduzam investimentos ou adaptem suas operações, empresas que já atuam nos EUA dificilmente abandonarão completamente esse mercado.

A fila de espera por benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) caiu diz que fila caiu 74% em 2026 e que 1,6 milhão de pedidos aguardavam resposta até 14 de julho. Esse é o menor patamar em 21 meses. Segundo os dados do Ministério da Previdência Social, desse total, 486 mil requerimentos estão fora do prazo legal de 45 dias. Outros 745 mil processos seguem dentro do prazo regimental. O governo trocou a chefia do INSS em abril. No lugar de Gilberto Waller, que foi demitido, assumiu o posto Ana Cristina Viana Silveira. Após a troca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a nova chefe do INSS tem a meta de zerar a fila de espera até setembro deste ano. Essa foi uma promessa de Lula ao tomar posse em 2023. 🔎 O Ministério da Previdência considera que a meta de “zerar a fila” do INSS significa acabar com o estoque de requerimentos com mais de 45 dias. Todos os meses o INSS recebe, em média, 1,3 milhão de novos requerimentos. Agora no g1 Há, ainda, 450 mil processos cujo andamento depende do cumprimento de exigências por parte do cidadão, como envio de documentos complementares, laudos ou comprovação de vínculos. O alívio na fila é fruto da ampliação da capacidade de processamento da instituição, segundo o governo. Isso porque, entre janeiro e maio de 2026, a quantidade de processos analisados pela autarquia teve alta de 34,7%, quando comparado com o mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a maio, a média mensal de benefícios concedidos subiu 12,4%, passando de 608,6 mil no ano passado para 683,8 mil concessões mensais em 2026. O fluxo manteve-se constante nos meses de abril e maio, quando as aprovações registraram uma média de 755,5 mil novos benefícios por mês. O "ápice" desse fluxo de processamento ocorreu em março de 2026, período em que a autarquia registrou a marca de 1,626 milhão de processos analisados e concedeu 890 mil benefícios em um único mês. Atualmente, a taxa média de concessão acumulada, de janeiro a maio de 2026, é de 50,6%. Aplicativo do Meu INSS INSS/Divulgação Troca no comando do órgão Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Neste período, segundo o governo, o INSS dobrou a capacidade de análise de recursos. Após esse resultado, a nova presidente do INSS assumiu o cargo com a missão de zerar as filas no órgão. A troca no comando da autarquia foi defendida pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT). Ainda segundo o blog, Lula avaliou que o agora ex-presidente Gilberto Waller foi importante para colocar a casa em ordem depois da eclosão do escândalo de desvios de aposentadorias e pensões. Mas não conseguiu fazer o serviço de casa em relação às filas, por não ser alguém do setor. 🔎O INSS é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Previdência Social, encarregada de executar as ações de concessão, manutenção e pagamento de benefícios previdenciários.

Representantes dos setores afetados e integrantes do governo federal demonstram visões diferentes sobre a adoção de medidas de reciprocidade em resposta às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começaram a valer nesta quarta-feira (22). Enquanto o governo mantém a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, entidades empresariais têm defendido que o Brasil priorize a negociação e medidas de apoio às empresas. Nesta terça-feira (21), o governo iniciou uma rodada de reuniões com representantes dos segmentos mais atingidos pela nova taxação. Os encontros tem como objetivo identificar demandas dos setores e discutir mecanismos de mitigação dos impactos da medida americana. LEIA TAMBÉM: Governo prepara ajuda em etapas a empresas afetadas por tarifaço Governo Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço do governo Trump Governo se reúne com setores para avaliar impacto da nova tarifa dos EUA ➡️ A tarifa adicional de 25% foi confirmada na semana passada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer nesta quarta-feira (22). A medida é resultado de uma investigação comercial conduzida ao longo de cerca de um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Apesar da sobretaxa, uma série de produtos brasileiros, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose, foi excluída da cobrança. No governo, a avaliação é que a Lei da Reciprocidade permanece como instrumento disponível para responder às medidas adotadas por Washington. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A medida é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde que os Estados Unidos anunciaram as primeiras tarifas, ainda no ano passado. Ao mesmo tempo, integrantes da equipe econômica têm buscado demonstrar cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo continua apostando na negociação e sinalizou que uma resposta brasileira não deve ser tratada como uma retaliação comercial. Nesta terça, após reunião com setores, ao ser perguntado sobre a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, o vice-presidente afirmou que o governo estuda todas as possibilidades e deve adotar as medidas no "momento adequado". "A ideia não é retaliação. Não é retaliação. 'Olho por olho', o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?", afirmou o vice-presidente. Além disso, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) que, no momento, "não há a necessidade de se buscar a aplicação de nenhuma medida" contra os Estados Unidos. "Dizer que nós temos a lei é diferente de aplicar a medida de reciprocidade. A lei nos dá a possibilidade de aplicação de uma medida de reciprocidade e ela envolve também adoção de procedimentos para se chegar a uma medida eventual. O governo não recua e não recuará porque não há necessidade de fazê-lo. Do mesmo modo que como não há agora a necessidade de se buscar a aplicação de nenhuma medida". Posição dos setores Entre os empresários, a preocupação principal tem sido outra. Durante as reuniões com integrantes do governo, representantes de setores como máquinas e equipamentos, calçados, eletroeletrônicos, pneus, plásticos e têxteis pediram ampliação das linhas de crédito e reforço dos programas de apoio às empresas afetadas. Também defenderam a continuidade das negociações diplomáticas com os Estados Unidos e manifestaram resistência à aplicação imediata de medidas de reciprocidade. Após reunião com integrantes do governo, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmaram que são contra a aplicação de reciprocidade tarifária sobre produtos americanos exportados ao Brasil. "A reciprocidade não é tão simples. Não somos favoráveis. Temos que continuar pela via diplomática e empresarial", disse o presidente da Abimaq, José Velloso. Assim como defendido pela Abimaq, a Abicalçados também contra a aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos. Na mesma linha, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), vê no instrumento um meio de negociação. "Nossa proposta é de que não haja reciprocidade. Negociar, negociar, negociar, seja com a diplomacia empresarial privada, diplomacia governamental, as duas juntas. Nós temos conversado com as nossas contrapartes nos Estados Unidos", afirmou Fernando Pimentel, presidente emérito da Abit, ao g1. Nesta quarta-feira, em entrevista após o encontro com Alckmin, Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (Fenatac), disse que, para ele, a melhor saída para o Brasil é buscar a negociação diplomática e comercial, evitando medidas espelhadas de reciprocidade. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação e aplicar tarifas recíprocas contra produtos norte-americanos, o presidente da Fenatac alertou para os riscos de uma escalada na crise comercial e, segundo ele, agir da mesma forma que os EUA pode agravar o conflito e piorar ainda mais a situação das empresas brasileiras. A avaliação de parte das entidades é que uma escalada na disputa comercial pode elevar custos para a indústria nacional e atingir cadeias produtivas que dependem de insumos, componentes e equipamentos importados. O foco das reivindicações tem sido o fortalecimento do programa Brasil Soberano, criado para apoiar empresas impactadas pelas tarifas americanas. Ameaça de novas tarifas: Departamento de Comércio dos Estados Unidos acusa governo brasileiro de práticas injustas ou discriminatórias Jornal Nacional/ Reprodução Segundo cálculos do governo, cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas pela nova medida. Os segmentos mais expostos incluem madeira, máquinas e equipamentos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e parte da indústria de transformação. Enquanto a taxa começa a valer nesta quarta-feira (22), o governo deve ainda se reunir com demais setores produtivos para definir como será realizado o apoio às empresas e qual será a estratégia de reação ao tarifaço. Entenda o caso Na semana passada, o governo americano confirmou que aplicará uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA. 🔎 A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. LEIA TAMBÉM: Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.

O governo federal decidiu antecipar o início do fornecimento de energia de cinco contratos de leilões de reserva de capacidade na modalidade energia e de um contrato na modalidade potência, diante dos efeitos do fenômeno El Niño (leia mais abaixo). A medida acrescentará 1,8 gigawatt (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (22) pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). 🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele acontece com frequência a cada dois a sete anos. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. Agora no g1 Em nota, o comitê afirmou que a antecipação dos contratos é "fundamental para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e no início de 2027", especialmente em razão dos possíveis impactos do El Niño. Segundo o CMSE, parecer emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em julho apontou uma "elevada probabilidade" de ocorrência do fenômeno. 🔎O El Niño tende a reduzir a disponibilidade de geração de energia na região Norte e, ao mesmo tempo, elevar a demanda por eletricidade em razão do aumento das temperaturas. O cenário geopolítico, marcado pela guerra no Oriente Médio, também pesou na decisão. De acordo com o comitê, a antecipação dos contratos considera as incertezas provocadas pelos conflitos. "A decisão para antecipar os contratos também se baseou nas incertezas geopolíticas ocasionadas pelo atual cenário de guerras, que podem impactar diretamente os preços de combustíveis. De acordo com estudos elaborados pelo MME, a utilização de usinas sem contrato (merchant) para suprimento de carga custam, no mínimo, 25% a do que as contratadas nos certames", acrescentou o comitê, em nota. Linha de transmissão de energia, em Brasília. Ueslei Marcelino/ Reuters Alerta El Niño Segundo alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas responsável por acompanhar o clima, a tendência é que o El Niño se intensifique ao longo do segundo semestre e atinja o pico entre novembro e fevereiro de 2027. Ela alertou que o fenômeno eleva as chances de secas e chuvas intensas, além de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos. As projeções dos principais centros meteorológicos indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano. Em algumas das áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média. LEIA TAMBÉM: Quando foi o último 'super' El Niño? Entenda por que o intervalo entre os eventos extremos vem encurtando Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño El Niño 2026: o que é, por que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo O ataque virtual "sem precedentes" divulgado pela OpenAI na última terça-feira (21) envolveu o uso de dois dos modelos de inteligência artificial mais avançados da empresa para encontrar formas de invadir outro sistema. A divulgação do caso acontece semanas após a rival Anthropic dizer que não liberaria a versão plena de seu modelo Claude Mythos por conta do "salto significativo em suas capacidades" para fazer ataques cibernéticos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os dois episódios demonstram os avanços de novos modelos de IA. Mas eles indicam que os agentes agora podem fazer ataques sem precisar de humanos? Afinal, seria possível um robô ficar "rebelde" e decidir atacar uma empresa? A resposta é "não". Em vez de agirem por conta própria, os modelos apenas tentam alcançar objetivos que recebem, afirmam especialistas. Eles destacam ainda que a ideia de uma IA "perigosa demais" pode ser explorada comerciamente por empresas para mostrar que podem fazer produtos de impacto. Agora no g1 Adriano Carezzato, professor do curso de Inteligência Artificial da Fundação Vanzolini, destacou que uma inteligência artificial segue uma espécie de "receita de bolo" definida por seus desenvolvedores. "Quando dizem que a IA 'agiu sozinha', quase sempre estão escondendo a mão humana que apertou o botão para iniciar o modelo. Em todos os casos conhecidos havia uma ordem humana no começo: vencer um teste, ou espionar alvos escolhidos por pessoas", explicou. Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) destacou que o caso da OpenAI surge após o governo dos Estados Unidos proibir em junho o uso por estrangeiros do modelo mais avançado da rival Anthropic – a medida foi revertida no início de julho. "O que a OpenAI fez esta semana é caçar o seu equivalente desse momento. A diferença decisiva é de encenação: a Anthropic teve o Estado escrevendo seu comunicado; a OpenAI precisou escrever o seu", afirmou. OpenAI e Anthropic Reuters/Dado Ruvic/Illustration Como aconteceu a invasão? A OpenAI revelou que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e em um modelo ainda não divulgado conseguiram invadir o sistema da Hugging Face, uma plataforma para compartilhamento de modelos de inteligência artificial. A própria Hugging Face já havia revelado na última quinta-feira (16) que detectou uma invasão feita por um agente de IA. A empresa afirmou que ação permitiu acesso indevido a dados e credenciais. O incidente aconteceu durante testes em que OpenAI faz os modelos de IA buscarem falhas em outros sistemas para melhorarem suas capacidade de segurança. Esses experimentos costumam acontecer em ambientes controlados, mas com uma versão sem as barreiras de proteção que costumam existir em modelos disponíveis para usuários comuns. Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6-Sol e o sistema que ainda será lançado atuaram em conjunto para encontrar brechas no ambiente de pesquisa da empresa e na infraestrutura da Hugging Face. Modelos de IA atuaram em conjunto para encontrar brechas em sistema, disse a OpenAI Kevin Horvart/Unplash A Hugging Face, por sua vez, disse que sua plataforma executou dois códigos enviados por um agente de IA, que então conseguiu aumentar suas permissões na infraestrutura da empresa e obter credenciais para atacar outros sistemas internos. Esse tipo de ataque deverá se tornar mais comum com o avanço de modelos de IA que entendem de cibersegurança, avaliou a OpenAI. "Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração", afirmou. Para a Hugging Face, a invasão alerta para o cenário de ataques virtuais conduzidos por agentes como já vinha sendo projetado por especialistas. "Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes", disse a companhia. Modelos de IA podem escolher fazer ataques? Os especialistas ouvidos pelo g1 explicaram que o caso é mais um exemplo de como agentes de IA estão evoluindo, mas destacaram que esses modelos não têm consciência e, portanto, não são capazes de decidir realizar um ataque. Para Adriano Carezzato, da Fundação Vanzolini, uma comparação possível é a de um sistema de GPS que é orientado a chegar ao destino o mais rápido possível e, por isso, induz o motorista a dirigir na contramão. "O modelo não ficou rebelde nem agiu por vontade própria. O que ele fez foi levar uma ordem humana ao pé da letra e utilizou um atalho que ninguém esperava que usaria", explicou. Ele destacou o fato de as barreiras de segurança estarem desativadas de propósito, para o modelo demonstrar se conseguiria vencer um teste de habilidade em cibersegurança. "Não foi uma IA escapando das proteções normais que funcionam quando o modelo está sendo usado já em produção, foi um teste de laboratório com os freios de segurança desligados de propósito". Álvaro Machado Dias, da Unifesp, lembrou que esse tipo de ataque não é inédito, mas que seu avanço tem feito os modelos de IA se tornaram uma "arma de propósito geral". "O que impressiona de fato é a escala do estrago, não a sua natureza. Ou seja, o potencial de catástrofe é novidade, a forma de gerá-las não", afirmou. Para ele, o que pede mais atenção é a possibilidade de agentes de IA serem usados para realizarem mais ataques cibernéticos, mesmo sem a presença de hackers muito especializados. "O cenário provável é mais o da democratização do crime cibernético de nível médio, com quadrilhas executando ataques que antes exigiam criminosos hiperespecializados. O futuro parece anunciar uma nova era para o crime organizado, infelizmente".

Tesla Cybertruck 2026 Divulgação As ações da Tesla caiam cerca de 3% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (22), depois que a empresa divulgou resultados financeiros que mostraram aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA), robotáxis, baterias e novas tecnologias de fabricação. A fabricante de carros elétricos de Elon Musk registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, o primeiro resultado negativo nesse indicador em mais de dois anos. O movimento ocorre enquanto a companhia acelera os gastos para desenvolver novas áreas de negócio além da venda de veículos. 🔍O fluxo de caixa livre negativo significa que a empresa gastou mais dinheiro do que gerou após despesas e investimentos. Isso não quer dizer necessariamente que teve prejuízo, mas indica que houve saída de recursos do caixa no período. Apesar do resultado negativo, a Tesla teve um desempenho melhor do que o esperado pelos analistas, que projetavam uma saída de caixa ainda maior. Receita cresce, mas lucro fica abaixo do esperado A Tesla registrou receita de US$ 28,24 bilhões entre abril e junho, acima da previsão média dos analistas, que esperavam US$ 25,71 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay pedem que EUA não tarifem produtos do Brasil O lucro ajustado, porém, ficou abaixo das expectativas. A empresa registrou ganho de 33 centavos de dólar por ação, enquanto o mercado esperava 51 centavos. Tesla, de Musk, investirá US$ 2 bilhões na empresa de IA do bilionário em meio a polêmica Vendas de carros superam expectativas A companhia entregou 480.126 veículos no segundo trimestre, acima das previsões de Wall Street e dos 384.122 carros entregues no mesmo período do ano passado. A produção ficou em 451.758 veículos, fazendo com que as entregas superassem a fabricação em mais de 28 mil unidades no período. O resultado ajudou a reduzir os estoques acumulados pela empresa no início do ano. Mesmo com a recuperação nas vendas, analistas avaliam que a Tesla ainda enfrenta desafios para manter o ritmo de crescimento, principalmente diante do avanço da concorrência no mercado de carros elétricos, com modelos mais baratos lançados por outras fabricantes. Aposta de Musk vai além dos carros elétricos Os investidores têm acompanhado cada vez mais os planos de Elon Musk para transformar a Tesla em uma empresa de tecnologia, com foco em inteligência artificial, direção autônoma e robótica. A empresa ampliou seu serviço de robotáxis sem motorista nos Estados Unidos e busca aprovação para expandir a tecnologia em outros mercados, incluindo Europa e China. A expectativa de investidores é que esses negócios possam gerar margens maiores no futuro do que a venda tradicional de veículos. Baterias ganham espaço no negócio da Tesla Além dos carros, a área de armazenamento de energia se tornou um dos principais motores de crescimento da Tesla. A empresa instalou 13,5 gigawatts-hora (GWh) em sistemas de armazenamento de energia no segundo trimestre, acima dos 9,6 GWh registrados um ano antes. O segmento atende principalmente redes elétricas, projetos de energia renovável e data centers, que demandam cada vez mais capacidade de armazenamento. Mesmo com queda superior a 15% das ações em 2026, a Tesla continua como a montadora mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de US$ 1,4 trilhão. O valor da empresa ainda é sustentado pela expectativa de que inteligência artificial, robotáxis e robôs humanoides possam se tornar fontes importantes de crescimento no futuro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai alertar o governo federal sobre o risco fiscal de manter a política de universalização dos serviços postais sem um mecanismo permanente, transparente e explícito para compensar seus custos. 🔎 A universalização significa garantir a prestação dos serviços em todo o país. A política de universalização dos Correios exige a presença e a entrega de serviços postais básicos (como cartas e encomendas) em todos os municípios brasileiros. O tribunal observa que a ausência desse aparato pode comprometer a sustentabilidade econômico-financeira do serviço nos médio e longo prazos, reduzir a capacidade dos Correios de garantir a continuidade, a regularidade e a atualização dos serviços postais universais. Em 2025, os custos da universalização dos serviços postais somaram cerca de R$ 24,69 bilhões, enquanto as receitas alcançaram R$ 15,19 bilhões. Para os auditores, o resultado revela um "descompasso expressivo entre custos e receitas". LEIA TAMBÉM: Correios registram prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, aponta relatório Saiba o que está por trás da crise dos Correios Agora no g1 "Esse processo vem reduzindo a capacidade de os Correios autofinanciarem a execução da política pública, levando à necessidade de operações de crédito, à formulação de planos de reestruturação e ao aumento da dependência de fontes externas de financiamento", destacam os técnicos. A maior parte das despesas está relacionada à manutenção da estrutura necessária para atender todo o país, incluindo gastos com pessoal, infraestrutura operacional e áreas administrativas. Cerca de 68% dos custos correspondem às operações diretamente ligadas à prestação dos serviços postais. Na avaliação do TCU, a combinação entre a queda estrutural das receitas e o aumento contínuo dos custos agravou o desequilíbrio financeiro da política pública. Como resultado, destacam os técnicos, os Correios se viram com redução da capacidade de autofinanciamento, o que levou a empresa a recorrer com maior frequência a operações de crédito, planos de reestruturação e fontes externas de financiamento. Apesar das dificuldades financeiras, os auditores destacam que os serviços postais continuam essenciais em regiões com baixa conectividade digital, isolamento geográfico e pouca presença da iniciativa privada. Nessas localidades, a rede dos Correios funciona como instrumento de integração territorial, acesso a direitos e apoio à execução de outras políticas públicas. "Constatou‑se que a capilaridade da rede postal confere à política função que extrapola a prestação do serviço em si, atuando como instrumento de equidade territorial e de acesso a direitos, inclusive como suporte à implementação de outras políticas públicas. Em parcela relevante do território nacional, os Correios permanecem como a única infraestrutura pública federal com presença permanente, o que reforça a relevância da universalização sob a ótica da necessidade social, e não apenas da demanda observada", ressaltam os técnicos. Ainda assim, o diagnóstico é de que a política de universalização ainda não assegura acesso igualitário aos serviços. Embora as metas de cobertura municipal sejam cumpridas, o mesmo não é verificado em comunidades tradicionais, áreas rurais remotas e periferias urbanas, que seguem enfrentando dificuldades de atendimento. Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e fica em R$ 8,5 bilhões Jornal Nacional/ Reprodução Os auditores observam que os critérios que têm sido adotados não contemplam desigualdades regionais e acabam confundindo baixa demanda com ausência de necessidade. "Adicionalmente, fatores estruturais como a precariedade do endereçamento urbano, a insuficiente coordenação interfederativa, as restrições de segurança pública e a inexistência de diagnósticos sistemáticos sobre a situação postal de populações vulneráveis contribuem para a invisibilidade estatística e institucional desses grupos, dificultando a formulação de respostas coordenadas e baseadas em evidências", avaliam os técnicos. O somatório desses fatores, apontam os técnicos, fazem com que o modelo atual coloque os Correios diante de um impasse: reduzir custos pode comprometer a capilaridade da rede, enquanto ampliar a universalização exige recursos que a empresa já não consegue suportar. Segundo o tribunal, sem mudanças na governança e na forma de financiamento a sustentabilidade financeira e a continuidade do serviço postal universal permanecem em risco.

Presidente do STF diz que Brasil é soberano e não crê em ação militar dos EUA Para minimizar os efeitos da nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo criou um conjunto de medidas que inclui linhas de crédito, garantias para exportadores, benefícios tributários e ações para ampliar a abertura de novos mercados. Nesta quarta-feira (22), foi anunciada a liberação de mais R$ 18,5 bilhões em rédito para empresas afetadas. Dentro do Plano Brasil Soberano, este já é o terceiro anúncio e recebe o nome de Brasil Soberano 3. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mesmo com uma ampla lista de exceções, o governo calcula que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras foram afetadas pelo tarifaço. Elas representam aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os EUA e movimentaram, juntas, US$ 7,4 bilhões (R$ 37,5 bilhões) em vendas ao mercado americano em 2024. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 74% delas já exportam para outros países, o que pode facilitar o redirecionamento das vendas para novos mercados. Entre os setores mais afetados estão madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Brasil Soberano concentra principal pacote de apoio A principal iniciativa é o Plano Brasil Soberano, programa criado pelo governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas americanas. A medida prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a encontrar novos mercados. O auxílio foi estruturado em três etapas. A primeira foi lançada em agosto de 2025, quando o governo criou o programa e autorizou o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para apoiar empresas afetadas pelo primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A segunda etapa começou em março deste ano, com a abertura de uma nova rodada de financiamentos. O programa tinha um limite de R$ 21 bilhões em crédito. Até o encerramento do prazo, nesta quarta-feira (22), empresas protocolaram R$ 19,5 bilhões em 667 pedidos. Como R$ 1,5 bilhão não foi utilizado, o valor retorna ao Tesouro Nacional. Coincidentemente, no mesmo dia em que se encerrou a segunda etapa, o governo anunciou a terceira. O Brasil Soberano 3 conta com um teto de R$ 18,5 bilhões, destinados a empresas afetadas pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos e pelos impactos da guerra no Oriente Médio Desse total, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados do Brasil Soberano 1 e de renegociações de dívidas rurais, e R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES. Ministro diz que Brasil vai usar reciprocidade quando for necessário: 'Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo' Os três planos do governo Os recursos podem ser usados para: capital de giro, ajudando empresas a manter suas operações enquanto reorganizam vendas; compra de máquinas e investimentos produtivos; adaptação de produtos e processos para novos mercados; inovação tecnológica; fortalecimento de fornecedores ligados às cadeias exportadoras. Os beneficiários também precisam assumir compromissos relacionados à manutenção ou ampliação de empregos. A demanda pelo montante já supera o volume inicialmente disponibilizado - os pedidos de financiamento já somam R$ 18,2 bilhões. O BNDES aprovou até agora R$ 8,3 bilhões em operações. As inscrições para o Brasil Soberano 3 ainda não estão abertas. Conheça outras medidas que podem ajudar sua empresa Lula assina Brasil Soberano III Reprodução 1. Seguro de Crédito à Exportação Outra frente de apoio é o fortalecimento do Seguro de Crédito à Exportação (SCE). Criado em 1999, diferentemente de uma linha de financiamento, o mecanismo funciona como uma proteção contra riscos de uma operação internacional. Ele foi ampliado em março deste ano, com a MP nº 1.345/2026, que passou a permitir o uso do SCE para novas modalidades de crédito, especialmente voltadas às micro, pequenas e médias empresas, e integrou o instrumento ao Plano Brasil Soberano. Depois, no mês passado, o Gecex regulamentou essas mudanças por meio da Resolução nº 916. Na prática, o seguro ajuda a cobrir possíveis perdas caso um comprador estrangeiro deixe de pagar ou ocorram problemas que impeçam a conclusão do negócio, como restrições políticas ou eventos extraordinários. Com isso, bancos e instituições financeiras ficam mais seguros para conceder crédito aos exportadores. ⏳Quando foi aplicado: em 1999 e reformulado em 2026; 📄Para que serve: é um seguro que protege operações de crédito ligadas às exportações; 💵Quanto dinheiro envolve: o SCE não tem um orçamento próprio anunciado, ele é lastreado pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Lula discursa durante assinatura do Brasil Soberano III Reprodução 2. Programa de Financiamento às Exportações O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) surgiu em 1991 e oferece financiamento para exportações brasileiras em condições semelhantes às praticadas internacionalmente, ajudando empresas a competir com fornecedores de outros países. Atualmente, é regulamentado pela Lei nº 10.184/2001 e operado pelo Banco do Brasil com recursos do Tesouro Nacional. Enquanto o SCE funciona como uma garantia contra riscos, o Proex atua diretamente no financiamento da venda externa. Na prática, ele ajuda empresas brasileiras a venderem para o exterior oferecendo crédito mais barato ou reduzindo o custo do financiamento da operação e conta com duas modalidades. O Proex Financiamento, em que o Tesouro Nacional empresta diretamente recursos ao exportador brasileiro ou ao comprador estrangeiro; e o Proex Equalização, em que o financiamento é concedido por um banco e o governo paga parte dos juros para que o custo fique semelhante ao praticado por concorrentes internacionais. ⏳Quando foi aplicado: em 1991; 📄Para que serve: oferece financiamento para exportações brasileiras de bens e serviços em condições competitivas no mercado internacional; 💵Quanto dinheiro envolve: o Proex não tem um valor único. Todos os anos, ele recebe recursos previstos na Lei Orçamentária. Para este ano, foram destinados R$ 2,2 bilhões para o Proex Financiamento e R$ 1,28 bilhão para o Proex Equalização. 3. Drawback O drawback também não foi criado em resposta ao tarifaço. Trata-se de um regime aduaneiro especial existente há décadas, usado para reduzir o custo de produção de empresas que exportam. O mecanismo permite suspender ou eliminar determinados impostos sobre matérias-primas e insumos usados na fabricação de produtos exportados. O que o governo fez após as tarifas dos Estados Unidos foi prorrogar prazos do regime para empresas afetadas por mais um ano, dando mais tempo para que cumpram seus compromissos de exportação. O recurso foi instituído pelo Decreto-Lei nº 37, de 1966, e atualmente é regulamentado pela legislação aduaneira e por normas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). É administrado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Há três modalidades de drawback, a suspensão (consiste na suspensão de tributos), a isenção (isenta ou reduz os tributos) e a restituição (restitui os tributos pagos na importação de insumo e utilizado no bem exportado). Donald Trump anuncia tarifas. AFP ⏳Quando foi aplicado: em 1966; 📄Para que serve: reduzir o custo de produção de empresas exportadoras ao suspender ou eliminar tributos sobre matérias-primas e insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo; 💵Quanto dinheiro envolve: o drawback não possui um orçamento próprio, o mecanismo funciona por meio da suspensão, isenção ou restituição de tributos, e não pela liberação de recursos financeiros às empresas. Lei de Reciprocidade dá instrumento para eventual resposta comercial Além das medidas de apoio às empresas, o governo também passou a contar com a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso. O mecanismo permite que o Brasil adote medidas equivalentes quando sofrer restrições consideradas injustificadas de outros países. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o instrumento não representa uma retaliação automática, mas uma ferramenta que poderá ser utilizada caso seja considerada necessária. Tarifaço: Brasil avalia estratégias para evitar 'tiro no pé' em reciprocidade contra EUA

União Europeia acusa Meta de induzir vício e países avaliam proibir redes sociais para menores Um adolescente da Flórida retirou o processo contra a Meta, dona do Instagram e do Facebook, no qual alegava que as plataformas da empresa contribuíram para sua depressão e ansiedade. A decisão foi tomada poucos dias antes do início do julgamento em Los Angeles, segundo os advogados do jovem informaram nesta quarta-feira (22). O processo, movido pelo adolescente de 15 anos identificado pelas iniciais R.K.C., inicialmente envolvia quatro empresas: Google, responsável pelo YouTube; Meta, dona do Instagram; Snap, proprietária do Snapchat; e ByteDance, controladora do TikTok. O YouTube e o TikTok chegaram a acordos para encerrar a disputa em junho. Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters Segundo a Bloomberg, o Snapchat também teria alcançado um acordo preliminar no caso. De acordo com documentos judiciais, R.K.C. começou a usar redes sociais por volta dos 8 anos e afirmou que desenvolveu dependência das plataformas, o que teria levado à perda de sono, além de sintomas de depressão e ansiedade. O motivo da desistência "Diante do resultado geral bem-sucedido do litígio e de suas preocupações em enfrentar um julgamento exaustivo de várias semanas, ele decidiu retirar as acusações contra a Meta", afirmaram os advogados de R.K.C. em um comunicado. "Ele está pronto para encerrar esse capítulo, concentrar-se em sua recuperação e dedicar-se à terapia, na busca por uma vida normal." Um porta-voz da Meta declarou que R.K.C. desistiu das acusações sem receber qualquer pagamento. "As alegações nunca se sustentaram, e esse desfecho deixa claro que não recuaremos na defesa contra processos infundados", afirmou a empresa. Meta pode pagar multa de US$ 1,4 trilhão por 'vício' Paralelamente ao caso do joven de 15 anos, a Meta enfrenta cada vez mais represália de usuários e estados. A Meta Platforms informou à Justiça dos Estados Unidos que quatro estados norte-americanos pedem US$ 1,4 trilhão (R$ 7,15 trilhões) em multas em um processo que acusa a empresa de ter criado o Facebook e o Instagram com recursos destinados a tornar jovens usuários dependentes das plataformas e de ter enganado o público sobre a segurança dos serviços. O valor foi revelado em um documento apresentado pela companhia no começo deste mês, em resposta aos cálculos feitos pelos procuradores-gerais da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey. Segundo os estados, a cifra foi estimada com base no número de supostas violações cometidas pela Meta e nas multas previstas nas leis estaduais de proteção ao consumidor. A empresa classificou o cálculo como "absurdo" e afirmou que a penalidade não tem base nos fatos nem na legislação. A Meta também negou as acusações e disse que não há provas de que tenha enganado usuários ou criado plataformas com o objetivo de gerar dependência. O julgamento está previsto para agosto, na Califórnia, e analisará acusações de que a Meta violou leis de proteção ao consumidor e a Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças (COPPA), ao coletar dados de menores sem autorização adequada dos pais. Ao todo, 29 estados processam a empresa por práticas relacionadas ao uso das plataformas por crianças e adolescentes. Leia mais: Meta diz que estados dos EUA pedem multa de US$ 1,4 trilhão por 'vício' em Facebook e Instagram

Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço do governo Trump O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (22) a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também aquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio. A medida é chamada de "Brasil Soberano 3". Segundo o governo, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no "Brasil Soberano 1" e das renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões virão do BNDES. O financiamento será destinado às empresas que: são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros; são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros; setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas. O crédito será destinado a empresas exportadoras de diversos setores. O governo coloca algumas regras para as empresas que aderirem ao programa como, por exemplo, a manutenção de pelo menos parte dos empregos. O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o "Brasil Soberano 2", em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026. Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como adiantou o blog da Ana Flor. O anúncio ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo "tarifaço" dos Estados Unidos. Os encontros são para ouvir as demandas das empresas e discutir medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações brasileiras. ➡️ A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que começou a valer nesta quarta-feira, é resultado de uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável por formular a política comercial norte-americana. ➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico. Uma das principais rotas do comércio de petróleo passava pelo Estreito de Ormuz, que foi fechado em meio aos conflitos entre Irã, EUA e Israel. Coletiva de imprensa do Brasil Soberano III Reprodução Andamento das negociações Conforme a avaliação de integrantes do governo brasileiro envolvidos nas conversas, quando as negociações começaram no ano passado — após o encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump na Malásia —, foi possível obter avanços junto ao governo americano. Entretanto, a partir do fim de maio e o início de junho, os representantes da Casa Branca passaram a se mostrar “inflexíveis”, apresentando questões “inegociáveis” para o Brasil, como mudanças no PIX e na legislação sobre minerais críticos — matérias-primas consideradas essenciais para setores estratégicos, como baterias, veículos elétricos, eletrônicos, energia e defesa. Além disso, conforme integrantes da diplomacia brasileira, os dados apresentados sobre desmatamento, por exemplo, foram desconsiderados, sem contrapropostas ou indicações por parte dos americanos. Cerca de dez dias antes do anúncio, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta. Em razão do prazo dado pelo governo americano, e a sinalização de que os argumentos brasileiros seriam rejeitados, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro, mesmo assim, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma última rodada de negociação. Essa rodada aconteceu, e o Brasil disse que o tarifaço era injusto. De acordo com ministros, a ordem do presidente Lula foi que o Brasil não deixasse a mesa de negociação nem deixasse a ideologia contaminar as conversas. Entretanto, a avaliação do governo brasileiro foi que a decisão do USTR de recomendar as tarifas foi política e ideológica. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, dos 10 produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram no país sem tarifa. Além disso, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana é de 3%. Diante disso, Alckmin passou a dizer que o tarifaço americano não faz "sentido". Sem retaliação, segundo Alckmin Nesta terça, Alckmin disse que “a ideia não é retaliação”. No entendimento do vice-presidente, o uso da Lei de Reciprocidade Econômica pelo Brasil é diferente de retaliar os produtos americanos, e a medida pode vir a ser adotada no momento “adequado”. Ele deu a declaração após uma série de encontros com representantes de setores afetados pelo tarifaço. Esses representantes do setor produtivo têm defendido que o Brasil não use a lei da reciprocidade, pois entendem que a medida poderia prejudicar ainda mais a economia, os setores e os consumidores. Diante disso, têm pedido ao governo que insista na via diplomática. O que é o 'Brasil Soberano'? O Brasil Soberano é uma medida criada pelo governo federal via BNDES para apoiar empresas brasileiras em momentos de instabilidade no cenário internacional. O programa oferece linhas de crédito para empresas exportadoras. O plano foi criado no ano passado para oferecer apoio financeiro aos exportadores que foram afetados no primeiro tarifaço. Nesta segunda etapa do plano, o crédito será destinado a empresas exportadoras e seus fornecedores que sofrem os impactos do segundo "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A medida também alcança empresas afetadas pela instabilidade no Golfo Pérsico e setores industriais considerados importantes para as exportações do país.

Brasil não é o único país alvo de uma investigação com base na Seção 301, que permite que o governo americano apure práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA Getty Images via BBC A nova tarifa dos Estados Unidos contra parte das exportações do Brasil – que entra em vigor nesta quarta-feira (22/07) – faz parte de uma estratégia maior do governo de Donald Trump para contornar uma proibição imposta pela Suprema Corte americana e reconstruir as maiores e mais abrangentes tarifas implementadas no início de seu segundo mandato. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a taxação aplicada contra os produtos brasileiros após uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas pode ser apenas a primeira de uma série de novas medidas protecionistas com base em inquéritos semelhantes. "Em resposta à decisão da Suprema Corte, o governo Trump está implementando um plano B e identificando uma estratégia mais robusta do ponto de vista jurídico", resume Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace e professor da FGV. Desde antes de assumir a Casa Branca pela segunda vez, Trump tem defendido uma agenda econômica conservadora e protecionista para os EUA. Tarifaço de 25% de Trump contra o Brasil passa a valer hoje; veja o que muda Ainda nos primeiros meses de 2025, o presidente americano anunciou as chamadas tarifas recíprocas, que estavam no núcleo da estratégia tarifária do governo. Dezenas de países foram alvos de alíquotas extras entre 10% e 41%, impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Segundo Trump, a legislação nacional de 1977 o autorizaria a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais. Mas entre negociações bilaterais e idas e vindas anunciadas pela própria Casa Branca, a Suprema Corte decidiu em fevereiro deste ano que o republicano extrapolou sua autoridade e que a IEEPA não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Imediatamente após a decisão judicial, Trump assinou uma ordem executiva para impor uma nova tarifa global de 10%, dessa vez usando a seção 122 da Lei de Comércio americana de 1974. Esta seção da legislação americana permitiu que o presidente impusesse taxas de até 15% por até 150 dias sobre as importações de todos os países, sem necessidade de aprovação do Congresso. O prazo de 150 dias, porém, expira ainda nesta semana, em 24 de julho. LEIA TAMBÉM Canadá cancela inauguração conjunta de ponte com os EUA após tarifaço de Trump Cidade espanhola presenteia campeões da Copa com tomates equivalentes ao próprio peso; veja vídeo Em busca de bases jurídicas É nesse contexto que entram as investigações sobre práticas comerciais desleais e ameaças à segurança nacional conduzidas pelo governo americano. Essa foi a alternativa encontrada por Trump e seus assessores para manter sua agenda protecionista, avaliam economistas e analistas políticos consultados pela BBC News Brasil. Em entrevista ao podcast The Daily, do jornal The New York Times, o próprio representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que o governo está reconstruindo as bases jurídicas para restabelecer parte das sobretaxas derrubadas ou impor novas. Ele também falou sobre uma outra frente de tarifas em preparação, que poderá atingir mais de 40 países acusados de práticas como subsídios à indústria e manipulação cambial. Segundo Ana Swanson, repórter do jornal que entrevistou Greer, a administração americana acredita que esse caminho pode ser muito mais duradouro e prevê a entrada em vigor de tarifas de cerca de 10% contra mais de 80 países, provavelmente até o final deste mês. O primeiro país efetivamente taxado seguindo essa estratégia no segundo mandato de Trump é o Brasil. Após uma investigação de quase um ano, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou a aplicação das tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O inquérito tem como base uma outra parte da mesma lei de 1974 usada pelo presidente republicano para aplicar as tarifas temporárias que expiram nesta semana. A Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos permite que o governo americano apure práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. O instrumento segue um trâmite que passa pelo início de diálogo com o parceiro comercial, investigação, mediação e, por fim, medidas para corrigir eventuais irregularidades. O processo completo dura pelo menos 12 meses, podendo ser estendido. No caso brasileiro, a tarifa foi justificada pelos EUA alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Segundo Jamieson Greer, a medida é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas." Nova tarifa dos EUA contra o Brasil segue nova estratégia do governo americano para burlar decisão da Suprema Corte Getty Images via BBC A lista dos produtos alvo das tarifas inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina entraram na lista de exceções. Mas o Brasil não é o único país alvo de uma investigação com base na Seção 301. O USTR conduz atualmente um inquérito que tem como alvo dezesseis dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos — China, União Europeia (UE), Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia — por se envolverem em práticas comerciais supostamente desleais. Essa investigação está em curso e os resultados são esperados em breve. Outro processo recente, que também se baseia na 301, concluiu que 60 parceiros comerciais dos EUA, incluindo a UE, o Japão e o Brasil, adotaram práticas comerciais desleais ao não impedirem o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. O USTR propõe que o Brasil e outros 53 países citados no relatório recebam tarifas adicionais de 12,5%. Outras seis economias devem receber taxação de 10%. O período de consulta pública sobre as taxas já encerrou e elas podem ser impostas a qualquer momento. Os EUA também investigam Alemanha e Vietnã em processos individuais por questões relacionadas à indústria farmacêutica e propriedade intelectual, respectivamente. Há ainda inquéritos sendo conduzidos a partir de outro artigo da legislação americana, a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Esse artigo permite que o presidente americano ajuste as importações por meio de tarifas ou cotas, caso o Departamento de Comércio reconheça que determinados bens estão sendo importados em quantidades ou circunstâncias que ameacem a segurança nacional dos EUA. Essa seção foi usada, por exemplo, para aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos feitos com aço, alumínio e cobre importados, que também afeta o Brasil. Mais recentemente, o presidente americano acionou o artigo novamente, mas para reduzir as tarifas sobre alguns desses itens e favorecer empresas que se comprometerem a fortalecer a produção dos metais no país. Na última segunda-feira (20/7), o governo americano ainda usou mais um artigo, de outra lei comercial americana, para anunciar uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos importados do Canadá, em retaliação ao que Trump chamou de "tratamento desigual" dado a carros, laticínios e bebidas alcoólicas dos EUA. A Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 foi a escolhida da vez. Segundo essa peça da legislação americana, o presidente pode impor tarifas sobre as importações de um país estrangeiro para compensar o ônus ou a desvantagem decorrente da discriminação ou da imposição desigual de tarifas sobre o comércio nacional. Para Filipe Mendonça, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a taxação do Canadá confirmou o padrão da nova estratégia americana de tentar reconstruir, de forma mais durável, o mesmo "poder de coerção tarifária que a IEEPA permitia". Segundo o especialista, Seção 338 é "um instrumento praticamente esquecido, nunca usado na política comercial moderna, ressuscitado para ampliar o arsenal disponível". Nesse contexto, o caso do Brasil foi uma primeira tentativa para o governo de Donald Trump em sua estratégia, afirma Oliver Stuenkel. Mas por que o Brasil? Segundo Filipe Mendonça, o Brasil é um caso emblemático dessa reconfiguração da estratégia tarifária americana. "O Brasil combina, de forma pouco comum, atrito regulatório e desalinhamento político com os Estados Unidos", diz. "Historicamente, o Brasil já é 'veterano' da Seção 301, pois fomos alvos desse tipo de unilateralismo agressivo em 1985 (informática), em 1987 (patentes farmacêuticas) e em 2021 (Imposto sobre Serviços Digitais), o que facilita, na perspectiva trumpista, reativar o instrumento contra o Brasil com custo relativamente baixo." Ainda segundo Mendonça, a investigação sob a Seção 301 "já nasceu mais política do que comercial", reunindo acusações heterogêneas e pouco comuns para esse tipo de instrumento. Trump usou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dos motivos para a implementação de taxas em 2025 Getty Images via BBC Stuenkel aponta ainda que por ser governado pela esquerda, o Brasil atrai certo descontentamento em Washington. Ao mesmo tempo, o país é considerado um adversário de "baixo risco". Isto é, se o Brasil decide retaliar e uma guerra tarifária se inicia, o impacto não seria tão extenso devido à menor relevância comercial em comparação com, por exemplo, um parcerio americano de mais peso como a China, diz o especialista. E enquanto em 2025, quando o Brasil foi alvo de uma taxa extra de 50% diante da insatisfação do governo Trump com o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, a motivação para as tarifas "era abertamente política", agora foi preciso "encontrar um verniz técnico" para justificar a ação americana. Por que Trump é a favor de tarifas? Donald Trump disse muitas vezes que as tarifas protegem e criam empregos nos EUA. Ele as vê como uma forma de fazer a economia dos EUA crescer e aumentar as receitas fiscais. "Sob meu plano, os trabalhadores americanos não ficarão mais preocupados em perder seus empregos para nações estrangeiras", disse Trump, quando anunciou o primeiro tarifaço de seu segundo mandato. "Em vez disso, as nações estrangeiras ficarão preocupadas em perder seus empregos para a América." Trump também defende as tarifas como uma forma de suprimir as vendas de produtos importados e promover as vendas de produtos nacionais. Esse foi seu motivo para impor tarifas no passado à UE, por exemplo. Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, disse que o governo americano está reconstruindo as bases jurídicas para restabelecer parte das sobretaxas derrubadas ou impor novas Bloomberg via Getty Images/BBC Em sua entrevista ao The Daily, o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse ainda que o protecionismo é uma questão de "emergência" nos EUA, como forma de reduzir o déficit comercial do país e recuperar sua industrialização, elevando os salários dos americanos. No ano passado, o Tesouro dos EUA registrou um forte aumento de arrecadação graças ao tarifaço do presidente. No primeiro semestre de 2025, a receita proveniente das tarifas de importação atingiu US$ 87 bilhões (R$ 442 bilhões), valor que supera toda a arrecadação de 2024. Mas desde que a Suprema Corte decidiu, em fevereiro, que as tarifas impostas por Trump eram ilegais, os importadores receberam cerca de US$ 71 bilhões em reembolsos, de acordo com o relatório mensal do Tesouro dos EUA. E outros US$ 166 bilhões ainda devem ser pagos de volta pelo governo americano. Para alguns especialistas, esses resultados também têm motivado os EUA a buscar novas estratégias para a implementação de tarifas. Por outro lado, aponta Filipe Mendonça, o déficit comercial e a arrecadação do governo americano não são os objetivos centrais de Trump. "O que está por trás é a busca de realinhamento estratégico dos parceiros comerciais dos EUA no contexto da rivalidade com a China", afirma o professor da UFU. "O acesso ao mercado americano é usado como instrumento de disciplina política, não apenas como resposta a distorções comerciais específicas." Tal objetivo fica evidente no caso brasileiro, segundo o especialista. "A lógica de fundo é reposicionar o Brasil na órbita americana num momento de disputa por cadeias produtivas, tecnologia e influência regulatória com a China, justamente na véspera da disputa presidencial brasileira", diz. A nova estratégia vai funcionar? Embora a nova política tarifária americana esteja cada vez mais clara, ainda não é possível afirmar se as novas tarifas contribuirão para os objetivos do governo Trump – e, principalmente, se resistirão a novas contestações judiciais. Em seu primeiro mandato, o presidente americano usou a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos (a mesma utilizada atualmente contra o Brasil) para impor tarifas de 25% sobre aproximadamente US$ 250 bilhões em importações chinesas. E embora tenham sido contestadas por cortes nos Estados Unidos, as tarifas de Trump sobre a China não foram anuladas pelos tribunais. Os especialistas ouvidos pela reportagem também enxergam a estratégia de usar a lei comercial americana para apoiar as tarifas como mais consistente e robusta do ponto de vista jurídico do que a aplicação da IEEPA. Mas isso não elimina os riscos. "A Seção 338, último capítulo desta nova onda tarifária trumpista, não é usada há quase um século e sua aplicação contra o Canadá certamente será contestada", diz Mendonça. "Já as determinações de Seção 301 também podem ser questionadas por vícios processuais ou por serem consideradas arbitrárias pelos tribunais, mas acho muito difícil a reversão pela via jurídica neste caso", completa. Donald Trump defende que as tarifas protegem e criam empregos nos EUA CFOTO/Future Publishing via Getty Images No caso brasileiro, Jamieson Greer afirmou que Washington continua aberto a conversas com Brasília em relação à nova tarifa de 25%. O sentimento do governo Lula, porém, é de pessimismo. Segundo uma fonte no Palácio do Planalto, a decisão dos EUA tem mais motivações políticas do que econômicas, e os argumentos apresentados pelo Brasil para contestar as acusações não foram sequer considerados. Mas para a economista e pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE), Monica de Bolle, a extensa lista de itens que não serão alvo das tarifas americanas contra o Brasil revela os limites do protecionismo e da margem de manobra de Donald Trump no mundo globalizado de hoje. A lista de produtos isentos das tarifas inclui mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves, itens de maior importância entre os exportados pelo Brasil aos EUA. "Pelas minhas contas, cerca de 65%, senão mais, das exportações do Brasil para os Estados Unidos ficarão completamente isentas", disse De Bolle em entrevista à BBC News Brasil. "Ou seja, a tarifa de 25% se aplica apenas a um terço dos bens exportados. Além disso, já havia uma lista de isenções publicada no início de junho, e novos itens foram acrescentados agora", afirmou. "Tudo isso é muito revelador dos limites dessa ação norte-americana. Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo." Para Monica de Bolle, o caso do Brasil deve servir como um sinalizador para outros países que também estão sendo investigados sob a Seção 301: ao mesmo tempo em que os EUA adotaram uma nova estratégia comercial, há um limite para o protecionismo norte-americano. Pressões internas, especialmente antes das eleições para o Congresso marcadas para novembro e diante da perspectiva de alta da inflação, também podem dificultar o caminho de Trump para manter sua estratégia. Por tudo isso, diz Mendonça, da UFU, "o sucesso da estratégia depende menos da blindagem jurídica do instrumento e mais da capacidade do governo de sustentar capital político doméstico e internacional simultaneamente".

A Ponte Internacional Gordie Howe é vista de River Rouge, Michigan, ligando Detroit a Windsor, Ontário Foto AP/Paul Sancya O governo do Canadá cancelou um evento de inauguração de uma ponte que liga o país aos Estados Unidos após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses. A informação foi divulgada pela Associated Press. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia ➡️ O governo dos EUA anunciou, nesta segunda-feira (20), a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre uma ampla gama de produtos importados do Canadá. Segundo Trump, o objetivo é compensar "o ônus ou a desvantagem decorrentes da discriminação contra o comércio dos Estados Unidos" (saiba mais.) Trump anuncia tarifa de 50% contra o Canadá, após taxar o Brasil A cerimônia entre os dois países estava prevista para esta sexta-feira (24) e marcaria a inauguração da Ponte Internacional Gordie Howe, que conecta as cidades de Detroit, nos Estados Unidos, e Windsor, na província canadense de Ontário. "Diante das ameaças de medidas comerciais feitas pelos Estados Unidos no início desta semana, seria inadequado prosseguir com um evento comemorativo entre os dois países", afirmou Jenna Ghassabeh, porta-voz do ministro da Infraestrutura do Canadá, Gregor Robertson, em comunicado. De acordo com a Associated Press, Canadá e Estados Unidos haviam chegado a um acordo no início deste mês para realizar a cerimônia após atrasos provocados por divergências entre os dois governos. Agora, o governo canadense planeja fazer um evento próprio na sexta-feira, enquanto ainda não há confirmação sobre uma eventual cerimônia organizada pelos Estados Unidos. LEIA TAMBÉM Trump acompanha chegada aos EUA dos corpos de militares mortos na guerra do Irã Congresso da Nicarágua inicia plano para acabar com eleições após ordem de Daniel Ortega Dois funcionários americanos ouvidos pela agência, sob condição de anonimato, disseram que a expectativa é manter a abertura da ponte ao tráfego em 27 de julho, embora haja menos certeza sobre o cronograma do que anteriormente. A ponte tem 2,4 quilômetros de extensão, atravessa o Rio Detroit e liga Detroit a Windsor. A inauguração estava inicialmente prevista para 12 de junho, mas foi adiada porque os dois governos ainda discutiam questões pendentes. De acordo com a AP, o Canadá financiou a construção da ponte por meio de um acordo que prevê a recuperação dos custos com a arrecadação de pedágios. O governo Trump buscava alterar esse modelo. O projeto, negociado durante a gestão do ex-governador de Michigan Rick Snyder, começou a ser construído em 2018 e custou quase US$ 4,4 bilhões. Saídas da Interestadual 75 para a Ponte Internacional Gordie Howe e a Ponte Ambassador, que ligam Windsor, Ontário, a Detroit Foto AP/Paul Sancya A estrutura recebeu o nome de Gordie Howe, ídolo canadense do hóquei no gelo que atuou por 25 temporadas no Detroit Red Wings, e deve se tornar uma das principais rotas comerciais entre os dois países. Em fevereiro, Trump chegou a exigir, em uma publicação nas redes sociais, que o Canadá cedesse aos Estados Unidos pelo menos metade da propriedade da ponte, além de atender a outras exigências não especificadas.

Gavi e Fabian Ruiz recebendo tomates Reprodução X Dois campeões da Copa do Mundo de 2026 pela Espanha receberam uma homenagem inusitada nesta terça-feira (21). Naturais de Los Palacios y Villafranca, na região da Andaluzia, Gavi e Fabián Ruiz ganharam tomates em quantidade equivalente ao próprio peso durante uma cerimônia organizada pela prefeitura. A homenagem ocorreu dois dias depois da vitória da Espanha por 1 a 0 sobre a Argentina na final da Copa do Mundo. Os dois meio-campistas foram peças importantes da equipe comandada pelo técnico Luis de la Fuente na campanha do bicampeonato mundial. Initial plugin text Antes da entrega dos presentes, os jogadores subiram em uma balança instalada no evento para definir a quantidade de tomates que receberiam. Gavi levou 68 quilos e Fabián Ruiz 84 quilos. Por que o tomate? A escolha do presente não foi por acaso. Los Palacios y Villafranca é uma referência na produção de tomates na Andaluzia, e o cultivo do fruto é uma das atividades que ajudam a movimentar a economia local. O tomate também faz parte da identidade do município, que promove eventos e ações para valorizar os produtores e a cultura ligada ao produto. Entre as variedades associadas à região está o Bombón Colorao, um dos símbolos agrícolas locais. Por isso, em vez de oferecer uma lembrança tradicional aos campeões, a prefeitura decidiu transformar um dos principais produtos da cidade em uma homenagem aos jogadores.

Logo do Instagram Getty Images O Instagram apresenta instabilidade na manhã desta quarta-feira (22). De acordo com dados do site Downdetector, que monitora o funcionamento de serviços digitais, o sistema registrou 861 notificações de mau funcionamento por volta das 11:30h desta manhã. Agora no g1 Nas redes sociais, os usuários da plataforma relataram diversos problemas principalmente relacionados ao direct, confira: Initial plugin text Initial plugin text O g1 procurou a Meta para entender as instabilidades mas ainda não obteve retorno. *Em atualização

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou, durante uma audiência no Comitê de Finanças do Senado americano nesta quarta-feira (22), que práticas de desmatamento no Brasil colocam os agricultores americanos em desvantagem competitiva. Greer também afirmou que "padrões ambientais mais baixos em outros países justificam tarifas mais altas" e reiterou que os EUA trabalham para manter e expandir o acesso ao mercado agrícola em outros países, como o México e o Canadá. Como o g1 já mostrou, o desmatamento ilegal foi um dos principais argumentos usados pelo governo americano para justificar o novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos. Entre essas práticas, segundo a investigação americana, estaria a oferta de produtos como madeira e carne a preços mais competitivos porque eles seriam produzidos em áreas associadas a crimes ambientais. Agora no g1 Para sustentar essa acusação, o documento recorre principalmente a dados de desmatamento, mas cita indicadores já defasados. Um deles é a alta do desmatamento registrada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, quando o país teve um dos piores resultados da série histórica recente. Embora os dados citados sejam reais, o documento ignora números mais recentes que apontam queda nos índices de desmatamento. Um exemplo é o fato de o país ter registrado, em 2025, a menor taxa de desmatamento na Amazônia em mais de dez anos. Ministro rebate acusações dos EUA Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os argumentos sobre o desmatamento no Brasil utilizados pelos Estados Unidos para justificar o novo tarifaço contra produtos brasileiros são "absolutamente improcedentes". "Os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas são absolutamente improcedentes, não tem nenhum fundamento técnico, não está baseado em nenhuma informação comprovável", afirmou Capobianco. O ministro afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização, reiterando que a informação utilizada pelo governo americano é "absolutamente inverídica". "O sistema de exportação de madeira é hoje um dos mais rigorosos de todo o sistema de controle ambiental por exigência, inclusive, do mercado internacional. Toda a madeira exportada é certificada. Ela tem acompanhamento desde a origem na floresta até o embarque, os técnicos do Ibama e da Receita monitoram as cargas. Não é possível, em nenhum porto brasileiro, exportar uma madeira sem a verificação e a comprovação da cadeia de custódia", disse o ministro. Tarifaço de 25% passa a valer nesta quarta-feira As declarações foram feitas no mesmo dia em que o novo tarifaço de 25% imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros entrou em vigor. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. Veja perguntas e respostas sobre o novo tarifaço A expectativa é que outra tarifa adicional, estimada entre 10% e 12,5%, seja anunciada nos próximos dias para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, a cobrança estaria relacionada a investigações sobre supostas práticas de trabalho forçado. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Um decreto presidencial publicado no "Diário Oficial da União" (DOU) desta quarta-feira (22) adia para janeiro de 2027 a obrigatoriedade das pessoas físicas, e dos produtores rurais, terem o chamado "CNPJ técnico" e, também, de emitirem a nota fiscal do novo imposto sobre o consumo — no âmbito da reforma tributária. O "CNPJ técnico" é uma inscrição cadastral vinculada ao CPF de pessoas físicas que sejam contribuintes dos futuros impostos sobre o consumo (CBS e IBS). Esse cadastro não corresponde à abertura de uma empresa nem transforma a pessoa física em pessoa jurídica. Sua finalidade é identificar esses contribuintes nos sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, facilitando a emissão de documentos fiscais e a apuração dos novos tributos. Agora no g1 Com a mudança, as notas fiscais que não trouxerem preenchidos os campos dos futuros impostos sobre o consumo, a CBS federal e o IBS estadual, também não serão automaticamente rejeitadas pelo Fisco — algo que o governo já havia informado que também não cobraria das empresas. "A alteração confere maior prazo para adaptação dos contribuintes, das administrações tributárias e dos desenvolvedores de sistemas às novas exigências decorrentes da Reforma Tributária sobre o consumo", informou a Receita Federal. Segundo o órgão, a prorrogação também está alinhada ao desenvolvimento de solução simplificada para inscrição de pessoas físicas no CNPJ, em modelo semelhante ao atualmente adotado para o Microempreendedor Individual (MEI), bem como à disponibilização gradual de orientações operacionais, ambientes de testes e manuais técnicos destinados à adaptação dos contribuintes e dos emissores de documentos fiscais eletrônicos. ACIC e FGV promovem palestra com especialista em Reforma Tributária – Crédito: Divulgação. ACIC e FGV promovem palestra com especialista em Reforma Tributária – Crédito: Divulgação. Nova plataforma tecnológica Uma nova plataforma tecnológica inédita no mundo, 150 vezes maior do que o PIX, que já está em fase de testes, mas com funcionamento pleno previsto a partir do próximo ano, será responsável por operacionalizar os pagamentos dos impostos sobre produtos e serviços. 🔎 O novo sistema vai viabilizar e estruturar o pagamento dos futuros impostos sobre valor agregado (IVA), previstos na reforma tributária sobre o consumo – aprovada em 2024 pelo Congresso Nacional e sancionada no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já em fase de testes, o objetivo da Receita Federal é de que a plataforma esteja funcionando em 2026 sem gerar cobrança efetiva (alíquota pequena de 1%, que será "destacada", ou seja, abatida em outros tributos). Segundo a Receita Federal, das 13,5 bilhões de notas fiscais emitidas neste ano, 7,4 bilhões já têm os impostos "destacados" (informados) de maneira voluntária pelas empresas. A partir de 2027, quando haverá extinção do PIS e da Cofins federais, o sistema do "split payment" começará a operar em toda a economia para a CBS (tributo federal), focado nas negociações entre empresas — o chamado "business to business", sem abranger o varejo. De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS, com a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS e o aumento gradual da alíquota do IBS (o futuro tributo sobre consumo dos estados e municípios). Desafio para empresas Reportagem do g1 mostrou, em novembro, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas a partir de 2026. ➡️Especialistas ouvidos relataram que as empresas despreparadas poderiam ter desde mercadorias paradas e incapacidade do contas a pagar, liquidar a fatura, até a possibilidade de a empresa não aproveitar os créditos tributários, gerando um impacto direto no fluxo de caixa. ➡️Já a Receita Federal negou que haverá um aumento de complexidade na emissão das notas fiscais, e também afastou interpretações de que poderá haver um cenário caótico para as empresas a partir de 2026. Segundo o órgão, os campos das notas fiscais serão praticamente os mesmos de hoje, como: CNPJ ou CPF, de compradores ou vendedores, além da quantidade de produtos, valor da venda e códigos tributários, por exemplo. Reforma tributária Com a reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2024, serão gradualmente extintos, nos próximos anos, o PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Eles funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, ou seja, eles serão não cumulativos. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, os impostos seriam pagos uma só vez por todos os participantes do processo. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que deverá ser dividido por toda a cadeia de produção (produtor, atacadista, distribuidor, varejista). Outra mudança é que o tributo sobre o consumo (IVA) será cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais.

Primeira unidade do Luce, polêmico carro elétrico da Ferrari, vai a leilão nos EUA Divulgação / RM Sotheby's A primeira Ferrari Luce que saiu da linha de produção será leiloada na Califórnia, nos Estados Unidos. O valor arrecadado no evento será repassado para uma fundação com foco em iniciativas de educação, que ainda será definida pela Fundação Ferrari. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A casa de leilões RM Sotheby's não divulgou estimativa de preço do arremate. O leilão será no dia 15 de agosto de 2026. A expectativa é que, pelo valor histórico e exclusividade, esta Luce ultrapasse o preço de lançamento de US$ 650 mil (R$ 3,3 milhões, em conversão direta). O esportivo causou polêmica recentemente por ser o primeiro 100% elétrico da história da marca. A controvérsia envolve o seu design, resultado de uma parceria com Jony Ive, designer conhecido por criar diversas gerações do iPhone, do MacBook e de outros produtos da Apple. Além de colecionar memes, a recepção do carro gerou forte impacto: as ações da Ferrari caíram 8% no dia do anúncio e, poucas semanas depois, o gerente de marketing deixou a companhia e foi substituído. Agora no g1 Ferrari única A Ferrari Luce "Chassis 0", primeira unidade de produção do modelo, traz uma configuração exclusiva desenvolvida pelo programa Ferrari Tailor Made em parceria com o Ferrari Design Studio, focada na utilização da cor branca e no trabalho com a luz. Na parte externa, a carroceria recebe a pintura exclusiva Madreperla Semi-Gloss. A tinta utiliza um pigmento especial que gera reflexos, mudando de tom entre o verde e o violeta de acordo com a luz e o ângulo de visão. Interior do primeiro Luce, polêmico carro elétrico da Ferrari, que vai a leilão nos EUA O exterior também conta com rodas exclusivas, pinças de freio brancas sob medida e o logotipo da Ferrari aplicado sobre um fundo preto na porta na cor optical white, recurso criado especialmente para este exemplar. No interior, o revestimento é em couro Le Mans na cor Perla, produzido a partir de couros suíços selecionados para refletir a luz na cabine. Pela primeira vez em um projeto da marca, os elementos secundários da cabine abandonam o acabamento preto tradicional e adotam a cor Grigio Corvara. O veículo conta com uma placa de identificação dedicada por ser o primeiro chassis produzido. A Luce tem quatro motores elétricos e potência total de 1.050 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 2,5 segundos, e o modelo alcança 200 km/h em apenas 6,8 segundos. A velocidade máxima chega a 310 km/h. Primeira unidade do Luce, polêmico carro elétrico da Ferrari, vai a leilão nos EUA Divulgação / RM Sotheby's Entenda a polêmica A fabricante de carros esportivos de luxo apresentou o Luce EV de cinco lugares em junho, desencadeando uma onda de críticas, inclusive nas redes sociais, pelo design pouco convencional do modelo em comparação com a estética tipicamente musculosa e agressiva da Ferrari, e pela decisão da empresa de se desviar de seus tradicionais motores a gasolina. Dias após a apresentação do Luce, o presidente-executivo Benedetto Vigna afirmou que a Ferrari estava recebendo "forte interesse" pelo carro, tanto de clientes novos quanto antigos.] Desde então, a empresa não divulgou novas informações sobre os pedidos do Luce e disse que só fornecerá números precisos no final de julho, quando divulgar os resultados do segundo trimestre. A Ferrari precisou até vir a público explicar que não está obrigando os clientes a comprarem seu polêmico carro elétrico Luce para se qualificarem para a compra dos próximos modelos de série limitada da montadora de carros de luxo. A afirmação na época foi de Enrico Galliera, até então diretor de marketing e comercial da Ferrari. Ele deixou a empresa nas semanas seguintes.

Tarifaço: setor de cargas diz que medida de Trump é 'política' e que responder da mesma forma pode piorar situação O setor de transporte de cargas e logística afirmou nesta quarta-feira (22) que vê com "muita preocupação" os desdobramentos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump. Para Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística (Fenatac), a medida dos EUA, que entrou em vigor nesta quarta, tem mais caráter político do que econômico. Ele também avaliou que, se o Brasil responder na mesma moeda, a "situação pode piorar". Lustosa participou nesta quarta-feira de uma reunião com integrantes da gestão Lula, como o vice-presidente Geraldo Alckmin. O governo tem ouvido setores afetados para elaborar medidas de reação ao tarifaço de Donald Trump. Lula vai anunciar nova linha de crédito para empresas Em entrevista após o encontro com Alckmin, o presidente da Fenatac disse que, para ele, a melhor saída para o Brasil é buscar a negociação diplomática e comercial, evitando medidas espelhadas de reciprocidade. "O setor de transporte é uma atividade meio, uma ligação entre o setor industrial, que produz, e quem consome. Então na medida que a carga reduz, o nosso setor sofre", afirmou Lustosa. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação e aplicar tarifas recíprocas contra produtos norte-americanos, o presidente da Fenatac alertou para os riscos de uma escalada na crise comercial. Segundo ele, agir da mesma forma que os EUA pode agravar o conflito e piorar ainda mais a situação das empresas brasileiras. Em vez de uma resposta retaliatória, Lustosa defende um canal permanente de diálogo entre o governo federal e o setor produtivo nacional para buscar uma solução negociada. Embora o setor ainda não conte com números consolidados sobre o prejuízo financeiro ou o volume total de redução no fluxo de fretes, o presidente da entidade destacou que os efeitos práticos da medida serão sentidos de forma imediata na cadeia logística. Operação de transporte de cargas em porto Bruno Leão/ Sedecti

Embraer vai produzir mais 20 caças Gripen em Gavião Peixoto A Embraer e a fabricante sueca Saab assinaram um acordo que prevê a produção de mais 20 caças Gripen no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O anúncio foi feito na terça-feira (21). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram As aeronaves serão montadas no interior de São Paulo para complementar a linha de produção da Saab, na Suécia, e atender à demanda global pelo modelo. O acordo estabelece as bases para ampliar a capacidade de fabricação do Gripen, caça utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), e reforça a parceria entre as duas empresas, iniciada há 10 anos. Segundo a Embraer, a unidade de Gavião Peixoto ficará responsável pela montagem das novas aeronaves dentro de um modelo de produção integrado com a fábrica da Saab, em Linköping, na Suécia. Embraer prevê produção de mais 20 caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto Saab Leia também: RELEMBRE: VÍDEO: primeiro caça Gripen feito no Brasil é apresentado na Embraer, no interior de SP GAVIÃO: Cargueiro militar da Embraer vendido à República Tcheca faz voo inaugural em Gavião Peixoto TECNOLOGIA: Caças Gripen: como inteligência da nova geração de supersônicos vai proteger fronteiras do Brasil Parceria O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, informou que a parceria fortalece a presença da empresa na América Latina e amplia a capacidade para atender futuras oportunidades de negócios. Já o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, disse que a ampliação do acordo reforça o papel estratégico da fabricante brasileira no programa Gripen e posiciona a empresa para atender à expansão da produção e novos mercados. Caça F-39 Gripen Sgt. André Souza/Força Aérea Brasileira O complexo industrial de Gavião Peixoto é considerado um dos principais polos aeroespaciais do país e reúne atividades de fabricação, montagem e testes de aeronaves. Segundo as empresas, a produção dos novos caças também deve fortalecer a cadeia de fornecedores e gerar novas oportunidades para a indústria aeroespacial de alta tecnologia. A cooperação entre Saab e Embraer começou há mais de 10 anos com o Programa Gripen da FAB. Desde então, engenheiros, pilotos de testes, técnicos e especialistas brasileiros participaram de programas de treinamento e transferência de tecnologia na Suécia. Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen Andre Penner/AP Photo/picture alliance Supersônico A aeronave pode atingir velocidades de até 2,4 mil km/h, o equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som, e tem autonomia de até duas horas e meia de voo. Ela também conta com capacidade de reabastecimento em pleno ar, o que amplia ainda mais seu alcance operacional. Em fevereiro deste ano, pela primeira vez, o caça foi colocado em alerta de defesa aérea no país. Isso significa que a aeronave já pode ser empregada em missões reais e passa a ser responsável pela proteção do espaço aéreo da capital federal. A apresentação do primeiro modelo montado em território nacional é considerada um marco para o programa, consolidando o Brasil como um dos poucos países com domínio sobre etapas estratégicas de produção de caças de alta tecnologia. Caça F-39 Gripen Sarg. Müller Marin/FAB REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

Logo da Meta. Daniel Cole/Reuters Uma ação judicial protocolada em um tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, acusa a Meta Platforms de usar ferramentas de inteligência artificial de forma discriminatória, para selecionar funcionários para demissão. A ação expõe os desafios enfrentados por trabalhadores que tentam processar empregadores pelo uso dessa tecnologia, incluindo a dificuldade de comprovar como ela foi realmente utilizada. O caso ajuda a explicar por que a esperada onda de ações trabalhistas relacionadas ao uso de inteligência artificial ainda não se concretizou. Especialistas afirmam que os trabalhadores geralmente sabem pouco sobre como sistemas de IA são usados no ambiente de trabalho. Além disso, muitos abriram mão do direito de recorrer à Justiça ao concordar em resolver disputas trabalhistas por meio da arbitragem, um procedimento privado de resolução de conflitos fora da Justiça. Em uma decisão divulgada na semana passada, na qual rejeitou o pedido da Meta para concluir as demissões de 26 funcionários que moveram uma ação judicial, o juiz federal William apontou um obstáculo central para quem alega discriminação por inteligência artificial: os trabalhadores não participaram das discussões nem tiveram acesso aos processos internos que levaram às decisões. Agora no g1 Isso significa que trabalhadores como os funcionários da Meta, que afirmam ter sido selecionados para demissão por causa de deficiências ou por terem tirado licença médica ou familiar, muitas vezes não conseguem reunir provas suficientes para demonstrar irregularidades no processo. Eles enfrentam ainda outro obstáculo: como a maioria dos trabalhadores americanos, estão vinculados a acordos de arbitragem, o que significa que não podem se unir em uma ação coletiva, apresentar seu caso a um júri ou pressionar por um acordo multimilionário em um tribunal aberto. Arbitragem dificulta ações na Justiça As empresas geralmente preferem a arbitragem por considerá-la uma alternativa mais rápida e barata aos tribunais. Já defensores dos direitos dos trabalhadores afirmam que o modelo frequentemente favorece os empregadores e desestimula os funcionários a apresentarem reclamações. Além disso, o processo é confidencial, o que pode impedir que provas desfavoráveis descobertas em um caso sejam conhecidas por outros trabalhadores ou pelo público. "Mesmo que se comprove que um determinado sistema produz resultados discriminatórios em larga escala, não há como compartilhar essa informação com outros funcionários", afirmou Christine Webber, co-presidente da área de direitos civis e trabalhistas do escritório Cohen Milstein Sellers & Toll, especializada na representação de autores em ações judiciais. O escritório de Webber não participa do processo contra a Meta. Segundo Webber e outros advogados que representam trabalhadores, esses obstáculos ajudam a explicar por que ainda são raros os processos de grande repercussão envolvendo o uso de inteligência artificial por empregadores, embora a tecnologia esteja cada vez mais presente no ambiente de trabalho. Eles afirmam que até mesmo a ação movida contra a Meta, que busca apenas uma medida cautelar, é um caso incomum. Um dos poucos casos que ganharam repercussão envolve a Workday, acusada de usar seu software de gestão de recursos humanos para filtrar ou excluir ilegalmente candidatos a vagas de emprego com base em fatores como raça, idade e deficiência. Nesse caso, a arbitragem não é um fator relevante porque a empresa não mantém contratos com os candidatos que se inscrevem para vagas de seus clientes. A Workday nega as acusações. Funcionários tentam barrar demissões Os contratos assinados pelos trabalhadores da Meta incluem uma exceção limitada que permite solicitar uma ordem judicial para impedir temporariamente que uma das partes tome medidas capazes de causar danos irreversíveis. No entanto, esse recurso costuma ser usado em disputas envolvendo suposto roubo de segredos comerciais ou aliciamento de clientes e funcionários, e não em casos de demissão. Orrick negou aos trabalhadores uma liminar que teria impedido a Meta de concluir as demissões. O juiz ainda precisa decidir se concederá uma tutela antecipada, uma medida provisória mais ampla que poderia permitir o retorno dos funcionários aos seus postos até a conclusão dos processos de arbitragem. Segundo ele, essa decisão poderá ser revista caso os autores apresentem provas que demonstrem se e como a inteligência artificial foi usada de maneira inadequada. Uma audiência está marcada para 24 de agosto, e a parte derrotada poderá recorrer da decisão de Orrick. Os trabalhadores alegam que, ao definir quais cargos seriam eliminados, a Meta consultou ferramentas de inteligência artificial que monitoravam a produtividade e o uso de recursos de IA pelos funcionários. Segundo eles, esse sistema teria prejudicado pessoas que precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde ou para cuidar de familiares. De acordo com o processo, a Meta utilizava diversos sistemas internos baseados em inteligência artificial. Entre eles estavam: o "Metamate", um assistente de linguagem de grande porte; uma ferramenta descrita como um "segundo cérebro", alimentada pelos próprios funcionários e capaz de rastrear comunicações e documentos internos; e um sistema que atribuía notas de produtividade com base na análise de digitações, conteúdo exibido na tela, e-mails e histórico de navegação. Em documentos judiciais e manifestações apresentadas na semana passada, a Meta afirmou que todas as decisões relacionadas às quase 8 mil demissões anunciadas no início do ano foram tomadas por pessoas, e não por sistemas automatizados. A empresa também negou ter usado inteligência artificial para selecionar funcionários para demissão ou para realizar avaliações de desempenho. Um porta-voz informou à Reuters na terça-feira que a companhia não comentaria o caso além do que já foi apresentado à Justiça. Orrick afirmou que, neste estágio do processo, precisava considerar as informações apresentadas pela Meta, já que os autores não conseguiram apresentar provas capazes de contradizer as alegações da empresa. Em uma declaração conjunta divulgada na semana passada, os advogados dos trabalhadores reconheceram as dificuldades para reunir provas e chegaram a pedir que funcionários atuais e ex-funcionários da Meta entrassem em contato caso soubessem como a inteligência artificial foi utilizada no processo de seleção para as demissões. "A Meta detém praticamente todas as informações relevantes", disseram os advogados.

Ana Flor: Governo anuncia financiamentos para compensar tarifaço O governo Lula anuncia nesta quarta-feira (22), no Palácio do Planalto, uma nova linha de crédito para setores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor a partir desta quarta. Nos moldes do programa Brasil Soberano, criado para ajudar setores no tarifaço de 2025, o governo vai divulgar uma nova linha de crédito, com custos menores. Como contrapartida, o governo vai pedir a manutenção de pelo menos parte dos empregos das empresas que aderirem ao programa de crédito. O governo decidiu anunciar a primeira medida em resposta ao tarifaço de Donald Trump no dia de entrada em vigor das novas taxas, de 25%. Lula cobrava de seus ministros um anúncio nesta quarta. Outras medidas ainda estão em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados. O blog apurou que não vai haver anúncio de desoneração tributária às empresas dos segmentos atingidos. Ainda nesta semana, os Estados Unidos podem anunciar uma nova tarifa, de 12,5%, em outro movimento tarifário. Ainda nesta semana, os Estados Unidos podem anunciar uma nova tarifa, de 12,5%, em outro movimento tarifário Jornal Nacional/ Reprodução

Soldado observa navio comercial iraniano M/V Touska a partir de navio de guerra dos EUA durante bloqueio marítimo no Oriente Médio em 20 de abril de 2026. Divulgação/Marinha dos EUA A escalada das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã pode reacender a inflação, elevar as taxas de juros e reduzir o crescimento global para até 1,3%, ante 2,9% no ano passado, afirmou à Reuters o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill. Gill, que se aposenta no fim de agosto, disse que o banco elaborou três cenários para sua previsão econômica de junho, diante da elevada incerteza em torno da guerra no Oriente Médio. Em entrevista na noite de terça-feira, ele afirmou que o pior deles, que prevê hostilidades por seis meses ou mais, já está perto de se concretizar. Nesse caso, a inflação global chegaria a 4,5%. Conflitos prolongados e danos à infraestrutura petrolífera da região também podem agravar a insegurança alimentar ao interromper embarques de fertilizantes, hélio e enxofre, desencadeando uma série de efeitos indiretos, como taxas de juros mais altas, disse Gill. As declarações são as primeiras de uma autoridade de alto escalão do Banco Mundial desde a forte escalada das tensões entre Washington e Teerã e o fim do cessar-fogo, que havia alimentado esperanças de um impacto menos severo do conflito. Agora no g1 A guerra se intensificou nesta semana, com forças norte-americanas bombardeando alvos no sul e no oeste do Irã e Teerã atacando instalações dos EUA no Barein, no Kuwait e na Jordânia. O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz segue interrompido, enquanto os houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram um bloqueio naval aos embarques da Arábia Saudita pelo estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que dá acesso ao Mar Vermelho. Petróleo supera US$ 95 pela primeira vez desde junho após escalada da guerra entre EUA e Irã Gill afirmou que países pobres que ainda não se recuperaram dos efeitos da pandemia de Covid-19 podem enfrentar maior insegurança alimentar. Já as nações mais endividadas tendem a ser afetadas pelo aumento dos custos de financiamento, à medida que os juros sobem e reduzem os recursos disponíveis para educação, saúde e outros serviços essenciais. “Minha impressão pessoal é que talvez estejamos a alguns meses disso, sabe, porque ainda não começamos a ver as taxas de juros de referência subindo”, disse ele. Segundo Gill, se a inflação acelerar, pode levar apenas alguns meses para que países altamente endividados enfrentem dificuldades para honrar o pagamento de suas dívidas. Os sinais de pressão já começaram a aparecer. Alguns países com dificuldades financeiras solicitaram ao Fundo Monetário Internacional a ampliação de empréstimos já existentes. Além disso, o Paquistão pediu nesta semana aos Estados Unidos uma linha de estabilização cambial de US$ 10 bilhões, segundo uma fonte com conhecimento do assunto afirmou à Reuters. A previsão divulgada pelo Banco Mundial em junho mostrou que 40% dos países de baixa e média renda já estavam em situação de sobreendividamento ou corriam alto risco de chegar a esse ponto. Isso equivale a 32 países, mas o número pode aumentar rapidamente se os juros subirem, disse Gill. Ele acrescentou que outras nações podem ver suas perspectivas de crescimento de longo prazo piorarem, mesmo sem entrar em moratória ou deixar de pagar suas dívidas. “É simplesmente um desastre em câmera lenta”, disse Gill. Segundo ele, países pressionados pelo peso da dívida acabarão consumindo recursos que poderiam ser destinados à educação, à saúde e a outras áreas essenciais para sustentar o crescimento futuro. A relação média entre dívida e PIB dos países emergentes e em desenvolvimento era de cerca de 74% em 2025, bem acima dos 50% a 55% registrados antes da pandemia, segundo dados do Banco Mundial. Nos países de baixa renda, o indicador chegou a 67%, ante cerca de 40% no período pré-pandemia. Alguns países precisarão de perdão de dívida, analisado caso a caso, afirmou Gill. Gill observou que as maiores economias do mundo — Estados Unidos, China e Índia — permanecem relativamente protegidas dos efeitos da guerra, cada uma amparada por diferentes fatores de resiliência. Os países em desenvolvimento, no entanto, enfrentam riscos significativamente maiores.

Logo da OpenAI, dona do ChatGPT AP Photo/Michael Dwyer A OpenAI informou que alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados agiram por conta própria e invadiram uma startup após a empresa perder o controle sobre eles durante um teste de segurança. A criadora do ChatGPT declarou que seu agente — um sistema de IA capaz de operar autonomamente após receber instruções iniciais de humanos — estava sendo testado em um ambiente controlado, mas teve vulnerabilidades. O sistema teve como alvo a Hugging Face, uma das maiores plataformas do mundo para compartilhamento de modelos de IA, obtendo acesso a alguns sistemas internos da empresa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A OpenAI classificou o incidente como "sem precedentes" e afirmou estar conduzindo uma investigação em conjunto com a Hugging Face. O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, declarou em uma publicação no X que era "impressionante que tudo isso tenha acontecido de forma autônoma". "A investigação está em andamento, e compartilharemos mais aprendizados sobre o que pode ser o primeiro incidente desse tipo", acrescentou. Homem processa OpenAI e diz que ChatGPT reforçou delírio de que era Jesus Cristo Ambientes de teste (sandboxes) inseguros Gina Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, disse ao programa Today, da BBC Radio 4, que os testes de segurança — conhecidos como sandboxes — "deveriam ser ambientes seguros onde é possível observar do que os modelos são capazes". "Neste caso, parece que a OpenAI não criou um ambiente de teste suficientemente seguro", acrescentou ela. Em vez disso, os agentes criaram seu próprio ataque cibernético contra o ambiente de teste, encontrando uma vulnerabilidade que lhes permitiu escapar. Uma vez fora, a IA identificou a Hugging Face como uma provável fonte das respostas que buscava no teste e tentou obter acesso. Neil Lawrence, professor de aprendizado de máquina na Universidade de Cambridge, classificou o feito como "impressionante", mas ressaltou que ele "está totalmente dentro das capacidades conhecidas da geração atual" de modelos de IA de alto desempenho. Ele observou que a OpenAI busca abrir seu capital na bolsa de valores e enfrenta forte pressão da rival Anthropic, que ganhou destaque com sua própria ferramenta de IA poderosa, a Mythos. "A OpenAI está agora correndo atrás do prejuízo; eles estão tentando demonstrar as capacidades de seus próprios sistemas em segurança cibernética." "Isso nos mostra que a OpenAI não é capaz de implementar sua própria tecnologia com segurança", acrescentou. Em seu comunicado inicial sobre a invasão, em 16 de julho, a Hugging Face informou que ainda estava avaliando se dados de clientes ou parceiros haviam sido afetados e que entraria em contato com as partes atingidas, se necessário. A empresa afirmou que já corrigiu as vulnerabilidades apontadas pelo incidente e reconstruiu os sistemas afetados. "Ferramentas ofensivas autônomas impulsionadas por IA já não são algo teórico", declarou a empresa. "Defender uma plataforma online agora significa tratar os dados e a superfície do modelo como uma superfície de ataque de primeira ordem, e utilizar IA na defesa para acompanhar o ritmo. "Continuaremos investindo nessa área e compartilhando o que aprendermos." 'Momento de reflexão' O incidente levantou novas questões sobre as capacidades de sistemas avançados de IA e se as salvaguardas existentes são suficientes à medida que a tecnologia se torna mais poderosa. Spencer Starkey, executivo da empresa de cibersegurança SonicWall, disse à BBC que o episódio deixou claro que as organizações precisam "intensificar" suas defesas e "tratar a resiliência cibernética como uma prioridade operacional fundamental". "A verdade desconfortável é que muitas organizações ainda se defendem na velocidade humana, enquanto os adversários estão avançando para a velocidade das máquinas", afirmou. Enquanto isso, Travis Lelle, engenheiro-chefe de segurança da consultoria Guidepoint Security, disse que a atualização marcou um "momento de reflexão na cibersegurança". "Isso evidencia uma assimetria conhecida", disse ele. "Os agentes ofensivos não têm restrições, enquanto as melhores ferramentas de defesa estão limitadas por mecanismos de controle que não conseguem compreender o contexto." No entanto, Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, observou que o anúncio também poderia ter uma dimensão competitiva. Ele argumentou que a OpenAI pode estar tentando destacar suas próprias capacidades de IA, uma vez que a rival Anthropic atrai cada vez mais atenção com seu modelo Claude Mythos. "Isso levanta a questão de se a OpenAI estaria tentando alcançar o sucesso de marketing da Anthropic", disse. O fato ocorre uma semana após a startup chinesa de IA Moonshot apresentar o Kimi K3 — um novo e gigantesco modelo de inteligência artificial que, segundo a empresa, pode rivalizar com as principais companhias dos EUA.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar inverteu a alta registrada pela manhã e fechou em queda de 0,43% nesta quarta-feira (22), cotado a R$ 5,0512. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 2,44%, aos 177.548 pontos, impulsionado pela alta das ações da Petrobras e da Vale. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova taxa adicional de 25% aplicada pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros ficou no radar dos investidores. A tarifa já entrou em vigor, e a expectativa é que uma nova alíquota, entre 10% e 12,5%, seja anunciada em breve para cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. ▶️ O cenário aumenta a pressão sobre o governo brasileiro, que segue em conversa com empresários dos setores afetados e avalia como reagir às tarifas. ▶️ Além disso, o conflito no Oriente Médio e o número cada vez menor de embarcações que conseguem cruzar o Estreito de Ormuz seguem preocupando os investidores. ▶️ Apesar de mediadores terem pedido um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã para abrir negociações, os ataques continuam. As tensões pressionam os preços do petróleo, diante dos temores de uma interrupção na oferta global da commodity. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, subia 3,22%, cotado a US$ 93,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, avançava 2,51% no mesmo horário, cotado a US$ 86,46 por barril. ▶️ Na agenda econômica, investidores também aguardam uma série de resultados de empresas previstos para esta quarta-feira. Essa é a primeira leva de balanços do setor de tecnologia nos EUA, que poderá indicar se a alta impulsionada pela inteligência artificial ainda tem espaço para continuar. ▶️ No Ibovespa, a maioria das ações subiu, com destaque para os papéis da Weg, que avançaram mais de 9% após a empresa divulgar resultados positivos no segundo trimestre. Os ganhos da Vale, da Petrobras e do Bradesco também ajudaram a impulsionar o índice. LEIA MAIS Petróleo supera US$ 95 pela primeira vez desde junho após escalada da guerra entre EUA e Irã Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,17%; Acumulado do mês: -2,16%; Acumulado do ano: -7,97%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,21%; Acumulado do mês: +3,21%; Acumulado do ano: +10,19%. Tarifaço passa a valer A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. LEIA MAIS Veja perguntas e respostas do novo tarifaço de Trump Governo ainda estuda como reagir à taxação Quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda por que o Brasil evita uma retaliação imediata Petróleo e tensões no Oriente Médio Na madrugada desta quarta, pelo horário iraniano, os EUA atacaram alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva. Segundo as forças americanas, os bombardeios atingiram centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones do Irã. Moradores de Teerã relataram explosões. Outras foram registradas nas cidades de Chabahar, Konarak e Bushehr, onde fica a única usina nuclear do Irã. Antes, o Irã havia atacado instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Além disso, um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo. O Irã também afirmou ter atingido infraestrutura da Amazon no Bahrein, onde a empresa americana mantém um centro regional de dados. A companhia não comentou. Ainda na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá atacar "muito em breve" a montanha de Pickaxe, próxima à instalação nuclear de Natanz. A montanha abriga uma rede de túneis subterrâneos onde especialistas acreditam que o Irã mantenha parte da infraestrutura usada no enriquecimento de urânio. Em resposta, o comando militar iraniano afirmou que vai atacar investimentos dos Estados Unidos e de países aliados caso instalações nucleares iranianas sejam bombardeadas. Segundo um funcionário do Ministério da Saúde iraniano, 50 civis morreram e 500 ficaram feridos nos recentes ataques norte-americanos. Já os EUA confirmaram a morte de 18 militares desde o início da guerra. A escalada das tensões volta a trazer preocupações sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários americanos fecharam em queda, à espera de novos balanços corporativos do setor de tecnologia. O Dow Jones recuou 0,01%, enquanto o S&P 500 caiu 0,14% e o Nasdaq Composite teve perdas de 0,57%. Na Europa, o dia foi positivo, puxado por ações de energia e defesa. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,60%, para os 647,07 pontos, no nível mais alto de fechamento desde 6 de julho. Entre os principais índices da região, o alemão DAX subiu 0,58%, enquanto o francês CAC-40 avançou 0,89% e o britânico FTSE 100 teve alta de 1,24%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em queda nesta quarta-feira, mais uma vez lideradas pelos setores de chips e tecnologia, conforme investidores realizaram lucros após a sessão anterior ter registrado a maior alta em três meses. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,46%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,07%. Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,95%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul teve uma valorização de 0,74% e o Nikkei, do Japão, recuou 0,18%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo Jornal Nacional/ Reprodução

Tarifaço de 25% de Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (21) que o instrumento aprovado pelo Congresso Nacional que permite ao Brasil adotar reciprocidade nas relações comerciais com os Estados Unidos é "diferente de retaliação e de vingança". Em entrevista à rádio Bandeirantes, ele afirmou que o Brasil "vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário". "O problema é que precisamos primeiro dimensionar qual a medida que eventualmente poderia corresponder à uma reciprocidade. Segundo, se ela não poderia produzir um efeito negativo, reflexo. Se o prejuízo não poderia ser maior aqui do que lá. Se você for adotar a reciprocidade, precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo", declarou o ministro. A declaração foi dada no primeiro dia de vigência da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A medida de aplicação das tarifas foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. Apesar de dizer que o Brasil vai usar a reciprocidade quando for adequado, Márcio Elias defendeu a continuidade das negociações com os Estados Unidos a respeito do tarifaço. "Não é razoável que não tenhamos acordo. Não podemos de maneira alguma alimentar o dissenso. A despeito do desaforo, temos de continuar na mesa de negociação tentando trazer de volta", afirmou o ministro. Em sua visão, o tarifaço não seria revogado com a eventual eleição de um governo de direita no Brasil. "O governo Trump quer reintroduzir sua indústria e comércio, e, para isso, é preciso submeter os outros a um regime de restrição tarifária. Fez ontem [terça] 50% de tarifa com o Canadá, e também com medicamentos genéricos, para reindustrializar os EUA", avaliou. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Início do tarifaço dos EUA O ministro Márcio Elias, do Desenvolvimento, afirmou ainda que a tarifa adicional dos Estados Unidos de 25% que tem início nesta quarta-feira tem muito mais um "caráter de sanção, como se o brasil tivesse feito algo errado, que não fez, do que regulação de mercado". Ele lembrou que o Brasil é um dos poucos países que têm déficit comercial com os norte-americanos nos últimos anos. O ministro disse, também, que o Brasil vem reduzindo o desmatamento e combatendo a pirataria, pontos questionados pelos EUA na investigação sobre o país. "Quando o outro lado não se conecta com a realidade, fica difícil. Quando as questões são meramente comerciais ou econômicas, teríamos chegado a um consenso um acordo. Do lado dos EUA, sempre foram ideológicas ou políticas", avaliou o ministro.

Lagosta Monika Borys/Unplash O Ministério da Pesca e Aquicultura divulgou na terça-feira (21) uma lista completa dos peixes e crustáceos que foram taxados em 25% pelos EUA e os que ficaram isentos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A nova tarifa entrou em vigor nesta terça-feira (22), após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. No setor de pescados e crustáceos, os produtos isentos representam 89,2% do valor exportado aos Estados Unidos em 2025. A lista inclui alguns dos principais itens da pauta de exportações, como tilápia, atum, espadarte e lagosta congelada. Produtos isentos Albacora-laje fresca ou refrigerada; Albacora-bandolim fresca ou refrigerada; Cavalinhas frescas ou refrigeradas; Espadarte fresco ou refrigerado; Tilápia fresca ou refrigerada; Tilápia inteira congelada; Filé de tilápia fresco ou refrigerado; Lagosta congelada; Outros peixes congelados, como corvina, pescadas, pargo, peixe-sapo, garoupas, tainhas e cherne-poveiro. Produtos taxados Farinhas, pós e pellets de peixe impróprios para alimentação humana; Outros peixes das famílias Bregmacerotidae, Gadidae e outras; Filé de tilápia congelado; Outros filés congelados de peixes; Outras carnes de peixes, frescas, refrigeradas ou congeladas; Lagostas vivas, frescas ou refrigeradas; Algas próprias para alimentação humana; Outras algas frescas, refrigeradas, congeladas ou secas. Leia também: Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas Tarifaço de Trump: governo ainda estuda como reagir à taxação que começa nesta quarta Tarifaço de 25% de Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor

Executivos de YouTube, Snapchat e TikTok foram interrogados por senadores americanos Richard Drew/AP Foto Um homem de Illinois foi condenado na terça-feira (21) a mais de seis anos de prisão após admitir ter invadido contas do Snapchat de centenas de mulheres para roubar fotos de nudez total ou parcial, que guardava, vendia ou trocava na internet. Kyle Svara, de 27 anos, foi condenado a 76 meses de prisão pelo juiz federal Brian Murphy, em Boston, após se declarar culpado das acusações relacionadas a um processo anterior contra um ex-treinador de atletismo da Northeastern University, que o pagou para invadir contas de atletas universitárias e de outras mulheres. A sentença foi confirmada por um porta-voz da procuradora federal Leah Foley, responsável pelo processo contra Svara. O advogado de Svara não respondeu aos pedidos de comentário. Em documentos judiciais, a defesa afirmou que ele sente "profundo remorso e vergonha por suas ações". Segundo os advogados, os crimes ocorreram durante um período de isolamento, quando ele era estudante da Universidade de Illinois, durante o lockdown da Covid-19. Agora no g1 Segundo os promotores, entre maio de 2020 e fevereiro de 2021, Svara usou números de telefone anônimos obtidos pela internet para enviar mensagens de texto a mais de 1.500 mulheres, fingindo integrar a equipe de suporte do Snapchat, plataforma operada pela Snap. Centenas de vítimas responderam às mensagens de phishing enviadas por Svara com códigos de segurança que lhe permitiram acessar suas contas do Snapchat. Segundo os promotores, ele conseguiu invadir as contas de pelo menos 517 mulheres. O esquema permitiu que ele acessasse fotos de nudez total ou parcial armazenadas nas contas de pelo menos 59 mulheres, segundo os promotores. Além de guardar as fotos para si, Svara anunciava seus serviços de invasão de contas na internet. Segundo os promotores, ele recebeu US$ 50 (R$ 253,90) do ex-técnico da Northeastern University Steve Waithe para invadir contas de mulheres, incluindo ex-atletas que havia treinado, e roubar imagens delas. Waithe foi condenado em 2024 a cinco anos de prisão por enganar jovens mulheres para que lhe enviassem fotos íntimas ou para roubar essas imagens. Segundo os promotores, ele fez ao menos 56 vítimas em todo o país. Svara se declarou culpado em fevereiro das acusações de fraude informática e roubo de identidade agravado. Ele também admitiu ter feito uma declaração falsa às autoridades ao afirmar que não tinha interesse em pornografia infantil. Investigadores encontraram esse tipo de material em suas contas online. Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba o que fazer Teve fotos íntimas vazadas? Saiba como reunir provas, denunciar e pedir a remoção do conteúdo O caso ocorreu nos Estados Unidos, mas situações semelhantes também são punidas no Brasil. A divulgação de fotos íntimas sem consentimento é crime e pode resultar em prisão e no pagamento de indenização às vítimas. Como mandar nudes de forma segura Gabriel Wesley Marques Santos / arte g1 É possível apagar 100% das imagens da internet? Nem todas as plataformas oferecem ferramentas para remover esse tipo de conteúdo. Como o g1 mostrou, quando o caso chega à Justiça, podem ser emitidas determinações para que redes sociais e outros serviços retirem as imagens do ar. No entanto, a própria vítima também pode solicitar a remoção diretamente às plataformas: Google: o pedido pode ser feito por meio deste formulário. Caso a vítima seja menor de idade, a empresa exige que um responsável legal faça a solicitação e comprove que tem autorização para agir em seu nome. X: o pedido de remoção pode ser feito por meio deste formulário. Embora as Delegacias da Mulher costumem contar com equipes mais preparadas para acolher vítimas desse tipo de crime, o registro da ocorrência e a denúncia podem ser feitos em qualquer delegacia. Veja como denunciar exposição de nudes Gabriel Wesley Marques Santos / arte g1 *Com informações da agência de notícias Reuters

Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã Reuters Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira (22), em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O barril do Brent ultrapassou os US$ 95 pela primeira vez desde o início de junho, impulsionado pelos temores de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo do Oriente Médio. 🔎 Por volta das 6h45 (horário de Brasília), o contrato do Brent para entrega em setembro avançava 4,4%, para US$ 95,02 por barril. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, subia 4,5%, para US$ 88,16. Às 8h19, o Brent reduzia parte dos ganhos, mas ainda registrava alta de 3,85%, cotado a US$ 94,51 por barril. No mesmo horário, o WTI avançava 3,59%, para US$ 87,37 por barril. A alta ocorre em meio à intensificação do conflito entre Washington e Teerã. Na madrugada desta quarta-feira (horário local do Irã), os eua bombardearam alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva, atingindo centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones, segundo as forças americanas. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Nos últimos dias, o Irã também realizou ataques contra instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Além disso, um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, principal corredor para o transporte de petróleo da região, aumentando as preocupações sobre a segurança do fluxo global da commodity. As tensões se ampliaram ainda mais após os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciarem um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. A medida ameaça o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma das principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio para a Ásia e a Europa. Na terça-feira (21), dois petroleiros carregados com petróleo saudita e destinados à Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho após ameaças de ataque dos Houthis. O episódio reforçou os receios de que o conflito possa comprometer o abastecimento mundial de petróleo. O mercado teme que tanto o Estreito de Ormuz quanto Bab el-Mandeb enfrentem restrições ao tráfego de embarcações. Juntas, as duas passagens concentram uma parcela significativa do comércio marítimo global de petróleo, e qualquer interrupção pode reduzir a oferta da commodity e elevar os preços internacionais. Bolsas reagem de forma mista A disparada do petróleo favoreceu ações do setor de energia e ajudou a impulsionar as bolsas europeias. O índice pan-europeu STOXX 600 avançava cerca de 0,6%, apoiado pelas empresas de petróleo e gás. Já os futuros das bolsas americanas operavam em queda antes da divulgação dos balanços trimestrais de grandes empresas de tecnologia, como Alphabet e Tesla. Os contratos futuros do Nasdaq recuavam cerca de 0,6%, enquanto os do S&P 500 caíam 0,2%. No mercado de moedas, o dólar perdia força frente a outras divisas importantes, enquanto o iene japonês se recuperava após autoridades do Japão indicarem preocupação com os riscos de inflação e a possibilidade de uma alta de juros mais rápida do que a esperada pelo mercado. Alta do petróleo complica cenário para bancos centrais O avanço da commodity também aumenta os desafios para os principais bancos centrais, já que preços mais elevados de energia tendem a pressionar a inflação. Nesta quinta-feira (23), o Banco Central Europeu (BCE) divulgará sua decisão de política monetária. Na próxima semana, será a vez do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA. A expectativa predominante é de que ambas as instituições mantenham os juros inalterados neste mês. No entanto, operadores passaram a precificar pelo menos uma alta adicional de 0,25 ponto percentual tanto nos EUA quanto na zona do euro até o fim do ano, diante do risco de que a inflação volte a ganhar força com a escalada dos preços do petróleo. *Com informações da agência Reuters

Jovens encontram mercado em transformação com avanço da IA e novas configurações sociais Joerg Carstensen/picture alliance A dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho deixou de ser um problema localizado e passou a mobilizar diferentes países. No ano passado, o desemprego persistente e a escassez de oportunidades levaram manifestantes às ruas no Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Neste ano, a preocupação com a falta de trabalho para essa faixa etária também impulsionou protestos na África do Sul e no Marrocos. Na Índia, ajudou a dar visibilidade ao Partido Cockroach Janta, movimento que surgiu como uma iniciativa satírica nas redes sociais e rapidamente ganhou projeção nacional. O desemprego juvenil na China O desemprego juvenil mede a parcela de jovens, normalmente entre 15 e 24 anos, que procuram trabalho ativamente, mas não conseguem uma vaga. Essa taxa costuma superar a de desemprego geral, em razão da menor experiência profissional e das barreiras enfrentadas por quem está iniciando a carreira. Ainda assim, a diferença entre os dois indicadores tem aumentado em um número crescente de países. A China tornou-se um dos exemplos mais visíveis desse fenômeno. O avanço das matrículas no ensino superior e o aumento do número de formados ocorreram em ritmo mais acelerado do que a criação de empregos, contribuindo para a ansiedade, a prolongada busca por trabalho e o subemprego em um período de desaceleração econômica. Agora no g1 Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos na China foi de 15,6%, segundo dados do governo citados pela agência Reuters. Embora seja o menor nível em 11 meses, o índice permanece muito acima da taxa geral de desemprego do país, em torno de 5%. Desde 2023, as estatísticas chinesas sobre desemprego juvenil deixaram de incluir os milhões de estudantes universitários, o que dificulta a comparação com os dados anteriores. No Brasil, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho também afeta de forma desproporcional os mais jovens. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Entre a população de 14 a 24 anos, quase 20% não estudam nem trabalham. Em alguns países, há crescimento do emprego juvenil em vagas que exigem menor qualificação Stefan Sauer/dpa/picture alliance A culpa é da IA? A China não é o único país a enfrentar crescimento econômico fraco, menor mobilidade social e uma crescente percepção de desigualdade entre gerações. Em diversas economias, o avanço tecnológico, a desaceleração das contratações e o aumento da concorrência têm enfraquecido a relação tradicional entre diploma universitário e emprego estável de colarinho-branco. Além do aumento do número de graduados, outro fator que alimenta a insegurança é o temor de que a inteligência artificial (IA) elimine postos de trabalho de entrada. Os especialistas, porém, ainda não chegaram a um consenso sobre os efeitos da tecnologia. "No Reino Unido, as novas vagas para graduados caíram mais rapidamente do que as destinadas a pessoas sem formação universitária, e muitas dessas funções apresentam alta exposição à IA", afirma Golo Henseke, professor associado de economia aplicada da University College London. Segundo pesquisa conduzida por ele, regiões em que as empresas adotaram a IA mais rapidamente registraram crescimento mais lento do emprego entre pessoas de 15 a 24 anos, enquanto a ocupação entre trabalhadores em idade principal permaneceu estável. Ainda assim, Henseke avalia que, por enquanto, o impacto da IA é pequeno quando comparado aos efeitos normais do ciclo econômico. Sara Elder, especialista em emprego juvenil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), concorda. Para ela, a IA pode contribuir para a estagnação do emprego entre jovens, mas não é o principal fator. "No momento, as economias não estão suficientemente dinâmicas, e a criação de vagas não acompanha o número de jovens que entram no mercado de trabalho", afirma. Segundo Elder, o problema é agravado pela tendência de empregadores elevarem as exigências de contratação, dificultando a entrada de candidatos com pouca experiência profissional. Sem oportunidades em cargos de entrada, muitos jovens podem deixar de adquirir a experiência necessária para avançar na carreira. As consequências incluem menor consumo, redução das taxas de compra de imóveis, adiamento da formação de famílias e aumento da frustração social. Muitos se dizem cada vez mais endivididados. Os setores mais afetados A OIT identificou aumento das taxas de desemprego juvenil em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025, incluindo o Leste Asiático, a América do Norte e o Sudeste Asiático e Pacífico. A redução de oportunidades foi mais acentuada nos setores de manufatura, construção e serviços. Por outro lado, segundo Elder, empregos técnicos altamente qualificados e intensivos em conhecimento, como os das áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação e comunicação, apresentaram desempenho mais favorável e seguiram em expansão na maioria dos países. Cenário exige novos investimentos O crescimento econômico mais lento, a concorrência acirrada entre graduados e as mudanças nos critérios de contratação tornaram mais difícil para muitos jovens conquistar o primeiro emprego. Na Alemanha, uma pesquisa da consultoria EY mostrou que os estudantes estão menos otimistas em relação à possibilidade de encontrar trabalho adequado após a graduação do que estavam há dois anos. A segurança no emprego também superou o salário como principal critério na escolha de um empregador. Para Elder, esse cenário evidencia a necessidade de investimentos públicos e privados na criação de empregos de qualidade e em políticas que facilitem a transição dos jovens da escola para o mercado de trabalho. Henseke, por sua vez, demonstra cautela ao atribuir o problema à qualificação das novas gerações. "É muito improvável que os graduados de hoje sejam menos capacitados do que aqueles que concluíram os estudos há apenas alguns anos, e as competências exigidas pelos empregadores não mudaram da noite para o dia", afirma. "Mais do que qualquer outra medida, o que realmente ajudaria seria um crescimento econômico mais forte", conclui. Ainda assim, ele não vê a Europa enfrentando atualmente uma crise generalizada de emprego juvenil. A taxa de desemprego juvenil na União Europeia foi de 15,2% em maio, contra 5,9% para a população em geral. Desde 2022, a proporção de jovens que não estudam, não trabalham nem participam de programas de formação aumentou apenas em alguns países europeus, como Áustria e Alemanha, e caiu em grande parte do sul do continente. "O desemprego juvenil também não é novidade na Europa", afirma. "Ele foi especialmente grave após a crise financeira global, e as maiores melhorias ocorreram justamente nos países mais afetados naquele período." Autor: Timothy Rooks 'Assédio por pelos': por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão 'Assédio por pelos': por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA Evan Vucci / Reuters O Brasil passa a ter nesta quarta-feira (22/07) a maior tarifa aplicada pelos Estados Unidos entre os países da América do Sul, quando passam a valer as novas taxas impostas por Donald Trump na semana passada. O dado é do Global Trade Alert (GTA), iniciativa do St. Gallen Endowment, centro de estudos independente sediado na Suíça e que compila estatísticas de comércio global. ➡️ Antes do novo tarifaço, o Brasil aparecia empatado com o Uruguai, com tarifa efetiva média de 11,66%, atrás apenas do Paraguai, com 12,92%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Agora, com o novo tarifaço passar a valer, a tarifa de importação do Brasil passará para 18,17%, segundo o GTA, enquanto seus vizinhos — pelo menos por enquanto — seguirão com taxas bem menores. Tarifaço de 25% de Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor Essa percentagem calculada pelo GTA difere da alíquota de 25% anunciada por Trump porque considera o peso de cada produto na pauta exportadora e as exceções previstas nas novas regras. Essa tarifa média valerá entre 22 de julho (quando passa a valer a Seção 301 para o Brasil) e 26 de julho, quando expirará outra tarifa de 10%, temporária, aplicada pela Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA. A partir daí, o monitor estima uma tarifa de 14,42% para o Brasil. No entanto, o alívio parcial deve durar pouco, e a média mais alta deve voltar a prevalecer. Isso porque o governo Trump já anunciou que pretende impor uma nova tarifa adicional para substituir a que vai expirar. Membros do governo Trump sinalizaram que a nova tarifa, que deve afetar dezenas de países, pode ser fixada entre 10% e 12,5%. Mas por que o Brasil se tornou um dos principais alvos da política tarifária americana na região? Segundo especialistas, a resposta cruza pelo menos quatro dimensões: política, econômica, estratégica e diplomática. Desalinhamento ideológico Para Carlos Pio, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia e professor da Universidade de Brasília (UnB), a tarifa contra o Brasil reflete uma mudança mais ampla na doutrina comercial de Trump: da lógica de livre mercado para uma visão nacionalista, que prioriza proteger setores industriais afetados pela desindustrialização, além de favorecer alianças políticas em detrimento de protocolos diplomáticos tradicionais. "É uma ação política, mas não quer dizer que não seja uma ação que tenha propósito comercial", pondera. Segundo Pio, o Brasil se torna alvo preferencial não só pela economia relativamente fechada e resistente à liberalização, mas por um desalinhamento ideológico somado à proximidade pessoal que o governo Bolsonaro cultivou com Trump. "Não é nem com a Casa Branca nem com o governo americano. É com o Trump", resume. Essa lógica, diz o professor, também aparece em outras frentes da direita global apoiadas inicialmente por Trump — como Marine Le Pen, na França, e as "expectativas frustradas com [Giorgia] Meloni", na Itália, depois que ela adotou posições mais liberais. "Como a PF [Polícia Federal] e o Supremo [Tribunal Federal] foram em cima do Bolsonaro, reforça esse outro lado de: aos meus amigos, tudo." A comparação com a Argentina de Javier Milei, segundo Pio, reforça o argumento. "A Argentina também é protecionista como o Brasil, mas Milei está em uma condição distinta do Lula em relação à política." Proximidade com a China Jan Marcel, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acrescenta que o Brasil é a maior economia da América Latina e tem relevância comercial superior para os Estados Unidos do que os seus vizinhos, o que inclui produtos de maior valor agregado, como aeronaves, máquinas, petróleo, aço e produtos químicos. Há ainda no tabuleiro a disputa entre Estados Unidos e China por influência global. Como o Brasil mantém relação econômica forte com a China e, ao mesmo tempo, segue como parceiro relevante dos EUA, "acaba ficando no centro dessa competição", diz Marcel, o que transforma a tarifa em instrumento de pressão sobre temas que vão muito além do comércio bilateral. Instrumento de pressão política Celso Figueiredo, advogado especialista em comércio internacional e professor de Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que as tarifas comerciais de Trump deixaram de ser meras ferramentas econômicas para se tornarem instrumentos de pressão política e arrecadação fiscal, sob a doutrina America First: mais competitividade para produtos americanos, e mais receita para o governo também. No caso brasileiro, porém, Figueiredo vê "componentes extras". "Quando a gente observa a nota publicada no começo de junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e a decisão publicada em 15 de julho, o fundo técnico objetivo dessa decisão acaba sendo raso, o que leva a crer que, de fato, essa tomada de decisão tem um aspecto mais político", diz o advogado. O especialista lembra que o atual patamar de taxação contra o Brasil estar acima dos pares da região também pode não ser definitivo. Segundo ele, há, inclusive, uma investigação em curso contra 60 países (incluindo o Brasil), voltada a apurar se eles ganharam vantagem competitiva com ítens produzidos por meio dotrabalho forçado, o que demonstra, segundo o advogado, que o instrumento seguirá sendo usado para outras nações também. Isso mostra, de acordo com o especialista, que os Estados Unidos monitoram de perto qualquer sinal que ameace a hegemonia do país, como também do dólar nas transações internacionais — como a ideia, discutida no âmbito do Brics, de uma moeda própria para o bloco de 11 países que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Uma escalada é provável? Em nota divulgada após o anúncio dos EUA na semana passada, o governo federal brasileiro classificou a medida como "um marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Para o executivo brasileiro, não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e que a balança comercial é favorável aos EUA. Uma fonte da Casa Branca citada pelo jornal O Globo sinalizou que qualquer retaliação brasileira forçaria os Estados Unidos a "potencialmente modificar" sua ação para "garantir a eliminação dessas práticas". "Se eles optarem, provavelmente haverá mais ações do nosso lado”. Ainda assim, um cenário de escalada não é o mais provável, na visão de Figueiredo. A Lei de Reciprocidade, sancionada no ano passado após o primeiro tarifaço, ficou "engavetada", já que as tarifas foram derrubadas. Para o advogado e professor da FGV, o mesmo padrão deve se repetir agora e a retaliação direta "não é o que está na mesa". Ele lembra que a nova lista de exceções tarifárias, semelhante à do ano anterior, deve protegerboa parte das exportações brasileiras, o que reduz a pressão para uma resposta mais dura. A aposta segue sendo a negociação diplomática.

'Assédio por pelos': como campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão Getty Images Com o aumento das temperaturas este verão no Japão, o governo metropolitano de Tóquio está incentivando os homens a trocarem o tradicional terno e gravata por roupas mais casuais — camisetas, tênis e, agora, bermudas — no ambiente de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, lançou em abril a iniciativa Tokyo Cool Biz, com o objetivo de ampliar sua campanha de combate ao calor, que já se tornou uma tradição anual no verão japonês. Quase quatro meses depois, a medida que tornou aceitável o uso de bermudas no escritório divide opiniões. Alguns funcionários aprovam as regras mais flexíveis, que permitem trabalhar com mais conforto. Outros dizem que a política é injusta com as mulheres, já que delas ainda se espera o uso de meia-calça quando deixam parte das pernas à mostra. Agora no g1 E algumas mulheres descrevem a situação como sunehara, termo criado na internet que significa "assédio por pelos nas pernas" e descreve o desconforto que elas sentem ao serem obrigadas a ver os pelos das pernas dos colegas homens. "Queremos oferecer às pessoas mais opções durante o calor intenso, não dizer o que elas devem vestir. Não deve haver problema desde que a roupa de trabalho não seja ofensiva para ninguém", afirmou à BBC Noboru Watanabe, funcionário da área ambiental do governo metropolitano de Tóquio. 'Assédio por pelos': como campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão Getty Images Uma pesquisa realizada em junho pela Gorilla Clinic — especializada em tratamentos estéticos, entre eles, remoção de pelos — mostrou que 53,5% dos entrevistados são contra o uso de bermudas no trabalho durante o verão, enquanto 46,5% apoiam a nova recomendação. Entre os que são contra o uso, o principal motivo apontado — tanto por homens quanto por mulheres — foi a preocupação com a aparência do corpo e com os pelos. A clínica afirma que o número de mulheres contrárias foi significativamente maior, indicando que elas podem ser mais resistentes a ver as pernas dos colegas homens. Nos últimos anos, mais trabalhadores japoneses — especialmente aqueles que atuam em startups e empresas de tecnologia — passaram a usar roupas mais informais no trabalho. Mas a recomendação do governo de Tóquio neste ano tornou esse estilo mais socialmente aceito. Ainda assim, alguns homens passaram a se sentir constrangidos em relação aos pelos das pernas. Akifumi Funatsu, diretor da Gorilla Clinic, afirma ter percebido um aumento de clientes que procuram a clínica não apenas por motivos estéticos, mas também por uma questão de "etiqueta social ao usar bermudas". Segundo ele, algumas mulheres acreditam que "os homens deveriam ter menos pelos nas pernas", o que levou alguns trabalhadores a buscar depilação a laser para evitar causar desconforto às pessoas ao redor. Medidas contra o calor extremo Koike introduziu pela primeira vez a mudança no vestuário de verão em 2005, quando era ministra do Meio Ambiente do Japão. Ela lançou uma campanha nacional de economia de energia chamada Cool Biz, que incentivava funcionários de empresas a optarem por camisas de manga curta. Líderes do governo aderiram à iniciativa. O então primeiro-ministro Junichiro Koizumi era frequentemente visto em público sem gravata ou paletó, ajudando a popularizar a campanha. Alguns anos depois, após o terremoto e tsunami de Tohoku, em março de 2011, o governo lançou o Super Cool Biz, ampliando as recomendações para reduzir o consumo de energia tanto no trabalho quanto em casa. Assim como outros países, o Japão vem enfrentando temperaturas recordes nos últimos meses, enquanto lida com o aumento dos preços da energia provocado pela instabilidade no Oriente Médio. Meteorologistas alertaram para um verão de calor extremo e a Agência Meteorológica do Japão tenta aumentar a conscientização da população com o termo kokusho-bi, que significa "dia de calor extremo", quando a temperatura ultrapassa os 40°C. Os dados mais recentes divulgados semanalmente mostram que sete pessoas morreram no Japão por insolação e 4.580 foram internadas em hospitais entre 6 e 12 de julho, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. Além de manter a hidratação e ligar o ar-condicionado — medidas básicas frequentemente recomendadas pelas autoridades —, moradores têm recorrido a novos produtos e tecnologias para enfrentar o calor. Itens como roupas com ventiladores embutidos, toalhas úmidas descartáveis, guarda-chuvas com proteção contra raios ultravioleta e calor, além de ventiladores portáteis, se tornaram populares e passaram a ser vendidos em lojas de todo o país. Especialistas da Rede Acadêmica Japonesa para Redução de Desastres destacam a importância da aclimatação ao calor, já que o corpo leva várias semanas para se adaptar às altas temperaturas. Segundo eles, o ideal é começar a se preparar para o calor e adotar medidas de prevenção contra a insolação ainda durante a temporada de chuvas, antes da chegada do verão mais intenso. O Japão também enfrenta altos níveis de umidade, o que dificulta a evaporação do suor e reduz a capacidade do corpo de se resfriar. Da Copa ao escritório: por que pressão e ansiedade afetam tanto o desempenho de profissionais
O que são as criptomoedas? Criptomoedas são ativos digitais, e não moedas oficiais como o real ou o dólar. Elas não são emitidas por governos e utilizam tecnologias como o blockchain para registrar e validar transações. O bitcoin foi a primeira criptomoeda e continua sendo a mais conhecida. Esses ativos atraem investidores pelo potencial de valorização, mas também estão sujeitos a fortes oscilações de preço, o que faz deles investimentos de alto risco. No Brasil, a compra e a venda de criptoativos são permitidas, e o setor vem sendo regulamentado pelo Banco Central. A regulamentação, porém, não garante rentabilidade nem protege o investidor de prejuízos. Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

PF conclui processo e recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo; decisão cabe ao ministro da Justiça A recomendação de demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal colocou em evidência um conceito comum em processos trabalhistas e administrativos, mas nem sempre bem compreendido: o abandono de trabalho. A corporação concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e encaminhou ao Ministério da Justiça, nesta terça-feira (21), o pedido para que o ex-deputado seja desligado dos quadros da PF. A investigação apontou que ele não retornou às atividades após perder o mandato na Câmara dos Deputados. Agora, caberá ao ministro da Justiça decidir se aplica ou não a penalidade. Embora a expressão "abandono de trabalho" seja relativamente conhecida, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que ela significa na prática. 🤔 Afinal, faltar 30 dias consecutivos leva automaticamente à demissão? Existe um prazo definido em lei? E o que muda quando o trabalhador atua no setor público em vez da iniciativa privada? As respostas variam de acordo com o regime de contratação. Enquanto trabalhadores com carteira assinada são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela jurisprudência da Justiça do Trabalho, servidores públicos estão submetidos a estatutos próprios e a procedimentos administrativos específicos. Ou seja, as regras para apurar a conduta e as consequências para o trabalhador são diferentes. Veja as principais diferenças na tabela abaixo. Apesar das diferenças entre os regimes, um ponto costuma gerar confusão: a ideia de que existe um prazo que transforma automaticamente uma ausência em abandono de trabalho. Na prática, não é tão simples. Quando vira abandono? A CLT prevê o abandono de emprego como hipótese de justa causa, mas não estabelece quantos dias de ausência são necessários para caracterizá-lo. Ao longo dos anos, os tribunais passaram a adotar o período de 30 dias como referência para analisar os casos, mas não como uma regra automática, explica Gustavo Fonseca Monteiro, advogado trabalhista empresarial e sócio da Tahech Advogados. Segundo ele, a Justiça costuma exigir dois elementos: ausência prolongada e injustificada e intenção do empregado de não retornar ao trabalho. "Faltar ao trabalho por um período e abandonar o emprego não são a mesma coisa (...) para que exista abandono, as circunstâncias devem demonstrar que o empregado não pretende retornar e decidiu, ainda que sem uma comunicação formal, romper o vínculo" . 🔎 Essa intenção é conhecida no meio jurídico como "animus abandonandi". Em outras palavras, não basta que o trabalhador esteja ausente. É preciso haver indícios de que ele decidiu, de fato, encerrar a relação de emprego. Felipe Mazza, coordenador da área de Direito Trabalhista do Efcan Advogados, explica que os 30 dias funcionam apenas como um parâmetro. "A empresa deve avaliar as circunstâncias concretas e buscar demonstrar que o empregado decidiu romper, por sua conduta, a continuidade da relação de trabalho". Por isso, uma pessoa pode ficar mais de um mês sem trabalhar e, ainda assim, não ter abandonado o emprego. Uma internação, uma doença grave, problemas relacionados a benefícios previdenciários ou dificuldades relevantes de comunicação podem afastar essa conclusão. Para que a justa causa seja aplicada, é necessário demonstrar algo além da ausência: a intenção de não retornar ao trabalho. Esse cuidado existe porque situações excepcionais são comuns, pontua Taunai Moreira, sócio do escritório Bruno Boris Advogados. Um trabalhador pode não conseguir avisar a empresa imediatamente porque está hospitalizado, enfrenta uma doença grave ou outro impedimento relevante, exemplifica. O que a empresa precisa fazer antes de demitir? Se a intenção do trabalhador é um dos elementos centrais da análise, cabe à empresa reunir provas antes de aplicar a demissão por justa causa. O procedimento normalmente começa pela verificação de eventuais justificativas para as faltas, como: Atestados médicos; Afastamentos previdenciários; Internações ou licenças devem ser consideradas antes de qualquer decisão. Na sequência, recomenda-se tentar contato pelos meios habituais, como telefone, e-mail e aplicativos de mensagens, registrando todas as tentativas realizadas. Caso o trabalhador permaneça sem responder, a empresa deve formalizar uma convocação para que retorne ao trabalho ou apresente justificativas. Monteiro explica que o documento deve informar o período de ausência, convocar o trabalhador a retornar ou apresentar justificativa em prazo razoável e advertir expressamente que a falta de manifestação poderá caracterizar abandono de emprego e resultar em demissão por justa causa. "A convocação deve ser enviada por meio que permita comprovar tanto o seu conteúdo quanto a entrega, como por exemplo carta registrada com aviso de recebimento ou, conforme o caso, notificação extrajudicial. E-mail e mensagens também podem reforçar a prova, desde que seja possível demonstrar o envio e o recebimento". Embora a legislação não determine um número mínimo de notificações, os especialistas recomendam que todas as tentativas sejam documentadas. Isso pode fazer diferença caso a situação seja discutida posteriormente na Justiça do Trabalho. "Sem isso, a justa causa não se sustenta", afirma Taunai, lembrando que o ônus da prova recai sobre o empregador. O que o trabalhador perde se houver abandono? Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro Bruno Spada/Câmara dos Deputados Quando a demissão por abandono é confirmada, os efeitos são os mesmos de uma dispensa por justa causa. Nesse caso, o empregado deixa de receber: aviso-prévio; multa de 40% sobre o FGTS; saque imediato do FGTS em razão da rescisão; seguro-desemprego; 13º salário proporcional; férias proporcionais acrescidas de um terço. Por outro lado, alguns direitos permanecem preservados. A empresa continua obrigada a pagar o saldo de salário referente aos dias efetivamente trabalhados e as férias já adquiridas, mas ainda não usufruídas. Outra dúvida comum envolve o FGTS. O dinheiro depositado na conta vinculada não é perdido e continua pertencendo ao trabalhador, embora ele não possa sacá-lo imediatamente em razão daquela demissão. E serviço público? Como funciona? Se, nas empresas privadas, a caracterização do abandono costuma ser discutida posteriormente na Justiça do Trabalho, na administração pública a apuração precisa ocorrer antes de qualquer punição. Para os servidores federais submetidos à Lei nº 8.112, o abandono de cargo é definido como ausência intencional por mais de 30 dias consecutivos. 🔎 No caso dos policiais federais, uma legislação específica prevê a demissão por 30 dias consecutivos de faltas injustificadas ou 60 dias alternados em um período de 12 meses. Mesmo quando a legislação estabelece critérios objetivos, porém, a punição não é automática. "A Administração não pode aplicar a demissão imediatamente: deve instaurar um Processo Administrativo Disciplinar", explica Felipe Mazza. Segundo Monteiro, o PAD é indispensável para que a administração pública identifique o período de ausência, avalie possíveis justificativas e assegure ao servidor o direito de apresentar provas e se defender. "A perda do cargo é uma sanção grave e está sujeita ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa", afirma. Por isso, a conclusão de uma comissão disciplinar não significa necessariamente o encerramento do caso. Em situações como a de Eduardo Bolsonaro, a comissão apenas recomenda a penalidade, e a decisão final cabe à autoridade competente. O que aconteceu no caso de Eduardo Bolsonaro? Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início de 2025. Na época, afirmou que deixou o Brasil por se considerar alvo de perseguição política. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decretou a perda do mandato por excesso de faltas. Com isso, ele deixou de ter o afastamento que permitia exercer a atividade parlamentar sem atuar na Polícia Federal. A PF, então, determinou que ele retornasse ao cargo de escrivão. Segundo a corporação, porém, Eduardo Bolsonaro não se reapresentou. Diante da ausência, a Corregedoria da Polícia Federal abriu, em janeiro de 2026, um Processo Administrativo Disciplinar para apurar um possível abandono de cargo. Após concluir a investigação, a PF recomendou a demissão do ex-deputado e encaminhou o processo ao Ministério da Justiça. Como a corporação é subordinada ao ministério, caberá ao ministro Wellington Lima e Silva decidir se aplica ou não a penalidade.

Ministério do Trabalho oficializa acordo para regulamentar funcionamento do comércio durante os feriados Nem todo comércio precisará negociar com sindicatos para abrir durante os feriados. Embora as novas regras, anunciadas nesta terça-feira (21) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), passem a exigir convenção coletiva para o funcionamento de parte do comércio nessas datas, algumas atividades continuarão autorizadas a operar sem acordo entre empregadores e trabalhadores. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 É o caso de farmácias, postos de combustíveis, restaurantes, bares e hotéis, que estão entre os setores com autorização permanente para funcionar em feriados. ➡️ Para os demais estabelecimentos, a regra determina que o trabalho nessas datas deverá estar previsto em convenção coletiva firmada entre o sindicato patronal e o sindicato que representa os trabalhadores da categoria. Na prática, a decisão unilateral do empregador deixa de ser suficiente para autorizar a abertura do comércio em feriados. A exigência, porém, não se aplica às seguintes atividades: venda de pão e biscoitos; varejistas de produtos farmacêuticos, incluindo farmácias de manipulação; flores e coroas; barbearias e salões de beleza; entrepostos de combustíveis, lubrificantes e acessórios para automóveis (postos de combustíveis); comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP); locadores de bicicletas e similares; hotéis, restaurantes, bares e similares; casas de diversões, inclusive estabelecimentos esportivos com cobrança de ingresso; feiras livres; porteiros e cabineiros de edifícios residenciais; agências de turismo, locadoras de veículos e embarcações; comércio em feiras e exposições; lavanderias e lavanderias hospitalares; estabelecimentos de prestação de serviços funerários. Trabalho em feriados no comércio: veja o que muda e os setores afetados Reprodução/EPTV Segundo o MTE, a portaria restabelece uma exigência prevista na Lei nº 10.101, que trata do trabalho em datas comemorativas no comércio. Com a mudança, questões como escalas de trabalho, folgas compensatórias, pagamento de adicionais e outras contrapartidas poderão ser negociadas entre representantes dos trabalhadores e dos empregadores. A medida também deixa claro que as novas regras se aplicam apenas aos feriados. ⚠️ O trabalho aos domingos continua autorizado pelas normas já previstas na legislação e não sofreu alterações. Durante reunião realizada nesta terça-feira (21) com representantes de trabalhadores e empregadores, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou esperar que as negociações ocorram de forma equilibrada entre as partes. “O que nós esperamos é que tenha maturidade das lideranças sindicais, dos trabalhadores e dos empregadores em torno de uma mesa (...) para que vocês possam encontrar soluções, muitas vezes, para problemas que pareciam não ter solução. E, quanto mais se conversa, pode-se ir aproximando dessa possibilidade", afirmou Marinho. Representante do setor empresarial, Ivo Dall’Acqua Júnior, presidente da Fecomércio São Paulo e diretor da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), afirmou que o acordo encerra uma etapa da negociação, mas que o debate deve continuar. "A discussão não para por aqui. Temos absoluta consciência disso, até porque novas formas, novos mecanismos e novas ferramentas vêm sendo incorporados ao mundo do trabalho. Então, creio que hoje estamos celebrando um acordo muito bem discutido, mas a discussão não para por aqui. O nosso diálogo tem que ser permanente". Funcionamento do comércio em feriados dependerá de autorização prevista em Convenção Coletiva g1/ Júlia Christine

O governo federal ainda avalia quais medidas adotará em resposta às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começam a valer nesta quarta-feira (22). A decisão foi confirmada pelo governo americano na semana passada. ➡️ A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros é resultado de uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável por formular a política comercial norte-americana. A apuração levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Ao longo do processo, representantes do governo brasileiro e de setores da economia participaram de reuniões e audiências com membros do governo norte-americano e apresentaram argumentos contra a adoção das sobretaxas. A investigação analisou temas como o sistema de pagamentos PIX, regras para plataformas digitais e outras políticas brasileiras apontadas pelos Estados Unidos como possíveis restrições ao comércio (veja mais abaixo). Governo se reúne com setores para avaliar impacto da nova tarifa dos EUA Logo após as tarifas serem anunciadas, o governo brasileiro divulgou uma nota em que chamou a decisão de "marco lastimável" na relação entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A medida é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde que os Estados Unidos anunciaram as primeiras tarifas, ainda no ano passado. Na semana passada, um dia após os Estados Unidos confirmarem a tarifa, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro avalia usar a Lei da Reciprocidade e que "no momento adequado, saberá como implementá-la". "Destacar que nós temos uma lei que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo no momento adequado, saberá como implementá-la", afirmou. "A lei não é retaliatória. Não há retaliação. O que existe uma lei que defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira", complementou o vice. Além disso, o vice-presidente adiantou que o governo terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa. No entanto, nenhuma medida ainda foi anunciada oficialmente. O governo brasileiro tem realizado reuniões com os setores afetados pela nova tarifa para identificar as principais demandas de cada segmento e definir medidas de apoio. Após os encontros, no entanto, alguns setores afirmaram ser contra a reciprocidade e defenderam a ampliação do plano Brasil Soberano, programa de crédito para as empresas afetadas pelo tarifaço. Em agosto de 2025, o Amazonas registrou movimentação de US$ 1,41 bilhão na Corrente de Comércio. Do total, as exportações somaram US$ 86,3 milhões e as importações US$ 1,32 bilhão. Bruno Leão/Sedecti Negociações Ao confirmarem o novo tarifaço, os Estados Unidos afirmaram que o governo do presidente Donald Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico. Além disso, representantes do governo conversaram com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, em pelo menos 11 ocasiões. Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação de membros do governo também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca apenas reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. O governo afirma que, em todos os casos, a iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, em uma tentativa de negociar uma saída para o impasse comercial. A informação é apresentada como resposta às críticas de que o Brasil teria deixado de buscar uma negociação com o governo dos Estados Unidos antes da adoção das medidas tarifárias. A percepção é que o cenário se mostrava favorável às negociações após o encontro entre Lula e Trump na Malásia e ainda melhor após o encontro entre os dois em Washington. No entanto, o cenário mudou depois da visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA. ➡️ Marco Rubio mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. LEIA TAMBÉM: 'Latino-americano frustrado' x 'passa pano para Maduro': relembre as trocas de farpas entre Lula e Marco Rubio Argumentos para nova tarifa Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês), o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Entre os fatores usados pelos Estados Unidos estão o PIX, ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra big techs, desmatamento e corrupção. LEIA TAMBÉM: PIX, STF, redes sociais: governo Lula contesta argumentos dos EUA para novo tarifaço contra o Brasil Após a confirmação da tarifa, o governo brasileiro divulgou uma nota contestando os argumentos do governo Trump para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil.

Ordem de Lula é evitar reação que dê munição a Trump e Flávio Bolsonaro na crise das tarifas A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22) sem que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha, até agora, adotado uma retaliação prática à medida. Após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto chegou a divulgar uma nota em que classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. (leia mais abaixo) Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Em entrevista coletiva na semana passada, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada "no momento adequado". A falta de uma reação mais enérgica, ao menos até agora, segue uma orientação do próprio presidente Lula. Conforme mostrou o blog do Valdo Cruz, a estratégia é tentar ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa e manter as negociações sem radicalismo. ➡️ A nova tarifa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. (veja a lista completa) Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras. Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo nesta terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja buscada pela via diplomática e empresarial. Processo longo Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Isso porque uma reação precipitada pode trazer riscos que vão além do fator político. O eventual uso da lei, além de exigir amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro, passa por um processo longo, que inclui uma série de novas discussões. "A lei prevê várias fases. Primeiro, o caso passa pela Câmara de Comércio Exterior. Depois, por consulta pública. Envolve ainda consultas com o próprio governo dos EUA. Então, não é algo imediato", explica Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior. Exportações brasileiras para os EUA desabam com o tarifaço, mas vendas para outros países compensam Jornal Nacional/ Reprodução Quais são os riscos do uso da Lei da Reciprocidade? Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações. Esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país, explica o especialista em comércio exterior Jackson Campos. "O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro", afirma. Por isso, o governo trata qualquer reação com cautela. Além da aplicação de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA — e que seguem em análise. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam os principais: Patentes: o Brasil poderia suspender parte das regras internacionais de propriedade intelectual, afetando a proteção de patentes de empresas do país alvo da medida. Serviços: poderia impor tarifas, sobretaxas ou outras restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo. Investimentos: poderia suspender benefícios, incentivos ou facilidades concedidos a investimentos de empresas do país alvo. Acordos comerciais: poderia suspender benefícios e concessões previstos em acordos comerciais firmados com o país alvo. "A lei exige que as medidas tenham contrapartidas e sejam, dentro do possível, proporcionais ao dano sofrido por quem causou esse dano. Além disso, é preciso tentar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira", afirma Jackson Campos. Enquanto isso, há outro ponto de cuidado no radar do governo brasileiro: a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas. ➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países. "O próprio documento final emitido pelo governo americano afirma que, se o Brasil aumentar as tarifas em retaliação, Washington pode entender que os 25% não são suficientes e elevar ainda mais a taxa", lembra Campos. Quais são, então, as saídas para o Brasil? Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é "o Brasil retaliar e se machucar sozinho". Ele lembra que a "munição" brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional. "Se você taxa esses produtos, quem paga não é o americano, é o produtor rural de Mato Grosso que precisa da peça do trator. Uma retaliação mal calibrada seria um gol contra com narração épica", diz. 🔎 Na investigação comercial que resultou na aplicação da tarifa de 25%, o governo Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. 🔎 As justificativas foram fortemente contestadas pelo governo brasileiro, que vê na medida uma tentativa de interferência em políticas internas do país, ao incluir temas considerados inegociáveis, como o PIX. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política, e não apenas comercial. Nesse cenário, Aragão aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país. Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho." Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo." A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes." Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA. "As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz. 🔎 A ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado. O governo também informou ao blog da Ana Flor que prepara linhas de crédito para empresas afetadas, condicionadas à manutenção de empregos, além de ações para apoiar a abertura de novos mercados. Lula e Trump Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters Fator eleições A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos. Por aqui, brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente, governadores, deputados e senadores. Por lá, as eleições de meio de mandato vão renovar a Câmara e parte do Senado. Com isso, a avaliação dos especialistas é de que as negociações devem se prolongar, sem uma resposta concreta no curto prazo. Também pesa nessa avaliação o fato de que, embora negativas, as tarifas atingem setores específicos e não ameaçam a estabilidade econômica do Brasil. "O governo brasileiro deve deixar isso um pouco de molho. Sabendo dos riscos de impacto nos preços, aplicar a Lei da Reciprocidade pode ser um tiro no pé a três meses da eleição", avalia Jackson Campos. "Acredito que o discurso será de defesa da soberania, mas sem uma ação efetiva." Enquanto isso, o grupo político do presidente Lula acompanha os possíveis impactos eleitorais do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro, em meio ao envolvimento do pré-candidato do PL nas discussões sobre a medida. Pesquisa Quaest divulgada na última semana mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade da decisão dos EUA. Conforme informou o blog do Valdo Cruz, aliados do senador admitem prejuízos para a campanha após a medida do governo Trump. Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ressalta que, diante do cenário, os avanços não vão depender necessariamente de vontade política, mas de calendário. A avaliação é que, de olho nas eleições, haverá uma escalada nos discursos, mas com cautela na prática. "Muito barulho, nota forte, discurso e, ao mesmo tempo, técnico conversando com técnico às sete da manhã sobre lista de exceções. E as exceções, por sinal, são o termômetro. Se começarem a pipocar isenções setoriais, é sinal de que a coisa está sendo resolvida por baixo, mesmo com o barulho por cima", diz. "A janela real de acordo eu vejo depois de outubro. Antes disso, o que dá para fazer é evitar dano permanente e manter os canais vivos — o que é, convenhamos, bem menos empolgante do que uma guerra comercial, mas bem mais útil", conclui.

Tarifaço de 25% de Trump contra o Brasil passa a valer hoje; veja o que muda A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política. (leia mais abaixo) A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida. Veja abaixo perguntas e respostas sobre a nova tarifa. O que muda com o tarifaço e quando ele entra em vigor? Quais são os principais produtos atingidos? Quais são os impactos para o Brasil? Como o governo dos EUA justifica a medida? O que diz o governo brasileiro? Brasil vai usar a Lei da Reciprocidade Econômica? Quais podem ser as respostas do Brasil? Quais medidas o governo brasileiro anunciou até agora? Tarifas podem aumentar ainda mais? Imagem de drone do Porto de Santos (SP) Reuters O que muda com o tarifaço e quando ele entra em vigor? Confirmada na noite da última quarta-feira (15) pelo governo Trump, a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA passa a valer nesta quarta-feira (22). A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. 🔎 Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas. Enquanto isso, outros mais de 2 mil produtos ficaram de fora da medida. Muitos deles foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de encarecer produtos essenciais, seja porque o país não produz quantidade suficiente desses itens. Voltar ao índice. Quais são os principais produtos atingidos? Entre os 50 principais produtos brasileiros exportados aos EUA em 2025, ficaram de fora da nova tarifa itens como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio passam a estar sujeitos à tarifa adicional. VEJA AQUI COMO FICOU CADA ITEM: Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos isentos e impactados Voltar ao índice. Quais são os impactos para o Brasil? O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Segundo ele, o percentual tem como referência as exportações de 2024, ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados por Trump. O valor corresponde a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,6 bilhões). Se a base for 2025, a participação dos setores afetados cai para 15%, o equivalente a US$ 5,8 bilhões (R$ 29,4 bilhões). O ministro acrescentou que, com a nova medida, 57% dos produtos exportados pelo Brasil aos EUA permanecerão sem tarifa. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o tarifaço afetará R$ 4,6 bilhões por ano em exportações, o equivalente a 36,5% das vendas do setor aos EUA. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apesar dos segmentos atingidos, a medida não terá impacto sobre "a economia do país como um todo". Especialistas também avaliam que os efeitos serão restritos, entre outros fatores, pela extensa lista de exceções. LEIA MAIS: Voltar ao índice. Como o governo dos EUA justifica a medida? A decisão é resultado de uma investigação comercial do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite ao governo americano investigar práticas de outros países que considera prejudiciais ao comércio dos EUA. No relatório final, o USTR afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e que poderiam "onerar ou restringir" o comércio com os EUA. Entre os temas analisados estão: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirmou que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questionou decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticaram tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório apontou falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegaram falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento citou problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR criticou medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. Voltar ao índice. O que diz o governo brasileiro? O governo classificou o tarifaço como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e afirmou que a medida tem motivação política por envolver temas considerados internos e inegociáveis, como o PIX. Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente Lula (PT) orientou aliados a evitar radicalismos na reação ao tarifaço. Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como "injusta e descabida" e afirmou que o Brasil "não saiu da mesa de negociação". Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda "não cabe falar em retaliação" aos EUA. "Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem 'viralatice' e seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", afirmou. Voltar ao índice. Brasil vai usar a Lei da Reciprocidade Econômica? Na madrugada da última quinta (16), logo após a gestão de Donald Trump confirmar a taxa, o Palácio do Planalto divulgou uma nota em que afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. 🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Uma das preocupações é com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas. ➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países. Há, também, o fator eleitoral. Na avaliação de assessores presidenciais, uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, é justamente o que Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro desejam. Assim, poderiam argumentar que Lula coloca seus planos eleitorais acima dos interesses das empresas brasileiras. Além disso, os próprios setores afetados pelo tarifaço se posicionaram contra medidas de reciprocidade. Em reuniões com o governo nesta terça-feira (21), empresários do segmento de máquinas defenderam que a resposta seja feita pela via diplomática e empresarial. Flávio Bolsonaro, Donald Trump e Lula Montagem - Arte/g1 Voltar ao índice. Quais podem ser as respostas do Brasil? Para especialistas, a via diplomática ou o uso cauteloso da Lei da Reciprocidade Econômica, sem uma escalada das tensões, seguem como os principais caminhos para o governo. Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país. Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho." Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo." A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes." Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA. "As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz. Voltar ao índice. Quais medidas o governo brasileiro anunciou até agora? O presidente Lula anunciou nesta tarde a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas e também para setores impactados pela guerra no Oriente Médio. A medida foi batizada pelo governo de "Brasil Soberano 3". Segundo o governo, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no "Brasil Soberano 1" e da renegociação de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões serão destinados pelo BNDES. 🔎 O Plano Brasil Soberano é um programa do governo que oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, como o tarifaço. Criado no ano passado por meio de medida provisória, o programa tem três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial. O financiamento será destinado a empresas que: são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como as dos setores de aço, alumínio, automotivo, madeira e máquinas, entre outros; pertencem a setores industriais estratégicos, como fertilizantes, farmacêutico, têxtil e minerais críticos, entre outros; tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas pela guerra. O presidente também sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões, batizada de "Brasil Soberano 2", para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano. A medida amplia o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos EUA. A lei é resultado de uma medida provisória (MP) editada em março de 2026. O crédito será destinado a empresas exportadoras de diversos setores. Entre as contrapartidas exigidas pelo governo está a manutenção de pelo menos parte dos empregos. Paralelamente, a ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado. Outras medidas continuam em estudo e poderão ser adotadas à medida que as empresas enfrentarem dificuldades para escoar os produtos atingidos pelas tarifas, como antecipou o blog da Ana Flor. Voltar ao índice. Tarifas podem aumentar ainda mais? Há essa possibilidade. O governo brasileiro reconhece que os EUA devem aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. A principal dúvida é se essa nova tarifa será acumulada aos 25% que entram em vigor nesta quarta-feira (22). Caso seja cumulativa, os produtos brasileiros poderiam enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. A possível nova tarifa também é resultado de uma investigação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que concluiu que a União Europeia e outros 59 países, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A confirmação da nova tarifa pode sair na sexta-feira (24). Em entrevista à CNBC, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira que as medidas serão anunciadas "em breve". Voltar ao índice.

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Evelyn Hockstein / Reuters O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (21) que os medicamentos genéricos importados pelos Estados Unidos continuarão isentos de tarifas até agosto de 2028. A partir dessa data, a alíquota será elevada para 100% durante um ano e, em agosto de 2029, passará para 200%. "Isso é feito para TRAZER DE VOLTA a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos, impondo uma penalidade às empresas que decidirem não construir fábricas e instalar equipamentos dentro do prazo estabelecido para elas", escreveu Trump na Truth Social. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O republicano vem pressionando as farmacêuticas, por meio de sua política baseada na cláusula da nação mais favorecida ("most-favored-nation"), a reduzir os preços dos medicamentos para patamares semelhantes aos praticados em outros países de alta renda. 🔎 Essa cláusula busca equiparar os preços pagos pelos americanos aos cobrados em outros países ricos. Agora no g1 Mais de 90% dos medicamentos vendidos nos Estados Unidos são genéricos, segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos do país (FDA). A política para medicamentos patenteados, de marca ou inovadores permanecerá inalterada, segundo Trump. As maiores farmacêuticas do mundo assinaram acordos com o governo dos Estados Unidos no ano passado, o que livrou bilhões de dólares em medicamentos das tarifas. Em abril, Trump assinou uma ordem executiva que impôs tarifas de 100% sobre medicamentos de marca importados. A sobretaxa poderia ser evitada caso os fabricantes concordassem com acordos de preços com o governo ou se comprometessem a produzir seus medicamentos no país.

Mega-Sena, concurso 3034: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3034 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (21), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas seria de R$40.711.163,89. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 62 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 37 - 28 - 08 - 39 - 30 - 60 5 acertos: 22 apostas ganhadoras, R$ 79.843,32 4 acertos: 2.287 apostas ganhadoras, R$ 1.266,03 concurso 3034 da Mega-Sena Reprodução / Caixa O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1